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Sexualidade Na Escola Proposta Educativa Para Adolescentes

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SEXUALIDADE NA ESCOLA: PROPOSTA EDUCATIVA PARA ADOLESCENTES

CIPRIANO, Morgyanna A.1; FARIAS, Maria do C. A. D.de.2; ABRANTES, Maria J. G. de.3; COSTA, Lívia Almeida3; PEREIRA, Güedijany Henrique.3

RESUMO Este artigo apresenta os dados parciais de um projeto de Extensão PROBEX, desenvolvido por acadêmicas e docente de enfermagem da UFCG/CFP, neste ano 2007, com um grupo de adolescentes de uma escola Municipal, na cidade Cajazeiras, PB. O projeto versa sobre o oferecimento de oficinas abordando a sexualidade na adolescência. A equipe realizou até o momento cinco oficinas educativas com o objetivo de desenvolver a orientação sexual preventiva, promovendo discussões em reuniões com o grupo de adolescentes sobre alguns aspectos envolvendo a sexualidade, como a anatomia dos órgãos sexuais, drogas, ficar X namorar, gravidez na adolescência, DST´s. Para tal, foram utilizados os recursos metodológicos: dinâmicas de grupo, dramatizações, colagens, desenhos, recortes e exposição oral de alguns temas. Esta forma de trabalho tem possibilitado identificar o nível de conhecimento de adolescentes sobre os temas abordados, os preconceitos, a percepção do significado da sexualidade, além de perceber a realidade sociocultural na qual os adolescentes estão inseridos. Os adolescentes participam das oficinas esclarecendo suas dúvidas, discutindo as temáticas. Os resultados parciais têm demonstrado a necessidade de se ter um trabalho desta natureza na escola. A experiência está sendo considerada de suma importância para a formação profissional, permitindo aliar a teoria à prática, bem como para a promoção de educação em saúde, relativa à sexualidade do adolescente. Palavras-chave: educação sexual; sexualidade; adolescência.

INTRODUÇÃO O referido Projeto de Extensão “Sexualidade na escola: uma proposta educativa para adolescentes”, na vigência do PROBEX/UFCG 2007, está sendo desenvolvido na Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Cecília Estolano Meireles, localizada no bairro Casas Populares, na cidade de Cajazeiras, PB, nas imediações do CFP/UFCG, desde 17 de Abril, tendo como público alvo os alunos das 7ª séries e da 8ª série, na faixa etária compreendida entre 12 e 18 anos. Este projeto de extensão foi direcionado para os alunos desta instituição de ensino, devido ao fato de no ano de 2006 termos desenvolvido este mesmo trabalhado na referida escola com os alunos da 8ª série e o resultado ter sido promissor. Assim, foi resolvido trabalhar também com os alunos da 7ª série, considerando que encontram-se na faixa etária de 12 aos 18 anos de idade, considerada adolescência, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente, e que foi critério de inclusão dos adolescentes para este projeto de extensão. A adolescência é uma fase marcante do desenvolvimento humano, talvez definitiva para a formação da personalidade, com limites imprecisos, que tem sido pesquisada e descrita por inúmeros autores. Segundo Silva; Silva; Alves (2004, sp), a adolescência é entendida como uma fase de indefinição, de transição, e ainda, um período passível de conflitos e crises, porém um período de busca de liberdade. Para Ferreira (2001, p. 18), a adolescência é o período que começa com a puberdade e se caracteriza por mudanças corporais e psicológicas, estendendo-se, aproximadamente, dos 12 aos 20 anos. De acordo com o Aluna do Curso Graduação em Enfermagem; Bolsista PROBEX, Unidade Acadêmica de Ciências Exatas e da Natureza/ CFP/ UFCG. E-mail morgyannacipriano@gmail.com 2 Enfermagem, Orientadora, Profa. Doutora Unidade Acadêmica da Escola Técnica de Saúde de Cajazeiras/CFP/UFCG. E-mail carmofarias@hotmail.com 3 Alunas do Curso Graduação em Enfermagem; Bolsista voluntárias PROBEX, Unidade Acadêmica de Ciências Exatas e da Natureza/ CFP/ UFCG.
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dúvidas. A Organização Mundial da Saúde recomenda que seja considerado adolescente o indivíduo cuja faixa etária esteja compreendida entre os 10 e 20 anos..] envolve os sentimentos do ser homem ou mulher. muitas vezes.62). como paternidade e maternidade precoces. em especial a seus pais. (. a adolescência ocorre dos 10 aos 19 anos. 2º do Estatuto da Criança e do Adolescente. Frente ao exposto. Por essa proposta é que foi adotada a faixa etária preconizada pelo Art. está construindo uma identidade própria. e a masturbação. Por um lado. a repressão e o preconceito da família e do meio social. 17-18). p. Não obstante. p. o fator mais poderoso para determinar seu comportamento. bem como às doenças sexualmente transmissíveis. nessa fase.. quando o adolescente tiver desenvolvido a sua identidade é que será possível uma verdadeira intimidade afetiva (ZAGONEL. 1999). cheio de conflitos e crises. sendo a pressão do grupo. seu espaço e identidade no mundo. de sua cultura e subcultura e de seus companheiros. por outro. expostos a riscos. precisa-se compreender que a sexualidade [. em sua maioria despreparados. Becker (2003... para que ele seja feito com segurança. A orientação sexual é algo que direciona o jovem na busca de se descobrir como um ser sexualizado e superar seus bloqueios. 123) considera que: o indivíduo. os adolescentes. p.. esta proposta de extensão. 1999). O adolescente é um ser sexualizado. O espaço criado pela orientação sexual visa proporcionar ao jovem a digestão da educação sexual que . descoberta e realização.] a orientação sexual proporciona ao jovem assimilação do ambiente e de si mesmo (com suas diferenças) diante desse ambiente.. desenvolvida na escola com adolescentes. p. da família..). característica como feminilidade e masculinidade. a educacional e a social. o adolescente ainda não tem completa maturidade sexual e responsabilidade reprodutiva.)) é a busca do prazer com outra pessoa (PINTO. visa trabalhar os temas relacionados à sexualidade através de oficinas. Ativados pela curiosidade e pela busca do desconhecido. Mesmo tendo despertado para agir sexualmente. uma gravidez indesejada. as atividades (. Pinto (1999. Seixas (1999. estabelecer limites e orientar esse processo investigativo. que propiciam um tipo especial e específico de contato enter e intra pessoal. psicológicas e sociais (BRASIL. tais como o próprio ato sexual. sendo também utilizados questionários antes das oficinas para avaliar o nível de conhecimento da temática abordada e observar o quanto foi apreendido nessas oficinas.) ligadas ao corpo e aos genitais. que considera adolescente o indivíduo entre os 12 e 18 anos de idade (BRASIL. talvez. e também de momentos maravilhosos de paixão. cuja principal característica (. 2000). p. 1999. e nessa busca. o desenvolvimento sexual do adolescente sofre influências de si próprio. Entretanto. buscando assim. sem prejuízos permanentes para a sua saúde. 32) considera que a evolução do jovem em direção ao estabelecimento de sua sexualidade madura e completa é um processo complexo. há o desejo e a curiosidade que o levam a novas experiências sexuais e afetivas e. anatômicas. 48) afirma que: [. permitindo discussões sobre as temáticas trabalhadas por meio de dramatizações.. independente de praticar relações sexuais ou não. manifestados por mudanças fisiológicas. observa-se uma controvérsia entre a sexualidade/atividade sexual do adolescente e a atitude familiar. como por exemplo. desenhos. porém cabe a seu meio ambiente. frente a estes fatos. De forma que os participantes expressem seus desejos. ele vivencia a sexualidade com culpa e sentimentos ambivalentes. Desta maneira. 1999..2 Ministério da Saúde. colagens. as quais podem ser bastante contraditórias entre si.. Essa instabilidade é esperada e até mesmo desejada. lançam-se nessas experiências. em termos de idade. às vezes difícil. Os seus relacionamentos sexuais realizam-se mais para satisfazer os impulsos. Segundo o Ministério da Saúde (BRASIL. é importante ressaltar que ele pode experimentar uma enorme multiplicidade de identificações. Por isso. caracterizando-se por crescimento e desenvolvimento intensos.

quanto aos métodos e temas abordados. são fundamentais. bem como as respectivas dinâmicas. pinturas. das 16:30 às 18:00. ultrapassar obstáculos selecionar o que lhe é apropriado. o presente projeto de extensão tem por objetivos: Desenvolver uma proposta de educação sexual preventiva na escola. identificar-se sexualmente. desenhos. métodos contraceptivos. tendo sido realizadas até o momento 07 oficinas. a proposta foi à verificação do conceito de ‘sexualidade’ dos adolescentes. sendo focalizado em torno de uma questão central que o grupo de propõe a elaborar. entende-se por oficina como sendo um trabalho estruturado com grupos. puberdade. Nesta perspectiva. formas de pensar.realizada com a oitava série em 29/05/2007 (10 adolescentes) e em 31/05/2007 com a sétima série (19 adolescentes).3 lhe foi oferecida. Segundo Carvalho. (. e definidos os temas a serem trabalhados nas oficinas. através de colagens de recortes de revistas. sentir e agir. Nestas oficinas. Medrado (2005. debatidos e compartilhados previamente pela coordenadora/orientadora do projeto e pelas bolsistas. às quintas-feiras. os textos de fundamentação teórico-metodológica são selecionados. A elaboração que se busca na oficina não se restringe a uma reflexão racional. Essa dinâmica de trabalho permite que os alunos se comuniquem e interajam de maneira expressiva. temáticas. 61). para a credibilidade das ações preventivas. em um contexto social. para que ele possa rechaçar o que não é aproveitável. por meio de oficinas. Durante as oficinas é especulado o conhecimento prévio dos adolescentes acerca do tema abordado. Na realização da orientação sexual. São. dramatizações. para que o conhecimento advindo seja socializado com o universo dos adolescentes participantes do projeto. p. sexualidade. suas identidades sexuais e realidades sócio-culturais. a educação preventiva. As dinâmicas. Ao término de cada oficina os integrantes expressam suas idéias e opiniões.. p. desenhos. Para Gherpelli (1996. nas quais foram utilizados vários métodos como: colagens. com o número de adolescentes variando entre nove a treze em cada grupo.. RESULTADOS E DISCUSSÃO Primeira oficina . destinada a adolescentes. As atividades de extensão são realizadas com dois grupos de adolescentes (os da 7ª série e os da 8ª série – por opção dos próprios adolescentes). mas envolve os sujeitos de maneira integral. PROCEDIMENTOS TEÓRICO-METODOLÓGICOS Para ser desenvolvido o Projeto de Extensão “Sexualidade na Escola: uma proposta educativa para adolescentes” são realizadas reuniões semanais com a coordenadora do projeto. independentemente do número de encontros. posturas seguras e assertividade. Destaque-se que. e também são observados os seus comportamentos e interações nas tarefas propostas. dramatizações e debates. para cada oficina é selecionada uma dinâmica relacionada à temática a ser trabalhada. Esta forma de trabalho possibilita identificar o nível de conhecimento destes adolescentes sobre o tema abordado. em uma sala ampla da escola. Rodrigues. no processo educacional. entre si e com o grupo extensionista. realizou-se uma dinâmica que teve por . buscando um ajustamento criativo diante do que a vida sexual lhe possibilita. ciclos sexuais e reprodutivos e temas afins. 379). As oficinas iniciaram-se em maio de 2007. Promover discussões em reuniões com o grupo de adolescentes sobre: adolescência. também. nas quais são debatidos os textos relacionados à temática sexualidade. individualmente e em grupo. etc. a escola foi o lugar eleito para inserir. planejados e escolhidos os recursos didáticos: colagens.) O trabalho de educação preventiva ligado à sexualidade envolve a definição de diretrizes que contemplem a formação integral do adolescente e a participação efetiva de todos os integrantes do universo escolar. Inicialmente. recortes.

o conceito de sexualidade. eu só quero quando eu casar e tudo pra não ficar passando de mão em mão. relacionamentos interpessoais de risco. Nesta oficina. retroprojetor. A sexualidade não é apresentada em um contexto psíquico e social saudável. e de como isso é projetado nas relações sociais estabelecidas pelo individuo. apresenta a sexualidade no contexto do aparente. para usá-la em situações específicas. eu quero que eu saiba o que eu to fazendo e eu coloquei que na vida tudo tem a hora certa e no meu caso eu quero que demore um pouquinho porque sei lá. Corroborando Guimarães. “Sexo é entretenimento e é uma coisa que todo mundo quer fazer quando está pronto” (masculino. como no meio social. têm uma relação amorosa. não apenas destacando os aspectos biológicos e reprodutivos abordados pelos adolescentes em suas colagens.dessensibilização pela palavra (sinônimos populares para os órgãos sexuais)”. de forma didática. Para Caridade (1999). Os alunos foram divididos em dois subgrupos e. (2004). através do desenho do corpo humano. Nesta oficina foi abordado o tema ‘anatomia dos órgãos sexuais’. O prazer faz parte da sexualidade. 8ª série). além de proporcionar a reflexão e a discussão sobre a exposição dos conceitos. o transcende. Segunda oficina – realizada em 21/06/2007 com os alunos das sétima e oitava séries (17 adolescentes). então forma uma família” (masculino. Neste item os adolescentes remetem a sexualidade simplesmente ao aspecto biológico. manifesta-se psicológica e afetivamente. dando ênfase ao prazer e aos relacionamentos. as bolsistas também apresentaram a sua colagem. é um casal de namorado. proporcionou aos integrantes do grupo a nomenclatura correta dos órgãos genitais. O subgrupo que ficou com a anatomia do órgão genital masculino teve muita resistência em aceitar. Utilizou-se. por sua vez. o consumo de drogas tornou-se motivo de preocupação constante da sociedade brasileira. Godinho. desenharam os órgãos mais facilmente que o subgrupo que ficou com a anatomia sexual feminina. foi abordado o tema ‘Drogas’. A mídia. papel madeira. proposta por Vitiello (1997. 8ª série). esse daqui é um casal casado”(feminino. Ao término. cada participante explicou o que era sexualidade. uma vez que. foi utilizada uma dinâmica intitulada “desenho explicativo dos órgãos sexuais .Essa daqui é quando estão se beijando. As bolsistas indagaram se conheciam o nome cientifico dos órgãos genitais e fizeram uma explanação utilizando transparências com a anatomia do aparelho reprodutor masculino e feminino e seus respectivos nomes científicos. transparências. como pode ser percebido nas falas a seguir: “eu coloquei aqui que sexo é vida e coloquei também que pra tudo a gente tem de saber a hora certa e no meu caso eu não quero que seja agora. 7ª série) “Isso daqui eu acho que é sexualidade. bem como a aplicação desse conhecimento na prática. principalmente ao colocarem os nomes populares dos mesmos. também. quando a atenção é direcionada apenas para o corpo. Cruz et al.4 finalidade apresentar cada componente do grupo. Foi empregada uma dinâmica de grupo intitulada ‘jogos de balões (Brasil. Ademais. por ser de grande relevância social e presente no cotidiano de muitas famílias. com conseqüências biopsicossociais. a sexualidade tem como base biológica o sexo. Após a exposição oral de todos os adolescentes.realizada com a oitava série em 19/07/2007 (10 adolescentes) e em 26/07/2007 com a sétima série (07 adolescentes). proporcioando. Eles apresentavam-se muito eufóricos durante a realização dos desenhos. um homem e uma mulher. Terceira oficina . tanto no indivíduo. no entanto. Após 20 minutos eles expuseram os desenhos e o que fora escrito. a partir de sua colagem. permitindo que os participantes expressassem e visualizassem seus conceitos. e não apenas de forma genital ou reprodutiva. 2007)’ com o objetivo de proporcionar uma reflexão sobre o que eles . 7ª série). através da técnica do desenho do corpo humano. explicando. 36). Dessa forma ao invés de pensada e refletida. Para tal. Entretanto. vendendo-a como mercadoria. A seguir. aqui é outro e aqui é quando eles estão se casando.. p. expuseram os seus conhecimentos sobre a anatomia do aparelho reprodutor e os nomes populares dos órgãos genitais. atribuídos por eles.. muitas vezes.Aqui é um casal. desvalorizando o afeto. Sobre o conceito dos adolescentes acerca da sexualidade observou-se que as suas percepções se limitavam quase sempre ao ato sexual. “Sexualidade é quando duas pessoas bonitas. Essa dinâmica teve os objetivos de verificar o conhecimento teórico sobre o tema abordado. ela basta apenas ser vista.Eu acho importante você saber o que você ta fazendo e com quem ta fazendo”(feminino. procederam-se os recortes de revistas e colagens explicando o conceito de sexualidade.

as quais demandam recursos e cuidados específicos e diferenciados daqueles que os adolescentes têm consigo mesmo. explanaram sobre algumas drogas. Paralelamente. Os códigos foram: A percepção que você tem das drogas e o que você sabe sobre drogas. utilizando cartazes. Foi também aplicado um questionário com questões relativas ao tema. pois eles não compareceram nas duas vezes em que foi agendada. Iniciada dinâmica. como se fosse uma criança. Quarta oficina . com o objetivo de verificar as opiniões dos jovens com relação à temática. bem como. As bolsistas. Nesta oficina foi abordado o tema ‘Ficar X Namorar’. como o ovo. maconha. Quinta oficina . as sétimas séries se mostraram muito tímidas para realizarem esse trabalho. embora a pessoa esteja afim da outra com quem vai ficar. psicológicas e sociais) e como os papéis homem/mulher são diferentes frente a essa situação. e 01 que é por desconhecimento dos métodos. as bolsistas entregaram a cada grupo um código. foram fixadas algumas questões em diversos locais da sala: Por que ocorre a gravidez na adolescência: desconhecimento dos métodos? Prova de amor? Esqueceu da camisinha? Desejo “real” de engravidar? Gravidez como forma de segurar o namorado? Os adolescentes participantes ao serem questionados. JUSTO. A segui estão destacadas algumas falas dos adolescentes durante esta oficina: “ficar para mim é uma coisa passageira ou seja. Para debater o tema foram feitas algumas questões aos adolescentes. dentre elas: Namorar é melhor porque tem mais carinho e amor? Para vocês o ‘ficar’ é uma relação de uso? O ‘ficar’ para a mulher é diferente do ‘ficar’ para o homem? À medida que as perguntas eram feitas. foi entregue a cada adolescente um ovo. as demandas da gravidez (físicas. Destaque-se que. em virtude do impulso e das emoções do momento. Após seus relatos. embora no “ficar” nem sempre o tipo de relação seja planejado. Dos 15 adolescentes participantes. uma criança apresenta fragilidades. Tais respostas permitem inferir que os adolescentes. em sua maioria. destacando os custos financeiros. o aborto. conversas) e pronto” (sexo masculino). Após as opiniões dos adolescentes. Ressalte-se que o ovo foi uma simbologia utilizada para abordar o tema gravidez na adolescência. eles iam para um canto da sala correspondente a sua opinião e depois diziam o porquê das suas respostas. Ainda foi apresentada aos adolescentes participantes uma lista de produtos básicos de que uma criança necessita. efeitos colaterais e seus mitos. e ficaram à vontade para a realização desse trabalho. 2005). 2006. Entretanto. Nesta oficina. 13 afirmaram que a causa da gravidez na adolescência é esquecer da camisinha. sobre alguns aspectos da sexualidade. uma semana antes da oficina. Foram utilizados três cantos da sala. .realizada em 30/08/2007 com os alunos oitava série (15 adolescentes). a exemplo da gravidez indesejada e das IST´s. falaram de forma muito sucinta. tais como: álcool.realizada em 14/08/2007 com os alunos oitava série (09 adolescentes) – Esta oficina não foi realizada com os alunos da sétima série. “é uma coisa que duas pessoas fazem em uma noite (beijos. crack. as quadrilhas. bem como um balão de cor diferente. Os adolescentes foram divididos em dois grupos. pode ocasionar algumas conseqüências. Já na oitava série os adolescentes foram bastante criativos. e os colegas perguntaram se eles estavam “doidos”. cada qual com as palavras: discordo. Silva. 01 afirmou que é prova de amor. posto que. anabolizantes. nem sempre há possibilidade de prevenção (HEIDEMANN. cocaína. as bolsistas fizeram uma exposição oral com o objetivo de levá-los a refletir sobre os prós e os contras do ‘ficar’. se deslocaram para o local da sala onde estava o cartaz com cada sugestão de resposta dizendo o porquê de tal escolha. outros relataram que levaram o ovo para passear. qual a visão da problemática e como podemos prevenir o uso indevido de drogas. ecstasy. seqüestros e assaltos. utilizando mímicas e gestos aproveitando sempre o balão cheio para auxiliar o processo da dinâmica. tabaco. (foi uma risada só). destacando a via de administração. Vários autores afirmam que o ‘ficar’ caracteriza uma relação descompromissada. tenho dúvida. solicitando que estes dispensassem cuidados ao ovo. mostrando que. Para suscitar reflexões sobre o tema. outros foram sinceros ao dizer que não cuidaram do ovo. Eles ressaltaram que quem usa drogas o faz por vontade própria. foi abordado o tema Gravidez na Adolescência com finalidade de fazer com que os adolescentes refletissem sobre as demandas/custos de uma gravidez na adolescência. destacando o adiamento dos projetos de vida do adolescente. Após a realização da dinâmica foi aberto um debate com os adolescentes. concordo. Alves 2004). Alguns afirmaram que colocaram o ovo em um lugar “seguro”. mas não utilizam (Silva. que o uso das drogas favorece ao tráfico. as bolsistas faziam intervenções. propiciando reflexões sobre a problemática da gravidez na adolescência.5 conheciam a respeito das drogas. Cada subgrupo fez o uso da linguagem não verbal. é só por um momento” (sexo feminino). No dia desta oficina foi perguntado aos adolescentes sobre os cuidados dispensados ao ovo. conhecem a importância do preservativo masculino para a prevenção da gravidez.

O pensamento abstrato ainda incipiente nos adolescentes faz com que se sintam invulneráveis. os riscos à saúde. no que diz respeito à interação entre a equipe (bolsistas. os jovens. participando de todas as atividades. como afirmam TAQUETTE. mas infelizmente isso não acontece. e entre essas e os adolescentes. mas depois aceitava e fazia o tratamento.AIDS. os participantes se mostram à vontade para se expressar de forma escrita e oral. Candidíase e Thichomonas Vaginalis’. foi abordado o tema ‘Infecções Sexualmente Transmissíveis . ao final de cada oficina. tanto para a sua saúde quanto para sua integração e desenvolvimento social (BRASIL. onde “alguns defendem. Desde o início das oficinas. Sua relevância reside no fato de que esse projeto de extensão possa estar cooperando para que os participantes estejam preparados a exercer sua sexualidade de forma segura e preventiva. PAULA (2004. apontando inúmeros pretextos: pouco uso de métodos anticoncepcionais por adolescentes: medo dos pais descobrirem. Todavia. sendo-lhes permitido trinta minutos para criarem a dramatização. pois eles não compareceram. mas interagem fazendo perguntas e respondendo aos questionamentos. p. se expõem a riscos sem prever suas conseqüências. e proporcionando o bem-estar físico. O grupo 01 abordou a temática de forma clara retratando a reação da família em receber tal notícia. CONCLUSÕES A orientação sexual é um trabalho extremamente importante. Sífilis. abrangendo outros fatores. professores e extensionistas). VILHENA. Nesta fase. O grupo foi dividido em dois subgrupos. como pode ser percebido nesse trecho da dramatização “você foi a algum bar e bebeu em algum copo de vidro?”. ‘noções de gênero’. Sexta oficina . Gonorréia. a qual. O sucesso alcançado junto aos adolescentes tem um grande valor. A oficina teve início com a aplicação de um questionário referente ao tema. . cada um com um tema. como também afetivo. na maioria das vezes é desprotegida. medo de encarar a própria sexualidade. Eles abordaram a “herpes labial” onde a forma de transmissão relatada por eles não foi a relação sexual. pois muitas vezes não se sentem preparados.148). buscam essas orientações em fontes que podem não ser seguras. No primeiro momento a adolescente tomava um “choque” com a notícia. Nesta oficina. em maioria. 23% das adolescentes usaram algum método anticoncepcional naquele momento. O grupo 02 teve dificuldade em realizar a dramatização já que eles não tinham o conhecimento de outra IST. diminuindo assim. período da vida que liga a infância à vida adulta. etc.realizada em 13/09/2007 com os alunos da oitava série (06 adolescentes). A princípio. ‘abordagem da sexualidade no relacionamento dos adolescentes com seus pais’. utilizando como recurso didático folders explicativos e transparências com imagens de pessoas acometidas pelas doenças. mas ao final aceitava bem a situação e acompanhava a adolescente no tratamento. As demais oficinas: até o final da vigência deste projeto estão previstas oficinas sobre ‘métodos contraceptivos’. bem como a família. pois se percebe a necessidade que os adolescentes têm de orientação e educação sexual. pode ocorrer a primeira relação sexual. foram explanadas pelas bolsistas as IST’s mais comuns. as bolsistas explanaram de forma rápida e sucinta sobre algumas IST´s para que eles pudessem realizar a dinâmica. O desenvolvimento do projeto tem sido satisfatório. A escola.IST’s . HPV. eles também abordaram a questão da exclusão ao relatarem que a médica pediu para a mãe separar os objetos da filha. pensamento "mágico". falta de conhecimento sobre os riscos de se engravidar. Após as idéias expostas pelos adolescentes através das dramatizações. a reação do pai foi de revolta. Foram sugeridas para a dramatização: uma adolescente que descobre ser HIV soropositivo (1) e um adolescente que descobre ser portador de uma outra IST (2). em seguida foi realizada à dinâmica: Dramatização . com espontaneidade. possibilitam que eles identifiquem que a sexualidade não se limita apenas ao ato sexual. não importando as causas. baseada nas experiências de “amigos”. Dessa forma. não apenas do ponto de vista profissional. principalmente após os 15 anos (22%). Neste projeto observa-se que.Infecções Sexualmente Transmissíveis com objetivo de propiciar aos participantes vivenciar determinadas situações mediante a problemática enfrentada pelos portadores de IST’s. outros discriminam”. deveriam ser as instituições responsáveis por essa orientação e educação. a adolescência abrange a faixa entre 10 e 19 anos de idade. Esta oficina não foi realizada com os alunos da sétima série. Por isso. não só ouvem as explanações. psicológico e social. milhares de gravidezes em adolescentes apresentam conseqüências nefastas. os adolescentes se mostraram receptivos à equipe do projeto.6 Segundo a Organização Mundial de Saúde. Herpes labial e genital. As oficinas realizadas durante o projeto além de ampliar o conhecimento dos participantes. 2007).

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