Pimenta (Capsicum spp.

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Apresentação
As pimentas são parte da riqueza cultural brasileira e um valioso patrimônio de nossa biodiversidade. São cultivadas em todo território nacional, desde o Rio Grande do Sul até Roraima, em uma imensa variação de tamanhos, cores, sabores e, é claro, picância ou ardume. µMalagueta¶, µDedo-de-Moça¶, µDoce Americana¶, µChapéu de Bispo¶, µCumari Amarela¶, µBode¶, µDe Cheiro¶, µtabasco¶ µMurupi¶, µBiquinho¶ são apenas algumas das inúmeras pimentas cultivadas no Brasil, todas parentes muito próximas dos pimentões. O agronegócio das pimentas é muito mais relevante do que se imagina, e envolve diferentes segmentos, desde as pequenas fábricas artesanais caseiras de conservas até a exportação de páprica por empresas multinacionais que competem no mercado de exportação de especiarias e temperos. Nos últimos anos, as pimentas têm ganhado um espaço cada vez maior na mídia por sua versatilidade culinária e industrial e também por suas propriedades medicinais. O mesmo princípio que causa a ardência das pimentas ± a capsaicina ± também é usada para aliviar dores musculares, dores de cabeça e artrite reumatóide, entre outras. O Sistema de Produção de Pimentas (Capsicum spp.)¶ certamente contribuirá para o desenvolvimento desta cultura no Brasil, e ajudar principalmente aos pequenos produtores familiares a melhorar sua produtividade. José Amauri Buso Chefe Geral da Embrapa Hortaliças

Importância econômica
Com a chegada dos navegadores portugueses e espanhóis ao continente americano, muitas espécies de plantas foram descobertas, entre elas as pimentas. As pimentas do gênero Capsicum já eram utilizadas pelos nativos e mostraram-se mais picantes (pungentes) que a pimenta-do-reino ou pimenta-negra, do gênero Piper, cuja busca foi, possivelmente, uma das razões das viagens que culminaram com o descobrimento do Novo Mundo. Diversos relatos de exploradores do Brasil-colônia demonstram que a pimenta era amplamente cultivada e representava um item significativo na dieta das populações indígenas. Ainda hoje, a importância das pimentas continua grande, seja na culinária, nas crenças, na medicina alopática ou natural e inclusive como arma de defesa. São remédios para artrites (pomadas a base de capsaicina), dores musculares (emplastro µSabiá¶), dor de dente, má digestão, dor de cabeça e gastrite. A capsaicina, responsável pela pungência das pimentas, é a única substância que, usada externamente no corpo, gera endorfinas internamente que promovem uma sensação de bem-estar, acionando o potencial imunológico. Os índios Caetés foram os primeiros brasileiros a usar a pimenta como arma, sem imaginar que séculos depois a oleorresina de pimenta em aerossol ou em espuma, os famo sos µpepper spray¶ e µpepper foam¶, seriam utilizados pela polícia moderna. É igualmente substancial a contribuição histórica brasileira na dispersão destas plantas pelo mundo, eficientemente feita pelos navegadores portugueses e pelos povos que eram transportados em suas embarcações. As rotas de navegação no período 1492 -1600 permitiram que as espécies picantes e doces de pimentas viajassem o mundo. As pimentas foram então, introduzidas na África, Europa e posteriormente na Ásia. Cinco séculos depois do descobrimento das Américas, as pimentas passaram a dominar o comércio das especiarias picantes, sendo de relevância tanto em países de clima tropical como temperado. Atualmente, a China e a Índia tem mais de 1.000.000 hectares cultivados

com Capsicum, e os tailandeses e os coreanos-do-sul, tidos como os maiores consumidores de pimenta do mundo, comem de 5 a 8 gramas por pessoa/dia. O cultivo de pimentas ocorre praticamente em todas as regiões do país e é um dos melhores exemplos de agricultura familiar e de integração pequeno agricultor -agroindústria. As pimentas (doces e picantes), além de serem consumidas frescas, podem ser processadas e utilizadas em diversas linhas de produtos na indústria de alimentos. A área anual cultivada é de cerca de dois mil ha e os principais estados produtores são Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Ceará e Rio Grande do Sul. A produtividade média depende do tipo de pimenta cultivada, variando de 10 a 30 t/ha. A crescente demanda do mercado, estimado em 80 milhões de reais ao ano, tem impulsionado o aumento da área cultivada e o estabelecimento de agroindústrias, tornando o agronegócio de pimentas (doces e picantes) um dos mais importantes do país. Além do mercado interno, parte da produção brasileira de pimentas é exportada em diferentes formas, como páprica, pasta, desidratada e conservas ornamentais.

Botânica
As espécies de pimentas do gênero Capsicum pertencem à família Solanaceae, como o tomate, a batata, a berinjela e o jiló. Dentre as espécies do gênero Capsicum, cinco são domesticadas e largamente cultivadas e utilizadas pelo homem: Capsicum annuum; C. bacccatum; C. chinense; C. frutescens e C. pubescens. Destas, apenas C. pubescens não é cultivada no Brasil. O centro de origem das pimentas do gênero Capsicum é o continente americano. O centro de diversidade da espécie C. annuum var. annuum, a forma mais variável e cultivada, inclui o México e América Central; de C. frutescens, inclui as terras baixas do sudeste brasileiro até a América Central e as Antilhas (Índias Ocidentais), no Caribe; de C. baccatum var. pendulum, a Bolívia (maior diversidade) e o sudeste brasileiro; e de C. chinense, a mais brasileira das espécies domesticadas, é a Bacia Amazônia. A altura e forma de crescimento destas plantas variam de acordo com a espécie e as condições de cultivo. O sistema radicular é pivotante, com um número elevado de ramificações laterais, podendo chegar a profundidades de 70-120 cm. As folhas apresentam tamanho, coloração, formato e pilosidade variáveis. A coloração é tipicamente verde, mas existem folhas violetas e variegadas; quanto ao formato, pode variar de ovalado, lanceolado a deltóide. As hastes podem apresentar antocianina ao longo de seu comprimento e/ou nos nós, bem como presença ou ausência de pêlos. O sistema de ramificação de Capsicum segue um único modelo de dicotomia e, inicia-se quando a plântula atinge 15 a 20 cm de altura. Um ramo jovem sempre termina por uma ou várias flores. Quando isso acontece, dois novos ramos vegetativos (geralmente um mais desenvolvido que o outro) emergem das axilas das folhas e continuarão crescendo até a formação de novas flores. Esse processo vegetativo se repete ao longo do período de crescimento, sempre condicionado pela dominância apical e dependência hormonal. As flores típicas são hermafroditas, ou seja, a mesma flor produz gametas masculinos e femininos, possuem cálice com 5 (em alguns casos 6-8) sépalas e a corola com 5 (em alguns casos 6-8) pétalas. Para a identificação das espécies, os taxonomistas examinam principalmente as flores. Características morfológicas como o número de flores por nó, posição da flor e do pedicelo, coloração da corola e da antera, presença ou ausências de manchas nos lobos das pétalas e margem do cálice, variam de espécie para espécie e, por meio destas, podemos identificar as principais espécies domesticadas do gênero ( Tabela 1). As espécies do gênero Capsicum são, preferencialmente, autógamas, ou seja, o pólen e o óvulo que é fecundado pertencem a uma mesma flor, o que facilita a sua reprodução, embora a polinização cruzada também possa ocorrer entre indivíduos dentro da mesma espécie e entre espécies do gênero. A polinização cruzada pode variar em taxas de 2 a 90% e, pode ser facilitada por alterações morfológicas na flor, pela ação de insetos polinizadores, por práticas de cultivo (local, adensamento ou cultivo misto), entre outros fatores. Em termos botânicos, o fruto define-se como uma baga, de estrutura oca e forma lembrando uma cápsula. A grande variabilidade morfológica apresentada pelos frutos são destacadas pelas múltiplas formas, tamanhos, colorações e pungências. Esta última

característica, exclusiva do gênero Capsicum, é atribuída a um alcalóide denominado capsaicina, que se acumula na superfície da placenta (tecido localizado na parte interna do fruto), e é liberada quando o fruto sofre qualquer dano físico e pode ser medida em Unidades de Calor Scoville (µScoville Heat Units-SHU¶) por meio de aparelhos específicos. O valor SHU pode variar de zero (pimentas doces) a 300.000 (pimentas muito picantes). A coloração dos frutos maduros, geralmente, é vermelha mas pode variar desde o amareloleitoso, amarelo-forte, alaranjado, salmão, vermelho, roxo até preto. O formato varia entre as espécie e dentro delas, existindo frutos alongados, arredondados, triangulares ou cônicos, campanulados, quadrados ou retangulares. Por observação de determinadas características e usos, podemos separar aquilo que chamamos vulgarmente de pimentas e pimentões. Assim, os pimentões (Capsicum annuum var. annuum) apresentam frutos grandes e largos (10-21 cm de comprimento x 6-12 cm de largura), formato quadrado a cônico, paladar não pungente (doce), além de serem habitualmente consumidos na forma de saladas, cozidos ou recheados. As pimentas apresentam, em sua maioria, frutos menores que os pimentões, formatos variados e paladar predominantemente pungente. São utilizadas principalmente como condimento e, em alguns casos, como ornamentais, em razão da folhagem variegada, do porte anão e dos frutos exibirem diferentes cores no processo de maturação. Tabela 1. Características morfológicas para a identificação das espécies domesticadas de Capsicum. Características morfológicas Geralmente apresenta uma flor por nó, raramente mais de uma e ocasionalmente fasciculadas. Na antese, os pedicelos podem ser eretos, pendentes ou inclinados. A corola é branca (raramente C. annuum violeta), sem manchas na base dos lobos das pétalas. As anteras são var. annuum geralmente azuladas. Os cálices dos frutos maduros são pouco dentados e não possuem constrição anelar na junção do pedicelo. Os frutos são de várias cores e formas, geralmente pendentes, persistentes, com polpa firme; as sementes são cor de palha. As flores se apresentam em número de uma a duas. Na antese, os pedicelos são geralmente eretos. A corola é branca e sempre apresenta um par de manchas amareladas ou esverdeadas na base C. baccatum de cada lobo das pétalas. As anteras são amarelas. Os cálices dos var. frutos maduros são evidentemente dentados e não possuem pendulum constrição anelar na junção do pedicelo. Os frutos são de várias cores e formas, geralmente pendentes, persistentes, com polpa firme; as sementes são cor de palha. As flores se apresentam em número de duas a cinco por nó (raramente solitárias). Na antese, os pedicelos são geralmente inclinados ou pendentes, porém, podem se apresentar eretos. A corola é branca esverdeada sem manchas (raramente branca ou com manchas púrpuras) e com lobos planos (que não se dobram). As C. chinense anteras são geralmente azuis, roxas ou violetas. Os cálices dos frutos maduros são pouco dentados e, tipicamente, apresentam uma constrição anelar na junção com o pedicelo. Os frutos são de várias cores e formas, geralmente pendentes, persistentes, com polpa firme; as sementes são cor de palha. As flores se formam em número de uma a três por nó (ocasionalmente fasciculadas). Na antese, os pedicelos são tipicamente eretos. A corola é branca esverdeada, sem manchas e, geralmente, os lobos dobram-se para trás. As anteras são C. frutescens geralmente azuis, roxas ou violetas. Os cálices dos frutos maduros são pouco a não dentados e não apresentam constrição anelar na junção com o pedicelo. Os frutos geralmente são vermelhos, cônicos, eretos, parede muito delgada, com polpa mole; as sementes são cor de palha e mais espessas no hilo. Espécie

Clima
A pimenteira é uma planta exigente em calor, sensível a baixas temperaturas e intolerante a geadas, por isso deve ser cultivada preferencialmente nos meses de alta temperatura, condição que favorece a germinação, o desenvolvimento e a frutificação, obtendo -se assim, um produto de alto valor comercial com menor custo de produção. Para a pimenteira, as temperaturas médias mensais ideais situam-se entre 21oC a 30oC, sendo a média das mínimas ideal 18oC, e das máximas em torno de 35oC, sendo que temperaturas acima 35oC prejudicam a formação dos frutos. A germinação é favorecida por temperaturas do solo entre 25oC e 30oC, sendo 30oC a temperatura em que ocorre o menor intervalo de dias entre semeio e germinação, e temperaturas do solo iguais ou inferiores a 10oC inibem a germinação. Para as mudas, o melhor crescimento é alcançado com temperaturas entre 26oC e 30oC, sendo a temperatura de 27oC considerada como a ideal para favorecer o desenvolvimento das plantas. Baixas temperaturas inviabilizam a produção, provocando a queda de flores e frutos, além de influenciar negativamente a pungência e a coloração dos frutos, provocando redução do valor comercial, principalmente se o produto for destinado à industrialização. Estes fatos são facilmente verificados quando se compara plantios sob proteção plástica e em campo aberto. Além destes efeitos, as baixas temperaturas também podem ocasionar estiolamento de folhas maduras, murcha de partes jovens e crescimento lento. Não há informações sobre os efeitos do fotoperiodismo ou da termoperiodicidade em pimenteiras. Nas diferentes regiões produtoras do Sul e Sudeste do país as temperaturas elevadas consideradas ideais acontecem na primavera e verão, sendo indicados nos catálogos de empresas produtoras de sementes os meses de agosto a janeiro para semeadura. Entretanto, nas regiões serranas e de temperaturas mais amenas, a época mais conveniente é de setembro a novembro em razão de sua exigência em temperaturas elevadas. No Rio Grande do Sul, na região de Pelotas, a semeadura de pimenta 'Dedo-de-Moça' é feita em agosto e o transplante das mudas realizado em setembro/outubro. No estado de São Paulo, o semeio ocorre no início da primavera com o transplante das mudas para campo aberto ou sob coberturas plásticas a partir de 40 a 50 dias após a germinação, podendo estender-se até meados de janeiro e fevereiro, como ocorre na região oeste, nos municípios de Jales e Estrela do Oeste. Nestas regiões, com altitudes inferiores a 400 metros e inverno ameno, o ciclo da cultura estende-se por todo ano, sem restrições de época de plantio. Nas regiões com temperaturas amenas do estado de Minas Gerais, a semeadura ocorre de agosto até fevereiro, embora o período mais indicado, em função das temperaturas mais elevadas, seja de setembro a novembro. Em Paraopeba-MG, o semeio de pimenta µMalagueta¶ em bandejas de isopor sob cobertura plástica é realizado nos meses de julho a outubro, com transplante para campo a partir de agosto, podendo estender -se até dezembro. Altas cotações para o produto são alcançadas nos meses de inverno quando o Sul e Sudeste são abastecidos principalmente, pela produção das regiões Nordeste e Centro-Oeste, originadas dos estados de Bahia e Goiás, respectivamente. Na região Centro-Oeste, não havendo restrição de temperatura, o cultivo de pimentas, como 'De Cheiro', 'Bode Vermelha', 'Bode Amarela', 'Cumari do Pará' e 'µMalagueta¶', pode ser realizado durante o ano todo, com irrigação suplementar no período seco. Normalmente, a semeadura é feita em novembro mas pode estender-se até o final de janeiro. Na região de Catalão, a semeadura de pimenta do tipo 'Jalapeño' é feita em fevereiro/março com transplante a campo a partir de abril. Situação similar é observada em plantios de pimenta doce para páprica na região de Brasilândia de Minas-MG, onde a semeadura direta em campo é feita de março a abril. Na região Nordeste deve ser evitado o plantio na estação chuvosa por dificultar o preparo de solo, tratos culturais e o controle fitossanitário. Em solos de boa drenagem, os plantios na região de Petrolina-PE, podem ser iniciados a partir de janeiro, embora o período preferencial seja de março em diante.

com pH entre 5. os canteiros podem ser levantados com o auxílio de uma enxada. A dose de calcário a ser aplicada. deve estar abaixo de 3. caso seja necessário. são moderadamente sensíveis. melão e melancia). Logo após a primeira gradagem faz-se a calagem de acordo com a análise de solo. Em épocas chuvosas. Uma segunda gradagem é feita para incorporar o calcário ao solo e adequá-lo a sulcagem. distribuição e intensidade das chuvas e ainda direção e velocidade dos ventos. moranga. leves. A distância entre os sulcos deve ser de 80 cm e devem ter uma declividade de 0. que devem ter 30 a 40 cm de largura e 20 a 25 cm de profundidade. berinjela. preferencialmente férteis. tipo do filme ou tela. Se o plantio for feito em uma área pequena. T é a capacidade de troca de cátions potencial do solo [Ca+2 + Mg+2 + K + (H+Al)]. Nestes casos.Cultivo Protegido A técnica de cultivo protegido é utilizada em locais ou épocas em que as condições climáticas. Solos Os solos utilizados para o cultivo de pimenta devem ser profundos. Altas concentrações de sais no solo podem ser de origem natural ou resultantes do uso excessivo de fertilizantes. pimenta. sorgo. assim como pimentão. localização inadequada de fertilizantes ou ainda do uso de água de irrigação com altas concentrações de sais. frente e fundos de tela. aração a uma profundidade de 30 cm. tomate. principalmente variações das temperaturas noturna e diurna. A salinidade do solo.2% a 0.5% para facilitar o escoamento da água sem causar erosão. . trigo. drenados (com bom escoamento de água. é baseada em dados climáticos do local. e PRNT = poder relativo de neutralização total do cálcario a ser aplicado. o sulco ficará com a forma de µU¶. medida por meio da condutividade elétrica produzida por sais solúveis do solo a 25oC.8-1. Physalis) ou Cucurbitáceas (como abóbora. jiló. podem interferir no desenvolvimento das plantas ou na qualidade dos produtos. alho). Devem ser evitados solos salinos ou com elevada salinidade. frente e fundos são de plástico. são as mais indicadas. recomenda-se que sejam evitadas áreas que tenham sido cultivadas nos últimos 3-4 anos com outras plantas da família das Solanáceas (como batata. fumo. Áreas com cultivos anteriores de gramíneas (milho. V1 é a saturação de bases atual do solo [(Ca+2 + Mg+2 + K+) x 100/T]. laterais.V1)T/PRNT onde onde V2 é a saturação por bases desejada (70% a 80% para a pimenteira).0 m de largura. aveia). mas o mais comum é o plantio em sulcos. leguminosas (feijão. pepino. uma vez que as pimentas.5 a 7. O plantio pode ser feito em canteiros. ou somente o teto é de filme e as laterais. pode ser calculada com base na elevação da saturação de bases de um valor considerado adequado para cada lavoura. Após a incorporação de matéria orgânica (uma semana antes do plantio) e dos fertilizantes (um dia antes do plantio).0. Do ponto de vista sanitário. não sujeitos a encharcamento). Para o cálculo é necessário que se tenha em mãos os resultados da análise e o valor de saturação de bases indicado para a espécie vegetal em questão. recomenda-se a construção de canteiros com 20-25 cm de altura e 0.5 cS/m de condutividade elétrica. para facilitar a drenagem e reduzir riscos de contaminação com murcha-de-fitóftora (Phytophhtora capsici). tipo de teto. pois a partir deste valor a produtividade começa a diminuir. Adota -se a sequinte fórmula: Dose de calcário (t ha-1) = (V2 . O preparo consiste de limpeza da área. o cultivo é feito em casa-de-vegetação cujo teto. A definição das características quanto às dimensões. seguida de gradagem de nivelamento. direção do eixo longitudinal. soja) ou aliáceas (cebola. arroz.

em intervalos de 30-45 dias. em que a colheita pode prolongar -se por mais de um ano. Recomendação de adubação com P2O5 e K2O para a cultura do pimentão na região do Distrito Federal. para o DF Plantio Embrapa Hortaliças . Emater 1987. Na adubação orgânica utiliza-se 10 a 20 t/ha de esterco de curral curtido. Além de NPK.Adubação A quantidade de adubo a ser aplicada é determinada com base na análise química do solo e nos boletins-aproximação de cada região. por meio do Boletim Técnico nº 56. Acrescentar à adubação de plantio 1 kg/ha de B e de 10 a 30 kg/ha de S. em quantidades de acordo com a análise do solo e as recomendações descritas na Tabela 2. revolvendo bem o solo a uma profundidade de aproximadamente 30 centímetros para que ocorra uma boa incorporação. A EPAMIG. recomenda-se a adubação mineral e calagem publicada no Boletim Técnico 100 do Instituto Agronômico de Campinas. Como na maioria destes boletins não existem recomendações para a cultura da pimenta. no sulco de plantio. as adubações de cobertura são feitas com adubo nitrogenado e durante a frutificação com uma mistura de adubo nitrogenado com potássico. Aplicar calcário para elevar a saturação de bases a 80% e o teor mínimo de magnésio a 8 mmol/dm3. Porém. o produtor terá maiores chances de acerto fazendo a análise química anual de solo 2-3 meses antes da calagem. Até a fase de florescimento. A quantidade de fertilizantes indicada deverá ser distribuída uniformemente no sulco ou no canteiro. existem algumas aproximações que auxiliam o produtor quanto às quantidades e tipos de adubos a serem utilizados. Nos latossolos da região do Distrito Federal adota-se a recomendação de adubação de plantio de P e K apresentada na Tabela 1. fontes de B e Zn devem ser aplicadas no solo antes do plantio na base de 15-20 kg/ha. as adubações de cobertura devem ser feitas até o final do ciclo com base em observações no crescimento ou aparecimento de sintomas de deficiências nutricionais. Normalmente utiliza-se 20-50 kg/ha de N e 20-50 kg/ha de K2O. Os fertilizantes devem ser aplicados 10 dias antes do transplante das mudas. baseada na análise química do solo. doses de 20 t/ha de esterco de curral ou 5 t/ha de esterco de galinha por metro de sulco. Tabela 1. No Estado de São Paulo. ou 1/4 dessas quantidades de esterco de galinha curtido. Em seguida. A adubação nitrogenada deve ser feita na base de 150 kg/ha de N. recomenda para a cultura da piment a. No caso das pimentas. aplicar também ao longo do sulco o adubo químico (de acordo com a Tabela 3) e misturar tanto o esterco como o adubo com a terra por meio de duas passadas de cultivador no fundo do sulco. Em situações onde é muito difícil fazer a análise química do solo. utiliza-se a recomendação feita para o pimentão. Níveis no solo (ppm) Dosagem (kg/ha) P K P205 K20 0-10 0-50 400-600 150-200 11-30 51-100 200-400 100-150 31-50 101-150 100-200 50-100 +50 +150 50 Fonte: Instituto Agronômico de Campinas ± IAC (1996). A adubação orgânica usada neste tipo de solo deve ser na razão de 30 t/ha de esterco de curral ou 10 t/ha de esterco de galinha.

kg /ha 0-25 26-60 > 60 P2O5. as plantas apresentam sintomas de mancha-bacteriana (Xanthomonas campestris pv.0 K2O. como páprica doce e pimenta picante dos tipos 'Jalapeño' e 'Cayen ne' para molhos líquidos. Recomendação de adubação mineral para a cultura da pimenta no Estado de Minas Gerais . Apesar do crescente interesse no cultivo pimentas. Na maioria das áreas cultivadas com pimentas. mmol c/dm3 Zn.Tabela 2. ou na forma de molhos líquidos (frutos maduros e vermelhos). Boletim Técnico 56. o produtor produz sua própria semente. 'Cayenne' entre outras. baseada na análise química do solo . Capsicum annuum é a espécie mais cultivada e inclui as variedades mais comuns deste gênero como pimentões e pimentas doces para páprica e consumo fresco e pimentas picantes como 'Jalapeño'. que implica no desinteresse das companhias de sementes de produzirem e comercializarem sementes. coordenado pela Embrapa Hortaliças. baccatum var. kg /ha 0. com características de frutos bem definidas. frutescens).6-3. apresentam baixa germinação e podem transmitir doenças. baseada na análise química do solo . Outro fator importante é a área consideravelmente pequena de produção de pimentas. desidratados na forma de flocos . kg /ha 0-1. Emater 1987. baccatum). e ainda poucas cultivares ornamentais (Tabela 1).6 > 0. 'Cumari' (C. e as diferenças existentes dentro destes grupos estão relacionadas às diferentes fontes de sementes utilizadas para o cultivo. já que são obtidas sem seguir regras básicas para a produção de sementes. Destes destaca-se o desenvolvimento de cultivares de pimenta doce para processamento industrial. uma vez que estes normalmente são muito pequenos e ainda a picância extrema dos frutos. são consideradas variedades botânicas ou grupos varietais. Normalmente. este ainda é feito por pequenos produtores que produzem suas próprias sementes ou compram frutos maduros em mercados e feiras e deles extraem as sementes que serão utilizadas para plantio. P resina . mg/dm 3 K+ trocável. doença transmitida a longas distâncias por meio de sementes. São poucos os programas nacionais de melhoramento de pimentas. Os fatores que provavelmente restringem trabalhos de melhoramento com pimentas advém da dificuldade de se manusear as pequenas flores para a execução dos cruzamentos e multiplicação das sementes. chinense). kg /ha 40 600 320 160 180 120 60 30 Fonte: Instituto Agronômico de Campinas ± IAC (1996). dificultando a extração das sementes. 'De Cheiro' e 'Bode' (C. 1999 Cultivares A maioria das cultivares de pimentas plantadas no Brasil como a 'µMalagueta¶' (C. vesicatoria). As pimentas dos tipos 'Jalapeño' e 'Cayenne' podem ser consumidas frescas. Viçosa-MG. praetermissum).5 1. para o DF Plantio Embrapa Hortaliças Tabela 3. a produção escassa de sementes por frutos.6 Zn. Normalmente estas sementes são de qualidade variável. md/dm 3 Nitrogênio N. Recomendação de adubação mineral para a cultura da pimenta no Estado de São Paulo.0 > 3. 'Dedo-de-Moça' (C. Teor no solo de P ou K P2O5 Dosagem (kg/ha) K2O N 60 60 60 Baixo 300 240 Médio 240 180 Alto 180 120 Fonte: EMPAMI.

conhecida mundialmente pelo molho de pimenta que leva seu nome. uma expressiva variabilidade de formatos e cores de frutos. são encontrados frutos doces a muito picantes. crescendo sob árvores diversas e em capoeiras. resultado de um programa de melhoramento desenvolvido pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC) visando resistência a viroses. como µAgronômico 11¶ (C. salmão. Também pertence a esta espécie a pimenta 'Tabasco'. baccatum no Brasil são as pimentas 'Dedode-Moça'.ou pó. A pimenta 'Dedo -de-Moça' é cultivada principalmente nos estados de São Paulo e Rio Grande do Sul. também é utilizada na fabricação de pimenta 'calabresa' (desidratada na forma de flocos com a semente). como cultivares de pimenta do tipo 'Jalapeño' (sementes importadas). annuum). destacam-se os cultivos nos estados de Minas Gerais. Os frutos desta pimenta são bem pequenos.120 100 110 semeadura) vigorosa vigorosa arbustiva planta . a pungência dos frutos é menos intensa. Os tipos mais comuns e cultivados da espécie C. Tabela 1. A espécie C. frutescens é representada pelo tipo de pimenta mais conhecido e consumido no Brasil. e da 'Cumari do Pará'. Plantada em todo o país. 'Cumari do Pará'. Neste grupo de pimentas. 'Chifre-de-Veado' e 'Cambuci' (também conhecida como 'Chapéu de Frade') (Tabela 1). possui frutos de tom amarelo-leitoso. a pimenta 'µMalagueta¶'. 'Cambuci' ou 'Chapé u de Frade'. cultivada nos estados do Amazonas e Pará. dentro da espécie. entre outras. em molhos e conservas. é mais comum o cultivo da pimenta 'Bode'.120 100 . alaranjado. de coloração vermelha quando maduros. A pungência também é variável. as mais conhecidas são as pimentas 'De Cheiro'. Normalmente as plantas são mantidas por alguns anos e chegam a formar verdadeiros arbustos. 'Murici'. Existem no mercado algumas cultivares de pimenta sendo comercializadas. possui coloração amarela e o aroma das pimentas 'De Cheiro' e 'Bode'. Estas pimentas são extremamente picantes. Minas Gerais e Goiás. Ambas possuem pungência e aroma característicos que as distinguem das demais. amarelo-claro. que possui frutos ovalados de coloração amarela quando maduros. que tem frutos arredondados de cor amarela ou vermelha quando maduros. muito popular no México. ou ainda em conservas (verdes) e escabeches. A pimenta 'Murupi'. chinense é a mais brasileira das espécies domesticadas e caracteriza-se pelo aroma acentuado dos seus frutos. Características de cultivares e híbridos de pimenta disponíveis n o mercado brasileiro. Há tipos varietais desta espécie com frutos extremamente picantes. amarelo-forte. Características de cultivares e híbridos de pimenta tipo malagueta "malagueta" "malagueta" "malagueta" "malagueta" "malagueta" cultivares ciclo(dias) início de colheita(dias após 110 . C. Esta pimenta destina-se a consumidores que preferem frutos de pimenta doce no preparo de seus pratos. arredondados ou ovalados. Poucas companhias de sementes existentes no Brasil comercializam sementes de pimenta e aquelas que o fazem restringe-se a alguns tipos específicos. Bahia e Ceará. que predomina no Norte do país. Na região Centro-Oeste. há inclusive cultivares de pimenta 'Cambuci' que são doces. vermelho e até preto. 'Bode'. A pimenta 'Cumari' é bem popular na região Sudeste do Brasil e é encontrada também em estado silvestre.120 100 . Além de ser consumida fresca. Estas pimentas são cultivadas principalmente nos estados de São Paulo. A pimenta 'De Cheiro'. No Brasil. 'Murupi'. como a pimenta 'Habanero'. Há também. 'µMalagueta¶' e 'Dedo-de-Moça' (Tabela 1). possuem frutos pequenos de formato alongado e de coloração vermelha quando maduros.

5x2. outras caracteristicas Sabor bem doce Levemente adocicado picante Isla Sakata Topseed empresa de sementes Garden tipo Americana "amarela "híbrido canal" "híbrido cultivares "agronômico.5-1."híbrido 11" dirce R" alongada" lipari" ciclo(dias) 100 início de colheita(dias cor do fruto .120 110 arbustiva planta Verde/ Verde/ Verde/ cor do fruto vermelho vermelho vermelho cilíndrico cilíndrico formato 1.0x2peso medio de 0.0cm 5cm fruto/tamanho (diam x comp.6-0. ardida Picante e Muito picante Muito outras produtiva picante picante caracteristicas Sakata Horticeres Topseed Isla Feltrin empresa de Garden sementes tipo dedo-de-moça " dedo-de-moça " " dedo-de-moça " " dedo-de-moça " cultivares 90 ciclo(dias) (verão) início de colheita(dias após semeadura) 100 .Verde/ Verde/ Verde/ Verde/ Verde/ vermelho vermelho vermelho vermelho vermelho alongado filiforme alongado piramidal alongado formato 2-3 cm 0. picante Saborosa picante outras caracteristicas E picante Isla Topseed Feltrin empresa de sementes Garden tipo cambuci ³chapéu-de-bispo " " cambuci " " chapéu-de-bispo " cultivares 90 ciclo(dias) (verão) início de colheita(dias após semeadura) 110-130 100 .7 g/ 0.8x34cm comprimento 0.120 vigorosa arbustiva planta Verde Verde Verde cor do fruto claro claro claro cilíndrico cilíndrico formato 4-6 x 3-5cm 30 ± 40g / 6peso medio de 7 x 5-7 cm fruto/tamanho (diam x comp.6 ± 0.2 x 8-10 1 x 13cm peso medio de cm fruto/tamanho (diam x comp.

5 x 20-22 cm comp 5 ± 6 x 25-27 27 cm 16-19 cm Comp.após semeadura) planta cor do fruto 110 .5x peso medio de 9. Alta Resistente a Resistente a Resistente a Sabor suave outras TMV TMV TMV caracteristicas produtividade Clause/sakamaClause/sakama Topseed Topseed Topseed empresa de premium premium sementes tipo jalapeño (picante) " jalapeño " " jalapeño M" " firenza " cultivares 95 95 ciclo(dias) início de colheita(dias após semeadura) vigorosa vigorosa vigorosa planta Verde/ Verde/ Verde/ cor do fruto vermelho vermelho vermelho cónico cónico cónico formato 45g/3.5x 45g/3.130 vigorosa Verde - 80-80 vigorosa - formato peso medio de fruto/tamanho (diam x comp. outras caracteristicas empresa de sementes cultivares ciclo(dias) início de colheita(dias após semeadura) planta VerdeVerde-claro/ Verde-escuro/ claro/ brilhante vermelho amarelo alongado alongado comprido cônico alongado 50-60 g/ 110-130 g/ 10-15 cm 110 ± 120 g/ 130 g/ 5x 3."híbrido jully" 240" 85 "hibrido pinóquio" - "híbrido foulki" 100 "doce Italiana´ - - - - - 100-110 Verde cor do fruto Verde-escuro/ vermelho -limão alongado alongado formato 130g 120g /5x peso medio de 25cm fruto/tamanho (diam x comp.130 Vigorosa e produtiva Verde claro 110 . cm Resistente a Resistente a Sabor Sabor suave Resistente a PVY PVY(estirpe adocicado TMV 1-2) e toMV Sakata Sakata Isla Petossed/SVS Clause/sakama tipo Americana "híbrido p. Resistente a Resistente a Muito picante outras caracteristicas TMV TMV e CMV Topseed Topseed Rogers/ Agrocinco empresa de sementes Vigorosa e Porte vigorosa precoce medio Verde-escuro/ Verde-escuro Verde / vermelho brilhante vermelho cônico cônico cônico 180g 180 ± 200g 200g / 5x 18 cm .0cm fruto/tamanho (diam x comp.0cm 9.5 ± 4.

120 arbustiva 100 .3 ± 1. preenchidas com substrato comercial ou preparado na propriedade.5 x 18 110-125 Arbustiva e ereta amarela cônico Verde/ vermelho cilíndrico formato peso medio de 10g / 1 x13 cm fruto/tamanho (diam x comp. outras caracteristicas empresa de sementes cultivares Garden Premium tipo jalapeño (picante) "Híbrido ³Híbrido " " Hibrido Jalapeño Plus" grande Mitila " Ciclo médio 75-90 70-85 " Hibrido tula " 65-70 vigorosa Verde/ vermelho cónico 45g/3.5x 9. Frutos para outras caracteristicas conserva Topseed empresa de sementes Produção de mudas Frutos para conserva sakama sabor picante Topseed garden Em bandejas de isopor A produção de mudas em bandejas deve ser feita em ambiente protegido.0cm vigorosa Verde/ vermelho cónico 3-5 x 9-11 cm vigorosa Verde/ vermelho cónico 3-4 x 8-9 cm Alta produtividade Petoseed/SVS Verde/ vermelho cónico Resistente a Alta TMV e CMV produtividade Petoseed/SVS Petoseed/SVS 4 x 11 cm Resistente a PVY e TEV Petoseed/SVS "cayenne Long slim" - Outros tipos (picantes) "malacante" "híbrido Torito 2137" - ciclo(dias) início de colheita(dias após semeadura) planta cor do fruto "híbrido caliente 2138" - "amarela comprida" - 110 . A técnica mais recomendável para se produzir mudas é de semeio em bandejas de isopor de 128 células. através do corte com tesoura. o ideal é aumentar o semeio para três sementes / célula. rente ao colo das mudas menos vigorosas quando . como telados. colocando uma semente por célula. Caso haja comprometimento da germinação.110 arbustiva Verde/ vermelho cilíndrico 10g/2 x 10 cm Frutos picantes Topseed Verde/ vermelho alongado 1. procedendo-se a um desbaste posteriormente.cultivares ciclo(dias) início de colheita(dias após semeadura) planta cor do fruto formato peso medio de fruto/tamanho (diam x comp. se necessário.5 x 15-18 cm Frutos para conserva sakama Verde/ vermelho alongado 1.

As irrigações (duas vezes por dia . preferencialmente com o torrão para se evitar danos às raízes. Em regiões de inverno rigoroso. As sementes devem ser distribuídas uniformemente em sulcos transversais ao canteiro. A área da sementeira deve ser calculada com base na área que será plantada e no espaçamento a ser utilizado. Deve-se evitar o excesso de nitrogênio para não favorecer a proliferação de doenças fúngicas nos tecidos foliares. as sementes devem ser cobertas com terra do sulco. região de plantio ou ciclo da cultura ( Tabela 1).0 cm de abertura e 1. destorroamento e correção da fertilidade com base na análise química do solo. formada por tela de arame ou somente por fios de arame a 0.10 m um do outro e com 1.0 a 1. Gastam-se de 3 a 5 gramas de sementes por metro quadrado de sementeira. .5 a 2. Compra de mudas Atualmente é possível adquirir mudas ou contratar a produção das mesmas com profissionais que se dedicam a esta atividade.2 m de largura. O arranquio das mudas germinadas em excesso não é recomendado pelo risco de comprometer o sistema radicular da muda remanescente na célula . assim como a boa qualidade das mesmas. O cuidado nas irrigações é fundamental para se obter mudas de boa qualidade. No caso de terem sido formadas em sementeiras. 0.60-0. As bandejas devem ser colocadas em suporte tipo bancada. Os espaçamentos dos sulcos de plantio ou canteiro s são definidos de acordo com a cultivar ou tipo de pimenta.0 a 1. no máximo ) deverão ocorrer nas horas de temperaturas mais amenas. O produtor pode fornecer ao viveirista suas próprias sementes ou indicar a cultivar ou variedade e adquirir as sementes no mercado . a fim de que haja luz na parte inferior da bandeja . as mudas devem ser retiradas com cuidado. ou seja. A colocação de uma cobertura com saco de aniagem sobre o canteiro evita que o impacto das gotas da água de irrigação ou de chuva desenterrem ou afundem as sementes.5 cm de profundidade. evita injúrias às raízes novas e não cria condições para infecção das mesmas por fungos e bactérias do solo. Os canteiros devem ter de 1.estas apresentam pelo menos duas folhas definitivas. a cultura é eliminada em meados de abril-maio. Em sementeiras As sementeiras devem ser preparadas com revolvimento da terra. Em caso de necessidade. prejudicando a germinação ou a emergência. com aproximadamente 150 dias de ciclo. o que facilita a retirada das mudas por ocasião do transplante . deve ser feita uma adubação foliar após o desbaste. pulverizando-se as mudas com uma solução de adubo foliar com uma formulação de macro + micronutrientes.25 m de altura e comprimento de acordo com a necessidade de mudas. Após a distribuição. O número de sementes é de aproximadamente 200 por grama. é necessário garantir espaço adequado para crescimento vegetativo da pimenteira.20 a 0. Em regiões onde o ciclo da cultura po de ser prolongado por até um ano. distanciados 0. quando o campo é eliminado após 2 a 3 colheitas. no início da manhã e final da tarde. Plantio O transplante é realizado quando as mudas apresentarem de 4 a 6 folhas definitivas ou aproximadamente 10cm de altura. Este cuidado impede o desenvolvimento das raízes por baixo da bandeja. Este sistema é recomendado para cultivo em áreas maiores e apresenta como principais vantagens a rapidez na obtenção das mudas. O mesmo acontece com as culturas de pimenta destinadas à industrialização para páprica. utilizando-se água fresca e em quantidade suficiente para que se verifique apenas o início da drenagem (gotejamento) na parte inferior da bandeja.70 m do solo.

Todavia. desbrota. As plantas de pimentão são tutoradas tanto no sistema de cultivo protegido como em campo aberto. Entretanto.33 1. 'Cumari do Pará' µµ Malagueta ¶¶ µJalapeño¶ 'Malagueta' µDedo-de-Moça¶ µTabasco¶ 1. tutoramento e µmulching¶. Para se evitar o aparecimento de plantas invasoras. milho.50 x 1.00 x 0.400 a janeiro novembro 6.Tabela 1. época de plantio e ciclo dos principais tipos de pimentas em diferentes regiões do país . em regiões com precipitação mal distribuída ou deficitária. manter a temperaturado solo e reduzir a evaporação da águado solo. A colocação do filme pode ser feita antes ou após o transplante.50 Tratos culturais Durante o ciclo da pimenteira devem ser realizadas várias práticas culturais. .RS Ceará 1. e assim evitar o aquecimento do solo. Informações sobre espaçamentos. As hastes lenhosas da maioria dos tipos de pimenta dispensam tutoramento e desbrota. tais como irrigação (ver Irrigação). a ocorrênciade doenças de solo. Em locais de ventos fortes.500 25. ou seja.80 12 meses 1.000 dezembro agosto Ciclo da cultura São Paulo µDedo-de-Moça¶ µDe Cheiro' 'Bode'.80 x 0. pode-se colocar um filme de plásticode cor negra(µmulching¶) ou dupla-face. elas podem ser retiradas. caso apareçam brotações na haste principal abaixo da primeira bifurcação .20 x 0.500 a janeiro novembro 10. pode ocorrer a necessidadede se fazer tutoramento da planta (colocando-se uma estacade madeira ou bambu juntoà planta) ou o plantio de quebra -vento em voltado campo(capim-elefante.00 12 meses 6a7 meses 12 meses 8 meses Catalão-GO Paraopeba MG Pelotas . o lado branco deve ficar para cima para refletir a radiação. negro de um lado e branco e outro. Estande Região Tipo de Pimenta Espaçamento (m x m) Época da (nº plantas semeadura /ha) dezembro 6.00 x 0.000 a março 12. Neste caso. Irrigação A produção de pimentas em regiões com chuvas regulares e abundantes pode ser realizada sem o uso da irrigação. cana-de-açúcar).80 0. o uso da irrigação é decisivo para a obtenção de altos rendimentos em cultivos comerciais. de insetos pragas (ver Pragas e métodos de controle) e patógenos (ver Doenças e métodos de controle).00 12 meses Goiás e DF 1.50 x 1. manejo de plantas invasoras (ver Manejo de plantas daninhas). adubação de cobertura (ver Adubação).500 a janeiro fevereiro 30.

por remover agrotóxicos e propiciar condições de alta umidade junto ao dossel das plantas. incidência de pragas e doenças. prejudica a aeração do solo e favorece o desenvolvimento de várias doenças de solo. reduz a produtividade em decorrência da queda de flores e abortamento de frutos. etc. além da forma que a água é aplicada às plantas. o convencional semiportátil é o mais utilizado. tem sido utilizado o sistema pivô central. minimizando a ocorrência de doenças. A grande vantagem do sistema consiste na aplicação da água de forma localizada na zona radicular sem atingir a parte aérea das plantas. especialmente durante os estádios de floração e pegamento de frutos. como os arenosos. pelo gotejamento. A produtividade. As principais desvantagens são o maior custo do sistema e o risco de entupimento. topografia. em menor escala. A fertirrigação e a economia no uso de água. Na Tabela 1 são apresentadas algumas características dos principais sistemas de irrigação que podem ser utilizados na cultura. ou seja. Dentre os sistemas por aspersão. com maior teor de sólidos solúveis e de matéria seca. a qualidade de frutos e a ocorrência de doenças também podem ser afetadas pela forma com que a água é aplicada às plantas. Dentre os sistemas superficiais. podem ser aplicados de forma parcelada via irrigação. sendo utilizado principalmente pelos pequenos produtores de pimentas. Não é recomendado para solos com alta taxa de infiltração. em geral entre 20 e 30%. como a causada por Phytophthora capsici. uso de mão-de-obra e energia. Alguns problemas freqüentemente observados. seguido pelo sistema por sulcos e. favorece maior incidência de doenças foliares. são outros grandes trunfos do gotejamento frente aos demais sistemas de irrigação.A deficiência de água. A escolha deve ter como base a análise de vários fatores. Outros sistemas superficiais.0 m. A principal vantagem da aspersão é a possibilidade de ser utilizada nos mais diversos tipos de solo e topografia e ter menor custo que o gotejamento. não devem ser utilizados. Fertilizantes. clima. terrenos de topografia declivosa ou ondulada. O excesso de água no solo também pode comprometer a produção de pimentas. custo do sistema. O custo está diretamente relacionado ao espaçamento entre linhas de plantio. Irrigações excessivas. coloração. é decisivo para o sucesso da cultura. Apresenta as vantagens de não molhar a parte aérea das plantas e ter custo inicial inferior aos demais sistemas. mesmo que temporária. relacionados ao manejo inadequado da irrigação e à utilização de sistemas de irrigação não apropriados. Todavia. aumentando a eficiência no uso dos mesmos e a produtividade. haja vista que a cultura não tolera solos com aeração deficiente. como a µMalagueta¶ ou aquelas com alto . maior incidência de doenças fúngicas e bacterianas. a cultura de pimentas é irrigada principalmente pelos sistemas por aspersão. pelo método de irrigação utilizado. tais como: tipo de solo. principalmente. o sistema é mais recomendado para as pimentas cultivadas com espaçamento entre linhas acima de 1. principalmente em solos de drenagem deficitária. assim. quantidade e qualidade de água disponível. plantas de pimenta submetidas a deficiência moderada de água no solo produzem frutos mais pungentes.) SISTEMAS DE IRRIGAÇÃO Vários são os sistemas que podem ser utilizados para a irrigação da cultura de pimentas. o suprimento de água às plantas no momento oportuno e na quantidade correta. a exemplo da irrigação por faixas e inundação. de energia e de nutrientes. são: baixa eficiência no uso de água. rendimento da cultura. Mais recentemente. alguns produtores de pimenta µMalagueta¶ no estado do Ceará têm optado pelo uso do gotejamento. como para páprica. como nitrogênio e potássio. No Brasil. Por outro lado. Para a produção de pimentas em larga escala. Assim. baixa produtividade e redução na qualidade de pimentas (pungência. o por sulcos é o mais indicado.

Irrigações em excesso. varia de 500 a 800mm. sendo expressa em mm/dia.retorno econômico. Limitações no desenvolvimento vegetativo das plantas. realizando uma segunda irrigação imediatamente a seguir. Em termos gerais. a exemplo de pulgões. NECESSIDADE DE ÁGUA DA CULTURA A necessidade total de água da cultura de pimentas é variável. podendo ultrapassar os 1. podem ser necessários vários parcelamentos diários da irrigação por gotejamento. deve ser suficiente para elevar a umidade do solo até a capacidade de campo nos primeiros 30cm do solo.000mm para cultivares de ciclo longo. Sob condições climáticas extremas. A necessidade diária de água. de carbonatos. Estádio Vegetativo Compreende o período entre o estabelecimento inicial das plantas e o florescimento pleno. este estádio ocorre 5 a 10 dias após o transplante. A cultura da pimenta apresenta quatro estádios distintos de desenvolvimento com relação às necessidades hídricas. Para o plantio por mudas. por exemplo. dependendo do tipo e da umidade inicial do solo. tanto neste quanto nos estádios subseqüentes. também chamada de evapotranspiração da cultura. Este problema pode ser eficientemente contornado utilizando-se sistemas de filtragens e realizando -se o tratamento químico da água quando necessário. as irrigações devem ser realizadas a cada um a dois dias. varia de 15 a 25mm para solos de textura grossa e de 30 a 50mm para os de texturas média ou fina. de ferro e de bactérias na água e a formação de precipitados insolúveis dentro da tubulação são as principais causas de entupimento de gotejadores. os sistemas por sulcos e gotejamento podem favorecer. A presença de partículas sólidas e orgânicas. o turno de rega médio varia de 1 a 4 dias. No caso de transplante de mudas. ácaros e insetos. as irrigações devem ser diárias. em solos arenosos pode ser necessária mais de uma irrigação por dia. além de doenças como o oídio. os quais são agentes transmissores de viroses. por outro lado. A primeira irrigação. A deficiência de água pode prejudicar a germinação de sementes e o pegamento de mudas. as irrigações devem ser leves e freqüentes procurando manter a umidade da camada superficial do solo (0 a 15cm) próxima à capacidade de campo. engloba a quantidade de água transpirada pelas plantas mais a água evaporada do solo. resultantes da ocorrência de déficit hídricos moderados. Estádio Inicial O estádio inicial de estabelecimento da cultura. comprometendo o estande e a produtividade. A irrigação por sulcos pode favorecer ainda a disseminação de fungos e bactérias ao longo dos sulcos por meio da água de irrigação. Da semeadura até a emergência de plântulas. o solo deve ser previamente irrigado. dependendo do tipo de solo e condições climá ticas. realizada antes do plantio ou do transplante. A duração de cada estádio depende da cultivar. têm pequeno efeito na produção desde que o suprimento . Em solos arenosos e sob condições de alta temperatura e baixa umidade relativa do ar. Daí até o estabelecimento das mudas. varia de 4 a 10mm/dia no pico de demanda da cultura. depende grandemente da duração do ciclo de desenvolvimento de cada cultivar. A lâmina de água a ser aplicada. favorecem a maior incidência de doenças de solo. condições edafoclimáticas e sistema de cultivo. Neste estádio. pois além das condições climáticas. vai da semeadura até as plantas atingirem 4 a 6 folhas definitivas. no caso de semeio direto no campo. Por não molharem a folhagem das plantas.

Irrigações freqüentes por aspersão devem ser evitadas em condições onde a podridão de frutos e doenças foliares são problemáticas. Irrigações excessivas. como o do balanço hídrico e o da tensão da água do solo. higrômetros. principalmente quando realizada por aspersão. como maior pungência em pimentas picantes. ao solo e ao clima. É o estádio menos sensível à deficiência de água no solo. A deficiência de água favorece a queda de flores e o abortamento de frutos. pimentas verdes e maduras. que apresentam vantagens e desvantagens. Assim. radiômetros etc. o que requer a realização de várias colheitas. Estádio Reprodutivo Estádio que vai da floração plena até o início da maturação de frutos. O estádio reprodutivo é o mais crítico em relação à deficiência de água. Melhor qualidade de frutos. Existem vários métodos disponíveis para o controle da irrigação. comprometendo a produtividade e aspectos qualitativos dos frutos. Estes métodos requerem equipamentos para o monitoramento da umidade do solo (tensiômetros. especialmente durante o florescimento e pegamento de fruto. Para a produção de pimentas em grande escala é aconselhável o uso de um método com melhor precisão que o apresentado anteriormente. necessidades hídricas específicas da cultura e fatores climáticos associados a evapotranspiração. Irrigações excessivas. além de reduzir o tamanho de fruto e favorecer a ocorrência de podridão apical. como aqueles baseados na avaliação da umidade do solo e/ou da evapotranspiração da cultura em tempo real. É comum. a ocorrência de um período onde existem flores. Neste caso. deficiência moderada de água favorece maior desenvolvimento em profundidade do sistema radicular das plantas. por meio da adoção de turnos de rega mais espaçados que no estádio reprodutivo e/ou da antecipação do final das irrigações. baseiam-se no conhecimento de propriedades físico-hídricas do solo. A precisão do método do turno de rega simplificado pode ser sensivelmente melhorada calculando-se a evapotranspiração da cultura em tempo real. etc. favorecem a maior ocorrência de doenças fúngicas e bacterianas.de água no estádio reprodutivo (floração e frutificação) seja adequado. além de aumentar a lixiviação de nutrientes. termômetros. pode ser obtida submetendo as plantas a níveis moderados de deficiência de água no solo. além de pessoal qualificado. entre os diferentes tipos de pimentas. MANEJO DA ÁGUA DE IRRIGAÇÃO A reposição da água do solo no momento oportuno e na quantidade adequada envolve parâmetros relacionados à planta.). Ademais. Métodos que permitem um controle criterioso. o término do estádio reprodutivo deve ser estendido até o início da maturação das pimentas a serem apanhadas na colheita de maior produção. Irrigações freqüentes podem prejudicar a qualidade de frutos e favorecer maior incidência de doenças. maior teor de matéria seca e melhor coloração em pimentas para páprica e maior concentração na maturação. em solos com drenagem deficiente. especialmente de nitratos. Estádio de Maturação Período entre o início da maturação de frutos e a última colheita. prejudica a aeração do solo e favorece doenças. principalmente por aspersão. o valor de ETc a ser considerado deve ser igual à média da evapotranspiração ocorrida no período entre . tanto neste quanto nos estádios seguintes. maior teor de sólidos solúveis em pimentas para molho líquido. blocos de resistência elétrica.) e/ou equipamentos para estimativa da evapotranspiração (tanque Classe A.

como o potássio e nitrogênio. por gotejamento. É apropriada para uso em sistemas por aspersão tipo pivô central e. Os principais dispositivos de injeção são: tipo venturi. Para solos arenosos. O venturi é o mais utilizado em sistemas por gotejamento. enquanto para solos argilosos pode-se adotar uma freqüência de uma a duas vezes por semana. Pela facilidade de aplicação. Os nutrientes mais aplicados via fertirrigação são os de maior mobilidade no solo. a fertirrigação deve ser realizada a cada 1 a 2 dias. devido seu baixo custo. Assim. também podem ser aplicados via água. a µforça¶ com que a água é retida pela matriz do solo. os fertilizantes podem ser injetados na tubulação de forma parcelada para atender às necessidades das plantas. . preferencialmente. a cada duas a três semanas até o início da maturação. FERTIRRIGAÇÃO Fertirrigação é o processo de aplicação de fertilizantes via água de irrigação. a tensão recomendada varia entre 25 e 30 kPa. Os principais fertilizantes utilizados via água são: uréia. O cálcio não deve ser aplicado em água contendo bicarbonato (acima de 400 mg/L) ou ser injetado simultaneamente com fertilizantes à base de sulfatos ou fosfatos sob o risco de precipitar e causar entupimento de tubulações e emissores. como adubação básica de plantio. recentemente desenvolvido pela Embrapa Hortaliças. para se ter uma reserva no solo e favorecer o desenvolvimento inicial do cultivo. entre 50 e 60 kPa durante os estádios vegetativo e de maturação. a partir de 30 dias após o plantio. O parcelamento permite manter o nível de fertilidade no solo próximo ao ideal durante todo o desenvolvimento da cultura. pode-se determinar o momento exato de se irrigar e a quantidade de água a ser aplicada por irrigação. Para pivô central. a tensão recomendada varia de 10 a 15 kPa. aplicar 1/3 do nitrogênio em pré-plantio e parcelar o restante via água de irrigação. pode ser utilizad o durante a estádio reprodutivo da cultura de pimentas sob irrigação por aspersão ou sulcos. Um sensor de baixo custo e manutenção. sulfato de potássio e cloreto de cálcio. possibilitando incrementos de produtividade e minimizando a lixiviação de nutrientes. Para a cultura de pimenta irrigada por aspersão ou sulcos. principalmente. Desta forma. sendo a bomba de pistão a melhor opção para pivô central. nitrato de cálcio. O sensor não fornece leituras de tensão. Uma forma simples para o cálculo da evapotranspiração é o uso do tanque classe A. sulfato de amônio. que pode instalado nas imediações ou dentro da área cultivada. cloreto de potássio. O fósforo e outros nutrientes pouco móveis devem ser fornecidos. nitrato de potássio. O restante é fornecido via fertirrigação à medida que as plantas se desenvolvem. mas somente indica se a tensão de água do solo está abaixo ou acima 25 kPa. Todos os dispositivos podem ser utilizados em sistemas por gotejamento.duas irrigações consecutivas. A ocorrência de podridão apical e a necessidade de pulverizações foliares com cálcio podem ser eliminadas aplicando-se parte do cálcio via fertirrigação durante o florescimento e a frutificação. tanque de diferencial de pressão e bombas injetoras (diafragma e pistão). Para gotejamento sugere-se aplicar de 10% a 20% da recomendação total de nitrogênio e de potássio em pré-plantio. O sensor mais utilizado para medição da tensão é o tensiômetro. O potássio e o cálcio. o sensor não é recomendado para gotejamento. é o µIrrigas¶. Na versão atualmente disponível. ou seja. O manejo da irrigação pode também ser realizado por sensores que medem a tensão da água no solo. durante o estádio reprodutivo. embora menos utilizados. Para gotejamento.

5 .6.0 5. Plantios mais densos dificultam o desenvolvimento das plantas daninhas.0.0 .1.5 5.5 2.70 75 . além de dificultar e onerar a colheita. distribuição e duração do período de competição).4.85 60 . luz e liberando substâncias aleloquímicas. variedade/cultivar.75 Convencional portátil Convencional permanente Autopropelido Pivô central Gotejamento 1 semi- 60 . textura.2 para estimar litros de diesel /mm/ha. Eficiência de irrigação.000 3. fonte de alimento e reprodução.6. pois influenciam a precocidade e a intensidade do sombreamento promovido pela cultura.000 Custo (R$/ha) Em sistemas mal dimensionados e sem manutenção adequada à eficiência pode ser ainda mais baixa .6.1 . densidade e espaçamento de plantio) e da população de plantas daninhas (espécie. Dividir por 3.1. Após o PCI até o final do ciclo (Figura 1.1 . uso de energia e mão -de-obra para diferentes sistemas de irrigação.0 .0.Tabela 1.75 70 .000 6. Altura de recalque entre 5 e 50 m.0 1.6.0 . mas podem amadurecer e aumentar o banco de sementes no solo.0 0.000 3.0 2. ou seja. competindo por água. custo inicial. é necessário controlar as plantas daninhas. as plantas daninhas não interferem significativamente na produtividade.95 Mão-de-obra Energia2 (h/ha/ (kWh/mm/ha) irrigação ) 800 .0 0.0 1.0 0. até que a cultura cubra sufic ientemente a superfície do solo. Portanto. que afetam a germinação e o crescimento da pimenteira.3 5.000 1.0 .000 3.2 .3. As plantas daninhas interferem diretamente no desenvolvimento da pimenta.000 3.7 5. A necessidade de controle depende do grau de infestação e agressividade das plantas daninhas. Fonte: Adaptado de Marouelli e Silva (1998) 2 Plantas daninhas A interferência das plantas daninhas reduz a produtividade e qualidade dos frutos.000 3. Esses fatores podem ser modificados pelas condições edáficas (tipo.0 .0 0. Sistema Sulcos Eficiência1 (%) 40 .0 1.9. fases G-I).7 ± 2. a incidência .500 3.5 . densidade. e não sofra mais interferência negativa delas.4.000 2. fertilidade e umidade do solo). que utiliza as plantas daninhas como hospedeiros.90 75 . nutrientes. as quais têm que competir mais intensamente com a cultura na utilização dos fatores de produção.500 ± 3. Com a introdução da mosca -branca.000 1.3 . O grau de competição que uma planta sofre depende da cultura (espécie.0 0.500 0.70 Convencional portátil 60 .0 .0.3.0 . O espaçamento e a densidade de plantio são fatores importantes no balanço competitivo. climáticas e práticas culturais (rotação e consórcio de cultivos). bem como servir de hospedeiros de insetos-pragas. pelo menos durante o período crítico (cerca de dois terços do ciclo da cultura). fitopatógenos e nematóides.

Ela é. O produtor deve ficar atento ao aparecimento de espécies novas (como por exemplo: a parasita Cuscuta spp.anvisa. Erradicação é a eliminação de todas as estruturas de propagação de uma planta daninha de determinada área. erradicação e controle. são fontes para outras infestações dentro ou fora das áreas cultivadas. Fundamentalmente. ANVISA: Sistema de Informações <http://www4. matéria orgânica. máquinas e implementos. sobre Agrotóxicos. devendo eliminá-las antes que produzam e disseminem suas sementes. usada em áreas pequenas e recentemente infestadas. As técnicas de manejo integrado de plantas daninhas são prevenção. além de hospedarem insetospraga e patógenos. normalmente.br/AGROISA/asp/frm_pesquisa_agrotoxico. reforçando a necessidade de adotar programas de manejo integrado de plantas daninhas.de viroses na cultura tem crescido muito.gov. As plantas daninhas podem ser distribuídas pelo vento. Muitas vezes a remoção mecânica é recomendada para eliminar plantas daninhas tolerantes ou resistentes a determinados herbicidas. água.asp>.). . A prevenção consiste em se evitar a introdução e/ou disseminação de sementes ou qualquer propágulo vegetativo de plantas daninhas em áreas não infestadas ( Figura 1. a introdução e a disseminação das plantas daninhas nas áreas agrícolas são evitadas quando os mecanismos de disseminação delas são rigorosamente observados. evitando que plantas daninhas cresçam e amadureçam suas sementes em áreas limítrofes. fases C-I) para identificar focos iniciais e adotar medidas de controle dirigido de forma a erradicá-las. fases C-I). Inspeções dos campos devem ser realizadas regularmente (Figura 1. animais e por meio do plantio de mudas com torrão e lotes de sementes de hortaliças que contenham misturas de sementes de plantas daninhas. As medidas de prevenção e controle devem ser eficientes de forma a prevenir o aumento do banco de sementes ou propágulos vegetativos no solo.

por meio da aplicação de herbicidas de manejo não seletivos de ação de contato. O preparo do solo e a irrigação estimulam a germinação e desenvolvimento das plantas daninhas (Figura 1. crescimento e o controle pós-emergente das plantas daninhas (4 a 6 folhas definitivas) na área. livre de torrões e de resíduos dos restos culturais (Figura 1. em razão da falta de registro de herbicidas junto ao Ministério da Agricultura. Recomenda-se fazer o preparo do solo duas a três semanas antes do transplantio para permitir a germinação. persistente e que empregue. período pós-cultivo (Fase I) e ações que visem o ciclo cultural subsequente (Fase J). tais como: rotação de culturas. diversas medidas integradas de controle e erradicação associadas a preventivas (Figura 1). condições climáticas. ou sistêmica. Em virtude de não existir um método de controle que. proporcione resultados satisfatórios. O preparo do solo deve ser bem feito. com 4 a 8 folhas definitivas. realizada antes do transplantio das mudas de pimenta. fases E-F). Portanto.Controle é a supressão das plantas daninhas até um limiar de dano econômico. químico (manejo direto. dirigido não seletivo) ou de forma integrada ( Figura 1). o controle das plantas daninhas. estágio de desenvolvimento das plantas. O controle químico seletivo não é recomendado para a cultura de pimenta. A eficiência do controle dependerá do grau de infestação e agressividade das espécies de plantas daninhas. O produtor de pimenta procura. aplicado isoladamente. proporcionando o estabelecimento e o crescimento vigoroso das mudas de pimenta. Preferencialmente. desse modo. Esta é a prática de manejo mais comumente usada quando a planta daninha já está estabelecida. tipo de solo. fundamentalmente. cultivos e capinas. podendo aumentar o problema se os propágulos vegetativos forem removidos para locais não infestados. O cultivo é mais eficiente quando as plantas daninhas estão ainda pequenas. pois as práticas culturais provocam mudanças na população de plantas. Inclui ações que antecedem as primeiras operações de preparo do solo (Fase C) a partir do primeiro ciclo cultural (Fases A -I). solarização. época do controle. capaz de prevenir o crescimento e a reprodução de todas as plantas daninhas. reduções substanciais nos níveis de infestação só poderão ser alcançadas com a integração das técnicas de manejo. como diquate e paraquate. por meio do levantamento. havendo a cada ano uma nova relação de interferência entre as diferentes espécies. entre as quais são empregados diferentes métodos de controle. como glifosato. cultivar áreas sob rotação de culturas. deve ser utilizado o manejo anual pl anejado. O controle e pode ser feito por meio de métodos culturais. fases C-F). do plantio (Fase D). predominando as mais agressivas e adaptadas ao sistema de cultivos sucessivos ou de rotação. preparo do solo (Fase C). de mão-de-obra e de equipamentos e conhecimento da interação entre as plantas de pimenta e das plantas daninhas. deve-se lançar mão dos métodos culturais e mecânicos. fases C-E). Pecuária e Abastecimento[1]. Nesse estádio as plantas daninhas podem ser removidas facilmente sem causar dano à cultura (Figura 1. ou seja. dispo nibilidade de herbicidas. identificação e mapeamento das plantas daninhas presentes na gleba (Fase A). colheita (Fase H). coberturas orgânica e/ou inorgânicas do solo. o uso de espaçamento e densidade adequados. . até atingir um nível de controle onde a planta daninha remanescente não interfira significativamente na produtividade biológica da cultura ( Figura 1. mecânicos. evitando aquelas previamente utilizadas com solanáceas. sempre que possível. Numa comunidade mista de plantas existe sempre um balanço competitivo entre as espécies. planejamento e escolha das técnicas de manejo possíveis de usar durante os ciclos culturais (Fase B). A eficiência do controle mecânico sobre as plantas daninhas perenes é baixa. fase C) facilitando. A rotação adequada de culturas é importante para o manejo de plantas daninhas. O cultivo mecânico para controlar as plantas daninhas pode ser usado sozinho ou juntamente com os herbicidas de manejo e não seletivos.

. capinas. 6. que não tenha histórico de plantio recente com solanáceas (pimentão. Para que as doenças sejam bem controladas é necessário que a cultura seja bem conduzida.Doenças Doenças de plantas são anormalidades provocadas geralmente por microrganismos. 2. e que tenham resistência às principais doenças que ocorrem na região. em especial aquelas associadas ao solo. Muitas doenças das pimentas são transmitidas pela semente. provocadas por semente contaminada ou substrato infestado. mais que tudo. com solo bem drenado. dificultam sobremaneira a manutenção da sanidade nas plantas adultas. deve ser dada atenção especial ao tipo de solo e modo de irrigação. 3. A seguir. Em caso de produção própria. 5. fungos. ferimentos nas p lantas. Evitar ferimentos à planta durante as operações de amarrio. tem como objetivo principal a redução da necessidade do uso de agrotóxicos. pois este é o fator que mais afeta o desenvolvimento de doenças. Várias são as medidas que podem ser adotadas para evitar a ocorrência de doenças em plantas ou mesmo reduzir seu impacto no produto comercial. irrigação ou outros tratos culturais. adubação desbalanceada. Plantar sementes de boa qualidade. baseada em análise do solo. ou seja. 4. adquiridas de firmas idôneas. Usar água de irrigação de boa qualidade. Preferir variedades bem adaptadas ao clima local e à época de plantio. que a planta não esteja sujeita a estresses provocados por fatores diversos. µmedicina preventiva¶. mas podem ainda ser causadas por falta ou excesso de fatores essenciais para o crescimento das plantas. também conhecido como controle integrado. Infecções precoces. competição com plantas daninhas e o uso de cultivares não adaptadas ao clima. que não tenha sofrido contaminação antes de chegar à propriedade. tais como época de plantio desfavorável. Estas informações podem ser obtidas em catálogos de empresas de sementes. são mencionadas algumas medidas para evitar o aparecimento de doenças ou reduzir seu efeito: 1. Plantas de pimenta são muito sensíveis a solos encharcados e morrem prematuramente por esta causa. água e luz. devem ser escolhidas as plantas saudáveis para se retirar sementes. Neste caso. nematóides e vírus. Produzir ou adquirir mudas sadias. são também conhecidas como distúrbios fisiológicos. onde as mudas ficam protegidas de vetores de viroses. não sujeita a empoçamento de água. como bactérias. berinjela. principalmente nos frutos. 8. Sementeiras devem ser feitas preferencialmente em telados instalados em locais separados do campo de cultivo. 7. jiló). 9. O controle de doenças de plantas é. tais como nutrientes. Evitar o excesso de água na irrigação. Dentre estes fatores. a estrita observação de medidas que devem ser adotadas antes mesmo do plantio. Escolher para instalação da cultura uma área bem ventilada. tomate. Falta ou excesso de nutrientes são causas freqüentes de distúrbios fisiológicos graves. Controlar os insetos que são vetores de viroses e que provocam ferimentos nas plantas. ou seja. Fazer uma adubação balanceada. A observação harmoniosa de um conjunto de medidas de controle.

14. Inspecionar a lavoura com freqüência para identificar possíveis focos de doença. Destruir os restos culturais.. 13.Pythium spp. quando as condições climáticas forem favoráveis a uma determinada doença. recome nda-se colocar uma caixa com cal virgem na entrada para desinfestação de calçados. são apresentadas as principais doenças das pimentas que ocorrem no Brasil. que normalmente hospedam populações de patógenos e insetos. Evitar ao máximo o trânsito de pessoas e de máquinas que podem levar estruturas de patógenos de uma área para outra. mais difíceis de serem controladas. 12. Após o seu estabelecimento. sorgo ou capim. enfatizando algumas medidas específicas de controle. de preferência com gramíneas. tais como milho. a maioria das doenças não pode mais ser controlada. Esta destruição pode ser feita por enterrio profundo ou queima controlada. e Rhizoctonia solani . A seguir. Em cultivos protegidos.10. Doenças causadas por fungos Tombamento Murcha-de-fitóftora Mancha-de-cercóspora Antracnose Oídio Mancha-aveludada Doenças causadas por bactérias Murcha-bacteriana Mancha-bacteriana Talo-oco Doenças causadas por vírus Doença causadas por nematóides Distúrbios fisiológicos e causados por artrópodes Podridão-apical Clorose-internerval Clorose-das-folhas Fumagina Doenças de pós colheita Doenças causadas por fungos Tombamento . Phytophthora spp. Realizar as pulverizações de preferência de forma preventiva. arroz. Realizar rotação de culturas. trigo. ainda em seu início. 11. que assumem diferentes graus de importância dependendo principalmente da época de plantio. Esta medida é muito importante para o controle de doenças de solo. Principais doenças das pimentas As pimentas podem ser atacadas por muitas doenças.

É provocada por fungos de solo. a planta morre. utilizar solo esterilizado. Plantas com estresse nutricional são mais sensíveis à doença. Os sintomas ocorrem principalmente nas folhas. dando um aspecto de folha furada. Mudas afetadas apresentam escurecimento ou apodrecimento na base do caule. · Evitar plantios em períodos quentes e úmidos do ano. Sob alta umidade do ar. que evitam o acúmulo de água no pé da planta. este problema tem se tornado cada vez menor. no caso de se usar saquinhos para produzir as mudas. · Irrigar com moderação. Pode ser transmitida pelas sementes e pelo vento. Com a crescente utilização de bandejas contendo substratos produzidos comercialmente. pois é favorecida por alta temperatura e alta umidade do solo. · Produzir as mudas em local ventilado. pé-preto) . com o centro cinza claro. Controle · Não fazer a sementeira em solo anteriormente cultivado com solanáceas. As manchas podem alcançar um . · Fazer um manejo adequado da irrigação.Phytophthora capsici É uma das principais doenças das pimentas no Brasil. As cucurbitáceas (abóbora. moranga. evitando fornecer excesso de água à planta. Poucos dias após o murchamento inicial. o topo da planta se desprende sem que a raiz seja arrancada. Sob leve pressão. · Usar substrato comercial e bandejas de isopor novas ou desinfestadas com água sanitária para a produção de mudas. A bancada deve ser ripada ou telada. de preferência com gramíneas. Controle · Usar solo ou substrato esterilizado para produzir mudas. Mancha-de-cercóspora . não sujeitos a encharcamento. em fileiras ou em reboleiras. em copinhos. melão) devem ser evitadas por serem também atacadas pelo patógeno. · Usar água de boa qualidade para irrigação. na forma de manchas circulares marrons. · Plantar em local bem ventilado. que às vezes pode rasgar ou se desprender da lesão. pois os fungos envolvidos no tombamento são favorecidos por alta umidade. em bandejas ou em mudas recém transplantadas. pode ocorrer também a infecção de partes aéreas da planta.Cercospora capsici É uma doença favorecida por temperatura acima de 25 °C e umidade do ar acima de 90%. · Em época de chuvas. podridão -de-fitóftora. ocasião em que pode ser observado um escurecimento na base do caule. melancia. plantar em camalhões.É uma doença que afeta plantas jovens e ocorre em sementeiras.· Fazer rotação de culturas. Murcha-de-fitóftora (requeima. · Plantar em solos bem drenados. provocando o tombamento da planta. com manchas escuras e amolecidas nas folhas e no caule. Provoca maiores perdas no verão. de preferência em casa de vegetação ou telado. que não tenha possibilidade de ter sido contaminada até chegar à propriedade. A doença evolui normalmente em reboleiras. É comum aparecerem várias plantas murchas ao mesmo tempo. que podem também estar presentes na água de irrigação. para permitir o escorrimento do excesso da água de irrigação. As plantas afetadas apresentam murcha repentina observada inicialmente nas horas mais quentes do dia.

adotando-se o sistema de gotejamento. O patógeno é disseminado por sementes infectadas e por respingos de água de chuva ou irrigação. de preferência com gramíneas. Folhas muito atacadas podem cair. Controle · Fazer o plantio menos adensado em época favorável à doença. · Fazer rotação de culturas por. quando ocorrem temperatura e umidade altas. · Fazer rotação de culturas. · Pulverizar preventivamente a cultura no início de frutificação com fungicidas registrados. A irrigação por gotejamento. Oídio . As folhas mais velhas podem amarelecer e cair em função do ataque da doença. a não ser que haja invasão de organismos secundários que aceleram a sua deterioração. Controle · Evitar plantar nas proximidades de plantas velhas de pimentão ou tomate. adquirida de firma idônea. especialmente quando a temperatura for alta.) Sua importância é reconhecida quase que exclusivamente pelas lesões que provoca em frutos. · Pulverizar preventivamente com fungicidas registrados para a cultura. para permitir melhor ventilação entre as plantas. o centro das lesões fica recoberto por uma camada cor -de-rosa. reduz drasticamente a chance de aparecimento da doença. levando-se em conta que esta técnica pode intensificar o . pelo menos. Antracnose (Colletrotrichum spp. Sob alta umidade. em campo ou após a colheita. evitando excesso de água. estas manchas tornam-se necróticas ou com muitas pontuações negras. Os frutos atacados não caem e as lesões permanecem firmes. · Adubar corretamente a plantação. · Fazer um manejo adequado da irrigação. · Destruir os restos culturais imediatamente após a última colheita. · Evitar o plantio próximo a culturas velhas. com base em análise de solo. ou mudas comprovadamente sadias.Oidiopsis taurica Ataca com maior intensidade os cultivos irrigados por gotejamento. com formato pouco definido. de acordo com análise do solo. · Adubar corretamente as plantas.diâmetro superior a um centímetro. pode ocorrer clorose e necrose sem que se perceba claramente o µpó branco¶. evitando aplicar excesso de água. Sob condições favoráveis à doença. · Fazer um bom manejo da irrigação. A superfície inferior da folha fica recoberta com estruturas esbranquiçadas do fungo. formada por esporos do fungo. e os frutos não são atacados pela doença. Inicialmente. Controle · Plantar sementes de boa qualidade. A doença se inicia como pequenas áreas redondas e deprimidas. dificultando o diagnóstico da doença. · Evitar plantios em épocas com alta intensidade de chuva. · Eliminar os restos de cultura logo após a última colheita. que crescem rapidamente e podem atingir todo fruto. por não provocar o molhamento da parte aérea. · Fazer irrigação por aspersão. É mais problemática em cultivos de verão. Entretanto. são observadas manchas cloróticas na superfície superior das folhas. um ano. podendo levar a uma clorose geral da folha.

a doença só é percebida a partir do início da frutificação. Doenças causadas por bactérias Murcha-bacteriana (murchadeira) . espalhando aproximadamente 100 gramas de cal virgem na superfície da cova vazia. mas pode ser introduzida em um campo através de mudas infectadas. Controle · · · · · Fazer rotação de culturas. principalmente em locais sombreados. · Evitar ferimentos nas raízes e na base da planta. · Pulverizar preventivamente com fungicidas registrados. · Destruir os restos culturais logo após a última colheita. Mancha-aveludada . na parte inferior da folha surgem lesões acinzentadas devido à presença de esporos do fungo. · Arrancar. evitando-se excesso de água. situação que é freqüente em regiões Norte e Nordeste do Brasil e ainda em alguns pólos de produção de terras baixas na Região Sudeste. · Plantar em solos com boa drenagem. Plantas afetadas podem não murchar. As cultivares disponíveis não apresentam níveis satisfatórios de resistência. Observação: O controle químico não é economicamente viável. preferencialmente com gramíneas. O tecido exposto pelo descascamento da base do caule de planta murcha fica amarronzado. os sintomas aparecem inicialmente nas horas mais quentes do dia. · Plantar nas épocas menos quentes do ano. Não plantar próximo a cultivos velhos de pimentão. · Evitar a contaminação do solo através de pessoal e máquinas que transitam por áreas contaminadas. solanacearum. . Pode causar algum dano à planta somente em condição de alta umidade e alta temperatura. As folhas novas murcham primeiro. Quando murcham. água contaminada e solo infestado aderido a máquinas agrícolas. Evitar plantios em áreas pouco ventiladas. Adubar a planta com base em análise de solo. porque mantém a temperatura e a umidade do solo excessivamente elevadas. Controle · Escolher a área de plantio. · Não irrigar em excesso. não sujeitos a encharcamento.Ralstonia solanacearum Causa perdas em pimentas somente quando a temperatura e a umidade são muito altas. · Evitar o uso de plástico preto como cobertura do solo durante o verão. e apresentar apenas uma redução em crescimento.Phaeoramularia sp. Na maioria das vezes. que não deve ter histórico da doença em solanáceas ou em outras hospedeiras de R. Os sintomas consistem inicialmente de manchas cloróticas arredondadas na superfície superior da folha. às vezes de um só lado da planta. Ocorre esporadicamente em algumas regiões do Brasil. Os frutos não apresentam sintomas desta doença. A bactéria não é transmitida pela semente. Com o desenvolvimento da doença. colocar em saco de plástico e retirar do campo as plantas com sintomas iniciais de murcha. As folhas velhas são as mais atacadas e podem cair sob alta infestação. Manejar a irrigação.ataque de outras doenças.

vesicatoria É comum em locais onde prevalecem altas temperatura e umidade.Erwinia spp. apodrecem rapidamente.Xanthomonas campestris pv. Sob condições favoráveis à doença. a penetração e a multiplicação da bactéria. · Pulverizar com fungicidas cúpricos. transmitidos por algumas espécies de tripes. caules e frutos com injúrias mecânicas ou provocadas por insetos. Os pontos da planta mais sensíveis ao ataque inicial da doença são aqueles onde há um acúmulo de água. Após a colheita. como as bifurcações do caule e a região peduncular dos frutos. Fazer rotação de culturas. sendo esta uma das características mais marcantes da doença. que também têm ação bactericida. transporte e comercialização. desbrota ou a ocorrência de granizo. Chuvas de vento seguidas de nebulosidade prolongada favorece m a disseminação. como no período de verão. · Evitar ferimentos na planta durante os tratos culturais e nos frutos na colheita. O caule afetado escurece e seca devido ao apodrecimento da medula. principalmente quando houver ferimentos nas plantas. Controle · · · · · · · Plantar sementes e mudas isentas do patógeno. a bactéria causa manchas similares a verrugas.Mancha-bacteriana (pústula-bacteriana) . como os tospovirus (vírus do vira-cabeça). transmitidos por pulgões. dependendo da espécie e da variedade de . principalmente por aspersão. Os sintomas são muito variáveis. Causa prejuízos somente em cultivos conduzidos sob alta temperatura e alta umidade. as lesões formam manchas grandes e com aspecto µmelado¶ nas folhas. a bactéria pode iniciar o apodrecimento mole em frutos contaminados externamente por ferimentos resultantes do manuseio inadequado durante a colheita. manter os frutos secos e em local bem ventilado. como após amarrio. Doenças causadas por vírus Vários vírus podem atacar os pimentais. As folhas mais velhas são as mais atacadas e apresentam lesões de formato irregular. e os potyvirus (mosaicos). Os sintomas mais visíveis aparecem em plantas adultas. de acordo com a análise do solo. de preferência com gramíneas. de cor verde-escura e com aspecto encharcado. Nos frutos. Talo-oco (podridão-mole) . · Evitar o excesso de água na irrigação. especialmente durante o verão. Nesta condição. Nos frutos. o ataque ocorre principalmente a partir de ferimentos causados por insetos. Evitar plantios em épocas quentes e sujeitas a chuvas freqüentes. · Após a colheita. · Controlar insetos que provocam ferimentos nos frutos. · Adubar corretamente a cultura. Não irrigar em excesso. A desfolha provocada pela doença ocorre de baixo para cima. inicialmente esbranquiçadas e depois com os centros escurecidos. Não usar sementes provenientes de lavouras em que houve ocorrência da doença. O excesso de nitrogênio promove crescimento exagerado da folhagem. resultando em ataques severos da doença. Destruir os restos culturais logo após a última colheita. As folhas atacadas amarelecem e caem. produzidas por firmas idôneas. formando um ambiente favorável à doença. Pulverizar preventivamente com fungicidas cúpricos. Controle · Evitar plantio em locais muito úmidos. transporte e comercialização.

A planta infectada normalmente tem o seu desenvolvimento retardado.pimenta. também ocorrem deformações. que não tenha sido plantado anteriormente com espécies suscetíveis. quiabo e tomate. · Pulverizar contra o vetor somente nos primeiros dias após o transplante. erradicar plantas com sintomas no plantio quando a incidência for baixa. · Plantar em terreno sem o histórico da doença. da espécie do vírus. Estes sintomas se devem à formação de galhas (engrossamentos) e apodrecimento das raízes. As plantas afetadas apresentam sintomas que sugerem a deficiência de água e de nutrientes. · Plantar cultivares resistentes. desenvolvimento abaixo do normal. Distúrbios fisiológicos e causados por artrópodes Podridão-apical . como feijão de vagem. com pontuações necróticas. algumas vezes com pequenos anéis concêntricos. do grau de virulência da estirpe do vírus. · Medidas de higienização têm um efeito considerável na redução da incidência da doença: eliminar campos abandonados.Meloidogyne incognita Ocorre com maior intensidade durante o período mais quente do ano. ou seja. principalmente da temperatura. Controle · Evitar os plantios em períodos quentes do ano. estes normalmente de tamanho maior que nas folhas. mosaico. de modo a retardar as infecções precoces em campo pelo vetor. Na maioria das vezes. amarelecimento das folhas e murchamento. afastado dos campos de produção e pulverizando-as periodicamente para evitar que se infectem precocemente. que perdem a capacidade normal de absorver água e nutrientes do solo. · Produzir mudas em local protegido de insetos vetores. · Plantar mudas de boa qualidade. A doença é mais severa em solos arenosos. ou seja. As folhas mais novas ficam pequenas. · Fazer rotação de culturas com gramíneas. Doença causadas por nematóides Nematóide-das-galhas . A doença se manifesta normalmente em reboleiras. que favorece microorganismos antagônicos aos nematóides. deformadas e apresentam diferentes tonalidades de verde e amarelo. Nos frutos. · Utilizar matéria orgânica no plantio. · Plantar as mudas no maior estádio de desenvolvimento possível. Embora na atualidade praticamente não existam cultivares resistentes disponíveis. manter o campo e arredores livres de plantas daninhas.Deficiência de cálcio . Pode se tornar limitante quando se planta pimenta sucessivamente na mesma área ou quando se faz rotação com outra cultura suscetível. através dos sintomas. principalmente em terrenos sabidamente infestados. que não estejam infectadas pelo patógeno. da época em que a planta foi infectada e das condições ambientais. deve-se consultar as companhias de semente para novas cultivares com esta característica. sendo necessários testes em laboratório Controle · As medidas de controle de vírus são preventivas e devem ser seguidas por todos os produtores de uma região. não é possível diagnosticar as espécies de vírus envolvidas. necrose e anéis.

quando a adubação é feita baseada em análise do solo. ramos e frutos. Toda a folhagem fica amarelecida e a planta apresenta um desenvolvimento lento. Como no caso do magnésio. sendo comum o crescimento de fungos secundários na sua superfície. moscas brancas ou cochonilhas. Este fungo não infecta nenhum órgão da planta. A lesão inicia-se como uma área encharcada na região apicallateral do fruto. Controlar a água de irrigação. evitando falta ou excesso.Deficiência de nitrogênio É de rara ocorrência em cultivos bem conduzidos. · Irrigar corretamente as plantas. Pulverizar com sulfato de magnésio na dosagem de 1. O sintoma típico é a clorose entre as nervuras. não se observam sintomas típicos de deficiência de nitrogênio nos frutos. que afetam a absorção de nutrientes pela planta. Ocorre em solos com baixo teor de cálcio ou em condições que dificultam a sua absorção. Controle · Fazer adubação balanceada. ressecada e deprimida. endurecida. A não ser por uma redução de tamanho. Utilizar calcário dolomítico na correção de acidez do solo. como irrigação deficiente e danos às raízes. Controle · · · · Adubar corretamente as plantas. inclusive em cobertura. adubados corretamente. de acordo com análise do solo. onde se desenvolve um fungo de cor escura. evitando períodos com falta ou excesso de água. Controle · Adubar as plantas com base em análise do solo. baseada em análise do · Manter as plantas bem irrigadas. ou com o esgotamento deste nutriente em plantas com longo ciclo produtivo. Clorose-internerval . O nome da doença é devido ao aspecto de fuligem na superfície das folhas. a parte afetada vai se tornando amarronzada. · Adotar medidas que mantenham o sistema radicular sadio.5%. pois o magnésio é translocado para os frutos em desenvolvimento. À medida que o fruto cresce. mas dá um aspecto estranho e desagradável e pode afetar a capacidade de fotossíntese.Deficiência de magnésio Raramente ocorre em plantios bem conduzidos. Fumagina Ocorre em conseqüência da infestação de pulgões. que secretam substância adocicada na superfície de folhas e frutos. Frutos com podridão-apical amadurecem precocemente.É causada pela deficiência de cálcio durante o desenvolvimento dos frutos. Controle . solo. As folhas mais velhas são as mais afetadas. deve-se levar em conta que este distúrbio pode ser devido a problemas fisiológicos ou patológicos no sistema radicular. A calagem feita com calcário dolomítico normalmente evita este distúrbio porque contém magnésio. Clorose-das-folhas . Os sintomas são mais visíveis após o início de frutificação.

observa-se que na maioria das vezes esta prática é desnecessária e. o período de carência dos produtos deve ser rigorosamente observado). . Os fungos Geotrichum sp. e bactérias como Erwinia spp. Isto pode ser feito através da determinação direta do número de insetos sobre as plantas ou de seus danos sobre estas. A forma mais eficiente e econômica de prevenir os danos causados por insetos e ácaros é através do monitoramento da cultura. através da aplicação de inseticidas e acaricidas. A água usada para lavar os frutos deve ser isenta de agrotóxicos e de microorganismos. As populações de insetos causam danos diretos ou indiretos às plantas quando fatores climáticos ou condições específicas do agroecossistema favorecem o crescimento destas populações. . freqüência e densidade populacional. Garantir. Doenças de pós-colheita Doenças de pós-colheita em frutos de pimentas são provocadas principalmente pelo fungo Colletotrichum spp. Também podem causar podridão nos frutos principalmente após a ocorrência de ferimentos e danos mecânicos. e Cladosporium fulvum . . Os frutos comercializados em sacos de plástico. somente deve-se acondicioná-los nas embalagens depois que eles estiverem completamente secos. Ainda que em nossos sistemas de produção o controle químico. Com estas informações e outras sobre a biologia e ecologia das espécies podese estimar com bom nível de precisão as épocas mais favoráveis para sua ocorrência. para serem evitados. Colher os frutos quando estes estiverem secos. fáceis de serem lavados e desinfestados. Quando os frutos são lavados. animais domésticos e ao meio-ambiente. evitando bolsões de umidade. O pedúnculo dos frutos pode ser atacado por fungos. . As duas doenças podem provocar perdas significativas porque os frutos doentes são descartados durante a comercialização.· Controlar · Evitar plantios adensados. Pragas Vários artrópodes estão associados com pimenteiras desde a sementeira até a colheita dos frutos e a maioria das espécies não causam dano econômico. comprometendo a qualidade visual dos frutos. portanto antieconômica e danosa ao homens. ou através de outros meios como a utilização de armadilhas adesivas para aprisionamento de moscas. que são as principais portas de entrada dos patógenos. selecionar e transportar os frutos de maneira que ocorra o mínimo de ferimentos.. como Alternaria alternata. de modo que as populações possam ser detectadas no seu início. Colher. pois tratam-se de predadores e parasitóides de outras espécies de insetos. Controle . Frutos comercializados a granel devem ser expostos em ambiente bem ventilado. seja o método empregado mais freqüentemente. . através de medidas de controle químico e/ou cultural. insetos. Frutos podres devem ser eliminados para evitar a contaminação de frutos vizinhos. pulgões e tripes. sendo algumas delas benéficas. (podridão-mole) em períodos de alta umidade e no verão. Fusarium spp. e Rhizopus sp. ou outras embalagens fechadas devem ser mantidos sob refrigeração. e que produzem menos injúrias nos frutos. Usar contentores apropriados para colheita e transporte. A obediência às recomendações listadas a seguir tornariam mais racional e eficiente o controle de pragas na cultura da pimenteira: . tipo e importância econômica dos danos causados. luz para a captura de mariposas ou água utilizada para coleta de pulgões. bandejas de isopor recobertas por filme plástico de PVC ou caixas plásticas do tipo µPET¶. elas passam a causar danos econômicos que. . onde podem iniciar-se focos de podridões. e aí sim. . (antracnose) e pela bactéria Erwinia spp. necessitam do uso de medidas de controle. . a sanidade dos frutos no período que antecede a colheita (caso seja feito o controle químico.

2. . utilização de mudas sadias. O abdômen e tórax têm aproximadamente a mesma largura até a base dos cornículos. Inseticidas e acaricidas jamais devem ser aplicados preventivamente. O pulgão M. O corpo é alongado e as pernas e antenas são compridas. . como os pulgões e tripes. os danos indiretos causados através da inoculação de viroses têm importância econômica.Myzus persicae e Macrosiphum euphobiae O pulgão verde M. sejam combinadas com pulverizações de agrotóxicos seletivos e devidamente registrados para a cultura. minadores de folhas. eliminação de plantas hospedeiras silvestres ou voluntárias. O controle de insetos e ácaros deve ser feito de maneira integrada. Os pulgões. .1. Principais insetos e ácaros que causam dano à pimenteira Os artrópodes associados à cultura da pimenteira podem causar danos indiretos. persicae apresenta geralmente cor verde-clara quase transparente. mas somente ao se notar a presença de danos na cultura ou aumento das populações das pragas. Pulgões . . vetores de viroses. enquanto a cauda é pequena. . percevejos. Vetores de viroses Pulgões Tripes Besouros Vaquinha Burrinho Lagartas Lagarta Rosca Brocas do ponteiro e dos frutos Minadores de folhas Mosca-do-mediterrâneo Ácaros Percevejos e cochonilhas Vetores de viroses As principais espécies de vetores de viroses associadas com pimenteira são os pulgões Myzus persicae e Macrosiphum euphorbiae e os tripes Thrips tabaci e Frankliniella shulzei. embora haja referências a formas rosadas ou amarelas com manchas escuras no dorso. . . transmitem o vírus do mosaico do pimentão. lagartas. Apresenta cor verde-escura. rotação de culturas. cochonilhas e ácaros. . utilização de cultivares resistentes. e danos diretos. onde práticas como a destruição de restos culturais. enquanto que o vírus do vira-cabeça é transmitido pelas duas espécies de tripes. 3. . . Os cornículos são . . Familiaridade com os equipamentos de pulverização. . que devem ser de boa qualidade e sujeitos à manutenção periódica. como besouros. . principalmente da espécie Myzus persicae. havendo formas roxas ou amareladas. Ainda que os danos diretos causados por estas espécies sejam de pouca importância. que são ligeiramente mais largos na sua metade apical. euphorbiae é o maior dos afídeos que infestam solanáceas. além de mecanismos que assegurem a presença de inimigos naturais nas áreas cultivadas.

A cauda é de tamanho igual a um terço do comprimento dos cornículos. palmi e Frankliniella shulzei Nestas espécies. anéis concêntricos. brotações. a produção é menos afetada em quantidade e qualidade. tornando-se capaz de transmiti-lo pelo resto da sua vida. Quando a contaminação ocorre tardiamente. Estes. Os frutos apresentam -se com manchas de escurecimento. palmi. sobretudo. T. se medidas de controle não forem implementadas previamente. Os insetos podem ser encontrados na face inferior das folhas. · Preparar as mudas em viveiros protegidos por telas contra pulgões é a melhor garantia de redução de perdas na produção causadas por viroses. Os insetos. · Incorporar ou queimar restos culturais. retorcidas. faixa verde nas nervuras. além de pulverizações periódicas com produtos de ação sistêmica ou de contato.cilíndricos e de comprimento aproximadamente igual a um terço do tamanho do corpo. deformações diversas e redução de tamanho. a espécie M. cicatrizes de vários tipos. solanáceas silvestres e solanáceas cultivadas voluntárias. disformes. · Se registrado o produto. na sementeira e na fase inicial da cultura. Os tripes adquirem o vírus somente na fase larval. de tamanho reduzido e. paralisação do crescimento e deformação dos frutos. levando a seu µenfezamento¶ e retardando seu desenvolvimento. Tripes . quando as plantas são mais susceptíveis ao vírus. As plantas infectadas na sementeira ou logo após o transplantio têm sua produção totalmente comprometida. pela grande capacidade de proliferação e pela disseminação de muitas viroses. porém são infinitamente menores do que aqueles produzidos indiretamente através da transmissão do vírus de viracabeça do tomateiro. As flores sofrem danos diretos que causam abortamento que implica na redução da produção de frutos por planta sendo associada à presença do tripes com a incidência de vírus do vira-cabeça. Embora M. Até 100% das plantas de uma área podem ser infectadas. particularmente o T. Controle · Produzir mudas em viveiros construídos em local afastado dos campos de produção e protegido por telas que evitem a entrada dos tripes. uma vez que os pulgões transmitem o vírus com uma simples picada de prova. · Erradicar plantas hospedeiras nativas. As folhas mostram-se µlanhadas¶.Thrips tabaci. as formas ápteras têm corpo alongado medindo aproximadamente 1 a 2 mm de comprimento e mostram coloração branco-hialino ou amarelo-claro. causam danos diretos nas plantas. Os tripes causam danos diretos às plantas pela sucção da seiva. Controle · Não se recomenda a utilização de inseticidas para o controle dos vetores do vírus do mosaico do pimentão. folhas encrespadas com acentuado mosaico. · Evitar plantios novos em área adjacente a plantios mais antigos. recomenda-se o uso de inseticida de solo somente na fase de sementeira. Besouros . persicae é mais importante pelo maior número de plantas hospedeiras. por ser absolutamente ineficiente para prevenir a disseminação da moléstia. depreciação dos frutos e prejuízos na produção. euphorbiae possa transmitir o vírus do mosaico do pimentão. As plantas de pimenteira infectadas pelo vírus do mosaico apresentam redução no crescimento. Os sintomas mais comuns de vira-cabeça na cultura da pimenteira são: mosaico amarelo. · Intensificar as pulverizações durante os períodos imediatamente anterior e posterior ao transplante. primórdios florais e flores.

São confundidas erroneamente   grotis ipsilon e Prodenia spp.Epicauta suturalis Os adultos são besouros polífagos. O adulto é a única fase desta espécie que é prejudicial às plantas. por serem mais abundantes e de distribuição generalizada nas culturas. Manduca sexta (Lepidoptera. . além de µbicudos ou carunchos¶ como Helipodus destructor e Faustinus cubae (Coleoptera. Noctuidae). Gelechiidae). Curculionidae). Pyraustidae). ramos tenros e brotações da pimenteira e outras solanáceas. Danaidae) são de ocorrência ocasional e não merecem medidas de controle químico especiais. de cujas folhas se alimentam. e deles originam-se larvas que são ativas. podendo alcançar 400-500 ovos durante sua existência. élitros e patas. Lagartas Vários tipos de larvas de mariposas e borboletas estão associadas a solanáceas em geral. corpo ovalado e coloração geral verde brilhante. As fêmeas ovipositam geralmente no solo. são mencionados na literatura como pragas da pimenteira. Burrinho . revestidos de densa pilosidade cinza na cabeça. porém apenas as espécies Neoleucinodes elegantalis (Lepidoptera. aração e gradagem do solo. Epitrix parvula. · Inseticidas com ação de contato e ingestão são em geral eficientes para controlar estes insetos. principalmente das mudas recém-transplantadas. como o burrinho. próximo ao caule das plantas. mostrando três manchas amarelo-alaranjadas em cada élitro. Sphingidae) e Mechanitis lysimnia (Lepidoptera.Diabrotica speciosa Os adultos têm 5-7 mm de comprimento. (Lepidoptera. medindo 8-17 mm de comprimento. Agrotis ipsilon e Prodenia spp. Os ovos eclodem após 10 dias. fortes e predadoras de outros insetos. As fêmeas fazem a postura no solo. Vaquinha . negros. podem produzir injúrias sérias quando se alimentam das folhas. crisomelídeos conhecidos como µvaquinha¶ Diabrotica speciosa (Coleoptera.Diversos coleópteros danificam a pimenteira. porque se alimenta das folhas. Controle · Práticas culturais como rotação de culturas. Epicauta suturalis (Coleoptera. Os danos causados pelas larvas às raízes de pimenteira são em geral pouco importantes. Symbrotica bruchi e Diabrotica spp. contudo. Tuta absoluta e Gnorimoschema barsaniella (Lepidoptera. principalmente em plantas nas sementeiras ou recém-transplantadas para o campo. Estes insetos perfuram as folhas causando atraso no desenvolvimento ou morte das plantas. Lagarta Rosca - Estas duas espécies são as mais comuns e os mais importantes tipos de lagartas denominadas µroscas¶ que são encontradas nas lavouras. Outras espécies como: Helicoverpa zea (Lepidoptera. Noctuidae) causam danos de importância econômica. As larvas são brancas e possuem no dorso do último segmento abdominal uma placa quitinosa de cor marrom ou preta. Meloidae). Outros crisomelídeos como Systena tenuis. Chrysomelidae) que são as espécies mais importantes. pousio e queima dos restos culturais reduzem populações de burrinhos e vaqu inhas. Os adultos.

restos culturais ou restos de capinas na área da cultura. As fêmeas podem fazer postura de até 1000 ovos. mesmo com o crescimento das plantas e. As lagartas possuem o hábito de cortar as plantas ao nível do solo durante a noite e. procurar manter a cultura limpa. O período em que este inseto torna-se mais prejudicial à pimenteira é logo após o transplantio. as lagartas podem ser encontradas a pouca profundidade do solo. o acompanhamento da cultura é fundamental para se evitar prejuízos em épocas onde o replantio já não é mais viável. podendo reduzir os danos em até 80%. cujo comprimento pode alcançar até 6 mm. As larvas alimentam -se do interior das hastes ou ponteiro. Por isso. · Fazer as pulverizações com inseticidas ao entardecer. perfurando galerias. evitando-se o uso de cobertura morta.com algumas espécies do gênero Spodoptera. isoladamente ou em grupos de dois e três ovos. No entanto. concorrem para a deterioração de partidas inteiras de frutos colhidos e embalados. que são depositados em folhas e caules das plantas. São insetos de ampla distribuição no Brasil e têm importância econômica em algumas áreas localizadas. de cor cinza-escura e cabeça marrom-clara. ou aqueles que são colhidos enquanto colonizados pelas larvas ou moscas. Os adultos da lagarta-rosca são mariposas grandes. Controle · Destruir os frutos encontrados sob as plantas para se evitar novas infestações. · Após o transplante. que servem de abrigo para as lagartas. durante o dia. dirigidas à base e na projeção da copa das plantas. tão logo é iniciada a maturação e. em certos casos. Há registro de que uma só larva pode danificar vários frutos. Geralmente os frutos atacados pela praga desprendemse das plantas. que são tenros e não oferecem resistência às suas mandíbulas. os danos da lagarta-rosca podem ser observados. As mariposas são muito pequenas. protegendo-as de eventuais predadores ou outras medidas de controle. Controle · Fazer uma aração profunda três a seis semanas antes do plantio. mantendo neste período a área livre de ervas daninhas e restos culturais. isoladamente ou em massas. quando as plantas estão em fase de pegamento. através do corte dos ponteiros. e cujas larvas favorecem o apodrecimento deles. conseqüentemente. antes de iniciar a fase de pupa no solo. causando grandes prejuízos. que também têm o hábito de se enroscarem ao serem tocadas. onde se alimentam das sementes. . O prejuízo causado pela lagarta-rosca tem como conseqüência a redução do número de plantas. Os frutos danificados que conseguem manter-se na planta. há formação de uma camada bastante espessa de frutos caídos sob a copa das plantas. o que as tornam mais sensíveis. · A aplicação de inseticidas realizadas ao entardecer proporciona eficiente controle destas espécies. e também das flores e f rutos. de envergadura aproximada de 50 mm de comprimento e apresentam asas anteriores escuras e posteriores brancas ou cinzentas. mesmo maduros. · Não utilizar inseticidas granulados sistêmicos no solo por ocasião do transplante visando o controle deste inseto (esta prática não apresenta bons resultados). com o aumento do diâmetro e da dureza do caule. bem próximo às plantas cortadas anteriormente. A postura é feita no interior dos botões florais ou extremidade das brotações e ponteiro. onde foram constatadas perdas de até 66% dos frutos. Brocas do ponteiro e dos frutos da pimenteira . as quais ovipositam no interior dos frutos. sendo que em alguns casos há exigência de replantio em até 50% da área. Os orifícios da saída das larvas servem como via de entrada para moscas diversas.Tuta absoluta e Gnorimoschema barsaniella.

Durante seu ciclo de vida as fêmeas colocam 300-700 ovos. como proteína hidrolisada 5% ou melaço 10%. pois não caem das plantas. As espécies economicamente mais importantes são o ácaro rajado Tetranyuchus urticae e os ácaros vermelhos T. até frutos grandes e maduros sendo comum encontrar até 12 larvas por fruto. as vespinhas e formigas. durante este período. Estas espécies causam danos econômicos quando inseticidas são utilizados exageradamente. o ácaro branco Polyphagotarsonemus latus (Acarina.Minadores de folhas As espécies Liriomyza huidobrensis. Perdas atribuídas à associação do inseto com a bactéria são estimadas entre 12-18%. escavam galerias no parênquima foliar. desde que não contaminados por bactérias. principalmente aqueles de largo espectro. Frutos danificados pela mosca-do-mediterrâneo podem ser aproveitados para produção de páprica. pois estes produtos eliminam os inimigos naturais do minador -de-folhas. Ácaros Os ácaros geralmente causam prejuízos em duas situações: (1) a combinação de fatores climáticos como a alta temperatura. (2) o desequilíbrio ambiental provocado pelo uso constante de inseticidas e fungicidas nas lavouras. reduzindo a capacidade da planta em proceder à fotossíntese. marianae (Acarina. A pupação ocorre em geral no solo. Agromyzidae) não são pragas em condições naturais ou onde hortaliças não são continuamente pulverizadas com pesticidas devido à ação eficiente de diversos parasitas e predadores. (Diptera. As fêmeas utilizam o ovipositor para auxiliar a alimentação e postura. Tarsonemidae) e ácaro plano Brevipalpus phoenicis (Acarina. · Deve-se evitar a aplicação indiscriminada de inseticidas. que favorecem o crescimento populacional da praga. evansi e T. Os adultos são moscas muito pequenas e apresentam coloração geral amarelobrilhante e parte do tórax de cor preta lustrosa. tesourinhas e besouros. viáveis na sua maioria. ocasionando assim a eliminação de seus inimigos naturais. Mosca-do-mediterrâneo A mosca-do-mediterrâneo Ceratitis capitata é praga de diversas fruteiras e em geral está associada à cultura do pimenta a partir do início da frutificação. Liriomyza sativae e Liriomyza spp. que são eficientes predadores de pupas do minador de folhas. As larvas completam seu ciclo entre 9-12 dias após a postura e. Os ovos são colocados diretamente sobre os frutos e as larvas se alimentam de sementes e da polpa de frutos verdes e pequenos. Tenuipalpidae). Tetranychidae). . que causam a morte das folhas. Controle · Práticas culturais como o uso de µmulching¶ e cobertura morta tendem a favorecer a ação de insetos como formigas. Larvas no terceiro instar e pupas medem até 3 mm de comprimento e são de cor amarela. A inserção do ovipositor no limbo foliar inicialmente libera o exsudato da planta do qual a fêmea se alimenta. com inseticidas. Controle · Usar armadilhas tipo Jackson com isca de feromônio sexual Trimedilure. · Utilizar isca tóxica com uma mistura de substância atrativa. baixa umidade e ausência de chuvas favorecem o crescimento populacional. Favorece também a postura e a proteção dos ovos de condições climáticas adversas e de inimigos naturais.

rajado e branco) ou enxofre. quando os frutos atingem o tamanho máximo de crescimento e o formato típico de cada espécie. monacha e C. O ácaro-plano localiza-se nas hastes e folhas mais tenras da planta e têm coloração amarelada. região de cultivo e época do ano.Por serem muito pequenos. É feito através da aplicação de acaricidas específicos (ácaros vermelho. amarela para a µCumari do Pará¶. irrigação. e amarelo-claro para a µMurupi¶. verde. alaranjada e vermelha. vermelho para a µMalagueta¶. que o distingue facilmente dos outros ácaros. Percevejos e cochonilhas Algumas espécies de percevejos como Acroleucus coxalis (Hemiptera Lygaeidae). Colheita Colheita Seleção e Classificação Embalagens para Pimentas in natura Conservação Pós-Colheita Colheita As pimentas apresentam diferentes pontos de colheita. O ácaro-vermelho possui coloração vermelha muito intensa. e tem duas manchas pretas em seu dorso. O ácaro-rajado apresenta-se nas cores branca. Corythaica cyathicollis. incidência de pragas e doenças. Controle . Ambos localizam-se na face inferior das folhas independente da idade destas. verde-claro para a µDe Cheiro¶. uma das maneiras de identificar a espécie é através da descrição da sintomatologia dos danos. De uma maneira geral. O ponto de colheita ideal das pimentas é determinado visualmente. 2) aparecimento de teia envolvendo uma ou mais folhas. como adubação. amarela ou vermelha para a pimenta µBode¶. 3) queda acentuada das folhas e morte das plantas. O ciclo da cultura e o período de colheita são afetados diretamente pelas condições climáticas e pelos tratos culturais. com a cor específica demandada pelo mercado: verde para a pimenta µCambuci¶. passiflora (Hemiptera. e a adoção de medidas de controle fitossanitário. Phthia picta e Corecoris fuscus (Hemiptera. e após 120 dias para as mais tardias. com os bordos recurvados ventralmente e de coloração bronzeada. sendo que as nervuras mantêm-se mais verdes. como a µMurupi¶. O ácaro-branco localiza-se preferencialmente na parte apical das plantas. de acordo com cada tipo. e as espécies de cochonilhas Orthezia insignis e O. As pimentas são mais difíceis de serem colhidas quando comparadas com pimentão devido ao menor tamanho dos frutos e a arquitetura da planta. Controle . eventualmente causam danos à pimenteira. Coreidae). no caso do ácaro plano. praelonga (Homoptera. principalmente aquelas de menor . causando danos caracterizados pelos seguintes sintomas: 1) clorose generalizada das folhas. C. as primeiras colheitas são feitas a partir de 90 dias após a semeadura para as pimentas mais precoces. Tingidae). As aplicações de inseticidas para o controle de outras pragas de importância mantêm as populações de percevejos e cochonilhas abaixo do nível de dano econômico. difíceis de se ver a olho nu. nos brotos terminais. As plantas podem apresentar aparência bronzeada ou manchas cloróticas nas folhas. Seus danos tornam as folhas endurecidas (µcoriáceas¶). Coccidae).

enquanto para aquelas pimentas com plantas mais altas. enquanto as pimentas µMalagueta¶ e µCumari do Parᶠpossuem frutos menores. ou outro tipo de embalagem demandado pelo mercado. Deve-se também evitar a colheita de frutos molhados pela chuva ou orvalho porque tendem a apodrecer mais rapidamente durante o transporte e a comercialização. banha. Posteriormente. canola. água sanitária. cortando -se o terço superior da garrafa e colocando-se um cordão em duas extremidades laterais para pendurar no pescoço. Este tratamento não elimina completamente o desconforto das queimaduras. como a µBode¶ e a µDedo de Moça¶. em local arejado e fresco. o que reduz a velocidade da colheita (aproximadamente 10kg/dia/operário). os frutos são acondicionados em sacos plásticos grandes (30kg) ou caixas plásticas ou de madeira (15kg). As pimentas mais picantes (µardidas¶). seu tamanho e a resistência do pedúnculo também interferem na velocidade da colheita. e assim aumentar a temperatura no interior das embalagens e reduzir a durabilidade pós-colheita dos frutos. Estes galpões podem ser construídos de modo simples. Depois de cheios. caixas e sacos com as pimentas no campo vão ficando cheios. é possível retirar os pedúnculos dos frutos em galpões ao lado da lavoura e armazenar as pimentas diretamente em recipientes plásticos de 50L (µbombas¶ ou . deve -se armazenar os frutos colhidos sempre a sombra. Para aquelas pimentas com maior resistência do pedúnculo. Aparentemente. girassol). sendo possível segurar os ramos e destacar os frutos sem quebrar a planta. O horário ideal para a colheita das pimentas é nas horas menos quentes do dia. principalmente quando molhados ou úmidos. principalmente pela exposição contínua. Um recipiente adequado para a colheita das pimentas pode ser feito a partir de garrafas plásticas de refrigerante de 2L do tipo µPET¶. embora causem desconforto pelo suor e dificultem a operação. servindo para proteger as pimentas do sol direto e da chuva. As pimentas µBode¶ e µDedo-de-Moça¶ possuem frutos maiores e são mais fáceis de apanhar. com uma cobertura de plástico preto recoberto com capim ou folhas de palmeira. arrancando-se os frutos das plantas com ou sem os pedúnculos. azeite de oliva. como uma lata. às vezes é necessária uma operação adicional no galpão de beneficiamento para retirar completamente o pedúnculo dos frutos destinados para conservas. manteiga ou margarina ou outros produtos a base de gordura. causam irritação e até queimaduras na pele das mãos dos colhedores devido aos teores mais elevados de capsaicina. como a µCumari do Parᶠe µMalagueta¶. como a µMalagueta¶. em uma posição mais confortável. Além de ser um recipiente barato e fácil de ser feito. o operário fica com as duas mãos livres para executar a colheita. sendo possível colher até 60kg/dia/operário. A posição dos frutos das pimentas. Quando não é possível colher tudo nestes dois períodos. A exposição direta ao sol aumenta a respiração e a perda de água. Pessoas com pele muito sensível devem utilizar luvas ou outro material de proteção na colheita. como álcool. Para efetuar a colheita das pimentas com plantas de porte mais baixo. Para as pimentas destinadas para a indústria de molhos e conservas. estes recipientes são vertidos em baldes ou latas maiores (5-10L) ou então em caixas localizadas estrategicamente próximas do local de colheita. água ou leite quentes. As pimentas são colhidas manualmente. como olhos e boca. a melhor indicação para reduzir os efeitos negativos das pimentas mais ardidas ou picantes é usar óleos vegetais (soja. À medida que baldes. podem ser apanhadas sem o pedúnculo diretamente no campo. resultando em murcha e deterioração dos frutos. Existem indicações de alguns produtos que podem aliviar as queimaduras e irritação causadas pela capsaicina. dependendo do tipo de pimenta e o uso do produto. Os colhedores devem sempre se lembrar de não se coçarem ou tocar partes sensíveis do corpo. devem ser transportados até pequenos galpões ou sob a sombra de árvores nas margens da plantação. por que a capsaicina é uma substância lipossolúvel. prato ou bolsa para recolher os frutos das plantas. no início da manhã e no final da tarde. Cada colhedor utiliza um recipiente pequeno. como a µBode¶. solúvel em óleo e outros tipos de gorduras. é possível fazer a colheita em pé. é necessário que os apanhadores fiquem agachados ou curvados. enquanto executam a colheita por conta das queimaduras e pela irritação causadas pelas pimentas. Restos de folhas e galhos também devem ser eliminados porque podem tendem a fermentar rapidamente. o composto químico responsável pela ardência nas pimentas. Quando as pimentas são destinadas especificamente para a indústria de conservas e molhos.porte e com maior número de galhos. ou seja. mas pode reduzir parcialmente a concentração do composto das mãos.

são comercializadas em caixas plásticas ou de madeira do tipo µK¶ (12-15kg). murchos. e os consumidores selecionam manualmente a qualidade e a quantidade a ser comprada. Em supermercados e sacolões. que resulta em murchamento. Na CEASA de Goiânia-GO. as pimentas são comercializadas de diferentes formas. Este processo reduz problemas de conservação pós-colheita dos frutos de pimenta colhidos mantidos in natura. sendo possível mesclar diferentes tipos de pimentas por um mesmo preço. de acordo com a demanda do cliente. µBode¶ e µMalagueta¶. pimentas de frutos pequenos. abrasões e outros tipos de ferimentos. Nas feiras-livres e mercados menores. µDedo -de-Moça¶ e pimenta doce do tipo americana.00 (em Brasília. as pimentas µCumari do Pará¶. devem ser manipuladas com cuidado para evitar danos mecânicos aos frutos. as pimentas com frutos menores. 2. Embalagens para Pimentas in natura São usadas diferentes embalagens para a comercialização de pimentas no Brasil. 5 ou 10kg). Os maiores problemas das pimentas destinadas ao consumo in natura são a rápida perda de água dos frutos. As pimentas para comercialização in natura do tipo µDedo-de-Moça¶ devem ser colhidas sempre com o pedúnculo porque melhora a aparência e os frutos tendem a se conservar melhor. sendo a mais comum a granel. Seleção e Classificação Ainda não existe nenhuma norma oficial de classificação e padronização para as pimentas no Brasil. as pimentas também são comercializadas em quantidades menores. como µCambuci¶. bandejas de isopor recobertas com filmes de PVC com 50-100g e caixinhas do tipo PET de 250ml de capacidade. principalmente quando mantidas sob refrigeração. µBode Amarela¶ e µDe Cheiro¶ são acondicionadas em sacos plásticos grandes de 30kg. brocados. a medida adotada é um copo de vidro ou lata (250-300ml). como cortes. Em todos os mercados atacadistas. as pimentas com frutos maiores. evitando-se o contato com o solo para não sujar e contaminar os frutos. As pimentas são frutos tropicais e por esta razão as temperaturas entre 7oC e 12oC são as mais indicadas para reduzir a respiração e outros processos fisiológicos. o colhedor deve eliminar os frutos doentes. região e demanda do mercado. utilizando-se como unidade copos de vidro ou latas de 250 a 1000ml de capacidade. Depois de colhidas. desuniformes e mal-formados e selecionar na planta somente aqueles bem desenvolvidos e de coloração típica de cada tipo de pimenta. . No varejo. passados. Na CEAGESP em São Paulo-SP. como µMalagueta¶ e µCumari do Parᶠtambém são acondicionadas em caixas de papelão (1-2kg) e sacos plásticos (1. Praticamente todas as operações usuais de beneficiamento são feitas a campo e executadas simultaneamente pelos colhedores. como µCum ari¶. feita a base de vinagre ou outro tipo de álcool e sal. nov/2003). Na medida do possível. µBode Vermelha¶. µMalagueta¶. Conservação Pós-Colheita Não existem informações disponíveis sobre a temperatura ideal de armazenamento para cada um dos tipos de pimenta cultivados no Brasil. As embalagens com filmes ou sacos plásticos são as melhores opções de venda porque reduzem a perda de matéria fresca e mantêm a coloração do pedúnculo e dos frutos por um período de tempo maior.µbombonas¶) com a calda apropriada. como µCumari do Pará¶. Para aquelas pimentas com frutos pequenos. de acordo com o tamanho e tipo de fruto. deve-se tomar cuidado para não colher ramos inteiros com as folhas. as pimentas também são comercializadas em sacos plásticos perfurados de 50g do produto ao preço aproximado de R$ 1. o que não se aplica àquelas pimentas que possuem frutos que se destacam facilmente da planta. µMalagueta¶ e µCumari Vermelha (= µPassarinho¶).

usos e formas de consumo. na região Centro -Oeste. formando lesões deprimidas. flocos desidratados e pó como ingrediente de alimentos processados. Existe um grande número de pequenos processadores familiares ou de pequeno porte que fazem conservas de . como tipo de pimenta. as pimentas µMalagueta¶. conservas e pimentas desidratadas. especializadas ou não em derivados de Capsicum. Os estados da região Sul são provavelmente os que menos consumem pimentas in natura no País. anteriormente importada do Pará e atualmente já cultivada em Goiás. as pimentas mais apreciadas são a µMurupi¶.e a descoloração do pedúnculo. e são parte importante de vários pratos tradicionais. Estes dois problemas reduzem o valor de mercado do produto e podem ser motivos de descarte na comercialização. em pequenas quantidades. data da embalagem e prazo de validade. µCumari do Pará¶. deve-se fazer alguns furos nas embalagens para evitar a condensação de água no seu interior ou sobre os frutos de pimenta. Ao mesmo tempo. determinou-se que a pimenta µMalagueta¶ pode ser mantida por até 30 dias a 12oC e 90% UR As pimentas in natura possuem um mercado relativamente pequeno quando comparadas com outras hortaliças. geralmente em pequenas porções. Por estas razões. geralmente especializadas em determinados tipos de produtos e que visam mais a exportação. principalmente porque são usadas como temperos. filme de PVC ou caixinha tipo PET) e comercializar as pimentas em temperatura ambiente (23-26oC). Os produtos embalados devem ter uma etiqueta ou rótulo identificador com algumas informações básicas. havendo uma preferência pelas formas processadas. Em experimentos conduzidos na Embrapa Hortaliças. empresas de porte médio. Na região Norte. Este mercado pode ser dividido em dois grandes grupos: o consumo in natura. Na região Sudeste consome-se principalmente a pimenta doce do tipo americana. pimenta µCambuci¶. conservas. µBode Amarela¶ e µDedo de Moça¶ foram conservadas durante 30 dias a 8oC acondicionadas em bandejas de isopor envoltas por filme de PVC (>90% UR). O mercado para as pimentas in natura é fortemente influenciado pelos hábitos alimentares de cada região do Brasil. Nesta condição pode ocorrer o desenvolvimento de fungos no pedúnculo e na superfície dos frutos após 2-3 dias. devido a grande variedade de produtos e subprodutos. µDe Cheiro¶. µBode Vermelha¶. que perde sua coloração verde característica.. O mercado para as pimentas nas formas processadas é muito diferente das pimentas comercializadas in natura pela variedade de produtos e subprodutos que utilizam as pimentas como matéria-prima. Na região Nordeste. µDedo de Moça¶ e mais recentemente a µDe Cheiro¶. µCumari do Parᶠe a µDe Cheiro¶. que incluem molhos. e grandes empresas processadoras. embalagem utilizada e principalmente temperatura. Na Universidade Federal de Viçosa. e nome e endereço do embalador. O armazenamento em temperaturas inferiores a 7oC pode causar injúria por frio (µchilling¶) nos frutos. e as formas processadas. O prazo de validade varia de acordo com o tipo de pimenta. O mercado de pimentas processadas é explorado por empresas familiares ou de pequeno porte. No caso de usar embalagens plásticas (sacos de polietileno. que mantêm a umidade elevada. tradicionalmente são cultivadas e consumidas as pimentas µBode¶. e comprometer a aparência dos frutos. como molhos. é recomendável deixar os frutos com o pedúnculo e associar a refrigeração ao uso de embalagens plásticas. é importante oferecer um produto de alta qualidade ao consumidor. a demanda é relativamente constante e o mercado cativo. com frutos de tamanho e coloração padronizados e isento de resíduos de agrotóxicos. µMalagueta¶. µCumari do Pará¶. sendo 5 dias para pimenta De Cheiro e Bode em sacos plásticos perfurados mantidos a 23-25oC e até 10 dias para frutos embalados em filmes de PVC mantidos a 12-15oC. Para evitar a perda acentuada de água. Comercialização Mercado para pimentas O mercado para as pimentas é muito segmentado e diverso. predominam as pimentas µMalagueta¶ e µDe Cheiro¶. µMalagueta¶ e µCumari Vermelha¶.

A CEASA de Goiânia é a única a discriminar todos os tipos de pimentas e fazer as cotações separadamente.00 a lata com 500g. onde uma empresa iniciou o cultivo da pimenta do tipo µTabasco¶. as cotações de preços para as pimentas não distingue os tipos. A pimenta para a fabricação de páprica (pimenta doce vermelha desidratada na forma de pó) é cultivada e processada por uma grande empresa na região do cerrado mineiro que exporta para a Europa grande parte de sua produção. com uma maior divulgação de suas propriedades medicinais e desfazendo mitos de que pimenta faz mal à saúde. as pimentas são comercializadas como as demais hortaliças. ressaltando-se as características diferenciais em relação aos produtos tradicionais. R$ 1. As empresas de porte médio. Exemplos de nichos de mercado para consumo in natura: aumento da oferta e divulgação das qualidades das pimentas do tipo americano. como indústrias e restaurantes. uso de pimentas menos ardidas e mais aromáticas. em geral. entre outros. mercados de beira de estrada.600ha na região noroeste de Minas Gerais com cultivares próprias fornecidas pela empresa. Algumas das maiores redes de supermercados têm suas próprias centrais de distribuição de produtos hortícolas e comercializam com suas marcas. lojas de conveniência e de produtos importados. praticamente um padrão de mercado. Comercialização A comercialização das pimentas depende do mercado de destino. sendo cultivados anualmente 400ha (dados de 2003) com este tipo de pimenta no estado. R$ 2.00 a lata com 500g. As grandes empresas são especializadas no processamento de determinados produtos. Outras formas de comercialização incluem a venda para intermediários. cultivo de pimentas com frutos de diversas cores. Este cenário está modificando-se rapidamente pela exploração de novos tipos de pimentas e o desenvolvimento de novos produtos. O lançamento de novos produtos a base de pimentas deve ser acompanhada de esclarecimentos aos consumidores. e neste caso podem adquirir as pimentas diretamente de produtores.pimentas em garrafas de vidro com 150ml. com grande valor agregado. mercearias especializadas. desenvolvimento de molhos com diferentes graus de picância ou ardume (teor de capsaicina) e com sabores diferenciados. geléias especiais e outras formas processadas. O plantio da µTabasco¶ é feito por pequenos produtores em áreas irrigadas. têm vários tipos de produtos. pimenta µCumari¶. como páprica e pasta de pimenta. para exportação na forma de pasta. µdelikatessens¶ e até em lojas de decoração. Situação semelhante ocorre no estado do Ceará.00 a lata com 700g. Na parte de processamento. quantidade e preço. molhos. provavelmente devido ao baixo consumo e ao pequeno volume comercializado. Neste mercado. que reúnem diferentes tipos de pimentas e as embalam com marca própria e depois revendem para a rede de varejo. Na maioria dos mercados atacadistas. similar ao µTabasco¶ importado dos Estados Unidos. como conservas. aproveitando o bom momento das pimentas na mídia. como conservas ornamentais. pimenta µMalagueta¶. ou então agrupa em classes genéricas. e a pimenta µDe . como µpimenta¶ ou µpimenta vermelha ou ardida¶. R$ 4. semelhante à µMalagueta¶. Na forma in natura. através das centrais de abastecimento (CEASAs). entre outros. como a µDe Cheiro¶ e µBiquinho¶. tanto para as formas processadas como para novas cultivares e tipos para consumo fresco. que agrupa e redistribui o produto para o varejo ou para grandes consumidores. as unidades para a comercialização e cotação média de preço em novembro de 2003 eram as seguintes: pimenta µBode¶. e para distribuidores e empacotadores. sendo que em 2003 foram cultivados 1. que são comercializadas em supermercados. que determina sua forma de apresentação. pequenos estabelecimentos comerciais e eventualmente atacadistas. Os empreendedores rurais e o segmento da agroindústria podem descobrir novas oportunidades de negócios pela prospecção de mercado e a exploração de µnichos¶ especializados. como pimentas em flocos desidratados. fornecedores credenciados ou atacadistas. talvez pela importância deste produto para a região. e que comercializam diretamente para os consumidores em feiras-livres. formas e de tamanho reduzido para a confecção de conservas ornamentais. conservas e geléias. O cultivo da pimenta para páprica é feito pela própria empresa e também por produtores cooperados. avaliação de novos tipos varietais para uso na indústria de processamento. de sabor mais suave e de melhor digestão. O mercado para as pimentas no Brasil sempre foi considerado como secundário em relação às outras hortaliças. conservas ornamentais. que compram o produto na roça e se responsabilizam pelo transporte e pela venda. geléias.

as cotações de preços são feitas para três tipos de pimentas (preço médio de novembro/2003): pimenta verde americana. As pimentas doces e picantes podem ser processadas na forma de pó. Consumo Desidratação Molhos e conservas Usos e Modos de Consumo Os diferentes tipos de pimentas têm várias formas de preparo e modos de consumo. As pimentas picantes ainda são utilizadas pela indústria farmacêutica. todas comercializadas em caixas do tipo µK¶ de 12kg. que também são comercializadas em caixas de papelão (1-5kg) e em bandejas de isopor de 100g. disponibilidade e custo das sementes. sem cotações no período de agosto a novembro.00/kg (junho-julho/2003) a R$ 5. principalmente da ocorrência de fatores que afetam a produção. Em São Paulo. molhos líquidos. Na CEASA do Rio de Janeiro são cotados diariamente três tipos de pimenta: µMalagueta¶. R$ R$ 40. R$ 15. e também pela indústria de cosméticos. geléias etc. conservas de frutos inteiros. e a µCambuci¶.00/kg). . Porto Alegre-RS. incidência de pragas e doenças. os preços em novembro/2003 variavam de R$ 2. agosto e setembro em Goiás e aos meses de fevereiro.00/kg. novembro e dezembro na CEASA de Campinas. Os preços médios em novembro/2003 neste mercado eram os seguintes: µCambuci¶ (R$ 12. Variação Estacional de Preços As cotações de preço das pimentas nos mercados atacadistas e varejistas seguem as mesmas tendências das demais hortaliças. As oscilações de preços dependem da oferta e procura do produto. caldos quentes e outros pratos típicos da estação. na composição de pomadas para artrose e artrite. A pimenta vermelha provavelmente refere-se à µDedo-de-Moça¶ ou µMalagueta¶. picles. Curitiba-PR e Brasília-DF. µK¶).00 a caixa µK¶ com 11kg.55/cx. flocos.00 a caixa µK¶ com 14kg.00 a R$ 4. existe uma tendência de redução na produção de pimentas. setembro.00 a R$ 10. e variaram de R$ 4. µK¶).30/cx. Nestes mercados.35/kg. maio. com preços variando de R$ 4. µK¶) e pimenta vermelha (R$ 29.Cheiro¶ R$ 3.00/kg (janeiro a maio/2003). Nas CEASAs de Fortaleza-CE.00/kg (agosto/2003). pode ainda ser utilizada como arma na forma de µspray¶de pimenta. µDedo-de-Moça¶. De uma maneira geral. os preços da pimenta µDedo-de-Moça¶ (neste mercado conhecida como µCaiena¶ ou µCayenne¶) foram bem estáveis durante o ano. sem explicitar o tipo ou variedade. como oscilações do clima. O período de menor oferta de pimentas e alta de preços no atacado corresponde aos meses de julho. existe uma maior demanda por pimentas na época de inverno.00/kg) e mais altos em janeiro a maio/2003 (R$ 8. as cotações de preços são feitas diariamente para três tipos de pimentas. os preços são cotados para o produto µpimenta¶. com exceção das CEASA de Goiânia-GO e Campinas-SP. pimenta verde americana (R$ 13. substância responsável pela pungência dos frutos. escabeches. Na CEAGESP. com as temperaturas mais baixas nas re giões Sudeste e CentroOeste durante os meses de inverno. porque são usadas em sopas. Na CEASA de Campinas-SP. em São Paulo -SP. entre outros. plantas típicas de clima quente. as pimentas não estão listadas entre os produtos hortícolas contemplados nos calendários de comercialização.00 a caixa µK¶ com 10kg. julho. na composição de xampus antiquedas e anti-caspas. R$ 11.10/cx. no famoso emplastro Sabiá. A capsaicina. a pimenta µDe Cheiro¶ apresentou menores preços nos meses de junho julho/2003 (R$ 5. De um modo geral. sendo uma das hortaliças mais versáteis para a indústria de alimentos.00/kg (maio a julho/2003) a R$ 20.

Com a crescente preferência por parte dos consumidores por produtos naturais. sendo a coloração uma característica secundária. em flocos com as sementes (pimenta calabresa) e em pó (páprica picante . Desidratação A desidratação é um dos métodos mais antigos de processamento de alimentos. como o uso de secadores de frutas e hortaliças de pequeno porte evitarão não só a influência de oscilações climáticas (em secagem feitas ao sol). alguns com múltiplos usos e outros de uso mais específico. O processamento consiste de duas etapas principais: a moagem e a secagem. também denominadas de pimentas vermelhas. . O mercado externo é extremamente exigente quanto a qualidade do produto. tanto para indústrias de grande porte. que dão apenas sabor e aroma ao alimento. sopas em pó de preparo instantâneo. como também a contaminação do produto por fatores externos durante a secagem natural. A coloração vermelha dos frutos é devida a presença de carotenóides oxigenados (xantofilas). (2) corantes: sua função principal é dar cor aos produtos. principalmente capsorubina e capsantina. Existe uma grande diversidade de tipos varietais. Entre os condimentos. como a páprica vermelha. os vegetais desidratados (frutos ou hortaliças) têm desempenhado um papel importante no sentido de satisfazer estas necessidades. além da venda a varejo.000 ha) e boa parte da produção é exportada. Para atender esta demanda é essencial a escolha de uma cultivar adequada. Os frutos de pimentas picantes podem ser desidratados e comercializados inteiros.Os produtos do processamento de pimentas doces e picantes podem ser divididos em três tipos. Quanto ao mercado interno. a coloração. de acordo com sua utilização na indústria de alimentos: (1) flavorizantes: frutos processados ainda verdes ou maduros. embutidos de carne. respectivamente. Molhos e conservas É crescente também o mercado para molhos de pimentas em conserva ou líquido. onde é comercializada em pequenos frascos como tempero. o consumo de pimentão na forma desidratada basicamente restringe-se à indústria de alimentos como condimento/tempero em sopas de preparo instantâneo e em molhos. além de corante em ração de aves. (3) pimentas picantes: usadas para a confecção de molhos em pastas (ou líquidos) ou em conservas. mas existe um grande potencial para uma maior popularização deste condimento. Estas características são importantes porque permitem uma desidratação mais rápida dos frutos e maior rendimento. com polpa grossa. A pimenta 'calabresa'.condimento). quanto para indústrias caseiras. Grande parte da população brasileira desconhece a existência e a composição da páprica e sua utilidade na culinária. que correspondem a 65-80% da cor total dos frutos maduros. Nas pimentas desidratadas. ainda é muito pequena (cerca de 2. alto teor de pigmentos. A área cultivada no Brasil com pimenta doce para processamento industrial na forma de pó (páprica). o pimentão ou a pimenta doce maduros tem ganho importância na indústria de processamento de alimentos devido a presença de um concentrado de pigmentos naturais na polpa de seus frutos vermelhos e maduros. que pode ainda ser suave ou picante. é um produto do processamento de pimentas do tipo 'Dedo-de-Moça' e 'Chifre-de-Veado'. como os tipos µMalagueta¶ e µJalapeño¶. interferindo na qualidade do produto final e custo de produção. por exemplo. e tem como vantagem a conservação de características organolépticas e dos valores energéticos dos produtos. elevado rendimento industrial e que produza um pó com grande estabilidade. a pungência e a ausência de contaminantes são especificações importantes para a comercialização. Tais pigmentos têm sido largamente utilizados como corantes em diversas linhas de produtos processados como molhos. Alternativas simples e econômicas. que caracterizam-se pela espessura fina da polpa e a presença de um grande número de sementes. principalmente salsicha e salame.

vermelho para a µMalagueta¶. região de cultivo e época do ano. Os principais pontos de estrangulamento são a falta de qualidade das matérias-primas utilizadas. enquanto para aquelas pimentas com plantas mais altas. como a µBode¶. de acordo com cada tipo. identificados com etiquetas com informações básicas sobre o produto. As pequenas e médias indústrias processadoras de pimentas são carentes de parâmetros químicos. como adubação. em uma posição mais confortável. Frutos verdes de pimenta 'Jalapeño' também são utilizados em conservas e em escabeches (cortados em pedaços). as primeiras colheitas são feitas a partir de 90 dias após a semeadura para as pimentas mais precoces. Para o preparo de conservas e de molhos líquidos. Processamento Colheita Seleção e Classificação Embalagens para Pimentas in natura Conservação Pós-Colheita Colheita As pimentas apresentam diferentes pontos de colheita. com polpas mais espessas e de coloração vermelha. e a adoção de medidas de controle fitossanitário. O ciclo da cultura e o período de colheita são afetados diretamente pelas condições climáticas e pelos tratos culturais. como a µMurupi¶. As pimentas são mais difíceis de serem colhidas quando comparadas com pimentão devido ao menor tamanho dos frutos e a arquitetura da planta. o que reduz a velocidade da colheita (aproximadamente 10kg/dia/operário). A posição dos frutos das pimentas. entre outros. As pimentas do tipo 'Jalapeño' e 'Cayenne' são utilizadas para fabricação de molhos líquidos porque têm frutos maiores. quando os frutos atingem o tamanho máximo de crescimento e o formato típico de cada espécie. enquanto as pimentas µMalagueta¶ e µCumari do Parᶠpossuem frutos menores. molhos e outros produtos a base de pimenta. irrigação. físicos e microbiológicos de controle de qualidade. 'Bode Amarela'. 'De Cheiro'. como marca comercial. 'Cumari Vermelha' e 'Cumari do Pará' são usados principalmente em conservas de frutos inteiros. incidência de pragas e doenças. O ponto de colheita ideal das pimentas é determinado visualmente. 'Bode Vermelha'. e amarelo-claro para a µMurupi¶. sendo possível colher até 60kg/dia/operário. As conservas e os molhos devem ser armazenados ou conservados em vidros esterilizados. e após 120 dias para as mais tardias. é necessário que os apanhadores fiquem agachados ou curvados. As pimentas µBode¶ e µDedo-de-Moça¶ possuem frutos maiores e são mais fáceis de apanhar. . tipo de pimenta. amarela para a µCumari do Pará¶. é importante utilizar matéria-prima de ótima qualidade e sem danos e submeter o produto ao processo de pasteurização. como a µCumari do Parᶠe µMalagueta¶. verde-claro para a µDe Cheiro¶. higiene durante o processamento e a necessidade de adequação dos processos de produção de conservas. nome e endereço do fabricante.Frutos de pimenta 'Malagueta'. a ausência no mercado de equipamentos adequados para a produção em pequena escala. é possível fazer a colheita em pé. com a cor específica demandada pelo mercado: verde para a pimenta µCambuci¶. seu tamanho e a resistência do pedúnculo também interferem na velocidade da colheita. Para efetuar a colheita das pimentas com plantas de porte mais baixo. data de fabricação e validade. principalmente aquelas de menor porte e com maior número de galhos. amarela ou vermelha para a pimenta µBode¶. De uma maneira geral.

Para as pimentas destinadas para a indústria de molhos e conservas. água sanitária. principalmente pela exposição contínua. manteiga ou margarina ou outros produtos a base de gordura. como álcool. O horário ideal para a colheita das pimentas é nas horas menos quentes do dia. mas pode reduzir parcialmente a concentração do composto das mãos. dependendo do tipo de pimenta e o uso do produto. é possível retirar os pedúnculos dos frutos em galpões ao lado da lavoura e armazenar as pimentas diretamente em recipientes plásticos de 50L (µbombas¶ ou µbombonas¶) com a calda apropriada. e assim aumentar a temperatura no interior das embalagens e reduzir a durabilidade pós-colheita dos frutos. sendo possível segurar os ramos e destacar os frutos sem quebrar a planta. À medida que baldes. Este processo reduz problemas de conservação pós-colheita dos frutos de pimenta colhidos mantidos in natura. no início da manhã e no final da tarde. com uma cobertura de plástico preto recoberto com capim ou folhas de palmeira. Além de ser um recipiente barato e fácil de ser feito. podem ser apanhadas sem o pedúnculo diretamente no campo. Quando as pimentas são destinadas especificamente para a indústria de conservas e molhos. o operário fica com as duas mãos livres para executar a colheita. embora causem desconforto pelo suor e dificultem a operação. a melhor indicação para reduzir os efeitos negativos das pimentas mais ardidas ou picantes é usar óleos vegetais (soja. As pimentas mais picantes (µardidas¶). arrancando-se os frutos das plantas com ou sem os pedúnculos.As pimentas são colhidas manualmente. Posteriormente. Pessoas com pele muito sensível devem utilizar luvas ou outro material de proteção na colheita. Cada colhedor utiliza um recipiente pequeno. causam irritação e até queimaduras na pele das mãos dos colhedores devido aos teores mais elevados de capsaicina. Deve-se também evitar a colheita de frutos molhados pela chuva ou orvalho porque tendem a apodrecer mais rapidamente durante o transporte e a comercialização. servindo para proteger as pimentas do sol direto e da chuva. como olhos e boca. Depois de cheios. Aparentemente. ou seja. por que a capsaicina é uma substância lipossolúvel. cortando -se o terço superior da garrafa e colocando-se um cordão em duas extremidades laterais para pendurar no pescoço. Este tratamento não elimina completamente o desconforto das queimaduras. Quando não é possível colher tudo nestes dois períodos. canola. feita a base de vinagre ou outro tipo de álcool e sal. como uma lata. Os colhedores devem sempre se lembrar de não se coçarem ou tocar partes sensíveis do corpo. às vezes é necessária uma operação adicional no galpão de beneficiamento para retirar completamente o pedúnculo dos frutos destinados para conservas. em local arejado e fresco. girassol). Existem indicações de alguns produtos que podem aliviar as queimaduras e irritação causadas pela capsaicina. Restos de folhas e galhos também devem ser eliminados porque podem tendem a fermentar rapidamente. A exposição direta ao sol aumenta a respiração e a perda de água. água ou leite quentes. estes recipientes são vertidos em baldes ou latas maiores (5-10L) ou então em caixas localizadas estrategicamente próximas do local de colheita. solúvel em óleo e outros tipos de gorduras. os frutos são acondicionados em sacos plásticos grandes (30kg) ou caixas plásticas ou de madeira (15kg). deve -se armazenar os frutos colhidos sempre a sombra. prato ou bolsa para recolher os frutos das plantas. devem ser transportados até pequenos galpões ou sob a sombra de árvores nas margens da plantação. Seleção e Classificação . principalmente quando molhados ou úmidos. azeite de oliva. como a µMalagueta¶. ou outro tipo de embalagem demandado pelo mercado. Um recipiente adequado para a colheita das pimentas pode ser feito a partir de garrafas plásticas de refrigerante de 2L do tipo µPET¶. resultando em murcha e deterioração dos frutos. banha. Para aquelas pimentas com maior resistência do pedúnculo. Estes galpões podem ser construídos de modo simples. enquanto executam a colheita por conta das queimaduras e pela irritação causadas pelas pimentas. o composto químico responsável pela ardência nas pimentas. como a µBode¶ e a µDedo de Moça¶. caixas e sacos com as pimentas no campo vão ficando cheios.

utilizando-se como unidade copos de vidro ou latas de 250 a 1000ml de capacidade. o que não se aplica àquelas pimentas que possuem frutos que se destacam facilmente da planta. a medida adotada é um copo de vidro ou lata (250-300ml). Conservação Pós-Colheita Não existem informações disponíveis sobre a temperatura ideal de armazenamento para cada um dos tipos de pimenta cultivados no Brasil. As pimentas para comercialização in natura do tipo µDedo-de-Moça¶ devem ser colhidas sempre com o pedúnculo porque melhora a aparência e os frutos tendem a se conservar melhor. µDedo -de-Moça¶ e pimenta doce do tipo americana. que perde sua coloração verde característica. Embalagens para Pimentas in natura São usadas diferentes embalagens para a comercialização de pimentas no Brasil. No varejo. As embalagens com filmes ou sacos plásticos são as melhores opções de venda porque reduzem a perda de matéria fresca e mantêm a coloração do pedúnculo e dos frutos por um período de tempo maior. que mantêm a umidade elevada. o colhedor deve eliminar os frutos doentes. Os maiores problemas das pimentas destinadas ao consumo in natura são a rápida perda de água dos frutos. brocados. as pimentas µCumari do Pará¶. principalmente quando mantidas sob refrigeração. como µCambuci¶. e os consumidores selecionam manualmente a qualidade e a quantidade a ser comprada. µMalagueta¶ e µCumari Vermelha (= µPassarinho¶). Em todos os mercados atacadistas. como µCumari do Pará¶. µMalagueta¶. devem ser manipuladas com cuidado para evitar danos mecânicos aos frutos. 2. passados. Para evitar a per da acentuada de água. Em supermercados e sacolões. sendo possível mesclar diferentes tipos de pimentas por um mesmo preço. as pimentas também são comercializadas em sacos plásticos perfurados de 50g do produto ao preço aproximado de R$ 1. Na CEAGESP em São Paulo -SP. 5 ou 10kg). Na CEASA de Goiânia-GO. abrasões e outros tipos de ferimentos. as pimentas com frutos maiores. as pimentas são comercializadas de diferentes formas.Ainda não existe nenhuma norma oficial de classificação e padronização para as pimentas no Brasil. No caso de usar embalagens plásticas (sacos de polietileno. de acordo com a demanda do cliente. deve-se fazer alguns furos nas embalagens . como µCumari¶. Estes dois problemas reduzem o valor de mercado do produto e podem ser motivos de descarte na comercialização. Na medida do possível. Depois de colhidas. desuniformes e mal-formados e selecionar na planta somente aqueles bem desenvolvidos e de coloração típica de cada tipo de pimenta.00 (em Brasília. nov/2003). as pimentas com frutos menores. µBode¶ e µMalagueta¶. é recomendável deixar os frutos com o pedúnculo e associar a refrigeração ao uso de embalagens plásticas. de acordo com o tamanho e tipo de fruto. Para aquelas pimentas com frutos pequenos. deve-se tomar cuidado para não colher ramos inteiros com as folhas. são comercializadas em caixas plásticas ou de madeira do tipo µK¶ (12-15kg). Praticamente todas as operações usuais de beneficiamento são feitas a campo e executadas simultaneamente pelos colhedores. O armazenamento em temperaturas inferiores a 7oC pode causar injúria por frio (µchilling¶) nos frutos. sendo a mais comum a granel. pimentas de frutos peque nos. As pimentas são frutos tropicais e por esta razão as temperaturas entre 7oC e 12oC são as mais indicadas para reduzir a respiração e outros processos fisiológicos. formando lesões deprimidas. Nas feiras-livres e mercados menores. como µMalagueta¶ e µCumari do Parᶠtambém são acondicionadas em caixas de papelão (1-2kg) e sacos plásticos (1. µBode Amarela¶ e µDe Cheiro¶ são acondicionadas em sacos plásticos grandes de 30kg. evitando-se o contato com o solo para não sujar e contaminar os frutos. µBode Vermelha¶. as pimentas também são comercializadas em quantidades menores. murchos. e a descoloração do pedúnculo. bandejas de isopor recobertas com filmes de PVC com 50-100g e caixinhas do tipo PET de 250ml de capacidade. que resulta em murchamento. região e demanda do mercado. filme de PVC ou caixinha tipo PET) e c omercializar as pimentas em temperatura ambiente (23-26oC). como cortes.

A semeadura deve ser feita com sementes de boa qualidade genética. na dose de 3g de produto comercial por quilo de . apesar da polinização artificial ser feita antes da abertura das flores femininas maduras. e estar livre de plantas daninhas. recomenda-se manter a separação física de outros genótipos. Por estas razões. plana ou suavemente inclinada. com frutos de tamanho e coloração padronizados e isento de resíduos de agrotóxicos. Em experimentos conduzidos na Embrapa Hortaliças. e comprometer a aparência dos frutos. com substrato adequado para a produção de mudas. µBode Vermelha¶. Ao mesmo tempo.2 a um máximo de 2 hectares. As sementes devem ser semeadas em bandejas de isopor. O preparo do solo deve ser o mais bem feito possível. O prazo de validade varia de acordo com o tipo de pimenta. rico em matéria orgânica e nutrientes minerais. Produção de sementes A produção de sementes de pimentas pode ser desenvolvida nas mesmas regiões e sob as mesmas condições de clima e solo recomendadas para a produção de frutos. As pimentas têm flores perfeitas e reproduzem-se preferencialmente por autofecundação. Os produtos embalados devem ter uma etiqueta ou rótulo identificador com algumas informações básicas. Entretanto. Na produção de sementes híbridas. sendo a presença de insetos polinizadores o mais importante. O espaçamento entre fileiras pode ser até 50% maior do que o comumente utilizado na produção de frutos. Na Universidade Federal de Viçosa. iniciando pelo enterramento profundo dos restos da cultura anterior. como tipo de pimenta. principalmente porque são usadas como temperos. ser de fácil acesso. O isolamento dos campos de produção de sementes de diferentes cultivares deve respeitar uma distância mínima de 300m para a classe fiscalizada. captan. O clima ameno não prejudica a produção e contribui para a obtenção de sementes de alta qualidade. buscar uma época do ano com temperaturas e umidades relativas mais baixas. Nesta condição pode ocorrer o desenvolvimento de fungos no pedúnculo e na superfície dos frutos após 2-3 dias. ligeiramente ácido. Deve apresentar solo leve. determinou-se que a pimenta µMalagueta¶ pode ser mantida por até 30 dias a 12oC e 90% UR As pimentas in natura possuem um mercado relativamente pequeno quando comparadas com outras hortaliças. devido ao risco de contaminação genética por insetos (microhimenópteros) que perfuram botões florais fechados em busca de pólen e néctar. entretanto. em pequenas quantidades. É desejável.para evitar a condensação de água no seu interior ou sobre os frutos de pimenta.. é importante oferecer um produto de alta qualidade ao consumidor. embalagem utilizada e principalmente temperatura. maior espaço para a observação das plantas e alteração do microclima em favor da cultura. arejada. profundo. física. a demanda é relativamente constante e o mercado cativo. data da embalagem e prazo de validade. carboxim ou tiabendazol. µDe Cheiro¶. de preferência não cultivada recentemente com outras Solanáceas. µCumari do Pará¶. sendo 5 dias para pimenta De Cheiro e Bode em sacos plásticos perfurados mantidos a 23-25oC e até 10 dias para frutos embalados em filmes de PVC mantidos a 12-15oC. µBode Amarela¶ e µDedo de Moça¶ foram conservadas durante 30 dias a 8oC acondicionadas em bandejas de isopor envoltas por filme de PVC (>90% UR). com menores riscos de perda de produção. bem localizada. Quando as plântulas apresentarem de 4-6 folhas verdadeiras podem ser transplantadas para local definitivo. A área destinada à produção de sementes fiscalizadas deve variar de um mínimo de 0. permitindo maior facilidade na execução dos tratos culturais. a quantidade de polinização cruzada natural pode variar com a cultivar e com outros fatores ambientais. e nome e endereço do embalador. thiram. fisiológica e fitossanitária. O tratamento químico é uma prática indispensável nesse momento. pragas e doenças limitantes para a cultura de pimenta. para se evitar a elevada ocorrência de pragas e doenças. bem drenado. as pimentas µMalagueta¶. O método de semeadura em sacos plásticos também tem sido muito utilizado. devendo-se utilizar fungicidas à base de iprodione.

A profundidade da semeadura deve ser no máximo 1cm. a ausência de defeitos e a boa condição fitossanitária. até o momento da polinização. Frutos imaturos. As sementes ainda úmidas devem ser colocadas para secar a sombra. A primeira contagem deve ser feita aos seis dias e a contagem final aos 14 dias após a instalação do teste. São necessárias 100 a 150g de sementes para suprir a necessidade de mudas para um hectare. Uma vez eliminada a umidade superficial. O primeiro processo é conduzido manualmente. de acordo com as Regras para Análise de Sementes ± RAS do Ministério da Agricultura. para melhorar a eficiência de fertilização. Em caso de dormência. A extração das sementes pode ser feita a seco ou por via úmida. as RAS prescrevem umedecer o substrato inicialmente com uma solução de nitrato de potássio (0. A análise das sementes deve ser conduzida µsobre papel¶. é indispensável combater os pulgões e outros insetos vetores. O processo de secagem exige cuidados especiais. Na produção de sementes híbridas. A embalagem correta das sementes contribui para a preservação das qualidades originais do lote. Para o controle de viroses. A condição recomendada é a manutenção por 16h a 20ºC e 8h a 30ºC. de color ação verde. o seu poder germinativo normalmente fica garantido pelo prazo de três anos. Esta deve ser efetuada de preferência em dias claros. Recomenda-se. em ambiente fresco e ventilado. . nessa fase. visando-se qualidade total. O estaqueamento das plantas evita o seu tombamento e garante níveis mais elevados de qualidade fitossanitária nas sementes. sob pena de se danificar o sistema de membranas das células embrionárias. algumas práticas específicas podem ser aplicadas à produção de sementes. As sementes de pimentas devem ser embaladas com grau de umidade de 6%. Esta alteração indica o atingimento do ponto de maturidade fisiológica das sementes. Além dos tratos culturais normais. a flor emasculada (sem as anteras) deve ser protegida por saquinho de papel encerado ou rolete de papel alumínio. Para algumas cultivares. perdendo lentamente a umidade superficial para o ambiente. sendo mais utilizada em escala comercial. para alcançar melhores resultados. Sugere-se fazer primeiramente a extração de sementes dos frutos mais maduros (coloração vermelha) e posteriormente dos frutos que estão em repouso. Nessa condição. em latas ou sacos de papel aluminizado contendo 100g do produto. geralmente produzirão sementes menos vigorosas ou até inférteis. onde devem permanecer de 24 a 48 horas até atingirem grau de umidade próximo a 6%. Os saquinhos de papel devem voltar a proteger as flores após a polinização. fazendo com que cheguem perfeitas ao destino e apresentem um bom desempenho fisiológico na nova semeadura. as sementes devem ser transferidas para estufas elétricas reguladas a 38ºC. A temperatura não deve ultrapassar os 30ºC. quando são observados níveis máximos de germinação e vigor e níveis mínimos de deterioração. As principais características a serem selecionadas e mantidas na fase de colheita.2%). sendo considerada normal quando alcança 150 a 200kg de sementes por hectare. de pouco vento e sobretudo no final da manhã. em vez de água.sementes. Pecuária e do Abastecimento MAPA. ou fornecer luz por 8 a 16 horas. A eliminação de plantas atípicas da mesma espécie ou de outras espécies silvestres e cultivadas deve ser efetuada rigorosamente no início da floração e na pré-colheita. A movimentação das sementes é desejável nessa fase inicial. a colheita pode ser iniciada aproximadamente aos 60 dias após o florescimento ou quando mais de 80% dos frutos estiverem mudando de cor. A produtividade média é variável. A desbrota das primeiras ramas laterais contribui para ventilar o colo das plantas e permite economizar energia para a formação das sementes. são o tamanho e o formato característico dos frutos da cultivar. sendo mais indicado para obtenção de sementes em pequena escala. o repouso dos frutos por três dias. a sombra e a temperatura ambiente para uniformizar a maturação e facilitar a sua trituração. A extração via úmida é feita mecanicamente e requer equipamentos para o esmagamento dos frutos.

não chegando a R$ 4. 2004).4%) e as sementes (20%). O sistema de produção de pimenta µJalapeño¶ também tem os custos de produção mais onerados pelos insumos (41.0%). WALLACE. No primeiro ano. Nestes sistemas operacionalizados por pequenos produtores. o item que mais onerou os custos de produção são os insumos (66.344 mil em 2004. Turuçu-RS (µDedo-de-Moça¶). 1996. As informações foram coletadas por pesquisadores e extensionistas diretamente nas áreas de produção de Piracanjuba-GO (µMalagueta¶). se as sementes estiverem acondicionadas em embalagens herméticas. ANDREWS.8%). utilizou -se o método de orçamentação parcial para realização das análises econômicas.479 toneladas no valor de US$ 17. EMBRAPA. Coeficientes técnicos Coeficientes técnicos. 1985. Os sistemas de produção de pimenta µDedo-de-Moça¶ e µMalagueta¶ foram levantados em 2002. fornece os indicadores econômicos básicos para uma cultura e.. Foi levantada a eficiência econômica de diferentes sistemas de produção de pimentas Capsicum praticados por pequenos produtores de diferentes regiões do País. rendimentos e rentabilidade As pimentas do gênero Capsicum destacam-se como importantes produtos do agronegócio brasileiro. Em contrapartida.403 mil. Estes sistemas são conduzidos de maneira simples. principalmente para os pequenos produtores. GLAISTER. Secas e resfriadas. consomem menos energia através da respiração e mantém a sua viabilidade por períodos mais prolongados. as pimentas Capsicum posicionam-se dentro da agricultura brasileira como culturas de elevada importância socioeconômica. Levando-se em conta as informações sobre os coeficientes técnicos e custos de produção. os custos de produção por hectare são relativamente baixos. os sistemas são intensivos em mão-de-obra. Foram considerados os coeficientes técnicos e os custos de produção das pimentas mais valorizadas pelo agronegócio brasileiro. as importações foram de 641 toneladas no valor de US$ 1.1%).00. que em geral são adquiridas de produtores especializados.3%) seguidos pelas mudas. Os pimentais são explorados por um período de dois anos. 1993. os insumos são o grupo que mais pesa na composição dos custos no primeiro ano de . REGANOLD. As pimentas µMalagueta¶ são muito utilizadas para a confecção de molhos e conservas. Ouvidor-GO (µJalapeño¶). com temperatura próxima a 4ºC. No sistema de produção de pimenta µTabasco¶. µMalagueta¶. como µTabasco¶.2%).O armazenamento deve ser feito de preferência em ambiente frigorificado. Comparando-se com o ano 2000. Tanto no primeiro como segundo ano são empregadas tecnologias simples. principalmente os adubos químicos (33. as sementes reduzem o nível interno de atividade metabólica. uma denominação regional) e µJalapeño¶. quando comparados aos custos de outras hortaliças. e Crato-CE (µTabasco¶). SNODGRASS. 1985. as pimentas Capsicum beneficiaram a balança comercial brasileira com um superávit US$ 15. SCOLARI et al. apresentando maior peso na composição dos custos operacionais os adubos químicos (19. em geral.11%). Desta forma. µDedo-de-Moça¶ (ou µpimentas vermelhas¶. A produção da pimenta µDedo-de-Moça¶ tem os custos de produção mais onerados pela mão-de-obra (60. Este método. LAIARD. com baixo nível tecnológico e os custos variáveis de produção também são baixos. 2002. é aplicado em análises estáticas comparativas de culturas ou ciclos de produção (PERRIN et al. Esta pimenta é utilizada desidratada como pimenta seca do tipo ³calabresa´.941 mil.1%) e em valor (43. custos.000. verifica-se que as exportações aumentaram em volume (22. Em razão da elevada capacidade de geração de emprego e renda. que em geral são importadas. comumente utilizado em análises de perfil. sendo este o item que mais onera os custos no segundo ano (53. o volume das exportações brasileiras atingiu 8. Os custos de produção de pimenta µTabasco¶ e µJalapeño¶ foram levantados em 2001. Na pauta do comércio internacional de hortaliças..

são produtos que agregam valor na forma processada e detém amplas oportunidades de mercado. Desta forma. Os indicadores básicos fornecidos pelas análises econômicas permitem afirmar que todos os sistemas são eficientes do ponto de vista técnico-econonômico. Observa-se pelo ponto de equilíbrio da produção comercial que em todos os sistemas a produtividade apresentou significativa capacidade de diluir os custos variáveis da produção. No caso da µMalagueta¶ cultivada no segundo ano. As sementes utilizadas na produção de mudas são colhidas nos pimentais dos próprios produtores. alcançando até 2. portanto os sistemas considerados. os custos tornam-se mínimos e facilmente diluídos pela produtividade obtida. são todos eficientes do ponto de vista técnicoeconômico. A exploração de pimentas Capsicum. sendo a mãode-obra para colheita e acondicionamento o fator mais intensivo. . tanto na forma in natura como processada. O cultivo de pimentas Capsicum deve ser recomendado para agricultura familiar como alternativa de diversificação da produção. Esses sistemas podem se tornar ainda mais lucrativos com a utilização de materiais genéticos mais potentes associados à inovação da base técnica do produtor.3%) ao produtor. além de representar uma fonte importante de geração de emprego e renda na agricultura.2%). o que proporciona elevada margem de lucro ao (55. indicando que cada unidade monetária (UM) aplicada na cultura retornou ao produtor em valores que variam de 1. apesar de empregar tecnologias simples. esta etapa representa a exploração final do pimental e o produtor faz aplicações mínimas de insumos.exploração (47. A rentabilidade das pimentas em todos os sistemas foram maior do que 1.72 UM para a pimenta µTabasco¶.24 UM para a pimenta µMalagueta¶ no segundo ano.

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