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Pesquisa de moda

Pesquisa de moda

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Publicado porBruna Gonçalves
Este artigo pretende analisar a importância da pesquisa de moda como alicerce para as criações dos designers, tendo em vista que é através da pesquisa que surgem as novas tendências. Faz-se também uma análise da influência das novelas na maneira de vestir do povo brasileiro
Este artigo pretende analisar a importância da pesquisa de moda como alicerce para as criações dos designers, tendo em vista que é através da pesquisa que surgem as novas tendências. Faz-se também uma análise da influência das novelas na maneira de vestir do povo brasileiro

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Categories:Topics, Art & Design
Published by: Bruna Gonçalves on May 29, 2011
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UNIVERSIDADE FEEVALE DESIGN DE MODA E TECNOLOGIA PESQUISA DE MODA PROFESSORA MARINA SEIBERT CEZAR

Bruna Pereira Gonçalves Priscila Tatsch

PESQUISA DE MODA

Novo Hamburgo 2010

PESQUISA DE MODA

Bruna Pereira Gonçalves Priscila Tatsch

RESUMO

Este artigo pretende analisar a importância da pesquisa de moda como alicerce para as criações dos designers, tendo em vista que é através da pesquisa que surgem as novas tendências. Faz-se também uma análise da influência das novelas na maneira de vestir do povo brasileiro. Busca também entender melhor como funcionam as tendências de moda e como elas se disseminam. Para atingir os objetivos pretendidos aborda-se o trabalho e a postura necessária para o pesquisador de moda e os métodos de pesquisa utilizados.

Palavras-chave: Moda. Tendências da moda. Pesquisa de moda.

1. INTRODUÇÃO

O presente trabalho tem por objetivo analisar as tendências de moda, passando por um estudo sobre os métodos de pesquisa utilizados pelos pesquisadores de moda, sua postura e seu trabalho diante da necessidade de apresentar um norteamento aos designers em relação às tendências da estação. Para o desenvolvimento do estudo utilizou-se a pesquisa bibliográfica procurando fazer uma análise do pensamento de vários autores sobre o tema a fim de chegar a uma compreensão do fenômeno pesquisado com embasamento teórico e também prático, pois o trabalho também analisou o fenômeno das novelas como geradoras de tendências. Tal estudo se mostra importante porque facilitará o entendimento de como surgem as novas tendências de moda e sua absorção pelo público.

2. SOBRE A PESQUISA E A MODA Antes de qualquer outra análise devemos ter em mente que moda é baseada na busca pelo “novo”, e essa busca reinicia a cada estação, podemos confirmar essa idéia no pensamento a seguir: “Praticamente todos os teóricos da moda enfatizam “o novo” – com uma sucessão constante de objetos “novos” substituindo aqueles que foram “novos”, mas que se tornaram “velhos” – como uma característica básica da moda” (SVENDSEN, 2010, p. 27). E também neste outro trecho do mesmo livro, Svendsen (2010, p. 34):
A natureza da moda é ser transitória. Há uma insistência central na inovação radical, uma busca constante da originalidade. A moda só é moda na medida que é capaz de avançar. Ela se move em ciclos, um ciclo sendo o espaço de tempo desde o momento em que uma moda é introduzida até aquele em que é substituída por uma nova, e seu princípio é tornar o ciclo – o espaço de tempo – o mais curto possível, de modo a criar o número máximo de modas sucessivas.

Sendo a moda esse fenômeno em constante mudança, os designers precisam de fontes para criar a cada estação algo novo e que vá de encontro aos desejos do consumidor, felizmente cada vez mais essas fontes de inspiração estão sendo definidas através de pesquisas que contribuem para minimizar riscos e indicar os melhores caminhos, entretanto como a moda está em constante mudança, nada é verdade absoluta e por isso as pesquisas devem ser constantes. Entretanto não é possível deixar de citar o pensamento de: Deslandres (1998, p. 299, tradução nossa), que segue outra concepção de moda, porém, mesmo com a liberdade apontada pela autora, o pesquisador não perde sua importância:
Apesar dos reduzidos grupos contrários aos imperativos de uma indústria que impulsiona aos consumidores a trocar o mais vertiginosamente possível de roupa, e estimula portanto as variações da roupa, parece que temos chegado a um ponto de estabilidade. A noção de moda imperativamente característica de uma estação tem desaparecido, porque hoje tudo está permitido e todos os comprimentos, larguras e formas convivem ao mesmo tempo (...).

3. O PESQUISADOR É de extrema importância para quem deseja pesquisar moda, não pesquisar somente moda, pesquisar a sociedade de forma ampla, os fatos da atualidade, a situação política e econômica mundial, buscar em outras fontes, e não apenas as revistas de moda, pois estas estão tentando vender idéias prontas, como diz Svendsen (2010, p. 186):
Além disso, as revistas de moda são projetadas de tal maneira que muitas vezes é bastante difícil distinguir entre material editorial, contribuições artísticas e publicidade. A quantidade de anúncios cresceu enormemente e agora ocupa cerca de três vezes mais páginas que o material editorial numa edição da Vogue, mas é apresentada de tal maneira que pode ser difícil descobrir que se trata realmente de publicidade.

Um pesquisador de moda deve também ser um observador e um decodificador das informações que obtém através de suas pesquisas, ele deve saber direcionar suas conclusões a área para qual está pesquisando, tornando sua pesquisa útil para o designer, pois de nada adiantam informações vazias e “soltas”.

4. AS FONTES DE PESQUISA Existem inúmeras fontes de pesquisa, desde as mais superficiais, que trazem a informação “pronta”, como as revistas de moda, os desfiles e a internet, até fontes mais amplas como as ruas, viagens e os bureaux. No trecho a seguir Joelma Leão (2005, p. 63 apud WAJNMAN; ALMEIDA) exemplifica o trabalho dos bureaux:
Os olhos daqueles que trabalham nos “Bureaux de Style” são como uma máquina fotográfica. Poderosos por captar instantes – exclusivos – da vida. Esses instantes podem ser um gesto inusitado, uma atitude transgressora, um comportamento social que esteja sendo comum, igual entre alguns grupos de pessoas; um acessório em evidência, uma cor, um elemento que se sobressai de todo seu cenário. Algo novo, ainda não medido, nem mencionado. Ainda virgem, sem violações ou intervenções.

5. TENDÊNCIAS DA MODA Sendo a moda a busca constante pelo novo, é necessário que a cada estação se tenha uma definição, ou pelo menos um norteamento do que é o novo, essas idéias são transmitidas através das tendências, que resultam da pesquisa sobre as necessidades e os desejos dos consumidores. Quando uma tendência é aceita e começa a ser reproduzida ela deixa de ser algo novo e então partimos para outra tendência. Sobre as criações dos estilistas e o surgimento das tendências, Rui Spohr expressa na obra que trata de sua biografia:
Então quando as pessoas reclamam que a moda “dita” o que elas vão usar, pense de novo. Não é bem assim. Porque as necessidades de cada época, de cada cultura, de cada grupo social, de cada faixa etária necessariamente influem nas criações dos estilistas. A função do estilista está em descobrir, antes do consumidor, quais as suas necessidades para a próxima estação (VIÉGAS – FARIA, 1997. p. 282).

A teoria inicial sobre o surgimento de tendências pode ser traduzida como teoria da gota ou teoria do gotejamento, onde uma tendência surge nas classes mais altas e logo é copiada pelas classes inferiores, entretanto essa fórmula não é a única, como por ser compreendido através do seguinte trecho de Svendsen (2010, p. 51):
Portanto, quando examinamos a história da moda com mais atenção, a “teoria do gotejamento” se revela só parcialmente correta. Numa medida mais ampla, o movimento durante os últimos 40 anos se deu na direção oposta e talvez a expressão mais impressionante disso tenha ocorrido nos anos 1990, com estilos como o “heroin chic”, uma extensão do slogan de Yves Sanit-Laurent: “Abaixo o Ritz – viva a rua!” É igualmente um fato que os que ocupam uma posição relativamente segura nos escalões superiores da sociedade têm se mostrado, em geral, menos preocupados em seguir as últimas modas que aqueles com uma posição menos bem-estabelecida nesses estratos. Os recém-chegados têm aparentemente mais necessidade de se distinguir que os já estabelecidos. Desse ponto de vista, o fator “gotejamento” não se aplica ao estrato realmente superior – não é aqui que os maiores inovadores foram encontrados. Podemos confirmar apenas que ocorreu considerável inovação também nas classes mais baixas, inclusive na forma de alterações por vezes importantes de modas nas classes mais altas.

Em

outra

passagem

da

obra

podemos

destacar

novamente

a

contrariedade à teoria do gotejamento, exemplificada por Svendsen (2010, p. 47).

Com o terno encontramos um item de vestuário em moda que faz o exato oposto de “passar de cima para baixo”. Foi um traje da classe média que a classe alta passou a usar. Emergiram modas urbanas que suplantaram as modas aristocráticas.

6. ACEITAÇÃO DAS TENDÊNCIAS

No grande universo da moda a apresentação de novas tendências através de criações de estilistas e lançamentos midiáticos, leva até o público consumidor grande número de informações e imagens que despertam o desejo de adotar as idéias e consumir os produtos de moda. Na atualidade, grande parte da população está voltada para a imagem que lhe é apresentada e passa a adotar os estilos que lhe são outorgados pelos criadores de moda sem levar em conta sua própria personalidade e seu próprio estilo. Esta visão de comportamento está evidenciada no texto de Svendsen “A indústria da moda tomou para si a missão de nos poupar do árduo trabalho de nos criarmos a nós mesmos como uma obra de arte, permitindo-nos em vez disso comprar um pacote pronto de um ateliê” (2010, p. 163-164).
..

7. AS NOVELAS, GERADORAS DE TENDÊNCIAS

Sabemos que no Brasil, as novelas exercem grande influência sobre a moda, pois além de retratarem o cotidiano e a vida de pessoas “comuns”, isto é feito de forma esteticizada, ou seja, o cotidiano é mostrado de forma bonita e agradável aos olhos de quem assiste, as roupas e acessórios são escolhidas cuidadosamente para caracterizar a personalidade da personagem, mas também chamar a atenção de quem assiste e fazer com que essa pessoa se identifique com a estética da personagem. Muitas peças chamam a atenção do público e de tão bem colocadas acabam se tornando ícones e são copiados por pessoas de todo Brasil.

Esse olhar sobre o figurino pode ser observado no seguinte trecho. Extraído da obra de Entre tramas, rendas e fuxicos/ Memória Globo (2007, p. 13):
Há quem diga que os figurinistas são como a madrinha da Cinderela: têm o condão de transformar trapos em vestes suntuosas. Mais do que isso, eles constroem personagens. Heróis e vilões da teledramaturgia ganham vida graças às suas admiráveis criações, vistas e muitas vezes copiadas por milhares de telespectadores espalhados por esse imenso Brasil. Mas que segredos se ocultam sob a arte de fazer figurinos para a ficção? Um vestido de voile, uma casaca de papelão, um colarinho dos anos 1970, um penteado do século XIX ou uma simples camiseta furada podem dizer muito sobre um personagem, além de funcionarem como um espelho de modos de vida, da cultura e da estética de uma época.(...)

Na mesma obra, (2007, p. 335) destaca-se a afirmação “o poder de alavancar estilos faz da TV a personal stylist de um grande número de telespectadores, que se deixam levar pela pequena indústria da moda de novela”. Por outro lado, não se pode olvidar que a mídia, como um todo, utiliza-se de tendências de moda para cativar seus expectadores e aumentar os índices de audiência como colocado por Lipovetsky (2001, p. 231):
A comunicação midiática ordena-se sob a lei da sedução e do divertimento, é reestruturada implacavelmente pelo processo de moda porque aí reinam a lei das sondagens, a corrida às contagens de audiência. Num universo comunicacional pluralista submetido aos recursos publicitários, é a forma da moda que organiza a produção e a difusão dos programas, que regula a forma, a natureza, os horários das transmissões. Na medida que a mídia caminha segundo as sondagens, o processo de sedução reina soberano, podendo até vangloriar-se do mérito “científico” e democrático.A república das sondagens não faz senão acentuar a soberania da moda na mídia – em outras palavras, a lei do sucesso imediato junto ao maior público. (...)

Reafirmando tais colocações pode-se citar o trecho da obra já citada Entre tramas, rendas e fuxicos/ Memória Globo (2007, p. 330):
Várias criações saltaram da TV para os salões de beleza, as lojas e mesmo as bancas de camelôs. Tudo passou a ser copiado em uma espécie de customização popular, alimentada por confecções espalhadas por todo o Brasil. [...] O modismo dos figurinos é uma via de mão dupla. Da mesma forma que as pessoas se inspiram na televisão, usando o veículo como uma janela para o mundo (o real e o imaginário), o avesso também acontece: a TV bebe na fonte da rua, indo buscar na realidade do dia-a-dia – e nas tendências da moda – a inspiração para o visual de seus personagens. Ocorrem assim, um intercâmbio e uma recodificação de intenções, valores e idéias. (...)

5. CONCLUSÃO Os estudos realizados permitiram concluir que a cada estação, quando se dá o lançamento de novas tendências pelos designers, foi necessário que, anteriormente os pesquisadores de moda realizassem um trabalho de pesquisa para possibilitar o surgimento das criações, sendo que tais profissionais utilizam-se de variados métodos de pesquisa. Também ficou evidenciado que as tendências lançadas em cada período primeiramente são aceitas pelos “formadores de opinião”, seguindo-se da elite e logo após, são introduzidas em meios de comunicação, e assim chegam ao grande público consumidor e se massificam, iniciando assim, um novo ciclo. Entretanto essa não é a única maneira pela qual surge uma tendência, muitas vezes o caminho oposto é realizado, pois a tendência pode surgir nas ruas, e ser seguida pela elite até resultar nas versões exclusivas em lojas de luxo. E logo em seguida inicia outro ciclo e assim, sucessivamente.

6. REFERÊNCIAS

DESLANDRES, Yvonne. El traje, imagen del hombre. Barcelona: Tusquets Editores, 1998. ENTRE tramas, rendas e fuxicos / Memória Globo. São Paulo: Globo, 2007. LEÃO, Joelma. Os “Bureaux de Style” e sua ótica sobre a produção de moda. In: WAJNMAN, Solange; ALMEIDA, Adilson José de. Moda, Comunicação e Cultura: um olhar acadêmico. 2. ed. São Paulo: Arte & Ciência, 2005. LIPOVETSKI. Gilles. O Império do Efêmero: a moda e seu destino nas sociedades modernas. São Paulo: Companhia das Letras, 2001. SVENDSEN, Lars. Moda: uma filosofia. Rio de Janeiro: Zahar, 2010. VIÉGAS-FARIA, Beatriz. Memórias Alinhavadas. Porto Alegre: Artes e Ofícios, 1997.

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