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Formação Continuada para Coordenadores Pedagógicos

Formação Continuada para Coordenadores Pedagógicos

Módulo VIII 1

2 Módulo VIII

Formação Continuada para Coordenadores Pedagógicos

GOVERNO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO Rosinha Garotinho SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO Claudio Mendonça SUBSECRETARIA ADJUNTA DE PLANEJAMENTO PEDAGÓGICO Alba Rodrigues Cruz

Módulo VIII 3

4 Módulo VIII

Formação Continuada para Coordenadores Pedagógicos GOVERNO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO FORMAÇÃO CONTINUADA PARA COORDENADORES PEDAGÓGICOS EQUIPE TÉCNICA Celia Maria Penedo Esther Santos Ferreira Monteiro Flávia Monteiro de Barros Hilton Miguel de Castro Júnior Maria da Glória R. V. Della Fávera Roseni Silvado Cardoso Tânia Jacinta Barbosa Rio de Janeiro 2005 Módulo VIII 5 .

6 Módulo VIII .

tendo em vista os diagnósticos resultantes da avaliação do Programa Nova Escola e demais indicadores que configuram o quadro educacional de sua instituição escolar. O desenvolvimento do curso de formação continuada para coordenadores pedagógicos traduz a atual política da Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro de dotar as unidades escolares da rede pública estadual de coordenadores pedagógicos que. de acordo com as novas exigências observadas no mundo social e econômico. com qualidade. a serem ministrados em onze oficinas de quatro horas cada. • Compreender e interpretar a realidade da escola e identificar os limites de possibilidades de atuação co coordenador pedagógico em face das condições reais da instituição. possibilitando tanto a elaboração como o redirecionamento dos projetos educacionais. • Propiciar o desenvolvimento de propostas educacionais inclusivas que atendam. • Orientar quanto à importância da utilização das tecnologias no cotidiano escolar. os alunos com necessidades especiais. • Assegurar a implantação e implementação das orientações curriculares propostas para a Rede Pública Estadual. O curso está estruturado em onze módulos. tendo como objetivos: • Possibilitar a intervenção do coordenador pedagógico no planejamento pedagógico. Nesse sentido. no desenvolvimento de suas atribuições profissionais. que serão desenvolvidas por tutores junto às turmas de coordenadores pedagógicos em exercício nas instituições escolares da rede estadual do Estado do Rio de Janeiro. a ser desenvolvido em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro. • Esclarecer as normas legais que organizam e estruturam o funcionamento das unidades escolares. contando Módulo VIII 7 . • Proporcionar aos coordenadores pedagógicos da rede pública estadual subsídios teóricos e práticos que propiciem a reflexão sobre sua ação. promovam ações que contemplem o espaço da escola como campo de atuação em prol da melhoria da qualidade do ensino e para a afirmação da formação de uma cidadania efetivamente democrática. e todos os que compõem o conjunto plural e diverso dos estudantes.Formação Continuada para Coordenadores Pedagógicos APRESENTAÇÃO Prezados Coordenadores Pedagógicos. durante o ano de 2005. redimensionando os espaços de aprendizagem. apresenta-se a proposta do Formação Continuada para Coordenadores Pedagógicos. contribuindo para uma maior eficácia do trabalho pedagógico.

debates e dinâmicas de grupo. a ser distribuído para as turmas durante sua implementação e contarão com momentos de apresentação dialogada dos conteúdos. aulas de 14/11 e 15/11 serão ministradas em 28/11 e 29/11). A seleção dos conteúdos buscou contemplar aspectos relevantes e polêmicos do processo educacional. 12/10. O quadro abaixo apresenta título e período planejado de realização de cada módulo: Número 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 Título Os Coordenadores Pedagógicos e a construção de uma escola pública de qualidade Avaliação Institucional 1 Avaliação Institucional 2 Educação Inclusiva As relações interpessoais na escola Tecnologias Educacionais Avaliação da Aprendizagem e regulação da prática docente Currículo 1: uma questão de cidadania Currículo 2: traduções para o dia a dia da escola Projeto-Político Pedagógico 1: uma construção coletiva Projeto-Político Pedagógico 2: uma construção coletiva Período 13/06 a 24/06 de 2005 27/06 a 08/07 de 2005 11/07 a 05/08 de 2005 08/08 a 19/08 de 2005 22/08 a 02/09 de 2005 05/09 a 16/09 de 2005 19/09 a 30/09 de 2005 03/10 a 14/10 de 2005 17/10 a 28/10 de 2005 31/10 a 11/11 de 2005 14/11 a 25/11 de 2005 Obs: Haverá aulas de reposição de feriados para turmas específicas (aulas de 07/09. cada vez mais. 8 Módulo VIII .também. de modo a fazer face aos objetivos propostos para o curso. promissoras parcerias no sistema público de ensino brasileiro entre escolas. 28/10 e 02/11 serão ministradas em 30/11. para que possa estimular. 07/12. procurando sempre promover a articulação entre conhecimentos produzidos na área e a experiência concreta nas escolas. considerados centrais para a atuação de coordenadores pedagógicos e gestores de ensino. 14/12. As oficinas terão o suporte de material impresso. Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro e a Universidade Federal do Rio de Janeiro. com a presença de gerentes de ensino das Coordenadorias Regionais. Almejamos que o curso represente uma oportunidade de diálogos e reflexões que contribuam para o crescimento pessoal e profissional de todos os envolvidos. também. 02/12. entre os cursistas. Fazemos votos.

Formação Continuada para Coordenadores Pedagógicos MÓDULO VIII CURRÍCULO: uma questão de cidadania Autores: Ana Canen Luiz Fernandes de Oliveira Marta Diniz Paulo de Assis Organização: Ana Canen Setembro de 2005 Módulo VIII 9 .

10 Módulo VIII .

Formação Continuada para Coordenadores Pedagógicos MÓDULO 8: CURRÍCULO: UMA QUESTÃO DE CIDADANIA CURSISTA: _______________________________________________ CORDENADORIA REGIONAL: _____________________________ TURMA: _________________________________________________ TURNO: _________________________________________________ PROFESSOR(A): ___________________________________________ DATA: ___________________________________________________ QUESTÕES 1. O que você entende por currículo? 2. Em que medida a sua função exige discutir essa questão na escola? 3. Quais as expectativas que você tem em relação a este módulo? Módulo VIII 11 .

12 Módulo VIII .

trabalhar o currículo de modo que contribua na formação para a vida em um mundo cada vez mais tecnologizado e globalizado? Módulo VIII 13 . em que medida esse currículo pode avançar na formação de novas gerações aptas a valorizarem a diversidade cultural e os avanços tecnológicos. suas formas e resultados. você teve a oportunidade de discutir a avaliação institucional e a avaliação da aprendizagem. se desejamos um ensino transformador. ao mesmo tempo. como compreender as opções culturais que constam no currículo? Que saberes e habilidades são valorizados? Como pensar no currículo numa visão de preparação de cidadãos críticos. III e VII. Nesse sentido. Partimos. É importante observar que o currículo é um território em que se travam lutas por diferentes significados do indivíduo. como tentaremos realizar neste módulo. da idéia de que o currículo não é neutro. Em outras palavras.INTRODUÇÃO: Prezado coordenador pedagógico/gerente de ensino: Nos módulos II.Formação Continuada para Coordenadores Pedagógicos 1 . discutiremos o currículo. Essa seleção enfatiza determinados saberes e omite outros. do mundo e da sociedade. sem discutir. o que ocorre no cotidiano escolar. Isso porque a avaliação privilegia aspectos e dimensões que devem ter sido trabalhadas no cotidiano da escola e que resultem na criação de um clima institucional que leve à aprendizagem. Isso porque sabemos que o currículo corresponde a uma seleção da cultura. que tipo de currículo desejamos. as discussões que envolvem currículo e educação parecem bastante simples. também. Entretanto. reflexão e aplicação prática das questões curriculares ao cotidiano escolar. em uma perspectiva de formação para a cidadania? Como. como iremos trabalhá-lo. não basta procedermos a novas e transformadoras formas de avaliação: cabe questionar o que significa o currículo. nesse e no próximo módulo. nem universal. se aprofundarmos o tema. Dessa forma. sendo que presenças e ausências nos currículos representam resultado de disputas culturais em torno dos valores e habilidades que se consideram dignos de serem transmitidos e apreendidos. o que iremos enfatizar. que se faz em um universo mais amplo de possibilidades. À primeira vista. pois. aptos a valorizarem a diversidade cultural. acima de tudo. Pôde perceber que não é possível discutir a avaliação. que são as marcas das sociedades contemporâneas. veremos que há uma complexidade enorme na descrição. o que iremos silenciar e.

plural ou multidimensional das práticas escolares. Assim.Prezado coordenador pedagógico/gerente de ensino. porque não há fórmulas prontas. das novas legislações e de desafios e potenciais na sua implementação. com vistas à construção de proposta de implementação curricular no cotidiano escolar. • Analisar. no presente módulo. gestores. como formador. 2 . ter uma dimensão multicultural. nesse contexto. • Debater desdobramentos das concepções de currículo na construção de políticas curriculares. • Elaborar e configurar uma proposta de intervenção. é desafiador. na forma de uma pesquisa-ação. por parte dos coordenadores pedagógicos. antes de tudo. articulador e transformador. e as mudanças requerem ir além do transporte mecânico das questões curriculares para a escola. as práticas sociais e culturais desses sujeitos fora desse mesmo contexto. sendo necessário criar soluções adequadas a cada realidade. e em práticas pedagógicas cotidianas. concepções curriculares a partir de experiências concretas do cotidiano escolar. comprometidos com a valorização da diversidade cultural. a seguir. Em outras palavras. a partir de uma perspectiva multicultural. traçamos. seu trabalho. alunos. faz-se necessário que não pensemos o currículo como simples conteúdos programáticos a serem aplicados em sala de aula ou como programas de ensino. Nesse sentido. coordenadores pedagógicos e outros têm identidades e modos de estar no mundo que afetam as relações escolares e que compõem também o que denominamos de “currículo”. 14 Módulo VIII . É necessário envolver as identidades dos diversos sujeitos inseridos no contexto escolar. da cidadania e aptos a se inserirem em um mundo global e plural. Tal debate subsidiará a discussão que será desenvolvida no próximo módulo – o módulo 9. nacionais e estaduais. iremos discutir conceitos e idéias envolvendo o currículo e seus desdobramentos em práticas pedagógicas concretas e nas propostas curriculares nacionais e estaduais.OBJETIVOS • Discutir concepções contemporâneas de currículo e seus potenciais para a formação de cidadãos críticos. refletir sobre currículo requer. docentes. Assim. No novo contexto cultural em que vivemos. com os respectivos pares. enfim. Isso porque as questões de currículo envolvem outras dimensões para além do cotidiano escolar. pensar os sujeitos e suas relações além dos processos sociais específicos das escolas. os objetivos do presente módulo. em que aprofundaremos nossas reflexões sobre aspectos e implicações das idéias aqui discutidas nas políticas de reorientação curricular que estão sendo desenvolvidas na rede estadual do Rio de Janeiro.

50 minutos Módulo impresso. da cidadania e em políticas aptos a se inserirem em um e práticas mundo global e plural.PLANO DE DESENVOLVIMENTO DO MÓDULO Com o objetivo de dinamizar a leitura e facilitar a compreensão a respeito das estratégias adotadas para o cumprimento dos objetivos específicos anteriormente estabelecidos. dinâmica e debates sobre os casos apresentados. INTERVALO (15 minutos) 3º) Discussão. e em práticas pedagógicas cotidianas. retroprojetor e transparências. educacionais. Aplicação das fichas de avaliação do módulo. Exposição e orientação da tarefa (aplicação do roteiro de intervenção). Objetivos Metodologia Material Módulo impresso. com a presença de um relator. conceitos de comprometidos com a currículo e desdobramentos valorização da diversidade cultural . canetas. folhas de papel. 4º) Exercício. Debate 50 minutos 30 minutos Estudos de Caso . apresentamos no quadro abaixo o plano de desenvolvimento do presente módulo: Momentos 1º) Percepções dos cursistas a respeito da temática. Apresentação 2º) Apresentação Discutir concepções dialogada contemporâneas de teórica e discussão dos currículo e seus potenciais principais para a formação de cidadãos críticos.Formação Continuada para Coordenadores Pedagógicos 3 . pelos cursistas. por escrito. caneta. módulos impressos. 1 hora 10 minutos Módulo VIII 15 . nacionais e estaduais. Debater desdobramentos das concepções de currículo na construção de políticas curriculares.organização de 5 mini-grupos para buscar soluções para os casos selecionados. preenchimento das respostas. canetas. a ser realizada nas escolas. objetivando trazer os resultados no próximo módulo. Módulo impresso. Tempo de Duração 10 minutos Analisar percepções iniciais Distribuição dos sobre a temática. papel branco Módulo impresso. análise e configuração do plano de intervenção.

Enfim. comprometidos com a valorização da diversidade cultural. O currículo passou. cuidadosa e rigorosamente especificados e medidos. em que está inserida a educação. Esse modelo teórico iria se consolidar a partir de R. et al. Ao longo do século XX. domesticação e algumas saídas. 16 Módulo VIII . em que o currículo é visto como um processo de racionalização de resultados educacionais. procedimentos e métodos para obtenção de resultados que possam ser precisamente mensurados. (orgs. sociais e culturais. a ser visto como uma questão essencialmente técnica. por parte dos administradores educacionais. o currículo deveria moldar habilidades das futuras gerações para as diversas ocupações.1 – O currículo nos debates contemporâneos: possibilidades e desafios O que é o currículo? Essa questão deve ser discutida a partir de concepções históricas. 1. O modelo institucional dessa concepção de currículo de Bobbitt é a fábrica: sua inspiração “teórica” é a “administração científica”. então. que intensificavam a escolarização em massa. os estudos sobre currículo se tornaram decididamente estabelecidos em torno da idéia de organização e desenvolvimento do ensino. o currículo aparece pela primeira vez como objeto de estudo e pesquisa nos Estados Unidos. Com a publicação de seu livro. da cidadania e aptos a se inserirem em um mundo global e plural. para racionalizar o processo de construção da aprendizagem e essas preocupações tiveram a expressão máxima no livro de Bobbitt. Houve um impulso. tal como a usina de fabricação de aço. De fato. nos anos vinte do século passado. no contexto do processo de industrialização e dos movimentos imigratórios. De acordo com Bobbitt. B. Tyler (1949).SEÇÃO 1 : O CURRÍCULO E A FORMAÇÃO PARA UM MUNDO GLOBALIZADO E PLURAL Objetivo: Discutir concepções contemporâneas de currículo e seus potenciais para a formação de cidadãos críticos. o currículo seria a especificação precisa de objetivos. 1994.) (1994). já que a educação. retirada do famoso livro de Harper. The curriculum (1918). é um processo de moldagem. concepção essa bastante questionada por visões mais emancipadoras da educação. essa teoria do currículo ganha força na medida em que os processos educacionais e a escola são entendidos como uma empresa comercial ou industrial. de Taylor. Cuidado escola! desigualdade. pois o que se entende por currículo está intimamente ligado a condições concretas. uma das quais bem ilustrada na figura abaixo. em que os estudantes devem ser processados como um produto fabril. São Paulo: Brasiliense.

com a ligação de conteúdos a experiências vividas por essas classes. influenciada por novos problemas sociais e culturais marcados pela globalização e fragmentação cultural. para a teoria crítica. a partir da década de 60. o importante não é desenvolver técnicas de como fazer o currículo ou as práticas. Assim. que criticam desigualdades. uma seleção da cultura que deve estar comprometida com a emancipação das classes oprimidas. para emancipar os sujeitos oprimidos. no Brasil.Formação Continuada para Coordenadores Pedagógicos De fato. no âmbito internacional. A teoria crítica preconiza que a ciência deve servir para aliviar a miséria humana. de modo a provocar uma conscientização de suas condições de vida e uma perspectiva transformadora das mesmas. Sua concepção de alfabetização como prática de liberdade. Denuncia-se o caráter excludente da escola e do currículo tradicionais. que estariam reproduzindo as desigualdades. No âmbito do currículo e das práticas pedagógicas. Ou seja. com influência também dos movimentos sociais. justamente aqueles que mais necessitariam da escola para sua educação. o currículo passa a ser visto como uma construção. de conscientização social marca o sentido de teoria crítica curricular. Entretanto. de autonomia. mas desenvolver conceitos que nos permitam compreender o que o currículo e as práticas fazem. e na década de 80. via reprovação e evasão. surgem as chamadas “teorias críticas”. Paulo Freire é um exemplo de prática pedagógica inspirada na teoria crítica. por exemplo. No Brasil. essas críticas não respondiam ou davam conta de novas questões postas à realidade educacional. surgiram teorizações que colocaram em xeque o pensamento e a estrutura educacional tradicionais. para lhes dar voz e vez. Assim. a partir do final dos anos 80 e início dos 90. se as teorias curriculares Módulo VIII 17 . A renovação da teoria educacional que abalou a teoria educacional tradicional inspirou verdadeiras revoluções nas próprias experiências educacionais e explodiu em vários locais ao mesmo tempo. injustiças sociais e fracassos escolares. nessa perspectiva crítica. ao trabalhar com padrões culturais distantes das realidades dos alunos e ao “expulsar”. ainda que não tivesse se dedicado ao tema específico do currículo.

muitas dessas críticas não avançavam em propostas concretas para que educadores. seria conseguida por caminhos nem sempre consensuais entre os multiculturalistas. para além das categorias da teoria crítica – muito calcadas em opressores e oprimidos e em classes sociais – outras correntes. Os multiculturalistas preocupam-se em indagar em que medida os currículos estão trabalhando a favor da valorização da pluralidade cultural e desafio a preconceitos. Canen & Moreira. No entanto. em termos do contexto histórico do Brasil. promoviam exclusões sociais. para a crítica às desigualdades sociais e culturais. e passa a desvelar relações desiguais de poder entre as culturas. O pós-estruturalismo visa a “desconstruir” as propostas curriculares. para o governo federal (1989). etnia e outros. religiões e classes sociais. para desafiar tais relações. Tais estudos são fortemente influenciados por Michel Foucault. trata-se de impregnar o currículo com noções que mostrem as festas. qual a noção de aluno que está presente no discurso de alguma proposta de reforma curricular. 2001. De fato. docentes e gestores dos sistemas de ensino superassem efetivamente os processos de exclusões escolares. palavras e formas concretas de signos e sinais que reforçam uma mensagem sobre o que são as identidades infantis. Por exemplo. principalmente. as teorias críticas se limitavam. mais recentemente. no âmbito do currículo. ritos. o multiculturalismo crítico avança em relação ao folclórico. trata-se de se buscar questionar em que medida o currículo tem oferecido oportunidades para alunos e professores perceberem raízes históricas de preconceitos e discriminações. classes sociais e luta de classes. formas de pensar e sentir de diversos povos. ou a Semana da Consciência Negra. em uma perspectiva de educação para a cidadania. o Dia Internacional da Mulher. o multiculturalismo. a apresentação do 18 Módulo VIII . Esses estudos têm avançado no sentido de nos fazer perceber que nenhuma proposta curricular é neutra. etnias. analisando-as como “discursos” construídos a partir de determinadas visões de mundo. na medida em que vai além do reconhecimento da diversidade cultural. inspirado na teoria crítica. inserem-se as mais diversas correntes de pensamento curricular. para a paz. 2001).tradicionais. deveria trabalhar em prol da formação das identidades abertas à pluralidade cultural. linguagens. gênero. a valorização da diversidade cultural. que vão se intensificando nos anos 2000. Por exemplo. 2000. Nesse sentido. construído por tons. meramente técnica. 2004. tem-se mostrado concreta a possibilidade de desenvolver diferentes alternativas práticas de ação no campo educacional e. Nesse sentido. os projetos (e não só os governantes) de gestões. para a ética nas relações interpessoais. emergem. em seguida municipais (1984) e. um discurso. É importante observar. dentro dessa visão pós-moderna. Da mesma forma. por exemplo. pelo voto. sob essa denominação. raça. vai além dos questionamentos sobre os discursos curriculares (Canen. de modo a desafiá-los. muitas das vezes. desafiadoras de preconceitos. dentre as quais podemos citar o pós-estruturalismo e o multiculturalismo. com novas questões a serem pensadas no currículo. por exemplo. por exemplo. Por outro lado. 2003. por sua vez. a reflexões em termos de opressores e oprimidos. a quem interessa esse tipo de noção e assim por diante. mas sim que qualquer uma delas representa um conjunto de enunciados. desde o momento em que reconquistamos o direito de eleger. como sugere Kramer (1999). como essa noção é construída pelos termos e sentenças aí utilizadas. Vão indagar. O papel dessas teorizações será o de analisar essas marcas dos discursos curriculares. como técnicas e procedimentos ditos científicos. sem avançar em proposições nítidas que dessem conta dos múltiplos processos de exclusão à base de culturas. Em uma perspectiva de multiculturalismo crítico. O currículo. em uma perspectiva de multiculturalismo folclórico. denominadas sob o guarda-chuva de pós-críticas ou pósmodernas. classe social e outras. Isso ocorre. que. 2002. em suas formulações. por sua vez. Assis & Canen. na visão multicultural. quando se comemora o Dia do Índio. raças. no campo do currículo. em termos de tradições. em primeiro lugar estaduais (1982). de raça. enfim.

um processo pelo qual as culturas se relacionam. em uma perspectiva multicultural pós-colonial. de ataques terroristas. A perspectiva multicultural pós-colonial tem esse nome justamente por ter sido primeiramente apresentada por autores que apontam a situação de cidadãos que nasceram em paises como o Reino Unido. novas identidades. É importante observar. ou. mulheres. A hibridização é. nas ciências. influência dos árabes na matemática. a identidade de judeus. tem sido enfatizada em literatura sobre currículo. Por exemplo.Formação Continuada para Coordenadores Pedagógicos episódio da escravidão pela história do Brasil: se o currículo busca levar alunos a pesquisarem as raízes desse episódio e seu significado para as populações negras. Da mesma forma. em que mostre a influência dos diversos povos na formação da cultura (exemplo. mas que mantêm culturas indianas. como no exemplo acima. e assim por diante). as identidades se cruzam e se formam novas culturas. de desafios éticos na formação dos jovens. estando essas culturas e essas identidades sempre em movimento. como na crítica. pode-se acabar por reforçar imagens congeladas de identidades. em uma outra perspectiva – a de currículo multicultural pós-colonial –trata-se de compreender que as identidades não são puras e que existe a necessidade de compreender as diferenças dentro das diferenças. mostrando suas raízes históricas. enfatizando a sua influência sobre o autor e revelando formas de vêlas e desafiá-las. tal enfoque está dentro de uma visão de currículo multicultural crítico. pode. Entretanto. como também pode. contextualizando essas idéias. pode. em outros momentos. por exemplo. não podem ser inteiramente identificados nem com seus ancestrais – pois já adotaram uma série de costumes do país em que vivem – mas que também não são totalmente assimilados à cultura que os recebe. como você percebe. Assim. ao se falar na negritude. as diferenças dentro das diferenças. No entanto. pode questionar conceitos estereotipados. e assim por diante. Módulo VIII 19 . prezado coordenador pedagógico/gerente de ensino. como. idosos. apesar de ressaltado seu valor literário. por exemplo. quando se fala no papel da mulher no desenvolvimento das sociedades. por exemplo. o currículo pode acabar por dar uma idéia de homogeneidade entre os negros. refletindo em que medida a abolição resultou (ou não) em efetivas condições humanas de vida para essas populações e discutindo como tais mecanismos podem explicar. que um currículo multicultural pode trabalhar o multiculturalismo em todas essas perspectivas. trabalhar com a perspectiva multicultural crítica de desafio a preconceitos. ainda que bem intencionado. ainda. sempre construindo novas diversidades. como denominado por alguns autores. em grande parte. de conflitos. deixa de mostrar o que denominamos acima como diferenças dentro das diferenças. Pode apresentar fases folclóricas. influência africana na cultura brasileira. como hibridização. por exemplo. de exacerbação dos preconceitos e das diferenças. sempre em construção dinâmica. Assim. trabalhar com textos em que. ou quando se abordam conflitos históricos e geográficos no Oriente Médio. o alto grau de miséria na população negra nos dias de hoje. apareçam traços preconceituosos contra negros. as demandas por um currículo multicultural. mostrar a diversidade dentro da diversidade. na época contemporânea de pluralidade cultural. em diversos momentos. Esse tipo de currículo multicultural. formação da cidadania e questionamento da desigualdade que atinge determinados grupos (por exemplo. em linhas gerais. muçulmanas e outras. que são uma síntese das anteriores. muçulmanos e outros. Nesse caso. tanto nacional quanto internacional. até mesmo em notícias de jornal. Isso ocorre tanto na perspectiva multicultural folclórica. ao mesmo tempo. a perspectiva multicultural pós-colonial questiona em que medida o currículo valoriza as hibridizações. e que. na literatura. na atualidade). que se refiram a povos e grupos de forma homogeneizadora.

trata-se. e. as reações a esses processos. 2002). mais do que discutir o currículo em termos de suas possibilidades para dar voz a oprimidos e a classes sociais economicamente desfavorecidas. 20 Módulo VIII . a diversidade de sotaques e dialetos. lingüísticas. é recebido pelos cidadãos. trata-se. raciais. religiosas e outras.Nas recentes tensões políticas e sociais no mundo. com vistas a que tenham oportunidade de se verem refletidas na escolarização como objetos de referência e de estudo. Trata-se de uma visão em que nossos próprios alunos sejam percebidos em sua diversidade. culturais. a emergência da extrema-direita em países da Europa. manifestandose em discriminações. alunos. como também em outras áreas” (Canen. (p. Segundo Gonçalves e Silva (1998). mas também competência em lidar com as diferenças e com as diversas lógicas que regem as relações. em permanente mudança. pais. conflituoso. entre o movimento de globalização e aqueles de afirmação de valores étnicos. de compreender as possibilidades do currículo em promover a formação de indivíduos valorizadores da diversidade cultural e aptos a se inserirem. por fim. antes. contemplado por políticas com diferentes enfoques e abrangências. racismos e xenofofia. 2002) não significa necessariamente a inclusão de assuntos e tópicos apenas ligados a povos. nessa visão. Na educação. A reflexão de Sacristán (1999) é pertinente. com discursos racistas e programas ultranacionalistas. Foi e é expressão de reivindicações. Isso requer não só domínio de conteúdos e técnicas. o currículo multicultural (Canen & Oliveira. Nossa conclusão final será que o currículo multicultural exige um contexto democrático de decisões sobre os conteúdos de ensino. a multiplicidade de saberes e de identidades étnicas. marginalizados do poder. o problema do currículo multicultural não é algo que diga respeito apenas às minorias culturais. em um mundo plural. ao mesmo tempo. em que não desejemos trabalhar com turmas homogêneas.83) Assim. de um problema que afeta a “representatividade” cultural do currículo comum que. incluindo não só a educação. culturas e grupos. fornecendo-nos um importante ponto de articulação para pensarmos ambas as questões: “Em outras palavras. raciais ou religiosas. no qual os interesses de todos sejam representados. mas sim que valorizemos a pluralidade de habilidades e competências dos alunos. que invadiram o campo educacional. Mas para torná-lo possível é necessária uma estrutura curricular diferente da dominante e uma mentalidade diferente por parte dos professores. o multiculturalismo não surgiu no campo da educação. administradores e agentes que confeccionam os materiais escolares. religiosos e culturais. durante a escolarização obrigatória. as conferências mundiais que revelam o aprofundamento de exclusões. ganha força o multiculturalismo – “movimento teórico e político que busca resposta para os desafios da pluralidade cultural nos campos do saber.

assim como afirmamos no módulo VII sobre avaliação. sendo que as propostas curriculares podem ser ressignificadas em cada local. sem que esse somatório esteja articulado aos contextos culturais diversos dos alunos e de perspectivas críticas. e o que deve ser deixado como campo aberto para as culturas locais. seja na empresa. Por exemplo. no mundo contemporâneo. seja do professor para auto-gerir seu plano ou do aluno para construir o conhecimento – e a excessiva padronização de referenciais teóricos sugeridos ao professor. o currículo multicultural tem sido defendido em programas e literatura. como você viu em módulos anteriores (por exemplo. lidando com a pluralidade. nem em uma relativização exagerada. Há os que crêem que os grupos e identidades plurais têm o direito de terem seus próprios currículos. Há autores que não concordam com um currículo central. estadual ou oficial. os dilemas Módulo VIII 21 . além de necessárias no mundo contemporâneo – já que implicam em conhecer idiomas.Formação Continuada para Coordenadores Pedagógicos Prezado coordenador pedagógico/gerente de ensino. um conjunto de conteúdos e habilidades requeridas do cidadão para uma perspectiva de inserção na ordem mundial. homogeneizando-o. centralizado. voltados à formação para a cidadania? Essa é uma questão complexa. em uma perspectiva multicultural. em cada estado. Estamos. 1.122). Veja. quando pensadas em suas traduções para a prática. em cada escola. Essas habilidades multiculturais. refletindo-se. cada qual estudando apenas o que corresponde a seus interesses e valores culturais. Preconizam a diversificação do currículo. que leva a preconizar currículos locais exclusivamente. sua adaptação às culturas locais. conteúdos e estratégias. nacional. na ilustração a seguir. a partir de diretrizes comuns. ainda que seja apresentado como “parâmetros”. acreditamos que. não podemos reduzir nosso currículo a um somatório de objetivos. seja na universidade ou na escola. “diretrizes” ou “ orientações” curriculares. nos Parâmetros Curriculares Nacionais. não devemos recair em uma centralização excessiva do currículo. que expresse um projeto de nação. Um segundo desafio é: que tipos de conteúdos devem apresentar currículos multiculturais. com as diferenças. éticas e valorizadoras das diferenças. histórias de povos e apreciação de seus enfoques e visões de mundo – ainda se fazem centrais para se trabalhar nos contextos atuais. uma separação intransponível entre grupos. os módulos IV e V). por exemplo. ou seja. Entretanto. com a perspectiva de inclusão. Críticos afirmam que um país necessita de uma estrutura curricular comum. outras culturas. o tempo todo. Um primeiro tipo de discussão é acerca do que deve ser regulado. Matte (2003) explica que uma das discussões que precisamos enfrentar é a da ambigüidade existente entre a retórica da autonomia – seja da escola em elaborar projetos. outros curriculistas propõem que tal perspectiva correria o risco de fazer uma “ guetização”. Prezado coordenador pedagógico/gerente de ensino. Assim. traduzindo-se em orientações (p. em que diversidade cultural e ética compõem um dos temas transversais (a ser melhor comentado na próxima seção). com relações interpessoais marcadas por diversidade e conflitos. O diálogo entre a diversidade cultural e a regulação é possível. seja em profissões liberais.2 – Desafios e tensões na construção de currículos para a cidadania: Como traduzir as teorizações anteriormente apresentadas para políticas e práticas curriculares? Alguns desafios se colocam em todas essas teorizações.

Conforme discutido em outro trabalho (Canen. coordenador pedagógico/ gerente de ensino. vendo o corpo e os órgãos separadamente. ar e terra sejam apresentados de forma conectada). a partir de Nogueira (2001): a multidisciplinaridade (integração de diferentes conteúdos de uma mesma disciplina. não terem ainda tomado uma decisão! O que você acha que aconteceu? Exatamente! Voltaram ao currículo original. como. Queriam incorporar a literatura oriental. Nesse tipo de visão. De fato. acerca do conteúdo curricular e dos autores que realmente deveriam constar dos programas. ocidental e masculina. a idéia seria a de que a separação em disciplinas daria uma “falsa” noção de compartimentalização do conhecimento. o conhecimento da Medicina. como exemplo. Algumas formas de trabalhar em uma perspectiva de currículo integrado seriam. ao iniciar o ano letivo. ao discutir com a equipe docente e a comunidade de sua escola opções para trabalhar com os conteúdos nas diferentes áreas de ensino. os temas água. sul-americana. Assim.de um curso de literatura. impedindo os alunos de verem a origem e a formação dessas disciplinas. ultrapassando-as (temas são escolhidos de acordo com a 22 Módulo VIII . alemães e americanos para o estudo da literatura. Entretanto. estes sim o objetivo principal da educação. por exemplo. propostas de integração curricular normalmente se contrapõem a uma visão do conhecimento dividido em disciplinas. em uma universidade americana. fornecer ilustrações para conteúdos que reforcem papéis estereotipados para negros. interdisciplinaridade (trabalho que implica em diálogo entre as disciplinas. competências e habilidades na formação dos indivíduos. a ponto de. de modo a promover um currículo que refletisse melhor a diversidade cultural e desafiasse noções de “superioridade” da cultura branca. franceses. que não apresentasse somente autores britânicos. Trata-se de se utilizar os conteúdos para desenvolver competências e habilidades. que põem em evidência a fragmentação dos saberes em disciplinas e novas propostas de integração curricular. bem como suas interdependências e conexões. que não valorizasse apenas a cultura ocidental. e assim por diante. É importante evitar preconceitos em nossos currículos. destaca-se a necessidade de se trabalhar com os saberes produzidos para além das disciplinas tradicionais. Um terceiro desafio é o que resultou das questões postas pelo multiculturalismo na teoria curricular. o que deve constar como conteúdo em um currículo é um grande desafio a ser enfrentado por curriculistas. africana. que o currículo deve contemplar. Aponta a necessidade de se recuperar a complexidade e a globalidade do conhecimento médico. as discussões eram infindáveis. O chamado currículo integrado tem íntima relação com a importância que se atribui a conteúdos. no conteúdo de Ciências. elaboradores de políticas curriculares e por você. Em uma perspectiva multicultural. para além de sua compartimentalização. por exemplo. segundo Carvalho (2002). o que nem sempre é contemplado nas disciplinas ou especializações nessa área. 2004). étnicas. os conteúdos não são mais o objetivo principal do currículo. Ele cita. um currículo em que. mulheres. incorporando conhecimentos locais e uma hibridização de saberes. Nesse sentido. religiosas e assim por diante é muito importante. a transdisciplinaridade (que sugere ir além das disciplinas. trabalhar com o tema água em ciências e geografia). homossexuais e outras identidades. que tem sido cada vez mais especializado. já que a mente modifica o corpo e o corpo modifica a mente. mais tradicional... de modo a eleger objetivos comuns e realizar planejamento em conjunto. por exemplo. estarmos atentos para formas pelas quais os discursos curriculares constroem as identidades raciais. entre o corpo docente. Morin (2000) defende que hoje temos que pensar em termos de um conhecimento complexo. na tentativa de selecionar conteúdos para um currículo multicultural: Os professores desejavam um currículo multicultural.

Essas formas. tais como Pluaralidade Cultural e Ética. por exemplo. (2003) chamam essa perspectiva de transcurricular (alguns autores chamam de “cross-curricular”. ainda que esta seja ensinada. o tema da valorização da diversidade lingüística e dialetal poderia ser um desses temas integradores. habilidades de pesquisa. São temas aglutinadores. de formação de professores. prevenção de riscos de acidentes rodoviários.). e assim por diante). com a busca de soluções para problemas que devem ser analisados sob diferentes ângulos. a proletarização da identidade do professor. Poderia ser discutida a necessidade de valorizar a diversidade.. que formam a identidade pessoal do professor). coordenador pedagógico. veja mais um exemplo: um autor britânico chamado Pumfrey (1993) sugere elementos centrais transdisciplinares (que ele denomina de cross-curriculares) para a construção de um currículo integrado. em que os temas transversais a serem trabalhados pelos diversos ângulos são: educação para os direitos humanos. em que uma das competências a serem desenvolvidas e avaliadas é. Seis habilidades ou competências foram por ele sugeridas: comunicação. mas também que desenvolvam habilidades. Em termos do currículo do ensino médio. os temas transversais propostos para o currículo nos Parâmetros Curriculares Nacionais). Em uma perspectiva multicultural. solução de problemas. educação alimentar. Um outro exemplo: no ensino fundamental e no ensino para jovens e adultos. o referido autor defende que o currículo integrado seja constituído de três aspectos: dimensões. foram: igualdade de oportunidades e multiculturalismo. fatores psicológicos que levam à satisfação na carreira etc. conscientização crítica e competências relacionadas àqueles aspectos da realidade em que se inserem. gênero. em turmas de alfabetização. por exemplo. As duas dimensões que ele escolheu nessa perspectiva multicultural. pelo menos a nível de intenções. de consumo de drogas etc). Por exemplo. Tais objetivos. o objetivo não é apenas que os alunos trabalhem os conteúdos. essa valorização da pluralidade de modos de uso da língua. trazem a perspectiva transdisciplinar. na transdisciplinaridade. a identidade do professor. por exemplo. estão propondo um currículo integrado nessa perspectiva transdisciplinar. Chaves et al. Há cursos. cálculo numérico. atitudes. baseados em princípios e valores que norteiam a sociedade. na medida em que rompem com uma noção de norma culta como a única aceitável. poderia incrementar reuniões de planejamento curricular em que professores que lidam com a alfabetização elaborassem objetivos do tipo “os alunos deverão perceber e valorizar a diversidade lingüística no interior da língua portuguesa”. Você. assim como você estudou no módulo 3. psicologia da educação (a motivação e desmotivação com relação à carreira. que escolhem outros temas integradores para a perspectiva transdisciplinar. justamente. a perda de status. Isso porque. educação ambiental e para a saúde e bem-estar. discutindo essa questão sob vários ângulos: a partir do multiculturalismo (pluralidade de marcas de raça. podem ser consideradas maneiras pelas quais a escola pode levar o aluno a aprender. habilidades e temas. transdisciplinar. ou “os alunos deverão perceber os diferentes usos dos padrões lingüísticos”. como. essa política curricular pretende que todas as disciplinas realizem conexões de seus conteúdos com esse aspecto da realidade – a pluralidade cultural e a ética. Eles se referem ao currículo de Portugal. quando os PCN – Parâmetros Curriculares Nacionais – falam de temas transversais. integrando conteúdos com a pluralidade cultural e a ética. conforme explicado por Canen (2004). história da educação (a feminização da identidade do professor. classe social e outras. Segundo Canen (2004). conforme Canen (2004). particularmente a transdisciplinaridade.Formação Continuada para Coordenadores Pedagógicos realidade e os problemas a serem estudados – por exemplo. habilidades pessoais Módulo VIII 23 . educação sexual e para a prevenção de situações de risco pessoal (ex. como no inglês).

“moldado” para a competitividade e que trabalhe em equipes. Entretanto. ligada às novas necessidades das economias de produção flexível. sim. os três grandes desafios apontados nesta seção indicam que a construção de currículos no mundo contemporâneo tem se voltado para uma perspectiva inclusiva.. Dimensões. os debates em torno da questão dos currículos mais integrados. consensual. tanto na forma do pós-estruturalismo como do multiculturalismo. ao contrário. o referido autor aponta o currículo integrado como uma exigência. “participação”. tornar-nos atentos às mensagens que estão embutidas nos discursos curriculares. vimos que o currículo é uma seleção da cultura. É importante observar. buscando jogar luzes sobre formas alternativas. inquestionável. de trabalhar o currículo a favor de uma educação cidadã. os conceitos de “ensino globalizado”. contraditória e muito longe de um pensamento único. Em outras palavras. Com o pensamento pós-crítico. sempre imbuídas das duas dimensões escolhidas. com o fim do modelo hegemônico fordista/taylorista e a reestruturação produtiva. Finalmente. emergem exigências de novos parâmetros de organização do trabalho e um novo tipo de trabalhador: “flexível”. competências/habilidades e temas/conteúdos podem ser apresentados em uma matriz curricular. transformadoras. a trajetória do pensamento sobre currículo é rica. que visa formar um novo tipo de trabalhador adestrado à nova ordem econômica mundial!. ganham força. As correntes críticas ajudaram-nos a compreender que o currículo é mais do que uma seleção técnica. acima de tudo. Santomé (1998) afirma que. “trabalho em equipe”. mas seriam. Para tanto. e mesmo de currículo integrado. Longe de esgotar as discussões. Porém. para quem a organização escolar em disciplinas fragmenta o processo.e sociais. não de uma perspectiva multicultural. para autores como Santomé (1998). “interdisciplinar”. e tecnologia da informação. que trabalhariam com as dimensões e as habilidades sugeridas. devendo-se atentar em que medida esse discurso tem contribuído (ou não) para uma visão cidadã. prezado coordenador pedagógico.. que é uma forma gráfica de apresentar essas interações (você terá oportunidade de estudar a matriz curricular proposta nos documentos de reorientação curricular da SEE-RJ. 2005. os temas seriam os conteúdos programáticos de cada disciplina. que até mesmo o currículo integrado não é aceito de forma consensual. 24 Módulo VIII . não tem sua origem somente nas questões culturais e do novo contexto da globalização. plural e desprovida de preconceitos sobre a diversidade cultural de nossos alunos e da sociedade. Em suma. Dessa forma. “abrangência”. faz-se necessário formar pessoas com conhecimentos. um discurso possível sobre o que deve ser ensinado. destrezas. Por um lado. multiculturalmente comprometida. é importante ressaltar que alguns estudos pós-modernos ou pós-críticos teorizaram tanto sobre o currículo que acabaram por se distanciarem do contexto concreto das políticas e das práticas curriculares cotidianas. trabalhadas por todas. segundo o referido autor. Ela está. em geral. mas de uma perspectiva neoliberal. “democracia”. tem de lidar com os desafios brevemente comentados acima. Assim. “polivalente”. multicultural. no módulo 9). ou não fragmentados em disciplinas. acima de tudo. Mas seu mérito é. no entanto. mas não se trata de um discurso universal. como os autores citados e como Goodson (1999). “autonomia”. Essas competências e habilidades não estariam ligadas a disciplinas específicas. mas sua tradução em políticas e práticas curriculares não é consensual e. procedimentos e valores de acordo com a nova filosofia flexível da economia. alguns o defendem.

tensões permanecem sobre formas de traduzir essas teorizações para políticas e práticas curriculares. acabam por impor agendas complexas. estão longe de serem resolvidas. sem dúvida alguma. graças às discussões acima. no cotidiano escolar. da inserção no mundo tecnologizado. habilidades devem ser contempladas no currículo e de que forma devem ser desenvolvidos para dar conta de todos os desafios acima? Não há consenso.72). étnicos. de atos terroristas e de exarcebação de preconceitos. no sentido de perceber-se como implementador.Formação Continuada para Coordenadores Pedagógicos SEÇÃO 2: PENSANDO EM FORMAS DE TRADUZIR OS DESAFIOS PARA PROPOSTAS E POLÍTICAS CURRICULARES Objetivo: 2. todas as teorizações sobre o currículo refletem o momento histórico em que estão inseridas. sobre o que consideramos pertinente em nossos currículos. junto às reformas curriculares. passando por perspectivas críticas. valorizando-as. os desafios para a construção de um currículo na era contemporânea são muitos e as discussões dos teóricos. e alterando os modos de organizar o tempo. que exige habilidades. buscando o sentido do fazer pedagógico. imersos em um mundo competitivo. competências. as preocupações com o que devemos ensinar. caro coordenador pedagógico. mas que tenham habilidades de lidar com as diferenças. como fenômeno histórico. sugerindo modos de pensar/fazer educação. multiculturalistas. essas questões têm sido fortemente debatidas e. competências e conteúdos que formem cidadãos para lidarem com a tecnologia.1 – A construção de propostas e políticas curriculares Como você percebe. Módulo VIII 25 . raciais. Segundo Matte (2004). passando pelo momento atual de conflitos culturais. certamente não podem passar ao largo de tais fatos. o espaço e o saber escolar. têm sido utilizadas como dispositivos de regulação social. Assim. idem! Que conteúdos. judaicas e outras. Veja que o campo do currículo e dos estudos sobre o currículo não é tranqüilo ou pacífico. Pode-se dizer que avançamos bastante. A partir da queda do muro de Berlim. programas e métodos de ensino. Estamos. do final de uma guerra mundial que mostrou a face do ódio ao diferente. das políticas curriculares. da complexidade do conhecimento. Porém. em nossos currículos. como você vê. Nas políticas curriculares. Como você percebeu no item anterior. Faz-se necessária uma profunda reflexão. por parte dos coordenadores pedagógicos. destacase o papel do coordenador pedagógico. as reformas. também. pós-modernas. os desafios contemporâneos impõem um repensar sobre o currículo que desejamos para nossas escolas. os desafios do multiculturalismo. lançando e/ou reformulando. Prezado coordenador pedagógico/gerente de ensino. com as informações. concomitantemente. estabelecendo outros padrões de comportamento (p. muitas vezes contraditórias. às identidades negras. De uma perspectiva técnica. da globalização. sobre como foram construídas verdades em educação e como cada sujeito opera essas verdades na prática. sobre o que deve ser o currículo.

como você estudará com mais profundidade no próximo módulo. dentro de uma linha que valoriza a articulação conteúdos/competências/habilidades. anti-racistas. ver de que forma algumas das idéias discutidas anteriormente se refletem na construção dessas propostas curriculares. também ilustram essas tensões. Você deve se lembrar. De fato. um currículo que articule conteúdos e competências parece ser um caminho interessante para trabalhar. como forma de se buscar modos alternativos de construção curricular. busca trabalhar com grandes temas transdisciplinares. ilustra uma das tendências dos currículos contemporâneos. como mera memorização. a discussão de gênero e o ensino religioso. 1998). para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira”. como aspecto relevante para o currículo. em termos da inclusão de temáticas multiculturais em suas propostas. o tema transversal Pluralidade Cultural e Ética é apresentado nessa perspectiva. Assim. o tema do multiculturalismo é contemplado (embora. Assim. aceitando a existência de propostas curriculares nacionais e estaduais como pontos de partida para repensar o currículo em nossas escolas. reflexões que envolvem a educação indígena. ainda que se sustente em disciplinas. que altera a Lei no 9. que os objetivos de Bloom com relação a conhecimento. ciências e outros.Dessa forma. nessa temática? Esse tipo de questão pode ser apresentado por você. como o SAEB (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica) e o Programa Nova Escola (SEERJ). síntese e avaliação. que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. podemos. os documentos de Reorientação Curricular (SEE-RJ/UFRJ. que têm incidido nos documentos de orientações curriculares. Isso porque. análise. desafios multiculturais anteriormente citados. de 20 de dezembro de 1996. ainda que de forma indireta. no módulo VII. como tentativa de dar conta de um currículo que. como tema que deve perpassar todos os conteúdos trabalhados na escola. Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs. que o desafio da articulação entre conteúdo/competência/ habilidade encontra-se em suas matrizes de referência. por exemplo. Da mesma forma. 2005) refletem as questões e desafios comentados 26 Módulo VIII . seja de língua portuguesa. já sinalizavam para o que se denominaria de habilidades e competências. matemática. não deve ser o objetivo da aprendizagem ou da avaliação. Questões relativas ao conteúdo proposto nessa lei referem-se a: como introduzir esses estudos sem recair em uma perspectiva muito folclórica do multiculturalismo. que comentamos anteriormente. perceberem-se como parte de um mundo complexo e plural. por sua vez. coordenador pedagógico. ou seja. Dessa forma. nas discussões curriculares com sua equipe docente. abandonando posturas auto-centradas e preconceituosas. Propõem temas transversais. como temos discutido. estudados nos módulos II e III. compreensão. como citado anteriormente. nem sempre de forma crítica ou pós-colonial) e. valorizando-as. Você também percebeu.394. em um primeiro momento. também. incluindo o fazer e o pensar cotidianos trabalhados na escola e sobre as atividades escolares.639. revelam. DE 9 DE JANEIRO DE 2003. quando discutíamos avaliação da aprendizagem. Um exemplo é a LEI No 10. a introdução dos conteúdos de História da África e Cultura Afro-brasileira. aplicação. no caso das políticas de avaliação em larga escala. também. sem recair em um conteúdo que apenas fale dos ritos e mitos africanos? Como incorporar conteúdos mais críticos. ainda que repleto de desafios. uma perspectiva de currículo integrado. entendendo-se que o conteúdo. não basta o conteúdo ser multicultural: há que fomentar competências e habilidades nos alunos para: lidarem com as diferenças. e assim por diante.

sendo que algumas também propõem interfaces com outras disciplinas. à análise do currículo como uma seleção da cultura dentre muitas possíveis. para além de uma visão puramente disciplinar. indicam que as políticas curriculares refletem os potenciais e as tensões que são trazidas nos momentos históricos em que está inserida a educação. e outros ainda diziam. argumentamos que as tensões entre critérios mais amplos e centralizados do currículo e formas plurais de sua tradução na sala de aula devem e podem ser trabalhadas. essa experiência aponta para algo bem profundo nas questões de currículo e suas implicações práticas: os elementos que constituem nosso imaginário sobre as crianças. Ele afirma que não podemos desconsiderar a cultura do consumo. observava que havia jovens que não estavam nem um pouco interessados no desenvolvimento dos conteúdos. Essas diretrizes podem e devem ser ressignificadas em cada local. por exemplo. viu?” Segundo TOMAZI (2004). Por exemplo. 20 – 21). que você viu no módulo VII. indicando uma tentativa de currículo integrado por áreas. que se refere às “ciências humanas”. 2005. cabe questionar: como traduzir. por exemplo. no texto de apresentação (Barroso & Mandarino. que se refere a “ ciências da natureza e matemática”. 1. no entanto. os jovens adolescentes e a forma de nos relacionarmos com eles. para o que chamamos de “currículo em ação” – aquele que efetivamente ocorre nas práticas pedagógicas e escolares cotidianas – as idéias discutidas na teoria curricular? Inicialmente.. Da mesma forma. em cada escola. nas matrizes curriculares presentes na proposta. que se refere a “linguagens e códigos”. numa escola de ensino médio no Paraná. outros faziam piadinhas sobre o fato.2 – Desafios das práticas curriculares. Trata-se. refletindo debates teóricos e práticos sobre o currículo. por exemplo. Ao fundo da sala. descrito por Tomazi (2004). Alguns conversavam sobre o seqüestro da filha do Silvio Santos. como. sempre. a respeito dos licenciandos: “esse cara já encheu. Todas essas observações. de proceder. mediados pelos conteúdos curriculares. o livro 2.. os volumes dos documentos de reorientação curricular encontram-se agrupados em áreas. o livro 1. Você poderia verificar. 2005). com a inclusão e com as temáticas contemporâneas que têm invadido nossas discussões na área parecem estar presentes no discurso da proposta de reorientação curricular. observe que preocupações com a diversidade cultural.. A partir das observações acima. a presença de conteúdos e também de habilidades. de forma criativa e multiculturalmente orientada. não perdendo de vista a necessidade de constantemente avaliar em que medida promove a formação para a cidadania e para a transformação educacional. Finalmente. de forma crítica. configurando uma visão de articulação conteúdos/habilidades e tentativas de promover interdisciplinaridade. prezado coordenador pedagógico. diretrizes e orientações curriculares nacionais e estaduais. fala-se em uma proposta de reorientação curricular que se volte a questões de “como lidar com as diferenças na escola e as diferenças individuais”. e o livro III. bem como de garantia de “interdisciplinaridade” como forma de promoção de diálogo entre as disciplinas (SEE-RJ. v.Formação Continuada para Coordenadores Pedagógicos anteriormente. no que diz respeito às intenções. É importante observar que a opção por parâmetros. embora questionadas por aqueles que não aceitam qualquer tentativa de regulação do currículo. são compatíveis com o pensamento multicultural. que Módulo VIII 27 . O referido autor observava seus alunos de licenciatura exporem o tema “Ideologia” para adolescentes. 2. pp. como dissemos na seção 1. Assim como falamos no caso da avaliação da aprendizagem. veja uma ilustração sobre desafios do currículo ao ser traduzido para a ação.

“sustentava” o conteúdo em uma visão social. de que estamos lidando com alunos concretos. 28 Módulo VIII . por exemplo. apresentava materiais científicos que mostravam a “simples” diferença de peles referentes a marcadores biológicos. pertencentes a diferentes grupos étnico-raciais. valores e costumes próprios que impregnam os ambientes educacionais por onde transitam com suas particularidades e semelhanças. aos currículos engessados. a professora acima inicialmente via o que os alunos pensavam sobre o tema. incluindo uma sessão de análise de revista de divulgação científica. No entanto. não permitem que seus alunos falem de si. textos de jornais e artigos científicos. professores e funcionários de estabelecimentos de ensino são. música. que gostam de falar muito e ouvir a própria voz. mas que é também inerente a ela. multicultural. Havia o estímulo à leitura crítica dos materiais por parte dos alunos. Gomes & Silva (2002) assinalam que: “Alunos. no currículo em ação. que destacavam a discussão sobre o racismo. crianças. o currículo integrado. somente depois dessas fases. Canen & Oliveira (2002) acompanharam o dia a dia de uma professora de Ciências que utilizava o que as autoras chamaram de estratégias para o currículo em ação em uma perspectiva multicultural: crítica cultural.22) Prezado coordenador pedagógico/gerente de ensino. distante do aluno e distante dos desafios contemporâneos. através de diversos recursos. e. antes de mais nada. vindos de outras áreas. ignorando-se a própria diversidade que havia naquela sala de aula e a exclusão que sofriam alguns dos indivíduos ali presentes! Contrariando essa constatação. de seus problemas e suas explicações. sujeitos sociais . iniciando-se com o levantamento das idéias dos alunos sobre o tema.molda as identidades na sociedade contemporânea. Isso não exclui o contexto social.homens. São sujeitos com histórias de vida. esses assuntos eram abordados de forma teórica. Ou seja: ela “ancorava”. hibridização e ancoragem social dos discursos. falava do preconceito contra cor e raça e. os alunos participavam do julgamento crítico da obra lida. Xavier (2001). integrantes de distintos grupos sociais. como a língua portuguesa. Em um estudo. não deixando aquele conteúdo “ restrito” a uma linguagem apenas científica. jovens e adultos. nos documentos da proposta políticopedagógica do curso. A hibridização e ancoragem social dos discursos acontecia porque a professora utilizava diversas linguagens como poesia. sendo estes valorizados pela professora e realizando um “contraponto” à discussão inicial. em valorização da diversidade cultural. Isto porque utilizava o tema do racismo a partir de textos de literatura. constatou em sua pesquisa num curso de formação de professores que. Ao abordar o assunto “pele”. mulheres. às práticas e didáticas utilizadas que tolhem a criatividade. por exemplo. deixaram de se interessar pelo mundo. De fato. assim como pertinentes às diversas áreas de conhecimento. crenças. seu modo de pensar e fomentam a competitividade. forçando a interdisciplinaridade. o multiculturalismo no currículo passa por essa percepção. Discutia esse material junto com outros. A crítica cultural acontecia porque a organização das aulas se dava por temas. por exemplo. adolescentes. identidades. será necessária uma articulação do contexto mais amplo com as representações identitárias presentes na sala de aula. Tomazi faz uma crítica dura aos sistemas de ensino. na sala de aula. mas busca sua problematização no contexto real de aula. e hibridizava com textos da biologia.” (p. representações. através de um roteiro de análise científica elaborado. experiências. Aponta que não é que os jovens. Significa tratar a desigualdade não como algo que é exterior à sala de aula. mas eles estão identificando cada vez mais a escola como algo distante dos seus prazeres. mostrando a falácia do preconceito. E os professores. falava-se em inclusão. compondo o contexto da diversidade.

você observa que as propostas contemporâneas têm discutido formas pelas quais o currículo poderia transformar-se para além da visão técnica e pseudo-neutra preconizada por Tyler. de currículo em face da diversidade de culturas locais e de identidades plurais que fazem parte das sociedades contemporâneas. acompanhamento e avaliação contínua do projeto político-pedagógico e das práticas curriculares cotidianas tem em você. da aprendizagem e da escola. E. para que as práticas curriculares na escola possam ser incentivadas na direção estabelecida no mesmo. Para que essas práticas de currículo em ação sejam mais disseminadas na escola. e especificamente os currículos e praticas de ensino. finalmente. Módulo VIII 29 . à pluralidade e às transformações que atingem a sociedade. se desejamos avaliar a qualidade do ensino. é importante. apto a se inserir em um mundo tecnologizado. multiculturalmente consciente. Neste sentido. Não contentes com esses desafios. nessa perspectiva mais ampla. a ilustração acima. a interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade. mostra como uma professora de ciências conseguiu. Vimos que. como você discutiu no módulo VII. que o projeto político-pedagógico da escola seja construído explicitando essa perspectiva. que promovesse o contato com as diversas culturas e que favorecesse o desafio a preconceitos e uma perspectiva inclusiva. sem abandonar conteúdos constantes de programas e políticas curriculares nacionais e estaduais. Conclusões: Caro coordenador pedagógico/gerente de ensino. coordenador pedagógico. homogeneizadoras. rompendo com um ensino muito congelado em disciplinas estanques e que supere a “miopia” com relação ao contexto. incluindo a nossa. também. O processo de construção. competitivo e globalizado. A avaliação da aprendizagem e a avaliação das escolas deverá estar intimamente ligada a essas novas formas de se trabalhar o currículo. imprimir uma direção multicultural ao currículo em ação. também. em novos parâmetros que incluam as preocupações acima. mas. outras formas de se trabalhar o currículo no cotidiano escolar devem ser pensadas. Esse projeto deve ser disseminado e sempre reavaliado. como você vai estudar nos módulos X e XI. discutida por Canen & Oliveira (2002). Mas. disseminação. o novo milênio em que vivemos caracteriza-se por tensões referentes à afirmação de identidades plurais em sociedades cada vez mais multiculturais e desiguais.Formação Continuada para Coordenadores Pedagógicos Prezado coordenador pedagógico/gerente de ensino. Questionam quais seriam os formatos para desafiar noções rígidas de disciplinas estanques e promover currículos integrados. um ator fundamental. têm debatido como se poderia pensar em um currículo multiculturalmente comprometido. levando à necessidade de se pensar o campo educacional. ainda têm pensado em que medida fariam sentido (ou não) propostas nacionais. que trabalhem a multidisciplinaridade. ainda questionam em que medida o currículo poderia preparar o cidadão crítico.

em termos da articulação conteúdos e habilidades? Caso 3 Você deseja implementar. coordenador pedagógico. Como buscaria promover essa idéia com a equipe docente? Pense no que aprendeu nos 30 Módulo VIII . que pudesse minimizar o preconceito e valorizar a diversidade? Que tipos de atividades. na escola. podemos e/ou devemos aprender com essa história? Como você. Como buscaria se aproximar da equipe docente que trabalha com a língua portuguesa? Como apresentaria o problema? Que estratégias utilizaria para: a) mostrar que existe o problema. ou multiculturalismo)? Que tal. multidisciplinar ou transdisciplinar. b) mostrar a relevância de se trabalhar. e ambas procuraram conversar e observar mais detidamente a criança para poder entender o que vinha acontecendo. ela queria dizer com isso? E o que nós. exatamente. das novas legislações e de desafios e potenciais na sua implementação. Depois de repetidas e variadas abordagens. um ensino que privilegie a articulação de conteúdos a habilidades e competências que os alunos devem desenvolver. passou a freqüentar a pré-escola.. verbalizar motivos que pudessem justificar tal atitude. para ser desenvolvida como competência central. que também não conseguia explicar o fato. concepções curriculares a partir de experiências concretas do cotidiano escolar. a menina explicou à mãe que não queria mais ir para a escola porque. reuniões e estratégias utilizaria com o corpo docente nesse sentido? Em que medida poderia articular o conteúdo da lei citada no texto com referência à introdução de estudos sobre história da África no currículo para desenvolver estratégias com relação a essa questão? Que estratégias poderia sugerir.SEÇÃO 3: PENSANDO EM CASOS. ali. de uma forma interdisciplinar. entre conteúdos e habilidades. a partir de resultados de avaliação em larga escala e da avaliação da aprendizagem. trabalhar com a história do negro no Brasil? Caso 2 Você deseja implementar. c) fomentar o diálogo na equipe e a busca de idéias para tornar o currículo mais relevante. de três anos. para o trabalho curricular nessa direção? Pensaria em propor um tema a ser trabalhado interdisciplinarmente ou transdisciplinarmente com a equipe (por exemplo. começou a chorar e a recusar-se a ir para a instituição sem. com os respectivos pares. A mãe foi procurar a professora. de projetos de investigação. por exemplo. ela tinha descoberto que “não podia ser anjo”! O que. nesse período. sugeriria trabalhar o currículo. professores e professoras. no entanto. ética. uma menina negra. quer utilizar a perspectiva de pesquisa.. na escola. a partir do multiculturalismo. em um evento de atualização de professores/as em Porto Alegre. um ensino que privilegie a articulação de conteúdos a habilidades e competências que os alunos devem desenvolver. de forma articulada. Após algumas semanas de “aula”. a partir de uma perspectiva multicultural. Percebeu. Objetivo: Analisar. Para isso. que certas habilidades em língua portuguesa não estão sendo desenvolvidas na escola. Caso 1 Em um relato feito por uma professora negra.

como. ao observar aleatoriamente algumas aulas e a partir de conversas com alunos e responsáveis.E. Que tipos de idéias você poderia sugerir para a equipe. no módulo 6. que mobilize todo o corpo docente? Caso 5 Você quer incentivar uma maior integração do currículo e. conforme você lembra do módulo 3. em uma visão “pró-ativa”. acima de tudo.? Como o percebem diante das discussões empreendidas até agora? No caso de coordenador da educação fundamental. para serem trabalhados de forma interdisciplinar ou transdisciplinar? Que sugestões faria? Pense em um exemplo de tema e em duas disciplinas que poderiam trabalhar com esse tema. Inicialmente. Como fomentaria essa integração? SEÇÃO 4 – PESQUISANDO E AGINDO NA ESCOLA Objetivo: Elaborar e configurar uma proposta de intervenção por parte dos coordenadores pedagógicos com vistas à construção de uma proposta de implementação multicultural crítica curricular no cotidiano escolar. referente à quarta série – final dessa etapa de estudo? Módulo VIII 31 . no sentido de tornar o currículo mais próximo e significativo para os alunos? Como proporia trabalhar a questão. O professor parece não falar a linguagem dos alunos e o que você viu. conhece a forma pela qual o currículo tem sido trabalhado na sua escola? Contemplam o que se avalia.E. tanto na equipe docente como nos alunos? Caso 4 Você tem percebido. Que estratégias sugere para se aproximar do professor? Que idéias poderia avançar.Formação Continuada para Coordenadores Pedagógicos módulos anteriores. Que tipo de planejamento proporia. mas. multi ou transdisciplinar? Até que ponto a informática e outras tecnologias poderiam ser utilizadas neste esforço? Que outras idéias você teria para desenvolver o espírito de pesquisa e de equipe. para que professores de diferentes disciplinas pudessem elaborar alguns objetivos e temas comuns. com ele e com toda a equipe docente. no caso relatado por Tomasi no texto desse módulo. para isso. parece se repetir. que tem havido uma falta de motivação para o estudo de certa disciplina. não só em uma perspectiva de “correção de rumos”. por exemplo. compreende que deve incentivar uma maior interação do próprio corpo docente. proceda a um diagnóstico das formas pelas quais o currículo tem sido percebido e trabalhado em sua escola. como habilidade central no currículo. 1999): a) Você e sua equipe pedagógica conhecem o material de reorientação curricular da S. primeiro segmento. em termos de propostas de pesquisa e seu desenvolvimento? Como poderia propor uma perspectiva de pesquisa inter. respondendo às seguintes questões (algumas das quais adaptadas a partir de Kramer.

privilegiando aspectos sociais e culturais ou são priorizados os chamados conteúdos escolares universais? d) A diversidade no ponto de partida (diferenças sociais. 32 Módulo VIII . Releia o texto desse módulo e faça o que se pede. junto com a equipe. mas também veja o que deve ser feito para possibilitar maior interdisciplinaridade. vendo que habilidades necessitam ser melhor trabalhadas na escola. culturais. em última instância. populações a quem se destina. produzidos por todos) e.b) Como são articuladas as áreas do conhecimento no interior da proposta pedagógica trabalhada na sua escola? Em que medida encontram significado no cotidiano escolar? c) Os conhecimentos trabalhados na sua escola estão de acordo com as necessidades do contexto. como você tem percebido no decorrer dos módulos: 1) Proponha um projeto de trabalho com a equipe. na escola. conseqüentemente. por exemplo). Você deverá apresentar. que busque fomentar a articulação entre conteúdos. apresentando idéias iniciais para trabalhar com a articulação expressa na questão 1. propondo formas de aproximar a equipe e de gerar temas e dimensões multiculturais que possam ser trabalhados por vários professores. tanto de crianças. 5) Elabore um cronograma e um roteiro para avaliar o currículo na escola. 2) Elabore algumas estratégias (reuniões com a equipe. acesso aos conhecimentos que são. em que medida o currículo desenvolvido na escola contempla a diversidade cultural e a perspectiva de currículo integrado. conforme trabalhado na sua escola? Em que medida? e) O espaço educativo em questão (escola/pré-escola/creche) é organizado como espaço cultural gerador de conhecimentos. transdisciplinaridade e multidisciplinaridade. 4) Avalie. jovens. com suas turmas. como trabalho de casa. para alunos. alunos e responsáveis. vamos trabalhar com uma proposta de ação. nesse sentido? Agora. famílias. uma das ações a seguir. a multiplicidade de caminhos necessários – são aspectos contemplados no currículo. para efetivar a perspectiva de ação que esperamos desenvolver no curso. étnicas. éticas). habilidades e competências. professores e gestores? Que estratégias são buscadas como meio de assegurar as condições necessárias para tal? Quais estratégias são possíveis. a partir de docentes. 3) Procure discutir os resultados da avaliação do módulo 3. nas diversas áreas. quanto dos profissionais que trabalham nas suas redes e a necessária unidade no ponto de chegada (uma mesma qualidade. com pauta. pelo menos.

4. S. B. Ivor. Coleção Veredas: Formação Superior de Professores. A.(orgs). p. 34. Organização do trabalho escolar: integração do ensino e suas repercussões nas relações estabelecidas no corpo docente. vol. D. 1999.. Ênfases e omissões no currículo. CANEN.. 21. Institutos Superiores de Ensino do CENSA.Formação Continuada para Coordenadores Pedagógicos REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ASSIS. Avaliação da aprendizagem em sociedades multiculturais. 2002. Revista Estudos.N. revista do Mestrado em Educação da UCDB.). de & PLACCO. CHAVES. CARVALHO..com. Sonia. Paris: BID. R. A. 2004. A. A.2003. 1. M. A. Vol. domesticação e algumas saídas. n. 2001. 183 – 204. Jean-Pierre (2000).1. In: SILVA. A. Meeting of the Regional Policy Dialogue. 1994.. Campinas: Papirus. et al. in: MOREIRA. PAIXÃO. 2000. KRAMER. As reformas curriculares na escola. Belo Horizonte: Autêntica. da (org. Secondary Education in Europe: main trends. p. GONÇALVES E SILVA. 709 – 724.. A. 2003. V. Projetos de trabalho comopostura pedagógica: um novo olhar. 123. Dossiê Diversidade Cultural e Educação Indígena. F. Revista Brasileira de Educação. São Paulo: Brasiliense. Refletindo sobre identidade negra e currículo nas escolas brasileiras: contribuições do multiculturalismo.papelvirtual. L. n.) Currículo: políticas e práticas. A. GOODSON. MATE.15.M. CANEN. Ed. 1998. 1998. Perspectiva. 61 – 74. M. Cadernos de Pesquisa. L. 3ª. & OLIVEIRA. de. Propostas pedagógicas ou curriculares: subsídios para uma leitura crítica. I. CANEN. P. A. & CANEN. L. MORIN. n. Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs). Rio de Janeiro: Papel & Virtual. Rio de Janeiro: Garamond. B. JALLADE. Módulo 5. Desafios da complexidade e novas tendências e reconceptualização curricular. E. CANEN. Módulo VIII 33 . O Coordenador e o Espaço de Mudança. H. (org. Saberes globais e saberes locais: o olhar transdisciplinar. MOREIRA. histórias e contribuições do multiculturalismo. 1999. A. Identidade negra e espaço educacional: vozes. 2002.. 15. CANEN. São Paulo: Papirus.. O jogo das diferenças: o multiculturalismo e seus contextos. (orgs) Cuidado escola! desigualdade. Dossiê Diversidade Cultural e Educação Indígena. B. F.F. In: ALMEIDA. Education and Training of Human Resources Network. Vol. Campos dos Goytacazes. 2003. Cecília Hanna.. 2001. Multiculturalismo e currículo em ação: um estudo de caso. n. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO (MEC). São Paulo: Loyola. Campo Grande. HARPER. Campo Grande. www. p. Revista do Mestrado em Educação da UCDB. & CACHAPUZ. P. Século XXI: Qual Conhecimento? Qual Currículo? Petrópolis: Vozes. n. In: Estudos.B. A crise da mudança curricular: algumas advertências sobre iniciativas de reestruturação.

34 Módulo VIII . Os Professores como Intelectuais: rumo a uma pedagogia crítica da aprendizagem. de M. São Paulo. Cultural Diversity and the Curriculum: context. T. SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO RIO DE JANEIRO (SEE-RJ). T. Currículo: debates contemporâneos. Belo Horizonte: Autêntica. In: Lopes. In: Pumfrey. challenges and responses. D. Reorientação Curricular. Faculdade de Educação. abordando questões relacionadas aos perigos do excesso de preocupações “politicamente corretas” e apontando para possíveis caminhos pelos quais trabalhar. Sentidos e Dilemas do Multiculturalismo. P. A. P. XAVIER. SANTOMÉ. A. G. O currículo integrado. R. Dissertação de Mestrado. SILVA. 2002. 1998. 1997. 2001.PUMFREY. T. as questões multiculturais no currículo. (Orgs) The Foundation Subjects and Religious Education in Primary Schools. 2005. D. & Verma. A formação de professores para uma sociedade multicultural. Rio de Janeiro: UFRJ. de forma balanceada. Giroux apresenta a idéia do conhecimento como uma construção. g. 1999. questionando verdades em prol de uma sociedade mais justa. Sucesso Escolar. Para saber mais: CANEN. (orgs). H. que trabalham com o currículo em uma perspectiva cidadã. Globalização e interdisciplinaridade. London: The Falmer Press. P. Porto Alegre: Artes Médicas. Documentos de Identidade: uma introdução às teorias do currículo. Porto Alegre: Artes médicas. GIROUX. Neste livro. O texto discute implicações e desafios do pensamento multicultural no currículo. & Macedo. E. tendo os professores o papel de intelectuais transformadores. J.

Formação Continuada para Coordenadores Pedagógicos Módulo VIII 35 .

36 Módulo VIII .

1) Que idéias principais do módulo você destacaria? 2) Das idéias acima. após a oficina. de modo a realizar uma auto-avaliação com relação ao módulo estudado e a sua participação no mesmo. participação e motivação no decorrer desse módulo? 9) Que grau – insuficiente. debates e dinâmicas) ? 7) Como avalia seu desempenho na pesquisa-ação? 8) Como avalia seu compromisso.Formação Continuada para Coordenadores Pedagógicos FICHA DE AUTO-AVALIAÇÃO NOME: TUTOR: POLO: MÓDULO: TURMA: Gostaríamos que respondesse às questões a seguir. muito bom e excelente – atribuiria a seu desempenho e participação no módulo? 10) Que sugestões apresentaria para o aperfeiçoamento das oficinas. foi realizada por você? Houve facilidades e/ou dificuldades? Quais? 6) Como avalia seu desempenho na oficina (parte teórica. bom. no seu entender? Por que? 4) Como avalia as dinâmicas desenvolvidas em grupo? 5) Em que medida a pesquisa-ação sugerida para ser desenvolvida na sua escola. a partir da experiência com este módulo? Módulo VIII 37 . suficiente. com quais você se identificou mais? Por que? 3) Que idéias foram mais polêmicas.

38 Módulo VIII .

preenchendo com a maior seriedade e honestidade possível as questões abaixo. Utilize o seguinte critério: .Excelente Caso você deseje enviar algum comentário ou complementar alguma resposta. utilize o espaço reservado ao final.Formação Continuada para Coordenadores Pedagógicos FICHA DE AVALIAÇÃO DO MÓDULO Nosso objetivo é avaliar se este módulo atingiu os objetivos e atendeu as expectativas de seus participantes. A I Sistema de Ensino – Avaliação quanto a(o): Módulo Clareza do programa do módulo Atendimento aos objetivos propostos Entendimento dos objetivos Aumento do conhecimento Número de aulas Tempo destinado a cada seção tratada Pertinência deste módulo com relação ao curso Professor Suficiência de atenção por parte do professor Respeito ao ritmo e estilo de aprender da turma Assiduidade Pontualidade Informação Relevância dos temas Apropriação da linguagem utilizada Complementaridade ao material impresso Capacidade de despertar interesse Interatividade Interação entre os colegas Interação com os professores Material impresso II III IV V Fonte: Adaptado de Marinho et alli (2002).Fraco .Muito bom .Bom . Comentários complementares: Módulo VIII 39 . solicitamos sua colaboração.Regular . Para isto.

40 Módulo VIII .

UFRJ Setembro de 2005 Módulo VIII 41 .Formação Continuada para Coordenadores Pedagógicos FORMAÇÃO CONTINUADA PARA COORDENADORES PEDAGÓGICOS Equipe .

42 Módulo VIII .

OS COORDENADORES PEDAGÓGICOS E A CONSTRUÇÃO DE UMA ESCOLA PÚBLICA DE QUALIDADE Autores: Luiz Fernandes de Oliveira Maria Inês Lavinas Pereira Organização: Ana Canen Módulo VIII 43 Equipe .Formação Continuada para Coordenadores Pedagógicos CURSO DE EXTENSÃO – ATUALIZAÇÃO DOS COORDENADORES PEDAGÓGICOS Direção Geral: Angela Rocha dos Santos Coordenação Geral: Ana Canen Coordenação de Área: Giseli Pereli de Moura Xavier Maria Inês Lavinas Pereira Marlene Jesus Soares Bezerra Equipe Responsável pela Elaboração dos Materiais: Ana Canen Aurila Eurídice Carneiro da Cunha Souza Giovana Delvan Stuhler Giseli Pereli de Moura Xavier Luiz Fernandes de Oliveira Maria Inês Lavinas Pereira Marlene Jesus Soares Bezerra Marta Diniz Paulo de Assis Mônica Repsold Vanessa do Carmo Marinho MÓDULO I .

MÓDULO II – AVALIAÇÃO INSTITUCIONAL I (Equipe UFJF) Autores: Lina Kátia Mesquita De Oliveira Denise Barros Weiss Gilvan Procópio Ribeiro Organização: Lina Kátia Mesquita de Oliveira MÓDULO III – AVALIAÇÃO INSTITUCIONAL II (Equipe UFJF) Autores: Lina Kátia Mesquita de Oliveira Denise Barros Weiss Gilvan Procópio Ribeiro Organização: Lina Kátia Mesquita de Oliveira MÓDULO IV – EDUCAÇÃO INCLUSIVA Autor: Giseli Pereli de Moura Xavier Organização: Ana Canen MÓDULO V – RELAÇÕES INTERPESSOAIS Autores: Giovana Delvan Stuhler Marta Diniz Paulo de Assis Organização: Ana Canen MÓDULO VI – TECNOLOGIA EDUCACIONAL Autores: Mônica Repsold Vanessa do Carmo Marinho Organização: Ana Canen 44 Equipe VIII Módulo .

Formação Continuada para Coordenadores Pedagógicos MÓDULO VII – AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM Autor: Ana Canen Organização: Ana Canen MÓDULO VIII – CURRÍCULO I Autores: Ana Canen Luiz Fernandes De Oliveira Marta Diniz Paulo De Assis Organização: Ana Canen MÓDULO IX – CURRÍCULO II Autores: Ana Canen Maria Inês Lavinas Pereira Organização: Ana Canen MÓDULO X – PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO I Autores: Aurila Eurídice Carneiro da Cunha Souza Marlene Jesus Soares Bezerra Organização: Ana Canen MÓDULO XI – PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO II Autores: Aurila Eurídice Carneiro da Cunha Souza Marlene Jesus Soares Bezerra Organização: Ana Canen Módulo VIII 45 Equipe .

Equipe de Tutores: Ana Canen Aurila Eurídice Carneiro da Cunha Souza Gérson Tavarez do Carmo Giovana Delvan Stuhler Giseli Pereli de Moura Xavier Luiz Fernandes de Oliveira Marco Paulini Maria Inês Lavinas Pereira Marlene Jesus Soares Bezerra Marta Diniz Paulo de Assis Mônica Repsold Pablo Silva Machado Bispo dos Santos Paulo Sérgio da Rocha Oliveira Santos Ronaldo Souza de Castro Vanessa do Carmo Marinho 46 Equipe VIII Módulo .

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