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5) O que são micelas?

Explique quando uma micela pode adquirir carga elétrica positiva e


quando pode adquirir carga elétrica negativa.

R= Micelas são aglomerados de átomos, íons ou moléculas. As micelas podem adquiri carga
elétrica positiva ou negativa, dependendo em que tipo de sistema se encontra. Esses sistemas
podem ser:

- Sistemas com excessos de cátions, onde as partículas do disperso irão adsorver[1][1]


esses cátions, adquirindo carga elétrica positiva; ou

- Sistemas com excessos de ânions, onde as partículas do disperso irão adsorver esses
ânions, adquirindo carga elétrica negativa.

Além disso é importante observar que haverá um momento, durante essa transformação, em
que as micelas serão neutras e a dispersão coloidal, descarregada; neste momento dizemos
que a dispersão coloidal atingiu seu ponto isoelétrico.

6) Em que situação uma dispersão coloidal atinge o ponto isoelétrico?

R= A dispersão coloidal atinge o seu ponto isoelétrico no momento em que, durante a


transformação de cargas elétricas (alteração da quantidade de cátions ou de ânions, dentro de
um sistema), as micelas fiquem neutras e a dispersão coloidal fique descarregada.
Uma aplicação muito importante dos ácidos carboxílicos é na fabricação dos sabões. Mas o que é
um sabão?
Sabões são sais de ácidos carboxílicos de cadeia longa (os chamados ácidos graxos). Esses sais
possuem caráter misto, em termos de solubilidade em água: por possuírem cadeia hidrocarbônica
longa, esta tende a ser insolúvel em água mas capaz de interagir com espécies apolares, como
gorduras e outras que denominamos comumente sujeira. Por outro lado, possuem também uma
região polar, que é o grupamento ácido carboxílico ionizado (carboxilato), capaz de interagir com
moléculas de água. Assim, as moléculas de sabão podem interagir tanto com água como com
gorduras, levando à dispersão destas naquele solvente, ou seja, proporcionando aquilo que
chamamos limpeza.

Sabão de coco e sabão em pó


Os sabões, uma vez em solução aquosa, formam as chamadas micelas. Micelas são estruturas em
que várias moléculas de sabão se agregam, formando uma estrutura esférica. No interior dessa
esfera se localizam as cadeias hidrocarbônicas do sabão, juntamente com as gorduras, interagindo
entre si através de interações de van der Waals; por outro lado, os grupos carboxilato ficam na
superfície da micela, voltados para o solvente (água), e interagindo com este através de interações
do tipo ligação de hidrogênio e íon-dipolo. A formação da micela minimiza a repulsão entre as
cadeias hidrocarbônicas e as moléculas de água e permite a dispersão da gordura no ambiente
aquoso. Entretanto, as micelas só se formam a partir de uma determinada concentração de sabão em
água, a chamada concentração micelar crítica (CMC). Abaixo dela, as moléculas de sabão
encontram-se isoladas no meio aquoso.

Esquema de uma micela


Os sabões são preparados por hidrólise de triglicerídeos com bases como o hidróxido de sódio ou de
potássio. Triglicerídeos são ésteres de ácidos graxos com glicerol, e a hidrólise em meio alcalino
gera sabão (sal de ácido graxo) e glicerina (glicerol). Os triglicerídeos empregados são de origem
animal ou vegetal, podendo ser denominados óleos (quando líquidos) ou gorduras (quando sólidos).
Assim, o sabão de coco, por exemplo, vem da hidrólise da gordura de coco. O uso de hidróxido de
sódio gera sabões sólidos, enquanto o hidróxido de potássio fornece sabões pastosos.

Óleo e sabão de buriti

Gordura e sabão de cupuaçu


E os sabonetes? Sabonetes são sabões que tiveram seu pH ajustado ao pH da pele, para não agredi-
la, aos quais se adicionam perfume, corante e outros aditivos, como creme hidratante ou glicerina.
Atualmente, fazer sabonetes artesanais é uma atividade que pode reforçar o orçamento doméstico, e
os materiais necessários podem ser encontrados em diversas lojas especializadas.
Esta pode ser uma atividade didática para você fazer com seus alunos e inserir a Química no
cotidiano deles!

Sabonete
Você já lavou sua mão com sabão depois de escrever no quadro-negro com giz? Se usou realmente
sabão, deve ter notado que não ocorreu formação de espuma. Mas se tiver utilizado detergente, aí
sim, formou espuma e sua mão deve ter ficado livre dos resíduos de giz. Qual a diferença entre
sabão e detergente, então?
Enquanto sabões são sais de ácidos carboxílicos, detergentes são sais de ácidos sulfônicos.
Enquanto os sais de ácidos carboxílicos com íons divalentes e trivalentes (Ca2+ e Fe3+, por
exemplo) são insolúveis em água, os sais de ácidos sulfônicos desses mesmos íons são solúveis.
Assim, os detergentes são capazes de produzir espuma mesmo empregando-se águas duras, isto é,
águas ricas em íons metálicos como cálcio, magnésio e ferro.

Detergente líquido
Os detergentes, ao contrário dos sabões, são de origem sintética. Muitos detergentes causam
problemas ambientais, ao serem lançados em cursos de rios, levando à formação de espumas; assim,
é importante haver tratamento de resíduos de indústrias, de forma a diminuir a degradação do meio
ambiente. Também é importante o uso de detergentes biodegradáveis, que são sais de
alquilbenzenosulfonatos lineares. Os microorganismos presentes no ambiente são capazes de oxidar
essas cadeias lineares, ou seja, promovem a biodegradação desses detergentes, enquanto os de
cadeia ramificada não são oxidados, permanecendo no ambiente e contaminando-o.
Sabões e detergentes são denominados tensoativos aniônicos, porque em ambos o grupo polar é um
ânion (carboxilato ou sulfonato). Existem outros tipos de tensoativos: os catiônicos, que possuem
como grupo polar um nitrogênio quaternário (sal de amônio quaternário), os anfóteros ou
betaínicos, que possuem dois grupos ionizados – um aniônico e outro catiônico –, e os não-iônicos,
que são poliálcoois, como os polietilenoglicóis (PEG).
Detergentes e outros tensoativos também são empregados na formulação de produtos de higiene. Os
xampus, por exemplo, são soluções de alquilsulfonatos e alquilsulfatos, como o laurilsulfato de
sódio; os xampus infantis empregam tensoativos anfóteros, porque estes não irritam a mucosa
ocular (“não arde o olho”, como dizia uma propaganda desse tipo de produto). Os condicionadores
empregam tensoativos catiônicos, que interagem com os grupamentos aniônicos presentes na
proteína do cabelo (queratina), levando, assim, a um efeito antiestático, facilitando o penteado.
Materiais para preparação de xampus e condicionadores também podem ser encontrados facilmente
em lojas especializadas.
Xampu infantil
http://200.156.70.12/sme/cursos/EQU/EQ18/modulo1/aula0/08_vinagre/08_saboes_e_detergentes.h
tm acessado em 25/05/2011 as 23:35

O Processo de micelização:
Uma das características comum a todos os surfactantes é a capacidade de formar agregados em solução aquosa a partir de uma
determinada concentração. Estes agregados são denominados micelas. A concentração onde inicia o processo de formação das micelas
(micelização) é chamada de concetração crítica micelar, cmc, que é uma propriedade intrínseca e característica do surfactante
Por que se formam as micelas?!
A principal razão que leva os monômeros de surfactante a se associarem sobre a forma de micelas é a diminuição da área de contato
entre as cadeias hidrocarbônicas do surfactante e a água.
A formação do agregado, porém, leva o surfactante a uma situação onde os grupos hidrofílicos (cabeças) estão muito próximos,
gerando uma repulsão eletrostática que se opõe ao processo de micelização. Aqui os contraíons desempenham um papel
fundamental: quando em concentração suficiente (proviniente da própria ionização do surfactante ou, ainda, como aditivos à solução),
blindam a carga do agregado, diminuindo o potencial elétrico e a repulsão entre as cabeças dos monômeros.

http://www.qmc.ufsc.br/qmcweb/micela/micelizacao_anim.html