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Responsabilidade do servidor público (Reparado)

Responsabilidade do servidor público (Reparado)

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Universidade Federal do Rio de Janeiro ± Faculdade Nacional de Direito

Responsabilidade dos servidores públicos

Alunos: Victor Mesquita Gomes (DRE: 108027803), Felliphe dos Santos Pereira (DRE:) Prof.: Atílio Gorini Matéria: Direito Administrativo II Período: 6° Noturno

Rio de Janeiro - 2010

Obviamente.2010 .112/90). em certas circunstâncias. civis e penais com respectivas responsabilizações. Vejamos os suportes fáticos e os efeitos dessas formas de responsabilidade. 121). Essa é a razão por que a mesma situação fática é idônea a criar. foi exatamente esse o motivo pelo qual o estatuto funcional federal dispõe que "as sanções civis. Sucede que. a responsabilidade pode ser civil. administrativas. penal e administrativa. Pode também haver responsabilidade administrativa sem que se siga conjuntamente a responsabilidade penal ou civil. Os deveres comuns e os deveres especiais acarretam para o servidor um quádruplo regime de responsabi lidade. concomitantemente. Cada responsabilidade é. Rio de Janeiro . que o submetem à aplicação dos meios adequados para a apuração dos fatos. A Lei n° 8. as responsabilidades serão conjulgadas.Universidade Federal do Rio de Janeiro ± Faculdade Nacional de Direito 1. visto que para cada tipo de responsabilidade é atribuída uma espécie de sanção. pode haver responsabilidade civil sem que haja responsabilidade penal ou administrativa. Desse modo. No que toca ao servidor público. penais e administrativas poderão cumular-se. penal e administ rativamente pelo exercício irregular de suas atribuições" (art. porém. penal e administrativa. em algumas ocasiões. Se as responsabilidades se acumulam. independente da outra. 125 da Lei n° 8. que o submete às conseqüências políticas. formação de juízo e aplicação de sanções cabíveis. É sob esse aspecto que a responsabilidade do servidor perante a Administração pode ser civil.112/90 dispõe a respeito: "O servidor responde civil. a consequência natural será a da acumulabilidade das sanções. as responsabilidades civil. se isso ocorrer. em princípio. Por exemplo. cabe salientar um aspecto que merece importante análise. essa responsabilização só pode ser reconhecida se ocorrer uma situação fática qu e a lei tenha erigido como suporte da responsabilidade. penal e administrativa. Considerações gerais sobre a responsabilidade do servidor público A relação estatutária admite que. o fato que gera certo tipo de responsabilidade é simultaneamente gerador de outro tipo. A responsabilidade se origina de uma conduta ilícita ou da ocorrência de determinada situação fática prevista em lei e se caracteriza pela natureza do campo jurídico em que se consuma. sendo independentes entre si" (art. o servidor público seja responsabilizado perante a Administração. Antes.

POR ILÍCITO SERVIDOR PÚBLICO ADMINISTRATIVO. é que o STF já decidiu. MS nº 21. exige-se: Rio de Janeiro . das respectivas instâncias.94. 2. que consagra a regra.029. Segurança denegada. e MS nº 22. SEPÚLVEDA PERTENCE.294. Pode até mesmo ocorrer que a decisão penal influa na esfera administrativa. Esta Corte tem reconhecido a autonomia das instâncias penal e administrativa.076 . de negativa de sua autoria e de fundamento lançado na instância administrativa referente a crime contra a administração pública. acertadamente. aceita universalmente. DAS INSTÂNCIAS. Responsabilidade Civil A responsabilidade civil é de ordem patrimonial e decorre do artigo 186 do Código Civil. Precedentes: MS nº 21.91. e 21. CELSO DE MELLO. O certo é que a realização do procedimento administrativo não se sujeita ao pressuposto de haver prévia definição sobre o fato firmado na esfera judicial.332. mesmo se ainda em curso ação penal a que responde pelo mesmo fato . DE SEGURANÇA. para configurar-se o ilícito civil. SIMULTANEIDADE DE PROCESSOS ADMINISTRATIVO E INDEPENDÊNCIA PRECEDENTES. DJ de 23. MAURÍCIO CORRÊA.93. segundo a qual todo aquele que causa dano a outrem é obrigado a repará-lo. como no seguinte precedente: MANDADO DEMITIDO PENAL. Analisando-se aquele dispositivo.10. mas isso a posteriori.09. DJ de 07. NÉRI DA SILVEIRA. que pode a Administração aplicar ao servidor a pena de demissão em processo disciplinar. julgado em 23. Relator para o acórdão Min.05.2010 . ressalvando as hipóteses de inexistência material do fato . em consequência.Universidade Federal do Rio de Janeiro ± Faculdade Nacional de Direito Em virtude da independência das responsabilidades e. verifica-se que.

caso em que esta já terá sido acionada diretamente pela vítima. 5°. pena de ser decretada nulidade do procedimento. Responsabilidade civil é a imputação. como se pode observar. Se o dano for causado à Administração. pode o servidor responder diretamente. Culpa ou dolo. Ocorrência de um dano material ou moral. seja o terceiro. podendo ser descontada cada parcela em seus vencimentos. LV.112/90). Cumpre também que haja a comprovação de que o servidor agiu com culpa civil. O fato espelharia verdadeira penhora ex officio nos vencimento. da Constituição Federal de 1988 (CF). 3. por meio de comportamento doloso ou culposo em sentido estrito.Trata se. Contudo. Relação de causalidade entre ação ou omissão e o dano verificado. Para imputar-se a responsabilidade civil ao servidor é preciso que haja a comprovação do dano causado. de caráter comissivo ou omissivo (art. da obrigação de reparar dano que tenha causado à Administração ou a terceiro. do contraditório e da ampla faculdade probatória. a lei admite alguns casos de responsabilidade objetiva (sem culpa) e também de culpa presumida. seja lesada a Administração. com relação a este elemento. o servidor público é perante ela diretamente responsável. às vezes de difícil comprovação. o que é expressamente vedado pelo art. por meio do direito de regresso assegurado à Administração. somente sendo cabíveis diante de normal legal expressa. sendo acionado pelo lesado. IV. Sem o dano inexiste responsabilização. do Código de Processo Civil Rio de Janeiro . 4. A responsabilidade civil do servidor reclama apuração por processo administrativo. Todavia. O dever indenizatório atribuído ao servidor pode se r satisfeito de uma só vez ou de forma parcelada. ao servidor público. Ação ou omissão antijurídica. ou indiretamente. exigindo-se a observância do princípio da ampla defesa em seu favor. como assegurado no art. de responsabilidade subjetiva ou com culpa. não pode haver desconto em folha de pagamento efetuado de modo coercitivo. subsídios ou salários do servidor.Universidade Federal do Rio de Janeiro ± Faculdade Nacional de Direito 1. Uma e outra constituem exceções à regra geral de responsabilidade subjetiva. se causa danos a terceiros. em decorrência de conduta culposa ou dolosa. isto é. 122 da Lei n° 8. 649. 2.2010 .

5°. em 21/8/2002.12. estas sujeitas às decisões do Poder Judiciário. a autoexecutoriedade do procedimento administrativo. apenas regulamenta a forma como poderá Rio de Janeiro .182-DF. julg. em qualquer caso. Min. decid indo pela vedação da autoexecutoriedade da cobrança do dano pela Administração nos autos do m andado de segurança n° 24. pois que o Poder Público não tem crédito privilegiado em relação a seu servidor. conforme jurisprudência do STF. LIV). MAURÍCIO CORRÊA. Sobre a forma de proceder em situações dessa natureza. compulsoriamente. in verbis: "11. mas.2010 . Condenar o impetrante à pretendida indenização. quer executando a sentença condenatória de juízo criminal ou a certidão de dívida ativa (no caso de alcances e reposições de recebimentos indevidos) 12. mas a forma de satisfazê-lo há de ser a empregada para a cobrança dos créditos em geral. deverá recorrer às vias judiciais. Rel. no caso. 13. "o desconto só é possível se com ele o servidor concordar". 37 da CF. esclarece mestre Hely Lopes Meirelles ser válido o desconto em folha "inclusive na hipótese prevista no art. não podendo alcançar. longe a autorizar a Administração a executar a indenização a purada em processo administrativo.2006. nem gravar unilateralmente seus vencimentos. as consequências civis e penais.382. é necessária a concordância do responsável porque a Administração não pode lançar mão dos bensde seus servidores. Seu crédito é indiscutível. garantido constitucionalmente de não ser privado de seus bens sem o devido processo legal (CF. art. 46 da Lei 8. 6 do art.Universidade Federal do Rio de Janeiro ± Faculdade Nacional de Direito (CPC) com redação dada pela Lei n° 11. seria violar o seu direito individual. As disposições do art. sem a sua permissão. para ressarcir -se de eventuais prejuízos. dado que a competência da Administração acha -se restrita às sanções de natureza administrativa em face do ato ilícito praticado pelo servidor. Não se aplica. A afirmação é correta. de 06. Como bem já se ressalvou. quer propondo ação de indenização contra servidor.112/90. Faltando -lhe esta aquiescência.

ou não. do ressarcimento apurado na esfera administrativa. por analogia. Desaparecimento de talonários de tíquetes-alimentação. de 1990. Responsabilidade civil de servidor. Rio de Janeiro . Hipótese em que não se aplica a auto -executoriedade do procedimento administrativo. 5. O Art. não podendo alcançar. A Administração acha-se restrita às sanções de natureza administrativa. Decisão da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados de desconto mensais.Universidade Federal do Rio de Janeiro ± Faculdade Nacional de Direito ocorrer o pagamento pelo servidor. 14.2004: Mandado de Segurança.182 de 12. 2. dispõe que o desconto em folha de pagamento é a forma como poderá ocorrer o pagamento pelo servidor." Consequentemente.2010 . após sua concordância com a conclusão administrativa ou a condenação judicial transitada em julgado. pelo STF no MS 24. aplicando-se. à Administra ção recorrer às vias ordinárias para obter o ressarcimento do prejuízo apurado no processo administrativo. 8. sendo. compulsoriamente. como decidido.02. Resta. 7. 46 da Lei no 8. portanto. Mandado de Segurança deferido . À falta de prévia aquiescência do servidor. vedada a autoexecutoriedade administrativa impositiva do desconto . o pagamento do débito "somente pode se dar por meio de desconto em folha de pagamento se houver a concordância do servidor". 4.112. logicamente após sua concordância com a conclusão administrativa ou a condenação judicial transitada em julgado. 6.429/92. portanto. 3. em folha de pagamento. em processo administrativo disciplinar. sem a autorização do servidor. que regula a apuração dos atos de improbidade administrativa praticados por s ervidores públicos. os procedimentos previstos na Lei 8. Condenação do impetrante. cabe à Administração propor ação de indenização para a confirmação. as conseqüências civis e penais. de ressarcimento ao erário do valor do prejuízo apurado.

estando. basicamente. Responsabilidade Penal A responsabilidade penal do servidor é a que decorre da conduta que a lei penal tipifica como infração penal. Assim. acarretando também a responsabilidade penal do servidor. Já tivemos a oportunidade de registrar ± mas nunca é demais frisar ± que o sistema punitivo na esfera administrativa é bem diferente do que existe no plano c riminal. se o ilícito penal acarretar prejuízo à Administração. O serv idor pode ser responsabilizado apenas penalmente. prevê outras condutas típicas. Responsabilidade Administra tiva Quando o servidor pratica um ato ilícito administrativo. que a responsabilidade penal pode ser. a seu turno. a eventual prática de ilícito penal pode não causar nenhuma influência no âmbito da Administração. será também civilmente responsável. Mas. Diga -se. por oportuno. o crime de lesões corporais simples Rio de Janeiro . 4. Nesse caso. pertinente à função administrativa. descartada a responsabilidade objetiva. A responsabilidade administrativa deve ser apurada em processo administrativo. ou não. Os crimes contra a Administração são. por conseguinte. as condutas são tipificadas. A matéria da responsabilidade penal é típica das áreas do Direito Penal e Processual penal e exige que a solução final do litígio seja definida pelo Poder Judiciário.2010 . os dos arts. A legislação especial. 312 a 326 do Código Penal (CP) ± dos crimes praticados por funcionário público contra a Administração Pública. assegurando-se ao servidor o direito à ampla defesa e ao contraditório. a responsabilidade só pode ser atribuída se a conduta for dolosa ou culposa.Universidade Federal do Rio de Janeiro ± Faculdade Nacional de Direito 3. bem como a maior margem probatória. O ilícito pode verificar -se por conduta comissiva ou omissiva e os fatos que o configuram são os previstos na legislação estatutária. de modo que a lei cominará uma sanção específica para a conduta que ela estiver vinculada. a ele é atribuída responsabilidade administrativa. Constatada a prática do ilícito. a responsabilidade importa a aplicação da adequanda sanção administrativa. a fim de possibilitar mais eficientemente a apuração do ilícito. Quando está fora de sua função pública. Neste.

fundado no art. da correlação entre a infração funcional e a punição imposta. em consequência. contudo. e passível de invalidação pela Administração ou pelo Judiciário. Os estatudos funcionais apresentam um elenco de deveres e vedações para os servidores. que lei na qual seja prevista punição sumária qualifica -se como irremediavelmente inconstitucional . da CF. LV. que ao juiz só é lícito examinar o aspecto da legalid ade. formação de convicção e a aplicação de sanções Rio de Janeiro . deve incidir toda vez que que a Administração aplica sanção a seus servidores.Universidade Federal do Rio de Janeiro ± Faculdade Nacional de Direito enseja uma sanção específica: a de detenção de três meses a um ano (art. Ressalva-se. Um deles é o princípio da adequação punitiva (ou proporcionalidade). Avulta. pois que as condutas não tem a precisa definição que ocorre no campo penal. Fora desse princípio. Acrescente-se a esses o princípio do contraditório e da ampla defesa. o regime é diverso. deve-se agora passar aos consequentes meios de responsabilização isto é. que. Outro é o princípio da motivação da penalidade. 129 do CP). 5°. Responsabilização dos Servidores Públicos Estabelecidas as formas de responsabilidade. pelo administrador. necessário para apontar os elementos que comprovam a observância. a que possam tais elementos ser aferidos no Poder Judiciário. fixar qualquer elo de ligação a priori com conduta. mas não pode ter ingerência nos critérios de conveniência. ao estudo dos atos e procedimentos disponíveis para a apuração dos fatos. em tais atos punitivos devem estar integrados os fatores apurados no processo administrativo-disciplinar. Além do mais. oportunidade ou justiça dos atos punitivos. 5. Na esfera administrativa. sem. bem como os fundamentos jurídicos da punição. a punição é arbitrária e ilegal. rendendo ensejo. Por essa razão. pelo qual se incumbe ao administrador certa margem de discricionaridade para compatibilizar a c onduta e a sanção.2010 . Deflui dessa circunstância que o sistema punitivo na Administração deverá atender a princípios específicos para regular a aplicação das sanções. por conseguinte. os estatutos relacionam as penalidades administrativas. visto que são eles da exclusiva alçada da Administração. e o ilícito administrativo vai configur ar-se exatamente quando tais deveres e vedações são inobservados. além de não poder ser postergado. no entanto.

conforme exposto anteriormente.Universidade Federal do Rio de Janeiro ± Faculdade Nacional de Direito pelo Estado. provocará reflexo na esfera civil da Administração. que a responsabilização administrativa competirá executoriamente à Administração em todos os casos. seja no aspecto civil. nã o tiver ocasionado qualquer dano à Administração. Esse quadro permite. o processo penal d e crime de responsabilidade. Se a condenação pelo crime. ocasionando prejuízo patrimonial aos cofres públicos. o procedimento de perdimento de bens. sendo condenado pela prática de crime de dano (art. cave observar. sem exceções. o processo penal militar. A decisão criminal. então. no caso. distinguir os meios internos dos meios externos de responsabilização. seja no administrativo. São meios externos: o processo civil ordinário. e a responsabilização criminal caberá também como regra. 6. salvo nos casos de crime de responsabilidade de agentes políticos.2010 . atribuindo responsabilidade civil ao servidor e estabelecendo sua obrigação de reparar dano. Efeitos da Decisão Penal nas esferas Civil e Administrativa Um dos mais relevantes temas dentro da responsabilidade dos servidor es públicos é. inexistirá Rio de Janeiro . a o Judiciário. o processo penal comum. entretanto. São meios internos: o processo administrativo disciplinar e os processos e respectivos procedimentos disciplinares sumários. o processo parlamentar de crime de responsabilidade. desde o ponto de vista do Direito Administrativo. Suponha-se que o servidor tenha destruído deliberadamente bens públicos. que pressupõe conduta dolosa. 6. o processo preparatório de seqüestro. 16 3 do CP). Repercussão na Esfera Civil A decisão penal condenatória só causa reflexo na esfera civil da Adminis tração se o fato ilícito penal se caracterizar também fato ilícito civil. o que analisa a repercussão do decisório penal no seio da Administração. e a representação de abuso de autoridade e o respectivo processo de responsabilidade penal. por ser particular o bem danificado. Desde logo. sem dúvida.1. a responsabilização civil caberá ao Poder Judiciário.

a decisão absolutória no crime (que exige sempre dolo) não influirá na esfera civil da Administração. Condenação Em se tratando de decisão penal condenatória por crime funcional. A decisão absolutória no crime poderá repercutir. e isso porque. na esfera civil. Se o juiz reconheceu que o servidor praticou Rio de Janeiro . conforme o crime imputado ao servidor público: a) crimes funcionais. deve agrupar-se as decisões penais em duas categorias. não poderá haver responsabilidade civil do servidor. Para melhor compreensão. e b) se houve o dano. ou não. e b) crimes não funcionais. Para exemplificar. por exemplo. como vimos.2010 . o servidor terá responsabilidade civil perante a Administração.3. significando que. que a instância criminal não obriga a instância civil. constatada sua imprudência. isto é. se o servidor recebeu a imputação do crime de dano e é absolvido na esfera criminal. mesmo tendo sido absolvido no crime. Crimes funcionais Dentre os crimes funcionais. em razão de conduta culposa.Universidade Federal do Rio de Janeiro ± Faculdade Nacional de Direito responsabilidade civil do servidor perante o Poder Público.3. os que não têm essa conexão 6. aqueles em que o ilícito penal tem correlação com os deveres administrativos. 6.2.1. Vamos a eles: 6. imperícia ou negligência. Repercussão na Esfera Administrativa Várias são as questões atinentes ao reflexo que a decisão criminal provoca na esfera administrativa. os demais. as responsabilidades são independentes. vale a pena tentar um sistema que englobe as várias hipóteses. Denotando assim. Primeiramente. duas hipóteses serão possíveis: a) se não houver dano patrimonial à Administração. há os que ensejam decisão penal condenatória ou absolutória. terá que haver sempre reflexo na esfera da Administração.

a Administração não tem outra alternativa senão a de considerar a conduta como ilícito também administrativo. V . com esteio no artigo 65 do Código de Processo Penal. ainda.2010 . da Lei n° 8.não constituir o fato infração penal. o servidor terá violado o art.Universidade Federal do Rio de Janeiro ± Faculdade Nacional de Direito crime e este é conexo à função pública. desde que reconheça: I .3. III. VI . No caso da Lei n° 8. que o CP estabelece. há que se distinguir os seus vários fundamentos. indicados no a rtigo 386 do Código de Processo Penal (com a redação alterada pela Lei n° 11. nos crimes praticados com abuso de poder ou violação de dever para com a Administração Pública. Exemplo. 117. Há também previsão de perda de função pública no caso de condenação por crime contra a probidade administrativa (art. 12.O juiz absolverá o réu. que o proíbe de receber propina ou vantagem de qualquer espécie em razão de suas atribuições. no primeiro caso. IV . II . quando for aplicada pena privativa de liberdade por tempo igual ou superior a um ano.2. mencionando a causa na parte dispositiva. XII. Absolvição Quando a sentença for pela absolvição.não existir prova de ter o réu concorrido para a infração penal. Repercutem na esfera adminsitrativa as decisões baseadas nos incisos I e V.112/90. Assinale-se. terá implicitamente praticado um ilícito administrativo. VII . a perda do cargo. nos seguintes termos: Art.429/92). Não repercutem na esfera administrativa: Rio de Janeiro . função pública ou mandato eletivo. se o servidor é condenado pelo crime de corrupçãp passiva (art.existirem circunstâncias que excluam o crime ou isentem o réu de pena. A instância penal.não existir prova suficiente para a condenação.estar provada a inexistência do fato.estar provado que o réu não concorreu para a infração penal.960/08). com base no artigo 935 do Código Civil e. III . então obriga a instância administrativa.não haver prova da existência do fato. 317 do CP). no segundo. como um dos efeitos da condenação. 6. 386 .

se absolvido pela Justiç a. não importa em impossibilidade da aplicação de pena disciplinar.´ Tais determinações se referem às hipóteses em que o funcionário incidiu. no inquérito administrativo. na ação referente ao ato que deu causa à demissão. apenas. como se vê na Súmula de Rio de Janeiro . por não provada a autoria.Universidade Federal do Rio de Janeiro ± Faculdade Nacional de Direito 1. A respeito do assunto. simultaneamente em falta disciplinar e em crime. com todos os direitos adquiridos´ Essa norma tem que ser interpretada à luz dos dispositivo do CC e CPP. a razão é semelhante à anterior: as provas que não são suficientes para demonstrar a prática de um crime podem ser suficientes para comprovar um ilícito adminstrativo. O DASP. o ilícito administrativo é menos do que o ilícito penal e não apresenta o traço de tipicidade que caracteriza o crime. será reintegrado ao serviço público. em qualquer hipótese.´ ³n°278 ± A absolvição do réu-funcionário. 2. da decisão criminal no âmbito da Administração. É exatamente a hipótese a que se refere o artigo 136 da Constituição do Estado. a decisão judicial repercute sobre a administrativa. porque o mesmo fato que não constitui crime pode corresponder a uma infração disciplinar. farta é a jurisprudência administrativa e judicial. a aceitar-se outra interpretação. A hipótese do inciso III. na esfera federal. Departamento Administrativo do Servidor Público. Vale dizer: pode o servidor ser absolvido no crime e ser punido na esfera administrativa. com manifesta ofensa ao princip io da separação de Poderes. em que a absolvição se dá por falta de provas. IV e VI. já mencionados. ou seja.2010 . pelo mesmo ato. estar-se-ia pondo fim à independência entre as instancias penal e administrativa. Sendo assim.´ ³n° 71 ± A Administração pode demitir funcionário por corrupção passiva com base. As hipóteses dos incisos II. nesse caso. ela repercute apenas nas hipóteses já mencionadas pois. inexistirá repercussão. matéria já pacificada no atual ordenamento jurídico brasileiro. pelo qual ³o servidor público civil demitido por ato administrativo. já admitiu algumas Formulações a esse respeito: ³n° 30 ± A absolvição judicial só repercute na esfera administrativa se negar a existência do fato ou afastar do acusado a respectiva autoria. não significando que. a instância penal não obriga a esfera administrativa.

porém. Condenação Se o servidor é condenado a crime que não tenha correlação com a função pública. Pleno. nenhuma influência haverá na esfera administrativa quando a pena não impuser a perda Rio de Janeiro . não importa tal ocorrência a sua volta aos quadros do serviço público. da Lei n° 8. da prática do crime de peculato (art.4. ou que o acusado não fora o autor.1. ALDIR PASSARINHO. que seja punido na esfera administrativa por ter procedido de dorma desidiosa. sobretudo em decisões claríssimas como esta do Egrégio STF. Min. é admissível a punição administrativa do servidor público". Vamos a elas: 6. Vejamos um exemplo: imagine-se que um servidor federal tenha sido absolvido da imputação. se a absolvição se deu por insuficiência de provas. por insuficiência de provas quanto à sua participação no fato: nada impede. sempre vale a pena repeti -la. no mandado de segurança n° 20. Rel. que constitui conduta residual independente do crime de peculato. e o servidor foi regularmente submetido a inquérito administrativo.4. XV.112/90. que já está pacificada dos Tribunais. em 22/3/1991. a inexistência do fato. no qual foi apurado ter ele praticado o ato pelo qual veio a ser demitido. ainda leva alguns profissionais a erronis técnicas. julg.Universidade Federal do Rio de Janeiro ± Faculdade Nacional de Direito número 18 do STF "pela falta residual não compreendida na absolvição pelo juízo criminal. in verbis: "Embora possa ter sido absolvido o funcionário na ação penal a que respondeu. na ação penal. Crimes Não Funcionais Aqui também é conveniente separar as decisões condenatórias e as absolutórias. a ele atribuída." 6. 312 do CP).814. 117. ilícito administrativo previsto no art. Assim. Essa orientação.2010 . A absolvição criminal só importaria anulação do ato demissório se tivesse ficado provada. ao postularem reintegração de servidores absolvidos na esfera criminal por insuficiência de provas.

"b".4.Universidade Federal do Rio de Janeiro ± Faculdade Nacional de Direito da liberdade.2. prevendo o estatudo federal nesse caso o benefício do auxílio-reclusão. 92. 13) previu a edição de lei com o fito de disciplinar o acesso ao auxílio-reclusão para servidores. devem ser diferenciadas as hipóteses: a) se a privação da liberdade for por tempo inferior a quatro anos. nenhum efeito ocorrerá na relação funcional. nessa hipótese. que admite também o auxílio reclusão como efeito d o afastamento.2. pode ocorrer que outras leis estatutárias disponham deferentemente sobre a matéria.4. segurados e dependentes. Esclareça-se que o citado afastamento que apenas suspende a relação funcional. pago à sua família (art. É o caso da suspensão condicional da pensa ( sursis). na esfera administrativa. não se adota o mesmo sistema na hipótese inversa. 20/98 (art. é previsto como verdadeiro direito social do servidor. pelo qual a condenação. como não há paradigma constitucional para esse caso. valor esse a ser corrigido pelos índices adotados pelo regime geral da previd ência social quando o advento do diploma regulador. I. enquanto não houver a lei. constante do estatudo federal. convém anotar que a E. função pública ou mandato eletivo.268.112/90). Absolvição Sendo absolvido em crime de natureza não funcional. o servidor ficará afastado de seu cargo ou função. e. b) Se a privação da liberdade é superior a quatro anos.00. Rio de Janeiro . Todavia. Absolvição na Esfera Adminis trativa Diferentemente dos casos anteriores.C. Quando a condenação importa a aplicação de pena privativ a da liberdade. acarreta a perda do cargo. assegurou o benefício àqueles que tenham renda mensal igual ou inferior a R$ 360. do CP (com a redação da Lei n° 9. incide o art. 6. a solução ne sta última esfera não impede a instauração de processo no âmbito criminal. em consequência.2010 . 229 da Lei n° 8. Neste passo. de 01/04/1996). em que foi examinada a influência de decisão penal sobre a esfera administrativa. Em razão da independência das instâncias penal e administrativa.1. e. 6.

DENÚNCIA RECEBIDA CONTRA JUIZ DE DIREITO. Segue acórdão: HABEAS CORPUS. uma vez que as instâncias penal e administrativa são independentes". AFASTAMENTO DO CARGO COM BASE NO ARTIGO 29 C/C O ARTIGO 24. Denúncia que atende aos requisitos legais. PARÁGRAFO ÚNICO. por não estar em jogo a liberdade de ir e vir. levou em -se conta o número de desembargadores presentes e não a totalidade de membros do Tribunal. o Egrégio STF decidiu que "a absolvição em processo administrativo disciplinar não impede a apuração dos mesmos fatos em processo criminal. Não prevaleceu. Habeas corpus conhecido em parte e nela indeferido. Na parte em que impugna o afastamento do paciente. não merece conhecimento o writ. o argumento do impetrante de que estaria havendo duplicidade de julgamento pelo fato de serem apreciadas as mesmas provas oferecidas no processo administrativo. Rio de Janeiro . inexistindo os vícios apontados na impetração. sob alegação de que. DA LOMAN. assim. no quorum de votação.2010 .Universidade Federal do Rio de Janeiro ± Faculdade Nacional de Direito Em habeas corpus no qual o paciente pleiteava a anulação do ato do juiz que recebeu a denúncia em ação penal.

Manual de Direito Administrativo. Maria Sylvia Zanella.Parte Introdutória .Parte Geral . Diogo de Figueiredo Moreira . 1998 . 2009. DI PIETRO. 2004.stf.Universidade Federal do Rio de Janeiro ± Faculdade Nacional de Direito 7. Ed. Forense. Ed.br y y y Rio de Janeiro . Bibliografia: y CARVALHO FILHO.Parte Especial. FILHO NETO. Sítio eletrônico do Superior Tribunal Federal ± www. Atlas. José dos Santos.gov. Curso de Direito Administrativo .2010 . Ed. Direito Administrativo. Lumen Juris.

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