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Funcoes Psiquicas

Funcoes Psiquicas

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  • I - CONCEITO
  • Estímulo:
  • Capacidade de concentração do psiquismo:
  • II - CARACTERES DA ATENÇÃO
  • Tenacidade :
  • Vigilância :
  • III - FORMAS DE ATENÇÃO
  • Espontânea:
  • Voluntária:
  • IV. PSICOPATOLOGIA DA ATENÇÃO
  • I. CONCEITO E CARACTERES
  • II. PSICOPATOLOGIA DA PERCEPÇÃO:
  • Perturbações quantitativas:
  • Perturbações Qualitativas:
  • III. CLASSlFICAÇÃO DAS ALUCINAÇÕES:
  • Alucinações Psíquicas (Baillarger) Aperceptivas (Kahlbaum) ou
  • II. ETAPAS DO PROCESSO MENÉSICO
  • Fixação:
  • Conservação:
  • Evocação e Reconhecimento
  • III. PSICOPATOLOGIA DA MEMÓRIA
  • 1. Perturbações Quantitativas
  • Hipermnésia:
  • Dismnésia:
  • Hipomnésia
  • Amnésias:
  • Amnésia anterógrada:
  • Amnésia de evocação ou retrógrada:
  • Amnésia total retroanterograda:
  • 2. Perturbações Qualitativas:
  • Ilusão da Memória ou Falsificação retrospectiva: Sob esse título
  • II. PSICOPATOLOGIA DA CONSCIÊNCIA
  • 1 - Obscurecimento:
  • b - Confusão:
  • c - Estupor:
  • 2 - Estreitamento da consciência:
  • III. CONCEITO DE LUCIDEZ MENTAL
  • 1 -Autopsiquica:
  • 2 - Alopsquica:
  • II. PSICOPATOLOGIA DA ORIENTAÇÃO
  • I- CONCEITO E CARACTERES
  • b) ASSOCIAÇÕES DE ÍDEIAS
  • II - PSICOPATOLOGIA DO PENSAMENTO
  • 1) Fuga de idéias:
  • 2) Inibição do pensamento:
  • 3) Perseveração:
  • 4) Prolixidade:
  • 5) Desagregação do pensamento:
  • C) Distúrbio no conteúdo do pensamento:
  • 1) Inclinações e idéias super valorizadas:
  • 2) Delírios:
  • Classificação dos delírios
  • 1 - Delírio de grandeza:
  • 2 - Delírio de auto-acusação
  • 3 - Delírios melancólicos depressivos:
  • 5 – Idéias de referência:
  • 6 - Delírio de influência:
  • 7 - Delírio místico:
  • 8 - Delírio Hipocondríaco:
  • 9 - Delírio niilista ou de negação
  • 10 - Delírio da invenção:
  • 11 - Delirio de descendência
  • 12 - Delírio reformador:
  • 13 - Delírio de ciúme:
  • 3) Obsessões:
  • 4) Fobias:
  • 5) Incoerência do pensamento:
  • I - CONCEITO E CARACTERES
  • II) PSICOPATOLOGIA DA LINGUAGEM ORAL:
  • 1- Perturbações da linguagem oral, por perturbações afetivas (dislogias)
  • a) Verborréia ou Taquilalia
  • b) Jargonofasia
  • c) Verbigeração
  • d) Bradilalia
  • e) Mutismo
  • f) Neologismos:
  • g) Paralogia:
  • h) Ecolalia:
  • i) Estereotipia Verbal:
  • 2 - MODIFICAÇÃO DA LINGUAGEM ORAL:
  • A) Disartrias:
  • B) Dislalias:
  • C) Anartria:
  • D) Disfemias:
  • F) Disfasias:
  • II - PSICOPATOLOGIA DA LINGUAGEM MÍMICA:
  • a) Hipermímica:
  • b) Hipomímica:
  • c) Amímica:
  • d) Paramimica:
  • III - PSICOPATOLOGIA DA LINGUAGEM ESCRITA
  • I- CONCEITO E CARACTERES:
  • II - PSICOPATOLOGIA DA INTELIGÊNCIA
  • 1) Oligofrenias
  • 2) - Demência:
  • I - CONCEITO E CARACTERES:
  • II - PSICOPATOLOGIA DA CONAÇÃO
  • II – PSICOPATOLOGIA DA AFETIVIDADE
  • a) Afetos prazeirosos
  • b) Depressão:
  • c) Tensão:
  • d) Angústia:
  • e) Pânico:
  • f) Afeto inadequado:
  • g) - Ambivalencia:
  • h) Despersonalização:
  • BIBLIOGRAFIA

Comunidade Terapêutica D.W.

Winnicot Crianças e Adolescentes

Funções Psíquicas - “Livro Preto” J. Outeiral

1

ATENÇÃO
I - CONCEITO

A reação seletiva pela qual o ego examina o mundo externo e o interno chama-se atenção. É a concentração do psiquismo diante de um estimulo, ou melhor, uma resultante psíquica, já que centraliza todas funções numa determinada direção. Há autores (2) que a consideram como um grau de consciência. Dizem, pois, que tudo que é focal no campo da consciência é vivido com a atenção, e, tudo que e franjal evoluiu no psiquismo sem a atenção. Nessas condições, compreendidas como grau de consciência, a atenção tem mais o caráter de qualidade das outras funções mentais do que função especial propriamente dita. É de interesse nos determos no estudo da primeira definição dada. Implica ela na existência de dois elementos: A - Estimulo: B - Capacidade de concentração do psiquismo Estímulo: Objeto para o qual pode convergir nossa atenção que pode ser interno ou externo. Interno em nosso corpo e externo, fora dele. Capacidade de concentração do psiquismo: É claro que, se o ego não está em condições de poder concentrar-se, esse psiquismo não poderá prestar atenção. É o que se observa em muitos doentes mentais, nos quais o processo mórbido produziu tal deterioração que os impediu de formar essa componente que se denomina atenção.

II - CARACTERES DA ATENÇÃO

1 - Amplitude 2

2 - Intensidade 3 - Duração A amplitude refere-se ao campo que pode abarcar a atenção. A intensidade, também chamada agudez da atenção, indica que esta é, às vezes superficial outras vezes, profunda. Finalmente, a última particularidade é a personalidade maior ou menor da atenção. Do predomínio, ora da intensidade, ora da amplitude, surge o conceito de concentração. Assim, quanto maior a intensidade, maior a concentração quanto maior a amplitude, menor a concentração. Além disso, distingue na atenção a tenacidade e a vigilância, que muitas vezes podem atuar antagonicamente. Tenacidade : É a propriedade da atenção de estar dirigida de um modo permanente em um mesmo sentido. Vigilância : Aquela de dirigir-se a atenção a um novo objeto. Do ponto de vista psiquiátrico, estas características da atenção não são de muita aplicação, ou pelo menos de menor aplicação que em psicologia normal e em disciplinas correlatas, como por exemplo na orientação profissional.

III - FORMAS DE ATENÇÃO

Em clínica psiquiátrica se reconhecem duas formas principais de atenção: Espontânea e Voluntária

Espontânea: É aquela que se exerce ante um estímulo externo, sem intervenção da nossa vontade. O objeto impõe-se aos nossos sentidos e, mais ainda, ao nosso psiquismo. Exemplo: o ruído, o bater de uma porta quando estamos lendo. Entrando numa casa, uma pessoa dirigirá espontaneamente a atenção para aquelas coisas que impressionam mais suas inclinações; uma estátua para um 3

turista, uma biblioteca para um estudioso, etc. ―A atenção espontânea‖ diz Ribot (2) está, inteiramente subordinada a nossa sensibilidade afetiva, esta lei não sofre exceções. Voluntária: Assim denominamos a que se produz mediante a intervenção da vontade do indivíduo, quem, por sua própria iniciativa concentra-se num objeto. Ex.: a concentração forçada sobre as páginas de urna anatomia patológica.

IV.

PSICOPATOLOGIA DA ATENÇÃO

A atenção é influenciada:

1 - da parte do sujeito (atenção voluntária) a. pela afetividade. b. pelo cabedal de associações disponíveis em relação ao assunto.

2 - da parte do objeto (atenção espontânea) a. intensidade do estimulo b. mobilidade c. variações bruscas d. proximidade e. novidade f. repetição g. desaparecimento súbito

O contrário da atenção chama-se distração, que é fenômeno observado no indivíduo, que submerso em suas meditações , não percebe as impressões externas. Trata-se portanto, mais de concentração de atenção propriamente de que diminuição desta. Como variações patológicas da atenção temos: 4

1- Disprosexia. 2- Aprosexia. 3- Hiperprosexia. 4- Hipoprosexia. 5- Paraprosexia. Examinaremos, sumariamente, cada um destes distúrbios, já que psiquiatricamente tem muito pouco valor. O termo disprosexia é a lentidão ou debilidade da atenção. Aprosexia – falta de atenção, dependendo de fatores tóxicos, afetivos e traumáticos. Em resumo indica uma perturbação do ego, passageira ou permanente. Autores há que procuram diferenciá-la da ausência de atenção, proveniente da indiferença afetiva ou do negativismo dizendo que, no último caso o indivíduo não

aceita os fatos porque carece de interesse ou porque, simplesmente não quer. Na aprosexia verdadeira ele não poderia atentar. A Hiperprosexia ou hiperatividade da atenção, consiste na capacidade do atender, simultaneamente, as mais variadas impressões, sem que fixe a atenção sobre um objeto determinado. Os quadros de excitação maníaca nos fornecem ilustração mais perfeita desse sintoma. Esse termo é também usado por alguns autores, para designar o que outros chamam de abstração, isto é, excesso de concentração sobre um pensamento. A hipoprosexia é a diminuição global da atenção. A atenção está diminuída pela fadiga, estados tóxicos, lesões orgânicas e, exemplo mais típico, é o estado de obnubilação. Além das variações patológicas dizemos que o grau de atenção do mesmo indivíduo depende das variadas condições fisiológicas. A capacidade de atenção também oferece grandes diferenças individuais, guardando em geral certa relação com o desenvolvimento intelectual. Paraprosexia é empregada para designar um fenômeno paradoxal que consiste na diminuição da intensidade e clareza das demais percepções, quanto a atenção acha-se dirigida para um só objeto, graças a um esforço especial da 5

e. a via centrípeta. não serão estudados aqui. transformando-a dentro do mesmo receptor e dando origem ao impulso nervoso. agregados e superpostos nos vão dar um complexo. o trajeto que vai desde a percepção sensorial do estímulo até sua chegada a célula cortical e. Em realidade pode haver estimulação interna (desejos instintivos do ID). e pôr isso. cuja interpretação ou significado dependerá das experiências e interpretações previas do indivíduo. As perturbações das sensações. Se olharmos para uma laranja e sobre ela fixarmos a nossa atenção receberemos. sobre isso não existe ainda um acordo. A isso. a transformação que este estímulo sofre ao converter-se em fenômeno psíquico. entendendo-se pela primeira. embora seja evidente a relação estreita entre sensação e percepção. SENSOPERCEPÇÃO I. auditiva. chamamos sensopercepção ou simplesmente percepção como querem alguns autores. apresentamsintomas que serão vistos mais tarde. Até agora falamos dos estímulos externos e órgãos sensoriais.vontade. como sintomas da doença mental que se expressam no plano orgânico. quer dizer. Esse impulso ao chegar a zona apropriada do cérebro. evoca a estrutura toda e surge conhecimento: o que está diante de 6 . visual ou de outro tipo. Esses dados sensoriais e elementares. Em rigor alguns autores estudam a sensopercepção como um único processo. Dizemos pois. por percepção. através do órgão visual. uma série de impressões sensoriais que. O exemplo mais típico é a distração dos sábios. estão construídos de tal maneira que podem analisar e selecionar a energia ambiente. uma estrutura a qual está ligada também uma carga afetiva. que a percepção é o fenômeno psíquico pelo qual a sensação se faz consciente. A presença em nossa consciência de uma parte desses atributos. CONCEITO E CARACTERES Os órgãos terminais ou receptores. se transformarão em sensações elementares. produz uma imagem sensorial . A sensopercepção foi estudada como constituída por dois elementos: a sensação e a percepção.

etc. associações. sem gosto. Qualitativamente Perturbações quantitativas: Os distúrbios quantitativos da percepção podem ser: 1 . 2 — fixa e estável. como se vê.Por aumento de número ou intensidade – todos os sons parecem altos. 3 — extrojetada. pois.Por diminuição – tudo parece escuro ou cinzento. isto é. Esta imagem chama-se: imagem sensorial. que nos parecem sem maior importância. isto é. II. ou seja. Assim simplesmente as nomeamos. onírica pareidólicas. Quantitativamente. b. tais como: memória. não pode ser isolada do todo. a percebemos. PSICOPATOLOGIA DA PERCEPÇÃO: A percepção do ego pode alterar-se em dois sentidos: a. além das demais acima: post-sensorial – a imagem minêmica fantástica. é o que ocorre nos estados depressivos ou melancólicos. delírios tóxicos. determinada pela presença do próprio objeto. situada no espaço objetivo externo. É o que ocorrem em estados neurastênicos. Há autores há (2-8) que fazem um estudo mais detalhado do tipo de imagem. Perturbações Qualitativas: Podem ser: 1 . eidética. todas as cores parecem vivas.ilusões 7 . atenção. 2 . etc. Desse exemplo podemos concluir que a percepção ou sensopercepção como todas as outras funções. Esse mesmo exemplo da laranja servirá para distinguirmos percepção de representação. Olhando uma laranja tivemos diante de nós sua imagem.nós é uma laranja. para o reconhecimento da laranja como objeto foi lançada mão de outras funções. sendo então: 1 — nítida e delimitada. pródomos da crise epiléptica.

Segundo o órgão ou sistema afetado podem ser: 1. Segundo o órgão ou sistema afetado b.definimos como a percepção deformada do objeto. temores. na alucinação o ego se encontra seriamente comprometido. olfativas. desejos. Nas alucinações. porém. Parece-nos que o mecanismo de defesa utilizado na ilusão é a projeção. CLASSlFICAÇÃO DAS ALUCINAÇÕES: As alucinações podem ser classificadas: a. Segundo o conteúdo. Segundo o momento de produzir-se c. implicando numa distorção do juízo da realidade. aceita como verdadeira. III. mas sempre determinados por motivos afetivos. uma imagem sensorial deformada por elementos representativos. Na ilusão a projeção momentânea é rápida e não implica em maior comprometimento do ego. o interpreta erroneamente. sensoriais (visuais. É a projeção para o exterior de uma imagem representativa. Pode ocorrer com clareza de consciência ou ser favorecido por perturbações desta (estados tóxicos ou infecciosos). gustativas. desejos inconscientes. pois. O objeto existe e é real. ao contrário. A imagem ilusória é. bem como nas ilusões. etc. e o indivíduo o percebe. Alucinações . isto é.2 . como no sonho e outros produtos do inconsciente. seu significado é passível de compreensão.é a percepção sem objeto também chamadas por alguns autores de pseudo-percepção. É o apaixonado que vê a namorada numa desconhecida para quem olha de repente ou um paciente carregado de sentimentos de culpa que ouve vozes acusadoras quando as árvores são agitadas pelo vento. Sob o ponto de vista dinâmico parece-nos que pode ser considerado projeção para o exterior de conflitos. auditivas.alucinações 3 – pseudo-alucinações Ilusões . 8 . impulsos reprimidos. táteis).

) ou complexas (pessoas. esses últimos podem ser: comuns (ruídos de objetos individualizáveis. em sindromes paranóides. Quase sempre são do tipo auto-acusatório.2. Combinadas Alucinações sensoriais – São aquelas que se produzem através dos órgãos dos sentidos. psicoses epilépticas e psicoses esquizofrênicas. Cinestesicas ou motoras 4. Expressam. Auditivas . São próprias dos esquizofrênicos. nas quais o doente vê objetos que se encontram fora do campo visual. estados esquizofrênicos principalmente em estados melancólicos. classificando-se. seria descrita por BLEURER (1). quase sempre. cocainismo.). Constata-se sua presença. Cenestésicas 3. que nosso superego seja formado preferencialmente através da audição. Gustativas e Olfativas — geralmente sua presença é simultânea. Táteis — muito comum em tóxico-manias. 3. animais. por exemplo o soar de urna campainha) ou verbais (vozes). Psíquicas 5. assim o paciente pode sentir cheiro de podre e gosto estranho na comida. (―Vejo uma serpente atrás de mim‖). sejam elementares (chamas. consequentemente. etc.o paciente crê ver objetos que não existem. em: 1. certas formas de alcoolismo. em parte. nos estados de confusão mental. encontram-se em delírios alucinatórios. 2. Visuais . temores do paciente de ser envenenado 4. O paciente 9 . (alcoolismo. Alucinações Cenestesicas - Compreendem aquelas dirigidas à sensibilidade interna que regem à inervação dos órgãos e vísceras.). iluminações. etc. etc. com o nome de ―extracampina’. Isso talvez se deva.do mesmo modo os pacientes ouvem ruídos ou sons. elementares ou complexos. principalmente. Apresentam-se.

Alguns melancólicos.o paciente crê efetuar um movimento. os testículos não funcionam. esquizofrênicos e neuróticos sofrem deste tipo de alucinações. estabilidade maior que a alucinação verdadeira (influenciáveis. Pseudo-Alucinações . etc. noturnas.O doente percebe no ―interior do seu cérebro’. simplesmente uma idéia ou pensamento que atribui a algo ou alguém estranho a ele. falta de crença persistente em sua realidade objetiva (J. Alucinações Combinadas .Qualquer dos tipos citados podem combinarse ou apresentar-se simultaneamente.E. etc. Alucinações Psíquicas (Baillarger) Aperceptivas (Kahlbaum) ou Pseudo-Alucinações (kandinsky) .) e complexas (diferenciadas: visão concreta de objetos.queixa-se de que seu estômago esta podre. Segundo seu Conteúdo – Podem ser elementares (indiferenciadas: chamas murmúrios contatos ou gostos indeterminados. Muller . Kandinsky. É chamada pela escola francesa de (DUPRE E GELMA). sentese erguido ou. a hipenopompica (imediatamente depois do sono). assinala que lhe estão levantando um membro. esquizofrênicos. Segundo o momento que se produzem podem ser diurnas. citados por FIGUEIRAS E SIMAN de ―alucinoses‖ enquanto que a escola alemã e americana reservam esse termo a uma Síndrome classificando-as habitualmente 10 .também uma pseudo-percepção. citado por MYRA Y LOPES). modificáveis). Pois é sem objeto. São observadas em algumas formas de confusão mental. audição de vozes contatos ou gostos determinados). uma voz ou uma imagem visual ou sem chegar a isso. Distingue-se da alucinação porque não é aceita pelo juízo da realidade como percepção real do objeto. Cinestésicas ou Motoras . hipnagógicas (imediatamente antes do sono). Suas características são: falta de vivacidade.

Parece-nos que há uma parte do ego que se mantém intacta e capaz de reconhecer a realidade. altamente integrada do organismo. isto é. que se apresentam numa consciência clara e acompanhada. Esse aspecto tem também a adaptação com o mínimo de esforço. nos permitindo conservar e fixar o que lemos ou grande parte dele. senão um aspecto daquela parte. Avançando um passo além. as primeiras funções que emprega o ser humano para estabelecer contato com o meio que o rodeia. Do mesmo modo o evocarmos se necessário e finalmente. que chamamos mental. Na pseudo-alucinação o paciente se dá conta de que é anormal o que sente. provoca em nós um processo tal. mais ou menos isolada. Assim. integram uma função tão complexa como . efetivamente. quando voltamos a repassar essa leitura a reconhecemos ou identificamos com a realizada pela primeira vez. Quando este chega ao cérebro faz-se consciente. por exemplo. evocar e reconhecer um estímulo. a personalidade concentra-se em um estímulo. colocá-lo em primeiro plano. 11 . Todos esses processos. cuja concatenação é evidente. e por último reconhecê-lo ou identificá-lo. convertendo-se em percepção. conservar durante longo tempo. Não devemos concluir que a memória seja uma faculdade ou função especial. Podemos definir esta. como capacidade de fixar. CONCEITO E CARACTERES Vimos até agora.denominada memória. pela ajuda que presta ao indivíduo para que tire proveito de sua experiência. portanto. MEMÓRIA I. evocar quando necessita ou crê conveniente.entre as psicoses alcoólicas que se caracterizam por uma reação com alucinações auditivas. a leitura de algumas páginas de um livro. que penetra num indivíduo. Por meio delas.as anteriores . chegamos a conclusão de que o indivíduo possui a faculdade de fixar ou apreender este estimulo. em forma de sensação. por marcado temor. conservar.

que é assim integrado na totalidade mental a isto Bleuler denominava ―engrama‖. aumentamos a força de disposição até o ponto em que conseguimos reproduzi-lo literalmente ou em seu significado. o que entendia pôr isso. conforme seja a finalidade. Bleuler. repete o texto varias vezes e. A capacidade de formar e conservar esses engramas. Daí pôr diante.reconhecimento Fixação: Consiste a fixação num estabelecimento de associações entre a experiência passada e o novo fenômeno. claramente. porque 12 . Pelo ato da fixação. mas. Esta é a razão pela qual o estudante. qualitativamente idêntico que lhe serve de base. A lei que estabelece a relação entre a força das disposições e o número de fixações repetidas é formulada por OFFNER (citado pôr Iracy Doyls) da seguinte maneira: ‖uma disposição torna-se tanto mais forte tanto mais freqüente se repete o processo psíquico. ETAPAS DO PROCESSO MENÉSICO Como vimos acima. tanto mais fácil será a reconstrução mnêmica quanto maior o número de evocadores associados. mais seguro sente-se. não seremos capazes de reproduzi-lo. via de regra. quatro etapas: a – fixação b – conservação c – evocação d . Todas as representações associadas com o elemento fixado.‖ Lendo um texto científico pela primeira vez podemos conservar uma noção geral do assunto. como evocadoras. quanto mais o faz. se estabelece a ―disposição mnêmica‖. dentro da memória. Repetindo a leitura outras vezes. podem servir depois no ato da fixação. A fixação depende naturalmente da repetição do próprio ato de fixar. a repetição torna-se praticamente desnecessária. se por ocasião dos exames tem de se dar conta do que leu. sem definir. a potencialidade de recordar o fixado. foi designada pôr Wernik (citado por Bleuler) com o nome de memória de fixação.II. podemos distinguir. deu a esses evocadores o nome de ―ecforia de engrama‖. e. isto é.

nesse sentido é que são úteis os sumários e esquemas. tanto menos quanto mais forte já era ela antes da repetição‖ Esta lei é exata num limite. ensinando a pessoa a sintetizar o material a fixar. pela repetição automática acentuar o sulco deixado pelo elemento fixado. Quando durante a fixação inventamos relações esdrúxulas. dizemos que foi decorado. de tempos em tempos para que a disposição mnêmica se reestabeleça. Cada pessoa tem a sua dose ótima de fixação. Na prática. Todos os elementos coloridos afetivamente fixam-se com mais força do que os conteúdos indiferentes. influem sobre a fixação os sentimentos. A capacidade de fixação mnêsica constitue constante individual. aumentar o número de conteúdos fixados. Conservação: O estudo da conservação é muito difícil. Na primeira. são justamente. os termos que distinguem a fixação consciente da préconsciente. Do mesmo modo. distinguimos três modalidades de fixação: mecânica. o texto fixado é repetido literalmente. procuramos. especificamente falamos em relação mnemotécnica. temos dificuldade em concluir se isso decorre da 13 . Na memória devemos considerar ainda. Podemos distinguir ainda. desde que apreciamos a conservação pelos relatos que o indivíduo fornece dos dados fixados: Notando falhas no relato. Não conseguimos. dosagens do material fixado. A fixação racional ou lógica dá-se quando ao fixar procuramos integrar os fatos em nosso cabedal intelectual. que varia individualmente. e quanto maior a carga afetiva.a fixação atingiu um ponto ótimo. que não pode ser ultrapassada. racional e mnemotécnica. Esse fato deu lugar a segunda lei de OFFNER: ―uma disposição reforça-se pela repetição. Fixar com atenção e fixar sem atenção. tanto mais profunda a fixação. mesmo pelo treinamento. é possível aumentar o rendimento de fixação. a fixação consciente e a fixação pré-consciente também chamada subconsciente por alguns autores. relativamente pequeno de tempo e. ou seja a evocação. Entretanto. Nesse tipo de fixação. as emoções e interesses afetivos. enquanto houver rigidez. pois essa fase do processo mnêmico confunde-se com a terceira etapa. por isso somos obrigados a uma nova repetição. mas que servem para facilitar a futura repetição mnêmica.

mais aceita modernamente. Há. Por outro lado. vemos que o simples modo de olhar um determinado sinal ou cicatriz. Evocação e Reconhecimento A evocação em sentido prático é a memória propriamente dita. aqueles que atestam o processo de conservação no material fixado. de acordo com as necessidades. estabelece que não são representações inteiras que se conservam mas sim unidades neles discriminadas no momento da fixação e que depois reconstroem a lembrança. orienta o reconhecimento uma pessoa que há muito não vemos. Alguns autores negam a existência dessa fase. O esquecimento não será um processo passivo mas o efeito de forças que se opõem ativamente ao aparecimento de experiências desagradáveis ou por qualquer motivo. gastava-se muito menos tempo para refixar o material ―esquecido‖. Quanto mais associações conduzem a uma fixação tanto mais fácil é a evocação. Freud demonstra que os distúrbios isolados da evocação dependem sempre de causas afetivas. A teoria dinâmica das representações. repelidas pelo ego. tanto mais fácil será sua evocação. Muitos autores costumavam descrever estes duas fases englobadas no conceito de reprodução. porém. a evocação exige a existência de ―um evocador‖ (ecforia). Como se faz a conservação? Há duas correntes: os partidários da teoria estática consideram a memória latente como uma espécie de câmera fotográfica. A evocação não é nada mais do que uma associação expontânea ou voluntária que traz. deixava o indivíduo esquecer o fixado. depois de confirmar a impossibilidade da repetição. O mecanismo de defesa utilizado pelo ego é a repressão.insuficiente conservação. que. portanto. são retiradas para a reprodução. quanto mais agradável forem os afetos ligadas a esse material fixado. Verificou que tais casco. Ebinghus (citado pôr Iracy Doyle). novamente a consciência o material previamente fixado e conservado. Sem exceção a evocação se faz associativamente e por isso as leis de evocação são os mesmas das associações. Em realidade. na segunda fixação. após fixar na memória do examinando certa quantidade de material. 14 . Em ―psicopatologia da vida cotidiana‖. renovava a fixação. Esse evocador pode ser consciente ou inconsciente. ou de defeito de evocação.

que permita discriminar as recordações verdadeiras das falsas. por isso. Referem-se ao número de representações mnêmicas. podem ser quantitativos e qualitativos: 1. quase sempre. a possibi1idade de reproduzir as circunstâncias especiais e temporais que acompanham a fixação do material. para menos quando há uma inibição de causa orgânica ou afetiva que produz uma diminuição no número de representações: Classificam-se em: a. Amnésia. dispomos também. uma exaltação da memória. que podem variar para menos e para mais. nos estados maníacos e na paranóia. constituindo por si só um fato patológico. Há entretanto pessoas que apresentam um desenvolvimento acentuado do aspecto da memória em contraste com as demais formas de funcionamento da 15 . o paciente tem uma lembrança clara e detalhada. ou a experiências relacionadas com afetos particularmente intensos. Do mesmo modo que existe um ―juízo da realidade‖. Hipomnésia. Perturbações Quantitativas. PSICOPATOLOGIA DA MEMÓRIA Os distúrbios da memória. Hipermnésia. Para mais quando um estado de excitação psíquica traz como conseqüência. As impressões que se originam em fatos carregados emocionalmente registram-se. Observam-se ocasionalmente. especificamente. A capacidade mnemônica excessiva limita-se habitualmente a períodos específicos. Dismnésia. de um ―juízo de identificação‖. III.O termo reconhecimento designa. com intensidade maior que a habitual e. Hipermnésia: Assim se denominam o aumento simples da memória. b. c. distinguindo as percepções verdadeiras das falsas. d.

etc. se testada em outros setores da atividade psicológica uma vez que todo o ego e a memória inclusive. o musical. ou hipomnésia. parcialmente outras e não atingindo as demais. demência senil. a memória para números. São pequenos esquecimentos ou evocações um tanto confusas. Esse fenômeno é típico nos paralíticos gerais. estão a serviço do delírio.o paciente esquece alguns fatos em forma total e absoluta. quando na realidade os testes demonstram ser normal tanto a fixação. O processo mental patológico influi sobre as diferentes fases da memória. A hipertrofia de um aspecto da memória. é comum ser encontrada em certos oligofrênicos. Os mecanismos desse fenômeno são muito variados. uniforme e progressiva nos faz pensar na existência de um processo demêncial de natureza orgânica. e costuma ser as vezes o primeiro sintoma a apresentar-se. na paralisia geral. impregnando totalmente algumas particulas. que por semelhança com as que se produzem no indivíduo normal passam despercebidas. que vivem queixando-se de insuficiência de memória. quando global. restringindo seu funcionamento. Dismnésia: Nela as representações estão diminuídas. J. Hipomnésia A diminuição da memória. outros em formas fragmentadas e outros não esquecem. é de um colorido especial: . Finalmente nos oligofrênicos também se pode achar hipomnésia: a falta de desenvolvimento 16 . como por exemplo. A hipermnésia da paranóia é chamada por alguns autores de hipermnésia seletiva. Esses acumulam toda a espécie de sinais mnêmicos e detalhes que servem de apoio a suas afirmações delirantes. Há casos de aparente amnésia observados nos neuróticos.T. etc.inteligência. como ocorre na arteriosclerose cerebral. Bordas (citado por Figueiras) em uma comparação feliz lembra o derramar de tinta sobre a areia. a conservação como a evolução. entretanto ha quase sempre redução da memória. Esse estreitamento que também encontramos na hipomnésia e amnésia.

deve ser um transtorno no processo da fixação e conservação. Segundo sua extensão classificam-se em parciais e gerais Parciais: são aquelas que produzem um determinado sentido: perda da memória. antes de concluir que a amnésia é de origem psicogênica. repetir imediatamente após as palavras que lhe foram ditas. Na amnésia orgânica as perturbações fisiológicas dos neurônios por toxina. conservação ou de evocação. O diagnóstico diferencial entre amnésia orgânica e psicogênica é importante. por causa orgânica. Não havendo transtorno da consciência ou alteração das funções intelectuais a amnésia será de origem psicógena. especialmente neste último. traumas ou degenerações. A perda da memória. b. gustativa. Amnésia anterógrada: O paciente não consegue lembrar-se dos fatos recentes. Pode estar evidente. Classicamente distingue-se três variedades de amnésia: a. etc. pois assim liberta-se da angustia que está ligada a esses acontecimentos reprimidos. Amnésia total ou retroanterograda. Gerais: quando abrange todos os dados do conhecimento. o paciente da amnésia psicógena não esquece. auditiva. Amnésia de fixação ou anterógrada. Na amnésia psicógena inibe-se a memória pôr razões psicológicas.cerebral traz como conseqüência um funcionamento de deficiência da memória. estritamente falando. As grandes perdas da memória de origem psicogênica devem ser consideradas como de natureza histérica. Amnésias: Assim se denomina a perda completa da memória. fixar algum objeto que são 17 . Na diferenciação temos que investigar a natureza da causa. dificultam os processos associativos. ele não pode recordar. Trata-se de uma perda de lembrança seja por incapacidade de fixação. mas se não for será necessária fazer uma historia cuidadosa e uma exploração detalhada do sistema nervoso. Amnésia de evocação ou retrógrada. A amnésia pode ser produzida tanto por fatores orgânicos como psicopatogênicos. c.

As vezes a amnésia anterógrada constitui um sintoma secundário a outras alterações mentais: por exemplo. Entende-se. quando é natural que a fixação não se opere. Amnésia de evocação ou retrógrada: Caracteriza-se a amnésia retrógrada. com exatidão e precisão aos episódios de sua meninice. com fratura no parietal seguido de estado de coma e convulsões. que vítima de traumatismo craniano severo. Esse fenômeno é muito freqüente na confusão mental e na demência senil. inclusive os próprios dados de identificação pessoal. que. mediante o qual o paciente substitui sua amnésia por expressões imaginativas as quais contam como verdadeiras. ou o são a custa de grande esforço. perdeu toda a capacidade 18 . Logo. instalou-se o quadro esquizofrênico. Durante o período que persistia a amnésia o paciente funcionou com absoluta lucidez. Costuma ser freqüente o paciente portador desse tipo de amnésia a substituição do material esquecido por elementos de caráter imaginativos que constituem o que se chama confabulação. Amnésia total retroanterograda: Nesta amnésia a deterioração mental á tão grande que o paciente não pode fixar. não se recordava de detalhes algum de seu passado. entretanto. É este tipo de amnésia que se apresenta em pacientes submetidos ao eletrochoque e em pacientes submetidos a traumatismos emocionais intensos. pode coincidir com estados de obnubilação da consciência. sem qualquer traço de desagregação ou delírio. pelo desaparecimento das lembranças antigas há muito fixadas pela memória. que a recuperação mnêsica se processou ameaçando trazer a memória dos conflitos reprimidos. embora possa parecer também em certas intoxicações agudas e ataques epléticos. por confabulação um processo. uma vez que estímulos sensoriais não são percebidos claramente. embora refira-se. ou não podem ser evocadas. conservar.apresentados. Iracy Doyle. Esse o tipo de transtorno da memória que aparece consecutivamente a traumatismos e infecções cranianas. Caso típico da demência senil. após recuperar a consciência apresentava amnésia retrograda de intensidade máxima. evocar e reconhecer os estímulos. cita o caso de um paciente esquizofrênico muito degregado e delirante.

o paciente acredita nunca ter visto algo que em realidade já vivenciou. É muito freqüente na paranóia. por estar ligada a associações de conteúdos desagradáveis para o indivíduo. b . sendo que. passado esse. Um tipo particular de amnésia geral é a amnésia lacunar que se observa nas confusões mentais e correspondem a períodos de graves perturbações da consciência. Iracy 19 . A função mnêmica fica suspensa durante o período.Ilusão da memória ou falsificação retrospectiva. apresentando uma lacuna mnêmica que abrange períodos de duração do processo. Perturbações Qualitativas: Referem-se as qualidades da representação mnêmica. Ilusão da Memória ou Falsificação retrospectiva: Sob esse título entende-se a evocação deformada ou a evocação de detalhes imaginários. os pacientes voltam a recordar os fatos anteriores a sua enfermidade assim como os posteriores. d . geralmente para corroborar uma interpretação delirante. já descrita anteriormente. Quando ocorre no terreno patológico tem a característica de que paciente não reconhece o erro. quer dizer. ou fenômenos do já visto. Alucinação de Memória: Na qual há uma evocação de algo que nunca se fixou nem conservou.Deja Vu. será um sinal de grave prognostico. Ocorre quando a situação presente encontra uma relação associativa com a experiência anterior reprimida no inconsciente. 2.Alucinação da memória Deja Vu: Impressão de já ter vivenciado antes o que na realidade já é visto pela primeira vez. sob a influência de exigências afetivas.mnêmica. recebendo o nome genérico de paramnesicas ou falsos reconhecimentos.Fenômeno do nunca visto (Criptomnésia de Bleuler) c . É a chamada confabulação. Entende-se facilmente que a fixação foi intensamente reprimida. são: a . Fenômeno do nunca visto: ao contrário do caso anterior. reconhecimentos que não correspondem a realidade.

que não é uma lembrança. CONSCIÊNCIA I. tempo. tais como lugar. de difícil sistematização. que serão somente citados. Parecenos que aqui trata-se mais de uma ilusão do que propriamente um fenômeno de memória. fala no falso reconhecimento. a função dos sentidos especiais está intacta e a apreensão dos estímulos externos não esta perturbada. Implica num funcionamento harmônico e completo das funções psíquicas. ser reconhecida como tal. que acabam acreditando nos produtos da própria imaginação. por exemplo. portanto. seja na confabulação desenfreada dos presbiofrenicos e doentes de KORSAKOW. O sensório é claro. outros distúrbios qualitativos da memória. Em outras palavras o indivíduo é capaz de captar as condições do meio ambiente. dos relatos dos mentirosos habituais. e compreender perguntas e refletir sobre elas. seja. associação de idéias. Descritivamente talvez fosse mais acertado a expressão ―clareza mental‖ para indicar o que se designa com o nome de consciência. de modo mais discreto. etc. isso é um processo mental. DIDE EGUIRAUD (2) descrevem com o nome de reminiscência. comportando a atenção. quer dizer. o fato de uma lembrança real não ser reconhecida como produto da memória e aparecer como idéia nova e pessoal. Assim. que sejam referidos como experiências reais da vida recordada. O conceito é abstrato e. situação pessoal e geral..Doyle (2). um indivíduo é confundido com outro. mas fundamentalmente 20 . O inverso também pode acontecer. por nos parecerem de menor importância. memória. Os sonhos podem adquirir tanta viveza e impôr-se de tal modo ao juízo de identificação. reconhece ainda. CONCEITO E CARACTERES Denominamos consciência a este estado de clareza do sensório que possibilita o reconhecimento do próprio eu e do ambiente. percepção. As criações de fantasia podem ser relatadas como realidades. ou seja.

nos limitamos a comentá-los.Estupor d . pôr: 1 . Nos deteremos no estudo de: a .Coma a. os processos pré-consciente. e os mais afastados os inconscientes. esquematicamente. Pode apresentar—se em diversos graus. Os circulos intermediários entre o foco e os processos pré-consciente.é a incapacidade de responder É um transtorno na qual a clareza mental não é completa. o centro do alvo corresponde ao máximo grau de consciência e é chamado foco. uma espécie de adormecimento em vigília e retarda a elaboração psíquica. comumente 21 .Obnubilação b . O limiar da consciência é alto e os estímulos sensoriais que. Obnubilação: . Didaticamente fala-se em campo.Obscurecimento: Esse transtorno ocasiona urna perda da claridade de nossas operações mentais.Obscurecimento da consciência 2 .significa clareza do sensório. São conceitos puramente abstratos e sem importância pratica. seriam o limiar da consciência.Estreitamento da consciência 1 .Confusão c . foco e limiar da consciência. Os círculos mais próximos esprimem. Entende-se por campo de consciência a extensão que abarca o cenário onde a consciência atua. II. devido habitualmente a alterações químicas ou físicas no sistema de associação do cérebro. por isso. PSICOPATOLOGIA DA CONSCIÊNCIA Os transtornos da consciência ocorrem. Se representamos esse campo por círculos concêntricos. desde a sonolência até o coma. como se fora um alvo de tiro.

enfermidades orgânicas do cérebro. desorientação. com a rapidez habitual. depressão profunda. perplexidade. a imobilidade do paciente. É um grau mais acentuado que a obnubilacão. também.Estupor: É um grau maior de obnubilação. enquanto que no estupor psicogênico há uma intensa preocupação do pensamento. epilépticos ou histéricos e certas ocasiões em condições de grande tensão emocional. dificuldades de compreensão. até entender a pergunta o suficiente para poder respondê-la. como as intoxicações. especialmente as associadas a fatores tóxicos infecciosos ou traumáticos. não são agora capazes de fazê-lo. mas não existe suspensão real da consciência. esconder e recordar os estímulos comuns. Observa-se também em transtornos psicogênicos como na histeria. c . No estupor tóxico os processos do pensamento conscientes estão suspensos.produzem percepções claras. b . A confusão está confinada em grande parte a fase aguda de algumas doenças mentais. interseptação. O sintoma aparece em pacientes que sofreram traumatismos cranianos ou processos infecciosos agudos. Uma passagem súbita do estupor à hiperatividade só ocorre no estupor psicogênico d . medo irresistível e. possa ocorrer em estados crepusculares. Está alterada a capacidade para pensar claramente. ainda qual. gritar-lhe e até repetir-lhe as coisas várias vezes.Confusão: É uma alteração da consciência caracterizada pôr um embotamento do sensório. nas reações epilépticas e histéricas. para perceber.Coma: 22 . A face de um doente confuso apresenta uma expressão ansiosa enigmática e às vezes de surpresa. transtornos das funções associativas e pobreza ideativa. estupor pode ocorrer tanto nas enfermidades mentais tóxicas e orgânicas como nas psicogênicas. Chamo atenção no estupor. atordoamento. As vezes é necessário sacudir o paciente para que compreenda uma pergunta. Observa-se estupor em diversas enfermidades físicas e mentais.

Inicia-se e termina-se subitamente. Passado o episódio. O resultado é que os pacientes podem executar uma séria de atos. Essa se localiza numa determinada direção. Observam-se freqüentemente crepusculares. A conduta explicita costuma ser coerente e a orientação no tempo e no espaço conservam-se. 2 . Varia a duração de tais estados. em um objetivo ficando borradas. exemplifica esse fenômeno. corretas.Estreitamento da consciência: Ao conceituarmos o campo da consciência dissemos que era a extensão que abarca o cenário.seu objetivo . na epilepsia e na histeria. que embora tenham uma finalidade. mas podem também aparecer. Os autores divergem quanto a esses fenômenos. todas as outras representações mentais. finalmente. de dias a até meses. é a abolição completa da consciência. Em certos casos esta extensão sofre uma redução. Consistem esses estados na substituição das impressões normais. são absolutamente inconscientes. ainda que se faça de um modo automático. o indivíduo não se recorda do que lhe aconteceu mostra-se surpresa caso se encontre em lugar adverso da habitual. comparando-o com um boxeador ―grogue‖. dizendo uns que há.Este. 23 . Iracy Doyle cita o exemplo de um indivíduo que assumindo outra identidade.seguir as regras do pugilismo. onde a consciência atua. inclusive retirar-se para seu canto. pôr outras falsas de tal modo que a compreensão do mundo se torna parciais e errônea. Nessas condições o paciente pode executar atos incompreensíveis aparentemente até mesmo agressões perigosas. de minutos a horas. que pode aparar e dar golpes . e é seguido de uma amnésia lacunar bem definida. Na crepusculares clínica esse transtorno encontra-se mais nos chamados os estados estados oníricos. mas incapaz de qualquer outra coisa. LANGE. e nem sabe explicar como chegou até ali. em suas dimensões que se denomina estreitamento da consciência. como conseqüência de traumatismos emocionais intensos e de lesões orgânicas cerebrais traumáticas. contraiu núpcias e já tinha um filho quando refez-se do estado crepuscular para descobrir que já era casado anteriormente.

tanto no seu início como em sua evolução. essa síndrome consiste na obnubilação da consciência. ilusões e alucinações. o paciente não recorda nada do ocorrido. o estado de lucidez seria simplesmente a falta de desordem na consciência. de tal importância que ambos autores classificavam os doentes mentais em lúcidos e não lúcidos. em cada momento. Apresenta-se habitualmente em pacientes febris. ORIENTAÇÃO I. III. Alguns autores incluem ainda. Para BLEURER (1). está sempre presente. dificuldade para compreensão e diminuição para fixação. de nossa vida e da 24 . Cada autor tem sua maneira de defini-la. sem obnubilação.simplesmente um estreitamento do campo da consciência. mediante o uso das quais o indivíduo pode estabelecer contato com o mundo exterior. serve para. CONCEITO E CARACTERES Denominamos orientação a um complexo de funções psicológicas ―em virtude das quais temos consciência. não existindo um acordo a esse respeito. pensamento incoerente. define a lucidez como a capacidade de atenção. CONCEITO DE LUCIDEZ MENTAL O que vimos atè agora. comumente agudo. percepção e memória. A AMEGHINO (citado pôr Figueiras) (3º). inquietação. durante este estado. senão um complexo sintomático. fixarmos o conceito psiquiátrico de lucidez. as perturbações da consciência delírio confusional (delirum). Não é só a perturbação da consciência. O delírio confusional pode ser seguido ou interrompido pôr estados de estupor. ao recuperar-se. enquanto afirmam outros que esta. Os sintomas pródromicos mais freqüentes são o sono inquieto. desorientação. JASPERS (6) diz que e lúcido aquele indivíduo capaz de entender e responder perguntas. outras chamam assim os capazes de atender e perceber. Se a obnubilação for intensa. e em estados tóxicos. e uma boa orientação.

da atenção. classicamente dois tipos de orientação: 1 . (VALEJO-NAGERA).auto psíquica ou do mundo interno 2 .alo psíquica ou do mundo externo 1 -Autopsiquica: Refere-se a própria pessoa e compreende: a. para formar um conceito global de estado do psiquismo do paciente.situação real em que nos encontramos‖. II. no espaço (lugar onde se encontra) A orientação auto e alopsiquica servem. consciência da situação (qual é a minha situação neste momento) b. PSICOPATOLOGIA DA ORIENTAÇÃO A desorientação pode apresentar-se em qualquer enfermidade mental. Depende. como já dissemos acima.Alopsquica: Compreende por sua vez: a. consciência da enfermidade (noção de que realmente é um doente mental) c. nela intervém a maior parte das funções psíquicas. na qual haja distúrbios da memória. no tempo (dia. semilogicamente. da consciência ou da atenção do 25 . da percepção. mês e ano) b. da memória e do juízo. Em outras palavras. pois. é o processo pela qual apreendemos o ambiente e nos situamos em relação a ele. Distinguimos. principalmente. noção da própria personalidade 2 . da consciência. das percepções.

selecionam-se e orientam-se ao redor de um propósito. as associamos estabelecemos a crítica que nos merecem e efetuamos as sínteses das coisas. Estudaremos. falamos então. Por este simples enunciado podemos nos dar conta da complexidade desta função. a) IDEAÇÃO 26 . Mediante o pensamento elaboramos nossas idéias. e também. muito comum na demência senil. observada freqüentemente em parafrênicos esquizofrênicos e em certos casos demenciais delirantes.paciente. Essa ultima será ainda espacial ou temporal. Quando a alteração acorre em um dos tipos de orientação. conforme o caso. PENSAMENTO I. fala-se em desorientação delirantes. em algumas outras demências. Quando decorre de idéias delirantes. Consequentemente. respectivarncnte. os transtornos da orientação observam-se tantos nos processos orgânico e tóxicos como nos psicogênicos. mais ou menos consciente (tema) seguindo as vias estabelecidas pelo processo associativo. como um fenômeno totalizador escreveremos. Quando conseqüência de distúrbio da memória. Segundo KARAEPELIN (citado pôr Iracy Doyle) (2). mediante o qual os dados elaborados do conhecimento. em primeiro lugar a ideação. as distintas funções que integram o pensamento. sucessivamente. as idéias.CONCEITO E CARACTERES O Pensamento é o aspecto funcional da vida psicológica. para logo nos ocupar deste. impulsionados por uma tendência determinante. a desorientação pode respeitar vários mecanismos. falamos em desorientação autopsiquica. ela á chamada desorientação amnésica. isto é. em seguida associação de idéias e depois o juízo. em desorientação completa ou falta de orientação. Outras vezes a desorientação atinge ambos os tipos. na síndrome de Korsakow.

As quatro leis que regulam o processo associativo são conhecidas desde a antigüidade e são: 1) Lei da contiguidade espacial 2) Lei da contiguidade temporal 3) Lei da semelhança externa 4) Lei da semelhança interna 1) A lei da contiguidade espacial. que duas ou mais idéias se associam porque correspondem a fatos e ou estímulos recebidos no mesmo momento. 27 . pensamos logo em estrelas. b) ASSOCIAÇÕES DE ÍDEIAS Ao mecanismo psíquico. se as idéias são simples. Do ponto de vista qualitativo. 2) Contiguidade temporal: estabelece esta lei. Em psiquiatria as idéias interessam no que diz respeito a sua qualidade e quantidade. postula que duas ou mais idéias se associam porque correspondem à fatos ou estímulos recebidos no mesmo lugar. etc. a investigação dirige-se a saber. A ideação é o processo pelo qual nossa mente elabora idéias. Assim. de índole concreta ou abstrata.Denominamos idéia. Quantitativamente interessa saber se um indivíduo tem muitas ou poucas idéias. em outras palavras. que tem para o indivíduo o mesmo valor significativo ou intrínseco. através do qual conectamos uma idéia com outra. A lembrança da escola acompanha-se da imagem do professor e colegas. de categoria superior. Nos estudos dos distúrbios do pensamento fazemos referência ao seu conteúdo patológico. a concepção que forma na nossa mente de qualquer fato subjetivo ou objetivo. 3) Semelhança externa: esta finalmente diz que duas ou mais idéias se associam porque correspondem a fatos ou estímulos recebidos. qual é o ―quantum‖ de seu capital ideativo. em outras palavras. denominamos. associação de idéias. se nos recordamos do céu. por exemplo. toda a experiência psíquica que implica em conhecimento desde a vivência vaga até o mais claro conceito.

integra todas as funções da personalidade. 28 . mas é particularmente influenciada pela compreensão do paciente e pôr fatores emocionais. de origem instintiva e uma tendência diretriz. diz respeito aos doentes mentais. c) JUIZO: Por juízo se entende a capacidade para comparar os fatos. como atividade psíquica. Possue. De acordo com esses conceitos dividiremos os distúrbios do pensamento em. É fácil compreender que o juízo é de grande importância. pois representa a capacidade pessoal de resolver situações.Se deixarmos que nossa mente associe livremente suas idéias. uma manifestação que implica na existência de um estímulo e de uma resposta. idéias. interessa observar se a associação de idéias realiza-se num ritmo normal e se seu conteúdo efetua-se de uma forma coerente. pôr isso. Distingue-se juízo subjetivo (ou autocrítica. no que. tendendo para um fim. é uma. Em psicanálise é comum o emprego do termo: juízo de realidade. aprovando-as ou desaprovando-as. compreender suas relações e tirar conclusões. obteremos uma exposição ideativa pouco útil para o intelecto. uma força impulsora. ou ainda introspecção) quando dirigido ao próprio indivíduo e juízo objetivo (hetero-crítica) quando se dirige ao mundo externo. Classicamente é o elemento de que se valem os psiquiatras para julgar se um paciente é psicótico ou não. ou exame da realidade para designar o processo mental mediante o qual somos capazes de distinguir um estímulo interno de um estímulo externo (GARMA). II . Representa uma síntese mental. uma forma de progressão e um conteúdo.PSICOPATOLOGIA DO PENSAMENTO O pensamento. mas é justamente a associação livre uma das fontes. forma de expressão da personalidade. Do ponto de vista psiquiátrico. de que se valeu FREUD para realizar o estudo do inconsciente.

pensamento lógico (realista ou racional). e. representando uma etapa menos evoluída do funcionamento psíquico. temos o pensamento mágico que é o tipo de pensamento do homem primitivo . do selvagem de nossos dias e das crianças. É um pensamento estatístico. 1 . Rege -se pôr princípios mágicos de prazer.a) – distúrbio da produção b) – distúrbio do curso do pensamento c) – distúrbio do conteúdo a) Distúrbio da produção: O pensamento do homem adulto. particularmente nos esquizofrênicos. é orientado por um critério racional. no qual as tendências afetivas são corrigidas pela razão e pela lógica. de acordo com os princípios básicos de contradição e de causalidade.As coisas transmitem suas propriedades ao que se encontram próximo no espaço e no tempo assim a casa e os objetos do chefe da tribo adquirem as propriedades do mesmo e os talismãs que entram em contato com o feiticeiro passam a gozar de propriedades sobrenaturais. finalmente 3 . de pensar a que regride o homem normal no sono . 2 . mais depende das influências afetivas. encontramos esta forma de pensamento. Denomina-se. O pensamento mágico não segue os princípios racionais da lógica. é prélógico. O pensamento mágico emprega os mitos e nas lendas da humanidade. É também chamado por BLEURER (1). b) Distúrbios no curso do pensamento 29 . por isso. autismo ou dereistico. É a forma.Dois objetos que se parecem exteriormente tem propriedades semelhantes. Em doentes mentais.e o doente na psicose.A parte tem o valor do todo. civilizado. Por oposição.

de modo que esta nunca é alcançada. seguem uma sucessão rápida. não pode ser conhecido. Quando isso não ocorrer. da idéia inicial a afim. como uma jovenzinha. teremos um dos seguintes distúrbios: 1) Fuga de idéias: Em algumas enfermidades mentais existe uma perturbação do curso do pensamento. uma conexão entre alguma idéia ou algum estímulo fugaz. Normalmente a ordenação coerente e lógica das idéias e afins.O ritmo e a forma da atividade associativa.em que regimento servi? O senhor comandante está em casa— em minha casa. Um exemplo esclarecerá melhor: Exemplo I . ou também pode estar condicionada nas lembranças que não vem ao caso. e por um desvio rápido de uma idéia à outra. É fácil observar-se que. O observador pode descobrir.Sim. habitualmente com a denominação de curso do pensamento. quase sempre encontra-se associada a uma hiperprosexia que faz com que o paciente seja incapaz de manter a atenção necessária para guiá-lo a uma idéia final.colarinho de camisa branca como a neve e a inocência .Ah.pai de assassino – pescoço . ingênua inocência.―Boa tarde .Também lhe agrada o açucar-fábrica de açucar-a-cana e a corda não queres te enforcar? Assassino . isto é. e passa-se ininterruptamente e sem desvios. caracterizada por um aumento da atividade associativa. em minha sala— o senhor viu o doutor sala? o senhor Koch. A isso denomina-se fuga de idéias. o pensamento é conhecido. sem o discurso do paciente. etc. as idéias então.se a vida é tão doce como o mel . ou curso da conversação. que relógio mais bonito. geralmente.‖ A um doente se perguntou como estava passando: estou como sou . quando se expressam os pensamentos por meio da linguagem existe um constante encadeamento. boa tarde . por suposto. Que horas são?‖ As vezes a associação se estabelece com uma palavra de som 30 .‖ Exemplo II . uma percepção ocasional do ambiente. de uma das idéias com a que a procede. recolhida no momento. mas não progridem para uma idéia final. o senhor conhece Virchow? o senhor está com a peste de cólera? Ah.

e este respondeu: Sim se tem que estar calado para se estar triste. e em inglês a letra inicial de triste. tanto o início quanto o curso do pensamento são muito lentos. mas pode ocorrer também na esquizofrenia. surcease. sigh. pesar. Normalmente ocorre entre nós: o ―naturalmente‖. o ―não é‖. A perseveração pode ocorrer nos estudos de inibição do pensamento. salvação. mas sem ter o significado relacionado a este fenômeno. sob. sorrow. sweet mother’s love. Encontra-se então um doente falando devagar e habitualmente em voz baixa. e nos débeis mentais. Tudo que tem que ver com ―S‖ é silencioso: sentar-se. Vejamos um exemplo: Exemplo III . ―sad‖. o ―aliás‖. soluçar. (Esse exemplo foi extraído de NOYES. É uma alteração na qual. doce amor-de-mãe. Este fenômeno se denomina associação por assonência. suspirar. Na inibição ocorre o contrário. Algumas vezes o doente queixa-se que seus pensamentos vem muito lentamente ou que tem dificuldades para pensar.semelhante. A inibição se observa mais freqüentemente em síndromes depressivos. na fuga de idéias o curso do pensamento é anormalmente rápido.Se perguntou a um paciente se estava triste.salvation. sought. acabar-se. que exercem a função de reduzir a insegurança do orador. valor. 3) Perseveração: Esse sintoma consiste na repetição automática e freqüente de idéias que são introduzidas como um material de recheio. para preencher as falhas na evocação de novos elementos.) A fuga de idéias é típica nos estados maníacos e é considerada um dos sintomas fundamentais do síndrome maníaco. Alguns autores chamam a perseveração verbal de uma ou duas palavras de embolia. 31 . á a mesma que a de todos os outros termos traduzidos: sit. 2) Inibição do pensamento: Como acabamos de ver.

4) Prolixidade: É o termo usado para designar a minuciosidade excessiva do pensamento ao contrário da fuga de idéias. 5) Desagregação do pensamento: Esse sintoma foi estudado. Neste distúrbio o enfermo alcança. R. É freqüentemente observada nos débeis mentais. Pelo que faz referencia a minha pessoa. exibindo uma espécie de aderência viscosa aos assuntos. em pessoas que não formam conceitos definidos ou que são incapazes de distinguir o essencial do secundário. e digo a vocês que não se pode encontrar palavras de alcance suficiente para dizer. assim como ao Dr. Por isto vocês merecem por seus esforços não só um reconhecimento financeiro.. A prolixidade apresenta-se. ainda que a vocês acabe prejudicial financeiramente. Mas de toda maneira sua conduta para comigo é tão digna de apreço que não se pode encontrar palavras para alcança-la. que o fazem em divagações tediosas. epilépticos e em casos pouco avançados de psicose senil. e apresentado como um dos sintomas básicos da esquizofrenia. como também o agradecimento e a moral mais manifesta e lhes posso assegurar que hei de fazer o possível para dar a conhecer sua excelente obra nos jornais locais‖. finalmente. seu objetivo ideatório. de grande maneira. ―As associações 32 . cuja obra é digna de todos os elogios. Um exemplo esclarecerá melhor: ―Hoje faz oito dias que me encontro aqui. especialmente no curto tempo que aqui me encontro. penso alcançar colossalmente os resultados que se obtém neste sanatório. principalmente. principalmente por BLEURER(l). minha colossal força de vontade e também seus excelentes métodos de cura. e pôr isso eu desejo dar-lhes os mais expressivos agradecimentos. que tanto influiu para que eu viesse aqui. quanto fizeram por mim. me encontrava de um modo tal. Porque quando vim. o pensamento prolixo pouco muda de tema. sem exagerar. mas só depois de múltiplos detalhes triviais ou desnecessários. É possível que isto tenha contribuído. que parecia impossível em tão curto tempo melhorar deste jeito.

Veja-nos alguns exemplos: Exemplo I . sobretudo os que não tiveram arte nem honra. diz BLEURER. apesar de ter sido relegado a plano secundário a diretriz.etc.pendentes das enfermidades da membrana .e como toda a desordem procede da luxuria e o maltrato é incessante por não se ater aos preceitos da higiene . estamos capacitados a fazer o diagnóstico de esquizofrenia.‖ Muitas vezes: duas idéias que casualmente se juntam são fundidas em uma só. se conservam as conexões normais. dos milhares de fios que conduzem nosso pensamento. senão os que se acreditavam capazes para construir uma grande vitória.aqui ao dizer . e fragmentos de idéias se confundem também. um grande número deles. vemos que. entre partes do discurso. alguns. não só no seu conjunto. por ação da casualidade foram saindo. pois o examinador é capaz de perder a mudança do rumo do pensamento e.‖(8) Diferencia-se da fuga de idéias. novamente sem relação alguma.reconhecia a profissão de torneiro . (1) Interpretando este conceito de BLEURER.. fazendo esta a letra e a letra esta. Assim. ―parece que as idéias foram jogadas em um recipiente. BLEURER dá tão grande importância a esse sintoma que diz que sempre que tivermos uma desagregação coexistindo ao lado de uma boa orientação. como a estrutura das próprias idéias. aqui e ali outro e mais além. enquanto que..vencendo o mês presente . nele somente estão distribuídas as ligações associativas normais. portanto dos idiomas sem tradução difícil como sua música. que o pensamento desagregado mostra-se despedaçado e desorganizado. 6) Interceptação 33 . na desagregação. intimamente misturadas logo.que não se muda de conduta — e que ninguém responde por nós.perdem suas conexões normais e.―Por obrigação de todo cidadão . a doença rompe de um modo irregular. incorretamente. para formar outra que torna-se absurda‖. no meio ambiente. como em seus termos ou idéias. tal haviam fundido fazendo e compondo em cada país e. Exemplo II – ―Um concurso de óperas e. no pensamento desagregado perde-se toda a coerência.

que às vezes se denomina bloqueio ou perda de pensamento. são diretamente proporcionais a necessidade interna de tal crença. o conteúdo do pensamento mostra urna tendência a ser determinada. que nenhum pensamento pode ser iniciado. completamente diferente.Neste transtorno. ao afeto desagradável a que está ligado. resultando disso que a idéia super valorizada venha. as idéias que tem carga afetiva mais forte tendem a dominar. Quando existe uma idéia super valorizada o indivíduo torna-se cego para todo o resto e selecionará. tanto a expressão. interrupção é só momentânea e passados alguns segundos se completa o pensamento. 2) Delírios: Denomina-se delírio a uma idéia. isoladamente. e posta a sua disposição. mais por fatores afetivos. aceitas 34 . unicamente. C) Distúrbio no conteúdo do pensamento: 1) Inclinações e idéias super valorizadas: A evolução associativa das idéias e naturalmente. mas rapidamente se generaliza de tal maneira. Este distúrbio é característico da esquizofrenia. denomina-se idéias super valorizadas. Quando uma idéia chega a ter uma tonalidade afetiva muito intensa. uma propensão para se centralizar ao redor de um tópico especial. o valor e o significado atribuídos a uma idéia. principalmente nas fases iniciais do processo esquizofrênico. a ser um determinante de grande importância na conduta. O bloqueio do pensamento é uma condição determinante de sua desagregação. A interceptação pode ser devida a um pensamento definido. mas pode observar-se. mas algumas vezes é definitiva e começa outro pensamento. do que por fatores lógicos. É a isto que se deve que o conteúdo do pensamento possa mostrar uma inclinação. toda a personalidade é absorvida pela idéia. ou melhor. ou conjunto de idéias erradas. Algumas vezes a. A importância. aquelas lembranças e observações que convenham ao seu propósito de confirmá-la. como o curso de pensamento cessam bruscamente. ligada a ela. ou seja.

as vezes. durante toda a evolução da doença. Quando os delírios evoluem por fases. Estáveis. 5. de tal modo. são os que se mantêm sem alterações durante longos períodos e. Quanto a forma descreveremos as seguintes variedades: 1. é clássico distinguir os delírios em agudos e crônicos. a tal ponto que em muitos casos. Em geral o delírio se caracteriza: a) Pela falta de consciência do Transtorno.Delírio reformador 11.Delírio melancólico 9.Delírio persecutório 4.Delírio niilista ou de negação 8.Delírio de infIuência 6. e delírios sistematizados em que existe interpretação total. caracterizados pela ausência de uma interpretação total dos conteúdos delirantes.Idéias de referência.Delírio de grandeza 2.Delírio de invenção 12.Delírio de ciúmes 35 . os delírios são a expressão deformada ou não de um impulso inconsciente.Delírio místico 10. Em relação à sua evolução. De acordo com sua estrutura. b) Irredutibilidade c) Pela tendência à difusão Classificação dos delírios Dinamicamente. que o todo se apresenta como deformado de pequenos fragmentos.Delírio hipocondríaco 7. falamos em delírios intermitentes. poderemos distinguir delírios não sistematizados. todos os novos dados do conhecimento são elaborados pelo prisma delirante.Delírio de auto-acusação 3.pelo juízo de realidade. aparecendo e desaparecendo. sem associação muito precisa.

Delírio de descendência 1 . Muitas vezes o doente se apresenta à polícia pede que seja encarcerado. 4 .Delírio de auto-acusação Conforme o próprio nome indica. característico dos estados maniacos e da paranóia. etc. O paciente e a família estão ou ficarão completamente arruinados.Delírio de grandeza: Caracteriza-se pelo aumento subjetivo de todos os valores relativos à personalidade: o doente acredita-se poderoso. não conseguiremos mais que evasivas.13.Delírios melancólicos depressivos: Arquiteta-se sobre um fundo de tristeza e pessimismo. e pensamentos passados e presentes. como um criminoso da mais baixa raIé. Se quizermos apurar. forte. ―as coisas estão se passando como tem de se passar dentro do seu curso natural‖. memórias falsas procuram convencer o indivíduo de que ele é responsável pôr crimes. nesse tipo de atividade delirante o enfermo se arvora em juiz inflexível. belo. ocupa lugar intermediário. nem de expiação. Os atos mais insignificantes e aparentemente inocentes são considerados pelo próprio autor. amado. no ponto de vista descritivo.Delírios persecutórios: 36 . e o delírio de auto-acusação. entre os delírios de perseguição. estão condenados e a morte apresenta-se como a melhor solução para todo o sofrimento. O tema delirante relaciona-se vida presente e futura que aparece com as cores mais escuras possíveis. Tal forma de perturbação do pensamento. o paciente é pura e simplesmente vítima da fatalidade ou do destino. no delírio melancólico não se trata de inimigos. Além disso. 3 . no qual a infelicidade é sempre proporcionada por terceiros. em que o indivíduo tornase infeliz por suas próprias faltas. superficialmente a razão de tantos infortúnios. Dinâmicamente podem ser entendidos como uma reação aos sentimentos de onipotência 2 . severo de suas próprias ações. que na realidade não foram cometidos. como reveladores de grande maldade. rico.

Na formação dos delírios de perseguição o mecanismo utilizado é a da projeção. que não se referem ao observador. são. São frequentemente encontrados nos estados paranóides e depressivos. principalmente na forma paranóide. Nesta forma delirante o indivíduo sente a modificação do EGO. A entidade nosológica em que os delírios de influência campeiam com mais frequência e intensidade é a esquizofrenia. por ele interpretadas. 7 . refletem seus próprios desejos. O que caracteriza essa forma delirante do ponto de vista semiótico. sendo seguidamente interpretadas como acusação ou desprezo. nas enfermidades mentais crônicas. não raro.Constitui o mais frequente dos delírios da nossa cultura e se apresenta. entretanto. é que ela exige para seu aparecimento. 6 . a desagregação do pensamento e o predominio do pensamento lógico. algumas ações ou observações de outras pessoas. As idéias agressivas e hostís oue o doente atribui a outro. situadas fora dele. mas a atribui à influência de forças naturais ou sobrenaturais. que podem ser tão intensas que levem ao estado de êxtase. explicando que. encobre a preocupação de natureza erótica. IRACY DOYLE cita um exemplo de um paciente que protegia as partes genitais com imagens de santos. tais forças exteriores impõemlhe pensamentos.Delírio místico: Embora se caracterize na superfície por idéias de natureza religiosa. experimentava 37 . como muito significativarnente relacionadas consigo. especialmente.Delírio de influência: Não raramente aparece associado a idéia de perseguição. 5 – Idéias de referência: Por meio delas. assim procurava defender-se do impulso da masturbação. orientam suas ações. acompanhando-se de pseudopercepções cenestésicas e táteis. pois. no decorrer do tratamento explicou que o crucifíxo que tinha entre os membros inferiores não bastava para apaziguar seus impulsos eróticos. modificam o estado de suas visceras e podem chegar até a alterar-lhe a aparência física. esse delírio.cujo caráter sexual é evidente.

medo de que seu corpo se desfaça com simples contato. Os pacientes vitimas deste delírio declaram a sua convicção de que estão afetados de graves doenças.Delírio Hipocondríaco: Caracteriza-se pela presença de crenças e preocupações injustificadas e irredutíveis. nas psicoses tóxicas. Um portador de delirio de negação afirma. 10 . A situação nosológica do delírio mistico é muito variada. Na maioria dos casos trata-se de inventos com escasssa finalidade prática cuja importância teórica é acentuada por seu autor. maís ou menos corretos. em relação ao estado de saúde corporal. As vezes a prórpria conduta do paciente se harmoniza com as preocupações delirantes. que está morto. ou do próprio conhecimento pessoaI. extraidos de livros científicos. outro nega a audição não ouvindo ordens . rápidamente se junta ao quadro. na esquizofrenia e em certos psicopatas.Delírio niilista ou de negação Em casos graves de delírios hipocondríacos. 9 .excitação erótica quando o comprimia entre as coxas. ou a realidade de um de seus órgãos. nem cérebro. um delirio de perseguição. nem estômago. etc. os sintomas subjetivos que acusam são quase sempre expressão de alterações cenestésicas ou interpretação mórbida de sensações normais. porque nega a existência dos olhos. 38 . que são refugados por todo o mundo que conheça o assunto. o inventor delirante chega à obtencão de resultados falsos. pôr exemplo. como na depressão melancólica bem acentuada.Em casos graves os doentes fogem das correntes de ar e pedem encarecidamente que ninguém lhes toque. outro diz que não tem coração. com. com a indignação de seu criador. um afirma que não pode ver. o paciente pode chegar a negar a própria existência física. podemos nos estados crepusculares epilépticos.Delírio da invenção: Na base de princípios. 8 . há os que afirmam que seu corpo há muito se decompôs. Diante do pouco caso que dão à sua invenção.

Parece que dinâmicamente. o delirio de ciúme é muito observado nos alcoolistas crônicos. embora não haja qualquer base real. que não compreende seu significado e se esforça em rechaça-los. As idéias delirantes do verdadeiro reformador idealista são mais ou menos sistematizadas. a invenção simbolizaria a masturbação. Apresentam-se com uma intensidade variada. Estes pensamentos em si de escassa 39 . mas trata-se de propagar as suas idéias por todos os meios ao seu alcance. e apresentam-se mescladas com ídéias filosóficas ou religiosas. frequentemente em pacientes paranóicos. 13 . 3) Obsessões: Assim se denominam os pensamentos que por si só irrompem na consciência contra o desejo consciente do doente. apesar de que o indlvíduo não compreende sua razão de ser. 12 . nas personalidades psicóticas. integram esse delirio. não são compreendidas e não podem ser rechaçadas. de tonalidade depressiva ou paranóide. O limite de separação entre esses enfermos e os reformadores sociais é muito tênue.Delírio de ciúme: É a convicção inabalável de traição por parte da pessoa amada. e no transcurso de vários estados psicóticos.Delirio de descendência O paciente crê-se filho de algum personagem ilustre. sem conseguir. 11 . preocupações relativas à modificações da realidade ambiental.Delírio reformador: Conforme o nome indica. no passado ou presente. Embora não seja privilégio de uma entidade nosológica definida. São três as características principais da obsessão: não são desejada. ao mesmo tempo que nega seus verdadeiros pais. Apresenta-se. Naturalmente que o delirante reformador não se limita a fantasiar planos idealistas e colocá-los no papel.

de viajar. Exemplo I – Um jovem portador de uma grave neurose obsessiva. sentiase compelido subitamente a parar um momento enquanto caminhava. o paciente vê-se obrigado a cometer atos que por sua elaboração e repetição parecem quase um ritual. A relação fobia-conflito. por vezes. medo de espaços abertos. despertam no paciente reações emocionais intensas que lhe são extremamente desagradáveis. as fobias irrompem persistentemente na consciência. Como no pensamento obsessivo. avultam os conflitos masturbatórios. No conteúdo. Frequentemente também. As fobias mais comuns são: medo de determinados alimentos. Ao entrar o paciente em contato com as situações fóbicas as crises tendem a ser desencadeadas. A eleição do objeto fóbico é determinada pela história individual. são as obsessões de contraste que. e desenvolvia a seguinte cadeia obsessiva de idéias: ―moverei primeíro meu pé esquerdo?—sim pisarei primeíro com meu pé esquerdo. Os pensamentos obsessivos estão estreitamente relacionados com atos compulsivos os quais depois de uma penosa resistência. sobre um conteúdo ideológico comumente neutro. ou temores são semelhantes aos pensamentos obsessivos. Estes pensamentos obsessivos. outras porém são mais dissimuladas. 4) Fobias: As fobias. é fácilmente compreensível.tonalidade afetiva. de maneira que pisarei primeiro com meu pé direito. medo 40 . a defesa ou ambos sucessiva ou simultaneamente. por exemplo ocorrem num individuo reIigioso quando em meio a uma oração lhe irrompem pensamentos obscenos. anais e edípicos. de multidões.‖ Estes pensamentos são derivados de impulsos reprimidos e realizam o conteúdo deles. de espaços fechados (claustrofobia). ―o temido é inconscientemente desejado‖. Mas posso pisar prirneiro com meu pé direito. tomam frequentemente o aspecto de repetidas dúvidas. e como a ansiedade é acompanhante obrigatória da fobia a pessoa possuidora está constantemente angustiada apesar de reconhecer os absurdos de seus temores. A fobia é uma defesa que se faz mediante a projeção do conflito. de ter feito bem ou mal uma atividade qualquer. de andar. De um modo geral.

5) Incoerência do pensamento: Incluida por alguns autores como transtorno do curso do pensamento. o conteúdo do pensamento pode tornar-se incoerente.. é considerada por outros isoladamente . Constituindo a linguagem a forma de expressar os pensamentos e os sentimentos deduz-se que quando se acham perturbados estes transtornos se traduzem também na linguagem. Examinaremos a seguir a psicopatologia de cada uma destas formas.CONCEITO E CARACTERES Linguagem é o conjunto de sinais convencionais que utiliza o homem para expressar seus pensamentos e sentimentos. Considerada pela maioria dos autores. de interceptações freqüentes. 2 – escrita. já que a incoerência é a conseqüência de distúrbios do curso do pensamento. medo de morte (tanafobia). Por causa desses distúrbios do curso. medo de doenças (nosofobia). e por outros como de conteúdo. II) PSICOPATOLOGIA DA LINGUAGEM ORAL: Encontramos duas grandes perturbações da linguagem oral: 41 . de desagregação.de animais (zoofobia). LINGUAGEM I . A nós parece mais razoável a segunda hipótese. Em outras palavras é o modo de expressar-se. tais como fuga de idéias muito intensas. Daí a importância de seu estudo. medo de enrudescer (eritrofobia). Tomando a linguagem como meio de expressão ela podem ser: 1 – oral. 3 – mímica. em aspectos motores da conduta. medo de sujeira (misofobia). etc.

Característica dos estados de excitação. 42 . Alguns autores distinguem a logorréia que se distinguiria da verborréia por: 1. sem a menor relação de significado. 2. na qual a linguagem realiza-se pela justaposição arbitrária e incompreensível de elementos verbais..1 ) Perturbações causadas nos processos afetivos com integridade dos elementos encarregados da articulação da linguagem (DISLOGIA) 2 ) Modificações na emissão da linguagem oral. e constituidas por pedaços de frases. por perturbações afetivas (dislogias) Incluem-se sob este título todos os casos nos quais a expressão verbal apresenta-se perturbada por causas afetivas. Aparece nos melancólicos. ou de inflexões verbais sem sentido. nos confusos mentais. c) Verbigeração As vezes a verborréia adota esta forma. sem que haja comprometimento dos elementos encarregados da articulação da linguagem: a) Verborréia ou Taquilalia Aceleração da velocidade de expressão por aceleração associativa.constituir sintomas conscientes e molestos para o paciente.Perturbações da linguagem oral. monólogo repetido monótonamente uma infinidade de vezes. ―É a clássica salada de palavras‖. 1. etc. d) Bradilalia Diminuição da velocidade de expressão por lentidão associativa.e o conteúdo verbal é mais elementar e perseverante de que na verborrréia. b) Jargonofasia As vezes a verborréia adota a forma. Tanto a jargonofasia como a verbigeração encontram-se de preferência nos estados avançados da esquizofrenia.

f) Neologismos: A criação de palavras por condensação de outras. mas ligadas a ela por uma certa relação o sentido.quando eu nasci estava chovendo. seria capaz de falar se a isso se resolvesse. etc. que tanto não falam como não agem porque estão certos da inutilidade de qualquer esforço. O mutismo pode ainda indicar uma forma disfarçada de agressão. g) Paralogia: Definida como o emprego de respostas verbais sistematicamente inadequadas as perguntas. como acontece em certos casos de esquizofrenia.) e consiste na repetição automática de uma palavra. neologismo ativo consiste na criação de palavras. sílaba ou som. na qual o paciente não fala porque não pode falar e o no mutismo. este sintoma é também chamado pararesposta ou ―reposta ao lado‖. É o mutismo pessimista. i) Estereotipia Verbal: Forma parte dos grupos das estereotipias (de atitudes de movimento.e) Mutismo Consiste na inibição voluntária ou semi-voluntária da palavra falada e deve ser distinguido da afasia. etc. a deformação de vocábulos ou o emprego de novas palavras conhecidas em uma nova relação de significados chama-se neologismos. Há o mutismo dos melancôlicos. h) Ecolalia: Repetição como se fosse um eco. Neologismos passivos são palavras consagradas pelo uso as quais o paciente imprime sentidos completamente novo. o mutismo pode ser consequência de desinteresse. 43 . Este sintoma encontra-se com mais pureza e mais freqüentemente na esquizofrenia. Naturalmente a atitude de silêncio sistemático obedece a vários mecanismos e motivações diversas.. por exemplo perguntou-se a um doente onde ele nasceu e ele respondeu: . da última palavra do interlocutor. Distinguem-se os neologismos em ativos e passivos.

Distinguem-se dois tipos de Disartria: um caracterizado por tremor da palavra e o outro por ataxia.MODIFICAÇÃO DA LINGUAGEM ORAL: Compreende um. o rotacismo. B) Dislalias: Dá-se esse nome a um defeito orgânico ou funcional da fala. Estão incluídas nesse grupo a tartamudez. D) Disfemias: São desordens na emissão da palavra não de causa orgânica.etc. clinica neurológica. As vezes.. especialmente úteis são os vocábulos que encerram consoantes labiais e palatais. a disartria é tão acentuada que se deixa perceber na simples palestra que mantemos com o paciente. na infância e nas personalidades imaturas. o lambdacismo e o sigmatismo (dificuldade de pronunciar o ―r‖. há necessidade de aplicação de teste usando palavras que evidenciam o sintoma. abóbada palatina e demais órgãos da fonação.2 . na dependência de má formação ou inervação imperfeita da lingua. Observa-se mais comumente. E) Disfonias: 44 . o ―l‖ ou o ―s‖. A Disartria é sintoma freqüente na paralisia geral e é sempre um transtorno da articulação da palavra. etc.. como por exemplo. vasto grupo de perturbações que podem ser classificadas em: A) Disartrias: Chama-se disartria a um verdadeiro tropeço ou ―engrolar‖ silábico que impede o correto pronunciamento das palavras. paralelepipedo. balbuciar. outras vezes. respectivamente) C) Ana rtria: É a perda da capacidade articulatória.

Que apresentam os paralíticos gerais com um desaparecimento da rugas faciais e diminuição do tônus muscular.PSICOPATOLOGIA DA LINGUAGEM MÍMICA: Somente faremos menção a aquelas perturbações da mímica úteis sobre o ponto de vista diagnóstico.amímica d. devido a enfermidades.hipomímica c. É comum ser 45 . Os autores consideram dentro deste grupo as faces ―apagadas‖. isto é. muito exuberante: a depressão se manifestará po uma mímica pobre. F) Disfasias: Debilitação ou perda da formação das associações verbais por diminuição da capacidade mental.paramímica a) Hipermímica: Aumento dos movimentos de expressão facial patognomônicos dos estados da excitação mental. Por exemplo: afonia. b) Hipomímica: Diminuição da expressão facial. A excitação psíquica.hipermímica b. choques ou traumas. que reflete tristeza.Defeitos da voz por perturbações do aparelho de fonação. Podemos pois classificar as perturbações mímicas em: a. rinofonia. a mímica refletirá indiferença. Em termos gerais pode-se dizer que o estado mental do indivíduo tem seu correspondente na expressão mímica.etc. no mesmo modo nos processos demenciais. Este grupo compreende os diversos tipos de afasia. II . a perda da capacidade de comunicação pela palavra falada ou escrita. c) Amímica: Neste transtorno há um imobilidade facial absoluta. traduzir-se-a po uma expressão mímica.

inibindo seu desenvolvimento ou impedindo sua manifestação (pseudo-oligofrênia e pseudo-demência). Tem sido definida como: ―A capacidade de aproveitar experiências anteriores para adaptação em novos problemas e situações. Compreende-se também. INTELIGÊNCIA I. Na criança. há causas cerebrais que prejudicam a formação dos enlaces associativos ocasionando assimilação insuficiênte do material da experiência e a consequente formação de idéias ou conceitos poucos numerosos e incompletos. III . A inteligência como pensamento. em primeiro lugar. que tais fatores desempenham um grande papel na expressão da capacidade intelectual. Por outro lado. o estado afetivo do indivíduo. na maneira em que é abordado pela maioria dos autores escapa da finalidade deste ponto. d) Paramimica: A mímica nesse caso reflete um estado que na realidade não traduz. a capacidade intelectual de uma pessoa depende.PSICOPATOLOGIA DA LINGUAGEM ESCRITA Deixaremos de lados estes distúrbios já que. a pobreza intelectual do ambiente em que se 46 . Nos deficientes mentais (oligofrênicos). É como se houvesse uma ―impropriedade mímica‖. a inteligência se desenvolve a medida que aumentam suas experiências e com isso as responsabilidades associativas. por isso. dada a influencia dos fatores afetivos nos mecanismos de associação. catatônico e melancôlico.encontrada nos estados de estupor confusional. do número de suas associações possíveis. repousa em essência nos processos de associação.CONCEITO E CARACTERES: Não é uma função e sim uma resultante da atividade de diversas funções.‖ Em outras palavras uma possibilidade de utilizar o material de nossas percepções e representações anteriores em novas combinações.

Atendendo a estas várias fases integradoras da inteligência os autores (MIRA. 47 .) classificam diversas variedades de inteligência. não aprendem a falar.) pode contribuir para retardar o desenvolvimento intelectual (debilidade mental socialmente condicionada). depende de uma parada ou regressão intelectual que denominamos demência. imaginação e critica.Os imbecís apresentam idade mental de três a sete anos. O primeiro com idade mental entre três e cinco e o segundo de cinco e sete. O estudo da qualidade da inteligência interessa mais aos psicólogos. stc. No trabalho da inteligência. a vestir-se. b) Imbecibilidade . etc. Ao psiquiatra interessa principalmente. II . QI entre 25 e 49. sem qualquer preocupação de tipo ou qualidade de inteligência. são capazes de aprender a falar realizar trabalhos simples.PSICOPATOLOGIA DA INTELIGÊNCIA Podemos dividir os estados deficitários da inteligência em dois grupos: primeiro engloba as deficiências mentais por atraso ou insuficiência da evolução intelectual . podemos distinguir três aspectos ou fases do processo intelectual: compreensão. etc. 1) Oligofrenias Compreende três graus: A . o segundo. falta de estímulo intelectual.desenvolve o indivíduo (analfabetismo.Idiotia b .Debilidade Mental a) Idiotia – Idade mental inferior a três anos. restrição de interesses. a variação do rendimento intelectual global. que chamamos de oligofrenia. Este grupo costuma ser dividido entre leves e profundos. são capazes de se resguardar perigos físicos comuns. mas incapazes de se dirigir a si próprios ou nos seus negócios. QI abaixo de 25. banhar-se..Imbecilidade c .

um QI entre 50 e 70.c) Debilidade mental . Esta tendência para a ação é o aspecto conativo da personalidade. hipotética faculdade da qual se supunha depender o ato de querer. são incapazes de planejamento útil e sagaz e de atuação prudente em seus negócios. 2) . Todo impulso tende a uma expressão. e tem na sua origem uma força. são os que antigamente se descreviam como transtornos da vontade. necessitando geralmente cuidado e supervisão para a sua proteção e dos demais. Se bem que nenhuma nos pareça completa. 48 . outros autores (9) sob o título de transtornos dos aspectos motores da conduta a chamam de conação. AÇÃO ( CONDUTA) I .Demência: Neste grupo se inclui as reduções da eficiência intelectual devido a um empobrecimento global progressivo e persistente. sem deixar bem claro o que se entende por uma ou por outra. um processo regressivo. Exemplos: demência da paralisia geral.. demência pôr arteriosclerose cerebral. mas essa tendência ―psico-motora‖ da atividade psíquica. etc. A maioria dos autores aborda este aspecto da personalidade de forma diversa.CONCEITO E CARACTERES: Os transtornos que estudaremos sob este subtítulo. É pois. Uns costumam estudar esta função denominado-a conduta e se subdividem em conduta explícita e conduta implícita. preferimos a última já que nos parece mais compreensível. a uma manifestação de conduta. Segundo esse conceito a conação não é uma função ou faculdade. um impulso instintivo que tende a satisfazer-se e é mais ou menos modificado no seu trânsito para a ação.Os débeis mentais apresentam uma idade mental entre sete e dez anos.

10. 1 . São eles: 1 .Atos Compulsivos.Maneirismos.Flexibilidade cerea. 8. 4.Aumento da atividade: Também denominada hiperatividade é observada típicamente na mania.Ecolalia.Aumento da atividade.Negativismo. mas suas atividades não são produtivas. 2. Este distúrbio é também chamado de hipoatividade e é característico nos depressivos. como se fosse um esforço penoso. 3. empreende uma nova atividade antes de ter completado a primeira. 2 . pois o objeto de trabalho é constantemente mudado. 3 – Catalepsia: assim se denomina uma constante imobilidade numa posição qualquer. Tal atividade tem um propósito que nunca é alcançado. 12. e este pode permanecer em uma posição incomoda que será mantida por um tempo muito maior do que seria capaz de suportar uma pessoa 49 .Ambivalência.Diminuição da atividade.PSICOPATOLOGIA DA CONAÇÃO Sob este subtítulo veremos os distúrbios que se encontram na esfera da ação da personalidade. 5.Obediência Automática. 6. 7. a pessoa está muito ocupada.Diminuição da atividade: Neste transtorno existe típicamente um alongamento do tempo necessário para iniciar uma atividade e uma vez iniciada se executa lentamente.Catalepsia. 9.Estereotipias.II . uma forma cataléptica de imobilidade se observa na esquizofrenia é a (4) flexibilidade cerea que recebe este nome pelo fato de que as articulações dos pacientes podem ser refletidas ou estendidas oferecendo uma resistência semelhante a da cera. 11.Ecopraxia.

a obediência automática pode tomar a forma de ecolalia ou de ecopraxia. Assim sendo tudo que foi dito sobre as obsessões é válido aqui também. caminhar só pelo cordão da calçada. ainda que o simbolismo em cada caso seja peculiar ao indivíduo.Negativismo: Caracteriza-se pela resistência do paciente em executar o que se pede a ele. O ato pode ser de natureza simples. fazer exatamente o contrário do pedido. 5 . desejar ao mesmo tempo duas coisas incompatíveis. ou seja. denomina-se compulsão. as emoções e os diversos tons sentimentais de 50 . AFETIVIDADE: I . amar e odiar simultaneamente. 9 – Ambivalência: A esfera da ação. peculiaridades na marcha. ou ainda.Compulsões: Ao impulso irresistivel para executar certo ato. Ou complexo e então constituir um ritual.Obediência automática: Assim se denomina o automatismo ás ordens.normal. pode caracterizar-se por impulsos antagônicos.Estereotipias: Assim se denomina a uma constante repetição de certas atividades e podem ser na atitude. do mesmo modo que a esfera afetiva da personalidade. Os movimentos estereotipados são chamados maneirismos e são comuns na esquizofrenia. que se fazem conscientes simultaneamente. 6 . etc. ou seja. 7 . uma repetição das palavras do interlocutor ou uma imitação dos movimentos observados em outras pessoas. as sugestões ou ordens exteriores são compulsivas e automaticamente obedecidas. agressivos e libidinosos. de movimento ou do discurso.CONCEITO E CARACTERES: No domínio da afetividade estão compreendidos os impulsos instintivos. As estereotipias tem um significado psicológico bem definido. podem tomar a forma de gestos. como tocar duas vezes cada coisa. 8 . etc. os afetos. As compulsões tem todas as características que vimos das obsessões e deve ser considerada como um resultado daquela.

facilmente. 51 . O papel da afetividade na psicopatologia foi assim resumido por BLEURER ―.prazer e desprazer.da mesma forma que as anormaliddes que chamamos psicopatias. em toda atividade do homem. não são mais que perturbações dos afetos. Os componentes afetivos são eminentemente dinâmicos e participam ativamente de toda a vida mental determinando nossa atitude geral de aceitação ou rejeição em face de uma experiência. favorecendo certas tendências ou inibindo as ináceitáveis. finalmente o humor seria um tom afetivo mais durável. Chamam sentimentos aos afetos associados a um componente representativo. com o conteúdo do pensamento. na qual a pessoa se encontra com uma disposição otimista e se sente invadida por um sentimento agradável de bem estar. as modulações e as expressões da vida afetiva. mas o paciente se desfaz dele. No jubilo. É característico dos estados hipomaníacos. isto é. sentimentos. um ar de prazer e de confiança irradia do paciente: em sua situação pode haver algum motivo de infelicidade.. II – PSICOPATOLOGIA DA AFETIVIDADE a) Afetos prazeirosos Um afeto moderadamente prazeiroso é a ―euforia‖. senão que. emoções e humor. com a clareza da consciência. Denominam afetos as variações temporárias. os afetos que estão ligados a ela Os autores costumam diferenciar.. interferindo com os processos associativos. quando falamos em fator psicógeno. nos referimos realmente a fatores afetivos já que não são as idéias os fatores mais importantes na determinação do conteúdo mental do paciente. os termos afetos. Por emoções entendem os afetos acompanhados de uma forma de expressão somática e. as influencias afetivas tem um papel tão importante na psicopatologia geral que praticamente todo o resto é meramente acidental.‖ A literatura psiquiátrica ressalta cada vez mais a importância dos fatores psicógenos na produção da doença mental. ou na forma de sua conduta.

a voz pode 52 . e perde o interesse por todas as atividades habituais. diarréias.. desde uma ligeira indisposição até o estupor. inapetência. Na depressão um pouco mais intensa existe um estado de tensão desagradável. tudo é dificil. a dores corporais. sente-se desprendido das coisas externas. constipação. o paciente tem um sentimento de inquietação. apresenta uma expressão facial tensa. Pode experimentar certa dificuldade de concentração e queixar-se de opressão na cabeça. pode estar temeroso. especialmente a caracterizada por um acordar cedo. A angustia se expressa também no plano orgânico através de taquicardias. extrassístoles. etc. acompanhado de um sentimento de haver nascido de novo. de perigo imediato. b) Depressão: A depressão pode variar. palpitações. dificuldade respiratória. etc. há uma intranquilidade das mãos e dos pés. inutilidade. como cefaléias. c) Tensão: É uma manifestação de angustia. desânimo. é muito lábil e pode alternar-se facilmente com a irritabilidade. Na exaltação há um intenso júbilo acompanhado de uma atitude de grandeza. d) Angústia: Assim se designa um estado exaltado de tensão acompanhado de um sentimento vago. As mãos e as faces transpiram. são muito comuns.O júbilo não é contudo um estado afetivo constante. tem um sentimento de incapacidade. a insônia. é quase a regra. mas muito inquietante. Uma outra alteração da afetividade é o extase na qual o paciente se identifica com um poder cósmico imenso. ansioso ou agitado. insatisfação. a idéia de suicidio é muito freqüente. distúrbios vasomotores. em suas formas mais leves o paciente está infeliz. os dedos estão trêmulos e todos os movimentos que executa são agitados.

um modelo de todas as angustias posteriores. É um transtorno frequente da atividade que se caracteriza por uma sensibilidade inadequada às experiências que normalmente proporcionam prazer ou dor. uma defesa contra a angústia. presente e desaparece quando a situação que lhe deu origem se elimina. insegurança extrema. todo sintoma em última análise. e) Pânico: O pânico não é só um grau mais acentuado de angustia. Esta ausência de resposta emocional faz o paciente parecer sem contato com a realidade. cada impulso encontra-se intimamente conectado com o 53 . A angústia ocupa um dos lugares mais importantes na dinâmica da vida mental. Serve primeiramente como sinal de conflito e é também utilizada pelo ego como um agente de reforço dos mecanismos de defesa. é uma reação provocada por conflitos inconscientes. se não. entra num estado de estimulação opressiva com um mínimo de proteção contra estes estímulos. Esta enchente de excitações sem aparelho de defesa adequado é de. isto é. g) . uma angústia prolongada com clímax súbito caracterizado por temor.Ambivalencia: Partindo do princípio que cada característica da personalidade tem um duplo aspecto. acordo com FREUD. Como dissemos na introdução. Se chama culpa e angustia do ego em face do superego. segundo FREUD ao nascer o organismo emerge de um ambiente relativamente quieto. dorme muito mal e tem sonhos perturbantes. real. pode ser considerado. A angústia com seu persistente sentimento de pavor e de desastre eminente. a pessoa está inquieta. Denomina-se também congelamento afetivo ou ainda rigidez afetiva. Nesse estado há falsas interpretações. f) Afeto inadequado: É um embotamento emocional em forma de indiferença ou apatia. Os autores propõem uma diferença entre medo e angústia dizendo que medo é a resposta a um perigo externo.ser entrecortada e forçada. seguidas de projeções que podem tomar a forma de alucinações ou delírios persecutórios.

. Os sentimentos da irrealidade costumam ser observados nas depressões. o paciente experimenta uma perda total das respostas afetivas para qualquer experiência.E.Beta.J. Madrid.LANGE. A. Psicopatologia Geral. O paciente sente que já não é o mesmo. BLEURER introduziu no pensamento psiquiátrico o conceito de ambivalência. vol. Buenos Aires.952.FIGUEIRAS . (3) . h) Despersonalização: O sentimento de irrealidade. Lopez e Etchegoyen. El Ateneo.BLEURER.953. (5) – GARMA.L.oposto. (8) . Ed. pode ser definido como um transtorno afetivo no qual um dos sintomas principais é o sentimento de irrealidade ou de modificação da personalidade. 1924. Buenos Aires. I. (4) – FENICHEL. Psiquiatria. nos estados obsessivos.1952. Sadysmo x Masoquismo en la Conducta Humana. Na ambivalência afetiva há sentimentos contraditórios. da Casa do estudante do Brasil. O. Calpe. Presses Universitaires de France. I e II.DOYLE. 1950.1. Os sintomas de irrealidade podem ser de dois tipos: os sentimentos de modificação da personalidade. R. I e II. Buenos Aires. Buenos Aires. Ed. e ZIMMAN. BIBLIOGRAFIA (1) . (2) . Madrid. conhecido como síndrome de despersonalização. Introdução a Medicina Psicológica. C. e os sentimentos de que o mundo externo é irreal. La Théorie Psicanalitique des Névroses.MIRA Y LOPEZ . 1. simultâneos em relação há um mesmo objeto. Ed. Tratado Elementar de Psiquiatria. nas histerias e em algumas esquizofrenias. 1952. Psquiatria.A. Tratado de Psiquiatria-. Paris. (7) . J. Barcelona.PASPERS.L. R. Editoria Nova. 54 . Miguel Servet. mas não sente que não se transformou em outro diferenciando-se assim do que se chama transformação da personalidade. (6) . VoI.

(l0) . (9) — NOYES. 1. P. (11) – SCHILDER.. Introduccion. Ed.953. una Psiquiatria Psicoanalitica.949. Buenos Aires. 55 . Beta.Notas de aula do curso normal de psiquiatria.1954. La Prença Medica Mexicana. México. 1. Psiquiatria Clínica Moderna. A. da Faculdade de Medicina de Porto Alegre.

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