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Racismo institucional é tema pouco discutido no país

Viviane Martins

A capital baiana com mais de 86,5% de


negros e mestiços segundo dados do
DIEESE, ainda não conseguiu absorver a
diversidade cultural em sua totalidade. Essa
prática é caracterizada como racismo
institucional, tema desconhecido por boa
parte da sociedade, mas que já tem sido
alvo de discursões entre os movimentos
negros, juntamente com a Secretaria
Municipal da Reparação (SEMUR). “O país nasceu em base de desigualdade:
eu mando e você obedece. É uma estrutura hierarquizada da sociedade”, explica
o secretário da reparação Ailton Ferreira.

A dificuldade social no Brasil desde os períodos em que os negros foram


escravizados, já se tornou algo “comum”. A desigualdade ainda existe de forma
camuflada e acontece em qualquer ambiente. “É bastante comum ver negros
serem manobristas nos estacionamentos. Eu sou negro e poucas pessoas me
imaginam no cargo que estou hoje. Imagine eu de Paletó e gravata dando
palestras, isso não seria normal”, exemplifica o secretário.

As práticas de racismo institucional tem sido alvo de conscientização,


principalmente pela predominância de negros no Brasil e em especial em
Salvador. A capital baiana possui o maior índice de negros desempregos no
país, segundo dados do DIEESE é de 45,5% .Isso mostra a grande
desigualdade social existente no país. “A sociedade ainda não conseguiu
dialogar de forma plena. O Estado não conseguiu atender as demandas em
sua plenitude”, afirma Ferreira.
O coordenador de Ação Social Coletivo de Entidades Negras da Bahia (CEN),
Ademir Santos, acha positivo que Salvador desenvolva palestras para
conscientizar a população sobre esta realidade, melhorando a vida dos negros
que foram escravizados, mas também criando políticas públicas para inserir as
pessoas de forma igualitária. “A sociedade ainda precisa amparar o negro e
dar oportunidade para quem sempre é discriminado”, observa o coordenador.

Informação: O Programa de Combate ao Racismo Institucional PCRI tem o


objetivo de capacitar gestores públicos para com isso desenvolver a promoção
da igualdade racial, e também fazer formação de bancos de dados com o
intuito de realizar um recorte racial em diversos setores da administração
pública municipal. (Dados da SEMUR).

http://www.dieese.org.br/areaAssinante/esp/negro2004.pdf
http://www.dieese.org.br/esp/negro.xml