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Aula Capítlo 4 - Depreciação na Agropecuária

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4.

DEPRECIAÇÃO NA AGROPECUÁRIA
CONCEITOS 4.1 – Segundo Alkíndar de Toledo Ramos, em sua tese de doutorado (O Problema da Amortização dos Bens Depreciáveis e as Necessidades Administrativas das Empresas), sugere que a “Amortização”, em sentido amplo, seria aplicada a quaisquer tipos de bens do ativo fixo, com vida útil limitada. Depreciação seria sinônimo de amortização, em sentido amplo, porém sendo aplicada somente aos bens tangíveis, como máquinas, equipamentos, móveis, utensílios, edifícios etc. Exaustão seria sinônimo de amortização, em sentido amplo, porém sendo aplicada somente aos recursos naturais exauríveis, como reservas florestais, petrolíferas etc. Amortização em sentido restrito se confundiria com o seu sentido amplo, mas somente quando aplicada aos bens intangíveis de duração limitada, como as patentes, as benfeitorias em propriedades de terceiros etc.

4.2 – Entendimento Fiscal Conforme disposições contidas no Parecer Normativo CST nº 18, de 09/04/1979, o Fisco dá sua interpretação no caso específico da agricultura. No que tange às culturas permanentes, às florestas ou árvores e a todos os vegetais de menor porte, somente se pode falar em depreciação em caso de empreendimento próprio da empresa e do qual serão extraídos os frutos. O custo de aquisição ou formação da cultura é depreciado em tantos anos quantos forem os de produção de frutos. Exemplo: café, laranja, uva etc. Quando se trata de floresta própria, o custo de sua aquisição ou formação (excluído o solo) será objeto de quotas de exaustão, à medida que seus recursos forem exauridos. Nesse caso não se tem a extração de frutos, mas a própria árvore é ceifada, cortada ou extraída do solo (reflorestamento, cana-de-açúcar, pastagem etc). O termo amortização, por sua vez, é reservado tecnicamente para os casos de aquisição de direitos sobre empreendimentos de propriedade de terceiros, apropriando-se o custo desses direitos ao longo do período determinado, contratado para a exploração. 4.3 – Casos de Depreciação
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inclusive. A depreciação só incide sobre a cultura formada (nunca em formação). considerando-se as taxas constantes. nas culturas de laranja. mantendo-se a parte contida no solo para a formação de novas árvores.000. a taxa de depreciação média anual será de 6. graviola. que varia em função do tipo de solo.000/1.000). A vantagem desse método é que o cálculo da depreciação será proporcional à produção colhida. Exemplo: Um cafeeiro produz grãos de café.3. durante 15 anos. de 7% (70.3. Exemplo: Admitindose que serão colhidas 1. Segundo o raciocínio acima.000 de caixas de uva de determinada videira. maçã. que conhecem o número de anos de produção da árvore.1 – Cultura Agrícola Toda cultura permanente que produzir frutos será alvo de depreciação.4. Se uma videira. manutenção e também da sua qualidade. evitando-se custos maiores em anos de safras ruins. clima. pois é a folha o produto final e não o caule ou a própria planta. técnicos em agropecuária e pelos próprios agricultores. abacate etc.2 – Máquinas e implementos agrícolas 2 . em média.000. tipo Niágara rosada. A taxa de depreciação será informada por agrônomos. o desbastamento das folhas é considerado depreciação.000 caixa. Na cultura do chá. sobre o cafeeiro incidirá depreciação enquanto que no canavial teremos exaustão. Um canavial tem sua parte externa extraída (cortada). Assim. cuja primeira produção foi de 70. O mesmo raciocínio é adotado para a bananeira cujo produto final é o fruto. plantada na região de ValinhosSP produzir frutos. e após a colheita a árvore mantém-se intacta.67% (100/15 anos). teremos a depreciação no primeiro ano. 4. manga. que são seus frutos. a partir da primeira colheita. incidirá depreciação. Pode-se também calcular a taxa de depreciação em função da produção total estimada da cultura permanente. uva. mamão. A árvore produtora não será extraída do solo e seu produto final é o fruto e não a própria árvore. caju.

de 31 de dezembro de 1998. geadas. não são usados durante o ano em virtude de entressafras. por equipamento.78/hora 4. em horas. calcular a depreciação em função da hora trabalhada. ociosidades etc.000. de vida útil 3 . As máquinas e implementos agrícolas ao contrário das máquinas industriais. em vez da quantidade de anos de vida útil.000 Depreciação = R$ 7. Dessa forma recomenda-se a apropriação da depreciação em decorrência do efetivo uso às respectivas culturas ou projetos.3.Pecuária No caso dos reprodutores (touros e vacas).3 .Uma das dificuldades encontradas para calcular o custo das lavouras ou das safras está no cálculo da depreciação das máquinas e implementos agrícolas. devendo-se. chuvas. com critérios fiscais. apropriando-se a depreciação do ano entre as diversas culturas através de rateio. Exemplo de Cálculo de Depreciação Horária Máquinas e Implementos agrícolas Depreciação = Valor do equipamento Número Estimado de horas de trabalho = Depreciação/hora Depreciação = Valor do trator Número Estimado de horas de trabalho Depreciação = 70. em anos. Na impossibilidade dessa informação a depreciação será realizada em função da vida útil. animais de trabalho. Normalmente a depreciação é calculada a uma taxa anual. Deve-se consultar o fabricante sobre a vida útil do equipamento. conforme a Instrução Normativa SRF Nº 162. tendo em vista que se trata também de Ativo Tangível. portanto.00 9.

por ocasião de sua venda para o frigorífico. durante o período de reprodução. para efeitos de depreciação. os prazos médios de vida útil dos bovinos. que perde o poder produção ao longo do tempo. No período de crescimento do gado destinado à reprodução não haverá depreciação. será contada a partir do momento em que estiver em condições de reprodução (estado adulto). para efeito de depreciação. mas ainda é útil para a produção de sêmen (inseminação artificial) não sendo. do clima. A vida útil do rebanho de reprodução. mas. portanto descartado de imediato para a venda ao frigorífico. as deduções dos valores são também denominadas Depreciação.limitada. Outro aspecto importante para a determinação da depreciação bovina é o valor residual do animal correspondente ao seu peso multiplicado pelo preço da arroba de carne. A vida útil dos animais varia muito em função da raça. do manejo e oscilam de quatro a dez anos. prática adotada por pecuaristas quando o animal não é mais utilizado para reprodução. até perder a sua capacidade de produção. inicia-se a depreciação quando o animal estiver apto para a reprodução. Exemplo. após castrado e engordado para abate. tende a atingir um estágio máximo de eficiência para. principalmente o touro. devido à dificuldade de se detectar esse estágio. a seguir. O período de captação do sêmen também será considerado como tempo de vida útil. O animal. Estatisticamente. iniciar o processo de declínio. Em alguns casos o touro não serve para monta. 4 . O ideal seria detectar o início do processo de declínio para que seja iniciada a depreciação. são os seguintes: Reprodutor mestiço Matriz (vaca) mestiça Reprodutor puro Matriz (vaca) pura Cinco anos Sete anos Oito anos Dez anos O médico veterinário é a pessoa mais indicada para determinar a vida útil do gado reprodutor.

00 tenha vida útil estimada de oito anos para permanecer entre as vacas (monta) e de mais dois anos para a coleta de sêmen (inseminação artificial).000.00). consumo ou industrialização de madeira levará o custo de cada período o valor referente à parcela consumida.000. O touro pesa aproximadamente 800 kg.0 0 (2.) Valor Residual Valor Depreciável Taxa Depreciação Depreciação/1º ano de 55. totalizando dez anos.4 – Casos de Exaustão 4.000.0 Touro 0) ( ) Depreciação 53. ao final da última depreciação o valor líquido contábil estará compatível com o preço de mercado.000.800 árvores.000.00 (valor residual).700. Assim teremos: Valor Contábil ( .Um touro avaliado em R$ 55.800 árvores extraídas = 0.000.4.000.0 Ativo Permanente 0 Imobilizado ( 2.0 Acumulada 0 X 10% 5.1 – Florestas e espécies de menor porte Se determinada empresa é proprietária de uma floresta para corte e comercialização. Exemplo Em um florestamento que envolve 10. foram cortadas 4.00 – R$ 2.00 ) 49.000.000.00. dessa forma.300 Valor Líquido 55.00 (R$ 55.00 O valor residual fará efeitos de depreciação e gerencias e não fiscais também deverá ser corrigido monetariamente. Considerando-se que o seu peso deverá ser mantido até o momento da venda (final da vida útil) o valor a ser depreciado será de R$ 53. Nesse caso a depreciação anual é de 10%.000. Para o cálculo do valor da quota de exaustão será observado o seguinte critério: Cálculo = 4. e se fosse vendido ao frigorífico valeria R$ 2.000.000 pés de eucaliptos cujo custo de formação foi de R$ 100.48  48% 5 . 4. à mesma taxa do valor contábil do touro.

poderá gerar..4. 4. seja a pastagem natural ou artificial. 6 . beiço-de-boi etc.2 – Cana-de-açúcar O canavial. Leguminosas: alfafa. mandacaru. Basicamente há dois tipos de pastagem que são a natural e a artificial.3 – Pastagem É o local de apascentamento do gado. é constituída de áreas não cultivadas.3.1 – Pastagem natural Também denominada de pasto nativo. Cactáceas: palma. capim-gordura. gradagem. dependendo do solo e da variedade plantada. com exaustão anual de 33. tendo em vista que a boa pastagem contribui para o alto rendimento do rebanho.4. de três a quatro corte. sem muitos problemas de erosão. uma vez plantado.000 árvores que compõem a floresta 4.2 – Pastagem artificial É aquela plantada com a adoção do preparo do solo por meio de destocamento. seu custo de formação ou aquisição compõem o Ativo Permanente – Imobilizado e sofrerá exaustão na proporção da sua perda e de sua potencialidade. São também utilizadas como alimentação complementar a mandioca. semeadura etc. Por ser uma cultura permanente. capim-jaraguá e outros capins.33% (três anos) ou 25% (quatro anos). onde raramente são realizadas melhorias. xiquexique etc.4.4. cerrados. capins naturais etc). 4.. Geralmente são áreas de boa cobertura vegetal. a batata-doce etc. É uma das partes mais importantes do planejamento agropecuário.3. adubação. As principais forrageiras são: Gramíneas: capim-colonião. aração. 4.percentual das árvores extraídas 10. soja perene. das quais se aproveita o potencial natural (campos.

por prazo determinado. ela registrará o custo dessa aquisição no Ativo Imobilizado e o amortizará em três anos.O calculo da exaustão dar-se-á pela divisão do seu valor de formação pelo quantidade de anos de vida útil. por exemplo. Exemplo Se uma empresa adquire o direito de explorar um pomar de terceiros.00. Mesmo que haja pastoreio em rodízio.000. Exemplo Admitindo-se o valor total da pastagem no período de formação foi de R$ 980. fazendo com que a sua recomposição natural seja bastante difícil e onerosa.500.00 / 8 anos = R$ 122. mas é explorada em função de contrato por prazo indeterminado. que o período de formação foi de dois anos e que a vida útil estimada é de oito anos. quando da aquisição de direito de extração de madeira de floresta pertencente a terceiros ou da exploração de pomar de terceiros. teremos: Valor de exaustão anual = R$ 980.000. 7 . a preço único e prefixado. Há pecuaristas que não fazem a exaustão. Nesse caso a vida útil é aumentada e o valor da reforma deve ser ativado. A legislação brasileira prevê que se a floresta pertence a terceiros. devido à dificuldade de se estimar o período de vida útil e à omissão do Imposto de Renda sobre o assunto. Nesses casos os valores aplicados devem ser levados diretamente para o resultado do exercício.5 – Casos de amortização A amortização ocorre para os casos de aquisição de direitos sobre empreendimentos de propriedades de terceiros. sendo. nenhuma pastagem tem duração ilimitada. portanto necessárias reformas para que o pasto volte a ser produtivo.00. por um prazo de três anos. caracteriza-se por quotas de exaustão e não amortização. incêndio e excesso de gado. Há fatores que podem causar o perecimento das pastagens como erosão. como perda. 4.

67 8 Construções e Melhoramentos Parede de tijolos. A vida útil dos bens relacionados a seguir foram realizadas por: 1. não acumuláveis no Ativo Imobilizado. os Técnicos em Agropecuária e os Médicos Veterinários. por intermédio do Engenheiro Agrônomo Paul Frans Bemelmans. segundo o Imposto de Renda. coberta de telha Parede de madeira. 4. 3. Dessa forma a empresa rural fará a opção entre 10% a 20% ao ano. Engenheiros Agrônomos: Rubens Araújo Dias e Oscar J. Instituto de Economia Agrícola. corretivos. são também alvo de amortização: Os gastos pré-operacionais referentes à implantação de novas fazendas. 5. tais como desmatamento. 2. não poderá ser inferior a cinco anos. Os gastos com pesquisas científicas ou tecnológicas referentes à parte genética. registrados no Ativo Diferido. Thomasini Extore.Outros gastos que contribuirão para a formação do resultado de mais de um exercício social.6 – Taxas de depreciação Os profissionais mais indicados para prever a vida útil dos bens registrados no Ativo Permanente – Imobilizado são os Engenheiros Agrônomos. destocamento. biológica e experimentações concernentes à plantações e animais. 4. nivelamento etc. tais como os administrativos e financeiros. Outras fontes. enquanto que a Lei das Sociedades por Ações limita o prazo máximo que é de dez anos. publicadas pela Secretaria da Agricultura (“Contabilidade Agrícola para o Estado de São Paulo”). Gastos com melhorias do solo que propiciam incremento na capacidade produtiva. Duração em Anos 25 15 Taxa de Depreciação( %) 4 6. Imposto de Renda. José Carlos Marion. coberta de . O prazo de amortização.

coberta de sapé Piso de tijolos.5 10 25 DURAÇÃO MÉDIA DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS Duração em Anos 10 Taxa de Depreciação( %) 10 9 Itens Trator de roda . cimentado Linha de força e luz e telefone com poste de madeira Linha de força e luz e telefone com poste de ferro ou concreto Cerca de pau-a-pique Cerca de arame Rede de água (encanamento) Cerca elétrica 10 5 25 30 50 10 10 10 10 10 20 4 3.5 20 Reprodutor Matriz 8 10 4 12.33 12. coberta de telha Parede de barro.telha Parede de barro.33 2 10 10 10 10 VIDA MÉDIA PRODUTIVA DE ALGUNS ANIMAIS ANIMAIS Vida média útil em anos Taxa de Depreciação(% ) Animais de Criação Bovinos Suínos Animais de Trabalho Burro de tração Cavalo de sela Boi de carro 12 8 5 8.

Trator Anos 0 100 200 20.0 11.0 2.0 15.0 Horas 2.200 8.67 20 25 20 Café Banana Chá Laranja Pastagem formada (Exaustão) Cana-de-açúcar (Exaustão) RELAÇÃO ESTIMADA ENTRE A VIDA ÚTIL ESPERADA E USO PELO TIPO DE MÁQUINA.5 5 6.Trator de esteira Microtrator Caminhão Carroça e Carro de bois Carreta de trator Arado de disco e aiveca Semeadeira Colheitadeira de milho Plantadeira Jacá Cultura Permanente 10 7 5 10 15 15 15 10 10 2 Duração em Anos 20 8 20 15 5 4 10 14.0 1.400 .200 10 Horas/An o Horas Anos - Horas Anos 20 1.000 3.000 12.67 6.600 15.0 1.500 12.18 20 10 6.200 2.0 1.67 10 10 50 Taxa de Depreciação( %) 5 12.67 6.0 1.000 Máquinas p/aração – Vida em Anos Máquinas para plantio Máquinas para colheita Horas 12.

0 5.0 4.000 4.0 6.000 2.500 1.00 10.000 - 6.0 4.000 10.0 2.50 0 6.000 - 11 .00 0 11.000 - 4.000 4.0 3.200 12.0 - 3.

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