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COMPREENSÃO LEITORA E ANALFABETISMO FUNCIONAL Cléa Silvia Biasi Krás1

Resumo

O presente artigo propõe uma reflexão sobre a compreensão leitora, fundamentando-se na Psicolinguística, no que se refere ao processamento, mecanismos e estratégias de leitura e quanto ao conhecimento prévio do leitor e sua consciência linguística. Analisa, também, o analfabetismo funcional no Brasil, cujos dados mostram a inabilidade de indivíduos na compreensão leitora da língua portuguesa no Brasil. O estudo possibilita não só a construção de conceitos sobre os tópicos previstos e o desenvolvimento da consciência sobre o processo de ler, como também expõe possibilidades de aplicação pedagógica com vistas ao

desenvolvimento da competência em compreensão leitora.

Palavras-chave: leitura, compreensão leitora, Analfabetismo Funcional

Introdução

A compreensão leitora e a produção de textos escritos são, conforme dados recentes, a grande deficiência dos alunos no Brasil. A maioria dos jovens saem da escola sem saber ler, interpretar, ter opinião crítica e, consequentemente, sem produzir bons textos. Isso tudo contraria o procedimento essencial das escolas, já que as habilidades de leitura e de escrita são indispensáveis para os alunos em todos níveis de escolaridade, inclusive no nível superior.

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Doutora em Letras pela PUCRS e professora da ULBRA/ Torres (RS).

Conversas Interdisciplinares Ano I Vol. 1 ISSN 2176-1051

apesar da sua importância. Além disso. Conversas Interdisciplinares Ano I Vol. No entanto. um conjunto de teorias. por meio da interação do leitor com o produtor do texto. descrevendo vários aspectos que constituem a leitura e as atividades em que o leitor se engaja para construir o sentido de um texto. não compreende o que leu. o presente estudo pretende destacar a contribuição que a Psicolinguística – ramo da Linguística que analisa os processos cognitivos de recepção e de produção da linguagem verbal – pode dar ao ensino. É por meio dela que captamos o sentido do texto e reconhecemos as intenções pretendidas pelo seu autor. a leitura ainda é motivo de discussão em muitas instituições de ensino. assim como serão analisados dados sobre o analfabetismo funcional no Brasil. especialmente dos professores de todas as áreas. Posteriormente. 1 ISSN 2176-1051 . Desse modo. a seguir. serão examinadas possibilidades de aplicação pedagógica com vistas ao desenvolvimento da competência em compreensão leitora. que o aluno não lê e. Leitura Um dos aspectos fundamentais de comunicação entre letrados é a leitura. envolvidos no processo ensino e aprendizagem. A maior e mais significativa consequência do processo de escolarização é o processo de descontextualização de linguagem. mecanismos. estratégias. o objetivo neste artigo é oferecer subsídios sobre aspectos cognitivos da compreensão e leitura de textos. acrescentando novos enfoques aos problemas que os alunos enfrentam na leitura.2 Partindo dessas considerações. conhecimento prévio e consciência linguística. a incompreensão leitora constitui-se o maior obstáculo ao sucesso escolar. quando lê. uma vez que se ouve dos profissionais da educação. será apresentado. que permite a aquisição do conhecimento. Nesse sentido. enfatizando aspectos da compreensão leitora: processamento. com base numa revisão bibliográfica limitada. Sendo assim. a aprendizagem do educando na escola está fundamentada na leitura.

neste trabalho. há um conjunto de fatores cognitivos que interferem na atividade de compreensão. pois a leitura não se efetiva sem a compreensão. pois o texto não tem uma única significação.3 Desse modo. O autor acrescenta que a leitura eficiente não resulta da percepção precisa e identificação Conversas Interdisciplinares Ano I Vol. Em suma. seus conhecimentos a respeito dos diferentes tipos de textos e dos recursos linguísticos utilizados. mecanismos e estratégias Para Schneider (1990. p. a partir de transações que realiza com o texto. Desse modo. parte-se do pressuposto de que a leitura é um processo dinâmico. integrando informações novas ao conhecimento prévio. Segundo Goodman (1976. Assim. Faz com que o que o leitor traz para o texto seja tão importante quanto o próprio texto na sua compreensão. suas crenças. p. faz-se necessário uma reflexão sobre aspectos envolvidos na compreensão leitora. se esse processo de decodificação não for acompanhado da compreensão do significado veiculado por meio dos elementos ou estruturas linguísticas. o significado do texto é construído pelo leitor.27). opiniões e interesses. Compreensão leitora: processamento. mencionado em Goodman (1991. 498). decodificar palavras ou frases não chega a ser leitura. ler é compreender. Soletrar. da mesma forma que ler não é um processo preciso. 16). que envolve um processamento de informações por tentativa. resultante da interação do leitor com o texto e do leitor com o autor. que envolve fatores linguísticos (a contribuição do texto) e extralinguísticos (decorrentes do conhecimento prévio e das vivências do leitor e do autor). Cabe ressaltar que o conhecimento prévio é entendido. a leitura não é um processo passivo da parte do leitor. como uma série de elementos centrados no leitor: o seu conhecimento de mundo. a leitura é um jogo psicolinguístico de adivinhação. 1 ISSN 2176-1051 . É um processo ativo de construção de sentidos. Grande parte das pesquisas converge para a visão de que as transações entre o leitor e as características textuais resultam na construção de significado. p. os quais serão analisados posteriormente neste trabalho. Além disso. já que o papel do professor é criar oportunidades que permitam o desenvolvimento desse processo cognitivo e social. Essa visão torna o papel do leitor altamente ativo.

controla-as e assim chega ao êxito. Nessa perspectiva. “É para extrair sentido de material escrito que serve a leitura”. O autor enfatiza o processo de busca de sentido na leitura. isto é. que ele realiza para atingir algum objetivo de leitura. p.4 exata de todos os elementos. as estratégias de leitura são classificadas em cognitivas e metacognitivas.32-43) que a compreensão. A habilidade de antecipar aquilo que não foi visto é vital para a leitura. dirigindo-os para a compreensão do texto. dependendo de conhecimentos anteriores e encaminhada pelas expectativas do leitor. dirigida a um objetivo. são ações realizadas pelo leitor sem estar ciente disso. Estudos sobre esses aspectos estão colocando nitidez na leitura como processo cognitivo que depende dos conhecimentos prévios do leitor. Desse modo. da memória armazenadora dos processos contínuos e da ação cognitiva do leitor de fazer associações desses elementos. 22) afirma que a leitura consiste num jogo de risco automonitorizado em que o leitor faz as suas apostas. Conversas Interdisciplinares Ano I Vol. Também afirma Goodman (1991. Enquanto as estratégias metacognitivas são operações (não regras) controladas conscientemente. realizadas com algum objetivo em mente. como a inferência – que é uma estratégia de adivinhação. em determinado nível. mas da habilidade em selecionar o maior número de “pistas” produtivas necessárias à elaboração de “adivinhações” que estão certas desde o início. e a predição – refere-se à habilidade de predizer e antecipar o que está por vir. Pereira (2009 – b. dando novos entendimentos. com base no que é conhecido. a leitura configura-se como atividade essencialmente significativa. As estratégias cognitivas da leitura são as operações inconscientes. De acordo com Kleiman (2007. É essa busca pelo sentido que preocupa o leitor e unifica o uso de estratégias que o processo exige. assim como a habilidade de antecipar o que ainda não foi ouvido é vital para a compreensão oral. p. de qual informação é necessária. 1 ISSN 2176-1051 . 50). p. é sempre o produto final de todo ato de leitura e que os leitores utilizam estratégias cognitivas gerais que assumem uma significação particular na construção de sentidos nos eventos de leitura. mas não é conhecida. diz a autora. dos movimentos de antecipação por ele desenvolvidos.

ainda. decodificando letra por letra. de tudo o que sabe sobre a linguagem etc. apoiadas no conhecimento de regras gramaticais e no conhecimento de vocabulário. 1 ISSN 2176-1051 . Constituem-se em estratégias de leitura. o trecho a seguir sobre leitura. Pela consonância com a posição assumida no presente estudo. Trata-se de uma atividade que implica estratégias de seleção. segundo Pereira (2009 -a): skimming (aproximação global do texto. de seu conhecimento sobre o assunto. Não se trata de extrair informação. É o uso desses procedimentos que possibilita controlar o que vai sendo lido. antecipação. e que forma relações com um conceito maior. avançar na busca de esclarecimentos. autocorreção (alteração das hipóteses realizadas). são realizadas automaticamente. inferência (dedução sobre proposições). scanning (leitura geral rápida. inferência e verificação. procurando alguma informação especificamente). sobre o autor. p. Tendo em vista os aspectos mencionados. as estratégias cognitivas de leitura são operações que não envolvem conhecimento reflexivo. predição (antecipação de informações com base nos conhecimentos prévios e nas pistas linguísticas). a partir de seus objetivos. autoavaliação (verificação da pertinência das hipóteses formuladas). merece destaque. palavra por palavra. extraído dos Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa (1998. permitindo tomar decisões diante de dificuldades de compreensão. automonitoramento (acompanhamento do próprio processo). seleção (escolha e marcação de determinados segmentos). E as estratégias metacognitivas da leitura envolvem a habilidade de autoavaliar a compreensão e de determinar um objetivo para a leitura. validar no texto suposições feitas.5 Dentro dessa visão. buscando uma compreensão geral). que descobre e infere informações e significados mediante estratégias cada vez mais flexíveis e originais. refletir sobre o conhecimento e controlar nossos processos cognitivos é o caminho certo à formação de um leitor que percebe relações. leitura detalhada (processo minucioso e gradativo). sem as quais não é possível proficiência. 69-70): A leitura é o processo no qual o leitor realiza um trabalho ativo de compreensão e interpretação do texto. Conversas Interdisciplinares Ano I Vol.

72). 1 ISSN 2176-1051 . Compreensão Leitora: utilização do conhecimento prévio A compreensão leitora. é utilizado o conhecimento prévio. estabelecendo uma relação entre o linguístico e o conceitual-cognitivo. 13) afirma que “a compreensão de um texto é um processo que se caracteriza pela utilização do conhecimento prévio: o leitor utiliza na leitura o que ele já sabe. de acordo com Smith (1989. o conhecimento adquirido ao longo de sua vida. “é a possibilidade de se relacionar o que quer que estejamos observando no mundo a nossa volta. p. O conhecimento prévio interfere de modo decisivo no processo de compreensão leitora. durante a leitura. uma vez que a leitura é um ato social. O conjunto desses componentes da superfície do texto funciona como pistas para que o receptor. p. através da ativação dos conhecimentos armazenados na memória e da realização de inferências. compreender um texto escrito não deve apenas ser considerado um processo cognitivo. As pesquisas relacionadas com os processos cognitivos que interferem na compreensão da linguagem têm contribuído para esclarecer os mecanismos de leitura. o primeiro requisito para que se inicie o processo de compreensão é que ele possua conhecimento prévio a respeito dos elementos linguísticos. entre dois sujeitos – leitor e produtor do texto – que interagem entre si. quando um leitor se depara com um texto. Nessa mesma perspectiva. presentes nos enunciados que lhe são propostos. Kleiman (1989. como itens lexicais e as estruturas sintáticas (conhecimento linguístico). para construir o sentido do texto. ao conhecimento. intenções e expectativas que já possuímos em nossas cabeças”. Conversas Interdisciplinares Ano I Vol.6 Além disso. possa captar o sentido dos enunciados que compõem o texto. 23-24).” Desse modo. p. adquirido ao longo da vida. Segundo Trevisan (1992.

argumentativos). nem verbalizável na grande maioria das vezes. então.13-27). b) o conhecimento textual – entendido como um conjunto de noções e conceitos sobre o texto (por exemplo: discursos narrativos. basicamente. p. suas expectativas em relação aos textos. mais fácil será a sua compreensão. Consciência Linguística Conversas Interdisciplinares Ano I Vol. pois o conhecimento de estruturas textuais e de tipos de discurso determinará. o que se constitui num fator fundamental para a compreensão. 1 ISSN 2176-1051 . e a análise estratégica depende não só de características textuais. tais como seus objetivos. convicções e conhecimento de mundo. entretanto essa “construção” estará associada à visão pessoal e às crenças do leitor. descritivos. Esse conhecimento abrange desde o conhecimento sobre como pronunciar português. também. quer em termos de produção. pois orientam a memória para o texto e visam à construção do sentido. como também de características dos usuários da língua. que o conhecimento linguístico. quer do conhecimento mais geral e abstrato. chegando até o conhecimento sobre o uso da língua. Pode-se inferir.7 De acordo com Kleiman (1989. quer em termos de compreensão. quer se trate de conhecimento episódico. A autora afirma que quanto mais conhecimento textual o leitor tiver e quanto maior for a sua exposição a todo o tipo de texto. o conhecimento textual e o conhecimento de mundo são aspectos básicos tanto para a leitura como para a escrita e devem ser ativados pelo leitor ou produtor na compreensão ou produção textual. organizados sob a forma de esquemas. passando pelo conhecimento de vocabulário e regras da língua. não verbalizado. Pode-se afirmar. os níveis de conhecimento que entram em jogo durante a leitura são: a) o conhecimento linguístico – é aquele conhecimento implícito. c) o conhecimento de mundo ou conhecimento enciclopédico – consiste na configuração de conceitos e relações subjacentes ao texto. que faz com que falemos português como falantes nativos. que os modelos cognitivos têm a função de permitir ou facilitar o processamento textual.

o que permite. expressar um comportamento que traduz consciência. a consciência é o conhecimento que o indivíduo tem de seus objetos mentais (percepções. entre outros. a Psicolinguística define consciência linguística como o uso do sistema linguístico para compreender e produzir sentenças. sílabas. tais como: 1) segmentar a fala em suas diversas unidades constitutivas (fonemas. mobilizando a capacidade metalinguística requer a utilização e manejo de diferentes tipos de habilidades. com isso criando certo grau de afastamento da linguagem. Em suma. para a Psicologia Cognitiva. aliteração). 2) destacar as palavras de seus referentes. mecanismos. morfemas. A consciência. Analfabetismo Funcional: um problema de incompreensão leitora Conversas Interdisciplinares Ano I Vol. conforme a Psicologia Geral. portanto. 1 ISSN 2176-1051 . A consciência linguística é. 5) avaliar o modo de distribuição das informações no texto. então. De acordo com Flôres (2009. Com base na Psicologia Cognitiva. a habilidade do indivíduo de descrever e de agir sobre os próprios conhecimentos linguísticos. 73-74). 4) julgar a adequação semântica e a organização sintática frasal e textual. imagens ou sentimentos). palavras). E a consciência linguística em leitura se efetiva quando o leitor usa conscientemente os processos. visando à construção do sentido durante o ato da leitura. a sua análise. é uma qualidade momentânea que caracteriza as percepções internas e externas dentro dos conjuntos dos fenômenos psíquicos. A autora ainda afirma que todas essas habilidades são indispensáveis à leitura e à escrita. Enquanto. estratégias e conhecimento prévio para chegar à compreensão. p. assonância. essa consciência é um dos fatores cognitivos implicados no processamento da leitura. separando-os (distinção entre significante e significado). exigindo manipulação precisa de conhecimento específico – o linguístico -. 3) apreender semelhanças sonoras entre palavras (rimas.8 A consciência humana é um tema atraente que passou a ser vista como objeto de estudo de várias ciências e não como área de cogitação filosófica.

• Alfabetismo nível rudimentar . assim como lê e escreve frases simples. efetua cálculos básicos.(2009).9 Apesar de sabermos que a leitura e a escrita são tarefas da escola. compreensão leitora envolve muito mais que decodificação. “é considerada analfabeta funcional a pessoa que. uma grande parcela da população é funcionalmente analfabeta. um aviso. mesmo sabendo ler e escrever. de acordo com o Relatório do Indicador de Alfabetismo Funcional – INAF. “o conceito de analfabeto funcional. de escrita e de cálculo necessárias para viabilizar seu desenvolvimento pessoal e profissional.” O INAF (2009) define quatro níveis de conhecimento: • Analfabetismo . mas é incapaz de interpretar o que lê e de usar a leitura e a escrita em atividades cotidianas. repousar sobre a falta de competência do indivíduo para ler e escrever textos dos quais necessita em sua vida cotidiana familiar. preços etc. Conceitos de Analfabeto Funcional No Brasil. um anúncio. 1 ISSN 2176-1051 . social e de trabalho”. deve.50). A Organização das Nações Unidas para a Educação. como uma carta. p. como o próprio adjetivo indica. Ainda. Partindo desse princípio e como visto anteriormente. Ciência e Cultura (UNESCO) define analfabeto funcional como toda pessoa que sabe escrever seu próprio nome. Segundo Scliar-Cabral (2009. não tem as habilidades de leitura.corresponde à capacidade de localizar uma informação explícita em textos curtos e familiares (como um anúncio ou Conversas Interdisciplinares Ano I Vol. impossibilitando seu desenvolvimento pessoal e profissional. deparamo-nos com pessoas ditas “alfabetizadas” que não conseguem compreender textos simples. contudo.corresponde à condição dos que não conseguem realizar tarefas simples que envolvem a leitura de palavras e frases ainda que uma parcela destes consiga ler números familiares (números de telefone.).

limitações quando as operações requeridas envolvem maior número de elementos. • Alfabetismo nível básico . resolvem problemas que exigem maior planejamento e controle.o letramento e numeramento –. analisando e relacionando suas partes. Os níveis acima definidos descrevem as habilidades medidas por meio da escala de alfabetismo. mapas e gráficos. distinguem fato de opinião. uma vez que a pessoa utiliza com autonomia a leitura como meio de informação e aprendizagem. relativas a cada um dos domínios . envolvendo percentuais. Mostram. leem números na casa dos milhões. localizam informações mesmo que seja necessário realizar pequenas inferências. resolvem problemas envolvendo uma sequência simples de operações e têm noção de proporcionalidade. • Alfabetismo nível pleno .classificadas neste nível estão as pessoas cujas habilidades não mais impõem restrições para compreender e interpretar textos em situações usuais: leem textos mais longos. como manusear dinheiro para o pagamento de pequenas quantias ou fazer medidas de comprimento usando a fita métrica. ler e escrever números usuais e realizar operações simples. realizando plenamente a compreensão leitora. Quanto à matemática. É importante mencionar que somente o nível pleno é considerado satisfatório. proporções e cálculo de área. etapas ou relações. Foram mantidas também subescalas. Dados sobre o Analfabetismo Funcional no Brasil Conversas Interdisciplinares Ano I Vol. pois já leem e compreendem textos de média extensão. realizam inferências e sínteses. de modo a possibilitar estudos com foco específico. 1 ISSN 2176-1051 . que inclui leitura. comparam e avaliam informações. no entanto. escrita e matemática.10 pequena carta).As pessoas classificadas neste nível podem ser consideradas funcionalmente alfabetizadas. além de interpretar tabelas de dupla entrada.

11 No Brasil.] Para minimizar esse grave problema. à desvalorização e desmotivação dos professores. Botelho (2010) afirma que: [. Nessa perspectiva. 7% da população é totalmente analfabeta. em analfabetos funcionais. então. quanto privado). escrita e cálculo para fazer frente às necessidades de profissionalização e tampouco da vida sócio-cultural. Cabe ressaltar que o INAF revela os níveis de analfabetismo funcional da população adulta. constituindo-se. Conversas Interdisciplinares Ano I Vol. tanto privadas quanto públicas! Elas não têm as habilidades de leitura compreensiva. escrita e matemática dos brasileiros entre 15 e 64 anos de idade. 1 ISSN 2176-1051 . Seu principal objetivo é informar sobre as habilidades e práticas de leitura. isto é... 68% da população (21% no nível rudimentar e 47% no nível básico) são analfabetos funcionais. apesar de estarem na universidade. Pode-se inferir que esses índices tão altos de analfabetismo funcional no Brasil devem-se à baixa qualidade dos sistemas de ensino (tanto público. Sendo assim. Precisamos entender onde estão as grandes dificuldades enfrentadas pelos educandos e por que os educadores não têm conseguido melhores resultados com a proficiência em leitura. também.] pode-se encontrar. a preocupação concentra-se especialmente nos acadêmicos que estão dentro dessa faixa etária e que. Somando esses dados. à falta de infraestrutura das instituições de ensino (principalmente as públicas) e à falta de hábito e interesse de leitura do brasileiro. como se observa. muitas vezes têm problemas de compreensão leitora. ao baixo salário dos professores.. pessoas com formação universitária e exercendo funções-chave em empresas e instituições. 75% da população brasileira não possuem pleno domínio da leitura. segundo o INAF (2009).[.. devemos nos apoiar nas descobertas das ciências mais avançadas que se ocupam do processamento de leitura. somente 25% estão no nível pleno de alfabetização. à progressão continuada (ou aprovação automática).

 desenvolver as estratégias de leitura inerentes à proficiência. antes de tudo isso. pois ler e escrever é um compromisso de todas as áreas. se o próprio professor não lê. situando a prática da leitura no contexto social do aluno. Para isso.  incentivar a produção coletiva e individual por meio de projetos. 1 ISSN 2176-1051 . as teorias aqui mencionadas sobre leitura disponibilizam importantes informações para a realização de aplicações pedagógicas. adotarem algumas conduções pedagógicas. cabe aos professores. independente da área de atuação. valorizar o que ele já sabe do mundo. nem a sua total compreensão. é preciso observar que não se pode exigir do aluno o hábito da leitura. Porém.12 Conduções Pedagógicas para o Ensino da Leitura Apesar de todas as deficiências apresentadas no que se referem à compreensão leitora. nem modelo ou estímulo aos seus alunos. tais como:  escolher conteúdos de interesse dos alunos e atividades em diferentes gêneros textuais (ficcionais e não ficcionais). oficinas e jogos.  criar contextos voltados para o cotidiano do aluno. escrita e o desempenho do aluno de um modo geral. nos quais as competências de linguagem se relacionem e se desenvolvam. da vida. acrescentando-lhe informações. os quais estimulem a imaginação dos alunos e o gosto pela leitura.  respeitar o conhecimento prévio do aluno. Considerações Finais Conversas Interdisciplinares Ano I Vol. não sendo exemplo. uma vez que é possível melhorar o nível de leitura.

foram mostrados dados alarmantes sobre o analfabetismo funcional no Brasil. p. Paulo. Pela relevância temática e científica do assunto abordado. 61-78. PEREIRA. investigações em áreas como a Psicologia do Desenvolvimento. O que tem a dizer a Psicolinguística a respeito da consciência humana.com/paulobotelho/?s =analfabetismo+funcional&submit=>. a Psicologia Evolutiva.). Disponível em: <http://ogerente. Conversas Interdisciplinares Ano I Vol. In: COSTA. os quais disponibilizam conhecimentos teóricos sobre leitura e compreensão leitora. Onici Claro. 1998. a Psicolinguística. O analfabetismo funcional. Brasília. o leitor tem a possibilidade de apropriação de conhecimento teórico e de contato com caminhos pedagógicos para o ensino da leitura em sala de aula numa perspectiva psicolinguística. a Linguística. 2009. Referências BOTELHO. identificação e tratamento das dificuldades de leitura e escrita. a Fonoaudiologia e a Educação podem se transformar em instrumentos a serviço de prevenção. FLÔRES. Jorge Campos da. apresentou alguns estudos psicolinguísticos. a Neuropsicologia. Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos de ensino fundamental. Por fim. algumas conduções pedagógicas foram mencionadas que fornecem sugestões para sanar dificuldades enfrentadas pelos aprendizes.13 O presente artigo. inicialmente. cujos altos índices motivam novos e mais profundos estudos para sanar ou minimizar esse quadro. Dessa forma. MEC/SEF. A seguir. EDIPUCRS. Vera Wannmacher (orgs. Acesso em: 15 de maio de 2010. Secretaria de Educação Fundamental. 1 ISSN 2176-1051 . Linguagem e cognição: relações interdisciplinares. Porto Alegre. BRASIL.

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