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TEORIA DA CONTABILIDADE

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FUNDAÇÃO EDUCACIONAL MACHADO DE ASSIS

CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS

TEORIA DA CONTABILIDADE

Docente: JAIR ANTONIO FAGUNDES Discente: ....................................................................

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EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA CONTABILIDADE .................................................................................. 3 ESTRUTURA CONCEITUAL BÁSICA DA CONTABILIDADE .......................................................... 12 NORMAS BRASILEIRAS DE CONTABILIDADE / CONTABILIDADE NO MERCOSUL ................ 23 A – Normas Brasileiras de Contabilidade .............................................................................................. 23 B - A Contabilidade no Mercosul ........................................................................................................... 26 1 Introdução ............................................................................................................................................ 26 2 A profissão contábil nos países do MERCOSUL ............................................................................... 27 3 Normas e práticas contábeis nos países do MERCOSUL .................................................................. 28 4 Conceito e estrutura do Balanço Patrimonial ..................................................................................... 30 Definição e Critérios de Avaliação do Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido. Receitas, Ganhos, Despesas e Perdas ......................................................................................................................................................... 31 1 Conceituação de Ativo ........................................................................................................................ 31 2 Avaliação do Ativo .............................................................................................................................. 31 3 Passivo (Exigibilidades) ...................................................................................................................... 33 4 Patrimônio Líquido .............................................................................................................................. 33 5 Receitas, Despesas, Perdas e Ganhos .................................................................................................. 34 EVIDENCIAÇÃO (DISCLOSURE) E OS OBJETIVOS DA .................................................................... 35 CONTABILIDADE ................................................................................................................................... 35 1 Introdução ............................................................................................................................................ 35 2 Características da informação contábil ................................................................................................ 36 3 Relacionamento entre evidenciação e convenções contábeis .............................................................. 36 4 Formas de evidenciação ...................................................................................................................... 37 GOODWILL .............................................................................................................................................. 41 1. O que é Goodwill? .............................................................................................................................. 41 1.2 Classificação do Goodwill .................................................................................................................... 42 1.3 Fatores que geram o Goodwill ........................................................................................................ 43 1.4 Reconhecimento do Goodwill ........................................................................................................ 43 1.5 Mensuração do Goodwill ...................................................................................................................... 44 1.6 Amortização do Goodwill..................................................................................................................... 45 1.7 Tratamento do Goodwill segundo a legislação brasileira ............................................................... 45 1.8 Tratamento do Goodwill segundo IASC – IAS 22 ......................................................................... 46 DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA ..................................................................................... 48 RESPONSABILIDADE SOCIAL E BALANÇO SOCIAL ...................................................................... 52 1 Responsabilidade Social ...................................................................................................................... 52 2. Balanço Social .................................................................................................................................... 54 3 Demonstração do Valor Adicionado ................................................................................................... 58 CAPITAL INTELECTUAL ....................................................................................................................... 63 1 Considerações iniciais ......................................................................................................................... 63 2 Conceituação ....................................................................................................................................... 63 3 Componentes ....................................................................................................................................... 64 4 Contexto ............................................................................................................................................. 66 5 Gestão do Capital Intelectual .............................................................................................................. 67 6 Mensuração do Capital Intelectual ..................................................................................................... 68 Indicadores do capital humano ................................................................................................... 68 Indicadores do capital estrutural ................................................................................................. 68 Indicadores do capital relacional ................................................................................................ 69 7 Mensuração do Capital Intelectual pela SKANDIA ........................................................................... 69 GESTÃO/ CONTABILIDADE AMBIENTAL ......................................................................................... 71 COMPORTAMENTO AMBIENTAL REATIVO (modelo de Baumol, 1979) ..................................... 71 COMPORTAMENTO ÉTICO AMBIENTAL DA EMPRESA (Modelo de Tomer,1992) ................... 72 AVALIAÇÃO DE CUSTOS AMBIENTAIS ........................................................................................ 74 Conclusão: .............................................................................................................................................. 76 COMO USAR AS AUDITORIAS AMBIENTAIS ................................................................................ 76 ATIVIDADES DE UMA AUDITORIA ................................................................................................ 77

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Tema 1 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA CONTABILIDADE 1 Introdução
Os primeiros sinais objetivos da existência da contabilidade, segundo alguns pesquisadores, foram observados por volta do ano 4.000 a C , na civilização SumérioBabilonense e coincidiu com a invenção da escrita. As primeiras anotações eram feitas em termos físicos pois somente haviam trocas, o que fez com que sua evolução fosse bastante lenta. Em 1.100 a C, este quadro se alterou, por ocasião do surgimento da moeda. Há informações que os primeiros rudimentos de balanço surgiram no ano de 1.300 em Florença, Itália. Entre os séculos XIII e XVII a contabilidade se distinguiu como uma disciplina adulta, justamente pelo fato de que neste período a atividade mercantil, econômica e cultural era muito importante, ou seja, a evolução da contabilidade sempre está associada ao desenvolvimento da sociedade como um todo. Esse fato tem feito que mais recentemente venha sendo considerada como pertencente ao ramo da ciência social. A intensidade das atividades mercantis, econômicas e culturais, determinou o surgimento e domínio das escolas de contabilidade, notadamente na Itália.

2 Escola Italiana de Contabilidade
Com o surgimento do Método de Partidas Dobradas no século XIII ou XIV, e sua divulgação através da obra “La Summa de Arithmetica, Geometria, Proportioni et Proportionalitá” de autoria do Frei Luca Pacioli, publicada em Veneza em 10/11/1494 (1ª edição), a escola italiana ganhou um grande impulso, espalhando-se por toda a Europa. Várias correntes de pensamento contábil se desenvolveram dentro da escola italiana, sendo as mais relevantes: o contismo, o personalismo, o neocontismo, o controlismo, o aziendalismo e o patrimonialismo.

2.1 Escola Contista
Constituiu-se na primeira corrente de pensamento contábil (1494). Seu surgimento está relacionado aos estudos feitos pelos primeiros expositores do Método de Partidas Dobradas. Os defensores dessa corrente, adotaram como idéia básica o mecanismo das contas, centrando sua preocupação no seu funcionamento, esquecendo-se que a conta é apenas conseqüência das operações que acontecem numa entidade, e que essas operações devem merecer a máxima atenção da contabilidade. Para os criadores da escola contista, a preocupação central da contabilidade era com o processo de escrituração e com as técnicas de registro através das contas. O objetivo das contas era sempre o de registrar uma dívida a receber ou a pagar, coincidindo com a origem do crédito nas relações comerciais.

considerada pelos contistas como uma dívida da empresa para com o capitalista. Na concepção do autor. (3) Contas a Receber. fazendo com que as contas contábeis se constituíssem num dos mais hábeis instrumentos para o registro destas relações. . abrir cinco para si mesmo. Frei Luca Pacioli Publicou em Veneza (1ª edição em 10/11/1494). Para ele. com o surgimento das sociedades com mais de um capitalista. onde os meios de produção passaram a pertencer a qualquer pessoa que possuísse capital. representavam o comerciante. isto é. uma para as contas a receber. criou-se a conta capital. revelou a necessidade de uma maior sistematização do processo de registro das operações. Flori. Para Degranges. baseada em estudo realizado em 1675 por Jacques Savary sobre a teoria geral das contas. somando-se separadamente o diário e o razão para verificar a igualdade de ambas somas. “ La Summa de Arithmetica. Esta teoria não teve boa aceitação. sendo este fato a base de sua teoria. no qual constavam ainda colunas para a data. sendo que os mais destacados foram Cotrugli e Frei Luca Pacioli. Em 1796. Este esquema de cinco contas. o comércio tinha cinco (5) objetivos principais que permanentemente lhe serviam de meio de troca. Geometria. cabendo a Pacioli o mérito de haver escrito o primeiro livro de contabilidade. total. as relações de crédito entre compradores e vendedores experimentaram um grande crescimento. Pietra. 2000. Foi considerado um grande matemático do XV e ficou universalmente conhecido por ter incluído na Summa o Tratado XI. “Essas contas. não se tornando universal.4 Com o início do regime sócio-econômico. etc. Proportioni et Proportionalitá. o lançamento a débito ou a crédito em uma dessas contas representava debitar ou creditar o próprio comerciante” (Schmidt. Já em 1458 Benedetto Cotrugli (comerciante) concluia um manuscrito de 160 páginas que tratava das partidas dobradas. detalhes. deu lugar ao surgimento de um Livro Diário/Razão de 6 colunas. deveria ser aberta uma conta para a pessoa com quem o comerciante mantinha transações a prazo e. do título IX denominado “De computis et scripturis” (páginas 197 a 210). uma para as contas a pagar e uma para o resultado. Os principais personagens do contismo foram: Fibonacci. ao mesmo tempo. uma para o caixa.30). no qual consta o método de registro contábil de “Partidas Dobradas”. Pegolotti. Este autor teve o mérito de ser o primeiro a admitir a necessidade de realizar-se um controle numérico entre os livros principais. entre os quais Degranges que em 1795 divulgou a chamada teoria das cinco contas. (2) Dinheiro. na realidade. com a conseqüente melhoria na qualidade do produto deste processo. (4) Contas a Pagar e (5) Lucros e Perdas. Mais tarde. A preocupação com a fidelidade das informações contidas no diário e no razão. A escola contista teve um grande impulso com os trabalhos de pesquisadores franceses. conhecido na época como método de Veneza. Degranges. uma para mercadorias. p. As cinco contas a que fazia referência eram: (1) Mercadorias. Jones apresentou o modelo inglês de registro baseado em dois livros principais: o diário e o razão e dois livros auxiliares: caixa e armazém (existências).

Cerboni fundamentou a teoria personalista nos seguintes axiomas: 1. No capitulo 2 define e descreve o Inventário. Pacioli não propôs uma seqüência de lançamentos contábeis e sim exemplos isolados para ressaltar que os lançamentos deveriam ser feitos em dobro. Acreditava que o comerciante deveria conhecer os registros contábeis e ter. esta personificação não constituía uma teoria científica e sim um artifício usado pelos autores para explicar o mecanismo das contas. No capitulo 6 dá explicações sobre o memoriale Os demais livros são tratados nos capítulos seguintes. e o deve e haver representavam débitos e créditos das pessoas a quem as contas foram abertas.5 Justificou a inclusão deste tratado na Summa por entender que os mercadores deveriam saber registrar corretamente suas contas e determinar o resultado do negócio. A publicação do trabalho se deu em Veneza pois nessa cidade. Para os teóricos do personalismo. as contas deveriam ser abertas tanto para pessoas físicas como jurídicas (pessoas verdadeiras). Um dos primeiros idealizadores desta teoria foi Francesco Marchi (1822/1871). instalaram-se as principais tipografias e representava o centro do comércio mundial. Na verdade Pacioli foi o primeiro grande divulgador deste método por coincidir a época de sua obra com a introdução da imprensa na Itália. a qualquer momento. abrangendo a classificação. No capítulo 1 do tratado XI Pacioli apresenta os três requisitos para que alguém possa ter um negócio: dinheiro ou propriedades. bem como detalhes de registros contábeis. A personificação das contas já existia desde os primeiros expositores do método de partidas dobradas. a débito e a crédito (Schmidt. fazendo referência ao memoriale (livro em que as operações deveriam ser registradas à medida que iam ocorrendo. Mas foi Giuseppe Cerboni(1827/1917) o verdadeiro construtor da teoria personalista. No final do capítulo faz referência ao Inventário. direitos e obrigações que formam o patrimônio) e toda azienda tem um proprietário ou chefe a quem pertence em absoluto ou por representação a matéria . No capítulo 3 apresenta um exemplo prático e no capítulo 4 algumas explicações sobre como registrar itens do inventário. habilidades em cálculos mercantis e conhecimento de contabilidade. na época. forma de demonstrar as contas e como corrigir os erros cometidos nos registros. p. porém. O capítulo 5 é dedicado a forma de organizar os lançamentos contábeis. Explica os livros que deveriam ser usados.2 Escola Personalista Esta escola surgiu como uma reação ao contismo. 2. 2000. a noção exata das transações efetuadas. durante a segunda metade do século XIX (1867). Toda a administração consta de uma ou várias aziendas (conjunto de bens materiais. assume relevância jurídica em virtude do débito e crédito que provoca. dando personalidade às contas para poder explicar as relações de direitos e obrigações. 35-47). correspondente à gestão de qualquer entidade. giornale (livro diário) e quaderno (livro razão). Justificava a personificação das contas por considerar que qualquer operação administrativa. avaliação e registro de propriedades e a forma como deve ser arquivado e que esquema deve ser utilizado para o lançamento contábil. ou seja.

4. Em relação aos empregados e terceiros. 6. 3. pelos . as funções de controle são: antecedentes. os orçamentos.3 Escola Controlista Para Fabio Besta (1880) a contabilidade representava a ciência do controle econômico. Besta entendia que a contabilidade tinha a missão de atender as seguintes três fases: primeiro estabelecer um ponto de partida para tornar possível a análise dos resultados da gestão.. considerada uma discip0lina ligada à gestão e ao processo de tomada de decisão. a ciência contábil é considerada o estudo das variações da riqueza em relação a azienda e a contabilidade a ciência da administração aziendal. Igualmente considerava que o patrimônio deveria ser representado por uma grandeza mensurável e variável. Por outro lado. regulamentos. 2. não se pode administrar sem que o proprietário ou chefe entre em relação com agentes (empregados) e correspondentes (terceiros). O deve e o haver do proprietário somente variam como conseqüência de ganhos ou perdas ou de reduções ou reforços da dotação inicial da azienda. etc. as demonstrações de resultados. demonstrado por uma soma de valores positivos e negativos. atas. 5. estatutos. em vez de uma mera técnica de registro de transações econômicas. Este autor considerava que o controle econômico se compunha de duas partes: uma responsável pelo registro contábil dos momentos da administração econômica e sua efetivação por meio de escrituração e a outra representava a revelação das partidas dobradas dos fatos administrativos em conexão com os critérios organizacionais articulados de acordo com os mecanismos de controle inerentes à escrituração contábil. No personalismo. 2. Antecedentes são os contratos. Portanto. Cerboni e Rossi. as contas.6 administrável. em segundo lugar acompanhar a gestão evidenciando os fatos ocorridos que julgar-se o trabalho administrativo e a terceira fase demonstrar os resultados finais da administração econômica para a devida aprovação ou rejeição da gestão. os balanços. representavam uma forma de controle da riqueza dos organismos econômicos. inventários. Segundo o momento de ocorrência. Uma coisa é possuir os direitos de propriedade e de soberania da azienda e outra coisa é administrá-la. etc. Nenhum débito é criado sem que de forma simultânea se crie um crédito e viceversa. Os principais personagens foram Marchi. concomitantes e subsequentes. Esta deve ser feita por quem exerce a autoridade direta. isto é. Uma importante contribuição desta escola à comunicação contábil foi a de que a contabilidade passou a ser considerada um instrumento informacional sobre a gestão das entidades. o proprietário é de fato o credor do ativo e o devedor do passivo. Os empregados e terceiros nunca serão debitados ou creditados sem que o proprietário seja creditado ou debitado pela mesma importância. Besta classificou as funções de controle econômico (ou de contabilidade) conforme o momento em que ocorriam com referência aos fatos administrativos e de acordo com a sua natureza. Concomitantes são os controles que se caracterizam pela vigilância das tarefas determinadas para cada pessoa. Uma coisa é administrar a azienda e outra é guardar os bens da mesma e ser responsável por eles. Na visão dos controlistas.

Em relação às contas passivas. a contabilidade não se limita unicamente a esses aspectos. as prestações de contas. A dinâmica do balanço era interpretada pelos neocontistas. no de exigibilidade. as contas ativas são debitadas pelo valor inicial e pelos aumentos e creditadas pelas diminuições. o exame destas prestações e sua aprovação ou rejeição. o confronto entre o que foi realizado com o que deveria ter sido feito. Os principais personagens desta escola foram: Besta. Ghidiglia. por atribuir à contabilidade o papel de colocar em evidência o ativo. Dentro do que denominavam dinâmica contabilística. sobre seus inventários. seria necessário abrir-se contas com valores dos ativos (positivas). também. defendendo o valorismo das contas. o passivo e a situação líquida das unidades econômicas. em sua totalidade o objeto da contabilidade. os registros contábeis. não abrangendo. podem ser utilizados cartões. O desenvolvimento sistemático de princípios que informavam sobre o patrimônio das entidades. D’Alvise e Lorusso. em conseqüência. a soma das importâncias referentes ao débito é igual a soma das importâncias referentes ao crédito. ocorre exatamente o contrário. Alfieri. As principais regras contábeis são expressadas a partir da fórmula do balanço. 2. o que eqüivale a dizer que a um débito corresponde sempre um crédito de igual valor. trouxe grande avanço para o estudo da análise patrimonial e dos fenômenos decorrentes da gestão empresarial. afirmavam que num balanço. Esta escola foi responsável. Para tal. apontamentos. mas deveriam refletir os valores dos componentes patrimoniais sujeitos à modificações. medidores. Os instrumentos usados são os documentos referentes aos dois controles anteriores. avaliações de bens. ou seja. realização de receita. o controle significava um melhor estudo substancial das operações da entidade para estabelecer se as mesmas estavam sendo desenvolvidas de acordo com critérios de conveniência econômica que devem guiar a conduta de uma entidade.4 Escola Neoconsita O neoconsitmo (1914) restituiu à contabilidade o seu verdadeiro objeto: a riqueza patrimonial e. Nessa concepção. passivos (negativas) e diferenciais (abstratas/situação líquida). equilíbrio financeiro e outros que provam variações patrimoniais. A informação contábil servia como uma base para a análise da gestão passada e como instrumento de informação para previsões futuras. As contribuições desta escola à comunicação contábil foram: 1. são objeto de operações de controle. 2.7 administradores ou outras pessoas indicadas para tal fim. contudo. etc. visando a proteção da entidade. os balanços. para o ativo. O controle é apenas um instrumento de apoio e não um fim ou objeto da contabilidade. nem representavam direitos e obrigações. A função subsequente é o exame dos fatos em seus aspectos jurídicos e econômicos. Para os neocontistas as contas não deveriam ser abertas a pessoas ou entidades. em um momento qualquer. 3. tomando por base os fatos permutativos e modificativos. Aspectos relativos à formação dos custos. Para tanto. O controle econômico pode ser considerado com uma das finalidades dos sistemas de escrituração. tendo surgido como um movimento contrário ao personalista. sendo que a disposição das contas no balanço deve basear-se. porém. . isto é: Ativo (igual) Passivo (mais ou menos) Situação Líquida (A=P+/-SL). no seu grau de disponibilidade e para o passivo. orçamentos e demonstrações contábeis.

o resultado é definido como o acréscimo ou decréscimo sofrido pelo capital em determinado período administrativo. Os principais expoentes desta escola foram: Besta. a principal função da contabilidade se resumia na revelação patrimonial. à parte científica da contabilidade. Gino Zappa. Conhecer periodicamente o resultado do período é indispensável para a análise do desempenho da entidade e de seus dirigentes. A doutrina da organização está direcionada para o estudo da constituição e harmonização do organismo pessoal da entidade. todos os fatos a demonstrar deveriam ser conhecidos. 2. Para ele. administração e o controle. é uma utopia. é influenciada positiva ou negativamente pelos acontecimentos que tiveram lugar em períodos anteriores e do que venha a ocorrer em períodos subsequentes. A vida econômica e financeira da entidade somente será plenamente conhecida a partir da total revelação destes fatos pela contabilidade. conhecer o resultado. não admitindo o estudo científico da contabilidade sem o conhecimento concomitante das doutrinas que. A doutrina da gestão está voltada para a definição de um conjunto de princípios destinados a servir de instrumento de auxílio à ação da gestão. Segundo ele. ao seu lado.5 Escola Aziendalista Cerboni e Besta dirigiram seus estudos ao campo das aziendas. formam a economia aziendal. a gestão de cada exercício. como conseqüência das operações da gestão. Outro ponto importante do pensamento doutrinário de Zappa foi o de desenvolver um sistema teórico contábil a partir do resultado. a Organização e a Contabilidade. ou seja. como máximo representante desta escola. ao passo que o resultado é a representação das mudanças dos componentes patrimoniais em um determinado período. O capital é a representação do conjunto de elementos do ativo e do passivo que irão gerar o resultado da entidade. A finalidade desta demonstração é conhecer os custos e receitas provenientes da gestão empresarial. Delaporte. pois para a maioria dos seus adeptos.8 A escola neocontista concentrou-se na chamada teoria materialista ou positivista das contas. colocou num só plano a Gestão. A contabilidade tem como função a demonstração dos resultados da gestão. Para Zappa tanto a separação exata dos resultados de vários exercícios como tentativa de determinar com exatidão os custos de produção. o que levou Zappa a dedicar grande atenção a este aspecto em seus estudos. já que existem operações . normalmente. a contabilidade deveria ocuparse da demonstração dos fatos da gestão e não se resumir apenas a um simples método de registro. no balanço. em detrimento dos aspectos econômico-administrativos dos eventos registrados. Na concepção de Zappa. O resultado e o capital representam duas diferentes visões do mesmo fenômeno. ocupando-se principalmente dos processos de classificação e registro das contas. acrescentando a organização. fazem parte de um fluxo de trocas monetárias entre a entidade e as economias externas. Sem dúvida a grande contribuição desta escola à comunicação contábil foi a separação entre passivo e situação líquida. Calmés. através da observação adequada ao estudo quantitativo dos fenômenos empresariais. Tais fatos são fenômenos econômicos que. Dumarchey. Para que esta demonstração fosse possível.

. foi caracterizado pelo aspecto prático no tratamento de problemas econômicoadministrativos. que colaboram com a formação do resultado. ou seja. a representação da vida patrimonial da entidade como sugeriram os neocontistas. ou seja. cuja contribuição deve ser conhecida para que se possa analisar adequadamente os motivos das variações ocorridas no decorrer de determinado período. com limitadas construções teóricas as quais tiveram origem em entidades ligadas a profissionais da área contábil. 2. mas uma ciência. Os 1. A dinâmica patrimonial estuda o patrimônio na sua condição dinâmica (obtenção e emprego de capitais). portanto. Pode-se resumir as contribuições desta escola para a comunicação contábil mencionando que para seus representantes: 1. O grande expoente desta escola foi Vicenzo Masi. 3. O conhecimento e demonstração do resultado da gestão empresarial representava o principal objetivo da contabilidade. em dado instante e na sucessão de instantes. 2. pois o mesmo é uma grandeza real que se transforma com o desenvolvimento das atividades econômicas. 4. Os expoentes máximos desta escola foram Zappa e Fibonacci. fundamentos da doutrina patrimonialista se baseiam nos seguintes princípios: O objeto da contabilidade é o patrimônio aziendal Os fenômenos patrimoniais são fenômenos contábeis A contabilidade é uma ciência social A contabilidade se divide em três ramos na sua parte teórica: estática patrimonial. A revelação patrimonial pode ser definida como um conjunto de princípios e de normas que regem a individuação e a representação qualitativa e quantitativa – especialmente monetária ou valorativa – do patrimônio. O resultado era considerado o mais importante fenômeno econômico de uma entidade. Para os patrimonialista a contabilidade não é apenas uma disciplina que tem por objetivo a revelação do patrimônio.9 em curso no fim do exercício e no início do próximo exercício. a partir do surgimento das grandes corporações no começo do século XX. que estuda e interpreta os fenômenos patrimoniais.6 Escola Patrimonialista Os teóricos desta escola (1926) definem o patrimônio como o objeto da contabilidade. operações que iniciaram em exercícios anteriores e operações que se encerrarão em períodos posteriores. com leis e princípios próprios. 3. A teoria contábil deveria ser capaz de interpretar os acontecimentos ligados a vida da entidade e demonstrar a formação do resultado e suas relações com os fatos administrativos e com todo o contexto em que a entidade está inserida. 3 Escola Norte-Americana O início desta escola. dinâmica patrimonial e revelação patrimonial A estática patrimonial se ocupa do patrimônio no seu aspecto estático (equilíbrio funcional e financeiro dos elementos patrimoniais). 2.

estão: do Entre as principais contribuições desta corrente ao processo de comunicação contábil 1. o balanço patrimonial é o instrumento responsável pela demonstração da situação patrimonial da entidade.UU. controladoria. ditando regras para o tratamento de questões ligadas à contabilidade de custos. Alguns fatores que muito contribuíram para esta evolução foram: 1. análise das demonstrações contábeis. etc. uma vez que a mesma se traduz num ato de predizer o resultado em dinheiro calculado na data do balanço. especialmente da contabilidade financeira. Paton. pretendendo fomentar a qualificação das informações aos diversos usuários. Para os defensores da teoria estática ou monista. assim como a formulação dos princípios que presidem a organzação e a gestão das mesmas. Os principais personagens desta escola foram: Sprague. assim como o próprio desenvolvimento doutrinário da contabilidade ocorrido no final do século XIX e início do século XX. merecendo destaque a teoria estática.. Littleton. A expansão dos grupos empresariais 4. Hatfield. O estabelecimento dos Princípios de Contabilidade Geralmente Aceitos (US-GAAP) para garantir que as informações enviadas pela contabilidade aos usuários fossem confiáveis. A aceleração crescente da concentração das companhias 3. buscando a sistematização dos conhecimentos relativos à vida econômica das empresas. A padronização dos procedimentos utilizados pela contabilidade financeira como forma de aumentar a confiança nas demonstrações contábeis. O resultado de um período deve ser apurado a partir do confronto entre o valor patrimonial inicial e final deste período.10 Transformou-se numa das mais importantes e influentes no mundo. 2 – Fornecer informações sobre as mudanças nos recursos da entidade. 4 Escola Alemã O desenvolvimento da escola alemã. deveu-se em parte às crescentes necessidades dos usuários das informações contábeis nos vários setores da sociedade. As crises sociais dos períodos de guerra e pós-guerra. A escola Norte-Americana contribuiu decisivamente para a contabilidade gerencial. A busca da qualificação da informação contábil como forma de subsidiar a tomada de decisão dos gestores. As associações profissionais foram as principais propulsoras desenvolvimento doutrinário nos EE. Diversos tratadistas alemães desenvolveram teorias sobre balanços como forma de dar mais qualidade à informação contábil. tendo em vista a quebra da bolsa de Nova Iorque em 1929. Moonitz. 3. As correntes doutrinárias surgidas na Alemanha estavam direcionadas para a análise da gestão e da organização das entidades. controle orçamentário. 4. O desenvolvimento dos mercados financeiros 2. gestão financeira. . 2. a teoria orgânica e a teoria dinâmica. A avaliação patrimonial mereceu dos primeiros tratadistas desta escola uma dedicação especial. O estabelecimento de dois objetivos gerais da contabilidade 1 – Fornecer informações sobre os recursos econômicos e as obrigações da entidade.

Schar e Gutenberg. os demais valores patrimoniais são pré-prestações (ativo) ou pós-prestações (passivo). todos os elementos da conta de ganhos e perdas devem possuir um relacionamento com as contas do balanço. o balanço patrimonial pode fornecer não somente o estado patrimonial mas os reais resultados do exercício. uma vez que ela revelava a movimentação ocorrida num determinado período. ou seja. internamente. Uma das características do doutrinamento do balanço dinâmico é a sistemática de movimentação das contas. máquinas. A principal conta do doutrinamento de Schmalenbach era a conta de ganhos e perdas. O objetivo desta escola era o de aliar ao desenvolvimento agrícola. os ativos permanentes como prédios. que aparecem no balanço. veículos. transformando-se em receitas. que instituiu a obrigatoriedade da escrituração contábil e da elaboração anual da demonstração do balanço geral composto de bens. preencher as tarefas de rotina da contabilidade e controlar as finanças e.. em função da gestão sobre um patrimônio. razão pela qual se encontram no ativo. Os personagens mais importantes desta escola foram: Schmalenbach. que devem ser entendidos como valores transitórios. O desenvolvimento das idéias de Schmidt (outro expoente da escola). A teoria dinâmica foi sem dúvida a de maior destaque no doutrinamento alemão tendo como expoente máximo Eugen Schmalenbach.11 De acordo com a teoria orgânica ou dualista. Este autor separou os balanços em estáticos e dinâmicos. devem ser interpretados como saídas ou despesas da conta de ganhos e perdas. Gomberg. externamente. deverão ser amortizados nos períodos seguintes. Schmidt. são valores pendentes que não podem ser classificados na conta de resultados. ou seja. Com exclusão da conta caixa. o início da expansão industrial com a necessidade de habilitar e criar especialistas para. O balanço estático era utilizado para a determinação do valor e composição do patrimônio em um determinado momento ao passo que o dinâmico tinha por finalidade a apuração do resultado de um exercício. uma vez que nesta demonstração são classificados os valores pendentes. das empresas comerciais. representam elementos positivos e negativos de resultados futuros. Em 1902 surgiu em São Paulo a Escola Prática de Comércio que criou um curso regular que oficializasse a profi8ssão contábil. foi o Código Comercial de 1850. Assim. sobre a contabilidade a valores correntes. especialmente na forma de publicação das demonstrações contábeis como decorrência das altas taxas de inflação na Alemanha no início do século. Assim. Uma das primeiras manifestações da legislação como elemento propulsor do desenvolvimento contábil brasileiro. significou entre outras. etc. dotar São Paulo de elementos capazes de articular o desenvolvimento dos negócios. uma importante contribuição desta escola ao processo de comunicação contábil. Esta dualidade é possível a partir da avaliação dos elementos patrimoniais a valor de reposição. . com a conseqüente ampliação das fronteiras de atuação. 5 A contabilidade no Brasil Ao analisar-se a evolução da contabilidade no Brasil. O balanço patrimonial é na realidade uma conta auxiliar que recebe os valores relativos às negociações em circulação. percebe-se que desde o início fica patente a interferência da legislação. sendo que se forem vendidos. direitos e obrigações. sendo considerado por isso mesmo um balanço de resultados.

foram conceituados os Princípios Fundamentais de Contabilidade. Porto Alegre: Bookman. Determinação de padrões para a publicação dos lucros e perdas. através do estudo elaborado pelo IPECAFI – Instituto Brasileiro de Pesquisas Contábeis. 3. Regras para a avaliação de ativos. Determinação de padrões para a publicação do balanço. SCHMIDT. Regras para a apuração e distribuição dos lucros. Criação de reservas. através da Resolução CFC 321/72 passou a adotar os Princípios de Contabilidade Geralmente Aceitos como normas resultantes do desenvolvimento da aplicação prática dos princípios técnicos emanados da contabilidade. Bibliografia básica utilizada CRC-RS: Princípios Fundamentais de Contabilidade e Normas Brasileiras de Contabilidade.12 O Decreto-Lei nº 2627 de 1940. Atuariais e Financeiras. 5. Tema 2 ESTRUTURA CONCEITUAL BÁSICA DA CONTABILIDADE 1 Introdução De acordo com o mencionado no capítulo 3 “Princípios Fundamentais de Contabilidade”. aprovado pelo IBRACON – Instituto Brasileiro de Contadores e referendado pela CVM – Comissão de Valores Mobiliários (1986). 4. Martins e Gelbcke. p. Em 1976 foi publicada a nova Lei das S/A nº 6404. significando uma nova fase para o desenvolvimento da contabilidade no Brasil e incorporando de forma definitiva as tendências da Escola Norte-Americana. financeira. . 2. 2000. do livro “Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações” (Iudícibus. 2000. 1995. Paulo: História do Pensamento Contábil. O Conselho Federal de Contabilidade (CFC). os quais foram atualizados em 1993 pela Resolução CFC º 750. Porto Alegre: CRC-RS. estabelecendo procedimentos para a contabilidade como: 1. Em 1981 a Resolução CFC nº 529 disciplinou as Normas Brasileiras de Contabilidade e a Resolução CFC nº 530 os Princípios Fundamentais de Contabilidade. 1. visando proporcionar interpretações uniformes das demonstrações contábeis. instituiu a primeira Lei das S/A. 58-91). física e de produtividade aos seus usuários.1 Objetivos da Contabilidade Contabilidade > sistema de informação e avaliação que visa o provimento de demonstrações e análises de natureza econômica.

permitindo inferências em relação ao futuro. d) linguagem inadequada nas demonstrações contábeis. As informações que não estiverem explícitas nas demonstrações. Usuários secundários são os administradores da entidade e o Fisco. A contabilidade é uma ciência social no que se refere às suas finalidades. Exemplo: Uma empresa faz a venda de um ativo. Informação de natureza econômica > deve ser considerada a visão do que seja econômico para a contabilidade (demonstração do resultado do exercício. b) limitações do próprio usuário. ajustes e emissões de relatórios.credores em geral e emprestadores de recursos. número de clientes numa empresa. como: receita bruta per capita.integrantes do mercado de capitais. a contabilidade deve seguir a essência ao invés da forma. Visando bem informar. Informação de natureza financeira > fluxos de caixa. etc. Os objetivos da contabilidade devem contribuir para o processo decisório dos usuários. reúne tanto o social quanto o quantitativo. etc. Obedecendo a essência ao invés da forma. capital e patrimônio). Usuários preferenciais ou externos são: . As empresas devem evidenciar ou divulgar todas aquelas informações que contribuem para a adequada avaliação de sua situação patrimonial e de resultados. quanto a metodologia de mensuração. assumindo o compromisso de efetuar sua recompra por um certo valor em determinada data. depósitos por cliente. muitas vezes não conseguem retratar a essência econômica. As informações de natureza física e de produtividade são complementares às demonstrações contábeis tradicionais. Informação de natureza de produtividade > se refere à utilização mista de conceitos de avaliação (financeiros) e quantitativos (físicos). c) baixa credibilidade por parte dos usuários. deve-se registrar na contabilidade uma operação de financiamento (essência) e não de compra de venda (forma). . . devem constar em Notas Explicativas ou Quadros Complementares. A não utilização da informação contábil ou utilização restrita pode ser resultado de: a) deficiências na estrutura do modelo informativo. capital de giro. mas. Usuário > pessoa física ou jurídica com interesse na avaliação da situação e evolução de uma entidade. devem ser observados dois pontos: 1. deve ser um instrumento útil à tomada de decisões. e . Informação de natureza física > complemento aos valores monetários (quantidades geradas de produto ou serviços. 2.acionistas. Antes. As informações de natureza financeira e econômica constituem o Núcleo Central da Contabilidade.13 Sistema de informação > conjunto organizado de dados. não se justificando por si mesma. Objetivo principal da contabilidade > permitir que os usuários avaliem a situação financeira e econômica da entidade e possam inferir sobre as tendências futuras da mesma. técnicas de acumulação.etc). A contabilidade tem íntimo relacionamento do com os aspectos jurídicos os quais. número de depositantes num banco. número de funcionários numa empresa. Para tal.

2 1. qualidade e características operacionais dos produtos. no entanto.os mercados eram perfeitamente delimitados e os preços relativamente estáveis. considerando-se as situações práticas vivenciadas.entidade como figura central da ação empresarial. tomadores de decisões. permite conhecer-se a posição de rentabilidade e financeira. Constituem o núcleo central da estrutura contábil.1 Cenários Contábeis Cenários Contábeis Primitivos O surgimento da contabilidade deu-se num cenário social. .mudanças rápidas na tecnologia. qualidade e características operacionais dos produtos.Restrições aos princípios contábeis fundamentais – Convenções Os postulados ambientais significam as condições sociais. . Os princípios são a resposta da disciplina contábil aos postulados. uma vez que por suas avaliações do progresso das entidades. 1. . A Revolução Industrial produziu o primeiro grande choque na contabilidade face a mudança de cenário. . caracterizado por: .2.2. A partir do Século XX.2 Cenário Modificado Vive-se atualmente o chamado cenário modificado.entidades comerciais e industriais apresentavam um desenvolvimento embrionário. Como metodologia.3 Princípios (Conceitos) Fundamentais de Contabilidade Os Princípios (Conceitos) Fundamentais de Contabilidade são classificados em três categorias: . . 1. É parcialmente quantitativa.14 Quanto as finalidades é social.a figura central da ação empresarial era o proprietário e não a entidade ou gerência. .mercados globalizados e preços relativamente instáveis. vem-se enfrentando novos cenários o que representa um grande desafio para a contabilidade. . oriundas do próprio ambiente social e econômico no qual as entidades estão operando.empreendimentos com duração normalmente muito longa. e de forma indireta auxilia os acionistas. econômica e institucional admitida pelos postulados. Procuram delimitar como a profissão deve se posicionar em relação à realidade social. 1. cujas principais características eram: . .Princípios contábeis propriamente ditos . As convenções ou restrições aos princípios representam os condicionamentos de aplicação dos princípios. econômicas e institucionais dentro das quais a contabilidade atua. .os empreendimentos tinham normalmente uma duração limitada. por materializar-se através da equação patrimonial básica (ATIVO = PASSIVO + PATRIMÔNIO LÍQUIDO). econômico e institucional denominado de primitivo.grande desenvolvimento das entidades de modo geral. investidores a aumentar a riqueza da entidade.Postulados ambientais da contabilidade . é parcialmente social uma vez que seus critérios de avaliação envolvem muitas vezes subjetividade e incerteza.avanços lentos na tecnologia.

. este significado não explica toda a dimensão do termo Entidade para a contabilidade. de toda natureza e fins. O entendimento da contabilidade e sua forma de atuação. cujos sócios são A. com aquelas. No caso de uma entidade. etc. o caminho a seguir. em vários períodos). esta vive em função daquelas. Os Teóricos da Contabilidade. b) Econômica > nessa dimensão a entidade se caracteriza como massa patrimonial. c) Organizacional > nessa dimensão a entidade pode ser considerada como um grupo de pessoas ou pessoa. lucro ou investimento). a entidade é um organismo vivo que irá viver (operar) por um longo período de tempo (indeterminado) até que surjam fortes evidências em contrário.” Através do Postulado da Continuidade. com mais especificidade. Nesse sentido. o exercício financeiro anual ou semestral é uma ficção que decorre da necessidade de conhecer-se o .” 1. requer o entendimento do pano de fundo de sua atuação.15 “Os Princípios representam a larga estrada a seguir rumo a uma cidade. etc. o mesmo contador poderia manter a contabilidade para as pessoas físicas dos sócios A. consideram o Postulado da Entidade dentro da dimensão tratada acima. Nesse sentido pode-se dizer que o Postulado da Entidade tem as seguintes dimensões: a) Jurídica > nessa dimensão a entidade é perfeitamente distinta dos sócios (separação cuidadosa do que é dos sócios e do que é da entidade). d) Social > nessa dimensão considera-se que a entidade pode ser avaliada não só pela utilidade que a si acresce. Na verdade quem deve enfrentar o cenário são as entidades e não a contabilidade.4 1. as entradas.. Tratam-se de quatro entidades distintas. está procurando acompanhar a evolução do seu patrimônio líquido e não dos seus sócios. para efeito contábil. encara-se a entidade como algo capaz de produzir riqueza e gerar valor continuadamente.2 Postulado da Continuidade das Entidades Enunciado: “Para a contabilidade. investimentos e distribuições (abertura de centros de custo.). As Convenções seriam os sinais ou placas indicando. mas com grandes relacionamentos de interesse. exercendo controle de receitas e despesas..” A contabilidade procura manter registros separados para cada entidade. B e C. saídas.1 Postulados Ambientais da Contabilidade Postulado da Entidade Contábil Enunciado: “A contabilidade é mantida para as entidades. além do estudo do seu processo operacional interno deve-se entender o ambiente dentro do qual atuam. cabendo à contabilidade acompanhar sua evolução qualitativa e quantitativa (comparação da situação patrimonial da entidade. Porém. como um todo. B e C. isto é. o contador ao manter a contabilidade para a mesma.4.4. No entanto. Empresa ABC Ltda. os sócios ou quotistas destas não se confundem. Por outro lado. os desvios. sem interrupções. 1. em geral. as entidades. e para captar a essência operacional destas. bem como pela sua contribuição no campo social (comentários em notas explicativas sobre programas de complementação de aposentadoria.

“A verdadeira natureza íntima da contabilidade consiste.” Por último cabe concluir que “ a Entidade em Continuidade é a premissa básica da contabilidade”.16 andamento do empreendimento de tempos em tempos.. uma vez que as mesmas não estão “em marcha”.1 Princípio do custo como base de valor Enunciado: “. expresso em termos de moeda de poder aquisitivo constante. para quem os doou.. no entanto. têm continuidade fluidificante. é conseqüência do Postulado da Continuidade. considera tal possibilidade somente quando há fortes e claras evidências de sua ocorrência. Uma conseqüência imediata desse postulado é a consideração de que os ativos da entidade não são mantidos para que sejam vendidos no estado em que se encontram. Em tais situações. aplicando-se todos os princípios contábeis como definidos a seguir. . basicamente. Antes de tal reconhecimento. No caso de doações de ativos. no confronto entre sacrifícios (mensurados por custos) e realizações (mensuradas por valores de venda). Porém. produzirem receitas superiores às despesas (consumo de ativos para produzir receitas). como já foi visto. gerando um resultado positivo ou gerando serviços ou benefícios para a coletividade (entidades de fins não lucrativos). 1.O custo de aquisição de um ativo ou dos insumos necessários para fabricá-lo e colocá-lo em condições de gerar benefícios para a entidade representa a base de valor para a contabilidade. Os princípios constituem o núcleo central da doutrina contábil. atuando num cenário marcado pela complexidade. Em princípio a contabilidade não desconhece a possibilidade de descontinuidade. 1. desde que tenham todas as evidências a respeito da mesma. Isso significa que os ativos. os Princípios Contábeis Fundamentais não se aplicam às essas entidades. devidamente manipulados pela mesma. originalmente. A avaliação usual dos ativos pelo custo (valor de entrada).. a entidade deve ser considerada em continuidade.5 Os Princípios propriamente ditos Os princípios fornecem as linhas filosóficas de resposta da contabilidade aos desafios do sistema de informação contábil. enquanto em estoque (em seu estado original ou nos estoques de produtos em fabricação e acabados).” Trata-se do mais antigo princípio de contabilidade e é considerado dentro da Teoria da Contabilidade como uma conseqüência direta do Postulado da Continuidade.5. devem ser avaliados por algum tipo de custo. os mesmos devem ser registrados pelo custo que custaram. mas para. Os auditores independentes devem fazer constar em seu relatório (parecer) o perigo de descontinuidade. As operações produtivas da entidade. ao nível de Postulados.

quando produtos ou serviços produzidos ou prestados pela entidade são transferidos para outra entidade ou pessoa física com a anuência destas e mediante pagamento ou compromisso de pagamento especificado perante a entidade produtora. não reunia as condições para ser considerado um padrão de mensuração afiançável. no entanto. A rigor. praticabilidade e objetividade. a contabilidade é um permanente exercício de busca do equilíbrio entre estas três variáveis. pelo denominador comum monetário. Princípios e Convenções igualmente deve ser levado em conta na escolha da hipótese. Sabe-se que o processo produtivo adiciona valor aos fatores manipulados de forma contínua.5. Por exemplo: diferentes etapas na execução de um processo de produção. No decorrer do tempo. Isso ocorre porque o processo produtivo nem sempre é linear. com possíveis reflexos na área do direito. Na verdade. 1.” Esse princípio traduz a dimensão financeira da contabilidade.” A contabilidade deve se preocupar com a objetividade e consistência em seus princípios e procedimentos. Portanto. para base de registro para a contabilidade deve prevalecer o valor de entrada. pois a mesma deve tratar de homogeneizar. embora a . para o usuário das demonstrações contábeis. devido a diversos fatores (desgaste físico.2 Princípio do denominador comum monetário Enunciado: “As demonstrações contábeis. As hipóteses de avaliação com base nos valores de entrada são várias devendo-se considerar aquela capaz de maximizar a função contábil que se compõe das variáveis: relevância... isto é. passível de registro pela Contabilidade. o valor registrado tende a perder parte de sua validade. podem adicionar valor não proporcional ao tempo decorrido na etapa e mesmo ao custo.17 Também é aceito admitir-se como base de valor para doações de ativos. O valor da transação pode ser considerado uma aproximação razoável do que se considera o valor econômico de um ativo por ocasião da transação. não deveria sofrer alterações em sua essência. o que leva a pensar-se que seria melhor considerar o custo original (histórico) como base de registro inicial e não como base de valor. sua avaliação deve ser feita em moeda corrente do País.3 Princípio de realização da receita Enunciado: “A receita é considerada realizada e. sem prejuízo dos registros detalhados de natureza qualitativa e física. O período inflacionário vivido no Brasil até pouco tempo. a não ser no exato momento da transação. no mercado de novos ou usados. 1. mudanças tecnológicas. flutuações do poder aquisitivo da moeda.). o valor adicionado. obsolescência.5. Esse padrão de mensuração (moeda). portanto.. ativos e passivos que apresentam natureza bastante diferenciada entre si.. serão expressas em termos de moeda nacional de poder aquisitivo da data do último Balanço Patrimonial. existem vários valores considerados como de entrada. como estimador do valor econômico. o preço que seria pago por um bem no mesmo estado de conservação. porém não se pode de forma objetiva escolher pontos ao acaso e sempre determinar com grau de confiança aceitável. etc. O conjunto de Postulados. se existir.

necessariamente não é proporcional ao esforço realizado ou custos incorridos no mesmo período. Segundo vão se acumulando as horas. Tal atitude tem os seguintes inconvenientes: a) o mercado. O que se faz. os ativos figuram nos registros pelos seus valores de entrada (custo original) até o “sacrifício” dos mesmos no esforço de gerar receita. deve ser com valores de entrada. mas diretamente proporcional ao tempo transcorrido ou horas gastas no serviço. 1. que em atendimento ao Postulado da Continuidade. que estão relacionados ao decurso de determinado período de apropriação contábil através de contrato. significando uma utilização indevida dos princípios de contabilidade. A receita é dada pelo valor de “saída”. Cabe destacar. em geral as horas de serviço acumuladas no mês ou período de apuração contábil indicam a base para o faturamento da receita ao cliente.3. portanto. por exemplo. antes da transferência ao cliente. Normalmente este ponto coincide com o momento da venda. ainda. de modo geral.1 Receitas a serem reconhecidas proporcionalmente a certo período contábil já decorrido Existem determinados serviços. uma parcela da receita total (do serviço total) em termos proporcionais ao período ou evento decorrido. c) também nesse ponto já são conhecidos todos os custos de produção do referido produto ou serviço transferido. o confronto. não esperando até o final para reconhecimento total.. Procede-se dessa forma na contabilidade. porém o montante destas é conhecido ou estimável já no ato da transferência. empréstimos. Tais despesas normalmente são pagas após a transferência. Essas três condições determinam quando uma receita pode ser reconhecida na contabilidade da entidade. O valor da receita a reconhecer. Este período normalmente é mensal. aluguéis. Na verdade o serviço é prestado continuamente. b) nesse ponto conhece-se com mais exatidão e objetividade o valor de mercado (da transação) para a devida transferência. Na prestação de serviços de consultoria e de auditoria. como: comissões sobre vendas. . aquele em que há transferência de produtos ou serviços ao cliente. só considera que “deu seu veredito” sobre o valor da transação quando esta se completa. o tempo transcorrido ou as horas de esforço que foram aplicadas. Muitas vezes há a tendência de avaliação dos estoques de produtos ou serviços a valores de mercado. etc. b) muitas vezes este reconhecimento da receita tem por objetivo favorecer esta ou aquela configuração de resultados. é reconhecer em cada um destes períodos. porque: a) a transferência do produto ou serviço em geral é concretizada quando todo ou praticamente todo o esforço para obtenção da receita já foi realizado. De qualquer forma. de uma só vez. vai também crescendo a receita numa base contínua de tempo decorrido. constituem o fator preponderante para reconhecimento da receita em períodos menores que o lapso de tempo necessário para completar o contrato ou serviço. O Princípio de realização da receita adota como ponto normal para reconhecimento e registro da receita na contabilidade da empresa. em que se caracteriza este fluxo de serviço. bem como outras despesas ou deduções da receita associáveis aos mesmos. até o encerramento do contrato. etc.5.18 proporcionalidade entre custos incorridos e receita-valor gerado tem sido usada em certos casos. despesas com consertos ou reformas em decorrência da garantia concedida. independente dos interesses de ordem fiscal.

do que pela venda de entrega do bem. ou b) aos custos incorridos no período de apuração. com adequado grau de probabilidade.2 Produtos cuja produção é contratada para execução a longo prazo Nos casos de produção sob encomenda com prazo de fabricação longo (navio por exemplo). deduz-se as despesas para sua venda como produto final. Justifica-se tal comportamento. 1. dividindo-se os custos incorridos no mesmo pelos custos totais estimados do produto. Se o produto estiver totalmente acabado. de várias entidades que atuam no mesmo ramo. considerando-se que certamente os acionistas poderiam discordar de demonstrações contábeis que não revelassem nenhum lucro num exercício em que foi empregado muito esforço e gastos muitos recursos para obtenção de uma parte do acabamento do contrato total que permitirá um lucro final. produtoras de vinho. c) os custos necessários para completar a produção podem ser razoavelmente bem estimados. durante o transcurso do exercício financeiro (no final do período de apuração contábil) uma parcela da receita proporcional: a) às etapas físicas de construção completadas (grau de acabamento). Apura-se a receita a ser reconhecida em determinado exercício. lapidação de metais e pedras preciosas). sendo o resultado multiplicado pela receita de venda do produto completo o que resulta na receita a ser apropriada. é aplicado ao preço do produto totalmente acabado. é mais conveniente reconhecer. e em que o risco de não venda praticamente não existe (mineração.5.3 Reconhecimento da receita antes da transferência por valoração de estoques Existem produtos que têm um processo de produção que reúne características especiais. os quais se pode. Entidades que produzem produtos de longo período de maturação ou acabamento. b) a incerteza quanto ao recebimento em dinheiro da transação é mínima ou a mesma pode ser bem estimada.).3. tanto do ponto de vista teórico como prático. b) o processo para obtenção de lucro nessa atividade se caracteriza mais pela atividade física de nascimento. da mesma maneira. Em se tratando de etapa física de acabamento. . crescimento. em circunstâncias bem determinadas. envelhecimento ou outra. e outros cujo valor de mercado é possível determinarse prontamente. calcula-se um percentual em relação ao grau de acabamento total que. reconhecer receita antes do ponto de transferência ao cliente. quando objetivamente determinável. A escolha do critério deve obedecer conceitos teoricamente sustentáveis.19 1. deduzindo-se por estimativa o montante necessário para o acabamento e suporte de todas as despesas e custos a incorrer para venda efetiva do produto. especialmente se considerar-se a comparabilidade por parte do usuário externo.3. observando as seguintes condições: a) o preço total do produto é determinado por contrato ou por correção contratual de seu preço atual.5. mineradoras. através de amplo consenso do mercado sobre o valor dos mesmos. etc. devem reconhecer a receita em proporção aos fatores considerados. observando-se as condições a seguir: a) os estoques existentes no final do período contábil são avaliados com base no valor de realização naquele momento. como crescimento natural ou acréscimo de valor vegetativo (entidades agropecuárias.

em ordem decrescente: a) os que puderem ser comprovados por documentos e critérios objetivos..5. b) parte dos gastos do departamento de pesquisa e desenvolvimento que superar o montante necessário para o funcionamento do mesmo.5. realizados em determinado período e que não puderam ser associados à receita do período nem às dos períodos futuros. toda e qualquer despesa ou perda ocorrida num determinado período.” . É importante ressaltar que todos aqueles gastos que foram diferidos e que não vierem a gerar receitas. ou parte do ativo. independentemente da quantidade de projetos em execução. deve ser confrontada com as receitas reconhecidas no mesmo período ou a ele atribuídas. Nestas circunstâncias. um determinado ativo ser recebido em troca de uma venda realizada. 1. terão seus valores descarregados como perda no período em que se confirmar a impossibilidade da geração de receita ou desmobilização do projeto. com exceção de: a) gastos de períodos em que a empresa é total ou parcialmente pré-operacional. transfere-se o custo do ativo vendido para o ativo recebido em troca e quando esse último for vendido.4 Reconhecimento da receita após o período de transferência do produto ou serviço É possível reconhecer-se a receita após o ponto de transferência em alguns casos excepcionais como. reunidas em comitês de pesquisa ou em entidades que têm autoridade sobre princípios contábeis.6 Convenções Contábeis (restrições aos Princípios) Constituem um complemento dos Postulados e dos Princípios na medida em que lhes delimita os conceitos..20 1... Portanto. b) os que puderem ser corroborados por consenso de pessoas qualificadas da profissão. preferir-se-ão.4 Princípio do confronto das despesas com as receitas e com os períodos contábeis Enunciado: “Toda despesa diretamente delineável com as receitas reconhecidas em determinado período. por exemplo.” A base de confronto são as receitas reconhecidas (ganhas) e as despesas incorridas (consumidas) no período. Este princípio e o princípio de realização da receita em seu conjunto são conhecidos por Regime de Competência.1 Convenção da Objetividade Enunciado: “Para procedimentos igualmente relevantes. atribuições e direções que devem ser seguidos. 1. o qual não tem valor reconhecido de mercado.3. comece a gerar receitas. deverão ser descarregados como despesa do período em que ocorrerem. 1. com as mesmas deverá ser confrontada. reconhece-se um resultado. os consumos ou sacrifícios de ativos (atuais ou futuros).6. Estes gastos são normalmente ativados e começam a ser amortizados como despesa a partir do exercício em que a empresa. resultantes da aplicação dos Princípios.

21 Em obediência a esta convenção. selecionando os procedimentos de mensuração adequados. normalmente são mais materiais. pode levá-lo a cometer um sério erro na avaliação do empreendimento e de suas tendências. determinada cifra ou informação é material na medida em que se não evidenciada ou mal evidenciada. que em cerca de 12% dos casos apresentam-se pequenos erros. a contabilidade é a que tenderia. É relativamente difícil julgar sobre a materialidade ou não de uma cifra. o fato de se verificarem em 12% dos registros pode significar a existência de alguma falha grave no sistema o que os torna relevantes do ponto de vista da auditoria e de controle interno. dentre várias disciplinas que avaliam.3 Convenção do Conservadorismo Enunciado: “Entre conjuntos alternativos de avaliação para o patrimônio. Os valores correspondentes a receitas e despesas operacionais.6. do que possíveis ganhos e perdas ou efeitos de exercícios anteriores. “Materialidade não significa desprezo pelo detalhe em si. 3.. o valor de uma empresa. Mesmo que o valor dos erros é de pequena monta.2 Convenção da Materialidade Enunciado: “ O contador deverá. para efeitos de avaliação de tendência. As cifras oriundas de mudanças de critérios usados no passado são consideradas materiais com relação à avaliação do usuário. sempre. 1.6.” No que se refere ao usuário da informação contábil. o conceito da materialidade sempre considerará uma alta dose de julgamento e de bom senso do contador. deve ser entendido sob dois aspectos: 1. a fim de que as demonstrações contábeis sejam tão confiáveis quanto possível. por exemplo. segundo os Princípios Fundamentais. Quanto ao usuário externo. Operacional que se refere ao fato de que considerados os amplos graus de julgamento que a aplicação dos Princípios permite empregar. 2.. pelo menos em parte. se esse estiver encobrindo problemas maiores. 2. Exemplo: Analisando-se as contas a receber constata-se. 1. consideradas as mesmas condições. segundo o qual. Vocacional e histórico da profissão. igualmente válidos. b) a eventos que afetam apenas um exercício. No âmbito interno. serão mais ou menos materiais quando se referirem: a) a eventos que refletem tendências do empreendimento.” Naturalmente. Alguns critérios poderiam ser: 1. é material o procedimento ou cifra que se não for processado.” O conservadorismo ou prudência em contabilidade. a contabilidade escolherá o que apresentar o menor valor atual para o ativo e o maior para as obrigações.. em cada situação. A evidenciação é necessária nesses casos. levando em conta aspectos internos do sistema contábil. a apresentar o menor valor. prejudica a qualidade e confiabilidade do sistema de informação e do próprio controle interno. a evidenciação ou não de determinada cifra e a correta adoção ou não dos princípios contábeis. os contadores devem decidir em relação ao atributo ou evento que será mensurado. avaliar a influência e materialidade da informação evidenciada ou negada para o usuário à luz da relação custobenefício. a contabilidade tende .

a essência da transação deve prevalecer sobre seus aspectos formais (essência x forma). são: 1. que seja material se faz necessária. a Resolução CFC nº 750 que dispõe sobre os Princípios Fundamentais de Contabilidade. essa deve ser evidenciada em notas explicativas e seus efeitos. da Atualização Monetária 6.. o que exige um sólido conhecimento de teoria. em cada situação. por parte do contador. Ressalta-se que se uma mudança de procedimento. Em se tratando de avaliação de tendência do empreendimento..4 Convenção da Consistência Enunciado: “A contabilidade de uma entidade deverá ser mantida de forma tal que os usuários das demonstrações contábeis tenham possibilidade de delinear a tendência da mesma com o menor grau de dificuldade possível. tornando obrigatória sua observância no exercício profissional e constituindo condição de legitimidade das Normas Brasileiras de Contabilidade. da Competência 7. tanto em relação ao balanço quanto aos resultados. da Entidade 2. para garantir a utilização dos mesmos procedimentos na maior seqüência possível de exercícios. para este possa escolher o melhor conjunto de procedimentos.22 a escolher a menor das avaliações igualmente relevantes para o ativo e a maior para o passivo. e sim considerar o aspecto de resguardo e neutralidade que a contabilidade deve apresentar. O Conselho Federal de Contabilidade emitiu em 29/12/93. Igualmente ressalta que na aplicação destes princípios a situações concretas. da Continuidade 3. É difícil estabelecer regras precisas e matemáticas em relação à consistência e materialidade.6. do Registro pelo valor original 5. é fundamental que a consistência exista nos períodos abrangidos pelas demonstrações.” O contador deverá refletir muito antes de decidir pela adoção de determinado procedimento de avaliação. da Prudência . Não se deve pensar em manipulação dos resultados contábeis. devem ser mensurados e bem enunciados. Segundo o CFC os Princípios Fundamentais de Contabilidade. da Oportunidade 4. 1.

análises. busca. Fundamenta-se na veracidade. evolução. pela compreensão do estado em que se encontra a Entidade. listagens. autoridades governamentais. na sua condição de ciência social. e revestir-se de atributos indispensáveis como: Confiabilidade Permite ao usuário aceitar a informação e utilizá-la como base de decisões. empregados. etc. Associações e Sindicatos. A veracidade exige que não contenham erros ou vieses e sejam elaboradas em consonância com os PFC e NBC. controladores. As informações geradas pela contabilidade devem oferecer aos usuários segurança nas suas decisões. descrições críticas. a geração de informações quantitativas e qualitativas sobre ela. cujo objeto é o Patrimônio. Usuários Pessoas físicas ou jurídicas com interesse na Entidade. Atributos da Informação Contábil A informação contábil deve ser veraz e eqüitativa. A informação contábil. meios de comunicação. escrituração ou registros permanentes e sistemáticos. planilhas. riscos e oportunidades que oferece. eventual sumarização. fornecedores e demais credores. análise e relato das mutações sofridas pelo patrimônio da Entidade. prognósticos. expressas tanto em termos físicos quanto monetários.23 Tema 3 NORMAS BRASILEIRAS DE CONTABILIDADE / CONTABILIDADE NO MERCOSUL A – Normas Brasileiras de Contabilidade Resolução CFC nº 785 de 28/07/95 “ NBC T 1 – Das características da informação contábil” 1 Conceito e Conteúdo A contabilidade. financiadores. acionistas ou sócios. 1. 2. quantificação. A completeza exige que a informação compreenda todos os elementos relevantes sobre o que pretende revelar ou divulgar. de forma permanente ou transitória. clientes. por meio da apreensão. para satisfazer necessidades de grande número de usuários.. registro. investidores presentes ou potenciais. notas explicativas. público em geral. livros. laudos. pareceres. previsões.... como transações. que se utilizam das informações contábeis desta para seus próprios fins. seu desempenho. completeza e pertinência do seu conteúdo. classificação. diagnósticos. A informação contábil se expressa através de demonstrações contábeis. administradores da própria entidade. . demonstração. mapas. São: integrantes do mercado de capitais. demonstrações. especialmente a contida nas demonstrações contábeis deve permitir revelação suficiente sobre a Entidade. documentos.

análises e mapas demonstrativos e demonstrações contábeis são de atribuição e responsabilidade exclusivas de Contabilista legalmente habilitado. Caso contrário. Presume-se que o usuário tenha conhecimento de contabilidade e dos negócios e atividades da Entidade. com ausência de espaços em branco. Estas devem promover o entendimento integral da informação contábil. admitindo-se o uso de palavras em outro idioma no caso de manifesta inexistência de palavra com significado idêntico na língua portuguesa. . Resolução CFC nº 563 de 28/10/83 “ NBC T 2 – Da escrituração contábil 1 Formalidades da Escrituração Contábil A Entidade deve manter um sistema de escrituração uniforme dos seus atos e fatos administrativos. A manutenção da comparabilidade não deve constituir elemento impeditivo da evolução qualitativa da informação contábil. Compreensibilidade A informação contábil deve ser exposta ao usuário na forma mais compreensível possível. numa Entidade ou em diversas Entidades. A escrituração contábil e emissão de relatórios. A terminologia usada deve expressar o verdadeiro significado das transações. Comparabilidade Deve permitir que o usuário conheça a evolução de determinada informação ao longo do tempo. A concretização da comparabilidade depende da conservação dos aspectos substantivos e formais das informações. Diz respeito à clareza e objetividade com que a informação é divulgada. Pode-se usar códigos ou abreviaturas no histórico dos lançamentos. na sua falta. a periodicidade deve ser mantida. sobrepondo-se a quaisquer outros elementos. emendas ou transportes para as margens. com base em documentos de origem externa ou interna ou. Nas informações preparadas e divulgadas sistematicamente (demonstrações contábeis). divulgar razões junto com a própria informação. em ordem cronológica de dia. em forma contábil. entrelinhas. mecanizado ou eletrônico. em elementos que comprovem ou evidenciem fatos e a prática de atos administrativos. ou a situação destas num momento dado.24 A pertinência requer que o seu conteúdo esteja de acordo com a respectiva denominação ou título. através de processo manual. rasuras. borrões. mês de ano. Tempestividade A informação contábil deve chegar ao conhecimento do usuário em tempo hábil para que possa utilizá-la para seus fins. peças. abrangendo elementos de natureza formal (organização espacial e recursos gráficos empregados) e redação e técnica de exposição utilizadas. As informações contábeis devem ser expressas no idioma nacional. para habilitar-se a entender as informações. desde que se proponha a analisá-las. A escrituração deve ser executada em idioma e moeda corrente nacionais. desde que permanentes e uniformes.

Estrutura e Nomenclatura das Demonstrações Contábeis (Res. 2. exclusivamente. Conteúdo. CFC nº 686 de 14/12/90) As demonstrações contábeis são extraídas dos livros.1 Balanço Patrimonial O Balanço Patrimonial é a demonstração contábil destinada a evidenciar. 2. A documentação contábil é hábil quando revestida de características intrínsecas e extrínsecas essenciais. que apoiam ou compõem a escrituração contábil. e os correspondentes custos e despesas. e devem especificar sua natureza. numa determinada data. ou externa. 2. definidas na legislação. papéis. a movimentação das contas que integram o patrimônio líquido da Entidade. Documentação Contábil (Res. num determinado período. . quando proveniente de terceiros.25 As demonstrações contábeis de encerramento do exercício serão transcritas no Diário acompanhadas da assinatura do Contabilista e titular ou representante legal da Entidade. O Diário e o Razão constituem os registros permanentes da Entidade. livros. o Patrimônio e o Patrimônio Líquido da entidade. É de origem interna quando gerada na própria Entidade. num determinado período. A Entidade é obrigada a manter em boa ordem a documentação contábil. registros e outras peças. quantitativa e qualitativamente. as modificações que originaram as variações no capital circulante líquido da Entidade. A atribuição e responsabilidade técnica do sistema contábil da Entidade cabe. ao contabilista registrado no CRC. CFC nº 597 de 14/06/85) A documentação contábil compreende todos os documentos.2 Demonstração do Resultado A demonstração do resultado é a demonstração contábil destinada a evidenciar a composição do resultado formado num determinado período de operações da Entidade. 2. Evidenciará a formação de vários níveis de resultados mediante confronto entre as receitas. As demonstrações contábeis devem obedecer os PFC. 2. data e/ou período e Entidade a que se referem.3 Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados A demonstração de lucros ou prejuízos acumulados é a demonstração contábil destinada a evidenciar. as mutações nos resultados acumulados da Entidade. registros e documentos que compõem o sistema contábil de qualquer tipo de Entidade.5 Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos A demonstração das origens e aplicações de recursos é a demonstração contábil destinada a evidenciar. 2 Conceito. num determinado período. 1. na técnica contábil ou aceita pelos usos e costumes.4 Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido A demonstração das mutações do patrimônio líquido é a demonstração contábil destinada a evidenciar.

O Tratado de Assunção prevê o livre trânsito de pessoas.26 3. CFC nº 732 de 22/10/92) Estabelece as regras de avaliação dos componentes do patrimônio de uma entidade com continuidade prevista nas suas atividades. Avaliação Patrimonial (Res. Divulgação das Demonstrações Contábeis (Res. legal . Em novembro de 1993. Os de moeda estrangeira. aos seus usuários. A nova divulgação das DC. física e social. Associaram-se ao MERCOSUL o Chile em 10/96. os organismos profissionais representantes da AIC (Associação Interamericana de Contabilidade). denominada de republicação. As notas explicativas são parte integrante das demonstrações contábeis. financeira.CFC nº 737 de 27/11/92) A divulgação das demonstrações contábeis tem por objetivo fornecer. financeira. Colômbia. o qual visa tratar das seguintes questões: o livre exercício da profissão contábil no MERCOSUL. B . tecnologia. legal. dos países que integram o MERCOSUL.A Contabilidade no Mercosul 1 Introdução O MERCOSUL (Mercado Comum do Sul) é composto por Brasil. Economia e Administração). educação e de comunicações. . complementares e/ou suplementares àquelas não suficientemente evidenciadas ou não constantes nas DC propriamente ditas. bem como os critérios utilizados na elaboração das DC e eventos subseqüentes ao balanço. à taxa de câmbio da data da avaliação. um conjunto mínimo de informações de natureza patrimonial. Incluem informações de natureza patrimonial. Argentina. ocorre quando as demonstrações publicadas anteriormente contiverem erros significativos e/ou quando não foram divulgadas informações relevantes para o seu correto entendimento ou que sejam consideradas insuficientes. 4. fiscal. Equador. estudo dos principais aspectos da formação e habilitação profissional. pelo Tratado de Assunção. econômica. física e social que lhes possibilitem o conhecimento e a análise da situação da Entidade. monetária. Devem conter informações relevantes. de transportes. Paraguai e Uruguai e foi formalizado em 26 de março de 1991. Os componentes do patrimônio são avaliados em moeda corrente nacional. econômica. alfandegária. industrial. Peru e Venezuela em 04/98. bem como o intercâmbio cultural e harmonização das legislações. serão convertidos ao valor da moeda nacional. a coordenação de políticas macroeconômicas e das políticas setoriais de comércio exterior. agrícola. constituíram um GRUPO DE TRABALHO denominado GIMCEA (Grupo de Integração do MERCOSUL em Contabilidade. a Bolívia em 01/97 e a CAN (Comunidade Andina) formada por Bolívia. possíveis alternativas para a harmonização de normas contábeis e de auditoria.

. No Uruguai. Os Conselheiros elegem o Presidente e demais membros da Diretoria. Sindicatos. com sede nas capitais dos Estados. coordena e congrega todos os Conselhos Regionais de Contabilidade. com mandato de 4 anos. também foram criados pelo mesmo DL com as finalidades de registro e fiscalização do exercício da profissão de Contabilista. Associações Profissionais. O Brasil é o único país que possui profissionais de nível médio (Técnico em Contabilidade). A participação de cada profissão de ciências econômicas no Conselho é proporcional ao número de inscritos em cada matrícula. a profissão não está regulamentada e os profissionais são congregados no Colégio de Contadores e Economistas do Uruguai. eleitos por um colégio eleitoral composto de um delegadoeleitor de cada CRC. eleitos pelo sistema de eleição direta. sendo subordinados ao CFC. com voto pessoal. No Paraguai a profissão não está regulamentada e não há obrigatoriedade de registro em órgão de classe. podendo ser reeleitos por igual período. eleitos diretamente por voto secreto e obrigatório pelos profissionais matriculados. O mandato dos membros do Plenário e respectivos suplentes é de 4 anos. alternadamente por 2/3 e por 1/3. com mandato de 4 anos. O CRC é composto de 15 Conselheiros efetivos e 15 Suplentes. Atualmente são 27 Conselhos Regionais. sendo 2/3 Contadores e 1/3 Técnicos em Contabilidade.27 2 A profissão contábil nos países do MERCOSUL No Brasil. 2. renovando-se sua composição de 2 em 2 anos. secreto e obrigatório. O controle do exercício profissional é exercido pelos Conselhos Profissionais de Ciências Econômicas. 2. Os Conselhos são compostos por 15 membros. O Conselho Federal de Contabilidade (CFC) foi criado pelo Decreto-Lei nº 9. Confederação.1 Brasil Os órgãos da classe contábil no Brasil são: Conselhos. Federações. todos com mandato de 2 anos. O CFC é composto por 15 Conselheiros efetivos e 15 suplentes.2 Argentina O profissional da contabilidade na Argentina é denominado de Contador Público e a profissão está regulamentada desde 23/05/73.295 de 27/05/46. a profissão de contador tem completa autonomia. formando o Sistema Nacional de Registro e Fiscalização do Exercício da Profissão Contábil. tem regulamentação profissional e Conselho próprio (Conselho Federal e Conselhos Regionais de Contabilidade) Na Argentina há o título de Contador Público o qual faz parte do Conselho Profissional de Ciências Econômicas ou Colégio de Graduados em Ciências Econômicas. Os Conselhos Regionais de Contabilidade. Institutos e Academias.

Resoluções emitidas pela CVM.1 Brasil As entidades que lidam com Normas Contábeis são: Conselho Federal de Contabilidade (CFC) Instituto Brasileiro de Contadores (IBRACON) Comissão de Valores Mobiliários (CVM) Banco Central do Brasil (BCB) Secretaria da Receita Federal (SRF) - 3.802/60 prevê a atuação do Contador Público em certificações de balanços. Os dirigentes do Colégio são eleitos por voto secreto o qual não é obrigatório. O mandato dos membros é de 2 anos. A Lei 12. Não é obrigatória a matrícula na entidade para fins de exercício profissional. Lei das Sociedades Anônimas. Em 1993. 3 Normas e práticas contábeis nos países do MERCOSUL 3. que acolhe também os Administradores. Contábeis e Administrativas. No Paraguai não há exigência de registro profissional. prestações de contas ou relatórios contábeis apresentados perante organismos públicos.1. Resoluções emitidas pelo Banco Central. É considerada insuficiente como elemento de regulamentação da profissão.3 Paraguai A profissão contábil no Paraguai está prevista na Lei 371 de 06/12/72 que regulamenta o exercício profissional dos graduados em C.4 Uruguai A profissão de Contador Público não está regulamentada.1 Principais Normas Contábeis Legais Código Comercial . Regulamento do Imposto de Renda - . fundado em 09/06/1916. Lei nº 4320. 2.28 2. 17 de março de 1964 (para entidades públicas). 15 de dezembro de 1976. Os contadores estão congregados no Colégio de Contadores do Paraguai. nº 6404. A matrícula no Colégio de Contadores é facultativa. 25 de junho de 1850. A entidade que congrega os contadores no Uruguai é o Colégio de Contadores e Economistas do Uruguai. o Decreto 240. estabeleceu a obrigatoriedade de os balanços apresentados perante organismos públicos terem pareceres de auditores independentes.

Comissão Nacional de Valores . Resolução do BCRA.4 Uruguai As entidades que lidam com normas contábeis são: Colégio de Contadores e Economistas Banco Central Instituto Nacional de Carnes Ministério de Economia e Finanças Comissão Permanente de Normas Contábeis Adequadas - 3. Resolução º 195/92 da CNV. no entanto.Banco Central 3.Colégio de Contadores .2 Argentina Com a criação em 1973 da Federação Argentina de Conselhos Profissionais de Ciências Econômicas.1 Principais Normas Contábeis Legais Lei do Comerciante que revogou o Código de Comércio Lei Geral de Bancos e de outras Entidades Financeiras Legislação para Seguradoras Legislação do Mercado de Capitais Lei do Imposto de Renda - 3.4.1 Principais Normas Contábeis Legais Código Comercial de 1859.3 Paraguai As entidades que lidam com normas contábeis são: .2. esta passou a emitir normas contábeis. As entidades que lidam com normas contábeis são: Federação Argentina de Conselhos Profissionais de Ciências Econômicas Federação Argentina de Graduados em Ciências Econômicas Comissão Nacional de Valores Bolsa de Comércio de Buenos Aires Banco Central da República Argentina Inspeção Geral da Justiça Superintendência de Seguro da Nação Instituto Nacional de Ação Cooperativa Instituto Nacional de Obras Sociais - - 3. outros órgãos que emitem normas contábeis de caráter geral. Resolução do IGJ - 3. 1991 Circular 1070/81 do Banco Central .3.29 3.1 Principais Normas Contábeis Legais Código Comercial de 1866 Lei das Sociedades Comerciais de 1989 Legislação do Imposto de Renda. Existem. Lei do Imposto de Renda. Lei das Sociedades Comerciais 19550/72.

quantitativa e qualitativamente.se for o caso. Os contadores públicos são congregados no Colégio de Contadores do Paraguai. a participação minoritária em sociedades controladas. 3. A Federação Argentina de Conselhos Profissionais de C. PARAGUAI Demonstração da Situação Patrimonial URUGUAI Demonstração da Situação Patrimonial CONCEITO DC destinada a evidenciar.5 Considerações sobre os sistemas contábeis no MERCOSUL 3.2 Argentina O profissional da contabilidade denomina-se Contador Público. CONCEITO CONCEITO Apresenta em forma sintética a situação econômica. Os contadores públicos estão congregados no Colégio de Contadores e Economistas do Uruguai.5.5. sendo a matrícula voluntária. não há obrigatoriedade de matrícula em entidade de classe para o exercício profissional.5. quantidade e origem dos recursos econômicos da sociedade na data de encerramento do período informado. Os CRCs tem por finalidade registrar e fiscalizar o exercício profissional e estão subordinados ao CFC que além de ser o órgão máximo da profissão é responsável pela emissão das NBC (P e T). patrimonial e financeira da entidade em um determinado momento. ESTRUTURA ATIVO Circulante Realizável a L/P Permanente ESTRUTURA ATIVO Corrente Não-Corrente ESTRUTURA ATIVO Corrente Não-Corrente ESTRUTURA ATIVO Corrente Não-Corrente .Líquido. Expõe a natureza. sendo a profissão regulamentada por lei abrangendo as Ciências Econômicas em geral. 3. e. O Colégio de Contadores elabora as normas contábeis mas não dispõe de poder para fazer cumpri-las. Os Conselhos Profissionais de C.5. Econômicas elabora as normas contábeis profissionais e técnicas.30 3. Somente os contabilistas 9 Técnicos em Contabilidade e Contadores) registrados no CRC podem exercer a profissão. Não é obrigatória a matrícula na entidade para o exercício profissional bastando a formação superior em Contabilidade. o Patrimônio da entidade. Econômicas controlam o exercício da profissão. Somente os titulares de diploma universitário na área e matriculados no Conselho Profissional podem exercer a atividade profissional.1 Brasil A profissão contábil está regulamentada por força de lei.4 Uruguai A profissão não está regulamentada.3 Paraguai A profissão não está regulamentada. o Passivo e o Patr. 3. numa determinada data. O requisito para exercer a profissão é ter formação superior em contabilidade. o qual também acolhe os administradores. 4 Conceito e estrutura do Balanço Patrimonial BRASIL Balanço Patrimonial ARGENTINA Demonstração da Situação Patrimonial ou Balanço Geral CONCEITO Esta demonstração mostra o Ativo.

direitos que foram adquiridos pela entidade como resultado de alguma transação corrente ou passada”. Futuros PATRIM.. as empresas fazem uso de seus ativos para manutenção de suas operações. a saber: .LÍQUIDO Capital Reservas Lucros/Prejuízos Acumulados Participação de 3ºs em Soc. a gerar fluxos de caixa. conceitua o ativo como “o conjunto de meios ou a matéria posta à disposição do administrador para que este possa operar de modo a conseguir os fins que a entidade entregue à sua direção tem em vista”. visando a geração de receitas capazes de superar o valor dos ativos sacrificados. Receitas.. Isso significa que “em todas as aplicações.Acumulados PATRIM. no ARS nº 3 do AICPA de 1962 “.Acumulados Tema 4 Definição e Critérios de Avaliação do Ativo.. 2 Avaliação do Ativo Em função do Postulado da Continuidade. Segundo Sprouse e Moonitz apud Iudícibus (1997).144). Nesse sentido.LÍQUIDO Capital Ajustes de Capital Reservas Result. existe o objetivo e a esperança imediata ou mediata de garantir um fluxo de caixa. considerados mais adequados do que os valores de saída como base geral de avaliação..Controladas PATRIM. Por exemplo. que lhe capacita de forma direta ou indireta.. estoques invendáveis não devem figurar no ativo porque não são capazes de gerar fluxos de caixa futuros. Passivo e Patrimônio Líquido.31 PASSIVO Circulante Exigível a L/Prazo PASSIVO Corrente Não-Corrente PASSIVO Corrente Não-Corrente PASSIVO Corrente Não-Corrente Resultado Exerc. existem alguns critérios. no futuro” (p. Esse fato está relacionado intimamente ao Postulado da Continuidade da Entidade. Isso significa que somente podem ser considerados ativos aqueles elementos que cumprem o acima exposto. ativos representam benefícios futuros esperados. Dessa forma os autores conceituam o ativo como algo que possui em seu bojo um potencial de serviços para a entidade. D’Auria apud Iudícibus (1997). Ganhos.. os ativos são normalmente avaliados por algum tipo de valor de custo (valor de entrada).LÍQUIDO Capital Ajustes de Capital Reservas Result. Despesas e Perdas 1 Conceituação de Ativo De acordo com Iudícibus e Marion (1999).Acumulados PATRIMÔNIO Capital Ajustes de Capital Reservas Result. imediata ou no futuro.

permite que se tenha uma idéia aproximada de quanto seria preciso investir para montar uma empresa “fisicamente” equivalente.000 e em T1 é $ 1. um lucro baseado em valores históricos é totalmente realizado. 2. Alertam que não é o mesmo que custo corrente. Para que seja possível comparar T0 com T1. isto é.500 e a taxa de inflação do período é de 40%. deve-se corrigir o valor de T0 por 40%. O custo de reposição: .3 Custo de Reposição Iudícibus e Marion (1999) entendem que este tipo de custo pode ter várias conceituações.500 $ 1. p.2 Custo Histórico Corrigido Trata-se de corrigir o custo histórico original por algum índice que reflita a variação do poder aquisitivo médio geral da moeda. Assim tem-se: Valor de Reposição em T1 Valor de Reposição em T0 corrigido Valorização Real $ 1. pelo baixo custo do processo de correção e pela relevância da informação. independentemente de possíveis variações no poder aquisitivo da moeda.4 Custo de Reposição Corrigido Conceitualmente não há diferença entre o anterior. na DRE.32 2. O que ocorre é uma homogeneização das demonstrações contábeis em termos de poder aquisitivo de uma mesma data. da parcela que se refere puramente a fatores de variação do preço específico do ativo daquela puramente operacional. O custo histórico apresenta uma vantagem que é a sua objetividade. dependendo da data em que se faz a reposição de um ativo por outro em estado de novo. Há situações em que este ativo perde substância econômica. De fato. Hendriksen apud Iudícibus (1997.133)) “reconhece que uma das mais fortes razões da adoção generalizada do custo histórico tem sido sua estreita relação como o conceito de realização da receita na mensuração do lucro. o preço pelo qual foi adquirido o ativo. Tanto o IASC como a ONU recomendam o uso de indexador médio nestas circunstâncias. ou nos casos de variação. Nos países que enfrentam altas taxas de inflação aparece como uma alternativa importante por sua objetividade.leva em consideração a flutuação específica dos preços.1 Custo Histórico Original Trata-se do valor original da transação.400 $ 100 . sua avaliação acaba ficando defasada. tanto na parte operacional quanto na dos ganhos. 2. .permite uma separação no lucro bruto.” 2. . Por exemplo: O valor de reposição de um ativo em TO é $ 1.

não há porque surgir uma exigibilidade agora. não se confunde com o patrimônio líquido da entidade. 4 Patrimônio Líquido O montante do Patrimônio Líquido que aparece nas Demonstrações Contábeis depende da avaliação e mensuração de ativos e passivos (exigibilidades).33 3 Passivo (Exigibilidades) Exigibilidade significa uma obrigação da empresa no momento da avaliação. o patrimônio dos acionistas ou quotistas. contas a pagar. o reconhecimento de uma perda ou do recebimento por parte da empresa de um ativo específico. . financiamentos. etc. 3. Fornecedores.1 Exigível Oneroso e Não Oneroso É aquele que está custando mensalmente à empresa como juros e encargos bancários decorrentes de empréstimos. Mesmo assim. É o caso de salários. Esta somente surge quando o ativo for entregue. Esta pode ser legalmente executável em caso de não pagamento.2 Exigível Fixo e Variável O exigível fixo se caracteriza por não variar em função do volume de vendas da empresa: aluguéis. cabendo decisão da assembléia. Assim se uma empresa decide adquirir ativos no futuro. etc. fornecedores. a equação patrimonial se expressa por: Ativo = Passivo + Patrimônio Líquido da Entidade. tanto pessoas físicas como jurídicas. Já o variável guarda certa relação com o volume de vendas: ICMS a recolher. exigibilidades que somente podem ser mensuradas utilizando-se certo grau de estimativa. pertence ao proprietário. As exigibilidades surgem em decorrência de transações já ocorridas ( no passado). É o caso das denominadas provisões. p. o lucro líquido apurado no final do exercício não pode ser sumariamente distribuído aos acionistas. 4. Por esta teoria. As teorias existentes sobre o patrimônio líquido são: 4. Existem. As obrigações que não exigem pagamento de encargos financeiros são denominadas de passivo não oneroso. devem ser deduzidas as reservas legais e estatutárias. todavia. Nesse caso o PL que resulta da diferença entre ativo e passivo. Decorre normalmente de práticas comerciais usuais.1 Teoria do Proprietário Aplica-se principalmente nas empresas de menor vulto em que há um quotista absolutamente predominante (teoria do controle predominante). Por esse motivo.2 Teoria da Entidade Por essa teoria. Segundo Hendriksen apud Iudícibus (1997. etc. por exemplo.” É importante distinguir-se obrigação presente e comprometimento futuro.141) “o reconhecimento de uma exigibilidade depende do reconhecimento do outro lado da transação – a incorrência de uma despesa. 3.

Como se sabe que reconhecer uma receita não exige necessariamente que o produto ou serviço tenha sido completamente transferido. os administradores podem comandar somente aquela parcela do patrimônio que pode ser movimentada mediante uma simples orientação da administração profissional. É útil reconhecer-se na Demonstração de Resultados os ganhos em forma separada. pois este conhecimento pode ser interessante para decisões econômicas. utilizando seus recursos (e incorrendo em despesas). de acordo com a definição do IASC.” Uma receita resulta direta (no caso de operacional como vendas) ou indiretamente (no caso de receitas não operacionais).3 Teoria dos Fundos De acordo com esta teoria. resultando em aumento do patrimônio líquido.1 Receitas Segundo Iudícibus e Marion (1999). o que se espera que é o patrimônio líquido final seja igual ao inicial multiplicado por ( 1 + p) x (1 + i). 5 Receitas. Significa que não haveria receita operacional se a empresa não tivesse capacidade de gerar ou produzir. Perdas e Ganhos 5. 4. é de provocar aumento de ativo (ou diminuição de passivo).34 4. o ativo resulta da soma das aplicações que foram efetuadas graças a utilização de recursos obtidos junto a terceiros e de capitais próprios. Às vezes os ganhos são apresentados líquidos de suas despesas relacionadas. Despesas. manter a integridade do poder aquisitivo do patrimônio líquido da entidade. 5. outro que não o relacionado a ajustes de capital. insistese em dizer que a receita é o resultado da aceitação pelo mercado do esforço de produção da empresa. produtos ou serviços aceitos pelo mercado. da atividade da empresa na geração de produtos ou serviços úteis ao mercado. A DOAR é uma forma de aplicação parcial desta teoria.5 Manutenção do Patrimônio Líquido É desejo de toda administração. Na realidade. onde p é a taxa de inflação e i é a taxa desejada de retorno. 4. estudo do IASC define receita como: “o acréscimo de benefícios econômicos durante o perído contábil na forma de entrada de ativos ou decréscimos de exigibilidades e que redunda num acréscimo do patrimônio líquido.. embora seja a situação mais comum. diferentemente da receita que decorre da atividade normal.. .2 Ganhos São representados por itens denominados de não recorrentes (não repetitivos) que no entanto têm o mesmo efeito sobre o patrimônio líquido.4 Teoria do Comando De acordo com esta teoria. Com isso pode-se dizer que Receita é fluxo de produtos ou serviços durante um determinado período contábil. Nesse caso a representação da equação patrimonial é: Aplicações = Fontes. sendo tanto oriundos da atividade normal da empresa ou não. O efeito no patrimônio. que não necessite autorização expressa de acionistas ou conselho de administração.

etc. São Paulo: Atlas. Sérgio de. IUDÍCIBUS. Teoria da Contabilidade. Muitas vezes esses sacrifícios ocorrem em função de e/ou diretamente atribuíveis à obtenção de receita específica. teoria da comunicação. etc. Na área contábil é utilizado num sentido mais restrito. podendo surgir no curso da atividade normal da empresa. 5ª ed. através de relatórios contábeis. 5. por exemplo. bem como a determinação de sua natureza e extensão.. 1999. São Paulo: Atlas. Num sentido amplo significa o ato de fornecer informações. O mesmo pode-se dizer em relação aos salários do pessoal diretamente relacionado aos serviços de conserto.3 Despesas Normalmente conceitua-se despesa como o sacrifício de ativos realizado para obtenção de Receitas. incluem itens que também impactam ativo e patrimônio líquido da mesma forma como as despesas. Estas. inundações.35 5. As perdas incluem itens como desastres. por exemplo. referindo-se a divulgação de informações a respeito das atividades de uma entidade. 1997. Bibliografia Consultada: IUDÍCIBUS. Sérgio de e MARION. teoria geral de sistemas. Normalmente são imprevisíveis. fogo. Introdução à Teoria da Contabilidade. As perdas também podem incluir as não realizadas como. estes devem ser lançados como Despesa do período. O processo de evidenciação de informações. estão relacionados com a forma em que são estabelecidos os princípios e práticas . ou desincorporação de ativos imobilizados. Os autores recomendam que não sendo possível identificar os períodos ou as receitas futuras conectadas a gastos realizados. Tema 5 EVIDENCIAÇÃO (DISCLOSURE) E OS OBJETIVOS DA CONTABILIDADE 1 Introdução O termo evidenciação está associado a outros campos de conhecimento como. um acréscimo anormal na taxa de câmbio de uma moeda estrangeira quando a empresa tem empréstimo naquela moeda. Exemplo: despesas de materiais na execução de serviços de reparos de televisores em empresa que se dedique a esta atividade. José Carlos.4 Perdas A definição de despesa inclui as perdas.

O Conselho Federal de Contabilidade. A evidenciação também está relacionada com a convenção da Objetividade. Alguns autores e/ou organismos consideram a evidenciação como um princípio contábil. b) Oportunidade – a informação contábil deve estar disponível ao usuário no momento em que este a necessita. . político e social. evolução. levar o usuário a fazer um julgamento equivocado sobre a situação da entidade. projeção de resultado. Isso não impede que outras informações decorrentes de avaliações não tão objetivas. Com relação aos objetivos da contabilidade. 2 Características da informação contábil Para a Comissão de Empresas Transnacionais da ONU. recursos e obrigações. outros consideram-na como um objetivo. especialmente no estabelecimento de tendências.36 contábeis. 3 Relacionamento entre evidenciação e convenções contábeis A evidenciação tem relação com a convenção da Materialidade na medida em que esta delimita as informações quantitativas e qualitativas a serem evidenciadas. considera que “o objetivo primordial das demonstrações contábeis de uma empresa transnacional é revelar informações de caráter financeiro e não financeiro. neutralidade/honestidade. valor de reposição. Para Iudícibus. seu desempenho. ela deve ser evidenciada mesmo que não tenha uma utilizada imediata. Em pronunciamento emitido em março/88 o Grupo Intergovernamental de Trabalho da Comissão de Empresas Transnacionais da Organização das Nações Unidas (ONU). através das Normas Brasileiras de Contabilidade recolhe essa visão quando menciona que “as informações geradas pela contabilidade devem oferecer aos usuários segurança nas suas decisões. que têm como fatores essenciais a estrutura e desenvolvimento econômico. riscos e oportunidades que oferece”. e) Inteligibilidade – a informação contábil deve ser compreendida com garantia pelo usuário o que implica que seja expressa de maneira não ambígua. Trata-se de um elo de ligação entre os Postulados/ Princípios de Contabilidade e os objetivos da contabilidade. apud Aquino e Santana (1992). que sejam úteis às pessoas que exercer algum tipo de controle sobre a empresa ou participem da tomada de decisões econômicas e sociais a ela relacionadas”. as características da informação contábil (útil) são: a) Pertinência – se a informação é capaz de influir sobre uma decisão. até pouco tempo atrás dava-se ênfase ao registro e mensuração. isto é. não possam ser divulgadas (goodwill formado nas empresas. sobre suas operações. prudência e capacidade de verificação. qualquer informação é material quando sua omissão nas demonstrações ou notas de evidenciação. etc. d) Confiabilidade – a informação contábil deve reunir os atributos de fidelidade de apresentação. visando atingir suas necessidades.). uma vez que as informações a serem divulgadas devem ser objetivas. constitui um meio ou processo que permite à contabilidade atingir seus objetivos. pela compreensão do estado em que se encontra a entidade. enquanto que mais recentemente se enfatiza o processo de comunicação de informações aos usuários. c) Comparabilidade – a informação contábil deve permitir que os usuários possam efetuar análises temporais e entre empresas distintas.

000 $ mil $ mil 10. determinação de seu custo e seu valor de mercado. maior dificuldade na utilização das descrições textuais nas tomadas de decisões.200 Nota 1 – Os estoques foram avaliados pelo preço de custo ou mercado. 4 Formas de evidenciação As formas mais utilizados de evidenciação são: a) Forma e Disposição das Informações das Demonstrações Contábeis As demonstrações contábeis são as que proporcionam a maior quantidade de evidenciação.000. evidenciação das qualificações e restrições para determinados itens nas demonstrações. restrições em relação ao uso de ativos. detalhamento e informações adicionais sobre determinadas contas. etc. garantias oferecidas a terceiros.700. na medida do possível. do que na utilização de dados quantitativos resumidos nas demonstrações contábeis. O corpo das demonstrações contábeis formais deve apresentar. O valor de mercado dos estoques é de $ 3. obrigações potenciais. Estoques (nota 1) $ 3. para que os usuários possam delinear a tendência da entidade sem grandes dificuldades. Normalmente deveriam evidenciar informações quantitativas e qualitativas.000 6. as informações mais relevantes sobre as atividades da entidade.000) c) Notas Explicativas Provavelmente é a forma mais conhecida de evidenciação. É importante destacar que a contabilidade não deve estar limitada à produção e evidenciação de informações apenas de natureza financeira. Modernamente há uma tendência à evidenciação de outras informações como as destinadas à prestação de contas para a sociedade. b) Informações em Parênteses No próprio corpo das demonstrações podem ser apresentadas informações suplementares através de explicações em parênteses.100. São utilizadas para descrever práticas contábeis adotadas pela entidade. Exemplo: Estoque (avaliados pelo preço médio ponderado variável) Estoque (valor de reposição $ 8. Hendriksen (1982). dos dois o menor.37 A evidenciação também está ligada à convenção da Consistência a qual prevê que sejam adotados critérios uniformes ao longo do tempo. cuja inclusão no corpo das demonstrações contábeis poderia prejudicar sua clareza.etc. perigo de abuso na sua utilização ao invés de adequado desenvolvimento de . composição. O custo é determinado pelo método do preço médio ponderado variável e o valor de mercado é calculado com base no valor líquido de realização. evidenciação de um maior número de detalhes do que se poderia apresentar nas demonstrações. b) Desvantagens: dificuldade e desestímulo à leitura dos relatórios contábeis. apresenta algumas vantagens e desvantagens das notas explicativas: a) Vantagens: apresentação de informação não quantitativa como parte integrante das demonstrações contábeis. Um exemplo de nota explicativa pode ser a relativa a evidenciação quanto a forma de avaliação do estoque.

000 Uma demonstração que poderia aparecer aqui é a Demonstração do Valor Adicionado. fusão e incorporação.000 . métodos e estimativas contábeis e das retificações de erros de exercícios anteriores. A evidenciação nesse caso será: Balanço Patrimonial Ativo Contas a Receber Contas a Receber vinculadas a empréstimos $ 5. as contas a receber podem estar constando de forma agrupada no balanço patrimonial.000 Passivo Empréstimos garantidos por contas a receber $ 1. por exemplo.38 princípios que incorporariam novas relações e eventos nas próprias demonstrações contábeis. podendo ser agregadas informações de natureza qualitativa.000 700. g) natureza.800.000 5.100. valor e efeitos das alterações de práticas.000 em $ 1. c) natureza e montante das operações descontinuadas e dos eventos e transações não-operacionais e extraordinárias.100.600. Esta demonstração será examinada quando for estudado o tema “Balanço Social”. etc. É o caso.00 2. d) natureza e efeitos das operações de cisão. quando parte das contas a receber de uma empresa está vinculada a créditos recebidos de uma instituição financeira.000 1. Balanço Patrimonial Contas a Receber (quadro 1) Quadro Suplementar Quadro 1 Contas a Receber Duplicatas de Clientes Créditos contra Acionistas Adiantamentos a Fornecedores $ 5. valor e prazo das subvenções e subsídios governamentais recebidos. que se trata de um relatório contábil que evidencia a riqueza gerada pela entidade e sua respectiva distribuição. f) diferenças temporárias e permanentes entre o lucro contábil e o lucro tributável e montante dos prejuízos a compensar. b) natureza. aberto: A CVM requer as seguintes informações nas notas explicativas das sociedades de capital a) valor de mercado de alguns ativos (estoques.000 $ 1. d) Demonstrações e Quadros Suplementares As demonstrações e quadros suplementares visam a apresentação de detalhes sobre determinados itens das demonstrações contábeis.100. critérios.400. apresentando-se à parte um quadro detalhando sua composição. Por exemplo. e) informações por segmento de negócios. destinação. e) Referências Cruzadas São utilizadas quando existe relacionamento direto entre duas contas do balanço patrimonial.).000. investimentos temporários.

j) Direitos dos acionistas e dados do mercado: políticas relativas a distribuição de direitos. i) Investimentos em controladas e coligadas: indicação dos investimentos efetuados e objetivos pretendidos com as inversões. abrangendo também operações internacionais ou por áreas geográficas. fundo de seguridade e outros planos sociais. eventos externos incomuns. o que facilita o entendimento dos usuários. h) Reformulações administrativas: descrição das mudanças administrativas. deve ser redigido com simplicidade de linguagem para ser acessível ao maior número de leitores”. g) Proteção ao meio ambiente: descrição e objetivos dos investimentos efetuados e montante aplicado. . muito embora não tenha determinado um modelo de relatório. montante e origem dos recursos alocados. o relatório da diretoria ou administradores. objetivo.. baseada em premissas e fundamentos explicitamente colocados. atividades de pesquisa e desenvolvimento. negociação e cotação das ações em Bolsa de Valores. quando relevante. Fundamentalmente é de natureza descritiva permitindo a utilização de linguagem menos técnica. Através da Lei 6404/76 das S/A.39 f) Relatório da Diretoria ou dos Administradores Normalmente o relatório da diretoria fornece informações de caráter não financeiro e que se referem às atividades desenvolvidas pela entidade.. Esta entidade considera importante as seguintes informações: a) Descrição dos negócios. reorganizações societárias e programas de racionalização. segmentação da mão-de-obra segundo a localização geográfica. desdobramentos e grupamentos. recursos humanos (inclusive demonstração do valor adicionado). programas de investimentos e projeções futuras. relatando os principais fatos que afetaram o resultado do período e as expectativas da entidade em relação ao futuro. serviços e expectativas a eles relacionadas. é um “elemento poderoso de comunicação entre a companhia. k) Perspectivas e planos para o exercício em curso e futuros: poderá ser divulgada a expectativa da administração quanto ao exercício em curso. descrição e análise por segmento ou linha de produto. compra e/ou venda de ativos significativos. sendo que esta informação não se confunde com projeções por não ser quantificada. montantes aplicados e situação dos projetos. c) Análise financeira: comentários sobre os resultados operacionais. investimentos em treinamento. d) Investimentos: descrição dos principais investimentos realizados. f) Novos produtos e serviços: descrição dos novos produtos. b) Comentários sobre a conjuntura econômica geral: concorrência no mercado. tornou-se obrigatória a elaboração e publicação desse relatório juntamente com as demonstrações contábeis. recursos alocados. b) Análise setorial: informações por segmento de negócios. responsabilidade social e proteção ao meio ambiente. seus acionistas e a comunidade em que está inserida. Para a CVM. e) Pesquisa e desenvolvimento: descrição sucinta dos projetos. inclusive sobre efeitos significativos ocasionados por fatores internos ou externos. valor patrimonial das ações. produtos e serviços: histórico das vendas físicas dos últimos dois anos e vendas em moeda valores monetários e.. divide as informações a serem prestadas em três tipos: a) Análise corporativa: estratégia corporativa.. c) Recursos humanos: número de empregados no término dos dois últimos exercícios e “turnover” nos dois últimos anos. atos governamentais e outros fatores exógenos relevantes para o desempenho da companhia. nível educacional. A ONU.

jun92. requer as seguintes evidenciações no grupo de normas gerais: . Eldon S.orientações gerais.eventos subseqüentes Bibliografia consultada AQUINO.mudanças contábeis. . FIPECAFI/ FEA-USP. . Wagner de & SANTANA. O grupo de normas gerais prevê a estruturação sob os seguintes títulos: . ONU – Relatórios da Comissão das Empresas Transnacionais (1988-1989). . .mudanças contábeis. .40 g) Comentários dos Auditores Constituem uma fonte adicional de evidenciação.políticas contábeis.políticas contábeis. 2 ed. diferenças de opinião entre a empresa e a auditoria quanto à adequação de determinado método contábil. . Os princípios contábeis norte-americanos (United States Generally Accepted Accounting Principles (US-GAAP). no grupos de normas gerais: . 1994.contingências e compromissos. pp. 1994.transações não monetárias . Normas e práticas contábeis.partes relacionadas. . Richard D.contingências. IBRACON. Princípios contábeis. utilização de prática contábil diferente das geralmente aceitas. .Irwin Inc. de 15 de dezembro de 1976. pela CVM.partes relacionadas. Antonio Carlos de.eventos subseqüentes No tocante aos procedimentos de evidenciação no Brasil. .correção de erros.mudanças contábeis. São Paulo: Atlas. . Lei nº 6404. 1982. São Paulo: Atlas. estes são definidos pela Lei nº 6404/76.políticas contábeis. Evidenciação.riscos e incertezas. . mencionam que devem ser explicitadas. . . . 15-73 FIPECAFI/ARTHUR ANDERSEN. no tocante à evidenciação. .partes relacionadas. . Caderno de Estudos.informações básicas sobre a companhia. Accounting Theory.eventos subseqüentes O Comitê Internacional de Normas Contábeis (International Accounting Standards Commitee (IASC). . 2 ed. passivos contingentes e ativos contingentes. pelo CFC e pelo IBRACON. . nº 5.informações básicas sobre a companhia. HENDRIKSEN. . na medida em que informam a respeito de: efeitos relevantes de mudanças nos métodos contábeis da companhia.correção de erros.provisões.

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Tema 6 GOODWILL 1. O que é Goodwill?

O termo goodwill é considerado por especialistas um termo técnico sem correspondente versão adequada em português, embora a Lei 6404/76 tenha considerado o termo Fundo de Comércio como equivalente. Alguns entendem que goodwill são os super-lucros, isto é, o incremento de lucratividade sobre o investimento acima da media apresentada por outras empresas. Outros consideram o confronto entre valores de mercado ou de utilização com os ativos subavaliados. Existem os que entendem como goodwill o incremento de valor dos ativos pelo resultado da sinergia do conjunto organizacional sobre a soma dos ativos individuais. Segundo Vieira, Dias e Castro Neto (1994, p.45), goodwill é:
um ativo sem substância corpórea, que representa a diferença entre o valor econômico global da empresa e os valores econômicos individuais de seus ativos.

Para Monobe (1986, p.57), goodwill é:
um valor residual atribuível entre outros fatores à existência de administração eficiente, processos industriais e patentes próprios, localização ótima, recursos humanos excelentes, efetividade da propaganda e condições financeiras privilegiadas e do grau de sinergia, fatores importantes para a empresa, mas não contemplados pela contabilidade, em função da dificuldade de sua mensuração. Acabam todos incorporados ao goodwill quando a empresa é vendida.

Quanto ao seu valor, numa conceituação moderna, o g oodwill corresponde à diferença entre o valor atual de toda a empresa, ou seja, sua capacidade de geração de lucros futuros, e o valor econômico de seus ativos apresentando, portanto, uma característica residual (Monobe, 1986, p.65). Defende ainda o autor, que “o caráter residual de seu valor decorre da forma de sua apuração. No caso de goodwill relacionado com super-lucros, seu valor resultava da diferença entre os super-lucros e os lucros normais e no caso da diferença do valor da empresa como um todo, em termos de capacidade potencial de produzir lucros futuros, e o valor dos ativos identificados e contabilizados enfatiza o resíduo dos ativos não contemplados pela contabilidade”. Segundo o The Chartered Institute of Management Accountants (CIMA), o mais importante instituto de contadores gerenciais do Reino Unido, em sua Terminologia Oficial de Contabilidade Gerencial (1996, p.87) “goodwill é definido como a diferença entre o valor de um negócio em sua totalidade e a soma dos ativos individuais avaliados por seu valor justo”. Outros autores têm se posicionado quanto a sinergia que se forma no todo da empresa que cria um valor maior da empresa como um todo, em relação a soma dos seus ativos individuais, formando o goodwill, inclusive que as empresas ao escolherem ativos o fazem buscando aqueles que terão o maior valor subjetivo, isto é, o ativo individual no mercado tem um valor, mas para a empresa, na composição com outros ativos, tem um valor superior.

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Kohler apud Vieira, Dias e Castro Neto (1994, p.45), acrescenta:
se a empresa busca maximizar lucros, está claro que ela deve selecionar a composição de ativos que, aos olhos do administrador, tenha o maior valor subjetivo.

“Sob esse conceito da sinergia dos ativos, mesmo que se tenha identificado e mensurado economicamente todos os ativos tangíveis e intangíveis, a soma individual seria menor do que a soma de seu conjunto” (Monobe, 1986, p.61). Segundo Iudícibus (1997, p.205):
O goodwill tem sido considerado sob tripla perspectiva: a) como o excesso de preço pago pela compra de um empreendimento ou patrimônio sobre o valor de mercado de seus ativos líquidos; b) nas consolidações, como o excesso de valor pago pela companhia-mãe por sua participação sobre os ativos líquidos da subsidiária; e c) como o valor atual dos lucros futuros esperados, descontados por seus custos de oportunidade.

Não podemos deixar de entender goodwill com um ativo intangível diferente dos demais ativos identificáveis e que o mesmo tem sua existência ligada a continuidade da entidade e está sempre ligado a capacidade de geração de lucros da empresa. Caso o valor dos lucros futuros sejam menores que o valor econômico dos ativos da empresa, estamos diante de um goodwill negativo ou Badwill. É sabido que a Contabilidade Financeira reconhece e contabiliza o g oodwill apenas quando ocorre a compra de uma empresa, pois nesta situação impera o princípio contábil do custo como base de valor,além de fatores como o reconhecimento pelo mercado do valor do goodwill. A contabilização do goodwill formado internamente não tem sido aceita pela sua subjetividade. 1.2 Classificação do Goodwill Conforme Coyngton (apud Martins, 1972, p.74), o goodwill assume a seguinte divisão:  goodwill comercial: criado em função, exclusivamente, de toda a empresa, independentemente das pessoas proprietárias ou administradoras;  goodwill pessoal: decorrente de uma ou várias pessoas que integram a empresa, sendo proprietária(s) ou administradora(s);  goodwill profissional: desenvolvido por uma classe profissional que cria uma imagem que a distingue dentro da sociedade, propiciando condições de alta remuneração, como no caso dos médicos, advogados e contadores em alguns países;  goodwill de nome ou marca comercial: ocasionado pela imagem do nome da empresa que produz o produto ou da marca sob a qual é comercializado. Segundo Paton e Paton (apud Martins, 1972, p.73), a classificação de goodwill é a seguinte:  goodwill comercial: decorrente de serviços colaterais, como equipe cortês de vendedores, entregas convenientes, facilidade de crédito, de-

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pendências apropriadas para serviço de manutenção, qualidade do produto em relação ao preço, atitude e hábito do consumidor como fruto de nome comercial e marca tornados proeminentes em função de propaganda persistente, localização da firma;  goodwill industrial: decorrente de altos salários, baixo turnover de empregados, oportunidades internas satisfatórias para acesso a posições hierárquicas superiores, serviço médico, sistema de segurança adequado, desde que tais fatores contribuam para a boa imagem da empresa e também para a redução do custo unitário de produção em virtude da eficiência de uma força de trabalho operando nessas condições;  goodwill financeiro: derivado da atitude de investidores e de fontes de financiamento e de crédito em virtude de a empresa possuir sólida situação para cumprir suas obrigações e manter sua imagem ou, ainda, obter recursos financeiros que lhe permitam aquisições de matéria-prima ou mercadorias em melhores termos e preços;  goodwill político: em decorrência de boas relações com o Governo.

1.3 Fatores que geram o Goodwill
O goodwill decorre basicamente de alguns fatores tais como: a) recursos humanos bem preparados; b) produtos de qualidade reconhecida; c) boas parcerias com fornecedores; d) outros fatores que favoreçam a entidade. Ao se observaros fatores responsáveis pela formação do g oodwill, segundo Catlett e Olson (apud Martins, 1972, p.75), e pela formação do Capital Intelectual, segundo Brooking (1996, p.17), podem ser identificados vários pontos em comum, conforme visto a seguir: Fatores que geram o goodwill:  administração superior;  organização ou gerente de vendas proeminentes;  fraqueza na administração do competidor;  propaganda eficaz;  processos secretos de fabricação;  boas relações com os empregados;  crédito proeminente como resultado de uma sólida reputação;  excelente treinamento para os empregados;  alta posição perante a comunidade, conseguida por meio de ações filantrópicas e participação em atividades cívicas por parte dos administradores da empresa;  desenvolvimento desfavorável nas operações do competidor;  associações favoráveis com outra empresa;  localização estratégica;  descoberta de talentos ou recursos;  condições favoráveis com relação aos impostos;  legislação favorável. É relevante observar que os autores admitem a impossibilidade de listar todos os fatores e condições em virtude da própria natureza do goodwill. 1.4 Reconhecimento do Goodwill O goodwill normalmente é reconhecido como ágio ou deságio quando de aquisição de outras empresas, ou seja de participações societárias. Em geral pode-se dizer que na prática o goodwill é reconhecido como:

b.205) o goodwill adquirido decorre:  do excesso de preço pago pela compra de um empreendimento ou patrimônio sobre o valor de mercado de seus ativos líquidos. valorização do ponto de localização. p. cada diferença é dividida pela taxa desejada de retorno (ou custo de capital). aquele que se origina como o valor atual dos lucros futuros esperados. seria apurado: pela diferença entre o lucro projetado para os períodos. também relata sobre o tratamento que a contabilidade vem dispensando ao mesmo. como o excesso de valor pago pela companhia-mãe por sua participação sobre os ativos líquidos da subsidiária b) goodwill subjetivo: O goodwill subjetivo foi definido por Iudícibus “como o valor atual dos lucros futuros esperados. p. Para Iudícibus (1997. identificação e mensuração do valor econômico dos seus ativos e. .5 Mensuração do Goodwill Como vimos o goodwill normalmente é reconhecido quando da aquisição de empresas e.44 a) goodwill adquirido: Ágio ou deságio na aquisição de investimentos. com a sofisticação dos negócios. p.205). Sob outro aspecto. descontados por seus custos de oportunidade” (1997. Como o goodwill é basicamente a diferença entre o valor da empresa em termos de capacidade de geração de lucros.205). 1. aplicável a um PL. nestes casos. menos o valor do patrimônio líquido expresso a valores de realização no início de cada período. PL0 = patrimônio líquido a valores de realização (tangíveis e intangíveis identificáveis). estimativa dos lucros futuros esperados pela empresa. mas que o goodwill subjetivo. comparada com o valor dos seus ativos. r Li Simbolizando teríamos: avaliado no momento zero. devido a problemas de objetividade. Monobe (1986. O goodwill formado internamente não registrado pelas empresas segundo Iudícibus (1997. Iudícibus (1997. = lucro projetado para o período i. na medida em que os ativos não identificados e/ou contabilizados vão aumentando proporcionalmente aos demais ativos.205) ao fazer considerações sobre a classificação do g oodwill.  gastos com propaganda e marketing.  nas consolidações. p. afirmando que a contabilidade tem registrado o g oodwill adquirido. por apresentar o recebimento de Pli um risco nulo (está avaliado a valor de realização). taxa de descontos ideal a utilizar para a apuração do valor atual. o goodwill subjetivo é a valorização extra de ativos decorrente de:  investimentos em seu pessoal: Treinamento de pessoal ou outras formas de valorização profissional. alguns dados são necessários para encontrá-lo: a. A taxa de custo de oportunidade. = taxa de retorno de um investimento de risco zero. são usualmente debitados a despesa. é considerado como ágio ou deságio sobre investimentos. descontados por seus custos de oportunidade. c. multiplicado pela taxa de custo de oportunidade (investimento de risco zero).63) afirma que: A tendência é o crescimento gradativo da importância do goodwill. p.

13 . .45 J = taxa desejada de retorno..47) entendem que: “tanto o goodwill adquirido como o gerado internamente deveriam ser mantidos como ativos. a CVM determinou que: Art. a cada exercício..6 Amortização do Goodwill Uns entendem que o goodwill adquirido deve ser baixado diretamente contra o patrimônio líquido.ágio ou deságio na aquisição ou na subscrição.. p.. respectivamente. Vieira.. através da instrução nº 247. face a subjetividade presente. representado pela diferença para mais ou para menos. Dias e Castro Neto (1994.. 1. o risco é maior. e que. em função de novas expectativas de geração de resultados”.. o custo de aquisição de investimento em coligada e controlada deverá ser desdobrado e os valores resultantes desse desdobramento contabilizados em sub-contas separadas: I .Para efeito de contabilização. a menos que desapareça o seu valor... logo teremos de adicionar a r um prêmio pelo risco. . Outros entendem que o mesmo deva permanecer como um ativo pois pode ter vida indefinida. sendo seu valor ajustado.1 (1 + J) i Isto é válido para todos os períodos. + Ln – rPLn ... pois o lucro Li é gerado por elementos tangíveis e intangíveis. faz-se necessário incluir notas explicativas nos demonstrativos contábeis.1 (1 + J) n Outra alternativa de encontrar o goodwill é pela técnica do orçamento de capital equivalente ao valor atual líquido. e que o goodwill interno pode continuar sendo gerado. Uma outra corrente entende que o goodwill como potencial de serviços pode desaparecer e portanto o mesmo deve ser amortizado pela sua vida útil.equivalência patrimonial baseada em demonstrações contábeis elaboradas nos termos do artigo 10. Recentemente. e II . . entre o custo de aquisição do investimento e a equivalência patrimonial. de maneira que a expressão geral para o goodwill seria (em seu valor atual): L1 – rPL0 Lucro em excesso ( valor atual) = L2 – rPL1 + 2 1+J (1 + J) +.7 Tratamento do Goodwill segundo a legislação brasileira A Lei 6404/76 e a CVM não tratam do g oodwill diretamente. fazendo menção ao agio e deságio na aquisição de investimentos.rPL i .. A fórmula para expressar o lucro em excesso no período i é: Lucro em excesso ( valor atual) = Li . . 1. que deve ser superior à taxa r.

Segundo a Legislação brasileira o ágio e deságio devem ser fundamentados e são os seguintes: a. ágio ou deságio pela diferença de valor de mercado dos bens. através do International Accounting Standard (IAS) 22. Quanto ao ágio decorrente da terceira hipótese.8 Tratamento do Goodwill segundo IASC – IAS 22 O IASC. deve ser reconhecido imediatamente como perda. e c.. a CVM através da instrução nº 247 assim determina: Art.46 Art. Parágrafo 2º . b. a CVM determina que o mesmo seja lançado diretamente como perda. deverá ser amortizado no prazo e na extensão das projeções que o determinaram ou pela baixa por alienação ou perecimento do investimento.No caso do ágio referido no parágrafo anterior..O ágio não justificado pelos fundamentos econômicos. exaustão ou baixa em decorrência de alienação ou perecimento desses bens ou do investimento. no resultado do exercício. deverá ser amortizado na proporção em que o ativo for sendo realizado na coligada e controlada. . De maneira geral. e. b) baixando-o contra o patrimônio líquido no momento da aquisição. Parágrafo 1º . segundo determinação da CVM pela instrução nº 247.O ágio ou deságio decorrente da diferença entre o valor de mercado de parte ou de todos os bens do ativo da coligada e controlada e o respectivo valor contábil. 14 –.. ou seja.O ágio ou deságio computado na ocasião da aquisição ou subscrição do investimento deverá ser contabilizado com indicação do fundamento econômico que o determinou. 14 . será amortizado na mesma proporção que os bens que deram origem ao mesmo são amortizados e. 1. intangível e outras razões econômicas. o prazo máximo para amortização não poderá exceder a 10 (dez) anos. pois representa um pagamento feito como antecipação dos resultados futuros. fundo de comércio e outras razões econômicas.O ágio ou deságio decorrente de expectativa de resultado futuro. admitiu duas alternativas de tratamento do goodwill: a) tratando-o como um ativo. a sua amortização somente poderá ser contabilizada em caso de baixa por alienação ou perecimento do investimento. sendo o ágio decorrente da expectativa de rentabilidade futura. Quanto a amortização do ágio ou deságio. Sendo o mesmo decorrente da diferença de valor de mercado dos bens. ágio ou deságio por valor de rentabilidade futura. Parágrafo 5º . ágio ou deságio por fundo de comércio. esclarecendo-se em nota explicativa as razões da sua existência. este será amortizado a medida que os resultados forem ocorrendo... previstos nos parágrafos 1º e 2º. Parágrafo 3º . o ágio ou deságio será amortizado de acordo com o fundamento que o gerou. amortização. Parágrafo 4º . mas que o mesmo deva ser amortizado contra a receita em uma base sistemática ao longo de sua vida útil. por depreciação.Quando houver deságio não justificado pelos fundamentos econômicos previstos nos parágrafos 1º e 2º.

183 p. (Tese de Doutoramento) – Faculdade de Economia. Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo. 1986. sem transitar pelo resultado do período. São Paulo: FEA/USP. variando esse tempo de 5 a 20 anos. Referências Bibliográficas CASTRO NETO.23. abr/jun.47 1. o lançamento do valor do goodwill pode ser lançado diretamente no patrimônio líquido. 1. Para fins fiscais.4 Holanda De acordo os princípios contábeis holandeses. INSTRUÇÃO CVM Nº 247. 1998. Contribuição a Mensuração e Contabilização do Goodwill não adquirido: São Paulo. David G.INTERNATIONAL ACCOUNTING STANDARD. Pelos princípios contábeis espanhóis o goodwill negativo deve ser creditado em uma conta específica do passivo. São Paulo: Atlas. Massanori. dentro do respectivo período contábil. José Luis de. IASC.9 Tratamento do Goodwill em diversos países 1. Goodwill.9.9. 1997. p. o goodwill pode ser debitado diretamente no patrimônio líquido. o goodwill pode ser capitalizado e amortizado até um prazo máximo de 20 anos. 1. Intangible Assets – IAS 38. pode ser lançado diretamente contra reservas. 1. Revista do CRCRS. Celso Vanderlei. DIAS. José Luis de.9. 1.6 Reino Unido Pelos princípios contábeis ingleses. Teoria da Contabilidade.9.1994.1 Alemanha O goodwill pode ser debitado diretamente no patrimônio líquido ou capitalizado e amortizado durante sua vida útil. 77. . o prazo de amortização é de 15 anos. 1. Sérgio de. o goodwill pode ser abatido das reservas. 42-50.9. v. a maior parte das empresas costuma lançá-los diretamente no patrimônio líquido.2 Dinamarca O goodwill. no patrimônio líquido. abatendo de alguma reserva. MONOBE. n. e CASTRO NETO.3 Espanha Geralmente as empresas espanholas amortizam o goodwill pelo prazo de 5 a 10 anos. Contribuição ao estudo da prática harmonizada da contabilidade na União Européia (Tese de doutoramento). Em caso de aquisições estratégicas. em lucros retidos ou amortizado durante o prazo da vida econômica útil do ativo. segundo os princípios contábeis. Embora esse tempo não costume exceder a 10 anos. 1998 IUDÍCIBUS. Porto Alegre: CRCRS. 5ª ed. VIEIRA.9.5 Itália Pelos padrões contábeis italianos.

interna e externa. . pagamento a fornecedores por compra de materiais.etc. bem como das operações financeiras realizadas diariamente no grupo do ativo circulante. Esta demonstração visa refletir. Consequentemente. Objetiva demonstrar as variações ocorridas no caixa da empresa. constam receitas que foram ou serão recebidas em forma de dinheiro e despesas que foram ou serão pagas da mesma forma. Para Martins (1989). como mencionado. instituições financeiras e governo. captação de empréstimos e amortização e remuneração. pagamento a funcionários . por exemplo. As atividades de investimentos compreendem: transações com ativos financeiros. representa valores a desembolsar futuramente. o Balanço Patrimonial e a Demonstração de Resultado do Exercício são uma distribuição lógica e racional ao longo do tempo do fluxo de caixa da empresa. o lucro acaba transitando pelo caixa da empresa. por exemplo. O principal objetivo da demonstração do fluxo de caixa é dar uma visão das atividades desenvolvidas. Na Demonstração do Resultado do Exercício. as transações de caixa que por seu turno são oriundas de: a) atividades operacionais. Dentro das atividades operacionais se encontram: recebimento de vendas. incluindo-se nesse conceito as contas-correntes bancárias. possui bens que estão representando o montante de caixa desembolsado ou a ser desembolsado em função de sua aquisição. Nas atividades de financiamentos estão contemplados: captação de recursos de acionistas/cotistas e retorno em forma de lucros ou dividendos. vendas de ativo permanente. A Demonstração dos Fluxos de Caixa pode ser apresentada pelo método direto e método indireto. dentro das disponibilidades. aquisições/vendas de participações em outras entidades e de ativos utilizados na produção. Podem ser distinguidas duas fontes de caixa. o Balanço como um todo possui ligação com o Fluxo de Caixa. e que representam o grau de liquidez da empresa. b) atividades de investimentos. cobrança de vendas a prazo. As fontes externas são. O ativo. O passivo. As fontes internas são. além das disponibilidades e das aplicações financeiras de caixa efetuadas. direitos que estão para transformar-se em caixa. as vendas à vista. Logo.48 Tema 7 DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA A principal função de uma Demonstração dos Fluxos de Caixa é proporcionar informações relevantes sobre as movimentações de entrada e saída de numerário (caixa) de uma entidade em um determinado período ou exercício. fornecedores. c) atividades de financiamentos.

000 -200 2. porém sem afetar o caixa da empresa.31.49 No método direto.050 14.Acumulada Veículos Deprec. Pelo método indireto. Acumulada TOTAL DO ATIVO PASSIVO CIRCULANTE Fornecedores Salários e Encargos a pagar Dividendos propostos a pagar EXIGÍVEL A LONGO PRAZO Debêntures a pagar PATRIMÔNIO LÍQUIDO Capital realizado Reservas de lucros TOTAL DO PASSIVO + PATRIM.900 31/12/X0 1.000 500 2.500 5.300 5.900 7.000 3.800 -300 -300 -250 2.700 2. ajustado pelos itens considerados nas contas de resultado.500 6.550 6. Através dos dados do Balanço Patrimonial.300 -300 9. pode-se elaborar a Demonstração dos Fluxos de Caixa pelos métodos direto e indireto.000 4.000 2.12.000 -4.800 400 3. Demonstração de Resultado do Exercício e Análise das Contas da Comercial “ABC”.900 300 1.200 4.000 300 6. LÍQUIDO 800 2.400 DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO .300 5.200 500 -50 2.Dev. são demonstrados os recebimentos e pagamentos oriundos das atividades operacionais da empresa em vez do lucro líquido ajustado.250 1.Duvidosos Mercadorias Seguros a Vencer ATIVO PERMANENTE Móveis e Utensílios Deprec. como ocorre no método indireto. os recursos provenientes das atividades operacionais são demonstrados a partir do lucro líquido.900 2.000 -400 2.250 2.200 200 12. COMERCIAL ABC BALANÇOS PATRIMONIAIS 31/12/X1 ATIVO CIRCULANTE Caixa Clientes Prov.700 -1.550 14.000 -200 800 6.000 2.100 1.X1 Receitas de Vendas Custo das Vendas Lucro Bruto Despesas Operacionais Devedores Duvidosos Despesas com Seguros Depreciações Receitas Operacionais Lucro Operacional Resultado não Operacional Lucro Líquido 10.350 1.250 .

300 10.Recebimentos de Clientes Saldo inicial de clientes Receitas de vendas Créditos incobráveis Saldo final de clientes Recebimentos de clientes 2 .600 300 1.900 11.500 -1.50 ANÁLISE DAS CONTAS 1 .700 -300 300 200 200 1.500 -9.Pagamentos a Fornecedores Estoque inicial de mercadorias Compras de mercadorias Estoque final de mercadorias Custo das Vendas Saldo inicial de fornecedores Compras de mercadorias Saldo final de fornecedores Pagamentos a fornecedores 3 .300 2.000 11.200 4.000 10.Pagamentos de Dividendos Saldo inicial de dividendos propostos a pagar Dividendos propostos Saldo final de dividendos propostos a pagar Pagamentos de dividendos 3.800 -400 1.Pagamentos de Despesas Operacionais Saldo inicial de salários e encargos a pagar Despesas operacionais Saldo final de salários e encargos a pagar Pagamentos de despesas operacionais 4 .000 -200 -2.Pagamentos de Seguros Saldo inicial de seguros a vencer Despesas com seguros Saldo final de seguros a vencer Pagamentos de seguros 5 .500 900 .200 -3.800 12.500 2.200 3.

51 DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA .Utensílios Pagamento p/aquisição de veículo CAIXA ATIVIDADES DE INVESTIMENTO MOVIMENTAÇÃO DO CAIXA NO PERÍODO SALDO INICIAL DE CAIXA SALDO FINAL DE CAIXA DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA .Método Direto ATIVIDADE OPERACIONAL Recebimentos de clientes Pagamentos a fornecedores Pagamentos de despesas operacionais Pagamentos de seguros Recebimentos de outras receitas operacionais Recebimentos não operacionais CAIXA DAS OPERAÇÕES ATIVIDADE DE FINANCIAMENTO Recebido por emissão de debêntures Pagamento de dividendos CAIXA DAS ATIVIDADES DE FINANCIAMENTO ATIVIDADE DE INVESTIMENTO Pagamento por compra de móveis e utensílios Pagamento por aquisição de veículos CAIXA DAS ATIVIDADES DE INVESTIMENTO VARIAÇÃO LÍQUIDA NO DISPONÍVEL SALDO INICIAL SALDO FINAL $ .Método Indireto 31/12/X1 ATIVIDADE OPERACIONAL $ Lucro líquido (+) Depreciação Acrescimos (-)/ Decréscimos (+) do AC Clientes Devedores duvidosos Mercadorias Seguros a vencer Acréscimos (+)/Decréscimos (-) do PC Fornecedores Salários e Encargos a pagar CAIXA DAS OPERAÇÕES ATIVIDADE DE FINANCIAMENTO Pagamento de dividendos Recebido por emissão de debêntures CAIXA ATIVIDADES DE FINANCIAMENTO ATIVIDADE DE INVESTIMENTO Pagamento p/compra de Móv.

Referindo-se a Responsabilidade Social. atingindo um aspecto muito mais amplo. De acordo com Donaire (1995. Para tais atividades a empresa necessita investir e. especialmente.75): “As organizações têm se voltado para problemas que vão além das considerações meramente econômicas. formalmente.52 Tema 8 RESPONSABILIDADE SOCIAL E BALANÇO SOCIAL 1 Responsabilidade Social Para Gonçalves e Six (1979). por parte das empresas.80). das ações das companhias abertas que estavam contribuindo de alguma forma para o conflito. numa empresa se encontram mesclados diferentes componentes que formam sua realidade. se uma administração não produz resultados econômicos e não suprir os consumidores com bens e serviços a preços adequados. até mesmo. Este documento enfatizava a divulgação. mencionam que a Responsabilidade Social da empresa consiste na sua “decisão de participar mais diretamente das ações comunitárias da região em que está presente e minorar possíveis danos ambientais decorrentes do tipo de atividade que exerce”. Igualmente a empresa é uma realidade social. na medida em que deve se preocupar com a preservação do meio ambiente. pois visa produzir algo ou prestar algum serviço. de relatórios contendo informações relacionadas às iniciativas em favor dos trabalhadores e do bem. Outro movimento que contribuiu para o tema Responsabilidade Social.13-4) apud Santos e Silva (1999. entre outros. defesa de grupos minoritários”. num complexo de atos humanos. que se tornam objeto de troca. as empresas atingidas começaram sistematicamente a divulgar e publicar todas as suas atividades sociais. suas intenções com a sociedade. um empresário comenta (Gazeta Mercantil de 18/09/97): . com a qualidade dos produtos e a conseqüência de sua utilização. em 1961. uma realidade humana. fundamento da vida econômica. A empresa é. teve origem cristã com a promulgação da encíclica papal “Mater et Magister”. O surgimento da noção de Responsabilidade Social da empresa deu-se por volta dos anos 60. controle da poluição. p. com os efeitos diretos de sua atividade sobre o bem-estar da comunidade. p. assistência médica e social. o boicote à aquisição de bens e. Na verdade trata-se da tríplice realidade da empresa. terá falhado. iniciaram um grande movimento de contestação que propunha. tais como proteção ao consumidor. Em primeiro plano a empresa é uma realidade econômica. Melo Neto e Froes (1999. pois consiste. também. quando grupos civis que eram contrários ao engajamento dos USA na Guerra do Vietnã. como decorrência de uma reunião da Union Internationale Chrétienne de Dirigeants d’Enterprise (UNIPAC) ocorrida em Bruxelas. de tal sorte que nenhuma tarefa criadora é realizada na empresa sem a vontade e iniciativa do homem. expressas em atividades comunitárias e filantrópicas). p. segurança e qualidade dos produtos. espera retornos adequados para garantir sua viabilidade. envolvendo preocupações de caráter político-social. Em resposta.estar da comunidade em que a empresa estava inserida. portanto. Naturalmente.

1. criar um ambiente de trabalho agradável. que são enorme patrimônio gratuito da humanidade. subsiste em função da organização do Estado que a sociedade lhe viabiliza como parte das condições de sobrevivência. ganhar sua dedicação.3 Responsabilidade social do profissional contábil Segundo Schwez (2000). assistência social e ecologia. que se relacionam conosco possam avaliar nossa tarefa. a qualidade de vida de seus empregados e de suas famílias. treinamento e manutenção do pessoal. utiliza capitais financeiros e tecnológicos que no fim da cadeia pertencem às pessoas físicas e. 1. compreendê-la e. a consciência da responsabilidade impõe ao grupo o dever de comunicar com exatidão e diligência os dados de sua atividade. 1999. A Responsabilidade Social interna está diretamente ligada aos funcionários e seus dependentes. também utiliza a capacidade de trabalho da sociedade. o profissional da contabilidade tem como responsabilidade maximizar a utilidade da informação contábil. Com efeito. contribuir para o seu bem estar e. Referindo-se a Responsabilidade Social. a empresa gira em função da sociedade e do que a ela pertence. empenho e lealdade. e demais benefícios como participação nos resultados e atendimento aos dependentes. de imagem e publicitário aos acionistas. Essas ações compreendem programas de contratação. Sobretudo deve servir para projeções futuras sobre a posição patrimonial e de resultados das entidades. melhorando. à sociedade. em seu Balanço Social de 1979/1981 menciona: “Responsabilidade Social: nela se baseia a transparência.88). renováveis ou não. Assim.2 Responsabilidade Social corporativa Representantes de diversos países. cabendo a empresa motivá-los. . prestar-lhe contas da eficiência com que usa todos esses recursos”.53 “Uma empresa consome recursos naturais. devendo em troca. chegaram a um novo conceito de Responsabilidade Social das empresas: “Responsabilidade Social corporativa é o comprometimento permanente dos empresários de adotar um comportamento ético e contribuir para o desenvolvimento econômico. consequentemente. Não se pode mais conviver com uma posição em que a contabilidade seja simplesmente um “retrato histórico da situação passada da entidade” (p. simultaneamente. A Responsabilidade Social externa atende a comunidade através de ações sociais voltadas às áreas de educação. criticála”. no mínimo. p. da comunidade local e da sociedade como um todo” (Melo Neto e Froes. a empresa deve atuar tanto em relação ao público interno como externo. saúde. seleção. se assim entendem oportuno. finalmente. como conseqüência. procurando atender as demandas de informação dos distintos usuários.35). o Banco Bilbao Viscaya/Argentaria da Espanha. reunidos em 1998 na Holanda. 1. levando em conta o fato de que um funcionário motivado aumenta sua produtividade. permitindo um bom retorno social. direta ou indiretamente.1 Responsabilidade Social interna e externa Para um efetivo exercício de cidadania empresarial. de modo que a sociedade e os distintos núcleos sociais.

tornando-se parte integrante da Contabilidade Social. sem preocupar-se com a satisfação de seus funcionários e com ambiente externo. que a expressão Balanço Social apresenta um inconveniente e imprecisa na medida em que não designa claramente o que quer significar. O Balanço Social trata da representação das atividades da empresa a serviço da comunidade. menciona no “Relatório de gestão e balanço social”.).org. Nesse caso os termos contabilidade ou informação social seriam mais precisas. . no espaço temporal passado/presente/futuro.fides. comenta que o fazer e publicar o Balanço Social traduz-se numa mudança da visão tradicional. caracterizado por: a) Competência . Kroetz (1999).Traz resultados / tem liderança .cit.É agente de mudanças c) Questionador . sendo que. que poderão ser comparados de analisados tendo em vista as necessidades dos usuários internos. fazendo com que busque um desenvolvimento de profissional de valor.C. a função principal do Balanço Social de uma empresa é tornar público sua responsabilidade social. configurando-se numa demonstração para a sociedade e não da sociedade”. Referido autor diz que antes de ser uma demonstração endereçada à sociedade. pois não se trata de um balanço no sentido estrito da palavra. J. que cresce o papel social do serviço prestado pelo profissional da contabilidade.ibase. social e ecológica.br/).Conversa / sugere .Questiona e exige .br/).org.Contribui para soluções .54 E é justamente a partir das mudanças ocorridas com a globalização dos mercados e da economia. aos empregados e à comunidade. ambiente e outros.Conhecimento e respeito às suas obrigações . das relações entre entidade. conceitua Balanço Social como “a demonstração dos gastos e das influências (favoráveis e desfavoráveis) recebidas e transmitidas pelas entidades na promoção humana.Assume riscos e responsabilidades . os efeitos dessa interação dirigem-se aos gestores. Deve pôr em evidência a contribuição levada ao homem. na medida em que reúne dados quantitativos e qualitativos a respeito das políticas administrativas.Exige tratamento justo b) Capaz . Balanço Social Para Ciro Torres (op.Preocupa-se com a profissão 2. servindo como instrumento de controle e auxílio para tomada de decisões e adoção de estratégias. o Balanço Social é uma ferramenta gerencial. João Sucupira (www. de que a empresa deva tratar apenas de produzir e obter lucro.Busca contínua de aperfeiçoamento . para uma visão mais moderna que exige a incorporação da responsabilidade social nos objetivos da empresa. Welbergen (www.

no mundo globalizado em que vivemos.”.. aumentando a qualidade de vida da sociedade. 2. o seu patrimônio é alterado. imagens dinâmicas. etc. que podem ser um folheto impresso. as empresas observam que as mesmas têm um efeito psicológico no mercado. seja no seu próprio ambiente interno. Gressi (1997. que auxiliem os usuários na compreensão do conteúdo. Quando uma empresa patrocina uma entidade filantrópica. Quando uma empresa recolhe encargos ao governo.1984).). voltados para a melhoria da qualidade de vida das pessoas na sociedade. p.55 A contabilidade social é uma parte da ciência contábil que objetiva o estudo das relações entre a empresa e a sociedade. seja em regiões onde atua. podem ser reforçado por meio de mídias eletrônicas (vídeo. a contabilidade não evidencia completamente a situação das entidades. . Ao evidenciar informações que não são estritamente de caráter financeiro (por exemplo de caráter ambiental). extensão significado e perspectivas nelas apontadas. Estuda os reflexos das variações patrimoniais nas empresas.. visitas e encontros). podemos nos referir aos formatos usados para veicular esses investimentos. como se relacionam com seus empregados. o Balanço Social deve reunir as ações voltadas para o bem-estar. apoio social e cultural às comunidades nas quais atua. é uma importante ferramenta de marketing. 10/99): 1. ocorre um reflexo na sociedade pois estas entidades têm como função o desenvolvimento de atividades que trazem benefício a grupos da sociedade. investimentos em reconstituição e/ou preservação ambiental que minimizem impactos das suas operações. empregos diretos e indiretos. na sociedade e no meio ambiente (IOB. O reflexo na sociedade se dá em forma de redução de emissão de poluentes. 4. Em qualquer formato. entretanto.. Empregados e familiares: Além de beneficiários diretos e multiplicadores das ações da empresa. 3. Chama-se a isso de Balanço Social (Tinoco. “num sentido amplo. devem ser acrescentadas às informações prestadas pelas demonstrações contábeis tradicionais. matéria ou encarte em publicações ou revista. o seu patrimônio é alterado. Da forma como é feita no Brasil. Mer (1998) constata que o Balanço Social. segurança e desenvolvimento de empregados e familiares..179. são mais bem vistas e mais valorizadas pelos investidores. fornecedores. comunidade. usuários de seus serviços. Já num sentido mais específico.. investimentos e participação da empresa ou setor. Quando uma empresa incorre em gastos que resultem em benefício do meio ambiente. cd-rom). p. de forma mais específica sobre os funcionários 2. é fundamental que tenham referências suficientes para a devida compreensão da importância dos investimentos sociais. Esta alteração se reflete na sociedade. além de sua característica intrínseca. e são demonstradas através do Balanço Social.. Quando uma empresa incorre em despesas referentes a pessoal. deve ser analisado como o agrupamento ou conjunto quantificado das contribuições...179. o qual a utiliza em favor da sociedade. não capta sua inserção na vida social..) são públicos do Balanço Social: 1. menciona que o Balanço Social. isto é. Estas alterações e outras informações de cunho social fazem parte da contabilidade social. contribuições e participação social. impostos gerados para regiões onde opera e outras formas de participação social. contatos diretos (palestras. altera seu patrimônio. O reflexo na sociedade se dá através da distribuição de parte da riqueza que gerou ao governo. imprensa e relatório anual. ou seja.1 Públicos do Balanço Social Segundo Gressi (1997.

além de instrumento que se destina a mostrar a repercussão dos investimentos sociais realizados. atividades e racionalidade de nossas decisões. relações profissionais. Empresa < > Empregados 2. “A consolidação dos ideais propostos pela ADCE se deu com a declaração em 1974 do Decálogo do Empresário Cristão.. a companhia alemã STEAG produziu uma espécie de relatório social. Esta lei abrange nas relações empresa <>empregados. uma vez que o Balanço Social constitui uma prestação de contas.. 1997. em 1971. além de sua função econômica de produtora de bens e serviços.198). ser abordada como público na veiculação do balanço social. os jornalistas mantém relações com outros setores. Empresa < > Sociedade. que obriga a publicação anual do Balanço Social para empresas com mais de 300 trabalhadores.balancosocial.br/). merecem uma consideração especial. além de serem cidadãos e membros de grupos e comunidades. a empresa SINGER fez o primeiro Balanço Social da história das empresas. Acionistas: Por se tratar de investidores no negócio da empresa. Mas somente em 1974 se encontram menções explícitas sobre Balanço Social (Rioli. p. outras condições de emprego. 2. Empresa < > Sociedade. profissionais e empresariais do setor: São centros de decisão e multiplicadores de opinião.2 Origens do Balanço Social Como menciona Ciro Torres (www. um balanço de suas atividades sociais. os seguintes tópicos: Dados relativos ao emprego.56 2. condições de higiene e segurança no trabalho. tem a Função Social . 3. junto a estes públicos a imagem de uma empresa sólida. Trata-se da Lei nº 77. fornecedores e comunidade de negócios. o Balanço Social abrange quatro vertentes de relacionamento entre empresa e sociedade: 1. Imprensa: Além de formador e multiplicador de opiniões junto à opinião pública. devendo a empresa. benefícios adicionais. sob a forma de ações sociais 3. Empresa < > Meio ambiente 4. Aceitamos a existência e o valor transcendente de uma Ética social e empresarial. ano em que foi constituída a Associação dos Dirigentes Cristãos de Empresa (ADCE).769 de 12/07/77. segura e cidadã.org. em 1961. 6. Em 1977. Comunidades: Além de beneficiárias diretas das ações sociais da empresa. na França. as comunidades podem exercer influência sobre assuntos de interesse da empresa junto à autoridades e a própria opinião pública como um todo. condições de vida do empregado pago e de seus dependentes. encontra-se o embrião do Balanço Social. a cujos imperativos submetemos nossas motivações. Estamos convencidos de que a empresa. No Brasil. sob o aspecto da empresa como elemento de criação e distribuição de valor ou riqueza. Mercado: Clientes. 5. posta em prática em 1979. verificou-se pela primeira vez a inclusão do tema Balanço Social sob a forma legal. remuneração e encargos. O balanço social confere. outras condições de vida e trabalho relevantes na empresa. 4. com informações do ano corrente e dos últimos dois anos. 1. interesses. Na França em 1972. portanto. 2. É importante que sejam abordadas institucionalmente e também com a finalidade de prestar contas sobre os investimentos sociais feitos. Autoridades: Lideranças ambientalistas. cujos dois primeiros princípios bem ilustram o papel da empresa. Resumindo.

nº mensal de empregados temporários. lucro operacional. 2. portanto. 3. Dados da empresa (faturamento bruto. escolaridade. Este Balanço Social deve conter. número total de horas extras trabalhadas. benefícios aos aposentados. especificando cada item. . tiquete-refeição. valor dos empréstimos aos empregados (só custo). evocando a responsabilidade social para as empresas. Alimentação do trabalhador (gastos com restaurantes. também na década de 80 e em 1992 o BS do Banespa. complementações. programas de qualidade de vida e outros gastos com saúde. 7. percentagem de mulheres em cargos de chefia em relação ao total de cargos de chefia da empresa. Segurança do trabalho (valor dos gastos com segurança no trabalho. Tributos pagos. nº de dependentes menores. entre outras. relacionando em cada item. especificando cada item. Outros benefícios (seguros –valor da parcela paga pela empresa. os valores dos respectivos benefícios fiscais eventualmente existentes. empresas públicas e sociedades de economia mista. fundações previdenciárias. destacando os gastos com os empregados adolescentes. total da remuneração paga a qualquer título às mulheres na empresa. programas de medicina preventiva. tornadas públicas. folha de pagamentos. relacionando em cada item os valores dos respectivos benefícios fiscais eventualmente existentes. bolsas escolares. 4. independente do número de funcionários. transportes. 5. através da RAIS. creches e outros benefícios oferecidos aos empregados. Atualmente tramita no Congresso Nacional um projeto de lei que prevê a obrigatoriedade de publicação do Balanço Social pelas empresas privadas com mais de 100 funcionários. da empresa NITROFÉRTIL. Há pelos menos três décadas as empresas brasileiras devem divulgar informações dos seus empregados. outros gastos com educação e treinamento dos empregados. Dados dos empregados (nº empregados no início e final do ano. gastos com atividades recreativas. Mas foi somente no início da década de 90 que o tema Balanço Social começou a ser discutido no meio empresarial de forma ampla e efetiva. sexo. relacionando em cada item os valores dos respectivos benefícios fiscais eventualmente existentes. Estes foram os precursores. relacionando em cada item os valores dos respectivos benefícios fiscais eventualmente existentes. mas somente para o Governo não sendo. Previdência privada (planos especiais de aposentadoria. lanches. admissões e demissões durante o ano. detalhando o total das remunerações e valor pago a empresas prestadoras de serviço). 9.57 que se realiza através da promoção dos que nela trabalham e na comunidade na qual deve integrar-se”. Seguiu-se o BS do Sistema Telebrás. Encargos Sociais pagos. assinaturas de revistas. Saúde dos empregados (valor dos gastos com planos de saúde. valor do total das horas extras pagas. graças às atividades sociais e artigos publicados pelo sociólogo Herbert de Souza “Betinho”. 10. cor e qualificação dos empregados. cestas básicas e outros gastos com a alimentação dos empregados. relacionando em cada item. especificando os equipamentos de proteção individual e coletiva na empresa. assistência médica. 6. os valores dos respectivos benefícios fiscais eventualmente existentes. valor da participação dos empregados nos lucros da empresa. as seguintes informações: 1. 8. reembolsos de educação. programas de estágios (excluídos salários). gastos com biblioteca (excluído pessoal). discriminando a antigüidade na empresa. De acordo com Rioli (1997) somente em 1984 se tem notícia da publicação do primeiro Balanço Social no Brasil. Educação (valor dos gastos com treinamento profissional. nº de empregados por faixa etária.

a Demonstração do Valor Adicionado (DVA) é um conjunto de informações de caráter econômico. 3 Demonstração do Valor Adicionado De acordo com de Luca (1991). educação. despoluição. Investimentos em meio ambiente (reflorestamentos. normalmente se utiliza este valor e não o da produção. apresentado em geral com as informações do Balanço Social. revela somente a parte da riqueza gerada que pertence aos sócios ou acionistas.58 11. O anexo 2 mostra o novo modelo (2000) proposto pelo IBASE. no entanto. empregados. saneamento. defesa civil. referente a 1997 e 1998 e o anexo 4 o Balanço Social de Calçados Azaléia S/A referente a 1997 e 1998. relacionando em cada item os valores dos respectivos benefícios fiscais eventualmente existentes. sócios/acionistas. onde se apura se a empresa teve lucro ou prejuízo. Investimento na comunidade (áreas de cultura. saúde pública. gastos com introdução de métodos não poluentes e outros gastos que visem à conservação ou melhoria do meio ambiente. habitação. Um exemplo. Esse resultado. Dada a maior facilidade de obter-se informação do valor das vendas através da Demonstração do Resultado do Exercício (DRE). numa empresa.320 340 130 850 300 550 . relacionando em cada item. O anexo 1 apresenta o modelo de Balanço Social (1997) sugerido pelo IBASE. financiadores e governo. Os valores mencionados no Balanço Social deverão ser apresentados relacionando-se o percentual de cada item em relação à folha de pagamento e ao lucro operacional da empresa. segurança. A DVA revela a riqueza gerada pelas atividades da empresa e apresenta de forma separada a parte devida a cada um dos componentes que participam da criação dessa riqueza. Do ponto de vista contábil. 12. os valores dos respectivos benefícios fiscais eventualmente existentes.180 Matéria Prima 600 Mão de Obra 260 Lucro Bruto (-) Despesas Financeiras (-) Impostos Lucro Líquido antes IR (-) Imposto de Renda Lucro Líquido do Exercício 860 1. obras públicas e outros. A avaliação do desempenho de uma empresa é obtida através da DRE. apresentado em de Luca (1991) ilustra o que foi exposto. Trata-se de um relatório contábil que objetiva demonstrar o valor da riqueza gerada pela empresa e a sua distribuição. urbanização. o anexo 3 apresenta o Balanço Social da USIMINAS. o valor adicionado resulta da diferença entre o valor da produção/faturamento e os consumos intermediários (compras a outras empresas) num determinado período. esportes. Empresa GAMA – Demonstração do Resultado do Exercício Vendas (-) CPV 2. assistência social.

1 Como elaborar a DVA De Luca (1998). um exemplo de como elaborar a DVA.Financ. por todas as empresas obrigadas a efetuar escrituração contábil. 3. No Brasil. apresenta no capítulo 6 de seu livro. honorários da diretoria e outros fatores relacionados com a remuneração do trabalho sob suas mais variadas formas. IOF e todos os demais tributos). . IPTU. b. gratificações. De Luca (1991) menciona que em 1975 foi publicado pelo IASC ( International Accounting Standards Committee) o documento intitulado The Corporate Report que recomenda entre outras coisas. ambas utilizadas na produção de bens e serviços: b. IPI. taxas e contribuições (IR.1) Capital próprio São considerados os dividendos. encargos sociais (excluído INSS).) 340 Governo (Impostos) 430 Sócios/Acionistas (LL) 550 1. Na Alemanha a DVA é parte integrante das demonstrações contábeis tradicionais e vem sendo utilizada por vários grupos empresariais.2) Capital de terceiros Constituído pelos juros (remuneração do capital de terceiros pelo uso de empréstimos) e aluguéis (remuneração do capital de terceiros pelo uso de ativos fixos). no qual enfatiza que diversos valores que integram a DVA se obtém de contas usadas na própria contabilidade e que figuram nas demonstrações contábeis tradicionais. II. assistência médica.580 Distribuição: Empregados (MO) 260 Financiadores (Desp. b) Remuneração do capital A remuneração do capital é separada em duas partes.180 (-) Custo dos Produtos Adquiridos de Terceiros (MP) 600 VALOR ADICIONADO 1.59 A Demonstração do Valor Adicionado da empresa é o seguinte: Empresa GAMA – Demonstração do Valor Adicionado Vendas 2. participações nos resultados.580 De acordo com Boletim IOB (12/99) a distribuição do valor adicionado é composta por: a) Remuneração do trabalho Significa a remuneração do fator de produção/trabalho. empregados. existe desde 1991 em tramitação no Senado o Projeto de Lei nº 54 que prevê a instituição da obrigatoriedade de elaboração da DVA. ICMS. com exceção do item “consumo intermediário” (materiais e serviços adquiridos de terceiros). a apresentação da DVA evidenciando a distribuição da riqueza gerada pela empresa entre os investidores. lucros não distribuídos e juros sobre o capital próprio. c) Governo Inclui todos os valores correspondentes a impostos. considerando-se salários. comissões. planos de aposentadoria privada. governo e a parcela reinvestida. transportes.

860 718.220 (332. administrativas e financeiras.000 (24. mão de obra.500 (243.800. As matérias primas devem ser divididas entre as adquiridas de fontes externas e as de fabricação própria e os serviços. a seguinte DRE foi apresentada” (de Luca. s/serviços Receita Líquida de Vendas Lucro Bruto 19x8 3. Nas DRE estas estão agrupadas em despesas com vendas.202 Participação Estatutária dos Administradores Lucro Líquido do Exercício (5.400) 160. Em 19x9. p.844 Nas Notas Explicativas são também identificadas as seguintes informações: .000 966. Situação idêntica ocorre com as despesas.500) 260.000 3. entre aqueles realizados por terceiros e obtidos internamente.000) 4.000) 630. 1998. “Suponhamos que a empresa Delta não elabore a DVA.060 Lucro Antes do IR e da CSL Provisão para IR e CSL Resultado antes da Participação Estatutária 966.000 (25.45-47): EMPRESA DELTA DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO Exercício 19x9 (em $ milhares) 19x9 Receita de Serviços Impostos e Contrib.160) 775.316.440. gastos gerais de fabricação.000) (347.210.000 (2. tornando quase impossível determinar-se externamente o valor adicionado da empresa.640) 722.000 Custo dos Serviços Prestados Despesas/Receitas Operacionais Despesas Administrativas Despesas com Vendas Despesas Financeiras Receitas Financeiras Depreciações Equivalência Patrimonial Lucro Operacional (3. Outro aspecto a considerar é que na DVA o valor dos materiais consumidos (insumos adquiridos de terceiros) deverá incluir os impostos incidentes sobre as compras (ICMS e IPI).000 (360.220 (333.190) (4.672.000) (349.494) 731.230.000 1.000) (286.376 182.60 Normalmente a composição do custo dos produtos e/ou serviços vendidos não é evidenciada o que obriga sua segregação por tipo de custo – matéria prima.110) 140.000 (624.270) (220. o cálculo dos dividendos propostos relativo ao exercício de 19x9 foi: Lucro Líquido do Exercício .Reserva Legal Base para determinação dos dividendos Dividendos propostos (25% do lucro base) ($ milhares) 769.870 (38.107.500 1.870 De acordo com as Notas Explicativas que acompanham as demonstrações contábeis da empresa Delta.000) 5.692.000) (413.107.020. diferentemente do que ocorre na DRE que apresenta o Custo dos Produtos Vendidos excluindo os referidos impostos.000) 1.658) 769.000 1.

760 2.026 4.000 413.400 956. EMPRESA DELTA DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO Exercício 19x9 ($ miilhares) 19x9 Receita de Serviços Menos: Materiais Serviços de Terceiros Outros Materiais e Serviços VALOR ADICIONADO BRUTO 5.160 182.176.000 150.700 636.316.000 4.000 148.100 196.193.270 125.140 5.844 587.000 95.300 333.893.000 Estas informações adicionais permitem elaborar a Demonstração do Valor Adicionado.500 2.000 113.900 347.270 72.918.000 127.110) 3.000 (333.000 191.870 Menos: Depreciação VALOR ADICIONADO LÍQUIDO Receitas Financeiras Equivalência Patrimonial VALOR ADICIONADO + GANHO PELA RIQUEZA GERADA POR TERCEIROS = VALOR ADICIONADO TOTAL DOS NEGÓCIOS Distribuição do Valor Adicionado Empregados Salários e Comissões Participação dos Administradores Financiadores Despesas Financeiras Governo Impostos e Contribuições Acionistas Dividendos Lucro Retido (Lucro + Ganho pela riqueza produzida por terceiros) 160.000) (427.190 286.050.840 94.500 170.160 220.000 140.000 3.020.680.230.000 379.000 19x8 1.760 .61 Custo dos Serviços Prestados Mão de Obra Materiais Serviços de Terceiros Despesas Administrativas Material de Escritório Energia Gastos Gerais Despesas com Vendas Comissões sobre Vendas Outras Despesas 19x9 2.700) (636.760 3.000 333.430) (25.193.

SUCUPIRA. 1997. Marcia Martins Mendes. João. Revista Paulista de Contabilidade. NETO. Revista Brasileira de Contabilidade. Ernesto Lima e SIX. FEA/USP. Balanço Social: uma abordagem sócio-econômica da contabilidade. MER.br/ TINOCO.62 Referências bibliográficas: DE LUCA. ed. GRESSI. Contabilidade Social. Ciro. Edição de 18/09/97. 1991. Jornal Gazeta Mercantil. Balanço Social.ibase. Unijuí. A importância da mineração para o desenvolvimento do Brasil – Balanço Social: como divulgar a contribuição das empresas à melhoria da qualidade de vida. Atlas. Almeida da. 1999.fides. 10/99. Francis.br/ . KROETZ. Dissertação de Mestrado. Revista de Administração de Empresas. jul/ago 1999. As empresas e o meio ambiente. Set/98.C. http://www. São Paulo: ABAMEC. Elisane. Benoit. 11/99 e 12/99. DE LUCA. Cesar. FIPECAFI/FEA/USP. Cesar Eduardo Stevens. Contabilidade e Informação.17-29. nº 4. Marcia Martins Mendes. Responsabilidade social e cidadania empresarial: a administração do terceiro setor. A prática do balanço social da empresa. São Paulo.53-58. TORRES. Ano XXVIII.org. al. nº 118. SANTOS. Demonstração do Valor Adicionado: do cálculo da riqueza criada pela empresa ao valor do PIB. pp.br/ WELBERGEN. São Paulo. http://www. GONÇALVES.Paulo: FEA-USP. 1984. IOB – Boletim Temática Contábil. jul/set 1979. RIOLI. Paula D. J. Demonstração do Valor Adicionado. outubro/99. p. http://www. S.org. ano 2. João Eduardo Prudêncio.ibase. A responsabilidade social da empresa: um enfoque ao balanço social.org. Vladimir Antônio et. Rio de Janeiro: Qualitymark Editora. 1998. Odilanei Morais dos e SILVA. Francisco Paulo de Melo e FROES.

que trazem benefícios intangíveis para as empresas e que capacitam seu funcionamento. Em 1993 a empresa estruturou um modelo de 19 indicadores para a avaliação do capital intelectual. constituindo-se a informação no principal recurso econômico.19) mencionam que o “capital intelectual é um capital não financeiro que representa a lacuna oculta entre o valor de mercado e o valor contábil de uma empresa”.” SKANDIA Assurance & Financial Services.p. etc. passando a divulgá-lo a partir de 1995 aos seus acionistas. apesar de não estarem refletidos nas Demonstrações Contábeis tradicionais. . caracterizada pela força muscular e o recurso da terra. Compreende invenções. como suplemento das Demonstrações Contábeis do grupo. a primeira onda correspondeu à sociedade agrícola.” Brooking (1996. idéias.12) conceitua capital intelectual como “uma combinação de ativos intangíveis. Peter Drucker em 1983 afirmava que “o conhecimento está tomando lugar do capital como força motriz nas organizações do mundo inteiro. Edvinsson & Malone (1998.13) “capital intelectual é a soma do conhecimento de todos em uma empresa. diretores da Escandinávia. mídia e comunicação. O modelo de avaliação da SKANDIA tomou por base uma metodologia de avaliação de ativos intangíveis desenvolvida nas empresas do também grupo sueco Konrad e adotada por mais de 40 empresas suecas.1-16).. projetos.” Para Stewart (1998. Jan Carendi e Leif Edvinsson. experiência geral. 2 Conceituação Segundo Alvarez Lopez & Blanco Ibarra (2000. utilizados para a geração de riqueza na empresa.p. desenvolveram diversos trabalhos que tinham como foco o capital intelectual. informação. a segunda onda correspondeu à sociedade industrial e evidenciou o poder da máquina e recursos das forças de produção e mercado. programas computacionais. fazendo com que o mesmo passasse a ser visto com muito interesse nos meios empresariais e acadêmicos.p. maior grupo de serviços financeiros e de seguros da Também no início dos anos oitenta. vive-se a terceira onda que corresponde à sociedade do conhecimento e se caracteriza pelo poder do cérebro.. e. geram valor para a empresa. É constituído por todo o arcabouço intelectual: conhecimento. É o conjunto de ativos que. o que lhe proporciona vantagem competitiva”.63 Tema 9 CAPITAL INTELECTUAL 1 Considerações iniciais Alvin Toffler escreveu em 1980 que a evolução da humanidade passou por três momentos o quais chamou de “ondas”. “por capital intelectual entendese o conhecimento que pode ser convertido em lucro. na atualidade. p. fruto das mudanças nas áreas de tecnologia da informação. propriedade intelectual e experiência. Essa questão evoluiu de tal forma que a SKANDIA em 1991 criou uma Diretoria de Capital Intelecual a qual foi assumida por Edvinsson. processos.

devem ser considerados alguns aspectos. As partes visíveis que estão acima do solo como tronco. para reforçar o conceito de capital intelectual. Os conhecimentos tácitos existem e podem ser utilizados pelas pessoas. reter. como de fato é. A Sociedade dos Contadores Gerenciais do Canadá – SMAC (1998). mas seu objetivo primordial não costuma ser profissional. conceituou o capital intelectual como segue: “em termos de balanço.” 3 Componentes O capital intelectual compreende três componentes principais: capital humano. O principal desafio das empresas na atualidade. ou por onde pode ser infectada a saúde da árvore de forma irreversível. b) Qualificações profissionais Dizem respeito ao que o indivíduo realiza no seu ambiente de trabalho.64 Os autores utilizam uma árvore como metáfora. ativos intelectuais são todos os itens baseados no conhecimento que a Companhia possui. que deverão produzir um fluxo de benefícios futuros à mesma. um manual operacional de franquia. manuais. não registrados na contabilidade. Por sua dificuldade de gravar e documentar os conhecimentos tácitos. tanto atual como potencial para a organização. permitindolhe demonstrar que compreende e domina as técnicas e conhecimentos exigidos para realizar bem a sua tarefa. não se tratando das qualificações profissionais uma vez que a educação não prepara a pessoa para realizar um trabalho determinado. constituem os ativos tangíveis registrados na contabilidade e evidenciam a solidez e saúde do patrimônio da empresa e a imagem conhecida pelo mercado. De acordo com Brooking (1997) ao se tentar determinar o valor do indivíduo. Se encontram bem organizados no cérebro das pessoas e também podem ser transmitidos em livros. cabe a organização saber exatamente quem os possui e tratá-los como ativo importante. habilidades. A educação superior aumenta o nível de educação. Os conhecimentos explícitos podem ser documentados por escrito. etc. c) Conhecimentos técnicos associados com o trabalho Esses conhecimentos podem ser: tácitos. como os seguintes: a) Educação Trata-se da educação formal que todo indivíduo deveria ter recebido na escola de 6 a 16/18 anos. capacidades e poder criativo dos membros da organização. capital estrutural e capital relacional (clientes). Por exemplo. galhos. mas de grande importância uma vez que são estas que captam os elementos essenciais de sobrevivência da árvore como umidade e nutrientes. constitui a base para poder edificar outros aspectos do indivíduo. A educação assim concebida.1 O capital humano É composto pelos conhecimentos. A parte oculta formada pelas raízes são os ativos intangíveis. folhas e frutos. desenvolver e aproveitar ao máximo o talento humano que será cada vez mais a sua principal vantagem competitiva. explícitos e implícitos. porém é bastante difícil de serem explicados. Todos os conhecimentos . 3. consiste em atrair.

processos de gestão. exigindo-lhes impulso para modificar. Como exemplos podem ser citados: capacidade para desenhar uma estratégia de marketing na empresa. Uma força de trabalho com capacidade de iniciativa constitui-se num extraordinário ativo. etc. Esta filosofia de capacidade de iniciativa cria uma mudança de mentalidade junto aos trabalhadores. atributos da personalidade. são considerados verdadeiros especialistas. capacidade de ensinar. tendo um efeito imediato sobre a cultura corporativa. capacidade de iniciativa e gestão da qualidade total. idiomas. configura registro de conhecimentos. b) o capital tecnológico formado por patentes. etc. Estas filosofias mudam com o tempo e se constituem num reflexo dos estilos de direção e motivação dos empregados. d) Avaliação e psicometria ocupacionais A avaliação ocupacional consta de provas objetivas. suas potencialidades e formas em que pode trabalhar na organização. realizadas através de testes. aptidão em tecnologia da informação. e) Competências associadas com o trabalho Os ativos humanos que impulsionam e respondem às demandas do mercado possuem um valioso conjunto de competências associadas ao trabalho. . Exemplos: Teste de raciocínio lógico/crítico. As pessoas que os detém. provas psicométricas e de personalidade. tecnologias de processo e de produto. 3. melhorando as práticas de trabalho da companhia. Capacidade de iniciativa – A tendência das empresas do terceiro milênio é ter uma cultura corporativa cada vez mais participativa e menos autoritária. e que fazem com que as coisas aconteçam. copyrights. nos métodos e também na cultura da organização. interesse profissional.1997). novas fórmulas de reflexão sobre a pessoa humana. qualificações profissionais e capacidade criativa. franquias. capacidade para trabalhar bem em equipe na empresa. cultura organizacional. relação com os clientes. A mensagem do Kaizen é de que não pode passar nenhum dia sem que alguém não tenha conseguido algum tipo de melhora na companhia. capacidade para dirigir um projeto na empresa. Atualmente a carteira de testes é bastante sofisticada e proporciona tanto à pessoa como à organização. Algumas filosofias consideradas como ativos são: Kaizen (melhoria contínua). desde a alta direção até os trabalhadores. É difícil transferir esta classe de conhecimentos de uma pessoa a outra. Filosofia de gestão Refere-se à forma como os líderes da companhia refletem sobre a organização e seus empregados. significando que existem indivíduos em todos os níveis da organização que questionam processos e decisões. Trabalhar com especialistas no sentido de recopilar e documentar este tipo de conhecimentos.2 O capital estrutural Este compreende: a) o capital relativo a infraestrutura da empresa como: filosofia de gestão. etc. (Brooking. Há empresas em que a filosofia de gestão em vez de ser um ativo é um passivo. Os conhecimentos implícitos se encontram ocultos nos procedimentos operacionais. etc. sistemas de tecnologia da informação.65 operacionais relativos à mesma devem constar por escrito e devem ser entregues ao franqueado. Kaizen – trata-se de uma filosofia de gestão japonesa que se baseia num processo de melhoria contínua e que compromete toda a organização. Essas competências são uma mescla integrada de técnicas.

Distingue três aspectos (Alvarez Lopes & Blanco Ibarra.as bases de informação. Quando todos os empregados desempenham suas atividades diárias dentro desta característica do negócio. ritos e rituais aceitos e compartilhados mantém a empresa firme quando reage diante criada nas altas esferas da companhia e quase cultura corporativa é um ativo quando apoia a filosofia de gestão. a relação entre a empresa e a sociedade e a imagem que a sociedade tem da empresa. Sistemas de tecnologia da informação Proporcionam os meios que possibilitam implantar muitos processos de gestão e. o conjunto se converte num ativo muito importante. medilos e gerenciá-los.as competências e o saber fazer dos dirigentes e do pessoal. feitas na empresa.1 O Contexto Econômico A riqueza das nações está atualmente ligada à criação. O comércio internacional nas empresas baseadas em conhecimentos é 5 (cinco) vezes mais importante que nas empresas baseadas na exploração dos recursos naturais. especialmente clientes e fornecedores. transformação e capitalização dos conhecimentos. cabendo identificá-los. incluindo a cadeia de abastecimento. 4. Cultura corporativa Trata-se da forma como as coisas são valores. . O ativo ou capital relacional constitui o motivo pelo qual uma empresa é adquirida por uma soma muito superior ao valor contábil. tornam-se um ativo corporativo. na medida em que cumprem esta função de forma eficaz. Também fazem parte as colaborações e alianças com outras empresas. têm um crescimento muito maior do que aquelas baseadas na exploração dos recursos naturais e processos industriais. As indústrias baseadas sobre a aquisição. transformação e capitalização dos conhecimentos. uma vez que é fundamental estabelecer-se mecanismos para por em prática a filosofia empresarial e assegurar que cada pessoa ocupe o posto mais adequado para que as coisas aconteçam da forma mais adequada possível.66 Gestão da qualidade total – Aponta para a qualidade em todos os níveis do desenvolvimento. 4 Contexto O Financial and Management Accounting Committee (IFAC). .2 O contexto contábil A contabilidade tradicional não está adaptada para medir: . elaboração de produtos e prestação de serviços. A cultura corporativa dos caprichos do mercado ou da direção. Admite-se que os conhecimentos representam um fator crítico para a competitividade das empresas e que é preciso considerá-los como ativo. 2000): 4. A consecução dos fins empresariais e reflete a Processos de gestão São importantes para implementar a filosofia de gestão. defini-los. publicou recentemente um estudo sobre os conceitos básicos relacionados com a medição e gestão do capital intelectual e o possível papel dos contadores nesse processo.3 O capital relacional Se refere ao valor da empresa derivado de suas boas relações com seu ambiente externo. e compreende todos os pela força de trabalho. 3. É sempre reflete os valores dos fundadores.

que o capital humano é o fundamento do capital estrutural e que a interação destes permite a criação do capital relacional. p. operacionais e afetivas 5 Gestão do Capital Intelectual A necessidade de estabelecer um elo de ligação entre a gestão do Capital Intelectual e os objetivos estratégicos da empresa. o lucro sobre investimentos realizados para aumentar o capital intelectual. Custos ou causa dos custos Aplicação das novas técnicas ou novas ferramentas Baseado sobre processos (cadeia de produção) Tendência à baixa Posição hierárquica Hierárquica Ótica da Era do Conhecimento Agente de transformação dos conhecimentos brutos em CI para criar riqueza Criação de processos ou de novos ativos Baseado sobre idéias Tendência à alta em função da criatividade Nível de conhecimentos Redes funcionais. no entanto. de uma maneira geral.3 O contexto empresarial A mentalidade dos dirigentes ainda está condicionada por valores desenvolvidos na era industrial. podem ser assim resumidas (Malhotra apud Alvarez Lopez & Blanco Ibarra. franquias. o aumento ou diminuição do capital intelectual.Por meio de uma análise e interpretação da cadeia de valor. patentes. etc. 2000. cuja gestão é assim resumida pelo órgão: A gestão do capital humano implica: . A abordagem elaborada pelo IFAC (1999) trata da análise do Capital Intelectual entre os seus três componentes já examinados anteriormente.identificar as competências que devem ser desenvolvidas ou adquiridas para alcançar os objetivos estratégicos. A gestão do capital estrutural: .5): Aspectos Percepção do pessoal pelos dirigentes Objetivo da formação Fluxo de produção Lucro sobre investimento Base de poder dos dirigentes Base de fluxos de informação Ótica da Era Industrial Fator de Produção. têm levado a diferentes enfoques por parte das mesmas.desenvolver um sistema capaz de fornecer os conhecimentos e competências quando necessários. pode-se chegar à gestão deste capital de forma sistemática.estabelecer um inventário das competências do pessoal.67 as capacidades tecnológicas. O único aspecto do capital intelectual levado em consideração na contabilidade tradicional é a propriedade intelectual. . As diferenças entre estas percepções e as que dão fundamento à valorização dos conhecimentos. . A gestão do Capital Intelectual é específica em cada empresa. 4. marcas. . Para o IFAC o valor criado varia em função do grau de interação entre os citados componentes do Capital Intelectual. Considera-se.

qualidade e utilização de bancos de dados. .satisfação pelo serviço do sistema de informação. .% de novas idéias implementadas. . . orientação de programas de capacitação e treinamento. 6 Mensuração do Capital Intelectual A mensuração do capital intelectual assume grande relevância na medida em que informações gerais da organização passam a ser divulgadas para os gestores internos. .custo do sistema de informação por $ 1. A mensuração do capital intelectual pode ser efetuada com a ajuda de diversos índices (IFAC.a percepção dos clientes em relação a qualidade dos bens e serviços e diferentes aspectos da qualidade.o desempenho da empresa em relação ao de seus competidores para cada aspecto da qualidade.00 de vendas. 1996 apud Antunes.experiência na profissão (número de anos).valor adicionado por unidade monetária de salário . 2000): Indicadores do capital humano . 1999. análise do valor da empresa. . . .os processos e ações no interior da empresa que têm um impacto no desempenho da organização com respeito aos concorrentes para cada aspecto da qualidade e custo.os critérios de eleição dos clientes entre os fornecedores potenciais dos bens e serviços.número de vezes que o banco de dados foi utilizado. . ampliação da visão organizacional. . Indicadores do capital estrutural . . e que orientam a mesma para os seguintes aspectos (Brooking.as causas de aumento ou diminuição das cotas de mercado. identificação de recursos necessários em ativos intangíveis.% de empregados com menos de dois anos de experiência.68 A gestão do capital relacional (exige uma série de técnicas e ferramentas para compreender): .valor adicionado por empregado. .número de patentes.reputação dos empregados da companhia com os headhunters.novos produtos introduzidos por empregado. . .% de empregados que sugerem novas idéias .número de novos produtos introduzidos. Alvarez Lopez & Blanco Ibarra. . . . . .lucro por $ 1.prazos médios de desenvolvimento de novos produtos. .00 investido em sistema de informação.satisfação dos empregados.custo de manutenção de patentes.cifra de negócios relacionada com gastos de pesquisa e desenvolvimento. . 2000): Planejamento da pesquisa e desenvolvimento.a percepção dos clientes em relação ao custo dos bens e serviços fornecidos pela empresa em relação aos concorrentes. .lucro por investimentos em pesquisa e desenvolvimento. usuários externos e acionistas. .número de equipes multi-funcionais. .

. das 111 medidas do capital intelectual que dão base a Demonstração Universal do Capital Intelectual. de acordo com os focos que adotaram. O objetivo da função do capital intelectual consiste no seu crescimento e desenvolvimento como valor visível e duradouro. são os seguintes: 1 – Indicadores do Foco Financeiro Os indicadores que adotam o foco financeiro estão representados em valores ou percentagens. . o seguinte parágrafo (Brooking. foco no cliente. Alguns indicadores se confundem com os apresentados no Balanço Social ou identificados por Kaplan & Norton (1997) e que compõem o Balanced Scorecard.satisfação dos clientes. Indicadores do capital relacional .retorno de produtos em relação às vendas. metodologia de gestão e avaliação de desempenho desenvolvida pelos autores.% de negócios que seu produto/serviço representa (em termos monetários) em relação a clientes/ fornecedores A empresa SKANDIA publicou em 1993 seu primeiro Relatório Anual sobre Capital Intelectual. . no qual constava. proporção de lucro na introdução de novos produtos. . Exemplos de medidas do foco financeiro incluem: . entre outras coisas. entre outros. técnicas profissionais e interculturais que possuímos no global da nossa organização.reclamações dos clientes. tecnologia organizacional. Na realidade seu verdadeiro objetivo é converter o coeficiente de inteligência em dinheiro.crescimento no volume de negócios. redução dos custos). Os principais indicadores em cada categoria ou foco.69 valor das novas idéias (aumento das vendas. experiência aplicada.” 7 Mensuração do Capital Intelectual pela SKANDIA Edvinsson & Malone (1997) consolidaram os 164 indicadores da SKANDIA AFS em 5 grandes categorias.% das vendas realizadas com clientes regulares. complementar do balanço patrimonial tradicional. 1997): “Na SKANDIA AFS o capital intelectual eqüivale. relações com os clientes. os conhecimentos coletivos arraigados no capital humano e capital estrutural. que dão a SKANDIA uma vantagem competitiva no mercado. . isto é. foco de inovação e desenvolvimento e foco humano. Incluem cálculos do retorno do investimento e outros coeficientes financeiros tradicionais.número de alianças com clientes/ fornecedores e seu valor. Os focos são os seguintes: foco financeiro. . . O valor do capital intelectual está determinado pelo maior ou menor grau em que os ativos imateriais podem converter-se em ingressos financeiros para a empresa. Ainda segundo Edvinsson & Malone (1997).lealdade a marca. foco no processo. O modelo desenvolvido destaca fatores críticos de sucesso que devem ser avaliados e incorporados à estratégia da empresa. aos conhecimentos. considerada como um conjunto. a publicação de indicadores de avaliação do capital intelectual requer coragem por parte da gerência e demonstra o grau de ética e filosofia empresarial da empresa.

70 Faturamento por empregado Valor adicionado por cliente Lucro por empregado Receita de novos clientes sobre o total das receitas Valor adicionado por empregado Índice de perdas em relação à média do setor Valor adicionado por tecnologia de informação empregada 2 – Indicadores do Foco no Cliente Cota de participação no mercado Número de clientes por empregado Número de clientes perdidos Número de visitas dos clientes à empresa Número de dias empregados em visitar clientes Vendas anuais por cliente Índice de satisfação dos clientes Média de duração do relacionamento com clientes Média de tempo entre contato com cliente e venda Número de pontos de venda 3 – Indicadores do Foco no Processo -Gasto administrativo por total de receita -Custo de erros administrativo por rendimentos da diretoria -Pcs e Lap tops por empregado -Capacidade de trabalho por empregado -Gasto com tecnologia da informação por empregado -Empregados trabalhando em casa/ total dos empregados -Conhecimentos de informática dos empregados -Mudanças nas tecnologias da informação 4 – Indicadores do Foco de Inovação e Desenvolvimento -Gastos de treinamento por empregado -Despesas de treinamento / despesas administrativas -Gastos de desenvolvimento de competência por empregado -Horas de treinamento -Despesas com desenvolvimento de negócios/ despesas administrativas -Gastos com pesquisa e desenvolvimento / despesas administrativas -Montante investido em pesquisas básicas -Montante investido em desenvolvimento de novos produtos -Recursos de pesquisa e desenvolvimento/ total dos recursos -Despesas de treinamento em tecnologia da informação/ despesas com TI 5 – Indicadores do Foco Humano -Índice de liderança -Índice de motivação -Índice de empowerment -Número de empregados -Número de diretores -Média de idade dos diretores -Rotatividade anual de empregados permanentes de tempo integral -Número de chefes/gerentes do sexo feminino -Idade média dos empregados -Número de empregados temporários -Tempo despendido em treinamento em cada ano .

Na verdade. pouco utilizados. EMPRESA Maximização de lucros no Mercados Produtos. Em muitos casos. é transformá-los em produtos com valor agregado. Sendo o meio ambiente um potencial de recursos ociosos ou mal aproveitados. ao mesmo tempo em que a empresa é compelida a dar respostas às exigências do mercado e à regulamentação legal. sua inclusão no horizonte de negócios pode resultar em atividades que proporcionem lucro ou pelo menos se paguem com a poupança de energia. A ética ambiental passa a fazer parte da missão da empresa. Nesse modelo reativo. onde a responsabilidade ambiental integra-se à sua estrutura organizacional. de água ou de outros recursos naturais. Os especialistas em questões ambientais classificam esse comportamento de reativo. COMPORTAMENTO AMBIENTAL REATIVO (modelo de Baumol. 1979) Poluição Controle de Poluição Inovações. no longo prazo. Conservar energia é reduzir custos de produção (Ignacy Sachs). os resíduos convenientemente utilizados tornam-se produtos rentáveis. etc. Reciclar resíduos. no curto prazo. . a empresa vivencia uma permanente contradição entre responsabilidade ambiental e lucro. A redução desses desperdícios constiui verdadeira reserva de desenvolvimento para o Brasil e fonte de bons negócios para empresas decididas a enfrentar o problema. Serviços. O meio ambiente é um manancial de recursos latentes. Recursos Curto prazo Órgãos de Controle O reativo contrapõe-se ao comportamento ético ambiental da empresa. por exemplo. A imensa maioria das empresas brasileiras ainda restringe sua responsabilidade ambiental ao atendimento à legislação de controle da poluição da água. e o meio ambiente é visto como novas oportunidades de negócios. a competitividade da empresa é afetada. do ar e do solo.lo como nova oportunidade. as empresas devem ultrapassar a visão unilateral do meio ambiente como um custo e considerá.71 Tema 10 GESTÃO/ CONTABILIDADE AMBIENTAL (Fascículos encartados na Gazeta Mercantil) Na medida em que a responsabilidade ambiental é considerada um custo adicional. A economia brasileira caracteriza-se por elevado nível de desperdício de recursos energéticos e naturais. Ele busca a maximização dos lucros. importantes de serem identificados e valorizados economicamente.

3) Num mundo real de competição dinâmica. Inicialmente. Mercados Produtos. isso depende do grau de compromisso ambiental da empresa. a gestão ambiental vem se tornando um plus na competitividade. a variável ambiental não pode mais ser ignorada. Sua incorporação. O passivo ambiental de uma empresa. nem as oportunidades existentes de melhoria do fluxo de caixa ou lucros e perdas. p. É possível encontrar-se custos que jamais se houvesse pensado. especialmente no Canadá. longo prazo Sociedade Comunidade Ambientalistas Órgãos de Controle (Fascículo 1. cujo cálculo adequado desafia hoje as auditorias contábeis. pois o processo requer um sistema de contabilidade pormenorizado. Não é tão simples quantificar todos e quaisquer custos ambientais. a maioria dos benefícios aparecem a longo prazo.de forma a compensar os gastos feitos para preservar mais o meio ambiente. Recursos EMPRESA Desenvolvimento sustentado. nos balanços de empresas potencialmente poluidoras.96. Organizacionais. custos ou benefícios ambientais são geralmente excluídos ou não são explicitados. 27. .qualidade dentro do contexto de desenvolvimento sustentável. As inovações permitem que as empresas usem mais produtivamente uma série de insumos . É grande a demanda por inovações tecnológicas redutoras de poluição nos processos produtivos. Gestão Ambiental. O correto equacionamento/levantamento dos custos ambientais na empresa pode apresentar boas surpresas. vem se tornando comum. No processo contábil convencional da maioria das empresas. 1).de matérias primas a fontes de energia . 20-03-96.1992) Oportunidades Ambientais Tecnológicas. etc.03.72 COMPORTAMENTO ÉTICO AMBIENTAL DA EMPRESA (Modelo de Tomer. Serviços. Em geral.Consumidores Poluição Controle de Poluição Inovações. Vinculada ao planejamento estratégico das empresas mais modernas. as metas de qualidade e competitividade não agregavam explicitamente a variável ambiental. há uma reconceituação do padrão de concorrência . p. pode comprometer seriamente o seu patrimônio e sua permanência no mercado. Hoje. Conciliar a competitividade com a proteção ambiental constitui-se no desafio às empresas modernas (Michael Porter “A vantagem competitiva das nações”). assim como não se imagina os desperdícios substanciais que significam a soma de todos esses custos. Novos padrões ambientais adequados podem dar início a um processo de inovações que diminua o custo total de um produto ou aumente o seu valor. tal como a gestão da qualidade. mas valem a pena (Fascículo 2 “Gestão ambiental”. Se como ativo ou passivo.

os crescentes investimentos em recuperação e proteção ambiental ganharam peso na avaliação econômico-financeira do patrimônio das empresas.financeiras das empresas. Em seguida. ao mesmo tempo. Da mesma forma. vem se tornando comum nos países mais desenvolvidos. Nas últimas duas décadas. especialmente. ao longo do tempo. No Brasil. com a identificação das não conformidades para com os requisitos legais e com sua política ambiental. é difícil a avaliação do ativo ambiental. Em geral. No Brasil. e com o nível de exigência de solução determinado à empresa pela sociedade ou pelo setor público. Conforme a amplitude dos custos. A incorporação da variável ambiental nos balanços contábeis de empresas de capital aberto potencialmente poluidoras. o passivo ambiental da empresa é avaliado mediante auditoria especializada em suas unidades produtivas. para que finalmente as soluções sejam valoradas monetariamente. como na determinação dos efeitos da poluição atmosférica e hídrica causada pela empresa. São avaliados contabilmente os custos ambientais que a empresa possa ter mais adiante e seu grau de compromisso com as pendências ambientais em geral. Em geral. incorporação. permitir ao usuário avaliar estas informações. nas demonstrações contábeis das empresas. o IBRACON estuda como inserir. Uma corrente de pesquisadores brasileiros entende que todos os bens possuídos pelas empresas que visem à preservação. faltam critérios de avaliação objetivos. Profissionais e empresas de auditoria contábil desenvolvem metodologias para mensurar e apresentar. bem como na valoração do bem público . em seus relatórios. face a complexidade da cadeia de fatores a serem considerados. o volume de investimento é relacionado com o grau de degradação imposto ao meio ambiente. limitam-se a apresentar seus pontos ambientais positivos e as medidas de prevenção a acidentes adotadas em suas unidades produtivas. comparativamente aos demais elementos que compõem tais informações e tais demonstrações. de forma de transparecer suas ações e.financeiros. passou a ser exigido com mais frequência. os auditores chegam a sugerir a criação de “fundo de contingência” para cobertura. a evidenciação do passivo ambiental nos processos de cisão. É necessária a criação de indicadores regionais e setoriais de desempenho ambiental que auxiliem no cálculo do custo ambiental agregado às atividades da empresa. o registro do passivo ambiental nos balanços patrimoniais. em decorrência de pagamento de indenizações ou de paralisação das atividades. venda e privatização de empresas estatais.73 No mundo todo cresce a aplicação da auditoria contábil ambiental nos processos de fusão e aquisição de empresas. O desafio aceito pelo IBRACON é o mesmo de analistas contábeis em todo o mundo: como registrar de forma incontestável o peso da responsabilidade ambiental nas demonstrações econômico.meio ambiente. os balanços contábeis de algumas empresas potencialmente poluidoras apresentam apenas notas explicativas de suas atividades ambientais. . proteção e recuperação ambiental devam ser segregados em linha à parte das demonstrações contábeis. para indústrias consideradas potencialmente poluidoras. A valoração do custo da degradação ambiental provocada pela empresa ainda enfrenta dificuldades. Em geral. Face às dificuldades. muitos dos quais suscetíveis à mudança com o tempo. faz-se a avaliação da área contaminada. Assim. dando maior segurança aos investidores. informações fidedignas sobre atividades impactantes ao meio ambiente. ainda enfrenta dificuldades. os riscos ambientais que possam causar efeitos negativos ao meio ambiente e aos resultados econômico. Além do mais.

27.03.96. pouco aproveitamento dos recursos humanos. Além disso. 03. .PRINCIPAIS CUSTOS » Multas. de 75% no refugos e repetição de tarefas. além do empenho. um aumento de 50% no custo de desenvolvimento reduz a lucratividade em 3.04. compondo equipe multisetorial.96. a qualidade total do projeto pode melhorar de 100% a 600% mais que os processos desenvolvidos anteriormente. tendo em vista a inclusão da variável ambiental em seu design. de 20% a 90% no tempo de introdução do produto. 75% do custo de um produto são decididos no estágio de projeto conceitual. Na engenharia simultânea participam do projeto não apenas o setor de produção. p. é imprenscindível que a empresa conheça os custos associados à implementação do sistema.04. taxas e impostos a serem pagos face à inobservância de requisitos legais » Custos de implantação de procedimentos e tecnologias que possibilitem o atendimento às não conformidades » Dispêndios necessários à recuperação da área degradada e indenização à população afetada (Fascículo 2 “Gestão Ambiental”. mas todos os setores envolvidos em cada uma das etapas do ciclo de vida do produto. assim como os benefícios (redução de custos. Os números constituem poderoso estímulo para se repensar a concepção do projeto do produto.96. Com a engenharia simultânea. da qual se requer. p. Como resultado. 3) AVALIAÇÃO DE CUSTOS AMBIENTAIS (Fascículo 6 “Gestão Ambiental”. 24. A criação e desenvolvimento do design ambiental desponta como alternativa viável para grande parte dos problemas ambientais. criatividade.5%.5) A implementação de um Sistema de Gestão Ambiental (SGA) pode trazer para a empresa compensações econômicas. que tende a aumentar à proporção que esses requisitos se tornam mais restritivos. de 60% na frequência de falhas de campo. de 60% a 95% nas mudanças na engenharia. além de diversas outras vantagens. A tendência é que as empresas gastem cada vez mais com as questões ambientais se não as administrarem de forma sistematizada. mediante a engenharia simultânea. Benefícios do design ambiental » redução de custos » redução do passivo ambiental » maior satisfação dos clientes » melhoria de desempenho » novos mercados » melhoria de imagem da empresa » permanência do produto no mercado ( Fascículo 3 “Gestão Ambiental”. enquanto um atraso de seis meses na colocação do produto no mercado corta a lucratividade em 33%.etc). os custos tendem a crescer por diversos fatores já indicados (ênfase nas ações emergenciais. se a empresa não tiver um sistema implementado. segundo Homero Schneider. 6) Segundo William Davidow. ganhos efetivos) obtidos. p.74 PASSIVO AMBIENTAL . Há amplo terreno às inovações. pois é recente a incorporação da variável ambiental no design do produto. de 30% a 85% nos defeitos. É importante lembrar que o atendimento aos requisitos legais tem um custo (custos de conformidade). há reduções de 50% no tempo de desenvolvimento do produto. Para a verificação deste fato.

é fundamental que todos esses custos sejam levantados e alocados aos processos produtivos de origem. recursos legais.associados a não conformidades resultantes de uma gestão ambiental inadequada (multas de órgãos de controle. Assim. projetos. gestão de produtos perigosos. redução da produtividade dos empregados.Custos de capital (instalações e equipamentos. Verificar se haverá o acréscimo de atividades (e custos) em programas já existentes. Separar os custos de capital dos custos operacionais. Identificar os custos a serem eliminados pela implementação do projeto (exemplo: eliminação de multas pela implantação de um sistema de controle). atendimento aos requisitos legais (custos de conformidade). . 2. identificar os custos diretos associados a cada projeto. manutenção dos sistemas de controle. Exemplo: disposição de resíduos. .maior aceitação pelo mercado. . Custos e benefícios intangíveis: não podem ser diretamente associados a um produto ou processo. Benefícios (custos negativos): . gestão da qualidade da água.No estabelecimento dos objetivos e metas e na elaboração do plano de ação. .custos operacionais são reduzidos pela eliminação de desperdícios e pela racionalização da alocação dos recursos humanos.melhoria da imagem da empresa.(monitoramento. utilidades (água. Redução de custos e riscos: .Custos operacionais (materiais de trabalho. inclusive os custos relacionados às ações legais. O levantamento dos custos deve ser feito alocando-os em diferentes categorias. mesmo que sua determinação exata não seja possível nesta fase. . Tem como característica o fato de serem identificados pela associação de um resultado a uma medida de prevenção adotada. (deterioração da imagem da empresa no mercado. .custos de conformidade crescentes (padrões mais restritivos). remediação de áreas contaminadas (passivos ambientais). uma vez que não há retorno palpável. Custos diretos: facilmente alocados a um produto. É um primeiro passo na adoção de um custo indireto a um projeto específico. do ar e dos resíduos. disposição de resíduos). treinamento. Para que a empresa passe a ter um controle de seus custos ambientais. .Verificar a situação atual da empresa em relação a custos da não conformidade. com consequências nos custos de ações de emergência e remediação. ações legais por disposição inadequada de resíduos. Fatos: 1.Identificar os custos indiretos associados. Custos indiretos: não diretamente alocados a um processo específico . processo ou unidade . mas acabará dando resultados positivos se for desenvolvido de forma sistemática.75 Paradigma: A implementação de um SGA envolve custos que podem ser inviáveis para a empresa. . . 2. ações trabalhistas decorrentes de condições inadequadas de saúde e segurança da empresa. podem ser reduzidos pela implementação do SGA. O trabalho pode ser eventualmente complexo. seguros) 3.Ficar atento para os benefícios intangíveis advindos da implementação do plano de ação. 4. físicos e financeiros. as diferentes categorias de custos são as seguintes: 1. energia. deixam de existir os custos do controle ambiental da empresa e passam a existir os custos da manutenção da qualidade ambiental de uma determinada unidade ou processo. De uma forma bastante simplificada.melhoria organizacional da empresa. Custos da não conformidade . ar-comprimido e gases industriais). construção) .riscos de acidentes e passivos ambientais são reduzidos. aumento do tempo e dos custos relativos ao licenciamento junto ao órgão de controle).

auditoria de conformidade legal . seguradoras. de seus fornecedores e clientes e que seja acreditada por um organismo específico. “Gestão Ambiental”.possibilidade de comparação entre custos ambientais decorrentes da implementação do SGA e os custos com os quais a empresa teria que arcar sem a implementação do sistema .otimização da elaboração do plano de ação nas rodadas subsequentes do SGA. 3. A auditoria ambiental nada mais é que o retrato momentâneo do desempenho ambiental da empresa. isto é. atendendo ao padrão ambiental definido no escopo da auditoria. é muito semelhante à auditoria de sistema de gestão ambiental. dentro do SGA.96. na média. A adoção de um programa de auditoria ambiental nas empresas passa por três fases: FASE 1 . por parte da empresa. de fatos. independente e sistemática.auditoria de responsabilidade . O objetivo da auditoria ambiental define sua classificação. Em geral. normas e regulamentos aplicáveis e aos riscos potenciais de acidentes. 3 . É necessário que a empresa implemente um programa de auditoria ambiental para otimizar os benefícios que a sua prática proporciona.04. de medidas corretivas às não conformidades identificadas. . 2 . com os princípios da ISO 14001. eliminação dos custos da não conformidade .identificação de oportunidades de melhoria para a redução dos custos diretos e indiretos. p. Os procedimentos seguidos em sua aplicação são semelhantes.avalia a conformidade do SGA da empresa com requisitos específicos.avalia a conformidade do SGA da empresa com princípios estabelecidos nas normas pelas quais a empresa esteja desejando se certificar. com os seguintes benefícios para a empresa: . pelo maior conhecimento pela empresa dos custos envolvidos. por exemplo. mas não os elimina. governo. 3) A auditoria ambiental voluntária ou compulsória é uma investigação documentada. 4 . a auditoria deve ser realizada periodicamente. para ser eficaz. critérios de aplicação e resultados. é estabelecida a frequência das próximas auditorias. há necessidade de implementação. a periodicidade das auditorias varia conforme o potencial de degradação e de risco potencial da empresa. acionistas. ela verifica se a empresa está.usada para identificar a conformidade da unidade auditada com a legislação e os regulamentos aplicáveis.otimização da adoção de recursos . etc. o que definirá seu escopo. documentos e registros relacionados com o meio ambiente. Logo.destinada a avaliar o passivo ambiental das empresas. investidores.76 Conclusão: O acompanhamento sistemático dos custos ambientais.auditoria de certificação ambiental . 30. a menos que deve ser conduzida por uma organização que seja comercial e contratualmente independente da empresa. Dentre os tipos mais aplicados destacama-se: 1 .a auditoria identifica o desempenho ambiental da unidade auditada. em função do número de não conformidades e da relevância destas. o que leva às seguintes conclusões: 1. COMO USAR AS AUDITORIAS AMBIENTAIS (Fascículo 7. momentaneamente.auditoria de sistema de gestão ambiental . Por isso. levará a uma identificação cada vez mais definida dos mesmos. é necessário que a alta direção da empresa esteja interessada nos resultados da auditoria e comprometida com as soluções necessárias. sua aplicação investiga a possibilidade de ocorrer um acidente ambiental e da empresa não vir a atender aos requisitos legais. 2. dando ênfase à avaliação da conformidade com a legislação. procedimentos. Ela pode ser usada para atender a objetivos próprios ou a clientes. O prazo de um ano pode ser considerado mínimo.identificação ao longo do tempo dos custos e benefícios intangíveis .

77 FASE 2 . bem como os recursos que deverão ser alocados e as datas da realização da atividade de campo. o escopo. da eficácia destas ações corretivas e o . São utilizados métodos estatísticos de amostragem nas investigações e nas análises dos documentos e procedimentos. avaliar registros anteriores (caso existam). preparar o itinerário da atividade de campo e elaborar a lista de verificação específica. ser estabelecidos prazos e responsáveis pela implementação das ações corretivas adequadas. os auditores podem fazer uma visita prévia à unidade a ser auditada para reconhecimento da empresa.a empresa já definiu sua política de meio ambiente e a auditoria é realizada para confirmar se o desempenho ambiental está em conformidade com essa política. FASE 3 . é elaborado o relatório final. A preparação tem por objetivo obter e avaliar a documentação aplicável.as não conformidades encontradas nas auditorias anteriores já foram ou estão sendo corrigidas. O desempenho ambiental da empresa já atingiu um patamar superior. ATIVIDADES DE UMA AUDITORIA A realização de auditorias deve obedecer a sequência apresentada a seguir: 1. das distâncias e inclusive para “quebrar o gelo”. objetivamente. o auditado deve elaborar um Plano de Ação Corretiva para garantir que as não conformidades identificadas na auditoria sejam eliminadas. Atividades de campo As atividades de campo iniciam-se com a reunião de abertura. inspeções e análises de documentos são reunidas evidências objetivas de conformidade ou de não conformidade com padrões pré-estabelecidos. onde são relatadas. a ser encaminhado ao cliente. a equipe de auditores percorre as instalações e áreas a serem auditadas. A fase de campo é finalizada com uma reunião de encerramento onde os auditores apresentam aos auditados os resultados da auditoria. Para minimizar o tempo despendido pelos auditores na unidade a ser auditada e. o desempenho ambiental da empresa já pode ser considerado satisfatório. o critério da auditoria. Atividades pós-auditoria Na fase pós-auditoria. onde por meio de observações. deve ser precedida de uma fase de planejamento e preparação. a duração. entrevistas. Nesta fase. do processo. Devem. De posse do relatório. Aos auditores cabe a avaliação acompanhamento de sua implementação. Em seguida. O planejamento é essencial para que sejam definidos o objetivo. provavelmente. 2. Atividades de pré-auditoria A auditoria propriamente dita. em cada um dos respectivos setores auditados. as conformidades e não conformidades encontradas. relatar os resultados desta avaliação a todos os membros da equipe de auditores. reduzir ônus ao cliente. onde o auditor líder da equipe apresenta aos auditados os objetivos e o escopo da auditoria e os critérios de avaliação que serão adotados. As entrevistas devem ser conduzidas mediante técnicas apropriadas de modo a aumentar sua eficácia. consequentemente. a equipe de auditores e suas respectivas responsabilidades. 3.

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