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COMO E QUANDO SURGIRAM OS MAPAS

Os mapas mais antigos que se conhecem foram encontrados na antiqüíssima cidade de


Hank Sukur, na Turquia, e datam de cerca de 6200 a.C., estando pintados numa
parede. Existem também mapas noutras culturas ancestrais como, por exemplo, na
azteca, na esquimó, na mesopotâmica, etc. Com a invenção do papel passaram os
mapas a ser desenhados em folhas (talvez daí subsista quase como sinónimo a palavra
carta), mais concretamente do termo grego que designava as folhas de papiro usadas
na execução dos mapas, e que era karte. O termo carta é normalmente usado para
referir mapas antigos. Na Idade Média, os mapas em uso na Europa eram
frequentemente centrados em Jerusalém, e com o Oriente para cima.

Um dos grandes passos na evolução dos mapas é dado na época dos Descobrimentos,
quando as áreas representadas eram bem maiores que anteriormente e havia a
necessidade de obter bons níveis precisão posicional para conseguir navegar com
relativa segurança.

Em latim, mappa designava lenço e mappa mundi era o mundo num lenço

À medida que as viagens marítimas aconteciam, os mapas europeus registravam novas


terras, ilhas e mares, recortavam acidentes ao longo dos litorais, redesenhavam
continentes, incorporavam nomes exóticos, recalculavam distâncias, acrescentavam
lagoas, cabos, penínsulas, montes e rios, desvendando para a Europa aquela parte
oculta do globo. Os mapas medievais destinavam-se às bibliotecas da nobreza e do
clero. Eram mapas teológicos, não tinham qualquer compromisso com a representação
real do espaço, não servindo para quem desejava orientar-se para viajar por oceanos e
buscar terras novas.

A partir do século XIII, quando o comércio voltou a ter importância novamente na


Europa, transformando o Mediterrâneo em um agitado mar comercial, houve a
necessidade de criar um tipo de mapa que pudesse orientar os navegadores. Estes
novos mapas, chamados Portulanos, criados pelos navegantes italianos, foram
elaborados pelos próprios pilotos ou por cartógrafos que se baseavam nas
informações fornecidas diretamente por eles. Os portulanos eram desenhados
geralmente em peles de carneiro e preocupavam-se só com os litorais, que eram
marcados com o máximo de detalhes e informações.

As superfícies terrestres, consideradas pouco importantes, eram deixadas em branco


ou decoradas com bandeiras, brasões, castelos ou retratos de reis. A cartografia
moderna começou no século XV, quando o uso de vários instrumentos de navegação,
como astrolábio, a bússola, a balestilha e o quadrante, melhoraram a orientação em
alto mar. Toda vez que uma viagem acontecia, os mapas incorporavam as novas
descobertas. Os mais precisos faziam o sucesso de novas viagens. Os reis da época
consideravam alguns tão importantes, que os tratavam como segredo de Estado. A
partir de 1500, começaram a aparecer na Europa os primeiros mapas retratando as
terras novas que os navegadores europeus acabavam de encontrar pelo mundo. Esses
primeiros mapas foram muito irregulares – alguns eram bem aproximados da
realidade, outros não passaram de tentativas grosseiras.
A divulgação desses primeiros mapas sobre a América foi possível graças à invenção da
imprensa pelo alemão Gutemberg, na primeira metade do século XV. Nos primeiros
anos de existência, a nova invenção não fez muito sucesso, por causa da grande
quantidade de analfabetos na Europa e dos temores da Igreja, que precisou primeiro
decidir se o livro impresso poderia ser considerado digno de freqüentar altares. Porém,
as suas grandes qualidades como praticidade, baixo preço, rapidez de produção e
facilidade de acesso, acabaram se impondo e logo surgiram várias casas impressoras
na Europa. Muitas destas casas dedicaram-se a publicar mapas, devido à grande
demanda. A maioria dos primeiros mapas sobre as novas terras foi de tamanho
reduzido e acabamento ruim. Mas eles se tornaram tesouros da humanidade. Muitas
destas casas dedicaram-se a publicar mapas, devido à grande demanda. A maioria dos
primeiros mapas sobre as novas terras foi de tamanho reduzido e acabamento ruim.
Mas eles se tornaram tesouros da humanidade.

Os mapas italianos eram considerados os melhores durante o século XV e metade do


século XVI, graças aos seus cartógrafos que eram ao mesmo tempo artistas e
cientistas, e ao grande poder econômico e cultural que a Itália desfrutava nesta época.
Os primeiros foram feitos no estilo portulano, desenhados sobre rosas-dos-ventos e
cobertos pelas linhas de rumo a partir delas. Com o passar do tempo, ficaram comuns
os mapas com projeções também. Apesar dos progressos realizados pela cartografia,
os mapas náuticos ainda apresentavam, no final do século XVI, uma grande dificuldade
para os navegantes: as linhas de rumo, isto é, as que partem das subdivisões da rosa-
dos-ventos. Eram retas quando desenhadas no papel, mas, quando aplicadas a rotas
reais, na esfericidade da Terra, ficavam destorcidas.
A solução foi encontrada pelo cientista e cartógrafo holandês Gerardus Mercator, que
conseguiu inventar um sistema de projeções onde as relações entre paralelos e
meridianos eram verdadeiras em qualquer lugar do mapa. Foi ele quem reduziu o Mar
Mediterrâneo às suas reais proporções, além de incluir todos os mares e terras recém
descobertos. A produção holandesa de mapas se firmou como uma das melhores, se
não a melhor, do mundo durante a segunda metade do século XVI e especialmente
durante o século XVII, o século de maior poderio holandês.

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