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Trab. de Conclusão

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A FUNÇÃO SOCIAL DA EMPRESA NA RECUPERAÇÃO JUDICIAL

Juliana Raquel Fraga

Canoas 2010

JULIANA RAQUEL FRAGA

A FUNÇÃO SOCIAL DA EMPRESA NA RECUPERAÇÃO JUDICIAL

Trabalho

de

conclusão

de

curso

apresentado à Faculdade de Direito do Centro Universitário Ritter dos Reis, como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Direito. Orientador: Prof. Luis Felipe Spinelli

Canoas 2010

JULIANA RAQUEL FRAGA

A FUNÇÃO SOCIAL DA EMPRESA NA RECUPERAÇÃO JUDICIAL

Trabalho de Conclusão de Curso aprovado como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Direito, pela banca examinadora constituída por:

________________________________________ Nome do Professor

________________________________________ Nome do Professor

________________________________________ Nome do Professor

Canoas 2010

por todas as dicas e ajudas que prestou durante esta jornada. Irani e Ana. E a Deus por todas as dádivas e felicidades que venho colhendo em meu caminho. Ao Ismael. das mais diversas formas. A todos que.DEDICATÓRIA Aos meus pais. me auxiliaram nessa empreitada. Ao meu sogro. meu incentivador e amigo. que esteve ao meu lado me auxiliando e preenchendo-me percurso de amor e carinho. por todos estes anos de amor e dedicação destinados a mim e aos meus irmãos. . Eloi.

que comigo esteve comprometido e me auxiliou de forma excepcional.GRADECIMENTOS Meus agradecimentos a todos os professores do Curso de Bacharel em Direito do Uniritter. os quais participaram e são. responsáveis pelo meu desenvolvimento profissional e pessoal. nessa empolgante jornada. Luiz Felipe Spinelli. Em especial quero agradecer a meu orientador. . o Prof. em grande parte.

dos governos. A vida do direito é a luta: luta dos povos. (Rudolf von Ihering) .O fim do direito é a paz. dos indivíduos. das classes sociais. o meio de que se serve para consegui-lo é a luta. ele não poderá prescindir da luta. Enquanto o direito estiver sujeito às ameaças da injustiça – e isso perdurará enquanto o mundo for mundo -.

661/1945 ser substituído pela Lei 11.RESUMO Este trabalho trata da função social da empresa e como esta influência o instituto da recuperação judicial. Ainda procura. por meio de manifestações do Poder Judiciário demonstrar como a nova Lei vem se adaptando à realidade. e identificar os possíveis impactos que o reconhecimento a função social da empresa irá causar no deferimento e andamento do processo de recuperação judicial. recuperação judicial.101/2005.661/1945 se faz necessário observar as principais diferenças e semelhanças entre o instituto da concordata. pois este não existia no Decreto – lei 7. . concordata preventiva. O texto ainda traz os motivos que levaram o Decreto – lei 7. Sendo a recuperação judicial um instituto novo. Palavras-chave: função social da empresa. preservação da empresa. principalmente a concordata preventiva (por ser a que mais se aproxima da recuperação judicial).

............101/2005 E DE SUAS DIRETRIZES NO PROCESSO DE RECUPERAÇÃO DA EMPRESA EM CRISE............................................................2............................1.............1 A concordata no regime do Decreto – lei 7..........................................................32 1...............................................................................................102 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.......................................105 .....53 1.............661/45 .........2..............................78 2..............................SUMÁRIO INTRODUÇÃO ...........2 Contratualismo x Institucionalismo..............................94 CONCLUSÃO............................1 O reconhecimento da função social da empresa na recuperação judicial.......................................................................................71 2 REPERCUSSÃO DA LEI 11.......1 A flexibilização do instituto da concordata e a função social da empresa............16 1............................................88 2........14 1.......................................9 1 A RECUPERAÇÃO JUDICIAL E A FUNÇÃO SOCIAL ............................1 Instituições.........................................................28 1...................................................................................................................................................2 Análise das manifestações do Judiciário.........2 Da recuperação judicial......................

pois regia um processo concursal que não viabilizava mecanismos eficientes para que a empresa pudesse se recuperar da crise. Na sistemática do Decreto – lei a falência do devedor poderia ser decretada pela simples impontualidade no pagamento de seus compromissos. por viabilizarem a recuperação deste devedor. Mas seus métodos acabavam por não proporcionar a recuperação efetiva de que a empresa necessitava. mantendo assim postos de trabalho. não havendo mais como suspender o processo de falência em curso. . a prática demonstrava um índicie muito maior de quebra das empresas do que sua efetiva recuperação. não sendo levada em consideração questões como a capacidade econômica e financeira do devedor ou a boa-fé do mesmo em relação aos seus credores. tendo está vindo para substituir o Decreto-lei guarda algumas semelhanças com o antigo instituto. a circulação de bens e serviços. O regime falimentar da legislação de 1945 demonstrou-se notadamente ultrapassada.661/45 previa como formas de recuperação da empresa o instituto da concordata. A concordata preventiva era um instrumento onde buscava-se. No presente estudo a mais relevante é a concordata preventiva.INTRODUÇÃO Durante sessenta anos o Decreto – lei 7.101/2005. entre outros benefícios a sociedade e ao próprio Estado com a arrecadação de impostos. pois a recuperação judicial. bem pelo contrário. Já a concordata suspensiva não foi mantida na nova lei. O Decreto – lei 7.661/1945 foi quem ditou as regras e as formas para que o empresário em crise pudesse sair desta ou requerer a decretação de sua falência. o qual podia ser preventiva ou suspensiva. através de dilação de prazos e remissão de parte das dívidas. sobrecarregando de responsabilidades o devedor. não possibilitando a este muitas alternativas econômicas para solucionar a falta de liquidez. Estas considerações são de suma importância. a retirada da empresa da crise. prevista na Lei 11.

Disponível em: < http://www. não apenas no aumento da eficiência econômica. Marta Santiago de Oliveira.101/2005. ela é acima de tudo um poder. A nova lei diluiu a responsabilidade do devedor. principalmente “pela missão de dar conteúdo social à legislação2”. Mas não é apenas a recuperação judicial novidade no campo do direito concursal. não apenas com o seu interior. pois não visa apenas à satisfação dos credores da empresa em crise. não sendo estes.A recuperação judicial prevista na Lei 11. apesar de manter algumas semelhanças com o instituto da concordata preventiva. mas. Acesso em 22 de fevereiro de 2010. A empresa é uma das instituições mais significativa da atualidade. tem seus objetivos bem mais abrangentes. mas também com seu 1 SCHELLES. Hoje a empresa não é apenas uma mera produtora de bens e serviços.101/2005.jus.pdf>. . visa também à preservação da empresa e tudo que este significa. apresenta o principal objetivo da nova lei quando menciona que “em razão de sua função social. a empresa deve ser preservada sempre que possível. O Princípio da Preservação da Empresa no Novo Sistema Falimentar. pois a nova lei também traz a recuperação extrajudicial.br/trabalhos_conclusao/trabalhos_22009/martaschelles. foco do presente estudo. O Senador ainda refere que o trabalho do legislativo foi ajustado. onde devedor e credores podem entrar em acordo sem a necessidade da participação atuante do judiciário. loc cit. dividindo-a com os credores e Poder Judiciário. 2 SCHELLES. contribuindo para o crescimento e desenvolvimento social do País 1”. bem como um regime especial de recuperação para as pequenas e micro empresas. pois gera riqueza econômica e cria emprego e renda.tjrj. O Senador Ramez Tebet. pois representa uma fonte geradora de empregos e expansão da comunidade e sociedade em geral. em relatório sobre o projeto de Lei que institui a Lei 11.emerj. os quais passam a ter uma participação mais ativa no processo de recuperação da empresa. acabando por assumir responsabilidades.

não havendo comparações com o direito de outros países. A relação história do instituto e sua evolução trazem muitas noções de como este funcionava. embora inevitavelmente criador do direito. que se reconhece não se fazer de forma mecânica e literal. 92. as instituições servem para satisfazer as necessidades da sociedade. não apenas aos credores. Ou. Samuel.101/2005. ou mais ou menos dispensáveis. segundo CAPPELLETTI. p. pois esta se adequa ao seu tempo e seus significados podem: ser traduzidos de várias formas e possuírem significados diferentes para cada ordenamento jurídico. 117. 1982. É dentro deste conceito que surge a função social da empresa e sua importância nos tempos de hoje. 2004. o juiz. 3 KOENIG. que vão desde as mais essenciais até as relativamente sem importância. 6º. dando assim liberdade ao juiz de interpretar a norma de forma que está seja favorável. Humberto. Elementos de Sociologia. como Samuel Koenig3 profere. Tradução Vera Borda. quando não definiu a função social da empresa foi muito sensato. . controlada e responsável. pois. poder aprovar o plano de recuperação mesmo que este não seja aprovado pelos credores em assembléia. Dentro das modificações trazidas pela Lei 11. Elas acabam por servir como um meio de regular e controlar as atividades do homem. O legislador. O contrato social e sua função. como adverte PERLINGIERI. não um interprete completamente livre de vínculos. mas apesar disto este não será analisado no corpo do trabalho. Afinal. pois se dará mais espaço as questões técnicas do que históricas. p. Neste trabalho interessará apenas o que a função social da empresa significa para o ordenamento brasileiro. na sua nobre missão de complementador da regra legislada. Rio de Janeiro: Zahar Editores.exterior. a interpretação é também uma atividade vinculada. ed. 4 THEODORO JÚNIOR. a que chama a atenção é a possibilidade de o juiz. pois como cita Humberto Theodoro Júnior4 sobre a questão: Mesmo na atividade de interpretação da lei. a criatividade desempenhada pelo juiz para atualizar e compatibilizar a norma com o caso concreto e o momento da sua aplicação não lhe dá uma liberdade que possa significar a abertura para o arbítrio e a aventura. o que precisava ser contornado e o que as mudanças poderão causar. ao reconhecer a função social da empresa. 2ª ed. Rio de Janeiro: Forense. mas também aos outros interessados.

Por fim. e aquelas que merecem maior atenção por ainda trazer dúvidas em relação a sua utilização na prática pelos tribunais. e os principais institutos envolvidos na recuperação judicial da empresa. e o princípio da função social. e como a função social da empresa enquadra-se nesses processos tão distintos. se desenvolvem na Lei 11. e como a recuperação judicial se apresenta o trabalho será composto de dois capítulos que possibilitarão identificar o instituto e como este. sociedade e principalmente dentro do ordenamento jurídico. em especial na recuperação judicial da empresa. . É identificado o funcionamento do processo de recuperação judicial. Portanto.101/2005 entende ser função social da empresa e como esta se insere e vem se inserindo no cotidiano das empreses. serão analisadas algumas manifestações do judiciário sobre algumas matérias que acabam por impossibilitar a efetiva recuperação judicial da empresa se forem seguidas pelos juízes. No primeiro capítulo se visualizará como funcionava o instituto da concordata preventiva e como este não se adequa mais a realidade brasileira. identificando suas relações.Para alcançar o entendimento do que é a função social da empresa. o problema que se propõe é identificar como a Lei 11. acabando assim sendo entendidas como desnecessárias e que acabam indo ao encontro ao objetivo da Lei a qual é a preservação da empresa.101/2005.661/45 e a Lei 11. O segundo capítulo busca demonstrar algumas diferenças existentes entre o Decreto-lei 7.101/2005.

101 de 9 de fevereiro de 2005. Nova Lei de Recuperação e Falências/ Lei 11. ele busca indicações de que a empresa em crise tem potencialidade para se reerguer e permanecer no mercado. apesar de o Decreto-lei 7.101/05. 2 tir. Teoria falimentar e regimes recuperatórios: estudos sobre a Lei 11. 43. mais como um fenômeno econômico do que jurídico.1 A RECUPERAÇÃO JUDICIAL E A FUNÇÃO SOCIAL Antes da promulgação da Lei 11. seus princípios e fundamentos eram diversos da nova lei. 2008. 5 O instituto da recuperação judicial da empresa só ingressou no ordenamento jurídico brasileiro com o advento da Lei 11. Manoel Justino.72. Na recuperação judicial o olhar do juiz não se restringe apenas ao momento atual da empresa. Porto Alegre: Livraria dos Advogados Editora. Teoria falimentar e regimes recuperatórios: estudos sobre a Lei 11. mas tenta. 7 VIGIL NETO. mas pelo plano reorganizativo da empresa.não pelo desempenho momentâneo. O regime da recuperação judicial não “pré-diagnostica a doença e nem pré-determina o remédio”.101/05 trouxe ao ordenamento jurídico uma abertura maior em relação à real crise econômica da empresa e a oportunidade de buscar formas mais efetivas para a recuperação da empresa. Pois até então não havia qualquer referência à recuperação da empresa.7 5 BEZERRA FILHO. p.101/2005 a recuperação judicial já era contemplada.71.661/1945 disciplinar o instituto da concordata. – São Paulo: Revista dos Tribunais. que será avaliado pelos credores e pela sociedade. o qual prestava a possibilidade de o empresário buscar judicialmente o retorno da saúde econômica de seu empreendimento. Porto Alegre: Livraria dos Advogados Editora. No entanto ali. sim averiguar as suas potencialidades futuras. 3º ed.. 2005. 2008.101/05. os credores também deverão observar a capacidade da empresa de cumprir as obrigações assumidas no plano recuperatório. Dentro dessa análise geral. não especificamente. Luiz Inácio. p. comentário artigo por artigo. 6 VIGIL NETO. p. E está potencialidade futura é demonstrada de acordo com Vigil Neto: .101/2005. ela possibilita que o devedor busque junto aos credores as melhores formas de retirar a empresa da situação de crise. . Ou seja..6 A Lei 11.. Luiz Inácio. mas ainda assim ocorria no mundo dos fatos.

caracterizando – se este como “um ônus de submissão ao plano recuperatório imposto aos credores em prol de um ganho social futuro”. 8 9 Ibidem. Mudanças estas que a prática já vinha exigindo. independentemente da natureza do crédito.71.. dependendo a recuperação desta aprovação. que na concordata previa a participação apenas dos créditos quirografários. p. não dando muitas opções ao empresário para buscar sua melhora. tendo como principal diferença da concordata preventiva que a primeira busca alternativas junto aos credores para recuperar-se da crise enquanto a concordata preventiva é mais fechada. Pois. Ibidem.8 Outro avanço da Lei 11. tem como objetivo buscar formas de recuperar a saúde da empresa. . mas na própria reorganização da empresa. e que agora se faz necessário sejam estudadas a fundo para que seja possível compreender por completo os novos rumos que foram dados ao instituto da recuperação da empresa em crise e quais os institutos que permaneceram. tendo em vista que a recuperação não se resume a uma forma de repactuação do pagamento de dívidas. Vigil Neto diz: . Estes são apenas alguns dos avanços que a Lei 11.fator que afetava a eficiência do regime foi ampliado na recuperação. desde que respeitado alguns requisitos e seja reconhecido o desempenho de função social da empresa.72. devendo este ser aprovado pelos mesmos. se o caminho de reorganização da empresa passa pela construção coletiva de um projeto econômico e/ou financeiro deverá estender-se às relações jurídicas essenciais à manutenção da empresa.9 No instituto da recuperação judicial é possível identificar algumas semelhanças com a concordata preventiva. pois a recuperação judicial também visa a evitar a falência da empresa em crise. Quanto a isto..101/05 trouxe ao ordenamento jurídico brasileiro.O devedor deverá apresentar aos credores um plano reorganizativo da sociedade.101/05 foi a ampliação do rol de credores. Caso o plano seja reprovado poderá o juiz impor o plano aos credores. há algum tempo. p.

o qual pode ser conceituado como: Benefício concedido por lei ao negociante insolvente e de boa-fé para evitar ou suspender a declaração de sua falência. p. para que a empresa possa passar pela recuperação judicial só pode estar em crise econômico-financeira.10 A empresa para requerer o benefício da recuperação judicial não poderá ter as três espécies de crise. Tratado de direito empresarial brasileiro. Luiz Inácio. 2008. (. Porto Alegre: Livraria dos Advogados Editora.) A crise financeira revela-se quando a sociedade empresária não tem caixa para honrar seus compromissos. 104. a insuficiência de bens no ativo para atender à satisfação do passivo. a crise patrimonial é a insolvência.1 A concordata no regime do Decreto – lei 7. Desta forma. . pois se assim o for ela só poderá requerer a falência da empresa.12 10 VIGIL NETO. do contrário a falência da empresa é inevitável.) Por fim.. Com estas definições fica mais fácil entender como a recuperação judicial se dá e a quem afeta. semelhanças entre a concordata preventiva e recuperação judicial.101/2005 trouxe ao direito falimentar brasileiro. 105. e as inovações que a Lei 11. Celso Marcelo de. De acordo com Fábio Ulhoa Coelho. evitando ou suspendendo a sua falência. 24-25. 2004.101/05.. 11 OLIVEIRA. ficando ele obrigado a liquidar suas dívidas segundo for estipulado pela sentença que concede o benefício. para entender o seu significado é preciso distinguir as crises econômica. isto é.661/45 O Decreto – lei 7. Teoria falimentar e regimes recuperatórios: estudos sobre a Lei 11..11 Para Ruben Ramalho concordata é Uma forma legal de prorrogação de prazo ou de redução da dívida.É importante entender o que é a crise da empresa. financeira e patrimonial. Campinas: LZN. 12 Ibidem. Daqui para frente serão identificados os procedimentos. com o objetivo de superar o estado de pré-insolvência do devedor comerciante ou industrial. p. p. (.. Por crise econômica deve-se entender a retração considerável nos negócios desenvolvidos pela sociedade empresária.661/45 previa o instituto da concordata. 1.

SP: Saraiva. tendo o instituto uma natureza mercantil. Rubens. onde previa a conjugação dos dois efeitos. tendo seus prazos e valores remidos nos artigos 156. podendo elas ser: remissória. fosse ele individual ou coletivo.13 Dentro destes conceitos a concordata era divida em duas espécies. por ser a mais utilizada. visando desta forma a mantença do negócio. Curso de direito comercial. sendo ele o sujeito ativo da ação. Vera Helena de e SZTAJN. 359. Os devedores civis eram excluídos do benefício. possibilitando. a qual era decretada quando o empreendimento já se encontrava em processo de falência. 4º ed. que poderia chegar até dois anos. 2003. o espólio do devedor o qual seria representado pelo 13 ULHOA COELHO. Celso Marcelo de. a instauração do concurso falimentar. Curso de direito falimentar. onde o empresário poderia conseguir a remissão parcial de suas dívidas. mas esta era afastada. Rio de Janeiro: Elsevier. interrompendo desta forma o procedimento liquidatório-solutório14 em curso. 25 .2. ou seja. ou seja. vol. 16 RENQUIÃO. 213. e moratória a qual visava a dilação dos prazos de vencimento das dívidas.15 A concordata era destinada apenas ao comerciante. evitando. e a mista. assim. Tratado de direito empresarial brasileiro. 14 MELLO FRANCO. 113. 1995. sendo este desconto de no máximo 50%(cinqüenta por cento) do valor devido. v. 4º ed. SP: Saraiva. como. a qual era decretada antes da falência. Campinas: LZN. A mista possuía maior ênfase na lei. por exemplo. o objetivo da concordata era resguardar a empresa em crise das conseqüências da falência. a concordata preventiva. p. dando a possibilidade ao empresário de retornar ao comando de sua atividade econômica. 2008. rev. Rachel. assim.Segundo Fábio Ulhoa Coelho. Falência e Recuperação da empresa em Crise: comparação com as posições do Direito Europeu. § 1º e 177. ao empresário evitar a quebra de seu empreendimento. a dilação do prazo para pagamento e o abatimento de parte do valor da dívida. 15 OLIVEIRA. e atual. ao empresário comercial. Fábio. 2004. p.16 A legitimidade para requerer a concordata era do devedor. p. p. Entretanto existiam hipóteses de representatividade. e a concordata suspensiva. parágrafo único do Decreto – lei.3. As concordatas podiam assumir diferentes modalidades.

20 OLIVEIRA. relativos ao modo de gerir seu negócio. e as em liquidação seria o liquidante devidamente autorizado. p.661/45. p. declarando-lhe a falência. p. antes e depois do pedido e. op cit. não deve imiscuir-se na administração da empresa. 17 Bem como no caso de sociedade anônima os legitimados para requerer o benefício seriam os seus diretores. na concordata preventiva. Rubens.18 Na concordata o devedor – concordatário – permanecia na administração plena de seus bens. Rubens.21 O comissário deveria apresentar em cartório. 4º ed. Lívia Sampaio. 21 RENQUIÃO. 126. p.pdf>. se existiam atos revogáveis. Curso de direito falimentar. Gabriela. SP: Saraiva.. ainda.2.2. estes deviam ser indicados. vol. bem como os procedimentos do empresário em crise. Da análise comparativa entre a recuperação judicial e a concordata. op cit. desregrada ou faustosa – deve comunicar o fato ao juiz.inventariante do mesmo. Dada a gravidade do ocorrido e de sua repercussão patrimonial. 36. não só na sua atividade empresarial como em sua vida particular – como mantendo vida dissoluta. 1995. por ele verificado. devendo este ser nomeado pelo juiz no despacho inicial. junto com as razões que levaram o mesmo a requerer o benefício. 36. se o procedimento do concordatário. 4º ed.20 De acordo com Rubens Requião: O comissário. Acesso em 05 de março de 2010. devidamente autorizado pelos herdeiros. PINHEIRO.fesmip.org. e na gerência de seus negócios. . até cinco dias após a publicação do quadro geral de credores. SOARES. Grazieli e PEREIRA. bem como seus responsáveis e 17 BRITO. apenas sob a fiscalização do comissário. o qual era escolhido dentre os maiores credores estabelecidos no foro da concordata.br/arquivo/publicacao/dir_comercial. 120. 1995. 18 OLIVEIRA. Curso de direito falimentar. Thomás Raimundo. O comissário. Disponível em: <http://www. tinha que ter reconhecida sua idoneidade moral e financeira. assim. o relatório onde constava o estado econômico do devedor. 19 Ficando o devedor. nem querer vetar certos atos do concordatário. as possibilidades deste de cumprir a concordata. for irregular. Mas o comissário não pode determinar o modo de gestão da empresa. pode o juiz desde logo rescindir a concordata. vol. 19 RENQUIÃO. estando suas funções dispostas no artigo 169 do Decreto – lei 7. de acordo com a deliberação da assembléia de acionistas. nas demais sociedades seriam pelo sócio que tivesse a qualidade de obrigar a sociedade.. SP: Saraiva.

Tratado de direito empresarial brasileiro. São Paulo: Saraiva. Celso Marcelo de. junto ao cartório onde foi devidamente arquivada. até hoje. os que mais necessitam de soluções e são os principais causadores da quebra das empresas. Nova Lei de Falência e Recuperação de Empresas. 132. Primeira e Segunda Partes. . 1995. ou seja. não podendo deixar de lado o principal intuito da concordata o qual era pagar os credores conforme a proposta apresentada.469-471. desde que esta fosse feita expressamente. sendo em relação a este ponto um tanto quanto deficiente. visando sempre o objetivo de retirar a empresa da crise. p. 2004. sendo este a sede dos negócios da empresa. pois não há renuncia tácita.asp?id=6632>. Estes requisitos permaneceram os mesmos na Lei 11. 23 VASCONCELOS FERREIRA. Disponível em: <http://jus2. Em se tratando de empresa estrangeira.com. então.101/2005. A concordata. poder legitimar a habilitação de seu crédito no concurso de credores. o credor com garantia real tinha a opção de renunciar a sua garantia. Gecivaldo. 22 OLIVEIRA. Com base neste relatório é que os credores poderiam buscar com segurança os fundamentos para seus embargos. uma vez que os créditos com garantia reais e trabalhistas são. p.os dispositivos penais aplicáveis. 24 KONDER COMPARATO. a competência era do juízo onde se encontrava a filial. tanto a suspensiva quanto a preventiva.661/45 deveria ser feito ao juízo da comarca em que estava situado o estabelecimento principal. mas com filial no Brasil. Comentários sistemáticos. Fábio. e justamente estes não podiam ser remidos e nem ter seus vencimentos dilatados de acordo com o Decreto-lei 7.661/45.24 O pedido de concordata preventiva de acordo com o Decreto-lei 7. Campinas: LZN.22 O devedor permanecia na administração da empresa. Acesso em 17 de janeiro de 2010. estando dispostos no artigo 3º da lei.lá da crise econômica.uol. A falta do reconhecimento dos créditos em garantia real e trabalhistas não permitia uma criatividade maior por parte do devedor e nem dos credores para criar possíveis soluções para o estado de bancarrota da empresa. para assim.23 Sendo reconhecidos apenas os créditos quirografários.br/doutrina/texto. reconhecia apenas os créditos quirografários. recuperá .Direito empresarial: estudos e pareceres.

no prazo. sendo que a proposta de pagamento deveria ser dentre as opções: remissória. observando o disposto no parágrafo único do art. Thomás Raimundo. esta alcançava a principal conseqüência do instituto. e os motivos que o levaram a requerer a concordata. se não houvesse nenhuma irregularidade. 14 do Decreto-lei. independente da concordância dos credores u qualquer outro interessado ou princípio. o vencimento antecipado de todos os créditos sujeitos aos seus efeitos e a suspensão das ações e execuções contra o devedor. PINHEIRO.fesmip. Grazieli e PEREIRA. 26 OLIVEIRA.25 Cumprido os requisitos o juiz. SOARES. Ou seja.br/arquivo/publicacao/dir_comercial. mandava expedir edital com o pedido do devedor. 12(doze) e 18(dezoito) meses. 75%(setenta e cinco por cento) ou 90% (noventa por centro). Os efeitos do despacho retroagia até a propositura do pedido. Caso o pedido não estivesse devidamente instruído ou não existisse dúvida de que havia fraude o juiz declararia em 24 horas a abertura da falência. junto com estas o juiz ainda nomeava o comissário.org. a íntegra do despacho e a 25 BRITO. Da análise comparativa entre a recuperação judicial e a concordata.pdf>. bastava cumprir os requisitos e não havendo nenhuma irregularidade nos documentos exigidos o juiz era obrigado a deferir a concordata. Celso Marcelo de. não sendo necessária a aprovação dos credores. p. bem como indicar todos os credores e respectivos endereços. de 6(seis).Na petição inicial em que fosse requerida a concordata preventiva. Disponível em: <http://www. necessariamente.26 Dado o despacho inicial pelo juiz deferindo o processamento da concordata. quando seria pago 100% da dívida no prazo de 24(vinte quatro) meses e remissória-dilatória quando fosse fixado porcentagem de pagamento da dívida em 60%(sessenta por cento). 2004. Tratado de direito empresarial brasileiro. Acesso em 05 de março de 2010. Gabriela. Nos pedidos da inicial o devedor deveria formular sua proposta de pagamento das dívidas quirografárias. o requerente. dilatória. 140. Lívia Sampaio. . ou seja. respectivamente. devia decidir pela concordata. quando fosse pago 50% do valor da dívida à vista. o empresário em crise tinha de fundamentar minuciosamente seu estado econômico financeiro. Campinas: LZN.

Uma só mancha que tenha na sua profissão mercantil o privaria desse favor. Se não forem parcos em conceder a concordata preventiva. e por fim não possuir título protestado por falta de pagamento. mantendo-o à frente do seu estabelecimento e evitando a falência. amparando altos interesses do devedor comerciante. o comerciante deve apresentar o curriculum vivendi. conforme J.28 Além dos requisitos formais já observados acima o empresário em crise ainda tinha que comprovar sua honestidade e boa-fé. Campinas: LZN. fica dependente da mais exata honestidade e da mais comprovada boa-fé por parte do devedor. 487. pois. o devedor não deveria ter sido condenado por crime falimentar ou qualquer outro que pudesse por em dúvida sua honestidade em relação a manter os negócios. abria prazo para que os credores que não constavam da lista apresentassem as declarações e documentos justificativos de seus créditos. Tratado de direito empresarial brasileiro. 114. bem como exercer regularmente a atividade comercial no mínimo há dois anos. 140 do Decreto-lei 7. e por isso. X. e por fim.lista de credores. 1995. Carvalho de Mendonça: A concordata preventiva. o qual exige que: o empresário deveria estar devidamente registrado. um favor. degenerar-se-á o belo instituto. determinava o prazo para que o devedor tornasse efetiva a garantia por acaso tivesse oferecido. Direito empresarial: estudos e pareceres. como os juízes devem ser rigorosos na apreciação das alegações do devedor. 2004.661/45. e se já o tiver sido ter cumprido com suas obrigações. assim como os documentos indispensáveis ao exercício legal da atividade deviam estar arquivados no órgão em que fora registrado. devia ter requerido a autofalência no prazo de trinta dias do vencimento da obrigação líquida. p. 29 ULHOA COELHO. São Paulo: Saraiva.29 27 28 OLIVEIRA. Fábio. sem relevante razão de direito. Não só isso. OLIVEIRA. Celso Marcelo de. p. é considerado um benefício.27 Para que o devedor pudesse requerer a concordata este deveria ser comerciante e não possuir nenhum dos impedimentos elencados no art. . loc cit. não ser falido. precisa possuir ativo o qual correspondesse a mais de 50% (cinqüenta por cento) do seu passivo quirografário. se aparecer qualquer oposição. não poderia ter requerido igual benefício a menos de cinco anos. Compreende-se.

é considerado um benefício. como os juízes devem ser rigorosos na apreciação das alegações do devedor. pois. o qual exige que: o empresário deveria estar devidamente registrado.661/45. Tratado de direito empresarial brasileiro. e se já o tiver sido ter cumprido com suas obrigações.Para que o devedor pudesse requerer a concordata este deveria ser comerciante e não possuir nenhum dos impedimentos elencados no art. 487. 2004. e por fim não possuir título protestado por falta de pagamento. Se não forem parcos em conceder a concordata preventiva. bem como exercer regularmente a atividade comercial no mínimo há dois anos. não ser falido. assim como os documentos indispensáveis ao exercício legal da atividade deviam estar arquivados no órgão em que fora registrado. p. 140 do Decreto-lei 7. São Paulo: Saraiva. e por isso. Compreende-se. o comerciante deve apresentar o curriculum vivendi. o devedor não deveria ter sido condenado por crime falimentar ou qualquer outro que pudesse por em dúvida sua honestidade em relação a manter os negócios. Campinas: LZN. 1995. 31 ULHOA COELHO. um favor. Carvalho de Mendonça: A concordata preventiva. fica dependente da mais exata honestidade e da mais comprovada boa-fé por parte do devedor. sendo desta forma considerados privilegiados em face aos outros créditos. Permanecendo a competência da Justiça do Trabalho a ação e execução de seus créditos.30 Além dos requisitos formais já observados acima o empresário em crise ainda tinha que comprovar sua honestidade e boa-fé. precisa possuir ativo o qual correspondesse a mais de 50% (cinqüenta por cento) do seu passivo quirografário. degenerar-se-á o belo instituto. Fábio. p. 114. Uma só mancha que tenha na sua profissão mercantil o privaria desse favor. Celso Marcelo de. . não poderia ter requerido igual benefício a menos de cinco anos. X. Direito empresarial: estudos e pareceres. sem relevante razão de direito. amparando altos interesses do devedor comerciante. Isto se devia a sua natureza alimentar. conforme J.31 Os contratos e ações trabalhistas não sofriam nenhuma espécie de alteração com a instauração da concordata. se aparecer qualquer oposição. mantendo-o à frente do seu estabelecimento e evitando a falência. Não só isso. 30 OLIVEIRA. devia ter requerido a autofalência no prazo de trinta dias do vencimento da obrigação líquida.

porém.Importante ressaltar que quando do deferimento da petição inicial da concordata preventiva pelo juiz este não a estava concedendo de imediato. tomando conhecimento de alguma fraude evidente. Tratado de direito empresarial brasileiro. desta cabia o recurso da sentença declaratória da falência. Celso Marcelo de. O art. e se caracterizado qualquer ato de fraude ou má-fé ou crime falimentar. p.33 O despacho que defere o processamento da concordata era irrecorrível. Campinas: LZN. tão logo tenham sido cumpridas as formalidades inerentes à apresentação da petição inicial da concordata preventiva. o qual devia ser praticado antes da sentença final.32 Os embargos constituíam um direito de oposição por parte dos credores referente ao pedido do autor e não do despacho inicial do juiz. Tratado de direito empresarial brasileiro. 2004. Pois o deferimento do processamento da concordata dependia apenas do juiz. 2004.34 Os fundamentos que possibilitavam o ingresso dos embargos estavam dispostos no artigo 143 do Decreto – lei. p. Curso de direito falimentar. Rubens. pois está não sofria nenhuma influência de aceitação por parte dos credores. 34 OLIVEIRA. mas se o juiz não reconhecesse a concordata e acabasse por decretar a falência. 161 estabelece que. mas estes podiam opor-se judicialmente ao pedido através dos embargos. a falência será também declarada se estiver equivocadamente caracterizada a fraude. p. deva manter-se inerte até o momento oportuno para a apresentação dos embargos. sendo eles: quando o sacrifício do credor fosse maior do que se efetivasse a liquidação na falência ou a impossibilidade evidente de não cumprimento da concordata por parte do devedor. que qualquer credor.35 32 33 RENQUIÃO. que poderá vir ao conhecimento do juiz por representação de qualquer credor ou mesmo quando o magistrado a constate.. . Mas como Celso Marcelo de Oliveira profere: Isso não significa. quando da inexatidão do relatório do comissário ou laudo que facilitasse a concessão do benefício. 35 OLIVEIRA. 4º ed.2. Celso Marcelo de. Ainda que estes embargos fossem restritos. vol. 48. 155. 1995. ele apenas estava autorizando o processamento da mesma. p. SP: Saraiva. Campinas: LZN. 155. 47 Ibidem.

1971. p. nesta mesma fase. Isto ocorria porque após o deferimento os efeitos da instauração do processo não recaiam apenas sobre o devedor. o qual proferia a sentença. não podendo de qualquer forma desistir após o deferimento do processamento quando este caracterizava a tentativa de burlar o 36 37 RENQUIÃO. Econômico e Financeiro. Encerrando o prazo do devedor os autos iam conclusos ao juiz o qual tina 48 horas para proferir o despacho deferindo as provas que entendia necessárias e designando a audiência para julgamento dos embargos. dentro dos 10 dias seguintes. era ouvido o representante do Ministério Público. 156. quando os credores estavam habilitando seus créditos. desde que esta fosse feita antes do despacho de deferimento do processamento da mesma.O prazo para ingressar com os embargos na concordata preventiva era após a fase informativa. estaduais e municipais e das contribuições previdenciárias relativas ao exercício da atividade. Caso houvesse a interposição de embargos. Curso de direito falimentar. os quais não poderiam ser ultrapassados. conversão em falência.36 Decorrido o prazo sem apresentação dos embargos. Revista de Direito Mercantil. o devedor tinha 48 horas para apresentar a contestação e com estas indicar as provas do alegado. vol. desde que houvesse a concordância dos credores.1. op cit. Título protestado. ou seja. no prazo de cinco dias. ficando a cargo do juiz decidir se procedente ou não à oposição dos credores. 49. no Diário Oficial. ano X. a abertura do prazo de cinco dias para os credores opor embargos ao pedido de concordata. sendo após estes publicados pelo escrivão. Desistência. 1995. Industrial. concedendo ou não a concordata. 4º ed. havia à apresentação do relatório do comissário e o devedor comprovava.99-110. o pagamento dos impostos federais. 38 REQUIÃO. ..38 Mas a jurisprudência admitia a desistência após o despacho inicial. mas também sobre os seus credores. SP: Saraiva. Não bastava a simples desistência por parte do devedor. p. e logo após os autos iam conclusos ao juiz. Concordata preventiva. p.37 O devedor após requerer a concordata poderia apresentar pedido de desistência. OLIVEIRA.2. Rubens. n. Rubens. este tinha que justificar o pedido.

Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. este era o momento em que o concordatário. Mandado de segurança visando a lhe dar efeito suspensivo. 42 BRITO. Importação e Exportação LTDA. p. Comércio. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. Desistência. 156. Gabriela. levando em conta o depósito judicial efetuado pela concordatária. Apelante: Comabe Indústria. Ed. ampl. Disponível em< http://www1. Disponível em: <http://www. Lívia Sampaio. 2º. podendo ser 39 OLIVEIRA. (TJSP – RT 643/81)41 O marco inicial da concordata era a sentença.tjrs. ficando impedido. Publicada em: 04 de março de 2009. de acordo com o artigo 167 do Decreto – lei 7. reconhecidas pelo juiz.43 O pedido da rescisão da concordata cabia aos credores. Da análise comparativa entre a recuperação judicial e a concordata. Tratado de direito empresarial brasileiro.br/busca/?tb=juris> Acesso em 07 de junho de 2010. Manoel Justino. 41 BEZERRA FILHO. 2004. ou seja. Grazieli e PEREIRA.39 Conforme demonstram as decisões a seguir: APELAÇÃO CÍVEL.106 julgados)/ Prefácio Paulo Fernando Campos Salles de Toledo. OLIVEIRA. depois de ouvido o comissário” 42 A concessão da concordata por meio de sentença não podia confundirse com a decisão final de seu cumprimento. Agravo de instrumento interposto contra a setença declaratória da quebra em tais circunstâncias. o devedor passava a se submeter ao controle jurisdicional.661/45. não justifica a decretação de falência se não provada nos autos a falta dos requisitos do art. Campinas: LZN. Thomás Raimundo. Todavia. sendo esta a ação rescisória de sentença que concedeu a concordata. Acesso em 05 de março de 2010.br/arquivo/publicacao/dir_comercial.-lei 7. DEPÓSITO DO VALOR.40 Concordata preventiva. 5º Câmara Cível. Segurança concedida. SOARES.fesmip. Deferimento do pedido. PERDA DO OBJETO. o apelo resta prejudicado. a “alienar imóveis ou constituir garantias reais.org. Celso Marcelo de.cumprimento das disposições legais ou interesses dos credores. 162 do Dec. Apelação Cível nº 70020620431/2007. Apelo prejudicado. de per si. Tratado de direito empresarial brasileiro.661/45 ou manifestamente constatada a insolvência do devedor. após a interposição do presente recurso. COMPROVAÇÃO. PINHEIRO. 157. APELO PREJUDICADO. 40 PORTO ALEGRE. CONCORDATA PREVENTIVA. e atual. 447. p. A recorrente pretendia obstar a homologação da desistência da demanda. 2004. Campinas: LZN. salvo evidente utilidade. 43 OLIVEIRA. .pdf>. 2003.. Fumus boni júris e periculum in mora caracterozados.jus. fundamentando o pleito exclusivamente no fato de seu crédito não estar garantido. p.rev. tanto que dessa sentença cabia o recurso de agravo de instrumento. fato que. Relator: Umberto Guasparine Sudbrack. Lei de Falências: comentada: método de estudo da lei de falências: doutrina: comentário artigo por artigo: jurisprudência recente (1. Celso Marcelo de.

§ 2º. Esta sentença era eminentemente declaratória. Por igual. essas pequenas transformações não foram o suficientes. loc cit. quando da venda por preço vil de bens do ativo. iniciando. Mas. após a concordata. 158. as figuras do comissário e do quadro geral de credores. não poderia.45 1. ou que teve negado o pagamento do seu crédito. pelo qual o credor quirografário excluído. o concordatário requeria ao juiz que este declarasse o cumprimento da mesma. nestes casos a falência podia ser decretada pelo juiz ex officio. e era caso de provocação dos credores os casos em que o devedor não adimplir com as obrigações nos tempos devidos. 2004. o credor não habilitado. haver pela ação própria o seu crédito. Tratado de direito empresarial brasileiro. na moeda da concordata. pode exigir deste o pagamento da percentagem da concordata. quando o responsável pela administração da empresa em crise tivesse sido condenado por crime falimentar. A sentença que julgava cumprida a concordata devia ser publicada por edital. o prazo de 10 dias para reclamação dos interessados. em se tratando de matéria concursal. quando.661/45 em sua vigência sofreu pequenas alterações. quando da negligência por parte do concordatário em relação a continuação do negócio. ficaria sem aplicação o artigo 147. 45 OLIVEIRA.requerido de pleno direito quando o devedor não cumprir com as obrigações assumidas.1. depois de terem sido pagos todos os credores habilitados. desta forma. pela vida desregrada do devedor ou despesas evidentemente supérfluas do concordatário. quando o devedor abandonasse o estabelecimento comercial. assim. p. no órgão oficial e em jornal de grande circulação. uma vez que este setor jurídico sofre forte influência 44 OLIVEIRA. Campinas: LZN. .1 A flexibilização do instituto da concordata e a função social da empresa O Decreto-lei 7. pelos pagamentos antecipados feitos a alguns credores em prejuízo de outros. mas cujo crédito tenha sido reconhecido pelo concordatário. Conforme Rubens Requião: Se a sentença que julga cumprida a concordata declarasse extintas as obrigações do concordatário. sendo desfeitas. era declarada extinta a concordata. Celso Marcelo de. então. Cumpridas todas as obrigações assumidas na concordata. Porém a declaração de cumprimento da concordata não se equivalia à expressão “extinção das obrigações44”.

661/45 era bem rigoroso quanto às formalidades.47 Estatísticas demonstram que durante a vigência do Decreto-lei 7. 48 SALAMANCHA. Realmente. Waldo. Celso Marcelo de. senão improdutiva. observando-se um total abuso do instituto. José Eli. as quais trazem conseqüências sociais. 107. às vezes. O Decreto-lei 7. situações que demandavam um direito recursal mais ágil.661/45. 2. ter a decretação da falência de sua empresa. injusta. Conforme Waldo Fazzio Junior: A crítica mais freqüente e procedente que sempre se formulou em relação à concordata preventiva focalizava o particularismo daquela solução preventiva da falência. o qual é dinâmico e encontra-se em constantes modificações. 47 FAZZIO JÚNIOR. . protectivo da empresa. 2004.46 De acordo com o doutrinador Waldo Fazzio Júnior: A LFC – Decreto – lei 7. 2005. 49 OLIVEIRA. p. o âmbito da concordata era muito estreito e relegava a um plano secundário o 46 FAZZIO JÚNIOR. conservam relativa atualidade. O Estado do Paraná. para a falência. o contexto de seus comandos passou a regular de forma deficiente e. 2005.do mercado econômico. p. Caderno Direito e Justiça. loc cit. A recuperação judicial de empresas e as dívidas fiscais. fatalmente. bem como os institutos semelhantes que a antecederam. ao invés de ter deferida a concordata. enquanto as demais 83% (oitenta e três por cento) acabavam por ter decretada sua falência. apenas 17% (dezessete por cento) das empresas sob concordata judicial se recuperavam e se mantinham em atividade. pois quase 80% das empresas que pedem concordata não se recuperam mais e caminham.661/45 – tornou-se obsoleta e se seus princípios. 48 Osvaldo Biolchi49 entendia que: Nestes dias se impetra uma concordata ou uma falência com muita facilidade. São Paulo: Atlas. no tocante aos efeitos do inadimplemento das obrigações. A concordata só interessava aos credores quirografários e ao devedor. realista e eficaz. nem sempre tiveram como finalidade encontrar a melhor solução para o devedor ou a manutenção da empresa. tanto que o comerciante em crise tinha que ter muita cautela ao requerer a concordata preventiva. Curitiba. 25 dez. Campinas: LZN. A concordata. Ed. Nova lei de falência e recuperação judicial de empresas. 178. Tratado de direito empresarial brasileiro. já que poderia.

661/45 não distinguia a empresa (atividade) da figura do empresário.50 O regime adotado pelo Decreto-lei 7. mesmo sem a lei reconhecer. p. 11. Nova lei de falência e recuperação judicial de empresas. pois não era possível levantar grandes valores com a alienação dos bens da empresa em concordata devido aos riscos ao qual o comprador ficava exposto. p. 51 SECCHI MUNHOZ. Era só uma garantia dos credores. Sendo este o ponto mais próximo dos princípios da preservação e função social da empresa. castigando a primeira pelas obrigações inadimplidas pelo segundo. 2. já que o novo dono herdava as dívidas tributárias e trabalhistas. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. 125. levava em consideração o interesse público e social em manter operante a empresa em crise. em até no máximo trinta dias. . E até mesmo o pagamento das obrigações inadimplidas do devedor sofria com o sistema. Um exemplo são os documentos que deviam ser juntados com o pedido inicial da concordata. o qual podia ser dilatado. que constam no artigo 47 da nova lei.101/2005. não sendo desta forma declarada a falência de imediato pelo juiz pela falta dos documentos. isto porque o juiz. o que levava a um sistema em que todos os envolvidos perdiam. São Paulo: Atlas. Eduardo. 2005. Também.51 Durante a vida do Decreto-lei é possível identificar que alguns de seus comandos foram flexibilizados. na tentativa de tornar o instituto mais de acordo com a realidade. 50 FAZZIO JÚNIOR. Waldo. Introdução da obra: Comentários à Lei de Recuperação de Empresas e Falência: Lei n. havia precedentes jurisprudenciais no sentido de que uma simples irregularidade não faria com que o juiz decretasse a falência. Um exemplo era a sucessão tributária e trabalhista quando da alienação de filial ou unidade produtiva. pelos juízes. 2007. o que acabava por comprometer a manutenção dos empregos e o pagamento de novos tributos. Ed. de Moraes Pitombo. 297-298. São Paulo: Revista dos Tribunais.verdadeiro significado da empresa.

Não pode após o aforamento do pedido de concordata preventiva.Ausência de cumprimento do art. mesmo que haja protesto.gov.03.10. 53 CASTRO. Curitiba: Juruá. em 04. para que atenda a sua finalidade social. A existência de protesto de título contra o devedor não impede o deferimento da concordata preventiva.br/cjsg/getArquivo. assim como a livre iniciativa estão consagrados no referido dispositivo constitucional. Agravante: Hachul Engenharia e Empreendimentos Imobiliários LTDA. IV. Agravo Regimental nº 116. Existência.sp.Em decisão proferida pelo relator Fonseca Tavares 52 do Tribunal de Justiça de São Paulo. pois. conforme decisão abaixo: FALÊNCIA . garantir os interesses dos trabalhadores . Relator: Fonseca Tavares. 4º Câmara de Direito Privado. Devedor.Irrelevância da juntada de outros documentos e papéis.do?cdAcordao=1523351> Acesso em 07 de junho de 2010. a inadequação verificada resolve-se em favor da Almeida Melo – j.847-4/2-01. com isso. O valor social do trabalho do empresário. o qual teve deferida a concordata preventiva reconhecendo a finalidade social da empresa que requereu o benefício: Concordata preventiva.tj. Disponível em <http://esaj. conforme: Ao postulante dos benefícios da moratória pode vir a ser concedido prazo razoável para apresentação da documentação.Descuido 52 SÃO PAULO. algo que não atenta contra preceitos e regramentos legais. com o corolário do princípio fundamental insculpido na CF/88. a demandar tempo para sua confecção. art. 1º. p. mesmo que houvesse título protestado. este ressaltou a possibilidade de aumentar o prazo para a apresentação dos documentos.Inocorreência de afronta aos fins sociais da lei e de desamparo legal ao ato judicial atacado . em meio às dificuldades ínsitas aos procedimentos de obtenção de certidões e documentos. Outro exemplo de flexibilização é a ementa abaixo. Protesto de título. e da existência de bens no estabelecimento comercial .Concordata . 2007. eis que a empresa deve ser preservada. Preservação da Empresa no Código Civil. Tribunal de Justiça de São Paulo. 158. Agravado: Desembargador Relator.Decretação . Deferimento. do contrário quebrar-se-ia a igualdade entre os credores. a requerente efetuar qualquer pagamento relativo ao quirografo até a respectiva data.1999)53 Apesar desta decisão viabilizar a recuperação judicial. Isso se funda na circunstância de levantamentos e demonstrativos exigidos pela legislação especial serem de difícil elaboração.661/45 . Carlos Alberto Farracha de. E. as decisões judiciais se desencontravam em relação a essa exigência. que tem de servir como norte ao intérprete do direito. . Publicada em 02 de junho de 1999.1999 – DJ 29. havendo incompatibilidade entre o disposto na Lei Maior e na lei ordinária. do Decreto-lei 7. 46.Decisão mantida .Favor legal que visa a manter saudável a vida econômica da empresa e.

dentro de trinta dias do vencimento de obrigação líquida. 56 Ibidem.57 1. SP: Saraiva. As empresas careciam de mecanismos que possibilitassem a garantia do interesse social e dos próprios credores. São Paulo: Editora dos Tribunais. Estas correntes perduraram por um tempo até que o Supremo Tribunal Federal. pois em muitas situações o empresário. Como refere Rubens Requião55. 1º Câmara de Direito Privado. surgiram duas correntes.101. p.do? cdAcordao=1706616> Acesso em 07 de junho de 2010. 3.br/cjsg/getArquivo. “a confissão de falência. supondo que esta enfrentando dificuldades econômico-financeiras transitórias. Disponível em <http://esaj. entende que era necessário que houvesse o protesto para impedir a concessão da concordata preventiva.101/2005 buscado atender as estas necessidades. Publicada em 30 de outubro de 2001. 1995.2 tir.54 O artigo 140. 28-29. . inciso II do Decreto-lei que declara a impossibilidade de requerer a concordata o devedor que deixou de confessar a falência no período de trinta dias após o vencimento de obrigação líquida não paga não deixa dúvidas. sem protesto. seria uma medida deplorável. 35. comentário artigo por artigo.tj. 2005. 4º ed. Nova lei de recuperação e falências comentada/ Lei 11. Ed. já analisadas.56 É possível verificar que a concordata não atendia mais as necessidades sócias que provêm da devida manutenção que as empresas necessitam. Tribunal de Justiça de São Paulo. acaba não confessando a falência dentro do prazo de trinta dias. de 9 de fevereiro de 2005. a qual previa que “o não pagamento de título vencido há mais de trinta dias.257 – 4/1. Agravo de instrumento nº 205.sp. Em meio às decisões. Agravante: Profissionais Gráficos e Editora LTDA. Mas a aplicação desta afigurou-se odiosa. e sem razões econômicas”. Curso de direito falimentar. vol. tendo a Lei 11. já a outra amenizava o dispositivo. uma mais rígida que aplicava o preceito legal literalmente.. 29. não impede a concordata preventiva”. 57 BEZERRA FILHO.Agravo improvido.2.gov. Agravada: Massa falida Profissionais Gráficos e Editora LTDA. p. Relator: Alexandre Germano. p. Rubens.2 Da recuperação judicial 54 SÃO PAULO.na observância do ônus de instruir correta e completamente o pedido inicial . após iterativas decisões apaziguou as divergências através da Súmula nº 190. Manoel Justino. 55 RENQUIÃO.

p. mas uma profunda alteração de sua “fórmula. 218. pois este é sujeito fundamental para entender o que é empresa. 58 BEZERRA FILHO. ed. de Moraes Pitombo. Falência e Recuperação da empresa em Crise: comparação com as posições do Direito Europeu.101.68. p. na prática manter o negócio para assim satisfazer sua função social. auxiliando sua conceituação no entendimento do processo de recuperação judicial. 128-129. 3. “no sistema de existir uma decisão inicial que defere o processamento e uma segunda que defere o próprio pedido”58 Para Vigil Neto a modificação que Lei 11. 234. aos exercentes da atividade. Introdução da obra: Comentário à lei de recuperação de empresas e falência: Lei 11. aos credores. intenta preservar a atividade empresaria para assim assegurar seu fim social. mas quanto aos regimes alternativos à liquidação a mudança foi principiológica e estrutural. Buscase. Rachel Sztajn61 entende empresa como: “organização econômica que atua em mercados e. Luiz Inácio. 2 tir.Apesar de a recuperação judicial ser um instituto novo. Rachel. de acordo com Manuel Justino Bezerra Filho. Rachel. São Paulo: Revista dos Tribunais. Vera Helena de e SZTAJN. 60 MELLO FRANCO. de 9 de fevereiro de 2005. Porto Alegre: Livraria dos Advogados Editora. bem como preservar os direitos e interesses dos credores60. a mudança foi mais principiológica do que estrutural. p.661/45. 2008.59 A recuperação judicial tem como objetivo sanear a crise econômicofinanceira do empresário ou da sociedade empresária. uma vez que a legislação brasileira não define o que é empresa e sim quem é empresário. 59 VIGIL NETO. Nova lei de recuperação e falências comentada/ Lei 11.101/2005. comentário artigo por artigo. Manoel Justino.101/05. não significando apenas uma nova nomenclatura do “remédio”. aos consumidores ou clientes e ao Estado.101/05 traz para o ordenamento é: Em relação ao regime liquidatório de falência. ou seja. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. 2007. São Paulo: Editora dos Tribunais.. Esta semelhança encontra-se principalmente. Rio de Janeiro: Elsevier. 2008.101/2005 manteve certa semelhança procedimental com a concordata preventiva do Decreto – lei 7. cuja existência interessa à sociedade em geral. . 2005. p.” Se faz necessário conceituar a figura do empresário. 61 SZTAJN. a Lei 11. Teoria falimentar e regimes recuperatórios: estudos sobre a Lei 11.

Anotações sobre os limites do poder jurisdicional na apreciação do plano de recuperação judicial.Empresário tem sua definição no artigo 966 do Código Civil. n. 966. comunidade local. a lei falimentar deve procurar preservar os demais interesses envolvidos (investidores. mão obra. diferenciando-o. trabalhadores. sendo estes o capital. São Paulo: Saraiva. ou seja. revisada. São Paulo. p. Desta conceituação destacam-se as noções de profissionalismo. devendo-se optar pela recuperação da 62 ULHOA COELHO. tem que ser habitual. 7º edição. Eduardo.101. Da definição de empresário é possível identificar o que é empresa. dos empregados. a pessoalidade. devendo o sujeito exercer a atividade empresarial pessoalmente. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. os quais produzem ou circulam bens ou serviços em nome do empregador.. quando esta se demonstrar mais benéfica para a sociedade. e o profissionalismo.62 A atividade econômica organizada significa que na atividade se encontram articulada. atividade econômica organizada e produção ou circulação de bens ou serviços.9.10. assim. as quais são a habitualidade.63 A produção e circulação de bens ou serviço referem-se à fabricação de produtos ou mercadorias e a busca do bem no produtor para trazê-lo ao consumidor. Fábio. p. 7 63 Ibidem. .189. O profissionalismo se caracteriza através de três ordens. insumos e tecnologia. o qual provém do monopólio das informações que o empresário detém sobre o produto ou serviço objeto de sua empresa. Comentários à nova lei de falências e de recuperação de empresas: (Lei n. 64 Ibidem. p. o profissional não pode realizar tarefas de modo esporádico. coletividade em geral). de 9-2-2005). p. Revista de Direito Bancário e do Mercado de Capitais. 11. 65 SECCHI MUNHOZ. consumidores. os quatro fatores de produção. 2010. v.64 É importante salientar que só se deve optar pela recuperação judicial. pelo pessoa do empresário. 36.. sendo ela: Art. 7-8. estando todos voltados para a geração de lucros para quem explora a atividade empresária. De acordo com Eduardo Secchi Munhoz65: .

requisitos que se encontram no artigo 48 da Lei 11. pois os credores também podem ser beneficiados pela recuperação. Essa observação. Em princípio. quando este recebe a inicial requerendo a recuperação judicial. Poderá requerer recuperação judicial o devedor que. Cabe ressaltar que o primeiro exame feito pelo juiz. já na fase do deferimento da recuperação. isso sempre ocorrerá quando a continuidade da empresa aumentar a probabilidade de recuperação de créditos e o valor respectivo em comparação com o que se obteria no processo de liquidação. Luiz Inácio. Na primeira fase identificamos os requisitos para ingressar com o pedido de recuperação judicial.163.101/2005. A recuperação judicial pode ser dividida em duas fases. Faz-se importante esta separação. Na primeira identificamos o processamento da recuperação judicial. ou seja. no momento do pedido. pois na fase de processamento da recuperação judicial caso esta venha a ser indeferida pelo juiz. na maior parte das vezes. “Considere-se. cumulativamente: 66 VIGIL NETO. caso o empresário em dificuldades recaia sobre alguma das hipóteses elencadas no artigo 73 da Lei 11.empresa sempre que essa solução gerar maiores benefícios do que custos para a sociedade. ainda.101/2005.101/05. porém. .66 Contudo o processamento da recuperação judicial traz alguns efeitos sobre as relações do requerente da recuperação e seus credores. devido às possíveis conseqüências de cada uma. p. Porto Alegre: Livraria dos Advogados Editora. devendo ser atendidos cumulativamente. 2008. o deferimento da petição inicial não garante a concessão do regime recuperatório e não obriga o magistrado a concedê-la no futuro. Teoria falimentar e regimes recuperatórios: estudos sobre a Lei 11. não corresponde à realidade. teremos a convolação da recuperação judicial em falência. sendo eles: Art. não acarretará na convolação da recuperação em falência. este não se atrela ao mérito da recuperação judicial. pois o juiz no primeiro momento verifica apenas se a inicial atende a todas as exigências de ordem processual imposta pela legislação. poder-se-ia imaginar que tal solução estaria em conflito com o interesse dos credores. 48. a possibilidade de o credor continuar a fazer negócios com a empresa recuperada”. exerça regularmente suas atividades há mais de 2 (dois) anos e que atenda aos seguintes requisitos. e na segunda fase identificamos o deferimento da recuperação judicial.

rev. São Paulo: Revista dos Tribunais. 68 VIGIL NETO. pessoa condenada por qualquer dos crimes previstos nesta Lei. Introdução da obra: Comentários à Lei de Recuperação de Empresas e Falência: Lei n. 2007. v. e sim. 4º ed. SP: Saraiva. como administrador ou sócio controlador. todos os legitimados previstos. 69 SZTAJN. a mais de 24 meses. Curso de direito comercial. inventariante ou sócio remanescente De acordo com o artigo acima exposto apenas o devedor é legitimado a requerer a recuperação judicial. esta não tem como ser imposta a ele. obtido concessão de recuperação judicial. manter a escrituração atualizada e as publicações periódicas das demonstrações contábeis em dia. 125. p. IV – não ter sido condenado ou não ter. há menos de 8 (oito) anos.I – não ser falido e. 2008. A recuperação judicial também poderá ser requerida pelo cônjuge sobrevivente. Ou seja. 224. herdeiros do devedor. as responsabilidades daí decorrentes. estejam declaradas extintas.68 Outro requisito do já referido artigo é estar exercendo a atividade empresaria regularmente a mais de dois anos.101/2005. II – não ter. p. obtido concessão de recuperação judicial com base no plano especial de que trata a Seção V deste Capítulo. por sentença transitada em julgado. para preencher o requisito da 67 ULHOA COELHO. Luiz Inácio. ou período superior a este. p. Caso o devedor não demonstre interesse em pedir a recuperação. Devendo a expressão “há mais de dois anos” ser interpretada como a exatos 24 meses de atividade empresarial. não visam interesses próprios e sim os interesses da empresa em crise. Teoria falimentar e regimes recuperatórios: estudos sobre a Lei 11.3. Fábio.67 A lei reconhece outros legitimados no parágrafo único do referido dispositivo legal. com legitimidade secundária. isto se dá pelo fato de que ele é quem está exposto ao risco de ter a falência decretada. Porto Alegre: Livraria dos Advogados Editora. por este motivo a Lei afastou a possibilidade do credor poder requerer a recuperação. . ou seja.69 A regularidade da atividade não se refere apenas ao registro do empresário individual ou sociedade empresaria na Junta de Comércio.146. se o foi. e atual. III – não ter. Rachel. há menos de 5 (cinco) anos. de Moraes Pitombo. também. contudo. 2003. 11. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. Parágrafo único.101/05.

2º edição.regularidade temporal a empresa em crise deverá comprovar ter atendido os três requisitos mencionados. novamente do beneficio para reorganizar os seu negocio. requerer a recuperação judicial. de que todas as obrigações advindas da falência já formam extintas. 75 BEZERRA FILHO.70 Para Vera Helena de Mello. 73 ULHOA COELHO. no período de dois anos.125.. Encontramos também como requisito que o empresário não pode ser falido.71 Já para Rachel Sztajn72: . a exigência do lapso temporal de dois anos “visa a demonstrar alguma viabilidade do empreendimento. op cit. através de declaração. 74 Ibidem. que não se cuida de aventura passageira”. terá direito ao beneficio. 2 tir. Rachel. este “sugere falta de competência suficiente para exploração da atividade econômica em foco”. o risco é de. comentário artigo por artigo. bem como se este comprovar. Comentários à nova lei de falências e de recuperação de empresas: (Lei n. loc cit. vendo-se diante da impossibilidade de obter a recuperação judicial por conta disso. Rachel. revisada. ainda assim.. este não poderá requerer a recuperação judicial. pois se em período menor a empresa necessita.148. de 9-2-2005). 74 No Decreto – lei 7. se ocupe em regularizá-la. p. para quem já houvesse impetrado concordata. p. 11. Fábio. São Paulo: Saraiva. 3º Ed. Vera Helena de e SZTAJN. 2008. se já houve sentença instaurando o concurso falimentar de credores. 2005. Nova Lei de Recuperação e Falências/ Lei 11. o devedor poderá. pois a lei entende que não faz mais sentido recuperar uma empresa a qual teve decretada sua falência. p.. 235. sendo os dois institutos incompatíveis.661/45 também havia a vedação. no mesmo período. o que abre espaço para comportamentos oportunistas o que a norma não pode estimular nem consentir. ou seja. exigidos na lei. Se a empresa tiver apenas títulos protestados ou a falência requerida. tardiamente. p.se o comando vier a ser relaxado para fins de reduzir o termo para 24 meses.101.124 125. 73 O devedor não pode ter obtido o beneficio da recuperação judicial a menos de cinco anos. Rio de Janeiro: Elsevier.75 70 71 VIGIL NETO. – São Paulo: Editora Revista .. MELLO FRANCO. havendo a possibilidade da redução do lapso temporal caso houvesse desistência do pedido da mesma. 72 SZTAJN. Falência e Recuperação da empresa em Crise: comparação com as posições do Direito Europeu. paulatinamente.101 de 9 de fevereiro de 2005. Manoel Justino. abrandar-se o rigor normativo para aceitar pedidos que exerça a atividade irregularmente por algum período e.

dando como solução que dentre os meios de recuperação conste a previsão da substituição do sócio – controlador ou administrador. entendo-se este como condenação por sentença condenatória com transito em julgado. p 161... 76 VIGIL NETO. p.controlador e o administrador não podem ter sidos condenados por crimes previstos na Lei 11. 2005. p 153. demonstrações contábeis.101/2005. 133. ..101/2005. tanto formais quanto materiais. Depois de preenchido estes requisitos o devedor tem ainda que preencher algumas condições. relação dos empregados. pois de acordo com Manoel Bezerra Filho77: . 3º Ed.101/05.76 Este último requisito também constava da lei anterior. 2005. 78 VIGIL NETO.O último requisito define que o sócio . Luiz Inácio. Teoria falimentar e regimes recuperatórios: estudos sobre a Lei n° 11. – São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. tendo sido chamado de “pessoalidade” da lei falimentar. 2008. porém em crise passageira. 77 BEZERRA FILHO. 133. este requisito não é essencial para o indeferimento do pedido de recuperação judicial.78 dos Tribunais. o qual indica os requisitos que devem estar presente na redação da petição inicial que irá requerer o beneficio da recuperação judicial. Luiz Inácio.além de não privilegiar a manutenção da empresa em funcionamento. certidões de protesto de títulos. pudesse se valer então da concordata. 2 tir. relação dos bens particulares dos sócios – controladores e administradores. Porto Alegre:Livraria do Advogado Editora. Para o professor Ricardo José Negrão Nogueira.101 de 9 de fevereiro de 2005. relação de todos os credores. ante os problemas pessoas que atingiam determinado administrador ou sócio – controlador. Manoel Justino. Estes requisitos são: exposição das causas concretas da crise. relação das ações judiciais em que o devedor figure como parte. 2008. e foi alvo de severas criticas. uma vez que a “condição da empresa não pode ser confundida com a condição do empresário”. mesmo que saneada e em boas condições.101/05. Teoria falimentar e regimes recuperatórios: estudos sobre a Lei n° 11. ainda impedia que a sociedade empresarial. comentário artigo por artigo. Porto Alegre:Livraria do Advogado Editora. p. Estas condições estão elencadas no artigo 51 da Lei 11. extratos atualizados das contas bancárias e aplicações financeiras. certidão de regularidade do credor emitida pela Junta Comercial. Nova Lei de Recuperação e Falências/ Lei 11.

São Paulo: Saraiva. p 161. o qual auxiliara o 79 MELLO FRANCO. Luiz Inácio.147. as razões que geraram a crise da empresa que. p. não é resultado de uma só decisão equivocada. a crise é parte desse processo contínuo. p. Rachel..O primeiro requisito que é a exposição das causas concretas da crise deve ser feita através de um relatório. onde há a exposição de forma detalhada e fundamentada das razões. pois esta refletirá o estado presente dos negócios. 250. Teoria falimentar e regimes recuperatórios: estudos sobre a Lei n° 11. . de forma clara e articulada. demonstração de resultado desde o último exercício e relatório gerencial de fluxo de caixa e de sua projeção. ou seja. 2º edição.81 Dos três primeiros instrumentos o empresário em crise deve apresentar os últimos três exercícios sociais. mas também as obrigações de fazer e dar. é preciso expor. Rio de Janeiro: Elsevier. 11. situações. p. Porto Alegre:Livraria do Advogado Editora. demonstração de resultados acumulados. os três últimos anos civis anteriores ao pedido. 2005. esta se caracteriza pelos instrumentos: balanço patrimonial. Comentários à nova lei de falências e de recuperação de empresas: (Lei n. porem não se desvincula da atividade. O desfecho pode ser determinado pontualmente. Falência e Recuperação da empresa em Crise: comparação com as posições do Direito Europeu. Na relação de credores deve o requerente da recuperação judicial listar nominalmente cada um e abranger não apenas as obrigações pecuniárias. Ou seja. fatores ou eventos que levaram à empresa a crise econômica – financeira. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. Vera Helena de e SZTAJN. como se intui. 2008. 243. São Paulo: Revista dos Tribunais. Fábio. Introdução da obra: Comentário à lei de recuperação de empresas e falência: Lei 11. a crise econômica – financeira. Quanto ao requisito das demonstrações contábeis. de 9-2-2005). série de atos ou negócios funcionalizados entre si para levar a um resultado. 2007. Esta exposição “permite avaliar as probabilidades de recuperação da atividade se a crise vier a ser debelada mediante a execução do plano79”. José Alexandre. 2008.101/2005. 80 TAVARES GUERREIRO.82 Para complementar a peça informativa o empresário em crise deverá juntar as demonstrações contábeis do momento atual da empresa.101. 82 VIGIL NETO. 81 ULHOA COELHO.101/05. Devendo os credores sujeitos aos efeitos da recuperação ser relacionados em tópico especial. revisada. Para Rachel Sztajn80 causa concreta significa: Servirá para indicar o real motivo gerador do desequilíbrio patrimonial. de Moraes Pitombo. Em atividade.

revisada.149.84 Na relação de empregados deve constar o rol completo dos funcionários da empresa em crise. de 9-2-2005). bem como suas funções e seus créditos. Devendo constar os extratos de todas as contas bancárias que a empresa 83 BEZERRA FILHO. 2007. 2005. p. ou seja. 84 ULHOA COELHO. Fábio. 2 tir. Sem falar na possibilidade de os sócios e administradores procurarem formas de criar escudos para proteger seus bens mais precocemente.101/2005. exigido no artigo 7º da Lei 11. uma vez que o processo de recuperação não tramita em segredo de justiça. São Paulo: Saraiva.101 de 9 de fevereiro de 2005. 148.85 Umas das exigências para obter a recuperação judicial a qual não demonstra relevância é a apresentação da relação de bens particulares dos sócios – controladores e administradores. Podendo esta exigência permitir que os credores exerçam pressões para obterem a satisfação de seus créditos. 87 ULHOA COELHO. pois a Constituição Federal de 1988 garante em seu artigo 5º a inviolabilidade da vida privada. p.. origem do crédito. Rachel. Manoel Justino. Comentários à nova lei de falências e de recuperação de empresas: (Lei n. 11. 86 SZTAJN. suas condições de vencimento e a indicação do respectivo registro contábil. indenização e outros encargos e o respectivo mês que se deu o vencimento da obrigação trabalhista. bem como a natureza de seus créditos e o valor atualizado dos mesmos.101. Introdução da obra: Comentário à lei de recuperação de empresas e falência: Lei 11. Nova Lei de Recuperação e Falências/ Lei 11. o endereço de cada um dos credores. op cit.101/2005. 3º Ed. pois nada pode forçá-los a apresentar a relação de seus bens particulares. 2º edição. estes devem conter data anterior ao da distribuição do pedido de recuperação. de Moraes Pitombo.148. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. ..administrador judicial na realização da publicação dos credores. loc cit. p. – São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. 2005. comentário artigo por artigo.87 É preciso juntar na inicial os extratos bancários atualizados. uma vez que existe a separação patrimonial dos sócios e da sociedade de que fazem parte.86 Mas é valida a negativa por parte do sócio – controlador e administrador em não apresentar a relação de seus bens. 85 ULHOA COELHO. ainda. a título de saldo de salário. p.83Devem constar. 255. São Paulo: Revista dos Tribunais.

Manoel Justino. fincando assim suspenso o sigilo da escrituração mercantil. de 9-2-2005). O juiz só deve determinar o depósito da escrituração da requerente se houver risco de adulteração ou perda da mesma. conforme Luiz Inácio Vigil Neto91: 88 ULHOA COELHO.101. 2008. pois o juiz não avalia o mérito do pedido.. Deste primeiro exame duas hipóteses poderão ocorrer.101/05. p 163. bem como os fundos de investimentos. 151. comentário artigo por artigo. Luiz Inácio. . p. 89 BEZERRA FILHO. Esta disposição da escrituração existe porque a empresa que requer o benefício da recuperação necessita se submeter ao dever de transparência.151. a qual serve para “caracterização de êxito provável ou remoto na ação judicial.88 O pedido de certidões de protestos de títulos não influência na concessão da recuperação judicial.150. Fábio. A escrituração da empresa em crise não precisa ser depositada em juízo. 2 tir. pois este será essencial ao administrador judicial para saber o que vem acontecendo com o ente em recuperação. sendo tal análise meramente formal. Tais certidões servem apenas para informar os credores da real situação da empresa em crise. A escrituração deve ficar à disposição do juiz e ser consultado por qualquer interessado que obtenha autorização judicial. 90 ULHOA COELHO. São Paulo: Saraiva. op cit. 2º edição. Comentários à nova lei de falências e de recuperação de empresas: (Lei n.101 de 9 de fevereiro de 2005. para que os credores saibam do montante ativo que a empresa em crise possui. – São Paulo: Editora Revista dos Tribunais.possui. Teoria falimentar e regimes recuperatórios: estudos sobre a Lei n° 11. revisada. a fim de determinar o modo como tais valores serão incluídos na contabilidade da empresa”89. p. devendo elas serem expedidas pelos cartórios das comarcas onde a empresa possui sede e filiais. a não ser que o juiz determine. 3º Ed. Nova Lei de Recuperação e Falências/ Lei 11. 2005. 11. p. o qual analisará se a inicial possui todos os requisitos exigidos pela Lei 11. Dentro da relação das ações judiciais em andamento faz-se necessário que conste a estimativa atualizada dos valores demandados.90 Após a distribuição da petição inicial esta vai conclusa ao magistrado.101/2005. Porto Alegre:Livraria do Advogado Editora. 91 VIGIL NETO. 2005.

após o deferimento da recuperação judicial. conforme o artigo 95 da Lei. a suspensão de todas as ações de execuções existentes contra o devedor. por credor da empresa em crise. Gecivaldo. a dispensa da apresentação das certidões negativas para o exercício de suas atividades econômicas. no prazo de defesa do devedor. como a suspensão da tramitação dos pedidos de falência existentes contra o empresário em crise. onde teremos a concessão real da recuperação judicial. Comentários sistemáticos.2) se o indeferimento decorreu da impossibilidade de cumprir com algum(ns) do(s) pressuposto(s) ou condição da lei. Primeira e Segunda Partes. o devedor pode requerer o benefício da recuperação. Dessa forma. autorizando o processamento do pedido.com. não havendo como suspender o processo de falência.1) A petição inicial não se encontra em condições de deferimento: se não deferir pelo não atendimento de um ou vários requisitos.br/doutrina/texto. ou seja. Deve-se observar que a recuperação judicial não pode ser requerida caso seja decreta a falência do devedor. bem como a relação dos credores. o magistrado deferirá a petição inicial. Ainda podem os credores. Acesso em 17 de janeiro de 2010.uol. Disponível em: < http://jus2. no prazo para contestação.92 Após a autorização do processamento da recuperação judicial iniciamos a segunda fase. deverá observar algumas situações: 1. Nova Lei de Falência e Recuperação de Empresas. exceto no caso de contrato com o Poder Publico ou outorga de benefícios ou isenções fiscais ou creditícios. 92 VASCONCELOS FERREIRA. 2) A petição se encontra em condições de deferimento: se todos os requisitos forem atendidos. cabe postular a recuperação somente antes da decretação da falência. encerrando o processo. 1. .1) se o indeferimento decorreu da não apresentação de documento ou não atendimento de requisito indicado na lei. a nomeação do administrador judicial. Caso seja feito o pedido de falência. requerer a convocação da Assembléia Geral de Credores. deverá o juiz indeferir a petição inicial.asp?id=6632>. Também será publicado edital contendo o resumo do pedido e da decisão que deferiu o processamento da recuperação judicial. pois na Lei 11. Mas quando deferida a inicial já visualizamos alguns efeitos. deverá o juiz conceder prazo razoável para complementação da petição inicial.101/2005 não existe a figura da concordata suspensiva e nem figura similar. abrindo-se prazo para habilitação dos créditos. Nestas situações não haverá base jurídica para a decretação de oficio da falência.

impugnação ou postulação de inclusão e consolidação do quadro geral de credores. 80 . Rio de Janeiro: Elsevier. 2008. que exerça atividade que detenha alguma relação com as atribuições que lhe são deferidas. sendo sua principal função a de fiscalizar o andamento da recuperação e cumprimento do plano. pois pode ter que vir a responder por seus atos. pois procura. uma vez que se torna responsável pelo bom andamento do plano de recuperação. Este deve ser profissional habilitado. P.94 A habilitação dos créditos é de extrema importância. evitar fraudes. 93 MELLO FRANCO. O artigo 21 da lei indica alguns profissionais que podem assumir a função. condutas de má-fé e assegura que todos os credores terão tratamento proporcional ao crédito. p. mas este não é taxativo. Vera Helena de e SZTAJN. § 1º. 54 94 MELLO FRANCO. 95 FAZZIO JÚNIOR. Waldo. sobre pena de destituição de seus administradores. 7º. loc cit. ou seja. Nova lei de falência e recuperação judicial de empresas. como retardatária. assim. Falência e Recuperação da empresa em Crise: comparação com as posições do Direito Europeu. onde não apresentação de impugnação à listagem de verificação provisória dos créditos. A primeira está no artigo 8º. Podendo ser tanto pessoa natural quanto jurídica e vem substituir as figuras do antigo síndico.93 O devedor permanece na administração dos seus negócios. O quadro geral de credores é de publicação obrigatória e pode ocorrer de duas formas. Rachel. São Paulo: Atlas. parágrafo único da lei. 2. como o comissário das concordatas. p. 79 96 Ibidem. Também pode ocorrer fora do prazo previsto no art. 2005.A figura do administrador judicial não existia no Decreto – lei. Assim como no Decreto – lei o administrador judicial precisa ter idoneidade. na falência. conduta moral e responsabilidade no plano financeiro. quando não integrante daquela. mas este deve prestar contas do desenvolvimento da atividade durante o período em que perdurar a recuperação judicial. Ed. A habilitação dos créditos compreende três fases: a publicação da relação de credores.95 Segundo Waldo Fazzio Junior96: A apresentação do crédito decorre de sua inserção na relação oferecida pelo administrador judicial ou de sua posterior inclusão.

115-116.101/05. eleger o gestor judicial. 2008. deliberar sobre qualquer outra matéria de interesse dos credores. p.101. 98 Ibidem. pois o prazo para impugnação é definitivo. Fábio. São Paulo: Saraiva. de acordo com Vigil Neto98: 1) determinar a exclusão temporária do crédito do quadro – geral enquanto não julgado o agravo. 2008. não sendo necessária nova publicação. Comentários à nova lei de falências e de recuperação de empresas: (Lei n.a qual é elaborada pelo administrador judicial e publicada. p.100 97 VIGIL NETO. provisoriamente. Não havendo impugnação o juiz homologará a listagem. A atribuição da Assembléia de Credores é: aprovar. Porto Alegre: Livraria dos Advogados Editora. quando afastados os diretores da sociedade empresária em crise. tendo o legislador optado pelo recurso de agravo para modificação da decisão.99 A Assembléia Geral de Credores é a reunião de todos os credores habilitados. A elaboração do quadro definitivo é função do administrador judicial. 100 ULHOA COELHO. p. 99 VIGIL NETO. Quando da tramitação do recurso duas situações se apresentam. natureza e quantificação do crédito.97 A segunda forma se dá quando há apresentação de impugnação dentro do prazo. Porto Alegre: Livraria dos Advogados Editora. Luiz Inácio. 2010. Dessa forma inicia-se um processo judicial de comprovação da existência. o qual deve. 11.115 e 116. tornando-a definitiva. de 9-2-2005). manifestar-se sobre o pedido de desistência da recuperação judicial. juntamente com o juiz. rejeitar e revisar o plano de recuperação judicial.101/05. a inclusão do crédito julgado não habilitado em primeiro grau até a apreciação do agravo para garantir ao credor. não tendo os credores outra oportunidade. A decisão proferida é recorrível. aprovar a instalação do comitê de credores e eleger seus membros. fincando o juiz incumbido de decidir. para que estes possam expressar seus interesses e buscar a melhor forma para recuperar a empresa em crise para que seus créditos sejam satisfeitos. 96 . Teoria falimentar e regimes recuperatórios: estudos sobre a Lei 11.115. p. revisada. 7º edição. o direito de votar em assembléia geral. Teoria falimentar e regimes recuperatórios: estudos sobre a Lei 11. 2) determinar. assinar o quadro geral de credores definitivo e publicá-lo ao término do prazo para impugnações ou do trânsito em julgado da última impugnação. exclusivamente. Luiz Inácio. a qual está prevista no artigo 8º da lei.

A Assembléia Geral é composta. Comentários sistemáticos. ou subordinado.101 Diferentemente do administrador judicial o Comitê de Credores é opcional. pois basta a manifestação de apenas uma das classes para que seja feita a constituição do comitê. Nova Lei de Falência e Recuperação de Empresas. Rachel. com privilégio especial. 69. seus deveres serão exercidos pelo administrador. Primeira e Segunda Partes. acharem interessante. “Para a constituição do comitê de credores não se exige a manifestação de todas as classes”103.com. 103 Ibidem. ainda. . escolher pessoa natural ou jurídica estranha ao quadro geral de credores. deve ser integrado por 1 representante efetivo de cada uma das classes de credores e mais dois suplentes de cada classe (art. comunicar ao juiz. das seguintes classes de credores: 1) titulares de créditos derivados da legislação do trabalho ou decorrentes de acidente de trabalho. sendo suas atribuições: fiscalizar as atividades e examinar as contas do administrador judicial. Vera Helena de e SZTAJN. 3) titulares de créditos quirografários. Rio de Janeiro: Elsevier.br/doutrina/texto. 2) titulares de créditos com garantia real. se assim. de acordo com o artigo 41 da lei. Disponível em: < http://jus2. na sua constituição. loc cit. 102 MELLO FRANCO. 104 MELLO FRANCO. Falência e Recuperação da empresa em Crise: comparação com as posições do Direito Europeu. sendo necessário que este último seja especialista. compete a Assembléia Geral constituí-la.uol. Como já visto. Gecivaldo. p. De acordo com Vera Helena de Mello Franco e Rachel Sztajn102: O comitê é órgão consultivo e de fiscalização e. caso detecte violação dos direitos ou 101 VASCONCELOS FERREIRA. podendo ser proposta por qualquer de suas classes. 26 da LRE).104 Quando não houver a constituição do comitê. e têm a função de auxiliar o judiciário como os demais órgãos que fazem parte da recuperação judicial. 2008. Acesso em 17 de janeiro de 2010. tendo em vista o possível conflito de interesses existente entre as classes. zelar pelo bom andamento do processo e pelo cumprimento da lei.asp?id=6632>. pode uma pessoa representar mais de uma classe ao mesmo tempo. podendo as outras classes indicarem seus representantes. P. 70. O representante pode ser escolhido entre os credores da classe ou. com privilégio geral. e quando este for incompatível será exercido pelo juiz.

um negócio de cooperação celebrado entre devedor e credor. assemelha-se ao contrato plurilateral. por parte do devedor e votação pelos credores. apresentando. bem como atos de endividamento necessários à continuação da atividade empresarial durante o período que antecede a aprovação do plano de recuperação judicial. . Rio de Janeiro: Elsevier.uol.com. resulta. fiscalizar a administração das atividades do devedor. submeter à autorização do juiz. para que estes concordem com a desistência do processo. apurar e emitir parecer sobre quaisquer reclamações dos interessados. manifestar-se nas hipóteses previstas na lei. relatório de sua situação. quando ocorrer o afastamento do devedor nas hipóteses previstas na lei. 234. No que diz respeito ao negócio de cooperação. A elaboração do plano é crucial para que os credores saibam como a empresa irá agir para sair da crise e como fará para pagar suas dívidas. apresentação. Comentários sistemáticos.asp?id=6632>. com o que se reduzem custos de transação dada a coercitividade que dela. O principal objetivo desta segunda fase é a elaboração. Primeira e Segunda Partes. p.prejuízos aos interesses dos credores. 2008. 105 VASCONCELOS FERREIRA.. Vera Helena de e SZTAJN. a cada trinta dias. fiscalizar a execução do plano de recuperação.105 Após o deferimento do pedido de recuperação judicial o devedor não poderá desistir deste sem antes reunir em Assembléia – Geral os credores. Nova Lei de Falência e Recuperação de Empresas. Vera Helena de Mello e Rachel Sztajn106 entendem o plano de recuperação como sendo: . Gecivaldo.br/doutrina/texto. homologado pelo juiz. pode-se considerar forma de garantia do cumprimento das obrigações assumidas. homologação. requerer ao juiz a convocação da assembléia geral de credores. Acesso em 17 de janeiro de 2010. no que diz respeito à homologação. do plano de recuperação da empresa em crise. Rachel. a constituição de ônus reais e outras garantias. devendo o plano ser um projeto detalhado das medidas a serem realizadas. Disponível em: < http://jus2. a alienação de bens do ativo permanente.. Falência e Recuperação da empresa em Crise: comparação com as posições do Direito Europeu. que sofrem os efeitos da recuperação judicial. 106 MELLO FRANCO.

as quais são: Cláusula que proponha a venda de bem dado em garantia. 2007.101. se existirem dez credores que tenham a seu favor direitos reais de garantia hipotecária ao pagamento dos créditos. de 9-2-2005). São Paulo: Saraiva. Comentários à nova lei de falências e de recuperação de empresas: (Lei n. p. 267. Rachel. Introdução da obra: Comentário à lei de recuperação de empresas e falência: Lei 11. 2007. O plano deve demonstrar a viabilidade econômica da empresa em crise. 2º edição. São Paulo: Revista dos Tribunais. 11. Dessa forma.107 De acordo com Fábio Ulhoa Coelho108: Depende exclusivamente dele a realização ou não dos objetivos associados ao instituto.101/2005.101/2005. não podendo a avaliação ser feito pelo próprio devedor.101/2005. que o devedor necessitará levar em conta quando da elaboração do projeto. com uma hipoteca para cada dívida ativa. deverá haver a sua expressa concordância. porém. ou seja. Se o plano de recuperação é consistente. Rachel. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. p. matemática. Mas se o plano for inconsistente. a preservação da atividade econômica e cumprimento de sua função social. .159. Introdução da obra: Comentário à lei de recuperação de empresas e falência: Lei 11. revisada. 265.onde contará as delimitações das estratégias utilizadas para alcançar o sucesso da recuperação judicial. Fábio. 108 ULHOA COELHO. São Paulo: Revista dos Tribunais. quais sejam. das medidas que serão aplicadas para que a crise seja superada. O plano deverá ser apresentado 60 dias após a publicação da sentença que deferiu o pedido da recuperação judicial. ele deve comprovar a capacidade da empresa para se restabelecer economicamente e financeiramente. produzirá efeitos 107 SZTAJN. O plano possui apenas quatro restrições previstas na lei. há chances de a empresa se reestruturar e superar a crise em que mergulha. e a não apresentação do plano no prazo acarretará na decretação da falência. p. o qual carecerá de profissional habilitado para tal. limitar-se a um papelório destinado a cumprir mera formalidade processual. a proposição do devedor de substituição ou supressão das hipotecas para a venda dos respectivos imóveis não representa nulidade que afeta o plano de validade da cláusula. não podendo a demonstração ser apenas jurídica. não podendo este prazo ser prorrogado. op cit. mas. de Moraes Pitombo. § 1º): para produzir efeitos em relação ao credor beneficiário da garantia. também. caindo em uma das hipóteses existentes no artigo 73 da Lei 11.. 109 Também deverá apresentar um laudo econômico – financeiro de avaliação dos bens e ativos da empresa. com a supressão ou a substituição da garantia (artigo 50. de Moraes Pitombo. 109 SZTAJN. 2005. então o futuro do instituto é a completa desmoralização.

110 Após a apresentação do plano ao juiz. e fixará prazo para que os credores apresentem objeções ao plano elaborado pelo devedor.101/05. para que o devedor tenha o plano aprovado sem a necessidade de deliberação da assembléia é necessário a aprovação unânime dos credores. restabelece-se o direito dos credores de prosseguir com as suas execuções. p.. Teoria falimentar e regimes recuperatórios: estudos sobre a Lei n° 11. este irá publicar edital para conhecimento dos credores do mesmo. uma vez que se trata de norma cogente. a apresentação de cláusula de conversão será eficaz para aqueles que aceitarem esta proposição. implica a sua nulidade jurídica e a rejeição de oficio pelo magistrado. Seguindo a forma exemplificativa anterior. O plano não poderá prever prazo superior a 1 (um) ano para o pagamento dos créditos trabalhistas (artigo 54. Introdução da obra: Comentário à lei de recuperação de empresas e falência: Lei 11. será mantida a cotação em moeda estrangeira. 2008. parágrafo único): o mesmo deverá ser aplicado para a restrição contida no parágrafo único do artigo 54. “capvt”): diferentemente da fórmula anteriormente apresentada. § 2º): para produzir efeitos em relação aos credores. Luiz Inácio. em havendo trinta credores em moeda estrangeira. o devedor perderá 110 VIGIL NETO. mesmo que os empregados estivessem dispostos a aceitá-la. a partir da apresentação desta proposta em cláusula de plano recuperatório.somente para os credores que com ela concordem. pois se assim não o for. 111 SECCHI MUNHOZ. Eduardo.111 Como o prazo para suspensão dos processos de execuções é de no máximo 180 dias contados do deferimento do processamento da recuperação. . p 168. 2007. Para os demais. demanda a sua expressa concordância.101/2005. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. . Porto Alegre:Livraria do Advogado Editora. se faz necessário que a assembléia geral de credores ocorra dento do mesmo período. a transgressão do enunciado. A negativa de alguns a cláusula nem repercute na decisão dos que com elas concordaram. e após este período. A cláusula que proponha a conversão dos créditos em moeda estrangeira para moeda nacional (artigo 50.. São Paulo: Revista dos Tribunais. A objeção por parte de qualquer credor torna imprescindível a convocação da Assembléia Geral de Credores para deliberar sobre sua aprovação. que deverão ser honrados pelo devedor em até trinta dias contados da aprovação do plano. O plano não poderá prever prazo superior a 30 (trinta) dias para o pagamento dos créditos eminentemente salariais vencidos nos últimos 3 (três) meses e não superiores a 5 (cinco) salários mínimos por credor (artigo 54. de Moraes Pitombo. 272. com a diferença que neste dispositivo legal são tratados apenas os créditos salariais vencidos nos últimos três meses anteriores ao pedido e não superiores a cinco salários mínimos por empregado. Ou seja.

uma das principais proteções que o processo de recuperação lhe oferece, que é suspender as ações e execuções dos credores.112 Se não houver objeções ao plano o juiz concederá a recuperação judicial ao devedor, passando-se então à execução do mesmo. Caso haja objeções ao plano será realizada, então, a Assembléia Geral de Credores, onde a deliberação se dará de acordo com o disposto no artigo 45 da Lei 11.101/2005, o qual exige um quorum especial para aprovação do plano. Caso o plano seja rejeitado pela a assembléia geral, o juiz deverá decretar a falência, hipótese esta que está prevista no artigo 73 da Lei 11.101/2005. Porém o juiz tem o poder de impor aos credores o plano rejeitado, desde que estejam presentes determinados requisitos, evitando assim, a decretação da falência. Além dos requisitos presentes no artigo 58, §§ 1º e 2º, os quais são: aprovação pela maioria dos créditos presentes, independentes de classe; aprovação em pelo menos duas classes, se a assembléia tiver sido composta de três classes, ou por uma classe, se a assembléia tiver comparecido apenas duas classes; na classe que houver rejeitado, tiver o plano obtido mais de um terço dos votos; o juiz, ainda, terá que reconhecer o desempenho de função social pela empresa em crise, para assim poder impor aos credores o plano rejeitado na assembléia geral de credores.113 A imposição do plano rejeitado pela a assembléia geral de credores pelo juiz “não se constitui em um ato de vontade absoluta” 114, pois para esta imposição o magistrado tem de observar os requisitos acima enumerados e a partir daí analisar de forma subjetiva, “se a empresa é estrategicamente importante em seu contexto social”115. Apesar dos administradores e o devedor permaneceram na condução da empresa em crise, estes tem, após a distribuição do pedido de recuperação, sua liberdade de atuação cerceada. A restrição mais importante é a da
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SECCHI MUNHOZ, Eduardo. Introdução da obra: Comentário à lei de recuperação de empresas e falência: Lei 11.101/2005, coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. de Moraes Pitombo. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007, p. 273. 113 VIGIL NETO, Luiz Inácio. Teoria falimentar e regimes recuperatórios: estudos sobre a Lei n° 11.101/05. Porto Alegre:Livraria do Advogado Editora, 2008, p 172 e 173. 114 VIGIL NETO, Luiz Inácio. Teoria falimentar e regimes recuperatórios: estudos sobre a Lei n° 11.101/05. Porto Alegre:Livraria do Advogado Editora, 2008, p 172 e 173. 115 VIGIL NETO, loc cit..

impossibilidade alienar ou onerar bens do ativo permanente, salvo se for reconhecido pelo juiz a utilidade do ato, e depois de ouvido o comitê de credores. Mas a decisão do comitê não vincula o juiz, o qual pode proferir decisão contrária ao comitê, desde que, quando optar por permitir a alienação ou oneração dos bens do ativo, reconheça a existência de evidente utilidade do ato.116 A recuperação judicial pode se encerrar de duas formas. A primeira quando o cumprimento da recuperação corresponde ao período de dois anos, sendo, assim, proferida a sentença de encerramento pelo juiz, determinando, desta forma, a quitação dos honorários do administrador e das custas remanescentes, a apresentação, em quinze dias, do relatório do administrador judicial, a dissolução dos órgãos auxiliares da recuperação judicial, ao quais é o comitê de credores e assembléia geral, bem como a comunicação à Junta Comercial do término do processo. E a segunda ocorre quando houver a desistência por parte do devedor do benefício. Ao ser homologado a desistência o devedor retorna a sua antiga condição jurídica a que se encontrava antes do pedido de recuperação, podendo os credores retornar aos seus direitos originários, como se o processo de recuperação nunca houvesse existido.117 O juiz poderá decretar a falência durante o processo de recuperação, conforme o artigo 73 da lei, quando: a assembléia geral assim deliberar, ou seja, quando os credores que representam mais da metade do valor total dos créditos presentes à assembléia geral deliberaram a favor da convolação; a não apresentação do plano de recuperação no prazo de sessenta dias, contados da decisão que deferiu o processamento da recuperação judicial; a rejeição do plano pela assembléia geral de credores, em conformidade com o procedimento próprio de votação estabelecido pela lei; e o descumprimento das obrigações assumidas no plano de recuperação.118
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SECCHI MUNHOZ, Eduardo. Introdução da obra: Comentários à Lei de Recuperação de Empresas e Falência: Lei n. 11.101/2005, coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. de Moraes Pitombo. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007, p. 315 e 316. 117 ULHOA COELHO, Fábio. Comentários à nova lei de falências e de recuperação de empresas: (Lei n. 11.101, de 9-2-2005). 7º edição, revisada. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 207. 118 KLEIN ZANINI, Carlos. Introdução da obra: Comentários à Lei de Recuperação de Empresas e Falência: Lei n. 11.101/2005, coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. de Moraes Pitombo. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007, p. 332-334.

A convolação do procedimento da recuperação judicial em falência não anula os atos praticados durante a recuperação judicial, desde que estes estejam de acordo com a lei. Os credores retornam ao status quo ante, sendo deduzidos os valores eventualmente pagos pelo devedor durante o processo de recuperação.

1.2.1 O Reconhecimento da Função Social da Empresa na Recuperação Judicial
Há duas formas de o regime recuperatório ser concedido: 1º) o plano reorganizativo tenha sido aprovado pela maioria dos créditos presentes na assembléia geral de credores, contados de acordo com o artigo 45 da Lei 11.101/2005; 2º) quando o plano reorganizativo é imposto aos credores pelo juiz, uma vez que este identifique a função social da empresa, e que estejam preenchidos os requisitos do artigo 58, § 1º e § 2º da Lei 11.101/2005. Para o autor Luiz Inácio Vigil Neto119:
A função social, ainda que essencial para a decisão judicial de imposição do plano rejeitados aos credores, não recebeu, contudo, uma definição por parte do legislador. Essa correta opção do legislador brasileiro deveu-se à idéia de não se propor um modelo estático de cognação do instituto. Em outras palavras, a função social é um valor cultural de um povo que se expressa, nos eixos cartesianos de tempo e espaço sociais.

Não apenas o princípio da função social da empresa deve ser levado em consideração quando da imposição aos credores do projeto recuperatório, também necessitam ser observados todos os princípios dispostos no artigo 47 da Lei 11.101/2005, o qual prevê:
Art. 47. A recuperação judicial tem por objetivo viabilizar a superação da situação de crise econômico-financeira do devedor, a fim de permitir a manutenção da fonte produtora, do emprego dos trabalhadores e dos interesses dos credores, promovendo, assim, a preservação da empresa, sua função social e o estímulo à atividade econômica.

O presente artigo demonstra a opção legislativa no que concerne à recuperação da empresa em crise econômica financeira. A busca pela manutenção de empregos, o respeito aos interesses dos credores, a garantia
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VIGIL NETO, Luiz Inácio. Teoria falimentar e regimes recuperatórios: estudos sobre a Lei 11.101/05. Porto Alegre: Livraria dos Advogados Editora, 2008, p.143.

de respeitar os preceitos econômicos da organização das empresas. p. A nova legislação procura analisar.120 Os princípios alocados na Lei 11. 122 CASTRO.da produção dos bens ou serviços em mercados são os objetivos tutelados na reorganização da empresa em crise. Carlos Alberto Farracha de. Marta Santiago de Oliveira. Curitiba: Juruá. proporcionando repercussões na forma de se interpretar e por em prática a legislação. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. sua participação no mercado. as probabilidades de sobrevida do negócio. São Paulo: Revista dos Tribunais.tjrj. vir tutelar o devedor de boafé. 2007. instaurando assim um novo panorama jurídico. que ao longo do tempo identificou a necessidade de se modificar pra assim poder se adequar à nova realidade econômica e social. Disponível em: < http://www. em especial a Lei 11. O Princípio da Preservação da Empresa no Novo Sistema Falimentar. 23. 2007. 222-223 121 SCHELLES. tendo a mesma administração ou outra. de Moraes Pitombo. Em suma. para. É nítido o abandono da visão da legislação revogada. na valorização do trabalho humano e na função social da propriedade privada. no criar e distribuir bem estar e na geração de riquezas.emerj. sendo alterado assim o foco da tutela. .101/2005. tanto que por qualquer motivo a concordata preventiva era indeferida.101/2005 são frutos da evolução do direito falimentar. não esquecendo. sendo a decretação da falência um ato compulsório. onde a ordem econômica é centrada não só na dignidade da pessoa humana. mas também na livre iniciativa. pois ela dava prioridade a retirada do comerciante inábel ou inepto do mercado. o qual era antigamente o credor e a confiança. a qual bradava por um ordenamento que identificasse a atividade empresária e o próprio empresário como agentes sociais importantes para o desenvolvimento da sociedade. p. Introdução da obra: Comentários à Lei de Recuperação de Empresas e Falência: Lei n.br/trabalhos_conclusao/trabalhos_22009/martaschelles. Acesso em 22 de fevereiro de 2010.pdf>. o esforça da nova disciplina é manter a empresa em funcionamento quando está se demonstre viável. Rachel.121 Tanto o princípio da preservação da empresa quanto o da função social da empresa tem sua origem no artigo 170 da Constituição Federal de 1988.jus. 11.122 120 SZTAJN. agora. antes da quebra.101/2005. Preservação da Empresa no Código Civil.

125 Ibidem. corresponde a preservação da empresa (de que é corolário o da recuperação da empresa). proporcionando a geração de postos de trabalho. Sendo. A Constituição Federal em seu artigo 170 elege também como princípio da ordem econômica a busca pelo pleno emprego. 126 CASTRO. . o princípio da preservação da empresa um “princípio constitucional não escrito124”. para a satisfação das necessidades essenciais do indivíduo. afinal é a atividade empresarial que gera boa parte dos postos de trabalho e é umas das principais fontes de tributos para o estado. Como ressalta Carlos Alberto Farracha de Castro125: Sem preservação da atividade empresarial inexiste emprego. 42. P. contribuindo. uma vez que seu intuito é plenamente compatível com os direitos e princípios previstos na carta magna.O princípio da função social da propriedade merece destaque. CASTRO. p. 43. o princípio da busca do pleno emprego. mas também do princípio da função social da propriedade. desta forma. Em outras palavras. pois. mas é por ela defendido. o qual reconhece a necessidade e a importância da continuação das atividades empresariais. só porque não atende mais aos interesses individuais e patrimoniais de seus titulares. razão pela qual não há como se valorizar o trabalho. Carlos Alberto Farracha de. loc cit. segundo o qual. O princípio da preservação da empresa não deriva apenas da busca do pleno emprego.126 123 124 CASTRO. ainda que implique sacrifício de outros direitos também dignos de tutela jurídica.123 Já o princípio da preservação da empresa não está expressamente previsto na Constituição Federal. 2007. Preservação da Empresa no Código Civil. pois deste deriva o princípio da função social da empresa. loc cit. mesmo que está encontre-se em crise. diante das opções legais que conduzem a dúvida entre aplicar regra que implique a paralisação da atividade empresaria e outra que possa também prestar-se à solução da mesma questão ou situação jurídica sem tal conseqüência. não podendo. Curitiba: Juruá. desta forma. uma vez que a atividade das empresas ativa a economia como um todo. falar na busca do pleno emprego sem propiciar a preservação da empresa. motivo por que a pretensão do legislador constituinte ficaria reservada ao seu imaginário. assim. deve ser aplicada essa última. o qual não permite a aniquilamento de empresas produtivas.

. Pelo contrário. aquelas que tenham relevante importância social. 47. Marta Santiago de Oliveira.129 Conforme Fábio Ulhoa Coelho130: Nem toda a falência é um mal. em sua plenitude”. Algumas empresas.127 Quando analisada a questão da empresa em dificuldade econômicofinanceira. ou seja. São Paulo: Saraiva. 7º edição. 46 128 Ibidem. cuja preocupação primeira é atender e preservar os interesse sociais do homem.O reconhecimento do princípio da preservação da empresa como princípio constitucional não escrito auxilia na concretização dos princípios fundamentais.jus. para que seja possível a sua recuperação e preservação. Comentários à nova lei de falências e de recuperação de empresas: (Lei n. porque são tecnologicamente atrasadas. 11. É de extrema importância analisar os custos que serão gerados na conservação da empresa em crise no mercado. opera-se uma inversão inaceitável: o risco da atividade empresarial transfere-se do empresário para os seus credores. Para o bem da economia com um todo. Acesso em 22 de fevereiro de 2010.pdf>. sendo esta transitória. se faz necessário privilegiar a preservação da empresa em prejuízo de outros princípios. 130 ULHOA COELHO.101. de 9-2-2005). Disponível em: < http://www. p. principalmente o da dignidade da pessoa humana. 129. revisada.emerj. as más empresas devem falir para que as boas não se prejudiquem. p. 127 CASTRO. “sua preservação está em conformidade com os postulados do atual sistema constitucional. sempre que a empresa demonstrar-se viável. Preservação da Empresa no Código Civil. Assim. descapitalizadas ou possuem organização administrativa precária. O Princípio da Preservação da Empresa no Novo Sistema Falimentar. devem mesmo ser encerradas. 129 SCHELLES. P. Quando o aparato estatal é utilizado para garantir a permanência de empresas insolventes inviáveis.br/trabalhos_conclusao/trabalhos_22009/martaschelles. financeiros e humanos – empregados nessa atividade devem ser realocados para que tenham otimizada a capacidade de produzir riqueza. 2007.tjrj. Fábio. Curitiba: Juruá. Carlos Alberto Farracha de. os recursos – materiais. através do processo liquidatório. no momento de crise. não devendo estes custos superar os da extinção da mesma. a recuperação da empresa não deve ser vista como um valor jurídico a ser buscado a qualquer custo. 2010.128 Ao se buscar a preservação da empresa deve-se se ter o cuidado de manter apenas as empresas viáveis.

Fábio. por muitas vezes se excluem e por outras se completam. 7º edição.131 Para Fábio Ulhoa Coelho. volume do ativo e passivo. bem como a sua relevância para a economia local. pois a recuperação da empresa com tecnologia defasada e que depende de modernização pode 131 VIGIL NETO. Sobrepesar estes vetores é complexo. através dos seguintes vetores: importância social.132 A importância social refere-se a dois aspectos. Comentários à nova lei de falências e de recuperação de empresas: (Lei n. com base no princípio da preservação da empresa e outros que norteiam a ordem econômica. p. Luiz Inácio. 2010. podendo assim.101. 144145. p. se demonstre mais benéfico às outras empresas que integram o mercado e a sociedade que esta seja liquidada imediatamente. 11. 71.101/05. 132 ULHOA COELHO. 133 ULHOA COELHO. acabam-se incumbindo aos operadores do direito a análise do caso concreto. 2008. Para que ocorra a preservação da empresa é necessário que o juiz não se restrinja apenas ao momento atual. Porto Alegre:Livraria do Advogado Editora. que assim ocorra. sendo eles: as condições econômicas que demonstrem possível o reerguimento da atividade empresária não podem ser ignoradas. Teoria falimentar e regimes recuperatórios: estudos sobre a Lei n° 11. “que valha a pena para a sociedade brasileira arcar com os ônus associados a qualquer medida recuperatória de empresa não derivada de solução de mercado133”. tempo de empresa e o porte econômico. revisada. de 9-2-2005). . devido à evolução das empresas. nesse aspecto. para decidir se a empresa merece o amparo judicial no sentido de ser preservada. mas sim à potencialidade futura da empresa em crise. Em outros termos. o exame da viabilidade da atividade empresária em crise deve ser feito. A mão-de-obra e tecnologia empregadas. Esta potencialidade deverá ser demonstrada não pelo desempenho momentâneo. o qual será avaliado pelos credores e pela sociedade. mas em seu plano reorganizativo. mão de obra e tecnologias empregadas. São Paulo: Saraiva. ser observado se a empresa possui capacidade de cumprir com as obrigações assumidas no plano de recuperação. loc cit.Desta forma. ou caso. regional e nacional. pelo judiciário.

isto não significa que as empresa com menor tempo não possam requerer o benefício da recuperação. devendo desta forma identificar o porte da empresa. E. A viabilidade dependeria. 117. O volume do ativo e do passivo significa analisar qual a natureza da crise. Paulo. A principal influência do tempo na concessão da recuperação é que as empresas mais jovens terão que ter o potencial econômico e a importância social realmente relevante. O novo projeto de recuperação da empresa. Paillusseau: Qual a importância em relação aos concorrentes? Quanto valem seus produtos e serviços no mercado? Qual é a qualidade da sua organização de produção? Quais são os investimentos que devem ser feitos? Todas essas perguntas e outras mais é que permitem traçar ao menos um parâmetro para se saber se a empresa é ou não viável. pois as medidas reorganizativas de uma empresa grande não serão as mesmas adotas por um microempresário.2000.39. mas se a tecnologia não for renovada./mar. . a recuperação necessitará de soluções mais complexas. Todavia. o porte econômico trata do tamanho da empresa a se recuperar. É importante salientar que a análise financeira da empresa cumpre papel relevante. pois na medida em que estas se relacionam. jan. p. menor será sua importância social. por fim.. pelo contrário qualquer empresa viável e que preencha os requisitos da lei possuem esse direito. 128. n.. a empresa pode não conseguir se reorganizar. Para Paulo Penalva Santos134 Naturalmente a apreciação da viabilidade não se deve se limitar a uma análise meramente financeira da empresa. pois quanto menor está for. 134 PENALVA SANTOS. v.implicar o fim de postos de trabalho. O tempo da empresa leva em conta quanto tempo esta encontra-se atuando no mercado. São Paulo. Revista de Direito Mercantil. em resumo da resposta às seguintes indagações formuladas pelo Prof.

42. 137 THEODORO JÚNIOR. a idéia de função social do contrato. Revista de Direito Mercantil: Industrial. Rio de Janeiro: Editora Forense. na prática. Função social do contrato: primeiras anotações. Econômica e Financeira. out.135 De início não havia previsão legal expressa da função social da empresa. Esta extensão da função social influenciou. 7-24. o qual. O contrato social e sua função. Econômica e Financeira. São Paulo.Outro princípio previsto no artigo 47 da lei é o da função social da empresa. por outro lado a propriedade dos bens de consumo passaram a ter grande relevância social. o controle da empresa. 2003. como a propriedade de bens de consumo e bens de produção -. passando a empresa a representar “o principal motor do sistema econômico. n. São Paulo. 7-24.Direito Mercantil: Industrial. tendo a doutrina que identificar – a através das diversas formas de propriedade. influenciando de forma crescente as relações sociais”. Revista de Direito Mercantil: Industrial. 132. 138 SALOMÃO FILHO. 132. Econômica e Financeira. p. p. como dito. abre caminho para a aplicação deste não só para a empresa como para toda a relação civil. .138 135 SALOMÃO FILHO. out. n. 42. p. desta forma. assim. Calixto. Calixto.8. 2ª edição. influenciado. p. deriva da função social da propriedade. 42. São Paulo. p. 2003. A função social da propriedade se restringiu por muitos anos as propriedades agrárias. 7-24. out. as transformações sofridas pelo direito empresarial brasileiro. 136 Ibidem. Humberto. pois estas eram sinônimo de poder econômico. Função social do contrato: primeiras anotações. p. o qual se encontra no artigo 170 da Carta Maior. 8./dez. v. assim. 132./dez. surgindo. 2003. Para Calixto Salomão Filho quando a função social passa a se referir à empresa “sua disciplina transforma-se em algo fortemente ligado ao interesse estatal em uma disciplina ligada ao interesse de grupos afetados pela atividade da empresa137”. p. Logo se tornou evidente que a utilização do termo tinha que ser ampliada. força aplicativa. as interpretações restritivas do direito de propriedade. 8. v./dez. 2004.136 A extensão da função social para a empresa justifica o reconhecimento de alguns direitos fundamentais da pessoa jurídica. n. v. 7. dando-lhe. A função social ao ser entendida como princípio.

10. possa passar a exercer. o contrato “deve apresentar-se como um comportamento social sempre adequado”. Desta forma.142 Para Calixto Salomão Filho143: Não é tarefa fácil atribuir sentido jurídico específico ao termo função. 132. 2ª edição. p. Função social do contrato: primeiras anotações. v. de modo a fazer com que a liberdade de cada um dos contratantes “seja igual para todos”. uma “função social”. 142 Ibidem. os contratos devem estabelecer-se numa ordem social harmônica. assim. O contrato passa a exercer uma função social quando visa o princípio da igualdade. a função social estaria localizada no propósito de colocar o interesse coletivo acima do interesse individual. Rio de Janeiro: Editora Forense. 141 Função significa dizer que é o papel que alguém ou algo deve desempenhar em determinadas circunstâncias. a tendência natural é sempre no sentido de sua ampliação. Calixto. devendo impedir qualquer prejuízo à coletividade que provenha da relação firmada no contrato. p. Humberto. o interesse coletivo sobre o individual. A expressão interesse de terceiros é por demais vaga para definir o objeto de tutela de princípio tão importante. 140 Ibidem. 43 143 SALOMÃO FILHO. (. para superar o individualismo. 43. Seria a idéia de igualdade na dignidade social ou na liberdade “para todos”. na sociedade. out. A base da função social do contrato estaria no principio da igualdade.. portanto.) É também bastante evidente que o simples envolvimento da esfera de terceiros não é o suficiente para definir e delimitar a função social. implicaria a valorização da solidariedade e cooperação entre os contratantes. São Paulo. . 42. Para o professor Antônio Junqueira de Azevedo140. Revista de Direito Mercantil: Industrial. p. que faria com que o contrato. o qual se volta para a idéia de dignidade social ou liberdade “para todos”./dez. 2003. 7-24. o que. outrora concebido de maneira individualista. 139 THEODORO JÚNIOR. loc cit. p. corresponde a definir um objetivo a ser alcançado. no domínio do contrato. 48 141 THEODORO JÚNIOR. Expressão genérica. plena de significado moral e social. p. o qual atuaria. n. Econômica e Financeira. O contrato social e sua função. Falar em função. 2004. sobrepondo-se.De acordo com Humberto Theodoro Júnior139: Para uns. in casu. Alguns doutrinadores conceituam a função social do contrato situandoo apenas na relação dos contratantes com o meio social..

146 THEODORO JÚNIOR. Por isso não basta apenas aquela relação de proporcionalidade entre os princípios. pois a contrato cabe uma função social. 2004.Presta-se um maior serviço ao instituto jurídico da função social do contrato se forem analisados os verdadeiros interesses sociais em jogo. ou em outras palavras. Rio de Janeiro: Editora Forense. “uma tarefa arbitrária”. ambos os princípios devem ser analisados no plano “do impacto do contrato com terceiros ou com o meio social em sentindo mais amplo”. é preciso que o contrato seja bom para os indivíduos que o celebram e bom para a sociedade. O contrato social e sua função. mas define valores e princípios. ainda ressalta que: Para que se conceba um conceito adequado de função social do contrato é preciso que se busque também um elemento externo ao contrato. Rio de Janeiro: Editora Forense. A função primária do contrato é a função econômica e está jamais pode ser descartada ou anulada em prol.144 O que se deve dizer é que tanto o direito de propriedade quanto o direito de contratar devem. e a segunda refere-se à preocupação com a ordem econômica e social. em hipótese alguma. 83. p. 2ª edição. O contrato social e sua função. Ressalta Humberto Theodoro Júnior147 O julgamento segundo clausulas gerais autorizadas pela lei não é. 2ª edição. 145 Ibidem. está não prescreve uma conduta. 100 147 Ibidem. ou seja. p.145 Humberto Theodoro Júnior. sendo assim. estas descrevem valores. 2004. As cláusulas gerais são ponto de referência e oferecem ao interprete os limites para a aplicação das demais disposições normativas. atender a uma função na sociedade. por exemplo. 49. para ser dignos de alguma tutela pelo direito. A função social e econômica são institutos jurídicos distintos. tendo a função social o atributo de indicar os limites do contrato em relação o quanto este pode atingir terceiros. podendo estes interesses ser traduzidos nos princípios da eticidade e da socialidade. p. mas devem coexistir harmonicamente.146 A função social é uma cláusula geral. Humberto. Humberto. 135 . mas não uma função de assistência social. É necessário que com o contrato se atinja o bem comum. Onde o primeiro se aplica as regras como a da lealdade e solidariedade entre os contratantes. de uma atividade assistencial. Ao complementar uma 144 THEODORO JÚNIOR. p.

sob pena de nulidade. tem-se o entendimento que a empresa constitui a noção atual de propriedade.. Conforme Orlando Gomes149: O jurista que observa a paisagem da vida econômica contemporânea se convencerá de que a evolução das estruturas da economia relegou a segundo plano. mas. “Toda e qualquer reconstrução dogmática está. abandonando o absolutismo passado. mas inviável. um direito subjetivo puro. sua estrutura e funcionalidade. este se deve a função social da propriedade. Não devem prevalecer nem o excesso de conservadorismo. nesse ponto. embora exercido com fim lucrativo. este pode ser concebido como a desmaterialização da riqueza. um dos modos de seu exercício e devendo subordinar-se esse exercício ao interesse geral. O momento é de reflexão e construção para o jurista. ou uma sociedade eficiente. 149 CASTRO. aplicando sempre os princípios informativos do sistema. portanto. exclusivamente “um poder da vontade para a realização de um interesse próprio”. tendo em conta tanto os valores éticos. nem o radicalismo destruidor.. e. Curitiba: Juruá. que não assegura a continuidade das instituições. (. sob pena de criar um mundo justo. ato de conhecimento e de responsabilidade”. surgiu a categoria jurídica da empresa. em primeiro lugar. deve relativizar as soluções. quanto as realidades econômicas e sociais. Não é por outra razão que a Constituição exige. IX). De acordo com Arnoldo Wald: Se o direito tem a dupla finalidade de garantir tanto a justiça quanto a segurança. . art. Ainda cabe ressaltar que sendo a preservação da empresa princípio constitucional. 2007.) O exercício da atividade econômica pela organização de bens e pessoas nessas unidades orgânicas cada dia maiores e mais poderosas exige disciplina que encare o direito de propriedade sob novas perspectivas. 43-44. que impede o desenvolvimento da sociedade. introduzida no centro do sistema do direito privado. aos individuais e patrimoniais dos seus titulares”. pó que não é mais. 93. os quais exigem do juiz não apenas ato de vontade. que. pois sua extinção não atende aos interesses coletivos. Carlos Alberto Farracha de. atada aos valores e diretivas do ordenamento. “tão-somente. no 148 CASTRO. sob a perspectiva social. que toda a decisão judicial seja fundamentada (CF.148 Ademais. o juiz tem de se ater à realidade da figura jurídica. quando é preciso conciliar justiça e eficiência. Sendo a empresa em última análise. mas injusta.norma legal em branco. o qual não permite a extinção das empresas produtivas. p. loc cit. fundamentalmente. Preservação da Empresa no Código Civil.) Dessa constatação. Somente com a explicitação dos elementos de fato e de direito em que a sentença se apoiou haverá condições de aferirlha a conformidade com o sistema normativo axiológico determinado pela Constituição. senão um poder que. (. a atividade de gôzo do proprietário quando comparado à atividade produtiva do empresa. mas.. o poder jurídico que o pressupõe deixa de ser. é preciso encontrar o justo equilíbrio entre as duas aspirações..

pois a atividade produtiva é reconhecido. Fábio Konder Comparato152 classifica bens de produção e bens de consumo como: Os bens de produção são móveis ou imóveis. isto é. p. do direito de propriedade as relações jurídicas. . São Paulo. 132. n. o proprietário na veste do empresário ou empreendedor tem deveres e responsabilidades. 2003. não pela criação de coisas materiais. p. Função Social da propriedade dos bens de produção. ou elas incorporam a uma atividade industrial. assim. Função social do contrato: primeiras anotações. mas pela criação de valor. tornando-se insumos de produção. p.interesse de quem exerce. 63.151 Antes de ser identificada a função social da empresa os doutrinadores buscavam na função social dos bens de produção e dos bens de consumo a forma de identificar o controle que empresa exercia na sociedade. n. 42. 7-24. Econômica e Financeira. Passando. A essência da função social decorre de sua evolução e utilização na realidade histórica. p. em seguida. 152 COMPARATO. mas também o dinheiro. ao final do início do ciclo distributivo. “A 150 SALOMÃO FILHO. 25. revelando. 71-79. Desta forma. podem ser empregados como capital produtivo. v./dez. ou passam à categora de bens de consumo. o valor nele embutido. São Paulo. o qual dado a ele pela própria sociedade. Econômica e Financeira. Calixto. n. as mercadorias. Fábio Konder.-set. Calixto. A classificação dos bens de produção e dos bens de consumo não se encontra em sua natureza ou consistência. indiferentemente. v. jul. out. out. Função social do contrato: primeiras anotações. deve ao mesmo tempo legitimar-se pela realização de interesse extra-pessoal transindividual. Revista de Direito Mercantil: Industrial. p. 1986. p. 7-24. São Paulo. 151 SALOMÃO FILHO. 2003. Desse modo. Revista de Direito Mercantil: Industrial. v. “em um primeiro momento aquelas envolvidas pela empresa e. 9. De igual modo os bens destinados ao mercado. assim. uma vez destacadas dele. 42. a essência contida no princípio tem de se transformar. tornou-se importante prever como a esfera social era afetada por estas relações.150 Na medida em que a função social da propriedade deixa de vislumbrar apenas as propriedades agrárias e passa se fundar nas relações comerciais e industriais mais complexas. 10. Industrial./dez. sob a forma de moeda ou de crédito. 132. Econômico e Financeiro. pelos contratos em geral”. 72. Não somente a terra. Revista de Direito Mercantil. Mas as mercadorias somente se consideram bens de produção enquanto englobadas na universalidade do fundo de comércio. na análise econômica. mas sim em sua destinação.

o qual corresponde ao interesse coletivo e não ao interesse próprio do proprietário. Econômico e Financeiro. 157 COMPARATO. em relação ao “respeito a certos limites estabelecidos em lei para o exercício da atividade. loc cit.157 Em outras palavras a função social da propriedade é um poder-dever não somente no sentido negativo. p. A função. encontra-se a garantia de emprego.155 Já o social demonstra o objetivo. de vinculá-lo a certo objetivo”. 71-79.75. 1986. se está perante a um interesse coletivo. a educação e a formação profissional. sendo a forma de obter a subsistência do indivíduo e de sua família. de que algo deve ser feito ou cumprido”. Fábio Konder.158 153 154 Ibidem. Industrial. e isto justifica a importância dada para a propriedade agrária. mais especificamente. Revista de Direito Mercantil. podendo até mesmo ser sancionado pela justiça. 25. e as “prestações sociais devidas ou garantidas pelo Estado. 156 COMPARATO.73 155 Ibidem.função que as coisas exercem na vida social é independente da sua estrutura interna”. 41. mas. jul. São Paulo. p. em seu lugar. 63. loc cit. o transporte e o lazer. p. salário justo. deve ser entendida como um poder.-set. a habitação. Função Social da propriedade dos bens de produção. também. 73. n.156 Mas.154” Quando se fala em função social da propriedade não significa que este restringe o uso e o gozo dos bens de seu proprietário. devendo está ser desempenhada para a satisfação da coletividade. sendo a função social um poder-dever do proprietário. . 158 Ibidem. mesmo assim. aqui. COMPARATO. Hoje a propriedade privada deixou de ser o único meio de garantir a subsistência da família. em vez da subsistência. v. p. “o que não significa que não possa haver harmonização entre um e outro”. “o poder de dar ao objeto da propriedade destino determinado. p. na acepção positiva. como a previdência contra os riscos sociais.153 Antigamente o intuito da propriedade privada era o de proteger o indivíduo e sua família de possíveis necessidades materiais.

Ora. Deste modo. que gravitam vários agentes econômicos não – assalariados. como os investidores de capital. A massa salarial já equivale. compõe-se na base da sociedade. Lúcia Valle. a escolha é indubitável: essa instituição é a empresa. sem falar do alcance desta ao Estado como um todo. p. 1987. ademais.Dentro da Constituição Federal de 1988. É dela que depende. a função social da propriedade é apresentada “como imposição do dever positivo de uma adequada utilização dos bens. dinamismo e poder de transformação. de sua existência. e este resulta do exercício do direito a propriedade. A empresa. pela sua influência. hoje. A propriedade não é mais o direito subjetivo do proprietário. pelo próprio fato de deter a riqueza. . na razão direta do lugar que nela ocupa. Conforme destaca Fábio Konder Comparato: Uma instituição social que. Curitiba: Juruá. 2007. predominantemente. e é delas que o Estado retira a parcela maior de suas receitas fiscais. pode cumprir uma certa missão que só ele pode cumprir. sirva de elemento explicativo e definidor da civilização contemporânea. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais LTDA. 135. configura-se. no Brasil. p. Preservação da Empresa no Código Civil. É das empresas que provém a grande maioria dos bens e serviços consumidos pelo povo. em uma situação econômica. socialmente obrigado a cumprir esta missão e só será socialmente protegido se cumpri-la e na medida em que o fizer. 162 Ibidem. “o conceito de empresa antecede o seu reconhecimento pela ordem jurídica”. 161 CASTRO. É em torno da empresa. para que este possa cumprir com suas despesas e obrigações. Adilson Abreu/ FIGUEIREDO. dada a sua importância e movimentação da sociedade ser dependente. a subsistência da maior parte da população ativa deste país. o detentor de riqueza. DALLARI. os fornecedores. é a função social do detentor da riqueza. Carlos Alberto Farracha de. Temas de direito urbanístico. em conseqüência. 135-136. p.pela organização do trabalho assalariado. Somente ele pode aumentar a riqueza geral. diretamente. em proveito da coletividade”. p. Está. 43. Na opinião de Clóvis Couto e Silva161. fazendo valer o capital que detém. de certo modo. a 60% da renda nacional.159 Adilson Abreu Dallari e Lúcia Valle Figueiredo160 entendem como função social da propriedade que: Todo o individuo tem a obrigação de cumprir na sociedade uma certa função.162 Deste modo a função social da empresa é irreversível. 159 160 Ibidem. assegurar a satisfação de necessidades gerais. pois é por intermédia da empresa que o Estado arrecada tributos indispensáveis. 5. os prestadores de serviço.

167 COMPARATO. v. que não há como a empresa exercer sua atividade tendo em vista a função social da empresa. Estado. meio ambiente. Fábio Konder. mesmo que autorizado legalmente. exercendo. um papel produtivo. 38. A função social da empresa como Princípio do direito civil constitucional. atingindo. 732. A razoabilidade da atuação dos administradores está estritamente ligada à lucratividade da empresa.164 Cabe ressalvar que a função social não deve ser encarada como algo exterior à propriedade. out. out. p.html>. harmonicamente. Empresa e Função Social.Alguns doutrinadores entendem que a função social da empresa determina que a exploração da atividade empresarial não interesse apenas empresário e. trabalhadores. 45. 1996. às necessidades sociais”. 164 CASTRO. Curitiba: Juruá. Empresa e Função Social.165 É entendimento de alguns doutrinadores. Em outras palavras “a atividade empresarial apresenta um caráter dúplice. Revista dos Tribunais.com. assim. Estado. v. Carlos Alberto Farracha de. a função social da empresa “implica um dever social que exige consonância entre interesses particulares da sociedade e o interesse coletivo”. deve buscar o lucro de forma desenfreada. 38. Fábio Konder. Disponível em: <http://www. devendo o direito individual coexistir. p. pois os interesses e exercícios da exploração da propriedade devem ser tencionados à sociedade. também. p.br/artigos/artigos_53. como componente integrante de sua própria estrutura.166 Nas palavras de Fábio Konder Comparato167: 163 CASTRO. São Paulo. pois não há como o administrador da empresa praticar atos gratuitos e não razoáveis em benefício da comunidade em torno da empresa. fornecedores. uma vez que serve não só ao sujeito proprietário. Mariana. não. 45. como Fábio Konder Comparato. sem o lucro não há como a empresa resistir. 732. o qual favorece toda a sociedade.163 Sendo assim. Revista dos Tribunais. p. p. . mas sim. com a funcionalização do princípio. fisco e todos aqueles que têm relação com a empresa. desta forma. Acesso em 24 de janeiro de 2010. a qual é a essência da sociedade. 165 ALVES PESSOA.juspodivm. a função social da empresa representa a superação do individualismo. 166 COMPARATO. 1996. loc cit. São Paulo. como também. Preservação da Empresa no Código Civil. 2007. Em suma. 138.

então está acaba sendo. garante. São Paulo. Hélio. Preservação da Empresa no Código Civil. . Em outras palavras. o que se espera e exige delas é.39. A Função Social da Empresa: adequação às exigências do mercado ou filantropia? Disponibilizado em: <http://jusvi. A realização. fornecedores. o sistema empresarial. 2007. mas também o social. acaba por atuar exatamente de forma oposta. se considerarmos que a empresa possui função social. Carlos Alberto Farracha de. não significando que a empresa deva substituir ou fazer às vezes do Estado169. a qual pode ser definida como instrumento de aparente conquista social que. enfim. n. livre de todo controle dos Poderes Públicos. por parte da empresa. jan.. 159. consumidores. a empresa passa a ser responsável não apenas por melhorar o aspecto econômico. o sistema empresarial como um todo exerça a tarefa necessária de produzir ou distribuir bens e de prestar serviços no espaço de um mercado concorrencial. ou seja. 170 ARNOLDI. ambos devem trabalhar juntos. Pelo contrário.. na realidade. Acesso em 17 de janeiro de 2010. 168 CASTRO. também. Importante ressaltar que sua contribuição à sociedade não significa diminuição dos lucros.170 Em suma: Podemos afirmar que atribuir alguns deveres sociais a essas entidades não significa esquivar o Estado de funções que lhe são próprias. 117. apenas. a incongruência em se falar numa função social das empresas. Curitiba: Juruá. no desempenho dessa atividade econômica. de Camargo. Fábio Leandro Tokars168 entende a função social como: Um paliativo retórico aos efeitos concretos de nossas políticas econômicas. 169 CAPEL FILHO. 140. em busca do lucro. por conseqüência. Revista de Direito Mercantil. podemos felizmente constatar uma sensível melhora nas condições econômico-financeiras das instituições que têm adotado medidas de caráter social. pois é notório que a atividade empresarial assumiu dimensões extraordinárias que cada vez mais vêm se acentuando nesta época de globalização. p.com/artigos/15411>. suprirá naturalmente as carências sociais e evitará abusos.2000. p. promoverá a justiça social. Mas é uma perigosa ilusão imaginar-se que. responsável em relação à garantia dos direitos individuais dos cidadãos. de sua finalidade lucrativa. admitindo-se que. v. 120. trás benefícios a sociedade. melhoria de vida aos seus empregados. a eficiência lucrativa. Novos enfoques da função social da empresa numa economia globalizada. Taís C. da comunidade que nela está inserida.É imperioso reconhecer. por conseguinte./mar. No regime capitalista. p. mantendo privilégios ou impedindo a real conquista dos interesses sociais. Na economia moderna. Colombo/MICHELAN. Paulo R. em suma.

(. de Moraes Pitombo. Quando se trata de exploração empresarial a função social não cabe ao proprietário. Revista de Direito Mercantil.-set.A função social não cabe apenas à empresa. o regime de livre concorrência.) Parágrafo único. devendo a empresa atender. O acionista controlador deve usar o poder com o fim de fazer a companhia realizar o seu objeto e cumprir sua função social. 25.101/2005. Função Social da propriedade dos bens de produção. p. v. jul. a preservação do meio ambiente. 116.. 73. pois o poder de controlar não se confunde com a propriedade. para com a comunidade em sua vota. n. parágrafo único da Lei 6. e que a lista de elementos extra-societários que a empresa deve respeitar e atender não pode pautar-se unicamente pela obtenção de lucro. Econômico e Financeiro. São Paulo: Revista dos Tribunais. p. também. De acordo com Mauro Rodrigues Penteado172: Em razão dessa função de grande relevo é que a nova Lei estrutura mecanismos que conduzam à sua preservação. e tem deveres e responsabilidades para com os demais acionistas da empresa. do patrimônio histórico e cultural do País. pois seus administradores também possuem deveres sociais.171 Desta forma. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. 1986. dentre outros. São Paulo. exercida de modo individual ou sobre qualquer forma societária prevista no Código Civil. 63. 11.. 2007. os que nela trabalham e para com a comunidade em que atua. cujos direitos e interesses deve lealmente respeitar e atender. Apesar do aludido diploma legal tratar apenas das sociedades por ações. mas. 172 PENTEADO. estando este disposto no artigo 116. o desenvolvimento econômico e em conseqüência a busca pelo lucro não se demonstram incompatíveis com a consolidação da função 171 COMPARATO. superando as naturais crises econômicas e financeiras pelas quais venha a passar o devedor empresário. também. não restam dúvidas de que este se aplica a qualquer atividade empresarial. Introdução da obra: Comentários à Lei de Recuperação de Empresas e Falência: Lei n.77.404/1976: Art. mas ao administrador ou controlador. p. Por fim. Fábio Konder. os direitos do consumidor. exige-se do administrador que este empregue em suas funções o máximo dever de diligência. Importante se faz distinguir. . não só com os acionistas da empresa. Industrial. lealdade e informação. 71-79. Mauro Rodrigues.

refere-se à organização empresarial. 174 SZTAJN.176 A teoria contratualista é contrária à concepção de que a empresa deve ter como prisma o interesse social. cuja existência está estritamente ligada à atuação responsável na esfera econômica. p. 25 176 SALOMÃO FILHO. O Novo Direito Societário. Carlos Alberto Farracha de. muito menos para substituí-lo. Sendo o interesse dos sócios o interesse social da empresa.175 Considerado as teorias contratualista e institucionalista identificamos até que ponto as sociedades tem responsabilidades sociais com os terceiros que não estão envolvidos.1.101/2005. 223 175 SALOMÃO FILHO. 11.1 Contratualismo x institucionalismo Ao analisarmos os fundamentos do direito societário estamos ao mesmo tempo analisando as funções das sociedades. e até onde pode ou deve ir esta responsabilidade da empresa com o universo que a cerca. ainda. p. 2006. sua existência deve ser calculada para criar postos de trabalho. sendo por estes motivos preservação. A visão alcançada pela sociedade unipessoal leva a dois entendimentos distintos. 26 . Estes entendimentos nos levam as teorias contratualista e institucionalista.174 que se busca sua 1. p. respeitar o meio ambiente e a coletividade. 149. está apóia que o interesse da sociedade deva ser o mesmo do seu grupo de sócios. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A.2. Calixto. não para cumprir as obrigações típicas do Estado. Dentro do contratualismo alguns autores 173 CASTRO. 2007. Ed. Calixto. Preservação da Empresa no Código Civil. O Novo Direito Societário. p.173 A função social da empresa. 2006. 3. São Paulo: Malheiros. ou seja.social da empresa. de Moraes Pitombo. mas sim na acepção de que. São Paulo: Revista dos Tribunais. ainda que este seja apontado como o gerador das desigualdades sociais e da “exploração econômica da classe de trabalhadores pelos detentores do capital”. 2007. Ed. Introdução da obra: Comentários à Lei de Recuperação de Empresas e Falência: Lei n. 3. um vê a sociedade como um contrato e o outro como uma sociedade organizada como instituição. Rachel. Curitiba: Juruá. São Paulo: Malheiros.

Com isso quer-se 177 178 Ibidem. 181 Ibidem. devia-se reconhecer o interesse. não é requisito teórico para a explicação do funcionamento social. veio um institucionalismo mais organizativo. p. São Paulo: Malheiros. contudo os sócios se obrigam apenas com os interesses um dos outros e não com os da sociedade a sua volta.178 No contratualismo os sócios se unem para um fim comum. qualquer que fosse).definem interesse social de forma abstrata e típico. também. 179 Ibidem. p. ou seja.36. 177 O Contratualismo moderno não vê o interesso apenas em torno única e exclusivamente do grupo de sócios. p. onde.35. buscava-se a preservação da personalidade jurídica da sociedade. dos trabalhadores e da coletividade. “reduzindo-o ao interesse à maximização do lucro”. onde o interesse dos sócios não prevalecia sobre o interesse social. no institucionalismo o conflito de interesses. ainda que existente na prática. o fulcro da definição do interesse era sua identificação com o interesse do grupo de sócios atuais.179 A teoria institucionalista nasceu na Alemanha após a Segunda Guerra Mundial. ou seja. Está postulava o reconhecimento de diversas classes de interesses que iam além dos sócios. 180 SALOMÃO FILHO. Do ponto de vista prático. O Novo Direito Societário. o efeito óbvio é o estímulo à busca desenfreada de aumento do valor de venda das ações por todos os agentes do mercado.180 Após um período no qual o institucionalismo era mais publicista. Ibidem. 2006. 3. De acordo com Calixto Salomão Filho: O interesse social é predefinido: sobre ele os órgãos sociais não têm qualquer influência (o que não corria na definição clássica pura. está constitui à noção clássica da teoria. Calixto. p.30. . O interesse social busca a manutenção da empresa e são discutidas formas para alcançar e garantir este objetivo.33 e 34.181 De acordo com Calixto Salomão Filho: Ao contrário da concepção contratualista.guerra. sendo vista como uma forma de desenvolver a sociedade que se encontrava destruída no pós . 26-28. p. A soma destes interesses se “traduz no interesse à preservação da empresa”. ainda que formalmente identificado à maximização de lucros. Ed.

p. SALOMÃO FILHO. pois de um lado temos os conflitos de interesse dos sócios conjuntamente com os interesses dos órgãos sociais. .184 Há vestígios da teoria institucionalista na Lei 6. e nem tampouco ficar só na preservação da empresa. está faz com que as outras regras do ordenamento devem ser revistas pela perspectiva institucionalista. Industrial.42. Calixto. A reforma da empresa. 50. loc cit. 184 SALOMÃO FILHO. e um sistema autônomo (como o contratualismo). 187 COMPARATO.36. uma vez que este não vislumbra os interesses dos órgãos sociais. O Novo Direito Societário. p. Ed. como na contratualista. “Deve isso sim ser relacionado à criação de uma organização capaz de estruturar de forma mais eficiente as relações jurídicas que envolvem a sociedade”. loc cit. São Paulo: Malheiros. 2006. que pressupõe a colaboração na persecução de um interesse social predeterminado. 57. Fábio Konder. ambas paramentradas pelo interesse à preservação da empresa.183 No sistema societário brasileiro visualizamos no artigo 981 do Código Civil que sociedade é um contrato plurilateral. p. nesta definição encontramos todos os traços da teoria contratualista. que pressupõe a existência de contraposição interna de interesses. O que a primeira concepção fez foi limitar o objeto do conflito às questões de rentabilidade e às questões organizativas. Econômico e Financeiro.186 Devido esta mistura da teoria contratualista e da institucionalista o entendimento do que é a empresa teve que passar por uma reforma. 1983.404/76 em seu artigo 116 o qual prevê que o acionista controlador deverá realizar o objetivo a e função social da empresa. 186 Ibidem. pois como profere Fábio Konder Comparato em “A reforma da empresa”187: 182 183 SALOMÃO FILHO. p. 3. 57-74.dizer que a diferença entre um sistema integracionista (como é o institucionalismo).185 Hoje há uma junção das teorias contratualista e institucionalista.182 Na teoria institucionalista é possível visualizar os interesses efetivamente contrapostos. p. v. onde as partes se obrigam entre si para alcançar um fim comum. está na limitação do objeto do conflito. Revista de Direito Mercantil.38. 185 Ibidem. De forma geral parte da doutrina encontra nas disposições legais a teoria contratualista da sociedade. pois não há como pensar só nos interesses dos sócios.

. A reforma da empresa. p. Econômico e Financeiro. p.190 Uma das reformas pela qual a empresa se submeteu foi separação da figura do empresário da empresa. Mas a Constituição Federal não prevê nos princípios do art.. não há sua inclusão na esfera social. 62. Fábio Konder. desta forma quando a empresa entra em estado de crise a solução jurídica não pode apenas levar em consideração o interesse dos credores. O maior questionamento dessa mistura de teorias é se levarmos a sério que a empresa deve cumprir sua função social como ficaria o lucro? Como compatibilizar o objetivo da empresa que é o lucro e sua função social? Comparato188 entende que: O lucro da gestão empresarial é o saldo positivo de um balanço geral de ingresso e dispêndios. dinamismo e poder de transformação. sem prejuízo da punição e do afastamento do empresário faltoso191”. 57-74. 1983. 192 ASQUINI. 123. n. p. Econômico e Financeiro. 1996.. I. Industrial. toda a empresa. p.-dez. p. devendo ser “a preservação da empresa como centro autônomo de interesses. v. deve trabalhar em regime de economicidade. pois deve reconhecer o interesse da coletividade na preservação da instituição. 190 Ibidem. 191 Ibidem. Revista de Direito Mercantil. pela sua influência. não sendo o lucro um objetivo obrigatório. COMPARATO. sirva como elemento explicativo e definidor da civilização contemporânea. ou seja. out. mesmo não lucrativa. 109-126. v. Perfis da empresa.Se quiser indicar uma instituição social que. comportando um equilíbrio estrutural entre ingressos e dispêndios. Industrial. pois não é justo a empresa sofrer a punição pelos atos faltosos do empresário. nos interesses da coletividade. 104. 65. Alberto. São Paulo. na Rivista del Diritto Commerciale. Traduzido por Fábio Konder Comparato do artigo “Profili dell’impresa”. p. 62.189 Sendo assim uma empresa que tem sua atividade focada no interesse social não pode centrar-se no lucro. publicado em 1943. 66. 41. O lucro é apenas um objetivo lícito. 170 a lucratividade empresarial. sendo eles: 188 189 Ibidem. Alberto Asquine192 visualizou a empresa através de diversos perfis. a escolha é indubitável: essa instituição é a empresa. 50. Revista de Direito Mercantil. p.

com fim individual. Asquine também identifica a empresa como instituição.. Pois ele entende que de todos os perfis analisados. projetado sobre o terreno patrimonial. Industrial. “a conquista de um resultado produtivo. na Rivista del Diritto Commerciale. uma pluralidade de pessoas ligadas entre si por uma soma de relações individuais de trabalho. out. Perfil funcional. 1996. Traduzido por Fábio Konder Comparato do artigo “Profili dell’impresa”. v. Revista de Direito Mercantil. seja de caráter intelectual. funcionários.. no qual se fundem os fins individuais do empresário e dos singulares colaboradores: a obtenção do melhor resultado econômico. . pois nesta a empresa é uma organização de pessoas.. o carregador etc. mas formam um núcleo social organizado. em função de um fim econômico comum.. quem presta um trabalho autônomo de caráter exclusivamente pessoal.-dez.) nem de regra. quem exerce uma atividade econômica às custas de terceiros. a empresa vem considerada como aquela especial organização de pessoas que é formada pelo empresário e pelos empregados. do restante patrimônio do empresário (exceto se o empresário é pessoa jurídica. Perfis da empresa.Diritto Commerciale.o fenômeno econômico da empresa. I. operários. segundo o perfil corporativo. não são de fato. empresário.. que supera os fins individuais do empresário (intermediação lucro) e dos empregados (salário). por seu escopo. socialmente útil. 104. Alberto. O empresário e seus colaboradores dirigentes. 109-126. 41... simplesmente.193” 193 ASQUINI. organizada sob forma de empresa”..vista funcional ou dinâmica. o engenheiro etc. p. São Paulo. p. ou seja. caso em que o patrimônio integral da pessoa jurídica serve àquele escopo). seja de caráter material.a empresa em sentido funcional “é a atividade profissional organizada do empresário”. Não é.. Assim como Comparato.Perfil subjetivo: A empresa como empresário. v. Perfil patrimonial e objetivo: a empresa como patrimônio “aziendal” e como estabelecimento. constituída para o exercício de uma determinada atividade empresarial. Não é ainda empresário quem exerce uma simples profissão (o guia. usando a palavra em sentido subjetivo como sinônimo de empresário. na produção. Perfil corporativo: a empresa como instituição. 124. . I. Não é. publicado em 1943. o médico. seus colaboradores. a empresa aparece como aquela força em movimento que é a atividade empresarial dirigida para um determinado escopo produtivo. sendo identificado um fim comum. onde se compreende o empresário e seus colaboradores. A organização econômica da empresa pelo seu vértice. empresário. dá lugar a um patrimônio especial distinto. o mediador. n. quem exerce uma profissão intelectual (a advogado. portanto. 41.) a menos que o exercício da profissão intelectual “dê lugar a uma atividade especial..a empresa é considerada do ponto de vista individualista do empresário. Econômico e Financeiro. tampouco. o perfil corporativo da empresa é o exemplo típico de instituição.

São Paulo: Revista dos Tribunais. Nova lei de falência e recuperação judicial de empresas.194 O período para cumprimento da recuperação judicial. devendo.101/2005 E DIRETRIZES NO PROCESSO DE RECUPERAÇÃO JUDICIAL DA EMPRESA EM CRISE Quando a lei 11. é de dois anos. São Paulo: Atlas. pois está não tem como fugir dos interesses que a circundam. dos credores. 302. sua preservação. pois a passagem de um sistema para outro é delicada e há situações que merecem um tratamento diferenciado. a falência do devedor.Hoje é inviável a empresa pensar apenas no lucro. a exemplo do que ocorria na concordata. o devedor deverá seguir cumprindo-o. 2. de Moraes Pitombo.101/05 entrou em vigor está não revogou de imediato o Decreto – lei 7. Introdução da obra: Comentário à lei de recuperação de empresas e falência: Lei 11. como foi visto. denunciar ocasionais irregularidades. 2 REPERCUÇÃO DA LEI 11. ficando a cargo do comitê de credores informarem o juiz. Ed. 2007.101/2005. Mas o plano pode prever o cumprimento das obrigações em período superiores há estes dois anos.661/45. 36. o bom andamento do plano. Waldo. do comitê de credores e do administrador judicial. onde identificamos duas fases.195 Após o período de dois anos o processo de recuperação judicial é encerrado por sentença. Eduardo. Assim como há mudanças significativas que devem ser analisadas com mais tenacidade. através de relatórios mensais. Sendo que nos primeiros dois anos de execução do plano o devedor ficará sobre a fiscalização do Poder judiciário. 2005. em caso de descumprimento do mesmo. além de fiscalizar o andamento do plano. . quando está for benéfica a sociedade. O administrador judicial. p. p. apurar e emitir pareceres sobre as reclamações dos interessados. 195 SECCHI MUNHOZ. através da assembléia geral. a primeira é de negociação do plano e a segunda refere-se à execução e cumprimento da recuperação judicial da empresa em crise. dar atenção a função social da empresa e buscar. caso este 194 FAZZIO JÚNIOR. pode requerer. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. mas se as obrigações previstas no plano são superiores a este período.

São Paulo. Introdução da obra: Comentário à lei de recuperação de empresas e falência: Lei 11. dentre outros: I – concessão de prazos e condições especiais para pagamento das obrigações vencidas ou vincendas. respeitados os direitos dos sócios. sendo estes os únicos meios disponibilizados para a realização da concordata. 2º Vol.661/45. onde os meios que a concordata podia adotar eram apenas os descritos no referido decreto. de Moraes Pitombo. sendo disponibilizada a empresa em crise a dilação do prazo para pagamento. IV – substituição total ou parcial dos administradores do devedor ou modificação de seus órgãos administrativos. 16º edição. o qual traz hipóteses exemplificativas e não taxativas como ocorria no Decreto – lei 7. p. devendo o período ser contado a partir da data do ingresso do pedido da concordata em juízo. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. A concordata possuía o intuito de solucionar as crises de iliquidez temporária. 1995.198 Já no artigo 50 da Lei 11. 196 SECCHI MUNHOZ.101/2005 encontramos como meios para a recuperação judicial: Art. Rachel.196 Enquanto que na concordata preventiva o cumprimento desta não poderia ser superior ao período de dois anos.venha a descumprir-lo o juiz só poderá decretar a falência quando os credores informarem o descumprimento. 232. nos termos da legislação vigente. II – cisão. Introdução da obra: Comentário à lei de recuperação de empresas e falência: Lei 11. inclusive à sociedade constituída pelos próprios empregados. 2007. 197 REQUIÃO. VII – trespasse ou arrendamento de estabelecimento. incorporação. observada a legislação pertinente a cada caso. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. III – alteração do controle societário. São Paulo: Revista dos Tribunais. de Moraes Pitombo. caso contrário não haverá a convolação da recuperação em falência. ou cessão de cotas ou ações. São Paulo: Revista dos Tribunais. ou seja. Constituem meios de recuperação judicial.101/2005 inovou em seu artigo 50 ampliando os meios de recuperação judicial.101/2005. 303.101/2005. p. constituição de subsidiária integral. VI – aumento de capital social. 198 SZTAJN. V – concessão aos credores de direito de eleição em separado de administradores e de poder de veto em relação às matérias que o plano especificar. . Eduardo. fusão ou transformação de sociedade. 50. 2007. dilatar o prazo e remir com parte dos créditos. remissão parcial do valor dos créditos quirografários ou combinar as duas opções. Rubens. 126-128. Curso de Direito Falimentar.197 A Lei 11. p.

IX – dação em pagamento ou novação de dívidas do passivo.199 Este inciso é o único meio o qual guarda alguma semelhança com o Decreto – lei 7. XIV – administração compartilhada. identificamos que a dilação do prazo é parecida com a existente na antiga concordata dilatória. X – constituição de sociedade de credores. refere a mecanismo de recuperação a reorganização societária da empresa. A transformação. XI – venda parcial dos bens. Rio de Janeiro: Elsevier. a criação de uma nova pessoa jurídica. A fusão ocorre quando há a soma dois ou mais patrimônios societários. § 1o Na alienação de bem objeto de garantia real. tendo como termo inicial a data da distribuição do pedido de recuperação judicial. este pode ser considerado como a remissão de parte da divida. Quando o inciso fala em condições especiais. ou seja. com a diferença que a dilação referida no inciso I do artigo 50 não atinge os créditos posteriores a concessão do beneficio da recuperação. 237. fusão. § 2o Nos créditos em moeda estrangeira. ou seja. aplicando-se inclusive aos contratos de crédito rural. 2008. ainda que não esteja mencionada no inciso – recai tanto sobre as relações internas quanto externas da sociedade. XVI – constituição de sociedade de propósito específico para adjudicar.661/45. XII – equalização de encargos financeiros relativos a débitos de qualquer natureza. . mediante acordo ou convenção coletiva. devendo está seguir o disposto no Código Civil. desparecendo as anteriores. a variação cambial será conservada como parâmetro de indexação da correspondente obrigação e só poderá ser afastada se o credor titular do respectivo crédito aprovar expressamente previsão diversa no plano de recuperação judicial. ou da Lei nº 6. Falência e Recuperação da empresa em Crise: comparação com as posições do Direito Europeu. em pagamento dos créditos. A transformação é quando se modifica a estrutura societária. compensação de horários e redução da jornada. sem prejuízo do disposto em legislação específica. a supressão da garantia ou sua substituição somente serão admitidas mediante aprovação expressa do credor titular da respectiva garantia. p. XIII – usufruto da empresa. quando a organização da sociedade muda de forma.VIII – redução salarial. os ativos do devedor. com ou sem constituição de garantia própria ou de terceiro. No inciso I do artigo 50.404/1976 que dispõe sobre as sociedades anônimas. A cisão “é a divisão patrimonial com versão da(s) parcela(s) cindida(s) em nova(s) sociedade(s) e o 199 MELLO FRANCO Vera Helena de e SZTAJN Rachel. incorporação e cisão – incorporação. XV – emissão de valores mobiliários. O inciso II do art. bem como a redução dos juros anteriormente cobrados.

devendo desta forma ter cuidado ao aplicá-lo. 203 Ibidem. p. São Paulo: Revista dos Tribunais. p. de Moraes Pitombo. apenas a transformação terá deliberação exclusiva dos sócios ou acionistas. Introdução da obra: Comentário à lei de recuperação de empresas e falência: Lei 11. 233-234. facilitar mudanças na formulação das diretrizes administrativas”. pois as demais dependem da deliberação dos membros da outra sociedade que deverão demonstrar seu interesse. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. tendo estes poder veto em relação há algumas matérias. sendo o controle “a forma de poder que leva tanto a formulação de políticas e estratégias administrativas quanto a condução dos negócios sociais. p. Há dentro da sociedade o controle interno.201 O inciso III refere-se à troca do controlador. de Moraes Pitombo. sendo interessante evidenciar quando da demonstração aos credores e magistrado a manifestação dos sócios da outra sociedade que venham a fazer parte da operação. 238. p. Introdução da obra: Comentário à lei de recuperação de empresas e falência: Lei 11.101/2005. p. 2007. o qual é praticado pelos sócios ou acionistas através das assembléias – gerais ou reuniões de sócios. Outra possibilidade é a conferência de bens. Rachel. e o controle externo o qual resulta de acordos entre a sociedade e terceiros. A questão que este inciso suscita é se a modificação dos administradores é uma avaliação da aptidão ou capacidade deste de administrar a sociedade? Não seria justo imputar ao administrador a responsabilidade pelo resultado. 235. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A.desaparecimento da anterior200”. 204 SZTAJN. como pela conversão de dívida em capital. Deste inciso surgem diversos questionamentos sobre sua utilização.202”. 200 SZTAJN. por novos investidores. Das alternativas mencionadas. Já o inciso IV prevê a modificação dos administradores ou dos órgãos da administração.101/2005. São Paulo: Revista dos Tribunais. De acordo com Rachel Sztajn203: “Presume-se que a intenção é de. 237. 202 Ibidem.204 O inciso VI quando considera o aumento do capital um dos meios de recuperação deveria indicar que este pode ser feito pelo aporte de recursos pelos próprios sócios da empresa em crise. . mediante cessão de controle. Rachel. 201 Ibidem. 2007. a não ser que este agisse com culpa ou dolo. 232.

101/2005.208 O inciso XII sofreu forte crítica da doutrina. 242. p. sem alguma garantia. Quando da escolha do tipo societário dificilmente se optaria pela sociedade ilimitada. estes precisam ser qualificados. as quais seriam a sociedade limitada e anônima. Introdução da obra: Comentários à Lei de Recuperação de Empresas e Falência: Lei n.142 a 1. O inciso X inova permitindo que os credores constituam uma sociedade. devendo-se ter em mente que os bens que são necessários a manutenção da atividade não podem ser alienados. sobrando duas alternativas. pelo que ficariam excluídas. a versão da parcela cindida naquela organizada pelos credores. portanto.101/2005. 243.149 do Código Civil. por força das normas especiais. exercer atividade e buscar lucros. Em relação à venda parcial dos bens da sociedade.205 É permitido como meio de recuperação no inciso VII o trespasse ou arrendamento de estabelecimento. 239. de Moraes Pitombo. os quais devem atender o disposto nos artigos 1. São Paulo: Revista dos Tribunais. p. Em qualquer hipótese é preciso que a nova sociedade possa operar. 240. entende Rachel Stanj207: O capital seria integralizado com os créditos contra o devedor e. Surrealista imaginar que alguém. 11. Independente de quais das alternativas. p. 207 Ibidem. . as obrigações tributárias e as trabalhistas. 208 SZTAJN. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. que pode significar diminuição 205 206 Ibidem. 2007. Rachel. p. Ibidem. cujo crédito já é de liquidação duvidosa.devendo está transferência de bem ser útil e necessária ao desenvolvimento da atividade. os credores subscritores seriam solidariamente responsáveis pela solvência do devedor. devida a incoerência “entre o aumento de risco e a eventual ‘equalização’. Sendo que o plano de recuperação que prevê estes meios de recuperação deverá ter a aprovação de todos os credores ou a inexistência de oposição destes para ser eficaz. ou que se siga à matrícula o trespasse de estabelecimento ou. essa garantia pode estar na obrigatoriedade de a sociedade em crise fazer dação em pagamento de alguns bens que permitam operar a nova sociedade. Conforme Rachel Stanj206: As obrigações a ele (estabelecimentos) vinculadas são transmitidas juntamente com os ativos que o compõem. aceite esse novo risco. além do limite da Lei 11. constante do inciso XI. após aprovar a cisão da sociedade.

. Contudo quando analisamos o artigo 140 da Lei 11. Rachel. Falência e Recuperação da empresa em Crise: comparação com as posições do Direito Europeu. o que justificaria o respectivo inciso. uma vez que apenas estas podem emitir este tipo de documento. Vera Helena de e SZTAJN. p. Rio de Janeiro: Elsevier. 214 MELLO FRANCO. Ocorre que.. Rio de Janeiro: Elsevier. conversíveis.101/2005 identificamos a confusão do termo empresa com o conjunto de bens necessários e utilizados para seu exercício. Vera Helena de e SZTAJN. em mercados eficientes o preço dos valores mobiliários reflete imediatamente. b) emitir títulos de dívida ou debêntures. ou simples. Falência e Recuperação da empresa em Crise: comparação com as posições do Direito Europeu. 242. as contingências enfrentadas pela sociedade. só pode ser aplicada por sociedades anônimas. 2008. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A.dos encargos financeiros em razão inversamente proporcional ao seu preço. p. c) emitir opções para a compra e ações o que implica previsão de aumento de capital. loc cit. pois a empresa como atividade não é objeto de direito. 245. p. 242. A emissão de valores mobiliários constitui: a) emitir novas ações para aumento de capital (inc. 209 MELLO FRANCO.211 Mas alguns doutrinadores entendem que o usufruto mencionado no inciso se assemelha ao direito à anticrese.210 O inciso XIII traz algumas dúvidas. 244. 11.213 O último inciso refere-se à constituição de sociedade de propósito especifico “para adjudicar os ativos do devedor em pagamento dos créditos214”. de Moraes Pitombo. assim. Rachel. 213 Ibidem. o usufruto recair apenas sobre o estabelecimento. VI). p. 2007. p. 211 Ibidem. razão pela qual o preço de emissão das ações deverá ser baixo. . São Paulo: Revista dos Tribunais. 2008. o qual o inciso XV refere. 241 210 MELLO FRANCO. Sem falar que o inciso não institui o critério para estabelecer as taxas de juros a ser cobrada quando da equalização do percentual aplicável as obrigações. isto é. Introdução da obra: Comentários à Lei de Recuperação de Empresas e Falência: Lei n. . Rachel. representado pelos juros cobrados209”. A emissão de valores mobiliários. 212 SZTAJN. podendo.101/2005. “o credor tem direito de administrar a empresa e fruir dos resultados produzidos212”.

134. p. em valor. 2005. buscando dessa forma a disposta entre credores de diferentes classes. 216 SECCHI MUNHOZ. Como a concordata era um favor legal. inviabilizava a manutenção da unidade produtiva (da empresa) viável nas mãos de terceiro. São Paulo: Revista dos Tribunais. metade do ativo da empresa. Fábio. 2º edição. 11. ou a remissão parcial das dívidas. pois os créditos com garantia real seriam cobrados mediante execução própria. Eduardo. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. tendo como pressuposto apenas os problemas de liquidez da empresa que o requeria.101/2005. não interessava se esta poderia adimplir com todas as obrigações assumidas. revisada. em detrimento do interesse 215 ULHOA COELHO. dada as prioridades que a legislação dava a estas. de 9-2-2005). p.101/2005 sujeita aos efeitos da recuperação judicial todas as obrigações existentes a época do pedido de recuperação.215 Como já visto. não podendo estes superar. ou a conjunção das duas. p.216 O artigo 49 da Lei 11.101. administrativos e jurídicos para restabelecer a empresa em crise. Comentários à nova lei de falências e de recuperação de empresas: (Lei n.101/2005. Pois como Eduardo Secchi Munhoz218 ressalta: A sucessão das obrigações trabalhistas e. nem se há garantia ou não. São Paulo: Saraiva. loc cit. não interessando sua natureza. de Moraes Pitombo. 217 SECCHI MUNHOZ. . A inclusão de todas as obrigações vencidas e vincendas aos efeitos da recuperação se deve ao objetivo da lei que é a preservação da empresa e da atividade. Por este motivo é que os efeitos recaiam apenas sobre os créditos sem garantia real. das tributárias.217 A desoneração de qualquer ônus e obrigações quando da alienação de filiais ou unidades produtivas da empresa em crise no processo de recuperação é uma das mais importantes inovações da Lei 11. 297. 11. no sistema anterior. uma vez que neste encontramos diversos instrumentos. financeiros. 218 Ibidem. sobretudo. sendo o suficiente a dilação no prazo de pagamento. 2007. como. As obrigações fiscais e trabalhistas ficavam fora do quadro geral da concordata.Como o artigo 50 é exemplificativo podem-se criar outros meios ou ainda utilizar mais de uma das hipóteses sugeridos no artigo. 228. os credores que se submetiam aos efeitos da concordata era apenas os credores quirografários. Introdução da obra: Comentários à Lei de Recuperação de Empresas e Falência: Lei n.

inclusive as trabalhistas e tributárias219”.101/2005 manteve as proibições existentes no Decreto – lei 7.101/2005 é o reconhecimento pelo ordenamento jurídico brasileiro da distinção entre empresa e a figura do empresário. 11. . p. loc cit. acabando por penitenciar a empresa pelas obrigações não adimplidas pelo empresário. devendo as obrigações do empresário adquiridas por ele ao longo da sua atividade empresarial permanecer sob sua responsabilidade. bem como deve respeitar os artigos 141 e 142 da Lei. assim. 220 SECCHI MUNHOZ.101/2005. a qual deverá ser judicial. 297-298. por lances orais. Introdução da obra: Comentários à Lei de Recuperação de Empresas e Falência: Lei n. ou seja. de Moraes Pitombo. Fábio. pois este visa evitar a venda direta a terceiros estabelecido no plano de recuperação. loc cit. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. consangüíneo ou afim. os devedores que não podiam requerer a concordata ficaram impedidos de requerer a recuperação judicial. 221 SECCHI MUNHOZ. 11.661/45 o legislador não diferenciava a empresa da figura do empresário.220 As modalidades para efetuar a alienação. propostas fechadas e pregão. (ii) parente. São Paulo: Revista dos Tribunais. de 9-2-2005). Eduardo. Comentários à nova lei de falências e de recuperação de empresas: (Lei n.dos trabalhadores e credores (inclusive do próprio fisco) do devedor anterior. § 1º).221 Sendo a alienação por hasta pública obrigatória. não comprometendo. revisada. A alienação deve constar do plano de recuperação apresentado aos credores e juiz. são: leilão. 7º edição. “obtendo-se dessa forma recursos que podem ser utilizados para o pagamento das obrigações do devedor.222 O artigo 198 da Lei 11. São Paulo: Saraiva.661/45. Os 219 SECCHI MUNHOZ.60. Assim como a sucessão dos ônus será aplicada quando o arrematante for: (i) sócio do devedor ou sociedade por ele controlada. 222 ULHOA COELHO. O artigo 60 da Lei 11. 2010. a continuidade da empresa sob o comando de terceiro. Com o fim da sucessão tributária e trabalhista nas alienações efetivadas dentro do processo de recuperação judicial permite que a empresa seja transferida para um novo empresário. do devedor ou de sócio do devedor. (iii) identificado como agente do devedor com o objetivo de fraudar a lei (art.101. 2007. dando assim mais segurança aos credores de que a venda não consiste em uma fraude. 141. No regime do Decreto – lei 7. p. em linha reta ou colateral até o 4º grau.

196. Comentários à nova lei de falências e de recuperação de empresas: (Lei n. 7º edição.101. . Marcelo Vieira von. as quais deverão ser cumpridas de acordo com as suas cláusulas. de Moraes Pitombo. que empresas desta natureza ingressem com o pedido de recuperação judicial. mas sim dos contratos de locação. de 21 de novembro de 2005. os quais não tratam de matéria transitória.479. – lei 261/1967).101/2005 as empresas exploradoras de serviços aéreos de qualquer natureza ou espécie aeronáutica eram proibidas de requerer a concordata.595/1964) e entidades legalmente equiparadas.1 Institutos 223 ADAMEK. 225 ULHOA COELHO. 640. 224 ADAMEK. permitindo. 77 do Dec. revisada. – lei 73/1966). 53 d Lei 6. 47 da LC 109/2001).101/2005 que devem ser analisadas com cuidado. Marcelo Vieira von. Introdução da obra: Comentários à Lei de Recuperação de Empresas e Falência: Lei n. pois podem trazer muitos 2. 11. pela Lei 11. p. § único.024/1974).224 Está modificação está disposto no artigo 199 da nova lei. 11. 2010. o exercício do direito da arrendatária em recuperação ou da massa falida de continuar arrendando a aeronave também não poderá ser suspenso. se o contrato estabelecer o contrário. 81.impedimentos referentes à natureza da atividade são pertinentes aos empresários223: (i) instituições financeiras (art. dessa forma. Estes foram mais algumas das mudanças trazidas benefícios as empresas em crise.402/1978). 45. (iii) sociedades seguradoras (art. Fábio. (vi) entidades fechadas de previdência complementar (art. (iv) empresas de capitalização (art. e (vii) entidades abertas de previdência complementar (art. mas a nova Lei dispôs em contrario. (v) operadoras de planos privados de assistência à saúde (art. (ii) empresas integrantes do sistema de distribuição de títulos ou valores mobiliários no mercado de capitais (art. tendo sido os parágrafos adicionados quando da promulgação da Lei 11. Por outro lado. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. p. 4º do Dec. loc cit. 26 do Dec. da Lei 4. 2007. o exercício deste direito não ficará suspenso em hipótese nenhuma. de 9-2-2005). em caso de falência ou recuperação judicial da empresa de aviação arrendatária. arrendamento mercantil ou outros similares de aeronaves ou de suas partes. Fábio Ulho Coelha225 dá como exemplo: Se uma dessas cláusulas possibilitar ao arrendador rescindir o arrendamento e exigir a devolução da aeronave. São Paulo: Revista dos Tribunais.656/1998).101/2005. Antes da entrada em vigor da Lei 11. 23 da Lei 9. São Paulo: Saraiva.

Pois uma vez preenchidos os requisitos da lei e aprovado o plano de recuperação pela assembléia geral de credores o juiz não tem nada a fazer a não ser conceder o benefício. Pois. consumidores. v. isso sempre ocorrerá quando a continuidade da empresa aumentar a probabilidade de recuperação de créditos e o valor respectivo em comparação com o que se obteria no processo de liquidação. Revista de Direito Bancário e São Paulo. 36.101/05 busca preservar não apenas o credor./jun. 227 MUNHOZ. poder-se-ia imaginar que tal solução estaria em conflito com o interesse dos credores. pois os credores também podem ser beneficiados pela recuperação. Anotações sobre os limites do poder do plano de recuperação judicial. A busca da preservação da empresa. Essa observação. 36. os da coletividade em geral./jun. Eduardo Secchi. 228 Para Eduardo Secchi Munhoz229 o juiz apenas homologa a vontade dos credores.2007. também. de acordo com o doutrinador: 226 MUNHOZ. devendo-se buscar a recuperação judicial sempre que está se demonstrar mais benéfica a sociedade. O dispositivo referido tem divergido a doutrina quanto a sua interpretação. 189. n. comunidade local. n. jurisdicional na apreciação do Mercado de Capitais.10. aprovar o plano uma vez que seja reconhecida a função social da empresa. reconhecendo.Como já foi visto a Lei 11. abr. 47 da Lei 11. 228 MUNHOZ. jurisdicional na apreciação do Mercado de Capitais. também. Eduardo Secchi. loc cit. os interesses não só dos credores como.226 Como Eduardo Secchi Munhoz ressalta227: Em princípio. denota a discussão se a nova Lei proporcionou ao juiz mais poder de decisão. Anotações sobre os limites do poder do plano de recuperação judicial.101/05 dá a possibilidade ao juiz. 189. os demais interessados envolvidos na constituição da empresa em crise. mas. abr. “Considere-se. na maior parte das vezes. 229 MUNHOZ. o juiz procede apenas verificação dos aspectos formais da atuação da assembléia de credores. porém. p. caso o plano de recuperação não seja aprovado pela assembléia geral de credores. enfim. não corresponde à realidade. trabalhadores. como já foi visto. p. a coletividade em geral. Revista de Direito Bancário e São Paulo. pois alguns acreditam que este não dá ao juiz a faculdade de aceitar ou não a recuperação judicial. assim. . o art.2007.10. loc cit. ainda. como os investidores. a possibilidade de o credor continuar a fazer negócios com a empresa recuperada”. v.

MUNHOZ. isto porque todo devedor encontra-se em conflito formal com os credores. loc cit. o qual decorre da proibição do direito de voto. abr. pois esta teoria que é pedra angular no direito societário poderia ser adaptada para o instituto da recuperação judicial. loc cit. já que este é uma cláusula e necessita de interpretação por parte do juiz. Eduardo Secchi. loc cit.10. Mas há alguns doutrinadores que defendem que o juiz tem poder de decisão. .2007. portanto. ainda que. Anotações sobre os limites do poder jurisdicional na apreciação do plano de recuperação judicial.101/2005. O juiz deve buscar instrumentos que possibilitem que este interfira na vontade dos credores e devedor. desde que respeitado os fundamentos e objetivos do artigo 47 da Lei 11. para que assim possa garantir a função pública da respectiva lei. 36. 191. na opinião deste. v. o plano aceito seja ruim. assim como não examina o conteúdo dos acordos que ele homologa freqüentemente no processo. podendo aprovar o plano quando este for recusado pela assembléia. Revista de Direito Bancário e do Mercado de Capitais. O juiz não examina o conteúdo do plano aceito. 232 MUNHOZ. Um desses instrumentos poderia ser a teoria do conflito de interesses. estes devem proferir seu voto na assembléia geral de credores para que a recuperação judicial se realize.Não há. p.230 Devem-se buscar soluções procedimentais para resolver este dilema.233 230 231 MUNHOZ. n. permitindo assim uma interferência jurisdicional toda vez que o juiz identificar o desvio dos credores dos objetivos determinados no artigo 47. Ao juiz cabe o “papel de presidente do processo de negociação e de arbitro dos eventuais desvios de rota que possam comprometer o atendimento dos objetivos definidos pelo legislador231”.232 Quando da transposição da teoria do conflito para a recuperação judicial devemos afastar a figura do conflito formal./jun. como estabelecer qualquer espécie de conflito entre a deliberação da assembléia de credores e o juiz. São Paulo. Pois o credor vota com o intuito de satisfazer o seu crédito perante o devedor. assim como pode indeferir a recuperação se entender que os mesmos fundamentos e objetivos foram violados. 233 MUNHOZ.

São Paulo. Eduardo Secchi. v. 2009.237 O entendimento de Rita de Cássia Espolador238 sobre o poder de decidir do juiz é: Com efeito. mas este não impede que se faça uso deste através da interpretação sistemática e teleológica do texto legal. mas em prol de um eventual interesse em relação ao devedor. Rita de Cássia Resquetti Tarifa.2007. não podendo o credor votar pensando apenas nele. Direito empresarial e trabalhista. portanto. MUNHOZ. a alavanca na interpretação e no conhecimento prático da legislação. mas sim com “otimização da satisfação dos seus respectivos créditos234”. assim. loc cit. o que não se confundiria com a preservação da empresa. p. saindo da mera passividade. São Paulo: Pearson Prentice Hall. anular seu voto. 191. loc cit. sempre com as devidas adaptações. fruto da obsoleta legislação revogada de 1945. em um instrumento de intervenção por parte do juiz na aprovação ou não do plano de recuperação judicial. movimentando-se para o campo ativo de um procedimento concursal destinado à solução dos conflitos. Revista de Direito Bancário e do Mercado de Capitais. Anotações sobre os limites do poder jurisdicional na apreciação do plano de recuperação judicial. sérias modificações e limitações./jun. ficando sua utilidade restrita às hipóteses em que o credor votasse na recuperação judicial não em vista do seu interesse na satisfação do crédito.poder235. Dessa forma o voto do credor na assembléia geral de credores se tornaria um dever . n. A lei não utilizou a teoria ao disciplinar a assembléia geral de credores. na condição de representante do Poder Judiciário. mas também levando em consideração o interesse de todos os credores. loc cit.10. 234 235 MUNHOZ. e não propriamente à criação de incidentes. 36. e ainda do sistema do Código napoleônico de 1807. 238 ESPOLADOR.Já o conflito material poderia dar-se em função do interesse da coletividade de credores. Conforme Eduardo Secchi Munhoz236: A transposição da teoria do conflito do direito societário para o direito falimentar implicaria. o magistrado será. 237 MUNHOZ. tornando-se. caso identificasse o desvio do interesse da coletividade por parte de algum credor. 80 . 236 MUNHOZ. p. Podendo o juiz. aliado ao excesso de processualismo. abr.

132.101/2005 garantiu ao juiz a chance de poder intervir no deferimento ou não da recuperação judicial. Luciano Felix do Amaral.Apesar da liberdade dada ao judiciário nas decisões dos pedidos de recuperação judicial./mar. v. Revista de Direito Privado. de ter maior discricionariedade em relação ao deferimento ou não da recuperação judicial exigirá que os magistrados busquem a renovação de seus conhecimentos. A cláusula geral evita o engessamento da norma. jan. enquanto os tribunais. Para Luciano Felix do Amaral e Silva241: A atuação do juiz na aplicação das cláusulas gerais sempre encontrará sua origem na lei e estará sempre condicionada a um juízo marcado pela razoabilidade.239 Essa possibilidade oportunizada ao juiz. loc cit. alguns doutrinadores acreditam que a Lei 11. p. 37. Mas para que possa ocorrer está intervenção é necessário. Princípios norteadores da intervenção judicial no contrato normas abertas versus segurança jurídica. como foi visto.101/2005. Quando se fala no poder de decidir do juiz não se pode esquecer que este não leva em consideração apenas as normas e o preenchimento destas quando toma a decisão final. este não poderá se afastar dos princípios norteadores da Lei 11. 241 SILVA. com agilidade e eficiência. 239 240 Ibidem. São Paulo. sendo este subjetivo. até porque.2009. “entenda os mecanismos de mercado. ESPOLADOR. conforme o artigo 47 da lei que o juiz identifique a função social da empresa. transmita segurança e se dedique integralmente à recuperação. n. . mas a questão é: até onde a cláusula aberta interfere na segurança jurídica? Pois será o juiz quem irá definir o que é função social e qual a empresa que a possuí. faz com que o significado do artigo esteja de acordo com os acontecimentos de cada época. buscando sempre a redução dos conflitos entre credores e devedor. 81-83.10. processam e julgam os recursos240”. p. o que chamam de cláusula geral.

sendo a fonte inicial de todo o ordenamento jurídico pátrio246”. aniquilar os demais. 244 SILVA. Neste sentido: É importante ressaltar que atuação do juiz no preenchimento das cláusulas gerais (e das normas de tipo aberto em geral) e no cumprimento das suas diretrizes só será legítima nos limites da legalidade. este decidirá de acordo com a conseqüência previamente estabelecida pela lei (conceito legal indeterminado) ou construirá a solução que lhe parecer a mais adequada para o caso concreto (cláusula geral). A supremacia hierárquica das normas constitucionais./mar. SILVA. p. Campo Grande. como a função social da empresa encontrada nas cláusulas gerais não são antagônicas ao objetivo da recuperação judicial. 242 243 SILVA. São Paulo. Revista de Direito Privado. 37. como se pode ver: Princípios gerais de direito são regras que norteiam o juiz na interpretação da relação jurídica discutida em juízo. contudo. alias as decisões encontradas são até tímidas “diante do poder de integração proporcionado pelas cláusulas gerais244”. da razoabilidade e da segurança jurídica.Os ensinamentos de Nelson Nery Junior e Rosa Maria Andrade Nery242 não são diferentes. Não havendo como as normas ou o judiciário fugir de sua supremacia.243 As cláusulas abertas podem gerar insegurança jurídica.10. A aplicação de valores e princípios. loc cit. jan. v. sem. 27. v. n. pois a Constituição “é o ato do poder constituinte originário. 246 BORGES NETO. Ciência e Direito: Revista Jurídica da FIC-UNAES. mas está não encontra amparo nas decisões emanadas pelo judiciário. Preenchido o conteúdo valorativo por obra do juiz. 1998. que exigem valoração para que o juiz possa preencher o seu conteúdo. n. maio/out. Os conceitos legais indeterminados e as cláusulas gerais são enunciações abstratas feitas pela lei. 245 SILVA. pois outorgariam ao juiz um enorme poder de decisão. Princípios norteadores da intervenção judicial no contrato normas abertas versus segurança jurídica.245 O juiz deve respeitar os princípios fundamentais que estão presentes na Constituição Federal do país. loc cit. p. o que poderia se traduzir em juízes arbitrários. .1. André. 132. 1. Luciano Felix do Amaral.2009. tanto que em certas situações tais valores e princípios devem prevalecer. loc cit.

101/2005. que se respeite o critério da eficiência e que o aplicador da Lei não se deixe levar por motivações ideológicas assistencialistas em que a preservação de atividades inviáveis seja deferida para atender a alguns interesses de certa parcela da sociedade (civil). loc cit. através deste atendido ao mandamento constitucional da função social da empresa. p. no decorrer do presente trabalho. do povo e governo”. de Moraes Pitombo. as quais vieram através da promulgação da Lei 11. Para André Borges Neto247: Constituição. pois estas vêm beneficiar a coletividade em geral. tendo o legislador. mecanismos que retire a empresa da crise. não sendo prejudiciais à segurança jurídica as cláusulas gerais e nem o maior poder de decisão dado juiz através destas. Conforme Rachel Sztajn248: As boas intenções do legislador requerem.2 Análise das Manifestações do Judiciário Demonstrou-se. O instituto da falência clamava por renovações. que trouxe um instituto novo. contudo. SZTAJN. propiciando desta forma. 222. estabelece os direitos e as responsabilidades fundamentais dos indivíduos. que submetem governantes e governados ao seu império. que o Decreto – lei 7. 2007. o da recuperação judicial. ao proferir a lei verificar se esta encontra-se de acordo com a carta magna. visando a proteção e a promoção da dignidade da pessoa humana.101/2005. dos grupos sociais.A aplicação e garantia dos princípios e regras constitucionais trazem aos indivíduos certeza e segurança jurídica de que o Estado está agindo de acordo com o preconizado pela lei maior. Introdução da obra: Comentário à lei de recuperação de empresas e falência: Lei 11. feita de modo solene por meio de uma lei que é superior a todas as outras e que. por ser documento jurídico que contém normas superiores às demais. coordenação de Francisco Satiro de Souza Junior e Antônio Sérgio A. na definição abrangente de Dalmo de Abreu Dallari.661/45 estava obsoleto. que se tenha presente aspectos econômicos que ficam subjacentes às normas legais. “a declaração da vontade política de um povo. 247 248 BORGES NETO. vem a ser. portanto. 2. . servindo de limite jurídico ao Poder. São Paulo: Revista dos Tribunais. vista como um documento jurídico que abriga no seu seio as normas supremas da comunidade. Devendo desta forma tanto juízes quanto legislador. Rachel.

nos autos do processo nº 390/2005. equivale a impor ao empresário estar em dia com as obrigações fiscais e previdenciárias – inviabiliza a recuperação judicial. O juiz manifestou-se em sentença desta forma249: Como é sabido.asp?id=7900>. entre os quais o da dignidade da pessoa humana.Apesar de a Lei ser voltada à recuperação da empresa. no estado do Paraná. pois boa parte..) Enfim. se coliga com o princípio da dignidade da pessoa humana. (. (. se não todas. Lei de Recuperação de Empresas e sua necessária interpretação principiológica como único meio à consecução de seu objetivo jurídico colimado. dispositivos dispares à realização dos objetivos mencionados.) 249 CARVALHO DA SILVA. entendimento do qual não discrepa a doutrina.br/doutrina/texto. (. entra em crise econômico-financeira. apesar disso. Acesso em 24 de janeiro de 2010. que por sua vez. as empresas que se encontram em crise devem tributos.uol...) Na realidade. (. da 1º Vara Cível da comarca de Ponta Grossa. encontramos nela alguns pontos antagônicos. Para tanto alguns juízes devem conceder a recuperação judicial mesmo sem apresentação das certidões negativas de débitos tributários.. A concessão do benefício é condicionada a este artigo e não sendo atendida provoca o indeferimento da recuperação judicial. . na prática. o qual prevê que o devedor deve apresentar certidões de quitação de tributos para que a recuperação judicial seja conferida.) Nessa ordem de idéias. o instituto da recuperação judicial se apresenta como um mecanismo voltado à preservação de uma empresa que atende a uma função social e que. a subordinação do deferimento da recuperação judicial à apresentação de certidões negativas de débitos tributários colide com os princípios constitucionais antes mencionados na medida em que inviabiliza a salvação da empresa. tornando para a maioria das empresas inviável requerer a recuperação judicial sob esta condição. ou seja.com. se mostra viável dependendo apenas de ajustes na sua rotina administrativa e de algumas concessões por parte dos credores para se reerguer e voltar a operar de forma saudável para o mercado. mas que. a exigência de apresentação de certidões negativas – que.. Ronny. Uma das primeiras decisões neste sentido foi proferida pelo juiz Luiz Henrique Miranda. conflita com o princípio constitucional da função social da empresa e com os outros que a ele se ligam.. Disponível em: <http://jus2.. o instituto da recuperação judicial foi inspirado no princípio constitucional da função social da empresa. Um destes dispositivos é do artigo 57.. a prova de regularidade fiscal acaba com os objetivos da lei. Fazendo-o. por circunstâncias acidentais.

bem como nos princípios constitucionais. o que a constituição e seus princípios ditam. Disponível em :<http://www. historicamente. É o parecer do Ministério Público. Justiça homologa plano de recuperação judcial da Parmalat.asp?id=7900>.com.br/2006-fev03/justica_homologa_plano_recuperacao_parmalat>. Por tal razão. cuja aplicação ao caso concreto. b) fere o princípio da proporcionalidade.uol. da 1º Vara de Recuperação Judicial de São Paulo.conjur. tendo sido o Ministério Público e o administrador judicial favoráveis ao deferimento da recuperação judicial sem a apresentação das certidões negativas tributárias.Sintetizando.com. porque preenchidos os demais requisitos legais. por ser um afloramento de interesses de setores da sociedade ou do próprio Poder Público. elaborado por seu representante Alberto Camiña Moreira251. tendo ele se baseado nos princípios da própria lei. malfere o princípio da razoabilidade e agride garantias constitucionais ao devido processo legal. Lei de Recuperação de Empresas e sua necessária interpretação principiológica como único meio à consecução de seu objetivo jurídico colimado.101/2005. c) o descumprimento não acarreta a falência. 57 da Lei 11. d) a jurisprudência de nossos tribunais. diferentemente da lei. deve a Autora ser dispensada do cumprimento dessa mesma exigência. são insubsistentes. ou protecionista. Outro caso que o juiz não exigiu a certidão negativa de débito tributário para concessão do benefício o foi a da empresa Parmalat. ao contraditório e à ampla defesa dadas ao contribuinte.101/05 e artigo 191-A do CTN: a) trata-se de sanção política. antes de atender o que lei infraconstitucional requer. Disponível em: <http://jus2. por isso. ao que se soma a aprovação unânime dos credores que compareceram à assembléia-geral ao plano de recuperação deve ser deferido o pedido inicial O juiz buscou. profligada pela jurisprudência dos tribunais. conseqüência não desejada pela lei. Acesso em 20 de maio de 2010. desprezou exigências fiscais de empresas 250 CARVALHO DA SILVA. em muitas das vezes resta prejudicada. e. ofende o princípio constitucional da função social da empresa. contudo é dinâmica. Priscyla. refere em artigo: Realmente. tendo sido a sentença prolata pelo juiz Alves Lazarini. e. a exigência de apresentação de certidões comprobatórias de inexistência de débitos junto ao fisco e à previdência. Ronny. feita pelo artigo 57 da Lei 11. nos autos do processo da Parmalat: Em relação à exigência do art. Acesso em 24 de janeiro de 2010. o princípio tem caráter de norma. que de diversas maneiras agride constantemente os direitos e garantias fundamentais.br/doutrina/texto. . tendo em vista apresentar-se retrógrada – por não acompanhar a evolução social –. Como Ronny Carvalho da Silva250. 251 COSTA.

antigo Secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda a seguinte colocação253: “O Fisco colabora com a recuperação da empresa mediante o parcelamento dos créditos tributários”. sob pena de falência. 174 seria levar a empresa. Priscyla. Tal disposição. este art.661/45 trouxeram. aliviando as necessidades de fluxo de caixa da empresa e propiciando a regularização de sua situação fiscal”. A Varig ao requerer a recuperação judicial também não necessitou apresentar as certidões negativas tributárias.porque exigir o cumprimento daquele art. sem que isso represente proibição de cobrança de tributos pelas vias próprias. Acesso em 20 de maio de 2010. a Lei não aproveitou o ensinamento que os 60 anos de vigência do Dec. o fisco possui mais possibilidades de receber seu crédito com a recuperação da empresa do que se essa vier a falir por não ter como cumprir o requisito do artigo 57 da Lei 11. Este artigo exigia que.em crise econômica. (fl. Justiça homologa plano de recuperação judcial da Parmalat. E a jurisprudência assim se firmou. buscou nos ensinamento de Manoel Justino Bezerra Filho apoio doutrinário para sua decisão de deferir o pedido sem a obrigatoriedade de juntar as certidões negativas tributárias. 252 COSTA. buscando no trabalho de Marcos de Barros Lisboa. Assim sendo. redundou na criação jurisprudencial que admitia o pedido de desistência da concordata.-lei 7. 174 daquela lei.101/2005. Sem embargo de tudo isto.br/2006-fev03/justica_homologa_plano_recuperacao_parmalat>. embora sem expressa previsão legal. como forma de ajudar a recuperação judicial. Disponível em :<http://www. neste ponto. repete o erro de trazer obrigações de impossível cumprimento para sociedades empresárias em crise. de praticamente impossível cumprimento. a partir do exame do art. acoplado ao art. sendo este ensinamento252: Aliás.com. o devedor apresentasse comprovação de que havia pago todos os impostos. demonstrando que as decisões vêm pacificando o entendimento de que este requisito não traz benefícios às empresas e nem a próprio fisco. fixando norma determinando “que as Receitas de cada ente federativo criem regras específicas sobre o parcelamento de dívidas tributárias para empresas em recuperação de empresas”. O juiz que proferiu a sentença favorável à Parmalat ainda analisa o ponto econômico. “estabelecendo uma dilatação dos prazos para pagamento. já que dela não participa. 5793) Na sentença o juiz que concedeu o pedido de recuperação judicial a Parmalat.conjur. certamente. 57. para que a concordata fosse julgada cumprida. 49. 253 COSTA. à falência. . loc cit.

255 AYOUB. 18/12/2006). Caso em que o ato de arrecadação foi registrado no Ofício Imobiliário. da seguinte forma: COMERCIAL.stj. cabendo ao arrematante apenas as obrigações discriminadas no edital do leilão. Disponível em: <http://bdjur. 200898 Revista ENM nenhum outro pode designar praça para a alienação dos aludidos bens sem invadir a competência daquele.272 – RJ (2006/0077383-7).pdf? sequence=1>.Outra questão de extrema importância que a lei 11. porque uma não pode ser executada sem prejuízo da outra – resultando disso. referente à recuperação judicial da Varig S/A. 2. tendo sido ele o relator. Recurso especial conhecido e provido” (DJ. o qual foi decido pela 3ª Turma. Disponível em: <http://bdjur. Recuperação de empresas: uma lei de estímulos e atrativos – reflexões gerais. manifesta-se sobre de quem é a competência pra decidir se há ou não sucessão trabalhista. n. Acesso em 22 de fevereiro de 2010. abr. Revista da Escola Nacional de Magistratura. onde constava no edital que o arrematante não responderia pelas obrigações trabalhistas da Varig S/A. FALÊNCIA.br/xmlui/bitstream/handle/2011/21445/recuperacao_empresas. O Ministro relembrou que o Superior Tribunal de Justiça já havia passado por situação semelhante. De acordo com o relator o Ministro Ari Pargendler254: Há incompatibilidade prática entre essas decisões.255 O Ministro ressalta: 254 AYOUB. Acesso em 22 de fevereiro de 2010. v. Luís Roberto. PRAÇA. e no momento ainda não há manifestações dos tribunais superiores que direcionem as decisões para uma mesma interpretação. um conflito de competência. Recuperação de empresas: uma lei de estímulos e atrativos – reflexões gerais. 5. quando esta se encontra em recuperação judicial. No presente caso o juiz do trabalho se declarou competente para dispor do patrimônio da empresa em recuperação judicial. Luís Roberto. Os bens arrecadados pelo síndico da massa falida estão sujeitos à jurisdição do juiz da falência. estando esta em formação.stj. As orientações doutrinárias sobre o assunto são diversas.101/2005 traz é a eliminação da sucessão trabalhista e fiscal quando da alienação de ativos da empresa. evidentemente. .br/xmlui/bitstream/handle/2011/21445/recuperacao_empresas. Mas o Superior Tribunal de Justiça no Conflito de Competência nº 61.gov.gov.pdf? sequence=1>. bem o qual foi arrematado em leilão. deve prevalecer a decisão do juiz competente.

confirmando “o propósito legal de emprestar atividade ao ativo que. caput da Lei 11.101/2005. beneficiado pelo leilão. que deixará de arrecadar com o desaparecimento da empresa. antes da ultimação do leilão processado pelo juiz de direito. o qual foi atendido. o país perde porquanto riquezas não serão geradas. com sua alienação. por força do artigo 6º. Nesta altura. trata-se da suspensão pelo período de 180 dias das ações de execuções. com interesses a proteger na jurisdição que lhe assegurou o direito de não responder por obrigações trabalhistas das empresas sujeitas à recuperação judicial. 256 257 AYOUB. o qual prevê a não sucessão dos créditos fiscais por parte do comprador da filial da empresa em crise. Com isso. há terceiro.A situação seria diferente se o juiz do trabalho. Não se manterão os empregos. eliminando desta forma a sucessão trabalhista e fiscal do arrematante. . loc cit. comprometendo o sucesso de seu plano de recuperação. Sobre a sucessão fiscal o Ministro segue o disposto na Lei Complementar nº 118.256 Por fim o Ministro declarou competência do Juiz de Direito da 1ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro. o qual teve o Senhor Ministro Honildo Amaral de Mello Castro como relator. e ainda complementa258: É evidente que ninguém estará interessado em adquirir qualquer unidade produtiva quando acompanhada do passivo fiscal. de acordo com o Ministro: O destino do patrimônio da empresa-ré em processo de recuperação judicial não pode ser atingido por decisões prolatadas por juízo diverso daquele da Recuperação. O Conflito de Competência nº 101. tivesse suscitado conflito de competência para dispor sobre o respectivo objeto. antiga 8ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro. emprestara recursos para a tentativa de reorganização da empresa em dificuldades momentâneas257”. 258 AYOUB. Entende o Relator que estes devem sim ser suspensos.552 – AL (2008/0272295-5) que foi julgado pelo Superior Tribunal de Justiça. loc cit. loc cit. O juízo que deferiu o pedido de recuperação judicial informou ao Tribunal de São Paulo e Rio de Janeiro que estes deviam suspender as ações de execução contra o devedor. Outros não serão criados. trazendo evidentes prejuízos para o próprio fisco. Não haverá mercado nem investidor para tanto. AYOUB. sob pena de prejudicar o funcionamento do estabelecimento.

buscando. Relator Senhor Ministro Castro Meira. assim. mas já se visualiza a busca pela manutenção da empresa. Seria inviável mais de uma recuperação. evitar repetições de atos e contradições. Todas as ações e processos estarão na competência do juízo da recuperação (. O Ministro ainda citou outra decisão com o mesmo entendimento.3ª edição . demonstrando assim sua importância e demonstrando a possibilidade da consagração dos princípios da preservação e função social da empresa. O Ministro ainda refere que a liberação dos bens arrestados pelo Tribunal de São Paulo e Rio de Janeiro é de competência do juízo da recuperação. os quais serão dirimidos com o tempo pelos tribunais. sendo esta decisão do Superior Tribunal de Justiça.2006. Conflito de Competência nº 79170 – SP.101/2005 possui muitos pontos controversos. O principio da universalidade está na previsão de um só juízo para todas as medidas judiciais.Em sua decisão o Relator cita os ensinamentos de Marcelo M. facilitando assim o cumprimento do plano de recuperação. pois a ele cabe a supervisão do processo de recuperação judicial. por isso a exigência da lei de um único processo para o mesmo devedor. será aberto um leque de procedimentos que estarão sujeitos a uma direção única. todos os atos relativos ao devedor empresário. o qual é um dos principais objetivos da nova lei. de que a suspensão das execuções é essencial para a recuperação judicial da empresa em crise.RT .. a melhor forma de sanar a crise econômica – financeira por qual a empresa passa. Uma vez concedida. Estas decisões demonstram que a Lei 1. mantendo assim o ativo da empresa em crise livre de qualquer constrição. Entendem também os Ministros de que se deve privilegiar o principio da preservação da empresa. o qual está previsto no artigo 47 da Lei. p.)" ( in Curso Avançado de Direito Comercial .462). O principio da unidade tem por finalidade a eficiência do processo. .. Bortoldi e Marcia Carla Pereira Ribeiro: O juízo universal da recuperação judicial está vinculado aos princípios da universalidade e da unidade.

mas à recuperação judicial só tem 259 ULHOA COELHO Fábio. a qual veio substituir o Decreto – lei 7.661/1945.XL. prevista no Decreto – lei 7. 11. revisada. independentemente da viabilidade de sua recuperação econômica. Comentários à nova lei de falências e de recuperação de empresas: (Lei n. São Paulo: Saraiva. . Para Fábio Ulhoa Coelho259 as principais diferenças entre a concordata. e suprimindo outras como a concordata suspensiva.101.661/45 e a Recuperação Judicial da Lei 11. 2005.101/2005. como a recuperação judicial da empresa. de 9-2-2005). trazendo consigo figuras novas.CONCLUSÃO No transcorrer do trabalho foi possível observar as transformações sofridas no instituto da falência com a promulgação da Lei 11.101/2005 são: a) a concordata é um direito a que tinha acesso todo empresário que preenchesse as condições da lei. p. 2º edição.

Devido às alterações do cenário socioeconômico o instituto da falência teve sua concepção atualizada para os novos caminhos que estavam sendo apontados. ou seja. exceto os fiscais (que devem ser pagos ou parcelados antes da concessão do beneficio). na concordata. Rita de Cássia Resquetti Tarifa. se houver. na recuperação judicial. deve ser analisada a viabilidade da recuperação da empresa. inclusive os que titularizam privilégio ou preferência (a única limitação legal é o pagamento das dívidas trabalhistas em no máximo 1 ano). com a menor perda possível para a sociedade. São Paulo: Pearson Prentice Hall. ao passo que. Esta busca não pode ser cega. Empresas viáveis devem permanecer em operação. e deve ser aprovado por todas as classes de credores. Direito empresarial e trabalhista.acesso o empresário cuja atividade econômica possa ser reorganizada. a recuperação judicial sujeita todos os credores. c) o sacrifício imposto aos credores. o espírito da nova lei – que o magistrado há que entender – não é preservar a empresa a qualquer custo. deve ser delimitado no plano de recuperação. sem qualquer limitação legal. p. buscar. determinando a convolação da recuperação em falência. o qual era voltar-se para o desenvolvimento do comércio e da atividade empresária em geral. Durante a vigência do Decreto – lei observou-se que a soma de esforços do devedor. 260 ESPOLADOR. e as inviáveis devem ter sua quebra – com a conseqüente alienação de seus ativos – implementada. o papel do magistrado é presidir sobre esse processo de forma célere. Isto se dá porque o principal objetivo da lei a preservação da empresa. 86 . sempre que for possível. b) enquanto a concordata produz efeito somente em relação aos credores quirografários. Se os ativos podem ser alocados a outros usos mais eficientes. Uma das principais características trazidas pelo novo instituto é o reconhecimento da função social da empresa como forma de impor aos credores o plano reorganizativo da empresa pelo juiz. dos credores e do Poder Judiciário pode levar a uma vitoriosa reestruturação financeira da empresa. preservar a empresa. podendo o juízo através do reconhecimento da função social da empresa evitar que uma empresa em condições de se recuperar acabe por não conseguir o benefício devido a ganância dos credores. já vem definido na lei (dividendo mínimo) e é da unilateral escolha do devedor. como assevera a estudiosa Rita de Cássia Espolador260: Em suma. o sacrifício. 2009.

das pessoas sem nome e rosto que.101/2005 difere do Decreto – lei. satisfazendo. pois se a recuperação for inviável. hoje se busca o equilíbrio desta relação com o que a sociedade necessita e o quanto a extinção da empresa poderá prejudicá-la. Ainda se mantêm o interesse dos credores. enquanto os beneficiários da solução eficiente permanecerão invisíveis para os tribunais. tendo estas em comum a satisfação de interesses sociais. . seus interesses econômicos e mantendo o consumo da comunidade. o magistrado que adota a solução eficiente age como benfeitor do interesse difuso. por que aquela exalta os interesses sociais ao permitir que uma empresa que se encontra em crise econômica . são afetadas profundamente por suas decisões. as quais puderam ser visualizadas foram a flexibilização dos procedimentos 261 ESPOLADOR. Nesse caso. mas estes não são mais soberanos. incentivando. desta forma. pois poderá trazer prejuízos maiores do que se decretada à falência da empresa. A responsabilidade do magistrado é grande: incumbe-lhe tanto recuperar as empresas viáveis quanto resistir a tentação de manter artificialmente em funcionamento das empresas que há muito deveriam ter saído do mercado.É preciso lembrar que nem sempre é possível buscar a preservação da empresa. A recuperação judicial da empresa deve ser usada de forma sensata. não interessa apenas a relação devedor x credores. a função social da empresa.financeira permaneça operando. O empregado demitido faz sua voz mais presente do que a do beneficiário do emprego que nem sequer foi criado.101/2005. É possível identificar que a Lei 11. Conforme Rita de Cássia Espolador261: Por que então será tão difícil resistir à tentação de manter empresas inviáveis indefinidamente em operação. assim. ao arrepio de disposição expressa de lei? A resposta é óbvia: os prejudicados com a quebra estarão presentes no cotidiano do magistrado. loc cit. ainda sim. As principais características introduzidas pela Lei 11. pois há situações em que a soma de esforços devem ser poupadas. pois agora é preciso respeitar alguns princípios como a preservação da empresa. Considerando as teorias contratualista e institucionalista é possível identificar as duas na nova lei. ao invés de diminuir os custos sociais a recuperação trará prejuízos maiores ao envolvidos. devem se observar as reais condições da empresa em relação ao plano de recuperação apresentado. os empreendedores a dar continuidade ao ciclo produtivo.

Construindo através da aplicação da lei e a devida interpretação de seus preceitos seu enraizamento no direito empresarial.101/2005 seja aceita e respeitada. acima de tudo. diferente das mudanças ocorridas nas relações sociais e econômicas. de expressão nacional. como foi visto na análise das manifestações do Judiciário. ela busca. a pesquisa entre autores eminentes. as quais estão sendo dadas pelos juízes dos tribunais competentes. mitigação da função jurisdicional. A adaptação da legislação já está ocorrendo. e a simplificação dos procedimentos. É corriqueiro que o processo de aperfeiçoamento da legislação seja lenta e gradual. tendo seus objetivos levados a sério. ampliação na participação dos credores no processo de recuperação. adoção de novos mecanismos para a superação das crises empresariais. e os acórdãos prolatados por juízes competentes. sua manutenção e preservação. sobretudo. no direito falimentar brasileiro. .preventivos. Desta forma cabe aos doutrinadores e Poder Judiciário fazer os ajustes necessários para que a Lei 11. demonstra que a recuperação judicial foi pensada para satisfazer a função social da empresa. Concluindo. maior amplitude nas possibilidades de acordo entre o devedor e os credores. O instituto da recuperação judicial já está tendo suas primeiras orientações práticas.

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