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INTRODUÇÃO

O presente trabalho tem por desiderato elucidar as minúcias do contrato


de compra e venda mercantil, que é o instrumento jurídico adequado para reger
transações entre empresários.
Dessa maneira, é importante salientar, que o contrato de compra e
venda mercantil tem por formação o ajuste de vontades e, portanto, deve haver
o pacto bilateral, ensejando assim, em condição necessária para a formulação
do mesmo.
Assim, serão esmiuçados os princípios que regem os contratos de
compra e venda eis alguns: pacta sunt servanda, rebus sic stantibus, boa-fé
objetiva, função social dos contratos, autonomia privada e outros.
Quanto à responsabilidade das partes, se dará por meio do cumprimento
de determinadas obrigações. As obrigações do vendedor são: entrega da
mercadoria vendida; responsabilidade por vício e evicção. Já as obrigações do
comprador são: pagar o preço pactuado e receber a coisa comprada, desde
que esteja nos moldes contratuais.
Ademais, o trabalho versará sobre as formas de extinção dos contratos
de compra e venda mercantil, a saber: resolução, resilição, rescisão, de forma
natural; e cessação, que é personalíssimo.
Diante do expendido, denota-se que este trabalho trará conteúdo
magnânimo para o intelecto jurídico e, que por isso, é digno de leitura e
apreciação pelos privilegiados que lerão e farão esta obra prima.
TEORIA GERAL DOS CONTRATOS

Não há como se falar dos contratos sem tecer comentários a respeito da


teoria contratual. Esta contempla 4 (quatro) grandes princípios:
• Autonomia privada;

• Boa-fé objetiva;

• Justiça contratual

• Função social dos contratos.

O estudo dos contratos tem como preâmbulo o artigo 421 do Código


Civil o qual retrata a liberdade contratual e o princípio constitucional da
solidariedade.
A função social do contrato estava ligada à própria função social da
propriedade, uma vez que no liberalismo do século XIX o ponto central da
autonomia da vontade e a ampla liberdade contratual serviam de instrumento
para que o indivíduo desse efetividade ao direito de propriedade.
Em certos casos, há que se aplicar a invalidade do negócio jurídico, por
nulidade, em razão da ofensa à norma de ordem pública. Contudo,
prestigiando-se o princípio da conservação dos negócios jurídicos, sempre que
possível, restringir-se-á a sanção ao plano da ineficácia da cláusula ofensiva à
função social, preservando-se a relação jurídica no restante, como sugere o
próprio artigo em comento, ao aludir a relação entre a função social e o
exercício da liberdade contratual.
A excepcional ascensão da boa-fé objetiva nas mais recentes
legislações é fruto da superação de um modo formalista e positivista que
dominou os ordenamentos jurídicos no século XIX, sobrevindo até o fim da II
Guerra Mundial.
A boa-fé objetiva compreende um modelo de conduta social,
caracterizado por uma atuação de acordo com determinados padrões sociais
de lisura, honestidade e correção de modo a não frustrar a legítima confiança
da outra parte.
A boa-fé objetiva é examinada externamente, ou seja, está relacionado à
correção da conduta do indivíduo, pouco importando sua convicção. Ela
encontra sua justificação no interesse coletivo de que as pessoas pautem seu
agir pela cooperação e lealdade, incentivando-se o sentimento de justiça social,
com repressão a todas as condutas que importem em desvio aos
sedimentados parâmetros da honestidade e retidão.
Ademais, a boa-fé objetiva constitui fonte de obrigações, impõe
comportamento aos contratantes, segundo regras de correção, na
conformidade do agir do homem comum daquele meio social.
Portanto, o princípio da boa-fé atua de forma que a consideração pelos
interesses que a parte contrária pretende obter de uma relação contratual não
é nada mais do que o respeito à dignidade da pessoa humana em atuação no
âmbito negocial.
Natureza Jurídica do contrato de compra e venda mercantil
Fábio Ulhôa (2010, p.423) ensina que a compra e venda mercantil
quando o comprador e vendedor são empresários. Trata-se do contrato
elementar da atividade empresarial. Numa esquematização simples, o
comércio pode ser explicado como a sucessão de contratos de compra e
venda. O importador compra o produto do fabricante sediado no exterior e o
revende ao atacadista, que o revende ao varejista e assim por diante.
Assim, a compra e venda mercantil é, na maioria das vezes, contrato
cível, sujeito às normas do Código Civil e legislação especial. Eventualmente,
pode-se configurar, na relação contratual entre empresário-comprador e
empresário-vendedor, uma compra e venda sujeita ao CDC. Será este o caso
se o empresário-comprador for consumidor, na acepção legal do termo
(ULHÔA, p.423, 2010).
Seguindo a mesma linha de raciocínio, Fázzio Júnior (2008, p.432)
leciona que, na maioria dos contratos mercantis, pelo menos o pólo ativo da
relação contratual é ocupado por empresário ou sociedade empresária.
Entretanto, isso não significa que tais negócios sejam sempre considerados
sob a mesma óptica normativa e observem tratamento uniforme. Há diversas
leituras legais possíveis, de modo que a concorrência normativa obriga à
consideração de diversos fatores, tendo em vista a equalização adequada de
problemas e, por conseguinte, de soluções.
Mister se faz ressaltar que, com a edição do Código Civil de 2002 não
houve alteração na sistemática do contrato de compra e venda, uma vez que o
acordo de vontades entre os contraentes não é suficiente para transmitir a
propriedade, sendo necessária a tradição para a constituição de direitos reais
sobre bens móveis e o registro para o aperfeiçoamento de direitos reais
imobiliários (PELUZO, 2008).
Rosenvald (2008, p.471) consigna que nosso sistema seria uma espécie
intermediária entre o sistema franco-italiano e o alemão. Aquele concebe a
compra e venda como acordo translativo de propriedade, sendo suficiente o
consenso. A fórmula requer dois contratos autônomos e sucessivos: o primeiro
estabelecendo obrigações intersubjetivas; o segundo, um negócio abstrato,
dotado de eficácia real, apefeiçoado perante o registro com a finalidade de
expurgar os vícios do contrato originário, além de gerar propriedade. No Brasil,
de forma eclética, o contrato consubstancia o consenso, porém integrado pela
tradição ou registro.
Por fim, oportuno é o ensinamento de Darcy Bessoni apud Rosenvald
(2008, p.472)que discorda da compra e venda como mera obrigação de dar.
Entende que o registro apenas conclui o ato complexo de formação progressiva
pela qual toda manifestação de transmissão do direito real já se exauriu no
negócio jurídico. Vale dizer que o registro apenas concederia eficácia real à
compra e venda, pois é desnecessária uma segunda manifestação de vontade
do alienante, ao contrário do que sucede do direito alemão. Com efeito, a
obrigação demanda uma futura do devedor, todavia, com a emissão da
escritura de compra e venda, o alienante não precisará praticar uma nova
conduta, eis que toda a carga recairá sobre o adquirente, no sentido de
promover unilateralmente o registro do título, concluindo o ato complexo com a
chancela estatal.

FORMAÇÃO DO CONTRATO DE COMPRA E VENDA MERCANTIL


A compra e venda mercantil é um contrato consensual, ou seja, há a
necessidade de haver o ajuste de vontades para que tal instrumento jurídico
possa prosperar.
Assim, o objeto do contrato pode ser coisa móvel, imóvel ou semovente.
Poderão, ainda, ser corpóreos ou incorpóreos, excluindo os legalmente
inalienáveis. Ademais, é importante frisar, que a coisa pode ser própria ou
alheia, pois o vendedor pode alienar bens que lhe foram outorgados, em
função de ser uma atividade econômica fruto de sua profissão.
Com isso, em relação ao preço, salienta-se que deve ser pago em
dinheiro, pois se assim não fosse, seria outra modalidade de contrato e não de
compra e venda mercantil. Dessa forma, o preço deve ser pago em moeda
nacional, em regra, já que o direito brasileiro só admite o pagamento em
moeda estrangeira, em caso de importação e exportação.
Quanto à fixação do preço, a regra é a liberdade das partes, em função
de a normatização interna adotar perfil neoliberal. Assim, opera-se o Princípio
do Pacta Sunt Servanda, onde há a impossibilidade de retratação ou
modificação unilateral, ensejando assim, em força de lei que o contrato exerce
entre as partes.
Entretanto, no decurso da execução do contrato, pode ocorrer a teoria
do Rebus Sic Stantibus, expressão latina que designa a teoria da imprevisão. E
isso ocorre nos contratos de prestação continuada, quando fatos imprevisíveis
tornarem excessivamente onerosa para uma das partes o cumprimento do que
determina o contrato.
Pode ocorrer, também, o caso fortuito ou força maior, que podem geram
situações inevitáveis, o que com certeza influirá na prejudicialidade do
cumprimento contratual.
Quanto à extinção do contrato, pode ocorrer de várias formas, eis as
mais usuais: pelo mero cumprimento da parte; pela resolução, que ocorre
posterior à avença (por exemplo: caso fortuito, força maior, inadimplemento),
cujo efeito é ex tunc; pela resilição, que se opera por meio do distrato ou
denúncia, cujo efeito é ex nunc, ou seja, são mantidas as prestações já
consumadas; e a rescisão, que se origina de causas anteriores ou no tempo da
execução do contrato (por exemplo: vício redibitório, lesão).
RESPONSABILIDADES DAS PARTES

No contrato mercantil, basta que as partes se ajustem sobre o preço e a


coisa para que ele se forme e torne obrigatório, gerando para as partes
obrigações recíprocas, que são elas:

OBRIGAÇÕES DO VENDEDOR

São obrigações básicas do vendedor,conforme a configuração típica do


contrato de compra e venda mercantil

• A entrega da coisa (tradição)


• A responsabilidade pela evicção e pelos vícios ocultos da coisa

Compreende-se bem que a principal obrigação é a da entrega da coisa,pois


é nesse sentido que se realiza a execução do contrato: entrega da coisa pelo
vendedor e o pagamento do preço pelo comprador. Não havendo acordo
diverso entre as partes, a execução começa com a entrega da coisa; a tal
propósito já assinalava Waldemar Ferreira “cuja finalidade e a satisfação do
interesse do comprador, muito mais do que na do vendedor”

ENTREGA DA COISA

Logo que a venda é perfeita, o vendedor fica obrigado a entregar ao


comprador a coisa vendida, no prazo e modo estipulado no contrato, na falta de
estipulação expressa, deve fazer-se no lugar em que a mesma coisa se achava
ao tempo da venda (art.493 CC/02).
Quando em praças diferentes é comum avençarem-se as condições do
transporte, havendo várias cláusulas-tipos que, que indicam o local em que
deve ser entregue ou retirada da mercadoria, exemplos das cláusulas FOB,
FOT. No que diz respeito à responsabilidade pelo transporte da mercadoria
transacionada, cabe ao vendedor as despesas com a tradição, quando este
assume a obrigação de fazer a entrega, enquanto as despesas com o
recebimento fica a cargo do comprador (art.490 CC/02) Podendo as partes
convencionar diversamente como atribuir ao comprador uma parte ou a
totalidade das despesas e riscos inerentes ao transporte da mercadoria, sendo
bastante comum estabelecer esta disposição diversa.
Já em relação aos riscos, a regra básica é de que correm por conta do
seu proprietário, nesse sentido até o momento da tradição, os riscos da coisa
correm por conta do vendedor e os preços por conta do comprador.
Tratando-se de venda a crédito, se antes da tradição o comprador se
tornar insolvente, o vendedor poderá suspender a entrega da mercadoria, até
que o comprador lhe dê caução de pagar no tempo ajustado, conforme preza o
(art.495 CC/02)

RESPONSABILIDADE POR VICIO E EVICÇÃO

Preceitua o art.441 do CC que a coisa recebida por força de contrato


comutativo pode ser enjeitada por vícios ou defeitos ocultos, que a tornem
imprópria ao uso a que é destinada, ou lhe diminuam o valor.
Vícios redibitórios ocultos e existentes ao tempo da tradição não
escapam á responsabilidade do vendedor, que pode, conforme o caso, arcar
com a ação redibitória de recusa da mercadoria e a restituição do que recebeu.
Conforme o caso (vicio que reduz o valor) o comprador pode optar pela ação
quanti minoris para postular o desconto e a restituição de parte do preço que
pagou.
Também o vendedor responde pelos vícios de evicção (art. 447
CC).Esta significa a perda da coisa pelo comprador(evicto)porque pertencente,
em virtude de causa antecedente à compra e venda, a outrem ( evictor) que a
reivindica. O vendedor tem de defender judicialmente o negócio realizado, uma
vez que operou a translação da coisa reivindicada, exceto se o evicto estava
ciente da reivindicação.
O art. 448 CC enseja os contratantes, desde que o façam por cláusula
expressa, reforçar, diminuir ou excluir a responsabilidade pela
evicção.Todavia ,ocorrendo a evicção, o comprador(evicto), sem embargo
daquela cláusula, ainda assim tem o direito à restituição do preço pago pela
coisa adquirida, se não soube do risco da evicção ou dele informado, não o
assumiu(art.449 CC).
Nos termos do art.445 do CC, o comprador decai do direito de obter a
redibição ou abatimento do preço da mercadoria por vício, no prazo de 30 dias,
contados da tradição. Se já estava na posse da coisa, o prazo é reduzido à
metade e tem por termo a quo a alienação.
No caso em que o vício da mercadoria, por sua natureza, só for
conhecido mais tarde, diz o § 1º do mesmo artigo, o prazo começa quando o
comprador dele tiver ciência, até o prazo máximo de 180 dias.

OBRIGAÇÕES DO COMPRADOR

• pagar o preço
• receber a coisa comprada

Aperfeiçoado o contrato de compra e venda mercantil, o empresário


comprador tem a obrigação de pagar o preço pactuado. Se não o faz, torna-
se responsável pelo valor assumido, mais as perdas e danos e outros
encargos do contrato.
Se o comprador sem justa causa recusar receber a coisa vendida, ou
deixar de a receber no tempo ajustado, terá o vendedor ação para rescindir
o contrato, ou demandar o comprador pelo preço com jurus legais da mora.
No segundo caso deverá requerer o deposito judicial dos objetos vendidos
por conta e risco de quem pertencer

Incoterms

Direito internacional, tratou por adotar regras uniformes para superar as


diferenças de praticas comerciais vigentes nos países dos contratantes,
facilitando os negócios e prevenindo dissídios. Para uniformizar esta
distribuição de encargo entre as partes, principalmente nas transações entre
empresários estabelecidos entre países diferentes, a Câmara de Comércio
Internacional convencionou alguns termos padrões, os Incoterms.
Os termos foram criados em 1936 e já passaram por sucessivas
revisões (1953, 1967, 1976, 1980, 1990 e a última delas em 2000)
Em síntese, a classificação dos termos internacionais de comércio observa
algumas diretrizes gerais, ligadas às condições de vendas (direitos e
obrigações básicas do vendedor relativas a seguros, embarques, liberações,
documentações etc.) e cláusulas de preço:
• Compreende quatro grupos (E, F, C E D), contendo uma ordem
crescente de encargos do vendedor
• As vendas compreendem as que são efetuadas na partida da chegada;
• O grupo E (usa o termo: EXW) refere-se a cláusula de venda na partida;
• O grupo F cuida das condições de venda na partida com transporte não
pago( são três termos: ( FCA, FAZ, E FOB)
• O grupo C cuida das condições de venda na partida com transporte
principal pago (quatro termos: (CRF, CIF, CPT E CIP)
• O grupo D refere-se às condições de vendas na chegada (cinco são os
termos: DAF, DES, DEQ, DDU, DDP);
• As vendas na partida (grupos E, F e C) deixam os riscos do transporte a
cargo do comprador
• Nas vendas de chegada, os riscos são de responsabilidade do vendedor
no caso dos termos do grupo D, exceto do DAF, em que o vendedor
assume o risco até á fronteira nominada no contrato e o comprador, a
partir dela.
CONCLUSÃO

Diante da verve literária do trabalho, verifica-se que todos os tópicos


inerentes ao contrato de compra e venda mercantil foram esclarecidos com
muita veemência, o que é objeto de festejo para o enriquecimento do campo
jurídico.
Destarte, urge a preponderância frisar, que o contrato de compra e
venda mercantil é sobremaneira profícuo para o mundo do Direito Empresarial,
haja vista que se trata de negócio jurídico celebrado entre empresários, o que
já traduz a imensidão dos desígnios que açambarcam a ordem econômica.
Com isso, resta clarividente que as empresas, que são o supedâneo da
ordem econômica do país, geram lucro e são fontes de emprego para a
população do país. Por isso, para materializar as transações empresariais,
entra em campo o contrato mercantil.
Não há como estabelecer segurança jurídica para as partes, se não
houver um instrumento que garanta as relações acordadas e, que por isso, a
legislação civil estabeleceu regras determinadas para regerem os contratos
celebrados.
Diante de todos os aspectos apresentados, infere-se que o contrato de
compra e venda mercantil é de substancial relevância para o aprendizado do
Direito Empresarial, posto que as transações econômicas são regidas por
contratos, que são sustentáculos da segurança jurídicas para as partes.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FAZZIO JÚNIOR, WALDO. Manual de direito comercial.- 9.ed.-


3.reimpressão –São Paulo: Atlas, 2008.
PELUSO, CEZAR. Código Civil Comentado: doutrina e jurisprudência. –
2.ed. rev. e atual. – Barueri, SP: Manole, 2008.