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DIFICULDADES NA ESCOLA

DIFICULDADES NA ESCOLA

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DIFICULDADES NA ESCOLA A desmotivação de uma criança ou um adolescente na sala de aula pode ter diversos motivos.

Verificar as possibilidades e agir na correção é tarefa de pais e educadores. Uma amiga me disse que sua filha está muito desmotivada na escola e que os professores são muito chatos. Como ajudar nessa situação?As causas da desmotivação podem ser de quatro origens diferentes. A primeira respeito à possibilidade de alguns professores estarem extremamente expositivos, ou seja, focam suas aulas em conteúdo e não deixam espaço para a criação. O aluno permanece muito passivo, copia muita matéria sem possibilidade de criar, de se manifestar, de discutir, debater, de ser autor. Com professores desse tipo, até os mais “caxias”, ou “nerds”, não tem vontade de estudar. Nesse caso, converse com a orientação pedagógica de sua escola para que oriente os professores quanto à metodologia mais adequada. A segunda origem possível é a da superproteção da família (pai ou mãe) que não permite o desenvolvimento da autonomia, da persistência e da independência. A criança fica sempre esperando que as soluções sejam dadas por alguém, como a mãe, o pai, o próprio professor, etc. Se a escola estiver exigindo, cobrando, solicitando trabalho, a criança desiste, pois se sente cobrada acima de suas possibilidades (ou pelo menos, acima do que ela acha ser possível). Nesse caso, procure incentivar a autonomia, as decisões, assumir desejos, etc. A terceira possibilidade é a de origem interna, como alguma dificuldade de atenção, concentração, ou qualquer outro motivo relacionado ao funcionamento de seu corpo, de seu cérebro. Como exemplo, podemos ter casos de Depressão, de Déficit de Atenção ou alguma outra dificuldade fisiológica, ou seja, de funcionamento do corpo ou cérebro. Para essa terceira origem, é necessária a avaliação de um profissional da área, um neuropediatra, psicopedagogo ou psiquiatra. Não deixe para depois. Se a origem da dificuldade for médica, a medicação pode fazer um grande bem para sua filha. Entretanto não vá logo medicando. Busque uma segunda opinião. A quarta possibilidade é o ”bullying”. É uma espécie de assédio moral com foco na coerção, ameaças, chantagens, perseguições, humilhações e desvalorização que a menina

pode estar sofrendo no dia-a-dia da escola por colegas da turma. Muitas vezes um grupo de crianças, ou de adolescentes, escolhe alguém para servir de “saco de pancada” desse grupo. As conseqüências desse tipo de comportamento afetam diretamente a vontade de estudar. Algo precisa ser feito e de forma urgente. Essas crianças, as agressoras e a vítima precisam de ajuda. Precisam de orientação para que possam aprender os valores mais significativos da vida. Entre em contato com a escola e, juntos, criem soluções para que o Bullying não ocorra mais, nem com a menina, nem com outras crianças.

p. Considerando tal abordagem. nosso respeito. por que não. aliada à metodologia adotada pelo docente. melhoram certos aspectos e comportamentos negativos que apresentamos. se não o maior. muitas vezes fazem parte de nosso discurso aos alunos: ameaças. são exemplos de companheirismo e demonstram um sincero interesse pelo nosso bem-estar. 55). sério. Desde muito jovens vivemos em sociedade. Graças a esse convívio no decorrer de nossas vidas. Se as relações humanas. e tantos outros cujas atitudes pessoais que jamais passarão despercebidas pelos alunos). pois. que planeja suas aulas e investe na continuidade de sua formação. que vê o ato de lecionar apenas como um complemento de salário. professor. o . como podemos ignorar a importância de tal interação entre professores e alunos? ELIAS destaca: “É por intermédio das modificações comportamentais da área afetiva que a escola pode contribuir para a fixação dos valores e dos ideais que a justificam como instituição social. adotamos por técnica a observação. Portanto. aprendemos com nossos erros e acertos e. como uma revisão crítica de desempenho e atitude social. a dificuldade que os estudantes encontram em usar a linguagem escrita como elemento de reforço ou registro da fala. muitas vezes. relações pessoais. o professor licencioso. nossos melhores amigos. observamos que.Aluno: Uma Revisão Crítica Por Denise de Cássia Trevisan Siqueira 23 de dezembro de 2004 Resumo: Como profissionais críticos e atuantes na área de ensino. origens e personalidades. pois conquistaram nossa confiança. o “mãezona”. embora complexas. o permissivo3 . Nesse referencial. chantagens emocionais. que embora critiquemos.. um dos principais fatores que rege a motivação pelo aprender por parte do discente em formação.. aluno. p. o crítico-reflexivo2. a indisciplina em sala de aula é uma constante. atualmente. “O professor autoritário. uma triste realidade. fazemos parte e formamos grupos com pessoas das mais diversificadas crenças. de como tais problemas poderiam ser melhor administrados e. são peças fundamentais na realização de mudanças em nível profissional e comportamental.. O ser humano é social por natureza. Palavras-chave: crítica. revisão.Relação Professor . sofremos desilusões. impera um total descaso pelo ato de lecionar e aprender. sempre respaldadas por embasamentos teóricos e experiências reais vivenciadas por profissionais renomados.. vivemos situações que nos constrangem ou enaltecem. conseguimos construir a nossa personalidade e interagir com o universo. desempenhos. tomamos por base de nossas observações a relação professor-aluno. aqueles que com suas críticas e conselhos. ao utilizarmos tal critério. enfim tudo que promove o não-desenvolvimento cognitivo6 do discente.99) Com o objetivo de realizar uma pesquisa em campo. o professor competente.. Já não há mais o respeito mútuo entre discentes e docentes. e atos de violência escolar já fazem parte do nosso dia-a-dia. eliminados. métodos e técnicas de vários tipos de docentes (o autoritário1 . Portanto. controle da indisciplina4 através do medo. conseguem nos sensibilizar. parafraseando CUNHA (1994. este artigo têm como objetivo mostrar alguns dos problemas que constatamos no decorrer do processo ensino-aprendizagem e apresentar sugestões. pudemos perceber comportamentos. autoritarismo5 . “é uma excelente técnica de coleta de dados”. através de comparações.” (1996.

burocrático. situações diferenciadas adotadas com um determinado aluno (como permitir que. Portanto. sobretudo do ponto de vista democrático. 1999. Professores que não medem esforços para levar os seus alunos à ação. p. inquietas. para que ele não fique de recuperação). racionalista. nenhum deles passa pelos alunos sem deixar sua marca. A nosso ver.91) Professores. irresponsável.73) Como o ensino não pode e não deve ser algo estático e unidirecional. sem justificativa coerente.. mais frio. educadores que. Tão bem nos lembra GRISI: “Toda aula. mas alguém que tem toda a experiência de vida e por isso também é portador de um saber. a reflexão. O que não posso obviamente permitir é que minha afetividade interfira no cumprimento ético de meu dever de professor no exercício de minha autoridade. que este se apresente. p.” (1971. ou melhor. frio. que poderá possibilitar ao indivíduo.” (FREIRE. também. ao questionamento e à descoberta são essenciais. fora da realidade. antes. que desenvolvem com seus alunos um vínculo muito estreito de amizade e respeito mútuo pelo saber. interpretar e transformar a sociedade e a natureza em benefício do bem-estar coletivo e pessoal. apenas norteadas pelo fator amizade ou empatia. confiança. o professor mal-amado. 1996. Não posso condicionar a avaliação do trabalho escolar de um aluno ao maior ou menor bem querer que tenha por ele. colocar-se na posição humilde de quem sabe que não sabe tudo. mais distante e “cinzento” me ponha nas minhas relações com os alunos [. de aquisição de uma mentalidade científica lógica e participativa. os educadores não podem permitir que tais sentimentos interfiram no cumprimento ético de seu dever de professor. são fundamentais. 1996. geralmente pode ser observado em salas de ensino fundamental da quinta série: crianças indisciplinadas. . ao respeitar no aluno o desenvolvimento que este adquiriu através de suas experiências de vida (conhecimentos já assimilados). a aprendizagem e a pesquisa autônoma. à reflexão crítica. por outro. não deveriam fazer parte das atitudes de um “Formador de Opiniões”. p. p. são imprescindíveis. a escrita. tem sempre uma inelutável repercussão mais ou menos ampla. É impossível desvincular a realidade escolar da realidade de mundo vivenciada pelos discentes.] A afetividade não se acha excluída da cognoscibilidade. Professores. preciso.professor incompetente. deve. amantes de sua profissão. em resumo. seja qual for o objetivo a que vise. à curiosidade. “Não é certo.2) Se por um lado é importante a existência de afetividade7 .” (GADOTTI. devemos nos lembrar de que a sala de aula não é apenas um lugar para transmitir conteúdos teóricos. sempre com raiva do mundo e das pessoas. comprometidos com a produção do conhecimento em sala de aula." (FREIRE. bem orientado. e por mais claro. pois ambos (professores e alunos) podem ensinar e aprender através de suas experiências. idade e desenvolvimento mental.159-60) Outro reflexo desse aspecto (excesso de afetividade). o educador não pode colocar-se na posição ingênua de quem se pretende detentor de todo o saber. uma vez que essa relação é uma “rua de mão dupla”. no comportamento e no pensamento dos alunos. local de aprendizado de valores e comportamentos. “Para por em prática o diálogo. que serei tão melhor professor quanto mais severo. entregue seu dever em data diferente da estipulada. restrito. mas sob um prisma mais direcionado à superproteção.. empatia8 e respeito entre docente e discente para que melhor se desenvolva a leitura. o professor amoroso da vida e das gentes. reconhecendo que o analfabeto não é um homem “perdido”. a relação estabelecida entre professores e alunos constitui o cerne do processo pedagógico. é. ou melhorar a nota deste. por vezes.

p. o professor precisa aprender a combinar autoridade9 . infelizmente. ao mesmo tempo que estabelece normas. não raras vezes.” (ELIAS. Esse profissional. não são raros dentro de uma sala de aula. mas. simplesmente ignoram tal fato. ameaçam os alunos e. deve respeitar a individualidade e a liberdade que esses trazem com eles. sempre podemos presenciar situações em que muitos professores. ou está doente. ou indisciplinada. claramente. do que em descobrir o porquê da falta de interesse e da indisciplina da maioria dos seus alunos. no mínimo. no entanto. que a razão dirija a própria experiência [. Sua atenção está voltada apenas para alguns poucos alunos que. É fato que durante esse estágio da vida as crianças estão passando por uma fase de adaptação (transição da quarta para a quinta série) e que tudo que é novo causa certo medo e ansiedade. para serem entregues no final da aula. chegam a humilhá-los. Outros. grande parte dos Amantes do Saber. é a disciplina. mas porque temem “perder” a amizade do professor. que aquele conteúdo está “dado”. respeito e afetividade. durante a infância. Além disso.. a interação deve estar sempre direcionada para a atividade de todos os alunos em torno dos objetivos e do conteúdo da aula. e nos utilizarmos da chantagem emocional para obter a disciplina na sala de aula – os alunos geralmente obedecem. e ministra suas aulas sem se importar que haja alunos que não estão acompanhando o seu raciocínio. como um “general”. pois. atentarmos quanto a nossas atitudes. ocultas em atitudes inconscientes. que estão mais preocupados em cumprir o conteúdo curricular planejado para aquela aula. dando mais atenção à criança que é mais mimada. 2000. olham-no atentamente. tomam atitudes.32) Para exercer sua real função. não raras vezes. enquanto educadores. não por conscientização de tal necessidade. Outro fator que incomoda. tornamo-los excessivamente dependentes. ainda que o docente necessite atender um aluno em particular. portanto. quando eles não conseguem obtê-las. Quando . retira dela essa faculdade para o resto da vida. então. geralmente intimida os discentes a prestarem atenção. Por inúmeras vezes nos deparamos com docentes que ao ouvirem conversa durante a aula gritam com os estudantes. passam exercícios valendo nota. centralizar a resolução de todos os problemas em nós mesmos. Agindo assim não estamos permitindo que os alunos adquiram autonomia em seus atos e.arrogantes e revoltadas. tais como: anotar os deveres nas agendas dos alunos. deixando bem claro o que espera dos alunos. Casos em que o professor assume uma postura autoritária e acredita que distanciamento hierárquico é sinônimo de respeito. Página 2 de 3 Devemos. fornecer as respostas dos exercícios. o motivo de tal reação é a falta de autoridade e proteção excessivas. isto é. para neles poder desenvolver o senso de responsabilidade. o que nos chama a atenção é a total falta de organização e senso de responsabilidade que muitas vezes tais crianças apresentam. “O ideal consiste em que a criança aprenda por si só.. ao invés de deixá-los descobrir o erro. e muito. em lugar de deixar que eles o façam. sentados nas primeiras carteiras. ou melhor. a ausência dessa. em nome da autodisciplina10 . demonstrando. pedagogicamente questionáveis: fazem imposições sem fundamento. como punição. é normal e até esperado que esse período provoque alguns problemas disciplinares no início. ou.] A falta da prática de pensar. fazem ameaças dizendo que a prova será em breve e que eles não a conseguirão realizar. portanto.

linguagem clara. Um aluno jamais deve permanecer passivo e. apoio para registrar. dessa forma. de forma resumida.. alguma informação mais importante). alunos e alunos e professores e professores. assim como a de muitos outros que encontramos no nosso dia-a-dia. de conhecimento dos alunos. distantes das reais necessidades dos alunos. Assim sendo. Aulas dinâmicas. torna-se apenas uma projeção do que foram seus professores. teria entendido”. divertidas. E por falar em indisciplina.. objetiva e de fácil entendimento. repetindo o mesmo currículo de seus antecessores. ou é ignorado. trazer o aluno até a intimidade do movimento do seu pensamento. Deve dar-lhes atenção e cuidar para que aprendam a expressar-se. os induz à desmotivação. enquanto fala. mas como fonte de inspiração para que continuemos a buscar um melhor caminho para chegarmos ao coração e à mente de nossos alunos. p.250) Segundo MASSETO (1996). Convém salientar que essas “disputas” entre mestre e discípulos pouco ou nenhum resultado prático trazem. fazemos nossas as palavras de LIBÂNEO: “O professor não apenas transmite uma informação ou faz perguntas. uma aula motivadora. a expor opiniões e dar respostas. tornam as explicações dadas pelo docente. Servem também para diagnosticar as causas que dão origem a essas dificuldades. As respostas e as opiniões dos alunos mostram como eles estão reagindo à atuação do professor. o sucesso (ou não) da aprendizagem está fundamentado essencialmente na forte relação afetiva existente entre alunos e professores. não se impõe. reflete um profissional não comprometido com o seu trabalho. segundo opinião unânime dos alunos. à incapacidade de refletir. utilizando mais a explanação verbal do que a lousa (vista como um suporte. Vale a pena continuar ressaltando a atuação de alguns professores. pois um aluno que é retirado da sala de aula por comportamento inadequado e encaminhado à biblioteca para realizar uma pesquisa sobre o tema da aula.algum dos supostamente desinteressados faz alguma pergunta. podemos dizer que a atitude deste professor. (1994. portanto. à indisciplina. A forma como ele conduz a aula deve despertar a curiosidade pelo ouvir e aprender. resistente a mudanças e um praticante de aulas expositivas monótonas e repetitivas repletas de muita “falação”. o verdadeiro educador sempre deve fazer um comentário crítico construtivo: “Você quase conseguiu. Assim sendo. Cansam porque acompanham as idas e . não é? Vamos ver se amanhã você já conseguiu se recuperar da amnésia”. “. respeito se conquista. ou recebe como resposta: “Se você estivesse prestando atenção.. mas também ouve os alunos. Valeu a tentativa!”. o bom professor é o que consegue. à falta de interesse. ou não o faz. O trabalho docente nunca é unidirecional. que não investe suficientemente na sua formação e que. e que.. não como modelo inquestionável de docência. ou “Esqueceu. sempre associando o tema em questão a situações atuais. essa não deveria ser uma constante entre professores e alunos. mesmo que as respostas dadas sejam incompletas ou incorretas. e o diálogo11 é o melhor caminho para a solução de problemas. criar e problematizar situações que poderiam auxiliar na construção de seu conhecimento e caráter. às dificuldades que encontram na assimilação dos conhecimentos. Seus alunos cansam não dormem. ou o entrega ao professor antes do término do período. Sua aula é assim um desafio e não uma ‘cantiga de ninar’. Será que essa postura docente contribui de alguma forma para que um professor obtenha o respeito e a disciplina que tanto deseja em sala de aula? Em nosso entender.

É imprescindível que ele sinta..” (FREIRE. competência12 e hábitos pedagógico-didáticos necessários à organização do processo de ensino. não têm receio de dizer que não conhecem a resposta. Em que se procura explorar o sentimentalismo e também. ter um carinho especial pela profissão que abraçou e saber utilizar sua autoridade com moderação e imparcialidade.96) suas pausas. p. Segundo MASCELLANI: “O educador que não se organiza de modo satisfatório para questionar as condições dentro das quais vive [. Um professor competente está sempre pronto a refletir sobre sua metodologia.vindas de seu pensamento. 1996. chamando a atenção dos envolvidos de forma humorada? Por que não conversar. Então. a fim de estimular a aprendizagem. suas Um professor deve buscar um aperfeiçoamento constante.. os professores que melhor conseguem este controle são aqueles que dominam o conteúdo que ensinam. autonomia. mas que a irão pesquisar e depois a trarão (e cumprem a promessa). suas dúvidas. 1992. e demonstram dedicação profissional. por que não tentar eliminar rapidamente os poucos casos de conversa paralela durante a aula. quando necessário. se necessárias. apesar das verdades. manifestando sua curiosidade.128) De nada adianta falar sobre organização. ou. adaptam seus métodos e procedimentos de ensino em função da necessidade de sua clientela. à autoridade profissional. possuem tato em lidar com as diferenças individuais em sala de aula. chamando-o às suas responsabilidades. não se reservar algum tempo para o aperfeiçoamento contínuo e utilizar-se dos horários das aulas para realizar tarefas estranhas àquele momento (atualização de diários. autônomo. "Boa técnica de motivação é ter uma conversa em particular com o aluno. pelo menos. sua postura em aula. surpreendem incertezas. caráter. a motivação13 dos seus alunos. ética. estão abertos ao diálogo. que o professor é seu amigo e tudo está fazendo para ajudá-lo. competência e abertura de espírito. senso de justiça. destinatários de sua ação educativa. de modo que cada um deles seja um ser consciente. moral e técnica do professor. contra colegas de trabalho.” (1980. não houver um planejamento15 das aulas. diante dos alunos que estão colocados diante de si.] não conseguirá sequer ter comportamentos autênticos diante daqueles que deve educar. p. podemos afirmar que a disciplina em sala de aula está diretamente ligada ao estilo de prática docente. isto é. responsabilidade. p.Aluno: Uma Revisão Crítica Por Denise de Cássia Trevisan Siqueira 23 de dezembro de 2004 Página 3 de 3 Estabelecendo um paralelo entre todas essas atuações. Vale a pena ainda mencionar um outro aspecto relevante no que concerne à relação teoria-prática14 . todos os alunos o cumprimentarão nos corredores e irão lhe pedir conselhos e orientações. continuar-se a fazer críticas. com qualquer estudante que necessite de uma reprimenda maior? Certamente. em particular. na prática. a replanejar sua prática educativa. no caso. entre todos os observados. participativo e agente crítico modificador de sua realidade. falar francamente com o aluno. ativo. pública e abertamente. representada no exemplo que os professores dão.190) Relação Professor ." (NÉRICI. correção de . Dessa forma. se.

Dinéia. 1991. Denise de Cássia Trevisan Siqueira é bacharel em Letras e licenciada pelo Curso de Formação de Professores pela Universidade São Judas Tadeu. conjunto de fenômenos psíquicos que se . por julgarem-se cobrados a um desempenho para o qual não foram preparados. 2001. Notas Texto orientado pela professora de Prática de Ensino / Estágio Supervisionado Dinéia Hypolitto do curso de Formação de Professores da Universidade São Judas Tadeu. Ano IX.2003. acomoda-o e prejudica sua autonomia). a conscientização de que em uma sala de aula não há aprendizado homogêneo e imediato. gradativamente. Aquele que está aberto a quaisquer sugestões e críticas que o ajudem a se repensar como profissional a fim de reformular e melhorar sua prática. é necessário que o professor consiga despertar a curiosidade dos alunos e acompanhar suas ações na solução das tarefas que ele propuser (o não acompanhamento poderá fazer os alunos se sentirem inseguros na realização da atividade proposta. No entanto. o fornecer as respostas prontas. Aquele que permite que seus alunos pratiquem ou tomem atitudes despropositadas ou desrespeitosas para consigo ou para com seus amigos. e que uma postura crítica-reflexiva deve fazer parte do seu dia-a-dia. Autoridade do professor: meta. não permitindo que o aluno problematize e descubra a resposta correta. para que isso aconteça. nunca vai utilizar. professora de língua inglesa do Colégio da Polícia Militar e de língua portuguesa da Escola Técnica Estadual Camargo Aranha. acompanhando cada passo do aluno. 5. Ver ELIAS. Pedagogia Freinet – Teoria e Prática. liberte-se e demonstre seu potencial. Falta de controle sobre os próprios atos e desrespeito as limitações e anseios das demais pessoas. aquele que provoca no aluno um estímulo que o faça aprender a aprender. Engenheira Elétrica e Revisora da Editora Universidade São Judas Tadeu. Publicação: Revista Integração: Ensino=Pesquisa=Extensão da Universidade São Judas Tadeu. simpatia. pois requer a quebra de paradigmas16 . Relativo a aquisição de um conhecimento. São Paulo: Editora Catálise. que a orientação do professor. Aquele que usa com rigor a sua autoridade. é fundamental. 3. Afeição. Ver HYPOLITTO. Tornar-se um professor facilitador não é uma tarefa fácil. Marisa Del Cioppo. e. 6. Lúcia Maria Teixeira. 4.). O conhecimento ideal é aquele que o transforma em um “cidadão do mundo”. O prazer pelo aprender não é uma atividade que nasce espontaneamente nos alunos. 1996. com a intenção de que ele. o aluno deve obter conhecimento não apenas para ter na cabeça muitas informações que. arbitrária e opressora. maio. amizade. 2. Ver FURLANI. não é uma tarefa que cumprem com prazer. na maioria dos casos. imposição de forma dominadora. não admitindo contradições. Além disso. mito ou nada disso? São Paulo: Editora Cortez. A formação do Professor o Estágio Supervisionado. 7. o papel do professor deve ser a de um “facilitador de aprendizagem”. a percepção de que a formação continuada17 é uma necessidade. pois. Uso impróprio da autoridade. o aprender a não desistir. nº 33. Para que este hábito possa ser melhor cultivado. muitas vezes. a percepção.provas etc. São Paulo: Papirus. 1.

através do contato com a realidade e da interação com os outros. Ato de estimular o aluno com a finalidade de tornar a aprendizagem mais produtiva. avalia. porque eles não têm educação nem interesse em aprender… e por aí vai. 1993. que tem influência e age.. “Atividades formativas que ocorrem após a certificação profissional inicial.. e interiorizados pela aprendizagem.. sendo sempre a culpa exterior. Celso dos Santos. competente é aquele que julga. e pela busca da autonomia através da atividade livre”. exposição de idéias através de perguntas e respostas entre duas ou mais pessoas. ela nunca está em mim. Libertad. 12. Regina Célia Cazaux. (RODRIGUES e ESTEVES. eu erro e continuo jurando até a morte que estou certo. 1995. tiro conclusões e tento evitar o que fez meu barquinho naufragar na primeira tentativa. “É preciso falar. São Paulo. Comunicação. Planejamento: Plano de Ensino – Aprendizagem e Projeto Educativo – elementos metodológicos para elaboração e realização.44).” (ROUSSEAU. 17. No aprendizado eu uso uma experiência negativa. (HAYDT. São Paulo: Editora Ática.66) 11. p. analiso-a. São Paulo: Ática. 7ª ed. VASCONCELLOS. 1990. eu vou dizer que não errei e pronto. p. Se errar de novo em outro ponto faço o mesmo e assim vou. Meus alunos estão desmotivados porque o governo tem uma grade curricular incompatível com a realidade deles. Práticas de Ensino – Subsídios para a Atividade Docente. as habilidades práticas e as atividades dos professores na busca de maior eficácia na educação dos alunos”.manifestam sob a forma de emoções.. No reflexo eu erro sim. de se dar ordens. G. que tem por encargo fazer respeitar as leis.197). Curso de Didática Geral. e apenas dizer o que é impossível fazer. Modelos. através de ações. 13. como você deve imaginar. 10. Ver ZÓBOLI.. pela tomada de consciência das exigências da vida pessoa e social. de tomar decisões. P.1997. Competência segundo o Dicionário Aurélio: qualidade de quem é capaz de apreciar e desenvolver certos assuntos. . 1996. padrões. mas a culpa é sempre de outra pessoa. 9. 15. Erramos muito mas podemos posturas diferentes em relação aos nossos erros: Negação Aprendizado Reflexo Na negação. Sempre vou encontrar um motivo para justificar meu erro. “ Conjunto de princípios e regras elaborado livremente pela pessoa. Não adianta nem me mostrarem provas concretas de meu erro. errando e aprendendo com meus erros. 14. pondera. de agir. Errar é humano e atribuir o erro a outra pessoa é mais humano ainda. que visa principal ou exclusivamente melhor os conhecimentos. acha a solução e decide. sentimentos e paixões. tanto quanto possível. 16. porque não há recursos para que eu possa despertar o interesse deles. Tendência para sentir o que sentiria caso se estivesse na situação e circunstâncias experimentadas por outra pessoa. Direito ou poder de se fazer obedecer. 8.

Um professor insatisfeito com a escola. com a profissão. Tenho um aluno cuja formação depende de mim. A Desmotivação dos Professores A presente obra. falemos em responsabilidades. traz-nos aportações interessantes sobre as causas da desmotivação dos professores. Vou dar o arroz com feijão e olhe lá. a culpa nunca será dele e sim do profissional que o tratou.Não falemos em culpa. Dizer que um aluno é o culpado por não aprender é mais ou menos como se um médico fizesse um tratamento e como o doente não sarasse. Eu sou o profissional que se especializou para dar essa informação e formá-lo da melhor maneira possível. ainda que ideologicamente situada e contextualizada num país que não Portugal. com o salário ou com o que quer que seja irá passar toda essa carga emocional para os alunos durante sua aula.” O profissional é quem aprende todas as técnicas e procedimentos para que o “tratamento” seja um sucesso. Eu tenho a faca e o queijo na mão. que por ele estar insatisfeito também não irá conter nada de especial que desperte o interesse dos alunos. Então eu sou o profissional. introduz a temática a partir de considerações tecidas sobre as grandes transformações ocorridas nos diferentes . A responsabilidade é minha de criar meios e um ambiente favorável para que ele sinta-se motivado. Dividida em quatro capítulos. Se o doente morrer. dissesse: “Não sarou porque não quis. Pelo que estão me pagando está até bom demais. eu fiz o que tinha que fazer. Então voltemos a responsabilidade.

(h) na ausência de uma verdadeira cultura democrática na vida das escolas. que são apontadas. de superficialidade e de banalização. cultura. em que as actividades extracurriculares ocupem o seu lugar em projectos de escola e de turma (capítulo 4). que tem a ver com a rapidez das transformações em todos os campos do conhecimento. “uma sociedade em crise”. propondo instituições educativas flexíveis e abertas. do tempo e dos recursos materiais e humanos”. e pelas intenções de destruição do ensino público (capítulo 2). passa pelas dificuldades da análise do presente (capítulo 1). modelos curriculares integrados. o avanço das ideologias e o desmoronar das certezas dogmáticas. no dizer do autor. economia. confrontados com uma cultura escolar que se pretendia uniforme. no âmbito do qual as instituições educativas carecem de uma “reconceptualização do espaço. referiremos algumas das razões que aponta para a “crise” da educação: a sua obrigatoriedade e a massificação que não teve em consideração que as instituições educativas tinham sido pensadas para as elites. (f) no peso de iniciativas. Em relação às “intenções de destruição do ensino público”. com abandono do discurso político. (b) na formação inicial deficitária. radicam (a) na incompreensão das finalidades dos sistemas educativos. (c) na “pobreza” das políticas de actualização cultural e psicopedagógica dos professores. Professor Catedrático da Universidade da Corunha. (k) na existência de um clima político e social que responsabiliza unicamente a classe docente pela qualidade da educação. de tipo burocratizante. (n) na falta de incentivos aos professores inovadores. (e) na existência de currículos obrigatórios sobrecarregados de conteúdos. e com as múltiplas reformas educativas promovidas com escassa implicação da classe docente. (l) num ambiente social de cepticismo. (j) nas dificuldades de relacionamento com as famílias. Jurjo Torres Santomé. (g) na falta de serviços de apoio e na eficácia da inspecção escolar. centra-se nas dezasseis razões da desmotivação docente (capítulo 3) e conclui “rompendo os muros”. submetida às leis da oferta e da procura. As causas da desmotivação dos professores. cujo discurso passa por conceitos como “qualidade”. Detendo-se nas dificuldades de análise da sociedade de hoje. com a celeridade das inovações na área das tecnologias da informação e da comunicação. a diversidade dos alunos. “competitividade” e “excelência”. (m) no avanço de políticas mercantilistas e utilitaristas. (o) na contínua ampliação das funções cometidas aos professores. (p) na maior . relações sociais e laborais – às quais subjazem um cenário de globalização. (i) nos problemas de comunicação com os alunos. é criticada a instituição educativa “neoliberal”. no âmbito da informação cultural.campos de actividade – política. (d) na concepção tecnocrática do trabalho docente. por parte da administração educativa. com identidades culturais e linguísticas distintas.

defende-se a necessidade da criação de estruturas educativas mais flexíveis e da existência de maior coordenação entre as actividades curriculares e extracurriculares. presidida pelo princípio da heterodeterminação educativa. numa sociedade global. que vem sido defendida. que coincidem no essencial. planificada. a dimensão extracurricular. por Manuel Ferreira Patrício. . entre nós. com uma outra. presidida pelo princípio da autodeterminação educativa. presidida pelo princípio da sobredeterminação dialéctica educativa. capazes de romper a rigidez dos actuais espaços e tempos lectivos. presidida pelo princípio da codeterminação educativa. em permanente evolução. Apraz-nos registar a sintonia entre estas duas propostas. uma proposta de flexibilização e de abertura das instituições educativas. defendidas por personalidades distintas.visibilidade dos efeitos do trabalho dos professores. que. defende o conceito de educação integral e emancipadora. e cuja comparação recomendamos a todos os nossos leitores. para além de uma sistematização cuidada das razões da desmotivação dos professores. partindo das ideologias de esquerda. dando lugar a projectos curriculares integrados. Esta obra encerra. com percursos diferenciados. desde os anos 80 – a pluridimensionalidade estrutural da instituição escolar que comporte a dimensão curricular. geradora de uma nova realidade pedagógica. que passa pela articulação entre as actividades curriculares e extracurriculares. e a dimensão global. Torna-se extremamente interessante verificar a sintonia desta proposta. uma comunidade educativa englobante de todas as vivências educativas dos educandos e educadores. cujo factor estruturante situacional é o projecto. das actividades educativas das dimensões curricular e extracurricular. a dimensão interactiva. ex-Reitor da Universidade de Évora. Em “Derrubando os muros”. ou princípio ecológico. que pressupõe a articulação horizontal.

Antonio Rodrigues. os professores formadores não conhecem a escola pública. o que impede uma prática docente de qualidade. e o pouco apoio e participação das famílias dos alunos também são fatores que contribuem para a desmotivação do profissional". Para o diretor do Sindicato dos Professores do Município do Rio e Região (Sinpro-Rio). Ex-secretária de educação do Rio de Janeiro. salientou o sindicalista. os baixos salários e as turmas com excesso de alunos são as principais causas que levam à desmotivação dos docentes. deveriam conhecer mais a realidade da educação básica. de outro". Todas as mazelas da sociedade são discutidas na escola. o que acaba por prejudicar os docentes". E ela destaca as condições precárias para o exercício da profissão como algo que precisa ser revisto. E professores têm tarefas múltiplas. afirmou. na rede privada. Terezinha Saraiva compartilha da mesma opinião. "É falso o discuso de que docente tem melhores condições de trabalho nas escolas particulares. as condições de trabalho e de formação. Hoje há exigência maior e não basta saber só a disciplina que ensina". o despreparo para lecionar a alunos ‘reais’. "A questão salarial. de outro. Mozart Neves Ramos. salientou Antonio Rodrigues. A baixa auto-estima também contribui para esse quadro. três fatores explicam a falta de motivação dos professores. A descoberta de que a carreira escolhida não lhe traz satisfação pessoal e realização profissional. de um lado. as escolas apresentam péssima infra-estrutura. Para o presidente executivo do movimento Todos Pela Educação. o problema é tão grave quanto nas escolas públicas. algo que não lhe foi apresentado nos cursos de formação. Isto além de um currículo obrigatório que sobrecarrega. "A escola de hoje discute desde educação sexual à educação para o transito. Para o sindicalista. por conta do uso da internet e de outras tecnologias. alem da questão do uso de drogas.Educadores explicam a desmotivação de professores Recente pesquisa realizada pelo Instituto Ibope e o Movimento Todos pela Educação revelou que o maior problema da Educação no Brasil é a existência de professores desmotivados e mal pagos. "De modo geral. Essas são as principais causas. Se há um quadro mais favorável nas grandes escolas. instituições formadoras. As universidades. . também existe uma sobrecarga imensa do ponto de vista das tarefas que são atribuídas aos docentes. e trabalham com turmas cheias e com um ganho financeiro que têm não corresponde a este esforço. Infelizmente.

especialmente aquelas que se interrelacionam com outras pessoas para o desempenho de sua função. A Síndrome de Burnout é causada por circunstâncias relativas às atividades profissionais. não são raros os professores que se queixam da falta de interesse dos alunos e assumem a culpa por este fato acreditando que deveriam dominar as mais diferentes técnicas para estimular o aprendizado. a razão para a incidência da síndrome está ligada. pensar sempre como motivar os alunos. a indisciplina é a grande responsável por uma eventual sensação de frustração e até a desmotivação do profissional. a sensação de impotência é mais acentuada". Um exemplo disso é o depoimento. Mediar a relação com os alunos fica dez vezes mais desgastante em situações em que você tem de chamar a atenção. Um bom exemplo disso é o professor. comportamentais. porém. de São Paulo. Tudo isso contribui ao longo do tempo . revela. ocasionando sintomas físicos. Fernando Pachi. "Existem problemas que estão muito além da ação direta dos professores. no caso do professor. que tem sido apontado como uma das maiores vítimas do estresse profissional.Estresse do professor 29/05/2006 Síndrome de Burnout é uma das causas do esgotamento profissional de docentes Mais| Com a aproximação das férias é comum o sentimento de cansaço e fadiga.podem ser em meses para uma situação de estresse e desmotivação. dos alunos e da própria sociedade. é um dos maiores agentes para a ocorrência do Burnout". afetivos e cognitivos. interromper a aula. Segundo Iône. De acordo com a pesquisadora do Laboratório de Psicologia do Trabalho da UnB (Universidade de Brasília). . sobretudo. especialmente aquelas que não dependem apenas da ação dos docentes para serem resolvidas. cada vez mais pessoas têm sofrido com o estresse profissional. Muito além deste tradicional ciclo. explica. à falta de reconhecimento. seja ela por parte do sistema. erguer o tom de voz. "A desvalorização do professor. "Acredito que a situação de maior estresse para o professor continua sendo a indisciplina em sala de aula. Além disso. e vem uma certa sensação de fracasso quando os resultados esperados não são atingidos. entre elas a de professor. Iône Vasques-Menezes. mais conhecido como Síndrome de Burnout. Com o passar do tempo. abaixo. caracterizada por um estado de atenção intenso e prolongado com pessoas em situação de necessidade e dependência. ou seja. do professor da UnisantïAnna. Para a pesquisadora. principalmente onde há uma situação de degradação do sistema. O Burnout em professores pode ser caracterizado por um estresse crônico produzido pelo contato com as demandas do ambiente acadêmico e suas problemáticas. quando o curso não corre bem. o posicionamento dos alunos em sala de aula também contribui para um maior desgaste. ambos resultados do esgotamento físico e psicológico do ser humano. Isso porque o foco é sempre motivar os alunos! Aí a cobrança interna fica também bem maior. Em muitos casos. Inicialmente foi observada em trabalhadores da área da saúde que desempenham uma função assistencial. pôde ser identificada em outras profissões. Nestes casos.

ou seja. "Farber. Segundo Iône. encerra. voltamos à questão do não reconhecimento e desvalorização do professor". os resultados obtidos. despersonalização dos profissionais e disfunções no desempenho profissional. ou seja. tem sido freqüente a incidência de casos do Burnout . porque além do esgotamento psicológico. embora ainda em menor escala do que no ambiente escolar. além de trabalhar a informação sobre os aspectos de sua carência como profissional. O peso do Burnout O fato mais curioso na síndrome de Burnout é que ela atinge trabalhadores motivados. identificação de pensamentos negativos. controle do estresse. a pesquisadora destaca a importância de treinar habilidades de auto-controle. por fim. lembra Iône. ? importante destacar que os alunos também desempenham um papel de extrema importância no aprendizado. Com isso. o Burnout pode causar ainda complicações de saúde decorrentes do stress crônico e deterioração da qualidade de vida. utilização de apoio social com a equipe. é importante estar atento a esta síndrome. com expectativas excessivas a respeito do trabalho. Neste último caso. sejam estes de ensino fundamental. um dos pesquisadores do Burnout discute como tema central deste sofrimento a discrepância entre o que o trabalhador investe no trabalho e aquilo que ele recebe. fase de progressivo estancamento e queda a respeito das expectativas iniciais. médio ou superior. Por isso. decepção e frustração e. atitudes negativas frente ao trabalho. que reagem a este desequilíbrio trabalhando ainda mais.por conta de uma "interação em sala de aula mal resolvida". seja ele bom ou ruim. O modelo de progressão do Burnout é composto pelas seguintes etapas: a fase de idealismo e entusiasmo.ainda que os professores não possam ser considerados os únicos responsáveis pelo desempenho de uma turma ou de determinados alunos. "Estas seriam algumas das alternativas para combater o estresse profissional na busca pelo bem-estar e melhor qualidade de vida". . (Leia mais no link "Orientador e não detentor único do conhecimento"). a fase de apatia.

Relações pessoais. INTRODUÇÃO Vários especialistas têm alertado para a importância dos aspectos afetivos e emocionais na prática pedagógica. através da relação que se estabelece. alunos e alunos e professores e professores. no que diz respeito às relações de amizade e afetividade entre professor e aluno. Motivação. ao lado de outras que estudamos” (Libâneo. Os aspectos sócio-emocionais. 1. uma vez que “fazem parte das condições organizativas do trabalho docente. Aspectos sócio-emocionais.Desmotivação e indisciplina na relação professor e aluno por José Ginvaldo Abreu de Araújo RESUMO: este artigo apresenta uma revisão crítica sobre a atitude do professor em sala de aula. Ensino-aprendizagem. Segundo Masseto (1996) O sucesso (ou não) da aprendizagem está essencialmente na forte relação afetiva existente entre alunos e professores. Disciplina. a . Traz exemplificações de atitudes utilizadas pelos professores que induz os alunos para um quadro intimidante de desmotivação. sempre respaldadas por embasamento teóricos e experiências reais vivenciadas por profissionais renomados. Mostra sugestões. Tem por objetivo proporcionar uma reflexão sobre a relação professor e aluno na conquista da motivação e da disciplina na escola. 249). podendo assim. Aluno. são indispensáveis no trabalho docente. conquistar a disciplina. PALAVRAS-CHAVE: Professor.

1994. como se a conquista da autoridade viesse de imposições inadmissível e de humilhações dos alunos. racionalista. através de expressões agressivas: “cala a boca”. os professores sempre se queixam: “meus alunos não querem nada”.252). “no dia da prova você me paga”. Esses aspectos quase que não são levados tão a sério pelos professores. Casos em que professores fizeram uso de métodos agressivos para conseguir a autoridade profissional aparecem com bastante intensidade. 73). Segundo Paulo Freire (1996): “O professor autoritário. RELAÇÕES SÓCIO-EMOCIONAIS Quando o assunto é disciplina escolar. considerado pelo professor. Para conquistar a disciplina dos alunos os professores têm usado de imposições. mas poucas são. A relação entre professor e aluno não está livre de conflitos. (Libâneo. “A autoridade profissional se manifesta no domínio da matéria que ensina e dos métodos e procedimentos de ensino. o professor mal-amado. justificando: “tirou nota baixa porque brincou”. As queixas são muitas. sério. frio. 2. Os professores sempre responsabilizam os alunos pelos fracassos. ou quase que nenhuma. burocrático. A autoridade do professor não pode deixar verter-se para o autoritarismo. mas a autoridade do professor não pode transformar-se em autoritária. o professor amoroso da vida e das gentes.motivação e a obtenção dos resultados delineados no planejamento. “fulano só quer brincar”. o professor incompetente. A escola sempre tem utilizado de agressões físicas e ou morais na conquista da motivação ou da disciplina de seus alunos. “Se você estivesse prestado atenção. irresponsável. “quero ver como você vai se sair na prova”. indisciplinado. (P. na capacidade de controlar e avaliar o trabalho dos alunos e o trabalho docente”. p. “os alunos estão cada vez mais indisciplinados”. as preocupações em descobrir as causas da indisciplina de seus alunos. o professor competente. e até atribuir uma nota ao aluno por ter apresentado um comportamento. nenhum deles passa pelos alunos sem deixar sua marca”. chegando a ponto tirar a . o professor licencioso. sempre com raiva do mundo e das pessoas. teria passado na prova”. no tato em lidar com a classe e com as diferenças individuais. Há muito tempo a escola utilizou a palmatória ou de chicote para castigar os indisciplinados ou os desmotivados.

O que não posso obviamente permitir é que minha afetividade interfira no cumprimento ético do meu dever de professor no exercício de minha autoridade. com uma linguagem clara. amantes de sua profissão. p. agravando os casos de indisciplina na escola. não se impõe”. então como punição. Não posso condicionar a avaliação do trabalho escolar de um aluno ao menor bem querer que tenha por ele”. mais frio. A autoridade do professor e a autonomia do aluno são realidades aparentemente contraditórias.autonomia dos alunos. no diálogo entre os sujeitos do processo. 159-60). injustiçados. o autoritarismo do professor. que por sua vez. Penso que o melhor caminho para a conquista do respeito. Segundo Libâneo. ou. que serei tão melhor professor quanto mais severo. . Fazem intimidação dizendo que a prova será em breve e que eles não conseguirão realizar. divertidas. Muitas vezes. que aqueles conteúdos estão dados. Procura sempre um jeito de punir aqueles que consideram antipáticos. é imprescindível no processo de ensino e aprendizagem. se sentem castigados. da relação de amizade e para a solução dos problemas esteja no planejamento das aulas. Pois. passam exercícios valendo nota. 1996. que desenvolve com seus alunos um vínculo muito estreito de amizade e respeito mútuo pelo saber. “autoridade e autonomia são dois pólos do processo pedagógico. para serem entregues no final da aula..] A afetividade não se acha excluída da cognoscibilidade. (Paulo Freire. A prova. Será que esta postura dos professores contribui de alguma forma para que obtenham o respeito e a disciplina que tanto desejam em sala de aula? Acredita-se que não exista aluno que resista a aulas dinâmicas.. cobrados a um desempenho para o qual não foram suficientemente preparados. O professor comprometido com a produção do conhecimento em sala de aula. provoca a insegurança dos alunos. quase que sempre. foi (ou é) um instrumento de preponderância dos professores. “respeito se conquista. mais distante e “cinzento” me ponha nas minhas relações com os alunos [. como alguém já tem dito. objetiva e fácil de entendimento. Muitos são os casos em que os professores utilizam das benditas provas para ameaçar seus alunos de reprovação. sobretudo do ponto de vista democrático. (251). que “brincaram” ou “não faziam nada na sala” nas aulas. mas de fato complementares”. Paulo Freire afirma: “Não é certo.

reproduz o que fizeram seus professores. Assim sendo. a metodologia empregada. Pois. mas também ouve os alunos. (Zabala. um profissional não comprometido com o seu trabalho. distantes das reais necessidades dos alunos. As respostas e as opiniões dos alunos mostram como eles estão reagindo à atuação do professor. “A motivação dos alunos para a aprendizagem através de conteúdos significativos e compreensíveis para eles. a relação com os alunos. 253) . repetindo os mesmo conteúdos. que não investe na sua formação e que. Se estes estiverem envolvidos nas tarefas diminuirão as oportunidades de distração e de indisciplina”. com suas aulas monótonas e repetitivas. 1996. replanejando suas aulas é intrinsecamente indispensável na conquista da motivação dos alunos. a expor opiniões e dar respostas. às dificuldades que encontram na assimilação dos conhecimentos. deve dar-lhes atenção e cuidar para que aprendam a expressarse. tem mais é que produzir um quadro de indisciplina.250). (1994. assim como de métodos adequados. Servem também para diagnosticar as causas que dão origem a essas dificuldades. p.Nas palavras de Libâneo: “O professor não apenas transmite informação ou faz perguntas. p. O trabalho docente nunca é unidirecional. é fator preponderante na atitude de concentração e atenção dos alunos. desmotivação e desinteresse na classe. Refletir a prática em sala de aula. que resistem às mudanças.

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