valores. p. na verdade cumpre um desígnio ancestral. A literatura é a ponte entre o real e o imaginário. Ela é muito importante para inspirar sentimentos. Porém. condutas e a celebração e da própria vida. encanta e deleita o espírito. Heloísa Prieto Objetivos: Ampliar o repertório de histórias. contar histórias é a possibilidade mais libertária edade da aprendizagem. Apesar disso. já que as emoções experienciadas por meio das narrativas preparam preparam-nas para vivenciarem essas emoções no mundo real. ocupa o lugar do xamã. Apropriar-se dos livros como objetos culturais. do porta-voz da ancestralidade e da sabedoria. Assim. sente. o projeto “Contação de H Histórias” se faz necessário para estimular a sensibilidade e a imaginação. Os jovens têm atravessado os portões das escolas sem ler e tê chegado às universidades tendo lido têm apenas resumos dos livros solicitados para o vestibular. daquele que detém a sabedoria e o encanto. As histórias estão presentes em nossa cultura há muito tempo e o hábito de ouvi-las e de contá las contá-las tem inúmeros significados. Nesse sentido. Para isso. Experienciar leituras de diferentes gêneros literários. Educação e Tecnologia A leitura é uma atividade inerente à condição humana. desde que nascemos já somos leitores do mundo e nossas ações decorrem dessa leitura. Nesse momento. p. Na maioria das vezes. vive e descobre emoções que nem sempre podem ser vividas na realidade. cuja leitura é obrigatória e não voluntária. do cigano. além de o professor promover a recuperação das fetivos. está interligado ao desenvolvimento da imaginação. o prazer da leitura não constitui um hábito para grande parte dos brasileiros. o ato de contar histórias é uma postura a assumir. . os professores de Língua Portuguesa devem trabalhar diariamente com a literatu é através dela que o aluno iamente literatura. de forma mais racional e equilibrada. é possível acreditar na mudança desse protótipo de leitor. Nesse momento ele exerce a arte da memória. à construção de identidade e aos cuidados afetivos. 2005. Paulo Freire (FREIRE. o único contato que se tem com os l livros é nas escolas. quando o professor se senta no meio de um círculo de alunos e narra uma história. Não se vê pes pessoas lendo. A literatura suscita o imaginário. enquanto professores e fo formadores de leitores que somos. do bardo celta. à capacidade de ouvir o outro e de se expressar.11) afirma que a leitura de mundo antecede a de palavra. Se a leitura for trabalhada de uma forma diferente nas escolas. Ou seja. a contação de histórias assume a responsabilidade de transmitir a memória coletiva. nutridos de motivação e a curiosidade. Realização ICEET. Numa sociedade tecnicista. o ficcional prepara para o real.Material organizado para o Seminário de Formação Continuada de Professores: Desafios e Perspectivas da Secretaria Municipal de Educação de Fazenda Rio Grande. narrativas populares.Instituto de Ciência. transformando-a em momentos agradáveis. teremos uma prática transformadora e a leitura se tornará imprescindível. como educadores. do mestre oriental. por essa razão. As histórias auxiliam as crianças na elab elaboração de seus sentimentos. Construir o hábito de ouvir e contar histórias. Em plena virada de milênio. ou seja.

‘atenção’ . num trabalho que fizesse do hábito de ler uma coisa tão importante quanto respirar. ensiná-lo a ler alguns letreiros na fábrica como ‘perigo’. Ensinar o trabalhador apenas a escrever o seu nome ou assiná-lo na Carteira Profissional. dar vida a esse material.1982. ” 1 Quando o ser humano experimenta a leitura. faz-se necessário que nos conscientizemos. como uma das possibilidades de atuação em sala de aula. enquanto educadores. quanto no que tange à construção de sua personalidade. É também dever da escola indicar diretrizes e incentivar a prática da leitura. p. Porto Alegre: Mercado Aberto. A escola não está preparada para a mágica da leitura. Bamberger afirma que a “leitura é um dos meios mais eficazes de desenvolvimento sistemático da linguagem e da personalidade. 1988. da responsabilidade diante da importância da leitura para a vida individual.. 1995.2 Dessa forma. mas para ser lido. não é suficiente. pois ler é. A importância da leitura A leitura exerce um importante papel no desenvolvimento intelectual. ele executa um ato de compreender o mundo. mas ler e escrever a vida.” 3 BAMBERGER.13. conseqüentemente. da escrita. Cabe. promovendo as suas potencialidades. /fundação Victor Civita. conforme Gadotti: o ato de ler é incompleto sem o ato de escrever. com sua capacidade. experiência e entusiasmo. enriquecendo e construindo uma nova realidade escolar. Um não pode existir sem o outro.27. para que ele não provoque algum acidente e ponha em risco o capital do patrão. Nova Escola. a você. Ler e escrever não apenas palavras. Como incentivar o hábito de leitura. compreender e compreender é ser. É ter consciência dos processos que interferem na sua existência como ser social e político. É imprescindível. a tônica da escola deveria ser a leitura. a proposta desta unidade é a de demonstrar o valor da contação de histórias. 25. ‘cuidado’. 3 ZIRALDO. tanto no que se refere ao rendimento escolar. crítico e criativo do aluno. GADOTTI. portanto.] Por isso.17. antes de tudo. que os diversos segmentos da sociedade convençam-se da importância da leitura e. Numa sociedade de privilegiados. p. nº. a leitura e a escrita são um privilégio. Sobre isso. Segundo Ziraldo: “. professor. p. ler o mundo é assumir-se como sujeito da própria história. Moacir. nov. não como algo para ser guardado na estante. Portanto. O que é ler? Leitura: teoria e prática. Abril. Richard. Trabalhar com a linguagem é trabalhar com o homem. social e cultural do educando. A escola deve valorizar o livro. out. a história. 2 1 .. para a formação do leitor.

ouvidas. nas escolas. é através da narração que podemos fazer nascer no ouvinte o desejo de ouvir. costumes e valores do seu povo. mas. Fanny Abramovich histórias A contação de histórias na escola A arte de contar histórias desperta no ouvinte a imaginação. a função de provocar a imaginação infantil? Acreditamos que cabe à escola tomar para si a função de resgatar esses momentos tão importantes na vida do ser humano. Depois de ouvir uma história. histórias de contos de fada. imaginadas. elos entre o aluno e o livro. todas essas formas de comunicação sempre estiveram presentes na vida e na lembrança de qualquer pessoa. pois para elas é imprescindível contar suas descobertas. mais ainda. A platéia não se reúne mais em volta do fogo e do contador de histórias. . a emoção e o fascínio da escrita e da leitura. e nas crianças. Atualmente.A Contação de histórias como promoção de leitura Ouvir alguém contar histórias na infância é muito importante para a formação do homem. e o professor pode apropriar-se dessas características e transformar a contação em um importantíssimo recurso de formação do leitor. ao redor do fogo. Ao contar histórias o professor estabelece com o aluno um clima de cumplicidade que os remete à época dos antigos contadores que. a prática mais prazerosa e usada entre as pessoas: o ato de contar e ouvir histórias. Para quem ficou. Enfim. momento propício para a promoção do encontro que conduzirá o aluno ao prazer da leitura. através da voz de algum familiar contando histórias. . contavam a uma platéia atenta as histórias. as crianças e jovens aprendiam com as histórias vividas e contadas por seus pais. esse papel é dos professores. que envolve a todos que participam desse instante de fantasia. historicamente. é o início da aprendizagem de ser leitor. o contato da criança com o texto acontece oralmente. Escutá-las é o início da aprendizagem para ser leitor é ter um caminho absolutamente infinito de desçobertas e de compreensão do mundo. então. mudam os costumes. de suspense etc. poucas famílias têm o hábito de contar histórias para as crianças na hora de dormir. Contar histórias em sala de aula é o laço que une o aluno ao livro. ler e descobrir outras histórias. Inicialmente. O ato de contar histórias é próprio do ser humano. avós e parentes que compartilhavam suas experiências pela coletividade. e ser leitor é compreender não só as histórias escritas como os acontecimentos do seu cotidiano. Contar histórias lidas. pois. de terror. essa atividade foi dando lugar a outros interesses. o aluno quer prolongar o prazer e a reação dele é de pedir para ver o livro. como é importante para a formação de qualquer criança ouvir muitas histórias... Mudam os tempos. A contação de histórias é um momento mágico.

visto que a contação de histórias foge ao padrão das avaliações. afastando o aluno do prazer de ler. questionários. ele deve reconhecer a importância de trocar as suas experiências com as dos alunos.” 5 Outro ponto importante sobre o porquê dessa prática não ser comum na sala de aula são as condições institucionais que podem impedir um trabalho diferenciado com a leitura. 4 O professor pode até saber disso. por um lado. v. a escola exige uma leitura com vistas quase sempre à avaliação. Pg. e não uma tarefa rotineira escolar que transforma a leitura e a literatura em simples instrumentos de avaliação. São Paulo: Brasiliense. 1994. Não se podem mensurar notas. arte e política. a expressão escrita da criança é alimentada pelas histórias contadas sistematicamente pelo professor”. E incorpora as coisas narradas à experiência dos seus ouvintes. Walter. já que narrar é disponibilizar experiências. Elie. O Narrador. como fonte de prazer e troca de experiências na vida dos alunos. Se. fazendo com que o prazer e o deleite da leitura se evaporem com a avaliação. conceitos quando contamos ou ouvimos uma história. é evidente que o fracasso escolar referente ao desenvolvimento pelo gosto da leitura e formação de leitores recai sobre a forma como o professor está trabalhando a relação do livro com o aluno. não BAJARD. Tal dificuldade é apresentada até mesmo com a literatura que perde o seu caráter estético. 201. In: Magia e Técnica. visto a literatura não estar recebendo o estímulo adequado. leitores críticos. "Porque para formar grandes leitores. Obras escolhidas.1.p. Afinal. Assim. novembro 1992. 5 BENJAMIN. Benjamin salienta que ”O narrador retira da experiência o que ele conta: sua própria experiência ou a relatada pelos outros. pois o livro de literatura se transforma em uma ferramenta de avaliação.Apesar disso. 4 . mas ao analisarmos o espaço que a narrativa ocupa na sala de aula. há uma ausência total ou quase total da prática de contar histórias na sala de aula ou na escola. Ensaios sobre Literatura e histórias da cultura. e a escola tem dificuldades em trabalhar com aquilo que não se pode avaliar. São Paulo. Com esse caráter utilitário. interpretações de textos – por outro despreza a contação de histórias como uma ferramenta valiosa no estímulo à leitura e à escrita.13. Para isso. A contação de histórias deve ser uma alternativa para que os alunos tenham uma experiência positiva com a leitura. a escola lança mão de várias estratégias para fazer o aluno ler e escrever – provas. onde está a leitura? Cadernos de Pesquisa. oferecendo-lhes condições de lutar por condições mais dignas. é necessário considerar que o professor não pode se constituir narrador se ele próprio não encontra prazer em narrar. Bajard diz que: “às vezes. Talvez essa ausência seja característica da idéia de que na escola a leitura deva ser somente aquela capaz de instrumentalizar o aluno para a vida futura. Nº33. testes.

"6 (VILLARDI) Por isso. pela leitura. mas na memória viva. Assim.entreter o contador e o ouvinte. que será instigado a imaginar e criar. essa cultura se manteve sem a escrita. Raquel. sobretudo. manter a História viva. . Durante séculos. pois quando se conta uma história lança-se um fio invisível que vai enredando o narrador ao ouvinte..desenvolver a oralidade. e mais fácil do que parece. Com a invenção da imprensa. tocar o coração. Os velhos contadores ficaram para trás. resgatar significados para nossa existência e reativar o sagrado. mas os contos tradicionais se incorporaram definitivamente em nossa cultura. Assim.basta ensinar a ler. pelas tênues tramas da narração. Com os avanços tecnológicos da sociedade contemporânea.transmitir e preservar a narração. conhecimento e emoção. e. que ministrará uma aula muito mais agradável e produtiva e alcançará o objetivo pretendido: a aprendizagem significativa. Dessa forma. Contar histórias é a mais antiga das artes Contar histórias é a mais antiga das artes. as histórias ganharam a nossa casa.incentivar a leitura. Ensinando a gostar de ler . .. orientando educadores para o desenvolvimento de uma prática pedagógica transformadora no ambiente escolar. Transmitidos de geração em geração.provocar a interação entre pessoas. Daniel Pennac7. valorizar as etnias. Nas sociedades primitivas esta atividade tinha um caráter funcional decisivo. alimentar o espírito. muita coisa mudou.] com prazer. as dimensões do míticosimbólico e do mistério. seja aluno. Como um romance. Os valores não são mais os mesmos.. Daniel. a contação de histórias surge como uma fonte inesgotável de prazer. articular o sensível.ensinar. utilizar a contação em sala de aula faz com que todos saiam ganhando. Rio de Janeiro: Rocco. Atualmente. Os Irmãos Grimm e Perrault coletaram e registraram os contos colhidos da boca do povo. . mas também o nível do pensa-mento. 1993. o vídeo game e o computador ao livro. pela história.. . Rio de Janeiro: Qualitymark Editora. 1997. permitindo que chegassem até nossos dias. isto é possível. Mas o fascínio que as histórias exercem sobre o homem não mudou. onde o lúdico e o prazer sejam eixos condutores no estímulo à leitura e na formação de alunos leitores. seja o professor. É preciso ensinar a gostar de ler..os contadores eram os que conservavam e difundiam a história e o conhecimento acumulado pelas gerações. as pessoas preferem a televisão. os livros e jornais se tornaram grandes agentes culturais dos povos. Marta Morais da Costa PENNAC. os contos de tradição oral viajaram do oriente para o ocidente. para encantar e sensibilizar o ouvinte.formando leitores para a vida inteira. Pg. 2 7 6 Ao contar histórias atingimos não apenas o plano prático. é seduzir o ouvinte e convidá-lo a se apaixonar. para estimular o imaginário. Além disso. através da agradável voz de nossa avó ou mãe. é possível acreditar que a contação de histórias é um importante instrumento para formar leitores. para fazer da diversidade cultural um fato. Cléo Busatto Funções da Contação . contar histórias é revelar segredos.desenvolver o imaginário do ouvinte. [. Além disso. . salienta suas próprias convicções de professor que sabe formar leitores: VILLARDI. . para se sentir vivo. . no livro Como um romance. conto histórias para formar leitores..

Portanto. . desenvolver a inteligência e a sensibilidade. Inúmeras são as possibilidades que o uso da contação de histórias em sala de aula propicia. como educar. suspense.Mas ler em voz alta não é suficiente. é preciso contar também. Não há melhor maneira de abrir o apetite de um leitor do que lhe dar de farejar uma orgia de leitura. surpresa e emoção. elas atingem outros objetivos. escutem e vejam como é bom ouvir uma história. Escutem. oferecer nossos tesouros. no qual o enredo e personagens ganham vida transformando tanto narrador como ouvinte. desembrulhá-los na praia ignorante. O ato de contar histórias deve impregnar todos os sentidos. tocando o coração e enriquecendo a leitura de mundo na trajetória de cada um. contar histórias é saber criar um ambiente de encantamento. Além de as histórias divertirem. socializar. instruir.

Leia essa história muitas vezes. imagine o cenário. 7. variar o repertório. . acontecimentos. tem que se levar em conta a qualidade literária do texto. Pense na voz escolhida para o narrador e personagens da história 5. É preciso conhecer muito bem a história. os personagens e o tempo. pois só se conta uma história depois de tê-la estudado e ter domínio completo sobre o texto.Para ser um contador de histórias. Escolha a sua forma de memorizar. compreendê-la. O contador não é um ator teatral. E não se pode contar de qualquer jeito.usar e fazer usar a sensibidade e a razão.Olhe para todos. . a fim de transmiti-la com prazer. 9. 6. Execute o seu poder de concentração. . E nunca escolher uma história como O bom contador deve: . é necessário escolher histórias de que realmente gostou. ler e ler. o mundo). O contador tem que ter paixão ao contar e. se à história que está sendo narrada. O contador tem que fazer o ouvinte acreditar naquilo que está sendo contado. Feche os olhos. sem impostar a voz ou falar em falsetes. visualizar os seus monstros. a grande dica para ser um bom contador é ler muito (livros. apenas repetindo-a. ritmo e postura corporal) . para isso. 2. 3. 4.manter o rumo da história. já que só haverá sucesso na contação com aquela história que amou e que despertou a sensibilidade. tem que passar credibilidade. pois somente uma boa história agradará a todos. O critério de escolher uma história também é importante. ainda. O contador deve sempre estabelecer contato visual com o ouvinte. Assim. pois isso cria uma cumplicidade entre eles e uma certa naturalidade na emissão da voz. Dessa forma. gestos. Isso não significa apenas decorar a história. o suspense. Faz-se necessário. entonação. Ele não se agita. Cuidado com sua postura E vício de linguagem. Lúcia Fidalgo . sem tropeçar nas palavras ou esquecer acontecimentos importantes. por mais irreal que pareça. Escolher histórias que goste muito e desejar contar. respiração. etc. sem conhecê-lo. o lúdico. sem exagerá-los. guardar a seqüência dos fatos e saber transmitir toda emoção no momento exato. senão os ouvintes não saberão em que prestar a atenção. pessoas. o narrador não pode contar uma história de forma mecânica. 8. É saber dar as pausas. . não é necessário ter dom. Contar com naturalidade é contar sem afetação. Os fatos têm que brotar dos lábios com convicção. tornando-a apaixonante. sem emoção. o uso da palavra é que deve seduzir o ouvinte. abrir espaço para o humor.evitar o moralismo explícito. dicção.Conte para alguém antes de contar pra todo mundo. Marta Morais da Costa 1. o tempo para o imaginário de cada pessoa construir um cenário. o poético. expressividade e naturalidade. o olhar é um vínculo fundamental de ligação entre o narrador e o público. além de auxiliá-lo a perceber se a história está agradando ou não. é preciso memorizá-la.aprimorar as técnicas de contação (voz. O olho diz muita coisa. criar os seus dragões. não fica balançando ou andando de um lado para outro. de forma clara. pegando um livro qualquer. equilibrados. audível e agradável. Afinal. Implica também em usar gestos comedidos.ler. mas é necessário ter sensibilidade e poder de encantamento. se ao contador que se movimenta de um lado para outro. Além da palavra.manter fidelidade ao tex to na reprodução.

que a estudou para que a narrativa não fique comprometida..apresentar-se com naturalidade. notas ou didatismo.” “Num reino muito distante. que deverão ser escolhidas entre os diversos gêneros literários.ESTUDOS DA HISTÓRIA Após ter escolhido a história. tornando expressivo o que se diz. .evitar o preconceito e o moralismo. É importante também escolher uma história de acordo com os interesses do aluno ou que desperte a sua curiosidade. cansativa ou rápida demais. Mas também é necessário que o contador identifique os elementos essenciais que compõem o texto . colocando o ritmo adequado a cada uma das partes de forma que a narrativa não se torne enfadonha. compreendendo o texto.forma de pretexto para estudo de determinados conteúdos. . não será notado. momento. por isso deve-se falar com clareza.. demonstrando que está familiarizado com ela. sem um objetivo definido. sem impostação de voz.” . condição física). . mas se optar por usar o livro na mão. observando seus detalhes. o clímax e o desfecho -. Estratégias para a contação: 1. destacando o suspense com pausas. Como por exemplo: Início: “ Era uma vez. as fábulas. de encantamento e de prazer. Os O professor poderá também utilizar “senhas” para iniciar ou terminar a história. quando precisar fazê-lo para enfatizar algo. Se exagerar nos gestos. os mitos.. os poemas narrativos etc.” “ Há muito tempo atrás.ENVOLVIMENTO DO LEITOR Para se contar uma história em sala de aula é necessário que o professor conte-a de uma forma especial. as lendas.. Término: “ Entrou por uma porta Saiu pela outra Quem quiser que conte outra” “Entrou por um pé de pinto Saiu por um pé de pato Quem quiser que conte quatro. com uma postura diferente de como os alunos o vêem diariamente. para transmitir tudo isso ao ouvinte.escolher com sensibilidade. ler e ler muitas vezes o texto.buscar o olhar e a perspectiva do ouvinte. . tanto melhor. Assim como a voz. Se for contá-la de memória. a não ser que seja bem ensaiado e o professor esteja seguro para fazê-lo.adequar às circunstâncias (ambiente. 3 .. Marta Morais da Costa A história escolhida deve despertar a sensibilidade de quem conta. a fim de poder revelar seus pontos emocionantes na narrativa.. público. como o conto.CRITÉRIOS DE SELEÇÃO DE TEXTOS Seleção de Textos . sem deixar de observar a construção do texto e se ele apresenta características que o tornam um texto literário. lições de moral ou para correção de comportamentos. A contação ocupa na escola um espaço lúdico. Não se pode esquecer que a voz é um dos itens fundamentais do contador. é hora de prepará-la. o desenvolvimento. e nesse espaço não pode haver cobranças. O repertório deverá ser formado por diferentes histórias. sabendo utilizar adequadamente o silêncio.escolher com conhecimento.a introdução. 2 . Isso significa ler. . populares ou autorais. a história tem que ser conhecida. a postura do corpo e os gestos devem ser equilibrados.

finalmente é o momento de contá-la. Essas são algumas dicas para auxiliá-lo como contador de histórias. 5. Mas.A CONTAÇÃO Depois de ter estudado a história. em relação à criança. . Bruno Bettelheim Ao terminar a contação. além da voz. o professor deverá mostrar o livro onde se encontra a história. vai afastá-lo. vale lembrar que o professor é modelo para seus educandos. Também é necessário que o contador não fixe o olhar apenas em um expectador. Também não é necessário explicar uma história. por isso a chave para descobrir isso é tentando! 6. por isso respire fundo e concentre-se. tornando-a mais dinâmica.O DEPOIS O conto de fadas jamais deverá ser explicado ou compreendido pelo adulto. preparado-a. posto que isto o destruiria na imaginação desta. dos gestos e da postura. é só trazê-lo à tona. senão isso em vez de aproximar o ouvinte. É a hora de presentear os alunos com a magia que as histórias têm. Afinal. esse olhar tem que ser “olho no olho”. só se conseguirá atingir o objetivo de formar -Utilizar a contação de histórias como valioso recurso na formação do ser humano. o olhar é essencial. 4. deve-se distribuir o olhar para todos igualmente. esse é o instante de o professor promover o encontro entre o aluno e o livro. sente-se. -Melhorar o desempenho dos professores em sala de aula. que é de fruição. Porém. ou sentir-se obrigado em facilitar a linguagem. Porém. Por isso. em cobrança de tarefa ou utilize a história como um pretexto para ensinar gramática ou outro conteúdo. pois se o aluno gostou de ouvi-la. ou trocála porque acha que os seus alunos não entenderam esta ou aquela. Deve-se também manter a tranqüilidade. enriquecem a narrativa. Em hipótese alguma transforme esse espaço. sem fingir que está olhando. ele irá querer prolongar esse prazer e a reação dele é de pedir para ver o livro. nervosismo não ajuda em nada. -Estabelecer critérios para a seleção de um acervo de textos e de livros que primem pela boa qualidade temática e composicional exigida pelos diferentes gêneros textuais. Não quebre essa magia tentando transformar a contação em uma interpretação textual. -Contribuir com a ampliação do repertório de textos e livros literários do professor. já que todo professor tem um contador dentro de si. impedindo a estória de efetivamente colaborar no seu desenvolvimento. -Formar professores conta dores de histórias. Não caia no erro de tentar explicar uma palavra durante a narrativa. Uma história não se explica. quando introduzidos no momento certo. tudo foi planejado e você está fazendo algo que te dá prazer. sem artificialismo. O olhar é o elo de ligação entre contador e ouvinte. isso pode deixá-lo incomodado e dar a impressão que você está contando a história apenas a essa pessoa. não se pode esquecer nesse momento que.PASSANDO A LIMPO A contação de histórias na sala de aula é uma ferramenta que o professor pode dispor para o estímulo à leitura e à aproximação do aluno com o livro de maneira prazerosa e eficiente.gestos.

História que a família conta Organize um livro de contos com as história de famílias de seus alunos. pela prática. 4. Só assim. conseqüentemente. indicar textos interessantes e que agucem a curiosidade. promover visitas a bibliotecas públicas e organizar uma biblioteca de classe.Salada de histórias: Criar uma história em que entrem partes de três ou quatro histórias diferentes.Histórias de Tradição Oral Pesquise diferentes histórias de tradição oral. dos livros que o comoveram. deverá dizer uma frase para dar início a uma história. Passa a bolinha para outro colega e assim por diante. Ler o resultado para eles. sempre que possível. É preciso. O aluno a quem ele entregar a bolinha. incentivar o uso de bibliotecas e. os alunos devem estar envolvidos em situações cotidianas de leitura de bons textos literários. Leia ou conte-as à classe. ele conseguirá tornar seus alunos apaixonados pela leitura.” 2º da roda: “ filha do rei era uma moça muito esperta e geniosa. ainda. 2. A Roda de História é uma atividade em que sugere-se que os participantes sentem-se em círculo e cada um conta uma história ou faz um relato pessoa.l 3. 1º da roda: “Era uma vez um rei que tinha uma filha. ATIVIDADES ATIVIDADES 1. (e assim sucessivamente) . até que o final da história aconteça quando o último da roda receber a bolinha. Além disso. o professor entra no meio com uma bolinha na mão. O professor deve também valorizar a relação com o livro de contos populares e autorais como fonte de inspiração que difunda. intimidade com a literatura. a leitura diária e.alunos leitores se o professor for realmente um leitor. Exemplo de Passa e Repassa 6.A contação Selecione as histórias que seus alunos mais gostam de ouvir e ensine-os a contá-las. em especial pela literatura. se ele falar constantemente de suas leituras com entusiasmo. 5.Roda d e História Estabeleça a “Roda de Histórias” em sua classe.Passa e Repassa Forma-se uma roda.

.Dia do Contador: Programe o “Dia do Contador” em sua escola. 8.Aulas do conto Estabeleça uma aula no mês ou no bimestre. Qual é a história dele? Ou. Peça para alguém da comunidade vir contar algumas histórias de tradição oral aos seus alunos. 9. para os alunos que desejam ler ou contar histórias.7.História dos Nomes: Pedir para que cada aluno conte o porquê do seu nome. leve um dicionário de nomes e peça aos alunos que pesquisem a origem de seu nome.

1 . Nesse momento. você estará observando as dificuldades dos alunos oralidade.A colcha colorida da memória.. enriquecendo seu repertório e coletivizando a emoção. os alunos trazem escritas. • Colocar novelos de várias cores no centro do círculo e pedir que peguem cores referentes a lembranças de coisas acontecidas na vida deles. Essa criação deve ser apreciada pela classe toda. que as cores pode lembrar emoções. expansão de idéias Aulas nº. as histórias que contaram na sala e desenham. formando um círculo. 2 – Tecendo a colcha. • Ao final.A Colcha Colorida da Memória Aspectos a serem trabalhados: expressão oral. • Pedir que contem as histórias que lembram e. Os alunos devem analisar se as histórias e os desenhos feitos para expressar este ou aquele sentimento realmente provocaram tal efeito. amarrem o fio à história que será contada na seqüência. • Comentar com os alunos... • O professor estende papel tigre no chão da sala e os alunos vão colando as histórias escritas e desenhadas. de Marina Colassanti. • Sentar com os alunos. Cores que remetem A imagens. • Trabalhando com várias turmas. na folha. Ao terminar o desenho. ao final de cada uma. com relação à oralidade Aula nº. colocar o nome da história e do autor. os alunos poderão trocar visitas e lembranças. sons.. . da forma que acharem melhor. cheiros etc. • Contar a história: A moça tecelã. • Perguntar aos alunos: Qual é a cor do cheiro da chuva? Qual a cor do calor? Qual da cor da alegria? Qual a cor do som de sinos bimbalhando? Qual a cor dos raios no céu de chuva?. a emoção mais forte da narrativa. a colcha da memória estará pronta para ser exposta em uma das paredes da sala. fatos. • Nessa aula. cheiros.

trabalho na sala de informática. com.Explicação • Sente-se com os alunos.ricardoazevedo. Em seguida. Aguce a curiosidade dos alunos falando sobre esse tema. • Desperte a curiosidade dos alunos. conhecendo outros contos e outros escritores através da internet. você estará observando os conhecimentos dos alunos sobre as narrativas de tradição oral por meio dos seus comentários. aula:3ª aula:. como a parte que mais chamou a atenção. mostre as partes essenciais do texto.br/cascudo/ . Visitar os sites de Câmara Cascudo e do Ricardo Azevedo para conhecer outros contos de enganar a morte.Envolvimento • Converse com os alunos sobre o ato de ouvir e contar histórias e explique o que é tradição oral. aquelas que não podem ser retiradas para que o texto tenha seqüência lógica. promovendo uma conversa sobre histórias de pessoas que tentaram ludibriar a morte.Exploração • Atividade complementar .Ricardo Azevedo: www. pela tradição oral. digi. Fale sobre as histórias que são transmitidas de pais para filhos. • Momento livre para que os alunos também tenham a oportunidade de contar suas histórias.Câmara Cascudo: http://memoriaviva. .Aspectos a serem trabalhados: contos literário de tradição oral.com.. que outro final dariam a história. Sites: .. • Estimule os alunos para que comentem sobre a história ouvida. Verifique se os alunos atenderam à solicitação do professor. formando um círculo e proponha que eles leiam um trecho do conto “O Compadre da Morte”. se já tinham ouvido uma história semelhante e engraçada. expressão oral e técnicas de contação 1ª Aula .br/ aula2ª aula. • Conte a história “O Compadre da Morte” de Câmara Cascudo. Nesse momento.

Fingir que olha. as palavras bem articuladas e que ele não pode correr demais com a história ou falar muito devagar.. Observe e comente se o aprendiz está gesticulando demais.usar o mesmo ritmo do início ao fim. depois de muito andar encontrou a Morte. ...312. Chame a atenção para os vícios de linguagem que devem ser evitados. a quem convidou. né. . O homem assim fez. para o teto. Nascendo mais um filhinho. em círculos etc.falar ininterruptamente. . . • Solicite que um aluno fique no meio do círculo e. Esse momento é importante para você dar algumas sugestões de técnica de contação de história a eles.contar toda a história com o mesmo tom.Compadre! Quero fazer um presente ao meu afilhado e penso que é melhor enriquecer o pai. saiu procurar quem o apadrinhasse e. . Se eu estiver nos pés.. olhar para o chão. fazendo comentários acerca do erro da troca ou falha de memória. Diga que a voz deve ser clara. Quando acabou o batizado voltaram para casa e a madrinha disse ao compadre: .expressar o erro pedindo desculpas. A Morte aceitou e foi a madrinha da criança. p. receite até água pura que ele ficará bom. . braços cruzados etc) Peça ao aluno contar a história olhando para todos os componentes do círculo.] CASCUDO.O Compadre da Morte Diz que era uma vez um homem que tinha tantos filhos que não achava mais quem fosse seu compadre. Não é recomendável: . [. por cima das cabeças.vícios de linguagem: aí. Principalmente. evitando olhar para o chão ou outro ponto qualquer. então.andar sem parar. que o contador demonstre aos ouvintes alegria e prazer na hora da contação. 2003. sem olhar o texto. conte-o de memória. não faça nada porque é um caso perdido. Se eu estiver na cabeceira do enfermo. Celso Sisto .. ou se a sua mão está presa em alguma coisa (mãos no bolso. de um lado para o outro. Quando for visitar um doente me verá sempre. Você vai ser médico de hoje em diante e nunca errará no que disser.

Apresente também os seus progressos. por isso dê dicas. Esse estímulo é fundamental para avançarem em sua aprendizagem. mas sem constrangê-lo. Houve avanço em relação à expressão oral e leitura dos alunos? Para que todos tenham oportunidade de contar suas histórias a 5º etapa poderá se estender pelo transcorrer do semestre. Esse momento é muito importante para você observar a performance do seu aluno. 4ª aula: Elaboração • Organize os alunos em grupos. mesmo que sejam mínimos.• Após todas essas observações e comentários. contará a história escolhida aos colegas da turma. . sucessivamente). • Solicite a outro aluno que entre no círculo para recontar aquele trecho da história ( assim. • Distribua 3 ou 4 livros para cada equipe e peça que pesquisem e selecione um conto de sua preferência. Houve participação dos alunos? Nota: 5ª aula: Avaliação • Após a escolha e estudo do texto. peça que o aluno reconte o trecho da história percebendo os seus avanços. também progressos. um componente da equipe. corrija ajudeseus erros e ajude-os nas suas constrangêdificuldades.

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