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Inadimplemento das obrigações e seus efeitos

Inadimplemento das obrigações e seus efeitos

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Nome: Bruno Rodrigues de Paula – Direito Civil III – Turma especial de sábado - Matutino Inadimplemento das obrigações e seus

efeitos
Para Menezes de Cordeiro: “inadimplemento é a não realização da prestação devida enquanto devida, na medida em que essa falta de cumprimento corresponde a violação da norma legal ou convencional imposta pelos usos que era especificamente dirigida ao devedor como dever de prestar ou ao credor como dever de receber”. Em regra, as obrigações são cumpridas voluntariamente, seja pelo devedor ou por terceiro. Quando a prestação devida não é efetuada, diz-se que houve o inadimplemento da obrigação. Quando a inexecução da obrigação advém de culpa latu sensu do devedor, diz-se que o inadimplemento é culposo, cabendo ao credor o direito de acionar os mecanismos para pleitear o cumprimento forçado. Quando a inexecução decorre de evento impossível de evitar ou impedir, o inadimplemento é fortuito. Inadimplemento absoluto e relativo O inadimplemento é absoluto quando o cumprimento não poderá mais ser feito, ou o cumprimento não é mais útil ao credor.  A absolutividade é total quando atinge todo o objeto.  Absolutividade parcial ocorre quando a obrigação abrange vários objetos e somente uma parcela deles é atingida. O inadimplemento é relativo quando o cumprimento da obrigação é imperfeito, como no caso de mora. Assim dispõe o art. 389 do CC/2002: "Não cumprida a obrigação, responde o devedor por perdas e danos, mais juros e atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, e honorários de advogado". Responsabilidade contratual e extracontratual O art. 389 é o fundamento legal da responsabilidade civil contratual. É a responsabilidade que deriva do contrato. Há também a responsabilidade que não deriva do contrato, mas sim do dever legal. É a responsabilidade extracontratual, aquiliana ou delitual. Em ambas as situações, o inadimplemento pode gerar a obrigação de restituir perdas e danos. Na responsabilidade contratual, o inadimplemento presume-se culposo. Cabe ao inadimplente provar a ocorrência de caso fortuito ou força maior para se eximir da culpabilidade. Na extracontratual é o lesado que deve provar a culpa do causador do dano. Porém, se a obrigação assumida no contrato for de meio, a culpa deve ser provada pelo lesado mediante ato negligente, imprudente ou imperito, mesmo a responsabilidade sendo contratual. Na responsabilidade contratual, não precisa o contratante provar a culpa do inadimplente, para obter reparação das perdas e danos, basta provar o inadimplemento. O ônus da prova, na responsabilidade contratual, competirá ao devedor, que deverá provar, ante o inadimplemento, a inexistência de sua culpa ou presença de qualquer excludente do dever de indenizar. A responsabilidade civil surge em função do descumprimento obrigacional, pela desobediência de regra contratual – ou por deixar alguém de observar um preceito normativo que regula a vida. A responsabilidade contratual tem origem na convenção. Já a extracontratual tem origem na inobservância do dever genérico de não lesar outrem (neminiem laedere). Os absolutamente capazes são os únicos que podem ser partes de um contrato. Por isso, a responsabilidade contratual só atinge essa figura. Já o dever genérico de não lesar a outrem pode ser inobservado tanto por capazes quanto por incapazes. Sendo assim, a responsabilidade extracontratual também atinge tais figuras. A graduação da responsabilidade delitual é muito maior que a contratual, indo a dimensões muito mais amplas. O direito civil, ao identificar um dano causado a outrem em decorrência de um ato ilícito, procura analisar prioritariamente esses aspectos:

b.   Responsabilidade Subjetiva surge com um dano causado em razão de ato próprio imputado de pessoa. ou um dano patrimonial indevido. a responsabilidade civil está relacionada com “a aplicação de medidas que obriguem alguém a reparar dano moral ou patrimonial causado a terceiros. tem que existir um dano a valores morais da sociedade em que o individuo estiver inserido. em situações caracterizadas pelo cumprimento de substancial parcela do contrato pelo devedor. no § 280. por quem ele responde. A solução estaria em. ou por deixar. Atualmente.a. É essa conduta que Staub passou a chamar de violação positiva do contrato. pela desobediência de uma regra estabelecida em um contrato. omissão ou fato que causou o dano. o ato que o agente cometeu tem que resultar em um dano sofrido diretamente. mas em termos imperfeitos. ainda. estão inseridas nas atividades de risco para efeito de indenização. que com a culpa in contraendo tem sido considerada como uma das grandes descobertas doutrinárias após a publicação do Código Civil alemão deve a sua paternidade ao berlinense H. em 1902. O agente é responsabilizado por ser previsto legalmente que será responsável. Responsabilidade objetiva é a responsabilidade sem culpa. ou fato de coisa ou animal sob sua guarda. originária do Direito Francês. Responsabilidade do agente causou. de pessoas por quem ele responde. por aplicação analógica da mora. Segundo Maria Helena Diniz. Há que se apurar a responsabilidade do agente no ato. c. A violação positiva do contrato. reconhecer à parte que atuou de forma leal ao contrato a possibilidade de escolher entre três caminhos: a. Não basta existir um simples constrangimento ou um mero aborrecimento como o pagamento de uma multa devida. Exigir uma indenização geral pelo descumprimento do contrato. de simples imposição legal (responsabilidade objetiva)” O inadimplemento mínimo é uma das formas de controle da boa-fé sobre a atuação de direitos subjetivos. o Estado que se responsabiliza pelos atos dos seus agentes e principalmente as atividades que correm o risco de danificar o meio ambiente. determina que certas atividades estejam sujeitas a causar danos. de observar um preceito normativo que regula a vida. determinada pessoa. o devedor responde pela não realização da prestação. todavia. necessário é que se comprove a existência de um dano real. b. ou de fato de coisa ou animal sob sua guarda (responsabilidade subjetiva) ou. regula a obrigação do devedor de indenizar o credor quando a prestação se torne impossível. no Código civil alemão. é possível questionar a faculdade do exercício do direito potestativo a resolução do contratual pelo credor. em razão de ato próprio imputado. e no § 286. em que o devedor viola a obrigação através de uma atuação positiva: fazendo o que deveria omitir ou efetuando a conduta. A teoria do risco.O BGB. estão inseridos nesta categoria os que praticam atividade de “risco”. ou seja. o ambiente social. Qualquer violação positiva pode ser sempre equiparada a um não cumprimento de normas. a de indenizar o credor pelos danos causados pela sua mora. afirmando que a lacuna derivada desse silêncio deveria ser integrada pela aplicação analógica do regime da mora. A responsabilidade civil surge em face do descumprimento obrigacional. não tenha suportado adimplir uma pequena parte da obrigação. Atinge essa teoria principalmente os que fomentam atividades coletivas. portanto. Manter o contrato e exigir indenização por cada violação singular. ou seja. Nexo causal.  O Dano há que se configurar efetivo. . Há que necessariamente existir uma ligação entre ação ou omissão estreita entre a causa e o efeito. mas em que. Staub. Dano existente.

pode o credor. porém. A contagem do prejuízo inclui. pois ninguém pode descumprir deliberadamente uma obrigação contraída livremente. a quem o contrato aproveite. estabelecer a responsabilização do devedor mesmo que o inadimplemento ocorra sem sua culpa (pacta sunt servanda). como a doação. Rescindi-lo. ambos respondem da mesma forma pela culpa e pelo dolo. cabendo a outra apenas os deveres. As circunstâncias que causaram a impossibilidade de prestação pela parte do devedor podem ser provocadas por ato de terceiro. estes deveres alcançam todos os interesses conexos à execução do contrato. Excluem-se de seu âmbito todos aqueles deveres que não possam ser relacionados como necessários à realização da prestação. . 390 do CC/2002). Assim a violação positiva do contrato agiria de forma subsidiária. 251 do CC/2002). 392 do CC/2002). alguns autores preferem utilizar termos como “cumprimento defeituoso” ou “cumprimento imperfeito”. mas agora já se encontra consagrado. Contratos benéficos e onerosos "Nos contratos benéficos. nos quais alguém pratica aquilo de que deveria abster-se. No contrato oneroso. devido a não observância de um dever lateral de conduta. Aquele que não se aproveita em nada com o contrato não deve ser penalizado por agir culposamente. exigir o desfazimento do que foi realizado (art. caput do CC/2002). se expressamente não se houver por eles responsabilizado" (art. do credor. uma eventual penhora pode recair sobre qualquer bem do devedor. o não cumprimento doloso gera indenização. as duas partes estão em igualdade. Responsabilidade patrimonial "Pelo inadimplemento das obrigações respondem todos os bens do devedor" (art. Sendo assim. ou seja. Inadimplemento fortuito da obrigação "O devedor não responde pelos prejuízos resultantes de caso fortuito ou força maior. deve ser proporcional ao prejuízo sofrido. Nos contratos onerosos. A impossibilidade seja objetiva. O nome de violação positiva do contrato foi bastante criticado. a execução será forçada. Nas obrigações constituídas por uma série de abstenções. ou seja. Quando as perdas e danos são decretados e o pagamento não é feito. Por isso. Entretanto. somente a uma parte este é vantajoso. ou efetua a prestação que deveria ser efetuada. Então. quando não houver culpa do mesmo. além. o devedor é havido por inadimplemento desde o dia em que executou o ato de que se devia abster" (art. Em qualquer dos casos. As partes podem. principalmente do seu vetor confiança. abarcando todos os casos que não se enquadrariam no conceito de impossibilidade e de mora dentro da doutrina alemã. O ressarcimento das perdas e danos tem o objetivo de recompor o patrimônio da parte lesada. por caso fortuito ou força maior ou por até mesmo ato do devedor. além das perdas e danos. Se a obrigação for de prestação única. O não cumprimento da obrigação. Contrato benéfico é o gratuito. temos que essas atuações positivas ou o cumprimento defeituoso causam danos a parte. com direitos e deveres recíprocos. Podemos destacar três categorias de deveres laterais que podem ensejar a violação positiva do contrato: deveres de proteção. mas de forma defeituosa. “Os incontáveis casos nos quais alguém descumpre uma relação por meio de atuação positiva. informação e cooperação.” Assim.c. a exoneração da culpa depende de que: a. 393. salvo as exceções previstas em lei" (art. ou seu cumprimento imperfeito gera a obrigação de indenizar as perdas e danos. responde cada uma das partes por culpa. e por dolo aquele a quem não favoreça. responde por simples culpa contratante. "Nas obrigações negativas. Porém. do que se perdeu o que se deixou de lucrar. 391). sendo que todos os bens do devedor respondem pelo inadimplemento. advindo do princípio da boa-fé. o credor pode mover ação de cunho cominatório para impedir o reiteramento do devedor de uma dessas abstenções.

o sujeito se obriga a pagar certa quantia chegando seu vencimento. Não é só pelo descumprimento da convenção que a mora acontece. ela é ex persona. não há o instituto da mora. Nos demais. Já para o credor. o seu retardamento é o modo mais comum no qual ela se dá. tem-se adotado a teoria do exercício da atividade perigosa. como a chuva. Nas obrigações de não fazer. Mora "Considera-se em mora o devedor que não efetuar o pagamento e o credor que não quiser recebê-lo no tempo. No inadimplemento absoluto a notificação não é necessária. Mora e inadimplemento absoluto Quando o retardamento da prestação torna a mesma inútil ao credor. A mora deste em receber o pagamento. ele é notificado pelo credor. A súmula nº. 54 do STJ dispõe que "os juros moratórios fluem a partir do evento danoso. Modernamente. 405 do CC/2002). simplesmente não paga. Quando o devedor está em mora. Todavia. Por exemplo: Aquele que celebra uma obrigação de fazer um show em local que está em guerra não pode alegar que não cumpriu a obrigação devido aos perigos da situação do local. no qual o caso fortuito ligado à coisa ou à pessoa.b. já que o cumprimento da obrigação é inviável. 390 do CC/2002). 397. constitui de pleno direito em mora o devedor" (art. a mora se . em caso de responsabilidade extracontratual. Na hipótese mais comum. surge a obrigação de restituir as perdas e danos quando tais são provocadas pela culpa do devedor. Mora ex re (art. mesmo sem sua culpa. Todo inadimplemento e mora do devedor presumem-se culposos. provando que o infortuito não se originou por culpa sua. fora do alcance do devedor. O cometimento de infração à lei também a caracteriza. 396 do CC/2002). c. Na contratual. Há três casos nos quais a mora é ex re. o mesmo não vale. 397. não há mais mora. para que esteja ciente da sua situação e possa purgá-la. A mora accipiendi não requer a noção de culpa porque se o credor pudesse afastar sua responsabilidade. como a quebra de uma peça do caminhão que bate. lugar e forma que a lei ou a convenção estabelecer" (art. A prestação que não interessa mais ao credor é tida como impossível. A impossibilidade seja irresistível. Mora do devedor (solvendi) Ocorre quando o devedor retarda culposamente o cumprimento da obrigação. advindo de fenômeno natural. Se a mora deu-se por caso fortuito ou força maior. Porém. não havendo culpa do devedor. também não haverá responsabilização deste. São elas: a. Somente o "fortuito externo". não incorre este em mora" (art. no seu termo. 394 do CC/2002). pois era ciente das condições do mesmo. Se a obrigação tornar-se impossível sem a culpa do devedor. o devedor seria obrigado a correr com os riscos de reter o pagamento por fato que não foi ocasionado por ele. isto é. mas sim o inadimplemento absoluto. caput do CC/2002). "O inadimplemento da obrigação. pois "o devedor é havido por inadimplemento desde o dia em que executou o ato de que se devia abster" (art. A impossibilidade seja superveniente e inevitável. Embora a mora também se constitua quando o devedor tenta pagar de forma diferente do estipulado. Contudo. seria escusável nesse caso. "Não havendo termo. positiva e líquida. é de responsabilidade do devedor. Não basta que o credor alegue que a prestação não lhe é mais útil. é sempre de sua responsabilidade. as circunstâncias devem demonstrar isto. este não será responsabilizado pelas perdas e danos. pode o devedor afastála. Tanto no inadimplemento absoluto quanto na mora. isto é. "não havendo fato ou omissão imputável ao devedor. caput e 398 do CC/2002) É a declarada pela lei (o credor não precisa fazer nada para caracterizá-la). entretanto "contam-se os juros de mora desde a citação inicial" (art.

protegendo as pessoas que adquirem imóveis loteados em prestações. na mora. pois não se pode afirmar se o devedor efetivamente devia ou o que devia. tem entendido que a citação feita na própria causa principal produz mesmo efeito. mesmo que a parcela seja positiva e líquida. mesmo que haja cláusula resolutiva expressa. se estes ocorrerem durante o atraso. Efeitos da mora do devedor "Responde o devedor pelos prejuízos a que sua mora der causa. b. salvo se provar isenção de culpa. haja o inadimplemento absoluto. Mora do devedor São requisitos da mora solvendi: a. dispõe que só incorrerão em mora tais pessoas depois de serem notificadas com o prazo de trinta dias. A interpelação ou notificação da mora nas relações regidas pela lei civil pode ser feita desde a demanda judicial até por uma simples carta. A mora é. desde que o praticou" (art. Tanto no caso do decreto nº. 297. "O devedor em mora responde pela impossibilidade da prestação. Nessas hipóteses. reclamando as perdas e danos. presumida. mais juros. incorrendo em mora. a simples citação não é suficiente para constituir a mora. 58 quanto no nº. c. no entanto. 745/69 impede a rescisão do compromisso de compra e venda de imóvel não loteado. a notificação deve ser feita judicialmente ou pelo cartório de registros de imóveis. Quando o credor deve acionar os dispositivos cabíveis para caracterizá-la. ou seja. pois nos casos ex re. Mora do credor (Accipiendi) É quando o credor recusa receber o pagamento no tempo. 58/37. considera-se o devedor em mora.397. A parte do artigo que isenta o devedor caso ele prove não ter culpa é ilógico. É desnecessária a notificação. Existência de dívida líquida e certa: se a obrigação venceu tornou-se exigível. é necessária a interpelação judicial. 14. 297 é de mora ex persona. sem a notificação no prazo de 15 dias. Isto significa que. Mora ex persona (art. Além disso. Caso a prestação torne-se inútil ao credor. atualização dos valores monetários segundo índices oficiais regularmente estabelecidos. § único do CC/2002).b. 399 do CC/2002). tendo apenas que resultar de documento escrito. pois a indenização é evidente. o credor pode exigir a rescisão do contrato. É caso que se refere o parágrafo único do art. exigindo-o de forma diferente da estipulada. pois depende de providência do credor. embora essa impossibilidade resulte de caso fortuito ou força maior. A jurisprudência. ou não houve a escolha a qual o pagamento da obrigação dependesse. o devedor responde por todos os riscos da coisa. a mora já é constituída desde o fato. "Nas obrigações provenientes de ato ilícito. 398 do CC/2002). Inexecução culposa por fato imputável ao devedor. Constituição em mora: Este requisito é somente para os casos de mora ex persona. a realização tardia deve ainda ser proveitosa ao credor Caso a condição que sujeitava a obrigação não se verificou. art. O decreto lei nº. d. não haverá mora. Quando o devedor declarar por escrito não pretender cumprir a prestação. modo e forma convencionados. e honorários de advogado" (art. ou que o dano sobreviria ainda quando a obrigação fosse oportunamente desempenhada" (art. pois. . § único do CC/2002) Não prevê data certa do adimplemento. 395 do CC/2002). c. lugar. O decreto lei nº. Exigibilidade da prestação: A dívida deve ser líquida e certa. É o legislador transformando uma mora ex re em mora ex persona. constitui mediante interpelação judicial ou extrajudicial" (art. seu retardamento culposo caracteriza a mora. com termo certo. pois se assim provar não haverá mora em si. que dependem da ação do credor. 745.

d. § 3° do CC/2002. abandonando a coisa. quando. se o seu valor oscilar entre o dia estabelecido para o pagamento e o da sua efetivação" (art. A mora accipiendi supõe que o devedor fez o que lhe competia. Efeitos "A mora do credor subtrai o devedor isento de dolo à responsabilidade pela conservação da coisa. este ato não significa propriamente a purgação da mora. por exemplo. b. porém nada impede que ocorra uma compensação convencional das perdas e danos. caso o credor não tenha extraído os efeitos jurídicos de tal atraso. Ela só é possível se a prestação ainda for proveitosa ao credor. b. Recusa injustificada em receber: O credor pode se recusar a receber o pagamento com fundamento legítimo. Porém. Se as moras são sucessivas (primeiro o credor não quer receber e depois é o devedor que se rejeita em pagar. pois afasta os já produzidos. desde que não tenha causado dano à outra parte. 400 do CC/2002). Oferta da prestação: É através dela que fica revelada a tentativa do devedor de satisfazer a obrigação. o efeito não depende daquele que agiu em mora. obriga o credor a ressarcir as despesas empregadas em conservá-la. mais sim da outra parte. que a purgação pode dar-se a qualquer momento da mora. As despesas que o credor deve ressarcir são somente as necessárias. Constituição em mora: Ocorre mediante a consignação em pagamento. A cessação da mora é diferente da purgação. 400 do CC/2002. mas o credor o recusou ou não prestou a necessária colaboração para a sua efetivação. 96. não tendo assim o que se falar em mora. o motivo para a não aceitação do pagamento deve ser injustificável legitimamente. contabilizados separadamente. Para haver mora. Mora de ambos os contratantes A mora simultânea de ambos as partes (nem o devedor comparece ao local para efetuar o pagamento. c. mesmo que por motivo alheio à sua vontade. Deve-se ter claro que o pagamento foi oferecido. Ela decorre da extinção da obrigação. Nela. previstas no art. "Por parte do credor. Os danos de cada mora não se cancelam. hoje. "Por parte do devedor. Se o devedor agir com dolo. Segundo o art. A purgação produz efeitos futuros que neutraliza os produzidos. haverá inadimplemento absoluto. Há o cancelamento mútuo das moras. "purga-se a mora" nas seguintes hipóteses: a. Esta solução é tomada porque o direito que o devedor tem de abandonar a coisa colide com o interesse da comunidade. sendo preferível exigir que este cuide da coisa. por exemplo. mas não os apaga. oferecendo este a prestação mais a importância dos prejuízos decorrentes do dia da oferta". pois se não for. responderá pela deterioração desta. renunciando-os. ou viceversa) os prejuízos de cada mora. oferecendo-se este a receber o pagamento e sujeitando-se aos efeitos da mora até a mesma data". o devedor oferece quantia menor que a estipulada. A lei exige que o devedor tenha o mínimo de cuidado com a coisa que forçadamente deve reter. As partes podem aceitar a oferta sem a incidência dos juros da mora. e o sujeita a recebê-la pela estimação mais favorável ao devedor. serão de responsabilidade das respectivas partes. A cessação produz efeitos pretéritos. Purgação e cessação da mora Purgar ou emendar a mora é neutralizar seus efeitos. Vencimento da obrigação: É somente então que ela é exigível. Ninguém pode exigir da outra parte perdas e danos.Requisitos a. Entende-se. nem o credor vai para recebê-lo) faz com que a situação permaneça como se nada tivesse ocorrido. O devedor em mora pode até consignar o pagamento. Perdas e danos .

que é a perda de uma oportunidade que tende ser provar por dado histórico e a doutrina Italiana já entende que a oportunidade já faz parte do patrimônio. além de pagar à custa do atraso. Quando a responsabilidade é contratual.  O STJ decidiu que os juros remuneratórios praticados nos contratos de mútuo dos agentes financeiros do Sistema Financeiro Nacional não estão sujeitos à limitação do . custas e honorários de advogado. 404. Não basta a perda da oportunidade tem que ter a certeza do dano. A razoabilidade do lucro é o que o bom senso indica que a atividade lucraria. mas também dependia de uma série de outros fatores não pode ter sua inexecução atribuída unicamente à lesão do bem em questão. abrangendo juros. Pois. 404. Dano emergente e lucro cessante "Salvo as exceções expressamente previstas em lei. Juros legais Juros são os rendimentos do capital. 402 do CC/2002). nas obrigações de pagamento em dinheiro. nada mais significa do que os prejuízos. "contam-se os juros de mora desde a citação inicial" (art. remuneratórios ou juros-frutos. A apuração do dano.  Quando os juros são previstos ou impostos pela lei.  Os juros são chamados de compensatórios. Aquilo que dependia do bem lesado. § único do CC/2002). "provado que os juros da mora não cobrem o prejuízo. a doutrina brasileira entende que o dano é subespécie de lucro cessante. Obrigações de pagamento em dinheiro "As perdas e danos. São os frutos civis da coisa. A teoria dos danos diretos e imediatos afasta a possibilidade de se indenizar os chamados "danos remotos". A finalidade da liquidação é tornar prático e possível a efetiva reparação do prejuízo. A expressão efetiva perda significa que a mesma não pode ser presumida. preço devido pelo uso do capital é expressão econômica para locação de recursos. Lucro cessante é a frustração da expectativa de lucro. pode o juiz conceder ao credor indenização suplementar" (art. Já a de dano moral é arbitrada judicialmente. são chamados de legais. logo. As perdas e danos têm como objetivo restituir o dano causado pela lesão do bem. "Ainda que a inexecução resulte de dolo do devedor. o que ele perdeu. além do que ele efetivamente perdeu o que razoavelmente deixou de lucrar" (art. e não havendo pena convencional. devendo ser cumpridamente provada. 403 do CC/2002). Se o credor teve que ingressar em juízo. O dano é moral quando atinge bem jurídico. não podendo ultrapassar os limites impostos pela Fazenda Nacional (art. O dano indenizável deve ser certo e atual. É toda a lesão de qualquer bem jurídico. caput do CC/2002). serão pagas com atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos. é feita por meio da liquidação determinada na lei processual (art. mas que não tenha repercussão na órbita financeira. ou seja. O dano é material quando atinge e diminui o patrimônio do lesado. Representam o pagamento pela utilização do capital alheio. sem prejuízo do disposto na lei processual" (art. Dano emergente é a efetiva diminuição patrimonial sofrida pela vítima para restaurar o bem ao seu estado anterior.Exprimindo o seu exato conceito. seja o dano material ou moral. os danos causados ante ao descumprimento obrigacional. quando representam a compensação pela utilização de capital alheio. A indenização de dano material mede-se pelo prejuízo ao patrimônio da parte. A dificuldade jurídica existe na definição precisa do que foi afetado direta e imediatamente. as perdas e danos só incluem os prejuízos efetivos e os lucros cessantes por efeito dela direto e imediato. de comum acordo. Washington de Barros Monteiro define que “juro é rendimento do capital ou frutos produzido pelo dinheiro” Espécies  Os juros são considerados convencionais quando são ajustados pelas partes. 946). do que se esperava ganhar com o bem lesado. Devem estar previstos no contrato. as perdas e danos devidas ao credor abrangem. sem prejuízo da pena convencional" (art. Numa pequena comparação. o devedor deve pagar à custa do processo (art. 591 do CC/2002). 405 do CC/2002). 20 do CPC). ou prejuízo.

deixe de cumprir a obrigação ou se constitua em mora" (art. "Os juros moratórios fluem a partir do evento danoso. O entendimento dominante da jurisprudência é de que deve ser imposto o determinado na Lei da Usura. contudo. arbitramento. "contam-se os juros de mora desde a citação inicial". A Lei de Usura (Decreto-lei nº. Para Serpa Lopes “Apenas supõe sempre uma prestação em valor acima da indenização normal dos danos” sendo incompatível com a indenização verificando às vezes maior que a própria indenização. "Ainda que se não alegue prejuízo. pois ela não é juridicamente segura. 54 do STJ). "Quando os juros moratórios não forem convencionados. caso a obrigação não seja cumprida. culposamente. Quando legais. ou o forem sem taxa estipulada. 161. pois esta não precisa provar os danos emergentes e lucros cessantes. 591 do CC/2002 permite os juros compostos. 406 do CC/2002). o STJ não aceita a utilização da taxa SELIC não para esse fim. Já os juros compostos são capitalizados anualmente. são definidos pela Fazenda Nacional. já que além de determinar os juros trás embutida a correção monetária. Entende-se que o novo Código Civil. por ser lei geral posterior. eles são denominados moratórios. 406 do CC/2002 estipula que a taxa máxima não mais fixa. a prova multa independe do prejuízo. nunca superior ao limite legal. "Incorre de pleno direito o devedor na cláusula penal.art. porém. O art. 408 do CC/2002). integrando o capital. o art. É o chamado juros sobre juros. Os juros moratórios são incluídos também na liquidação. em caso de responsabilidade extracontratual" (Súmula nº. ou acordo entre as partes" (art. Cláusula Penal É uma obrigação acessória. Juros simples são os que são sempre calculados sobre o capital inicial. convencionais. é expressa”. uma indenização prévia para forçar o devedor cumprir sua obrigação ”não se presume. é obrigado o devedor aos juros da mora. 22. § 1 do CTN que estabelece os juros a 1% ao mês. Essa lei também proíbe a cobrança dos juros compostos. Regulamentação legal Segundo o art. Os juros compensatórios são. ou quando provierem de determinação da lei. Contudo. Já outra corrente.626/33) limita os juros a 1% ao mês. como às prestações de outra natureza. ou seja. ou seja. Tendo uma prefixação dos danos. Natureza jurídica . mas sim variável. Quando os juros incidem nos caso de retardamento da restituição ou descumprimento de obrigação. na qual se estipula uma pena ou multa com o objetivo de evitar o inadimplemento da obrigação principal. Os juros moratórios podem ser tanto convencionais quanto legais. nos casos de responsabilidade contratual. não revoga a lei especial anterior (Lei da Usura). pois o credor não precisa prova. diz que a aplicação do art. Quando convencionais. já que estas estão pré-fixadas no contrato. 591 do CC/2002. desde que. conforme o estabelecido pela Fazenda Nacional. serão fixados segundo a taxa que estiver em vigor para a mora do pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional" (art. A Fazenda vem adotando a taxa SELIC (taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia para títulos federais) como meio de aferição dos juros legais. juntamente com o estabelecido no Código Tributário Nacional. que possam derivar da lei ou da jurisprudência. que se contarão assim as dívidas em dinheiro. uma vez que lhes esteja fixado o valor pecuniário por sentença judicial. 12% ao ano. 405 do CC/2002. Nada impede. 407 do CC/2002). Porém. Chama-se também de pena convencional ou multa contratual. geralmente. podem assumir qualquer valor. Representa reforço ao pacto obrigacional através da ameaça de uma sanção civil.

416 fala dos casos em que a cláusula não é suficiente para cobrir todos os prejuízos. Caso haja excesso. A cláusula penal constitui modo de cobrir os prejuízos que dificilmente poderiam ser provados. 409 do CC/2002). Nesses casos. Tanto a cláusula penal quanto o ressarcimento das perdas e . pois a sua existência depende da de uma obrigação jurídica. a recíproca não é verdadeira. 416. essa indenização não é imposta em conjunto com a cláusula penal. A redução do excesso não possui uma medição fixa. a pena vale como mínimo da indenização. logo. cabe ao credor provar o valor das perdas para ser indenizado. ou em ato posterior. 410 do CC/2002). bem como livrar-se de sua liquidação. o juiz observa os limites especiais fixados. Contudo. Funções da cláusula penal A cláusula penal é meio de coerção para que o devedor cumpra a obrigação. ou desproporcional com o dano causado. o credor apenas demonstra que houve o inadimplemento da obrigação. O juízo é de ponderação. "A penalidade deve ser reduzida equitativamente pelo juiz se a obrigação principal tiver sido cumprida em parte. Redução da cláusula penal "O valor da cominação imposta na cláusula penal não pode exceder o da obrigação principal" (art. Sem ter o ônus de provar o prejuízo sofrido. Se o tiver feito. tendo-se em vista a natureza e a finalidade do negócio" (art. "Quando se estipular a cláusula penal para o caso de total inadimplemento da obrigação. O parágrafo único do art. o princípio de que o acessório segue a sorte do principal. quando estipulada na hipótese de inadimplemento da obrigação. Tal disposição é de ordem pública. 413 do CC/2002). competindo ao credor provar o prejuízo excedente" (art. "Ainda que o prejuízo exceda ao previsto na cláusula penal. A invalidez da cláusula penal não implica na da obrigação principal. A cláusula penal pode ser:  Compensatória. pois assim foi fixado o acordo. também será a cláusula penal. "Para exigir a pena convencional. 412 do CC/2002). o juiz determinará a redução do valor. ou se o montante da penalidade for manifestamente excessivo. Espécies "A cláusula penal estipulada conjuntamente com a obrigação. para se chegue ao valor final. O valor dessa segunda é descontado no da primeira. O dispositivo da à oportunidade para o credor escolher entre pleitear a pena compensatória.É um pacto secundário e acessório. Contudo. caput do CC/2002). pode referir-se à inexecução completa da obrigação.  Moratória de forma coercitiva. pois se busca apenas o ressarcimento dos danos. não pode o credor exigir indenização suplementar se assim não foi convencionado. podendo a redução ser determinada de ofício pelo juiz. É também o meio de ressarcimento dos danos causados pelo inadimplemento da obrigação. O caput do artigo 416 mostra porque a cláusula penal é utilizada. à de alguma cláusula especial ou simplesmente à mora" (art. Aplicase. Nessas hipóteses. Isto quer dizer que se a obrigação principal é inválida ou nula. pois representa a recompensa do grande prejuízo que é o não cumprimento da prestação. § único do CC/2002). 416. não é necessário que o credor alegue prejuízo" (art. quando aplicada nos casos de mora do devedor. Há diversas leis que estipulam o valor máximo da cláusula penal em situações específicas. esta se converterá em alternativa a benefício do credor" (art. não chegando a declarar a ineficácia absoluta da cláusula. observando-se fatores subjetivos como a natureza e a finalidade do negócio. usa-se o princípio da equidade. reduzindo-se proporcionalmente o valor. e não um enriquecimento ilícito do credor. O devedor não pode eximir-se da pena alegando ser ela excessiva. Quando a prestação foi cumprida em parte. exigir o ressarcimento das perdas e danos ou exigir o cumprimento da prestação. A cláusula penal compensatória geralmente possui valor elevado.

uma mesma obrigação pode ter até 03 cláusulas penais diferentes (01 compensatória e 2 moratórias. Em se tratando de cláusula moratória. ao invés de cumprir a obrigação. Todos os devedores. ou em segurança especial de outra cláusula determinada. A escolha de mais de uma representaria um enriquecimento ilícito do credor.danos tem como objetivo impedir que o credor saia prejudicado com o inadimplemento. Por isso a aplicação da multa conjuntamente com a exigência da prestação da obrigação não caracteriza enriquecimento ilícito do credor. enquanto que as arras facilitam o descumprimento da avença. 412 do CC/2002. o modo para ele não sair prejudicado dessa relação obrigacional. acrescido as perdas e danos (somente no caso da multa por mora). o valor da multa é geralmente pequeno. as arras não. Por isso só é permitido ao credor escolher uma das soluções. o valor a ser pago é estipulado anteriormente e. caindo em falta um deles. A cláusula penal pode ser reduzida pelo juiz quando em excesso. "quando se estipular a cláusula penal para o caso de mora. É quando se permite que ele. pois os prejuízos são referentes a um pequeno atraso. na cláusula penal. Caso contrário. uma para o caso de atraso e outra para o caso de cumprimento de forma diversa). irá pagar tal multa. pois as partes sabem qual será a consequência do inadimplemento: perda do valor dado. ou sua restituição em dobro dependendo do caso. A diferença entre a cláusula penal e a multa simples é que a cláusula penal é uma importância a ser paga caso haja uma infração. Em qualquer uma das hipóteses. não ao total inadimplemento. . com o objetivo de ressarcir o prejuízo do credor. a cláusula penal é atribuída em favor do credor. instituindo que não há limite para o valor da cominação. às vezes não representa o exato ressarcimento dos prejuízos do credor. representa a exata restituição dos prejuízos. Já a multa penitencial é estipulada em favor do devedor. enquanto que as perdas e danos são decretados pelo juiz. Sendo assim. o credor sairia prejudicado pela infração cometida. Entretanto. na verdade. Distinção com institutos afins Há certa distinção entre pena convencional (imposta na cláusula penal) e multa cominatória ou astreinte: Na pena convencional. o credor tem seu patrimônio preservado. respondendo cada um dos outros somente pela sua quota" (art. A mora pode ser tanto o atraso da prestação. terá o credor o arbítrio de exigir a satisfação da pena cominada. por isso. enquanto que as arras necessitam da entrega de dinheiro ou objeto. porém. mesmo não sendo culpados. baseado nos prejuízos alegados e provados. Cláusula penal e pluralidade de devedores "Sendo indivisível a obrigação. A cláusula penal também se aproxima do instituto de perdas e danos. incorrerão na pena. objetivo este que não é o da multa simples. A cláusula penal é exigível apenas no inadimplemento ou na mora. Este escolhe se quer acioná-la ou prefere o adimplemento da obrigação. A multa penitencial se aproxima da cláusula penal. arcam com o valor da multa. Há várias distinções entre cláusula penal e arras penitenciais: A cláusula penal é uma coerção para se evitar o inadimplemento. divididos na quota de cada um. juntamente com o desempenho da obrigação principal” (art. todos os devedores. Nos casos de cláusulas penais moratórias. decorrente de título judicial para garantir a efetividade do processo. Já na multa cominatória em obrigação de fazer. É. 414 do CC/2002). o juiz condena a parte ao pagamento da multa da cláusula penal observado o limite do art. o art. 411 do CC/2002). Por isso. mas esta só poderá demandar integralmente do culpado. já as arras são pagas por antecipação. Quando não há certeza sobre qual é a hipótese estipulada no contrato. costuma-se observar o valor da cláusula para relacioná-la à hipótese provavelmente correspondente. como o cumprimento de forma diversa da estipulada. 644/2002 é que a regula. A cláusula penal existe apenas pela estipulação no instrumento.

e quem as recebeu devolvê-las-á. o O valor da indenização pode superar o equivalente à devolução em dobro das arras previstas para a hipótese de arrependimento (art. Cabe apenas nos contratos bilaterais. poderá quem as deu haver o contrato por desfeito. em certos casos. "se a parte que deu as arras não executar o contrato. no persa rabab. achando que não foi totalmente ressarcido. “Em ambos os casos não haverá direito a indenização complementar” (art. e não dupla. 420 do CC/2002). pois o simples acordo entre as partes não é suficiente para caracterizá-lo. se provar maior prejuízo. É apenas uma quantia estipulada inicialmente que ajudará no ressarcimento de eventual prejuízo. mais o equivalente. Arras ou sinal A palavra arra. pode "pedir indenização suplementar. Neste caso. Espécies  As arras são confirmatórias quando sua função é apenas confirmar o contrato pactuado. Nesses casos. o Havendo cumulação do pedido de execução do contrato com as perdas e danos. A devolução em dobro é imposta porque se a devolução fosse simples. com atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos. não é necessário a prova do prejuízo real para que possam ser exigidos. valendo as arras como o mínimo de indenização" (art. "aos não culpados” fica reservada a ação regressiva contra aquele que deu causa à aplicação da pena (art. mas sim representar uma pequena punição pelo descumprimento da outra. retendo-as. O objetivo não é ressarcir os prejuízos da parte afetada.Entretanto. é somente o devedor culpado que arca com as consequências de sua falta. e exigir sua devolução mais o equivalente. poderá a outra tê-lo por desfeito. Se a obrigação for divisível. É o pacto acessório. § único do CC/2002). no egípcio aerb. 419 do CC/2002). É impossível imaginar a existência das arras isoladas. o Caso a parte prejudicada não se contentar com o valor recebido. A jurisprudência estabeleceu certas hipóteses nas quais a devolução das arras é apenas simples. É necessária a entrega de quantia de dinheiro ou objeto. "só incorre na pena o devedor ou o herdeiro do devedor que a infringiu. são elas: . Dessa forma. assegurando o não prejuízo de uma das partes pelo direito de se arrepender que a outra tem. É a quantia ou coisa entregue por uma parte a outra simbolizando a confirmação do acordo entre as partes e. se a inexecução for de quem recebeu as arras. Poderá exigir a execução do contrato. Pode a parte infratora decidir por liberar esse valor à outra ao invés do cumprimento da obrigação. Percebe-se que as arras não têm nenhuma função específica quando confirmatória. 414. acrescido das perdas e danos cujo valor mínimo deve corresponder ao das arras. quem as deu perdê-las-á" em benefício da outra parte. no hebraico arravom. 418 do CC/2002). "Se nos contratos for estipulado o direito de arrependimento para qualquer das partes.  As arras são chamadas de penitenciais quando têm por função resguardar o direito de arrependimento das partes. valendo as arras como taxa mínima". sem nenhuma punição à parte que descumpriu com a obrigação. as arras ou sinal terão função unicamente indenizatória. ou pode ainda "exigir a execução do contrato. estar-se-ia apenas restabelecendo o statu quo ante. após pagar o credor. Têm caráter real. Como a função das arras penitencial não é de ressarcir os prejuízos. dependendo da existência de um principal. com as perdas e danos. juros e honorários de advogado" (art. deve as arras ser abatidas do valor da indenização. com sentido de penhor garantia. e proporcionalmente à sua parte na obrigação" (art. que nos veio do latim arrha. pode ser pesquisada retrospectivamente do grego arrâbon. 415 do CC/2002). 420 do CC/2002).

417 do CC/2002). as arras funcionam como princípio do pagamento. prefixando valores das perdas e danos. . ser restituídas ou computadas na prestação devida. uma das partes der à outra. Cláusula penal x Arras penitenciais Ambos os institutos são de natureza acessória e buscam garantir o adimplemento da obrigação. perdendo esse caráter coercitivo. por ocasião da conclusão do contrato. no instituto das arras é exigido o pagamento antecipado. Quando a não efetivação do contrato decorre de caso fortuito ou força maior. a título de arras. Quando há acordo nesse sentido. A cláusula penal pode ser sofrer redução quando há cumprimento parcial da obrigação por parte do juiz – o mesmo não ocorre com as arras penitenciais. dinheiro ou outro bem móvel. deverão as arras. se do mesmo gênero da principal" (art. As arras penitenciais. ela prevê as consequências de um ato que não satisfaça a obrigação.a. admitem o arrependimento. em caso de execução. são diversas as diferenças:    A cláusula penal tem finalidade de coerção para que se evite uma inadimplência futura. b. Entretanto. Quando a obrigação se dá normalmente. sem o arrependimento de nenhuma das partes. Outro ponto importante é a exigência:  A cláusula se torna exigível se houver necessariamente o inadimplemento da obrigação. Restituição das arras em caso de cumprimento da obrigação "Se. no entanto.

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