DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO

DIREITO CONSTITUCIONAL MARCELO NOVELINO
DIREITOS FUNDAMENTAIS: Constituição: é o conjunto de elementos que formam e organizam o Estado  sentido material: sempre existiu, desde que existe a idéia de Estado. Há estado sem constituição? Não, no sentido material. Constituição em sentido formal, escrita é uma idéia que aparece depois, o documento escrito é algo que data do século XVIII, está ligado diretamente aos direitos fundamentais. Movimento constitucionalista: adoção de constituição escrita; é um movimento que é indissociável do desenvolvimento da teoria dos direitos fundamentais, os marcos são comuns. Ambos derivam de uma necessidade, a de limitar o poder, sair do absolutismo estatal. Direitos fundamentais e direitos humanos têm conteúdos diferentes. No plano internacional a referência aos direitos fundamentais é feita como direitos humanos. No plano interno (direito positivo de um determinado estado), ou seja, no ordenamento jurídico nacional, a denominação mais adequada é de direitos fundamentais (CF/88). Os direitos fundamentais são os direitos humanos positivados no plano interno. José Afonso da Silva denomina direitos fundamentais do homem, cuja conceituação é a seguinte: são as prerrogativas e instituições que o direito positivo concretiza em garantias de uma convivência digna, livre e igual de todas as pessoas (universalidade). Não adianta apenas o ordenamento positivar os direitos, é necessário que eles sejam concretizados, torna-los prerrogativas reais do nosso dia-a-dia. São direitos, logo, exigíveis, formando uma relação jurídica obrigacional (credor – objeto – devedor). O credor é o homem, os direitos fundamentais são do homem, ser humano, e não dos animais ou da natureza. O direito ambiental ainda é um direito em que o homem está no centro, nos é que temos direito a um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Declaração dos direitos do homem e do cidadão de 1789, França: durante a discussão dessa declaração chegou-se a debater se essa declaração abrangeria as mulheres, houve inclusive uma minuta de declaração de direitos das mulheres. São direitos, não liberalidade, obrigam, só há direito quando há coercibilidade, forma de torná-lo exigível. Não são quaisquer direitos, mas os fundamentais. Sob o ponto de vista formal, direito fundamental pode ser tudo aquilo que está formalmente colocado como fundamental, tudo o que está no título II da CF. Sob o ponto de vista material, direito fundamental é aquele que possui conteúdo essencial, direito indispensável à dignidade da pessoa humana. A fundamentalidade de um direito está ligada à necessidade da vida digna do ser humano, não basta viver, o que dá o conteúdo de fundamental é a dignidade da pessoa humana. Nem tudo o que está no título II ou no Art. 5º formalmente colocado como fundamental é também materialmente fundamental. Há dispositivos no Art. 5º 1 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE

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que podem ser suprimidos sem que com isso se afete a dignidade da pessoa humana (XXI, XXIX), enquanto outros são ao mesmo tempo formal e materialmente fundamentais. Parte da doutrina considera que a cláusula pétrea do Art. 60, § 4º, IV, deve ser entendida que os direitos materialmente fundamentais são cláusulas pétreas, os formalmente não são, porque podem ser suprimidos sem afetar a vida digna. Dentre os defensores dessa corrente, está o ministro Carlos Veloso. § 2º, Art. 5º: pode-se ter direitos fundamentais, sob o ponto de vista material, em qualquer lugar da CF e não apenas no título II. O STF já reconheceu a existência de direitos fundamentais fora do Art. 5º. Pode-se ter ainda direitos fundamentais implícitos, não formalizados expressamente na CF (ex: direito à alimentação, implícito ao próprio direito à vida), no ordenamento jurídico infraconstitucional e nos tratados. Os direitos fundamentais hoje são características do Estado democrático de direito. O reconhecimento desses direitos foi fruto de um processo histórico que tem as mesmas características da adoção da constituição escrita, o movimento constitucionalista se identifica com o movimento de reconhecimento de direitos fundamentais. Os documentos mais importantes são: Magna Carta de 1215 (Magna Charta Libertatum): foi um acordo firmado entre João sem terra e os barões do reino (senhores feudais) a respeito da tributação. Foi escrita em latim arcaico. Foi anulada por um papa (Inocêncio III) antes de vencida a sua duração, que seria de 3 meses. João Sem Terra alegou que foi coagido e pleiteou sua anulação ao papa. É o primeiro documento escrito de reconhecimento de limitação do poder do monarca. A autoridade maior, o rei reconhecendo limites a seus poderes, algo muito difícil na época. Não foi escrita sob a forma de artigos ou tópicos, a doutrina é que deu certa organização. Era dirigida apenas aos homens livres do reino. Esse documento ainda influencia a nossa vida hoje, porque muitos dispositivos dela estão reproduzidos na CF. Ex: há os princípios da legalidade tributária, da vedação do confisco, razoabilidade tributária, ampla publicidade; limites; razoabilidade da sanção penal, individualização da pena, impenhorabilidade, julgamento pelos pares; HC gratuito, devido processo legal, acesso ao judiciário, celeridade, não à corrupção, globalização econômica, sem barreiras alfandegárias, princípio da reciprocidade. Petition of rights de 1628: reafirma direitos já mencionado na magna carta. Hábeas corpus amendment act de 1679: texto voltado para a liberdade de locomoção. Bill of rights de 1689: primeiro documento de origem parlamentar a disciplinar direitos fundamentais. A revolução gloriosa faz reascender o poder do parlamento. 2

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Declaração de direitos do bom povo da Virgínia de 1776: influência a constituição dos EUA, especialmente as 10 primeiras emendas da constituição norte-americana. Declaração dos direitos do homem e do cidadão francesa de 1789: é francesa, mas é dirigida a toda a sociedade, tem caráter universal e foi o primeiro documento com este caráter (universalidade). Declaração universal dos direitos do homem de 1948: adotada pela ONU no pós-guerra. Natureza jurídica: é uma recomendação da ONU, não é um tratado coercitivo, mas são direitos reconhecidos internacionalmente. É o primeiro documento internacional a disciplinar o catálogo de direitos humanos. Nenhum desses textos tem a natureza jurídica de constituição, a primeira constituição a trazer o catálogo dos direitos fundamentais não é unânime na doutrina: 1. A constituição da Bélgica de 1831; 2. A constituição brasileira de 1824; e 3. A constituição dos Estados Unidos, não a de 1787, mas no Bill of Rights (10 primeiras emendas de 1791 e não o bill of rights da Inglaterra) Características dos direitos fundamentais: 1. Historicidade: os direitos fundamentais são históricos, ou seja, como quaisquer direitos eles nascem, modificam-se, desaparecem, acompanhando a história. O conteúdo varia com a história. Eles não são imutáveis, herméticos. O que é necessário à vida humana digna se modifica com o passar da história. 2. Inalienabilidade: não têm conteúdo econômico patrimonial, não podem ser objeto de negócio jurídico. 3. Imprescritibilidade: não se perde o direito fundamental porque deixou de exercê-lo em determinado período. 4. Irrenunciabilidade: pode não exercer, mas renunciar não. 5. Personalidade: são personalíssimos, pertencem à pessoa do titular. 6. Limitalibilidade ou relatividade dos direitos fundamentais: não há direitos absolutos, todos são relativos. As próprias características supra não podem ser entendidas como absolutas. A inalienabilidade, por exemplo, pode ocorrer no direito à imagem, não é alienado, mas algum tipo de negócio jurídico sim, sem ofensa aos direitos fundamentais. BBB e os direitos fundamentais: intimidade, vida privada etc, não há ofensa, as pessoas são maiores e capazes, revertido em benefício delas mesmas, há liberdade de ir e vir, sabe da filmagem, transmissão etc. Em razão da relatividade dos direitos fundamentais não podem justificar o ilícito, justificar a irresponsabilidade civil, anular outros direitos constitucionais fundamentais.
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não é possível sobrepor uma cultura a outra. Resolve-se com a ponderação de interesses (livro de Daniel Sarmento). Não há hipótese de solução abstrata na colisão de direitos fundamentais. um pode preponderar sobre o outro. Ela pode influenciar o controle. mas nenhum deles será extinto. Uma minoria é adepta do relativismo cultural. 9. Não há apenas a perspectiva subjetiva (direito). 8. Há uma ponderação de interesses constitucionais. Só é possível uma solução concreta que só vale para o caso concreto determinado. deve-se usar o princípio da hermenêutica da harmonização. O estudo do controle de constitucionalidade pressupõe não só a lei em abstrato. A vida. mas é preciso considerar a realidade fática. O que para uma agride para outra é costume. diferentemente da solução dada às antinomias entre as leis (solução abstratamente prevista). Os valores mais importantes de uma sociedade são a vida. Universalidade: para a maior parte da doutrina os direitos fundamentais são universais. Ela não é só um direito seu. 7. Concorrência: acumulação de direitos fundamentais. Divergência entre os universalistas e os multiculturalistas. a igualdade etc. Em qualquer lugar do planeta deve-se ter reconhecido os direitos fundamentais. a liberdade. não existe a aplicação do “tudo ou nada” (expressão de Ronald Dworking). princípio da concordância prática. Subjetiva: sob este ponto de vista eles são verdadeiros direitos que escondem uma relação jurídica obrigacional. Depende do interesse público em questão. mas em uma situação fática inconstitucional. Não é aceita pela maioria.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO É possível a colisão entre os direitos fundamentais. A imposição de determinado estilo de vida em um país pode não ser compatível aos direitos fundamentais. mais de um deles podem estar sendo exercido ao mesmo tempo. objeto e devedor  homem. segundo o modelo clássico: credor. dignidade e Estado. Eficácia dos direitos fundamentais: ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 4 . e ambos devem preservá-los. ou seja. a fim de se buscar uma solução que não existe em tese. Ex: liberdade da mulher. 2. Vedação ao retrocesso: não é possível retroceder nas conquistas já sentidas pela sociedade. mas também um valor que a pessoa deve preservar. usando dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Perspectivas nas quais os direitos fundamentais podem ser entendidos: 1. A vida é um valor que deve ser respeitado por cada um individualmente. sabendo que eles são relativos. pois o Estado deve conceder ao menos a opção às pessoas. A lei pode ser em abstrato constitucional. além de direito é um valor da sociedade e do Estado. As circunstâncias fáticas vão influenciar na harmonia desses direitos. Objetiva: vislumbram-se valores e não direitos.

1ª Geração: num primeiro momento surgiram com a Revolução Francesa na declaração de 1789. O homem tem também deveres fundamentais porque os direitos fundamentais têm um valor que deve ser respeitado. 205. além de serem aplicados também nas relações privadas. É exigido do Estado uma obrigação de não-fazer. De defesa ou de liberdade: exige-se que o Estado se abstenha de invadir a esfera do cidadão. CF (todos nós somos credores e devedores do direito à educação). De prestação: garantir às pessoas determinadas prestações positivas. ou seja. logo. a tolerância. Funções dos direitos fundamentais: é uma classificação de Canotilho. O poder era absoluto e o liberal torna o Estado “mínimo”. O capitalismo estava em risco e alguns direitos fundamentais deveriam não mais ser apenas os de não-fazer. momentos históricos em que direitos com determinadas características são tidos como fundamentais. Horizontal: eficácia entre iguais. 225. a fim de garantir condições mínimas para as pessoas. LIBERDADE. poder judiciário etc). Isso porque o Estado pode ser o inimigo (Leviatã). Ex: declaração da ONU. entre particulares. mas também a necessidade de um Estado-providência. Estado abstencionista (aquele que não interfere na vida das pessoas).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Vertical: é a clássica. Ligado à idéia de direitos negativos. ele tem também a função de proteção em face dos demais seres humanos. Não discriminação: função de promoção da igualdade. Os direitos fundamentais devem garantir o pluralismo. uma abstenção: não tirar a liberdade. logo. Art. 2. 1. 4. Ex: direito à propriedade. aplicáveis nas relações de direito privado. ele tem que dar essa garantia por meio de mecanismos (polícia administrativa e judiciária. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 5 . que é a material. De proteção perante terceiros: outras pessoas também podem violar os direitos fundamentais. garantir os direitos das minorias. O Estado é o principal devedor dos direitos fundamentais. obrigações de fazer. a vida. 3. Estão ligados ao modelo de Estado que a revolução francesa admitiu – Estado liberal. Art. a propriedade etc. É uma função muito ligada a uma obrigação de não-fazer. institui penas. Os direitos fundamentais podem ser ainda classificados em gerações. presente nas relações entre o cidadão e o Estado. CF. Estado do bem-estar social (welfare state). o seu papel é que vai revelar quais são os direitos reconhecidos. Art. XXXIX. 2ª Geração: a revolução industrial no século XIX modificou a situação até então estabelecida. relações de direito público. não só o Estado. igualdade etc. Direitos civis e políticos.

ligados à liberdade do individuo. Direitos Coletivos. já falam na 4ª geração. sociais. Transforma um valor em norma. a partir daí a decisão judicial influencia uma coletividade. que são os direitos ligados à titularidade difusa ou coletiva (não tem titularidade determinada. É mais adequado utilizar dimensões de direitos fundamentais. Até a 3ª geração elas consideram as fronteiras estatais. patrimônio cultural. vários autores. direitos das minorias. 3ª Geração: ainda no século XX. e por isso a utilização do termo geração é criticada pela doutrina. exigem uma atuação do Estado (prestações materiais e judiciais). o titular dos direitos de 1ª e 2ª gerações era tido apenas como sujeito individual. é uma forma de universalizar os direitos fundamentais. culturais. Direitos Sociais (art. que são direitos ligados à globalização. tem caráter negativo. à informação etc. coletivos. democracia plena em sentido global. FRATERNIDADE. direitos do consumidor (rol exemplificativo). até então uma decisão judicial envolvida um autor e um réu. obrigações de fazer. As ameaças são globais. IGUALDADE. Direitos a Nacionalidade e Políticos (Art. só que as ameaças à vida humana digna passa a não mais ser individualizável. As três gerações não se excluem. * Direitos a prestações (ou prestacionais) – atitude positiva do Estado. mas as ameaças à dignidade humana ultrapassam essas fronteiras. Modificação do papel do poder judiciário. Tem o Estado que fazer prestações positivas. econômicos. aumentando significativamente a importância do judiciário (ACP). Direitos e Garantias – (diferença) Rui Barbosa Direitos: são disposições declaratórias que imprimem existência legal de valores reconhecidos e declarados no plano normativo. 6º CF). Surgem os direitos sociais. nacionais e políticos. 12 e ss CF). os direitos fundamentais também têm que ser. Por isso. 4º VI CF. entre eles. Paulo Bonavides.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO ajudando. * Direito de participação – tem tanto caráter positivo como negativo. Essa dimensão é reconhecida. Classificação com base na CF/88: Direitos fundamentais – é gênero (Titulo II CF) : direitos individuais. Surgiu a 3ª geração. Consagra o princípio da solidariedade. há uma soma e não uma substituição. Direitos 5ª geração (Paulo Bonavides): direito a paz – art. pertencem a um grupo indeterminados): ambiente. Direitos Individuais. porque exigem uma abstenção do Estado. Classificação inspirada no autor alemão JELLINEK: * Direitos de defesa . direito ao pluralismo. Os direitos são prestações positivas. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 6 . assim.

7º) e direitos coletivos (associação. 193. É uma disposição geral. isso demonstra uma opção do constituinte pela maior preocupação com o social em face do individual. criança. ele assegura o exercício dos direitos sociais para só depois citar os individuais. que tem como característica atender às necessidades do cidadão. Direitos sociais do trabalhador: direitos individuais (Art. idoso. família. O bem-estar social também está expresso na parte dogmática da CF. e em primeiro lugar.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Garantias: são disposições assecuratórias que protegem os direitos em face do Poder do Estado. 8º. a exemplo da flexibilização da legislação trabalhista (acabar com os direitos mínimos do trabalhador. DIREITOS SOCIAIS Os direitos sociais podem ser divididos em dois grandes grupos sistematizados: Direitos sociais do cidadão: enunciados no Art. Principio da Legalidade. greve. o que não é tecnicamente exato. Vários dos direitos sociais previstos estão sendo repassados ao particular. 10 e 11). 9º. São direitos que exigem a implementação de políticas públicas para a concretização. e deixar para a livre negociação). O Art. educação. meio ambiente. voltada a uma obrigação de fazer e dar por parte do Estado.saúde. ciência e tecnologia. O preâmbulo da CF já assegura o bem-estar social. uma proposta de diminuição do papel do Estado. são direitos positivos de 2ª dimensão. São um meio de proteção dos direitos substanciais. porque também os não cidadãos poderão usufruir. no Art. mas não delimita em que consistem. aquilo que o dinheiro disponível permite (limite máximo). Observância do princípio da reserva do possível. 170 assegura a todos existência digna com base na justiça social. 6º é uma disposição declaratória. Ex: hábeas corpus. índios). não são apenas os Remédios Constitucionais. Isso não impediu que a partir de 90 até hoje a presença de emendas neo-liberais (crescimento do 3º setor e do mercado – 2º setor). Os direitos sociais nascem no início do século XX. do Estado que deixa de ser liberal. Arts. para ser um Estado de bem-estar social. cultura. bem como ao princípio do mínimo existencial (limite mínimo). diferentemente dos de 1ª dimensão. que está limitado pelo orçamento de que dispõe. mas parte da doutrina denomina “do cidadão”. abrange outros valores. participação e representação. que se desincumbe do ônus de promover sozinho o bem-estar social. assistência e previdência -. desporto. o conteúdo e alcance 7 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . o fato de a CF ter previsto títulos específicos para tratar do social é prova do modelo de bem-estar social da CF/88. diz que há o direito. Todos os princípios processuais são garantias. demandando ainda mais custos para o Estado. Além disso. Melhor seria denominar direitos gerais. O Art. Todos eles serão usufruídos por qualquer cidadão. adolescente. ou seja. 6º e um detalhamento no título “Da ordem social” (seguridade . Principio do Devido Processo Legal. comunicação social.

Efetivamente o estado não pode fixar salário mínimo. escapando ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 8 . Mas há um outro tipo de direito social que não está detalhado na CF (ex: direito à moradia). não importando o lugar. O STF já disse que não cabe ADI por omissão. Não pode fazer lei fixando o salário mínimo. O STF não atua como legislador positivo (em regra só o parlamento). 7º funciona como um parâmetro mínimo de direitos sociais individuais do trabalhador.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO desses direitos terão que ser detalhados. Por outro lado. as decisões já vistas em controle são no sentido de que esse tema é afeto ao executivo e legislativo apenas. Nestes a legislação infraconstitucional. A partir do momento que o trabalho dele fica caracterizado como auxílio da atividade lucrativa do empregador. Isso não é fixar salário mínimo estadual. O Art. o trabalho deixa de ser doméstico. mas a jurisprudência admite que lei estadual pode fixar pisos estaduais para categorias profissionais que não tenham esse piso fixado em lei federal. em razão da delimitação em tema de implementação de políticas públicas (reserva do possível e mínimo existencial). 7º não há qualquer diferença de tratamento jurídico entre o trabalhador rural e urbano. o ato administrativo que se diz discricionário. industrial ou prestação de serviços em geral o trabalhador é urbano. O Art. acordo ou convenção coletiva de trabalho. Para fins do Art. O âmbito de discricionariedade nas políticas públicas dos direitos detalhados na CF é muito menor do que o daqueles não descritos na CF. além de outros na própria CF e na legislação ordinária. Não significa que o judiciário poderá interferir em todo e qualquer mérito administrativo. Salário mínimo: nacionalmente unificado. Quando há a delimitação dos direitos a serem implementados por políticas públicas o judiciário poderá interferir. A lei que fixa o salário mínimo é constitucional? Atende ao que constitucionalmente o salário mínimo tem que atender? Apreciação judicial do valor do salário mínimo: se o STF declara a constitucionalidade da lei que fixa o salário mínimo a lei desaparece. mas que foi modificado. não obstante a conveniência e oportunidade (mérito administrativo). Ele não é exaustivo. O parágrafo único do Art. 7º traz os direitos constitucionais do trabalhador. a jurisprudência e discussões de políticas públicas terão discricionariedade bem maior. só atende a determinada categoria profissional. 7º diz que nem todos os direitos ali previstos poderão ser usufruídos pelos domésticos. Se a atividade é comercial. Não se confunde o piso salarial estadual do serviço público (não se dirige aos celetistas) com o salário mínimo. tornando-se o mesmo para ambos. na verdade se torna vinculado. alguns deles já estão no título da ordem social da própria CF. somente negativo. até chegar a um ponto que fica sem lei alguma no ordenamento sobre o tema. O trabalhador doméstico é aquele que trabalha nas tarefas de auxílio ao lar. retornando a lei revogada e assim por diante. os direitos existem. Trabalhador urbano e trabalhador rural: a diferenciação tem a ver com a natureza da atividade laboral e não o lugar em que o trabalho é prestado. sem finalidade lucrativa. Existia uma exceção tocante ao prazo prescricional. se a atividade é agropastoril o trabalhador e rural. na verdade. Ou seja.

A mulher não tem as mesmas oportunidades no mercado de trabalho (no serviço público não tem mais sentido. É questão difícil. há a liberdade de manifestação artística. novelas etc. Proteção do mercado de trabalho da mulher: ação afirmativa é uma tentativa de concretização do princípio da igualdade. O ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 9 . Atingida a igualdade de oportunidades. Trabalho do menor de 14 anos: criança que atua em teatro. a ação afirmativa tem que desaparecer (tem como característica a temporariedade). O ser humano está se tornando minoria quando em competição com a máquina (Art. é o mínimo para preservar o poder aquisitivo. o STF já admitiu (informativo 264). Há a indicação do mínimo existencial na “preservação do poder aquisitivo”. Nas decisões judiciais que fixam algo em salário mínimo o que diz o STF é que o valor é considerado no dia da decisão. não é possível tratar ou aplicar a lei de forma igual para quem é desigual no mundo real. mas não submeter a autorização. dando alguns postos com alta qualificação. Até porque não se pode retroceder nos direitos fundamentais. ninguém quer abrir mão do conforto da automação. O salário mínimo não pode servir para a correção do valor da decisão a diante. O salário mínimo terá reajustes periódicos que preservem o poder aquisitivo. sendo que o aumento terá que observar o princípio da reserva do possível. Minoria em oportunidade e não em quantidade. E do ponto de vista sistemático. de acordo com o que é possível aumentar. o pleno emprego é utopia. significa retrocessão. sob pena de perpetuar as desigualdades regionais. O Estado só pode exigir o registro de sindicatos. o STF não admite. Ao menos a inflação do período terá que reajustar. É preciso dar tratamento diferenciado aos desiguais para assegurar a igualdade material. VIII). e a partir dela. A igualdade que a CF/88 quer é a igualdade material. buscando saber qual é a finalidade da norma. por isso se justifica o tratamento diferenciado na CF. e se o poder de compra do salário mínimo diminui. as mesmas oportunidades. o reajuste se dá pelos índices judiciais. Ação afirmativa é dar a uma minoria tratamento formal diferenciado para assegurar a igualdade material. A automação acaba com milhares postos de emprego de pouca qualificação. A ADPF pode servir de instrumento para a discussão do salário mínimo. A igualdade formal é relativa e não absoluta. frustrando objetivo fundamental da república. A lei não pode tratar diferentemente as pessoas e nem ser aplicada diferentemente às pessoas (igualdade formal).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO pela tangente. Proteção em face da automação na forma da lei: também trata de ação afirmativa. O salário de servidor público não pode ser fixado em salário mínimo. 170. discute-se isso em relação ao parlamento). Na mesma base territorial (não inferior ao tamanho de um município) só pode existir um sindicato de empregador e de trabalhador. A análise do inciso XXXIII tem que ser feita de forma teleológica.

Se o trabalho for paralisado pelo empregador é chamado de lock out. Há crime de abandono intelectual. a imunidade do líder sindical não é estendida a ele. O devedor do direito à educação é o Estado. que serão remunerados pelo SUS. A tônica principal do direito à saúde é a prevenção. respeito às atividades essenciais. Para garantir esse direito o Estado tem que se valer de políticas sociais e econômicas. O trabalhador decide quando e porque fará a greve.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO sindicato tem legitimidade para a defesa dos direitos e interesses coletivos. dá margem à intervenção da União no estado ou do estado no município. além de o administrador responder (LRF). Nós somos credores e devedores ao mesmo tempo desse direito. O SUS é financiado pelo orçamento da seguridade social dos entes. Educação: todos são credores do direito à educação. A saúde é um sistema único. Em uma clínica privada pode-se ter atendimentos particulares ou públicos. ou individuais da categoria. a família e a sociedade. o serviço deve ser gratuito. ao contrário da educação. Dirigente sindical e estabilidade provisória: caso a empresa feche. sem que seja por motivo de força maior. para os servidores públicos. e aos militares. A educação é todo processo de aprendizado do ser humano e que inclui o ensino. ele terá o direito de receber indenização referente à remuneração que teria no período em que perduraria sua imunidade (STF). O governo pode comprar no mercado externo hemoderivados para abastecer o SUS. Em princípio seria um direito difuso. coletiva e individual. Aos particulares o direito é auto-aplicável. depende de lei. Tanto a rede pública quanto a privada são serviços de relevância. mas a doutrina alerta que a saúde tem projeções difusas. pode ser uma manifestação de apoio etc. É um direito não absoluto. O atendimento do SUS tem que ser integral. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 10 . independentemente de contribuição. DA ORDEM SOCIAL Saúde: é direito de todos. há uma projeção difusa. O acesso é universal e igualitário. as políticas devem em primeiro lugar. reduzir os riscos a doenças. Greve: abstenção coletiva do trabalho. por exemplo). além de outras fontes (CPMF. é vedado. não necessariamente ela será reivindicatória. coletivas e individuais. em razão de convênio. logo. Não se pode restringir educação a sala de aula e professor. no mercado interno é vedada a comercialização. Se os estados e municípios não aplicam o mínimo existencial em saúde previsto constitucionalmente. A empresa que tem mais de duzentos trabalhadores terá um representante. Na rede pública é prestada diretamente ou por terceiros (convênios) (SUS). isso é ensino.

mas têm relação com a liberdade subjetiva. não é mais até a 8ª série. há dois tipos de atos dos dirigentes dos estabelecimentos particulares: atos derivados da ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 11 . O ensino médio deveria proporcionar isso. Hoje as crianças já devem estar na escola a partir dos 6 anos e não 7. A autoridade pública por equiparação se dá por delegação e não por autorização. Assim como na saúde. atingindo uma nota mínima para o ingresso. no ensino haverá rede pública regular (não onerosa) e rede privada. Liberdade de cátedra é a liberdade de ensinar e está prevista no Art. A LEI MUDOU. ao instituir quotas. As formas modernas de neo-escravidão não têm a ver com a liberdade objetiva. por exemplo. porque mesmo quem entra por quotas. vocação profissional e não para todos. II. 208. O ensino médio não é obrigatório. de pensar. O pleno desenvolvimento da pessoa está ligado à idéia de liberdade. O cidadão brasileiro tem que educação suficiente para saber o que irá fazer ao votar. Outros defendem dizendo que não infringe. O ensino privado precisa ser autorizado e avaliado pelo poder público. a verdadeira mudança foi apenas para a rede pública. a reserva do possível nunca poderá ser argumento para o não oferecimento desse direito. seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Ações afirmativas: quotas para minorias terem acesso às universidades. Preferencialmente as pessoas portadoras de necessidades especiais deverão ter atendimento educacional na rede regular de ensino em nome do pluralismo e inclusão social. O estado irá cumprir assegurando o ensino fundamental obrigatório e gratuito (1ª ao 9º ano! Mudou. É direito público subjetivo. Acesso e permanência do educando na escola diretamente ligado ao inciso VII do Art. A PARTIR DE 4 ANOS!!!). O acesso é meritocrático. com base na capacidade. De acordo com a jurisprudência assente MS contra ato de dirigente de estabelecimento particular de ensino. A universidade é para quem tem capacidade.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Os objetivos são: o pleno desenvolvimento da pessoa. A universidade não é o único caminho para a evolução da sociedade. 206. mas apenas de autorização. Não é todo e qualquer ato de dirigente de rede privada que cabe MS. saber o que é sistema proporcional e majoritário. A educação é fundamental para o pleno desenvolvimento da pessoa. mas será progressivamente universalizado e gratuito. a fim de evitar a “neo-escravidão”. com manipulação do pensamento das pessoas. a CF não deixou qualquer discricionariedade para o legislador e administrador. CF. é preciso demonstrar capacidade dentro do grupo concorrente. Mas na CF não há previsão de delegação do ensino. há violação a esse acesso constitucionalmente previsto? Alguns entendem que sim e são contrários às quotas.

Os meios são indiscutivelmente úteis. A função social dos meios de comunicação social está prevista no Art. 222). gestão e responsabilidade pelo conteúdo da programação dos meios de comunicação de rádio. desde que acompanhados dos responsáveis. VII e Art. TV e propaganda. que são quatro ao todo: Art. Art. A política e os meios de comunicação são indissociáveis. O ensino religioso deve ser histórico e ecumênico em nome do Estado laico. mas também são instrumentos que podem trazer riscos (a neo-escravatura está na manipulação do pensamento). Isso para evitar ameaça à soberania nacional. Ela é cumprida quando os meios atendem aos princípios. Há a restrição da propaganda de determinados produtos. Uma que permite desde que haja autorização do órgão competente. LI. 222 traz tratamento diferenciado entre brasileiro natos e naturalizados (exceção constitucional. mas há outros que entendem que o ensino pode ser de orientação religiosa de cada religião especificamente (ingresso por concurso público. Rádio e televisão são instrumentos que atingem uma grande massa e podem ser utilizados para propósitos não desejáveis numa sociedade (manipulação de pensamento). Por isso a CF não vai apenas reiterar as liberdades. 221 da CF. 5º. Na rede pública a CF obriga que exista ensino religioso. é ofensa ao direito de informação. mas o aluno não é obrigado a cursar. A censura está expressamente vedada na CF. porque estas liberdades já estavam consagradas no texto desde o Art. A outra (majoritária) diz que a obrigação do poder público é de apenas informar. a leitura que dão aos fatos faz parte da liberdade garantida. Comunicação social: a CF reitera a liberdade de pensamento. A CF só confiou a propriedade. Como conciliar a classificação etária com os fusos horários do país? O MPF entrou com diversas ações exigindo que as emissoras locais retransmitissem os programas com restrição etária em horário diferenciado do restante do país. e os menores de 16 anos podem entrar.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO “delegação”  cabe MS (autoridade) e atos de gestão da pessoa jurídica privada  não desafiam MS. É ponto de discussão ainda. 220). § 3º. A CF diz que lei federal deverá criar meios de defesa da pessoa contra os meios de rádio. como fica?? Tem que ter fé). mas a CF foi omissa no tocante a propagandas infantis até determinada faixa etária. Para se garantir uma pluralidade de linhas de pensamento a CF estabeleceu que os meios de comunicação não podem ser objeto de monopólio ou oligopólio. jornais e televisão apenas a brasileiro nato ou naturalizado há mais de 10 anos ou ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 12 . Os meios não podem deixar de noticiar os fatos. Há duas linhas de pensamento quanto à participação de menores em eventos. Art. mas vai ainda buscar meios de tentar assegurar que os veículos de comunicação social não sejam utilizados para maus propósitos. 5º (Art. a matrícula é facultativa. 89. 12. O Art.

quem tem efetivo laço nacional. O prazo da concessão ou permissão para a TV é de 15 anos e de 10 anos para rádio. ou seja. na matéria-prima. A natureza jurídica do meio ambiente ecologicamente equilibrado é de bem de uso comum do povo. VI). mas apenas lei poderá modificar este decreto ou suprimi-lo (Art. 84. Meio ambiente: todos são credores do meio ambiente ecologicamente equilibrado. O MP pode mover ação civil pública para o cancelamento da concessão ou permissão quando o meio de comunicação estiver sendo utilizado para violar a CF. tem conceito jurídico indeterminado. mediante desapropriação). Isso leva à conclusão de que esse decreto é autônomo. ao contrário do que a doutrina majoritária diz: que o decreto autônomo foi introduzido na CF com a EC32 (Art. 84. será encontrado em outras ciências que não a jurídica. Os credores futuros demonstram uma relação de eqüidade intergeracional. O meio de comunicação impresso não precisa de autorização. especialmente os princípios do Art. As alterações contratuais nas empresas não devem ser comunicadas apenas à junta comercial. com a riqueza (Art. exploração mineral. Hoje ela está na exploração intelectual. necessário à perpetuação dos homens. deverão ser comunicadas também ao Congresso Nacional. Os devedores são o poder público e a coletividade. e que está na CF desde 1988. Decreto de 15/06/2005 criou o parque nacional Serra de Itabaiana (implica perda da propriedade do particular. e tem a ver com pesquisas científicas (pesquisa e manipulação de material genético). § 1º. mas também com a ordem econômica. Sempre que uma obra for potencialmente causadora de impacto ambiental ela tem que ser precedida dos estudos de impacto ambiental que irão minimizar ou concluir que a obra não deve ser feita. II). Decreto é o ato jurídico que cria o SNUC. mas os demais meios (rádio e TV) deverão ter concessão. É expressão aberta. VI. permissão ou autorização pelo poder executivo.985)  sistema nacional de unidades de conservação (SNUC). A geração presente tem a obrigação de assegurar às gerações futuras o mínimo de condições ambientais para a continuidade da espécie humana. as presentes e futuras gerações. 225.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO pessoa jurídica brasileira. O poder público criará unidades de conservação (lei 9. Todos são credores e devedores dessa relação jurídica fundamental ambiental. III). 225. A atividade do poder público está ligada à bioética. A não renovação da concessão depende de quorum especial do CN de 2/5 em votação nominal. poderão ser canceladas antes de findo o prazo por decisão judicial apenas. em setores da agricultura. assim como o do Art. Todos têm direito. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 13 . 221. A riqueza já esteve nas fábricas. A CF não quis que eles ficassem nas mãos de estrangeiros ou de brasileiros naturalizados há pouco tempo.

225 (patrimônio nacional) (não são bens da União) não necessariamente a competência será da justiça federal. até onde o direito penal é aplicado nas comunidades indígenas. mas poderá ser federal se houver interesse da União (dano de grande magnitude. garantido o retorno imediato tão logo cessado o risco. mas há exceções: § 5º: catástrofes. 227. apesar de ter competência para legislar sobre transporte coletivo urbano. a depender das circunstâncias. É vedada a remoção dos índios de suas terras. Índios podem estar em terras originárias (tradicionalmente ocupadas por índios – bem da União – § 1º) ou adquiri-las civilmente (terras comuns). não se usa o conceito de imemoriabilidade (buscar pela memória das terras. envolver agente federal). tudo seria indígena). Dos Índios: tratamento pormenorizado na CF. município não pode fixar a idade livremente.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Art. Geralmente são considerados inimputáveis. O STF resolveu a questão dizendo que por ser patrimônio nacional não arrasta a competência para a justiça federal. Art. Questão alimentar é recíproca entre pais e filhos. penal e administrativa por danos ambientais. Art. Não é tema pacífico. 231: os índios têm o usufruto exclusivo da terra. Matéria nuclear é da União. somente ela define regras por meio de lei federal. 14. Têm também direitos originários. Não se impõe o direito penal a essas tribos isoladas. 228: imputáveis maiores de 18 anos. A princípio a competência é da justiça estadual. Da família. ad referendum do CN. criança. Ação civil ou penal que afete ecossistemas do § 4º do Art. 229 e 230: medicamentos com descontos para idosos. adolescente e idoso: proteção aos portadores de deficiências físicas  Art. epidemias etc. O STJ teve uma decisão isolada dizendo que pessoa jurídica não tem responsabilidade penal. Aos maiores de 65 anos é garantido a gratuidade dos transportes coletivos urbanos. CF. Responsabilidade civil. Art. Há doutrina que entende ser cláusula pétrea. § 1º. A responsabilidade civil ambiental é objetiva (Lei 6938. O menor que trabalha tem direito a todas as garantias trabalhistas. § 3º: previsão da responsabilidade penal da pessoa jurídica. II e § 2º: garantir o acesso adequado às pessoas portadoras de deficiências. Tribos inseridas que mantêm certas tradições também é preciso ponderar caso a caso com valoração dos interesses. Art. mas a propriedade é da União. 14 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . Bem de uso público pode ser prédio particular e não apenas os imóveis de domínio público (ex: shopping). 109. § 1º). decisão superada. 225. não é razoável aplicá-lo como é para nós. Só será se incidir um dos incisos do Art. Modificar essa idade somente por emenda constitucional.

mas também como elemento humano do Estado (ex: brasileiro no exterior tem que justificar o não voto. Para a elaboração da constituição. § 1º). Bens imateriais são objeto de registro (carnaval. 216. Também está formalmente inserido na constituição escrita. porque diz respeito a um dos elementos do Estado. O Estado tem um elemento humano (povo). mas essa decisão não deve ser isolada. Em geral se entende que a titulação da propriedade é coletiva e não individual.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO § 6º do Art. O MP sempre que não for o autor. 231 demonstra claramente a força do poder constituinte originário. A causa é da competência da justiça federal. 216. O Art. Esse é um tema materialmente constitucional. Não há jus postulandi. as constituições não podem deixar alguém sem nacionalidade. 68 do ADCT também trata dos quilombolas: a CF assegura a propriedade definitiva às comunidades quilombolas. os antigos proprietários têm direito a indenização e qualquer dos entes poderá emitir os títulos respectivos (posição majoritária). geográfico (território) e um político (soberania). O tombamento recai sobre bens materiais ligados à questão cultural. mas ela não se vincula apenas ao território. A soberania tem um vínculo com o território. intervém. § 5º). geral da nacionalidade: existem duas espécies de ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 15 . Essa vinculação de alguém ao elemento humano de um Estado é um direito. Toda pessoa tem direito a uma nacionalidade: previsto no Pacto de San Jose da Costa Rica e na carta das nações unidas (dois documentos internacionais que cuidam da nacionalidade). Teoria nacionalidade. 232: há legitimidade ad causam das comunidades e organizações indígenas. são os direitos à nacionalidade. José Afonso da Silva diz que nacionalidade é o vínculo jurídico-político de direito público interno que faz da pessoa um dos elementos componentes da dimensão humana do Estado. Cada Estado decide quem deve ser considerado seu nacional. Art. Tem a ver com a ligação da pessoa com os elementos constitutivos do Estado. a propriedade é intransferível. Brasil pode solicitar extradição). mas tratou de forma muito tímida. não deve ser matéria de lei ordinária (embora possa ter alguma). isso deve ser evitado a todo custo. porque é direito fundamental o direito à nacionalidade. É um tombamento constitucional. acarajé etc) e não protegidos por tombamento (art. os Estados deverão observar a teoria geral da nacionalidade. mas tem legitimidade. DIREITO À NACIONALIDADE É um tema que fala sobre o vínculo da nacionalidade. Os quilombolas (pessoas remanescentes de comunidades de quilombos) são uma minoria objeto de tombamento: ficam tombados todos os documentos e os sítios detentores de reminiscências históricas dos antigos quilombos (Art.

Válido para filhos adotivos. Nacionalidade secundária (adquirida. o Estado não pode negar. Nacionalidade primária (nata. Exceções: nasce no Brasil de pais estrangeiros que estão a serviço de seu país. Essa teoria não é utilizada na CF de forma pura. 12.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO 1. Nasce um apátrida ou um heimatlos: nasce em Estado jus sanguinis de pais de Estado jus solis. mas sim temperada (mundo globalizado). decorre de um fato volitivo: uma declaração de vontade. mesmo o nascimento acidental e mesmo de pais estrangeiros. voluntária. caso contrário poderia gerar situações de apatria. Art. de origem. onde ocorreu a adoção. b: critério sanguíneo. ambos vinculados ao nascimento. Há. o nascimento. Complementa a aliena “a” para que ninguém fique sem nacionalidade. não reservou para si conveniência ou oportunidade. 2. exclusiva do Estado ou conjugada entre pessoa e Estado. Filho de embaixadores de países diferentes não é brasileiro. o Estado sempre teria conveniência e oportunidade (cuidado! Jurisprudência admite). Embaixador + funcionária de embaixada: é brasileiro. Pais ou pai/mãe a serviço do Brasil. I. Preenchidos os requisitos surge o direito à nacionalidade. Embaixador + funcionária da ONU: é brasileiro. é organismo internacional e não país. Uma declaração de vontade de quem? Exclusiva da pessoa. A serviço do Brasil na administração direta e indireta de forma permanente ou temporária (José Afonso da Silva). Há autores que dizem não ser possível a nacionalidade potestativa. o Estado decide. Conjugada: requisitos + pedido. gera direito adquirido. reservando para si conveniência e oportunidade. de 2º grau): não decorre de fato natural. de forma inversa. A exceção é o filho de embaixador que morreu antes do nascimento – filho póstumo – aplicado o momento da concepção. Quem não estiver a serviço do país não exclui a nacionalidade brasileira. I. Pode decorrer ainda de vontade exclusiva do Estado: na CF de 1891 houve declaração de nacionalidade pelo Estado. de 1º grau): decorre de um fato natural. derivada. O momento do nascimento é a regra para fixar a nacionalidade. Nato: Art. originária. Será exclusiva da pessoa quando o Estado desde já coloca na CF quais os requisitos necessários para alguém se tornar nacional. a: critério territorial. 12. não gera direito adquirido. É nato quem nasce no Brasil. acúmulo não é ofensa a direitos fundamentais. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 16 . É chamada de nacionalidade potestativa (depende somente da vontade exclusiva da pessoa). a possibilidade de dupla nacionalidade originária (polipátrida). O nascimento vai determinar o critério de nacionalidade: territorial ou sanguíneo  jus solis e jus sanguinis  direito à nacionalidade por ter sangue nacional ou porque nasceu no território nacional. Só exclui quando ambos os pais estão a serviço de seu país.

mas de brasileiro naturalizado pode. isso não existe mais! Quando se trata de menor que vem para o Brasil: vem para o Brasil aos 5 anos (ex: Ronald). Art. a opção é feita perante a justiça federal e a partir dos 18 anos. Art. esperando uma condição suspensiva (homologação judicial da opção dele) (fica apátrida por um tempo). que é personalíssima. 12. Ele será nato. Naturalização cancelada por sentença judicial em virtude de atividade nociva ao interesse nacional. Aos 18 anos faz a opção. Vem ganhando um novo nome: supranacionalidade (comunidade européia – cidadão europeu vinculado e com direitos específicos). Vindo morar aqui os pais podem fazer um registro e ele é considerado nato até seus 18 anos (provisoriamente). 12. Mistura dos três elementos. Não se ganha nacionalidade com o registro no consulado no exterior. Feita a opção. a moradia já lhe dá o status de brasileiro nato (opção provisória. 12. Lei ordinária não pode criar novas hipóteses de brasileiro nato (numerus clausus). Perdese ainda pela aquisição de nacionalidade secundária. No caso do menor. Ainda se o país da nacionalidade adquirida reconhecer a originária não perde ??? (ex: nasce no Brasil de pais italianos – este exemplo não é de nacionalidade adquirida. A doutrina entende como direito potestativo. 12. ele é polipátrida – viajei!). 12. 222. a: proveniente de país de língua portuguesa + residência por 1 ano. Presidente do TSE. Reciprocidade. Caso o país que se está a serviço exige 17 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . basta requerer.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Art. a definitiva é personalíssima e só pode ser feita quando for maior). b: nacionalidade potestativa também. Seria necessário primeiro uma emenda constitucional para excluir os casos reservados ao ministro da defesa. 12. Mesmo havendo reciprocidade de alguns casos. 12. optar a qualquer tempo pela nacionalidade brasileira (elemento volitivo). Art. desde que venham a residir no Brasil (elemento objetivo. Chamada de nacionalidade secundária extraordinária. há uma equiparação. Essa opção é potestativa. § 3º: linha sucessória presidencial. § 4º. A regra é que só pode ser polipátrida se for de nacionalidade originária. Perda da nacionalidade: Art. é originária jus sanguinis. Período entre os 18 anos e a opção a nacionalidade fica suspensa. § 1º: quase nacionalidade. Art. c: Nascido no estrangeiro de pais brasileiros (elemento sanguíneo). Oficialato só de tenente em diante. logo. II. conselho nacional da magistratura são ministros do STF. o Estado não pode negar. I. Ministro da defesa na CF impede que o Ministério da Defesa seja extinto por lei ordinária. Chamada de nacionalidade secundária ordinária. fático). II. estão ressalvadas as hipóteses reservadas ao brasileiro nato. § 2º: lei ordinária não pode dar tratamento diferenciado a brasileiro nato e naturalizado. 12. 89. estatuto da igualdade. ele volta a ser brasileiro nato e tem efeitos ex tunc. VII. o direito já existe. brasileiros natos. Art. § 3º e 5º LI). só a CF (Arts.

DIREITOS POLÍTICOS Não é sinônimo de direito eleitoral. que são os oficiais: bandeira. O direito eleitoral está vinculado à democracia representativa. da direta (referendo. Art. 18 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . exercer cargo público. § 1º. ou seja. Se estiver onde é prevalente sua proteção é absoluta. assinar ação popular. plebiscito. Art. perdeu. os direitos políticos cuidam. readquire – a doutrina diz ser como naturalizado. Ex: Roberto Carlos optou pela espanhola – constitucionalmente não se encaixa em qualquer das exceções de não perda. mas há decisão do STF de 1986 que diz ser nato. Ex: ação rescisória. iniciativa popular. Alguns autores identificam os direitos políticos positivos tão somente com a capacidade ativa. Podem ser criados outros por lei. ou passivos: ser votado (candidatura). são as mesmas? Tanto faz estar em um ou em outro país? Para fins de processo de extradição entre os dois Estados é preciso observar qual é a nacionalidade prevalecente. apenas com o voto. Estando no país onde não é prevalente. as nacionalidades são equivalentes. A doutrina menciona este caso. é vontade exclusiva do Estado.alguns autores preferem chamar assim. ação popular. É o conjunto de normas que regula a atuação da soberania popular. hino. § 1º. manifestação em plebiscito e em referendo.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO para permanência. mas os mecanismos são os mesmos) ou representantes eleitos (democracia representativa). ela é viciada pela coação. Deveria perder a nacionalidade brasileira. É aceito. pois não é uma manifestação de vontade livre. mover iniciativa popular. Direitos políticos positivos: é o conjunto de normas que garantem a participação da pessoa no processo político e eleitoral (José Afonso da Silva). Os direitos políticos abrangem o direito eleitoral (por exemplo. por decisão do presidente da república se adquiriu outra. Era nato. além da representativa. parágrafo único da CF: soberania popular e seu exercício por mecanismos de atuação direta (democracia direta ou semi-direta . participação em conselhos e outros). 1º. Os positivos podem ser ativos: voto. O STF começou a suscitar essa tese no HC 83. a proteção é relativa.450/SP. ou seja. Acúmulo não autorizado pela CF. A perda da nacionalidade tem efeitos ex nunc. a iniciativa legislativa popular é questão de direitos políticos. 13. armas e selos nacionais. Todos os conhecidos são inconstitucionais. 37. mas não está incluída no âmbito do direito eleitoral). A soberania exercida pelo próprio titular do poder ou o representante eleito. só podem constar na propaganda de órgãos públicos os símbolos do Art. O casamento que confere nacionalidade automática também não exclui a originária. mas até hoje nenhum outro foi criado. Também tem efeitos irretroativos. 13 – símbolos: segundo o Art. É possível readquiri-la. readquire como naturalizado. Também nos casos em que o Estado confere a nacionalidade de forma exclusiva. Nacionalidade prevalecente: quanto ao polipátrida.

Essa exclusão por motivos técnicos não retira a característica da universalidade (ex: menores de 16 anos. O restrito (não é técnico. liberdade. CF) todos usufruem. Inelegibilidade: vedação à capacidade eleitoral passiva. ou seja. tanto em relação à capacidade ativa quanto passiva. 60. de fato é discriminatório) pode ser o censitário (discrimina de acordo com a capacidade econômica) e capacitário (discrimina de acordo com a capacidade intelectual). Instituições dos direitos políticos positivos: 1. Constituem as regras de inelegibilidade. 1º. é apenas eleger. O sigilo do voto não é renunciado pelo eleitor. mas não discriminatórios. por exemplo). O direito de sufrágio não abrange o poder Judiciário. administrador deve seguir a legalidade e praticar atos administrativos escritos). terá em sua atuação que saber ler e escrever (legislar. CF). O juiz de paz. Há exclusões ou restrições apenas por motivos técnicos. O Judiciário não tem legitimidade direta popular. não estar alistado etc. escrutínio é o modo de exercício do direito de voto (público ou secreto. diferente de inalistabilidade. 60. O voto secreto garante a pessoalidade do voto. ou seja. alguém que se candidata a cargo no legislativo ou executivo. No universal (Art. A inelegibilidade pode ser absoluta (em relação a todos os cargos) ou relativa (em relação a alguns cargos). No sufrágio universal as restrições são técnicas enquanto no restrito as restrições são discriminatórias. Também não se confunde com desincompatibilização: alguém se desvencilhar de uma inelegibilidade relativa para uma eventual candidatura (deixando o cargo. Sufrágio é o direito.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Direitos políticos negativos: é o conjunto de normas que impedem a participação da pessoa no processo político e eleitoral. 2. Direito de sufrágio: é um direito público subjetivo de natureza política que tem o cidadão de eleger. A exigência constitucional de alfabetização para ter a capacidade eleitoral passiva não descaracteriza o sufrágio universal (não é sufrágio restrito capacitário). Voto: quanto à publicidade ele será secreto ou público. não estar domiciliado em determinada circunscrição eleitoral. CF. ser eleito e participar da organização e da atividade estatal. ele não se enquadra no parágrafo único do Art. § 4º. Quanto à extensão o sufrágio pode ser universal ou restrito. suspensão e perda dos direito políticos. todas são restrições técnicas). a universalidade não é absoluta. não é tecnicamente membro do Judiciário. nem escrutínio. voto em urna eletrônica ou em cédulas de papel etc). Não se confunde com voto. § 4º. esta impede a capacidade ativa e passiva. É cláusula pétrea (Art. O sufrágio pode ser ativo (relacionado com a capacidade eleitoral ativa: direito de votar) e passivo (vinculado à capacidade eleitoral passiva: direito de ser votado). porque é norma de ordem pública. significa ausência de restrições discriminatórias. É a regra em caso de eleições. O Brasil já adotou o sufrágio restrito cesitário na constituição de 1824. voto é o exercício do direito. quer dizer. é apenas uma das formas de sufrágio. uma mera afirmação não é renúncia ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 19 . a exigência de alfabetização é técnica. quando não pode sequer votar. apesar de eleito.

Dependerá do tipo de sistema o resultado da eleição: Majoritário: está vinculado a cargos unipessoais. No parlamento a regra é o voto aberto. No Brasil há a eleição indireta quando o Congresso Nacional elege para os cargos de presidente e vice-presidente da república para encerrar o mandato (os dois cargos vagos nos dois últimos anos do mandato. No sistema de maioria absoluta não são computados os votos brancos e nulos. é órgão do legislativo. com o mesmo peso. Ela pode ser simples ou absoluta. público. Essas classificações não são precisas. § 4º. O Art. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 20 . o Congresso promoverá eleição indireta 30 dias após a abertura da última vaga . normalmente utilizado para cargos do poder Executivo. ou seja. por emenda constitucional pode-se torná-lo facultativo. No indireto. A simples é chamada de sistema de um turno ou turno único. O que é cláusula pétrea é o voto direto.000 eleitores (Art. universal e periódico. Sistemas eleitorais: é o conjunto de técnicas e procedimentos para a realização de eleições e a designação dos eleitos a partir dos votos emitidos. O voto obrigatório está na CF. a própria CF confunde. mas não é cláusula pétrea. II fala em voto universal. Em regra o voto no Brasil é obrigatório. não significa ser verdade. O que é obrigatório não é o voto válido. É aquele no qual é eleito quem atinge a maioria dos votos. CF – é exceção. A CF não foi tecnicamente precisa. analfabetos). mas o comparecimento à zona ou posto de justificação. A periodicidade do voto está ligado à forma republicana. 81. No voto direto o cidadão decide. Por maioria absoluta elegem-se o presidente (Art. excepcionalmente é secreto. mas com eleição por sistema majoritário) e os prefeitos nos municípios com até 200. 60. isso para permitir a fiscalização por parte do povo. caráter eletivo e não hereditário. Tem como objetivo identificar os eleitos. cada pessoa vota uma vez. CF).Art. § 1º. one vote. CF) (*território tem governador nomeado pelo presidente) e prefeitos em municípios com mais de 200.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO ao sigilo. Também chamado de “maioria”. 14. 29. caput fala em sufrágio universal. maiores de 70 anos. 46. enquanto o Art. Pode ser também obrigatório e facultativo. Elegem-se por maioria simples os senadores (Art. II. ou desigual: vota mais de uma vez. CF). secreto. por isso também chamado de sistema dois turnos. governadores dos estados e DF (Art. Na maioria absoluta é necessário atingir 50% + 1 do total de votos para ser o eleito. podendo dar margem ao 2º turno. só é preciso fazer um turno de votação. 77. mas há casos de voto facultativo (menores entre 16 e 18 anos.000 eleitores. CF). O voto será igual: one man. 28. o cidadão elege um colégio de eleitores e estes elegem o candidato (modelo dos Estados Unidos).

Proporcional: utilizado em regra em assembléias. político-eleitoral e a institucional. A propaganda político-partidária independe ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 21 . Câmara dos Deputados. tem número fixo de senadores (três). o número de deputados estaduais depende do número de deputados federais. com a propaganda eleitoral. Os advogados são indicados por lista feita pelo TJ e não pela OAB. Apresentação das candidaturas. Lista aberta: quem decide a ordem de ocupação nas cadeiras é o eleitor (diferente da lista fechada. O órgão é federal. Apresentação das candidaturas: fase interna das convenções partidárias com indicação de candidatos. 3. Todas são dirigidas pelo Poder Judiciário. não é proporcional a nada. Propaganda pode ser político-partidária. mas nos Três só há um juiz federal. Procedimentos eleitorais (fases): 1. mas o sistema é por maioria simples: Senado não obedece ao proporcional. sem escolha para o eleitor). 2. É órgão de representação dos estados. Órgão específico para as lides eleitorais (função judiciária e administrativa). É a casa dentro do sistema federativo onde os estados têm voz. Contencioso eleitoral. mas são funções atípicas do Judiciário. escolha do nome do candidato que irá ocupar as cadeiras que o partido conquistou. Quociente partidário: são os votos dos partidos divididos pelo número do quociente eleitoral. Num primeiro momento há eleição entre partidos e coligações (voto na legenda). e não do povo. para o poder Legislativo. O quociente partidário é o número de cadeiras encontrado para cada partido. isso. O número de deputados federais depende da população. Após as convenções há a fase externa. embora o contencioso só exista na 3ª fase (as 1ª e 2ª fases são atividades administrativas. julgar só na 3ª fase). esta é considerada para parlamentos (órgãos colegiados). Realização e organização do escrutínio. que nas eleições proporcionais só haverá voto de legenda. Na maioria dos países é o Executivo que cuida dos procedimentos eleitorais.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO São cargos em que se elege alguém sem qualquer proporcionalidade. Assembléias Legislativas (Câmara Legislativa do DF) e Câmaras Municipais são órgãos colegiados proporcionais. Quociente eleitoral: são os votos válidos divididos pelo número de cadeiras. para reproduzir o pensamento da população. Após. fechando a lista. Não pode haver propaganda para eleitorado geral nesta fase. resultando no número de cadeiras do partido. só internamente. O quociente eleitoral é o número de votos necessários para que o partido ganhe uma cadeira. O MP não tem vaga como juiz pelo 5º constitucional. Exceção: órgão colegiado. órgãos colegiados.

alistabilidade. são instrumentos de consulta popular. Capacidade eleitoral: Vedado  16 anos  facultativo  18 anos  obrigatório  70 anos  facultativo. Os estrangeiros são inalistáveis. A doutrina eleitoral faz uma crítica no tocante às TVs abertas e fechadas em razão do princípio da igualdade. para o serviço militar obrigatório) também são inalistáveis. Aqui que se dá a definição de mesário etc. ou melhor. ao titular do poder. A questão relativa a ter ou não referendo ou plebiscito não é da competência da justiça eleitoral. A institucional (Art. por isso. A iniciativa popular será vista em Poder Legislativo. idade mínima: ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 22 . Realização do escrutínio: é organizado pela justiça eleitoral. O momento em que a consulta é feita é que define a diferença entre ambos. os recrutados. O analfabeto é eleitor facultativo a partir dos 16 anos. § 2º): não têm capacidade ativa nem passiva.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO das eleições. é da justiça comum. Inalistáveis (Art. Os conscritos (são os convocados. enquanto o referendo é a posterior a um ato realizado. exercício dos direitos políticos. Plebiscito é a consulta prévia. domicílio eleitoral na circunscrição. federal ou estadual. foi de fato plebiscito. Art. 2º da ADCT: a consulta lá prevista sobre a forma de governo foi anterior à revisão constitucional. 37. Isso para o alfabetizado. Exceção: português de Portugal com reciprocidade de tratamento pode se alistar e votar. A inelegibilidade é uma vedação à capacidade eleitoral passiva. Condições de elegibilidade: condições que devem ser preenchidas para ser elegível na forma da lei ordinária (lei complementar pode estabelecer outras condições de inelegibilidade). não é eleitoral. foi consulta prévia e não posterior (à constituição). proporcionando a uniformização. Nacionalidade brasileira (exceto português de Portugal com reciprocidade e ressalvados os cargos reservados a natos – presidente e vice-presidente). Opção de assistir ou não de forma igualitária: a obrigatoriedade do horário eleitoral deveria ser imposta também para a TV fechada. 14. A político-eleitoral está vinculada a uma determinada eleição (apresentação externa). filiação partidária (no Brasil não há a candidatura independentes). são inelegíveis. Contencioso eleitoral: Plebiscito e referendo são mecanismos de exercício de democracia direta (ou semi-direta). CF – a publicidade oficial não pode conter símbolos e nomes) é a das pessoas jurídicas de direito público. § 1º. A inalistabilidade é uma vedação à capacidade eleitoral ativa. por conseguinte.

Cônjuges concorrendo ao mesmo tempo para uma mesma circunscrição é possível. deveria ser circunscrição. porque já eram titular de mandato eletivo. para reeleição não precisam se afastar. 14. A idade mínima é considerada na data da posse. em tese poderia se reeleger em 2006. prefeitos. Relativização do § 7º: “reeleição de Rosinha Garotinho” aguardando posição do STF este ano. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE – 23 . Inelegíveis: são os inalistáveis e os analfabetos. O que provoca a inelegibilidade reflexa são os cargos do executivo. § 6º: desincompatibilização  ato pelo qual alguém se desvencilha de uma inelegibilidade relativa. Se entram juntos podem se candidatar à reeleição no mandato seguinte. salvo se já passado um mandato inteiro. Reeleito passa ele a ter inelegibilidade relativa. (? Ele não repetiu essa matéria na aula. vice-governador dos estados e DF. não os cargos do legislativo. 30 anos: governador. para ministro de Estado (21 anos?). estes de forma absoluta. prova de reconhecimento jurídico da relação. poderão apenas exercer os direitos políticos ativos facultativamente. deputados estaduais e distritais. agora com a regra da reeleição (1 só seguidos os mandatos). por exemplo. Homossexuais também atingidos pela inelegibilidade. 18 anos: vereadores. Presidente. governador e prefeito devem renunciar seis meses antes do pleito caso queiram concorrer a outro cargo (desincompatibilização). 21 anos: deputados federais. é técnica não discriminatória e não descaracteriza o sufrágio como universal. Pedro Lenza fala diferente?).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO 35 anos: presidente. pode se eleger para outros cargos. Mesmo com o divórcio a inelegibilidade vai persistir. Há várias outras idades na CF que não são para cargos eletivos. 14. Logo. No § 5º não é necessária a desincompatibilização para concorrer ao mesmo cargo. Neste território a inelegibilidade é relativa. em outra circunscrição pode. Com 17 anos pode ser candidato. Cônjuges: em união estável também. Neste caso o juiz da infância e juventude poderá julgar matéria eleitoral. Inelegibilidade absoluta e relativa: a restrição aos analfabetos não fere princípio. vice-presidente e senador. Art. Art. um menor de 17 anos está sujeito a praticar ato infracional eleitoral. Os cargos do executivo tinham inelegibilidade relativa. A vedação à reeleição por mais de uma vez só se aplica ao executivo. vice-prefeitos e juiz de paz. § 7º: inelegibilidade reflexa: o termo jurisdição está equivocado.

configura ato de força e anti-democrático. 17 cuida dos sistemas partidários. Se militar mais experiente. Há liberdade de criação de partidos. emenda poderia sim modificar as regras eleitorais para uma eleição que ocorre em menos de um ano (vamos ver o que os tribunais vão decidir!). com mais de 10 anos. Processo corre em segredo de justiça. apenas requisitos mínimos devem ser atendidos (controle mínimo). condenação criminal transitada em julgado. não vai reaver). mas sua aplicação fica suspensa. devendo prestar contas à justiça eleitoral. Perda e suspensão dos direito políticos é possível (direitos políticos negativos). Somente poderão ter caráter nacional. Lei eleitoral entra em vigor na data da publicação.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO O militar que pode se alistar pode concorrer. O Estado não pode controlar os partidos políticos. Internamente eles têm autonomia. Suspensão: incapacidade civil absoluta. Cassação de direitos políticos não é admissível. Lei complementar inelegibilidade (LC 64). não é vacatio legis. 17 traz os mesmos princípios do caput (controle mínimo) que devem ser observados na estrutura interna do partido. Seu funcionamento parlamentar se dará de acordo com a lei. 16 é lei estricto sensu  verticalização eleitoral em discussão. não eleito ele retorna às suas atividades de militar. DOS PARTIDOS POLÍTICOS O Art. mesmo solto o sujeito estará com os direitos políticos suspensos e o preso provisório não está com os direitos políticos suspensos) e improbidade administrativa. pode estabelecer outros casos de Impugnação a mandato eletivo: contencioso eleitoral – 15 dias contados da diplomação. os de eleitoral dizem que é caso de suspensão. O § 1º do Art. se nada fizer. Não podem receber recursos de Estados estrangeiros. existem leis específicas e decisões da justiça eleitoral) (segundo o STF. enquanto durarem os efeitos (não significa prisão. com menos de 10 anos de atividade. Se militar jovem. na diplomação ele passa à inatividade automaticamente. embora possa se reverter: cancelamento de naturalização por sentença transitada em julgado e recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa (os autores de constitucional falam em perda. Lei lato sensu é qualquer ato normativo. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 24 . será agregado e se eleitor. ou seja. Na perda não há expectativa de retorno. O princípio democrático só se compatibiliza como pluripartidarismo. logo. A tendência é o entendimento de que a lei é estricto sensu. A lei do Art. irá para a inatividade. A autonomia deverá observar isso. Unipartidarismo e bipartidarismo são sistemas próprios de ditadura.

A constituição pode coincidir ou não com a soma dos fatores reais de poder. reis. território (geográfico) e governo/soberania (político). Na sociedade há vários fatores reais do poder (exército. meios de comunicação etc) que defendem interesses próprios. não há juízo de conveniência e oportunidade. não a mera folha de papel. Concepções clássicas sobre constituição: 1. A maioria hoje tem constituição em sentido formal em razão do movimento constitucionalista do final do século XVIII. O objeto da constituição é um objeto aberto (não hermético) e dinâmico (não estático). conclui-se que todo Estado tem uma constituição em sentido material. e todas as suas conseqüências. ou seja. Embora a idéia de limitação de poder venha desde a Magna Carta (1215). banqueiros. Sociológica: Ferdinand Lassalle (A essência da constituição). não (ex: juros não ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 25 . Há uma acomodação entre eles  soma dos fatores reais do poder  esta é a verdadeira constituição. Partido político é uma agremiação que objetiva chegar ao poder dentro da legalidade. O registro no TSE não tem natureza constitutiva. Acesso gratuito apenas ao rádio e TV. O que é constituição? Depende do ponto de vista. Hoje. formam um objeto. Nem todo Estado possui constituição em sentido formal: documento escrito e formalizado (ex: Inglaterra. caso contrário. seu estatuto é registrado na forma civil. O TSE só negará o registro se ele infringir os princípios. O movimento deu origem às constituições dos Estados Unidos e da França. Os partidos têm direito a recursos do fundo partidário. é o complexo normativo que disciplina os elementos de um determinado Estado. Se a constituição escrita reflete os fatores reais de poder ela irá durar. pelo processo político-eleitoral. 99% dos países têm. líderes religiosos. Entende a constituição como real ou efetiva e como escrita ou formal. Há constituição sem Estado? Constituição da União européia em processamento – adotada por algo que não é um Estado. Para ele constituição real é a soma dos fatores reais de poder. Israel). Assim. A constituição vai tratar dos elementos do Estado: povo (humano). e não à base da força (característico de grupo revolucionário). TEORIA GERAL DA CONSTITUIÇÃO Constituição em sentido comum é o conjunto de elementos de alguma coisa.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Natureza jurídica: pessoa jurídica de direito privado. Ela tem que dar as respostas que a sociedade precisa. vai mudar conforme as mudanças da sociedade exigir. ainda sem definição do que é. Em sentido jurídico é o conjunto de elementos que formam e estruturam o Estado.

sem eficácia (ex: Art. mas não correspondia à soma dos fatores reais do poder). Sentido lógico-jurídico: é norma hipotética fundamental que seria fonte de validade da constituição jurídicopositiva. Força normativa da constituição: Konrad Hesse. O que está no topo do direito positivo é constituição: é norma suprema que gera as inferiores. Este é o sentido jurídico-positivo (direito criado pelo homem – direito posto). qual é o fundamento de existência da constituição? Como a constituição ocupa o ápice da pirâmide do direito positivo. O que é símbolo pode chegar a ter força normativa. Sentido jurídico-positivo: constituição é a que está dentro da ordem jurídica positiva. Kelsen diz que o fundamento está fora do direito positivo. 7º. sem conteúdo de constituição. 2. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 26 . Leis constitucionais: algo que tem natureza de lei e forma de constituição. é algo hipotético e lógico. no ápice da pirâmide. CF). Jurídica: Hans Kelsen (Teoria pura do direito). IV. Constitucionalização simbólica: Marcelo Neres. O que não for não é constituição. Não tem decisão política fundamental (ex: Art. Concepções modernas: 4. Mesma noção de poder constituinte. É aquele sem a qual o Estado não existe.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO superiores a 12% ao ano foi escrito na CF formal. É constituição em sentido lógico-jurídico (fora do direito positivo – dentro do hipotético). Instituições essenciais ao Estado que precisam ser decididas. Isso em razão da força normativa da constituição. Princípio da compatibilidade vertical. Política: Carl Schimitt (Teoria da constituição). O direito positivo é representado por uma pirâmide – hierarquia entre as normas. 208  lei constitucional – substância de lei e forma de constituição). Há coisas que funcionam como símbolos. apenas tem forma de constituição. está no plano do direito pressuposto. o fundamento de existência da lei é a constituição. A norma da constituição existe porque algo no mundo fora do direito positivo autoriza  norma hipotética fundamental (direito pressuposto # direito posto – direito positivo). Art. Constituição é decisão política fundamental. A constituição não necessariamente será a parte mais fraca e perdedora num conflito entre o que a constituição quer e a soma dos fatores reais de poder. Por isso. O fundamento da existência do regulamento é a lei. A constituição pode mudar a realidade diante de um embate. 5. se tornar realidade – algo a perseguir (não insincero). 1º. o legislador não é sincero ao elaborá-la. puro dever-ser. A norma é simbólica. não há como procurar fundamento dentro do direito positivo. Critica Lassalle porque entre a constituição e os fatores reais de poder a constituição pode imperar e não ceder – tem que atuar no mundo real (RE 328812). Constituição é norma pura. 3. CF  decisão política fundamental.

está aberta às necessidades da sociedade (EC.é formada ao longo do tempo. A CF/88 não esgota a constituição brasileira. Constituição aberta: Peter Häberle. A CF de 1967 foi aprovada pelo congresso (poder constituído e não constituinte – tinha sido eleito para elaborar leis e não constituição) tipo especial de constituição outorgada. 1946 e 1988). A constituição deve ser um documento permeável. revisão constitucional. Assim como se tem elementos escritos na constituição não-escrita (costumeira). decisões do STF. A de 1969 vem formalmente como EC 01 da de 1967. escritos e nãoescritos. A constituição escrita pode ser: codificada (um único texto escrito – CF/88). soberania do parlamento. esta todo Estado tem. 5º. Corresponde ao constitucionalismo inglês. outorgada (é a constituição imposta – constituições de 1824. Classificação das constituições: Quanto ao conteúdo: pode ser material – conteúdo de constituição. por isso lá não se fala em controle de constitucionalidade. Não-escrita ou histórica . como modificou tudo. A classificação de escrita e não-escrita é fluida. Carlos Roberto Siqueira Castro. e a interpretação do STF tem que ser considerada. formada por: leis escritas de matéria constitucional. o processo de emenda é mais rígido). São três elementos. 1934. com autorização do legislativo. nem todo Estado possui. não fechado. há também elementos não–escritos na constituição escrita (CF/88  Art. flexível ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 27 . ou formal – formalizada como constituição. mutação – mudança informal da CF. portanto. são abordagens diferentes sobre o que é constituição. não hermética. Quanto à origem: a constituição pode ser democrática (promulgada ou popular – elaborada por representantes do podo – constituições de 1891. não fechada. principalmente pelo constitucionalismo dos EUA (1787) e da França (1791). 1937. Paulo Bonavides. conceitos jurídicos indeterminados respondidos por outro direito). o que está escrito não exclui o que está implícito. por decisões judiciais escritas (que interpretam as leis de matéria constitucional – cases law e as que interpretam costumes: common law) e pelas convenções constitucionais. que são acordos parlamentares não escritos. trata-se de uma nova constituição. § 2º). É uma idéia que advém do constitucionalismo. Quanto à forma: pode ser escrita ou dogmática – alguém/grupo raciocina e escreve a Constituição. Quanto à estabilidade: a constituição pode ser rígida (a estabilidade é maior porque ela não pode ser formalmente alterada pelo mesmo processo de lei ordinária.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO 6. 1967 e 1969). Celso Bastos. O Judiciário não pode examinar a soberania do parlamento. Na não-escrita parte dela pode ser escrita (ex: Inglaterra). As seis teorias não necessariamente se excluem. não-codificada (em vários textos escritos ou esparsos). Há elementos.

É fonte de hermenêutica constitucional. não obriga as leis ordinárias. Quanto à extensão: pode ser concisa (ou breve – EUA) ou prolixa (ou longa. O processo de fazer lei ordinária é o mesmo de emenda). dá os objetivos almejados – consequentemente é mais extensa – CF/88) e balanço (não garante.. apenas para perpetuálo. só descreve a realidade – antigas constituições soviéticas). Alguns chamam a flexível de plástica. Fazer lei ordinária é o mesmo que fazer emenda.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO (baixa estabilidade porque pode ser mudada por lei ordinária. Classificação ontológica de Loweinstein: Segundo essa classificação a constituição pode ser: Normativa: é a que consegue se impor à sociedade. Pode ser ainda classificada como semi-rígida (metade pode ser modificada por lei ordinária). (. natureza jurídica seria a mesma – e quanto à hierarquia? Daí se deduz que só há supremacia na constituição rígida. serve para manter o poder de quem está lá – não serve para limitar o poder. o controle e a supremacia. Mas a plástica para outros é considerada como aberta – plasticidade para se adequar. dirigente (dirige o futuro do estado e da sociedade. não há contradição (ADI 2076) e não tem que ser reproduzido nas constituições estaduais. ampla – CF/88). Quanto à finalidade: a constituição pode ser garantia (serve apenas para garantir direitos – EUA). Estrutura formal da constituição: Preâmbulo: existem duas teses a respeito da natureza jurídica do preâmbulo. enquanto uma outra diz ser norma. Na CF/88 não tem sentido. Pelo controle de constitucionalidade se expurga lei incompatível. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 28 . logo. Base do estado democrático é a constituição rígida. que modifica o processo político da sociedade. nem dirige. embora tente a concretização. O preâmbulo para a hermenêutica constitucional deve ser utilizado (interpretação da parte dogmática).. porque tudo que está nele está no próprio corpo de constituição. Proteção de Deus X liberdade religiosa (parte dogmática). ele é dotado de força normativa. ele não obriga. São aquelas em que o processo de poder está de tal forma disciplinado que as relações políticas e os agentes do poder subordinam-se às determinações do seu conteúdo e de seu controle procedimental. Uma primeira diz ser ele mera comunicação. Nominal: constituição que não conseguiu ainda modificar o processo político da sociedade. copiar do Lenza) Semântica: não serve para mudar a realidade. Estariam excluídos os ateus e os politeístas – como não tem força normativa.

A organização do estado não pode ser mudada pelos poderes constituídos. “o belo”). por sua vez. Siéyès propôs uma proporcionalidade “eleitoral” entre os representantes dos estados (clero. Propõe mudar os estados gerais do reino. Disposições transitórias: faz transição – constituição quer dizer dirigir – tem realidade atual e futura – como atuar neste período. que. Dar-se uma estrutura e um regramento por meio de uma constituição. na pauta de deliberação dos estados gerais do reino estava a questão tributária (a burguesia perdia sempre na votação). inclusive mudar a forma dos estados gerais do reino. mas não ficou claro se a votação seria por cabeça. A burguesia rompe com os demais estados gerais do reino. sem eficácia. não é revogado. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 29 . cria os poderes constituídos. Utilização da transitoriedade como símbolo – intenção de permanência. A mesma definição de constituição existe: Poder constituinte material: sempre existiu. O clero e a nobreza eram muito próximos e gozavam de privilégios tributários. que. ele dá a estruturação do Estado. formando uma assembléia nacional constituinte. daí surge a idéia de poder constituinte. 2º estado: nobreza. A nação não é refém da constituição. É texto constitucional. só a burguesia pagava tributos. Esta obra diferencia o poder constituinte (deriva da nação) e poderes constituídos pela primeira vez. PODER CONSTITUINTE É o poder que tem o povo de dar-se uma constituição. desde que existe o Estado. que aconselhavam o rei em determinados assuntos. a exemplo da CPMF na ADCT  não há sinceridade constitucional. Isso não seria imutável? Não é imutável. segundo Montesquieu. continua em vigor. 1º ADCT: dispositivo etéreo. só pode ser mudada pelo poder constituinte. Art. é mais fácil quebrar a resistência. A França passava por uma situação econômica grave. O poder constituinte formal teve como marco histórico a obra de Emmanuel Joseph Siéyès – O que é o terceiro Estado? – A constituinte burguesa ou Qu’est ce que letiers é’tat de 1788. conteúdo pelo poder de decidir.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Parte dogmática: parte comum do Art. nobreza e burguesia). porém. 1º ao 250. Os poderes constituídos são limitados pela constituição. 600). aplicabilidade se esvai. pertence à nação (povo). 300. ela pode mudar a constituição. além de o voto ser por cabeça. É possível se fazer um paralelo entre a relação sócios  contrato social (Estado = sociedade política). Poder constituinte formal: poder de escrever essas constituições materiais em uma formal. É um poder que sempre existiu como sempre existiu a idéia de constituição material. Existia na França os Estados Gerais do Reino em 1302 (criado por Felipe IV. Houve de fato uma proporcionalidade (300. povo  constituição. O poder constituinte é que cria a constituição. até se tornar dogmática. donde surge a revolução francesa. que é ilimitada. era um órgão consultivo formado por três estados (1º estado: clero. 3º estado: burguesia).

A justificativa do direito natural pode ser divina. Corrente adotada pelo Brasil. não há representante. Do poder constituinte pode surgir um poder desconstituinte. O ministro Carlos Aires explica essa tese fazendo uma analogia com o apagador e o giz. clássicos (executivo. ele tem que entregar este poder a um agente. histórico. É um só. não pode reiniciar uma nova ordem constitucional. O poder constituinte é ilimitado. decorrente. Poder constituinte secundário seria contradição. Falar em poder constituinte originário seria redundante. para outros são apenas os cidadãos. aquela que tem mais de um significado. A expressão “povo” não é unívoca. ele simplesmente existe. 1º. ou seja. tudo começa com ele – Hans Kelsen e juspositivistas. O restante são poderes constituídos: poder de reforma. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 30 . O Brasil não adota o jusnaturalismo. Para uns o povo são as pessoas que estão no estado. O titular não pode exercer por si mesmo o poder constituinte. O poder constituinte não existe por um fato histórico. aquele que pode tudo. ela é plurívoca. ele própria é a fonte de sua existência. Pode haver ainda o ato puro e simples de outorga imposto pelo ditador. Divisão clássica do poder constituinte: Originário/primário e Derivado/secundário (reformador ou decorrente). ele é constituído. refundar uma nova ordem jurídica. Pensamento moderno sobre poder constituinte: não existe a distinção entre originário e derivado. abrangeria inclusive as pessoas jurídicas. O derivado reformador modifica esta constituição. legislativo e judiciário). 2ª corrente: é um poder de direito/jurídico (Tomaz de Aquino – jusnaturalistas) de direito natural. O poder constituinte é o único que pode desconstituir a ordem jurídica anterior. CF) # de agente do poder constituinte ou exercente. É o que faz nascer a constituição. O originário faz uma nova constituição. O poder constituinte secundário não existe. ele é também poder desconstituinte.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Natureza jurídica do poder constituinte: 1ª corrente: é um poder de fato. ou não-divina. grupos com personalidade fictícia etc (Frederic Müller – O Povo). ou ainda. ele existe autorizado pelo direito. enquanto o decorrente compreende as constituições estaduais e as leis orgânicas municipais (divergência quanto a este último). O titular do poder constituinte é o povo (parágrafo único do Art. os estrangeiros. ele próprio se funda. O verdadeiramente constituinte é o poder de escrever. ele é auto-fundante. Para o concurso esta ainda é a melhor classificação. porque ele é limitado. Os agentes/exercentes serão representantes que poderão ser eleitos (Assembléia Nacional Constituinte) ou ainda não eleitos: líderes revolucionários que tomam o poder e escrevem a constituição. logo.

Ele é inicial (poder de fato e não de direito – juspositivismo).. logo.. desde que previsto expressamente no texto constitucional novo (Ex: Arts. assembléia nacional constituinte não). ideologias). caso contrário. A ruptura pode ser pacífica. É único. 1891: república. A forma que iniciou a CF/88 foi uma emenda à constituição anterior que chamou uma assembléia nacional constituinte que tem poderes ilimitados. éticos. Em 1824: proclamação da independência. 17 e 18 da ADCT). não coexiste com outra ordem jurídica superior ou colateral. ele não é constituinte. 1937: ditadura. Há outros limites. 1946: saída da ditadura. A regra é a recepção desses institutos em favor da segurança jurídica. culturais. que não são jurídicos (meta-jurídicos ou extra-jurídicos. o demais é reforma). políticos. não fica limitado pela ordem jurídica anterior. autônomo. Jorge Miranda divide as limitações meta-jurídicas em ideológicas (ligadas à opinião pública. por transição. Ele pode se manifestar de diversas formas. Pela divisão moderna o poder constituinte originário é chamado de poder constituinte fundacional. CF. e o desejável é que seja por representantes eleitos para uma assembléia nacional constituinte. É manifestado em momentos de ruptura na sociedade (Jorge Miranda). 1ª vez funda o Estado. que no caso do Brasil só teria existido em 1824. Assembléia nacional constituinte trabalhou de forma ilimitada em 1988. sem violência (CF/88. internacionais etc. não limitado à constituição anterior (emenda tem limites. não tem que respeitar direito adquirido. claramente. Limites autoimpostos não são verdadeiros limites. o processo de surgimento de uma nova constituição é político. morais) que vão limitar o poder constituinte originário. A ilimitação do poder constituinte originário é a falta de limites jurídicos. Legislativo. é o verdadeiro poder constituinte (é o que faz nascer a primeira constituição de um Estado. Poder constituinte originário: é o poder que cabe ao povo de darse uma nova constituição. Isso em nome da segurança jurídica. institucionais 31 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . § 6º. 1988: nova redemocratização.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO A nossa CF coloca o poder de reforma dentro de um poder constituído. 1934: movimento constitucionalista. coisa julgada e ato jurídico perfeito. Características do poder constituinte originário: não há nada acima o poder constituinte originário. 231. Austrália). Mas ela pode ser também violenta (belicosos ou beligerantes) como os golpes de estado e revoluções. sociológicos. Voltando à classificação clássica. 1967/1969: nova ditadura. metrópole que concorda com a independência da colônia e entrega a primeira constituição – Inglaterra entregou ao Canadá. É ilimitado juridicamente ou incondicionado. consideram-se recepcionados pela nova constituição (recebe leis e conseqüências dela). valores. Art. a exemplo do limite da vedação do retrocesso. ele inicia tudo.

por si mesma. Alguns senadores que estavam no meio do mandato (não foram eleitos) foram constituintes – falhas na assembléia de 1988. 3. Legitimidade da constituição fruto do poder constituinte originário: 1. se não. a exemplo da família). promulgação (ato final de uma assembléia nacional constituinte). por referendo (povo se manifesta sobre o trabalho elaborado) ou por plebiscito (o povo autoriza que se escreva uma constituição). Pode se dar por outorga (força). é ilegítima. Representantes ao mesmo tempo eleitos para legislar e elaborar a constituição. o procedimento constitucional. Na CF/88 foi grande. Se obedecidas é legítima a constituição. A assembléia nacional constituinte possui regras de funcionamento. foi dentro do Congresso Nacional. Todos os critérios de legitimidade devem ser observados em conjunto. Críticas: só em caso de assembléia. Para ser legítima a constituição deve ser democrática na prática e não só na origem. se for outorgada não há procedimento algum. Na democracia o próprio poder do povo tem que ser limitado por valores (há autores que assim entendem). quando não são a mesma coisa. a assembléia nacional constituinte mudou. A sociedade não aceita. Vivência democrática: a constituição tem que ser legítima na origem e na prática. 2. Critério usado com cuidado. desde que isso não implique ferimento ao direito das minorias. pois uma maioria pode querer esmagar uma minoria. Não se estende a terceiros que não participam da assembléia. Participação efetiva do povo: influxo popular. é legítima a constituição. Obediência ao procedimento constituinte. Uma constituição pode nascer ilegítima. imanentes (dizem respeito à configuração histórica do estado) e heterônomas (ligadas às relações internacionais). A própria assembléia estabelece as regras. Obedecer as regras do regimento interno da assembléia é legalidade e não legitimidade.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO (instituições arraigadas na sociedade. onde se encaixa o pluralismo democrático? Há o perigo da tirania da maioria. Torna legalidade o mesmo que legitimidade. Em 1988 não foi uma assembléia a parte. Parte do direito posto. Será legítima na origem quando há eleição para a assembléia nacional constituinte e quando há participação do povo no processo constituinte. A de 88 32 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . e todas seriam ilegítimas. Juridicamente não há limites. direitos humanos conexos com a dignidade). Consensus: se o desejo da maioria da sociedade prevaleceu. O tempo pode provocar a legitimação ou a deslegitimação. E é um processo contínuo e não apenas em 88. ou o inverso (ser deturpada). Positivação da constituição: momento em que a constituição é introduzida no ordenamento positivo. Em 88 o procedimento de votação não foi obedecido. substanciais: transcendentes (vem de valores éticos superiores. mas com o tempo pode se legitimar. mas isso não a torna ilegítima. como ela está presa às próprias regras? Não é verdadeiro limite. logo. nova ruptura pode ocorrer caso esses limites meta-jurídicos sejam ultrapassados.

há a não recepção. mas o tempo já a legitimou e nem tudo foi ilegítimo. Desconstitucionalização: nova constituição aproveita texto da velha constituição como lei ordinária e não mais constituição. Este fenômeno tem que ser sempre expresso no ADCT. não precisa ser expresso. A lei anterior tem que ser materialmente compatível. A não recepção demonstra a ocorrência de uma inconstitucionalidade material superveniente. apesar de não necessário. ADCT: revogação futura por ser incompatível – após 180 dias da promulgação.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO pode até ter sido considerada ilegítima. Recepção: como regra a constituição recebe todas as normas que não colidem com ela. ADCT tem texto explícito nesse sentido. fenômeno não automático). pois o que revoga é algo do mesmo nível. 29. Modificar a constituição que já existe a fim de alongar sua duração. CTN – era lei ordinária). ADCT – até que se instalem novos tribunais. Art. automático. quando seria possível em face da ilimitação e autonomia do poder constituinte originário. § 3º (prorrogação do regime jurídico para membros do MP empossados antes da CF/88). 27. Poder Constituinte Reformador: poder de reforma. A completa ruptura não é atualização. mas todos continuam em vigor até hoje. 25. As alterações constitucionais podem ocorrer por processos: ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 33 . Prorrogação: é possível prorrogar normas anteriores de constituição precedente (tem que ser expresso. § 1º. Art. não é automático. chamada pelo STF de revogação (equívoco. Este fenômeno é implícito. a sociedade é dinâmica e se a constituição não mudar. 25. 34. Regra geral não é aceita no ordenamento brasileiro. há um descompasso. mas não para ser eterna. Normas da constituição anterior são recepcionadas com status de lei infraconstitucional. Fenômenos do direito constitucional intertemporal: relação da nova constituição com o que já existia. Art. como uma lei revoga outra lei). 70 da ADCT. § 5º. Há uma tensão permanente entre durabilidade (permanência) e mudança (atualização). ela tem que mudar para durar. e por isso a norma será revogada (STF). Art. A constituição é escrita para ter durabilidade. ela repristina. 34. Arts. Para que o fenômeno ocorra é preciso que seja feita expressamente. Se ela se choca. o conteúdo foi aproveitado – CP. por exemplo. mas nova constituição. Várias normas inferiores não podem ser desprezadas porque provocaria um vazio normativo. Repristinação: lei que não tinha sido recepcionada por constituição anterior passa a valer com uma nova constituição. A não recepção só se dá por incompatibilidade material (conteúdo) e não a forma (em 88 não existe mais decreto-lei.

E ainda uma terceira hipótese de alteração formal por tratados de direitos humanos (entram como EC). O STF não tem o exercício direto ou delegado do povo: discutir a legitimidade política do STF (que tem o poder constituinte reformador) para eventual mandato no lugar da vitaliciedade ao menos. Todo poder emana do povo  representantes eleitos  STF (?!?). conceituação de termos jurídicos indeterminados etc. Limitações ao poder de reforma: Temporal: por exemplo. em determinadas circunstâncias fáticas não está autorizado alterar a CF. Possui força superior que o limita. Poder constituinte difuso: ele é latente. § 2º. Se dá pela jurisprudência. CF e 3º do ADCT). 60. Ex: guerras. significado. exerce o poder constituinte reformador. 60. EC é alteração formal pontual e revisão é alteração constitucional global. Características do poder constituinte reformador: é poder derivado e não inicial. sempre se manifestando. interpretação doutrinária por força de conceitos jurídicos indeterminados etc). É também subordinado ao poder constituinte originário. 102. O STF já disse não ser possível nova revisão. Iniciativa da PEC: 1/3 da Câmara dos Deputados ou do Senado. presidente da república e mais da metade das assembléias legislativas da federação – maioria relativa dos 34 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . rigidez para elaboração de EC. Será inconstitucional se a mudança informal por jurisprudência ou doutrina ferir a literalidade da constituição (ex: Art. essência. Aqui foi adotado emenda para tudo em para um único momento a revisão. mas a CF não reconhece). interpretação da doutrina. seja declarando a constitucionalidade ou inconstitucionalidade. Art. CF – jurisprudência admite efeito vinculante às cautelares! Após a lei também reconheceu. é poder limitado ou condicionado. Essa limitação material pode ser expressa ou implícita (interpretação sistemática e teleológica). A constitucional não tem ofensa à literalidade da constituição com a mudança informal (evolução da jurisprudência. Informais: muda o conteúdo. O STF. Formal: para mudar é necessário emendas que obedeçam a determinada forma preestabelecida. Material: certas matérias não podem ser objeto de mudança devido à grande importância material. Chamado de mutação. Se dão por emenda constitucional ou revisão constitucional (Art. O que diferenciou ambos aqui no Brasil foi o quorum e o momento que pode ser feito e não se ela é pontual ou global.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Formais: muda a letra da constituição. A mutação pode ser constitucional ou inconstitucional. CF: limitação formal (rigidez). não pode ter EC nos próximos cinco anos. Circunstancial: com certos fatos não se muda a constituição. quando se revê toda a carta.

Sessão legislativa ordinária  15/02 a 31/06 e 30/07 a 15/12). Há doutrina que diz que se aplica por analogia. há mais dois turnos de votação a fim de evitar alterações emotivas. O vício já se encontra na fase de tramitação legislativa – sequer pode haver a PEC. que é diferente do da elaboração de lei complementar e lei ordinária. 60. nem toda mudança na federação será tendente a abolir a forma federativa. CF: limitação formal. Art. CF: limitações materiais: cláusulas pétreas. CF: PEC rejeitada ou prejudicada não pode ser mais objeto de proposta na mesma sessão legislativa. Não serão objeto de deliberação. 67 da CF: proposta de lei rejeitada pode ser reproposta na mesma sessão legislativa se houve um pedido da maioria absoluta de qualquer uma das casas. refletir tranquilamente – amadurecimento da decisão de mudança constitucional. § 3º. Segundo o STF. 60. Pode romper. Art. estado de defesa ou de sítio. não precisa ser mudada. EC promulgada pelas mesas da Câmara e do Senado. Além do quorum elevado. Fase preventiva (controle preventivo judicial . CF: limitação formal. é fraude à idéia dos dois turnos (os Arts. pode mudar para aproximar de um ou de outro.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO membros de cada. Art. intervenção. Federação: foi cláusula pétrea desde a constituição de 1891. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 35 . cabendo iniciativa popular implicitamente (somente para prova subjetiva). § 1º. Não é possível ao povo propor EC: não cabe por iniciativa popular. há previsão de quorum de 2/3 (66. Os instrumentos para solucionar já estão nela. Rigidez do procedimento. formal (maioria) não pode a PEC rejeitada outras podem. Estado de sítio e de defesa. Há vários modelos de federação. Sessão legislativa corresponde a 1 ano (de 15/02 a 15/12. ela já deu as soluções. Art. a legislação emotiva é perigosa. Não é o maior quorum da CF (3/5 = 60%). Mudar competências dos entes pode. tem que ser algo refletido. Art. § 4º. 60. CF: limitação circunstancial: intervenção federal. 28 e 32 da CF estabelecem interstício mínimo de 10 dias para votação em 1º e 2º turno). mudar não. A EC/45 é inconstitucional sob esse prisma formal. O STF oscila no critério de definição de “tendente a abolir”. Não tem uma posição predefinida ou um parâmetro. Apesar de não estar expresso. Na Câmara já fizeram a mesma coisa com a EC/47. não é algo tendente a abolir. § 2º. Nas situações mais graves a constituição não pode ser modificada (guerra). Não se confunde com o Art. 60.MS). A justificativa é não mudar na base da emoção. conjuntamente. Na sessão legislativa extraordinária a PEC também não pode ser reapresentada – limitação de natureza: temporal (minoria) não existe limitação temporal na nossa PEC. 60. 1º e 2º turnos no senado votado no mesmo dia – fraudaram o § 2º do Art. A constituição confia nela própria.6%). § 5º. 60. Basta ser tendente a abolir matéria de cláusula pétrea e não apenas abolir. Não pode dizer que será desfeita (acabar com a indissolubilidade). Uma modificação qualquer não necessariamente será tendente a abolir.

5º e fora dele também (o fundamento dessa corrente é que não se deve limitar demais as mudanças da CF. Tudo tem uma conotação individual. Há várias formas de se justificar a ampliação. ficando preso às idéias de 1988). somente os individuais são cláusulas pétreas. Uma segunda forma (Ingo Sarlet) é interpretar direitos coletivos. Segundo o STF é possível mudar nosso modelo. instituindo muitos pontos como cláusulas pétreas. coletivas. Uma delas é a busca dos fundamentos do Estado brasileiro. por isso a dificuldade em saber a abrangência. São os direitos fundamentais (individuais. Vários ministros do STF adotam essa tese. secreto. As emendas é que são exceção ao poder de durar a CF e não as cláusulas pétreas. não se deve dificultar demais as mudanças. 5º. periódico. sociais e difusos como projeção individual. logo. a emenda (cláusulas pétreas) deve ser interpretada ampliativamente (quando se amplia as cláusulas pétreas se restringe as emendas. e outros que estão no Art. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 36 . os direitos coletivos e sociais não são cláusulas pétreas (MS coletivo não é!?). tudo se encaixa na própria literalidade. Emenda é? A regra é a permanência ou a mudança da CF? A mudança por emenda é exceção. sociais e difusos). 3ª ou 4ª dimensão. Direitos e garantias individuais: essa expressão é a única referência na CF. Obrigatório não é cláusula pétrea. Amplia-se as cláusulas pétreas para restringir as emendas. universal e periódico. A ascensão ao poder no Brasil é meritocrático e temporário. Alguns dizem que são encontrados apenas no Art. É preciso que se faça interpretação maior do que a meramente gramatical. prevalecendo a regra de permanência). no título II tem alguns que não são. A doutrina desenvolveu duas linhas interpretativas. sejam de 1ª. Os materiais (Carlos Veloso) são todos os vinculados à vida humana digna. difusos coletivos). sem que isso seja tendência a abolir a separação dos poderes (tanto que admitiu o efeito vinculante). Busca-se a finalidade constitucional das cláusulas pétreas.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Voto: direto. “O povo de ontem não é o mesmo povo de hoje” – 1988 e 2006. O STF não resolveu este problema ainda. Na verdade a cláusula pétrea protege a regra. 1º da CF. Há vários modelos de freios e contrapesos. Interpretação ampliativa  propõe uma hermenêutica sistemática teleológica. Interpretação restritiva  propõe uma hermenêutica literal. que estão no Art. Concluise que a finalidade é proteger os direitos fundamentais em todas as suas projeções (individuais. Como terceira forma de interpretação está a do ministro Carlos Aires de Brito: aplicar a regra geral de que o que é exceção tem interpretação restritiva e o que é regra tem interpretação ampliativa. Separação dos poderes: o mesmo raciocínio para a federação. Logo. pois se forçaria uma ruptura com o ordenamento. 2ª. Poder moderador ou fim da independência não é permitido.

interpretando os incisos do Art. O povo querendo mudar pode. mas contornáveis (Jorge Miranda também). ADCT). § 4º de forma maior. A CF envolve a democracia para protegê-la. 60. Ela é o ponto central da constituição. A doutrina é unânime em dizer que existem cláusulas pétreas implícitas: 1. Rigidez constitucional. MP é instituição permanente: Hugo Nigro defende (Art. Titular do poder: povo. ADI 981/93: só pode ser feita uma única vez. 2ª) Não. Não flexibilizar o processo de novas emendas. Exercente do poder de reforma: Congresso nacional. Limitação temporal e limitação implícita de não facilitar o processo de EC. é cláusula pétrea. a democracia não pode ser uma cláusula pétrea. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 37 . que é mais importante do que as cláusulas pétreas. logo. O poder de reforma não pode se auto-limitar. pode. O MP é uma das barreiras protetivas da democracia. As do § 4º. 2. 3ª) São legítimas.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Pode ter EC ampliando os direitos e garantias individuais. O constituinte originário decidiu que elas não podem ser alteradas. 3. Há hoje um discurso de se chamar nova revisão constitucional (Art. As cláusulas pétreas são insuperáveis. 4. CF são expressas. e por isso deve realmente ser entendido como cláusula pétrea (Art. A democracia não é cláusula pétrea. Não é possível ampliar o rol de cláusulas pétreas pelos mesmos motivos (há quem diga que pode). pois não se pode negar ao povo de hoje a capacidade de mudar o que precisar mudar. A democracia é o valor protegido pelas cláusulas pétreas e não as próprias cláusulas pétreas (Carlos Ayres de Brito). 127) que o MP é cláusula pétrea. Revogar cláusulas pétreas. 5. Essa parte da doutrina defende a dupla revisão. o que não quer dizer que o alcance das que já existem não pode se elastecer. As cláusulas pétreas seriam ilegítimas. Art. como outras colocadas pela CF (forças armadas). 3º. mais um ponto da mesma cláusula pétrea. apenas o originário pode. não pode por EC chamar novas Ecs. 60. Dificultar o processo de emendas: não é possível. o rol em si mesmo é uma cláusula pétrea? Existem três correntes: 1ª) Sim. seria reduzir o valor da democracia. Ex: celeridade processual. O reformador não pode criar limites para ele mesmo. 217). Princípio da dignidade da pessoa humana. o rol não é cláusula pétrea. Elas existem para proteger a democracia. Existem várias barreiras de proteção à democracia e a última proteção constitucional mais próxima são as cláusulas pétreas.

Na CF dos EUA de 1787 haviam 3 artigos sobre escravidão. É possível emenda para dificultar o processo de emenda? Em Weimar (constituição da Alemanha) a ausência de cláusulas pétreas permitiu a flexibilidade da constituição. dizendo que a hipótese de pena de morte contraria cláusula pétrea. o que não pode ser aceito pela doutrina majoritária. para abolir a escravidão dos EUA era quase impossível. nem referendar após a instituição. 3º. De outro lado. A maioria da doutrina é unânime em dizer que não é possível facilitar o processo de emenda. EC pode abolir?? Há quem o defenda como cláusula pétrea (Hugo Nigro). Sempre foi. Há doutrinadores que entendem que se pode dificultar o processo de emenda. Em 1993 houve a possibilidade de por revisão constitucional aprovar emendas em um turno e por maioria absoluta (Art. mas em 88 não foi consagrada expressamente no § 4º do Art. ainda provocaria a superrigidez da constituição. menos rígida. Há autores que entendem ser possível e outros não. Isso porque haveria plebiscito para a confirmação (Art. além de ser auto-limitação do poder reformador. 2º. Até hoje se diz que essa emenda que aboliu a escravidão é inconstitucional. A federação e a separação dos poderes estão ligadas à idéia de república (Art. Em 97 a CCJ deu parecer pela inadmissibilidade. Há uma PEC de instituir o parlamentarismo em 2007. por isso ocorreu a Guerra Civil de Secessão dos EUA (1861 a 1865). emenda que aumente os requisitos para emendas futuras. 127. A nossa é preciso de 3/5 (60%) sem ratificação dos estados. 60. ADCT). Para a maioria dos autores que entendem ser possível diz que poderíamos ter novo plebiscito sobre o tema. Nova constituição é momento raro em que o povo se envolve. CF). A CF também diz que outras instituições são permanentes (Art. a rigidez exacerbada também pode ser um problema. A 38 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . o que foi um problema (Hitler fez o que quis). Existe no CN propostas de nova revisão. que levou à elaboração da emenda 13 da CF. Art. Mas se a dupla revisão for acompanhada de plebiscito ou referendo poderia. § 4º). e em 98 foi arquivada. É inerente à república o voto periódico. uma delas para 1º/01/2007. CF: MP é instituição permanente. além de ¾ dos estados ratificarem. com referendo cinco anos após. 60. Portanto. Não ficar escravo de 1988. sem ele não. por isso numa reforma (decisão cotidiana) o povo não está envolvido e por isso não seria possível. No Brasil não se enfrentou o problema da dupla revisão. o que impede a instituição de uma monarquia. República: prova objetiva não é cláusula pétrea. Daí em diante seria considerada cláusula pétrea. ADCT). 144.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Uma EC para revogar a cláusula pétrea e outra para mudar a constituição. Na constituição dos EUA de 1787 é preciso 2/3 (66. PEC 01 de 06/10/88: sobre a instituição da pena de morte. 6%) na Câmara e Senado.

25. O STF terá que decidir. entendidas como preceitos As cláusulas pétreas podem ser utilizadas como princípios de hermenêutica constitucional. Tem autonomia no âmbito do estado respectivo. Aprovação em cada casa. As propostas seriam inconstitucionais. 3º. 3º. 3º. Revisão: prevista pelo constituinte em 1988. e limitado.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO emenda que chama nova revisão é uma emenda que facilita o processo constitucional de novas emendas. É poder derivado. subordinado características do poder de reforma. § 3º). quando já tinham status constitucional por força do § 2º do Art. Outro procedimento de alteração formal da CF são os tratados e convenções internacionais de direitos humanos (Art. dois turnos e 3/5 de votos. As cláusulas pétreas podem ser fundamentais (ADPF) para alguns autores. Encontra-se o poder constituinte derivado decorrente no Art. não seria possível nova revisão constitucional. CF e Art. São equivalentes a emenda (mesma força de EC). limitações materiais não previsto pelo Art. Lei orgânica municipal: Art. parágrafo único do ADCT. Há alguns autores que não admitem o município como entidade federada (José Afonso da Silva). não é sempre a constituição 39 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . Alguns autores o julgam inconstitucional porque restringe o alcance dos direitos humanos – mesmos requisitos formais da emenda. lei orgânica municipal X constituição estadual  depende. nem o federal podem fazer nova revisão (STF). limitações formais. CF: o poder decorrente não é ilimitado. 29. Plebiscito em 07/09/93 para definir forma e sistema de governo (Art. mas não foi o que o STF decidiu à época. Nenhuma situação foi submetida ainda. Por enquanto esta é a linha do supremo. tocante às cláusulas pétreas. mas o STF admitiu essa limitação. ADCT). São as mesmas Art. 5º. 11. ADCT – limitação temporal de 5 anos). não se falaria em poder constituinte derivado decorrente para eles (minoria). Lei orgânica municipal X constituição federal  CF. mas já disse por três vezes que não pode haver nova revisão. Revisão no Art. no nosso caso. Mas se houver deverá estar limitada também às cláusulas pétreas. tem que observar os princípios da CF. ADCT (na verdade ela só faria sentido se a forma ou sistema de governo tivessem sido alteradas como plebiscito. Toda essa discussão porque há projetos que buscam nova revisão em 2007. mandou que fosse procedida a revisão) as limitações ao poder de emenda estavam presentes por ocasião da revisão (Art. 5º. 11 do ADCT. logo. logo. 2º. Poder constituinte derivado decorrente: é aquele destinado à elaboração das constituições estaduais e das leis orgânicas municipais. Nem o legislativo estadual.

segundo José Afonso da Silva. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 40 . As decisões políticas fundamentais são intimamente ligadas aos princípios. Se lei estadual ou municipal contrariar a constituição estadual numa norma de repetição obrigatória na verdade estão ofendendo a CF. Se ele fizer a repetição facultativa terá que continuar aplicando a CF simetricamente. A constituição estadual tem normas próprias e repetidas da CF. É o mandamento nuclear do sistema. pode prevalecer frente à constituição estadual. quando o STF poderá controlar a do TJ. não cabe ADI contra lei municipal). Podem ocorrer ao mesmo tempo. ADI: obrigatória. ADPF: facultativa. As normas repetidas podem ser obrigatórias e facultativas (ex: medida provisória). indispensáveis ao princípio federativo. sem invadir competência municipal. ou ainda ADI estadual no TJ. verdadeiro alicerce dele. disposição fundamental que se irradia sobre diferentes normas. mas sobre todo o sistema normativo. Ele vem antes das regras. Princípio não se confunde com norma: normas. A hermenêutica constitucional observará os princípios. Ela só será constitucional se atuar dentro de sua competência. A lei orgânica municipal. Integra o sistema de normas.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO estadual porque ela é limitada pela CF e não tem supremacia. portanto. Influenciam a interpretação da norma e serve também para dar harmonia ao sistema de normas. As normas obrigatórias são chamadas de normas centrais da federação. são preceitos que tutelam situações subjetivas de vantagem ou de vínculo. Os princípios são as decisões políticas fundamentais (Carl Schimitt). Se for ação de controle abstrato de constitucionalidade apenas no TJ da decisão da ADI estadual de lei estadual ou municipal cabe RE ao STF (controle difuso ou concreto). Pode dar ensejo a ADI ao STF para lei estadual e para lei municipal (ADPF para o STF. ADC: facultativa. Há uma mistura dos dois tipos de controle de constitucionalidade nos casos de normas de repetição obrigatória (mecanismo excepcional de controle). Se a constituição estadual legislar sobre matéria municipal ela será inconstitucional perante a CF. Os princípios não tem aplicação endógena (apenas na CF). PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Influenciam a própria elaboração das normas jurídicas. Seguindo o mesmo modelo necessariamente. Celso Antonio Bandeira de Melo diz que princípio é o mandamento nuclear de um sistema. compondo-lhes o espírito e servindo de critério para sua exata compreensão e inteligência. exatamente por definir a lógica e a racionalidade do sistema normativo que lhe confere a tônica e lhe dá sentido harmônico.

é concreta. ela não oferece espaço (motivo pode ser um ou outro). e 4º. Há quem entenda como sinônimos regras e normas. federação. presidencialismo). é regrada pela lei. Podem ser classificados em princípios constitucionais e não constitucionais. 2º. Enunciam motivos para a decisão. democracia. da temporaridade. É possível buscar o critério da hierarquia. duplo grau de jurisdição etc). uma delas terá que anular a outra (Dworking fala no sistema do “all or nothing” das regras).Direito constitucional de um Estado). por isso o Direito é o mundo das regras) ela não dá alternativa. Normas e texto também não se confundem: texto é o objeto da interpretação. não dão a decisão concreta. 3. Alguns princípios positivos da CF/88: ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO: José Afonso da Silva divide em: Estado de Direito. contraditório. 1º. Princípio da separação de poderes é positivo positivado. Os princípios constitucionais positivos podem ser: positivos positivados (explícitos. Princípios fundamentais: Arts. 2. Submissão de todos ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 41 . CF. Os princípios constitucionais podem ser gerais (pertencem direito constitucional em geral – no mundo) ou positivos (os que pertencem a uma determinada constituição . expressos) e positivos não-positivados (implícitos. a vontade de quem exerce o poder não é absoluta. Princípio do duplo grau de jurisdição é princípio constitucional positivo não-positivado (é possível saber de sua existência pela interpretação sistemática do texto constitucional que previu tribunais e recursos). “é tudo ou nada” (tem a seguinte estrutura: se acontece A deve ser B – o Direito é o mundo do dever-ser. não expressos). O choque entre princípios não gera a anulação de um ou de outro. Princípios político-constitucionais: são os da ordem política escritos na constituição (república. Canotilho classifica os princípios constitucionais em: 1. norma é o resultado da interpretação. não apontam qual é a decisão. Utilizados na criação. Quando há regras colidindo não há como conciliar. algum vai prevalecer num determinado caso concreto. interpretação e integração das normas. sendo que uma “mata” a outra – “tudo ou nada” (critérios para solucionar o conflito aparente de normas). A regra é algo mais concreto. Princípios Jurídico-constitucionais: são os da ordem jurídica escritos na constituição (ampla defesa. da especialidade. Ela aponta uma decisão concreta Pode deixar de ser aplicada por um princípio. conclusão. Estado Democrático e Componente Revolucionário. Estado de direito: é aquele onde há o império da lei.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Princípio é diferente de regra (Ronald Dworking): o princípio é o motivo para decidir de determinada forma ou sentido.

a prática do nepotismo. O terceiro elemento é o componente revolucionário. utilizar veículo público para interesses particulares. como por exemplo. A rigidez. são condutas antirepublicanas. Existência da res publica – quem exerce o poder administra coisa do povo e não coisa própria. No entanto. responsabilização pelos seus atos – MP. República: o poder é meritocrático. Esse é o verdadeiro. melhorando as condições do povo. também é cláusula pétrea). É aquele que institui a forma republicana de governo. Forma de Governo: Monarquia: caracterizada pelo poder hereditário e vitalício. Sistema de governo: Parlamentar: governa o 1º ministro e representa o chefe de estado. Existe o controle do gestor público – tem que prestar contas. Para alguns autores não há diferença entre estado democrático de direito e estado democrático. a participação popular. O estado de direito e democrático tem que existir para revolucionar o status quo. a fim de garantir a legitimidade para elaboração das leis. igualdade. não impede a barbárie. ação popular – são órgãos republicanos. Ela não é cláusula pétrea explícita. tudo é conseqüência do estado democrático de direito. divisão de poderes. Presidencialismo: princípio presidencialista – o Executivo deve ser exercido pelo presidente da república de forma independente do legislativo – chefe de estado e de governo reunidos no presidente da república (assim como a república. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 42 . justiça social. eletivo (à exceção do Judiciário no Brasil) e periódico. Os controles buscam acabar com as práticas patrimonialistas. democracia.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO à lei – quem está no poder deve obedecer a lei. É princípio constitucional positivo-positivado (princípio republicano). caracterizado pela soberania popular. O poder é absoluto porque tudo é do rei. mas não é suficiente. O estado democrático de direito é aquele que através da lei criada pela soberania popular é capaz de modificar o status quo. corregedoria. TCU. segundo José Afonso. Essa noção de legalidade formal é importante. permitindo a melhoria das condições do povo e não permitir a dominação de quem já está no poder. mas a partir do momento em que ela foi firmada pelo plebiscito não pode ser também objeto de emenda (divergente). O Estado tem que ser democrático. dizer que existe lei não é suficiente. Coisa pública confundida com coisa própria é chamada de patrimonialismo. até porque quem está no poder faz a lei. não existe coisa pública.

Montesquieu. não nasceu com Montesquieu. Os poderes são independentes e harmônicos. São três órgãos: Executivo. porque ele é que toma a decisão política). depende do Estado. A idéia de divisão de funções. Sistema de freios e contrapesos: são mecanismos que trazem uma pequena interferência de um poder no outro para possibilitar uma maior sofisticação na limitação do poder. Federal: princípio federativo. no “Espírito das Leis” (1748). ou seja. as demais funções se 43 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . onde uma única pessoa concentrava em suas mãos as três funções. e há órgãos para exercer as funções. a de legislar (função deliberativa). Cada função é exercida precipuamente por um órgão e subsidiariamente pelos demais. diz que é preciso limitar o poder e as funções (legislativa. um pode preponderar. aplicar as leis (função executiva) e solucionar as lides entre particulares (função judiciária). cada um deles deve ter autogestão (Art. Reparte o poder no território. Há freios e contrapesos dentro das funções típicas e atípicas. Executivo e Judiciário (um controla o outro). executiva e judiciária) devem estar distribuídas em órgãos distintos. A separação é relativa um limita o outro por meio do mecanismo de checks and balances (freios e contrapesos) e independência dos “poderes” – órgãos. 2º. Era preciso limitar o poder do monarca. SEPARAÇÃO DOS PODERES: A separação é orgânica apenas. porque na verdade ele é um só.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Sistema convencional: de assembléia. No entanto. Já houve também uma divisão quádrupla: com o poder moderador (1824 – constituição de Benjamin Constanti). Unitário: poder é um só em todo o território. a tripartição foi imaginada para limitar o poder. executar e julgar. CF). portanto. Legislativo e Judiciário. É cláusula pétrea. O Estado liberal tem como preponderante o legislativo – Estado legicêntrico (o órgão central é o legislativo. que dividiu as funções em dois grupos: legislativa e executiva. Cada órgão exerce função típica e atípica. Aristóteles em “A Política” já se encontra que o Estado tem três funções. Exercer mais de uma função é muito poder. quando Montesquieu propõe uma tripartição orgânica. Ademais. O poder é um só. não podem estar concentradas em um só órgão – tripartição orgânica e não de poderes ou funções – Legislativo. Montesquieu no século XVIII ainda está imerso na monarquia absolutista. a separação dos órgãos não é absoluta. Forma de Estado: outra decisão política fundamental. órgão executivo e órgão judiciário. Montesquieu se inspirou em Locke. a distribuição das funções a órgãos distintos: órgão legislativo. A justificativa da separação é a necessidade da independência de cada poder. Em síntese. o que existia com a idéia de Aristóteles era a tripartição funcional de legislar. mas não são iguais.

Os atos administrativos podem ser desconstituídos em face de uma ofensa à proporcionalidade. Usada nos atos administrativos. necessidade: o meio é o menos gravoso possível. Hoje se tem uma redefinição do papel desses órgãos. E o legislativo. essa é a diferença. por sua vez. mas para quem as distingue. As funções atípicas estão aumentando cada vez mais. Encontrado em vários ramos do direito. assim como princípio da vedação do retrocesso. Mas também decorre do princípio da legalidade. proporcionalidade estrita: os benefícios da utilização da medida devem ser maiores que os malefícios (custo-benefício). O princípio da proporcionalidade é dividido em (direito alemão): adequação: a medida deve ser apta ao fim. Além de avaliar atos administrativos. Razoabilidade – alguns entendem como distintos – o STF vem usando as expressões como sinônimas. O poder público deve agir de modo proporcional aos objetivos que pretende atingir. que devem ser razoáveis). passando a ter maior notoriedade. A proporcionalidade não está positivada na constituição. Tudo isso fez com que o executivo crescesse. No estado do bem-estar social o Executivo cresceu muito (fazer. Busca ajustar os objetivos e os meios necessários. O Judiciário cresceu a partir da 2ª metade do século XX. Para o STF são sinônimos. da razoabilidade. executar e não só se abster). Medida provisória – legislar rapidamente.uma única decisão judicial passa a atingir toda a coletividade. O poder público deve agir sempre com adequação entre fins e meios. A razoabilidade é uma das projeções da proporcionalidade (proporcionalidade estrita). aspecto que fez com que o Judiciário se agigantasse. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE: Também chamado de princípio da proibição do excesso. A constituição é programática – ele fiscaliza e suas decisões atingem a coletividade. do estado de Direito etc. O seu papel político cresceu muito também em razão dos mecanismos de controle de constitucionalidade que surgiram no decorrer do século XX.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO limitam ao que for legislado (aplicar e executar). 3ª geração: direitos coletivos e difusos . a teoria passou a ser utilizada para avaliar atos legislativos no controle de constitucionalidade. da isonomia. A maioria ainda o denomina assim. É um princípio consitucional-positivo implícito (não positivado) – alguns autores dizem que tem origem no devido processo legal. 44 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . O sentido de proporcionalidade é mais amplo. cresceu na função atípica (CPI) – fiscalização. Estado liberal – abstenção do Estado. O executivo passa a ter mais condições de legislar – cresce sua função atípica de legislar – poder normativo das agências reguladoras e executivas (legislam). legislativos (a constituição já dá os objetivos e o legislador constrói os meios para se atingir. todos indicam a existência do princípio da proporcionalidade. Alguns autores dizem que esta é a razoabilidade. Hoje o domínio é do Executivo.

declarado inconstitucional por falta de proporcionalidade. Essa definição conclui que norma = texto = dispositivo. embora a doutrina diga ser a mesma coisa. Nessa idéia. determinado estado dos EUA estabeleceu que era crime mulher tomar pílula anticoncepcional. Norma é diferente de texto. Princípios podem se chocar. ela não é estranha à constituição e por isso é utilizada no controle de constitucionalidade. na verdade não é princípio. Quando a interpretação é feita pelo juiz o resultado que se tem é uma norma de decisão. é o dever-ser. que pode ser dividido em normas-princípio e normas-regra (divisão do professor Jorge Miranda). Toda norma constitucional possui eficácia (diferente de concretização). Regra é um dever-ser.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO A proporcionalidade está presente em todo o sistema (ex: proporcionalidade das penas). A norma pode ser: válida (produzida nos termos da lei). Em todo esse pensamento há uma correspondência entre norma e texto. não se choca com outro princípio. Por isso. e força impeditiva – é a que impede que entre no ordenamento inferior normas que lhe sejam contrárias (controle de constitucionalidade). sendo que prevalecerá um no caso concreto. A proporcionalidade não é um motivo. é um instrumento de ponderação. Sua importância vem crescendo muito no controle (EUA). em si. eficaz (é a que produz efeitos jurídicos – pode depender de outra norma). Há uma outra maneira doutrinária de compreender o que é norma: norma # texto # dispositivo. A proporcionalidade é um instrumento para solucionar um choque entre princípios. Toda norma constitucional tem eficácia mínima e é caracterizada por duas forças: força paralisante – paralisa tudo que não está de acordo com a constituição (não recepção). não necessitando de complementação normativa. Texto é o objeto da interpretação. Por exemplo. Já as normas-regra são regras. norma é o gênero. Normas-princípio são motivos. NORMAS CONSTITUCIONAIS José Afonso diz que normas são preceitos que tutelam situações subjetivas de vantagem ou de vínculo. abstração. mas um instrumento de mensuração de princípios. enquanto o princípio é um motivo. O STF vem utilizando cada vez mais o sistema da proporcionalidade. Essa é a visão clássica. É a que predomina na doutrina. Existe uma graduação da eficácia da norma constitucional. vigente (é a que se encontra no ordenamento). aplicável (é a que está apta a produzir todos os efeitos. uma eficácia jurídica mínima e uma eficácia jurídica máxima. Ela. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 45 . por si só já pode ser executada). norma é o resultado da interpretação. conclusão.

A norma programática possui eficácia jurídica. não necessitando de complementação. portanto. ou ainda programáticas: norma que prevê um programa de atuação. 91. 5º. § 2º. Quanto à natureza: normas formalmente constitucionais (está escrita na CF). o meio é inadequado). Quanto ao conteúdo: norma-princípio (aquela que positiva um princípio. portanto. 90. nem que seja a mínima (força paralisante e impeditiva) ela obriga o legislador (RE 168501). A verdadeira concretização da constituição depende. objetivos a serem alcançados (Art. Art. Classificação das normas constitucionais: 1. A norma garante a liberdade. objetivo que precisa de lei para se concretizar. sociológicos etc. Eficácia máxima ou social é a efetiva concretização do texto constitucional. a constituição real e efetiva é a soma dos fatores reais de poder (Lassalle). CF). tem força normativa (eficácia). Enquanto não houver restrição a eficácia da norma será plena. CF). Quanto à aplicabilidade (José Afonso da Silva): norma aplicável é a que está apta a produzir todos os seus efeitos. mas ela permite que lei (a própria CF. 1º. Essa ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 46 . uma abstração – Art. mas permitem que a lei reduza o seu alcance (Art. a norma pode ser: Plena: aquelas cuja aplicabilidade não depende de nada e não podem ser restringidas pelo legislador ordinário. atingirem a eficácia social (máxima). Contida: também são auto-aplicáveis. Classificação de Jorge Miranda. absoluto (Art. 3º. contida ou limitada. Art. Ela necessita de uma complementação. XIII. LVIII. Permite a redução do alcance por lei. CF. Não se pode reduzir a concretização da constituição a uma questão jurídica. fatores reais de poder). Sob esse aspecto. complementação por leis e fatores políticos. 170. 4. Constitucionalismo norte-americano: normas auto-aplicáveis (self-executing – aquelas que dispensam a lei ordinária comum – se aplicam por si só). desde que seja razoável. costumes etc) reduza essa liberdade. de questões jurídicas e não-jurídicas. Pode ser institutiva: exigem a lei ordinária para dar corpo a instituições e órgãos (Art. norma-regra (positiva uma regra. culturais. § 2º. culturais. não é ilimitado. Limitada: aquelas que precisam de lei ordinária para serem concretizadas. O que impede a eficácia máxima pode ser uma razão jurídica (falta outra norma – nos termos da lei) ou não-jurídica (políticas. ou seja. um dever-ser). CF – conselho da república que não existe sem lei institutiva. Determinados aspectos de saúde e educação podem ser de eficácia plena. CF). 5º.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Nem toda norma constitucional tem eficácia máxima. normas não auto-aplicáveis (not self-executing .dependem de lei infraconstitucional). CF – a colheita de digitais em concurso público não é razoável. norma materialmente constitucional (tem conteúdo constitucional). CF – conselho de defesa nacional). 3. 2.

Texto é o objeto e da interpretação do texto com os fatos resulta a norma (resultado). Postura interpretativista. relativa restringível. chama a atenção para o seguinte: norma # texto. Em síntese sua classificação é a seguinte: norma de eficácia absoluta. Muda o nome das contidas. apenas repetindo o que está na lei e o juiz ativo. mas a vontade da lei. ele é passivo. Utilizada a interpretação histórica – da época em que foi elaborada a lei). isso é interpretação evolutiva. O juiz aqui é ativo  é o ativismo judicial: é a função ativa do juiz na hermenêutica. Legislador (emissor)  texto legal (mensagem)  operador do Direito (receptor). HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL A tarefa do operador do Direito é a de decifrar o texto legal. não importa a vontade do legislador. é passivo. ela é o resultado da hermenêutica. é a letra da lei. Ele não pode substituir o legislador. independe do momento histórico. A norma não está completa na letra da lei. participa da construção da norma. chamando-as de normas de eficácia relativa restringível. A norma está potencialmente no texto. Texto + fatos + operador do Direito = norma. O juiz é mecânico. tem parâmetros ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 47 . a professora Maria Helena Diniz também classifica como José Afonso da Silva. o que lhe dá poder muito maior na hermenêutica. norma = texto. onde ele constrói a norma a partir de um texto. Ainda quanto à aplicabilidade. mas também sobre os fatos. eficácia limitada – eficácia relativa dependente de complementação legislativa ou norma de eficácia complementável. sob pena de ferimento à separação dos poderes. o conteúdo é o mesmo. ele tem ideologia. relativa dependente de complementação legislativa ou complementável. em pensamento moderno. ele deve se prender a certos parâmetros de hermenêutica. que interpreta. acrescendo um quarto grupo: a de eficácia absoluta  norma tão absoluta que emenda não pode tocá-la (cláusulas pétreas). O juiz não poderá se desviar daquilo produzido pelo legislador presente no texto legal. todavia. postura não-interpretativista ou mens legislatoris (preso à vontade do legislador. Interpretativismo e não interpetrativismo: respectivamente referência ao juiz que pouco interpreta. Nesse ponto de vista clássico o papel do juiz é de apenas dizer o que está na lei. portanto. Texto é o dispositivo. a mens legis. O juiz faz parte da construção da norma.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO classificação está na obra de José Afonso da Silva na “Aplicabilidade das normas constitucionais”. Classicamente. ter liberdade plena. O juiz (operador) vai debruçar-se sobre o texto. O juiz não pode. plena. Eros Grau. critério subjetivo. Se prende à vontade do legislador. O texto em conjunto com os fatos gera a norma.

exceto o juiz). estado de direito. Tem relação horizontal também com as normas constitucionais – estudar o texto constitucional à luz dos fatos e também do preâmbulo. Hoje isso. Critérios para garantir o mínimo de A primeira idéia tinha o juiz como sujeito passivo  link com a ciência: o observador não interfere no objeto observado. Espécies de interpretação * Judicial: feita pelo juiz e tem como resultado a norma de decisão. Preâmbulo: sua utilização como fonte hermenêutica. * Administrativa: Administração pública. não deve ser interpretado um dispositivo isoladamente. plausibilidade com a norma. Ele não tem força normativa. Título I da CF/88: fundamentos e objetivos da república federativa do Brasil. Estes parâmetros são chamados pela doutrina de características da hermenêutica: 1. * Doutrinária: doutrina. * Os fatos são importantíssimos para se resolver questões de controle de constitucionalidade. 2. e norma de decisão (do juiz). Princípios: tudo estruturado à luz dos princípios: separação dos poderes. o observador interfere no objeto observado. não é mais assim. igualdade. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 48 . Direitos fundamentais: devem sempre ser considerados para concretizar os direitos fundamentais. em um segundo momento da ciência. 4.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO para trabalhar (hermenêutica). 6. o Executivo interpreta a CF. é um sistema. 5. Para Maria Helena são normas constitucionais de aplicabilidade absoluta. não obriga o legislador comum. * Norma pode ser: norma jurídica comum (aquela trabalhada pelos operadores do Direito. ela tem sua organização. relacionando-se com o segundo ponto de vista de que o juiz é ativo. Cláusulas pétreas: estão carregadas de princípios e devem sempre ser consideradas. Unidade: a constituição tem sentido único. 3. legalidade etc. Alguns doutrinadores chamam isso de “moderna hermenêutica constitucional” – toda a tarefa de interpretação da constituição é voltada à concretização dos direitos fundamentais (uma idéia entre outras). a depender da realidade fática a solução será determinada de acordo com a ponderação de interesses. mas sistematicamente.

Interpretação presa no método gramatical não acompanha. ficando presa à letra e à história. mas não pode ser onipotente. processo aberto de argumentação. concretizar. muita importância ao pensamento do legislador. Problema: a constituição pode ter alteração não formal  mutação. É interpretação que busca a mens legislatoris (vontade do legislador). é uma unidade. Se ele interpretasse estaria fazendo nova constituição e não interpretando. Métodos de interpretação Gramatical: interpreta a CF a partir do texto. Também desaconselhado porque também está preso a momento histórico (1988). Não se coaduna com a constituição aberta. é passivo. Isso significa que o juiz tem participação ativa na produção da norma (ativismo judicial). ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 49 .DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO * Autêntica: o mesmo autor do texto interpretado. quando deve ser apenas um ponto de partida. Alguns doutrinadores incluem a interpretação popular da constituição. Concretizador: o intérprete deve buscar concretizar a norma constitucional à luz de determinada situação histórica concreta. Tópico-problemático: o intérprete deve priorizar os problemas práticos a serem resolvidos. Alguns consideram a EC como interpretação. A interpretação tem que ser objetiva. A autêntica (feita pelo legislador) não é adotada por todos. Tentam construir essa idéia ainda. Interpretação só subjetiva: ficar presa a 1988: não aconselhado. não autêntica. desconsiderando que a constituição é aberta. tem vida própria. Interpretar é aplicar. A lei se modifica. Histórica: interpretar à luz dos acontecimentos históricos da época em que a constituição foi produzida (discussões que levaram à produção). aquela feita pelo povo (que não é doutrinador). Sistemática: a constituição interpretada com dispositivos isolados. O juiz não tem que interpretar. Tem que interpretar. A segunda mens legis são a dos interpretativistas ou ativismo judicial – o juiz é ativo. não pode ser Teleológico: a partir da finalidade da constituição. resultados práticos. logo. Teria que ser feita pelo constituinte originário. mas seria o constituinte derivado. Não existe para a doutrina majoritária. Discutir os problemas a serem resolvidos. tem que se adequar com o tempo (mens legis – vontade da lei). A doutrina dos não-interpretativistas se coaduna com a primeira linha mens legislatoris. Admitida apenas por uma minoria. A interpretação gramatical e a histórica impedem a constituição aberta. Preocupação com a vontade da constituição e não do legislador. atualizada.

mens legis. um sistema. * Inadmissibilidade da interpretação autêntica. Buscar a prevalência da vontade da lei . * Interpretação constitucional. diverso. Escolher o caminho que confere maior efetividade. 3. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 50 . Pela supremacia da constituição se interpreta a lei ordinária à luz da CF. Bloco de constitucionalidade: algumas idéias estão presentes em todo o texto constitucional. intrínseca: interpretação dentro do sistema * Exclusão da interpretação da constituição a partir da lei. Máxima efetividade ou princípio da eficiência: conferir à constituição a maior eficácia. são valores não presentes em dispositivo único. além de princípio de hermenêutica. A cada caso concreto haverá fato 5. Movimento da moderna hermenêutica: é a segunda visão de que o juiz é ativo. É também uma técnica de controle de constitucionalidade. prática ou da harmonização: decorre da da constituição. A constituição material pode estar presente em lei ordinária inclusive. Interpretação contrária vai de encontro à moderna hermenêutica. a constituição tem que ser concretizada e tudo isso tem que ser voltado à garantia dos direitos fundamentais. Regras de hermenêutica constitucional segundo Canotilho e Vital Moreira: * Interpretação objetiva: e não subjetiva (considera quem fez a lei – mens legislatoris). Em conflito de dispositivos harmonizá-las à luz de cada caso concreto razoabilidade). Interpretação da lei conforme a constituição: não a constituição conforme a lei. É parâmetro constitucional.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Princípios da interpretação (Canotilho) 1. Unidade da constituição: a constituição é um todo único. * Interpretação sistemática. influenciar a realidade. Força normativa da constituição: a constituição pode mudar. 4. os fatos são importantes para a criação da norma e o juiz deve examiná-los. 2. A constituição existe e deve ser interpretada para garantir os direitos fundamentais do cidadão. Concordância interpretação sistemática constitucionais é preciso (ponderação de interesses.

A constituição é forte limite ao legislador. relator (MMM). A idéia de constituição era de algo que pudesse defender o povo frente ao legislador (parlamento soberano – o parlamento inglês editava leis tributando as colônias inglesas e nada poderia ser feito porque esse parlamento era supremo – sistema de soberania do parlamento inglês acabou por ser um dos motivos principais das 13 colônias inglesas na américa do norte tornarem-se independentes – daí a idéia de constituição como instrumento de defesa frente ao legislador). A suprir uma omissão (ausência da lei) e não apenas para fulminar uma lei contrária à constituição. seria nula. foi só a 1ª aplicação prática. O Judiciário seria o guardião da constituição (idéia debatida pela Convenção de Filadélfia – textos federalistas. Autores como Alexandre Hamilton já discutiam e escreviam a respeito. que é matéria constitucional (James Madison era secretário de Estado que teria foro privilegiado na suprema corte nos termos de lei ordinária). retirando do ordenamento as normas inferiores que a contrariam. Controle de constitucionalidade é o mecanismo que faz prevalecer a supremacia da constituição. As bases do estado democrático de direito são a supremacia da CF. só a constituição. De acordo com a pirâmide de Kelsen. A lei que contrariasse não produziria efeitos jurídicos. Leading case do controle. É o primeiro caso jurisprudencial. Hoje o controle se presta também a declarar que a norma inferior está de acordo com a constituição e não contrária. Marshal declara inconstitucional a lei ordinária que fixava o foro privilegiado a Madison na suprema corte. Essa decisão julgou inconstitucional a ação de Marbury dizendo que a lei ordinária não poderia criar regra de competência. é escudo protetor do povo contra as decisões dos seus próprios representantes. antes da constituição dos EUA. a rigidez constitucional e o controle de constitucionalidade. Ocorre que Marshall não poderia desmoralizar o presidente Thomas Jefferson (era secretário de Estado nomeado para a suprema corte). após a posse de Thomas Jefferson (brecou o “trem da alegria”) contra Madison e quem estava na suprema corte era Marshall (encarregado de entregar o documento de posse a Marbury). Tem por objetivo ainda garantir o cumprimento dos preceitos fundamentais da CF (ADPF). mas esta decisão não inventou a teoria do controle.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO O controle de constitucionalidade está ligado à rigidez constitucional. as quais não podem contrariar. (O mesmo caso o STF julgou a constitucionalidade da lei FHC que fixava competência por foro privilegiado – declarou a inconstitucionalidade). Daí escapou dizendo que lei ordinária não pode criar competência para a suprema corte. Em 1803 houve a primeira aplicação prática dessa teoria examinado pela suprema corte dos Estados Unidos no caso “Marbury X Madison” e juiz Marshall. Marbury desejava o documento que lhe dava a nomeação a juiz. que é influenciada por esse pensamento e promulgada em 1787). É o princípio da compatibilidade vertical das normas. as normas inferiores existem por força das superiores. Origem: constituição dos EUA de 1787. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 51 .

para só então ser editado o decreto de intervenção (é o oposto). K)  ADI controle abstrato (idéia de Kelsen). e após para um território federal que também não tinha escravidão e finalmente retorna com ele a um estado escravocrata. O parágrafo único limita o controle do Judiciário  congresso nacional confirma a importância da lei por 2/3 de votos em cada uma das câmaras e a decisão de inconstitucionalidade fica inválida (a lei acaba por se tornar emenda. mas anulável. só o STF poderia julgar a ADI interventiva. 96) quorum de maioria absoluta para declarar a inconstitucionalidade. Hans Kelsen observando a proteção da constituição. A lei federal que proibia a escravidão no território federal era inconstitucional porque feria o direito de propriedade da constituição. 1891 (Art. No Brasil. Defesa da constituição abstratamente. I. Dred era um escravo e morava em um estado escravocrata. 1967 e 1969 não trazem grandes alterações. EC 45/04 estabeleceu o efeito vinculante para a ADI e outras modificações. legislador guardião da constituição) e em 20/11/1894 houve a elaboração da lei 221 que instituiu a justiça federal e um controle difuso a ser feito pelos juízes em casos concretos (Art. Os dois primeiros casos historicamente são casos concretos em que a discussão da constitucionalidade é incidental. EC 03/93 criou a ADC e o efeito vinculante. vendendo-o a Sandford. Em seguida o seu dono o leva a um estado que não tinha escravidão. PEC 358: 2ª parte da reforma do Judiciário. A lei inconstitucional não será nula. que não é a mesma de hoje. disse que seria melhor não esperar por um caso concreto para controlar – sistema austríaco de controle de constitucionalidade – controle abstrato. acionando Sandford. A lei ordinária não poderia proibir a escravidão no território federal – nega o pedido de Dred. Dred quer dizer que se tornou livre a partir do momento que ele morou em lugares onde não era admitida a escravidão. 35. sem a necessidade de um caso concreto. fazem a previsão de atos institucionais que não podiam ser apreciados pelo Judiciário (novo período ditatorial). acabando com a supremacia da constituição – apesar de inconstitucional ela irá permanecer – ditadura justifica a medida). § § 1º e 2º) inaugura o controle concentrado.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO A segunda decisão de controle foi em 1853 (escravidão) no caso Dred Scott X Sandford. Espécies de inconstitucionalidade: ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 52 . § 10) (no modelo norte-americano – influência de Rui Barbosa). que a ação não pode ser proposta etc). 1937 (Art. 1988: aumento dos legitimados a propor ADI e surge a ADI por omissão. lei 9868/99 e 9882/99 regulamentou a ADI e ADPF respectivamente. A suprema corte dá uma decisão assegurando direitos fundamentais (da propriedade). É considerada uma das piores decisões dos EUA (diz que Dred é coisa. 15. 101. na constituição de 1824 não houve a previsão de controle (Art. em 1934 (Art. ao contrário. A intervenção era feita por lei e a ADI contra esta lei servia para acabar com a intervenção. bem como a ADPF. 1946 (em 1965 com a EC 16 – Art. 12. 13. o próprio legislador zelava pela constituição). I. IV. Hoje a intervenção depende de o STF dar procedência à representação interventiva promovida pelo PGR.

Aqui atua a força paralisante da constituição. Pode ocorrer de a lei nascer boa. parágrafo ou alínea – o controle pode recair apenas sobre uma palavra ou expressão). Hoje há mecanismos de inconstitucionalidade superveniente. 3. o que fez com que a lei se tornasse ruim. A jurisprudência do STF fala em revogação da lei (Sepúlveda Pertence). sempre tem que considerar os fatos reais (é tarefa política – poder). mas se torna inconstitucional devido a mudanças do texto da constituição . podendo ser material ou formal a norma constitucional impede que faça nascer lei que contraria norma constitucional – atua a força impeditiva da constituição). Alteração do parâmetro constitucional. Na inconstitucionalidade por ação pode ser por vício material (viola o conteúdo da CF) ou formal (o procedimento de elaboração da lei fere o que está escrito na constituição. A mudança pode ser tanto por nova constituição como por EC – opera o fenômeno da recepção. Político: o controle é entregue a um órgão político que não pertence ao Judiciário. com a possibilidade de alteração inclusive por mudanças da realidade fática. caso contrário é melhor afastar todo o texto – declarar a inconstitucionalidade total. ou superveniente (nasce boa. Composição mista do órgão de controle: metade dos membros da magistratura e metade escolhidos fora da magistratura. Judicial: o Judiciário faz o controle. Ex: França. forma que contraria a prevista na CF – ex: MP assinada por ministro e não pelo presidente). Por ação: ato normativo editado que contraria a CF. a constituição não mudar e futuramente a lei se tornar inconstitucional  mudam os fatos: alteração das circunstâncias fáticas.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO 1. Pode ser a inconstitucionalidade por ação total ou parcial (não se confunde com o veto parcial  texto integral de artigo. A jurisprudência do STF admite que a alteração da realidade fática pode tornar a lei inconstitucional. 2. Por omissão: o legislador não agiu diante de uma norma de eficácia limitada institutiva ou programática. Ex: Suíça. mas hoje em dia a idéia é diferenciada. O controle não considera apenas o texto. Pode ser ainda inconstitucionalidade originária (a lei já nasce com vício.não recepção – esta incompatibilidade superveniente só pode ser material a formal só é aferida originariamente – a forma modificada por nova constituição não gera inconstitucionalidade (ex: decreto-lei em vigor hoje) não impede a recepção). A última hipótese do controle misto é a que prevê vários tipos de controle combinados (modelo dos EUA e modelo ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 53 . O Judiciário só pode afastar parte do texto se permanecer algum sentido para o resto do texto. Misto: mistura entre órgãos políticos e judiciais. Sistemas de controle de constitucionalidade 1. O controle é político para normas gerais e judicial para normas locais. 2.

é controle da lei em tese (Kelsen). ou concentrado. o controle é incidente (modelo dos EUA). na fase do projeto. difuso/concentrado. concreto/abstrato (Brasil). aguarda a edição da lei. Tipos de controle: Preventivo: antes de a norma ingressar na ordem jurídica. O vício pode ser regimental ou constitucional. comissões de constituição e justiça (na Câmara e no Senado).. CONTROLE PREVENTIVO REPRESSIVO DIFUSO: vários órgãos realizam o controle CONCENTRADO: só um órgão faz o controle CONCRETO: resolve o controle que surge de um lide ABSTRATO: não há lide. Preventivo judicial: mandado de segurança. – controle na fase do projeto). espalhado. No regimental o STF não interfere. Concreto: busca resolver o caso concreto que surge de uma lide. Mais um caso de vício formal que não está na jurisprudência do STF: MS impetrado por quem teve violada sua iniciativa ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 54 . Repressivo: após.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO de Kelsen  Brasil). Pode ser: Difuso: vários órgãos são autorizados a realizar o controle. só um órgão faz o controle. a norma já está produzindo efeitos.. de um conflito de interesses. Mistura entre o repressivo/preventivo. verificar se o projeto está de acordo com a CF. Há ainda o MS impetrado por parlamentar quando a tramitação de PL ofende o processo legislativo constitucional. o controle da lei em tese Sistema brasileiro de controle de constitucionalidade: como regra geral diz-se que o controle adotado pelo Brasil é repressivo e judicial. mas a jurisprudência do STF admite o MS impetrado por parlamentar quando o projeto de EC ofende ou é tendente a abolir cláusula pétrea (Art. Se a tramitação ofende a própria CF o STF admite a paralisação do PL em tramitação. mas não é uma regra absoluta: Preventivo político: veto presidencial por inconstitucionalidade (controle) que será revisto pelo Congresso (novo controle preventivo). § 4º: não haverá deliberação de EC. 60. abstrato: não há lide. O parlamentar tem o direito líquido e certo de obstar que o projeto prossiga por meio do MS ao STF. Tradicionalmente não existe.

negativa do executivo em aplicar a lei inconstitucional (ainda não declarada) a seu juízo. Luiz Roberto Barroso cita essas hipóteses. Repressivo judicial: pode ser concreto (difuso. Congresso faz juízo prévio sobre o atendimento dos pressupostos constitucionais antes de falar do mérito. a especializada cita ainda: legitimidade ativa da ADI e ADC (mesa da Câmara. Para declarar a constitucionalidade não há o princípio da reserva de plenário (câmara e turma podem declarar a constitucionalidade). se houver. ele é causa de pedir. Art. 62. O juiz poderá de ofício conhecer do problema. Revogação da lei inconstitucional pelo próprio legislativo por meio da edição de uma nova lei. CF: para o controle difuso e abstrato. Também poderão (turma ou câmara) julgar declarando a inconstitucionalidade quando já houver posição do STF (pleno) ou dos órgãos especiais pela ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 55 . Na verdade o controle da MP é ao mesmo tempo preventivo (em relação à lei de conversão) e repressivo em relação à MP em vigor (texto original). 49. Ex: aumento de servidor público federal só o chefe do executivo pode (Art. qualquer juiz ou tribunal poderá examinar e fazer o controle) ou abstrato (concentrado – STF ou TJ). Repressivo político: a doutrina entende que existe nos seguintes casos: Art. Art. regulamento não pode criar obrigação) ou ainda exorbita na delegação conferida. TCU também pode deixar de aplicar lei que considera inconstitucional. 52. por exemplo). Há uma lide em caso concreto (MMM – como teve início). São os três casos dados pela doutrina tradicional. V: Congresso Nacional sustar atos normativos do Executivo que já estão produzindo efeitos. Discussão sobre a constitucionalidade da lei que um dos litigantes fundamenta seu pedido – o juiz terá que analisá-lo incidentalmente. por omissão ou interventiva). Ele não é o pedido. ADC e ADPF. só quando a lei de conversão for editada. não precisa aguardar o veto (doutrina). Art. Os órgãos fracionários não podem declarar a inconstitucionalidade. não depende de argumentação por uma das partes para que ele analise inclusive. declara a inconstitucionalidade  chamado de reserva de plenário. 97. o presidente pode impetrar MS contra este ato para defender a sua iniciativa constitucional privativa. § 1º). Se um deputado tiver a iniciativa. em regra).61.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO legislativa privativa. § 5º: medida provisória (produzem efeitos desde a edição. * Controle judicial concreto ou difuso: também chamado de controle incidental ou por via de exceção. Modificação no texto originário da MP não produz efeitos a terceiros. Exercido por qualquer juiz ou tribunal por argumentação de inconstitucionalidade incidentalmente em um caso concreto (argumentação deduzida em juízo). X: Senado pode suspender a execução de lei julgada inconstitucional em caso concreto (controle difuso). atos que exorbitam ou inovam no mundo jurídico (só lei pode. A inconstitucionalidade não precisa constar da causa de pedir. Ações típicas são ADI (genérica. Maioria absoluta dos seus membros do pleno ou do órgão especial constituído (de 11 a 25 membros).

Ele vem passando por um processo de objetivação – passar a atingir terceiros  amicus curiae em RE no controle difuso (informativo do STF n. Os atos pretéritos realizados com base na lei inconstitucional não são atingidos. só não será mais aplicada (suspensão). Se o pedido foi concreto poderá haver o controle desde que seja um controle efetivamente de um caso concreto (declarar incidentalmente a inconstitucionalidade para atingir um caso concreto) e neste caso a decisão terá efeitos erga omnes. 481. assim como no controle abstrato estadual a assembléia legislativa não participa). O controle difuso é subjetivo (entre partes). Há uma exceção em que os efeitos da decisão judicial no controle difuso será erga omnes  ações coletivas (ACP e AP). parágrafo único. Caso o Senado suspenda a execução da lei declarada inconstitucional incidentalmente os efeitos serão erga omnes e ex nunc em relação aos terceiros atingidos.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO inconstitucionalidade da questão (Art. Art. e mesmo que o STF julgue inteiramente inconstitucional ele pode suspender só de parte dela  juízo de conveniência. estarão apenas aplicando um precedente. uma vez que os atos inconstitucionais são nulos e. deverão deduzir ação um a um (é uma falha!). Pela pirâmide de Kelsen extrai-se o princípio da compatibilidade vertical em que qualquer norma que não esteja compatível com a CF (ponto máximo da pirâmide) deve ser retirada do ordenamento. o Senado não participa. Ações típicas são ADI. O Senado pode suspender a execução de lei federal. Se o pedido for o de uma ADI (disfarçada) não poderá haver o controle (abstrato – usurpando a competência do STF). Ainda excepcionalmente o efeito no controle difuso poderá ser ex nunc (RE 197917 – número de vereadores). que seria obrigatório (minoria – o Senado só participa no controle difuso porque no concentrado a lei já não mais produzirá efeitos. * Controle judicial abstrato: concentrado ou objetivo de constitucionalidade realizado pelo STF (CF) ou TJ (CE’s). a depender dos termos do pedido. 52. mas é ex nunc. de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do STF. portanto. O Senado não é obrigado a suspender a execução da lei. Passará a ter efeitos erga omnes. estadual e municipal. A ADI genérica é o ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 56 . A lei não fica revogada. ). CPC). ADC ou ADPF (repressivo). Ex tunc: efeitos retroativos. O efeito é ex tunc em relação às partes do processo. Senado suspende a execução no todo ou em parte. Efeitos da decisão judicial no controle difuso: Inter partes: atinge as partes litigantes apenas. Alguns autores sustentam que essa decisão tem natureza judicial que seria ex tunc. X. destituídos de qualquer carga de eficácia jurídica. CF: aplicado apenas no controle difuso.

a IX. contra o princípio da maioria (maioria do povo que elegeu o legislador para fazer as leis). A ADI não visa dar a cada um o que é seu. mas caso seja de efeitos concretos será cabível). regimento interno de tribunal (vício constitucional). 125. Não cabe ADI em face de: lei de conteúdo concreto (ato normativo abstrato coercitivo é lei). A ADI não envolve partes. se legislar matéria de competência municipal não cabe. Exceção: lei de criação de municípios. O STF costuma dizer que ADI e ADC são a mesma coisa. ADI genérica: mecanismo de controle que objetiva expurgar do sistema jurídico um ato normativo que contrarie a CF. 84. lei no período da vacatio legis. 102. STF faz o papel de legislador negativo retirando normas e não resolvendo caso concreto. O TJ só pode fazer o controle com base na CF sendo difuso. 97. Arts. “a”. mas na verdade ainda não são a mesma coisa. “p”.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO mecanismo que retira do ordenamento normas inferiores que contrariam a constituição. é um processo objetivo. tecnicamente não existe contraditório e ampla defesa. A lei municipal pode ser objeto de controle na ADI estadual em face da constituição estadual apenas no TJ. O STF atuando como legislador negativo atua contra o poder da maioria  poder contramajoritário. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 57 . Objeto da ADI: lei ou ato normativo estadual ou federal (ADC somente federal). resoluções do TSE quando veicular ato normativo. lei delegada (tanto do ato que autoriza a delegação. 102. § § 1º e 3º. O objeto da ADI é lei ou ato normativo federal ou estadual. I. VI) (regulamentos comuns não podem). Essa é uma atividade política. § 2º (estadual) da CF/88 e lei 9868/99. ela é um processo de verificação da conformidade entre a lei e a constituição. enquanto que o objeto da ADC é apenas lei ou ato normativo federal (PEC 358-A confere à ADC o mesmo objeto da ADI – lei ou ato normativo estadual também). tratados internacionais (lei ordinária ou EC). regulamentos autônomos (Art. Para leis ou atos préconstitucionais (a recepção ou não recepção não poderá ser discutida em ADI. Poderão ser objeto de MS (não cabe MS contra lei em tese. 103. vinculada ao poder semelhante à de “legislador negativo”. E é isso que garante a supremacia da carta magna. um processo dialético. § 2º. Cabe ADI contra: emendas constitucionais. mas se aproximam de ato administrativo com efeitos concretos. I. Haverá uma defesa. mas não propriamente o contraditório e a ampla defesa. quanto da própria lei). medidas provisórias. Há algumas que são chamadas de lei. decretos legislativos e resoluções quando são atos normativos (ex: RI). Este processo não é um processo civil comum subjetivo. pareceres da consultoria geral (AGU) aprovados pelo presidente (quando se tornam obrigatórios para a administração pública federal). só que com um sinal invertido. Municipal será objeto de ADPF. Essa atividade é um poder contramajoritário (Luiz Roberto Barroso). lei do DF  com base na competência legislativa do estado.

estaduais não podem. ocorre que na ADI 1244 há um voto no sentido de que se a lei foi revogada no curso de uma ADI ela deve prosseguir. Para regulamentos comuns. normas originárias (teoria das normas constitucionais inconstitucionais – Otto Bachof . OAB só a nacional. Presidente em face de uma MP. Durante ADI muda dispositivo da CF  ela perde o objeto.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO só em ADPF). partido político com representação no congresso nacional. mesas de assembléias legislativas ou câmara distrital. atos privados. Para atos revogados também não. mas não tenha conteúdo ou substância de lei. CF prevê os legitimados para propor ADI. Tudo isso pode ser objeto de ADC sendo federal. 103. a lei deve estar no ordenamento. Lei ou ato normativo: ato que tenha os atributos de generalidade. Lei de criação de municípios pode ser objeto de ADI. Legitimados especiais: exige pertinência temática da parte ativa. A jurisprudência do STF divide os legitimados em dois grupos: Legitimados universais: podem ajuizar toda e qualquer ADI. decreto regulamentar. É a chamada lei de efeitos concretos (lei que desapropria o imóvel rural e lei orçamentária) que não podem ser objeto de ADI. Pode ser que algum ato tenha a forma de lei. Podem propor ADI: Art. Diretoria estadual de partido político não pode propor. São os governadores. por exemplo. Antes o STF entendia que a ADI perdia o objeto. convenções coletivas de trabalho. abstração e coercibilidade. Para ser considerado de “âmbito nacional” analogicamente a lei orgânica dos partidos políticos. normas de estado estrangeiro (pode ser negado o exequatur mas declarar a inconstitucionalidade não). mesas da câmara e senado. São o presidente da república. Os requisitos são analisados por ocasião da interposição da ADI. sentenças normativas. Não é a mesa do congresso. A exigência de a entidade de classe estar em funcionamento há mais de um ano é só para MS coletivo. só por EC) (STF não aceitou a teoria das normas constitucionais inconstitucionais). entidade de classe  pertinência temática entre o objeto da ADI com o legitimado. A perda superveniente da representação no congresso não prejudica a ADI em andamento proposta por partido político (a partir de 2004). ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE interpreta-se 58 . confederação sindical. Tudo isso pode ser discutido em controle difuso ou ADPF. PGR. apenas a da câmara e do senado.não admitida pelo STF. A própria autoridade que editou ou participou da produção do ato normativo pode propor ADI. conselho federal da OAB.

lide. Assim.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Associações de associações passaram a poder propor ADI (ADI 3155). A decisão no controle difuso é um precedente e a força dele acaba por atingir terceiros (as demais ações começam a ser julgadas no mesmo sentido – ex: progressão em crimes hediondos decidido em um HC). Art. passou a promovê-la. Isso para não privar a questão da análise do STF. O MP é custus constitutionis. Pertinência temática e interesse de agir – o STF diz que não há interesse de agir mesmo com a pertinência temática (na verdade tem sim). Art. confederação sindical e entidade de classe). Não há pretensão resistida. partes. Nas ADIs estaduais melhor seria que não fosse a AGU. não admite desistência. § 2º) por despacho irrecorrível do relator . 7º). mas na verdade é mera notificação e não ato para formar lide com contraditório e ampla defesa. fora da atividade judicial típica. defesa simples (sem contraditório e ampla defesa). se não for o autor será ouvido previamente em ADI e em todos os processos do STF. mas é. Acreditava (em 88) que a lei era boa. Não há prescrição e decadência em ADI. Ocorria que quando uma questão lhe era apresentada ele poderia promover a ação. mesmo ele sendo o autor o processo volta a ele para parecer (razão histórica). mas os fundamentos eram bons. é processo objetivo. Art. Não é admitida intervenção de terceiros (Art. 5º: indisponibilidade de instância. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 59 . 103. 402 ou 403 do STF. abstrato. Lei 9868/99. Informativo 401. Admitida a manifestação do amicus curiae por escrito ou também oralmente (Art. Com isso o STF está passando a admitir o amicus curiae no controle difuso (é figura do controle abstrato). mas havendo advogado deverá juntar procuração com poderes específicos. então propunha a ADI – raiz da ADC. § 3º: AGU – a CF fala em citação. Ultimamente está ocorrendo a objetivação ou abstrativização do controle difuso (autor x réu com decisão inter partes). mas a questão era plausível. É também indisponível o pedido da cautelar. VIII e IX exige (partido político. interesse de agir (jurisprudência do STF). 7º. Hoje. No pólo passivo estarão as autoridades das quais emanou o ato impugnado. É processo unilateral. arquivá-la por ser totalmente incabível ou quando não concordava. ou seja. Não é réu! PGR: antes de 88 ele era o único a poder propor ADI. para só após proferir o parecer com sua opinião. mais do que custus legis. Não é possível desistir da cautelar. I a VII: dispensa advogado. 103.

§ 1º da lei 9868). 10 a 12 da lei 9868): salvo no recesso (cautelar apreciada por juiz monocraticamente). A causa de pedir é aberta. Decisão na ADI: Na ADI não há adstrição à causa de pedir. 9º. TRF e TJ). mas ele sempre estará vinculado aos fatos/realidade – atividade política de legislar negativamente. A jurisprudência do STF admite que o requisito do periculum in mora pode ser substituído pelo critério do requisito da conveniência. no processo civil há. As circunstâncias fáticas vão influenciar no julgamento da ADI. por exemplo). não pode julgar inconstitucional o Art.Art. A cautelar tendo também efeito vinculante poderá dar margem a reclamação no STF ou TJ. Requisitos: fumus boni iuris e periculum in mora. sempre será concedida por maioria absoluta. quando o efeito será não repristinatório (Art. 102. Medida cautelar em ADI (Art. Não retira a condição de abstrato do controle (mas ele não é tão abstrato assim). o STF aceita. 5º. p. 6º por vício formal – STF pode acolher como material. porque se for exigir como se aplicaria a uma legislação em vigor há muito tempo? Não há de se falar em periculum. § 1º). A jurisprudência do STF diz que esse efeito existe. mas pode ser afastado expressamente. * Ex nunc (excepcionalmente ex tunc . Art. O requerente pode fundamentar o seu pedido em uma causa de pedir e o STF fundamentar em outra (fundamenta com vício no conteúdo e o STF entende que há vício formal apenas). embora nem a CF nem a lei 9868 diga expressamente. quando houver. CF) (Arts. A causa petendi é aberta porque o processo é objetivo. mas isso não significa que o STF poderá decidir ultra e extra petita (ex: ADI contra Art. Efeitos da cautelar na ADI: * Erga omnes. mas o que prevalece é que independentemente do pedido a abranger (lei A) na inicial haverá o efeito repristinatório. mas o pedido é determinado. Ele é a regra. I. 12). Há alguns julgados no STF dizendo que ambas as leis (A e B) sejam incluídas na inicial. 9º. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 60 . * Vinculante. Na MC. é a realidade fática comparada com ela que influencia no julgamento no controle (Art. * Repristinatório: aplicar lei anterior A à que teve MC ADI (lei B). § 2º igualmente reporta-se às conseqüências fáticas dentro do controle abstrato (requisitar informações aos tribunais superiores. § 2º).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO O controle é abstrato porque não está vinculado a uma lide. 11. que fica suspensa. 11. Não é somente o texto comparado com a CF. sendo matéria relevante remete diretamente ao tribunal para julgar o mérito (Art.

continuando quando os demais ministros estiverem presentes. Art. Exceção: no controle judicial e político preventivo (contra projeto de lei) a presunção de constitucionalidade é da lei e não do projeto de lei. A decisão da ADI vincula os demais órgãos do Judiciário. As diferenças entre uma e outras estão diminuindo. Da decisão não cabem recursos. O STF julgando uma ADI procedente ele também sofrerá os efeitos da decisão. 2877. Os efeitos correrão da data da publicação e não do trânsito em julgado. E a tendência é que tudo seja resumido em uma só ação. mas o próprio Supremo não. fazendo com que alcance todas as pessoas. Inicialmente o STF passou a admitir a reclamação para garantir a autoridade de suas decisões.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Arrastamento: ADI 2982. 2797. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 61 . Assim. pois a lei será retirada do ordenamento jurídico. Exceção. Não cabe ação rescisória. Na ADI 2231 ministro Gilmar Mendes se declarou impedido porque atuou como advogado geral da União defendendo a lei impugnada. Na dúvida a lei presume-se constitucional (presunção relativa de constitucionalidade da lei). apenas embargos de declaração. Na ADI 1880 entendeu que qualquer pessoa poderia se valer da reclamação. mas se julgar improcedente a ADI. 24 diz que a ADI procedente = ADC improcedente e que a ADI improcedente = ADC procedente. Vinculante: ao judiciário e administração pública direta ou indireta federal. Efeitos da decisão final da ADI: Erga omnes: se relaciona com os efeitos subjetivos da coisa julgada. 2982. 22: presença de pelo menos 8 ministros e manifestação da maioria absoluta – 6 ministros. pode haver reclamação antes do trânsito (posição jurisprudencial do STF). a lei é constitucional e continua no ordenamento. Uma ADC procedente não impede uma ADI futura. Não alcançada à maioria suspende-se o julgamento. 2666 e 2608). 2666. 2608. Essa possibilidade é o cerne da vinculação (consagrada na jurisprudência do STF e que só depois viria a ser o conhecido efeito vinculante). Não há impedimento ou suspeição. PGR que move ADI e mais tarde se torna ministro do STF. o processo é objetivo. Só que somente as partes legitimadas poderiam interpor a reclamação. só que com o sinal invertido. a oposição dos embargos de declaração não impede os efeitos da ADI (Reclamação 2576). Significa elastecer o pedido quando a inconstitucionalidade de um pedido implicar a de outro não expressamente impugnado (seria incompatível) (ADI 2797. logo. dispensando a passagem pelo juiz de direito até que chegasse ao STF. O STF pode entender que a lei passou a ser inconstitucional (ADC 01). 2877. O Art. Por isso o STF diz que ADI e ADC são iguais. estadual e municipal.

a ADI deve apagar os efeitos da lei. O efeito vinculante incide inclusive sobre uma fase de execução (Art. 27 excepciona a supremacia da CF e a teoria da nulidade (razões de segurança jurídica e interesse social . pode reconhecer a inconstitucionalidade. 27 (há duas ADIs contra esse artigo. Desde o caso MMM diz-se 62 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE .DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Vincula ainda toda a administração pública direta e indireta. inclusive no que diz respeito aos atos análogos.relacionado a fatos). 27 diz é que isso é relativo e não absoluto. Mas no momento em que alguém aplicar essa lei a reclamação poderá ser utilizada (não impede o legislativo de legislar. mas fixar a data mais conveniente. não se pode dizer ainda que a lei inconstitucional é anulável e não nula. estadual e municipal. vinculante e ex tunc. quando a lei estará sendo apenas anulável (sistema austríaco de inconstitucionalidade de Kelsen – só que nesse sistema se permite a prorrogação até 1 ano após a decisão). Cuidado. Transcendência dos motivos determinantes da decisão do STF em relação a uma lei ou ato normativo podem afetar outros atos normativos análogos. o que o Art. 27 da lei 9868 permite a modulação dos efeitos da decisão procedente da ADI por razões de segurança jurídica ou interesse social com mais de 2/3 dos membros (8. mas é isso que se vislumbra nesse Art. sua natureza é declaratória de nulidade da lei (efeitos ex tunc). repristinatório. em regra. o que importa não é que a impugnação foi feita a um determinado ato (RI). mas ao conteúdo dele. mas o STF inclusive já aplicou o dispositivo). Em síntese. Mesmo antes da CF/88 ou da lei 9868 o STF tem várias decisões que dizem haver efeito jurídico em lei inconstitucional. O STF poderá ainda fixar outro prazo que não o trânsito. 741. mas apenas para impedir que seja aplicada – pelo Judiciário ou pela Administração). Outro ato com idêntica inconstitucionalidade não precisa de ADI para ser retirado. CPC). A lei inconstitucional é nula. podendo prorrogar a validade da lei inconstitucional tanto posterior quanto anterior ao trânsito. mais que maioria absoluta) decidir que só terá eficácia a partir do trânsito ou outro momento fixado (ex nunc). Exceção: Art. possibilitando que ato inconstitucional tenha efeitos mantidos até o trânsito ou outro momento (sem limitação). a modulação dos efeitos da ADI pode ir para frente ou para trás em nome da segurança jurídica e excepcional interesse nacional. Todos esses efeitos se aplicam à ADI. O efeito vinculante atinge o Legislativo? A jurisprudência do STF se firmou no sentido de que não há efeito vinculante para o legislativo. ADC e às cautelares. deve retroagir sempre. Ex tunc. federal. Isso vai depender muito da realidade fática. O Art. Possível a restrição dos efeitos erga omnes. É dizer que o STF declara uma lei inconstitucional e o legislador pode elaborar lei com mesmo conteúdo. inclusive anterior à edição da lei impugnada atingindo lei anterior que havia sido revogada (torna dispensável que a inicial impugne expressamente). bastando a reclamação ao STF. A natureza jurídica do ato inconstitucional é nulo.

A fundamentação deve ser observada por todos (mesmo que não tenha sido objeto de controle abstrato – lei 2. Repristinatório: se procedente. Possível em face da transcendência dos motivos determinantes. uma lei pode se tornar inconstitucional e se isso acontecer o STF poderá reconhecer em RE ou ADI. com a EC 45 o efeito vinculante foi previsto (Art. que fará valer sua decisão. 102.000/SP essa decisão poderá alcançar uma lei 2. na CF/88. I. administração pública direta e indireta (federal. 27 que está aplicando inclusive ao controle difuso (RE 197. Com a lei 9868 (Art. 102. são efeitos semelhantes. A reclamação 1880 também reconheceu que a liminar da ADI teria efeito vinculante. (ADI 3022). Mas para que mudou a redação? Administração direta incluiria o Legislativo? STF terá que se posicionar. Futuramente a ADC também será para lei estadual. CF) (garantir a autoridade de suas decisões). Com as reformas tenta-se igualar essas ações. caso uma ADI declare inconstitucional uma lei 1. Reclamação 1880 de 7/11/02 – o efeito vinculante pode ser usufruído por todos e não apenas aos legitimados da ADI. logo. não poderá após ser reexaminada. ADI e ADC têm natureza dúplice. Com a EC 45 o efeito vinculante está dirigido ao Judiciário e administração pública direta e indireta (antes ao Judiciário e ao Executivo). STF. 28. Ainda quanto ao efeito vinculante. Por mudança da realidade fática. estadual e municipal). Só ocorrerá. relativizando os efeitos da ADI. mas não idênticos. em caso de descumprimento enseja reclamação (Art. agora. Vincula: demais órgãos do judiciário. parágrafo único) há o efeito vinculante.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO que lei inconstitucional produz efeitos. a decisão deverá ser obrigatoriamente cumprida. O que não pode é o contrário: se o STF julgar ADI procedente ou ADC improcedente a lei é fulminada. Objetivação do controle difuso. talvez chegando novamente ao STF por RE (começar lá de baixo). Na prática. § 2º). julgando RE (controle difuso com autor e réu) pode decidir de maneira diversa a lei que já tinha sido julgada constitucional. A reclamação é dirigida diretamente ao STF. Isto porque o efeito vinculante é para os demais órgãos do Judiciário. então.000/RJ (ato normativo análogo).000/RJ) sendo aplicada assim 63 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . Antes ele só havia para a ADC. l. O STF gostou tanto do Art. ADI originariamente não tinha efeito vinculante.917 – deu efeito pro futuro). O efeito vinculante atinge o Legislativo? Ainda hoje na jurisprudência tem-se que o efeito vinculante não atinge o Legislativo. se uma primeira ADI foi improcedente ou uma ADC foi procedente (mudanças fáticas). Se o efeito fosse apenas erga omnes seria necessário seguir pelas vias ordinárias. Poderá julgar até mesmo uma ADI em sentido contrário.

A ADC foi introduzida pela EC 03 para tentar solucionar essa incongruência. Num primeiro momento a decisão 2 poderia dar margem a ação rescisória se ainda corresse o prazo para a rescisória. STF atingindo a coisa julgada. os motivos que levaram à declaração da inconstitucionalidade. Mesmo não utilizada a ação rescisória a decisão 2 poderá ser aplicada na fase de execução da decisão 1 por embargos à execução – inexigibilidade do título executivo. Neste caso a lei 2000/RJ já existia e em caso de ato normativo análogo futuro? O Legislativo poderá editar lei análoga a uma já declarada inconstitucional? Pela jurisprudência não há óbice porque o Legislativo não sofre os efeitos vinculantes. não cabe recurso. ainda que a considerasse constitucional. pois o único legitimado era o PGR. Controle difuso: juiz declarou lei constitucional. a parte legitimada até então só poderia levar a questão ao STF para defender a sua inconstitucionalidade (ADI). mas também à fundamentação. Ao aplicar uma lei o juiz deverá observar não só o dispositivo (direcionado a certa lei). A tendência é que as ações de ADI e ADC se fundam em uma só ação de controle de constitucionalidade. uma vez que ela é votada no parlamento. Controle abstrato: STF em ADI ou ADC declarou a mesma lei inconstitucional. Antes de 1988 era ainda mais grave. Quais os motivos que levaram à introdução do instrumento da ADC? Antes da criação da ADC questões de segurança jurídica traduziam certo desconforto em face da divergência de decisões a respeito de uma mesma lei. O STF pode ainda se posicionar no sentido de estender os efeitos vinculantes ao Legislativo. Ação rescisória sob o fundamento de violação de literal disposição de lei. Em face dessa situação. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 64 . O legislador não está proibido de legislar lei análoga (inconstitucional). Já transcorrido. ADI não tem execução. decisão que já transitou em julgado. sugeriuse a reabertura do prazo da ação (doutrina). só reclamação. ADC ADI procedente = ADC improcedente ADI improcedente = ADC procedente A lei já goza de presunção (relativa) de constitucionalidade. Isso não impede que por ocasião da aplicação seja impetrada reclamação. sancionada pelo presidente e promulgada. Talvez um dia no lugar da decisão 2 (controle concentrado) tenhamos um controle difuso (RE – objetivação do controle difuso) em processo de mudança. 2. é lei análoga à lei já declarada inconstitucional. O STF admite a transcendência dos motivos determinantes. só embargos de declaração. 1.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO mesmo dá margem a reclamação no STF.

Em ambas as ações (ADI e ADC) a questão dos fatos é fundamental. 21 da lei 9868 e há um voto (do relator) dizendo que é inconstitucional por violar o princípio do livre acesso ao Judiciário. não é o caso na ADC. o mesmo da ADI (só que a 2ª parte da reforma do Judiciário ainda não foi aprovada). A lei 9868 ainda está na redação antiga da CF. Cabe ADC em face de medida provisória? Para uma prova objetiva pode-se até dizer que cabe. pois a pretensão é confirmar a constitucionalidade. o período pode não ser suficiente para que a controvérsia judicial se forme. posteriormente a jurisprudência e a lei 9868 o estendeu à ADI e às liminares (exemplo de mutação). Medida cautelar em ADC: por decisão da maioria absoluta dos membros pode ser concedida e consiste na determinação de que os juizes e tribunais suspendam o julgamento dos processos. Isso não ocorre na ADI. A jurisprudência entende que também é cabível liminar em ADC. audiências públicas etc). A liminar na ADC só tem validade por 180 dias. 65 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . uma vez que a MP só vigorará por 60 dias (prazo curto). Os efeitos são os mesmos da ADI: erga omnes. O legitimado da ADC deve indicar a existência de efetiva controvérsia judicial relevante sobre a aplicação da disposição objeto da ação declaratória. A lógica para o aumento dos legitimados é que o objeto da ADC se tornará maior. A jurisprudência do STF está se posicionando no sentido de que os fatos cada vez mais influenciam na decisão de controle. A abrangência da ADI é maior que a da ADC (por enquanto. Existe ADI discutindo a constitucionalidade do Art. O efeito vinculante originariamente era aplicado somente à ADC. O STF não é mero órgão de consulta. não cabível a ADC. pois há a PEC 358-A. enquanto da ADC é apenas lei ou ato normativo federal. isto porque o objeto da ADC é menor. Na ADI o que se suspende é a lei ou ato normativo e não os processos. A controvérsia judicial é o requisito específico da ADC. Os fatos da vida não podem ser desconsiderados (a lei 9868 fala em perito. A controvérsia deve ser formada por número significativo de decisões de mérito controversas. modulação dos efeitos. logo. A legitimação ativa da ADC hoje é coincidente com a da ADI. O AGU não é ouvido. igualando o objeto das ações). O PGR será ouvido. Se a questão está sendo decidida de forma uniforme não há insegurança. Ocorre que há dificuldade de configuração do requisito de efetiva controvérsia. justamente porque o papel dele é defender a constitucionalidade da lei ou ato normativo impugnado. não há prazo de validade. Há quem defenda que a lei deve ser revista para que os juizes não possam declarar a inconstitucionalidade da lei (mais lógico).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO O objeto da ADI é lei ou ato normativo federal ou estadual. Antes da EC 45 a legitimidade era menor. ex nunc e vinculante. já que deve ser ouvido em todos os processos de competência do STF.

no máximo fixa um prazo para as providencias do poder competente. 66 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . Sendo competência de poder. Em tese a lei que estabeleceu é constitucional segundo o STF. Ex: vedação de concessão de liminar contra o poder público. para que em 30 dias produza o ato faltante. visando a concretização da idéia e ordem constitucional global. Isso desde que as normas estejam vocacionadas a desenvolver a eficácia dos postulados e dos preceitos inscritos na CF. não se esgotando na constituição (ADI 1552). É um conjunto de medidas e princípios que podem estar inclusive implícitos. estão espalhados em diversos dispositivos (igualdade. ADI por omissão A inconstitucionalidade pode se dar por ação (ADI e ADC) e por omissão (ausência de uma norma que é necessária à constituição para que o dispositivo possa ter eficácia máxima). o controle é abstrato. mas em um caso concreto (em face dos fatos em concreto) a mesma lei pode ser inconstitucional. o juiz poderá conceder a liminar. na ADI por omissão. No mandado de injunção a omissão lesa determinadas pessoas em um caso concreto. projetando-se para além das regras constitucionais meramente escritas e dos princípios contemplados. ou para as partes. há uma omissão que torna a norma constitucional ineficaz (inconstitucional). Trata-se de uma pluralidade de acepções. Bloco de constitucionalidade: há determinados temas que não se exaurem em alguns artigos. Existem dois tipos de ADI por omissão: contra o poder competente (legislativo ou executivo) e contra órgão administrativo. A partir do momento que ele não age. o STF dará ciência da mora. Os remédios para combater a inconstitucionalidade por omissão são o mandado de injunção e a ADI por omissão. que o Estado está em mora. Mas em tese há diferenças.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Uma lei pode ser constitucional em tese. é verdadeiro apelo ao legislador (doutrina alemã assim denomina). as pessoas prejudicadas poderão pleitear perdas e danos em razão da mora estatal. Sendo para órgão da administração pública a natureza da ação é mandamental e obrigatória. considerando a lei inconstitucional (razoabilidade) (ADI 223-MC). A jurisprudência do STF terminou por igualar o mandado de injunção à ADI por omissão já que entende que não pode legislar no caso concreto (ou abstratamente) e não pode obrigar ninguém a produzir a lei. Observe-se que na ADI por omissão há inconstitucionalidade sem nenhuma nulidade. Dentro da classificação de José Afonso da Silva. mas em um caso concreto. no Mandado de Injunção. as normas de eficácia limitada (institutivas ou programáticas) só podem se tornar realidade mediante a atuação do legislador infraconstitucional. O bloco de constitucionalidade pode trazer até mesmo matéria que esteja presente na legislação infraconstitucional. Na ADI por omissão não há caso concreto. dignidade humana etc). A partir do momento em que o judiciário reconhece que para todos.

nos termos do caput do Art. No modelo de hoje não cabe liminar (no RI do STF prevê). Inseri-lo dentro do controle abstrato é um equívoco por parte da doutrina. ADPF Cabível a ADPF contra ato do poder público. estadual ou municipal. a atuação do STF é para permitir a intervenção federal por decreto do presidente. para outros. Em tese não é cabível. Hoje é totalmente diferente. Os legitimados são os mesmos da ADI. O que existe é a representação interventiva por parte do PGR (Art. apenas vai ensejar a intervenção. não tem sobre o que se pronunciar. embora seja concentrado. e mais uma vez é sem nulidade. Atenuação do significado ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 67 .DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO O processo é basicamente o mesmo da ADI genérica. é concreto. Tudo isso torna a ADI interventiva um instrumento peculiar. E quem estará representando a União neste caso é o PGR. A intervenção era feita por lei. mas já tendo sido utilizado outro instrumento que não solucionou o problema é cabível a ADPF. Não há de se falar em liminar ou em oitiva do AGU. Assim. Existe uma lide entre a União e um estado. CF (princípios) – violação leva o PGR a representar ao STF – reconhecimento de uma situação fática inconstitucional. não necessariamente normativo. Diferenças entre MI e ADI por omissão no quadro no material de apoio???? ADI INTERVENTIVA Este nome não consta na CF. 36) – violação aos princípios constitucionais sensíveis (para alguns são cláusulas pétreas implícitas. 1º da lei 9882. podendo o STF fulminar tal lei. é o significado atual do princípio da subsidiariedade. Impedia a intervenção. Existindo outro meio capaz de resolver o problema não cabe a ADPF. Na CF de 1934 existia uma verdadeira ADI interventiva. A ADPF é ação subsidiária (princípio da subsidiariedade ou do exaurimento das instancias). A representação interventiva é uma ação concentrada (só o STF decide a respeito) e concreta (caso concreto de violação a princípio constitucional sensível). No inciso I do parágrafo único do Art. VII. A inconstitucionalidade que o STF reconhece é fática (violação de um princípio sensível). 1º está previsto que é cabível ADPF contra lei ou ato normativo federal. 34. incluídos os anteriores à constituição. Diante dessa lei o PGR poderia ir ao STF para dizer que não existiam os motivos da intervenção e que a lei era inconstitucional. preceitos fundamentais) pode autorizar a intervenção federal nos estados: Art.

TÉCNICAS DE CONSTITUCIONALIDADE JULGAMENTO NO CONTROLE DE Interpretação conforme a constituição: é ao mesmo tempo um princípio de hermenêutica e uma técnica de controle de constitucionalidade. com efeito vinculante. alguns autores dizem que a presunção de constitucionalidade não deve ser estendida às medidas provisórias. Assim. é parecido. afastando a possibilidade de interpretação diversa. daí ainda existirem muitas dúvidas a respeito do instituto. é constitucional. podendo ser inclusive evolutiva). sob pena de ferimento ao princípio da supremacia constitucional. a ADI em julgamento será julgada improcedente e sendo ADC será procedente. erga omnes e. Sendo possível a escolha entre dois caminhos. No exame de uma lei o julgador poderá se deparar com dois caminhos possíveis de interpretação (é uma possibilidade dentro da interpretação. É possível veto em ADPF? Existem duas posições do STF.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO literal do princípio da subsidiariedade quando o prosseguimento de ações nas vias ordinárias não se mostra apto para afastar a lesão a preceito fundamental. não se deve dar muito valor a essa presunção (cuidado!). Como princípio da hermenêutica significa que o intérprete deve interpretar a lei conforme a CF e não o inverso. já que a lei goza de presunção de constitucionalidade. desde que não sejam absurdos). mas não é a mesma coisa. ex tunc. a vontade que é aferida é a da lei. Sob o ponto de vista do controle. Não existe ainda decisão de mérito de ADPF no STF. Em recesso o relator pode conceder a liminar monocraticamente. Dessa forma. pois estaria na verdade legislando. A ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 68 . A MP não passa por processo algum. Não pode contrariar o sentido inequívoco que o legislativo pretendeu dar (decisão do STF considerou a vontade do legislador. deve-se escolher aquele que diz que a lei é boa. Seus efeitos são os mesmos da ADI e ADC: vinculante. O STF não pode “inventar”. mas hoje. em regra. uma pela constitucionalidade e outra pela inconstitucionalidade. Não sendo possível a interpretação conforme a constituição ele deve julgar procedente a ADI. simplesmente é publicada. reduzindo ou retirando do ordenamento texto inconstitucional. Por decisão de maioria absoluta cabe liminar. A medida provisória não deve ter presunção de constitucionalidade com base nos argumentos de que a lei goza da presunção (passa por todo o processo legislativo). Declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto: a atividade típica do STF no controle é de legislador negativo. interpretar de maneira absurda.

O julgamento de uma ADC procedente não impede uma ADI no futuro. Declaração de inconstitucionalidade sem pronúncia de nulidade: declara a inconstitucionalidade. A diferença é que na interpretação conforme a ADI é julgada improcedente ou a ADC procedente. É também uma forma de interpretação conforme a constituição. Na declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto a ADI é julgada procedente e a ADC improcedente. As circunstâncias. simplesmente porque não há como retirar da lei só o que se quer. Apelo ao legislador: hipótese típica da ADI por omissão no caso do poder que está em mora. ou seja. Tal fato pode acontecer porque circunstâncias fáticas da realidade mudaram (cada vez mais os fatos influenciam a interpretação sobre a constitucionalidade ou não). ADI por omissão. Há determinadas situações. Abstratamente a norma é inconstitucional. a redação da lei leva a uma necessidade de dizer que a lei é inconstitucional. 68 do CPP é ainda constitucional. a forma não permite. provando que nem tudo que é inconstitucional é nulo (teoria do funcionário de fato.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO inconstitucionalidade vem acompanhada da revogação de um texto de lei (integralmente ou de parte). O STF admite que o Art. A partir do momento em que a defensoria alcançar a estruturação desejada. Mas em concreto a realidade é que a defensoria não tem condições de absorver essa demanda. a lei se torna inconstitucional. por um aspecto formal. é a inconstitucionalidade progressiva. mas não declara a nulidade. a declaração de constitucionalidade ou inconstitucionalidade poderá variar no tempo e no lugar. Declarar a inconstitucionalidade concreta produziria um prejuízo maior aos direitos fundamentais. enquanto a defensoria estiver desaparelhada o MP poderá mover a ação civil ex delito. que não seriam efetivados.060/50). 68 do CPP (MP move ação civil ex delito para o pobre). sem que lei ou a CF mudasse. e por conseqüência. mas sem revogar nada. O mesmo pode se dizer que a lei que dá prazo diferenciado para a defensoria (lei 1. Declara-se inconstitucional. 69 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . onde. por isso é preciso se valer da técnica. modulação dos efeitos da ADI etc). Isso pode ocorrer na ADI ou ADC quando o intérprete se vale da técnica da lei ainda constitucional. A situação é de que da forma como está redigido não há como reduzir nada. nenhuma palavra. sem a limitação que o presidente da república tem no veto (não pode vetar palavra ou expressão). Por isso pode-se dizer que a inconstitucionalidade é desejada. ADI interventiva. Declaração de lei ainda constitucional: algo pode ser constitucional hoje e inconstitucional amanhã. assim. uma determinada interpretação por meio da técnica de declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto. Pela CF quem move ação para o hipossuficiente é a defensoria pública. enquanto o MP está muito mais bem estruturado. esses dispositivos tornar-se-ão inconstitucionais. porque a lei pode se tornar inconstitucional (STF). Ex: Art.

união entre estados. A fonte central se faz valer em todo o território nacional. A idéia partiu da Inglaterra (13 colônias inglesas que se tornaram estados soberanos – qualidade de um estado que é capaz de decidir em última instância todos os assuntos de seu interesse. formaram em 1781 uma confederação (forma de reunião de estados soberanos. dissolveu-se então a confederação e em 1787. estão reunidos. Foi uma forma de colaboração entre as colônias a fim de se protegerem mutuamente contra as constantes ameaças da metrópole inglesa. idéia clássica de soberania que não responde mais o conceito de soberania. Ainda sobre os 13 estados soberanos. A autonomia é a capacidade de o estado tomar decisões dentro de determinadas competências. Há ainda uma terceira fonte de poder político local. No estado federado. para serem estados federados autônomos. A forma de Estado vai variar de acordo com os elementos político e geográfico (poder sobre o território). no território tem-se uma subdivisão geográfica. completando essas múltiplas fontes de obrigações em um mesmo Estado. Entretanto. soberano é o estado que não está sujeito a ordem jurídica de outro estado. para formar um único estado novo soberano resultado da união de estados membros autônomos (estado central soberano + estados regionais autônomos) indissolúveis. permite o direito de secessão). na Convenção de Filadélfia. Hoje. Os estados deixaram de ser estados confederados soberanos. mas apenas à sua própria ordem jurídica e à ordem jurídica internacional. enquanto a fonte de poder regional se impõe em determinada região e podem ter pontos diferentes. Nesta forma há mais de uma fonte de poder político no mesmo território. aliança. Cada estado deixa de ser soberano. Formaram. que á a municipal. mas devendo-se se curvar às decisões centrais do estado soberano. geográfico e humano. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 70 . tem que ser ratificada pelo estado soberano. mas continuam soberanos. Era um pacto confederativo. uma única fonte de poder em todo o território. foederes = pacto. tem-se um Estado unitário. então.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO ORGANIZAÇÃO DO ESTADO E DA FEDERAÇÃO O Estado pode assumir duas formas: federal ou unitária. com uma fonte de poder central e em cada subdivisão uma outra fonte de poder que incide apenas ali. Se a fonte de poder é unitária. os Estados Unidos da América. Federação: o Estado é composto pelos elementos político. as decisões só valem se cada estado internamente se submeter às decisões. A palavra federação vem do latim foedus. criaram a federação. foi reputado insuficiente para atender a todos os estados (durou apenas seis anos). é isolacionista).

Características básicas do modelo federal: * Descentralização político-administrativa constitucional: repartição de competências entre as entidades federadas. Diferente do processo de formação histórico. os estados são fortes e têm grande autonomia. Na federação por agregação. por desagregação  federação centrípeta (poder central maior. 1º. isto. formando-se a república federada com um poder central e poderes regionais. Alguns autores utilizam “centrípeta e centrífuga” para explicar o poder. O estado soberano unitário se dividiu. * Auto-organização dos estados-membros por constituições estaduais. o poder é mais concentrado no poder central. Daí conclui-se existirem dois modelos de federação: federação por agregação (EUA) e federação por desagregação (Brasil). estados autônomos. ela foge do centro. converge para o centro. para onde ele se dirige (e não do ponto de vista histórico). ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 71 . os estados são mais fracos e com autonomia restrita. na Inglaterra há bicameralismo. o poder é mais bem dividido. Isso se explica pelo processo histórico por que passaram. Já na federação por desagregação. Na desagregação a força vai do centro para fora. concentrado). 46). * Órgão de manifestação da vontade dos estados membros: Senado Federal (Art. e nesse ponto de vista o conceito se inverte: por agregação  federação centrífuga (poder maior nas regiões. chamada de federação centrífuga (Brasil). Em ambos os casos há uma repartição de competências. Bicameralismo: Senado + Câmara. * Controle de constitucionalidade como mecanismo de preservação da repartição de competências constitucionais. CF). Não significa que todo estado bicameral é federado. e foi lá que surgiu a idéia. não há direito de secessão (Art. por isso a doutrina denomina de federação centrípeta (EUA). ao contrário do processo histórico por que passaram os Estados Unidos. mas é estado unitário. No Brasil o estado era unitário monárquico e posteriormente foram criadas divisões territoriais.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Assim a origem de estado federado se deu com a formação dos Estados Unidos da América (antigas 13 colônias inglesas). * Princípio da indissolubilidade ou indissociabilidade: nenhum estado pode decidir sair. A força na agregação é uma força que vem de fora para dentro. mas há uma variação entre a quantidade de poderes que é atribuído ao poder central ou aos estados membros a depender do modelo de federação. * Constituição rígida para assegurar a repartição de tarefas sem ser modificada por lei ordinária. espalhado).

Cada estado tem que obedecer simetricamente o modelo clássico. Ex: Fundef – não é cada um por si. há ainda o DF (federação seria na verdade “quádrupla”). pessoa jurídica de direito público que possui capacidade política (pessoa jurídica de direito internacional –soberania e de direito interno . não são unidades federadas (Arts. Uma federação simétrica onde todos os estados se relacionam entre si. 1º e 18 da CF). CF). há uma igualdade (ex: todos os estados têm 3 senadores). dual ou dúplice: reparte a competência entre duas entidades: União e estados-membros. Tríplice ou tricotômico: modelo brasileiro. há diferenças entre estados e União. UNIÃO: entidade federada. Cada um dos estados tem suas competências próprias. 23. sem religião oficial. não estão numa relação de subordinação. A federação brasileira é tricotômica e não dual. como o modelo clássico. Uma simetria entre as entidades federadas. Territórios (se existirem) integram a União. com a CF e com a União da mesma forma. STF entende os municípios como entidade federada (doutrina majoritária). Representa o Brasil em nome da soberania. Podem relacionar-se com pessoa jurídica de direito privado internacional. não há hierarquia (autonomia recíproca). e a União tem que respeitar as decisões que são próprias de determinado estado-membro. União. Art. Nesse ponto de vista a nossa federação é simétrica. é assimétrica. No federalismo assimétrico. Modelos de federação: Clássico. 19: liberdade religiosa. E a União possui autonomia recíproca com os estadosmembros no plano interno e soberania no plano externo (as características básicas de federação estabelecem reciprocidade apenas entre os estados).autonomia). Além deles. Teriam natureza jurídica de autarquia territorial ligada à Administração direta. mas não é a posição que prevalece nem na doutrina nem na jurisprudência do Supremo.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO * Autonomia financeira: recursos próprios. Estados-membros e Municípios com competências próprias. José Afonso da Silva diz que município não é entidade federada. Os estados podem ter relações internacionais. O que não impede a cooperação. mas Estado é laico. Há uma outra forma de entendimento de simetria. * Autonomia recíproca entre os estados-membros. Federalismo cooperativo – trabalhar conjuntamente (Art. A nossa federação. pois não corresponde ao modelo clássico supra. Federalismo simétrico: as entidades federadas se organizam à luz do modelo clássico e com isso é formada uma simetria entre o modelo federal e o estadual. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 72 . mas não têm soberania. sob esse ponto de vista. parágrafo único. Como pessoa jurídica de direito público interno a União atua com autonomia em igualdade com as demais entidades federadas.

26. 125) próprios. *Auto-organização pelas constituições estaduais. Rios. Acrescido de marinha é a parte que com o passar dos anos o mar recuou (além dos 33 metros). 27). só é fundamental para a defesa nacional. *Auto-legislação: leis estaduais. terreno de marinha sim. EC 46 mudou o Art. Plataforma continental: 200 metros de profundidade e mesmo após as 200 milhas. mas os demais entes e inclusive o proprietário do solo terá direito a participação. fundamental para determinar a competência (Art. Ilhas lacustres: de lagos e fluviais nas zonas limítrofes. praia não é medida em metros.760/46  33 metros do preamar médio de 1891. mas os recursos são da União. CF). que em regra são bens dos estados e não da União (só sendo indispensável à defesa das fronteiras). orçamentária e tributária. 109. 28) e judiciário (Art. 20: bens da União. II). *Auto-administração: administração pública estadual. Terrenos de marinha # praia: decreto 9. As ilhas são da União.661) (até onde começa uma outra vegetação) ou ecossistema. lhas oceânicas (distantes) e próximas. *Autonomia financeira. O estado-membro tem autonomia: *Auto-governo: os estados possuem poder legislativo (Art. Art. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 73 . terrenos marginais e praias fluviais respectivas. Faixa de fronteira: 150 km de largura ao longo das fronteiras terrestres. ESTADOS FEDERADOS são organizações jurídicas das coletividades regionais para o exercício autônomo das competências constitucionais. É água internacional. mas algumas áreas podem ser dos estados (Art. Zona econômica exclusiva: 12 – 200 milhas. lagos e quaisquer correntes de água. Praias marítimas (lei 7. Mar territorial: 12 milhas. costeiras. Não é bem da União. IV. 200. Terra devoluta: terra que não tem registro. podendo ser instituído um regime jurídico diferenciado.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Art. 20. executivo (Art. Pode se ter o terreno de marinha já engolido pelo mar (parâmetro de 1891). § 1º: cooperativismo federalista: a União é a proprietária. Não há tamanho definido e onde tiver “areia”.

Normas repetidas obrigatórias ou normas centrais da federação. 11. 45. § 1º: número máximo de 70 e mínimo de 8 deputados federais. 25. região metropolitana: tem continuidade urbana. 25. Art. § 1º: simetria no regime jurídico dos parlamentares. EC 46: ilhas que tinham sede dos municípios passam a ser dos estados. Limitação ao triplo: 12 primeiros entram na regra do triplo. As repetidas podem ser obrigatórias (simetria) ou facultativas (ex: MP). * Auto-organização: lei orgânica municipal. Limitação material a medida provisória estadual: MP estadual não pode tratar de serviço local de gás canalizado. Bens: águas. 27: poder legislativo estadual: número de deputados estaduais. quem já tinha até 1988. Art. ADCT). Pode ter área particular em ilha. ADI – TJ: CE (norma de repetição obrigatória) X lei estadual ou lei municipal: cabe RE excepcionalmente em controle abstrato estadual (RE com efeitos diferentes do tradicional – excepcionalmente erga omnes). logo. Governador pode tomar posse em cargo público (concurso). 36 + 28 = 74. aglomerados urbanos: carente de definição ainda). incorporem-se etc. Deputado estadual ganha no máximo 75% do que ganha deputado federal. A constituição estadual possui normas próprias e normas repetidas. áreas nas ilhas oceânicas e costeiras. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 74 . § 3º: subdivisão dentro do estado por lei complementar estadual: os estados é que criam as regiões (microrregião: não tem continuidade urbana. mínimo de 24 deputados estaduais e máximo de 94. MUNICÍPIOS: é entidade federada? Tem autonomia? *Auto-governo: poder executivo e poder legislativo.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO *Art. não tem poder judiciário. 18. Ex: 40 deputados federais: 3 X 40 = 120. mas não pode entrar em exercício. Art. a do estado é o serviço de distribuição local do gás. 40  12x3 = 36  28x1 = 28. Art. 25: observar também o princípio da simetria (Art. § 3º: plebiscito + lei complementar do congresso nacional para que estados desmembrem-se. Se adotar a norma repetida facultativa terá que seguir a simetria. Art. 28: poder executivo estadual. Art. § 2º: serviço local que não é competência do município – exceção: exploração de gás natural é da União.

§ 4º: é vedada a criação na estrutura dos municípios. por isso a maioria entende ser entidade federada. Art. o auxílio é sempre por TCE ou TC para todos os municípios (estadual). Em 5/10/88 quem tinha TCM permanece (só RJ e SP). Políticoadministrativa não. dos municípios. menos de 200 mil eleitores: 1 turno. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 75 .DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO *Auto-legislação: leis municipais. Art. Nem todos os crimes serão julgados pelo TJ. Art. II: mais de 200 mil eleitores: 2 turnos. só os crimes comuns. prevalece a mais restritiva no caso concreto. Art. Crimes federais: TRF (interpretação do STF). 29. A única diferença dos estados é que não tem poder judiciário. O raciocínio não é o mesmo do da CF. Na tribuna a imunidade atinge mesmo palavras fora do exercício do mandato. mas para contrariar exige o voto de 2/3 da câmara municipal. STF entende que não cabe ao município decidir como achar conveniente o número de vereadores. orçamentária e tributária. *Autonomia financeira. Legislativo com o auxílio do TC: do Estado. TCM: órgão municipal. Crime eleitoral: TRE. 29. Exceção: MS impetrado em face de ato de prefeito da capital (TJ – na CE e não na CF). e mesmo tratando de matérias de seu município em outro lugar não está acobertado. 29. 31. VI e VII). 29. CF e Art. Art. não vincula. Dependerá caso a caso da matéria. A CE pode ser inconstitucional em face da CF. 29. 11 ADCT: municípios obedecem aos princípio da CE e da CF. Subsídio dos vereadores sujeito a várias limitações (Art. Controle pelo poder legislativo e executivo (externo e interno). CE x LOM: depende. Existe uma tabela em acórdãos do STF. Dentro do município só no exercício do mandato. * Auto-administração: administração pública municipal. VIII: inviolabilidade material (imunidade) com limitação geográfica: só em seu município. do município. TC municípios: órgão estadual. A lei municipal não pode criar foro “privilegiado” e nem imunidade formal (autorização da Câmara Legislativa) para vereadores (inconstitucional). Julgamento do prefeito pelo TJ: penal apenas. CE x LOM (ou outra lei municipal)  a CE não pode invadir a competência municipal ditada pela CF. A imunidade é civil e parlamentar. TC emite parecer prévio sobre as contas do prefeito. não há liberdade de escolha do número. nem sempre a CE prevalecerá. IV: número mínimo e máximo de vereadores. após. TCE: órgão estadual.

Governador nomeado pelo presidente da república após aprovação do Senado Federal. não têm capacidade política. TERRITÓRIOS: são ligados à União. Passou em 88 a ter natureza jurídica de pessoa jurídica de direito público interno com capacidade política (entidade federada). estados: poder regional e municípios: poder local. a com competência repartidas de acordo com a predominância do interesse (geral. Caso fosse criado. A repartição precisa ser racional. União: poder central. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 76 . não tinha capacidade política. Caso tenha mais de 100 mil habitantes (e não eleitores) haverá Judiciário (1ª e 2ª instancias) – TJDFT e MPDFT. seria uma autarquia territorial ligado à administração direta. 77 (maioria absoluta). Art. nem autonomia. Qualquer cidadão poderá pedir. REPARTIÇÃO DE COMPETÊNCIAS: Existe a necessidade de repartição de competências a fim de se evitar a ausência estatal e dupla atuação sobre um mesmo assunto (omissão e superposição – desperdício). regional ou local). Não é entidade federada. defensoria. apenas para tomar algumas decisões. 31. podendo. partindo-se do princípio da predominância do interesse em relação a determinado assunto. DISTRITO FEDERAL: substituiu o antigo município neutro. Antes de 88 não era entidade federada. Todos legislam. câmara territorial com competência deliberativa e não legislativa. Nada deve ser levado ao plano mais elevado se puder ser satisfatoriamente atendido por um plano mais baixo. § 3º: não significa que a publicidade se limita a 60 dias. possuem competência própria. Disciplinado na CF por meio de técnicas de repartição de competência. tomam decisões. As contas são submetidas ao Congresso Nacional. haver 2 turnos. DF tem função específica de abrigar a capital federal. várias funções dos estados no DF são mantidas pela União (cria e mantém).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Art. Tinha natureza de autarquia especial territorial. Lei federal (e não distrital) é que irá disciplinar. portanto. 18. § 2º: criação regulada por lei complementar. Podem ser divididos em municípios. O governo do DF otimiza esses órgãos. Eleição para governador e vice-governador com as regras do Art. Lei Orgânica: votada em 2 turnos. só significa que terá que pedir. com interstício mínimo de 20 dias e com 2/3 de votos. com parecer prévio do TCU. Não é um órgão legislativo (4 deputados federais). Vedação da divisão em municípios: competência legislativa (câmara legislativa): matéria dos estados e municípios. por isso.

No remanescente não há a intenção de esgotar todas as possibilidades. já no residual. As técnicas supra mencionam apenas União e estados (federalismo clássico) e aqui o federalismo é o tricotômico. mais uma razão para não ser puramente utilizadas. há a intenção de esgotar e por precaução. há campos de atuação conjunta. Competências: são as matérias que devem ser desempenhadas pelas entidades de direito público. Art. respectivamente). Art. Aqui essas regras não foram utilizadas de forma pura. mas de forma mista. 23). 21) e comum (tarefas que devem ser desempenhadas por todos os entes.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Técnicas formais de repartição de competências: *Enumeração dos poderes da União e o remanescente para os estados (EUA). mas não o de chegada. deixa consignado que se algo for esquecido será da competência da União. 25 e 29 elaboração de CE e LOM. 22) e concorrente (para normas gerais e suplementares. Art. Há 77 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . Há várias matérias em que não é possível identificar o interesse predominante (o princípio é útil. *Enumeração dos poderes da União e dos estados e o residual para a União. Assim. privativa (admite delegação por lei complementar. mas em princípio a União deve fazer tudo. não é competência derivada. Correlacionando as tarefas com os poderes dos entes pode-se encontrar competências: * Administrativas (materiais ou executivas) * Legislativas A competência material pode ser de dois tipos: exclusiva (tarefas que devem ser exercidas somente por um ente. cooperativa. 154). 24). A primeira delas é o ponto de partida para a nossa repartição. Na concorrente é competência originária do estado suplementar as normas gerais da União. organizada para evitar a duplicidade de esforços. Arts. Em matéria de impostos essa foi a técnica adotada pela CF (Art. Normas Suplementares: Estados. *Enumeração dos poderes dos estados e o remanescente para a União (Canadá). Art. mas não suficiente). Normas gerais: União. Quando o estado legisla pela competência privativa por delegação sua competência é derivada e não originária e é feita por lei complementar. Eles já podem desde logo legislar naquelas matérias. Para legislar a competência pode ser: exclusiva (não admite delegação.

22. estados de exceção  estado de defesa e sítio e a intervenção. XXI e XXVII: apesar de falar em normas gerais não é competência concorrente. na saúde. Caso a União não legisle normas gerais. na educação etc). 225 diz que a responsabilidade ambiental é objetiva. 22. Fáticos: motivos capazes de ensejar a intervenção. Existe uma correlação entre os Arts. parágrafo único: federalismo cooperativo. 21. os estados não podem legislar supletivamente. princípio 4º). logo. 21/22 e 23/24.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO competência suplementar dos municípios no Art. 30. suspenderá a eficácia da lei estadual. XXIII: seguridade social só da União. caso venha norma superveniente da União sobre a matéria. um ente cooperando com o outro (no trânsito. 21. está expresso. XXIII. XX: União apenas institui diretrizes para o desenvolvimento urbano. Art. Não podem ser aplicados os parágrafos do Art. 24. 24. interpretação restritiva. é competência privativa. salvo a matéria de dano nuclear. 23. Art. Princípios: excepcionalidade. Em regra a entidade que vai legislar é também a que vai executar. no entanto. cassação de mandatos. Art. os estados poderão fazê-lo integralmente. Apenas alguns dispositivos podem gerar dúvidas: Art. Pressupostos: fático e formal. mas isso não significa que cada um faz como quer ignorando o outro. A regra é a não intervenção. Previdência social: União e Estados Art. necessidade. 22. XVII: apesar de ser o DF é competência legislativa da União. temporariedade. II. Art. o restante é concorrente. 21. procedimento em matéria processual é concorrente. impeachment. que não é ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 78 . no que for contrário (Art. 22. Quando se faz a repartição de competências algumas coisas são comuns. INTERVENÇÃO Sistema constitucional de solução de crises: são as medidas provisórias. Formais: observar determinada forma. Art. Art. formalidade. deve-se maximizar os recursos. XIII: a União institui e mantém. 24. mas não está na CF. XI: processo é competência da União. Art. XXIV: apenas diretrizes e bases. A intervenção é algo que foge à normalidade em uma situação excepcional de crise. o restante é competência municipal. c: Art. necessidade.

A nomeação de interventor não é obrigatória (Art. dependerá de representação (solicitação) do poder legislativo ou poder executivo e requisição do STF. Como já houve apreciação judiciária. dispensa o controle do legislativo também. 35. Em alguns casos pode ser dispensada a apreciação do legislativo (Art. Se o motivo for a coação a um dos poderes. mas em menor grau. terá. § 1º: forma geral é pelo decreto do chefe do executivo. Não há nos casos do Art. Decretada a intervenção a constituição não poderá ser emendada: Art. Outra afirma sempre haver conveniência e oportunidade por parte do cheque do executivo). 36. A intervenção depende de juízo de conveniência e oportunidade do chefe do executivo. ela varia de acordo com o motivo. isso. 36. 35. IV: pressuposto específico de forma. § 1º). Há uma forma geral (decreto presidencial) e outra específica. Motivos: Art. Há controle judicial em relação aos pressupostos formais. 34. § 1º. dependendo do motivo. Quanto à conveniência e oportunidade não há. Art. 60. atos normais do cotidiano  estado (varia de acordo com a natureza do ato praticado. VII  princípios constitucionais sensíveis. podendo ensejar ADPF. A violação a eles dá ensejo a representação interventiva (ADI interventiva). hipóteses da ADI interventiva. 36: pressupostos formais.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO única. 34. para parte da doutrina.c Aristóteles divisou as três básicas funções: dentro de uma sociedade aquele ser que desempenha poder desenvolve basicamente três atribuições: cria a regra geral bem-viver nos casos concretos. resolve os conflitos de interesse. segundo a doutrina). 36. o decreto pode depender de solicitação (conveniência e oportunidade mantidas) ou de requisição (não cabe ao executivo fazer juízo de conveniência e oportunidade. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 79 . Art. Art. Motivos que podem levar à intervenção da União nos estados e DF. § 3º. Alguns chamam também de preceitos fundamentais. o responsável civil pelos seus atos pode recair: atos vinculados ao objeto central da intervenção  União. VI e VII). PODER JUDICIÁRIO – Pedro Taques 390 a. Motivos para intervenção dos estados nos municípios e União nos municípios em território: Art. Existindo interventor.

Todas as nossas constituições. é o poder que constituiu um determinado estado. 4) Objetivos. o poder uno (Art. judicial. Ex: a constituição da Venezuela fala da existência de cinco poderes: legislativo. Essa divisão orgânica é divisão científica? Ela é histórica? É histórica (luta contra o exercício hipertrofiado do poder. coercibilidade). executivo. Esse poder é indivisível. aplica e resolve os conflitos. A partir desse momento (1789) surgiu o movimento contratualistas (1762 – Rousseau): cada um abre mão de parcela dos próprios direitos e coloca sob a responsabilidade do Estado. 3) Território. Poder é capacidade. executiva (Art. possibilidade de impor vontade sobre vontade de terceiros. Cada uma das funções deve ser desempenhada por órgão distinto. 76) e jurisdicional (Art. 1º. parágrafo único). único. 1º) se manifesta por órgãos legislativo. cidadão e eleitoral. 1748 (Montesquieu): identificou as funções de Aristóteles e Locke e avançou. mas pode mudar tendo em vista a realidade de determinado estado. Não existe outro centro de poder que possa impor a violência legítima (coação. Período dos contratualistas. 2º). há a função legislativa (Art.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO 1690 (Locke) igualmente identificou no ser que exerce poder dentro da sociedade desempenharia três funções também: cria. Dizia que para que nos pudéssemos voltar ao estado da natureza a sociedade se organizar e o poder deve ser exercido por um governo civil. É possível identificar os elementos constitutivos do estado: 1) Poder ou soberania ou organização. Poder significando função. O poder no âmbito do Estado é o poder político. Poder como órgão (Art. Alexandre de Morais fala que o ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 80 . 92). há a divisão orgânica de poder (não identificado por Aristóteles e Locke). a partir dele. Poder político quer dizer possibilidade de imposição da violência legítima. o poder não pode ser unipessoal com as três funções básicas. Michel Temer (Elementos do Direito Constitucional) revela três acepções do termo poder na constituição: poder significando soberania (Art. A constituição francesa fala em função governativa (executiva e legislativa) e judicial. povo e objetivos). São teoria que fundamenta a origem do Estado (sociedade politicamente organizada dotada de território. executivo e jurisdicional. com exceção da de 1824 (adotou o poder moderador como 4º poder) adotaram a construção tripartite do poder. A CF dá ao termo poder vários sentidos. dizendo que o poder não seja hipertrofiado . 44). assim. contra o absolutismo). independente. 2) Povo (nacionais).

Existem algumas exceções. há subtração da prestação jurisdicional: não é possível se valer da via jurisdicional antes de esgotar as vias da justiça desportiva (Art. ou seja. A regra é a indeclinabilidade jurisdicional. 81 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . só o poder judiciário poder trazer a segurança jurídica (Art. Essa função jurisdicional tem determinadas características: inércia. A segunda exceção é o manejo do habeas data. A partir da revolução francesa. 129. Os processualistas dão o nome de definitividade à qualidade dos efeitos da sentença. substituindo a vontade das partes com a força definitiva. a CF previu as funções essenciais da justiça MP e OAB (capacidade postulatória). substitutividade e definitividade. observado o Art. 58 e 70 a 75). Função jurisdicional: é o poder-dever do Estado de aplicar o direito ao caso concreto. I – sistema processual penal acusatório – separação entre quem acusa e julga. Em razão disso a EC 45 estabeleceu que o processo deve ter um prazo razoável (Art.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO MP é instituição extra-poder. LXXVIII). direito adquirido e ato jurídico perfeito). Surge o momento constitucionalista: ofertar direitos e garantias fundamentais do cidadão e divisão orgânica de poderes. A prestação jurisdicional é a tempo ou tempestiva. XXXV). Significa inafastabilidade da prestação jurisdicional (princípio da indeclinabilidade jurisdicional ou direito constitucional de ação – Art. Juízo arbitral é contenda que não será levada ao judiciário. Só o Estado tem o monopólio da violência legítima. após o ajuizamento da ação o juiz possui poderes instrutórios (Arts. porque na constituição a justiça que tarda é injustiça. não é formalmente poder. Montesquieu criou a divisão orgânica para regrar a atuação do Estado. Inércia: não existe jurisdição de ofício. Porque a jurisdição é inerte. mas os seus membros têm garantia de poder. 217. 345 do CP. Substitutividade: significa monopólio da jurisdição. O Estado substituindo a vontade das partes resolve os conflitos de interesse. só é possível após o esgotamento das vias administrativas (o STF já reconheceu que a exceção é constitucional). Art. 5º. No entanto. Essa definitividade é uma imposição do princípio da segurança jurídica (Art. XXXVI – trilogia da irretroatividade: coisa julgada. coisa julgada. no entanto. O juiz não pode agir de ofício sob pena de comprometer a sua capacidade subjetiva (imparcialidade). Definitividade: o poder judiciário tem por função aplicar a lei ao caso concreto. Há exceções em que o cidadão pode exercer as suas próprias razões. mas essa é uma exceção. Função legislativa: o órgão legislativo desempenha duas funções. de morosidade. a de inovação da ordem jurídica e fiscalização (Arts. 5º. Essa razoabilidade significa proibição de excesso. § 1º). essa aplicação deve trazer a segurança jurídica. caput). 5º. 129 do CPC e 209 e 156 do CPP). 5º. sobretudo a partir da declaração universal dos direitos do homem e do cidadão (1789): se uma constituição não estabelecer a divisão de poderes ele não tem constituição.

2 juízes de direito de entrância especial. § 3º). Todos que exercem função eleitoral o fazem por mandato de 2 anos. TRE: um por estado da federação e é composto por 7 juízes. RS. 125. o juiz de direito é servidor público federal (quem paga subsídio para o juiz eleitoral é a União). O judiciário não está previsto na constituição.000 componentes entre PM e bombeiros – SP. Concurso público de provas e títulos: 2. Como regra só pode ser presidente um dos ministros do STF. permitida uma única recondução por mais 2 anos. 2 são desembargadores do TJ. TSE (TRE – juízes eleitorais e juntas eleitorais) e STM (tribunal militar e auditorias militares. durante o exercício da função eleitoral. a CF permite que a justiça estadual tenha justiça militar – TJ e conselho de justiça militar para estado que tenha mais de 20.Art. MG . Quinto constitucional: Estrutura do poder judiciário: em razão da nossa cultura jurídica (romano-germânica) o nosso judiciário tem estrutura absolutamente complexa. procuram pacificação social. Exerce em face do princípio da delegação (a CF delega ao juiz de direito função eleitoral). Ex: revisão pro reo. Um dos dois do STJ será corregedor geral eleitoral. Composição do TSE: no mínimo 7 juízes que são denominados ministros. Crítica: a justiça eleitoral é federal. a própria segurança jurídica não é absoluta. mas ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 82 . pois a justiça eleitoral não tem quadro próprio de juízes. TST (TRT – juízes do trabalho). Esses ministros são escolhidos da seguinte forma: 3 do STF. em sendo assim. STF já reconheceu que a coisa julgada não pode ofender princípios constitucionais (desapropriação superfaturada). STJ e TSE a constituição fala em mínimo e não um número fixo. Cultura anglo-saxônica é bem mais simples (ex: Estados Unidos). é relativa. Justiça Eleitoral As justiças especializadas são justiças federais. 2 do STJ e 2 advogados escolhidos pelo presidente da república de uma lista fornecida pelo STF. Dos 11 ministros do STF é feito um rodízio dos que oficiarão no TSE.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Em regra não existem direitos fundamentais absolutos. o juiz de direito desempenha função eleitoral. erro material não faz coisa julgada. 2 advogados escolhidos pelo presidente da república de uma lista fornecida pelo TJ e 1 representante da magistratura federal. STF  STJ (justiça comum estadual – TJ – juízes de direito e federal – TRF – juízes federais). Desta feita. Relativização da coisa julgada. mas em uma lei. Escolha pelo presidente da república após aprovação do senado: 3. 1. não procuram justiça. Não obstante. Formas de acesso aos quadros do poder judiciário: a CF estabelece três formas de acesso. resolver conflito de interesses de forma pragmática (ex: Michael Jackson).

A justiça militar da União é composta pelo STM. julga atos disciplinares praticados por militar. a justiça militar estadual não julga crimes dolosos contra ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 83 . A justiça militar da União julga além dos componentes das forças armadas. A CF reconhece duas: a justiça militar da União e a das unidades federadas. Os 5 civis podem ser natos ou naturalizados. São escolhidos pelo presidente da república e devem ter o nome aprovado pelo senado. todos togados e vitalícios. É presidido pelo juiz auditor militar. os tribunais militares ainda não foram criados. A justiça eleitoral não é dividida em comarca. Dos 15 ministros do STM. serão criados por lei para atuação em época de guerra. Juiz eleitoral é o juiz de direito que por delegação exerce função eleitoral. nos estados em que o efetivo da PM e CBM for superior a 20. Estes 10 só poderão ser brasileiros natos (Art. § 3º). no entanto. 10 são militares (oficiais generais – última patente . Só pode ser presidente do TRE um dos dois desembargadores do TJ. O conselho funciona como colegiado ou singularmente. 3 são advogados escolhidos pelo presidente. civis pela prática de crimes militares (Decreto-lei 1001/69). Justiça militar dos estados possui jurisdição criminal e a partir da EC 45. A justiça militar estadual não julga civil nunca. Composta por 2 ou 4 cidadãos e presidida pelo juiz de direito exercendo a função eleitoral. que em regra é juiz de direito designado pelo TJ para oficiar na auditoria militar. ficando a cargo do Código Eleitoral. tribunais militares e auditorias militares. ou cível (lato sensu).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO quem comanda os TREs são os juízes estaduais. também jurisdição não-criminal. Junta eleitoral: a CF não fala sobre sua composição. Ela é presidida pelo juiz auditor militar (concurso próprio) e exerce sua função em dois órgãos distintos: conselho de justiça militar especial e conselho de justiça militar comum. os juízes poderão acompanhar as tropas militares. 1º grau de jurisdição da justiça militar estadual: conselho de justiça militar. inovação. Desses. A EC 45 inovou no tocante à justiça militar estadual: a justiça militar estadual nunca julga civis. O STM é composto por 15 juízes que levam o nome de ministros. Auditorias militares: primeiro grau de jurisdição da justiça militar. 12. 4 do comando do exército e 3 do comando da aeronáutica). Afeta a inamovibilidade. No entanto.3 do comando da marinha. Justiça Militar Conhecida como justiça castrense. mas em zonas eleitorais. 1 juiz auditor militar e 1 representante do MPM.000 existe concurso próprio para juiz auditor militar. Ela só possui jurisdição criminal.

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a vida praticados por PMs contra civis. A emenda constitucionalizou a lei 9299/96. Crime militar cuja vítima for civil o julgamento será feito pelo juiz auditor militar de forma singular e não pelo conselho da justiça militar. Crime militar praticado por PM com vítima militar será julgado pelo conselho de justiça militar atuando de forma colegiada (Art. 125, § § 4º e 5º). A justiça militar estadual nunca julga crime de abuso de autoridade (lei 4898/65), quem julga é a justiça comum. A justiça militar estadual não julga crimes culposos cometidos por militares previstos no CTB, são julgados pela justiça estadual. Não existe conexão entre o crime militar e o comum, desmembra-se o julgamento. Justiça comum federal: a CF dividiu o território nacional em cinco regiões federais. Cada uma é sede de um TRF. É possível a criação de outros tribunais. Número mínimo de desembargadores federais é de 7. TRF 1ª região: sede em Brasília/DF e mais 14 estados da federação (todos do norte, centro-oeste e Minas Gerais, Bahia, Maranhão, Piauí). TRF 2ª região: sede no Rio de Janeiro/RJ. Estados são Rio de Janeiro e Espírito Santo. TRF 3ª região: sede em São Paulo/SP – São Paulo e MS. TRF 4ª região: sede em Porto Alegre – Paraná, Santa Catarina e RS. TRF 5ª região: sede em Recife – estados todos do nordeste, exceto Bahia, Maranhão e Piauí. O concurso é regional e é permitida a permuta desde que haja concordância dos respectivos tribunais. Nos estados sede de TRF (DF, SP, RJ, RS, PE) o juiz federal que oficia perante o TRE não é juiz federal de 1ª jurisdição, mas sim desembargador federal (EC 45 deu essa denominação). 1º grau de jurisdição: juiz federal, não é dividida em comarcas, foro significa seção judiciária federal. Cada estado é uma seção. A seção é divida em sub-seção judiciária federal. Justiça comum estadual: no mínimo 7 desembargadores no TJ, o número varia de acordo com o estado (número de feitos e habitantes). Nos tribunais cuja composição se faz por mais de 25 membros é possível a criação de órgão especial que é composto por no mínimo 11 e máximo 15 membros. A composição do órgão especial até a EC 45 eram os 25 mais antigos, a EC 45 disse que metade dos mais antigos e metade por eleição entre os demais membros (discutido no CNJ). 84

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O CNJ (tecnicamente correto) deveria estar na estrutura do poder judiciário (abaixo do STF e acima dos tribunais superiores). No entanto, existe uma segunda posição, de que ele é órgão do poder judiciário, no entanto não desenvolve atividade jurisdicional, por isso não pode estar dentro da estrutura (Alexandre de Morais) – Art. 92, § 2º exclui o CNJ da função jurisdicional. STJ: criado pela CF/88, mas em 1965 José Afonso da Silva escreveu artigo pela criação de um tribunal nacional para unificar decisões. É composto no mínimo de 33 ministros. Os ministros são escolhidos pelo presidente da república, mediante aprovação do senado por maioria absoluta. Até a EC 45 era maioria simples. A escolha é do presidente, no entanto, ela é vinculada a determinadas categorias (ela não é livre). Ele escolhe dentre listas fornecidas pelo STJ, diversamente do que ocorre no STF. 1/3 dentre desembargadores federais dos cinco TRFs (hoje são 11); 1/3 dentre desembargadores dos TJs; 1/3 entre advogados (5) e representantes do MP (federal ou estadual - 6). STF: composto de 11 juízes que recebem o nome de ministros. Alexandre de Morais entende que a alteração do número de ministros ofende cláusula pétrea. A escolha é livre pelo presidente da república, não é vinculada a categorias. Livre dentre brasileiros que preencham os seguintes requisitos: brasileiro nato (pois está na linha sucessória do presidente da república – Arts. 12, § 3º, 81 e 101), idade mínima de 35 anos (José Afonso da Silva fala que é quando se atinge a capacidade política absoluta – Art. 14 – que é alcançada por etapas); idade máxima de 65 anos (o cidadão tem exercer no mínimo 5 anos para se aposentar compulsoriamente) (Idade máxima para ser conselheiro do CNJ é de 66 anos, isso porque o mandato é de 2 anos permitida uma única recondução, atingindo os 70); reputação ilibada (Canotilho diz que é uma expressão “viajante” – a depender do momento); notável conhecimento jurídico (conhecimento jurídico que dispensa prova (Michel Temer diz que no mínimo tem que ser bacharel em Direito). Garantias do poder judiciário: elas têm por objetivo assegurar à instituição a necessária independência frente aos demais poderes para o exercício de suas funções, afastando pressões de qualquer natureza (Art. 2º). Essas garantias podem ser divididas em dois grupos: garantias institucionais e garantias dos membros. As institucionais, por seu turno, se dividem em: autonomia funcional, administrativa e financeira (Art. 99) e modo de escolha dos dirigentes dos tribunais (Art. 96, I, a). A garantia dos membros também se reparte em dois tipos: garantia de liberdade e de imparcialidade (Alexandre de Morais e José Afonso da Silva). As garantias de liberdade se dividem em três tipos: vitaliciedade, inamovibilidade e irredutibilidade de subsídios. Imparcialidade se reparte em vedação da atividade político-partidária, vedação de acumulação de cargos, empregos ou funções, vedação de recebimento de custas e quarentena.
GARANTIAS AUTONOMIA FUNCIONAL GARANTIAS INSTITUCIONAIS ADMINISTRATIVA

VITALICIEDADE ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE

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DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO INAMOVIBILIDADE GARANTIAS DOS MEMBROS IMPARCIALIDADE ACUMULAÇÃO DE CARGOS, GOS OU FUNÇÕES ÇÃO DE RECEBIMENTO DE CUSTAS ENTENA FINANCEIRA

IRREDUTIBILIDADE

GARANTIA DE LIBERDADE POLÍTICO-PARTIDÁRIA VEDAÇÃO DE EMPRE VEDA QUAR

Garantia institucional  autonomia: auto-governo do poder judiciário, independência do próprio órgão em relação aos demais poderes do estado (Art. 99). Havendo a violação das garantias institucionais é caso de condenação por crime de responsabilidade (Art. 85). Cabe ao próprio poder judiciário sobre os cargos que dispõem o órgão, ele é que possui legitimidade, competência legislativa para apresentar projetos de lei para dispor sobre cargos. Ele apresenta ao executivo o orçamento necessário para o ano seguinte (proposta orçamentária). Se não encaminhar no prazo estabelecido o executivo mantém a do ano anterior (respeitando a LRF – LC 101). Garantia institucional  auto-governo ou função governativa (modo de escolha dos dirigentes dos tribunais): Art. 96, I, a. Elaborar RI é exemplo do desempenho de função atípica ou secundária o judiciário. O CNJ foi criado para regrar essa função governativa. Garantia dos membros: visa a independência individual do magistrado. Garantia interna (o magistrado tem independência frente aos tribunais, há subordinação administrativa) e externa (o magistrado não deve obediência a ninguém, salvo à CF e à sua própria consciência). Garantia de liberdade  vitaliciedade: em 1º grau ela é atingida após 2 anos de efetivo exercício (estágio probatório). Existe o projeto de emenda 358/05 para passar o estágio para 3 anos. Em 2º grau ela é alcançada a partir da posse, sem qualquer lapso temporal (indicação ou 5º constitucional) – Art. 95, I. Não se confunde com estabilidade: estabilidade é para servidor público stricto sensu, estabilidade alcançada após estágio probatório de 3 anos. Com a estabilidade o servidor pode perder o cargo em razão de decisão administrativa. Vitaliciedade é só para agente político, espécie de servidor público lato sensu. Em 1º grau é adquirida em 2 anos e nos tribunais a partir da posse. Aquele que é dotado do predicativo da vitaliciedade só perde o cargo em razão de sentença judicial transitada em julgado. Abrandamento da vitaliciedade de ministro do STF – pode ser condenado por crime de responsabilidade (Art. 52 e lei 1079/50). São ofertados ao magistrado para que ele possa exercer a função com independência, sem temor de violar outros poderes, não como prerrogativa pessoal. Garantia de liberdade  inamovibilidade: não podem como regra ser removido ex officio, sem iniciativa própria, por determinação. Exceção em que poderá ser removido ex officio: interesse público com voto da maioria 86 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE

O CNJ também pode por interesse público remover o magistrado (Arts.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO absoluta dos membros do tribunal (alterado pela EC 45. Garantias de imparcialidade (Art. o subsídio não é majorado a cada período considerando-se a inflação do mês anterior. para magistrados é de seis meses (desincompatibilização – renúncia ao cargo e não licença como para outros servidores públicos). mas ao Estado como um todo. parágrafo único): para a manutenção da capacidade subjetiva há uma série de vedações: * Exercer outro cargo ou função. Dessa feita.. portanto. que pode ser removido por conveniência e oportunidade (discricionariedade). salvo uma de magistério (uma na faculdade.. O MP e os advogados desempenham funções não só voltadas ao Judiciário. diversamente do servidor público stricto sensu. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 87 . Os juízes militares podem ser removidos porque em guerra o juiz acompanha as tropas. LC 64/90 estabelece prazo de filiação a magistrado diverso: até um ano antes da eleição é a regra. Garantia de liberdade  irredutibilidade de subsídios: o magistrado não pode ter reduzido o seu subsídio porque precisa ter tranqüilidade para o exercício da jurisdição. entidade pública ou privada. 95. * Receber auxílios ou contribuições de pessoa física. para ele melhor seria funções essenciais ao Estado. MINISTÉRIO PÚBLICO Qual é a posição constitucional do MP? CF de 1824: não tratou do MP. A primeira constituição que tratou do MP foi a republicana de 1891. III). * Filiar-se a partido político.? O STF não decidiu ainda). Em 1832 surge o código de processo criminal do império fazia referencia ao promotor da acusação. Dizia que o procurador geral da república seria escolhido dentre os ministros do STF. manutenção da independência. II e 103-B. A LOMAN veda ao magistrado que participe de sociedade. § 4º. Praticar atividade político-partidária em geral. em 1891 o MP fazia parte do Judiciário. 93. era voto de 2/3). A irredutibilidade é jurídica e não real (STF). 95. VIII. seja cotista etc. uma no cursinho. * FUNÇÕES ESSENCIAIS DA JUSTIÇA Hugo Nigro Mazili critica essa denominação dada pelo constituinte. É aquela não nominal. nessa data o MP não foi constitucionalizado. * Receber custas ou participação em processo.

CF de 1934: o MP estava contido no capítulo denominado: atividades de cooperação governamental. logo. ela foi criada para uma realidade histórica em 1748. não se pode aplicar a doutrina da época à nossa realidade constitucional.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Em 1890 veio ao mundo o decreto 1030 que institucionalizou o MP. O MP passou a fazer parte do Executivo. O Estado se manifesta por ato legislativo. O MP é uma instituição extra-poder. ou seja. Há na doutrina quem entenda que o MP faz parte do Executivo (minoria). mas não como instituição (ditadura retira a independência do órgão). Para Hugo Nigro não interessa o MP ser poder. que inaugurou o Estado Novo. portanto volta a ser instituição independente. nem atos com força definitiva jurisdicional. MP acompanhado do TC. Alguns dizem que essa foi a constituição mais democrática que tivemos. mas apenas uma emenda 01 à constituição de 67. CF de 1937: foi uma constituição autoritária outorgada por Getúlio Vargas. pois se originou de uma assembléia nacional constituinte (a de 1988 foi de um congresso constituinte. concluindo-se que os representantes do MP só poderiam praticar 88 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . CF de 1988: o MP não é um quarto poder porque formalmente existem apenas três poderes. implicitamente o MP nessa constituição pertencia ao Executivo. ato administrativo e ato jurisdicional (decisão em sentido lato). Nessa classificação considera-se a natureza jurídica do ato praticado pelos representantes do MP. o que interessa é a função e garantia dos membros de poder. Os representantes do MP não praticam atos de natureza legislativa. Nos momentos históricos em que predominava a democracia o MP era órgão independente. mas foi constitucionalizado só no ano seguinte. como verdade absoluta. o MP sem ser poder exerce função de poder e seus membros possuem garantia de poder. França etc). Alexandre de Moraes denomina do MP como instituição permanente que tem as mesmas garantias dos poderes. Não deve prevalecer como dogma. o legislativo da União foi convertido em assembléia constituinte). Pela constituição de 1937 o MP foi esquecido. CF de 1946: redemocratização do país com eleição para presidente da república. só havia uma referência ao PGR em um artigo. A constituinte posicionou o MP fora dos três poderes da república. CF de 1967: o MP fazia parte do Judiciário. Essa atividade estava contida dentro do Executivo. ou seja. Em 1977 a nossa constituição foi emendada pela EC 07 de 1977 deixou expresso mais uma vez que o MP faria parte do Executivo (pacote de abril de 77). Muitos Estados não adotam a teoria tripartite de poder (de funções) (Venezuela. CF de 1969: alguns dizem que não houve constituição. Essa divisão tripartite de Montesquieu não é científica. fala do órgão ao lado dos demais poderes. logo.

Para José Afonso o PGR exerce investidura por prazo certo. só pode ser PGR membros da instituição. MPDFT. MPM.625/93. em regra porque é possível que o conselho superior faça uma designação especial para atuar em outro órgão (tribunal). Dentre os subprocuradores o presidente escolhe o PGR (não é regra expressa. o que não quer dizer que o órgão faz parte do Executivo. Alexandre de Moraes diz que o presidente pode escolher dentro de qualquer um dos ramos do MPU. Membros do MPF com mais de 35 anos indicado pelo presidente e aprovado pelo senado por maioria absoluta para exercer mandato de 2 anos. O PGR pode ser reconduzido quantas vezes o presidente quiser reconduzi-lo desde que com aprovação do senado por maioria absoluta. Em regra lei municipal não pode tratar de MP. Segundo grau de atribuição do membro do MPF: promovido a procurador regional da república que oficia em regra perante os TRFs (são 203). O chefe administrativo do MPU é o PGR. permitindo-se reconduções. diversamente do concurso para juiz federal. Após é promovido a subprocurador geral da república oficiando perante o STJ e por delegação do PGR no STF (são 62). No entanto essa posição é minoritária. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 89 . Elaborada uma lista de 3 nomes encaminhada ao PGR para escolha para cumprir mandato de 2 anos. Com a constituição de 88 houve uma restrição à escolha do PGR. LC 75/93 e Lei Orgânica Nacional do MP. MPF: procurador da república que oficia em regra perante o juiz federal. MPT: possui o seu procurador geral do trabalho próprio. O concurso é nacional. caso o faça será inconstitucional. à exceção do MPF. cada estado tem sua lei complementar própria. todos os ramos do MPU possuem procurador geral próprio. O MPU se reparte em quatro categorias: MPF. Até a CF de 1988 o presidente poderia afastá-lo ad nutum. além de desenvolver atividades extrajudiciais. permitindo-se uma única recondução. O PGR até 1988 era escolhido livremente pelo presidente. O projeto de emenda 358/05 deixa isso expresso. MPT. A CF faz referência expressa à existência de dois MPs: MPU e MP dos estados. Justifica essa denominação afirmando que o presidente com autorização prévia precedente do senado pode afastar o PGR. mas é praxe). que é regional.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO atos de natureza administrativa. Regra: além do PGR. O PGR pode afastar o PGT com autorização do conselho superior. lei 8. Hoje existem aproximadamente 680 procuradores da república. o seu procurador geral é o próprio PGR. porque entende-se que será escolhido entre os membros do MPF apenas.

é escolhido pelo presidente de uma lista de 3 nomes fornecida pela categoria para mandato de 2 anos permitida uma única recondução. três subprocuradores gerais e quatro procuradores do MP junto ao TCU. O STF reconheceu que se a lei/constituição estadual reconhece como um cargo próprio deve haver um concurso próprio e não compor as vagas por membros do MPE. No entanto na maioria dos estados não há essa previsão. é cláusula pétrea.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO MPM: também possui o seu procurador geral próprio escolhido pelo PGR de uma lista de 3 nomes. O CNMP entendeu que o MPTCU não deve obediência ao conselho. mas não é a posição do STF. Ele pode ser afastado mediante autorização do conselho superior. em regra. mas o MP especial. MPTCE: em alguns estados já houve concurso próprio (GO. Quem oficia não é o MPE. 73. Aqui no MPDFT além do promotor de justiça a LC 75 fala em promotor de justiça adjunto. Há um procurador geral do MP junto ao TCU. Quem faz a nomeação dos representantes do MPTC é o presidente da república (há concurso próprio). mas somente com a autorização do legislativo da União (Senado Federal). I também faz referência. O STF entende que esse MP previsto nesses artigos é um MP especial. MPE: é chefiado administrativamente pelo PGJ escolhido pelo governador do estado de uma lista de 3 nomes para mandato de 2 anos. a depender de cada estado (em GO. José Afonso não concorda. Art. CF: MP é instituição permanente. projeto de emenda não poderia modificar essa condição. para ele tem de ser a Câmara e o Senado. É núcleo intangível super-rígido da CF. CF: membros do MP junto aos tribunais de contas. permitindo-se uma única recondução. perante o TJ. Isso por dois motivos: caso se posicione o MP dentre de um dos poderes de república far-se-ia que esse poder ficasse super forte ou 90 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . Exerce mandato de 2 anos permitindo-se única recondução. Art. § 2º. Lei 8443/92 é a lei orgânica do MP especial junto ao TCU. faz parte da economia doméstica do TCU (ADIN 789/DF). Ele oficia em regra perante o juiz de direito. quem deveria oficiar seriam apenas os membros do MPE. mas a LC 75 fala apenas no Senado. 130. 2º grau de atribuição é como procurador de justiça. só a Assembléia Legislativa. MPDFT: o procurador geral do MPDFT não é escolhido pelo PGR. Pode ser procurador geral de justiça promotor ou procurador. e quem oficia é membro do MPE. O STF disse que essa lei é constitucional. Alexandre de Moraes entende que a CF não prevê MP especial para os estados. Pode ser afastado. oficiando. O 1º grau de atribuição é como promotor de justiça. Art. MG. Após certo tempo é promovido a procurador de justiça. Regra: o governador não pode afastar o PGJ. Não faz parte do MPU nem dos estados. 127. RJ é possível promotor concorrer ao cargo). RO).

127 e melhor esclarecidas pelo Art. São quatro status: negativos. ou seja. com respeito à liberdade. mas não apenas lá. 129 esclarece o Art. O Art. no entanto. O MP tem por função a proteção dos direitos fundamentais do cidadão e os direitos fundamentais representam cláusula pétrea. além delas existem outras. Defesa de status constitucionais: Jellinek fala a respeito. o MP protege esse status que a doutrina chama de status negativo de cidadão. O cidadão tem obrigação de respeitar o que está previsto. é custus legis. os direitos fundamentais de 2ª dimensão. ou seja. indiretamente o MP deve ser entendido como cláusula pétrea. educação. para o povo. exercício de direitos políticos. são créditos do cidadão em face do Estado (salário. O cidadão teria determinadas liberdades frente ao estado. Essencial à função jurisdicional do estado porque o juiz é inerte. 5º. estão espraiados por todo o corpo constitucional (ex: princípio da anterioridade tributária. 82 do CPC elenca as intervenções do MP. saúde.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO hipertrofiado. 91 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . logo. Proteção aos interesses sociais elencados no Art. inimputabilidade penal antes dos 18 anos etc). ele pode fazer tudo que não seja proibido. deduzindo em juízo interesses da coletividade. Status ativo: significa direito público subjetivo de natureza política que tem a pessoa humana de participar da organização do estado. regime democrático é muito mais do que isso. igualdade e dignidade da pessoa humana. Status passivo é a situação oposta. Topograficamente os direitos individuais estão por toda a CF. Em processo penal na ação penal de iniciativa privada. fiscalizando a sua indivisibilidade. Defende a ordem jurídica como fiscal da constituição. Em processo civil o Art. Funções: Função de órgão interveniente e função de órgão agente. pelo povo. o conjunto de normas de um Estado. São funções previstas no Art. o MP participa do processo eleitoral. democracia em um determinado momento significou governo do povo. Exercício de direitos políticos e a proteção da liberdade. lazer). são sujeições do cidadão às determinações legais. Como órgão agente o MP atua como advogado da sociedade. ou seja. 6º. positivo e o ativo. Defesa do regime democrático. igualdade e dignidade. previstos em regra no Art. 127. 129. Incumbe-lhe a defesa da ordem jurídica. crédito do cidadão em relação ao Estado. Enquanto interveniente o MP é o fiscal da lei (constituição). ofendendo o controle que existe entre os três. as funções previstas são meramente exemplificativas. Status positivo: é a exigência de que o estado preste determinadas atividades. Proteção dos direitos individuais indisponíveis. Segundo a doutrina o MP tem por objetivo a defesa desses quatro status. passivos.

ela existe dentro de cada um dos ramos do MP. unidade quer dizer que no momento em que o representante do órgão fala. Esse princípio está ainda no predicativo da inamovibilidade. * Autonomia funcional: significa que o MP é independente dos três poderes da república. Possui competência legiferante. mas não no exercício das funções constitucionais. 127. evitando-se promotores ou acusadores de encomenda com o objetivo de prejudicar o beneficiar o acusado. Unidade: só existe um MP.  princípio do promotor natural. 5º. Art. o representante não está obrigado a denunciar. 4. 127. Os serviços auxiliares decorrem de lei própria (Art. É função governativa do MP. 127. 4ª câmara: meio ambiente. É uma garantia constitucional do cidadão de só ser processado por um órgão do MP previamente estabelecido. 28 vai para a câmara de coordenação e revisão (para revisão do pedido de arquivamento do inquérito): 1ª câmara: constitucional. nenhum deles determina ordem ao MP no exercício de suas funções. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 92 . Contaminação virótica constitucional do CPP: entender o CPP de acordo com a CF. 3ª câmara: consumidor. Como corolário dessa unidade surge outro princípio institucional. É conseqüência do princípio da unidade. Significa não existência de subordinação hierárquica. Garantias do MP: podem ser divididas em dois grupos: Garantias institucionais: * Autonomia administrativa: auto-governo do MP. Fundamentos: Art. que a indivisibilidade. O princípio não impede designações na investigação (ex: GAECO e GAELD). É garantia de promotor isento no momento do oferecimento da denúncia a fim se evitar benefícios e perseguições. Existe chefia administrativa.. § 2º). Promotor natural (agregado pela doutrina): o STF já firmou que é princípio. § 1º): 1. 2. No MPF o Art. quem fala é a própria instituição. Independência funcional: liberdade de auto-determinação só é encontrada no Art. 5ª câmara: patrimônio público. por exemplo). Indivisibilidade: possibilidade de livre substituição de uns pelos outros dentro do mesmo ramo do MP sem qualquer medida concreta (substabelecimento. podem apresentar projeto de lei (Art. 2º e no Art. 61 da CF). Assim. A indicação de promotores ou procuradores é inconstitucional. Só agente político possui independência funcional. LIII: ninguém será processado . 3. Designações de apoio ao promotor natural pelo procurador geral (a pedido do promotor ou procurador natural). 6ª câmara: índios e minorias. 28 do CPP é um exemplo disso. O MP apresenta por meio do procurador geral a sua lei própria.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Princípios institucionais do MP (Art. O representante do MP no exercício de sua função institucional deve obediência à CF e à sua consciência. 2ª câmara: criminal e controle externo da atividade.. § 1º da CF.

Não é a posição do TSE: o afastamento para se candidatar deve ser definitivo. * Inamovibilidade. 127...DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO * Autonomia financeira: o MP possui dotação orçamentária própria. afastando-se por meio de licença e não renúncia ao cargo.). Exercer advocacia (o STF decidiu que defensor público não pode advogar também). Projeto de emenda 358/05 irá adotar a posição de Alexandre de Moraes: possibilidade de se candidatar e voltar ao cargo do MP para aqueles que entraram após 1988 até a EC 45. § 3º e Art. 93 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . mas o STF decidiu que é de um ano). cursinho. O CNMP estabeleceu prazo até junho/2006 para que os representantes cumpram esse dispositivo. a não ser que abandonem o MP. Aqueles que entraram após a EC 45 não podem se candidatar. Até a CF de 88 os representantes do MPF advogavam. Hoje não existe mais qualquer exceção. Exercer outra função pública. Antes havia uma exceção. é uma exceção (é incompatível. * Vitaliciedade. Vedações: previstas no Art. a dedicação deve ser exclusiva. “salvo nos casos previstos em lei” e a LC 75 possibilitava a filiação partidária. vedando-se a advocacia por parte do MP. teriam direito de se candidatar e perdendo volta. As suas atribuições são desempenhadas às expensas do orçamento próprio (Art. é um absurdo. ainda que em disponibilidade. § 5º. Os que entraram de 1988 até a promulgação da EC 45. * Irredutibilidade de subsídios. Magistério: não se definiu uma função de magistério (faculdade. segundo Alexandre de Moraes. Aqueles que entraram até 1988 adotam regime anterior e podem estar filiado e se candidatar. salvo uma de magistério. No entanto aqueles que já eram do MP puderam continuar com a advocacia (Art. Exercer atividade político partidária: alterada pela EC 45. mas a CF permite). Participar de sociedade na forma da lei. diverso do orçamento dos outros poderes da república. Receber honorários ou custas processuais. 168). O CNMP estabeleceu que só podem ser 20h semanais apenas. a CF diz serem equivalentes. Garantias dos membros: tudo que se aplica para a magistratura se aplica aqui. 29 do ADCT). em 88 foi criada a AGU. II da CF. Sendo candidato a filiação deve ser feita um ano antes das eleições (a LC 64 fala em seis meses antes. 128.

ainda assim presta serviço público relevante. 131). CF). o MPF ajuizava as ações. é muito mais que só judicial. Defensoria pública: a CF garante a defesa jurídica pela defensoria pública. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 94 . o procurador geral da Fazenda Nacional está subordinado ao AGU (LC 73). ação popular (?). O procurador do estado tem estabilidade após 3 anos (EC 19). O AGU tem status de ministro de estado. ela é organizada e mantida pela União. não faz parte da DPU. Havia um conflito de interesses. O chefe da AGU é o advogado geral da União escolhido livremente pelo presidente. É vedado o exercício da advocacia privada aos defensores públicos. que é reservado à procuradoria geral da Fazenda Nacional (Art. contraditório). mas existem exceções: HC. O Art. então a CF/88 criou a AGU. O STF suspendeu a palavra desacato que a lei estabelecia como imunidade para o advogado (ADIN 1127-8/DF). A AGU faz a defesa judicial e extrajudicial da União. Imunidade: inviolabilidade em razão do exercício da função. Advocacia pública: até 1988 não existia a AGU. exercendo função essencial (Art. revisão criminal. Indispensabilidade é um fator importante para a garantia dos direitos fundamentais (ampla defesa. É imunidade material. § 3º). 134 fala da necessidade de criação do órgão. Exercem a representação judicial e a consultoria das respectivas unidades federadas. A DPDF é gerida pela União. 131.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO ADVOCACIA Segunda função essencial da justiça. Isto por uma questão histórica. É a regra. do trabalho e militar e existem pouquíssimos no Brasil. Não é irrestrita. juizados. Regulada pela LC 73/93. Advocacia privada: muito embora atue sem vínculo administrativo com o Estado. não precisa ser dos quadros da AGU desde que seja brasileiro com mais de 35 anos e notável saber jurídico. O estatuto da ordem estabelece que o advogado tem imunidade no estrito cumprimento funcional. a competência para julga-lo é do STF. O Art. A DPU oficia perante a justiça federal. justiça do trabalho. advocacia privada e defensoria pública. Pode ser dividida em advocacia pública (Art. Nomeação do procurador geral do estado (PGE) é livre do governador. Orientação jurídica é orientação judicial e extrajudicial. Em sede estadual quem faz a defesa é o procurador do estado. não existe prestação jurisdicional sem advogado. portanto. 133. São chefiados pelo procurador geral do estado. ela não faz o executivo fiscal. No entanto. ele deve atuar nos limites da lei. 133 revela dois princípios: o da indispensabilidade do advogado e o da imunidade (material).

g. 71). art. a soberania reside no povo que a exprime através da lei. o Poder Legislativo se manifesta pela conjunção da vontade das duas Casas. A fiscalização financeira e orçamentária é feita com o auxílio do Tribunal de Contas da União (CF. Nesta hipótese. art. A LC 80/94 estabelece que o defensor público tem direito a intimação pessoal e o prazo em dobro. Funções O Poder Legislativo possui duas funções típicas: legislar (CF. O STF já decidiu que o advogado dativo não tem esse direito. art. No Brasil. a comunidade elege representantes para fazê-lo (teoria da soberania). uma vez que o Congresso Nacional é composto por uma Casa de representantes do povo (Câmara dos Deputados) e outra de representantes dos Estados e do Distrito Federal (Senado). é utilizado nos Estados-membros (Assembléia Legislativa). orçamentário. operacional e patrimonial. durante a Idade Média. 70). Lei 1060/50 estabelece quem é hipossuficiente. 48) e fiscalizar (CF. O Brasil adota o bicameralismo do tipo federativo.. Luxemburgo.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Advogado constituído. contábil. A fiscalização dos atos emanados do Poder Executivo é decorrente do princípio da representação popular e ocorre nos âmbitos financeiro. no Distrito Federal (Câmara Legislativa) e nos Municípios (Câmara de Vereadores). com a finalidade de limitar a autoridade dos reis. a Câmara alta e a Câmara baixa. e. Em processo criminal pessoa rica pode ser patrocinada por defensor nomeado. Nos juizados especiais não há intimação pessoal nem para o defensor público. Pelo princípio da participação: das vontades regionais e da vontade nacional (efetivada pelo Senado). não podendo votá-la diretamente. o qual atende à forma federativa de Estado positivada na Constituição. o Legislativo se estrutura em dois tipos de sistemas: a) unicameral: formado por um único órgão. Nas demais esferas o sistema adotado é o unicameral. Segundo a concepção de Rousseau. PODER LEGISLATIVO – Marcelo Novelino Origem: O Poder Legislativo foi concebido na Inglaterra. Estrutura Em regra. mas ao final serão cobrados honorários executados pela PFN. b) bicameral: composto por dois órgãos. Advogados públicos: defensores Advogado dativo: supre a falta do defensor público. Esse sistema costuma ser adotado em países pequenos como. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 95 .

O Senado tem ainda a competência exclusiva (CF. e. IV) Membros do Conselho Nacional de Justiça. 52. I. art.além dos Deputados e Senadores – serão julgadas pelo STF no caso de crime comum. I. IV e do art. se o crime for conexo com o praticado pelo Presidente. o Presidente da República. II) Ministros de Estado e Comandantes das forças armadas (antes tinham status de ministro?). polícia. as seguintes autoridades (as mais altas autoridades de cada poder): I) Presidente e Vice-Presidente da República.. V) Membros do Conselho Nacional do Ministério Público. 102. nas hipóteses do art. o Presidente da República. os membros do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público. cuja pena não é a privativa de liberdade. III) Ministros do STF. Para o julgamento do presidente. VI) Procurador-Geral da República. nos crimes de responsabilidade (é uma infração político-administrativa. b: “nas infrações penais comuns. a competência será do STF (art. é com relação aos membros do CNJ e do CNMP. os membros do Congresso Nacional. Se o crime de responsabilidade não for conexo com o praticado pelo Presidente. “c”). o Vice-Presidente. se não for a competência é do STF. são crimes impróprios. cuja previsão consta da PEC 29/2000. A jurisprudência do STF já se consolidou no sentido de que a expressão crimes comuns abrange todas as modalidades de infrações penais. tanto nos crimes comuns e de responsabilidade será necessária autorização da câmara dos deputados com o quorum de 2/3. vice e ministro de estado. Todas as autoridades mencionadas acima . e. o Legislativo também exerce funções atípicas. os membros do Congresso Nacional. o Vice-Presidente. 102. é autorização para o processo de impeachment e a autorização da câmara tem natureza eminentemente ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 96 . até o momento. As penas são a perda do cargo e inabilitação por 8 anos). VII) Advogado-Geral da União (status de ministro de estado).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Assim como os demais poderes. 52. A Câmara e o Senado exercem função administrativa.g. I e II) para processar e julgar. 51. XIII – “organização. art. provimento de cargos e seus serviços”. nos seguintes termos: “nas infrações penais comuns. seus próprios Ministros e o Procurador-Geral da República”. inclusive os delitos eleitorais e as contravenções penais. A exceção. CF/88. seus próprios Ministros e o Procurador-Geral da República”.

que corresponde à soma dos brasileiros. Os territórios não possuem representantes no Senado Federal. maiores de 35 anos (CF. O número de Deputados por Estado e pelo Distrito Federal será proporcional à população (e não ao número de eleitores). a natureza do crime de responsabilidade é penal. § 2o). A sessão legislativa é o período anual (Art. 14. 46). VI. basta que o senador seja o mais votado. 45. b). VI. maiores de 21 anos (CF. § 3o. 46. b) eleitos diretamente. Os Deputados são eleitos pelo sistema proporcional (CF. 14). Segundo o STF. art. § 2o). Dada a autorização o julgamento nos crimes de responsabilidade será feito pelo Senado. Todavia. Caso seja criado algum território. § 3o. art. ou seja. através de escrutínio secreto (CF. art. 22 e 24) e. Os Senadores são eleitos pelo sistema majoritário (maioria relativa. art. Ele não é ente federativo. §1o). mas sim de forma alternada. independentemente do tamanho de sua população para legislatura de 4 anos (CF. arts. art. por escrutínio secreto (CF. sobre as elencadas no art. Tanto que a competência para legislar é privativa da União (súmula 722/STF). 45). 57) e tem início em 02/02 a 17/07 e reinicia em 01/08 a 22/12 (modificado por emenda) O Senado Federal é composto por representantes dos Estados e do Distrito Federal. na seguinte serão eleitos dois (dois terços) (CF. sendo a representação distribuída proporcionalmente às correntes ideológicas (partidos políticos). 14). não há segundo turno para eleição de senador. para exercerem um mandato de oito anos. em especial. duas legislaturas (CF. Atribuições do Congresso Nacional Dentre as atribuições do Congresso Nacional estão a competência legislativa e a competência deliberativa. 14. eleitos diretamente. § 1o). inclusive de conveniência e oportunidade. A renovação desta representação não é feita simultaneamente. art. 45. A paritariedade do número de Senadores se assenta no princípio federativo. e quem preside esse julgamento é o presidente do STF e a pena se limitará à perda do cargo e inabilitação por 8 anos. art. Sendo crime comum o julgamento é no STF. art. não sendo necessário mais de 50%) (CF.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO política. 46. estrangeiros e apátridas. sendo que cada Estado e o Distrito Federal elegerão três. Aquela é atribuída ao Congresso para que disponha sobre todas as matérias de competência da União (CF. 48 da Constituição da ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 97 . art. Se em uma determinada eleição foi eleito um Senador (um terço). Deputados e Senadores A Câmara de Deputados é composta por representantes do povo. que tem como uma de suas características a participação da vontade dos Estados na formação da vontade nacional. nenhum deles poderá ter menos de oito ou mais de setenta deputados (CF. não deve participar da vontade nacional. art. este elegerá quatro deputados.

na verdade. parágrafo único). como as matérias são veiculadas por lei. deve ser veiculada por decreto legislativo ou por resolução. A primeira tem a duração de quatro anos (art. CTN). 44. pelos Presidentes da Câmara e do Senado ou mediante requerimento da maioria dos membros de ambas as casas.). É o que ocorre. Na cassação do mandato. 55. 22. 54. privação da capacidade política passiva. O Art. Neste caso. 49. por isso. apesar de serem feitas pelo congresso não tratam de interesse exclusivo da União. A competência deliberativa. por exemplo. também são exclusivas. comportam delegação ou competência suplementar. quando houver urgência ou interesse público relevante (art. 14. prevista no art. As competências atribuídas à Câmara dos Deputados (CF. Competências privativas. é exigida a sanção do Presidente da República. a sanção do Presidente. pois não podem ser delegadas. §§ 6o e 7o).ou pelo Presidente da República. Conforme dispõe seu parágrafo único. Geraldo Ataliba distingue lei nacional de lei federal. As sessões legislativas extraordinárias podem ser convocadas pelo presidente do Senado Federal . Ocorrem antes que a pessoa seja eleita para determinado cargo.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO República.em caso de decretação de estado de defesa. exercida isoladamente e que não comporta delegação. ao passo que a segunda é anual (art. Não se confunde com inelegibilidade (Art. Estão ligadas à não possibilidade de deputado ou senador após a expedição do diploma exercer determinadas funções. buscando apoio político.. 57). Cassação e extinção do mandato: Art. previstas em lei complementar). Trata-se de uma competência exclusiva. O mandato poderá ser cassado quando houver a violação das incompatibilidades do Art. apesar do disposto na Constituição (“compete privativamente”. dispensando. 51) e ao Senado Federal (CF. mas de todo o Estado (ex: CP. CF). de estado de sítio e de intervenção federal e para compromisso e posse do Presidente e Vice . Além das sessões legislativas ordinárias. apesar de exercidas isoladamente. militares. 52). As inelegibilidades podem ser absolutas (inalistáveis e analfabetos) e relativas (parentesco. § § 2º e 3º. ou seja. pela inobservância do decoro parlamentar ou pela sentença penal ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 98 . Deve-se atentar para a distinção entre legislatura e sessão legislativa. existe a possibilidade de convocação extraordinária do Congresso Nacional para deliberar sobre determinada matéria. A lei federal é a que trata de interesse exclusivo da União enquanto ente federativo (ex: lei 8112). 57. a perda é decidida pela casa respectiva do cassado. art. As leis nacionais. art. 54 da CF traz hipóteses de incompatibilidades de deputados e senadores. Algumas ocorrem a partir da diplomação e outras a partir da posse. O objetivo é evitar que o Executivo utilize determinados cargos para que certos deputados ou senadores possam ser favorecidos. com as competências da União previstas no art.. lei complementar poderá autorizar os Estados a legislar sobre questões específicas das matérias ali relacionadas. Incompatibilidade ocorre após a eleição para um cargo.

II) Quanto a sua formação. As atribuições de cada comissão estão elencadas na Constituição (art. na função de órgãos técnicos. as comissões podem ser classificadas como: a) permanentes: quando permanecem mesmo após o fim das legislaturas. § 2o) e nos regimentos internos de cada uma das Casas do Congresso Nacional. polícia. b) temporárias: extinguem-se com o fim da legislatura ou se dissolvem com o encerramento de seus trabalhos. 58. as quais.Classificações I) Quanto a sua duração. § 4o). administração e execução). as reuniões são dirigidas pela mesa do Senado Federal. III a V. Na extinção do mandato não há julgamento. 55. 58. Em se tratando de crime comum serão julgados pelo STF. As comissões devem ter uma representação proporcional dos partidos ou dos blocos partidários das respectivas Casas Legislativas (CF. a Constituição veda a recondução para o mesmo cargo na eleição imediatamente subseqüente. . As comissões parlamentares foram valorizadas pela Constituição de 1988 que lhes atribuiu diversas competências. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 99 . supervisão. Mesas diretoras As mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal são os órgãos diretivos dessas Casas. Essa análise é feita pelas comissões parlamentares que.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO condenatória definitiva. 57. compostos por um conjunto de parlamentares eleitos por seus pares para dirigir os trabalhos legislativos pelo período de dois anos. as comissões podem ser: a) exclusivas: compostas apenas por Membros da Câmara ou do Senado. correspondem ao campo funcional dos Ministérios. Comissões parlamentares A diversidade e complexidade das matérias a serem analisadas pelo Legislativo suscitaram a necessidade de uma especialização dentro do parlamento com o intuito de se fazer um estudo prévio e especializado das propostas apresentadas. A função de membro da Mesa das Casas legislativas é de natureza executiva (direção. muitas vezes. Nos três casos a casa do deputado ou senador irá decidir pelo voto secreto (STF já entendeu que deve ser observado no âmbito estadual) e a decisão deve ser dada por maioria absoluta. § 1o). Por isso. é apenas uma declaração de perda do mandato feita pela mesa da casa respectiva quando houver violação das hipóteses do Art. o que não impede a possibilidade de eleição para outro cargo da Mesa (art. São estruturadas em função das matérias de sua competência. No caso do Congresso Nacional. art. emitem um parecer prévio para posterior apreciação do plenário.

dentro do possível. 128). devem ser fiscalizados pelos respectivos legislativos. como a emissão de parecer sobre o veto (CF. de Estados e de Municípios. Todavia. 35 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados. art. § 4o) e sobre as medidas provisórias (CF. Sua composição deverá. econômica e social do país. 2º) ter como objeto a apuração de fato determinado. haja vista a necessidade de respeito à autonomia desses entes. Por outro lado. Fatos de interesse exclusivamente privado. art. Nos termos do § 1º do art. categórica e irremissível. um terço dos membros da respectiva Casa. reproduzir de forma proporcional a representação partidária. em conjunto ou separadamente. Os membros desta comissão são escolhidos pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal. § 1o). e. legal. a periodicidade. entendesse por fato determinado o “acontecimento de relevante interesse para a vida pública e a ordem constitucional. não podem ser objeto dessas comissões quando inexistir nexo causal com a gestão da coisa pública. 58. Tratam de assuntos que devem ser decididos pelo Congresso Nacional. admite a reeleição: nas funções executivas implica necessariamente alternância” (Elementos de direito constitucional. é necessário 1/3 dos deputados e 1/3 dos senadores e não 1/3 do congresso nacional. Assim. sendo mista. Podem ser criadas pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal. Michel Temer observa que “no Brasil. que estiver devidamente caracterizado no requerimento da Comissão”. a alternância dos cargos de natureza executiva é peremptória. Podem ser objeto de apuração todos os assuntos que estejam na competência fiscalizatória do Congresso Nacional. III) Comissão representativa do Congresso Nacional Tem por escopo representá-lo durante o período de recesso. pelo menos. na última sessão ordinária do período legislativo. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 100 . 3º) ter prazo certo para o seu funcionamento. art. art. 166.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO b) mistas: constituídas por Deputados e Senadores. § 3o) a) Requisitos As comissões parlamentares de inquérito têm poderes de investigação próprios de autoridades judiciais. IV) Comissões parlamentares de inquérito (CF. corolário do princípio federativo. 62. p. além de outros previstos nos regimentos internos das respectivas Casas legislativas. § 9o) ou a análise de projetos de leis financeiras (CF. 66. fatos que se refiram exclusivamente às competências dos Estados e Municípios. admite-se a investigação se houver interesse simultâneo da União. absoluta. em funções puramente legislativas. desde que atendam aos seguintes requisitos: 1º) requerimento de.

art. De acordo com a jurisprudência do STF as testemunhas também podem invocar esse privilégio e não apenas os investigados. 93. 5º. Como pressuposto de legitimação da própria resolução adotada. condução coercitiva. 5º. busca e apreensão de documentos desde que respeite a inviolabilidade do domicílio. LXI). São conferidas a essas comissões determinadas prerrogativas para uma ampla investigação. art. 5º. não havendo nisto qualquer ofensa ao princípio da separação dos poderes. salvo em flagrante delito (“cláusula da reserva constitucional de jurisdição”). a qual se submete à ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 101 . O sigilo telefônico não se confunde com a inviolabilidade das comunicações telefônicas (interceptação telefônica). sendo eivados de nulidade quando destituídos de fundamentação (CF. o término desta sempre será o termo final de uma CPI. não são ilimitados nem absolutos. art. IX). interceptação telefônica (CF. nenhum dos poderes encontra-se acima da Constituição. 5º. embora bastante amplos. XII) ou decretar prisão (CF. “Nemo tenetur se detegere: direito ao silêncio. art. como a possibilidade de obtenção de informações junto às instituições financeiras e o acesso a dados e registros telefônicos ou fiscais (quebra dos sigilos bancário. desde que haja aditamento do objeto inicial da CPI. ainda que o fato não tenha sido concluído. LXIII). 2) determinar invasão de domicílio (CF. apesar da possibilidade de condução coercitiva dos convocados para depor como testemunha. b) Poderes Os poderes das comissões parlamentares de inquérito. ou até mesmo de fatos inicialmente desconhecidos que surgirem durante a investigação. Em um Estado Democrático de Direito. o STF já se manifestou no sentido de que esta não impede prorrogações sucessivas dentro da mesma legislatura (Lei n. 1579/52). As CPIs não podem: 1) desrespeitar o privilégio contra a auto-incriminação (CF. Além de não ser obrigado a prestar esclarecimentos. art. Todavia. As conclusões decorrentes da investigação poderão ser encaminhadas ao Ministério Público para que este promova a responsabilidade civil ou criminal dos infratores. telefônico e fiscal). os atos das CPIs deverão ter suas razões expostas no momento da deliberação.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO A exigência de se ter como objeto um fato determinado não impede a apuração de outros fatos conexos ao principal. o paciente possui o direito de não ver interpretado contra ele o seu silêncio”. XI). sendo que os atos destas comissões também se submetem ao controle jurisdicional. No que se refere à locução prazo certo.

esses e aqueles. observada a competência fiscalizatória de cada Casa. destinada a garantir o potencial do poder legislativo em ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 102 . Kildare Gonçalves. Direito constitucional didático. as Assembléias Legislativas estaduais. nem o conteúdo negativo das vedações. p. Só ele admite a possibilidade de quebra do sigilo bancário pela CPI municipal. que para este não há "fórmula universal apriorística". não poderiam ser criadas comissões parlamentares pela Câmara de Vereadores. em razão do princípio da simetria. Além do Congresso Nacional. implícitos ou explícitos . de absorção compulsória . sob pena de violar a separação dos poderes e as liberdades individuais.hão de acrescentar-se as normas constitucionais centrais que. pois seus poderes se destinam somente à instrução do inquérito legislativo. a Câmara Legislativa do Distrito Federal e as Câmaras de Vereadores poderão instaurar suas próprias comissões para investigar fatos abrangidos por sua competência fiscalizatória. CARVALHO. A competência das comissões de inquérito deve comportar-se no quadro da competência do Poder Legislativo”. a criação de CPI municipal. ao tratar do princípio da separação de poderes. enquanto o sigilo telefônico não pode. sobretudo em face do que o ministro Pertence descreve como: ".. para determinar procedimentos de natureza judiciária”. Assim. seqüestros etc. O autor Kildare Gonçalves cita a lição de Raul Machado Horta no sentido de que “dentro do sistema constitucional de governo. em respeito ao princípio federativo. o Min. Não se pode perder de vista que as comissões parlamentares de inquérito são instrumentos de atividade do Poder Legislativo. Entendo que a possibilidade de criação de comissões parlamentares de inquérito seja uma dessas normas de absorção compulsória nos estados membros. Tais comissões possuem os mesmos requisitos e poderes atribuídos pela Constituição à CPI federal (art. não obstante. Em que pese o argumento de que. STF .DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO reserva constitucional de jurisdição. a função parlamentar de investigação está naturalmente sujeita às regras e limitações que atingem o próprio órgão legislativo. Peluzo e Velloso não admitem a quebra. no julgamento da ADI 98 (.. inexistindo Poder Judiciário municipal. não podendo “substituir-se à ação dos juízes e tribunais. para efeito de controle de constitucionalidade das normas constitucionais estaduais. 4) Não tem poderes de medidas cautelares: determinar arrestos. c) CPI estadual e municipal. uma terceira modalidade de limitações à autonomia constitucional dos Estados: além dos grandes princípios e das vedações . 3) formular acusações e punir delitos. Joaquim Barbosa (STF) admitiu.no ordenamento parcial dos Estados e Municípios".. Min. sendo necessário extrair da atual Constituição o traço essencial da atual ordem. o sigilo de dados telefônicos pode ser quebrado pela CPI.. Joaquim Barbosa “Já advertiu o eminente ministro Sepúlveda Pertence. 443. 58.ACO 730/RJ.). § 3º). há reserva de jurisdição. são.com ou sem reprodução expressa . não tendo o alcance dos princípios. rel.

acredito que a expressa exclusão das CPIs estaduais e municipais da redação original do projeto de lei complementar (. mais longe ainda..ACO 730/RJ. ainda sob a vigência da Constituição anterior e da Lei 4.. Garantias legislativas A constituição estabelece determinadas garantias para o Poder Legislativo com a finalidade de assegurar sua independência.06. hoje revogado. Joaquim Barbosa. são normas de eficácia plena (aplicabilidade direta. Min. nos moldes que a Constituição Federal autoriza à Câmara e ao Senado. constitui ferramenta indispensável ao trabalho de fiscalização exercido pelos órgãos legislativos”. No julgamento. não autoriza eventual pretensão restritiva dos Estados-membros”(g. continha a mesma omissão do art... Essas garantias. do qual destaco o seguinte trecho: ". ainda que sem tratamento legal específico. o próprio Regimento Interno destas pode prever.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO sua função de fiscal da administração. admitiram claramente a possibilidade de criação de CPI Municipal. que é a fiscalização da administração pelo Legislativo reforçada pelos meios a ela inerentes.. os Ministros Carlos Velloso e Cezar Peluso (apesar deste não admitir a quebra do sigilo bancário por ela). ou. Assim. Oscar Corrêa). Cito o RE 96049 (1ª turma 30.595/1964. as Constituições Estaduais autorizam às Assembléias Legislativas e a Lei Orgânica dos Municípios do Estado de São Paulo autoriza às Câmaras Municipais. Cremos. STJ . por aplicação direta da Constituição federal e das normas estaduais aplicáveis. Joaquim Barbosa “A quebra de sigilo bancário.ACO 730/RJ. além do Min. quando regularmente determinada por comissões parlamentares de inquérito. STF .J. por não existir Poder Judiciário Municipal.ACO 730/RJ. Joaquim Barbosa “Não é de estranhar.). ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 103 . votaram os Ministros Sepúlveda Pertence e Marco Aurélio. que. um dos traços fundamentais da separação de poderes. Min. José Delgado (D. imediata e integral). 15/05/2002) “As CPIs estaduais não têm competência para investigar autoridades que estão submetidas a foro privilegiado federal”. pois não tem o condão de negar a aplicação natural da Constituição Federal sobre os poderes das CPIs. Min. rel.. min. STF . rel. STF .) não tem resultado prático. rel. parece-nos indubitável que as Câmaras Municipais podem criar Comissões de Inquérito sobre fato determinado e prazo certo. mesmo que é de todo interesse sejam elas criadas pelo legislativo municipal”. rel. em nossa estrutura federativa. esta Corte tenha se manifestado pela legitimidade de criação de comissão parlamentar de inquérito por Câmara Municipal. No sentido de impossibilidade de criação. Joaquim Barbosa “. cujo artigo 38. 4º da Lei complementar 105/2001. É que a possibilidade de as CPIs estaduais determinarem a quebra de sigilo permanece. denominadas de imunidades.1983. respeitados os parâmetros federal e estadual. não sendo possível ignorar que a Constituição do Estado do Rio de Janeiro legitima a atuação da CPI em questão”. Min. portanto. rel.n.AgRg na PET 1611 / RO.

27. Seu início ocorre com a diplomação.2003). perdurando até o término do mandato.2005) O Tribunal decidiu. A Constituição estabelece que as regras relativas às inviolabilidades e às imunidades se aplicam aos deputados estaduais. a imunidade material só abrange os crimes praticados no exercício do mandato e na circunscrição do município. Para Zaffaroni e Pierangeli seria uma causa de atipicidade. art. 104 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . As imunidades podem ser materiais ou formais. o qual prescreve que a perda do mandato de deputado estadual seria decidida por “voto aberto”. art. Ellen Gracie (01. 53).que prescreve que a perda do mandato parlamentar será decidida por voto secreto nos casos que enuncia. mesmo após o término de seu mandato. I) Imunidade material (ou absoluta. Há uma certa divergência doutrinária acerca da natureza jurídica desta imunidade. Nélson Hungria e Pontes de Miranda entendem ser uma causa excludente de crime. a imunidade é irrenunciável. 27 .Inq. aos deputados estaduais. palavras e votos que guardem relação com o exercício do mandato parlamentar. não se justificando mais restringir ao âmbito estadual. ainda que produzidos fora do recinto da respectiva casa legislativa. rel. não deverá ser instaurado processo penal contra congressista. * STF . das regras da Constituição Federal sobre perda de mandato . Os deputados estaduais possuem as mesmas imunidades e inviolabilidades que os deputados federais. 03 do STF (“A imunidade concedida a deputados estaduais é restrita à justiça do estado”) foi considerada superada pelo próprio Tribunal em razão do disposto no art. § 1o da Lei Maior.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Por ser uma garantia institucional deferida ao Poder Legislativo. desde que relacionados à atividade parlamentar. VIII). sendo que eles não possuem imunidade processual. por estar em sentido diametralmente oposto às disposições fixadas pela Constituição Federal. ou inviolabilidade).5.10. A imunidade material conferida pela CF/88 a deputados e senadores abrange as opiniões. Antes da CF/88 eles não tinham nenhuma imunidade. por maioria. Min. * A súmula 04 do STF (“não perde a imunidade parlamentar o congressista nomeado ministro de estado”) encontra-se superada. No tocante aos vereadores. poderá ser beneficiado pela imunidade processual. palavras e votos (CF. 1. A súmula n. como o § 1º do art. Gilmar Mendes (12. pela inconstitucionalidade de dispositivo constante de Constituição estadual. 29.que determina a aplicação. 55 .944/DF. Min. já Damásio de Jesus a qualifica como uma causa funcional de exclusão ou isenção da pena. Caso retorne à sua função legislativa. rel.ADI 2461/RJ e ADI 3208/RJ.e o § 2º do art. * STF . De qualquer forma. penal. nem gozam de foro privilegiado (CF. Se o parlamentar se afastar de suas funções para ocupar outros cargos perderá a garantia. administrativa ou política) dos congressistas por suas opiniões. A imunidade material (freedom of speech) exclui qualquer responsabilidade (civil.

344/DF. Esta espécie de imunidade foi mitigada pela EC n. o STF deverá dar ciência aos membros da Casa à qual o parlamentar pertence. No caso de infrações penais comuns. 1. pelo menos. § 2º). impedindo a instauração ou o curso do processo. por isso. 53. palavras e votos" do congressista.Inq. Ao contrário da inviolabilidade ou imunidade material que elide a criminalidade do fato ou. Após a ciência.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO * STF . no período compreendido entre a diplomação e o término do mandato. § 5o). A sustação do processo. a responsabilidade do agente . II) Imunidade formal (ou processual) A imunidade formal (freedom from arrest) não exclui o crime. 35/2001.e. caso haja iniciativa de partido político nela representado. substantiva. Findo o mandato termina a prerrogativa de foro. 35. * STF . voltaram a fluir a partir da publicação da EC n. art. Com a nova regra. contados do recebimento do pedido pela Mesa Diretora (art. que substituiu o princípio da improcessabilidade. ela é apenas para as prisões provisórias e cautelares. não cobre as ofensas que. Imunidade parlamentar formal: EC 35/01: abolição da exigência de licença prévia para a instauração ou continuidade da persecução penal: aplicabilidade imediata. a tramitação do processo poderá ser sustada pelo voto da maioria relativa de seus membros (art. b). Os prazos prescricionais suspensos no regime de imunidade anterior (princípio da improcessabilidade).até que deferida ou enquanto durasse a investidura parlamentar do acusado configurava empecilho temporário ao exercício da jurisdição. 102. nos feitos em que se aguardava a deliberação da licença prévia. a "licença prévia" antes exigida caracterizava mera condição de procedibilidade. Min. Min. 1. O pedido de sustação deverá ser apreciado no prazo improrrogável de 45 dias. instituto de Direito Penal -. em 11 de setembro de 2001. não poderão ser presos. pelo da processabilidade. § 4o). a partir da expedição do diploma. 1. Sepúlveda Pertence “Malgrado a inviolabilidade alcance hoje "quaisquer opiniões. 53. Do que resulta induvidoso independentemente de qualquer indagação sobre a eficácia temporal de emenda à Constituição . mas pode proteger o parlamentar no tocante ao processo penal ou à prisão . Ao receber a denúncia. salvo em flagrante de crime inafiançável (CF. 53. ainda quando proferidas fora do exercício formal do mandato. 2. § 3o). art. A imunidade não abrange prisão definitiva. ademais. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 105 . a competência para o julgamento. A suspensão só é cabível até o julgamento pelo STF. possível apenas na hipótese de crime praticado após a diplomação. os Deputados e Senadores poderão ser processados penalmente independente de qualquer deliberação prévia da Câmara ou do Senado.a aplicabilidade imediata aos casos pendentes da norma constitucional que fez desnecessária a licença prévia da Câmara. rel. I.os congressistas. Sepúlveda Pertence EMENTA: I. 53. § 1o c/c art. sejam de todo alheias à condição de Deputado ou Senador do agente”. 53.344/DF. previsto originariamente. suspende a prescrição enquanto durar o mandato do parlamentar (art. a qual . rel. pelo conteúdo e o contexto em que perpetradas. é do Supremo Tribunal Federal (CF.Inq.

decidiu que continuam válidos todos os atos praticados e decisões proferidas com base na Súmula 394 do STF. seus próprios Ministros e o Procurador-Geral da República . ainda que o inquérito ou a ação penal sejam iniciados após a cessação daquele exercício.súmula 245: “a imunidade parlamentar não se estende ao co-réu sem essa prerrogativa”. Min.. prevalece a competência especial por prerrogativa de função. nas infrações penais comuns. rel. o Deputado ou Senador sofrerá uma sanção constitucional: a perda do mandato (art. Esta se verifica antes da eleição. tenham reflexos mediatos ou imediatos sobre o fato delituoso anterior à sua vigência.já endossado pelo Tribunal . A inelegibilidade é considerada absoluta quando o impedimento eleitoral se refere a qualquer cargo eletivo e não há possibilidade de o impedido se desvencilhar da situação a tempo de concorrer ao cargo. 54 da Lei Maior. Este dispositivo prevê ainda outros casos de cassação (incisos II e VI)30 e de extinção (incisos III. caso o impedimento se refira apenas a alguns cargos eletivos.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Incompatibilidades e perda de mandato As incompatibilidades previstas na Constituição possuem os mesmos propósitos das garantias legislativas: preservar a autonomia do Poder Legislativo. 102. exerça simultaneamente um cargo. De início. 84. Em seguida. § 1o A competência especial por prerrogativa de função. por unanimidade. o Presidente da República. os membros do Congresso Nacional. 106 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . Sydney Sanches O STF. * STF . com redação dada pela Lei 10.da incidência da garantia constitucional de ultraatividade da lei penal mais favorável à alteração superveniente de normas que.") por entender que o art. prevalece ainda que o inquérito ou a ação judicial sejam iniciados após a cessação do exercício da função pública.Inq 687-SP (QO) e Inq 881-MT (QO). Cuidando a hipótese de instituto de alcance puramente processual. embora de caráter processual. faz-se necessário diferençar incompatibilidade de inelegibilidade. 84 do CPP.628/2002 (“Art.. não é de aplicar-se à abolição da licença prévia o entendimento . sendo considerado inelegível aquele que não dispõe de capacidade eleitoral passiva. I). * STF . 55. após ter sido eleito.. da CF que estabelece a competência do STF para processar e julgar originariamente.”) foi declarado inconstitucional pelo STF na ADI 2797. relativa a atos administrativos do agente. I. função ou emprego público remunerado ou pratique determinados atos vedados pelo art. (Informativo 159) * O § 1º do art. Verificada a incompatibilidade.não alcança aquelas pessoas que não mais exercem mandato ou cargo. o Vice-Presidente. por unanimidade. relativa. A incompatibilidade impede que o parlamentar. b. a decisão tem efeito ex nunc. cancelou a Súmula 394 ("Cometido o crime durante o exercício funcional. é dizer. o Tribunal. com a possibilidade de o inelegível passar a elegível mediante a desincompatibilização. IV e V)31 do mandato parlamentar.

a perda do mandato será decidida pela Câmara dos Deputados ou pelo Senado Federal. 6/94 introduziu um novo parágrafo (§ 4o) ao art. mediante provocação da respectiva Mesa ou de partido político representado no Congresso Nacional.) A Emenda Constitucional de Revisão n.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO * Kildare observa que a suspensão do processo-crime deve ser precedida do exame da conveniência pública. política e moral do procedimento. por voto secreto e maioria absoluta. 55. § 2o. p. (g. devendo ser examinada.n. II e VI. 55. a existência ou não do propósito de perseguir o congressista. “Nos casos dos incisos I. * CF. ou a intenção de desprestigiar o Poder Legislativo (Direito constitucional didático. 451). ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 107 . ainda. na verdade são comuns) STF STF TJ Deputado Senador Deputado Estadual Vereador CD SF AL Juiz * Segundo o STF crimes comuns abrange crimes eleitorais e penais. terá seus efeitos suspensos até as correspondentes deliberações finais. assegurada ampla defesa”. Nele ficou consignado que a renúncia de congressista submetido a processo que vise ou possa levar à perda do mandato. Autoridade Presidente Crime comum STF (autorização da CD) Crime de responsabilidade Senado (autorização da CD) Lei 1079/50: se não houver previsão na CE estadual será por um tribunal formado por 5 membros da AL + 5 do TJ e presidido pelo presidente do TJ (autorização da AL) Câmara de vereadores (Art. art. 4º do DL 201/67) Governador STJ (autorização da AL) Prefeito TJ (inclusive crimes dolosos contra a vida) ou TRF (se o crime for contra a União) ou TRE (crime eleitoral) ou TM (crime militar) sem autorização DL 201/67 (crimes de responsabilidade impróprios.

É aquele que tem como normativos primários. ou seja. mas não será invalidade por ser superior. Pontes de Miranda. É aquele que tem como fundamento imediato de validade é a constituição. Pirâmide: 1. E o é o fundamento de todos os o indireto. Manuel Gonçalves Ferreira Filho e Alexandre de Morais. São os atos do Art. 47) Quorum de votação para LC e LO é o de maioria absoluta (+ de 50% dos membros). III. Cabe à lei complementar estabelecer regras gerais de direito 108 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . 146. enquanto a LO é residual. Cada uma delas tem o seu campo de atuação. Argumentam pela posição topográfica. São os decretos e Não há hierarquia entre normas. Outros. posteriormente poderá ser revogada por uma lei ordinária (lei ordinária pode revogar lei complementar neste caso – cuidado!). CF. Atos normativos primários. Uma não é fundamento de validade da outra. Uma LC pode tratar de matéria de LO sem ser invalidada (o quorum foi atendido). o que tem que observar a CF é a proposta. A EC já aprovada é incorporada à CF no mesmo nível das demais normas. 59. 3. Há hierarquia entre lei complementar e lei ordinária? Alguns entendem que há. 2. mas a constituição. Isso porque o fundamento de validade de uma lei ordinária não é a lei complementar.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO PROCESSO LEGISLATIVO: Critério de hierarquia utilizado é o criado por Kelsen. Uma é superior quando ela for o fundamento de validade da norma inferior. Mas não seria um ato normativo primário segundo a regra? Michel Temer diz que é preciso diferenciar a EC da PEC. ou seja. pelo quorum diferenciado (Art. A CF ela atos. Mas o STJ tem várias decisões no sentido de que há hierarquia (sempre as jurisprudências se referem ao direito tributário). Só que essa lei será apenas formalmente complementar. no direito tributário existira hierarquia entre LC e LO com fundamento no Art. Este é o entendimento do STF. a LC tem matéria reservada. Excepcionalmente. mas em razão do princípio da economia legislativa. juntamente com a CF. mas de alguns ela é o direto e em outros regulamentos. como Geraldo Ataliba. quando ela determina a forma de elaboração ou o conteúdo. existem normas superiores e outras inferiores. como Michel Temer e Celso Bastos dizem não haver hierarquia. A emenda se enquadra no topo da pirâmide. mas materialmente ela será ordinária. emenda e tratado internacional de direitos humanos aprovados por 3/5 em dois turnos. Atos normativos secundários. ou seja. Segundo ele a PEC é ato infraconstitucional. Quorum de aprovação para a LO é o de maioria relativa (+ de 50% dos presentes) e para a LC é também o de maioria absoluta. Ademais. princípio ou regras da CF. fundamento direto de validade são os atos fundamento indireto é a constituição. CF/88. Segundo ele as normas do ordenamento não estão todas sobre o mesmo nível. CF.

o conteúdo das leis estaduais está subordinado ao conteúdo da norma geral da União. o que não exclui a competência suplementar dos estados. logo. é horizontal. 3. logo. Leis municipais complementares e ordinárias. Existe ainda uma repartição vertical de competências: Art. logo. o conteúdo dela estaria subordinado ao conteúdo da CE (Art. 24. 2. uma lei ordinária em nenhum caso pode tratar de assunto de lei complementar. O Art. ADCT). LOM estaria subordinada materialmente à CE. Com a EC 45 a competência passou ao STF.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO tributário. 2. Nos municípios também há uma hierarquia (pirâmide): 1. parágrafo único. daí a suposta hierarquia (o STF não entende assim). A repartição de competências. CE. lei delegada. mas com base na CF. 109 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . tratados internacionais comuns. O processo legislativo é norma de repetição obrigatória. mas também os princípios da CE. O fundamento de validade de todas as leis (federal. CF  competência legislativa concorrente entre União. A União se limita a legislar normas gerais. Se a União vai estabelecer as normas gerais. determinam o conteúdo das leis ordinárias. Este é um critério isolado. estadual e municipal) é a CF. 29 da CF diz que a LOM tem que obedecer não só os princípios da CF. Decretos municipais. É um verdadeiro condomínio de competências legislativas. LOM x CE: as duas teriam a mesma hierarquia em razão do princípio federativo. ou seja. autonomia dos entes da federação. 11. LOM. Cada ente tem suas atribuições. Decretos estaduais e municipais. Leis estaduais e municipais. Quando uma matéria é reservada a lei complementar ela não pode ser tratada por nenhum outro ato normativo. estados e DF. Assim. A questão é saber qual delas violou a CF. Antes da EC 45 o órgão competente julgar o conflito de LF e LE era do STJ. Havendo conflito entre essas leis ele será resolvido não com base no princípio da hierarquia. Igualmente a medida provisória. No âmbito estadual e municipal pirâmide é a seguinte: 1. 3. Uma tem um conteúdo geral e a outra mais específico. via de regra. estados e municípios terão lei ordinária e lei complementar.

não é inconstitucional. Não existe um tribunal municipal para exercer um controle concentrado. dentro das competências estaduais feito pelo TJDF. Art. Os decretos-leis eram bastante criticados e substituídos pelas MPs. 3. porém. Foi uma maneira de dizer que o STF analisaria quando bem entendesse. equipara a LODF à CE. fica-se provisoriamente sem o órgão legislativo. por isso as sucessivas edições e reedições de MPs. MEDIDAS PROVISÓRIAS – Robério São atos normativos editados pelo chefe do Executivo em situações de relevância e urgência. aplicando-se as regras de controle de constitucionalidade. Elas têm origem nos decretos-leis. O Executivo não vinha encontrando resistência. Os parlamentares têm o direito público subjetivo à observância do processo legislativo. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 110 . Esse artigo não modificou a natureza de LO para CE. 1. quando há a dissolução do parlamento e a convocação de novas eleições. 2. A lei 9868/99. que. têm origem nos sistemas parlamentares. com vigência temporária. Pirâmide do DF: competência híbrida. É o exercício de uma atividade atípica do Executivo. Requisitos da MP: relevância e urgência. São duas hipóteses de o Executivo legislar. Daí poderem impetrar MS (controle preventivo de constitucionalidade) em face da inobservância do processo legislativo (e não em face do conteúdo da norma). Em alguns parlamentarismos o primeiro-ministro pode editar ato normativo ad referendum do parlamento. 30. Leis distritais ordinárias e complementares. que é até pior. LODF. era uma figura dentro do nosso presidencialismo). 62). Com o aumento da edição de MPs o STF passou a entender que quando presentes objetivamente os requisitos ele analisaria a constitucionalidade da MP (o problema que analisar relevância e urgência é eminentemente subjetivo). Isso é incompatível com os requisitos de relevância e urgência.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Se uma lei municipal viola a LOM haverá uma ilegalidade e não inconstitucionalidade. § 5º. No início o STF não analisava esse aspecto. No Brasil as MPs correspondem aos antigos decretos-leis (não eram os decretos-leis parlamentaristas. por sua vez. e nesse período há a autorização para o chefe do Executivo legislar provisoriamente em casos de relevância e urgência. já que a redação da CF e EC 32 permitiu um abuso de MP (Art. Em muitos parlamentarismos. Decretos distritais.

processo penal e processo civil. Essa MP produziria efeitos diferentes. cidadania. Em relação ao direito penal. carreira e garantia dos seus membros. * Direito penal. O texto da MP publicado é o projeto de lei de conversão. mas deve ser encarado como uma anistia (não é porque a anistia deve passar pelo Congresso). ela só fica suspensa. Só produzirá efeitos após a promulgação da lei de conversão (Art. Parte da doutrina inclui a MP nesses instrumentos excepcionais para solucionar crises. Matérias vedadas à edição de MP: * Nacionalidade. partidos políticos e direito eleitoral. Sistema constitucional de solução de crises: a CF é o instrumento para resolver situações do dia a dia e também em situações de crise: estado de sítio. É possível que o texto original da MP seja modificado pelos parlamentares durante o processo de conversão. MP que traga abolitio criminis produz efeitos imediatos com alteração provisória  extinção da punibilidade  Congresso rejeita a MP  o fato volta a ser típico  é possível voltar a punir aqueles que tiveram provisoriamente a extinção da punibilidade? O STF não tem posição. A jurisprudência do STF e a doutrina aceitam excepcionalmente a edição de MP em matéria penal que venha a beneficiar o réu. * Planos plurianuais.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Diante de tantos problemas houve uma emenda (EC 32/2001) alterando o regime das MPs (e provavelmente haverá nova alteração). * Deflagração do processo legislativo de conversão em lei. Na verdade não há um processo legislativo de MP propriamente dito porque se trata de um processo monocrático de produção e que terá efeitos de imediato. * Organização do judiciário do MP. orçamento e créditos adicionas e suplementares. Só haverá processo legislativo na lei de conversão. O momento da edição da MP não revoga a lei anterior. O texto publicado é lei provisória. gerando a insegurança jurídica. 62. intervenção. cassação de mandatos. de defesa. mas essa modificação não altera o texto da lei provisória. lei de diretrizes orçamentárias. passando a rejeição a produzir efeitos a partir de então. mas foram totalmente desvirtuadas da sua natureza. § 12). não passa a valer automaticamente. direitos políticos. a vedação tem o intuito de evitar a surpresa. impeachment. há um descompasso completo que resultou em abuso. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 111 . A edição de uma MP gera dois efeitos: * Altera provisoriamente o direito positivo de imediato (tem força de lei).

* Matéria reservada a lei complementar. o prazo poderá ser maior que 120 dias. No máximo 120 dias. IOF. É permitida a edição de MP em matéria tributária (Art. Há uma parte no § 1º do Art. § 2º (serviço de gás canalizado não pode ser regulamentado por MP). IE. IEG). Esse dispositivo comprova a existência de um rol de matérias destinadas à edição por lei complementar. 68 que não consta do Art. obedece as regras comuns (Art. mas não é de repetição obrigatória. não produz efeitos imediatos (no fundo é um processo legislativo diferenciado. Corporativas – mensalidade OAB) a edição da MP é normal. A conseqüência é que a MP de impostos fiscais é que a sua edição não produz o primeiro efeito de alterar provisoriamente o direito positivo (à exceção da MP de impostos extra fiscais – II. IPI. IPI. Alguns autores dizem que matéria que é proibida a delegação também é proibida a MP. IE. 68. § 1º: direitos individuais. só no ano seguinte ao da conversão produzirá efeitos. § 2º).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO * Que vise a detenção ou seqüestro de bens. § 1º. 62. logo. Exceto os impostos extra fiscais que não obedecem ao princípio da anterioridade (II. Só é tratado por lei complementar aquilo que a CF diz expressamente. privativa da Câmara ou Senado. Há ainda outras vedações nos Arts. A delegação é feita por resolução do Congresso Nacional. nem mesmo com a concordância do Legislativo: Art. Só produz efeitos no exercício financeiro seguinte se tiver sido convertida em lei até o último dia do ano em que foi editada. especial em matéria de imposto fiscal). dependerá de ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 112 . o de deflagrar o processo legislativo da lei de conversão. Lei delegada é uma lei na qual o chefe do executivo pede ao do legislativo autorização para legislar. É possível MP estadual se a constituição do estado prever. Essa MP que majora ou institui tributos só produz um efeito. 246 (o que foi objeto de emenda entre 1995 e 11/09/2001 não pode ser regulamentado por MP) e 25. matéria de competência exclusiva do congresso. A MP editada vale por 60 dias e pode ser prorrogada única vez por igual período (+ 60 dias) e não reeditada. No caso dos impostos parafiscais (Sociais. IOF e imposto extraordinário). 150. 62. de poupança popular ou qualquer outro ativo financeiro. A data da edição da MP para os impostos fiscais é contada da data da conversão. pois se silenciar a matéria será de lei ordinária. Há determinadas matérias que não podem ser legisladas monocraticamente pelo chefe do Executivo. III – princípios da anterioridade e noventena). De intervenção no domínio econômico. mas o prazo não corre durante o período de recesso quando ela poderá se elastecer no ordenamento. * Matéria já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo Congresso e pendente de sanção ou veto do presidente. Não há posição jurisprudencial sobre a questão.

45 dias após a publicação e não apreciada entrará em regime de urgência – tranca a pauta de cada uma das casas subsequentemente. a lei que estava suspensa volta para o ordenamento (espécie de repristinação). É uma possibilidade de uma lei inconstitucional valer. Consolidada a MP. Só é possível reeditar no ano seguinte. por razões de segurança jurídica a MP poderá ser mantida. o § 11 poderia ser aplicado. Quando o Congresso em cada uma de suas casas analisa a MP. Inicia a votação na Câmara. O prazo de 120 dias é contado da data da publicação da MP. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 113 . e se for inconstitucional? O Congresso rejeitada por se inconstitucional e após não edita o decreto legislativo: analisar a natureza jurídica do ato inconstitucional: se o ano é nulo ou anulável (2 correntes). alterar. O STF pode dizer que mesmo sendo inconstitucional. Vedada a reedição da mesma MP na mesma sessão legislativa que fora rejeitada ou perdido a eficácia como decurso do prazo sem apreciação. para fins de segurança jurídica. primeiramente deverá proceder ao controle de constitucionalidade (repressivo em relação à alteração feita e preventivo em relação à lei de conversão – duplo efeito) político. Passados os 120 dias e o Congresso não converte. isto. uma na Câmara e outra no Senado) examina (pode emendar. O Congresso no decreto irá deliberar se para as relações jurídicas que se formaram enquanto estava em vigor uma MP (rejeitada ou expirado o prazo) e uma lei suspensa. Consolida a MP pela ausência do decreto legislativo. Não é a mesma reedição que existia antes da EC 32. Antes de ser apreciada a comissão mista de deputados e senadores (para evitar duas comissões. rejeitar etc). emitindo parecer antes de serem apreciadas em sessão separada em cada uma das casas. se consolida. Durante o prazo de validade da MP o que seria aplicado então? O Congresso nacional precisa editar decreto legislativo para regular as relações jurídicas 60 dias após escoado o prazo de validade ou rejeitada a MP. após a emenda. que é quando começa a produzir o primeiro efeito.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO quando tiver sido editada. reconhecer efeitos ao ato. mas que não pode ocorrer com base no silêncio do STF. Antes da EC 32 o exame da MP era feito em sessão conjunta. há o exame em separado na Câmara e no Senado. Sendo nulo não é possível aplicar a MP. Pode decidir por prevalecer a MP ou a lei que estava suspensa. Só após analisa o mérito. Caso o Congresso não edite o decreto legislativo no prazo de 60 dias as relações jurídicas serão conservadas (do período que vigorou a MP). Sendo anulável.

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A omissão não pode levar ao reconhecimento dos efeitos jurídicos de um ato inconstitucional, assim, o silêncio do Congresso não poderia implicar validade da MP inconstitucional (opinião de Robério). Mesmo no prazo de 60 dias para a edição do decreto legislativo o Congresso poderá fazer valer a MP inconstitucional. Se o STF pode com base no Art. 27 da lei 9868 (relativizou a nulidade), porque o Congresso não poderia? Mas se este decreto legislativo vier, pode ser objeto de ADI??? Tecnicamente é um ato normativo, em tese poderia. Porém há um caráter subjetivo de conveniência e oportunidade por parte do Congresso. Todas essas questões não têm respostas, pois nunca ocorreram. O projeto de lei de conversão com alterações só produzirá efeitos após sanção ou veto (só havendo alteração do texto). Até lá continua em vigor a MP em seu texto original. A alteração do texto pode contar matéria vedada a MP durante o processo legislativo da lei de conversão? Pode, essa alteração não é aplicada de imediato, não causa surpresa, mas nem toda a matéria pode ser objeto de emenda parlamentar (não gera insegurança jurídica). Ex: matéria de lei complementar, pois MP tem status de lei ordinária; matéria privativa da Câmara e do Senado; exclusiva do Congresso (decreto legislativo, resolução) etc. Se o texto original for aprovado pelo Congresso não há necessidade de sanção ou veto do presidente. MP pode ser objeto de ADI. ADC em face de MP, em princípio pode, mas tem que haver o requisito da efetiva controvérsia judicial (pode não dar tempo – 120 dias). O simples ajuizamento da ADI não interfere na tramitação da MP no congresso. A liminar da ADI suspende o processo legislativo de conversão da MP e o primeiro efeito também. Sendo confirmada tudo se extingue. Se rejeitada a ADI volta a correr a tramitação. Se a MP for aprovada (passando a ser lei) no congresso enquanto corre a ADI é preciso emendar a inicial da ADI para incluir a lei de conversão. Os vícios da MP originária comunicam-se à lei de conversão. Sendo a MP rejeitada ou decorrido o prazo de conversão estando em curso ADI, implica perda do objeto da ADI. O STF está mudando esse posicionamento para fazer prevalecer a ADI para regular as conseqüências jurídicas do período em que vigorou a MP. A EC 32/01 conferiu validade às MPs que estavam em vigor, dispensando apreciação do Congresso. PROCESSO LEGISLATIVO – Robério Emendas: poder constituído (derivado).
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Existe hierarquia entre lei ordinária e lei complementar? Há hierarquia quando uma norma nasce da outra. A lei ordinária existe por força da CF e não de lei complementar, que também tem como fonte de existência a CF. No choque entre lei complementar e lei ordinária, parte da doutrina diz prevalecer a lei complementar por ter quorum de maioria absoluta, enquanto lei ordinária tem maioria simples. Há campo constitucional para lei complementar e para lei ordinária, determinada matéria será regulada especificamente por lei complementar. Se houver choque, significa que uma delas invadiu o campo da outra, porque as competências são delimitadas. Lei ordinária que tratou de matéria de lei complementar é inconstitucional porque deveria ser maioria absoluta e foi votada por maioria simples. Lei complementar que tratou de matéria de lei ordinária permanece no ordenamento, mas com natureza de lei ordinária, não é declarada inconstitucional (exige simples e foi por maioria absoluta), o que significa que lei ordinária posterior poderá modificar a lei complementar de natureza de lei ordinária (jurisprudência). Art. 59, parágrafo único: LC 95/98. Revogação poderá ser expressa ou implícita, mas sempre que possível o poder legislativo deve conter os artigos que serão revogados, em nome da segurança jurídica. Fases do processo legislativo: *Iniciativa: privativa, comum, concorrente ou popular. Não existe mais a iniciativa conjunta (projeto de lei de fixação dos subsídios dos ministros do STF – iniciativa era conjunta dos presidentes da Câmara, Senado, do STF e da República). Art. 61: algumas autoridades só têm iniciativa privativa (aqueles que precisam de pertinência temática). Outras têm iniciativa geral, salvo o que for de iniciativa privativa de outras. *Apreciação/Discussão: emendas parlamentares. *Votação: se aprovado há a remessa à outra casa. Se rejeitado é arquivado. A regra é que toda a tramitação legislativa se inicia na Câmara, à exceção dos projetos de iniciativa do Senado. *Revisão pela outra casa *Sanção ou veto por parte do presidente da república. Vetado volta ao Congresso. Sancionado, há a promulgação e publicação. *Promulgação *Publicação A organização do MP da União não é de iniciativa privativa do presidente, ela é concorrente entre o presidente o chefe do MPU (PGR), no mesmo sentido no âmbito estadual (Art. 128, § 5º e Art. 61, § 1º, d). 115

Cuidado!

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Iniciativa popular: 1% do eleitorado nacional distribuído em pelo menos 5 estados (0,3% em cada um deles). Prova objetiva não há iniciativa popular para emenda, mas doutrina minoritária entende ser cabível com os mesmos requisitos para a PEC. Lei 8072 (Glória Peres) não foi PL de iniciativa popular, não preencheram os requisitos, mesmo com 1 milhão de assinaturas (tem que ser revisto!). Somente um PL de financiamento habitacional popular foi recebido como iniciativa popular em 1989 e até hoje não foi votado. A CCJ suscitou se a iniciativa popular poderia versar sobre matéria de lei complementar? Pode versar sobre matéria de iniciativa privativa do presidente, STF ou outra autoridade? A CCJ da câmara decidiu em ambos os casos em parecer que a iniciativa popular pode versar sobre essas matérias, não há decisão nesse sentido em lugar algum. Nenhuma foi a juízo. A maioria da doutrina diz que não pode. E de emenda constitucional? A maioria da doutrina diz que não pode, mas uma minoria defende que sim. O projeto corre normalmente, não há nenhuma prerrogativa de minimização de exigências ou de urgência. Nos projetos de iniciativa privativa é possível emenda parlamentar? Sim, é possível desde que a emenda não implique em aumento da despesa. Em regra tudo começa na Câmara dos Deputados, só começa no Senado o que for projeto de senador ou de órgão ou comissão do Senado. A urgência pode ser constitucional (presidencial e MP) ou regimental. Urgência presidencial: presidente por iniciativa privativa ou não pode pedir urgência. Se a câmara ou Senado não se manifestarem em até 45 dias haverá trancamento da pauta (segundo caso de trancamento de pauta, o primeiro visto foi o de MP) (Art. 64, § 2º e 62, § 6º) na respectiva casa, salvo os casos em que se tenha prazo constitucional determinado. 10 dias para a Câmara apreciar as emendas do Senado. O prazo de 45 dias (urgência) não corre em recesso e em projetos de código. Projeto na Câmara: *Aprovado  Senado *Rejeitado  arquivo *Prejudicado  arquivo Projeto no Senado: *Aprovação  sanção ou veto do presidente *Alteração do projeto por emenda volta à Câmara. Se ela rejeita a alteração feita pelo senado vai direto à sanção presidencial. Isso significa que o projeto não foi aprovado em ambas as casas (é possível). *Rejeição do projeto arquivo. Há a apreciação do projeto. *Prejudicado  arquivo. O projeto não chega a ser examinado, há outro fato que prejudica o seu andamento. 116 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE

PEC não pode ser reapresentada em hipótese alguma. mas o STF não admitiu. § 2º). é votada em 1º lugar (Art. inciso ou alínea (texto integral). A terceira hipótese do veto só tranca a mesa do Congresso (a votação é conjunta). 5º. deverá ser sempre expresso. O veto deve ser sempre motivado.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO É possível uma lei não ter sido aprovada pelo plenário da Câmara ou do Senado quando é a aprovação puder se dar tão somente por comissões. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 117 .684 (programa de parcelamento de débitos tributários). se não o faz em 48h  vice-presidente do Senado. 9º: os tribunais entenderam que foi caso de veto implícito. Onde conclui a votação envia ao presidente para sanção ou veto no prazo de 15 dias úteis. Promulgação: presidente não o faz em 48h  presidente do Senado. Projeto de lei rejeitado pode ser apresentado na mesma sessão legislativa se houver quorum de maioria absoluta em qualquer das casas do Congresso. mas a MP tranca a urgência presidencial. o projeto vai ao presidente para promulgação. tem que ser de artigo. O veto poderá ser total ou parcial por inconstitucionalidade (controle preventivo político) ou contrário ao interesse público. Motivos são encaminhados ao presidente do Senado em 48h e o veto será examinado em sessão conjunta em 30 dias e em votação secreta (quem preside é o presidente do Senado. Hipótese de veto tácito (implícito): ventilado primeiramente por Teotônio Negrão quanto à vedação da aplicação do CDC e aplicação lei de ACP a determinada matéria. Sendo derrubado. O veto parcial não pode ser de palavra ou expressão. por exemplo) qual é votada primeiro? A urgência presidencial tranca tudo com exceção do que tiver prazo constitucional  MP tem prazo constitucional. logo. Não apreciado o veto em 30 dias em sessão conjunta no Congresso  tranca a pauta (3ª hipótese de trancamento de pauta). Caso uma MP (votação em separado) e uma urgência presidencial (votação em separado) que estão trancando a pauta estiverem na mesma casa (Senado. § 2º e Art. parágrafo. logo. Art. Lei 10. Se nenhum deles promulga há o impedimento do exercício do poder legislativo  crime de responsabilidade de todos. A urgência não tranca a MP. 64. que é o presidente do congresso). A rejeição do veto só poderá ocorrer por maioria absoluta. Decorrido o prazo de 15 dias úteis o silêncio do presidente importará sanção (sanção tácita).

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