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História da Educação - RHE - n. 19

História da Educação - RHE - n. 19

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Resumo

Esse artigo focaliza como os estudos referentes a História da Educação foram tratados no
contexto dos cursos de formação de professores da Unisinos desde os anos cinqüenta do século
XX até 2005. Apresenta-se um retrospecto histórico do Curso de Pedagogia para seguir com a
análise da disciplina História da Educação no contexto do referido currículo. Considerou-se na
construção do texto a ementa, objetivos, conteúdos programáticos, bibliografia e professores
ministrantes da disciplina de História da Educação. Metodologicamente procedeu-se a uma
organização cronológica dos planos por disciplina e a construção de tabelas com categorias
decorrentes de sua constituição, formato e informações, seguida de análise interpretativa.

Palavras-chave: Curso de Padagogia; disciplina História da Educação; formação de
professores.

Abstract

This article focuses on how the studies referring to the History of Education have been treated
in the context of the courses of teacher education at UNISINOS since the decade of the fifties

of the 20th

century until 2005. Initially we present a hitorical retrospect of the Course of
Pedagogy, and afterwards we analyze the subject matter History of Education in the context of
the respective curriculum considering especially its summary, objectives, programmatic
contents, bibliography and teachers. Methodologically we proceeded through a chronological
organization of the teaching plans by subject matter and the construction of tables with
categories decurring from its constitution, format and informations, followed by the individual
interpretative analysis, as well as conjunctly between the authors.

Key-words: Pedagogy Courses; History of Education discipline; teacher formation.

264

A presença de cada uma das disciplinas escolares no currículo, sua
obrigatoriedade ou sua condição de conteúdo opcional e, ainda, seu
reconhecimento legitimado por intermédio da escola, não se
restringe a problemas epistemológicos ou didáticos, mas articula-se
ao papel político que cada um desses saberes desempenha ou tende a
desempenhar, dependendo da conjuntura educacional
(BITTENCOURT, 2003, p. 10)

A Historia da Educação, entregue à responsabilidade de
professores com marcada orientação religiosa, “nasceu para ser útil” e, por
longo tempo, constituiu-se como apêndice da Filosofia da Educação, ambas
tidas como disciplinas formadoras e não especificamente como ciências
(WARDE, 1998, p. 91-2). As considerações apresentadas nesse texto
reiteram e exemplificam essas afirmações bem como a de que, mais
atualmente, as propostas dessa disciplina apresentam-se envolvidas por uma
“onda culturalista” (WARDE, 1998, p. 96).
As considerações aqui apresentadas acerca das disciplinas de
História da Educação e História da Educação Brasileira em cursos de
licenciatura da Unisinos abrangem, predominantemente, sua posição no
Curso de Pedagogia a partir do ano de 1983, tendo como base de análise os
planos de disciplina arquivados no setor de registro da Universidade. Esse
procedimento foi o viável tendo em vista o tempo disponível embora
concordemos com Bittencourt (2003, p. 35) quando afirma que os
conteúdos escolares “analisados pelos currículos formais, pelos textos
normativos e livros didáticos expressam apenas parte do que se concebe por
disciplina, e [que] há estudos que têm avançado tendo em vista perceber as
práticas escolares, as ações e criações de professores e alunos no cotidiano
das salas de aula”, utilizando fontes orais, cadernos escolares, além de
fontes escritas tradicionais como programas de ensino e legislação.
A partir do histórico do Curso de Pedagogia, analisa-se a
disciplina História da Educação considerando ementa, objetivos, conteúdos
programáticos, bibliografia e professores ministrantes. Tendo coletado os
programas, procedeu-se a uma organização cronológica do material e a
construção de tabelas com categorias decorrentes de sua constituição,
formato e informações, seguida de análise interpretativa realizada,
individualmente, e, em conjunto, entre as autoras. Apenas a partir de 1983
os programas de disciplinas de graduação estão organizados em bases
informatizadas o que exigiu a coleta de dados em relatórios e arquivos da
Universidade para apresentar um panorama mais abrangente da disciplina.
Embora se reconheça a limitação do material empírico analisado
e as muitas possibilidades de articulação e desdobramento que um programa
pode ter em decorrência do conhecimento e abordagem que cada professor
aporta em seu trabalho docente, e da diversidade no perfil das turmas de

265

alunos, essa será a fonte prioncipal de análise utlizada neste artigo. É
preciso registrar que pode ter ocorrido, ao longo do tempo, um processo de
inércia quanto a atualização formal dos programas das disciplinas mas, no
contexto das salas de aula, terem sido reinterpretados de forma vigorosa.
Por outro lado considera-se também a hipótese de impossibilidade de seu
cumprimento, embora as disciplinas referidas nesse texto tivessem, cada
uma, 60 horas aula a cada semestre.
O fato da discussão da disciplina de História da Educação
centrar-se em sua posição no curso de Pedagogia advém de que as
licenciaturas na Unisinos nunca tiveram em seu currículo este tema tratado
como disciplina individualizada. Apenas alunos das licenciaturas de
Geografia e de História poderiam matricular-se nessas disciplinas,
complementarmente, na modalidade de disciplina optativa.

Anos cinqüenta: instalação do Curso de Pedagogia na Unisinos

Na Unisinos a disciplina de História da Educação nasce com a
criação do curso de Pedagogia que foi autorizado pelo Parecer no. 14/55 do
Conselho Nacional de Educação. O curso de Pedagogia funcionou de 1957
a 1969, com um mesmo currículo, passando seu primeiro decênio
praticamente sem alterações. A lei 4024/61, sim, impacta profundamente a
estrutura do Curso de Pedagogia. Dentre as alterações ocorridas registra-se
a exigência de estágio sendo que, o primeiro grupo de alunos desse curso
realiza seu estágio em escolas do sistema de ensino, em 1963. A reforma
universitária, Lei 5540/68 também introduz modificações no currículo desse
curso, quando são criadas as habilitações de orientação educacional e
administração escolar vinculadas à de magistério das matérias pedagógicas
de 2º. grau. Nessa época as disciplinas de História da Educação I e História
da Educação II, do currículo mínimo, eram oferecidas no 4o.

e 5o.

semestres,
totalizando 120 horas de aula e compunham tanto o Curso de Pedagogia
magistério e habilitação específica em orientação educacional, como o de
magistério e habilitação específica administração escolar. O Curso de
Pedagogia oferecido apenas no diurno, tinha pelo, Parecer CFE no. 252/69,
uma duração de 2.200 horas ou 138 créditos, e pertencia à Escola de
Educação que era uma unidade universitária que operava na área de
conhecimento aplicado. Concluído o Curso de Pedagogia, as alunas tinham
direito de requerer, junto ao MEC, além da habilitação especifica
freqüentada era em Sociologia da Educação e Psicologia da Educação.
Nessa forma, funcionou até 1976 e, com base em um
levantamento realizado junto aos alunos foi feita uma reformulação

266

curricular desvinculando a habilitação de magistério das habilitações
específicas de Orientação Educacional e de Administração Escolar as quais
passam para o nível da pós-graduação, constituindo-se em cursos de
especialização. Com a reformulação o novo Curso de Pedagogia passa a ser
implantado gradativamente a partir de 1978, oferecido no período noturno e
a disciplina de História da Educação passa a compor o currículo no 3o
.

semestre do curso e a de História da Educação Brasileira, no 4o

. semestre,
mantendo cada uma 60 horas de aula. É quando a licenciatura plena em
Pedagogia passa a oferecer apenas Habilitação das Matérias Pedagógicas
para a formação de professores em cursos de nível médio sendo que o aluno
depois de formado poderia requerer registro em três disciplinas dentre:
Sociologia da Educação, Psicologia da Educação, Didática e Estrutura e
Funcionamento do Ensino de 1o

. Grau. Portanto, quando voltado para a
formação do professor que atuaria no curso Normal ou no Magistério 2o
.
Grau, o currículo do Curso de Pedagogia da Unisinos, nunca deu direito ao
registro em História da Educação, mas em outras áreas que compõem os
Fundamentos da Educação. História da Educação compunha o leque de
fundamentos da educação mas sem a força de profissionalizar o acadêmico
de Pedagogia a ponto de constituir-se em área de registro no MEC.
No ano de 1986 altera-se novamente a proposta do curso, agora
organizada em três dimensões – Fundamentos da Educação, Metodologia de
Ensino e Prática de Ensino -, passando a oferecer habilitação em séries
iniciais. A dimensão Fundamentos da Educação visava “a proporcionar a
compreensão ou ‘leitura’ da realidade. Para tanto, concorrem as ciências da
educação, enquanto instrumentos criticamente elaborados, de compreensão
do homem e do mundo”(SILVA e BOHN, 1990, p.56). A disciplina de
História da Educação compondo essa dimensão desdobra-se em duas:
História da Educação e História da Educação Brasileira.
Em 1998, sob o impacto da nova lei de diretrizes e bases da
educação nacional, Lei 9394/96, o Curso de Pedagogia da Unisinos
reorganiza-se, agora diferenciando a formação oferecida sob a forma de
ênfases em Educação Infantil, em Séries Iniciais, em Ensino Religioso, em
Educação e Trabalho e em Educação de Jovens e Adultos. Esse curso
atualmente (2005/2006) está em processo de extinção e, o novo currículo
em implantação, reorganizado, não inclui Historia da Educação como
disciplina, mas como uma atividade dentro do Programa de Aprendizagem,
unidade pedagógica que substitui atualmente a anterior designação de
disciplina nas licenciaturas da Unisinos.

267

Anos oitenta: a História da Educação abordando vultos
históricos, movimentos civilizatorios de longa duração

No Curso de Pedagogia, nos anos oitenta, os planos de disciplina
continham apenas quatro elementos além de dados de identificação: o nome
do(s) professor(es) ministrante(s), os objetivos, os conteúdos programáticos
da disciplina e a bibliografia. Era uma época em que a disciplina de História
da Educação sugeria, em seus objetivos, o compromisso com a
periodicidade de longo prazo pela intenção de abordar a educação como
fenômeno processado através dos tempos em diversas épocas, bem como a
noção de continuidade histórica e de aprendizagem a partir das experiências
da humanidade. Os conteúdos abordavam a educação na Índia, China,
Pérsia, Egito, entre os assírios e babilônios, na Grécia, Esparta e Atenas.
Tratava de grandes figuras gregas– Sócrates, Platão, Aristóteles -,
educadores romanos – Cícero, Sêneca, Quintiliano -, educadores cristãos, a
educação medieval, o renascimento, a reforma e tendências como o
pragmatismo, o naturalismo e o psicologismo. A disciplina estava capturada
por um periodismo de largo espectro, tradicional no campo da história,
acentuando a educação na antiguidade e representações de educação como
algo épico/heróico/inédito, a partir de grandes vultos de educadores. As
referências bibliográficas eram Larroyo (História geral da pedagogia),
Riboulet (História da educação moderna) e Mayer (História do pensamento
educacional), bem como Eby e Paul Monroe.
Por três anos esse plano permanece inalterado, tendo os
objetivos, em 1986, sofrido uma alteração de redação mantendo a
abordagem de história de longa duração e de situações afastadas do “aqui e
agora” dos alunos, embora tenham sido incluídos conteúdos relacionados à
educação brasileira e reformas de ensino no século XX, bem como
educação na atualidade brasileira, problemas e possíveis soluções. Mesmo
com estas inclusões temáticas a bibliografia permanece inalterada.
Embora tendo havido uma alteração do currículo do Curso de
Pedagogia que passa de habilitação para as matérias pedagógicas do
magistério, a Pedagogia com habilitação magistério 2o

. grau e para as séries

iniciais de 1o

. grau, a programação da disciplina de História da Educação se
mantém praticamente a mesma ao longo da década de oitenta.
Em 1989, sete anos depois, há uma alteração de bibliografia e de
objetivos da disciplina, os quais denotam preocupações antropológicas e
com mais ampla contextualização. Passa-se a falar em uma disciplina de
História da Educação que se quer crítica das tradições educativas, de seus
significados e pressupostos ao longo da história do homem. Entretanto,
embora os conteúdos programáticos apareçam formulados com menos

268

detalhe, permanece a mesma orientação para história de longa duração e
com as anteriores categorizações tendo sido incluídos entretanto, os temas:
América Latina e educação: Argentina, Cuba, Nicarágua. A bibliografia
difere da que vinha sendo mantida desde o inicio dos anos oitenta, incluindo
um livro de historia geral das civilizações, a obra de Lorenzo Luzuriaga
(História da educação e da pedagogia) e a de Eliane Marta Lopes
(Perspectiva histórica da educação).

Final da década de noventa: modificações teórico-metodológicas
na abordagem da disciplina de História da Educação

Nos primeiros oito semestres da década a relação bibliográfica
(cinco livros) expressa nos anos oitenta mantém-se, acompanhando a
proposta marcadamente voltada para a periodização de longa duração. Ou
seja, mantém-se a mesma programação – objetivos, conteúdos
programáticos e bibliografia - no inicio dos anos noventa e, em 1994 os
objetivos comprometem-se mais com o desenvolvimento de capacidades
dos alunos e possivelmente com destaque aos aspectos pedagógicos:

identificar e analisar criticamente as diversas concepções educacionais
ao longo da historia. Identificar-lhes a presença no momento atual, sob
a forma de pressupostos, práticas, atitudes e preconceitos. Posicionar-
se de forma critica em relação as referidas concepções educacionais
(Programa de História da Educação, 1994/1)

Os conteúdos entretanto mantém a perspectiva de grande duração
(povos primitivos, povos orientais, idade clássica ocidental, Grécia e Roma,
medievo, renascença, reforma e contra-reforma, educação nos setecentos e
no oitocentos, educação contemporânea). Em 1994 a bibliografia se
diversifica e amplia de cinco para vinte obras.
Entretanto, é apenas no final dos anos noventa que a disciplina é
rearticulada numa perspectiva metodológica nova e com outras bases
teóricas pois a ampliação de bibliografia ocorrida a partir de 1994 não
parece ter provocado impacto na formulação dos objetivos da disciplina.
É nos dois semestres de 1998 que vai ocorrer uma grande
alteração na proposta da disciplina, encontrando-se registros diferenciados
em seu plano que inclui específicos temas expressando uma nova postura
epistemológica de abordagem da história da educação. Os objetivos
denotam uma preocupação conceitual com “representações”, é explicitado
um principio epistemológico que destaca a importância de entender as
articulações e pressupostos que inspiram uma dada formatação de
conhecimentos, enfatizando que “tendências e correntes em educação

269

implicam concepções de homem, mundo e sociedade elaboradas em
momentos específicos para objetivos específicos” (Programa da disciplina
História da Educação, 1998/1). É nesse semestre que o plano dessa
disciplina inclui também um elemento pedagógico inédito “filmes sobre
educação”, sugerindo alterações metodológicas no trato dos temas em sala
de aula, relacionando doze filmes disponíveis no comércio e locadoras. A
bibliografia é ampliada consideravelmente passando a 31 títulos, incluindo
livros, capítulos de livros e artigos de periódicos.
No ano de 1999 novas temáticas expressas em objetivos
diferenciados em visão macro e visão micro, esta última incluindo o
conhecimento da metodologia de pesquisa em História, a vivência de pesquisa
através de textos históricos, a leitura de histórias invisíveis (crianças, negros,
mulheres, minorias), a problematização das origens da História da Educação
bem como a análise de filmes, fotografias, e outros recursos.
Registra-se portanto, no final dos anos noventa uma alteração
significativa na proposta de objetivos, ementa, e pela inclusão do tema “A
educação no terceiro milênio – paradigmas e desafios” (Programa da
Disciplina História da Educação, 1999/1). Por três semestres a ementa acena
para processos de compreensão, interpretação e para o emprego da
hermenêutica crítica na disciplina de História da Educação.

Ano 2000: diferenciação na programação das disciplinas;
impactos na disciplina de Historia da Educação

É a partir de 2000/2 e até 2005/1 que a disciplina, atendendo
normas da Universidade, adquire um formato mais amplo incluindo
identificação sumária de conteúdos, exigências prévias de conhecimentos e
habilidades, padrões mínimos de desempenho, metodologia, técnicas e
recursos de ensino e de avaliação da aprendizagem, bibliografia básica e
complementar. A formulação de padrões mínimos de desempenho permite
identificar as capacidades a serem desenvolvidas, destacando elementos
importantes para a formação do professor tais como:

Capacidade de relacionar fatos históricos como elementos de análise
da realidade contemporânea; autonomia na escrita de um texto
observando-se como sujeito histórico; exercitar a hermenêutica que
considere a história como possibilidade (Programa de História da
Educação, 2000/2)

Dessa maneira, embora a disciplina de Historia da Educação não
figure individualizadamente no currículo, preserva-se o tratamento da
perspectiva histórica em cursos de formação de professores, como elemento

270

fundamental para compreender a realidade contemporânea e, conquista-se sua
inclusão em todas as licenciaturas para além do curso de Pedagogia. Muitos
embates foram travados ao longo do processo de reformulação dos currículos
na direção de dar mais espaço aos estudos de História da Educação e, convém
registrar que mantém-se contida mas não calada a aspiração de um
reposicionamento formal mais abrangente do campo da História da Educação
nos cursos de formação de professores da Universidade.

História da Educação Brasileira: ênfase na configuração do
contexto brasileiro e atrelamento a uma obra/manual

A disciplina inicia em 1988, mantendo-se inalterada, por quase
dez anos, até o primeiro semestre de 1997, objetivando o

desenvolvimento de um processo de raciocínio que envolva as
capacidades de identificação, interpretação, análise e critica. O
conhecimento do processo histórico brasileiro de 1549 até a
atualidade com o objetivo de compreender a evolução e as
estruturas da dinâmica da educação brasileira (12127, Historia da
educação, 1988/1. Destaques das autoras)

A proposta da disciplina de Historia da Educação Brasileira pauta-
se, pela lógica temporal, a articulação do conteúdo em grandes períodos e a
história econômica como pano de fundo no qual a educação se insere.
Destaca-se no objetivo a ênfase no amplo processo histórico brasileiro, a idéia
de evolução e de estrutura. Coerentemente com tais destaques o livro adotado
ao longo de todos esses quase dez anos é o de Maria Luiza Santos Ribeiro,
Introdução à história da educação brasileira. O conteúdo programático segue
passo a passo os oito períodos propostos pela autora, os quais referem
modelos econômicos como referência das articulações da sociedade e da
educação (consolidação do modelo econômico agrário exportador, crise desse
modelo, alterações econômicas e do modelo político, incentivo à
industrialização, alterações promovidas pela república, estruturação,
consolidação e crise modelo nacional desenvolvimentista).
Há uma relação de 7 livros, sendo que apenas três deles são
nitidamente produção de história da educação, incluindo Educação e
dependência de Manfredo Berger, O que é educação de Carlos Brandão,
História da Educação de Paul Monroe – 1968 -, Otaiza Romanelli, e dois
livros de Dermeval Saviani, além do de Maria Luiza Santos Ribeiro.
No final dos anos noventa (1996 – 1997) modifica-se a
concepção da disciplina à qual é agregada a possibilidade de relativizar a
história oficial e discussões tais como

271

várias histórias da educação que se constroem contraditória e
relacionalmente,... são possíveis várias releituras das propostas
educativas e que procedê-las auxilia a construir uma visão ampla e
crítica da educação atual. Fomentar a construção de novas hipóteses
sobre a estruturação da instrução pública.... Sensibilizar para a
importância de documentar a educação que fazemos e para a
preservação de documentos
históricos na medida em que trabalhar
com documentos – marca/aparência preservada do passado
enriquece e amplia a compreensão da educação hoje.... Analisar a
posição da disciplina de Historia da Educação em cursos de 2º. grau
magistério.(Programa de História da Educação Brasileira, 1998/1,
grifo das autoras)

Nesse período a bibliografia é grandemente incrementada
listando 57 referências em semestres de 1997 e 1998. No ano de 1999 a
disciplina mantém algumas características configuradas nos últimos anos e
acrescenta preocupações com a análise de realidades educativas da história
brasileira bem como da latino-americana
. Outro destaque é a escrita de
memorial individual, estratégia sensibilizadora para a importância do
trabalho com narrativas da vida escolar e de documentar a educação e a
preservação de documentos históricos.
Do ano 2000 em diante a orientação conteudística é reforçada
pelo que fica explicitado nos objetivos:

identificar as principais características do período colonial, nos
aspectos econômico, social, político, educacional; caracterizar a
economia, a sociedade, a política e a educação no período imperial;
destacar aspectos mais significativos do contexto econômico, social,
político e educacional nas diferentes fases da vida republicana
brasileira; relacionar os principais elementos integrantes do processo
histórico-educacional brasileiro com a situação atual da educação
brasileira.(Programa de História da Educação Brasileira, 2000/1).

A estrutura programática alterada pela Universidade a partir do ano
2000, passou a conter uma proposta assemelhada à de quando a disciplina de
História da Educação (final dos anos 80) foi criada, tratando a questão da
educação desde a época colonial até a atualidade, privilegiando a relação entre
educação e sociedade em cada um dos períodos. Os padrões mínimos de
desempenho também expressavam, em forma de capacidades, o periodismo
tradicional, o conteudismo e lógica temporal expressa nos objetivos:

capacidade de relacionar fatos históricos como elementos de análise
da realidade brasileira, capacidade de relacionar aspectos
econômicos, sociais, políticos e educacionais como integrantes da
realidade historico-educacional brasileira; capacidade de exercer
autonomia intelectual na analise critica de temas estudados.
(Programa da Disciplina História da Educação Brasileira, 2000/2).

272

Em 2005/1, como referido em páginas anteriores, há profunda
rearticulação metodológica nas licenciaturas da Unisinos provocando nova
alteração no currículo do Curso de Pedagogia sendo eliminadas as
disciplinas de História da Educação e História da Educação Brasileira. A
forma Programas de Aprendizagem – PA - é adotada no conjunto dos cursos
de formação de professores da instituição e a historia da educação dissolve-
se no PA Culturas, Linguagem e Educação, compondo uma pequena parte
da atividade História social e pensamento educacional, na qual a história da
educação é incluída como perspectiva e são trabalhados textos de autores
clássicos (Comenius, Comte, Herbart, Dewey, Gramsci, Rousseau, Piaget,
os pioneiros, Paulo Freire) como expressão de época e dos debates
educacionais do período.

Elementos conclusivos

Nos quase 50 anos de existência do Curso de Pedagogia da
Unisinos, em seus diferentes momentos e até 2005, a História da Educação
tem sido considerada como conhecimento necessário para a ação
profissional do pedagogo habilitado para lecionar as matérias pedagógicas
do 2o

. grau ou para a ação de administração escolar, orientação educacional,
supervisão escolar ou para formar professores para as séries iniciais de
escolarização.

Presentemente e de forma contraditória, quando a formação
ofertada no Curso de Pedagogia se amplia para as habilitações de GESTÃO E
SUPERVISÃO DE PROCESSOS EDUCATIVOS, ou de PEDAGOGIA DO TRABALHO ou
de EDUCAÇÃO ESPECIAL os estudos sistemáticos de história da educação,
como disciplina formal com carga horária definida são suprimidos
dissolvendo-se na proposta de Programas de Aprendizagem. Por outro lado tal
PA é ofertado como disciplina comum a todas as licenciaturas da
Universidade o que nos levaria a supor um ganho para a formação do
professor.

A análise do programa da disciplina de História da Educação nos
anos oitenta, indicou uma abordagem de linha filosófica com destaque a
pedagogos de reconhecimento internacional, origem européia ou norte-
americana. Essa abordagem foi subsumida por outra periodizadora e presa a
temporalidades de longa duração, embora tal característica também
estivesse presente no período anterior.
Quanto a História da Educação Brasileira, a periodização é
também marcante - vinculada ao emprego da obra de Maria Luiza Santos
Ribeiro, cuja primeira edição foi em 1978 -, relacionada diretamente a

273

questões super estruturais, ao surgimento, consolidação e crise de modelos
econômicos nos quais a educação é tratada como subsidiária pois prevalece
a visão de totalidade e de estrutura social macro. Por breve período houve
preocupação com a história da educação latino-americana, a história
invisível das minorias e com a problematização e relativização da história
oficial, com a construção de um memorial individual, bem como com a
forma como, no magistério 2o

. grau, a história da educação era apresentada.
A breve permanência dessas abordagens na disciplina de História da
educação demonstra o desconhecimento e afastamento da produção
historiográfica que se fez dos anos oitenta em diante. Se as afirmativas de
Miriam Warde no Prefácio, incluído nas páginas 9 e 10 da oitava edição
(1979) eram válidas para o final dos anos setenta foram elas,
progressivamente, perdendo a força tanto é que em edições posteriores tal
prefácio não mais foi incluído. Na ocasião Miriam Warde afirmava que a
história da educação era um área de conhecimento que gerava poucas
pesquisas acadêmicas, que os trabalhos omitiam as conexões entre o objeto
particular e a configuração educacional mais ampla e com a dinâmica social
inclusiva (WARDE apud RIBEIRO, 1979, p. 9).
Pode-se concluir que a forma de encaminhamento das disciplinas
de História da Educação e de História da Educação Brasileira na Unisinos
não tinha uma intencionalidade de desenvolver uma postura voltada para a
investigação e para a problematização da educação na perspectiva histórica.
De maneira geral o encaminhamento mostrou-se conteudístico, marcado por
uma abordagem da história geral do Brasil, mais do que por temáticas
nitidamente educacionais, relacionados, por exemplo, à história da educação
infantil, história das disciplinas escolares, história das relações entre a
escola púbica e a escola privada no Brasil.
Conclui-se que embora nos cursos de formação de professores da
Unisinos esteja presente o discurso de que a educação é um fato histórico,
tal noção não se fará, do ano de 2005 em diante, por disciplinas específicas.
A perspectiva histórica pode, entretanto, marcar presença na abordagem de
temáticas de várias disciplinas que, mesmo não tendo a designação de
história, abordam temas específicos educativos em perspectiva histórica, tal
como a tematização da educação infantil tratada inicialmente pela
abordagem do contexto histórico educativo identificando suas raízes na
Grécia antiga, passando por Comenius no século XVII. Ou a história da
alfabetização, ou da Administração escolar, esta desenvolvida a partir do
aparecimento e especialização dos sistemas educativos e como teoria sofreu
e sofre o impacto da produção da Teoria Geral da Administração.
Há que ressaltar que o conhecimento de História da Educação na
Unisinos foi tratado até o ano de 2005 como necessário ao pedagogo mas

274

não à formação das demais licenciaturas, pois nunca compôs o currículo da
formação de professor de Matemática, de Física, de Educação Física, de
Ciências Sociais, de Filosofia, estando apenas opcionalmente presente no
currículo da licenciatura em História.

Referências

BITTENCOURT, Circe Maria Fernandes. Disciplinas escolares: História e
Pesquisa. IN: OLIVEIRA, Marcus Aurélio Taborda, RANZI, Serlei Maria
Fischer (org). História das disciplinas escolares no Brasil: contribuições
para o debate. Bragança Paulista: EDUSF, 2003. p. 9 – 38.

RIBEIRO, Maria Luisa Santos. História da Educação Brasileira. A
organização escolar. 8.ed. São Paulo: Cortez, 1987.

SILVA, Janira Aparecida da, BOHN, Mariasinha Beck. O Curso de
Pedagogia da Unisinos. Estudos Leopoldenses, v.26, n.117, p. 47 – 58,
maio/jul. 1990.

UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS. Agenda UNISINOS
1970.

______. Boletim Informativo UNISINOS 78/1

______. Boletim Informativo 87/1

WARDE, Miriam. Questões teóricas e de método: a Historia da Educação
nos marcos de uma historia das disciplinas. IN: SAVIANI, Dermeval,
LOMBARDI, José Claudinei, SANFELICE, José Luis (org) História e
História da Educação:
o debate teórico-metodológico atual. Campinas:
Autores Associados, 1998. p. 88 – 99.

História da Educação, ASPHE/FaE/UFPel, Pelotas, n. 19, p. 275-294, abr. 2006
Disponível em: http//fae.ufpel.edu.br/asphe

Apontamentos sobre a disciplina História da Educação
na Universidade da Região da Campanha – URCAMP
(1959-2001)

Regina Quintanilha Azevedo
Clarisse Ismério
Marilene Vaz Silveira

Resumo

A proposta deste trabalho é fazer um levantamento de dados sobre a disciplina de História da
Educação, entre 1959 e 2001, no Curso de Pedagogia, na Universidade da Região da
Campanha – URCAMP. Estes apontamentos servirão como contribuição para um futuro
mapeamento sobre a disciplina da História da Educação no ensino superior no Brasil.
O texto está dividido em três partes: primeiro o perfil da Universidade da Região da
Campanha, na segunda parte focalizamos a disciplina de História da Educação no Curso de
Pedagogia, nessa Instituição, entre 1959 – 2001 e no terceiro momento o trabalho das
professoras da disciplina de História da Educação, atualmente, na URCAMP.
Foi realizada uma investigação no arquivo morto da Diretoria de Ingressos e Registros (DIR)
da URCAMP, nas pastas dos Registros Acadêmicos, no mesmo setor e no setor de Recursos
Humanos da Instituição - nas pastas de professores, arquivo digital e no arquivo morto e na
Biblioteca.
Com um novo olhar na História da Educação foi realizada uma análise das diversas fontes
entrecruzadas, tendo a preocupação de que esta apreciação sirva de aporte para novos trabalhos.

Palavras-chave: Curso de Padagogia; disciplina História da Educação; formação de professores.

Abstract

The proposal of this work is to make a data collecting on disciplines of History of the
Education, between 1959 and 2001, in the Course of Pedagogy, in URCAMP (Universidade da
Região da Campanha). These notes will serve as contribution for a future mapping on
disciplines of History of the Education in superior education in Brazil.
The text is divided in three parts: first the profile of the URCAMP, in the second part we focus
on disciplines of History of the Education in the Course of Pedagogy, in this Institution,
between 1959 - 2001 and at the third moment, the work of the teachers of disciplines of History
of the Education, currently, in this University.
It was made an inquiry in the archive dead of the Direction of Ingressions and Registers (DIR)
of the URCAMP, in the folders of the Academic Registers, in the same sector and in the sector
of Human Resources of the Institution - in the folders of professors, digital archive and in the
archive dead and the Library.
With a new look in the History of the Education was carried through an analysis of the diverse
intercrossed sources, having the concern of that this appreciation serves of arrives in port for
new works.

Key-words: Pedagogy Courses; History of Education discipline; teacher formation.

276

No XI Encontro da ASPHE com os focos temáticos História da
Educação na Formação do Educador e A Contribuição dos 10 Anos da
ASPHE
, realizado na UNISINOS de 29 a 31 de agosto de 2005, cumprindo
com um dos seus objetivos foi apresentado um painel (Painel 1) intitulado

Ensino da disciplina História da Educação nas Universidades e IES do Rio
Grande do Sul: ontem e hoje,
com a participação de Elomar Tambara e
Eduardo Arriada – UFPel; Miguel Orth – UNISALLE; Maria Helena
Câmara Bastos – PUC-RS; Maria Stephanou – UFRGS; Berenice Corsetti e
Flávia Werle – UNISINOS; Claudemir de Quadros – UNIFRA; Jorge Luiz
Cunha – UFSM e Anna Rosa Santiago – UNIJUI.
Na reunião da ASPHE, após exposição desse primeiro painel, no
dia 29/08/2005, foi colocada a importância da adesão de professores de
História da Educação de outras instituições de ensino superior que ainda
não participam da ASPHE e que, também, deveriam ser convidados a
produzir textos sobre sua experiência com o ensino da História da
Educação.

Como professoras da URCAMP nos sentimos compelidas a
participar, colaborando para que se tenha uma visão da realidade sobre as
propostas pedagógicas da disciplina História da Educação e considerando o
convite como um desafio a todas as universidades.
No primeiro momento achamos que a tarefa era fácil, mas logo
vimos dificuldades na procura dos documentos. O tempo era exíguo e exigia
uma dedicação maior para que pudéssemos fazer a investigação do material
que estávamos propondo analisar.

Foi realizada uma verificação no arquivo morto da Diretoria de
Ingressos e Registros (DIR) da URCAMP, neste mesmo setor - nas pastas
dos Registros Acadêmicos e no setor de Recursos Humanos da Instituição -
nas pastas de professores, arquivo digital e arquivo morto e na Biblioteca.
Analisamos os dados considerando como apontamentos sobre a
História da Educação, no Curso de Pedagogia da URCAMP, pensando na
contribuição para um futuro mapeamento sobre a disciplina no ensino
superior no Estado, ou na Região Sul, ou mesmo no Brasil.
Dividimos o texto em três partes: primeiro traçamos o perfil da
URCAMP – Universidade da Região da Campanha; na segunda parte
focalizamos a disciplina de História da Educação no Curso de Pedagogia,
nessa Instituição, entre 1959 – 2001 e no terceiro momento o trabalho das
professoras da disciplina de História da Educação, atualmente, na
URCAMP.

277

Ao começar este estudo procuramos todos os planos de estudos1
relacionados à disciplina de História da Educação para analisarmos os
conteúdos programáticos e as bibliografias utilizadas. Defrontamo-nos com
a falta de seqüência do material, por isso nos interessamos por documentos
que explicassem como era estruturada a disciplina e que mostrassem como a
disciplina de História da Educação foi organizada ao longo das cinco
décadas que passamos a investigar. Essa verificação foi realizada não só nos
planos de estudos, mas nos Relatórios e Atas de Avaliação da Instituição.

As pistas, as marcas, os documentos, são fragmentos que não
possuem uma verdade inerente, pronta a ser desvelada pelo
pesquisador. A partir da operação particular de transformar vestígios
em dados de pesquisa, o historiador/pesquisador produz um
discurso, uma narrativa que constitui sua leitura do passado
(Stephanou e Bastos, 2005, p. 417-418).

Passamos a fazer nossa leitura investigando os documentos
relacionados ao curso de Pedagogia. Perseguimos as pistas e localizamos
novos dados nos documentos, encaixando as peças e inserindo no contexto
das políticas educacionais das décadas de cinqüenta, sessenta, setenta,
oitenta e noventa.

Consideramos relevante saber sobre a formação dos professores,
a habilitação para que pudessem trabalhar na disciplina História da
Educação, assim como a bibliografia utilizada por esses docentes. Desta
forma, foi realizada uma análise das diversas fontes, sem ter a pretensão de
esgotar sobre o assunto, mas tendo a preocupação de que essa apreciação
sirva de aporte para novos trabalhos.
Com os dados retirados das Atas e dos Relatórios para Avaliação
do Ministério de Educação e Cultura, entrecruzados com os planos de
estudos é que passamos a refletir sobre essa disciplina no Curso de
Pedagogia.

Foi importante cruzarmos os diversos documentos investigados,
entendendo que o cruzamento e confronto das fontes poderá também ajudar
no controle da subjetividade do pesquisador
(Lopes e Galvão, 2001, p. 93 –
94).

Dentro de uma visão geral descrevemos o perfil da Universidade
da Região da Campanha apontando seu papel social e indicando seu
objetivo, que nasce no município de Bagé e atualmente se estende por sete
municípios: Dom Pedrito, Sant’Ana do Livramento, Alegrete, Caçapava do
Sul, São Gabriel, São Borja e Itaqui.

1

Quando falamos em plano de estudo nos referimos ao plano da disciplina elaborado pelo/a
professor/a. Em 1990 era chamado Plano de Ação, em 1991 é denominado Plano de Curso e
em 2000 Plano de Estudo.

278

Perfil da Universidade da Região da Campanha

A primeira manifestação do Ensino Superior no município de
Bagé acontece com a Faculdade de Ciências Econômicas, em 1953, com
sua Entidade Mantenedora – Associação de Cultura Técnica e Econômica,
sendo reconhecida em 1955, dissociada dos cursos de Filosofia e Pedagogia
que também são criados, ainda na década de cinqüenta, com vínculo direto
na Universidade Católica de Pelotas2

(Processo 30.687/57 – Decreto
62.697/68). Mais tarde foram autorizados, pelo Governo Federal, o
funcionamento de outros cursos, sendo registrada em 1969 a criação da
Fundação Universidade de Bagé3

(Ata nº 9, 12/12/1965) que, depois se

transforma em Fundação Attila Taborda (FAT4

) com uma única
administração, sendo mantenedora das Faculdades Unidas de Bagé
(FUnBa). Com a reunião de todas as Faculdades que se criaram no final da
década de cinqüenta e sessenta, na cidade de Bagé, passa a se caracterizar
como instituição educacional autônoma. Novos cursos são criados nas
décadas de setenta e oitenta culminando em 1989 (Portaria 052 – 16/02/89,
Parecer CFE 183/89, conforme Processo nº. 23001.000771/86-45) com o
reconhecimento de Universidade – URCAMP (Universidade da Região da
Campanha), continuando com sua Mantenedora a FAT.

2

“Aos que esse nosso decreto virem saudação, as bênçãos de Nosso Senhor.

Fazemos saber que atendendo as grandes necessidades de formação intelectual e moral da
juventude da cidade de Bagé, com uma população escolar já muito elevada, contando com 9
estabelecimentos de ensino secundário e uma Escola Superior;

Considerando a necessidade de formar seu próprio professorado secundário para atender mais
facilmente aos mencionados estabelecimentos;

Considerando que sem um estabelecimento próprio para o fim citado Bagé vê-se obrigada a
enviar seus filhos a Porto Alegre, Pelotas e Santa Maria havemos por bem fundar nesta data a
Faculdade Católica de Filosofia, Ciências e Letras de Bagé, mantida pela Mitra Diocesana de
Pelotas, com a colaboração das beneméritas Irmãs Franciscanas e de elementos de projeção da
sociedade bageense com o decidido apoio das excelentíssimas autoridades locais.

Dado o passado na cidade de Bagé, aos 27 de maio de 1957.

Antonio Zattera, Bispo de Pelotas” (Decreto do Gabinete Episcopal, copiado na íntegra. Livro
da Fundação Attila Taborda, encontra-se na Biblioteca da URCAMP).

3

Conforme Parecer nº. 1.028/73 – CESu (1º Grupo), aprovado em 3 – julho – 1973 (Proc. nº.

1.146/72 CFE)

4

A denominação da entidade Mantenedora teve que ser alterada por ser considerada indevida a
expressão “universidade”, sendo aprovada como Fundação Attila Taborda. No mesmo
Relatório consta um documento da Universidade Católica de Pelotas desligando as Faculdades
de Filosofia e Letras e de Direito (Parecer nº 1.028/73 – CESu (1º Grupo), aprovado em 3 –
julho – 1973 (Proc. Nº 1.146/72 – CFE)).

279

O período5

em que o Ensino Superior passa a ser discutido na
cidade de Bagé, foi marcado por grandes mudanças políticas no panorama
nacional. Primeiro com a eleição do presidente Getúlio Vargas (1950-1954)
na bandeira do nacionalismo e o trabalhismo getuliano com a preocupação
na educação para as classes populares, mais voltadas ao ensino primário do
que o superior. O suicídio de Vargas em agosto de 1954 não pôs fim ao
getulismo. Pelo contrário, deu novo alento à coligação PSD-PTB que, com
a chapa Juscelino Kubitschek (PSD) e João Goulart (Jango) (PTB),
conquistou o governo em 1955 em eleições diretas
, com a bandeira da
educação para o desenvolvimento” priorizando o ensino técnico-
profissionalizante, para o Ensino Médio e acreditando que o ensino primário
também deveria ter uma educação voltada para o trabalho. Com a
preocupação que a escola atendesse o mercado de trabalho passa a
beneficiar, entre 1957 e 1959, o ensino industrial com recursos financeiros,
deixando a universidade para aqueles que tivessem “vocação intelectual”
(Guiraldelli Jr., 2003, p.112-113).

A década de cinqüenta caracterizou-se pelas discussões sobre a
reforma de ensino, com a apresentação do anteprojeto, em 1958,
culminando em 1961 com a primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional. No período de 13 anos, do primeiro anteprojeto à promulgação da
Lei, ocorrem alterações no foco das discussões e das divergências,
orientando-se primeiro em torno das concepções acerca da organização do
sistema educacional, traduzido no conflito centralização-descentralização
e, num segundo momento passa a preponderar o conflito público-privado,
tema de embate entre católicos e liberais
(Vieira e Freitas, 2003, p.114-
115).

A Faculdade Católica de Filosofia, Ciências e Letras de Bagé foi
criada como extensão da Universidade Católica de Pelotas (UCPel), com o
apoio do Bispo Dom Antônio Záttera, que também era o Reitor dessa
Universidade. Passando a funcionar, provisòriamente, no edifício do
Colégio Espírito Santo
[colégio tradicional da ordem Franciscana que tem
uma tradição como escola de formação de professores] situado à rua
General Osório nº 1254, na cidade de Bagé, Estado do Rio Grande do Sul

(Registro de Avaliação pelo Inspetor Dr. Osvaldo da Costa Moraes,
conforme Portaria 105 de 9 de setembro de 1946 - Livro de Documentos de
Instituições – Livro encontra-se na Biblioteca da URCAMP).
Segundo Souza (1997) na década de 30 surge a Universidade de
São Paulo reunindo os cursos superiores existentes no estado com a

5

Podemos conferir nos trabalhos de Romanelli, 2002; Ghiraldelli Jr., 2003; Vieira e Freitas,
2003; Hilsdorf, 2005 o registro histórico sobre as mudanças políticas e educacionais.

280

tentativa de verdadeira integração universitária. Destaca o papel da
Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras com a finalidade de servir como
um tronco comum de estudos básicos, contendo as matemáticas, as letras, a
física, a química, a biologia, a geografia, a história, as ciências sociais e
políticas, além da própria filosofia, a partir do qual se prolongariam os
diversos galhos dos cursos profissionalizantes
(p.24).
No discurso de Almeida Prado, citado por Souza (1997), como

primeiro diretor da USP, ressalta:

(...) Somente a Faculdade de Filosofia poderá ministrar esse ensino
medularmente científico, o ensino, como escreveu judiciosamente
um grande entendedor do assunto, o professor Souza Campos, ’Da
matemática feito pelo matemático, da física pelo físico, da zoologia
pelo zoólogo, da botânica pelo botânico que sejam realmente
integrados no campo da sua ciência, não por uma adaptação
provisória ou circunstancial, mas porque se fizeram, nos seus ramos
de atividade, por vocação natural, e formação universitária acurada’.
No exercício dessa missão estaria a faculdade de Filosofia
inteiramente dentro de sua competência. Não representaria uma
usurpação de direitos, mas sim a evocação exata de funções, na
discriminação específica da finalidade de cada componente do
organismo universitário (p.25).

Alicerçadas na idéia de integração dos conhecimentos
organizaram-se diversas universidades federais, estaduais e particulares nas
décadas de 50 a 70. Período esse que a URCAMP começa sua caminhada,
agregando os cursos superiores e os novos cursos que foram criados na
cidade.

Conforme Ata nº. 36 do Conselho Universitário – Universidade
Católica de Pelotas – UCPel, em 07 de agosto de 1970, o Presidente da
Fundação da Universidade de Bagé, Dr. Attila Taborda6

encaminhou ao Reitor Magnífico e a êste Conselho um Memorial
com exposição de motivos, acompanhada de diversos requerimentos,
que foram objeto de criteriosa apreciação. Os requerimentos são os
seguintes:

- Anexação de novas Faculdades – O Presidente da Fundação da
Universidade de Bagé solicita que sejam agregadas a esta
Universidade a FACULDADE DE CIÊNCIAS ECONÔMICAS e a
FACULDADE DE BELAS ARTES, ambas de Bagé. A primeira
funciona desde 1954, com o curso único de Ciências Econômicas, já
devidamente reconhecido. A Faculdade de Belas Artes é a fusão do

6

Dr. Attila Taborda: 1960 – Diretor da Faculdade Católica de Filosofia, Ciências e Letras;
1969 – institui por escritura a Fundação Universidade de Bagé; 1970 – Presidente da Fundação
Universidade de Bagé; 1972 – Empossado Pró-Reitor das Faculdades Unidas de Bagé agregada
à Universidade Católica de Pelotas; 1975 - falecimento.

281

Curso de Artes Plásticas, que funciona desde 1960 no Instituto do
mesmo nome, com os Cursos de Música e Canto, que funcionam
desde 1964, também todos definitivamente reconhecidos por
Decreto Presidencial. As duas Faculdades já estão sendo mantidas
pela Fundação Universidade de Bagé, e agora solicita-se que sejam
agregadas a esta Universidade Católica, nos termos do art.5º, Nº. 2
do Estatuto, que prevê a possibilidade de agregação de
estabelecimentos de Ensino Superior mantidos por outras Entidades.
O objetivo visado por êsse pedido de agregação é a adequação
jurídica da Fundação Universidade de Bagé às exigências do
Ministério de Educação e Cultura, em preparação a criação da futura
Universidade de Bagé. Os membros dêste Conselho, unanimente,
declararam-se favoráveis a agregação das mencionadas Unidades,
com a cláusula de que seus regulamentos se adaptem integralmente
ao estatuto desta Universidade. Uma vez satisfeitas estas exigências,
as duas Faculdades mencionadas, de CIÊNCIAS ECONÔMICAS e
de BELAS ARTES de Bagé, passarão a ser agregadas a esta
Universidade Católica de Pelotas (xerox do Livro de Documentos de
Instituições – Livro encontra-se na Biblioteca da URCAMP).

Nessa mesma Ata consta o pedido para criação dos cursos de
Engenharia Operacional Rural, Biblioteconomia, Ciências Biológicas e de
Ciências Contábeis e Ciências Administrativas, agregados a UCPel. O que
foi considerado pelos membros do Conselho Universitário como iniciativa
elogiável. Mas quando foi encaminhado o pedido para que a Faculdade de
Educação passasse a ser autônoma e com o nome de Faculdade de Educação
não foi aceito, porque consideravam contrárias às determinações legais que
priorizavam que os cursos fossem agregados e se estabelecessem em
departamentos.

Com a Lei nº 5.540/68 e uma série de Decretos o ensino superior
passa por profundas modificações que perduram até os dias atuais, tendo
como finalidade aumentar a eficiência e a sua produtividade. Uma dessas
mudanças é a reunião num mesmo departamento as disciplinas afins, com a
finalidade de se evitar a duplicação de trabalhos e para aumentar a taxa de
utilização de recursos, espaços e instalações
. Outra mudança foi à extinção
da cátedra vitalícia, em que anteriormente cada disciplina tinha um
professor concursado, autoridade máxima naquele domínio de estudos, que
dirigia os trabalhos até sua morte ou aposentadoria, sem que houvesse
qualquer possibilidade de se compartilhar esse poder quase absoluto

(Catani e Oliveira, 2000, p.97-98).
A URCAMP formou-se no contexto da realidade política
educacional brasileira, na década de 50, cumprindo as exigências impostas e
estruturadas pela legislação, dentro de uma linha fundamentada na Ação

282

Católica7

, que tinha como objetivo fazer o leigo cristão marcar sua presença
de forma ativa nos grupos e instituições, levando a diante os ensinamentos e
dogmas católicos para edificar o movimento da neocristandade. Os Cursos
de Filosofia e Pedagogia demonstram fortemente esse perfil, pois através de
suas disciplinas de Apologética e Dogma8

, observamos a filosofia da
neocristandade. Cabe ainda destacar que o diretor da instituição Sr. Attila
Taborda recebeu da Santa Sé, representada na figura do Papa Pio XII9

, em
1957 a comenda de “Cavaleiro da Ordem Eqüestre de São Silvestre Papa”,
distinção honorífica concedida pelos serviços prestados à causa da Igreja
Católica.

7

A Ação Católica foi criada em 1920 pelo Papa Pio XI (Ambrósio Damião Ratti) e espalhou-se
por todo o mundo para levar Cristo Rei a todos os povos através da eleição de um laicato
difusor de seus princípios. No Brasil foi criada em 9 de junho de 1935 a Ação Católica
Brasileira (ACB), para promover com maior eficácia o movimento laico católico e fortalecer o
movimento nacionalista católico. Quando Pio XII assume, em 1939, mantém a mesma postura
filosófica de seu antecessor. No Rio Grande do Sul D. João Becker foi o grande incentivador
da Ação Católica.(ISMÉRIO, 2002, p. 161-168).

8

Cadeira Apologética – Conteúdos: A Existência de Deus: conceito nominal, problema e
sentença; A existência de Deus deve ser demonstrada – Tradicionalismo – inducionismo; Tese
Tomista da Demonstração – Demonstração Aposteriore – Demonstração Apriori –
Assimultânea – Valor do Princípio de Causalidade – Demonstração da Existência de Deus pela
Mutação – Demonstração da Existência de Deus pela dependência do Ser e pela
corruptibilidade – Contringência – O materialismo Moderno é o Materialismo Científico e
Filosófico - Milagre – Rousseau – Milagre e Objeções – Pentateuco: Historicidade, etc. –
Evangelhos: Historicidade, Integridade a veracidade, autenticidade – Os Judeus esperavam um
Messias – Jesus tinha a consciência de ser um Messias – Jesus afirmou ser um Messias desde o
início de sua vida pública – Jesus Messias segundo o evangelho de São João “Jesus se diz filho
de Deus” – Sinópticos – Jesus Filho de Deus segundo São João – Milagres de Jesus –
adversários – Verdade histórica dos milagres de Jesus – Verdade (histórica) filosófica,
teológica e relativa dos milagres de Jesus – Morte de Jesus e s/ Ressurreição

Cadeira Dogma – Conteúdos: O Reino de “DEUS”, anunciado por “CRISTO”...; O Mundo
Cristão e o Mundo Pagão, sua história, seus dogmas; Comunismo, sua ideologia e sua força; A
necessidade do conteúdo, vivência e comunicação; Resumo do conteúdo doutrinário da
Religião Católica; O conteúdo do Cristianismo: Fé, Esperança e Caridade; A situação atual e o
Comunista. (Relatório das 2ª provas parciais, 1961).

9

Pio XII (Eugênio Giuseppe Maria Giovanni Pacelli) que assumiu o nome de Pio XII assumiu
o papado em 2 de março de 1939. O novo Papa era de origem romana e foi o Secretário de
Estado preferido de Pio XI. Era considerado um homem de grande envergadura e zelo pastoral,
por conviver com II Guerra Mundial e a perseguição dos regimes totalitários a Igreja Católica.
Defendeu e a redemocratização do mundo através da vontade e determinação dos cristãos, suas
idéias influenciaram o movimento católico brasileiro e incentivou a formação de partidos
católicos. (ISMÉRIO, 1999, p. 251-305).

283

A disciplina História da Educação no Curso de Pedagogia

O Curso de Pedagogia inicialmente oferecia a habilitação para
docência nas Matérias Pedagógicas
, posteriormente, foram incluídas as
habilitações de Orientação Educacional, Supervisão e Administração
Escolar e, por fim, Pré-escola à 4ª série do 1º grau
(Projeto Pedagógico,
2002, p. 6).

Conforme o Inspetor Dr. Osvaldo, no Relatório de 1960, o corpo
docente da Faculdade Católica de Filosofia, Ciências e Letras de Bagé
consta[va] de 12 professores diplomados todos eles pelo ensino superior e
especializados em suas respectivas disciplinas.
Estes professores
especializados estão relacionados no corpo docente dos Cursos de Filosofia
e Pedagogia como professores catedráticos. Importante observar que já
atuavam no ensino fundamental ou médio e, principalmente, em curso de
formação de professores/as.

Disponibilizamos o documento 1 com a relação das disciplinas,
categoria e docentes das duas primeiras séries do Curso de Pedagogia,
conforme o Relatório de 1960.

Verificamos que a disciplina História da Educação estava
incluída no currículo do Curso de Pedagogia na segunda série, com 45 h/a
contando com três créditos, tendo duas professoras para disciplina, a
catedrática Profª Clotilde Ma. L. Q. Magalhães e a Profª Eva da Nova,
contratada.

284

Documento 1
Relação do Corpo Docente Ativo – Curso de Pedagogia

Fonte: Registro de Avaliação do Inspetor Dr. Osvaldo da Costa Moraes, conforme Portaria 105
de 9 de Setembro de 1946 - Livro de Documentos de Instituições –Biblioteca da URCAMP.

Os conteúdos estabelecidos na segunda série eram desenvolvidos
numa seqüência cronológica, do homem primitivo, a representação da
civilização oriental e da ocidental, na Antigüidade, conforme é registrado
abaixo.

Curso: Pedagogia:

Série: segunda

História da Educação

Orientação para o trabalho na cadeira. História da Educação:
conceito e objetivo. A educação primitiva. A educação chinesa.
Crítica da educação chinesa. A educação hindu: civilização,
educação e filosofia. Crítica da filosofia e da educação hindu. Mérito
da educação hindu. Egito: civilização e educação. Crítica sobre a
educação. Apreciação sobre a educação dos hebreus. Determinação
de trabalhos aos grupos (grifo nosso). Períodos da educação grega.
Educação em Esparta. Educação ateniense; Educação grega: novo
período. Sofistas. Sócrates. Idem. Platão. Apresentação de trabalhos
pelas alunas – cultura – divisão de classes e educação egípcia.
Apresentação de trabalhos pelos alunos (grifo nosso)- Educação
chinesa (Registro de Avaliação do Inspetor Dr. Osvaldo da Costa
Moraes, conforme Portaria 105 de 9 de Setembro de 1946 - Livro de
Documentos de Instituições –Biblioteca da URCAMP).

285

Junto à indicação dos conteúdos está inserida a metodologia
adotada – determinação de trabalhos aos grupos e apresentação de
trabalhos pelos alunos
- demonstrando que as aulas não seriam só
expositivos, mas com a participação dos/as alunos/as.
Na década de 70 o “Fluxograma do conteúdo programático” da
História da Educação não foge da mesma ordem que os conteúdos estão
relacionados acima. Na I Unidade: Introdução ao estudo da História da
Educação – História da Educação: conceito e importância; História da
Educação: fatores – fases – fontes; II Unidade: A educação primitiva –
cultura e sociedade dos povos primitivos; A educação nos povos primitivos;
Apreciação da educação primitiva; III Unidade: A educação oriental –
Educação hindu: a cultura hindu. O bramanismo. A educação. Apreciação
da educação hindu. Educação chinesa: cultura e organização social da
China. Organização escolar. Apreciação da educação chinesa. Educação
egípcia: estrutura social do Egito. A cultura egípcia. A educação.
Apreciação da educação egípcia. A educação hebraica. Educação persa.
Meios e fins da educação. Apreciação da educação persa; IV Unidade: A
educação clássica – educação grega: o humanismo pedagógico. Educação
espartana. Educação ateniense. Educadores gregos. Apreciação da educação
grega. A educação romana: influência grega. Períodos da educação romana.
Educadores romanos. Apreciação da educação romana; V Unidade: O
cristianismo pedagógico – educação apostólica: conceito. O cristianismo e a
educação. Apreciação da educação apostólica. Educação patrística: a cultura
medieval. Evolução da educação. Escolas patrísticas: educadores.
Apreciação da educação patrística. Educação monástica: conceito. Escolas
monásticas.Educadores. Juízo sobre a educação monástica. Educação
escolástica: importância. As universidades. Objetivos da educação
escolástica. Educadores. Otimismo. Apreciação da educação escolástica; VI
Unidade: A educação medieval – Educação feudal: conceito. As cruzadas.
A cavalaria. Finalidades da Educação Apreciação da educação feudal.
Educação muçulmana: conceito. Islamismo. Escolas árabes. Apreciação da
educação muçulmana. Educação Renascentista: naturalismo pedagógico.
Causas do Renascimento. Conseqüências do Renascimento. O renascimento
e a educação. Idéias pedagógicas de Vitorino de Feltre. Desidério Erasmo:
vida e obra.Educação Reformista: conceito. Causas do movimento.
Conseqüências. Educação Contra-Reformista: características gerais. A
Companhia de Jesus. Conseqüências educacionais. Educação Jansenistas:
caracterização. Educadores. Educação Realista: Realismo Literário.
Realismo social. Realismo científico. Causas e conseqüências educacionais.
Francisco Bacon. João Comênio e Descartes. Educação Disciplinar:
características gerais. Conseqüências educacionais. Educadores. Educação

286

Pietista: características gerais. Causas e conseqüências. Educadores.
Educação Racionalista: visão propedêutica. Educadores. Educação
Naturalista: conceito de naturalismo. O naturalismo e a educação.
Conseqüências educacionais. Vida e obra de Rousseau. Educação
Filantropista: características gerais. Causas, conseqüências e educadores.
Educação Revolucionária: a Revolução Francesa. Causas. Conseqüências
educacionais. O espírito da Educação Revolucionária. Educadores.
Educação Psicológica. Causas. Conseqüências educacionais. Educadores.
Educação Científica: caracterização. Augusto Comte: vida e obra. Herbert
Spencer: idéias pedagógicas. Causas. Conseqüências.
Nesse período as duas professoras10

que ministraram as aulas de
História da Educação estruturaram o plano de estudo, na linha
esquematizada acima, demonstrado no fluxograma.
Para a professora Gladys Brasil o objetivo geral da disciplina era:

Integrar o universitário no desenvolvimento histórico das idéias e
das instituições pedagógicas, com o objetivo de contribuir para o
equacionamento dos problemas inerentes ao Sistema Educativo,
sendo que o objetivo específico era de informar o universitário,
visando: assimilação de conhecimentos filosóficos e pedagógicos.
Identificar as causas e conseqüências das diversas correntes
filosóficas e pedagógicas que influíram na História da Educação,
estimulando o interesse para a realidade educacional e, desenvolver
hábitos de leitura, de pesquisa e de trabalho (Plano de Estudo de
1977, material da Diretoria de Ingressos e Registros – DIR-
URCAMP).

A professora Teresa Not descreve nas informações gerais do
plano que a História da Educação visa analisar, comparar e criticar os
diversos sistemas da educação através dos tempos, o que se constitui
excelente meio para conhecer e aprimorar o processo educacional da
atualidade.
Para a professora Gladys Brasil a História da Educação,
contribui, de maneira expressiva para o possível equacionamento da
problemática de Ensino
(Plano de Estudo de 1977, DIR – URCAMP).
Nos Planos de Estudos de 1991, de responsabilidade da
professora Teresa Vernet Not, estão registrados como objetivos da
disciplina História da Educação I, II, III e IV:

Analisar criticamente o desenvolvimento histórico das idéias e das
instituições pedagógicas, evidenciando a conexão existente entre a
teoria educacional e a prática pedagógica nas diferentes épocas.

Sugerir relações com a atividade educacional dos nossos dias a fim

10

Professora Gladys Martins Brasil – formação em Pedagogia e Teresa Vernet Not – formação

em Filosofia.

287

de que a História da Educação oriente a busca criativa de soluções
para os problemas que hoje desafiam o homem e a sociedade como
um todo (História da Educação I).

Pela visão crítica obter uma visão sócio-política da educação no seu
acontecer histórico que leve à compreensão da realidade
educacional, em especial a do Brasil, e que oriente a busca criativa
de soluções para os problemas com que hoje se defronta o homem
em seu contexto global (História da Educação II).

Obter visão de conjunto da história da educação e da pedagogia,
através da exposição clara e precisa do desenvolvimento histórico
das idéias e das instituições pedagógicas, atendendo-se
principalmente àquelas que sobreviveram às mudanças dos tempos e
podem contribuir para resolver os problemas dos nossos dias
(História da Educação III).

Pela análise e reflexão críticas obter uma visão sócio-política da
educação no seu acontecer histórico que leve à compreensão da
realidade educacional, em especial a do Brasil, e que oriente a busca
criativa de soluções para os problemas do nosso tempo (História da
Educação IV).

Sendo apresentado como objetivo do Curso de Pedagogia

Formar profissionais de educação capazes de, crítica e
criativamente, repensar a prática pedagógica em favor de melhores
condições de vida para o educando e para a sociedade.

Nas bibliografias dos planos de estudos são citados os autores
Guilherme Dilthey, Roger Gall, Lourenzo Luziriaga, Paul Monroe, Maria
da Glória de Rosa, L. Riboulet e René Hubert que se encontravam listados
nos planos das duas professoras e seguirão indicados nos planos de 80 e 90.
Mas, é importante dizer que a bibliografia citada pelas professoras não se
esgotava apenas nessas obras, também eram indicados outros autores como:
Afrânio Peixoto, Henri Marrou, Teodoro Miranda dos Santos, Frederich
Eby, J.C.Figueiredo, Ruy de Aires Bello, Bento de Andrade Filho, Vanilda
Pereira Paiva, Dante Morando, Nicholas Hans, Florestan Fernandes, Hohan
D. Pulliam, Peeters & Cooman, Michele Frederico Sciacca, A. D. Salvador,
José Antonio Tobias, Paul Nasch, Alberto Pimentel, Bento de Andrade
Filho, Jacques Maritain, August Messer, E. Gilson, Marie Angeles Galino,
Leonel Franca, Hermann Baumhauer, Edward McNall Burns, Oliveira
Lima, Klimke e Colomer, João Ameal, Alberto Pimentel, Gilberto Cotrin e
Mário Parisi e, no início da década de 90 passa a ser incluído o conteúdo a
visão geral da evolução histórica da educação brasileira
, sendo citadas as
obras de Paulo Freire, Nelson Piletti e Claudino Piletti.
A disciplina História da Educação, nos períodos que
mencionamos, tem a preocupação com a utilidade dos conhecimentos,
tendo em vista as práticas pedagógicas
(Lopes e Galvão, 2001, p.26). Pelas

288

obras utilizadas percebe-se cunho pedagógico, como também filosófico e
social de estruturação e organização da disciplina. Conforme Lopes e
Galvão (2001) a Filosofia vai acompanhar a História da Educação em sua
trajetória,
e, por muito tempo, não havia quase distinção entre as duas
disciplinas, sendo que em alguns cursos eram chamadas de Fundamentos da
Educação.

O currículo do Curso de Pedagogia, na URCAMP, vem sofrendo
mudanças ao longo da metade da década de 90 adaptando-se as novas
determinações legais e adequando as exigências da LDB 9.394/96. Dentro
dessas alterações do currículo temos como Fundamentos da Educação as
disciplinas de Filosofia, História, Sociologia, Antropologia e Psicologia da
Educação.

A partir do final da década de 90 a disciplina passa a ser
ministrada pela professora Regina Lúcia de Ornellas Goulart com 165 h/a
em três semestres. No primeiro semestre com 45 h/a e nos dois seguintes 60
h/a, em cada um.

A organização dos conteúdos apresentava-se dentro da ordem
cronológica da História Geral, com a Educação Primitiva à Educação na
Idade Média - no primeiro semestre, da Idade Moderna à Contemporânea -
no segundo semestre, no contexto da História Geral, já no terceiro semestre
os conteúdos se referem ao desenvolvimento dos modelos educacionais no
plano político e social do Brasil - a Educação no Brasil Colônia à Educação
na Nova República.

Conforme Ghiraldelli (2003), colocando a posição de Saviani no
trabalho - “A função do ensino de filosofia da educação e de história da
educação” – na década de 70, diz que na disciplina História da Educação era
dado uma ênfase muito forte na palavra história, levando ao entendimento
da história da educação como uma mescla entre os acontecimentos gerais e
o desfilar das doutrinas pedagógicas, sem muita discussão se isso era ou
não história da educação
e que os programas ora eram construídos a partir
de uma visão determinada, ora seguiam um ecletismo em que passava-se
em revista as instituições educacionais e/ou doutrinas pedagógicas da
Grécia Antiga até a época contemporânea
(p. 242).
A partir de 2001, a estrutura curricular do Curso de Pedagogia
estabeleceu uma proposta interdisciplinar, promovida através de eixos
temáticos
, articuladores das diversas disciplinas que compõem cada
semestre
(Projeto Pedagógico, 2002, p. 12).
A disciplina História da Educação I que está relacionada no
primeiro semestre tem como eixo temático - Ética Profissional e a
Valorização do Trabalho Docente
- e na História da Educação II, no

289

segundo semestre, o eixo temático é - A historicidade do professor e sua
trajetória.

Nessa estrutura curricular o trabalho desenvolvido na disciplina
deixa de priorizar a organização de conteúdos e incluem determinadas
categorias consideradas relevantes para o entendimento da história da
educação.

As alterações e as metodologias utilizadas foram se estruturando,
em cada semestre, conforme organização das atividades elaborada pelo
grupo de professores/as. Com o amadurecimento dos trabalhos
desenvolvidos surge a atual proposta de trabalho na disciplina e História da
Educação.

A Proposta da disciplina História da Educação e o trabalho atual
das Professoras

A proposta metodológica desenvolvida atualmente na disciplina
de História da Educação está voltada para formação do
professor/pesquisador, pois temos como objetivo a inserção do aluno na
pesquisa científica. Conforme Castanho (2005)

o ponto-de-vista aqui defendido é o da essencialidade da pesquisa
para o ensino de qualidade. (...) O silogismo pode ser montado na
forma que se segue: 'Todo aprendizado exige pesquisa. Ora o ensino
exige o aprendizado. Logo, o ensino exige a pesquisa. (p. 80).

A pesquisa permite que o professor/pesquisador busque novas
informações e as sistematize através do método, tornando prático o
conhecimento científico e, por isso, contribui de maneira ampla e
significativa para a prática da docência. As pesquisas são estruturadas na
linha teórico-metodológica da História Cultural, envolvendo temas ligados a
educação como gênero, mentalidades, imaginário social, identidade cultural
e memória.

Nessa perspectiva desenvolvemos um projeto de Educação

Patrimonial11

, em nosso Núcleo de Pesquisa em História da Educação,

11

Trata-se de um processo permanente e sistemático de trabalho educacional centrado no
Patrimônio Cultural como fonte primária de conhecimento e enriquecimento individual e
coletivo. A partir da experiência e do contato direto com as evidências e manifestações da
cultura, em todos os seus múltiplos aspectos, sentidos e significados, o trabalho da Educação
Patrimonial busca levar as crianças e adultos a um processo ativo de conhecimento,
apropriação e valorização de sua herança cultural, capacitando para melhor usufruto destes
bens, e propiciando a geração e a produção de novos conhecimentos, num processo contínuo de
criação cultural (HORTA, GRUMBERT & MONTEIRO 1999, p. 6).

290

procurando ampliar os dados sobre a história, cultura e educação da região.
Atualmente conta com o trabalho de quatro alunas bolsistas de iniciação
cientifica que estão empenhadas no levantamento de dados, na montagem
de um banco de dados e na composição de seus “diários de pesquisa”, nos
quais relatam o dia-a-dia do pesquisador. As experiências e as primeiras
análises do material serão divulgadas através de oficinas e palestras feitas
pelas alunas nas escolas, na universidade e para a comunidade.

Fluxograma da Disciplina de História da Educação
1960 - 2005

Titulação: Ciências Sociais e História

Objetivos (1960-1999)

• Formar profissionais de educação críticos;
• Repensar a prática pedagógica;
• Integrar o universitário no
desenvolvimento histórico das idéias e das
instituições pedagógicas;
• Assimilar conhecimentos filosóficos e
pedagógicos;
• Identificar as causas e conseqüências das
diversas correntes filosóficas e
pedagógicas.

Objetivos (2000 - 2005)

• Identificar as mudanças na estrutura
educacional em diferentes períodos da
História;
• Analisar as práticas escolares nos diferentes
espaços e tempo;
• Refletir a influência dos aspectos políticos,
econômicos, culturais e sociais na educação;
• Favorecer a prática de pesquisa, a produção
acadêmica, as vivências pedagógicas
concretas e prática profissional;
• Propor uma reflexão sobre as questões
gênero, identidade cultural e imaginário
social;
• Promover a “alfabetização cultural” através
de pesquisa na área de Educação Patrimonial.

Titulação: Pedagogia

Titulação: Doutorado em História

Titulação: Mestrado em Educação

HISTÓRIA
DA EDUCAÇÃO

Titulação: Teologia

Titulação: Filosofia

Fonte: Dados construídos pelas autoras a partir dos dados coletados nos Planos de Estudos e
Atas da Universidade, 2006.

Observando os dados do fluxograma podemos destacar que a
disciplina História da Educação dos anos de 1960 –1999 tinha como
objetivo a formação profissional voltada para a docência pedagógica,
através de um perfil filosófico.

Nos anos de 2000 – 2005 constatamos uma mudança bastante
significativa, pois a disciplina passou a formar professores e pesquisadores.
Primeiramente o pensamento pedagógico passou a ser interpretado segundo
o contexto histórico, econômico, social e cultural de cada época. Num
segundo momento a pesquisa passou a ser estimulada como uma ferramenta
de sistematização do conhecimento científico.

291

Corpo Docente

Profª Clotilde Maria L.Q. Magalhães
Profª Eva da Nova
Pe. Firmino H. Dalcin
Prof José Tinoco Barreto
Major Augusto Pinheiro Grande
Profª Gladys Martins Brasil
Profª Tereza Vernet Not

Profª Esp. Regina Lúcia De Ornellas Goulart
Profª MsC. Berenice Guedes De Bem
Profª MsC. Regina Quintanilha Azevedo
Drª Clarisse Ismério Oliveira

Fonte: Dados construídos pelas autoras a partir dos dados coletados nos Planos de Estudos e
Atas da Universidade, 2006.

O corpo docente acompanhou as necessidades e o crescimento da
instituição, primeiramente eram professores de primeiro e segundo grau,
catedráticos e possuíam o conhecimento característico que a disciplina
requeria. Com a exigência de capacitação, imposta pelo mercado cada vez
mais competitivo, ocorreu à inevitável atualização e especialização dos
docentes. Atualmente a disciplina conta com professores/pesquisadores.

Referências

ATTILA TABORDA E SEU TEMPO. Bagé: URCAMP, 1997.

CASTANHO, Sérgio.Ensino como Pesquisa na Graduação. In:VEIGA,
Ilma Passos Alencastro e NAVES, Marisa Lomônaco de Paula (Orgs.).
Currículo e Avaliação na Educação Superior. Araraquara, SP: JM Editora
Ltda., 2005.

CATANI, Afrânio Mendes e Oliveira, Romualdo Portela de (Orgs.)
Reformas Educacionais e, Portugal e no Brasil. Belo Horizonte:
Autêntica,2000.

PROJETO PEDAGÓGICO. Centro de Ciências e Comunicação e Artes.
Bagé: URCAMP, 2002.

GHIRALDELLI JR., Paulo. Filosofia e História da Educação Brasileira.
São Paulo: Manole, 2003.

HILSDORF. Maria Lucia Spedo. História da Educação Brasileira:
Leituras.
Reimpr. da 1. ed. São Paulo: Thomson, 2003.

HORTA, Maria de Lourdes, GRUMBERT, Evelina & MONTEIRO,
Adriane Gia Bárico. Guia Básico da Educação Patrimonial. Brasília:
IPHAN, 1999.

292

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Nacionalismo Cristão. In. Ciências Sociais UNISINOS
. São Leopoldo:
UNISINOS, vol. 38, no

. 160, 2002, p. 161-185.

ISMÉRIO, Clarisse. Igreja e Nacionalismo: O Movimento Renovador da
Cristandade
(1930-1945). Tese de doutorado PUC-RS, 1999.

LE GOFF, Jacques. História e Memória. 5. ed., Campinas, SP: Editora
UNICAMP, 2003.

LOPES, Eliane Marta Teixeira e GALVÃO, Ana Maria de Oliveira.
História da Educação. Rio de Janeiro: DP&A, 2001.

PESAVENTO, Jatahy. História & História Cultural. 2. ed., Belo Horizonte:
Autêntica, 2004.

ROMANELLI, Otaíza de Oliveira. História da Educação no BRASIL.
(1930/1973).
27.ed. Petrópolis: Editora Vozes, 2002.

SOUZA, Paulo Nathanael Pereira de. LDB e Ensino Superior. São Paulo:
Pioneira, 1997.

STEPHANOU, Maria e BASTOS, Maria Helena Câmara (Orgs.). Histórias
e Memórias da Educação no Brasil.
Vol. III – Século XX. Petrópolis, RJ:
Vozes, 2005.

VIEIRA, Sofia Lerche e FREITAS, Isabel Maria Sabino de. Política
Educacional no Brasil. introdução histórica.
Brasília: Plano editora, 2003.

Regina Quintanilha Azevedo é Professora de História da Educação e
Metodologia dos Estudos Sociais (Curso de Pedagogia) na Universidade da
Região da Campanha. Mestre em História da Educação (UFPel - RS).

Clarisse Ismério é Professora de História da Educação (Curso de
Pedagogia) e Economia Brasileira (Curso de Administração) na
Universidade da Região da Campanha. Doutora em História do Brasil (PUC
– RS).

Marilene Vaz Silveira é Professora de Integração e Cooperação
Internacional, Empreendedorismo (Curso de Administração) e Economia e
Mercados (Transações Imobiliárias). Mestre em Integração e Cooperação
Internacional

Professoras do Núcleo de Pesquisa em História da Educação e Centro de
Estudos Interdisciplinares da URCAMP.

História da Educação, ASPHE/FaE/UFPel, Pelotas, n. 19, p. 293-300, abr. 2006
Disponível em: http//fae.ufpel.edu.br/asphe

O ensino de História da Educação na História da
Faculdade de Educação da UFRGS: primeiras
aproximações

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