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2006-2008 MELO Jair Alcindo Lobo De

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Publicado porJair Melo
Mestrado em Linguística Aplicada
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Published by: Jair Melo on May 31, 2011
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Relativamente à tipologia das inferências, acontece o mesmo que com

sua definição: há classificações tão variadas quanto às pesquisas realizadas sobre

assunto. Dessa forma, é problemático tentar propor uma classificação que dê conta de

todos os tipos de inferências, pois tal tentativa deveria abarcar uma série muito grande

de critérios. Como nosso objetivo nesta dissertação não é propor uma classificação,

mas apenas investigar alguns tipos de inferências que ocorrem em um contexto muito

específico de leitura e compreensão, serão apresentadas algumas classificações

divulgadas em pesquisas sobre o tema e tentaremos, a partir delas, focalizar alguns

tipos de inferências que interessam às nossas análises.

A distinção entre as duas principais classificações acerca da inferência

não é baseada no tipo de informação inferida, mas no que motiva a inferência. Essas

duas grandes categorias de inferências serão explicadas e exemplificadas a seguir.

Singer e Ferreira (1983) buscaram identificar as inferências a partir do

ponto de vista da direção para a qual apontam em relação ao texto. Com isso, as

inferências podem ser classificadas em dois tipos gerais: Backward inferences

(inferências conectivas): são aquelas que especificam uma conexão entre a sentença

corrente e uma parte anterior do texto. As inferências conectivas são necessárias para

a coerência da mensagem, devendo, então, ser feitas durante a leitura porque, sem

elas, a mensagem seria desconexa. E Forward inferences (inferências preditivas): que,

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ao contrário das inferências conectivas, podem ter um alto grau de probabilidade, mas

não são essenciais para a coerência.

Para Coscarelli (2003), inferências conectivas, também chamadas de

necessárias, backwards ou bridging, são aquelas feitas pelo leitor para ligar

informações de diferentes partes de um texto com a finalidade de manter ou construir

a coerência do texto. Caso elas não sejam feitas, haverá problema na compreensão

do texto. Essas inferências dependem do conhecimento de mundo do leitor. São elas

que estabelecem relações temporais, espaciais, lógicas, causais e intencionais entre

diferentes partes dos textos.

Coscarelli (2003) assevera que outras inferências, além das

necessárias para a compreensão, são feitas na leitura de um texto. Essas são

comumente chamadas de elaborativas ou forward. Uma inferência é elaborativa se

não desempenha nenhum papel no estabelecimento da coerência local do texto.

Inferências elaborativas também podem gerar expectativas do que vai acontecer no

texto. Elas não são necessárias à compreensão, mas podem facilitar o processamento

de partes posteriores do texto, pois ativam no leitor informações que podem ser úteis à

compreensão do texto. As inferências elaborativas podem ou não ser feitas. É

provável que algumas sejam feitas, e outras não. Isso significa que inferências não-

necessárias podem ser feitas no decorrer da leitura.

Van Dijk e Kintsch (1983, p.51), a partir de uma classificação geral

acerca dos vários tipos de dados inferenciais, definem como inferências elaborativas

as que ocorrem quando o leitor usa seu conhecimento sobre o tópico em discussão

para preencher detalhes adicionais não mencionados no texto, ou para estabelecer

conexões entre o que está sendo lido e itens relacionados ao seu conhecimento da

língua ou do mundo. Os autores observaram que as inferências elaborativas podem

ser feitas durante a reprodução de um texto e sua fonte é algum esquema conhecido

usado para a interpretação. Neste caso, se há um desajuste entre o esquema e o

texto, é provável que o texto seja ajustado para adequar-se melhor ao esquema

usado. As inferências elaborativas, normalmente, têm como função superar a

incapacidade de lembrar detalhes do texto original, motivo pelo qual as elaborações

também podem distorcer o texto.

Marcuschi (1999, p.121) assevera que a inferência é um processo

dependente do texto, do contexto de enunciação implícito, do contexto reconstruído

local e temporalmente e dos conhecimentos prévios do leitor. Quanto mais

conhecimentos partilharem o autor e o leitor, tanto maior chance de uma compreensão

das intenções do autor, bem como do aproveitamento das informações textuais.

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Ainda com relação à classificação das inferências, Marcuschi (1989,

apud FERREIRA & DIAS, 2004) propõe uma classificação das inferências que reúne

os critérios acima mencionados e coloca como critério geral à origem das inferências:

1-Inferências de base textual: lógicas (dedutivas, indutivas,
condicionais), sintáticas e semânticas (associativas,
generalizadoras, co-referenciais);
2-Inferências de base contextual: pragmáticas (intencionais,
conversacionais, avaliativas), práticas (experienciais) e
cognitivas (esquemáticas, analógicas e composicionais);
3-Inferências sem base textual: falseamentos e
extrapolações infundadas.

Para Marcuschi, muito do que entendemos ou pensamos estar sendo

referido por meio da leitura é obtido por uma atividade sobre o texto e não nos chega

de forma direta e objetiva. Como se pôde perceber, a questão da classificação das

inferências, embora tenha sido discutida por vários pesquisadores, permanece

controversa, pois vários critérios têm sido usados, o que resulta em classificações

muito diferentes umas das outras.

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