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Didatica Do Ensino Superior

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  • 1. PROGRAMA DA DISCIPLINA
  • 1.1 Ementa
  • 1.2 Carga horária total
  • 1.3 Objetivos
  • 1.4 Conteúdo programático
  • 1.5 Metodologia
  • 1.6 Critérios de avaliação
  • 1.7 Bibliografia recomendada
  • 2 CONHECIMENTO SOBRE A FINALIDADE DA UNIVERSIDADE SEUS PROBLEMAS E PERSPECTIVAS
  • 2.1 A Universidade – criação e produção de conhecimentos
  • 2.1.1 A universidade que não queremos
  • 2.1.2 A universidade que queremos
  • 2.2 Referencial do MEC
  • 3.1 Técnicas para o desenvolvimento da aprendizagem em aula
  • 3.2 Técnicas usadas em ambientes presenciais e universitários
  • 3.3 Técnicas que poderão ser usadas em ambientes de aprendizagem profissional
  • 3.4 Técnicas e seu uso para incentivar a aprendizagem
  • 4 A DOCÊNCIA SUPERIOR E A INTERDISCIPLINARIDADE
  • 4.1 A Intencionalidade do trabalho docente
  • 4.2 O valor pedagógico da relação professor-aluno
  • 4.3 Pedagogia da autonomia saberes necessários à prática educativa
  • 4.4 Competências para ensinar
  • 4.5 Didática
  • 4.6 A interdisciplinaridade
  • 4.6.1 Como a escola pode tornar-se interdisciplinar
  • 5 O PLANEJAMENTO E A ORGANIZAÇÃO DA PRÁTICA DOCENTE
  • 5.1 A aula na universidade
  • 5.2 Planejamento de ensino
  • 5.3 Estratégias de ensino aprendizagem
  • 5.3.1 Algumas dicas de técnicas a serem exploradas
  • 5.3.2 Por que técnicas de dinâmicas de grupo?
  • 5.3.3 Lista de atividades de ensino
  • 5.4.2. Modalidade de avaliação
  • 5.5.2 Como elaborar um plano de ensino
  • 5.5.3 Modelo de plano de ensino
  • 5.6 Reflexão
  • 6.1 O que é medir e avaliar
  • 6.2. Modalidade de avaliação
  • 6.3.2 Os conteúdos procedimentais
  • 6.3.3 Conteúdos atitudinais

EDUCAÇÃO

DIDÁTICA DO ENSINO SUPERIOR

Aluno(a): _________________________________________________________________ Curso: ____________________________________ Turma: _________________________

2

Sumário
1. Programa da disciplina ........................................................................................................... 4 1.1 Ementa ................................................................................................................................. 4 1.2 Carga horária total ............................................................................................................... 4 1.3 Objetivos .............................................................................................................................. 4 1.4 Conteúdo programático ....................................................................................................... 4 1.5 Metodologia ......................................................................................................................... 4 1.6 Critérios de avaliação ........................................................................................................... 5 1.7 Bibliografia recomendada .................................................................................................... 5 2 Conhecimento Sobre a Finalidade da Universidade seus Problemas e Perspectivas ............ 8 2.1 A Universidade – criação e produção de conhecimentos ................................................... 8 2.1.1 A universidade que não queremos ................................................................................... 8 2.1.2 A universidade que queremos .......................................................................................... 9 2.2 Referencial do MEC ............................................................................................................ 11 3 Competência pedagógica do professor universitário ........................................................... 12 3.1 Técnicas para o desenvolvimento da aprendizagem em aula ........................................... 12 3.2 Técnicas usadas em ambientes presenciais e universitários ............................................. 14 3.3 Técnicas que poderão ser usadas em ambientes de aprendizagem profissional ............. 31 3.4 Técnicas e seu uso para incentivar a aprendizagem ......................................................... 34 4 A docência superior e a interdisciplinaridade...................................................................... 39 4.1 A Intencionalidade do trabalho docente ........................................................................... 39 4.2 O valor pedagógico da relação professor-aluno ................................................................ 40 4.3 Pedagogia da autonomia saberes necessários à prática educativa .................................. 41 4.4 Competências para ensinar ............................................................................................... 42 4.5 Didática .............................................................................................................................. 44 4.6 A interdisciplinaridade ....................................................................................................... 45 4.6.1 Como a escola pode tornar-se interdisciplinar ............................................................... 46 5 O planejamento e a organização da prática docente ........................................................... 47 5.1 A aula na universidade ....................................................................................................... 47 5.2 Planejamento de ensino .................................................................................................... 50 5.3 Estratégias de ensino aprendizagem ................................................................................. 52 5.3.1 Algumas dicas de técnicas a serem exploradas .............................................................. 54 5.3.2 Por que técnicas de dinâmicas de grupo? ...................................................................... 55 5.3.3 Lista de atividades de ensino .......................................................................................... 56 5.4 Avaliação do ensino ........................................................................................................... 57 5.4.1. O que é medir e avaliar .................................................................................................. 57 5.4.2. Modalidade de avaliação ............................................................................................... 58 5.5 Orientações práticas para elaboração do plano de ensino e de aula ............................... 59 5.5.1 Planejamento de ensino ................................................................................................. 59 5.5.2 Como elaborar um plano de ensino ............................................................................... 61 5.5.3 Modelo de plano de ensino ............................................................................................ 63
Didática do Ensino Superior

3 5.6 Reflexão............................................................................................................................. 65 6 Avaliação do ensino .............................................................................................................. 66 6.1 O que é medir e avaliar ...................................................................................................... 66 6.2. Modalidade de avaliação .................................................................................................. 67 6.3 A aprendizagem de conceitos e princípios ........................................................................ 70 6.3.1 Conteúdos conceituais .................................................................................................... 70 6.3.2 Os conteúdos procedimentais ........................................................................................ 70 6.3.3 Conteúdos atitudinais .................................................................................................... 70

Didática do Ensino Superior

na pesquisa e na extensão. 1. Unidade 4 : o planejamento e a organização da prática docente. estudo.5 Metodologia A disciplina será desenvolvida através de aulas expositivas e dialogada. Identificar as novas tecnologias como recursos do ensino aprendizagem Aplicar situações pedagógicas que possibilitem a reflexão sobre situações concretas do exercício docente. 1. Planejamento: fundamentos e etapas. pesquisa e extensão na universidade. Componentes básicos de um Plano de Ensino.4 Conteúdo programático Unidade 1: conhecimento sobre a finalidade da universidade seus problemas e perspectivas. Unidade 3 : a docência superior e a interdisciplinaridade. Refletir sobre a importância da Didática do Ensino Superior para o desenvolvimento da prática docente. Didática do Ensino Superior . A aula como momento de ensino e aprendizagem. Teoria e prática interdisciplinar no Ensino Superior. Organização de Planos de Ensino.2 Carga horária total A carga horária desta disciplina é de 48 horas. 1. Específicos:        Analisar as funções de ensino. Produção de conhecimento.1 Ementa O processo educativo na Universidade. Discutir os fundamentos teóricos-metodológicos do trabalho pedagógico na universidade.3 Objetivos Geral: Compreender as funções institucionais da Universidade a partir da análise sobre a produção e transmissão do conhecimento científico realizado nas práticas docentes do ensino supeiror. Conhecer os principais aspectos relacionados ao planejamento didático. 1. PROGRAMA DA DISCIPLINA 1. leitura. Implicações conceituais do trabalho universitário: intencionalidade / especificidade do ato pedagógico. reflexão e debates.4 1. Unidade 2: o ensino superior no novo milênio. Despertar para o saber interdisciplinar na tentativa de superar a fragmentação do conhecimento científico.

HAIDT. saberes necessários à prática educativa. Iglu. Papirus. Campinas. LUCKESI. Vozes. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos. 2001. Henry A. Módulos Instrucionais para medidas e avaliação em educação. MACHADO. 2002. CASTRO. Papirus.30. Revista Educação. Pedro. Os professores como intelectuais: rumo a uma pedagogia crítica da aprendizagem. M. (orgs. 1. 1999. FAZENDA. M. M. Autores Associados. 1990. _______Docência na Universidade. Terezinha. Artes Médicas. A. 1989. São Paulo.5 1.: Formação reflexiva dos professores. Porto Alegre. 28ª ed. y MOROSINI. Papirus. 2002 MEDIANO. Brasília. GIROUX. São Paulo: 4ª ed. Trad. Cipriano C. P. 1995. p. São Paulo.: Qualidade total na educação. Rio de Janeiro: Ed. A didática em questão: 5ª ed. Cortez. 1997. Cortez. Estratégias de Supervisão. Nilson I. clareza e consistência de argumentação capacidade de elaboração e leitura crítica. Campinas-SP. Maria Isabel: O bom professor e sua prática. Zélia Domingues. 1997. Campinas-SP. Mundo Novo. 1995 MASSETO. GENTILI. CUNHA. 1996. Alegre: Saraiva.7 Bibliografia recomendada ALARCÃO. José Carlos. Avaliação da Aprendizagem Escolar. São Paulo. DINIZ. 1981. 2003 GARCIA. A. Coleção Educação. Paulo.2000. São Paulo. 1995. Pedagogia e Pedagogos. domínio do conteúdo. Papirus. Campina/Sp. mediante a avaliação qualitativa das atividades realizadas. Pedagogia da Autonomia. em que serão utilizados os seguintes critérios: participação. 1995. DEMO. 1994. A. Misto & Desafio. Didática do Ensino Superior .: O professor e a didática. D. Epistemologia e Didática: As concepções de conhecimento e a prática docente. I. Regina Célia Cazaux.ª: A didática do ensino superior. Ed. Uma perspectiva construtiva. Porto Editora. Ivani. Educar pela pesquisa. CANDAU. 5º ed.: Novas metodologias em educação. 1996 CARVALHO. LIBÂNEO. Porto Editora. Avaliação. 7º ed. HOFFMANN. Curso de Didática Geral. P. Petrópolis. LIBÂNEO.. Francisco Alves. (org) Didática e interdisciplinaridade. para quê? São Paulo: Cortez. D. Marcos T. 1997. São Paulo: Cortez. Papirus. Daniel Bueno. Autores Associados. São Paulo. Sistema de Avaliação e Aprendizagem. Jussara. São Paulo: Paz e Terra. Campinas.): Universidade futurante: Produção do ensino e inovação. 1994. Vera M.São Paulo: Ática. GODOY: A didática do ensino superior.6 Critérios de avaliação O processo de avaliação será contínuo. Amélia A. LEITE. José Carlos: Didática. Campinas. (org). 1998. 4º ed. O Professor Universitário em sala de aula. 1992. 1998 FREIRE.

: Interdisciplinaridade: para além da filosofia do sujeito. I. Cortez. MIZUKAMI. EDUFAL.: Construção da disciplina consciente e interativa na sala de aula e na escola.: Aprendizagem da docência: processos de investigação e formação. Papirus. 1995 SAVIANI. Rio de Janeiro. São Paulo: Libertad. MENEGOLLA. S. São Paulo. Cadernos Pedagógicos. 1999.: Tendências e correntes da educação brasileira. São Paulo. 3. ___________Escola e democracia. T. R. 1989. 1983. Lisboa. Maria da Graça Nicoltte et.: Didática: aprender a ensinar. São Paulo. 2000. P. Maria Rita Neto Sales (org). São Paulo. 2002. MORAES. R. Didática do Ensino Superior . 79-96) PERRENNOUD. A nova lei da educação: trajetória. in MENDES. 1998 VASCONCELOS.Didática: Aprender a ensinar. Campinas-SP. Campinas. Avaliação. São Paulo: Cortez. Didática. S. TUGENDHAT. Zahar. 2002 REVISTA EDUCAÇÃO E SOCIEDADE: Revista de Ciência da Educação. 1996. D. SANTANNA. MORRISA. Cadernos Pedagógicos de Libertad. limites e perspectivas. 1996. Vozes. Libertad. 1996.: Filosofia da educação brasileira. compromisso e pesquisa. 1972. NÓVOA. __________________________Avaliação: Concepção dialética libertadora do processo de avaliação escolar. vol.: Melhoria do ensino e capacitação docente. 1998. Luiz Paulo Leopoldo: Formação continuada de professores e novas tecnologias. OLIVEIRA.EdUFSCar. N.: A didática como mediação na construção da identidade do professor: uma experiência de ensino e pesquisa na licenciatura. 2º ed. ARTMED. Editora da Universidade.: O ensino superior: teoria e prática. p. SAVIANI. Vozes. Por que Avaliar? Como Avaliar?: critérios e instrumentos. Porto Alegre.. Rio de Janeiro. 1995. Maximiliano. Petrópolis. (org) Docência no Ensino Superior. G. 3a ed. 2. São Paulo: Cortez. W. São Paulo. CEDES. Campinas-SP. São Carlos. 1994. E. PIMENTA. 1995. Maceió. in PIMENTA. Philippe: Dez competências para ensinar. 1994. Civilização Brasileira. 19-47. Antônio (coord. 1993. Autores Associados. Artmédicas. SEVERINO. G. M. OLIVEIRA. Porto Alegre. 176 pp. Celso dos S. Petrópolis. Campinas-SP. 1984. __________________________Planejamento: Plano de ensino aprendizagem e projeto educativo. Libertad. pp. 2002. Selma G. Gimeno J. SANTANNA. Loyola. Porto Alegre. ruptura. Ilza Martins. Compreender e Transformar o Ensino..: O estágio na formação de professores: unidade teoria e prática. J. (orgs): Confluências e divergências entre didática e currículo. RJ: Vozes. pp. V. VASCONCELLOS. v. Nova Enciclopédia.ª ed. PIMENTA.6 MERCADO. Dermeval. A. Ilza Martins. Libertad. Celso dos S. SACRISTAN. 4ª ed. 2000 SANTANNA. D. S. 25 nº 88Especial.): Os professores e sua formação. 37-69. 1997. Papirus. São Paulo:Loyola.: Lições sobre Ética.out/2004. 1994. 8ª ed. M.

htm Debates sobre avaliação: http://www. São Paulo.br Didática do Ensino Superior .): Panejamento do ensino numa perspectiva crítica de educação. Ilma (coord. Ed. br/amae/index.ufsc.br/~raies/ main2. Campinas. in: LOPES.editora.fcc. Papirus. Libertad.mtm.unicamp.br Artigos de Educação em geral: http: //www.fde.7 __________________________A construção do conhecimento em sala de aula. 1994.gov.br/revistas.br/~raies http://www.html Estudos em Avaliação Educacional: http://www.ufpel.org.jurere.br Didática: http://www. 2002.ufsc.unesp. Antonia: Repensando a Didática.mtm. VEIGA. 2. Sites: Revista de Educação e Informática: http: //www. com.a ed.eduline.br Cadernos de Educação: http://www.sp.htm Cadernos CEDES: http://cedes-gw.

com a função ambigua de profissionalização.1. específico do ser humano. fica encerrado com o anuncio da nota ou conceito obtido na prova.Cortez 2002. de temppo e das reais do aqui e do agora. normalmente desmotivados. livresco e desvinculado da realidade concreta em que estamos. Barreto. sem levarem em conta. É vociferar indistintamente as mesmas coisas ditas na França. O melhor professor é aquele que traz maior número de informaçoes. está profundamente vinculado a escola. compreende os graus: primeiro inicial. URSS. onde não exista efetivamente campo. cinco anos passados podem até continuar válidas. portanto. Japao etc. que não incentiva o hábito do estudo crítico. Sacralizar verdades. profissionalizante ou técnico. contrária ao crescimento. verbalístico.1 A universidade que não queremos Não queremos uma universidade-escola. desvinculada ou descomprometida com a realidade é sinônimo de fazer coisas. por sua vez. O ensino repetitivo é geralmente. Diante do sistema educacional. O nosso sistema educacional. como um todo. conteúdo de formas é implicitamente apregoar uma mentalidade estática. mas sim um recanto privilegiado onde se cultive a reflexão crítica sobre a realidade e se criem conhecimentos com base científica. Baptista. de percebê-las é necessariamente novo. Estudar.1 A Universidade – criação e produção de conhecimentos Livro: Fazer Universidade: Uma proposta metodológica. nesse modelo é. onde o conteúdo como a forma não dizem respeito a um espaço geográfico e a um momento histórico concretos. Cipriano. Ser alheia. As aulas sao constituídas por falaçoes do professor e audiçoes dos alunos. proporemos a nossa reflexão na busca de entender a universidade que temos e de clarear a nossa tentativa de construir a universidade que pretendemos.. e da universidade. de cultura. nível superior. ler matéria a fim de se preparar para fazer provas. é verbalizar ¨conhecimentos¨. Verdades estudadas há dez. bloqueadora de qualquer crise. criticamenta. nunca refletidas ou analisadas. erudiçoes. José. Naidison. Uma universidade sem pesquisa não deve. avessa as modificaçoes. sem uma paralela visao do contexto social. executar ensino. informaçoes memorizadas e facilmente repetidas nnas provas. a heterogeneidade de lugar. em que se faça tão somente ensino. segundo médio. simplesmente como uma parasita ou um quisto. hoje. porque em dez. um ano. nos Estados Unidos.8 2 CONHECIMENTO SOBRE A FINALIDADE DA UNIVERSIDADE SEUS PROBLEMAS E PERSPECTIVAS 2. mas o jeito de estudá-las. a evolução no sentido de consrt uir um mundo onde o homem seja mais homem. Didática do Ensino Superior . o melhor aluno é o que mais fielmente repete o professor e seus eventuais textos nas provas. 2. e todo um processo de conhecimento intelectual e aprofundamento. ou seja. em determinada área ou disciplina. Em nossa cultura. não uma mera consumidora e repetidora de informaçoes importadas para ¨profissionalizar¨. Rejeitamos um modelo de universidade que não exercita a criatividade. terceiro superior. a realidade muda. ¨erudiçoes¨. Em outros termos. O aprendizado é medido pelo volume de ¨conhecimentos¨. abertura e infra-estrutura que permitam e incentivem a pesquisa. componente básico do sistema educacional. Luckesi. sujeito de um processo econstrutor de sua história. alheia a realidade onde está plantada. real e concreto. Não queremos uma universidade desvinculada. ser chamada de universidade. o processo de conhecer. rigorosamente. em nosso país. Eloy: Cosma. dócil ao status quo.no que se refere a escola. simplesmente. não identifica nem analisa problemas concretos a serem estudados. cinco.

Uma universidade que se propõe a ser crítiica e aberta não tem o direito de estratificar. estudada e entendida em todos os seus ângulos e relações. diz verdades já prontas. absolutizar qualquer conhecimento como um valor em si. A Lei 5. – O ensino superior indissociável da pesquisa será ministrado em universidades e. por pessoas capazes de refletir e abertas a reflexão. estruturadas. 2º. a universidade deve ser o lugar por excelência do cultivo do espírito. não queremos uma universidade originada da improvisação e meramente discursiva. o trabalo crítico no sentido de aumentar o cabedal cognitivo da humanidade. o desenvolvimento das ciências. Presumimos que. aprender. avaliada. 2. Todas as demais atividades tomarão significado só na medida em que concorram para proporcionar a pesquisa. excepcionalmente. – O ensino superior tem por objetivo a pesquisa. formando profissionais de alto nível tecnológico e fazendo ciência. indiscutivelmente certas e detém os critérios incontestáveis do certo e do errado. o centro da sabedoriae das decisões. estaelecer uma mentalidade criativa. de ouvir. ao intercâmbio das idéias. Trata-se de uma função nitidamente objetificnte e orientado para uma simples repetição cultural. uma vez que se bloqueia a fecundidade e o exercício da crítica. a participação em iniciativas construtivas. o mestre que fala. portanto. letras e artes e a formação de profissionais de nível universitário. O aluno é o ouvinte. portanto. a revelia do corpo de professores e alunos. reproduçãode idéias sem qualquer força de criação continua. professores – alunos – administração. de produção nova.1. mas nunca a definição última da universidade – surja a partir de organismos e razoes outros que não os eminentemente pedagógicos e didáticos. questionada. o receptor passivo do que é emitido pelo professor-mestre. Nestes termos. não está realizando sua essencia. todo o seu corpo seja constituído por pessoas adultas: todos já sabem muitas coisas a respeito de muitas coisas. sua característica que a especifica como tal crítica. com referencia ao ensino superior: Art. Não queremos uma universidade na qual o professor aparece como o único sujeito. A universidade que não toma a si esta tarefa de refletir criticamente e de maneira continuada sobre o momento histórico em que ela vive. do saber. em consequência. criando-a provocando-a permitindo-a e lutando continuamente para conquistar espaços de liberdade que assegurem a reflexão. A pesquisa será. sobre o projeto de sua comunidade. a fim de que a realidade seja percebida. nessa universidade. organizados como instituições de direito privado. é impossível uma universidade centro de reflexão crítica. . 1º. a atividade fundamental desse centro. não uma simples escola de nível superior. Art. ainda. reconhece que toda conquista do pensamento do homem passa a ser relativa. Buscaremos. Nesse centro buscaremos o máximo possível de informaçoes a todos os níveis. em estabelecimentos isolados. na medida em que o espaço-temporaliza. isto é. para que possa ser continuamente ransformada. Em síntese. comprometida exclusivamente com a busca cada vez mais séria da verdade.9 1. com rigor. através do exercício da assimilação – não simples deglutição – da comparação. sua função é. a investigação crítica. ao contrário. indicada pura e simplesmente pelos donos do poder polítiico e econômico sem a interferência de sua célula básica – aluno e professor – e aja como se fosse senhora de tudo. e onde se desenvolvem as mais altas formas da cultura e da reflexão. da análise da avaliação das proporções e dos conhecimentos. memorizar e repetir bem o que lhe é transmitido. Há sempre a necessidade de um entendimento novo. preciisa comprometer-se com a reflexão. o magister. Por conseguinte. todo o corpo universitário. Sem um minimo de clima de liberdade. 540/ 68 da reforma universitária diz. Isto Didática do Ensino Superior .2 A universidade que queremos Queremos construir uma universidade. Não queremos uma universidade onde a direção – administração – integrante fundamental do conjunto.

Queremos uma universidade onde se torne possível e habitual trabalhar. a crítica. porque a razão é emminentemente crítica. ao debate. razão concretizada. portanto. daí ser. enfim. Se entendemos a função específica da universidade como desenvolvimento da dimensão de racionalidade. através de um esforço inteligente de assimilação. desde a esfera mais próxima. questionar. por natureza. portanto. Queremos. para ver. questionamentos e debates. ou seja. Queremos produzir conhecimento a partir de uma realidade vivida e não de critérios estereotipados e pré-definidos por situações culturais distantes e alheias as que temos aqui e agora. comparar. ou seja. profissionais do saber. econômica e cultural e equipada com adequado instrumental científico e técnico que. o terceiro mundo. a realidade que a gera e sustenta. inventar. Propondo-se a formar cientistas. ela deve fazer avançar o saber. as conquistas do saber humano. conservação e transmissão da cultura. com aguda consciência de nossa realidade social. propor perspectivas racionais de ação. julgar. o município. política. Didática do Ensino Superior . poderemos visualizar o processar-se dessa mesma racionalidade em dois momentos complementares: promeiro. A universidade. aquele potencial humano racional constantemente ativo na leitura dos acontecimentos da realidade. por excelência. deve se colocar num processo permanente de revisão de suas próprias categorias. fazer entender melhor e mais profundamente a realidade concreta. para analisar. do Estado. na qual terá suas raízes. a universidade deve estar continuamente em interaao com a sociedade. o Estado. coordenação. em acordo sempre com as exigências do homem que aspira a ser mais. avaliar. na medida em que a estivermos construindo. porque além de tomar consciência continuamente do que faz. na medida em que exercita as funções de criação. fundamentado no princípio do incentivo a criatividade. porque específico da universidade é o esforço de ser e desenvolver nos seus membros a dimensão de uma consciência crítica. debater. econômico e cultural. Como essas pretensões. sujeito de criação.conquistar nosso modelo. lhe possibilitam escolher meios de superação das estruturas que o oprimem. mas pretendemos achar. a universidade ajuda a sociedade na busca de encontrar os instrumentos intelectuais que dando ao homem consciência de suas necessidades. finalmente. queremos criar um interrelacionamento professor-aluno. ao estudo e. investigar. dentro do processo histórico. o planeta.10 nos quer dizer que a universidade é. sujeito – nunca objeto – de seu aprendizado. Criadora e crítica. Nesse contexto a validez de qualquer conhecimento será mensurada na proporção em que este possa. entretanto. a racionalidade instrumental-crítica. Queremos uma universidade em contínuo fazer-se. discernir. de criar uma relação entre dois sujeitos empenhados em edificar a reflexão crítica: de um ladoo professor. de outro. da nação. de questionamento. porque sua missao não se esgota na mera transmissão do que já está sabido. criadora e crítica. porque isso marca a historicidade crítica de uma instituição humana. discernir e. até as esferas mais remotas. inteligência institucionalizada. um corpo responsável por indagar. Trata-se. Para ser consciência crítica. refletir a nossa realidade histórico-geográfico nos seus níveis social.. para que possa criticamente iidentificar e estudar seus reais e significativos problemas e desafios. de criação. queremos construir uma universidade plantada numa realidade concreta. exercitando e desenvolvendo seu potencial crítico. porque tem a universidade a responsabilidade de formar os quadros superiores exigidos pelo desenvolvimento do país. marcando a corresponsabilidade na condução do próprio processo. a micro-região. o país. permitindo ampliar o poder do homem sobre a natureza ponha a serviço da realização de cada pessoa. proposição de estudos. Nesses termos. Podíamos sintetizar as funções da universidade no esforço para imprimir eficácia na ação transformadora do homem sobre si mesmo e sobre as instituições que historicamente criou. segundo. uma universidade ¨consciência crítica da sociedade¨. o continente lainoamericano. político. so poderá desempenhar tais funções quando for capaz de formar especialistas para os quadros dirigentes da própria universidade. do municipio. Não imaginamos um modelo definitivo de uiversidade. o aluno. propor caminhos de soluções. a região. está atentos para os desafios dessa nossa realidade e estudá-los é a grande tarefa do corpo universitário. crítica. a racionalidade crítico-criadora. ou não. com isso.

cabe ao professor-educador descobrir. considerados imprescindíveis para o planejamento:   Lei 9394/96. de 20 de dezembro de 1996. todas as diretrizes referentes ao Ensino Superior. de 10 de outubro de 1996: Estabelece procedimentos para o processo de avaliação dos cursos e instituições superior. político ou econômico. O corpo universitário. Serão indicados alguns documentos do MEC. O educando é o primeiro agente do processo educativo. além de se consumir conhecimento. Dessa forma não se trata mais de uma universidade em que uns sabem e muitos não sabem . através do estudo e pesquisa. Queremos uma universidade democrática e voltada inteiramente para as lutas democráticas.2 Referencial do MEC Os documentos do MEC são referenciais de qualidade para o Ensino Superior e podem ser utilizados para o planejamento e a operacionalização das atividades específicas. a responsabilidade pelo todo. tais como: reconhecimento do curso. Enfim. As ferramentas do MEC colocadas à disposição do Ensino Superior são inúmeras e a proposta aos professores é que visitem sistematicamente a página do MEC. a fim de que possa proporcionar a seus alunos temas de reflexão concretos. serviçalismo e subserviência ao poder dominante. para que nessa busca de interação seja construída a universidade. uma universidade onde. Enfim. Didática do Ensino Superior . problemas e fontes de estudos. desenvolvimento de projetos. fazer-se sujeito em diálogo com o professor. efetivamente. de maneira que não seja anulada a espontaneidade e criatiividade do educando. cada um a seu nível. Pareceres e Portarias.026. Um corpo universitário não mais deve presenciar passivamente a nomeação de dirigentes universitários estribada em critérios antidemocráticos de simpatia. pelo contrário. deve chegar a expressar em forma autenticamente pessoal o seu conteúdo. Decreto nº 2. isto é. enfim. professores e do curso e demais diretrizes de ação. avaliação dos alunos. professores e aluno optaram por criá-lo e produzí-lo. questionamos livremente. ao aluno. É nesse sentido que o CELAM se expressa. Ocasionando o desenvolvimento do potencial de reflexão crítica dos alunos. É nesses termos que pretendemos um corpo universitário que lute para eleger os seus diretores a partir de critérios que correspondam aos objetivos da Universidade. formação continuada de professores. por isso transformador. é obviamente necessário que o professor esteja sempre bem iinformado da realidade como um todo. propomos livremente e livremente avaliamos a nossa responsailidade. mas em que muitos sabem algo e querem saber muito mais. uma universidade onde possamos lutar para conquistar espaços de liberdade. necessita de espaço para assumir. com a realidade social. Recomendamos o conhecimento.11 Para que um tal clima se faça. a socialização e a reflexão coletiva das diretrizes do MEC como subsídios indispensáveis na gestão das ações pedagógicas. buscando novos subsídios de informação e inovação. decorrentes de incessante observação crítica da realidade. com os demais companheiros. é ele quem se educa a si mesmo: ao educador compete apenas estimular e ordenar inteligentemente esse processo. Queremos. econômica e cultural. o professor se torna um motivador do saber. administrativas e político-sociais. proposiçoes criativas e originais. e de sua área de especialização em particular. com o aluno. elaboração do projeto pedagógico do curso. 2. como ser sujeito em diálogo com a realidade. elaboração e reelaboração curricular. política. professor-aluno e administração. Enquanto pensamos livremente. O Ministério da Educação através de suas subsecretarias e órgãos. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). que jamais poderá existir sem professor e aluno voltados para a criação e construção do saber engajado. disponibiliza em sua página na INTERNET as Resoluções.

de interpretação dos código nos mais variados tratamentos de saúde. o assunto deste capítulo se reveste de grande importância. aulas práticas. branco ou verde). de 18 de outubro de 2001: Oferta de disciplinas que. de uso e domínio de língua estrangeira e de informática. aulas expositivas. a avaliação de cursos e institui providências. dinâmicas de grupo.1 Técnicas para o desenvolvimento da aprendizagem em aula Tendo tratado da aprendizagem como ponto central em torno do qual deverá gravitar a ação docente. Decreto nº 3. internet.306. queremos em primeiro lugar dizer que entendemos por “técnica” o sentido que lhe atribuiu o Dicionário Larousse Cultural. Didática do Ensino Superior . no uso e na atualização de suas técnicas cirúrgicas.12    Decreto nº 2. os docentes do ensino superior preocupados em transmitir informações e experiências se utilizam praticamente de aulas teóricas expositivas e de aulas práticas. ensino por projetos. e servem para o professor ler suas anotações. de coleta e interpretação dos dados de qualquer fenômeno social. de organização para Centros Universitários. e em nosso caso na realização de uma arte que se chama docência. leituras. de 13 de maio de 1997: Credenciamento de centros universitários para o sistema federal de ensino superior. de avaliação e planejamento. porém. de habilidades e de atitudes ou valores. Ainda hoje. há um descaso total com a tecnologia. Quanto à ação docente. em sua grande maioria. É verdade que muitos dos docentes do ensino superior têm uma dupla atitude com relação às técnicas: super exigentes no conhecimento. 253. Portaria nº 639. de 9 de julho de 2001: Dispõe sobre a organização do ensino superior. de 19 de agosto de 1997: Regulamentação das instituições de ensino superior. pesquisa. Ao tratar das técnicas possíveis de serem usadas em aulas para colaborarem com a aprendizagem. acreditando que é suficiente o domínio de conteúdo para entrar em uma sala de aula e conseguir que os alunos aprendam. o conjunto de recursos e “ meios materiais utilizados na confecção de uma arte”. estudo de caso. ou seja. Portaria nº 2.   3 COMPETÊNCIA PEDAGÓGICA DO PROFESSOR UNIVERSITÁRIO Marcos Tarciso Masseto 3. se procura ou demonstrar o que se disse na aula teórica. Chegam mesmo a apelidar de “perfumarias” quaisquer tentativas de se procurar trabalhar tecnicamente em educação. e outros mais como veremos adiante. e considerando que os objetivos a serem alcançados deverão permitir o desenvolvimento dos aprendizes na área do conhecimento. diagnósticos. como retro projetor e transparências (que em geral substituem o quadro-negro. Portaria nº 2. em seu todo ou em parte. São exemplos de técnicas: recursos audiovisuais. Muitas vezes para a aula expositiva são usados alguns recursos audiovisuais. ou se exige que o aluno faça aquilo que foi ensinado na aula expositiva. uso do quadro-negro. visitas técnicas.041 de 22 de outubro de 1997: Define critérios adicionais aos já estabelecidos na legislação vigente. utilizem método não presencial de organização pedagógica e curricular de seus cursos superiores reconhecidos.860. Nestas.

não é possível querermos ajudar os alunos a conseguirem tantos objetivos usando apenas uma ou duas técnicas. mais ou menos responsáveis. Didática do Ensino Superior . A variação das técnicas permite que se atenda a diferenças individuais existentes no grupo de alunos da turma: enquanto uns aprendem mais ouvindo. Depois de dois ou três meses a produção da classe decaía. Também para o professor. se um curso todo é dado sob forma de aulas expositivas. Isso nos alerta para as necessidades de conhecermos e dominarmos várias técnicas que possam ser utilizadas tendo em vista o mesmo objetivo. é lógico que tenhamos de usar múltiplas técnicas. Há necessidade do conhecimento das diferentes técnicas que sejam mais adaptadas a este ou aquele objetivo. A segunda conseqüência é a seguinte: cada grupo de alunos ou cada turma ou cada classe é diferente um do outro. outros aprendem mais debatendo. do começo ao fim do ano. à energia pessoal do próprio professor. não sendo o desafio unicamente intelectual suficiente para manter os alunos em estado de alerta. 3. Uma única maneira de dar aulas favorecerá sempre os mesmos e prejudicará sempre os mesmos. Ou. o que se faz oportuno. a variação na maneira de dar as aulas traz vantagens: também para ele o curso se torna dinâmico. pois elas são um forte elemento de atuação sobre a motivação dos alunos. na medida em que exige renovação. a fatos supervenientes. Todas as técnicas são instrumentos e como tais necessariamente precisam estar adequadas a um objetivo e ser eficiente para ajudar na consecução deste. Para o mesmo objetivo.. talvez de fato não dando valor às estratégias. em outras palavras. não estará desenvolvendo a habilidade de trabalhar em grupo. 2. e assim por diante. criatividade ao dar as aulas. embora reconhecendo sua validade e bom nível do conteúdo fornecido. talvez desinformados. que favoreçam o alcance dos objetivos educacionais pelo aprendiz. Três conseqüências decorrem imediatamente dessa afirmação: 1. flexibilidade. à composição do grupo. repetiam uma única maneira de dar aula. afetivo-emocionais e de atitudes ou valores). desafiador. de se expressar. apesar de estar desenvolvendo a capacidade de ouvir e receber informações. outros ainda realizando atividades individuais ou coletivas durante o tempo de aula. tarde ou noite). internet etc. determinada técnica pode ajudar um grupo e não servir para outro pelas mais diferentes razões. A variação de técnicas favorece o desenvolvimento de diversas facetas dos alunos: por exemplo. de habilidades e competências. assim como a necessidade de se propor claramente os objetivos a serem alcançados.13 Mais abrangente que técnicas me parece o termo “estratégia” para iniciar os meios que o professor utiliza em aula para facilitar a aprendizagem dos alunos. desde a organização do espaço sala de aula com suas carteiras até a preparação do material a ser usado. mais ou menos participantes. por exemplo. ou uso de dinâmicas de grupo. Há necessidade de variar as técnicas no decorrer de um curso. podemos dizer que as estratégias para a aprendizagem constituem-se numa arte de decidir sobre um conjunto de disposições. Procurando conceituar de maneira mais formal. informação sobre estratégias. De nossa própria experiência como alunos. Essencial no conceito de técnicas ou estratégias é sua característica de instrumentalidade. mais ou menos capazes para aprender. devido ao turno em que acontece a aula (manhã. a incidentes críticos acontecidos com determinado grupo. por exemplo. dois fatores altamente favoráveis para uma aprendizagem significativa. é como se a classe começasse a se sentir “cansada” daquelas aulas. É o que se pede aos alunos no decorrer das aulas: eles se sentirão mais ou menos envolvidos. ao estado físico ou motivacional do aluno. Como no processo de aprendizagem trabalhamos com vários objetos (de conhecimento. entretanto. de diálogo com os alunos. dialogando. de resolver problemas. ao clima estabelecido na classe. ou outras atividades individuais. visitas técnicas. recursos audiovisuais. podemos lembrar de professores que eram excelentes especialistas em seus conteúdos e também capazes de estabelecer um clima de descontração em sala de aula.

técnicas usadas em ambientes reais de profissionalização. Só tecnologia moderna não resolve nossos problemas educacionais de aprendizagem e formação. enriquecer e ampliar essas sugestões. bem como o domínio do uso destas para poder utilizá-las em aulas. É também o profissional da aprendizagem enquanto se responsabiliza pela gestão das situações da aprendizagem. Que o professor. 3. Ela é um instrumento. esperando que os professores possam. pelo conhecimento e domínio prático de muitas técnicas e por sua capacidade de adaptação das técnicas existentes. afinal. Com isso queremos dizer que se espera do professor uma atitude muito ativa e de intervenção dinâmica no campo das estratégias. 2. O que se espera do professor com relação às técnicas? Vale à pena a reflexão. modificando-as naquilo que for necessário para que possam ser usadas com aproveitamento pelos alunos individualmente ou em grupos.14 A instrumentalidade das técnicas traz consigo uma decorrência: a relatividade da técnica. bem como condições adequadas de trabalho. Que o professor tenha conhecimento de várias técnicas ou estratégias. Vamos indicar alguns exemplos apenas. querendo com isto indicar a modernidade ou atualização na formação de seus profissionais. de nada adiantará dispormos de alguma tecnologia. no campo das técnicas. Mas.2 Técnicas universitários usadas em ambientes presenciais e Como iniciar uma disciplina. vamos organizá-las em três grupos: técnicas que são usadas em ambientes presenciais e universitários. Portanto. técnicas são instrumentos e como tais podem ser criadas por aqueles que vão usá-las. Tecnologia educacional em educação é muito importante desde que venha como instrumento colaborativo das atividades de aprendizagem. técnicas presentes em ambientes virtuais. com que estratégias podemos contar? Para análise e discussão. Afinal. e não proporcionarmos formação continuada e em serviço para os professores. aquecer um grupo ou desbloqueá-lo? São várias as técnicas de que dispomos para iniciar um curso ou aquecer um grupo de alunos para trabalharem em aula.      Apresentação Simples Apresentação cruzada em duplas Complemento de frases Desenhos em grupo Deslocamento físico Didática do Ensino Superior . Assim sendo. se torne capaz de criar novas técnicas que melhor respondam às necessidades de seus alunos. O professor para nós é um educador e como tal tem clareza dos objetivos educacionais que se pretende com seus alunos. espera-se dele atitudes básicas: 1. se não revirmos nossa posição quanto aos grandes princípios educacionais. outros usam dessa tecnologia como chamariz para seus vestibulares. Que o professor desenvolva capacidade de adaptação das diversas técnicas. pois muitas pessoas podem vê-lo apenas como um aplicador de técnicas. 3. Este também é um ponto muito importante para nossa reflexão: se alguns docentes e instituições do ensino superior desqualificam qualquer importância ou relevância para o uso da tecnologia em seus cursos. com sua prática.

Apresentação simples Cada membro do grupo. o objetivo da técnica. 30 pessoas. tem uma frase completa. Didática do Ensino Superior . Cada um tem três minutos para fazer sua apresentação ao colega. dando a oportunidade de todos se manifestarem. se apresenta.   1. Produzir grande número de idéias em prazo curto. recolhem-se os cartões e se redistribuem aleatoriamente. que não foi escrita por ele. Nesta disciplina espero aprender. Em que consiste? O professor prepara um cartão para cada aluno... A apresentação cruzada costuma ser bastante informal. precisamos escolher outra técnica. com pouca disposição de se comunicar oralmente.. portanto. Apresentação cruzada em duplas Trata-se de uma variante da técnica anterior. Em meus momentos de lazer. essa técnica é mais aconselhável para grupos de 25 ou.. ouvirem uma grande parte de depoimentos e conhecerem o grupo de modo geral. Socialmente eu.. se apresentar um ao outro nos mesmos moldes descritos na apresentação simples.. Além desse número. Nessa condição. e é convidado a ler a frase em público para todos os colegas. deverá apresentá-lo ao grupo. de fato. dizendo alguma coisa de si mesmo nos vários aspectos de sua vida. Meus colegas dizem que esta disciplina. livremente. Os participantes se reúnem em duplas durante seis minutos e deverão. Com relação à minha profissão. oralmente. Expressar expectativas ou problemas que afetam o clima do grupo e o desempenho de seus membros. criando freqüentemente momentos jocosos e hilariantes. mais favorável à aprendizagem da disciplina.. A inibição diminui. e de grande aproximação entre o grupo. e ninguém sabe por quem o foi. Este é... os quais professor e/ou alunos não percebam claramente ou tenham dificuldade de expressar de modo direto. Além desse número. que será complementado pelo aluno. Por isso.. Essa estratégia é mais aconselhável para grupos pequenos (20-25 pessoas). no memento seguinte. É uma técnica que pode ser usada com pequenos e grandes grupos. ela se torna cansativa.. A apresentação pode ser entremeada com perguntas feitas pelos participantes. verbalmente. pois.. O desbloqueio se inicia. Exemplos de frases: Vim para este curso. outra técnica deverá ser escolhida. sobretudo se o professor recolher os cartões e examiná-los posteriormente.. encontramos uma turma muito inibida. Preparar uma classe que no início se mostra apática para um relacionamento mais vivo e. Quebrar percepções aprioristicamente preconceituosas entre os membros da classe. 3.. pois aquela leitura praticamente não compromete o leitor. Em seguida. Como a anterior. 2. e com base nela o professor pode fazer outras questões ou outros alunos podem querer ler frases semelhantes.. nesse período.. Esta disciplina serve para.. etc. no máximo. Complementação de frases Por vezes. no qual escreve um início de frase. agora. uma técnica que pode ajudar o desbloqueio é a complementação de frases. de forma que cada aluno. Cada elemento da dupla deverá dar toda atenção ao colega. desenvolver a originalidade e a desinibição.. inclusive suas preferências em momentos de lazer e em outros momentos de sua vida social.15     Brainstorming São objetivos dessas técnicas: Colaborar para que membros de um grupo que vão trabalhar juntos durante certo tempo se conheçam em um clima descontraído...

O diálogo aproxima muito os grupos e a turma de diversas formas. levando em consideração o desconforto das cadeiras. para que os alunos não entendam a atividade apenas como uma “brincadeira” inconseqüente durante a aula. como revistas. traz grande probabilidade de desatenção e apatia durante as aulas. Didática do Ensino Superior . Encerrado o tempo estipulado. em geral. 5. ela permite um desbloqueio. Por exemplo. estão embotados em nós. um aquecimento da classe. A técnica permite que os alunos do pequeno grupo se entrosem e interajam com a classe como um todo de uma forma. dá-se a palavra ao grupo para se explicar.16 4. freqüentemente. Deslocamento Físico Nem sempre damos conta de que o tempo que os alunos permanecem sentados. ou outro material que julgar conveniente. Isso poderá ser mais bem percebido adiante quando tratarmos das dinâmicas de grupo. e fazer esse deslocamento aproximando-se dos mais variados alunos e ocupando os espaços da sala de aula diversas vezes durante a exposição. O professor terá levado para sala de aula folhas de papel-jornal ou cartolinas. e ao professor oferece oportunidade de conhecer o que seus alunos pensam a respeito do assunto sobre o qual se dialogou. sem censura. embora seu principal objetivo seja levar a um desenvolvimento da criatividade. Donde a necessidade de provocarmos deslocamentos físicos dos alunos e/ou do professor. Dá-se um tema a respeito do qual se pede para os grupos debaterem durante 15 minutos. a representação estática ou dinâmica. Evitar que se tenha tempo para pensar ou fazer longos raciocínios. para se fazer uma colagem. Brainstorming Incluímos nessa categoria a técnica brainstorming (tempestade cerebral) porque. logo no início da aula solicitar colaboração para arrumar as carteiras em forma de semicírculo. pede-se que cada grupo procure uma forma de comunicar a toda a turma as idéias a que chegaram seus integrantes. Divide-se a turma em grupos de cinco a sete pessoas no máximo. procurem verbalizar imediatamente. cada grupo é chamado para fazer sua apresentação ou expor seu desenho. Inicialmente. outros vão afirmar que “isso é coisa de escola fundamental” etc. Após esse tempo. com pincéis atômicos para os desenhos. sem preocupação com o certo ou errado. ao ser apresentado o tema ou uma palavra. programar atividade de grupo que obrigue os alunos a mudarem de local na sala. sem manifestação do grupo que está expondo. Após cerca de dois minutos. descontraída. pedindo aos alunos que. bem como à produção de grande número de idéias em curto prazo de tempo. sem usar a palavra oral ou escrita. até o final da sala. Ou seja. 6. é o seguinte: orienta-se a classe para a atividade que vai acontecer. que procurem ajuda entre os colegas de outros grupos (não esqueçamos que nosso objetivo é a interação grupal) etc. abrir espaço entre as carteiras para que possa transitar livremente entre os alunos. com plena liberdade. pergunta-se à classe quais idéias estão sendo comunicadas. procurando chegar à diversas idéias comuns. em geral. É muito importante que o encaminhamento dessa atividade dado pelo professor esteja explicitamente relacionado com objetivos de aprendizagem esperados. procurem comunicar-se mediante outros recursos. Ao que responderemos que desejamos apenas desenvolver outros tipos de comunicação que. Certamente haverá muita reclamação por parte dos alunos que não estão acostumados a esse tipo de comunicação. alguns dirão não saber fazer a atividade. por exemplo: o desenho. Nessa técnica é importante a manifestação espontânea. fotos etc. Dá-se um tempo de mais 15 minutos para a realização dessa atividade. se o professor for dar uma aula expositiva. Seu funcionamento. lembrar que várias dinâmicas de grupo permitem deslocamentos maiores durante o tempo de aula. Desenhos em grupos Essa é uma técnica que poderá ser usada com grandes grupos. desde que tenhamos espaço físico suficiente. em geral. o que favorece muito mais a participação dos alunos nas aulas. as associações que lhes vierem à mente. gestos etc.

e sem fazer nenhum comentário a favor ou contra. o brainstorming foi muito importante para se expor às defesas. biblioteca. fazer uma síntese após o estudo do assunto procurando reunir os pontos mais significativos e estabelecer comunicações que tragam atualidade ao tema ou explicações necessárias. os professores a usam para transmitir e explicar informações aos alunos. Para esse ambiente também dispomos de técnicas específicas que precisamos comentar. novas experiências e com maior abertura para aprender. Se não perceberem. Como toda e qualquer técnica. os sentimentos negativos com relação ao tema. institutos de pesquisa. Estes têm uma atitude de ouvir. o professor encerra as manifestações e. buscando e discutindo novas informações. tema em geral carregado de ansiedades e experiências negativas. se identificar tudo que seja possível acerca do que está registrado na lousa. Não podemos nos esquecer de que hoje dispomos de outro ambiente de aprendizagem. Decorrido cerca de dois a três minutos (ou seja. Enfim. Será interessante deixá-las por último para que os próprios alunos cheguem a essa conclusão. os aspectos pejorativos. são usadas em ambientes presenciais. anotar. escritórios. quando a aprendizagem se efetiva em ambientes próprios da atividade profissional para a qual o aluno está se preparando: estágios. em geral. fóruns. ao redor da palavra ou do tema escrito. De que técnicas dispomos para dar sustentação a uma disciplina durante um semestre ou um ano? Tratando-se de ambientes presenciais em que a disciplina será ministrada. prática clínica ou profissional em clínicas. por vezes perguntar. que idéias são mais próximas do tema ou do conceito que a palavra escrita contém. por exemplo. Aula expositiva Trata-se de uma técnica que a maioria absoluta dos professores do ensino superior usa freqüentemente. escrevendo-a na lousa. ou seja. mas. Didática do Ensino Superior . começa a organizar as manifestações solicitando agora a participação para. evitando inclusive que suas reações às verbalizações sejam percebidas. congressos. em geral. isto é. vale a pena recordar que a aula expositiva pode responder a três objetivos: abrir um tema de estudo. técnicas que poderão ser usadas em salas de aula. o professor apresenta um tema ou uma palavra que seja provocador(a) e instigante. escolas. ambulatórios. um tempo não muito extenso). Imediatamente se iniciam as verbalizações que o professor vai registrando na lousa. a desatenção e o desinteresse pelo assunto. então. próprio da era tecnológica que estamos vivendo: o ambiente virtual de aprendizagem. excursões. Essa atitude do aluno. precisamos distinguir técnicas que poderão ser usadas em ambientes “universitários”. o aspecto emocional apareceu aí e pôde ser trabalhado. o coloca em uma situação passiva de receber e em condição que em muito favorece a apatia. Em geral. justamente para incentivar as manifestações sem censura e total liberdade de associação. quando o tema foi “Avaliação”. laboratórios. ou eliminar as que não possam ser colocadas em prática (o critério depende do tema proposto para a atividade). o professor vai construindo o conceito ou o tema utilizando as colaborações apresentadas. e assim por diante. hospitais. 1. Certa vez.17 Combinado o procedimento. visitas técnicas. Poderão surgir idéias que nada tenham a ver com o tema ou a palavra proposta. o professor poderá mostrar porque não se incluem essas sugestões no trabalho realizado. postos de saúde. Por tais razões. juntamente com o grupo. empresas. sem se preocupar com nenhuma ordem ou organização. E num processo contínuo. das técnicas que poderão ser utilizadas em ambientes “profissionais”. de preferência com os alunos. permitindo que em seguida se entrasse para a discussão do tema com mais tranqüilidade. em geral. em um curso de formação de professores. ou agrupar as idéias por alguma semelhança. de absorvê-las para reproduzir futuramente. Vamos começar com técnicas que. sua escolha deverá se orientar pelos critérios básicos de seleção: adequação ao objetivo de aprendizagem pretendido e eficiência para colaborar na consecução deste.

encontram-se em fontes acessíveis a ele: livros-texto. Didática do Ensino Superior . Isso demandará um tempo de mais ou menos 20 minutos. Planejar a seqüência em que fará a explanação. o professor apresente um cenário bem amplo em que se coloca a importância. ele conhecerá a biblioteca. escolhendo linguagem. em geral. a buscar informações. Será interessante porque os alunos já dominam o assunto. perguntas para formular aos alunos durante a explanação a fim de ativar a participação ou atenção dos alunos. para garantir que haja clareza e seqüência nas idéias. é preciso que se lembre de algumas medidas indispensáveis para prepará-la e ministrá-la. conforme explicamos acima. O professor pode expor recentes descobertas. Considerar que há limite de tempo. Preparar uma notícia de jornal ou revista atual que poderá usar em determinado momento para chamar a atenção dos alunos. matérias do curso. para não cansar os alunos e favorecer a divagação. quando o professor for usar a aula expositiva como técnica. Quando um estudo é realizado por diversos grupos. ou novas teorias. como veremos adiante. atualizando o conhecimento existente nos livros-texto ou em publicações acessíveis ao aluno. tais como pesquisas. mas de fazer uma síntese conclusiva sobre o tema. livros e revistas em bibliotecas. há que se trabalhar de forma diferente com a leitura fora de aula e o uso de técnicas dinâmicas em aula. ou colhidas em fontes diversas. é interessante uma aula expositiva para recuperar esses aspectos de uma forma sintética. Estabelecer comunicações que tragam atualidade ao tema ou explicações necessárias. jornais. uma vez que tais encontros se tornarão essenciais para a compreensão total do assunto. Se o aluno for incentivado a buscar as informações.. o professor pode transmitir ao aluno explicações sobre os pontos difíceis.      Ter claro o objetivo da aula. etc. Considerar a classe para quem vai se dirigir. ou um caso hilariante para alegrar e minimizar a tensão durante a fala. de pesquisa ou de leituras. ressaltar aqueles mais importantes e sintetizar informações de difícil acesso aos alunos. dar vida a um conteúdo que pode parecer frio e desinteressante e orientar a realização do estudo propriamente dito do tema. o que lhe será útil para o resto de sua vida. Mas observe: não se trata de repetir todas as informações estudadas. ou é resultado de contato com especialistas. bem como possibilitará ver a síntese feita pelo professor. revistas etc. com o exercício profissional. Aprenderá a ser mais ativo em seu processo de aprendizagem e a valorizar mais o encontro com o professor e seus colegas. aprenderá a fazer uso dela. para o que se utilizará de outras técnicas. ou apresenta vários aspectos que precisam ser considerados. desenvolverá mais o raciocínio e a capacidade de pensar e trazer sua contribuição. Na preparação da aula expositiva. Fazer uma síntese do assunto estudado.18 Abrir um tema de estudo: por vezes é importante que. ao se iniciar um tema. ou não ficaram suficientemente claros. Por que descartei dos objetivos da aula expositiva a transmissão cotidiana e contínua de informações ao aluno? Por uma razão: as informações básicas e fundamentais para a aprendizagem do aluno. No entanto. sem cair em digressões. bem como suas relações com outros assuntos. por exemplo: atividades de grupo ou individuais. de acordo com os alunos. exemplos etc. Pela preleção. preparar uma piada. um exemplo ou caso bem adaptado ao que expõe. Para incentivar o aluno a buscar informações. ou mesmo aprenderá a ler livros de sua área. aprenderá a ler e compreender o que os autores escrevem e resolver as dúvidas. Essa preleção pode servir para motivar os alunos ao estudo do tema. mais que de alguma forma se perderam durante uma discussão ou um debate. a atualidade do estudo a ser feito.

apresentar os pontos difíceis mais devagar. dialogar. na categoria de “recursos” e não de elementos principais. Debate com a classe toda O objetivo principal dessa técnica é permitir ao aluno expressar-se em público. e. mantendo-os. que ajudem na explicação ou permitam o debate e a discussão. Nunca usar um número excessivo que praticamente substitua a aula expositiva. observar alguns pontos:    Deixar bastante claro para os alunos qual é o objetivo daquela aula. porém. ou de se comentar uma notícia de jornal. tabelas. apresentando suas idéias. Preparar com antecedência os materiais e recursos necessários para a aula e verificar se. por vezes. ou de abrir uma janela para conseguir mais ventilação. Nada mais frustrante para o professor e para o aluno do que chegar a uma sala com tudo preparado para a aula e o recinto não se mostrar apropriado. Permitir ao aluno valorizar o trabalho de grupo.se com os alunos. ou repetindo o mesmo conceito ou idéia sob diferentes formas. mediante a apresentação de um problema. utilizar esses indícios para re orientar sua própria exposição: é o momento de uma pergunta à classe. Procurar ganhar a atenção dos alunos de início. Quanto a slides. de uma pergunta ou de um desafio. comunicar. de contar uma piada. trazendo o material preparado para discussão. fazer perguntas. Esse comportamento pode comprometer os objetivos da própria estratégia. Todos deverão ter oportunidade para fazer o uso da palavra. respeitar opiniões diferentes da sua. calcular muito bem o número a ser usado: poucos. Utilizar-se livremente de recursos auxiliares à palavra para se fazer entender ou para manter o interesse e a atenção dos alunos. Afinal. evitando o monopólio das intervenções por parte de alguns apenas. Inclusive o próprio professor precisará se policiar para não interferir a todo instante e com grande tempo de manifestação.19  Se for usar slides ou transparências. até por vezes pela própria iluminação natural que impede o uso de recursos audiovisuais. a aula expositiva exige do aluno uma posição passiva. Dirigir-se pessoalmente aos alunos. ouvir os outros. percebendo como a discussão entre todos e as experiências de todos são mais ricas do que as de uma só pessoa. Há alguns pressupostos básicos para o funcionamento dessa técnica:    o professor deve dominar bem o assunto sobre o qual se dará o debate. suas reflexões. Evitar considerar as distrações dos alunos afronta pessoal ou desrespeito. em vez disso.    2. o tema indicado pelo professor deverá ser preparado pelos participantes do debate com leituras e pesquisas anteriores.  Ao se dar aula expositiva propriamente dita. argumentar e defender suas próprias posições. mesmo que seja para resolver mais rapidamente a questão apresentada. refletir sobre o que está ouvindo.se pela sala. o professor deverá garantir a participação de todos. olhando-os nos olhos um a um. e para isso locomover. gráficos ou itens indicativos e nunca com textos longos para serem lidos durante o tempo todo. ou mesmo. há condições para o uso dos recursos. permitir pausas rápidas para uma comunicação entre os próprios alunos. no espaço físico onde a aula será dada. bem escolhidos. prepará-los apenas com imagens. Como realizar essa técnica? Didática do Ensino Superior . Considerar o ritmo da classe para tomar notas. pedindo deles um feedback sobre a clareza do que está expondo. suas experiências e vivências. nem sempre fácil de se manter.

ou habilidades. O assunto novo era por demais árido e difícil. complementar comentários do colega. ou solicitando auxílio do professor quando absolutamente necessário. buscar informações necessárias para o encaminhamento da situação-problema. quando o professor. levando em conta as variáveis componentes. o painel integrado sobre o qual falaremos adiante. desenvolver a capacidade de analisar problemas e encaminhar soluções e preparar-se para enfrentar situações reais e complexas. Real. integrando teoria e prática. o professor ocupará o papel de mediador. Ou poderá ser empregada como elemento motivador para aprendizagem. se a técnica. se possa chegar a algumas conclusões para seu fechamento e para as questões não ficarem no ar. as desconhecidas motivaram os alunos a aprenderem trabalhando em aula e fora dela. no qual havia situações conhecidas e desconhecidas dos alunos. mediante a aprendizagem em ambiente não ameaçador (sala de aula). Nessa situação. apresentar questões. e assim por diante. e muitos deles já se encontram em sites ou em outros programas de computação (por exemplo. 3. A técnica em geral é bem-sucedida com pequenos grupos. quando o professor toma uma situação profissional existente e a apresenta aos alunos para ser encaminhada com soluções adequadas. No dia do debate. buscando uma solução para o problema. Didática do Ensino Superior . Como usar essa técnica? Ela pode ser usada após o estudo de um conteúdo. e então o caso será apresentado antes dos estudos teóricos. “compõe” uma situação simulada com vários aspectos reais. fixa um tempo para a atividade e abre a palavra aos participantes. trazer o grupo de volta ao tema central sempre que houver dispersões. sugiro o emprego de outra técnica. tendo por objetivo a aprendizagem de determinados conceitos. Conheci a experiência de um professor de Contabilidade que organizou todo o conteúdo de um bimestre num estudo de caso simulado para ser resolvido. a juízo do professor. E a experiência foi um sucesso de aprendizagem segundo o depoimento do professor. Estudo de caso Essa técnica tem por objetivo colocar o aluno em contato com uma situação profissional real ou simulada. ao final do debate. aplicar as informações à situação real. como costumam ser denominados em quase todas as áreas de conhecimento. por exemplo.20 O professor em data anterior ao debate escolhe um tema. permitindo um debate com a própria máquina para a sua solução Qual é o objeto dessa técnica? O que ela ajuda a aprender?       entrar em contato com uma situação real ou simulada de sua profissão. O coordenador do grupo estará atento para contornar monopolizações. incluir a possibilidade de discussão entre os colegas na busca de solução. e então o aluno já dispõe das informações básicas para resolver o caso. Apresenta maior dificuldade quando realizada com grandes grupos. como aplicação prática da teoria estudada. administrar o tempo e orientar para que. As questões conhecidas permitiram revisão de matéria. sugere leituras e bibliografia básica e orienta para que se estude o assunto e se façam anotações. levantar dúvidas de compreensão do assunto. ser capaz de aprender a trabalhar em equipe. ou valores. formular perguntas. jogos de empresa). Hoje encontramos estudos de caso ou cases. fazer uma análise diagnóstica da situação. ou em discussão em duplas ou trios com os colegas usando as mesmas fontes. Simulada. expõe o tema. Daí para a frente procurará garantir a palavra a todos para fazer comentários. incentivando o aluno a buscar as informações necessárias para a solução do problema ou na bibliografia de que dispõe. ou teorias.

Quais são as etapas dessa estratégia?  Motivar os alunos a participarem da atividade. comunicar o resultado obtido com clareza. ou seja. com que método vai trabalhar para coletar informações necessárias para responder ao problema. elaborar um relatório com características científicas. Tempo esse que será em pequena parte dos momentos das aulas e em grande parte de momentos fora das aulas. sua validade. Além disso. seus elementos e sua organização: o o definição precisa de um problema. a riqueza de aprendizagem que encerra. ordem. lembrando que a pesquisa pode ser bibliográfica. comprová-las. organizar. É a pesquisa se iniciando já na formação dos profissionais contemporâneos. levantar hipóteses. revistas.. Essa é uma estratégia que pode ser usada uma vez no semestre ou duas no ano. sites etc. reformulá-las e tirar conclusões. Discutir os critérios para a escolha do assunto ou da situação a ser pesquisada. ou porque é possível que as soluções sejam diferentes. bibliografia a ser consultada. precisão cientifica. Será necessário orientar como se faz uma pesquisa e acompanhar sua realização. correlacionar dados e informações. Ensino com pesquisa Trata-se hoje de uma estratégia fundamental para a melhoria da qualidade dos cursos de graduação. Dividir a turma em pequenos grupos. periódicos.) e com os mais diversos ambientes informativos (bibliotecas. aceita e defendida por todas as instituições de ensino superior. Sempre será interessante um plenário para se discutirem as soluções encontradas visando ao enriquecimento do grupo. selecionar. Não será suficiente “mandar o aluno fazer pesquisa”. metodologia de pesquisa. músicas. ficando cada um com um aspecto do assunto a ser pesquisado ou com um tema próprio. entrar em contato com as mais diferentes fontes de informações (livros. como vai organizá-las e interpretá-las. a importância e como se relaciona com a aprendizagem que se está desenvolvendo naquela disciplina e naquele semestre. é uma técnica que permite o desenvolvimento de várias aprendizagens:   tomar iniciativa na busca de informações. ou porque. se forem casos diferentes. pode-se trabalhar com um único caso ou com casos diferentes. fazer inferências segundo dados e informações. fotos etc.      Também precisa ficar claro que a técnica só pode ser levada a efeito se o professor estiver disposto a orientar seus alunos nessa atividade. internet.). comparar.21 Em qualquer das duas hipóteses (usar o estudo de caso como prática do que foi estudado ou como motivador para a aprendizagem). oralmente ou por escrito. analisar. de campo ou incluindo ambos os aspectos. e-mails etc. anais de congressos. discutindo com eles no que consiste a pesquisa. checá-las. ou porque os processos de solução podem ser variados. a abrangência da experiência será bem maior. com especialistas de seu curso e de outras instituições mediante entrevistas. dados e materiais necessários para o estudo. Apresentar e discutir com os alunos o que vem a ser um plano de pesquisa. dado o tempo que ela consome. Didática do Ensino Superior    o . 4.

O professor deverá orientá-los e. relacionar as disciplinas entre si encaminhando para uma atitude interdisciplinar e para um exercício de integração dos conhecimentos de diferentes áreas. Grande parte dele fora de sala de aula. 5. Em que tempo? Ora marca-se uma orientação durante o intervalo do cafezinho. se reunir com o grupo para acompanhar o desempenho deles na pesquisa. Em princípio. elaboração do relatório científico. Poderá envolver só uma disciplina ou integrar várias delas em sua realização. coleta de dados e sua respectiva análise. que dão indicações detalhadas sobre o como realizar trabalhos desse tipo. indicando os objetivos a serem atingidos (situação ideal futura). Comunicar os resultados a toda a classe e discuti-los em seguida. Evidente que o projeto proposto poderá ser mais simples ou mais complexo. evitando vir a tomar conhecimento do resultado apenas no final do tempo estabelecido para tal. Aliás. realizar a conclusão. O professor poderá solicitar que cada aluno (se o projeto for individual) ou cada grupo escolha um projeto que seja de seu interesse. cartazes ou outras formas que incentivem a participação de todos os alunos. propiciando uma experiência integrativa de conhecimento e uma experiência de interdisciplinaridade. ora se destina o tempo de uma aula para orientação de todos os grupos. E nessa orientação o que se faz? Observa-se se todos estão pesquisando. A outra questão apresenta-se muito mais séria: a atitude do professor será a de um orientador de pesquisa. se estão no caminho correto ou se desviando muito do tema da pesquisa. O objetivo do ensino por projeto é criar condições para que o aluno aprenda a propor o encaminhamento e desenvolvimento de determinada situação. os fichamentos do material lido. partindo de uma análise diagnóstica. ora no final de uma aula. que é profundamente interdisciplinar. No estudo do caso. elaborar relatório científico. Desenvolver atitude prospectiva e habilidade de planejamento diante de uma situação também faz parte dos objetivos. esta última forma de realizá-los é mais condizente com a realidade profissional. e para cada uma delas estabelecendo metas parciais.22 o o o o  escolha de procedimentos a serem usados. Trata-se de uma estratégia do alto alcance no que diz respeito às aprendizagens profissionais. o aluno aprende a resolver problemas. usando pôsteres. Discutirá com o grupo os passos para a realização do projeto e acompanhará a elaboração deste de forma contínua. os alunos não sabem pesquisar. responsabilidades. e o professor procurará sempre orientar para o objetivo daquela pesquisa e analisar com eles o tempo que vem sendo empregado. debater com colegas os resultados obtidos nas várias pesquisas. as etapas de realização do projeto. Outro objetivo é ajudar o aluno a relacionar a teoria com a prática. respondendo às hipóteses. PowerPoint. relatórios de discussão do grupo. ações. lembrando que há várias publicações. tempo. com linguajar adaptado aos alunos. O tempo de aula usado será algumas vezes para orientar o trabalho de pesquisa e para a comunicação final. se o plano de pesquisa estabelecido está sendo cumprido. de tempos em tempos. Ensino por projetos Essa técnica apresenta um aspecto diferente das que a precederam. perdendo assim a possibilidade de ajudar o aluno a aprender mediante a elaboração de um projeto. É necessário também orientar para a elaboração do relatório final. A finalização dessa atividade Didática do Ensino Superior . O encaminhamento dessa técnica é muito parecido com o procedimento da técnica do “ensino com pesquisa”. paralelamente às outras atividades do semestre. Duas questões sempre aparecem quando discutimos esse assunto: haverá tempo suficiente para se fazer um trabalho como esse? Qual será o comportamento do professor durante a atividade? Tempo para essa atividade: de dois a dois meses e meio. organizando um sistema de acompanhamento de avaliação e feedback. participantes. de tal forma que a realização e integração de várias etapas apresentem o projeto concluído. Sugere-se que essa comunicação seja dinâmica. recursos e estratégias. no ensino com pesquisa aprende a pesquisar.

Desempenho de papéis (dramatização) Consideremos alguns exemplos: alunos do curso de Medicina participam de uma situação simulada de entrevista com um paciente. O que isto quer dizer: elas deverão trazer algumas vantagens diferentes das técnicas usadas para aprendizagens individuais e colaborar para outras aprendizagens que não seremos capazes de obter apenas individualmente. outro é o responsável pelas finanças. outro do bedel. outro do secretário. independência social e sensibilidade a situações grupais. que possam trabalhar com valores como desenvolvimento pessoal. o que é fundamental para nossas atividades profissionais). comporte-se como tal. consciência de si mesmo. de tal forma que. defenda as posições próprias daquele papel. outro do professor. seja pequeno ou grande. outro de aluno. Para que a aprendizagem aconteça é fundamental que cada elemento assuma integralmente seu papel. um grupo de alunos do curso de Direito participa de um júri em que um faz o papel do advogado de defesa. Cria-se uma situação-problema. na prática. alunos do curso de Odontologia participam de uma equipe de consultório em que um faz o papel da secretária. isso é. mais também o de outras pessoas envolvidas.23 deverá contar com a apresentação dos projetos para toda a turma. outro do supervisor. outro do cirurgião-dentista-chefe. Esses exemplos mostram como alunos podem aprender desempenhando papéis próprios de suas realidades profissionais. Dinâmicas de grupo Ao analisarmos a utilização de estratégias envolvendo um grupo de alunos. trazendo sua colaboração. outro pela pesquisa de mercado. o segundo do médico e o terceiro do observador. É uma técnica mais voltada para o desenvolvimento de habilidades e atitudes dos alunos. na qual um faz o papel do diretor. outro pelo marketing. debatendo e discutindo os vários aspectos do tema. 7. outro pelo contato com os clientes. outro do juiz. ampliando seu universo intelectual. aquisição de habilidades de relacionamento inter pessoal. outro do protético. 6. na qual um deles faz o papel do doente. cada um defendendo seu papel. outro do pai de aluno. São objetivos dessa técnica: que seus participantes desenvolvam a empatia (capacidade de se colocar no lugar do outro. um quarto pela matéria-prima. procure ter as reações e atitudes próprias daquele personagem. alunos do curso de Economia e Administração formam uma equipe para discutir os novos rumos de uma empresa. A apresentação também é um momento de aprendizagem e não apenas um encerramento de trabalhos. outros do júri. ao término do trabalho em grupo. outro é o contador. Quais são estes objetivos que poderemos desenvolver?  A capacidade de estudar um problema em equipe. na qual um é o dono. relacionando-os com seus conhecimentos e suas experiências. Essa estratégia em muito incentiva a participação dos alunos e permite avaliar de que modo ele se comporta. a capacidade de desempenhar papéis de outros e de analisar situações de conflito segundo não só o próprio ponto de vista. com debate sobre cada um deles. o primeiro aspecto a que precisamos estar atentos é o fato de tratar-se de técnicas coletivas. outro do réu. ouvindo as contribuições dos colegas. dialogue com os outros para resolver o problema apresentado. alunos do curso de Pedagogia ou Licenciatura participam de uma reunião numa escola para definir o planejamento do ano. como profissional diante das questões colocadas. cada participante possa ter Didática do Ensino Superior . outro do servente. considerando determinados conteúdos já estudados ou sendo estudados naquele momento. e assim por diante. o que não impede que ocorra. um terceiro do auxiliar. Além disso. outro do promotor. para que todos possam aproveitar dos trabalhos realizados por cada grupo ou aluno e desenvolver assim suas aprendizagens. organiza-se uma equipe com membros diferenciados e pede-se que todos. outro do paciente.

quando as atividades grupais não saem a contento do professor. Aumentar a flexibilidade mental mediante o reconhecimento da diversidade de interpretações sobre o mesmo assunto. para além daquele aonde se chegaria sozinho. Para isso supõe-se sempre uma preparação prévia de estudo individual sobre o tema a ser discutido. sua verbalização. Confiar na possibilidade de aprender também com os colegas (além do professor) a valorizar os feedbacks que eles podem lhe oferecer para a aprendizagem. de um lado. Se. é no sentido de que o faça. Esse ponto é fundamental para se evitar a dispersão e o fato de que cada aluno apresentar suas contribuições num sentido diferente do outro. então. a fim de se encontrar apto para aproveitar a continuidade das atividades. no ensino médio e se repete no ensino superior. Com efeito. mais não trará a sua própria colaboração e. Mas penso que vale a pena. e chegar-se a um ponto mais avançado e significativo da aprendizagem. Em nenhum desses momentos houve preocupação de que os alunos aprendessem a trabalhar em grupo. chegando a conclusões. Valorizar o trabalho em equipe. se transforme num bate-papo sem interesse e sem perspectiva de maiores aprendizagens. Certamente conhecemos uma vasta literatura sobre dinâmicas de grupo que contém algumas regras básicas para se realizar bem a atividade grupal. Ele poderá se aproveitar das contribuições dos outros. o debate. por vezes. Isso aconteceu no ensino fundamental. Ter oportunidade de desenvolver sua participação em grupos. o professor deve ser chamado para explicar melhor o objetivo. Pela mesma razão é desaconselhável que se permita ao aluno que não preparou o material participar da atividade de grupo. A sugestão. E. Se houver muita dificuldade. em particular. em geral. superando a simples justaposição de idéias. para que cada um exponha suas idéias a outros e depois se faça uma síntese dessas contribuições não há necessidade de dinâmica de grupo.24 avançado e aprendido mais com relação ao tema em pauta do que se tivesse estudado sozinho. as experiências e os conhecimentos prévios dos alunos sobre o assunto são interessantes para o debate.  A capacidade de discutir e debater. atua mais no sentido de dispersão do grupo. Portanto.      Antes de descrever algumas dinâmicas de grupo. para que tenhamos um trabalho de grupo é fundamental a discussão. O melhor é dar aula expositiva!”. A ausência dessa preparação faz com que o encontro dos grupos. este é o primeiro a dizer. “É. trabalho em grupo não adianta mesmo. hoje uma das exigências para atividade de qualquer profissional. se o aluno não preparou o material proposto. durante o período da atividade de grupo. não lhes foi ensinado um conjunto mínimo de regras necessárias para que um grupo possa funcionar bem. Aprofundar a discussão de um tema. considerarmos ao menos algumas das regras básicas para o bom funcionamento de um grupo: Que todos os participantes tenham muita clareza sobre qual é o objetivo daquela atividade em grupo. uma preparação imediata com leituras indicadas pelo professor ou sugeridas pelo aluno com aprovação do professor é fundamental para o êxito da dinâmica de grupo. nesse espaço. É só solicitar que cada um coloque numa folha de papel suas idéias para que depois então as reunamos em um texto comum. acredito ser importante fazer ainda uma consideração: na maioria das vezes os professores “mandam” que os alunos façam uma atividade em grupo. onde se pretende chegar? Para garantir tal clareza sugere-se que alguém do grupo verbalize o objetivo e ele seja discutido até que se tenha um consenso sobre ele. seu relacionamento em equipe e sua capacidade de observação e crítica do desempenho grupal. Que se distribuam funções entre os participantes: Didática do Ensino Superior .

Com efeito. em geral. pedirá que quem tem questão próxima ou parecida se apresente para lê-la com a devida resposta e assim por diante. Fim do tempo. Uma forma simples. Ao final de todas as respostas. a turma terá estudado o assunto de modo mais proveitoso do que se apenas ouvisse o professor falar sobre ele. Um cronometrista para acompanhar o tempo para a atividade. entrando em conflito e exigindo um debate posterior em seu fechamento. organize as idéias e primeiras conclusões de tal forma que facilite a elaboração de um relatório final. procurando levar o assunto adiante a não tomar uma atitude de repetição do que já foi discutido anteriormente. fazer uma síntese de um mesmo texto. estimule outro a participar. Em qualquer dinâmica de grupo. por exemplo. administre o tempo dado para evitar que este se esgote e o grupo não chegue ao objetivo esperado. embora possa e deva participar também como outro membro qualquer do grupo. e assim por diante. O grupo. Trata-se de uma forma bem simples de começar a desenvolver com uma classe a habilidade de trabalhar em equipe. se observarmos ao menos essas poucas regras e a colocarmos em pratica vamos perceber.a PEQUENOS GRUPOS COM UMA SÓ TAREFA: divide-se a classe em pequenos grupos e atribui a cada um uma tarefa. quando necessário corte a palavra de alguém. sendo que cada um realizará uma atividade diferente. o professor e os colegas dos outros grupos ficam sem este feedback. Vamos considerar alguns exemplos de dinâmica de grupo: 7. Para cada uma o professor entrega uma pergunta a ser respondida em tempo curto. nós e os alunos. dez minutos. É o que diz minha experiência de mais de 30 anos de docência no ensino superior. 7. decisões e conclusões ficam soltas no ar. Em geral. a ponto de os alunos se motivarem a se preparar anteriormente para não perdê-las. é solicitar que no decorrer desta se leia um texto e formem-se duplas. Poderá fazer link com outras perguntas que virão. não permitindo que a tarefa fique inconclusa por distração quanto ao tempo. o que nos impede de avaliar a aprendizagem. Por exemplo. com base nas quais os próprios alunos e o professor fazem comentários que completam as respostas. corrigem-nas ou ampliam-nas. sobre um assunto qualquer o professor apresenta dois ou três artigos ou autores que pensam de modo diferente e pede que um grupo resuma os pontos teóricos centrais de cada autor ou de cada teoria. Sua função não é responder às questões ou dar as respostas esperadas. esse relatório é a materialização dos resultados obtidos e dos avanços do grupo na discussão proposta. alerte quando as repetições se fizerem presentes.b PEQUENOS GRUPOS COM TAREFAS DIVERSAS: a turma é dividida em pequenos grupos. mais que dinamiza uma aula. responda-a e em seguida ele pode abrir para comentários do grupo todo e inclusive para sua participação. ou “não é solicitado pelo professor”.25  Um coordenador que esteja atento para que todos possam se manifestar e a palavra na seja monopolizada por um ou alguns dos membros do grupo. um relator que anote as manifestações dos participantes. o que dificulta perceber se o objetivo do grupo foi alcançado ou não e até onde se avançou. Que a discussão do grupo em suas idéias principais e nas suas conclusões de grupo seja registrada em um relatório por escrito ou em outra forma. o professor pede que cada dupla leia sua pergunta. fecha-se a atividade com a apresentação em plenário das tarefas realizadas por todos os grupos. responder a uma ou duas questões sobre o texto lido apresentadas pelo professor. para outro grupo pedirá que levante experiências concretas referentes ao tema Didática do Ensino Superior . por exemplo. evite repetições (ficar “amassando barro”). as idéias. que o trabalho de grupo pode ser muito eficiente e eficaz e ajudar de modo significativo a aprendizagem. as atividades se completam ou se contradizem. empreste dinamismo à discussão.   Que cada participante do grupo se disponha a ouvir seu companheiro de tal que suas contribuições sempre dêem continuidade ao que se manifestou antes. estudar o mesmo caso e dar-lhe uma solução. Quando ele não ser faz.

com no máximo cinco pessoas. Outro maior (o restante do grupo) circulando o primeiro.26 em discussão. sublinhando outras. integrarão a compreensão do assunto e enriqueceram as experiências dos alunos. que aponte questões importantes que merecem ser ouvidas. 3. facilitando o encaminhamento para aplicações concretas. o professor decidirá se deve intervir e como intervir: corrigindo alguma informação incorreta. As conclusões serão explicadas e discutidas e poderão até ser modificadas pelo novo grupo a luz das outras questões que lhes serão trazidas. durante o segundo momento. formando-se agora vários grupos que realizarão duas outras atividades: trocar informações relatando o que aconteceu no primeiro grupo e fazer nova discussão. Convidam-se 5 voluntários para participar da atividade. 4. No primeiro. é uma técnica que pode ser usada com classes pequenas e com classes numerosas: sempre serão cinco ou seis alunos trabalhando em grupo. Essas estratégias apresentam algumas vantagens: exige a participação de todos. o professor. pessoal e grupal. A eles será dado um tema para discussão que poderá basear-se em texto indicado previamente para a leitura. Para o bom funcionamento da técnica é importante que o professor tome alguns cuidados de organização: uma previsão adequada e um controle rígido do tempo de cada momento. Ninguém poderá intervir no debate. dialogar. Com efeito.c PAINEL INTEGRADO OU GRUPOS COM INTEGRAÇÃO HORIZONTAL OU VERTICAL. O terceiro momento será o do professor. trabalhar em grupo. o papel de levar informações corretas de um grupo para o outro manifesta a responsabilidade do aluno para com o outro grupo. 5. uma vez que não se pode confiar apenas na memória. 6. o professor se colocará em alguns dos grupos reunidos e ouvirá. Ela se realiza em três momentos. A nova discussão acontecerá ou mediante uma nova questão apresentada pelo professor. que cada participante saia do primeiro grupo com anotações sobre as conclusões que deverá levar para o segundo grupo. e a um terceiro. É uma técnica que pode ser mais bem usada com grupos de até 35 pessoas. e estes se sentarão no circulo do centro. Dessa forma ele estará se informando sobre o que está sendo trabalhado em todos os grupos. corrigir ou aperfeiçoar. debatendo pontos que ficaram obscuros. é uma forma de naturalmente se quebrarem “as panelas” existentes nas turmas. É uma técnica que permite o desenvolvimento de varias habilidades. no centro. normalmente o professor sugere um ponto mais amplo que possa englobar as varias discussões e leve o assunto para um âmbito mais geral. De posse dessa informação. No segundo momento reunem-se os números 1 de todos os grupos. levando aleatoriamente os alunos a se encontrarem com colegas junto aos quais até este instante não haviam trabalhado e que nem conheciam. A troca de informações é garantida pela presença de um componente que participou da discussão do primeiro momento e trouxe para este grupo as conclusões do grupo anotadas. sem participar da discussão. Deverão falar Didática do Ensino Superior . ou como resultado dos debates sobre as questões já estudadas. tais como: verbalizar. ou em experiências próprias. e distribui-se entre os membros do grupo um número de 1 a 5 ou 1 a 6. Indica-se a tarefa a ser realizada e o tempo que poderá ser gasto para tanto. O fechamento dessa técnica deverá trazer ao plenário os aspectos diferentes que. acompanhando qualquer grupo do segundo momento. um menor. cada grupo deverá ter lido e discutirá um capitulo de um livro. e desenvolve a responsabilidade pelo processo de aprendizagem próprio e do colega. dividi-se a classe em grupos de cinco ou no máximo seis elementos. discutidas por toda a classe. o que estará sendo trazido de cada um dos grupos anteriores para este novo grupo. 7. debatidos. e durante esse tempo somente os cinco poderão verbalizar. ouvir. Terão 15 minutos para fazer a discussão e fechá-la. que o tipo de discussão a ser realizado possa ser acompanhado igualmente por todos os participantes.d GRUPO DE VERBALIZAÇÃO E GRUPO DE OBSERVAÇÃO (GVGO). Aliás. saberá o que esta sendo informado em todos os grupos e poderá completar. 7. O resultado da discussão deverá ser anotado por todos. Trata-se de uma técnica que favorece em muito a participação dos alunos. Por exemplo. ampliando terceiras. Seu funcionamento exige que se formem dois círculos concêntricos. observar. ou os números 2.

Caso terminem a discussão antes dos 15 minutos avisarão ao professor.se os conceitos aos alunos que estarão nos círculos e cada um falará sucintamente de seu conceito para outro colega e o giro dos círculos se inicia. Esses assuntos já foram abordados. Inicialmente. aspectos de um vídeo. contrapropor argumentos. porque os participantes dialogarão. defender ou atacar determinadas posições e teorias. analisar e avaliar argumentação. Talvez seja necessário um exemplo para explicar melhor esta técnica. e assim por diante. somente o último grupo pode verbalizar. Os elementos do lado de fora permanecem em seus lugares. de tal forma que todos trabalharão com os aspectos de forma cumulativa. aprendizagem de adultos. ou sobre experiências pessoais que estão sendo trazidas. e assim por diante. cenas de um filme. pode se repetir na mesma aula ou em outra a mesma técnica GVGO com outros elementos para se verificar se a aprendizagem das habilidades esperadas foi alcançada por outros também. Em seguida. mais queremos fixá-los. sempre baseandose em argumentos. discutir etapas de um projeto. Dado um tema. E assim por diante.27 em voz bem alta para que todos ouçam. papel do professor. na parte interna voltados uns para os outros (de frente um para o outro) formando pares.f GRUPOS DE OPOSIÇÃO. outra metade. se estão relacionados os novos conceitos com conceitos já aprendidos. e produzir argumentos. Essa técnica de modo especial é apropriada para desenvolver a capacidade de argumentar. Poderá ser em relação a um conteúdo que está sendo discutido. Passados 15 minutos. aprendizagem significativa. se o grupo procura se organizar em relação a tarefa solicitada. Vamos supor que o nosso tema fosse processo de aprendizagem. Antes de começar a atividade de grupo. Então. por umas três ou quatro vezes. distribuem. de ensino. apresentando as diferentes observações feitas e. de debater. 7.e DIÁLOGOS SUCESSIVOS. o grupo de verbalização passa a ser um grupo de observação e o grupo de observação passa a ser um grupo de verbalização. o professor pode abrir para um diálogo entre os dois grupos sobre as observações feitas. se as experiências são semelhantes ou não. se todos os participantes têm oportunidade de falar. 7. Terminado este tempo os elementos de dentro do círculo giram no sentido anti-horário e se encontram com um segundo elemento. É uma técnica que pode funcionar com turmas grandes e pequenas. Como funciona? Organiza-se a classe em dois círculos concêntricos: metade dos alunos na parte de fora. Quais elementos precisariam ser bem compreendidos e fixados? Conceitos de aprendizagem. aprendizagem continuada. Essa técnica é a mais apropriada para compreender. passos de uma pesquisa. se o grupo segue as mínimas regras de funcionamento de um grupo. se há emprego adequado dos conceitos. e ouve o aspecto de seu novo parceiro e o que ele ouviu de seu par anterior. no máximo. os elementos de fora e de dentro têm aspectos diferentes sobre os quais vão dialogar por um espaço de três a quatro minutos. o professor orientará o grupo observador sobre o que deverá observar. explicitar características de uma teoria. No segundo encontro cada um expõe ao outro seu aspecto do tema e o aspecto que ouviu de seu par no momento anterior. Exemplos de aspectos a serem observados: se o grupo verbalizador está usando todos os conceitos do texto lido. ou em relação a variáveis de funcionamento do próprio grupo. Poderão todos observar os mesmos aspectos ou dividir aspectos a serem observados por pequenos grupos de cinco ou seis alunos que estão no grupo de observação. O movimento leva a um conhecimento cumulativo e/ou a formas melhores de expressar a mesma idéia. Didática do Ensino Superior . com quatro ou cinco colegas e cumulativamente poderão estar ouvindo até oito ou nove colegas sobre o tema. fixar e relacionar conceitos. o que depende do objetivo da estratégia. depois.

poderá pedir que o grupo que ataca uma posição passe a defendê-la. Dá-se essa denominação até para resumo de capítulos de livro feitos pelos alunos e apresentados para seus colegas em aula. passaas para o grupo mais próximo. Terminada a rodada a folha com as perguntas e as respostas dos três ou quatro grupos é devolvida ao grupo original que as formulou. Inicia-se uma das várias rodadas: o grupo que formulou as duas perguntas. poderá complementá-la. caberá ao professor mostrar os pontos não trabalhados. ler as respostas que o primeiro grupo deu e redigir agora sua resposta que poderá ser de acordo com a resposta do primeiro grupo. complementações por parte do professor. compreender as dez ou no máximo 15 perguntas e selecionar duas. A leitura. É evidente que não serão aceitas perguntas que se retirem diretamente do texto e cujas respostas aí se encontrem com facilidade. Dá-se um tempo de 15 minutos para que o grupo responda por escrito às duas perguntas que recebeu. Visando desenvolver uma agilidade maior de argumentação. então.h SEMINÁRIO. Como funciona? Uma semana antes se indica um texto a ser lido para o próximo encontro sobre um assunto que se está estudando. Durante 15 minutos. Este terá 10 minutos para: ler as perguntas. ou corrigi-la. Com essa técnica. para um quarto grupo que falarão do mesmo trabalho. Essas perguntas deverão ser escritas em uma folha de papel sulfite. o grupo deverá ler. enquanto. No primeiro momento em aula. Marca-se um tempo para essa atividade: vinte a trinta minutos. 7. porém. O professor ocupa o lugar do mediador. o professor pede que os dois ou três grupos se coloquem na sala de tal forma que todos vejam a todos. debate e até um comentário do professor sobre as pertinências das perguntas: foram elas de fato inteligentes? Representaram os aspectos mais importantes do texto e do tema? Se não. A intervenção é ver como os alunos reagem em posições inversas. Durante o debate o professor deverá inverter as posições dos grupos. tendo em vista manter um clima de abertura e de cooperação dentro dela. com letra legível e com o nome do grupo que a formulou. Essa é uma técnica das mais comuns no vocabulário de professores de ensino superior ou de alunos. muitas vezes. sendo que um deles tem por tarefa defender uma idéia ou encontrar as suas vantagens enquanto o outro deverá atacar a mesma idéia ou mostrar suas desvantagens. No dia da aula. aspectos importantes que se gostaria de ver estudados com mais profundidade. Essa técnica é uma das mais dinâmicas para ser usada em aula e agrega em si a possibilidade de desenvolver vários aspectos de aprendizagem: aprofundamento de conhecimentos. compreendê-las. então. O assunto indicado anteriormente foi estudado por todos individualmente. o professor apenas assiste sem interferir. Claro que não é um seminário. mas apenas para dinamizar ou organizar a discussão quando necessário. permitindo esclarecimentos possíveis. O professor não deverá entrar na discussão do tema. perguntas que revelem dúvidas ou não compreensão do texto. passe a atacá-la. Por último. nem arremedo de seminário. Em seguida. aprender com colegas. Será preciso. e assim os demais grupos. compreensão do assunto. habilidade de trabalhar em grupo. formam-se grupos de 5 alunos cada um. Tudo isso sem rabiscar as respostas do primeiro grupo. Terminando o prazo. que poderá também concordar ou não com as respostas. redigir a sua. Passa-se para um terceiro e. Eventualmente poderá se constituir um terceiro pequeno grupo que funcione como um grupo de juizes para julgar qual grupo conseguiu desempenhar melhor seu papel. em plenário. cada grupo lê as perguntas e as respostas. cada grupo se reúne para organizar seus argumentos de acordo com a tarefa que lhe cabe. deverá permitir que cada aluno traga para aula duas ou três perguntas inteligentes: isto é.28 Seu funcionamento supõe a organização de pelo menos dois grupos de alunos. ouvir e dialogar com colegas. Didática do Ensino Superior . sem as responder. mais escrevendo na mesmo folha.g PEQUENOS GRUPOS PARA FORMULAR QUESTÕES. em seguida. 7. e a que a defende. refletir se isso será ou não prejudicial para a dinâmica da turma. Inicia o debate dando a palavra a um dos grupos e a partir deste momento vale o diálogo entre os grupos. o professor está lidando com a competição entre grupos de classe. todos possam se olhar. no máximo. as perguntas respondidas são passadas para outro grupo. tamas de grande atualidade. Este vai agora analisar as respostas dos grupos e. dentro do mesmo tempo.

e após algumas tentativas. de fazer inferências e produzir conhecimento em equipe. garantindo e incentivando a participação de todos. os alunos já lêem e preparam o material para o encontro seguinte. A segunda parte consiste no seguinte: os assuntos de pesquisa que foram distribuídos pelos diferentes grupos guardam entre si uma relação de complementação. mas de se retirar das pesquisas os elementos necessários para a discussão do novo tema.29 O seminário (cuja etimologia está ligada a sêmen. Fechado o compromisso. idéias novas) é uma técnica riquíssima de aprendizagem que permite ao aluno desenvolver sua capacidade de pesquisa. Nesses moldes. vida nova. Leituras Todos nós professores consideramos bastante importante que os alunos se preparem para as aulas lendo alguns textos ou preparando algum material. no início do curso. Então. pois trabalham o dia todo ou fazem outras tantas atividades. o professor mediará. matutinos ou noturnos. O professor. de elaboração de relatório de pesquisa. Didática do Ensino Superior . E. Ou seja: no primeiro momento usa-se a técnica do ensino com pesquisa até a comunicação final dos resultados de cada grupo. é uma excelente técnica quando bem compreendida e adequadamente realizada. inclusive apresentando questões a serem debatidas. de organização e fundamentação de idéias. Leitura. Como disse anteriormente. sim. Marca-se o dia do seminário. nem preparam nenhum material fora de aula porque não tem tempo. Em primeiro lugar. procurar entender os textos. mas para cujo debate encontram-se idéias e informações nos vários grupos de pesquisa. de comunicação. os diferentes grupos deveriam se preparar para isso. Eu também já vivi esse drama. portanto. ou de crítica. o tempo previsto chegue a produzir um tema novo com base nos grupos de pesquisa. teremos realizado um seminário. O debate se instalará. praticá-la e permitir que os nossos alunos a descubram também. o professor as repõem. depois. é importante que os textos indicados para leitura sejam de fácil acesso. estudo. combinamos que ali nos encontramos para aprender e não apenas para “tirar uma nota”. ou porque “acham muito chatas essas leituras. buscar informações e se preparar para um tempo na Universidade (aula) onde ele vai se encontrar com seus colegas e com o professor e todos juntos. A primeira delas corresponde ao ensino com pesquisa que já descrevemos. preparação pessoal é indispensável para se aprender e participar de uma atividade coletiva de aprendizagem. Aberta a discussão cada participante exporá os dados e as informações que suas pesquisa oferece para o desenvolvimento daquele tema. com um número de páginas que possa ser lido e estudado em uma semana (supondo que os encontros de aula sejam semanais). de produção de conhecimento. quando fazemos sua programação. Os demais assistirão ao debate. estabelece um tema para o seminário que diretamente não foi pesquisado por nenhum grupo. que não aparecem á primeira vista. Como funciona? Em duas partes. sementeira. de forma coletiva. Ele envolve professor (professores) e alunos no trabalho de pesquisa por dois ou três meses. explica ou retoma em aula: então. e. então. Essa disposição exige trabalho do grupo durante o período de aula para aprender e esse tempo não pode ser ocupado só com aulas expositivas. 8. em equipe. vale apena conhecê-la. professor aleatoriamente escolhe um elemento de cada grupo de pesquisa formando com eles uma mesa-redonda. vão aprender o que se propuseram. chegaria a afirmar que mesmo em cursos de pós-graduação o uso dessa técnica é por demais reduzido. indo para o lado prático. abrindo possibilidades de participação também para os ouvintes conduzindo os trabalhos de tal forma que. podendo participar pedindo a palavra ao coordenador. em meus cursos. nas quais o professor apresenta de forma resumida e organizada um conteúdo necessário. lembrando que o aluno não tem só a disciplina. para que estudar antes da aula?”. Por ocasião da realização do seminário. Orienta os diferentes grupos informando que não se trata de uma atividade em que cada um vai apresentar um resumo de sua pesquisa. Por isso. E são muitas as reclamações de que os alunos não lêem. Cada aluno precisa ler.

em uma transparência. que escrevem seus textos de aula em transparências e passam o tempo de aula lendo-os. solicitar que leiam um texto e dele façam um resumo com comentários pessoais e até mesmo. pode-se oferecer uma série de perguntas relacionadas ao texto de leitura que deverão ser respondidas por escrito e assim por diante. telas. Por vezes. Em geral. Pode-se ainda. TV. numa semana. filmes. O aluno deve perceber que não fez seu trabalho em vão e que o material que preparou é importante para as atividades da aula. no power point. slides. Não queremos descer aos detalhes do uso de cada um. em outra semana. numa terceira vez. e existem muitas outras. fotos. retroprojetor. é orientá-la para que em cada semana ela seja feita de um modo diferente. chateação que os professores mandam a gente fazer em casa. encontrando nele um significado próprio. Há professores. em que a participação dos alunos com suas páginas escritas é fundamental. isoladamente ou em conjunto do tipo multimídia. E o que vai acontecer em aula não poderá ser uma aula expositiva repetida do texto lido (esta é a melhor forma de desencorajar alunos a estudarem fora de aula). Em geral. tomadas elétricas convenientes. vamos precisar de instrumentos e condições próprias para cada um. participar de dinâmicas novas.se que em uma ou duas páginas tragam um caso resolvido. por exemplo: iluminação natural adequada. Aliás. Por exemplo. a diferença de receber um material todo pronto e contribuir ele próprio para o seu conhecimento. interessantes. computador. conforme seu uso em aula. Como o próprio nome diz. Aos poucos. para várias atividades de leitura fora de aula. o esquema de um estudo. Para exibí-los. pede. possibilidades de escurecer a sala. que leiam o texto e. visando motivar o aluno. por exemplo. O primeiro ponto. e sobre os quais freqüentemente somos interrogados em nossos contatos com professores do ensino superior. Um segundo cuidado ao indicar uma leitura a ser feita. aqueles que não realizaram a tarefa solicitada não poderão participar da dinâmica da classe mais deverão ser convidados a aproveitar aquele tempo para uma segunda oportunidade de ler e se preparar individualmente para a continuidade da aula. esses recursos não deveriam ser usados para a escrita e leitura de textos longos. Recursos audiovisuais. vídeo. obrigação. Explorá-las leva a motivação e supera-se aquela sensação de “tarefa. aconselha-se a não colocar todos os itens de uma só vez nesses recursos. pintura. Esses recursos devem ser usados para exibir. que os alunos leiam um texto e tragam-no resumido em uma página. são cartazes. projetor multimidiático. mais chamar a atenção para alguns aspectos gerais que se referem a quase todos. aos poucos.point. CD-ROM. power. O aluno precisa sentir que seu trabalho é importante e ele próprio é valorizado pelo que está acontecendo em aula. Pela mesma razão. discutir. conhecer aspectos novos. São recursos usados esteticamente ou com movimentos. tragam perguntas. os recursos audiovisuais são empregados com apoio às aulas expositivas ou atividades com todo o grupo da classe. ou um roteiro de aula apenas com palavras-chaves ou itens que serão desenvolvidos e poderão ser colocados no quadro-negro. No entanto. por exemplo. gráficos. que tragam redigidos em uma página os pontos ou conceitos-chaves do texto. debater. e por isso a primeira preocupação do professor será verificar se na sala de aula ou no local onde for usá-los dispõe-se destes instrumentos e das condições necessárias. mais abrir ou colocar um Didática do Ensino Superior . quadro negro. mapas. Para o professor uma aula assim será muito mais motivadora e instigadora e muito menos cansativa. transparências. pois deu uma tarefa para casa”. num slide. mais atividades dinâmicas. baseado neste. em outra oportunidade. um aspecto importante: a atividade que pedirmos para os alunos fazerem em casa deverá ter uma continuação em aula. Veja quantas alternativas temos. podemos solicitar que os alunos pesquisem outros materiais. ou para o professor não se sentir omisso. é fundamental que os textos indicados sejam bem dosados na quantidade e na complexidade (indo dos mais simples aos mais complexos). só por fazer. etc. mais neste caso a orientação é imprescindível. músicas. som. Cada um desses recursos possui regras próprias de uso. Vai notar. 9. a classe vai percebendo que é interessante ler. vir à aula pois se torna importante encontrar-se com colegas e professor para trocar idéia.30 mais um conjunto de oito a dez. Ou seja.

analisar o que está havendo. de uma profunda falta de respeito com os participantes. em cima do retroprojetor. não se esquecendo de escolher bem as cores do fundo e das letras. no meu modo de ver. revêem alguns princípios que se julgavam inquestionáveis até pouco tempo atrás. uma sessão com número menor de slides. ao invés de fazer a indicação com a mão ou dos dedos apontando para a tela. com o computador. conflitante. Neste sentido. Cada recurso dispõe de forma própria de fazer isso. colocando-a sobre a transparência. 3. figuras. o tamanho destas para que se permita visualizá-las de todos os lugares da sala (o mesmo valendo para o uso do quadro-negro). é um ambiente extremamente motivador e envolvente para os alunos. outros tamanhos e tipos de letra. complexa. ao mesmo tempo. estão implementando projetos de cursos de graduação que. Algumas carreiras convencidas da importância da formação do profissional no seu ambiente profissional. Sem dúvida. figuras. a atenção precisa estar voltada para alguns pontos: a quantidade de pontos. será algo muito mais incentivador da aprendizagem do que as sessões contínuas de slides (com certeza fotográficamente cada vez mais belos e perfeitos) durante 50 ou 100. Se não se dispuser deste instrumento. com pequeno intervalo. na prática. ilegíveis. ver e compreender melhor o que se está explicando e discutir. há pouco dias. Por isso. com quadros também mal escritos. ou de parceria e co-responsabilidade. ou até mesmo 200 minutos. o professor deve atentar para não se posicionar entre o aparelho e a tela cobrindo assim parte da projeção. gráficos.3 Técnicas que poderão ser usadas em ambientes de aprendizagem profissional Hoje se tem por certo que o melhor local de aprendizagem para a formação de profissionais das mais diferentes carreiras é o próprio ambiente onde se vive e se atua profissionalmente. a habilidade de os aplicar à situação real. Trata-se de uma situação real. inclusive com um acender de luzes para que todos se velejam no debate. Mesmo que se escolha a transparência ou power-point para poder escrever com caneta apropriada na hora da aula. integrando teoria e prática. à mão. linhas. que se interrompa sua seqüência para um debate e pedido de explicação ou apresentação de dúvidas comprime muito bem o seu papel de apoio à atividade em andamento. fotos. slides ou power-point. o estágio é uma aplicação da teoria estudada. o raciocíonio universidade-instituição profissional é de justa posição. gráficos. buscando solução ou encaminhamento para um problema. Didática do Ensino Superior . tabelas. o estágio ou atividade equivalente só pode acontecer nos últimos períodos dos cursos. tabelas. mapas. tanto no que diz respeito na construção da imagem de textos (movimento por efeito. Por exemplo: não se pode ir à prática sem antes dominar toda a teoria necessária. demonstrando a necessidade da multi ou interdisciplinaridade. Em todos esses aspectos. bem escolhidos e que permita discussão sobre eles. no caso das transparências pode se usar uma caneta ou lapiseira como um pulsor. por partes. que exige conhecimentos teóricos adquiridos ou a serem pesquisados. fotos. por exemplo. Poderão ser usadas para explicar o que estamos estudando ou tratando por meio de desenhos. numa conferência internacional: o conferencista usava transparências mal escritas. completamente tortos e rabiscados. no uso de transparência. inclusive. usos de figuras. mapas. debater.31 de cada vez para que os alunos não se destraiam e se concentrem em um ponto por vez. É lamentável.) quanto à apresentação: dinâmica. No uso de transparências deve-se procurar elaborá-las com recursos de que dispomos hoje. a lógica dedutiva ao se trabalhar com teoria é básica. convivendo numa equipe de trabalho que envolve profissionais de áreas diferentes trabalhando conjuntamente. a escrita precisa ser bem legível. com ou sem comentário. o que vim a assistir. Um número razoável de slides que permita. Por último. falhas e etc. e. e deve usar de preferência ponteira lazer para se chamar a atenção para algum ponto em especial. o uso de power-point leva grande vantagem operacional. Um número ideal deles é que permite ao aluno.

o estágio pode inclusive colaborar para aperfeiçoar o próprio currículo. pois lhe trará créditos e notas necessárias e da qual ele deverá se livrar de forma mais rápida. uma vez que cabe à carreira profissional junto com a universidade definir as características próprias de seu profissional e. a teoria de que dispomos não foi suficiente para a situação vivida. excursões. Por vezes buscamos conhecimentos e depois vamos ver como se comportam na pratica. mas podemos entrar em contato com um ambiente profissional e aprender a observar o que ali acontece e por essas primeiras observações buscar as informações de que se necessita para a compreensão do ambiente e da situação profissional que ali se desenrola. O estágio é considerado eixo fundamental de um currículo. com acompanhamento não apenas de um professor encarregado do estágio. escritórios. ainda não dispomos da teoria. não vamos necessariamente realizar uma prática conforme o padrão estabelecido pela teoria. Vamos ver como a teoria se comporta na situação completa em que estamos: ela poderá ajudar a resolvê-la. ou seja. 1. E nesse caso. Há. empresas. o que esperar da presença do aluno no ambiente profissional. e não apenas uma atividade a mais. com que profissionais. que é obrigatória. Em nosso entender. fóruns etc. integrando disciplinas. visitas técnicas. partindose da situação concreta para os princípios teóricos. Por isso mesmo é realizado desde o início do curso. há necessidade de se resgatar a importância e a validade do estágio como ambiente essencialmente necessário para a aprendizagem dos alunos. tratando-o como ambiente fundamental de aprendizagem. mais de todos os professores em cujas as disciplinas ele é realizado. o que poderá aprender. em que condições ele deverá atuar. no entanto. E. conseqüentemente. Ela precisa acontecer na realidade. favorece a integração das disciplinas e da teoria com a prática. em geral. A teoria vem em seguida ao contato direto com a situação profissional. portanto a valorização da lógica indutiva como forma de e construir o conhecimento. poderá sofrer adaptações. se realiza durante todo curso em situações diferentes cada vez mais complexas. o processo de aprendizagem é mais eficiente. laboratórios. por fim. Assim entendido. de várias formas. prática clínica. algumas que são comuns e sobre as quais me parece oportuno comentar. Senão vejamos: o estágio aparece na vida dos alunos como uma tarefa indesejável que ele deverá fazer fora do horário de aula. Estágio Esta é uma prática de forma comum em todas as profissões. instituições de pesquisa. hospitais. até mesmo contando com certa cumplicidade do responsável do local onde fará o estágio. Essas técnicas são específicas de cada profissão. Mais infelizmente não é aproveitada pedagogicamente. inclusive a divisão do ano acadêmico foi alterada de dois semestres para três quadrimestres a fim de que se organizasse a formação com quadrimestre full time na universidade seguido de um quadrimestre full time na empresa. Em outra circunstância. como desenvolvê-las. Os professores responsáveis pelo estágio em uma instituição educacional nem sempre são remunerados pelas horas que necessitam para orientar e acompanhar os estagiários. em vários ambientes. Para isto há que valorizá-lo institucionalmente colocando-o no lugar de destaque no currículo: ele deveria ser pensado como um dos eixos curriculares que perpassa todo o currículo. Didática do Ensino Superior . Há. reorganizando o currículo.32 Que princípios substituem estes? A interação teoria-prática é fundamental para a aprendizagem. desenvolve-se o sentido de parceria e co-responsabilidade pela aprendizagem entre as instituições envolvidas no processo. de que forma realizar sua aprendizagem são definições próprias de cada profissão juntamente com os professores da universidade e certamente diferentes para cada curso de graduação. Assim. ou mesmo poderá exibir nova pesquisa. Consideramos técnicas para ambientes profissionais: o estágio. aulas práticas em escolas. Num projeto que conhecemos.

profissional. “novas tecnologias de informação e comunicação” (NTIC). Nesse debate é importante que sejam trazidas as questões teóricas buscando a interação teórica e prática. precisamos tomar alguns cuidados:   Que as visitas técnicas e excursões estejam integradas aos assuntos que estão sendo estudados no momento: Que sejam preparadas juntamente com os alunos. Aulas práticas e de Laboratório O uso de aulas práticas e de laboratório para a aprendizagem. em que o computador passa a ser uma máquina de intermédios entre professor e alunos em locais físicos distantes visando Didática do Ensino Superior . para que funcionem bem. A instituição que vai abrir o estágio também deve valorizá-lo. em que eles encontrarão as melhores condições de se formar e aprender. percebendo como será interessante para ele relacionar-se com a universidade. principalmente da área de engenharia e da saúde. cada aluno redija um relatório das observações e dados obtidos e os traga na aula seguinte para o estudo e debate entre colegas e com o professor. Ás vezes será interessante que todos observem tudo. entremeadas com visitas técnicas e excursões. embora diferentes e específicas para cada curso e profissão. da hipermídia. Depende das circunstâncias e das possibilidades tanto da instituição educacional como do local da visita ou excursão. grupos ou lista de discussão. que seus funcionários se relacionem com futuros profissionais dando prosseguimento à sua formação continuada por intermédio desse contato. trata-se de duas técnicas muito ricas que permitem ao aprendiz desenvolver aprendizagens cognitivas. de ferramentas como o Chat. outras. para que estes o percebam como uma situação real. 2. Prática para aprendizagem em ambientes virtuais formando um conjunto. Para isso. que estão ingressando por esse caminho e realizando projetos muito promissores. Os aspectos teóricos nunca estarão dispensados. com os professores universitários. definindo-se o que observar e o que registrar. Mas não vemos outra saída para melhorar a qualidade dos cursos de graduação. É interessante que se organize com o grupo de alunos um roteiro de observações e/ou entrevistas que deverão ser realizadas por eles além de orientá-lo como registrar os dados em material adequado. é evidente que a preparação. mas será mais interessante e motivador tratá-los e aprende-los de forma integrada com a realidade profissional do que apenas subjetivamente. de sites. que cada grupo de alunos observe parte da situação para complementação posterior. realização e avaliação do estágio precisam ser muito bem planejadas e executadas juntamente com os alunos. Interessante será que o aluno possa contar com várias dessas aulas práticas e laboratoriais. Há algum tempo essas técnicas eram chamadas de “novas tecnologias” e. Essas novas tecnologias incluem o uso da internet. poderá levar em conta as recomendações que fizemos acima para visitas técnicas e excursões visando à eficiência para a aprendizagem dos alunos. Em qualquer hipótese. posteriormente. as técnicas que vamos analisar a seguir são aquelas que se baseiam em fundamentalmente no uso do computador e da informática.33 Há que valorizá-lo diante dos alunos. É uma visão realmente nova e talvez necessite de certa ousadia para po-la em prática.  3. a tal ponto que em vez de abreviá-lo procurem explorá-lo cada vez mais. Há instituições. fóruns. da multimídia. Que. do CD-ROM. Tecnologia essa que pode ser usada para se realizar educação a distância. de habilidades e de valores ou atitudes. Elas podem ocorrer em grupos (pequenos ou com toda a turma). vídeos e teleconferência. Visitas técnicas e excursões Como o estágio. correios eletrônicos e de outros recursos e linguagens digitais de que atualmente dispomos e que podem colaborar significativamente para tornar o processo de educação mais eficiente e eficaz. após a visita técnica ou excursão.

movimento simultâneo a máxima velocidade no atendimento às nossas demandas e o trabalho com as nossas informações dos acontecimentos em tempo real. 3. o registro de documentos. respondendo.4 Técnicas e seu uso para incentivar a aprendizagem 1. Teleconferência O que caracteriza a teleconferência é a possibilidade de colocar o professor ou um especialista em contato com telespectadores em locais físicos distantes daquele onde ela acontece. incentivar a formação permanente. Exploram o uso de imagem. de algum modo. A teleconferência se realiza em tempo real. Os objetivos que poderão ser alcançados por esta tecnologia são:  Valorizar a auto-aprendizagem. a informática e a telemática nos abre outro grande mundo de experiências e de contatos. quando se encontram fisicamente. o debate. de pesquisa e de contato com os conhecimentos produzidos. ou do exterior. Desenvolver a aprendizagem: a aprendizagem como produto das inter-relações entre as pessoas. Nessas circunstâncias. a rapidez e o imediatismo destes contatos (seja com pessoas de nossos pais. Nem o conferencista. perguntando. por meio do correio eletrônico). A comunicação tecnológica dessa base de dados é realizada. por vezes. discutindo. mais também a distância em suas residências no período entre uma aula e outra dialogando. se levarmos em consideração o possível número de pessoas contatáveis.  É verdade que muitos utilizam essas tecnologias para transmitir informações e conhecimentos. conhecidas ou desconhecidas). a discussão. Outro exemplo: o uso do computador como banco de dados de uma disciplina para consultas e responder a perguntas sobre os assuntos determinados. pois oferece a seus alunos o uso do computador. ou especialista profere sua conferência em determinado local e todos poderão ouvi-lo e com ele debater estando cada um em sua escola ou em sua cidade. participantes. basta que disponhamos de um endereço eletrônico para multiplicar o número de contatos (professor e alunos passam a se encontrar não só em aula mais a todo o momento. grandes autores e pesquisadores. comunicando informações. pesquisando. a construção de arquivos e textos. o professor se sente substituído em seu papel de transmissor de conhecimentos. por algum técnico em informática que recebendo informações do professor os disponibiliza no computador para uso e acesso direto dos alunos. Se em ambientes presenciais defendemos o uso de técnicas que possibilitem ao aluno encontrar um significado próprio para o conhecimento que esta construindo com o professor e com os colegas. dialogando com o conferencista e o próprio conferencista dialogando com os Didática do Ensino Superior . o diálogo. então. ou seja. ouvir. Professores especialistas. nem as pessoas precisam se deslocar dos vários lugares para participar da conferência. dentre esse ângulo. que para muito seriam inacessíveis. preferivelmente com a participação dos ouvintes. se pergunta o que deverá fazer agora. interessados. a pesquisa de informações básicas e das novas informações. É uma perspectiva “instrucionista” na informática educativa. a exploração do vídeo ou teleconferência quando a participação dos telespectadores é mínima ou quase nenhuma. A escola ao possuir um laboratório de informática em várias disciplinas se apresenta como uma escola moderna. O professor. ou apenas fazer alguma pergunta. por meio deste recurso agora já podem ser consultados. som.34 o processo de aprendizagem ou poderá ser empregada como apoio às atividades presenciais de um curso de graduação de ensino superior tornando-os mais vivos. e mais vinculados com a nova realidade de estudo. Por exemplo. fazendo perguntas. a construção da reflexão pessoal. a elaboração de trabalhos. com o uso das técnicas em ambiente virtual isto não será diferente. Professor e aluno passam a trabalhar conjuntamente e não só na aula.

durante um tempo de. Mesmo quando estes solicitam sua posição o melhor é analisar se é o caso de expressá-la ou devolver a questão para outros membros do grupo. a relação do tema com o programa que vem sendo desenvolvido naquele curso. num Chat. depois de algum tempo. pois. ou podemos simultaneamente dividir o assunto em vários tópicos e sobre cada um deles formar um grupo de discussão. Nas duas hipóteses. seja para poder. um debate no ar com perguntas.35 participantes. mais um diálogo. incentivar um grupo quando o sentimos apáticos. ligados. criar ambientes de grande liberdade de expressão. e são convidados a expressar suas idéias e associações sobre um tema proposto. informações sobre o pensamento do conferencista ou sobre os trabalhos que vem desenvolvendo o que permitiria um aproveitamento maior das contribuições do professor. Não é aconselhável que o professor interfira em todos os momentos do Chat. uma ou mais vezes. podendo cada participante avançar e modificar suas próprias reflexões nesse tempo com base em seus estudos ou analisando Didática do Ensino Superior . há que se pensar em um assunto sobre o qual o grupo a se expressar. preparar uma discussão mais consistente. e serve para. haverá a necessidade de uma continuidade individual ou em grupo. com grande facilidade salta-se de um assunto para o outro. por exemplo. Pode-se organizar um único grupo para discutir. seja para se policiar e não entrar a todo o momento nas manifestações. aportes. O professor procurará coordenar essas manifestações apenas no sentido de mantê-las dentro do assunto combinado. Lista de Discussão Essa técnica cria a oportunidade de um grupo de pessoas poder debater um assunto ou tema sobre o qual ou sejam especialistas ou tenham realizado estudos prévios. É um momento em que todos os participantes estão no ar. uma teleconferência que não seja monólogo. orientar a atividade para o que se espera. 2. uma vez que todos podem se manifestar ao mesmo tempo. Em outras palavras. A técnica normalmente envolve muito dos participantes e a velocidade com que acontecem as contribuições é surpreendente. sem que seja on-line naquele momento. de tal forma que o produto desse trabalho seja qualitativamente superior às idéias originais. por exemplo. exemplo. motivar um grupo para um assunto. presencial ou não. exibida em qualquer tempo e para qualquer público em diferentes ocasiões. a teleconferência não poderá acontecer como uma atividade isolada. com atividades que se integrem com a teleconferência. aquecer um posterior estudo e aprofundamento do tema. Com essa técnica estamos interessados em conhecer as manifestações espontâneas dos participantes sobre determinado assunto ou tema. É muito importante que a participação de uma tele ou videoconferência possa ser precedida de estudos sobre o tema. essa técnica também não pode existir sozinha. Além disso. Chat ou bate-papo O Chat ou bate-papo on-line funciona como uma técnica de brainstorming. Isso vai exigir um acompanhamento muito perspicaz por parte do professor. A videoconferência é uma palestra gravada em vídeo. debates. dando continuidade as idéias produzidas e ao desenvolvimento da aprendizagem esperada. Como a anterior. 3. depois de certo tempo. O objetivo do Chat e seu tema precisam estar bem definidos para que todos possam se expressar com liberdade. Há que está vinculada a outras que a seguem. para além do somatório de opiniões. que serve para copensamento do conferencista e discutir o tema por ele apresentado. de forma a deixar maior tempo para os próprios alunos. e. ocorre-se o risco de perder o controle da situação. Essa participação só será possível de dispusermos de equipamentos (câmeras e som) onde a teleconferência está sendo ministrada e nos diferentes locais de assistência. quatro a sete dias. das informações ou das experiências. Seu objetivo é fazer uma discussão que leve ao avanço dos conhecimentos. enfim. Sua participação será importante ao final do Chat para tentar uma síntese da discussão.

favorecendo a interaprendizagem entre os próprios alunos. discutindo as idéias em questão. No segundo caso. alguns pontos merecem nossa reflexão. suas dificuldades ou as situações particulares pelas quais está passando. o que fará de cada resposta “uma” resposta particular. No uso do correio eletrônico. Em outros. ou sugestões interessantes. há que se atender à situação concreta e individual daquele aluno. Correio eletrônico Essa técnica facilita o encontro entre aluno e professor. por exemplo. não dispomos desses recursos. Incentiva o aprendiz a assumir a responsabilidade pelo seu processo de aprendizagem. Trata-se da qualidade de emails que o professor poderá passar a receber. Desconhecem-se soluções efetivas para tal problema. o que não só aumenta sua carga de trabalho como o tira de outras atividades igualmente importantes. sem nunca fechar o assunto. uma expressão pessoal fundada e argumentada sobre os vários aspectos que estão sendo debatidos e não pode ser atropelada pelo professor com interferências diretas “para resolver os conflitos. e por isso o que escrevemos e o modo como o fazemos deverá levar em conta a possível situação e reação do receptador da mensagem. Pode-se tirar as primeiras conclusões e até produzir um texto: depende do objetivo prefixado e do tempo estabelecido para tal.36 as colaborações de seus colegas e do professor. A dificuldade não nos deverá impedir de usar esse potente recurso de aprendizagem. entre uma aula e outra. pelo atendimento a um pedido de orientação urgente para não interromper um possível trabalho até o novo encontro com o professor na próxima aula. quando um aluno nos faz uma pergunta. respondê-las e deixar para o dia seguinte as demais. a resposta do professor poderá ser dirigida para o grupo todo ou para um aluno em particular. ou avisos urgentes. 4. A disponibilidade do professor para responder aos e-mails é fundamental. Não podemos esquecer que na situação presencial. Didática do Ensino Superior . permitirá selecionar as mensagens. Com relação ao papel do professor no uso desse recurso. há outro problema que aos poucos vai se agravando e para o qual precisamos estar atentos. Além disso. Além da disponibilidade e da forma de responder ao correio eletrônico. com intervenções do professor no sentido de incentivar o progresso dessa reflexão. o processo se interrompe. a produção de textos em conjunto. debate fundamentado de idéias. esse recurso é ainda muito importante para sua aprendizagem. uma hora. poderemos reunir um conjunto de mensagens que são afins e dar uma reposta coletiva para o grupo. estamos vendo o aluno. mais urgentes. Tal forma de trabalhar grupalmente favorece o desenvolvimento de uma atitude crítica perante o assunto. a troca de materiais. o diálogo é um contato direto e poderá surgir a continuidade da orientação. de uma reflexão contínua. pois se à mensagem do aluno não se seguir imediatamente uma resposta do professor. ou com algum deles em participar durante o intervalo entre uma aula e outra com informações novas. Muitos professores despedem um número elevado de horas diárias com esse novo trabalho. Mais sim. que em alguns dias será mais só que suficiente. Mas o problema existe e exige que pensamos em um encaminhamento para ele. Não se trata de uma situação de perguntas e respostas entre os participantes e o professor. O que se tem experimentado é procurar delimitar um tempo diário para a atividade. a resposta sempre deverá ser individualizada. Em outras circunstâncias. ou mediante uma comunicação geral do professor com todos os alunos da classe. Principalmente para o aluno. e o aluno se sente desmotivado para continuar o diálogo. suas reações ao fazer a pergunta e ao receber a primeira resposta. porque coloca a todos em contato imediato. e poderá ser diferente de um aluno para outro. Isso quer dizer que conhecendo o aluno. e certamente o motivará para o trabalho necessário para isso. ou responder às duvidas que surjam”. e sustenta a continuidade do processo e da aprendizagem. e como membro do grupo também trazer suas combinações. do tempo que a leitura e resposta a eles vai consumir.

tudo ao mesmo tempo. organizá-os. compra dados. desenvolver nossa criatividade. políticos e sociais na consideração dos fatos e denomenos que chegam a nossos conhecimentos de todas as partes do mundo. e de estar em contado com todas as grandes bibliotecas do mundo. Como todos os outros recursos. A internet se apresenta como um recurso dinâmico. Todos nós sabemos que há muita coisa importante é interessante a que chegamos pela internet. dos mais diferentes lugares. Seu papel não é saber tudo o que existe sobre determinado assunto antes do aluno. estar em condições de discutir e. abrir os primeiros endereços ou sites que sejam relevantes para o assunto que se pretende pesquisar. Ao professor caberá o papel de orientar a leitura de um trabalho de reflexão. movimento. Deve-se orientar os alunos para que não transforme tão rico instrumento de aprendizagem em uma forma mais caprichada de apresentar uma colagem de textos. do escritório. ainda não tenha descoberto. Acrescente-se a tais vantagens a comodidade do acesso que se faz de casa. discutir valores éticos. ativando todos os sentidos e incentivando a reflexão e compreensão do assunto que se pretende aprender. produz textos. compara. de construção do conhecimento e de elaboração de trabalhos e monografias. da biblioteca. e alguma resistência em se dirigir à biblioteca para pesquisar. com os periódicos mais importantes das diversas áreas do conhecimento. luz com texto. incentivar para que daí por diante o aluno faça suas próprias navegações. debater as informações com ela. No fundo. Esses recursos disponibilizam informações e orientações de trabalho para os usuários de uma forma integrada. Sem dúvida. 6. como antes faziam com os textos de revistas ou de livros fotocopiados da biblioteca. com possibilidade de acesso a um número ilimitado de informações. CD-ROM e Power Point Ainda como exemplos de novas técnicas. Com a internet podemos desenvolver habilidades para explorar esse novo recurso tecnológico. Há necessidade de o professor orientar como utilizá-lo para as atividades de pesquisa. professor. frutos da reflexão e do estudo pessoais e de discussões em grupo e não apenas cópias de textos já escritos. atraente. links já organizados ou com possibilidades de torná-los presentes pelo acesso à internet. atualizadíssimo. há que se orientar com fazer trabalhos e monografias que sejam produção de conhecimento. analisá-os. como recursos facilitadores e mediadores de aprendizagem. o aluno encontrar dados ou informações que ele. como pesquisar na internet. Assim somo há um sem número de informações absolutamente dispensáveis. Didática do Ensino Superior . preferindo substituí-los por apostilas. constrói pensamento. São técnicas multimidiáticas e hipermediáticas que integram imagem. com o mundo e suas realidades. penso que é interessante comentar o uso do CD e do Power Point em aula. busca informações. com os mais diversos centros de pesquisa. porém. de busca de informações. pesquisa. Você acessa. busca. a internet é um grande recurso de aprendizagem múltipla: aprende-se.37 5. e não estranhar se. com os próprios pesquisadores e especialistas nacionais e internacionais. com seu contexto). principalmente. mas estar aberto para aprender também com novas informações conquistadas pelo aluno e. pesquisa. reproduz textos e imagens. porventura. Internet Esse é um recurso que poderá ajudar a nós professores e aos alunos em seu processo de aprendizagem a superar duas dificuldades no incentivo à leitura e à pesquisa: certa rejeição dos alunos em ler livros. lê. desenvolver a autoaprendizagem e a interaprendizagem (com os outros. registra reflexões. bem como ajudá-lo a desenvolver sua criatividade diante do que venha a encontrar. é preciso que se aprenda a usá-lo. Alunos e professor vão aprendendo a desenvolver tal criatividade.

quantas vezes você tem sido educador e elevado a auto-estima de seus alunos. O uso. Passei a adorar matemática e acabei me tornando professor dessa disciplina. deparo-me com meu professor de matemática Roque Baroni. não é algo que se define por dentro. refletir. um alongamento e uma catarse geral. jovem mestre e colega. o ideal é que você falasse o tempo todo e preferisse ouvir as moscas voarem a ouvir voz de aluno? Ou você gosta de fazer os meninos trabalharem e gosta de instigar o raciocínio da moçada? Toda pergunte de aluno de é cretina? Só você pergunta e responde bem? Ou você aprendeu mais dando aulas do que na sua própria escola? Você tem um caso de amor com o quadro negro-verde? Há quanto tempo você não usa outra coisa a não ser paleontolítico giz? A sirene toca e você começa a salivar à cão do Pavlov? Didática do Ensino Superior . pesquisar. o CD-ROM ou o Power-point não podem querer substituir as atividades do aprendiz. tempo. os alunos aprendem também. Se errávamos. com tal mister. trabalhar. exigente e afável ao mesmo tempo. Rebuscando velhas gavetas da memória. Nunca mais gostei de Educação Física. Concedi-lhe minha permissão psicoemocional de alargar meu pensamento e aumentar meu conhecimento. CDROM e Power Point deverão funcionar como incentivadores dessas várias atividades de aprendizagem. com o prof º de Educação Física. o professor tascava-nos um beliscão capaz de fazer corar um frasco de benzetacil. e eu errava muito. ou só se reconhecem incapazes. durante muito tempo. porém dos que existem e a confecção de material em Power-point visando à aprendizagem do aluno não poderão desconsiderar alguns princípios básicos: o aluno não pode fazer o papel de assistente passivo diante do que se desenrola na frente. e se refaz para procurar graças na próxima noite? A ciência que você ensina é “chata” por natureza ou você a fez assim? Em classe. manter sustendo de meus filhos.38 A confecção do CD-ROM exige cuidados e recursos técnicos especializados de que nem todos os professores dispõem. Ele era também o diretor e orientador de nossas peças teatrais. você desconta na sua garotada? Ou sublima. se a noite anterior sua esposa for de pouca graças. que nos estipulava “cangurus” e “polichinelos”. dava um zero e depois sabia nos acariciar a auto-estima com um dez . não é profissão é vocação nasce de um grande amor. sem saudades. muitas vezes confidente de meus sonhos e conflitos adolescente. de uma grande esperança. encontro-me. Profº Roque. a culpa é só dele? Você gosta do som monocórdio de sua voz ou concorda com um relaxamento. EDUCADOR OU PROFESSOR? (MERA CONVERSA DE UM VELHO PROFESSOR COM UM COLEGA MAIS JOVEM) Educadores. (RUBEM ALVES). momentos para o aluno perguntar. desprezei o corpore sano. debater. Mas professor é profissão. Fico agora conversando com um professor de hoje: meu caro. para depois começar sua docência? Confidencialmente. Também em meus guardados de ginásio. siciliano sanguíneo. onde estão? Em que covas terão se escondido? Professores há milhares. Detestava suas aulas. estultos e impermeáveis à sua disciplina? Você é daqueles que faz do conhecimento uma arma de cidadania e crescimento pessoal ou é da espécie que faz do zero uma arma cartorial. dominadora e disciplinadora? Na sua aula os alunos têm cara de adolescentes ou ficam absolutamente imbecis e atônicos? Alguém já dormiu em sua classe e você contínuou achando sua aula muito interessante? Quando o aluno cochila. lá a elas com medo. Pude. Falava de Báscara e Moliere com a mesma deliciosa naturalidade. se preciso. redigir etc. ou você é daqueles que acham que só Deus merece um dez? Nas suas avaliações. há que prever atividades. a ponto de nos levar à exaustão. por amor. Quem me conhece sabe do que estou falando (é claro que a culpa não é só dele) – é assim: a gente só aprende com aqueles a quem outorgamos o direito de nos ensinar e para tanto é preciso um pouco de amor nesta relação de trocas.. Educador ao contrário..

presidente do SINEPE/GO e diretor do Colégio ALFA BETA.. e ele fica ao lado do campo a torcer e a gritar por eles. Certo ou errado? Finalmente.se acha que há muito o que fazer. acalenta. o médico está lascado. nas condições objetivas.? Alías. o professor é só rigoroso e competente. se a cirurgia der errada. portanto. A reflexão enquanto tal (atividade simbolizadora e seus produtos: representações. e. interferir diretamente na realidade. você é daqueles que pensa que sua carreira está em extinção e que seu lugar vai ser tomado pelo computador. Certo? Se o aluno tomar bomba. Didática do Ensino Superior . se uma ponte cair o engenheiro leva a culpa. Quem vai à luta são os jogadores. Agenor Cansado – Professor de Matemática. grita. incompletas. 4 A DOCÊNCIA SUPERIOR E A INTERDISCIPLINARIDADE 4. a rodinha muda de assunto e todos saem de fininho? Você prefere ser amigo ou bicho papão? Você acha que adolescente adolesce ou aborrece? Você entende que disciplina é meio ou fim em si mesmo? Disciplina é coisa de bedel ou você da conta de sua turma? Acha que nota ruim merece castigo ou recuperação? Você faz marketing com a cara feia ou é um mestre de verdade? Você sabe para que ensina seus conteúdos? Você sabe formular objetivos. vídeo. merece tão destino. São seus alunos que jogam? Ou só você faz gols? Aqui entre nós. planeja. e outro recurso didáticos com tv. cobra. etc) não pode. ELE fez de você um educador. quando você chega. pois as pessoas nascem sem saber as coisas do mundo. conceitos... não sabe? Que habilidades e competências você espera ao final de seu trabalho? Você distingue Pedagogia de Didática? Ou tudo isso é coisa ara pedagogo passar fome? Já foi dito que o verdadeiro educador é como um técnico de futebol: orienta. que pode colocar toda a tecnologia do mundo a serviço da Educação e que é preciso alongar o pensamento e dar dimensão humana aos futurismos.1 A Intencionalidade do trabalho docente Nosso desejo é ajudar a transformar a prática educativa.39 Ou há sempre um texto interessante para uma turma ler e uma dinâmica de grupo a ser adotada na aula? Você usa o retroprojetor.. se a colheita frustar o agrônomo é responsável. Ocorre que estes. por sua vez.. Agora . O meio que estamos utilizando é a reflexão. quem age sobre a realidade – direta ou indiretamente (através de algum instrumento) – são os sujeitos.. e cabe a você ensina-las. etc. de fato. teorias. têm sua ação pautada em algum nível de reflexão. na escola tem essas coisas? Você sabe preparar uma transparência? E o computador você já o descobriu? Ou você é contra esses modernismos? Seria você um dos “neoluditas”? Você tem internet como ferramenta de pesquisa e gosta de navegar por suas ondas ou tem medo de se afogar nesse mar de recursos? Você já descobriu que seu aluno já sabe muito mais do que se pensa sobre essa parafernália tecnicista? Você já desconfio que essa geração parece ter um chip a mais? Você gosta de capacitar continuamente ou acha que já sabe tudo sobre sua matéria? Se um pupilo fizer uma pergunta para a qual você não se acha preparado. os slides. pelo vídeo e outros bichos? Se sim. então arregace as mangas e trate e de completar a obra de Deus. ensina mais não joga. afinal para tanto. pede um tempo e vai buscar a resposta ou o aluno vai para a sala do diretor por desrespeito a autoridade? Você que professor de português deve ou pode ser analfabeto em matemática ou vice versa? Ou você valoriza o conhecimento holístico e coloca em prática seus conhecimentos na hora da aula? Algum aluno já fez confidencia is pessoais para você e lhe contou coisas de sua vida? Ou.

3-perceber a necessidade da mediação teórico-metodológica. Quem age por condicionamento. o professor tem. um fim. podemos dizer que o indivíduo está na condição de sujeito de transformação quanto a uma prática. alienada.40 visto que a prática está sempre baseada numa significação.acreditar na possibilidade de mudança da realidade.Isto implica que a reflexão precisa articular duas dimensões: 1. Muito sinteticamente. se encontrar. se motivar. Planejar.”Limpar o meio de campo”: desconstruir representações equivocadas.. então. na sua relação com o educando. pois alguém já planejou por ele. quando em relação a ela há um querer (estar resolvido a fazer alguma coisa) e um poder (capacidade de realizar algo).. seja ela ideológica. O educador. não é um processo mecânico. uma justificativa.querer mudar algo. à gênese do resgate do professor como sujeito. projetar objetivos para a ação. casuístico. Recursos Políticos 4. Indicar caminhos. interesseira. além de capacitá-lo para caminhar. pois é por intermédio da relação professor-aluno e da relação aluno-aluno que o conhecimento vai sendo coletivamente construído. aleatório. não carece de planejamento. (um conhecimento da realidade) – Análise da realidade. se dispor para a ação. propicie o despertar do desejo para a consciência de se integrar. por função propiciar o despertar do sujeito. uma marca mana que é a intencionalidade. automático.2 O valor pedagógico da relação professor-aluno No processo de construção do conhecimento. Ajudar a ganhar competência para a ação: entender o que está acontecendo. desmontar mitos e preconceitos. O quadro a seguir procura sistematizar as várias dimensões envolvidas neste processo. Convencimento – ser elemento que dê força à atividade. basicamente. apontar alternativas para a intervenção. Assim sendo. então. remete a: 1. Intervenção – ser uma guia para a prática que se quer transformadora. pois. estimula e ativa o interesse do aluno e orienta o seu esforço individual para aprender.. Para resgatar o lugar do planejamento na prática escolar. um sentido. Esta é.... Ajudar o sujeito (pessoal e coletivamente) a se convencer de que sua ação é importante. uma primordial tarefa da reflexão: Reconstruir o sujeito mediador 2. duas funções na sua relação com o aluno: Didática do Ensino Superior . e um novo plano de ação – (Formas de mediação). A reflexão tem. qual seja.vislumbrar a possibilidade de realizar aquela determinada ação. 4. uma nova intencionalidade – Projeção de Finalidades. Campo Querer Área Necessidade Dimensões Vontade (motivo mais consciente) Desejo (motivo mais inconsciente) Poder Saber Ter *Saber *Saber Fazer * Saber Ser Recursos Matérias... 2. Corresponde a uma mobilização inicial. embora limitada. utilitária. o valor pedagógico da interação humana é ainda mais evidente. há um elemento fulcral que é o professor se colocar como sujeito do processo educativo. Incessantemente há na ação consciente dos sujeitos um nível de elaboração.

o educando é “uma pessoa que se desenvolve.. Ensinar exige apreensão da realidade. a um saber organizado e preciso. e consciente ou inconscientemente. manifestando-os a seus alunos. mas também facilita a veiculação de idéias. que se ajusta e se reajusta.. ao interagir com cada aluno em particular e ao se relacionar com a classe como um todo. Ensinar exige criticidade.. pois vê nessa interação um processo de intercâmbio de conhecimentos. ele é um educador. tolerância e luta em defesa dos direitos. tende a valorizar ainda mais a relação professor-aluno. o professor não apenas transmite conhecimentos. Uma função orientadora.. mediante processos dinâmicos.. O reconhecimento de ser condicionado. Ensinar exige pesquisa.... Ensinar exige bom senso. idéias. contribuindo para a formação da personalidade do educando.. ideais e valores.. Didática do Ensino Superior . sincrético.. Humildade. 4. Respeito à autonomia do ser do educando. conceitos e idéias (aspecto cognitivo)... 2. Exige a corporeificação da palavra pelo exemplo. pois ele deve aproveitar a curiosidade natural do educando para despertar o seu interesse e mobilizar seus esquemas cognitivos (esquemas operativos de pensamento).. valores e princípios de vida (elementos da esfera afetiva). ajudando-o a construir seu próprio conhecimento. Ensinar exige alegria e esperança.. Quem concebe assim o educando.. pois deve orientar o esforço do aluno para aprender..... Assim.. Reconhecimento e a assunção da identidade cultural. Risco... Ensinar exige reflexão crítica sobre a prática. Ensinar exige estética e ética.. em forma de informações. orientados por valores que lhe conferem individualidade e prospectividade”. durante sua intervenção em sala de aula e por meio de sua interação com a classe... Cabe ao professor. antes de ser um professor...41   Uma função incentivadora e energizante. NÃO É TRANSFERIR CONHECIMENTO Ensinar exige consciência do inacabamento.. ajudar o aluno a transformar sua curiosidade em esforço cognitivo e a passar de um conhecimento confuso.3 Pedagogia da autonomia saberes necessários à prática educativa Paulo Freire 1... fragmentado. que atualiza suas possibilidades. que atua diretamente na formação da personalidade. aceitação do novo e rejeição a discriminação. De acordo com nossa concepção. A convicção de que a mudança é possível. Ensinar exige respeito aos saberes dos educandos. pois sua personalidade é norteada por valores e princípios de vida. NÃO HÁ DOCÊNCIA SEM DISCÊNCIA                  Ensinar exige rigorosidade metódica. Mas o professor deve ter bem claro que... explícita ou implicitamente ele veicula esses valores em sala de aula.

Didática do Ensino Superior . ADMINISTRAR A PROGRESSAO DAS APRENDIZAGENS Conceber e administrar situações-problema ajustadas ao nível e as possibilidades dos alunos. de acordo com uma abordagem formativa. para determinada disciplina. Uma dupla construção. Rumo a ciclos de aprendizagem.. Adquirir uma visão longitudinal dos objetivos do ensino Estabelecer laços com as teorias subjacentes as atividades de aprendizagem. CONCEBER E FAZER EVOLUIR OS DISPOSITIVOS DE DIFERENCIAÇÃO Administrar a heterogeneidade no âmbito de uma turma. Desenvolver a cooperação entre os alunos e certas formas simples de ensino mutuo. Construir e planejar dispositivos e seqüências didáticas. 2. É UMA ESPECIFICIDADE HUMANA Segurança. Ensinar exige comprometimento. ORGANIZAR E DIRIGIR SITUAÇÕES DE APRENDIZAGEM  Conhecer. 4... Ensinar exige tomada consciente de decisões. Compreender que a educação é uma forma de Intervenção no mundo .. 3. explicitar a relação com o saber.. os conteúdos a serem ensinados e sua tradução em objetivos de aprendizagem.. o sentido do trabalho escolar e desenvolver no aluno a capacidade de auto-avaliação.. Abrir. Instituir um conselho de alunos e negociar com eles diversos tipos de regras e de contratos. Disponibilidade para o diálogo.42           Ensinar exige curiosidade. Fornecer apoio integrado..... 3.                  Trabalhar a partir das representações dos alunos.. Envolver os alunos em atividades de pesquisa. Ensinar exige querer bem aos educandos..... competência e generosidade. Trabalhar a partir dos erros e dos obstáculos a aprendizagem. Observar e avaliar os alunos em situações de aprendizagem. trabalhar com alunos portadores de grandes necessidades. Ensinar exige saber escutar.4 Competências para ensinar Philippe Perrenoud 10 Novas Competências para Ensinar 1. ENVOLVER OS ALUNOS EM SUAS APRENDIZAGENS E EM SEU TRABALHO Suscitar o desejo de aprender.. ampliar a gestão de classe para um espaço mais vasto. em projetos de conhecimento. Ensinar exige liberdade e autoridade. Fazer balanços periódicos de competências e tomar decisões de progressão.. Reconhecer que a educação é ideológica. 4.

Dirigir um grupo de trabalho. a participação dos alunos. 9. étnicas e sociais.43                              Oferecer atividades opcionais de formação. as sanções e a apreciação da conduta. Enfrentar e analisar em conjunto situações complexas praticas e problemas profissionais. negociar um projeto da instituição. UTILIZAR NOVAS TECNOLOGIAS A informática na escola uma disciplina como qualquer outra. Saber explicitar as próprias praticas. Favorecer a definição de um projeto pessoal do aluno. Organizar e fazer evoluir. 5. Desenvolver o senso de responsabilidade. Coordenar. a autoridade e a comunicação em aula. conduzir reuniões. Estabelecer seu próprio balanço de competências e seu programa pessoal de formação continua. Utilizar editores de texto. no âmbito da escola.. Didática do Ensino Superior . TRABALHAR EM EQUIPE Elaborar um projeto em equipe. 6. representações comuns. INFORMAR E ENVOLVER OS PAIS Dirigir reuniões de informações e de debate. Comunicar-se a distancia por meio da telemática. Competências para trabalhar em ciclos de aprendizagem. Formar e renovar uma equipe pedagógica. 8. Dilemas e competências. Fazer entrevistas. Administrar os recursos da escola. 10. Envolver os pais na construção dos saberes. Administrar crises ou conflitos interpessoais. PARTICIPAR DA ADMINISTRAÇÃO DA ESCOLA Elaborar. Analisar a relação pedagógica. Explorar as potencialidades didáticas dos programas em relação aos objetivos do ensino. Lutar contra os preconceitos e as discriminações sexuais. ADMINISTRAR SUA PROPRIA FORMAÇÃO CONTINUA.. ENFRENTAR OS DEVERES E OS DILEMAS ETICOS DA PROFISSAO Prevenir a violência na escola e fora dela. Utilizar as ferramentas multimídia no ensino. 7. Competências fundamentadas em uma cultura tecnológica. Participar da criação de regras de vida comum referente à disciplina na escola. dirigir uma escola com todos os seus parceiros. a solidariedade e o sentimento de justiça.

vem do Grego Didaktiké. quando ensinar. da política educacional. como ensinar e com que ensinar. Ser agente do sistema de formação continua. por que ensinar. eficiente . da aprendizagem. Esta palavra foi empregada pela 1a. em seu livro “Principais aforismos Didáticos”. rede). E como arte. 4. do ensino. A didática deve ser uma disciplina altamente questionadora da realidade educacional. tendo em vista orientá-lo à atingir um estado de maturidade que lhe permita desvendar a realidade de maneira consciente. Perrenoud Philippe. vez. Didática do Ensino Superior . pode ser conceituado da seguinte forma: Didática é o estudo do conjunto de recursos que tem como objetivo dirigir a aprendizagem do educando. da realidade cultural. Amplo – preocupa-se com os procedimentos que orientam o educando a aprender algo.Com o tempo. por isso. 10 Competências para ensinar. do professor. Pedagógico – apresenta compromissos com o sentido sócio-moral da aprendizagem do educando visando não só a transmissão de conhecimentos. de educar e de aprender. 2000.sem a preocupação com valores sócio-morais. o educando. eficientes e responsáveis.44     Negociar um projeto de formação comum com os colegas (equipe. Considerando ainda quando e onde e com que se ensina”. das disciplinas e conteúdos. A Didática primeiramente significou arte de ensinar. . com sentido de ensinar em 1629 por Ratre. Didática pode ser compreendida em dois sentidos: 1. sente necessidade constante de se perguntar o que é o homem. para que se possa obter respostas para saber como ensinar. A didática objetiva resultados. A Didática deve questionar por que educar. a Didática dependia muito do jeito de ensinar. o ensino. da escola. O conceito de Didática. A Didática é uma ciência dimensionada para o humano. mas sobretudo a formação de cidadãos conscientes. os conteúdos. vinculado ao de Educação. o professor. Tradução Patrícia Chittoni Ramos. ARTMED. A didática pode ser definida como a “capacidade de tomar decisões acertadas sobre o que e como ensinar. o que ensinar . da intuição do professor. A didática ajuda a tomar decisões sobre a educação. O objeto da didática é o ensino que se propõe estabelecer os princípios para orientar a aprendizagem com segurança e eficiência. A Didática busca eficiência no processo ensino-aprendizagem para que se possa obter aprendizagens significativas com menos esforços e em menos tempo. a Didática passou a ser conceituada como ciência e arte de ensinar. Envolver-se em tarefas em escala de uma ordem de ensino ou do sistema educativo. Acolher a formação dos colegas e participar dela. A didática pretende orientar o agir do professor e do aluno na sua ação de ensinar. escola. a palavra Didática foi consagrada em 1657 quando João Amos Comenius lançou a famosa obra “ Didática Magna ”. da metodologia. aprendizagens. críticos.os métodos e técnicas e sobre a comunidade escolar. a quem ensinar. que quer dizer arte de ensinar. criativos. considerando quem são os nossos alunos e porque o fazemos. porém. responsável para na mesma atuar como um cidadão participante . 2. as disciplinas. mudanças significativas de comportamento.5 Didática A palavra Didática.

Houve uma época em que. traz para seu fazer essa dicotomia: discriminando uns e reforçando outros . Com que ensinar. dos conteúdos. por que ensinar algo? Como ensinar. mas também do futuro. onde cada indivíduo era tratado e respeitado como um todo –ser individual e social.” Didática do Ensino Superior . entre os que planejam e os que executam”. 4. ou seja.. os homens se uniram. Disciplina refere-se à ordem conveniente. integral. Quando ensinar. onde o aluno abre “portas” e “janelas “ em seu cérebro. O pensar. A escola.6 A interdisciplinaridade A sociedade é produto da evolução do homem e de seus relacionamentos. como instituição social . Para que isto ocorra .45 O que ensinar. traçam-se estratégias que dirigem toda a ação. Os procedimentos didáticos devem estar intimamente relacionados com o objetivo do ensino. com os conteúdos a serem ensinados e com as características e habilidades dos alunos. para melhor compreender a realidade. tornando-se bem forte a diferença entre dois grupos: “entre os que pensam e os que fazem. se esfacelado. espaço institucionalizado. a sociedade dividiu-se em classes. inter-relacionado. habilidade que requer conhecimentos e uma grande visão. Por que ensinar. Originalmente significa submissão ou subordinação a um regulamento superior. Para atingi-las. a visão do todo. A interdisciplinaridade apresenta-se como uma forma de permitir ao aluno visão global da realidade. Será que o professor sabe realmente por que ensinar cada disciplina. O professor deve ser capaz de selecionar adequadamente um método didático e organizar todos os procedimentos e técnicas. Significa também “Matéria (campo de conhecimento determinado que se destaca para fins de estudo ) tratada didaticamente. ver o todo e as partes. nos diversos campos do conhecimento. dividindo os conteúdos. começaremos pela compreensão de alguns termos específicos. é necessário que os professores tenham bem claro o que seja um trabalho interdisciplinar. Ora. ao aluno. Quem planeja o ensino deve partir de uma análise dos objetivos. tentando captar tudo. No ensino sempre se estabelecem certas prioridades. dos procedimentos e de todas as possibilidades humanas e materiais que o ambiente escolar pode oferecer em termos de meios a empregar no processo ensino-aprendizagem. ou determinado conteúdo? O que se pretende com a educação e com o ensino ? Será que o aluno sabe e entende por que está estudando? E os pais sabem por que mandam os filhos à escola? Quais são os reais objetivos do ensino. Para discutirmos o tema “interdisciplinaridade” . tem que encontrar uma forma de quebrar a dicotomia e permitir. não permite o aprimoramento. para sobreviver. visando propiciar aos alunos a melhor aprendizagem. a um funcionamento regular. enquanto os seus professores só se preocupam com uma parcela do conhecimento – o seu saber específico. estado ou resultado da ação) . Com o advento do capitalismo e da tecnologia. não só do presente. A escola. Inter/Disciplinar/ Idade: Deriva da palavra primitiva disciplinar ( que diz respeito a disciplina ) . por prefixação ( inter-ação: recíproca comum ) e sufixação (dade: qualidade. com ênfase na aquisição de conhecimentos e no desenvolvimento de habilidades intelectuais. o homem é um ser inteiro. formando grupos coesos. fragmentando e/ou impedindo a construção de um saber integral. A didática pode oferecer perspectivas e ajudar a escolher o que ensinar para que o aluno aprenda como aprender. destinado à ( re ) construção do saber socialmente produzido e sistematizado. O melhor procedimento é aquele que atende as características individuais ou grupais. conceituando-os com clareza.

historicizar e contextualizar os conteúdos ( resgatar a memória dos acontecimentos. causas. em equipe interdisciplinar. de pesquisa. A qualidade da educação. interessando-se por suas origens. será alcançada via gestão participativa. resgatar sua própria inteireza. com menor fragmentação. entre outros. Uma prática escolar interdisciplinar tem algumas características que podem ser apontadas como fundamentos ou “vistas” para uma transformação curricular e que exige mudança de atitude. mas também quanto à maneira de tratar o aluno e aos comportamentos que deve estimular. desenvolver atitude de busca. integrada ( tanto o corpo docente como o corpo discente ) . seja ideológico ( que tipo de homens queremos formar) psicopedagógica ( que teoria de Didática do Ensino Superior . procedimento. a administração participativa e a metodologia participativa. Transdisciplinar – quando há coordenação de todas as disciplinas num sistema lógico de conhecimentos. De posse desses conceitos básicos . que valorizam a disciplina na formação de seu pessoal.quando se justapõem disciplinas mais ou menos vizinhas nos domínios do conhecimento. Interdisciplinar – com nova concepção de divisão do saber.46 É uma palavra muito presente em instituições. valorizar o trabalho em parceria. estabelecendo pontos de contatos entre as diversas disciplinas do currículo. A utilização desta mesma palavra para denominar os conteúdos escolares refere-se tanto à necessidade de submeter-se à mente a mesma ordem que controla o corpo dos educandos. como: a auto-expressão ( livre. construção. de transformação. trabalho de equipe (parceria. com livre trânsito de um campo de saber para outro. sem relação aparente entre si . O segundo passo rumo à operacionalização do currículo interdisciplinar é. cooperação) e currículo interdisciplinar – todos estes mecanismos que superam o modelo individualista. consciente ) . a curiosidade e a autonomia na construção do conhecimento ( estabelecendo rede de significação interdisciplinar ). criativa. postura por parte dos educadores:      perceber-se interdisciplinar. Para que este novo papel social da educação se cumpra. sua humildade. formando-se áreas de estudo com conteúdos afins ou coordenação de área. a co-responsabilidade ( iniciativa. quanto ao tratamento didático que deve ser dado a cada matéria escolar. vamos analisar os diversos tipos de composição curricular: Multidisciplinar – modelo fragmentado em que há justaposição de disciplinas diversas. é preciso rever o funcionamento da escola. colaboração ) . fragmentado e centralizador de administração e de produção do saber. 4.1 Como a escola pode tornar-se interdisciplinar O primeiro passo rumo à nova proposta é a mudança do paradigma de escola e da postura dos professores. investigação e descoberta. a interação. crítica. Pluridisciplinar . grande preocupação dos administradores escolares hoje. a comunicação existente entre as disciplinas e buscando a integração do conhecimento num todo harmônico e significativo . frisando a interdependência. conseqüências e significações.6. pois. sentir-se “parte do universo e um universo à parte” . não só quanto a conteúdos. a fábrica e a Igreja. metodologias e atividades. aprender a ler jornal e a discutir as notícias ). como o exército. participação. a auto-valorização ( reconhecimento da própria dignidade ) . definir uma base teórica única como eixo norteador de todo o trabalho escolar.

Petrópolis. programa) revelará. assim. atualizando-os. da autonomia e da centralização decisória na escola) .RJ : Vozes. uma real revisão curricular. de seu papel nele.ou relacional ( como são as relações interpessoais. gratuidade. Referência: GOULART. analisando e refazendo os programas em conjunto. um tempo. perguntando-se a todo momento : “o que há de profundamente humano neste novo conteúdo ?” ou “em que este conteúdo contribui para que os alunos se tornem mais humanos ? ” . um ambiente. responsabilidade social da universidade. remuneração. A discussão desse assunto tomou para mim um interesse particular a partir de uma pesquisa. realiza-se a educação de nossos educandos e educadores. discutindo menos como acontecem as aulas e mais como poderão acontecer de uma perspectiva eminentemente educacional.1 A aula na universidade Tratar da ”aula na universidade” parece uma questão menor diante dos grandes problemas que afetam o ensino superior brasileiro: políticas. a questão do poder. dinamizar a coordenação de área ( trabalho integrado com conteúdos afins. a concepção que o professor tem da aprendizagem. Desenvolver projetos na escola é. desvelará maneiras de integrar teoria e prática. a melhor maneira de garantir a integração de conteúdos pretendida pelo currículo interdisciplinar.) A educação na perspectiva construtivista. diretrizes.. capacitação e condições de trabalho dos docentes. evitando repetições inúteis e cansativos) . ou seja. 1995). investimentos. enriquecendo-os ou “enxugando-os “. aproximando-a da vida real.47 aprendizagem fundamenta o trabalho escolar ) . Aula como espaço de convivência humana e de relações pedagógicas. do papel que cabe ao aluno. trabalhar com a pedagogia de projetos. A forma como se der a interação desses três elementos ( professor. a criatividade. de sua competência pedagógica e política. a aula é sim um pequeno mundo onde. um espaço. A importância de discutir e debater a “aula na universidade” advém do fato de ela constituir uma situação. aluno. nas ações e interações de professores-alunos-programa no dia-a-dia. seguramente. concretizados na interação educativa de professores e alunos que desenvolvem um programa de formação. por exemplo. pesquisa. de sua visão de mundo e da sociedade contemporânea. custos. 5 O PLANEJAMENTO E A ORGANIZAÇÃO DA PRÁTICA DOCENTE 5. o mais profundo e significativo eixo da interdisciplinaridade.    Realiza-se. Iris Barbosa ( org.1995. que elimina a artificialidade da escola. indicará as diretrizes políticas e educacionais tanto do MEC quanto da instituição concreta onde essa aula se realiza. iniciando-se assim. e estimula a iniciativa. em que está presente todos aqueles problemas. a proposta da interdisciplinaridade de buscar o sentido e a unidade do conhecimento e do ser. modelos de estruturas universitárias etc. qualidade do ensino. Por essas razões. de profissionalização de aprendizagem. acesso ao ensino superior. começando pelo confronto dos planos de curso das diversas disciplinas. Didática do Ensino Superior . (Masetto. ciência e realidade cotidiana fora da estrutura escolar. a cooperação e a coresponsabilidade. que realizei com alunos do curso de licenciatura da Faculdade de Educação da USP. Reflexões de uma equipe interdisciplinar. resgatar o sentido do humano. para citar alguns. vejo relevância em abordar esse tema da forma mais interrogativa e investigadora possível.

estudos análises. o científico. Aula como convivência humana. a demonstração de confiança no aluno e em sua responsabilidade pela aprendizagem como fatores fundamentais para fortalecer a convivência. a relação do conhecimento com a experiência. a pesquisa e o debate. acontecimentos. leva para a realidade extraclasse as reflexões. amizade. Essa realidade está diretamente integrada ao grupo classe. a explicitação das expectativas e necessidades dos alunos. A nossa experiência tem sido a de aprender apenas com nossos professores numa relação individual e de dependência em relação a eles. somos um grupo de pessoas que estão se reunindo durante uma grande parte de nossas vidas para buscar algo de muita importância para nós. porque é real e desafiadora. teorias que estão agitando o meio em que vivem alunos e professores.48 Essa pesquisa procurou identificar condições facilitadoras de aprendizagem em sala de aula de 3º grau. características dos professores que vão além do domínio do Didática do Ensino Superior . o estudo. É o vivo. professores e alunos é um grupo com características próprias. que ainda não descobriram a riqueza desse intercâmbio. refletida e debatida por esse grupo. onde predomina uma grande heterogeneidade. A aula como espaço que favoreça e estimule a discussão. as características de professores que foram marcantes para eles em seu período de formação. com a realidade profissional e com as necessidades dos alunos. nós nos demos conta de que. Permite aos alunos desenvolver uma visão crítica acerca dos problemas econômicos e sociais da atualidade e a pensar sua própria atuação profissional nas condições da realidade brasileira. a buscar informações. Investigando com professores de hoje. O grupo classe. o atual presentes nessa ação educativa. Mas o que quer dizer essa expressão. integração e complexidade – e assim são tratados. o trabalho em equipe. O estudo de alguns resultados dessa pesquisa levou-me a refletir sobre o significado do espaço “sala de aula”. antes de mais nada. com visões de mundo. formado por alunos e professores que existem historicamente.funciona como um espaço aberto que se impregna de fatos. Ela permite aplicações práticas. “aula como espaço de convivência humana e de relações pedagógicas?”. dialogar e trabalhar com elas. a pesquisar. com elas aprender a construir conhecimentos e fazer ciência. trabalha-a com a ciência e permite um retorno a ela com nova perspectiva para sua transformação. Talvez aqui se encontre a pedra de toque dessas reflexões. Seus assuntos e temas se revestem das mesmas características da realidade – globalidade. como nos grupos humanos fora da universidade. pesquisas. Acostumados por demais a ver nossas aulas como espaço físico. Essa vivência e essa aprendizagem com os outros colegas em aula não costumam ser valorizados nem trabalhados por professores e alunos. Aula como vivência quer dizer aula como vida. valorizando as ações participativas. ex-alunos universitários. Esta aula traz o dia-a-dia para a sala. Todas as características que apontam claramente para uma convivência humana no processo de ensino-aprendizagem. buscando pistas que fizessem com que os alunos superassem aquela sensação de que as aulas são inúteis e uma perda de tempo e com que os professores se sentissem gratificados ao realizar a docência e esta não lhes fosse um fardo e fonte de tantas frustrações. Pesquisas indicam depoimentos de alunos que salientam as estratégias integradoras do grupo como importantes para a aprendizagem e o relacionamento de professores e aluno. de vida de profissão. as propostas das ciências a respeito dessa mesma realidade. etc. ensinavam a pensar. paixão pela docência. conflitos. os estudos. Essa aula passa a ser interessante e motivadora para alunos e professores. eram abertos à crítica. A aula acontece num movimento de mão dupla: recebe a realidade. A sala de aula – vivência. E vamos precisar aprender a viver com essas pessoas. cultura. encontram certa unanimidade de respostas: tinham respeito pelo aluno. como realidade. prioridades. dialogavam. tinham honestidade intelectual. e precisa ser estudada.

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conhecimento específico de determinada matéria, qualidade imprescindível para um professor, mas insuficiente para educar seus alunos para a vida. Dois filmes, relativamente atuais, que demonstram bem o significado desse aspecto de convivência humana como elemento básico de formação e educação para professores e alunos: Sociedade dos poetas mortos e Admirável professor, que me abstenho de comentar, dada sua divulgação e dado o fácil acesso a eles. A aula como espaço de relações pedagógicas. O encontro desse grupo humano formado de professores e alunos em uma escola tem objetivos educacionais bem definidos. Visa á aprendizagem na área do conhecimento: adquirir informações relacioná-las, contrapô-las a outras, criticá-las, reconstruir o próprio conhecimento, buscar novas informações, sintetizar e tirar conclusões, generalizar etc. A aprendizagem na área de habilidades humanas e profissionais visa aprender a pesquisar, a trabalhar em equipe, comunicar-se com diferentes públicos, relacionar-se com clientes, entrevistar pessoas, aprender a aprender, dominar línguas estrangeiras e recursos oferecidos pela informática. Além dessas, todas aquelas que são específicas de cada profissional e que caberá aos docentes do curso identificar para serem trabalhadas e desenvolvidas. Na área de atitudes e valores, visa o desenvolvimento da consciência da cidadania e de seu compromisso com ela, à discussão dos valores atuais e emergentes, aprendendo a fazer opções e tomar posição diante deles, á valorização da pesquisa e da produção do conhecimento, ao desenvolvimento de uma atitude crítica diante do exercício de sua profissão na sociedade brasileira contemporânea. Queremos chamar a atenção para o fato de que, se a aula na universidade existe para que se adquiram informações e conhecimentos, existe também e principalmente para outros objetivos que no momento parecem estar esquecidos. Sua ausência explica grandemente o desinteresse dos alunos, e sua presença devolveria o interesse e a motivação por ela. Essa concepção de aula traz consigo a modificação da postura do professor de “ensinante” para “estar com”; de transmissor para parceiro de troca, por meio de uma ação conjunta do grupo. Sala de aula: trabalho em equipe, que se explicita na revisão do programa da disciplina ou da matéria encaixando a vida, o concreto, o real, as expectativas, os interesses e os problemas dos aprendizes com a especificidade da disciplina. Nela as estratégias são selecionadas visando à formação do cidadão, do profissional, do pesquisador, favorecendo a iniciativa, a criatividade e a participação no processo. A avaliação é pensada como um feedback relacionado a todos os objetivos educacionais e não apenas àqueles de ordem cognitiva. Essa aula pode se transformar num instante inovador na vida de seus participantes, quando contradições se apresentam, evidências antigas são destruídas e novas, construídas. O professor Rualdo (1996), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, escrevendo sobre a melhoria do ensino e capacitação docente, faz uma reflexão sobre a sala de aula na qual discute a situação mais comumente encontrada de ver aquele espaço como oportunidade de passar conhecimentos versus outra em que pensar, refletir, reconstruir o conhecimento, trabalhar na biblioteca e em laboratórios e pesquisar passa, a ser as atividades rotineiras. Defendendo o contexto da sala de aula como um espaço multifacetado, professor Rualdo destaca, para o nosso debate, os seguintes pontos:    a sala de aula como local de crescimento pessoal e interpessoal; a busca de experiências significativas; a sala de aula como local de incentivo á descoberta: o conhecimento como construção/ aventura. a sala de aula como local de desenvolvimento de capacidade de raciocínio; a busca da habilidade de pensar sobre si mesmo.

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 a sala de aula como local de desenvolvimento da compreensão ética: o professor como modelo de integridade profissional.

Autor: Marcos T. Masetto Fonte; In: FAZENDA, Ivani (org). Didática e Interdisciplinaridade. Campinas-SP, 1998,( p.179-191)

5.2 Planejamento de ensino
Texto organizado por Clemência Maia Vital Mestre e Doutora em Educação. Para buscar respostas plausíveis aos desafios que essa nova educação impõe, o educador deve organizar-se buscando quatro aprendizagens essenciais que, ao longo de toda vida, serão de algum modo sua bússola segura: essas aprendizagens seriam:  Aprender a conhecer. Isto é, adquirir as competências para a compreensão, incluindo o domínio dos próprios instrumentos de conhecimento. Em síntese, quem aprende a conhecer aprende a aprender, e essa aprendizagem é absolutamente essencial para as relações interpessoais, as capacidades profissionais e os fundamentos de uma vida digna. Essa primeira aprendizagem seria uma palavra de ordem que dá um basta à aprendizagem dos saberes inúteis que entulham nossos currículos e também o fim de uma visão de que o ensino deve estar restrito a certo número de horas por dia e de certo número de anos para sua conclusão. Em seu lugar devem imperar habilidades para se construir conhecimentos, exercitando os pensamentos, atenção e a memória, selecionando as informações que efetivamente possam ser contextualizadas com a realidade que se vive e capazes de serem expressas através de linguagens diferentes; Aprender a fazer. Embora quem aprenda a conhecer já esteja aprendendo a fazer, essa segunda aprendizagem enfatiza a questão da formação profissional e o preparo para o mundo do trabalho. Que não se entenda aqui que o tema possa se referir ao Ensino Técnico ou algo similar, mas sim que a escola, desde a educação infantil, ressalte a importância de se pôr em prática os conhecimentos significativos ao trabalho futuro. Aprender a fazer, portanto, não pode continuar significando “preparar alguém para uma tarefa determinada” , mas sim despertar e estimular a criatividade para que se descubra o valor construtivo do trabalho, sua importância com forma de comunicação entre o homem e a sociedade, seus meios como ferramentas de cooperação e para que transforme o progresso do conhecimento em novos empreendimentos e em novos empregos”; Aprender a viver juntos, viver com os outros. Para que isso possa verdadeiramente acontecer é essencial que os professores tenham coragem de desvestir a escola de sua fisionomia de quartel e deixar de ser um disfarçado campo de competições para, aos poucos, ir se transformando em um verdadeiro centro de descoberta do outro e também um espaço estimulador de projetos solidários e cooperativos, identificados pela busca de objetivos comuns. Essa missão é bem mais difícil de ser começada do que ser concluída e em diferentes pontos e lugares existem experiências extraordinárias da descoberta do outro a partir da descoberta de si mesmo. Os caminhos do autoconhecimento e da autoestima são os mesmos da solidariedade e da compreensão; Aprender a ser. Ouve um tempo na educação grega em que era quase impossível pensar na mente sem que se pensasse também no corpo. Essa visão holística e integral do homem, tempos depois, foi sendo devorada por uma concepção divisionária da educação, onde os atributos do corpo somente deveriam ser perseguidos pelos limitados em sua mente. Aprender a ser retoma a idéia de que todo ser humano deve ser preparado inteiramente – espírito e corpo, inteligência e sensibilidade, sentido estético e responsabilidade pessoal, ética e espiritualidade – para elaborar pensamentos autônomos críticos e também para formular os próprios juízos de valores, de modo a poder decidir, por si mesmo, como agir em diferentes circunstâncias da vida. Didática do Ensino Superior

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Evidente que os argumentos são sedutores, mas também é natural que surja no professor uma respeitável dúvida quanto a sua prática. Não seriam os pilares da educação propostos nesse relatório apenas “palavras vazias”, objetivas retóricos, discursos distantes do cotidiano em uma sala de aula? A resposta é não e o próprio relatório Educação – Um tesouro a descobrir já apresenta alguns caminhos. Outros são propostos por Perrenoud. Os conteúdos a serem trabalhados na formação dos sujeitos podem ser classificados em três grandes categorias, a saber:    Conceituais: relativos a informações, fatos, conceitos, imagens, etc. Procedimentais: habilidades, hábitos, aptidões, procedimentos, etc. Atitudinais: disposições, interesses, posturas, atitudes, etc.

A aprendizagem de conceitos e princípios1 Conteúdos conceituais:  Os conceitos se referem ao conjunto de fatos, objetos ou símbolos que têm características comuns (mamífero, densidade, impressionismo, romantismo, sujeito, cidade, cambalhota,...); Os princípios se referem às mudanças que se produzem num fato, objeto ou situação em relação a outros fatos, objetos e situações e que normalmente descrevem relações de causa-efeito ou de correlação (as leis ou regras como a de Arquimedes, as normas ou regras de uma corrente literárias,...). Uma das características dos conteúdos conceituais é sempre existe a possibilidade de ampliar ou aprofundar seu conhecimento, de fazê-la mais significativa. As condições para a aprendizagem são: o o o o Atividades complexas que provocam um verdadeiro processo de elaboração e construção pessoal do conceito. Atividades experimentais que favoreçam que os novos conteúdos se relacionem com os conhecimentos prévios. Atividades que promovam essas relações e desafios ajustados às possibilidades reais, proporcionando significado e funcionalidade aos novos conceitos. Atividades que favoreçam a compreensão do conceito a fim de utilizá-lo para a interpretação ou o conhecimento de situações, ou para a construção de outras idéias.

 

Os conteúdos procedimentais:     Um conteúdo procedimental inclui, entre outras coisas, as regras, técnicas, os métodos, as destrezas ou habilidades, as estratégias, os procedimentos - um conjunto de ações ordenadas e com um fim, ou seja, dirigidas para a realização de um objetivo. Aprende-se os conteúdos procedimentais a partir de modelos especializados. A realização das ações que compõem o procedimento ou a estratégia é o ponto de partida para a aprendizagem. Em seguida a exercitação múltipla até que possa dominar e a reflexão sobre a própria ação para tomar consciência da mesma, pois para poder melhorar o procedimento é necessário refletir sobre a maneira de realizá-lo e sobre quais são as condições ideais de seu uso, sendo, então, imprescindível conhecer o conteúdo.

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ZABALA, Antoni. A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998. Didática do Ensino Superior

sente e atua de uma forma mais ou menos constante. ou se fará um trabalho com texto. para colocar o aluno em contato direto com coisas. sendo.3 Estratégias de ensino aprendizagem O termo estratégia de ensino é empregado para designar os procedimentos e recursos didáticos a serem utilizados para atingir os objetivos desejados e previstos. isto é. processos ou comportamentos planejados pelo professor. supondo uma reflexão sobre os possíveis modelos. Aprende-se uma atitude quando a pessoa pensa. Além do mais. em função dos objetivos previstos” Turra. ou se aplicará um estudo dirigido.  Atitudes: são tendências ou predisposições relativamente estáveis das pessoas para atuar de certa maneira. podendo ser voluntária ou forçada.52    A aplicação. ou se utilizará jogos educativos. Aprende-se um valor quando foi interiorizado e foram elaborados critérios para tomar posição frente àquilo que deve se considerar positivo ou negativo. embora não se entenda a necessidade de cumpri-la. fatos ou fenômenos que lhes possibilitem modificar sua conduta. ou se fará um trabalho em grupo. Aprende-se uma norma em diferentes graus: aceitação. em contextos diferenciados ocorre quando há o domínio do mesmo. São exemplos: cooperar. de acordo com valores determinados. conformidade quando implica uma certa reflexão sobre o significado da norma.126 Portanto. Consideramos procedimentos de ensino as “ações. Como a aprendizagem é um processo dinâmico. constituem a forma pactuada de realizar certos valores compartilhados por uma coletividade e indicam o que pode se fazer e o que não pode se fazer neste grupo. uma análise e uma avaliação das normas e uma tomada de posição. o respeito. A aplicação. os procedimentos de ensino dizem respeito às formas de intervenção na sala de aula. Ou seja.  Normas: são padrões ou regras de comportamento que devemos seguir em determinadas situações. enfim. que se definem as formas de intervenção na sala de aula para ajudar o aluno no processo de reconstrução do conhecimento. como a solidariedade. ela só ocorre quando o aluno realiza algum tipo de atividade. a partir desses critérios básicos. Conteúdos atitudinais: Os conteúdos atitudinais estão configurados por componentes afetivos (sentimentos e preferências). é a partir desses aspectos que se estabelece o como ensinar. Engloba uma série de conteúdos que tratam de:  Valores: são os princípios ou as idéias que permitem às pessoas emitir um juízo sobre as condutas e se sentido. então. em contextos diferenciados ocorre quando há o domínio do mesmo. a responsabilidade e a liberdade. cognitivos (conhecimentos e crenças) e condutores ( ações e declarações de intenção). Portanto. e quando se interiorizam as normas e se aceitam como regras básicas de funcionamento. Os conteúdos atitudinais envolvem um processo marcado pela necessidade de elaborações complexas de caráter pessoal. critérios morais que regem a atuação e a avaliação de si mesmo e dos outros. sua escolha e aplicação dependem dos objetivos estabelecidos. 5. enfim. É a partir dos objetivos propostos para o ensino que se escolhem os procedimentos de ensino e se organizam as experiências de aprendizagem mais adequadas.p. Refletir sobre a maneira de realizá-lo e sobre quais são as condições ideais de seu uso. Didática do Ensino Superior . o professor fará em sua aula uma exposição dialogada. imprescindível conhecer o conteúdo. desde as mais instintivas até as fortemente reflexivas. e participar das atividades.

Por isso. à aprendizagem de um determinado conteúdo é aquele que ajuda o aluno a incorporar os novos conhecimentos de forma ativa. conceituar. analisar. refletir. E atividade aqui é entendida não apenas como ação efetiva. situar fatos no tempo e no espaço. por tarefas que exijam dos alunos a execução de operações mentais. ao aluno cabe manipular. Didática do Ensino Superior . e para desenvolver habilidades operatórias. contribuindo para o desenvolvimento do pensamento operatório. estabelecer relações. estimular os esquemas mentais dos alunos. Desses princípios podemos extrair algumas normas didáticas que podem nortear o trabalho docente. existem dois princípios pedagógicos fundamentais que devem ser postos em prática. sintetizar. Cabe ao professor. experimentar. dialogando e dando explicações claras. permitir que o aluno aplique seus esquemas mentais ao conteúdo a ser aprendido. provar. a aprendizagem supõe atividade mental. física. como operação mental. Nessa perspectiva. construir. ordenar. ao planejar uma unidade didática. Por isso. tem dois objetivos básicos:   estimular as estruturas e os esquemas mentais do aluno. Uma didática operatória baseada no construtivismo cognitivo de Jean Piaget. O professor pode utilizar os mais variados procedimentos de ensino e oferecer aos seus alunos as mais diversas experiências de aprendizagem. São elas:  Incentivar sempre a participação dos alunos. mais significativa e duradoura. aplicando seus esquemas operatórios de pensamento aos conteúdos estudados. deduzir. criando condições para que eles se mantenham numa atitude reflexiva. comparar. classificar. o professor deve prever e determinar as operações mentais que serão realizadas pelos alunos. seriar. e ambos formam as estruturas mentais do indivíduo. redigir. assimilação e fixação. para facilitar sua compreensão. que concebe o conhecimento como uma redescoberta e uma reconstrução por meio da atividade do educando. Para que a aprendizagem se torna mais efetiva. pois aprender é agir e operar mentalmente é pensar. garantindo uma aprendizagem mais duradoura. ouvir. São eles:   A aprendizagem será mais eficiente. nas aulas. compreensiva e construtiva. as tarefas mecânicas que apelam para a repetição e a memorização.53 A aprendizagem ocorre quando o aluno participa ativamente do processo de reconstrução do conhecimento. a manipulação e a experimentação se realizem. falar. Por sua vez. isto é. observar. como pensamento reflexivo. vivências e conhecimentos anteriores dos alunos. A aprendizagem será mais significativa se o ensino partir das experiências. isto é. se o aluno puder construir o objeto do ensino por meio de sua atividade mental. qualquer que seja o procedimento de ensino adotado. propor hipóteses. enunciar conclusões. independentemente dos procedimentos adotados. fazer estimativas. induzir. justificar e criar. independente dos procedimentos de ensino que usa e dos métodos que aplica. Os esquemas de ação são a base dos esquemas operatórios. conceituar. O procedimento didático mais adequado. No entanto. é preciso substituir. criando condições para que a pesquisa. mas antes de tudo como ação interiorizada. a função do professor é coordenar e facilitar o processo de reconstrução do conhecimento por parte do aluno:    apresentando situações desafiadoras que acionem os esquemas operatórios de pensamento. perguntar. criando condições para que eles construam o conhecimento através de sua própria atividade. ler. estimulando o pensamento operatório.

54     Aproveitar as experiências anteriores dos alunos. TÉCNICAS ADEQUADAS Phillips 66 Díade Grupos de cochicho Times de observação Aprofundar a discussão de um tema ou problema. para fornecer informação e esclarecer conceitos. Torna-se importante ressaltar que ao escolher uma determinada metodologia para desenvolver uma aula ou curso. o professor não está escolhendo somente técnicas ou métodos. ou procedimentos de ensino e que são muitas vezes denominados de estratégias. Desenvolver capacidade de observação e crítica do desempenho grupal. mas toda uma teoria que a sustenta. é exatamente como o professor vai proceder na sala de aula para incentivar. Apresentar diversos aspectos de um mesmo tema ou problema. Grupos de observação. por intermédio da avaliação contínua. integração. O professor deve ter perante a didática uma atitude crítica.3. Adequar o conteúdo e a linguagem ao nível de desenvolvimento cognitivo da classe. 5.1 Algumas dicas de técnicas a serem exploradas OBJETIVO EDUCATIVO Possibilitar aos alunos numa classe numerosa ocasião de participar. Oferecer ao aluno oportunidade de transferir e aplicar o conhecimento aprendido a casos concretos e particulares. Didática do Ensino Superior . expressa nos resultados da avaliação do aproveitamento do aluno. Nesse processo há uma combinação entre atividades do professor e atividades dos alunos. com alto grau de originalidade e desinibição. nas mais variadas situações. Produzir grande quantidade de idéias em prazo curto. para que eles possam associar os novos conteúdos assimilados às suas vivências significativas. relacionando-os com os objetivos. se o aluno assimilou e compreendeu o conteúdo desenvolvido. Grupos pequenos. A concretização da metodologia é feita com o componente chamado procedimento metodológico. Grupos de verbalização e Tempestade cerebral. Pergunta circular. deve refletir sobre a melhor forma de ajudar seus alunos no processo de reconstrução do conhecimento e sobre a eficácia de sua ação didática. Painel Simpósio. quer formulando respostas e perguntas. Este componente do Plano de Ensino delineia como vão ser desenvolvidos os conteúdos de ensino. Verificar constantemente. A prática pedagógica deve ser analisada e repensada continuamente pela reflexão. Conseguir que todos os participantes expressem as suas opiniões. Estudar e analisar um tema por um pequeno grupo de pessoas interessadas. Por isso. vinculada a uma concepção de mundo e de sujeito educado. chegando a conclusões(consenso). A metodologia refere-se ao “como” do processo de ensino. ou expressando opiniões e posições. organizar o processo ensino-aprendizagem.

5. adquirindo habilidades de interpretação. Dramatização Seminário. Reflexão ou círculo de estudos. com certeza nos ajudará a valorizar uma aula dinâmica. Desenvolver a capacidade analítica e preparar-se para saber enfrentar situações complexas.2 Por que técnicas de dinâmicas de grupo? A Dinâmica de Grupo estuda as interações (influências mútuas) entre as pessoas que estão juntas para divertir-se. Na prática de sala de aula. possibilitando interação e aprendizagem. sente. Método de Projetos. Estudo de casos.3. a fim de chegar a uma tomada de e posição. estudar. Aprender a trabalhar em equipes na solução de problemas. participativa e prazerosa. Na escola. Desenvolver a capacidade de estudar um problema em Equipe. as técnicas de dinâmica de grupo são indispensáveis no processo de ensinoaprendizagem. análise e síntese. mediante o estudo coletivo de situações reais ou fictícias. Diálogos sucessivos. de forma sistemática. Investigar diversos aspectos de um problema e colocar resultados em comum. ouve. mais ele interioriza conceitos. Painel de oposição. Oficina ou Laboratório (“Workshop”). Debate. Estudo orientado em equipes. ou para trabalhar. Aprender fazendo e resolvendo problemas com a intervenção de recursos humanos competentes e o benefício da discussão. Será que nós professores concordamos com isso? Façamos agora uma reflexão coletiva das questões abaixo:     Qual o professor que marcou positivamente em minha vida de estudante? Por que? Qual as lembranças desagradáveis do período em que passei na escola? Quais os momentos mais agradáveis vividos? Qual o tipo de aula que mais gostei? E as que detestei? O resultado dessas respostas discutidas e socializadas. quais são as funções das técnicas de dinâmica de grupo? Eis algumas para reflexão: Didática do Ensino Superior .55 Meditar coletivamente sobre um tema importante. Enfrentar pessoas com idéias opostas para que de sua confrontação surjam subsídios para orientar as opiniões. Reconhecer a diversidade de interpretações sobre um mesmo assunto. com ajuda de pessoas para consulta. pois quanto mais o aluno fala. Desenvolver a empatia ou capacidade de desempenhar os papéis de outros e de analisar situações de conflito. vê e participa de atividades.

No grupo não há o bode expiatório (culpado pelo fracasso). Auxílios audiovisuais (flanelógrafo . álbum seriado . fazendo as pessoas trabalharem por prazer e não como uma obrigação. pedras. convites a especialistas para proferirem palestras Assistência a exposições e exibições . cinema ) Uso de instrumentos de observação: microscópio. Entrevistas de pessoas. evidentemente . Transmissão de informação por vários receptores. donde surge intensa solidariedade e afetividade. Uso de gravadores Estágios . O incentivo e a fidelidade ao grupo são forças muito mais poderosas para a produtividade que o prêmio e o castigo.. Comparação de objetos e fenômenos. lâminas . Toda comunicação produz aprendizagens. A Dinâmica de Grupo torna o conhecimento próprio de cada um de seus membros um patrimônio do grupo pela intensificação da COMUNICAÇÃO entre seus membros. simpósios e painéis.) Uso de meios de comunicação pública(jornais. O trabalho em grupo cria o ESPÍRITO DE EQUIPE e a FIDELIDADE AO PROJETO comum. 1. catalogadas segundo o tipo de capacidade que mais provavelmente desenvolverá . a ponto de dizer que “a especialidade é dos indivíduos. mas a cultura é do grupo”. Concurso sobre quem observa mais detalhes numa situação. xerox e internet . Comitês de observação ou escuta. Sociograma (sociometria). tanto do ponto de vista da criatividade (originalidade). pode servir para desenvolver diversas capacidades . Pesquisa de informação .3 Lista de atividades de ensino Lista de atividades de ensino . como do ponto de vista da coerência. Apostilas mimeografadas. Seminários .. etc. Instrução programada Manuseio de máquinas . Censo de problemas em reunião. animais . Dinâmica de Grupo se faz pela COMUNICAÇÃO. Coleção de insetos.CAPACIDADE DE OBSERVAR Inclui as operações: Perceber a realidade. mas um bando. TV. descrever situações e adquirir conhecimentos e informações. Correspondência . lupa. Exame dos objetos reais (espécies) Escrever o que foi observado. Levantamento de campo. incluindo revistas e folhetos. pois põe em comum experiência diversa. rádio. promovendo um relacionamento profundo e autêntico.é que não era um grupo.56  O trabalho em grupo possibilita que o aluno participe com o máximo de suas potencialidades. Didática do Ensino Superior . partes vegetais. daí a repetição que se observa nas diversas listas parciais. binóculos Uso de câmaras fotográficas e de cinema . Cópias de fax .       5. Se aparece o bode expiatório.                   Excursão e visitas. O trabalho em grupo derruba as barreiras individuais e destrói as MÁSCARAS. Consultas bibliográficas. Desenho de objetos. sendo que uma mesma atividade de ensino . etc.3. construções etc.

formular hipóteses . em educação.57  Redação de relatórios . enumerar qualidades e propriedades . é empregada como mensuração. insetário etc . distinguir pontos. A medida. fatores varáveis e parâmetros de uma situação. tomar 5.. resolver problemas . Leitura de relatórios de pesquisa Coleções : herbário . Projetos de pesquisa individual e grupal       Preparação de instrumentos de coletar dados (questionários etc ) Prática de entrevistas . faz a seguinte distinção entre medir e avaliar. apreciar . pesquisar . organizar. Leitura de textos sobre pesquisa Leituras de jornais diversos . debater. generalizar . relações e partes de um todo . Simpósios Comparação de teorias. produzir. botânica etc . construir modelos. Zélia Domingues Mediana. palestras. Construção de maquetes . interpretar segundo critérios vários.1.           Instrução programada . inferir. discriminar elementos de um problema . muitas vezes. executar. conferências . Discussão dirigida pelo professor Painel de discussão . procura descrever quantitativamente o grau em que o aluno dominou Didática do Ensino Superior . predizer .4 Avaliação do ensino 5. transpor e transformar . Painel de oposição . deduzir. miniaturas. dirigir. realizar. associar .. levando em conta seu aspecto quantitativo numérico. modelos . aulas expositivas. animais. pesquisas . 5 – CAPACIDADE DE APLICAR E TRANSFERIR O APRENDIDO Inclui as operações : Planejar. O que é medir e avaliar A palavra Avaliação. passos de uma seqüência ou processo . grupos ) Estudos de caso .4. “Medir é o ato de colher informações. Reflexão individual ou em grupos Contato com estudiosos 4 – CAPACIDADE DE SINTETIZAR Inclui as operações : Julgar . criticar . ) Estudo dirigido . Reflexão . Pesquisa bibliográfica.. avaliar . Diagnóstico de situações (plantas. Estudo dirigido . construir. objetos Execução de análise ( química . discutir valores . Redação Discussão em pequenos grupos .chaves . decisões . explicar ou desenvolver conceitos e proposições . 2 – CAPACIDADE DE ANALISAR Inclui as operacões : decompor objetos ou sistemas em elementos constitutivos. física . extrapolar . fenômenos. Pergunta circular Julgamento de concursos e exibições . Leitura individual supervisionada 3 – CAPACIDADE DE TEORIZAR Inclui as operações: Repensar a realidade . Análise de projetos Recursos visuais: diagramas esquemas gráficos .

segundo níveis de aproveitamento apresentados. que conduzam a melhoria da aprendizagem. Modalidade de avaliação A avaliação classifica-se em três modalidades. p. É versátil: não se efetiva sempre da mesma forma. É continua: não é terminal. com a participação do aluno.4. Não inclui descrições qualitativas nem juízo de valor”. Deve-se observar na avaliação formativa: saber o que se deve avaliar e para que serve os resultados. de um ambiente educativo. etc. O professor não irá apresentar verdades. A avaliação fundamenta-se em pressuposto como:       É dinâmica: não é estática.2. como qualitativas.58 determinado objetivo. A avaliação só será eficaz se ocorrer de forma interativa entre professor e aluno. Diagnóstica – visa determinar a presença ou ausência de conhecimentos e habilidades. Enquanto a avaliação formativa verifica o desenrolar do processo ensino-aprendizagem. emitir juízo de valor que sirva de base para ações futuras. Uma avaliação deve se alicerçar em objetivos claros. mas com o aluno irá investigar. ”(1995 p. programas.. O aluno não deve ser um indivíduo passivo e o professor a autoridade que decide o que o aluno precisa e deve saber. durante o desenvolvimento das atividades escolares. estabelecer diferentes estratégias de reforço (Feedback). Didática do Ensino Superior . É abrangente: não restrita a alguns aspectos da personalidade do educando. a avaliação somativa busca verificar o processo final da aprendizagem. já que é o sujeito da ação educativa. Na Educação o significado de avaliar consiste em classificar o aluno através de provas. ambos caminhando na mesma direção em busca dos mesmos objetivos. Ela deverá ocorrer no inicio de cada ciclo de estudo. questionar as teorias e juntos descobrirão as melhores alternativas para superá-los. de objetivos educacionais. testes. 32) Na linguagem popular o verbo avaliar significa atribuir valor a alguma coisa. 2. 3. Gimeno Sacristán e Perez Gomes em sua obra “Compreender e Transformar o Ensino” (2000. Somativa – tem a função de classificar o aluno ao final de uma unidade de estudos. É integrada: não é isolada do ensino. Formativa – tem como finalidade informa ao professor e o aluno sobre os resultados da aprendizagem. 1. de materiais didáticos. formular objetivos em termos de comportamentos observáveis. etc. trabalhos dissertativos. É simplesmente uma descrição quantitativa do conteúdo aprendido.298) afirma: “A avaliação se refere a qualquer processo por meio do qual algumas ou várias características de um aluno/a de um grupo de estudantes. Avaliar é um processo mais amplo que a medida porque utiliza tanto descrições quantitativas. É progressiva: não é estanque. simples. inclusive buscando detectar pré-requisitos para novas experiências de aprendizagem. recebem a atenção de quem avalia em função de alguns critérios ou pontos de referencias para emitir julgamento que seja relevante em educação”. precisos. professores/as. 5. A partir de uma segura avaliação diagnóstica é possível estabelecer novos objetivos. problematizar. etc.

A tarefa não é simples e não existe garantia absoluta de êxito. Resumir um texto.1 Planejamento de ensino Inúmeras são as conceituações sobre planejamento de ensino encontradas nos diferentes autores consultados. nº 9394/96. Comparar idéias ou processos. Entretanto.. destacando os aspectos mais significativos.5. selecionar.. apresentando seu ponto de vista. de modo a tornar o ensino seguro. elaboração de material e muita atenção aos comportamentos dos alunos.59 Diz a lei de diretrizes e Bases da Educação Brasileira. econômico e eficiente”. No entanto. 5. consideramos as seguintes: Planejamento de Ensino é:   “previsão inteligente e bem calculada de todas as etapas do trabalho escolar que envolvem as atividades docentes e discentes.. Isso é valorizar os aspectos qualitativos da avaliação. Vejamos alguns exemplos do emprego de pensamento e habilidades mentais que podem ser desenvolvidos pelo aluno:             Detectar. recolher e tratar informações válidas. buscando encontrar relações mútua. Estabelecer relações entre essas informações. Imaginar o que faria se. Didática do Ensino Superior . Concluindo: ensinar a pensar implica oferecer ao aluno oportunidades para que este pense. Segundo Sacristán (2000. Transferir conhecimentos adquiridos para situações semelhantes. Criticar a validade e/ou deficiências de uma situação com fundamento em sua avaliação e experiências. (não cabe ao professor fazer críticas que possam restringir a imaginação e a criatividade do aluno). planejamento de atividades. Apresentar solução para um problema. Justificar uma situação problema através de uma linguagem verbal clara e objetiva. importa dizer que as atividades acima relacionadas para desenvolver o pensamento e as habilidades mentais são apenas alguns exemplos dentro de um contexto mais amplo. “Previsão de situações específicas do professor com a classe”. semelhanças e diferenças. Formular hipóteses relativas às soluções de alguns problemas. p. em seu artigo 24.5 Orientações práticas para elaboração do plano de ensino e de aula 5. Isso significa dizer que deve ser valorizadas a capacidade e habilidade do indivíduo. que os aspectos qualitativos devem prevalecer sobre os quantitativos. 303) “as capacidades e habilidades dizem respeito a modos organizados de operações e a técnicas generalizadas para tratar de materiais e problemas”. Interpretar um texto. Cabe ao professor oferecer atividades que exijam a participação dos alunos com o emprego de pensamento e habilidades mentais. inciso V. alínea “a”. Decodificar e interpretar mensagens orais e escritas. até porque exige do professor dedicação.

11. 2 SANT’ANNA. PRECISÃO E OBJETIVIDADE Os enunciados devem ser claros. Didática do Ensino Superior . gradualmente. As indicações não podem ser objeto de dupla interpretação. O professor. desde a primeira até a última. 1969. considera como características essenciais do bom plano de ensino: Coerência As atividades planejadas devem manter perfeita coesão entre si. de acordo com as necessidades e/ou interesses dos alunos.2 OBJETOS DO PLANEJAMENTO DE ENSINO São objetivos do planejamento de ensino:     racionalizar as atividades educativas. Planejamento de Ensino e Avaliação. em conseqüência.60  “processo de tomada de decisões bem informadas que visam à racionalização das atividades do professor e do aluno. disciplinar partes da ação pretendida no plano global (Plano de Unidade). vai:    delinear. objetivos e sintaticamente impecáveis. Por ordem de abrangência. conduzir os alunos ao alcance dos objetivos. Buenos Aires. de sua unidade e correlação dependerá o alcance dos objetivos propostos. especificar as realizações diárias para a concretização dos planos anteriores (Plano de Aula). de modo que não se dispersem em distintas direções.56-57. p. globalmente. bem como na verificação da qualidade e quantidade do ensino que está sendo orientado pelo mestre e pela escola. Sagra: De Luzzatto.dos elementos previstos. Seqüência Deve existir uma linha ininterrupta que integre. maior produtividade”. oferecendo maior segurança na consecução dos objetivos previstos.restrição ou supressão . CARACTERÍSTICAS DO BOM PLANO DE ENSINO Ricardo Nervi em La prática docente e seus fundamentos psico-pedagógicos. genérico. assegurar um ensino efetivo e econômico. Kapelusz. Flávia Maria et al. de modo que nada fique jogado ao acaso. pode organizar três tipos de planos. 1996. na situação ensino-aprendizagem. sintético que serve de marco de referência às operações de ensino-aprendizagem que se desencadearão durante o curso. O planejamento tende a prevenir as vacilações do professor. PLANO DE ENSINO É um instrumento de trabalho amplo. as sugestões devem ser inequívocas. Pelo significativo apoio que o planejamento empresta à atividade do professor e alunos. as distintas atividades. Flexibilidade Deve permitir a inserção sobre a marcha. derivados dos fins a serem alcançados. bem como permitir alteração . é considerada etapa obrigatória de todo trabalho docente. de temas ocasionais. Porto Alegre. verificar a marcha do processo educativo. ed. subtemas não previstos e questões que enriqueçam os conteúdos por desenvolver. possibilitando melhores resultados e. precisos. toda a ação a ser empreendida (Plano de Ensino ou de Curso). durante o período (ano ou semestre) letivo.

..... sociedade............. Horário:.................... 5....... Curso:......... Os gerais serão alcançados no final do curso e os específicos no final de cada aula... Professorª: ......................61 O Plano de ensino é o pré-estabelecimento do trabalho a ser desenvolvido enquanto durar o curso (semestre................ a organização seqüencial dos conteúdos implica relacionamento dos temas selecionados.................. Para tanto.. essa asserção também é verdadeira....... em sua estrutura...... ou de cada unidade............................ os elementos que garantam uma seqüência coerente nas situações de ensino-aprendizagem........5. porque indica o que o professor e os alunos farão no desenrolar de uma aula ou conjunto de aulas....................... CONTEÚDOS / UNIDADES No Plano de Curso................................................2 Como elaborar um plano de ensino Não existe uma forma rígida e ser seguida na elaboração de planos. OBJETIVOS Os objetivos do plano de curso devem ser formulados em termos gerais e específicos.................. EMENTA A ementa é um resumo do conteúdo a ser ministrado....................... trimestre ou mês)........ Deverá ser um guia de orientação que estabelecerá as diretrizes e os meios de realização do trabalho docente...... entretanto............... organizando-as em seqüência de aprendizagem....................................... Para isso...... O Plano de Ensino será elaborado a partir da concepção que se tem sobre educação..................................................... Ao realizar esta previsão................................................. Segundo Cols e Marti (1972)............................... No caso do Plano de Ensino........... a previsão dos conteúdos deve enfatizar a dependência do novo conhecimento a ser adquirido com os conhecimentos já aprendidos....................... homem.............. todos os componentes do plano estarão organizados dentro de uma linha que haja coerência.......... Período:....................... esta deve ser feita com base em critérios lógicos atendendo às necessidades do conteúdo..... ensino e aprendizagem............ e em critérios psicológicos que traduzem o sentido que o conteúdo tem para o aluno. seqüência lógica...................... Município:.............. Didática do Ensino Superior ................ o professor buscará selecionar os pontos fundamentais.............. todo professor deve ter o cuidado de iniciar seu plano fazendo constar os dados abaixo:        Entidade:.. Nossa sugestão é a seguinte: DADOS DE IDENTIFICAÇÃO Toda situação particular requer a determinação de sua identidade.................... Carga horária:. as informações consideradas valiosas para o alcance dos objetivos.................... isto é........................ toda experiência nova deve relacionar-se e integrar-se com as experiências prévias dos alunos......... Todo plano........ descrevendo comportamentos que se esperam dos alunos..... METODOLOGIA Esse componente é que dará vida aos objetivos e conteúdos... favorecendo o processo de aprendizagem. deve conter...................................... objetividade e flexibilidade para que seja efetivamente um instrumento para a ação do professor e do aluno.........................

efetivamente. FORMAS DE APRESENTAÇÃO DE PLANO DE CURSO As formas de apresentação do plano de curso podem ser variadas. ou seja. ou procedimentos de ensino muitas vezes denominados de estratégias. apagador. é exatamente como o professor vai proceder na sala de aula para incentivar. Dependendo do sistema de avaliação selecionado. CRONOGRAMA DE EXECUÇÃO Para que o plano de curso atenda a condição de exequibilidade em relação ao tempo disponível. A concretização da metodologia é feita com o componente chamado procedimentos metodológicos. vinculada a uma concepção de mundo e de sujeito educado. a grande preocupação é que na metodologia esteja claro como se dará a relação teoria e prática. porém. etc. É super importante ter esse processo em mente. antecipará a constatação da disponibilidade de recursos existentes. Neste sentido. Não existe. o professor indicará. um modelo único. mas toda uma teoria que a sustenta.62 O processo ensino/aprendizagem requer a presença de duas facetas: a assimilação de novos conhecimentos e o desenvolvimento das capacidades cognoscitivas dos alunos. não perdendo de vista a articulação teoria e prática. relacionando-os com os objetivos. Didática do Ensino Superior . os instrumentos que utilizará e a forma de comunicação dos resultados. Refere-se ao “como” do processo de ensino. retroprojetor. a importância de o plano guardar uma organização estrutural coerente com as situações de ensino-aprendizagem. Torna-se importante ressaltar que ao escolher uma determinada metodologia para desenvolver uma aula ou curso. utilizado pelo instrutor para elaboração de seu curso. Só assim ele saberá o número de aulas que. o professor poderá adotar graus ou conceitos para especificar o nível de alcance dos objetivos. o professor não está escolhendo somente técnicas ou métodos. Adotando tal medida. AVALIAÇÃO Para avaliar o alcance dos objetivos propostos. “a priori”. Ressaltando novamente. organizar o processo ensino-aprendizagem. RECURSOS DIDÁTICOS Os recursos de ensino devem também ser previstos pelo professor no seu plano de curso. ou na falta dos mesmos. cartazes. apostilas. no seu plano de curso. providenciará a confecção do necessário. Ex: Quadro-de-giz. disporá para desenvolvimento de seu trabalho. REFERÊNCIAS É uma lista de material publicado. para que o conhecimento seja construído. como serão organizadas as aulas teóricas e as aulas práticas. Nesse processo há uma combinação entre atividades do professor e atividades dos alunos. é necessário que o professor estabeleça um cronograma de execução. Este componente do Plano de Ensino delineia como vão ser desenvolvidos os conteúdos de ensino.

_______________________________________________________ Horário_______________________________________________________ Período: ______________________________________________________ Carga horária: _________________________________________________ Professor (a): __________________________________________________ EMENTA REFERÊNCIAS LEGAIS HABILIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS NOS ALUNOS CARACTERIZAÇÃO DA DISCIPLINA OBJETIVO GERAL OBJETIVOS ESPECÍFICOS Didática do Ensino Superior .63 5.3 Modelo de plano de ensino DADOS DE IDENTIFICAÇÃO Entidade: _____________________________________________________ Município: ____________ ________________________________ Curso:.5.

Nota ESTRATÉGIAS CRITÉRIOS E PONTUAÇÃO 2A. Nota Didática do Ensino Superior . Nota 4a. Nota 3A.64 OPERACIONALIZAÇÃO DO PLANO DE AULA MMês Total de aulas CONTEÚDOS PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS AVALIAÇÃO AVALIAÇÃO 1A.

da moral e dos bons costumes.. Professores não eram competentes. saindo da esquerda. O homem aos poucos se conscientizava e chegava a’ conclusão de que a bola não era... Culpa do governo. por todos os males que envolviam a sociedade.6 Reflexão DE QUEM E A BOLA (Adaptação de texto-Carmen Lucia Carnieri) E de adão e Eva. Sim.. o sistema. Adão e Eva No principio do mundo. Culpa do governo. o sofrimento. do centro. responsabilizando-os dos pequenos e grandes problemas. o senhor sistema não educou bem seus cidadãos! Houve um esforço grande para entender se realmente a bola ficaria na estante do sistema. culpa dos parlamentares. as crises... Alunos não tinham bom desempenho..Ou e dos educadores. ele devia ser a causa de tudo! O governo: O governo passou a ser responsável por todos os problemas. a violência que amedronta a todos.65 5a. O povo passava fome. Afinal... as injustiças – a falta cometida por Adão e Eva. a marginalidade. do congresso. E jogavam a bola para o governo..as doenças. Assim foi durante muito tempo! . tudo o que vem de um presidente vulnerável aos altos e baixos de popularidade... Nota REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS _________________________ Professor(a) _______________________ Coordenador(a) 5. Os homens jogavam então a bola para os governantes. Acontecem que as crises foram aumentando. E alguns pensadores começaram a questionar se a bola não ficaria melhor nas mãos do pai e da mãe . da mãe e da escola. o tempo passando e o mundo evoluindo. ou caindo pela tangente a bola estava nas mãos do sistema. e do pai. sim... Sim. O sistema: Vindo da direita. fazia aumentar a prostituição. Os homens passaram a atribuir todo o mal do mundo .Ele.Afinal.Culpa do governo. A educação não ia bem.. Didática do Ensino Superior .. e a família o berço da aprendizagem. Adão e Eva cometeram a primeira falta contra Deus. não podia ser só de Adão e Eva. de quem e a bola. e do governo. e do sistema.. Culpa do governo. só pode ser o sistema.. o responsável direto pela decadência da sociedade.

campo de concentração.e a bola foi qui-can-do para a escola. A população aumenta. A mãe. de materiais didáticos. em educação. a educação para a paz universal. e se divertir em barzinho. testes. a solidariedade. é empregada como mensuração. campo de promiscuidade e corrupção.1 O que é medir e avaliar A palavra Avaliação. e o mundo em decadência globalizada. Não inclui descrições qualitativas nem juízo de valor”. Na Educação o significado de avaliar consiste em classificar o aluno através de provas. Quem faz a Instituição são as pessoas. É simplesmente uma descrição quantitativa do conteúdo aprendido. cômodo e ainda se livrava do sentimento de culpa. programas.... faz a seguinte distinção entre medir e avaliar. AMIGOS A Bola está agora em suas mãos. por sua vez. Como a crise permanência. O problema não chega a uma solução porque todos deveriam assumir.66 O pai e mãe: Sem perceber. de objetivos educacionais. do sistema. os direitos e deveres. Zélia Domingues Mediano. ao ter uma folga. 6 AVALIAÇÃO DO ENSINO 6. os homens se violentam.. os pais estavam com a bola nas mãos e se distraiam com ela. passa a ser campo de batalha. drogados. etc. O pai jogava para a mãe. apáticos. trabalha dois horários e não tem tempo para vê-los ou ouvi-los. Gimeno Sacristán e Perez Gomes em sua obra “Compreender e Transformar o Ensino” (2000.. p. jogar futebol com os amigos...”(1995 p. etc. de um ambiente educativo. trabalhos dissertativos. professores/as. por que não procurar alguém que possa ficar com a bola Para o casal era interessante. Educador: A bola continua solta. recebem a atenção de quem avalia em função Didática do Ensino Superior . do governo. O dialogo.298) afirma: “A avaliação se refere a qualquer processo por meio do qual algumas ou várias características de um aluno/a de um grupo de estudantes. A bola continua sendo jogada de uma escola para outra. do Adão. acusando-a pela ma educação dos filhos dizendo: Você não para em casa. como qualitativas. “Medir é o ato de colher informações. a sensibilidade. As pessoas fazem à diferença. não cuida da saúde deles. a responsabilidade. E a escola resolve também se isentar dessa responsabilidade de educar e diz que o problema-a bola é do Pai. A Escola: A escola recebe os reflexos dos problemas familiares e sociais traduzido em alunos problemáticos.. muitas vezes. Avaliar é um processo mais amplo que a medida porque utiliza tanto descrições quantitativas. A bola era acionada para os dois como um verdadeiro jogo de tênis em campeonato. sentindo-se injustiçada e magoada devolvia a bola para o Pai acusando-o por trabalhar demais. da Eva e que ela.. a escola só vai fazer aquilo que lhe compete e o que diz a Lei. levando em conta seu aspecto quantitativo numérico. procura descrevewr quantitativamente o grau em que o aluno dominou determinado objetivo. as crianças se degeneram e o mundo que foi criado para ser paraíso. 32) Na linguagem popular o verbo avaliar significa atribuir valor a alguma coisa.A medida. carentes. desajustados. só pensa na emancipação. da Mãe. ficar o tempo todo no computador.

É versátil: não se efetiva sempre da mesma forma. nº 9394/96. emitir juízo de valor que sirva de base para ações futuras. recolher e tratar informações válidas. a avaliação somativa busca verificar o processo final da aprendizagem. Modalidade de avaliação A avaliação classifica-se em três modalidades. inciso V. A avaliação só será eficaz se ocorrer de forma interativa entre professor e aluno. É integrada: não é isolada do ensino. questionar as teorias e juntos descobrirão as melhores alternativas para superá-los.2. com a participação do aluno. Diz a lei de diretrizes e Bases da Educação Brasileira. etc. que os aspectos qualitativos devem prevalecer sobre os quantitativos. Formativa – tem como finalidade informa ao professor e o aluno sobre os resultados da aprendizagem. ambos caminhando na mesma direção em busca dos mesmos objetivos. precisos.67 de alguns critérios ou pontos de referencias para emitir julgamento que seja relevante em educação”. O aluno não deve ser um indivíduo passivo e o professor a autoridade que decide o que o aluno precisa e deve saber. já que é o sujeito da ação educativa. É progressiva: não é estanque. em seu artigo 24. Diagnóstica – visa determinar a presença ou ausência de conhecimentos e habilidades. formular objetivos em termos de comportamentos observáveis. É abrangente: não restrita a alguns aspectos da personalidade do educando. durante o desenvolvimento das atividades escolares. 2. que conduzam a melhoria da aprendizagem. selecionar. Justificar uma situação problema através de uma linguagem verbal clara e objetiva. Ela deverá ocorrer no inicio de cada ciclo de estudo. problematizar. Enquanto a avaliação formativa verifica o desenrolar do processo ensino-aprendizagem. mas com o aluno irá investigar. A partir de uma segura avaliação diagnóstica é possível estabelecer novos objetivos. Segundo Sacristán (2000. Decodificar e interpretar mensagens orais e escritas. Deve-se observar na avaliação formativa: saber o que se deve avaliar e para que serve os resultados. alínea “a”. estabelecer diferentes estratégias de reforço (Feedback). 3. p. Didática do Ensino Superior . Cabe ao professor oferecer atividades que exijam a participação dos alunos com o emprego de pensamento e habilidades mentais. Vejamos alguns exemplos do emprego de pensamento e habilidades mentais que podem ser desenvolvidos pelo aluno:     Detectar. É continua: não é terminal. 1. Somativa – tem a função de classificar o aluno ao final de uma unidade de estudos. 6. 303) “as capacidades e habilidades dizem respeito a modos organizados de operações e a técnicas generalizadas para tratar de materiais e problemas”. A avaliação fundamenta-se em pressuposto como:       É dinâmica: não é estática. simples. Uma avaliação deve se alicerçar em objetivos claros. Isso significa dizer que deve ser valorizadas a capacidade e habilidade do indivíduo. inclusive buscando detectar pré-requisitos para novas experiências de aprendizagem. segundo níveis de aproveitamento apresentados. O professor não irá apresentar verdades. Estabelecer relações entre essas informações.

como: sempre. Resumir um texto. Formular hipóteses relativas às soluções de alguns problemas. Concluindo: ensinar a pensar implica oferecer ao aluno oportunidades para que este pense. Formular as questões com precisão. elaboração de material e muita atenção aos comportamentos dos alunos. Imaginar o que faria se.. Comparar idéias ou processos. Incluir apenas os dados que interessam à solução do problema. Prever apenas uma resposta certa para cada questão. FORMA DE APRESENTAR AS QUESTOES. buscando encontrar relações mútua. nunca. Buscar situações novas para as questões. Construir questões que separem os alunos fortes dos médios e estes dos fracos.           Redigir com clareza as questões. importa dizer que as atividades acima relacionadas para desenvolver o pensamento e as habilidades mentais são apenas alguns exemplos dentro de um contexto mais amplo. A tarefa não é simples e não existe garantia absoluta de êxito. todos. principalmente nas destinadas a verificar discernimento. Levar em conta a reação dos alunos à questão. semelhanças e diferenças. planejamento de atividades.. Transferir conhecimentos adquiridos para situações semelhantes... Abordar apenas assuntos de importância. (não cabe ao professor fazer críticas que possam restringir a imaginação e a criatividade do aluno). Apresentar solução para um problema. Entretanto. Didática do Ensino Superior . apresentando seu ponto de vista. Criticar a validade e/ou deficiências de uma situação com fundamento em sua avaliação e experiências. Substituir por outras inteiramente novas as questões muito defeituosas. Colocar a dificuldade no conteúdo e não na forma de apresentação da questão. Isso é valorizar os aspectos qualitativos da avaliação. até porque exige do professor dedicação. Evitar o emprego das palavras muito inclusivas. destacando os aspectos mais significativos.. Enunciar as questões com concisão.. Usar vocabulário simples e acessível ao grupo... Respeitar a boa forma gramatical.. jamais ou invariavelmente. PRINCÍPIOS GERAIS PARA ELABORAÇÃO DAS QUESTÕES OBJETIVAS       Abster-se de fazer perguntas sobre assunto controvertido. Reduzir ao mínimo as negativas simples e abster-se de usar negações duplas...68         Interpretar um texto.

Não requer conhecimentos técnicos profundos do elaborador. Dificulta a dosagem de dificuldade das questões Abrange grande campo de conhecimento.. etc. Facilita a dosagem da dificuldade das questões Requer conhecimentos técnicos do elaborador.definindo o que quer verificar. Facilita a cola. Verifica em profundidade. QUADRO COMPARATIVO DAS PROVAS OBJETIVAS E SUBJETIVAS/DISCURSIVAS PROVAS SUBJETIVAS PROVAS OBJETIVAS Vantagens Desvantagens Dificulta e torna demorada a elaboração. seleção. Abrange limitado campo dos conteúdos estudados. Vantagens É de rápida elaboração.69 PRINCÍPIOS GERAIS PARA ELABORAÇÃO DAS QUESTÕES SUBJETIVAS / DISCURSIVAS.. Dificulta a correção Dificulta a cola. Não há acerto por acaso.. Didática do Ensino Superior .revisão. Planeje a prova com antecedência. Desvantagens Facilita a correção Facilita o acerto por acaso. Prefira empregar mais questões de resposta curta a menor número de perguntas extensas. Não há liberdade para expressão do pensamento. Utilize questões de resposta aberta se tiver certeza do objetivo.      Defina a finalidade da prova: diagnósticos.o Verifica superficialmente.. Há liberdade para expressão do pensamento. Prepare o esquema básico da prova.

Atividades que favoreçam a compreensão do conceito a fim de utilizá-lo para a interpretação ou o conhecimento de situações. os procedimentos . ou para a construção de outras idéias. Antoni. Em seguida a exercitação múltipla até que possa dominar e a reflexão sobre a própria ação para tomar consciência da mesma.). imprescindível conhecer o conteúdo. Porto Alegre: Artes Médicas. Aprende-se os conteúdos procedimentais a partir de modelos especializados. dirigidas para a realização de um objetivo. então. objetos e situações e que normalmente descrevem relações de causa-efeito ou de correlação (as leis ou regras como a de Arquimedes. densidade. Uma das características dos conteúdos conceituais é sempre existe a possibilidade de ampliar ou aprofundar seu conhecimento. as normas ou regras de uma corrente literárias. sujeito.70 6. técnicas. supondo uma reflexão sobre os possíveis modelos. de fazê-la mais significativa.3.2 Os conteúdos procedimentais Um conteúdo procedimental inclui. cambalhota. Os princípios se referem às mudanças que se produzem num fato. Didática do Ensino Superior . enfim. as destrezas ou habilidades. cidade.3. A realização das ações que compõem o procedimento ou a estratégia é o ponto de partida para a aprendizagem. Engloba uma série de conteúdos que tratam de: 3 ZABALA. as regras. 6.3 Conteúdos atitudinais Os conteúdos atitudinais estão configurados por componentes afetivos (sentimentos e preferências). sendo.3 A aprendizagem de conceitos e princípios3 6. romantismo.um conjunto de ações ordenadas e com um fim. em contextos diferenciados ocorre quando há o domínio do mesmo.3. as estratégias. Atividades que promovam essas relações e desafios ajustados às possibilidades reais. 1998. objeto ou situação em relação a outros fatos.Os conteúdos atitudinais envolvem um processo marcado pela necessidade de elaborações complexas de caráter pessoal. pois para poder melhorar o procedimento é necessário refletir sobre a maneira de realizá-lo e sobre quais são as condições ideais de seu uso. 6. entre outras coisas. impressionismo. cognitivos (conhecimentos e crenças) e condutuais (ações e declarações de intenção). As condições para a aprendizagem são:     Atividades complexas que provocam um verdadeiro processo de elaboração e construção pessoal do conceito. objetos ou símbolos que têm características comuns (mamífero.1 Conteúdos conceituais Os conceitos se referem ao conjunto de fatos. uma análise e uma avaliação das normas e uma tomada de posição. A prática educativa: como ensinar. A aplicação. Atividades experimentais que favoreçam que os novos conteúdos se relacionem com os conhecimentos prévios. proporcionando significado e funcionalidade aos novos conceitos. ou seja.). os métodos.

e quando se interiorizam as normas e se aceitam como regras básicas de funcionamento. procedimentais e atitudinais significa preocupar-se com a educação de forma integral. Aprende-se uma norma em diferentes graus: aceitação. São exemplos: cooperar. Atitudes: são tendências ou predisposições relativamente estáveis das pessoas para atuar de certa maneira. constituem a forma pactuada de realizar certos valores compartilhados por uma coletividade e indicam o que pode se fazer e o que não pode se fazer neste grupo. PROCEDIMENTAIS Ler. conformidade quando implica uma certa reflexão sobre o significado da norma. Fazer Retirar. embora não se entenda a necessidade de cumpri-la.71  Valores: são os princípios ou as idéias que permitem às pessoas emitir um juízo sobre as condutas e se sentido. o respeito. Normas: são padrões ou regras de comportamento que devemos seguir em determinadas situações. e participar das atividades. Aprende-se um valor quando foi interiorizado e foram elaborados critérios para tomar posição frente àquilo que deve se considerar positivo ou negativo. a responsabilidade e a liberdade. Escrever Desenhar. EXEMPLOS DE VERBOS UTILIZADOS EM OBJETIVOS VOLTADOS PARA CONTEÚDOS CONCEITUAIS Analisar Desenvolver Inferir* Identificar Reconhecer Resumir Descrever Elaborar Enunciar Adquirir Compreender Entender Explicar Relacionar Comentar Concluir Trabalhar conteúdos conceituais. desde as mais instintivas até as fortemente reflexivas. podendo ser voluntária ou forçada. sente e atua de uma forma mais ou menos constante. Coletar Interpretar. critérios morais que regem a atuação e a avaliação de si mesmo e dos outros. de acordo com valores determinados. Aprende-se uma atitude quando a pessoa pensa. Observar Registrar. como a solidariedade.Tirar Recortar Organizar Destacar Utilizar Aplicar Elaborar Classificar Calcular Traduzir Seriar ATITUDINAIS Valorizar Colaborar Apreciar Verbalizar Socializar Participar Respeitar Cooperar Perceber Saber ouvir Saber lidar Ser persistente Sensibilizar-se Agir de acordo com      Didática do Ensino Superior .

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