DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO

DIREITO CONSTITUCIONAL MARCELO NOVELINO
DIREITOS FUNDAMENTAIS: Constituição: é o conjunto de elementos que formam e organizam o Estado  sentido material: sempre existiu, desde que existe a idéia de Estado. Há estado sem constituição? Não, no sentido material. Constituição em sentido formal, escrita é uma idéia que aparece depois, o documento escrito é algo que data do século XVIII, está ligado diretamente aos direitos fundamentais. Movimento constitucionalista: adoção de constituição escrita; é um movimento que é indissociável do desenvolvimento da teoria dos direitos fundamentais, os marcos são comuns. Ambos derivam de uma necessidade, a de limitar o poder, sair do absolutismo estatal. Direitos fundamentais e direitos humanos têm conteúdos diferentes. No plano internacional a referência aos direitos fundamentais é feita como direitos humanos. No plano interno (direito positivo de um determinado estado), ou seja, no ordenamento jurídico nacional, a denominação mais adequada é de direitos fundamentais (CF/88). Os direitos fundamentais são os direitos humanos positivados no plano interno. José Afonso da Silva denomina direitos fundamentais do homem, cuja conceituação é a seguinte: são as prerrogativas e instituições que o direito positivo concretiza em garantias de uma convivência digna, livre e igual de todas as pessoas (universalidade). Não adianta apenas o ordenamento positivar os direitos, é necessário que eles sejam concretizados, torna-los prerrogativas reais do nosso dia-a-dia. São direitos, logo, exigíveis, formando uma relação jurídica obrigacional (credor – objeto – devedor). O credor é o homem, os direitos fundamentais são do homem, ser humano, e não dos animais ou da natureza. O direito ambiental ainda é um direito em que o homem está no centro, nos é que temos direito a um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Declaração dos direitos do homem e do cidadão de 1789, França: durante a discussão dessa declaração chegou-se a debater se essa declaração abrangeria as mulheres, houve inclusive uma minuta de declaração de direitos das mulheres. São direitos, não liberalidade, obrigam, só há direito quando há coercibilidade, forma de torná-lo exigível. Não são quaisquer direitos, mas os fundamentais. Sob o ponto de vista formal, direito fundamental pode ser tudo aquilo que está formalmente colocado como fundamental, tudo o que está no título II da CF. Sob o ponto de vista material, direito fundamental é aquele que possui conteúdo essencial, direito indispensável à dignidade da pessoa humana. A fundamentalidade de um direito está ligada à necessidade da vida digna do ser humano, não basta viver, o que dá o conteúdo de fundamental é a dignidade da pessoa humana. Nem tudo o que está no título II ou no Art. 5º formalmente colocado como fundamental é também materialmente fundamental. Há dispositivos no Art. 5º 1 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE

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que podem ser suprimidos sem que com isso se afete a dignidade da pessoa humana (XXI, XXIX), enquanto outros são ao mesmo tempo formal e materialmente fundamentais. Parte da doutrina considera que a cláusula pétrea do Art. 60, § 4º, IV, deve ser entendida que os direitos materialmente fundamentais são cláusulas pétreas, os formalmente não são, porque podem ser suprimidos sem afetar a vida digna. Dentre os defensores dessa corrente, está o ministro Carlos Veloso. § 2º, Art. 5º: pode-se ter direitos fundamentais, sob o ponto de vista material, em qualquer lugar da CF e não apenas no título II. O STF já reconheceu a existência de direitos fundamentais fora do Art. 5º. Pode-se ter ainda direitos fundamentais implícitos, não formalizados expressamente na CF (ex: direito à alimentação, implícito ao próprio direito à vida), no ordenamento jurídico infraconstitucional e nos tratados. Os direitos fundamentais hoje são características do Estado democrático de direito. O reconhecimento desses direitos foi fruto de um processo histórico que tem as mesmas características da adoção da constituição escrita, o movimento constitucionalista se identifica com o movimento de reconhecimento de direitos fundamentais. Os documentos mais importantes são: Magna Carta de 1215 (Magna Charta Libertatum): foi um acordo firmado entre João sem terra e os barões do reino (senhores feudais) a respeito da tributação. Foi escrita em latim arcaico. Foi anulada por um papa (Inocêncio III) antes de vencida a sua duração, que seria de 3 meses. João Sem Terra alegou que foi coagido e pleiteou sua anulação ao papa. É o primeiro documento escrito de reconhecimento de limitação do poder do monarca. A autoridade maior, o rei reconhecendo limites a seus poderes, algo muito difícil na época. Não foi escrita sob a forma de artigos ou tópicos, a doutrina é que deu certa organização. Era dirigida apenas aos homens livres do reino. Esse documento ainda influencia a nossa vida hoje, porque muitos dispositivos dela estão reproduzidos na CF. Ex: há os princípios da legalidade tributária, da vedação do confisco, razoabilidade tributária, ampla publicidade; limites; razoabilidade da sanção penal, individualização da pena, impenhorabilidade, julgamento pelos pares; HC gratuito, devido processo legal, acesso ao judiciário, celeridade, não à corrupção, globalização econômica, sem barreiras alfandegárias, princípio da reciprocidade. Petition of rights de 1628: reafirma direitos já mencionado na magna carta. Hábeas corpus amendment act de 1679: texto voltado para a liberdade de locomoção. Bill of rights de 1689: primeiro documento de origem parlamentar a disciplinar direitos fundamentais. A revolução gloriosa faz reascender o poder do parlamento. 2

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Declaração de direitos do bom povo da Virgínia de 1776: influência a constituição dos EUA, especialmente as 10 primeiras emendas da constituição norte-americana. Declaração dos direitos do homem e do cidadão francesa de 1789: é francesa, mas é dirigida a toda a sociedade, tem caráter universal e foi o primeiro documento com este caráter (universalidade). Declaração universal dos direitos do homem de 1948: adotada pela ONU no pós-guerra. Natureza jurídica: é uma recomendação da ONU, não é um tratado coercitivo, mas são direitos reconhecidos internacionalmente. É o primeiro documento internacional a disciplinar o catálogo de direitos humanos. Nenhum desses textos tem a natureza jurídica de constituição, a primeira constituição a trazer o catálogo dos direitos fundamentais não é unânime na doutrina: 1. A constituição da Bélgica de 1831; 2. A constituição brasileira de 1824; e 3. A constituição dos Estados Unidos, não a de 1787, mas no Bill of Rights (10 primeiras emendas de 1791 e não o bill of rights da Inglaterra) Características dos direitos fundamentais: 1. Historicidade: os direitos fundamentais são históricos, ou seja, como quaisquer direitos eles nascem, modificam-se, desaparecem, acompanhando a história. O conteúdo varia com a história. Eles não são imutáveis, herméticos. O que é necessário à vida humana digna se modifica com o passar da história. 2. Inalienabilidade: não têm conteúdo econômico patrimonial, não podem ser objeto de negócio jurídico. 3. Imprescritibilidade: não se perde o direito fundamental porque deixou de exercê-lo em determinado período. 4. Irrenunciabilidade: pode não exercer, mas renunciar não. 5. Personalidade: são personalíssimos, pertencem à pessoa do titular. 6. Limitalibilidade ou relatividade dos direitos fundamentais: não há direitos absolutos, todos são relativos. As próprias características supra não podem ser entendidas como absolutas. A inalienabilidade, por exemplo, pode ocorrer no direito à imagem, não é alienado, mas algum tipo de negócio jurídico sim, sem ofensa aos direitos fundamentais. BBB e os direitos fundamentais: intimidade, vida privada etc, não há ofensa, as pessoas são maiores e capazes, revertido em benefício delas mesmas, há liberdade de ir e vir, sabe da filmagem, transmissão etc. Em razão da relatividade dos direitos fundamentais não podem justificar o ilícito, justificar a irresponsabilidade civil, anular outros direitos constitucionais fundamentais.
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A vida é um valor que deve ser respeitado por cada um individualmente. Ela pode influenciar o controle. não existe a aplicação do “tudo ou nada” (expressão de Ronald Dworking). segundo o modelo clássico: credor. Só é possível uma solução concreta que só vale para o caso concreto determinado. Não há hipótese de solução abstrata na colisão de direitos fundamentais. deve-se usar o princípio da hermenêutica da harmonização. mas também um valor que a pessoa deve preservar. objeto e devedor  homem. mas é preciso considerar a realidade fática. e ambos devem preservá-los. 7. 9. Objetiva: vislumbram-se valores e não direitos. Eficácia dos direitos fundamentais: ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 4 . dignidade e Estado. diferentemente da solução dada às antinomias entre as leis (solução abstratamente prevista). Subjetiva: sob este ponto de vista eles são verdadeiros direitos que escondem uma relação jurídica obrigacional. mas nenhum deles será extinto. 8. além de direito é um valor da sociedade e do Estado. Concorrência: acumulação de direitos fundamentais. A imposição de determinado estilo de vida em um país pode não ser compatível aos direitos fundamentais. não é possível sobrepor uma cultura a outra. A vida. Depende do interesse público em questão. Não há apenas a perspectiva subjetiva (direito). Em qualquer lugar do planeta deve-se ter reconhecido os direitos fundamentais. Há uma ponderação de interesses constitucionais. As circunstâncias fáticas vão influenciar na harmonia desses direitos. pois o Estado deve conceder ao menos a opção às pessoas. a liberdade. Ex: liberdade da mulher. Divergência entre os universalistas e os multiculturalistas. Ela não é só um direito seu. Os valores mais importantes de uma sociedade são a vida. ou seja. Perspectivas nas quais os direitos fundamentais podem ser entendidos: 1. um pode preponderar sobre o outro. a fim de se buscar uma solução que não existe em tese. Resolve-se com a ponderação de interesses (livro de Daniel Sarmento). Uma minoria é adepta do relativismo cultural. mas em uma situação fática inconstitucional. a igualdade etc. A lei pode ser em abstrato constitucional. sabendo que eles são relativos. mais de um deles podem estar sendo exercido ao mesmo tempo.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO É possível a colisão entre os direitos fundamentais. O que para uma agride para outra é costume. Não é aceita pela maioria. 2. princípio da concordância prática. Universalidade: para a maior parte da doutrina os direitos fundamentais são universais. O estudo do controle de constitucionalidade pressupõe não só a lei em abstrato. Vedação ao retrocesso: não é possível retroceder nas conquistas já sentidas pela sociedade. usando dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade.

De defesa ou de liberdade: exige-se que o Estado se abstenha de invadir a esfera do cidadão. ou seja. igualdade etc. a fim de garantir condições mínimas para as pessoas. poder judiciário etc). CF (todos nós somos credores e devedores do direito à educação). a propriedade etc. logo. não só o Estado. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 5 . obrigações de fazer. Os direitos fundamentais podem ser ainda classificados em gerações. aplicáveis nas relações de direito privado. Horizontal: eficácia entre iguais. O homem tem também deveres fundamentais porque os direitos fundamentais têm um valor que deve ser respeitado. o seu papel é que vai revelar quais são os direitos reconhecidos. uma abstenção: não tirar a liberdade. Art. XXXIX. 205. Ligado à idéia de direitos negativos. além de serem aplicados também nas relações privadas. 1ª Geração: num primeiro momento surgiram com a Revolução Francesa na declaração de 1789. 4. Não discriminação: função de promoção da igualdade. O poder era absoluto e o liberal torna o Estado “mínimo”. Funções dos direitos fundamentais: é uma classificação de Canotilho. O Estado é o principal devedor dos direitos fundamentais. que é a material. logo. garantir os direitos das minorias. Estado abstencionista (aquele que não interfere na vida das pessoas). Direitos civis e políticos. relações de direito público. De proteção perante terceiros: outras pessoas também podem violar os direitos fundamentais. 2.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Vertical: é a clássica. Estado do bem-estar social (welfare state). Estão ligados ao modelo de Estado que a revolução francesa admitiu – Estado liberal. 2ª Geração: a revolução industrial no século XIX modificou a situação até então estabelecida. 1. Ex: direito à propriedade. mas também a necessidade de um Estado-providência. Os direitos fundamentais devem garantir o pluralismo. O capitalismo estava em risco e alguns direitos fundamentais deveriam não mais ser apenas os de não-fazer. ele tem também a função de proteção em face dos demais seres humanos. a tolerância. É uma função muito ligada a uma obrigação de não-fazer. Isso porque o Estado pode ser o inimigo (Leviatã). Art. institui penas. entre particulares. LIBERDADE. Ex: declaração da ONU. 3. momentos históricos em que direitos com determinadas características são tidos como fundamentais. 225. ele tem que dar essa garantia por meio de mecanismos (polícia administrativa e judiciária. Art. De prestação: garantir às pessoas determinadas prestações positivas. CF. presente nas relações entre o cidadão e o Estado. a vida. É exigido do Estado uma obrigação de não-fazer.

já falam na 4ª geração. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 6 . Consagra o princípio da solidariedade. mas as ameaças à dignidade humana ultrapassam essas fronteiras. Direitos Coletivos. Modificação do papel do poder judiciário. As ameaças são globais. Classificação inspirada no autor alemão JELLINEK: * Direitos de defesa . IGUALDADE. à informação etc. 6º CF). há uma soma e não uma substituição. que são os direitos ligados à titularidade difusa ou coletiva (não tem titularidade determinada. Direitos Sociais (art. aumentando significativamente a importância do judiciário (ACP). obrigações de fazer. Classificação com base na CF/88: Direitos fundamentais – é gênero (Titulo II CF) : direitos individuais. até então uma decisão judicial envolvida um autor e um réu. 12 e ss CF). sociais. direito ao pluralismo. Tem o Estado que fazer prestações positivas. é uma forma de universalizar os direitos fundamentais. e por isso a utilização do termo geração é criticada pela doutrina.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO ajudando. só que as ameaças à vida humana digna passa a não mais ser individualizável. Surgem os direitos sociais. Paulo Bonavides. * Direito de participação – tem tanto caráter positivo como negativo. patrimônio cultural. os direitos fundamentais também têm que ser. coletivos. Até a 3ª geração elas consideram as fronteiras estatais. econômicos. É mais adequado utilizar dimensões de direitos fundamentais. Direitos a Nacionalidade e Políticos (Art. Essa dimensão é reconhecida. a partir daí a decisão judicial influencia uma coletividade. Direitos 5ª geração (Paulo Bonavides): direito a paz – art. vários autores. Por isso. nacionais e políticos. culturais. Surgiu a 3ª geração. Direitos Individuais. direitos do consumidor (rol exemplificativo). * Direitos a prestações (ou prestacionais) – atitude positiva do Estado. direitos das minorias. Os direitos são prestações positivas. Transforma um valor em norma. FRATERNIDADE. exigem uma atuação do Estado (prestações materiais e judiciais). pertencem a um grupo indeterminados): ambiente. porque exigem uma abstenção do Estado.ligados à liberdade do individuo. democracia plena em sentido global. entre eles. o titular dos direitos de 1ª e 2ª gerações era tido apenas como sujeito individual. 4º VI CF. assim. 3ª Geração: ainda no século XX. tem caráter negativo. que são direitos ligados à globalização. As três gerações não se excluem. Direitos e Garantias – (diferença) Rui Barbosa Direitos: são disposições declaratórias que imprimem existência legal de valores reconhecidos e declarados no plano normativo.

família. Vários dos direitos sociais previstos estão sendo repassados ao particular. São direitos que exigem a implementação de políticas públicas para a concretização. Melhor seria denominar direitos gerais. que está limitado pelo orçamento de que dispõe. são direitos positivos de 2ª dimensão. mas não delimita em que consistem. O Art. índios). Todos eles serão usufruídos por qualquer cidadão. O Art. É uma disposição geral. mas parte da doutrina denomina “do cidadão”. 6º é uma disposição declaratória. o conteúdo e alcance 7 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . porque também os não cidadãos poderão usufruir. Principio da Legalidade. o fato de a CF ter previsto títulos específicos para tratar do social é prova do modelo de bem-estar social da CF/88. comunicação social. Ex: hábeas corpus. diz que há o direito. assistência e previdência -. O bem-estar social também está expresso na parte dogmática da CF. Além disso. DIREITOS SOCIAIS Os direitos sociais podem ser divididos em dois grandes grupos sistematizados: Direitos sociais do cidadão: enunciados no Art. que tem como característica atender às necessidades do cidadão. 6º e um detalhamento no título “Da ordem social” (seguridade . greve. desporto. 170 assegura a todos existência digna com base na justiça social. no Art. demandando ainda mais custos para o Estado. abrange outros valores. isso demonstra uma opção do constituinte pela maior preocupação com o social em face do individual. criança. que se desincumbe do ônus de promover sozinho o bem-estar social. Direitos sociais do trabalhador: direitos individuais (Art. Todos os princípios processuais são garantias.saúde. diferentemente dos de 1ª dimensão. O preâmbulo da CF já assegura o bem-estar social.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Garantias: são disposições assecuratórias que protegem os direitos em face do Poder do Estado. a exemplo da flexibilização da legislação trabalhista (acabar com os direitos mínimos do trabalhador. São um meio de proteção dos direitos substanciais. Isso não impediu que a partir de 90 até hoje a presença de emendas neo-liberais (crescimento do 3º setor e do mercado – 2º setor). 193. voltada a uma obrigação de fazer e dar por parte do Estado. 9º. e deixar para a livre negociação). aquilo que o dinheiro disponível permite (limite máximo). Os direitos sociais nascem no início do século XX. 7º) e direitos coletivos (associação. cultura. idoso. não são apenas os Remédios Constitucionais. participação e representação. para ser um Estado de bem-estar social. ou seja. meio ambiente. Arts. e em primeiro lugar. o que não é tecnicamente exato. ciência e tecnologia. do Estado que deixa de ser liberal. adolescente. educação. ele assegura o exercício dos direitos sociais para só depois citar os individuais. bem como ao princípio do mínimo existencial (limite mínimo). Principio do Devido Processo Legal. Observância do princípio da reserva do possível. 10 e 11). 8º. uma proposta de diminuição do papel do Estado.

somente negativo. Trabalhador urbano e trabalhador rural: a diferenciação tem a ver com a natureza da atividade laboral e não o lugar em que o trabalho é prestado. o trabalho deixa de ser doméstico. além de outros na própria CF e na legislação ordinária. O STF não atua como legislador positivo (em regra só o parlamento). Ou seja. O trabalhador doméstico é aquele que trabalha nas tarefas de auxílio ao lar. sem finalidade lucrativa. 7º traz os direitos constitucionais do trabalhador. não importando o lugar. o ato administrativo que se diz discricionário. Por outro lado. a jurisprudência e discussões de políticas públicas terão discricionariedade bem maior. as decisões já vistas em controle são no sentido de que esse tema é afeto ao executivo e legislativo apenas. Não pode fazer lei fixando o salário mínimo. mas que foi modificado. mas a jurisprudência admite que lei estadual pode fixar pisos estaduais para categorias profissionais que não tenham esse piso fixado em lei federal. Existia uma exceção tocante ao prazo prescricional. A lei que fixa o salário mínimo é constitucional? Atende ao que constitucionalmente o salário mínimo tem que atender? Apreciação judicial do valor do salário mínimo: se o STF declara a constitucionalidade da lei que fixa o salário mínimo a lei desaparece. se a atividade é agropastoril o trabalhador e rural. Nestes a legislação infraconstitucional. Salário mínimo: nacionalmente unificado. A partir do momento que o trabalho dele fica caracterizado como auxílio da atividade lucrativa do empregador. 7º funciona como um parâmetro mínimo de direitos sociais individuais do trabalhador. 7º não há qualquer diferença de tratamento jurídico entre o trabalhador rural e urbano. alguns deles já estão no título da ordem social da própria CF. Se a atividade é comercial. não obstante a conveniência e oportunidade (mérito administrativo). O STF já disse que não cabe ADI por omissão. escapando ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 8 . industrial ou prestação de serviços em geral o trabalhador é urbano. em razão da delimitação em tema de implementação de políticas públicas (reserva do possível e mínimo existencial). O Art. Quando há a delimitação dos direitos a serem implementados por políticas públicas o judiciário poderá interferir.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO desses direitos terão que ser detalhados. Mas há um outro tipo de direito social que não está detalhado na CF (ex: direito à moradia). na verdade se torna vinculado. só atende a determinada categoria profissional. O parágrafo único do Art. os direitos existem. retornando a lei revogada e assim por diante. Isso não é fixar salário mínimo estadual. 7º diz que nem todos os direitos ali previstos poderão ser usufruídos pelos domésticos. O Art. Ele não é exaustivo. Não se confunde o piso salarial estadual do serviço público (não se dirige aos celetistas) com o salário mínimo. Efetivamente o estado não pode fixar salário mínimo. tornando-se o mesmo para ambos. Para fins do Art. Não significa que o judiciário poderá interferir em todo e qualquer mérito administrativo. O âmbito de discricionariedade nas políticas públicas dos direitos detalhados na CF é muito menor do que o daqueles não descritos na CF. na verdade. acordo ou convenção coletiva de trabalho. até chegar a um ponto que fica sem lei alguma no ordenamento sobre o tema.

170. O salário mínimo terá reajustes periódicos que preservem o poder aquisitivo. de acordo com o que é possível aumentar. e se o poder de compra do salário mínimo diminui. O salário mínimo não pode servir para a correção do valor da decisão a diante. Proteção do mercado de trabalho da mulher: ação afirmativa é uma tentativa de concretização do princípio da igualdade. É questão difícil. A igualdade formal é relativa e não absoluta. Atingida a igualdade de oportunidades. a ação afirmativa tem que desaparecer (tem como característica a temporariedade). Trabalho do menor de 14 anos: criança que atua em teatro. O ser humano está se tornando minoria quando em competição com a máquina (Art. É preciso dar tratamento diferenciado aos desiguais para assegurar a igualdade material. O Estado só pode exigir o registro de sindicatos. O salário de servidor público não pode ser fixado em salário mínimo. sob pena de perpetuar as desigualdades regionais. novelas etc. VIII). Proteção em face da automação na forma da lei: também trata de ação afirmativa. Na mesma base territorial (não inferior ao tamanho de um município) só pode existir um sindicato de empregador e de trabalhador. há a liberdade de manifestação artística. não é possível tratar ou aplicar a lei de forma igual para quem é desigual no mundo real. sendo que o aumento terá que observar o princípio da reserva do possível. o reajuste se dá pelos índices judiciais. Ao menos a inflação do período terá que reajustar. as mesmas oportunidades. Nas decisões judiciais que fixam algo em salário mínimo o que diz o STF é que o valor é considerado no dia da decisão. A igualdade que a CF/88 quer é a igualdade material. A lei não pode tratar diferentemente as pessoas e nem ser aplicada diferentemente às pessoas (igualdade formal). Minoria em oportunidade e não em quantidade. o STF já admitiu (informativo 264). O ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 9 . Ação afirmativa é dar a uma minoria tratamento formal diferenciado para assegurar a igualdade material. discute-se isso em relação ao parlamento). A ADPF pode servir de instrumento para a discussão do salário mínimo. o pleno emprego é utopia. é o mínimo para preservar o poder aquisitivo. significa retrocessão. ninguém quer abrir mão do conforto da automação. o STF não admite. dando alguns postos com alta qualificação.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO pela tangente. A automação acaba com milhares postos de emprego de pouca qualificação. A análise do inciso XXXIII tem que ser feita de forma teleológica. A mulher não tem as mesmas oportunidades no mercado de trabalho (no serviço público não tem mais sentido. frustrando objetivo fundamental da república. mas não submeter a autorização. Há a indicação do mínimo existencial na “preservação do poder aquisitivo”. Até porque não se pode retroceder nos direitos fundamentais. E do ponto de vista sistemático. por isso se justifica o tratamento diferenciado na CF. e a partir dela. buscando saber qual é a finalidade da norma.

Nós somos credores e devedores ao mesmo tempo desse direito. Educação: todos são credores do direito à educação. a imunidade do líder sindical não é estendida a ele. O SUS é financiado pelo orçamento da seguridade social dos entes. Se o trabalho for paralisado pelo empregador é chamado de lock out. É um direito não absoluto. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 10 . Na rede pública é prestada diretamente ou por terceiros (convênios) (SUS). logo. O trabalhador decide quando e porque fará a greve. Para garantir esse direito o Estado tem que se valer de políticas sociais e econômicas.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO sindicato tem legitimidade para a defesa dos direitos e interesses coletivos. reduzir os riscos a doenças. pode ser uma manifestação de apoio etc. não necessariamente ela será reivindicatória. A empresa que tem mais de duzentos trabalhadores terá um representante. por exemplo). no mercado interno é vedada a comercialização. Greve: abstenção coletiva do trabalho. Se os estados e municípios não aplicam o mínimo existencial em saúde previsto constitucionalmente. A tônica principal do direito à saúde é a prevenção. Tanto a rede pública quanto a privada são serviços de relevância. as políticas devem em primeiro lugar. ou individuais da categoria. O atendimento do SUS tem que ser integral. além de o administrador responder (LRF). Não se pode restringir educação a sala de aula e professor. mas a doutrina alerta que a saúde tem projeções difusas. coletivas e individuais. depende de lei. Em uma clínica privada pode-se ter atendimentos particulares ou públicos. O acesso é universal e igualitário. além de outras fontes (CPMF. O devedor do direito à educação é o Estado. que serão remunerados pelo SUS. isso é ensino. a família e a sociedade. em razão de convênio. ao contrário da educação. o serviço deve ser gratuito. respeito às atividades essenciais. Aos particulares o direito é auto-aplicável. para os servidores públicos. A saúde é um sistema único. é vedado. coletiva e individual. Dirigente sindical e estabilidade provisória: caso a empresa feche. ele terá o direito de receber indenização referente à remuneração que teria no período em que perduraria sua imunidade (STF). Há crime de abandono intelectual. DA ORDEM SOCIAL Saúde: é direito de todos. A educação é todo processo de aprendizado do ser humano e que inclui o ensino. sem que seja por motivo de força maior. Em princípio seria um direito difuso. dá margem à intervenção da União no estado ou do estado no município. e aos militares. independentemente de contribuição. há uma projeção difusa. O governo pode comprar no mercado externo hemoderivados para abastecer o SUS.

porque mesmo quem entra por quotas. II. Outros defendem dizendo que não infringe. mas será progressivamente universalizado e gratuito. 206. Mas na CF não há previsão de delegação do ensino. A autoridade pública por equiparação se dá por delegação e não por autorização. A LEI MUDOU. De acordo com a jurisprudência assente MS contra ato de dirigente de estabelecimento particular de ensino. Preferencialmente as pessoas portadoras de necessidades especiais deverão ter atendimento educacional na rede regular de ensino em nome do pluralismo e inclusão social. há violação a esse acesso constitucionalmente previsto? Alguns entendem que sim e são contrários às quotas. O estado irá cumprir assegurando o ensino fundamental obrigatório e gratuito (1ª ao 9º ano! Mudou. As formas modernas de neo-escravidão não têm a ver com a liberdade objetiva. é preciso demonstrar capacidade dentro do grupo concorrente. O ensino médio deveria proporcionar isso. no ensino haverá rede pública regular (não onerosa) e rede privada. por exemplo. O ensino médio não é obrigatório. Não é todo e qualquer ato de dirigente de rede privada que cabe MS. com base na capacidade. mas apenas de autorização. O pleno desenvolvimento da pessoa está ligado à idéia de liberdade. 208. CF. saber o que é sistema proporcional e majoritário. de pensar. Ações afirmativas: quotas para minorias terem acesso às universidades. há dois tipos de atos dos dirigentes dos estabelecimentos particulares: atos derivados da ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 11 . É direito público subjetivo. com manipulação do pensamento das pessoas. ao instituir quotas. Hoje as crianças já devem estar na escola a partir dos 6 anos e não 7. A PARTIR DE 4 ANOS!!!). atingindo uma nota mínima para o ingresso. a verdadeira mudança foi apenas para a rede pública. a reserva do possível nunca poderá ser argumento para o não oferecimento desse direito. Acesso e permanência do educando na escola diretamente ligado ao inciso VII do Art. Liberdade de cátedra é a liberdade de ensinar e está prevista no Art. não é mais até a 8ª série. vocação profissional e não para todos. O acesso é meritocrático.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Os objetivos são: o pleno desenvolvimento da pessoa. Assim como na saúde. mas têm relação com a liberdade subjetiva. A universidade não é o único caminho para a evolução da sociedade. A universidade é para quem tem capacidade. O cidadão brasileiro tem que educação suficiente para saber o que irá fazer ao votar. seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. A educação é fundamental para o pleno desenvolvimento da pessoa. a CF não deixou qualquer discricionariedade para o legislador e administrador. a fim de evitar a “neo-escravidão”. O ensino privado precisa ser autorizado e avaliado pelo poder público.

12. a matrícula é facultativa. jornais e televisão apenas a brasileiro nato ou naturalizado há mais de 10 anos ou ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 12 . Rádio e televisão são instrumentos que atingem uma grande massa e podem ser utilizados para propósitos não desejáveis numa sociedade (manipulação de pensamento). Isso para evitar ameaça à soberania nacional. A censura está expressamente vedada na CF. Os meios são indiscutivelmente úteis. Há a restrição da propaganda de determinados produtos. Como conciliar a classificação etária com os fusos horários do país? O MPF entrou com diversas ações exigindo que as emissoras locais retransmitissem os programas com restrição etária em horário diferenciado do restante do país. 221 da CF. mas o aluno não é obrigado a cursar. 5º (Art. 222). A outra (majoritária) diz que a obrigação do poder público é de apenas informar. que são quatro ao todo: Art. O ensino religioso deve ser histórico e ecumênico em nome do Estado laico. O Art. e os menores de 16 anos podem entrar. 220). 89. desde que acompanhados dos responsáveis. Por isso a CF não vai apenas reiterar as liberdades. 5º. VII e Art. é ofensa ao direito de informação. Comunicação social: a CF reitera a liberdade de pensamento. Os meios não podem deixar de noticiar os fatos. É ponto de discussão ainda. Na rede pública a CF obriga que exista ensino religioso. 222 traz tratamento diferenciado entre brasileiro natos e naturalizados (exceção constitucional. gestão e responsabilidade pelo conteúdo da programação dos meios de comunicação de rádio. Para se garantir uma pluralidade de linhas de pensamento a CF estabeleceu que os meios de comunicação não podem ser objeto de monopólio ou oligopólio. A CF diz que lei federal deverá criar meios de defesa da pessoa contra os meios de rádio. § 3º. Ela é cumprida quando os meios atendem aos princípios. mas há outros que entendem que o ensino pode ser de orientação religiosa de cada religião especificamente (ingresso por concurso público. mas a CF foi omissa no tocante a propagandas infantis até determinada faixa etária. TV e propaganda. Art. Há duas linhas de pensamento quanto à participação de menores em eventos. A função social dos meios de comunicação social está prevista no Art. Art. LI. mas também são instrumentos que podem trazer riscos (a neo-escravatura está na manipulação do pensamento).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO “delegação”  cabe MS (autoridade) e atos de gestão da pessoa jurídica privada  não desafiam MS. Uma que permite desde que haja autorização do órgão competente. como fica?? Tem que ter fé). A CF só confiou a propriedade. porque estas liberdades já estavam consagradas no texto desde o Art. A política e os meios de comunicação são indissociáveis. a leitura que dão aos fatos faz parte da liberdade garantida. mas vai ainda buscar meios de tentar assegurar que os veículos de comunicação social não sejam utilizados para maus propósitos.

na matéria-prima. O meio de comunicação impresso não precisa de autorização. exploração mineral. especialmente os princípios do Art. mas os demais meios (rádio e TV) deverão ter concessão. Todos têm direito. § 1º. com a riqueza (Art. As alterações contratuais nas empresas não devem ser comunicadas apenas à junta comercial. e tem a ver com pesquisas científicas (pesquisa e manipulação de material genético). poderão ser canceladas antes de findo o prazo por decisão judicial apenas. Decreto de 15/06/2005 criou o parque nacional Serra de Itabaiana (implica perda da propriedade do particular. mediante desapropriação). A geração presente tem a obrigação de assegurar às gerações futuras o mínimo de condições ambientais para a continuidade da espécie humana. em setores da agricultura. Todos são credores e devedores dessa relação jurídica fundamental ambiental. A riqueza já esteve nas fábricas. 84. II). A atividade do poder público está ligada à bioética. ou seja. ao contrário do que a doutrina majoritária diz: que o decreto autônomo foi introduzido na CF com a EC32 (Art. A não renovação da concessão depende de quorum especial do CN de 2/5 em votação nominal. Meio ambiente: todos são credores do meio ambiente ecologicamente equilibrado. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 13 . A natureza jurídica do meio ambiente ecologicamente equilibrado é de bem de uso comum do povo. tem conceito jurídico indeterminado. 225. O prazo da concessão ou permissão para a TV é de 15 anos e de 10 anos para rádio.985)  sistema nacional de unidades de conservação (SNUC). O poder público criará unidades de conservação (lei 9. 225. assim como o do Art. mas também com a ordem econômica. VI. O MP pode mover ação civil pública para o cancelamento da concessão ou permissão quando o meio de comunicação estiver sendo utilizado para violar a CF. 221. mas apenas lei poderá modificar este decreto ou suprimi-lo (Art. Decreto é o ato jurídico que cria o SNUC. Hoje ela está na exploração intelectual. A CF não quis que eles ficassem nas mãos de estrangeiros ou de brasileiros naturalizados há pouco tempo. Os credores futuros demonstram uma relação de eqüidade intergeracional. Isso leva à conclusão de que esse decreto é autônomo. VI). quem tem efetivo laço nacional. e que está na CF desde 1988. permissão ou autorização pelo poder executivo. III). 84. É expressão aberta. deverão ser comunicadas também ao Congresso Nacional. as presentes e futuras gerações. necessário à perpetuação dos homens. Sempre que uma obra for potencialmente causadora de impacto ambiental ela tem que ser precedida dos estudos de impacto ambiental que irão minimizar ou concluir que a obra não deve ser feita. será encontrado em outras ciências que não a jurídica.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO pessoa jurídica brasileira. Os devedores são o poder público e a coletividade.

O STJ teve uma decisão isolada dizendo que pessoa jurídica não tem responsabilidade penal. Matéria nuclear é da União. não se usa o conceito de imemoriabilidade (buscar pela memória das terras. epidemias etc. 109. É vedada a remoção dos índios de suas terras. Não se impõe o direito penal a essas tribos isoladas. A responsabilidade civil ambiental é objetiva (Lei 6938. Tribos inseridas que mantêm certas tradições também é preciso ponderar caso a caso com valoração dos interesses. Da família. O menor que trabalha tem direito a todas as garantias trabalhistas. Art. decisão superada. II e § 2º: garantir o acesso adequado às pessoas portadoras de deficiências. envolver agente federal). garantido o retorno imediato tão logo cessado o risco. Modificar essa idade somente por emenda constitucional. mas há exceções: § 5º: catástrofes. adolescente e idoso: proteção aos portadores de deficiências físicas  Art. penal e administrativa por danos ambientais. 227. 228: imputáveis maiores de 18 anos. Bem de uso público pode ser prédio particular e não apenas os imóveis de domínio público (ex: shopping). Art. Ação civil ou penal que afete ecossistemas do § 4º do Art. Art. O STF resolveu a questão dizendo que por ser patrimônio nacional não arrasta a competência para a justiça federal. CF. Geralmente são considerados inimputáveis. a depender das circunstâncias. Só será se incidir um dos incisos do Art. ad referendum do CN. apesar de ter competência para legislar sobre transporte coletivo urbano. 231: os índios têm o usufruto exclusivo da terra. 225. Há doutrina que entende ser cláusula pétrea. § 3º: previsão da responsabilidade penal da pessoa jurídica. 14 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . Dos Índios: tratamento pormenorizado na CF. criança. mas a propriedade é da União. não é razoável aplicá-lo como é para nós. somente ela define regras por meio de lei federal. Índios podem estar em terras originárias (tradicionalmente ocupadas por índios – bem da União – § 1º) ou adquiri-las civilmente (terras comuns). mas poderá ser federal se houver interesse da União (dano de grande magnitude. § 1º). Não é tema pacífico. 229 e 230: medicamentos com descontos para idosos. 225 (patrimônio nacional) (não são bens da União) não necessariamente a competência será da justiça federal. Aos maiores de 65 anos é garantido a gratuidade dos transportes coletivos urbanos. tudo seria indígena). município não pode fixar a idade livremente.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Art. até onde o direito penal é aplicado nas comunidades indígenas. Art. Têm também direitos originários. Responsabilidade civil. § 1º. Questão alimentar é recíproca entre pais e filhos. A princípio a competência é da justiça estadual. 14.

Brasil pode solicitar extradição). Esse é um tema materialmente constitucional. Toda pessoa tem direito a uma nacionalidade: previsto no Pacto de San Jose da Costa Rica e na carta das nações unidas (dois documentos internacionais que cuidam da nacionalidade). O tombamento recai sobre bens materiais ligados à questão cultural. O MP sempre que não for o autor. não deve ser matéria de lei ordinária (embora possa ter alguma). Não há jus postulandi. mas também como elemento humano do Estado (ex: brasileiro no exterior tem que justificar o não voto. Também está formalmente inserido na constituição escrita. 231 demonstra claramente a força do poder constituinte originário. Cada Estado decide quem deve ser considerado seu nacional. § 1º). intervém. isso deve ser evitado a todo custo. § 5º). porque é direito fundamental o direito à nacionalidade. Art. mas ela não se vincula apenas ao território. Para a elaboração da constituição. O Art. os Estados deverão observar a teoria geral da nacionalidade. É um tombamento constitucional. O Estado tem um elemento humano (povo). Os quilombolas (pessoas remanescentes de comunidades de quilombos) são uma minoria objeto de tombamento: ficam tombados todos os documentos e os sítios detentores de reminiscências históricas dos antigos quilombos (Art. Essa vinculação de alguém ao elemento humano de um Estado é um direito. geográfico (território) e um político (soberania). acarajé etc) e não protegidos por tombamento (art. Bens imateriais são objeto de registro (carnaval. 232: há legitimidade ad causam das comunidades e organizações indígenas. a propriedade é intransferível. mas tem legitimidade. Tem a ver com a ligação da pessoa com os elementos constitutivos do Estado.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO § 6º do Art. José Afonso da Silva diz que nacionalidade é o vínculo jurídico-político de direito público interno que faz da pessoa um dos elementos componentes da dimensão humana do Estado. 216. DIREITO À NACIONALIDADE É um tema que fala sobre o vínculo da nacionalidade. Teoria nacionalidade. A soberania tem um vínculo com o território. os antigos proprietários têm direito a indenização e qualquer dos entes poderá emitir os títulos respectivos (posição majoritária). Em geral se entende que a titulação da propriedade é coletiva e não individual. 68 do ADCT também trata dos quilombolas: a CF assegura a propriedade definitiva às comunidades quilombolas. geral da nacionalidade: existem duas espécies de ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 15 . são os direitos à nacionalidade. porque diz respeito a um dos elementos do Estado. mas essa decisão não deve ser isolada. mas tratou de forma muito tímida. 216. as constituições não podem deixar alguém sem nacionalidade. A causa é da competência da justiça federal.

é organismo internacional e não país. decorre de um fato volitivo: uma declaração de vontade. 2. Art. a: critério territorial. Há. Nasce um apátrida ou um heimatlos: nasce em Estado jus sanguinis de pais de Estado jus solis. não gera direito adquirido. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 16 . O nascimento vai determinar o critério de nacionalidade: territorial ou sanguíneo  jus solis e jus sanguinis  direito à nacionalidade por ter sangue nacional ou porque nasceu no território nacional. mas sim temperada (mundo globalizado). Nato: Art. não reservou para si conveniência ou oportunidade. Será exclusiva da pessoa quando o Estado desde já coloca na CF quais os requisitos necessários para alguém se tornar nacional. O momento do nascimento é a regra para fixar a nacionalidade. gera direito adquirido. derivada. b: critério sanguíneo. Filho de embaixadores de países diferentes não é brasileiro. a possibilidade de dupla nacionalidade originária (polipátrida). É chamada de nacionalidade potestativa (depende somente da vontade exclusiva da pessoa). É nato quem nasce no Brasil. Pode decorrer ainda de vontade exclusiva do Estado: na CF de 1891 houve declaração de nacionalidade pelo Estado. A serviço do Brasil na administração direta e indireta de forma permanente ou temporária (José Afonso da Silva). o Estado sempre teria conveniência e oportunidade (cuidado! Jurisprudência admite). Nacionalidade secundária (adquirida. Embaixador + funcionária da ONU: é brasileiro. Pais ou pai/mãe a serviço do Brasil. Há autores que dizem não ser possível a nacionalidade potestativa. voluntária. de forma inversa. Conjugada: requisitos + pedido. Nacionalidade primária (nata. o Estado não pode negar. o Estado decide. Uma declaração de vontade de quem? Exclusiva da pessoa. Complementa a aliena “a” para que ninguém fique sem nacionalidade. de origem. Quem não estiver a serviço do país não exclui a nacionalidade brasileira. exclusiva do Estado ou conjugada entre pessoa e Estado. mesmo o nascimento acidental e mesmo de pais estrangeiros. Exceções: nasce no Brasil de pais estrangeiros que estão a serviço de seu país. I. Embaixador + funcionária de embaixada: é brasileiro. originária. A exceção é o filho de embaixador que morreu antes do nascimento – filho póstumo – aplicado o momento da concepção. 12. acúmulo não é ofensa a direitos fundamentais. de 2º grau): não decorre de fato natural. ambos vinculados ao nascimento. caso contrário poderia gerar situações de apatria. Só exclui quando ambos os pais estão a serviço de seu país. I. Preenchidos os requisitos surge o direito à nacionalidade. o nascimento. de 1º grau): decorre de um fato natural. Válido para filhos adotivos. Essa teoria não é utilizada na CF de forma pura.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO 1. 12. reservando para si conveniência e oportunidade. onde ocorreu a adoção.

fático). só a CF (Arts. estatuto da igualdade. Ele será nato. 89. Vem ganhando um novo nome: supranacionalidade (comunidade européia – cidadão europeu vinculado e com direitos específicos). logo. Feita a opção. Caso o país que se está a serviço exige 17 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . esperando uma condição suspensiva (homologação judicial da opção dele) (fica apátrida por um tempo). Oficialato só de tenente em diante. Seria necessário primeiro uma emenda constitucional para excluir os casos reservados ao ministro da defesa. § 3º e 5º LI). VII. Art. optar a qualquer tempo pela nacionalidade brasileira (elemento volitivo). ele volta a ser brasileiro nato e tem efeitos ex tunc. Art. Lei ordinária não pode criar novas hipóteses de brasileiro nato (numerus clausus). 12. 12. b: nacionalidade potestativa também. mas de brasileiro naturalizado pode. Chamada de nacionalidade secundária ordinária. Presidente do TSE. § 3º: linha sucessória presidencial. há uma equiparação. o Estado não pode negar. conselho nacional da magistratura são ministros do STF. Perda da nacionalidade: Art. a moradia já lhe dá o status de brasileiro nato (opção provisória. o direito já existe. Aos 18 anos faz a opção. 12. Ministro da defesa na CF impede que o Ministério da Defesa seja extinto por lei ordinária. estão ressalvadas as hipóteses reservadas ao brasileiro nato. I. 12. c: Nascido no estrangeiro de pais brasileiros (elemento sanguíneo). 12. § 2º: lei ordinária não pode dar tratamento diferenciado a brasileiro nato e naturalizado. ele é polipátrida – viajei!). Art. 222. Mesmo havendo reciprocidade de alguns casos. Perdese ainda pela aquisição de nacionalidade secundária. Naturalização cancelada por sentença judicial em virtude de atividade nociva ao interesse nacional. Chamada de nacionalidade secundária extraordinária. brasileiros natos. Período entre os 18 anos e a opção a nacionalidade fica suspensa. Vindo morar aqui os pais podem fazer um registro e ele é considerado nato até seus 18 anos (provisoriamente). isso não existe mais! Quando se trata de menor que vem para o Brasil: vem para o Brasil aos 5 anos (ex: Ronald). II. que é personalíssima. Reciprocidade. A regra é que só pode ser polipátrida se for de nacionalidade originária. Art. Essa opção é potestativa. basta requerer. Ainda se o país da nacionalidade adquirida reconhecer a originária não perde ??? (ex: nasce no Brasil de pais italianos – este exemplo não é de nacionalidade adquirida. é originária jus sanguinis.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Art. desde que venham a residir no Brasil (elemento objetivo. Art. 12. A doutrina entende como direito potestativo. 12. 12. II. a definitiva é personalíssima e só pode ser feita quando for maior). § 4º. No caso do menor. § 1º: quase nacionalidade. Mistura dos três elementos. a opção é feita perante a justiça federal e a partir dos 18 anos. a: proveniente de país de língua portuguesa + residência por 1 ano. Não se ganha nacionalidade com o registro no consulado no exterior.

alguns autores preferem chamar assim. 18 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . 1º. a iniciativa legislativa popular é questão de direitos políticos. Os positivos podem ser ativos: voto. Art. da direta (referendo. Também tem efeitos irretroativos. exercer cargo público. DIREITOS POLÍTICOS Não é sinônimo de direito eleitoral. por decisão do presidente da república se adquiriu outra. a proteção é relativa. mas até hoje nenhum outro foi criado. Também nos casos em que o Estado confere a nacionalidade de forma exclusiva. É aceito. Nacionalidade prevalecente: quanto ao polipátrida. mas não está incluída no âmbito do direito eleitoral). ou passivos: ser votado (candidatura). são as mesmas? Tanto faz estar em um ou em outro país? Para fins de processo de extradição entre os dois Estados é preciso observar qual é a nacionalidade prevalecente. É possível readquiri-la. readquire – a doutrina diz ser como naturalizado. Alguns autores identificam os direitos políticos positivos tão somente com a capacidade ativa.450/SP. readquire como naturalizado. É o conjunto de normas que regula a atuação da soberania popular. parágrafo único da CF: soberania popular e seu exercício por mecanismos de atuação direta (democracia direta ou semi-direta . pois não é uma manifestação de vontade livre. é vontade exclusiva do Estado. 13 – símbolos: segundo o Art. ela é viciada pela coação. ou seja. iniciativa popular. os direitos políticos cuidam. ação popular. plebiscito. Ex: Roberto Carlos optou pela espanhola – constitucionalmente não se encaixa em qualquer das exceções de não perda.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO para permanência. A perda da nacionalidade tem efeitos ex nunc. § 1º. perdeu. só podem constar na propaganda de órgãos públicos os símbolos do Art. Deveria perder a nacionalidade brasileira. Os direitos políticos abrangem o direito eleitoral (por exemplo. mover iniciativa popular. Todos os conhecidos são inconstitucionais. Se estiver onde é prevalente sua proteção é absoluta. armas e selos nacionais. A soberania exercida pelo próprio titular do poder ou o representante eleito. Direitos políticos positivos: é o conjunto de normas que garantem a participação da pessoa no processo político e eleitoral (José Afonso da Silva). hino. Art. Era nato. assinar ação popular. apenas com o voto. manifestação em plebiscito e em referendo. Ex: ação rescisória. as nacionalidades são equivalentes. Podem ser criados outros por lei. ou seja. mas há decisão do STF de 1986 que diz ser nato. 13. 37. Estando no país onde não é prevalente. O STF começou a suscitar essa tese no HC 83. O direito eleitoral está vinculado à democracia representativa. Acúmulo não autorizado pela CF. além da representativa. mas os mecanismos são os mesmos) ou representantes eleitos (democracia representativa). participação em conselhos e outros). A doutrina menciona este caso. § 1º. O casamento que confere nacionalidade automática também não exclui a originária. que são os oficiais: bandeira.

ou seja. Essa exclusão por motivos técnicos não retira a característica da universalidade (ex: menores de 16 anos. O restrito (não é técnico. voto é o exercício do direito. quando não pode sequer votar. não estar domiciliado em determinada circunscrição eleitoral. significa ausência de restrições discriminatórias. nem escrutínio. Constituem as regras de inelegibilidade. Voto: quanto à publicidade ele será secreto ou público. ou seja. suspensão e perda dos direito políticos. O sigilo do voto não é renunciado pelo eleitor. porque é norma de ordem pública. É a regra em caso de eleições. administrador deve seguir a legalidade e praticar atos administrativos escritos). O voto secreto garante a pessoalidade do voto. Direito de sufrágio: é um direito público subjetivo de natureza política que tem o cidadão de eleger. a universalidade não é absoluta. todas são restrições técnicas). 60. voto em urna eletrônica ou em cédulas de papel etc). por exemplo). tanto em relação à capacidade ativa quanto passiva. Também não se confunde com desincompatibilização: alguém se desvencilhar de uma inelegibilidade relativa para uma eventual candidatura (deixando o cargo. esta impede a capacidade ativa e passiva. é apenas uma das formas de sufrágio. escrutínio é o modo de exercício do direito de voto (público ou secreto. liberdade. quer dizer. não estar alistado etc. terá em sua atuação que saber ler e escrever (legislar. diferente de inalistabilidade. Quanto à extensão o sufrágio pode ser universal ou restrito. a exigência de alfabetização é técnica.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Direitos políticos negativos: é o conjunto de normas que impedem a participação da pessoa no processo político e eleitoral. 2. No universal (Art. não é tecnicamente membro do Judiciário. Não se confunde com voto. CF). 60. ser eleito e participar da organização e da atividade estatal. § 4º. O juiz de paz. A exigência constitucional de alfabetização para ter a capacidade eleitoral passiva não descaracteriza o sufrágio universal (não é sufrágio restrito capacitário). O Brasil já adotou o sufrágio restrito cesitário na constituição de 1824. O direito de sufrágio não abrange o poder Judiciário. 1º. Instituições dos direitos políticos positivos: 1. de fato é discriminatório) pode ser o censitário (discrimina de acordo com a capacidade econômica) e capacitário (discrimina de acordo com a capacidade intelectual). mas não discriminatórios. É cláusula pétrea (Art. Inelegibilidade: vedação à capacidade eleitoral passiva. ele não se enquadra no parágrafo único do Art. apesar de eleito. uma mera afirmação não é renúncia ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 19 . O sufrágio pode ser ativo (relacionado com a capacidade eleitoral ativa: direito de votar) e passivo (vinculado à capacidade eleitoral passiva: direito de ser votado). Sufrágio é o direito. CF) todos usufruem. alguém que se candidata a cargo no legislativo ou executivo. CF. é apenas eleger. A inelegibilidade pode ser absoluta (em relação a todos os cargos) ou relativa (em relação a alguns cargos). No sufrágio universal as restrições são técnicas enquanto no restrito as restrições são discriminatórias. O Judiciário não tem legitimidade direta popular. Há exclusões ou restrições apenas por motivos técnicos. § 4º.

enquanto o Art.000 eleitores. só é preciso fazer um turno de votação. 77. Sistemas eleitorais: é o conjunto de técnicas e procedimentos para a realização de eleições e a designação dos eleitos a partir dos votos emitidos. CF) (*território tem governador nomeado pelo presidente) e prefeitos em municípios com mais de 200. 81. A simples é chamada de sistema de um turno ou turno único. A periodicidade do voto está ligado à forma republicana. CF). § 1º.Art. 46. mas o comparecimento à zona ou posto de justificação. podendo dar margem ao 2º turno. CF). excepcionalmente é secreto. ou seja. No sistema de maioria absoluta não são computados os votos brancos e nulos. Em regra o voto no Brasil é obrigatório. governadores dos estados e DF (Art. Essas classificações não são precisas. O voto obrigatório está na CF. 28. II fala em voto universal. ou desigual: vota mais de uma vez. Pode ser também obrigatório e facultativo. Ela pode ser simples ou absoluta. § 4º. Também chamado de “maioria”. universal e periódico. caráter eletivo e não hereditário. É aquele no qual é eleito quem atinge a maioria dos votos. caput fala em sufrágio universal. O Art.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO ao sigilo. No Brasil há a eleição indireta quando o Congresso Nacional elege para os cargos de presidente e vice-presidente da república para encerrar o mandato (os dois cargos vagos nos dois últimos anos do mandato. o cidadão elege um colégio de eleitores e estes elegem o candidato (modelo dos Estados Unidos). não significa ser verdade. mas não é cláusula pétrea. cada pessoa vota uma vez. O que é cláusula pétrea é o voto direto. II. Elegem-se por maioria simples os senadores (Art. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 20 . com o mesmo peso. CF). No voto direto o cidadão decide. CF – é exceção. 29. isso para permitir a fiscalização por parte do povo. por isso também chamado de sistema dois turnos. one vote. A CF não foi tecnicamente precisa. Na maioria absoluta é necessário atingir 50% + 1 do total de votos para ser o eleito. maiores de 70 anos. secreto. Tem como objetivo identificar os eleitos. Por maioria absoluta elegem-se o presidente (Art. O que é obrigatório não é o voto válido. normalmente utilizado para cargos do poder Executivo. O voto será igual: one man. 14. 60. por emenda constitucional pode-se torná-lo facultativo.000 eleitores (Art. Dependerá do tipo de sistema o resultado da eleição: Majoritário: está vinculado a cargos unipessoais. é órgão do legislativo. público. mas com eleição por sistema majoritário) e os prefeitos nos municípios com até 200. a própria CF confunde. No parlamento a regra é o voto aberto. analfabetos). o Congresso promoverá eleição indireta 30 dias após a abertura da última vaga . mas há casos de voto facultativo (menores entre 16 e 18 anos. No indireto.

Propaganda pode ser político-partidária. Após. O MP não tem vaga como juiz pelo 5º constitucional. Após as convenções há a fase externa. Câmara dos Deputados. esta é considerada para parlamentos (órgãos colegiados). mas nos Três só há um juiz federal. mas o sistema é por maioria simples: Senado não obedece ao proporcional. órgãos colegiados. escolha do nome do candidato que irá ocupar as cadeiras que o partido conquistou. isso. O quociente partidário é o número de cadeiras encontrado para cada partido. Exceção: órgão colegiado. para reproduzir o pensamento da população. A propaganda político-partidária independe ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 21 . o número de deputados estaduais depende do número de deputados federais. O número de deputados federais depende da população. fechando a lista. Os advogados são indicados por lista feita pelo TJ e não pela OAB. não é proporcional a nada. É órgão de representação dos estados. Proporcional: utilizado em regra em assembléias. Quociente eleitoral: são os votos válidos divididos pelo número de cadeiras. com a propaganda eleitoral. Procedimentos eleitorais (fases): 1. para o poder Legislativo. O quociente eleitoral é o número de votos necessários para que o partido ganhe uma cadeira. É a casa dentro do sistema federativo onde os estados têm voz. Todas são dirigidas pelo Poder Judiciário. resultando no número de cadeiras do partido. 2. só internamente. Realização e organização do escrutínio. Apresentação das candidaturas: fase interna das convenções partidárias com indicação de candidatos. O órgão é federal. que nas eleições proporcionais só haverá voto de legenda. Lista aberta: quem decide a ordem de ocupação nas cadeiras é o eleitor (diferente da lista fechada. tem número fixo de senadores (três). embora o contencioso só exista na 3ª fase (as 1ª e 2ª fases são atividades administrativas. político-eleitoral e a institucional.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO São cargos em que se elege alguém sem qualquer proporcionalidade. Apresentação das candidaturas. Na maioria dos países é o Executivo que cuida dos procedimentos eleitorais. Quociente partidário: são os votos dos partidos divididos pelo número do quociente eleitoral. Assembléias Legislativas (Câmara Legislativa do DF) e Câmaras Municipais são órgãos colegiados proporcionais. e não do povo. Órgão específico para as lides eleitorais (função judiciária e administrativa). Não pode haver propaganda para eleitorado geral nesta fase. mas são funções atípicas do Judiciário. Num primeiro momento há eleição entre partidos e coligações (voto na legenda). 3. julgar só na 3ª fase). Contencioso eleitoral. sem escolha para o eleitor).

filiação partidária (no Brasil não há a candidatura independentes). exercício dos direitos políticos. A institucional (Art. Isso para o alfabetizado. A inalistabilidade é uma vedação à capacidade eleitoral ativa. Capacidade eleitoral: Vedado  16 anos  facultativo  18 anos  obrigatório  70 anos  facultativo. A iniciativa popular será vista em Poder Legislativo. A político-eleitoral está vinculada a uma determinada eleição (apresentação externa). O analfabeto é eleitor facultativo a partir dos 16 anos. Aqui que se dá a definição de mesário etc. A inelegibilidade é uma vedação à capacidade eleitoral passiva. Condições de elegibilidade: condições que devem ser preenchidas para ser elegível na forma da lei ordinária (lei complementar pode estabelecer outras condições de inelegibilidade). são instrumentos de consulta popular. Inalistáveis (Art. 2º da ADCT: a consulta lá prevista sobre a forma de governo foi anterior à revisão constitucional. Os conscritos (são os convocados. para o serviço militar obrigatório) também são inalistáveis. enquanto o referendo é a posterior a um ato realizado. foi de fato plebiscito. alistabilidade. Plebiscito é a consulta prévia. Realização do escrutínio: é organizado pela justiça eleitoral. federal ou estadual. § 2º): não têm capacidade ativa nem passiva. ou melhor. § 1º. A questão relativa a ter ou não referendo ou plebiscito não é da competência da justiça eleitoral. é da justiça comum. Contencioso eleitoral: Plebiscito e referendo são mecanismos de exercício de democracia direta (ou semi-direta). Nacionalidade brasileira (exceto português de Portugal com reciprocidade e ressalvados os cargos reservados a natos – presidente e vice-presidente). CF – a publicidade oficial não pode conter símbolos e nomes) é a das pessoas jurídicas de direito público. O momento em que a consulta é feita é que define a diferença entre ambos. ao titular do poder. proporcionando a uniformização. 14. Art. Exceção: português de Portugal com reciprocidade de tratamento pode se alistar e votar. idade mínima: ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 22 . A doutrina eleitoral faz uma crítica no tocante às TVs abertas e fechadas em razão do princípio da igualdade. são inelegíveis. domicílio eleitoral na circunscrição. não é eleitoral.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO das eleições. por isso. Os estrangeiros são inalistáveis. por conseguinte. Opção de assistir ou não de forma igualitária: a obrigatoriedade do horário eleitoral deveria ser imposta também para a TV fechada. 37. foi consulta prévia e não posterior (à constituição). os recrutados.

O que provoca a inelegibilidade reflexa são os cargos do executivo. 14. poderão apenas exercer os direitos políticos ativos facultativamente. não os cargos do legislativo.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO 35 anos: presidente. para ministro de Estado (21 anos?). § 7º: inelegibilidade reflexa: o termo jurisdição está equivocado. deputados estaduais e distritais. prova de reconhecimento jurídico da relação. Logo. estes de forma absoluta. A idade mínima é considerada na data da posse. Pedro Lenza fala diferente?). ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE – 23 . Se entram juntos podem se candidatar à reeleição no mandato seguinte. Reeleito passa ele a ter inelegibilidade relativa. (? Ele não repetiu essa matéria na aula. Inelegibilidade absoluta e relativa: a restrição aos analfabetos não fere princípio. Art. Cônjuges: em união estável também. prefeitos. 14. Presidente. porque já eram titular de mandato eletivo. Mesmo com o divórcio a inelegibilidade vai persistir. Há várias outras idades na CF que não são para cargos eletivos. por exemplo. 18 anos: vereadores. vice-governador dos estados e DF. deveria ser circunscrição. Neste caso o juiz da infância e juventude poderá julgar matéria eleitoral. Neste território a inelegibilidade é relativa. Relativização do § 7º: “reeleição de Rosinha Garotinho” aguardando posição do STF este ano. 21 anos: deputados federais. Inelegíveis: são os inalistáveis e os analfabetos. § 6º: desincompatibilização  ato pelo qual alguém se desvencilha de uma inelegibilidade relativa. governador e prefeito devem renunciar seis meses antes do pleito caso queiram concorrer a outro cargo (desincompatibilização). pode se eleger para outros cargos. No § 5º não é necessária a desincompatibilização para concorrer ao mesmo cargo. Com 17 anos pode ser candidato. é técnica não discriminatória e não descaracteriza o sufrágio como universal. A vedação à reeleição por mais de uma vez só se aplica ao executivo. para reeleição não precisam se afastar. Os cargos do executivo tinham inelegibilidade relativa. Art. em outra circunscrição pode. um menor de 17 anos está sujeito a praticar ato infracional eleitoral. 30 anos: governador. vice-prefeitos e juiz de paz. Cônjuges concorrendo ao mesmo tempo para uma mesma circunscrição é possível. vice-presidente e senador. agora com a regra da reeleição (1 só seguidos os mandatos). salvo se já passado um mandato inteiro. Homossexuais também atingidos pela inelegibilidade. em tese poderia se reeleger em 2006.

logo. Perda e suspensão dos direito políticos é possível (direitos políticos negativos). existem leis específicas e decisões da justiça eleitoral) (segundo o STF. condenação criminal transitada em julgado. Há liberdade de criação de partidos. devendo prestar contas à justiça eleitoral. se nada fizer. 17 traz os mesmos princípios do caput (controle mínimo) que devem ser observados na estrutura interna do partido. 16 é lei estricto sensu  verticalização eleitoral em discussão. Unipartidarismo e bipartidarismo são sistemas próprios de ditadura. mas sua aplicação fica suspensa. não é vacatio legis. apenas requisitos mínimos devem ser atendidos (controle mínimo). Somente poderão ter caráter nacional. DOS PARTIDOS POLÍTICOS O Art. emenda poderia sim modificar as regras eleitorais para uma eleição que ocorre em menos de um ano (vamos ver o que os tribunais vão decidir!). Não podem receber recursos de Estados estrangeiros. A autonomia deverá observar isso. Se militar jovem. Na perda não há expectativa de retorno. Suspensão: incapacidade civil absoluta. O princípio democrático só se compatibiliza como pluripartidarismo. embora possa se reverter: cancelamento de naturalização por sentença transitada em julgado e recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa (os autores de constitucional falam em perda. Cassação de direitos políticos não é admissível. A tendência é o entendimento de que a lei é estricto sensu. enquanto durarem os efeitos (não significa prisão. com mais de 10 anos. Lei eleitoral entra em vigor na data da publicação. pode estabelecer outros casos de Impugnação a mandato eletivo: contencioso eleitoral – 15 dias contados da diplomação.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO O militar que pode se alistar pode concorrer. ou seja. O Estado não pode controlar os partidos políticos. será agregado e se eleitor. configura ato de força e anti-democrático. Lei complementar inelegibilidade (LC 64). não vai reaver). Seu funcionamento parlamentar se dará de acordo com a lei. Processo corre em segredo de justiça. na diplomação ele passa à inatividade automaticamente. com menos de 10 anos de atividade. A lei do Art. mesmo solto o sujeito estará com os direitos políticos suspensos e o preso provisório não está com os direitos políticos suspensos) e improbidade administrativa. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 24 . irá para a inatividade. 17 cuida dos sistemas partidários. O § 1º do Art. não eleito ele retorna às suas atividades de militar. os de eleitoral dizem que é caso de suspensão. Internamente eles têm autonomia. Se militar mais experiente. Lei lato sensu é qualquer ato normativo.

Partido político é uma agremiação que objetiva chegar ao poder dentro da legalidade. Acesso gratuito apenas ao rádio e TV. vai mudar conforme as mudanças da sociedade exigir. TEORIA GERAL DA CONSTITUIÇÃO Constituição em sentido comum é o conjunto de elementos de alguma coisa. meios de comunicação etc) que defendem interesses próprios. A constituição vai tratar dos elementos do Estado: povo (humano). reis. não a mera folha de papel.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Natureza jurídica: pessoa jurídica de direito privado. caso contrário. A constituição pode coincidir ou não com a soma dos fatores reais de poder. território (geográfico) e governo/soberania (político). Na sociedade há vários fatores reais do poder (exército. Há constituição sem Estado? Constituição da União européia em processamento – adotada por algo que não é um Estado. Israel). e não à base da força (característico de grupo revolucionário). seu estatuto é registrado na forma civil. Concepções clássicas sobre constituição: 1. O TSE só negará o registro se ele infringir os princípios. conclui-se que todo Estado tem uma constituição em sentido material. O movimento deu origem às constituições dos Estados Unidos e da França. O que é constituição? Depende do ponto de vista. não (ex: juros não ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 25 . A maioria hoje tem constituição em sentido formal em razão do movimento constitucionalista do final do século XVIII. ou seja. Entende a constituição como real ou efetiva e como escrita ou formal. e todas as suas conseqüências. Assim. Nem todo Estado possui constituição em sentido formal: documento escrito e formalizado (ex: Inglaterra. Os partidos têm direito a recursos do fundo partidário. é o complexo normativo que disciplina os elementos de um determinado Estado. O registro no TSE não tem natureza constitutiva. Se a constituição escrita reflete os fatores reais de poder ela irá durar. ainda sem definição do que é. Há uma acomodação entre eles  soma dos fatores reais do poder  esta é a verdadeira constituição. 99% dos países têm. Hoje. Para ele constituição real é a soma dos fatores reais de poder. Em sentido jurídico é o conjunto de elementos que formam e estruturam o Estado. O objeto da constituição é um objeto aberto (não hermético) e dinâmico (não estático). banqueiros. Ela tem que dar as respostas que a sociedade precisa. Sociológica: Ferdinand Lassalle (A essência da constituição). não há juízo de conveniência e oportunidade. formam um objeto. Embora a idéia de limitação de poder venha desde a Magna Carta (1215). líderes religiosos. pelo processo político-eleitoral.

É aquele sem a qual o Estado não existe. mas não correspondia à soma dos fatores reais do poder). Instituições essenciais ao Estado que precisam ser decididas. qual é o fundamento de existência da constituição? Como a constituição ocupa o ápice da pirâmide do direito positivo. sem eficácia (ex: Art. A constituição pode mudar a realidade diante de um embate. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 26 . Mesma noção de poder constituinte. Isso em razão da força normativa da constituição.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO superiores a 12% ao ano foi escrito na CF formal. É constituição em sentido lógico-jurídico (fora do direito positivo – dentro do hipotético). Kelsen diz que o fundamento está fora do direito positivo. Constitucionalização simbólica: Marcelo Neres. Sentido jurídico-positivo: constituição é a que está dentro da ordem jurídica positiva. CF  decisão política fundamental. Princípio da compatibilidade vertical. A norma da constituição existe porque algo no mundo fora do direito positivo autoriza  norma hipotética fundamental (direito pressuposto # direito posto – direito positivo). não há como procurar fundamento dentro do direito positivo. apenas tem forma de constituição. Art. 5. 7º. 3. IV. Leis constitucionais: algo que tem natureza de lei e forma de constituição. A norma é simbólica. O que está no topo do direito positivo é constituição: é norma suprema que gera as inferiores. puro dever-ser. Sentido lógico-jurídico: é norma hipotética fundamental que seria fonte de validade da constituição jurídicopositiva. O que não for não é constituição. A constituição não necessariamente será a parte mais fraca e perdedora num conflito entre o que a constituição quer e a soma dos fatores reais de poder. CF). no ápice da pirâmide. 2. 208  lei constitucional – substância de lei e forma de constituição). Este é o sentido jurídico-positivo (direito criado pelo homem – direito posto). Força normativa da constituição: Konrad Hesse. Há coisas que funcionam como símbolos. O que é símbolo pode chegar a ter força normativa. O fundamento da existência do regulamento é a lei. se tornar realidade – algo a perseguir (não insincero). O direito positivo é representado por uma pirâmide – hierarquia entre as normas. Política: Carl Schimitt (Teoria da constituição). o fundamento de existência da lei é a constituição. Por isso. 1º. Não tem decisão política fundamental (ex: Art. Jurídica: Hans Kelsen (Teoria pura do direito). sem conteúdo de constituição. é algo hipotético e lógico. está no plano do direito pressuposto. Concepções modernas: 4. o legislador não é sincero ao elaborá-la. Constituição é norma pura. Constituição é decisão política fundamental. Critica Lassalle porque entre a constituição e os fatores reais de poder a constituição pode imperar e não ceder – tem que atuar no mundo real (RE 328812).

ou formal – formalizada como constituição. não fechada. portanto. esta todo Estado tem. Quanto à estabilidade: a constituição pode ser rígida (a estabilidade é maior porque ela não pode ser formalmente alterada pelo mesmo processo de lei ordinária. 1946 e 1988). formada por: leis escritas de matéria constitucional. flexível ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 27 . Não-escrita ou histórica . e a interpretação do STF tem que ser considerada. está aberta às necessidades da sociedade (EC. são abordagens diferentes sobre o que é constituição. Carlos Roberto Siqueira Castro. O Judiciário não pode examinar a soberania do parlamento. A classificação de escrita e não-escrita é fluida. Assim como se tem elementos escritos na constituição não-escrita (costumeira). nem todo Estado possui. não fechado. 5º. Constituição aberta: Peter Häberle. As seis teorias não necessariamente se excluem. Classificação das constituições: Quanto ao conteúdo: pode ser material – conteúdo de constituição. 1934. com autorização do legislativo. que são acordos parlamentares não escritos. São três elementos. não-codificada (em vários textos escritos ou esparsos). escritos e nãoescritos. trata-se de uma nova constituição. Há elementos. há também elementos não–escritos na constituição escrita (CF/88  Art. 1967 e 1969). decisões do STF. o que está escrito não exclui o que está implícito. por isso lá não se fala em controle de constitucionalidade. por decisões judiciais escritas (que interpretam as leis de matéria constitucional – cases law e as que interpretam costumes: common law) e pelas convenções constitucionais. 1937. A constituição escrita pode ser: codificada (um único texto escrito – CF/88). como modificou tudo.é formada ao longo do tempo. mutação – mudança informal da CF. não hermética. É uma idéia que advém do constitucionalismo. Quanto à forma: pode ser escrita ou dogmática – alguém/grupo raciocina e escreve a Constituição. Quanto à origem: a constituição pode ser democrática (promulgada ou popular – elaborada por representantes do podo – constituições de 1891. A CF de 1967 foi aprovada pelo congresso (poder constituído e não constituinte – tinha sido eleito para elaborar leis e não constituição) tipo especial de constituição outorgada. soberania do parlamento. conceitos jurídicos indeterminados respondidos por outro direito). outorgada (é a constituição imposta – constituições de 1824. principalmente pelo constitucionalismo dos EUA (1787) e da França (1791). Paulo Bonavides. A CF/88 não esgota a constituição brasileira. Celso Bastos. § 2º). A constituição deve ser um documento permeável. o processo de emenda é mais rígido). Na não-escrita parte dela pode ser escrita (ex: Inglaterra).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO 6. A de 1969 vem formalmente como EC 01 da de 1967. Corresponde ao constitucionalismo inglês. revisão constitucional.

ele é dotado de força normativa. que modifica o processo político da sociedade. Nominal: constituição que não conseguiu ainda modificar o processo político da sociedade. (. ampla – CF/88). Fazer lei ordinária é o mesmo que fazer emenda. Uma primeira diz ser ele mera comunicação. só descreve a realidade – antigas constituições soviéticas). Estrutura formal da constituição: Preâmbulo: existem duas teses a respeito da natureza jurídica do preâmbulo. serve para manter o poder de quem está lá – não serve para limitar o poder.. nem dirige. Pelo controle de constitucionalidade se expurga lei incompatível. o controle e a supremacia. não obriga as leis ordinárias. Mas a plástica para outros é considerada como aberta – plasticidade para se adequar.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO (baixa estabilidade porque pode ser mudada por lei ordinária. natureza jurídica seria a mesma – e quanto à hierarquia? Daí se deduz que só há supremacia na constituição rígida. O preâmbulo para a hermenêutica constitucional deve ser utilizado (interpretação da parte dogmática). Proteção de Deus X liberdade religiosa (parte dogmática). dirigente (dirige o futuro do estado e da sociedade. não há contradição (ADI 2076) e não tem que ser reproduzido nas constituições estaduais. Alguns chamam a flexível de plástica. embora tente a concretização. Na CF/88 não tem sentido. Quanto à extensão: pode ser concisa (ou breve – EUA) ou prolixa (ou longa.. Pode ser ainda classificada como semi-rígida (metade pode ser modificada por lei ordinária). ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 28 . Base do estado democrático é a constituição rígida. apenas para perpetuálo. Classificação ontológica de Loweinstein: Segundo essa classificação a constituição pode ser: Normativa: é a que consegue se impor à sociedade. São aquelas em que o processo de poder está de tal forma disciplinado que as relações políticas e os agentes do poder subordinam-se às determinações do seu conteúdo e de seu controle procedimental. dá os objetivos almejados – consequentemente é mais extensa – CF/88) e balanço (não garante. copiar do Lenza) Semântica: não serve para mudar a realidade. logo. enquanto uma outra diz ser norma. Quanto à finalidade: a constituição pode ser garantia (serve apenas para garantir direitos – EUA). porque tudo que está nele está no próprio corpo de constituição. ele não obriga. É fonte de hermenêutica constitucional. Estariam excluídos os ateus e os politeístas – como não tem força normativa. O processo de fazer lei ordinária é o mesmo de emenda).

que. ele dá a estruturação do Estado. porém. conteúdo pelo poder de decidir. que aconselhavam o rei em determinados assuntos. formando uma assembléia nacional constituinte. A nação não é refém da constituição. sem eficácia. por sua vez. O clero e a nobreza eram muito próximos e gozavam de privilégios tributários. na pauta de deliberação dos estados gerais do reino estava a questão tributária (a burguesia perdia sempre na votação). 3º estado: burguesia). Existia na França os Estados Gerais do Reino em 1302 (criado por Felipe IV. pertence à nação (povo). a exemplo da CPMF na ADCT  não há sinceridade constitucional. 2º estado: nobreza. Os poderes constituídos são limitados pela constituição. Esta obra diferencia o poder constituinte (deriva da nação) e poderes constituídos pela primeira vez. só a burguesia pagava tributos.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Parte dogmática: parte comum do Art. É possível se fazer um paralelo entre a relação sócios  contrato social (Estado = sociedade política). é mais fácil quebrar a resistência. daí surge a idéia de poder constituinte. “o belo”). Siéyès propôs uma proporcionalidade “eleitoral” entre os representantes dos estados (clero. Utilização da transitoriedade como símbolo – intenção de permanência. O poder constituinte é que cria a constituição. segundo Montesquieu. Disposições transitórias: faz transição – constituição quer dizer dirigir – tem realidade atual e futura – como atuar neste período. 600). nobreza e burguesia). continua em vigor. A organização do estado não pode ser mudada pelos poderes constituídos. não é revogado. desde que existe o Estado. 1º ADCT: dispositivo etéreo. A França passava por uma situação econômica grave. era um órgão consultivo formado por três estados (1º estado: clero. donde surge a revolução francesa. aplicabilidade se esvai. 1º ao 250. que. que é ilimitada. cria os poderes constituídos. É texto constitucional. Art. 300. Poder constituinte formal: poder de escrever essas constituições materiais em uma formal. além de o voto ser por cabeça. até se tornar dogmática. Houve de fato uma proporcionalidade (300. Isso não seria imutável? Não é imutável. mas não ficou claro se a votação seria por cabeça. Dar-se uma estrutura e um regramento por meio de uma constituição. O poder constituinte formal teve como marco histórico a obra de Emmanuel Joseph Siéyès – O que é o terceiro Estado? – A constituinte burguesa ou Qu’est ce que letiers é’tat de 1788. ela pode mudar a constituição. É um poder que sempre existiu como sempre existiu a idéia de constituição material. A mesma definição de constituição existe: Poder constituinte material: sempre existiu. Propõe mudar os estados gerais do reino. povo  constituição. só pode ser mudada pelo poder constituinte. inclusive mudar a forma dos estados gerais do reino. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 29 . PODER CONSTITUINTE É o poder que tem o povo de dar-se uma constituição. A burguesia rompe com os demais estados gerais do reino.

Os agentes/exercentes serão representantes que poderão ser eleitos (Assembléia Nacional Constituinte) ou ainda não eleitos: líderes revolucionários que tomam o poder e escrevem a constituição. ele existe autorizado pelo direito. O titular do poder constituinte é o povo (parágrafo único do Art. Corrente adotada pelo Brasil. ou não-divina. abrangeria inclusive as pessoas jurídicas. Pensamento moderno sobre poder constituinte: não existe a distinção entre originário e derivado. O ministro Carlos Aires explica essa tese fazendo uma analogia com o apagador e o giz. ela é plurívoca. O restante são poderes constituídos: poder de reforma. CF) # de agente do poder constituinte ou exercente. ele própria é a fonte de sua existência. ou seja. refundar uma nova ordem jurídica. O poder constituinte secundário não existe. não pode reiniciar uma nova ordem constitucional. ele próprio se funda. grupos com personalidade fictícia etc (Frederic Müller – O Povo). O derivado reformador modifica esta constituição. ele simplesmente existe. enquanto o decorrente compreende as constituições estaduais e as leis orgânicas municipais (divergência quanto a este último). Divisão clássica do poder constituinte: Originário/primário e Derivado/secundário (reformador ou decorrente). A justificativa do direito natural pode ser divina. O titular não pode exercer por si mesmo o poder constituinte. O poder constituinte é o único que pode desconstituir a ordem jurídica anterior. clássicos (executivo. aquele que pode tudo. Pode haver ainda o ato puro e simples de outorga imposto pelo ditador. para outros são apenas os cidadãos. ele é constituído.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Natureza jurídica do poder constituinte: 1ª corrente: é um poder de fato. não há representante. ele é também poder desconstituinte. É o que faz nascer a constituição. legislativo e judiciário). O poder constituinte não existe por um fato histórico. aquela que tem mais de um significado. É um só. ele tem que entregar este poder a um agente. O originário faz uma nova constituição. A expressão “povo” não é unívoca. O verdadeiramente constituinte é o poder de escrever. Do poder constituinte pode surgir um poder desconstituinte. porque ele é limitado. logo. histórico. ele é auto-fundante. Poder constituinte secundário seria contradição. Para o concurso esta ainda é a melhor classificação. os estrangeiros. Falar em poder constituinte originário seria redundante. 2ª corrente: é um poder de direito/jurídico (Tomaz de Aquino – jusnaturalistas) de direito natural. tudo começa com ele – Hans Kelsen e juspositivistas. decorrente. O Brasil não adota o jusnaturalismo. Para uns o povo são as pessoas que estão no estado. ou ainda. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 30 . O poder constituinte é ilimitado. 1º.

Características do poder constituinte originário: não há nada acima o poder constituinte originário. não tem que respeitar direito adquirido. Limites autoimpostos não são verdadeiros limites. É ilimitado juridicamente ou incondicionado.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO A nossa CF coloca o poder de reforma dentro de um poder constituído. Isso em nome da segurança jurídica. é o verdadeiro poder constituinte (é o que faz nascer a primeira constituição de um Estado. Jorge Miranda divide as limitações meta-jurídicas em ideológicas (ligadas à opinião pública. 1934: movimento constitucionalista. assembléia nacional constituinte não). Legislativo. por transição. 231. morais) que vão limitar o poder constituinte originário. 17 e 18 da ADCT). A regra é a recepção desses institutos em favor da segurança jurídica. Poder constituinte originário: é o poder que cabe ao povo de darse uma nova constituição. institucionais 31 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . É único. 1937: ditadura. 1ª vez funda o Estado. caso contrário. Mas ela pode ser também violenta (belicosos ou beligerantes) como os golpes de estado e revoluções.. CF.. coisa julgada e ato jurídico perfeito. ideologias). A forma que iniciou a CF/88 foi uma emenda à constituição anterior que chamou uma assembléia nacional constituinte que tem poderes ilimitados. que no caso do Brasil só teria existido em 1824. valores. ele inicia tudo. o demais é reforma). ele não é constituinte. Ele pode se manifestar de diversas formas. internacionais etc. não coexiste com outra ordem jurídica superior ou colateral. não limitado à constituição anterior (emenda tem limites. Há outros limites. Em 1824: proclamação da independência. o processo de surgimento de uma nova constituição é político. e o desejável é que seja por representantes eleitos para uma assembléia nacional constituinte. não fica limitado pela ordem jurídica anterior. Pela divisão moderna o poder constituinte originário é chamado de poder constituinte fundacional. É manifestado em momentos de ruptura na sociedade (Jorge Miranda). Ele é inicial (poder de fato e não de direito – juspositivismo). claramente. logo. Austrália). 1891: república. culturais. A ilimitação do poder constituinte originário é a falta de limites jurídicos. Assembléia nacional constituinte trabalhou de forma ilimitada em 1988. Art. sociológicos. Voltando à classificação clássica. que não são jurídicos (meta-jurídicos ou extra-jurídicos. consideram-se recepcionados pela nova constituição (recebe leis e conseqüências dela). políticos. 1988: nova redemocratização. A ruptura pode ser pacífica. § 6º. metrópole que concorda com a independência da colônia e entrega a primeira constituição – Inglaterra entregou ao Canadá. 1946: saída da ditadura. autônomo. a exemplo do limite da vedação do retrocesso. desde que previsto expressamente no texto constitucional novo (Ex: Arts. éticos. 1967/1969: nova ditadura. sem violência (CF/88.

Obedecer as regras do regimento interno da assembléia é legalidade e não legitimidade. Na democracia o próprio poder do povo tem que ser limitado por valores (há autores que assim entendem). e todas seriam ilegítimas. A sociedade não aceita. Juridicamente não há limites. Participação efetiva do povo: influxo popular. Em 1988 não foi uma assembléia a parte.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO (instituições arraigadas na sociedade. substanciais: transcendentes (vem de valores éticos superiores. se não. pois uma maioria pode querer esmagar uma minoria. Positivação da constituição: momento em que a constituição é introduzida no ordenamento positivo. Obediência ao procedimento constituinte. Todos os critérios de legitimidade devem ser observados em conjunto. Parte do direito posto. O tempo pode provocar a legitimação ou a deslegitimação. Será legítima na origem quando há eleição para a assembléia nacional constituinte e quando há participação do povo no processo constituinte. por referendo (povo se manifesta sobre o trabalho elaborado) ou por plebiscito (o povo autoriza que se escreva uma constituição). logo. mas isso não a torna ilegítima. se for outorgada não há procedimento algum. 3. Uma constituição pode nascer ilegítima. Pode se dar por outorga (força). Em 88 o procedimento de votação não foi obedecido. a exemplo da família). Critério usado com cuidado. o procedimento constitucional. direitos humanos conexos com a dignidade). ou o inverso (ser deturpada). A assembléia nacional constituinte possui regras de funcionamento. Críticas: só em caso de assembléia. onde se encaixa o pluralismo democrático? Há o perigo da tirania da maioria. mas com o tempo pode se legitimar. Vivência democrática: a constituição tem que ser legítima na origem e na prática. quando não são a mesma coisa. E é um processo contínuo e não apenas em 88. Para ser legítima a constituição deve ser democrática na prática e não só na origem. é ilegítima. a assembléia nacional constituinte mudou. Representantes ao mesmo tempo eleitos para legislar e elaborar a constituição. Alguns senadores que estavam no meio do mandato (não foram eleitos) foram constituintes – falhas na assembléia de 1988. Torna legalidade o mesmo que legitimidade. Não se estende a terceiros que não participam da assembléia. 2. desde que isso não implique ferimento ao direito das minorias. A de 88 32 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . Consensus: se o desejo da maioria da sociedade prevaleceu. é legítima a constituição. como ela está presa às próprias regras? Não é verdadeiro limite. Legitimidade da constituição fruto do poder constituinte originário: 1. A própria assembléia estabelece as regras. nova ruptura pode ocorrer caso esses limites meta-jurídicos sejam ultrapassados. por si mesma. Na CF/88 foi grande. foi dentro do Congresso Nacional. promulgação (ato final de uma assembléia nacional constituinte). imanentes (dizem respeito à configuração histórica do estado) e heterônomas (ligadas às relações internacionais). Se obedecidas é legítima a constituição.

Regra geral não é aceita no ordenamento brasileiro. 27. ADCT: revogação futura por ser incompatível – após 180 dias da promulgação. Normas da constituição anterior são recepcionadas com status de lei infraconstitucional. 34. Poder Constituinte Reformador: poder de reforma. § 1º. ela tem que mudar para durar. Art. mas não para ser eterna. As alterações constitucionais podem ocorrer por processos: ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 33 . a sociedade é dinâmica e se a constituição não mudar. mas o tempo já a legitimou e nem tudo foi ilegítimo. chamada pelo STF de revogação (equívoco. 25. Arts. A lei anterior tem que ser materialmente compatível. A não recepção só se dá por incompatibilidade material (conteúdo) e não a forma (em 88 não existe mais decreto-lei. A constituição é escrita para ter durabilidade. § 5º. Modificar a constituição que já existe a fim de alongar sua duração. e por isso a norma será revogada (STF). há a não recepção. ADCT tem texto explícito nesse sentido. há um descompasso. Art. ADCT – até que se instalem novos tribunais. 34. quando seria possível em face da ilimitação e autonomia do poder constituinte originário. ela repristina. mas nova constituição. A completa ruptura não é atualização. Se ela se choca. não precisa ser expresso. pois o que revoga é algo do mesmo nível. como uma lei revoga outra lei). Para que o fenômeno ocorra é preciso que seja feita expressamente. por exemplo. Há uma tensão permanente entre durabilidade (permanência) e mudança (atualização). apesar de não necessário. fenômeno não automático). CTN – era lei ordinária). Desconstitucionalização: nova constituição aproveita texto da velha constituição como lei ordinária e não mais constituição. o conteúdo foi aproveitado – CP. automático.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO pode até ter sido considerada ilegítima. Recepção: como regra a constituição recebe todas as normas que não colidem com ela. mas todos continuam em vigor até hoje. A não recepção demonstra a ocorrência de uma inconstitucionalidade material superveniente. não é automático. Fenômenos do direito constitucional intertemporal: relação da nova constituição com o que já existia. Art. 29. Várias normas inferiores não podem ser desprezadas porque provocaria um vazio normativo. § 3º (prorrogação do regime jurídico para membros do MP empossados antes da CF/88). Art. Prorrogação: é possível prorrogar normas anteriores de constituição precedente (tem que ser expresso. Repristinação: lei que não tinha sido recepcionada por constituição anterior passa a valer com uma nova constituição. 25. Este fenômeno é implícito. Este fenômeno tem que ser sempre expresso no ADCT. 70 da ADCT.

quando se revê toda a carta. sempre se manifestando. Poder constituinte difuso: ele é latente. presidente da república e mais da metade das assembléias legislativas da federação – maioria relativa dos 34 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . mas a CF não reconhece). E ainda uma terceira hipótese de alteração formal por tratados de direitos humanos (entram como EC). Será inconstitucional se a mudança informal por jurisprudência ou doutrina ferir a literalidade da constituição (ex: Art. Todo poder emana do povo  representantes eleitos  STF (?!?). CF e 3º do ADCT).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Formais: muda a letra da constituição. Aqui foi adotado emenda para tudo em para um único momento a revisão. essência. interpretação doutrinária por força de conceitos jurídicos indeterminados etc). Art. O que diferenciou ambos aqui no Brasil foi o quorum e o momento que pode ser feito e não se ela é pontual ou global. Se dá pela jurisprudência. Características do poder constituinte reformador: é poder derivado e não inicial. Ex: guerras. Iniciativa da PEC: 1/3 da Câmara dos Deputados ou do Senado. Se dão por emenda constitucional ou revisão constitucional (Art. § 2º. O STF não tem o exercício direto ou delegado do povo: discutir a legitimidade política do STF (que tem o poder constituinte reformador) para eventual mandato no lugar da vitaliciedade ao menos. O STF já disse não ser possível nova revisão. O STF. Circunstancial: com certos fatos não se muda a constituição. seja declarando a constitucionalidade ou inconstitucionalidade. A mutação pode ser constitucional ou inconstitucional. conceituação de termos jurídicos indeterminados etc. Chamado de mutação. interpretação da doutrina. Possui força superior que o limita. 60. A constitucional não tem ofensa à literalidade da constituição com a mudança informal (evolução da jurisprudência. Essa limitação material pode ser expressa ou implícita (interpretação sistemática e teleológica). Formal: para mudar é necessário emendas que obedeçam a determinada forma preestabelecida. CF: limitação formal (rigidez). rigidez para elaboração de EC. Material: certas matérias não podem ser objeto de mudança devido à grande importância material. 60. EC é alteração formal pontual e revisão é alteração constitucional global. exerce o poder constituinte reformador. não pode ter EC nos próximos cinco anos. É também subordinado ao poder constituinte originário. 102. significado. CF – jurisprudência admite efeito vinculante às cautelares! Após a lei também reconheceu. Limitações ao poder de reforma: Temporal: por exemplo. é poder limitado ou condicionado. Informais: muda o conteúdo. em determinadas circunstâncias fáticas não está autorizado alterar a CF.

Art. há previsão de quorum de 2/3 (66. Nas situações mais graves a constituição não pode ser modificada (guerra). 60. CF: limitações materiais: cláusulas pétreas. 67 da CF: proposta de lei rejeitada pode ser reproposta na mesma sessão legislativa se houve um pedido da maioria absoluta de qualquer uma das casas. intervenção. Mudar competências dos entes pode. A EC/45 é inconstitucional sob esse prisma formal. não precisa ser mudada. Há doutrina que diz que se aplica por analogia. que é diferente do da elaboração de lei complementar e lei ordinária. Na sessão legislativa extraordinária a PEC também não pode ser reapresentada – limitação de natureza: temporal (minoria) não existe limitação temporal na nossa PEC.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO membros de cada. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 35 . é fraude à idéia dos dois turnos (os Arts. 28 e 32 da CF estabelecem interstício mínimo de 10 dias para votação em 1º e 2º turno). § 2º. Há vários modelos de federação. Não é possível ao povo propor EC: não cabe por iniciativa popular. O STF oscila no critério de definição de “tendente a abolir”. A justificativa é não mudar na base da emoção. CF: limitação formal. CF: PEC rejeitada ou prejudicada não pode ser mais objeto de proposta na mesma sessão legislativa. Não serão objeto de deliberação. § 5º. Além do quorum elevado. 60. cabendo iniciativa popular implicitamente (somente para prova subjetiva). CF: limitação circunstancial: intervenção federal. § 1º. Sessão legislativa ordinária  15/02 a 31/06 e 30/07 a 15/12). § 4º. Rigidez do procedimento. Art. formal (maioria) não pode a PEC rejeitada outras podem. refletir tranquilamente – amadurecimento da decisão de mudança constitucional. nem toda mudança na federação será tendente a abolir a forma federativa. Basta ser tendente a abolir matéria de cláusula pétrea e não apenas abolir. CF: limitação formal. Não se confunde com o Art. Segundo o STF. Não pode dizer que será desfeita (acabar com a indissolubilidade). 60. Estado de sítio e de defesa. a legislação emotiva é perigosa. 1º e 2º turnos no senado votado no mesmo dia – fraudaram o § 2º do Art. Art. Não tem uma posição predefinida ou um parâmetro. não é algo tendente a abolir. conjuntamente. EC promulgada pelas mesas da Câmara e do Senado.6%). Apesar de não estar expresso. Não é o maior quorum da CF (3/5 = 60%). A constituição confia nela própria. Pode romper. estado de defesa ou de sítio. O vício já se encontra na fase de tramitação legislativa – sequer pode haver a PEC. Sessão legislativa corresponde a 1 ano (de 15/02 a 15/12. Art. Os instrumentos para solucionar já estão nela. Art. 60. 60. Fase preventiva (controle preventivo judicial . ela já deu as soluções. tem que ser algo refletido. Na Câmara já fizeram a mesma coisa com a EC/47. há mais dois turnos de votação a fim de evitar alterações emotivas. Federação: foi cláusula pétrea desde a constituição de 1891. mudar não. 60. Uma modificação qualquer não necessariamente será tendente a abolir. § 3º.MS). pode mudar para aproximar de um ou de outro.

Busca-se a finalidade constitucional das cláusulas pétreas. logo. Há várias formas de se justificar a ampliação. que estão no Art. Alguns dizem que são encontrados apenas no Art. por isso a dificuldade em saber a abrangência. Uma delas é a busca dos fundamentos do Estado brasileiro. 3ª ou 4ª dimensão. É preciso que se faça interpretação maior do que a meramente gramatical. Amplia-se as cláusulas pétreas para restringir as emendas. sem que isso seja tendência a abolir a separação dos poderes (tanto que admitiu o efeito vinculante). Tudo tem uma conotação individual. Uma segunda forma (Ingo Sarlet) é interpretar direitos coletivos. Na verdade a cláusula pétrea protege a regra. 1º da CF. Interpretação restritiva  propõe uma hermenêutica literal. no título II tem alguns que não são. Logo. Segundo o STF é possível mudar nosso modelo. ficando preso às idéias de 1988). prevalecendo a regra de permanência). sociais e difusos). A ascensão ao poder no Brasil é meritocrático e temporário. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 36 . São os direitos fundamentais (individuais. Obrigatório não é cláusula pétrea.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Voto: direto. Poder moderador ou fim da independência não é permitido. Como terceira forma de interpretação está a do ministro Carlos Aires de Brito: aplicar a regra geral de que o que é exceção tem interpretação restritiva e o que é regra tem interpretação ampliativa. sejam de 1ª. 2ª. secreto. Separação dos poderes: o mesmo raciocínio para a federação. tudo se encaixa na própria literalidade. “O povo de ontem não é o mesmo povo de hoje” – 1988 e 2006. Emenda é? A regra é a permanência ou a mudança da CF? A mudança por emenda é exceção. não se deve dificultar demais as mudanças. Os materiais (Carlos Veloso) são todos os vinculados à vida humana digna. pois se forçaria uma ruptura com o ordenamento. As emendas é que são exceção ao poder de durar a CF e não as cláusulas pétreas. O STF não resolveu este problema ainda. e outros que estão no Art. 5º e fora dele também (o fundamento dessa corrente é que não se deve limitar demais as mudanças da CF. periódico. somente os individuais são cláusulas pétreas. 5º. Concluise que a finalidade é proteger os direitos fundamentais em todas as suas projeções (individuais. sociais e difusos como projeção individual. Direitos e garantias individuais: essa expressão é a única referência na CF. A doutrina desenvolveu duas linhas interpretativas. coletivas. Vários ministros do STF adotam essa tese. Interpretação ampliativa  propõe uma hermenêutica sistemática teleológica. instituindo muitos pontos como cláusulas pétreas. os direitos coletivos e sociais não são cláusulas pétreas (MS coletivo não é!?). universal e periódico. difusos coletivos). Há vários modelos de freios e contrapesos. a emenda (cláusulas pétreas) deve ser interpretada ampliativamente (quando se amplia as cláusulas pétreas se restringe as emendas.

o rol em si mesmo é uma cláusula pétrea? Existem três correntes: 1ª) Sim. 3ª) São legítimas. 3. As cláusulas pétreas seriam ilegítimas. Art. 60. 60. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 37 . ADCT). A democracia é o valor protegido pelas cláusulas pétreas e não as próprias cláusulas pétreas (Carlos Ayres de Brito). CF são expressas. pois não se pode negar ao povo de hoje a capacidade de mudar o que precisar mudar. O MP é uma das barreiras protetivas da democracia. é cláusula pétrea. Limitação temporal e limitação implícita de não facilitar o processo de EC. Não é possível ampliar o rol de cláusulas pétreas pelos mesmos motivos (há quem diga que pode). 127) que o MP é cláusula pétrea. As do § 4º. Princípio da dignidade da pessoa humana. A doutrina é unânime em dizer que existem cláusulas pétreas implícitas: 1. Existem várias barreiras de proteção à democracia e a última proteção constitucional mais próxima são as cláusulas pétreas. A democracia não é cláusula pétrea. 5. ADI 981/93: só pode ser feita uma única vez.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Pode ter EC ampliando os direitos e garantias individuais. Não flexibilizar o processo de novas emendas. 3º. a democracia não pode ser uma cláusula pétrea. 4. A CF envolve a democracia para protegê-la. 2ª) Não. Há hoje um discurso de se chamar nova revisão constitucional (Art. logo. o rol não é cláusula pétrea. MP é instituição permanente: Hugo Nigro defende (Art. 2. Dificultar o processo de emendas: não é possível. Essa parte da doutrina defende a dupla revisão. não pode por EC chamar novas Ecs. que é mais importante do que as cláusulas pétreas. apenas o originário pode. Titular do poder: povo. § 4º de forma maior. Revogar cláusulas pétreas. Elas existem para proteger a democracia. As cláusulas pétreas são insuperáveis. Ex: celeridade processual. O povo querendo mudar pode. pode. O reformador não pode criar limites para ele mesmo. O poder de reforma não pode se auto-limitar. e por isso deve realmente ser entendido como cláusula pétrea (Art. seria reduzir o valor da democracia. Exercente do poder de reforma: Congresso nacional. Rigidez constitucional. Ela é o ponto central da constituição. 217). como outras colocadas pela CF (forças armadas). mais um ponto da mesma cláusula pétrea. mas contornáveis (Jorge Miranda também). interpretando os incisos do Art. o que não quer dizer que o alcance das que já existem não pode se elastecer. O constituinte originário decidiu que elas não podem ser alteradas.

ADCT). Há doutrinadores que entendem que se pode dificultar o processo de emenda. República: prova objetiva não é cláusula pétrea. 6%) na Câmara e Senado. a rigidez exacerbada também pode ser um problema. sem ele não. emenda que aumente os requisitos para emendas futuras.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Uma EC para revogar a cláusula pétrea e outra para mudar a constituição. A CF também diz que outras instituições são permanentes (Art. CF: MP é instituição permanente. Há uma PEC de instituir o parlamentarismo em 2007. A 38 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . que levou à elaboração da emenda 13 da CF. 127. por isso ocorreu a Guerra Civil de Secessão dos EUA (1861 a 1865). Na constituição dos EUA de 1787 é preciso 2/3 (66. com referendo cinco anos após. A nossa é preciso de 3/5 (60%) sem ratificação dos estados. 60. ADCT). Em 1993 houve a possibilidade de por revisão constitucional aprovar emendas em um turno e por maioria absoluta (Art. Até hoje se diz que essa emenda que aboliu a escravidão é inconstitucional. Sempre foi. o que foi um problema (Hitler fez o que quis). A maioria da doutrina é unânime em dizer que não é possível facilitar o processo de emenda. 60. ainda provocaria a superrigidez da constituição. No Brasil não se enfrentou o problema da dupla revisão. 144. Não ficar escravo de 1988. 2º. o que impede a instituição de uma monarquia. nem referendar após a instituição. Para a maioria dos autores que entendem ser possível diz que poderíamos ter novo plebiscito sobre o tema. PEC 01 de 06/10/88: sobre a instituição da pena de morte. Na CF dos EUA de 1787 haviam 3 artigos sobre escravidão. Isso porque haveria plebiscito para a confirmação (Art. por isso numa reforma (decisão cotidiana) o povo não está envolvido e por isso não seria possível. CF). Em 97 a CCJ deu parecer pela inadmissibilidade. De outro lado. EC pode abolir?? Há quem o defenda como cláusula pétrea (Hugo Nigro). menos rígida. Existe no CN propostas de nova revisão. mas em 88 não foi consagrada expressamente no § 4º do Art. para abolir a escravidão dos EUA era quase impossível. o que não pode ser aceito pela doutrina majoritária. Há autores que entendem ser possível e outros não. e em 98 foi arquivada. É inerente à república o voto periódico. Portanto. além de ¾ dos estados ratificarem. Mas se a dupla revisão for acompanhada de plebiscito ou referendo poderia. § 4º). 3º. É possível emenda para dificultar o processo de emenda? Em Weimar (constituição da Alemanha) a ausência de cláusulas pétreas permitiu a flexibilidade da constituição. Nova constituição é momento raro em que o povo se envolve. além de ser auto-limitação do poder reformador. dizendo que a hipótese de pena de morte contraria cláusula pétrea. uma delas para 1º/01/2007. Art. A federação e a separação dos poderes estão ligadas à idéia de república (Art. Daí em diante seria considerada cláusula pétrea.

subordinado características do poder de reforma. ADCT). As propostas seriam inconstitucionais. As cláusulas pétreas podem ser fundamentais (ADPF) para alguns autores. O STF terá que decidir. limitações materiais não previsto pelo Art. Nenhuma situação foi submetida ainda. lei orgânica municipal X constituição estadual  depende. ADCT – limitação temporal de 5 anos). Plebiscito em 07/09/93 para definir forma e sistema de governo (Art. dois turnos e 3/5 de votos. logo. CF: o poder decorrente não é ilimitado. mandou que fosse procedida a revisão) as limitações ao poder de emenda estavam presentes por ocasião da revisão (Art. Alguns autores o julgam inconstitucional porque restringe o alcance dos direitos humanos – mesmos requisitos formais da emenda. mas o STF admitiu essa limitação. 3º. logo. não seria possível nova revisão constitucional. Lei orgânica municipal: Art. CF e Art. 2º. Mas se houver deverá estar limitada também às cláusulas pétreas. Nem o legislativo estadual. Encontra-se o poder constituinte derivado decorrente no Art. limitações formais. São as mesmas Art. 3º. 11 do ADCT. É poder derivado. 11. 3º. Lei orgânica municipal X constituição federal  CF. no nosso caso. não é sempre a constituição 39 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . Revisão no Art. nem o federal podem fazer nova revisão (STF). e limitado. 5º. Revisão: prevista pelo constituinte em 1988.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO emenda que chama nova revisão é uma emenda que facilita o processo constitucional de novas emendas. 29. § 3º). mas não foi o que o STF decidiu à época. Outro procedimento de alteração formal da CF são os tratados e convenções internacionais de direitos humanos (Art. quando já tinham status constitucional por força do § 2º do Art. Tem autonomia no âmbito do estado respectivo. entendidas como preceitos As cláusulas pétreas podem ser utilizadas como princípios de hermenêutica constitucional. Poder constituinte derivado decorrente: é aquele destinado à elaboração das constituições estaduais e das leis orgânicas municipais. Toda essa discussão porque há projetos que buscam nova revisão em 2007. tocante às cláusulas pétreas. não se falaria em poder constituinte derivado decorrente para eles (minoria). São equivalentes a emenda (mesma força de EC). 5º. mas já disse por três vezes que não pode haver nova revisão. tem que observar os princípios da CF. Há alguns autores que não admitem o município como entidade federada (José Afonso da Silva). Aprovação em cada casa. Por enquanto esta é a linha do supremo. 25. parágrafo único do ADCT. ADCT (na verdade ela só faria sentido se a forma ou sistema de governo tivessem sido alteradas como plebiscito.

As normas obrigatórias são chamadas de normas centrais da federação. Ele vem antes das regras. Se ele fizer a repetição facultativa terá que continuar aplicando a CF simetricamente. segundo José Afonso da Silva. pode prevalecer frente à constituição estadual. As decisões políticas fundamentais são intimamente ligadas aos princípios. A hermenêutica constitucional observará os princípios. Há uma mistura dos dois tipos de controle de constitucionalidade nos casos de normas de repetição obrigatória (mecanismo excepcional de controle). Princípio não se confunde com norma: normas. não cabe ADI contra lei municipal). As normas repetidas podem ser obrigatórias e facultativas (ex: medida provisória). Influenciam a interpretação da norma e serve também para dar harmonia ao sistema de normas. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Influenciam a própria elaboração das normas jurídicas. Se for ação de controle abstrato de constitucionalidade apenas no TJ da decisão da ADI estadual de lei estadual ou municipal cabe RE ao STF (controle difuso ou concreto). A lei orgânica municipal. compondo-lhes o espírito e servindo de critério para sua exata compreensão e inteligência. disposição fundamental que se irradia sobre diferentes normas. Os princípios não tem aplicação endógena (apenas na CF). ADI: obrigatória. A constituição estadual tem normas próprias e repetidas da CF. Ela só será constitucional se atuar dentro de sua competência. Celso Antonio Bandeira de Melo diz que princípio é o mandamento nuclear de um sistema. Os princípios são as decisões políticas fundamentais (Carl Schimitt). ou ainda ADI estadual no TJ. são preceitos que tutelam situações subjetivas de vantagem ou de vínculo. Seguindo o mesmo modelo necessariamente. portanto. Se a constituição estadual legislar sobre matéria municipal ela será inconstitucional perante a CF. verdadeiro alicerce dele. Podem ocorrer ao mesmo tempo.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO estadual porque ela é limitada pela CF e não tem supremacia. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 40 . É o mandamento nuclear do sistema. exatamente por definir a lógica e a racionalidade do sistema normativo que lhe confere a tônica e lhe dá sentido harmônico. quando o STF poderá controlar a do TJ. Integra o sistema de normas. ADC: facultativa. ADPF: facultativa. Se lei estadual ou municipal contrariar a constituição estadual numa norma de repetição obrigatória na verdade estão ofendendo a CF. Pode dar ensejo a ADI ao STF para lei estadual e para lei municipal (ADPF para o STF. indispensáveis ao princípio federativo. mas sobre todo o sistema normativo. sem invadir competência municipal.

é concreta. 1º. Quando há regras colidindo não há como conciliar. Normas e texto também não se confundem: texto é o objeto da interpretação. não apontam qual é a decisão. Enunciam motivos para a decisão. Utilizados na criação. Há quem entenda como sinônimos regras e normas. sendo que uma “mata” a outra – “tudo ou nada” (critérios para solucionar o conflito aparente de normas). É possível buscar o critério da hierarquia. e 4º. democracia. Os princípios constitucionais podem ser gerais (pertencem direito constitucional em geral – no mundo) ou positivos (os que pertencem a uma determinada constituição . norma é o resultado da interpretação.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Princípio é diferente de regra (Ronald Dworking): o princípio é o motivo para decidir de determinada forma ou sentido. Estado de direito: é aquele onde há o império da lei. da temporaridade. Submissão de todos ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 41 . expressos) e positivos não-positivados (implícitos. Estado Democrático e Componente Revolucionário. Alguns princípios positivos da CF/88: ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO: José Afonso da Silva divide em: Estado de Direito. uma delas terá que anular a outra (Dworking fala no sistema do “all or nothing” das regras). 2. conclusão. presidencialismo). a vontade de quem exerce o poder não é absoluta. por isso o Direito é o mundo das regras) ela não dá alternativa. Os princípios constitucionais positivos podem ser: positivos positivados (explícitos. Canotilho classifica os princípios constitucionais em: 1. O choque entre princípios não gera a anulação de um ou de outro. contraditório. Princípios Jurídico-constitucionais: são os da ordem jurídica escritos na constituição (ampla defesa. não dão a decisão concreta. Ela aponta uma decisão concreta Pode deixar de ser aplicada por um princípio. Princípios fundamentais: Arts. federação. Podem ser classificados em princípios constitucionais e não constitucionais. Princípio da separação de poderes é positivo positivado. da especialidade. A regra é algo mais concreto. Princípios político-constitucionais: são os da ordem política escritos na constituição (república. duplo grau de jurisdição etc). ela não oferece espaço (motivo pode ser um ou outro). não expressos). interpretação e integração das normas. 3. é regrada pela lei. Princípio do duplo grau de jurisdição é princípio constitucional positivo não-positivado (é possível saber de sua existência pela interpretação sistemática do texto constitucional que previu tribunais e recursos). 2º.Direito constitucional de um Estado). algum vai prevalecer num determinado caso concreto. “é tudo ou nada” (tem a seguinte estrutura: se acontece A deve ser B – o Direito é o mundo do dever-ser. CF.

É princípio constitucional positivo-positivado (princípio republicano). utilizar veículo público para interesses particulares. não existe coisa pública. É aquele que institui a forma republicana de governo.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO à lei – quem está no poder deve obedecer a lei. a fim de garantir a legitimidade para elaboração das leis. permitindo a melhoria das condições do povo e não permitir a dominação de quem já está no poder. O estado de direito e democrático tem que existir para revolucionar o status quo. ação popular – são órgãos republicanos. democracia. mas não é suficiente. Coisa pública confundida com coisa própria é chamada de patrimonialismo. O Estado tem que ser democrático. caracterizado pela soberania popular. No entanto. Essa noção de legalidade formal é importante. responsabilização pelos seus atos – MP. República: o poder é meritocrático. não impede a barbárie. A rigidez. divisão de poderes. são condutas antirepublicanas. melhorando as condições do povo. Para alguns autores não há diferença entre estado democrático de direito e estado democrático. O estado democrático de direito é aquele que através da lei criada pela soberania popular é capaz de modificar o status quo. Ela não é cláusula pétrea explícita. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 42 . Existe o controle do gestor público – tem que prestar contas. como por exemplo. segundo José Afonso. TCU. até porque quem está no poder faz a lei. dizer que existe lei não é suficiente. justiça social. corregedoria. eletivo (à exceção do Judiciário no Brasil) e periódico. mas a partir do momento em que ela foi firmada pelo plebiscito não pode ser também objeto de emenda (divergente). O poder é absoluto porque tudo é do rei. Os controles buscam acabar com as práticas patrimonialistas. a participação popular. Presidencialismo: princípio presidencialista – o Executivo deve ser exercido pelo presidente da república de forma independente do legislativo – chefe de estado e de governo reunidos no presidente da república (assim como a república. tudo é conseqüência do estado democrático de direito. a prática do nepotismo. O terceiro elemento é o componente revolucionário. Esse é o verdadeiro. também é cláusula pétrea). Existência da res publica – quem exerce o poder administra coisa do povo e não coisa própria. Forma de Governo: Monarquia: caracterizada pelo poder hereditário e vitalício. Sistema de governo: Parlamentar: governa o 1º ministro e representa o chefe de estado. igualdade.

Os poderes são independentes e harmônicos. A idéia de divisão de funções. Unitário: poder é um só em todo o território. CF). Era preciso limitar o poder do monarca. executar e julgar. e há órgãos para exercer as funções. aplicar as leis (função executiva) e solucionar as lides entre particulares (função judiciária). Ademais. SEPARAÇÃO DOS PODERES: A separação é orgânica apenas. ou seja. executiva e judiciária) devem estar distribuídas em órgãos distintos. depende do Estado. porque ele é que toma a decisão política). Montesquieu se inspirou em Locke. A separação é relativa um limita o outro por meio do mecanismo de checks and balances (freios e contrapesos) e independência dos “poderes” – órgãos. Legislativo e Judiciário. Federal: princípio federativo. o que existia com a idéia de Aristóteles era a tripartição funcional de legislar. O Estado liberal tem como preponderante o legislativo – Estado legicêntrico (o órgão central é o legislativo. Reparte o poder no território. no “Espírito das Leis” (1748). São três órgãos: Executivo. Exercer mais de uma função é muito poder. um pode preponderar. No entanto. não podem estar concentradas em um só órgão – tripartição orgânica e não de poderes ou funções – Legislativo. Montesquieu no século XVIII ainda está imerso na monarquia absolutista. quando Montesquieu propõe uma tripartição orgânica. É cláusula pétrea. O poder é um só. Cada função é exercida precipuamente por um órgão e subsidiariamente pelos demais. Aristóteles em “A Política” já se encontra que o Estado tem três funções. onde uma única pessoa concentrava em suas mãos as três funções. diz que é preciso limitar o poder e as funções (legislativa. Executivo e Judiciário (um controla o outro). Montesquieu. a tripartição foi imaginada para limitar o poder. 2º. Em síntese. que dividiu as funções em dois grupos: legislativa e executiva. Cada órgão exerce função típica e atípica. a de legislar (função deliberativa). as demais funções se 43 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . porque na verdade ele é um só. Já houve também uma divisão quádrupla: com o poder moderador (1824 – constituição de Benjamin Constanti). A justificativa da separação é a necessidade da independência de cada poder. a separação dos órgãos não é absoluta. Há freios e contrapesos dentro das funções típicas e atípicas. portanto. cada um deles deve ter autogestão (Art.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Sistema convencional: de assembléia. a distribuição das funções a órgãos distintos: órgão legislativo. não nasceu com Montesquieu. Forma de Estado: outra decisão política fundamental. órgão executivo e órgão judiciário. mas não são iguais. Sistema de freios e contrapesos: são mecanismos que trazem uma pequena interferência de um poder no outro para possibilitar uma maior sofisticação na limitação do poder.

A maioria ainda o denomina assim. O sentido de proporcionalidade é mais amplo. A constituição é programática – ele fiscaliza e suas decisões atingem a coletividade. do estado de Direito etc. O seu papel político cresceu muito também em razão dos mecanismos de controle de constitucionalidade que surgiram no decorrer do século XX. O poder público deve agir sempre com adequação entre fins e meios. da razoabilidade. cresceu na função atípica (CPI) – fiscalização. E o legislativo. O executivo passa a ter mais condições de legislar – cresce sua função atípica de legislar – poder normativo das agências reguladoras e executivas (legislam). Tudo isso fez com que o executivo crescesse. todos indicam a existência do princípio da proporcionalidade. É um princípio consitucional-positivo implícito (não positivado) – alguns autores dizem que tem origem no devido processo legal. legislativos (a constituição já dá os objetivos e o legislador constrói os meios para se atingir. proporcionalidade estrita: os benefícios da utilização da medida devem ser maiores que os malefícios (custo-benefício). aspecto que fez com que o Judiciário se agigantasse. Hoje o domínio é do Executivo. a teoria passou a ser utilizada para avaliar atos legislativos no controle de constitucionalidade. Encontrado em vários ramos do direito. passando a ter maior notoriedade. 3ª geração: direitos coletivos e difusos . Mas também decorre do princípio da legalidade. Razoabilidade – alguns entendem como distintos – o STF vem usando as expressões como sinônimas. que devem ser razoáveis). Os atos administrativos podem ser desconstituídos em face de uma ofensa à proporcionalidade. assim como princípio da vedação do retrocesso. Além de avaliar atos administrativos. Hoje se tem uma redefinição do papel desses órgãos. Busca ajustar os objetivos e os meios necessários. As funções atípicas estão aumentando cada vez mais. essa é a diferença.uma única decisão judicial passa a atingir toda a coletividade. A proporcionalidade não está positivada na constituição. Para o STF são sinônimos. da isonomia. A razoabilidade é uma das projeções da proporcionalidade (proporcionalidade estrita). No estado do bem-estar social o Executivo cresceu muito (fazer. O Judiciário cresceu a partir da 2ª metade do século XX. Alguns autores dizem que esta é a razoabilidade. necessidade: o meio é o menos gravoso possível. mas para quem as distingue. O poder público deve agir de modo proporcional aos objetivos que pretende atingir. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE: Também chamado de princípio da proibição do excesso. por sua vez. executar e não só se abster). 44 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . Medida provisória – legislar rapidamente.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO limitam ao que for legislado (aplicar e executar). Usada nos atos administrativos. O princípio da proporcionalidade é dividido em (direito alemão): adequação: a medida deve ser apta ao fim. Estado liberal – abstenção do Estado.

Existe uma graduação da eficácia da norma constitucional. Nessa idéia. Já as normas-regra são regras. ela não é estranha à constituição e por isso é utilizada no controle de constitucionalidade. por si só já pode ser executada). Sua importância vem crescendo muito no controle (EUA). Em todo esse pensamento há uma correspondência entre norma e texto. Normas-princípio são motivos. Regra é um dever-ser. em si. Texto é o objeto da interpretação. Essa definição conclui que norma = texto = dispositivo. e força impeditiva – é a que impede que entre no ordenamento inferior normas que lhe sejam contrárias (controle de constitucionalidade). abstração. norma é o resultado da interpretação. NORMAS CONSTITUCIONAIS José Afonso diz que normas são preceitos que tutelam situações subjetivas de vantagem ou de vínculo. Por isso. A proporcionalidade não é um motivo. norma é o gênero. aplicável (é a que está apta a produzir todos os efeitos. embora a doutrina diga ser a mesma coisa. uma eficácia jurídica mínima e uma eficácia jurídica máxima. Essa é a visão clássica.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO A proporcionalidade está presente em todo o sistema (ex: proporcionalidade das penas). determinado estado dos EUA estabeleceu que era crime mulher tomar pílula anticoncepcional. que pode ser dividido em normas-princípio e normas-regra (divisão do professor Jorge Miranda). na verdade não é princípio. é um instrumento de ponderação. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 45 . Ela. conclusão. enquanto o princípio é um motivo. A norma pode ser: válida (produzida nos termos da lei). É a que predomina na doutrina. sendo que prevalecerá um no caso concreto. Há uma outra maneira doutrinária de compreender o que é norma: norma # texto # dispositivo. não necessitando de complementação normativa. O STF vem utilizando cada vez mais o sistema da proporcionalidade. A proporcionalidade é um instrumento para solucionar um choque entre princípios. declarado inconstitucional por falta de proporcionalidade. mas um instrumento de mensuração de princípios. Por exemplo. Quando a interpretação é feita pelo juiz o resultado que se tem é uma norma de decisão. Norma é diferente de texto. Toda norma constitucional possui eficácia (diferente de concretização). Toda norma constitucional tem eficácia mínima e é caracterizada por duas forças: força paralisante – paralisa tudo que não está de acordo com a constituição (não recepção). eficaz (é a que produz efeitos jurídicos – pode depender de outra norma). não se choca com outro princípio. vigente (é a que se encontra no ordenamento). é o dever-ser. Princípios podem se chocar.

objetivo que precisa de lei para se concretizar. O que impede a eficácia máxima pode ser uma razão jurídica (falta outra norma – nos termos da lei) ou não-jurídica (políticas. 3. Permite a redução do alcance por lei. CF). Classificação de Jorge Miranda. complementação por leis e fatores políticos. Constitucionalismo norte-americano: normas auto-aplicáveis (self-executing – aquelas que dispensam a lei ordinária comum – se aplicam por si só). não é ilimitado. 3º. a norma pode ser: Plena: aquelas cuja aplicabilidade não depende de nada e não podem ser restringidas pelo legislador ordinário. norma materialmente constitucional (tem conteúdo constitucional). um dever-ser). 2. Quanto à aplicabilidade (José Afonso da Silva): norma aplicável é a que está apta a produzir todos os seus efeitos. ou ainda programáticas: norma que prevê um programa de atuação. A verdadeira concretização da constituição depende. costumes etc) reduza essa liberdade. 90. normas não auto-aplicáveis (not self-executing . uma abstração – Art. Enquanto não houver restrição a eficácia da norma será plena. o meio é inadequado). 91. CF. 5º.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Nem toda norma constitucional tem eficácia máxima. A norma garante a liberdade. mas ela permite que lei (a própria CF. Sob esse aspecto. CF – a colheita de digitais em concurso público não é razoável. atingirem a eficácia social (máxima). Art. A norma programática possui eficácia jurídica. § 2º. Quanto ao conteúdo: norma-princípio (aquela que positiva um princípio. 170. Não se pode reduzir a concretização da constituição a uma questão jurídica. Eficácia máxima ou social é a efetiva concretização do texto constitucional. LVIII. XIII. portanto. a constituição real e efetiva é a soma dos fatores reais de poder (Lassalle). Quanto à natureza: normas formalmente constitucionais (está escrita na CF). contida ou limitada. mas permitem que a lei reduza o seu alcance (Art. CF). CF). nem que seja a mínima (força paralisante e impeditiva) ela obriga o legislador (RE 168501). Pode ser institutiva: exigem a lei ordinária para dar corpo a instituições e órgãos (Art. tem força normativa (eficácia). CF – conselho de defesa nacional). objetivos a serem alcançados (Art. ou seja. 1º. de questões jurídicas e não-jurídicas. desde que seja razoável.dependem de lei infraconstitucional). § 2º. 5º. Limitada: aquelas que precisam de lei ordinária para serem concretizadas. culturais. Art. norma-regra (positiva uma regra. Determinados aspectos de saúde e educação podem ser de eficácia plena. CF – conselho da república que não existe sem lei institutiva. não necessitando de complementação. absoluto (Art. fatores reais de poder). Essa ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 46 . portanto. Contida: também são auto-aplicáveis. 4. sociológicos etc. Classificação das normas constitucionais: 1. culturais. Ela necessita de uma complementação.

ela é o resultado da hermenêutica. eficácia limitada – eficácia relativa dependente de complementação legislativa ou norma de eficácia complementável. que interpreta. Texto é o objeto e da interpretação do texto com os fatos resulta a norma (resultado). em pensamento moderno. A norma está potencialmente no texto. Interpretativismo e não interpetrativismo: respectivamente referência ao juiz que pouco interpreta. O texto em conjunto com os fatos gera a norma. participa da construção da norma. sob pena de ferimento à separação dos poderes. Texto + fatos + operador do Direito = norma. ele é passivo. O juiz (operador) vai debruçar-se sobre o texto.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO classificação está na obra de José Afonso da Silva na “Aplicabilidade das normas constitucionais”. Postura interpretativista. Classicamente. é a letra da lei. chama a atenção para o seguinte: norma # texto. a mens legis. Texto é o dispositivo. Muda o nome das contidas. Em síntese sua classificação é a seguinte: norma de eficácia absoluta. onde ele constrói a norma a partir de um texto. norma = texto. Ele não pode substituir o legislador. o que lhe dá poder muito maior na hermenêutica. mas a vontade da lei. apenas repetindo o que está na lei e o juiz ativo. todavia. O juiz aqui é ativo  é o ativismo judicial: é a função ativa do juiz na hermenêutica. acrescendo um quarto grupo: a de eficácia absoluta  norma tão absoluta que emenda não pode tocá-la (cláusulas pétreas). ele deve se prender a certos parâmetros de hermenêutica. Nesse ponto de vista clássico o papel do juiz é de apenas dizer o que está na lei. independe do momento histórico. é passivo. não importa a vontade do legislador. O juiz não pode. plena. tem parâmetros ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 47 . O juiz faz parte da construção da norma. Ainda quanto à aplicabilidade. o conteúdo é o mesmo. Utilizada a interpretação histórica – da época em que foi elaborada a lei). mas também sobre os fatos. Se prende à vontade do legislador. ele tem ideologia. HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL A tarefa do operador do Direito é a de decifrar o texto legal. Eros Grau. a professora Maria Helena Diniz também classifica como José Afonso da Silva. relativa restringível. O juiz é mecânico. isso é interpretação evolutiva. relativa dependente de complementação legislativa ou complementável. O juiz não poderá se desviar daquilo produzido pelo legislador presente no texto legal. portanto. postura não-interpretativista ou mens legislatoris (preso à vontade do legislador. critério subjetivo. chamando-as de normas de eficácia relativa restringível. A norma não está completa na letra da lei. ter liberdade plena. Legislador (emissor)  texto legal (mensagem)  operador do Direito (receptor).

Critérios para garantir o mínimo de A primeira idéia tinha o juiz como sujeito passivo  link com a ciência: o observador não interfere no objeto observado. plausibilidade com a norma. 2. Unidade: a constituição tem sentido único. é um sistema. Título I da CF/88: fundamentos e objetivos da república federativa do Brasil. Estes parâmetros são chamados pela doutrina de características da hermenêutica: 1. Direitos fundamentais: devem sempre ser considerados para concretizar os direitos fundamentais. legalidade etc. Espécies de interpretação * Judicial: feita pelo juiz e tem como resultado a norma de decisão. 3. a depender da realidade fática a solução será determinada de acordo com a ponderação de interesses. igualdade. * Os fatos são importantíssimos para se resolver questões de controle de constitucionalidade. Para Maria Helena são normas constitucionais de aplicabilidade absoluta. em um segundo momento da ciência. não deve ser interpretado um dispositivo isoladamente. estado de direito. não obriga o legislador comum. Princípios: tudo estruturado à luz dos princípios: separação dos poderes. o observador interfere no objeto observado. o Executivo interpreta a CF. Ele não tem força normativa. relacionando-se com o segundo ponto de vista de que o juiz é ativo. 6. e norma de decisão (do juiz). Cláusulas pétreas: estão carregadas de princípios e devem sempre ser consideradas. Alguns doutrinadores chamam isso de “moderna hermenêutica constitucional” – toda a tarefa de interpretação da constituição é voltada à concretização dos direitos fundamentais (uma idéia entre outras). ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 48 . Hoje isso. 4. * Administrativa: Administração pública.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO para trabalhar (hermenêutica). Preâmbulo: sua utilização como fonte hermenêutica. Tem relação horizontal também com as normas constitucionais – estudar o texto constitucional à luz dos fatos e também do preâmbulo. mas sistematicamente. 5. não é mais assim. * Doutrinária: doutrina. exceto o juiz). * Norma pode ser: norma jurídica comum (aquela trabalhada pelos operadores do Direito. ela tem sua organização.

Não existe para a doutrina majoritária. não pode ser Teleológico: a partir da finalidade da constituição. Admitida apenas por uma minoria. Não se coaduna com a constituição aberta. Teria que ser feita pelo constituinte originário. A segunda mens legis são a dos interpretativistas ou ativismo judicial – o juiz é ativo. Também desaconselhado porque também está preso a momento histórico (1988). Interpretar é aplicar. processo aberto de argumentação. não autêntica. resultados práticos. aquela feita pelo povo (que não é doutrinador). quando deve ser apenas um ponto de partida. atualizada. mas seria o constituinte derivado. Alguns doutrinadores incluem a interpretação popular da constituição. Alguns consideram a EC como interpretação. A interpretação gramatical e a histórica impedem a constituição aberta. Tem que interpretar. Discutir os problemas a serem resolvidos. é passivo. Concretizador: o intérprete deve buscar concretizar a norma constitucional à luz de determinada situação histórica concreta. Histórica: interpretar à luz dos acontecimentos históricos da época em que a constituição foi produzida (discussões que levaram à produção). É interpretação que busca a mens legislatoris (vontade do legislador). logo. mas não pode ser onipotente. é uma unidade. Tentam construir essa idéia ainda. A autêntica (feita pelo legislador) não é adotada por todos. Interpretação só subjetiva: ficar presa a 1988: não aconselhado.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO * Autêntica: o mesmo autor do texto interpretado. concretizar. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 49 . ficando presa à letra e à história. Se ele interpretasse estaria fazendo nova constituição e não interpretando. Sistemática: a constituição interpretada com dispositivos isolados. tem vida própria. Problema: a constituição pode ter alteração não formal  mutação. desconsiderando que a constituição é aberta. A doutrina dos não-interpretativistas se coaduna com a primeira linha mens legislatoris. muita importância ao pensamento do legislador. Preocupação com a vontade da constituição e não do legislador. Isso significa que o juiz tem participação ativa na produção da norma (ativismo judicial). tem que se adequar com o tempo (mens legis – vontade da lei). O juiz não tem que interpretar. Tópico-problemático: o intérprete deve priorizar os problemas práticos a serem resolvidos. Interpretação presa no método gramatical não acompanha. A interpretação tem que ser objetiva. A lei se modifica. Métodos de interpretação Gramatical: interpreta a CF a partir do texto.

os fatos são importantes para a criação da norma e o juiz deve examiná-los. * Interpretação sistemática. 2. Em conflito de dispositivos harmonizá-las à luz de cada caso concreto razoabilidade). A constituição existe e deve ser interpretada para garantir os direitos fundamentais do cidadão. * Inadmissibilidade da interpretação autêntica.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Princípios da interpretação (Canotilho) 1. Bloco de constitucionalidade: algumas idéias estão presentes em todo o texto constitucional. além de princípio de hermenêutica. A cada caso concreto haverá fato 5. são valores não presentes em dispositivo único. Regras de hermenêutica constitucional segundo Canotilho e Vital Moreira: * Interpretação objetiva: e não subjetiva (considera quem fez a lei – mens legislatoris). Interpretação da lei conforme a constituição: não a constituição conforme a lei. 3. Interpretação contrária vai de encontro à moderna hermenêutica. a constituição tem que ser concretizada e tudo isso tem que ser voltado à garantia dos direitos fundamentais. diverso. intrínseca: interpretação dentro do sistema * Exclusão da interpretação da constituição a partir da lei. Pela supremacia da constituição se interpreta a lei ordinária à luz da CF. Unidade da constituição: a constituição é um todo único. Concordância interpretação sistemática constitucionais é preciso (ponderação de interesses. Buscar a prevalência da vontade da lei . influenciar a realidade. É parâmetro constitucional. 4. Máxima efetividade ou princípio da eficiência: conferir à constituição a maior eficácia. Força normativa da constituição: a constituição pode mudar. A constituição material pode estar presente em lei ordinária inclusive. Movimento da moderna hermenêutica: é a segunda visão de que o juiz é ativo.mens legis. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 50 . * Interpretação constitucional. É também uma técnica de controle de constitucionalidade. prática ou da harmonização: decorre da da constituição. um sistema. Escolher o caminho que confere maior efetividade.

Em 1803 houve a primeira aplicação prática dessa teoria examinado pela suprema corte dos Estados Unidos no caso “Marbury X Madison” e juiz Marshall. É o primeiro caso jurisprudencial. Tem por objetivo ainda garantir o cumprimento dos preceitos fundamentais da CF (ADPF). relator (MMM). antes da constituição dos EUA. De acordo com a pirâmide de Kelsen. mas esta decisão não inventou a teoria do controle. Daí escapou dizendo que lei ordinária não pode criar competência para a suprema corte. que é influenciada por esse pensamento e promulgada em 1787). Autores como Alexandre Hamilton já discutiam e escreviam a respeito. Ocorre que Marshall não poderia desmoralizar o presidente Thomas Jefferson (era secretário de Estado nomeado para a suprema corte). após a posse de Thomas Jefferson (brecou o “trem da alegria”) contra Madison e quem estava na suprema corte era Marshall (encarregado de entregar o documento de posse a Marbury). que é matéria constitucional (James Madison era secretário de Estado que teria foro privilegiado na suprema corte nos termos de lei ordinária). a rigidez constitucional e o controle de constitucionalidade. retirando do ordenamento as normas inferiores que a contrariam. foi só a 1ª aplicação prática. Hoje o controle se presta também a declarar que a norma inferior está de acordo com a constituição e não contrária. é escudo protetor do povo contra as decisões dos seus próprios representantes. Essa decisão julgou inconstitucional a ação de Marbury dizendo que a lei ordinária não poderia criar regra de competência. só a constituição. (O mesmo caso o STF julgou a constitucionalidade da lei FHC que fixava competência por foro privilegiado – declarou a inconstitucionalidade). as quais não podem contrariar. Marshal declara inconstitucional a lei ordinária que fixava o foro privilegiado a Madison na suprema corte. É o princípio da compatibilidade vertical das normas. A idéia de constituição era de algo que pudesse defender o povo frente ao legislador (parlamento soberano – o parlamento inglês editava leis tributando as colônias inglesas e nada poderia ser feito porque esse parlamento era supremo – sistema de soberania do parlamento inglês acabou por ser um dos motivos principais das 13 colônias inglesas na américa do norte tornarem-se independentes – daí a idéia de constituição como instrumento de defesa frente ao legislador). As bases do estado democrático de direito são a supremacia da CF. Marbury desejava o documento que lhe dava a nomeação a juiz. A suprir uma omissão (ausência da lei) e não apenas para fulminar uma lei contrária à constituição. O Judiciário seria o guardião da constituição (idéia debatida pela Convenção de Filadélfia – textos federalistas. Origem: constituição dos EUA de 1787. as normas inferiores existem por força das superiores. Leading case do controle. A lei que contrariasse não produziria efeitos jurídicos. Controle de constitucionalidade é o mecanismo que faz prevalecer a supremacia da constituição. A constituição é forte limite ao legislador.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO O controle de constitucionalidade está ligado à rigidez constitucional. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 51 . seria nula.

No Brasil. Dred quer dizer que se tornou livre a partir do momento que ele morou em lugares onde não era admitida a escravidão. para só então ser editado o decreto de intervenção (é o oposto). EC 45/04 estabeleceu o efeito vinculante para a ADI e outras modificações. EC 03/93 criou a ADC e o efeito vinculante. Os dois primeiros casos historicamente são casos concretos em que a discussão da constitucionalidade é incidental. A lei federal que proibia a escravidão no território federal era inconstitucional porque feria o direito de propriedade da constituição. o próprio legislador zelava pela constituição). acionando Sandford. Hoje a intervenção depende de o STF dar procedência à representação interventiva promovida pelo PGR. § 10) (no modelo norte-americano – influência de Rui Barbosa). Espécies de inconstitucionalidade: ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 52 . 13. A suprema corte dá uma decisão assegurando direitos fundamentais (da propriedade). disse que seria melhor não esperar por um caso concreto para controlar – sistema austríaco de controle de constitucionalidade – controle abstrato. O parágrafo único limita o controle do Judiciário  congresso nacional confirma a importância da lei por 2/3 de votos em cada uma das câmaras e a decisão de inconstitucionalidade fica inválida (a lei acaba por se tornar emenda. Hans Kelsen observando a proteção da constituição. acabando com a supremacia da constituição – apesar de inconstitucional ela irá permanecer – ditadura justifica a medida). mas anulável. sem a necessidade de um caso concreto. A lei inconstitucional não será nula. 35. A lei ordinária não poderia proibir a escravidão no território federal – nega o pedido de Dred. I. em 1934 (Art. ao contrário. 1937 (Art. lei 9868/99 e 9882/99 regulamentou a ADI e ADPF respectivamente. IV. 1891 (Art. bem como a ADPF. § § 1º e 2º) inaugura o controle concentrado. 1946 (em 1965 com a EC 16 – Art. I. 12. legislador guardião da constituição) e em 20/11/1894 houve a elaboração da lei 221 que instituiu a justiça federal e um controle difuso a ser feito pelos juízes em casos concretos (Art. 96) quorum de maioria absoluta para declarar a inconstitucionalidade. É considerada uma das piores decisões dos EUA (diz que Dred é coisa. 1967 e 1969 não trazem grandes alterações. Em seguida o seu dono o leva a um estado que não tinha escravidão. Defesa da constituição abstratamente. K)  ADI controle abstrato (idéia de Kelsen). 15. e após para um território federal que também não tinha escravidão e finalmente retorna com ele a um estado escravocrata.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO A segunda decisão de controle foi em 1853 (escravidão) no caso Dred Scott X Sandford. que a ação não pode ser proposta etc). PEC 358: 2ª parte da reforma do Judiciário. que não é a mesma de hoje. fazem a previsão de atos institucionais que não podiam ser apreciados pelo Judiciário (novo período ditatorial). só o STF poderia julgar a ADI interventiva. Dred era um escravo e morava em um estado escravocrata. 101. na constituição de 1824 não houve a previsão de controle (Art. A intervenção era feita por lei e a ADI contra esta lei servia para acabar com a intervenção. 1988: aumento dos legitimados a propor ADI e surge a ADI por omissão. vendendo-o a Sandford.

sempre tem que considerar os fatos reais (é tarefa política – poder). caso contrário é melhor afastar todo o texto – declarar a inconstitucionalidade total. Aqui atua a força paralisante da constituição. Ex: França.não recepção – esta incompatibilidade superveniente só pode ser material a formal só é aferida originariamente – a forma modificada por nova constituição não gera inconstitucionalidade (ex: decreto-lei em vigor hoje) não impede a recepção). Por omissão: o legislador não agiu diante de uma norma de eficácia limitada institutiva ou programática. Político: o controle é entregue a um órgão político que não pertence ao Judiciário. Judicial: o Judiciário faz o controle. Misto: mistura entre órgãos políticos e judiciais. parágrafo ou alínea – o controle pode recair apenas sobre uma palavra ou expressão). mas se torna inconstitucional devido a mudanças do texto da constituição .DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO 1. O controle não considera apenas o texto. Por ação: ato normativo editado que contraria a CF. com a possibilidade de alteração inclusive por mudanças da realidade fática. A mudança pode ser tanto por nova constituição como por EC – opera o fenômeno da recepção. Alteração do parâmetro constitucional. 2. Hoje há mecanismos de inconstitucionalidade superveniente. o que fez com que a lei se tornasse ruim. mas hoje em dia a idéia é diferenciada. Pode ser a inconstitucionalidade por ação total ou parcial (não se confunde com o veto parcial  texto integral de artigo. Pode ocorrer de a lei nascer boa. O Judiciário só pode afastar parte do texto se permanecer algum sentido para o resto do texto. Ex: Suíça. ou superveniente (nasce boa. Na inconstitucionalidade por ação pode ser por vício material (viola o conteúdo da CF) ou formal (o procedimento de elaboração da lei fere o que está escrito na constituição. 3. 2. Composição mista do órgão de controle: metade dos membros da magistratura e metade escolhidos fora da magistratura. a constituição não mudar e futuramente a lei se tornar inconstitucional  mudam os fatos: alteração das circunstâncias fáticas. Pode ser ainda inconstitucionalidade originária (a lei já nasce com vício. A última hipótese do controle misto é a que prevê vários tipos de controle combinados (modelo dos EUA e modelo ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 53 . A jurisprudência do STF fala em revogação da lei (Sepúlveda Pertence). Sistemas de controle de constitucionalidade 1. O controle é político para normas gerais e judicial para normas locais. A jurisprudência do STF admite que a alteração da realidade fática pode tornar a lei inconstitucional. forma que contraria a prevista na CF – ex: MP assinada por ministro e não pelo presidente). podendo ser material ou formal a norma constitucional impede que faça nascer lei que contraria norma constitucional – atua a força impeditiva da constituição).

o controle da lei em tese Sistema brasileiro de controle de constitucionalidade: como regra geral diz-se que o controle adotado pelo Brasil é repressivo e judicial. aguarda a edição da lei. Se a tramitação ofende a própria CF o STF admite a paralisação do PL em tramitação. 60. na fase do projeto. Repressivo: após. – controle na fase do projeto). a norma já está produzindo efeitos. só um órgão faz o controle. comissões de constituição e justiça (na Câmara e no Senado). O parlamentar tem o direito líquido e certo de obstar que o projeto prossiga por meio do MS ao STF. mas a jurisprudência do STF admite o MS impetrado por parlamentar quando o projeto de EC ofende ou é tendente a abolir cláusula pétrea (Art. abstrato: não há lide. espalhado. de um conflito de interesses.. difuso/concentrado. Mais um caso de vício formal que não está na jurisprudência do STF: MS impetrado por quem teve violada sua iniciativa ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 54 . ou concentrado. Tipos de controle: Preventivo: antes de a norma ingressar na ordem jurídica. concreto/abstrato (Brasil).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO de Kelsen  Brasil). No regimental o STF não interfere. Preventivo judicial: mandado de segurança. o controle é incidente (modelo dos EUA). CONTROLE PREVENTIVO REPRESSIVO DIFUSO: vários órgãos realizam o controle CONCENTRADO: só um órgão faz o controle CONCRETO: resolve o controle que surge de um lide ABSTRATO: não há lide. mas não é uma regra absoluta: Preventivo político: veto presidencial por inconstitucionalidade (controle) que será revisto pelo Congresso (novo controle preventivo). Tradicionalmente não existe. § 4º: não haverá deliberação de EC. verificar se o projeto está de acordo com a CF. Pode ser: Difuso: vários órgãos são autorizados a realizar o controle. Mistura entre o repressivo/preventivo.. é controle da lei em tese (Kelsen). O vício pode ser regimental ou constitucional. Há ainda o MS impetrado por parlamentar quando a tramitação de PL ofende o processo legislativo constitucional. Concreto: busca resolver o caso concreto que surge de uma lide.

só quando a lei de conversão for editada. Na verdade o controle da MP é ao mesmo tempo preventivo (em relação à lei de conversão) e repressivo em relação à MP em vigor (texto original). não precisa aguardar o veto (doutrina). em regra). 62. declara a inconstitucionalidade  chamado de reserva de plenário. Há uma lide em caso concreto (MMM – como teve início). Ex: aumento de servidor público federal só o chefe do executivo pode (Art. ADC e ADPF. negativa do executivo em aplicar a lei inconstitucional (ainda não declarada) a seu juízo. atos que exorbitam ou inovam no mundo jurídico (só lei pode. O juiz poderá de ofício conhecer do problema. TCU também pode deixar de aplicar lei que considera inconstitucional. 49. São os três casos dados pela doutrina tradicional. Congresso faz juízo prévio sobre o atendimento dos pressupostos constitucionais antes de falar do mérito. Os órgãos fracionários não podem declarar a inconstitucionalidade. Para declarar a constitucionalidade não há o princípio da reserva de plenário (câmara e turma podem declarar a constitucionalidade). X: Senado pode suspender a execução de lei julgada inconstitucional em caso concreto (controle difuso). não depende de argumentação por uma das partes para que ele analise inclusive. 97. CF: para o controle difuso e abstrato. 52. Art. Se um deputado tiver a iniciativa. Repressivo judicial: pode ser concreto (difuso. Luiz Roberto Barroso cita essas hipóteses. * Controle judicial concreto ou difuso: também chamado de controle incidental ou por via de exceção. regulamento não pode criar obrigação) ou ainda exorbita na delegação conferida.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO legislativa privativa. a especializada cita ainda: legitimidade ativa da ADI e ADC (mesa da Câmara. § 1º). Art. Ações típicas são ADI (genérica. Art. por exemplo). Maioria absoluta dos seus membros do pleno ou do órgão especial constituído (de 11 a 25 membros). V: Congresso Nacional sustar atos normativos do Executivo que já estão produzindo efeitos. Também poderão (turma ou câmara) julgar declarando a inconstitucionalidade quando já houver posição do STF (pleno) ou dos órgãos especiais pela ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 55 .61. Exercido por qualquer juiz ou tribunal por argumentação de inconstitucionalidade incidentalmente em um caso concreto (argumentação deduzida em juízo). por omissão ou interventiva). se houver. A inconstitucionalidade não precisa constar da causa de pedir. Ele não é o pedido. Discussão sobre a constitucionalidade da lei que um dos litigantes fundamenta seu pedido – o juiz terá que analisá-lo incidentalmente. Repressivo político: a doutrina entende que existe nos seguintes casos: Art. o presidente pode impetrar MS contra este ato para defender a sua iniciativa constitucional privativa. qualquer juiz ou tribunal poderá examinar e fazer o controle) ou abstrato (concentrado – STF ou TJ). § 5º: medida provisória (produzem efeitos desde a edição. Modificação no texto originário da MP não produz efeitos a terceiros. ele é causa de pedir. Revogação da lei inconstitucional pelo próprio legislativo por meio da edição de uma nova lei.

assim como no controle abstrato estadual a assembléia legislativa não participa). mas é ex nunc. Efeitos da decisão judicial no controle difuso: Inter partes: atinge as partes litigantes apenas. de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do STF. Os atos pretéritos realizados com base na lei inconstitucional não são atingidos. destituídos de qualquer carga de eficácia jurídica. estarão apenas aplicando um precedente. O Senado pode suspender a execução de lei federal. 52. * Controle judicial abstrato: concentrado ou objetivo de constitucionalidade realizado pelo STF (CF) ou TJ (CE’s). CPC). e mesmo que o STF julgue inteiramente inconstitucional ele pode suspender só de parte dela  juízo de conveniência. parágrafo único. portanto. 481. Se o pedido foi concreto poderá haver o controle desde que seja um controle efetivamente de um caso concreto (declarar incidentalmente a inconstitucionalidade para atingir um caso concreto) e neste caso a decisão terá efeitos erga omnes.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO inconstitucionalidade da questão (Art. Passará a ter efeitos erga omnes. uma vez que os atos inconstitucionais são nulos e. só não será mais aplicada (suspensão). Art. Caso o Senado suspenda a execução da lei declarada inconstitucional incidentalmente os efeitos serão erga omnes e ex nunc em relação aos terceiros atingidos. a depender dos termos do pedido. ). Ações típicas são ADI. Ainda excepcionalmente o efeito no controle difuso poderá ser ex nunc (RE 197917 – número de vereadores). O controle difuso é subjetivo (entre partes). o Senado não participa. Alguns autores sustentam que essa decisão tem natureza judicial que seria ex tunc. ADC ou ADPF (repressivo). X. A lei não fica revogada. CF: aplicado apenas no controle difuso. estadual e municipal. que seria obrigatório (minoria – o Senado só participa no controle difuso porque no concentrado a lei já não mais produzirá efeitos. Pela pirâmide de Kelsen extrai-se o princípio da compatibilidade vertical em que qualquer norma que não esteja compatível com a CF (ponto máximo da pirâmide) deve ser retirada do ordenamento. Senado suspende a execução no todo ou em parte. Ex tunc: efeitos retroativos. A ADI genérica é o ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 56 . Há uma exceção em que os efeitos da decisão judicial no controle difuso será erga omnes  ações coletivas (ACP e AP). Se o pedido for o de uma ADI (disfarçada) não poderá haver o controle (abstrato – usurpando a competência do STF). O efeito é ex tunc em relação às partes do processo. deverão deduzir ação um a um (é uma falha!). Ele vem passando por um processo de objetivação – passar a atingir terceiros  amicus curiae em RE no controle difuso (informativo do STF n. O Senado não é obrigado a suspender a execução da lei.

regimento interno de tribunal (vício constitucional). a IX. A lei municipal pode ser objeto de controle na ADI estadual em face da constituição estadual apenas no TJ. § § 1º e 3º. 125. mas não propriamente o contraditório e a ampla defesa. Municipal será objeto de ADPF. mas caso seja de efeitos concretos será cabível). pareceres da consultoria geral (AGU) aprovados pelo presidente (quando se tornam obrigatórios para a administração pública federal). Essa é uma atividade política. O STF costuma dizer que ADI e ADC são a mesma coisa.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO mecanismo que retira do ordenamento normas inferiores que contrariam a constituição. 102. é um processo objetivo. 97. O TJ só pode fazer o controle com base na CF sendo difuso. E é isso que garante a supremacia da carta magna. A ADI não visa dar a cada um o que é seu. 103. Cabe ADI contra: emendas constitucionais. STF faz o papel de legislador negativo retirando normas e não resolvendo caso concreto. § 2º (estadual) da CF/88 e lei 9868/99. lei no período da vacatio legis. vinculada ao poder semelhante à de “legislador negativo”. Não cabe ADI em face de: lei de conteúdo concreto (ato normativo abstrato coercitivo é lei). regulamentos autônomos (Art. “p”. Exceção: lei de criação de municípios. 84. I. tratados internacionais (lei ordinária ou EC). contra o princípio da maioria (maioria do povo que elegeu o legislador para fazer as leis). enquanto que o objeto da ADC é apenas lei ou ato normativo federal (PEC 358-A confere à ADC o mesmo objeto da ADI – lei ou ato normativo estadual também). Há algumas que são chamadas de lei. ela é um processo de verificação da conformidade entre a lei e a constituição. mas se aproximam de ato administrativo com efeitos concretos. 102. um processo dialético. Haverá uma defesa. decretos legislativos e resoluções quando são atos normativos (ex: RI). se legislar matéria de competência municipal não cabe. O STF atuando como legislador negativo atua contra o poder da maioria  poder contramajoritário. Este processo não é um processo civil comum subjetivo. Poderão ser objeto de MS (não cabe MS contra lei em tese. Objeto da ADI: lei ou ato normativo estadual ou federal (ADC somente federal). O objeto da ADI é lei ou ato normativo federal ou estadual. medidas provisórias. lei delegada (tanto do ato que autoriza a delegação. resoluções do TSE quando veicular ato normativo. lei do DF  com base na competência legislativa do estado. Essa atividade é um poder contramajoritário (Luiz Roberto Barroso). ADI genérica: mecanismo de controle que objetiva expurgar do sistema jurídico um ato normativo que contrarie a CF. tecnicamente não existe contraditório e ampla defesa. mas na verdade ainda não são a mesma coisa. § 2º. Para leis ou atos préconstitucionais (a recepção ou não recepção não poderá ser discutida em ADI. quanto da própria lei). ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 57 . só que com um sinal invertido. “a”. Arts. A ADI não envolve partes. I. VI) (regulamentos comuns não podem).

a lei deve estar no ordenamento. Durante ADI muda dispositivo da CF  ela perde o objeto. Legitimados especiais: exige pertinência temática da parte ativa. por exemplo. atos privados. mas não tenha conteúdo ou substância de lei. abstração e coercibilidade. Tudo isso pode ser objeto de ADC sendo federal. A jurisprudência do STF divide os legitimados em dois grupos: Legitimados universais: podem ajuizar toda e qualquer ADI. OAB só a nacional. Lei de criação de municípios pode ser objeto de ADI. Antes o STF entendia que a ADI perdia o objeto. Lei ou ato normativo: ato que tenha os atributos de generalidade. 103. PGR. Para atos revogados também não. ocorre que na ADI 1244 há um voto no sentido de que se a lei foi revogada no curso de uma ADI ela deve prosseguir. confederação sindical. A perda superveniente da representação no congresso não prejudica a ADI em andamento proposta por partido político (a partir de 2004). Diretoria estadual de partido político não pode propor. Pode ser que algum ato tenha a forma de lei. A própria autoridade que editou ou participou da produção do ato normativo pode propor ADI. normas de estado estrangeiro (pode ser negado o exequatur mas declarar a inconstitucionalidade não). estaduais não podem. sentenças normativas. normas originárias (teoria das normas constitucionais inconstitucionais – Otto Bachof . É a chamada lei de efeitos concretos (lei que desapropria o imóvel rural e lei orçamentária) que não podem ser objeto de ADI. CF prevê os legitimados para propor ADI. Podem propor ADI: Art. A exigência de a entidade de classe estar em funcionamento há mais de um ano é só para MS coletivo. Para regulamentos comuns. São os governadores. Presidente em face de uma MP. só por EC) (STF não aceitou a teoria das normas constitucionais inconstitucionais). convenções coletivas de trabalho. conselho federal da OAB. Tudo isso pode ser discutido em controle difuso ou ADPF. Não é a mesa do congresso. entidade de classe  pertinência temática entre o objeto da ADI com o legitimado. apenas a da câmara e do senado. São o presidente da república. partido político com representação no congresso nacional. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE interpreta-se 58 .DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO só em ADPF). mesas de assembléias legislativas ou câmara distrital.não admitida pelo STF. mesas da câmara e senado. decreto regulamentar. Os requisitos são analisados por ocasião da interposição da ADI. Para ser considerado de “âmbito nacional” analogicamente a lei orgânica dos partidos políticos.

Assim. 5º: indisponibilidade de instância. mais do que custus legis. Pertinência temática e interesse de agir – o STF diz que não há interesse de agir mesmo com a pertinência temática (na verdade tem sim). não admite desistência. No pólo passivo estarão as autoridades das quais emanou o ato impugnado.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Associações de associações passaram a poder propor ADI (ADI 3155). abstrato. Art. Acreditava (em 88) que a lei era boa. passou a promovê-la. Não é admitida intervenção de terceiros (Art. partes. mas na verdade é mera notificação e não ato para formar lide com contraditório e ampla defesa. mas os fundamentos eram bons. mas é. ou seja. defesa simples (sem contraditório e ampla defesa). Art. 7º. se não for o autor será ouvido previamente em ADI e em todos os processos do STF. É também indisponível o pedido da cautelar. Lei 9868/99. mas a questão era plausível. mas havendo advogado deverá juntar procuração com poderes específicos. fora da atividade judicial típica. A decisão no controle difuso é um precedente e a força dele acaba por atingir terceiros (as demais ações começam a ser julgadas no mesmo sentido – ex: progressão em crimes hediondos decidido em um HC). Admitida a manifestação do amicus curiae por escrito ou também oralmente (Art. 103. lide. então propunha a ADI – raiz da ADC. § 2º) por despacho irrecorrível do relator . Nas ADIs estaduais melhor seria que não fosse a AGU. Art. é processo objetivo. para só após proferir o parecer com sua opinião. mesmo ele sendo o autor o processo volta a ele para parecer (razão histórica). Não é possível desistir da cautelar. arquivá-la por ser totalmente incabível ou quando não concordava. 7º). Ultimamente está ocorrendo a objetivação ou abstrativização do controle difuso (autor x réu com decisão inter partes). § 3º: AGU – a CF fala em citação. Informativo 401. 103. confederação sindical e entidade de classe). É processo unilateral. Não há prescrição e decadência em ADI. Ocorria que quando uma questão lhe era apresentada ele poderia promover a ação. Isso para não privar a questão da análise do STF. O MP é custus constitutionis. VIII e IX exige (partido político. Hoje. Não há pretensão resistida. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 59 . interesse de agir (jurisprudência do STF). I a VII: dispensa advogado. 402 ou 403 do STF. Não é réu! PGR: antes de 88 ele era o único a poder propor ADI. Com isso o STF está passando a admitir o amicus curiae no controle difuso (é figura do controle abstrato).

embora nem a CF nem a lei 9868 diga expressamente. As circunstâncias fáticas vão influenciar no julgamento da ADI.Art. Na MC. Efeitos da cautelar na ADI: * Erga omnes. A causa petendi é aberta porque o processo é objetivo. quando o efeito será não repristinatório (Art. § 1º da lei 9868). ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 60 . sendo matéria relevante remete diretamente ao tribunal para julgar o mérito (Art. mas pode ser afastado expressamente. o STF aceita. por exemplo). Ele é a regra. I. TRF e TJ). 9º. não pode julgar inconstitucional o Art. mas ele sempre estará vinculado aos fatos/realidade – atividade política de legislar negativamente. Não é somente o texto comparado com a CF. A causa de pedir é aberta. 11. A cautelar tendo também efeito vinculante poderá dar margem a reclamação no STF ou TJ. CF) (Arts. Medida cautelar em ADI (Art. Não retira a condição de abstrato do controle (mas ele não é tão abstrato assim). sempre será concedida por maioria absoluta.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO O controle é abstrato porque não está vinculado a uma lide. O requerente pode fundamentar o seu pedido em uma causa de pedir e o STF fundamentar em outra (fundamenta com vício no conteúdo e o STF entende que há vício formal apenas). 9º. quando houver. porque se for exigir como se aplicaria a uma legislação em vigor há muito tempo? Não há de se falar em periculum. 12). Requisitos: fumus boni iuris e periculum in mora. * Repristinatório: aplicar lei anterior A à que teve MC ADI (lei B). A jurisprudência do STF admite que o requisito do periculum in mora pode ser substituído pelo critério do requisito da conveniência. 11. § 1º). mas isso não significa que o STF poderá decidir ultra e extra petita (ex: ADI contra Art. * Ex nunc (excepcionalmente ex tunc . é a realidade fática comparada com ela que influencia no julgamento no controle (Art. Há alguns julgados no STF dizendo que ambas as leis (A e B) sejam incluídas na inicial. no processo civil há. que fica suspensa. 5º. * Vinculante. § 2º). § 2º igualmente reporta-se às conseqüências fáticas dentro do controle abstrato (requisitar informações aos tribunais superiores. mas o que prevalece é que independentemente do pedido a abranger (lei A) na inicial haverá o efeito repristinatório. 102. mas o pedido é determinado. p. Decisão na ADI: Na ADI não há adstrição à causa de pedir. 10 a 12 da lei 9868): salvo no recesso (cautelar apreciada por juiz monocraticamente). Art. A jurisprudência do STF diz que esse efeito existe. 6º por vício formal – STF pode acolher como material.

A decisão da ADI vincula os demais órgãos do Judiciário. 2666 e 2608). Na ADI 1880 entendeu que qualquer pessoa poderia se valer da reclamação. 2666. PGR que move ADI e mais tarde se torna ministro do STF. Os efeitos correrão da data da publicação e não do trânsito em julgado. só que com o sinal invertido. Assim. As diferenças entre uma e outras estão diminuindo. pode haver reclamação antes do trânsito (posição jurisprudencial do STF). Uma ADC procedente não impede uma ADI futura. 2982. Efeitos da decisão final da ADI: Erga omnes: se relaciona com os efeitos subjetivos da coisa julgada. estadual e municipal. Na ADI 2231 ministro Gilmar Mendes se declarou impedido porque atuou como advogado geral da União defendendo a lei impugnada. continuando quando os demais ministros estiverem presentes. 2877. 2877. apenas embargos de declaração. Não alcançada à maioria suspende-se o julgamento. mas o próprio Supremo não. a lei é constitucional e continua no ordenamento.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Arrastamento: ADI 2982. O STF pode entender que a lei passou a ser inconstitucional (ADC 01). 2608. O Art. Exceção: no controle judicial e político preventivo (contra projeto de lei) a presunção de constitucionalidade é da lei e não do projeto de lei. a oposição dos embargos de declaração não impede os efeitos da ADI (Reclamação 2576). 24 diz que a ADI procedente = ADC improcedente e que a ADI improcedente = ADC procedente. Exceção. Na dúvida a lei presume-se constitucional (presunção relativa de constitucionalidade da lei). o processo é objetivo. Por isso o STF diz que ADI e ADC são iguais. Só que somente as partes legitimadas poderiam interpor a reclamação. Não há impedimento ou suspeição. mas se julgar improcedente a ADI. fazendo com que alcance todas as pessoas. pois a lei será retirada do ordenamento jurídico. Da decisão não cabem recursos. 22: presença de pelo menos 8 ministros e manifestação da maioria absoluta – 6 ministros. Significa elastecer o pedido quando a inconstitucionalidade de um pedido implicar a de outro não expressamente impugnado (seria incompatível) (ADI 2797. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 61 . Não cabe ação rescisória. dispensando a passagem pelo juiz de direito até que chegasse ao STF. logo. Inicialmente o STF passou a admitir a reclamação para garantir a autoridade de suas decisões. O STF julgando uma ADI procedente ele também sofrerá os efeitos da decisão. 2797. Art. Vinculante: ao judiciário e administração pública direta ou indireta federal. E a tendência é que tudo seja resumido em uma só ação. Essa possibilidade é o cerne da vinculação (consagrada na jurisprudência do STF e que só depois viria a ser o conhecido efeito vinculante).

deve retroagir sempre. Mas no momento em que alguém aplicar essa lei a reclamação poderá ser utilizada (não impede o legislativo de legislar. bastando a reclamação ao STF. sua natureza é declaratória de nulidade da lei (efeitos ex tunc). Todos esses efeitos se aplicam à ADI. Em síntese. estadual e municipal. mas o STF inclusive já aplicou o dispositivo). a ADI deve apagar os efeitos da lei. mas é isso que se vislumbra nesse Art. o que importa não é que a impugnação foi feita a um determinado ato (RI). A lei inconstitucional é nula. repristinatório. vinculante e ex tunc. A natureza jurídica do ato inconstitucional é nulo. mas fixar a data mais conveniente. em regra. inclusive no que diz respeito aos atos análogos. podendo prorrogar a validade da lei inconstitucional tanto posterior quanto anterior ao trânsito. possibilitando que ato inconstitucional tenha efeitos mantidos até o trânsito ou outro momento (sem limitação). o que o Art. Outro ato com idêntica inconstitucionalidade não precisa de ADI para ser retirado. Isso vai depender muito da realidade fática. É dizer que o STF declara uma lei inconstitucional e o legislador pode elaborar lei com mesmo conteúdo. O efeito vinculante incide inclusive sobre uma fase de execução (Art. quando a lei estará sendo apenas anulável (sistema austríaco de inconstitucionalidade de Kelsen – só que nesse sistema se permite a prorrogação até 1 ano após a decisão). CPC). federal. 27 diz é que isso é relativo e não absoluto. Possível a restrição dos efeitos erga omnes. mais que maioria absoluta) decidir que só terá eficácia a partir do trânsito ou outro momento fixado (ex nunc). O efeito vinculante atinge o Legislativo? A jurisprudência do STF se firmou no sentido de que não há efeito vinculante para o legislativo. 741. pode reconhecer a inconstitucionalidade.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Vincula ainda toda a administração pública direta e indireta.relacionado a fatos). O STF poderá ainda fixar outro prazo que não o trânsito. inclusive anterior à edição da lei impugnada atingindo lei anterior que havia sido revogada (torna dispensável que a inicial impugne expressamente). ADC e às cautelares. a modulação dos efeitos da ADI pode ir para frente ou para trás em nome da segurança jurídica e excepcional interesse nacional. O Art. Transcendência dos motivos determinantes da decisão do STF em relação a uma lei ou ato normativo podem afetar outros atos normativos análogos. 27 excepciona a supremacia da CF e a teoria da nulidade (razões de segurança jurídica e interesse social . Desde o caso MMM diz-se 62 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . mas apenas para impedir que seja aplicada – pelo Judiciário ou pela Administração). Ex tunc. mas ao conteúdo dele. Mesmo antes da CF/88 ou da lei 9868 o STF tem várias decisões que dizem haver efeito jurídico em lei inconstitucional. Cuidado. 27 (há duas ADIs contra esse artigo. não se pode dizer ainda que a lei inconstitucional é anulável e não nula. Exceção: Art. 27 da lei 9868 permite a modulação dos efeitos da decisão procedente da ADI por razões de segurança jurídica ou interesse social com mais de 2/3 dos membros (8.

Só ocorrerá. logo. Possível em face da transcendência dos motivos determinantes. mas não idênticos. uma lei pode se tornar inconstitucional e se isso acontecer o STF poderá reconhecer em RE ou ADI. Vincula: demais órgãos do judiciário. Reclamação 1880 de 7/11/02 – o efeito vinculante pode ser usufruído por todos e não apenas aos legitimados da ADI. Por mudança da realidade fática. Antes ele só havia para a ADC.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO que lei inconstitucional produz efeitos. julgando RE (controle difuso com autor e réu) pode decidir de maneira diversa a lei que já tinha sido julgada constitucional. A fundamentação deve ser observada por todos (mesmo que não tenha sido objeto de controle abstrato – lei 2. A reclamação 1880 também reconheceu que a liminar da ADI teria efeito vinculante. Ainda quanto ao efeito vinculante. Na prática.000/RJ) sendo aplicada assim 63 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . § 2º). estadual e municipal). STF. Com a lei 9868 (Art. Com as reformas tenta-se igualar essas ações. na CF/88. 27 que está aplicando inclusive ao controle difuso (RE 197. ADI originariamente não tinha efeito vinculante. Com a EC 45 o efeito vinculante está dirigido ao Judiciário e administração pública direta e indireta (antes ao Judiciário e ao Executivo). ADI e ADC têm natureza dúplice. em caso de descumprimento enseja reclamação (Art. não poderá após ser reexaminada. CF) (garantir a autoridade de suas decisões). relativizando os efeitos da ADI. I. parágrafo único) há o efeito vinculante.000/RJ (ato normativo análogo). Objetivação do controle difuso. Mas para que mudou a redação? Administração direta incluiria o Legislativo? STF terá que se posicionar. Repristinatório: se procedente. se uma primeira ADI foi improcedente ou uma ADC foi procedente (mudanças fáticas). caso uma ADI declare inconstitucional uma lei 1. (ADI 3022). Futuramente a ADC também será para lei estadual. são efeitos semelhantes. O que não pode é o contrário: se o STF julgar ADI procedente ou ADC improcedente a lei é fulminada. Poderá julgar até mesmo uma ADI em sentido contrário. 102. Isto porque o efeito vinculante é para os demais órgãos do Judiciário.917 – deu efeito pro futuro). então.000/SP essa decisão poderá alcançar uma lei 2. a decisão deverá ser obrigatoriamente cumprida. 28. O STF gostou tanto do Art. l. Se o efeito fosse apenas erga omnes seria necessário seguir pelas vias ordinárias. A reclamação é dirigida diretamente ao STF. talvez chegando novamente ao STF por RE (começar lá de baixo). que fará valer sua decisão. com a EC 45 o efeito vinculante foi previsto (Art. 102. agora. O efeito vinculante atinge o Legislativo? Ainda hoje na jurisprudência tem-se que o efeito vinculante não atinge o Legislativo. administração pública direta e indireta (federal.

só embargos de declaração. A ADC foi introduzida pela EC 03 para tentar solucionar essa incongruência. Neste caso a lei 2000/RJ já existia e em caso de ato normativo análogo futuro? O Legislativo poderá editar lei análoga a uma já declarada inconstitucional? Pela jurisprudência não há óbice porque o Legislativo não sofre os efeitos vinculantes. só reclamação. Isso não impede que por ocasião da aplicação seja impetrada reclamação. O legislador não está proibido de legislar lei análoga (inconstitucional). O STF pode ainda se posicionar no sentido de estender os efeitos vinculantes ao Legislativo. sugeriuse a reabertura do prazo da ação (doutrina). Num primeiro momento a decisão 2 poderia dar margem a ação rescisória se ainda corresse o prazo para a rescisória. uma vez que ela é votada no parlamento. sancionada pelo presidente e promulgada. não cabe recurso. ADC ADI procedente = ADC improcedente ADI improcedente = ADC procedente A lei já goza de presunção (relativa) de constitucionalidade. O STF admite a transcendência dos motivos determinantes. A tendência é que as ações de ADI e ADC se fundam em uma só ação de controle de constitucionalidade. os motivos que levaram à declaração da inconstitucionalidade. Talvez um dia no lugar da decisão 2 (controle concentrado) tenhamos um controle difuso (RE – objetivação do controle difuso) em processo de mudança. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 64 . Controle difuso: juiz declarou lei constitucional. Em face dessa situação. Ação rescisória sob o fundamento de violação de literal disposição de lei. pois o único legitimado era o PGR. Quais os motivos que levaram à introdução do instrumento da ADC? Antes da criação da ADC questões de segurança jurídica traduziam certo desconforto em face da divergência de decisões a respeito de uma mesma lei. Já transcorrido.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO mesmo dá margem a reclamação no STF. decisão que já transitou em julgado. Controle abstrato: STF em ADI ou ADC declarou a mesma lei inconstitucional. Mesmo não utilizada a ação rescisória a decisão 2 poderá ser aplicada na fase de execução da decisão 1 por embargos à execução – inexigibilidade do título executivo. 2. ainda que a considerasse constitucional. 1. STF atingindo a coisa julgada. ADI não tem execução. Ao aplicar uma lei o juiz deverá observar não só o dispositivo (direcionado a certa lei). a parte legitimada até então só poderia levar a questão ao STF para defender a sua inconstitucionalidade (ADI). é lei análoga à lei já declarada inconstitucional. mas também à fundamentação. Antes de 1988 era ainda mais grave.

Os fatos da vida não podem ser desconsiderados (a lei 9868 fala em perito. O PGR será ouvido. A abrangência da ADI é maior que a da ADC (por enquanto. o mesmo da ADI (só que a 2ª parte da reforma do Judiciário ainda não foi aprovada). enquanto da ADC é apenas lei ou ato normativo federal. já que deve ser ouvido em todos os processos de competência do STF.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO O objeto da ADI é lei ou ato normativo federal ou estadual. posteriormente a jurisprudência e a lei 9868 o estendeu à ADI e às liminares (exemplo de mutação). isto porque o objeto da ADC é menor. A lei 9868 ainda está na redação antiga da CF. Isso não ocorre na ADI. Em ambas as ações (ADI e ADC) a questão dos fatos é fundamental. ex nunc e vinculante. 65 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . pois a pretensão é confirmar a constitucionalidade. não há prazo de validade. Há quem defenda que a lei deve ser revista para que os juizes não possam declarar a inconstitucionalidade da lei (mais lógico). O AGU não é ouvido. logo. Se a questão está sendo decidida de forma uniforme não há insegurança. A legitimação ativa da ADC hoje é coincidente com a da ADI. uma vez que a MP só vigorará por 60 dias (prazo curto). O efeito vinculante originariamente era aplicado somente à ADC. modulação dos efeitos. Cabe ADC em face de medida provisória? Para uma prova objetiva pode-se até dizer que cabe. Medida cautelar em ADC: por decisão da maioria absoluta dos membros pode ser concedida e consiste na determinação de que os juizes e tribunais suspendam o julgamento dos processos. Na ADI o que se suspende é a lei ou ato normativo e não os processos. A jurisprudência entende que também é cabível liminar em ADC. pois há a PEC 358-A. igualando o objeto das ações). A jurisprudência do STF está se posicionando no sentido de que os fatos cada vez mais influenciam na decisão de controle. Ocorre que há dificuldade de configuração do requisito de efetiva controvérsia. não cabível a ADC. A controvérsia deve ser formada por número significativo de decisões de mérito controversas. o período pode não ser suficiente para que a controvérsia judicial se forme. Existe ADI discutindo a constitucionalidade do Art. audiências públicas etc). A controvérsia judicial é o requisito específico da ADC. justamente porque o papel dele é defender a constitucionalidade da lei ou ato normativo impugnado. O STF não é mero órgão de consulta. Os efeitos são os mesmos da ADI: erga omnes. não é o caso na ADC. A liminar na ADC só tem validade por 180 dias. Antes da EC 45 a legitimidade era menor. 21 da lei 9868 e há um voto (do relator) dizendo que é inconstitucional por violar o princípio do livre acesso ao Judiciário. A lógica para o aumento dos legitimados é que o objeto da ADC se tornará maior. O legitimado da ADC deve indicar a existência de efetiva controvérsia judicial relevante sobre a aplicação da disposição objeto da ação declaratória.

A partir do momento em que o judiciário reconhece que para todos. considerando a lei inconstitucional (razoabilidade) (ADI 223-MC). o controle é abstrato. Existem dois tipos de ADI por omissão: contra o poder competente (legislativo ou executivo) e contra órgão administrativo. há uma omissão que torna a norma constitucional ineficaz (inconstitucional). o juiz poderá conceder a liminar. Os remédios para combater a inconstitucionalidade por omissão são o mandado de injunção e a ADI por omissão. o STF dará ciência da mora. no Mandado de Injunção. A partir do momento que ele não age. mas em um caso concreto. Ex: vedação de concessão de liminar contra o poder público.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Uma lei pode ser constitucional em tese. Observe-se que na ADI por omissão há inconstitucionalidade sem nenhuma nulidade. que o Estado está em mora. é verdadeiro apelo ao legislador (doutrina alemã assim denomina). Trata-se de uma pluralidade de acepções. A jurisprudência do STF terminou por igualar o mandado de injunção à ADI por omissão já que entende que não pode legislar no caso concreto (ou abstratamente) e não pode obrigar ninguém a produzir a lei. dignidade humana etc). mas em um caso concreto (em face dos fatos em concreto) a mesma lei pode ser inconstitucional. não se esgotando na constituição (ADI 1552). projetando-se para além das regras constitucionais meramente escritas e dos princípios contemplados. Sendo competência de poder. na ADI por omissão. Isso desde que as normas estejam vocacionadas a desenvolver a eficácia dos postulados e dos preceitos inscritos na CF. No mandado de injunção a omissão lesa determinadas pessoas em um caso concreto. no máximo fixa um prazo para as providencias do poder competente. as pessoas prejudicadas poderão pleitear perdas e danos em razão da mora estatal. Em tese a lei que estabeleceu é constitucional segundo o STF. ADI por omissão A inconstitucionalidade pode se dar por ação (ADI e ADC) e por omissão (ausência de uma norma que é necessária à constituição para que o dispositivo possa ter eficácia máxima). visando a concretização da idéia e ordem constitucional global. Mas em tese há diferenças. estão espalhados em diversos dispositivos (igualdade. Bloco de constitucionalidade: há determinados temas que não se exaurem em alguns artigos. Na ADI por omissão não há caso concreto. Sendo para órgão da administração pública a natureza da ação é mandamental e obrigatória. ou para as partes. O bloco de constitucionalidade pode trazer até mesmo matéria que esteja presente na legislação infraconstitucional. para que em 30 dias produza o ato faltante. 66 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . as normas de eficácia limitada (institutivas ou programáticas) só podem se tornar realidade mediante a atuação do legislador infraconstitucional. Dentro da classificação de José Afonso da Silva. É um conjunto de medidas e princípios que podem estar inclusive implícitos.

Existe uma lide entre a União e um estado. Assim. Existindo outro meio capaz de resolver o problema não cabe a ADPF. para outros. CF (princípios) – violação leva o PGR a representar ao STF – reconhecimento de uma situação fática inconstitucional. embora seja concentrado. E quem estará representando a União neste caso é o PGR. é concreto. No inciso I do parágrafo único do Art. preceitos fundamentais) pode autorizar a intervenção federal nos estados: Art. Diferenças entre MI e ADI por omissão no quadro no material de apoio???? ADI INTERVENTIVA Este nome não consta na CF. e mais uma vez é sem nulidade. incluídos os anteriores à constituição. 1º está previsto que é cabível ADPF contra lei ou ato normativo federal. VII. A intervenção era feita por lei. Tudo isso torna a ADI interventiva um instrumento peculiar. é o significado atual do princípio da subsidiariedade. Impedia a intervenção. Hoje é totalmente diferente.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO O processo é basicamente o mesmo da ADI genérica. não tem sobre o que se pronunciar. apenas vai ensejar a intervenção. 34. nos termos do caput do Art. No modelo de hoje não cabe liminar (no RI do STF prevê). 1º da lei 9882. Os legitimados são os mesmos da ADI. 36) – violação aos princípios constitucionais sensíveis (para alguns são cláusulas pétreas implícitas. estadual ou municipal. a atuação do STF é para permitir a intervenção federal por decreto do presidente. Na CF de 1934 existia uma verdadeira ADI interventiva. Não há de se falar em liminar ou em oitiva do AGU. A ADPF é ação subsidiária (princípio da subsidiariedade ou do exaurimento das instancias). podendo o STF fulminar tal lei. O que existe é a representação interventiva por parte do PGR (Art. A inconstitucionalidade que o STF reconhece é fática (violação de um princípio sensível). ADPF Cabível a ADPF contra ato do poder público. A representação interventiva é uma ação concentrada (só o STF decide a respeito) e concreta (caso concreto de violação a princípio constitucional sensível). Atenuação do significado ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 67 . mas já tendo sido utilizado outro instrumento que não solucionou o problema é cabível a ADPF. não necessariamente normativo. Inseri-lo dentro do controle abstrato é um equívoco por parte da doutrina. Em tese não é cabível. Diante dessa lei o PGR poderia ir ao STF para dizer que não existiam os motivos da intervenção e que a lei era inconstitucional.

No exame de uma lei o julgador poderá se deparar com dois caminhos possíveis de interpretação (é uma possibilidade dentro da interpretação. Como princípio da hermenêutica significa que o intérprete deve interpretar a lei conforme a CF e não o inverso. afastando a possibilidade de interpretação diversa. com efeito vinculante. a ADI em julgamento será julgada improcedente e sendo ADC será procedente. A ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 68 . Declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto: a atividade típica do STF no controle é de legislador negativo. Não pode contrariar o sentido inequívoco que o legislativo pretendeu dar (decisão do STF considerou a vontade do legislador. podendo ser inclusive evolutiva). O STF não pode “inventar”. mas hoje.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO literal do princípio da subsidiariedade quando o prosseguimento de ações nas vias ordinárias não se mostra apto para afastar a lesão a preceito fundamental. A medida provisória não deve ter presunção de constitucionalidade com base nos argumentos de que a lei goza da presunção (passa por todo o processo legislativo). Sob o ponto de vista do controle. uma pela constitucionalidade e outra pela inconstitucionalidade. reduzindo ou retirando do ordenamento texto inconstitucional. Dessa forma. desde que não sejam absurdos). simplesmente é publicada. É possível veto em ADPF? Existem duas posições do STF. Em recesso o relator pode conceder a liminar monocraticamente. sob pena de ferimento ao princípio da supremacia constitucional. a vontade que é aferida é a da lei. daí ainda existirem muitas dúvidas a respeito do instituto. Seus efeitos são os mesmos da ADI e ADC: vinculante. TÉCNICAS DE CONSTITUCIONALIDADE JULGAMENTO NO CONTROLE DE Interpretação conforme a constituição: é ao mesmo tempo um princípio de hermenêutica e uma técnica de controle de constitucionalidade. erga omnes e. interpretar de maneira absurda. Não existe ainda decisão de mérito de ADPF no STF. não se deve dar muito valor a essa presunção (cuidado!). alguns autores dizem que a presunção de constitucionalidade não deve ser estendida às medidas provisórias. pois estaria na verdade legislando. é parecido. mas não é a mesma coisa. em regra. é constitucional. ex tunc. Por decisão de maioria absoluta cabe liminar. Assim. deve-se escolher aquele que diz que a lei é boa. já que a lei goza de presunção de constitucionalidade. Não sendo possível a interpretação conforme a constituição ele deve julgar procedente a ADI. Sendo possível a escolha entre dois caminhos. A MP não passa por processo algum.

68 do CPP é ainda constitucional. Isso pode ocorrer na ADI ou ADC quando o intérprete se vale da técnica da lei ainda constitucional. a forma não permite. A situação é de que da forma como está redigido não há como reduzir nada. esses dispositivos tornar-se-ão inconstitucionais. Há determinadas situações. onde. por isso é preciso se valer da técnica. Declaração de lei ainda constitucional: algo pode ser constitucional hoje e inconstitucional amanhã. Declara-se inconstitucional. 68 do CPP (MP move ação civil ex delito para o pobre). As circunstâncias. ADI por omissão. Mas em concreto a realidade é que a defensoria não tem condições de absorver essa demanda. assim. 69 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . mas não declara a nulidade. sem que lei ou a CF mudasse. porque a lei pode se tornar inconstitucional (STF). O julgamento de uma ADC procedente não impede uma ADI no futuro. Abstratamente a norma é inconstitucional. É também uma forma de interpretação conforme a constituição. A partir do momento em que a defensoria alcançar a estruturação desejada. Declarar a inconstitucionalidade concreta produziria um prejuízo maior aos direitos fundamentais. A diferença é que na interpretação conforme a ADI é julgada improcedente ou a ADC procedente. Apelo ao legislador: hipótese típica da ADI por omissão no caso do poder que está em mora. Por isso pode-se dizer que a inconstitucionalidade é desejada. a declaração de constitucionalidade ou inconstitucionalidade poderá variar no tempo e no lugar. simplesmente porque não há como retirar da lei só o que se quer. enquanto a defensoria estiver desaparelhada o MP poderá mover a ação civil ex delito. a redação da lei leva a uma necessidade de dizer que a lei é inconstitucional. O STF admite que o Art. Tal fato pode acontecer porque circunstâncias fáticas da realidade mudaram (cada vez mais os fatos influenciam a interpretação sobre a constitucionalidade ou não). é a inconstitucionalidade progressiva. O mesmo pode se dizer que a lei que dá prazo diferenciado para a defensoria (lei 1. modulação dos efeitos da ADI etc). sem a limitação que o presidente da república tem no veto (não pode vetar palavra ou expressão). Na declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto a ADI é julgada procedente e a ADC improcedente. uma determinada interpretação por meio da técnica de declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO inconstitucionalidade vem acompanhada da revogação de um texto de lei (integralmente ou de parte). Declaração de inconstitucionalidade sem pronúncia de nulidade: declara a inconstitucionalidade. ADI interventiva. ou seja. nenhuma palavra. por um aspecto formal. Ex: Art. que não seriam efetivados. a lei se torna inconstitucional. mas sem revogar nada.060/50). provando que nem tudo que é inconstitucional é nulo (teoria do funcionário de fato. Pela CF quem move ação para o hipossuficiente é a defensoria pública. enquanto o MP está muito mais bem estruturado. e por conseqüência.

Os estados deixaram de ser estados confederados soberanos. idéia clássica de soberania que não responde mais o conceito de soberania. estão reunidos. uma única fonte de poder em todo o território. foi reputado insuficiente para atender a todos os estados (durou apenas seis anos). geográfico e humano. tem-se um Estado unitário.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO ORGANIZAÇÃO DO ESTADO E DA FEDERAÇÃO O Estado pode assumir duas formas: federal ou unitária. aliança. No estado federado. A idéia partiu da Inglaterra (13 colônias inglesas que se tornaram estados soberanos – qualidade de um estado que é capaz de decidir em última instância todos os assuntos de seu interesse. criaram a federação. é isolacionista). união entre estados. A palavra federação vem do latim foedus. na Convenção de Filadélfia. para serem estados federados autônomos. completando essas múltiplas fontes de obrigações em um mesmo Estado. Nesta forma há mais de uma fonte de poder político no mesmo território. enquanto a fonte de poder regional se impõe em determinada região e podem ter pontos diferentes. os Estados Unidos da América. as decisões só valem se cada estado internamente se submeter às decisões. dissolveu-se então a confederação e em 1787. A autonomia é a capacidade de o estado tomar decisões dentro de determinadas competências. então. para formar um único estado novo soberano resultado da união de estados membros autônomos (estado central soberano + estados regionais autônomos) indissolúveis. Era um pacto confederativo. formaram em 1781 uma confederação (forma de reunião de estados soberanos. Formaram. Entretanto. Se a fonte de poder é unitária. mas devendo-se se curvar às decisões centrais do estado soberano. A forma de Estado vai variar de acordo com os elementos político e geográfico (poder sobre o território). permite o direito de secessão). Ainda sobre os 13 estados soberanos. mas apenas à sua própria ordem jurídica e à ordem jurídica internacional. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 70 . soberano é o estado que não está sujeito a ordem jurídica de outro estado. Foi uma forma de colaboração entre as colônias a fim de se protegerem mutuamente contra as constantes ameaças da metrópole inglesa. Hoje. Há ainda uma terceira fonte de poder político local. com uma fonte de poder central e em cada subdivisão uma outra fonte de poder que incide apenas ali. Cada estado deixa de ser soberano. mas continuam soberanos. foederes = pacto. que á a municipal. no território tem-se uma subdivisão geográfica. tem que ser ratificada pelo estado soberano. A fonte central se faz valer em todo o território nacional. Federação: o Estado é composto pelos elementos político.

1º. na Inglaterra há bicameralismo. não há direito de secessão (Art. chamada de federação centrífuga (Brasil). concentrado). * Constituição rígida para assegurar a repartição de tarefas sem ser modificada por lei ordinária. mas é estado unitário. Bicameralismo: Senado + Câmara. por isso a doutrina denomina de federação centrípeta (EUA). estados autônomos. ela foge do centro. formando-se a república federada com um poder central e poderes regionais. e nesse ponto de vista o conceito se inverte: por agregação  federação centrífuga (poder maior nas regiões. o poder é mais bem dividido. ao contrário do processo histórico por que passaram os Estados Unidos. os estados são mais fracos e com autonomia restrita. Diferente do processo de formação histórico. * Princípio da indissolubilidade ou indissociabilidade: nenhum estado pode decidir sair. A força na agregação é uma força que vem de fora para dentro. Daí conclui-se existirem dois modelos de federação: federação por agregação (EUA) e federação por desagregação (Brasil). ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 71 . * Órgão de manifestação da vontade dos estados membros: Senado Federal (Art. Em ambos os casos há uma repartição de competências. o poder é mais concentrado no poder central. Não significa que todo estado bicameral é federado. isto. Na federação por agregação. Alguns autores utilizam “centrípeta e centrífuga” para explicar o poder. espalhado). mas há uma variação entre a quantidade de poderes que é atribuído ao poder central ou aos estados membros a depender do modelo de federação. e foi lá que surgiu a idéia. * Auto-organização dos estados-membros por constituições estaduais. Na desagregação a força vai do centro para fora. Isso se explica pelo processo histórico por que passaram.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Assim a origem de estado federado se deu com a formação dos Estados Unidos da América (antigas 13 colônias inglesas). No Brasil o estado era unitário monárquico e posteriormente foram criadas divisões territoriais. para onde ele se dirige (e não do ponto de vista histórico). Características básicas do modelo federal: * Descentralização político-administrativa constitucional: repartição de competências entre as entidades federadas. O estado soberano unitário se dividiu. por desagregação  federação centrípeta (poder central maior. converge para o centro. os estados são fortes e têm grande autonomia. 46). * Controle de constitucionalidade como mecanismo de preservação da repartição de competências constitucionais. Já na federação por desagregação. CF).

União.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO * Autonomia financeira: recursos próprios. Art. há uma igualdade (ex: todos os estados têm 3 senadores). não estão numa relação de subordinação. * Autonomia recíproca entre os estados-membros. com a CF e com a União da mesma forma. Ex: Fundef – não é cada um por si. parágrafo único. Uma federação simétrica onde todos os estados se relacionam entre si. A federação brasileira é tricotômica e não dual. Tríplice ou tricotômico: modelo brasileiro. Federalismo simétrico: as entidades federadas se organizam à luz do modelo clássico e com isso é formada uma simetria entre o modelo federal e o estadual. Teriam natureza jurídica de autarquia territorial ligada à Administração direta. Há uma outra forma de entendimento de simetria. 1º e 18 da CF). No federalismo assimétrico. mas Estado é laico.autonomia). não são unidades federadas (Arts. Além deles. Cada estado tem que obedecer simetricamente o modelo clássico. mas não é a posição que prevalece nem na doutrina nem na jurisprudência do Supremo. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 72 . CF). Uma simetria entre as entidades federadas. Podem relacionar-se com pessoa jurídica de direito privado internacional. há ainda o DF (federação seria na verdade “quádrupla”). Estados-membros e Municípios com competências próprias. Federalismo cooperativo – trabalhar conjuntamente (Art. 19: liberdade religiosa. Territórios (se existirem) integram a União. e a União tem que respeitar as decisões que são próprias de determinado estado-membro. A nossa federação. 23. Como pessoa jurídica de direito público interno a União atua com autonomia em igualdade com as demais entidades federadas. é assimétrica. STF entende os municípios como entidade federada (doutrina majoritária). há diferenças entre estados e União. pessoa jurídica de direito público que possui capacidade política (pessoa jurídica de direito internacional –soberania e de direito interno . José Afonso da Silva diz que município não é entidade federada. sem religião oficial. Modelos de federação: Clássico. O que não impede a cooperação. UNIÃO: entidade federada. dual ou dúplice: reparte a competência entre duas entidades: União e estados-membros. Nesse ponto de vista a nossa federação é simétrica. Representa o Brasil em nome da soberania. Os estados podem ter relações internacionais. E a União possui autonomia recíproca com os estadosmembros no plano interno e soberania no plano externo (as características básicas de federação estabelecem reciprocidade apenas entre os estados). Cada um dos estados tem suas competências próprias. não há hierarquia (autonomia recíproca). pois não corresponde ao modelo clássico supra. mas não têm soberania. sob esse ponto de vista. como o modelo clássico.

Faixa de fronteira: 150 km de largura ao longo das fronteiras terrestres. Terra devoluta: terra que não tem registro. Rios. Não é bem da União. Mar territorial: 12 milhas. costeiras. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 73 .760/46  33 metros do preamar médio de 1891. *Auto-administração: administração pública estadual. 20. só é fundamental para a defesa nacional. lagos e quaisquer correntes de água. O estado-membro tem autonomia: *Auto-governo: os estados possuem poder legislativo (Art. 200. 28) e judiciário (Art. fundamental para determinar a competência (Art. 26. executivo (Art. orçamentária e tributária. *Autonomia financeira. mas os recursos são da União. Praias marítimas (lei 7. Plataforma continental: 200 metros de profundidade e mesmo após as 200 milhas. que em regra são bens dos estados e não da União (só sendo indispensável à defesa das fronteiras). As ilhas são da União. Terrenos de marinha # praia: decreto 9. 109. mas algumas áreas podem ser dos estados (Art. terreno de marinha sim. *Auto-organização pelas constituições estaduais. *Auto-legislação: leis estaduais. Acrescido de marinha é a parte que com o passar dos anos o mar recuou (além dos 33 metros). praia não é medida em metros.661) (até onde começa uma outra vegetação) ou ecossistema. mas os demais entes e inclusive o proprietário do solo terá direito a participação. podendo ser instituído um regime jurídico diferenciado. 20: bens da União. 27). Art. IV. terrenos marginais e praias fluviais respectivas. lhas oceânicas (distantes) e próximas. Não há tamanho definido e onde tiver “areia”. ESTADOS FEDERADOS são organizações jurídicas das coletividades regionais para o exercício autônomo das competências constitucionais. Ilhas lacustres: de lagos e fluviais nas zonas limítrofes. 125) próprios. EC 46 mudou o Art. Zona econômica exclusiva: 12 – 200 milhas. CF). Pode se ter o terreno de marinha já engolido pelo mar (parâmetro de 1891). § 1º: cooperativismo federalista: a União é a proprietária. É água internacional. II).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Art.

EC 46: ilhas que tinham sede dos municípios passam a ser dos estados. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 74 . Art. Art. § 2º: serviço local que não é competência do município – exceção: exploração de gás natural é da União. A constituição estadual possui normas próprias e normas repetidas. logo. Deputado estadual ganha no máximo 75% do que ganha deputado federal. Pode ter área particular em ilha. Bens: águas. Art. ADI – TJ: CE (norma de repetição obrigatória) X lei estadual ou lei municipal: cabe RE excepcionalmente em controle abstrato estadual (RE com efeitos diferentes do tradicional – excepcionalmente erga omnes). mínimo de 24 deputados estaduais e máximo de 94. 28: poder executivo estadual. aglomerados urbanos: carente de definição ainda). ADCT). 45. § 1º: simetria no regime jurídico dos parlamentares. As repetidas podem ser obrigatórias (simetria) ou facultativas (ex: MP).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO *Art. Normas repetidas obrigatórias ou normas centrais da federação. não tem poder judiciário. 40  12x3 = 36  28x1 = 28. § 3º: subdivisão dentro do estado por lei complementar estadual: os estados é que criam as regiões (microrregião: não tem continuidade urbana. Ex: 40 deputados federais: 3 X 40 = 120. a do estado é o serviço de distribuição local do gás. região metropolitana: tem continuidade urbana. * Auto-organização: lei orgânica municipal. mas não pode entrar em exercício. 36 + 28 = 74. 25. § 3º: plebiscito + lei complementar do congresso nacional para que estados desmembrem-se. 25: observar também o princípio da simetria (Art. Se adotar a norma repetida facultativa terá que seguir a simetria. 27: poder legislativo estadual: número de deputados estaduais. Limitação ao triplo: 12 primeiros entram na regra do triplo. MUNICÍPIOS: é entidade federada? Tem autonomia? *Auto-governo: poder executivo e poder legislativo. incorporem-se etc. Art. áreas nas ilhas oceânicas e costeiras. 11. § 1º: número máximo de 70 e mínimo de 8 deputados federais. 18. Art. 25. Art. Limitação material a medida provisória estadual: MP estadual não pode tratar de serviço local de gás canalizado. quem já tinha até 1988. Governador pode tomar posse em cargo público (concurso).

*Autonomia financeira. Na tribuna a imunidade atinge mesmo palavras fora do exercício do mandato. TC municípios: órgão estadual. Dentro do município só no exercício do mandato. A CE pode ser inconstitucional em face da CF. Art. II: mais de 200 mil eleitores: 2 turnos. por isso a maioria entende ser entidade federada. 11 ADCT: municípios obedecem aos princípio da CE e da CF. 29. não há liberdade de escolha do número. Em 5/10/88 quem tinha TCM permanece (só RJ e SP). mas para contrariar exige o voto de 2/3 da câmara municipal. O raciocínio não é o mesmo do da CF. CF e Art. Exceção: MS impetrado em face de ato de prefeito da capital (TJ – na CE e não na CF). dos municípios. A única diferença dos estados é que não tem poder judiciário. menos de 200 mil eleitores: 1 turno.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO *Auto-legislação: leis municipais. Art. 29. orçamentária e tributária. TCM: órgão municipal. VIII: inviolabilidade material (imunidade) com limitação geográfica: só em seu município. VI e VII). 29. não vincula. TCE: órgão estadual. * Auto-administração: administração pública municipal. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 75 . IV: número mínimo e máximo de vereadores. Dependerá caso a caso da matéria. 29. Art. CE x LOM (ou outra lei municipal)  a CE não pode invadir a competência municipal ditada pela CF. Legislativo com o auxílio do TC: do Estado. após. STF entende que não cabe ao município decidir como achar conveniente o número de vereadores. do município. 31. só os crimes comuns. Crimes federais: TRF (interpretação do STF). A imunidade é civil e parlamentar. § 4º: é vedada a criação na estrutura dos municípios. Art. o auxílio é sempre por TCE ou TC para todos os municípios (estadual). e mesmo tratando de matérias de seu município em outro lugar não está acobertado. Existe uma tabela em acórdãos do STF. TC emite parecer prévio sobre as contas do prefeito. Nem todos os crimes serão julgados pelo TJ. Julgamento do prefeito pelo TJ: penal apenas. 29. Políticoadministrativa não. Art. A lei municipal não pode criar foro “privilegiado” e nem imunidade formal (autorização da Câmara Legislativa) para vereadores (inconstitucional). nem sempre a CE prevalecerá. Controle pelo poder legislativo e executivo (externo e interno). prevalece a mais restritiva no caso concreto. Subsídio dos vereadores sujeito a várias limitações (Art. CE x LOM: depende. Crime eleitoral: TRE.

Caso tenha mais de 100 mil habitantes (e não eleitores) haverá Judiciário (1ª e 2ª instancias) – TJDFT e MPDFT. câmara territorial com competência deliberativa e não legislativa. apenas para tomar algumas decisões. 18. Disciplinado na CF por meio de técnicas de repartição de competência. defensoria. podendo. portanto. Não é um órgão legislativo (4 deputados federais). por isso. nem autonomia. não têm capacidade política. Eleição para governador e vice-governador com as regras do Art. partindo-se do princípio da predominância do interesse em relação a determinado assunto. a com competência repartidas de acordo com a predominância do interesse (geral. haver 2 turnos. várias funções dos estados no DF são mantidas pela União (cria e mantém). § 3º: não significa que a publicidade se limita a 60 dias. DF tem função específica de abrigar a capital federal. possuem competência própria. estados: poder regional e municípios: poder local. Não é entidade federada. com parecer prévio do TCU. Nada deve ser levado ao plano mais elevado se puder ser satisfatoriamente atendido por um plano mais baixo. Antes de 88 não era entidade federada. Art. Passou em 88 a ter natureza jurídica de pessoa jurídica de direito público interno com capacidade política (entidade federada). O governo do DF otimiza esses órgãos. Governador nomeado pelo presidente da república após aprovação do Senado Federal. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 76 . REPARTIÇÃO DE COMPETÊNCIAS: Existe a necessidade de repartição de competências a fim de se evitar a ausência estatal e dupla atuação sobre um mesmo assunto (omissão e superposição – desperdício). seria uma autarquia territorial ligado à administração direta. As contas são submetidas ao Congresso Nacional. 31. Tinha natureza de autarquia especial territorial. tomam decisões.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Art. DISTRITO FEDERAL: substituiu o antigo município neutro. 77 (maioria absoluta). com interstício mínimo de 20 dias e com 2/3 de votos. União: poder central. Vedação da divisão em municípios: competência legislativa (câmara legislativa): matéria dos estados e municípios. Todos legislam. Lei federal (e não distrital) é que irá disciplinar. só significa que terá que pedir. regional ou local). A repartição precisa ser racional. Lei Orgânica: votada em 2 turnos. Qualquer cidadão poderá pedir. não tinha capacidade política. § 2º: criação regulada por lei complementar. Caso fosse criado. TERRITÓRIOS: são ligados à União. Podem ser divididos em municípios.

No remanescente não há a intenção de esgotar todas as possibilidades. já no residual. há a intenção de esgotar e por precaução. Arts. 21) e comum (tarefas que devem ser desempenhadas por todos os entes. Art. Quando o estado legisla pela competência privativa por delegação sua competência é derivada e não originária e é feita por lei complementar. Em matéria de impostos essa foi a técnica adotada pela CF (Art. organizada para evitar a duplicidade de esforços. cooperativa. mais uma razão para não ser puramente utilizadas. *Enumeração dos poderes dos estados e o remanescente para a União (Canadá). As técnicas supra mencionam apenas União e estados (federalismo clássico) e aqui o federalismo é o tricotômico. A primeira delas é o ponto de partida para a nossa repartição. privativa (admite delegação por lei complementar. Art. mas em princípio a União deve fazer tudo. *Enumeração dos poderes da União e dos estados e o residual para a União. mas não suficiente). 24). Aqui essas regras não foram utilizadas de forma pura. respectivamente). Correlacionando as tarefas com os poderes dos entes pode-se encontrar competências: * Administrativas (materiais ou executivas) * Legislativas A competência material pode ser de dois tipos: exclusiva (tarefas que devem ser exercidas somente por um ente. 154). mas de forma mista. Normas gerais: União. há campos de atuação conjunta. Assim. Eles já podem desde logo legislar naquelas matérias. 25 e 29 elaboração de CE e LOM. Há 77 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . Competências: são as matérias que devem ser desempenhadas pelas entidades de direito público.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Técnicas formais de repartição de competências: *Enumeração dos poderes da União e o remanescente para os estados (EUA). Na concorrente é competência originária do estado suplementar as normas gerais da União. Art. Normas Suplementares: Estados. 23). 22) e concorrente (para normas gerais e suplementares. não é competência derivada. Para legislar a competência pode ser: exclusiva (não admite delegação. Art. mas não o de chegada. Há várias matérias em que não é possível identificar o interesse predominante (o princípio é útil. deixa consignado que se algo for esquecido será da competência da União.

é competência privativa. interpretação restritiva. 21/22 e 23/24. XVII: apesar de ser o DF é competência legislativa da União. formalidade. 24. XXIV: apenas diretrizes e bases. Art. mas não está na CF. logo. necessidade. procedimento em matéria processual é concorrente. mas isso não significa que cada um faz como quer ignorando o outro. 225 diz que a responsabilidade ambiental é objetiva. XIII: a União institui e mantém. um ente cooperando com o outro (no trânsito. 22. 22. princípio 4º). os estados poderão fazê-lo integralmente. Formais: observar determinada forma. 22. suspenderá a eficácia da lei estadual. Princípios: excepcionalidade. o restante é concorrente. c: Art. os estados não podem legislar supletivamente. parágrafo único: federalismo cooperativo. II. no entanto. 30. Quando se faz a repartição de competências algumas coisas são comuns. 21. INTERVENÇÃO Sistema constitucional de solução de crises: são as medidas provisórias. Existe uma correlação entre os Arts. na educação etc). XX: União apenas institui diretrizes para o desenvolvimento urbano. deve-se maximizar os recursos.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO competência suplementar dos municípios no Art. Art. Apenas alguns dispositivos podem gerar dúvidas: Art. Caso a União não legisle normas gerais. Não podem ser aplicados os parágrafos do Art. A intervenção é algo que foge à normalidade em uma situação excepcional de crise. na saúde. estados de exceção  estado de defesa e sítio e a intervenção. A regra é a não intervenção. 22. Art. Art. XXI e XXVII: apesar de falar em normas gerais não é competência concorrente. XXIII: seguridade social só da União. 24. que não é ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 78 . 21. Em regra a entidade que vai legislar é também a que vai executar. 24. Art. XI: processo é competência da União. o restante é competência municipal. XXIII. temporariedade. salvo a matéria de dano nuclear. 21. 23. Art. Art. no que for contrário (Art. necessidade. Fáticos: motivos capazes de ensejar a intervenção. Previdência social: União e Estados Art. impeachment. cassação de mandatos. caso venha norma superveniente da União sobre a matéria. está expresso. Pressupostos: fático e formal.

hipóteses da ADI interventiva. Alguns chamam também de preceitos fundamentais. segundo a doutrina). para parte da doutrina.c Aristóteles divisou as três básicas funções: dentro de uma sociedade aquele ser que desempenha poder desenvolve basicamente três atribuições: cria a regra geral bem-viver nos casos concretos. 36. o responsável civil pelos seus atos pode recair: atos vinculados ao objeto central da intervenção  União. atos normais do cotidiano  estado (varia de acordo com a natureza do ato praticado. dependerá de representação (solicitação) do poder legislativo ou poder executivo e requisição do STF. 36. § 1º). § 1º: forma geral é pelo decreto do chefe do executivo. A violação a eles dá ensejo a representação interventiva (ADI interventiva). Se o motivo for a coação a um dos poderes. VII  princípios constitucionais sensíveis. Motivos para intervenção dos estados nos municípios e União nos municípios em território: Art. Art. Existindo interventor. Motivos que podem levar à intervenção da União nos estados e DF. ela varia de acordo com o motivo. IV: pressuposto específico de forma. terá. 34. Motivos: Art. 60. 34. 36: pressupostos formais. Há uma forma geral (decreto presidencial) e outra específica. resolve os conflitos de interesse. Em alguns casos pode ser dispensada a apreciação do legislativo (Art. mas em menor grau. Quanto à conveniência e oportunidade não há. A nomeação de interventor não é obrigatória (Art. dependendo do motivo. 36. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 79 . Outra afirma sempre haver conveniência e oportunidade por parte do cheque do executivo). Não há nos casos do Art. Como já houve apreciação judiciária. § 1º. podendo ensejar ADPF. A intervenção depende de juízo de conveniência e oportunidade do chefe do executivo. 35.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO única. o decreto pode depender de solicitação (conveniência e oportunidade mantidas) ou de requisição (não cabe ao executivo fazer juízo de conveniência e oportunidade. § 3º. PODER JUDICIÁRIO – Pedro Taques 390 a. VI e VII). Art. isso. Art. Decretada a intervenção a constituição não poderá ser emendada: Art. dispensa o controle do legislativo também. 35. Há controle judicial em relação aos pressupostos formais.

3) Território. com exceção da de 1824 (adotou o poder moderador como 4º poder) adotaram a construção tripartite do poder. 44). Período dos contratualistas. há a função legislativa (Art. O poder no âmbito do Estado é o poder político. a partir dele. aplica e resolve os conflitos. Não existe outro centro de poder que possa impor a violência legítima (coação. Poder como órgão (Art. parágrafo único). judicial. 1º. coercibilidade). único. Poder significando função. executivo. Essa divisão orgânica é divisão científica? Ela é histórica? É histórica (luta contra o exercício hipertrofiado do poder. Alexandre de Morais fala que o ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 80 . povo e objetivos). é o poder que constituiu um determinado estado.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO 1690 (Locke) igualmente identificou no ser que exerce poder dentro da sociedade desempenharia três funções também: cria. o poder uno (Art. Ex: a constituição da Venezuela fala da existência de cinco poderes: legislativo. A partir desse momento (1789) surgiu o movimento contratualistas (1762 – Rousseau): cada um abre mão de parcela dos próprios direitos e coloca sob a responsabilidade do Estado. A constituição francesa fala em função governativa (executiva e legislativa) e judicial. independente. executiva (Art. É possível identificar os elementos constitutivos do estado: 1) Poder ou soberania ou organização. contra o absolutismo). assim. 92). Poder político quer dizer possibilidade de imposição da violência legítima. o poder não pode ser unipessoal com as três funções básicas. Michel Temer (Elementos do Direito Constitucional) revela três acepções do termo poder na constituição: poder significando soberania (Art. 76) e jurisdicional (Art. 1º) se manifesta por órgãos legislativo. Poder é capacidade. 2) Povo (nacionais). 1748 (Montesquieu): identificou as funções de Aristóteles e Locke e avançou. 2º). mas pode mudar tendo em vista a realidade de determinado estado. possibilidade de impor vontade sobre vontade de terceiros. A CF dá ao termo poder vários sentidos. Cada uma das funções deve ser desempenhada por órgão distinto. 4) Objetivos. cidadão e eleitoral. Todas as nossas constituições. São teoria que fundamenta a origem do Estado (sociedade politicamente organizada dotada de território. executivo e jurisdicional. há a divisão orgânica de poder (não identificado por Aristóteles e Locke). Dizia que para que nos pudéssemos voltar ao estado da natureza a sociedade se organizar e o poder deve ser exercido por um governo civil. dizendo que o poder não seja hipertrofiado . Esse poder é indivisível.

Só o Estado tem o monopólio da violência legítima. Surge o momento constitucionalista: ofertar direitos e garantias fundamentais do cidadão e divisão orgânica de poderes. Essa função jurisdicional tem determinadas características: inércia. No entanto. Função legislativa: o órgão legislativo desempenha duas funções. há subtração da prestação jurisdicional: não é possível se valer da via jurisdicional antes de esgotar as vias da justiça desportiva (Art. 217. substitutividade e definitividade. Os processualistas dão o nome de definitividade à qualidade dos efeitos da sentença. XXXVI – trilogia da irretroatividade: coisa julgada. mas essa é uma exceção. Porque a jurisdição é inerte. A segunda exceção é o manejo do habeas data. ou seja. A partir da revolução francesa. Essa definitividade é uma imposição do princípio da segurança jurídica (Art. direito adquirido e ato jurídico perfeito). 129. de morosidade. LXXVIII). não é formalmente poder. Significa inafastabilidade da prestação jurisdicional (princípio da indeclinabilidade jurisdicional ou direito constitucional de ação – Art. Inércia: não existe jurisdição de ofício. Essa razoabilidade significa proibição de excesso. substituindo a vontade das partes com a força definitiva. a CF previu as funções essenciais da justiça MP e OAB (capacidade postulatória). Juízo arbitral é contenda que não será levada ao judiciário.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO MP é instituição extra-poder. só é possível após o esgotamento das vias administrativas (o STF já reconheceu que a exceção é constitucional). porque na constituição a justiça que tarda é injustiça. mas os seus membros têm garantia de poder. sobretudo a partir da declaração universal dos direitos do homem e do cidadão (1789): se uma constituição não estabelecer a divisão de poderes ele não tem constituição. 5º. I – sistema processual penal acusatório – separação entre quem acusa e julga. A prestação jurisdicional é a tempo ou tempestiva. essa aplicação deve trazer a segurança jurídica. Há exceções em que o cidadão pode exercer as suas próprias razões. só o poder judiciário poder trazer a segurança jurídica (Art. no entanto. Existem algumas exceções. 81 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . Substitutividade: significa monopólio da jurisdição. 345 do CP. 5º. 129 do CPC e 209 e 156 do CPP). coisa julgada. 5º. A regra é a indeclinabilidade jurisdicional. a de inovação da ordem jurídica e fiscalização (Arts. Em razão disso a EC 45 estabeleceu que o processo deve ter um prazo razoável (Art. Montesquieu criou a divisão orgânica para regrar a atuação do Estado. observado o Art. após o ajuizamento da ação o juiz possui poderes instrutórios (Arts. 58 e 70 a 75). 5º. Art. § 1º). XXXV). Função jurisdicional: é o poder-dever do Estado de aplicar o direito ao caso concreto. O juiz não pode agir de ofício sob pena de comprometer a sua capacidade subjetiva (imparcialidade). caput). Definitividade: o poder judiciário tem por função aplicar a lei ao caso concreto. O Estado substituindo a vontade das partes resolve os conflitos de interesse.

RS. o juiz de direito é servidor público federal (quem paga subsídio para o juiz eleitoral é a União). não procuram justiça. a CF permite que a justiça estadual tenha justiça militar – TJ e conselho de justiça militar para estado que tenha mais de 20. mas ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 82 . a própria segurança jurídica não é absoluta. STJ e TSE a constituição fala em mínimo e não um número fixo. 1. 2 advogados escolhidos pelo presidente da república de uma lista fornecida pelo TJ e 1 representante da magistratura federal.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Em regra não existem direitos fundamentais absolutos. em sendo assim. Dos 11 ministros do STF é feito um rodízio dos que oficiarão no TSE. Não obstante. Um dos dois do STJ será corregedor geral eleitoral. o juiz de direito desempenha função eleitoral. Relativização da coisa julgada. TST (TRT – juízes do trabalho). MG . Todos que exercem função eleitoral o fazem por mandato de 2 anos. permitida uma única recondução por mais 2 anos. TSE (TRE – juízes eleitorais e juntas eleitorais) e STM (tribunal militar e auditorias militares. Desta feita. STF  STJ (justiça comum estadual – TJ – juízes de direito e federal – TRF – juízes federais). erro material não faz coisa julgada. Justiça Eleitoral As justiças especializadas são justiças federais. é relativa. Formas de acesso aos quadros do poder judiciário: a CF estabelece três formas de acesso. Escolha pelo presidente da república após aprovação do senado: 3. STF já reconheceu que a coisa julgada não pode ofender princípios constitucionais (desapropriação superfaturada). § 3º). 125. Crítica: a justiça eleitoral é federal. mas em uma lei. 2 do STJ e 2 advogados escolhidos pelo presidente da república de uma lista fornecida pelo STF. TRE: um por estado da federação e é composto por 7 juízes.Art. Como regra só pode ser presidente um dos ministros do STF. Ex: revisão pro reo. Exerce em face do princípio da delegação (a CF delega ao juiz de direito função eleitoral).000 componentes entre PM e bombeiros – SP. procuram pacificação social. Composição do TSE: no mínimo 7 juízes que são denominados ministros. pois a justiça eleitoral não tem quadro próprio de juízes. durante o exercício da função eleitoral. resolver conflito de interesses de forma pragmática (ex: Michael Jackson). Esses ministros são escolhidos da seguinte forma: 3 do STF. 2 juízes de direito de entrância especial. Quinto constitucional: Estrutura do poder judiciário: em razão da nossa cultura jurídica (romano-germânica) o nosso judiciário tem estrutura absolutamente complexa. 2 são desembargadores do TJ. Concurso público de provas e títulos: 2. O judiciário não está previsto na constituição. Cultura anglo-saxônica é bem mais simples (ex: Estados Unidos).

Justiça Militar Conhecida como justiça castrense. também jurisdição não-criminal. a justiça militar estadual não julga crimes dolosos contra ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 83 . Os 5 civis podem ser natos ou naturalizados.000 existe concurso próprio para juiz auditor militar. os tribunais militares ainda não foram criados. 3 são advogados escolhidos pelo presidente. Dos 15 ministros do STM. todos togados e vitalícios. Só pode ser presidente do TRE um dos dois desembargadores do TJ. Junta eleitoral: a CF não fala sobre sua composição. nos estados em que o efetivo da PM e CBM for superior a 20. O conselho funciona como colegiado ou singularmente. Afeta a inamovibilidade. 10 são militares (oficiais generais – última patente . São escolhidos pelo presidente da república e devem ter o nome aprovado pelo senado. Justiça militar dos estados possui jurisdição criminal e a partir da EC 45.3 do comando da marinha. A justiça militar da União julga além dos componentes das forças armadas. Desses. Juiz eleitoral é o juiz de direito que por delegação exerce função eleitoral. É presidido pelo juiz auditor militar. tribunais militares e auditorias militares. O STM é composto por 15 juízes que levam o nome de ministros. ficando a cargo do Código Eleitoral. serão criados por lei para atuação em época de guerra. A justiça militar estadual não julga civil nunca. § 3º). inovação. No entanto. A justiça militar da União é composta pelo STM. 4 do comando do exército e 3 do comando da aeronáutica). Auditorias militares: primeiro grau de jurisdição da justiça militar. os juízes poderão acompanhar as tropas militares. julga atos disciplinares praticados por militar. Ela é presidida pelo juiz auditor militar (concurso próprio) e exerce sua função em dois órgãos distintos: conselho de justiça militar especial e conselho de justiça militar comum.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO quem comanda os TREs são os juízes estaduais. Composta por 2 ou 4 cidadãos e presidida pelo juiz de direito exercendo a função eleitoral. que em regra é juiz de direito designado pelo TJ para oficiar na auditoria militar. 1 juiz auditor militar e 1 representante do MPM. no entanto. A justiça eleitoral não é dividida em comarca. A EC 45 inovou no tocante à justiça militar estadual: a justiça militar estadual nunca julga civis. mas em zonas eleitorais. 12. civis pela prática de crimes militares (Decreto-lei 1001/69). A CF reconhece duas: a justiça militar da União e a das unidades federadas. ou cível (lato sensu). Estes 10 só poderão ser brasileiros natos (Art. 1º grau de jurisdição da justiça militar estadual: conselho de justiça militar. Ela só possui jurisdição criminal.

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a vida praticados por PMs contra civis. A emenda constitucionalizou a lei 9299/96. Crime militar cuja vítima for civil o julgamento será feito pelo juiz auditor militar de forma singular e não pelo conselho da justiça militar. Crime militar praticado por PM com vítima militar será julgado pelo conselho de justiça militar atuando de forma colegiada (Art. 125, § § 4º e 5º). A justiça militar estadual nunca julga crime de abuso de autoridade (lei 4898/65), quem julga é a justiça comum. A justiça militar estadual não julga crimes culposos cometidos por militares previstos no CTB, são julgados pela justiça estadual. Não existe conexão entre o crime militar e o comum, desmembra-se o julgamento. Justiça comum federal: a CF dividiu o território nacional em cinco regiões federais. Cada uma é sede de um TRF. É possível a criação de outros tribunais. Número mínimo de desembargadores federais é de 7. TRF 1ª região: sede em Brasília/DF e mais 14 estados da federação (todos do norte, centro-oeste e Minas Gerais, Bahia, Maranhão, Piauí). TRF 2ª região: sede no Rio de Janeiro/RJ. Estados são Rio de Janeiro e Espírito Santo. TRF 3ª região: sede em São Paulo/SP – São Paulo e MS. TRF 4ª região: sede em Porto Alegre – Paraná, Santa Catarina e RS. TRF 5ª região: sede em Recife – estados todos do nordeste, exceto Bahia, Maranhão e Piauí. O concurso é regional e é permitida a permuta desde que haja concordância dos respectivos tribunais. Nos estados sede de TRF (DF, SP, RJ, RS, PE) o juiz federal que oficia perante o TRE não é juiz federal de 1ª jurisdição, mas sim desembargador federal (EC 45 deu essa denominação). 1º grau de jurisdição: juiz federal, não é dividida em comarcas, foro significa seção judiciária federal. Cada estado é uma seção. A seção é divida em sub-seção judiciária federal. Justiça comum estadual: no mínimo 7 desembargadores no TJ, o número varia de acordo com o estado (número de feitos e habitantes). Nos tribunais cuja composição se faz por mais de 25 membros é possível a criação de órgão especial que é composto por no mínimo 11 e máximo 15 membros. A composição do órgão especial até a EC 45 eram os 25 mais antigos, a EC 45 disse que metade dos mais antigos e metade por eleição entre os demais membros (discutido no CNJ). 84

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O CNJ (tecnicamente correto) deveria estar na estrutura do poder judiciário (abaixo do STF e acima dos tribunais superiores). No entanto, existe uma segunda posição, de que ele é órgão do poder judiciário, no entanto não desenvolve atividade jurisdicional, por isso não pode estar dentro da estrutura (Alexandre de Morais) – Art. 92, § 2º exclui o CNJ da função jurisdicional. STJ: criado pela CF/88, mas em 1965 José Afonso da Silva escreveu artigo pela criação de um tribunal nacional para unificar decisões. É composto no mínimo de 33 ministros. Os ministros são escolhidos pelo presidente da república, mediante aprovação do senado por maioria absoluta. Até a EC 45 era maioria simples. A escolha é do presidente, no entanto, ela é vinculada a determinadas categorias (ela não é livre). Ele escolhe dentre listas fornecidas pelo STJ, diversamente do que ocorre no STF. 1/3 dentre desembargadores federais dos cinco TRFs (hoje são 11); 1/3 dentre desembargadores dos TJs; 1/3 entre advogados (5) e representantes do MP (federal ou estadual - 6). STF: composto de 11 juízes que recebem o nome de ministros. Alexandre de Morais entende que a alteração do número de ministros ofende cláusula pétrea. A escolha é livre pelo presidente da república, não é vinculada a categorias. Livre dentre brasileiros que preencham os seguintes requisitos: brasileiro nato (pois está na linha sucessória do presidente da república – Arts. 12, § 3º, 81 e 101), idade mínima de 35 anos (José Afonso da Silva fala que é quando se atinge a capacidade política absoluta – Art. 14 – que é alcançada por etapas); idade máxima de 65 anos (o cidadão tem exercer no mínimo 5 anos para se aposentar compulsoriamente) (Idade máxima para ser conselheiro do CNJ é de 66 anos, isso porque o mandato é de 2 anos permitida uma única recondução, atingindo os 70); reputação ilibada (Canotilho diz que é uma expressão “viajante” – a depender do momento); notável conhecimento jurídico (conhecimento jurídico que dispensa prova (Michel Temer diz que no mínimo tem que ser bacharel em Direito). Garantias do poder judiciário: elas têm por objetivo assegurar à instituição a necessária independência frente aos demais poderes para o exercício de suas funções, afastando pressões de qualquer natureza (Art. 2º). Essas garantias podem ser divididas em dois grupos: garantias institucionais e garantias dos membros. As institucionais, por seu turno, se dividem em: autonomia funcional, administrativa e financeira (Art. 99) e modo de escolha dos dirigentes dos tribunais (Art. 96, I, a). A garantia dos membros também se reparte em dois tipos: garantia de liberdade e de imparcialidade (Alexandre de Morais e José Afonso da Silva). As garantias de liberdade se dividem em três tipos: vitaliciedade, inamovibilidade e irredutibilidade de subsídios. Imparcialidade se reparte em vedação da atividade político-partidária, vedação de acumulação de cargos, empregos ou funções, vedação de recebimento de custas e quarentena.
GARANTIAS AUTONOMIA FUNCIONAL GARANTIAS INSTITUCIONAIS ADMINISTRATIVA

VITALICIEDADE ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE

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DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO INAMOVIBILIDADE GARANTIAS DOS MEMBROS IMPARCIALIDADE ACUMULAÇÃO DE CARGOS, GOS OU FUNÇÕES ÇÃO DE RECEBIMENTO DE CUSTAS ENTENA FINANCEIRA

IRREDUTIBILIDADE

GARANTIA DE LIBERDADE POLÍTICO-PARTIDÁRIA VEDAÇÃO DE EMPRE VEDA QUAR

Garantia institucional  autonomia: auto-governo do poder judiciário, independência do próprio órgão em relação aos demais poderes do estado (Art. 99). Havendo a violação das garantias institucionais é caso de condenação por crime de responsabilidade (Art. 85). Cabe ao próprio poder judiciário sobre os cargos que dispõem o órgão, ele é que possui legitimidade, competência legislativa para apresentar projetos de lei para dispor sobre cargos. Ele apresenta ao executivo o orçamento necessário para o ano seguinte (proposta orçamentária). Se não encaminhar no prazo estabelecido o executivo mantém a do ano anterior (respeitando a LRF – LC 101). Garantia institucional  auto-governo ou função governativa (modo de escolha dos dirigentes dos tribunais): Art. 96, I, a. Elaborar RI é exemplo do desempenho de função atípica ou secundária o judiciário. O CNJ foi criado para regrar essa função governativa. Garantia dos membros: visa a independência individual do magistrado. Garantia interna (o magistrado tem independência frente aos tribunais, há subordinação administrativa) e externa (o magistrado não deve obediência a ninguém, salvo à CF e à sua própria consciência). Garantia de liberdade  vitaliciedade: em 1º grau ela é atingida após 2 anos de efetivo exercício (estágio probatório). Existe o projeto de emenda 358/05 para passar o estágio para 3 anos. Em 2º grau ela é alcançada a partir da posse, sem qualquer lapso temporal (indicação ou 5º constitucional) – Art. 95, I. Não se confunde com estabilidade: estabilidade é para servidor público stricto sensu, estabilidade alcançada após estágio probatório de 3 anos. Com a estabilidade o servidor pode perder o cargo em razão de decisão administrativa. Vitaliciedade é só para agente político, espécie de servidor público lato sensu. Em 1º grau é adquirida em 2 anos e nos tribunais a partir da posse. Aquele que é dotado do predicativo da vitaliciedade só perde o cargo em razão de sentença judicial transitada em julgado. Abrandamento da vitaliciedade de ministro do STF – pode ser condenado por crime de responsabilidade (Art. 52 e lei 1079/50). São ofertados ao magistrado para que ele possa exercer a função com independência, sem temor de violar outros poderes, não como prerrogativa pessoal. Garantia de liberdade  inamovibilidade: não podem como regra ser removido ex officio, sem iniciativa própria, por determinação. Exceção em que poderá ser removido ex officio: interesse público com voto da maioria 86 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE

A primeira constituição que tratou do MP foi a republicana de 1891. A irredutibilidade é jurídica e não real (STF). para magistrados é de seis meses (desincompatibilização – renúncia ao cargo e não licença como para outros servidores públicos). ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 87 . VIII. É aquela não nominal. * Receber auxílios ou contribuições de pessoa física. em 1891 o MP fazia parte do Judiciário. uma no cursinho. A LOMAN veda ao magistrado que participe de sociedade. O MP e os advogados desempenham funções não só voltadas ao Judiciário. Dizia que o procurador geral da república seria escolhido dentre os ministros do STF. MINISTÉRIO PÚBLICO Qual é a posição constitucional do MP? CF de 1824: não tratou do MP. 93. LC 64/90 estabelece prazo de filiação a magistrado diverso: até um ano antes da eleição é a regra. * Filiar-se a partido político. Em 1832 surge o código de processo criminal do império fazia referencia ao promotor da acusação. 95. * FUNÇÕES ESSENCIAIS DA JUSTIÇA Hugo Nigro Mazili critica essa denominação dada pelo constituinte. o subsídio não é majorado a cada período considerando-se a inflação do mês anterior. parágrafo único): para a manutenção da capacidade subjetiva há uma série de vedações: * Exercer outro cargo ou função. 95. salvo uma de magistério (uma na faculdade. manutenção da independência. O CNJ também pode por interesse público remover o magistrado (Arts. III). Praticar atividade político-partidária em geral. II e 103-B. seja cotista etc. Os juízes militares podem ser removidos porque em guerra o juiz acompanha as tropas. nessa data o MP não foi constitucionalizado. Garantia de liberdade  irredutibilidade de subsídios: o magistrado não pode ter reduzido o seu subsídio porque precisa ter tranqüilidade para o exercício da jurisdição. para ele melhor seria funções essenciais ao Estado..? O STF não decidiu ainda). Garantias de imparcialidade (Art. diversamente do servidor público stricto sensu. era voto de 2/3). Dessa feita.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO absoluta dos membros do tribunal (alterado pela EC 45. que pode ser removido por conveniência e oportunidade (discricionariedade). entidade pública ou privada. portanto. § 4º. mas ao Estado como um todo. * Receber custas ou participação em processo..

Muitos Estados não adotam a teoria tripartite de poder (de funções) (Venezuela. mas foi constitucionalizado só no ano seguinte. só havia uma referência ao PGR em um artigo. nem atos com força definitiva jurisdicional. Essa divisão tripartite de Montesquieu não é científica. A constituinte posicionou o MP fora dos três poderes da república. Para Hugo Nigro não interessa o MP ser poder. como verdade absoluta. mas não como instituição (ditadura retira a independência do órgão). implicitamente o MP nessa constituição pertencia ao Executivo. Há na doutrina quem entenda que o MP faz parte do Executivo (minoria). Não deve prevalecer como dogma. CF de 1988: o MP não é um quarto poder porque formalmente existem apenas três poderes. CF de 1946: redemocratização do país com eleição para presidente da república. o legislativo da União foi convertido em assembléia constituinte). CF de 1934: o MP estava contido no capítulo denominado: atividades de cooperação governamental. CF de 1969: alguns dizem que não houve constituição. pois se originou de uma assembléia nacional constituinte (a de 1988 foi de um congresso constituinte. Pela constituição de 1937 o MP foi esquecido. concluindo-se que os representantes do MP só poderiam praticar 88 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . o que interessa é a função e garantia dos membros de poder. o MP sem ser poder exerce função de poder e seus membros possuem garantia de poder. O MP passou a fazer parte do Executivo. ela foi criada para uma realidade histórica em 1748. ato administrativo e ato jurisdicional (decisão em sentido lato). O MP é uma instituição extra-poder. portanto volta a ser instituição independente. CF de 1967: o MP fazia parte do Judiciário. ou seja. não se pode aplicar a doutrina da época à nossa realidade constitucional. logo. França etc). fala do órgão ao lado dos demais poderes. Em 1977 a nossa constituição foi emendada pela EC 07 de 1977 deixou expresso mais uma vez que o MP faria parte do Executivo (pacote de abril de 77). CF de 1937: foi uma constituição autoritária outorgada por Getúlio Vargas. mas apenas uma emenda 01 à constituição de 67. Nessa classificação considera-se a natureza jurídica do ato praticado pelos representantes do MP. Os representantes do MP não praticam atos de natureza legislativa.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Em 1890 veio ao mundo o decreto 1030 que institucionalizou o MP. ou seja. que inaugurou o Estado Novo. Essa atividade estava contida dentro do Executivo. O Estado se manifesta por ato legislativo. Nos momentos históricos em que predominava a democracia o MP era órgão independente. Alexandre de Moraes denomina do MP como instituição permanente que tem as mesmas garantias dos poderes. MP acompanhado do TC. logo. Alguns dizem que essa foi a constituição mais democrática que tivemos.

Elaborada uma lista de 3 nomes encaminhada ao PGR para escolha para cumprir mandato de 2 anos. só pode ser PGR membros da instituição. Regra: além do PGR. MPT: possui o seu procurador geral do trabalho próprio. que é regional. o seu procurador geral é o próprio PGR. MPM. O PGR até 1988 era escolhido livremente pelo presidente. O PGR pode afastar o PGT com autorização do conselho superior. além de desenvolver atividades extrajudiciais. O MPU se reparte em quatro categorias: MPF. permitindo-se reconduções. MPF: procurador da república que oficia em regra perante o juiz federal. Até a CF de 1988 o presidente poderia afastá-lo ad nutum. cada estado tem sua lei complementar própria. diversamente do concurso para juiz federal. caso o faça será inconstitucional. Para José Afonso o PGR exerce investidura por prazo certo.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO atos de natureza administrativa. No entanto essa posição é minoritária. Dentre os subprocuradores o presidente escolhe o PGR (não é regra expressa. permitindo-se uma única recondução. O projeto de emenda 358/05 deixa isso expresso. Membros do MPF com mais de 35 anos indicado pelo presidente e aprovado pelo senado por maioria absoluta para exercer mandato de 2 anos. Em regra lei municipal não pode tratar de MP. em regra porque é possível que o conselho superior faça uma designação especial para atuar em outro órgão (tribunal). mas é praxe). todos os ramos do MPU possuem procurador geral próprio.625/93. O chefe administrativo do MPU é o PGR. LC 75/93 e Lei Orgânica Nacional do MP. Hoje existem aproximadamente 680 procuradores da república. Segundo grau de atribuição do membro do MPF: promovido a procurador regional da república que oficia em regra perante os TRFs (são 203). ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 89 . O concurso é nacional. à exceção do MPF. MPT. A CF faz referência expressa à existência de dois MPs: MPU e MP dos estados. Com a constituição de 88 houve uma restrição à escolha do PGR. MPDFT. porque entende-se que será escolhido entre os membros do MPF apenas. lei 8. Justifica essa denominação afirmando que o presidente com autorização prévia precedente do senado pode afastar o PGR. o que não quer dizer que o órgão faz parte do Executivo. Alexandre de Moraes diz que o presidente pode escolher dentro de qualquer um dos ramos do MPU. Após é promovido a subprocurador geral da república oficiando perante o STJ e por delegação do PGR no STF (são 62). O PGR pode ser reconduzido quantas vezes o presidente quiser reconduzi-lo desde que com aprovação do senado por maioria absoluta.

a depender de cada estado (em GO. MPDFT: o procurador geral do MPDFT não é escolhido pelo PGR. só a Assembléia Legislativa. Há um procurador geral do MP junto ao TCU. Ele oficia em regra perante o juiz de direito. 73. em regra. O CNMP entendeu que o MPTCU não deve obediência ao conselho. é escolhido pelo presidente de uma lista de 3 nomes fornecida pela categoria para mandato de 2 anos permitida uma única recondução. Quem oficia não é o MPE. No entanto na maioria dos estados não há essa previsão. para ele tem de ser a Câmara e o Senado. MG. mas o MP especial. mas somente com a autorização do legislativo da União (Senado Federal). RO). Ele pode ser afastado mediante autorização do conselho superior. 2º grau de atribuição é como procurador de justiça. Lei 8443/92 é a lei orgânica do MP especial junto ao TCU. Alexandre de Moraes entende que a CF não prevê MP especial para os estados. quem deveria oficiar seriam apenas os membros do MPE. O STF entende que esse MP previsto nesses artigos é um MP especial. Art. O 1º grau de atribuição é como promotor de justiça. MPE: é chefiado administrativamente pelo PGJ escolhido pelo governador do estado de uma lista de 3 nomes para mandato de 2 anos. Não faz parte do MPU nem dos estados. 130. e quem oficia é membro do MPE. José Afonso não concorda. Quem faz a nomeação dos representantes do MPTC é o presidente da república (há concurso próprio). três subprocuradores gerais e quatro procuradores do MP junto ao TCU. Art. projeto de emenda não poderia modificar essa condição. O STF reconheceu que se a lei/constituição estadual reconhece como um cargo próprio deve haver um concurso próprio e não compor as vagas por membros do MPE. Regra: o governador não pode afastar o PGJ. Aqui no MPDFT além do promotor de justiça a LC 75 fala em promotor de justiça adjunto. MPTCE: em alguns estados já houve concurso próprio (GO. CF: MP é instituição permanente. faz parte da economia doméstica do TCU (ADIN 789/DF). RJ é possível promotor concorrer ao cargo). CF: membros do MP junto aos tribunais de contas. mas não é a posição do STF. É núcleo intangível super-rígido da CF. Art. Exerce mandato de 2 anos permitindo-se única recondução. § 2º. oficiando. permitindo-se uma única recondução. 127. Pode ser procurador geral de justiça promotor ou procurador. é cláusula pétrea. Isso por dois motivos: caso se posicione o MP dentre de um dos poderes de república far-se-ia que esse poder ficasse super forte ou 90 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . perante o TJ. Pode ser afastado. I também faz referência. Após certo tempo é promovido a procurador de justiça. mas a LC 75 fala apenas no Senado. O STF disse que essa lei é constitucional.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO MPM: também possui o seu procurador geral próprio escolhido pelo PGR de uma lista de 3 nomes.

82 do CPC elenca as intervenções do MP. Status ativo: significa direito público subjetivo de natureza política que tem a pessoa humana de participar da organização do estado. com respeito à liberdade. 129. o conjunto de normas de um Estado. ou seja. além delas existem outras. deduzindo em juízo interesses da coletividade. Enquanto interveniente o MP é o fiscal da lei (constituição). pelo povo. lazer). Funções: Função de órgão interveniente e função de órgão agente. indiretamente o MP deve ser entendido como cláusula pétrea. 127 e melhor esclarecidas pelo Art. as funções previstas são meramente exemplificativas. O Art. ele pode fazer tudo que não seja proibido. São quatro status: negativos. Incumbe-lhe a defesa da ordem jurídica. saúde. regime democrático é muito mais do que isso. democracia em um determinado momento significou governo do povo. inimputabilidade penal antes dos 18 anos etc). Proteção aos interesses sociais elencados no Art. Essencial à função jurisdicional do estado porque o juiz é inerte. O cidadão tem obrigação de respeitar o que está previsto. o MP participa do processo eleitoral. Defesa de status constitucionais: Jellinek fala a respeito. são sujeições do cidadão às determinações legais. ou seja. Status positivo: é a exigência de que o estado preste determinadas atividades. positivo e o ativo. Defesa do regime democrático. são créditos do cidadão em face do Estado (salário.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO hipertrofiado. no entanto. Em processo civil o Art. O cidadão teria determinadas liberdades frente ao estado. Defende a ordem jurídica como fiscal da constituição. o MP protege esse status que a doutrina chama de status negativo de cidadão. Em processo penal na ação penal de iniciativa privada. ou seja. exercício de direitos políticos. 5º. 6º. 91 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . igualdade e dignidade. é custus legis. Status passivo é a situação oposta. mas não apenas lá. igualdade e dignidade da pessoa humana. Como órgão agente o MP atua como advogado da sociedade. para o povo. São funções previstas no Art. logo. Exercício de direitos políticos e a proteção da liberdade. 129 esclarece o Art. Topograficamente os direitos individuais estão por toda a CF. previstos em regra no Art. estão espraiados por todo o corpo constitucional (ex: princípio da anterioridade tributária. educação. crédito do cidadão em relação ao Estado. 127. Proteção dos direitos individuais indisponíveis. O MP tem por função a proteção dos direitos fundamentais do cidadão e os direitos fundamentais representam cláusula pétrea. fiscalizando a sua indivisibilidade. ofendendo o controle que existe entre os três. os direitos fundamentais de 2ª dimensão. passivos. Segundo a doutrina o MP tem por objetivo a defesa desses quatro status.

Assim. Significa não existência de subordinação hierárquica. § 2º). 127. Promotor natural (agregado pela doutrina): o STF já firmou que é princípio. O princípio não impede designações na investigação (ex: GAECO e GAELD). 5ª câmara: patrimônio público. * Autonomia funcional: significa que o MP é independente dos três poderes da república. 2. 2º e no Art. É garantia de promotor isento no momento do oferecimento da denúncia a fim se evitar benefícios e perseguições. Fundamentos: Art. No MPF o Art. ela existe dentro de cada um dos ramos do MP. Contaminação virótica constitucional do CPP: entender o CPP de acordo com a CF. Possui competência legiferante. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 92 . O representante do MP no exercício de sua função institucional deve obediência à CF e à sua consciência. o representante não está obrigado a denunciar. É conseqüência do princípio da unidade. 2ª câmara: criminal e controle externo da atividade. Independência funcional: liberdade de auto-determinação só é encontrada no Art. unidade quer dizer que no momento em que o representante do órgão fala. 127. Os serviços auxiliares decorrem de lei própria (Art. Indivisibilidade: possibilidade de livre substituição de uns pelos outros dentro do mesmo ramo do MP sem qualquer medida concreta (substabelecimento. Só agente político possui independência funcional. quem fala é a própria instituição. mas não no exercício das funções constitucionais. § 1º): 1. 5º. 61 da CF). É função governativa do MP. 127. 4.. Esse princípio está ainda no predicativo da inamovibilidade. 28 do CPP é um exemplo disso. Garantias do MP: podem ser divididas em dois grupos: Garantias institucionais: * Autonomia administrativa: auto-governo do MP. Unidade: só existe um MP. O MP apresenta por meio do procurador geral a sua lei própria.  princípio do promotor natural. A indicação de promotores ou procuradores é inconstitucional. Existe chefia administrativa. 3ª câmara: consumidor. 28 vai para a câmara de coordenação e revisão (para revisão do pedido de arquivamento do inquérito): 1ª câmara: constitucional. 3. 4ª câmara: meio ambiente.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Princípios institucionais do MP (Art. LIII: ninguém será processado . § 1º da CF. podem apresentar projeto de lei (Art. 6ª câmara: índios e minorias. evitando-se promotores ou acusadores de encomenda com o objetivo de prejudicar o beneficiar o acusado. que a indivisibilidade. Como corolário dessa unidade surge outro princípio institucional.. Art. Designações de apoio ao promotor natural pelo procurador geral (a pedido do promotor ou procurador natural). É uma garantia constitucional do cidadão de só ser processado por um órgão do MP previamente estabelecido. nenhum deles determina ordem ao MP no exercício de suas funções. por exemplo).

em 88 foi criada a AGU. Aqueles que entraram após a EC 45 não podem se candidatar. * Vitaliciedade. 128. mas a CF permite). O CNMP estabeleceu prazo até junho/2006 para que os representantes cumpram esse dispositivo. mas o STF decidiu que é de um ano). a dedicação deve ser exclusiva. Hoje não existe mais qualquer exceção. a CF diz serem equivalentes. Participar de sociedade na forma da lei. Projeto de emenda 358/05 irá adotar a posição de Alexandre de Moraes: possibilidade de se candidatar e voltar ao cargo do MP para aqueles que entraram após 1988 até a EC 45. No entanto aqueles que já eram do MP puderam continuar com a advocacia (Art. salvo uma de magistério. Receber honorários ou custas processuais. Não é a posição do TSE: o afastamento para se candidatar deve ser definitivo. * Irredutibilidade de subsídios. 168). Sendo candidato a filiação deve ser feita um ano antes das eleições (a LC 64 fala em seis meses antes. Exercer advocacia (o STF decidiu que defensor público não pode advogar também). Exercer outra função pública.. 127. Até a CF de 88 os representantes do MPF advogavam. 93 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . segundo Alexandre de Moraes. Os que entraram de 1988 até a promulgação da EC 45.). é uma exceção (é incompatível. * Inamovibilidade. “salvo nos casos previstos em lei” e a LC 75 possibilitava a filiação partidária. 29 do ADCT). Garantias dos membros: tudo que se aplica para a magistratura se aplica aqui. As suas atribuições são desempenhadas às expensas do orçamento próprio (Art.. diverso do orçamento dos outros poderes da república. O CNMP estabeleceu que só podem ser 20h semanais apenas. afastando-se por meio de licença e não renúncia ao cargo. cursinho. é um absurdo. § 5º. Magistério: não se definiu uma função de magistério (faculdade. teriam direito de se candidatar e perdendo volta. ainda que em disponibilidade. Exercer atividade político partidária: alterada pela EC 45. Aqueles que entraram até 1988 adotam regime anterior e podem estar filiado e se candidatar. Vedações: previstas no Art. Antes havia uma exceção. a não ser que abandonem o MP. vedando-se a advocacia por parte do MP. § 3º e Art.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO * Autonomia financeira: o MP possui dotação orçamentária própria. II da CF.

Orientação jurídica é orientação judicial e extrajudicial. 134 fala da necessidade de criação do órgão. É a regra. do trabalho e militar e existem pouquíssimos no Brasil. O estatuto da ordem estabelece que o advogado tem imunidade no estrito cumprimento funcional. ainda assim presta serviço público relevante. Nomeação do procurador geral do estado (PGE) é livre do governador. A AGU faz a defesa judicial e extrajudicial da União. O Art. revisão criminal. mas existem exceções: HC. é muito mais que só judicial. Havia um conflito de interesses.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO ADVOCACIA Segunda função essencial da justiça. então a CF/88 criou a AGU. o procurador geral da Fazenda Nacional está subordinado ao AGU (LC 73). contraditório). ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 94 . O Art. Regulada pela LC 73/93. advocacia privada e defensoria pública. O AGU tem status de ministro de estado. São chefiados pelo procurador geral do estado. É imunidade material. ela é organizada e mantida pela União. § 3º). não existe prestação jurisdicional sem advogado. Imunidade: inviolabilidade em razão do exercício da função. portanto. Advocacia privada: muito embora atue sem vínculo administrativo com o Estado. o MPF ajuizava as ações. não precisa ser dos quadros da AGU desde que seja brasileiro com mais de 35 anos e notável saber jurídico. 133 revela dois princípios: o da indispensabilidade do advogado e o da imunidade (material). Indispensabilidade é um fator importante para a garantia dos direitos fundamentais (ampla defesa. Em sede estadual quem faz a defesa é o procurador do estado. Pode ser dividida em advocacia pública (Art. Advocacia pública: até 1988 não existia a AGU. ela não faz o executivo fiscal. ele deve atuar nos limites da lei. CF). justiça do trabalho. não faz parte da DPU. que é reservado à procuradoria geral da Fazenda Nacional (Art. Isto por uma questão histórica. O chefe da AGU é o advogado geral da União escolhido livremente pelo presidente. Exercem a representação judicial e a consultoria das respectivas unidades federadas. A DPU oficia perante a justiça federal. Defensoria pública: a CF garante a defesa jurídica pela defensoria pública. No entanto. a competência para julga-lo é do STF. O procurador do estado tem estabilidade após 3 anos (EC 19). É vedado o exercício da advocacia privada aos defensores públicos. exercendo função essencial (Art. 131. Não é irrestrita. O STF suspendeu a palavra desacato que a lei estabelecia como imunidade para o advogado (ADIN 1127-8/DF). A DPDF é gerida pela União. juizados. 131). 133. ação popular (?).

mas ao final serão cobrados honorários executados pela PFN. Esse sistema costuma ser adotado em países pequenos como. 48) e fiscalizar (CF. b) bicameral: composto por dois órgãos. Lei 1060/50 estabelece quem é hipossuficiente. A LC 80/94 estabelece que o defensor público tem direito a intimação pessoal e o prazo em dobro. não podendo votá-la diretamente.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Advogado constituído. O Brasil adota o bicameralismo do tipo federativo. Luxemburgo. Em processo criminal pessoa rica pode ser patrocinada por defensor nomeado. 71). orçamentário. Pelo princípio da participação: das vontades regionais e da vontade nacional (efetivada pelo Senado). Estrutura Em regra. A fiscalização financeira e orçamentária é feita com o auxílio do Tribunal de Contas da União (CF. a comunidade elege representantes para fazê-lo (teoria da soberania). art. No Brasil. o Legislativo se estrutura em dois tipos de sistemas: a) unicameral: formado por um único órgão. a Câmara alta e a Câmara baixa. durante a Idade Média. operacional e patrimonial. Funções O Poder Legislativo possui duas funções típicas: legislar (CF. art. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 95 . O STF já decidiu que o advogado dativo não tem esse direito. a soberania reside no povo que a exprime através da lei. Nos juizados especiais não há intimação pessoal nem para o defensor público. com a finalidade de limitar a autoridade dos reis. A fiscalização dos atos emanados do Poder Executivo é decorrente do princípio da representação popular e ocorre nos âmbitos financeiro. Nas demais esferas o sistema adotado é o unicameral. Advogados públicos: defensores Advogado dativo: supre a falta do defensor público. uma vez que o Congresso Nacional é composto por uma Casa de representantes do povo (Câmara dos Deputados) e outra de representantes dos Estados e do Distrito Federal (Senado). contábil. Segundo a concepção de Rousseau. o qual atende à forma federativa de Estado positivada na Constituição. art. 70).g. no Distrito Federal (Câmara Legislativa) e nos Municípios (Câmara de Vereadores). o Poder Legislativo se manifesta pela conjunção da vontade das duas Casas. é utilizado nos Estados-membros (Assembléia Legislativa). e.. PODER LEGISLATIVO – Marcelo Novelino Origem: O Poder Legislativo foi concebido na Inglaterra. Nesta hipótese.

os membros do Congresso Nacional. art.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Assim como os demais poderes. a competência será do STF (art. até o momento. Se o crime de responsabilidade não for conexo com o praticado pelo Presidente.g. 52. se o crime for conexo com o praticado pelo Presidente. cuja pena não é a privativa de liberdade. 102. cuja previsão consta da PEC 29/2000. Para o julgamento do presidente. art. as seguintes autoridades (as mais altas autoridades de cada poder): I) Presidente e Vice-Presidente da República. VII) Advogado-Geral da União (status de ministro de estado). I. inclusive os delitos eleitorais e as contravenções penais. o Vice-Presidente. os membros do Congresso Nacional. nos crimes de responsabilidade (é uma infração político-administrativa. 102. IV e do art. o Legislativo também exerce funções atípicas.. I e II) para processar e julgar. XIII – “organização. As penas são a perda do cargo e inabilitação por 8 anos). III) Ministros do STF. VI) Procurador-Geral da República. os membros do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público. nos seguintes termos: “nas infrações penais comuns. 52.além dos Deputados e Senadores – serão julgadas pelo STF no caso de crime comum. “c”). V) Membros do Conselho Nacional do Ministério Público. A jurisprudência do STF já se consolidou no sentido de que a expressão crimes comuns abrange todas as modalidades de infrações penais. e. e. nas hipóteses do art. é com relação aos membros do CNJ e do CNMP. A exceção. o Presidente da República. são crimes impróprios. II) Ministros de Estado e Comandantes das forças armadas (antes tinham status de ministro?). seus próprios Ministros e o Procurador-Geral da República”. provimento de cargos e seus serviços”. se não for a competência é do STF. 51. vice e ministro de estado. IV) Membros do Conselho Nacional de Justiça. o Vice-Presidente. CF/88. tanto nos crimes comuns e de responsabilidade será necessária autorização da câmara dos deputados com o quorum de 2/3. seus próprios Ministros e o Procurador-Geral da República”. o Presidente da República. O Senado tem ainda a competência exclusiva (CF. b: “nas infrações penais comuns. I. Todas as autoridades mencionadas acima . polícia. é autorização para o processo de impeachment e a autorização da câmara tem natureza eminentemente ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 96 . A Câmara e o Senado exercem função administrativa.

Deputados e Senadores A Câmara de Deputados é composta por representantes do povo. b). estrangeiros e apátridas. § 2o). art. inclusive de conveniência e oportunidade. não há segundo turno para eleição de senador. § 1o). maiores de 21 anos (CF. e quem preside esse julgamento é o presidente do STF e a pena se limitará à perda do cargo e inabilitação por 8 anos. 46. Os territórios não possuem representantes no Senado Federal. Atribuições do Congresso Nacional Dentre as atribuições do Congresso Nacional estão a competência legislativa e a competência deliberativa. por escrutínio secreto (CF. Os Senadores são eleitos pelo sistema majoritário (maioria relativa. § 3o. Caso seja criado algum território. que corresponde à soma dos brasileiros. sendo que cada Estado e o Distrito Federal elegerão três. art. arts. b) eleitos diretamente. 14. Sendo crime comum o julgamento é no STF. 22 e 24) e. através de escrutínio secreto (CF. art. sendo a representação distribuída proporcionalmente às correntes ideológicas (partidos políticos). Segundo o STF. 45. 57) e tem início em 02/02 a 17/07 e reinicia em 01/08 a 22/12 (modificado por emenda) O Senado Federal é composto por representantes dos Estados e do Distrito Federal. Aquela é atribuída ao Congresso para que disponha sobre todas as matérias de competência da União (CF. art. art. A sessão legislativa é o período anual (Art. 45). art. a natureza do crime de responsabilidade é penal. não deve participar da vontade nacional. que tem como uma de suas características a participação da vontade dos Estados na formação da vontade nacional. §1o). nenhum deles poderá ter menos de oito ou mais de setenta deputados (CF. não sendo necessário mais de 50%) (CF. 14. independentemente do tamanho de sua população para legislatura de 4 anos (CF. para exercerem um mandato de oito anos. Se em uma determinada eleição foi eleito um Senador (um terço). § 2o). A renovação desta representação não é feita simultaneamente. 14). este elegerá quatro deputados. 46). O número de Deputados por Estado e pelo Distrito Federal será proporcional à população (e não ao número de eleitores). art. Dada a autorização o julgamento nos crimes de responsabilidade será feito pelo Senado. § 3o. em especial. 14). VI. Os Deputados são eleitos pelo sistema proporcional (CF. eleitos diretamente. VI. duas legislaturas (CF. art. Todavia. 46. sobre as elencadas no art. Tanto que a competência para legislar é privativa da União (súmula 722/STF). na seguinte serão eleitos dois (dois terços) (CF. 45. 48 da Constituição da ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 97 . maiores de 35 anos (CF. mas sim de forma alternada.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO política. art. basta que o senador seja o mais votado. Ele não é ente federativo. art. A paritariedade do número de Senadores se assenta no princípio federativo. ou seja.

CTN). 57). apesar do disposto na Constituição (“compete privativamente”. art. Estão ligadas à não possibilidade de deputado ou senador após a expedição do diploma exercer determinadas funções. Não se confunde com inelegibilidade (Art.).em caso de decretação de estado de defesa. Neste caso. A primeira tem a duração de quatro anos (art. buscando apoio político. na verdade.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO República. As inelegibilidades podem ser absolutas (inalistáveis e analfabetos) e relativas (parentesco. Geraldo Ataliba distingue lei nacional de lei federal. 55. Ocorrem antes que a pessoa seja eleita para determinado cargo. apesar de exercidas isoladamente. As competências atribuídas à Câmara dos Deputados (CF. A lei federal é a que trata de interesse exclusivo da União enquanto ente federativo (ex: lei 8112). A competência deliberativa. ou seja. pois não podem ser delegadas. Conforme dispõe seu parágrafo único. exercida isoladamente e que não comporta delegação. pelos Presidentes da Câmara e do Senado ou mediante requerimento da maioria dos membros de ambas as casas.. deve ser veiculada por decreto legislativo ou por resolução. com as competências da União previstas no art. existe a possibilidade de convocação extraordinária do Congresso Nacional para deliberar sobre determinada matéria. 51) e ao Senado Federal (CF. prevista no art. previstas em lei complementar). Competências privativas. 22. 57. lei complementar poderá autorizar os Estados a legislar sobre questões específicas das matérias ali relacionadas. a perda é decidida pela casa respectiva do cassado.. apesar de serem feitas pelo congresso não tratam de interesse exclusivo da União. As sessões legislativas extraordinárias podem ser convocadas pelo presidente do Senado Federal . 44. privação da capacidade política passiva. Algumas ocorrem a partir da diplomação e outras a partir da posse. a sanção do Presidente. parágrafo único). é exigida a sanção do Presidente da República. dispensando. como as matérias são veiculadas por lei. Na cassação do mandato. 14. pela inobservância do decoro parlamentar ou pela sentença penal ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 98 . O objetivo é evitar que o Executivo utilize determinados cargos para que certos deputados ou senadores possam ser favorecidos. CF). militares. § § 2º e 3º. comportam delegação ou competência suplementar. também são exclusivas. quando houver urgência ou interesse público relevante (art. mas de todo o Estado (ex: CP. Deve-se atentar para a distinção entre legislatura e sessão legislativa. É o que ocorre. de estado de sítio e de intervenção federal e para compromisso e posse do Presidente e Vice . 54 da CF traz hipóteses de incompatibilidades de deputados e senadores. Trata-se de uma competência exclusiva. Incompatibilidade ocorre após a eleição para um cargo. ao passo que a segunda é anual (art. Além das sessões legislativas ordinárias. As leis nacionais. 54. por exemplo. O mandato poderá ser cassado quando houver a violação das incompatibilidades do Art. §§ 6o e 7o).ou pelo Presidente da República. 52). por isso. art. 49. O Art. Cassação e extinção do mandato: Art.

ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 99 . administração e execução). emitem um parecer prévio para posterior apreciação do plenário. correspondem ao campo funcional dos Ministérios. II) Quanto a sua formação. 58. 58. 57. . na função de órgãos técnicos. 55. A função de membro da Mesa das Casas legislativas é de natureza executiva (direção. As atribuições de cada comissão estão elencadas na Constituição (art. Na extinção do mandato não há julgamento. as reuniões são dirigidas pela mesa do Senado Federal. as quais. As comissões parlamentares foram valorizadas pela Constituição de 1988 que lhes atribuiu diversas competências. São estruturadas em função das matérias de sua competência. Em se tratando de crime comum serão julgados pelo STF. compostos por um conjunto de parlamentares eleitos por seus pares para dirigir os trabalhos legislativos pelo período de dois anos. Nos três casos a casa do deputado ou senador irá decidir pelo voto secreto (STF já entendeu que deve ser observado no âmbito estadual) e a decisão deve ser dada por maioria absoluta. b) temporárias: extinguem-se com o fim da legislatura ou se dissolvem com o encerramento de seus trabalhos. a Constituição veda a recondução para o mesmo cargo na eleição imediatamente subseqüente. supervisão. Comissões parlamentares A diversidade e complexidade das matérias a serem analisadas pelo Legislativo suscitaram a necessidade de uma especialização dentro do parlamento com o intuito de se fazer um estudo prévio e especializado das propostas apresentadas. No caso do Congresso Nacional. as comissões podem ser: a) exclusivas: compostas apenas por Membros da Câmara ou do Senado. art. as comissões podem ser classificadas como: a) permanentes: quando permanecem mesmo após o fim das legislaturas. é apenas uma declaração de perda do mandato feita pela mesa da casa respectiva quando houver violação das hipóteses do Art.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO condenatória definitiva. o que não impede a possibilidade de eleição para outro cargo da Mesa (art.Classificações I) Quanto a sua duração. § 4o). polícia. III a V. § 2o) e nos regimentos internos de cada uma das Casas do Congresso Nacional. Por isso. § 1o). muitas vezes. Essa análise é feita pelas comissões parlamentares que. As comissões devem ter uma representação proporcional dos partidos ou dos blocos partidários das respectivas Casas Legislativas (CF. Mesas diretoras As mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal são os órgãos diretivos dessas Casas.

§ 3o) a) Requisitos As comissões parlamentares de inquérito têm poderes de investigação próprios de autoridades judiciais. 166. Nos termos do § 1º do art. dentro do possível. admite a reeleição: nas funções executivas implica necessariamente alternância” (Elementos de direito constitucional. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 100 . Por outro lado. pelo menos. 58. p. Fatos de interesse exclusivamente privado. Os membros desta comissão são escolhidos pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal. IV) Comissões parlamentares de inquérito (CF. absoluta. art. § 9o) ou a análise de projetos de leis financeiras (CF. que estiver devidamente caracterizado no requerimento da Comissão”. em funções puramente legislativas. legal. um terço dos membros da respectiva Casa. reproduzir de forma proporcional a representação partidária. em conjunto ou separadamente. como a emissão de parecer sobre o veto (CF. fatos que se refiram exclusivamente às competências dos Estados e Municípios. 66. de Estados e de Municípios. desde que atendam aos seguintes requisitos: 1º) requerimento de.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO b) mistas: constituídas por Deputados e Senadores. haja vista a necessidade de respeito à autonomia desses entes. 62. corolário do princípio federativo. a periodicidade. III) Comissão representativa do Congresso Nacional Tem por escopo representá-lo durante o período de recesso. Michel Temer observa que “no Brasil. sendo mista. art. e. 35 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados. Podem ser criadas pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal. devem ser fiscalizados pelos respectivos legislativos. Tratam de assuntos que devem ser decididos pelo Congresso Nacional. Sua composição deverá. 128). a alternância dos cargos de natureza executiva é peremptória. Podem ser objeto de apuração todos os assuntos que estejam na competência fiscalizatória do Congresso Nacional. art. § 4o) e sobre as medidas provisórias (CF. entendesse por fato determinado o “acontecimento de relevante interesse para a vida pública e a ordem constitucional. na última sessão ordinária do período legislativo. admite-se a investigação se houver interesse simultâneo da União. art. não podem ser objeto dessas comissões quando inexistir nexo causal com a gestão da coisa pública. § 1o). econômica e social do país. categórica e irremissível. Assim. 3º) ter prazo certo para o seu funcionamento. Todavia. além de outros previstos nos regimentos internos das respectivas Casas legislativas. 2º) ter como objeto a apuração de fato determinado. é necessário 1/3 dos deputados e 1/3 dos senadores e não 1/3 do congresso nacional.

art. 5º. art. 5º. LXIII). 5º. 2) determinar invasão de domicílio (CF. nenhum dos poderes encontra-se acima da Constituição. O sigilo telefônico não se confunde com a inviolabilidade das comunicações telefônicas (interceptação telefônica). IX). apesar da possibilidade de condução coercitiva dos convocados para depor como testemunha. o paciente possui o direito de não ver interpretado contra ele o seu silêncio”. o término desta sempre será o termo final de uma CPI. b) Poderes Os poderes das comissões parlamentares de inquérito. As conclusões decorrentes da investigação poderão ser encaminhadas ao Ministério Público para que este promova a responsabilidade civil ou criminal dos infratores. Todavia. condução coercitiva. busca e apreensão de documentos desde que respeite a inviolabilidade do domicílio. salvo em flagrante delito (“cláusula da reserva constitucional de jurisdição”). art. 93.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO A exigência de se ter como objeto um fato determinado não impede a apuração de outros fatos conexos ao principal. telefônico e fiscal). Além de não ser obrigado a prestar esclarecimentos. sendo que os atos destas comissões também se submetem ao controle jurisdicional. De acordo com a jurisprudência do STF as testemunhas também podem invocar esse privilégio e não apenas os investigados. os atos das CPIs deverão ter suas razões expostas no momento da deliberação. LXI). sendo eivados de nulidade quando destituídos de fundamentação (CF. No que se refere à locução prazo certo. XII) ou decretar prisão (CF. 5º. São conferidas a essas comissões determinadas prerrogativas para uma ampla investigação. Como pressuposto de legitimação da própria resolução adotada. Em um Estado Democrático de Direito. “Nemo tenetur se detegere: direito ao silêncio. a qual se submete à ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 101 . 1579/52). embora bastante amplos. ainda que o fato não tenha sido concluído. As CPIs não podem: 1) desrespeitar o privilégio contra a auto-incriminação (CF. desde que haja aditamento do objeto inicial da CPI. o STF já se manifestou no sentido de que esta não impede prorrogações sucessivas dentro da mesma legislatura (Lei n. não são ilimitados nem absolutos. não havendo nisto qualquer ofensa ao princípio da separação dos poderes. ou até mesmo de fatos inicialmente desconhecidos que surgirem durante a investigação. interceptação telefônica (CF. como a possibilidade de obtenção de informações junto às instituições financeiras e o acesso a dados e registros telefônicos ou fiscais (quebra dos sigilos bancário. art. art. XI).

que para este não há "fórmula universal apriorística".. a Câmara Legislativa do Distrito Federal e as Câmaras de Vereadores poderão instaurar suas próprias comissões para investigar fatos abrangidos por sua competência fiscalizatória. em respeito ao princípio federativo. Kildare Gonçalves. Em que pese o argumento de que. seqüestros etc. o Min. c) CPI estadual e municipal.. p. 443. a criação de CPI municipal. sob pena de violar a separação dos poderes e as liberdades individuais. o sigilo de dados telefônicos pode ser quebrado pela CPI. Assim. 4) Não tem poderes de medidas cautelares: determinar arrestos. Joaquim Barbosa (STF) admitiu. Joaquim Barbosa “Já advertiu o eminente ministro Sepúlveda Pertence. CARVALHO. Tais comissões possuem os mesmos requisitos e poderes atribuídos pela Constituição à CPI federal (art.esses e aqueles. ao tratar do princípio da separação de poderes. Não se pode perder de vista que as comissões parlamentares de inquérito são instrumentos de atividade do Poder Legislativo.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO reserva constitucional de jurisdição.. Direito constitucional didático. Entendo que a possibilidade de criação de comissões parlamentares de inquérito seja uma dessas normas de absorção compulsória nos estados membros. destinada a garantir o potencial do poder legislativo em ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 102 . para determinar procedimentos de natureza judiciária”. uma terceira modalidade de limitações à autonomia constitucional dos Estados: além dos grandes princípios e das vedações .). sendo necessário extrair da atual Constituição o traço essencial da atual ordem. implícitos ou explícitos . 58.hão de acrescentar-se as normas constitucionais centrais que. não obstante. observada a competência fiscalizatória de cada Casa. pois seus poderes se destinam somente à instrução do inquérito legislativo. inexistindo Poder Judiciário municipal. há reserva de jurisdição. são. rel. Só ele admite a possibilidade de quebra do sigilo bancário pela CPI municipal. Min. no julgamento da ADI 98 (.ACO 730/RJ. não tendo o alcance dos princípios.no ordenamento parcial dos Estados e Municípios". Peluzo e Velloso não admitem a quebra. § 3º). as Assembléias Legislativas estaduais. nem o conteúdo negativo das vedações. em razão do princípio da simetria.. para efeito de controle de constitucionalidade das normas constitucionais estaduais. STF . enquanto o sigilo telefônico não pode. não poderiam ser criadas comissões parlamentares pela Câmara de Vereadores. A competência das comissões de inquérito deve comportar-se no quadro da competência do Poder Legislativo”. não podendo “substituir-se à ação dos juízes e tribunais.com ou sem reprodução expressa . a função parlamentar de investigação está naturalmente sujeita às regras e limitações que atingem o próprio órgão legislativo. Além do Congresso Nacional. de absorção compulsória . sobretudo em face do que o ministro Pertence descreve como: ". 3) formular acusações e punir delitos. O autor Kildare Gonçalves cita a lição de Raul Machado Horta no sentido de que “dentro do sistema constitucional de governo.

ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 103 . Min. que é a fiscalização da administração pelo Legislativo reforçada pelos meios a ela inerentes. STF . No julgamento. Joaquim Barbosa “A quebra de sigilo bancário.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO sua função de fiscal da administração.) não tem resultado prático. STF .ACO 730/RJ. cujo artigo 38. imediata e integral). são normas de eficácia plena (aplicabilidade direta. um dos traços fundamentais da separação de poderes. ou. respeitados os parâmetros federal e estadual. Assim. Oscar Corrêa). Essas garantias.n. Cremos. rel.595/1964.AgRg na PET 1611 / RO. em nossa estrutura federativa. STF . portanto. rel... não autoriza eventual pretensão restritiva dos Estados-membros”(g. Joaquim Barbosa. STJ . mesmo que é de todo interesse sejam elas criadas pelo legislativo municipal”. 4º da Lei complementar 105/2001.06. Joaquim Barbosa “Não é de estranhar.ACO 730/RJ.1983. constitui ferramenta indispensável ao trabalho de fiscalização exercido pelos órgãos legislativos”. É que a possibilidade de as CPIs estaduais determinarem a quebra de sigilo permanece. rel. não sendo possível ignorar que a Constituição do Estado do Rio de Janeiro legitima a atuação da CPI em questão”. quando regularmente determinada por comissões parlamentares de inquérito. por aplicação direta da Constituição federal e das normas estaduais aplicáveis. além do Min. min. por não existir Poder Judiciário Municipal. pois não tem o condão de negar a aplicação natural da Constituição Federal sobre os poderes das CPIs. admitiram claramente a possibilidade de criação de CPI Municipal. o próprio Regimento Interno destas pode prever. parece-nos indubitável que as Câmaras Municipais podem criar Comissões de Inquérito sobre fato determinado e prazo certo. do qual destaco o seguinte trecho: ". hoje revogado. denominadas de imunidades. votaram os Ministros Sepúlveda Pertence e Marco Aurélio.. No sentido de impossibilidade de criação. Garantias legislativas A constituição estabelece determinadas garantias para o Poder Legislativo com a finalidade de assegurar sua independência. esta Corte tenha se manifestado pela legitimidade de criação de comissão parlamentar de inquérito por Câmara Municipal. 15/05/2002) “As CPIs estaduais não têm competência para investigar autoridades que estão submetidas a foro privilegiado federal”. Joaquim Barbosa “. rel. que..ACO 730/RJ. rel..acredito que a expressa exclusão das CPIs estaduais e municipais da redação original do projeto de lei complementar (. continha a mesma omissão do art. José Delgado (D. ainda sob a vigência da Constituição anterior e da Lei 4.. Min. as Constituições Estaduais autorizam às Assembléias Legislativas e a Lei Orgânica dos Municípios do Estado de São Paulo autoriza às Câmaras Municipais.). mais longe ainda. nos moldes que a Constituição Federal autoriza à Câmara e ao Senado. Min.J. ainda que sem tratamento legal específico. os Ministros Carlos Velloso e Cezar Peluso (apesar deste não admitir a quebra do sigilo bancário por ela). Cito o RE 96049 (1ª turma 30. Min.

55 . I) Imunidade material (ou absoluta.ADI 2461/RJ e ADI 3208/RJ. art. No tocante aos vereadores.944/DF. A imunidade material (freedom of speech) exclui qualquer responsabilidade (civil. por estar em sentido diametralmente oposto às disposições fixadas pela Constituição Federal. palavras e votos que guardem relação com o exercício do mandato parlamentar. penal. ainda que produzidos fora do recinto da respectiva casa legislativa. A imunidade material conferida pela CF/88 a deputados e senadores abrange as opiniões. Min. Nélson Hungria e Pontes de Miranda entendem ser uma causa excludente de crime. Min. como o § 1º do art. já Damásio de Jesus a qualifica como uma causa funcional de exclusão ou isenção da pena. 29. 03 do STF (“A imunidade concedida a deputados estaduais é restrita à justiça do estado”) foi considerada superada pelo próprio Tribunal em razão do disposto no art. Gilmar Mendes (12. rel. não deverá ser instaurado processo penal contra congressista. Para Zaffaroni e Pierangeli seria uma causa de atipicidade. perdurando até o término do mandato. pela inconstitucionalidade de dispositivo constante de Constituição estadual. Antes da CF/88 eles não tinham nenhuma imunidade. 27 . poderá ser beneficiado pela imunidade processual.2003). § 1o da Lei Maior. 27. nem gozam de foro privilegiado (CF. desde que relacionados à atividade parlamentar. o qual prescreve que a perda do mandato de deputado estadual seria decidida por “voto aberto”. Os deputados estaduais possuem as mesmas imunidades e inviolabilidades que os deputados federais. ou inviolabilidade).que determina a aplicação.5.e o § 2º do art. não se justificando mais restringir ao âmbito estadual. a imunidade material só abrange os crimes praticados no exercício do mandato e na circunscrição do município. 104 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . mesmo após o término de seu mandato. A súmula n. VIII). das regras da Constituição Federal sobre perda de mandato . Ellen Gracie (01. Se o parlamentar se afastar de suas funções para ocupar outros cargos perderá a garantia. art. * STF . Seu início ocorre com a diplomação. Caso retorne à sua função legislativa. sendo que eles não possuem imunidade processual. A Constituição estabelece que as regras relativas às inviolabilidades e às imunidades se aplicam aos deputados estaduais. administrativa ou política) dos congressistas por suas opiniões.que prescreve que a perda do mandato parlamentar será decidida por voto secreto nos casos que enuncia.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Por ser uma garantia institucional deferida ao Poder Legislativo. aos deputados estaduais.2005) O Tribunal decidiu. 1. De qualquer forma. por maioria. * A súmula 04 do STF (“não perde a imunidade parlamentar o congressista nomeado ministro de estado”) encontra-se superada. As imunidades podem ser materiais ou formais. Há uma certa divergência doutrinária acerca da natureza jurídica desta imunidade. 53). palavras e votos (CF. * STF . a imunidade é irrenunciável. rel.10.Inq.

53. Min. 35/2001. Findo o mandato termina a prerrogativa de foro. Após a ciência. b). a competência para o julgamento. nos feitos em que se aguardava a deliberação da licença prévia. 1. 102. * STF . não cobre as ofensas que. No caso de infrações penais comuns. 53. é do Supremo Tribunal Federal (CF. 35. impedindo a instauração ou o curso do processo. pelo conteúdo e o contexto em que perpetradas. possível apenas na hipótese de crime praticado após a diplomação. o STF deverá dar ciência aos membros da Casa à qual o parlamentar pertence. pelo da processabilidade. Ao receber a denúncia. a qual . 2. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 105 . a partir da expedição do diploma. § 4o). instituto de Direito Penal -.Inq. § 2º).344/DF. Sepúlveda Pertence “Malgrado a inviolabilidade alcance hoje "quaisquer opiniões. Ao contrário da inviolabilidade ou imunidade material que elide a criminalidade do fato ou. 1. Imunidade parlamentar formal: EC 35/01: abolição da exigência de licença prévia para a instauração ou continuidade da persecução penal: aplicabilidade imediata. pelo menos.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO * STF . contados do recebimento do pedido pela Mesa Diretora (art. 53. 1. suspende a prescrição enquanto durar o mandato do parlamentar (art. salvo em flagrante de crime inafiançável (CF. A suspensão só é cabível até o julgamento pelo STF. os Deputados e Senadores poderão ser processados penalmente independente de qualquer deliberação prévia da Câmara ou do Senado. Sepúlveda Pertence EMENTA: I. § 1o c/c art. Do que resulta induvidoso independentemente de qualquer indagação sobre a eficácia temporal de emenda à Constituição . 53. palavras e votos" do congressista. sejam de todo alheias à condição de Deputado ou Senador do agente”. § 3o). ela é apenas para as prisões provisórias e cautelares. rel. A imunidade não abrange prisão definitiva. Com a nova regra. O pedido de sustação deverá ser apreciado no prazo improrrogável de 45 dias. ademais. não poderão ser presos. previsto originariamente. A sustação do processo. a "licença prévia" antes exigida caracterizava mera condição de procedibilidade. II) Imunidade formal (ou processual) A imunidade formal (freedom from arrest) não exclui o crime. Os prazos prescricionais suspensos no regime de imunidade anterior (princípio da improcessabilidade). em 11 de setembro de 2001. rel. voltaram a fluir a partir da publicação da EC n. art.até que deferida ou enquanto durasse a investidura parlamentar do acusado configurava empecilho temporário ao exercício da jurisdição.os congressistas. § 5o). que substituiu o princípio da improcessabilidade.344/DF. substantiva. no período compreendido entre a diplomação e o término do mandato. a tramitação do processo poderá ser sustada pelo voto da maioria relativa de seus membros (art. Min. caso haja iniciativa de partido político nela representado.a aplicabilidade imediata aos casos pendentes da norma constitucional que fez desnecessária a licença prévia da Câmara.Inq. I. Esta espécie de imunidade foi mitigada pela EC n. 53. por isso. art. a responsabilidade do agente . ainda quando proferidas fora do exercício formal do mandato.e. mas pode proteger o parlamentar no tocante ao processo penal ou à prisão .

com redação dada pela Lei 10. Verificada a incompatibilidade.. o Deputado ou Senador sofrerá uma sanção constitucional: a perda do mandato (art.não alcança aquelas pessoas que não mais exercem mandato ou cargo. b. exerça simultaneamente um cargo. com a possibilidade de o inelegível passar a elegível mediante a desincompatibilização.já endossado pelo Tribunal . o Presidente da República.da incidência da garantia constitucional de ultraatividade da lei penal mais favorável à alteração superveniente de normas que.Inq 687-SP (QO) e Inq 881-MT (QO). 102. prevalece ainda que o inquérito ou a ação judicial sejam iniciados após a cessação do exercício da função pública.") por entender que o art. Este dispositivo prevê ainda outros casos de cassação (incisos II e VI)30 e de extinção (incisos III. rel. não é de aplicar-se à abolição da licença prévia o entendimento . Em seguida. a decisão tem efeito ex nunc.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Incompatibilidades e perda de mandato As incompatibilidades previstas na Constituição possuem os mesmos propósitos das garantias legislativas: preservar a autonomia do Poder Legislativo. cancelou a Súmula 394 ("Cometido o crime durante o exercício funcional. sendo considerado inelegível aquele que não dispõe de capacidade eleitoral passiva. 55. * STF . da CF que estabelece a competência do STF para processar e julgar originariamente. o Vice-Presidente. A inelegibilidade é considerada absoluta quando o impedimento eleitoral se refere a qualquer cargo eletivo e não há possibilidade de o impedido se desvencilhar da situação a tempo de concorrer ao cargo. ainda que o inquérito ou a ação penal sejam iniciados após a cessação daquele exercício. 84 do CPP. decidiu que continuam válidos todos os atos praticados e decisões proferidas com base na Súmula 394 do STF. Cuidando a hipótese de instituto de alcance puramente processual. tenham reflexos mediatos ou imediatos sobre o fato delituoso anterior à sua vigência.súmula 245: “a imunidade parlamentar não se estende ao co-réu sem essa prerrogativa”. por unanimidade. é dizer. faz-se necessário diferençar incompatibilidade de inelegibilidade. nas infrações penais comuns. I). 54 da Lei Maior. relativa. o Tribunal. Sydney Sanches O STF. (Informativo 159) * O § 1º do art. * STF . por unanimidade. relativa a atos administrativos do agente. função ou emprego público remunerado ou pratique determinados atos vedados pelo art. após ter sido eleito. caso o impedimento se refira apenas a alguns cargos eletivos. I. De início.628/2002 (“Art. IV e V)31 do mandato parlamentar. Esta se verifica antes da eleição. A incompatibilidade impede que o parlamentar.. seus próprios Ministros e o Procurador-Geral da República . os membros do Congresso Nacional. Min. § 1o A competência especial por prerrogativa de função. embora de caráter processual.”) foi declarado inconstitucional pelo STF na ADI 2797. 106 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . 84. prevalece a competência especial por prerrogativa de função..

mediante provocação da respectiva Mesa ou de partido político representado no Congresso Nacional. Autoridade Presidente Crime comum STF (autorização da CD) Crime de responsabilidade Senado (autorização da CD) Lei 1079/50: se não houver previsão na CE estadual será por um tribunal formado por 5 membros da AL + 5 do TJ e presidido pelo presidente do TJ (autorização da AL) Câmara de vereadores (Art. 6/94 introduziu um novo parágrafo (§ 4o) ao art. 55. 451). terá seus efeitos suspensos até as correspondentes deliberações finais. assegurada ampla defesa”. por voto secreto e maioria absoluta. na verdade são comuns) STF STF TJ Deputado Senador Deputado Estadual Vereador CD SF AL Juiz * Segundo o STF crimes comuns abrange crimes eleitorais e penais. 4º do DL 201/67) Governador STJ (autorização da AL) Prefeito TJ (inclusive crimes dolosos contra a vida) ou TRF (se o crime for contra a União) ou TRE (crime eleitoral) ou TM (crime militar) sem autorização DL 201/67 (crimes de responsabilidade impróprios. art. 55. Nele ficou consignado que a renúncia de congressista submetido a processo que vise ou possa levar à perda do mandato. a perda do mandato será decidida pela Câmara dos Deputados ou pelo Senado Federal. “Nos casos dos incisos I. política e moral do procedimento. § 2o. * CF. ou a intenção de desprestigiar o Poder Legislativo (Direito constitucional didático.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO * Kildare observa que a suspensão do processo-crime deve ser precedida do exame da conveniência pública. ainda. a existência ou não do propósito de perseguir o congressista.) A Emenda Constitucional de Revisão n. devendo ser examinada. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 107 . p.n. II e VI. (g.

mas não será invalidade por ser superior. Outros. Cada uma delas tem o seu campo de atuação. como Geraldo Ataliba. CF. É aquele que tem como fundamento imediato de validade é a constituição. A CF ela atos. Pirâmide: 1. A EC já aprovada é incorporada à CF no mesmo nível das demais normas. 2. Excepcionalmente. Uma LC pode tratar de matéria de LO sem ser invalidada (o quorum foi atendido). ou seja. princípio ou regras da CF. fundamento direto de validade são os atos fundamento indireto é a constituição. São os decretos e Não há hierarquia entre normas. Há hierarquia entre lei complementar e lei ordinária? Alguns entendem que há. existem normas superiores e outras inferiores. ou seja. 146. mas a constituição. Manuel Gonçalves Ferreira Filho e Alexandre de Morais. Só que essa lei será apenas formalmente complementar. Cabe à lei complementar estabelecer regras gerais de direito 108 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . mas de alguns ela é o direto e em outros regulamentos. Ademais. quando ela determina a forma de elaboração ou o conteúdo.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO PROCESSO LEGISLATIVO: Critério de hierarquia utilizado é o criado por Kelsen. a LC tem matéria reservada. como Michel Temer e Celso Bastos dizem não haver hierarquia. Segundo ele a PEC é ato infraconstitucional. posteriormente poderá ser revogada por uma lei ordinária (lei ordinária pode revogar lei complementar neste caso – cuidado!). o que tem que observar a CF é a proposta. Isso porque o fundamento de validade de uma lei ordinária não é a lei complementar. 59. Uma é superior quando ela for o fundamento de validade da norma inferior. É aquele que tem como normativos primários. A emenda se enquadra no topo da pirâmide. CF. mas em razão do princípio da economia legislativa. enquanto a LO é residual. CF/88. ou seja. emenda e tratado internacional de direitos humanos aprovados por 3/5 em dois turnos. Quorum de aprovação para a LO é o de maioria relativa (+ de 50% dos presentes) e para a LC é também o de maioria absoluta. Este é o entendimento do STF. 47) Quorum de votação para LC e LO é o de maioria absoluta (+ de 50% dos membros). Mas não seria um ato normativo primário segundo a regra? Michel Temer diz que é preciso diferenciar a EC da PEC. Atos normativos secundários. Segundo ele as normas do ordenamento não estão todas sobre o mesmo nível. Pontes de Miranda. Atos normativos primários. Mas o STJ tem várias decisões no sentido de que há hierarquia (sempre as jurisprudências se referem ao direito tributário). Uma não é fundamento de validade da outra. III. mas materialmente ela será ordinária. E o é o fundamento de todos os o indireto. no direito tributário existira hierarquia entre LC e LO com fundamento no Art. São os atos do Art. pelo quorum diferenciado (Art. 3. Argumentam pela posição topográfica. juntamente com a CF.

logo. 11. No âmbito estadual e municipal pirâmide é a seguinte: 1. Leis estaduais e municipais. estadual e municipal) é a CF. O Art. LOM estaria subordinada materialmente à CE. ou seja. A repartição de competências. determinam o conteúdo das leis ordinárias. Este é um critério isolado. logo. 2. LOM. CE. Existe ainda uma repartição vertical de competências: Art. autonomia dos entes da federação. Cada ente tem suas atribuições. uma lei ordinária em nenhum caso pode tratar de assunto de lei complementar. estados e municípios terão lei ordinária e lei complementar. o conteúdo dela estaria subordinado ao conteúdo da CE (Art. A questão é saber qual delas violou a CF. Com a EC 45 a competência passou ao STF. o conteúdo das leis estaduais está subordinado ao conteúdo da norma geral da União. Assim. Uma tem um conteúdo geral e a outra mais específico. lei delegada. Decretos municipais. parágrafo único. 2. Nos municípios também há uma hierarquia (pirâmide): 1. Leis municipais complementares e ordinárias. o que não exclui a competência suplementar dos estados. LOM x CE: as duas teriam a mesma hierarquia em razão do princípio federativo. Havendo conflito entre essas leis ele será resolvido não com base no princípio da hierarquia. ADCT). via de regra. 24. A União se limita a legislar normas gerais. é horizontal. 29 da CF diz que a LOM tem que obedecer não só os princípios da CF. CF  competência legislativa concorrente entre União. Se a União vai estabelecer as normas gerais. O processo legislativo é norma de repetição obrigatória. estados e DF. Antes da EC 45 o órgão competente julgar o conflito de LF e LE era do STJ. Quando uma matéria é reservada a lei complementar ela não pode ser tratada por nenhum outro ato normativo. 3. 3. É um verdadeiro condomínio de competências legislativas. Igualmente a medida provisória. 109 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . mas também os princípios da CE. tratados internacionais comuns. Decretos estaduais e municipais. O fundamento de validade de todas as leis (federal.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO tributário. mas com base na CF. logo. daí a suposta hierarquia (o STF não entende assim).

Os parlamentares têm o direito público subjetivo à observância do processo legislativo. quando há a dissolução do parlamento e a convocação de novas eleições. com vigência temporária. 2. era uma figura dentro do nosso presidencialismo). O Executivo não vinha encontrando resistência. 3. Foi uma maneira de dizer que o STF analisaria quando bem entendesse. não é inconstitucional. 30. Daí poderem impetrar MS (controle preventivo de constitucionalidade) em face da inobservância do processo legislativo (e não em face do conteúdo da norma). Art. A lei 9868/99. porém. Pirâmide do DF: competência híbrida. que. Requisitos da MP: relevância e urgência. 1. que é até pior. Decretos distritais. LODF. dentro das competências estaduais feito pelo TJDF. Esse artigo não modificou a natureza de LO para CE. No Brasil as MPs correspondem aos antigos decretos-leis (não eram os decretos-leis parlamentaristas. têm origem nos sistemas parlamentares. 62). São duas hipóteses de o Executivo legislar. No início o STF não analisava esse aspecto. É o exercício de uma atividade atípica do Executivo. Os decretos-leis eram bastante criticados e substituídos pelas MPs. § 5º. Isso é incompatível com os requisitos de relevância e urgência. Elas têm origem nos decretos-leis. Leis distritais ordinárias e complementares. por isso as sucessivas edições e reedições de MPs. por sua vez. Com o aumento da edição de MPs o STF passou a entender que quando presentes objetivamente os requisitos ele analisaria a constitucionalidade da MP (o problema que analisar relevância e urgência é eminentemente subjetivo). MEDIDAS PROVISÓRIAS – Robério São atos normativos editados pelo chefe do Executivo em situações de relevância e urgência. fica-se provisoriamente sem o órgão legislativo. aplicando-se as regras de controle de constitucionalidade. Em alguns parlamentarismos o primeiro-ministro pode editar ato normativo ad referendum do parlamento. equipara a LODF à CE. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 110 .DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Se uma lei municipal viola a LOM haverá uma ilegalidade e não inconstitucionalidade. Em muitos parlamentarismos. e nesse período há a autorização para o chefe do Executivo legislar provisoriamente em casos de relevância e urgência. já que a redação da CF e EC 32 permitiu um abuso de MP (Art. Não existe um tribunal municipal para exercer um controle concentrado.

mas foram totalmente desvirtuadas da sua natureza. Matérias vedadas à edição de MP: * Nacionalidade. a vedação tem o intuito de evitar a surpresa. 62. * Organização do judiciário do MP. ela só fica suspensa. cidadania.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Diante de tantos problemas houve uma emenda (EC 32/2001) alterando o regime das MPs (e provavelmente haverá nova alteração). impeachment. cassação de mandatos. há um descompasso completo que resultou em abuso. não passa a valer automaticamente. intervenção. gerando a insegurança jurídica. O momento da edição da MP não revoga a lei anterior. processo penal e processo civil. * Planos plurianuais. * Deflagração do processo legislativo de conversão em lei. Só produzirá efeitos após a promulgação da lei de conversão (Art. lei de diretrizes orçamentárias. Sistema constitucional de solução de crises: a CF é o instrumento para resolver situações do dia a dia e também em situações de crise: estado de sítio. O texto publicado é lei provisória. passando a rejeição a produzir efeitos a partir de então. partidos políticos e direito eleitoral. direitos políticos. Só haverá processo legislativo na lei de conversão. Parte da doutrina inclui a MP nesses instrumentos excepcionais para solucionar crises. carreira e garantia dos seus membros. mas deve ser encarado como uma anistia (não é porque a anistia deve passar pelo Congresso). MP que traga abolitio criminis produz efeitos imediatos com alteração provisória  extinção da punibilidade  Congresso rejeita a MP  o fato volta a ser típico  é possível voltar a punir aqueles que tiveram provisoriamente a extinção da punibilidade? O STF não tem posição. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 111 . de defesa. § 12). O texto da MP publicado é o projeto de lei de conversão. * Direito penal. A edição de uma MP gera dois efeitos: * Altera provisoriamente o direito positivo de imediato (tem força de lei). Em relação ao direito penal. É possível que o texto original da MP seja modificado pelos parlamentares durante o processo de conversão. A jurisprudência do STF e a doutrina aceitam excepcionalmente a edição de MP em matéria penal que venha a beneficiar o réu. Essa MP produziria efeitos diferentes. mas essa modificação não altera o texto da lei provisória. orçamento e créditos adicionas e suplementares. Na verdade não há um processo legislativo de MP propriamente dito porque se trata de um processo monocrático de produção e que terá efeitos de imediato.

§ 1º. o prazo poderá ser maior que 120 dias. obedece as regras comuns (Art. não produz efeitos imediatos (no fundo é um processo legislativo diferenciado. Alguns autores dizem que matéria que é proibida a delegação também é proibida a MP. Lei delegada é uma lei na qual o chefe do executivo pede ao do legislativo autorização para legislar. III – princípios da anterioridade e noventena). A conseqüência é que a MP de impostos fiscais é que a sua edição não produz o primeiro efeito de alterar provisoriamente o direito positivo (à exceção da MP de impostos extra fiscais – II. De intervenção no domínio econômico. Só é tratado por lei complementar aquilo que a CF diz expressamente. mas não é de repetição obrigatória. dependerá de ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 112 . A data da edição da MP para os impostos fiscais é contada da data da conversão. 68 que não consta do Art. logo. É permitida a edição de MP em matéria tributária (Art. IE. * Matéria já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo Congresso e pendente de sanção ou veto do presidente. 62. IPI. especial em matéria de imposto fiscal). 246 (o que foi objeto de emenda entre 1995 e 11/09/2001 não pode ser regulamentado por MP) e 25. IOF e imposto extraordinário). * Matéria reservada a lei complementar. A delegação é feita por resolução do Congresso Nacional. Só produz efeitos no exercício financeiro seguinte se tiver sido convertida em lei até o último dia do ano em que foi editada. privativa da Câmara ou Senado. Essa MP que majora ou institui tributos só produz um efeito. de poupança popular ou qualquer outro ativo financeiro. IPI. 150.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO * Que vise a detenção ou seqüestro de bens. matéria de competência exclusiva do congresso. § 1º: direitos individuais. só no ano seguinte ao da conversão produzirá efeitos. Há uma parte no § 1º do Art. 62. Exceto os impostos extra fiscais que não obedecem ao princípio da anterioridade (II. mas o prazo não corre durante o período de recesso quando ela poderá se elastecer no ordenamento. o de deflagrar o processo legislativo da lei de conversão. 68. IOF. No máximo 120 dias. § 2º). No caso dos impostos parafiscais (Sociais. nem mesmo com a concordância do Legislativo: Art. Há ainda outras vedações nos Arts. Corporativas – mensalidade OAB) a edição da MP é normal. IEG). pois se silenciar a matéria será de lei ordinária. Esse dispositivo comprova a existência de um rol de matérias destinadas à edição por lei complementar. Não há posição jurisprudencial sobre a questão. É possível MP estadual se a constituição do estado prever. § 2º (serviço de gás canalizado não pode ser regulamentado por MP). Há determinadas matérias que não podem ser legisladas monocraticamente pelo chefe do Executivo. A MP editada vale por 60 dias e pode ser prorrogada única vez por igual período (+ 60 dias) e não reeditada. IE.

alterar. Só após analisa o mérito. O prazo de 120 dias é contado da data da publicação da MP. a lei que estava suspensa volta para o ordenamento (espécie de repristinação). que é quando começa a produzir o primeiro efeito. Caso o Congresso não edite o decreto legislativo no prazo de 60 dias as relações jurídicas serão conservadas (do período que vigorou a MP). isto. O Congresso no decreto irá deliberar se para as relações jurídicas que se formaram enquanto estava em vigor uma MP (rejeitada ou expirado o prazo) e uma lei suspensa. O STF pode dizer que mesmo sendo inconstitucional. Sendo nulo não é possível aplicar a MP. rejeitar etc). Antes de ser apreciada a comissão mista de deputados e senadores (para evitar duas comissões. há o exame em separado na Câmara e no Senado. Durante o prazo de validade da MP o que seria aplicado então? O Congresso nacional precisa editar decreto legislativo para regular as relações jurídicas 60 dias após escoado o prazo de validade ou rejeitada a MP. Passados os 120 dias e o Congresso não converte. Consolida a MP pela ausência do decreto legislativo. o § 11 poderia ser aplicado. por razões de segurança jurídica a MP poderá ser mantida. Antes da EC 32 o exame da MP era feito em sessão conjunta. e se for inconstitucional? O Congresso rejeitada por se inconstitucional e após não edita o decreto legislativo: analisar a natureza jurídica do ato inconstitucional: se o ano é nulo ou anulável (2 correntes). uma na Câmara e outra no Senado) examina (pode emendar. Só é possível reeditar no ano seguinte. Quando o Congresso em cada uma de suas casas analisa a MP.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO quando tiver sido editada. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 113 . Não é a mesma reedição que existia antes da EC 32. se consolida. É uma possibilidade de uma lei inconstitucional valer. Consolidada a MP. 45 dias após a publicação e não apreciada entrará em regime de urgência – tranca a pauta de cada uma das casas subsequentemente. Pode decidir por prevalecer a MP ou a lei que estava suspensa. primeiramente deverá proceder ao controle de constitucionalidade (repressivo em relação à alteração feita e preventivo em relação à lei de conversão – duplo efeito) político. Sendo anulável. Vedada a reedição da mesma MP na mesma sessão legislativa que fora rejeitada ou perdido a eficácia como decurso do prazo sem apreciação. mas que não pode ocorrer com base no silêncio do STF. para fins de segurança jurídica. emitindo parecer antes de serem apreciadas em sessão separada em cada uma das casas. Inicia a votação na Câmara. após a emenda. reconhecer efeitos ao ato.

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A omissão não pode levar ao reconhecimento dos efeitos jurídicos de um ato inconstitucional, assim, o silêncio do Congresso não poderia implicar validade da MP inconstitucional (opinião de Robério). Mesmo no prazo de 60 dias para a edição do decreto legislativo o Congresso poderá fazer valer a MP inconstitucional. Se o STF pode com base no Art. 27 da lei 9868 (relativizou a nulidade), porque o Congresso não poderia? Mas se este decreto legislativo vier, pode ser objeto de ADI??? Tecnicamente é um ato normativo, em tese poderia. Porém há um caráter subjetivo de conveniência e oportunidade por parte do Congresso. Todas essas questões não têm respostas, pois nunca ocorreram. O projeto de lei de conversão com alterações só produzirá efeitos após sanção ou veto (só havendo alteração do texto). Até lá continua em vigor a MP em seu texto original. A alteração do texto pode contar matéria vedada a MP durante o processo legislativo da lei de conversão? Pode, essa alteração não é aplicada de imediato, não causa surpresa, mas nem toda a matéria pode ser objeto de emenda parlamentar (não gera insegurança jurídica). Ex: matéria de lei complementar, pois MP tem status de lei ordinária; matéria privativa da Câmara e do Senado; exclusiva do Congresso (decreto legislativo, resolução) etc. Se o texto original for aprovado pelo Congresso não há necessidade de sanção ou veto do presidente. MP pode ser objeto de ADI. ADC em face de MP, em princípio pode, mas tem que haver o requisito da efetiva controvérsia judicial (pode não dar tempo – 120 dias). O simples ajuizamento da ADI não interfere na tramitação da MP no congresso. A liminar da ADI suspende o processo legislativo de conversão da MP e o primeiro efeito também. Sendo confirmada tudo se extingue. Se rejeitada a ADI volta a correr a tramitação. Se a MP for aprovada (passando a ser lei) no congresso enquanto corre a ADI é preciso emendar a inicial da ADI para incluir a lei de conversão. Os vícios da MP originária comunicam-se à lei de conversão. Sendo a MP rejeitada ou decorrido o prazo de conversão estando em curso ADI, implica perda do objeto da ADI. O STF está mudando esse posicionamento para fazer prevalecer a ADI para regular as conseqüências jurídicas do período em que vigorou a MP. A EC 32/01 conferiu validade às MPs que estavam em vigor, dispensando apreciação do Congresso. PROCESSO LEGISLATIVO – Robério Emendas: poder constituído (derivado).
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Existe hierarquia entre lei ordinária e lei complementar? Há hierarquia quando uma norma nasce da outra. A lei ordinária existe por força da CF e não de lei complementar, que também tem como fonte de existência a CF. No choque entre lei complementar e lei ordinária, parte da doutrina diz prevalecer a lei complementar por ter quorum de maioria absoluta, enquanto lei ordinária tem maioria simples. Há campo constitucional para lei complementar e para lei ordinária, determinada matéria será regulada especificamente por lei complementar. Se houver choque, significa que uma delas invadiu o campo da outra, porque as competências são delimitadas. Lei ordinária que tratou de matéria de lei complementar é inconstitucional porque deveria ser maioria absoluta e foi votada por maioria simples. Lei complementar que tratou de matéria de lei ordinária permanece no ordenamento, mas com natureza de lei ordinária, não é declarada inconstitucional (exige simples e foi por maioria absoluta), o que significa que lei ordinária posterior poderá modificar a lei complementar de natureza de lei ordinária (jurisprudência). Art. 59, parágrafo único: LC 95/98. Revogação poderá ser expressa ou implícita, mas sempre que possível o poder legislativo deve conter os artigos que serão revogados, em nome da segurança jurídica. Fases do processo legislativo: *Iniciativa: privativa, comum, concorrente ou popular. Não existe mais a iniciativa conjunta (projeto de lei de fixação dos subsídios dos ministros do STF – iniciativa era conjunta dos presidentes da Câmara, Senado, do STF e da República). Art. 61: algumas autoridades só têm iniciativa privativa (aqueles que precisam de pertinência temática). Outras têm iniciativa geral, salvo o que for de iniciativa privativa de outras. *Apreciação/Discussão: emendas parlamentares. *Votação: se aprovado há a remessa à outra casa. Se rejeitado é arquivado. A regra é que toda a tramitação legislativa se inicia na Câmara, à exceção dos projetos de iniciativa do Senado. *Revisão pela outra casa *Sanção ou veto por parte do presidente da república. Vetado volta ao Congresso. Sancionado, há a promulgação e publicação. *Promulgação *Publicação A organização do MP da União não é de iniciativa privativa do presidente, ela é concorrente entre o presidente o chefe do MPU (PGR), no mesmo sentido no âmbito estadual (Art. 128, § 5º e Art. 61, § 1º, d). 115

Cuidado!

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Iniciativa popular: 1% do eleitorado nacional distribuído em pelo menos 5 estados (0,3% em cada um deles). Prova objetiva não há iniciativa popular para emenda, mas doutrina minoritária entende ser cabível com os mesmos requisitos para a PEC. Lei 8072 (Glória Peres) não foi PL de iniciativa popular, não preencheram os requisitos, mesmo com 1 milhão de assinaturas (tem que ser revisto!). Somente um PL de financiamento habitacional popular foi recebido como iniciativa popular em 1989 e até hoje não foi votado. A CCJ suscitou se a iniciativa popular poderia versar sobre matéria de lei complementar? Pode versar sobre matéria de iniciativa privativa do presidente, STF ou outra autoridade? A CCJ da câmara decidiu em ambos os casos em parecer que a iniciativa popular pode versar sobre essas matérias, não há decisão nesse sentido em lugar algum. Nenhuma foi a juízo. A maioria da doutrina diz que não pode. E de emenda constitucional? A maioria da doutrina diz que não pode, mas uma minoria defende que sim. O projeto corre normalmente, não há nenhuma prerrogativa de minimização de exigências ou de urgência. Nos projetos de iniciativa privativa é possível emenda parlamentar? Sim, é possível desde que a emenda não implique em aumento da despesa. Em regra tudo começa na Câmara dos Deputados, só começa no Senado o que for projeto de senador ou de órgão ou comissão do Senado. A urgência pode ser constitucional (presidencial e MP) ou regimental. Urgência presidencial: presidente por iniciativa privativa ou não pode pedir urgência. Se a câmara ou Senado não se manifestarem em até 45 dias haverá trancamento da pauta (segundo caso de trancamento de pauta, o primeiro visto foi o de MP) (Art. 64, § 2º e 62, § 6º) na respectiva casa, salvo os casos em que se tenha prazo constitucional determinado. 10 dias para a Câmara apreciar as emendas do Senado. O prazo de 45 dias (urgência) não corre em recesso e em projetos de código. Projeto na Câmara: *Aprovado  Senado *Rejeitado  arquivo *Prejudicado  arquivo Projeto no Senado: *Aprovação  sanção ou veto do presidente *Alteração do projeto por emenda volta à Câmara. Se ela rejeita a alteração feita pelo senado vai direto à sanção presidencial. Isso significa que o projeto não foi aprovado em ambas as casas (é possível). *Rejeição do projeto arquivo. Há a apreciação do projeto. *Prejudicado  arquivo. O projeto não chega a ser examinado, há outro fato que prejudica o seu andamento. 116 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE

mas a MP tranca a urgência presidencial. tem que ser de artigo. Hipótese de veto tácito (implícito): ventilado primeiramente por Teotônio Negrão quanto à vedação da aplicação do CDC e aplicação lei de ACP a determinada matéria. por exemplo) qual é votada primeiro? A urgência presidencial tranca tudo com exceção do que tiver prazo constitucional  MP tem prazo constitucional. A terceira hipótese do veto só tranca a mesa do Congresso (a votação é conjunta). parágrafo. 9º: os tribunais entenderam que foi caso de veto implícito. A rejeição do veto só poderá ocorrer por maioria absoluta. se não o faz em 48h  vice-presidente do Senado. Decorrido o prazo de 15 dias úteis o silêncio do presidente importará sanção (sanção tácita).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO É possível uma lei não ter sido aprovada pelo plenário da Câmara ou do Senado quando é a aprovação puder se dar tão somente por comissões. Motivos são encaminhados ao presidente do Senado em 48h e o veto será examinado em sessão conjunta em 30 dias e em votação secreta (quem preside é o presidente do Senado. PEC não pode ser reapresentada em hipótese alguma. Art. que é o presidente do congresso).684 (programa de parcelamento de débitos tributários). 64. Não apreciado o veto em 30 dias em sessão conjunta no Congresso  tranca a pauta (3ª hipótese de trancamento de pauta). ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 117 . A urgência não tranca a MP. logo. mas o STF não admitiu. Caso uma MP (votação em separado) e uma urgência presidencial (votação em separado) que estão trancando a pauta estiverem na mesma casa (Senado. Promulgação: presidente não o faz em 48h  presidente do Senado. logo. Lei 10. 5º. § 2º e Art. deverá ser sempre expresso. Sendo derrubado. Onde conclui a votação envia ao presidente para sanção ou veto no prazo de 15 dias úteis. é votada em 1º lugar (Art. O veto deve ser sempre motivado. § 2º). O veto parcial não pode ser de palavra ou expressão. O veto poderá ser total ou parcial por inconstitucionalidade (controle preventivo político) ou contrário ao interesse público. Projeto de lei rejeitado pode ser apresentado na mesma sessão legislativa se houver quorum de maioria absoluta em qualquer das casas do Congresso. inciso ou alínea (texto integral). Se nenhum deles promulga há o impedimento do exercício do poder legislativo  crime de responsabilidade de todos. o projeto vai ao presidente para promulgação.

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