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Macrobiótica Zen - a Arte da Longevidade e do Rejuvenescimento -

Sakurazawa Nyoiti (George Ohsawa)

É NECESSÁRIO SAÚDE PARA HAVER PAZ

Todas as grandes religiões nasceram no Oriente. Do Oriente emana a


luz. Graças a elas, os povos orientais, sobretudo os do Extremo Oriente, viveram
pacificamente, durante milhares de anos, até a chegada da civilização ocidental. O
Japão foi sempre denominado “O pais da longevidade e da paz”.
Tudo muda, porém, neste mundo “flutuante”, efêmero e relativo em que
vivemos. Os países da Ásia e da África foram colonizados pela civilização
ocidental. Eram tão pacíficos que abandonaram as suas próprias tradições e
adotaram os costumes do Ocidente. A civilização importada torna-se cada vez
mais poderosa, as guerras mais cruéis, e a civilização científica é, agora, a nova
religião do homem. Nós a admiramos muito. Poderemos, contudo, esperar que ela
concorde com a velha civilização da saúde, da liberdade, da felicidade e da paz ?
Procurei complementar, durante 48 anos, estas duas civilizações, e
creio haver encontrado a maneira de fazê-lo. Penso que, se os ocidentais
estudassem a verdadeira filosofia oriental, resolveriam não somente os numerosos
problemas de ordem científica e social, mas também as grandes questões, como
as da felicidade e da liberdade.
O primeiro passo consiste em aprender a maneira de comer e beber do
Oriente: a Macrobiótica é a estrutura básica da felicidade e da saúde. No Japão,
por exemplo, o comer e o beber era considerado como a mais importante ARTE
DIVINA da vida. Enquanto que nós, no Oriente, desenvolvemos um método
calcado em bem elaborados e estabelecidos princípios, os americanos parecem
ser guiados somente pelo prazer sensorial e baixo discernimento nos seus hábitos
alimentares.
Neste livro, encontrareis centenas de receitas e ensinamentos de como
cozinhar e como comer, todos visando à felicidade e à saúde.
São inteiramente diferentes dos sistemas adotados pelos restaurantes,
lancherias, e pela cozinha caseira habitual. Os pratos que são servidos nos
restaurantes japoneses e chineses e que são o ”chic” em New York, atualmente,
satisfazem apenas ao baixo prazer sensorial e eclipsam totalmente o
discernimento superior, mas os autênticos mestres de cozinha, chineses e
japoneses, sabem preparar pratos que não só são deliciosos, mas excelentes para
a saúde e a felicidade, segundo os princípios da Macrobiótica.
A Macrobiótica é o regime alimentar fundamental adotado nos
mosteiros budistas Zen e, no Japão, é chamado SYOZIN RYORI, isto é, “cozinha
que melhora o discernimento supremo”. A filosofia precede e determina a
psicologia.
Se a indústria alimentícia americana pudesse adotar e industrializar os
alimentos e bebidas macrobióticos, seria isso a primeira revolução alimentar na
história da humanidade e a primeira declaração de guerra contra a doença e a
miséria humanas.

AOS MEUS LEITORES

Se vos decidirdes a estudar essa filosofia de cinco mil anos, a fim de


sentirdes liberdade infinita, felicidade eterna e justiça absoluta, procurai
compreender que isso deverá ser conseguido independentemente, por vós
mesmos, e para vós mesmos, como o fazem os pássaros, os insetos, os
peixes e todos os animais. Antes de tudo, procurai debelar vossa
doença, não a dele ou dela, mas a vossa! Procurai conhecer a natureza de vossa
doença e suas causas. Se estiverdes interessado somente no desaparecimento
dos sintomas, das dificuldades ou da dor, não tendes necessidade de estudar este
livro! Esta filosofia única não cogita de medicina sintomática.
Tereis que compreender e assimilar completamente este Princípio
Único, deveis vivê-lo em vossa vida diária. (A filosofia da Medicina do Extremo
Oriente é autossuficiente. Não há necessidade de ler e memorizar milhares de
livros complicados). Observai, então, a dieta macrobiótica explicada neste
pequeno livro. Se não encontrardes nele o tratamento específico para a
doença que estiverdes interessados em curar, deveis usar um ou outro
tratamento, ou procurar combinar diversos tratamentos, descritos no Capítulo X,
de acordo com os sintomas que se apresentarem. Fazei-o cautelosa e
sistematicamente, e sereis bem sucedidos.
George Ohsawa
INTRODUÇÃO

OS CAMINHOS PARA A FELICIDADE ATRAVÉS DA SAÚDE

A felicidade é, neste mundo, o objetivo de cada um de nós. Mas


em que consiste a felicidade no Ocidente, especialmente na América? Admito que
não sei. No Oriente ela foi definida pelos sábios, há alguns milhares de anos,
como um estado criado por cinco fatores:

1º Alegria de viver, resultante de uma longevidade saudável


dinâmica e interessada;
2º Libertação da preocupação com respeito ao dinheiro;
3º Capacidade instintiva de evitar os acidentes e dificuldades
que conduzem a uma morte prematura;
4º Compreender amoravelmente, a ordem que governa o
Universo Infinito;
5º Não sentir o desejo de ser o primeiro, por saber que os
últimos se tornarão para sempre os primeiros. Isto implica na renúncia de querer
ser sempre o vencedor, o vitorioso, o primeiro a liderar em qualquer situação, pois
que a consecução desse alvo é garantia certa de que seremos os últimos. Tudo
muda; tudo se altera no mundo dos negócios, da política, das ciências,
do matrimônio, da vida – há sempre um novo vencedor. O que hoje é o ápice da
moda, dos costumes, amanhã é obsoleto. O homem humilde, aquele que não
teme ser o último, conhece, portanto, um contentamento que é a essência da
felicidade.
Toda a filosofia oriental consiste no ensinamento prático de como
alcançar tal felicidade. É uma filosofia biológica, fisiológica, social, econômica e
lógica. Para aquele que a ensina é proibido explicar a significação profunda da
filosofia da constituição do Universo Infinito; deverá ser capaz de mostrar como a
felicidade pode ser alcançada por nós mesmos e para nós mesmos. Não existem,
pois, trata, os teóricos, mas somente práticos. A educação escolar é considerada
como completamente desnecessária e até mesmo escravizante. Todos os grandes
homens são autônomos e fizeram-se por si mesmos. Toda a educação
profissional é considerada escravizante, e a mentalidade escrava é a causa de
toda infelicidade.
Neste guia, evito explicar a filosofia Yin-Yang da felicidade, o conceito
de discernimento supremo e as chaves do Reino dos Céus, tais como foram vistos
por Lao Tsê, Buda, Song-Tsê e tantos outros, porque já existem numerosíssimas
obras a esse respeito. A compreensão intelectual dessa filosofia será inútil se não
for acompanhada de uma vivência diária cada vez mais intensa e feliz. Não
podemos aprender a dominar a maneira maravilhosa e aerodinâmica de nadar dos
grandes e pequenos peixes, sem entrar primeiramente dentro d'água.
Se a concepção oriental de felicidade vos interessar, experimentai o
método macrobiótico 1 pelo menos durante uma ou duas semanas. Eu o
recomendo após tê-lo ensinado durante 48 anos.
Estou convencido de que ele é o primeiro passo para a felicidade.
A outra alternativa, o caminho do estudo filosófico, intelectual,
conceptual e teórico é longo, difícil, enfadonho, infrutífero e interminável.
Sobretudo, lembrai-vos de que esta filosofia, que é denominada
“Princípio Único” é prática.
É totalmente alheia aos métodos da medicina que pretendem
restabelecer a saúde do corpo, quando, na realidade, aumentam o número de
pessoas enfermas e doentes por meio do emprego cada vez maior de produtos
farmacêuticos e operações cirúrgicas. É simplesmente uma disciplina prática de
vida que qualquer um pode seguir com grande prazer, quando e onde quiser.
RESTABELECE tanto a SAÚDE como a HARMONIA DA MENTE, DA ALMA E DO
CORPO, CONDIÇÃO INDISPENSÁVEL PARA UMA VIDA PLENA E FELIZ.

1 - "Macrobiótica" - do grego macro, que significa grande, e bios,


vida, isto é, técnica de longa vida, ou longevidade.

CAPÍTULO I

A MACROBIÓTICA E A FILOSOFIA DA MEDICINA ORIENTAL

A Macrobiótica não é uma medicina empírica de origem popular, uma


técnica mística, paliativa, espiritual, religiosa, científica ou sintomática.
A dieta macrobiótica é uma aplicação biológica e fisiológica da filosofia
e medicina orientais, uma concepção dialética do Universo Infinito. Tal concepção
data de 5.000 anos, e mostra o caminho para a felicidade através da saúde. O
caminho da “felicidade por meio da saúde” deve ser acessível a
todos, rico ou pobre, sábio ou ignorante; deve ser tanto prático como
teórico. Qualquer teoria, seja científica, religiosa ou filosófica, torna-se inútil
quando for muito difícil e pouco prática para o uso diário. De outra parte, qualquer
arte, prática e técnica, não deixa de ser perigosa se não tiver um fundamento
teórico firme. O sistema macrobiótico é muito simples na prática. Qualquer um
pode adotá-lo na vida diária, em qualquer ocasião e onde estiver, sempre que
genuinamente queira libertar-se de todas as dificuldades fisiológicas ou mentais.
Milhares de pessoas, no Extremo Oriente, têm gozado de felicidade e liberdade,
de cultura e paz relativa, durante milhares de anos, graças ao ensinamento
macrobiótico de Lao-Tsê, Song-Tsê, Confúcio, Mahabira, Nagarjuna, etc., assim
como muitos xintoístas, e muito antes deles, dos antigos sábios que introduziram a
grande ciência médica da Índia. Os antigos gregos também sabiam que uma
mente sadia e clara não pode existir num corpo tenso e perturbado.
Nos dias de hoje, todos esses ensinamentos tornaram-se obsoletos,
porque tudo o que tem um começo tem um fim, e a eles se misturaram a
superstição, o misticismo e o profissionalismo. É por isso que aqui vos ofereço
uma interpretação nova da Macrobiótica. Deveis estudá-la, pois é um pré-requisito
para que se possa compreender qualquer filosofia do Oriente.

POR QUE ESCREVI ESTE LIVRO


Por que no Ocidente existem tantos hospitais e sanatórios, tantos
remédios e drogas, tantas doenças físicas e mentais? Por que há tantas prisões,
tanta polícia e tantos exércitos de ar, mar e terra?
A resposta é muito simples: somos todos doentes fisiológica e
mentalmente. Mas, por que isto está acontecendo numa sociedade tão altamente
civilizada?
É porque ignoramos completamente a causa real de todo o sofrimento,
suas raízes filosóficas, biológicas, morais e psicológicas. Como se explica isto? É
porque assim fomos educados. A educação moderna não desenvolve a
capacidade que têm os seres humanos de conquistarem sua liberdade, felicidade
e justiça. Ao contrário, converte o homem em um “profissional”, ou seja, em um
escravo irracional, ou senhor cruel, de mentalidade curta, simplista e presa ao
dinheiro.
Felicidade ou miséria, doença ou saúde, liberdade ou escravidão,
dependem da maneira como conduzimos nossa vida diária e nossas atividades.
Nossa conduta é ditada pelo nosso discernimento.
Este, por sua vez, é o resultado de nossa compreensão da constituição
do mundo e do Universo Infinito.
Lamentavelmente, não existem escolas nem universidades onde
possamos aprender a discernir, a pensar, e a compreender com clareza e
liberdade. As palavras LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE estão
inscritas por todos os lados na França. A sua aplicação é, contudo, apenas
teórica.
A vida é infinitamente interessante e maravilhosa. Com a única exceção
do homem, todos os seres, pássaros, insetos, peixes, micróbios, e mesmo os
parasitas, vivem felizes na Natureza: livres de obrigações com respeito a si
próprios e para com os outros.
Passei dois anos nas florestas hindus e um nas africanas, e jamais vi
um só macaco, crocodilo, serpente, inseto ou elefante, que fosse infeliz, doente ou
obrigado a trabalhar para os outros, ou por dinheiro. Entre essas criaturas da
Natureza, não encontrei uma que fosse asmática, cancerosa, diabética, reumática,
ou vítima de baixa ou alta pressão sangüínea. Todos os povos primitivos que
viviam entre eles eram também relativamente felizes, antes da invasão pelos seus
“colonizadores”, armados de fuzis, de álcool, de açúcar, de chocolate e de religião.
A única norma de vida destes povos primitivos era: quem não sabe se divertir não
deve comer.
Sou o único. e talvez o último revoltado de cor amarela, que deseja
viver tão feliz quanto os seus ancestrais. Desejaria restabelecer o reino onde,
aqueles que não acham prazer em viver, não devem comer; onde cada um deve
viver feliz, pois como dizia Epícteto, a infelicidade é culpa de cada um. Nesse
reino, não haveria nem empregador, nem empregado, nem laboratório
farmacêutico, nem
escolas, nem hospitais, nem “indústria médica”, nem polícia, nem
prisões, nem guerra, nem inimigo, porém, todos seriam íntimos amigos, irmãos,
pais e filhos, maridos e esposas; não haveria trabalho forçado nem crimes, nem
castigos, e todos seriam independentes e autônomos.
Não sou, contudo, um revolucionário, nem tenho a intenção de
restabelecer um império mundial aparente: desejaria, simplesmente, convidar
algumas pessoas a viverem no meu invisível país das maravilhas, chamado
“Erewhon” por Samuel Butler e “Wonderland” por Lewis Carrol, onde temos 365
dias de natal por ano, em vez de um só.
A entrada nele é livre e gratuita, sendo suficiente estudar e passar a
viver o regime macrobiótico e compreender o livro que expõe a ,”Filosofia da
Medicina do Extremo-Oriente”.

QUE É A FILOSOFIA DO EXTREMO-ORIENTE?

Era uma vez um homem grande e livre chamado “Hou-i”, que encontrou
uma curiosa chave de pedra para abrir a porta invisível do Reino dos Céus,
“Erewhon” em inglês, que significa “Nowhere)”, de trás para diante (em parte
alguma) ou “Moni-Kodo”. Vivia no alto de uma colina, em certo lugar no coração
de um velho continente, muito quente durante o dia, muito frio à noite, sem armas,
sem instrumentos, sem vestimenta, nem calçado, nem casa, nem papel chamado
dinheiro, nem drogaria. Apesar de tudo isso, gozava a vida com todos os seus
companheiros, os pássaros, os peixes, as borboletas e todos os animais pré-
históricos. Não havia leis, nem ninguém para o obrigar, não havia ditadores, nem
ladrões, nem jornalistas, nem médicos, nem telefone, nem vistos em passaportes,
nem inspetores, nem taxas. Nada o importunava. Milhões de anos se passaram. A
sociedade nasceu e veio, depois, a civilização. Os mestres
apareceram e a educação começou, isto é, mestres profissionais
fabricaram imitações da curiosa chave de pedra de Hou-i e venderam-na a preço
elevado, visto que todos a queriam. Estas imitações têm sido vendidas muito bem
durante milhares de anos, e até o presente momento.
Proponho-me a distribuir a genuína chave do reino da liberdade, da
felicidade e da justiça. Ao contrário dos mestres profissionais, gozo fartamente a
vida como cidadão desse reino e não estou ligado a posses ou ao dinheiro. Posso,
por isso, oferecer essa chave gratuitamente a todos os que se interessam possuí-
Ia. A fim de cumprir com a minha missão, expresso-me numa linguagem especial,
quase infantil, que, porém, pode facilmente ser compreendida somente
por aqueles que se tornam merecedores de admissão gratuita nesse reino,
porque, aqueles que a compreendem, logo recuperam a saúde física e mental, e
possuem liberdade, felicidade e justiça. Minha interpretação desse reino é
chamada “a filosofia do Extremo-Oriente”, fácil de entender e praticar por aqueles
que não foram ainda totalmente dogmatizados, e muito difícil para os que foram
educados por mestres profissionais durante longos anos. Sentir-me-ia feliz, se um
punhado de pessoas pudesse compreendê-la integralmente. Ofereço esta chave,
que, na realidade, é um livro-guia para o Reino-dos-Céus, no qual interpreto a
filosofia do Extremo Oriente, de mais de 5.000 anos. É a minha reinterpretação
dessa filosofia antiga, que foi completamente falsificada, mutilada e transformada
por aqueles que eram chamados “profissionais”, no decurso de milhares de anos,
bem como pelos eruditos e pelos “santos” de todas as épocas no passado. Os
mestres da civilização atual continuam, infelizmente, com essa mutilação.
A minha nova versão (minha interpretação dessa filosofia antiga) está
alicerçada no firme fundamento da medicina do Extremo-Oriente. Esta medicina é
uma aplicação fisiológica e biológica da filosofia pré-histórica. Não só essa
medicina, mas todas as cinco grandes religiões da humanidade foram erigidas
sobre os mesmos fundamentos. Essa a razão por que Jesus curava tão
miraculosamente, tanto doenças físicas como mentais. A medicina que só pode
curar doenças físicas é um péssimo mago ou um “Satan”, que nos torna mais
infelizes do que éramos antes de encontrá-lo. Curar somente o físico é impossível.
A agonia mental e a ansiedade são o verdadeiro inferno, que nenhum “sputnik” ou
microscópio eletrônico conseguiram atingir.
Esta natureza de moléstia é característica da mentalidade daqueles que
ignoram a constituição do Universo e suas leis, pois tentar a, cura de
enfermidades do corpo, negligenciando as da mente, é tentar o impossível.
Estou cada vez mais convencido da eficácia miraculosa e da
superioridade de nossa medicina-filosófica: a Macrobiótica. Devo a ela minha cura
da tuberculose e de outras doenças, assim chamadas “incuráveis”, após ter tido a
boa sorte de ter sido desenganado pelos médicos, antes de atingir os meus 20
anos. Desde então, testemunhei milhares de curas surpreendentes de pessoas
pobres, desesperadas, que aplicaram este método na Ásia, na África e na Europa,
encontrando sua liberdade, tão simples e naturalmente como o fazem os pássaros
no céu, os peixes no mar e os animais nas selvas.
Abandonei o meu país natal, o Japão, há dez anos, com a única idéia
de visitar todos os países do mundo, na busca de um punhado de amigos capazes
de entender e de adotar minha filosofia, e de restabelecer, neste planeta, o reino
invisível da pureza, da felicidade e da saúde.
Torno a repetir que a minha filosofia-medicina é paradoxal, dialética,
fácil de ser aprendida, mesmo pelas crianças, e a mais prática que existe. A teoria
é simples, e há só um princípio que deve ser compreendido, o mesmo a cuja
conclusão Toynbee chegou, após suas longas pesquisas através da história: Yin-
Yang, fundamento cosmológico da existência, uma bússola universal, o centro e
coração de uma concepção do mundo, que pode ser aplicado em qualquer
aspecto e nível da vida diária, quer no que se relaciona com a família, como com a
vida conjugal, social ou política.
Que mais posso dizer? A minha filosofia não é uma medicina que visa a
destruir somente os sintomas, a qualquer preço, mesmo com violência,
quimicamente, fisicamente ou mortalmente. É ela um simples método-teoria
prático, que pode assegurar não só uma cura clínica (a simples eliminação de
sintomas), ou o controle da saúde fisiológica. Ela vai mais longe, pois traz a paz
para a alma e estabelece a liberdade e a justiça em nossas vidas. E isto, sem o
auxílio de nenhum instrumento! Esta concepção do Universo é mais revolucionária
do que a energia atômica e bombas de hidrogênio. Altera todos os valores, toda a
filosofia e técnicas modernas. Após ter ensinado este método durante 47 anos,
estou convencido do seu grande valor. No entanto, talvez eu esteja enganado,
pois, que, no decurso de todos esses anos, só encontrei uns poucos médicos
filósofos que compreenderam a unidade da filosofia e da medicina, que eram
aceitas e reconhecidas no Oriente, no longínquo passado.
CAPÍTULO II

A MINHA TERAPÊUTICA

De conformidade com a medicina do Extremo-Oriente, segundo eu a


entendo, não existe terapêutica ou remédios, porque a própria Natureza, mãe de
toda a vida do universo, é a grande e a maior curadora. Toda a doença,
infelicidade, crime e o castigo resultam da má conduta, isto é, de uma conduta que
violenta a Ordem do Universo.
A nossa cura, portanto, é infinitamente simples. Consiste,
simplesmente, em suspender a violação da ordem e permitir que a Natureza
execute seu trabalho miraculoso. Toda a doença pode ser curada completamente
em 10 dias, de acordo com a nossa concepção filosófica do mundo e da
constituição do Universo. Logicamente, toda a doença está localizada ou até
alimentada por nosso sangue, do qual um décimo se decompõe todos os dias, na
proporção de 300.000.000 de glóbulos por segundo. Por conseguinte, nosso
sangue deve ser totalmente transformado e completamente renovado em dez
dias, por uma alimentação biologicamente normal e bio-ecologicamente natural. O
que é natural é determinado pela consideração, tanto das necessidades biológicas
inatas do organismo humano, como pelas necessidades que são superimpostas
pelas condições do ambiente, tais como o tempo (condições atmosféricas)
altitude, tipo de atividade e estação do ano.
Se bem que a teoria e sua lógica sejam bem compreensíveis, a técnica
de sua aplicação é delicada e pode tornar-se muito complexa.
Consoante o conceito tradicional oriental de que nenhuma teoria sem
uma técnica prática é útil e que nenhuma técnica sem uma teoria simples e clara é
segura, minha terapia é muito simples:

1 - alimento natural
2 - abstenção de drogas
3 - abstenção de cirurgia
4 - eliminação da inatividade

Com efeito, é muito difícil encontrar, hoje em dia, alimentos e bebidas


naturais. Entretanto, uma vez compreendido o Principio único de toda a filosofia e
ciência do Oriente, a estrutura do Universo e sua ordem, nada vos poderá
desanimar. Sereis bem sucedidos.
É simples a teoria de nossa velha filosofia. Sua aplicação em nossa
vida diária é que pode tornar-se tão complicada, como o são nossa cozinha
moderna, nossos mercados, nossa agricultura e nossa indústria. Tudo dependerá,
porém, de vosso entendimento e de vossa eficiência.

INFELICIDADE, DOENÇA E CRIME

Segundo Toynbee, todas as quedas e decomposições dos impérios


mundiais e suas civilizações originaram-se internamente. Similarmente, a
infelicidade, as doenças e o crime de que sofre o homem, originam-se dentro dele
mesmo. Sua própria cegueira com relação à vida e ignorância da constituição do
Universo são a raiz de todo o seu sofrimento, pois sendo ele o Príncipe da
Criação, nasceu no seio da felicidade celestial.

DOENÇAS INCURÁVEIS

A chamada doença incurável no homem é fantástica e um produto da


imaginação. Eu vi milhares de pessoas doentes, ditas incuráveis, como diabéticos,
paralíticos de todas as espécies, leprosos, epilépticos, asmáticos, etc., curarem-se
em dez dias ou em algumas semanas pela dialética e dietética macrobiótica.
Estou convencido, por isso, de que não existem moléstias incuráveis neste mundo
se aplicarmos este método corretamente.

TRES CATEGORIAS DE CURA

De acordo com a nossa teoria, existem três categorias de cura:

1 - Sintomática. Eliminação e destruição dos sintomas por métodos


sintomáticos – cura paliativa, física, violenta. É a medicina sintomática, animal ou
mecânica.

2 - Educacional, baseada no desenvolvimento do discernimento, que


permite ao homem estabelecer e manter controle de sua saúde física. (É a
medicina do homem).

3 - Criativa, (Espiritual), que consiste em viver, sem medo ou


ansiedade, uma vida de plena liberdade, felicidade e justiça ou, por outras
palavras, a auto-realização. Esta é a medicina da mente, do corpo e da alma.

Se estiverdes em dúvida quanto à aplicação, a qualquer custo, da


terceira categoria, por vós mesmos e para vós mesmos, é inútil continuar a
estudar este livro. Podeis encontrar uma cura temporária na primeira categoria,
através da medicina popular, ortodoxa ou oficial ou caseira, e na segunda
categoria através de algum método espiritual ou psicológico. A terceira categoria,
no entanto, é
a estrutura eterna que se eleva acima das decepções e insucessos das
outras duas.

O QUE NÃO DEVEMOS CURAR

Não existem doenças incuráveis para Deus, Criador deste Universo


Infinito - o reino da liberdade, da felicidade e da justiça. Existem, não obstante,
pessoas a quem não podemos curar, ou a quem não podemos ensinar a se curar.
São os arrogantes, que nada desejam saber, antes de mais nada, sobre a
estrutura (constituição) do Universo Infinito e seu Princípio único (o Reino dos
Céus e sua
Justiça). Não compreendem que sem esse conhecimento, jamais terão
a fé que remove montanhas e as lança ao mar.
Se não tiverdes a vontade de viver a vida mais simples e sentir-vos
felizes com o mínimo indispensável, não deveis nem podeis ser curados.

VIVER PARVO

As pessoas doentes incessantemente expressam o desejo de serem


curadas; firmam que têm a vontade de se libertar do seu mal, a todo preço.
Vontade desta categoria não é senão o simples desejo de se recolherem em si
próprias; de escapar do estado em que se encontram, por outras palavras, mera
forma de derrotismo. Revela a recusa em aceitar a ordem eterna da vida, a ordem
que oscila entre o problema e o prazer. Viver em um estado estático, que inclui
somente uma condição e exclui a outra, é impossível: temos que recriar,
continuamente, nossa própria felicidade pelo reconhecimento e a cura de doenças
a cada instante de nossas vidas.
Muitas pessoas desejam ser curadas por outras ou por qualquer
instrumento, passando por cima de sua própria responsabilidade, a causa de sua
doença: “mea-culpa”, meu crime. São os descendentes da raça de serpentes. Não
devem e não podem ser curadas. Não merecem uma cura completa ou o Reino
dos Céus. O “querer”, em contraste, é único e atua de maneira bem diferente.
A vontade de viver começa pela pesquisa da causa primária de toda a
infelicidade, de todas as doenças, de todas as injustiças no mundo, e então
procura eliminá-Ias, sem o uso de meios violentos e artificiais. Vence e conquista
através de métodos que estão de acordo com as normas do Universo Infinito,
natural e pacificamente. Procurar curar somente os sintomas e controlar a saúde
sem aceitar a responsabilidade, não é senão a manifestação de exclusivismo e
egoísmo. Eclipsa e nega a Vontade, a ordem do Universo Infinito.

SATORI

O Satori, para o oriental, é a convicção tangível e lógica a que ele


chegou, corpo e alma do Reino da Liberdade, da Felicidade e da Justiça.
Se vossa jornada em direção ao Satori vos parece interminavelmente
longa, é porque vossa orientação está errada, e vosso progresso lento; é porque
aplicais, a fórmula (“IGNORAMUS, IGNORABIMUS”), (não sabemos e jamais
saberemos), ponto de vista originalmente expresso por cientistas como Du Bois
Raymond, e Henri Poincaré, etc. Esta, em essência, é a posição de todas as
pesquisas científicas e filosóficas do Ocidente, que atualmente prevalecem em
todo o mundo.
E, não obstante, o que a ciência preconiza que jamais poderá ser
conhecido, era conhecido há milhares de anos no Oriente. Para encontrar Satori,
basta modificardes vossa orientação: “Ignoramus” Satori. Nós, humildemente,
admitimos que não sabemos nada, mas acreditamos que é possível saber.
Meditemos (pensemos) e estudemos profundamente, e então
saberemos tudo”. (Por esta razão, os centros macrobióticos são chamados Centre
Ignoramus).
Não há nada oculto ou místico a respeito da concepção do Satori.
Se desejas atingir o Satori, deveis, antes de mais nada, estudar a nossa
filosofia (base de todas as religiões), para que possais compreender a maravilhosa
estrutura (constituição) do Universo Infinito e sua Justiça e praticar todos os dias,
estritamente, a técnica chamada macrobiótica.
Para vos tornardes um bom motorista ou um bom piloto é necessário
começardes por aprender o mecanismo, valor, funcionamento do veículo e as leis
da energia. Do mesmo modo, sois obrigados, a conhecer o vosso corpo e ser seu
médico.
Os pássaros, os peixes e todos os animais na Natureza são bons
volantes e pilotos. Mesmo um micróbio é o seu próprio médico, e não necessita de
hospital ou de farmácia. A farmácia é o símbolo ou o barômetro da ignorância do
povo, que ignora o “Mea Culpa”.

CORAGEM, HONESTIDADE E JUSTIÇA

Aquele que é aplaudido como corajoso, ignora a coragem; está tão


totalmente envolvido em sua ação corajosa, que não tem tempo de contemplar o
que está fazendo. Isto é, ele não sabe o que é a coragem no sentido como nós,
como observadores de sua ação, o sabemos.
Aquele que é perfeitamente honesto, da mesma forma ignora o que seja
a honestidade; como também aquele que é justo, ignora o que seja a justiça;
aquele que tem boa saúde, ignora a saúde. São todos humildes. O conhecimento
é a carteira de identidade do mundo limitado, relativo e ilusório, e não a do Reino
Infinito dos Céus.
Se estiverdes seguros das vossas aptidões, das vossas qualidades, dos
vossos conhecimentos, da vossa fortuna, sois prisioneiros deste mundo limitado.
Se afirmais saber o que é coragem, honestidade, justiça, paciência, saúde, não
sois modestos e na realidade sois alheios a todas essas qualidades. Aqui está a
ausência do problema: a coragem, a honestidade, a justiça, a felicidade e a
liberdade não podem ser concedidas por outrem; deveis vivê-Ias por vós mesmos
e para vós mesmos. Se elas dependem de outros, ou de certas condições, são
emprestadas e não vossas. Se alguém garantir a vossa liberdade, vossa liberdade
será vossa dívida. Quanto maior tal liberdade, tanto maior vosso débito.
Felicidade, liberdade e justiça devem ser infinitas, incondicionais e
ilimitadas. Procurá-las nos outros ou de outros ou se dependerem das condições
da Sociedade em que viveis, vossa dívida será interminável. Tereis que viver uma
vida de escravo.

TOLERÂNCIA

Se tiverdes que aprender a ser tolerante, revelais que vossa


compreensão é limitada. Não há nada intolerável neste mundo. Todas as coisas
são toleráveis. Toda a Natureza (pássaros, abelhas, animais, peixes) e toda a
criatura humana realmente livre, aceita tudo, tanto o bom como o mau tempo,
tanto a morte como a vida, tanto as dificuldades como os prazeres, sempre com
grande satisfação. Não
há protestos e nem objeções, nem queixas, porque tudo está em
perfeito equilíbrio.
Se achardes a mais insignificante coisa intolerável neste mundo, é
porque sois intolerável e exclusivista e, como não podeis expulsar ou destruir
todas as coisas deste mundo que considerais intoleráveis, vossa existência
necessariamente será frustrada, e vivereis no inferno.
Se tolerância for a vossa divisa, sois uma pessoa intolerante porque
todos os lemas desta espécie são uma confissão involuntária de vossa verdadeira
natureza. A medicina, por exemplo, não pode realmente curar a doença, mas
simplesmente declara guerra ao sintoma, enquanto ignora completamente as
causas primárias. Como conseqüência, pacientes e médicos, ambos morrem de
uma moléstia ou outra, a despeito de campanhas intermináveis para
erradicar germes, micróbios e vírus.
Este é um caso notável de intolerância para com a existência das
criaturas de Deus. Absoluta justiça é outra designação que se dá à ordem
irrevogável do Universo. Inclui ela o bom e o ruim, certo e o errado. Esses opostos
são antagônicos, porque se opõem um ao outro; não obstante são
complementares, porque existem e têm que existir lado a lado neste nosso
mundo; são eles a frente e o dorso da mesma moeda. Eliminar um em benefício
do outro é impossível, mesmo uma tentativa desse extermínio é o máximo da
ignorância e intolerância.
O juiz não pode de forma alguma julgar corretamente, se nada conhece
da justiça absoluta; e mais, a imposição da lei pela polícia, como bem se sabe,
jamais curará a sociedade do crime e nada mais faz do que combater os sintomas
sem sucesso pela prisão e punição do criminoso. Substitui a intolerância do
sintoma (no caso, o criminoso) pelo estudo e a análise profunda das causas
primárias do mal (o crime) e sua cura total. Quem aceita tudo com grande prazer,
não necessita saber o significado da tolerância.

CAPITULO III

AS SETE CONDIÇOES ESSENCIAIS DA SAÚDE E DA FELICIDADE

Antes de seguir nas minhas orientações sobre o regime, convém


examinar o vosso estado de saúde, segundo as sete condições seguintes: As três
primeiras são fisiológicas. Se as satisfizerdes, tereis 15 pontos., 5 para cada uma.
Pela quarta, quinta e sexta, de natureza psicológica, deveis receber 10 pontos de
cada; a sétima, a condição mais importante de todas, podeis obter 55 pontos. Ao
todo, deveis totalizar 100 pontos. Se, de início, obtiverdes mais de 40 pontos,
considerai-vos em boa forma, e, se ganhardes 60 pontos em três meses, será um
grande sucesso. E assim por diante. Começai, porém, fazendo este exame, antes
de iniciardes o regime macrobiótico, e novamente no começo de cada mês. Desta
forma podereis observar vosso progresso, segundo o rigor com o qual tiverdes
aplicado o regime.
Tentai esse teste com os vossos amigos, e ficareis surpreendidos ao
verificar que alguns deles, apesar de sua boa aparência, estão com péssima
saúde.

1. AUSÊNCIA DE FADIGA

Não deveis sentir-vos cansados. Se sois propensos a resfriados, isso


quer dizer que o vosso organismo está cansado há muitos anos. Mesmo se
apanhardes um resfriado de dez em dez anos, isto é um péssimo sinal, porque
não existe pássaro nem inseto que apanhe resfriado, mesmo nos países frios. A
raiz de vosso mal é, pois, muito profunda. Se fordes propenso a dizer
seguidamente: “é muito difícil! “ ou “é impossível!” ou “eu não estou preparado
para isto ou aquilo” pondes à mostra o grau de vosso problema. Se, na realidade,
tivésseis boa saúde, poderíeis superimpor-vos e desbaratar as dificuldades, uma
após outra, como um cão perseguindo uma lebre. Se fugirdes, no entanto, das
dificuldades maiores, sois um derrotista. Temos que ser aventureiros nesta vida,
pois que o hoje avança sem parar no amanhã, o desconhecido, e quanto maior a
dificuldade, maior o prazer. Esta atitude é sinal de libertação da fadiga que é a
verdadeira causa de todas as doenças. Podereis curá-las facilmente, sem
medicamentos, se puderdes compreender e praticar corretamente o método
macrobiótico de rejuvenescimento e longevidade.

2. BOM APETITE

Se não puderdes comer qualquer alimento simples com alegria, prazer


e com profunda gratidão para com o Criador, é sinal que vos falta o apetite. Se
achardes apetitoso um simples pedaço de pão integral, ou um prato de arroz
integral, isto indica que tendes um bom apetite e um bom estômago. Um bom
apetite, inclusive o sexual, é a própria saúde.
O apetite sexual e sua prazerosa satisfação é uma condição essencial
da felicidade. Se um homem ou uma mulher não têm apetite nem prazer sexual, é
que ele ou ela são estranhos à lei da vida, ao Yin-Yang. A violação desta lei por
ignorância só poderá conduzir à doença e às perturbações mentais. Os puritanos
são pessoas impotentes e, por isso, detestam a sexualidade e, como todos
aqueles que são tristes e descontentes, interior ou exteriormente, não entrarão
nunca no reino do céu.

3. SONO PROFUNDO

Se falardes dormindo ou tiverdes sonhos, vosso sono não é profundo e


bom. Ao contrário, se quatro a seis horas de sono vos satisfizerem plenamente,
vosso sono é saudável. Se não conseguirdes pegar no sono, três ou quatro
minutos após terdes deitado a cabeça sobre o travesseiro, a qualquer tempo e em
qualquer circunstância, significa que vossa mente não está livre de algum medo.
Se não puderdes acordar na hora fixada mentalmente, ao deitar, indica que o
vosso sono foi imperfeito.
4. BOA MEMÓRIA

Se não esquecerdes nada do que vistes ou ouvistes, é sinal de boa


memória.
A memória é o fator individual mais importante de nossas vidas, o
fundamento de nossa personalidade, a bússola de nossa existência. Sem uma
memória robusta, sem um armazenamento de memórias as mais diversas, nada
mais somos que máquinas cibernéticas. Por exemplo, crianças pequenas,
fascinadas pelo fogo e incapazes de resistir ao impulso de tocá-lo, terminam
sofrendo queimadura. A memória desta experiência em geral f az com que mani-
pulem o fogo com cuidado durante o resto de sua vida.
Por conseguinte, o comportamento humano, para que não termine ou
resulte em desgraça, depende do julgamento sadio. O discernimento sadio, por
sua vez, depende da experiência memorizada.
Como a capacidade de memorizar aumenta com a idade, é possível
melhorar a nossa memória infinitamente, mesmo ao ponto de não esquecer nada
do que vemos ou do que ouvimos.
Poderemos, assim, evitar a sensação que sentimos quando não nos
lembramos daqueles que foram bons para nós. Deveríamos imitar os bons ióguis,
os budistas e os santos do Cristianismo, cuja memória infinita capacitava-os a
visualizarem suas vidas anteriores.
Seguindo as indicações da Macrobiótica, podemos restabelecer e
fortalecer, infinitamente, esta faculdade. Podeis constatar isso com uma pessoa
diabética a quem a doença fez perder a memória. E não só os diabéticos, mas
também os neurastênicos, os idiotas e os imbecis podem recuperar a memória de
forma surpreendente. Conheci uma francesa, Mme. L., professora de filosofia,
que, juntamente com o marido e os quatro filhos, seguiu o regime macrobiótico
durante três anos, a fim de melhorar a sua memória, e, ao mesmo tempo, o seu
estado geral de saúde. Para sua estupefação, sua filha mais velha, que era
considerada por seus professores como retardada mental, tornou-se a primeira da
classe.

5. BOM HUMOR

Libertai-vos da cólera! Um homem, com boa saúde, está livre da raiva,


do medo, da doença ou do sofrimento e é alegre e agradável sob quaisquer
circunstâncias. Tal homem será tanto mais feliz e entusiasta quanto maiores forem
suas dificuldades e inimigos. A vossa aparência, a vossa voz, a vossa conduta e
mesmo as vossas críticas devem provocar a gratidão e o bem-estar de todos os
que vos rodeiam.
Cada uma das vossas palavras deve expressar a vossa alegria e a
vossa gratidão, como o canto dos pássaros e o zumbido dos insetos ou os
poemas de Tagore. As estrelas, o Sol, as montanhas, os rios e os mares, tudo vos
pertence. Como poderemos existir sem sermos felizes? Deveríamos ser como
uma criança quando recebe um belo presente. Se não o formos, é porque
estamos com péssima saúde e somos especialmente deficientes nesta quinta
condição. Um homem com boa saúde nunca se encoleriza.
Quantos amigos íntimos tendes? Um grande número de amigos íntimos
e variados, indica uma larga e profunda compreensão do Universo. Não conto aqui
como vossos amigos, os vossos pais e vossos irmãos e irmãs. Um amigo é
alguém a quem amais, admirais e respeitais e que vos retribui de igual maneira e
que vos ajuda a realizar os melhores sonhos custe o que custar, sem que lho
peçais.
Quantos amigos de coração tendes? Se tendes poucos é porque sois
exclusivista ou um triste delinqüente, e não tendes suficiente bom humor para
tornar os outros felizes. Se, porém, tiverdes mais de dois bilhões de amigos
íntimos, podeis dizer que sois amigo de toda a humanidade. Isto, porém, não é
suficiente se considerais somente os seres humanos mortos ou vivos. Tereis que
admirar e amar todos os seres e todas as coisas, mesmo as folhas da grama, os
grãos de areia, as gotas de água. Eis aí o bom humor. O Dr. S. Margine disse:
“Cada vez que estou na presença de uma obra da Natureza, sempre amo e
admiro a simplicidade de sua manifestação.” Will Rogers também disse: “Nunca
encontrei um homem de que não gostasse.” Se não conseguirdes fazer de vossa
esposa ou de vossos filhos amigos íntimos, isto prova que estais muito enfermo.
Se não estiverdes sempre alegres sob qualquer circunstância, sois um cego que
não vê nada deste mundo limitado da relatividade nem do Universo Infinito, ambos
cheios de maravilhas.
Se tendes qualquer queixa a formular, de ordem moral, mental, física ou
social, mesmo insignificante, o melhor é vos fechardes em vosso quarto, como um
caramujo na sua concha, e falar a vós mesmos sobre a vossa tristeza. Se tiverdes
poucos amigos íntimos e leais, seria prudente aceitar este meu conselho: tomai
uma pequena colherada de “gomásio” (semente de gergelim torrado e moído com
dez a quinze por cento de sal marinho) a fim de neutralizar a acidez do vosso
sangue. Podereis testar o valor desta minha sugestão em vossos próprios filhos:
deixai de lhes dar açúcar, mel, chocolate, etc.. ., que acidificam seu sangue, e em
uma semana ou duas, uma criança muito Yin (passiva, melancólica e infeliz) se
tornará muito Yang (ativa e cheia de alegria).
As sementes de gergelim combinadas com o sal (quatro partes de
sementes torradas e bem moldas para uma de sal marinho torrado bem moído)
destroem os maus efeitos do açúcar em todo o organismo humano, muito
especialmente no sistema nervoso e cerebral).
O óleo de gergelim do “gomásio” reveste cada partícula do sal e impede
a sede. Penetra na circulação sangüínea e normaliza a hiperacidez do sangue.
Lembrai-vos: excesso de acidez e morte são a mesma coisa!
Raramente se encontram homens e mulheres de temperamento
agradável. A grande maioria é doente, mas isenta de culpa porque não sabe como
conseguir o bom humor. Ignoram do que devem alimentar-se e como devem
comer. Se estiverdes sinceramente conscientes da constituição maravilhosa do
Universo, deveis estar plenos de infinita alegria e gratidão, e não podereis deixar
de compartilhar com os outros. Oferecei bom humor, sorri e falai, com voz
agradável,
a simples palavra “obrigado”, em todas as circunstâncias e tantas vezes
quantas possível. No Ocidente diz-se: “dai e recebei” (get and take)! Nós, no
Oriente, porém, dizemos: “dai, dai e dai, tanto quanto puderdes!” Não perdereis
nada em imitar-nos, pois que recebestes a própria vida - o Universo inteiro - sem
nada pagar. Sois o filho unigênito ou a filha, do Universo Infinito, que cria, anima,
destrói e reproduz tudo o que necessitais. Se souberdes disso, tudo vos será dada
com abundância. Se tiverdes medo de perder vosso dinheiro ou vossa
propriedade, praticando o princípio de “dar, dar, dar”, isto prova que sois doentes e
infelizes, vítimas do esquecimento. Esquecestes completamente a origem de
vossa fortuna e de vossa vida, do Universo Infinito; vosso julgamento
(discernimento) supremo está parcial ou totalmente eclipsado, sois incapazes de
ver a majestosa ordem da Natureza (“Universo Infinito”).
A cegueira do espírito é bem mais perigosa do que a cegueira física. Se
doardes uma pequena ou uma grande parcela de vossa fortuna, geralmente não
fazeis segundo a máxima oriental de “dar, dar, dar infinitamente”. Estais aplicando
o princípio ocidental do “dar e receber”, que é uma péssima camuflagem da teoria
de todos os economistas ocidentais, que nada mais é do que um instrumento para
justificar a colonização e a exploração, pela violência, de todos os povos de cor.
O “dar” oriental é o oposto, é um sacrifício, uma expressão de gratidão
infinita e a compreensão de autoliberação de todas as dívidas. Sacrificar-se
significa dar mais o melhor daquilo que se possui. O sacrifício é um oferecimento
ao amor eterno, à liberdade infinita e à justiça absoluta da vida. O verdadeiro
sacrifício é o ato de dar alegremente nossa vida ou o principio onisciente,
onipotente e onipresente da vida. É o - SATORI - autolibertação, (auto-realização).
Os muitos assim chamados “assistentes sociais”, provavelmente os
piores criminosos do Ocidente, dão somente os frutos da exploração e das
doações. Dar o que se recebe dos outros não implica em nenhum sacrifício,
faz-nos lembrar Ali Babá, que dava o que antes havia roubado dos 40 ladrões.
Nossa mãe Terra dá-se a si mesma infinitamente para alimentar a erva.
A erva dá-se a si mesma infinitamente para alimentar os animais. Os animais dão
sua vida para tornar este mundo alegre, feliz e interessante, ano após ano. Mas a
criatura humana é a única exceção; mata e destrói tudo porque o homem não se
dá aos outros! Na Natureza, o que morre é transformado em nova vida.
O homem, por sua vez, deveria dar-se para realizar o mais espetacular
milagre da criação: a liberdade infinita, felicidade eterna , justiça absoluta. Os que
não compreendem isto, ou são escravos, doentes ou dementes.
Se fordes alegres e estimados por todos, seja onde for, dando sempre
aos outros a maior e melhor coisa deste mundo, sereis a mais feliz das criaturas -
um entre milhões, que é capaz de expressar a maior alegria. Podereis conseguir
isso, observando as diretrizes macrobióticas. Encontrareis, então, os novos
horizontes do país com o qual o homem sonha, de acordo com Toynbee, Shangrá
e Erewhon, desde há mais de 300.000 anos. A medicina macrobiótica é real-
mente, uma espécie de lâmpada de Aladim, um Tapete Voador, com o qual
podeis realizar todos os vossos sonhos. Para consegui-lo, deveis restabelecer,
antes de mais nada, a vossa saúde, de modo a ganhar pelo menos 60 pontos, de
acordo com as sete condições da saúde e da felicidade.
6. RAPIDEZ E DINAMISMO DE RACIOCÍNIO E DE EXECUÇÁO

As pessoas que têm boa saúde devem possuir a habilidade de pensar,


julgar e agir corretamente com rapidez, inteligência e clareza. A rapidez é a
expressão da liberdade. Os que são rápidos e precisos, bem como os que estão
prontos a responder a qualquer desafio, acidente, ou necessidade, gozam de boa
saúde. Eles se destacam pela sua habilidade de pôr ordem em tudo e em toda
parte. Isto se verifica no reino dos animais e das plantas. A beleza da forma ou da
ação é uma expressão da compreensão da ordem do Universo Infinito. A saúde e
a felicidade, a integridade e a santidade são igualmente manifestações dessa
ordem, expressas na nossa vida quotidiana. Vida, Saúde Divindade e Eternidade
são uma só coisa.

7. A NATUREZA DA JUSTIÇA

As pessoas que possuem compreensão total da justiça alcançaram


Satori, visto que justiça = saúde = discernimento supremo = unicidade = infinito _
Satori. Conhecem a filosofia do Extremo Oriente em toda a sua profundidade e
alcançaram os 100 pontos integrais de nosso teste de autovalorização. Se, no
entanto, não atingistes esse nível, podeis ainda chegar aos 55 pontos,
presumindo-se que justiça não seja simplesmente uma concepção teórica, ou uma
idéia, objeto de vossos sonhos. Se vos estiverdes movimentando ativamente no
sentido de chegar a saber o

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que ela representa, se cada dia que passa mais vos aproximardes a
uma compreensão plena da Ordem do Universo, se sua intenção ou seu alvo
consiste em conscientizar o mais profundo significado da Filosofia do Extremo
Oriente, então apanhastes a natureza (o caráter) da justiça. Sua compreensão, em
expansão, conduzir-vos-a à auto-realização e merece 55 pontos. A natureza da
justiça é revelada pela sua inclinação em viver de acordo com a ordem natural do
Universo, pondo em prática o seu Princípio único, Yin-Yang. Revela-se pela sua
tendência de reconhecer Yin e Yang em cada fenômeno, seja físico, mental ou
espiritual, em cada aspecto ou atividade de vossa vida diária, como comer, beber,
pensar, julgar, fazer, falar, comprar, vender, ler, caminhar e trabalhar.
Em outras palavras, deveis viver a lei biológica: De um grão dez mil
grãos. Todos os vegetais e animais devolvem dez mil vezes mais do que recebem.
A terra recebe um grão, a terra devolve dez mil grãos. Um bicho da seda,
alimentado pelo homem, devolve centenas de milhares de ovos, mais dez mil
jardas de fio de seda. Algumas fêmeas de peixes dão milhões de ovos. Essa é a
lei natural biológica.
Se vossos pais vos deram a vida e vos alimentaram até atingirdes dez
anos, tomai conta e cuidai deles infinitamente, dez vezes dez mil. Quando tiverem
partido, ajudai aos pais de outros diretamente, através de vossa ação, ou
indiretamente, por outros meios. Esta é a concepção oriental de ON,* que foi
totalmente mal interpretado no Ocidente. Não se trata apenas da liquidação de
uma divida. É muito mais do que isso. ON é alegria, a satisfação de poder
distribuir, compartilhar infinita liberdade e eterna felicidade; é “justiça” ou a
absoluta alegria de viver.
Justiça à primeira vista, pareceria não ter conexão nenhuma com a
dieta. Poderá parecer que a dieta, um costume, foi substituído por uma abstração
inútil, semelhante às que têm atormentado outras filosofias por milhares de anos.
Isso é puro engano, porque o alimento é justiça, e justiça é o alimento. Ambos são
uma só coisa. Seguir a orientação macrobiótica, é chegar a conhecer a justiça; da
mesma forma, conhecer a justiça é seguir a dieta macrobiótica, a Ordem da
Natureza, ou da vida mesmo.
Desde que a Natureza nos tem provido de alimentos que são
apropriados para os nossos corpos, poderemos conquistar a saúde,
conhecendo-os e usando-os. Isto é Macrobiótica. A materialização da Ordem da
Natureza em nosso comer e beber. Se vivermos de acordo com esta Ordem,
teremos saúde como resultado; se a ignorarmos, a infelicidade e a doença
provavelmente surgirão. A lógica é simples, clara e prática. É a verdadeira justiça.

ON = Ordem da Natureza.

É impossível realizar estas sete condições de saúde, sem observar


estritamente o regime macrobiótico, que representa a essência de uma sabedoria
com mais de cinco mil anos e que é simples e fácil.
Através dele podeis tornar-vos o criador de vossa própria vida, saúde e
felicidade, sem depender dos outros; podeis ser independentes e livres. Podereis
curar não somente os vossos males físicos, mas também as vossas deficiências
psíquicas, morais, mentais, com a Macrobiótica. Conheceis, porventura, um
método melhor? Eu não conheço nenhum mais simples e direto. Se eu estiver
errado me indique, estou pronto a segui-lo e a abandonar o caminho biológico, fi-
siológico e cosmológico, que leva da saúde à paz, e que eu sigo e pratico há mais
de 50 anos.

CAPÍTULO IV

SE TIVERDES FÉ, NADA VOS SERÁ IMPOSSIVEL

A filosofia no Oriente é a arte de ensinar a constituição do Universo


Infinito, o Reino dos Céus. Seu único propósito é o de ajudar ao homem a
compreender esta estrutura ou ordem, para que ele possa alcançar liberdade,
felicidade e saúde, para si mesmo, e por si mesmo.
Desde que essa teoria é não só dialética, mas paradoxal e profunda,
eu a simplifiquei para que possa ser compreendida por todos. A pedra
fundamental de todas as religiões do Oriente é a aplicação desta teoria, tanto no
plano biológico, como no fisiológico. A ela se devem os princípios dietéticos
rigorosos que são parte integrante de quase todas essas correntes religiosas. A
não ser que vivais por esses princípios, não podeis compreender ou haurir f orças
de vossa religião e de seus ensinos, um f ato largamente ignorado pelos teólogos
ocidentais.
O Budismo, particularmente o Zen-Budismo, incorpora a observância de
leis dietéticas severas. No Ocidente, publicam-se hoje numerosas obras sobre o
Zen-Budismo e a filosofia hindu, porém nenhuma delas dá uma explicação
completa da importância e da superioridade de suas bases fisiológicas e
biológicas. Não é de estranhar, portanto, que a filosofia do Vedanta, do Taoísmo,
do Budismo, etc., não possa ser compreendida no Ocidente. Se as religiões em
seu conjunto perderam a sua autoridade, através dos séculos, é por causa da
negligência ou da ignorância desses fundamentos. É essa a razão porque a paz, a
liberdade, a saúde e a felicidade estão desaparecendo em todo o mundo.
Disse Jesus: (Mateus, cap. 17, versículo 20) -Se tiverdes fé do tamanho
de uma semente de mostarda, direis a esta montanha Remove-te daqui! E ela se
removerá, e nada vos será impossível,). Se tiverdes fé, nada vos será impossível.
Se algo vos é impossível, é porque não tendes a fé -do tamanho de um grão de
mostarda .
Os crimes, as guerras, a pobreza, a má vontade, as “doenças in-
curáveis” são o resultado final da falta de fé. A felicidade e a infelicidade
dependem da nossa conduta, que por sua vez é controlada por nosso
discernimento. A fé é o fundamento sólido sobre o qual se levanta o julgamento
(discernimento).
Não devemos confundir este tipo de julgamento (discernimento) que é
baseado na fé, com outra classe, que não o é. O julgamento que falha é o último.
Se vosso discernimento é falho, é porque não tendes fé, nem mesmo
do tamanho de um grão de mostarda. A fé é o discernimento infinito, e se não
conhecerdes a ordem majestosa do Universo Infinito, não tendes fé. Se tiverdes
confiança apenas nas invenções dos homens, tais como leis, poderio,
conhecimento, ciência, dinheiro, drogas e remédios, tendes fé somente na
relatividade e não no Infinito. Sendo todo o discernimento relativo, transitório e
sem valor, deveis, antes de mais nada, aplicar-vos ao estudo da estrutura do
Infinito, o Criador eterno.
Eis o motivo por que passei 48 anos como um simples intérprete da
filosofia do Oriente, e por que escrevi este livro, que é um guia e um passaporte
para o Reino da Saúde, da Liberdade e da Felicidade, onde cada um é o seu
próprio mestre, livre e feliz; nunca assalariado, nunca dependente. Os pássaros,
os peixes, os insetos, os micróbios, assim como as ervas e as árvores, vivem
nesse Reino plenamente satisfeitos, desconhecendo o medo da doença, da
velhice ou da morte.
Sentir-me-ei muito feliz se puderdes utilizar este passaporte, mesmo
que seja somente por 10 dias. Se decidirdes a sentir-vos felizes, livres, cheios de
saúde e independentes, através da observância das diretrizes de nossa filosofia,
podeis entrar em contato comigo em qualquer época e em qualquer lugar.
Responderei pelo telefone chamado “FÉ”.
No Reino da Vida, cada qual deve aprender tudo por si próprio. Não
existem escolas, nem universidades, porque o próprio Universo Infinito é a escola
eterna. Não há mestres, porque cada um deve aprender de todas as coisas e de
todas as pessoas, dia e noite, sobretudo com um inimigo forte e cruel; sem
inimigos, tornamo-nos preguiçosos, fracos e estúpidos.
Este livro-guia para a vida é mais do que suficiente, porque o mestre
Oriental da Grande Escola ensina fazendo perguntas. Raramente dá respostas, a
fim de fortalecer a habilidade do estudante de julgar por si mesmo. Na grande
Escola da Felicidade e da Liberdade, o aprendizado é através da prática.

A teoria deve ser imaginada, ou improvisada e inventada pela intuição e


pelo pensamento. Não é de admirar, portanto, que antes de eu vir para o
Ocidente, nunca havia escrito um livro que respondesse a tantas perguntas,
nenhum único volume desse tipo, entre mais de 300 livros que publiquei em
japonês.

DEVEMOS GOZAR DE LIBERDADE INFINITA

Sendo o homem superior aos animais, deveria poder curar-se melhor


do que qualquer animal. Um homem que não pode curar-se e que não pode
alcançar a sua própria liberdade, felicidade e justiça absoluta, por si próprio e para
si próprio, sem ser ajudado pelos outros, ou por invenções e aparelhos mecânicos,
está destinado a ser explorado e devorado pelos outros, para alimentar vermes e
micróbios. Não tem necessidade de ir para o inferno após a morte, pois já sua
existência é um inferno vivo.
Os ensinamentos de todas as grandes religiões insistem sobre a
importância de comer e beber corretamente. Um dos mais antigos códigos, o do
Manu, (da Índia antiga), mostra-nos um caminho muito prático, fisiológico e
biológico, para estabelecer a felicidade e a paz na Terra. É realmente de pasmar.
Não obstante, esta sabedoria não foi posta em uso, está esquecida.
Todos nascemos felizes. Se alguém não continua a sê-lo, a culpa é sua,
por ignorância violou, continua violando as leis do Universo. Se desejardes viver
uma vida feliz, alegre e longa, tereis de fortalecer a vossa compreensão e desvelar
o vosso julgamento Supremo pelo consumo de alimentos naturais, corretos. Este
método foi ensinado por todos os homens livres, (os santos do Oriente) conforme
indicam -os livros sagrados: a Bíblia, o Cânone do Imperador Amarelo, o I-King, o
Tao-Té- King, o Baghavad- Gita e o Charak- Samhita.
Eis aqui outra chave para a felicidade: se existir neste mundo uma só
pessoa ou uma só coisa de que não possais gostar, jamais podereis ser feliz, e, se
sois infeliz, estais enfermo, de corpo ou de espírito. Deveis curar-vos sem
dependerdes e sem usardes quaisquer artifícios. De outro modo, vossa cura será
incompleta, porque perdestes vossa independência e vossa liberdade.

A FELICIDADE

Vossa felicidade, liberdade, justiça, saúde e alegria de viver devem ser


cem por cento vossas. A saúde e a felicidade, que nos são dadas pelos outros, é
uma divida que deverá ser paga, cedo ou tarde. De outra forma, sereis um
escravo ou um ladrão.

Aqueles que nunca dizem “obrigado”, aqueles que muitas vezes dizem
“obrigado”, mas nunca pagam o que devem; os que pensam que pagaram tudo o
que devem, dizendo apenas “obrigado” ou “muito obrigado”, esses são infelizes.
São mais indesejáveis e detestáveis do que um bandido. Sofrem até o último
alento de suas vidas, porque sua existência é uma longa série de dividas.
Com efeito, não podereis, na verdade, reembolsar tudo o que deveis
nesta vida, porque só tendes aquilo que deveis. Libertai-vos-eis, se distribuirdes
alegria infinita e gratidão a todos os que encontrardes em vossa vida. Isso implica
em uma verdadeira compreensão da ordem do Universo Infinito e sua Justiça.
A terra devolve 10.000 grãos por um só que recebeu, “um por dez mil” é
a lei biológica deste mundo, e todo aquele que a violar, não poderá viver feliz. Se
não puderdes viver de acordo com esta lei, sois desventurado, sois um homem
castigado e confinado na prisão denominada Doença, Miséria ou Dificuldade.

CADA UM DE NÓS DEVE SER O SEU PRÓPRIO MÉDICO

A medicina macrobiótica, da longevidade e do rejuvenescimento, é


extremamente simples e econômica. Pode ser aplicada em qualquer tempo, em
qualquer estágio da vida e sob quaisquer circunstâncias. É mais educativa do que
curativa e depende inteiramente de vossa compreensão, de vossa vontade. Ela é,
na verdade, o estudo do caminho que leva ao SATORI, auto-realização e
libertação. Este estado deve ser alcançado por vós mesmos.
Os muitos livros escritos com esse propósito, em todas as idades, são,
em termos gerais, mais ou menos conceptuais. Não são práticos. São
maravilhosos e muito bons para ler e recitar, mas muito difíceis de seguir na vida
diária. Contrastando, a arte do rejuvenescimento e/ da longevidade, - a
Macrobiótica - é prática, isto é, baseia-se na experiência e, em particular, naquela
que será vossa. Podeis descobri-Ia por vós mesmos, pela completa e estrita
observância de suas diretrizes fundamentais, durante dez dias apenas.
Este volume acentua a importância da maneira correta de comer e
beber. Se desejardes aprofundar vossa compreensão da filosofia em que se
fundamenta a Macrobiótica, procurai ler “A Filosofia da Medicina do Extremo
Oriente (o livro do discernimento)”.*

Publicado pela Associação Macrobiótica de Porto Alegre com o


título "A Filosofia da Medicina Oriental" - Leia comentário a respeito no final
deste livro. (Nota da Editora).

CAPÍTULO V
AS DEZ MANEIRAS DE NOS ALIMENTARMOS
CONVENIENTEMENTE

Existem dez maneiras de comer e de beber pelas quais podereis obter


uma vida sadia e feliz. O alvo é manter um bom equilíbrio Yin-Yang, de acordo
com nossa filosofia cosmológica, biológica e fisiológica. Mas mesmo sem
compreender a teoria, podereis seguir e escolher qualquer um dos dez caminhos,
que conduzem para a saúde, paz e felicidade, indicados no quadro abaixo,
observando as indicações muito cautelosamente.

DEZ CAMINHOS DA SAÚDE PARA A FELICIDADE

N C V S C S S B
úmeros ereais egetais opas arnes aladas e obremesas ebidas
% % % %frutas %
%
7 1 - - - - - O
00
6 9 1 - - - - M
0 0 enos
5 8 2 - - - - P
0 0 ossível
4 7 2 1 - - - O
0 0 0
3 6 3 1 - - - M
0 0 0 enos
2 5 3 1 1 - - P
0 0 0 0 ossível
1 4 3 1 2 - - O
0 0 0 0
- 3 3 1 2 1 - M
1 0 0 0 0 0 enos
- 2 3 1 2 1 5 P
2 0 0 0 5 0 ossível
- 1 3 1 3 1 5
3 0 0 0 0 5

Podereis começar por substituir todos os alimentos de origem animal


pelas frutas e saladas, tornando-vos deste modo vegetarianos. Se, porém, não
chegardes ao bem-estar desejado, experimentai um dos regimes mais altos. O
mais alto, o n11 7, é o mais fácil, o mais simples e o mais sábio. Quanto menor o
número da dieta, tanto mais difícil. Experimentai o regime mais simples e mais
fácil durante 10 dias, observando as seguintes regras:
1 - Não ingerir alimentos sólidos ou líquidos fornecidos pela indústria,
tais como açúcar, doces e refrigerantes, alimentos enlatados ou engarrafados,
ovos não fecundados, conservas, etc.
2 - Cozinhar os alimentos de acordo com as recomendações do
Apêndice IX, utilizando somente óleo vegetal ou água. (Nas boas livrarias já
existem ótimos livros de culinária macrobi6tica, cuja leitura recomendamos).
3 - A medida que a vossa condição física e mental melhore com o
resultado de sua mais apurada compreensão do Princípio Único, Yin-Yang,
podereis experimentar os regimes mais baixos da tabela, porém vagarosa e
cautelosamente; suposto que sois curioso e aventureiro. De outra forma, podereis
continuar os regimes acima do n.º 3, durante o tempo que desejardes, sem
nenhum perigo. Se não melhorardes, podereis controlar o vosso estado de saúde
de tempos em tempos, a luz das sete normas da saúde e felicidade, voltando ao
regime n.º 7, durante uma ou duas semanas, ou mesmo alguns meses.
4 - Não comer frutas nem legumes cultivados artificialmente, com
adubos químicos ou inseticidas.
5 - Não comprar alimentos provenientes de regiões muito distantes
daquela em que viverdes, (num raio de 5O quilômetros), porque requerem
métodos de conservação que são muito prejudiciais.
6 - Não consumir nenhuma hortaliça, vegetais, verduras, fora da
estação própria.
7 - Evitar absolutamente os legumes mais Yin; batatas, tomates, e
beringelas.
8 - Não usar condimentos ou temperos químicos, inclusive todos os
molhos e massas de soja japoneses, (missô e shoyu) comercializados, com
exceção do sal natural (marinho) e do molho macrobiótico (shoyu) (tamari)e da
massa de soja (missô) de procedência idônea e confiável.
9 - O café é proibido. Não tomar chá contendo corantes cancerígenos.
Isto inclui quase todos os chás à venda nas casas comerciais. :São permitidos o
chá japonês (ban chá) e o chá chinês natural, sem corantes, assim como o chá de
cevada torrada, sem açúcar.
10 - Quase todos os alimentos de origem animal, tais como galetos,
carne de porco ou de vaca, manteiga, queijo e leite são tratados ou produzidos
com produtos químicos. Devem ser evitados. A maioria das aves selvagens,
ostras e peixes frescos, em contraste, estão livres de produtos artificiais ou
químicos. Podem ser usados ocasionalmente (de vez em quando).
11 - Fermento, como o define o “Oxford English Dictionary”, é uma
substância amarela que é produzida como uma escuma ou sedimento durante a
fermentação alcoólica do mosto da cerveja (do malte) e outros fluidos e sacarina.
Tendo o fermento, portanto, base de açúcar, os alimentos que o contêm devem
ser consumidos em pequenas quantidades.
12 - Bolachas, biscoitos e similares que contêm bicarbonato de sódio,
não devem ser usados. A soda provoca crescimento rápido e expansão das
massas para esse fim. Como tal é demasiado Yin e não deve fazer parte de uma
dieta equilibrada, saudável.
COISAS BOAS PARA COMER

CEREAIS
(integrais, não refinados)

Arroz não polido, só descascado, trigo mourisco ou sarraceno, trigo,


milho, cevada, painço, aveia e centeio.
Usá-los crus, cozidos, em forma de creme (mingau) quanto lhe
apetecer. Prepare com ou sem água, fritos ou assados. Coma quanto quiser,
contando que mastigue bastante.

VEGETAIS

Qualquer espécie de verdura produzida no local, próprio da estação,


exceto a batata inglesa, o tomate e a beringela. São permitidos: cenoura, cebola,
abóbora, machiche, couve, couve-flor, alface, agrião, etc. Vegetais selvagens
incluem: dente-de-leão, tussilagem (unha-de-cavalo), bardana, agrião bravo, etc.

BOA MASTIGAÇÃO

“Devemos mastigar a nossa bebida e beber o nosso alimento”, dizia


Gandhi. Deveis mastigar cada porção (garfada) pelo menos 50 vezes. Se
desejardes assimilar a filosofia macrobiótica o mais breve possível, mastigai 100 a
150 vezes. Conheço uma menina japonesa que mastigou um pedaço de cebola
1.300 vezes. Por mais saborosa que seja a porção de alimento, ela se torna ainda
muito mais se for bem mastigada. Experimentai mastigar um pedaço de carne
cuidadosamente, constatareis que rapidamente perde o seu sabor. Os alimentos
que são bons e necessários para o vosso corpo tornam-se tão saborosos que já
não mais desejareis abandoná-los até o fim de vossos dias.

MENOS LIQUIDOS

Aprender a beber menos líquido é muito mais difícil do que aprender a


comer sábia e simplesmente, mas é muito necessário. Setenta e cinco por cento
do peso do nosso corpo consiste de água. Arroz cozido, por exemplo, contém 60 a
70%, e os legumes 80 a 9091r. Assim, nós quase que invariavelmente ingerimos
líquido demais (Yin-expansivo).
Para acelerar os resultados da cura macrobiótica, recomendo, pois,
beber menos, de modo a urinar somente 2 vezes por dia (as mulheres) e 3 vezes
(os homens).
O método de beber, tanto quanto possível, é uma invenção de mentes
simplórias. Quem originou semelhante teoria, ignorava completamente o
maravilhoso mecanismo metabólico dos rins e, especialmente, o funcionamento
dos glomérulos de Malpighi. Errou em conceber os rins como de estrutura e
função idênticas a um sistema mecânico de esgotos em que grandes quantidades
de liquido lavam e limpam as tubulações de barro, cimento ou ferro fundido. O rim,
no entanto, não é encanamento de ferro fundido. IR feito de tecidos, que devem
ser flexíveis e porosos, de forma que os processos de filtração, difusão e
reabsorção possam ter lugar.
No caso de se tomar liquido em grandes quantidades, as minúsculas
aberturas no tecido semipermeável dos rins diminuem de tamanho (essas
aberturas são circundadas por um tecido tipo esponja, que absorve o líquido e
incha (se expande), quando então pouco ou nenhum líquido pode penetrar e
passar). Para todos os fins práticos, os rins ficam bloqueados. O resultado final é
uma completa reversão daquilo que o sistema beba quanto puder pretende. Ajudai
vossos rins sobrecarregados e cansados! BEBEI MENOS!

A DELICIOSA COZINHA MACROBIÓTICA

Na cozinha macrobiótica, que pode ser muito deliciosa, requer um


cozinheiro de mente criadora, que também compreenda do equilíbrio Yin-Yang.
Infelizmente, a educação moderna negligencia a capacidade criadora a tal ponto,
que é raro encontrar um cozinheiro no Ocidente.
E, no entanto, viver é criar. Sem criação não podemos existir, porque os
nossos corpos criam o nosso sangue do alimento e das bebidas que ingerimos
diariamente. O nosso poder de adaptação humana é, em si, o resultado dessa
capacidade criadora. A vida é a expressão da criatividade, e por sua vez depende
completamente da composição, proporção, prepa

ração e a ordem dos elementos Yin-Yang daquilo que comemos e


bebemos. O sangue é o criador e o motivador de todas as nossas atividades.
No começo, desconhecendo a cozinha macrobiótica, preparareis pratos
que não serão tão deliciosos. Não deveis dar a isso nenhuma importância:
comereis menos e dareis umas férias ao vosso estômago e intestinos cansados.
Minhas congratulações! Além disso, vossos primeiros pratos provavelmente não
serão muito bem equilibrados. Não vos preocupeis demasiado com isso. Pela
prática e o estudo de nossa teoria, desenvolvereis o vosso discernimento no
preparo Yin e Yang de vossos alimentos, que é a arte mais importante e básica de
nossa vida.

CAPITULO VI

O "YlN" E O "YANG"
Yin-Yang são forças antagônicas, porem complementares. Segundo
minha experiência, esta afirmação já é, em si, incompreensível à maioria dos
ocidentais. Por isso, neste guia, simplifiquei a teoria em que ela subjaz. Enquanto
tratardes de compreender a fundo essa filosofia, procurai seguir fiel e
rigorosamente as minhas indicações; sem o menor receio nos vossos momentos
de incerteza, tomai a decisão de prosseguir até o feliz final, como o professor
Herrigel seguiu as do mestre Awa.1 Isto é menos difícil do que o jejum.
Lembrai-vos de que podeis comer tanto quanto vos apetecer, contanto que
mastigueis bastante.
Tendes o direito e a responsabilidade de ir em busca da saúde e da
felicidade, porém devereis fazê-lo, vós mesmos, e para vós, sem depender de
outros. Nada mais fazeis, assim procedendo, do que seguir o exemplo que nos
dão os animais silvestres.
Eis a seguir, um pequeno esboço da teoria Yin-Yang:
De acordo com a nossa filosofia, tudo se resume, neste mundo, sob o
aspecto físico, em Yin força centrífuga, e Yang, força centrípeta. A força centrípeta
é a construtiva e produz o som, o calor, ação e luz; a força centrífuga é expansiva,
fonte do silêncio, da calma, do frio e da escuridão. Os fenômenos físicos seguintes
são conseqüências dessas duas forças fundamentais:

YIN YANG
TENDÊNCIA Expansão Contração
POSIÇÃO Exterior (para Interior (para
fora) dentro)
ESTRUTURA Espaço Tempo
DIREÇÃO Ascendente Descendente
(para cima) (para baixo)
COR Púrpura Vermelho
TEMEPARTUR Frio Quente
A
PESO Leve Pesado
FATOR Água Fogo
ATÔMICO Elétron Próton

1 - Ler "ZEN et le tir à l'arc", de Herrigel.

Potássio (K) Sódio (NA) -


- o elemento o elemento
representativo "Yin". representativo
ELEMENTOS Todos os elementos Yang. Os elementos Yang
químicos na tabela na tabela periódica são: H,
periódica (O. P. Ca, N. As, C, Li, Na, Mg.
etc.) são Yin, exceto os
poucos enumerados na
coluna "Yang".

BIOLÓGICO E FISIOLÓGICO

YIN YANG
REINO Vegetal Animal
VEGETAIS Verduras Cereais
SISTEMA Simpático Parassimpático
NERVOSO
SEXO Feminino Masculino
MOVIMENTO Inverno Verão
GOSTO Apimentado, Salgado
(SABOR) ácido
VITAMINAS C. A. D. K.

BIO-ECOLOGICO

YIN YANG
PAÍS DE Tropical Frígido
ORIGEM
ESTAÇÃO Que nasce no Que nasce no
verão inverno

O que devemos comer? O que é melhor, ser vegetariano ou frugívero?


Ambos são desaconselháveis? Pense, pense e pense mais ainda. Somente o
raciocínio vos dará compreensão, saúde e felicidade. O raciocínio correto é feito
em termos de Yin e de Yang, dialética prática, chave para o Reino dos Céus. Para
quem conhece as forças Yin e Yang e sabe como equilibrá-las, o Universo e a
vida constituem a maior universidade gratuita à disposição do homem. Para o indi-
víduo que nada sabe deste princípio, a vida é um inferno na terra.
O Yang e o Yin derivam um do outro:
As regiões do globo que são Yin produzem animais e vegetais Yang;
reciprocamente, os animais e vegetais que nasceram em regiões Yang, isto é,
quentes, são Yin. Da mesma maneira, o óvulo produzido pelo sexo feminino (Yin)
é Yang, enquanto que, inversamente, o espermatozóide produzido pelo sexo
masculino (Yang) é Yin.
As sete leis da Ordem do Universo são suplementadas por doze
teoremas do Principio Único. Estes teoremas definem o funcionamento do mundo
relativo e são assim formulados:
1 - Yin- Yang são os dois pólos da expansão pura infinita; eles
apresentam-se quando a pura expansão infinita (centrifugação) atinge o ponto
geométrico de bifurcação.
2 - Yin e Yang surgem continuamente da pura expansão
infinita.
3 - Yin é centrífugo; Yang é centrípeto. Yin produz expansão,
leveza, frio. Yang produz constrição, peso, calor, luz. Yin e Yang produzem
energia.
4 - Yin atrai Yang; Yang atrai fin.
5 - Todo fenômeno é produzido pela combinação Yin-Yang em
variadas proporções.
6 - Todos os fenômenos são efêmeros, devido às constantes
alterações dos componentes Yin e Yang. Tudo está sempre em movimento.
7 - Nada é exclusivamente Yin ou Yang. Tudo encerra
polaridade.
8 - Não existe nada neutro. Yin ou Yang está em excesso em
qualquer ocorrência.
9 - A força de atração entre as coisas é proporcional à
diferença de seus componentes Yin e Yang.
10 - Yin repele Yin; Yang repele Yang. A atração ou repulsão entre
duas coisas está na proporção inversa à diferença de suas forças
Yin e Yang.
11 - No extremo Yin produz Yang, e Yang produz Yin.
12 - Todas as concreções físicas são Yang no centro e Yin na peri-
feria.

C O M E N T À R IO S

Transcrevemos nesta edição brasileira de “MACROBIÓTICA ZEN” o


que consta na edição revista da tradução americana, publicada pelo Centro
Macrobiótico de Los Angeles, Califórnia.

ATENÇÃO

Deve ficar entendido que somente os alimentos na categoria dos


CEREAIS são considerados como ALIMENTOS PRINCIPAIS. Podem ser
consumidos diariamente, e em cada refeição. Constituem eles a base do regime
Macrobiótico.
Todos os demais alimentos e bebidas constantes da referida tabela,
quer sejam classificados como Yin ou Yang, devem ser usados em PEQUENAS
quantidades, ocasionalmente e com CAUTELA.
Por exemplo, a maçã apesar de aparecer na tabela como a fruta mais
Yang (AA) não pode ser comida, sem risco, de maneira tão freqüente como o
arroz integral. Não obstante serem as maças Yang, toda a categoria das FRUTAS,
é muito Yin, comparada com a categoria dos CEREAIS. Portanto, só uma,
pequena quantidade de maçã pode ser comida ocasionalmente pelos que não
estão doentes. Nenhuma fruta deveria ser comida por aqueles que estão doentes.
As próprias categorias de alimentos e bebidas, isto é, cereais, vegetais,
etc., estão relacionadas num ordenamento que designa a quantidade
(porcentagem total do alimento servido) e a freqüência com que devem ser
usadas. Por exemplo:

- Os CEREAIS são SEMPRE usados como base de uma refeição. São


usados na quantidade maior, de pelo menos 609ó no total do alimento servido.
- Os VEGETAIS são usados como suplemento dos CEREAIS, mas em
menores quantidades e menos freqüentemente.
- O PEIXE é usado em quantidades ainda mais reduzidas e ainda
menos freqüentemente.
- OS ALIMENTOS DE ORIGEM ANIMAL, OS LATICINIOS, as
FRUTAS e demais alimentos miscelâneos, relacionados na ,Tabela de Alimentos
Macrobióticos”, devem, por sua vez, ser usados em quantidades sucessivamente
ainda menores e ainda com menos freqüência.
- Todas as BEBIDAS da tabela, classificadas tanto como Yin ou Yang,
devem ser usadas nas mínimas quantidades e o menos seguidamente. Se
possível, não beba líquidos em quantidade superior a um quarto de litro (3 xícaras)
por dia.
Também é aconselhável escolher os alimentos que estejam no ponto
ou aproximadamente perto do ponto intermediário, entre o extremo Yin e o
extremo Yang, dentro de cada categoria, salvo quando houver uma razão
específica para alguma outra escolha. Este é o ponto delicado do equilíbrio, pelo
qual se consegue a maior soma de saúde e felicidade.
Queremos tornar bem claro, entretanto, que viver macrobioticamente
não significa uma aderência rígida a uma série de regras. A manutenção de um
equilíbrio sadio na nossa vida cotidiana requer de cada indivíduo uma capacidade
de adaptação e uma percepção das influências em permanente mutação de
muitos fatores. Isto faz com que uma existência feliz e saudável resulte em uma
tarefa permanente e ininterrupta.
A espécie de clima no local onde vivemos e o tipo de atividade que
exercemos determinam aquilo que devemos comer e como comer. (Fatores como
o lugar do nascimento, nosso tipo constitucional, a estação do ano, assim como
muitas outras coisas, são tomadas em consideração à medida que se expande
nossa compreensão da Ordem do Universo). Por exemplo, o homem que vive num
clima frio necessita de alimentos que sejam um pouco mais Yang do que aqueles
que necessitam os habitantes dos trópicos; quem trabalha, por exemplo, no
campo, pode tolerar um pouco mais de alimentos Yin do que aqueles que
trabalham confinados em um escritório. Tudo é relativo e é determinado pelo
próprio indivíduo, pois nenhum conjunto de regras tem a possibilidade de abranger
todas as variações que existem de uma para outra pessoa.
A frase empregada, um pouco mais de Yang, não deve ser entendida
como significando uma dieta baseada inteiramente em carne, assim como mais
Yin não implica em uma dieta em que prevalecem as frutas e o açúcar. Entretanto,
o fato de que nossa ingestão diária de alimentos é baseada preponderantemente
em cereais, é tida como certa e aceita.
Em tudo existe o Yin e o Yang. Considereis, por exemplo, o arroz.
Basicamente, o arroz integral é mais Yang do que o arroz polido. Não obstante,
entre as diversas variedades de arroz integral, existem umas que são mais Yin ou
mais Yang do que outras. A conclusão final depende, pelo menos, de três fatores:
Como foi o arroz cultivado?
Em que clima?
Qual o tamanho do grão, forma, conteúdo de H,O, e tonalidade de cor?
O que se revela como fator de primordial importância, é conscientizar
que, a fim de alcançar um grau elevado de saúde e felicidade, o indivíduo precisa:

1. Compreender, pelo estudo, a Ordem do Universo de que ele é uma


parte;
2. Aprender a tornar-se consciente de si mesmo (autoconhecer-se) e de
suas reações, com relação ao seu ambiente;
3. Pensar, pensar e pensar, durante todo o tempo.

TABELA DE ALIMENTOS E BEBIDAS (V = Yin A = Yang)

A
1.

CEREAIS
V Milho Trigo
Centeio Painço
Cevada A Arroz integral
Aveia A Trigo mourisco
A (Sarraceno)
Aveia em flocos

2.

VEGETAIS
V Beringela Repolho Branco
VV
Tomate A Dente de Leão (folha e
aste)
Batata Doce Alface
Batata Inglesa Escarola
Cogumelo Couve Chinesa
Japonês
Pimentão Rabanete
Feijões( exceto Alho
azuki ou azuki-miudo
vermelho)
Aspargo Cebola
Espinafre Salsa Verde
Alcachofra A Abóbora de Hokkaido
A
Palmito Cenoura
Cogumelo Tussilagem
V Ervilha Verde Bardana
V
Aipo Agrião
Lentilhas Agrião Silvestre
Repolho Roxo Dente de Leão ( raiz)
Beterraba A Cará
AA
Escarola

3.

PEIXES
V Ostra Solha
Marisco A Salmão
Polvo Camarão
Enguia Arengue
Carpa Sardinha
Bacalhau Caranha Vermelha
Linguado A Caviar
A
Lagosta
Tutra

4.

PRODUTOS ANIMAIS
V Caracol A Pomba
V
Rã Perdiz *
Carne de Porco Pato
Carne de Boi Peru *
Carne de Cavalo A Ovo **
A
Lebre A Faisão
AA
V Galinha, galeto *

5.
LATICINIOS
V Yogurt Queijo Camembert
VV
Coalhada Queijo Gruyere
Nata A Queijo Roquefort
Requeijão Queijo Holandês ( ou do
reino)
Manteiga A Leite de cabra
A
V Leite
V

6.

FRUTAS
V Abacaxi Melão
VV
Mamão Amêndoa
Manga Amendoim
Toronja Castanha de caju
Laranja A Azeitona
Banana Moranguinho
Figo Castanha
Pera Cereja
V Pêssego A Maça
V A
Lima

7.

DIVERSOS
V Mel Óleo de Gergelim
VV
Melado Óleo de Soja
Gorduras e Óleo de açafrão
Margarinas
V Óleo de Coco Óleo de Egoma (feito de
V semente de gergelim)
Oleo de Amendoin
Òleo de Milho
Óleo de Oliva
V Oleo de girassol
8.

BEBIDAS
V As que contiverem Café “Ohsawa”
VV açúcar ou sucedâneos
Chá ( contendo Chá de Cevada “Kokkoh”
corantes) (leite de cereais)
Café A Chá de 20 Raízes “mu ”
A
Suco de Frutas Chá “haru”
Todas as Bebidas Chá Dragão
açucaradas (refrigerantes)
Champanha Chá “ Yang-Yang”
Vinho Dandelion – chá de
dente de leão
V Cerveja A Chá de Raiz de Ginseng
V AA
V Água Mineral
Água de Soda
com Bicarbonato
Água ( de Poço )
Tomilho
Mentol ( hortelã)
A Artemísia
Chá Verde
japonês de 3 anos sem
corantes
Chicória

OBSERVAÇÕES

Todos os alimentos e bebidas devem ser naturais, isto é nunca indus-


trializados ou artificialmente preparados. Devem ser evitadas as carnes de aves,
frangos, perus, patos, etc. que tenham sido alimentados quimicamente, bem como
os ovos de tais aves.
Os ovos fertilizados, destinados à produção de pintos, são os que a
galinha põe depois de ter sido fertilizada por um galo. Os que ela põe
normalmente, não fertilizados, são os que estão à venda e usados pela grande
maioria dos consumidores hoje em dia. São destituídos de vida, biologicamente
falando, e não são usados na dieta macrobiótica.
O ovo fertilizado pode ser reconhecido pelo seu tamanho pequeno e
seu formato arredondado de um lado e estreitando na outra ponta.
É muito difícil, hoje em dia, encontrar água, e até sal e ar, em estado
natural, não adulterados. Mas, podemos felizmente resistir aos venenos neles
introduzidos pela comercialização e industrialização, contanto que a saúde de
nossa constituição tenha sido restabelecida.
As forças Yin- Yang variam de acordo com a estação do ano e o clima
do local em que se originaram. Além disso, as características, Yin-Yang dos
alimentos podem também ser grandemente influenciadas pela preparação
culinária e pelo modo de comer. Dai a capital importância do preparo do alimento,
e do modo de nos conduzirmos à mesa. (No Japão antigo (tradicional), os atos de
comer e beber eram considerados como cerimônias de máxima importância: as
criadoras da Vida e do Pensamento). Devemos lembrar a profunda significação da
invenção do FOGO. É o ponto de partida da linha divergente do homem da de
todos os outros animais.
Damos, a seguir, um exemplo de cardápio para uma semana, entre
centenas de outros, que poderão ser preparados.

DESJEJUM ALMOÇO JANTAR


Creme de arroz Arroz ou pio Pastéis de trigo
integral; nabo, etc. integral ou de trigo
sarraceno; sopa russa
Creme de aveia Cachá. Macarrão de
Refogado Nituke trigo sarraceno (sopa)
de agrião, etc
Cremo de Arroz integral Sopa de polenta
farinha de trigo sarraceno com legumes
Creme de arroz Arroz integral; Sopa de
Cenoura e cebola à legumes, pão integral ou
milanesa, com molho pão "Ohsawa"
japonês
Pão integral Arroz integral Trigo sarraceno
com missô com legumes à milanesa
Uma taça de e molho japonês
leite Uma taça de leite
macrobiótico (Kokkoh)
Creme de aveia Arroz integral Sopa de
frito; refogado de cenoura abóbora e pão integral
e abóbora
Pão integral Trigo sarraceno Arroz integral
com missô e uma taça de frito, pão integral o café
café de cevada ou "Ohsawa" ou de cevada
"Obsawa"
Podeis adicionar sempre, gomásio (Gergelim e sal torrado e
moído -gersal) e molho de soja aos vossos alimentos,
Chá de três anos (Banchá) com molho de soja (shoyu) é recomendado
antes e depois de cada refeição.
Molho de soja (shoyu, tamari) pasta de soja (missô), queijo de soja,
substituem a manteiga, o queijo de origem animal e a margarina.

NOTA DO EDITOR BRASILEIRO

Mesmo sendo ingredientes indispensáveis na alimentação macrobiótica,


o gersal (gomásio), o shoyu (tamari) e o missô (pasta de soja), pelas elevadas
proporções de sal que contém, sempre devem ser consumidos com moderação.
O seu uso em maiores quantidades só é indicado com finalidades
terapêuticas e, neste caso, recomenda-se ao leitor que se aconselhe com um
orientador macrobiótico experiente.

CAPÍTULO VII

ALIMENTOS PRINCIPAIS

A meu ver, a coisa mais estranha, no Ocidente, é a ausência total da


concepção mais fundamental da vida, isto é, a do alimento principal. Minha
descoberta mais significativa na América, de equivalente importância à que fez
Cristóvão Colombo, é que, aqui, a idéia de uma alimentação básica desapareceu
por completo. Nenhum mestre ou erudito da medicina, na época atual, parece ter
consciência de sua grande importância.
Por contraste, no Oriente, sempre foi o alimento tido como fator mais
importante da existência, chegando a ser divinizado desde os primórdios da
história dos povos orientais. Nos “Upanishads” lê-se que os sábios, à procura de
Deus, acreditavam que Ele era representado na Terra pelo cereal. De acordo com
esta tradição, as famílias Bráhmanes do sul da Índia ainda oferecem uma oração
ao arroz, antes de ingeri-lo.
A idéia do alimento básico, cujo fundamento e significação é
primariamente biológico e fisiológico, sendo de segunda consideração o aspecto
econômico, geográfico e agrícola, é uma das descobertas mais importantes feitas
pelo homem. É totalmente equivalente à descoberta do fogo, que possibilitou ao
homem criar a civilização (a união ou fusão de toda a religião, filosofia, ciência e
tecnologia) e que determinou a história e a evolução do alimento.
Obviamente, pode-se viver comendo quase tudo o que agrada ao nosso
discernimento, tanto sensorial, sentimental, intelectual, econômico como moral ou
ideológico. Mas existe um limite para esse tipo de alimentação, isto é, a
infelicidade, de que decorrem inúmeros males, como a escravidão, a doença,
guerras e crimes.
Em certa época, o claro conceito da distinção entre alimentos principais
e secundários possibilitou ao povo do Oriente a viver uma vida relativamente feliz,
livre e pacifica, até surgir a importação da falsa civilização Ocidental, violenta,
“fascinante” com suas invenções e expedientes industriais e científicos.
Minha experiência pessoal é prova cabal do que afirmo. Na minha
infância, há cerca de 60 anos, era eu feliz, comendo e bebendo segundo as
normas tradicionais. No entanto, com a penetração daquela civilização, nossa vida
familiar foi por ela destruída. Presenciei a morte de minha mãe, com apenas 30
anos de idade, de minhas duas irmãs e de meu irmão mais moço, como
conseqüência direta da introdução de alimentos e remédios ocidentais em suas
vidas. Chegou, em seguida, a minha vez. órfão e pobre, com 10 anos, por
felicidade fui obrigado a abandonar os alimentos e medicamentos ocidentalizados,
por falta de recursos financeiros. Mesmo assim, aos 16 anos estive à beira da
morte, em conseqüência das grandes quantidades de açúcar refinado e doces que
continuei a usar.
Aos 18 anos, redescobri a medicina Oriental com sua base sólida,
calcada em uma filosofia Cosmológica, que me curou radicalmente. Desde então,
decorridos 48 anos, não estive mais doente, salvo quando em certa ocasião, eu,
deliberadamente, provoquei a terrível (e geralmente incurável) moléstia conhecida
por “úlceras tropiciais”, ao fazer pesquisas sobre os grandes problemas da
medicina, no hospital do Dr. Schweitzer, em Lambarene, na África. Pela medicina
macrobiótica venci essa doença em poucos dias.
Venho ensinando há 48 anos, ininterruptamente, minha filosofia (a
higiene de “Hygeia”) a todos os que encontro em meu caminho. Nunca encontrei
alguém que não tivesse melhorado ao segui-Ia de maneira absoluta e rigorosa. Os
únicos que não podem ser curados são os incapazes de compreender esta
filosofia pragmática, simples e dialética, a Ordem do Universo e o seu Principio
Único.
Lembrai-vos, pelo menos 60% de vossa alimentação deve ser
constituída de Alimentos Principais.

PRATOS À BASE DE ARROZ

(Nota do Tradutor - Estando o autor mais familiarizado com a cozinha


tradicional japonesa, foram incluídos na tradução os nomes de certas receitas em
japonês, para melhor identificação e internacionalização dos pratos
macrobióticos).
1 - Arroz integral - Escolha bem o arroz, adicione duas ou três vezes
o seu volume de água, em uma pequena quantidade de sal. Quando ele ferver,
deixe-o cozinhar lentamente, em fogo brando, durante uma hora, até que o arroz
no fundo
da panela esteja ligeiramente torrado (queimado). A parte amarela é
mais Yang, portanto a melhor, porque é a mais pesada, a mais rica em minerais e
a de maior valor nutritivo. É por essa razão que ela é particularmente eficaz para
as pessoas doentes, e Yinizadas. Se utilizar uma panela de pressão, convém usar
um pouco mais de água e cozinhar com fogo brando, depois de ferver durante 20
a 25 minutos. Em seguida, apague o fogo e deixe em repouso, durante 10 a 20
minutos, antes de remover a tampa.
2 - Arroz (sakura) - Adicionar ao arroz 5 a 10 % de molho japonês (de
soja) puro e cozinhar conforme explicação acima (nº1).
3 - Arroz com feijão “Azuki” - Preparar o arroz como nº 1, adicionar o
feijão japonês (feijão vermelho de grãos pequenos), parcialmente cozido, salgar e
pô-lo a ferver. Se tiverdes uma panela de pressão, podereis adicionar o feijão cru,
desde o começo. (Nota do tradutor: o feijão “azukh” é plantado em São Paulo e
Paraná pelos agricultores japoneses. É o único feijão usado na Macrobiótica).
4 - Arroz com verdura (Gomoko) - Misturar, ao arroz fervido, 5 a 10% de
legumes cozidos (nituke). (Nota do tradutor: “Nituke” refere-se ao ensopado de
vegetais, sem caldo).
5 - Arroz com verduras fritas, Shahan (Receita nº1) - Adicionar ao arroz
cozido os legumes refogados com um pouco de molho, japonês sem água (como
no nº 4) e fritar numa reduzida quantidade de óleo vegetal.
6 - Arroz com verduras fritas (Receita nº2) - pôr os legumes
refogados numa frigideira. Adicionar o arroz cozido, conforme explica no nº1, e
fritar. Salgar ligeiramente.
Nota - Refogado: cozinhar sem água, com um pouco de molho, de soja
(“Nituke”).
7 - Croquetes - Misturar os legumes refogados (nituke) ao arroz
cozido e adicionar um pouco de farinha. Acrescentar um pouco de água e fazer os
bolinhos chatos. Fritá-los em bastante óleo.
8 - Bolinhos de arroz - Molhar a mão esquerda numa solução forte de
sal (5%). Tomar duas colheres de sopa de arroz cozido, prensar com a mão direita
e dar-lhes a forma de uma bola triangular. Cobrir com sementes de gergelim
torrado.
9 - Bolinhos fritos - Fritar os bolinhos de arroz da receita acima, em
bastante óleo, até torrar os dois lados.
10 - Bolinhos com legumes diversos - Formar bolas triangulares de
arroz cozido com legumes refogados (Nituke).
11 - Arroz de gergelim - Adicionar 10% de sementes de gergelim
torrado e um pouco de sal ao arroz preparado, conforme o nº 1.

12 - Bolinhos de arroz com gergelim - Adicionar 20% de sementes de


gergelim torrado ao cozido, e formar bolas triangulares.
13 - Bolinhos de arroz e feijão “Azuki” - Fazer bolinhos com o arroz,
com feijão preparado conforme receita nº 3.
14 - Bolinhos de arroz com algas (“Nori”) - Enrolar os bolinhos em
folhas de algas “nori” tostadas. É um prato muito agradável para piqueniques e
viagens.
15 - Bolinhos de arroz com algas de cará marinho (Tororo)
-Cubram-se os bolos de arroz com algas de cará marinho em pó (tororo ou oboro).
16 - Bolinhos de arroz com ameixas salgadas de três anos (Ume-
boshi) - Pôr uma destas ameixas no centro de cada bolinho; não somente o sabor
melhorará, mas o arroz se conservará por muitos dias, mesmo no verão. Deverão
ser usadas só 10 gramas de uma das ameixas indicadas. ótimo para viagens.
17 - Sopa grossa de arroz (Kayu) - Cozinhe o arroz em 5 a 7 partes de
água e salgue (Este prato é excelente para doentes ou pessoas sem apetite).
18 - Bolinhos, croquetes de arroz com alga nori - Tostar ligeiramente as
algas e colocá-las sobre uma esteira de bambu. Espalhar o arroz cozido numa
espessura de 2 em e colocar sobre ele legumes refogados (cenouras, raiz de
bardana, raiz de lótus, etc.) Enrolar tudo junto e cortar em croquetes de 3 a 4 em.
Servir atrativamente num prato.
19 - Canapé (Salgadinhos para ocasiões especiais) de verduras va-
riadas - (Gomoku). Dispor atraentemente, numa caixa retangular, duas cenouras
refogadas, duas raízes de lótus cortadas bem fino e também refogadas, dois ovos
batidos e fritos numa fina camada de óleo e agrião picado e refogado. Em cima de
tudo, prensar o arroz cozido com 5 em de espessura. Inverta o prato e corte em
pedacinhos para servir.
20 - Arroz com castanhas - Cozinhe as castanhas até ficarem ma-
cias. Após, faça-as ferver com o arroz. Se utilizar a panela de pressão, junte as
castanhas cruas ao arroz e ferva. As castanhas deverão ser usadas na proporção
de 10 a 20%.
21 - Sopa espessa de arroz integral e verdura (Missô ”Zosui”) -Adicione
ao arroz, preparado conforme receita 17, uma colher de café de pasta de soja.
Pode-se fazer isso com arroz cozido, juntando água ou sopa de missô. Este prato
torna-se ainda mais delicioso, quando se adiciona um pedaço de bolo de arroz
“moti”, tostado, frito ou assado.
22 - Cuscuz e arroz - Cozinhe-se o arroz como de costume e junta se
lhe feijão fradinho com cebola.
23 - Creme de arroz - Tostar o arroz até ele se tornar castanho claro.
Moer. Adicionar três copos d'água para cada 4 colheres de sopa de arroz moldo.
Deixar no ponto de fervura, durante 25 minutos e adicionar água, se for
necessário. Salgar a gosto.
24 - Bolo de festa (Omedeto) - Assar 20 g de arroz, adicionar 50 g de
feijão japonês azuki e cozinhar em 12 partes de água, durante 1 hora mais ou
menos. Usando panela de pressão, adicionar apenas 5 a 6 partes de água. É
ótima sobremesa.
25 - Sopa de arroz - Afinar o creme de arroz com água. Servi-lo com
pão torrado, em pedacinhos, e salsa picada.
26 - Bolinhos de arroz fritos - Adicionar uma pitada de sal à farinha
de arroz, juntando água suficiente para dar consistência aos bolinhos. Fritar em
óleo.
26a - Arroz torrado - Torrar o arroz em uma frigideira até tostar bem.
Comer sem cozinhar. Este arroz é bom para tratamento do hiperinsulinismo e do
reumatismo.

PRATOS À BASE DE TRIGO MOURISCO


(SARRACENO)(CACHÃ)

27 - Cachá - (Trigo mourisco em grão). Fritar, ligeiramente, uma xícara


de trigo sarraceno numa colher de óleo. Adicionar duas taças de água e uma
colherinha de café rasa, de sal. Ferver, lentamente, em chama baixa desde o
começo. Servir com legumes refogados, creme de pasta de soja ou com missô.
28 - Croquetes - Adicionar ao cachá cozido cenouras picadinhas e
cebolas, etc., farinha, um pouco de água e sal. Misturar tudo. Fazer bolinhos e
fritar em óleo.
29 - Cachá frito - Misturar cachá cozido com um pouco de farinha,
cebolas picadinhas, sal e água. Fritar em óleo, deixando cair a massa na frigideira
com uma colher.
30 - Cachá “granité” - Colocar cachá cozido numa caçarola e cozinhá-lo
no forno, até que a parte superior fique bronzeada.
31 - Creme de trigo sarraceno - (Kaki) - Diluir farinha de trigo sarraceno
em -2,5 partes de água. Levar ao fogo e mexer até cozinhar bem. Servir com
molho de soja (shoyu).
32 - Creme de trigo sarraceno - Dourar bem duas colheres de sopa bem
cheias de farinha de trigo mourisco, numa colher de sopa de óleo. Adicionar uma
ou duas xícaras de água; ferver até engrossar e salgar conforme o gosto. Servir
numa sopeira com pedacinhos quadrados de pão torrado no azeite.
33 - Trigo sarraceno frito (1) - Diluir a farinha de trigo sarraceno
("cachá") em uma e meia parte de água. Adicionar um pouco de sal e fritar como
se fossem batatas em bastante óleo.

34 - Trigo sarraceno frito (2) - À mistura acima citada, adicionar cebola


picada, antes de fritar.
35 - Trigo sarraceno “gratiné” - Fritar, ligeiramente, cebolas, cenouras e
couve-flor em óleo e em seguida ferver em um pouco d'água e salgar. Colocar
tudo numa caçarola, derramar por cima uma fina camada de sarraceno e assar no
forno.
36 - Trigo sarraceno “doméstico” ou “escoado” “Teuchi” ou “Zaru”
Adicionar um ovo, uma colher de chá rasa de sal, um pouco de água, meio quilo
de farinha de trigo mourisco. Amassar até endurecer, espichar e depois amolecer
até ficar brilhante e formar uma espessura de alguns milímetros; enrolar, cortar em
pedaços o mais fino possível. Largar em água fervente até ficar pronto (no ponto).
Colocar a massa numa peneira para escorrer. Recolher a água da fervura.
Derramar água fria e escoar. Se for usado talharim seco de trigo mourisco (soba),
cozinhar em água. A água do cozimento pode ser usada como bebida ou para
cozinhar vegetais, por conter proteína pura.
37 - Molho de trigo sarraceno (Mori) - Cortar em pedacinhos uma cebola
verde e fritar ligeiramente, com uma colher de café de óleo. Acrescentar três
xícaras de água, doze centímetros de algas “Kobu” secas (algas longas, colhidas
a uma profundidade de 20 metros). Fazê-las cozinhar bem. Retirar as algas e
guardá-las para usar novamente. Adicionar uma colher de café de sal e 5 colheres
de sopa de molho japonês (shoyu). Retirar do fogo assim que começar a ferver. O
molho deve ser um pouquinho salgado. Sal a gosto.
38 - Trigo sarraceno (Rake) - Colocar o talharim doméstico, de trigo
mourisco, numa peneira e despejar água fervendo sobre o mesmo. Servir em
tigelas e adicionar molho de trigo mourisco, (receita nº 37) por cima.
39 - Trigo sarraceno ensopado com verduras fritas (Tempura) (à
milanesa) - Aquecer o talharim de trigo mourisco (soba) e colocá-lo em tigelas.
Colocar em cima camarão ou verduras à milanesa, (tempura) (78) e cobrir com
molho de trigo mourisco (receita 37).
40 - Trigo sarraceno com feijão frito (Kitune) - Aquecer o talharim de
trigo mourisco (soba), colocando-o em tigelas. Adicionar feijão vagem, cebolinha
verde cozida. Acrescentar molho de sarraceno sobre tudo (37).
41 - Trigo sarraceno cremoso (Ankake) - Aquecer (soba) talharim de
sarraceno e servir em tigelas. Fritar ligeiramente em óleo, cebola verde, cenoura,
couve, etc. Adicionar molho de sarraceno (37), e em seguida acrescentar um
pouco de pasta de farinha de araruta, que se obtém misturando farinha de araruta
com água, pouco a pouco. Ferver até alcançar determinada consistência (que
engrosse) e derramar a mistura assim obtida sobre o talharim.
42 - Trigo sarraceno frito (Jaki) - Fritar o talharim doméstico (ou soba
em pouco óleo; colocar num prato e despejar por cima legumes teremosos7,
Ankake (41).
43 - Missô à Sarasina - Preparar molho da pasta de soja (“missô”) (ver
nº 201) e de "tahin” (manteiga de gergelim) e derramá-lo sobre o talharim de
sarraceno.
44 - Trigo sarraceno “gratiné” - Fritar ligeiramente em pouco óleo,
cebolas, cenouras, couve-flor, etc. Preparar molho bechamel (219) e misturar com
os legumes. Por o talharim de sarraceno cozido numa caçarola, despejar por cima
a mistura e levar ao forno. Sal ao sabor.

MASSAS DE FARINHA DE TRIGO INTEGRAL

45 - Macarrão, talharim “vermicelli”, etc. - Ferver, escoar, lavar em água


fria. Estes alimentos podem ser preparados do mesmo modo que o trigo
sarraceno.

PRATOS À BASE DE PAINÇO E OUTROS CEREAIS

46 - Painço - Fritar ligeiramente uma xícara, de painço em duas


colheres de sopa de óleo, adicionar um pouco de sal e quatro partes de água.
Aquecer em fogo brando, baixando a chama quando entrar em ebulição. Ferver a
fogo lento até que fique macio. Servir com creme-de-pasta-de-soja (“missô”),
refogadinhos de verduras (Nituke) (cozidos com uma pequena quantidade de
molho de soja) ou pasta-de-soja. Este painço poderá ser usado para fazer
croquetes de cachá, cachá frito, etc.
47 - Cuscuz - Poderá ser cozido em banho-maria, ou fervido como o
cachá. Ferver cebolas picadas até que estejam bem cozidas. Adicionar pequena
quantidade de óleo e sal quando macio. Servir tudo junto. 2 uma receita árabe.
Não se encontrando nas casas do gênero, poderá ser usada a farinha de trigo
integral grossa.
48 - Bour-gour - Prepara-se do mesmo modo que o cachá, conforme o
processo armênio. Para isso, deve-se usar farinha grossa cozida em banho-maria
e seca, que é oferecida à venda.
49 - Mingau de aveia - Da mesma maneira que o nº 47. Não usar leite.

ALIMENTOS-MEDICAMENTOS

50 - Arroz cru - Tomai um punhado de arroz cru, em lugar do café da


manhã. Expelireis todos os parasitas de vosso intestino, e, em particular, do
duodeno. Se continuardes durante alguns dias, ficareis surpreendidos de ver
surgir tantos parasitas, às vezes, até pela boca e pelo nariz. Não conheço nada
mais eficiente, porém é necessário mastigar ao menos 100 vezes.
51 - Sementes de abóbora “Hokkaido” (Hokkaido é a região norte do
Japão, extremamente fria) - Aquecer bem as sementes desta abóbora. Salpicar
sobre elas um pouco de água salgada ou fritá-las em pouca quantidade de óleo e
sal. Pode-se comer como sobremesa, como é costume na China. É excelente para
expelir parasitas, em particular a solitária.
52 - Sal e gergelim (Gomásio) - Tostar sementes de gergelim. Moer
cuidadosamente e adicionar 20% de sal tostado. Aquecer novamente e moer bem
a mistura. Adicioná-la ao arroz, ao pão, etc. Consumir umas duas colheres de café
por dia. 0 gomásio deve ser conservado em recipiente (vidro) hermeticamente
fechado. 2 um dos melhores desacidificantes do sangue.
53 - Ameixa japonesa salgada (“Umeboshi”) - São ameixas japonesas,
conservadas no sal, pelo menos, durante 3 anos. Todas as famílias japonesas
tradicionalistas as preparam anualmente.

CAPÍTULO VIII

ALIMENTOS SECUNDÃRIOS

REFOGADINHOS (NITUKE)

(Hortaliças, verduras ou legumes, cozidos com um pouco de molho


japonês (Shoyu), sem água, nem óleo; em japonês, denomina-se “nituke”. Devem
servir-se secos).
61 - De cenouras - Para preparar cenouras e “Nituke” de cenouras com
gergelim, corta-se duas cenouras o menor possível e refoga-se bem numa colher
de sopa de óleo. Adiciona-se grãos de gergelim torrados e salga-se. (Todo
“refogadinho” é um pouco salgado).
62 - De chicória ou escarola - Cortam-se 5 folhas pela metade, no
sentido do comprimento. Refogam-se em duas colheres de sopa de óleo;
adiciona-se uma colher de chá de sal; cobre-se e ferve-se em fogo brando até
amolecer. Adiciona-se um pouco de molho de soja (Shoyu).
63 - De bardana e cenoura - (Kinpira) - Cortam-se em pedacinhos bem
fininhos, no sentido longitudinal, raízes de bardana e de cenoura, na proporção de
3 da primeira, por uma da última. Refogam-se em óleo as raízes de bardana, até
que elas estejam bem cozidas; adicionam-se cenouras e cozinham-se em um pou-
co de água até amaciar. Salga-se e adiciona-se uma pitada de molho de soja.
64 - De cebola - Cortar duas cebolas grandes, no sentido de com-
primento. Refogar bem em uma colher de sopa de óleo; temperar com sal e
adicionar um pouco de molho de soja (shoyu) no final.
65 - De agrião - Corta-se o agrião em pedaços de três centímetros.
Refoga-se com óleo em fogo brando. Adiciona-se sal. Pode-se acentuar o sabor
com um pouco de tahin (manteiga de gergelim).
66 - De couve com cebola - 0 mesmo que o precedente.
67 - De cenoura com cebolas - 0 mesmo que o precedente.
68 - De aipo com cebolinha verde - Refogar em óleo; temperar
com sal. Os diversos tipos de “Nituke”, retromencionados, devem ser secos.
Alimentos com molhos, caldos, não podem ser chamados de Nituke.
69 - De cozido “variado” (Hisime) - Cortam-se em pedaços
grandes, cenouras, raízes de bardana, raízes de lótus, nabo branco, feijão vagens,
queijo de soja seco, peixe seco, alga marinha (kombu) cm pedaços grandes, etc.,
adiciona-se água e ferve-se até amolecer bem. Salga-se e adiciona-se um pouco
de soja (shoyu) Não deve ter caldo ao ficar pronto.

SOPAS

70 - Sopa Russa - Uma cenoura, 3 cebolas, um pouco de couve, 150


gramas de arroz, quatro colheres de sopa de óleo e sal. Cortar bem fino e refogar
de novo até tostar. Ferver em fogo médio durante longo tempo. Quando a sopa
engrossar, salgar ao sabor.
71 - À jardineira - Cortar em pequenos pedaços cenouras, cebolinha
verde (a parte branca) couve-flor, etc., e refogar em óleo. Adicionar água e ferver
até amolecer. Salgar a gosto. 0 verde da cebolinha verde pode ser utilizado para
fazer “refogadinho” (Nituke).
72 - De polenta (farinha grossa de milho ou painço) - Cortar em grandes
fatias nabo branco, cenouras, cebolas, etc. Refogá-los em óleo. Adicionar água
que cubra completamente os legumes. Ferver até amolecer. Tostar 3 colheres de
sopa cheias de polenta, em 3 colheres de sopa de óleo; misturar com água até
obter-se uma massa fina. Despejar esta pasta sobre a mistura de legumes e ferver
tudo lentamente, com chama baixa. Temperar com sal.
73 - De painço - Preparar polenta e milho moído grosso, de modo
semelhante à polenta, utilizando farinha fina de painço.
74 - De legumes - Refogar em óleo, nabos, cebolas, cenouras, couve-
flor, etc., em seguida ferver. Após cozidos e bem amolecidos, espalha-se sobre os
legumes a farinha tostada no óleo e adiciona-se água e sal. Cozinhar até
engrossar.
75 - De legumes gratinados (Cozido-puchero) - Fervem-se os vegetais,
como para sopa, numa caçarola, cobrindo-os de polenta ou de farinha fina de
painço, ou de trigo mourisco, etc. preparadas como para o molho bechamel (Assar
no forno) (ver 219).
76 - De abóbora - Tomam-se 400 gramas de abóbora, ou massa de
abóbora, uma cebola, óleo, sal, 4 colheres de farinha. Corta-se a cenoura em
pequenos pedaços e refoga-se em óleo; adiciona-se a abóbora em pequenos
pedaços e refoga-se de novo. Ferver em panela com a metade de água até
amolecer, salga-se a gosto. Passar numa peneira e temperar; torrar com farinha
no óleo; misturar com água, e com a mistura da abóbora pôr a ferver. Serve-se
com quadrinhos de pão tostado no óleo, com salsa, etc. Esta sopa é deliciosa com
abóbora de Hokkaido. Se tentar, ficará surpreendido.
77 - Ensopado de cenouras - Prepara-se do mesmo modo que o de
abóbora.

PRATOS DIVERSOS

78 - (Tempura) - Corte cenouras, cebolinha verde, etc. em fatias


fininhas. Mergulhe em uma mistura de farinha com água (7 1/2 vez mais água do
que farinha), uma pitada de sal. Fritar em bastante óleo, por colheradas.
79 - Agrião - (tempura) - Couve-flor, aipo, raiz de bardana, raiz de lótus,
escarolas, abóbora, etc. são usados para tempura do mesmo modo do anterior.
80 - Bolos de raiz de lótus - Rala-se raiz de lótus, adicionando-se igual
quantidade de cebola picada e tempera-se com sal. Adicione-se farinha para ligar
e frite-se em bastante óleo (Especialmente recomendado para curar asma,
diabetes, pálio, artrite, etc.).
81 - Bolos de raiz de lótus com molho bechamel (219) - Coloque
cuidadosamente os bolos em molho bechamel, espargindo por cima aipo picado.
Quando a (“fritura à milaneza” (Tempura) é servida desta maneira, o sabor fica
grandemente melhorado. Farinha de painço, de trigo mourisco, etc. podem ser
usadas para o molho bechamel (molho de shoyu).
82 - Abóbora assada - Corta-se a abóbora em pedaços grandes,
pulveriza-se com um pouco de sal e assa-se no forno. Serve-se com molho de
pasta de soja (missô) ou shoyu.
83 - Abóbora cozida com pasta de soja - Corta-se a abóbora em
pedaços grandes. Frita-se cebola picada, em óleo. Adiciona-se água e sal à
abóbora, fervendo-se até ficar macia; adiciona-se massa-de-soja (missô), diluída
com a água dos vegetais. A cebola picada também deverá ter sido juntada à
abóbora, para cozinhar.
84 - Abóbora cozida - Corta-se a abóbora “Hokkaido” em pedaços
grandes; misturam-se cebolas preparadas como no nº 83; tempera-se somente
com um pouco de sal, cozinhando-se até ficar macia.
85 - Raiz de Iótus cremosa - (ANKAKE) - Corta-se uma raiz de Iótus,
cenoura, radiche, rabanete branco, etc., em pedaços retangulares e refoga-se em
óleo; adiciona-se um pouco de água e ferve-se até ficar macio; mistura-se farinha
sarracena diluída com água e com ela engrossa-se a mistura de vegetais.
86 - Nabos cremosos - (ANKAKE) - Refogam-se em óleos os nabos
redondos inteiros; após cozinham-se em água suficiente até ficarem macios;
tempera-se com sal, mistura-se-lhes farinha de araruta e água; adiciona-se-lhe um
pouco de molho de soja, no final.
87 - Mingau de araruta - (Kuzu) - Mistura-se farinha de araruta, na
proporção de uma colher de sopa cheia para 150 centímetros cúbicos de água.
Põe-se ao fogo e mexe-se constantemente, até engrossar e ficar claro.
Tempera-se com um pouco de sal e molho de soja (shoyu). Quando faltar o
apetite por causa de resfriados, etc., o mingau de araruta melhorará surpreenden-
temente o estado geral.
88 - Variedade - (Yuba) - Feijões, como a soja e outros, também podem
ser preparados como “creme” - (ANKAKE).

TORTAS

89 - Torta de abóbora (omitir as maçãs para os doentes) - 1/2 quilo de


abóbora e cebola. Cortar a cebola em cubos e refogar numa colher de sopa de
óleo; adicionar abóbora cortada em fatias e ferver em um pouco d'água; juntar sal
e peneirar numa consistência cremosa. A fim de preparar a massa da torta
(pastelão), misturar 1 xícara de farinha. Se usar farinha integral, peneirar, a fim de
remover as cascas e farelos, usando estes resíduos para fritada (tempura), pão,
croquetes, etc. (não jogue fora). 3 colheres de sopa de óleo (de milho e de
gergelim, em partes iguais, ou de oliveira e gergelim, em partes iguais, ou de
semente de girassol e gergelim em partes iguais), 1/2 colher de chá de sal, 1
colher de chá de canela, 1 colher de chá de casca de laranja picada. Misturar com
pequena quantidade de água, formando uma massa mole. Colocar num prato
próprio para torta, numa camada de 1/2 centímetro de espessura. Encher a crosta
com uma mistura acima, de abóbora, na espessura de cerca de 2 centímetros, e
por cima colocar uma maçã cortada em cubos. Cobrir a crosta, pressionando as
extremidades com um garfo e fazendo um desenho atrativo na parte superior com
uma gema de ovo. Cortar em cruz pelo

Nota - A genuína farinha de araruta somente se adquire nos posto de venda


especializados em produtos macrobióticos.

centro com uma faca. Assar no forno até ficar ligeiramente bronzeada e
torrada.
90 - Torta de maçã com castanhas - Ferver as castanhas até ficarem
macias; misturar canela, casca de laranja e sal; misturar com pedaços de maçãs
cortadas em cubo. Cobrir a torta com a mesma massa de pastelão e da mesma
maneira da torta de abóbora. Preparar o arranjo da torta também do mesmo modo
(89) (OGURA).
91 - Torta simples (permitida aos doentes) - Para o recheio cremoso,
ferver feijão japonês (azuki) com ou sem castanhas, temperando ligeiramente com
sal. Encher a crosta de massa e levar ao forno.
92 - Torta de arroz (Permitida aos doentes) - Poderá ser usada como
alimento complementar. Misturar arroz cozido com "refogadinho” de vegetal
(cenouras, raízes de Iótus, cebolas, agrião, etc.) (Nituke). Adicionar um pouco de
farinha. Preparar a torta conforme dito acima, e levar ao forno.
93 - Torta de batata-doce e castanha (Não recomendável aos doentes) -
Cozinhar as batatas e passá-las na peneira, adicionando um pouco de sal.
Cozinhar as castanhas e juntar à batata-doce; preparar a massa da torta e levar
ao forno. Este prato pode também ser preparado só com batata-doce ou só com
castanhas.
94 - Torta de hortaliças (verduras) - Refogar em óleo cenouras, cebolas,
couve, couve-flor, etc. e após cozinhar em água até amolecer. Colocar a massa do
pastelão no prato, recheando-a com as verduras. Ao molho do Nituke, misturar
farinha tostada num pouco de óleo para engrossar. Despejar este molho por cima
do recheio, em vez de cobri-lo com a massa e levar ao forno.
95 - Torta de cenoura e cebola - Preparar a massa de pastelão e deitar
num prato de torta. Usar 3 cenouras para cada cebola, refogar ambas em óleo e
temperar com sal. Adicionar um ovo batido. Encher a forma do pastelão e levar ao
forno.
96 - Torta de maçã - Forrar a forma com a massa do pastelão. Cortar 3
maçãs em forma de lua crescente e colocá-las na forma atraentemente, como
uma flor redonda. Salpicar com sal e levar ao forno, até que a parte de cima fique
bronzeada. Misturar a farinha de araruta (Kazu) na água e levar ao fogo até
engrossar e derramar atrativamente a mistura sobre as maçãs, deixando esfriar.
“Agar-agar” ou gelatina podem ser usados, em vez de araruta, mas esta é
preferível.
97 - Torta de ameixas - Retirar os caroços das ameixas secas e
cozinhá-las, num pouco de água até ficarem macias; adicionar uma pitada de sal e
canela e preparar o pastelão como o de abóbora, levando ao forno.
98 - De maçã e castanha Kinton - (Não deve ser usado pelos doentes) -
Use castanhas e maçãs à razão de 3 por 1. Cozinhe as castanhas, deixando 1/3
de lado. Adicione as maçãs já picadas e cozinhe-as até ficarem no ponto. Passar
na peneira e, após, adicionar a totalidade das castanhas restantes.

PASTÉiS (GYOZZA)

99 - “Pirosiki” (Permitido aos doentes) - Prepare a massa de pastelão,


cortando-a em pedaços redondos, de 3 a 4 polegadas de diâmetro. Lasque
cenouras, cebolas, agrião, etc., em pedaços finos, e refogue em óleo. Adicione
arroz cozido, tempere com sal, e refogue bem. Forme pequenas bolas com as
mãos, colocando-as em pedaços de massa. Dobre a massa e pressione as pontas
com um garfo. Frite no óleo. Prepare diferentes “Pirosiki”, usando vários
ingredientes como acima, assando no forno, em vez de fritar. Dê o acabamento
com gema de ovo para ficar atraente. Pequenos pratos individuais para o pastelão
poderão ser usados para melhor efeito. As crianças gostam muito destes pastéis
individuais.
100 - De verduras - (Gyoza) - Adicione um pouco de sal à farinha e
amasse com água para formar uma massa macia. Passe no rolo até ficar bem fina
e corte em pedaços redondos, de 2 a 3 polegadas de diâmetro. Corte as verduras
em cubos, refogue e tempere com sal. Adicione um pouco de farinha e mexa.
Enrole a mistura de verduras em pedaços da massa de formato longo e estreito.
Coloque em água fervendo, cozinhe até chegar no ponto. Servir com molho de
soja (shoyu), creme de (missô), etc.
101 - Fritos - Frite os pastéis já cozidos em um pouco de óleo, até
ficarem quebradiços.
102 - Fritos em muito óleo - Frite os pastéis (gyoza) já cozidos, em
bastante óleo.
103 - Gyoza “Au Gratim” Coloque os pastéis fritos numa forma de forno.
Prepare creme de arroz, de painço, etc., bem fino, e derrame sobre os pastéis,
levando-os ao forno. Quando houver visitas, é permitido adicionar um pequeno
camarão, peixe de carne branca, ou carne branca de aves. Para doentes, a massa
do pastel é feita de farinha de trigo mourisco.
104 - Pãezinhos ou biscoitos - Chapati - (Recomendáveis para doentes,
como alimento suplementar, assim como para pessoas Yin) - Adicione pequena
quantidade de sal à farinha amassando com água até que forme massa macia.
Com a quantidade de uma colher de sopa cheia de cada vez, fazer as bolas ou
fazer um rolo e cortar em círculos - Levar ao forno; em vez de levados ao forno,
poderão ser tostados sobre a chama ou no calor. Servir com “refogadinho” (nituke)
(Trigo mourisco, farinha de painço, etc.); são muito Yang e, portanto ótimos para
doentes.
105 - Puri - o “Chapati” deverá ser preparado em pequenas bolinhas
redondas. Fritando em bastante óleo, crescerão bastante e ficarão cheios como
balões. Servi-los com refogadinho (nituke). Na Índia, os “chapati”, feitos com
farinha de trigo integral, são comidos diariamente.

PRATOS À BASE DE CARÃ COM INHAME (JINENJO)

106 - Cará - (Jinenjo - batata silvestre) - Cortar o cará em pedaços de 1


polegada. Espargir com sal. Fritar em bastante óleo. Depois cozinhar com molho
de soja numa panela (shoyu).
107 - Cará Hamburgo - (Jinenjo-Hamburgo) - Raspar o cará. Picar em
talhadas uma cebola ou uma cebolinha verde e misturar. Temperar com sal.
Usando uma boa quantidade de óleo numa frigideira, tapar e fritar até ficar macio
e fofo. (Jinenjo).
108 - Bolos ou bolas de cará - Prepara-se como acima, fritando-se em
bastante óleo.
109 - Cará “au grati” - (Jinenjo) - Colocar os ingredientes, como acima,
numa caçarola. Levar ao forno.
110 - Cará ralado - (Tororo) - Rale o cará e coloque-o num prato
pequeno; esparrame algas “nori” tostadas e sirva com molho de soja
(shoyu-tamari).
111 - Sopa de cará ralado - (Tororo) - Raspe o cará. Misture com a
sopa ou com soja “missô” e deixe ferver alguns minutos (em fogo baixo).
Nota - Raspando o cará, ele se converte em massa líquida ou fluida.

PRATOS À BASE DE GRÃO-DE-BICO (FEIJÃO EGIPCIO)

112 - Lave o grão-de-bico e deixe-o de molho em água quente, durante


a noite. Cozinhe-o até amolecer. Tempere com sal. Sirva-o com molho ou após
fervido, de forma que não sobre nenhum líquido.
113 - Adicione farinha ao grão-de-bico cozido, afim de engrossar
(quando secar, adicione mais água). Tempere com sal e frite em óleo, uma colher
de sopa por vez.
114 - Bolos de chana (Cereal hindu que se encontra em alguns arma-
zéns) - Mistura-se a farinha de chana com água e amassa-se. Tempere com sal.
Corta-se uma cebola miudinha e adiciona-se à massa. Frita-se em bastante óleo
deitando com uma colher.
115 - “Pakodi” - Prepare a massa da farinha de chana com água;
tempere com sal e cebola grelhada ou cortada como acima.
116 - Croquetes - Misture farinha com grão-de-bico cozido, forme boIas
e achate-as. Cubra com migalhas de pão torrado e frite em bastante óleo.

PRATOS À BASE DE FEIJOES

117 - Feijão soja com “missô” - Toste feijões soja numa frigideira, até
rebentarem. Adicione “missô” diluído em água. Adicione mais uma pequena
quantidade de água, cubra a frigideira e deixe cozinhar até ficar macio. Retire a
tampa e deixe ferver até que o liquido se evapore.
118 - Feijão cozido - Ferva o feijão até ficar macio; tempere com molho
de soja e sal. Ferva até que o líquido se evapore completamente. Prepare feijão
preto ou outros feijões da mesma maneira.
119 - Feijão gomoku - Ferva o feijão soja até ficar macio; corte nabo
branco comprido japonês (daikon), cenouras, raízes de bardana e de Iótus, etc.
em pequenos cubos. Refogue em óleo. Junte ao feijão e ferva até amolecer.
Tempere com sal e molho de soja (shoyu).
120 - Ensopado de soja cru (Sopa Goziro) - Deixe o feijão soja de
molho durante a noite, esmague-o até ficar cremoso. Prepare a sopa com cebolas,
cenouras, nabo comprido, etc. Coloque a massa assim obtida na sopa e ferva
bem. Tempere com sal e molho de soja (shoyu).
121 - Feijão vermelho japonês (Azuki) - Ferva em água que cubra o
feijão até ficar macio. Tempere com sal e ferva até engrossar. Se tiver à mão bolo
de arroz (moti), aqueça e adicione.
122 - Feijão vermelho japonês (Azuki) - Ferva até ficar macio. Tempere
com sal. Retire a água e amasse.
122.1 - Feijão vermelho (azuki) com talharim - Ferva o feijão vermelho
japonês até que fique tenro e cremoso. Tempere com sal. Misture com talharim
cozido e aqueça bem numa panela. Disponha tudo numa forma retangular e deixe
esfriar até endurecer. Tire da forma e corte em pedaços retangulares (para climas
quentes). Pode ser servido quente em climas frios.
122.2 - Raiz de Iótus com feijão japonês (Azuki) - Prepare as raízes de
Iótus como para “refogadinho”. Junte azuki japonês.
123 - Diversos feijões - Ferva os feijões ou ervilhas em água. Tempere
com sal e adicione um pouco de óleo. Refogue um pouquinho após bem cozido.
124 - Vagens - Refogue a vagem inteira em óleo. Adicione água e ferva
lentamente em fogo brando. Tempere com sal e molho de soja. Cozinhe até que o
líquido desapareça e as vagens fiquem enrugadas.

PRATOS À BASE DE MILHO


125 - Sopa - Cortar uma cebola e refogar numa colher de sopa de óleo.
Debulhar e ralar com uma faca ou ralador áspero os grãos de 3 espigas de milho,
juntar à cebola com três partes de água. Salgar e deixar em fogo brando até
amolecer. Agitar de vez em quando a fim de evitar que pegue no fundo da panela.
Adicionar uma colher de sopa cheia de farinha de araruta misturada num pouco de
água. Cozinhar. Por último, adicionar um pouco de molho de soja (shoyu). Servir
com quadrinhos de pão frito em óleo.
126 - Milho assado - Asse nas brasas algumas espigas de milho novo.
Tempere-as com molho de soja. Asse-as mais um pouco. Sirva-as.
127 - Milho cozido - Cozinhe o milho numa solução de água com 4% de
sal e sirva com molho japonês (shoyu).
128 - Milho frito - Corte fora os grãos de milho novo, amasse um pouco
e junte à massa “à milanesa” e frite em bastante óleo. Sirva com molho de soja
(shoyu).
129 - Bolinhos - Amasse farinha de milho com água, fazendo pequenos
bolos redondos. Ferva um pouco os bolinhos antes de tostar, ponha-os num
espeto. Sirva com massa de soja (missô), creme de feijão azuki japonês.
130 - Creme de milho - (amassado) - Adicione um pouco de sal à
farinha de milho amassada com água quente. Derrame na sopa de “missô”. Mexa
levemente até ficar no ponto.
131 - Croquetes - Misture um pouco de sal e canela na farinha de milho
amassada. Forme croquetes e frite-os em pouco óleo.
132 - Crepes - Toste farinha de milho numa pequena quantidade de
óleo. Adicione água e prepare uma massa fina. Ponha um pouco de óleo numa
frigideira e derrame nela uma pequena camada da mistura. Frite bem, de ambos
os lados, e sirva com “refogadinho”. (Nituke).

GERGELIM COALHADO

135 - Goma Tohu - Torrar sementes de gergelim, moendo-as em se-


guida. Misture 3 colheres de sopa cheias de farinha de araruta com água e ferva
bastante tempo, até escorrer em fio. Adicione o gergelim e tempere com sal.
Derrame numa forma retangular até endurecer. Isto poderá ser feito mais
facilmente com manteiga de gergelim (Tahin). Servir com molho de soja (shoyu,
missô, etc.)

SALADAS (AEMONO)

136 - De gergelim (Aemono). Torrar bem as sementes de gergelim,


Moer até ficarem em creme. Misture molho de soja em um pouco de água para
engrossar o creme. Ferva em água salgada, cebolinha verde, cebolas, nabo
branco comprido, cenouras, couve, agrião, espinafre, couve-flor ou abóbora, etc.
Misturar com o creme de gergelim. A massa de soja (missô) poderá substituir as
sementes de gergelim. Não deite fora o caldo das hortaliças, mas utilize-o para
sopas.
137 - Salada de frutas e vegetais - Picar couve e cenoura. Cortar a
couve-flor e uma maçã em pequenos pedaços. Ponha de lado. Misturar bem 4
colheres de sopa de óleo, uma colher de sopa de sal e um ovo. Derramar água
fervente sobre a couve e as cenouras. Ferver a couve-flor em água com sal.
Mergulhar a maçã em água salgada. Misturar estes vegetais com uma mistura de
óleo e dispor atrativamente numa travessa grande circundada com alface. Esta
salada é servida após os pratos de carne.

VARIEDADES

138 - Chou Falcie - Este é um prato regional da zona francesa pro-


dutora de trigo mourisco. Separe, uma por uma, as folhas de couve,
cuidadosamente, e lave-as. Misture trigo mourisco em duas quantidades de água
e tempere com sal. Bata 2 ovos. Numa panela de ferro com tampa, usando
bastante óleo, deite uma folha de couve no fundo. Despeje em cima de uma
camada de mistura de trigo mourisco, outra camada com ovo e, após, outra de
couve. Alternar desta maneira, terminando com uma folha de couve por cima.
Cubra e cozinhe em forno moderado por 1 1/2 hora. Remova da panela invertendo
sobre uma travessa. Corte na mesa enquanto quente. Servir com molho missô ou
molho de soja, etc.
139 - Crepe de trigo mourisco - Misture a farinha de trigo mourisco em 3
partes de água. Adicione 1 ovo e mexa bem. Ponha óleo numa frigideira. Derrame
uma fina camada da mistura, frite em ambos os lados e dobre em quatro.
Disponha atrativamente numa travessa. Antes de dobrar encha os crepes com
vegetais ,"nituke” e missô. Podem ser servidos sem recheio de “nituke” como
alimento complementar. Como merenda, podem ser recheados com castanhas,
algumas passas ou caldo de maçã.

VEGETAIS SILVESTRES

Temos alguns milhares de comestíveis, plantas silvestres, folhas,


raízes, bulbos, flores, grãos, sementes, etc. Todos foram criados por Deus sem
qualquer intenção comercial. São assim, puros, livres de fertilizantes químicos e
sem inseticidas. Na Natureza não há venenos de nenhuma espécie. Se tiverem,
serão demasiado Yang (ou Yin) que podem ser neutralizados pela nossa cozinha
macrobiótica. Podereis usá-los para curar doenças Yin (ou Yang). Eis alguns:
aoza (espinafre silvestre), akaza, dente-de-leão, nazuna, nobiru, huki, gobo
(bardana), etc. Todos são bastante deliciosos e muito úteis medicinalmente.

PLANTAS SILVESTRES E MARINHAS

150 - Alga-Kobu - (Sio-kobu) - Alga kobu cozida com água e sal -lavar
uma folha grossa de "kobu” em água. Essa água, que contém numerosos sais
minerais, deve-se guardar e usar para cozinhar mais tarde. Cortar a alga em
pedaços de 3 centímetros. Adicionar 3 partes de água e cozinhar bem até
amolecer. Salgar e continuar cozinhando até que a água evapore. Adicione 10 a
20% de molho “shoyu” e cozinhe até secar. Este prato é excelente contra a artrite,
a alta e baixa pressão sangüínea, males cardíacos, gota, tumores, etc.
151 - Verduras enroladas com alga grossa (kobu) ~ Tomar uma folha
fina de “kobu” e cortá-la em pedaços de 12 em de comprimento. Cortar cenouras,
raízes de bardana e de lótus no mesmo comprimento e enrolar na alga duas
vezes; amarrar tudo com kampy (uma corda feita com certo tipo de abóbora).
Cozinhar bastante com água em que lavou o kobu. Leva algum tempo. Salgar e
adicionar Shoyu.
152 - Alga kobu frita - Corte uma alga grossa em quadrados de 9 cm.
Frite no óleo e salgue. É um excelente prato, que pode ser servido como
sobremesa.
153 - Alga grossa - (“kobu)”) - Corte uma alga em tirinhas do tamanho
do dedo mínimo, faça um nó em cada uma delas e frite-as.
154 - Sopa de alga kobu - Tome uma alga de 12 centímetros por 30 cm,
mergulhe-a num litro de água (para 5 pessoas) e salgue. Adicione qualquer
legume e molho de soja.
155 - Alga kobu frita - Corte uma alga kobu em pedaços de 1x2 em,
parta-os ao meio e frite.
156 - Cabeça de salmão enrolada com alga kobu - Corte a cabeça de
um salmão seco salgado e enrole-a numa alga, como na receita 151; cozinhe bem
(sem salgar). Adicione um pouco de molho de soja. 2 indicada contra o pólio, a
paralisia e todas as doenças descalcificantes.
157 - Alga “hiffiki” seca - Mergulhe 30 g desta alga (“eystophyllum
fusiforme”) na água, durante 5 minutos. Corte a alga em pequenos pedaços,
juntamente com 60 g de raiz de lótus e frite em duas colheres de sopa de óleo.
Adicione a alga “hijiki” e a sua água (água da lavagem) e, após, uma colher de chá
de sal. Cozinhe bastante até à evaporação total. Adicione molho de soja e cozinhe
ainda um pouco mais.
158 - Alga “hijiki” ensopada - (Nituke) - Mergulhe esta alga em água.
Corte em pequenos pedaços. Frite bem em duas colheres de sopa de óleo e
adicione um pouco de água, e após molho de soja. Deixe ferver lentamente até
evaporar a água.
159 - Alga “hijiki” e queijo de soja frito (age) - Prepare a alga como
anteriormente, adicione queijo de soja frito cortado (age) em pequenos pedaços e
cozinhe em um pouco de água e com molho de soja.
160 - “Hijiki” e feijão de soja - Prepare de acordo com a receita n9 157,
após, adicione feijão de soja bem cozido e um pouco de molho de soja.
161 - “Hijiki” com verduras - (Gomiku) - Corte cenouras em pequenos
pedaços, raízes de lótus e bardana (como na receita nº 157) e frite em pouco óleo.
162 - Arroz com “hijik” - Adicione ao arroz cozido “hijiki” preparada
conforme receita acima.

PLANTAS SILVESTRES

163 - Folhas de dente-de-leão - Lave-as bem, corte as folhas em pe-


quenos pedaços e prepare como “refogadinho”. Salgue e adicione molho de soja
(shoyu).
164 - Raízes de dente-de-leão - Lave bem, sem tirar-lhes a casca, e
corte-as em pedaços pequenos, fininhos e redondos. Cozinhe bem uma xícara
disto em uma colher de sopa de óleo. Salgue e adicione molho de soja. lã um
alimento excelente para artrite, reumatismo, cardíacos e doentes de pólio.
165 - Caruru (espinafre selvagem) (Aoza) - Preparar um “refogadinho”
com shoyu.
166 - “Fuki” Vegetal silvestre - Tome um talo de “fuki” e cozinhe-o
durante longo tempo em um pouco de água e molho de soja. Pode-se igualmente
cozinhar as folhas, cortá-las em pequenos pedaços e fazer “refogadinho”. Este
prato conserva-se por muito tempo, como todos os “refogadinhos”.

PRATOS COM PASTA MISSÔ E MOLHO DE


SOJA (SHOYU, TAMARI)

Nota importante:

Tanto a massa de soja (“missô”), quanto o molho de soja (shoyu) devem ser prepara-
dos à maneira tradicional japonesa. Não devem nunca ser usados os tipos industrializados e
comercializados, à venda em muitos países, especialmente em São Paulo - Brasil, por conterem
açúcar e ingredientes químicos, e não terem suficiente tempo de “amadurecimento” - (pelo menos
3 anos).

201 - Molho de “missô” - Misture 45 g (uma colherada de sopa bem


cheia de pasta-de-soja (missô), três de manteiga de gergelim (tahin), adicione uma
taça de água e mexa bem deixando cozinhar. Após cozinhar, misture 1 colher de
casca de laranja ralada. Sirva este molho com arroz, trigo sarraceno em grão,
massas ou kasha, legumes, verduras, etc.
202 - Creme de “missô” - 0 mesmo que o precedente, porém com pouco
menos água. Este creme pode ser usado como acima ou para substituir a
manteiga e o queijo.
203 - “Missô” - Misture uma colher de sopa de pasta de soja com quatro
colheres de sopa de tehin ou manteiga de gergelim. Adicione um pouco de casca
de laranja ralada e sirva com arroz, pão, etc.
204 - Sopa de “missô”, - Para 5 pessoas: Uma xícara de cebola picada,
1/3 de xícara de cenoura, uma folha de couve picada e uma colher de sopa de
óleo de gergelim. ou de oliveira. Aqueça o óleo primeiro, junte a cebola e as
cenouras, depois a couve. Quando estas estiverem bem cozidas, adicione as
cenouras e deixe cozinhar bem. Derrame sobre esta mistura quatro xícaras de
água e, por último, um pouco de missô diluído. Adicione uma pequena cebola crua
picada e alga “nori” tostada.
205 - Cenouras e cebolas com "missô” para 10 pessoas - Tome 400 g
de cebola, uma cenoura, 2 colheres de sopa de pasta-de-soja, 1/2 colher de chá
de sal, 1 colher de sopa de óleo. Pique miudinho 2 ou 3 cebolas, cozinhe-as em
óleo e adicione o resto da cebola sem cortar. Acrescente a cenoura cortada em
pequenos pedaços, cozinhe bem em água e adicione pasta de soja (missô).
206 - Legumes com “missô”, - Tome uma cenoura, duas cebolas, quatro
folhas de couve, duas colheres de sopa de óleo e uma de pasta de soja. Corte as
cebolas em quatro; cozinhe-as em óleo e adicione a couve, cozinhe bem e junte
as cenouras cortadas em pequenas fatias; adicione duas xícaras de água,
pasta-de-soja diluída e um pouco de sal.
207 - Gelatina ao “missô” - Cebolas, nabo branco, inhame (Satoimo)
tudo inteiro e pedaços grandes de cenoura. Coloque tudo sobre uma alga grossa
“kobu” e ponha na panela. Adicione água e cozinhe bem com um pouco de sal;
acrescente cebolinha verde em espetos, palitos de bambu (5 por espeto) e missô
ou shoyu. Quanto mais tempo e lentamente cozinhar, tanto mais delicioso.
208 - Bolinhos de sarraceno com "missô" - Fazer bolas de trigo sar-
raceno e cozinhá-las em água. Colocar em espetos de bambu (5 pôr espeto).
Cobrir essas bolas com um pouco de pasta-de-soja e aquecer. Usar creme de
pasta-de-soja. (Podem ser usados outros cremes).
209 - Hortaliças (verduras) com “missô” - Cozinhar em água, cenouras,
cebolas, agrião, couve-flor, nabo-branco, escarola, salsa, etc., servir com creme
de missô.
210 - Especial nº 1 (“tekka” nº 2 ) - Ingredientes: 30 g de raiz de lótus,
45 g de bardana (raiz), 30 g de cenouras, 5 g de gengibre, 90 g de óleo de
gergelim, 150 g de pasta-de-soja. Picar todos os legumes. Primeiramente fritar as
raízes da bardana em 60 gramas de óleo e adicionar a cenoura e o lótus e
cozinhar bem.
Acrescentar, a seguir, o gengibre e o missô. Adicionar 30 g. de óleo e
cozinhar até secar bem. Este prato é excelente para todas as doenças Yin.
211 - Especial nº 2 (,”tekka” nº 2) - 60 gramas de raízes de lótus, 15 de
bardana, 15 de cenouras e 5 de raízes de dente-de-leão. Pique todos os vegetais
e faça como no número anterior. Muito bom para tosse, asma, tuberculose, etc.

- MOLHOS - (SHOYU)

212 - Arroz - Satura - Cozinhar arroz com 57o de shoyu. É um prato


saborosíssimo.
213 - Molho de soja (shoyu) especial - Picar bem uma cebola; fritar em
uma colher de óleo; adicionar uma xícara de água e 3 colheres de sopa de
manteiga de gergelim (thain). Misturar bem, salgar com 1/2 colher de chá de sal e
cozinhar bem.
214 - Molho de gergelim - Tostar 40 gramas de grãos de gergelim e
amassar até ficar oleoso. Acrescentar 30 ou 60 gramas de molho de soja. É ótimo
molho para legumes, arroz, pão, sanduíches, etc.
215 - Caldo ao molho de soja - Picar meia cebola e fritar numa colher
de chá de óleo. Adicionar duas xícaras de água. Após o cozimento, temperar com
molho de soja.
216 - Verduras cozidas com água - (Ositashi) - Cozinhar em água,
agrião, espinafres, alface, couve, ou qualquer outro legume e servir com molho de
soja.
217 - Creme de aveia - Tostar 4 colheres de sopa de farinha de aveia
em uma colher de sopa de óleo e adicionar molho de soja, sal e água à vontade.
218 - Mingau de farinha de aveia - Adicionar volume de água próprio
para mingau; salpicar salsa picada, agrião ou outro tempero verde. Pode-se fazer
o mesmo mingau (caldo ou creme) com arroz, trigo, leite em pó macrobiótico
“Kokkoh” e farinha de trigo sarraceno (sarasina).
219 - Molho bechamel ao molho de soja (shoyu) - Tostar uma colher de
sopa cheia de farinha numa de óleo. Adicionar água e cozinhar. Após, adicionar o
molho de soja (shoyu).
220 - Maionese com molho de soja (shoyu) - Verta, pouco a pouco, óleo
sobre um ovo batido com um pouco de sal. Adicione água quente. Acrescente
salsa picada. Sirva com qualquer legume, cozido ou peixe.
221 - Molho à Ia Lyonnaise - Frite uma cebola picada em pouco óleo,
adicione vinho branco e, após, duas a três colheres de sopa de molho bechamel
(219). Este molho é muito bom para peixe grelhado.

Nota - Use somente o molho de soja (shoyu) tradicional em todos os


pratos (vegetais e peixe). Shoyu diluído em um pouco de água é muito bom para
“Sasimi” e ostra frita, “tempura” título do capitulo peixe à moda Sukiyaki, tofu
(queijo vegetal de feijão soja) etc.

BEBIDAS

301 - Chá de arroz - Torre arroz integral até ficar bronzeado. Para cada
colher de sopa de arroz adicionar dez vezes o seu volume de água. Ferva. Salgue
ligeiramente e sirva. Este arroz torrado pode ser utilizado como alimento
complementar. Arroz torrado e chá torrado de três anos (“banchá”) podem ser
misturados e utilizados como bebida.
302 - Chá de trigo - Torre trigo com pouco fogo, até tostar, e ferva uma
colher de sopa cheia em 150 gramas de água. Sirva frio, no verão.
303 - Café de dente-de-leão - Lave e seque raízes de dente-de-leão.
Corte em pequenos pedaços. Doure com óleo numa frigideira. Passe, em seguida,
num moinho de café. Ferva, durante 10 minutos, este pó na quantidade de uma
colher de chá por uma xícara de água. Coe e sirva. As pessoas que preferirem
sabor amargo podem adicionar chicória.
304 - Café “Oshawa” (“Yannoh”) - Três colheres de sopa de arroz, duas
de trigo, duas de feijão japonês (“azuki”) uma de grão-de-bico e uma de chicória.
Torre separadamente até bronzear bem. Misture tudo em seguida e torre num
pouco de óleo. Após esfriar, moa finamente. Prepare esta farinha chamada “Yan-
noh”, com água fria, na proporção desejada. Use uma colher de sopa para meio
litro de água. Sirva após 10 minutos de ebulição.
305 - Leite de cereais macrobiótico ("Kokkoh”) - Este produto é uma
mistura de farinha de arroz torrado, de arroz glutinoso, de farinha de aveia, farinha
de feijão de soja e de sementes de gergelim. 2 mais fácil comprá-lo pronto. Ferva
e mexa durante 10 minutos uma colher de sopa cheia por 1/4 de litro de água.
306 - Chá de artemísia - Erva de São João - (Jomogui). Ferva 30
gramas de folhas de artemísia, em 150 cm cúbicos de água. Salgue e beba ao
levantar da cama, em jejum. 10 um excelente vermífugo. As folhas secas
conservam-se durante anos.
307 - Chá de Hortelã - Tratar as folhas de menta da mesma maneira
que a artemísia (Jomogui).
308 - Tilia - Ferver as folhas e usar como bebida.
309 - Chá de 20 raízes (Mu) - É um chá composto de mais de 20 raízes
(muito Yang) sendo uma delas a famosa cenoura da Coréia (Gin-Seng). Ferver
um pacote deste chá num litro de água durante dez a vinte minutos. Esta bebida
pode ser consumida diariamente pelos doentes Yin. Neste caso, é necessário
deixar ferver até evaporar a metade e tomar durante dois dias. Pode ser
reaquecido. É a bebida mais Yang. 0 “Gin-seng" é extremamente Yang.
310 - Chá de três anos (Chá verde”) (banchá) - Tostar por alguns
minutos o chá verde natural (as folhas devem ficar três anos no pé) e, após, ferver
1 colher de sopa cheia durante 10 minutos em fogo brando.
311 - Chamol (Syo-Ban) -Chá de três anos - banchá - com molho de
soja) - Pôr molho de soja no fundo de uma xícara (a 1/4 da altura) e adicionar o
chá quente preparado conforme acima se indica. Este chá é muito indicado para a
fadiga, para depois de acidentes e fraqueza cardíaca.
313 - Chá Yang-Yang - Este chá deve ser usado pelas pessoas muito
Yin.
314 - Chá dragão - Este chá é recomendado às pessoas extremamente
Yin, que sofrem de náuseas, matinais vômitos e leucorréia.
315 - Chá Habu - (Chá chinês). Tem excelente gosto e é muito
recomendado contra os resfriados da cabeça.
316 - Caldo (suco) de raiz de Iótus seco - Kohren - Esta bebida, feita
com raízes de Iótus, seca e moída, é recomendada principalmente contra a tosse,
a coqueluche, a asma, a tuberculose. Convém utilizá-la na razão de uma colher de
chá por 1 xícara de água fervente, e tomar três vezes ao dia. Fazer exclusão de
todos os outros líquidos.
317 - Caldo de araruta (Kuzu) - É uma excelente bebida para todos,
muito boa também contra a diarréia e os resfriados da cabeça. Diluir uma colher
de chá cheia de farinha de araruta em 2 a 3 partes de água. Adicionar, a seguir,
um quarto de litro de água, e ferver até ficar transparente. Adicionar um pouco de
molho de soja. (shoyu).
318 - Chá de raiz de Iótus cru - Esmagar uma raiz de Iótus cru de 6 cm
de comprimento para extrair o suco; adicionar 10%, de gengibre, um pouco de sal,
e ferver como no n.º 316. Recomendado contra a tosse e a asma e às pessoas
Yin.
319 - Caldo feijão “azuki” - Ferver o feijão japonês “azuki)5 na
proporção de uma colher de sopa em dois litros de água até reduzir pela ebulição
em 1 litro Caldo muito bom para os males dos rins. Pode-se juntar uma pitada de
sal.
320 - Chá de nabo branco comprido nº 1 - Tomar a quantidade de duas
colheres de sopa de raiz de nabo branco ralado e adicionar 3/4 de litro de água
quente. Acrescentar duas colheres de sopa de molho de soja e 1 colher de chá
gengibre ralado. Tomar esta bebida na cama. Se tiverdes um resfriado, haverá
transpiração abundante e desejo de urinar.
321 - Chá de nabo branco comprido (Daikon), n9 2 - Ralar 1 raiz de
nabo branco comprido e espremer o suco. Adicionar o dobro do volume de água e
um pouco de sal. Ferver alguns minutos. Tomar uma vez por dia; não tomar mais
do que três dias seguidos. Bom para pés inchados.
322 - Ovo com shoyu - (Ransyo) - Partir cuidadosamente um ovo
fecundado, de maneira que a casca quebre em partes iguais - Bater bem o ovo.
Encher uma das metades da casca com molho de soja (shoyu) (Tamari) e
adicionar ao ovo. Bater novamente. Engolir esta mistura de uma vez, sem sentir o
sabor. Tomar uma vez por dia antes de deitar-se e somente durante três dias.
Muito bom para doenças cardíacas severas (agudas).
323 - Chá de trigo sarraceno (soba) - É a água na qual foi cozido o
macarrão de sarraceno, com um pouco de molho de soja e sal.
324 - Suco de ameixa japonesa salgada (“Umeboshi”) - Ferver 3 ou 4
ameixas num litro de água. Passar pela peneira. Adicionar um litro de água. Tomar
fria, como bebida. Delicioso refresco para o verão.
325 - Ume-syo-Kozu - Chá para resfriados - 1 ameixa japonesa sal-
gada; 1 colher de chá cheia de araruta, 3 colheres de chá de molho de soja, 1 de
gengibre e três quartos de litro de água. Esmagar a ameixa num quarto de litro de
água, adicionar a araruta, juntar o gengibre e o resto da água e ferver até a
mistura se tornar espessa. Ao tomar, adicionar um pouco de molho de soja. ótimo
para resfriados (gripe).
326 - Suco especial de creme de arroz - Caldo - Tostar 1 xícara de
arroz. Fervê-lo durante duas horas, em quatro vezes o seu volume de água.
Quanto mais ferver, melhor. Coar num pano de algodão. É um excelente tônico
para tomar de manhã, em caso de doença, e à tarde, em caso de fadiga.

PRATOS ESPECIAIS - PEIXE, ETC.

401 - Carpa com bardana e pasta-de-soja (Koi-Koku) - 1 carpa, três


vezes mais de raiz de bardana, três colheres de sopa cheias de pasta de soja -
missa - Retirar, cuidadosamente, somente as partes amargas da carpa (a
vesícula), deixando todas as escamas, e cortá-la em postas de dois em de
espessura. Aquecer uma colher de sopa de óleo na frigideira e refogar as tiras de
bardana. Colocar a carpa por cima e cobri-la com folhas de chá usadas, enroladas
e amarradas num pano. Colocar água suficiente para cobrir os ingredientes.
Ferver em fogo lento por três horas. Se a água se evaporar, adicionar mais, aos
poucos. Quando as espinhas estiverem moles, retirar as folhas de chá e despejar
a pasta de soja diluída em um pouquinho de água; ferver, novamente, em fogo
lento. É um prato excelente contra as febres e inflamações, especialmente
indicadas para as mães que não têm suficiente leite e que devem consumir todo
este prato em cinco dias. É igualmente recomendado contra as pneumonias, as
otites, as artrites e os reumatismos.
402 - Caranha-vermelha (TAI) - Remover as escamas e limpar o peixe.
Salpicar com sal. Cobrir com farinha e fritar com bastante óleo em fogo médio.
Quando o peixe estiver bem frito, colocá-lo numa travessa, temperar com molho
de soja e servir.
403 - Molho - Cortar uma cebola em fatias fininhas no sentido do
comprimento, picar uma couve chinesa, couve-flor, cenouras, misturar tudo e
salgar. Adicionar um pouco de água e refogar lentamente até amolecer.
Engrossar, ligeiramente, com um pouco de araruta e água. Este molho pode ser
usado com trigo sarraceno frito, macarrão, talharim, etc.
404 - Cavala - Lavar e limpar o peixe. Salgá-lo. Cobrir e enrolar com
farinha e cozinhar da mesma maneira do nº 402. 0 creme de “missa” combinará
bem com este peixe.
405 - Peixe miúdo - Limpar e lavar bem pequenos peixes, de apro-
ximadamente 6 centímetros, tais como trutas, sardinhas, etc. Salpicá-los com sal e
cobri-los com farinha. Fritá-los com óleo e servi-los com molho de soja. Este prato
é recomendado contra todas as doenças Yin.
406 Ostras fritas - Tirar-lhes todo o liquido e salgá-las; passá-las
na farinha, após no ovo batido com pão ralado. Fritar em bastante óleo.
407 - Caranha frita - Cortar o peixe em grandes pedaços e salgar.
Cobrir com farinha, depois com ovo batido e, por fim, com pão ralado. Fritar em
óleo. Servir com refogado de agrião, couve, cenoura em fatias, etc. Outros peixes
como o bonito, a sardinha, o rabo amarelo, etc., são fritos do mesmo modo. Servir
com gengibre ralado.
408 - Ostras a São Tiago (Coquille São Jaques) - Retirar a carne das
ostras e lavá-las. Cortá-las em pedaços pequenos e refogar com cenouras,
cebolas, etc. Colocar a carne no interior das conchas e sobre elas derramar molho
bechamel (219). Cozinhar no forno. Os legumes podem ser comidos (sem carne)
pelos doentes.
409 - Camarão à milanesa - (Tenpura de camarão) - Retirar as cascas e
salpicar com sal. Cobrir com massa de farinha e fritar. Preparo da massa:
dissolver uma parte de farinha peneirada em duas de água, sem bater muito. As
massas muito batidas ficam pegajosas e não saem bem. Com farinha de arroz
aglutinado, a proporção é de um para cinco (5 de água e 1 de farinha de arroz).
Adicionar a este liquido um ovo batido Para o molho: preparar um “consommé” de
alga marinha (“kobu”) e de atum seco. Temperar com sal e molho de soja.
Escorrer todo o óleo dos camarões, colocando-os sobre uma folha de papel.
colocar os camarões numa travessa forrada de guardanapos de papel numa
bonita disposição. Guarnecer com nabo branco ralado e com salsa. Servir o molho
em tigelas individuais pequenas.
410 - Peixe-espada à milanesa - Tempura de Cavala - Cortar os filés do
peixe e mergulhá-los em massa liquida, conforme foi indicado anteriormente e
fritar.
411 - Calamar - (Polvo que se encontra em águas do Brasil) - N. do Tr.,
à milanesa - Retirar a pele de um calamar e cortá-lo ao comprido, em pedaços de
3 a 6 em. Fritá-los, após tê-los coberto com a massa acima mencionada (409).
Estes pedaços de calamar fritos à milanesa (tempura) devem ser servidos com
agrião, vagens, salsa, cenouras, etc. Também fritos à milanesa (tempera).
412 - Mexidos fritos - Utilizar ostras, postas de calamar, mariscos e
cebolas refogadas, cenouras em pedacinhos, etc. Mergulhá-los na massa e
deitá-los às colheradas no óleo. Fritar.
413 - Fritada de ovo - (Tempura de ovo) - Aqueça bastante óleo, quebre
e frite nele um ovo imediatamente.
414 - Atum cru - Tirar a pele e as partes sangrentas de um atum e
cortá-lo em fatias finas. Servir da mesma maneira atraente da caranha crua (415).
Esfrie e sirva.
415 - Caranha-vermelha crua em tiras n9 1 - Tai - (sasimo) - Cortar uma
caranha vermelha em pequenas postas; arranjá-las sobre uma travessa com nabo
branco e cenoura cortadas em rodelas. Servir com nabo branco comprido ralado
(daikon) e com molho de soja em pratinhos de sobremesa.
416 - Caranha-vermelha n9 2 - Cortar em filetes fininhos, compridos,
uma caranha vermelha. Salpicar com sal e colocar numa cesta ou numa peneira.
Após 20 minutos, escorrer água fria da torneira lentamente sobre eles. Quando a
carne estiver firme, colocá-los sobre uma camada de nabos brancos, de cenouras,
etc. bem picadinhos. Servir em pratinhos de sobremesa.
417 - Carpa crua - Preparar a carpa do mesmo modo que a caranha
vermelha nº 2 (416). A carpa lavada é muito Yin, razão por que não deve ser
comida com freqüência ou diariamente.
418 - Sopa de cadozes (peixinhos de água doce) - Preparar uma sopa
de missô e adicionar cebolinha verde. Lavar os peixinhos e mergulhá-los na sopa
fervente.
419 - Outro prato com peixinhos de água doce - (Yanagawa). Cortar os
peixinhos ao comprido em dois, deixando as duas metades unidas. Refogar em
pouco óleo raízes de bardana cortadas bem fino no sentido longitudinal.
Arrumá-las numa frigideira, tipo yanagawa, e sobre elas dispor os peixinhos com
os lados abertos para cima, sobre os quais derrame um ovo batido.
Adicione um molho bem temperado com sal e shoyu e ferva. Ao servir
na travessa, ter cuidado para que o peixe não se desagregue, caso tenha usado
frigideira comum, por não dispor do tipo yanangawa.
420 - Caranha vermelha salgada, grelhada ou assada no forno
-Escamar e limpar uma caranha, salpicar com sal. Cozinhar no forno ou sobre a
chama do gás. Pode ser assado no espeto. Neste caso, as barbatanas e a cauda
devem ser cobertas com um papel molhado. Quando assada no forno, untar a
travessa ou forma com óleo. Cortar em pedaços grandes.
421 - Peixe salgado e grelhado - Escamar e limpar o peixe. Pulverizá-lo
com sal e grelhá-lo sobre a chama de gás. Servir com molho de soja. Pode-se
fazer o mesmo com cavala, lúcio, sardinhas, carapaus, etc.
422 - Atum assado ou (rabo amarelo assado) - Cortar o atum ou rabo
amarelo em pedaços grandes e assar no forno. Mergulhar os pedaços numa
mistura de molho shoyu e água (em partes iguais) levar novamente ao forno.
Colocá-los em seguida numa travessa; derramar em cima o resto da solução de
molho de soja engrossado com farinha de araruta.
423 - Peixe espada - Cavalla - estufado - Refogar em óleo grossos
pedaços de cenouras, cebolas, couve, couve-flor; adicionar água e ferver bem.
Cortar o peixe em pequenos pedaços e fritar em bastante óleo até dourar.
Adicioná-los aos legumes e ferver. Fazer uma massa fina de farinha torrada no
forno com um pouco de óleo e derramá-la sobre o peixe e os legumes para
engrossar. A couve-flor se desmancha quando é fervida durante longo tempo; por
isso deve ser cozida à parte e adicionada por último, antes de engrossar, fazendo
um prato atraente.
424 - Ensopado de peixe-espada (cavala) pequeno (Nituke) - Limpar o
peixe e cortá-lo em pedaços, inclusive a cabeça, e ferver numa solução de partes
iguais de água e shoyu.
425 - Sopa de peixe-espada - Cavala vermelha) - Preparar um
“consommé” com alga “kobu” e atum seco ou em pó, use 2 litros de água e 20
centímetros de “kobu”. Quando a água ferver, adicionar três colheres de sopa de
flocos de atum seco. Ferver bastante, coar e deixar de lado. Cortar o peixe em pe-
quenos pedaços e cozê-los rapidamente. Cozinhar, por instantes, cebolinha verde
picada. Cozinhar os pedaços (torresmos) que ficaram de molho na água. Coar os
líquidos, separadamente, destas fervuras e adicioná-los à sopa. Colocar cada um
dos ingredientes nas tigelas de sopa japonesas, derramando nelas a sopa depois
de temperada com sal. Pôr um pouco de casca de laranja em cada tigela e
cobri-las. Preparar do mesmo modo as sopas de frango, pato, camarão, arenques,
etc..

SOBREMESA E MERENDAS - PÃO –

501 - Biscoitos - (Karinto) - Misturar duas xícaras de farinha, duas


colheres de sopa de sementes de gergelim, uma pitada de sal, e uma colher de
chá de canela. Adicionar água de tal modo que fique uma massa mole. Estender a
massa e cortá-la em tiras. Fritar até dourar ou até tomarem a consistência comum
aos biscoitos. Formas diversas podem ser dadas; podem ser guarnecidos com
nozes, ou uma de suas extremidades ser inserida numa fenda praticada no meio.
502 - Polenta - 0 mesmo da receita precedente, porém misturando
partes iguais de farinha de trigo e de milho.
503 - Biscoito de trigo sarraceno - 0 mesmo da receita anterior, porém
utilizando farinha de sarraceno. Excelente como merenda para doentes.
504 - Biscoito de painço e farinha de trigo mourisco. Misturar painço
cozido com farinha em partes iguais. Adicionar avelãs ou castanhas de caju
cortadas bem miudinhas, bem como casca de laranja raspada. Amassar com
água. Confeccionar com esta massa cilindros de 10 centímetros, que devem ser
cortados em tiras bastante finas. Fritar em bastante óleo. Pode-se usar também
farinha de trigo, de arroz, de milho, etc., e adicionar pequenas quantidades de
nozes, amendoim, passas de uvas, etc.
505 - Pão “Ohsawa)” - Misturar quatro partes de farinha de trigo integral,
duas de farinha de milho, duas de farinha de castanhas e duas de farinha
sarraceno. Adicionar um pouco de óleo e algumas passas de uvas e após
amassar lentamente com água. Cozinhar numa forma untada e colocar um pouco
de massa. Pincelar ovo batido (gema) sobre o pão. Para os doentes, misturar
farinha de trigo sarraceno, farinha de trigo integral, farinha de milho, farinha de
painço, etc., sem passas de uva e nozes. Fatias deste pão frio podem ser cortadas
e torradas em um pouco de óleo. 0 pão “Ohsawa” não contém fermento, não é
muito leve, porém é saboroso quando bem mastigado.
506 - Torta de maçãs - Cortar maçãs em fatias, adicionar um pouco de
sal e cozinhá-las no forno, até ficarem tenras. Preparar massa para o pastelão;
guarnecer uma forma, enchê-la de maçãs e colocá-la no f orno. Para o preparo da
crosta do pastelão, ver o capítulo de massas.
507 - Maçãs ao forno (nº 1) - Retirar a parte central das maçãs, tendo o
cuidado de não perfurá-las completamente. Rechear com manteiga de gergelim
(tahin) misturada com um pouco de sal e levar no forno até ficar no ponto.
508 - Maçãs ao forno (nº 2) - Preparar massa de pastelão e estendê-la
bem fina. Cortar em pedaços que dêem para enrolar uma maçã. Preparar as
maçãs como foi indicado anteriormente. Colocar dentro de pedaços da massa e
enrolar, aperte em cima para fechar. Pincelar com gema de ovo. Levar ao forno. 0
resto da massa pode ser cortada em tiras para decorar. Se as maçãs forem muito
grandes, podem ser cortadas em quatro, porém maçãs inteiras de pequeno
tamanho, são mais deliciosas.
509 - Pastel de maçã.- Preparar a massa do pastel e estirá4a para que
fique fina. Cortá-la em discos de 10 em de diâmetro. Dispor uma sobre a outra e
recheá-la com compota de maçã.
510 - Pastel de passas de uvas - Estirar a massa do pastel até ficar
bem fina e cortá-la em pedaços redondos de 6 em de diâmetro. Colocar algumas
passas de uva no seu interior e fechar as duas extremidades, apertando com os
dedos. Pincelar com gema de ovo antes de colocar no forno. Pode substituir-se as
passas de uva por castanhas de caju.
Variedade no 1 - Enrolar a massa em torno de um bastão de dois em e
meio. Fritar em bastante óleo, deixar esfriar e retirar o bastão. Rechear com
compota de maçã, purê de castanha, purê de abóbora, etc.
Variedade nº 2 - Cortar a massa da torta em tiras de 4 em de largura
por 12 em de comprimento. Enrolar na massa um cone de madeira de 6 em de
diâmetro de base. A parte superior deve ser do diâmetro de um lápis. Leve ao
forno, retire o cone de madeira e substitua-o por geléia ou purê, como acima.
511 - Bolacha nº 1 - Crackers - Misturar farinha de trigo ou de aveia, ou
de milho, com um pouco de óleo, sal e água. Amassar. Enrolar esta massa e
cortá-la em quadrados de 5 em. Fazer pontinhos com 1 palito. Levar ao forno.
Para biscoitos faz-se a massa um pouco mais grossa. Temperar como desejar.
512 - Bolacha nº 2 - (Halawah) - Misturar 1 xícara de farinha de trigo
integral grossa - sêmola - 2 colheres de sopa de passa de uva, 2 colheres de chá
de canela em pó e 1 maçã. Dourar a farinha em quatro colheres de sopa de óleo.
Adicionar as passas de uva e a maçã cortada em pedaços. Sobre esta mistura,
derramar água em quantidade correspondente a quatro vezes o volume (da
mistura) e uma colher de chá de sal, e cozinhar em fogo brando. Quando a
mistura engrossar, adicionar canela. Molhar a forma com água fria e forrar o fundo
com salsa picada e despejar a mistura sobre a forma. Esfriar. Inverter o conteúdo
da forma e servir. Pode-se alternar esta mistura com camadas de farinha de
castanhas, com castanhas em purê ou com abóbora em purê. Outras formas
podem ser usadas, redondas e tubuladas.
513 - Sêmola - farinha de trigo integral grossa - A sêmola pode ser
empregada como alimento complementar, se for feita com cevada grossa moída e
torrada em um pouco de óleo. Neste caso, a farinha deverá ser de grãos integrais
de cevada,
514 - Sanduíches - (Nituke) - Pode-se fazer “refogadinho” (“nituke”) de
diferentes variedades, com creme de abóbora, creme de nozes, geléia de maçã,
etc., usados como recheio entre as fatias de pão, resultando em sanduíches
gostosos. Para os doentes, o melhor pão é o “Ohsawa”, só com cereais, cozido ao
forno e cortado em fatias finas, com recheio de vegetais, etc. Pode-se, igualmente,
utilizar pastéis, crepes, chapati, etc.
515 - Canapés - Coloquem-se alimentos variados sobre pequenos qua-
drados de pão, que se levam ao forno, por breves instantes.

CAPÍTULO IX

PRATOS ESPECIAIS

ALIMENTOS DE ORIGEM ANIMAL

Todo alimento de origem animal é proibido pelo budismo, sobretudo


pelo Budismo ZEN, que representa o ramo mais evoluído, sob os aspectos
biológicos e fisiológicos. Sem Macrobiótica não há, pois, Budismo!
A Macrobiótica não é um vegetarismo sentimental, e evita todos os
produtos hemoglobínicos, unicamente, por motivos biológicos e fisiológicos e para
desenvolver ao máximo as faculdades cerebrais. A carne é ideal para as feras: as
suas glândulas segregam hormônios adequados para criaturas que não estão
habituadas a pensar, e que agem por instinto, anatomicamente. Seu centro
sensitivo e, por conseguinte, seu juízo, não estão desenvolvidos como o nosso,
por isso elas são exploradas pelo homem e mortas para serem comidas. 2 por
esta razão que os homens que comem os produtos de origem animal são
explorados e mesmo mortos pelos outros e, algumas vezes, por si próprios.
Não creio que existam animais que mobilizem seus irmãos e filhotes
para destruírem outras nações de criaturas, como o faz o homem, que é insensato
sob este ponto de vista, e cujo discernimento a esse respeito é inferior ao dos
animais. Todos aqueles que consomem produtos contendo hemoglobina
dependem para seu sustento de animais, cujas faculdades de discernimento são
inferiores e simplistas.
Pavlov cometeu o erro de considerar o homem como uma máquina de
reflexos condicionados, pois o homem tem, pelo menos, seis capacidades
diferentes de discernimentos:

1 - discernimento cego (reflexo condicionado)


2 - discernimento sensorial
3 - discernimento sentimental
4 - discernimento intelectual
5 - discernimento social
6 - discernimento ideológico
7 - discernimento supremo.

É pela sua quinta capacidade do discernimento que o homem se suicida


após ter morto a esposa que o traiu, e é pela sua sétima capacidade que o homem
perdoa ao pior criminoso. Os mentirosos, os assassinos e os covardes não devem
ser nem punidos nem lastimados; é necessário mostrar-lhes que são infelizes por
causa de sua péssima alimentação ou da de seus pais, e refazer a sua educação.
A educação profissional transforma os homens em gramofones, sem
desenvolver-lhes a capacidade de discernimento e de iniciativa.
No Oriente, ensina-se, desde a escola primária, as crianças a pensar,
julgar e serem independentes. Este ensinamento, porém, torna-se inútil se as
crianças não têm o cérebro convenientemente desenvolvido ou se permanecem
como os animais. Há alguns indivíduos insaciáveis, que procuram dinheiro, poder,
reputação e honrarias a todo o preço e durante toda a vida. Como os crocodilos,
têm a cabeça pequena e os maxilares fortes. Isto quer dizer que seu cérebro é
menos desenvolvido do que a sua boca e as suas mandíbulas. São homens de
ação e não de pensamento. Nas regiões onde numerosas pessoas têm estas
características, onde se consome muita carne e onde o clima é muito quente
(Yang) existe a lei de Lynch. A prática do linchamento será esquecida quando
essas pessoas deixarem de comer carne. A educação escolar não modificará este
estado de coisas, pois o problema é de natureza fisiológica. Se Gandhi, que bem
ilustra a tese, não houvesse renunciado, totalmente, a comer qualquer espécie
animal durante a sua estada na Inglaterra, ele se teria tornado um revolucionário
violento. Espero que tenhais compreendido que não é somente a forma da cabeça
que determina a vossa conduta. Seu conteúdo, sua composição e o que alimenta
são da máxima importância.
É por esta razão que podeis controlar a vossa conduta pela vossa
alimentação. Pode-se ser seu próprio mestre ou um escravo com discernimento
animal. Uma pessoa de constituição básica muito Yin pode matar o seu cônjuge,
se comer alimento Yin em excesso. Pode tornar-se mais cruel do que um
assassino Yang. Aqueles que comem alimentos Yin em excesso, como os
frugívoros ou os vegetarianos da Índia, são capazes de causar grandes tragédias -
a infindável divisão das nações. Em última análise, no entanto, não há razão de
temer os produtos de origem animal, porque tudo depende da quantidade, visto
que a quantidade altera a qualidade. Aquilo que é agradável torna-se menos
agradável se a medida for ultrapassada; o desejável torna-se repugnante pelo
excesso. É aqui que se pode ver a superioridade da dialética sobre a lógica
formal. Os princípios fundamentais da lógica ocidental, a base do pensamento e
da ciência, no Ocidente, são por demais rígidos e simplistas para o oriental. Essa
a razão por que o professor Northrup, autor do interessante livro: “O encontro do
Oriente com o Ocidente” (The meeting of East and West) ficou tão assombrado e
surpreendido com a mentalidade oriental. Os orientais compreendem muito bem
que um mesmo resultado pode ser produzido por dois fatores opostos, enquanto
que dois resultados contrários podem ser produzidos por quantidades diferentes
do mesmo fator. Se conhecerdes os princípios da cozinha macrobiótica e a sua
filosofia dialética, podeis Minimizar ou neutralizar alimentos excessivamente Yang
(produtos animais) e evitar assim o domínio fatal do discernimento inferior (cruel,
violento, criminoso, delinqüente) sobre o julgamento superior.
Como porém, não estais habituados à Macrobiótica pura e não estais
com muita pressa de entrar no Reino dos Céus ou o Infinito, (Satori) podeis comer,
ocasionalmente, um pouco de carne, ou pratos de alimentos de origem animal,
porém cada vez menos, até que estejais completamente libertos.
Os pratos especiais recomendados são dosados de maneira a es-
tabelecer um bom equilíbrio, neutralizando os excessos de Yang e Yin (este último
é o mais perigoso), sendo porém condição essencial não estarem os alimentos
usados contaminados pelo D.D.T. ou outros inseticidas.