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HC - STJ - MODELO

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EXCELENTÍSSIMO SENHOR MINISTRO DO SUPREMO TRIBUNAL DE JUSTIÇA

.........., Defensora Pública, inscrita na OAB/..... sob o nº .........., acreditada junto ao Núcleo das Casas Prisionais da Defensoria Pública do Estado do ..............l, vem, perante Vossa Excelência, com fulcro no art. 5º, inciso LXVIII e 105, I, C, da Carta Magna e artigos 647 e seguintes, no que forem aplicáveis, do Código de Processo Penal, impetrar ordem de HABEAS CORPUS em favor de ....., brasileiro (a), (estado civil), profissional da área de ....., portador (a) do CIRG n.º ..... e do CPF n.º ....., atualmente recolhido no Presídio ................., cumprindo pena de doze anos de reclusão em regime fechado, eis que condenado na sanção prevista no art. 121,§ 2º, IV, do Estatuto Repressivo Pátrio, contra ato promanado da Egrégia Primeira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado do ........., pelos motivos de fato e de direito a seguir aduzidos. DOS FATOS O paciente fora agraciado com progressão de regime carcerário semi-aberto, vez que o juízo de execução entendeu presentes os requisitos necessários ao usufruto da benesse por atendida as condições prescritas no art. 112 da LEP. Consoante instou o decisum que concedeu regime prisional mais brando ao paciente, trata-se de recluso que implementou mais 1/6 de cumprimento de pena, bem como revela comportamento disciplinar satisfatório e parecer favorável da Comissão Técnica de Classificação, pelo que perfectibilizados os requisitos objetivos e subjetivos. Salientou, ademais, ilustre magistrado monocrático que, malgrado esteja a conduta delituosa do reeducando inserta dentre as

conforme a dicção do § 1º.455/97 (Lei da Tortura.034/95 (Lei do Crime Organizado). da Lei 9. Excelências. almejando sua reforma. irresignado com o acórdão e com a impossibilidade de desfrutar de regime mais ameno. Com efeito. o referido dispositivo representa inteligível afronta à garantia constitucional da individualização da pena. no tocante à vedação da progressão de regime. a qual dispõe acerca do cumprimento de pena privativa de liberdade em regime integralmente fechado. com fulcro no art. modificação. Nesse sentido. constitui o fim primacial orientador da execução penal. DO DIREITO A decisão infrentada obstou ao paciente o usufruto de regime mais brando. como é sabido. revogaram o § 1º. por lançar mão do remédio constitucional. ipso facto . relativamente à prática delituosa prescrita no art. 5º. a individualização da execução penal. por conseguinte. o órgão ministerial interpôs recurso de agravo em execução. impedindo. verifica-se que o paciente fora condenado à pena de 12 anos. a qual. produzindo a decisão coisa . § 1º. Não houve interposição de recurso a este grau de jurisdição. XLVI. conforme demonstra certidão de trânsito em julgado que está coligada no presente writ. do art. 2º. a progressividade com fundamento no princípio isonômico. sua reforma. da Lei 8. como é sabido e consabido. 121. pode-se constatar que foi estabelecido ao paciente tão-somente o regime fechado para cumprimento da pena referida. por desconsiderar a progressividade conatural ao regime de cumprimento de pena. a exegese referida não representa o melhor entendimento necessário ao deslinde da questão em comento. faz-se mister ressaltar que obstar o usufruto de regime mais brando pelo paciente. do art. Por essa razão.072/90. por conseguinte. para tanto. da Lei 8. Sendo assim. Em verdade. determinando o cumprimento de pena em regime integralmente fechado. Processado e julgado o recurso citado. 1º. calcando-se. portanto. a cassação do venerando aresto. determinado. do Código Penal. a Colenda Câmara Criminal retrocitada acolheu as razões constantes do recurso ministerial. evidente que. da Constituição Federal.072/90. o referido decisum contemplou a posição segundo a qual os dispositivos oriundos da legislação especial superveniente. consoante inteligivelmente atesta a sentença condenatória. o cumprimento da pena cominada ao paciente em regime integralmente fechado. bem assim o venerando acórdão. infligindo-lhe único e inflexível regime carcerário. Inconformado com a decisão deferitória da progressão de regime. Contudo. como. Nesse diapasão. 2º. autorizando. senão vejamos. o paciente postula. De modo análogo. como o do art. § 2º.072/90. insculpida no art. que instruem o presente recurso. tão-somente em entendimento jurisprudencial a respeito. da Lei 8. inviabilizando. 10 da Lei 9. o qual do confirmado mesmo após o julgamento do recurso de apelação. IV. a mesma dá azo à produção de coisa julgada material e formal.arroladas como hediondas. de fato. bem assim do § 7º. tendo transitado em julgado a sentença condenatória. 2º. envolve anular qualquer pretensão ressocializadora. do art. ocorreu in casu.

5º Turma. na forma . verificada a omissão na sentença condenatória. assegurando-lhe a progressividade. da Constituição Federal. 5º. o ordenamento jurídico visa a proteger o valor jurídico da segurança. ALTERAÇÃO NA FASE DA EXECUÇÃO. encontra pleno assento jurisprudencial. conceder-se ao reeducando em tela a possibilidade de postular progressão a regime carcerário mais brando. faz-se mister. constante do art. Édson Vidigal. a qual. XXXVI.9. Com efeito. contemplando-se. em seu art. Rel. in verbis. CRIME HEDIONDO. Por esse motivo. " que não se possa sujeitá-lo novamente a outro processo penal pelo mesmo fato e que não seja ele condenado em decorrência da mesma ocorrência pela qual foi absolvido.§ 1º. com relação ao imputado ou condenado. Precendentes. impreterivelmente. Possibilitada a progressão de regime prisional pela sentença condenatória transitada em julgado. (HC 132. Min. urge proceder. para assegurar a progressão de regime ao paciente. j. por certo que a mesma torna-se inalterável. Nesse diapasão. inviável faz-se a sua modificação na fase da execução. relativamente à determinação de regime integralmente fechado. o qual assevera que res judicata pro veritate habetur. 2º.julgada. portanto.00) EMENTA: "Inconformidade ministerial quanto ao decidir concessivo de progressão de regime ao agravado. Ordem de "Habeas Corpus" concedida.567/SC. 13. a sentença que enseja coisa julgada deve ser concebida como depositária da verdade em consonância com o brocardo latino. o qual apregoa o cumprimento de pena em regime integralmente fechado. in casu. não fazendo sequer alusão ao dispositivo constante da Lei dos Crimes Hediondos. bem como constatada de referência quanto à regra insculpida na Lei de Crimes Hediondos. o qual requer. a mesma determinou o cumprimento de pena em regime fechado. No que se refere à decisão que condenou o ora paciente. STJ. HOMICÍDIO E TENTATIVA DE HOMICÍDIO. consoante arestos infra. EMENTA: "PROCESSUAL PENAL. Ao assegurar a coisa julgada. exegese mais favorável ao recluso. por óbvio que não se pode lançar mão de interpretação mais gravosa ao recorrente e em contradição com o direito fundamental cerceado. IMPOSSIBILIDADE. REGIME PRISIONAL. devidamente corroborada em grau de recurso. com efeito. a fim de agravar a situação do condenado sob pena de ofensa à coisa julgada. Sentença condenatória pela prática de crime hediondo (estupro) a fixar ao recorrente o regime fechado para cumprimento de pena.1 " Por essa razão. a interpretação supra-referida. constante do competindo à lei anular tal garantia constitucional indisponível.

Rel. a possibilidade de progressão de regime. DAS CONSIDERAÇÕES ACERCA DO § 1º do art. "(. a pretensão do ora paciente reveste de sustentáculo. porquanto o mesmo implementou mais de ¼ de cumprimento de pena. o qual reza. Assegurada ao preso. à reprovação e prevenção do delito. parágrafo segundo. consoante delinearmos. a garantia constitucional constante no art. em qualidade e quantidade. possibilita o Projeto a outorga progressiva de parcelas da liberdade suprimida. em abstrato.072/90. urge essa cassada o decisum combatido. Ausência de recurso ministerial." (grifei). Ademais. 33. implica. conforme se depreende claramente o ponto 45 da Exposição de Motivos do Código Penal. sobreleva gizar que a postulação do recluso encontra amparo nos objetivos que devem orientar a execução penal.. Unânime". desconsiderando.072/90. consoante . do Código Penal. tendo em vista que o mesmo. exigindo do Juiz que sopese as circunstâncias judiciais. silenciando quanto ao art. 2º. que vedou a progressividade ao paciente. De fato. 2º da Lei 8. 1ª Câmara Criminal. com o fim de aplicar a sanção adequada. Negaram provimento. TJRS. XLVI da Magna Carta. portanto. Contudo. por conseguinte. afora representar exegese mais gravosa ao paciente. a individualização adquire concreção evidente. 5º. Omissão que deve ser interpretada em favor do acusado. o que envolve afastar qualquer tentativa de tarifar a pena e seu regime de cumprimento. segundo seu próprio mérito. o processo de individualização da pena não cessa com a cominação de uma pena. no momento da aplicação da pena abstrata ao caso in concreto. alínea "a".) A fim de humanizar a pena privativa de liberdade adota o projeto o sistema progressivo de cumprimento de pena de nova índole. A partir do regime fechado. com fulcro no § 1º do art. fase mais severa do cumprimento de pena. Luiz Armando Bertanha de Souza Leal) Positivamente.072/90 Merece reforma o decisum ora combatido. atinente à individualização da pena. Condenado que satisfaz os requisitos legais para beneficiar-se da progressão de regime (cumprimento de 1/6 de pena e parecer favorável da Comissão Técnica da Classificação). parágrafo 1º. visto que a progressão de regime carcerário constitui medida destinada à humanização da pena. o relativo a que a pena deve ser individualizada.. 2º da Lei 8. ao condenado. (Rag nº 698022548. da Lei nº 8. clarividente afronta à garantia constitucional da coisa julgada.do art. igualmente. a Constituição inclui dentre os direitos fundamentais. Por conseguinte. mediante o qual poderá dar-se a substituição do regime a que estiver sujeito o condenado. Decisão que faz coisa julgada material e formal. Para atingir as finalidades da pena privativa de liberdade.

072/90. com base tão-somente na gravidade do delito. apontar qual a norma de estrutura ou competência para a aplicação da regra constante do art. mas estende-se à execução. mesmo lançado mão de interpretação mais gravosa. para saindo do regime original. mas somente aquelas compatíveis com as outras. do CP e art.. 33. segundo a lição acurada de NORBERTO BOBBIO. pois. "nem todas as normas produzidas pelas fontes autorizadas seriam normas válidas. In casu. constata-se que foi determinado ao paciente tão-somente regime fechado para cumprimento da pena privativa de liberdade.. mediante a aferição de seu mérito. Contudo. no caso em tela. a esta altura. implicando restringir garantia constitucional em detrimento de todo um sistema e. cuja constatação está sujeita ao crivo judicial. Deveras. Brasília: Unb. da Lei 8. Marco Aurélio. vez que a competência do juízo de conhecimento se . e não a de extingui-la por completo. entende-se. é na execução penal que o condenado poderá. sendo jurisdicional a atividade do juiz de execução. 1. De fato. p. aproximar o reeducando da liberdade. 30).suas condições pessoais. que o interpretemos em cotejo com o ordenamento em que o mesmo está inserto. STF. e não meramente administrativa. da LEP admoesta que ao "juízo de execução compete decidir acerca da progressão ou regressão de regime". Com efeito. é passo demasiadamente largo. ao invés de ponderar a culpabilidade como fundamento de determinação da pena e de seu regime 2 . a ele incumbe proceder ao controle de constitucionalidade ou de legalidade da lei na medida em que a lei infraconstitucional lhe conferir tal competência." (Teoria do Ordenamento Jurídico. gradativamente. Por isso. vinculando o magistrado à aplicação do regime integralmente fechado. 2ª Turma. faz-se mister. almeja-se. o qual sintetiza o exposto acima: "Assentar-se. o que é por. que o cumprimento da pena cominada ao paciente deva ser procedido em regime integralmente fechado. Pedindo vênia. o dispositivo citado refere-se essencialmente execução da pena. a transgressão a princípios tão caros em um Estado democrático como são o da igualdade de todos perante a lei. a Defesa Pública transcreve excerto do voto do Min. 2º. "não existem ordenamentos jurídicos porque há normas jurídicas. Rel. o da dignidade da pessoa humana e o da atuação do Estado sempre voltada ao bem comum. § 1º. da Lei 8. O direito não tolera antinomias. 87. § 1º." (HC 73. ao legislador infraconstitucional foi conferida a faculdade de regular a individualização da pena. Min. o art. progredir a etapa mais branda. 59.072/90 completa. não resta dúvida de que. pena individualizada é fixada pelo Poder Judiciário com determinação da forma inicial de satisfação e acompanhamento do processo. O art. Dessa forma. posto que. a regra do art. No tocante à execução. de forma análoga. assim. Como mais uma vez nos ensina BOBBIO. Marco Aurélio) Portanto. 7º ed.982. III. mas existem normas jurídicas porque há ordenamentos distintos dos ordenamentos não jurídicos. a correta interpretação concernente a quem caiba o controle de constitucionalidade da norma insculpida no art. § 3º. no momento de sua maior concreção. do CPP. a progressividade.193-7-GO. 2º. que a definição do regime e modificações posteriores não estão compreendidas na individualização da pena." Por essa razão. não há harmonia entre as leis antes referidas que se destinam ao juízo de conhecimento e com a regra mencionada permissiva da progressividade. 66. do CP cometem ao juízo de conhecimento apenas a fixação do regime inicial do cumprimento de pena. II.

Violação do dispositivo do art. vê-se que. Cabe ao Juiz da Execução. 5º. com respeito à aplicação ou não de qualquer lei ou incidente dirigido a execução criminal. ao incurso nessa figura típica. indubitavelmente. III. (RAG nº 697171155. bem como tendo em vista que não se pode considerar o crime de tortura espécie menos gravosa que as demais figuras insertas no art. inc. a todos os crimes hediondos é incondicional. de que o nosso país é signatário e. Rel.072/90. XLVI. no entanto. na fase da individualização executiva da pena. dando ensejo a que o juízo de execução decida. 1º da Lei nº 8. inc. ao enfrentar a matéria em pauta. 2º. Narcotráfico. Essa posição tem sido corroborada em julgados. que o referido dispositivo encontra-se derrogado pelo art. XLVI. concernente à progressão.072/90 dedicam aos delitos hediondos. da Lei nº 7. TJRS. promulgada em 5 de outubro de 1. orientam-se os julgadores infratranscritos: EMENTA: "É dogma fundamental em Direito Penal a incidência retroativa da lex mitior. Regime Fechado. sem que.988. não bastasse a flagrante inconstitucionalidade do § 1º do art. 2ª Câmara Criminal. a modificação de regime carcerário estabelecido na sentença ou no acórdão. letra B. 7º do Pacto Internacional de Direitos civis e políticos. 1º da Lei 9. Em conformidade com o arg6uido acima. par. em especial. pelo § 7º do art.072/90. conferindo.455/97 que trata acerca do crime de tortura. a Defesa Pública ressalta que o entendimento doutrinário e jurisprudencial mais apurado tem constatado.210/84 . estendido em sua latitude maior. representa tratamento mais benigno à matéria em exame. na forma do art. 2º da Lei 8. ao dispor que "a lei penal não . inclusive no que se refere à concessão de progressão de regime. não obstante tratar-se de crime equiparado aos hediondos. inc. Des. Por força do imperativo constitucional da retroatividade da lei mais benigna e dada a disciplina jurídica unitária que a Constituição Federal e a Lei 8. com isso. o que. propugnadas pelo Código Penal e pela LEP. Competência sobre decidir sobre progressão e regressão de regime. Agravo Provido. o dispositivo da Lei da Tortura. 1º da referida Lei. com base no art. a possibilidade de progressão de regime.exaure com a prolação da sentença condenatória e com a determinação do regime inicial de cumprimento de pena. já que visa harmonizar o sistema de execução da pena às prerrogativas constitucionais indisponíveis. com o fim de atender o princípio da isonomia. a exemplo do aresto abaixo: EMENTA: Agravo. infringe dispositivo constitucional (art. 5º.Lei de Execução Penal. CF/88). encontrando-se hoje entronizado em nossa Carta Magna. Delmar Hochheim) De outra banda. 66. se esteja violando a coisa julgada. Negativa de concessão de progressão de regime carcerário. da Constituição Federal.

Min. por ser mais benéfica. 5º.99) EMENTA: "Os crimes hediondos. ao mesmo tempo. XL). ou seja. favorecer o acusado. j. Pois é consabido que o ordenamento jurídico constitui um sistema racional de normas e não suporta contradições internas. A Constituição que é posterior ao Código penal. da pena mais branda ou quando.072/90. da Constituição.266-MS. inclusive. No caso. ao crime de tráfico entorpecente.03. § 1º." (HC 8. Deste modo. 5ª Turma. a lei pena retroage. deve repercutir no todo. é de vigor a sua incidência no processo de individualização da pena dos demais delitos mencionados no art. aplicandose. da Lei 8. a nova forma de cumprimento de pena. estabeleceu o princípio incondicional da retroatividade in mellius. por força de imperativo constitucional receberam disciplina unitária. em face do tratamento unitário que lhe conferiu o constituinte de 1988.455/97 admitiu a progressão de regime prisional para crimes de tortura. Mudança face à Lei mais favorável. Rela. igual sistema prisional aos condenados por crimes hediondos ou de tráfico ilícito de entorpecentes. por qualquer outro modo. prevista para os crimes de tortura.03. Regime Integralmente Fechado. não existe razão lógica a justificar a aplicação do regime progressivo aos condenados por tortura e negar. Rel. 02. Nem do ponto de vista da lesividade. Desa. a despeito da coisa julgada. Possibilidade de progressão. Vicente Leal. 97." (AP. ao conceder restritivamente a possibilidade da progressão de regime prisional ao crime de tortura.455/97. XLIII.072/90. 2º. alterou semelhante dispositivo da Lei dos Crimes Hediondos através da isonomia. Se a Lei 9. por ser mais a favorável do que a norma prevista no art. conferindo tratametno mais benigno à matéria regulada pela Lei 8. há possibilidade de . 3º TRF. 5º. nas hipóteses de abolitio criminis. STJ. 6ª Turma. Ramza Tartuce).retroagirá. nem sob o ângulo político-criminal. assim. EMENTA: "Execução. a Lei 9. salvo para beneficiar o réu" (art.035249-9-SP.

aos Tribunais. vislumbrar a oportunidade de usufruir de maior liberdade. 06. preocupados com o cumprimento de normas constitucionais e comprometidos com as liberdades públicas. não exerce sobre ele nenhuma influência positiva no sentido de sua reinserção social e desampara a própria sociedade na medida em que devolve o preso à vida societária. a característica mais marcante desse princípio volta-se para a fixação de parâmetros para a atividade legislativa em matéria penal. segundo o princípio constitucional da proporcionalidade devidamente acolhido pelo nosso ordenamento jurídico. com tal objetivo. 6ª Câmara criminal. a Defesa Pública ressalta a necessidade de conferir à análise em tela um juízo de razoabilidade. mas. De fato. (Agv. conforme a verificação da adequabilidade ou não de dispositivo específico aos postulados do estado de Direito. Ao se ponderar quanto à definição do regime e de sua forma de cumprimento." (Código Penal e sua Interpretação Jurisprudencial. a posição de Alberto Silva Franco e outros transparece o afirmado acima: "Um sistema não progressivo. Por fim. v.05. 504) . em virtude de que. P. similarmente. após um processo de reinserção às avessas. de acordo com a proporcionalidade. 699148797. só lhes compete aplicá-la. TJRS. sobretudo.considerar-se a tortura um fato criminoso menos grave em confronto com os crimes já referidos. para a manutenção de boa disciplina carcerária. j. "os juizes. atentos à realidade social. pois a sua revogação ou substituição são tarefas afetas ao legislador. deve-se ter em conta que a possibilidade de progredir a regime mais brando integra a identidade moral do recluso. já que o mesmo pode. De fato. como neutros executores do conjunto de leis vigentes. Sylvio Baptista Neto. consoante o princípio da proporcionalidade. sob o cômodo pretexto de que. cabe adequar a manifestação legislativa aos limites depositados nas Constituições dos Estados de Direito. De fato. significa subordinar o condenado a uma pena desumana. 1.99). 6 ed. urge conceder a progressão de regime prisional ao paciente. mas uniforme de cumprimento de pena. Por essa razão. não apenas porque o mesmo implementa a condição objetiva. ou seja. a uma dessocialização. não devem concorrer para a consumação de casos de teratologia legal decorrentes da aplicação da Lei dos Crimes hediondos" 3 que tornam o referido diploma de nenhuma viabilidade concreta e de absoluta inaplicabilidade. Rel. cruel. de modo a sujeitá-la de forma inarredável ao rol de garantias individuais mundialmente aceitas. porque inviabiliza um atendimento prisional racional: deixa o recluso sem esperanças de obter a liberdade antes do termo final do tempo de condenação. repercutindo.

observa-se plenamente que a concessão de regime mais ameno ao paciente não constitui medida desarrazoada. faz-se necessário preparar o preso par a vida em liberdade. inclusive os de delinqüente." (JEREZ. como ato reparatório do constrangimento já causado. por possibilitar-lhe a conquista de maior liberdade. não lhe devolvendo. sendo imperativa. vez que o mesmo. devem ser garantidos e harmonizados com a tarefa antagônica de promover os interesses sociais. exsurge a necessidade de reformar a decisão combatida. bem como em obter atividade laboral. afora os argumentos esgrimidos acima. tem o direito a ser tratado como pessoa e a não permanecer definitivamente apartado da sociedade. por lhe proporcionar o usufruto de regime prisional mais brando. Pede Deferimento. 124). se necessária: o preso. Diante dos argumentos supra-esposados. assim como comportamento disciplinar compatível e adequado à liberdade a que aspira. à sociedade sem quaisquer amenizações. é válido lembrar que inexiste reeducação sem a esperança de recompensa pelo esforço pessoal em prol da ressocialização. Derecho penal y control social. Nesses Termos. fazendo-o através de sua gradual integração social. [Assinatura do Advogado] [Número de Inscrição na OAB] . 1985. segundo a qual o direito do indivíduo. De fato. transparece suporte familiar. Sendo assim. porquanto demonstra sincero interesse em preparar-se profissionalmente par ao futuro. no entanto. o Direito comparado evidencia que o Direito penal moderno deve conciliar a noção de garantismo à de Direito Penal mínimo. bem como por constituir tal decisão a que mais se coaduna com os fins e princípios colimados pela execução penal. ao passo evidencia atitude de colaboração e prestatividade com relação a outros reclusos e àqueles que detêm sua custódia. atendidos os requisitos objetivos e subjetivos.Dessa forma. por permitir ao paciente o usufruto de progressão de regime. "a sociedade tem de proteger seus interesses mais importantes. recorrendo à pena. p. [dia] de [mês] de [ano]. quando fornecer sinais indeléveis de modificação em seu comportamento. Com efeito. com o fito de ser cassado o venerando decisum do tribunal a quo. Nesse sentido. pelos motivos delineados. mesmo em se tratando de crime hediondo. [Local]. requer a impetrante a concessão liminar de ordem de habeas corpus. estando o paciente a sofrer flagrante constrangimento de direitos assegurados na Carta Magna. no que se refere ao cumprimento da pena. vez que essa constitui medida essencial em prol de sua reinserção social. abruptamente. DOS PEDIDOS Pelo exposto. constata-se que o paciente demonstra estar plenamente apto a se reinserir na sociedade. sem esperança de reintegrar-se à mesma. In casu.

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