Você está na página 1de 1

16:22 25/3/2009

22:21 23 de Setembro, 2008.


Resolvi começar esse diário. Ainda não decidi o por quê, mas acredito que depois
de tudo o que aconteceu comigo, e o que vai acontecer, vou querer me lembrar de
como estou me sentindo em meio a tudo isso, ou como penso me sentir. Não me acost
umei com essa nova condição, ainda não sei como toda essa coisa funciona.
O que é estranho, porque já azem duas semanas que essa nova vida "me adotou"
. Mas em basicamente nada consegui me adaptar. Mal tenho tempo para tentar, esto
u cercado de obrigações, deveres, regras, métodos e tradições... As tradições me sufocam. E
anto muitos consideram essa condição uma libertação, sinto na pele o contrário.
Em quinze minutos, tenho outra dessas malditas tradições a cumprir. Depois t
enho algumas obrigações. Isso me frustra, não vejo minha namorada fazem dez dias, meus
pais treza, mesmo sem essa nova rotina, não poderia vê-los, o motivo leva à uma longa
história. Lina chegou, tenho que ir à iniciação.
04:46 27 de Setembro, 2008.
A merda do show de loucuras que foi a iniciação demorou quatro dias, não que e
u esteja reclamando, pareceu demorar muito mais na hora. Eles não parecem ter pres
sa nenhuma, como se tivessem toda a eternidade.
Meu celular acusou 36 mensagens na secretária eletrônica. Seis dos meus pais
e outras 30 de Tamiris, minha namorada. Isso sem contar a quantidade tão absurda
de SMSs que acabaram com a memória do aparelho. Estou faminto, mas não tenho mais te
mpo para comer, preciso descansar.
00:12 28 de Setembro, 2008.
Não quero sair de casa hoje. Mesmo com a fome, mesmo com a vontade de ver
Tamiris e meus pais. Aposto que ela deve estar uma pilha de nercos e meus pais t
orcendo pelo rompimento. Vou dar a eles um pouco desse gosto.
Luna avisou que não viria para nosso abrigo até o amanhecer. "Problemas buro
cráticos" ela disse, a meu respeito, creio. Finalmente vou poder escrever a respei
to de como tudo começou, preciso desabafar. Luna não parece se importar mais com iss
o, Tamiris e meus pais não entenderiam, resto eu mesmo.
Era por volta das 03:30 no dia 9 de Setembro, 2008. Estava saindo da cas
a de um amigo, eu e mais três outros amigos, ainda conversávamos e ríamos alto. Muito
por culpa da alta quantidade de álcool que ingerimos à pouco tempo atrás, mas também por
estarmos juntos. Hoje percebo, humanos em grupo são muito mais vulneráveis do que s
ozinhos ou em casais.