Teoria da Norma Jurídica - Bobbio

Capitulo 1 ± O Direito como regra de conduta 1. Um mundo de normas ³ A experiência jurídica é uma experiência normativa ³ ³ Porém, se observarmos um pouco de fora, o desenvolvimento da vida de um homem através da atividade educadora exercida pelos seus pais, pelos seus professores e assim por diante, nos daremos conta que ele se desenvolve guiado por regras de conduta ³
y y

As regras tornm-se tão habituais que não nos apercebemos O sistema normativo caracterizar uma sociedade

2. Variedade e multiplicidade ³ São regras de conduta tanto os 10 mandamentos quanto as prescrições do médico tanto os artigos de uma constituição quanto as regras do xadrez ou de bridge, tanto as normas do direito internacional ³ 3. O Direito é instituição Há diversas teorias da norma, distintas da normativa da teoria do Direito como instituição ou relação. O conceito de Direito ; a) Em toda sociedade há fenômenos jurídicos b) Conceito de Direito ;idéia de ordem de social c) A ordem social posta pelo Direito não exclui as normas sociais, serve-se delas e as compreende em sua órbita
Para os romanos : os elementos constitutivos do conceito de Direito : sociedade, ordem e organização. Para eles uma sociedade é ordenada através de uma organização. < - Está sociedade para os romanos é instituição

Contudo, só a organização e é a razão suficiente ao Direito.

O Direito nasce do momento que um grupo social passa da fase inorgânica ou não organizada para fase do grupo organizado. Associação de deliquentes é uma organização e cria seu próprio Direito é uma instituição. Institucionalização -> ao criaprópria organização. Teria institucionalista rompe com a teoria estalista de Direito.

Para Kant ± O Direito não é relação entre sujeito e coisa. a) Teoria normativa não é menos do que a teoria institucionalista ? ³ Norma não deve se restringir apenas as normas de estado b)Não seria verdade que a organização venha antes das normas. os ³meios´. Pluralismo Jurídico Doutrina institucionalista reação a invasão do estado moderno.Teoria estatalista é uma teoria normativa restrita. Pode haver normatização sem organização. Observações criticas O que caracterizar uma relação jurídica não é o conteúdo mas a forma. só se dar por regras. . Os estados modernos ³iluminaram´ todo centro de produção jurídica que não fosse o próprio estado. uma pura e simples relação entre 2 sujeitos não pode constituir. 6. O Direito é relação intersubjetiva ? Segundo os defensores do institucionalismo. mas sim o oposto. que as normas venham antes da organização. Processo de institucionalização que transforma o grupo inorgânico em grupo organização necessita de 3 condições. ainda que muitos juristas ESTATALISTA sejam normativos. que se propõe a oferecer meios distintos e melhores do que os oferecidos pela teoria normativa para compreensão do fenômeno jurídico. atribuição função dos indivíduos. 8. 5. a relação jurídica para Kant é somente a relação entre sujeitos.A teoria normativa não incide absolutamente em linha de principio com a teoria estatalista. . e está ligada aos jusnaturalismo. Exame de uma teoria Para Levi ± Desde do inicio fala-se da relação jurídica como o conceito sobre o qual se funda a construção sistemática. para qual haja Direito é necessário se está em uma série mais vasta e complexa de reações constituintes. que um tem Direito e outro deveres (o homem) 7. de todo o ordenamento jurídico. . determinação dos fins. é examinada pelo autor .A teoria da instituição. Observações críticas .4. cientifica. A doutrina da ³ relação´ é considerada individualista pelos institucionalistas.

o dever não é senão o reflexo subjetivo de uma norma imperativa (positiva ou negativa) ³ . 17.O formalismo jurídico compreendo pelo menos três visões diversas. Com base no dito acima. quando interpreta uma lei é seu significado. sua estrutura. ela é o pressuposto da validade de ambas. Capitulo III ± As proposições prescritivas 15. o Direito não passa de uma reflexo subjetivo de uma norma permissiva. proposição declarativa com função de comando. O que interessa ao jurista. posto que se queiram combate-las argumentos diversos. exemplos de linguagem normativa. ou seja. As 3 funções . e que requerem. mas de fazer uma imposição. Seja como for para que uma proposição seja verificada ou falsificada é necessário que tenha significado. Um ponto de vista formal ± O estudo da norma é formal no sentido em que consideraremos a norma independente de seu conteúdo. a mesma proposição normativa pode ser formulada com enunciados diversos.Diriamos que uma relação é jurídica porque é regulada para uma norma jurídica.Em suma a teoria normativa. Pois não possui a função de informar. (?). mesmo tendo indubitável caráter imperativa. . Contudo as vezes é expresso na forma declarativa. ex. não o inverso. A norma jurídica em sua estrutura logico linguística Formalismo jurídico entende-se uma consideração exclusiva quanta a forma. Ao mãe e ao pai sucedem o filho em partes iguais. permanece válida não OBSTANTE a teoria da instituição e a da relação ou melhor. ³ Em essência.Códigos e constituições são exemplos da função prescritiva. Norma como proposição ± A tese sustentada pelo autor é que Normas Jur. 18. Pertencem a categoria geral das proposições prescritivas. Formas e funções ± O comando habitualmente vem expresso na forma imperativa. Formalismo jurídico ±definição do Direito Formalismo ético ± definição de justição Formalismo cientifico ± o comportamento de ciência jurídica 16.

Contudo.. Porém. b) em relação ao comportamento do destinatário c) em relação ao critério de valoração. a valoração é dada pela derivação de fontes primarias de produção normativa ( critérios de justificação formal). . Diga ao seu pai que liguei. A lei dura no tempo.caracterizado pela sanção ? . 22. . se há a perspectiva de influenciar o comportamento logo a função prescritiva está mascarada. talvez seja verdadeiro para comando jurídicos. A proposição prescritiva ± não está sujeita a critério de valoração (se são falsas ou verdadeiras). 20. logo pode uni-se a função descritiva e evocativa para valer-se sua função. Ex.Seria todo comando. Pode deduzir as proposições prescritivas a proposições descritivas ? . desde que seja obedecida é comando. .Em determinados casos ondes os comandos são seguidos devido ao prestigio. a proposição alternativa é impossível.A função prescritiva tem a função de modificar o comportamento. possui sua função independente dos valores que fizeram surgir e que podem até desaparecer. Embora as normas jurídicas tem sentido perguntar-se são validas ou invalidas. logo no discurso do tempo afasta-se da vontade do legislador. transmissor e executado. 19 ± Diferenças das proposições prescritivas e descritivas a) função. Independente da valoração pelo suj.Um corpo de lei tende a eliminar tudo que não é da função prescritiva. a redução da proposição prescritiva. ascendência ou autoridade de pessoa que ordenam. Logo não importa a razão pela qual a norma foi cumprida mas sim sua execucação. Imperativos Autônomos e Heterônomos . Teoria Kantiana da Moral ± Dever pelo Dever. 21 ± Pode se reduzir as proposições prescritivas a proposições expressivas ? Não convincente para o autor ± Razão da funcionalidade Um comando configura-se como tal em função do resultado que consegue independente do sentimento pelo qual a norma foi cumprida mas sim sua execução.

y y . aguarde aquece-la a 100 grau ³. <. E heteronímia seria característica do regime democrático * Entretanto a distinção entre Moral e Direito dado Por Kant através de normas autônomas e heterônomas.Ideia introduzida por Kant ( Segundo ele a moral se resolve por imperativos autônomos e o direito em imperativos heterônomos) <. não possa ser utilizada para distingui-las.Distinção entre moral e Direito. regras gramatica. A escolhe do FIM é livre. normas éticas. Não derivaria da proposição descritiva . Ex. Proprios da legislação moral. ³ Se você quiser fazer uma doação deve realiza um ato público ³. Critérios ± com respeito a relação entre sujeito ativo e passivo da presc. 1) Imperativos autônomos ± quando a mesma pessoa formular e executar a norma já os heterônomos quem formular e executar a norma são pessoas diversas. deve ser x Norma programáticas -. a autonomia é característica do estado democrática. * Contudo há sistemas morais fundados na heteronímia a exemplo de uma moral religiosa *A teoria do estado de Kelsen. Norma técnica ± Se você quer y. 23 ± Imperativos e categóricos e imperativos hipotéticos Outra distinção entre Direito e moral que remonta a Kant são imperativos categóricos e hipotéticos. Kant Segundo alguns. prescrições médicas). São critérios relevantespara o estudo da norma jurídica. Distingue-se em razão do fim possível ou real.1) Distinção entre diversos tipos de prescrição com categorias vastíssimas (moral. todos os imperativos jurídicos são hipotéticos. ³ Não se deve mentir´. Regra de conduta / Ação obrigatória Meio para alcançar o fim Imperativos hipotéticos± Prescrevem uma ação boa para atingir o fim. também deve x µ Seriam as normas técnicas verdadeiros imperativos. 2) Com respeito a forma 3) Com respeito e forma obrigantes . y y y Consequência IMPUTADA considerada como meio. Visto que vocêdeve y. ³ Se quiser ferver. Cumprida condicionalmente. normas jurídicas. Juizo categórico ou por um juízo hipotético y Imperativos categóricos ± Prescrevem uma ação boa em si.

há outras. Há mais comum entre os juristas. . A diferença indubitável é a obrigatoriedade do comando versus o conselho. Comandos e conselhos ± Distinção importante nos ordenamentos jurídicos. 26. há órgão consultivos e papel de dar conselhos. porém. Capitulo IV -> As prescrições e o Direito 27 ± O problema do imperatividade do Direito Teoria da Imperatividade do Direito -> normas jurídicas como comando pertencente a linguagem prescritiva.Há exortação para o Bobbio tende a conseguiro mesmo efeito com a combinação de elementos emotivos com prescritivos.Orgãos consultivos tem menorprestigios que os de função imperativa. O poder do conselho deve também estar investido de uma particular autoridade.Nem todas as prescrições estudadas em um ordenamento jurídico são comandos. comando nem sempre possui o interesse somente de quem comandar. . .24. Comandos e instâncias ± Informativo/ Emotivo (invocações/suplicas) y y y y Participante da categoria de prescrições A ausência de obrigação para pessoa a quem se dirige a instancia.Nem todos os atos no Direitos denominados pareceres são considerados conselhos. há ou outro. . falta o poder. Imperativo e obrigação são termos correlativos. O ordenamento reconhece as instâncias. busca-se uma deliberação aa nosso favor. porém em todos. Ao contrario do que Hobbes afimar. ao é ausência do Direito de obter aquilo que pede. Assim o Direito Internacional seria uma recomendação. 25 ± Os conselhos no Direito . . Peço a você para não fumar demonstra que me importo com a saúde. Ex.A ³Onu´ possui um papel de emanar recomendações. onde há um. Pode possuir função Diretiva. Na instância. O conselho nem sempre é dado no interesse do aconselhado. ->Imperativos (ou comandos) são prescrições que possuem maior força vinculante. ->Nem todas as proposições e/ou prescrições as quais se tentar determinar o comportamento alheio implica em obrigações. podem servir para diferenciar o Direito e moral assim como critérios precedidos. -> Formas mais brandas conselhos e as instâncias y y y A distinção entre comandos e conselhos.

y 28 ± Imperativos positivos e negativos A partir do texto bastaria os exemplos que o ordenamento jurídico é composto de imperativo e positivos e negativos. Foi uma tentativa de distinguir o Direito da moral. Jurdica pode ser convertida na seguinte formula do imperativo hipotético ³ Se você quer viver em sociedade deve se comportar de modo que é condição de viver social ³.Posto fim de conservação da sociedade. . mas ações que são boas para atingir certos finse logo hipotéticos.Para Rava as normas não são boas em si.Para o ordenamento jurídico possui como obetivoatingir a paz social. 30.Toda Norma Juridica é caracterizado pelo fato que sua transgressão tem como consequência desagradável a sanção. apenas pelo fato de serem IMPERATIVOS também fossem comandos. ³ Se você quiser Y. A TD como conjunto de proibições visão restrita do Direito e do Estado. Técnica . É certo que uma norma sancionada pode ser convertida em proposição alternativa. como um só tipo de imperativo. normas segundo ele pertencem a imperativos hipotéticos. vê interdependência entre comando e sanção. estatualidade Cornelluti ± ³ ³. 31. . Os destinatários da Norma Jurídica .Toda teoria reducionista da Norma buscar identificar a N.3 Habituais requisitos da Norma ± Thon -> a imperatividade. deve ser X ³ Imperativos são chamados por Kant de N. ³ ³. . . Está distinção é inaceitável preceitos positivos e negativos misturam-se na moral e no Direito. coatividade. o autor exclui do Direito observações descritivas. pois existem em outros sistemas normativos não jurídicos (dez mandamentos) (?).Negação da idéia de que Normas jurídicas. Del Vechi ± ³ ³. 29 ± Comandos e imperativos impessoais .seriam todos os Imperativos jurídicos impessoais ?. sejam as formas atenuadas de imposição como os conselhos e as exortações. toda N. . o Direito seria constituído apenas por imperativos negativos.J. O Direito como norma técnica ±doutrina defendida por Adolfo Rava. Este ordenamento que seria técnico não distingue de ordenamentos normativos instrumentais.

jurídicos encarregados de poder coativo. Consideram além do imperativo. fundamental seria concluído a única norma jurídica seria a norma fundamental. É certo que não que dá pra imaginar um Ordenamento Juridico composto apenas de N. ai residiria a diferença entre Direito e Moral As normas permissivas pressupõem normas imperativas. identificar-se com validade. primarias (voltados aos súditos) se por ordenamento entende-se a eficácia comprovada através da sanção. Enquanto é julgado a juridicidade de uma norma singular. 2) Dizer que estas normas (voltados para os cidadãos) não existem em ordenamentos estataisé o mesmo que considerar JURIDICIDADE de uma norma depende do fato do comportamento contrario do previsto implicar as consquencências atribuídas as normas secundarias. primarias não seriam jurídicas porque limitam-se a fixar o pressuposto para entrada em vigor de uma N. y y . implicar mas não necesseriamente em sanção. caindo na N. logo. porém. não é única. há normas voltadas para os cidadãos que estabelecem um determinado comportamento cuja violação. A questão da controvérsia nascida no seio da teoria imperativista relativa ao sujeito passivo Ihering ± Estatualista e coativo defendia que as normas não eram destinadas aos cidadãos. 1) É possível um ordenamento voltado aos órgãos judiciais. não comandar. pois não reenvia nem uma outra norma do sistema. 32. J. Houve quem dissesse que a essência do Direito era permitir. depende do fato de pertencer a um ordenamento jurídico 3) Ao defender-se que N. 4) Se o ordenamento jurídico é um ordenamento NORMATICO com eficácia reforçada ele pode com a eficácia simples como as normas primarias.Quem seriam estes destinatários. mas aos org. ou seja. permissões. não institui ao cidadão o dever de não matar mas o dever aos órgãos de pura e simplesmente puni-la. Allorio (meados do século XX) ± Defendia que as normas são duas aquelas que impõe aos súditos um certo comportamento e as que impõem aos órgão do estado intervir no caso de não cumprimento. Imperativos e Permissões Teorias mistas são aquelas que defendem que em todo ordenamento jurídico há imperativos mas que há outras preposições. mesmo os ordenamentos estatais. Porém há objeções como os órgãos estatais unidos destinatários.

34 Imperativos e Regras finais ± Regras finais ± É proposto por Brunetti. Ex. Relação entre imperativos e permissões Num sistema de imperativos. a situação de permissão resulta da ausência de norma. Já o texto da constituição. É importante para lacuna. e nega a teoria imperativista. negam um imperativo positivo) - 33.Normas permissivas podem ser distinguidas assim como as imperativas em positivas (são as que permitem fazer) e negativas (permitem não fazer. temos em mente a outro pressuposto. no sentido que é permitido ou licito tudo aquilo que é não é proibido nem comandado. do Código Civil. O estado totalitário seria o estado que todo ato do cidadão é regulado por Normas imperativas. que tudo que é por ela extensamente autorizado é proibido. . o lemos tendo em mente tudo que não é por ele prescrito é permitido. ao afimar que somos livres para escolher o fim.

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