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Apostila Gerenciamento de Crises

Apostila Gerenciamento de Crises

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GOVERNO DO ESTADO DA BAHIA SECRETARIA DA SEGURANÇA PÚBLICA POLÍCIA CIVIL DA BAHIA ACADEMIA DA POLÍCIA CIVIL

CURSO DE FORMAÇÃO DE AGENTE E ESCRIVÃO DE POLÍCIA 2008

GERENCIAMENTO DE CRISES

2

faz refém a professora Geisa F. 2 . no episódio que ficou conhecido como ônibus 174. Gonçalves.Sandro do Nascimento. desempregado . Rio de Janeiro em 12/06/2000.vítima da sociedade .

Extraído do Livro “A Arte da Guerra” 3 .Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo. perderá todas as batalhas.C. Sun Tzu. Se você não conhece o inimigo nem a si mesmo. não precisa temer o resultado de cem batalhas. 500 a. para cada vitória ganha. Se você se conhece mas não conhece o inimigo. sofrerá também uma derrota.

Por outro lado. a contextualização mais evidente de que para o policial. têm catalogado e estudado milhares de crises ocorridas nos Estados Unidos e. tem comprovado a necessidade cada vez maior do aprimoramento das instituições policiais e em especial dos seus profissionais. já não possui mais espaço em uma sociedade tão exigente. como já fora vivenciado no passado. da criminalidade e da inobservância aos direitos humanos. Uma vez observados e pontuados tais situações críticas. o Sistema de Defesa Social NorteAmericano. necessário se faz capacitá-lo de tal forma que ele tenha um leque. nas últimas quatro décadas. a partir desses estudos. o surgimento de uma crise é bastante provável. combater a criminalidade de forma empírica. Outro entendimento digno de registro mostra que não basta tão somente aumentar o número de policiais nas ruas para que as pessoas se sintam seguras e tranqüilas. principalmente se ele surpreende um crime em andamento. as instituições policiais ao enfrentamento de ocorrências que fujam da normalidade buscando conhecimentos técnicos na sua resolução. de alternativas táticas para a resolução das ocorrências com as quais irá se deparar. os fundamentos teóricos servem de suporte para o atendimento de eventos cruciais. Desta forma. Com essa convicção formada. na classificação e na tomada de decisões durante o processo. estabelecendo condutas e noções de ação planejada para a Polícia no gerenciamento de eventos cruciais. tendo como reflexos imediatos. no Brasil a doutrina sobre gerenciamento de crises é um tema recente. 4 . o mais amplo possível. com toda certeza. O processo evolutivo da violência. no exercício da sua função. Nas situações que a intervenção do aparato policial se faz essencialmente necessário. capacitando o policial na identificação. situações onde pessoas são tomadas como reféns. cada vez mais. criando um verdadeiro impasse e colocando em risco o mais valioso bem que um ser humano pode ter. a vida. o entendimento passou a ser de que ocorrências policiais desta natureza requerem um tratamento diferenciado e especializado. partimos do pressuposto de que. buscando a maior probabilidade de acerto. Para a Academia Nacional do FBI (Federal Bureau of Investigation). é necessário sim. desempenhar seu mister com tranqüilidade e autoconfiança. impuseram. Essa é.Apresentação O cenário de violência instalado e vivenciado pela sociedade brasileira nos últimos anos. aumentar nas ruas a quantidade de policiais com preparo técnico profissional. consciente e ao mesmo tempo necessitada de respostas policiais eficientes e eficazes.

Não se pode admitir neste ramo de atuação. sobretudo porque as ações como essas. ou um processo rápido e de fácil solução de problemas. Cada crise apresenta características únicas e exige. soluções individualizadas que demandam cuidadosa análise e reflexão". ganham destaque nacional e porque não afirmar internacional e certamente os seus possíveis erros tenderão a serem submetidos à divulgação. "exige das instituições policiais formação e treinamento especiais. portanto. O atendimento de ocorrências de alto risco exige das instituições policiais muito mais que boa vontade. Porém é importante lembrar que não é uma ciência exata. O gerenciamento de crises. pela complexidade que se apresenta. Ten PMBA Jorge Ramos de Lima Filho 5 . rusticidade e experiências acumuladas. uma polícia amadorística... expondo as fragilidades encontradas nas instituições policiais. empírica. (.tendo o Delegado da Polícia Federal Roberto das Chagas Monteiro como sendo o primeiro profissional e estudioso a publicar uma apostila relacionada ao assunto na década de 1990. pessoas que atendam perfis específicos para cada atividade desenvolvida no teatro de operações.) é uma tarefa que implica na resolução de problemas com base em probabilidades. como explica o TC PMTO Glauber de Oliveira Santos.

ÍNDICE Origem do Gerenciamento de Crises A Crise O Gerenciamento de Crises Características das Crises Objetivo do Gerenciamento de Crises Critérios de ação Classificação dos graus de risco Níveis de resposta Fases do processo de Gerenciamento de Crises FASE DA PRÉ-CONFRONTAÇÃO FASE DA CONFRONTAÇÃO (RESPOSTA IMEDIATA ou AÇÃO) FASE DA PÓS-CONFRONTAÇÃO DE UM EVENTO CRÍTICO Alternativas táticas NEGOCIAÇÃO CARACTERÍSTICAS QUE DEVE TER O NEGOCIADOR OBJETIVOS DA NEGOCIAÇÃO TÁTICAS DE NEGOCIAÇÃO .Regras Básicas TÉCNICAS NÃO-LETAIS O TIRO DE COMPROMETIMENTO (SNIPER) A INVASÃO TÁTICA Elementos de informações Fontes de informação BIBLIOGRAFIA 07 07 10 12 13 13 14 15 15 16 17 21 22 22 23 23 23 24 25 25 26 26 28 6 .

O termo “crise” – que possui variações mínimas em muitos idiomas – origina-se do grego krinein. o Gerenciamento de Crises tornou-se matéria de tão grande importância. Destarte. Raro será o noticiário ou o jornal que não dispense a veiculação da palavra crise no seu contexto. Pai da Medicina. Nas Academias de Polícia dos EUA. traduzindo-se em um momento perigoso ou difícil de um 7 .Origem do Gerenciamento de Crises A doutrina estudada e aplicada sobre Gerenciamento de Crises no Brasil. É bem verdade que o termo crise sofreu um processo de banalização nos últimos anos. muita das vezes. não há uma distinção clara entre os conceitos de “crise” e “oportunidade”. Todo momento de crise traz embutida a oportunidade de crescer. e em especial na Academia Nacional do FBI (Federal Bureau of Investigation). Segundo Salignac (2001): A ciência política considera uma crise quando o Estado percebe uma brusca mudança na vida em sociedade. nos cursos de especialização e aperfeiçoamento de policiais. Cumpre guardar essa noção. têm proporcionado uma padronização no atendimento de ocorrências em eventos cruciais. enfim. a oportunidade de rever conceitos e métodos. que é ministrada tanto nos cursos de formação. Em diversos idiomas orientais. o mesmo ideograma representa as duas idéias e o tradutor ocidental certamente escolherá o significado que lhe aparecer mais apropriado. repentino e rápido. quanto para os Encarregados da Aplicação da Lei nos dias atuais: na essência do termo “crise” está uma qualidade – mais arte do que ciência – definida como “a capacidade de bem julgar”. que quer dizer “decidir” ou. a oportunidade de mudar o mundo. há uma lição prática a observar: a “crise” não deve ser vista como algo apenas negativo. “a capacidade de bem julgar”. No “gerenciamento de crises”. com teor manifestamente violento. mais apropriadamente. na Grécia Antiga. como também. consequentemente. fazendo com o que. estando atualmente o assunto consolidado em bases doutrinárias consistentes. Podemos até afirmar que tal disciplina se apresenta como sendo essencialmente necessária na cartilha dos executivos de polícia daquele país. válida tanto para Hipócrates. já vem sendo consolidada a praticamente duas décadas recebendo um tratamento de caráter científico nos EUA. É um evento imprevisível capaz de provocar prejuízos significativos a uma instituição e. O estudo etimológico da palavra “crise” nos mostra o seu verdadeiro significado atual. o resultado de tal conscientização sobre sua importância. este lado positivo do fenômeno. A Crise Primeiramente temos que entender que crise é diferente de problema. No chinês. A primeira – e muito apropriada – aplicação do termo ocorreu na Medicina. aos seus integrantes. é o que perdurará da ação policial.

a crise é também conhecida como evento ou situação crucial e se mal administrada. Por outro lado. Para o Gabinete de Gerenciamento de Crises – GCRISES da Polícia Militar do Ceará. utiliza a definição de crise como sendo: “Fenômeno complexo. a fim de assegurar uma solução aceitável”. ético e até mesmo no segmento religioso.processo do qual deve emergir uma solução. que exija uma resposta especial da Polícia. da normalidade. No contexto policial. pode macular a credibilidade e a imagem da instituição policial. caracterizado por um estado de grandes tensões. cita o conceito de crise adotada pela Academia Nacional do FBI. enfim. (grifo nosso) FBI Destacamos a expressão “resposta especial da Polícia” para ressaltarmos que. o conceito de crise se apresenta como sendo: “Todo o incidente ou situação crucial não rotineira. pois. deverá necessariamente possuir uma solução aceitável em todos os segmentos da sociedade. Uma verdadeira manifestação violenta e imprevisível do rompimento do equilíbrio. de diversas origens possíveis. da paz social. Há uma crise quando a tranqüilidade social está em dissonância com a realidade percebida. o fato que leva à crise é o que se denomina situação crítica. internas ou externas ao País. o evento grave. ou seja. a responsabilidade de gerenciar e solucionar as situações cruciais são exclusivamente das instituições policiais e a expressão “solução aceitável”. por mais simples que seja a solução para uma crise. O Delegado da Polícia Federal Roberto das Chagas Monteiro. O Gabinete de Segurança Institucional da República Federativa do Brasil. Parte-se da situação crítica para a crise. para mostrar e ao mesmo tempo chamar a atenção que não é utilizando qualquer forma ou qualquer método que resolvemos um evento crucial. difícil e perigoso aponta a crise. seja no segmento moral. em uma de suas obras (1994). como sendo: “Um evento ou situação crucial que exige uma resposta especial da Polícia. em razão da possibilidade de agravamento 8 . político. segundo o FBI. com elevada probabilidade de agravamento – e risco de sérias conseqüências – não permitindo que se anteveja com clareza o curso de sua evolução”. Gabinete de Segurança Institucional da República Federativa do Brasil.

então vejamos: “Fenômeno sócio-político-administrativo que possui natureza crucial e necessita de uma intervenção especial dos órgãos que compõem o Sistema de Defesa Social. dentre outras ocorrências de vulto. entendê-lo e solucioná-lo de forma a preservar vidas humanas”.Tentativas de suicídio. objetivando abordálo. .Assalto com tomada de reféns. coordenados pela Polícia.Invasão de terras. . 9 .Atos de terrorismo. Definido o que seja crise no contexto policial. PMBA Uma crise é um problema de certa gravidade e urgência que os órgãos que compõem o Sistema de Defesa Social. bloqueios de estradas. e que possa manifestar-se através de motins em presídios. em que os órgãos que compõem o Sistema de Defesa Social do Estado terão que dar uma resposta especial: . . torna-se conveniente e importante registrar alguns exemplos de crises. .Seqüestro de pessoas. nos mostra o balizamento oriundo do conceito formulado pelo FBI. . atos de terrorismo. GCRISES da PMCE O conceito de crise desenvolvido e aplicado pela Polícia Militar do Estado da Bahia. tentativas de suicídio. com emprego de técnicas especializadas”.conjuntural. . devem identificá-lo. seqüestros.Assalto a bancos com reféns.Rebelião em Estabelecimentos Prisionais. . ocupação ilegal de terras. . entendê-lo e juntos buscarem soluções aceitáveis objetivando sempre preservar vidas humanas e aplicar a Lei. assaltos a bancos com reféns.Ameaça de bombas. inclusive com risco de vida para as pessoas envolvidas. surpreendendo as autoridades e exigindo uma postura imediata das mesmas.Capturas de fugitivos.

como se antecipar ou prevenir algo que é imprevisível? Simples! Fazendo o que estamos neste momento. adequados para solução de crise. ao nos prepararmos técnica e profissionalmente. as expressões “antecipação” e “prevenção”. que se utiliza. que exigem uma cuidadosa análise e reflexão”. os recursos estratégicos. pois. “o Gerenciamento de Crises por sua vez pode ser descrito. exigirá dos órgãos que compõem o Sistema de Defesa Social do Estado. uma vez instaurada. sejam medidas de antecipação. pode causar estranheza o conceito ora firmado e consolidado pelo FBI e uma das características da crise. como uma metodologia. ter como uma de suas características a imprevisibilidade e no conceito de gerenciamento de crises.O Gerenciamento de Crises A crise. formulado pelo FBI. ou seja. Para que se possa entender melhor as supostas “incoerências”. exigindo. A Academia Nacional do FBI conceitua o Gerenciamento de Crises. uma resposta imediata que acontecerá através do gerenciamento. ou seja. supondo que eu trabalhe num Estabelecimento Prisional e o simples fato de estar preparando um “plano de contingência”. já estamos fazendo parte desta antecipação. Como nos ensina o Ten PMES Irio Doria Junior (SENASP 2007). obter e aplicar os recursos necessários à antecipação. prevenção e resolução de uma crise. da seguinte forma: “Gerenciamento de Crises é o processo de identificar.” (grifo nosso) FBI Importante ter destacado do conceito de Gerenciamento de Crises formulado pelo FBI. pois cada crise apresenta características exclusivas. possuir a expressão “antecipação” e “prevenção”. 10 . O Gerenciamento de Crises pode ser descrito como um processo racional e analítico de resolver problemas baseados em probabilidades. a imprevisibilidade. soluções particulares. Devemos observar que o Gerenciamento de Crises não é uma ciência exata. construindo. como sendo: “Considera-se Gerenciamento de Crises o processo eficaz de se identificar. no primeiro momento. de uma seqüência lógica para resolver problemas que são fundamentados em possibilidades. ou seja. obter e aplicar. primeiramente teremos que fazer o seguinte questionamento: como pode um evento crucial. estudando. de conformidade com a legislação vigente e com o emprego das técnicas especializadas. já faz parte desta prevenção tão bem preconizada no conceito formulado pelo FBI. O Gabinete de Gerenciamento de Crises – GCRISES da Polícia Militar do Ceará considera o Gerenciamento de Crises. muitas vezes. Da mesma forma que. enfim. firmando a doutrina sobre Gerenciamento de Crises. uma crise.

por suas características. Além do que. define Gerenciamento de Crises sendo: “O processo de gestão política. visando identificar. 3. no cenário da Segurança Pública. 11 . obter e aplicar os recursos necessários à prevenção. a Polícia Militar do Estado da Bahia. a fim de assegurar o completo restabelecimento da ordem pública e da normalidade da situação”. a ampla divulgação de tais erros causa um desgaste da confiança e por sua vez um descrédito da sociedade nas instituições policiais e um constrangimento natural dentro da própria comunidade policial. de onde podemos afirmar que. A crise é não-seletiva e é inesperada. podemos afirmar que a capacidade de gerenciar crises torna-se necessária para todas as organizações policiais. voltados para a utilização de conhecimentos técnico-científicos no fenômeno de crise. pelas seguintes razões: 1. ou seja. geram e criam. se o processo for mal conduzido.prevenção e/ou resolução. Assim sendo. sempre situações decisivas. estratégica. tática e administrativa por equipes de profissionais. PMBA Conforme menciona Ten PMES Doria (SENASP 2007). Os órgãos encarregados de gerenciar e resolver a crise agem em nome do Estado. ninguém está imune à ocorrência de uma crise em sua área de atuação e tampouco poderá prever quando esse evento vai ocorrer. onde o Gerente da crise deve estar preparado para ser o administrador de todo um cenário. GCRISES da PMCE Não obstante o conceito de Gerenciamento de Crises formulado pelo FBI. as ocorrências que envolvem crises policiais. A veiculação dos fatos pela mídia durante o desencadear de um evento crucial. especialmente nos casos em que houver mortes de reféns ou pessoas inocentes. poderá gerar problemas de responsabilidade civil para o Estado. faz com que os erros que porventura possam ser cometidos pelas instituições policiais no processo de gerenciamento de crises sejam vistos sob uma lente de aumento. resolução e estudo de ocorrências de alto risco”. em consonância com a doutrina norte-americana. 2.

Deve avaliar potenciais riscos e preparar planos preventivos para agir em relação a cada situação. devemos estar preparados para enfrentar qualquer crise. graças a um preparo e a um treinamento prévio da organização para o enfrentamento de eventos críticos. Sabemos que ela vai acontecer. ainda que inexistam outras vidas em perigo. Os eventos cruciais de alta complexidade impõem às autoridades policiais responsáveis pelo seu gerenciamento: urgência. buscando suicidar-se. agilidade e rapidez nas decisões. econômicos. são consideravelmente prejudicados por fatores como a insuficiência de informações sobre o evento crítico. se alguém ameaça se jogar do alto de um prédio. Sendo assim. a intervenção da mídia e o tumulto de massa geralmente causado por situações dessa natureza. a qualquer hora. O gerenciamento de uma crise deve ser trabalhado sob uma compreensão de tempo e considerando os mais complexos problemas: sejam sociais. COMPRESSÃO DE TEMPO (urgência) – Os processos decisórios que envolvem discussões para adoção de posturas no ambiente operacional devem ser realizados. é a única cujos efeitos podem ser minimizados. qualquer pessoa ou instituição pode ser atingida a qualquer instante.Características das Crises A doutrina norte-americana formulada pela Academia Nacional do FBI (EUA). 12 . por exemplo. durante o desenrolar de uma crise. principalmente. em um curto espaço de tempo. A capacidade de implementação resume-se na habilidade que terá o Gerente da crise em mobilizar todos os recursos necessários para solucionar a crise. enumera três características principais sobre um evento crucial: AMEAÇA À VIDA – Configura-se como um componente essencial do evento crítico. IMPREVISIBILIDADE – A crise é não-seletiva e inesperada. quando a instituição policial não desprende energias suficientes para se planejar antes mesmo da crise acontecer. isto é. as instituições policiais não podem se valer da possibilidade de se preparar tão somente quando o evento crítico acontecer. Contudo. a que causa maiores transtornos ao processo de gerenciamento. Planejamento analítico especial e capacidade de implementação: Sobre a necessidade de um planejamento analítico especial é importante salientar que a análise e o planejamento. mas não podemos prever quando. em qualquer local. políticos e ideológicos. mesmo quando a vida em risco é a do próprio indivíduo causador da crise. NECESSIDADE DE: Postura organizacional não-rotineira: A necessidade de uma postura organizacional não-rotineira é de todas as características essenciais. Assim. essa situação é caracterizada como uma crise.

A aplicação da lei deverá consistir na prisão dos infratores protagonistas da crise. A doutrina de Gerenciamento de Crises do FBI estabelece três critérios de ação.Considerações legais especiais: Com relação às considerações legais especiais exigidas pelos eventos críticos. ACEITABILIDADE LEGAL – Toda decisão deve ser tomada com base nos princípios ditados pelas leis. o GERENTE DA CRISE (mais alta autoridade presente no teatro de operações) tomará decisões das mais diversas espécies e pertinentes aos mais variados assuntos. responsabilidade civil. garantindo o estado de direito. sendo muito importante na sua solução um perfeito entrosamento entre as autoridades responsáveis pelas organizações policiais envolvidas. Objetivo do Gerenciamento de Crises O Gerenciamento de Crises tem como principal objetivo. a validade do risco e a aceitabilidade. O critério da validade do risco. A aceitabilidade. legítima defesa. os reféns. estrito cumprimento do dever legal. O critério da necessidade indica que toda e qualquer ação somente deve ser implementada quando for indispensável. implica em que toda ação deve ter respaldo legal. A preservação de vidas serve para todos os envolvidos no cenário da crise. PRESERVAR VIDAS e APLICAR A LEI. “Quem ficará encarregado do gerenciamento?” . a saber: a necessidade. nos mostra que toda e qualquer ação têm que levar em conta se os riscos dela advindos são compensados pelos resultados. etc. a doutrina estabelece o que se chamam critérios de ação. possa contribuir para uma momentânea fuga ou vitória dos elementos causadores da crise. além de reflexões sobre temas como estado de necessidade. os policiais e até mesmo os criminosos. cabe ressaltar que. o aspecto da competência para atuar é aquele que primeiro vem à baila. 13 . na proteção do patrimônio público privado. ao se ter notícia do desencadeamento de uma crise.é o primeiro e mais urgente questionamento a ser feito.. como também. o público em geral. mesmo que optando por preservar vidas de inocentes. Critérios de ação No decorrer do processo do gerenciamento de uma crise. Para balizar e facilitar o processo decisório no curso de uma crise. moral e ético. O Gerente de uma situação de crise deve ter sempre em mente esses objetivos. em absoluta ordem axiológica. que se traduzem em referenciais para nortear a tomada de decisões.

mantendo oitenta reféns a bordo de uma aeronave. afirmando que seu conteúdo é radioativo e de alto poder destrutivo ou letal. ACEITABILIDADE ÉTICA – O responsável pelo gerenciamento da crise. Terroristas armados de metralhadoras ou outras armas automáticas. Essa classificação obedece a um escalonamento de quatro graus: 1º Grau – ALTO RISCO 2º Grau – ALTÍSSIMO RISCO 3º Grau – AMEAÇA EXTRAORDINÁRIA 4º Grau – AMEAÇA EXÓTICA CLASSIFICAÇÃO 1º GRAU TIPOS ALTO RISCO EXEMPLOS (FBI) Assalto a banco promovido por uma ou duas pessoas armadas de pistola ou revólver. o resultado da mesma não pode exigir de seus comandados a prática de ações que causem constrangimentos à corporação policial. por um motivo qualquer. no momento das suas tomadas de decisões. Um assalto a banco por dois elementos armados mantendo três ou quatro pessoas como reféns. ameaça uma população. esta dentro dos princípios morais e éticos da sociedade? Classificação dos graus de risco O objetivo de estudarmos e entendermos a classificação dos graus de risco ou ameaça dos eventos críticos. A avaliação da classificação do grau de risco deve ser uma das primeiras ações a ser mentalizada pelo Gerente da crise. ao tomar uma decisão. 2º GRAU ALTÍSSIMO RISCO 3º GRAU AMEAÇA EXTRAORDINÁRIA 4º GRAU AMEAÇA EXÓTICA 14 . o GERENTE DA CRISE. deve estar a todo o momento se questionando sobre as suas determinações ou decisões: É necessário correr este risco ou existe uma outra forma de se resolver? Vale a pena correr este risco? A minha decisão possui um respaldo legal. sem reféns. Um indivíduo de posse de um recipiente. Resumindo. deve fazê-lo lembrando que. é para dimensionarmos os recursos humanos e materiais a serem empregados na ocorrência de forma que não fiquem super ou subdimensionados.ACEITABILIDADE MORAL – Toda decisão para ser tomada deve levar em consideração aspectos de moralidade e bons costumes.

1994). . para a solução do evento. a doutrina nos ensina que o processo de Gerenciamento de Crises se inicia muito antes da crise eclodir. observaremos que ele continua mesmo tendo sido solucionado a crise. As fases do processo de Gerenciamento de Crises são divididas em: . ou seja. juntamente com outros efetivos de reforço.Níveis de resposta Os níveis de resposta correlacionam-se com o grau de risco do evento crítico. concorre favoravelmente. evitando-se. na medida em que cresce o vulto da crise. As guarnições do Policiamento Ordinário e as guarnições da Cia Especial de área com o apoio de Unidades Especializadas poderão atender a ocorrência. NÍVEL UM RECURSOS EFETIVO ORDINÁRIO + CIA ESPECIAL EFETIVO ORDINÁRIO + CIA ESPECIAL + COE TODOS DO NÍVEL DOIS + REFORÇO TODOS DO NÍVEL TRÊS + ASSESSORIA ESPECIAL RESPOSTA As guarnições do Policiamento Ordinário e as guarnições da Cia Especial de área poderão atender a ocorrência. o nível de resposta sobe gradativamente na escala hierárquica.Fase da pós-confrontação. DOIS TRÊS QUATRO Uma correta avaliação do grau de risco ou ameaça. como também. o primeiro pensamento que nos vem a cabeça. Entretanto. Fases do processo de Gerenciamento de Crises Quando falamos sobre fases do processo de Gerenciamento de Crises. o oferecimento de um nível de resposta adequado à situação. possibilitando. desde o início.Fase da confrontação. As equipes especializadas são empregadas com o auxílio de áreas específicas. é que o processo de Gerenciamento de Crises só se inicia quando o evento crucial explode. representado por uma crise.Fase da pré-confrontação. As guarnições do Policiamento Ordinário e as guarnições da Cia Especial de área com o apoio de Unidades Especializadas poderão atender a ocorrência. . perdas de tempo desnecessárias (MONTEIRO. 15 . destarte.

planejando-se para que possa atender qualquer crise que vier acontecer na sua esfera de competência. mesmo com a existência do policiamento preventivo. ou seja. que irão permitir aos órgãos e pessoas envolvidos em um evento crítico. no Estado da Bahia as instituições de um modo geral têm trabalhado numa constante harmônica cooperação. operacionalmente através de instruções e operações simuladas. a necessidade de padronização de posturas e de cooperação para resolução dos conflitos da vida moderna. A ausência e ou carência de uma destas fases proporcionarão dificuldades ou até mesmo impedirá uma resposta satisfatória para sociedade. evitando assim. cabendo às Policiais Militares o Policiamento Ostensivo. a instituição policial se prepara. Durante esta fase. elucidar delitos. pesquisa) de doutrina. com cursos. proporcionando a sociedade baiana. no seu Art. bons resultados na resolução de conflitos críticos. atribuindo às Policiais Civis a repressão mediata. as técnicas de respostas. através da investigação policial. a competência dos órgãos do Sistema de Defesa Social (SDF). em relação à logística. contra a escalada da violência que vitima a nossa sociedade. É a fase da normatização. Apesar de constar na Constituição Federal de 1988. Em alguns estados membros da União existe norma específica sobre a matéria. possuir condições de interagir de maneira pró-ativa com as situações encontradas. utilizadas pelo Sistema de defesa Social do Estado. tendo o devido cuidado com referencia ao nível de informação. 16 . da formação (apresentação. ocorrendo o delito o PM deverá de imediato agir em defesa da sociedade. administrativamente. estruturação e treinamento. 144. estudo. o conflito de atribuições. da elaboração de um plano de contingência ou segurança. palestras e oficinas. a Secretaria de Segurança Pública tem transmitido aos integrantes do Sistema de Defesa Social (SDF). estágios. além de subsidiar o Poder Judiciário através do Inquérito Policial dos elementos para o início da ação penal. para não reduzir ou até mesmo anular. a repressão imediata (instantânea). ou seja. Esta é a fase em que nos encontramos neste exato momento. Muito embora.FASE DA PRÉ-CONFRONTAÇÃO (PREPARO) É a fase que antecede a confrontação do evento crucial. São todos aqueles procedimentos fundamentais. arranhando desta forma a credibilidade do Sistema de Defesa Social (SDF) e colocando vidas em risco. FORMAÇÃO DE DOUTRINA É de fundamental importância que os envolvidos em eventos críticos tenham o conhecimento dos procedimentos a serem adotados quando na confrontação e através de um programa contínuo e criterioso de divulgação. NORMATIZAÇÃO A normatização serve antes de tudo como o embasamento legal de atuação dos órgãos envolvidos.

TREINAMENTO Como já entendemos que crise é um fenômeno social. avaliando através de estudo de casos os procedimentos adotados em todas as ocorrências. logo. (grifo nosso) É a fase do conflito propriamente dito. Segundo Monteiro (1994) “(. na maioria dos casos são eles que serão os primeiros a se depararem com tais ocorrências.. em 2001. o aprimoramento técnicoprofissional deve ser contínuo.. exemplificando a contenção que fora realizada na manutenção do perpetrador dentro do ônibus no caso do Ônibus 174. “a contenção de uma crise consiste em evitar que ela se alastre. Nesta fase. ESTRUTURAÇÃO Com aumento de ocorrência desta natureza. são de extrema importância. isto é.) de uma resposta imediata eficiente depende quase que 60% do êxito da missão policial no gerenciamento de uma crise”. os Policiais Militares que estão no serviço de policiamento ostensivo. ou seja. notáveis e importantes na nossa estrutura. e como fenômeno social está sempre num processo de mudanças. vias de escape. dividida nas seguintes etapas: CONTENÇÃO Como menciona Ten PMES Doria (SENASP 2007). FASE DA CONFRONTAÇÃO (RESPOSTA IMEDIATA ou AÇÃO) A fase de confrontação ou resposta imediata corresponde ao momento em que as primeiras medidas devem ser adotadas. 17 . avaliando-se dentro do Estado os locais. acontecido no Rio de Janeiro. tenham acesso a mais armamento. conquistem posições mais seguras. formando um banco de dados eficiente. imediatamente a eclosão de um evento de alta complexidade. pois. a contenção é o impedimento do deslocamento do ponto crítico”. reduzindo desta forma a incidência dessas ocorrências ou minimizando seus efeitos quando é deflagrada. esta estagnação poderá custar uma preciosa vida. ficou irreversível a necessidade de criação de uma estrutura específica para tratar do assunto. ou melhor. ampliem a área sob seu controle. onde ocorre a resposta imediata da Polícia através de ações urgentes de controle da área crítica.PLANO DE CONTIGÊNCIA OU SEGURANÇA O plano de contingência ou segurança está intimamente relacionado ao planejamento estratégico que é elaborado pelas instituições. pessoas e negócios sensíveis. pois. Completa ainda. uma vez conhecedores da doutrina sobre gerenciamento de situações cruciais. impedindo que os seqüestradores aumentem o número de reféns. os profissionais que atuam nesta área não podem se permitir parar no tempo. guarnecidas. espaço definido e principalmente equipamentos eficientes para fazer frente aos eventos críticos. com pessoal treinado.

linha telefônica. poder de letalidade do armamento que está sendo 18 . armamento utilizado. das vítimas ou reféns e dos protagonistas do evento. Tenham acesso a recursos que facilitem ou ampliem o seu potencial ofensivo. que propiciam a segurança da população. Após a evacuação serão determinados os perímetros interno e externo. das autoridades envolvidas. Conquiste posições mais seguras. a ressalva do Ten PMES Doria (SENASP 2007). como: transeuntes e trabalhadores do local. sistema de abastecimento de água. da imprensa. Permite que a Polícia assuma o controle como único veículo de interlocução.. pois dependeremos de vários fatores como: espaço físico onde esta ocorrendo a crise. é a ação policial que visa evitar o agravamento da situação ou que ela se alastre.. gás e qualquer outro meio de independência por parte dos causadores. quantidade de causadores. Amplie a área de controle. É o “congelamento” do objetivo (local). Os perpetradores devem ser isolados de forma que se imponha a eles a sensação de estarem completamente sozinhos. A técnica recomenda que este contato inicial seja através de instrumentos de comunicação como megafone. Mesmo que a autoridade que primeiro tiver contato com a crise não seja um negociador oficial. “(.) dentro do isolamento será feito a evacuação das pessoas que não são envolvidas com a ocorrência. conhecimento do espaço físico. visual. É o principal momento em que o policial pode encontrar uma certa agressividade por parte dos causadores.” INÍCIO DAS NEGOCIAÇÕES Considerado o momento mais tenso. Torna-se conveniente registrar. Quanto melhor o isolamento melhor a possibilidade de negociação. A sua forma e tamanho podem variar de acordo com cada ocorrência. ISOLAMENTO É a ação policial que visa cortar todos os meios de contato. PERÍMETROS DE SEGURANÇA São os anéis de controle. etc.Enfim. impedindo que o causador: Aumente o número de reféns. audiovisual e ou material dos envolvidos diretamente no conflito. este deverá iniciar o processo de negociação assim que as condições do terreno o permitam. Recomenda-se o corte de energia elétrica. A ação de isolar o ponto crítico se desenvolve praticamente ao mesmo tempo em que a de conter a crise. por não termos os elementos essenciais de informações. como número de reféns ou vítimas. visando interromper o contato da vítima ou refém e principalmente do causador com o exterior.

• PERÍMETRO EXTERNO É o local onde deverão ficar todas as pessoas que não estão envolvidas diretamente com o conflito. Faz levantamento periódico da situação psicológica dos causadores.utilizado e a tipologia do causador do evento crítico. Tem controle direto sobre os negociadores. a depender do grau de risco e proporcionalidade da ocorrência. a imprensa. 19 . CHEFE DO GRUPO DE NEGOCIADORES Está subordinado diretamente ao CTO. observando os critérios de ação. É quem autoriza todas as ações táticas (com exceção das abordagens emergenciais). Assegura o cumprimento das estratégias do CTO. O Comandante do Teatro de Operações é: Autoridade máxima para todas as ações no local. neste perímetro ficam instalados: COMANDANTE DO TEATRO DE OPERAÇÕES (CTO) A competência para gerir as atividades policiais é atribuída naturalmente aos Comandantes de Unidade Operacional. Assegura a coordenação de iniciativas táticas com os integrantes do grupo tático. É quem estabelece e supervisiona a cadeia de comando e assegura uma coordenação com o seu substituto. são acionados outras autoridades para o local. através de entendimento do escalão superior. vale lembrar que quanto maior suas dimensões. etc. a exemplo de curiosos. bem como do negociador principal. INTERMEDIÁRIO e INTERNO. policiais de folga ou de serviço em outra área de atuação. Quem adota as medidas doutrinárias. • PERÍMETRO INTERMEDIÁRIO É local onde é estabelecida toda estrutura operacional para resolução do conflito. mais difícil sua manutenção. Formula táticas de negociação específicas e apresenta ao CTO para aprovação. Os perímetros de segurança geralmente são divididos em três etapas: EXTERNO. É quem determina à estratégica. Determina condições viáveis de negociação e as recomenda ao CTO.

Determina as opções táticas viáveis e as recomenda ao CTO. CHEFE DO GRUPO DE VIGILÂNCIA TÉCNICA É quem recomenda as opções de vigilância técnica ao CTO. CGT e Negociadores). GRUPO DE LOGÍSTICA Têm como missão: Prover e coordenar o sistema de transporte entre o local da crise e a repartição policial. Matem um completo inventário dos equipamentos e demais insumos utilizados no local da crise. COMANDANTE DO GRUPO TÁTICO Tem o controle direto sobre a zona estéril. Prover e coordenar a distribuição de víveres e local de repouso da tropa. Pessoal de logística. CHEFE DO GRUPO DE APOIO ADMINISTRATIVO Coordena os elementos de apoio administrativo. 20 . analisa e difunde informações atuais e oportunas a todos os usuários (CTO. com vistas à coleta de informações.CHEFE DO GRUPO DE APOIO OPERACIONAL Coordena os elementos de apoio operacional envolvido no gerenciamento das subunidades operacionais. dos grupamentos especializados da unidade. Formula planos táticos específicos. Assessoria de imprensa. Desenvolve e assegura a consecução de diretrizes investigatórias. financeiro e logístico. Elementos de assessoria exógena. Prover e coordenar os serviços de manutenção. do acionamento do plano de chamada e da elaboração de escalas de serviço. GRUPO DE INFORMAÇÕES Coleta. envolvidos no gerenciamento como: Pessoal de informações. visando apoiar as estratégias concebidas pelo CTO. Prepara à vigilância técnica de modo a retro alimentar o sistema de defesa social e respaldar a ação policial. Assegura a comunicação rápida das informações passadas pelos atiradores de precisão. processa.

é o acionamento de atendimento médico para o local. ela tem que está pautada antes de tudo na aceitabilidade legal. moral e ética. visando verificar o seu estado de saúde. os reféns (se houver) e os policiais especialmente designados. falar antes com o CTO. sobre o que vai ser passado. Utilizar a própria mídia como fator de sucesso no gerenciamento da crise. ao final da ocorrência mesmo que a pessoa não queira ser atendida. somente devem permanecer os perpetradores. Epidemiologia. Deve estar se policiando para não passar. • PERÍMETRO INTERNO O perímetro tático interno é um cordão de isolamento que circula o ponto crítico. torna-se conveniente que um profissional da área de saúde. No seu interior. FASE DA PÓS-CONFRONTAÇÃO DE UM EVENTO CRÍTICO Fase que sucede o encerramento de um evento crítico. Exemplo: Medicina. Antes de iniciar cada contato com a imprensa. para as devidas orientações.GRUPO DE ASSESSORIA EXÓGENA Aplicação de assessoria de profissionais ligados a áreas de conhecimentos não dominados pelo aparelho policial. alguém que conheça de Comunicação Social. vamos citar algumas dentre as varias medidas que o aparelho policial precisa adotar após a confrontação: Atendimento médico para os reféns ou vítimas: Uma das primeiras medidas a serem tomadas. ASSESSORIA DE IMPRENSA Preferencialmente terá a frente dessa missão. formando o que se denomina de zona estéril. de forma alguma. Energia Nuclear. Cumprimento das garantias: Não podemos garantir o que não podemos cumprir. técnicas ou táticas empregadas na operação. Algumas pessoas acreditam que com a libertação dos reféns a ocorrência já está terminada. e desta forma evitar certas surpresas. etc. possa fazer este primeiro contato. É o único elemento responsável pela divulgação dos fatos. Estabelecida a negociação por parte do aparelho policial. 21 .

Invasão tática. reportagens. Estudo de Caso pormenorizado (Fotos. e a sua reincidência somente encontra explicação razoável no fato de a grande maioria das 22 . sendo muitas as suas atribuições. a utilização de religiosos. atribuindo inclusive.Tiro de comprometimento. não podemos esquecer que este relatório é uma das peças fundamentais do processo legal. conhecimento do espaço físico. filmagens. depoimentos. NEGOCIAÇÃO Considerado o momento mais tenso. armamento utilizado. . manuscritos. Relatório do Evento (Fatos e críticas): Constar tudo que for julgado importante sobre a ocorrência. Monteiro (1994) cita em uma de suas obras que: “Faz parte da história policial recente. como já ocorreram e ocorrem em diversas ocasiões. É o principal momento em que o policial pode encontrar uma certa agressividade por parte dos causadores. não seja um negociador oficial. no Brasil. influente ou não. documentos etc. Mesmo que a autoridade que primeiro tiver contato com a crise.Autuação em Flagrante dos causadores torna-se uma conseqüência natural na maioria das ocorrências de Gerenciamento de Crises. com resultados prejudiciais para um eficiente gerenciamento dos eventos críticos. como número de reféns ou vítimas. tem um papel de grande responsabilidade no processo de gerenciamento de crises. A técnica recomenda que este contato inicial seja através de instrumentos de comunicação como megafone. pois. psicólogos. Tal prática tem-se revelado inteiramente condenável. . este deverá iniciar o processo de negociação assim que as condições do terreno permitir. quantidade de causadores. não pode a sua função ser desempenhada por qualquer outra pessoa. políticos e até Secretários de Segurança Pública como negociadores. . O negociador. por não termos os elementos essenciais de informações. as alternativas táticas existentes no processo de Gerenciamento de Crises são: . etc.Negociação. pessoa com treinamento específico. Assim sendo. Alternativas táticas De acordo com a doutrina norte-americana. entrevistas. responsabilidades aos seus autores.). e com riqueza de detalhes. ainda assim.Técnicas não-letais.

organizações policiais do país não ser dotada de uma equipe de negociadores constantemente treinada para essa missão”. Deixe o indivíduo falar . OBJETIVOS DA NEGOCIAÇÃO: • • • • Ganhar tempo. Maleabilidade. Escolha a ocasião correta para fazer contato. Abrandar exigências.Regras Básicas: • • • • • • • • • • • • Estabilize e contenha a situação. Não ter poder de decisão. Perspicácia. Espírito de equipe. Comunicabilidade. na busca de uma solução aceitável. CARACTERÍSTICAS QUE DEVE TER O NEGOCIADOR: • • • • • • • • • Conhecimento global da doutrina. Nunca estabeleça um prazo fatal e procure não aceitar prazo fatal. TÁTICAS DE NEGOCIAÇÃO . Disciplina Autoconfiança Autocontrole.é mais importante ser um bom ouvinte que um bom conversador. as exigências dos causadores do evento crítico e a postura das autoridades. Nunca diga a palavra “NÃO”. Não ofereça nada ao indivíduo. Atenda pequenas exigências. Fleugma e paciência. Respeitabilidade e confiabilidade. evitando truques. Procure ganhar tempo. O papel mais específico do negociador é o de ser intermediário entre os causadores da crise e o Comandante do Teatro de Operações. Colher informações. Procure abrandar as exigências. Ele é o canal de conversação que se desenvolve entre. Não faça sugestões alternativas. 23 . Evite dirigir a sua atenção as vítimas com muita freqüência e não os chame de refém. Seja tão honesto quanto possível. Prover um suporte tático.

danos indesejáveis à propriedade e comprometimento do meio ambiente. “menos letal” e “menos que letal” podem ser usados. além de Não produzir o efeito desejado. TÉCNICAS NÃO-LETAIS É o conjunto de métodos utilizados para resolver um determinado litígio ou realizar uma diligência policial. munições e equipamentos não-letais em atuações policiais.. com o passar do tempo e seu emprego. ferimentos permanentes no pessoal. • Equipamentos não-letais – todos os artefatos – inclusive os não classificados como armas – desenvolvidos com finalidade de preservar vidas. Podem ser empregadas em armas convencionais ou específicas para atuações não-letais. • Não-letal é o conceito que rege toda a produção. • Munições não letais – são as munições desenvolvidas com objetivo de causar a redução da capacidade operativa e/ou combativa do agressor ou oponente. Evite negociar cara a cara. é: “Toda ação coroada de êxito. Segundo o conceito adotado pela Polícia Militar do Estado de São Paulo. afirmar que as terminologias “não letal”. • Técnicas não-letais – conjunto de métodos utilizados para resolver um determinado litígio ou realizar uma diligência policial. 4). armas. 24 . principalmente não troque um negociador por refém. e não do resultado incondicional do uso de tais tecnologias ou equipamentos.. utilização e aplicação de técnicas. têm mostrado que os equipamentos tidos como não-letais. inclusive os equipamentos de proteção individual (EPI’s). de modo a preservar as vidas das pessoas envolvidas na situação. então.) somente utilizando a arma de fogo após esgotarem tais recursos. Não permita qualquer troca de reféns. pois referem-se ao objetivo a ser alcançado. Segundo De Souza e Riani (2007. Podemos. minimizando mortes.• • • Não envolva pessoas “não policiais” no processo de negociação. p. faça o correto emprego dos meios auxiliares para contenção da ação ilícita. podem ocasionar a morte. • Tecnologias não-letais – conjunto de conhecimentos e princípios científicos utilizados na produção e emprego de equipamentos não-letais. de modo a preservar as vidas das pessoas envolvidas na situação (. tecnologias. se forem mal empregados. dependendo do desfecho. somente utilizando a arma de fogo após esgotarem tais recursos”. durante atuação policial ou militar. Essa alternativa tática. onde o PM atua em uma ocorrência policial que. • Armas não-letais são as projetadas e empregadas especificamente para incapacitar pessoal ou material.

a última alternativa a ser empregada em uma ocorrência com reféns localizados. o ponto mais sensível de todos os grupos de elite do mundo. houver uma grande possibilidade de sucesso do time tático. O atirador de elite só atua mediante autorização. munição e equipamento. o risco em relação aos reféns se torna um risco ameaçador à integridade física dos mesmos ou ainda quando. em crises com reféns localizados. Isso ocorre porque o emprego da invasão tática acentua o risco da operação. na situação em andamento. A decisão de um gerente de crises em fazer o uso de tal alternativa tática é de grande responsabilidade e deve ser efetuada. Um fato curioso é que. quer preservando a vida do criminoso. p. em geral. Dessa forma. 4). quer atuando para a eliminação total do risco (LUCCA. quando todas as outras forem inadequadas e quando o cenário para tal fato seja favorável. Isso por si só. No entanto. como conseqüência. privação visual por ação de fumaça e luz. 7). p.As armas não-letais atuam através de ruído. O TIRO DE COMPROMETIMENTO (SNIPER) Segundo Lucca (2002. grandes estragos tem sido feitos pelos snipers. a aplicação dessa alternativa tática necessita de uma avaliação minuciosa de todo o contexto. p. aumentando. só se admite a aplicação dessa alternativa tática quando. sobretudo. (DE SOUZA E RIANI. 109). portanto. 25 . mucosas e sistema respiratório. Isso deve ser entendido no que diz respeito somente ao seu posicionamento e também quando de ordens expressas que lhe autorizem o emprego do armamento. irritação da pele. para acertar um tiro na cabeça. limitação de movimentos através de choque elétrico. para o policial e para o transgressor da lei. por diversas razões. armamento. A INVASÃO TÁTICA A invasão tática representa. O tiro de comprometimento constitui também uma alternativa tática de fundamental importância para resolução de crises envolvendo reféns localizados. do polígono formado pelo treinamento. Ser um sniper (atirador de elite) transcende ter uma arma qualquer e uma luneta de pontaria. e impacto controlado. vai de encontro com um dos objetivos principais do gerenciamento de crises que é a preservação da vida. que são os elementos fundamentais para que o objetivo idealizado seja alcançado. 2002. sendo. o risco de vida para o refém. no momento da ocorrência. 2007. Essas armas objetivam inibir ou neutralizar temporariamente a agressividade do indivíduo através de debilitação ou incapacitação.

FATORES QUE FACILITAM: .) de onde advêm os sentimentos de proteção. etc. .Drogas. Síndrome de Estocolmo É uma ambiência psicológica desenvolvida a partir de momentos cruciais das vidas das pessoas envolvidas nas crises (negociadores.Mídia.Pessoa com idiomas diferentes.Elementos de informações P R O A PERPETRADOR (causador. .Exploração Tática. .Investigação.Pessoas que conhecem a síndrome. reféns. .Documentos. causadores. . .Vigilância Técnica.Reféns liberados ou escapados. . INSTALAÇÃO DA SÍNDROME DE ESTOCOLMO FATORES QUE DIFICULTAM: . . etc. captor) REFÉM OU VÍTIMA OBJETIVO(local) ARMAS Fontes de informação .Pequeno espaço físico. .Patologias psicológicas. 26 .Negociadores.Atiradores de Elite. . zelo. amor e cumplicidade.

27 . ..Reduzido número de reféns e causadores.O tempo.Reféns e causadores de sexos opostos. .

EUA. Consultor-Sênior do Centro de Regional de Treinamento em Segurança Pública (TREINASP) da Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP) do Ministério da Justiça. . . George Felipe de Lima. docente do Núcleo de Estudos em Defesa.Constituição da República Federativa do Brasil. Distrito Federal.O Plano Perfeito (Inside man). . EUA/CANADÁ. . Dir: Florent Siri. Autores: Ten PMES Irio Doria Junior. EUA. EUA. Dir: Nicholas Kendall. Gestor Público Federal. Distrito Federal. Segurança e Ordem Pública (NEDOP) do Centro Universitário do Distrito Federal (UniDF) de Brasília. 2006. Carlos Eugênio Timo. Tenente-Coronel Reformado da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). 28 . Professor Mestre em Relações Internacionais (Universidade de Brasília) e Justiça Criminal ("The London School of Economics).A Negociação (The Negociator). ** BRITO. Dir: Spike Lee. EUA. . docente e coordenador do componente de segurança pública do Núcleo de Estudos em Defesa. Autores: * DANTAS.UMA INTERPRETAÇÃO BRASILEIRA. Segurança e Ordem Pública (NEDOP) do Centro Universitário do Distrito Federal (UniDF) de Brasília. Distrito Federal.Apostila do Curso de Gerenciamento de Crises – SENASP.Refém (Hostage). . Ten PMES José Roberto da Silva Fahning. Negotiador). 2005. Segurança e Ordem Pública (NEDOP) do Centro Universitário do Distrito Federal (UniDF) de Brasília. . Sugestões de filmes: . Professor Doutor em Educação ("The George Washington University") com dissertação doutoral sobre treinamento policial. Dir: Rihard Donner.Apostila da disciplina Gerenciamento de Crises – CFAP Autor: Cap PM Júlio César Ferreira Santos. Dir: F. Pesquisador Associado do Núcleo de Estudos em Defesa. Gary Gray. 2006. atualmente com exercício no Gabinete do Secretário-Executivo do Ministério da Justiça.16 Quadras (16 Blocks). *** MAGALHÃES.BIBLIOGRAFIA . Distrito Federal e do curso de graduação em Relações Internacionais do UniCEUB de Brasília. 1998. Agente de Polícia Federal. Luiz Carlos.A Negociadora (FBI.Texto: "JANELAS QUEBRADAS" .Manual do Curso Básico de Gerenciamento de Crises – CBGC da PMBA. Especialista (MBA) em Gestão da Segurança Pública e Defesa Social e Bacharel em Direito. 2005. .

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