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Capítulo 2

Dinâmica Quântica
Modern Quantum Mechanics - J.J. Sakurai (Revised Edition)

2.1 A Evolução Temporal e a Eq. de Schrödinger


Tempo. Em MQ, o tempo não é considerado um operador, mas apenas um parâmetro contínuo.

Operador Evolução Temporal


Como um estado ket varia com o tempo?
|, t 0 . sistema em t  t 0 no estado representado por |
|, t 0 ; t. sistema em t  t 0 , que estava no estado | em t  t 0 .
Como t é um parâmetro contínuo, espera-se que
lim
t→t
|, t 0 ; t  |
0

ou, numa notação abreviada,


|, t 0 ; t 0   |, t 0 .

Evolução temporal. Nossa tarefa é estudar a evolução temporal do estado ket

evolução temporal
|, t 0   | |, t 0 ; t

Em outras palavras, queremos saber como o estado ket evolui sob uma mudança t 0 → t no tempo.
Operador evolução temporal. Como no caso da translação, esses dois kets estão relacionados por um
operador que chamaremos operador evolução temporal Ut, t 0 :
|, t 0 ; t  Ut, t 0  |, t 0  (1.5)

Propriedades do operador evolução temporal

Unitariedade. Esta propriedade é importante, uma vez que implica na conservação de probabilidade.
Exemplo Suponha que em t 0 o estado ket seja expandido em termos dos autokets de algum observável A:

|, t 0   ∑ c a´ t 0  |a´

Da mesma forma, algum tempo depois teremos:

|, t 0 ; t  ∑ c a´ t |a´


Em geral, não esperamos que os módulos dos coeficientes de expansão permaneçam os mesmos
c a´ t ≠ c a´ t 0 
Geralmente, devemos ter

∑ |c a´ t| 2  ∑ |c a´ t 0 | 2
a´ a´

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a despeito da desigualdade para os coeficientes individuais. Colocado de outra maneira, se o estado ket inicialmente é
normalizado à unidade, ele deve permanecer normalizado para todos os tempos posteriores:
, t 0 | , t 0  1 → , t 0 ; t | , t 0 ; t  1
Como no caso da translação, esta propriedade é garantida se o operador evolução temporal for um operador unitário:
U  t, t 0  Ut, t 0  1
Composição. Outra propriedade que devemos atribuir ao operador evolução temporal é a composição
Ut 2 , t 0   Ut 2 , t 1  Ut 1 , t 0 , t 2  t 1  t 0 
Esta equação nos diz que, se estamos interessados em obter a evolução temporal de t 0 a t 2 , então podemos
obter o mesmo resultado, primeiro considerando a evolução temporal de t 0 a t 1 e depois de t 1 a t 2 . (A equação
deve ser lida da direita para a esquerda.)
Operador evolução temporal infinitesimal. É vantajoso considerar um operador evolução temporal
infinitesimal Ut 0  dt, t 0 
|, t 0 ; t 0  dt  Ut 0  dt, t 0  |, t 0 
Devido à continuidade, o operador infinitesimal deve reduzir-se ao operador identidade quando dt → 0
lim Ut 0  dt, t 0   1
dt→0

e, como no caso da translação, esperamos que a diferença entre Ut 0  dt, t 0  e 1 seja de primeira ordem em
dt.

Qual o operador que satisfaz todas essas propriedades?

Operador evolução temporal infinitesimal. Podemos assegurar que essas propriedades são satisfeitas pelo
operador
Ut 0  dt, t 0   1 − idt
onde  é um operador hermitiano
  

Demonstração 1. Devido à propriedade de composição,


Ut 0  dt 1  dt 2 , t 0   Ut 0  dt 1  dt 2 , t 0  dt 1 Ut 0  dt 1 , t 0 
ou
Ut 0  dt 1  dt 2 , t 0   1 − i dt 2 1 − i dt 1
≃ 1 − idt 1  dt 2 
que difere do operador identidade por um termo de primeira ordem em dt.
Demontração 2. Para a propriedade da unitariedade, podemos verificar como segue
U  t 0  dt, t 0  Ut 0  dt, t 0   1  i  dt 1 − i dt
 1     dt 2
≃1
desprezendo termos da ordem dt 2 ou mais elevada.

Como é o operador  ?
O operador  tem dimensão de frequência, ou inverso do tempo. Um observável familiar com dimensão de

Capítulo 2 Dinâmica Quântica 2


frequência é a energia. Na teoria antiga da mecânica quântica, a frequência está relacionada com a energia
através da relação Planck-Einstein,
E  

Vamos emprestar da mecânica clássica a idéia de que a Hamiltoniana é o gerador da evolução temporal. É
então natural relacionar  ao operador Hamiltoniano, H:
 H

Em resumo, o operador evolução temporal infinitesimal é escrito como
iH dt
Ut 0  dt, t 0   1 −

onde o operador Hamiltoniano é um operador hermitiano.

Equação de Schrödinger
Estamos agora em condições de derivar a equação diferencial fundamental para o operador evolução temporal
Ut, t 0 . Explorando a propriedade da composição
iH dt
Ut  dt, t 0   Ut  dt, tUt, t 0   1− Ut, t 0 

onde a diferença t − t 0 não precisa ser diferencial. Temos

Ut  dt, t 0   Ut, t 0  − i H dt Ut, t 0 



ou

Ut  dt, t 0  − Ut, t 0   −i H dt Ut, t 0 



que pode ser escrito na forma de equação diferecial
∂Ut, t 0 
i  H Ut, t 0  (1.25
∂t
Esta é a equação de Schrödinger para o operador evolução temporal. Qualquer coisa que tenha a ver com a
variação no tempo segue dessa equação fundamental.
Equação de Schrödinger para o estado ket. Multiplicando ambos os lados da Eq. (2.1.25) por |, t 0  pelo lado
direito, obtém-se

i ∂ Ut, t 0  |, t 0   H Ut, t 0  |, t 0 


∂t
Mas |, t 0  não depende de t, tal que esta equação é a mesma que

i ∂ |, t 0 ; t  H |, t 0 ; t
∂t
onde usamos (1.5).
Observação Se for dado Ut, t 0  e, se além disso, conhecermos como Ut, t 0  atua sobre o ket inicial |, t 0 , não é
necessário mexer com a equação de Schrödinger para o estado ket. O que se tem que fazer é aplicar Ut, t 0  a |, t 0 .
Desta maneira, podemos obter o ket para qualquer t.
Devemos, portanto, derivar as soluções formais da equação de Schrödinger para o operador evolução
temporal. Existem três casos a serem tratados separadamente:
Caso 1: O Hamiltoniano é independente do tempo. A solução de (2.1.25) é, neste caso,

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−iHt − t 0 
Ut, t 0   exp . (1.28

Demonstração. Seja a expansão da função exponencial

−iHt − t 0  iHt − t 0  −i 2 Ht − t 0  2


exp  1−  
  2 
Como a derivada desta expansão é dada por
∂ exp −iHt − t 0   − iH 
−i 2
2 H
2
t − t 0   
∂t   2 
Multiplicando por i ambos os membros, encontramos
−iHt − t 0  iHt − t 0 
i ∂ exp  H 1− 
∂t  
que é a mesma (2.1.25).
Demontração alternativa. Uma maneira alternativa de obter essa solução, é usar a composição de
operadores infinitesimais. A aplicação sucessiva desses operadores resulta em (v. figura)

(t − t0 )
N

t0 t

−iH/t − t 0  N
−iHt − t 0 
lim  exp
N→ N 

Caso 2: O Hamiltoniano depende do tempo e comuta. Agora o Hamiltoniano depende do tempo, mas os H’s
em tempos diferentes comutam entre si. Como exemplo, considere o momento magnético de spin sujeito a um
campo magnético, cujo módulo varia com o tempo, mas a direção permanece a mesma. Neste caso, a solução
formal de (2.1.25) é

Ut, t 0   exp −i t
t
dt ′ Ht ′ 
 0

Caso 3: O Hamiltoniano depende do tempo e não comuta. Neste caso o Hamiltoniano depende do tempo e os
H’s em tempos diferentes não comutam entre si. Considerando o exemplo do momento magnético, agora a
direção do campo magnético varia com o tempo: por exempo, em t  t 1 o campo aponta na direção x, em
t  t 1 , na direção y e assim por diante. Como S x e S y não comutam entre si, Ht 1  e Ht 2 , que contém termo do
tipo S  B, também não comutam. Como solução formal, podemos integrar a equação (1.2.25) com a condição
de contorno Ut, t 0 | tt 0  Ut 0 , t 0   1, ou seja,
∂Ut, t 0 
 H Ut, t 0  → Ut, t 0   1  −i t
t
i dt ′ Ht ′  Ut ′ , t 0 
∂t  0

Esta equação integral pode ser resolvida iterativamente. Ou seja

Capítulo 2 Dinâmica Quântica 4


Ut, t 0   1
Ut, t 0   1  −i t
t
dt 1 Ht 1   1
 0

Ut, t 0   1  −i t dt 1 Ht 1   1  −i
t
t
t1
dt 2 Ht 2 
 0  0
2
 1  −i t −i
t
t
t
dt 1  dt 2 Ht 1 Ht 2 
t1
dt 1 Ht 1  
 0  0 t0

Ou, de uma maneira geral,


n
Ut, t 0   1  ∑ −i t
t
dt 1  dt 2 
t1
t
t n−1
dt n Ht 1 Ht 2 Ht n 
 0 t0 0
n

que é conhecida como a série de Dyson. Em aplicações elementares, apenas o Caso 1 é de interesse prático.
Neste capítulo, admitiremos que o Hamiltoniano seja independente do tempo.

Autokets de Energia
Efeitos do operador sobre um ket inicial |. Vamos calcular o efeito do operador evolução temporal sobre
um ket inicial geral |, através dos kets de base |a ′  usados para expandir |. Vamos supor que o operador A,
cujos autokets são usados como base, comute com o Hamiltoniano. Ou seja,
A, H  0.
Desta forma, os autokets de A são também autokets de H, chamados de autokets de energia, cujos autovalores
são denotados por E a ′ :
H |a ′   E a ′ |a ′ .

Expansão de U. Vamos expandir o operador U em termos de |a ′ 〈a ′ |. Tomando t 0  0 por simplicidade,


obtém-se

exp −iHt  ∑ ∑ |a ′′ 〈a ′′ | exp −iHt |a ′ 〈a ′ |


 
a′ a ′′
−iE a ′ t
 ∑ ∑ |a ′′ 〈a ′′ | exp 
|a ′ 〈a ′ |
a′ a ′′
−iE a ′ t
 ∑∑ exp

|a ′′  〈a ′′ |a ′  〈a ′ |
a′ a ′′
 a ′ a ′′

−iE t
 ∑ exp

a′
|a ′ 〈a ′ |
a′

Observação. O operador evolução temporal escrito dessa forma permite-nos resolver qualquer problema de
valor inicial, uma vez que a expansão do ket inicial em termos de |a ′  é conhecida.
Exemplo Suponha que a expansão do ket inicial seja

|, t 0  0  ∑ |a ′ 〈a ′ |  ∑ c a |a ′ . ′

a′ a′

Então

, t 0  0; t  exp −iHt |, t 0  0


Eq (2.1.5) 

ou

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, t 0  0; t  ∑ exp −iHt |a ′ 〈a ′ |

a′
−iE a ′′ t
 ∑ ∑ exp 
|a ′′ 〈a ′′ |a ′ 〈a ′ |  ∑ c a t |a ′ .
′ (1.38)
a′ a ′′ a′

Em outras palavras, o coeficiente de expansão varia com o tempo:


−iE a ′ t
c a ′ t  0 → c a ′ t  c a ′ t  0 exp (1.39)

com seu módulo inalterado. Note que as fases relativas entre as várias componentes variam com o tempo
porque as frequências de oscilações, E a ′ /, são diferentes.
Caso especial: estado inicial é um dos |a ′  . Quando o estado inicial é um dos |a ′  , ou seja,
|, t 0  0  a′
em tempos posteriores,
−iE a ′ t
  a ′ , t 0  0; t  a ′ exp .

Importante: se o sistema estiver inicialmente num autoestado simultâneo de A e H assim permanecerá para
−iE a ′ t
todos os tempos posteriores. O máximo que pode ocorrer é a modulação de fase, exp 
. É neste sentido
que um observável compatível com H é uma constante de movimento.
Demonstração. De (1.38), sabemos que
−iE a ′′ t
, t 0  0; t  ∑ |a ′′ 〈a ′′ |

.
a ′′

Para |  |a ′  encontramos


−iE a ′′ t
  a ′ , t 0  0; t  ∑ |a ′′ 〈a ′′ |a ′ 

a ′′
−iE a ′′ t
 ∑ |a ′′   a ′ a ′′

a ′′
−iE a ′ t
 |a ′  

Resumo. Na discussão precedente, a tarefa básica na mecânica quântica é reduzida a encontrar um
observável que comuta com H e calcular seu autovalores. Uma vez que isso é feito, expande-se o ket inicial
em termos do autokets daquele observável e aplica-se o operador evolução temporal. Este último passo é
significa uma mudança da fase de cada coeficiente de expansão, como indicada em (2.1.39).
Mais de um observável comuta com H. Embora se tenha discutivo o caso onde apenas um observável A
comuta com H, nossas considerações podem ser facilmente generalizadas quando existem vários observáveis
mutuamente compatíveis, todos comutando com H. Ou seja,
A, B  B, C  A, C    0,
A, H  B, H  C, H    0.
Usando o índice coletivo da Seç. 1.4, |K ′   |a ′ , b ′ , c ′ , … , tem-se
−iE K ′ t
exp −iHt  ∑|K ′  exp 〈K ′ | (1.43
 
K′

onde E K ′ é univocamente especificada uma vez que a ′ , b ′ , c ′ , … são especificados. É portanto de fundamental
importância encontrar um conjunto completo de observáveis mutuamente compatíveis que também comutam

Capítulo 2 Dinâmica Quântica 6


com H. Uma vez que tal conjunto é encontrado, expressa-se o ket inicial como uma superposição dos autokets
simultâneos de A, B, C, … e H. O passo final é aplicar i operador evolução temporal, escrito como (2.1.43).
Desta maneira podemos resolver o problema de valor inicial mais geral com H independente do tempo.

Dependência Temporal de Valores Esperados


Como o valor esperado de um observável B varia com o tempo?
Em relação ao autoestado de energia. Suponha que em t  0 o estado inicial seja um dos autoestados do
observável A, que comuta com H. Em tempos posteriores,
a ′ , t 0  0; t  Ut, 0 |a ′ 

Não é necessário que o observável B comute com A ou H. Neste caso,


〈B  a ′ , t 0  0; t B a ′ , t 0  0; t
 〈a ′ | U  t, 0 B Ut, 0 |a ′ 
iE a ′ t −iE a ′ t
 〈a ′ | exp B exp |a ′ 
 
′ ′
 〈a | B |a 
que independente do tempo. Assim
O valor esperado de qualquer observável tomado com respeito ao autoestado de energia não varia com o tempo. Por esta
razão, o autoestado de energia é às vezes referido como estado estacionário.

Superposição de autoestados de energia. Vamos considerar o valor esperado, quando tomado em relação a
uma superposição de autoestados de energia, ou estado não estacionário. Suponha que incialmente se tenha
|, t 0  0  ∑ ca ′ |a ′ .
a′

Em tempos posteriores,
−iE a ′
|, t 0  0; t  ∑ c a t |a ′   ∑ c a exp
′ ′

|a ′ 
a′ a′

onde fizemos c a ′ t  0  c a ′ . Então,


〈B  〈, t 0  0; t| B |, t 0  0; t
−iE a ′′
 ∑ c ∗a ′ 〈a ′ | exp
iE a ′

B ∑ c a |a ′′  ′′ exp

a′ a ′′

−iE a ′′ − E a ′ t
 ∑ ∑ c ∗a c a 〈a ′ | B |a ′′  exp
′ ′′

.
a′ a ′′

Assim, desta vez o valor esperado consiste em termos oscilantes, cujas frequências angulares são
determinadas pela condição de frequência de Bohr,
E a ′′ − E a ′ 
 a ′′ a ′  .

Aplicação: Precessão de spin


Vamos tratar um sistema extremamente simples, que ilustra porém o formalismo básico que foi desenvolvido
até agora.
Sistema de spin ½
 Hamiltoniano do sistema
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H  − mee c S  B

(e  0 para elétrons).
 Campo magnétio: B  Bẑ
 Reescrevo H
H  − meB
ec
Sz

 Observável que comuta com H. Como H e S z diferem por uma constante, eles comutam entre si. Ou seja,
S z , H  0, o que significa que os autokets de S z , | e |−, são autoestados de energia e os autovalores de energia
correspondentes são

H|  E  | → E   ∓ eB , para S z .


2m e c

 Frequência de Bohr. Define-se a frequência de Bohr

  E − E−  mec
|e|B

 Reescrevo H
H  S z .

 Operador evolução temporal. Toda informação sobre a variação com o tempo está contida no operador
evolução temporal

Ut, 0  exp −iHt  exp −iS z t


 

 Estado em t  0. Vamos supor que em t  0 o sistema seja caracterizado por


|  c  |  c − |−

 Estado em t  t. Para determinar o estado no instante t aplica-se o operador evolução temporal ao estado no
instante t  0, ou seja,
−iS z t
|, t  0; t  exp c  |  c − |−

 c  exp −iS z t |  c − exp −iS z t |−
 
 c  exp −it |  c − exp it |−
2 2

 Estado inicial S z . Para o sistema especificamente no estado |  | (estado spin para cima ou S z ),
c   1, c−  0
Para tempos posteriores, o estado do sistema será

|, t  0; t  exp −it |,


2
ou seja, o mesmo estado de spin para cima; isto não é nenhuma surpreza uma vez que o sistema inicialmente
estava num estado estacionário.
 Estado inicial S x . Neste caso, de acordo com (1.4.17a),

|  |S x ;   1 |  1 |−,


2 2
o que nos fornece
c  c−  1
2
O estado final será

Capítulo 2 Dinâmica Quântica 8


|, t  0; t  1 exp −it |  1 exp it |−
2 2 2 2

Qual a probabilidade do sistema ser encontrado no estado S x  ?

Como
|S x ;   1 |  1 |−
2 2
encontra-se

|〈S x ; |, t  0; t| 2  1 〈|  1 〈−| 


2 2
2
1 exp −it |  1 exp it |−
2 2 2 2

ou,

|〈S x ; |, t  0; t| 2  1 exp −it 〈|  1 exp it 〈|−


2 2 2 2
2

 1 exp −it 〈−|  1 exp it 〈−|−


2 2 2 2
2

 1 exp −it  1 exp it


2 2 2 2

Ou seja,

cos 2 t , para S x 
2
|〈S x ; |, t  0; t| 2 
sen 2 t , para S x −
2

O que significam esses resultados ? Em t  0 o sistema encontrava-se no estado |  |S x ; ; ou seja, o spin
apontava para a direção positiva do eixo dos x. Com o passar do tempo, o campo magnético na direção z
produz uma rotação nesse spin e, como resultado, existe uma probabilidade finita de encontrá-lo na direção
negativa do eixo dos x, isto é, no estado S x −.
Probabilidade total. A soma das duas probabilidades, em todos os instantes, é sempre igual a um.
Valor esperado de S x . O valor esperado de S x pode ser calculado, usando-se (1.4.6), isto é,
〈A  ∑ a ′ |〈a ′ || 2
a′

Logo,

〈S x    cos 2 t  −  sen 2 t
2 2 2 2
  cos 2 t − sen 2 t
2 2 2

  cos 2 t
2 2
  cost
2
que está em concordância com a fórmula geral (2.1.47), uma vez que esta quantidade oscila com uma

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frequência angular correspondente à diferença entre os dois autovalores de energia dividido por .
Valor esperado de S y . Neste caso, como (ver Eq. (1.4.17b))

|S y ;   1 |  i |−
2 2

as probabilidades são

2
|〈S y ; |, t  0; t|  1 〈|  −i 〈−| 
2 2
2
1 exp −it |  1 exp it |−
2 2 2 2

 1 exp −it 〈|  1 exp it 〈|−


2 2 2 2
2

∓ i exp −it 〈−| ∓ i exp it 〈−|−


2 2 2 2
2

 1 exp −it ∓ i exp it


2 2 2 2

Assim,
2
2
|〈S y ; |, t  0; t|  1 1 ∓ i cos t  1 ∓ i sen t
2 2 2
2
|1  i| 2
 cos t  sen t
4 2 2

 1 cos 2 t  sen t  2 cos t sen t


2 2 2 2 2
 1 1  2 sen t cos t
2 2 2
 1 1  sent
2
Portanto,

〈S y    1 1  sent  −  1 1 − sent
2 2 2 2
 1  sent 1 − sent
 −   sent
2 2 2 2

Valor esperado de S z . Neste caso,


|S z ;   |
e

|〈S z ; |, t  0; t| 2  〈| 

2
1 exp −it |  1 exp it |−
2 2 2 2

 1 exp ∓it
2

2 2
 1,
2
Capítulo 2 Dinâmica Quântica 10
e, o valor esperado é

〈S z    1  − 1  0.
2 2 2 2
Fisicamente, isto significa que o spin precessa no plano xy.

Amplitude de Correlação e Rel. de Incerteza Energia-Tempo


Amplitude de correlação. A amplitude de correlação é definida como o produto escalar de dois kets em
tempos diferentes. Isto é,
Ct  〈|, t 0  0; t
O módulo da amplitude de correlção, |Ct|, mede a “semelhança” entre os estados kets em diferentes
−iHt − t 0 
instantes de tempo. Lembrando que |, t 0  0; t  Ut, 0|, onde Ut, t 0   exp , então

Ct  | Ut, 0 |  .

Exemplos de amplitude de correlação

O estado inicial é um autoestado |a ′  de H. Este é um caso muito especial e o resultado que se obtém para a
amplitude de correlção é
Ct  a ′ | Ut, 0 | a ′
 〈a ′ | exp −iHt |a ′ 

−iE a ′ t
 exp 〈a ′ |a ′ 

−iE a ′ t
 exp

e o módulo da amplitude de correlação vale
|Ct|  1,
o que não é surpreza em se tratando de um estado estacionário.
O estado inicial é uma superposição de |a ′ . Neste caso,

|  ∑ ca ′ |a ′ 
a′

e, portanto,
Ct  | Ut, 0 | 
 ∑ ∑ c ∗a c a ′ ′′ a ′ | Ut, 0 | a ′′
a′ a ′′

 ∑ ∑ c ∗a c a ′ ′′ 〈a ′ | exp −iHt |a ′′ 

a′ a ′′
−iE a ′′ t
 ∑ ∑ c ∗a c a ′ ′′ exp

〈a ′ |a ′′ 
a′ a ′′
−iE a ′′ t
 ∑ ∑ c ∗a c a ′ ′′ exp

 a ′ a ′′
a′ a ′′

ou seja

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−iE a ′ t
Ct  ∑ |c a | 2 exp


(1.65
a′

Observação: Como a soma sobre muitos termos oscilantes no tempo com diferentes frequências, é possível
um forte cancelamento entre eles para valores moderadamente grandes de t. Assim, espera-se que o módulo
de Ct comece com valor um em t  0 e decresça com o tempo.
Estimativa de (2.1.65). Vamos supor que em (1.65) a superposição de estados seja obtida com autokets de
energia com energias similares, de maneira que podemos substituir a soma por uma integral. Ou seja,

∑ →  dE E, c a ′ → gE| E≃E ′


a
a′

onde E é a densidade de autoestados de energia. Assim, a expressão (1.65) torna-se

Ct   dE |gE| 2 E exp −iEt (1.67



sujeita à normalização

∑ |c a | 2  1 →  dE |gE| 2 E  1
′ (1.68
a′

Na prática, |gE| 2 E pode ser uma função localizada em torno de E  E 0 , com largura ΔE, isto é,

|g(E)|2 ρ(E)

ΔE

E0 E

Então, reescrevendo (1.67) como


−iE − E 0 t
Ct  exp −iE 0 t  dE |gE| 2 E exp
 
vê-se que, quando t torna-se grande, o integrando oscila muito rapidamente, exceto quando o intervalo de
energia |E − E 0 | for pequeno comparado com /t.
Relação de incerteza energia-tempo. Se o intervalo para o qual a relação
|E − E 0 | ≃ /t
seja válida, for muito mais estreito que ΔE (a largura de |gE| 2 E), não se obtém essencialmente nenhuma
contribuição da integral para Ct devido aos fortes cancelamentos. O tempo característico para o qual o
módulo da amplitude de correlação torna-se aprecialmente diferente de 1 é dado por

t≃ 
ΔE
Resumo. Em resumo, encontramos que, como resultado da evolução temporal do estado ket de um sistema

Capítulo 2 Dinâmica Quântica 12


físico deixa de guardar sua forma original depois de um intervalo de tempo da ordem de /ΔE. Na literatura, isto
às vezes é referido como sendo a relação de incerteza energia-tempo,
Δt ΔE ≃ . (1.71

Observação: Esta relação de incerteza é de natureza bem difetente daquela que existe entre dois observáveis
incompatíveis, discutida na Seç. 1.4.

2.4 Representação de Schrödinger versus de Heisenberg


Representação de Schrödinger. É a formulação da dinâmica quântica na qual os estados variam com o
tempo, mas os operadores não.
Representação de Heisenberg. É a formulação da dinâmica quântica na qual os operadores variam com o
tempo, mas os estados não.
Quais as diferenças que existem entre essas duas abordagens?

Operadores Unitários
São operadores que têm a propriedade
U  U  UU   1.

Transformações unitárias
| → U |

Produto escalar. Sob uma tranformação unitária que muda os estados kets, o produto interno permanece
inalterado. Ou seja,
| → U | e | → U |
então
〈| → 〈|U  U|  〈|.

Operadores. Usando o fato de que essas trasformações não afetam os operadores, podemos inferir como
| X | deve mudar:
| X | → 〈|U    X  U |  〈|U  XU |

Vamos escrever isto de outra maneira (usando o axioma associativo)


〈|U    X  U|  〈|  U  XU  |

Esta identidade matemática sugere dois enfoques para as transformações unitárias:


 Enfoque 1

| → U|, com os operadores inalterados.

 Enfoque 2

X → U  XU, com os estados kets inalterados.

Nota sobre a Mecânica Clássica. Na física clássica não se introduz estados kets, mas fala-se em translação,
evolução temporal etc. Isto é possível porque essas operações realmente mudam quantidades tais como x e L, que são
observáveis na mecânica clássica. Assim, uma estreita ligação com a mecânica clássica pode ser adotada, seguindo-se a
abordagem 2.

Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 13


Exemplo (1) Translação infinitesimal - Enfoque 1
ip  dx ′
| → 1− |, x→x

Exemplo (2) Translação infinitesimal - Enfoque 2


| → |
ip  dx ′  ip  dx ′
x→ 1− x 1−
 
ip  dx ′ ip  dx ′ ip  dx ′ ip  dx ′
 1 x 1− ≃ x−x  x
   
 x i p  dx , x  x  dx ′

Pode-se mostrar que o valor esperado x é o mesmo em ambas as abordagens. Isto é,


〈x  → 〈x   〈dx ′ .

Demonstração. Na formulação 1,

ip  d x ′ ip  d x ′
〈x  1  〈| 1 − x 1− |  〈|x  dx ′ |
 
 〈|x|  〈|dx ′ |.
Na formulação 2,
〈x  2   |x|    |dx ′ |  .

Estados Kets e Observáveis nas Representações de Schrödinger e Heisenberg


Quando o operador unitário U é o operador evolução temporal, Ut, t 0 , os enfoques 1 e 2, descritas
anteriormente referem-se às representações de Schröndiger e Heisenberg, respectivamente.

Representação de Schrödinger

Estados kets. Os estados kets variam com o tempo.


Operadores. Os operadores correspondentes a observáveis, tais como x, p x e S z , permanecem fixos no
tempo.

Representação de Heisenberg

Estados kets. Os estados kets permanecem fixos no tempo, “congelados” por assim dizer no que eram a
t  t0.
Operadores. Os operadores correspondentes a observáveis agora variam com o tempo.

Relação entre as duas representações

Operadores. Vamos considerar t 0  0 por simplicidade:

Ut, t 0  0 ≡ Ut  exp −iHt



De acordo com a abordagem 2, define-se o operador na representação de Heisenberg como
A H t  U  t A S Ut (2.10
onde os superescritos H e S referem-se a Heisenberg e Schrödinger.

Capítulo 2 Dinâmica Quântica 14


Em t  0, os observáveis nas duas representações,
A H 0  A S ,
coincidem.
Estados kets. Os estados kets também coincidem nas duas representações em t  0; para tempos
posteriores, t, o estado na representação de Heisenberg fica congelado na forma que tinha em t  0:
|, t 0  0; t H  |, t 0  0
independente de t. Isto é radicalmente diferente dos estados kets na representação de Schrödinger:
|, t 0  0; t S  Ut|, t 0  0

Valores esperados. O valor esperado 〈A é o mesmo em ambas as representações,


S 〈, t 0  0; t| A S |, t 0  0, t S  〈, t 0  0| U  tA S Ut |, t 0  0
 H 〈, t 0  0; t| A H t |, t 0  0, t H

Equação de Movimento de Heisenberg


Admitindo que A S não dependa explicitamente do tempo, o que é o caso na maioria das situações físicas de
interesse, obtém-se [diferenciando a Eq. (2.2.10)]
dA H  d U  t A S Ut
dt dt
dU  t S dUt
 A Ut  U  t A S
dt dt
1 
 − U tHA Ut 
S 1 
U t A S HUt
i i
 − 1 U  tHUtU  tA S Ut  1 U  t A S UtU  tHUt
i i
 − 1 U  tHUtA H  1 A H U  tHUt
i i
 1 H 
A , U tHUt
i
onde usamos (2.1.25)
dU  1 HU, dU   − 1 U  H
dt i dt i

Como Ut  exp − iHt , este operador comuta com H. Então



U  tHUt  U  tUtH  H

de maneira que
dA H  1 A H , H (2.2.
dt i
que é conhecida como equação de movimento de Heisenberg.
★ Leia o restante da seção.

Partículas Livres; Teorema de Ehrenfest


Tanto na formulação de Schrödinger como na de Heisenberg, devemos saber como construir o operador
Hamiltoniano.
Sistema tem análogo clássico. Quando tratamos sistemas físicos que têm análogos clássicos, admitimos que
o Hamiltoniano tem a mesma forma como na física clássica, onde substituímos
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grandezas → operadores
Assim, x i e p i são substituídos pelos correspondentes operadores em MQ.
Sistema não tem análogo clássico. Neste caso, tenta-se “adivinhar” a estrutura do Hamiltoniano, fazendo-se
várias tentativa até que nos levem a resultados que concordem com observações experimentais.
Relações de comutação entre funções de x j e p j . Às vezes é necessário calcular relações de comutação
entre funções de x j e p j . Ou seja,

x i , Fp   ih ∂F , x i , Gx   0,
dp i
(2.23
p i , Gx   −i ∂G , p i , Fp   0.
dx i

Equação de movimento de Heisemberg para a partícula livre

Para uma partícula de massa m, o Hamiltoniano é considerado ser da mesma forma como na mecânica
clássica:
p2 p 2x  p 2y  p 2z
H 
2m 2m
Equação de movimento para p i . Como p i comuta com qualquer função de p j , logo
dp i
 1 p i , H  0
dt i

onde consideramos p i  p H i . Então, para a partícula livre o operador momento é uma constante de movimento, o

que significa que p i t é igual a p0 para todos os tempos.


De uma maneira geral, é evidente da equação de movimento de Heisenberg que, se o operador A H comuta com o
Hamiltoniano, A H é uma constante de movimento.

Equação de movimento para x i . Neste caso,


dx i  1 x , H
i
dt i
como H  1 ∑ p 2 e x i , Fp   ih ∂F , encontramos
2m j j dp i

dx i  1 x , H  1
i xi, 1 ∑ p 2j  1 1 ih ∂ ∑ p 2j
dt i i 2m j
i 2m dp i j

∂ p2  1 ∂p j p
 1
2m
∑ dp i j 2m
∑ 2p j dp i
 mi
j j

Ou seja,
dx i  p i  p i 0
dt m m
cuja solução é
p i 0
x i t  x i 0  m t (2.27

que recorda a equação da trajetória clássica para o movimento retilíneo uniforme. É importante notar que,
embora se tenha
x i 0, x j 0  0

Capítulo 2 Dinâmica Quântica 16


em tempos iguais, o comutador não se anula em tempos diferentes. Isto é,
p i 0 p i 0
x i t, x j 0  x i 0  m t, x j 0  m t, x j 0

 −it
m
Aplicando (1.4.53) a este comutador, ou seja,
ΔA 2 ΔB 2 ≥ 1 |〈A, B| 2
4
obtém-se

Δx i  2 Δx i  2 ≥ 1 −it 2


  t
2 2
(2.30
t t0 4 m 4m
Entre outras coisas, esta relação implica que, mesmo se a partícula é bem localizada em t  0, sua posição
torna-se mais e mais incerta à medida que o tempo passa.

Partícula sujeita a um potencial Vx 

Agora vamos adicionar um potencial Vx  ao Hamiltoniano da partícula livre:


p2
H  Vx  (2.31
2m
Nota: Vx  é considerado uma função dos operadores x, y e z.

Equação de movimento para p i . Usando (2.2.23)


dp i ∂Vx  ∂Vx 
 1 p i , H  1 p i , Vx   1 −i − (2.32
dt i i i dx i dx i

Equação de movimento para x i . Neste caso,


dx i  1 p , H  p i
i m
dt i
ainda vale, uma vez que x i comuta com o termo Vx . Vamos usar novamente a equação de movimento de
Heisenberg, ou seja,
2 pi
d dx i  d x2 i  1 dx i , H  1 1 dp i
dt dt dt i dt i m , H  m dt
Combinando com (2.2.32),
2 ∂Vx 
m d x2 i  −
dt dx i
ou

m d 2x  −∇Vx 
2
(2.35
dt
Isto é o análogo quântico da segunda lei de Newton. Tomando os valores esperados de ambos os lados com
respeito ao estado ket de Heisenberg, que não varia com o tempo, obtém-se a relação
2 d〈p 
m d 2 〈x    −〈∇Vx  (2.36
dt dt
que é conhecida como teorema de Ehrenfest.
Observação 1: Este teorema, escrito na forma de valor esperado, tem sua validade independente da representação que
usamos, uma vez que esta quantidade é igual nas duas representações. Ao contrário, na forma de operador (2.2.35), tem

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significado apenas se os operadores x e p forem dados na representação de Heisenberg.

Observação 2: Observa-se que  não aparece em (2.2.36); portanto, não de se surpreender que o centro de um pacote
de onda move-se tal como uma partículas clássica sujeita a um potencial Vx .

Kets de Base e Amplitudes de Transição


Um erro muito comum é pensar que todos os kets movem-se na representação de Schrödinger e são
estacionários na representação de Heisenberg. Devemos dinstinguir entre o comportamento dos estados kets
e dos kets de base.
Kets de base. Quando introduzimos os espaços dos kets na Seç. 1.2, observamos que os autokets dos
observáveis seriam usados como kets de base. O que acontece, em relação ao tempo, com a equação de
autovalores,
A |a ′   a ′ |a ′  ?
Schrödinger. Na representação de Schrödinger, A não varia com o tempo e, portanto, os kets de base,
obtidos como solução desta equação de autovalores em t  0, por exemplo, permanecem inalterados.
Heisenberg. Na representação de Heisenberg a situação é bem diferente. A equação de autovalores é aqui
para operadores que dependem do tempo,
A H t  U  A0U.
De (2.2.37), calculada em t  0, quando as duas representações coicidem,
A0|a ′   a ′ |a ′ 
deduz-se
U  A0UU  |a ′   a ′ U  |a ′ 
o que implica numa equação de autovalores para A H
A H U  |a ′   a ′ U  |a ′  (2.40

Kets de base na representação de Heisenberg. Assim, à medida que o tempo flui, os kets de base da

representação de Heisenberg, U |a , denotados por |a ′ , t H , movem-se de acordo com a equação

|a ′ , t H  U  |a ′  (2.41

Devido à presença do operador U  , ao invés de U, os kets de base da representação de Heisenberg parecem


girar em sentido oposto aos dos estados ket na representação de Schrödinger. Especificamente, |a ′ , t H
satisfazem a equação de Schrödinger de sinal errado

i ∂ |a ′ , t H  −H |a ′ , t H (2.42
∂t
Autovalores da representação de Heisenberg. Quanto aos autovalores, vemos de (2.2.40) que eles não
mudam com o tempo. Isto é consistente com a equivalência unitária de observáveis, onde A e U  AU são ditos
equivalentes (Seç. 1.5). Note também a seguinte expansão para A H t em termos dos kets e bras de base da
representação de Heisenberg:

Capítulo 2 Dinâmica Quântica 18


A H t  ∑ |a ′ , t H a ′H H 〈a ′ , t|
a′

 ∑ U  |a ′  a ′ 〈a ′ |U
a′

 U ∑ |a ′  a ′ 〈a ′ | U
a′

 U  A S U
o que mostra que tudo é consistente, desde que os kets de base da represaentação de Heisenberg mudem de
acordo com (2.2.41).
Coeficientes de expansão.Os coeficientes de expansão de um estado ket em termos dos kets de base são
os mesmos em ambas as representações:

c a ′  〈a ′ |  U|, t 0  0, (representação de Schrödinger)



base bra estado ket

c a ′ 〈a ′ |U   |, t 0  0, (representação de Heisenberg)


base bra estado ket
ket de base

ket de base

t
ke t
o ke
ta d o
es
es ta d

Schrödinger Heisenberg

Função de onda. Em particular, a função de onda 〈x ′ | pode ser considerada como:
(1) o produto interno do autobra estacionário da posição com o estado ket movendo-se (representação de Schrödinger),
ou

(2) o produto interno do autobra da posição movendo-se com o estado ket estacionário (representação de Heisenberg).
Amplitues de transição. Para ilustrar ainda mais a equivalência entre as duas representações, vamos
estudar as amplitudes de transição, que terão um papel fundamental na Seç. 2.5. Suponha que existe um
sistema físico preparado em t  0 para estar num autoestado do observável A com autovalor a ′ . Num tempo t
mais tarde, podemos querer saber:
Qual é a amplitude de probabilidade (conhecidade como amplitude de transição) para que o sistema possa ser
encontrado num autoestado do observável B com autovalor b ′ ?

Schrödinger. Na representação de Schrödinger, o estado ket no instante t é dado por U |a ′ , enquanto que
os kets de base |a ′  e |b ′  não variam com o tempo. Assim, para essa amplitude de transição, temos
〈b ′ |  U|a ′ 

base bra estado ket

Heisenberg. Na representação de Heisenberg o estado ket é estacionário, isto é, permanece o mesmo |a ′ 


Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 19
para todos os tempos, enquanto que os kets de base evoluem no sentido oposto no tempo. Assim, a amplitude
de transição nesta representação vale
〈b ′ |U   |a ′ 

base bra estado ket

Obviamente, estas duas amplitudes são iguais. Ambas podem ser escritas como
〈b ′ | Ut, 0 |a ′  (2.47

Com certa liberdade, podemos dizer que isto representa a amplitude de transição para “ir” do estado |a ′  ao
estado |b ′ .
Resumo das Diferenças entre as Representações.
Schrödinger Heisenberg
Estado ket Movimento: (2.15), (2.27) Estacionário
Obaservável Estacionário Movimento: (2.10), (2.19)
Ket de base Estacionário Movimento oposto: (2.41), (2.42)

2.3 Oscilador Harmônico Simples


O oscilador harmônico simples é um dos mais importantes problemas em MQ. Do ponto de vista pedagógico,
serve para ilustrar os conceitos e métodos básicos em MQ.

Autokets de Energia e Autovalores de Energia


Hamiltoniano. O Hamiltoniano básico é
p2 2 2
H  m x (3.1)
2m 2
onde  é a frequência angular do oscilador clássico relacionada com a constante de mola k na lei de Hooke via
 k/m . Os operadors x e p são, evidentemente, hermitianos. É conveniente definirmos dois operadors não
hermitianos
m ip m ip
a x  m , a  x − m (3.2)
2 2
conhecidos como operador de destruição e operador de criação, respectivamente, por razões que em breve
serão evidentes.
Relações de comutação. Usando as relações de comutação canônicas para esses operadores, obtém-se
imediatamente
ip ip
a, a    m x  m , x − m
2
m ip ip
 x, − m  m m , x
2 2

 1 −i x, p i p, x  1   
2 2
i −i

1

Operador número. Com esses dois operadores, podemo construir um outro operador (hermitiano)
denominado de operador número
N  aa (3.4)

Capítulo 2 Dinâmica Quântica 20


Usando as definições de a  e a podemos mostrar que
m ip ip
N  aa  x − m x  m
2
m ixp ipx p2
 x 2  m − m  2 2
2 m 
2
m p i x, p
 x2  2 2 
2 m  2
m p2
 x2  2 2 − 1
2 m  2
Ou seja,
N H − 1
 2
de onde encontramos uma relação importante entre o operador número e o operador Hamiltoniano

H   N  1 (3.6)
2
Autovalores de energia. Uma vez que H é uma função linear de N, N pode ser diagonalizada
simultaneamente com H. Vamos representar um autoket de N por seu autovalor n, tal que
N |n  n |n
Devido a (3.6), temos também

H |n  E n |n →  N  1 |n  n  1  |n


2 2
o que significa que os autovalores de energia são dados por

E n  n  1  (3.9)
2
Significado físico de a, a  e N. Para compreendermos o significado físico de a, a  e N, vamos primeiro
observar que
N, a  a  a, a  a  a, a  a  , a a  −a
Da mesma forma,
N, a    a  a, a    a  a, a    a  , a   a  a 

Como resultado, temos


Na  |n  Na  − a  N  a  N|n  N, a    a  N|n
 a   a  N |n  N  1a  |n
 n  1a  |n
e
Na|n  Na − aN  aN|n  N, a  aN|n
 −a  a N |n  N − 1a  |n
 n − 1a |n

Estas relações implicam que a  |n a |n são também autokets de N com autovalores aumentado (diminuído)
de um. Como o acréscimo (decréscimo) de n por um significa a criação (destruição) de um quantum de energia
, o termo operador de criação (operador de destruição) para a  a torna-se apropriado.

Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 21


Propriedades dos operadores de criação e de destruição

As equações
N a  |n  n  1a  |n
N a|n  n − 1a|n

sugerem podem ser reescritas como


N|n  1  n  1|n  1
N|n − 1  n − 1|n − 1
o que implica em a  |n e |n  1 a|n e |n − 1 serem o mesmo a menos de uma constante multiplicativa. Por
exemplo, vamos escrever
a |n  c |n − 1
onde c é uma constante numérica, que é determinada exigindo-se que tanto |n como |n − 1 sejam kets
normalizados. Multiplicando ambos os membros por 〈n − 1| c ∗ , encontra-se
〈n − 1| c ∗ a |n  |c| 2 〈n − 1|n − 1
e, lembrando que 〈n − 1| c ∗  〈n|a  , temos
〈n| a  a |n  |c| 2
onde usamos a normalização de |n − 1. Notando que a  a é o operador número, N, podemos ainda simplificar
〈n| N |n  |c| 2 → |c| 2  n → c  n
onde também usamos a normalização de |n. Logo,
a |n  c |n − 1 → a |n  n |n − 1 (3.16
Similarmente, podemos mostrar que
a  |n  c |n  1 → a  |n  n  1 |n  1. (3.17

Aplicações sucessivas do operador a. Aplicando-se sucessivamente o operador a a ambos os membros de


(3.16) obtém-se

a |n  n |n − 1
aa |n  n a |n − 1 → a 2 |n  nn − 1 |n − 2
aa 2 |n  nn − 1 a |n − 2 → a 3 |n  nn − 1n − 2 |n − 3
 

Autokets do operador número. Esta sequência de operações mostra que é possível obtermos autokets com
n cada vez menores até que a sequência termine, o que só pode acontecer se começarmos com um n positivo.
Mas n pode ser negativo? Podemos responder a esta questão, calculando-se a norma de a |n que, por
definição é sempre positiva ou nula. Assim,
def
〈n|a    a |n ≥ 0
Mas, isto pode ser reescrito como
n| a  a | n ≥ 0 → n| N | n ≡ n ≥ 0.
Logo, n só pode ser inteiro não negativo. Portanto, a sequência deve terminar quando n  0.

Capítulo 2 Dinâmica Quântica 22


Energia do estado fundamental. Uma vez que o menor valor de n é zero, a energia do estado fundamental,
|0, do oscilador harmônico é
E 0  1  (3.20
2
Aplicação sucessiva de a  ao estado fundamental. Aplicando-se agora sucessivamente o operador a  ao
estado fundamental |0, usando-se (3.17) na forma

|n  1  a |n
n1
obtém-se

|1  a  |0
a a   2
|2  |1  |0
2 2
a a   3
|3  |2  |0 (3.21
3 3!

a a   n
|n  |n − 1  |0
n1 n!

Desta maneira construimos os autokets simultâneos de N e H com autovalores de energia

E n  n  1 , n  0, 1, 2, … 
2
Elementos de matriz. De (3.16) e (3.17) e da normalização dos |n, obtém-se os elementos de matriz do
operador de destruição a. Ou seja,
n ′ | a |n  〈n ′ | n |n − 1  n  n ′ ,n−1
n ′ | a  |n  〈n ′ | n  1 |n  1  n  1  n ′ ,n1

De (3.2), obtém-se

x  a  a  , p  i m −a  a  
2m 2
Agora podemos derivar os elementos de matriz de x e p.

n ′ | x |n   n ′ | a  a  |n   n  n ′ ,n−1  n  1  n ′ ,n1


2m 2m

n ′ | p |n  i m n ′ | −a  a  |n  i m − n  n ′ ,n−1  n  1  n ′ ,n1


2 2

Note que tanto x quanto p são não-diagonais na representação N. Isto é porque x e p, tal como a e a  , não
comutam com o operador N.
Funções de onda do oscilador. Podemos também usar o método dos operadores para encontar as
autofunções da energia no espaço das posições (funções de onda). Vamos começar com o estado
fundamental definido por
a |0  0
que, na representação x, interpreta-se como

Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 23


x ′ | a |0  m 〈x ′ | x  ip |0  0
2 m

De (1.7.17)

x ′ | p |  −i ∂ ′ 〈x ′ |,
∂x
podemos interpretar a equação anterior como uma equação diferencial. Ou seja,

x ′ | a |0  m i 〈x ′ | p |0  0
〈x ′ | x |0  m
2
ou
 d 〈x ′ |0  0
x ′ 〈x ′ |0  m
dx ′
ou, finalmente,

x ′  x 20 d ′ 〈x ′ |0  0
dx
onde introduzimos

x0 ≡ 
m
que fixa uma escala de comprimento do oscilador. Esta equação é do tipo
dfx
x 20  xfx  0
dx
ou
df
 − x2 dx
f x0
cuja solução é
2
ln f  − x  C
2x 0
ou
2
fx  C exp − 1 x
x0
2
onde C podemos escolher através da normalização,
2
|C| 2  exp − 1
2
x 1
2 x0
Mas,
 2
 −
2
exp − 1 x
x0  x0 
2

então
C 1
 1/4 x 0
Logo,

〈x ′ |0  1 exp − 1 x′ 2
(3.30
 1/4 x 0 2 x0

Da mesma forma, podemos obter as autofunções de energia para os estados excitados, calculando-se

Capítulo 2 Dinâmica Quântica 24


〈x ′ |1  〈x ′ |a  |0  1 x ′ − x 20 d ′ 〈x ′ |0,
2 x0 dx
2
2
〈x ′ |2  1 x ′ |a   2 |0  1 1 x ′ − x 20 d ′ 〈x ′ |0
2 2! 2 x0 dx

Em geral, as soluções são


n
〈x ′ |n  1 1 x ′ − x 20 d ′ exp − 1 x′ 2
(3.32
 1/4 2 n n! x n1/2 dx 2 x0
0

Valores esperados de x 2 e p 2 . É instrutivo analisar os valores esperados de x 2 e p 2 para o estado


fundamental. Seja

x2   a 2  a 2  a  a  aa  
2m
Assim,

〈x 2    〈a 2  a 2  a  a  aa  
2m
  0| a 2 |0  0| a 2 |0  0| a  a |0  0| aa  |0
2m
2
  0| aa  |0    x0
2m 2m 2
Da mesma forma,

p2  i m −a  a   i m −a  a  


2 2
 − m a 2 − aa  − a  a  a 2 
2
o que nos fornece

〈p 2   − m 〈a 2 − aa  − a  a  a 2 
2
 m 〈aa  
2
 m
2
Relações de incerteza. Das definições de x e p em termos dos operadores a e a  , podemos mostrar que
〈x  0, 〈p  0.
Logo,

Δx 2  〈x 2  − 〈x 2  〈x 2   
2m
e

Δp 2  〈p 2  − 〈p 2  〈p 2   m


2
satisfazem o produto de incerteza mínimo

Δx 2 Δp 2   m   2 .


2m 2 4
uma vez que a função de onda tem a forma gaussiana.
Para os estados excitados os produtos de incerteza são maiores

Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 25


2
Δx 2 Δp 2  n  1 2.
2

Evolução Temporal do Oscilador


Nota: Nesta seção os x, p, a e a  são dependentes do tempo, embora não se escreva explicitamente x H t etc.

Representação de Heisenberg

As equações de movimento para p e x são, de acordo com (2.2.32) e (2.2.33),


dp dx  p
 − dV  −m 2 x, m
dt dx dt
Como
m ip m ip
a x  m , a  x − m
2 2
então
da  m dx  i dp , da   m dx − i dp
dt 2 dt m dt dt 2 dt m dt

ou
da  m p i m p
m  m −m x  m − i x
2
dt 2 2
ip
 −i m x  m  i a
2
e
da   m p i m p
m − m −m x  m  i x
2
dt 2 2
ip
 i m x − m  ia 
2

Logo, as equações diferenciais para x e p (acopladas) podem ser substituídas pelas correspondentes para a e
a
da  −ia, da   ia 
dt dt
cujas soluções são
at  a0 exp−it, a  t  a  0 expit (3.43

Casualmente, essas relações mostram explicitamente que os operadores N e H são independentes do tempo.
Por exemplo,
N  a  tat  a  0 expit a0 exp−it  |a0| 2 .

Substituindo (3.43) nas expressões para x e p,

x  a  a  , p  i m −a  a  
2m 2
encontra-se

Capítulo 2 Dinâmica Quântica 26


xt   m ip0
x0  m exp−it
2m 2

  m ip0
x0 − m expit
2m 2
ip0 1 x0 − ip0 expit
 1 x0  m exp−it  m
2 2
expit  exp−it p0 expit − exp−it
 x0  m
2 2i
ou
p0
xt  x0 cost  m sent

Da mesma forma
pt  −mx0 sent  p0 cost.

Estas equações parecem muito com as equações clássicas do movimento. Vemos que os operadores x e p
“oscilam” da mesma forma que seus análogos clássicos.

Lema de Baker-Hausdorff

Seja a função de operadores e iG Ae −iG , onde A é um qualquer operdor, G é um operador hermitiano e  é um
parâmetro real: Como expandir esta função numa série de Taylor?
Vamos chamar esta função de A  e iG Ae −iG . Vamos derivar esta função sucessivamente em relação a .
Ou seja,
dA
 iGe iG Ae −iG − ie iG Ae −iG G  iG, A
d
d 2 A dA dA
 d  i G,  i 2 G, G, A
d 2 d d d
d 3 A d 2 A
 i G,  i 3 G, G, G, A
d 3 d 2

Expandindo A numa série de Taylor, em torno de   0,


2 d 2 A0
 
dA0
A  A0   
d 2! d 2
e lembrando que A0  A, encontra-se,

A  A  iG, A  i22 G, G, A 


2!
 inn G, G, … G, A …
2!
ou finalmente

e iG Ae −iG  A  iG, A  i22 G, G, A 


2!
 inn G, G, … G, A … (3.47
2!
que é conhecida como Lema de Baker-Hausdorff.

Derivação alternativa da evolução temporal do oscilador

Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 27


Vamos aplicar o lema de Baker para encontrar a evolução temporal a partir de

xt  exp iHt x0 exp −iHt


 
Aplicando (3.47), obtém-se A  x0, G  H,   t/ :

xt  x0  it H, x0  i2t2 H, H, x0 


 2! 2
p0 2 m 2 x0 2
Como H   , uma vez que H não depende do tempo, podemos calcular os comutadores,
2m 2
usando repetidamente,
p0 2 m 2 x0 2 1 p0 2 , x0
H, x0   , x0 
2m 2 2m
 1 p0p0, x0  1 p0, x0p0  −i p0
2m 2m m
e
p0 2 m 2 x0 2 2
H, p0   , p0  m x0 2 , p0
2m 2 2
2 2
 m x0x0, p0  m x0, p0x0  im 2 x0
2 2
Então,

exp iHt x0 exp −iHt


p0
 x0  m t
 
1 t 2  2 x0  − 1 t 3  3 p0
− m 
2! 3!
colecionando os termos, temos finalmente
p0
xt  x0 cos t  m sen t,

em concordância com (2.3.45a).


★ Leia o restante da seção.

2.4 Equação de Onda de Schrödinger


Nesta seção volta-se à represntação de Schrödinger para examinar a evolução temporal de |, t 0 ; t na
representação x.

Função de Onda Dependente do Tempo


Vamos estudar o comportamento da função de onda
x ′ , t  〈x ′ |, t 0 ; t (4.1)
como função do tempo |, t 0 ; t é um autoket na representação de Schrödinger no instante t, e 〈x ′ | é o autobra
da posição (que é independente do tempo na representação de Schrödinger) com autovalor x ′ . Seja o
Hamiltoniano da forma
p2
H  Vx (4.2)
2m
O potencial Vx é um operador hermitiano; é também local, no sentido de que, na representação x, tem-se
x ′ | Vx | x ′′  Vx ′   3 x ′ − x ′′  (4.3)

Capítulo 2 Dinâmica Quântica 28


onde Vx ′  é uma função real de x ′ .
Equação de onda de Schrödinger. Vamos agora derivar a equação de onda de Schrödinger dependente do
tempo. De (2.1.27)

i ∂ |, t 0 ; t  H |, t 0 ; t
∂t
que, multiplicada escalarmente pelo autobra (estacionário) 〈x ′ | enconta-se

i ∂ 〈x ′ |, t 0 ; t  〈x ′ |H |, t 0 ; t (4.4)


∂t
Lado direito de (2.4.4). Usando (1.7.20), ou seja,

x ′ | p nx |, t 0 ; t  −i n ∂ ′n 〈x ′ |, t 0 ; t,


n
#
∂x
encontramos para a contribuição da energia cinética do lado direito de (2.4.4)
p 2x
|, t 0 ; t  −i 2 ∂ ′2 〈x ′ |, t 0 ; t
2
〈x ′ |
2m ∂x
ou, para 3 dimensões
p2 −i 2 ′2 ′
∇ 〈x |, t 0 ; t  − 
2
〈x ′ | |, t 0 ; t  ∇ ′2 〈x ′ |, t 0 ; t
2m 2m 2m
Para a contribuição da energia potencial, temos
〈x ′ |Vx ′   Vx ′  〈x ′ |
onde aqui Vx ′  é uma função e não um operador. Combinando tudo, encontramos

i ∂ 〈x ′ |, t 0 ; t  − 
2
∇ ′2 〈x ′ |, t 0 ; t  Vx ′  〈x ′ |, t 0 ; t (4.7)
∂t 2m
que reconhecemos ser a famosa equação de onda de Schrödinger dependente do tempo, geralmente escrita
como

i ∂ x ′ , t  − 
2
∇ ′2 x ′ , t  Vx ′  x ′ , t (4.8)
∂t 2m
Nota: A mecânica quântica baseada na equação de onda (2.4.8) é conhecida como mecânica ondulatória. Esta
equação é, de fato, o ponto de partida de muitos livros de texto sobre mecânica quântica. Porém, em nosso formalismo,
isto é apenas a equação de Schrödinger para o estado ket escrita explicitamente na base x, quando o operador
Hamiltoniano adotado é da forma (2.4.2).

A Equação de Onda Independente do Tempo


Já vimos que a dependência temporal de um estado estacionário é dada pelo fator exp−iE a ′ t/, de maneira
que a função de onda desse estado pode ser escrita como
〈x ′ |a ′ , t 0 ; t  〈x ′ |a ′  exp−iE a ′ t/ (4.9)
onde estamos supondo que o sistema está preparado inicialmente num autoestado simultâneo de A e H com
autovalores a ′ e E a ′ respectivamente. Vamos agora substituir (2.4.9) na equação de Schrödinger dependente
do tempo (2.4.7):

i ∂ 〈x ′ |a ′  exp−iE a ′ t/  − 
2
∇ ′2 〈x ′ |a ′  exp−iE a ′ t/
∂t 2m
 Vx ′  〈x ′ |a ′  exp−iE a ′ t/
ou

Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 29


−  2 ∇ ′2 〈x ′ |a ′   Vx ′  〈x ′ |a ′   E ′ 〈x ′ |a ′  (4.10
a
2m
Nota: Esta equação diferencial parcial é satisfeita pela autofunção de energia 〈x ′ |a ′  com autovalor de energia E a ′ .
Realmente, em mecânica ondulatória, onde o Hamiltoniano é dado como função de x e p, como em (2.4.2), não é
necessário referir-se explicitamente ao observável A que comuta com H, uma vez que sempre podemos escolher A como
uma função dos observáveis x e p que coincide com H.

Então, podemos omitir a referência a a ′ e simplesmente escrever (2.4.10) como uma equação diferencial
parcial que será satisfeita pela autofunção da energia u E x ′ :

−  2 ∇ ′2 u E x ′   Vx ′  u E x ′   E u E x ′  (2.4.
2m
Esta é a equação onda de Schrödinger dependente do tempo.
Condições de contorno. Para resolver esta equação, precisamos impor algumas condições de contorno.
Solução para E  V. Se procuramos soluções com
E  lim

Vx ′ 
|x |→

onde a desigualdade vale para |x ′ | →  em qualquer direção, a condição de contorno apropriada para este
caso é
u E x ′  → 0, para |x ′ | →  (4.13

Fisicamente, isto significa que a partícula está ligada ou confinada dentro de uma região finita do espaço. Para
este caso, as soluções u E possuem as seguintes propriedades.
Propriedades das soluções u E para partícula confinada. Sabemos da teoria das equações diferenciais que
(2.4.11) sujeita à condição de contorno (2.4.13) somente possuem soluções não triviais para um conjunto de
valores discretos de E. É neste sentido que a equação de Schrödinger independente do tempo produz a
quantização dos níveis de energia.

★ Leia o restante da seção.

Interpretação da Função de Onda


Função de onda como coeficiente de expansão. Como a função de onda  está relacionada com o
coeficiente de expansão, 〈x |, t 0 ; t, do estado |, t 0 ; t em termos dos autokets da posição |x ′ , podemos

assciar || 2 com uma densidade de probabilidade. Seja então esta densidade definida como
x ′ , t  |x ′ , t| 2  |〈x ′ |, t 0 ; t| 2 (4.14
A quantidade
x ′ , t d 3 x ′
nos dá a probabilidade, num instante t, de encontrar a partícula dentro de um pequeno elemento de volume
d 3 x ′ em torno da posição x ′ .
Equação da continuidade. Usando a equação de Schrödinger dependente do tempo podemos mostrar
facilmente que
∂
∇j  0 (4.15
∂t
onde  representa || 2 como antes, e jx, t é conhecido como fluxo de probabilidade, dado por

Capítulo 2 Dinâmica Quântica 30


jx, t  − i  ∗ ∇ − ∇ ∗    Im ∗ ∇ (4.16
2m m

Fluxo de probabilidade e momento. Integrando (2.4.16) sobre todo o espaço, obtemos

 jx, td 3 x  1   ∗ x, t−i∇ x, td 3 x


2m
〈p 
− 1 −i∇ ∗ x, tx, td 3 x  m t
2m
onde usamos (1.7.19).
Nota: A Eq. (4.15) nos lembra a equação da continuidade em dinâmica dos fluidos, que caracteriza um fluxo
hidrodinâmico de um fluido numa região sem fontes nem sumidouros. De fato, historicamente Schrödinger foi o primeiro a
2 2
interpretar || como uma densidade real de matéria, ou e|| como uma densidade real de carga elétrica. Se adotarmos
tal ponto de vista, ficaremos diante de algumas consequência estranhas. Um argumento típico para a medida da posição
seria este: Um elétron atômico é considerado como uma distribuição contínua de matéria, preenhcendo toda a região em
torno do núcleo; mas, quando se realiza uma medida para verificar que o elétron está em algum ponto particular, esta
distribuição contínua de matéria subitamente se contrai na forma de uma partícula sem extensão espacial.

A interpretação estatística mais satisfatória de || 2 foi dada pela primeira vez por M. Born.

Significado físico da função de onda

Vamos escrever a função de onda na forma


iSx, t
x, t  x, t exp (4.18

onde S é real e   0.
Significado de S. Note que

 ∗ ∇   exp −iS ∇  exp iS  ∇   i ∇S


  
e

∇ ∗   ∇  exp −iS  exp iS  ∇  − i ∇S


  
Logo,
i  ∗ ∇ − ∇ ∗   − i 2i ∇S ∇S
j −  m (4.20
2m 2m 
Agora vemos que a função de onda tem muito mais coisa do que simplesmente a densidade de probabilidade
dada por || 2 : o gradiente da fase S contém uma peça de informação vital. Da Eq. (2.4.20) vemos que a
variação espacial da fase da função de onda caracteriza o fluxo de probabilidade; quanto mais forte for a
variação da fase, mais intenso será o fluxo. A direção de j em qualquer ponto x é normal à superfície de fase
constante que passa por aquele ponto (definição de gradiente).
Onda plana. Um exemplo particularmente simples é o da onda plana (autofunção do momento)
ip  x
x, t  exp − iEt (4.21
 
onde p significa o autovalor do operador momento. Neste caso, a fase S vale
Sx, t  p  x − Et
e, portanto,

Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 31


∇S  p (4.22
Mais geralmente, é tentador considerar ∇S/m como alguma espécie de “velocidade”,
“v”  ∇mS
e escrever a equação da continuidade (2.4.15) como
∂
 ∇   “v” 0
∂t
da mesma forma como na dinâmica dos fluidos. Porém, devemos tomar cuidado com uma interpretação tão
literal de j como  vezes a velocidade definida em todos os pontos do espaço, uma vez que medidas
simultâneas precisas da posição e velocidade violam o princípio da incerteza.

O Limite Clássico
Agora vamos discuitir o limite clássico da mecânica ondulatória. Seja a equação de Schrödinger dependente
do tempo,

i ∂   − 
2
∇ 2   V .
∂t 2m
Para

  exp iS

encontramos

i ∂  exp iS − 2 ∇2  exp iS V  exp iS


∂t  2m  
ou
∂ 
i  i  ∂S − 2  ∇2   2i ∇   ∇S
∂t  ∂t 2m 

− 12  |∇S| 2  i  ∇2S   V (4.25


 
Aproximação para  pequeno. Até aqui a expressão é exata. Vamos supor que, em algum sentido,  possa
ser considerada uma quantidade pequena, admitindo que
|∇ 2 S|  |∇S| 2 (4.26
e assim por diante. Vamos então colecionar os termos que não dependem de :

−  ∂S  1  |∇S| 2   V
∂t 2m
ou
1 |∇Sx, t| 2  Vx   ∂Sx, t  0 (4.27
2m ∂t
Equação de Hamilton-Jacobi. A Eq. (2.4.27) é a equação de Hamilton-Jacobi da mecânica clássica, onde
Sx, t representa a função principal de Hamilton. Assim, não é por acaso que, no limite  → 0, a mecânica
clássica esteja contida na mecânica ondulatória de Schrödinger. Temos uma interpretação semiclássica para a fase
da função de onda:  vezes a fase é igual à função principal de Hamilton, desde que  possa ser considerado como uma
quantidade pequena.

Estados estacionários. Vamos olhar para os estados estacionários com dependência temporal exp−iEt/.
Neste caso, a Hamiltoniana clássica não depende explicitamente do tempo e a função de principal de Hamilton

Capítulo 2 Dinâmica Quântica 32


é separável:
Sx, t  Wx − Et (4.28
onde Wx é chamada de função característica de Hamilton.
***
Substituindo em (4.27),
1 |∇Wx − Et| 2  Vx   ∂Wx − Et  0
2m ∂t
podemos eliminar o tempo, obtendo-se,
1 |∇Wx| 2  Vx   E
2m
***
Da Eq. (2.4.27) vê-se que, à medida que o tempo passa, uma superfície de S constante avança da mesma
maneira que avança uma superfície de fase constante em óptica - uma frente de onda. O momento da teoria
clássica de H-J é dado por
p clássico  ∇S  ∇W

que é consistente com nossa identificação anterior de ∇S/m com alguma tipo de velocidade.

Aproximação Semiclássica (WKB)


Vamos obter a solução de estado estacionário aproximada da equação de Schrödinger restrita a uma
dimensão. Da equação
2
1 dWx
 Vx  E
2m dx
obtém-se facilmente W, integrando-se a equação
dWx
  2mE − Vx
dx
ou seja,

Wx    dx ′ 2mE − Vx ′ 


x

Região classicamente permitida (E  V)

Logo, Sx, t é dado por

Sx, t  Wx − Et    dx ′ 2mE − Vx ′  − Et


x

onde estamos interessados na região classicamente permitida, E  V.


Estados estacionários. Para estados estacionários, temos
∂
0
∂t
o que, devido à equação da continuidade na forma (2.4.24),
∂
 ∂ m
1 ∂S  0 → ∂  ∂S  0.
∂t ∂x ∂x ∂x ∂x
implica em

 ∂S  constante
∂x

Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 33


Como

 ∂S ≡ 
dWx
  2mE − Vx  constante
∂x dx
então
constante 1
  
E − Vx ′  1/4 v clássica

Combinando essas equações na expressão

  exp iS

encontramos,
constante

x
x, t  exp  i dx ′ 2mE − Vx ′  − iEt . (4.35
E − Vx 1/4  
Esta solução aproximada é conhecida com solução WKB (Wentzel, Kramers e Brillouin).
O que significa dizer  é pequeno? A condição
|∇ 2 S|  |∇S| 2
é equivalente em problemas unidimensionais a
2 2
 d S2  dS .
dx dx
Como
dS  dWx   2mE − Vx
dx dx
então

d2S 2m 1 dVx

dx 2 2 E − Vx dx
2
dS  2m|E − Vx|
dx
Logo,
2 2 dVx
 d S2  dS → m 1  2mE − Vx
dx dx 2 E − Vx dx

para E  V, ou
 dVx
 2mE − Vx
2mE − Vx dx

Em termos do comprimento de onda de de Broglie dividido por 2,

 
2mE − Vx
a condição torna-se
2mE − Vx
  (2.4.3
|dVx/dx|

Em outras palavras,  deve ser pequeno comparado com a distância característica sobre a qual o potencial
varia apreciavelmente. Grosso modo, o potencial deve ser essencialmente constante sobre muitos

Capítulo 2 Dinâmica Quântica 34


comprimentos de onda. Logo, vemos que a aproximação semiclássica é confiável no limite de pequenos
comprimentos de onda.

Região classicamente proibida (E  V)

Vamos considerar agora o caso onde E − Vx  0, cujos valores de x são conhecidos como região
classicamente proibida. A teoria clássica de Hamilton-Jacobi não faz sentido neste caso, tal que nossa solução
aproximada(2.4.35) tem que ser modificada.
Solução análoga para a região V  E. Pode-se mostrar, por substituição direta, que a função
constante

x
x, t  exp  1 dx ′ 2mVx ′  − E − iEt (4.38
Vx − E 1/4  

satisfaz a equação de onda, com a condição de que / 2mV − E seja pequeno comparado com a distância
característica na qual o potencial varia.
Pontos de retorno. Nenhuma das soluções semiclássicas tem sentido próximas de um ponto de retorno
clássico, definido pelo valor de x para o qual
Vx  E
uma vez que  (ou i) torna-se infinito naquele ponto, levando a uma forte violação da condição (2.4.37). De
fato, é uma tarefa não trivial “casar” as duas soluções através do ponto de retorno. O procedimento padrão é
baseado nas seguintes etapas:

1. Lineariza-se o potencial Vx nas proximidades do ponto de retorno x 0 , definido pela raiz de Vx 0   E. Ou seja,

Vx ≃ Vx 0   dV x − x 0 
dx xx 0

2. Resolve-se a equação diferencial

d2uE − 2m dV x − x 0  u E  0
dx 2 2 dx xx 0

exatamente, para obter uma terceira solução envolvendo as funções de Bessel de ordem 1/3 (funções de Airy) válida
próximo de x 0 .

3. “Casa-se” esta solução às outras duas, escolhendo-se apropriadamente várias constantes de integração.

Aproximação WKB para um poço de potencial

Vamos aplicar os resultados da análise da aproximação WKB para um poço de potencial (estados ligados),
mostrado esquematicamente na figura abaixo. Nesta figura, as regiões são caracterizada pelas seguintes
condições:

Região I: E  Vx, Eq. (2.4.38)


Região II: E  Vx, Eq. (2.4.35)
Região III: E  Vx, Eq. (2.4.38)

Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 35


V(x)

Região II
Região I Região III

x1 x2 x

As soluções são:

Regiões I e III


x
 I,III x, t  C1 exp  1 dx ′ 2mVx ′  − E − iEt
Vx − E 1/4  

Região II


x
 II x, t  C2 exp  i dx ′ 2mE − Vx ′  − iEt
E − Vx 1/4  

Regiões de transição

Nos pontos de retorno, x  x 1 e x  x 2 , temos que resolver a equação de Schrödinger exata para o potencial
linearizado. Ou seja,
d 2 u E −  2 x − x  u  0
0 E
dx 2
onde
1/2 1/2
 2m dV  1 2mV ′ x 0 
2 dx xx 0 
Fazendo uma mudança de variável do tipo
1/3
z   2/3 x − x 0   1 2mV ′ x 0  x − x 0 

encontra-se
d  d dz   2/3 d e d 2   4/3 d 2
dx dz dx dz dx 2 dz 2
Portanto,
2 2
 4/3 d u2E − 2/3 z u E  0
dz 
ou

Capítulo 2 Dinâmica Quântica 36


d2 − z uE  0
dz 2
cuja solução são as funções de Airy, Aiz,

1
Aiz    0 d cos 1 3  z 
3

O comportamento assintótico dessa função é


1/2
1 1 exp − 2 z 3/2 , z  0, V  E
2  z 3
Aiz  .
1/2
1 cos 2 z −z   , z  0, E  V
 −z 3 4

Uma vez que


V − E
Vx  Vx 0   V ′ x 0 x − x 0  → x − x 0  
V′
onde V ′  dV/dx, temos

z   2/3 x − x 0    2/3 V −′ E
V
Comportamento assintótico na região II. Então, o comportamemto assintótico de Aiz para z  0 V  E é
1/2
V′
Aiz  cos − 2 x 0 − x 3/2 − 
  E − V 2/3 3 4

Notando que o argumento do cosseno pode ser obtido através da integral

x
x
 x 0 − x dx ′  − 2 x 0 − x 3/2
0 3
então, a forma assintótica torna-se
1/2
V′
x  x 0 − x dx ′  
x
Aiz  cos
  E − V2/3 0 4

ou
1/2
V′
x 2mV ′ E −′ V dx ′  
x
Aiz  cos 1
  2/3 E − V  0 V 4

e, finalmente
1/2
V′
x 2mE − Vx ′  dx ′  
x
Aiz  cos 1 (*)
  E − V
2/3  0 4

Forma assintótica nas regiões I e II. Da mesma maneira podemos obter a forma assintótica para as regiões
onde V  E x  0. Encontramos
1/2
V′
x
x
Aiz  exp − 1 2mVx ′  − E dx ′ (**)
  E − V
2/3  0

Continuidade da função através dos pontos x 1 e x 2 . Queremos agora que a solução (aproximada) da

Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 37


equação de Schrödinger seja contínua através de x  x 1 , ao passarmos da região I para a região II. Então,
esta solução tem que ser da forma de (*). Ou seja,
1/2
V′
x 2mE − Vx ′  dx ′ − 
x
u 1
II x  C1 cos 1
  E − V
2/3  1 4

Da mesma forma com o ponto x 2 , ao passarmos da região III para a região II:
1/2
V′
x 2mE − Vx ′  dx ′  
x
u 2
II x  C2 cos 1
  2/3 E − V  2 4

Solução única. Como a solução na região II deve ser única, os argumentos dos cossenos diferem, no
máximo, por um múltiplo inteiro de . Logo,

x 2mE − Vx ′  dx ′ −  2mE − Vx ′  dx ′  


x
x
x
1 − 1  n
 1 4  2 4
ou

1  x 2 2mE − Vx ′  dx ′   x 2mE − Vx ′  dx ′ − 


 x1 x2 4

2mE − Vx ′  dx ′  
x
− 1   n
 x2 4

e, finalmente,

x
x2
2mE − Vx ′  dx ′  n  1 , n  0, 1, 2…  (4.43
1 2
Esta equação é simplesmente a condição de quantização de Bohr-Sommerfel (exceto pelo fator 1/2, escrita
como

 p dq  nh

onde a integral é calculada sobre um período completo do movimento clássico, de x 1 a x 2 , ida e volta.

Aplicação de (4.43) - Bola quicando sobre o solo

Considere o problema de uma bola quicando sobre uma superfície dura:

V(x)

⎧mgx, x>0
V (x) = ⎨
x ⎩∞, x < 0.
x=0
x

Para este potencial, os pontos de retorno, Vx  E, serão


x1  0 e E
x 2  mg

As funções se anulam em x  0. Por isso, é melhor usarmos as soluções ímpares de um problema

Capítulo 2 Dinâmica Quântica 38


modificado definido por:

V(x)

|x| V (x) = mg| x |, (−∞< x < ∞)

Neste caso, nossos pontos de retorno serão


E
x 1  − mg e E .
x 2  mg

Condição de quantização. A condição de quantização (4.43), para as soluções ímpares, nos fornece,

 −E/mg dx
E/mg
2mE − mg|x|  n ímpar  1 , n ímpar  1, 3, 5, … 
2
ou, de forma equivalente,

0
E/mg
dx 2mE − mgx  n − 1 , n  1, 2, 3, … 
4

A integral pode ser feita facilmente, fornecendo

0
E/mg
dx 2mE − mgx 

Logo,

2 2 E 3  n − 1 ,
3g m 4
ou
2
8 E3  n − 1 22
9g 2 m 4
e, finalmente,
2/3
3 n− 1 
En  4 mg 2  2  1/3
2

para os níveis de energia quantizada de uma bola quicando sobre o chão.


★ Leia o restante da seção.

2.5 Propagadores e Int. de Caminho de Feynman


Propagadores em Menânica Ondulatória
Problema geral da evolução temporal. Já vimos que a solução do problema de evolução temporal com um
Hamiltoniano dependente do tempo pode ser resolvido, expandindo-se o ket inicial em termos dos autokets de
um observável que comuta com H. Ou seja,

Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 39


−iHt − t 0 
|, t 0 ; t  exp |, t 0 

−iE a ′ t − t 0 
 ∑ |a ′ 〈a ′ |, t 0  exp

a′

Multiplicando ambos os lados pela esquerda por 〈x ′ | encontramos


−iE a ′ t − t 0 
〈x ′ |, t 0 ; t  ∑ 〈x ′ |a ′ 〈a ′ |, t 0  exp 
(5.2)
a′

que é da forma
−iE a ′ t − t 0 
x ′ , t  ∑ c a t 0  u a x ′  exp
′ ′

a′

onde usamos
u a ′ x ′   〈x ′ |a ′ ,
para representar a autofunção do operador A com autovalor a ′ . Note também que

〈a ′ |, t 0    d 3 x ′ 〈a ′ |x ′ 〈x ′ |, t 0  (5.5)

reconhecida com a regra usual em mecânica ondulatória para obter os coeficientes de expansão do estado
inicial

c a ′ t 0    d 3 x ′ u ∗a x ′  x ′ , t 0 .

Tudo isto é direto e familiar.


Propagador. A Eq. (2.5.2), com a ajuda de (2.5.5), pode também ser visualizada como alguma espécie de
operador integral atuando sobre uma função de onda inicial, resultando na função de onda final. De fato,
substituindo (2.5.5) em (2.5.2) obtém-se
−iE a ′ t − t 0 
x ′′ , t  ∑ 〈x ′′ |a ′   d 3 x ′ 〈a ′ |x ′ 〈x ′ |, t 0  exp

a′

−iE a ′ t − t 0 
  d 3 x ′ ∑ 〈x ′′ |a ′ 〈a ′ |x ′  exp 
〈x ′ |, t 0 
a′

−iE a ′ t − t 0 
  d 3 x ′ ∑ 〈x ′′ |a ′ 〈a ′ |x ′  exp 
x ′ , t 0 
a′

ou

x ′′ , t   d 3 x ′ Kx ′′ , t; x ′ , t 0  x ′ , t 0 . (5.7)

aqui o núcleo (kernel) do operador integral, conhecido como propagador em mecânica ondulatória, é dado por
−iE a ′ t − t 0 
Kx ′′ , t; x ′ , t 0   ∑ 〈x ′′ |a ′ 〈a ′ |x ′  exp 
(5.8)
a′

Em qualquer que seja o problema, o progador depende apenas do potencial e é independente da função de onda inicial.
Pode ser construído uma vez que as autofunções da energia e seus autovalores sejam conhecidos.

Evolução temporal da função de onda. A evolução temporal da função de onda é completamente predita se
′′ ′ ′
Kx , t; x , t 0  é conhecido e x , t 0  é dado inicialmente.
Teoria causal. Neste sentido, a mecânica ondulatória de Schrödinger é uma teoria perfeitamente causal. A
evolução temporal de uma função de onda sujeita a algum potencial é tão determinística como qualquer outra
Capítulo 2 Dinâmica Quântica 40
coisa em mecânica clássica, desde que o sistema não seja perturbado. Talvez a única característica peculiar é
que quando se realiza uma medida, a função de onda muda abruptamente, de uma maneira incontrolável, para
uma das autofunções do observável que está sendo medido.
Propriedades do propagador. Existem duas propriedades do propagador:

1) Para t  t 0 , Kx ′′ , t; x ′ , t 0  satisfaz a equação de Schrödinger dependente do tempo nas variáveis x ′′ e t, com x ′
e t 0 fixos.

Demonstação: De fato, como


−iE a ′ t − t 0 
Kx ′′ , t; x ′ , t 0   ∑ 〈x ′′ |a ′ 〈a ′ |x ′  exp 
a′

pode ser reescrito como


−iE a ′ t
Kx ′′ , t; x ′ , t 0   ∑ exp
iE a ′ t 0

u ∗a ′ x ′  exp

u a ′ x ′′ 
a′

 ∑ u ∗a x ′ , t 0  u a x ′′ , t.
′ ′

a′

Como u a ′ x ′′ , t satisfaz a equação de onda de Schrödinger, uma combinação linear (desde que x ′ e t 0 sejam
fixos) também a satisfaz e, portanto, K deve também satisfazer a mesma equação de onda.

2) O limite de Kx ′′ , t; x ′ , t 0  quando t → t 0 vale


lim Kx ′′ , t; x ′ , t 0    3 x ′′ − x ′ .
t→t 0

Demonstração. Isto pode ser mostrado, usando-se a completeza da base |a ′ . De fato, a Eq. (2.5.8),
−iE a ′ t − t 0 
Kx ′′ , t; x ′ , t 0   ∑ 〈x ′′ |a ′ 〈a ′ |x ′  exp 
a′

reduz-se a
−iE a ′ t − t 0 
Kx ′′ , t; x ′ , t 0   〈x ′′ |x ′  exp

e, portanto, usando a ortogonalidade dos |x ′  encontramos
−iE a ′ t − t 0 
Kx ′′ , t; x ′ , t 0    3 x ′′ − x ′  exp .

Agora, tomando o limite quando t → t 0 , esta expressão torna-se
lim
t→t
Kx ′′ , t; x ′ , t 0    3 x ′′ − x ′ .
0

Interpretação física do propagador. Devido a essas duas propriedades, o propagador, quando considerado como
′′
função de x é simplesmente a função de onda, no instante t, de uma partícula que estava precisamente localizada no
ponto x ′ num instante anterior t 0 . De fato, esta interpretação segue, talvez de uma maneira mais elegante, da
observação de que (2.5.8) também pode ser escrita como
−iE a ′ t − t 0 
Kx ′′ , t; x ′ , t 0   〈x ′′ | exp |x ′ . (2.5.

onde o operador evolução temporal atuando sobre |x ′  é justamente o estado ket no instante t de um sistema
que estava precisamente localizado na posição x ′ no instante t 0  t.
Solução geral usando o propagador. Se quisermos resolver um problema mais geral, onde a função de onda

Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 41


inicial, não está localizada, mas extende-se sobre uma região finita do espaço, tudo que precisamos fazer é
multiplicar a função de onda inicial x ′ , t 0  pelo propagador Kx ′′ , t; x ′ , t 0  e integrar sobre todo o espaço (isto é,
sobre x ′ ), como nos mostra a Eq. (2.5.7):

x ′′ , t   d 3 x ′ Kx ′′ , t; x ′ , t 0  x ′ , t 0 .


Propagador como função de Green. Esta solução é semelhante ao problema para encontrar o potencial
eletrostático de uma distribuição de carga: inicialmente resolve-se o problema de uma carga puntiforme,
multiplica-se pela distribuição e integra-se:

x    d3x′ 1
|x − x ′ |
x ′  (potencial eletronstático).

(potencial de q1)

Equação de Green para o propagador. O propagador pode então ser considerado como a função de Green
para a equação de onda dependente do tempo:

−  2 ∇ ′′2  Vx ′′  − i ∂ Kx ′′ , t; x ′ , t 0   −i 3 x ′′ − x ′ t − t 0 . (5.12


2m ∂t
com a condição de contorno
Kx ′′ , t; x ′ , t 0   0, t  t0. (5.13

A forma do propagador depende do potencial ao qual a partícula está sujeita.


Propagador para a partícula livre.O momento é o observável que comuta com o Hamiltoniano. Portanto, |p ′ 
é um autoket simultâneo dos operadores p e H:
p ′2
p |p ′   p ′ |p ′ , H |p ′   |p ′ .
2m
As autofunções do momento são do tipo onda plana [v. (1.7.32)]:
〈x ′ |p ′   1 expip ′ x ′ .
2
Substituindo esta função em (2.5.8), obtém-se
ip ′ x ′′ − x ′  ip ′2 t − t 0 
Kx ′′ , t; x ′ , t 0   1
2
 dp ′ exp 

2m
.

Cálculo da integral. Esta integral pode ser facilmente calculada, completando-se o quadrado na exponencial

do termo p . Ou seja,
1   dp ′ exp − it − t 0  mx ′′ − x ′ 
Kx ′′ , t; x ′ , t 0   p ′2  2p ′
2 − 2m t − t 0 

 1  dp ′ exp −a p ′  b − b 2
2
2 −

 1 expab 2   dp ′ exp −ap ′  b 2
2 −

onde
it − t 0  mx ′′ − x ′ 
a , b
2m t − t 0 
Mas,

 − e −apb dp 
2 
a

Capítulo 2 Dinâmica Quântica 42


Logo,

Kx ′′ , t; x ′ , t 0   1  expab 2 
2 a
1  it − t 0  m 2 x ′′ − x ′  2
 exp
2 it − t 0  2m t − t 0  2
2m
m imx ′′ − x ′  2
 exp .
2it − t 0  2t − t 0 

Integral espacial envolvendo Kx ′′ , t; x ′ , t 0 . Certas integrais envolvendo Kx ′′ , t; x ′ , t 0  são de grande interesse.
Considere a integral sobre todo espaço de
−iE a ′ t
Kx ′′ , t; x ′ , t 0   ∑ 〈x ′′ |a ′ 〈a ′ |x ′  exp 
a′

para x ′  x ′′ t 0  0:
−iE a ′ t
Gt ≡  d 3 x ′ Kx ′ , t; x ′ , 0   d 3 x ′ ∑ |〈x ′ |a ′ | 2 exp 
a′
−iE a ′ t −iE a ′ t
 ∑ exp

 d 3 x ′ |〈x ′ |a ′ | 2  ∑ exp

a′ a′

onde usamos a normalização das autofunções 〈x ′ |a ′ . Então


−iE a ′ t
Gt  ∑ exp

(5.20
a′

Continuação analítica de t. Tomando t imaginário puro, podemos definir


  it

e representar Gt como
Gt  ∑ exp−E a ′ ,
a′

que podemos identificar com a função partição:


Z ∑ exp−E a ′ .
a′

Por este motivo, algumas técnicas encontradas no estudo dos propagadores em MQ são també úteis em
mecânica estatística.
Integral temporal envolvendo Kx ′′ , t; x ′ , t 0 . Outra integral importante envolve a transformada de
Laplace-Fourier de Gt:

̃ E  − i
G

 0 dt Gt expiEt/.
Ou seja

̃ E  − i
G

 0 dt ∑ exp−iE a t/ expiEt/

a′

 − i

∑  0 dt exp iE − E a ′ t/
a′

Como o integrando oscila indefinidamente, vamos fazer

Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 43


E → E  i
onde  é uma pequena parte imaginária positva. Após calcularmos a integral, fazemos  → 0:

̃ E,   − i
G

∑  0 dt exp iE  i − E a ′ t/
a′

−i

∑  0 dt exp − − iE − E a ′ t/
a′

−i ∑   ∑ −i
  − iE  iE a ′  − iE  iE a ′
a′ a′

̃ E,  encontramos
No limite lim →0 G
̃ E 
G ∑ 1 .
E − E a′
a′

̃ E no plano complexo E


Observe agora que o espectro de energia completo aparece como pólos simples de G
. Se desejarmos conhecer o espectro de energia de um sistema físico, basta estudar as propriedades
̃ E.
analíticas de G

Propagador como uma Amplitude de Transição


Função de onda. Definimos a função de onda como o produto interno de um bra 〈x ′ | fixo com um estado ket
movendo-se |, t 0 ; t. Ou seja,
  x ′ , t  〈x ′ |, t 0 ; t.
Podemos também definir esta função, na representação de Heisenberg, como o produto interno de bra da
posição que se move no sentido oposto no tempo, 〈x ′ , t|, com o estado ket |, t 0  fixo no tempo:
  x ′ , t  〈x ′ , t|, t 0 .

Propagador. Da mesma forma, podemos definir o propagador como


−iE a ′ t − t 0 
Kx ′′ , t; x ′ , t 0   ∑ 〈x ′′ |a ′ 〈a ′ |x ′  exp 
a′
−iE a ′ t
 ∑ 〈x ′′ | exp 
|a ′ 〈a ′ | exp
iE a ′ t 0

|x ′ 
a′

 x ′′ , t | x ′ , t 0 .
onde |x ′ , t 0  e 〈x ′′ , t| são, respectivamente, autoket e autobra do operador posição na representação de
Heisenberg.
O que significa um produto da forma b′, t | a′ ? Na Seç. 2.2 vimos que b ′ , t | a ′ , na notação da
representação de Heisenberg é a amplitude de probabilidade para um sistema, originalmente preparado num
autoestado de A com autovalor a ′ no tempo inicial t 0  0, ser encontrado num tempo posterior t num
autoestado de B com autovalor b ′ . Foi o que se chamou de amplitude de transição para ir do estado |a ′  para o
estado |b ′ .
E o que significa Kx ′′ , t; x ′ , t 0   x ′′ , t | x ′ , t 0 ? A diferença com o caso anterior fica por conta da escolha de
t 0  0. Mas o que é relevante aqui é a diferença t − t 0 . Portanto, podemos identificar x ′′ , t | x ′ , t 0 como a
amplitude de probabilidade para a partícula preparada no instante t 0 com autovalor da posição x ′ ser encontrada num
instante posterior t na posição x ′′ . Grosso modo, Kx ′′ , t; x ′ , t 0  é a amplitude de probabilidade para uma partícula ir
de um ponto espaço-temporal x ′ , t 0  para outro ponto espaço-temporal x ′′ , t.

Capítulo 2 Dinâmica Quântica 44


Outra interpretação para Kx ′′ , t; x ′ , t 0   x ′′ , t | x ′ , t 0 . Sabemos que na representação de Heisenberg o
estado é fixo e a base se movimenta. Nessa representação, |x ′ , t 0  é o autoket da posição no instante t 0 com
autovalor x ′ . Em qualquer instante, podemos escolher os autokets de um observável como kets de base. Logo,
x ′′ , t | x ′ , t 0

pode ser considerada como a transformção que conecta as duas bases em tempos diferentes.
Notação simétrica. Vamos usar uma notação mais simétrica para as coordenadas espaciais e temporais. Ou
seja, faremos a substituição
x ′′ , t | x ′ , t 0 → x ′′ , t ′′ | x ′ , t ′

Operador identidade. Na representação de Heisenberg os kets da posição formam um conjunto completo,


em qualquer instante. Podemos então definir o operador identidade para esse conjunto como

 d 3 x ′′ |x ′′ , t ′′ 〈x ′′ , t ′′ |  1.

Evolução temporal. Podemos usar esse operador identidade para escrever a evolução temporal de um
sistema físico do instante t ′ para o instante t ′′′ . Para isso, podemos dividir o intervalo t ′ , t ′′′  em duas partes,
t ′ , t ′′  e t ′′ , t ′′′ . Logo,

x ′′′ , t ′′′ | x ′ , t ′   d 3 x ′′ x ′′′ , t ′′′ | x ′′ , t ′′ x ′′ , t ′′ | x ′ , t ′ , t ′′′  t ′′  t ′ .

Isto é conhecido como propriedade da composição da amplitude de transição.


Subintervalos menores. Evidentemente, podemos dividir o intervalo de tempo em subintervalos cada vez
menores na quantidade que desejarmos. Logo,

x ′′′′ , t ′′′ | x ′ , t ′   d 3 x ′′′  d 3 x ′′ x ′′′′ , t ′′′′ | x ′′′ , t ′′′ x ′′′ , t ′′′ | x ′′ , t ′′ x ′′ , t ′′ | x ′ , t ′ ,

t ′′′′  t ′′′  t ′′  t ′  (5.29


e assim por diante.
Subintervalos infinitesimais. Se de algum modo adivinhássemos a forma de x ′′ , t ′′ | x ′ , t ′ para um intervalo
de tempo infinitesimal (entre t ′ e t ′′  t ′  dt), poderíamos obter a amplitude x ′′ , t ′′ | x ′ , t ′ para um intervalo de
tempo finito compondo as amplitudes de transição apropriadas para intervalos de tempo infinitesimais de
maneira análoga a (2.5.29). Este tipo de raciocínio levou a uma formulação independente da mecânica quântica
devida a Feynman.

Integrais de Caminho como a Soma sobre Caminhos


Sem perda de generalidade vamos nos restringir a problemas unidimensionais. Vamos também substituir
expressões incovenientes por outras mais simples. Por exemplo:
N vezes

x ′′′′′′ → x N

Amplitude de transição de x 1 , t 1   x N , t N .
Com esta notação, vamos considerar a amplitude de transição
para uma partícula indo do ponto espaço-temporal inicial x 1 , t 1  para o final x N , t N . Vamos dividir o intervalo
total entre t 1 e t N em N − 1 partes iguais:
t N − t 1 
t j − t j−1  Δt 
N−1
Explorando a propriedade da composição, obtemos

Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 45


xN, tN | x1, t1   dx N−1  dx N−2   dx 2 x N , t N | x N−1 , t N−1
 x N−1 , t N−1 | x N−2 , t N−2  x 2 , t 2 | x 1 , t 1
que é igual ao propagador Kx N , t N ; x 1 , t 1 .
Significado das integrais. A figura abaixo serve para visualizar graficamente o procedimento que será
descrito.

t
(xN, tN)
tN

tN-1

tr

t3

t2
t1
(x1, t1) x

Caminhos no plano x − t.
Considere o plano espaço-tempo. Os estados inicial e final são pontos fixos neste plano: x 1 , t 1  e x N , t N ,
respectivamente. Para cada segmento de tempo, digamos entre t n−1 e t n , devemos considerar a amplitude de
transição para ir de x n−1 , t n−1  até x n , t n ; integra-se então sobre x 2 , x 3 , … , x N−1. Isto significa que devemos somar
sobre todos os possíveis caminhos no plano espaço-tempo, mantendo-se fixos os pontos das extremidades.

Caminhos na mecânica clássica

Como aparecem? Suponha que se tenha uma partícula sujeita a um campo de força derivável de um
potencial Vx. A Lagrangeana clássica é escrita como
2
L clássica x, ẋ   mv − Vx
2
Dada esta Lagrangeana, com os pontos das extremidades especificados, existe apenas um único caminho que
corresponde ao movimento real da partícula.
Exemplo. Dados

Vx  mgx, x 1 , t 1   h, 0, x N , t N   0, 2h


g

onde h pode significar a altura da Torre Inclinada de Pisa, o caminho clássico no plano x − t pode ser apenas
gt 2
x  h− .
2
De uma maneira geral, de acordo com o princípio de Hamilton, o caminho único é aquele que minimiza a ação,
definida como a integral temporal da Lagrangeana:

  dt L clássica x, ẋ   0
t2
(5.35
t1

Capítulo 2 Dinâmica Quântica 46


do qual a equação de movimento de Lagrange pode ser obtida.

Formulação de Feynman
Diferença entre clássica e quântica. A diferença básica entre as mecânicas clássica e quântica está na
associação de caminhos no plano x-t ao movimento da partícula.
 Clássica: caminho único (definido).
 Quântica: todos os possíveis caminhos, mesmo aqueles que não têm nenhuma semelhança com os caminhos
clássicos. Além disso, de algum modo deve reproduzir a mecânica clássica no limite  → 0 de maneira suave.
Como fazer isto? Observação de Dirac

t2 dt L clássica x, ẋ 
exp i  “corresponde a” x2, t2 | x1, t1 .
t1 

Postulados de Feynman
Lembrando: x N , t N | x 1 , t 1 é a amplitude de probabilidade para a partícula, saindo de x 1 no instante t 1 , chegar a
x N no instante t N .

(1) xN, tN | x1, t1 é a soma de infinitas amplitudes parciais, uma para um cada dos caminho conectando x 1 , t 1  com
x N , t N .

(2) A amplitude parcial x N , t N | x 1 , t 1 Γ


associada com um desses caminhos Γ é determinada da seguinte maneira: seja

S Γ a ação clássica calculada ao longo de Γ, isto é,

SΓ  Γ dt L clássica x, ẋ 


onde L clássica x, ẋ  é a Lagrangeana clássica da partícula. Então

xN, tN | x1, t1  exp iS Γ


Γ 
Portanto,

xN, tN | x1, t1  ∑ xN, tN | x1, t1 Γ


 ∑ exp iS Γ

Γ Γ

2.6 Potenciais e Transformações de Calibre


Potenciais Constantes
Mecânica clássica. A energia de ponto zero da energia potencial não tem significado físico em mecânica
clássico. De fato, as variáveis dinâmicas, tais como xt e Lt não dependem do fato de usarmos Vx ou
Vx  V 0 com V 0 constante no espaço e tempo. A força que aparece na segunda lei de Newton depende
apenas do gradiente do potencial; constantes aditivas são irrelevantes.
Mecânica quântica. E na mecânica quântica tem alguma situação análoga?
Evolução temporal. Vamos olhar para a evolução temporal de um estado ket na representação de
Schrödinger sujeito a algum potecial. Seja

|, t 0 ; t → Vx
|, t 0 ; t → Ṽ x  Vx  V 0

Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 47


com a condições iniciais tais que

|, t 0 ; t → |, t  t 0
|, t 0 ; t → |, t  t 0 .

ambos coincidem com | em t  t 0 .


De acordo com a teoria,
|, t 0 ; t  Ut, t 0 |, t 0 
onde Ut, t 0   exp−iHt − t 0 /. Portanto,

p2 t − t 0 
|, t 0 ; t  exp −i  Vx |
2m 

p2 t − t 0 
|, t 0 ; t  exp −i  Vx  V 0 |
2m 

Portanto, podemos escrever


−iV 0 t − t 0 
|, t 0 ; t  exp |, t 0 ; t

Em outras palavras, o ket calculado sob a influência do potencial Ṽ x  Vx  V 0 tem uma dependência temporal que
difere apenas pelo fator de fase exp−iV 0 t − t 0 / em relação àquele sob a influência do potencial Vx.

Estados estacionários. No caso de estados estacionários,


−iEt − t 0 
|, t 0 ; t  |, t 0 .

Então para o ket |, t 0 ; t, encontramos
−iV 0 t − t 0  −iE  V 0 t − t 0 
|, t 0 ; t  exp |, t 0 ; t  exp |, t 0 
 

Em outras palavras, a dependência temporal calculada com Ṽ no lugar de V equivale à seguinte mudança:
E → E  V0.
Efeitos observáveis, tais como valores esperados de 〈x  e 〈S  sempre dependem da diferença de energias tal que não
mudam por um fator de fase constante.

Transformações de calibre. Este é o primeiro exemplo de uma classe de transformações conhecidas como
transformações de calibre (ou de gauge). A mudança na convenção para energia de ponto zero do potencial
deve ser acompanhada por uma mudança no estado ket. Ou seja,
−iV 0 t − t 0 
Vx → Vx  V 0  |, t 0 ; t → exp |, t 0 ; t

Em termos da função de onda isto implica em


−iV 0 t − t 0 
x ′ , t → exp x ′ , t

Potenciais Espacialmente Uniformes


Se o potencial V 0  V 0 t varia com o tempo, então

Capítulo 2 Dinâmica Quântica 48


V 0 t ′ 
|, t 0 ; t → exp −i  dt ′
t
|, t 0 ; t
t0 

Fisicamente o uso de Vx  V 0 t em lugar de Vx significa que devemos escolher um novo ponto zero da
escala de energia em cada instante de tempo.
Diferença de potencial. Embora a escolha da escala absoluta de potencial seja arbitrária, diferenças de
potencial têm significado físico não trivial e pode ser detectado da seguinte maneira:
Montagem. Veja a figura e, em seguida, a explicação da montagem.

V 2(t)

ΔV = V2-V 1
Região de
interferência

V 1(t)

 um feixe de partículas carregadas divide-se em 2 partes e cada uma delas entra num guia metálica (v. figura
abaixo).
 pode-se aplicar uma ddp entre os dois guias através de uma bateria.
 cada partícula no feixe pode ser visualizada como um pacote de onda.
Experiência. Considere a experiência relativa à figura acima.
 Aplica-se uma ddp depois que os pacotes de onda (partículas carregadas) entrem nos guias e desliga-se antes que
os pacotes deixem os guias.
 O potencial dentro dos guias é espacialmente uniforme: região metálica. Por isso, não há forças atuando sobre as
partículas (o campo elétrico no interior do metal é nulo).
 Recombina-se as duas componentes do feixe numa região de interferência indicada na figura. Devido à existência
do potencial, cada componente do feixe sofre uma mudança de fase indicada por (2.6.7), ou seja,
t V 0 t ′ 
exp −i  dt ′ |, t 0 ; t
t0 

 Como resultado disso, existe um termo de interferência observável na intensidade do feixe na região de
interferência, isto é
cos 1 −  2 , sen 1 −  2 
onde
tf
1 − 2  1

t i
dt V 2 t − V 1 t

 Portanto, embora a partícula não sofra a influência de uma força, existe um efeito observável que depende se a ddp
V 2 t − V 1 t foi ou não aplicada.

Gravidade em Mecânica Quântica


Efeitos gravitacionais em mecânica clássica. Considere a equação de movimento clássica para um corpo em
queda livre

Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 49


mẍ  −m∇ grav  −mgẑ → ẍ  − gẑ .

Conclusão. Como a massa não aparece na equação, na ausência da resistência do ar, uma pena e uma pedra
comportam-se da mesma maneira - de acordo com Galileo - sob a influência da gravidade.
Efeitos gravitacionais em mecânica quântica. Agora vamos examinar o mesmo problema sob o ponto de vista
da mecânica quântica. Neste caso, o análogo da equação de Newton é a equação de onda:
2 ∇2  m  ∂
− grav   i . (6.11
2m ∂t
Conclusão. Neste caso a massa não se cancela, mas aparece como combinação de /m, tal que, nos
problemas onde  esperamos que m também apareça.
Teorema de Ehrenfest. Partindo da equação de Schrödinger, podemos derivar o teorema de Ehrenfest:
d 2 〈x   −gẑ .
dt 2
Observe que nem  nem m aparece na equação. Entretanto, para observarmos os efeitos gravitacionais
através da mecânica quântica, devemos estudar efeitos nos quais  (e, portanto, m) aparece explicitamente.
Queda livre de partículas elementares. Até 1975, a única evidência experimental que estabelecesse a
presença do termo m  grav foi observada na queda livre de partículas elementares; porém, a equação clássica
do movimento (ou teorema de Ehrenfest, onde  não aparece) é suficiente para explicá-lo.
A força gravitacional é fraca. A força gravitacional é muito fraca para que seja facilmente observada.
Comparada com a força elétrica, a força de Coulomb nas mesmas condições é maior por um fator  2  10 39 .

Interferência quântica induzida por gravidade

Interferômetro de nêutrons. Um feixe de partículas monoenergéticas (na prática, nêutrons termalizados  em


equilíbrio térmico com o meio) é dividido em duas partes no ponto A da trajatória e recomposto no ponto D (v.
figura abaixo: interferômetro de nêutrons). Vale o conceito de trajetória clássica: tamanho do pacote de onda é
muito menor do que as dimensões macroscópicas do circuito formado por dois caminhos alternativos
A → B → D e A → C → D.

D
B
D
B l2 sen δ

l2 δ
A C A C
l1
(b)
(a)

Experimento 1: Plano horizontal. Considere que os caminhos A → B → D e A → C → D estão num plano


horizontal. Uma vez que o zero absoluto do potencial devido à gravidade não é importante, podemos fazer
V  0 para qualquer fenômeno que ocorra neste plano [Fig. (a)].
Experimento 2: Plano inclinado. Girando o plano horizontal em torno do segmento BC por um ângulo , o
potencial no nível BD é maior do que o do nível AC pela quantidade mgl 2 sen . Isto significa que o estado ket
associado com o caminho BD “gira mais rápido”, levando a uma diferença de fase induzida pela gravidade
Capítulo 2 Dinâmica Quântica 50
entre as amplitudes para os dois pacotes de onda que chegam em D. Pacote de onda chegando a D via ABD
sofre uma mudança de fase
−im n gl 2 T sen 
exp

onde T é tempo gasto para o pacote ir de B a D (ou de A a C) e m n é a massa do nêutron.
Controle da fase. Pode-se controlar esta fase, girando o plano de 0 a /2, ou de 0 a −/2. Como
  /p  /m n v pacote , ou v pacote  /m n , então T  l 1 /v pacote  m n l 1 /, obtém-se a seguinte expressão para a
diferença de fase
m 2n gl 1 l 2  sen 
 ABD −  ACD  − .
2
Desta maneira, predizemos um efeito de interferência que depende do ângulo , que lembra as franjas de
interferência no interferômetro de Michelson em óptica. Para   1, 42 Å e l 1 l 2  10 cm 2 então
m 2n gl 1 l 2 
 55, 6
2
Logo,
 ABD −  ACD  −55, 6 sen .

Variando gradualmente o ângulo  até 90º predizemos que a intensidade na região de interferência apresenta
55, 6
uma série de máximos e mínimos; quantitativamente seriam ≃ 9 oscilações.
2

0 π
2
δ

Resultado experimental. Resultado experimental obtido por R. Colella, A. Overhauser and S. A. Werner.
Phys Rev. Lett. 34, 1472 (1975).

Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 51


Colella, Overhauser and Werner - Phys. Rev. Lett. 34,

Transformações de Gauge em Eletromagnetismo


Campos elétrico e magnéticos derivados de potenciais escalar e vetorial, x  e Ax :
E  −∇, B  ∇A

Hamiltoniana. A Hamiltoniana clássica para uma partícula carregada com carga e (e  0 para o elétron)
sujeita a um campo eletromagnético:

H 1 p − eA 2
 e
2m c

Hamiltoniano. Em MQ,  e A são funções do operador posição x da partícula carregada. Como p e A não
comutam, deve-se ter cuidado ao interpretar a Hamiltoniana. O procedimento mais seguro é escrever
2
p − ecA
2
→ p2 − e pAAp  e A2.
c c
Neste forma o Hamiltoniano é hermitiano.

Dinâmica da partícula carregada


Representação de Heisenberg. Cálculo da derivada temporal de x
dx i  x i , H
dt i

Como H  1 p − eA 2
 e, então
2m c

p − ecA
2
x i , H  x i , 1  e
2m
p − ecA  x i , e  x i , 1 p − ecA
2 2
 xi, 1
2m 2m
 1 xi, p − ecA  p − cA e  1 x i , p − ecA  p − ecA
2m 2m
 1 xi, p − ecA  p− c eA  1 p − ecA  x i , p − ecA
2m 2m
onde usamos A, BC  A, BC  BA, C. Como x i , A   0 (A é uma função de x), então

Capítulo 2 Dinâmica Quântica 52


x i , p − ecA  x i , p   xi, ∑ pjêj
j

 ∑ ê j x i , p j   ∑ ê j i ij  iê i
j j

Logo,
x i , H  1 x, p − ecA  p − ecA  1 p − ecA  x i , p − ecA
2m i 2m
 i ê i  p − ecA  i p − ecA  ê i
2m 2m
 i eA i
m pi − c
Portanto,
i p − eA i
dx i  x i , H  m i c p i − eA i /c
 m
dt i i
que mostra que o operador p definido neste livro como sendo o gerador das translações, não é o mesmo que
mdx/dt.
Momento canônico e momento mecânico. O momento p (gerador das rotações) é chamado de momento
canônico para diferenciar do momento mecânico 
 ≡ m dx  p − ecA
dt
Relações de comutação. Embora
p i , p j   0
para o momento canônico, para o momento mecânico o comutador não se anula:
 i ,  j   p i − ec A i , p j − ec A j
 p i , p j  − ec p i , A j  − ec A i , p j   ec A i , A j 
2

 − ec p i , A j  − ec A i , p j   − ec p i , A j   A i , p j 

Mas, como B  ∇  A, B i   ijk ∂ j A k , onde ∂ j ≡ ∂/∂x j . Usando a representação do operador p i  −i∂/∂x i ,


encontramos
p i , A j   A i , p j  → p i , A j   A i , p j 
∂A j  ∂ ∂ ∂A i 
 −i  iA j − iA i  i
∂x i ∂x i ∂x j ∂x j
∂A j ∂ ∂ ∂
 −i  − iA j  iA j − iA i
∂x i ∂x i ∂x i ∂x j
∂
 i ∂A i   iA i
∂x j ∂x j
∂A j
 −i − ∂A i 
∂x i ∂x j
Logo,
∂A j
p i , A j   A i , p j   −i − ∂A i  −i∇  A k  −i ijk B k
∂x i ∂x j

Então

Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 53


 i ,  j   − ec p i , A j   A i , p j 
 − ec −i ijk B k 
 ie  ijk B k .
c

Reescrevendo a Hamiltoniana. Usando o momento mecânico , podemos reescrever a Hamiltoniana

H    e
2

2m
Agora sabemos que

m d 2x  d  F L
2

dt dt
onde F L é força de Lorentz.
Força de Lorentz: versão quântica. Vamos usar a versão quântica da força de Lorentz,
FL  e E  1
cvB  e E  1c dx  B , ou seja
dt
FL  e E  1 dx  B − B  dx
2c dt dt
Equação de movimento. Portanto, a equação de movimento da partícula carregada na presença de E e B
será

m d 2x  d  e E  1 dx  B − B  dx
2

dt dt 2c dt dt
que é o teorema de Ehrenfest escrito na representação de Heisenberg.

Equação de Schrödinger com  e A


Vamos estudar a equação de onda de Schrödinger na presença de  e A. Como vimos, esta equação é dada
por

〈x ′ |H |, t 0 ; t  i ∂ x ′ | , t 0 ; t .
∂t
Inicialmente vamos calcular 〈x ′ | H |, t 0 ; t, onde

H 1 p − eA 2
 e
2m c
Lembrando que
〈x ′ | p |  −i∇ ′ x ′ | 
encontramos para o primeiro termo de H
eAx  2
〈x ′ | p − c |, t 0 ; t
eAx  eAx 
 〈x ′ | p − c  p− c |, t 0 ; t

eAx ′  eAx 
 −i∇ ′ − c  〈x ′ | p − c |, t 0 ; t

eAx ′  eAx ′ 
 −i∇ ′ − c  −i∇ ′ − c x ′ | , t 0 ; t

Combinando todos os termos, encontramos

Capítulo 2 Dinâmica Quântica 54



1 −i∇ ′ − eAx  eAx ′ 
c  −i∇ ′ − c x ′ | , t 0 ; t
2m

 ex ′  x ′ | , t 0 ; t  i ∂ x ′ | , t 0 ; t
∂t
ou

1 −i∇ ′ − eAx  eAx ′ 
c  −i∇ ′ − c x ′ , t
2m

 ex ′ x ′ , t  i ∂ x ′ , t


∂t

Equação da continuidade. A partir da equação acima podemos obter a equação da continuidade da seguinte
maneira:

̃ ′  ∇′ − ieAx ′ 
Usando a notação ∇ , encontramos
c
1  ∗ −i∇̃ ′  −i∇̃ ′   e ∗   i ∗ ∂
2m ∂t

1 i∇̃ ′∗ ′∗ ∂
 i∇̃  ∗   e ∗   −i 
2m ∂t
Subtraindo as duas equações
1  ∗ −i∇̃ ′  −i∇̃ 

 e ∗  −
2m
′∗ ′∗ ∂ ∂ ∗
− 1 i∇̃  i∇̃  ∗  − e ∗   i ∗  i 
2m ∂t ∂t
ou
∂ ∗ 
 −   ∗ ∇̃  ∇̃    ∇̃  ∇̃  ∗
2 ′ ′ 2 ′∗ ′∗
i
∂t 2m 2m
ou ainda
∂ ∗ 
i 
′ ′ ′ ′ ∗
 ∗ ∇̃  ∇̃  −  ∗ ∇̃  ∇̃ 
∂t 2m
Como z − z ∗  2i Imz, encontra-se

∂ ∗   ′ ′
 m Im  ∗ ∇̃  ∇̃  0
∂t
Voltando às variáveis antigas obtém-se

∇ ′ − ieA  ∇ ′ − ieA 
′ ′
 ∗ ∇̃  ∇̃    ∗ 
c c
2
  ∗ ∇ ′  ∇ ′  − ie  ∗ ∇ ′  A − ie  ∗ A  ∇ ′  − e |A | 2  ∗ 
c c c

  ∗ ∇ ′  ∇ ′  − ie  ∗ ∇ ′  A  − ie  ∗ A  ∇ ′  − ie  ∗ A  ∇ ′ 
c c c
2
− e |A | 2 || 2
c
ou

Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 55


2
′ ′
 ∗ ∇̃  ∇̃    ∗ ∇ ′  ∇ ′  − ie ∇ ′  A  ∗  − 2ie A   ∗ ∇ ′  − e |A | 2 || 2
c c c
2
  ∗ ∇ ′  ∇ ′  − ie ∇ ′  A || 2 − 2ie A   ∗ ∇ ′  − e |A | 2 || 2
c c c

Devemos observar que:


 ∗ ∇ ′  ∇ ′   ∇ ′   ∗ ∇ ′  − ∇ ′  ∗  ∇ ′ 

 ∇ ′   ∗ ∇ ′  − ∇ ′   ∇ ′ 
 ∇ ′   ∗ ∇ ′  − |∇ ′ |
2

Por outro lado, o termo  ∗ ∇ ′  pode ser calculado, lembrando que

∇ ′  ∗    ∗ ∇ ′   ∇ ′  ∗ 

Como  ∗   || 2  constante, então ∇ ′  ∗   0. Logo


 ∗ ∇ ′   ∇ ′  ∗   0
e, portanto,
 ∗ ∇ ′   −∇ ′  ∗
Mas,

∇ ′  ∗   ∗ ∇ ′ 
Logo,

 ∗ ∇ ′   −∇ ′  ∗  − ∗ ∇ ′ 
Ora, quando z  −z ∗ , isto significa que z é imaginário puro e, portanto, neste caso iz é um número real. Ou seja,
 ∗ ∇ ′   iV, onde V é um vetor real. Assim:
 ′
Im  ∗ ∇̃  ∇̃ 

m
2
  Im  ∗ ∇ ′  ∇ ′  − ie ∇ ′  A || 2 − 2ie A   ∗ ∇ ′  − e |A | 2 || 2
m c c c
  ′ ∗ ′ ′ 2 ie ′
m Im ∇   ∇  − |∇ | − c ∇  A ||
2

2
− 2e A  V − e |A | 2 || 2
c c
  ′ ∗ ′ ie ′
m Im ∇   ∇  − c ∇  A ||
2

  ′ ∗ ′ e ′
m Im∇   ∇  − mc ∇  A ||
2

 ∇′   ∗ ′ e
m Im ∇  − mc A||
2

Finalmente, a expressão
∂ ∗   ′ ′
 m Im  ∗ ∇̃  ∇̃  0
∂t
pode ser reescrita como    ∗ 
∂
 ∇ ′  j  0,
∂t
onde o fluxo de probabilidade é definido por

Capítulo 2 Dinâmica Quântica 56


j   Im ∗ ∇ ′  − e 2
m mc A ||
que é exatamente como se esperava da substituição
̃ ′  ∇′ −
∇′ → ∇ ie A.
c
Função de onda como    expiS/. Escrevendo a função de onda desta maneira, encontramos uma
forma alternativa para j, ou seja,

j   e
m Im  exp−iS/∇  expiS/ − mc A 
  i e
m  Im  ∇S − mc A 

 m ∇S − ecA (6.33

que é análoga a (2.4.20), isto é,


∇S
j  m
Esta forma é mais conveniente para se discutir supercondutividade, quantização de fluxo etc.
Valor esperado do momento mecânico . A integral espacial de j dá o valor esperado do momento mecânico
(não do momento canônico) dividido por m. Ou seja

 d 3 x ′ jx ′    d 3 x ′ ∗ ′ e
m Im ∇  − mc A ||
2

  d3x′ 1 ∗ ′
m Im i  −i∇  − mc A ||
e 2

1  d 3 x ′  ∗ −i∇ ′  −
mc  d x  A 
 m e 3 ′ ∗

〈p  e〈A  〈p −eA/c 〈 
 m − mc  m  m

Transformações de Calibre no Eletromagnetismo


Transformação:  →   , A → A. Com estas transformações, onde  é uma constante, os campos estáticos
dados por
E  −∇, B  ∇  A,
permanecem inalterados. Esta transformação corresponde a uma mudança no ponto zero da escala de
energia.
Transformação:  → , A → A  ∇. Esta transformação é mais interessante.  é uma função de x. Ambas
as transformações são casos especiais de

 →  − 1c ∂ , A → A  ∇
∂t
que deixam os campos, dependentes do tempo, dados por

E  − ∇ − 1 ∂A , B  ∇  A,
c ∂t
inalterados. Trataremos aqui de campos e pontenciais estáticos e as transformações de gauge referem-se a
 → , A → A  ∇.

Partícula carregada num campo magnético na direção z

Resultado clássico

Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 57


Na física clássica, efeitos observáveis tais como a trajetória de uma partícula carregada é independente do
gauge usado, isto é, da particular escolha de  que resolvemos adotar.
Demonstração. Seja uma partícula carregada num campo magnético na direção z,
B  Bẑ .
Este campo magnético pode ser obtido do potencial vetorial escrito na forma
−By
Ax  , A y  Bx , Az  0 (6.40
2 2
ou também na forma
A x  −By, A y  0, A z  0. (6.41
Esta forma é obtida daquela, através da transformação
Bxy
A → A−∇ .
2
De fato,

x̂ ∂  ŷ ∂  ẑ ∂
Bxy Bxy
∇ 
2 ∂x ∂y ∂z 2
By
 x̂  ŷ Bx
2 2
e, portanto,
−By By
A  x̂  ŷ Bx − x̂ − ŷ Bx  By x̂ .
2 2 2 2

Agora, podemos mostrar que, independentemente do qual A nós usarmos, a trajetória da partícula carregada
com um dado conjunto de condições iniciais, é a mesma; tem a forma helicoidal - isto é, um movimento circular
quando projetado no plano xy, superposto com um movimento retilíneo uniforme.
O momento p não é invariante por calibre. Embora a trajetória seja indepedente do qual A for usado
(invariante por calibre), o mesmo não acontece com o momento canônico p. Por exemplo, vamos analisar p x e
p y . No caso de usarmos A na forma da Eq. (2.6.41), isto é,
A  −By x̂
a Hamiltoniana clássica da partícula no campo magnético é dada por
2
H 1 p − eA 2
 1 p  eBy x̂
2m c 2m c
e a equação de movimento de Hamilton para o momento p x é dada por

 − ∂H  0
dp x
dt ∂x
uma vez que H não depende de x. Assim, neste caso o momento p x é uma constante de movimento.
Por outro lado, usando a forma (2.6.40), a Hamiltoniana torna-se
2
H 1 p  eBy x̂ − eBy ŷ
2m 2c 2c
e, portanto,

 − ∂H ≠ 0
dp x
dt ∂x
deixando de ser uma constante de movimento. Ao contrário do momento canônico, o momento mecânico , ou

Capítulo 2 Dinâmica Quântica 58


mdx/dt, que define a trajetória da partícula é uma quantidade invariante por transformação de calibre.

Resultado Quântico

Valores esperados. Podemos requerer que os valores esperados em mecânica quântica se comportem de
maneira similar às correspondentes quantidades clássicas sob transformações de calibre. Assim, 〈x  e 〈  não
mudariam sob essas transformações, enquanto p sim.
Ket na presença de A. Vamos denotar por | o estado ket na presença de A; o estado ket para a mesma
situação física, quando
à  A  ∇
é usado no lugar de A é denotado por |̃ . Aqui tanto , quanto A, é função do operador posição x. Nossas
exigências básicas são
| x |  ̃ | x |̃
e

| p − ecA |  ̃ | p − ecà |̃ .

Além disso, vamos exigir, como de costume, que a norma do estado ket seja preservada:
 |   ̃ | ̃ .

Operador G. Vamos definir o operador G que relaciona |̃  e |. Ou seja:


|̃   G|
A propriedade da invariância é garantida se:
G  xG  x (6.48
e

G  p − ecà G ≡ G  p − ecA − e∇c G  p − ecA (6.48

O operador G que fará tal tarefa é definido como


iex 
G  exp . (6.49
c

Propriedades de G  expie/c. Este operador tem as seguintes propriedades:


(1) É um operador unitário. Isto implica que  |   ̃ | ̃ , como se deseja.
(2) Comuta com qualquer função de x. Isto significa que G  xG  x, uma vez que podemos escrever
G  xG  xG  G  x. A parte (b) da Eq (6.48) também pode ser demonstrada:
G  p − ecA − e∇c G  G  pG − ecA − e∇c
uma vez que os dois últimos termos do segundo membro são função de x. Mas,

G  pG  exp −ie p exp ie  exp −ie p, exp ie  p.


c c c c
Usando (2.2.23b), ou seja
p, Gx   −i ∇G.
encontra-se

Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 59


G  pG  exp −ie p, exp ie  p  −i −ie ∇ exp ie p
c c c c
 −i ie −ie ∇ exp ie  p
c c c
e∇
 c p

Portanto,
G  p − ecA − e∇c G  e∇c  p − ecA − e∇c  p − ecA
como se queria.
★ Leia a demonstração alternativa feita diretamente sobre a equação de onda de Schrödinger.
Resumo. Quando potenciais vetoriais em diferentes gauges são usados para a mesma situação física, os
correspondentes estados kets (ou funções de onda) deve ser necessariamente diferentes. Porém, apenas uma
pequena mudança é necessária: multiplicar o ket correspondente ao potencial A por expie/c para obter o
ket correspondente ao outro potencial A  ∇. O momento canônico p depende do gauge no sentido de que
seu valor esperado depende do gauge particular escolhido, enquanto que o momento mecânico e o fluxo de
probabilidade são invariantes por essas transformações.

O Efeito Aharonov-Bohm
Este efeito origina-se da presença de um potencial vetorial necessário para produzir campo magnético
aplicado.
Versão de estado ligado. Considere uma partícula de carga e completamente confinada numa casca
cilíndrica, de paredes rígidas, de raio interno  a e raio externo  b (figura (a)). Neste caso, a função de onda
deve se anular na parede interna    a  e na parede externa    b , assim como no topo e na base do
cilindro.

ρb
ρa

(a) L (b)

1) Sem campo magnético

Solução. A solução deste problema requer as técnicas dos problemas de valores de contorno da física
matemática. Por exemplo, para estados estacionários, devemos resolver a equação de onda de Schrödinger
independente do tempo (em coordenadas cilíndricas):
∇ 2   2mE 0
2
Em cordenadas cilíndricas , , z, tem-se
Capítulo 2 Dinâmica Quântica 60
1 ∂ ∂ ∂2 ∂2
 ∂  ∂  12   2mE 0
 ∂ 2 ∂z 2 2
Como neste problema se aplica a técnica de separação de variáveis, isto é, a função de onda pode ser escrita
como o produto , , z  RZz, as condições de contorno,
R a   R b   0, ZL/2  0
podem ser facilmente aplicadas, resultando na obtenção do espectro de autovalores.
2) Com campo magnético confinado na região    a

Neste caso, a casca cilíndrica envolve uma região contendo um campo magnético uniforme, como mostrado na
parte (b) da figura acima. Nenhum campo magnético penetra na região definida por  a     b onde a
partícula está confinada. Intuitivamente, poderíamos conjecturar que o espectro de energia fosse o mesmo do
caso anterior (sem campo), uma vez que a região onde o campo é aplicado torna-se inacessível para a
partícula devido à presença de paredes rígidas. A MQ NOS DIZ QUE ESTA CONJECTURA NÃO É CORRETA.
Então, por que essa conjectura não é verdadeira? Embora o campo magnético se anula na região onde a
partícula está confinada, o potencial vetorial não é nulo nessa região!
Cálculo de A que produz B  Bẑ . Como B  ∇  A, podemos obter A através do fluxo, usando o teorema de
Stokes. Ou seja,

S B  n da  S ∇  A   nda   A  dl


C

Como o campo é uniforme e está confinado apenas no círculo de raio  a , o fluxo é dado por

S B  n da  S  Bẑ  n da   2a B.


a

Por outro lado,

 A  dl  2A
C

Igualando, obtém-se
B 2a
2A   2a B → A 
2
Em termos vetoriais,
B 2a
A  ̂
2
onde ̂ é um vetor unitário na direção azimutal (ver figura abaixo).

campo
A
ρa magnético

ρb ρ

Solução da equação de Schrödinger. Como vimos da definição de fluxo de probabilidade, Eq. (2.6.32), para

Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 61


resolver problemas a presença de um potencial vetorial basta substituir

∇ → ∇− ie A.
c
Em coordenadas cilíndricas, isto equivale à seguinte substituição:

∇ → ∇− ie A̂  ̂ ∂  ̂ 1 ∂  ẑ ∂ − ie A̂
c ∂  ∂ ∂ c
2
 ̂ ∂ 1 ∂  ẑ ∂ − 1 ie B a
 ̂   c
∂ ∂ ∂ 2
2
 ̂ ∂  ̂ 
1 ∂ − ie B a  ẑ ∂
∂ ∂ c 2 ∂
Então, basta substituir
∂ → ∂ − ie B 2a
∂ ∂ c 2

A equação de Schrödinger torna-se, neste caso,

1 ∂ ∂ ∂ − ie B 2a ∂ − ie B 2a
 ∂  ∂  12 
 ∂ c 2 ∂ c 2

∂2
  k2  0
∂z 2
Ou seja,
2
1 ∂ ∂ ∂2 ∂2 e 2 B 2a
 ∂  ∂  12   2mE − 0
 ∂ 2
∂z 2 2 c 2
ou
1 ∂ ∂ ∂2 ∂2 ̃
 ∂  ∂  12   2mE 
 ∂ 2
∂z 2
 2

onde
2
2 B 2a
Ẽ  E −  e
2m c 2
mostrando explicitamente que o espectro de energia é modificado em relação ao caso com B  0. Este
resultado é muito marcante, uma vez que, embora a força magnética (Lorentz) sobre a partícula seja nula, o
espectro de energia depende se o campo magnético está presente ou não na região oca, que é inacessível
para a partícula.
Versão original. A figura abaixo ilustra o efeito Aharonov-Bohm em sua versão original: um feixe de elétrons
se divide em duas partes e atravessa uma região desprovida de campo magnético, reencontrando-se na região
de interfência.

Capítulo 2 Dinâmica Quântica 62


Fluxo Magnético
Eletron

Como a probabilidade de encontrar a partícula na região de interferência depende do fluxo magnético?

Método das integrais de Feynman

cilindro
impenetrável
região de
C1
fonte
G B região de
A B≠0 interferência
C2
G
B=0

Lagrangeana e ação. Na presença de campo magnético, obtém-se daquela em que o campo está ausente,
da seguinte maneira:

sem campo com campo


2
Lagrangena L 0 m dx L 0 e dx
clássica  2 dt
→ clássica  c dt  A

→ S 0 n, n − 1  ec  dt dx  A
tn
Ação S 0 n, n − 1
t n−1 dt

A integral

t
tn
t
tn
e dt dx  A  ec A  ds
c n−1 dt n−1

onde ds é o elemento diferencial de linha ao longo do segmento do caminho. De acordo com (2.5.47) e
(2.5.49):
x N , t N |x 1 , t 1
N
Sn, n − 1
x
xN

1
Dxt  exp i

  todos os Dxt exp i
SN, 1

n2 caminhos

Então, a amplitude de probabilidade na presença de campo é obtida daquela em que o campo está ausente,
através da substituição

Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 63


N N
S 0 n, n − 1 S 0 n, n − 1
 exp i

→  exp i

n2 n2

x
xN
 exp ie A  ds
c 1

Mas,

 todos os Dxt exp i


SN, 1

 C 1
Dxt exp i
SN, 1

caminhos


SN, 1
Dxt exp i
C2 
onde C 1 são todos os caminhos que passam acima do cilindro e C 2 , abaixo. Logo, na presença do campo,
teremos que fazer a seguinte substituição
S 0 N, 1 S 0 N, 1
C 1
Dxt exp i


C2
Dxt exp i

0
S N, 1
C x
xN
→ Dxt exp i exp ie A  ds
1  c 1 C1

S 0 N, 1
 x
xN
Dxt exp i exp ie A  ds
C2  c 1 C2

Diferença de fase. A probabilidade de encontrar a partícula na região de interferência depende do quadrado


do módulo da amplitude de transição total e, portanto, da diferença de fase entre a contribuição dos caminhos
C 1 (acima) e C 2 (abaixo). Na presença de B, a diferença de fase é

x
xN
x
xN
e
c
A  ds − e
c
A  ds  e
c
 A  ds
1 C1 1 C2
cil

 e B
c
uma vez que (teorema de Stokes)

 A  ds  S ∇  A   n da  S B  n da   B
C

onde  B é o fluxo do campo magnético dentro do clilindro impenetrável (ver figura acima).
Isto significa que a probabilidade de encontrar a partícula na região de interferência depende da componente
senoidal nessa probabilidade, com um período dado por uma unidade fundamenta de fluxo magnético, ou seja
2c  4, 135  10 −7 Gauss-cm 2 .
|e|

Como no caso de estado ligado, aqui também a força magnética sobre a partícula é nula. Mesmo assim, o
padrão de interferência depende da presença ou ausência do campo magnético. Em ambos os casos, os
efeitos dependem apenas do fluxo de B,  B.
★ Leia o restante da seção.

Capítulo 2 Dinâmica Quântica 64