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Norte, Setentrião, Boreal ou Árctico (N)

Sul, Meridional, Austral, Antárctico (S)


Este, Leste, Oriente, Nascente ou Levante (E)
Oeste, Ocidente, Poente, Ocaso (O ou W)

Tema: A posição de Portugal na Europa e no Mundo


A. Constituição de Portugal:
1. Unidades Territoriais:
- Portugal Continental;
- Arquipélago dos Açores;
- Arquipélago da Madeira.
2. Divisão Administrativa:
- 18 Distritos;
- 2 Regiões autónomas.
3. Divisão para efeitos estatísticos:
- NUT I (Portugal Continental e Regiões Autónomas)
- NUT II (Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo, Algarve, em Portugal Continental)
- NUT III (28 em PC e 2 nas RA)
B. Portugal: na Europa
1946 – Churchill, 1º ministro inglês, propôs a criação dos Estados Unidos da Europa
1951, 18 de Abril – É assinado, pelos 6 países fundadores (Bélgica, Países baixos, Luxemburgo, França, RFA e
Itália), em Paris, o tratado que instituiu a CECA
1957, 25 de Março – É assinado o Tratado de Roma pelos 6 países-membros da CECA (visando a formação de
um mercado comum onde houvesse livre circulação de pessoas, mercadorias e capitais – a CEE.
1973 – A CEE e alargada a mais 3 países (Dinamarca, Reino unido e Irlanda)
1981 – Grécia
1986 – Portugal e Espanha. Também neste ano, com a queda do muro de Berlim, dá-se a reunificação da
Alemanha, com a integração da antiga RDA.
1987 – Acto Único Europeu. A CEE passa a designar-se CE, porque, além de económicos, os seus objectivos
estenderam-se a áreas do âmbito político e social (Política Externa, a de Segurança Comum e a do Emprego)
1992 – Tratado de Maastricht. De CE passa a ser EU.
1995 – Áustria, Finlândia e Suécia.
1997 – Tratado de Amesterdão – 3 pilares (Comunidades Europeias; Política Externa e de Segurança Comum;
Cooperação na Justiça e nos Assuntos Internos).
1999 – UEM – aqui entrou em circulação a moeda única (Euro).
2003 – Estónia, Letónia, Lituânia, Polónia, República Checa; Eslováquia, Eslovénia, Hungria, Chipre, Malta
2007 – Bulgária, Roménia
C. E no Mundo
ONU: visa a manutenção da paz.
PALOP´s: Termos de Língua – Angola / Moçambique / S. Tomé / Cabo verde / Guiné-Bissau.
CPLP: Termos de língua: PALOP´s / Brasil / Timor-leste / Portugal.
OTAN/ NATO: Termos militares.
OSCE: Termos de segurança.
D. União Europeia (Pilares)
Desde 86 que Portugal faz parte da U.E., o que teve grande importância na vida dos portugueses devido a 3
aspectos (Pilares):
1. Mercado Comum determinou:
- Livre circulação de mercadoria;
- A fixação de uma pauta aduaneira comum em relação a países terceiros.
2. Moeda Única (Euro):
- Entrou em circulação a 1 de Janeiro de 2002, em 12 países da EU;
- O Banco Central Europeu regula a emissão da moeda.
3. Cidadania europeia permite:
- Votar para as autarquias do país onde se vive;
- Eleger deputados para o Parlamento Europeu;
- Trabalhar, investigar e/ou estudar em qualquer país da EU.
- Garantir o reconhecimento das qualificações profissionais.
E. Comunidade dos países de Língua Portuguesa (CPLP)
1. Países Lusófonos: Portugal, Brasil, Guiné-Bissau, S. Tomé e Príncipe, Moçambique, Angola, Cabo Verde e
Timor-Leste
2. Objectivos Principais:
- Defesa e aprofundamento da Língua Portuguesa;
- Internacionalização da Língua Portuguesa;
- Intercâmbio de Culturas.
F. Comunidades Portuguesas no Mundo
1. Principais comunidades Portuguesas no Mundo:
- América: Brasil, Venezuela, EUA, Canadá.
- África do Sul
- Europa: França, Suíça, Alemanha, Reino Unido, Espanha, …
- Oriente: Timor-Leste e outras.
G. Valorização de Portugal no Contexto da UE
1. Cultural:
- Intercâmbio de culturas;
- Promoção da Língua e da Cultura Portuguesas;
- Comunidades de Emigrantes;
- Cursos de Língua Portuguesa;
- Leitorados;
- Digressão de escritores, artistas, atletas, …
- Rádio, Televisão e Cinema.
- Congressos, exposições e feiras.
2. Económica
- Entrada no Mercado Comum;
- Adesão à moeda única;
- Acessibilidade a novos mercados;
- Possibilidade reforçada de Portugal investir no estrangeiro e de outros países investirem em Portugal
Tema: População utilizadora de recursos e organizadora de espaços
A
1. Principais variáveis demográficas:
- Natalidade;
- Mortalidade;
-Imigração;
-Emigração.
2. Relação entre as variáveis:
- Saldo fisiológico ou crescimento natural;
- Saldo migratório;
- Crescimento Efectivo ou crescimento real.
B
1. Causas das diferenças regionais:
- Factores favoráveis e desfavoráveis à natalidade;
- Factores favoráveis e desfavoráveis à mortalidade;
- Movimentos migratórios internos: êxodo rural; urbanização.
- Movimentos migratórios internacionais;
- Taxas de atracção e taxas de repulsão.
C. TN, TM, TMI
A redução da Taxa de Natalidade, iniciada já na primeira metade do séc. XX, acentuou-se a partir dos anos 60, tendo
sido um dos aspectos mais marcantes da evolução demográfica em Portugal até finais do mesmo século.

Deve-se principalmente devido: - Entrada da mulher no mundo de trabalho;


- Stress da vida urbana;
- Casamentos tardios;
- Independência financeira dos filhos cada vez mais tarde.

Politicas Natalistas: - Abonos de família progressivos;


- Alargamento da licença de maternidade;
- Possibilidade do pai gozar da maternidade;
- Dispensa a tempo parcial do trabalho;
- Desenvolvimento da rede pré-escolar;
- Promoção de melhores condições habitacionais.

A maior descida da Taxa de mortalidade verificou-se no decorrer da primeira metade do séc. XX, atingindo na
actualidade valores semelhantes à UE.

Diminuição da mortalidade devido: - Melhorias na assistência médica, sanitária e higiénica;


- Progressos científicos na medicina e farmacêutica;
- Melhoria na qualidade de vida da população – melhor habitação,
alimentação.

No que toca à Taxa de Mortalidade Infantil, manteve valores bastante elevados até as ultimas décadas do séc. XX,
tendo sofrido um acentuado decréscimo a partir dos anos 70.

A redução deve-se: - Melhoria da assistência médica durante a gravidez, o parto e o 1º ano de vida;
- Difusão de informação sobre os cuidados com as crianças.
D
1. Estrutura Etária:
- Classes etárias;
- Pirâmides Etárias.

Entre 1960 e 2000, a base das pirâmides foi diminuindo progressivamente, o que reflecte a cada vez mais acentuada
redução da população jovem.
A população adulta aumentou, revelando uma importância crescente das classes etárias mais altas. O topo das
pirâmides alargou, como consequência do aumento da população idosa.
Constata-se um duplo envelhecimento da população portuguesa: - Diminuição dos jovens (base estreita);
- Aumento dos idosos (topo alargado).
A pirâmide toma esta forma, devido:
Ao declínio da fecundidade – nº médio de filhos por mulher em idade fértil. Que explica o estreitamento da base.

Factores explicativos da abdicação de ter filhos: - Adiar o casamento e nascimento do 1º filho;


- Aumento das despesas da criança, nomeadamente a educação;
- Dificuldade no acesso a habitação espaçosa, nomeadamente em
centros urbanos.
Ao envelhecimento demográfico que explica os topos largos e justifica-se pelo aumento da esperança media de
vida.
Explica-se uma maior esperança média de vida nas mulheres por: - Menor exposição a acidentes de trabalho,
profissões de menos risco;
- Menor consumo de tabaco, álcool e
drogas;
- Maior cuidado com a alimentação e com a
saúde.
2. Estrutura activa:
- Taxa de actividade;
- Sectores de actividade: primário, secundário e terciário.

População activa – conjunto de indivíduos, a partir dos 15 anos, que constituem mão-de-obra disponível e entram
no circuito económico, incluindo os desempregados e aqueles que cumprem serviço militar obrigatório.

População inactiva – conjunto de indivíduos, de qualquer idade, que não podem ser considerados economicamente
activos.

A proporção da população entre ambas é influenciada por factores:


- Estrutura etária, que determina a quantidade de população activa;
- Saldo migratório que aumenta e diminui a população activa quando este é positivo e negativo.

Tem vindo a aumentar a taxa de actividade, após a quebra motivada pela emigração dos anos 50 e 60 devido:
- Na década de 70, a um saldo migratório positivo pela chegada dos portugueses das ex-colónias;
- Após os anos 70, devido a crescente participação da mulher no mundo de trabalho;
- E mais recentemente, ao crescimento da imigração.

Factores que influenciam a estrutura etária da população activa:


- Prolongamento da escolaridade obrigatória;
- Entrada tardia dos jovens no mundo de trabalho;
- Antecipação da idade da reforma.

A população activa distribui-se por três sectores de actividade económica:


- Sector Primário: sofreu uma grande redução no emprego devido à crescente mecanização e modernização
agrícolas e ao desenvolvimento dos outros dois sectores.

- Sector Secundário: tende a empregar cada vez menos população devido ao desenvolvimento tecnológico das
indústrias e à deslocação para outros países dos ramos mais intensivos em mão-de-obra.

- Sector Terciário: foi o que mais cresceu e, actualmente, emprega mais de metade da população activa. Esta
evolução acompanha a tendência de Terciarização da economia, iniciada mais cedo nos países da UE, e explica-se:
- Pelo aparecimento de novos serviços;
- Pelo desenvolvimento do comércio, turismo e lazer;
- Pela expansão dos serviços financeiros e dos serviços de educação, saúde e apoio social.

Existem algumas diferenças regionais na situação de emprego por sector


- Sector primário tem mais relevância na região Centro
- Sector secundário emprega mais população no Norte, onde as indústrias ainda são bastante intensivas em mão-
de-obra.
- Sector terciário gera mais de metade do emprego em todas as regiões, excepto no norte e no centro.

O sector terciário tem grande importância em: - Algarve e Madeira – Turismo;


- Lisboa e Vale do Tejo – modernização da indústria e
desenvolvimento dos serviços;
- Alentejo – serviços sociais e de saúde.
3. Nível de instrução:
- Taxa de alfabetização;
- Taxa de escolaridade;
- Medidas tomadas no âmbito do sistema ensino português.

O processo de desenvolvimento de um país relaciona-se directamente com a qualificação da população, vista como
um recurso. Nesse sentido, o seu nível de instrução e de formação são fundamentais para que se possam
desenvolver actividades tecnologicamente mais modernas e produtivas, que promovam o desenvolvimento.
Em Portugal a Taxa de Alfabetização já atinge valores elevados e como consequência, a de analfabetismo tem vindo
a diminuir. Os valores mais elevados de analfabetismo relacionam-se com o envelhecimento e com diferentes graus
de desenvolvimento das regiões.

A Taxa de Analfabetismo das mulheres continua a ser substancialmente superior à dos homens em quase todas as
regiões, sobretudo pela elevada proporção de mulheres entre os idosos.

O número médio de anos de escolaridade também aumentou, o que se deve, principalmente ao alargamento da
escolaridade obrigatória e ao considerável aumento da proporção da população com ensino superior.
4. Qualificação profissional:
- Estrutura da qualificação profissional da população activa;
- Terciarização avançada
E. Problemas sócio-demográficos
1. Envelhecimento
- Causas (progresso na higiene, medicina, quebra na natalidade);
- Consequências (índice de dependência de idosos).
2. Declínio da fecundidade:
- Factores de ordem demográfica, sócio-cultural, económica e política.
3. Baixo Nível educacional:
- Características da população quanto ao nível de instrução.
4. Situação perante o emprego:
- Emprego estável;
- Emprego temporário;
- Subemprego;
- Emprego a tempo parcial.

O envelhecimento da população portuguesa poderá agravar-se, caso se mantenha a tendência para o declínio da
taxa de fecundidade e, como tal, o decréscimo dos grupos etários mais jovens, acarretando consequências sociais e
económicas importantes.
O aumento do número de idosos conduzirá a um acréscimo das despesas como:
- Pagamento de pensões;
- Sistema de saúde;
- Serviços sociais;
- Construção e manutenção de equipamentos para idosos – lares, por exemplo.

A diminuição da taxa de fecundidade conduzirá à redução da população em idade activa, provocando:


- Redução das contribuições para a segurança social, o que gera ruptura no sistema de
pensões e reformas;
- O facto da população activa actual não beneficiar das suas contribuições sociais;
- Necessidade de alterar o funcionamento do sistema da Seg. Social, na idade de reforma.
F. O Aumento da dependência
Os jovens e os idosos constituem grupos etários dependentes, pois não se encontram na população activa e não
contribuem para a produção de riqueza.

A relação entre estes dois grupos e a população activa permite avaliar o grau de dependência, através do Índice de
Dependência Total: população jovem + população idosa / população adulta.

A dependência pode avaliar-se também em relação a cada um dos grupos separadamente obtendo-se,
respectivamente, o índice de dependência de jovens e de idosos.
De forma ligeira. O IDT tem diminuído. Deve-se à grande descida do IDJ, já que o IDI aumentou, ao reflectir no
índice de envelhecimento.
IDJ – diminui em todas as regiões, mas apresentam-se os valores mais elevados nas regiões autónomas.
IDI – apenas diminuiu nos Açores, aumentando no resto de Portugal, verificando-se o maior acréscimo no
Alentejo
IDT – Maior no Alentejo, Centro e Açores. Menor nas regiões Norte, Lisboa e Vale do Tejo
G. Evolução demográfica
Durante a segunda metade do século XX, a população residente em Portugal aumentou, passando de cerca de 8,4
milhões em 1950 para 10,3 milhões em 2001.
Sobressai-se a irregularidade nas décadas de 60 – em que se registou um decréscimo demográfico – e a década de
70 com um significativo aumento da população.

A variação deste ritmo da população explica-se: - Pelo grande surto da emigração nos anos 60, para alguns
países da Europa Ocidental: França, Alemanha, RFA;
- Regresso repentino de muitos portugueses das ex-
colónias, sobretudo em 1975 com o processo da independência;
- Diminuição da taxa de crescimento natural, mais a quebra
da emigração e o aumento da imigração, o que permitiu um ligeiro
aumento nas ultimas décadas.
H
1. Condicionantes da distribuição da população:
- Factores Naturais (clima, relevo, solos e vegetação);
- Factores Humanos (influências históricas, actividades económicas, desenvolvimento tecnológico, bacias de
emprego, estruturas urbanas, áreas de maior acessibilidade).
- Atracção urbana – cidades apresentam maior dinamismo social e económico e todo um conjunto de
serviços que contribuem para uma melhor qualidade de vida;
- Localização da indústria e actividades terciárias que geram emprego e riqueza
- Existência de boas vias de comunicação que encurtam as distâncias, facilitando a mobilidade e o
desenvolvimento das actividades económicas.
- Movimentos migratórios: Êxodo rural, Emigração e Imigração.
2. Problemas da distribuição da população:
- Litoralização e bipolarização do povoamento em torno de duas grandes áreas:
• Melhores condições para a agricultura e a pesca;
• Boa acessibilidade;
• Serviços mais numerosos e diversificados;
• Maior e melhor oportunidade de emprego;
• Maior concentração urbana e maior dinamismo económico-social e cultural.
- Despovoamento do Interior – áreas em perda:
• Migrações internas (menor desenvolvimento e dinamismo socioeconómico);
• Envelhecimento da população;
• Agricultura tradicional com fraco rendimento.

Em Portugal Continental, a densidade populacional apresenta um forte contraste entre o Litoral e o Interior. Os
concelhos de maior densidade populacional localizam-se na faixa Litoral entre Setúbal e Viana do Castelo,
sobretudo nas regiões da Grande Lisboa e Porto.
Em oposição, em todo o interior do país, bem como o litoral alentejano e a maioria das ilhas da região autónoma
dos Açores, apresentam fracas densidades populacionais.
I. Problemas causados pelas assimetrias
No Litoral
- Desordenamento do espaço: - Saturação do espaço com construção excessiva de edifícios;
- Falta de espaços verdes;
- Aparecimento de bairros degradados e construção não planeada.
- Sobrelotação dos equipamentos e infra-estruturas
- Degradação ambiental
- Desqualificação pessoal e humana: - Desemprego;
- Marginalidade e insegurança;
- Aumento do stress e diminuição da qualidade de vida.
No Interior
- Envelhecimento demográfico;
- Despovoamento;
- Falta de mão-de-obra;
- Degradação do património natural e edificado e da paisagem.
J. Possíveis soluções aos problemas
Para diminuir as assimetrias na distribuição da população deve-se implementar medidas de promoção do
desenvolvimento do Interior para o tornar atractivo.
O planeamento regional e municipal assume um papel fundamental, ao promover:
- Melhorias das acessibilidades;
- Criação de serviços essenciais de apoio a população;
- Desenvolvimento de actividades económicas geradoras de emprego
(agricultura, pecuária, artesanato, produtos tradicionais);
- Subsídios e redução de impostos para as empresas que se deslocam para o
interior;
- Qualificar a mão-de-obra.
Tema: Os recursos do subsolo
A. História do Planeta e de Portugal
Era Pré Primária – Era onde uma parte de Portugal se começou a formar.
Era Primária – É caracterizada como uma era com muitas alterações à face da terra. A orogenia que mais se fez
sentir foi a Hercínica  criaram-se as zonas montanhosas do norte “Serra da Estrela” (Orogenia Hercínica).
Era secundária – Considerava-se como uma era pacífica. Não existiram grandes formações na Terra. Formaram-se
zonas aplanadas, devido a actuação dos agentes erosivos  Os agentes erosivos criaram as orlas sedimentares. Os
ventos depositaram os materiais das zonas montanhosas do norte nas orlas sedimentares.
Era Terciária – Foi uma era de convulsões. Uma das orogenias mais importantes foi a Alpina, que tal como o nome
indica, originou os Alpes  criaram-se zonas montanhosas na orla ocidental, devido à orogenia Alpina (Serra de
Sintra).
Era Quaternária – Foi uma era pacífica, sem grandes convulsões. Foi nesta era que começou a história do homem.
É caracterizada como uma era pacífica, mas com tendência a mudar devido às variações climatéricas que se fazem
sentir  os agentes erosivos criaram as zonas planas das bacias do Tejo e Sado.
B. Unidades geomorfológicas de Portugal
Maciço Antigo/ Hispérico: É a unidade mais antiga. Ocupa a maior parte do território nacional e apresenta uma
grande variedade de rochas muito antigas e de grande dureza como o granito e o xisto.
A norte – predominam os conjuntos montanhosos, planaltos e vales.
A sul – estende-se a vasta planície alentejana – superfície levemente ondulada e de baixa altitude.
Orlas Sedimentares – Antigas áreas deprimidas onde se foram acumulando numerosos sedimentos, pelo que a
diversidade geológica é menor. Predominam as rochas sedimentares – areias, argilas, calcários e arenitos) Há
também existência de rochas magmáticas – basalto – resultantes da actividade vulcânica.
Orla Ocidental: Estende-se ao longo do litoral. É constituída no norte por planícies sedimentares e no sul com
zonas mais montanhosas.
Orla meridional: Ocupa a faixa litoral do Algarve, onde sobressaem algumas colinas calcárias altas e enrugadas.
Bacias do Tejo e Sado: Unidade mais recente, tendo-se formado principalmente por sedimentos fluviais de origem
Continental. Dominam as rochas sedimentares – areias, argila, calcário – e são explorados os minerais industriais.
Regiões autónomas: As rochas dominantes são de origem vulcânica e exploram-se principalmente as rochas
basálticas.
C. Importância dos recursos do subsolo
1. Os principais recursos são:
- Recursos minerais metálicos: minerais que apresentam na sua constituição substâncias metálicas (ferro, cobre,
estanho ou o volfrâmio)
- Recursos minerais não metálicos : minerais que na sua constituição não possuem substâncias metálicas (sal-
gema; quartzo; feldspato; gesso)
- Minerais Energéticos: minerais que podem ser utilizados para a produção de energia (carvão, petróleo, urânio e
o gás natural)
- Rochas Industriais – rochas utilizadas sobretudo como matéria-prima para a indústria ou para a construção civil e
obras públicas (calcário, granito, argila, margas)
- Rochas ornamentais – rochas utilizadas na decoração de edifícios, peças decorativas ou mobiliário (mármore,
granito, calcário).
- Águas subterrâneas – águas que se destinam ao engarrafamento ou ao aproveitamento termal.
2. Os recursos do subsolo podem contribuir para o desenvolvimento de algumas actividades
económicas (agricultura, construção civil, joalharia, indústrias química, metalúrgica, siderúrgica, cerâmica, …)
3. O contributo da exportação é importante para a economia do país.
4. Áreas de Exploração:
4.1. Minerais Metálicos
- Ferro:
As reservas têm diminuído
Explorado no Cercal e Alentejo;
A procura é maior que a oferta, recorrendo-se à importação.
- Cobre:
Extraído nas minas do Alentejo (Aljustrel e Neves-Corvo);
Portugal é o maior país produtor de cobre;
Utilizado para a electricidade.
- Estanho:
Extraído das Minas de Neves-Corvo (Alentejo);
- Volfrâmio
Minas da Panasqueira;
Filamentos para lâmpadas incandescentes;
Portugal era um grande produtor, mas a China oferecia preços mais baratos e este foi substituído por
outros mais baratos e assim, hoje estamos em crise.
4.2. Minerais Não Metálicos:
- Sal-gema:
Industria química e agro-alimentar;
Minas no distrito de Leiria, Lisboa e Faro.
- Feldspato e Quartzo:
Indústria do Vidro e cerâmica
Em vários locais do país: Norte, Centro e Alentejo
- Caulino
Indústria da Cerâmica;
Em vários locais do litoral, especialmente no Norte.
4.3. Rochas Industriais e Ornamentais
- Rochas Industriais: areias comuns, calcário, argilas
Importantes matérias-primas para a indústria de vidro, cerâmica, construção civil e obras públicas e das
cimenteiras
- Rochas Ornamentais (elevado valor unitário):
Mármores (explorações no Alentejo, faixa Estremoz - Vila Viçosa)
Granitos (explorações no Alentejo, distritos de Portalegre, Évora)
4.4. Águas Subterrâneas
- Águas minerais
Propriedades terapêuticas;
Não devem ser consumidas continuamente.
-Águas de Nascente
Destinam-se ao consumo diário, sem restrição.
Unidades de Engarrafamento no Norte e Centro;
Muitas vezes a oferta excede a procura levando à exportação.
- Águas termais
Fins Terapêuticos;
Estâncias Termais são cada vez mais frequentadas
Norte e Centro
5. A Indústria extractiva
Indústria que se dedica a extracção de produtos no estado bruto, directamente da natureza. Estes recursos
destinam-se essencialmente a produção industrial, construção civil, obras públicas e produção de energia. A recente
evolução desta indústria evidencia uma tendência de aumento do valor total da produção.

A nível regional – a indústria extractiva representa um factor importante de criação de riqueza e de oferta de
emprego, sobretudo em regiões mais carenciadas como o Alentejo
D. Distribuição espacial dos recursos energéticos
1. Portugal está muito dependente neste sector do mercado externo.
O subsolo português é pobre em recursos energéticos, pois as reservas de carvão estão esgotadas e as de urânio
têm vindo a descer a produção.
Nos açores a existência de actividade vulcânica torna possível a exploração de energia geotérmica – a partir do calor
da terra. Contudo, vários estudos revelam indícios da presença de petróleo e gás natural em zonas do Litoral.
Portugal dispõe de boas condições de produção de energias renováveis – que só agora têm vindo a ser exploradas.

Aumento do consumo de energia devido: - Desenvolvimento dos transportes;


- Expansão da indústria;
- Modernização da agricultura;
- Melhoria do nível de vida da população;
- Carros de maior cilindrada.
2. Recursos energéticos:
- Carvão
Fonte de energia primária;
Matéria-prima para indústrias, centrais termoeléctricas, indústrias siderúrgicas e cimenteiras
Reservas escassas;
Anteriormente, era uma actividade relevante, mas agora sem significado;
Importa-se da Colômbia, África do Sul e dos EUA.
- Petróleo
Utilizado nas indústrias químicas;
Todo o petróleo consumido é importado;
Tem-se feito pesquisas acerca de novas formas de energia;
Portos de Leixões e Sines.
- Gás Natural
Menos poluente, mais reservas mundiais e mais concentradas geograficamente do que as de petróleo;
Mais barato e menos problemática em termos de transporte;
Totalmente importado;
Produção de energia em centrais termoeléctricas, transportes, abastecimento doméstico;
Numa primeira fase, era importado da Argélia e transportado pelo gaseoduto Magrebe. Numa segunda
fase, feito através o barco metaneiro da Nigéria que transporta o gás liquefeito, que é regaseificado no Porto de
Sines, onde é descarregado no gaseoduto nacional.
- Urânio
Mineral radioactivo e pesado;
Usado na produção de energia nuclear, que pode ser transformada em electricidade;
Portugal possui importantes reservas mas tem de exportar porque não possui qualquer central nuclear;
Unicamente da mina da Urgeiriça, distrito de Viseu.
- Energia Geotérmica
Utiliza calor libertado pelo interior da Terra;
Aproveitamento feito nos Açores, na ilha de S. Miguel, para a produção de energia eléctrica;
O território continental possui grandes potencialidades e por isso alvo de muitos projectos.
E. Problemas na Exploração dos Recursos do Subsolo
1. Fraca acessibilidade das jazidas
- Minas em áreas de difícil acesso> custos maiores no transporte> aumento do preço do produto> perda de
competitividade.
2. Dimensão das empresas
- A maior parte das empresas são muito pequenas e de cariz familiar, tendo menos capacidade financeira para
investir na modernização e na qualificação de mão-de-obra, o que leva a custos muito elevados na produção e no
produto
3. Agravamento dos custos de exploração
- A exploração por vezes não é fácil nem viável.
4. Qualidade do minério
- A baixa qualidade de alguns minérios, associada à difícil extracção, devido à profundidade das jazidas, aumenta os
custos de exploração e tem conduzido ao encerramento de muitas explorações
5. Indústria transformadora a jusante da extracção
- A deficiente articulação entre a indústria extractiva e a transformadora conduz à exportação de produtos em
bruto, o seu valor comercial torna-se baixo e não se torna rentável a sua comercialização.
6. Novos produtos
- O modernismo tem possibilitado a descoberta de novas alternativas mais baratas e mais eficazes.
7. Dependência externa
- Portugal está muito dependente do exterior.
- A balança comercial torna-se desfavorável
- Torna-se vulnerável aos mercados abastecedores
- Deficiente articulação entre as industrias extractiva e transformadora que leva a maior numero de produtos em
bruto e baixos preços.
8. Impacte ambiental
- Contaminação das águas superficiais ou subterrâneas e dos solos, pois na extracção são utilizados bastante
produtos químicos;
- Destruição de solos agrícolas e florestais
- Degradação das paisagens e por vezes alterações na morfologia do relevo;
- Poluição sonora;
- Poluição atmosférica;
- Falta de segurança e poços sem vedação se sem sinalização.

9. Concorrência difícil
Os nossos preços são mais elevados por várias razões: - Baixo teor de minério;
- Exploração em minas de grande profundidade;
- Perigos – na segurança e na saúde;
- Locais de difícil acesso;
- Empresas de pequena dimensão;
- Tecnologias reduzidas;
- Legislação ambiental;
- Salários altos dos trabalhadores.
E. Novas perspectivas de exploração e utilização dos recursos do subsolo
Potencialização dos recursos do subsolo: - Uso dos recursos de forma mais racional;
- Aumento da inventariação e da avaliação dos recursos minerais;
- Promoção do mercado interno e externo;
- Estudos e medidas que relacionem a indústria extractiva e a
preservação ambiental;
- Reestruturação das empresas, a fim de atingirem capacidade
económica para se modernizarem;
- Exploração de alguns recursos que antes não tinham aplicações;
- Emprego de novas tecnologias;

Potencialização das minas e pedreiras: - Criar/melhorar as infra-estruturas;


- Reactivação das minas que possuam riqueza considerável;
- Valorização de tecnologia e equipamentos;
- Novos métodos e técnicas de prospecção e investigação;
Potencialização das águas e termas:
Águas minerais e de nascente: - Realização de estudos hidrológicos para conhecer e aproveitar melhor os recursos;
- Modernização das indústrias – aumentar a competitividade e garantir qualidade.
- Aumento da exportação;
Estâncias termais: - Alargamento do período de funcionamento das mesmas;
- Diversificação das ofertas;
- Criação de outras infra-estruturas de lazer e turismo;
- Aproveitamento energético do calor das aguas;
- Recuperação de áreas minerais abandonadas.
Potencialização dos recursos energéticos: - Aumento da eficiência energética (racionalização do consumo);
- Produção de energia a partir de fontes renováveis e endógenas;
- Diversificação das fontes de energia – no que toca a parceiros;
- Prospecção de novas áreas.
F. Consumo de energia
A indústria é o sector que consome mais energia, prevendo-se uma diminuição.
O sector dos transportes revela um constante aumento (mais carros em circulação de maior cilindrada) bem como
as melhorias das redes de transporte e vias de comunicação.
Existem assimetrias regionais no consumo de energia: - É superior nos distritos onde existe maior concentração de
população, de serviços, e indústria e onde o nível de vida é mais elevado,
destacando-se Lisboa, Setúbal e Porto.
Tema: A radiação Solar
A. A acção da atmosfera sobre a radiação solar
1. A Atmosfera
- A radiação solar é a radiação electromagnética de origem solar, sendo constituída por um espectro de radiações
de vários comprimentos de onda; Quantidade de energia, sob a forma de luz e calor, recebida por unidade de uma
superfície horizontal  factor essencial do ambiente.
Deve-se à radiação solar: - O ciclo da água;
- A desigual repartição da temperatura;
- A diversidade de climas.
- Atmosfera é uma camada gasosa que envolve e protege a Terra, acompanhando-a em todos os seus movimentos
devido à força de atracção gravitacional. Esta tem um:
- Limite Inferior que marca o seu início e que corresponde ao nível médio das águas do mar (0 metros) –
superfície da Terra;
- Limite Superior, que, ao contrário do inferior, é difícil de determinar, mas que segundo os cientistas
oscila entre os 800 e os 1000 km de altitude.
- Homosfera é a camada da atmosfera que se estende desde a superfície da Terra até aos 80 km de altitude, onde
os gases se encontram em proporções relativamente constantes. É constituída pela Troposfera (0 – 12 km),
Estratosfera (12 – 55 km) e Mesosfera (55 – 80 km).
- O gradiente térmico na Troposfera varia, a cada 100 m, -0,6 ºC.
- Heterosfera é a camada da atmosfera que se estende para lá dos 80 km de altitude, onde os gases estão bem
misturados. É constituída pela Termosfera (80 – 500 km) e pela Ionosfera (> 500 km).
- Funções da Atmosfera: - Protege a Terra das radiações ultravioleta e dos meteoritos;
- Desempenha uma acção reguladora, pelo que equilibra as diferenças de
temperatura e de pressão atmosférica à superfície terrestre através da transferência de calor e de vapor de água
pela circulação geral da atmosfera e das águas oceânicas.
- Composição da atmosfera: - 78% Azoto;
- 21% Oxigénio;
- 1% Gases Raros.
Estes gases são fundamentais. Por exemplo, as alterações na percentagem de Dióxido de Carbono na atmosfera têm
efeitos directos no aquecimento global da Terra. A destruição do ozono tem muita importância na qualidade da
radiação que atinge a superfície terrestre. A atmosfera também contém vapor de água (humidade) que se concentra
na maioria entre os 10-15 km. A esta altitude não existe turbulência suficiente para fazer ascender o vapor de água.
- Variação da composição do ar com a altitude : A turbulência do ar e as trocas energéticas e químicas na baixa
atmosfera são responsáveis pela existência de uma composição variada do ar. À medida que a altitude aumenta, o
ar rarefaz-se, ocorrendo grandes concentrações de certos gases. Exemplo: Dos 15 aos 35 km concentra-se o Ozono
(Camada de Ozono).
Apesar do Ozono ter uma percentagem muito reduzida no ar atmosférico encontra-se muito concentrado a esta
altitude, fazendo com que a temperatura aumente e exercendo também uma função de filtro dos raios solares
muito importante.
2. A atmosfera: Filtro de radiação solar
- A constante solar é a quantidade de energia que recebe por segundo cada m 2 de superfície de camada superior
da atmosfera.

Da totalidade da radiação solar apenas 47% chega à superfície da Terra. Os processos atmosféricos que explicam
essa perda da radiação solar são: - Absorção
- Reflexão
- Difusão

- Absorção (23%):
Ozono: absorve os raios ultravioletas (curto comprimento de onda);
Vapor de água, dióxido de carbono e algumas partículas sólidas e líquidas absorvem os infra-vermelhos.
- Reflexão:
Parte da radiação solar é reflectida no topo das nuvens e na superfície terrestre, em particular nas regiões
cobertas de gelo;
Albedo: é a razão entre a quantidade de radiação reflectida pela superfície e a quantidade da radiação que
nela incide. O albedo é muito elevado na neve e nas nuvens e mais baixo em florestas densas e algumas superfícies
artificiais (alcatrão) – expressa-se em percentagem ou sob forma decimal.
- Difusão:
Provocada pelos gases atmosféricos e pelas partículas em suspensão;
Da radiação dispersa, uma perde-se no espaço e outra chega indirectamente à superfície terrestre,
designando-se por radiação difusa.
A radiação solar global é a radiação total que chega à superfície da Terra e divide-se em:
- Radiação difusa (energia é difundida pela atmosfera terrestre, pelas nuvens, … que chega
indirectamente à superfície terrestre)
- Radiação solar directa (energia recebida directamente do Sol).
3. Distribuição da Energia solar
- Devido à forma esférica da Terra, a energia solar que chega ao topo da atmosfera não se distribui uniformemente
por toda a superfície terrestre. Existe um balanço energético da atmosfera entre as entradas da energia solar –
insolação – e as saídas – radiação terrestre.
- Quanto maior for a inclinação dos raios solares, maior vai ser a área que recebe radiação e maior vai ser a perda o
que fará um decréscimo na temperatura.
- O dia natural corresponde ao dia iluminado pelo Sol, o que é variável e que condiciona a radiação solar. Quanto
maior o período de tempo que o Sol está acima do horizonte, maior é a duração do dia.
- Insolação corresponde ao período de tempo em que o sol se encontra descoberto e exprime-se no número de
horas por dia ou por ano.
- O relevo é um factor de interferência na radiação recebida pois quanto maior a altitude, maior é a quantidade de
radiação solar recebida, pois a massa atmosférica atravessada é menor. As vertentes soalheiras, viradas a sul,
recebem mais radiação porque a inclinação dos raios é menor; as vertentes sombrias recebem menos ou quase
nada devido a esse.
- Variação diurna: quando o sol atinge a altura máxima, a inclinação dos raios é menor e por isso a temperatura é
maior.
- Variação Anual: No solstício de Verão, os raios solares incidem no hemisfério norte com menor obliquidade, o
que se traduz numa maior quantidade de energia recebida e os dias são maiores; no solstício de Inverno, a
inclinação dos raios é maior e o dia é menor.
- Défice energético: ocorre porque a radiação solar atravessa uma grande camada de atmosfera obliquamente e
geralmente estas superfícies são de cor clara.
- Excesso energético: ocorre porque a radiação solar incide perpendicularmente nessas regiões e atravessa uma
menor camada de atmosfera
- Movimento de translação: faz variar a inclinação dos raios solares e a duração dos dias e das noites, num
mesmo lugar.
- Ao ser absorvida pela Terra, a radiação solar converte-se em energia calorífica, aquecendo a superfície terrestre.
Esta última, por sua vez, emite a mesma quantidade de energia que recebe, encontrando-se em equilíbrio térmico
 relação entre a energia recebida e a energia reflectida pela superfície terrestre.
- A Terra envia para a atmosfera a energia que absorveu durante o dia sob a forma de Energia Calorífica de grande
comprimento de onda. Essa Energia vai ser sujeita ao EFEITO ESTUFA: Mecanismo natural que existe na Atmosfera e
que possibilita a estabilidade das temperaturas a +/-15ºC. Este explica o facto das temperaturas nocturnas não
baixarem tanto quanto seria de esperar, já que, durante a noite não há radiação solar.
B. Variabilidade da radiação solar em Portugal Continental e Insular
- Ao longo do Ano, em Portugal Continental, os valores médios de radiação solar global aumentam em geral de
Norte para Sul e, sobretudo, na Região Centro, de Oeste para leste.
- A latitude, os estados de tempo mais frequentes de Verão e Inverno, a frequência de nevoeiros e a nebulosidade
são factores de variação de radiação solar.
- Portugal recebe: - Mais quantidade de energia no solstício de Junho. Os raios incidem _|_;
- Menos quantidade de energia no solstício de Dezembro. Os raios incidem mais
inclinados \ e a duração do dia é menor.
Portugal – Latitude = 32º N / 42º N – Apresenta maior quantidade de energia solar no:
- Solstício de Junho – Maior quantidade de Energia quando se inicia o Verão
- Raios solares com menor inclinação;
- Dias maiores do que a noite.
- Solstício de Dezembro – A inclinação dos raios solares é maior e a duração do dia é menor do que a noite
o que cria MENOR QUANTIDADE DE ENERGIA.
- Portugal apresenta uma variabilidade sazonal bastante acentuada no Verão no solstício de Junho a radiação solar
é mais elevada e no Inverno apresenta valores de radiação global média mais baixa.
Causas: - Latitude: regiões do sul, (+) quantidade de Radiação Solar; (-) inclinação
- Proximidade do mar: Nebulosidade – Insolação – N.º de horas de sol descoberto acima do
horizonte que aumente de Noroeste para Sudeste. Influência sobre a nebulosidade que regista regiões do
litoral com Radiação Solar com menos intensidade.
- Altitude: Aumento de nebulosidade – Diminui o n.º de horas de sol a descoberto.
- Exposição das vertentes: Influencia a insolação. Encostas soalheiras – vertentes voltadas a sul, mais
expostas ao sol. Encostas umbrias – vertentes voltadas a norte, menos expostas ao sol.
- Nos Arquipélagos: - Madeira – N.º de horas de sol descoberto é maior do que nos Açores devido à latitude ser
mais baixa;
- Açores – Valores mais elevados de latitude – Maior Influência Oceânica – Maior humidade
no ar – Maior nebulosidade.
C. A distribuição da temperatura em Portugal Continental e Insular
- Isotérmicas: linhas que unem pontos de igual temperatura.
- Temperatura média em Portugal é, de um modo geral, amena apresentando uma variação que acompanha as
estações do ano. A temperatura do ar está directamente relacionada com a radiação global incidente.
- A temperatura varia em função de um conjunto de factores:
- Latitude (a inclinação dos raios é maior do equador para os pólos; a temperatura diminui à medida que
aumenta a latitude);
- Altitude (a temperatura diminui à medida que aumenta a altitude);
- Relevo (encosta sombria ou umbria e a menor espessura da atmosfera; contribui para explicar as
diferenças de temperatura entre N e S do país);
- Proximidade e afastamento do mar (oceano: acção moderadora; o ar húmido e a nebulosidade são mais
notórias na faixa litoral);
- Influência marítima (perde-se em direcção do interior, dependendo da disposição do relevo);
- Ventos dominantes;
- Nebulosidade (absorve e reflecte);
- Correntes marítimas;
- Duração do dia;
- Quantidade de poeiras na atmosfera;
- Impacte da actividade humana.
- A distribuição espacial das temperaturas médias mensais de Janeiro e Julho apresenta contrastes espaciais entre o
Norte e o Sul, o Litoral e o Interior.
- As amplitudes térmicas anuais mais baixas registam-se no Litoral ocidental, enquanto as mais elevadas se registam
no Interior. As amplitudes de variação térmica mais elevadas no Nordeste, sem influência Atlântica, são expostas aos
ventos de Leste.
- JANEIRO: Disposição das isotérmicas oblíquas em relação à linha de costa: As temperaturas diminuem de Sul para
Norte e do Litoral para o Interior, varia entre 12ºC / 7ºC.
- JUNHO: (28ºC / 17ºC) – Isotérmicas estão paralelas à linha de costa Ocidental: As temperaturas aumentam de
Oeste para Este, há uma inflexão para Leste das temperaturas no vale superior do Rio Mondego e também há outra
inflexão para Oeste, das temperaturas no vale superior do Rio Douro.
- Contrastes regionais: Além da oposição entre norte mais frio e sul mais quente, nota-se valores mais acentuados
no interior e mais atenuados no litoral. Existência também de regiões de montanha.
Nas Ilhas: - Açores: não varia muito do continente: amplitude térmica muito baixa, depende do relevo, e tem
influência marítima
- Madeira: amplitude térmica fraca – variação regional devido: à altitude e orientação a Oeste; a Este
ao relevo.
- AS CARACTERÍSTICAS TOPOGRÁFICAS exercem uma influência significativa (Tanto pode favorecer a circulação das
massas de ar, como servir-lhes de obstáculo).
Acidentes do terreno:
COLINAS – Temperaturas mais baixas do que nos vales;
VALES – Temperaturas mais baixas do que nos vales estreitos;
VALES ABERTOS – Temperaturas mais baixas do que nos vales estreitos;
VALES ESTREITOS – Temperaturas mais altas.
D. A valorização da radiação solar
- Portugal é um dos países da Europa com maior incidência da radiação solar.
- A exploração da energia solar como energia alternativa às energias fósseis contribui para a diminuição da
dependência externa do país em energia primária e para a redução das emissões associadas ao uso dos
combustíveis fósseis.
- Apesar da grande disponibilidade de radiação solar em Portugal e da grande oferta deste recurso energético, a
procura por parte da população é ainda muito reduzida.
- Os sistemas fotovoltaicos produzem energia eléctrica com elevada fiabilidade apresentando vantagens ambientais
porque não produzem ruído nem emitem gases de efeitos de estufa.
- O mercado de colectores solares térmicos em Portugal tem uma dimensão muito inferior à de outros países
europeus.
- A energia solar apresenta inúmeras vantagens em termos energéticos e ambientais:
Fonte renovável;
Os sistemas não emitem ruído nem poluições atmosféricas;
É um recurso abundante e quase inesgotável comparativamente a outros combustíveis fósseis;
A energia fotovoltaica é muito variada (desde calculadoras a centrais eléctricas);
É económica após recuperado o investimento.
- Desvantagens da energia solar:
Pode colocar problemas estéticos;
Interrompida durante a noite;
Fraco conhecimento, o elevado investimento inicial o receio não permite a sua difusão;
O mercado está pouco desenvolvido e por isso exige custos mais elevados;
A área necessária para a instalação pode ser relativamente grande.
- Região com maior potencialidade: costa lisboeta e litoral algarvio.
- Região com menor potencialidade: litoral norte / centro / áreas sombras e altitude.
- O território português apresenta um conjunto de condições naturais atractivas ao turismo, sobretudo climáticas.

Tema: Os Recursos Hídricos


A
1. A especificidade do clima português
- A água é um recurso renovável em circulação constante e estabelece a ligação entre a terra, os oceanos e a
atmosfera.
- O ciclo hidrológico tem a uma escala local uma entrada (precipitação) e duas saídas (a evapotranspiração e o
escoamento superficial e retenção no solo). Os processos são:
- Evaporação e evapotranspiração (resulta da transpiração da plantas e da evaporação do meio envolvente);
- Condensação;
- Precipitação;
- Escorrência/ infiltração ou retenção.
- O conhecimento dos principais elementos e factores climáticos, permite caracterizar o clima de qualquer território,
neste caso, o nacional.
- Quanto mais elevada a temperatura do ar, maior a capacidade de absorver e reter vapor de água. E o inverso.
T aumenta, HÁ aumenta
T aumenta, PS aumenta
T aumenta, HR diminui
- Humidade Absoluta: quantidade de vapor de água num metro cúbico.
- Ponto de Saturação: ponto em que o ar não consegue conter mais vapor de água.
- Humidade Relativa: razão entre massa de vapor de água existente num determinado volume de ar e a massa de
vapor de água necessária para saturar esse mesmo ar, sem variação da temperatura – %.
Os principais factores que asseguram o constante funcionamento do ciclo da água são:
- A Energia Solar (promove a evaporação);
Principais

- A Gravidade (Permite que a água condensada chegue à superfície terrestre).


- Temperatura;
- Humidade
- Vento
Secundários

- Nebulosidade
- Natureza da superfície de evaporação;
- Natureza da área que recebe a precipitação.
2. Circulação Atmosférica
- A pressão atmosférica é a força que o ar atmosférico exerce por unidade de superfície. Exprime-se em
hectopascal (hPa) ou milibares (mBar). O seu valor é normal quando é 1013mBar (hPa) – se superior a este valor é
uma alta pressão e se inferior é uma baixa pressão;
- As pressões atmosféricas variam com: - Altitude: pois diminui à medida que a altitude aumenta;
- Temperatura: pois com o aumento da temperatura, o ar aquece, dilata-se,
tornando-se mais leve, menos denso e passando a exercer menos pressão sobre a
superfície da Terra e vice-versa.
- Humidade absoluta: pois quanto maior for o valor da humidade absoluta
do ar, menor a pressão.
- Densidade do ar: pois quanto maior for o valor, maior a pressão do ar;
- Movimentos da atmosfera: verticais (de convecção - são ascendentes ou
subsidentes) ou horizontais (de advecção – são convergentes ou divergentes).
- As isóbaras são linhas que unem pontos de igual pressão atmosférica.
- Altas pressões: anticiclones; Baixas Pressões: Depressões ou ciclones.
- O ar desloca-se dos centros de alta pressão para os de baixa pressão.
- O ar é convergente nas depressões e divergente nos anticiclones.
- Devido ao movimento de rotação da Terra, no Hemisfério Norte o ar ao movimentar-se sofre um desvio para a
direita e no Hemisfério Sul para a esquerda (efeito de Coriólis).
- Centros Barométricos: - Origem Térmica (temperatura do ar);
- Origem Dinâmica (movimentos da atmosfera).
- Os Anticiclones são: - De origem dinâmica quando resultam da subsistência do ar. O ar ao descer em altitude,
comprime-se tornando-se mais denso o que provoca o aumento da pressão (Anticiclone subtropical
dos Açores).
- De origem Térmica quando resultam do intenso arrefecimento do arem contacto com o
solo mais frio. Ao arrefecer, o ar comprime-se e torna-se mais denso, o que leva ao aumento da
pressão. Assim, devido às diferenças térmicas entre os oceanos e continentes, formam-se com
frequência sobre os continentes no Inverno e sobre os oceanos no Verão, sendo por isso efémeros.
As Depressões são: - De origem dinâmica quando estão associadas a um movimento ascendente do ar. O ar
converge e, ao convergir, sofre uma inflexão, sendo, por isso, obrigado a ascender, fazendo diminuir
a pressão à superfície. Tal como nos Anticiclones, também estas são permanentes;
- De origem Térmica quando se formam devido o intenso aquecimento do ar em contacto
com a superfície mais quente do que as áreas envolventes. Assim, ao aquecer, o ar dilata-se
tornando-se mais leve, o que diminui a pressão. São por isso efémeras pois formam-se sobre os
continentes no Verão e sobre os oceanos no Inverno.
- Estado de Tempo: conjunto de fenómenos meteorológicos que determinam o estado atmosférico num certo
lugar e num dado momento (Temperatura, Precipitação, Pressão Atmosférica, Vento, Humidade).
- As baixas pressões estão nas latitudes equatoriais (devido à convergência dos ventos alísios dos anticiclones
subtropicais – dinâmica; e às elevadas temperaturas, que provocam a dilatação do ar e o tornam mais leve –
térmica), médias e altas (origem na convergência do ar quente dos anticiclones subtropicais e do ar frio das altas
pressões polares – Depressão da Islândia) enquanto que as altas estão nos trópicos (origem dinâmica pois resultam
da subsistência do ar em altitude – Anticiclone dos Açores) e nos pólos (origem térmica pois resultam do intenso
arrefecimento do ar em contacto com o solo gelado);
- A distribuição dos centros barométricos dá origem à formação de determinados ventos:
- Alísios (NE – HN e SE – HS, das altas pressões subtropicais para o equador);
- De Oeste (das altas pressões subtropicais para as baixas pressões subpolares);
- De Este/ Leste (das altas pressões polares para as baixas pressões subpolares).
- Na circulação geral da atmosfera: - Os movimentos de ar à superfície são compensados por movimentos
contrários em altitude;
- Às baixas pressões na superfície correspondem altas pressões em altitude
e vice-versa.

- As massas de ar que afectam Portugal são:


- Massas de ar tropical: - Marítima (quente, húmido e estável excepto no Inverno quando encontra uma
frente polar – anticiclone dos Açores);
- Continental (quente e muito seco, no Inverno é estável mas no Verão pode tornar-
se instável devido ao aquecimento das camadas mais baixas da troposfera em contacto com
a superfície terrestre – Vento Suão, proveniente do deserto do Sara);
- Massas de ar polar (deslocam-se para sul no Inverno e para Norte no Verão):
- Continental (formação de anticiclones térmicos sobre a superfície terrestre muito
arrefecida, durante o Inverno, no interior do continente e é muito frio e seco);
- Marítimo (é menos frio e mais húmido, e atinge Portugal no Inverno,
principalmente).
- Superfície frontal: superfície de separação de duas massas de ar de características diferentes de temperatura e
humidade que não se misturam mas que formam uma linha descontínua.
- O ar frio é mais denso e mais pesado e por isso fica por baixo enquanto que o ar quente, que é menos denso, se
eleva.
- A intercepção da Superfície frontal com a Superfície da terra designa-se por Frente. À associação de mais do
que uma frente chama-se Sistema frontal ;
- A perturbação frontal é a conjugação das frentes fria e quente associadas a uma baixa pressão.
- No hemisfério Norte, a massa de ar frio desloca-se para Sul e a de ar quente tropical para norte → Frente Polar:
1) A frente é estacionária (ondulação é pouco nítida), uma vez que a interpenetração das massas é fraca →
as duas massas têm uma deslocação paralela – ar frio polar de E→O; ar quente tropical de O→E;
2) A interpenetração começa a ser mais acentuada provocando suma superfície frontal com uma ondulação
cada vez mais visível;
3) Ondulações muito pronunciadas → Sistema Frontal → individualizam-se os sectores de ar quente e ar
frio.
- Frente quente: substituição do ar frio pelo ar quente. É de fraca inclinação e o ar quente desloca-se lentamente
sobre o ar frio, onde se formam nuvens de fraco desenvolvimento vertical e chuviscos.
- Frente Fria: substituição do ar quente pelo ar frio. É de inclinação mas acentuada, dando origem a uma ascensão
rápida e violenta do ar, o que leva à formação de nuvens de grande desenvolvimento vertical, aguaceiros e
trovoadas.
- A passagem de uma perturbação da frente polar origina tempo muito instável.
- Este tipo de perturbações desloca-se sempre de O → E (por vezes de SO →NE), pois são transportadas pelos
ventos de Oeste e, por isso, sofrem o efeito da força de Coriolis.
- As fases de uma perturbação frontal polar são:
- À passagem da frente quente, o ar quente vai subindo lentamente ao longo da superfície frontal quente e vai
arrefecendo, formando-se nuvens de desenvolvimento horizontal que dão origem a chuvas contínuas e de longa
duração. A temperatura é geralmente, relativamente baixa e ocorre vento fraco, podendo prever-se uma melhoria
temporária do estado de tempo.
- Com a passagem da frente quente, a temperatura aumenta, a nebulosidade diminui, podendo até registar-se
abertas, a pressão atmosférica é baixa e o vento moderado.
- Com a aproximação da frente fria, o estado de tempo altera-se: o ar frio obriga o ar quente a subir muito rápido,
formando-se nuvens de desenvolvimento vertical, que originam aguaceiros fortes, vento intenso ou até trovoada. O
estado de tempo é de curta duração.
- Tipos de precipitação mais frequentes:
- Precipitações orográficas ou de relevo: resulta de uma subida forçada do ar quando este no seu trajecto
tem de ultrapassar uma elevação; o ar ao subir arrefece e dá origem à precipitação. Regiões afectadas – zonas
montanhosas principalmente do norte;
- Precipitações convectivas ou de convecção: resultam de um sobreaquecimento da superfície terrestre que,
aquecendo o ar em contacto com ela, o torna menos denso e origina a sua ascensão. Ao subir o ar arrefece
provocando condensação do vapor de água e formação de nuvens de grande desenvolvimento vertical e curta
duração – aguaceiros. Verifica-se em zonas tropicais ou no continente no Verão a altas temperaturas, no Sul e
Interior de Portugal;
- Precipitações frontais ou ciclónicas: resultam da ascensão do ar quente numa superfície frontal, isto é, do
encontro de uma frente fria e uma frente quente, onde a massa de ar quente sobe após a pressão do ar frio e
aproxima-se do ponto de saturação dando origem a nuvens e precipitação. Se for pela passagem de uma frente fria,
a ascensão do ar quente é rápida e violenta, formando nuvens de grande desenvolvimento vertical – precipitações
mais intensas do tipo aguaceiros. Se for pela passagem de uma frente quente, a ascensão do ar é mais lenta,
originando nuvens de desenvolvimento horizontal – precipitações menos intensas mas contínuas e de maior
duração (chuvisco); típico das regiões temperadas no Inverno devido às perturbações da frente polar (Norte de
Portugal);
- Precipitações Convergentes: resultam da ascensão do ar devido à convergência dos ventos numa
determinada zona. Ao convergir, o ar ascende, arrefece e ganha humidade relativa ate atingir o ponto de saturação,
podendo condensar, dar origem à formação de nuvens e consequente precipitação.
3. Ritmo e distribuição da precipitação em Portugal
A distribuição da precipitação caracteriza-se por uma grande irregularidade, tanto temporal como espacial.
- Irregularidade anual – os valores da precipitação mais elevados ocorrem no final do Outono até ao início da
Primavera, registando-se os mais baixos no Verão.
Causas da precipitação: - Mais elevada: influência das baixas pressões subpolares e dos sistemas frontais
(deslocados mais para Sul) e baixa temperatura, que leva a que o ar atinja mais facilmente a
saturação;
- Mais baixa: influencia do anticiclone dos Açores e da massa e ar tropical, quente e
seca, elevada temperatura (que afasta o ar da saturação) e deslocamento para Norte das
baixas pressões, sistemas e perturbações frontais.
- Irregularidade interanual (de ano para ano) – como as deslocações em latitude das baixas pressões subpolares
e das altas pressões subtropicais não são iguais em todos os anos, registam-se também diferenças significativas na
distribuição interanual da precipitação.
- Irregularidade na distribuição espacial: De um modo geral, a precipitação diminui de N→S e do L→I. A NO e
nas áreas de montanha, registam-se os valores mais elevados de precipitação, ocorrendo os mais baixos no vale
superior do Douro e Sul do país.
- O contraste N/S deve-se principalmente à influência da latitude, pois a perturbação da frente polar afecta com
maior frequência o Norte do pais, enquanto que o Sul recebe uma maior influência das altas pressões subtropicais
pelo que é mais seco e luminoso. Esta diferença acontece também porque o relevo verificado no Sul é menos
acidentado que no Norte.
- O contraste a NO deve-se à existência de montanhas concordantes que constituem um obstáculo à propagação
dos ventos húmidos de Oeste para o interior. A NE além da protecção dos ventos húmidos de Oeste, esta área tem
influência dos ventos secos de Leste. Na Cordilheira Central verificam-se elevadas precipitações devido (também) à
exposição oblíqua à linha de costa (discordante), facilitando a penetração dos ventos húmidos de Oeste.
- Relativamente ao contraste L→I, confirma-se que este se deve à exposição ao Atlântico, sujeitando as regiões mais
continentais a ventos de Oeste húmidos (causados pela intensa evaporação).
- Na Madeira a precipitação diminui no sentido N→S, pois o Norte da ilha (Montanhoso e alto) sofre no Inverno a
influência das baixas pressões que atravessam o Atlântico e no Verão ventos de Norte e fenómenos orográficos; o
Sul da ilha (mais plano e baixo) está mais protegido da humidade de Norte e sujeito aos ventos do Norte de África.
- Nos Açores a pluviosidade diminui no sentido Ocidente para Oriente, pois o Ocidente é o primeiro a sofrer a
humidade dos ventos e as perturbações da frente polar.
4. Situações meteorológicas mais frequentes no Inverno
- Temperaturas mais baixas devido às massas de ar frio, à menor duração do dia e à maior inclinação dos raios
solares.
- Centro de baixas pressões subpolares, invadindo no sentido O→E, e perturbações da frente polar.
- Céu muito nublado.
- Precipitação relativamente elevada.
- Vento de O ou NO moderado ou forte.
- Contudo, devido ao arrefecimento do ar em contacto com a superfície terrestre pode originar a formação de
anticiclones no interior dos continentes, associando-se ao anticiclone dos Açores. Assim, a temperatura é muito
baixa, sem precipitação nem nebulosidade.
5. Situações Meteorológicas mais frequentes no Verão
- Afectado por massas de ar quente tropical e pelos anticiclones subtropicais, maior ângulo de incidência dos raios
solares e maior duração dos dias.
- Dias de céu Limpo, sem precipitação, com vento fraco e temperaturas altas.
- Contudo, devido ao intenso aquecimento verificado no interior do continente europeu podem formar-se
depressões barométricas, responsáveis pela nebulosidade e pela precipitação;
- Quando o centro de baixas pressões está sobre a península e o anticiclone dos Açores se localiza um pouco a
norte deste arquipélago, faz-se sentir a “nortada”.
- Vento do levante ou vento do Suão, muito quente e seco.
- Isoietas: linhas que unem pontos com mesmos níveis de precipitação.
- Nortada: vento fresco do quadrante Norte (Baixa pressão na térmica centrada sobre a P. Ibérica e o A. Açores).
- Vento de Levante: responsável pelo tempo seco e quente (baixa pressão térmica, formada sobre a P. Ibérica e
que se pode estender ate ao Norte de África, com m Anticiclone sobre a Europa Central.
6. Diversidade Climática em Portugal
- Norte Litoral – clima temperado mediterrânico com feição oceânica/ marítima:
Precipitação abundante, especialmente nos meses de Outono e Inverno;
Existência de uma curta estação seca que não ultrapassa geralmente dois meses;
Verões frescos e Invernos suaves (Temperaturas médias amenas ao longo do ano);
Amplitude térmica anual moderada ou fraca;
- Norte Interior – clima temperado mediterrânico de feição continental:
Precipitação escassa, ocorrendo no Inverno, frequentemente sob a forma de neve;
Existência de uma estação seca que pode chegar aos quatro meses;
Verões muito quentes e Invernos muito rigorosos;
Amplitude térmica anual acentuada;
- Sul – clima temperado mediterrânico:
Precipitação escassa;
Existência de uma longa estação seca que pode chegar aos seis meses;
Verões quentes e Invernos suaves (temperaturas médias suaves no Inverno e elevadas no Verão).
B – Disponibilidades Hídricas
- Uma parte da água precipitada é devolvida para a atmosfera pelo processo de evapotranspiração e a restante dá
lugar ao escoamento superficial.
- Disponibilidades hídricas: quantidade de água disponível que depende essencialmente do volume de
precipitação e da sua distribuição ao longo do ano.
- Em todo o país as precipitações são irregulares, tanto no que respeita ao volume anual como no que se refere à
sua distribuição ao longo do ano, dificultando a gestão dos recursos hídricos, tanto mais que as maiores
necessidades se verificam na época de menor disponibilidade hídrica – Verão.
- Regime Hidrológico: Variação do Caudal de um rio ao longo do ano.
- O escoamento superficial, a infiltração e a evapotranspiração dependem de vários factores:
- Total de precipitação;
- Temperatura;
- Características físicas dos solos;
- Relevo;
- Vegetação;
- Acção humana.
- Apenas pequena parte do planeta constitui recursos hídricos disponíveis, englobando:
- Águas superficiais – rios, lagos, lagoas, albufeiras
- Águas subterrâneas – (até 800m de profundidade) nascentes naturais, lençóis de agua etc.
1. Águas superficiais
- Redes hidrográficas (conjunto formado por um rio e seus afluentes):
- Mais densa no Norte devido ao relevo mais acidentado e ao maior encaixe dos rios em vales profundos e
de declives acentuados;
- Menos densa no Sul devido ao relevo mais aplanado que torna os percursos dos cursos de água com
menor declive e escoam em vales mais largos.
- Rios que nascem em Espanha e desaguam em Portugal: Guadiana, Douro, Tejo e do Minho;
- Rios que nascem e desaguam em Portugal: Sado, Mondego e Vouga.
- Ao longo do percurso atravessam áreas de características diferentes no que respeita a altitude, formas de relevo e
grau de dureza das rochas essas características influenciam:
- Perfil longitudinal: linha que une vários pontos do fundo do leito dum rio ate a foz;
- Perfil transversal: linha que resulta da intersecção, num determinado ponto, de um plano vertical com o
vale, perpendicularmente à sua direcção, normalmente é definido por vale e pode apresentar três formas:
- Em V – desgaste em profundidade, nascente;
- Normal – transporte, desgaste lateral;
- Aberto ou planície aluvial – próximo da foz, deposição.
- Nas regiões autónomas os cursos de agua são pouco extensos, designando-se de ribeiras. Devido ao relevo
acidentado, apresentam um perfil longitudinal com declive acentuado e, na sua maioria, os vales são encaixados em
forma de “V” e os grandes desníveis levam a formação de muitas cascatas.
- Bacia Hidrográfica (constituída pela área drenada por um curso de água e seus afluentes):
- As mais importantes são as do Guadiana, Tejo, Minho e Douro.
- Tanto a precipitação como o escoamento são mais elevados nas bacias situadas a norte. Tal como a
precipitação, o escoamento apresenta uma grande irregularidade interanual → reflecte-se no caudal
- Norte: cheias frequentes no Inverno e inicio da Primavera, com redução do caudal no Verão, mas
sempre com escoamento
- Sul: cheias pouco frequentes, redução acentuada do caudal no período seco estival com alguns
cursos de água chegando a secar.
- Ilhas: Inverno caudais com volume elevado e secas no Verão. Nos Açores há menos variação por
causa da chuva continua
- Leito de estiagem: leito por onde corre um curso de água durante os períodos de estiagem (de seca).
Nalgumas regiões, o rio chega mesmo a secar.
- Leito de inundação ou de cheia : nos períodos de chuvas intensas, por vezes, as águas sobem e
transbordam as margens do leito normal.
- Drenagem: remoção de água, superficial ou subterrânea, de uma determinada área por bombeamento ou
gravidade
- Escoamento anual médio: parte da água da precipitação que em media escorre a superfície ou em
canais subterrâneos durante um ano numa bacia hidrográfica.
- Factores físicos responsáveis pela variação do caudal:- Precipitação;
- Revestimento vegetal;
- Relevo;
- Hidrografia;
- Constituição geológica da bacia;
- Factores humanos responsáveis pela variação: - Desflorestação;
- Impermeabilidade dos solos;
- Construção de pontes;
- Construção de barragens;
- Transvazes (transferência de reservas hídricas entre
diferentes bacias, de modo a fazer uma redistribuição espacial da
água);
- Cobertura e/ou encadeamento de cursos de água;
- Extracção de inertes;
- Assoreamento do leito dos rios;
- Captação de água para consumo.
- Albufeiras (lago artificial resultante da construção de uma barragem).
- O relevo e a rede hidrográfica tornam mais fácil a construção de barragens no Norte e Centro.
- No Sul as albufeiras contribuem muito para uma melhor gestão da água, no uso doméstico e agrícola.
- Barragens têm como fim: - Evitam cheias na época de precipitação retendo água nas albufeiras;
- Impedem que os rios sequem completamente garantindo escoamento mínimo na
época estival;
- A irrigação agrícola;
- Captação da água para uso doméstico ou industrial;
- A produção de energia eléctrica;
- O incremento de actividades ligadas ao turismo e ao lazer.
- As barragens localizam-se principalmente no Norte pois os rios são mais caudalosos e regulares graças à
precipitação anual mais elevada e estações secas mais curtas e menos quentes e pelo carácter acidentado.
- Impactos negativos: - São inundadas superfícies enormes, que destroem habitats, terrenos agrícolas, aldeias;
- Pode afectar as actividades económicas, nomeadamente as que se ligam à agricultura e ao
turismo.
- Lagoas e Lagos naturais (Reservatórios de água doce naturais que correspondem a depressões de pouca
profundidade onde a água se acumula): - São alimentadas pelas águas das chuvas e das nascentes;
- Origem marinho-fluvial (junto à costa), glaciária (localizam-se nas regiões
montanhosas) e vulcânica (localizam-se nos Açores).
2. Águas subterrâneas
- Resultam de: infiltrações das águas; precipitações em rochas porosas e fracturadas → toalhas freáticas (lençol de
água subterrâneo) ou aquíferos;
- Aquífero: formação geológica que permite a circulação e o armazenamento de água nos seus espaços vazios.
- Vantagens dos Aquíferos: - Menos irregular devido a não sofrer tanto pela evaporação;
- Qualidade é maior pois ao infiltrar-se é filtrado;
- Não há redução de dimensão, por efeito de deposição de sedimentos;
- Não exigem custos de conservação;
- Menor poluição/ tratamentos.
- Desvantagens: - A sobre-exploração pode conduzir à diminuição da água dos solos, à salinização dos
aquíferos ou à poluição química;
- A intensidade da captação deve ser inferior à produtividade.
A manutenção depende de: - Recargas naturais: água que escoa atingindo a superfície freática;
- Intensidade da exploração;
- Cuidados com preservação.
- A deterioração pode ser provocada directa ou indirectamente por processos naturais ou humanos, sendo mais
frequente a acção conjunta de ambos.
- Nas Bacias do Tejo e do Sado e nas orlas ocidental e meridional predominam rochas sedimentares que se
caracterizam por uma elevada permeabilidade.
- No Maciço Antigo, predominam granitos e xistos, pouco permeáveis e por isso as disponibilidades hídricas são
pouco significativas.
- Nas regiões de rochas calcárias, as reservas são muito importantes formando aquíferos – águas cársicas. Apesar de
serem impermeáveis, apresentam uma densa rede de fracturas ou diáclases, com origem na dissolução do calcário
por acção da água.
- As diáclases facilitam a infiltração que explica a fraca escorrência superficial e até a aridez e a pobreza da
cobertura vegetal das regiões cársicas.
- Exsurgência: águas que circulam no interior das formações e que chegam à superfície por um curso
formado no interior.
- Ressurgência: águas que circulam no interior das formações e que chegam à superfície por um trajecto
que já fora a superfície.
- Águas de Nascente: - Devido ao baixo teor de sais minerais a sua circulação superficial e o seu tempo de
residência no solo é pequeno.
- Águas Minerais Naturais: - Conferem propriedades medicinais;
- Relacionadas com a circulação profunda e/ou fenómenos vulcânicos.
- Águas termais: - Quando a água brota a uma temperatura superior à do ambiente da região, conservando
essa temperatura ao longo do ano;
- Origem: passagem por zonas vulcânicas ou quando têm origem numa camada mais
profunda da Terra.
- Águas medicinais: - Fins terapêuticos.
- Uma água termal pode ser também mineral e uma água mineral pode ser medicinal.
C – Gestão dos Recursos Hídricos
- A gestão passa: - Pela avaliação das disponibilidades;
- Pela contenção das necessidades;
- Pela promoção das reservas, a fim de fazer face a situações de seca.
- A lei da água, em 2005, redireccionou e valorizou de forma a melhorar a sua coerência global, estabelecendo as
bases para a gestão sustentável dos recursos hídricos.
1. Principais problemas que se colocam à utilização e gestão da água
- A irregular distribuição da Água;
- A poluição (práticas agressivas e a utilização desenfreada de produtos químicos; efluentes domésticos e
industriais) reflecte problemas e riscos ambientais que comprometem a quantidade e a qualidade da água
disponível. Estes problemas relacionam-se com o crescimento do consumo e a sua poluição.
- Efluentes domésticos: têm grande quantidade de bactérias e vírus e são uma grande fonte de poluição dos
cursos de água.
- Efluentes industriais: têm elevadas cargas tóxicas. As águas usadas são contaminadas com produtos
químicos perigosos e descarregadas em grandes quantidades. Mais no Vale do Tejo e faixa litoral entre Viana do
Castelo e Aveiro.
- Efluentes da actividade pecuária: grandes agentes poluidores de águas superficiais e subterrâneas.
Composição/efeitos semelhantes aos domésticos.
- Poluição da actividade agrícola: os produtos químicos pesticidas dissolvem-se na agua da rega ou da
chuva e infiltram-se no solo contaminando extensas áreas.
- A Eutrofização: - Resulta da concentração excessiva de nitratos nas águas e que provém do excesso
de adubos químicos azotados utilizados na agricultura;
- Conduzem ao crescimento de algas e outras plantas aquáticas que aumento os
níveis de oxigénio nos meios aquáticos;
- Isto leva à estagnação das águas e ao aumento da temperatura que levam à morte
de peixes e outros animais aquáticos.
- Desflorestação: - Aumenta a erosão dos solos;
- Diminui a infiltração;
- Impede a recarga dos aquíferos.
- Salinização: - Intrusão da água marinha nos aquíferos sobre-explorados e localizados junto ao mar.
- Aumento do consumo da água.
2. Soluções
- Implementar princípios de poluidor-pagador;
- Aumentar a fiscalização;
- Co-responsabilização dos diferentes agentes económicos;
- Incentivar toda a população a utilizar produtos e tecnologias mais amigas do ambiente.
- Eficiência da utilização da água: consumo útil ÷ procura efectiva × 100
- Na agricultura: - Utilização de técnicas de rega menos consumidoras;
- Cultura de espécies mais adaptadas às condições climáticas;
- Reutilização de água previamente sujeita a tratamento.
- Na Indústria: - Técnicas e tecnologias mais modernas, menos consumidoras de água;
- Tratamento de águas residuais e a sua reutilização.
- Fins domésticos: - Uso racional através de medidas já divulgadas.
3. Abastecimento e consumo de água
- O Abastecimento de água é um problema que ainda subsiste, uma vez que nem toda a população tem acesso a
esse serviço. Em Portugal os maiores consumos e necessidades de água apresentam-se nas bacias de maior
dimensão, com excepção do rio Guadiana. O factor de diferenciação mais importante é a forte ocupação humana
nessas bacias junto do litoral.
- Em todas as bacias as necessidades ainda são superiores ao consumo – população servida pela rede pública está
aquém dos níveis que se pretende – 95%.
- Áreas rurais: onde predomina o povoamento disperso, os custos da instalação são mais caros o que torna difícil a
construção de infra-estruturas. Porém, a abundância de água a NO do país permite o auto-abastecimento através
furos e poços.
- Captações de água: a maior densidade de captações subterrâneas verifica-se nas orlas sedimentares e na bacia
do Tejo e Sado – áreas de grande produtividade aquifera. Captações superficiais no Maciço Antigo onde as
disponibilidades subterrâneas são menores.
4. O planeamento e a gestão dos recursos hídricos
- Uma gestão eficiente dos recursos hídricos implica a garantia do abastecimento através do investimento em infra-
estruturas e da distribuição equilibrada entre os diferentes utilizadores.
- Essa gestão de abastecimento é da responsabilidade dos municípios e da EPAL. Porém, nem todo o país abrange
essas empresas. Elaborou-se então um plano estratégico de abastecimento que prevê a criação de sistemas
plurimunicipais – que permitirá alcançar a meta dos 95%.
- DQA (Directiva-Quadro da Água): Inventariação, preservação e potencialização da Água.
- PNA (Plano Nacional da Água): Gestão integrada da Água.
- PBH (Plano de Bacia Hidrográfica): Definem orientações de valorização, protecção e gestão equilibrada da água,
de âmbito territorial, para uma ou mais bacias hidrográficas.
- POA (Plano de Ordenamento das Albufeiras): São considerados Planos Especiais de Ordenamento do Território
(PEOT), são os únicos planos que estabelecem regras de protecção na área envolvente das albufeiras.
- Entre a Espanha e Portugal foi assinada a Convenção sobre a Cooperação para a protecção e o Aproveitamento
sustentável das Águas das Bacias Hidrográficas Luso-Espanholas. Para os rios Lima, Minho, Douro, Tejo e Guadiana.
- Na maioria dos concelhos do interior e Lisboa a percentagem servida por redes de drenagem é superior a 65%.
Enquanto que no litoral norte a maioria dos concelhos tem fraca taxa de atendimento. O tipo de povoamento ajuda
a explicar esta diferenciação.
O caso especifico das albufeiras, estrategicamente é outro elemento a ter importancia. Deverao ser elaborados
planos de ordenamento das albufeiras POA – compreendem uma area na qual se integra o plano de agua e a zona
envolvente de protecção.
- A gestão planeada permite a adopção de medidas de potencialização como:
- Aumento da capacidade de aprovisionamento;
- A organização e rentabilização dos sistemas de abastecimento público;
- Controlo da qualidade da agua através de sistemas de monitorização;
- Tratamento das aguas residuais antes do seu retorno aos meios hídricos;
- Regulamentação de actividades associadas aos meios hídricos – navegação lazer;
- Reabilitação da rede hidrográfica de forma integrada promovendo a qualidade ambiental e o
desenvolvimento socio-económico.
- A convenção luso-espanhola obriga ambos os países a uma actuação de respeito e cooperação, bem como
definirem caudais mínimos, parâmetros de qualidade das águas, situação das albufeiras etc. Contudo, ainda não
existe regulamentação sobre as normas concretas da actuação.
- A solidariedade na gestão dos recursos hídricos comuns é uma atitude chave tanto no que respeita as
negociações entre Portugal e Espanha como no que se refere à partilha da água entre as diferentes regiões de cada
país.
4.1 Racionalizar o consumo de água: forma de preservar
- Foi elaborado o Programa Nacional para o Uso Eficiente da Água que aponta para uma maior racionalização do
consumo da água, de modo a aumentar a eficiência da sua utilização.
- Na agricultura – actividade que gasta mais água – pode-se evitar desperdícios:
- No transporte de agua – através de condutas fechadas;
- Na irrigação usando técnicas de rega mais eficientes;
- Com a selecção de culturas adoptadas as características climáticas;
- Pela reutilização de agua tratada.
- Na indústria, pode ser racionalizado através:
- Da utilização de tecnologias mais eficientes – que evitem a perda na produção;
- Do uso da mesma agua para fins diferentes;
- Da instalação de sistemas de tratamento das aguas residuais que permitam a sua reutilização;
- No sector urbano – usos domésticos e empresas de comércios e serviços, uma maior eficiência no uso da água
pode ser conseguida através:
- Da utilização de maquinas com possibilidade de dosear a carga;
- Da criação de hábitos pessoais que evitem desperdícios;
- Da colocação de auto ciclismos com menor volume de descarga, ou com descarga de dupla capacidade;
- Do cuidado em manter os equipamentos em boas condições (torneiras, maquinas);
- Da reutilização de água tratada nos autoclismos e na rega de jardins.
Tema: Recursos Marítimos
A. As potencialidades do Litoral
1. A costa Portuguesa
- Traçado bastante rectilíneo, com poucas reentrâncias naturais (1450km de extensão).
- O aspecto da linha de costa depende, sobretudo, das características das formações rochosas que se encontram em
contacto com o mar e da intensidade da erosão marinha.
- Extensos areais que alternam com enormes arribas e com costa baixa mas rochosa.
- A acção erosiva do mar (erosão marinha) compreende três aspectos:
- Desgaste, a energia cinética das ondas que conduz a abrasão marinha, desgaste das formações rochosas
do litoral provocado pela projecção de sedimentos marinhos e pelo embate das águas, que por sua vez vai levar a
que a base das arribas vão sendo desgastadas acabando o topo por cair;
- Os materiais que resultam do desmoronamento são transportados para outros lugares devido às correntes
marítimas;
- Ou então acumulam-se na base, dando origem a plataformas abrasão. Estas tornam-se cada vez mais
extensas e formam plataformas de acumulação. Quando a arriba deixa de ser atacada pelo mar, torna-se uma arriba
fóssil.
- Outras formas de relevo litoral: cabos (formações geológicas de grande dureza e de difícil desgaste); Baias
(resultam de uma intensa acção de desgaste; rochas de baixa dureza).
- No litoral português, verifica-se uma predominância da costa de arriba, talhada nos afloramentos rochosos de
maior dureza, que se apresenta ora alta e escarpada ora mais baixa. A costa de praia, baixa e arenosa, ocupa uma
menor extensão do litoral, quer no Continente quer nas R. Autónomas, cuja natureza vulcânica explica a
predominância de costa de arriba.
- Os dois tipos de costa alternam de forma irregular. De modo geral, nas áreas onde as rochas que contactam com
o mar são de maior dureza – granito xisto e calcário de formação recente – a costa é de arriba. As arribas são mais
altas onde predomina calcário: - Desde a Nazaré ate a foz do rio Tejo;
- Entre o Cabo Espichel e a foz do Rio Sado;
- Do Cabo de Sines ao cabo de S. Vicente;
- Barlavento Algarvio.
- No litoral norte a linha de contacto com o mar apresenta-se predominantemente baixa, devido a existência de
uma estreita faixa de costa de emersão, dando origem a pequenas reentrâncias e algumas praias.
- No litoral baixo, o mar contacta com rochas mais brandas, como arenitos e argilas, sendo possível encontrar
reentrâncias propícias à deposição de areias. Acontece nas faixas costeiras entre:
- Espinho e S. Pedro de Muel;
- Estuário do rio Tejo;
- Foz do rio Sado e cabe de Sines;
- Sotavento algarvio.
2. Acidentes da Costa Portuguesa
- “Haff-Delta” de Aveiro, Ria de Aveiro: - Laguna interior onde um cordão de areia (haff), formado pela deposição
de sedimentos fluviais e marinhos dificultam o contacto com o mar;
- O contacto com o mar faz-se por um canal artificial;
- Sedimentos do Vouga que deram origem a pequenas ilhas, separadas por
canais pouco profundos – restinga espessa (cordão arenoso que resultou da
acumulação de sedimentos transportados pelas correntes marítimas do Vouga).
- Tômbolo de Peniche: - Acumulação de sedimentos marinhos, devido à perda de energia das correntes marítimas,
no transporte de sedimentos;
- Da deposição resultou um istmo que ligou uma antiga ilha ao continente.
- Lido de Faro (ria Formosa): - Sistema lagunar de grande extensão, limitado por um cordão de areia;
- Da deposição resultou a construção de uma série de ilhas barreiras e que separam
o mar aberto das lagoas.
Estuário do Tejo e do Sado: - Zonas pantanosas e por conterem água doce ou salobra na proximidade do Litoral
3. A plataforma Continental
- Factores que condicionam a distribuição dos recursos biológicos: - Temperatura;
- Salinidade;
- Luz;
- Plâncton;
- Migrações das espécies;
- Oxigenação;
- Profundidade das águas.
- A plataforma Continental é uma extensão submersa da placa continental.
- Limitado pelo talude e pela zona abissal.
- Têm apenas 10% dos fundos marinhos mas representam 80% das capturas dos homens. Por outro lado é lá que se
depositam os resíduos fluviais com perigo para a fauna.
- É estreita quando o relevo é de natureza montanhosa.
- É extensa quando se trata de planícies.
- É quase inexistente nos arquipélagos devido à origem vulcânica dos mesmos.
- Por vezes o talude é rasgado por depressões estreitas e profundas – canhões submarinos;
- Portugal possui uma área pouco extensa na plataforma continental e por isso tem uma condição desfavorável para
a pesca.
- A sua riqueza biológica deve-se a: - Grande agitação das águas que leva a uma maior oxigenação destas;
- Maior penetração da luz solar, favorável à realização da fotossíntese e ao
desenvolvimento do fitoplâncton;
- Menor salinidade das águas devido à afluência de cursos de água doce;
- Maior riqueza em nutrientes, devido ao plânton e aos resíduos
transportados pelos rios que aí desaguam
- Nas águas frias, abunda uma grande riqueza piscatória;
- Nas zonas onde se cruzam águas frias e quentes a riqueza em peixe é maior;
- Corrente marítima: deslocações de grandes massas de água individualizadas pelas suas características de
temperatura e densidade.
- A corrente marítima que afecta Portugal é a corrente de Portugal: - Braço de corrente quente do golfo, que se
desloca de norte para sul;
- Corrente de águas frias.
- Quando os ventos nortada, afastam as águas costeiras para o largo, podem originar correntes, upwelling –
corrente marítima ascendente que traz à superfície águas profundas mais frias, que resultam do contacto das
correntes frias com as quentes. Esta ascendência faz ascender a superfície grandes quantidades de nutrientes,
atraindo os cardumes (Sardinha e Carapau no Verão).
- Mar Territorial: águas que se encontram até 12 milhas dos limites exteriores da costa e sobre os quais o país
exerce soberania.
- Zona Contígua: zona de mar alto entre as 12/24 milhas, na qual o Estado pode exercer fiscalização para prevenir
ou reprimir infracções às suas leis.
- Em 82 definiu-se a Zona Económica Exclusiva – ZEE – área que se prolonga até às 200 milhas da costa, onde o
respectivo Estado costeiro pode exercer o seu direito de soberania. Esse Estado tem o direito a explorar, investigar,
conservar, gerir e defender de qualquer “ameaça”, como por exemplo a poluição.
- Águas internacionais: não são de ninguém mas também não podem usufruir dessas águas qualquer um, pois
existem organizações próprias que gerem isso.
4. ZEE (Zona Económica Exclusiva):
- As ZEE são mares territoriais;
-A Intensificação da actividade piscatória, a modernização das frotas pesqueiras e todos os interesses em
torno do sector pesqueiro levaram muitos países a tentar definir os limites de soberania exercida nas respectivas
áreas ribeirinhas.
-Nestes, os países ribeirinhos detêm os poderes de exploração, conservando a administração dos recursos.
- A ZEE portuguesa é a maior da Europa e uma das maiores do mundo.
B. A actividade Piscatória
- Relevância deste sector explica-se: - Pelo emprego que gera
- Pelo forte rendimento das comunidades ribeirinhas;
- Pelas numerosas actividades que dinamiza (construção naval, fabrico de
artefactos para a pesca, comercialização, …)
- Pela importância na alimentação portuguesa.
-O pescado tem vindo a perder importância económica devido às debilidades que o marcam (diminuição
progressiva da produção de pescado, insuficiente para dar resposta à procura do mercado).
- Principais espécies portuguesas: carapau, sardinha, cavala, peixe-espada e o polvo.
- Tendo em conta as áreas em que é praticada, a pesca pode ser:
- Pesca Local: - Pratica-se em rios, estuários, lagunas ou na costa
- As embarcações são pequenas;
- Arte artesanal
- Carácter sazonal.
- Pesca costeira:- Embarcações maiores;
- Podem trabalhar em águas de ZEE internacionais.
- Pesca de Largo: - Pesqueiros externos de águas internacionais ou em ZEE de outros países.
- Barcos de grande porte (100TAB)
- Condições de habitabilidade à tripulação durante meses.
- Tendo em conta as técnicas utilizadas, a pesca pode ser:
- Pesca artesanal: - Técnicas e meios tradicionais;
- Períodos curtos de permanência.
- Pesca Industrial: - Técnicas modernas;
- Autênticas fábricas flutuantes;
- Pesca Longínqua, podendo a deslocação ser superior a várias semanas ou meses.
1. Aquicultura
- Consiste na criação de peixe em cativeiro, em água doce ou salgada.
- É importante porque: - Permite abastecer regularmente o mercado;
- Diminui a pressão sobre algumas espécies mais ameaçadas;
- Revitaliza stocks em extinção
- Gera numerosos postos de trabalho.
2. As principais áreas de pesca
- A pesca nacional está decadente e dependente pois o esforço da pesca está condicionado:
Pela imposição de licenças e quotas,
Pela degradação dos stocks de muitos pesqueiros
Pela adesão de Portugal à UE, pois O estado português foi substituído por esta na celebração de acordos.
- Áreas de pesca internacionais: - Atlântico Noroeste (NAFO): - Pesca do Bacalhau
- Águas frias da costa de nordeste da América, que
são extremamente ricas em peixes.
- Imposições na captura pelo Canadá.
- Atlântico Nordeste: - Riqueza piscatória
- Captura do Bacalhau
- Imposição nas capturas.
- Atlântico Centro-Leste: - Tem vindo a aumentar as suas capturas
- Sardinha, peixe-espada, pargo, crustáceos e
marisco
- Atlântico Sul: - Área de pesca longínqua;
- Pescada
3. As infra-estruturas portuárias e a frota
- Apoios da UE: - Modernas instalações de frio
- Lotas equipadas com sistemas informáticos
- Modernas instalações e equipamentos de descarga
- O número de embarcações da frota portuguesa tem vindo a decrescer, que leva à diminuição de capturas que se
deve a vários factores: - Cumprimento de normas que levam ao redimensionamento da frota, adequando-a às
disponibilidades das pescas actuais;
- Criação da ZEE, onde passou a ser mais condicionada;
- Dificuldade ou impossibilidade de exercer a actividade piscatória em áreas onde
tradicionalmente era exercida, pela força da adesão à UE e da Politica Comum das Pescas quer
impõem novos condicionalismos no que diz respeito a acordos de pescas com outros países.
- Necessidade de melhorar o acesso aos portos e de modernizar o sector das pescas (lotas, postos de venda, rede
de frio que assegure a conservação dos produtos, desde os entrepostos dos portos até aos consumidores.
4. Qualificação da mão-de-obra
- O número de pescadores qualificados tem vindo a diminuir.
- Estrutura da População activa envelhecida.
- Com apoio da UE, foram criados centros de formação em alguns portos. Contudo, estes cursos não têm cativado.
5. Política Comum das Pescas
- A PCP foi criada em 1983;
- Face à sobre-exploração de algumas espécies, foi remodelada a PCP com objectivo de garantir que a exploração
dos recursos aquáticos crie condições sustentáveis do ponto de vista social, económico e ambiental.
-Medidas: - Limitar a capacidade de pesca a fim de adequar aos recursos disponíveis. Os totais Autorizados de
capturas (TAC), a quotas de repartição pelos Estados-Membros e o número de dias de faina autorizados
deverão ser negociados anualmente;
- Redução de custos de exploração e melhoria das condições de segurança e trabalho a bordo de
maneira a modernizar o sector;
- Conferir competitividade à aquicultura, aumentando a produção e a diversificação de espécies
cultivadas, assegurando a qualidade e salubridade dos produtos;
- Implementar medidas de Informação ao Consumidor, melhorando as condições dos
estabelecimentos e medidas higieno-sanitárias e um novo sistema de licenciamento industrial.
- Negociar acordos de pesca em pesqueiros externos, de forma a promulgar uma pratica
equilibrada tendo como pressuposto a sustentabilidade.
C. A gestão do espaço Marítimo
- Principais problemas originados pela utilização do mar:
- Sobre-exploração dos recursos piscícolas: - Associado ao desenvolvimento das frotas pesqueiras e das
técnicas de pesca, cada vez mais sofisticadas e agressivas, levam a
um excesso.
- Resulta na diminuição drástica de alguns stocks e até põe
em causa a vida de algumas espécies.
- Esta situação exige medidas de protecção e recuperação
das espécies mais ameaçadas, que orientem um modelo de
sustentabilidade.
- Poluição marinha: - Contribui para a degradação de stocks piscícolas e para a destruição de áreas
costeiras, enquanto áreas de lazer.
- Podem-se descargas de efluentes domésticos e industriais; as águas dos rios já
poluídas que aí desaguam; produtos agrícolas; lavagens ilegais de petroleiros no mar;
derrame de hidrocarbonetos resultante de acidentes com petroleiros;
- Pressão urbanística sobre o litoral: - A costa é um recurso precioso e gerador de riqueza.
- No entanto, é vulnerável que importa proteger e valorizar;
- Uma parte significativa está ocupada por construções, vias de
comunicação, unidades industriais, portuárias e hoteleiras
- A intensificação do processo erosivo: - Elevação do nível médio do mar (alterações climáticas);
- Diminuição da quantidade de sedimentos fornecidos ao litoral
(Elevação do nível médio do mar e das actividades humanas desenvolvidas
no interior e outras acções humanas – exploração de inertes, …);
- Degradação antropogénica das estruturas nacionais (pisoteio das
dunas; aumento da escorrência devido às regras, à construção de edifícios
no topo das arribas e à exploração das areias);
- Obras pesadas de engenharia costeira (obras portuárias, obras de
estabilização de embocaduras);
- As obras de defesa como paredões e esporões não resolvem
eficazmente os problemas
D. A rentabilização do litoral e dos recursos marítimos
- Para potencializar o uso do mar é necessário conhecer, gerir, controlar e preservar.
- A partir das avaliações científicas dos recursos, a UE toma diversas medidas:
- Vigilância das águas nacionais – gestão da ZEE: pesca, poluição, segurança marítima, exploração do
subsolo; mas tem sido uma tarefa muito difícil devido à extensão;
- Racionalização do esforço de pesca – orientação da PCP, a fim de recuperar e proteger os stocks através
da definição de quotas de capturas, da imposição de tamanhos mínimos para o pescado capturado.
- Aquacultura – aumento da produção e da diversificação das espécies e assegurar a qualidade e
salubridade dos produtos.
- POOC (Planos de Ordenamento da Orla Costeira) – preocupam-se com a protecção e a integridade
biofísica do espaço, com a valorização dos recursos existentes e coma conservação dos valores ambientais e
paisagísticos
- Turismo – o desenvolvimento do turismo deve obedecer a um planeamento e ordenamento elaborado
segundo um modelo de sustentabilidade. È importante pelo emprego e riqueza que gera;
- Energias Renováveis – associadas aos oceanos: - Energias das ondas;
- Energia das correntes marítimas;
- Energia das marés.