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APONTAMENTOS SEM FRONTEIRAS

António Filipe Garcez José


Ubi commoda ibi incommoda !
Ces sacrés romains ils ont tout
inventé.

CONTRATOS EM ESPECIAL
Universidade Autónoma de Lisboa
Ano lectivo 2005/2006

Teóricas: .......Doutor Luís Manuel Teles de Menezes Leitão


Práticas : .................................................Dr. Fernando Silva

Bibliografia : Direito das obrigações – Vol III - Dr. de Menezes Leitão

Apontamentos e resumos do curso, não isentos de eventuais erros ("errare


humanum est") "destilados" por António Filipe Garcez José, aluno n° 20021078,

Contrato de compra e venda

ARTIGO 874º
Noção

Compra e venda é o contrato pelo qual se transmite a propriedade


de uma coisa, ou outro direito, mediante um preço.

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• Sendo um contrato translativo de direitos, a compra e
venda pressupõe a existência de uma contrapartida
pecuniária

Se não existir qualquer contrapartida ...

- o contrato é qualificável como doação (art. 940°)

Se a contrapartida não consistir numa quantia pecuniária...

- trata-se de um contrato de escambo ou troca

CARACTERÍSTICAS
O contrato de compra e venda é um contrato...

1. nominado e típico

2. primordialmente não formal

3. consensual

4. obrigacional e real “quoad effectum”

5. oneroso

6. sinalagmático

7. normalmente comutativo, sendo por vezes aleatório

8. de execução instantânea

1. contrato nominado e típico

Nominado
Porque que a lei o reconhece como categoria jurídica

Típico
Porque a lei estabelece para este contrato um regime, quer no
âmbito do Direito Civil (arts. 874° e ss. CC), quer no âmbito do
Direito Comercial (arts. 463° e ss. CCom)

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2. contrato primordialmente não formal

Contrato não formal (art. 219°)


Regra geral, o contrato de compra e venda não depende de forma
especial, excepto quando a lei o exige ( ex: art. 875°)

3. contrato consensual

Contrato consensual (por oposição a real “quoad constitutionem” )


Porque a lei ao prever expressamente a existência de uma
obrigação de entrega por parte do vendedor (art. 879°/b), é o
acordo das partes que determina a formação do contrato, não
dependendo esta da entrega da coisa, nem do pagamento do preço
respectivo.

4. contrato obrigacional e real quoad effectum

Contrato obrigacional
A compra e venda determina a constituição de duas obrigações:

- obrigação de entrega da coisa (art. 879°/b))

- Obrigação de pagamento do preço (art. 879°/c))

Contrato real quoad effectum


Uma vez que produz a transmissão de direitos reais (art. 879°/a))

5. Contrato oneroso

Contrato oneroso
Porque existe uma contrapartida pecuniária em relação à
transmissão dos bens.

6. contrato sinalagmático

Contrato siinalagmático
Uma vez que as obrigações do vendedor e do comprador
constituem-se tendo cada uma a sua causa na outra (o que
determina que permaneçam ligadas durante a fase da execução do
contrato).

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7. Contrato normalmente comutativo, por vezes aleatório

Cumutativo
Uma vez que ambas as atribuições patrimoniais, se apresentam
como certas, não se verificando incerteza nem quanto à sua
existência (an) nem quanto ao seu conteúdo (quantum).

Em certos casos a lei admite que a compra e venda possa funcionar


como...

Contrato aleatório
Como nos casos de ...

- venda de bens futuros, frutos pendentes e integrantes, a


que as partes atribuem esse carácter (art. 880°/2)

- venda de bens de existência ou titularidade incerta (art.


881°)

- venda de herança ou de quinhão hereditário (arts 2124°


e ss.)

- venda de expectativas

8. Contrato de execução instantânea

Contrato de execução instantânea


Porque, quer em relação à obrigação de entrega, quer em relação à
obrigação de pagamento do preço, o seu conteúdo e extensão não
é delimitado em função do tempo.

FORMA
• A compra e venda é um contrato essencialmente
consensual (art. 219°)

Mas,...

Se a compra e venda tiver por objecto bens imóveis, esta só



é válida quando for celebrada por escritura pública (art.
875°),...
excepto se for uma ...
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- compra e venda de imóvel com recurso ao crédito


bancário, em que basta a celebração de um documento
particular ( art. 2° do DL 255/93, de 15 de Julho)

- compra e venda de direito real de habitação


periódica (art.12° DL 275/93, de 5 de Agosto)

A escritura pública é, porém, ainda exigida para ...

a transmissão de herança ou quinhão hereditário (art. 2126°/1),


quando abranja bens cuja alienação deva ser feita por
essa forma.

- as quotas de sociedades (art. 228° CSC)

- a transmissão total e definitiva do direito patrimonial


de autor (art. 44° do Código de Direitos de Autor e dos
Direitos Conexos)

a compra e venda, quanto a bens móveis, é por vezes sujeita a


forma escrita. Assim acontece com...

- a alienação de herança ou quinhão hereditário,


quando não abranja bens sujeitos a alienação por
escritura pública (art. 2126°/2)

- o estabelecimento comercial (ver o novo RAU)

- alienação de direitos sobre bens industriais e registo de


marcas (art. 31°/6 CPI)

• É exigida a redução a escrito do contrato de compra e


venda em certas situações, por razões de protecção do
consumidor ; assim acontece na venda a domicílio (art. 16°
do DL 143/2001, de 26 de Abril)

• O art. 205°/2, refere expressamente que às coisas móveis


sujeitas a registo é aplicável o regime das coisas móveis em
tudo o que não seja especialmente regulado.

• Em certos casos, a compra e venda, para além da forma


especial pode obrigar à realização de certas formalidades.

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Assim na compra e venda de prédios urbanos e fracções
autónomas, é necessário que se faça prova perante o
notário da inscrição na matriz predial e respectiva licença de
utilização (DL 281/99, de 26 de Julho.

EFEITOS
ARTIGO 879º
Efeitos essenciais

A compra e venda tem como efeitos essenciais:

a) A transmissão da propriedade da coisa ou da titularidade do


direito;

b) A obrigação de entregar a coisa;

c) A obrigação de pagar o preço.

Temos que distinguir, no contrato de compra e venda, entre ...

os seguintes efeitos :

- Um efeito real
a transmissão da propriedade da coisa ou da titularidade do
direito.

e...

- Dois efeitos Obrigacionais


Que se reconduzem à constituição da ...

1. obrigação de entregar a coisa,

e...

2. Obrigação de pagar o preço

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EFEITO REAL
É essencial à compra e venda a alienação de um direito, isto é,
uma aquisição derivada do mesmo.

 A celebração do contrato de compra e venda acarreta logo a


transferência da propriedade (art. 879°/a) e 408°/1)

 A transferência ou constituição do direito real é imediata e


instantânea.

 O efeito real verifica-se automaticamente no momento da


celebração do contrato ( princípio da consensualidade)

Princípio da consensualidade
a propriedade é transmitida apenas com base no simples consenso
das partes, sendo o efeito real verificado nesse momento.

 Foi a escola do jusnaturalismo racional (Grotius, Puffendorf) que


consagrou o princípio de que a vontade das partes
manifestada através do contrato, é por si só suficiente para
produzir o efeito real.

Ligado ao princípio da consensualidade está o ...

Princípio da causalidade
A existência de uma justa causa de aquisição é sempre
necessária para que o direito real se constitua ou transmita.

• Qualquer vício no negócio causal afectará igualmente a


transmissão da propriedade.

• No nosso Código, o contrato de compra e venda está


consagrado no âmbito da venda real.

Venda real
O adquirente após a celebração do contrato adquire imediatamente
a propriedade da coisa vendida que pode imediatamente opor erga
omnes, no caso dos bens não sujeitos a registo, ficando no caso
dos bens sujeitos a registo essa oponibilidade a terceiros
dependente do cumprimento do ónus registral.

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Excepções ao Pº da consensualidade (art. 408º/1 )
O art. 408º/1, deixa em aberto a possibilidade de se reconhecer
hipóteses de venda obrigatória, nos casos em que a transferência
da propriedade venha a ser temporalmente dissociada da
celebração do contrato.

Duas situações em que se verifica essa dissociação:

Primeira situação
ocorre sempre que a lei proceda a uma separação, entre o
momento em que se verifica a conclusão do contrato e o
momento em que ocorre o fenómeno translativo.

ocorre nos casos da...

- venda de coisas indeterminadas (designadamente coisas genéricas)


- venda de bens futuros
- venda de frutos naturais, ou partes componentes ou
integrantes de uma coisa
- venda com reserva de propriedade

• Venda de coisa indeterminada


Na venda de coisa indeterminada, a transmissão da propriedade
dá-se no momento em que ocorre a determinação da coisa com
conhecimento de ambas as partes (art. 408°/2), ... salvo se...

Se tratar de uma venda genérica, em que a transferência da


propriedade se dá no momento da concentração da obrigação
(arts. 540° e 541°).

Venda de bens futuros (art. 880°)


A transferência da propriedade ocorre no momento em que a coisa
é adquirida pelo alienante.

• Venda de frutos naturais ou de partes componentes ou


integrantes de uma coisa
A transferência da propriedade verifica-se no momento da colheita
ou separação (art. 880°)

• Venda com reserva de propriedade


A aquisição integral da propriedade apenas ocorre no momento do
pagamento do preço ou do evento em relação ao qual as partes
determinaram essa verificação (art. 409°)

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Segunda situação
ocorre quando o fenómeno translativo não se pode verificar por um
impedimento originário, nos casos de venda de coisa alheia
(art.892° e ss.)

• Venda de coisa alheia (art. 892°)


Na venda de coisa alheia o fenómeno translativo não se pode
verificar em virtude de o vendedor não ser efectivamente o
proprietário do bem vendido.

• A venda de bens alheios é nula, sempre que o vendedor


careça de legitimidade para a realizar.

• Esta nulidade só pode ser sanada através da aquisição da


propriedade (art. 895°) , o que constitui uma obrigação para o
vendedor (art. 897°)

Podemos afirmar que...

No Direito português não existe a figura da venda obrigatória

Pois ...

mesmo nas hipóteses em que a venda possui uma eficácia


translativa não imediata ou dependente da eventual verificação de
certos actos ou factos, o contrato de compra e venda integra
sempre um esquema negocial translativo.

Venda obrigatória
Caracteriza-se especialmente pelo facto de o contrato de compra e
venda nunca produzir efeitos reais, apenas tendo por função a
constituição de obrigações (resultando assim a transferência da propriedade de
um segundo acto, que o vendedor se obriga a praticar, o qual produz os efeitos reais)

PUBLICIDADE

A compra e venda terá que ser registada quando respeitar a


direitos reais sobre bens imóveis ou a bens móveis sujeitos a
registo (arts. 2º/a) CRPred. e 11º/1/a) CRBMóveis), sob pena de não
ser oponível a terceiros nem prevalecer contra uma eventual aquisição tabular,
desencadeada por uma segunda alienação do mesmo bem (arts. 5º e 17º/2
CRPred. e arts. 3º e 38º CRBMóveis)

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• Sendo o direito real um direito absoluto com eficácia erga
omnes é conveniente e útil que todos os parceiros interessados
possam conhecer a sua existência.

• No nosso Direito, a publicidade é normalmente declarativa e


não constitutiva.

• A publicidade é apenas uma condição de eficácia,


relativamente a terceiros, do direito real validamente
constituído por mero efeito do contrato.

• A publicidade apenas será constitutiva na hipótese de


aquisição tabular, caso em que a segunda venda que primeiro for
registada prevalece sobre a primeira.

• No nosso sistema prevalece o interesse do proprietário em


detrimento da protecção de terceiros de boa fé (a posse não vale
título)

RISCO

• Na compra e venda, o comprador torna-se logo proprietário da


coisa vendida e não apenas credor do vendedor relativamente à
sua entrega.

• O comprador (novo proprietário) deixa de estar sujeito ao concurso


de credores no património do vendedor em relação a essa coisa
(art. 604º/1) uma vez que tem sobre ela a propriedade
(art. 1305º)

• Associada à transferência da propriedade aparece a


transferência do risco (art. 796º/1)

• A partir do momento em que é celebrado o contrato de compra e


venda, o risco fica a cargo do comprador (796º/1).

• O risco continua a correr para o vendedor, se a coisa tiver


continuado em poder deste, em consequência de termo
estabelecido em seu favor; neste caso, a transferência do
risco só se verifica, com o vencimento do termo ou a entrega da
coisa, salvo se .... o devedor entrar em mora, o que produz a
inversão do risco (796º/2)

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• No caso de aposição de uma condição resolutiva ao contrato,


o risco corre por conta do adquirente se a coisa lhe tiver sido
entregue.

• No caso de aposição de uma condição suspensiva, o risco


corre por conta do alienante durante a pendência da condição
(art. 796º/3)

ARTIGO 796º

Risco

1. Nos contratos que importem a transferência do domínio sobre


certa coisa ou que constituam ou transfiram um direito real
sobre ela, o perecimento ou deterioração da coisa por causa não
imputável ao alienante corre por conta do adquirente.

2. Se, porém, a coisa tiver continuado em poder do alienante em


consequência de termo constituído a seu favor, o risco só se
transfere com o vencimento do termo ou a entrega da coisa,
sem prejuízo do disposto no artigo 807º.

3. Quando o contrato estiver dependente de condição resolutiva, o


risco do perecimento durante a pendência da condição corre por
conta do adquirente, se a coisa lhe tiver sido entregue; quando for
suspensiva a condição, o risco corre por conta do alienante
durante a pendência da condição.

EFEITOS OBRIGACIONAIS

O dever de entregar a coisa


Em relação ao vendedor

• A obrigação que surge através do contrato de compra e venda


reconduz-se essencialmente ao dever de entregar a coisa.

• É assim atribuído ao comprador um direito de crédito à


entrega da coisa pelo vendedor, o qual concorre com a acção de
reivindicação (art. 1311º), que pode exercer enquanto
proprietário da coisa.

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Em relação ao objecto da obrigação de entrega

• O objecto da obrigação de entrega, corresponde, à coisa


comprada.

Há que distinguir entre ...

- Venda de coisa específica

- Venda de coisa genérica

Venda de coisa específica


O vendedor apenas pode cumprir entregando ao comprador a coisa
que foi objecto da venda, sem que a possa substituir.

• A coisa deve ser entregue no estado em que se encontrava


ao tempo da venda (art. 882º/1)

• Recai sobre o vendedor um dever específico relativamente à


custódia da coisa.

• Caso a coisa se venha a deteriorar entre o momento da venda


e o da entrega, presume-se existir responsabilidade pelo
vendedor por incumprimento dessa obrigação (art. 918º), a
menos que demonstre que a deterioração não procede de
culpa sua (art. 799º/1)

Venda de coisa genérica


O vendedor pode cumprir o contrato, entregando ao comprador
qualquer coisa dentro do género.

• O vendedor terá que entregar as coisas correspondentes à


quantidade e qualidade convencionadas no contrato de compra e
venda (arts. 539º e ss. , e 400º)

• O desrespeito destas regras determinará a aplicação do regime


do incumprimento das obrigações (art. 918º)

• A obrigação de entrega abrange, salvo estipulação em contrário,


além da própria coisa comprada, as suas partes integrantes, os
frutos pendentes e os documentos relativos à coisa ou direito
(882º/2)

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• A obrigação de entrega pode ainda incluir, outros objectos como,
por exemplo, a embalagem necessária ao acondicionamento do
bem vendido.

A obrigação de entrega está sujeita a ...

Regras gerais

- quanto ao tempo de cumprimento


- quanto ao lugar de cumprimento
- quanto ao não cumprimento

Regras quanto ao tempo de cumprimento

• Se as partes não convencionarem prazo certo para a sua


realização, o comprador pode exigir a todo o tempo a entrega
da coisa (art. 777º/1)

• Com a interpelação do comprador, o vendedor ficará


constituído em mora ( art. 805º/1)

• No caso de ter sido convencionado prazo certo, ou este


resultar da lei, o vendedor terá que entregar a coisa até ao fim
desse prazo, sem o que incorrerá em mora (art. 805º/2)

• A obrigação de entrega da coisa vendida está sujeita ao prazo


ordinário de prescrição de vinte anos (art. 309º)

ARTIGO 805º
Momento da constituição em mora

1. O devedor só fica constituído em mora depois de ter sido judicial ou


extrajudicialmente interpelado para cumprir.

2. Há, porém, mora do devedor, independentemente de interpelação:


a) Se a obrigação tiver prazo certo;
b) Se a obrigação provier de facto ilícito;
c) Se o próprio devedor impedir a interpelação, considerando-se
interpelado, neste caso, na data em que normalmente o teria sido.

3. Se o crédito for ilíquido, não há mora enquanto se não tornar líquido,


salvo se a falta de liquidez for imputável ao devedor; tratando-se, porém,
de responsabilidade por facto ilícito ou pelo risco, o devedor constitui-se
em mora desde a citação, a menos que já haja então mora, nos termos da
primeira parte deste número.

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Regras quanto ao lugar do cumprimento
(caso não ocorra qualquer estipulação das partes)

há que distinguir entre coisas móveis e imóveis ....

Relativamente às coisas móveis

O art. 773° determina que deve ser entregue no lugar em que se


encontravam ao tempo da conclusão do negócio as coisas ...

- determinadas

- genéricas a ser escolhidas de um conjunto determinado

- a ser produzidas em certo lugar

O art. 772° determina que nos outros casos, a coisa deve ser
entregue no domicílio do vendedor.

Relativamente às coisas imóveis

- Naturalmente que a entrega física só poderá ser feita no lugar


em que o imóvel se encontra.

- No caso em que as partes determinem que essa entrega será


realizada simbolicamente, dever-se-à aplicar o critério
supletivo geral do domicílio do devedor (art. 772°)

Em caso de não cumprimento (por parte do vendedor)

- pode o comprador, nos termos gerais, intentar contra o


vendedor uma acção de cumprimento (arts. 817° e ss.), ...

- que tratando-se de coisa determinada, pode incluir a


execução específica da obrigação (art. 827°)

- O vendedor está também sujeito a ter que indemnizar o


comprador, pelos danos que lhe causar o incumprimento da
obrigação (arts. 798° e ss.)

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O dever de pagar o preço


• A obrigação de pagamento do preço corresponde a uma
obrigação pecuniária, sujeita ao regime dos arts. 550º e ss.

• Não é necessário no contrato de compra e venda que o preço


se encontre determinado no momento da celebração do
contrato, bastando que seja determinável

• A lei pode supletivamente indicar a forma de


determinabilidade do preço (art. 883º)

ARTIGO 883º

Determinação do preço

1. Se o preço não estiver fixado por entidade pública, e as partes o


não determinarem nem convencionarem o modo de ele ser
determinado, vale como preço contratual o que o vendedor
normalmente praticar à data da conclusão do contrato ou, na falta
dele, o do mercado ou bolsa no momento do contrato e no lugar em
que o comprador deva cumprir; na insuficiência destas regras, o
preço é determinado pelo tribunal, segundo juízos de equidade.

2. Quando as partes se tenham reportado ao justo preço, é


aplicável o disposto no número anterior.

A obrigação de pagamento do preço está sujeita a regras


específicas quanto ao tempo e ao lugar:

ARTIGO 885º

Tempo e lugar do pagamento do preço

1. O preço deve ser pago no momento e no lugar da entrega da


coisa vendida.

2. Mas, se por estipulação das partes ou por força dos usos o preço
não tiver de ser pago no momento da entrega, o pagamento será
efectuado no lugar do domicílio que o credor tiver ao tempo do
cumprimento.

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• A obrigação de pagamento do preço é sujeita à prescrição
ordinária de vinte anos (art. 309º)

• Nos créditos de comerciantes pelos objectos vendidos a não


comerciantes, que não os destinam ao seu comércio , existe
uma prescrição presuntiva ao fim de 2 anos (art.317º/b))

• Transmitida a propriedade da coisa, ou o direito sobre ela, e


feita a sua entrega, o vendedor não pode, salvo convenção
em contrário, resolver o contrato por falta de pagamento do
preço (art. 886º).

• Verificada a definitiva transferência da propriedade e entrega


do bem, o vendedor fica restringido, contra o comprador, à
acção de cumprimento para cobrança do preço (art. 817º),
respectivos juros moratórios (art. 806º/1)

A resolução do contrato por incumprimento da obrigação do


comprador, só é possível nestas situações :

a) Haver convenção em contrário


Nada impede às partes de estipular igualmente que o
incumprimento da obrigação de pagar o preço por parte do
comprador constitua fundamento de resolução.

b) Ainda não ter sido entregue a coisa (mesmo que já tenha


ocorrido a transmissão de propriedade) O contrato ainda não se
encontra totalmente executado, podendo até o vendedor
recusar a entrega de coisa, enquanto o comprador não
satisfizer a obrigação de pagar o preço (art. 428º)

c) Ainda não ter ocorrido a transmissão da propriedade


(mesmo que a coisa já tenha sido entregue) Quando o vendedor
conserva a propriedade com fins de garantia, pode em caso
de incumprimento, proceder à resolução do contrato e exigir a
restituição do bem.

• As despesas do contrato e outras despesas


acessórias ficam a cargo do comprador (art. 878º)

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• As despesas relativas a actos de execução do
contrato, ficam a cargo do respectivo devedor.

Proibições de venda
Casos em que a lei veda a celebração do contrato de compra e
venda entre determinadas pessoas.

a) Venda de coisa ou direito litigioso

b) Venda a filhos ou netos

c) Compra de bens do incapaz pelos pais, tutor, curador,


administrador legal de bens ou protutor que exerça as funções
de tutor.

d) Venda entre cônjuges

Venda de coisa ou direito litigioso

ARTIGO 876º

Venda de coisa ou direito litigioso

1. Não podem ser compradores de coisa ou direito litigioso, quer


directamente, quer por interposta pessoa, aqueles a quem a lei não
permite que seja feita a cessão de créditos ou direitos litigiosos,
conforme se dispõe no capítulo respectivo.

2. A venda feita com quebra do disposto no número anterior, além


de nula, sujeita o comprador, nos termos gerais, à obrigação de
reparar os danos causados.

3. A nulidade não pode ser invocada pelo comprador.

• Faz-se aqui uma remissão para a proibição da cessão de


créditos e direitos litigiosos (art.579º e ss.)

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ARTIGO 579º

Proibição da cessão de direitos litigiosos

1. A cessão de créditos ou outros direitos litigiosos feita,


directamente ou por interposta pessoa, a juízes ou magistrados do
Ministério Público, funcionários de justiça ou mandatários judiciais é
nula, se o processo decorrer na área em que exercem
habitualmente a sua actividade ou profissão; é igualmente nula a
cessão desses créditos ou direitos feita a peritos ou outros
auxiliares da justiça que tenham intervenção no respectivo
processo.

2. Entende-se que a cessão é efectuada por interposta pessoa,


quando é feita ao cônjuge do inibido ou a pessoa de quem este seja
herdeiro presumido, ou quando é feita a terceiro, de acordo com o
inibido, para o cessionário transmitir a este a coisa ou direito cedido.

3. Diz-se litigioso o direito que tiver sido contestado em juízo


contencioso, ainda que arbitral, por qualquer interessado.

• Em certas situações onde não existe um receio de


especulação, a proibição de venda cessa (art. 581º) :

a) A alienação ao titular do direito de preferência ou


remição sobre o bem.

b) A alienação em defesa dos bens possuídos pelo


adquirente (ex: alienação ao arrendatário de um prédio em
risco de execução)

c) A alienação ao credor em cumprimento do que lhe é


devido (ex: alienação em cumprimento de contrato-promessa
celebrado antes de o bem passar a litigioso)

• A venda é considerada nula ( no interesse do vendedor)


se apesar de ser proibida vier a ser realizada, sujeitando-se o
comprador, nos termos gerais à obrigação de reparar os
danos causados. (arts. 876º/2 e 580º/1)

• Esta nulidade não pode ser invocada pelo comprador


(arts. 876º/3 e 580º/2)

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Venda a filhos ou a netos

ARTIGO 877º

Venda a filhos ou netos

1. Os pais e avós não podem vender a filhos ou netos, se os


outros filhos ou netos não consentirem na venda; o consentimento
dos descendentes, quando não possa ser prestado ou seja
recusado, é susceptível de suprimento judicial.

2. A venda feita com quebra do que preceitua o número anterior é


anulável; a anulação pode ser pedida pelos filhos ou netos que não
deram o seu consentimento, dentro do prazo de um ano a contar do
conhecimento da celebração do contrato, ou do termo da
incapacidade, se forem incapazes.

3. A proibição não abrange a dação em cumprimento feita pelo


ascendente.

• Esse consentimento pode ser objecto de suprimento


pelo tribunal (art.1425º)

• A proibição não abrange a dação em cumprimento


feita pelo ascendente.

Compra dos bens do incapaz pelos seus pais e ...

ARTIGO 1892º

Proibição de adquirir bens do filho

1. Sem autorização do tribunal não podem os pais tomar de


arrendamento ou adquirir, directamente ou por interposta pessoa,
ainda que em hasta pública, bens ou direitos do filho sujeito ao
poder paternal, nem tornar-se cessionários de créditos ou outros
direitos contra este, excepto nos casos de sub-rogação legal, de
licitação em processo de inventário ou de outorga em partilha
judicialmente autorizada.

2. Entende-se que a aquisição é feita por interposta pessoa nos


casos referidos no nº 2 do artigo 579º.

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• Nestes casos se for celebrada uma compra e
venda sem autorização judicial, esta é anulável.

ARTIGO 1893º
Actos anuláveis

1. Os actos praticados pelos pais em contravenção do disposto nos


artigos 1889º e 1892º são anuláveis a requerimento do filho, até
um ano depois de atingir a maioridade ou ser emancipado, ou, se
ele entretanto falecer, a pedido dos seus herdeiros, excluídos os
próprios pais responsáveis, no prazo de um ano a contar da morte
do filho.

2. A anulação pode ser requerida depois de findar o prazo se o


filho ou seus herdeiros mostrarem que só tiveram conhecimento do
acto impugnado nos seis meses anteriores à proposição da acção.

3. A acção de anulação pode também ser intentada pelas


pessoas com legitimidade para requerer a inibição do poder
paternal, contanto que o façam no ano seguinte à prática dos actos
impugnados e antes de o menor atingir a maioridade ou ser
emancipado.

• Apesar de não autorizada, a compra pode ser objecto de


confirmação pelo Ministério Público (art. 1894º)

ARTIGO 1894º
Confirmação dos actos pelo tribunal

O tribunal pode confirmar os actos praticados pelos pais sem a


necessária autorização.

Esta proibição é extensiva ao ...

- tutor (art.1894º e nº1 do DL 272/2001)

- curador (art.156º)

- administrador de bens (art. 1971º/1)

- protutor (art. 1956º/b))

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APONTAMENTOS SEM FRONTEIRAS
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• apesar desta proibição, se a compra e venda de bens do
menor vem a ser realizada, o negócio não é anulável, mas
nulo, apesar de sanável (art. 1939º)

venda entre cônjuges

• O Pº da imutabilidade das convenções antenupciais,


proíbe que os cônjuges venham alterar, depois da celebração
do casamento, quer as convenções antenupciais, quer os
regimes de bens legalmente fixados (art. 1714º/1)

• Entre os cônjuges esta proibição cessa a partir do


momento em que se encontrem judicialmente separados de
pessoas e bens.

• A dação em cumprimento feita por um dos cônjuges ao


seu consorte, é lícita (art.1714º/3)

Modalidades específicas de venda


1) Venda de bens futuros, de frutos pendentes e de partes
componentes ou integrantes de uma coisa

2) Venda de bens de existência ou titularidade incerta

3) Venda com reserva de propriedade

4) Venda a prestações

5) Venda a retro

6) Venda a contento e venda sujeita a prova

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Venda de bens futuros, de frutos pendentes e de
partes componentes ou integrantes de uma coisa
Esta modalidade específica de venda está prevista no art. 880º CC
e 467º/1 CCom.

A venda de bens futuros ocorre sempre que o vendedor aliena


bens que ...

- não existem ao tempo da declaração negocial (ex. venda


de uma fracção autónoma)

- que não estão em seu poder (ex: venda dos peixes que vier a
pescar nesse dia no lago)

- A que ele não tem direito (ex: um agricultor vende os cereais que
lhe virão a ser fornecidos por outro agricultor)

• A venda de bens futuros é um contrato aleatório


(art.880º/2) no caso em que o objecto da venda é a mera
esperança de aquisição das coisas.

• Nos contratos aleatórios, o comprador está obrigado a


pagar o preço, ainda que a transmissão dos bens não chegue
a verificar-se (ex: a colheita se vir a perder por condições climatéricas
irregulares)

• A venda de bens futuros não constitui uma modalidade


específica de venda obrigatória, na medida em que, a
celebração do contrato já integra o esquema negocial
translativo, que não fica dependente de uma segunda
atribuição patrimonial a realizar pelo vendedor.

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Venda de bens de existência ou titularidade incerta

Esta modalidade de venda específica está regulada nos arts. 881º


CC e 467º/1CCom.

• Se se venderem bens de existência ou titularidade


incerta e no contrato se fizer menção dessa incerteza, o
contrato é válido (art. 881º)

• Se as partes recusarem ao contrato a natureza aleatória,


o preço só será devido no caso de os bens existirem e
pertencerem ao vendedor (art.885º/1)

Venda com reserva de propriedade


A reserva de propriedade vem referida no art. 409º

ARTIGO 409º

Reserva da propriedade

1. Nos contratos de alienação é lícito ao alienante reservar para si


a propriedade da coisa até ao cumprimento total ou parcial das
obrigações da outra parte ou até à verificação de qualquer outro
evento.
2. Tratando-se de coisa imóvel, ou de coisa móvel sujeita a registo,
só a cláusula constante do registo é oponível a terceiros.

REGIME da venda com reserva de propriedade


• A cláusula de reserva de propriedade tem que ser
estipulada no âmbito de um contrato de compra e venda, do
qual não pode ser cindido.

• No âmbito do contrato de compra e venda, a reserva de


propriedade terá que obedecer à forma legalmente exigida
para o contrato, podendo ser consensual nos casos em que o
contrato de compra e venda não esteja sujeito a forma
especial.

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• A cláusula de reserva de propriedade pode ser
celebrada exclusivamente em relação a coisa específicas e
não consumíveis.

• No caso de bens imóveis ou móveis sujeitos a registo,


só a cláusula constante do registo é oponível a terceiros (art.
409º/2)

• No que toca a bens móveis não sujeitos a registo, a


cláusula de reserva poderá ser normalmente oposta a
terceiros de boa fé, de acordo com os princípios da
causalidade e da consensualidade vigentes no nosso sistema
jurídico.

• A reserva de propriedade extingue-se, se o terceiro


adquirir a propriedade a título originário (ex: na usucapião e na
acessão).

• A cláusula de reserva de propriedade implica que por


acordo entre o vendedor e o comprador, a transmissão da
propriedade fique diferida para o momento do pagamento
integral do preço.

• A função da reserva de propriedade, visa apenas


defender o vendedor das eventuais consequências do
incumprimento do comprador.

• O vendedor pode reagir contra uma execução dirigida


contra os bens do comprador, através de embargos de
terceiro (art.351º CPC)

• Ressalvadas as regras do registo, quando se trate de


bens a ele sujeitos, o comprador poderá opor eficazmente a
sua expectativa real de aquisição aos credores do
vendedor, através de processo de embargos de terceiro,
dado que é titular de um direito incompatível com a penhora
desses bens (art. 351º/2)

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OPOSIÇÃO MEDIANTE EMBARGOS DE TERCEIRO

ARTIGO 351.º CPC

Fundamento dos embargos de terceiro

1 - Se a penhora, ou qualquer acto judicialmente ordenado de


apreensão ou entrega de bens, ofender a posse ou qualquer direito
incompatível com a realização ou o âmbito da diligência, de que
seja titular quem não é parte na causa, pode o lesado fazê-lo valer,
deduzindo embargos de terceiro.

2. Não é admitida a dedução de embargos de terceiro relativamente


à apreensão de bens realizada no processo especial de
recuperação da empresa e de falência.

• Relativamente a adquirentes do vendedor, sendo a


reserva oponível a terceiros, a posição jurídica do comprador
prevalecerá sobre a segunda aquisição, devendo aplicar-se a
esta o regime da venda de bens alheios (art. 892º),
ressalvando-se a situação da coisa comprada de boa fé a
comerciante (art. 1301º)

• Em caso de incumprimento por parte do comprador, o


vendedor continua a poder resolver o contrato nos termos do
art. 801º/2.

• Em caso de venda a prestações, é impossível de


resolver o contrato se o comprador faltar ao pagamento de
uma única prestação e esta não exceder a oitava parte do
preço (art. 934º)

Risco
a partir da entrega da coisa, o risco corre por conta de quem
beneficia do direito, logo, por conta do comprador, devendo este
pagar o preço em caso de perda ou deterioração fortuita da coisa.

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Natureza jurídica da venda com reserva de propriedade


Tese maioritária
Esta tese configura a venda com reserva de propriedade, como
uma venda em que o efeito translativo da propriedade é diferido ao
momento do pagamento do preço, obtendo o comprador logo com a
celebração do contrato uma expectativa real de aquisição.

Em relação ao vendedor

• O vendedor conserva a propriedade sobre o bem.

• A conservação da propriedade no vendedor visa


essencialmente funções de garantia do pagamento do preço.

• Se o comprador puser em perigo a subsistência da


garantia, o vendedor poderá exercer contra ele ou contra
terceiros a acção de reivindicação ou as competentes
providências cautelares.

Em relação ao comprador

• Até ao pagamento do preço, se ele não é ainda


proprietário, a sua posição jurídica não é de cariz meramente
obrigacional, pois esse negócio confere ao comprador uma
expectativa real de aquisição, a qual é oponível a terceiros.

• O comprador é titular de uma posição jurídica de


natureza real, uma vez que é dotada de inerência e de
sequela.

• O comprador é possuidor em nome próprio, não é um


mero detentor.

• O comprador pode utilizar as acções possessórias


(art. 1276º e ss.) , quer a acção de reivindicação (arts. 1311º
e 1315º), bem como pedir uma indemnização pelos danos
causados, caso venha a ser violado o seu direito de gozo.

• Na reserva de propriedade o risco transfere-se logo que


a coisa lhe seja entregue.

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Venda a prestações
A venda a prestações está regulada nos arts. 934º e ss.

ARTIGO 934º

Falta de pagamento de uma prestação

Vendida a coisa a prestações, com reserva de propriedade, e feita a


sua entrega ao comprador, a falta de pagamento de uma só
prestação que não exceda a oitava parte do preço não dá lugar à
resolução do contrato, nem sequer, haja ou não reserva de
propriedade, importa a perda do benefício do prazo relativamente
às prestações seguintes, sem embargo de convenção em contrário.

• Como resulta da segunda parte, esta norma refere-se à


venda a prestações em geral, com ou sem reserva de
propriedade.

• Genericamente esta norma funciona como uma


derrogação ao art. 781º

• Prevê-se injuntivamente que na venda a prestações, a


falta de cumprimento de uma das prestações não acarrete a
perda do benefício do prazo para o comprador

• A posição predominante na doutrina vai no sentido da


imperatividade desta norma, que visa a protecção ao
comprador a crédito.

• Sendo o comprador culpado pelo incumprimento, o


recurso à resolução do contrato não impede o vendedor de
exigir simultaneamente ao comprador a indemnização por
todos os prejuízos causados, sendo ao vendedor que cabe o
ónus da prova

• A indemnização pelo incumprimento do comprador,


pode tomar por base tanto o interesse contratual negativo
como o interesse contratual positivo (arts. 798º e 801º/2)

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Venda a retro
Esta modalidade específica de venda está definida no art. 927º

Noção - Diz-se a retro a venda em que se reconhece ao vendedor a


faculdade de resolver o contrato.

• Modalidade de venda em que a transmissão da


propriedade não se apresenta como definitiva, na medida em
que o vendedor se reserva a possibilidade de reaver o direito
alienado, mediante a restituição do preço e o reembolso das
despesas feitas com a venda.

• A venda a retro desempenha uma função creditícia em


relação ao vendedor e uma função de garantia em relação ao
comprador.

• O pagamento do preço substitui a concessão de um


empréstimo pelo comprador ao vendedor e o exercício do
direito de resolução por este substitui o reembolso desse
mesmo empréstimo.

• O regime da venda a retro harmoniza-se integralmente


com o disposto nos arts. 432º e ss.

Venda a contento e venda sujeita a prova


Os arts. 923º e ss. referem-se a modalidades específicas de venda
em que esta se realiza por etapas, como a venda a contento e a
venda sujeita a prova.

ARTIGO 923º
Primeira modalidade de venda a contento

1. A compra e venda feita sob reserva de a coisa agradar ao


comprador vale como proposta de venda.

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2. A proposta considera-se aceita se, entregue a coisa ao
comprador, este não se pronunciar dentro do prazo da aceitação,
nos termos do nº 1 do artigo 228º.

3. A coisa deve ser facultada ao comprador para exame.


• venda a contento
o comprador reserva a faculdade de contratar, ou de resolver
o contrato, consoante a apreciação subjectiva (o seu gosto
pessoal) que vier a fazer do bem vendido.

• Venda sujeita a prova


Aqui está em causa uma apreciação objectiva do comprador
em relação às qualidades da coisa, em conformidade com um
teste a que esta será sujeita.

Venda a contento

A lei admite duas modalidades de venda a contento :

1ª modalidade

• A lei qualifica a situação como uma mera proposta de


venda

• A transmissão da propriedade e a atribuição do risco ao


comprador só se verificarão com o decurso do prazo
estabelecido, que confirmará a sua intenção de adquirir nos
termos do art. 218º

• Até lá o comprador é considerado um mero detentor


precário.

• Se se verificar o perecimento da coisa antes de findo o


prazo estabelecido, o risco corre para o vendedor.

2ª modalidade

ARTIGO 924º
Segunda modalidade de venda a contento

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1. Se as partes estiverem de acordo sobre a resolução da compra e
venda no caso de a coisa não agradar ao comprador, é aplicável ao
contrato o disposto nos artigos 432º e seguintes.

2. A entrega da coisa não impede a resolução do contrato.

3. O vendedor pode fixar um prazo razoável para a resolução, se nenhum


for estabelecido pelo contrato ou, no silêncio deste, pelos usos.

• Corresponde à concessão de um direito de resolução


unilateral do contrato se a coisa não agradar ao comprador, o
qual segue as regras gerais (art. 432º ss.)

• As partes atribuem ao comprador o direito de resolver


unilateralmente o contrato se a coisa não lhe agradar

• A concessão de um direito de resolução unilateral não


impede que a propriedade se transmita (art. 408º) , logo o
risco por perda ou deterioração, verificada nesse prazo, corre
por conta do comprador (796º/1)

A venda sujeita a prova

Nesta modalidade de venda, o contrato não se tornará definitivo


sem que o comprador averigue, através de um prévio uso da coisa,
que ela é idónea para o fim a que é destinada e tem as qualidades
asseguradas pelo vendedor.

ARTIGO 925º
Venda sujeita a prova

1. A venda sujeita a prova considera-se feita sob a condição


suspensiva de a coisa ser idónea para o fim a que é destinada e
ter as qualidades asseguradas pelo vendedor, excepto se as partes
a subordinarem a condição resolutiva.

2. A prova deve ser feita dentro do prazo e segundo a modalidade


estabelecida pelo contrato ou pelos usos; se tanto o contrato como
os usos forem omissos, observar-se-ão o prazo fixado pelo
vendedor e a modalidade escolhida pelo comprador, desde que
sejam razoáveis.

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3. Não sendo o resultado da prova comunicado ao vendedor antes
de expirar o prazo a que se refere o número antecedente, a
condição tem-se por verificada quando suspensiva, e por não
verificada quando resolutiva.

4. A coisa deve ser facultada ao comprador para prova.

• Os requisitos específicos da venda sujeita a prova


referidos no art. 925º não se distinguem dos requisitos gerais
(art. 913º)
Perturbações típicas do contrato de compra e venda
Três casos de perturbações que correspondem a situações de
cumprimento defeituoso das obrigações do vendedor:

- Venda de bens alheios

- Venda de bens onerados

- Venda de coisas defeituosas

Venda de bens alheios

O regime de venda de bens alheios está regulado no art. 892º e ss.

ARTIGO 892º
Nulidade da venda

É nula a venda de bens alheios sempre que o vendedor careça de


legitimidade para a realizar;

mas ...
o vendedor não pode opor a nulidade ao comprador de boa fé,
como não pode opô-la ao vendedor de boa fé o comprador doloso.

• A nulidade da venda não ocorre se a venda tiver por


objecto coisa futura.

ARTIGO 893º

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Bens alheios como bens futuros
A venda de bens alheios fica, porém, sujeita ao regime da venda de
bens futuros, se as partes os considerarem nesta qualidade.

• A venda de coisa genérica que não pertença ao


vendedor, ao tempo da estipulação do contrato, não pode ser
considerada nula ( 539º e ss.)

• Em todos os casos recai sobre o vendedor a obrigação


de aquisição e entrega ao comprador das coisas que se
comprometeu a vender, não sendo consequentemente
aplicável o regime da venda de bens alheios.

!!! O regime da venda de bens alheios apenas se poderá


aplicar se for vendida como própria uma coisa alheia específica
e presente, fora do âmbito das relações comerciais !!!

Haverá aplicação do regime da venda de bens alheios se for


vendida como própria coisa alheia, ainda que no interesse do seu
titular como sucede no ...

- mandato sem representação para alienar (art. 1180º e


ss.)

- na gestão de negócios não representativa (art. 471º)

Efeitos da venda de bens alheios


• A venda de bens alheios é nula

• É proibida a invocação da nulidade pela parte que


estiver de má fé contra a outra de boa fé

A obrigação de restituição na venda de bens alheios é sujeita a


regras especiais (art. 894º)

ARTIGO 894º
Restituição do preço

1. Sendo nula a venda de bens alheios, o comprador que tiver


procedido de boa fé tem o direito de exigir a restituição integral do

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preço, ainda que os bens se hajam perdido, estejam deteriorados
ou tenham diminuído de valor por qualquer outra causa.

2. Mas, se o comprador houver tirado proveito da perda ou


diminuição de valor dos bens, será o proveito abatido no montante
do preço e da indemnização que o vendedor tenha de pagar-lhe.

• A lei determina para a parte que está de boa fé, apenas


a restituição do enriquecimento, obrigando a restituir o obtido
à custa de outrem para a parte de má fé.

• O art. 894º determina uma restituição por


enriquecimento sem causa, que se harmoniza com os arts.
479º e 480º.

• Ao contrário do que ocorre no regime geral, a nulidade


da venda de bens alheios pode ser sanada (art. 895º)

ARTIGO 895º
Convalidação do contrato

Logo que o vendedor adquira por algum modo a propriedade da


coisa ou o direito vendido, o contrato torna-se válido e a dita
propriedade ou direito transfere-se para o comprador.

• A lei estabelece algumas restrições à Convalidação (art.


896º)

ARTIGO 896º
Casos em que o contrato se não convalida

1. O contrato não adquire, porém, validade, se entretanto ocorrer


algum dos seguintes factos:

a) Pedido judicial de declaração de nulidade do contrato, formulado


por um dos contraentes contra o outro;

b) Restituição do preço ou pagamento da indemnização, no todo ou


em parte, com aceitação do credor;

c) Transacção entre os contraentes, na qual se reconheça a


nulidade do contrato;

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d) Declaração escrita, feita por um dos estipulantes ao outro, de que


não quer que o contrato deixe de ser declarado nulo.

2. As disposições das alíneas a) e d) do número precedente não


prejudicam o disposto na segunda parte do artigo 892º.

• Na venda de bens alheios a nulidade instituída é uma


nulidade provisória, que pode ser sanada mediante a
aquisição da propriedade pelo vendedor, salvo se ocorrer
alguma destas situações acima referidas.

• A lei determina que, em caso de boa fé do comprador, o


vendedor seja obrigado a sanar a nulidade da venda,
adquirindo a propriedade da coisa ou o direito vendido
(art. 897º)

ARTIGO 897º
Obrigação de convalidação

1. Em caso de boa fé do comprador, o vendedor é obrigado a sanar


a nulidade da venda, adquirindo a propriedade da coisa ou o direito
vendido.

2. Quando exista uma tal obrigação, o comprador pode subordinar


ao não cumprimento dela, dentro do prazo que o tribunal fixar, o
efeito previsto na alínea a) do nº 1 do artigo anterior.

• Outra consequência da venda de bens alheios é a


possibilidade de atribuição de uma indemnização pelos
danos eventualmente sofridos.

ARTIGO 898º
Indemnização em caso de dolo
Se um dos contraentes houver procedido de boa fé e o outro
dolosamente, o primeiro tem direito a ser indemnizado, nos termos
gerais, de todos os prejuízos que não teria sofrido se o contrato
fosse válido desde o começo, ou não houvesse sido celebrado,
conforme venha ou não a ser sanada a nulidade.

ARTIGO 899º

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Indemnização, não havendo dolo nem culpa
O vendedor é obrigado a indemnizar o comprador de boa fé, ainda
que tenha agido sem dolo nem culpa; mas, neste caso, a
indemnização compreende apenas os danos emergentes que não
resultem de despesas voluptuárias.

ARTIGO 900º
Indemnização pela não convalidação da venda

1. Se o vendedor for responsável pelo não cumprimento da


obrigação de sanar a nulidade da venda ou pela mora no seu
cumprimento, a respectiva indemnização acresce à regulada nos
artigos anteriores, excepto na parte em que o prejuízo seja comum.
2. Mas, no caso previsto no artigo 898º, o comprador escolherá
entre a indemnização dos lucros cessantes pela celebração do
contrato nulo e a dos lucros cessantes pela falta ou retardamento
da convalidação.

ARTIGO 901º
Garantia do pagamento de benfeitorias

O vendedor é garante solidário do pagamento das benfeitorias que


devam ser reembolsadas pelo dono da coisa ao comprador de boa
fé.

ARTIGO 902º
Nulidade parcial do contrato

Se os bens só parcialmente forem alheios e o contrato valer na


parte restante por aplicação do artigo 292º, observar-se-ão as
disposições antecedentes quanto à parte nula e reduzir-se-á
proporcionalmente o preço estipulado.

ARTIGO 903º
Disposições supletivas

1. O disposto no artigo 894º, no nº 1 do artigo 897º, no artigo 899º,


no nº 1 do artigo 900º e no artigo 901º cede perante convenção em
contrário, excepto se o contraente a quem a convenção aproveitaria
houver agido com dolo, e de boa fé o outro estipulante.

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2. A declaração contratual de que o vendedor não garante a sua
legitimidade ou não responde pela evicção envolve derrogação de
todas as disposições legais a que o número anterior se refere, com
excepção do preceituado no artigo 894º.

3. As cláusulas derrogadoras das disposições supletivas a que se


refere o nº 1 são válidas, sem embargo da nulidade do contrato de
compra e venda onde se encontram insertas, desde que a nulidade
proceda da ilegitimidade do vendedor, nos termos desta secção.

ARTIGO 904º
Âmbito desta secção

As normas da presente secção apenas se aplicam à venda de


coisa alheia como própria.

Venda de bens onerados


A venda de bens onerados encontra-se prevista no art. 905º.

• A disciplina da venda de bens onerados, baseia-se na


atribuição de sucessivos remédios ao comprador, que passam
em 1° lugar pela anulação do contrato por erro ou dolo ou
pela redução do preço, podendo ainda ser exigida uma
indemnização pelos danos causados.

ARTIGO 905º
Anulabilidade por erro ou dolo

Se o direito transmitido estiver sujeito a alguns ónus ou limitações que excedam


os limites normais inerentes aos direitos da mesma categoria, o contrato é
anulável por erro ou dolo, desde que no caso se verifiquem os requisitos legais
da anulabilidade.

• Esses ónus ou limitações constituem vícios do direito,


que afectam a situação jurídica e não as qualidades fáticas da
coisa .

Anulabilidade

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• O contrato é anulável por erro ou dolo, desde que se
verifiquem no caso concreto os requisitos legais de
anulabilidade.

• Os requisitos de anulabilidade para o erro,


são a essencialidade e a cognoscibilidade dessa
essencialidade do erro para o declaratário (arts. 251º e 247º)

• Os requisitos de anulabilidade para o dolo


Basta que o dolo tenha sido determinante da vontade do
declarante (art. 254º/1), salvo se provier de terceiro (art. 254º/2) .

ARTIGO 906º
Convalescença do contrato

1. Desaparecidos por qualquer modo os ónus ou limitações a que o


direito estava sujeito, fica sanada a anulabilidade do contrato.

2. A anulabilidade persiste, porém, se a existência dos ónus ou


limitações já houver causado prejuízo ao comprador, ou se este já
tiver pedido em juízo a anulação da compra e venda.
ARTIGO 907º
Obrigação de fazer convalescer o contrato. Cancelamento dos
registos

1. O vendedor é obrigado a sanar a anulabilidade do contrato,


mediante a expurgação dos ónus ou limitações existentes.

2. O prazo para a expurgação será fixado pelo tribunal, a


requerimento do comprador.

3. O vendedor deve ainda promover, à sua custa, o cancelamento


de qualquer ónus ou limitação que conste do registo, mas na
realidade não exista.

Indemnização

ARTIGO 908º
Indemnização em caso de dolo

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António Filipe Garcez José
Em caso de dolo, o vendedor, anulado o contrato, deve indemnizar
o comprador do prejuízo que este não sofreria se a compra e venda
não tivesse sido celebrada.

ARTIGO 909º
Indemnização em caso de simples erro

Nos casos de anulação fundada em simples erro, o vendedor


também é obrigado a indemnizar o comprador, ainda que não tenha
havido culpa da sua parte, mas a indemnização abrange apenas os
danos emergentes do contrato.

ARTIGO 910º
Não cumprimento da obrigação de fazer convalescer o contrato

1. Se o vendedor se constituir em responsabilidade por não sanar a


anulabilidade do contrato, a correspondente indemnização acresce
à que o comprador tenha direito a receber na conformidade dos
artigos precedentes, salvo na parte em que o prejuízo foi comum.
2. Mas, no caso previsto no artigo 908º, o comprador escolherá
entre a indemnização dos lucros cessantes pela celebração do
contrato que veio a ser anulado e a dos lucros cessantes pelo facto
de não ser sanada a anulabilidade.
ARTIGO 911º
Redução do preço

1. Se as circunstâncias mostrarem que, sem erro ou dolo, o


comprador teria igualmente adquirido os bens, mas por preço
inferior, apenas lhe caberá o direito à redução do preço, em
harmonia com a desvalorização resultante dos ónus ou limitações,
além da indemnização que no caso competir.

2. São aplicáveis à redução do preço os preceitos anteriores, com


as necessárias adaptações.

Restrições convencionais a este regime

ARTIGO 912º
Disposições supletivas

1. O disposto nos nºs 1 e 3 do artigo 907º, no artigo 909º e no nº 1


do artigo 910º cede perante estipulação das partes em contrário, a

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não ser que o vendedor tenha procedido com dolo e as
cláusulas contrárias àquelas normas visem a beneficiá-lo.

2. Não obsta à validade das cláusulas derrogadoras destas


disposições supletivas a anulação do contrato de compra e venda
por erro ou dolo, segundo as prescrições desta secção.

Venda de coisas defeituosas


Duas situações distintas ..

1ª - a coisa já e defeituosa ao tempo da celebração do contrato,


sendo a venda realizada, e a propriedade da coisa logo
transmitida ao comprador .

• Neste caso estamos perante uma situação de erro do


comprador ao adquirir uma coisa com defeitos, sendo o
contrato anulável por erro nos termos gerais (arts. 913º e
905º)

2ª - Se o defeito na coisa ocorre após a celebração do contrato


e esta é entregue nessas condições, estaremos perante uma...

situação de ...

- cumprimento defeituoso, (art. 918º) se o defeito é


imputável ao vendedor

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ou de ...

- risco, (art. 796º/1) em princípio a cargo do comprador

Efeitos da venda de coisas defeituosas

• aplicam-se também à venda de coisas defeituosas os


remédios da anulação do contrato por erro ou dolo ou a
redução do preço., podendo ainda ser exigida do vendedor
uma indemnização pelos danos causados.

ARTIGO 913º
Remissão

1. Se a coisa vendida sofrer de vício que a desvalorize ou impeça a


realização do fim a que é destinada, ou não tiver as qualidades
asseguradas pelo vendedor ou necessárias para a realização daquele fim,
observar-se-á, com as devidas adaptações, o prescrito na secção
precedente, em tudo quanto não seja modificado pelas disposições dos
artigos seguintes.

2. Quando do contrato não resulte o fim a que a coisa vendida se destina,


atender-se-á à função normal das coisas da mesma categoria.
Anulação do contrato

• O comprador que tiver adquirido a coisa com defeito


pode solicitar a anulação do contrato, por erro ou dolo, desde
que se verifiquem no caso concreto os requisitos legais da
anulabilidade, ou seja, ...

Em caso de erro
Exige-se a essencialidade e a cognoscibilidade dessa
essencialidade do erro para o declaratário (arts. 251° e 247°)

Em caso de dolo
Basta que o dolo tenha sido determinante da vontade do declarante
(art. 254°/1), salvo se provier de terceiro, caso em que se exige
igualmente que o destinatário conhecesse ou devesse conhecer a
situação (art. 254°/2)

Reparação ou substituição da coisa

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ARTIGO 914º
Reparação ou substituição da coisa

O comprador tem o direito de exigir do vendedor a reparação da


coisa ou, se for necessário e esta tiver natureza fungível, a
substituição dela; mas esta obrigação não existe, se o vendedor
desconhecia sem culpa o vício ou a falta de qualidade de que a
coisa padece.

 No âmbito da venda de coisas defeituosas, o vendedor é


obrigado a reparar os defeitos da coisa, ou de a substituir, no
caso de ser necessário, e esta tiver natureza fungível

 Esta obrigação não existe se o vendedor desconhecia sem


culpa o vício ou a falta de qualidade de que a coisa padece.

 O desconhecimento não culposo do vendedor, não impede o


comprador de solicitar a anulação do contrato por erro ou dolo,
verificados os respectivos pressupostos

Indemnização

 Por força da remissão do art. 913° in fine a


indemnização prevista no art. 908° aplica-se no âmbito da
venda de coisas defeituosas.

 Sempre que o vendedor tiver actuado com dolo, no


sentido referido no art. 253°, tiver empregue sugestões ou
artifícios no sentido de dissimular ao comprador os defeitos
existentes na coisa, este adquire, sendo anulado o contrato
com esses fundamentos, o direito à indemnização pelos
danos causados.

 Esta indemnização, embora abrangendo danos


emergentes e lucros cessantes, limita-se aos danos que não
teriam ocorrido se o contrato não tivesse sido celebrado, ou
seja, limita-se ao interesse contratual negativo, que constitui
uma solução da culpa in contraendo (art. 227°)

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ARTIGO 915º
Indemnização em caso de simples erro
A indemnização prevista no artigo 909º também não é devida, se o
vendedor se encontrava nas condições a que se refere a parte final
do artigo anterior.

Redução do preço

 A acção de redução do preço é aplicável à venda de


coisas defeituosas por força do art. 913°

 Esta acção constitui uma alternativa à anulação do


contrato em consequência de erro ou de dolo, que é imposta
ao comprador sempre que se possa comprovar que os vícios
ou falta de qualidades de que a coisa padece não influiriam na
sua decisão de adquirir o bem, mas apenas no preço que
estaria disposto a pagar por ele.

Forma e prazos de exercício do direito

ARTIGO 916º
Denúncia do defeito

1. O comprador deve denunciar ao vendedor o vício ou a falta de


qualidade da coisa, excepto se este houver usado de dolo.

2. A denúncia será feita até trinta dias depois de conhecido o defeito


e dentro de seis meses após a entrega da coisa.

3. Os prazos referidos no número anterior são, respectivamente, de


um e de cinco anos, caso a coisa vendida seja um imóvel.

ARTIGO 917º
Caducidade da acção
A acção de anulação por simples erro caduca, findo qualquer dos prazos fixados
no artigo anterior sem o comprador ter feito a denúncia, ou decorridos sobre

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esta seis meses, sem prejuízo, neste último caso, do disposto no nº 2 do artigo
287º.

ARTIGO 918º
Defeito superveniente
Se a coisa, depois de vendida e antes de entregue, se deteriorar, adquirindo
vícios ou perdendo qualidades, ou a venda respeitar a coisa futura ou a coisa
indeterminada de certo género, são aplicáveis as regras relativas ao não
cumprimento das obrigações.

ARTIGO 921º
Garantia de bom funcionamento

1. Se o vendedor estiver obrigado, por convenção das partes ou por força


dos usos, a garantir o bom funcionamento da coisa vendida, cabe-lhe
repará-la, ou substituí-la quando a substituição for necessária e a coisa
tiver natureza fungível, independentemente de culpa sua ou de erro do
comprador.
2. No silêncio do contrato, o prazo da garantia expira seis meses após a
entrega da coisa, se os usos não estabelecerem prazo maior.
3. O defeito de funcionamento deve ser denunciado ao vendedor dentro
do prazo da garantia e, salvo estipulação em contrário, até trinta dias
depois de conhecido.
4. A acção caduca logo que finde o tempo para a denúncia sem o
comprador a ter feito, ou passados seis meses sobre a data em que a
denúncia foi efectuada.

DOAÇÃO (art. 940º)

A doação encontra-se regulada no art. 940º

ARTIGO 940º
Noção

1. Doação
é o contrato pelo qual uma pessoa, por espírito de liberalidade e à
custa do seu património, dispõe gratuitamente de uma coisa ou de
um direito, ou assume uma obrigação, em benefício do outro
contraente.

2. Não há doação na renúncia a direitos e no repúdio de herança


ou legado, nem tão-pouco nos donativos conformes aos usos
sociais.

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António Filipe Garcez José
• Regra geral a doação tem carácter contratual, pois é
indispensável a expressão da aceitação do donatário.

Elementos constitutivos

a) Atribuição patrimonial geradora de enriquecimento


b) Diminuição do património do dador
c) Espírito de liberalidade

Atribuição patrimonial geradora de enriquecimento

 Acto que atribui a outrém uma concreta vantagem


patrimonial (coisa, direito ou assunção de uma obrigação art. 940º);

 O donatário sofre um incremento do seu património em


virtude quer da transmissão da coisa ou do direito objecto do
contrato, quer da aquisição de um novo crédito sobre o
doador, em virtude da obrigação assumida.

Diminuição do património do doador

 Supõe uma efectiva diminuição patrimonial, sem o que


não se estará perante uma doação

Espírito de liberalidade

 Intenção de atribuir o correspondente benefício a outrém


por simples generosidade ou espontaneidade;

 consiste no fim directo de atribuir um benefício ao


donatário, provocando o seu enriquecimento (causa jurídica da
doação);

 não há doação na renúncia a direitos, o repúdio de


herança ou legado e os donativos conformes aos usos sociais
(940º/2);

 No caso da remissão de créditos pode ser considerada


nos termos do art. 863º/2, bem como no caso de alienação
gratuita de herança nos termos do art. 2057º/2

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António Filipe Garcez José

CARACTERÍSTICAS

É um contrato ...

- nominado e típico (940º a 979º)

- primordialmente formal (947º/1/2)

- primordialmente consensual (954º/b))

- que tanto pode ser obrigacional como real(940º e


954º/c))

- gratuito

- não sinalagmático

- tanto pode ser de execução instantânea como periódica

Nominado e típico

 regime próprio no Código Civil, art. 940º a 979º

Primordialmente formal

 Para coisas imóveis é necessário escritura pública


(947º/1)

 Para coisas móveis é necessário documento particular;


apenas dispensa forma quando a coisa móvel é
acompanhada da tradição da coisa (947º/2)

Primordialmente consensual (por oposição a real quoad constitutionem)

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 não associa a constituição do contrato à entrega
imediata da coisa, admitindo assim a sua vigência antes da
coisa ser entregue (art. 954º/b)

 A doação verbal de coisas móveis, constitui uma


excepção, pois é um contrato real quoad constitutionem,
cuja validade depende da ocorrência concomitante da
tradição da coisa doada

Tanto obrigacional como real quoad effectum,


isolada ou conjuntamente

 A doação tanto pode ser um contrato obrigacional como


real ou quoad effectum, podendo reunir estas duas
características isolada ou conjuntamente, na medida em que
se transmite a propriedade da coisa ou a titularidade do direito
para o donatário (art. 954º/a), ao mesmo tempo que se onera
o doador com a obrigação de entregar a coisa (art. 954°/b).

 Pode também ser estritamente obrigacional (art. 940º in


fine e art. 954º/c)

Contrato gratuito

 não exige contrapartida pecuniária em relação à


transmissão dos bens ou à assunção de obrigações; o
encargo previsto no art. 963º não constitui contrapartida da
atribuição patrimonial do doador, sendo apenas uma mera
restrição à liberalidade.

Contrato não sinalagmático

 porque é gratuito, só faz surgir obrigações para uma das


partes

tanto pode ser de execução instantânea como periódica

 normalmente de execução instantânea, porém o art.


943º admite poder abranger prestações periódicas;

Objecto

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ARTIGO 942º
Objecto da doação

1. A doação não pode abranger bens futuros.

2. Incidindo, porém, a doação sobre uma universalidade de facto


que continue no uso e fruição do doador, consideram-se doadas,
salvo declaração em contrário, as coisas singulares que venham de
futuro a integrar a universalidade.

 não pode abranger bens futuros (art. 942º/1) pois não


se pode prescindir daquilo que ainda não se adquiriu;

 se incidir sobre universalidade de facto no uso e


fruição do doador, consideram-se doadas as coisas singulares
que venham a integrar essa universalidade (art. 942º/2)

 quando o objecto for prestações periódicas, a doação


extingue-se com a morte do doador (art. 943º)

ARTIGO 943º
Prestações periódicas

A doação que tiver por objecto prestações periódicas extingue-se


por morte do doador.

Forma do contrato de doação

 É um contrato formal uma vez que não há liberdade de


forma.

 A doação de coisas imóveis está sujeito a forma


especial a escritura pública (art. 947º) sob pena de
nulidade (art. 220º)

 A doação de coisas móveis sem tradição da coisa


sujeito a forma escrita, um documento particular (art.
947º/2); esta forma é dispensada se for acompanhada da
tradição da coisa.

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ARTIGO 947º
Forma da doação

1. A doação de coisas imóveis só é válida se for celebrada por


escritura pública.

2. A doação de coisas móveis não depende de formalidade alguma


externa, quando acompanhada de tradição da coisa doada; não
sendo acompanhada de tradição da coisa, só pode ser feita por
escrito.

A formação do contrato

 É um negócio jurídico bilateral porque está sempre


dependente de uma proposta e de uma aceitação.

Tem regras especificas que se desviam às regras gerais:

A proposta

 Enquanto a proposta de doação não for aceite o doador


pode proceder à sua revogação (art. 969°) extinguindo assim
a possibilidade de o donatário proceder à sua aceitação.

 O donatário pode aceitar a proposta de doação


enquanto o doador for vivo (art. 945°/1)

 Certas doações, mesmo que haja ingratidão do


donatário, não podem ser revogadas: doações para
casamento e doações remuneratórias.

 Por outro lado a ingratidão não opera automaticamente


na revogação da doação. O doador tem de querer revogar a
doação pessoalmente. Não podem os seus herdeiros revogar
essa doação.

A aceitação – tácita ou expressa.

ARTIGO 945º

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António Filipe Garcez José
Aceitação da doação

1. A proposta de doação caduca, se não for aceita em vida do


doador.

2. A tradição para o donatário, em qualquer momento, da coisa


móvel doada, ou do seu título representativo, é havida como
aceitação.

3. Se a proposta não for aceita no próprio acto ou não se verificar a


tradição nos termos do número anterior, a aceitação deve obedecer
à forma prescrita no artigo 947º e ser declarada ao doador, sob
pena de não produzir os seus efeitos.

 Se não se pronunciar no sentido da aceitação mas


houver traditio, há aceitação.

 O prazo para a aceitação da doação é o da vida do


doador.

 O doador fica vinculado enquanto for vivo e enquanto


não revogar a proposta (art. 945º/1) esta não caduca (art.
228º),

 Só pode caducar por revogação do doador até ao


momento da aceitação (art. 969º)

 O contrato só está concluído com a recepção ou o


conhecimento da aceitação (art. 224º/1).

 Há uma dispensa de aceitação quando o donatário


seja menor ou incapaz e se a doação for pura (sem ónus ou
encargos). Neste caso basta a doação feita pelo doador
(negócio jurídico unilateral) (art. 951º)

Processo de formação do contrato

capacidade activa (art. 948º).

ARTIGO 948º
Capacidade activa

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António Filipe Garcez José
1. Têm capacidade para fazer doações todos os que podem
contratar e dispor dos seus bens.

2. A capacidade é regulada pelo estado em que o doador se


encontrar ao tempo da declaração negocial.

 quem tenha a capacidade de disposição dos seus bens.

 Faz-se aqui uma equiparação à capacidade contratual


geral (art. 67º);

 a capacidade é regulada pelo estado em que o doador


se encontrar ao tempo da declaração negocial (art. 948º/2)

capacidade passiva (art. 950º)

ARTIGO 950º
Capacidade passiva

1. Podem receber doações todos os que não estão especialmente


inibidos de as aceitar por disposição da lei.

2. A capacidade do donatário é fixada no momento da aceitação.

ARTIGO 951º
Aceitação por parte de incapazes

1. As pessoas que não têm capacidade para contratar não podem


aceitar doações com encargos senão por intermédio dos seus
representantes legais.

2. Porém, as doações puras feitas a tais pessoas produzem efeitos


independentemente de aceitação em tudo o que aproveite aos
donatários.
 Os incapazes não podem aceitar a doação senão por
intermédio dos seus representantes legais, excepto se a
doação for pura não necessitando, neste caso, de aceitação
(art. 951º/2); exemplo disto é a doação a nascituros de pessoa
viva (art. 952º)

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APONTAMENTOS SEM FRONTEIRAS
António Filipe Garcez José
 A doação pura a incapaz é um negócio jurídico
unilateral, produzindo todos os seus efeitos, incluindo a
transmissão da propriedade para o donatário, com base
apenas na declaração negocial do doador.

Mandato para doar

 A doação tem em regra carácter pessoal admitindo-se


que possa ser feita por mandato para doar - o donatário e o
bem têm de estar referidas no documento. (arts. 949º, 2182º/2
e 1159º/1)

ARTIGO 949º
Carácter pessoal da doação

1. Não é permitido atribuir a outrém, por mandato, a faculdade de


designar a pessoa do donatário ou determinar o objecto da doação,
salvo nos casos previstos no nº 2 do artigo 2182º.

2. Os representantes legais dos incapazes não podem fazer


doações em nome destes.

contrato-promessa de doação

 Questão muito discutida na doutrina, pois este negócio


poderia pôr em causa a espontaneidade necessária deste tipo
de contrato bem como a proibição de doar bens futuros.
Assim não o considera a maioria da doutrina.

 Apesar do seu cariz vinculativo, o contrato-promessa de


doação, não admite a execução específica, por a tal se opôr a
natureza da obrigação (art. 830°/1)

Invalidade e confirmação da doação:

 pode ser nula por força de não ter obedecido à forma


legal (art. 947º) ou por indisponibilidade relativa (art. 953º)

Efeitos

Os Efeitos da doação estão previstos no art. 954º

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António Filipe Garcez José
ARTIGO 954º
Efeitos essenciais

A doação tem como efeitos essenciais:

a) A transmissão da propriedade da coisa ou da titularidade do


direito;

b) A obrigação de entregar a coisa;

c) A assunção da obrigação, quando for esse o objecto do contrato.

Este contrato gera sempre dois efeitos :

- um de natureza obrigacional
para o doador a obrigação de entrega da coisa;

- outro de natureza real


porque é um contrato real que gera a transferencia da
propriedade. É um contrato quoad effectum, pois a partir da
celebração do contrato o direito de propriedade transfere-se
da esfera jurídica do doador para a esfera jurídica do
donatário.

Doação real

Contrato real quod effectum


Quando a doação respeita à transmissão de uma coisa ou direito,
constitui um contrato real quoad effectum , visto que a celebração
do contrato acarreta a automática transmissão da propriedade para
o donatário (arts 408°/1 e 954°/a))

Contrato real quoad constitutionem


Se se tratar de doação verbal de bens móveis, a lei exige a tradição
da coisa para a celebração do contrato, pelo que neste caso a
doação será um contrato real quoad constitutionem (art. 947°/2)

 Quando a lei não exige a tradição da coisa para


constituir o contrato de doação, o doador tem a obrigação de
a entregar;
 A obrigação de entrega da coisa por parte do doador
aparece regulada no art. 955°

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APONTAMENTOS SEM FRONTEIRAS
António Filipe Garcez José
ARTIGO 955º
Entrega da coisa

1. A coisa deve ser entregue no estado em que se encontrava ao


tempo da aceitação.

2. A obrigação de entrega abrange, na falta de estipulação em


contrário, as partes integrantes, os frutos pendentes e os
documentos relativos à coisa ou direito.

doação obrigacional

 limita-se a constituir a assunção de uma obrigação art.


954º/c, quando for esse o objecto do contrato.

 Neste caso estão preenchidos os requisitos do art. 940°


, pois, a assunção de uma obrigação para com o donatário
diminui o património do doador, e produz um
enriquecimento do donatário, sendo essa atribuição feita
por espírito de liberalidade, estamos perante uma doação.

 A doação pode ter como efeito não apenas a


constituição de uma obrigação , mas também a sua extinção
(art. 863°/2)

Cláusulas acessórias (típicas) nas doações:

reserva de usufruto (art. 958º)

ARTIGO 958º
Reserva de usufruto

1. O doador tem a faculdade de reservar para si, ou para terceiro, o


usufruto dos bens doados.

2. Havendo reserva de usufruto em favor de várias pessoas,


simultânea ou sucessivamente, são aplicáveis as disposições dos
artigos 1441º e 1442º.

 presume-se feita a si próprio no caso de doação a


nascituros até ao nascimento do donatário (952º); pode ser
feita a favor de várias pessoas (958º/2 + 1441º + 1442º)

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António Filipe Garcez José
reserva do direito de dispor de coisa determinada ou de certa
quantia sobre os bens doados (art. 959º)

ARTIGO 959º
Reserva do direito de dispor de coisa determinada

1. O doador pode reservar para si o direito de dispor, por morte ou


por acto entre vivos, de alguma ou algumas das coisas
compreendidas na doação, ou o direito a certa quantia sobre os
bens doados.

2. O direito reservado não se transmite aos herdeiros do doador, e,


quando respeite a imóveis, ou móveis sujeitos a registo, carece de
ser registado.

 faculdade potestativa de disposição do doador que lhe


permite restringir o objecto da doação

cláusula de reversão – 960º

ARTIGO 960º
Cláusula de reversão

1. O doador pode estipular a reversão da coisa doada.

2. A reversão dá-se no caso de o doador sobreviver ao donatário,


ou a este e a todos os seus descendentes; não havendo
estipulação em contrário, entende-se que a reversão só se verifica
neste último caso.

3. A cláusula de reversão que respeite a coisas imóveis, ou a coisas


móveis sujeitas a registo, carece de ser registada.

 quando o doador quer limitar a doação ao donatário não


pretendo que esta suceda nos seus herdeiros.

substituições fideicomissárias – 962º + 2286º

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António Filipe Garcez José
 disposição pela qual o testador impõe ao herdeiro
instituído o encargo de conservar a herança, para que ela
reverta por sua morte a favor de outrém

doação sujeita a condição – 270º + 276+ + 272º,

 excepção 967º

doação modal – 963º

 oneradas com encargos que consiste numa restrição


imposta ao donatário que o obriga á realização de uma
prestação no interesse do próprio, do autor/doador ou de
terceiro; Mesmo em circunstancias em que ao donatário são
atribuídos encargos, não significa uma contraprestação,
porque esse encargo não tem o valor correspondente ao bem,
é sempre inferior; se não cumprir pode ser responsabilizado
(indemnizar) podendo o doador resolver o contrato – cfr. 966º

ARTIGO 963º
Cláusulas modais

1. As doações podem ser oneradas com encargos.

2. O donatário não é obrigado a cumprir os encargos senão dentro


dos limites do valor da coisa ou do direito doado.

pagamento de dividas do doador – 964º

ARTIGO 964º
Pagamento de dívidas

1. Se a doação for feita com o encargo de pagamento das dívidas


do doador, entender-se-á a cláusula, na falta de outra declaração,
como obrigando ao pagamento das que existirem ao tempo da
doação.

2. Só é legal o encargo do pagamento de dívidas futuras do doador


desde que se determine o seu montante no acto da doação.

cumprimento dos encargos – 965º

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ARTIGO 965º
Cumprimento dos encargos

Na doação modal, tanto o doador, ou os seus herdeiros, como


quaisquer interessados têm legitimidade para exigir do donatário, ou
dos seus herdeiros, o cumprimento dos encargos.

ARTIGO 966º
Resolução da doação

O doador, ou os seus herdeiros, também podem pedir a resolução


da doação, fundada no não cumprimento dos encargos, quando
esse direito lhes seja conferido pelo contrato.

condições ou encargos impossíveis ou ilícitos 967º, 2230º e ss.

ARTIGO 967º
Condições ou encargos impossíveis ou ilícitos

As condições ou encargos física ou legalmente impossíveis,


contrários à lei ou à ordem pública, ou ofensivos dos bons costumes
ficam sujeitos às regras estabelecidas em matéria testamentária.

confirmação das doações nulas – 968º

ARTIGO 968º
Confirmação das doações nulas

Não pode prevalecer-se da nulidade da doação o herdeiro do


doador que a confirme depois da morte deste ou lhe dê voluntária
execução, conhecendo o vício e o direito à declaração de nulidade.

Proibições de doação

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casos de indisponibilidade relativa – 953º

aplica-se o regime previsto nos artigos 2192º a 2198º):

- a favor de tutor, curador ou administrador legal de bens,


ou protutor que substitua o tutor –

- a favor de médicos, enfermeiros ou sacerdotes

- a favor do notário, interprete ou testemunhas que


tenham intervenção no acto

- a favor de cúmplice do doador adúltero

- entre cônjuges sujeitos ao regime imperativo de


separação de bens – 1761º

- a favor de partido políticos e sindicatos

Modalidades atípicas de doações

a doação remuneratória – 941º

• não pode corresponder a qualquer obrigação por


serviços prestados – é irrevogável cfr. 975º/b

a doação por morte – 946º/1

• à partida são proibidas (nulas) para os bens poderem


estar livremente na esfera do doador, pode ser havida como
disposição testamentária.

a partilha em vida – 2029º

doações para casamento – 1753º segs.

• não há uma liberalidade em sentido amplo, mas


estamos perante uma verdadeira doação, ainda que realizada
em vista do casamento, só produzindo efeitos com a
celebração do casamento – 1755º a 1760º

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doações ente casados – 1761º a 1766º

• livre revogabilidade – 1765º)

Regime das perturbações da prestação no contrato de doação:

doação de bens alheios

• a mais grave perturbação que importa a nulidade – 956º


+ 942º + 406º/2;

ARTIGO 956º
Doação de bens alheios

1 . É nula a doação de bens alheios; mas o doador não pode opor a


nulidade ao donatário de boa fé

2 . O doador só responde pelo prejuízo causado ao donatário


quando este esteja de boa fé e se verifique algum dos
seguintes factos:

a) Ter o doador assumido expressamente a obrigação de


indemnizar o prejuízo;

b) Ter o doador agido com dolo;

c) Ter a doação carácter remuneratório;

d) Ser a doação onerosa ou modal, ficando a responsabilidade do


doador limitada, neste caso, ao valor dos encargos.

3. É imputável no prejuízo do donatário o valor da coisa ou do


direito doado, mas não os benefícios que ele deixou de obter em
consequência da nulidade.

4. Não havendo lugar a indemnização, o donatário fica sub-rogado


nos direitos que possam competir ao doador relativamente à coisa
ou direito doado.

doação de bens onerados ou de coisas defeituosas – 957º;


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APONTAMENTOS SEM FRONTEIRAS
António Filipe Garcez José

• O doador não responde por vícios ou limitações da coisa


doada, salvo se expressamente se tiver responsabilizado
( máxima de “a cavalo dado não se olha o dente”)

Extinção das doações:

Revogação das doações

Revogação da proposta de doação – 969º

ARTIGO 969º
Revogação da proposta de doação

1. Enquanto não for aceita a doação, o doador pode livremente


revogar a sua declaração negocial, desde que observe as
formalidades desta.

2. A proposta de doação não caduca pelo decurso dos prazos


fixados no nº 1 do artigo 228º.

Revogação por ingratidão do donatário

• na ingratidão está na base um acto ilícito praticado pelo


donatário arts. 970° e 974º.

ARTIGO 970º
Revogação da doação

As doações são revogáveis por ingratidão do donatário.

ARTIGO 974º
Casos de ingratidão

A doação pode ser revogada por ingratidão, quando o donatário se


torne incapaz, por indignidade, de suceder ao doador, ou quando se
verifique alguma das ocorrências que justificam a deserdação.

• É a indignidade e a deserção, ou seja, situações que


provocam a incapacidade sucessória – art. 2034º e 2166º. A
acção está sujeita aos prazos estipulados no art. 976º
a colação – 2104º

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APONTAMENTOS SEM FRONTEIRAS
António Filipe Garcez José

• obrigação que é imposta aos descendentes que


pretendam entrar na sucessão do ascendente de restituir á
massa da herança, para efeitos de igualdade, os bens ou
valores que lhes foram doados por este

a redução por inoficiosidade – 2168º;

• O donatário pode vir a ser afectado por vias sucessórias.


Se a doação afectar a legitima dos herdeiros estes podem vir
pedir a redução da doação. Esta situação só é possível se o
bem doado ainda estiver na esfera jurídica do donatário. Caso
contrário já não é possível.

casos de irrevogabilidade – 975º

ARTIGO 975º
Exclusão da revogação

A doação não é revogável por ingratidão do donatário:

a) Sendo feita para casamento;

b) Sendo remuneratória;

c) Se o doador houver perdoado ao donatário

ARTIGO 976º
Prazo e legitimidade para a acção

1. A acção de revogação por ingratidão não pode ser proposta, nem depois da
morte do donatário, nem pelos herdeiros do doador, salvo o caso previsto no nº
3 e caduca ao cabo de um ano, contado desde o facto que lhe deu causa ou
desde que o doador teve conhecimento desse facto.

2. Falecido o doador ou o donatário, a acção, quando pendente, é transmissível


aos herdeiros de um ou de outro.

3. Se o donatário tiver cometido contra o doador o crime de homicídio, ou por


qualquer causa o tiver impedido de revogar a doação, a acção pode ser proposta
pelos herdeiros do doador dentro de um ano a contar da morte deste.

ARTIGO 977º
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APONTAMENTOS SEM FRONTEIRAS
António Filipe Garcez José
Inadmissibilidade de renúncia antecipada

O doador não pode antecipadamente renunciar ao direito de revogar a doação


por ingratidão do donatário.

EFEITOS DA REVOGAÇÃO

ARTIGO 978º
Efeitos da revogação

1. Os efeitos da revogação da doação retrotraem-se à data da proposição da


acção.

2. Revogada a liberalidade, são os bens doados restituídos ao doador, ou aos


seus herdeiros, no estado em que se encontrarem.

3. Se os bens tiverem sido alienados ou não puderem ser restituídos em espécie


por outra causa imputável ao donatário, entregará este, ou entregarão os seus
herdeiros, o valor que eles tinham ao tempo em que foram alienados ou se
verificou a impossibilidade de restituição, acrescido dos juros legais a contar da
proposição da acção.

ARTIGO 979º
Efeitos em relação a terceiros

A revogação da doação não afecta terceiros que hajam adquirido,


anteriormente à demanda, direitos reais sobre os bens doados, sem
prejuízo das regras relativas ao registo; neste caso, porém, o
donatário indemnizará o doador.

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APONTAMENTOS SEM FRONTEIRAS
António Filipe Garcez José
CASOS PRÀTICOS
I)

Doação quanto ao objecto:

Miguel caminhava junto de seu amigo Nuno e, ao


passarem por um stand de venda de automóveis,
este (Nuno) revelou especial gosto por um modelo
que se encontrava ali exposto.
Miguel ao ver o entusiasmo de seu amigo Nuno,
disse que lhe oferecia o carro, só não o comprando
de imediato porque o stand se encontrava
encerrado. Todavia assegurou-lhe de que no dia
seguinte o compraria e o entregaria tal como
acordado.
Reduziram este acordo a escrito.
No dia seguinte, Miguel comprou o carro. Não
obstante, quando Nuno lhe solicitou a sua entrega,
Miguel recusou-se, invocando que decidira,
entretanto, oferecer o carro à sua namorada.

Nuno pretende saber como pode solucionar este


problema.

Estamos perante um contrato de doação, existe uma


vontade de doar o carro. Corresponde a um contrato
definitivo.
A doação tem como objecto uma coisa futura que ainda não
está ao dispor do disponente (art. 211.º do Código Civil).
A doação de bens futuros é proibida por lei – 942º.
Nos termos do art. 242.º do Código Civil não poderia ser
celebrado o contrato.
Diz o art. 294.º que os contratos celebrados contra a lei
(proibidos) são nulos
O contrato de doação pressupõe um sacrifício patrimonial e
Miguel não teve qualquer sacrifício porque, no momento da
celebração do contrato, o automóvel ainda não constava no
seu património. Por isso, trata-se de doação de bem alheio
e bem futuro, não podendo haver propostas de promessa
de doacção.

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APONTAMENTOS SEM FRONTEIRAS
António Filipe Garcez José
Desta forma, a doação é nula de acordo com o previsto no
art. 942.º do Código Civil, que indica que a doação não
pode abranger bens futuros.
Nuno não poderia fazer qualquer exigência na presente
relação com Miguel.

II)

Paulo pretende agradecer a Rui o facto deste ter


ajudado a sua família enquanto ele esteve ausente
em prestação de serviço militar na guerra e, por
isso, ofereceu a Rui um relógio antigo que pertencia
à sua família já há umas décadas.
Rui pegou no relógio e levou-o consigo sem
proferir sequer uma única palavra de agradecimento.
Aliás, a partir desse dia deixou de cumprimentar
Paulo.
Descontente com a situação, Paulo pretende
revogar a doação por entender que Rui nem sequer
declarou aceitar e por ver no seu comportamento um
gesto de ingratidão. Quid Juris?

Contrato enquanto acto – formalmente e substancialmente


válido
A aceitação pode ser tácita e é feita com a tradição da
coisa (não há revogação porque houve tradição, logo
aceitação – 945º/2 + 947º + 969º + 970º + 974º + 2034º
No caso concreto há uma declaração tácita (válida) e
tradição da coisa

A duração da proposta de acordo com o previsto no art.


228.º do Código Civil vincula o autor durante 5 dias; todavia
no contrato de doação a lei estipula um prazo diferente, o
donatário pode aceitar a doação até à morte de doador.
Nos negócios jurídicos, quando é feita uma declaração e
esta chega aos seus destinatários, ela é irrevogável; na
doação o doador pode revogar a doação até à aceitação.
Revogação do contrato – a revogação é feita
unilateralmente, a lei permite que o doador possa revogar

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APONTAMENTOS SEM FRONTEIRAS
António Filipe Garcez José
unilateralmente o contrato assentado na ingratidão do
contrato, e não por motivos de ordem moral ou social:
O Código Civil remete para os arts. 2034.º e 2166.º nos
casos de ingratidão.
O art. 974.º do Código Civil remete-nos para as regras do
Direito Sucessório. Excluindo estas situações não poder
haver lugar a ingratidão.
No caso concreto, cabe ainda salientar que estamos
perante uma doação remuneratória, uma vez que Paulo
queria compensar Rui pelo serviço prestado enquanto este
se encontrava ausente. Assim, mesmo que se tratasse de
um caso de ingratidão, as doações remuneratórias jamais
podem ser revogadas cfr. artº 975º/b, nem mesmo nos
termos previstos nos arts. 2034.º e 2166.º do Código Civil,
já anteriormente mencionados.
O contrato existe, está celebrado, houve aceitação (ainda
que tácita) e houve tradição da coisa, não há ingratidão
jurídica e, mesmo no caso de haver ingratidão, não poderia
haver lugar a revogação por se tratar de um contrato de
doação remuneratório, tal como acima já foi citado.

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António Filipe Garcez José

CONTRATO DE SOCIEDADE art. 980º


• A sociedade é um contrato de execução continuada.

• Nele deve constar o elemento organização, que o artigo


não obriga.

Elementos do contrato sociedade

Instrumento

• o primeiro elemento que constitui o contrato de


sociedade: - bens ou serviços.

• Não é um contrato quoad constitutionem porque não


obriga a uma constituição objectiva.

Objecto

• o exercício em comum de determinada actividade


económica que não seja de mera fruição.

• A sociedade não pode ter actividade comercial.

• A actividade económica não pode ser de mera fruição.

• A fruição não pode ser estática. Se for uma fruição


estática deverá recorrer-se ao instituto jurídico da
compropriedade e não do instituto jurídico sociedade.

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António Filipe Garcez José
• A sociedade pode ser gerida por todos os sócios, por um
dos sócios ou por terceiros que não sócios.

Organização

• instituição de um sistema de órgãos destinados a gerir a


sociedade.

• Deve ter um órgão próprio – 985º e ss.. Deve haver uma


relação de administração.
Fim

• a repartição dos lucros. É uma pessoa colectiva de fim


interessado (visa os lucros)

Características qualificadoras do contrato sociedade

• O contrato de sociedade destina-se a dar origem a


pessoas colectivas que são as sociedades civis.

• É um contrato de caracter duradouro.

• Na generalidade dos contratos, os mesmos terminam


com o cumprimento das prestações.

• O contrato de sociedade é ao contrário, porque na vida


da sociedade estabelecem-se relações jurídicas, para além
das relações jurídicas da constituição da sociedade.

• Entre a sociedade e os sócios existe uma relação


própria:

Especificidades do contrato de sociedade


relativamente aos outros contratos em geral:

• 2033º/2/b) – as sociedades civis têm personalidade


jurídica

• as partes têm direitos convergentes (diferente da


contraposição de interesses, como é a regra)
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• contrato de plurilateralidade (a regra é de bilateralidade)

• contrato associativo ou de fim comum

• contrato consensual por oposição ao contrato quoad


constitutionem

• não formal

• oneroso (tem prestações para os sócios)

• sinalagmático no sentido de que os sócios se obrigam


para com a sociedade

• não sinalagmáticos no sentido de que os sócios não têm


prestações reciprocas entre si, mas pode um sócio exercer o
direito de resolução.

• É um contrato aleatório (os lucros podem não existir) (há


uma atribuição de prestação certas e outra incerta,
características dos contratos aleatórios)

• Forma – 981º. Não há forma. Só é exigível forma se a


prestação para realização da entrada for de natureza que
exija forma (se entrar com bens imóveis então o contrato já
necessita de forma)

• O contrato sociedade é contrário à regra quando por


vicissitudes o art.º 981º/2 altera a regra geral e manda aplicar
primeiro o art.º 293º e só depois o art.º 292º, ou seja, primeiro
converte e se não for possível a conversão então parte-se
para a redução. A regra é exactamente o contrário, primeiro
reduz-se (292º) e só depois, se não for possível a redução é
que se converte (293º)

Há três circunstancias a analisar relativamente à


sociedades civis:

A personalidade jurídica

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António Filipe Garcez José
• em lado nenhum a lei diz que tem personalidade
jurídica. Mas tem efectivamente personalidade jurídica porque
sendo composta por vários sócios ela vai tornar-se
independente dos sócios. Ela passa a ser o centro jurídico de
relações autónomas. Mesmo entre os sócios e a sociedade
estabelece-se uma separação jurídica. Quando se celebram
negócios jurídicos é com a sociedade e não com os sócios.
Todo o regime é de como se tivesse, e tem, personalidade
jurídica

A capacidade de gozo

• as pessoas colectivas regem-se pelo principio da


especialidade. Não tem uma capacidade de gozo ampla. Está
restringida aos actos relativos ao seu objecto social. Quando
no contrato da sociedade se estabelece o objecto da
sociedade, a partir daí ela tem de limitar-se ao seu objecto.

A capacidade de exercício

• as sociedades sendo agrupamentos de pessoas é


necessário determinar a quem cabe a representação da
sociedade. Aqui entra em campo a sua organização.

• Toda a sociedade tem de ter uma organização. Neste


sentido entra em jogo a administração. Quem actua em nome
da sociedade, quem vincula a sociedade, quem a representa,
quem a gere. É à administração que cabe representar a
sociedade e não aos sócios.

• É necessário que o contrato defina quem são os


administradores. Podem ser pessoas diversas dos sócios. É
necessário definir o modelo de administração. Em
conformidade com o modelo de administração assim a
sociedade vai ser gerida.

O art.º 985º C.C. estabelece vários modelos de administração/


de estrutura organizativa :

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O modelo de administração disjunta

• a administração será entregue a cada um dos sócios; os


sócios actuam isoladamente entre si e a concertação entre
eles faz-se pela oposição de um sócio ao outro; cada sócio
tem poderes de administração isoladamente e cada um dos
outros sócios pode, não concordando com os actos de
administração de outro sócio, opor-se à prática daquele acto,
reunindo-se depois decidindo-se por maioria (antes da prática
do acto).

O modelo de administração conjunta

• é ao contrário da anterior. Os actos de gestão são


praticados por todos os sócios. Os actos de administração são
tomados por todos os sócios e as decisões são tomadas por
unanimidade.

O modelo de administração maioritária

• as decisões são tomadas por maioria (deliberação). A


maioria pode ser de 2/3 ou outra se assim o for designado no
contrato de constituição da sociedade.

• Art.º 987º - o administrador é tratado como


mandatário.

No âmbito das regras que regulam o contrato de sociedade há


três tipos de regras:

Regras de formação e constituição do contrato de sociedade.

• Toda a sociedade nasce do contrato, sendo o contrato o


acto constitutivo da sociedade. Encontramos neste grupo de
regras quem pode celebrar os contratos, etc.

• é um contrato consensual porque não se exige forma


especifica para este tipo de contrato (a não ser que o bem que
serve de entrada esteja obrigado a forma, assim já este
contrato de sociedade carece de forma)
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António Filipe Garcez José

- Regras que regulam as regras internas da sociedade

• Relações dos sócios entre si e das relações dos sócios


para com a sociedade. Estamos no domínio das relações
internas da sociedade. Aos sócios é conferido o mesmo
estatuto. Todos têm o mesmo conjunto de direitos e
obrigações, em termo qualitativos. Não significa que
quantitativamente também tenha de ser igual, porque neste
aspecto está dependente da proporcionalidade da entrada. A
análise quantitativa é feita em relação à entrada de cada
sócio. A obrigação principal do sócio é a sua entrada. A
entrada é condição para se ter estatuto de sócio. A entrada
tem de ter valor pecuniário.

Há dois tipos de sócios:

o sócio de industria,
é aquele que entra com o trabalho e não entra com capital;

o sócio de capital
é aquele que entra com o capital. Em função da entrada é atribuído
uma participação na sociedade. Em regra a participação nos lucros
depende da participação na entrada. No entanto as normas são
supletivas e podem ser afastadas.

• Os lucros são, em principio, para repartir. Mas os sócios


podem determinar que os lucros não são para repartir mas
sim para investir na sociedade ou outra coisa diversa.

• A entrada do sócio na sociedade é também importante


para quando o sócio pretenda sair e se liquida a sua quota.
Esta liquidação é feita com base na avaliação da sua entrada
no momento da liquidação e não reportando-se ao valor
aquando da entrada.

Normas dirigidas para as relações externas da sociedade

• São relações que se estabelecem entre a sociedade e


terceiros.

• Terceiro pode ser um sócio se ele se apresentar à


sociedade como um terceiro e não como sócio (ex.: se ele
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pretender comprar produto da sociedade pode apresentar-se
como um terceiro).

• Nestas relações com terceiros a sociedade faz-se


representar por administradores e não por sócios. Se um
sócio que não é administrador invocar o nome da sociedade
para celebrar um contrato, em principio esse contrato não
vincula a sociedade. Tem de ser o administrador a praticar o
acto em nome da sociedade.

Relações entre os sócios

A entrada – 983º (dotação inicial)

• a entrada tem de ter valor pecuniário porque senão a


sociedade não retira proveito da prestação – 383º/2 (tem de
ter valor pecuniário). Ex.: - a entrada pode ser o próprio nome
de um dos sócios se a utilização do nome revelar interesse
económico para a sociedade. Se for um nome que produza
uma imagem que se traduza em riqueza.

• Nula será a cláusula que defina que determinado sócio


faz a sua entrada na sociedade no sentido de se
responsabilizar ilimitadamente pelas dividas: pois essa é uma
das obrigações do sócio, não carece de ser contratado. (é
uma característica natural)

Os direitos dos sócios

• direito de exprimir a sua vontade durante toda a altura


relevante para a vida da sociedade: -

• 982º, 990º, 1008º, são decisões por unanimidade.

• 991º, 986º/3 e 1005 são decisões por maioria.

direito de fiscalização

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que se traduz no …

- direito à informação que pode ser exercido a todo o


tempo e…
- no direito à prestação de contas, que só pode ser
exercido em determinadas alturas – 988º/2

direito aos lucros

há três entendimentos:

- O direito abstracto aos lucros


quer dizer-se que o sócio entra para a sociedade com
determinada prestação. Assume uma obrigação que vai ser
avaliada e que servirá para determinação dos lucros. A
sociedade tem evolução e a quota passa a ter um valor diferente,
ou seja maior ou menor consoante a sociedade tenha ou não
evoluído ou regredido. Quando o sócio sai da sociedade é-lhe
liquidada a sua quota no valor actual e não no valor inicial (da
entrada)

- O direito à distribuição periódica


o sócio quer que o resultado do exercício seja distribuído
periodicamente.

- O direito aos lucros distribuídos


a sociedade tem lucros e os sócios adquirem um direito de
crédito sobre os bens da sociedade.

Há direito à distribuição periódica dos lucros?

 Os lucros a que se refere o art.º 980º, são direitos


abstractos de distribuição de lucros. Nada obriga à
distribuição de lucros. A sociedade pode determinar que os
lucros são reinvestidos e não repartidos.

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António Filipe Garcez José

 Art.º 991º - não há direito à distribuição periódica. E


mesmo a distribuição de lucros está sujeita à aprovação
maioritária

 Art.º 992º/3/4: (sócios de indústria – não participam nas


perdas mas a participação nos lucros é menor que os outros
sócios)

 Art.º 993º - divisão dos lucros por terceiro.

 Art.º 994º - os sócios não podem renunciar aos lucros.


(proibição do pacto leonino)

A representação – 996º
 No contrato de sociedade há uma associação entre a
representação e a administração (996 – 985º)

 Os administradores são os representante da sociedade

Tutela de aparência – 996º/2


 Há no entanto possibilidade de limitar a
responsabilidade pelas dívidas.

 A sociedade permite que haja alguns sócios com


responsabilidade limitada mas não podem ser todos – 997º

 Se a administração for feita por todos os sócios – a


responsabilidade é ilimitada

 Se a administração for feita por alguns dos sócios, os


administradores têm de ter responsabilidade ilimitada e só os
outros sócios não administradores podem ter
responsabilidade limitada.

 No caso da relação do comitente/comissário o credor


não pode demandar os sócios enquanto não excutir o
património da sociedade e do comissário – 998º
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Extensão do vinculo da sociedade

- Limitada ao sócio – por morte (1001º) – exclusão (1003º)


– exoneração (1002º). É sempre feita a liquidação da quota do
sócio
- Extinção geral da sociedade – 1007º

A extinção da sociedade é um acto complexo.


A dissolução e o primeiro processo de extinção.
O processo extintivo é terminado com a liquidação e depois com a
partilha
O processo extintivo, até à ultimação das partilhas, pode ser
revogado – 1019º
A sociedade não pode ficar unipessoal por mais de 6 meses –
1007º/d)

CASOS PRÁTICOS
Ex.: A, B e C são administradores.
Em 24/4 C é destituído.
Em 25/4 C celebra um contrato em nome da
sociedade.
O terceiro desconhece a sua destituição e celebra o
contrato convencido que C era realmente
administrador.

A substituição da administração só vincula o terceiro


quando o terceiro toma conhecimento dessa substituição.
Logo o contrato celebrado por C vincula a sociedade – art.º
926º/2
O objectivo é proteger o terceiro.
A sociedade terá de acautelar-se:
- ou comunica individualmente a substituição
- ou faz um anúncio publico dessa substituição em
anúncio de jornal.

Numa relação com terceiros estabelece-se uma relação


triangular entre a sociedade, o terceiro e os sócios.

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Paulo, credor da sociedade Amigos unidos, sendo o
seu crédito proveniente de bens fornecidos à
sociedade em DEZ/2000 e no valor de 25.000€ vem
exigir o pagamento a Vítor e Zulmira, sócios da
sociedade devedora

1 - Vítor recusa-se a pagar invocando, desde logo,


que apenas entrou para a sociedade em AGO/2001,
não se considerando responsável pelas dividas
contraídas antes da sua entrada. Por outro lado a
divida foi contraída por Teresa, sócia, mas sem ouvir
qualquer dos outros sócios. Como o contrato de
sociedade omisso quanto ao modelo de
administração entende que ela não pode vincular
sozinha a sociedade.

Colocam-se duas questões: - saber se a divida contraída


vincula ou não a sociedade. O art.º 985º diz que na falta de
estipulação cada sócio pode administrar. O que os restantes
sócios poderiam fazer era oporem-se à prática do acto. Não
o fizeram antes da sua prática, não o podem fazer agora. A
oposição é para não praticar actos e não para anular actos.
Os administradores não são responsabilizados pelos seus
actos, a não ser por actos danosos, culposos. A divida é
anterior à entrada do sócio: - quando o sócio entra para a
sociedade entra no estado em que ela se encontra e
assuma as coisas tais como estão. O sócio pode entrar
posteriormente de duas forma: - ou adquirindo uma
participação social de um dos sócios (cessão de quota) ou –
entra porque forma realizados novas entradas de capital e
ele subscreveu parte ou todo desse capital. Na primeira
hipótese faz sentido a aplicação do art.º 997º/4.(esta
interpretação do art.º 997º/4 deve ser feita de forma
restritiva). Na segunda hipótese, ele realizando capital, tem
de haver uma alteração do contrato e podem ocorrer duas
situações: - ele exime-se das obrigações do contrato já
existentes, ou ele nada diz será obrigado como os
restantes, pelas dividas anteriormente contraídas.

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2 - Zulmira informa que dois dias antes entregou à


sociedade uma carta contendo o seu pedido de
desvinculação da sociedade e desta forma já não
tem nada a ver com aquela. Para além disso, mesmo
que fosse responsável apenas responderia por 10%
da divida por ser esse o valor da sua quota.

A outra sócia invoca que se desvinculou antes de ser


contraída a divida e que mesmo que seja responsável só
será proporcionalmente à sua quota: - em primeiro estamos
perante a exoneração de sócio. É uma forma dos sócios
saírem da sociedade. Esta exoneração é livre? – há duas
hipóteses: - ou a sociedade tem uma duração fixada no
contrato ou – essa duração não está fixada no contrato. Na
segunda hipótese ele pode desvincular-se livremente
(porque caso contrário só com sua morte). Na primeira
hipótese o sócio para se desvincular tem de invocar justa
causa. A exoneração implica a saída do sócio da sociedade
e a liquidação da sua quota. A saída do sócio só produz os
seus efeitos no final do ano social (normalmente
corresponde ao ano civil) mas nunca pode sair antes de três
meses. Só se efectiva a exoneração no fim do ano. Apesar
do pedido de exoneração ela ainda está vinculada, ainda é
sócia. O art.º 1006º diz que ela continua a ser responsável
pelas dividas até à exoneração mas nem era necessário
porque ela ainda não foi exonerada. A responsabilidade da
sociedade é assegurada pela sociedade e pelos sócios, na
totalidade da divida. Pode é a sócia exigir o beneficio da
excussão prévia do património da sociedade. Nos plano das
relações externas o sócio é responsável pelas dividas da
sociedade. No plano das relações internas o sócio beneficia
do direito de regresso sobre os demais sócios. O regime da
solidariedade vigora nesta sociedades. Art.º 992º/1 – a nível
interno. Quando o terceiro é credor da sociedade o sócio
aparece como devedor solidário. A solidariedade não é
reciproca, isto é, a sociedade não responde pelas dividas
dos sócios. O património da sociedade +e autónomo e só
responde pela dividas da própria sociedade. A única coisa
que poderiam executar era: - os lucros; a quota que o sócio

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tem na sociedade, mas isto não é da sociedade, mas sim do
sócio.

COMODATO
Encontra-se regulado nos arts. 1129° e ss.

ARTIGO 1129º

Noção

Comodato é o contrato gratuito pelo qual uma das partes entrega à


outra certa coisa, móvel ou imóvel, para que se sirva dela, com a
obrigação de a restituir.

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António Filipe Garcez José

Características
As características qualificativas do contrato de comodato são:

• Contrato real quoad constitutionem


• Contrato não formal
• Contrato gratuito
• Contrato não sinalagmático

Características
 O comodato é um contrato real quoad constitutionem
mediante qual uma das partes entrega à outra certa coisa,
móvel ou imóvel, para que se sirva dela, com a obrigação de a
restituir- art. 1129º

 O comodato é um contrato não formal pois a lei não


exige qualquer forma especial para a sua realização
conferindo toda a liberdade às partes envolvidas – art. 219º

 O comodato é um contrato gratuito pois apesar de


fazer surgir obrigações ao comodatário –art.1135º- nenhuma
delas se apresenta como contrapartida da utilização da coisa.

 É um contrato não sinalagmático.

Objecto
Podem ser objecto do comodato tanto as coisas móveis como as
imóveis.

Objecto do comodato
 Conforme ao art. 1129º podem ser objecto de comodato
tanto as coisas móveis como imóveis. Porém, as coisas
móveis não podem corresponder a coisas consumíveis.

Obrigações do comodante
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obrigação de não perturbar o uso da coisa pelo comodatário

 Por exemplo, reivindicar do comodatário a coisa


emprestada ou dispor dela a favor de outrém.

 Porém, pelo simples exercício dos seus poderes ele está


numa situação propícia a perturbar esse uso.

obrigação de reembolso de benfeitorias

 (1138º, nº 1 e 2 /1273º/1275º)
Obrigações do comodatário

obrigação de guardar e conservar a coisa emprestada – art.


1135º/a)
 actividade de vigilância directa sobre a coisa evitando
deteriorações e manter o bem no estado em que foi recebido;
é que o art. 1136º estabelece um regime especial pois o
comodatário responde se podia salvar a coisa ainda que com
sacrifício de coisa própria de valor não superior, o que
corresponde a um critério de diligência diferente;

 há presunção de culpa nos termos do art. 799º/1


incumbindo ao comodatário demonstrar que não podia ter
evitado a perda ou deterioração da coisa mesmo com
sacrifício de coisa própria.

 Se o comodatário permitir a utilização da coisa


emprestada por outrém ou a aplicação a um fim diferente
daquele a que ela se destina é responsável objectivamente –
art. 1136º/2.

 Porém, nestas situações pode o comodatário elidir a


sua responsabilidade objectiva mediante a relevância negativa
da causa virtual.

 Refere ainda nº 3 do art. 1136º que a avaliação do bem


faz presumir que o risco de perecimento ou deterioração da
coisa corre por conta do comodatário – há como que uma
transferência do risco mesmo que ele não pudesse evitar o
prejuízo)

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António Filipe Garcez José

obrigação de facultar ao comodante o exame da coisa


emprestada – art. 1135º/b)(

 visa possibilitar ao comodante o controle do bom estado


da coisa e a aplicação que dela está a ser feita pelo
comodatário, podendo em consequência dessa averiguação
determinar a resolução do contrato -1140º- ou exigir
responsabilidade pelos danos causados na coisa emprestada
– 1136º)

obrigação de não aplicar a coisa a fim diverso daquele a que


ela se destina art. 1135/c); art. 1131º e 1136º/2

obrigação de não fazer da coisa emprestada uma utilização


imprudente- art. 1135º/d); 1137º/3 e 1043º/1

 dever de manutenção da coisa no mesmo estado em


que foi recebida

obrigação de tolerar quaisquer benfeitorias que o comodante


queira realizar na coisa- 1135º/e)

obrigação de não proporcionar a terceiro o uso da coisa,


excepto se o comodante o autorizar – art. 1135º/f) –

 contrato intuitu personae; responsabilidade objectiva


em caso de desrespeito por esta obrigação – 798º e 1136º/2)

obrigação de avisar imediatamente o comodante, ...

 sempre que tenha conhecimento de vícios na coisa, ou


saiba que a ameaça algum perigo, ou que terceiros se
arrogam direitos em relação a ela, desde que o facto seja
ignorado do comodante - art. 1135º/g)

obrigação de restituir a coisa emprestada, findo o contrato –


art. 1135º/h).

 Surge como consequência da natureza temporária do


contrato devendo aplicar-se ao comodato o regime do art.

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António Filipe Garcez José
1192º em que está vedado ao comodatário recusar a
restituição ao comodante com o fundamento de que este não
é proprietário da coisa, nem tem sobre ela outro direito.

 O comodatário fica constituído em mora se não restituir


a coisa dentro do prazo estabelecido ou logo que o uso finde -
art. 1137º/1 e 779º.

 Caso não tenha sido definido um prazo pelo comodante


esta dever-lhe-à ser entregue logo que solicitada – 1137º/2.

Extinção do contrato:
O contrato de comodato pode extinguir-se por...

- caducidade,
- denúncia ou ...
- resolução

nos termos gerais.

• O contrato de comodato caduca ainda por morte do


comodatário- art. 1141º

Caso prático
Vasco empresta a Xavier a sua caso no Algarve para
este passar férias durante o mês de Agosto
juntamente com a sua família.
Empresta-lhe ainda o seu automóvel para ele poder
passear durante as férias.
Durante as férias Xavier decide participar num rali
com o automóvel obtendo o primeiro lugar,
ganhando um prémio no valor de 1.000€.

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António Filipe Garcez José
Numa das noites Xavier resolva transformar a casa
numa discoteca dando uma festa para 50 pessoas.
No dia seguinte sem que Xavier consiga explicar as
causas as paredes encontram-se riscadas e o chão
manchado.
Nessa mesma noite, inesperadamente, ocorreu um
violento temporal que arrastou um contentor do lixo
que foi embater no carro de Vasco que se encontrava
estacionado na rua tendo amolgado a parte da
frente.
Ao tomar conhecimento deste facto por terceiro,
Vasco decide dirigir-se ao Algarve e aproveitando o
facto de Xavier se encontrar na praia mudou a
fechadura da casa.
Vem agora a exigir-lhe que lhe sejam pagos os danos
do veículo, da casa e ainda que lhe seja entregue o
prémio recebido no rali.
Xavier pede uma indemnização a Vasco por este não
lhe ter deixado usar a casa durante todo o mês. Quid
iuris.

Relativamente ao comodante: a mudança da fechadura


Relativamente ao comodatário: - dano do veículo, danos da
casa, prémio.
Relativamente ao veículo:
O risco é suportado pelo comodante porque a propriedade
não se transferiu. Transfere-se o risco se o comodante
provar que o comodatário agiu negligentemente – art.º
1136º C.C..
Relativamente à casa:
O art.º 1135º impõe várias obrigações para o comodatário.
Ele utilizou a coisa par fim diverso. No contrato definiu-se
que a coisa se destinava a férias. A nossa lei aplica sanções
quando o comodatário viole as obrigações do contrato.
Desta forma há a inversão da responsabilidade e do ónus
da prova. Aqui, sim, o comodatário poderá invocar a
relevância negativa da causa virtual, o que neste caso não
colhe. É uma excepção para as penalizações do
comodatário pela utilização diversa do estipulado no
contrato.
Situações de inversão da responsabilidade da coisa: (são 3)
- quando aplique fim diverso ao estipulado;

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António Filipe Garcez José
- quando o comodatário se tenha responsabilizado
por isso;
- quando no momento da celebração do contrato
haja uma avaliação dos bens comodatados.
Quanto ao prémio:
Fruto é o que a coisa tenha capacidade de produzir
periodicamente. Os frutos advêm da própria coisa. Se o
comodatário tiver participado decididamente na obtenção
do fruto, não é fruto.
Aqui não há fruto porque foi resultado da perícia do
comodatário. Ao participar na corrida o comodatário está a
utilizar o carro para fim diverso. Desta forma o comodante
terá direito a uma indemnização se provar que há prejuízos.
Quanto à mudança da fechadura:
A forma de celebração do comodato é consensual.
A resolução também pode ser consensual. As forma pode
ser de qualquer forma, porque não exige forma. Quanto à
mudança da fechadura: - podia invocar acção directa
porque não conseguiu contactar o comodatário. Podia
invocar que foi o único modo que ele encontrou para
resolver o contrato.
O comodante pode resolver o contrato porque não tem de
suportar os prejuízos. O contrato é sempre feito tendo em
conta o comodante (pois se ele é gratuito não é lógico que
seja a favor do comodatário) (ex.: ele tinha oferta para
venda. Mesmo que o comodatário cumprisse todas as
cláusulas do contrato, ele tinha fundamento para a
resolução porque se não vendesse tinha prejuízo, e isso não
pode acontecer.)
Se entendermos que esta forma não é a adequada à
resolução do contrato o comodante é obrigado a indemnizar
o comodatário, nos termos da restituição da posse.

MÚTUO
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O mútuo encontra-se previsto nos arts. 1142° e ss.

ARTIGO 1142º
Noção
Mútuo é o contrato pelo qual uma das partes empresta à outra
dinheiro ou outra coisa fungível, ficando a segunda obrigada a
restituir outro tanto do mesmo género e qualidade.

Características
Características qualificativas do contrato de mútuo :

1) Contrato nominado e típico


2) Contrato primordialmente não formal
3) Cariz real quoad constitutionem (polémico)
4) Contrato obrigacional e real quoad effectum
5) Contrato naturalmente oneroso, podendo ser gratuito
6) Contrato unilateral
7) Contrato cumutativo
8) Contrato sem cariz “intuitu personae”

Objecto
O mútuo tem por objecto dinheiro ou outra coisa fungível;

• O mútuo é considerado um acto de administração


extraordinária..
• É possível fazer um contrato-promessa de mútuo, mas é
de excluir a execução específica nesse âmbito.

Efeitos
O mútuo tem em primeiro lugar um efeito real (art. 1144°) e um
efeito obrigacional (1142°)

COMODATO: 1129º e ss.

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António Filipe Garcez José

Comodato – 1129º - é um empréstimo; é gratuito; incide sobre coisa


certa e determinada.
O contrato de comodato não tem forma especial
Obrigação do comodatário – 1133º/1
Por ser um contrato gratuito não há grande responsabilidade pelo
comodante. Ele só responde pelo art.º 1134º

Direitos do comodatário:
- art.º 1132º - só tem direito ao uso e não aos frutos, salvo
convenção em contrário.

Obrigações do comodatário: - 1135º - 1136º


O art.º 1136º é uma excepção à regra do bom pai de família. É um
critério de responsabilidade mais alargado

Restituição: - art.º 1137º:


- convencional
- não convencional

o comodatário pode reter a coisa enquanto não for pago das


benfeitorias – 755º (contrário à regra)

MUTUO: 1142º e ss. C.C.

Mútuo – incide sobre coisas fungíveis, indeterminadas ou


determinadas apenas pelo género, qualidade e quantidade.
É em rigor um contrato em que há transmissão de bens porque
envolve bens fungíveis.
A entrega de coisas fungíveis implica a transmissão da propriedade.

Dátio de coisas fungíveis tem como consequência:


- transmissão da propriedade
- obrigação de transmissão de outro tanto do mesmo
género (tantum demus)

O mútuo é:
- juridicamente é um contrato de transmissão de bens
- economicamente é um contrato de gozo de bens alheios
- é um contrato real quoad constitutionem, porque sem a
entrega não há contrato

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António Filipe Garcez José
Sendo contrato real quoad constitutionem não é sinalagmático
porque só há obrigação para uma das partes, porque a entrega do
dinheiro é condição para a existência do próprio contrato e não uma
obrigação do contrato.

Artº 1143º C.C.:


– o mutuo é formal se for superior a 20.000€
– o mutuo é formal se for superior a 2.000€
– o mutuo é consensual se for inferior a 2.000€

O mutuo é também um contrato real quoad effectum porque a


entrega do dinheiro produz efeitos reais ( a transferencia da
propriedade)
Mesmo que não seja verificada a forma exigida no art.º 1143º há
sempre a obrigação de restituir nos termos do art.º 289º por
nulidade do contrato.
O mutuo concede ao mutuário a propriedade sobre o capital e a
obrigação deste a restitui-la no final do contrato.
Se tiver de restituir todo o tempo é um depósito irregular e não um
mutuo – 1205º C.C.
O depósito bancário não é um mutuo mas sim um depósito irregular
porque pode ser levantado a todo o tempo.
A impossibilidade económica é incompatível porque só existiria se o
dinheiro fosse retirado do mercado.
A extinção do mutuo ocorre normalmente pelo cumprimento (pela
restituição do capital) mas pode ser também pelo não pagamento
dos juros – 1150º C.C.
Art.º 1151º - responsabilidade do mutuante em mutuo gratuito.
Art.º 939º - se o mutuo for oneroso. Há sempre a alienação de bens
e logo aplica-se o regime das coisas defeituosas (aplica-se o regime
da compra e venda)
O contrato de mutuo só passa a existir a partir do momento da
entrega. O mutuário enquanto não tem do dinheiro na sua
disponibilidade não há contrato.
Por vezes os momentos sã distintos acontecendo que antes há uma
prévia negociação do contrato.
Entre o banco e o cliente não há promessa de mutuo quando se
pede um crédito. Há é uma negociação tendente a um empréstimo.

EMPRÉSTIMO:

- comodato

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- mutuo

O comodato e o mutuo distinguem-se pelo objecto sobre o qual


incidem:

- no comodato o contrato incide sobre coisas infungíveis


- no mutuo o contrato incide sobre coisa fungíveis (as
coisa fungíveis determinam-se pelo género, qualidade e
quantidade)

O caracter da fungibilidade e infungibilidade pode ser determinado


pelas próprias partes.
São os próprios contratantes que podem determinar a fungibilidade
da coisa, para além das características que a lei manda (género,
qualidade e quantidade)

Diferenças entre o mútuo e o comodato

1 -Quanto ao modo de cumprimento das obrigações:

- no comodato o comodatário tem de restituir a mesma


coisa
- no mutuo o mutuário pode restituir outros (interessa a
quantidade, qualidade e género)

2 - Quanto aos efeitos:


- o mutuo atendendo á natureza dos bens fungíveis
implica a transferencia da propriedade, o que implica que o
mutuário seja proprietário da coisa objecto do mutuo e
também que o mutuante seja proprietário da coisa mutuada.
- No comodato não se transfere a propriedade

3 - Quanto à classificação no que concerne à gratuitidade ou não:


- o comodato é por natureza gratuito. Só se está perante
um comodato se for gratuito. Se houver alguma forma de
compensação já não será comodato, poderá, quando muito,
ser um contrato de locação.
- o mutuo pode assumir contrato oneroso ou gratuito,
dependendo das vontades das partes. A existência de juros
implica que seja oneroso e a não existência implica que seja
gratuito. No silêncio das partes o mutuo é oneroso, o que
implica o pagamento de juros.

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-
4 - Quanto à forma:
- o comodato é sempre consensual independentemente
do tipo, natureza e valor do bem. Como não opera a
transferencia de propriedade é consensual.
- O mutuo depende do montante envolvido. – até 2.000€ é
consensual; a partir de 2.000€ é formal, porque tem de ser por
documento escrito; a partir de 20.000€ tem de ser por
escritura pública – art.º 1143º C.C.. O vicio da forma implica a
nulidade do contrato, o que faz com que não haja juros,
embora tenha de ser restituído o dinheiro - art.º 289º. Quando
o mutuante é uma entidade bancária ele assume forma
diversa.

5 -Quanto ao risco:
- no mutuo o risco corre por conta do mutuário – 1144º -
796º C.C.
- no comodato o risco corre por conta do comodante.

Casos práticos
I)
Vasco empresta a Xavier a sua caso no Algarve para
este passar férias durante o mês de Agosto
juntamente com a sua família.
Empresta-lhe ainda o seu automóvel para ele poder
passear durante as férias.
Durante as férias Xavier decide participar num rali
com o automóvel obtendo o primeiro lugar,
ganhando um prémio no valor de 1.000€.
Numa das noites Xavier resolva transformar a casa
numa discoteca dando uma festa para 50 pessoas.
No dia seguinte sem que Xavier consiga explicar as
causas as paredes encontram-se riscadas e o chão
manchado.
Nessa mesma noite, inesperadamente, ocorreu um
violento temporal que arrastou um contentor do lixo
que foi embater no carro de Vasco que se encontrava
estacionado na rua tendo amolgado a parte da
frente.
Ao tomar conhecimento deste facto por terceiro,
Vasco decide dirigir-se ao Algarve e aproveitando o

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facto de Xavier se encontrar na praia mudou a
fechadura da casa.
Vem agora a exigir-lhe que lhe sejam pagos os danos
do veículo, da casa e ainda que lhe seja entregue o
prémio recebido no rali.
Xavier pede uma indemnização a Vasco por este não
lhe ter deixado usar a casa durante todo o mês. Quid
iuris.

Relativamente ao comodante: a mudança da fechadura


Relativamente ao comodatário: - dano do veículo, danos da
casa, prémio.

Relativamente ao veículo:
O risco é suportado pelo comodante porque a propriedade
não se transferiu. Transfere-se o risco se o comodante
provar que o comodatário agiu negligentemente – art.º
1136º C.C..

Relativamente à casa:
O art.º 1135º impõe várias obrigações para o comodatário.
Ele utilizou a coisa par fim diverso. No contrato definiu-se
que a coisa se destinava a férias. A nossa lei aplica sanções
quando o comodatário viole as obrigações do contrato.
Desta forma há a inversão da responsabilidade e do ónus
da prova. Aqui, sim, o comodatário poderá invocar a
relevância negativa da causa virtual, o que neste caso não
colhe. É uma excepção para as penalizações do
comodatário pela utilização diversa do estipulado no
contrato.
Situações de inversão da responsabilidade da coisa: (são 3)
- quando aplique fim diverso ao estipulado;
- quando o comodatário se tenha responsabilizado
por isso;
- quando no momento da celebração do contrato
haja uma avaliação dos bens comodatados.

Quanto ao prémio:
Fruto é o que a coisa tenha capacidade de produzir
periodicamente. Os frutos advêm da própria coisa. Se o

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comodatário tiver participado decididamente na obtenção
do fruto, não é fruto.
Aqui não há fruto porque foi resultado da perícia do
comodatário. Ao participar na corrida o comodatário está a
utilizar o carro para fim diverso. Desta forma o comodante
terá direito a uma indemnização se provar que há prejuízos.

Quanto à mudança da fechadura:


A forma de celebração do comodato é consensual.
A resolução também pode ser consensual, porque não
exige forma.
Quanto à mudança da fechadura: - podia invocar acção
directa porque não conseguiu contactar o comodatário.
Podia invocar que foi o único modo que ele encontrou para
resolver o contrato.
O comodante pode resolver o contrato porque não tem de
suportar os prejuízos. O contrato é sempre feito tendo em
conta o comodante (pois se ele é gratuito não é lógico que
seja a favor do comodatário) (ex.: ele tinha oferta para
venda. Mesmo que o comodatário cumprisse todas as
cláusulas do contrato, ele tinha fundamento para a
resolução porque se não vendesse tinha prejuízo, e isso não
pode acontecer.)
Se entendermos que esta forma não é a adequada à
resolução do contrato o comodante é obrigado a indemnizar
o comodatário, nos termos da restituição da posse.

II)

Manuel celebrou com Natália um contrato por escrito


pelo qual lhe emprestava 15.000€.
Determinava o contrato que Manuel lhe entregava
de imediato 50% e passado um ano o restante.
Acordaram que Natália pagaria juros semestrais à
taxa anula de 12%.
O empréstimo destina-se á compra de um
automóvel.
1. Suponha que Natália apenas pagou juros no
1º semestre deixando de o fazer a partir daí.
Como pode Manuel reagir e quais os efeitos daí
decorrentes.

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2. Natália após sair de casa de Manuel é
assaltada sendo desapossada do dinheiro. Como
não chegou a empregá-lo no fim a que se
destinava entende nada ter a pagar.
3. no fim do ano Manuel recusa-se a entregar
a Natália os restantes 7.500€. Natália pretende
saber como pode reagir. Quid iuris.
Estamos perante um contrato de mutuo oneroso.
Os juros aplicados não são usurários porque os juros legais
são de 7% onde acrescem 5%. O que não havendo garantia
real, não ultrapassa os 12%, logo não são usurários.
É um contrato que foi celebrado por escrito, logo é válido
nos termos do art.º 1143º C.C.
1. o mutuante pode resolver o contrato – art.º
1150º. Quais as consequências práticas da resolução?
São as mesmas da nulidade. Cada um restitui o que
adquiriu. Mas aqui aplica-se o art.º 434º. O mutuário
devolve a quantia mutuada mas o mutuante não tem
de restituir as prestações já vencidas porque a
mutuária até ali usou o dinheiro e disso tirou proveito
pelo que deve juros.
2. o art.º 1144º estipula que as coisas mutuadas
tornam-se propriedade do mutuário. Transferindo-se a
propriedade transfere-se o risco. – art.º 796º C.C.
3. o contrato de mutuo para além de ser quoad
effectum é também quoad constitutionem porque a
traditio é um acto de constituição do contrato (é
condição). Só há mutuo com a entrega. Aqui estão
dois contrato: - um de mutuo, quando entrega parte
do dinheiro; o outro não é mutuo porque não há
entrega. Se não é mutuo o que é?
Aqui surgem teorias diferentes:
Antunes varela: - se não é mutuo é promessa de mutuo.
Menezes Cordeiro: - não é promessa porque no contrato
promessa promete celebrar o contrato. Aqui ele não
promete emprestar, diz que empresta. Assim será um
mutuo consensual. É um mutuo atípico. Não se rege
pelas regras do contrato mutuo, mas por outras.
Para ser mutuo tem de haver entrega do bem. No
contrato de mutuo não nasce a obrigação de entrega do
bem. Tem de entregar logo. Se não entregar logo não é
mutuo.

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O contrato de mutuo neste caso é idêntico ao do
comodato. São ambos quoad effectum porque ambos só
se celebram com a entrega do bem.
Para quem considerar que é um contrato promessa
aplica as regras da promessa.
Para quem considerar que é um contrato atípico tem de
ir-se ás regras gerais do contrato.

MANDATO
O contrato de mandato está regulado no art. 1157° e ss.

ARTIGO 1157º
Noção
Mandato é o contrato pelo qual uma das partes se obriga a praticar
um ou mais actos jurídicos por conta da outra.

Elementos essenciais

Obrigação de praticar um ou mais actos jurídicos

• Os actos jurídicos objecto do mandato são normalmente


negócios jurídicos, mas podem igualmente ser simples actos
jurídicos.

• Tanto há mandato quando alguém encarrega outrém de


comprar ou vender um bem, arrendar um imóvel, como
quando alguém encarrega outrém de interpelar os seus
devedores ou pagar aos seus devedores.

Actuação do mandatário por conta do mandante

• É necessário que os actos jurídicos praticados pelo


mandatário sejam realizados por conta do mandante.

• “Por conta” significa a intenção de atribuir a outrém os


efeitos do acto celebrado pelo mandatário, que assim se
projectarão na esfera do mandante e não do mandatário

A repercussão dos efeitos jurídicos na esfera do mandante


pode ocorrer de duas formas :

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1) mandato com representação


no mandato com representação, os actos jurídicos praticados
pelo mandatário em nome do mandante produzem os seus
efeitos directamente na esfera jurídica deste último (arts.
1178° e 258°)

2) mandato sem representação


no mandato sem representação os actos jurídicos praticados
pelo mandatário produzem os seus efeitos na esfera jurídica
deste (art. 1180°)

Características qualificativas
1) Contrato nominado e típico
2) Contrato primordialmente não formal
3) Contrato que tanto pode ser gratuito como oneroso
4) Contrato sinalagmático (oneroso) ou sinalagmático
imperfeito (gratuito)

Contrato nominado e típico

• A lei reconhece a sua categoria e estabelece o seu


regime nos arts. 1157° e ss. Do Código Civil

Contrato primordialmente não formal

• O mandato é normalmente um contrato consensual,


dado que a lei não exige forma especial

• Apenas o mandato judicial é sujeito a uma forma


especial

• Quando o mandato seja associado à procuração (arts


1178° e ss.) terá que revestir forma especial, pois a
procuração é sujeita a forma especial.

• O mandato sem representação não está sujeito a forma


especial (arts. 1180° e ss.)

Contrato que tanto pode ser gratuito como oneroso

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• O actual código Civil estabelece uma presunção de


gratuitidade do mandato (art. 1158°)

• Presume-se oneroso o mandato que envolva actos que


o mandatário pratique por profissão.

• Presume-se gratuito o mandato estranho à actividade


profissional do mandatário.

• Ambas estas presunções são ilidíveis por prova em


contrário (art. 350°/2)

• No mandato comercial o art. 232° C. Com. Consagra


injuntivamente a regra da onerosidade.

Contrato sinalagmático ou sinalagmático imperfeito

• O mandato pode ser sinalagmático ou sinalagmático


imperfeito, consoante constitua um mandato oneroso ou
gratuito..

• O mandato gratuito é um contrato sinalagmático


imperfeito, pois apesar de gerar obrigações tanto para o
mandante (art. 1167/a)/c)d)°) como para o mandatário (art.
1161°), as obrigações do mandante não se encontram num
nexo de correspectividade com as obrigações do mandatário,
tendo por fundamento factos acidentais, distintos da
obrigação de executar o mandato.

Forma do contrato
• O mandato é em principio um contrato consensual, dado
que a lei não exige forma especial.

• Exceptua-se apenas o mandato judicial, sujeito a uma


forma especial, nos termos do art. 35° CPC.

• A procuração é sujeita a forma especial (art. 262°/2) ,


estando sujeita em princípio à forma do negócio que o
procurador deva realizar;

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APONTAMENTOS SEM FRONTEIRAS
António Filipe Garcez José
• No mandato com representação, a procuração
associada a esse contrato, terá de obedecer à forma especial
para que o negócio possa ser celebrado validamente.

• o mandato sem representação não é sujeito a forma


especial; mas, tem-se entendido que terá que obedecer à
forma do contrato-promessa (art.410°/2) para que a obrigação
de transferir os bens por parte do mandatário (art. 1181°/1)
possa ser sujeita à execução específica (art. 830°)
Mandato geral
Aquele que seja conferido para gestão dos interesses do mandante
em determinada região do país ou para uma das actividades
económicas a que ele se dedica.

• O mandato geral só compreende actos de administração


ordinária, ou seja, actos que correspondem à normal
conservação e frutificação do património (art. 1159°/1)

• Para que se possam abranger actos de disposição, terá


que haver um mandato especial simultâneamente conferido
com o mandato geral.

Mandato especial
Aquele que abranja certos e determinados negócios.

• Uma regra específica no âmbito do mandato especial é


a de que ele abrange, além dos actos nele conferidos, todos
os demais actos acessórios e necessários à sua execução
(art.1159°/2).

• Quem encarrega outrém de vender um prédio, não lhe


dá igualmente mandato para o trocar ou hipotecar, nem
sequer para celebrar a respectiva promessa de venda, uma
vez que nenhum desses actos se pode considerar meramente
acessório da venda e indispensável à sua realização

Obrigações do mandante (art. 1167°)


1) Obrigação de fornecer os meios necessários à
execução do mandato, se outra coisa não foi
convencionada.

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APONTAMENTOS SEM FRONTEIRAS
António Filipe Garcez José
2) Obrigação de pagar a retribuição devida e fazer
provisão por conta dela, consoante os usos.

3) Obrigação de reembolsar o mandatário das despesas


feitas

4) Obrigação de indemnizar o mandatário do prejuízo


sofrido em consequência do mandato.

ARTIGO 1167º
Enumeração

O mandante é obrigado:

a) A fornecer ao mandatário os meios necessários à execução do


mandato, se outra coisa não foi convencionada;

b) A pagar-lhe a retribuição que ao caso competir, e fazer-lhe


provisão por conta dela segundo os usos;

c) A reembolsar o mandatário das despesas feitas que este


fundadamente tenha considerado indispensáveis, com juros legais
desde que foram efectuadas;

d) A indemnizá-lo do prejuízo sofrido em consequência do mandato,


ainda que o mandante tenha procedido sem culpa.

ARTIGO 1168º
Suspensão da execução do mandato

O mandatário pode abster-se da execução do mandato enquanto o


mandante estiver em mora quanto à obrigação expressa na alínea
a) do artigo anterior.

Direitos do mandatário
• Direito ao reembolso de despesas

• indemnização pelos prejuízos causados

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APONTAMENTOS SEM FRONTEIRAS
António Filipe Garcez José
• Pagamento da retribuição estipulada, no mandato
oneroso

• Direito às provisões para despesas e para honorários

• Direito de retenção (art. 755°/1) – este artigo atribui ao


mandatário direito de retenção sobre as coisas que lhe
tiverem sido entregues para execução do mandato, pelo
crédito resultante da sua actividade

Obrigações do mandatário
1) Obrigação de executar o mandato com respeito
pelas instruções recebidas

2) Obrigações de informação e de comunicação

3) Obrigação de prestar contas

4) Obrigação de entregar ao mandante tudo o que


recebeu em execução ou no exercício do mandato

5) Obrigações acessórias perante o mandante, designadamente a


custódia de objectos que lhe sejam entregues por este para execução do
mandato.

ARTIGO 1161º
Obrigações do mandatário

O mandatário é obrigado:

a) A praticar os actos compreendidos no mandato, segundo as


instruções do mandante;

b) A prestar as informações que este lhe peça, relativas ao estado


da gestão;

c) A comunicar ao mandante, com prontidão, a execução do


mandato ou, se o não tiver executado, a razão por que assim
procedeu;

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APONTAMENTOS SEM FRONTEIRAS
António Filipe Garcez José
d) A prestar contas, findo o mandato ou quando o mandante as
exigir;

e) A entregar ao mandante o que recebeu em execução do


mandato ou no exercício deste, se o não despendeu normalmente
no cumprimento do contrato.

ARTIGO 1162º
Inexecução do mandato ou a inobservância das instruções

O mandatário pode deixar de executar o mandato ou afastar-se das


instruções recebidas, quando seja razoável supor que o mandante
aprovaria a sua conduta, se conhecesse certas circunstâncias que
não foi possível comunicar-lhe em tempo útil.

ARTIGO 1163º
Aprovação tácita da execução ou inexecução do mandato

Comunicada a execução ou inexecução do mandato, o silêncio do


mandante por tempo superior àquele em que teria de pronunciar-
se, segundo os usos ou, na falta destes, de acordo com a natureza
do assunto, vale como aprovação da conduta do mandatário,
ainda que este haja excedido os limites do mandato ou
desrespeitado as instruções do mandante, salvo acordo em
contrário.

ARTIGO 1164º
Juros devidos pelo mandatário

O mandatário deve pagar ao mandante os juros legais


correspondentes às quantias que recebeu dele ou por conta dele, a
partir do momento em que devia entregar-lhas, ou remeter-lhas, ou
aplicá-las segundo as suas instruções.

Substitutos e auxiliares do mandatário

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APONTAMENTOS SEM FRONTEIRAS
António Filipe Garcez José
• O regime da substituição e utilização de auxiliares pelo
mandatário resulta integralmente de uma remissão para oo
regime da procuração (art.264°)

Substituição do mandatário
Quando o mandatário encarrega outro mandatário de praticar os
mesmos actos jurídicos de que foi encarregado pelo mandante,
havendo assim um subcontrato de mandato, ou seja, um
submandato.

Utilização de auxiliares
Não implica que estes pratiquem os actos jurídicos de que o
mandatário foi encarregado.
• O mandatário só pode fazer-se substituir por outrém se
o mandante o permitir, ou se essa faculdade resultar do
conteúdo do mandato, ou da relação que o determina

O mandato é em princípio um contrato “intuitu personae”

• O mandatário pode em princípio recorrer a auxiliares


para a execução do mandato; neste caso será
responsabilizado objectivamente pelos actos dos auxiliares,
por aplicação directa do art.800°.

ARTIGO 1165º
Substituto e auxiliares do mandatário

O mandatário pode, na execução do mandato, fazer-se substituir


por outrem ou servir-se de auxiliares, nos mesmos termos em que o
procurador o pode fazer.

A pluralidade de partes na relação de mandato

ARTIGO 1166º
Pluralidade de mandatários

Havendo dois ou mais mandatários com o dever de agirem


conjuntamente, responderá cada um deles pelos seus actos, se
outro regime não tiver sido convencionado.

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APONTAMENTOS SEM FRONTEIRAS
António Filipe Garcez José

MANDATO: artº 1157º C.C.


É um contrato de prestação de serviços:

- Não há subordinação jurídica do prestador ao


contratante;

- a sua principal obrigação é a realização de uma


actividade

- O carácter remuneratório do prestador de serviços não é


fundamental. Há contratos que são gratuitos.

- Obrigação do prestador de serviços (mandatário)


praticar actos por conta e no interesse do mandante. Ele
assume uma obrigação perante o mandante.

Características do mandato:

- é sempre conferido no interesse do mandante porque os


actos que o mandatário praticar repercutem-se na esfera
jurídica do mandante. Mas são exclusivamente no interesse
do mandante.

- O mandante acarreta com todas as despesas, prejuízos,


perdas no resultado do cumprimento do mandato.

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APONTAMENTOS SEM FRONTEIRAS
António Filipe Garcez José
- É um contrato de natureza revogável. É livremente
revogável.

- É sempre livremente revogável mesmo com cláusula de


irrevogabilidade do mandato.

- Esta cláusula é válida mas ineficaz quanto à


irrevogabilidade. Esta cláusula tem como consequência a
indemnização do mandatário ou mandante por parte de quem
a revogue.

- Para o mandatário é sempre livremente revogável

- Para o mandante nem sempre é livremente revogável.


Nos casos de haver fixação de interesse de terceiro. Só
será revogável se tiver justa causa. É uma excepção à livre
revogabilidade do mandato.
- O mandato é restrito a : a prática de actos jurídicos
(não abrange actos materiais); por conta do mandante

- O mandato caracteriza-se também por não estar


necessariamente associado à representação (1178º -
mandato com representação; 1180º- mandato sem
representação);

- No mandato com representação, os actos jurídicos


praticados pelo mandatário em nome do mandante produzem
os seus efeitos directamente na esfera jurídica deste último
(arts. 1178º e 258º).

- Já no mandato sem representação, os actos jurídicos


praticados pelo mandatário produzem os seus efeitos na
esfera jurídica deste sendo necessário um posterior acto de
transmissão para que os direitos correspondentes possam ser
adquiridos pelo mandante (art. 1181º/nº 1)

- O mandato pode ser gratuito ou oneroso nos termos


do art.º 1158º C.C.
- O mandato é um negócio normalmente não formal - é
consensual.

- A procuração é que é formal. – art.º 262/2º; Assim,


quando o mandato seja associado à procuração, como

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APONTAMENTOS SEM FRONTEIRAS
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sucede no mandato com representação (arts. 1178º e ss),
naturalmente que terá que ser adoptada forma especial para
que o negócio possa ser celebrado validamente (mesmo
nestes casos, porém, é a procuração e não o mandato que
tem que obedecer à forma especial).

- Já o mandato sem representação (arts. 1180º e s.)


não é sujeito a forma especial. Tem-se, porém, entendido que
terá que obedecer à forma do contrato-promessa (art.
410º/ 2), para que a obrigação de transferir os bens por parte
do mandatário (art. 1181º/nº 1) possa ser sujeita à execução
específica prevista no art. 830º. Esta exigência não é porém,
requisito de validade do contrato, mas apenas uma condição
para que a obrigação de transferência possa ser executada
especificamente.

Subestabelecimento: - art.º 264º C.C. (com reserva; sem reserva)


Obrigação do mandatário (1161º e ss. C.C.):

obrigação de executar o mandato com respeito pelas instruções


recebidas

- o mandatário deve respeitar o mandato não o


executando em desconformidade com a vontade do mandante
– art. 1161º a).

- Tem que observar na execução do mandato a diligência


do bom pai de família, de acordo com as circunstâncias do
caso (799º/2; 487º/2). A excepção está contida no art. 1162º.

obrigações de informação e de comunicação.

- O mandatário está sujeito às obrigações de informação


(art. 1161º/b)) e de comunicação (art. 1161º c)). A obrigação
de informação é executada a pedido do mandante, e destina-
se a mantê-lo ciente do estado da gestão. Já a obrigação de
comunicação é prestada espontaneamente, devendo o
mandatário, com prontidão, informar o mandante da execução
do mandato ou, se o não tiver executado, da razão por que
assim procedeu (art. 1161º c) e 1162º);

obrigação de prestar contas.

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APONTAMENTOS SEM FRONTEIRAS
António Filipe Garcez José
- Esta obrigação restringe-se naturalmente aos casos em
que existam créditos e débitos recíprocos das partes surgidos
no âmbito da relação de mandato, não se confundindo por
isso com as obrigações de informação e comunicação acima
referidas (art. 1161º/1/d)).

obrigação de entregar ao mandante tudo o que recebeu em


execução ou no exercício do mandato.

- O mandatário constitui-se em mora se não fizer a


entrega nos prazos estabelecidos – art. 1161º/e)

-
obrigações acessórias de custódia de objectos
que lhe sejam entregues aos quais se aplica o regime do depósito.

Obrigações do mandante (art.º 1167º e ss C.C.):

obrigação de fornecer os meios necessários à execução do


mandato, se outra coisa não for convencionada

- trata-se da denominada provisão para


despesas/preparos – 1167º/a). A lei atribui inclusivamente ao
mandatário a faculdade de suspender a execução do mandato
enquanto o mandante não cumprir essa obrigação (art. 1168º)

obrigação de pagar a retribuição devida e fazer provisão por conta


dela consoante os usos.

- O mandato presume-se gratuito, excepto se tiver por


objecto actos que o mandatário pratique por profissão, caso
em que se presume oneroso (art. 1158º/nº 1).

- Sendo oneroso, e se as partes não estipularem a


remuneração, esta é determinada sucessivamente pelas
tarifas profissionais, pelos usos ou por juízos de equidade (art.
1158º/nº 2). O art. 1167º/b) admite que o mandante possa ser
sujeito a efectuar uma provisão por conta da remuneração.

obrigação de reembolsar o mandatário das despesas feitas


(1167º/c)+468º/1+559º)

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António Filipe Garcez José

obrigação de indemnizar o mandatário do prejuízo sofrido em


consequência do mandato

- responsabilidade objectiva pois é independente da culpa do


mandante; porém, deve existir um nexo de causalidade que deverá
ser provada pelo mandatário nos termos gerais (art. 342º/1)

Direitos do mandatário:

Direito de retenção – 755º, c) C.C.

- Atribui-se ao mandatário direito de retenção sobre as coisas que


lhe tiverem sido entregues para execução do mandato, pelo crédito
resultante da sua actividade. Incluem-se aqui os créditos cobrados,
as mercadorias recebidas, títulos de crédito adquiridos ou
documentos relativos aos actos praticados, que o mandatário tem o
direito de reter até ver satisfeito o seu crédito sobre o mandante.
Extinção do mandato:

- As causas de extinção normais dos contratos podem ser


aplicáveis ao contrato de mandato, podendo este extinguir-se
assim:

*por caducidade (arts. 1174º e ss);


*revogação por acordo das partes (art. 406º/nº 1);
*resolução por incumprimento das obrigações da outra
parte (art. 801º/nº 2), de que constitui exemplo o caso
do art. 1170º/nº 2;

*denúncia do contrato, desde que realizada para o fim do


prazo ou com a antecedência conveniente (art. 1172º c) e d)).

Mandato com representação (art. 1178º):


-
- É acompanhado de uma procuração. O mandatário agia
ao abrigo de um mandato mas também ao abrigo de uma
procuração.

- Há uma vinculação estreita entre o mandato e a


procuração. Só existe procuração porque existe mandato.

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APONTAMENTOS SEM FRONTEIRAS
António Filipe Garcez José
- São dois negócios jurídicos num contrato comum
em que cada um deles só faz sentido se o outro se mantiver,

- revogado um revoga-se automaticamente o outro.


Art.º 265º - 1179º - revogação da procuração e do mandato.
Revogado um revoga automaticamente o outro, porque se
assim não for passamos de mandato com representação para
mandato sem representação.

- A revogação pode ser tácita ou expressa. Sendo


tácita pode ser com uma nova procuração ou nomeação. A
revogação só produz verdadeiramente efeitos quando o
mandatário toma conhecimento da revogação;

- No mandato com representação o mandatário actua por


interesse, por conta e em nome do mandante (contemplatio
domini). Tem procuração (poderes representativos). Significa
que os efeitos jurídicos repercutem-se directamente na esfera
jurídica do mandante por mero efeito do negócio;

- o mandato com representação constitui uma facti


species negocial complexa em que se integram procuração e
o mandato.

- O mandato constitui apenas o mandatário no dever de


praticar actos jurídicos por conta do mandante (1157º),

- enquanto que a procuração se reconduz a uma mera


concessão de poderes representativos (art. 262º).

- A junção dos dois negócios distintos faz surgir,


porém, um dever novo, que é o de exercer o mandato em
nome do mandante (art. 1178º/nº 2).

- As causas de extinção da procuração estendem-se ao


mandato e vice-versa (art. 1179º e 265º/1)

Mandato sem representação (art. 1180º):

- O mandatário actua por conta do mandante mas em


nome próprio, ou seja, sem contemplatio domini.

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APONTAMENTOS SEM FRONTEIRAS
António Filipe Garcez José
- Os actos que pratica, os seus efeitos repercutem-se na
sua esfera jurídica e não na do mandante.

Existem duas teses de interpretação:

tese da projecção imediata


(com ou sem representação é igual)

- segundo a qual os efeitos se repercutem na esfera do mandante,


sem ter que passar na esfera de património do mandatário.

tese da dupla transferência

- segundo a qual os efeitos se repercutem na esfera do mandatário,


sendo necessário um negócio autónomo para os transmitir para o
mandante.

Entre estas existe uma posição intermédia...

- que sustenta a dupla transferência no mandato para adquirir e a


projecção imediata no mandato para alienar.

Ex.: - A mandata B para comprar a C.


Com a tese da dupla transferência a coisa passa de C para B
e depois de B para C.
Com a tese da projecção imediata a coisa passa
automaticamente de C para A.

- O C.C. só fala em mandato sem representação para


adquirir. Neste âmbito a lei portuguesa consagrou claramente
a tese da dupla transferência ao referir no art. 1180º que o
mandatário ao agir em nome próprio adquire os direitos e
assume as obrigações resultantes dos negócios que celebra

- no art. 1181º refere-se a obrigação do mandatário de


transferir para o mandante os direitos adquiridos em execução
de mandato.

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APONTAMENTOS SEM FRONTEIRAS
António Filipe Garcez José
- A efectiva aquisição pelo mandante depende de um
novo negócio de transmissão o qual o mandatário é obrigado
a celebrar.

- Caso o mandatário não proceda à transferência dos


direitos adquiridos o mandante goza da possibilidade de
intentar contra o mandatário uma acção pessoal relativa à
obrigação de transferência assumida por este e não uma
acção real, de reivindicação dos bens adquiridos.

- Relativamente à execução específica parte da doutrina e


jurisprudência tem-se pronunciado no sentido de que a
aplicação do art. 830º não pode ter lugar fora do contrato
promessa.

- Porém, a posição contrária é claramente prevalecente


permitindo a aplicação analógica do 830º ao mandato sem
representação desde que este, quando visar a aquisição de
imóveis, seja celebrado por escrito nos termos do art. 410º/2.

- Outra questão pertinente resultante desta dupla


transferência é a do risco relativo à execução dos bens
adquiridos pelo mandatário pelos seus credores uma vez que
estes estão na sua esfera jurídica antes de serem transmitidos
ao mandante. Porém, o legislador entendeu adoptar a
instituição de separação de patrimónios na esfera do
mandatário. (art. 1184º). Esta impenhorabilidade depende
porém da existência de documento anterior à penhora dos
bens e do não registo da aquisição pelo mandatário em ordem
a evitar expectativas de satisfação de crédito nos seus
credores.

E se o mandato for para alienar?

É de seguir a tese da dupla transferência admitindo 2 hipóteses:

1. Há uma transferência fiduciária de A para B para este


transmitir a C, transmitindo-se a B o risco.
2. Há a hipótese de convalidar o negócio por B, isto é, B
vende um bem que não é seu mas fica obrigado a

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APONTAMENTOS SEM FRONTEIRAS
António Filipe Garcez José
convalidar o negócio, comprando o bem a A para o
entregar a C.

- Na tese da dupla transferência fiduciária defende-se que


a transferência no mandato sem representação corresponde a
um negócio fiduciário, pelo qual o mandatário adquire
previamente a propriedade do mandante, com a obrigação de
a retransmitir a terceiro.

- O prof. Menezes Leitão defende esta teoria pois não


considera concebível que, sendo o mandato sem
representação, ele venha a permitir da mesma forma a
alienação de bens do mandante como se houvesse
representação.

- O mandante deverá previamente transferir


fiduciariamente a propriedade ao mandatário (art. 1167º a)),
que assume o encargo de a retransmitir a terceiro. Se não
ocorrer essa transferência prévia, deverá considerar-se que o
mandatário celebra uma venda de bens alheios (art. 892º), a
qual poderá ser convalidada mediante a aquisição do bem ao
mandante (895º), podendo o mandatário exigir que o
mandante convalide esse negócio ao abrigo do art. 1182º.

CASOS PRÀTICOS
I)

Francisco pretendia fazer investimentos imobiliários


no Algarve. Para concretizar esses negócios
contratou com Guilherme para que este adquirisse
em seu nome próprio os imóveis para Francisco o
qual lhe pagaria uma remuneração de 2.500€.
1. Guilherme adquiriu os imóveis mas recusa-
se a entregá-los a Francisco por ter quem lhe
pague uma remuneração superior. Como pode
Francisco reagir?
2. Suponha agora que após Guilherme adquirir
os imóveis, Francisco não lhe paga a
remuneração acordada. Guilherme pretende
saber a que tem direito.
3. E se Hélder, credor de Guilherme, ao saber
que ele tenha adquirido os imóveis os
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APONTAMENTOS SEM FRONTEIRAS
António Filipe Garcez José
pretendesse executar para satisfazer o seu
crédito? Seria diferente no caso de se tratar de
um mandato para alienar?

Estamos perante um mandato sem representação. O


mandatário actua em nome próprio mas por conta do
mandante.
Quando a lei refere que o mandatário tem proveito no
negócio, refere-se aos actos que pratica e não
relativamente ao negócio propriamente dito ( os actos
podem ser remunerados individualmente)
1. É um mandato para adquirir. O mandatário
celebra o negócio em seu nome com o terceiro. Mas os
seus actos destinam-se a repercutir os seus efeitos na
esfera jurídica do mandante. Como se faz isso?
Há duas teorias:
- A tese da dupla transferência – o bem na
primeira fase passa do terceiro para a esfera jurídica
do mandatário e depois do mandatário para o
mandante.
- A tese da projecção imediata - defende esta
tese que não há dupla transferência porque não é essa
a Intenção (vontade) do mandante e do mandatário.
Deve haver uma projecção imediata do terceiro para o
mandante. O terceiro não sabe da existência do
mandante. O terceiro vai exigir a responsabilidade é
ao mandatário. (esta teoria era válida antes de existir
o art.º 1181º/1)
O nosso código prevê a tese da dupla transferência.
Como é que o mandatário faz a transmissão para o
mandante? Como os actos que pratica são para o
mandante e estão sujeitos à ratificação do mandante,
esse problema resolvia-se com a ratificação do
mandante. Mas não faz sentido esta posição (eram
necessários dois negócios). O mandatário comprou, o
mandatário vende. Mas esta ideia inutiliza o mandato.
- Teoria de Galvão Teles: - o acto que o
mandatário está obrigado a praticar não está tipificado
na lei. O objectivo é o mandatário alienar. É um
negócio de alienação. É o negócio específico deste
contrato. Por isso é um negócio alienatório específico.
Esta obrigação que existe é uma verdadeira obrigação.

109
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António Filipe Garcez José
O mandatário é obrigado a celebrar esta obrigação.
Esta obrigação é assumida aquando da celebração do
mandato. Assumiu duas obrigações: 1ª - cumprir o
mandato; 2ª - se cumprir o mandato transmitir os bens
para o mandante. O que está presente no mandato é
uma dupla obrigação. - A obrigação de cumprir o
mandato; - O que está inerente é o de alienação
especifica do mandatário para o mandante (é uma
promessa de alienação). Se o mandatário não cumprir
esse negócio o mandante pode invocar acção de
incumprimento do contrato. Pode também recorrer á
execução especifica – 830º C.C... É inerente no
mandato uma promessa de venda especifica ao
mandante. O tribunal declara uma alienação
específica. Mas para aplicar o art.º 830º C.C., para
além desta fundamentação, requer ainda a presença
de verdadeiros requisitos formais (o contrato
promessa validamente formado. Tem subjacente as
regras do art.º 41º C.C.). Para se recorrer às regras da
execução específica é necessário que as regras do
art.º 410º/1 e 2 estejam respeitadas (as do 410º/3 não
fará sentido). A forma do art.º 410ª é só necessário
para se recorrer ao art.º 830º. A analogia do art.º 410º
com o mandato sem representação é de que o
mandatário assumiu a promessa de vender,
adquirindo o bem, ao mandante. Não se podendo
recorrer à execução especifica do art.º 830º recorre-se
à acção de incumprimento do contrato.

2. É um contrato oneroso.
É oneroso quando: as partes o estipulem; o
mandatário faça disso a sua profissão.
O mandante tem de pagar – art.º 1168º/f).
O mandatário tem direito de retenção nos termos do
art.º 755º/c).

3. O art.º 1184º não coloca em causa a tese da


dupla transferência porque os bens entram na esfera
jurídica do mandatário para ele cumprir o mandato.
Não há um verdadeiro enriquecimento patrimonial do
mandatário. Os bens estão na sua esfera jurídica
transitoriamente. Se o credor pudesse executar os

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bens estaríamos a prejudicar o mandante. Os bens
nesta fase estão na situação de impenhorabilidade
transitória ou temporária. O credor do mandatário
pode penhorar os bens que tenha para alienar? Temos
de ver as condições do mandato porque o art.º 1184º
e 1181º referem-se a mandatos para adquirir.
Há duas posições doutrinárias para resolver esta
situação porque a lei é omissa.
- Teoria de Antunes Varela: - nos casos de
mandato para alienar quando o mandatário vende o
bem a terceiro não refere a existência do mandato.
Aqui vigora a projecção imediata, já se não verificando
a tese da dupla transferência.
Mas assim não cairíamos numa situação de venda de
bens alheios? – 892º C.C.. Não porque para ser vender
bens alheios o sujeito não vende o bem que é seu e
também não tem legitimidade para a venda.
Criticas: - se assim é não há a distinção entre o
mandato com e sem representação. No caso de venda
de imóveis para a escritura, não havendo procuração
(mandato sem representação) não poderá o
mandatário ir à escritura.
- A tese tem de ser a da dupla transferência
mas com forma especial: - o bem passa para esfera
jurídica do mandatário se e quando ele vender ao
terceiro. A transmissão do mandante para o
mandatário fica sob condição. Só adquiriu o bem se o
vende a terceiro. O bem entra e sai simultaneamente.
A dupla transferência actua em simultâneo. Se o
mandatário não vender o bem o bem não chega a
entrar na esfera jurídica do mandatário.
- Então o credor pode executar os bens que o
mandatário tem para alienar? Não porque o bem só
entra na esfera jurídica do mandatário quando este o
vende. Se o comprar ao mandante para depois os
vende fica sem justificação para se poder esquivar aos
credores. Assim não estávamos na presença do
mandato.

No que diga respeito ao crédito e dividas que nasçam do


contrato sem representação:

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APONTAMENTOS SEM FRONTEIRAS
António Filipe Garcez José
- o terceiro só tem crédito perante o mandatário
- o mandatário nunca poderá dizer ao terceiro que
não tem nada a ver com isso porque ele esteve a
exercer o mandato sem representação.
- Os créditos que nasçam do mandato, o mandante
pode substituir-se ao mandatário. É uma verdadeira
sub-rogação directa.

EMPREITADA art. 1207º e ss.


(baseado num trabalho de Ana Ramos aluna n° 20021287)

• Não devia estar no Código Civil.

• É uma actividade que exige uma profissionalização.

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António Filipe Garcez José
• Qualificada como um contrato comercial porque é
estabelecido com base numa organização estável (art. 236 C.
Comercial).

• É um contrato oneroso porque é um contrato comercial


(é para realizar uma obra, e se não fosse oneroso era um contrato de
prestação de serviços).

• Não tem um regime único, pois existe também o


regime de empreitada de obras públicas - é um regime especial de
direito administrativo e consta do DL 59/99.Trata-se de um regime bastante
mais protector para o dono da obra e tem vindo a ser aplicado a particulares
(direito privado).

• Nada impede as partes de aplicar um regime diverso


do C. Civil mesmo em contratos entre particulares, no qual
se podem aplicar as regras da empreitada de obres públicas.

• As normas civis (obrigacionais) são supletivas e salvo as


normas imperativas nada impede de se aplicar o DL 59/99.

O que é que está em causa neste tipo de contrato ?

a realização de uma obra material; envolve bens móveis, imóveis,


construção nova, modificação ou demolição do bem porém ...

o conceito de obra é muito polissémico;

podemos aqui abranger as obras intelectuais?

- Na doutrina existem duas posições divergentes:

• Para Antunes Varela e Menezes Leitão, a empreitada


não abrange a obra intelectual

• Para F. Correia pode ser abrangida tendo em conta o


que tem vindo a ser adoptado na doutrina estrangeira.

• No contrato de empreitada a obrigação assumida pelo


empreiteiro é um resultado e o dono da obra só paga pelo
resultado.

• O empreiteiro não está vinculado a nenhum poder e


não está vinculado juridicamente ao dono da obra.

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• A fiscalização é apenas para ver se a obra está a ser


feita conforme o que foi convencionado.

• O dono da obra tem a obrigação de pagar o preço.

• Os problemas principais surgem com a desconformidade


entre o contratado e o resultado.

Características do contrato de empreitada:

- Obrigacional (o contrato em si não produz efeitos reais


constitui uma excepção ao art. 408º/2)

- Sinalagmático

- Oneroso

- Consensual (não formal)

- Cumutativo (não é aleatório)

- Prazo – art. 777º/2

- Tipificado na lei como contrato de prestação de


serviços – 1155º

Direitos do dono da obra:

- Adquirir e receber a obra.

- Fiscalizar a obra (art.1209º) - Apesar da doutrina


divergir Menezes Leitão defende que a fiscalização deve ser
entendida como injuntiva-imperativa, pois se a excluirmos
este contrato será de compra de um bem futuro.

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Deveres do dono da obra:

• Pagamento do preço (é a obrigação principal que deve ser


cumprida no acto de aceitação da obra) – art.1211º.

Existem várias modalidades de pagamento do preço:

- preço global;
- por unidade de construção;
- por tempo de trabalho;
- por percentagem..

• Não perturbar – 1209º/1, parte final

• Fornecimento supletivo de materiais (supletivamente já


que normalmente são fornecidas pelo empreiteiro)

• Verificação da obra – art. 1218º (verificação e comunicação)


– a falta leva à aceitação tácita.

Direitos do empreiteiro:

• Receber o preço

Será que o empreiteiro goza do direito de retenção?


Poderá o empreiteiro reter a obra até ao pagamento do preço?

– o art.º 755º nada diz.

A doutrina diverge nesta questão:

- Para Antunes Varela o empreiteiro não goza do direito


de retenção;

- Para F. Correia o empreiteiro goza de direito de


retenção, isto porque, se atendermos que as despesas de
reparação gozam do direito de retenção (ex. reparação de um
relógio), por maioria de razão as despesas de construção

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António Filipe Garcez José
possibilitam o direito de retenção. Trata-se de uma
interpretação extensiva do art. 754º C.C..

- Menezes Leitão sustenta a atribuição de direito de


retenção ao empreiteiro

- O direito de retenção do empreiteiro tanto pode ser


exercido como coisas da propriedade do dono da obra, como
coisas da propriedade de terceiro, desde que constituam
objecto da empreitada.

- De salientar que o direito de retenção não é apenas uma


garantia legal mas também uma causa legítima de não
cumprimento.

Deveres do empreiteiro:

• Execução da obra – 1208º

• Fornecer os materiais – 1210º

Quem é o titular do direito de propriedade da obra? art. 1212º


(derrogam-se as regras da acessão)

No caso de empreitada de construção de coisa móvel

- se os materiais forem fornecidos no todo ou na sua


maioria pelo empreiteiro, então o risco corre por conta deste,
sendo a propriedade transferida para o dono da obra no
momento da aceitação da coisa; (art. 1212°/ 1)

- No caso dos materiais serem fornecidos pelo dono da


obra a propriedade continua dele, assim com é sua
propriedade a coisa logo que esta esteja concluída;
(art.1212°/ 1)

No caso de empreitada de construção de imóveis

- sendo o solo ou superfície pertença do dono da obra, a


coisa é sempre propriedade deste mesmo que os materiais
sejam fornecidos pelo empreiteiro (que vão sendo adquiridos

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pelo dono da obra à medida que vão sendo incorporados no
solo (art. 1212°/2)

Vicissitudes da empreitada:

A subempreitada – 1213º CC
Trata-se de um subcontrato semelhante ao previsto no art. 264º
(substituição do procurador)

Numa subempreitada quem responde pelos defeitos da obra?

Se o dono da obra não autorizou a subempreitada é como se o


subempreiteiro nem existisse.

- O dono da obra exige responsabilidade ao empreiteiro e


o empreiteiro depois terá direito de regresso sobre o
subempreiteiro.

- O empreiteiro não pode afastar a sua responsabilidade


perante o dono da obra.

- Neste caso não há direito de retenção para o


subempreiteiro porque este não tem relação jurídica com o
dono da obra (Galvão Teles). Ao exercer o direito de retenção
iria afectar o dono da obra quando este nem sequer tinha
conhecimento da sua existência.

- Desta forma nada impede o empreiteiro de fazer


subempreitada, mesmo sem autorização do dono da obra,
porém fica apenas o empreiteiro responsabilizado perante o
dono da obra.

Se o dono da obra autorizou a subempreitada, então o


subempreiteiro é responsável mas o empreiteiro também o é.

- O dono da obra pode exigir aos dois a responsabilidade


pelo incumprimento.

- Neste caso já pode fazer sentido o direito de retenção


para o subempreiteiro. O direito de retenção faz-se perante
um direito de terceiro mas na mesma relação jurídica. Ao
aceitar o subempreiteiro na obra e ao aceitar a obra faz com

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que esta passe para a sua esfera jurídica o que também faz
com que o dono da obra entre na relação jurídica com o
subempreiteiro.

Alterações e obras novas: art.º 1214º e ss.

Apesar do art. 1208º estabelecer que o empreiteiro deve executar a


obra conforme esta tiver sido estabelecida, admite-se que possam
ocorrer alguns imprevistos/alterações à obra.

Alterações da iniciativa do empreiteiro (art.1214º)

- alterações sem autorização do dono da obra,


unilaterais, que são proibidas (nº 1) e gravemente
sancionadas (nº 2) já que o empreiteiro perde o direito ao
preço suplementar e o direito a invocar o enriquecimento sem
causa por parte do dono da obra.

- alterações com autorização do dono da obra


(1214º/3 )

Neste caso é necessário ter em conta os seguintes aspectos:

- Se para a empreitada tiver sido fixado um preço


global, a autorização tem que ser dada por escrito com a
fixação do aumento de preço, se assim não for o empreiteiro
só pode exigir do dono da obra indemnização pelo valor do
enriquecimento.

- Se tiver sido fixado um preço por volume de


construção a autorização à alteração pode ser verbal.

Alterações necessárias (art. 1215º)


em consequência de direitos de terceiro ou de regras técnicas, que
torna necessário a introdução de alterações ao plano
convencionado.

- Na falta de acordo compete ao Tribunal fixar o preço e


prazo.

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- Se em consequência das alterações o preço for elevado
em mais de 20%, o empreiteiro pode denunciar o contrato e
exigir uma indemnização equitativa.

Alterações exigidas pelo dono da obra (art.1216º)


regime diferente ao estabelecido no art. 406º (Eficácia dos contratos);

- O dono da obra pode exigir alterações desde que o valor


não exceda a quinta parte do preço estipulado e não haja
modificação da natureza da obra;

- o empreiteiro tem direito a um aumento do preço


correspondente ao acréscimo da despesa e trabalho, bem
como ao prolongamento do prazo.

- Se das alterações resultar uma diminuição do custo, o


empreiteiro mantém o direito ao preço estipulado, com
dedução das despesas que deixa de ter.

Alterações posteriores à entrega da obra (art.1217º)

- As alterações efectuadas depois da entrega da obra, ou


com autonomia em relação às previstas no contrato, não
estão cobertas pelo regime da empreitada;

- Estas alterações são obras realizadas de má fé em


terreno alheio, em que o dono da obra pode exigir a sua
eliminação, se for possível ou indemnização pelo prejuízo;

- Segue o regime da acessão previsto no art. 1341º.


(Exemplo: contrato para construção de moradia em que o empreiteiro resolve
acrescentar uma piscina não acordada previamente, nem autorizada)

-
Defeitos da obra e responsabilidade do empreiteiro
depois da obra feita – art. 1218º e ss.

Impossibilidade de execução da obra – 1227º

Risco pela perda ou deterioração da obra – 1228º

Extinção do contrato – 1229º

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Casos Práticos

A acordou com B a construção de uma moradia a realizar no


terreno de B.
Acordaram que os materiais seriam de 1ª qualidade e fornecidos
por B.
Estipularam o preço de 500€ por metro quadrado de construção.
A casa teria 250 m2.
Durante a construção e ao implantar a casa no solo B
apercebeu-se que a dimensão do terreno permitia construir mais
uma divisão. Questionou A por conversa telefónica sobre essa
possibilidade tendo este respondido afirmativamente.
Concluída a obra B exige um aumento do preço correspondente
ao valor daquela divisão mas A recusa-se a pagar invocando que
não autorizou por escrito nem estabeleceu qual seria o aumento
do preço.

Resolução

Há duas formas de se estipular o preço numa empreitada:

a) a determinação do preço global, o que significa que


não está determinado o preço para a parte especifica
mas sim para a parte global.

b) A determinação do preço pela unidade a executar.

 Aqui o preço foi determinado pela unidade a


executar. (por metro quadrado).

 A aplicação à contrário do art.º 1214º/3 leva-nos


à determinação do preço pela unidade a
executar.

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Daqui se conclui que...

 O empreiteiro terá assim direito ao pagamento do que


alterou na medida do preço por m².

 Não há lugar ao enriquecimento sem causa.

 A fixação do preço pelo preço global importa que a


alteração tenha que ser escrita porque senão não há critério
para avaliar as alterações (só nesta situação havia lugar a
enriquecimento sem causa).

 O preço por unidade de construção é consensual pois


não carece de forma e portanto o negócio era válido.

 Alterações à obra feitas por iniciativa do empreiteiro têm


de ter autorização do dono da obra, neste caso teve
oralmente a autorização aquando da conversa telefónica.

Vejamos agora outra situação ...

B sem nada dizer a A resolveu aumentar o tamanho da cozinha


para o dobro e fazer ao lado da casa um campo de ténis que
sabia ser do agrado de A. Este apenas tomou conhecimento
quando a obra lhe foi entregue e exigido o aumento do preço.
A pretende ficar com essas alterações mas recusa-se a pagá-las.

Relativamente ao regime das alterações há que distinguir:

- alterações ao plano convencionado ou...

- obras novas.

Obras novas
são obras com autonomia relativamente à obra contratada.

Alteração
Uma obra que não tenha autonomia tem de ser considerada como
alteração

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Sendo feita uma alteração sem autorização do dono da obra

- aplica-se o art.º 1214º/2. e é tida como obra defeituosa


não ficando este obrigado a pagá-la.

Relativamente a obras feitas com autonomia funcional não se


aplica o regime das alterações, aplica-se o art.º 1217º/1.

- Trata-se de uma obra nova e portanto tem autonomia,


podendo o dono da obra exigir a sua eliminação, não
prevendo a lei a possibilidade de o dono ficar com a obra.

Na nossa hipótese ...

• houve a construção de obra nova e o dono quer ficar


com ela sem pagar,

• porém a obra é autónoma e se o dono da obra ficar


com a obra sem a pagar está a entrar numa situação de
enriquecimento sem causa.

• Alguns autores falam de que se pode recorrer às regras


da acessão industrial imobiliária – art.º 1341º,

porém ...

• esta só se podia aplicar se o terreno fosse do dono da


obra. Mas o terreno é do empreiteiro logo tem de se invocar
as regras do enriquecimento sem causa e não as regras da
acessão.

• Se o dono da obra quisesse o campo de ténis teria de


pagá-lo de acordo com o enriquecimento sem causa.

• Se as partes estivessem de acordo podiam fazer novo


contrato relativamente ao campo de ténis.

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Vejamos mais uma situação ...

Finda a obra B comunicou a sua conclusão a A. Este passou a


ocupar a casa sem ter verificado se estava de acordo com o
projecto. Um mês depois tendo recebido a visita de um amigo
engenheiro civil, foi informado que os materiais utilizados eram
de 2ª qualidade. Que direitos tem?

• Qualquer desconformidade com o plano convencionado


é um defeito.

• A verificação é um direito que o dono tem, funcionando


como um direito e como um ónus.

• Nos termos do art.º 1218º/5 se não tiver feito a


verificação aceitou sem reservas, o que implica a aceitação
da obra com os defeitos aparentes.

Distinção entre defeitos aparentes e defeitos ocultos


A distinção de defeitos aparentes dos defeitos ocultos é feita
segundo os critérios do conhecimento de um homem médio
colocado naquela situação. Se o homem médio conseguisse
descobrir os defeitos seriam aparentes, caso contrário seriam
ocultos.

• No caso concreto devem ser entendidos como


defeitos ocultos, - pois os defeitos estão nos materiais e não
se descortinam facilmente.

Assim ...

• o dono da obra pode denuncia-los 30 dias após o seu


conhecimento.

• Os defeitos aparentes - têm de ser identificados logo


ao passo que os ocultos podem ser denunciados
posteriormente.

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• O dono da obra pode denunciar os defeitos nos termos
do art. 1220º/1.

• Em 1.º lugar o dono da obra tem direito à eliminação dos


defeitos, se for possível (art.1221/1)

Se as despesas de eliminação forem desproporcionadas

• cessa esse direito conforme estipula o artº1221/2, (o que


acontece no nosso caso concreto), havendo então lugar a
uma redução do preço (art. 1222º).

Se o defeito for tal que torne o bem inapto à sua finalidade

• O dono da obra tem direito à resolução do contrato.

• Para além da redução do preço pode ainda pedir


indemnização pela parte que não for coberta pela redução do
preço . (art. 1223°)

B sabendo que A se prepara para não pagar a obra pretende


não lhe entregar a casa. Pode fazê-lo? Como pode A adquirir a
propriedade da casa?

A obra é do empreiteiro, pois foi construída no solo dele, logo não


há direito de retenção. O direito de retenção só se aplica a bens de
terceiros.
Nos casos em que elas se potenciam:
Para Antunes Varela: no art.º 754º não cabe a situação do
empreiteiro;
Para Menezes Cordeiro, Galvão Teles, Pedro Martinez: -
há direito de retenção. Aplica-se a interpretação extensiva
do art.º 754º. Se por obra/reparação pode reter por
construção ainda mais.

Porque a propriedade era do empreiteiro, como é que o dono da


obra pode adquirir a propriedade?
O art.º 1212º não resolve a questão.
O dono da obra deveria ter celebrado um contrato de promessa de
venda do solo. Depois de construída a obra, o dono da obra pode
obrigar o empreiteiro a vender-lhe o solo pois a casa está paga na
empreitada.

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A melhor forma é celebrar dois contratos: um de empreitada e outro
de promessa de venda do solo.
O contrato de empreitada não é um contrato real porque quando se
celebra o contrato ainda não há nada.
A propriedade da obra determina-se pela propriedade do solo.
Mesmo que não seja o dono da obra a fornecer os materiais ele vai
adquirindo a propriedade sobre eles à medida que vão sendo
aplicados na obra.

II)
A vende a B, pelo preço de 30.000 contos uma casa em ruínas
da qual era comproprietário juntamente com os seus três
irmãos.
B com o intuito de recuperar a moradia para a tornar habitável
celebrou com C, construtor civil, um contrato para reparação
do imóvel.
Acordaram que o preço da obra seria 20.000c e que os
materiais necessários para a sua execução seriam fornecidos
por B.
Após ter iniciado a obra e com a sua execução a meio ocorreu
um violento terramoto que provocou um desmoronamento
total da mesma. C informou B do sucedido e pretende que este
lhe forneça novos materiais lhe pague o trabalho já realizado
para que ele possa continuar a executar a obra. B exige que C
conclua a obra mas não lhe fornece mais materiais.

O art.º 1227º é incompatível com o art.º 1228º.


O art.º 1227º é relativo a casos de impossibilidade absoluta.
Aqui se o objecto é recuperar a obra e havendo uma destruição
total não é possível recuperar. Tem de se construir tudo de novo.
Assim aplica-se o art.º 1227º. Se se entendesse que era uma
construção nos termos do art.º 1212º afere-se quem é o dono da
obra.
O dono da obra é B. O dono da obra suporta o risco. Mas que
risco? O dono da obra suporta os riscos dos materiais.
O empreiteiro suporta o risco da mão de obra, do trabalho.

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É um posição doutrinária de Pedro Martinez. Resulta do art.º 1227º
que o empreiteiro tem direito ao trabalho que já realizou. O art.º
1228º na diz. Portanto o empreiteiro tem de suportar o risco do
trabalho. O dono da obra é obrigado a fornecer os materiais, porque
foi isso o estipulado no contrato. Se o dono da obra não fornecer os
materiais não é uma impossibilidade absoluta do art.º 1227º. Se ele
não fornecer os materiais o empreiteiro não pode cumprir o
contrato. O empreiteiro invoca a excepção do art.º 801º e não
cumpre por culpa do dono da obra.

Suponha que ao construir a moradia C atendendo às


dimensões do terreno e sem nada dizer a B constrói uma
piscina ao lado da casa. Ao entregar a obra exige a B um
aumento do preço de 10.000c correspondente ao preço da
piscina. B aprova a ideia da piscina mas recusa-se a pagar o
preço por a não ter autorizado.

A piscina é uma obra com autonomia. Tendo autonomia enquadra-


se dentro do art.º 1217º. O art.º 1217º é omisso quanto à aceitação
da obra. O problema pode resolver-se de duas formas: - faz-se
novo contrato se as partes assim o entenderem relativamente à
piscina. – invoca-se as regras do enriquecimento sem causa
conjugando com as regras da acessão industrial – 1341º - 743º. O
empreiteiro não tem direito ao preço que pede mas o dono da obra
também não pode ficar com a piscina sem pagar nada. Terá de ser
ressarcido o empreiteiro com obediências às regras do
enriquecimento sem causa. O art.º 1341º só se aplica se a
construção do imóvel for feita em solo do dono da obra.

Imagine que 3 anos após B se ter instalado na casa esta ruía


parcialmente por um vício do solo que ambos desconheciam.
B vem exigir a C que este lhe repara a moradia e ainda os
danos causados nas mobilais. C refere que não tem qualquer
responsabilidade no sucedido e que não paga.

O dono da obra tem o direito a exigir do empreiteiro a


responsabilidade do art.º 1225º. O prazo de cinco anos começa a
contar a partir da data da entrega.
O empreiteiro tem de recuperar o imóvel e a reparar os prejuízos
causados.

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Regra geral o dono da obra tem 30 dias para denunciar os defeitos
– 1220º. Nestes casos do art.º 1225º tem um ano para denunciar os
defeitos. É uma excepção à regra geral do art.º 1220º.

Questão relativa à compropriedade:


E se os irmãos de A ao tomarem conhecimento da venda que
este fez vierem a reclamar a B que este lhe entregue o imóvel e
B se recusar por desconhecer que A não era o único
proprietário e por já ter realizado as obras. Que direitos têm os
comproprietários de A e que direitos assistem a B?

É uma situação de compropriedade – art.º 1408º/2, aplicam-se as


regras da venda de bens alheios – art.º 892º e ss.
Os direitos do comprador são: - ou exige a restituição do preço –
894º juntamente com indemnização ou – exige a convalidação do
contrato – 895º.
Esta ultima hipótese só é possível se os outros comproprietários
assim o desejarem. Como aqui não é o caso pois eles exigem a
restituição do imóvel, ele é obrigado a restituir o imóvel. Só não era
obrigado a restituir o imóvel se fosse o vendedor alegar a nulidade
do negócio – 892º/2.
O comprador, porque está de boa fé tem direito a exigir o
pagamento das benfeitorias realizadas e o vendedor é obrigado ao
pagamento das mesmas nos termos do art.º 901º.
A indemnização é cumulável com qualquer pedido.

Questão relativa a Mandato:


Para comprar as telhas para a casa B contratou com E,
profissional do ramo da construção civil, que este adquiriria as
telhas para B. No entanto as telhas seriam compradas em
nome de E para que este pudesse beneficiar de preços
especiais. Após ter adquirido as telhas E pretende ficar com
elas para si referindo que não compraria outras. Como pode B
reagir atendendo a que tem urgência na conclusão da obra?

RESPOSTA:

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Estamos na presença de um contrato de mandato. É um mandato
sem representação porque o mandatário compra em seu próprio
nome. O mandatário é obrigado a transmitir para o mandante o que
adquiriu – 1161º. Quando o mandatário celebrou o contrato assumiu
duas obrigações: - cumprir o mandato; - quando cumprir o mandato
transferir o bem para o mandante. Por aqui podemos recorrer à
execução específica e com ela obter a declaração judicial que
substitua a vontade do mandatário. Para se recorrer à execução
especifica é necessário que o mandato tenha sido revestido da
forma do contrato promessa, nos termos do art.º 410º/1 e 2. Se
assim não for não pode recorrer-se à execução especifica mas sim
às outras – acção de incumprimento – art.º 817º

... será que o Tonybrussel vai


respeitar o nosso contrato !?

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