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UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ

CENTRO DE EDUCAÇÃO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE


CURSO DE FARMÁCIA

TOXICOLOGIA AMBIENTAL

JOÃO PAULO BIANCHINI


MAUREEN LIANA LADEHOFF

ITAJAÍ (SC), JUNHO 2003


1 INTRODUÇÃO

Desde que o homem habita a face da Terra, várias de suas ações resultam no
lançamento de substâncias químicas nos diversos compartimentos do meio ambiente. A
partir da descoberta do fogo, as fogueiras contribuíam para o aumento do monóxido de
carbono no ar atmosférico. No início, o incremento dessas substâncias era ínfimo e não
chegava a comprometer o ecossistema. Entretanto, com o crescimento da população, a
industrialização, o desenvolvimento tecnológico e o uso de praguicidas e fertilizantes na
agropecuária, para a produção de mais alimentos, a quantidade de substâncias liberadas
tornou-se de tal vulto, que atualmente há necessidade de medidas adequadas de controle,
de modo a evitar situações que acabem por desequilibrar o ecossistema. O desequilíbrio
causado pode resultar em eliminação de diversas espécies animais ou vegetais e até do
próprio ser humano.
Na área da toxicologia ambiental é necessário conhecer as fontes de poluição; a
interação dos poluentes com os componentes da atmosfera; os mecanismos naturais de
remoção dos mesmos e fatores geográficos e climáticos que aumentam ou diminuem o
risco, com o objetivo de se estudarem os efeitos nocivos decorrentes da exposição a esses
xenobióticos.
A finalidade no âmbito dessa área da toxicologia é verificar as condições de risco,
para propor medidas preventivas, como as monitorizações ambiental e biológica e o
controle das fontes emissoras de poluição.
2 TOXICOLOGIA AMBIENTAL

A toxicologia ambiental pode ser conceituada como a área em que se estudam os


efeitos nocivos causados em organismos vivos pelas substâncias químicas presentes no
meio ambiente.
Contaminantes ou poluentes são substâncias químicas que excedem as
concentrações naturais e causam efeitos adversos nos seres vivos ou no ecossistema. E
poluição atmosférica é qualquer alteração quali ou quantitativa da constituição normal da
atmosfera suficiente para produzir um efeito mensurável sobre o homem, outros animais,
vegetais e minerais.
A idéia de poluição ambiental abrange uma série de aspectos, que vão desde a
contaminação do ar, água e solo, até a desfiguração da paisagem, erosão de monumentos e
edificações e a contaminação dos alimentos. Pretende-se enquadrar, neste contexto,
poluição ambiental aos fatores do meio ambiente que possam comprometer a saúde e a
sobrevivência do homem.
As fontes de poluição ambiental podem ser de origem natural ou antropogênica e
são a seguir exemplificadas:
a) Naturais – provenientes de fenômenos da natureza:
- atividade vulcânica;
- incêndios florestais, não causados pelo homem;
- maré vermelha;
- acúmulo de arsênio em animais marinhos ou água.
b) Antropogênicas – decorrentes das atividades humanas:
b1) Doméstica e urbana:
- esgoto doméstico;
- lixo doméstico;
- veículos automotores.
b2) Industrial:
- esgoto industrial;
- lixo industrial;
- queima de combustível.
b3) Agropecuária:
- queimadas;
- fertilizantes;
- praguicidas.

2.1 Poluentes da atmosfera

A atmosfera é a camada de gases que envolve a Terra e é dividida em troposfera,


estratosfera, mesosfera, termosfera ou ionosfera.
A troposfera é a camada da atmosfera próxima à superfície terrestre, e constitui o ar
que respiramos.
O ar é uma mistura de gases, constituído por nitrogênio (78,08%), oxigênio
(20,95%), argônio (0,93%), dióxido de carbono (0,035%) e outros gases. O dióxido de
carbono e o vapor de água têm concentração variável dependendo do local e época do ano.
Milhares de substâncias químicas podem estar presentes no ar poluído; a
composição varia dependendo do tipo da fonte emissora, local e época da emissão.

2.1.1 Classificação dos poluentes do ar

Os poluentes do ar são classificados em primários e secundários. Primários são


aqueles emitidos diretamente na atmosfera por uma fonte identificável. Secundários são
aqueles produzidos no ar, pela interação de um ou mais poluentes primários, com os
constituintes normais da atmosfera.
Os contaminantes ou poluentes primários responsáveis por mais de 98% da
poluição do ar, dos principais centros urbanos do mundo são: monóxido de carbono (CO);
óxidos de enxofre (SOx); hidrocarbonetos (HC); material particulado (MP) e óxidos de
nitrogênio (NOx).
O CO é lançado em maior quantidade, seguido de SOx e dos HC. Porém, em termos
de risco, os SOx são mais nocivos, com risco estimado de 34,6% em relação aos outros
poluentes primários, seguido pelo MP, NOx e HC e depois o CO.
Como exemplos de poluentes secundários têm-se o ozônio, presente em baixas
altitudes, ácido sulfúrico, nitratos de peroxiacila (PAN), etc.
2.1.2 Classificação das fontes emissoras

As fontes emissoras dividem-se em estacionárias (fixas), como as indústrias, e


móveis, como os veículos automotores.
As fontes estacionárias contribuem com a eliminação, em maior porcentagem, de
SOx e MP, e as fontes móveis com maior eliminação de CO, HC e NOx.

2.1.3 Efeitos tóxicos causados pelos poluentes do ar

Os principais tipos de efeitos tóxicos apresentados pela população exposta são:


Agudos: lacrimejamento, dificuldade de respiração e diminuição da capacidade
física.
Crônicos: alteração da acuidade visual, alteração da ventilação pulmonar, asma,
bronquite, doenças cardiovasculares, enfisema pulmonar e câncer pulmonar.
O grupo de maior risco, entre a população, é aquele mais susceptível a ação dos
poluentes, como os idosos, as crianças e os portadores de deficiência respiratória ou
cardíaca.

2.1.4 Avaliação da poluição do ar

A monitorização ambiental é utilizada como procedimento de controle da qualidade


do ar. Ao se determinar a concentração de um poluente neste compartimento, mede-se o
grau de exposição de receptores, como o homem.
Para evitar ou diminuir os efeitos tóxicos dos poluentes são propostos padrões de
qualidade, ou seja, limites de concentração no ar para estes agentes dispersos na atmosfera.
Um padrão de qualidade do ar define legalmente um limite máximo para a
concentração de um componente atmosférico, que garanta a proteção da saúde e do bem-
estar das pessoas.
São selecionados como indicadores da qualidade do ar, baseando-se na
recomendação de diversas instituições internacionais: dióxido de enxofre (SO2), material
particulado em suspensão (MPS), monóxido de carbono (CO), hidrocarbonetos (HC),
óxidos de nitrogênio (NO e NO2) e ozônio (O3), como protótipo dos oxidantes
fotoquímicos.
Os objetivos da monitorização ambiental são: avaliar a qualidade do ar em relação
aos limites legais; fornecer subsídios para a proposta de ações adequadas, inclusive ações
de emergência no caso de ultrapassagem dos limites; acompanhar as alterações e as
tendências da qualidade do ar no decorrer do tempo.

2.1.5 Estudo dos principais poluentes da atmosfera

2.1.5.1 Compostos de enxofre (SOx)

A emissão global de SOx de fontes naturais e antropogênicas é mais ou menos


equivalente. As fontes naturais são os vulcões e a destruição da matéria orgânica.
A maior parte do SOx antropogênico provém da combustão de carvão e derivados
de petróleo nas usinas elétricas (carboelétricas e termoelétricas), siderúrgicas,
metalúrgicas, etc. A emissão de SOx por veículos automotores é pequena (Diesel).
O SO2, um gás de odor desagradável e irritante, é o protótipo deste grupo de
compostos. Ele é um poluente primário que se forma na queima de combustíveis que
contenham enxofre, como carvão e óleo combustível.
O SO2 é um gás hidrossolúvel, portanto, é retido nas vias aéreas superiores, onde
pode causar rinite, laringite e faringite, devido à sua ação irritante. Causa, também,
broncoconstrição e aumento da secreção e muco. Leva a um aumento da resistência à
passagem do fluxo de ar.
O H2SO4, contaminante secundário, é também um irritante de vias aéreas superiores
(nasofaringe), podendo causar bronquite crônica.
Os sulfatos formados são também irritantes, sendo que a capacidade irritante está
ligada ao cátion e o local de ação depende do tamanho da partícula. Causam inflamação e
broncoconstrição.
A prevenção é feita pelo controle das fontes de exposição, em geral indústrias,
adotando-se medidas como:
- substituir o carvão por outra fonte de energia;
- retirar o enxofre dos combustíveis;
- tratar o efluente gasoso com CaCO3 ou Ca(OH)2;
- utilizar chaminés altas.

2.1.5.2 Material particulado (MP)

O material particulado compreende uma série de substâncias químicas lançadas na


atmosfera na forma de partículas sólidas ou líquidas. Sua composição e propriedades
químicas são extremamente variáveis. A maior fonte de MP são as fontes estacionárias
(industriais) como mineração, pedreiras, siderúrgicas, indústria de cimento, etc. As fontes
móveis são responsáveis por menos de 30% do MP lançado no meio ambiente.
O material particulado é classificado em: poeiras, fumos, fumaças, névoas e
neblinas.
Poeiras são dispersóides sólidos gerados por desagregação mecânica. Portanto,
poeira tem a constituição química do material que lhe dá origem. O diâmetro é variável,
desde 0,01 a 100 µ m. Ex.: talco, asbesto (amianto), óxido de ferro, algodão, linho,
cânhamo, etc.
Fumos são aerodispersóides sólidos gerados em processos de combustão,
sublimação, fundição, etc. Portanto, as partículas sólidas resultantes são diferentes do
material que lhe dá origem. Diâmetro muito pequeno, menor que 0,1 µ m, como por
exemplo os fumos de metais. É interessante lembrar que a poeira impressiona e suja mais
que o fumo, mas o risco de intoxicação por fumos é maior.
Fumaça são aerodispersóides sólidos formados pela combustão de matéria
orgânica. O diâmetro é menor que 0,5 µ m, podendo atingir alvéolos pulmonares.
Névoas são partículas líquidas, obtidas por processos mecânicos quaisquer. O
diâmetro é muito variável, dependendo do sistema, por exemplo spray.
Neblina são partículas obtidas por condensação de vapores. Tem-se como exemplo,
neblinas de ácido sulfúrico provenientes do aquecimento de cubas eletrolíticas contendo o
ácido.
As partículas são removidas da atmosfera por sedimentação (deposição seca) ou
arrastadas pela chuva na forma de deposição úmida.
Do ponto de vista toxicológico interessam as partículas com diâmetro menor que 30
µ m, pois, estas têm condições de serem inaladas e absorvidas, enquanto aquelas com
maior diâmetro, sedimentam-se facilmente, embora possam causar problemas de
contaminação da água e do solo.
Partículas com diâmetro entre 5 a 30 µ m depositam-se na região nasofaringe do
trato respiratório, por impactação. Se o diâmetro for de 1 a 5 µ m ocorre a deposição por
sedimentação, na região traqueobronquial. Partículas menores que 1 µ m podem atingir os
alvéolos, por difusão (movimento browniano).
O efeito tóxico está relacionado ao tipo de substância presente no material
particulado. Assim, o asbesto pode causar asbestose, a sílica causa silicose.
De uma maneira geral o MP contribui para o aumento da incidência de doenças
respiratórias, como a bronquite e a asma, na população exposta. Quando a quantidade de
MP é muito grande como por exemplo em erupções vulcânicas, ocorre uma diminuição da
luz solar para a superfície da terra, causando resfriamento da mesma, podendo afetar a vida
na terra.
O principal risco associado à emissão de partículas é que as mesmas podem
adsorver gases tóxicos como SOx e NOx, que podem ser carreados, desta maneira, até
alvéolos, e aí causar um dano significativo. O SO2 normalmente é retido e eliminado nas
vias respiratórias superiores, mas quando é adsorvido em partículas muito pequenas, ele
atinge áreas de maior susceptibilidade, ocorrendo um efeito sinérgico.
Como o MP é emitido principalmente por indústrias, o controle da emissão é feito
por equipamentos antipoluição como:
- separadores mecânicos, por gravidade ou centrifugação (ex.: câmaras
de poeira);
- precipitadores eletrostáticos;
- lavadores na saída das chaminés;
- filtros de tela ou carvão ativado.

2.1.5.3 Monóxido de carbono (CO)

O monóxido de carbono é um gás inodoro e incolor, forma-se na combustão


incompleta da matéria carbonada.
O CO é o poluente lançado em maior quantidade na atmosfera. A maior parte é
produto da combustão dos veículos automotores, principalmente dos movidos a gasolina.
Dentre as indústrias, as siderúrgicas são grandes produtoras de CO. Há, também, as
fontes naturais como atividade vulcânica, descargas elétricas durante tempestades, emissão
de gás natural que levam a uma concentração média mundial de 0,09 ppm. A quantidade
produzida pelo homem, em termos globais, é semelhante a resultante dos processos
biogeoquímicos naturais.
Os motores desregulados produzem grande quantidade de CO. Fornos e fornalhas
emitem uma quantidade bem menor de CO desde que estejam bem regulados.
Podem ser encontradas concentrações significativas de CO em cozinhas e áreas mal
ventiladas onde existam aquecedores, grelhas ou fumantes.
Ele é removido do ar pela lenta oxidação a CO2. A maior taxa de remoção de CO,
cerca de 500 milhões de ton/ano, é feita por microorganismos do solo. Algumas plantas
fanerógamas podem fixar o CO e algumas algas oxidam o CO a CO2.
O mecanismo de ação tóxica ocorre pela reação entre o CO e a hemoglobina, com a
formação de carboxiemoglobina (COHb), que não transporta o O2 para as células,
causando anóxia tecidual. A concentração normal de carboxiemoglobina no sangue de
indivíduos não fumantes é de 0,5%.

Tabela 01: Relação entre a porcentagem de COHb no sangue e efeitos nocivos.


[COHb] Efeito nocivo
< 1% Nada observável
1-2% Alteração sutil do comportamento
2-5% Efeitos sobre o SNC
- diminuição da capacidade de distinguir
espaço/tempo
- falhas na acuidade visual
- alterações nas funções motoras
> 5% Alterações cardiovasculares
Tabela 02: Relação entre teor de CO no ar, de COHb no sangue e sinais e sintomas de
intoxicação.
Conc. de CO (ppm) % de COHb Sinais e sintomas
60 10% Dificuldade visual, cefaléia
130 20% Dores abdominais, cefaléia, desmaios
200 30% Desmaio, paralisia, distúrbios respiratórios, colapso
circulatório
600 50% Bloqueio das funções respiratórias, paralisia, coma

Para o controle das fontes móveis é recomendado:


- regulagem do carburador para que a combustão seja completa;
- reatores nas saídas dos gases do escapamento (catalisadores);
- troca de combustível (ex.: gás natural, álcool);
- carro elétrico.
Para o controle das fontes estacionárias são utilizados:
- reatores catalíticos.

2.1.5.4 Compostos de nitrogênio (NOx)

O óxido nítrico ou monóxido de nitrogênio (NO) e o dióxido de nitrogênio (NO2)


são constituintes normais da atmosfera, provenientes de fontes naturais. Certas bactérias
emitem grande quantidade de óxido nítrico na atmosfera. Esta fonte natural não pode ser
controlada.
Os óxidos de nitrogênio (NOx) são poluentes primários e a maior fonte
antropogênica é a combustão. As fontes móveis são as principais responsáveis pela sua
emissão, mas fontes estacionárias, como usinas geradoras de eletricidade, também liberam
NOx.
Nos gases efluentes de veículos predomina o NO, que é incolor. Já o NO 2 é marrom
alaranjado e reduz a visibilidade.
A maioria de NOx é transformada em ácido nítrico e nitratos. Estes compostos
depositam-se sobre a terra e o mar, arrastados pelas chuvas ou pela sedimentação como
macropartículas. Assim, a terra e o mar são o depósito final dos óxidos de nitrogênio.
Pode ocorrer no ar a fotólise do NO2, com a formação de ozônio a baixas altitudes,
o acúmulo de O3 deve-se a interferência de hidrocarbonetos no ciclo fotolítico.
Apesar de ser lançado em maior quantidade, o NO não causa nenhum efeito
significativo sobre o homem, nas concentrações atingidas na atmosfera.
O NO2 é um gás irritante, lipossolúvel, atingindo por isso as vias aéreas inferiores.
Os efeitos principais são o enfisema pulmonar, a longo prazo, e edema pulmonar no caso
de intoxicação aguda, pois causa peroxidação lipídica.
O ácido nítrico é irritante e é componente da chuva ácida.
O controle das fontes móveis é realizado pelo uso de reatores catalisadores e
regulagem do motor.

2.1.5.5 Hidrocarbonetos (HC)

Os hidrocarbonetos são contaminantes primários e têm importância pela grande


variedade de fontes e volume de suas emissões no ar e, principalmente, pela interferência
no ciclo fotolítico do NO2.
A vegetação e a fermentação bacteriana liberam HC, principalmente metano e
terpenos. Os HC produzidos e liberados pelas atividades humanas constituem cerca de 1/7
do total de HC na atmosfera.
Os HC podem ser liberados por evaporação de combustíveis como a gasolina. Os
HC que não se queimam totalmente durante a combustão da gasolina, petróleo, carvão e
madeira, também vão para a atmosfera.
Os veículos automotores são os principais responsáveis pela liberação HC no meio
ambiente.
Os HC, principalmente os insaturados, interferem no ciclo fotolítico do NO2,
levando a formação de contaminantes secundários, altamente oxidantes como: ozônio,
aldeídos e nitrato de peroxiacila (PAN). Estas substâncias constituem o smog fotoquímico
ou smog oxidante.
Os HC, na sua maioria, não causam efeitos significativos no homem, nas
concentrações que podem ser atingidas no ar. Constituem exceção os hidrocarbonetos
aromáticos policíclicos (PAH), como, por exemplo, o benzo(a) pireno, que são
carcinógenos para o homem.
Os oxidantes fotoquímicos, como os aldeídos e o PAN, são hidrossolúveis, sendo
irritantes de vias aéreas superiores. O O3 é lipossolúvel, portanto, é irritante de vias aéreas
inferiores, podendo causar edema pulmonar e enfisema, sua ação tóxica dá-se por
lipoperoxidação.
Como as principais fontes emissoras são os veículos automotores, principalmente
os movidos a gasolina, os meios de controle são:
- regulagem do motor;
- utilização de reatores catalisadores;
- troca de combustível (álcool);
- uso de dispositivos especiais que impeçam a evaporação pelo tanque
de combustível.

2.1.6 Fenômenos atmosféricos e a poluição do ar

Além dos problemas decorrentes da poluição terem uma importância localizada,


principalmente em centros urbanos industrializados, a poluição assume um significado
global quando se observam efeitos como: destruição da camada de ozônio, deposição
ácida, efeito estufa, etc.

2.1.6.1 Chuva ácida

Essa precipitação ácida apresenta valores de pH entre 4 e 5, mas pode atingir


valores menores, em alguns casos até pH ao redor de 2.
Essa deposição ácida diminui o pH de lagos, rios e solo e tem um efeito acentuado
em animais e plantas. Em pH 5,9 a população de animais aquáticos decresce e alguns
desaparecem. Em pH 5,4 os peixes não se reproduzem.
A chuva ácida, provoca também destruição de florestas e corrosão de monumentos.
Efeitos nocivos diretos sobre o homem não são conhecidos ao certo, e só se tem
registro que a chuva ácida pode causar irritação do trato respiratório e membranas
mucosas.

2.1.6.2 Inversão térmica


A temperatura do ar na atmosfera é normalmente mais elevada nas camadas
próximas da superfície terrestre, e diminui à medida que aumenta a altitude.
O ar quente é menos denso e tende a subir para as camadas mais elevadas. Assim,
ocorre um movimento ascendente do ar quente e descendente do ar frio, que é mais denso
(correntes de convecção). Estes movimentos ocorrem normalmente na troposfera e, graças
a esta mobilidade, os poluentes podem subir junto com o ar e dispersar-se nas camadas
superiores.
Em algumas situações, como no inverno, a terra estando mais fria, resfria o ar
próximo ao solo, ficando a camada de ar quente acima, impedindo o movimento de
convecção, formando uma camada de inversão térmica. Na camada de inversão, o ar frio
está embaixo do ar quente, e ela funciona como uma camada estagnada que impede a
dispersão dos poluentes, se eles estiverem presentes.
Com a atmosfera limpa este fenômeno não causa problemas. Mas quando ocorre
inversão, na presença de poluentes, eles não se dispersam, acumulando-se. Essa situação de
inversão térmica pode durar vários dias antes de ser dissipada.

2.1.6.3 Smog

O termo smog surgiu da associação das palavras inglesas smoke (fumaça) + fog
(neblina). O fenômeno significa um acúmulo de poluentes no ar, causado por inversão
térmica, por condições topográficas, ou por persistência de sistemas atmosféricos de alta
pressão.
Há dois tipos característicos de smog, o redutor e o oxidante. O smog oxidante,
também denominado smog tipo Los Angeles ou fotoquímico, é rico em óxidos de
nitrogênio, aldeídos, ozônio e PAN, resultantes da ação da luz sobre o NO2.
O smog redutor, também denominado smog tipo Londres, é rico em óxidos de
enxofre e fuligem, provenientes principalmente da queima do carvão.

2.1.6.4 Efeito estufa


A troposfera permite a passagem das radiações solares que chegam à Terra, no
entanto, impede a saída da radiação refletida, conservando parte da energia recebida, sendo
responsável pela manutenção da temperatura na superfície terrestre, garantindo a
sobrevivência das espécies animais e vegetais.
O vapor de água, o dióxido de carbono (CO2) e pequena quantidade de outros gases
são os elementos que retêm parte dos raios infravermelhos irradiados da terra. Esse efeito é
conhecido como efeito estufa ou efeito greenhouse.
Um aumento da liberação de CO2 e seu acúmulo na atmosfera levam a um aumento
da temperatura na superfície terrestre. Vários estudiosos alegam que com o aumento da
emissão de CO2, proveniente de queimadas e incêndios florestais, e a utilização de
combustíveis no ritmo atual, haveria um incremento da temperatura de 1 ºC, até o ano 2000
e de 2 ºC para o ano 2040.
Um aumento da temperatura alteraria o modelo de precipitações da chuva,
mudando regiões de agricultura, destruindo algumas espécies animais e vegetais. Pode
ocorrer, também, a desertificação de algumas áreas com a diminuição da produção de
alimentos. Outro perigo seria a fusão da capa de gelo das regiões polares, com o aumento
do nível de água do mar e inundação de cidades litorâneas.

2.1.6.5 Redução da camada de ozônio

O ozônio (O3) existente na estratosfera é formado pela ação da radiação ultravioleta


com o oxigênio.
A concentração de ozônio na estratosfera não poluída permanece relativamente
constante, dentro de variações sazonais e anuais. A camada de ozônio serve de filtro para
as radiações UV, de comprimento de onda entre 200 e 350 nm.
Compostos como clorofluorcarbonos (CFC) podem causar diminuição do O3 da
estratosfera. A partir da década de 30, esses compostos estão sendo utilizados em diversas
aplicações industriais, como propelentes de aerossóis, gases de refrigeração, fluidos de ar
condicionado, fabricação de embalagens de isopor, etc. Os CFC são altamente estáveis,
pouco reativos, não inflamáveis e não tóxicos, que, ao serem liberados na troposfera,
atingem a estratosfera muito lentamente. Uma molécula do CFC destrói muitas moléculas
de O3.
Os vôos supersônicos que liberam toneladas de NO a grandes altitudes também são
responsáveis pela destruição da camada de O3 da estratosfera.
Um enorme e crescente buraco na camada de ozônio sobre a Antártica foi
descoberto na década de 80, e medidas urgentes devem ser tomadas para tentar solucionar
este problema.
A EPA (Environmental Protection Agency) dos Estados Unidos estima que a
redução de 10% da camada de ozônio, prevista para a metade deste século, causaria cerca
de 2 milhões de casos de câncer de pele a mais do que o esperado por ano. Além disso,
haveria prejuízos na agricultura e na vida aquática.

2.2 Poluentes da água

Os rios, os lagos, os oceanos e os lençóis subterrâneos de água são o destino final


dos poluentes solúveis lançados no ar ou no solo. A matéria orgânica transportada pelos
esgotos faz proliferar os microrganismos, entre os quais bactérias e protozoários, que
utilizam o oxigênio existente na água para a degradação de compostos orgânicos. A
presença excessiva destas bactérias pode provocar uma grave depleção de oxigênio no
meio aquático. Os detergentes sintéticos, nem sempre biodegradáveis, aumentam as
concentrações de fosfatos provocando a eutrofização das algas originando um excesso de
matéria orgânica na água. A presença de uma grande concentração de algas diminui a
entrada de luz na coluna de água tendo como conseqüência a desertificação das zonas mais
profundas.
Ao serem carregados pela água da chuva ou pela erosão do solo, os fertilizantes
químicos usados na agricultura provocam a proliferação dos microrganismos e a
conseqüente redução da taxa de oxigênio nos rios, lagos e oceanos. Os pesticidas
empregados na agricultura são produtos sintéticos de origem mineral, extremamente
recalcitrantes, que se incorporam à cadeia alimentar, inclusive a humana. Entre eles, um
dos mais conhecidos é o inseticida DDT. Mercúrio, cádmio e chumbo lançados à água são
elementos tóxicos, de comprovado perigo para a vida animal.
Os casos mais dramáticos de poluição marinha têm sido originados por
derramamentos de petróleo, seja em acidentes com petroleiros ou em vazamentos de poços
petrolíferos submarinos. Uma vez no mar, a mancha de óleo, às vezes de dezenas de
quilômetros, se espalha, levada por ventos e marés, e afasta ou mata a fauna marinha e as
aves aquáticas. O maior perigo do despejo de resíduos industriais no mar reside na
incorporação de substâncias tóxicas aos peixes, moluscos e crustáceos que servem de
alimento ao homem. Exemplo desse tipo de intoxicação foi o ocorrido na cidade de
Minamata (Japão) em 1973, devido ao lançamento de mercúrio no mar por uma indústria,
fato que causou envenenamento em massa e levou o governo japonês a proibir a venda de
peixe. A poluição marinha tem sido objeto de preocupação dos governos, que tentam, no
âmbito da Organização das Nações Unidas, estabelecer controles por meio de organismos
jurídicos internacionais.
A poluição da água tem causado sérios problemas ecológicos no Brasil, em especial
em rios como o Tietê, no estado de São Paulo, e o Paraíba do Sul, nos estados de São Paulo
e Rio de Janeiro. A maior responsabilidade pela devastação da fauna e pela deterioração da
água nessas vias fluviais cabe às indústrias químicas instaladas em suas margens.

2.3 Poluentes do solo

O solo, como recurso natural básico, disponibiliza múltiplas funções ou serviços


aos seres vivos em geral e ao homem em particular, constituindo:
− Componente fundamental dos ecossistemas e dos ciclos naturais;
− Reservatório de água;
− Suporte essencial do sistema agrícola;
− Espaço para as atividades humanas e para os resíduos produzidos.
Para que o solo mantenha as múltiplas capacidades de suporte dos sistemas naturais
e agrícolas, é fundamental que as suas características estruturais permaneçam em equilíbrio
com os diversos sistemas ecológicos. Este condicionamento é tanto mais determinante
quanto o tipo de solo é frágil e pouco estável.
A preocupação com os processos de degradação do solo vem sendo crescente, à
medida que se verifica que, para além da clássica desertificação por secura, outros
processos conducentes aos mesmos resultados se têm instalado, devidos a:
− Utilização de tecnologias desadequadas em culturas de sequeiro;
− Falta de práticas de conservação de água no solo;
− Destruição da cobertura vegetal.
Um dos principais fenômenos de degradação dos solos é a contaminação,
nomeadamente por:
− Resíduos sólidos e líquidos provenientes de aglomerados urbanos, na
medida em que a maioria é ainda depositada no solo sem qualquer controle,
levando a que os lixiviados produzidos e não recolhidos para posterior
tratamento, contaminem facilmente solos e águas, e por outro lado, o metano
produzido pela degradação anaeróbia da fração orgânica dos resíduos, pode
acumular-se em bolsas, no solo, criando riscos de explosão;
− Águas contaminadas, efluentes sólidos e líquidos lançados diretamente
sobre os solos e/ou deposição de partículas sólidas, cujas descargas, continuam
a ser majoritariamente não controladas, provenientes da indústria, de onde se
pode destacar a indústria química, destilarias e lagares, indústria de celulose,
indústria de curtumes, indústria cimenteira, centrais termoelétricas e atividades
mineira e siderúrgica, assim como aquelas cujas atividades industriais
constituem maiores riscos de poluição para o solo;
− Efluentes provenientes de atividades agrícolas, de onde se destacam aquelas
que apresentam um elevado risco de poluição, como sendo, as agropecuárias
intensivas (suinoculturas), com taxa bastante baixa de tratamento de efluentes,
cujo efeito no solo depende do tipo deste, da concentração dos efluentes e do
modo de dispersão, os sistemas agrícolas intensivos que têm grandes
contributivos de pesticidas e adubos, podendo provocar a acidez dos solos, que
por sua vez facilita a mobilidade dos metais pesados, e os sistemas de rega, por
incorreta implantação e uso, podem originar a salinização do solo e/ou a
toxicidade das plantas com excesso de nutrientes;
− Uso desmedido das lamas de depuração e de águas residuais na agricultura,
por serem materiais com elevado teor de matéria orgânica e conterem elementos
biocidas que deverão ser controlados para reduzir os riscos de acumulação.
O processo de contaminação, pode então se definir como a adição no solo de
compostos, que qualitativa e/ou quantitativamente podem modificar as suas características
naturais e utilizações, produzindo então efeitos negativos, constituindo poluição. Estando a
contaminação do solo diretamente relacionado com os efluentes líquidos e sólidos neste
lançados e com a deposição de partículas sólidas (lixeiras), independentemente da sua
origem, salienta-se a imediata necessidade de controle destes poluentes, preservando e
conservando a integridade natural dos meios receptores, como sendo os recursos hídricos,
solos e atmosfera.
2.3.1 Tratamento do solo contaminado

Uma investigação efetuada por um núcleo de investigação em Microbiologia


Ambiental, da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica do Porto, em
colaboração com dois laboratórios universitários do Reino Unido, testou a capacidade de
recuperação ambiental de solos e efluentes contaminados, mediante o uso de bactérias e
fungos.
Os poluentes, se fornecidos como fonte de alimento a fungos e bactérias, acabam
por ser degradados. Tanto os efluentes, como os solos por estes contaminados, ficam assim
purificados por tais microrganismos, que consomem, entre outros, compostos
organoclorados, produzidos por muitas indústrias químicas, farmacêuticas, de plásticos e
de pesticidas.
Outra vertente do projeto de investigação, foi o estudo dos fungos micorrízicos, na
sua ação conjunta com bactérias, tendo em vista a revegetação de solos, para a sua
requalificação ambiental.
Os fungos micorrízicos incrementam a absorção de nutrientes e de água pelas
plantas e assumem um papel importante no aprisionamento de metais. Esta característica
torna-os interessantes em aplicações como a despoluição de solos contaminados, através da
revegetação.
Terrenos que sofreram um processo de erosão, estão desertificados ou salinizados,
não suportando comunidades de plantas, também não integram a população natural de
fungos micorrízicos que se associam à vida vegetal. É o caso de solos danificados pela
atividade mineira ou indústria química. Através do repovoamento desses fungos, criam-se
condições para que as plantas autóctones voltem a desenvolver-se.
O interesse destas pesquisas pode estender-se não só a solos degradados por
poluentes orgânicos ou por metais, como também aos que sofrem de stress hídrico ou, por
alguma circunstância, se encontram empobrecidos.
3 AS NORMAS ISO 14000

O que são?
No início dos anos 90, a ISO (International Organization for Standardization)
reconheceu a necessidade de normalização das ferramentas de gestão no domínio
ambiental. Neste contexto, é criado em 1993 um comitê (Comitê Técnico TC 207) para
desenvolver as normas relacionadas com os seguintes campos ambientais:

Sistemas de Gestão Ambiental


A norma NP EN ISO 14001 é a norma de referência para a implementação de um
Sistema de Gestão Ambiental e especifica os requisitos que podem ser objetivamente
auditáveis para efeitos de certificação.
A norma ISO 14004 é um guia para a implementação de um Sistema de Gestão
Ambiental, funcionando como uma "Ferramenta interna" que providencia orientações para
a implementação de um Sistema de Gestão Ambiental segundo a NP EN ISO 14001. Esta
norma inclui exemplos, descrições e opções que orientam quer na implementação do
sistema, quer no reforço de integração com o sistema geral de gestão da organização.

Auditorias Ambientais
A ISO 14010 estabelece os princípios gerais para a realização de Auditorias
Ambientais e aplica-se a todos os tipos de Auditorias Ambientais.
A ISO 14011 estabelece os procedimentos para planejar e conduzir uma auditoria a
um Sistema de Gestão Ambiental de forma a verificar a sua conformidade com os critérios
pré-definidos.
A ISO 14012 fornece indicações sobre os critérios para a qualificação de Auditores
Ambientais e Auditores Coordenadores e é aplicável quer a Auditorias Internas quer a
Externas.

Avaliação da Performance Ambiental


A norma ISO 14031 é uma norma cujo objeto é a definição de um processo de
avaliação do desempenho ambiental dos sistemas das organizações. Inclui exemplos de
indicadores ambientais.
Rotulagem Ecológica
As normas ISO 14020 são normas de referência para a rotulagem ecológica.

Análise em Ciclo de Vida


As normas ISO 14040 são normas desenvolvidas com o objetivo de encorajar as
entidades oficiais, as organizações privadas e o público para uma abordagem dos assuntos
ambientais de forma integrada durante todo o seu ciclo de vida ("desde o berço até à
cova").

Termos e Definições
A norma ISO 14050 define a terminologia aplicada nesta matéria.
4 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

OGA, S. Fundamentos de toxicologia. 2. ed. São Paulo: Atheneu, 2003.

http://www.naturlink.pt/default.asp?iLingua=1