Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

MME – Ministério de Minas e Energia
Edison Lobão
Ministro de Minas e Energia
CGIEE – Comitê Gestor de Indicadores e Níveis de Eficiência Energética
Paulo Augusto Leonelli
Presidente – Ministério das Minas e Energia
Adriano Duarte Filho
Ministério da Ciência e Tecnologia
Elizabeth Marques Duarte Pereira
Representante da sociedade brasileira
Gilberto de Martino Jannuzzi
Representante da Universidade Brasileira
Jacqueline Barboza Mariano
Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis
Paulo Malamud
Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior
Sheyla Maria das Neves Damasceno
Agência Nacional de Energia Elétrica
Grupo Técnico Edificações do MME
Maria de Fátima Passos
Coordenadora – Ministério das Minas e Energia
Almir Fernandes
Instituto dos Arquitetos do Brasil
Ana Karine Batista
Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia
Élbio Gonçalves Maich
Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia
Fernando Pinto Dias Perrone
Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica - PROCEL
Francisco A. de Vasconcellos Neto
Câmara Brasileira da Indústria da Construção
Jean Benevides
Caixa Econômica Federal
Marcos Parainello
Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão
Maria Salette Weber
Ministério das Cidades
Mozart Schimdt
Programa Nacional de Racionalização do Uso de Derivados de Petróleo e do Gás Natural - CONPET
Nelson da Silva
Ministério da Ciência e Tecnologia
Roberto Lamberts
Representante Universidade Brasileira
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Secretaria do Grupo Técnico de Edificações – GT Edificações
Ana Paula Cardoso Guimarães
Centro de Pesquisas de Energia Elétrica
Arthur José Oliveira
Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Rio de Janeiro
Cláudia Barroso-Krause
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Cláudia Naves Amorin
Universidade de Brasília
Daniel Delgado Bouts
Eletrobrás/ Procel
João Carlos Rodrigues Aguiar
Centro de Pesquisas de Energia Elétrica
Leonardo Salazar Bittencourt
Universidade Federal de Alagoas
Luciana Hamada
Instituto Brasileiro de Administração Municipal
Roberta Vieira G. Souza
Universidade Federal de Minas Gerais
Roberto Wagner L. Pereira
Ministério das Minas e Energia
Rodrigo Uchôa Batista
Caixa Econômica Federal
Vânia Maria Delorme Prado
Caixa Econômica Federal
Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial
João Alziro Herz da Jornada
Presidente
Alfredo Carlos Orphão Lobo
Diretor da Qualidade
Gustavo José Kuster de Albuquerque
Gerente da Divisão de Programas de Avaliação da Conformidade
Leonardo Machado Rocha
Gerente Substituto da Divisão de Programas de Avaliação da Conformidade

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Eletrobrás/Procel
Jose Antonio Muniz Lopes
Presidente
Ubirajara Rocha Meira
Diretor de Tecnologia
Fernando Pinto Dias Perrone
Chefe do Departamento de Projetos de Eficiência Energética
Solange Nogueira Puente Santos
Chefe da Divisão de Eficiência Energética em Edificações
Equipe do Procel Edifica
Estefânia Mello
Frederico Guilherme Cardoso Souto Maior de Castro
José Luiz Grunewald Miglievich Leduc
Maria Tereza Marques da Silveira
Rodrigo da Costa Casella
Tábata Juventude Moreira
Laboratório de Eficiência Energética em Edificações – LabEEE – UFSC
Roberto Lamberts
Coordenador
Joyce Carlo
Ana Paula Melo
Greici Ramos
Márcio Sorgato
Miguel Pacheco
Rogério Versage

Acadêmicos: Diego Tamanini
Rovy Pereira
Juliana May Sangoi
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ÍNDICE

APRESENTAÇÃO 7
OBJETIVOS DO MANUAL 7
ESTRUTURA DO REGULAMENTO TÉCNICO DA QUALIDADE 8
MÉTODO E ESTRUTURA DO MANUAL 10
SIGLAS E ABREVIAÇÕES 11
1 CONCEITOS E DEFINIÇÕES 12
1.1 ABERTURA 12
1.1.1 DETALHAMENTO 12
1.1.2 EXEMPLOS 12
1.1.3 EXERCÍCIOS 13
1.2 ABSORTÂNCIA TÉRMICA 14
1.2.1 DETALHAMENTO 14
1.3 AMBIENTE 15
1.3.1 DETALHAMENTO 15
1.3.2 EXEMPLO 15
1.3.3 EXERCÍCIOS 16
1.4 ÂNGULOS DE SOMBREAMENTO: AHS E AVS 17
1.4.1 DETALHAMENTO 17
1.4.2 EXEMPLOS 20
1.5 ÁREA DE PROJEÇÃO DA COBERTURA E ÁREA DE PROJEÇÃO DO EDIFÍCIO 23
1.5.1 DETALHAMENTO 23
1.6 ÁREA ÚTIL E ÁREA TOTAL 25
1.6.1 DETALHAMENTO 25
1.6.2 EXEMPLO 25
1.7 CAPACIDADE TÉRMICA 27
1.7.1 DETALHAMENTO 27
1.7.2 EXERCÍCIOS 27
1.8 CICLO ECONOMIZADOR 30
1.9 COBERTURAS NÃO APARENTES 31
1.9.1 EXEMPLO 31
1.10 DENSIDADES DE POTÊNCIA DE ILUMINAÇÃO 32
1.10.1 DETALHAMENTO 32
1.10.2 EXEMPLO 33
1.11 EDIFÍCIOS COMERCIAIS OU DE SERVIÇOS 34
1.11.1 DETALHAMENTO 34
1.11.2 EXERCÍCIOS 34
1.12 ENVOLTÓRIA 36
1.12.1 DETALHAMENTO 36
1.12.2 EXEMPLOS 36
1.13 FACHADA E ORIENTAÇÃO 38
1.13.1 DETALHAMENTO 38
1.13.2 EXEMPLO 39
1.14 FATOR ALTURA E FATOR DE FORMA 41
1.14.1 DETALHAMENTO 41
1.15 FATOR SOLAR 42
1.15.1 DETALHAMENTO 42
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1.16 INDICADOR DE CONSUMO 44
1.16.1 DETALHAMENTO 44
1.17 PAF
T
E PAZ 45
1.17.1 DETALHAMENTO 45
1.17.2 CÁLCULO DE PAFT E PAZ 47
1.17.3 EXEMPLOS 50
1.18 PAREDES EXTERNAS 52
1.18.1 DETALHAMENTO 52
1.19 RELAÇÃO CUSTO-BENEFÍCIO 53
1.20 TRANSMITÂNCIA TÉRMICA 54
1.20.1 DETALHAMENTO 54
1.20.2 EXERCÍCIOS 54
1.21 ZONA BIOCLIMÁTICA 55
1.21.1 DETALHAMENTO 55
1.22 ZONA DE CONFORTO 57
1.22.1 DETALHAMENTO 57
1.23 ZONA DE ILUMINAÇÃO 61
1.24 ZONA TÉRMICA 62
1.24.1 DETALHAMENTO 62
1.24.2 EXEMPLOS 62
1.24.3 EXERCÍCIO 63
2 INTRODUÇÃO 64
2.1 OBJETIVO 64
2.2 PROCEDIMENTOS PARA DETERMINAÇÃO DA EFICIÊNCIA 64
2.2.1 REQUISITOS PRESENTES NA EQUAÇÃO DE CLASSIFICAÇÃO 65
2.2.2 EQUAÇÃO GERAL DE CLASSIFICAÇÃO DO NÍVEL DE EFICIÊNCIA DO EDIFÍCIO 67
2.3 BONIFICAÇÕES 71
2.3.1 RACIONALIZAÇÃO DO CONSUMO DE ÁGUA 73
2.4 PRÉ-REQUISITOS GERAIS 74
2.5 PRÉ-REQUISITOS ESPECÍFICOS 75
3 ENVOLTÓRIA 77
3.1 PRÉ-REQUISITOS 77
3.1.1 NÍVEL A 77
3.1.2 NÍVEL B 82
3.1.3 NÍVEIS C E D 84
3.2 DETERMINAÇÃO DO NÍVEL DE EFICIÊNCIA 85
3.2.1 INTRODUÇÃO 85
3.2.2 MÉTODO DE CÁLCULO DO INDICADOR DE CONSUMO 91
4 SISTEMA DE ILUMINAÇÃO 99
4.1 PRÉ-REQUISITOS ESPECÍFICOS 99
4.1.1 DIVISÃO DE CIRCUITOS 100
4.1.2 CONTRIBUIÇÃO DA LUZ NATURAL 101
4.1.3 DESLIGAMENTO AUTOMÁTICO DO SISTEMA DE ILUMINAÇÃO 102
4.2 PROCEDIMENTO DE DETERMINAÇÃO DA EFICIÊNCIA 103
4.2.1 DETERMINAÇÃO DO ÍNDICE DE AMBIENTE (K) 103
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4.2.2 DETERMINAÇÃO DA DENSIDADE DE POTÊNCIA DE ILUMINAÇÃO RELATIVA LIMITE (DPI
RL
)
108
4.2.3 ROTEIRO PARA AVALIAÇÃO DO NÍVEL DE EFICIÊNCIA DE ILUMINAÇÃO 115
5 SISTEMA DE CONDICIONAMENTO DE AR 116
5.1 INTRODUÇÃO 116
5.2 PRÉ-REQUISITOS 116
5.3 CONDICIONADORES DE AR DO TIPO JANELA OU DO TIPO SPLIT 117
5.3.1 CÁLCULO DA CARGA TÉRMICA 117
5.3.2 EFICIÊNCIA DE UMA ZONA COM DIFERENTES UNIDADES 117
5.3.3 EFICIÊNCIA DE VÁRIOS AMBIENTES 119
5.3.4 EFICIÊNCIA DE DOIS OU MAIS SISTEMAS INDEPENDENTES 121
5.4 SISTEMAS DE CONDICIONAMENTO DE AR NÃO REGULAMENTADOS PELO INMETRO 123
5.4.1 SISTEMAS COMPOSTOS POR CONDICIONADORES DE AR DE JANELA E SPLIT 123
5.4.2 SISTEMAS CENTRAIS DE CONDICIONAMENTO DE AR 124
5.4.3 CONTROLE DE TEMPERATURA POR ZONA 124
5.4.4 AUTOMAÇÃO 126
5.4.5 ISOLAMENTO DE ZONAS 126
5.4.6 CONTROLES E DIMENSIONAMENTO DO SISTEMA DE VENTILAÇÃO 127
5.4.7 RECUPERAÇÃO DE CALOR 128
5.4.8 CONTROLES E DIMENSIONAMENTO DOS SISTEMAS HIDRÁULICOS 129
5.4.9 CONTROLES E DIMENSIONAMENTO DOS SISTEMAS HIDRÁULICOS 130
6 SIMULAÇÃO 131
6.1 PRÉ-REQUISITOS ESPECÍFICOS 131
6.2 PROCEDIMENTOS PARA SIMULAÇÃO 131
6.2.1 EDIFÍCIOS CONDICIONADOS ARTIFICIALMENTE 131
6.2.2 EDIFÍCIO NATURALMENTE VENTILADOS OU NÃO CONDICIONADOS 138
7 REGULAMENTO DE AVALIAÇÃO DA CONFORMIDADE – RAC-C 140
7.1 INTRODUÇÃO 140
7.2 ENCE GERAL E PARCIAL 140
7.3 PROCESSO DE ETIQUETAGEM 143
7.3.1 AVALIAÇÃO DE PROJETO 145
7.3.2 INSPEÇÃO POR AMOSTRAGEM DO EDIFÍCIO 146
7.3.3 CASOS DE NÃO CONFORMIDADE NO PROCESSO 148
7.4 DOCUMENTAÇÃO NECESSÁRIA PARA CLASSIFICAÇÃO DO NÍVEL DE EFICIÊNCIA
ENERGÉTICA 148
ANEXOS 151

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7
Apresentação

Objetivos do manual

Este manual visa detalhar os tópicos do Regulamento Técnico da Qualidade (RTQ-C) do
Nível de Eficiência Energética de Edifícios Comerciais, de Serviços e Público, de forma a
esclarecer possíveis dúvidas sobre métodos de cálculo e aplicação de seu conteúdo.
Para tal, os conceitos e definições apresentados no RTQ-C são explicados e os métodos,
justificados. Espera-se que, ao final da leitura, o leitor esteja apto a classificar edifícios de
acordo com os requisitos do regulamento e a submeter apropriadamente o projeto ou
edifício à certificação.
Cabe salientar que nenhuma regulamentação por si garante um edifício de qualidade.
Maiores níveis de eficiência podem ser alcançados através de estratégias de projeto e
por iniciativas e cooperação dos diversos atores ligados à construção dos edifícios
(arquitetos, engenheiros civis, eletricistas, mecânicos e empreendedores). Igualmente,
tão importantes e freqüentemente esquecidos, os usuários têm participação decisiva no
uso de edifícios eficientes através dos seus hábitos, que podem reduzir de forma
significativa o consumo de energia, aumentando assim a eficiência das edificações e
reduzindo desperdícios. Todos os envolvidos na concepção e utilização dos edifícios e
seus sistemas podem contribuir para criar e manter edificações energeticamente
eficientes.
O regulamento deve ser considerado como um desafio para procurar e efetivamente
alcançar níveis mais elevados de eficiência energética nas edificações. A obtenção de
uma etiqueta de eficiência não é definitiva e pode ser continuamente melhorada com
inovações tecnológicas ao longo dos anos, criando um hábito do aprimoramento
constante em eficiência energética, da concepção ao uso do edifício.
A Figura A.1.1 representa os cinco níveis de eficiência do RTQ-C e mostra como esta
filosofia de contínuo aprimoramento está embutida no regulamento. O RTQ-C não define
limite superior para o nível A, uma vez que desempenhos mais elevados de eficiência
energética podem sempre ser conseguidos.

Figura A.1.1. Níveis de eficiência

A B C E D
Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

8
Neste sentido, a procura de maiores níveis de eficiência inclui o comissionamento. O
comissionamento consiste em planejar e executar os projetos de forma a garantir que os
mesmos apresentem efetivamente o desempenho esperado, corrigindo defeitos ou
ajustando equipamento se for necessário até alcançar os objetivos propostos.
Finalmente, para atingir e manter níveis mais elevados de eficiência é muito importante a
participação dos usuários. Um edifício eficiente com usuários ineficientes pode tornar-se
um edifício ineficiente. Da mesma forma, edifícios ineficientes, podem aumentar de forma
considerável a sua eficiência se houver um empenho dos seus usuários nesse sentido.


Estrutura do Regulamento Técnico da Qualidade

O RTQ-C fornece uma classificação de edifícios através da determinação da eficiência de
três sistemas:
• Envoltória;
• Iluminação;
• Condicionamento de ar.
Os três itens, mais bonificações, são reunidos em uma equação geral de classificação do
nível de eficiência do edifício. É possível também obter a classificação de apenas um
sistema, deixando os demais em aberto. Neste caso, no entanto, não é fornecida uma
classificação geral do edifício, mas apenas do(s) sistema(s) analisado(s).
A classificação da envoltória faz-se através da determinação de um conjunto de índices
referentes às características físicas do edifício. Componentes opacos e dispositivos de
iluminação zenital são definidos em pré-requisitos enquanto as aberturas verticais são
avaliadas através de equações. Estes parâmetros compõem a “pele” da edificação (como
cobertura, fachada e aberturas), e são complementados pelo volume, pela área de piso
do edifício e pela orientação das fachadas.
A eficiência da iluminação é determinada calculando a densidade de potência instalada
pela iluminação interna, de acordo com as diferentes atividades exercidas pelos usuários
de cada ambiente. Para a determinação da iluminação adequada a cada atividade, o
RTQ-C segue a norma NBR 5413. Calcula-se a potência instalada de iluminação, a
iluminância de projeto e a iluminância gerada pelo sistema para determinação da
eficiência. Quanto menor a potência utilizada, menor é a energia consumida e mais
eficiente é o sistema, desde que garantidas as condições adequadas de iluminação. Este
item deve ser avaliado por ambiente, uma vez que estes podem ter diferentes usos e,
portanto, distintas necessidades de iluminação.
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9
A classificação da eficiência do sistema de condicionamento de ar pode ser dividida em
duas diferentes classes. Uma classe lida com sistemas individuais e split, já classificados
pelo INMETRO. Desta forma, deve-se apenas consultar os níveis de eficiência fornecidos
nas etiquetas do INMETRO para cada um dos aparelhos instalados na edificação para
posteriormente aplicar o resultado na equação geral do edifício. Já a eficiência de
sistemas de condicionamento de ar como os centrais, que não são classificados pelo
INMETRO, devem seguir prescrições definidas no texto do regulamento. Assim, a
classificação do nível de eficiência destes sistemas é mais complexa, pois sua definição
depende da verificação de um número de requisitos e não pode ser simplesmente obtida
pela consulta da etiqueta.
Terminado o cálculo da eficiência destes três sistemas (Iluminação, Condicionamento de
ar e Envoltória), os resultados parciais são inseridos na equação geral para verificar o
nível de eficiência global da edificação. O formato da Etiqueta Nacional de Conservação
de Energia (ENCE), contendo os níveis finais e parciais do edifício, é mostrado na Figura
A.1.2.

Figura A.1.2. Modelo da Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (ENCE) para
edificações.
Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

10
No entanto, o cálculo dos três diferentes níveis de eficiência parciais e do nível geral de
eficiência podem ser alterados tanto por bonificações, que podem elevar a eficiência,
quanto por pré-requisitos que, se não cumpridos, reduzem esses níveis. As bonificações
são bônus de pontuação que visam incentivar o uso de energia solar para aquecimento
de água, uso racional de água, cogeração, dentre outros, mas sem a obrigatoriedade de
constarem no edifício. Já os pré-requisitos referem-se a cada sistema em particular, e
também ao edifício por completo, e seu cumprimento é obrigatório.


Método e estrutura do manual

O conteúdo deste manual foi organizado para apresentar os conceitos e definições
usados no RTQ-C, agrupados em três temas (envoltória, iluminação e condicionamento
de ar). Nem todos os conceitos são mencionados por se considerar que não necessitam
explicação.
Cada um dos conceitos abordados transcreve integralmente a definição do RTQ-C para
depois esclarecer as intenções da redação e fornecer mais informações. Dependendo do
caso, quadros e figuras são utilizados como recursos didáticos com a intenção de
esclarecer pontos de possível dificuldade de compreensão e sistematizar pontos
importantes.
Há diferentes tipos de quadros para os diversos conteúdos do manual. Quadros de
moldura tracejada contêm citações literais de definições, tabelas e equações do
regulamento, preservando a sua numeração original, facilitando a consulta entre o
manual e o RTQ-C. Quadros de duas colunas apresentam exemplos práticos, separando
por colunas aqueles que se aplicam ou não à definição explicada. Podem também
apresentar exemplos práticos de definições similares para melhor compreensão das
distinções entre as mesmas. Um terceiro tipo de quadro, de moldura contínua,
suplementa o texto principal com explicações adicionais. Finalmente, um quarto tipo de
quadro, de moldura dupla, apresenta e exemplos de aplicação e exemplos de cálculo
para aprofundar a compreensão do leitor.
Após a revisão dos conceitos e definições, uma outra sessão apresenta a classificação
do nível de eficiência explicando o processo paulatinamente. No final da sessão é
mostrado como integrar as três classificações parciais em uma classificação final do
edifício.
É também abordada a questão das classificações parciais e gerais para partes de
edificações: como proceder, casos em que se aplicam e quais os objetivos.
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11
A sessão seguinte mostra a conversão dos cálculos, verificação de requisitos e
contabilização de pontos extras provenientes das bonificações para preenchimento dos
formulários de submissão do projeto/edifício com maior rapidez e facilidade. Ou seja, esta
sessão apresenta o procedimento para submissão até ser obtida a ENCE (Etiqueta
Nacional de Conservação de Energia) fornecida pelo INMETRO.


Siglas e Abreviações

ABNT: Associação Brasileira de Normas Técnicas
ENCE: Etiqueta Nacional de Conservação de Energia
INMETRO: Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial
RTQ-C: Regulamento Técnico da Qualidade do Nível de Eficiência Energética de
Edifícios Comerciais, de Serviços e Público
RAC-C: Regulamento de Avaliação da Conformidade do Nível de Eficiência Energética de
Edifícios Comerciais, de Serviços e Públicos

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1 CONCEITOS E DEFINIÇÕES
1.1 ABERTURA

1.1.1 Detalhamento
É abertura toda e qualquer parte da fachada cujo material é transparente ou translúcido,
permitindo a passagem de luz e/ou radiação solar direta ou indireta para o interior da
edificação. Suas arestas podem estar em contato com materiais opacos ou também
transparentes ou translúcidos. Qualquer vão que esteja descoberto e/ou sem nenhum
tipo fechamento (como em pórticos), não é considerado abertura. Um vão total ou
parcialmente fechado com um material opaco, sem a presença de material transparente
ou translúcido, também não é considerado abertura.
Os vãos sem qualquer tipo de fechamento são excluídos da definição, pois vãos
descobertos podem ser usados como proteções solares permitindo ventilação natural e
sombreando a fachada. Além disso, sacadas ou varandas sombreiam portas e janelas de
vidro, e também não são consideradas aberturas, enquanto as portas e janelas de vidro o
são.
Esta definição distingue materiais transparentes e translúcidos dos opacos, que não
deixam passar a luz/radiação solar, pelos seus desempenhos térmicos diferenciados.
1.1.2 Exemplos
É ABERTURA
Janelas de vidro;
Paredes envidraçadas;
Paredes de tijolo de vidro;
Vãos fechados com placas de policarbonato
ou acrílico;
Janelas fechadas com vidro mas com
venezianas.
NÃO É ABERTURA
Vãos descobertos;
Pórticos;
Cobogós;
Varandas;
Sacadas;
Abertura: todas as áreas da envoltória do edifício, com fechamento translúcido ou
transparente (que permite a entrada da luz), incluindo janelas, painéis plásticos,
clarabóias, portas de vidro (com mais da metade da área de vidro) e paredes de blocos de
vidro. Exclui vãos sem fechamentos e elementos vazados como cobogós.
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1.1.3 Exercícios
1.1.3.1 Exercício 1
Um edifício apresenta uma fachada em que metade da área é fechada por vidro com a
altura do pé direito, sendo o resto da fachada composta de tijolos de vidro. Qual é o
percentual de aberturas nas fachadas de tal edifício?
Resposta: 100%. Todos os materiais da fachada são transparentes ou translúcidos.
1.1.3.2 Exercício 2
Se, no caso anterior, metade das paredes de vidro que fecham os vãos fosse deixada
sem fechamento, isso aumentaria ou reduziria a área de aberturas da fachada?
Resposta: Reduziria o percentual de aberturas em 25% uma vez que os vãos sem
fechamento não contam como materiais transparentes ou translúcidos. Este exemplo visa
frisar que a definição abertura do RTQ-C se refere exclusivamente às parcelas da
envoltória do edifício de materiais transparentes ou translúcidos. Vãos descobertos sem
nenhum tipo de material não são aberturas para fins do manual

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14
1.2 ABSORTÂNCIA TÉRMICA

Fonte: NBR 15220-1 (ABNT, 2005)
1.2.1 Detalhamento
Absortância solar é uma propriedade do material referente a parcela da radiação
absorvida pelo mesmo, geralmente relacionada a cor. A NBR 15220-2 apresenta, no
Anexo B, uma lista de absortâncias para algumas cores e materiais, listada a seguir.
Tabela 1.1. Absortância (α αα α) para radiação solar (ondas curtas).
Tipo de Superfície α αα α
Chapa de alumínio (nova e brilhante) 0,05
Chapa de alumínio (oxidada) 0,15
Chapa de aço galvanizada (nova e brilhante) 0,25
Caiação nova 0,12 / 0,15
Concreto aparente 0,65 / 0,80
Telha de barro 0,75 / 0,80
Tijolo aparente 0,65 / 0,80
Reboco claro 0,30 / 0,50
Revestimento asfáltico 0,85 / 0,98
Vidro incolor 0,06 / 0,25
Vidro colorido 0,40 / 0,80
Vidro metalizado 0,35 / 0,80
Pintura:
Branca
Amarela
Verde clara
“Alumínio”
Verde escura
Vermelha
Preta

0,20
0,30
0,40
0,40
0,70
0,74
0,97
Fonte: NBR 15220-2 (ABNT, 2005)


Absortância à radiação solar (α): Quociente da taxa de radiação solar absorvida por uma
superfície pela taxa de radiação solar incidente sobre esta mesma superfície.
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15
1.3 AMBIENTE

1.3.1 Detalhamento
Um ambiente é um espaço interno do edifício delimitado por divisórias ou paredes. Este
conceito é a base para o cálculo da eficiência do sistema de iluminação de um edifício,
pois a sua determinação é feita através do cálculo da eficiência da iluminação de cada
ambiente. O correto entendimento de ambiente permite um cálculo correto do nível de
eficiência da iluminação.
Por divisão, não se entende somente paredes de alvenaria ou concreto. Freqüentemente
espaços de escritório são divididos por partições desmontáveis que criam espaços
internos que são classificados como ambientes pelo RTQ-C. É necessário, no entanto,
que tais partições vedem o espaço do piso até ao teto. Estações de trabalho de planta
livre não são contabilizadas como ambientes independentes.
1.3.2 Exemplo

Figura 1.1. Divisórias até o forro (ou teto) delimitam ambientes, mesmo que contenham
vidro. Portanto, há dois ambientes na figura.
Ambiente: espaço interno de um edifício, fechado por superfícies sólidas tais como
paredes ou divisórias, teto, piso e dispositivos operáveis tais como janelas e portas.
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16
1.3.3 Exercícios
Um espaço é vedado do piso ao teto por divisórias desmontáveis, compostas de madeira
compensada até 2,2 m e vidro a partir dessa altura até ao teto. O espaço tem porta e
forma um escritório independente. Este espaço é um ambiente?

Resposta: Sim. O espaço é fechado. Convém notar que não se deve considerar as
luminárias nos ambientes contíguos no cálculo da eficiência da iluminação. Embora a
passagem de luz entre ambientes contíguos ocorra através da parcela de vidro da
divisória, esta passagem pode ser interrompida com a instalação de persianas.

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17
1.4 ÂNGULOS DE SOMBREAMENTO: AHS E AVS


1.4.1 Detalhamento
A definição de abertura decorre da importância de identificar os materiais transparentes e
translúcidos na envoltória do edifício. As definições de PAF
T
e PAZ são complementares e
surgem da necessidade de quantificar a influencia das aberturas no comportamento
térmico do edifício. Esta influência, no caso especial das aberturas, está intimamente
ligada à irradiação solar. Por este motivo, não basta determinar e quantificar as aberturas;
torna-se necessário saber se e quanto as mesmas estão sombreadas.
Para quantificar o efeito dos sistemas de sombreamento nas aberturas, o RTQ-C
apresenta dois conceitos complementares: Ângulo Vertical de Sombreamento (AVS) e
Ângulo Horizontal de Sombreamento (AHS). Estes indicadores de sombreamento na
abertura são medidos, o primeiro em corte, e o segundo em planta. Assim, o AVS mede,
no plano vertical, o efeito das proteções solares horizontais enquanto o AHS mede no
plano horizontal o efeito das proteções solares verticais. A Tabela 1.1 sintetiza estas
relações.
Tabela 1.2. Comparação entre AHS e AVS
Indicador Plano de medição Visto
Tipo de proteção
medida
AHS Plano horizontal Em planta Proteções verticais
AVS Plano vertical Em corte Proteções horizontais

AHS: Ângulo Horizontal de Sombreamento: ângulo formado entre 2 planos verticais:
• o primeiro plano é o que contém a base da folha de vidro (ou material translúcido),
• o segundo plano é formado pela extremidade mais distante da proteção solar
vertical e a extremidade oposta da base da folha de vidro (ou material translúcido).
AVS: Ângulo Vertical de Sombreamento: ângulo formado entre 2 planos que contêm a
base da abertura:
• o primeiro é o plano vertical na base da folha de vidro (ou material translúcido),
• o segundo plano é formado pela extremidade mais distante da proteção solar
horizontal até a base da folha de vidro (ou material translúcido).
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18
Os ângulos são sempre medidos entre os planos da folha de vidro e da aresta mais
distante pertencente à proteção solar. Para uso no RTQ-C, o ângulo utilizado é dado pela
média ponderada do ângulo de sombreamento em função da área das aberturas; no
entanto, o ângulo final máximo a ser utilizado é 45º. Para as Zonas Bioclimáticas 6 e 8,
com uma A
pe
menor que 500m² o AVS possui uma restrição maior, com um limite de 25º.
Este limite visa evitar o uso de proteções excessivas que possam prejudicar a penetração
da luz natural difusa nos ambientes internos.
Seguem-se alguns exemplos de medições de AVS:

Figura 1.2. Ângulos Verticais de Sombreamento.
O AHS deve sempre ser considerado nos dois lados da abertura. Desta forma, o AHS de
uma abertura é a média do ângulo das duas proteções solares, como mostrado nas
figuras abaixo:

Figura 1.3. Ângulos Horizontais de Sombreamento.
Notar que o AVS deve ser medido em corte enquanto o AHS deve ser medido em planta e
nas duas direções (dependendo da orientação da fachada).
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19

É AVS
Se medido no plano vertical;
Se referente a proteções solares horizontais;
Refere-se a aberturas;
Beirais;
Marquises;
Proteções solares horizontais e móveis que
ocupam toda a fachada;
Varandas externas no alinhamento do edifício.
É AHS
Se medido no plano horizontal;
Se referente a proteções solares verticais;
Refere-se a aberturas;
Proteções solares verticais e móveis que
ocupam toda a fachada;
Varandas externas no alinhamento do
edifício.


No caso de proteções solares vazadas, deve-se proceder da seguinte forma:
• Pórticos ou chapas perfuradas paralelas ao plano envidraçado: são consideradas
fachadas e deve-se consultar o item de definições para PAF (Percentual de Área
de Abertura na Fachada).
• Proteções solares vazadas formadas por placas com aletas paralelas devem ter
estabelecidas uma relação entre a altura (para AVS) ou profundidade (para AHS)
da aleta e o vão entre destas aletas, conforme a Figura 1.4. A razão entre eles é
um fator de correção a ser multiplicado pelo AVS ou AHS. Fatores de correção
maiores que 1, adotar 1.

Figura 1.4. Fator de correção para proteção solar vazada.

Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

20

1.4.2 Exemplos

Figura 1.5. Proteção solar horizontal com
AVS de 45º.
Figura 1.6. Proteção solar horizontal com AVS
de 30º.

Figura 1.7. Proteção solar vertical com AHS
de 10º.
Figura 1.8. Proteção solar horizontal com AVS
de 45º e proteção solar vertical com AHS de
10º.
FATOR DE CORREÇÃO PARA PROTEÇÕES SOLARES VAZADAS
Proteções solares vazadas permitem uma maior entrada da radiação solar quando
comparada às outras proteções solares com mesmo ângulo de proteção; por este motivo
adota-se o fator de correção. Assim, um fator de correção igual a um representa uma
proteção solar vazada onde a parcela sombreada é a mesma que uma proteção solar não
vazada, de mesmo ângulo.
Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

21

Figura 1.9. Proteção solar horizontal com
AVS de 60º, em que se deve considerar 45º
para uso no método prescritivo.
Figura 1.10. Proteção solar horizontal
perfurada: Pérgola. Considerar fator de
correção.



Figura 1.11. Varandas internas à projeção horizontal do edifício, à direita. E, varandas
externas à projeção do edifício, à esquerda. Neste caso, ainda existe o sombreamento de
um plano do edifício sobre o outro.

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22


ATENÇÃO NO CÁLCULO DOS ÂNGULOS DE SOMBREAMENTO
VARANDAS INTERNAS À PROJEÇÃO HORIZONTAL DO EDIFÍCIO
O sombreamento que elas proporcionam não deve ser considerado, visto que o cálculo
do PAF induz à redução da área envidraçada real. Ver PAF, neste capítulo de definições.

VARANDAS EXTERNAS À PROJEÇÃO HORIZONTAL DO EDIFÍCIO
Varandas localizadas na parte externa do alinhamento do edifício (fora da projeção
horizontal do edifício) são consideradas proteções solares, geralmente como AVS. Ver
Figura 1.11.

PROTEÇÕES SOLARES PARALELAS À FACHADA
Caso a proteção solar ocupe uma área paralela à fachada, esta é considerada fachada,
participando do cálculo do PAF, maiores detalhes em PAF
T
.
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23
1.5 ÁREA DE PROJEÇÃO DA COBERTURA E ÁREA DE
PROJEÇÃO DO EDIFÍCIO

1.5.1 Detalhamento
Estes são dois conceitos diferentes sobre a projeção do edifício, utilizados em diferentes
momentos na classificação do nível de eficiência do edifício. A área de projeção da
cobertura (A
pcob
) consiste na projeção horizontal da coberta e é utilizado para o cálculo do
Fator Altura. A área de projeção do edifício (A
pe
) é igual à área de projeção da cobertura
em edifícios de formato uniforme, no entanto em edifícios de formato irregular a A
pe
é a
média da projeção dos pavimentos.
A Figura 1.12 mostra um edifício de formato irregular e a área a ser considerada para a
A
pcob
. Para a A
pe
deve se considerar a média das áreas dos pavimentos - áreas A, B e C -
conforme a Figura 1.12.





Figura 1.12. Áreas consideradas para A
pcob
– Área de projeção da cobertura; e A
pe

Área de projeção do edifício.
A
pcob
: área de projeção da cobertura (m
2
): área da projeção horizontal da cobertura,
incluindo terraços cobertos ou descobertos;
A
pe
: Área de projeção do edifício (m
2
): área da projeção horizontal do edifício (quando
os edifícios são de formato uniforme) ou área de projeção média dos pavimentos,
excluindo subsolos (no caso de edifícios com formato irregular).

A AA A
pcob pcob pcob pcob


A
pe

Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

24
Deve-se observar que áreas decorrentes do recuo de portas e janelas, que ultrapassam a
espessura da parede, geram espaços que não são contabilizados como cobertura tanto
para os pré-requisitos quanto para as áreas de cobertura e de projeção da cobertura. A
Figura 1.13 mostra o recuo formado pela localização da porta no ambiente e qual a área
que deve ser considerada. Nela, vê-se que uma parede perpendicular à parede externa
(parede 2) e maior que a espessura da parede 1, faz parte deste recuo. Portanto, a
cobertura deve ser contabilizada caso o recuo seja da espessura da parede,
independente da grandeza desta espessura.

Figura 1.13. Definição da área utilizada para área de cobertura e área da projeção de
cobertura.

1 2
Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

25
1.6 ÁREA ÚTIL E ÁREA TOTAL

1.6.1 Detalhamento
Estes são diferentes conceitos sobre a área do edifício, utilizados em diferentes
momentos na classificação do nível de eficiência do edifício.
A área total de piso do edifício é utilizada no cálculo do Fator Altura, e considera a área
de piso de todos os pavimentos, medida externamente (a partir das paredes externas).
A área útil do edifício é utilizada na equação geral de classificação do edifício. Refere-se
a toda área do edifício possível de ser ocupada, sendo ambientes de longa permanência
ou áreas de transição, como circulações e escadas; no entanto as áreas de garagem não
são consideradas. Ao contrário da área total de piso, a área útil utiliza as medidas
internas do edifício, desconsiderando as áreas de parede e referem-se aos locais que
atendem a definição de ambiente.
1.6.2 Exemplo
A Figura 1.14 mostra a volumetria de um edifício. A partir desta figura tem-se que:




AU: Área Útil (m
2
): para uso neste regulamento, a área útil é a área realmente disponível
para ocupação, medida entre os paramentos internos das paredes que delimitam o
ambiente, excluindo garagens;
A
tot
: Área total de piso (m
2
): soma das áreas de piso fechadas de construção, medidas
externamente.
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26



Planta de Cobertura

Detalhe da escada

Figura 1.14. Volumetria e planta de cobertura com dimensões para determinação de: AU e
A
tot
.


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27
1.7 CAPACIDADE TÉRMICA

Fonte: NBR 15220-1 (ABNT, 2005)
1.7.1 Detalhamento
A capacidade térmica de componentes (C
T
) pode ser determinada por componentes
formados por camadas homogêneas perpendiculares ao fluxo de calor, de acordo com a
Equação 1.1. Para componentes com camadas não homogêneas, utiliza-se a Equação
1.2.

Equação 1.1
Onde:
C
T
é a capacidade térmica de componentes, [J/m²K];
λi é a condutividade térmica da matéria da camada ‘i’, [W/(m.K)];
R
i
é a resistência térmica da camada ‘i’, [(m
2
.K)/W];
e
i
é a espessura da camada ‘i’, [m];
c
i
é o calor específico do material da camada ‘i’, [kJ/(kg.K)];
ρ
i
é a densidade de massa aparente do material da camada ‘i’, [kg/m³].


Equação 1.2
Onde:
C
Ta
, C
Tb
, ..., C
Tn
, são as capacidades térmicas do componente para cada seção (a, b, …,
n), determinadas pela Equação 1.1, [J/m²K];
A
a
, A
b
, ..., A
n
são as áreas de cada seção, [m²].
1.7.2 Exercícios
O exercício a seguir faz parte da NBR15220-2, anexo C, onde pode-se encontrar outros
exemplos de cálculo.
Capacidade térmica (C): Quantidade de calor necessária para variar em uma unidade a
temperatura de um sistema, [J/K].
Capacidade térmica de componentes (C
T
): Quociente da capacidade térmica de um
componente pela sua área, [J/m
2
K].
Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

28
1.7.2.1 Exercício C.1 - NBR15220-2, anexo C:
Calcular a capacidade térmica de uma parede de tijolos maciços rebocados em ambas as
faces, conforme a Figura 1.15.
Dados:
Dimensões do tijolo: 5 cmx 9 cm x 19 cm;
ρ
cerâmica
: 1600 kg/m3;
λ
cerâmica
: 0,90 w/(m.k);
C
cerâmica
: 0,92 kj/(kg.k);
ρ
argamassa
= ρ
reboco
: 2000 kg/m3;
λ
argamassa
= λ
reboco
: 1,15 w/(m.k);
C
argamassa
= C
reboco
: 1,00 kJ/(kg.K).




Figura 1.15. Parede de tijolos maciços rebocados em ambas as faces

Cálculo de todas as seções da parede:
a. Seção A (reboco +argamassa +reboco)




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29

b. Seção B (reboco +tijolo +reboco)



Cálculo da capacidade térmica da parede:


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1.8 CICLO ECONOMIZADOR
Edifícios comerciais podem necessitar resfriamento mesmo quando o ambiente externo
está frio ou com temperaturas amenas, decorrente das altas cargas internas. Nestas
ocasiões o uso do ciclo economizador reduz o consumo de energia.
O economizador é um equipamento de controle da entrada de ar externo para utilização
no sistema de condicionamento do ar. Ele compara constantemente os valores de
temperatura interna e tempera externa. Nos momentos em que o ambiente externo
apresentar melhores condições que o ambiente interno, onde a temperatura externa é
menor que a interna, o controle abrirá o damper de ar externo, exaustão, aumentando a
entrada do ar externa. Quando esta característica não é atendida, o damper é fechado,
proporcionando apenas a entrada de ar mínima necessária para manter a qualidade do ar
interno. Este processo também pode ocorrer através da comparação entre as entalpias.


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31
1.9 COBERTURAS NÃO APARENTES

1.9.1 Exemplo

Figura 1.16. Cobertura não aparente vista de dois logradouros de uma edificação. Mesmo
com a cobertura visível do logradouro secundário, somente o logradouro principal deve ser
o considerado.
Coberturas não aparentes: coberturas sem possibilidade de visualização por pedestres
situados na calçada do logradouro do edifício. No caso do edifício ter acesso a mais de
uma rua ou avenida, deve-se considerar o logradouro principal.
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32
1.10 DENSIDADES DE POTÊNCIA DE ILUMINAÇÃO

1.10.1 Detalhamento
O método de determinação do nível de eficiência do sistema de iluminação é baseado na
Densidade de Potência de Iluminação. Esta se refere à potência instalada nos ambientes
internos exclusivamente e, portanto, está relacionada à definição de ambientes.
A Densidade de Potência de Iluminação é a mais conhecida, sendo usada em outras
normas e regulamentos internacionais. No RTQ-C, foi chamada de Densidade de
Potência de Iluminação Absoluta (DPI
A
) para diferenciá-la das demais densidades. Seu
uso está diretamente relacionado ao nível de iluminância necessário nos planos de
trabalho, ou seja, é necessário identificar qual a atividade a ser executada em cada
ambiente (escritórios, banheiros, área de refeição de restaurantes, cozinhas de
restaurantes, etc.) para identificar qual é a densidade considerada eficiente. No Brasil
existe a NBR 5413 – Iluminância de Interiores, que define os níveis de iluminância para
ambientes internos. O RTQ-C utiliza a Densidade de Potência de Iluminação Relativa
(DPI
R
), que é a DPI
A
para cada 100 lx de iluminância média existente no ambiente; desta
forma, desvincula a eficiência das necessidades de iluminância dos ambientes, visto que
esta obrigatoriedade já está presente na norma ABNT, NBR 5413.
Além disso, a DPI
R
normaliza a DPI
A
pela iluminância, possibilitando a avaliação do nível
de eficiência energética entre ambientes de diferentes atividades. O exemplo a seguir
demonstra a comparação entre ambientes, utilizando a DPI
R
. Este método de análise foi
utilizado para gerar limites de DPI
R
, chamados DPI
RL
que são comparados a DPI
RF

calculados pelo projetista.
DPI
A
: Densidade de Potência de Iluminação Absoluta (W/m
2
): razão entre o somatório da
potência de lâmpadas e reatores e a área de um ambiente;
DPI
R
: Densidade de Potência de Iluminação Relativa [(W/m
2
)/100lux]: DPI
A
para cada 100
lx produzidos pelo sistema de iluminação artificial para uma iluminância medida no plano
de trabalho;
DPI
RF
: Densidade de Potência de Iluminação Relativa Final [(W/m
2
)/100lux]: DPI
R
obtida
após

o projeto luminotécnico, no final da vida útil do sistema de iluminação, que
corresponde a um período de 24 meses;
DPI
RL
: Densidade de Potência de Iluminação Relativa Limite [(W/m
2
)/100lux]: limite
máximo aceitável de DPI
R
.
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33
1.10.2 Exemplo
Considere três ambientes com níveis adequados de iluminâncias, cujas características
estão descritas na Tabela 1.2. Dadas as potências dos seus sistemas de iluminação, não
é possível saber qual é mais eficiente visto que os ambientes têm áreas distintas.
A partir da DPI
A
, que considera a potência e a área, ainda não é possível saber qual
sistema é mais eficiente, visto que geram iluminâncias distintas. Aparentemente, o
sistema mais eficiente é do ambiente C, de 2,4 W/m². Ao normalizar a DPI
A
, dividindo-a
pela iluminância de cada ambiente, obtém-se a DPI
R
. Finalmente, verifica-se que o
ambiente B possui o sistema de iluminação mais eficiente, pois atende a um nível padrão
de iluminância (100 lx) com menor potência, que é a DPI
R
de 0,53 W/m²/100 lx.
Tabela 1.3. Características de três sistemas de iluminação com adequados níveis de
iluminância nos planos de trabalho.
Ambiente
Área
(m²)
Potência instalada
de iluminação (W)
Iluminância
(lx)
DPI
A

(W/m²)
DPI
R

(W/m²/100 lx)
A 30 120 300 4,0 1,33
B 60 160 500 2,7 0,53
C 90 220 400 2,4 0,61


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34
1.11 EDIFÍCIOS COMERCIAIS OU DE SERVIÇOS

1.11.1 DETALHAMENTO
O RTQ-C não apresenta uma definição exaustiva de edifício comercial, afirmando que os
edifícios comerciais não se limitam aos exemplos contidos na definição. Uma definição
prescritiva implicaria na exclusão de diversos edifícios que devem ser objeto da aplicação
do RTQ-C.
Por este motivo, o RTQ-C define edifício comercial e de serviços por exclusão: o que não
são edifícios residenciais ou industriais. Partindo desta premissa, vários exemplos de
edifícios considerados comerciais são apresentados, analisando para qual a atividade o
edifício é concebido.
Como a definição de edifícios comerciais, de serviços e públicos é por exclusão, escolas,
hospitais e edifícios contendo outras atividades institucionais estão abrangidos pelo RTQ-
C. No caso de edifícios de atividade mista, a definição do tipo de edifício deve ser
realizada determinando o uso principal, cuja área deve ser superior a 500m². Caso as
atividades sejam claramente separadas, é possível considerar a parte comercial do
edifício e classificar a eficiência somente da área comercial.
1.11.2 Exercícios
1.11.2.1 Exercício 1
Uma fábrica de sofás faz também venda direta ao público dos seus produtos nas suas
instalações. Esta fábrica deve ser considerada um edifício comercial?
Edifícios Comerciais e de Serviços: aqueles usados com finalidade que não a residencial
ou industrial, tais como escolas; instituições ou associações de diversos tipos, incluindo
prática de esportes; tratamento de saúde de animais ou humanos, tais como hospitais,
postos de saúde e clínicas; vendas de mercadorias em geral; prestação de serviços;
bancos; diversão; preparação e venda de alimentos; escritórios e edifícios empresariais,
incluindo sedes de empresas ou indústrias, desde que não haja a atividade de produção
nesta última; edifícios destinados a hospedagem, sejam eles hotéis, motéis, resorts,
pousadas ou similares. Excetuam-se templos religiosos destinados a cultos, mas estão
incluídas edificações com fins religiosos onde são realizadas atividades de escritório,
administração e afins. As atividades listadas nesta definição não excluem outras não
listadas.
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35
Resposta: O uso da fábrica é industrial: a produção de sofás. Caso a área de vendas
seja superior a 500 m², esta parcela é considerada comercial. Caso a área de vendas
esteja em um anexo ou edifício em separado com área superior a 500 m
2
, este anexo é
considerado um edifício comercial. Da mesma forma, se existir um escritório na fábrica
com área superior a 500 m
2
este escritório é um edifício comercial.
1.11.2.2 Exercício 2
Uma ONG ocupa um edifício com mais de 500 m² de área útil. Este edifício é comercial?
Resposta: Sim. Ele pode ser considerado um edifício de escritórios, e portanto comercial
ou de prestação de serviços.
1.11.2.3 Exercício 3
Um banco ocupa um edifício com mais de 500 m² de área útil. Este edifício é comercial?
Resposta: Ele pode ser considerado um edifício de prestação de serviços e, portanto,
está submetido ao RTQ-C.


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36
1.12 ENVOLTÓRIA

1.12.1 Detalhamento
A envoltória pode ser entendida como a pele do edifício. Isto é, o conjunto de elementos
do edifício que estão em contato com o meio exterior e compõem os fechamentos dos
ambientes internos em relação ao ambiente externo. Meio externo, para a definição de
envoltória, exclui a parcela construída do subsolo do edifício, referindo-se exclusivamente
as partes construídas acima do solo.
Em geral, piso em contato com o solo e paredes em contato com o solo no caso de
ambientes no subsolo (garagens e depósitos, por exemplo) são considerados parte da
envoltória. Entretanto, devem ser excluídas da área da envoltória (A
env
) superfícies em
contato com o solo. No caso da Figura 1.18 apenas uma parte do subsolo é considerada
como envoltória, uma vez que não está em contato com o solo. Esta, por coincidência, é
uma superfície envidraçada.
Esta definição independe de material ou função no edifício. Qualquer tipo de elemento
acima do solo, que pertença ao edifício e que permaneça em contato prolongado com o
exterior, pertence à envoltória.
1.12.2 Exemplos

Figura 1.17 Partes do edifício que compõem a envoltória. O piso pode ser considerado
envoltória quando está em contato com o meio exterior. No RTQ-C, o contato com o piso
não é computado na área da envoltória.
Env: Envoltória: planos externos da edificação, compostos por fachadas, empenas,
cobertura, brises, marquises, aberturas, assim como quaisquer elementos que os
compõem.
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37

Figura 1.18. Subsolo com algumas paredes em contato com o solo. As paredes do subsolo
que estão em contato com o ar são consideradas como parte da envoltória.
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38
1.13 FACHADA E ORIENTAÇÃO

1.13.1 Detalhamento
Fachadas são compostas de elementos como paredes, aberturas, vãos sem
fechamentos, proteções solares e quaisquer outros elementos conectados fisicamente a
elas.
Deve-se diferenciar fachadas de paredes externas. Estas últimas referem-se a elementos
opacos, e são citadas ao longo do texto quando aberturas e outros elementos da fachada
não estão incluídos na citação; são usadas principalmente no cálculo da transmitância
térmica e absortância (assim como as coberturas). Já as fachadas referem-se ao
Percentual de Área de Aberturas nas Fachadas (PAF) e são parte da envoltória para
cálculo de Fator de Forma.
A orientação das fachadas influenciam na eficiência da envoltória. Por este motivo é
necessário definir a orientação de cada fachada. Esta determinação é feita através da
implantação de um edifício dentro de um quadrante definido da seguinte forma:
I. De 0 a 45,0°e de 315,1°a 360,0°a orientação g eográfica é Norte;
II. De 45,10°a 135,0°, a orientação geográfica é Leste;
III. De 135,10°a 225,0°, a orientação geográfica é Sul;
IV. De 225,10°a 315,0°, a orientação geográfica é Oeste;
A Figura 1.19 apresenta a rosa dos ventos com os quadrantes. Convém realçar que o
regulamento indica expressamente o uso do norte geográfico e não do norte magnético.
Fachada: superfícies externas verticais ou com inclinação superior a 60
o
em relação à
horizontal. Inclui as superfícies opacas, translúcidas, transparentes e vazadas, como
cobogós e vãos de entrada.
Fachada oeste: fachada cuja normal à superfície está voltada para a direção de 270º em
sentido horário a partir do norte geográfico. Fachadas cuja orientação variar de +45º ou -
45º em relação a essa orientação serão consideradas como fachadas oeste para uso
neste regulamento.
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39

Figura 1.19. Quadrantes para definição da orientação de fachada.
O exemplo é mostrado na Figura 1.20. Nela, é possível ver a implantação da planta de
um edifício retangular, com a marcação do norte geográfico e de retas perpendiculares
aos planos de fachada. As imagens sobrepostas permitem o posicionamento de cada reta
perpendicular à sua fachada, mostrando a que orientação cada fachada está direcionada.

Figura 1.20. Sobreposição da edificação sobre a rosa dos ventos para definição
da orientação de fachadas. Ver projeção da reta perpendicular à fachada leste
identificando sua orientação.
1.13.2 Exemplo
A Figura 1.21 mostra um exemplo para a determinação da orientação de fachadas. As
fachadas 1 a 8 estão marcadas em perspectiva e em planta. A planta é utilizada para
definir a orientação das fachadas 1 e 8. A partir da sobreposição da planta tem-se que a
fachada 1 possui orientação leste, e a fachada 8 com orientação sul.
Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

40







Figura 1.21. Fachadas de edifício marcadas em perspectiva e em planta.

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41
1.14 FATOR ALTURA E FATOR DE FORMA

1.14.1 Detalhamento
O Indicador de Consumo (IC) é calculado especificadamente para cada edifício
analisado. Para tanto, são utilizados índices que representam a volumetria do edifício e
possibilitam avaliar de forma comparativa a eficiência da envoltória dos edifícios. Desta
forma, o Fator Altura representa o número de pavimentos, enquanto o Fator de Forma
representa as proporções do edifício. A equação do IC apresenta limites para o FF,
edifícios com valores diferentes dos limites estipulados deverão usar o FF limite da
equação.

Figura 1.22. Fator Altura e Fator de Forma.

25x25m
FA: 0,1
FF: 0,19
FA: 0,1
FF: 0,09
FA: 1
FF: 0,49
100x50m
FA: 1
FF: 0,39
FA: Fator Altura: razão entre a área de projeção do edifício e a área de piso (A
pcob
/A
tot
);
FF: Fator de Forma: razão entre a área da envoltória e o volume do edifício (A
env
/V
tot
).
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1.15 FATOR SOLAR

1.15.1 Detalhamento
Segundo a NBR 15220 -2 (ABNT, 2005) o fator solar de elementos transparentes ou
translúcidos pode ser calculado através da Equação 1.3.

Equação 1.3

Onde:
FS
T
é o fator solar de elementos transparentes ou translúcidos, [J/m²K];
U é a transmitância térmica do componente, [W/(m
2
.K)];
α é a absortância à radiação solar;
R
se
é a resistência superficial externa, [(m
2
.K)/W];
τ é a transmitância à radiação solar.
Para se obter o FS através desta equação é necessário que se tenha todos os dados
medidos. A forma mais comum de obtê-lo é através de catálogos de fabricantes. Eles
normalmente são representados em porcentagem, mas para o RTQ-C deve-se adotar o
número fracionário.

1.15.1.1 Exercício
Determinar o Fator solar de um vidro de 4 mm, cujas propriedades estão descritas na
Tabela 1.4.

FS: Fator Solar: razão entre o ganho de calor que entra num ambiente através de uma
abertura e a radiação solar incidente nesta mesma abertura. Inclui o calor radiante
transmitido pelo vidro e a radiação solar absorvida, que é re-irradiada ou transmitida, por
condução ou convecção, ao ambiente. O fator solar considerado será relativo a uma
incidência de radiação solar ortogonal à abertura. A ISO 15099: 2003 e a ISO 9050: 2003
apresentam procedimentos de cálculos normalizados para o FS e outros índices de
desempenho energético de vidros e janelas com panos envidraçados simples ou múltiplos
e também algumas tipologias de proteções solares internas (ex. venezianas). A NFRC
201:2004 apresenta procedimentos e especificações técnicas normalizadas para
aplicação de um método calorimétrico de medição de ganho de calor solar em janelas.
Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

43
Tabela 1.4. Propriedades do vidro – específico para o exemplo acima.
Propriedades do vidro
Transmitância térmica 5,8 W/(m
2
.K)
Transmitância a radiação solar 28%
Absortância solar 54%
Resistência superficial externa 0,04 (m
2
.K)/W

Assim:

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44
1.16 INDICADOR DE CONSUMO

1.16.1 Detalhamento
O Indicador de Consumo é um parâmetro para avaliação comparativa da eficiência da
envoltória. As equações que determinam o IC foram geradas através de resultados de
consumo de energia simulados no programa computacional EnergyPlus para diversas
tipologias construtivas de edificações comerciais brasileiras. São equações de regressão
multivariada específicas para as zonas bioclimáticas brasileiras. O Indicador de Consumo
não pode ser considerado como consumo de energia da edificação, pois este é
significativamente dependente de parâmetros não incluídos nas equações, como cargas
internas e tipo e eficiência do sistema de condicionamento de ar. Assim, deve ser
considerado apenas um indicador para comparação entre edificações cuja volumetria é
idêntica (Fator de Forma e Fator Altura), de forma que represente as variações de
eficiência decorrentes somente da envoltória.

IC
env
: Indicador de Consumo da envoltória.
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45
1.17 PAF
T
E PAZ


1.17.1 Detalhamento
PAF
T
e PAZ são definições interligadas que medem o mesmo conceito – abertura -
abordado anteriormente, em duas superfícies diferentes: fachadas e coberturas. PAF
T
e
PAZ transformam em números o conceito qualitativo de abertura, para posteriormente ser
usado em cálculo.
Qualquer superfície de um edifício acima do solo, que tenha aberturas, terá
obrigatoriamente um PAZ ou PAF
T
. Para diferenciar estes percentuais, deve-se
diferenciar coberturas de fachadas. O RTQ-C define coberturas como superfícies que
formam um ângulo inferior a 60°C ao plano horizonta l. Superfícies que apresentam
ângulos iguais ou superiores a este, são fachadas. Esta distinção está relacionada ao
ângulo de incidência da radiação solar nas aberturas da edificação, ilustrada na
Figura 1.23.
O cálculo do PAZ e PAF
T
deve excluir as áreas das esquadrias. PAZ e PAF
T
referem-se
às partes com materiais transparentes ou translúcidos, exceto no caso de juntas entre
folhas de vidro (borracha, selantes ou similares). Deve-se assim descontar a área de
esquadrias da área do vão da fachada ou da cobertura.
Convém salientar que as áreas de abertura são calculadas de modos diferentes para PAZ
e PAF
T
. No caso do PAF
T
a área da abertura é calculada em vista, com exceção de
aberturas em paredes curvas, enquanto para o PAZ utiliza-se a projeção horizontal da
área da abertura. Como pode-se verificar na Figura 1.24 , as duas aberturas possuem
PAZ: Percentual de Abertura Zenital (%): Percentual de área de abertura zenital na
cobertura. Refere-se exclusivamente a aberturas em superfícies com inclinação inferior a
60º em relação ao plano horizontal. Deve-se calcular a projeção horizontal da abertura.
Acima desta inclinação, ver PAFT.
PAFT: Percentual de Área de Abertura na Fachada total (%): É calculado pela razão da
soma das áreas de abertura de cada fachada pela área total de fachada da edificação.
Refere-se exclusivamente a aberturas em paredes verticais com inclinação superior a 60°
em relação ao plano horizontal, tais como janelas tradicionais, portas de vidro ou sheds,
mesmo sendo estes últimos localizados na cobertura. Exclui área externa de caixa d’água
no cômputo da área de fachada, mas inclui a área da caixa de escada até o ponto mais
alto da cobertura (cumeeira).
Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

46
dimensões em corte diferentes, mas a projeção é igual para os dois casos. Resumindo,
para o cálculo de PAZ, utiliza-se a projeção horizontal da abertura, enquanto no cálculo
de PAF
T
, utilizam-se as medidas da abertura.





Figura 1.23. Diferença entre PAF
T
e PAZ. Abertura com ângulos entre A e B, são
consideradas no PAF
T
. Aberturas com ângulos entre B e C, são consideradas no PAZ.




Figura 1.24. PAZ contabilizado através da projeção horizontal. Aberturas com dimensões
diferentes podem ter a mesma projeção.







90º 60º 0º
B C A
Abertura A
Abertura B
Projeção de A e B
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47
PAF
T

Janelas de vidro;
Paredes de vidro;
Paredes de tijolo de vidro;
Vão fechado com placas de policarbonato ou
acrílico;
Sheds;
Mansardas;
Ângulo com o plano horizontal: igual ou
superior a 60°.
PAZ
Janelas de vidro;
Paredes de vidro;
Paredes de tijolo de vidro;
Vão fechado com placas de policarbonato ou
acrílico;
Sheds;
Mansardas;
Ângulo com o plano horizontal: inferior a
60°.


1.17.2 Cálculo de PAFT e PAZ
Para cálculo de PAZ e PAF
T
, deve-se determinar as áreas de materiais transparentes ou
translúcidos de cada abertura, excluindo os materiais opacos das esquadrias. O
procedimento é:
• Determinar as áreas de todas as aberturas: das fachadas, para PAF
T
, e das
coberturas, para PAZ;
• Somar todas as áreas das aberturas das fachadas e as áreas das projeções
horizontais das aberturas das coberturas;
• Dividir o somatório das aberturas presentes nas fachadas pela área total de
fachadas (PAF
T
), e o somatório das aberturas presentes na cobertura pela área
total das coberturas, em projeção, (PAZ). As áreas totais das coberturas ou plano
das fachadas incluem a área das próprias aberturas. Segundo o RTQ-C, o cálculo
do PAF
T
deve ser realizado determinando o PAF parcial da(s) fachada(s) oeste e o
PAF
T
de todas as fachadas. O PAFO (Percentual de Área de Abertura das
fachadas oeste) deve ser único, calculado para todas as fachadas oeste. Caso o
PAF parcial da(s) fachada(s) oeste seja superior ao PAF
T
(todas as fachadas do
edifício incluindo a(s) fachada(s) oeste) em 20% ou mais, deve-se adotar o PAF
O

onde houver PAF
T
nas equações do item envoltória.

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48




ATENÇÃO NO CÁLCULO DO PAF
PÓRTICOS
Pórticos à frente de grandes aberturas fechadas por planos de vidro são considerados
fachadas (parte opaca + vão) quando:
• estes estão conectados fisicamente ao edifício e
• a sua distância ao plano de vidro não ultrapassa a altura do vão (d ≤ h). Quando
esta condição não for verdadeira, e houver uma proteção horizontal entre a
fachada e o pórtico, o mesmo será considerado como fachada, conforme a Figura
1.25.
A abertura a ser contabilizada no PAF é a parcela de vidro vista ortogonalmente através
do pórtico, descontando as esquadrias. Não há proteção solar a ser contabilizada como
AVS e AHS.
Esta regra também vale para placas perfuradas que ocupam toda a fachada à frente de
aberturas ou planos de vidro, brises fixos de aletas ou similares.
Obs.: este tipo de superfície não precisa atender a exigência de transmitância térmica,
exceto a parcela opaca atrás do pórtico, quando houver. Ver pré-requisitos específicos da
envoltória.

Figura 1.25. Relação entre distância e altura do vão para pórticos e brises paralelos à
fachada.
Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

49

ATENÇÃO NO CÁLCULO DO PAF (continuação)
PROTEÇÕES SOLARES (BRISES) PARALELOS À FACHADA
Proteções fixas devem seguir o descrito para pórticos.
Proteções móveis à frente de planos de vidro ou aberturas são considerados fachadas
quando:
• estes estão conectados fisicamente ao edifício e
• a sua distância ao plano de vidro não ultrapassa a altura do vão entre as aletas,
para proteções horizontais, e a largura do vão entre as aletas, para proteções
verticais.
A abertura a ser contabilizada no PAF é a parcela de vão envidraçado vista
ortogonalmente através das aletas em sua abertura máxima, conforme a Figura 1.26. As
esquadrias vistas nesta condição devem ser descontadas.

Figura 1.26. Parcela da abertura a ser contabilizada para o cálculo do PAF.
VARANDAS INTERNAS À PROJEÇÃO HORIZONTAL DO EDIFÍCIO


As portas ou janelas voltadas para a área externa através de varandas internas à
projeção do edifício podem ser contabilizadas para PAF desde que a profundidade desta
varanda não ultrapasse 2 vezes a altura do vão (considerar o piso até o forro ou teto).
Entretanto, somente a parte vista ortogonalmente em fachada deve ser considerada para
o cálculo do PAF, descontando as esquadrias. Como este fator reduz a área de vidro
contabilizada no PAF, o sombreamento causado por esta varanda não deve ser
considerado. Ver Ângulos de Sombreamento neste capítulo de definições.

VARANDAS EXTERNAS À PROJEÇÃO HORIZONTAL DO EDIFÍCIO


Varandas localizadas na parte externa do alinhamento do edifício (fora da projeção
horizontal do edifício) são consideradas proteções solares. Ver Ângulos de
Sombreamento.
Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

50

1.17.3 Exemplos

Figura 1.27. Mansarda contabilizada no PAF
T
.

Figura 1.28. Clarabóia contabilizada no PAZ.

Figura 1.29. Clarabóia contabilizada no PAZ: embora a área de vidro seja maior, deve-se
considerar a área da projeção horizontal da abertura.
Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

51

Figura 1.30. Superfícies opacas atrás de vidros não são contabilizadas no PAF,
como as lajes dos três pavimentos marcadas em vermelho.
Áreas envidraçadas que
não fazem parte do
cálculo do PAF.
Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

52
1.18 PAREDES EXTERNAS

1.18.1 Detalhamento
Esta definição visa diferenciar as paredes externas das fachadas. Como visto, paredes
externas são as superfícies opacas, compostas de tijolos, blocos, painéis ou similar,
enquanto as fachadas contêm as paredes e ainda incluem outros componentes como
aberturas, proteções solares, cobogós e vãos sem fechamentos.
Ao longo do texto do RTQ-C, há diversas citações de paredes ou fachadas, que
apresentam objetivos distintos. O cálculo de transmitância térmica refere-se a
componentes opacos, assim, cita-se transmitância térmica das paredes externas. Em
contraste, o cálculo do PAF refere-se a fachadas, pois inclui aberturas e componentes
vazados.

Paredes externas: superfícies opacas que delimitam o interior do exterior da edificação;
esta definição exclui as aberturas.
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53
1.19 RELAÇÃO CUSTO-BENEFÍCIO
A Relação Custo-Benefício (RCB) é um indicador que relaciona os benefícios de um
projeto e os seus custos, sempre em valores monetários.
Como o RTQ-C se refere a projetos que tratam de eficiência energética, os benefícios
devem ser considerados a soma da energia conservada. O Manual do Programa de
Eficiência Energética de 2008, da ANEEL, define uma relação custo-benefício de 0,80
para projetos de eficiência energética. Esta relação pode ser calculada através da
Equação 1.6.

Equação 1.4
Onde:
RCB é a relação custo-benefício;
CT é o custo apropriado do projeto [R$];
FRC é o fator de recuperação de capital;
EE é a energia elétrica conservada [MWh/ano];
CE é o custo evitado de energia [R$/MWh].

O cálculo do FRC é dado a partir da Equação 1.5


Equação 1.5
Onde:
FRC é o fator de recuperação de capital;
i é a taxa de juros ao ano;
n é a vida útil do equipamento.

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54
1.20 TRANSMITÂNCIA TÉRMICA

1.20.1 Detalhamento
De acordo com a NBR 15220-2 (ABNT, 2005) a transmitância térmica de componentes é
o inverso da resistência térmica total, conforme a Equação 1.6.

Equação 1.6
Onde:
U
T
é a transmitância térmica de componentes, [W/m²K];
R
T
é a resistência térmica de componentes, [(m
2
.K)/W].
1.20.2 Exercícios
O exercício a seguir faz parte da NBR15220-2, anexo C, onde se encontram outros
exemplos de cálculo.
1.20.2.1 Exercício C.1 - NBR15220-2, anexo C:
Calcular a transmitância térmica de uma parede de tijolos maciços rebocados em ambas
as faces, conforme a Figura 1.15.
Dados:
R
Tse
: 0,1296 (m
2
.K)/W
Assim:


Transmitância térmica (W/(m²K)): transmissão de calor em unidade de tempo e através de
uma área unitária de um elemento ou componente construtivo, neste caso, de
componentes opacos das fachadas (paredes externas) ou coberturas, incluindo as
resistências superficiais interna e externa, induzida pela diferença de temperatura entre
dois ambientes. A transmitância térmica deve ser calculada utilizando o método de cálculo
da NBR 15220-2 (ABNT, 2005) ou determinada pelo método da caixa quente protegida da
NBR 6488 (ABNT, 1980).
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55
1.21 ZONA BIOCLIMÁTICA

1.21.1 Detalhamento
A Zona Bioclimática tem por objetivo determinar as estratégias que um edifício deve
seguir para obter o conforto térmico dos seus ocupantes. Desta forma, uma Zona
Bioclimática é o resultado geográfico do cruzamento de três tipos diferentes de dados:
zonas de conforto térmico humano, dados objetivos climáticos e estratégias de projeto e
construção para atingir o conforto térmico.
Há 8 zonas bioclimáticas no Brasil, definidas segundo dados climáticos (de temperatura e
umidade) para a determinação de estratégias de projeto necessárias para atingir o
conforto térmico de moradias de interesse social. Além do método de definição do
zoneamento pelas normais climatologias brasileiras, a norma “NBR 15.220-3:
Zoneamento Bioclimático Brasileiro” apresenta a lista de 330 cidades brasileiras
pertencentes à sua Zona Bioclimática, disponível também no anexo deste manual. Além
destas, outras cidades tiveram suas zonas definidas por interpolação e estão disponíveis
em www.labeee.ufsc.br. A Figura 1.31 apresenta um mapa com o zoneamento
bioclimático brasileiro.
Determinadas as estratégias adequadas para cada cidade ou localidade geográfica, as
mesmas são agrupadas por uso de estratégias comuns criando assim uma Zona
Bioclimática.

Zona Bioclimática: região geográfica homogênea quanto aos elementos climáticos que
interferem nas relações entre ambiente construído e conforto humano.
Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

56

Figura 1.31. Zoneamento bioclimático brasileiro (fonte: NBR 15.220-3).

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57
1.22 ZONA DE CONFORTO

1.22.1 Detalhamento
Segundo a ASHRAE 55-2004, conforto térmico é a condição da mente que expressa
satisfação com o ambiente térmico. Esta satisfação, no entanto, depende de pessoa para
pessoa, o que dificulta a determinação de parâmetros que definam estas condições.
Algumas normas, como a ISO 7730/2005, ASHRAE 55-2004 e EN 15251, estabelecem
parâmetros que procuram avaliar esta situação.
A ISO 7730/2005, determina, através do modelo do Fanger, o cálculo do PMV, Voto
Médio Estimado, índice que prevê o valor médio do voto de um grupo de pessoas para as
condições do ambiente, de acordo com a escala mostrada na Tabela 1.5. O cálculo do
PMV é realizado a partir das seguintes variáveis: atividade metabólica, roupas,
temperatura do ar, temperatura radiante média, velocidade relativa do ar e pressão
parcial do vapor de água. A Equação 1.7 mostra o cálculo do PMV.
Tabela 1.5. Escala de determinação das sensações térmicas
Sensação Térmica
+3 Muito quente
+2 Quente
+1 Levemente quente
0 Neutro
-1 Levemente frio
-2 Frio
-3 Muito frio


Equaçã
o 1.7
Onde:

Equação 1.8
Zona de Conforto: zona onde existe satisfação psicofisiológica de um indivíduo com as
condições térmicas do ambiente. Para especificar a hipótese de conforto adotada, utilizar
uma das seguintes normas: ASHRAE Standard 55/2004 ou ISO 7730/2005.
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58


Equação 1.9


Equação
1.10
PMV é o voto médio estimado, ou sensação de conforto;
M é a taxa metabólica, [W/m
2
];
W é o trabalho mecânico, nulo para a maioria das atividades, [W/m
2
];
I
cl
é a resistência térmica das roupas, [m
2
ºC/W];
f
cl
é a razão entre a área superficial do corpo vestido, pela área do corpo nu, ver Equação
1.8;
t
a
é a temperatura do ar, [ºC];
t
r
é a temperatura radiante média, [ºC];
v
ar
é a velocidade relativa do ar, [m/s];
p
a
é a pressão parcial do vapor de água [Pa];
h
c
é o coeficiente de transferência de calor por convecção, [W/m² ºC], ver Equação 1.9;
t
cl
é a temperatura superficial das roupas, [ºC], ver Equação 1.10.

Esta norma também determina o cálculo do PPD, Porcentagem de Pessoas Insatisfeitas.
As pessoas sentem e reagem de forma diferente as mesmas condições do ambiente. A
Figura 1.32 mostra o número de pessoas insatisfeitas de acordo com o PMV, ilustrando
que, mesmo quando as condições do ambiente indicam a neutralidade térmica, ainda
assim, existem pessoas insatisfeitas. O cálculo do PPD é dado a partir do PMV, conforme
a Equação 1.11.

Equação 1.11
Onde:
PPD é a porcentagem de pessoas insatisfeitas;
PMV é o voto médio estimado, ou sensação de conforto.

A ASHRAE 55-2004 apresenta, além do cálculo do PMV, outro método para determinação
da zona de conforto, assim como alguns parâmetros que ajudam a determinar se um
ambiente está propício a apresentar conforto ou não. O método gráfico, é um método
simplificado que pode ser aplicado em ambientes onde os ocupantes tem uma atividade
Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

59
entre 1 e 1,3 met, com roupas entre 0,5 e 1 clo. Nos anexos A e B, a norma identifica a
atividade desempenhada e isolamento térmico das roupas. A Figura 1.33 mostra o gráfico
com as áreas de conforto, estas são formadas pelas temperaturas mínimas e máximas,
assim como pela umidade. Este gráfico é válido somente para velocidades do ar menores
que 0,2 m/s.

Figura 1.32. PPD em função do PMV

Figura 1.33. Temperatura operativa e umidade aceitável para determinação da zona de
conforto (ASHRAE 55)

Segundo estas normas outros parâmetros também devem ser observados:
UMIDADE: deve ser mantida abaixo de 0,012, que corresponde à pressão de vapor de
água de 1,910kPa, para uma temperatura de orvalho de 16,8ºC.
AUMENTO DA VELOCIDADE DO AR: o aumento da velocidade do ar pode aumentar a
temperatura máxima da área de conforto, definida na Figura 1.33, conforme as linhas
definidas na Figura 1.34. esta figura ainda mostra que para manter o conforto, a
Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

60
velocidade do ar não deve passar de 0,8m/s; velocidades maiores que esta devem ser
controladas pelo usuário do ambiente.
DESCONFORTO TÉRMICO LOCAL: pode ser causado pela diferença de temperatura entre a
cabeça e o pé, causada pela assimetria da radiação térmica; corrente de ar; contato com
piso aquecido ou resfriado.

Figura 1.34. Velocidade do ar necessária para o aumento da temperatura (ASHRAE 55)
1.22.1.1 Exercício
Um escritório, em que as pessoas estão trabalhando sentadas, com serviços leves
(1met), cuja vestimenta apresenta isolamento de 1clo (terno completo), com temperatura
de 26ºC e umidade relativa de 40%, apresenta condições de conforto térmico?
Diante destas condições verifica-se que a ambiente não propicia aos seus usuários as
condições necessárias para o conforto. No entanto, com o aumento da velocidade do ar
pode-se obter um aumento de até 3ºC na temperatura limite. De forma que, se os outros
parâmetros forem atendidos, este ambiente estará na zona de conforto.

Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

61
1.23 ZONA DE ILUMINAÇÃO
Zona de iluminação é o espaço que possui mesma característica e distribuição da
iluminação artificial, dentro de um ambiente.
Uma zona de iluminação é a parcela do ambiente que apresenta uma mesma densidade
de potência de iluminação (DPI), resultado de uma malha uniforme de distribuição das
luminárias com potência e fluxo luminoso idênticos. A Figura 1.35 apresenta dois
ambientes com uma zona de iluminação, com uma malha uniforme de distribuição de
luminárias. A Figura 1.36 mostra um ambiente com três zonas de iluminação. Nota-se que
as áreas hachuradas não apresentam a mesma distribuição que o resto do ambiente,
suas luminárias estão mais espaçadas, resultando em uma DPI diferente. Desta forma,
deve-se calcular dois índices de ambiente (k), uma vez que este índice é calculado para
cada uma das zonas de iluminação de um ambiente.

Figura 1.35. Ambientes com apenas uma zona de iluminação.

Figura 1.36. Ambientes com três zonas de iluminação.

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62
1.24 ZONA TÉRMICA

1.24.1 Detalhamento
Uma zona térmica é uma divisão interna de um edifício. Da mesma forma que o conceito
de ambiente é a base do cálculo de eficiência do sistema de iluminação, a zona térmica é
a uma das bases do cálculo de eficiência do sistema de condicionamento de ar. No caso
de posicionamento de sensores ou termostatos, para o sistema de condicionamento de
ar, os ambientes não são necessariamente contíguos. No caso de simulações com
ambientes condicionados, ambientes contíguos de um mesmo piso e com a mesma
orientação costumam fazer parte de uma mesma zona térmica. Em simulações de
ambientes não condicionados (ventilados naturalmente), não é válido unificar ambientes
em zonas térmicas, salvo casos especiais a critério do simulador.

1.24.2 Exemplos

Figura 1.37. Ambientes contíguos de mesma orientação podem ser unificados em uma zona
térmica para a simulação com condicionamento de ar. Na figura, vê-se 4 zonas térmicas: 3
perimetrais e uma central.
Zona Térmica: espaço ou grupo de espaços dentro de um edifício condicionado que são
suficientemente similares, onde as condições desejadas (temperatura) podem ser
mantidas usando um único sensor (termostato ou sensor de temperatura).
Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

63
1.24.3 Exercício
Um espaço é vedado do piso ao teto por divisórias compostas de madeira compensada
até 2,2 m e vidro a partir dessa altura até ao teto. O espaço forma um escritório
independente. Este espaço é uma zona térmica?
Resposta: Sim. Este espaço encerra um volume de ar de uma forma razoavelmente
estanque criando assim uma zona térmica. Caso uma unidade de janela fosse instalada
com certeza criaria uma zona com temperatura diferente do resto do edifício.
Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

2 INTRODUÇÃO
O RTQ-C visa estabelecer as condições para classificação do nível de eficiência
energética de edifícios comerciais, de serviços e públicos, a fim de obter a Etiqueta
Nacional de Conservação de Energia (ENCE) emitida pelo Instituto Nacional de
Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (INMETRO) (item 2.1).
O caráter voluntário do RTQ-C visa preparar o mercado construtivo, de forma gradativa, a
assimilar a metodologia de classificação e obtenção da etiqueta. A metodologia de
classificação está presente no texto do Regulamento Técnico da Qualidade (RTQ-C) do
Nível de Eficiência Energética de Edifícios Comerciais, de Serviços e Público, enquanto a
metodologia de obtenção da etiqueta refere-se aos procedimentos para avaliação junto
ao INMETRO, e está presente no Regulamento de Avaliação da Conformidade do Nível
de Eficiência Energética de Edifícios Comerciais, de Serviços e Públicos (RAC-C).
A ENCE poderá ser fornecida em três momentos: para o projeto da edificação, para a
edificação pronta, após obtido o Habite-se e para a edificação existente, após reforma. A
avaliação do projeto é pré-requisito para a avaliação dos requisitos presentes na
edificação nova pós Habite-se e na edificação existente pós reforma. Neste último caso, é
necessário apresentar os projetos de reforma da edificação.
2.1 OBJETIVO
Estabelecer as condições para classificação do nível de eficiência energética de edifícios
comerciais, de serviços e públicos.
2.2 PROCEDIMENTOS PARA DETERMINAÇÃO DA EFICIÊNCIA
Em todos os casos, a etiqueta é válida somente para edificações cuja área total útil seja
igual ou superior a 500 m
2
ou cuja tensão de abastecimento seja igual ou superior a 2,3
kV, o que abrange os subgrupos A1, A2, A3, A3a, A4 e AS. Desta forma, pequenos
consumidores não estão incluídos nos requisitos exigidos no RTQ-C.
O Grupo A refere-se a tarifas de energia elétrica de pontos de consumo abastecido por
alta tensão, cujo limite é exatamente 2,3 kW, limite estabelecido no RTQ-C. Os seus
subgrupos indicam outros limites de tensão:


Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

65
• A1: igual ou superior a 230 kV;
• A2: de 88 a 138 kV;
• A3: para 69 kV;
• A3a: de 30 a 44 kV;
• A4: de 2,3 a 25 kV;
• AS: para rede de abastecimento subterrâneo.
Edifícios de uso misto, referentes ao uso residencial e comercial/de serviços em uma
mesma edificação terão suas parcelas comerciais ou de serviços avaliadas
separadamente. Como exemplo, edificações multi-residenciais (de apartamentos) na torre
de edifícios enquanto a base desta torre contém lojas. A parcela de estacionamento irá
pertencer à parcela residencial ou comercial de acordo com o usuário do espaço: se é o
morador dos apartamentos ou o funcionário/consumidor das lojas. Para tanto, basta que
a parcela comercial ou de serviços tenha área útil igual ou superior a 500 m
2
.
Há dois métodos de classificação do nível de eficiência energética:
• Método prescritivo: através da aplicação de uma equação fornecida, válida para
edifícios condicionados;
• Método de simulação: usando o método prescritivo e a simulação do desempenho
termo-energético de edifícios condicionados e não condicionados.
2.2.1 Requisitos presentes na equação de classificação
Há três grupos principais de requisitos que estabelecem o nível de eficiência energética:
envoltória, sistema de iluminação e sistema de condicionamento de ar. Estes são
avaliados separadamente, obtendo-se níveis de eficiência parciais cuja combinação em
uma equação resulta em uma pontuação que indica o nível de eficiência geral da
edificação. Há cinco níveis de eficiência, tanto para classificações parciais como para
totais, e são: A (mais eficiente), B, C, D e E (menos eficiente).
As classificações parciais permitem a etiquetagem parcial dos sistemas (envoltória,
iluminação e condicionamento de ar), que podem referir-se a parcelas do edifício. A
classificação geral inclui todos os sistemas mais as bonificações e referem-se ao edifício
completo ou a uma parcela deste. As etiquetas parciais referem-se à eficiência dos
sistemas separadamente; a etiqueta geral é definida por uma equação que contém pesos
para balancear a relação entre os sistemas.

Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

66
No entanto, há parcelas do edifício pré-definidas onde as classificações parciais são
aplicáveis. Enquanto os níveis de eficiência dos sistemas de iluminação e
condicionamento de ar podem ser estabelecidos para um pavimento específico ou um
conjunto de salas, a envoltória é estabelecida somente para a edificação completa. Desta
forma:
• A classificação do nível de eficiência da envoltória deve ser solicitada pelo
construtor/incorporador do empreendimento (proprietário) ou pelo condomínio
(proprietário do edifício em uso). Devem ser fornecidas todas as condições para
avaliação no local, o que obriga os proprietários de unidades autônomas de
consumo (salas comerciais ou escritórios em edifícios empresariais ou lojas em
shoppings centers ou galerias) a permitirem a entrada dos avaliadores
acreditados pelo INMETRO em seus estabelecimentos quantas vezes for
necessário.
• A classificação do nível de eficiência do sistema de iluminação e/ou de
condicionamento de ar pode ser realizada em um pavimento ou em um conjunto
de salas. O pavimento ou o conjunto de salas geralmente compõe uma unidade
autônoma de consumo, e pode ser solicitada pelo proprietário ou usuário legal da
unidade (no caso de aluguel) com anuência do proprietário. No entanto, estas
classificações parciais podem ser solicitadas somente em conjunto com a
classificação da envoltória ou se a envoltória já tiver sido classificada em algum
momento anterior.
Os níveis de eficiência podem ser elevados com bonificações nas pontuações finais
obtidas através de outros sistemas que possam promover a eficiência energética. Esta é
uma estratégia de incentivo que visa ampliar o potencial de eficiência da edificação.















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67
EXEMPLOS DE APLICAÇÃO
O construtor/incorporador obtém uma ENCE parcial para a envoltória. Depois de
vender os pavimentos em planta livre de sua edificação, a empresa proprietária do 5º
pavimento submete os seus sistemas de iluminação e condicionamento de ar para
obter a classificação geral do seu pavimento. O 5º pavimento terá uma ENCE com a
classificação geral do pavimento.
O construtor/incorporador obtém uma ENCE parcial para a envoltória. Depois de
vender os pavimentos em planta livre de sua edificação, o condomínio decide em
convenção submeter o sistema de iluminação das áreas comuns do edifício à
classificação geral. Será obtida assim uma ENCE para as áreas comuns com duas
etiquetas parciais: da envoltória e da iluminação. Caso o condomínio submeta
também o sistema de condicionamento de ar, será obtida uma ENCE geral para as
áreas comuns.
O construtor/incorporador vende pavimentos em planta livre de sua edificação. A
empresa proprietária do 5º pavimento submete os seus sistemas de iluminação e
condicionamento de ar para obter a classificação geral do seu pavimento. Como não
há classificação prévia da envoltória, esta também deve ser obtida. Assim, o
proprietário do 5º pavimento deve solicitar ao condomínio que este solicite uma
ENCE para a envoltória. Caso os condôminos não concordem, não é possível obter
uma ENCE para os sistemas de iluminação e condicionamento de ar para o 5º
pavimento.

2.2.2 Equação geral de classificação do nível de eficiência do
edifício
2.2.2.1 Método prescritivo
A equação geral é composta por uma relação entre pesos (estabelecidos por usos finais)
para cada sistema e pelo equivalente numérico de seu nível parcial de eficiência. Os
pesos são:
• Envoltória: 30%
• Iluminação: 30%
• Condicionamento de ar: 40%
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68
O equivalente numérico de um nível de eficiência é estabelecido na Tabela 2.1, do
regulamento. O equivalente numérico da envoltória será sempre um número inteiro,
enquanto os equivalentes numéricos do sistema de iluminação e do sistema de
condicionamento de ar podem ser números com decimais.
No texto do RTQ-C, a equação geral é a 2.1, apresentada abaixo.



Equação 2.1
Onde:
EqNumEnv é o equivalente numérico da envoltória;
EqNumDPI é o equivalente numérico do sistema de iluminação, identificado pela sigla
DPI, de Densidade de Potência de Iluminação;
EqNumCA é o equivalente numérico do sistema de condicionamento de ar;
EqNumV é o equivalente numérico de ambientes não condicionados e/ou ventilados
naturalmente;
APT é a área de piso dos ambientes de permanência transitória, desde que não
condicionados;
ANC é a área de piso dos ambientes não condicionados de permanência prolongada;
AC é a área de piso dos ambientes condicionados;
Au é a área útil;
b é a pontuação obtida pelas bonificações, que varia de zero a 1.

A relação AC/AU indica a fração de área de piso de ambientes condicionados da
edificação, pavimento ou conjunto de salas. Assim, a área útil deve ser a área útil do
edifício ou a área útil da parcela que está sendo submetida à etiquetagem, independente
da existência de condicionamento.

EXEMPLO DE CÁLCULO
Um edifício empresarial de área útil de 15.000 m2 que abriga múltiplas unidades
autônomas de consumo já possui etiqueta parcial A para a envoltória. Um conjunto de
salas de 600 m2 está sendo submetido ao RTQ-C, tanto no quesito iluminação com
condicionamento de ar. Se 300 m2 são ambientes condicionados, a fração de área
condicionada a ser considerada é 0,50.
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69

Na equação 2.1, AC/AU representa assim um fator de correção para o equivalente
numérico quando este EqNum não se refere à área total do edifício, mas somente a uma
parte que é condicionada. A área restante, não condicionada, que se refere às áreas de
curta permanência (APT), já obtém equivalente numérico de valor 5 (equivalente ao nível
de eficiência A). Caso existam áreas não condicionadas de permanência prolongada
(ANC), estas deverão atender a um número mínimo de horas em que as condições do
ambiente se encontram na Zona de Conforto, conforme item 6.2.2 do RTQ-C. Caso estes
ambientes não obtenham esta comprovação, sua fração é considerada nível de eficiência
E e não é inserida na equação 2.1. Assim, a equação pode ser entendida conforme
Figura 2.1.


Figura 2.1. Variáveis da equação geral
A Tabela 2.2, do RTQ-C, apresenta os intervalos de EqNum obtidos para as eficiências
parciais ou os intervalos de PT para a eficiência final. Apresenta assim os limites
numéricos para classificação dos níveis de eficiência, e são também válidos para
classificar os níveis de eficiência obtidos no item 3 (envoltória), no item 4 (sistema de
iluminação) e no item 5 (sistema de condicionamento de ar).






( )
1
0
.EqNumV
AU
ANC
5
AU
APT
AU
AC
EqNumCA.
0,40.
EqNumDPI
0,30. .EqNumV
AU
ANC
5
AU
APT
AU
AC
EqNumEnv
0,30. PT b + + + + + + + =
)
`
¹
¹
´
¦
|
¹
|

\
|
|
¹
|

\
|
)
`
¹
¹
´
¦
|
¹
|

\
|
|
¹
|

\
|
. .
Bonificações
Peso
Equivalente
numérico
Fração não
condicionada -
longa
Fração
condicionada
do edifício
Equivalente
numérico
para nível A
Equivalente
numérico
Equivalente
numérico
Fração não
condicionada -
curta permanência
Peso Peso
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70
EXEMPLO DE CÁLCULO
Um edifício empresarial possui as seguintes etiquetas parciais: Envelope – A;
Iluminação - B; e Condicionamento de Ar – A. No entanto, somente 50% da área útil
do edifício possui sistema de condicionamento de ar. O edifício possui 5% de sua
área composta por ambientes de curta permanência, e 40% da área com condições
de conforto comprovadas em 75% do tempo. Conforme a Tabela 6.1 do RTQ-C, a
área não condicionada apresenta classificação B. O edifício em questão não
apresenta nenhum sistema ou inovação que possa elevar a eficiência energética do
mesmo. Aplicando a Equação 2.1, obtém-se a classificação C, como se observa
abaixo:

3,5 < 4,245 < 4,5 – Classificação B

2.2.2.2 Método de simulação
O método de simulação é uma alternativa para avaliação da eficiência de forma mais
completa e/ou flexível. É indicado para permitir:
• a liberdade de projeto, seja na forma do edifício, na natureza de suas aberturas ou
proteções solares ou nos sistemas utilizados;
• a incorporação de inovações tecnológicas, comprovando níveis de eficiência
elevados;
• o uso de estratégias passivas de condicionamento, possibilitando edifícios não
condicionados ou parcialmente condicionados;
• a incorporação de soluções não previstas no RTQ-C.
Este último item abrange todas as soluções arquitetônicas ou dos sistemas que
porventura possam existir no projeto e que não são possíveis de serem analisadas
através do método prescritivo. No RTQ-C, o item 6 apresenta os requisitos a serem
atendidos para realizar a simulação e para comprovar o nível de eficiência energética do
edifício. O método de simulação é válido para alcançar a etiqueta completa do edifício,
sem a necessidade das etiquetas parciais.
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71
2.3 BONIFICAÇÕES
A Equação 2.1 apresenta uma variável relativa às bonificações, ou seja, uma pontuação
extra que visa incentivar o uso de soluções que elevem a eficiência energética do edifício.
A pontuação adquirida através da implementação destas bonificações variam entre 0 e 1.
Sendo: 0 quando não existe nenhum sistema complementar para o aumento da eficiência
do edifício, e 1 quando uma das bonificações for implantada em sua totalidade. É
possível a utilização de mais de um sistema para se chegar a esta pontuação máxima.
Todas as bonificações listadas devem ser comprovados através de memoriais de cálculo.
Há quatro itens principais, que são:
a. Sistemas e equipamentos que racionalizem o uso da água, proporcionando uma
economia de 20% do consumo anual de água: estão incluídas torneiras com
arejadores, sanitários com sensores ou com válvula de descarga com duplo
acionamento, sistemas de aproveitamento de água pluvial, redução de perdas por
condensação da água de torres de arrefecimento, reuso de água, dentre outras
soluções;
b. Sistemas ou fontes renováveis de energia:
o aquecimento de água, com atendimento igual ou superior a 60% da demanda
de água quente: válido para edifícios que possuam demanda de água quente,
como restaurantes, hotéis, motéis, hospitais, clínicas, clubes, academias,
dentre outros; não é válido para edifícios de escritórios, supermercados, salvo
casos especiais em que esta demanda seja significativa;
o energia eólica ou painéis fotovoltaicos, com uma economia mínima de 10% do
consumo anual;
c. Cogeração, gerando uma economia mínima de 30% no consumo anual de energia
elétrica do edifício;
d. Inovações técnicas ou sistemas que aumentam a eficiência, proporcionando uma
economia de 30% no consumo anual de energia elétrica: este item abrange
qualquer tipo de inovação em eficiência energética que seja lançada no mercado
ou soluções que não estejam previstas neste regulamento. Sistemas de
aproveitamento da luz natural ou estratégias bioclimáticas que reduzam ou
eliminem o uso do sistema de condicionamento de ar, já são previstos no texto e
devem ser explorados no item de simulação, salvo haja alguma forma de
comprovar uma economia anual no consumo de energia elétrica de 30% através
de memória de cálculo ou medição.
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72
EXEMPLO DE CÁLCULO
A. Um edifício empresarial possui as seguintes etiquetas parciais: Envelope – A;
Iluminação - B; e Condicionamento de Ar – A. No entanto, somente 25% da área útil
do edifício possui sistema de condicionamento de ar. O edifício ainda possui 5% de
sua área composta por ambientes de curta permanência, e 35% da área com
condições de conforto comprovadas em 65% do tempo. O edifício ainda apresenta
um sistema de racionalização de água, gerando uma economia de 10% do consumo
de água.
Conforme a Tabela 6.1 do RTQ-C, a área não condicionada apresenta classificação
C.
A economia de água gerada pelo sistema é de apenas 50% do valor estipulado pelo
RTQ-C; então a bonificação será igual a 0,5.
Aplicando a Equação 2.1, obtém-se a classificação C, como se observa abaixo:

PT=3,485
2,5 < 3,485< 3,5 – Classificação C

B. Este mesmo edifício apresente um sistema de racionalização de água, gerando
uma economia de 25% do consumo de água.
Como neste caso a economia de água gerada pelo sistema de racionalização é
superior à estipulada pelo regulamento a bonificação é igual a 1.
Aplicando a Equação 2.1, obtém-se a classificação B, como se observa abaixo:

PT=3,885
3,5 < 3,985 < 4,5 – Classificação B



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73
EXEMPLO DE CÁLCULO (continuação)
C. O edifício do exemplo A, com um sistema de racionalização de água com 10% do
consumo de água, também possua um sistema de cogeração, que proporciona uma
economia de 12% do consumo anual de energia elétrica.
Pela economia de água obtém-se uma bonificação de 0,5. E pelo sistema de
cogeração, 0,4. Desta forma, a bonificação a ser utilizada na equação é igual a 0,9.
Aplicando a Equação 2.1, obtém-se a classificação B, como se observa abaixo:

PT=3,885
3,5 < 3,885 < 4,5 – Classificação B



2.3.1 Racionalização do consumo de água
A comprovação de economia de 20% no consumo anual de água do edifício deve ser
realizada através de comparação com o consumo anual de água típico considerando
taxas de consumo por usuário de acordo com a Tabela 2.1; ou conforme legislação local,
geralmente código de obras municipal. Neste caso, deve ser entregue uma cópia desta
lei, juntamente com a documentação. Caso o uso da edificação não esteja relacionado
abaixo, adotar o uso que mais se assemelha.








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74
Tabela 2.1. Consumo de água em função do uso do edifício
Uso Consumo (litros/dia) Por Unidade
Edifícios de escritórios 50 a 80 ocupante efetivo
Escolas (internatos) 150 per capita
Escolas (externatos) 50 aluno
Escolas (semi-internatos) 100 aluno
Hospitais e casas de saúde 250 leito
Hotéis com cozinha e
lavanderia
250 a 350 hóspede
Hotéis sem cozinha e
lavanderia
120 hóspede
Lavanderias 30 kg de roupa seca
Quartéis 150 per capita
Cavalariças 100 cavalo
Restaurantes e similares 25 refeição
Mercados 5 m2
100 Automóvel
Postos de serviço
150 Caminhão
Rega de jardins 1,5
m
2

Cinemas e teatros 2 lugar

2.4 PRÉ-REQUISITOS GERAIS
Os pré-requisitos gerais são necessários para a obtenção da classificação geral do nível
de eficiência do edifício. O não atendimento não impede as classificações parciais, mas
impede a obtenção de uma etiqueta completa de nível de eficiência A, B ou C. Ou seja, o
edifício terá eficiência D na classificação geral mesmo que as etiquetas parciais indiquem
nível de eficiência A.
O primeiro item refere-se à medição centralizada por uso final. Este item não exige que
medições sejam realizadas, mas sim que o circuito elétrico seja projetado separadamente
de forma a permitir medições quando necessário. Estas medições poderão auxiliar no
diagnóstico do consumo de energia facilitando o comissionamento ao indicar onde e em
que horas se consome mais e, conseqüentemente, em que tipo de uso deve-se investir
para elevar ainda mais a eficiência energética do edifício quando em uso. Hotéis são
exceções por ser comum possuírem circuitos integrados por quarto que são desligados
automaticamente quando o hóspede sai do quarto. E edifícios com múltiplas unidades
autônomas de consumo possuem um medidor de energia por unidade de consumo, o que
Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

75
impede a existência de um quadro geral com circuitos separados por uso final.
Os demais itens referem-se a pré-requisitos para alcançar nível de eficiência A. Edifícios
com nível de eficiência A que utilizem sistemas de aquecimento de água devem utilizar
algum dos sistemas eficientes listados, sejam eles aquecimento solar, a gás, bombas de
calor ou por reuso de calor. No primeiro caso, aquecimento solar, se este sistema
apresentar fração solar superior a 60%, pode ainda ser contabilizado como bonificação. O
máximo aproveitamento de área de coleta disponível está relacionado ao atendimento da
demanda de aquecimento de água, evitando sub-dimensionamentos somente para
atender aos pré-requisitos. Os outros itens, controle inteligente de tráfego e bombas de
água centrífugas etiquetadas pelo INMETRO, são também eliminatórios para nível de
eficiência A.

EXEMPLO DE APLICAÇÃO
Um hotel alcançou nível de eficiência B através de uma pontuação de 3,7. Por
possuir demanda elevada de água quente, ele possui coletores solares etiquetados
pelo INMETRO com nível de eficiência A. A fração solar do sistema é de 62%,
ganhando mais 0,8 pontos como bonificação:
• Caso o edifício possua desligamento automático nos quartos, sua eficiência B
está garantida.
• Caso, além do desligamento automático, seus elevadores possuam controle
inteligente de tráfego e suas bombas centrífugas sejam etiquetadas pelo
INMETRO, ele adquire nível de eficiência A, já que alcançou pontuação final
de 4,5.
• Caso não possua desligamento automático nos quartos nem circuito elétrico
possibilitando medição por uso final, mesmo com PT = 4,5, seu nível de
eficiência é D.
2.5 PRÉ-REQUISITOS ESPECÍFICOS
Os pré-requisitos específicos da envoltória, sistema de iluminação e sistema de
condicionamento de ar referem-se ao pré-requisito somente, de forma a alterar a
eficiência parcial e, conseqüentemente, o equivalente numérico a ser adotado na
equação 2.1 do regulamento.
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76
No caso da simulação, há pré-requisitos específicos que determinam a possibilidade de
realização da simulação, que são o tipo de programa e o tipo de arquivo utilizados. Nem
todos os pré-requisitos específicos do item 3 – Envoltória, do item 4 – Sistema de
Iluminação e item 5 – Sistema de Condicionamento de Ar, são obrigatórios na
modelagem da simulação. Entretanto, estes pré-requisitos devem ser atendidos no
projeto apresentado e no edifício construído, assim como os pré-requisitos gerais, sendo
assim dispensados apenas na modelagem computacional.

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3 ENVOLTÓRIA
3.1 PRÉ-REQUISITOS
A envoltória deve estar de acordo com pré-requisitos específicos para cada nível de
eficiência. Quanto mais elevado o nível, mais restritivos são os requisitos a serem
atendidos. A Tabela 3.1 apresenta uma síntese dos pré-requisitos da envoltória exigidos
por nível de eficiência.
Tabela 3.1. Tabela síntese dos pré-requisitos da envoltória
Nível de
eficiência
Transmitância térmica da
cobertura e paredes exteriores
Cores e absortância
de superfícies
Iluminação
zenital
A X X X
B X X
C e D X


A tabela mostra como o número de pré-requisitos a ser atendidos aumenta com o
melhoramento do nível de eficiência. Adicionalmente, alguns requisitos de transmitância
térmica do nível A são mais rigorosos que do nível B que são mais rigorosos que dos
níveis C e D.
Ao analisar os pré-requisitos referentes à cobertura, também devem ser analisados os
pisos de áreas sem fechamentos laterais localizadas sobre ambiente(s) de
permanência prolongada. Deve-se incluir no item: áreas externas sem fechamentos
laterais, os pilotis e as varandas cuja área de piso seja superior a 25% de A
pe
. Quanto ao
pré-requisito referente a transmitância devem ser consideradas apenas as transmitâncias
de superfícies em contato com a área interna, superfícies como platibandas não entram
no cálculo da transmitância

3.1.1 Nível A
Seguindo a ordem do regulamento, o primeiro pré-requisito refere-se à transmitância
térmica. Este pré-requisito distingue coberturas e paredes exteriores ao exigir diferentes
limites de propriedades térmicas para cada caso. Em seguida, serão descritos os pré-
requisitos para cores a absortâncias de superfícies e, finalizando, os pré-requisitos para a
iluminação zenital.
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78
3.1.1.1 Transmitância térmica
DA COBERTURA
O RTQ-C apresenta duas transmitâncias térmicas máximas, de acordo com o
condicionamento dos ambientes do último pavimento ou de uma edificação térrea: 1,0
W/m
2
K para coberturas de ambientes condicionados artificialmente e 2,0 W/m
2
K para
coberturas de ambientes não condicionados. Também define que a transmitância térmica
considerada seja uma média ponderada das diversas transmitâncias existentes quando a
cobertura é composta por diferentes materiais e, portanto, por diferentes transmitâncias
para o mesmo tipo de ambiente: com condicionamento ou sem condicionamento.
DAS PAREDES
Os limites de desempenho mínimos dos pré-requisitos do nível A para as paredes
exteriores dividem-se em dois agrupamentos de zonas bioclimáticas, ao contrário da
cobertura que varia conforme o condicionamento do ambiente. Para as zonas
bioclimáticas 7 e 8, o limite de transmitância térmica varia ainda de acordo com a
capacidade térmica do material, visto que a inércia térmica apresenta participação
significativa no desempenho térmico de edificações nestas zonas. Isto não implica que o
efeito da inércia térmica é irrelevante nas demais zonas, mas apenas que este é
essencial em qualquer tipo de edificação localizada nas zonas bioclimáticas 7 e 8.
Outras soluções utilizando a inércia térmica podem ser exploradas em simulação para
tipologias específicas de edificações localizadas nas demais zonas bioclimáticas, para
elevar sua eficiência energética global.
A Tabela 3.2 apresenta uma síntese relacionando transmitâncias térmicas limite, zonas
bioclimáticas e capacidade térmica.
Tabela 3.2. Síntese das exigências para transmitância térmica máxima de paredes exteriores
Zonas
Bioclimáticas
Transmitância térmica máxima
ZB 1 a 6 3,7 W/m²K
ZB 7 a 8
2,5 W/m²K para paredes com
capacidade térmica máxima de 80
kJ/m
2
K
3,7 W/m
2
K para paredes com
capacidade térmica superior a 80
kJ/m
2
K



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79
EXEMPLO

Figura 3.1. Parede de blocos de concreto 2
furos, reboco e revestimento cerâmico, com
U = 2,44 W/m²K.
Figura 3.2. Parede de tijolos de cerâmica
com isolamento térmico e reboco, com U =
0,90 W/m²K.
Exceção ao item 3.1.1.1: planos compostos por vãos envidraçados com superfícies
opacas paralelas ao plano de vidro, mesmo que vazadas, não precisam atender ao pré-
requisito de transmitância térmica, visto que o plano posterior (vidro) não é elemento
opaco. Se houver superfícies opacas atrás destes planos, o pré-requisito de transmitância
térmica deve ser cumprido.
São exemplos desta exceção:
• proteções solares com aletas paralelas ocupando toda a fachada;
• pórticos;
• placas perfuradas;
• qualquer elemento de sombreamento paralelo a aberturas da fachada.
3.1.1.2 Cores e absortância da superfície
Segundo a NBR 15.220, a absortância solar é o “quociente da taxa de radiação solar
absorvida por uma superfície pela taxa de radiação solar incidente sobre esta mesma
superfície”. Quanto maior a absortância, maior a parcela da energia incidente que se
transforma em calor (radiação de ondas longas) após incidir sobre um material opaco. A
cor é utilizada como indicação da absortância quando não há possibilidade de medição:
cores mais claras têm absortâncias mais baixas. O ideal é obter a especificação da
absortância solar pelo fabricante, como os fabricantes de tintas ou de cerâmicas, ou obter
resultados de medições previamente realizadas.
Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

80
Para garantir envoltórias mais eficientes, o RTQ-C determina uma absortância máxima de
0,4 para os materiais de revestimento externo das paredes (onde incide a radiação solar)
para as Zonas Bioclimáticas de 2 a 8. A Zona Bioclimática 1 (cidades mais frias do Brasil,
como Curitiba) é excluída para permitir absortâncias elevadas que podem aumentar os
ganhos térmicos por radiação nos edifícios no inverno.
Para coberturas não aparentes, a absortância solar máxima também é de 0,4, exceto
para coberturas de teto-jardim ou de telhas cerâmicas não esmaltadas (Figura 3.3). Estas
coberturas apresentam bom desempenho térmico independente da absortância solar: o
teto-jardim devido a efeitos como a evapo-transpiração e as telhas cerâmicas não
esmaltadas devido à sua porosidade. As coberturas aparentes podem possuir
absortâncias maiores que esta, uma vez que fazem parte da composição da fachada do
edifício.
A absortância solar da fachada e cobertura é a absortância média ponderada pela área
(ver exemplo no item 3.1.2.2, nível de eficiência B).


Figura 3.3. Cobertura não aparente se vista do logradouro principal (avenida) e aparente se
vista do logradouro secundário, deve ser: em telha cerâmica, com absortância baixa (cores
claras) ou em teto-jardim, para níveis A e B.
Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

81

Figura 3.4. Cobertura aparente se vista do logradouro principal (avenida), mesmo que não
aparente do logradouro secundário, pode ter absortância solar superior a 0,4 para níveis A e
B.
3.1.1.3 Iluminação zenital
Aberturas zenitais permitem que a luz natural penetre nos ambientes internos,
possibilitando a redução no consumo de eletricidade em iluminação. No entanto, à
primeira vista, o RTQ-C parece penalizar esta pratica ao exigir percentuais reduzidos de
aberturas zenitais para o nível A, conforme se pode verificar na Tabela 3.1 do RTQ-C.



Esta exigência garante que a entrada de luz natural no edifício não implique,
simultaneamente, em uma elevação da carga térmica pela radiação solar. Portanto,
quanto maior a área de abertura zenital, menores os fatores solares da Tabela 3.1. Desta
forma, um menor PAZ pode usar vidros ou materiais transparentes ou translúcidos com
maior fator solar e vice-versa. Esta exigência não restringe a exploração da luz natural,
pois atualmente existem vidros de elevado desempenho térmico existentes no mercado,
além da possibilidade de uma boa distribuição das aberturas em uma área máxima de
5% da área da cobertura. Em outras palavras, um bom projeto de iluminação, com
aberturas bem distribuídas e com vidros de elevado desempenho tem condições de
Tabela 3.1: Relação entre PAZ e FS
PAZ 0 a 2% 2,1 a 3% 3,1 a 4% 4,1 a 5%
FS 0,87 0,67 0,52 0,30

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82
alcançar um bom percentual de horas de aproveitamento da luz natural ao longo do ano,
proporcionando uma significativa economia de energia elétrica, como representada na
Figura 3.5.
Além disso, o limite máximo de 5% de PAZ pode ser ultrapassado caso o método de
avaliação do nível de eficiência seja a simulação do desempenho energético da
edificação. Neste caso, o modelo de referência será gerado segundo o método
prescritivo, com PAZ máximo de 5%, e o modelo real segundo o projeto a ser avaliado.
Outra solução é o aproveitamento de iluminação zenital a partir de aberturas em planos
verticais, ou com inclinação superior a 60
o
com o plano horizontal, aberturas em que a
incidência direta da radiação solar, nas horas mais quentes do dia, é menor. Estas
aberturas serão contabilizadas como parte de PAF
T
, independentemente da sua
localização no edifício.
Aberturas contabilizadas no PAF
T
, segundo o RTQ-C, são aquelas inseridas em planos
externo, cujo ângulo de inclinação com o plano horizontal é maior ou igual a 60º. Assim,
elementos como sheds ou mansardas em planos verticais podem ser utilizados para
iluminação zenital sem sua área ser contabilizada no PAZ.

Figura 3.5: Dispositivos de iluminação zenital (clarabóias) com PAZ de 5% alocadas de
forma distribuir a luz natural.
3.1.2 Nível B
3.1.2.1 Transmitância térmica
Tal como no nível A, são apresentados limites máximos para as transmitâncias térmicas
de coberturas e paredes. No entanto, estes limites são menos rigorosos que os para as
coberturas do nível A. Assim, para o nível B, as coberturas a transmitância térmica
máxima é 1,5 W/m²K para ambientes condicionados artificialmente. Os demais
Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

83
parâmetros e métodos são idênticos tanto para alcançar nível de eficiência A como nível
de eficiência B.
3.1.2.2 Cores e absortância da superfície
As exigências em relação às cores e absortância para o nível B são idênticas às do nível
A.

EXEMPLOS DE CÁLCULO NA PONDERAÇÃO DA TRANSMITÂNCIA
TÉRMICA E ABSORTÂNCIAS DA COBERTURA





Figura 3.6. Coberturas em
perspectiva e em planta de teto-
jardim com grama (U=1,62 W/m²K),
duas lajes planas de concreto com
isolamento térmico (U=1,14 W/m²K) e
telha metálica com isolamento
térmico (U=0,70 W/m²K).
Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

84
EXEMPLOS DE CÁLCULO NA PONDERAÇÃO DA TRANSMITÂNCIA
TÉRMICA E ABSORTÂNCIAS DA COBERTURA (continuação)
A Tabela 3.3 apresenta os dados utilizados na ponderação de quatro transmitâncias
térmicas adotadas em cobertura de ambientes condicionados mostradas na Figura 3.6.
Tabela 3.3: Cálculo da transmitância média das coberturas da Figura 3.6.
Material Área Transmitância
Ponderação
da área
Transmitância
Final
Teto-jardim com
grama
140 1,62 0,29
Laje de concreto 126 + 66 1,14 0,40
Telha metálica 144 0,85 0,30
1,19


A Tabela 3.4 apresenta os dados utilizados na ponderação das absortâncias adotadas
na cobertura de ambientes condicionados mostradas na Figura 3.6.
Tabela 3.4: Cálculo da absortância média para a Figura 3.6.
Material Área Absortância
Ponderação
da área
Total
Teto-jardim com
grama
140 0,55 0,29
Laje de concreto
gelo
126 0,37 0,26
Laje de concreto
amarela
66 0,49 0,14
Telha metálica 144 0,25 0,30
0,40



3.1.3 Níveis C e D
Os pré-requisitos para envoltória dos níveis C e D resumem-se a exigências de
transmitâncias térmicas máximas de 2,0 W/m
2
K para coberturas de qualquer tipo de
ambiente, eliminando a diferenciação entre ambientes condicionados e não
condicionados. Os limites de transmitância térmica são idênticos para paredes dos níveis
A e B e não há pré-requisitos envolvendo absortâncias de superfícies.
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85
3.2 DETERMINAÇÃO DO NÍVEL DE EFICIÊNCIA
3.2.1 Introdução
O cálculo do indicador de consumo (IC) visa prever como a envoltória de um edifício vai
impactar o seu consumo de energia. Através do cálculo do IC é possível identificar
envoltórias mais eficientes.
A envoltória protege o interior do edifício. Quanto mais expõe o interior do edifício, maior
a troca térmica permitida entre o interior e o exterior. Assim, envoltórias com maiores
trocas térmicas implicam em elevados ganhos de calor em climas mais quentes (radiação
solar, temperatura, etc.) ou maiores perdas de calor em climas frios (infiltração,
diferenças de temperatura, etc.)
O extenso território do Brasil abrange diferentes realidades climáticas que exigem
estratégias distintas para alcançar condições de conforto térmico e da eficiência
energética das edificações. Como estas estratégias alteram o consumo de energia, foram
elaboradas diferentes equações para o cálculo do Indicador de Consumo. O RTQ-C usa a
norma NBR 15.220 - Parte 3, que estabelece oito zonas bioclimáticas para o Brasil, esta
mesma norma contém também uma lista contendo algumas cidades brasileiras e as
zonas bioclimáticas a que as mesmas pertencem. Esta tabela está transcrita no anexo 1
deste manual.
Para efeitos do RTQ-C algumas zonas bioclimáticas foram agrupadas, pois as
simulações não mostraram diferenças significativas entre os consumos de energia de
edificações simulados nas referidas zonas. A Tabela 3.5 apresenta as zonas bioclimáticas
agrupadas e não agrupadas.
Tabela 3.5: Síntese de agrupamento das zonas bioclimáticas
Zona Bioclimática não agrupada Zona Bioclimática agrupada
ZB1
ZB2 e ZB3
ZB4 e ZB5
ZB7
ZB6 e ZB8


Convém salientar que nem todas as zonas agrupadas são consecutivas: a ZB6 e ZB8 são
agrupadas enquanto a ZB7 não. Para cada Zona Bioclimática, agrupada ou não, existem
duas equações diferentes de acordo com a área de projeção do edifício (A
pe
): para A
pe

Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

86
menores que 500m² e para A
pe
maiores que 500m². Em caso de terraços ou edificações
de forma irregular, A
pe
deve ser considerada como a área de projeção do edifício no plano
horizontal. Também deve-se frisar que estes 500 m
2
referem-se à área de projeção do
edifício e não à área útil.
Adicionalmente, para cada uma destas equações (A
pe
maior ou menor que 500m²) há
limites máximos e mínimos para o Fator de Forma (A
env
/V
tot
). As equações para A
pe
>500
m² são válidas para um Fator de Forma mínimo permitido. Já as equações A
pe
<500 m²
são válidas para um Fator de Forma máximo permitido, ilustrados na Figura 3.7. Acima
ou abaixo destes valores, deve-se adotar os valores limites nas equações. A
Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

87
Tabela 3.6 apresenta os valores limites do fator de forma para cada zona
bioclimática.Figura 3.8 apresenta um fluxograma com os passos a serem seguidos para a
escolha da equação.

Figura 3.7. Exemplos do fator de forma para aplicação nas equações das zonas
bioclimáticas1, 2 e 3.
Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

88
Tabela 3.6. Fator de forma máximo e mínimo por zona bioclimática.
Zona Bioclimática
A
pe
< 500m²
Fator de forma máximo
A
pe
> 500m²
Fator de forma mínimo
1 0,60 0,17
2 e 3 0,70 0,15
4 e 5 0,75 Livre
6 e 8 0,48 0,17
7 0,60 0,17

Figura 3.8. Fluxograma de escolha da equação de IC
Para iniciar o cálculo do Indicador de Consumo é necessário calcular as seguintes
variáveis:
A
pe
: Área de projeção do edifício (m
2
);
A
tot
: Área total de piso (m
2
);
A
env
: Área da envoltória (m
2
);
AVS: Ângulo Vertical de Sombreamento, entre 0 e 45º (graus);
AHS: Ângulo Horizontal de Sombreamento, entre 0 e 45º (graus);
FF: (A
env
/ V
tot
), Fator de Forma;
FA: (A
pcob
/ A
tot
), Fator Altura;
FS: Fator Solar;
PAF
T
: Percentual de Abertura na Fachada total (adimensional, para uso na equação);
V
tot
: Volume total da edificação (m
3
).
Determinar ZB do edifício
Determinar equação IC para a ZB
do edifício
Determinar Ape do edifício
Ape ≤500m² Ape >500m²
Determinar
Fator de Forma
Determinar Fator
de Forma
Se FF > FF max
usar FF max
Se FF < FF max
usar FF
Se FF > FF min
usar FF
Se FF < FF min
usar FF min
Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

89


Tendo todas as variáveis, o IC é calculado para três tipos de envoltórias: IC
env
, IC
máxD
e
IC
mín
.
O cálculo do IC
env
é realizado usando os dados de projeto do edifício. A exceção é
quando AHS ou AVS é maior que 45°, em que se usa o valor limite, ou quando o Fator de
Forma excede os limites de cada equação.
O cálculo do IC
máxD
faz-se usando a mesma equação com os mesmos dados de Fator de
Forma e Fator Altura usados no cálculo de IC
env
. Já os dados PAF
T
, FS, AVS, AHS
utilizados são mostrados na Tabela 3.2 do RTQ-C, e mostrados a seguir:

ATENÇÃO NO CÁLCULO DO IC
MÁXIMOS DE AHS E AVS
Em relação ao AHS e AVS, o valor máximo para uso na equação é 45°. Se o valor de
AHS e AVS for maior, como o mostrado na Figura 3.9, deve-se usar 45°no cálculo do IC.

Figura 3.9. Proteção solar horizontal com AVS de 60º, maior que o valor máximo para
uso no método prescritivo.
FACHADA OESTE E PAF
T

Na equação, o Percentual de Área de Abertura na Fachada total (PAF
T
) corresponde a
um valor médio representativo do percentual de aberturas de todas as fachadas. Para o
uso deste valor, primeiramente, deve-se realizar o cálculo do PAF para a fachada oeste
(PAF
O
) e do PAF
T
. Se o PAF
O
for pelo menos 20% maior que o PAF
T
, deve-se adotar o
PAF da fachada oeste na equação.
Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

90



IC
máxD
corresponde ao limite entre o nível D e E. Caso IC
env
seja maior que IC
máxD
, então o
nível da envoltória desse edifício é E.
Analogamente, também se calcula o IC
mín
. Como no cálculo do IC
máxD
, os mesmos quatro
parâmetros - PAF
T
, FS, AVS, AHS - são alterados. AVS e AHS são zero tal como no
cálculo do IC
máxD
. Já os parâmetros PAF
T
e FS são inseridos na equação conforme e
Tabela 3.3, do RTQ-C, apresentada a seguir. A Tabela 3.6 compara os dados de entrada
de IC
env
, IC
máxD
e IC
mín
e sintetiza as semelhanças e diferenças entre eles.



Tabela 3.7. Comparação de parâmetros nas equações IC.
IC
env
IC
máxD
IC
mín
A
pe
IGUAL IGUAL
A
pcob
IGUAL IGUAL
A
tot
IGUAL IGUAL
A
env
IGUAL IGUAL
V
tot
IGUAL IGUAL
FA IGUAL IGUAL
FF IGUAL IGUAL
PAF
T
Alterar para 0,60 Alterar para 0,05
FS Alterar para 0,61 Alterar para 0,87
AVS Alterar para 0 Alterar para 0
AHS Alterar para 0 Alterar para 0


O resultado de IC
mín
representa o indicador de consumo (IC) mínimo para aquela
volumetria. Uma vez obtidos IC
env
, IC
máxD
e de IC
mín
procede-se para o cálculo dos limites
Tabela 3.3. Parâmetros de IC mínimo
PAF
T
FS AVS AHS
0,05 0,87 0 0
Tabela 3.2. Parâmetros de IC máximo
PAF
T
FS AVS AHS
0,60 0,61 0 0
Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

91
dos níveis de eficiência para o edifício em questão. Ao contrário do que sucede no caso
da iluminação, os limites dos diversos níveis de eficiência da envoltória (A, B, C, D e E)
variam de edifício para edifício e têm de ser calculados caso a caso.


3.2.2 Método de cálculo do indicador de consumo
A determinação dos limites de eficiência da envoltória é realizada através dos IC
máxD
e
IC
mín
. Os indicadores de consumo IC
máxD
, e IC
mín
formam um intervalo (i) a ser dividido em
quatro partes iguais, como mostrado na equação 3.11, que define o intervalo de mudança
do nível de eficiência, como indicado na Tabela 3.4 do RTQ-C.
O valor de i e de seus múltiplos é subtraído de IC
máxD
formando assim os quatro
intervalos. A Figura 3.6 mostra a abrangência do intervalo (i) na escala de Indicadores de
Consumo.





Eq. 3.11

Tabela 3.4. Limites dos intervalos dos níveis de eficiência.
Eficiência A B C D E
Lim Mín - IC
máxD
- 3i + 0,01 IC
máxD
- 2i + 0,01 IC
máxD
– i + 0,01 IC
máxD
+ 0,01
Lim Máx IC
máxD
- 3i IC
máxD
- 2i IC
máxD
- i IC
máxD
-

Apesar de AHS e AVS serem zero, o IC
mín
representa um Indicador de Consumo baixo.
Como o vão (PAF
T
) já é pequeno, o sombreamento foi dispensado, evitando o
escurecimento do ambiente.

Além disso, como a parte inicial do processo de desenvolvimento do regulamento foi um
levantamento nacional sobre edifícios comerciais no Brasil, contatou-se que o uso de
AVS é raro e de AHS é quase nulo.
Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

92

Figura 3.10. Ilustração do cálculo de IC
Como mencionado anteriormente, o IC
máxD
é o limite entre os níveis D e E. Um edifício
tem classificação E sempre que o IC for superior ao valor de IC
máxD
. O nível E não possui
limite máximo. Da mesma forma, o nível A não apresenta limite inferior de Indicadores de
Consumo, como mostrado na Tabela 3.4 do RTQ-C. O IC
mín
é utilizado para o calcular os
limites dos diversos níveis mas não limita diretamente nenhum nível de eficiência. Desta
forma, as barras representando os níveis A e E na Figura 3.10 apresentam um
comprimento maior que as dos outros níveis para ressaltar a inexistência de limite inferior
para a eficiência A e de limite superior para E.
Para a determinação do nível de eficiência da envoltória, é necessário conhecer o IC
mín
e
IC
máxD
, e verificar a posição de IC
env
na escala, de acordo com os intervalos de eficiência.

EXEMPLO DE CÁLCULO DO INDÍCE DE CONSUMO DA ENVOLTÓRIA
A Figura 3.11 representa um edifício empresarial de três pavimentos que pretende obter
a etiqueta do nível de eficiência energética. O edifício está localizado em Curitiba, Zona
bioclimática 1. O edifício tem proteção solar horizontal na fachada norte e vertical nas
fachadas leste e oeste, as aberturas possuem vidros verdes de 4 mm, com FS igual a
0,43. O edifício possui teto-jardim na sua cobertura.
A partir da Figura 3.11 tem-se que:
A
pe
=384m²
A
pcob
=256m²
A
tot
=768m²
A
env
=960m²
A
fachada
=576m²
V
tot
=2304m³


IC
máxD

IC
mín

i
A C
ICmaxD -3i ICmaxD -2i ICmaxD -i
E
i
i
i
D B

Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

93
EXEMPLO DE CÁLCULO DO INDÍCE DE CONSUMO DA ENVOLTÓRIA
(continuação)

Figura 3.11. Volumetria do edifício analisado para o cálculo do nível de eficiência da
envoltória.
A seguir são apresentados os cálculos das outras variáveis necessárias para o cálculo
do IC.

1. CÁLCULO DO FATOR DE FORMA E DO FATOR ALTURA




2. DEFINIÇÃO DO FATOR SOLAR – Obtido através de catálogo de fabricantes.



Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

94
EXEMPLO DE CÁLCULO DO INDÍCE DE CONSUMO DA ENVOLTÓRIA
(continuação)
3. CÁLCULO DO PAFT

Figura 3.12. Detalhe da Abertura
Para definir o PAF
T
, deve-se comparar o PAF
T
com o PAF
O
. Caso o PAF
O
for maior que
o PAF
T
mais 20%, deve-se utilizar o PAF
O
. Assim:








Assim, utiliza-se o PAF
T
para o cálculo do IC.







Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

95
EXEMPLO DE CÁLCULO DO INDÍCE DE CONSUMO DA ENVOLTÓRIA
(continuação)
4. CÁLCULO DO ÂNGULO DE SOMBREAMENTO
Tanto para o AVS, quanto para o AHS, o valor máximo da angulação a ser utilizada é
de 45º. Outro detalhe a ser observado, é a utilização da média deste ângulo em função
da área de abertura do edifício.


Figura 3.13. Detalhe da proteção solar do edifício analisado para o cálculo do nível de
eficiência da envoltória.
4.1. AVS
Este edifício possui duas angulações diferentes para o AVS, uma de 34º, e outra de 55º. A
limitação do ângulo a 45º refere-se ao resultado final do ângulo de sombreamento. Assim:
AVS
S
= 0
AVS
O
= AVS
L
= 0
A
abertura S
= A
abertura N
= 129,6 m²
A
abertura O
= A
abertura L
= 24,3 m²







Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

96

EXEMPLO DE CÁLCULO DO INDÍCE DE CONSUMO DA ENVOLTÓRIA
(continuação)
4.2. AHS
O processo de cálculo do AHS é o mesmo do AVS. Primeiro encontra-se o AHS da fachada,
e depois o do edifício. As aberturas das fachadas leste e oeste possuem proteção solar
vertical em apenas um dos lados da abertura. Abaixo o cálculo do AHS:
AHS
S
= AHS
N
= 0
AHS
O
= AHS
L

A
abertura S
= A
abertura N
= 129,6 m²
A
abertura O
= A
abertura L
= 24,3 m²







5. CÁLCULO DO INDICADOR DE CONSUMO E DETERMINAÇÃO DO NÍVEL DE
EFICIÊNCIA DA ENVOLTÓRIA
Como o edifício está localizado em Curitiba, pertencente à Zona Bioclimática 1, com um
A
pe
<500m², utiliza-se a equação 3.3 do RTQ-C. Esta equação tem como limite um FF
máximo de 0,60, como o edifício avaliado possui um FF igual a 0,25, utiliza-se o FF do
edifício avaliado. Abaixo, equação do IC para Zona Bioclimática 1:

Para a determinação do nível de eficiência da envoltória do edifício, é necessária a
determinação dos valores limites para cada etiqueta. Assim calcula-se o IC
máx
e o IC
min

desta envoltória. A Tabela 3.8 apresenta um resumo dos parâmetros que serão
utilizados para o cálculo destes índices.

Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

97
EXEMPLO DE CÁLCULO DO INDÍCE DE CONSUMO DA ENVOLTÓRIA
(continuação)
Tabela 3.8. Parâmetros para cálculo do IC
env
, IC
máxD
e IC
min
.
Parâmetro IC
env
IC
máxD
IC
min

A
pe
256 m² 256 m² 256 m²
FA 0,50 0,50 0,50
FF 0,42 0,42 0,42
PAF
T
0,53 0,60 0,05
FS 0,43 0,61 0,87
AVS 17,26º 0º 0º
AHS 2,63º 0º 0º
Substituindo os valores na equação tem-se:




O cálculo do IC da envoltória é realizado com os dados do edifício. Substituindo os
valores tem-se:


A partir do IC
máx
e o IC
min
, encontra-se o limite para cada etiqueta, Tabela 3.9. O IC
env
determina

a classificação A para a envoltória do edifício, com EqnumEnv é igual a 5.
Tabela 3.9. Limites dos intervalos do nível de eficiência para envoltória
Eficiência A B C D E
Lim Mín - 181,31 183,14 184,98 186,81
Lim Máx 181,30 183,13 184,97 186,80 -

Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

98

APLICAÇÃO DOS PRÉ-REQUISITOS
Exemplo 1
O edifício do exemplo anterior, de classificação A, tem todos os seus ambientes
climatizados, com transmitâncias térmicas das paredes de 4,1 W/m²K e teto jardim; a
absortância das paredes é de 0,3.
Comparando estes dados com os pré-requisitos estabelecidos pelo RTQ-C para o Nível
A, Tabela 3.10, verifica-se que apenas o pré-requisito referente à transmitância térmica
das paredes não é atendido (U
máx
=3,7 W/m²K). A obtenção da classificação A exige que
todos os pré-requisitos sejam atendidos; como o pré-requisito referente a transmitância
térmica da parede não foi atendido, a classificação deste edifício passa a ser E para
envoltória, com EqnumEnv igual a 1.
Tabela 3.10. Comparação entre os limites de transmitância e absortância e
os dados do edifício – Zona Bioclimática 1
Nível A Nível B Nível C e D Edifício
Transmitância parede 3,7 W/m²K 3,7 W/m²K 3,7 W/m²K 4,1 W/m²K
Transmitância cobertura
Ambiente climatizado
1,0 W/m²K 1,5 W/m²K 2,0 W/m²K
0,88 W/m²K
Teto jardim
Transmitância cobertura
Ambiente não climatizado
2,0 W/m²K 2,0 W/m²K 2,0 W/m²K -

Exemplo 2
O edifício do exercício anterior possui iluminação zenital, com PAZ de 4% e FS de 0,6.
Mesmo atendendo o limite máximo do PAZ, este edifício não atende o limite
estabelecido para o FS. Segundo o RTQ-C, para um PAZ de 4%, o fator solar máximo é
de 0,52. Desta forma este edifício passa a ter classificação B.


Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

4 SISTEMA DE ILUMINAÇÃO
A iluminação artificial é essencial para o funcionamento dos edifícios comerciais
permitindo o trabalho em locais distantes da fachada e em horários em que a luz natural
não atinge os níveis de iluminação mínimos adequados. É vital garantir níveis corretos de
iluminação dentro dos ambientes internos dos edifícios para permitir o desempenho das
tarefas por seus usuários em condições de conforto e salubridade. Por esse motivo, a
norma NBR 5413 define níveis mínimos de iluminância necessários para diferentes tipos
de atividades.
Por outro lado, o sistema de iluminação artificial consome energia e gera carga térmica.
O sistema de iluminação apresenta, portanto, dois tipos de consumo de energia: o
consumo direto, ao utilizar eletricidade para gerar luz, e um consumo indireto, decorrente
do calor gerado nesse processo. Esse calor tem de ser retirado dos ambientes obrigando
a um maior gasto do sistema de condicionamento de ar, aumentando desta forma o
consumo geral de energia do edifício.
Assim, um edifício com um sistema eficiente de iluminação fornece os níveis adequados
de iluminâncias para cada tarefa consumindo o mínimo de energia, e também gerando a
menor carga térmica possível. Vários métodos podem ser utilizados para alcançar este
objetivo. Este capítulo mostra o método de avaliação do nível de eficiência energética do
sistema de iluminação, através de pré-requisitos e cálculos envolvendo a eficiência e o
projeto luminotécnico (método prescritivo).
Os sistemas eficientes são definidos através da densidade de potência instalada do
sistema de iluminação. Mas há outros métodos a serem utilizados de forma suplementar,
como pré-requisitos específicos para os sistemas de iluminação, a fim de garantir que o
sistema de iluminação só funcione quando é efetivamente necessário.
4.1 PRÉ-REQUISITOS ESPECÍFICOS
Quanto mais elevado o nível de eficiência maior o número de pré-requisitos a atender. A
Tabela 4.1 mostra quais pré-requisitos devem ser atendidos para cada nível de eficiência
do RTQ-C.



Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

100
Tabela 4.1. Relação entre pré-requisitos e níveis de eficiência.
Pré-requisito Nível A Nível B Nível C
4.1.1 Divisão dos circuitos Sim Sim Sim
4.1.2 Contribuição da luz natural Sim Sim
4.1.3 Desligamento automático
do sistema de iluminação
Sim


4.1.1 Divisão de circuitos
O item de divisão de circuitos define que cada ambiente deve possuir no mínimo um
dispositivo de controle manual que permita o acionamento independente da iluminação
interna do ambiente com facilidade, localizado de forma que permita a visão clara de todo
ambiente. Este requisito permite que os usuários de cada ambiente controlem o seu uso,
ajustando a iluminação às suas necessidades específicas.
Para o caso de ambientes com área inferior a 250 m², é permitido um controle para todo
o ambiente. No caso de ambientes com grandes áreas, acima de 250 m², o RTQ-C
determina a divisão do sistema em parcelas menores, de no máximo 250 m², cada uma
com um controle independente, a fim de setorizar o sistema de acionamento quando
houver poucos usuários no local, evitando grandes áreas iluminadas sem ocupação.
Se o ambiente apresenta área maior que 1000 m² (por exemplo, um galpão), então o
sistema de iluminação deve ser dividido em parcelas com áreas máximas de 1000 m². A
Tabela 4.2 sintetiza esta regra.

Tabela 4.2. Relação entre áreas de ambientes e áreas de controle independente.
Área total de piso do
ambiente
Área máxima de piso da parcela iluminada
por um sistema com controle independente
< 250 m² 250 m²
> 250 m² 250 m²
>1000 m² 1000 m²








Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

101
EXEMPLO DE APLICAÇÃO
A Figura 4.1 ilustra a divisão de circuitos de um sistema que ilumina 600 m² de área de
piso. Ele foi dividido em três circuitos de controle, sendo que os dois laterais possuem a
área máxima permitida, de 250 m², e o circuito central possui 150 m². Desta forma, o
sistema completo não necessita permanecer ligado nos momentos em que há
ocupantes somente na área central.

Figura 4.1. Exemplo de divisão de zonas de controle de iluminação em um ambiente com
mais de 250 m².



4.1.2 Contribuição da Luz Natural
Para reduzir a necessidade de uso da iluminação artificial quando há luz natural
suficiente para prover a iluminância adequada no plano de trabalho, o RTQ-C determina
que as luminárias próximas às janelas devem possuir um dispositivo de desligamento
independente do restante do sistema. A Figura 4.2 ilustra dois exemplos de aplicação. As
luminárias não precisam ser alinhadas entre si, mas sim que o sistema seja alinhado às
janelas. Desta forma, o posicionamento das luminárias é também um item importante a
ser considerado no projeto luminotécnico.
600 m²
250 m² 150 m² 250 m²
Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

102

Figura 4.2. Exemplos de circuitos com controle de acionamento perto das janelas.
4.1.3 Desligamento automático do sistema de iluminação
Para evitar ambientes desocupados com iluminação artificial ativada, o RTQ-C determina
a utilização de dispositivos que garantam o desligamento dos sistemas de iluminação
quando ninguém se encontra presente. O RTQ-C estipula três métodos para garantir que
ambientes não ocupados não continuem com o sistema de iluminação ligado.
• um sistema automático com desligamento da iluminação em um horário pré-
determinado. Deverá existir uma programação independente para uma área limite
de até 2500 m²;
• um sensor de presença que desligue a iluminação 30 minutos após a saída de
todos ocupantes;
• um sinal de um outro controle ou sistema de alarme que indique que a área está
desocupada.
A aplicação de um destes métodos é obrigatória para ambientes com área superior a 250
m² para o nível A. É necessário frisar que o cumprimento deste pré-requisito não exclui a
necessidade existir um controle manual no ambiente, proporcionando ao ocupante
flexibilidade de uso. Esta medida, controle independente de acionamento do sistema de
iluminação, visa permitir que os usuários possam controlar o uso da iluminação de acordo
com a necessidade. Já o desligamento automático, visa melhorar o uso do sistema de
iluminação na ausência de usuários. Cada método, portanto, tem objetivos diferentes e o
cumprimento de um não substitui o atendimento ao outro.
Durante este capítulo explica-se como determinar a eficiência do sistema de iluminação
segundo o RTQ-C em diversos tipos de ambientes mostrando exemplos de aplicação.
Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

103
4.2 PROCEDIMENTO DE DETERMINAÇÃO DA EFICIÊNCIA
A definição da eficiência do sistema de iluminação é dada a partir da determinação da
densidade de potência de iluminação relativa final (DPI
RF
), de cada ambiente
separadamente e, por conseguinte, seu equivalente numérico. A partir destes
equivalentes numéricos e através da ponderação pela área de cada ambiente, determina-
se o equivalente numérico do pavimento e do edifício, encontrando por fim o equivalente
numérico e o nível de eficiência do sistema de iluminação artificial.
Para se determinar a Densidade de Potência de Iluminação relativa final, pode-se seguir
um roteiro, encontrando:
• o Índice de Ambiente (K);
• a Densidade de Potência de Iluminação relativa limite (DPI
RL
);
• a Iluminância de Projeto (E
p
), através da NBR 5413 – Iluminância de Interiores;
• a Iluminância Final, através do projeto luminotécnico (E
f
);
• a Densidade de Potência relativa final (DPI
RF
).
A seguir, este processo é mostrado, iniciando-se com o Índice de Ambiente (K).
4.2.1 Determinação do índice de ambiente (K)
O índice de ambiente (K) é uma relação que permite classificar diferentes ambientes,
com base nas áreas, sob o ponto de vista luminotécnico, considerando uma distribuição
padronizada das luminárias. A Equação 4.1 mostra esta relação.

Equação 4.1
Onde:
K: índice de ambiente, [adimensional];
At: Área de teto, [m²];
Apt: Área do plano de trabalho, [m²];
Ap: Área de parede entre o plano iluminante e plano de trabalho, [m²].
A partir do K, determina-se o Fator de utilização (Fu), fornecido nos catálogos dos
fabricantes. O cálculo do Fu inclui as refletâncias do teto, paredes e piso e, portanto, varia
conforme os ambientes. No entanto, alguns fabricantes não fornecem o Índice de
ambiente (K), e sim, o RCR (Room cavity ratio – razão da cavidade do recinto), utilizado
pelo método norte-americano. A relação entre o RCR e o K está apresentada na Equação
4.2.
Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

104


Equação 4.2
4.2.1.1 Variações do índice de ambiente
Para ambientes retangulares a relação pode ser simplificada. A Equação 4.3 é utilizada
para ambientes retangulares com iluminação direta, enquanto a Equação 4.4, é utilizada
para iluminação semi-direta ou indireta.


Equação 4.3
Onde:
K: índice de ambiente, iluminação direta, [adimensional];
C: comprimento total do ambiente, [m];
L: largura total do ambiente, [m];
h: altura entre a superfície de trabalho e o plano das luminárias no teto, [m].


Equação 4.4
Onde:
K: índice de ambiente, iluminação semi-direta e indireta, [adimensional];
C: comprimento total do ambiente, [m];
L: largura total do ambiente, [m];
h': altura entre a superfície de trabalho e o teto, [m].
4.2.1.2 Casos especiais
Em alguns casos o ambiente analisado apresenta algumas diferenciações que
influenciam no cálculo do K. Ambientes com vários níveis e mezaninos, ou ambientes
com setorização de usos com necessidades de iluminação diferentes, necessitam de um
cuidado maior no projeto luminotécnico e no cálculo do K. A qualidade do projeto não é
avaliada pelo RTQ-C.

VÁRIOS NÍVEIS
Em ambientes com mais de um nível, como o mostrado na Figura 4.3, deve-se calcular
vários índices de ambiente, separando-os de acordo com as áreas de sombreamento
causadas pelos mezaninos, e de acordo com a necessidade de inserção de novos pontos
Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

105
de iluminação artificial. Os volumes em que serão calculados os diferentes índices de
ambiente (K), são prismas regulares, a Figura 4.4 mostra a subdivisão do ambiente da
Figura 4.3 de forma não adequada para o cálculo do K. A subdivisão deste ambiente deve
ser realizada como mostrada na Figura 4.5, com os onze setores necessários para o
cálculo do K. Em seguida deve-se calcular um projeto luminotécnico separadamente para
cada setor e, depois de obtido o nível de eficiência de cada um, deve-se fazer uma média
ponderada em função da área do piso por eles compreendida para a obtenção do nível
de eficiência final.

Figura 4.3. Ambiente único, para cálculo do K, com seis níveis diferentes.

Figura 4.4. Setorização errada do ambiente para cálculo do K.
Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

106

Figura 4.5. Setorização correta do ambiente para cálculo do K.

VÁRIAS ATIVIDADES
Alguns ambientes apresentam setores com diferentes usos e, conseqüentemente,
diferentes níveis de iluminação são necessários, como mostrada na Figura 4.6. Nestes
ambientes calcula-se um K para cada setor e, mesmo que as luminárias de um setor
iluminem também o outro, este fator não irá influenciar no cálculo do K; a melhor
distribuição destas deverá ser definida no projeto luminotécnico. Para a verificação do
Fator de utilização, verifica-se o caso da ocorrência de diferentes refletâncias no
ambiente.

Figura 4.6. Planta com layout de setores com usos diferentes q necessitam de níveis de
iluminância diferentes.


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107
DIFERENTES REFLETÂNCIAS
É comum que os ambientes analisados contenham diferentes refletâncias nas paredes,
assim como aberturas e vãos, que devem ser consideradas como sumidouros de luz.
Para a consulta da tabela do Fator de utilização, deve-se considerar a parcela
compreendida pelas refletâncias, e realizar a média ponderada das mesmas. A tabela de
consulta do Fu apresenta apenas alguns valores de refletância para consulta, sendo eles:
70, 50, 30 e 10%. Assim, a refletância a ser utilizada para a verificação será a mais
próxima da refletância média encontrada.

EXEMPLO DE CÁLCULO
O ambiente ‘K10’, da Figura 4.5, representado melhor na Figura 4.7 possui abertura em
uma das paredes e um vão no lugar da outra parede; estes funcionam como sumidouro
ideal de luz, e desconsidera-se a reflexão da luz no vidro. Sabendo que as duas
paredes restantes sejam brancas, e portanto, possuam refletância de 80% temos que:

Figura 4.7. Ambiente K10, detalhes para
cálculo da refletância.
A
p1
= A
p3
=18,0m² (paredes inteiras)
A
p2
=9,6m² (parcela opaca)
A
v2
=9,0m² (parcela de vidro)
A
v4
= 0,9m² (viga)
A
p4
=17,1m² (parede inexistente)
A
tot
=54,6m²





Como a refletância média das paredes encontrada foi igual a 42%, ao consultar a tabela
do fator de utilização deverá utilizar-se 50%.
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108
4.2.2 Determinação da densidade de potência de iluminação
relativa limite (DPI
RL
)
Após a definição do índice de ambiente (K), o segundo passo consiste na consulta à
Tabela 4.1 do RTQ-C. Nesta tabela, conforme o índice de ambiente, são apresentados os
limites máximos de Densidade de Potência de Iluminação Relativa — em W/m
2
/100lux —
para cada nível de eficiência. A observação da tabela, no entanto, mostra limites somente
para os níveis A, B, C e D, enquanto o RTQ-C define cinco níveis de eficiência. Desta
forma, se ultrapassado a Densidade de Potência de Iluminação Relativa Limite (DPI
RL
) do
nível D, a classificação do ambiente é automaticamente E.
A consulta à Tabela 4.1, do RTQ-C, permite fazer o projeto luminotécnico para um dado
nível de eficiência, sabendo o limite máximo da DPI
R
. O valor máximo de DPI
R
de cada
nível de eficiência é chamado de valor limite de Densidade de Potência Relativa (DPI
RL
).
Para fazer o projeto luminotécnico, é necessário conhecer o nível de iluminância média
adequado para a função a ser desempenhada naquele ambiente. Esse nível está
presente na NBR 5413 – Iluminância de Interiores no item 3.4. Este será o valor de
iluminância de projeto (E
P
).
O projeto luminotécnico pode ser realizado através de vários métodos de cálculo como o
método dos lumens ou o método dos pontos. Segue-se um roteiro para o projeto
luminotécnico através do método dos lumens.
O objetivo final do método dos lumens é determinar o número de lâmpadas mínimo que
garanta um valor mínimo de fluxo luminoso (Φ) no plano de trabalho. Este fluxo será
resultado do produto da área do ambiente (A) com o nível de iluminância de projeto
desejado (E
P
), Equação 4.5.

Equação 4.5

Desta forma, conhecendo o fluxo luminoso das lâmpadas em cada luminária, tem-se o
número total de luminárias para um ambiente, dado por:

Equação 4.6

Da Equação 4.5 e Equação 4.6 resultam:

Equação 4.7
Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

109

Equação 4.8
Onde:
n: Número de luminárias do sistema de iluminação artificial;
A: Área do ambiente, [m²];
E
P
: Iluminância de projeto, [lx];
Φ
lum
: Fluxo luminoso da luminária, [lm];
F
u
: . Fator de utilização, [adimensional];
Fd: Fator de depreciação, [adimensional];

O resultado da Equação 4.8 pode não ser um número inteiro. Neste caso, o valor deve
ser arredondado para o maior número inteiro. O número inteiro assim obtido partindo da
Equação 4.8 é multiplicado pelo fluxo luminoso das luminárias para determinação da
iluminância média inicial (E
i
).


Equação 4.9

Determinada a iluminância inicial (E
i
) resta determinar a iluminância no final da vida útil
do sistema de iluminação (E
f
), que corresponde a um período de 24 meses. Este cálculo
é realizado a partir da Equação 4.10, considerando um Fator de depreciação igual a 0,8.


Equação 4.10

Determinada a iluminância final basta conferir se cumpre o nível de eficiência que visa
alcançar. Para tal, tem de verificar dois requisitos:
• Conferir se a Iluminância média final é igual ou superior à Iluminância prescrita na
NBR 5413 para a atividade principal do ambiente;
• Verificar se a Densidade de Potência Instalada Relativa final (DPI
RF
) é menor que
a DPI
RL
para o nível em questão.

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110


E QUANDO K NÃO APARECE NA PRIMEIRA COLUNA DA TABELA?
Um ambiente de 16,00 m de comprido por 13,60 m de largura, com h de 1,60 m.
Aplicando a fórmula, o valor de K seria 2,67. Consultando a tabela novamente, percebe-se
que não há tal valor; após 2,5 o próximo valor é 3. Como proceder neste caso?
Em casos como estes, o regulamento prevê que se faça uma interpolação utilizando os
valores mais próximos determinados na tabela. No caso em questão esse valores seriam
2,5 e 1,83 (K
min
e DPI
RLmin
), mais 3,0 e 1,76 (K
max
e DPI
RLmax
).
Fazendo uma interpolação linear:



Substituindo os valores



Resolvendo chega-se a um DPI
RL
de 1,80 para o K de valor 2,67.
Existem outros dois casos possíveis de valores de K não previstos na tabela:
Valores inferiores a 0,6 (o valor de k mais baixo previsto na tabela);
Valores superiores a 5 (o valor de k mais alto previsto na tabela).
Para valores inferiores 0,6, utilizam-se os valores de DPI
RL
correspondentes ao K 0,6.
Para valores maiores que 5, da mesma forma, utilizam-se os valores de DPI
RL
referentes
ao K de valor 5.
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111


Para conferir se a Iluminância de final é igual ou superior à Iluminância prescrita na NBR
5413 (para a atividade principal do ambiente) basta comparar os valores de E
P
com E
f
.
Ou seja:


Equação 4.11

Para verificar se a DPI
RF
é menor que a DPI
RL
para o nível em questão, procede-se do
seguinte modo:


Equação 4.12

Onde:
DPI
RL
: Densidade de Potência Relativa Limite, [W/m
2
/100lx];
DPI
RF
: Densidade de Potência Relativa Final, [W/m
2
/100lx];
DPI
A
: Densidade de Potência Absoluta, [W/m
2
];
COMO SÃO DEFINIDOS OS NÍVEIS DE EFICIÊNCIA
Os valores que definem os diversos níveis de eficiência são determinados através da
análise de quatro sistemas de iluminação distintos em onze ambientes diferentes (para
testar os quatro sistemas em diferentes s K).
O desempenho de cada um dos quatro sistemas de iluminação em cada ambiente
definiu os valores limites de DPI
RL
para cada nível de eficiência.

Equipamento A B C D
Luminária
Duas lâmpadas
com refletor e
aletas de
alumínio
Duas lâmpadas
com refletor de
alumínio
Duas lâmpadas
sem refletor de
alumínio
Duas lâmpadas
sem refletor de
alumínio
Lâmpada 28W, 2900 m 32W, 2700 lm 32W, 2700 lm 40W, 2600 lm
Reator
Eletrônico 2X28W
perdas – 6W
Eletrônico 2X32W
perdas – 6W
Eletro magnético
2X32W
perdas – 12.5W
Eletro magnético
2X40W
perdas – 15W
Potência total 62,0 W 70,0 W 76,5 W 95,0 W
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112
E
f
: Iluminância final, [lx];
n: Número de luminárias do sistema de iluminação artificial;
P: Potência da luminária, [W];
A: Área do ambiente [m²].

Concluindo, se ambas a condições se verificarem, então o projeto luminotécnico
conseguiu alcançar o nível de eficiência desejado. Caso uma destas duas condições não
se verifique, então será necessário refazer o projeto para que alcance o nível de
eficiência desejado (ou aceitar um nível de eficiência mais baixo para o projeto)

EXEMPLO DE CÁLCULO
Um escritório localizado em um edifício cuja envoltória já obteve classificação decide
obter também a etiqueta parcial para o sistema de iluminação do escritório. A Figura 4.8,
mostra as dimensões deste escritório. As Paredes A e D possuem refletância igual a
0,80; enquanto as paredes C e B, possuem refletância de 0,60; a cobertura tem
refletância de 0,80 e o piso de 0,40.

Figura 4.8.Detalhes do escritório.





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113
EXEMPLO DE CÁLCULO (CONTINUAÇÃO)
1. CÁLCULO DO ÍNDICE DE AMBIENTE
1.1. Determinar número de luminárias
Para o projeto utilizou-se: luminárias Indelpa IDL 2404 2x28w com corpo em chapa de aço
e refletor em alumínio; lâmpadas GE T5 Starcoat de 28W (F28W/T5/830) com fluxo
luminoso de 2900 lm, e Reator eletrônico 2x28w.
ÍNDICE DE AMBIENTE:
h = 2,15m altura entre o plano de trabalho (0,75m) e altura da lâmpada (2,9m).

NÚMERO DE LUMINÁRIAS:
Consultar tabela de Fator de Utilização, do fabricante. Como na tabela não existe o valor
de K correspondente a este ambiente, deve-se interpolar os valores contidos na tabela.
Assim:
Fu = 0,8226
A = 400 m²
φlum = 2900lm/lâmpada = 5800lm/luminária
EP = 500 lx – atividade de escritório.

Arredondando para o próximo número inteiro tem-se 53 conjuntos luminária/lâmpada. No
entanto, para uma melhor distribuição das luminárias serão utilizados 56 conjuntos.
Iluminância inicial e final:
Depois de estabelecido o número de luminárias do ambiente, deve-se verificar se a
iluminância inicial (Ei), e a iluminância final (Ef) são maiores que a iluminância de projeto
(EP):




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114
EXEMPLO DE CÁLCULO (continuação)
2. DETERMINAÇÃO DO NÍVEL DE EFICIÊNCIA
O sistema apresenta uma potência total de 68W, considerando 2 lâmpadas de 28W e
reator eletrônico, incluindo as perdas do reator (12W).
2.1.Cálculo da DPI
A


2.2.Cálculo da DPI
RF


2.3.Definição do DPI
RL
e Nível de Eficiência
Para definição do nível de eficiência energética atingido pelo sistema, deve-se
consultar a Tabela 4.1 do RTQ-C e comparar a DPI
RF
encontrada com a DPI
RL
. Como a
DPI
RF
encontrada é menor que DPI
RL
para o nível A, conforme Tabela 4.3, o EqnumDPI
é igual a 5.
Tabela 4.3. Comparação entre DPI
RF
encontrado e DPI
RL

DPI
RL -
(W/m
2
/100lux)
Índice de Ambiente - K
Nível A Nível B
DPI
RF -
(W/m
2
/100lux)
4,18 1,73 2,15 1,78

3. PRÉ-REQUISITOS
Para o sistema permanecer com esta classificação, o sistema precisa atender a todos
os pré-requisitos:
• Divisão de circuitos – área de 400m². É necessário dividir o circuito em setores,
para que a área atendida por eles não seja maior que 250m².
• Contribuição da Luz Natural –possibilitar o acionamento independentemente da
fileira de luminárias próxima a abertura.
• Desligamento automático do sistema de iluminação – como a área possui mais
de 250m², deve possuir um sistema de desligamento automático.
Para continuar com a classificação A, todos os pré-requisitos devem ser atendidos.

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115
4.2.3 Roteiro para avaliação do nível de eficiência de iluminação
Para avaliação do nível de eficiência do sistema de iluminação, pelo laboratório de
inspeção, deve-se seguir o seguinte roteiro:
1º Passo: identificar os diferentes sistemas de iluminação adotados. Entende-se por
sistema de iluminação o conjunto luminária, lâmpada e reator.
2º Passo: separar os ambientes em zonas de iluminação, de acordo com a densidade de
potencia e distribuição dos sistemas de iluminação.
3º Passo: calcular o índice de ambiente (K) para cada zona de iluminação identificada,
considerando todos os segmentos verticais que compõem a zona (existindo
paredes ou não) para identificar a forma do volume.
4º Passo: para cada zona de iluminação interpolar o DPI
RL
, de acordo com o K, e calcular
o DPI
RF
5º Passo: identificar o nível de eficiência energética para cada zona de iluminação que
compõe o ambiente.
6º Passo: ponderar os EqNumDPI em função da área de cada zona de iluminação, de
forma a encontrar o EqNumDPI do ambiente.
7º Passo: De acordo com o nível de eficiência identificado por ambiente, verificar o
cumprimento dos pré-requisitos.
8º Passo: Determina o EqNumDPI do sistema de iluminação através da ponderação dos
equivalentes numéricos dos ambiente em função das suas áreas.
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116
5 SISTEMA DE CONDICIONAMENTO DE AR
5.1 INTRODUÇÃO
Os sistemas de condicionamento de ar são tratados de dois modos distintos no RTQ-C,
dependendo se os condicionadores são avaliados pelo PBE/INMETRO ou não. Os
sistemas compostos por condicionadores de ar de janela e split, avaliados pelo
PBE/INMETRO, são classificados através do nível de eficiência que o INMETRO atribui a
cada modelo. Os sistemas compostos por condicionadores que não estão abrangidos por
nenhuma norma de eficiência do INMETRO (que se referem principalmente ao sistema
de condicionamento central, mas também incluem alguns tipos de split), por sua vez, são
avaliados através do seu desempenho em relação a certos níveis fornecidos pelo RTQ-C.
A classificação do sistema de condicionamento de ar permite classificações parciais. Isto
significa que se pode certificar somente uma sala, um conjunto de salas, um piso ou parte
de um edifício. Neste aspecto, a classificação do sistema de condicionamento de ar
funciona da mesma forma que a classificação da eficiência da iluminação que também
permite classificações parciais.
5.2 PRÉ-REQUISITOS
A determinação do nível de eficiência de um sistema de condicionamento de ar depende
além do nível de eficiência do equipamento, também do cumprimento do pré-requisito.
Os sistemas de condicionamento de ar compostos por equipamentos do tipo janela ou
split, avaliados pelo INMETRO, possuem pré-requisito apenas para nível de eficiência A.
Este pré-requisito consiste em conferir se a unidade de condicionamento de janela ou a
unidade condensadora do sistema split do ambiente em questão está sempre
sombreada. Caso este pré-requisito não seja cumprido, o nível do equipamento cairá
para B, mesmo ele tendo a etiqueta A do INMETRO.
Os sistemas compostos por condicionadores não avaliados pelo INMETRO, e que
pretendem obter etiqueta A, além de possuir o desempenho desejado, também devem
atender a uma série de requisitos descritos no item 5.4 do regulamento e neste manual.
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117
5.3 CONDICIONADORES DE AR DO TIPO JANELA OU DO TIPO
SPLIT
5.3.1 Cálculo da carga térmica
O cálculo das cargas térmicas deve ser baseado em normas e manuais de engenharia,
como o ASHRAE Handbook of Fundamentals (ASHRAE, 2005) ou NBR 16401.
SISTEMA DE CONDICIONAMENTO CENTRAL
Se a carga térmica de pico da edificação for superior a 350 kW (100TR) o sistema de ar
condicionado deverá ser central, exceto se comprovado que os sistemas individuais
apresentam menor consumo. Neste caso deve-se apresentar o memorial de cálculo de
simultaneidade, comprovando o menor consumo dos sistemas individuais. O cálculo da
simultaneidade consiste na demonstração de todas as cargas dos aparelhos de
condicionamento de ar utilizados.
5.3.2 Eficiência de uma zona com diferentes unidades
O primeiro passo para determinar a eficiência para sistemas compostos por
condicionadores de ar do tipo janela ou split consiste em consultar a eficiência da
unidade (ou unidades) no site do INMETRO. Pode acontecer que o modelo (ou modelos)
consultado não esteja presente no site do INMETRO. Nesse caso, o nível de eficiência da
unidade (ou unidades) não classificada na tabela do INMETRO é definido como E.



Pode acontecer que duas, ou mais, unidades de condicionamento partilhem o mesmo
ambiente. Por exemplo, uma sala de aula que tem três unidades de janela para
condicionamento de ar e que cada uma destas unidades tem potências e eficiência
diferentes; como determinar a eficiência neste caso?
Neste caso, a eficiência de cada unidade deve ser ponderada pela capacidade (potência)
e não pela área, uma vez que todos os aparelhos atendem a em uma mesma área.




Os níveis de eficiência para estes tipos de unidades podem ser consultados na página do
INMETRO: http://www.inmetro.gov.br
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118
EXEMPLO DE CÁLCULO
No seguinte exemplo, um ambiente é servido por três unidades condicionadoras
diferentes com distintas eficiências como se pode se pode ver na Tabela5.1
Tabela5.1: Exemplo de equivalentes numéricos de distintos sistemas
Unidade Potência [Btu/h]
Eficiência da
unidade
Equivalente
numérico
1 7500 B 4
2 9000 C 3
3 12000 C 3

Para poder calcular a classificação deste ambiente é necessário ponderar as eficiência
de cada unidade pela potência, da seguinte forma:
Soma da potência de cada unidade. No caso em questão:
7500+9000+12000 = 28500 Btu/h
Divide-se a potência de cada unidade pela soma da potência das três unidades
obtendo o coeficiente de ponderação de cada ambiente:
Tabela5.2: Exemplo de ponderação por potência
Unidade Potência [Btu/h]
Coeficiente de
ponderação
1 7500 0,26
2 9000 0,32
3 12000 0,42
TOTAL 28500 1,00

Multiplica-se o coeficiente de ponderação de cada unidade pelo Equivalente numérico
de eficiência:







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119
EXEMPLO DE CÁLCULO (continuação)
Tabela 5.3: Exemplo de determinação de eficiência através ponderação por potência
Ambiente
Equivalente
numérico
Coeficiente de
ponderação
Resultado ponderado
1 4 0,26 1,04
2 3 0,32 0,96
3 3 0,42 1,26
TOTAL 3,26

O resultado ponderado é comparado na tabela de classificação e assim:
2,5 < 3,26 < 3,5
Assim, o nível de eficiência tem valor C.



5.3.3 Eficiência de vários ambientes
Após coletar os dados de eficiência do aparelho, procede-se à ponderação das áreas,
caso seja necessário. No caso de classificar somente uma sala com uma unidade de
janela ou split, então a eficiência do sistema de condicionamento de ar será igual à
eficiência do aparelho em questão, desde que os pré-requisitos sejam cumpridos. O pré-
requisito, neste caso, reporta-se somente ao nível de eficiência A e consiste em conferir
se a unidade de condicionamento de janela ou a unidade condensadora do sistema split
do ambiente em questão está sombreada permanentemente.
Na maioria dos casos, pretende-se obter a classificação de um conjunto de diferentes
ambientes, várias salas, diversos pisos. Neste caso, deve-se primeiro determinar o nível
de eficiência de cada unidade independente, seja esta de janela ou split. Depois,
determina-se a área que cada unidade independente de condicionamento de ar atende.
Na posse destes dois tipos de dados, calcula-se uma média de eficiência para cada
ambiente, ponderada por área.




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120
EXEMPLO DE CÁLCULO
Um escritório deseja obter a etiqueta do nível de eficiência energética. Este escritório
possui um aparelho condicionador de ar em cada uma de suas salas. A Tabela 5.4
apresenta os dados necessários para a determinação da classificação final.
Tabela 5.4. Dados para exemplo de cálculo de eficiência de vários ambientes
Ambiente Área [m²] Eficiência da unidade Equivalente numérico
1 20 B 4
2 40 C 3
3 50 C 3
4 45 A 5

Para se calcular a classificação geral pondera-se as eficiências de cada ambiente por
área da seguinte forma:
Soma da área de todos os ambientes. No caso em questão:
20+40+50+45 = 155m² ;
Divide-se a área de cada ambiente pela área total dos quatro ambientes obtendo o
coeficiente de ponderação de cada ambiente.
Tabela 5.5. Exemplo de ponderação por área
Ambiente Área [m²] Coeficiente de ponderação
1 20 0,13
2 40 0,26
3 50 0,32
4 45 0,29
TOTAL 155 1,0

Multiplica-se o coeficiente de ponderação de cada ambiente pelo equivalente numérico
de eficiência:




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121
EXEMPLO DE CÁLCULO (continuação)
Tabela 5.6. Exemplo de determinação da eficiência de um ambiente de vários ambientes

Ambiente
Equivalente
numérico
Coeficiente de
ponderação
Resultado ponderado
1 4 0,13 0,52
2 3 0,26 0,78
3 3 0,32 0,96
4 5 0,29 1,45
TOTAL 3,71

O resultado numérico é comparado com a tabela de classificação, Tabela 2.2 do
regulamento:
3,5 < 3,71 < 4,5
Assim, o nível de eficiência tem valor B.



5.3.4 Eficiência de dois ou mais sistemas independentes
Quando no mesmo edifício existe mais de um sistema independente de condicionamento
de ar, o nível geral de eficiência do mesmo é determinado através da ponderação das
eficiências de cada um dos sistemas. Esta ponderação é feita em três passos:
• Determinar a eficiência de cada um dos sistemas individualmente;
• Ponderar as áreas servidas a partir de cada sistema em relação ao total do
edifício, ou em relação à parte do edifício cuja eficiência se almeja determinar;
• Calcular a eficiência total do edifício, ou parte do edifício, através da média
ponderada por área da eficiência de cada sistema.












Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

122
EXEMPLO DE CÁLCULO
Para a determinação do nível de eficiência energética de um edifício de escritórios
onde a climatização das áreas comuns é feita por um sistema central de
condicionamento de ar e os gabinetes são climatizados por unidades de janela. Neste
caso, a eficiência do sistema de condicionamento seria igual à área das zonas comuns
ponderada pela eficiência do sistema central de condicionamento com a média
ponderada por área de cada gabinete com a eficiência dos sistemas de
condicionamento de janela respectivo.
Tabela 5.7: Exemplo de cálculo de eficiência do sistema de condicionamento de ar com
diferentes sistemas de condicionamento de ar
Sistema Área [m²]
Eficiência do
sistema
Equivalente
numérico
Sistema central de
condicionamento
300 A 5
Unidade de janela 10 C 3
Unidade de janela 10 B 4
Split 40 B 4

Para poder calcular a classificação geral precisa-se ponderar as eficiências de cada
ambiente pela área da seguinte forma:
Soma da área de todos os ambientes. No caso em questão:
300+40+10+10 = 360m²
Divide-se a área de cada ambiente por a área total dos quatro ambientes obtendo o
coeficiente de ponderação de cada ambiente.
Tabela5.8: Exemplo de ponderação por área de ambientes
Ambiente Área [m²]
Coeficiente de
ponderação
1 300 0,83
2 10 0,03
3 10 0,03
4 40 0,11
TOTAL 360 1,00



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123
EXEMPLO DE CÁLCULO (continuação)
Multiplica-se o coeficiente de ponderação de cada ambiente pelo equivalente numérico
de eficiência:
Tabela5.9: Exemplo de determinação de eficiência
Ambiente
Equivalente
numérico
Coeficiente de
ponderação
Resultado ponderado
1 5 0,83 4,17
2 3 0,03 0,08
3 4 0,03 0,11
4 4 0,11 0,44
TOTAL 4,81

O resultado numérico é comparado com a tabela de classificação, Tabela 2.2 do RTQ-
C:
4,5 < 4,81 < 5,0
Assim, o nível de eficiência tem valor A.

5.4 SISTEMAS DE CONDICIONAMENTO DE AR NÃO
REGULAMENTADOS PELO INMETRO
5.4.1 Sistemas compostos por Condicionadores de Ar de Janela
e Split
Os condicionadores de ar dos tipos janela e split, não avaliados pelos INMETRO, devem
atender às condições estabelecidas na Tabela 5.1 do RTQ-C, para obter as classificações
A e B; na Tabela 5.4 para classificação C; e, na Tabela 5.7 para obter a classificação D.
Para obtenção da classificação A, a unidade de condicionamento de janela ou a unidade
condensadora do sistema split deverá estar sempre sombreada. Aparelhos com eficiência
menores que as listadas nestas tabelas terão classificação E. O valor do COP presente
nestas tabelas refere-se à eficiência de resfriamento dos aparelhos de condicionamento
de ar.
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124
5.4.2 Sistemas Centrais de Condicionamento de ar
Os sistemas centrais de condicionamento de ar não são avaliados pelo INMETRO, desta
forma sua classificação deverá ser feita através da consulta dos requisitos mínimos
presentes em uma seqüência de tabelas apresentadas no RTQ-C. De acordo com a
classificação desejada deve-se consultar uma tabela específica:
• Nível A:
o resfriadores de líquido - Tabela 5.2,
o condensadores e torres de arrefecimento – Tabela 5.3,
o atender aos requisitos (itens 5.4.3 a 5.4.8 do RTQ-C);
• Nível B:
o resfriadores de líquido - Tabela 5.2,
o condensadores e torres de arrefecimento – Tabela 5.3;
• Nível C:
o resfriadores de líquido - Tabela 5.5,
o condensadores e torres de arrefecimento – Tabela 5.6;
• Nível D:
o resfriadores de líquido - Tabela 5.8;
• Nível E:
o quando não se enquadrar em nenhum dos itens acima.
5.4.3 Controle de Temperatura por zona
5.4.3.1 Geral
Cada zona térmica deverá ter sua temperatura controlada por um termostato, sendo que
cada termostato dever atender a apenas uma zona térmica. Pode, entretanto, existir um
termostato que controla um sistema perimetral que está inserido em duas ou mais zonas
térmicas.
Nestes casos, normalmente tem-se dois sistemas em uma mesma zona térmica, o
sistema perimetral que tem a função de retirar as cargas recebidas pela envoltória do
edifício, como mostrado na Figura 5.1, e o sistema interno que tem a função de retirar as
demais cargas da zona térmica. Para o controle dos sistemas periféricos pode-se utilizar
um termostato em mais de uma zona, desde que dispostos em fachadas com a mesma
orientação e com uma distância máxima de 15 m entre eles.
Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

125

Figura 5.1. Esquema do sistema de condicionamento de ar periférico.
5.4.3.2 Faixa de temperatura de controle
A faixa de temperatura de controle (deadband) é utilizada em sistemas que atuam sobre
resfriamento e aquecimento, e é estabelecida para que não haja sobreposição das
cargas de resfriamento sobre a demanda de aquecimento, e vice-versa. O intervalo
mínimo de 3ºC, como mostrado na Figura 5.2, é definido no regulamento para evitar que
cargas “falsas” sejam geradas pelo próprio sistema, que deverá compensá-las. Por
exemplo, se há resfriamento no ambiente e a temperatura interna atinge o set point de
21ºC, o sistema de resfriamento será desligado e o aquecimento não será ligado, pois ele
estará programado para funcionar apenas se a temperatura for reduzida a menos de
18ºC, considerando deadband igual é de 3°C. A faixa de temperatura de controle garante,
portanto, que o sistema de aquecimento seja ligado automaticamente somente se a
temperatura cair naturalmente.

Figura 5.2. Faixa de temperatura de controle.
5.4.3.3 Aquecimento suplementar
A capacidade de aquecimento da bomba de calor diminui à medida que a temperatura
externa cai, para suprir esta deficiência e atender a demanda pode-se utilizar juntamente
com a bomba de calor uma resistência elétrica. No entanto, é necessário que haja o
Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

126
controle desta resistência, de forma que só entre em funcionamento quando a bomba de
calor não for suficiente para atender a carga de aquecimento. Há três casos em que a
resistência pode ser necessária:
• durante os ciclos de degelo da serpentina;
• para complementar a capacidade da bomba de calor, o que exige termostato
específico para este controle;
• para substituir a bomba de calor quando a temperatura externa for muito baixa
(abaixo de 4ºC), o que impede o uso da bomba da calor por risco de
congelamento.
5.4.3.4 Aquecimento e resfriamento simultâneo
Quando os equipamentos de aquecimento e resfriamento, que atendem a uma zona
térmica, são distintos, ou em ambientes muito grandes e climatizados por mais de uma
unidade, é possível ocorrer simultaneamente aquecimento e resfriamento do ar;
acarretando em um maior consumo de energia.
Como requisito para obtenção do nível A, é necessário a existência de um controle que
evite o aquecimento e o resfriamento simultâneo.
Da mesma forma, para a obtenção do nível A o sistema de forma geral não poderá fazer
uso de reaquecimento seja para controle de temperatura ou umidade. Entretanto, existem
casos em que algumas salas com controle preciso de temperatura e umidade podem
fazer uso deste recurso (aquecimento e resfriamento simultâneo), e mesmo assim a
edificação conseguir obter a classificação A se o somatório das áreas destas salas for
pequeno em relação à área total climatizada do edifício, pois a ponderação por área pode
manter o edifício no nível de eficiência A.
5.4.4 Automação
Com a finalidade de evitar que o sistema de condicionamento de ar funcione quando o
edifício está desocupado, deve-se adotar pelo menos um dos sistemas de automação
descritos no RTQ-C.
5.4.5 Isolamento de zonas
Este requisito evita o suprimento de ar condicionado em grandes áreas não ocupadas
durante o funcionamento do restante do edifício. Sistemas do tipo volume de ar variável
(VAV, Variable Air Volume) atendem a esta situação, sendo que as áreas isoladas devem
possuir sistemas de automação, como os descrito no item 5.4.3 do RTQ-C, para desativar
Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

127
os suprimentos de ar.
Os sistemas VAV costumam apresentar uma vazão mínima por zona (em geral, 30% da
vazão total para aquela zona). Assim, o projeto deve incluir um registro extra (damper)
para bloquear a vazão mínima que entraria desnecessariamente na zona não ocupada.

EXEMPLO DE APLICAÇÃO
Uma escola possui um sistema central de condicionamento de ar, que atende todo o
edifício. Como o auditório é ocupado em horário diferente ao das salas de aula, esta
zona térmica deve ser isolada do restante do edifício. Desta forma, durante o período
de aulas, em que o auditório não está sendo utilizado, esta zona será desativada. O
caso contrário também é válido, o sistema de condicionamento deve funcionar
adequadamente para o auditório quando o restante da escola não for utilizado e,
portanto, não estiver condicionado.

5.4.6 Controles e dimensionamento do sistema de ventilação
5.4.6.1 Controles de sistemas de ventilação para áreas com altas taxas de
ocupação
Os sistemas de ventilação com taxa de insuflamento de ar externo superior a 1400 l/s
(5040 m³/h), devem possibilitar a redução automática da renovação do ar, quando os
ambientes estiverem parcialmente ocupados. Uma forma de fazer isto é através de
sensores de CO
2
, que indicarão quando a taxa de ocupação é parcial e, portanto, quando
e quanto é necessário reduzir a taxa de renovação de ar.
5.4.6.2 Ciclo economizador.
O ciclo economizador é interessante para ambientes com significativa carga interna em
momentos em que as condições de temperatura e umidade do ambiente externo são
amenas, como em instalações de uso noturno como casas de entretenimento, boates ou
teatros, situadas em cidades onde ocorrem condições amenas com freqüência.
Para a obtenção do nível A o sistema deverá apresentar ciclo economizador sempre que
o custo benefício for favorável (RCB≤ 0,80).
Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

128
5.4.6.3 Sistemas de exaustão
O fechamento dos sistemas de exaustão através de dampers motorizados ou acionados
gravidade visa garantir a qualidade do ar no interior dos ambientes ao evitar a entrada de
poluentes, insetos e outros, através do sistema quando o mesmo se encontra desligado.
5.4.6.4 Acionamento otimizado
Sistemas de ventilação com capacidade nominal maior que 5000 l/s (18000 m³/h) devem
possuir controles de acionamento gradual automático. Este controle visa evitar picos de
demanda no acionamento de grandes ventiladores, sendo assim ligados gradualmente
até alcançarem a potência desejada.
5.4.7 Recuperação de calor
Ventiladores individuais com capacidade de insuflamento de ar nominal maior que 2400
l/s (8640 m³/h), devem utilizar recuperador de calor em sistemas que trabalham com 70%
de ar externo ou mais, ou seja, quando a renovação de ar é elevada e, portanto, é
interessante pré-aquecer ou pré-resfriar este ar externo, aproveitando a energia do ar
exaurido.
As exceções envolvem casos como:
• sistemas em que os ambientes não são resfriados ou que necessitam de pouco
aquecimento;
• quando os fluxos de ar são pequenos (vazão de exaustão menor que 75% da
vazão de ar externo);
• quando a exaustão (ar descartado) contém poluentes que podem danificar o
recuperador de calor, como gases tóxicos, fumaça corrosiva ou gordura;
• quando o pré-aquecimento já é realizado por outro sistema.
No recuperador de calor ocorre a troca de calor entre o ar de renovação e o ar de
exaustão, conforme ilustrado na Figura 5.3.

Figura 5.3. Esquema do funcionamento de um recuperador de calor.
Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

129
São exemplos de tipos de recuperadores de calor:
• Roda de entalpia:
o Eficiência elevada;
o Necessita uma renovação periódica de componentes;
o Pode haver contaminação entre os fluxos de ar.
• Trocador de placas plásticas ou alumínio
o Eficiência reduzida em relação ao primeiro devido à troca exclusiva de
calor sensível.
• Trocador de placas higroscópicas
o Trocas de calor sensível e latente, porém com eficiência reduzida neste
último;
o Elevada durabilidade.
5.4.8 Controles e dimensionamento dos sistemas hidráulicos
Os sistemas de condicionamento de ar com sistema hidráulico com bombas com
potência superior a 7,5kW devem atender aos requisitos descritos abaixo.
5.4.8.1 Sistemas de vazão de líquido variável
Os sistemas de bombeamento hidráulico que apresentam válvulas de controle para abrir
ou fechar de acordo com a carga térmica, devem possuir inversores de freqüência, para
reduzir a vazão da bomba para 50% da vazão de projeto, ou menos.
Mesmo com a redução da vazão da bomba, a pressão deve ser tal que garanta que a
água, ou o líquido refrigerante, alcance todos os pontos. Para tanto, o RTQ-C sugere a
medição da pressão diferencial no trocador de calor mais distante, ou no de maior
pressão. No entanto, o ponto ideal de medição deve ser definido pelo projetista, dada a
diferença de cada projeto.
5.4.8.2 Isolamento de bombas
Quando existir mais de um resfriador de líquido, em uma central de água gelada, deve-se
assegurar que quando um resfriador for desligado a vazão da central seja reduzida
automaticamente.
5.4.8.3 Controles de reajuste da temperatura de água gelada e quente
O reajuste da temperatura de água gelada e quente aumenta a eficiência do sistema e
Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

130
reduz as perdas de calor nas tubulações. Controles para reajuste automático da
temperatura de suprimento de água gelada e quente devem ser implantados em sistemas
com capacidade de projeto maior que 88kW (25TR). Este controle pode ser feito de duas
formas:
• baseado na temperatura de água de retorno, que representará as cargas
existentes no edifício. Este controle deve ser feito com cuidado, uma vez que
mostra a média requerida pelo sistema. Ou seja, quando uma zona térmica
funciona próxima as condições de projeto, e as outras com baixa carga térmica, a
primeira zona térmica provavelmente não manterá suas condições térmicas.
• baseado na temperatura externa.
5.4.9 Controles e dimensionamento dos sistemas hidráulicos
Este item aplica-se ao equipamento de rejeição de calor usado em sistemas de
condicionamento de ar tais como condensadores a ar, torres de resfriamento abertas,
torres de resfriamento com circuito fechado e condensadores evaporativos.
Nestes sistemas, cada ventilador acionado por um motor com potência igual ou superior
a 5,6kW deve poder operar em carga parcial, além de possuir controles que mudem
automaticamente a velocidade do ventilador para controlar a temperatura de saída do
fluido do dispositivo de rejeição de calor ou temperatura/pressão de condensação do
dispositivo. A possibilidade de operar com velocidade variável reduz significativamente o
consumo de energia.

Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

131
6 SIMULAÇÃO
O processo de certificação realizado através da simulação não descarta o método
prescritivo. Ele é utilizado para comprovar que, em certos casos, a utilização de
parâmetros diferentes que os determinados no RTQ-C geram uma maior economia de
energia, mantendo o conforto do ambiente.
6.1 PRÉ-REQUISITOS ESPECÍFICOS
Para a avaliação do edifício utilizando a simulação deve-se atender aos pré-requisitos
estabelecidos quanto ao programa utilizado para a simulação e quanto ao arquivo
climático utilizado na simulação. Estas exigências têm a intenção de garantir a obtenção
de resultados coerentes, no que se refere ao programa e arquivo climático utilizados.
6.2 PROCEDIMENTOS PARA SIMULAÇÃO
O processo de avaliação do edifício através da simulação utiliza dois modelos do edifício:
um modelo real, com todas as características do edifício avaliado; e um modelo de
referência, similar ao modelo real, com características de acordo com o nível pretendido.
O modelo de referência deverá passar pelo método prescritivo, para determinação de
alguns parâmetros deste modelo, conforme o nível de eficiência pretendida.
Após determinadas as características dos dois modelos, real e de referência, os dois
deverão ser simulados no mesmo programa de simulação, utilizando o mesmo arquivo
climático. A partir dos resultados das simulações deve-se obter que o projeto proposto,
modelo real, tem um consumo de energia anual igual ou menor que o edifício de
referência para o nível pretendido.
6.2.1 Edifícios condicionados artificialmente
Os edifícios condicionados artificialmente podem ser submetidos à classificação do nível
de eficiência, através da simulação, tanto para a etiqueta geral quanto para as etiquetas
parciais. Para tanto, dois modelos serão comparados, o modelo real e o de referência,
onde o modelo real deve ser desenvolvido de acordo com a etiqueta desejada, geral ou
parcial. A Tabela 6.1 apresenta um esquema dos requisitos necessários para o modelo
real para a obtenção de cada uma das etiquetas.
Para a avaliação ser possível os dois modelos devem ser simulados no mesmo
programa, utilizando o mesmo arquivo climático. Além disso, cada modelo possui suas
Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

132
especificidades, descritas nos próximos tópicos.
Tabela 6.1. Síntese dos sistemas necessários para o modelo real para as etiquetas geral e
parciais.
Modelo Real
Etiqueta
Envoltória Iluminação
Condicionamento
de Ar
ENCE Geral
Características do
Ed. proposto
Características do
Ed. Proposto
Características do
Ed. Proposto
ENCE Parcial – Envoltória
Características do
Ed. proposto
Igual ao modelo de
referência
Igual ao modelo de
referência
ENCE Parcial – Envoltória e
Sistema de Iluminação
Características do
Ed. proposto
Características do
Ed. proposto
Igual ao modelo de
referência
ENCE Parcial – Envoltória e
Sistema de
Condicionamento de Ar
Características do
Ed. proposto
Igual ao modelo de
referência
Características do
Ed. Proposto

6.2.1.1 Características em comum para o Modelo do Edifício Real e de
Referência
Os dois modelos possuem algumas características que são iguais, o que permite que os
mesmos sejam comparados, e possibilita a avaliação dos sistemas em questão. Assim:
GEOMETRIA – devem possuir as mesmas dimensões: mesma planta e volume.
ORIENTAÇÃO – não é possível avaliar comparativamente dois edifícios se estes possuírem
orientações diferentes. Os dois modelos devem ter a mesma orientação em relação ao
norte geográfico, ou seja, o volume e as aberturas devem estar voltados para a mesma
orientação, conforme a orientação do edifício proposto em projeto.
EQUIPAMENTOS – ambos os modelos devem apresentar a mesma densidade de carga
interna (DCI) mesma potência instalada, assim como o padrão de uso, freqüência com
que estes são utilizados, e horas de uso. Tanto a DCI quanto o padrão de uso devem ser
iguais à DCI e ao padrão de uso que realmente ocorrem, ou previsto para o edifício real.
PESSOAS – deve-se considerar nos dois modelos o mesmo número de pessoas,
praticando as mesmas atividades (metabolismo), com o mesmo calor dissipado e o
mesmo padrão de ocupação.
CONDICIONAMENTO DE AR – deve-se utilizar o mesmo sistema de condicionamento de ar
(janela, split ou central) nos dois modelos, no entanto, para o modelo de referência deve-
se utilizar o COP mais baixo do nível de eficiência desejado, ou seja, o limite mínimo para
Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

133
determinado nível de eficiência. A Figura 6.1 mostra os limites de eficiência, definidos
pelo INMETRO, para o caso de referência utiliza-se o nível de eficiência mínimo da
tabela. Estes limites são frequentemente atualizados pelo INMETRO, os dados
apresentados aqui foram retirados da tabela de maio de 2009. Além disso, deve-se
cumprir os pré-requisitos do capítulo 5, do RTQ-C.

Coeficiente de eficiência energética (CEE)
Classes
Mínimo Máximo
A 2,94
B 2,76 2,94
C 2,58 2,76
D 2,39 2,58
E 2,39
Figura 6.1. Limites de eficiência, definidos pelo INMETRO, de condicionadores de ar do tipo
split., para cada nível de eficiência.
6.2.1.2 Modelo do Edifício Real
Este modelo deve representar o edifício real, com os seus parâmetros construtivos, assim
como os sistemas a serem avaliados. Desta forma, a envoltória do modelo real deve
possuir as mesmas características do edifício real, como transmitâncias, PAF
T
, PAZ,
ângulos de sombreamento e outros parâmetros.
Caso exista mais de um sistema de condicionamento de ar, todos eles devem ser
representados no modelo real. Da mesma forma, quando possuírem padrão de uso
diferenciado de acordo o período do ano, ou a utilização de ventilação natural, estes
devem ser modelados e comprovada as condições de conforto térmico nestes ambientes.
O sistema de iluminação deve ter a mesma DPI que o edifício proposto, no entanto, as
cargas de iluminação externas não devem ser consideradas.
6.2.1.3 Modelo do Edifício de Referência
Este modelo serve de base na comparação com o modelo real, devendo atender as
condições e características para obter o nível de eficiência desejado para o edifício
proposto. Assim, pode ser necessário o desenvolvimento de quatro modelos de
referências, uma para cada nível de eficiência, A, B, C e D. O modelo deve ter tais
características que o levem a ter o nível de eficiência pretendida, para cada um dos
sistemas, assim como para a classificação geral.
Desta forma, o sistema de condicionamento de ar deve estar de acordo com as tabelas
Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

134
do capítulo 5, do RTQ-C. Da mesma forma, a DPI deve ser definida através da Tabela
4.1, do RTQ-C, de acordo com o nível de eficiência pretendida.
O mesmo acontece com a envoltória, que deve ser definida de tal forma que obtenha o
nível de eficiência desejada, no entanto, alguns de seus parâmetros são fixos. A
transmitância térmica e a absortância solar devem ter os valores máximos definidos no
item 3.1 do RTQ-C, para o nível de eficiência desejado. O PAF
T
deve ser calculado de
forma que se obtenha o maior percentual de abertura possível para se obter o nível
desejado, mas com os seguintes parâmetros:
• AVS=0 e AHS=0;
• Vidro simples, 3 mm, com FS=0,87.
O modelo de referência, apesar de possuir um PAF
T
diferente, deve possuir aberturas
distribuídas de acordo com o modelo real. Ou seja, se o edifício proposto possuir abertura
somente em duas fachadas, tanto o modelo real quanto o de referência devem possuir
abertura somente nestas fachadas, respeitando as proporções do modelo proposto.
O modelo de referência não possui proteção solares, tais como brises e marquises; no
entanto, quando o sombreamento é provocado por outro elemento da edificação, este
deve ser modelado, mesmo quando não é relevante para as trocas térmicas. Para o
modelo de referência não devem ser considerados os sombreamentos causados por
outros edifícios.

Caso o edifício proposto possua iluminação zenital, com um PAZ maior que 5%, o modelo
de referência deve possuir um PAZ de 2%, com vidro simples, de 3 mm e FS de 0,87.

As zonas térmicas que possuem condicionamento térmico devem ser modeladas com o
mesmo sistema presente no modelo real, porém o COP utilizado deverá ser referente à
classificação almejada. Para os sistemas que possibilitam aquecimento do ar o COP
utilizado pode ser considerado 75% do COP de resfriamento quando este valor não for
especificado pelo fabricante, bombas de calor podem ter COP de 90% do COP de
resfriamento. O COP de resfriamento é apresentado na Tabela 5.1 do RTQ-C.

A Tabela 6.2 apresenta um resumo dos detalhes necessários para cada um dos modelos.



Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

135
EXEMPLO DE CÁLCULO
Um edifício localizado em Cuiabá, Zona Bioclimática 7, pretende obter classificação do
nível de eficiência através do processo da simulação, pretendendo obter etiqueta A
para envoltória. O edifício proposto possui abertura em apenas duas fachadas, com FF
de 0,39 e FA de 0,33, o modelo real está demonstrado na Figura 6.2. Determinar o
PAF
T
e a sua distribuição no modelo de referência.

Figura 6.2. Modelo Real do edifício proposto, para avaliação através do processo de
simulação.
Para o cálculo do PAF
T
do modelo de referência adota-se:
FF e FA = edifício proposto
FF=0,50 e FA = 0,33
AVS = AHS = 0
FS = 0,87
Primeiro deve-se determinar o IC para a classificação desejada, a partir da equação do
IC para a zona bioclimática 7. Os valores utilizados para o cálculo do IC
máx
e IC
mín
, são
encontrados nas Tabelas 3.2 e 3.3 do RTQ-C. Assim:
= 167,94


IC
máx A
= 160,61

Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

136
EXEMPLO DE CÁLCULO (continuação)
A partir do IC máximo para obtenção da etiqueta A calcula-se o PAF
T
do modelo de
referência.

PAF
T
= 0,0863
O modelo de referência terá abertura em 8,63% de sua fachada. A Figura 6.3 mostra
um modelo de referência com abertura nas quatro fachadas, com um PAF
T
de 8,63%, o
que não é correto, uma vez que não representa o edifício proposto.
O modelo de referência deverá ter as aberturas distribuídas nas mesmas fachadas e
com mesma proporção que o edifício proposto. Desta forma, a Figura 6.4 mostra a
maneira correta do modelo de referência, para etiqueta A, para o edifício estudado.

Figura 6.3. Modelo de Referência com
aberturas não proporcionais ao edifício
proposto.
Figura 6.4. Modelo de Referência correto.


Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

137
Tabela 6.2. Síntese das características do Modelo Real e do Modelo de Referência
Característica do edifício Modelo de Referência Modelo Real
Geometria – dimensões Igual ao edifício proposto Igual ao edifício proposto
Orientação Igual ao edifício proposto Igual ao edifício proposto
Carga interna (DCI) Igual ao edifício proposto Igual ao edifício proposto
Padrão de uso: Equipamentos e
Pessoas
Igual ao edifício proposto Igual ao edifício proposto
Sistema de condicionamento de
ar
Igual ao edifício proposto com
COP mín. do nível desejado
Igual ao edifício proposto
Envoltória
PAZ
PAF
T

AVS e AHS
Tipo de vidro
Fator solar
Transmitância térmica
Absortância Solar

Se existe no real PAZ= 2%
Calcular através do IC
AVS=AHS=0
Vidro simples, 3 mm
FS=0,87
Máx. p/ eficiência desejada
Máx. p/ eficiência desejada
Igual ao edifício proposto
Sistema de iluminação
DPI máx. p/ eficiência
desejada – Tabela 4.1 do
RTQ-C
Igual ao edifício proposto


6.2.1.4 Sistema de condicionamento de ar
O sistema de condicionamento deve ser representado nos dois modelos de acordo com o
sistema implantado no edifício proposto. No entanto, o modelo de referência deve possuir
todos os requisitos possíveis de serem simulados, e COP referentes ao nível de
eficiência almejado.
Assim, sistemas centrais de condicionamento de ar, propostos a atingir o nível de
eficiência A devem possuir em seu modelo todos os requisitos listados nos itens 5.4.1 a
5.4.8 do RTQ-C possíveis de simular, de acordo com o programa de simulação escolhido.
Utilizando o programa EnergyPlus como exemplo, temos que alguns itens estão incluídos
nos recursos do programa e são calculados de forma automática, desde que modelados.
Exemplos são: ‘faixa de temperatura de controle’; ‘aquecimento suplementar’,
‘aquecimento e resfriamento simultâneo’, ‘ciclo economizador’, etc.
Outros itens não são modelados diretamente, por exemplo: o item de ‘automação’, que
pode ser determinado através de padrões de uso; o item ‘controles e dimensionamento
do sistema de ventilação’ que deve utilizar a fórmula da Tabela 5.9 do RTQ-C e inserir o
valor encontrado no programa. O item ‘controles de sistemas de ventilação para áreas
Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

138
com altas taxas de ocupação’ deve estar associado ao padrão de uso e ocupação, e ter a
opção fluxo/pessoa ativada.
6.2.2 Edifício naturalmente ventilados ou não condicionados
Edifícios que possuem ventilação natural ou áreas de longa permanência não
condicionadas devem comprovar que estes ambientes possuem um percentual de horas
dentro da zona de conforto. Para tanto deve-se comprovar por meio de simulação qual o
percentual de horas ocupadas está na zona de conforto, também é necessário especificar
qual foi o método utilizado para determinação do conforto, ver capítulo de definições.
A simulação será necessária sempre que se pretender obter a etiqueta geral e existirem
áreas não condicionadas (ANC), mesmo quando for utilizado o método prescritivo. No
entanto, a avaliação de edifícios pelo método prescritivo ou pelo método de simulação é
realizada de forma diferente para cada um dos métodos. Para o método de simulação
deve-se realizar a simulação do modelo real, conforme item 6.2.1 do manual e verificar se
as áreas não condicionadas atendem as condições de conforte.
Para avaliação segundo o método prescritivo deve-se seguir o método descrito
anteriormente e realizar a simulação para verificar as condições de conforto dos
ambientes de longa permanência não climatizados. Após a verificação da porcentagem
do número de horas ocupadas dentro da zona de conforto, deve-se consultar a Tabela 6.1
do RTQ-C para verificar o nível de eficiência de cada ambiente. Em seguida pondera-se
os níveis encontrados em função da área dos ambientes, chegando ao EqNumV
(Equivalente Numérico de Ventilação) que será utilizado para a obtenção da etiqueta
geral do edifício.
EXEMPLO DE CÁLCULO
Uma escola tem a intenção de obter a ENCE geral através do método prescritivo,
contudo possui algumas salas sem condicionamento térmico. Para tanto, é necessário
que se verifique as condições de conforto nestas salas; esta verificação será realizada
através da simulação destes ambientes e da comparação do percentual de horas
ocupadas em conforto com os limites determinados pelo regulamento.
Após a simulação analisou-se, dentro do número de horas ocupadas, qual a
porcentagem de horas que apresentavam conforto térmico. A Tabela 6.3 mostra os
resultados encontrados, e o nível de eficiência resultante para cada um dos ambientes.

Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

139

EXEMPLO DE CÁLCULO (continuação)
Tabela 6.3. Exemplo de Porcentagem de horas ocupadas em conforto
Ambiente
Porcentagem de horas
ocupadas em conforto
(POC)
Nível de
Eficiência
Recepção 82% A
Sala de Aula A 54% D
Sala de Aula B 85% A
Sala de Aula C 79% B
Sala de leitura 81% A
Laboratório de Física 63% C
Laboratório de Biologia 71% B

O passo seguinte é verificar o EqNumV, ponderando o nível de eficiência encontrado
pela área de cada ambiente, conforme a Tabela 6.4.
Tabela 6.4. Exemplo de determinação de eficiência através ponderação pela área
Ambiente
Equivalente
Numérico
Área [m²]
Coeficiente
ponderação
EqNumV
ponderado
Recepção 5 100 0,22 1,08
Sala de Aula A 2 40 0,09 0,17
Sala de Aula B 5 50 0,11 0,54
Sala de Aula C 4 50 0,11 0,43
Sala de leitura 5 30 0,06 0,32
Laboratório de Física 3 82 0,18 0,53
Laboratório de Biologia 4 112 0,24 0,97
Total 464 1,00 4,04

Após a ponderação pelas áreas encontrou-se um EqNumV de 4,04. Para a verificação
da ENCE geral pelo método prescritivo deve-se utilizar este valor, associado a uma
área não climatizada (ANC) de 464m².


Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

140
7 REGULAMENTO DE AVALIAÇÃO DA
CONFORMIDADE – RAC-C
7.1 INTRODUÇÃO
Os Regulamentos Técnicos da Qualidade e seus respectivos Regulamentos de Avaliação
da Conformidade fazem parte do Programa Brasileiro de Etiquetagem – PBE – do
Inmetro. O PBE autoriza o uso da Etiqueta Nacional de Conservação de Energia, ENCE,
para indicar o nível de eficiência energética de produtos como condicionadores de ar,
refrigeradores, fogões, motores e até lâmpadas. Pode se referir à eficiência energética no
consumo de eletricidade ou a gás.
O Regulamento Técnico da Qualidade do Nível de Eficiência Energética de Edifícios
Comerciais, de Serviços e Públicos (RTQ-C) apresenta parâmetros de eficiência
energética no consumo de eletricidade e o processo de etiquetagem é descrito no
Regulamento de Avaliação da Conformidade do Nível de Eficiência Energética de
Edifícios Comerciais, de Serviços e Públicos (RAC-C). Este capítulo apresenta o
conteúdo do RAC-C, com esclarecimentos sobre os principais pontos.
7.2 ENCE GERAL E PARCIAL
A Etiqueta Nacional de Conservação de Energia, ENCE, pode indicar o nível de eficiência
do edifício completo ou parte deste, através de uma ENCE geral ou de ENCEs parciais,
como mostrado na Figura 7.1 a 7.6. A classificação geral indica o nível de eficiência
energética do edifício ou de parte deste referente a três itens do RTQ-C – envoltória,
sistema de iluminação e condicionamento de ar – mais complementos como bonificações
a fim de integrar os parâmetros de eficiência. No entanto, nem sempre existe a
necessidade ou a possibilidade de uma classificação geral, por parte de quem pleiteia
uma certificação.
Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

141


Figura 7.1. Modelo da ENCE geral indicando os níveis de eficiência parciais para envoltória
(nível A), sistema de iluminação (nível B) e sistema de condicionamento de ar (nível A), e
eficiência geral do edifício (nível B).


Figura 7.2. Modelo da ENCE parcial para a
envoltória (nível A). Esta é a única etiqueta
parcial possível de ser obtida
individualmente (sem as demais).
Figura 7.3. Modelo da ENCE parcial para a
envoltória (nível A) e para o sistema de
iluminação (nível A).

Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

142

Figura 7.4. Modelo da ENCE parcial para
a envoltória (nível A) e para o sistema
de condicionamento de ar (nível A).
Figura 7.5. Modelo da ENCE parcial para a
envoltória, para o sistema de iluminação e para
o sistema de condicionamento de ar (todos com
nível de eficiência A).


EXEMPLO
Uma construtora X projetou um edifício cuja envoltória obteve nível A na sua ENCE
parcial. Com essa classificação, a construtora atrai um cliente A: uma firma de
engenharia e arquitetura de projetos eficientes que procurava um edifício
condizente com sua imagem para sediar a empresa e comprou um pavimento
completo no edifício. Resolvendo usar o seu espaço de escritório como uma vitrine
das suas capacidades em projetos energeticamente eficientes, esta firma solicita as
ENCEs parciais para o seu sistema de iluminação e sistema de condicionamento
de ar, obtendo a classificação A para as três etiquetas parciais e, com a inclusão
dos pré-requisitos gerais, a ENCE geral com nível A para a sua sede.
A firma B, vizinha do edifício eficiente, estava crescendo e não havia espaço
disponível na sua presente sede. Quando a construtora X constrói o seu edifício
eficiente, a firma B decide comprar dois pisos, não por questões ecológicas e sim
pela localização. Sem preocupações ecológicas, a firma B instala um sistema de
iluminação e de condicionamento de ar escolhidos por baixo custo inicial e não
adere ao PBE para edifícios.
Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

143


As classificações parciais têm, no entanto, duas acepções diferentes que é necessário
distinguir. Nos termos do RTQ-C, as ENCEs parciais significam uma indicação do nível de
eficiência de somente um, dois, ou mesmo três sistemas independentes do edifício
(iluminação, condicionamento de ar e envoltória) sem uma classificação geral que integre
os três para considerar o nível de eficiência geral do edifício.
Convém notar que, em termos físicos e de cálculo da classificação parcial de cada
sistema, existe uma diferença entre os cálculos das classificações parciais da iluminação
e condicionamento de ar, por oposição à classificação parcial da envoltória. Um edifício
pode ter diferentes ENCEs para iluminação e sistema de condicionamento de ar - cada
qual para um pavimento ou conjunto de salas - e, no entanto e sem qualquer exceção,
somente uma ENCE parcial é permitida e aceita para a envoltória de cada edifício.
O cálculo de eficiência da iluminação e do condicionamento de ar (para sistemas de
janela e split) é realizado por ambiente, sendo possível etiquetar um conjunto de
ambientes. Já o cálculo para a envoltória exige a existência de uma cobertura, e de
fachadas que contêm características que podem influir no ambiente ao lado. Como
exemplo, uma proteção solar do pavimento superior pode ter efeitos de sombreamento
no ambiente do piso inferir.
7.3 PROCESSO DE ETIQUETAGEM
O Regulamento de Avaliação de Conformidade do Nível de Eficiência Energética de
Edifícios Comerciais, de Serviços e Públicos (RAC-C) tem como finalidade estabelecer os
procedimentos para a etiquetagem do nível de eficiência energética dos edifícios
comerciais, de serviços e públicos.
EXEMPLO (continuação)
Enquanto a firma A possui sua sede etiquetada com nível A, a firma B é livre para
etiquetar as suas instalações caso deseje, não havendo obrigatoriedade por estar
instalada em um edifício com envoltória etiquetada. Desta forma, durante os anos
iniciais onde o atendimento ao regulamento é voluntário, a etiquetagem geral ou
parcial, ou até os métodos de avaliação, são opções do proprietário. A única
obrigatoriedade é que, para se obter as etiquetas parciais do sistema de iluminação
e do sistema de condicionamento de ar, é necessário existir – ou solicitar
concomitantemente - a ENCE parcial da envoltória.
Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

144
O fluxograma apresentado na Figura 7.6 (Anexo VIII – RAC-C), resume as etapas a
cumprir pelo proprietário, pelo Laboratório de Inspeção e pelo Inmetro; desde o pedido de
avaliação, com a entrega de documentação ao laboratório, até a expedição da ENCE.

completa?
Proprietário Laboratório de Inspeção INMETRO
documentação necessári a paraa
aval iação de projeto
verifica se a
documentação
está completa
si m
não
apli ca o
RTQ
ENCE projeto
para regi stro
registra a
ENCE
projeto
expedea
ENCE
projeto
sim
não
compl ementa a
documentação
faltante
ENCE para
registro
registra a
ENCE
ENCE
si m
não
completa?
compl ementa a
documentação
faltante
document ação necessáriaà
avaliação do edifício construído
veri fica se a
documentação
está completa
reali za
avali ação
do edifício
construído
diferenças de
impacto na
eficiência?
sim
não
ENCE projeto
edi fício está
conforme
proj eto
etiquetado?
expedea
ENCE

Figura 7.6. Fluxograma do processo de avaliação da conformidade.


Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

145
Duas categorias de edifícios podem ser submetidas ao RTQ-C: edificações novas e
existentes. As duas categorias devem atender a todas as especificações do RTQ-C para
o nível de eficiência desejado, com exceção das edificações existentes construídas até o
ano da publicação do RTQ-C (2009), que não precisam atender ao pré-requisito geral de
divisão de circuitos por uso final.
Para obtenção da ENCE a edificação deve ser submetida à avaliação de projeto e à
avaliação do edifício construído. A avaliação de projeto visa indicar o nível de eficiência
do edifício projetado enquanto a avaliação do edifício visa verificar se as características
avaliadas na etapa anterior que participaram da eficiência encontrada foram corretamente
executadas.
Estas avaliações devem ser realizadas por laboratórios designados pelo Inmetro nos
primeiros anos de vigência do processo de etiquetagem, e após prazo definido pelo
Inmetro por laboratórios acreditados. O site do Inmetro apresenta a lista de laboratórios
indicados para a avaliação da conformidade para os edifícios. Inicialmente, a lista será
pequena, tendendo a crescer de acordo com a possibilidade de capacitação de outros
laboratórios a fim de atender a demanda de edifícios solicitantes da etiquetagem.
7.3.1 Avaliação de projeto
Nesta etapa ocorre a avaliação do nível de eficiência energética do edifício projetado. No
caso de edifícios existentes, deve-se também providenciar os projetos referentes ao
edifício e a seus sistemas para possibilitar avaliação. Para tanto, o proprietário deve
solicitar a avaliação do projeto a um Laboratório de Inspeção para expedição da
autorização de uso da ENCE de projeto, e entregar os documentos necessários de
acordo com a lista exigida pelo RAC-C. Deve também informar se o projeto será avaliado
através do método prescritivo ou do método de simulação. Caso seja requisitada a
avaliação pelo método da simulação, deve-se ainda informar se irá fornecer os arquivos
de simulação ou se o laboratório deve proceder com a simulação completa. No primeiro
caso, deve-se fornecer os arquivos prontos para a simulação do modelo do edifício real e
os 4 modelos de referência: para nível A, para nível B, para nível C e para nível D. No
segundo caso, o proprietário deverá fornecer os dados adicionais necessários para a
simulação, presentes nas planilhas de preenchimento do anexo IV. No caso de simulação
da ventilação natural, cabe ao Laboratório de Inspeção a definição de qual hipótese de
conforto será adotada para a análise. Deve-se atentar que as diferentes opções implicam
em custos distintos para o método de avaliação.
O Laboratório de Inspeção é responsável pela avaliação da conformidade do projeto, com
base na documentação e projetos recebidos, de acordo com o método solicitado pelo
Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

146
proprietário. Todo material exigido pelo RAC-C para a avaliação deve ser entregue ao
laboratório, que irá conferir os documentos e, caso não estejam completos, irá aguardar a
complementação dos projetos e memoriais para finalmente iniciar o processo de
avaliação. O prazo de avaliação é então interrompido, ou a avaliação nem é iniciada, até
que todos os documentos estejam entregues.
Após esta avaliação de projeto, o Laboratório de Inspeção informa qual o nível de
eficiência foi alcançado pelo projeto do edifício, e é expedida uma autorização para uso
da ENCE de projeto e o nome do edifício é incluído na lista de edifícios etiquetados,
presente na página eletrônica do Inmetro.
Deve-se atentar ainda para o uso do sombreamento do entorno para melhorar o nível de
eficiência energética do edifício. Ele é permitido somente no método de simulação e,
portanto, é avaliado na etapa de avaliação de projeto. Quando o nível de eficiência obtido
pelo edifício inclui o sombreamento provocado pelo entorno, o proprietário deve assinar
um termo de ciência sobre as condições envolvidas com esta opção (termo de ciência
sobre o entorno). Nesta, ele declara estar ciente de que poderá perder a etiqueta caso o
edifício vizinho seja demolido e que não poderá responsabilizar o proprietário do edifício
vizinho pela perda da etiqueta. Portanto, as condições do entorno só devem ser incluídas
na avaliação daqueles edifícios cuja localização é certa de que não haverá demolições
dos edifícios vizinhos, como grandes centros urbanos e edifícios de valor histórico.
7.3.2 Inspeção por amostragem do edifício
Uma vez adquirida a ENCE de projeto, segue-se a construção do edifício e, após a
finalização da obra e obtenção do alvará de conclusão da obra é realizada a etapa de
avaliação do edifício, através de um profissional habilitado do Laboratório de Inspeção.
Nesta etapa deve-se verificar se todos os itens previstos no projeto foram construídos tal
como o projeto avaliado, o que irá confirmar a obtenção do nível de eficiência verificado
em projeto. Desta forma, o proprietário deve solicitar a inspeção do edifício, indicando o
local e entregar os documentos necessários, listados no item 5 do Anexo III do RAC-C.
No caso do Laboratório de Inspeção da etapa de avaliação de projeto ser diferente do
Laboratório de Inspeção da etapa de avaliação do edifício, devem ser entregues todos os
projetos e memoriais usados na avaliação. Caso seja o mesmo laboratório, o que é mais
indicado, deve-se entregar apenas o laudo técnico para o sistema de condicionamento de
ar, se for um sistema central, e documentação do projeto as built, no caso de alterações
do projeto submetido na avaliação de projeto. Na documentação as built, devem ser
indicadas todas as alterações realizadas.
Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

147
Estas alterações serão avaliadas pelo Laboratório de Inspeção. Caso sejam relevantes
para a avaliação do nível de eficiência energética, o proprietário será notificado de que se
deve realizar uma nova avaliação de projeto, retornando à etapa anterior. Caso não
sejam relevantes, os novos projetos serão incorporados ao projeto original para os
procedimentos de avaliação descritos no Anexo III do RAC-C.
O laboratório executa a inspeção no edifício, onde serão verificados todos os aspectos
existentes no projeto avaliado anteriormente segundo o RTQ-C. Assim, o proprietário do
edifício deverá possibilitar o acesso a todas as áreas necessárias para a inspeção com o
acompanhamento de algum responsável que conheça o edifício, como o proprietário, o
arquiteto ou engenheiro ou um consultor especializado. Recomenda-se preparar o
edifício com antecedência, providenciando o livre acesso aos ambientes amostrados, que
não serão conhecidos pelo proprietário ou seu representante até o momento da inspeção.
No caso em que algum item não tenha sido implementado da mesma forma que constava
no projeto avaliado, seja na etapa de avaliação de projeto ou nos projeto as built, o
Laboratório irá notificar o proprietário das não conformidades e informar ao proprietário
que a avaliação deverá retornar à etapa de avaliação de projeto para identificar o novo
nível de eficiência do projeto com as presentes modificações e, por conseguinte, do
edifício.
A autorização para uso da ENCE de projeto pode ser fornecida a complexo de edifícios,
enquanto a inspeção pode ser realizada em diferentes etapas de construção, desde que
a construção por etapas esteja definida em projeto, indicando as parcelas que serão
executadas a cada etapa como blocos. Neste caso, o Laboratório irá verificar o nível de
eficiência do bloco de cada etapa separadamente e o nível do edifício completo. A ENCE
geral do edifício (ou do complexo de edifícios) será dada como ENCE geral para cada
bloco separadamente. Quando todo o edifício, ou o complexo, estiver construído, a
avaliação final pode ser realizada para um ENCE geral. No entanto, não deve haver
modificações nos blocos já construídos.
Após a aprovação da auditoria no edifício construído, será expedida a autorização para
uso da ENCE com a classificação do edifício, que deve ser fixada em local visível para o
público em geral, como halls de entrada ou portarias. O mesmo é válido para etiquetagem
de parcelas de edifícios, como pavimentos ou conjuntos de salas.


Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

148
7.3.3 Casos de não conformidade no processo
Diferenças entre o projeto avaliado e o que foi de fato construído que não constam da
atualização de projetos as built, são tratados como não-conformidades.
Nos casos de não conformidade na inspeção o proprietário não poderá manter fixada a
ENCE obtida em projeto. Neste caso será necessário que sejam feitas as correções em
projeto conforme o construído, este projeto deverá ser submetido a uma nova avaliação
de projeto, e em seguida a uma nova avaliação do edifício.
7.4 DOCUMENTAÇÃO NECESSÁRIA PARA CLASSIFICAÇÃO
DO NÍVEL DE EFICIÊNCIA ENERGÉTICA
Para a avaliação do edifício em fase de projeto é necessário que o proprietário do edifício
entregue ao Laboratório de Inspeção uma série de documentos para viabilizar a análise
das características do edifício previstas em projeto. Todos os documentos que devem ser
disponibilizados ao laboratório estão listados no Anexo II do RAC-C, tanto para a
avaliação pelo método prescritivo quanto pelo o método de simulação.
O anexo II do RAC-C apresenta, além dos documentos necessários, as informações
obrigatórias que estes documentos devem conter. Caso a documentação não apresente
todos os dados e memoriais de cálculo necessários para a avaliação do projeto, ou estas
informações não correspondam ao processo determinado pelo RTQ-C, a avaliação não
será iniciada, ou não terá prosseguimento, até que o proprietário providencie a
documentação faltante. Neste caso, o prazo para avaliação não se inicia ou é
interrompido.
A documentação de projeto deve ser encaminhada ao laboratório em formato digital DXF
e PDF, ou outro formato indicado pelo laboratório.
Também deve ser enviada ao laboratório de inspeção uma lista com a relação dos
documentos entregues, desde projetos contendo as pranchas, os memoriais descritivos
ou de cálculo e os arquivos eletrônicos contendo o material encontrado em cada um
deles: com número, nome, descrição do conteúdo, referência para avaliação e nome do
arquivo eletrônico, um exemplo é mostrado na Tabela 7.1.




Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

149
Tabela 7.1. Exemplo de planilha com lista de documentos entregues ao laboratório de
inspeção.
No. Documento Complemento Conteúdo
Referência
para avaliação
Nome do arq.
eletrônico (com
extensão)
1
Projeto
arquitetônico
Prancha 1
Planta pavimento
térreo
Geral A001PT00.dwg
2 Memorial 1 Envoltória
Especificação de
materiais da
envoltória
Envoltória: pré-
requisitos
MM1.doc
3
Memorial de
cálculo 1

Cálculo das
propriedades
térmicas da
envoltória
Envoltória: pré-
requisitos
MC1.doc
4
Projeto
luminotécnico
Prancha 3 –
pav tipo
Localização das
luminárias do
pavimento tipo
Iluminação:
potência dos
equipamentos
L012PTP.dwg
5 Etc...

Com o resumo das características do edifício, devem ser entregues as planilhas que
constam no Anexo II do RAC-C, preenchidas com as informações de acordo com as
opções escolhidas de método:
Geral: caso seja solicitada a etiqueta geral;
Envoltória e sistema iluminação: no caso de solicitação de uma etiqueta parcial, ou de
ambas.
Sistema de condicionamento de ar: disponíveis apenas para sistemas etiquetados pelo
Inmetro, possui mais de uma planilha para preenchimento – uma por unidades terminais
para cada ambiente e outra que reúne todos os ambientes.
Simulação: há três planilhas para a simulação. A “Dados básicos” apresenta os padrões
de uso que devem ser utilizados nas simulações, tanto se executadas pelo laboratório ou
se entregues pelo proprietário. Assim, havendo simulação, esta planilha deve ser
preenchida. A “descrição dos modelos” deve conter as características do edifício
adotadas nas simulações quando estes arquivos são entregues pelo proprietário. Já a
planilha “Dados de ventilação” deve ser preenchida quando há necessidade de simulação
de ventilação natural, independente se realizada pelo laboratório ou entregue pelo
proprietário.
Estas planilhas encontram-se disponíveis em formato eletrônico no site
WWW.labeee.ufsc.br/eletrobras/etiquetagem, onde é possível acessar quadros
Manual de Aplicação dos Regulamentos: RTQ-C e RAC-C

150
explicativos do preenchimento de cada campo.
Para o método de simulação deve-se entregar a mesma documentação necessária para
o método descritivo, além da documentação necessária para a avaliação pelo método de
simulação. Para esta ainda são necessárias outras informações de acordo com o que
será avaliado, como o entorno. Neste caso são necessárias fotografias e desenhos
técnicos que mostrem a relação entre o edifício e as edificações vizinhas, com todas as
informações necessárias para incluir tais elementos na simulação. Sabe-se da dificuldade
em obter estas informações dos edifícios vizinhos, mas deve-se comprovar as dimensões
destes sombreamentos para que sejam incluídos na avaliação.
É necessário ainda que se utilize programas de simulação que sejam aprovados pelo
método da ASHRAE Standard 140 (BESTEST). Caso contrário o programa deve ser
submetido ao método, e pode ser recusado pelo Laboratório de Inspeção se não for
aprovado por este teste. O laboratório pode ainda recusar o arquivo contendo o modelo
do edifício, tanto real quanto de referência entregue pelo proprietário caso este não esteja
de acordo com o RTQ-C, assim como pode recusar o arquivo climático se não atender às
especificações mínimas do RTQ-C contidas nos pré-requisitos do capítulo 6.



151
ANEXOS
Lista de cidades e respectivas zonas bioclimáticas
Tabela A.1: Lista de cidades e respectivas zonas bioclimáticas (Fonte: “NBR 15220-3:
Zoneamento Bioclimático Brasileiro”)
UF Cidade Estratégia ZB
AC Cruzeiro do Sul FJK 8
AC Rio Branco FIJK 8
AC Tarauacá FJK 8
AL Água Branca CFI 5
AL Anadia FIJ 8
AL Coruripe FIJ 8
AL Maceió FIJ 8
AL Palmeira dos Índios FIJ 8
AL Pão de Açucar FIJK 8
AL Pilar FIJ 8
AL Porto de Pedras FIJ 8
AM Barcelos FJK 8
AM Coari FJK 8
AM Fonte Boa FJK 8
AM Humaitá FIJK 8
AM Iaurete FJK 8
AM Itacoatiara FJK 8
AM Manaus FJK 8
AM Parintins JK 8
AM Taracua FJK 8
AM Tefé FJK 8
AM Uaupes FJK 8
AP Macapá FJK 8
BA Alagoinhas FIJ 8
BA Barra do Rio Grande CDFHI 6
BA Barreiras DFHIJ 7
BA Bom Jesus da Lapa CDFHI 6
BA Caetité CDFI 6
BA Camaçari FIJ 8
BA Canavieiras FIJ 8
BA Caravelas FIJ 8
BA Carinhanha CDFHI 6
BA Cipó FIJK 8
BA Correntina CFHIJ 6
BA Guaratinga FIJ 8
BA Ibipetuba CFHIJ 6
BA Ilhéus FIJ 8
BA Irecê CDFHI 6
BA Itaberaba FI 8
BA Itiruçu CFI 5
BA Ituaçu CDFHI 6
BA Jacobina FI 8
BA Lençóis FIJ 8


152
Tabela A.1: Lista de cidades e respectivas zonas bioclimáticas (Fonte: “NBR 15220-3:
Zoneamento Bioclimático Brasileiro”) - continuação
UF Cidade Estratégia ZB
BA Monte Santo CFHI 6
BA Morro do Chapéu CFI 5
BA Paratinga FHIJK 7
BA Paulo Afonso FHIJK 7
BA Remanso DFHI 7
BA Salvador (Ondina) FIJ 8
BA Santa Rita de Cássia CFHIJ 6
BA São Francisco Conde FIJ 8
BA São Gonçalo dos Campos FIJ 8
BA Senhor do Bonfim FHI 7
BA Serrinha FIJ 8
BA Vitória da Conquista CFI 5
CE Barbalha DFHIJ 7
CE Campos Sales DFHIJ 7
CE Crateús DFHIJ 7
CE Fortaleza FIJ 8
CE Guaramiranga CFI 5
CE Iguatu DFHIJ 7
CE Jaguaruana FIJK 8
CE Mondibim FIJ 8
CE Morada Nova FHIJK 7
CE Quixadá FHIJK 7
CE Quixeramobim FHIJK 7
CE Sobral FHIJK 7
CE Tauá DFHIJ 7
DF Brasília BCDFI 4
ES Cachoeiro de Itapemirim FIJK 8
ES Conceição da Barra FIJ 8
ES Linhares FIJ 8
ES São Mateus FIJ 8
ES Vitória FIJ 8
GO Aragarças CFHIJ 6
GO Catalão CDFHI 6
GO Formosa CDFHI 6
GO Goiânia CDFHI 6
GO Goiás FHIJ 7
GO Ipamerí BCDFI 4
GO Luziânia BCDFI 4
GO Pirenópolis CDFHI 6
GO Posse CDFHI 6
GO Rio Verde CDFHI 6
MA Barra do Corda FHIJK 7
MA Carolina FHIJ 7
MA Caxias FHIJK 7
MA Coroatá FIJK 8
MA Grajaú FHIJK 7
MA Imperatriz FHIJK 7
MA São Bento FIJK 8
MA São Luiz JK 8


153
Tabela A.1: Lista de cidades e respectivas zonas bioclimáticas (Fonte: “NBR 15220-3:
Zoneamento Bioclimático Brasileiro”) - continuação
UF Cidade Estratégia ZB
MA Turiaçu FIJ 8
MA Zé Doca FIJK 8
MG Aimorés CFIJK 5
MG Araçuai CFIJ 5
MG Araxá BCFI 3
MG Bambuí BCFIJ 3
MG Barbacena BCFI 3
MG Belo Horizonte BCFI 3
MG Caparaó ABCFI 2
MG Capinópolis CFIJ 5
MG Caratinga BCFI 3
MG Cataguases CFIJ 5
MG
Conceição do Mato
Dentro BCFI 3
MG Coronel Pacheco BCFIJ 3
MG Curvelo BCFIJ 3
MG Diamantina BCFI 3
MG Espinosa CDFHI 6
MG Frutal CFHIJ 6
MG Governador Valadares CFIJ 5
MG Grão Mogol BCFI 3
MG Ibirité ABCFI 2
MG Itabira BCFI 3
MG Itajubá ABCFI 2
MG Itamarandiba BCFI 3
MG Januária CFHIJ 6
MG João Pinheiro CDFHI 6
MG Juiz de Fora BCFI 3
MG Lavras BCFI 3
MG Leopoldina CFIJ 5
MG Machado ABCFI 2
MG Monte Alegre de Minas BCFIJ 3
MG Monte Azul DFHI 7
MG Montes Claros CDFHI 6
MG Muriaé BCFIJ 3
MG Oliveira BCDFI 4
MG Paracatu CFHIJ 6
MG Passa Quatro ABCFI 2
MG Patos de Minas BCDFI 4
MG Pedra Azul CFI 5
MG Pirapora BCFHI 4
MG Pitangui BCFHI 4
MG Poços de Calda ABCF 1
MG Pompeu BCFIJ 3
MG Santos Dumont BCFI 3
MG São Francisco CFHIJ 6
MG São João Del Rei ABCFI 2
MG São João Evangelista BCFIJ 3
MG São Lourenço ABCFI 2
MG Sete Lagoas BCDFI 4


154
Tabela A.1: Lista de cidades e respectivas zonas bioclimáticas (Fonte: “NBR 15220-3:
Zoneamento Bioclimático Brasileiro”) - continuação
UF Cidade Estratégia ZB
MG Teófilo Otoni CFIJ 5
MG Três Corações ABCFI 2
MG Ubá BCFIJ 3
MG Uberaba BCFIJ 3
MG Viçosa BCFIJ 3
MS Aquidauana CFIJK 5
MS Campo Grande CFHIJ 6
MS Corumbá FIJK 8
MS Coxim CFHIJ 6
MS Dourados BCFIJ 3
MS Ivinhema CFIJK 5
MS Paranaíba CFHIJ 6
MS Ponta Porã BCFI 3
MS Três Lagoas CFHIJ 6
MT Cáceres FIJK 8
MT Cidade Vera CFIJK 5
MT Cuiabá FHIJK 7
MT Diamantino FHIJK 7
MT Meruri CFHIJ 6
MT Presidente Murtinho BCFIJ 3
PA Altamira FJK 8
PA Alto Tapajós FJK 8
PA Belém FJK 8
PA Belterra FJK 8
PA Breves FJK 8
PA Conceição do Araguaia FIJK 8
PA Itaituba FJK 8
PA Marabá FJK 8
PA Monte Alegre FIJ 8
PA Óbidos FJK 8
PA Porto de Moz FJK 8
PA Santarém (Taperinha) FJK 8
PA São Félix do Xingú FIJK 8
PA Soure JK 8
PA Tiriós FIJ 8
PA Tracuateua FIJK 8
PA Tucuruí FJK 8
PB Areia FIJ 8
PB Bananeiras FIJ 8
PB Campina Grande FIJ 8
PB Guarabira FIJK 8
PB João Pessoa FIJ 8
PB Monteiro CFHI 6
PB São Gonçalo FHIJK 7
PB Umbuzeiro FI 8
PE Arco Verde FHI 7
PE Barreiros FJK 8
PE Cabrobó DFHI 7
PE Correntes FIJ 8


155
Tabela A.1: Lista de cidades e respectivas zonas bioclimáticas (Fonte: “NBR 15220-3:
Zoneamento Bioclimático Brasileiro”) - continuação
UF Cidade Estratégia ZB
PE Fernando de Noronha FIJ 8
PE Floresta FHIK 7
PE Garanhuns CFI 5
PE Goiana FIJ 8
PE Nazaré da Mata FIJ 8
PE Pesqueira FI 8
PE Petrolina DFHI 7
PE Recife FIJ 8
PE São Caetano FIJ 8
PE Surubim FIJ 8
PE Tapera FIJ 8
PE Triunfo CFHI 6
PI Bom Jesus do Piauí DFHIJ 7
PI Floriano FHIJK 7
PI Parnaíba FIJ 8
PI Paulistana DFHIJ 7
PI Picos DFHIJ 7
PI Teresina FHIJK 7
PR Campo Mourão BCFI 3
PR Castro ABCF 1
PR Curitiba ABCF 1
PR Foz do Iguaçu BCFIJ 3
PR Guaíra BCFIJ 3
PR Guarapuava ABCF 1
PR Ivaí ABCFI 2
PR Jacarezinho BCFIJ 3
PR Jaguariaiva ABCFI 2
PR Londrina BCFI 3
PR Maringá ABCD 1
PR Palmas ABCF 1
PR Paranaguá BCFIJ 3
PR Ponta Grossa ABCFI 2
PR Rio Negro ABCFI 2
RJ Angra dos Reis FIJ 8
RJ Barra do Itabapoana CFIJ 5
RJ Cabo Frio FIJ 8
RJ Campos CFIJ 5
RJ Carmo BCFIJ 3
RJ Cordeiro BCFIJ 3
RJ Escola Agrícola CFIJ 5
RJ Ilha Guaíba FIJ 8
RJ Itaperuna CFIJ 5
RJ Macaé CFIJ 5
RJ Niterói CFIJ 5
RJ Nova Friburgo ABCFI 2
RJ Petrópolis BCF 3
RJ Piraí BCFIJ 3
RJ Rezende BCFIJ 3
RJ Rio de Janeiro FIJ 8


156
Tabela A.1: Lista de cidades e respectivas zonas bioclimáticas (Fonte: “NBR 15220-3:
Zoneamento Bioclimático Brasileiro”) - continuação
UF Cidade Estratégia ZB
RJ Rio Douro CFIJ 5
RJ Teresópolis ABCFI 2
RJ Vassouras BCFIJ 3
RJ Xerém CFIJ 5
RN Apodí FIJK 8
RN Ceará Mirim FIJ 8
RN Cruzeta FHIJK 7
RN Florania FHIJ 7
RN Macaiba FIJ 8
RN Macau FIJ 8
RN Mossoró FHIJK 7
RN Natal FIJ 8
RN Nova Cruz FIJ 8
RO Porto Velho FIJK 8
RS Alegrete ABCFI 2
RS Bagé ABCFI 2
RS Bom Jesus ABCF 1
RS Caxias do Sul ABCF 1
RS Cruz Alta ABCFI 2
RS Encruzilhada do Sul ABCFI 2
RS Iraí BCFIJ 3
RS Passo Fundo ABCFI 2
RS Pelotas ABCFI 2
RS Porto Alegre BCFI 3
RS Rio Grande BCFI 3
RS Santa Maria ABCFI 2
RS Santa Vitória do Palmar ABCFI 2
RS São Francisco de Paula ABCF 1
RS São Luiz Gonzaga ABCFI 2
RS Torres BCFI 3
RS Uruguaiana ABCFI 2
SC Araranguá ABCFI 2
SC Camboriu BCFIJ 3
SC Chapecó BCFI 3
SC Florianópolis BCFIJ 3
SC Indaial BCFIJ 3
SC Lages ABCF 1
SC Laguna ABCFI 2
SC Porto União ABCFI 2
SC São Francisco do Sul CFIJ 5
SC São Joaquim ABCF 1
SC Urussanga ABCFI 2
SC Valões ABCFI 2
SC Xanxerê ABCFI 2
SE Aracajú FIJ 8
SE Itabaianinha FIJ 8
SE Propriá FIJK 8
SP Andradina CFHIJ 6
SP Araçatuba CFIJK 5


157
Tabela A.1: Lista de cidades e respectivas zonas bioclimáticas (Fonte: “NBR 15220-3:
Zoneamento Bioclimático Brasileiro”) - continuação
UF Cidade Estratégia ZB
SP Avaré BCFIJ 3
SP Bandeirantes BCFI 3
SP Bariri BCFI 3
SP Barra Bonita BCFI 3
SP Campinas BCFI 3
SP Campos do Jordão ABCF 1
SP Casa Grande ABCFI 2
SP Catanduva CFHIJ 6
SP Franca BCDF 4
SP Graminha BCFI 3
SP Ibitinga BCFIJ 3
SP Iguape CFIJ 5
SP Itapeva ABCFI 2
SP Jau BCDFI 4
SP Juquiá CFIJ 5
SP Jurumirim BCFI 3
SP Limeira BCDFI 4
SP Limoeiro BCDFI 4
SP Mococa BCDFI 4
SP Mogi Guaçu (Campininha) BCFIJ 3
SP Paraguaçu Paulista CDFI 6
SP Pindamonhangaba BCFIJ 3
SP Pindorama CDFHI 6
SP Piracicaba ABCFI 2
SP Presidente Prudente CDFHI 6
SP Ribeirão das Antas BCFI 3
SP Ribeirão Preto BCDFI 4
SP Salto Grande BCFIJ 3
SP Santos CFIJ 5
SP São Carlos BCDFI 4
SP São Paulo BCFI 3
SP São Simão BCDFI 4
SP Sorocaba BCFI 3
SP Tietê BCFI 3
SP Tremembé BCFI 3
SP Ubatuba BCFIJ 3
SP Viracopos BCDFI 4
SP Votuporanga CDFHI 6
TO Paranã CFHIJ 6
TO Peixe FHIJK 7
TO Porto Nacional FHIJK 7
TO Taguatinga DFHIJ 7



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