DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO

DIREITO CONSTITUCIONAL MARCELO NOVELINO
DIREITOS FUNDAMENTAIS: Constituição: é o conjunto de elementos que formam e organizam o Estado  sentido material: sempre existiu, desde que existe a idéia de Estado. Há estado sem constituição? Não, no sentido material. Constituição em sentido formal, escrita é uma idéia que aparece depois, o documento escrito é algo que data do século XVIII, está ligado diretamente aos direitos fundamentais. Movimento constitucionalista: adoção de constituição escrita; é um movimento que é indissociável do desenvolvimento da teoria dos direitos fundamentais, os marcos são comuns. Ambos derivam de uma necessidade, a de limitar o poder, sair do absolutismo estatal. Direitos fundamentais e direitos humanos têm conteúdos diferentes. No plano internacional a referência aos direitos fundamentais é feita como direitos humanos. No plano interno (direito positivo de um determinado estado), ou seja, no ordenamento jurídico nacional, a denominação mais adequada é de direitos fundamentais (CF/88). Os direitos fundamentais são os direitos humanos positivados no plano interno. José Afonso da Silva denomina direitos fundamentais do homem, cuja conceituação é a seguinte: são as prerrogativas e instituições que o direito positivo concretiza em garantias de uma convivência digna, livre e igual de todas as pessoas (universalidade). Não adianta apenas o ordenamento positivar os direitos, é necessário que eles sejam concretizados, torna-los prerrogativas reais do nosso dia-a-dia. São direitos, logo, exigíveis, formando uma relação jurídica obrigacional (credor – objeto – devedor). O credor é o homem, os direitos fundamentais são do homem, ser humano, e não dos animais ou da natureza. O direito ambiental ainda é um direito em que o homem está no centro, nos é que temos direito a um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Declaração dos direitos do homem e do cidadão de 1789, França: durante a discussão dessa declaração chegou-se a debater se essa declaração abrangeria as mulheres, houve inclusive uma minuta de declaração de direitos das mulheres. São direitos, não liberalidade, obrigam, só há direito quando há coercibilidade, forma de torná-lo exigível. Não são quaisquer direitos, mas os fundamentais. Sob o ponto de vista formal, direito fundamental pode ser tudo aquilo que está formalmente colocado como fundamental, tudo o que está no título II da CF. Sob o ponto de vista material, direito fundamental é aquele que possui conteúdo essencial, direito indispensável à dignidade da pessoa humana. A fundamentalidade de um direito está ligada à necessidade da vida digna do ser humano, não basta viver, o que dá o conteúdo de fundamental é a dignidade da pessoa humana. Nem tudo o que está no título II ou no Art. 5º formalmente colocado como fundamental é também materialmente fundamental. Há dispositivos no Art. 5º 1 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE

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que podem ser suprimidos sem que com isso se afete a dignidade da pessoa humana (XXI, XXIX), enquanto outros são ao mesmo tempo formal e materialmente fundamentais. Parte da doutrina considera que a cláusula pétrea do Art. 60, § 4º, IV, deve ser entendida que os direitos materialmente fundamentais são cláusulas pétreas, os formalmente não são, porque podem ser suprimidos sem afetar a vida digna. Dentre os defensores dessa corrente, está o ministro Carlos Veloso. § 2º, Art. 5º: pode-se ter direitos fundamentais, sob o ponto de vista material, em qualquer lugar da CF e não apenas no título II. O STF já reconheceu a existência de direitos fundamentais fora do Art. 5º. Pode-se ter ainda direitos fundamentais implícitos, não formalizados expressamente na CF (ex: direito à alimentação, implícito ao próprio direito à vida), no ordenamento jurídico infraconstitucional e nos tratados. Os direitos fundamentais hoje são características do Estado democrático de direito. O reconhecimento desses direitos foi fruto de um processo histórico que tem as mesmas características da adoção da constituição escrita, o movimento constitucionalista se identifica com o movimento de reconhecimento de direitos fundamentais. Os documentos mais importantes são: Magna Carta de 1215 (Magna Charta Libertatum): foi um acordo firmado entre João sem terra e os barões do reino (senhores feudais) a respeito da tributação. Foi escrita em latim arcaico. Foi anulada por um papa (Inocêncio III) antes de vencida a sua duração, que seria de 3 meses. João Sem Terra alegou que foi coagido e pleiteou sua anulação ao papa. É o primeiro documento escrito de reconhecimento de limitação do poder do monarca. A autoridade maior, o rei reconhecendo limites a seus poderes, algo muito difícil na época. Não foi escrita sob a forma de artigos ou tópicos, a doutrina é que deu certa organização. Era dirigida apenas aos homens livres do reino. Esse documento ainda influencia a nossa vida hoje, porque muitos dispositivos dela estão reproduzidos na CF. Ex: há os princípios da legalidade tributária, da vedação do confisco, razoabilidade tributária, ampla publicidade; limites; razoabilidade da sanção penal, individualização da pena, impenhorabilidade, julgamento pelos pares; HC gratuito, devido processo legal, acesso ao judiciário, celeridade, não à corrupção, globalização econômica, sem barreiras alfandegárias, princípio da reciprocidade. Petition of rights de 1628: reafirma direitos já mencionado na magna carta. Hábeas corpus amendment act de 1679: texto voltado para a liberdade de locomoção. Bill of rights de 1689: primeiro documento de origem parlamentar a disciplinar direitos fundamentais. A revolução gloriosa faz reascender o poder do parlamento. 2

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Declaração de direitos do bom povo da Virgínia de 1776: influência a constituição dos EUA, especialmente as 10 primeiras emendas da constituição norte-americana. Declaração dos direitos do homem e do cidadão francesa de 1789: é francesa, mas é dirigida a toda a sociedade, tem caráter universal e foi o primeiro documento com este caráter (universalidade). Declaração universal dos direitos do homem de 1948: adotada pela ONU no pós-guerra. Natureza jurídica: é uma recomendação da ONU, não é um tratado coercitivo, mas são direitos reconhecidos internacionalmente. É o primeiro documento internacional a disciplinar o catálogo de direitos humanos. Nenhum desses textos tem a natureza jurídica de constituição, a primeira constituição a trazer o catálogo dos direitos fundamentais não é unânime na doutrina: 1. A constituição da Bélgica de 1831; 2. A constituição brasileira de 1824; e 3. A constituição dos Estados Unidos, não a de 1787, mas no Bill of Rights (10 primeiras emendas de 1791 e não o bill of rights da Inglaterra) Características dos direitos fundamentais: 1. Historicidade: os direitos fundamentais são históricos, ou seja, como quaisquer direitos eles nascem, modificam-se, desaparecem, acompanhando a história. O conteúdo varia com a história. Eles não são imutáveis, herméticos. O que é necessário à vida humana digna se modifica com o passar da história. 2. Inalienabilidade: não têm conteúdo econômico patrimonial, não podem ser objeto de negócio jurídico. 3. Imprescritibilidade: não se perde o direito fundamental porque deixou de exercê-lo em determinado período. 4. Irrenunciabilidade: pode não exercer, mas renunciar não. 5. Personalidade: são personalíssimos, pertencem à pessoa do titular. 6. Limitalibilidade ou relatividade dos direitos fundamentais: não há direitos absolutos, todos são relativos. As próprias características supra não podem ser entendidas como absolutas. A inalienabilidade, por exemplo, pode ocorrer no direito à imagem, não é alienado, mas algum tipo de negócio jurídico sim, sem ofensa aos direitos fundamentais. BBB e os direitos fundamentais: intimidade, vida privada etc, não há ofensa, as pessoas são maiores e capazes, revertido em benefício delas mesmas, há liberdade de ir e vir, sabe da filmagem, transmissão etc. Em razão da relatividade dos direitos fundamentais não podem justificar o ilícito, justificar a irresponsabilidade civil, anular outros direitos constitucionais fundamentais.
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Eficácia dos direitos fundamentais: ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 4 . Ex: liberdade da mulher. Depende do interesse público em questão. Só é possível uma solução concreta que só vale para o caso concreto determinado. mas é preciso considerar a realidade fática. segundo o modelo clássico: credor. 7. mas também um valor que a pessoa deve preservar. mas em uma situação fática inconstitucional. deve-se usar o princípio da hermenêutica da harmonização. a liberdade. ou seja. Ela pode influenciar o controle. Universalidade: para a maior parte da doutrina os direitos fundamentais são universais. Não é aceita pela maioria. Uma minoria é adepta do relativismo cultural. mais de um deles podem estar sendo exercido ao mesmo tempo. não existe a aplicação do “tudo ou nada” (expressão de Ronald Dworking). As circunstâncias fáticas vão influenciar na harmonia desses direitos. Há uma ponderação de interesses constitucionais. Ela não é só um direito seu. 8. usando dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. princípio da concordância prática. Em qualquer lugar do planeta deve-se ter reconhecido os direitos fundamentais. Subjetiva: sob este ponto de vista eles são verdadeiros direitos que escondem uma relação jurídica obrigacional. e ambos devem preservá-los. pois o Estado deve conceder ao menos a opção às pessoas. O estudo do controle de constitucionalidade pressupõe não só a lei em abstrato. A vida. sabendo que eles são relativos. O que para uma agride para outra é costume. Divergência entre os universalistas e os multiculturalistas. a igualdade etc. Não há hipótese de solução abstrata na colisão de direitos fundamentais. diferentemente da solução dada às antinomias entre as leis (solução abstratamente prevista). A vida é um valor que deve ser respeitado por cada um individualmente. 9. Resolve-se com a ponderação de interesses (livro de Daniel Sarmento). a fim de se buscar uma solução que não existe em tese. Perspectivas nas quais os direitos fundamentais podem ser entendidos: 1. objeto e devedor  homem. mas nenhum deles será extinto. Os valores mais importantes de uma sociedade são a vida. um pode preponderar sobre o outro. Não há apenas a perspectiva subjetiva (direito). A lei pode ser em abstrato constitucional. 2. além de direito é um valor da sociedade e do Estado. Concorrência: acumulação de direitos fundamentais. A imposição de determinado estilo de vida em um país pode não ser compatível aos direitos fundamentais. Objetiva: vislumbram-se valores e não direitos. não é possível sobrepor uma cultura a outra. dignidade e Estado. Vedação ao retrocesso: não é possível retroceder nas conquistas já sentidas pela sociedade.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO É possível a colisão entre os direitos fundamentais.

Ligado à idéia de direitos negativos. 2. 3. XXXIX. aplicáveis nas relações de direito privado. mas também a necessidade de um Estado-providência. a vida. ele tem também a função de proteção em face dos demais seres humanos. ele tem que dar essa garantia por meio de mecanismos (polícia administrativa e judiciária. Horizontal: eficácia entre iguais. O capitalismo estava em risco e alguns direitos fundamentais deveriam não mais ser apenas os de não-fazer. Funções dos direitos fundamentais: é uma classificação de Canotilho. entre particulares. Ex: declaração da ONU. Estado abstencionista (aquele que não interfere na vida das pessoas). logo. não só o Estado. Art. obrigações de fazer. Não discriminação: função de promoção da igualdade. uma abstenção: não tirar a liberdade. Direitos civis e políticos. LIBERDADE. Estado do bem-estar social (welfare state). presente nas relações entre o cidadão e o Estado. relações de direito público. De defesa ou de liberdade: exige-se que o Estado se abstenha de invadir a esfera do cidadão. poder judiciário etc). 225. O poder era absoluto e o liberal torna o Estado “mínimo”. igualdade etc. Ex: direito à propriedade. 4. De prestação: garantir às pessoas determinadas prestações positivas. 2ª Geração: a revolução industrial no século XIX modificou a situação até então estabelecida. garantir os direitos das minorias. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 5 . 1ª Geração: num primeiro momento surgiram com a Revolução Francesa na declaração de 1789. momentos históricos em que direitos com determinadas características são tidos como fundamentais.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Vertical: é a clássica. 205. É exigido do Estado uma obrigação de não-fazer. a tolerância. Estão ligados ao modelo de Estado que a revolução francesa admitiu – Estado liberal. além de serem aplicados também nas relações privadas. Os direitos fundamentais podem ser ainda classificados em gerações. ou seja. institui penas. a propriedade etc. De proteção perante terceiros: outras pessoas também podem violar os direitos fundamentais. É uma função muito ligada a uma obrigação de não-fazer. O Estado é o principal devedor dos direitos fundamentais. Art. a fim de garantir condições mínimas para as pessoas. Art. CF (todos nós somos credores e devedores do direito à educação). o seu papel é que vai revelar quais são os direitos reconhecidos. CF. logo. 1. Isso porque o Estado pode ser o inimigo (Leviatã). O homem tem também deveres fundamentais porque os direitos fundamentais têm um valor que deve ser respeitado. que é a material. Os direitos fundamentais devem garantir o pluralismo.

vários autores. Paulo Bonavides. Consagra o princípio da solidariedade. que são os direitos ligados à titularidade difusa ou coletiva (não tem titularidade determinada. * Direito de participação – tem tanto caráter positivo como negativo. Direitos Individuais. à informação etc. há uma soma e não uma substituição. pertencem a um grupo indeterminados): ambiente. até então uma decisão judicial envolvida um autor e um réu. assim. é uma forma de universalizar os direitos fundamentais. 4º VI CF. direito ao pluralismo. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 6 . Por isso. obrigações de fazer. Direitos e Garantias – (diferença) Rui Barbosa Direitos: são disposições declaratórias que imprimem existência legal de valores reconhecidos e declarados no plano normativo. Surgem os direitos sociais. FRATERNIDADE. direitos das minorias. Surgiu a 3ª geração. econômicos. 12 e ss CF). As ameaças são globais. exigem uma atuação do Estado (prestações materiais e judiciais). Classificação inspirada no autor alemão JELLINEK: * Direitos de defesa . a partir daí a decisão judicial influencia uma coletividade. É mais adequado utilizar dimensões de direitos fundamentais. e por isso a utilização do termo geração é criticada pela doutrina. Direitos Sociais (art. direitos do consumidor (rol exemplificativo). porque exigem uma abstenção do Estado. Classificação com base na CF/88: Direitos fundamentais – é gênero (Titulo II CF) : direitos individuais. o titular dos direitos de 1ª e 2ª gerações era tido apenas como sujeito individual.ligados à liberdade do individuo. coletivos. aumentando significativamente a importância do judiciário (ACP). * Direitos a prestações (ou prestacionais) – atitude positiva do Estado. Direitos a Nacionalidade e Políticos (Art. Tem o Estado que fazer prestações positivas. mas as ameaças à dignidade humana ultrapassam essas fronteiras. os direitos fundamentais também têm que ser. já falam na 4ª geração. IGUALDADE. Os direitos são prestações positivas. nacionais e políticos. Transforma um valor em norma. 3ª Geração: ainda no século XX. patrimônio cultural. democracia plena em sentido global. só que as ameaças à vida humana digna passa a não mais ser individualizável. culturais. As três gerações não se excluem. sociais. Direitos 5ª geração (Paulo Bonavides): direito a paz – art. 6º CF). Direitos Coletivos. entre eles.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO ajudando. Modificação do papel do poder judiciário. Essa dimensão é reconhecida. que são direitos ligados à globalização. tem caráter negativo. Até a 3ª geração elas consideram as fronteiras estatais.

diferentemente dos de 1ª dimensão. abrange outros valores. O bem-estar social também está expresso na parte dogmática da CF. O Art. participação e representação. greve. Além disso. que tem como característica atender às necessidades do cidadão. Todos eles serão usufruídos por qualquer cidadão. e deixar para a livre negociação). que se desincumbe do ônus de promover sozinho o bem-estar social. O Art. ou seja. Vários dos direitos sociais previstos estão sendo repassados ao particular. demandando ainda mais custos para o Estado. criança. adolescente. desporto. Melhor seria denominar direitos gerais. Ex: hábeas corpus. voltada a uma obrigação de fazer e dar por parte do Estado. são direitos positivos de 2ª dimensão. Isso não impediu que a partir de 90 até hoje a presença de emendas neo-liberais (crescimento do 3º setor e do mercado – 2º setor). 8º. Direitos sociais do trabalhador: direitos individuais (Art. não são apenas os Remédios Constitucionais. do Estado que deixa de ser liberal.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Garantias: são disposições assecuratórias que protegem os direitos em face do Poder do Estado. o que não é tecnicamente exato. Principio do Devido Processo Legal. Observância do princípio da reserva do possível. uma proposta de diminuição do papel do Estado. educação. o fato de a CF ter previsto títulos específicos para tratar do social é prova do modelo de bem-estar social da CF/88. o conteúdo e alcance 7 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . São um meio de proteção dos direitos substanciais. 7º) e direitos coletivos (associação. 6º e um detalhamento no título “Da ordem social” (seguridade . e em primeiro lugar. assistência e previdência -. diz que há o direito. É uma disposição geral. Os direitos sociais nascem no início do século XX. 170 assegura a todos existência digna com base na justiça social. família. idoso. DIREITOS SOCIAIS Os direitos sociais podem ser divididos em dois grandes grupos sistematizados: Direitos sociais do cidadão: enunciados no Art. O preâmbulo da CF já assegura o bem-estar social. no Art. ciência e tecnologia. São direitos que exigem a implementação de políticas públicas para a concretização. a exemplo da flexibilização da legislação trabalhista (acabar com os direitos mínimos do trabalhador. 193. cultura. Principio da Legalidade. 6º é uma disposição declaratória. para ser um Estado de bem-estar social. Arts. que está limitado pelo orçamento de que dispõe. ele assegura o exercício dos direitos sociais para só depois citar os individuais. porque também os não cidadãos poderão usufruir. isso demonstra uma opção do constituinte pela maior preocupação com o social em face do individual. mas não delimita em que consistem. índios). mas parte da doutrina denomina “do cidadão”. 9º. aquilo que o dinheiro disponível permite (limite máximo). comunicação social. Todos os princípios processuais são garantias.saúde. 10 e 11). meio ambiente. bem como ao princípio do mínimo existencial (limite mínimo).

alguns deles já estão no título da ordem social da própria CF. Isso não é fixar salário mínimo estadual. somente negativo. tornando-se o mesmo para ambos. retornando a lei revogada e assim por diante. Ele não é exaustivo. em razão da delimitação em tema de implementação de políticas públicas (reserva do possível e mínimo existencial). O Art. Nestes a legislação infraconstitucional. Não pode fazer lei fixando o salário mínimo. Existia uma exceção tocante ao prazo prescricional. O trabalhador doméstico é aquele que trabalha nas tarefas de auxílio ao lar. 7º diz que nem todos os direitos ali previstos poderão ser usufruídos pelos domésticos. só atende a determinada categoria profissional. o ato administrativo que se diz discricionário. industrial ou prestação de serviços em geral o trabalhador é urbano. escapando ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 8 . 7º funciona como um parâmetro mínimo de direitos sociais individuais do trabalhador. na verdade se torna vinculado. O STF já disse que não cabe ADI por omissão. O parágrafo único do Art. não importando o lugar. a jurisprudência e discussões de políticas públicas terão discricionariedade bem maior. A partir do momento que o trabalho dele fica caracterizado como auxílio da atividade lucrativa do empregador. mas que foi modificado. Mas há um outro tipo de direito social que não está detalhado na CF (ex: direito à moradia). Não significa que o judiciário poderá interferir em todo e qualquer mérito administrativo. A lei que fixa o salário mínimo é constitucional? Atende ao que constitucionalmente o salário mínimo tem que atender? Apreciação judicial do valor do salário mínimo: se o STF declara a constitucionalidade da lei que fixa o salário mínimo a lei desaparece. os direitos existem. O STF não atua como legislador positivo (em regra só o parlamento). até chegar a um ponto que fica sem lei alguma no ordenamento sobre o tema. na verdade. se a atividade é agropastoril o trabalhador e rural. Para fins do Art. Trabalhador urbano e trabalhador rural: a diferenciação tem a ver com a natureza da atividade laboral e não o lugar em que o trabalho é prestado. Salário mínimo: nacionalmente unificado. o trabalho deixa de ser doméstico. Quando há a delimitação dos direitos a serem implementados por políticas públicas o judiciário poderá interferir. acordo ou convenção coletiva de trabalho. 7º traz os direitos constitucionais do trabalhador. mas a jurisprudência admite que lei estadual pode fixar pisos estaduais para categorias profissionais que não tenham esse piso fixado em lei federal. não obstante a conveniência e oportunidade (mérito administrativo). O âmbito de discricionariedade nas políticas públicas dos direitos detalhados na CF é muito menor do que o daqueles não descritos na CF. sem finalidade lucrativa. 7º não há qualquer diferença de tratamento jurídico entre o trabalhador rural e urbano. Efetivamente o estado não pode fixar salário mínimo. além de outros na própria CF e na legislação ordinária. Se a atividade é comercial. O Art. Por outro lado. Não se confunde o piso salarial estadual do serviço público (não se dirige aos celetistas) com o salário mínimo. Ou seja. as decisões já vistas em controle são no sentido de que esse tema é afeto ao executivo e legislativo apenas.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO desses direitos terão que ser detalhados.

não é possível tratar ou aplicar a lei de forma igual para quem é desigual no mundo real. e a partir dela. A igualdade que a CF/88 quer é a igualdade material. dando alguns postos com alta qualificação. Trabalho do menor de 14 anos: criança que atua em teatro. há a liberdade de manifestação artística. as mesmas oportunidades. Ação afirmativa é dar a uma minoria tratamento formal diferenciado para assegurar a igualdade material. E do ponto de vista sistemático. sendo que o aumento terá que observar o princípio da reserva do possível. VIII). e se o poder de compra do salário mínimo diminui. É preciso dar tratamento diferenciado aos desiguais para assegurar a igualdade material. O salário mínimo terá reajustes periódicos que preservem o poder aquisitivo. Minoria em oportunidade e não em quantidade. A lei não pode tratar diferentemente as pessoas e nem ser aplicada diferentemente às pessoas (igualdade formal). por isso se justifica o tratamento diferenciado na CF. 170. Proteção do mercado de trabalho da mulher: ação afirmativa é uma tentativa de concretização do princípio da igualdade. A ADPF pode servir de instrumento para a discussão do salário mínimo. Até porque não se pode retroceder nos direitos fundamentais. A mulher não tem as mesmas oportunidades no mercado de trabalho (no serviço público não tem mais sentido. A automação acaba com milhares postos de emprego de pouca qualificação. Há a indicação do mínimo existencial na “preservação do poder aquisitivo”. o STF não admite. mas não submeter a autorização. ninguém quer abrir mão do conforto da automação. o reajuste se dá pelos índices judiciais. o pleno emprego é utopia. discute-se isso em relação ao parlamento). buscando saber qual é a finalidade da norma. O ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 9 . frustrando objetivo fundamental da república. Atingida a igualdade de oportunidades.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO pela tangente. o STF já admitiu (informativo 264). A igualdade formal é relativa e não absoluta. O salário de servidor público não pode ser fixado em salário mínimo. Nas decisões judiciais que fixam algo em salário mínimo o que diz o STF é que o valor é considerado no dia da decisão. sob pena de perpetuar as desigualdades regionais. novelas etc. a ação afirmativa tem que desaparecer (tem como característica a temporariedade). O salário mínimo não pode servir para a correção do valor da decisão a diante. de acordo com o que é possível aumentar. é o mínimo para preservar o poder aquisitivo. O ser humano está se tornando minoria quando em competição com a máquina (Art. significa retrocessão. É questão difícil. A análise do inciso XXXIII tem que ser feita de forma teleológica. O Estado só pode exigir o registro de sindicatos. Ao menos a inflação do período terá que reajustar. Na mesma base territorial (não inferior ao tamanho de um município) só pode existir um sindicato de empregador e de trabalhador. Proteção em face da automação na forma da lei: também trata de ação afirmativa.

a família e a sociedade. A saúde é um sistema único. Tanto a rede pública quanto a privada são serviços de relevância. reduzir os riscos a doenças. o serviço deve ser gratuito. há uma projeção difusa. DA ORDEM SOCIAL Saúde: é direito de todos. ele terá o direito de receber indenização referente à remuneração que teria no período em que perduraria sua imunidade (STF). dá margem à intervenção da União no estado ou do estado no município. por exemplo). ou individuais da categoria. O SUS é financiado pelo orçamento da seguridade social dos entes. depende de lei. Nós somos credores e devedores ao mesmo tempo desse direito. e aos militares. Na rede pública é prestada diretamente ou por terceiros (convênios) (SUS). A empresa que tem mais de duzentos trabalhadores terá um representante. no mercado interno é vedada a comercialização. respeito às atividades essenciais. em razão de convênio. mas a doutrina alerta que a saúde tem projeções difusas. A educação é todo processo de aprendizado do ser humano e que inclui o ensino. O governo pode comprar no mercado externo hemoderivados para abastecer o SUS. Em uma clínica privada pode-se ter atendimentos particulares ou públicos. O acesso é universal e igualitário. sem que seja por motivo de força maior. O atendimento do SUS tem que ser integral. A tônica principal do direito à saúde é a prevenção. as políticas devem em primeiro lugar. É um direito não absoluto. logo. Em princípio seria um direito difuso. além de o administrador responder (LRF).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO sindicato tem legitimidade para a defesa dos direitos e interesses coletivos. que serão remunerados pelo SUS. além de outras fontes (CPMF. Há crime de abandono intelectual. a imunidade do líder sindical não é estendida a ele. Greve: abstenção coletiva do trabalho. é vedado. O devedor do direito à educação é o Estado. Não se pode restringir educação a sala de aula e professor. coletiva e individual. Se os estados e municípios não aplicam o mínimo existencial em saúde previsto constitucionalmente. ao contrário da educação. pode ser uma manifestação de apoio etc. independentemente de contribuição. coletivas e individuais. Aos particulares o direito é auto-aplicável. Para garantir esse direito o Estado tem que se valer de políticas sociais e econômicas. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 10 . Educação: todos são credores do direito à educação. Dirigente sindical e estabilidade provisória: caso a empresa feche. isso é ensino. O trabalhador decide quando e porque fará a greve. Se o trabalho for paralisado pelo empregador é chamado de lock out. não necessariamente ela será reivindicatória. para os servidores públicos.

CF. Liberdade de cátedra é a liberdade de ensinar e está prevista no Art. atingindo uma nota mínima para o ingresso. é preciso demonstrar capacidade dentro do grupo concorrente. O estado irá cumprir assegurando o ensino fundamental obrigatório e gratuito (1ª ao 9º ano! Mudou. não é mais até a 8ª série. De acordo com a jurisprudência assente MS contra ato de dirigente de estabelecimento particular de ensino. vocação profissional e não para todos. O ensino privado precisa ser autorizado e avaliado pelo poder público. Acesso e permanência do educando na escola diretamente ligado ao inciso VII do Art. A universidade é para quem tem capacidade. As formas modernas de neo-escravidão não têm a ver com a liberdade objetiva. II. a verdadeira mudança foi apenas para a rede pública. O pleno desenvolvimento da pessoa está ligado à idéia de liberdade. Ações afirmativas: quotas para minorias terem acesso às universidades. 208. Preferencialmente as pessoas portadoras de necessidades especiais deverão ter atendimento educacional na rede regular de ensino em nome do pluralismo e inclusão social. A PARTIR DE 4 ANOS!!!). A universidade não é o único caminho para a evolução da sociedade. mas será progressivamente universalizado e gratuito. a reserva do possível nunca poderá ser argumento para o não oferecimento desse direito. mas têm relação com a liberdade subjetiva. com manipulação do pensamento das pessoas. O acesso é meritocrático. ao instituir quotas. a CF não deixou qualquer discricionariedade para o legislador e administrador.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Os objetivos são: o pleno desenvolvimento da pessoa. 206. O ensino médio deveria proporcionar isso. Hoje as crianças já devem estar na escola a partir dos 6 anos e não 7. mas apenas de autorização. há dois tipos de atos dos dirigentes dos estabelecimentos particulares: atos derivados da ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 11 . saber o que é sistema proporcional e majoritário. A autoridade pública por equiparação se dá por delegação e não por autorização. seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. há violação a esse acesso constitucionalmente previsto? Alguns entendem que sim e são contrários às quotas. A LEI MUDOU. Mas na CF não há previsão de delegação do ensino. com base na capacidade. O cidadão brasileiro tem que educação suficiente para saber o que irá fazer ao votar. Assim como na saúde. É direito público subjetivo. por exemplo. Outros defendem dizendo que não infringe. no ensino haverá rede pública regular (não onerosa) e rede privada. de pensar. A educação é fundamental para o pleno desenvolvimento da pessoa. O ensino médio não é obrigatório. a fim de evitar a “neo-escravidão”. porque mesmo quem entra por quotas. Não é todo e qualquer ato de dirigente de rede privada que cabe MS.

mas também são instrumentos que podem trazer riscos (a neo-escravatura está na manipulação do pensamento). como fica?? Tem que ter fé). é ofensa ao direito de informação. Ela é cumprida quando os meios atendem aos princípios. A CF só confiou a propriedade. gestão e responsabilidade pelo conteúdo da programação dos meios de comunicação de rádio. a leitura que dão aos fatos faz parte da liberdade garantida. mas vai ainda buscar meios de tentar assegurar que os veículos de comunicação social não sejam utilizados para maus propósitos. que são quatro ao todo: Art. Rádio e televisão são instrumentos que atingem uma grande massa e podem ser utilizados para propósitos não desejáveis numa sociedade (manipulação de pensamento). 222 traz tratamento diferenciado entre brasileiro natos e naturalizados (exceção constitucional. Os meios não podem deixar de noticiar os fatos. A função social dos meios de comunicação social está prevista no Art. porque estas liberdades já estavam consagradas no texto desde o Art. 89. Art. 5º. A outra (majoritária) diz que a obrigação do poder público é de apenas informar. § 3º. O ensino religioso deve ser histórico e ecumênico em nome do Estado laico. mas a CF foi omissa no tocante a propagandas infantis até determinada faixa etária. 221 da CF. A CF diz que lei federal deverá criar meios de defesa da pessoa contra os meios de rádio. Comunicação social: a CF reitera a liberdade de pensamento. Por isso a CF não vai apenas reiterar as liberdades. VII e Art. É ponto de discussão ainda. A censura está expressamente vedada na CF. LI. e os menores de 16 anos podem entrar. Na rede pública a CF obriga que exista ensino religioso. Há duas linhas de pensamento quanto à participação de menores em eventos. 222). 220). Art. 5º (Art. jornais e televisão apenas a brasileiro nato ou naturalizado há mais de 10 anos ou ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 12 . Há a restrição da propaganda de determinados produtos.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO “delegação”  cabe MS (autoridade) e atos de gestão da pessoa jurídica privada  não desafiam MS. Uma que permite desde que haja autorização do órgão competente. 12. Para se garantir uma pluralidade de linhas de pensamento a CF estabeleceu que os meios de comunicação não podem ser objeto de monopólio ou oligopólio. A política e os meios de comunicação são indissociáveis. mas o aluno não é obrigado a cursar. Os meios são indiscutivelmente úteis. mas há outros que entendem que o ensino pode ser de orientação religiosa de cada religião especificamente (ingresso por concurso público. O Art. Isso para evitar ameaça à soberania nacional. Como conciliar a classificação etária com os fusos horários do país? O MPF entrou com diversas ações exigindo que as emissoras locais retransmitissem os programas com restrição etária em horário diferenciado do restante do país. desde que acompanhados dos responsáveis. TV e propaganda. a matrícula é facultativa.

Meio ambiente: todos são credores do meio ambiente ecologicamente equilibrado. É expressão aberta. A não renovação da concessão depende de quorum especial do CN de 2/5 em votação nominal. 225. VI. quem tem efetivo laço nacional. mas os demais meios (rádio e TV) deverão ter concessão. III). O meio de comunicação impresso não precisa de autorização. Hoje ela está na exploração intelectual. Os credores futuros demonstram uma relação de eqüidade intergeracional.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO pessoa jurídica brasileira. As alterações contratuais nas empresas não devem ser comunicadas apenas à junta comercial. especialmente os princípios do Art. 225. II). necessário à perpetuação dos homens. Isso leva à conclusão de que esse decreto é autônomo. na matéria-prima. A CF não quis que eles ficassem nas mãos de estrangeiros ou de brasileiros naturalizados há pouco tempo. O poder público criará unidades de conservação (lei 9. O MP pode mover ação civil pública para o cancelamento da concessão ou permissão quando o meio de comunicação estiver sendo utilizado para violar a CF. tem conceito jurídico indeterminado. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 13 . VI). Os devedores são o poder público e a coletividade. 221. Todos são credores e devedores dessa relação jurídica fundamental ambiental. A natureza jurídica do meio ambiente ecologicamente equilibrado é de bem de uso comum do povo. assim como o do Art. poderão ser canceladas antes de findo o prazo por decisão judicial apenas. Decreto é o ato jurídico que cria o SNUC. ao contrário do que a doutrina majoritária diz: que o decreto autônomo foi introduzido na CF com a EC32 (Art. 84. com a riqueza (Art. A riqueza já esteve nas fábricas. A atividade do poder público está ligada à bioética. em setores da agricultura. será encontrado em outras ciências que não a jurídica. § 1º. Decreto de 15/06/2005 criou o parque nacional Serra de Itabaiana (implica perda da propriedade do particular. exploração mineral. deverão ser comunicadas também ao Congresso Nacional.985)  sistema nacional de unidades de conservação (SNUC). ou seja. Todos têm direito. permissão ou autorização pelo poder executivo. A geração presente tem a obrigação de assegurar às gerações futuras o mínimo de condições ambientais para a continuidade da espécie humana. mas apenas lei poderá modificar este decreto ou suprimi-lo (Art. 84. mediante desapropriação). mas também com a ordem econômica. e tem a ver com pesquisas científicas (pesquisa e manipulação de material genético). e que está na CF desde 1988. O prazo da concessão ou permissão para a TV é de 15 anos e de 10 anos para rádio. as presentes e futuras gerações. Sempre que uma obra for potencialmente causadora de impacto ambiental ela tem que ser precedida dos estudos de impacto ambiental que irão minimizar ou concluir que a obra não deve ser feita.

até onde o direito penal é aplicado nas comunidades indígenas. não se usa o conceito de imemoriabilidade (buscar pela memória das terras. mas poderá ser federal se houver interesse da União (dano de grande magnitude. 225 (patrimônio nacional) (não são bens da União) não necessariamente a competência será da justiça federal. Tribos inseridas que mantêm certas tradições também é preciso ponderar caso a caso com valoração dos interesses. Aos maiores de 65 anos é garantido a gratuidade dos transportes coletivos urbanos. envolver agente federal). Art. Não se impõe o direito penal a essas tribos isoladas. município não pode fixar a idade livremente. 227. 14 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . Índios podem estar em terras originárias (tradicionalmente ocupadas por índios – bem da União – § 1º) ou adquiri-las civilmente (terras comuns). Bem de uso público pode ser prédio particular e não apenas os imóveis de domínio público (ex: shopping). adolescente e idoso: proteção aos portadores de deficiências físicas  Art. garantido o retorno imediato tão logo cessado o risco. mas a propriedade é da União.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Art. A princípio a competência é da justiça estadual. 225. epidemias etc. 231: os índios têm o usufruto exclusivo da terra. Responsabilidade civil. 109. 229 e 230: medicamentos com descontos para idosos. Questão alimentar é recíproca entre pais e filhos. criança. O menor que trabalha tem direito a todas as garantias trabalhistas. Dos Índios: tratamento pormenorizado na CF. ad referendum do CN. Art. II e § 2º: garantir o acesso adequado às pessoas portadoras de deficiências. não é razoável aplicá-lo como é para nós. Geralmente são considerados inimputáveis. § 1º). Da família. Art. Matéria nuclear é da União. Só será se incidir um dos incisos do Art. O STJ teve uma decisão isolada dizendo que pessoa jurídica não tem responsabilidade penal. Não é tema pacífico. a depender das circunstâncias. somente ela define regras por meio de lei federal. O STF resolveu a questão dizendo que por ser patrimônio nacional não arrasta a competência para a justiça federal. CF. É vedada a remoção dos índios de suas terras. 228: imputáveis maiores de 18 anos. A responsabilidade civil ambiental é objetiva (Lei 6938. penal e administrativa por danos ambientais. 14. Há doutrina que entende ser cláusula pétrea. § 3º: previsão da responsabilidade penal da pessoa jurídica. § 1º. apesar de ter competência para legislar sobre transporte coletivo urbano. Modificar essa idade somente por emenda constitucional. Art. Ação civil ou penal que afete ecossistemas do § 4º do Art. decisão superada. Têm também direitos originários. mas há exceções: § 5º: catástrofes. tudo seria indígena).

§ 1º). Art. Também está formalmente inserido na constituição escrita. É um tombamento constitucional. geográfico (território) e um político (soberania). porque diz respeito a um dos elementos do Estado. Brasil pode solicitar extradição). a propriedade é intransferível. 232: há legitimidade ad causam das comunidades e organizações indígenas. O Estado tem um elemento humano (povo). A causa é da competência da justiça federal. intervém. mas também como elemento humano do Estado (ex: brasileiro no exterior tem que justificar o não voto. mas essa decisão não deve ser isolada. acarajé etc) e não protegidos por tombamento (art. são os direitos à nacionalidade. 231 demonstra claramente a força do poder constituinte originário. Toda pessoa tem direito a uma nacionalidade: previsto no Pacto de San Jose da Costa Rica e na carta das nações unidas (dois documentos internacionais que cuidam da nacionalidade). A soberania tem um vínculo com o território. Bens imateriais são objeto de registro (carnaval. DIREITO À NACIONALIDADE É um tema que fala sobre o vínculo da nacionalidade. Essa vinculação de alguém ao elemento humano de um Estado é um direito. geral da nacionalidade: existem duas espécies de ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 15 . não deve ser matéria de lei ordinária (embora possa ter alguma). Esse é um tema materialmente constitucional. O Art. os Estados deverão observar a teoria geral da nacionalidade. as constituições não podem deixar alguém sem nacionalidade. 216. Não há jus postulandi.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO § 6º do Art. isso deve ser evitado a todo custo. Cada Estado decide quem deve ser considerado seu nacional. Para a elaboração da constituição. mas tratou de forma muito tímida. porque é direito fundamental o direito à nacionalidade. José Afonso da Silva diz que nacionalidade é o vínculo jurídico-político de direito público interno que faz da pessoa um dos elementos componentes da dimensão humana do Estado. Os quilombolas (pessoas remanescentes de comunidades de quilombos) são uma minoria objeto de tombamento: ficam tombados todos os documentos e os sítios detentores de reminiscências históricas dos antigos quilombos (Art. os antigos proprietários têm direito a indenização e qualquer dos entes poderá emitir os títulos respectivos (posição majoritária). O MP sempre que não for o autor. O tombamento recai sobre bens materiais ligados à questão cultural. § 5º). Teoria nacionalidade. mas tem legitimidade. 68 do ADCT também trata dos quilombolas: a CF assegura a propriedade definitiva às comunidades quilombolas. Em geral se entende que a titulação da propriedade é coletiva e não individual. mas ela não se vincula apenas ao território. Tem a ver com a ligação da pessoa com os elementos constitutivos do Estado. 216.

Art. Pais ou pai/mãe a serviço do Brasil. O nascimento vai determinar o critério de nacionalidade: territorial ou sanguíneo  jus solis e jus sanguinis  direito à nacionalidade por ter sangue nacional ou porque nasceu no território nacional. reservando para si conveniência e oportunidade. ambos vinculados ao nascimento. Embaixador + funcionária de embaixada: é brasileiro. I. A exceção é o filho de embaixador que morreu antes do nascimento – filho póstumo – aplicado o momento da concepção. onde ocorreu a adoção. Uma declaração de vontade de quem? Exclusiva da pessoa. de 1º grau): decorre de um fato natural. de origem. 12. Só exclui quando ambos os pais estão a serviço de seu país. Essa teoria não é utilizada na CF de forma pura. gera direito adquirido. não gera direito adquirido. mesmo o nascimento acidental e mesmo de pais estrangeiros. Nacionalidade primária (nata. Há autores que dizem não ser possível a nacionalidade potestativa. Filho de embaixadores de países diferentes não é brasileiro. Há. É nato quem nasce no Brasil. Será exclusiva da pessoa quando o Estado desde já coloca na CF quais os requisitos necessários para alguém se tornar nacional. b: critério sanguíneo. a possibilidade de dupla nacionalidade originária (polipátrida). voluntária. o Estado decide. Quem não estiver a serviço do país não exclui a nacionalidade brasileira. Nato: Art. não reservou para si conveniência ou oportunidade. I. O momento do nascimento é a regra para fixar a nacionalidade. acúmulo não é ofensa a direitos fundamentais. de 2º grau): não decorre de fato natural. é organismo internacional e não país. 12. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 16 . Preenchidos os requisitos surge o direito à nacionalidade. 2. Nacionalidade secundária (adquirida. decorre de um fato volitivo: uma declaração de vontade. A serviço do Brasil na administração direta e indireta de forma permanente ou temporária (José Afonso da Silva). originária. a: critério territorial. Complementa a aliena “a” para que ninguém fique sem nacionalidade. mas sim temperada (mundo globalizado). Conjugada: requisitos + pedido. o Estado sempre teria conveniência e oportunidade (cuidado! Jurisprudência admite). o nascimento.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO 1. Nasce um apátrida ou um heimatlos: nasce em Estado jus sanguinis de pais de Estado jus solis. caso contrário poderia gerar situações de apatria. derivada. exclusiva do Estado ou conjugada entre pessoa e Estado. o Estado não pode negar. É chamada de nacionalidade potestativa (depende somente da vontade exclusiva da pessoa). de forma inversa. Exceções: nasce no Brasil de pais estrangeiros que estão a serviço de seu país. Válido para filhos adotivos. Embaixador + funcionária da ONU: é brasileiro. Pode decorrer ainda de vontade exclusiva do Estado: na CF de 1891 houve declaração de nacionalidade pelo Estado.

basta requerer. Perda da nacionalidade: Art. 12. que é personalíssima. Vem ganhando um novo nome: supranacionalidade (comunidade européia – cidadão europeu vinculado e com direitos específicos). Art. Ministro da defesa na CF impede que o Ministério da Defesa seja extinto por lei ordinária. § 3º: linha sucessória presidencial. § 4º. 12. só a CF (Arts. Reciprocidade. A doutrina entende como direito potestativo. c: Nascido no estrangeiro de pais brasileiros (elemento sanguíneo). VII. Não se ganha nacionalidade com o registro no consulado no exterior. 12. Art. Art. Chamada de nacionalidade secundária extraordinária. Presidente do TSE. estatuto da igualdade. Aos 18 anos faz a opção. Art. 12. conselho nacional da magistratura são ministros do STF. Período entre os 18 anos e a opção a nacionalidade fica suspensa. Ainda se o país da nacionalidade adquirida reconhecer a originária não perde ??? (ex: nasce no Brasil de pais italianos – este exemplo não é de nacionalidade adquirida. § 3º e 5º LI). mas de brasileiro naturalizado pode. fático). isso não existe mais! Quando se trata de menor que vem para o Brasil: vem para o Brasil aos 5 anos (ex: Ronald). 89. b: nacionalidade potestativa também. Mesmo havendo reciprocidade de alguns casos. § 1º: quase nacionalidade. I. Lei ordinária não pode criar novas hipóteses de brasileiro nato (numerus clausus). Ele será nato. optar a qualquer tempo pela nacionalidade brasileira (elemento volitivo). brasileiros natos. estão ressalvadas as hipóteses reservadas ao brasileiro nato. Art. Vindo morar aqui os pais podem fazer um registro e ele é considerado nato até seus 18 anos (provisoriamente). ele volta a ser brasileiro nato e tem efeitos ex tunc. desde que venham a residir no Brasil (elemento objetivo. a moradia já lhe dá o status de brasileiro nato (opção provisória. é originária jus sanguinis. 12. o Estado não pode negar. Essa opção é potestativa. 12. a: proveniente de país de língua portuguesa + residência por 1 ano. Oficialato só de tenente em diante. ele é polipátrida – viajei!).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Art. Mistura dos três elementos. o direito já existe. II. Naturalização cancelada por sentença judicial em virtude de atividade nociva ao interesse nacional. 222. esperando uma condição suspensiva (homologação judicial da opção dele) (fica apátrida por um tempo). Chamada de nacionalidade secundária ordinária. a opção é feita perante a justiça federal e a partir dos 18 anos. a definitiva é personalíssima e só pode ser feita quando for maior). Feita a opção. Caso o país que se está a serviço exige 17 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . Seria necessário primeiro uma emenda constitucional para excluir os casos reservados ao ministro da defesa. No caso do menor. Perdese ainda pela aquisição de nacionalidade secundária. 12. logo. II. há uma equiparação. A regra é que só pode ser polipátrida se for de nacionalidade originária. 12. § 2º: lei ordinária não pode dar tratamento diferenciado a brasileiro nato e naturalizado.

que são os oficiais: bandeira. as nacionalidades são equivalentes. A doutrina menciona este caso. O direito eleitoral está vinculado à democracia representativa. O casamento que confere nacionalidade automática também não exclui a originária. ela é viciada pela coação. apenas com o voto. Podem ser criados outros por lei. O STF começou a suscitar essa tese no HC 83. exercer cargo público. Nacionalidade prevalecente: quanto ao polipátrida. Deveria perder a nacionalidade brasileira. 18 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . É possível readquiri-la.alguns autores preferem chamar assim. Ex: ação rescisória. readquire como naturalizado. Também tem efeitos irretroativos. Estando no país onde não é prevalente. manifestação em plebiscito e em referendo. Art. são as mesmas? Tanto faz estar em um ou em outro país? Para fins de processo de extradição entre os dois Estados é preciso observar qual é a nacionalidade prevalecente. Era nato. 1º. hino. Os direitos políticos abrangem o direito eleitoral (por exemplo. Acúmulo não autorizado pela CF. mas não está incluída no âmbito do direito eleitoral). parágrafo único da CF: soberania popular e seu exercício por mecanismos de atuação direta (democracia direta ou semi-direta . a proteção é relativa. Os positivos podem ser ativos: voto. plebiscito. ou seja. 13 – símbolos: segundo o Art. mas os mecanismos são os mesmos) ou representantes eleitos (democracia representativa).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO para permanência. perdeu. Direitos políticos positivos: é o conjunto de normas que garantem a participação da pessoa no processo político e eleitoral (José Afonso da Silva). da direta (referendo. mas há decisão do STF de 1986 que diz ser nato. Também nos casos em que o Estado confere a nacionalidade de forma exclusiva. Se estiver onde é prevalente sua proteção é absoluta. mover iniciativa popular. A soberania exercida pelo próprio titular do poder ou o representante eleito. ação popular. armas e selos nacionais. ou passivos: ser votado (candidatura). Ex: Roberto Carlos optou pela espanhola – constitucionalmente não se encaixa em qualquer das exceções de não perda. a iniciativa legislativa popular é questão de direitos políticos. A perda da nacionalidade tem efeitos ex nunc. pois não é uma manifestação de vontade livre. os direitos políticos cuidam. Art. além da representativa. Todos os conhecidos são inconstitucionais. É aceito. 37. por decisão do presidente da república se adquiriu outra. É o conjunto de normas que regula a atuação da soberania popular. assinar ação popular.450/SP. § 1º. só podem constar na propaganda de órgãos públicos os símbolos do Art. iniciativa popular. readquire – a doutrina diz ser como naturalizado. DIREITOS POLÍTICOS Não é sinônimo de direito eleitoral. § 1º. 13. ou seja. Alguns autores identificam os direitos políticos positivos tão somente com a capacidade ativa. mas até hoje nenhum outro foi criado. é vontade exclusiva do Estado. participação em conselhos e outros).

Instituições dos direitos políticos positivos: 1. tanto em relação à capacidade ativa quanto passiva. Voto: quanto à publicidade ele será secreto ou público. não é tecnicamente membro do Judiciário. quer dizer. 60. Constituem as regras de inelegibilidade. significa ausência de restrições discriminatórias. É a regra em caso de eleições. CF) todos usufruem. O sufrágio pode ser ativo (relacionado com a capacidade eleitoral ativa: direito de votar) e passivo (vinculado à capacidade eleitoral passiva: direito de ser votado). liberdade. terá em sua atuação que saber ler e escrever (legislar. Direito de sufrágio: é um direito público subjetivo de natureza política que tem o cidadão de eleger. O sigilo do voto não é renunciado pelo eleitor. A inelegibilidade pode ser absoluta (em relação a todos os cargos) ou relativa (em relação a alguns cargos). mas não discriminatórios. No sufrágio universal as restrições são técnicas enquanto no restrito as restrições são discriminatórias. ou seja. O juiz de paz. diferente de inalistabilidade. Há exclusões ou restrições apenas por motivos técnicos. Também não se confunde com desincompatibilização: alguém se desvencilhar de uma inelegibilidade relativa para uma eventual candidatura (deixando o cargo. Sufrágio é o direito. todas são restrições técnicas). voto é o exercício do direito. O direito de sufrágio não abrange o poder Judiciário. § 4º. Quanto à extensão o sufrágio pode ser universal ou restrito. O Brasil já adotou o sufrágio restrito cesitário na constituição de 1824. ou seja. O Judiciário não tem legitimidade direta popular. A exigência constitucional de alfabetização para ter a capacidade eleitoral passiva não descaracteriza o sufrágio universal (não é sufrágio restrito capacitário). CF). Inelegibilidade: vedação à capacidade eleitoral passiva. não estar domiciliado em determinada circunscrição eleitoral. ser eleito e participar da organização e da atividade estatal. O restrito (não é técnico. apesar de eleito. 2. a universalidade não é absoluta. alguém que se candidata a cargo no legislativo ou executivo. é apenas uma das formas de sufrágio. por exemplo). esta impede a capacidade ativa e passiva. O voto secreto garante a pessoalidade do voto. 1º. É cláusula pétrea (Art.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Direitos políticos negativos: é o conjunto de normas que impedem a participação da pessoa no processo político e eleitoral. § 4º. não estar alistado etc. é apenas eleger. porque é norma de ordem pública. escrutínio é o modo de exercício do direito de voto (público ou secreto. Não se confunde com voto. uma mera afirmação não é renúncia ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 19 . No universal (Art. 60. ele não se enquadra no parágrafo único do Art. CF. voto em urna eletrônica ou em cédulas de papel etc). nem escrutínio. suspensão e perda dos direito políticos. administrador deve seguir a legalidade e praticar atos administrativos escritos). a exigência de alfabetização é técnica. Essa exclusão por motivos técnicos não retira a característica da universalidade (ex: menores de 16 anos. quando não pode sequer votar. de fato é discriminatório) pode ser o censitário (discrimina de acordo com a capacidade econômica) e capacitário (discrimina de acordo com a capacidade intelectual).

CF). mas há casos de voto facultativo (menores entre 16 e 18 anos. caput fala em sufrágio universal. O que é obrigatório não é o voto válido. universal e periódico.000 eleitores (Art. cada pessoa vota uma vez. o Congresso promoverá eleição indireta 30 dias após a abertura da última vaga . por isso também chamado de sistema dois turnos. Pode ser também obrigatório e facultativo. mas o comparecimento à zona ou posto de justificação. governadores dos estados e DF (Art. Ela pode ser simples ou absoluta. A simples é chamada de sistema de um turno ou turno único. CF) (*território tem governador nomeado pelo presidente) e prefeitos em municípios com mais de 200. 46. Em regra o voto no Brasil é obrigatório. No parlamento a regra é o voto aberto. A periodicidade do voto está ligado à forma republicana. não significa ser verdade.Art. Dependerá do tipo de sistema o resultado da eleição: Majoritário: está vinculado a cargos unipessoais. II fala em voto universal. one vote. No indireto. secreto. Por maioria absoluta elegem-se o presidente (Art. 29. II. com o mesmo peso. Essas classificações não são precisas. maiores de 70 anos.000 eleitores. é órgão do legislativo. Também chamado de “maioria”. § 4º. mas não é cláusula pétrea. só é preciso fazer um turno de votação. ou desigual: vota mais de uma vez. excepcionalmente é secreto. normalmente utilizado para cargos do poder Executivo. § 1º. por emenda constitucional pode-se torná-lo facultativo. Sistemas eleitorais: é o conjunto de técnicas e procedimentos para a realização de eleições e a designação dos eleitos a partir dos votos emitidos. público. O Art. No sistema de maioria absoluta não são computados os votos brancos e nulos. 14. mas com eleição por sistema majoritário) e os prefeitos nos municípios com até 200. 28. analfabetos). O voto obrigatório está na CF. O voto será igual: one man. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 20 . a própria CF confunde. No Brasil há a eleição indireta quando o Congresso Nacional elege para os cargos de presidente e vice-presidente da república para encerrar o mandato (os dois cargos vagos nos dois últimos anos do mandato. No voto direto o cidadão decide.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO ao sigilo. É aquele no qual é eleito quem atinge a maioria dos votos. O que é cláusula pétrea é o voto direto. 60. CF). Tem como objetivo identificar os eleitos. Na maioria absoluta é necessário atingir 50% + 1 do total de votos para ser o eleito. Elegem-se por maioria simples os senadores (Art. isso para permitir a fiscalização por parte do povo. o cidadão elege um colégio de eleitores e estes elegem o candidato (modelo dos Estados Unidos). caráter eletivo e não hereditário. 77. A CF não foi tecnicamente precisa. enquanto o Art. 81. ou seja. CF). podendo dar margem ao 2º turno. CF – é exceção.

Apresentação das candidaturas. É órgão de representação dos estados. Quociente eleitoral: são os votos válidos divididos pelo número de cadeiras. O número de deputados federais depende da população. O MP não tem vaga como juiz pelo 5º constitucional. isso. O quociente eleitoral é o número de votos necessários para que o partido ganhe uma cadeira. só internamente. Exceção: órgão colegiado. Todas são dirigidas pelo Poder Judiciário. 3. É a casa dentro do sistema federativo onde os estados têm voz. Assembléias Legislativas (Câmara Legislativa do DF) e Câmaras Municipais são órgãos colegiados proporcionais. sem escolha para o eleitor). embora o contencioso só exista na 3ª fase (as 1ª e 2ª fases são atividades administrativas. Não pode haver propaganda para eleitorado geral nesta fase. mas são funções atípicas do Judiciário. Os advogados são indicados por lista feita pelo TJ e não pela OAB. Procedimentos eleitorais (fases): 1. órgãos colegiados. Quociente partidário: são os votos dos partidos divididos pelo número do quociente eleitoral. Câmara dos Deputados. Num primeiro momento há eleição entre partidos e coligações (voto na legenda). não é proporcional a nada. e não do povo. Órgão específico para as lides eleitorais (função judiciária e administrativa). Lista aberta: quem decide a ordem de ocupação nas cadeiras é o eleitor (diferente da lista fechada. Apresentação das candidaturas: fase interna das convenções partidárias com indicação de candidatos. Realização e organização do escrutínio. Na maioria dos países é o Executivo que cuida dos procedimentos eleitorais. Após. mas o sistema é por maioria simples: Senado não obedece ao proporcional. resultando no número de cadeiras do partido. A propaganda político-partidária independe ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 21 . para reproduzir o pensamento da população. o número de deputados estaduais depende do número de deputados federais. Proporcional: utilizado em regra em assembléias. que nas eleições proporcionais só haverá voto de legenda. O quociente partidário é o número de cadeiras encontrado para cada partido. mas nos Três só há um juiz federal. para o poder Legislativo.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO São cargos em que se elege alguém sem qualquer proporcionalidade. político-eleitoral e a institucional. Propaganda pode ser político-partidária. escolha do nome do candidato que irá ocupar as cadeiras que o partido conquistou. com a propaganda eleitoral. julgar só na 3ª fase). 2. tem número fixo de senadores (três). O órgão é federal. Após as convenções há a fase externa. Contencioso eleitoral. esta é considerada para parlamentos (órgãos colegiados). fechando a lista.

§ 1º. por isso.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO das eleições. Os estrangeiros são inalistáveis. Capacidade eleitoral: Vedado  16 anos  facultativo  18 anos  obrigatório  70 anos  facultativo. Condições de elegibilidade: condições que devem ser preenchidas para ser elegível na forma da lei ordinária (lei complementar pode estabelecer outras condições de inelegibilidade). A questão relativa a ter ou não referendo ou plebiscito não é da competência da justiça eleitoral. é da justiça comum. Nacionalidade brasileira (exceto português de Portugal com reciprocidade e ressalvados os cargos reservados a natos – presidente e vice-presidente). Plebiscito é a consulta prévia. são instrumentos de consulta popular. não é eleitoral. por conseguinte. Realização do escrutínio: é organizado pela justiça eleitoral. proporcionando a uniformização. foi de fato plebiscito. filiação partidária (no Brasil não há a candidatura independentes). O analfabeto é eleitor facultativo a partir dos 16 anos. Isso para o alfabetizado. idade mínima: ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 22 . Art. Os conscritos (são os convocados. foi consulta prévia e não posterior (à constituição). Opção de assistir ou não de forma igualitária: a obrigatoriedade do horário eleitoral deveria ser imposta também para a TV fechada. são inelegíveis. ao titular do poder. Exceção: português de Portugal com reciprocidade de tratamento pode se alistar e votar. A iniciativa popular será vista em Poder Legislativo. enquanto o referendo é a posterior a um ato realizado. A inalistabilidade é uma vedação à capacidade eleitoral ativa. A doutrina eleitoral faz uma crítica no tocante às TVs abertas e fechadas em razão do princípio da igualdade. exercício dos direitos políticos. A inelegibilidade é uma vedação à capacidade eleitoral passiva. ou melhor. A político-eleitoral está vinculada a uma determinada eleição (apresentação externa). 2º da ADCT: a consulta lá prevista sobre a forma de governo foi anterior à revisão constitucional. alistabilidade. Aqui que se dá a definição de mesário etc. CF – a publicidade oficial não pode conter símbolos e nomes) é a das pessoas jurídicas de direito público. O momento em que a consulta é feita é que define a diferença entre ambos. Contencioso eleitoral: Plebiscito e referendo são mecanismos de exercício de democracia direta (ou semi-direta). para o serviço militar obrigatório) também são inalistáveis. Inalistáveis (Art. os recrutados. 14. 37. A institucional (Art. federal ou estadual. domicílio eleitoral na circunscrição. § 2º): não têm capacidade ativa nem passiva.

Art. Reeleito passa ele a ter inelegibilidade relativa. Se entram juntos podem se candidatar à reeleição no mandato seguinte. um menor de 17 anos está sujeito a praticar ato infracional eleitoral. deveria ser circunscrição. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE – 23 . Presidente. prova de reconhecimento jurídico da relação. O que provoca a inelegibilidade reflexa são os cargos do executivo. A vedação à reeleição por mais de uma vez só se aplica ao executivo. vice-presidente e senador. § 6º: desincompatibilização  ato pelo qual alguém se desvencilha de uma inelegibilidade relativa. estes de forma absoluta.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO 35 anos: presidente. No § 5º não é necessária a desincompatibilização para concorrer ao mesmo cargo. Os cargos do executivo tinham inelegibilidade relativa. Cônjuges: em união estável também. Neste território a inelegibilidade é relativa. Relativização do § 7º: “reeleição de Rosinha Garotinho” aguardando posição do STF este ano. (? Ele não repetiu essa matéria na aula. Art. vice-governador dos estados e DF. Pedro Lenza fala diferente?). 30 anos: governador. Há várias outras idades na CF que não são para cargos eletivos. agora com a regra da reeleição (1 só seguidos os mandatos). § 7º: inelegibilidade reflexa: o termo jurisdição está equivocado. Logo. A idade mínima é considerada na data da posse. Com 17 anos pode ser candidato. Inelegíveis: são os inalistáveis e os analfabetos. em outra circunscrição pode. Cônjuges concorrendo ao mesmo tempo para uma mesma circunscrição é possível. para ministro de Estado (21 anos?). 14. Inelegibilidade absoluta e relativa: a restrição aos analfabetos não fere princípio. 18 anos: vereadores. Mesmo com o divórcio a inelegibilidade vai persistir. é técnica não discriminatória e não descaracteriza o sufrágio como universal. Neste caso o juiz da infância e juventude poderá julgar matéria eleitoral. pode se eleger para outros cargos. por exemplo. não os cargos do legislativo. em tese poderia se reeleger em 2006. vice-prefeitos e juiz de paz. poderão apenas exercer os direitos políticos ativos facultativamente. Homossexuais também atingidos pela inelegibilidade. 21 anos: deputados federais. para reeleição não precisam se afastar. porque já eram titular de mandato eletivo. 14. deputados estaduais e distritais. governador e prefeito devem renunciar seis meses antes do pleito caso queiram concorrer a outro cargo (desincompatibilização). salvo se já passado um mandato inteiro. prefeitos.

O princípio democrático só se compatibiliza como pluripartidarismo. O § 1º do Art. com menos de 10 anos de atividade. Somente poderão ter caráter nacional. se nada fizer.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO O militar que pode se alistar pode concorrer. não vai reaver). Se militar jovem. DOS PARTIDOS POLÍTICOS O Art. Lei lato sensu é qualquer ato normativo. será agregado e se eleitor. 17 cuida dos sistemas partidários. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 24 . Se militar mais experiente. pode estabelecer outros casos de Impugnação a mandato eletivo: contencioso eleitoral – 15 dias contados da diplomação. devendo prestar contas à justiça eleitoral. mesmo solto o sujeito estará com os direitos políticos suspensos e o preso provisório não está com os direitos políticos suspensos) e improbidade administrativa. não eleito ele retorna às suas atividades de militar. Lei complementar inelegibilidade (LC 64). apenas requisitos mínimos devem ser atendidos (controle mínimo). A lei do Art. Não podem receber recursos de Estados estrangeiros. Na perda não há expectativa de retorno. logo. emenda poderia sim modificar as regras eleitorais para uma eleição que ocorre em menos de um ano (vamos ver o que os tribunais vão decidir!). na diplomação ele passa à inatividade automaticamente. Seu funcionamento parlamentar se dará de acordo com a lei. Processo corre em segredo de justiça. configura ato de força e anti-democrático. enquanto durarem os efeitos (não significa prisão. com mais de 10 anos. os de eleitoral dizem que é caso de suspensão. Internamente eles têm autonomia. condenação criminal transitada em julgado. embora possa se reverter: cancelamento de naturalização por sentença transitada em julgado e recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa (os autores de constitucional falam em perda. A autonomia deverá observar isso. mas sua aplicação fica suspensa. Suspensão: incapacidade civil absoluta. Lei eleitoral entra em vigor na data da publicação. Há liberdade de criação de partidos. Unipartidarismo e bipartidarismo são sistemas próprios de ditadura. 17 traz os mesmos princípios do caput (controle mínimo) que devem ser observados na estrutura interna do partido. Cassação de direitos políticos não é admissível. existem leis específicas e decisões da justiça eleitoral) (segundo o STF. não é vacatio legis. Perda e suspensão dos direito políticos é possível (direitos políticos negativos). O Estado não pode controlar os partidos políticos. 16 é lei estricto sensu  verticalização eleitoral em discussão. irá para a inatividade. ou seja. A tendência é o entendimento de que a lei é estricto sensu.

seu estatuto é registrado na forma civil. Hoje. Há uma acomodação entre eles  soma dos fatores reais do poder  esta é a verdadeira constituição.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Natureza jurídica: pessoa jurídica de direito privado. Partido político é uma agremiação que objetiva chegar ao poder dentro da legalidade. O registro no TSE não tem natureza constitutiva. Sociológica: Ferdinand Lassalle (A essência da constituição). O que é constituição? Depende do ponto de vista. A constituição vai tratar dos elementos do Estado: povo (humano). conclui-se que todo Estado tem uma constituição em sentido material. ainda sem definição do que é. território (geográfico) e governo/soberania (político). reis. não a mera folha de papel. Na sociedade há vários fatores reais do poder (exército. Para ele constituição real é a soma dos fatores reais de poder. A constituição pode coincidir ou não com a soma dos fatores reais de poder. Israel). Os partidos têm direito a recursos do fundo partidário. é o complexo normativo que disciplina os elementos de um determinado Estado. Acesso gratuito apenas ao rádio e TV. Há constituição sem Estado? Constituição da União européia em processamento – adotada por algo que não é um Estado. A maioria hoje tem constituição em sentido formal em razão do movimento constitucionalista do final do século XVIII. e todas as suas conseqüências. O TSE só negará o registro se ele infringir os princípios. ou seja. líderes religiosos. Concepções clássicas sobre constituição: 1. Se a constituição escrita reflete os fatores reais de poder ela irá durar. TEORIA GERAL DA CONSTITUIÇÃO Constituição em sentido comum é o conjunto de elementos de alguma coisa. e não à base da força (característico de grupo revolucionário). vai mudar conforme as mudanças da sociedade exigir. banqueiros. não (ex: juros não ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 25 . O movimento deu origem às constituições dos Estados Unidos e da França. Ela tem que dar as respostas que a sociedade precisa. 99% dos países têm. Assim. Em sentido jurídico é o conjunto de elementos que formam e estruturam o Estado. caso contrário. formam um objeto. meios de comunicação etc) que defendem interesses próprios. pelo processo político-eleitoral. Entende a constituição como real ou efetiva e como escrita ou formal. não há juízo de conveniência e oportunidade. Embora a idéia de limitação de poder venha desde a Magna Carta (1215). O objeto da constituição é um objeto aberto (não hermético) e dinâmico (não estático). Nem todo Estado possui constituição em sentido formal: documento escrito e formalizado (ex: Inglaterra.

Este é o sentido jurídico-positivo (direito criado pelo homem – direito posto). O que está no topo do direito positivo é constituição: é norma suprema que gera as inferiores. A constituição pode mudar a realidade diante de um embate. 3. sem eficácia (ex: Art. não há como procurar fundamento dentro do direito positivo. É aquele sem a qual o Estado não existe. CF). Constitucionalização simbólica: Marcelo Neres. 208  lei constitucional – substância de lei e forma de constituição). O direito positivo é representado por uma pirâmide – hierarquia entre as normas. A norma é simbólica. Jurídica: Hans Kelsen (Teoria pura do direito). Há coisas que funcionam como símbolos. Critica Lassalle porque entre a constituição e os fatores reais de poder a constituição pode imperar e não ceder – tem que atuar no mundo real (RE 328812). puro dever-ser. 1º. Sentido jurídico-positivo: constituição é a que está dentro da ordem jurídica positiva. sem conteúdo de constituição. Leis constitucionais: algo que tem natureza de lei e forma de constituição. Constituição é norma pura. 5. A norma da constituição existe porque algo no mundo fora do direito positivo autoriza  norma hipotética fundamental (direito pressuposto # direito posto – direito positivo). Mesma noção de poder constituinte. É constituição em sentido lógico-jurídico (fora do direito positivo – dentro do hipotético). 7º. Sentido lógico-jurídico: é norma hipotética fundamental que seria fonte de validade da constituição jurídicopositiva. Instituições essenciais ao Estado que precisam ser decididas. O que é símbolo pode chegar a ter força normativa. o legislador não é sincero ao elaborá-la.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO superiores a 12% ao ano foi escrito na CF formal. se tornar realidade – algo a perseguir (não insincero). Kelsen diz que o fundamento está fora do direito positivo. Art. no ápice da pirâmide. o fundamento de existência da lei é a constituição. Isso em razão da força normativa da constituição. CF  decisão política fundamental. Política: Carl Schimitt (Teoria da constituição). Constituição é decisão política fundamental. está no plano do direito pressuposto. é algo hipotético e lógico. Princípio da compatibilidade vertical. Força normativa da constituição: Konrad Hesse. O que não for não é constituição. IV. apenas tem forma de constituição. Concepções modernas: 4. O fundamento da existência do regulamento é a lei. Por isso. qual é o fundamento de existência da constituição? Como a constituição ocupa o ápice da pirâmide do direito positivo. A constituição não necessariamente será a parte mais fraca e perdedora num conflito entre o que a constituição quer e a soma dos fatores reais de poder. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 26 . 2. Não tem decisão política fundamental (ex: Art. mas não correspondia à soma dos fatores reais do poder).

Celso Bastos. não fechado. Assim como se tem elementos escritos na constituição não-escrita (costumeira). esta todo Estado tem. flexível ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 27 . revisão constitucional. 1934. nem todo Estado possui. mutação – mudança informal da CF. Classificação das constituições: Quanto ao conteúdo: pode ser material – conteúdo de constituição.é formada ao longo do tempo. com autorização do legislativo. Há elementos. ou formal – formalizada como constituição. por isso lá não se fala em controle de constitucionalidade. Paulo Bonavides. por decisões judiciais escritas (que interpretam as leis de matéria constitucional – cases law e as que interpretam costumes: common law) e pelas convenções constitucionais. A constituição deve ser um documento permeável. É uma idéia que advém do constitucionalismo. não fechada. Carlos Roberto Siqueira Castro. 1967 e 1969). A de 1969 vem formalmente como EC 01 da de 1967. 1946 e 1988). 1937. formada por: leis escritas de matéria constitucional. conceitos jurídicos indeterminados respondidos por outro direito). trata-se de uma nova constituição. 5º. Não-escrita ou histórica . o processo de emenda é mais rígido). decisões do STF. A CF/88 não esgota a constituição brasileira. são abordagens diferentes sobre o que é constituição. que são acordos parlamentares não escritos. Corresponde ao constitucionalismo inglês.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO 6. portanto. principalmente pelo constitucionalismo dos EUA (1787) e da França (1791). como modificou tudo. A CF de 1967 foi aprovada pelo congresso (poder constituído e não constituinte – tinha sido eleito para elaborar leis e não constituição) tipo especial de constituição outorgada. O Judiciário não pode examinar a soberania do parlamento. A constituição escrita pode ser: codificada (um único texto escrito – CF/88). e a interpretação do STF tem que ser considerada. há também elementos não–escritos na constituição escrita (CF/88  Art. Constituição aberta: Peter Häberle. está aberta às necessidades da sociedade (EC. escritos e nãoescritos. Quanto à origem: a constituição pode ser democrática (promulgada ou popular – elaborada por representantes do podo – constituições de 1891. não-codificada (em vários textos escritos ou esparsos). não hermética. Na não-escrita parte dela pode ser escrita (ex: Inglaterra). § 2º). o que está escrito não exclui o que está implícito. Quanto à estabilidade: a constituição pode ser rígida (a estabilidade é maior porque ela não pode ser formalmente alterada pelo mesmo processo de lei ordinária. Quanto à forma: pode ser escrita ou dogmática – alguém/grupo raciocina e escreve a Constituição. soberania do parlamento. A classificação de escrita e não-escrita é fluida. São três elementos. outorgada (é a constituição imposta – constituições de 1824. As seis teorias não necessariamente se excluem.

Fazer lei ordinária é o mesmo que fazer emenda. não obriga as leis ordinárias. Proteção de Deus X liberdade religiosa (parte dogmática). É fonte de hermenêutica constitucional. o controle e a supremacia. não há contradição (ADI 2076) e não tem que ser reproduzido nas constituições estaduais.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO (baixa estabilidade porque pode ser mudada por lei ordinária. embora tente a concretização. Quanto à extensão: pode ser concisa (ou breve – EUA) ou prolixa (ou longa.. Uma primeira diz ser ele mera comunicação. logo. natureza jurídica seria a mesma – e quanto à hierarquia? Daí se deduz que só há supremacia na constituição rígida. Estrutura formal da constituição: Preâmbulo: existem duas teses a respeito da natureza jurídica do preâmbulo. Quanto à finalidade: a constituição pode ser garantia (serve apenas para garantir direitos – EUA).. Na CF/88 não tem sentido. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 28 . (. O preâmbulo para a hermenêutica constitucional deve ser utilizado (interpretação da parte dogmática). Classificação ontológica de Loweinstein: Segundo essa classificação a constituição pode ser: Normativa: é a que consegue se impor à sociedade. serve para manter o poder de quem está lá – não serve para limitar o poder. enquanto uma outra diz ser norma. que modifica o processo político da sociedade. apenas para perpetuálo. São aquelas em que o processo de poder está de tal forma disciplinado que as relações políticas e os agentes do poder subordinam-se às determinações do seu conteúdo e de seu controle procedimental. Pelo controle de constitucionalidade se expurga lei incompatível. Nominal: constituição que não conseguiu ainda modificar o processo político da sociedade. Alguns chamam a flexível de plástica. Base do estado democrático é a constituição rígida. O processo de fazer lei ordinária é o mesmo de emenda). copiar do Lenza) Semântica: não serve para mudar a realidade. dirigente (dirige o futuro do estado e da sociedade. só descreve a realidade – antigas constituições soviéticas). ampla – CF/88). dá os objetivos almejados – consequentemente é mais extensa – CF/88) e balanço (não garante. Pode ser ainda classificada como semi-rígida (metade pode ser modificada por lei ordinária). ele é dotado de força normativa. nem dirige. Estariam excluídos os ateus e os politeístas – como não tem força normativa. porque tudo que está nele está no próprio corpo de constituição. ele não obriga. Mas a plástica para outros é considerada como aberta – plasticidade para se adequar.

que é ilimitada. que. 1º ADCT: dispositivo etéreo. A burguesia rompe com os demais estados gerais do reino. não é revogado. 3º estado: burguesia). PODER CONSTITUINTE É o poder que tem o povo de dar-se uma constituição. O poder constituinte é que cria a constituição. Disposições transitórias: faz transição – constituição quer dizer dirigir – tem realidade atual e futura – como atuar neste período. continua em vigor. Esta obra diferencia o poder constituinte (deriva da nação) e poderes constituídos pela primeira vez. só pode ser mudada pelo poder constituinte. que. Isso não seria imutável? Não é imutável. donde surge a revolução francesa. A mesma definição de constituição existe: Poder constituinte material: sempre existiu. É possível se fazer um paralelo entre a relação sócios  contrato social (Estado = sociedade política). pertence à nação (povo). Existia na França os Estados Gerais do Reino em 1302 (criado por Felipe IV. formando uma assembléia nacional constituinte. na pauta de deliberação dos estados gerais do reino estava a questão tributária (a burguesia perdia sempre na votação). É um poder que sempre existiu como sempre existiu a idéia de constituição material. 2º estado: nobreza. “o belo”). O clero e a nobreza eram muito próximos e gozavam de privilégios tributários. Utilização da transitoriedade como símbolo – intenção de permanência. 600). sem eficácia. 300. por sua vez. Propõe mudar os estados gerais do reino. 1º ao 250. Houve de fato uma proporcionalidade (300. povo  constituição. nobreza e burguesia). era um órgão consultivo formado por três estados (1º estado: clero. além de o voto ser por cabeça. O poder constituinte formal teve como marco histórico a obra de Emmanuel Joseph Siéyès – O que é o terceiro Estado? – A constituinte burguesa ou Qu’est ce que letiers é’tat de 1788. inclusive mudar a forma dos estados gerais do reino. aplicabilidade se esvai. mas não ficou claro se a votação seria por cabeça. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 29 . A nação não é refém da constituição. ela pode mudar a constituição. é mais fácil quebrar a resistência. conteúdo pelo poder de decidir. a exemplo da CPMF na ADCT  não há sinceridade constitucional. até se tornar dogmática. cria os poderes constituídos. Art. ele dá a estruturação do Estado. Dar-se uma estrutura e um regramento por meio de uma constituição. Poder constituinte formal: poder de escrever essas constituições materiais em uma formal. que aconselhavam o rei em determinados assuntos. daí surge a idéia de poder constituinte. Siéyès propôs uma proporcionalidade “eleitoral” entre os representantes dos estados (clero. Os poderes constituídos são limitados pela constituição.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Parte dogmática: parte comum do Art. A França passava por uma situação econômica grave. A organização do estado não pode ser mudada pelos poderes constituídos. desde que existe o Estado. segundo Montesquieu. porém. só a burguesia pagava tributos. É texto constitucional.

logo. É o que faz nascer a constituição. O ministro Carlos Aires explica essa tese fazendo uma analogia com o apagador e o giz. Corrente adotada pelo Brasil. Pode haver ainda o ato puro e simples de outorga imposto pelo ditador. ou seja. ele é também poder desconstituinte. 1º. histórico. os estrangeiros. ele tem que entregar este poder a um agente. O Brasil não adota o jusnaturalismo. CF) # de agente do poder constituinte ou exercente. Divisão clássica do poder constituinte: Originário/primário e Derivado/secundário (reformador ou decorrente). aquele que pode tudo. Falar em poder constituinte originário seria redundante. para outros são apenas os cidadãos. enquanto o decorrente compreende as constituições estaduais e as leis orgânicas municipais (divergência quanto a este último). ele próprio se funda. Do poder constituinte pode surgir um poder desconstituinte. O titular não pode exercer por si mesmo o poder constituinte.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Natureza jurídica do poder constituinte: 1ª corrente: é um poder de fato. ele é auto-fundante. ela é plurívoca. ele é constituído. O poder constituinte não existe por um fato histórico. tudo começa com ele – Hans Kelsen e juspositivistas. Para o concurso esta ainda é a melhor classificação. abrangeria inclusive as pessoas jurídicas. Para uns o povo são as pessoas que estão no estado. ou não-divina. O verdadeiramente constituinte é o poder de escrever. O poder constituinte é o único que pode desconstituir a ordem jurídica anterior. aquela que tem mais de um significado. Pensamento moderno sobre poder constituinte: não existe a distinção entre originário e derivado. decorrente. O poder constituinte é ilimitado. Poder constituinte secundário seria contradição. clássicos (executivo. não pode reiniciar uma nova ordem constitucional. ou ainda. Os agentes/exercentes serão representantes que poderão ser eleitos (Assembléia Nacional Constituinte) ou ainda não eleitos: líderes revolucionários que tomam o poder e escrevem a constituição. grupos com personalidade fictícia etc (Frederic Müller – O Povo). O derivado reformador modifica esta constituição. O originário faz uma nova constituição. 2ª corrente: é um poder de direito/jurídico (Tomaz de Aquino – jusnaturalistas) de direito natural. O restante são poderes constituídos: poder de reforma. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 30 . não há representante. legislativo e judiciário). O titular do poder constituinte é o povo (parágrafo único do Art. ele própria é a fonte de sua existência. A expressão “povo” não é unívoca. porque ele é limitado. A justificativa do direito natural pode ser divina. É um só. refundar uma nova ordem jurídica. O poder constituinte secundário não existe. ele simplesmente existe. ele existe autorizado pelo direito.

desde que previsto expressamente no texto constitucional novo (Ex: Arts. Austrália). morais) que vão limitar o poder constituinte originário. Ele pode se manifestar de diversas formas. 1988: nova redemocratização. É ilimitado juridicamente ou incondicionado. que não são jurídicos (meta-jurídicos ou extra-jurídicos. institucionais 31 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . Poder constituinte originário: é o poder que cabe ao povo de darse uma nova constituição. valores. Jorge Miranda divide as limitações meta-jurídicas em ideológicas (ligadas à opinião pública. assembléia nacional constituinte não).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO A nossa CF coloca o poder de reforma dentro de um poder constituído. Pela divisão moderna o poder constituinte originário é chamado de poder constituinte fundacional. 1946: saída da ditadura. § 6º. e o desejável é que seja por representantes eleitos para uma assembléia nacional constituinte. ideologias). Características do poder constituinte originário: não há nada acima o poder constituinte originário. consideram-se recepcionados pela nova constituição (recebe leis e conseqüências dela). ele inicia tudo. Mas ela pode ser também violenta (belicosos ou beligerantes) como os golpes de estado e revoluções. 1937: ditadura. por transição. claramente. o processo de surgimento de uma nova constituição é político.. 17 e 18 da ADCT). que no caso do Brasil só teria existido em 1824. Isso em nome da segurança jurídica. éticos. políticos. não tem que respeitar direito adquirido. logo. coisa julgada e ato jurídico perfeito. Há outros limites. É manifestado em momentos de ruptura na sociedade (Jorge Miranda). 1934: movimento constitucionalista. sem violência (CF/88. internacionais etc. a exemplo do limite da vedação do retrocesso. Voltando à classificação clássica. não limitado à constituição anterior (emenda tem limites. Em 1824: proclamação da independência. não fica limitado pela ordem jurídica anterior. culturais. sociológicos. 231. 1ª vez funda o Estado. Assembléia nacional constituinte trabalhou de forma ilimitada em 1988. A ilimitação do poder constituinte originário é a falta de limites jurídicos. A regra é a recepção desses institutos em favor da segurança jurídica. A ruptura pode ser pacífica. ele não é constituinte. É único. Ele é inicial (poder de fato e não de direito – juspositivismo). o demais é reforma). A forma que iniciou a CF/88 foi uma emenda à constituição anterior que chamou uma assembléia nacional constituinte que tem poderes ilimitados. metrópole que concorda com a independência da colônia e entrega a primeira constituição – Inglaterra entregou ao Canadá.. caso contrário. é o verdadeiro poder constituinte (é o que faz nascer a primeira constituição de um Estado. 1891: república. Limites autoimpostos não são verdadeiros limites. não coexiste com outra ordem jurídica superior ou colateral. CF. 1967/1969: nova ditadura. autônomo. Art. Legislativo.

promulgação (ato final de uma assembléia nacional constituinte). mas com o tempo pode se legitimar. por referendo (povo se manifesta sobre o trabalho elaborado) ou por plebiscito (o povo autoriza que se escreva uma constituição). A sociedade não aceita. foi dentro do Congresso Nacional. Em 88 o procedimento de votação não foi obedecido. o procedimento constitucional. Na CF/88 foi grande. 2. Não se estende a terceiros que não participam da assembléia. O tempo pode provocar a legitimação ou a deslegitimação.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO (instituições arraigadas na sociedade. mas isso não a torna ilegítima. Para ser legítima a constituição deve ser democrática na prática e não só na origem. A própria assembléia estabelece as regras. Críticas: só em caso de assembléia. Positivação da constituição: momento em que a constituição é introduzida no ordenamento positivo. logo. Torna legalidade o mesmo que legitimidade. pois uma maioria pode querer esmagar uma minoria. a exemplo da família). Legitimidade da constituição fruto do poder constituinte originário: 1. Obediência ao procedimento constituinte. Parte do direito posto. Juridicamente não há limites. é legítima a constituição. é ilegítima. Pode se dar por outorga (força). direitos humanos conexos com a dignidade). substanciais: transcendentes (vem de valores éticos superiores. como ela está presa às próprias regras? Não é verdadeiro limite. Será legítima na origem quando há eleição para a assembléia nacional constituinte e quando há participação do povo no processo constituinte. por si mesma. Na democracia o próprio poder do povo tem que ser limitado por valores (há autores que assim entendem). desde que isso não implique ferimento ao direito das minorias. se for outorgada não há procedimento algum. Participação efetiva do povo: influxo popular. onde se encaixa o pluralismo democrático? Há o perigo da tirania da maioria. 3. imanentes (dizem respeito à configuração histórica do estado) e heterônomas (ligadas às relações internacionais). Representantes ao mesmo tempo eleitos para legislar e elaborar a constituição. a assembléia nacional constituinte mudou. Alguns senadores que estavam no meio do mandato (não foram eleitos) foram constituintes – falhas na assembléia de 1988. Em 1988 não foi uma assembléia a parte. Uma constituição pode nascer ilegítima. nova ruptura pode ocorrer caso esses limites meta-jurídicos sejam ultrapassados. A de 88 32 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . se não. A assembléia nacional constituinte possui regras de funcionamento. Consensus: se o desejo da maioria da sociedade prevaleceu. Vivência democrática: a constituição tem que ser legítima na origem e na prática. ou o inverso (ser deturpada). E é um processo contínuo e não apenas em 88. quando não são a mesma coisa. Todos os critérios de legitimidade devem ser observados em conjunto. Se obedecidas é legítima a constituição. Obedecer as regras do regimento interno da assembléia é legalidade e não legitimidade. e todas seriam ilegítimas. Critério usado com cuidado.

mas todos continuam em vigor até hoje. Há uma tensão permanente entre durabilidade (permanência) e mudança (atualização). Para que o fenômeno ocorra é preciso que seja feita expressamente. A não recepção demonstra a ocorrência de uma inconstitucionalidade material superveniente. 25. 29. automático. Regra geral não é aceita no ordenamento brasileiro. Art. § 5º. ADCT – até que se instalem novos tribunais. fenômeno não automático). Art. não precisa ser expresso. A não recepção só se dá por incompatibilidade material (conteúdo) e não a forma (em 88 não existe mais decreto-lei. Poder Constituinte Reformador: poder de reforma. A lei anterior tem que ser materialmente compatível. ela repristina. Este fenômeno é implícito. ADCT: revogação futura por ser incompatível – após 180 dias da promulgação. e por isso a norma será revogada (STF). Várias normas inferiores não podem ser desprezadas porque provocaria um vazio normativo. há a não recepção. mas não para ser eterna. há um descompasso. quando seria possível em face da ilimitação e autonomia do poder constituinte originário. 70 da ADCT. Arts. A completa ruptura não é atualização. como uma lei revoga outra lei). pois o que revoga é algo do mesmo nível. Repristinação: lei que não tinha sido recepcionada por constituição anterior passa a valer com uma nova constituição. 27. § 3º (prorrogação do regime jurídico para membros do MP empossados antes da CF/88). Modificar a constituição que já existe a fim de alongar sua duração. 34. Desconstitucionalização: nova constituição aproveita texto da velha constituição como lei ordinária e não mais constituição. Fenômenos do direito constitucional intertemporal: relação da nova constituição com o que já existia. ADCT tem texto explícito nesse sentido. Prorrogação: é possível prorrogar normas anteriores de constituição precedente (tem que ser expresso. ela tem que mudar para durar. mas nova constituição. 34. Normas da constituição anterior são recepcionadas com status de lei infraconstitucional. não é automático. chamada pelo STF de revogação (equívoco. Art. CTN – era lei ordinária). a sociedade é dinâmica e se a constituição não mudar. 25. A constituição é escrita para ter durabilidade. o conteúdo foi aproveitado – CP. § 1º. mas o tempo já a legitimou e nem tudo foi ilegítimo. Recepção: como regra a constituição recebe todas as normas que não colidem com ela. Art.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO pode até ter sido considerada ilegítima. As alterações constitucionais podem ocorrer por processos: ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 33 . Se ela se choca. por exemplo. Este fenômeno tem que ser sempre expresso no ADCT. apesar de não necessário.

em determinadas circunstâncias fáticas não está autorizado alterar a CF. Limitações ao poder de reforma: Temporal: por exemplo. Poder constituinte difuso: ele é latente. Iniciativa da PEC: 1/3 da Câmara dos Deputados ou do Senado. A constitucional não tem ofensa à literalidade da constituição com a mudança informal (evolução da jurisprudência. É também subordinado ao poder constituinte originário. Aqui foi adotado emenda para tudo em para um único momento a revisão. interpretação da doutrina. quando se revê toda a carta. 60. Todo poder emana do povo  representantes eleitos  STF (?!?). Se dá pela jurisprudência. Circunstancial: com certos fatos não se muda a constituição. Será inconstitucional se a mudança informal por jurisprudência ou doutrina ferir a literalidade da constituição (ex: Art. seja declarando a constitucionalidade ou inconstitucionalidade. O STF. Ex: guerras. CF e 3º do ADCT). essência. Chamado de mutação. 60. sempre se manifestando. exerce o poder constituinte reformador. Essa limitação material pode ser expressa ou implícita (interpretação sistemática e teleológica). significado. não pode ter EC nos próximos cinco anos. interpretação doutrinária por força de conceitos jurídicos indeterminados etc). EC é alteração formal pontual e revisão é alteração constitucional global. O STF não tem o exercício direto ou delegado do povo: discutir a legitimidade política do STF (que tem o poder constituinte reformador) para eventual mandato no lugar da vitaliciedade ao menos. Se dão por emenda constitucional ou revisão constitucional (Art. O STF já disse não ser possível nova revisão. conceituação de termos jurídicos indeterminados etc. presidente da república e mais da metade das assembléias legislativas da federação – maioria relativa dos 34 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . Formal: para mudar é necessário emendas que obedeçam a determinada forma preestabelecida. rigidez para elaboração de EC. A mutação pode ser constitucional ou inconstitucional. Possui força superior que o limita. O que diferenciou ambos aqui no Brasil foi o quorum e o momento que pode ser feito e não se ela é pontual ou global. Material: certas matérias não podem ser objeto de mudança devido à grande importância material.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Formais: muda a letra da constituição. é poder limitado ou condicionado. CF: limitação formal (rigidez). 102. Art. CF – jurisprudência admite efeito vinculante às cautelares! Após a lei também reconheceu. Informais: muda o conteúdo. Características do poder constituinte reformador: é poder derivado e não inicial. § 2º. mas a CF não reconhece). E ainda uma terceira hipótese de alteração formal por tratados de direitos humanos (entram como EC).

EC promulgada pelas mesas da Câmara e do Senado. Nas situações mais graves a constituição não pode ser modificada (guerra).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO membros de cada. Não serão objeto de deliberação. a legislação emotiva é perigosa. Federação: foi cláusula pétrea desde a constituição de 1891. 60. Não é possível ao povo propor EC: não cabe por iniciativa popular. 67 da CF: proposta de lei rejeitada pode ser reproposta na mesma sessão legislativa se houve um pedido da maioria absoluta de qualquer uma das casas. Uma modificação qualquer não necessariamente será tendente a abolir. § 3º. há previsão de quorum de 2/3 (66. Basta ser tendente a abolir matéria de cláusula pétrea e não apenas abolir. Sessão legislativa corresponde a 1 ano (de 15/02 a 15/12.6%). Mudar competências dos entes pode. não precisa ser mudada. 60. Os instrumentos para solucionar já estão nela. Art. O vício já se encontra na fase de tramitação legislativa – sequer pode haver a PEC. CF: limitação formal. 60. CF: limitação circunstancial: intervenção federal. Na sessão legislativa extraordinária a PEC também não pode ser reapresentada – limitação de natureza: temporal (minoria) não existe limitação temporal na nossa PEC. Fase preventiva (controle preventivo judicial . 1º e 2º turnos no senado votado no mesmo dia – fraudaram o § 2º do Art. Além do quorum elevado. O STF oscila no critério de definição de “tendente a abolir”. Não tem uma posição predefinida ou um parâmetro. Não é o maior quorum da CF (3/5 = 60%). § 5º. 60. § 4º. Art. Sessão legislativa ordinária  15/02 a 31/06 e 30/07 a 15/12). que é diferente do da elaboração de lei complementar e lei ordinária. Na Câmara já fizeram a mesma coisa com a EC/47. Não se confunde com o Art. não é algo tendente a abolir. Pode romper. conjuntamente. A EC/45 é inconstitucional sob esse prisma formal. CF: limitações materiais: cláusulas pétreas. § 1º. intervenção. Há vários modelos de federação. ela já deu as soluções. A constituição confia nela própria. 60. é fraude à idéia dos dois turnos (os Arts. 60. Não pode dizer que será desfeita (acabar com a indissolubilidade). Rigidez do procedimento. pode mudar para aproximar de um ou de outro. Art. CF: PEC rejeitada ou prejudicada não pode ser mais objeto de proposta na mesma sessão legislativa. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 35 . 28 e 32 da CF estabelecem interstício mínimo de 10 dias para votação em 1º e 2º turno). mudar não. CF: limitação formal. estado de defesa ou de sítio. Estado de sítio e de defesa. A justificativa é não mudar na base da emoção. Art. cabendo iniciativa popular implicitamente (somente para prova subjetiva). refletir tranquilamente – amadurecimento da decisão de mudança constitucional. Art. § 2º. formal (maioria) não pode a PEC rejeitada outras podem. Apesar de não estar expresso. Há doutrina que diz que se aplica por analogia. nem toda mudança na federação será tendente a abolir a forma federativa. tem que ser algo refletido. há mais dois turnos de votação a fim de evitar alterações emotivas. Segundo o STF.MS).

Alguns dizem que são encontrados apenas no Art. prevalecendo a regra de permanência). que estão no Art. os direitos coletivos e sociais não são cláusulas pétreas (MS coletivo não é!?). sem que isso seja tendência a abolir a separação dos poderes (tanto que admitiu o efeito vinculante). Há vários modelos de freios e contrapesos. secreto. Interpretação restritiva  propõe uma hermenêutica literal. 5º. Uma delas é a busca dos fundamentos do Estado brasileiro. sociais e difusos como projeção individual. Os materiais (Carlos Veloso) são todos os vinculados à vida humana digna. Na verdade a cláusula pétrea protege a regra. difusos coletivos). Há várias formas de se justificar a ampliação. universal e periódico. por isso a dificuldade em saber a abrangência. sociais e difusos). Poder moderador ou fim da independência não é permitido. periódico. 3ª ou 4ª dimensão. Vários ministros do STF adotam essa tese. sejam de 1ª. Amplia-se as cláusulas pétreas para restringir as emendas. no título II tem alguns que não são.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Voto: direto. O STF não resolveu este problema ainda. Uma segunda forma (Ingo Sarlet) é interpretar direitos coletivos. 1º da CF. Busca-se a finalidade constitucional das cláusulas pétreas. As emendas é que são exceção ao poder de durar a CF e não as cláusulas pétreas. 5º e fora dele também (o fundamento dessa corrente é que não se deve limitar demais as mudanças da CF. A ascensão ao poder no Brasil é meritocrático e temporário. “O povo de ontem não é o mesmo povo de hoje” – 1988 e 2006. a emenda (cláusulas pétreas) deve ser interpretada ampliativamente (quando se amplia as cláusulas pétreas se restringe as emendas. Segundo o STF é possível mudar nosso modelo. somente os individuais são cláusulas pétreas. tudo se encaixa na própria literalidade. pois se forçaria uma ruptura com o ordenamento. 2ª. e outros que estão no Art. São os direitos fundamentais (individuais. Direitos e garantias individuais: essa expressão é a única referência na CF. Interpretação ampliativa  propõe uma hermenêutica sistemática teleológica. A doutrina desenvolveu duas linhas interpretativas. Como terceira forma de interpretação está a do ministro Carlos Aires de Brito: aplicar a regra geral de que o que é exceção tem interpretação restritiva e o que é regra tem interpretação ampliativa. logo. Obrigatório não é cláusula pétrea. Emenda é? A regra é a permanência ou a mudança da CF? A mudança por emenda é exceção. Concluise que a finalidade é proteger os direitos fundamentais em todas as suas projeções (individuais. instituindo muitos pontos como cláusulas pétreas. Tudo tem uma conotação individual. É preciso que se faça interpretação maior do que a meramente gramatical. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 36 . Logo. coletivas. Separação dos poderes: o mesmo raciocínio para a federação. não se deve dificultar demais as mudanças. ficando preso às idéias de 1988).

é cláusula pétrea. o rol em si mesmo é uma cláusula pétrea? Existem três correntes: 1ª) Sim. O reformador não pode criar limites para ele mesmo. 217). Titular do poder: povo. não pode por EC chamar novas Ecs. Não é possível ampliar o rol de cláusulas pétreas pelos mesmos motivos (há quem diga que pode). Revogar cláusulas pétreas. ADI 981/93: só pode ser feita uma única vez. o que não quer dizer que o alcance das que já existem não pode se elastecer. O constituinte originário decidiu que elas não podem ser alteradas. pode. o rol não é cláusula pétrea. Princípio da dignidade da pessoa humana. seria reduzir o valor da democracia. mais um ponto da mesma cláusula pétrea. As cláusulas pétreas seriam ilegítimas. e por isso deve realmente ser entendido como cláusula pétrea (Art. As cláusulas pétreas são insuperáveis. CF são expressas. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 37 . como outras colocadas pela CF (forças armadas). Limitação temporal e limitação implícita de não facilitar o processo de EC. 60. Ex: celeridade processual. 60. O MP é uma das barreiras protetivas da democracia. Não flexibilizar o processo de novas emendas. logo. 5. 2ª) Não. A CF envolve a democracia para protegê-la. A democracia é o valor protegido pelas cláusulas pétreas e não as próprias cláusulas pétreas (Carlos Ayres de Brito). 127) que o MP é cláusula pétrea. apenas o originário pode. 2. que é mais importante do que as cláusulas pétreas. 3. O povo querendo mudar pode. mas contornáveis (Jorge Miranda também). a democracia não pode ser uma cláusula pétrea. As do § 4º. Exercente do poder de reforma: Congresso nacional. Elas existem para proteger a democracia. 3º. O poder de reforma não pode se auto-limitar. MP é instituição permanente: Hugo Nigro defende (Art. Ela é o ponto central da constituição. ADCT). 3ª) São legítimas. Há hoje um discurso de se chamar nova revisão constitucional (Art. pois não se pode negar ao povo de hoje a capacidade de mudar o que precisar mudar. 4. Existem várias barreiras de proteção à democracia e a última proteção constitucional mais próxima são as cláusulas pétreas.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Pode ter EC ampliando os direitos e garantias individuais. interpretando os incisos do Art. § 4º de forma maior. A democracia não é cláusula pétrea. Rigidez constitucional. Dificultar o processo de emendas: não é possível. Essa parte da doutrina defende a dupla revisão. Art. A doutrina é unânime em dizer que existem cláusulas pétreas implícitas: 1.

DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Uma EC para revogar a cláusula pétrea e outra para mudar a constituição. mas em 88 não foi consagrada expressamente no § 4º do Art. o que foi um problema (Hitler fez o que quis). CF). No Brasil não se enfrentou o problema da dupla revisão. Isso porque haveria plebiscito para a confirmação (Art. EC pode abolir?? Há quem o defenda como cláusula pétrea (Hugo Nigro). A federação e a separação dos poderes estão ligadas à idéia de república (Art. Há uma PEC de instituir o parlamentarismo em 2007. PEC 01 de 06/10/88: sobre a instituição da pena de morte. uma delas para 1º/01/2007. além de ¾ dos estados ratificarem. Há doutrinadores que entendem que se pode dificultar o processo de emenda. CF: MP é instituição permanente. Art. nem referendar após a instituição. É inerente à república o voto periódico. Daí em diante seria considerada cláusula pétrea. Para a maioria dos autores que entendem ser possível diz que poderíamos ter novo plebiscito sobre o tema. Sempre foi. a rigidez exacerbada também pode ser um problema. Até hoje se diz que essa emenda que aboliu a escravidão é inconstitucional. 3º. e em 98 foi arquivada. sem ele não. 60. § 4º). República: prova objetiva não é cláusula pétrea. Nova constituição é momento raro em que o povo se envolve. para abolir a escravidão dos EUA era quase impossível. Na constituição dos EUA de 1787 é preciso 2/3 (66. A nossa é preciso de 3/5 (60%) sem ratificação dos estados. Mas se a dupla revisão for acompanhada de plebiscito ou referendo poderia. Em 1993 houve a possibilidade de por revisão constitucional aprovar emendas em um turno e por maioria absoluta (Art. o que impede a instituição de uma monarquia. A maioria da doutrina é unânime em dizer que não é possível facilitar o processo de emenda. com referendo cinco anos após. menos rígida. Portanto. Não ficar escravo de 1988. emenda que aumente os requisitos para emendas futuras. Em 97 a CCJ deu parecer pela inadmissibilidade. Na CF dos EUA de 1787 haviam 3 artigos sobre escravidão. dizendo que a hipótese de pena de morte contraria cláusula pétrea. Há autores que entendem ser possível e outros não. De outro lado. além de ser auto-limitação do poder reformador. ainda provocaria a superrigidez da constituição. o que não pode ser aceito pela doutrina majoritária. ADCT). A CF também diz que outras instituições são permanentes (Art. Existe no CN propostas de nova revisão. A 38 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . que levou à elaboração da emenda 13 da CF. por isso numa reforma (decisão cotidiana) o povo não está envolvido e por isso não seria possível. 127. 2º. 60. por isso ocorreu a Guerra Civil de Secessão dos EUA (1861 a 1865). 144. É possível emenda para dificultar o processo de emenda? Em Weimar (constituição da Alemanha) a ausência de cláusulas pétreas permitiu a flexibilidade da constituição. 6%) na Câmara e Senado. ADCT).

Poder constituinte derivado decorrente: é aquele destinado à elaboração das constituições estaduais e das leis orgânicas municipais. O STF terá que decidir. 11. mas não foi o que o STF decidiu à época. Lei orgânica municipal X constituição federal  CF. tocante às cláusulas pétreas. limitações materiais não previsto pelo Art. parágrafo único do ADCT. e limitado. ADCT – limitação temporal de 5 anos). As cláusulas pétreas podem ser fundamentais (ADPF) para alguns autores. CF e Art. 3º. 29. 3º. ADCT). mandou que fosse procedida a revisão) as limitações ao poder de emenda estavam presentes por ocasião da revisão (Art. Lei orgânica municipal: Art. no nosso caso. São equivalentes a emenda (mesma força de EC). mas o STF admitiu essa limitação. Por enquanto esta é a linha do supremo. Toda essa discussão porque há projetos que buscam nova revisão em 2007. Há alguns autores que não admitem o município como entidade federada (José Afonso da Silva). 25. tem que observar os princípios da CF. limitações formais. Nem o legislativo estadual. 11 do ADCT. Encontra-se o poder constituinte derivado decorrente no Art. São as mesmas Art. lei orgânica municipal X constituição estadual  depende. não se falaria em poder constituinte derivado decorrente para eles (minoria). 5º. Mas se houver deverá estar limitada também às cláusulas pétreas. Tem autonomia no âmbito do estado respectivo. Alguns autores o julgam inconstitucional porque restringe o alcance dos direitos humanos – mesmos requisitos formais da emenda. Nenhuma situação foi submetida ainda. nem o federal podem fazer nova revisão (STF). Outro procedimento de alteração formal da CF são os tratados e convenções internacionais de direitos humanos (Art. mas já disse por três vezes que não pode haver nova revisão. As propostas seriam inconstitucionais. logo. não é sempre a constituição 39 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . É poder derivado. dois turnos e 3/5 de votos.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO emenda que chama nova revisão é uma emenda que facilita o processo constitucional de novas emendas. Revisão no Art. subordinado características do poder de reforma. logo. quando já tinham status constitucional por força do § 2º do Art. § 3º). Aprovação em cada casa. CF: o poder decorrente não é ilimitado. Revisão: prevista pelo constituinte em 1988. entendidas como preceitos As cláusulas pétreas podem ser utilizadas como princípios de hermenêutica constitucional. 2º. ADCT (na verdade ela só faria sentido se a forma ou sistema de governo tivessem sido alteradas como plebiscito. 5º. 3º. não seria possível nova revisão constitucional. Plebiscito em 07/09/93 para definir forma e sistema de governo (Art.

sem invadir competência municipal. exatamente por definir a lógica e a racionalidade do sistema normativo que lhe confere a tônica e lhe dá sentido harmônico. Pode dar ensejo a ADI ao STF para lei estadual e para lei municipal (ADPF para o STF. Se ele fizer a repetição facultativa terá que continuar aplicando a CF simetricamente. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Influenciam a própria elaboração das normas jurídicas. portanto. pode prevalecer frente à constituição estadual. A lei orgânica municipal. A hermenêutica constitucional observará os princípios. mas sobre todo o sistema normativo. indispensáveis ao princípio federativo.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO estadual porque ela é limitada pela CF e não tem supremacia. As normas obrigatórias são chamadas de normas centrais da federação. Celso Antonio Bandeira de Melo diz que princípio é o mandamento nuclear de um sistema. ADPF: facultativa. ou ainda ADI estadual no TJ. verdadeiro alicerce dele. disposição fundamental que se irradia sobre diferentes normas. compondo-lhes o espírito e servindo de critério para sua exata compreensão e inteligência. Influenciam a interpretação da norma e serve também para dar harmonia ao sistema de normas. Podem ocorrer ao mesmo tempo. ADI: obrigatória. É o mandamento nuclear do sistema. Se a constituição estadual legislar sobre matéria municipal ela será inconstitucional perante a CF. Os princípios são as decisões políticas fundamentais (Carl Schimitt). Se for ação de controle abstrato de constitucionalidade apenas no TJ da decisão da ADI estadual de lei estadual ou municipal cabe RE ao STF (controle difuso ou concreto). segundo José Afonso da Silva. Seguindo o mesmo modelo necessariamente. As decisões políticas fundamentais são intimamente ligadas aos princípios. Ela só será constitucional se atuar dentro de sua competência. Integra o sistema de normas. Há uma mistura dos dois tipos de controle de constitucionalidade nos casos de normas de repetição obrigatória (mecanismo excepcional de controle). A constituição estadual tem normas próprias e repetidas da CF. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 40 . são preceitos que tutelam situações subjetivas de vantagem ou de vínculo. ADC: facultativa. Ele vem antes das regras. Os princípios não tem aplicação endógena (apenas na CF). Se lei estadual ou municipal contrariar a constituição estadual numa norma de repetição obrigatória na verdade estão ofendendo a CF. As normas repetidas podem ser obrigatórias e facultativas (ex: medida provisória). não cabe ADI contra lei municipal). Princípio não se confunde com norma: normas. quando o STF poderá controlar a do TJ.

algum vai prevalecer num determinado caso concreto. duplo grau de jurisdição etc). Princípios fundamentais: Arts. Submissão de todos ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 41 . Há quem entenda como sinônimos regras e normas. Estado de direito: é aquele onde há o império da lei. Quando há regras colidindo não há como conciliar. A regra é algo mais concreto. Estado Democrático e Componente Revolucionário. federação. Princípio do duplo grau de jurisdição é princípio constitucional positivo não-positivado (é possível saber de sua existência pela interpretação sistemática do texto constitucional que previu tribunais e recursos). uma delas terá que anular a outra (Dworking fala no sistema do “all or nothing” das regras). Enunciam motivos para a decisão. e 4º. democracia. Ela aponta uma decisão concreta Pode deixar de ser aplicada por um princípio. O choque entre princípios não gera a anulação de um ou de outro. 1º. 2. presidencialismo). norma é o resultado da interpretação. é regrada pela lei. Utilizados na criação. Princípio da separação de poderes é positivo positivado. não apontam qual é a decisão. “é tudo ou nada” (tem a seguinte estrutura: se acontece A deve ser B – o Direito é o mundo do dever-ser. sendo que uma “mata” a outra – “tudo ou nada” (critérios para solucionar o conflito aparente de normas). 3. por isso o Direito é o mundo das regras) ela não dá alternativa. conclusão. É possível buscar o critério da hierarquia. da especialidade. Os princípios constitucionais positivos podem ser: positivos positivados (explícitos. Normas e texto também não se confundem: texto é o objeto da interpretação. Canotilho classifica os princípios constitucionais em: 1. não dão a decisão concreta. da temporaridade. a vontade de quem exerce o poder não é absoluta. CF. Alguns princípios positivos da CF/88: ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO: José Afonso da Silva divide em: Estado de Direito. interpretação e integração das normas. Princípios Jurídico-constitucionais: são os da ordem jurídica escritos na constituição (ampla defesa. é concreta.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Princípio é diferente de regra (Ronald Dworking): o princípio é o motivo para decidir de determinada forma ou sentido. Os princípios constitucionais podem ser gerais (pertencem direito constitucional em geral – no mundo) ou positivos (os que pertencem a uma determinada constituição . expressos) e positivos não-positivados (implícitos. contraditório. Princípios político-constitucionais: são os da ordem política escritos na constituição (república. não expressos).Direito constitucional de um Estado). ela não oferece espaço (motivo pode ser um ou outro). Podem ser classificados em princípios constitucionais e não constitucionais. 2º.

melhorando as condições do povo. Essa noção de legalidade formal é importante. democracia. igualdade. Ela não é cláusula pétrea explícita. justiça social. segundo José Afonso. até porque quem está no poder faz a lei. Existe o controle do gestor público – tem que prestar contas. tudo é conseqüência do estado democrático de direito. são condutas antirepublicanas. a fim de garantir a legitimidade para elaboração das leis. mas não é suficiente. Presidencialismo: princípio presidencialista – o Executivo deve ser exercido pelo presidente da república de forma independente do legislativo – chefe de estado e de governo reunidos no presidente da república (assim como a república. Para alguns autores não há diferença entre estado democrático de direito e estado democrático. O terceiro elemento é o componente revolucionário. divisão de poderes. Esse é o verdadeiro. O Estado tem que ser democrático. não existe coisa pública. não impede a barbárie. mas a partir do momento em que ela foi firmada pelo plebiscito não pode ser também objeto de emenda (divergente). Os controles buscam acabar com as práticas patrimonialistas. caracterizado pela soberania popular. É aquele que institui a forma republicana de governo. como por exemplo. Existência da res publica – quem exerce o poder administra coisa do povo e não coisa própria.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO à lei – quem está no poder deve obedecer a lei. a participação popular. permitindo a melhoria das condições do povo e não permitir a dominação de quem já está no poder. Forma de Governo: Monarquia: caracterizada pelo poder hereditário e vitalício. Sistema de governo: Parlamentar: governa o 1º ministro e representa o chefe de estado. É princípio constitucional positivo-positivado (princípio republicano). também é cláusula pétrea). ação popular – são órgãos republicanos. eletivo (à exceção do Judiciário no Brasil) e periódico. República: o poder é meritocrático. O poder é absoluto porque tudo é do rei. responsabilização pelos seus atos – MP. dizer que existe lei não é suficiente. a prática do nepotismo. utilizar veículo público para interesses particulares. A rigidez. O estado democrático de direito é aquele que através da lei criada pela soberania popular é capaz de modificar o status quo. No entanto. TCU. corregedoria. Coisa pública confundida com coisa própria é chamada de patrimonialismo. O estado de direito e democrático tem que existir para revolucionar o status quo. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 42 .

porque na verdade ele é um só. É cláusula pétrea. diz que é preciso limitar o poder e as funções (legislativa. aplicar as leis (função executiva) e solucionar as lides entre particulares (função judiciária). Os poderes são independentes e harmônicos. a distribuição das funções a órgãos distintos: órgão legislativo. a tripartição foi imaginada para limitar o poder. Era preciso limitar o poder do monarca. O Estado liberal tem como preponderante o legislativo – Estado legicêntrico (o órgão central é o legislativo. no “Espírito das Leis” (1748). Já houve também uma divisão quádrupla: com o poder moderador (1824 – constituição de Benjamin Constanti). não podem estar concentradas em um só órgão – tripartição orgânica e não de poderes ou funções – Legislativo. 2º. São três órgãos: Executivo. porque ele é que toma a decisão política). Forma de Estado: outra decisão política fundamental. que dividiu as funções em dois grupos: legislativa e executiva. O poder é um só. Executivo e Judiciário (um controla o outro). Há freios e contrapesos dentro das funções típicas e atípicas. órgão executivo e órgão judiciário. as demais funções se 43 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . ou seja. A justificativa da separação é a necessidade da independência de cada poder. a separação dos órgãos não é absoluta. Cada função é exercida precipuamente por um órgão e subsidiariamente pelos demais. Aristóteles em “A Política” já se encontra que o Estado tem três funções. portanto. o que existia com a idéia de Aristóteles era a tripartição funcional de legislar.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Sistema convencional: de assembléia. depende do Estado. executiva e judiciária) devem estar distribuídas em órgãos distintos. Cada órgão exerce função típica e atípica. Unitário: poder é um só em todo o território. cada um deles deve ter autogestão (Art. Legislativo e Judiciário. CF). A separação é relativa um limita o outro por meio do mecanismo de checks and balances (freios e contrapesos) e independência dos “poderes” – órgãos. Ademais. um pode preponderar. mas não são iguais. A idéia de divisão de funções. Exercer mais de uma função é muito poder. Federal: princípio federativo. executar e julgar. não nasceu com Montesquieu. Montesquieu se inspirou em Locke. Em síntese. a de legislar (função deliberativa). SEPARAÇÃO DOS PODERES: A separação é orgânica apenas. Reparte o poder no território. No entanto. Sistema de freios e contrapesos: são mecanismos que trazem uma pequena interferência de um poder no outro para possibilitar uma maior sofisticação na limitação do poder. quando Montesquieu propõe uma tripartição orgânica. Montesquieu. Montesquieu no século XVIII ainda está imerso na monarquia absolutista. onde uma única pessoa concentrava em suas mãos as três funções. e há órgãos para exercer as funções.

O princípio da proporcionalidade é dividido em (direito alemão): adequação: a medida deve ser apta ao fim. da razoabilidade. essa é a diferença. O seu papel político cresceu muito também em razão dos mecanismos de controle de constitucionalidade que surgiram no decorrer do século XX. passando a ter maior notoriedade. Hoje se tem uma redefinição do papel desses órgãos. A maioria ainda o denomina assim. O Judiciário cresceu a partir da 2ª metade do século XX. O sentido de proporcionalidade é mais amplo. Encontrado em vários ramos do direito. Busca ajustar os objetivos e os meios necessários. 3ª geração: direitos coletivos e difusos . O poder público deve agir sempre com adequação entre fins e meios. Para o STF são sinônimos. Medida provisória – legislar rapidamente. Tudo isso fez com que o executivo crescesse. Alguns autores dizem que esta é a razoabilidade. Mas também decorre do princípio da legalidade. No estado do bem-estar social o Executivo cresceu muito (fazer. da isonomia. Os atos administrativos podem ser desconstituídos em face de uma ofensa à proporcionalidade. Hoje o domínio é do Executivo. do estado de Direito etc. todos indicam a existência do princípio da proporcionalidade. por sua vez. que devem ser razoáveis). As funções atípicas estão aumentando cada vez mais. legislativos (a constituição já dá os objetivos e o legislador constrói os meios para se atingir. aspecto que fez com que o Judiciário se agigantasse. Razoabilidade – alguns entendem como distintos – o STF vem usando as expressões como sinônimas. E o legislativo. cresceu na função atípica (CPI) – fiscalização.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO limitam ao que for legislado (aplicar e executar). Além de avaliar atos administrativos. assim como princípio da vedação do retrocesso.uma única decisão judicial passa a atingir toda a coletividade. 44 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . A razoabilidade é uma das projeções da proporcionalidade (proporcionalidade estrita). necessidade: o meio é o menos gravoso possível. a teoria passou a ser utilizada para avaliar atos legislativos no controle de constitucionalidade. proporcionalidade estrita: os benefícios da utilização da medida devem ser maiores que os malefícios (custo-benefício). mas para quem as distingue. A constituição é programática – ele fiscaliza e suas decisões atingem a coletividade. Estado liberal – abstenção do Estado. executar e não só se abster). A proporcionalidade não está positivada na constituição. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE: Também chamado de princípio da proibição do excesso. É um princípio consitucional-positivo implícito (não positivado) – alguns autores dizem que tem origem no devido processo legal. Usada nos atos administrativos. O executivo passa a ter mais condições de legislar – cresce sua função atípica de legislar – poder normativo das agências reguladoras e executivas (legislam). O poder público deve agir de modo proporcional aos objetivos que pretende atingir.

Sua importância vem crescendo muito no controle (EUA). Normas-princípio são motivos. Em todo esse pensamento há uma correspondência entre norma e texto. Essa definição conclui que norma = texto = dispositivo. uma eficácia jurídica mínima e uma eficácia jurídica máxima. A proporcionalidade é um instrumento para solucionar um choque entre princípios. mas um instrumento de mensuração de princípios. declarado inconstitucional por falta de proporcionalidade. enquanto o princípio é um motivo. por si só já pode ser executada). Existe uma graduação da eficácia da norma constitucional. Princípios podem se chocar. Norma é diferente de texto. Nessa idéia. e força impeditiva – é a que impede que entre no ordenamento inferior normas que lhe sejam contrárias (controle de constitucionalidade). que pode ser dividido em normas-princípio e normas-regra (divisão do professor Jorge Miranda). na verdade não é princípio. norma é o gênero. ela não é estranha à constituição e por isso é utilizada no controle de constitucionalidade. embora a doutrina diga ser a mesma coisa. norma é o resultado da interpretação. A norma pode ser: válida (produzida nos termos da lei). eficaz (é a que produz efeitos jurídicos – pode depender de outra norma). determinado estado dos EUA estabeleceu que era crime mulher tomar pílula anticoncepcional. É a que predomina na doutrina. Quando a interpretação é feita pelo juiz o resultado que se tem é uma norma de decisão. é um instrumento de ponderação. Texto é o objeto da interpretação.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO A proporcionalidade está presente em todo o sistema (ex: proporcionalidade das penas). Já as normas-regra são regras. aplicável (é a que está apta a produzir todos os efeitos. Por isso. Regra é um dever-ser. Toda norma constitucional tem eficácia mínima e é caracterizada por duas forças: força paralisante – paralisa tudo que não está de acordo com a constituição (não recepção). vigente (é a que se encontra no ordenamento). não se choca com outro princípio. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 45 . em si. Ela. não necessitando de complementação normativa. Essa é a visão clássica. A proporcionalidade não é um motivo. sendo que prevalecerá um no caso concreto. abstração. O STF vem utilizando cada vez mais o sistema da proporcionalidade. Toda norma constitucional possui eficácia (diferente de concretização). Por exemplo. NORMAS CONSTITUCIONAIS José Afonso diz que normas são preceitos que tutelam situações subjetivas de vantagem ou de vínculo. é o dever-ser. conclusão. Há uma outra maneira doutrinária de compreender o que é norma: norma # texto # dispositivo.

CF. 3. CF). Permite a redução do alcance por lei. Eficácia máxima ou social é a efetiva concretização do texto constitucional. uma abstração – Art. não necessitando de complementação. culturais. complementação por leis e fatores políticos. Não se pode reduzir a concretização da constituição a uma questão jurídica. Contida: também são auto-aplicáveis. um dever-ser). Classificação de Jorge Miranda.dependem de lei infraconstitucional). CF – conselho da república que não existe sem lei institutiva. A norma garante a liberdade. Constitucionalismo norte-americano: normas auto-aplicáveis (self-executing – aquelas que dispensam a lei ordinária comum – se aplicam por si só). 90. Enquanto não houver restrição a eficácia da norma será plena. Art. 2. CF – a colheita de digitais em concurso público não é razoável.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Nem toda norma constitucional tem eficácia máxima. objetivos a serem alcançados (Art. contida ou limitada. fatores reais de poder). Quanto à natureza: normas formalmente constitucionais (está escrita na CF). mas permitem que a lei reduza o seu alcance (Art. Art. a constituição real e efetiva é a soma dos fatores reais de poder (Lassalle). Limitada: aquelas que precisam de lei ordinária para serem concretizadas. 4. A verdadeira concretização da constituição depende. normas não auto-aplicáveis (not self-executing . atingirem a eficácia social (máxima). O que impede a eficácia máxima pode ser uma razão jurídica (falta outra norma – nos termos da lei) ou não-jurídica (políticas. XIII. Classificação das normas constitucionais: 1. tem força normativa (eficácia). portanto. CF). 5º. Pode ser institutiva: exigem a lei ordinária para dar corpo a instituições e órgãos (Art. Quanto à aplicabilidade (José Afonso da Silva): norma aplicável é a que está apta a produzir todos os seus efeitos. CF – conselho de defesa nacional). 5º. Essa ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 46 . a norma pode ser: Plena: aquelas cuja aplicabilidade não depende de nada e não podem ser restringidas pelo legislador ordinário. CF). desde que seja razoável. culturais. Sob esse aspecto. Ela necessita de uma complementação. costumes etc) reduza essa liberdade. norma materialmente constitucional (tem conteúdo constitucional). Quanto ao conteúdo: norma-princípio (aquela que positiva um princípio. absoluto (Art. o meio é inadequado). de questões jurídicas e não-jurídicas. mas ela permite que lei (a própria CF. LVIII. Determinados aspectos de saúde e educação podem ser de eficácia plena. 3º. norma-regra (positiva uma regra. sociológicos etc. não é ilimitado. portanto. 170. nem que seja a mínima (força paralisante e impeditiva) ela obriga o legislador (RE 168501). objetivo que precisa de lei para se concretizar. A norma programática possui eficácia jurídica. § 2º. § 2º. ou ainda programáticas: norma que prevê um programa de atuação. 91. ou seja. 1º.

eficácia limitada – eficácia relativa dependente de complementação legislativa ou norma de eficácia complementável. O juiz não poderá se desviar daquilo produzido pelo legislador presente no texto legal. portanto. Se prende à vontade do legislador. participa da construção da norma. Ainda quanto à aplicabilidade. o que lhe dá poder muito maior na hermenêutica. Interpretativismo e não interpetrativismo: respectivamente referência ao juiz que pouco interpreta. Utilizada a interpretação histórica – da época em que foi elaborada a lei). O juiz não pode. independe do momento histórico. ele deve se prender a certos parâmetros de hermenêutica. a mens legis. isso é interpretação evolutiva. O juiz aqui é ativo  é o ativismo judicial: é a função ativa do juiz na hermenêutica. Em síntese sua classificação é a seguinte: norma de eficácia absoluta. Legislador (emissor)  texto legal (mensagem)  operador do Direito (receptor). Muda o nome das contidas. A norma está potencialmente no texto. O juiz (operador) vai debruçar-se sobre o texto. todavia. O juiz faz parte da construção da norma. chamando-as de normas de eficácia relativa restringível. O texto em conjunto com os fatos gera a norma. mas a vontade da lei. sob pena de ferimento à separação dos poderes. Texto é o objeto e da interpretação do texto com os fatos resulta a norma (resultado). A norma não está completa na letra da lei. tem parâmetros ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 47 . norma = texto. não importa a vontade do legislador. é passivo. Texto é o dispositivo. é a letra da lei. ela é o resultado da hermenêutica. apenas repetindo o que está na lei e o juiz ativo. chama a atenção para o seguinte: norma # texto. critério subjetivo.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO classificação está na obra de José Afonso da Silva na “Aplicabilidade das normas constitucionais”. HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL A tarefa do operador do Direito é a de decifrar o texto legal. Postura interpretativista. Texto + fatos + operador do Direito = norma. Eros Grau. relativa dependente de complementação legislativa ou complementável. ele é passivo. plena. postura não-interpretativista ou mens legislatoris (preso à vontade do legislador. O juiz é mecânico. Nesse ponto de vista clássico o papel do juiz é de apenas dizer o que está na lei. a professora Maria Helena Diniz também classifica como José Afonso da Silva. Classicamente. mas também sobre os fatos. o conteúdo é o mesmo. Ele não pode substituir o legislador. em pensamento moderno. relativa restringível. que interpreta. ter liberdade plena. ele tem ideologia. acrescendo um quarto grupo: a de eficácia absoluta  norma tão absoluta que emenda não pode tocá-la (cláusulas pétreas). onde ele constrói a norma a partir de um texto.

3. a depender da realidade fática a solução será determinada de acordo com a ponderação de interesses. o observador interfere no objeto observado. Espécies de interpretação * Judicial: feita pelo juiz e tem como resultado a norma de decisão. o Executivo interpreta a CF. legalidade etc. Estes parâmetros são chamados pela doutrina de características da hermenêutica: 1. Ele não tem força normativa. Alguns doutrinadores chamam isso de “moderna hermenêutica constitucional” – toda a tarefa de interpretação da constituição é voltada à concretização dos direitos fundamentais (uma idéia entre outras). Tem relação horizontal também com as normas constitucionais – estudar o texto constitucional à luz dos fatos e também do preâmbulo. * Administrativa: Administração pública. exceto o juiz). * Doutrinária: doutrina. em um segundo momento da ciência. relacionando-se com o segundo ponto de vista de que o juiz é ativo. mas sistematicamente. Direitos fundamentais: devem sempre ser considerados para concretizar os direitos fundamentais. plausibilidade com a norma. Preâmbulo: sua utilização como fonte hermenêutica. é um sistema. Cláusulas pétreas: estão carregadas de princípios e devem sempre ser consideradas. Título I da CF/88: fundamentos e objetivos da república federativa do Brasil. Princípios: tudo estruturado à luz dos princípios: separação dos poderes. Hoje isso. 2. Critérios para garantir o mínimo de A primeira idéia tinha o juiz como sujeito passivo  link com a ciência: o observador não interfere no objeto observado. ela tem sua organização. 5. * Norma pode ser: norma jurídica comum (aquela trabalhada pelos operadores do Direito. Unidade: a constituição tem sentido único.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO para trabalhar (hermenêutica). * Os fatos são importantíssimos para se resolver questões de controle de constitucionalidade. não é mais assim. não obriga o legislador comum. 4. igualdade. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 48 . não deve ser interpretado um dispositivo isoladamente. 6. e norma de decisão (do juiz). estado de direito. Para Maria Helena são normas constitucionais de aplicabilidade absoluta.

A lei se modifica. Métodos de interpretação Gramatical: interpreta a CF a partir do texto. Também desaconselhado porque também está preso a momento histórico (1988). O juiz não tem que interpretar. tem vida própria. Interpretação só subjetiva: ficar presa a 1988: não aconselhado. A autêntica (feita pelo legislador) não é adotada por todos. Tópico-problemático: o intérprete deve priorizar os problemas práticos a serem resolvidos.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO * Autêntica: o mesmo autor do texto interpretado. Interpretação presa no método gramatical não acompanha. é uma unidade. Alguns consideram a EC como interpretação. processo aberto de argumentação. Discutir os problemas a serem resolvidos. Isso significa que o juiz tem participação ativa na produção da norma (ativismo judicial). ficando presa à letra e à história. Não existe para a doutrina majoritária. Admitida apenas por uma minoria. é passivo. A doutrina dos não-interpretativistas se coaduna com a primeira linha mens legislatoris. desconsiderando que a constituição é aberta. atualizada. concretizar. quando deve ser apenas um ponto de partida. muita importância ao pensamento do legislador. Tentam construir essa idéia ainda. Alguns doutrinadores incluem a interpretação popular da constituição. A interpretação tem que ser objetiva. mas seria o constituinte derivado. Interpretar é aplicar. não pode ser Teleológico: a partir da finalidade da constituição. Não se coaduna com a constituição aberta. Preocupação com a vontade da constituição e não do legislador. não autêntica. mas não pode ser onipotente. Histórica: interpretar à luz dos acontecimentos históricos da época em que a constituição foi produzida (discussões que levaram à produção). Tem que interpretar. É interpretação que busca a mens legislatoris (vontade do legislador). A interpretação gramatical e a histórica impedem a constituição aberta. tem que se adequar com o tempo (mens legis – vontade da lei). logo. A segunda mens legis são a dos interpretativistas ou ativismo judicial – o juiz é ativo. Sistemática: a constituição interpretada com dispositivos isolados. resultados práticos. Problema: a constituição pode ter alteração não formal  mutação. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 49 . aquela feita pelo povo (que não é doutrinador). Se ele interpretasse estaria fazendo nova constituição e não interpretando. Teria que ser feita pelo constituinte originário. Concretizador: o intérprete deve buscar concretizar a norma constitucional à luz de determinada situação histórica concreta.

Máxima efetividade ou princípio da eficiência: conferir à constituição a maior eficácia.mens legis. * Interpretação constitucional. Força normativa da constituição: a constituição pode mudar. Movimento da moderna hermenêutica: é a segunda visão de que o juiz é ativo. diverso. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 50 . É parâmetro constitucional. Concordância interpretação sistemática constitucionais é preciso (ponderação de interesses. Interpretação contrária vai de encontro à moderna hermenêutica. Interpretação da lei conforme a constituição: não a constituição conforme a lei. a constituição tem que ser concretizada e tudo isso tem que ser voltado à garantia dos direitos fundamentais. É também uma técnica de controle de constitucionalidade. Regras de hermenêutica constitucional segundo Canotilho e Vital Moreira: * Interpretação objetiva: e não subjetiva (considera quem fez a lei – mens legislatoris). Bloco de constitucionalidade: algumas idéias estão presentes em todo o texto constitucional. Buscar a prevalência da vontade da lei . Pela supremacia da constituição se interpreta a lei ordinária à luz da CF. * Interpretação sistemática. são valores não presentes em dispositivo único. 2. Unidade da constituição: a constituição é um todo único.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Princípios da interpretação (Canotilho) 1. * Inadmissibilidade da interpretação autêntica. intrínseca: interpretação dentro do sistema * Exclusão da interpretação da constituição a partir da lei. A constituição material pode estar presente em lei ordinária inclusive. influenciar a realidade. A cada caso concreto haverá fato 5. Escolher o caminho que confere maior efetividade. A constituição existe e deve ser interpretada para garantir os direitos fundamentais do cidadão. Em conflito de dispositivos harmonizá-las à luz de cada caso concreto razoabilidade). 4. prática ou da harmonização: decorre da da constituição. os fatos são importantes para a criação da norma e o juiz deve examiná-los. além de princípio de hermenêutica. um sistema. 3.

Tem por objetivo ainda garantir o cumprimento dos preceitos fundamentais da CF (ADPF). É o princípio da compatibilidade vertical das normas. retirando do ordenamento as normas inferiores que a contrariam. Essa decisão julgou inconstitucional a ação de Marbury dizendo que a lei ordinária não poderia criar regra de competência. É o primeiro caso jurisprudencial. A constituição é forte limite ao legislador. as quais não podem contrariar. antes da constituição dos EUA. após a posse de Thomas Jefferson (brecou o “trem da alegria”) contra Madison e quem estava na suprema corte era Marshall (encarregado de entregar o documento de posse a Marbury). A lei que contrariasse não produziria efeitos jurídicos. que é matéria constitucional (James Madison era secretário de Estado que teria foro privilegiado na suprema corte nos termos de lei ordinária). (O mesmo caso o STF julgou a constitucionalidade da lei FHC que fixava competência por foro privilegiado – declarou a inconstitucionalidade). mas esta decisão não inventou a teoria do controle. foi só a 1ª aplicação prática. Marshal declara inconstitucional a lei ordinária que fixava o foro privilegiado a Madison na suprema corte. As bases do estado democrático de direito são a supremacia da CF. que é influenciada por esse pensamento e promulgada em 1787).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO O controle de constitucionalidade está ligado à rigidez constitucional. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 51 . A idéia de constituição era de algo que pudesse defender o povo frente ao legislador (parlamento soberano – o parlamento inglês editava leis tributando as colônias inglesas e nada poderia ser feito porque esse parlamento era supremo – sistema de soberania do parlamento inglês acabou por ser um dos motivos principais das 13 colônias inglesas na américa do norte tornarem-se independentes – daí a idéia de constituição como instrumento de defesa frente ao legislador). só a constituição. O Judiciário seria o guardião da constituição (idéia debatida pela Convenção de Filadélfia – textos federalistas. seria nula. A suprir uma omissão (ausência da lei) e não apenas para fulminar uma lei contrária à constituição. De acordo com a pirâmide de Kelsen. Marbury desejava o documento que lhe dava a nomeação a juiz. a rigidez constitucional e o controle de constitucionalidade. relator (MMM). Origem: constituição dos EUA de 1787. Em 1803 houve a primeira aplicação prática dessa teoria examinado pela suprema corte dos Estados Unidos no caso “Marbury X Madison” e juiz Marshall. Controle de constitucionalidade é o mecanismo que faz prevalecer a supremacia da constituição. Leading case do controle. Ocorre que Marshall não poderia desmoralizar o presidente Thomas Jefferson (era secretário de Estado nomeado para a suprema corte). as normas inferiores existem por força das superiores. Hoje o controle se presta também a declarar que a norma inferior está de acordo com a constituição e não contrária. é escudo protetor do povo contra as decisões dos seus próprios representantes. Autores como Alexandre Hamilton já discutiam e escreviam a respeito. Daí escapou dizendo que lei ordinária não pode criar competência para a suprema corte.

13. o próprio legislador zelava pela constituição). A intervenção era feita por lei e a ADI contra esta lei servia para acabar com a intervenção. 1946 (em 1965 com a EC 16 – Art. 96) quorum de maioria absoluta para declarar a inconstitucionalidade. na constituição de 1824 não houve a previsão de controle (Art. Dred era um escravo e morava em um estado escravocrata. 12. só o STF poderia julgar a ADI interventiva. legislador guardião da constituição) e em 20/11/1894 houve a elaboração da lei 221 que instituiu a justiça federal e um controle difuso a ser feito pelos juízes em casos concretos (Art. EC 45/04 estabeleceu o efeito vinculante para a ADI e outras modificações. I. EC 03/93 criou a ADC e o efeito vinculante. que não é a mesma de hoje. acionando Sandford. em 1934 (Art. Defesa da constituição abstratamente.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO A segunda decisão de controle foi em 1853 (escravidão) no caso Dred Scott X Sandford. que a ação não pode ser proposta etc). No Brasil. É considerada uma das piores decisões dos EUA (diz que Dred é coisa. sem a necessidade de um caso concreto. fazem a previsão de atos institucionais que não podiam ser apreciados pelo Judiciário (novo período ditatorial). Hans Kelsen observando a proteção da constituição. acabando com a supremacia da constituição – apesar de inconstitucional ela irá permanecer – ditadura justifica a medida). K)  ADI controle abstrato (idéia de Kelsen). disse que seria melhor não esperar por um caso concreto para controlar – sistema austríaco de controle de constitucionalidade – controle abstrato. I. PEC 358: 2ª parte da reforma do Judiciário. 1891 (Art. A lei inconstitucional não será nula. Os dois primeiros casos historicamente são casos concretos em que a discussão da constitucionalidade é incidental. Espécies de inconstitucionalidade: ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 52 . lei 9868/99 e 9882/99 regulamentou a ADI e ADPF respectivamente. IV. 35. ao contrário. 1988: aumento dos legitimados a propor ADI e surge a ADI por omissão. § § 1º e 2º) inaugura o controle concentrado. 1937 (Art. A lei ordinária não poderia proibir a escravidão no território federal – nega o pedido de Dred. Em seguida o seu dono o leva a um estado que não tinha escravidão. § 10) (no modelo norte-americano – influência de Rui Barbosa). mas anulável. para só então ser editado o decreto de intervenção (é o oposto). A suprema corte dá uma decisão assegurando direitos fundamentais (da propriedade). 101. Dred quer dizer que se tornou livre a partir do momento que ele morou em lugares onde não era admitida a escravidão. 1967 e 1969 não trazem grandes alterações. vendendo-o a Sandford. 15. e após para um território federal que também não tinha escravidão e finalmente retorna com ele a um estado escravocrata. A lei federal que proibia a escravidão no território federal era inconstitucional porque feria o direito de propriedade da constituição. O parágrafo único limita o controle do Judiciário  congresso nacional confirma a importância da lei por 2/3 de votos em cada uma das câmaras e a decisão de inconstitucionalidade fica inválida (a lei acaba por se tornar emenda. Hoje a intervenção depende de o STF dar procedência à representação interventiva promovida pelo PGR. bem como a ADPF.

A mudança pode ser tanto por nova constituição como por EC – opera o fenômeno da recepção. Aqui atua a força paralisante da constituição. Por omissão: o legislador não agiu diante de uma norma de eficácia limitada institutiva ou programática. mas hoje em dia a idéia é diferenciada. a constituição não mudar e futuramente a lei se tornar inconstitucional  mudam os fatos: alteração das circunstâncias fáticas. Ex: Suíça. Composição mista do órgão de controle: metade dos membros da magistratura e metade escolhidos fora da magistratura. ou superveniente (nasce boa. o que fez com que a lei se tornasse ruim. A jurisprudência do STF fala em revogação da lei (Sepúlveda Pertence). Ex: França. A última hipótese do controle misto é a que prevê vários tipos de controle combinados (modelo dos EUA e modelo ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 53 . A jurisprudência do STF admite que a alteração da realidade fática pode tornar a lei inconstitucional. Alteração do parâmetro constitucional.não recepção – esta incompatibilidade superveniente só pode ser material a formal só é aferida originariamente – a forma modificada por nova constituição não gera inconstitucionalidade (ex: decreto-lei em vigor hoje) não impede a recepção). Político: o controle é entregue a um órgão político que não pertence ao Judiciário. Por ação: ato normativo editado que contraria a CF.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO 1. O Judiciário só pode afastar parte do texto se permanecer algum sentido para o resto do texto. 2. Misto: mistura entre órgãos políticos e judiciais. O controle não considera apenas o texto. Pode ser ainda inconstitucionalidade originária (a lei já nasce com vício. com a possibilidade de alteração inclusive por mudanças da realidade fática. forma que contraria a prevista na CF – ex: MP assinada por ministro e não pelo presidente). podendo ser material ou formal a norma constitucional impede que faça nascer lei que contraria norma constitucional – atua a força impeditiva da constituição). Na inconstitucionalidade por ação pode ser por vício material (viola o conteúdo da CF) ou formal (o procedimento de elaboração da lei fere o que está escrito na constituição. Sistemas de controle de constitucionalidade 1. Hoje há mecanismos de inconstitucionalidade superveniente. parágrafo ou alínea – o controle pode recair apenas sobre uma palavra ou expressão). 2. 3. Pode ser a inconstitucionalidade por ação total ou parcial (não se confunde com o veto parcial  texto integral de artigo. Judicial: o Judiciário faz o controle. O controle é político para normas gerais e judicial para normas locais. sempre tem que considerar os fatos reais (é tarefa política – poder). caso contrário é melhor afastar todo o texto – declarar a inconstitucionalidade total. Pode ocorrer de a lei nascer boa. mas se torna inconstitucional devido a mudanças do texto da constituição .

abstrato: não há lide. ou concentrado. – controle na fase do projeto). a norma já está produzindo efeitos. Repressivo: após. só um órgão faz o controle.. Tipos de controle: Preventivo: antes de a norma ingressar na ordem jurídica. § 4º: não haverá deliberação de EC. Concreto: busca resolver o caso concreto que surge de uma lide. Preventivo judicial: mandado de segurança. Pode ser: Difuso: vários órgãos são autorizados a realizar o controle. O parlamentar tem o direito líquido e certo de obstar que o projeto prossiga por meio do MS ao STF. difuso/concentrado. de um conflito de interesses. Tradicionalmente não existe. Mais um caso de vício formal que não está na jurisprudência do STF: MS impetrado por quem teve violada sua iniciativa ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 54 . concreto/abstrato (Brasil). comissões de constituição e justiça (na Câmara e no Senado). o controle é incidente (modelo dos EUA). No regimental o STF não interfere. mas não é uma regra absoluta: Preventivo político: veto presidencial por inconstitucionalidade (controle) que será revisto pelo Congresso (novo controle preventivo). é controle da lei em tese (Kelsen). Mistura entre o repressivo/preventivo. verificar se o projeto está de acordo com a CF. 60.. O vício pode ser regimental ou constitucional. mas a jurisprudência do STF admite o MS impetrado por parlamentar quando o projeto de EC ofende ou é tendente a abolir cláusula pétrea (Art. Se a tramitação ofende a própria CF o STF admite a paralisação do PL em tramitação. aguarda a edição da lei. o controle da lei em tese Sistema brasileiro de controle de constitucionalidade: como regra geral diz-se que o controle adotado pelo Brasil é repressivo e judicial.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO de Kelsen  Brasil). espalhado. Há ainda o MS impetrado por parlamentar quando a tramitação de PL ofende o processo legislativo constitucional. CONTROLE PREVENTIVO REPRESSIVO DIFUSO: vários órgãos realizam o controle CONCENTRADO: só um órgão faz o controle CONCRETO: resolve o controle que surge de um lide ABSTRATO: não há lide. na fase do projeto.

Para declarar a constitucionalidade não há o princípio da reserva de plenário (câmara e turma podem declarar a constitucionalidade). ADC e ADPF. Há uma lide em caso concreto (MMM – como teve início). Art. qualquer juiz ou tribunal poderá examinar e fazer o controle) ou abstrato (concentrado – STF ou TJ). por exemplo). em regra). se houver. Na verdade o controle da MP é ao mesmo tempo preventivo (em relação à lei de conversão) e repressivo em relação à MP em vigor (texto original). Art. Exercido por qualquer juiz ou tribunal por argumentação de inconstitucionalidade incidentalmente em um caso concreto (argumentação deduzida em juízo). § 5º: medida provisória (produzem efeitos desde a edição. TCU também pode deixar de aplicar lei que considera inconstitucional. São os três casos dados pela doutrina tradicional. Art. Ex: aumento de servidor público federal só o chefe do executivo pode (Art. Os órgãos fracionários não podem declarar a inconstitucionalidade. Repressivo político: a doutrina entende que existe nos seguintes casos: Art. Repressivo judicial: pode ser concreto (difuso. Congresso faz juízo prévio sobre o atendimento dos pressupostos constitucionais antes de falar do mérito. § 1º).61. só quando a lei de conversão for editada. por omissão ou interventiva). regulamento não pode criar obrigação) ou ainda exorbita na delegação conferida. a especializada cita ainda: legitimidade ativa da ADI e ADC (mesa da Câmara. o presidente pode impetrar MS contra este ato para defender a sua iniciativa constitucional privativa. O juiz poderá de ofício conhecer do problema. * Controle judicial concreto ou difuso: também chamado de controle incidental ou por via de exceção. não precisa aguardar o veto (doutrina). ele é causa de pedir. 49. Discussão sobre a constitucionalidade da lei que um dos litigantes fundamenta seu pedido – o juiz terá que analisá-lo incidentalmente. Se um deputado tiver a iniciativa. não depende de argumentação por uma das partes para que ele analise inclusive. A inconstitucionalidade não precisa constar da causa de pedir. Maioria absoluta dos seus membros do pleno ou do órgão especial constituído (de 11 a 25 membros).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO legislativa privativa. 52. 97. atos que exorbitam ou inovam no mundo jurídico (só lei pode. CF: para o controle difuso e abstrato. Ações típicas são ADI (genérica. Ele não é o pedido. negativa do executivo em aplicar a lei inconstitucional (ainda não declarada) a seu juízo. X: Senado pode suspender a execução de lei julgada inconstitucional em caso concreto (controle difuso). declara a inconstitucionalidade  chamado de reserva de plenário. Revogação da lei inconstitucional pelo próprio legislativo por meio da edição de uma nova lei. Também poderão (turma ou câmara) julgar declarando a inconstitucionalidade quando já houver posição do STF (pleno) ou dos órgãos especiais pela ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 55 . Luiz Roberto Barroso cita essas hipóteses. Modificação no texto originário da MP não produz efeitos a terceiros. V: Congresso Nacional sustar atos normativos do Executivo que já estão produzindo efeitos. 62.

estadual e municipal. parágrafo único. ). o Senado não participa. Senado suspende a execução no todo ou em parte. que seria obrigatório (minoria – o Senado só participa no controle difuso porque no concentrado a lei já não mais produzirá efeitos. 52. Se o pedido for o de uma ADI (disfarçada) não poderá haver o controle (abstrato – usurpando a competência do STF).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO inconstitucionalidade da questão (Art. * Controle judicial abstrato: concentrado ou objetivo de constitucionalidade realizado pelo STF (CF) ou TJ (CE’s). Passará a ter efeitos erga omnes. Ele vem passando por um processo de objetivação – passar a atingir terceiros  amicus curiae em RE no controle difuso (informativo do STF n. Pela pirâmide de Kelsen extrai-se o princípio da compatibilidade vertical em que qualquer norma que não esteja compatível com a CF (ponto máximo da pirâmide) deve ser retirada do ordenamento. Se o pedido foi concreto poderá haver o controle desde que seja um controle efetivamente de um caso concreto (declarar incidentalmente a inconstitucionalidade para atingir um caso concreto) e neste caso a decisão terá efeitos erga omnes. destituídos de qualquer carga de eficácia jurídica. CF: aplicado apenas no controle difuso. uma vez que os atos inconstitucionais são nulos e. O Senado pode suspender a execução de lei federal. portanto. O controle difuso é subjetivo (entre partes). Art. Há uma exceção em que os efeitos da decisão judicial no controle difuso será erga omnes  ações coletivas (ACP e AP). A lei não fica revogada. O efeito é ex tunc em relação às partes do processo. assim como no controle abstrato estadual a assembléia legislativa não participa). estarão apenas aplicando um precedente. Ações típicas são ADI. X. Caso o Senado suspenda a execução da lei declarada inconstitucional incidentalmente os efeitos serão erga omnes e ex nunc em relação aos terceiros atingidos. mas é ex nunc. O Senado não é obrigado a suspender a execução da lei. de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do STF. e mesmo que o STF julgue inteiramente inconstitucional ele pode suspender só de parte dela  juízo de conveniência. deverão deduzir ação um a um (é uma falha!). Os atos pretéritos realizados com base na lei inconstitucional não são atingidos. Efeitos da decisão judicial no controle difuso: Inter partes: atinge as partes litigantes apenas. Ainda excepcionalmente o efeito no controle difuso poderá ser ex nunc (RE 197917 – número de vereadores). A ADI genérica é o ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 56 . 481. Alguns autores sustentam que essa decisão tem natureza judicial que seria ex tunc. só não será mais aplicada (suspensão). Ex tunc: efeitos retroativos. a depender dos termos do pedido. ADC ou ADPF (repressivo). CPC).

102. se legislar matéria de competência municipal não cabe. mas na verdade ainda não são a mesma coisa. um processo dialético. lei delegada (tanto do ato que autoriza a delegação. a IX. Essa é uma atividade política. 102. tratados internacionais (lei ordinária ou EC). A ADI não visa dar a cada um o que é seu. I. Municipal será objeto de ADPF. medidas provisórias. O STF atuando como legislador negativo atua contra o poder da maioria  poder contramajoritário. regimento interno de tribunal (vício constitucional). é um processo objetivo. pareceres da consultoria geral (AGU) aprovados pelo presidente (quando se tornam obrigatórios para a administração pública federal). § 2º (estadual) da CF/88 e lei 9868/99. só que com um sinal invertido. “a”. regulamentos autônomos (Art. mas não propriamente o contraditório e a ampla defesa. mas se aproximam de ato administrativo com efeitos concretos. enquanto que o objeto da ADC é apenas lei ou ato normativo federal (PEC 358-A confere à ADC o mesmo objeto da ADI – lei ou ato normativo estadual também). Cabe ADI contra: emendas constitucionais. E é isso que garante a supremacia da carta magna. Essa atividade é um poder contramajoritário (Luiz Roberto Barroso). “p”. Há algumas que são chamadas de lei. quanto da própria lei). Arts. A lei municipal pode ser objeto de controle na ADI estadual em face da constituição estadual apenas no TJ. tecnicamente não existe contraditório e ampla defesa. ela é um processo de verificação da conformidade entre a lei e a constituição. O STF costuma dizer que ADI e ADC são a mesma coisa. ADI genérica: mecanismo de controle que objetiva expurgar do sistema jurídico um ato normativo que contrarie a CF. Poderão ser objeto de MS (não cabe MS contra lei em tese. lei do DF  com base na competência legislativa do estado. Para leis ou atos préconstitucionais (a recepção ou não recepção não poderá ser discutida em ADI. O TJ só pode fazer o controle com base na CF sendo difuso. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 57 . § 2º. 84. 103. contra o princípio da maioria (maioria do povo que elegeu o legislador para fazer as leis). resoluções do TSE quando veicular ato normativo. STF faz o papel de legislador negativo retirando normas e não resolvendo caso concreto. O objeto da ADI é lei ou ato normativo federal ou estadual. Exceção: lei de criação de municípios. Haverá uma defesa. vinculada ao poder semelhante à de “legislador negativo”. Objeto da ADI: lei ou ato normativo estadual ou federal (ADC somente federal). A ADI não envolve partes. 125. I. 97. lei no período da vacatio legis. VI) (regulamentos comuns não podem). mas caso seja de efeitos concretos será cabível).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO mecanismo que retira do ordenamento normas inferiores que contrariam a constituição. Este processo não é um processo civil comum subjetivo. decretos legislativos e resoluções quando são atos normativos (ex: RI). § § 1º e 3º. Não cabe ADI em face de: lei de conteúdo concreto (ato normativo abstrato coercitivo é lei).

A própria autoridade que editou ou participou da produção do ato normativo pode propor ADI. Presidente em face de uma MP. convenções coletivas de trabalho. sentenças normativas. normas originárias (teoria das normas constitucionais inconstitucionais – Otto Bachof . atos privados. Para atos revogados também não. A exigência de a entidade de classe estar em funcionamento há mais de um ano é só para MS coletivo. Lei ou ato normativo: ato que tenha os atributos de generalidade. por exemplo. Durante ADI muda dispositivo da CF  ela perde o objeto. Diretoria estadual de partido político não pode propor. São os governadores. a lei deve estar no ordenamento. mesas de assembléias legislativas ou câmara distrital. É a chamada lei de efeitos concretos (lei que desapropria o imóvel rural e lei orçamentária) que não podem ser objeto de ADI. ocorre que na ADI 1244 há um voto no sentido de que se a lei foi revogada no curso de uma ADI ela deve prosseguir. Tudo isso pode ser discutido em controle difuso ou ADPF. estaduais não podem. partido político com representação no congresso nacional. só por EC) (STF não aceitou a teoria das normas constitucionais inconstitucionais). Pode ser que algum ato tenha a forma de lei. Para ser considerado de “âmbito nacional” analogicamente a lei orgânica dos partidos políticos. decreto regulamentar. Tudo isso pode ser objeto de ADC sendo federal. A perda superveniente da representação no congresso não prejudica a ADI em andamento proposta por partido político (a partir de 2004).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO só em ADPF). Os requisitos são analisados por ocasião da interposição da ADI. Podem propor ADI: Art. Para regulamentos comuns. CF prevê os legitimados para propor ADI. Lei de criação de municípios pode ser objeto de ADI. abstração e coercibilidade. normas de estado estrangeiro (pode ser negado o exequatur mas declarar a inconstitucionalidade não). OAB só a nacional. Legitimados especiais: exige pertinência temática da parte ativa. 103. confederação sindical. entidade de classe  pertinência temática entre o objeto da ADI com o legitimado. A jurisprudência do STF divide os legitimados em dois grupos: Legitimados universais: podem ajuizar toda e qualquer ADI. PGR. Não é a mesa do congresso.não admitida pelo STF. mas não tenha conteúdo ou substância de lei. Antes o STF entendia que a ADI perdia o objeto. mesas da câmara e senado. conselho federal da OAB. São o presidente da república. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE interpreta-se 58 . apenas a da câmara e do senado.

§ 3º: AGU – a CF fala em citação. Ultimamente está ocorrendo a objetivação ou abstrativização do controle difuso (autor x réu com decisão inter partes). ou seja. mas é. O MP é custus constitutionis. Não é réu! PGR: antes de 88 ele era o único a poder propor ADI. lide. Nas ADIs estaduais melhor seria que não fosse a AGU. Ocorria que quando uma questão lhe era apresentada ele poderia promover a ação. Acreditava (em 88) que a lei era boa. Lei 9868/99. I a VII: dispensa advogado. interesse de agir (jurisprudência do STF). então propunha a ADI – raiz da ADC. 103. É processo unilateral. defesa simples (sem contraditório e ampla defesa). mas a questão era plausível. Com isso o STF está passando a admitir o amicus curiae no controle difuso (é figura do controle abstrato). 7º). não admite desistência. 7º. é processo objetivo. 402 ou 403 do STF. abstrato. fora da atividade judicial típica. mais do que custus legis. É também indisponível o pedido da cautelar. mas os fundamentos eram bons. 103. Não há prescrição e decadência em ADI. Não há pretensão resistida. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 59 . 5º: indisponibilidade de instância. Não é possível desistir da cautelar. No pólo passivo estarão as autoridades das quais emanou o ato impugnado. Art. Pertinência temática e interesse de agir – o STF diz que não há interesse de agir mesmo com a pertinência temática (na verdade tem sim). para só após proferir o parecer com sua opinião. Admitida a manifestação do amicus curiae por escrito ou também oralmente (Art. Hoje. Art. mas havendo advogado deverá juntar procuração com poderes específicos. se não for o autor será ouvido previamente em ADI e em todos os processos do STF. passou a promovê-la. mesmo ele sendo o autor o processo volta a ele para parecer (razão histórica). Assim. mas na verdade é mera notificação e não ato para formar lide com contraditório e ampla defesa. Isso para não privar a questão da análise do STF. partes. arquivá-la por ser totalmente incabível ou quando não concordava. Art. VIII e IX exige (partido político. § 2º) por despacho irrecorrível do relator .DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Associações de associações passaram a poder propor ADI (ADI 3155). confederação sindical e entidade de classe). A decisão no controle difuso é um precedente e a força dele acaba por atingir terceiros (as demais ações começam a ser julgadas no mesmo sentido – ex: progressão em crimes hediondos decidido em um HC). Informativo 401. Não é admitida intervenção de terceiros (Art.

§ 1º da lei 9868). porque se for exigir como se aplicaria a uma legislação em vigor há muito tempo? Não há de se falar em periculum. O requerente pode fundamentar o seu pedido em uma causa de pedir e o STF fundamentar em outra (fundamenta com vício no conteúdo e o STF entende que há vício formal apenas). A jurisprudência do STF admite que o requisito do periculum in mora pode ser substituído pelo critério do requisito da conveniência. quando o efeito será não repristinatório (Art. 9º. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 60 . que fica suspensa. Decisão na ADI: Na ADI não há adstrição à causa de pedir.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO O controle é abstrato porque não está vinculado a uma lide. § 2º). mas isso não significa que o STF poderá decidir ultra e extra petita (ex: ADI contra Art. mas pode ser afastado expressamente. 6º por vício formal – STF pode acolher como material. por exemplo). CF) (Arts. A cautelar tendo também efeito vinculante poderá dar margem a reclamação no STF ou TJ. TRF e TJ). 9º. 102. Há alguns julgados no STF dizendo que ambas as leis (A e B) sejam incluídas na inicial. quando houver. * Repristinatório: aplicar lei anterior A à que teve MC ADI (lei B).Art. no processo civil há. Não retira a condição de abstrato do controle (mas ele não é tão abstrato assim). I. 10 a 12 da lei 9868): salvo no recesso (cautelar apreciada por juiz monocraticamente). mas o pedido é determinado. Requisitos: fumus boni iuris e periculum in mora. sempre será concedida por maioria absoluta. é a realidade fática comparada com ela que influencia no julgamento no controle (Art. * Vinculante. Medida cautelar em ADI (Art. p. 5º. 12). * Ex nunc (excepcionalmente ex tunc . embora nem a CF nem a lei 9868 diga expressamente. A causa de pedir é aberta. 11. o STF aceita. Efeitos da cautelar na ADI: * Erga omnes. § 1º). 11. Ele é a regra. § 2º igualmente reporta-se às conseqüências fáticas dentro do controle abstrato (requisitar informações aos tribunais superiores. Não é somente o texto comparado com a CF. mas ele sempre estará vinculado aos fatos/realidade – atividade política de legislar negativamente. sendo matéria relevante remete diretamente ao tribunal para julgar o mérito (Art. A causa petendi é aberta porque o processo é objetivo. mas o que prevalece é que independentemente do pedido a abranger (lei A) na inicial haverá o efeito repristinatório. Art. As circunstâncias fáticas vão influenciar no julgamento da ADI. A jurisprudência do STF diz que esse efeito existe. Na MC. não pode julgar inconstitucional o Art.

Na ADI 1880 entendeu que qualquer pessoa poderia se valer da reclamação. Significa elastecer o pedido quando a inconstitucionalidade de um pedido implicar a de outro não expressamente impugnado (seria incompatível) (ADI 2797. mas o próprio Supremo não. PGR que move ADI e mais tarde se torna ministro do STF. continuando quando os demais ministros estiverem presentes. 2877. pode haver reclamação antes do trânsito (posição jurisprudencial do STF). 2608. 2666 e 2608). 2666. Inicialmente o STF passou a admitir a reclamação para garantir a autoridade de suas decisões. a lei é constitucional e continua no ordenamento. Exceção: no controle judicial e político preventivo (contra projeto de lei) a presunção de constitucionalidade é da lei e não do projeto de lei. A decisão da ADI vincula os demais órgãos do Judiciário.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Arrastamento: ADI 2982. O Art. o processo é objetivo. Na ADI 2231 ministro Gilmar Mendes se declarou impedido porque atuou como advogado geral da União defendendo a lei impugnada. 2797. Os efeitos correrão da data da publicação e não do trânsito em julgado. O STF julgando uma ADI procedente ele também sofrerá os efeitos da decisão. Por isso o STF diz que ADI e ADC são iguais. Vinculante: ao judiciário e administração pública direta ou indireta federal. mas se julgar improcedente a ADI. Não há impedimento ou suspeição. As diferenças entre uma e outras estão diminuindo. O STF pode entender que a lei passou a ser inconstitucional (ADC 01). Efeitos da decisão final da ADI: Erga omnes: se relaciona com os efeitos subjetivos da coisa julgada. 22: presença de pelo menos 8 ministros e manifestação da maioria absoluta – 6 ministros. logo. E a tendência é que tudo seja resumido em uma só ação. Na dúvida a lei presume-se constitucional (presunção relativa de constitucionalidade da lei). 2877. Só que somente as partes legitimadas poderiam interpor a reclamação. Uma ADC procedente não impede uma ADI futura. Assim. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 61 . 2982. Exceção. Da decisão não cabem recursos. fazendo com que alcance todas as pessoas. estadual e municipal. 24 diz que a ADI procedente = ADC improcedente e que a ADI improcedente = ADC procedente. apenas embargos de declaração. Essa possibilidade é o cerne da vinculação (consagrada na jurisprudência do STF e que só depois viria a ser o conhecido efeito vinculante). só que com o sinal invertido. Art. Não alcançada à maioria suspende-se o julgamento. a oposição dos embargos de declaração não impede os efeitos da ADI (Reclamação 2576). pois a lei será retirada do ordenamento jurídico. dispensando a passagem pelo juiz de direito até que chegasse ao STF. Não cabe ação rescisória.

mas ao conteúdo dele. A natureza jurídica do ato inconstitucional é nulo. 741. 27 excepciona a supremacia da CF e a teoria da nulidade (razões de segurança jurídica e interesse social . Cuidado. 27 diz é que isso é relativo e não absoluto. não se pode dizer ainda que a lei inconstitucional é anulável e não nula. mas é isso que se vislumbra nesse Art.relacionado a fatos). possibilitando que ato inconstitucional tenha efeitos mantidos até o trânsito ou outro momento (sem limitação). Todos esses efeitos se aplicam à ADI. Outro ato com idêntica inconstitucionalidade não precisa de ADI para ser retirado. quando a lei estará sendo apenas anulável (sistema austríaco de inconstitucionalidade de Kelsen – só que nesse sistema se permite a prorrogação até 1 ano após a decisão). mais que maioria absoluta) decidir que só terá eficácia a partir do trânsito ou outro momento fixado (ex nunc). O efeito vinculante atinge o Legislativo? A jurisprudência do STF se firmou no sentido de que não há efeito vinculante para o legislativo. estadual e municipal. Em síntese. Desde o caso MMM diz-se 62 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . a ADI deve apagar os efeitos da lei. Possível a restrição dos efeitos erga omnes. bastando a reclamação ao STF. O Art. podendo prorrogar a validade da lei inconstitucional tanto posterior quanto anterior ao trânsito. inclusive anterior à edição da lei impugnada atingindo lei anterior que havia sido revogada (torna dispensável que a inicial impugne expressamente). o que importa não é que a impugnação foi feita a um determinado ato (RI). O STF poderá ainda fixar outro prazo que não o trânsito. Transcendência dos motivos determinantes da decisão do STF em relação a uma lei ou ato normativo podem afetar outros atos normativos análogos. a modulação dos efeitos da ADI pode ir para frente ou para trás em nome da segurança jurídica e excepcional interesse nacional.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Vincula ainda toda a administração pública direta e indireta. em regra. Mesmo antes da CF/88 ou da lei 9868 o STF tem várias decisões que dizem haver efeito jurídico em lei inconstitucional. CPC). inclusive no que diz respeito aos atos análogos. 27 (há duas ADIs contra esse artigo. mas apenas para impedir que seja aplicada – pelo Judiciário ou pela Administração). mas fixar a data mais conveniente. pode reconhecer a inconstitucionalidade. Isso vai depender muito da realidade fática. O efeito vinculante incide inclusive sobre uma fase de execução (Art. 27 da lei 9868 permite a modulação dos efeitos da decisão procedente da ADI por razões de segurança jurídica ou interesse social com mais de 2/3 dos membros (8. A lei inconstitucional é nula. Mas no momento em que alguém aplicar essa lei a reclamação poderá ser utilizada (não impede o legislativo de legislar. ADC e às cautelares. É dizer que o STF declara uma lei inconstitucional e o legislador pode elaborar lei com mesmo conteúdo. mas o STF inclusive já aplicou o dispositivo). repristinatório. federal. vinculante e ex tunc. Ex tunc. Exceção: Art. o que o Art. sua natureza é declaratória de nulidade da lei (efeitos ex tunc). deve retroagir sempre.

Antes ele só havia para a ADC. 102. se uma primeira ADI foi improcedente ou uma ADC foi procedente (mudanças fáticas). com a EC 45 o efeito vinculante foi previsto (Art.917 – deu efeito pro futuro). Vincula: demais órgãos do judiciário. Só ocorrerá. Reclamação 1880 de 7/11/02 – o efeito vinculante pode ser usufruído por todos e não apenas aos legitimados da ADI. estadual e municipal). § 2º). relativizando os efeitos da ADI. l. Possível em face da transcendência dos motivos determinantes. Na prática. ADI e ADC têm natureza dúplice. administração pública direta e indireta (federal. uma lei pode se tornar inconstitucional e se isso acontecer o STF poderá reconhecer em RE ou ADI. 102. então. Mas para que mudou a redação? Administração direta incluiria o Legislativo? STF terá que se posicionar. Se o efeito fosse apenas erga omnes seria necessário seguir pelas vias ordinárias. A fundamentação deve ser observada por todos (mesmo que não tenha sido objeto de controle abstrato – lei 2. Repristinatório: se procedente. que fará valer sua decisão. STF. A reclamação é dirigida diretamente ao STF. O STF gostou tanto do Art.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO que lei inconstitucional produz efeitos. em caso de descumprimento enseja reclamação (Art. são efeitos semelhantes. (ADI 3022). na CF/88.000/RJ) sendo aplicada assim 63 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . parágrafo único) há o efeito vinculante. O que não pode é o contrário: se o STF julgar ADI procedente ou ADC improcedente a lei é fulminada. O efeito vinculante atinge o Legislativo? Ainda hoje na jurisprudência tem-se que o efeito vinculante não atinge o Legislativo. talvez chegando novamente ao STF por RE (começar lá de baixo). não poderá após ser reexaminada. Objetivação do controle difuso. mas não idênticos. Ainda quanto ao efeito vinculante. caso uma ADI declare inconstitucional uma lei 1. a decisão deverá ser obrigatoriamente cumprida. ADI originariamente não tinha efeito vinculante. CF) (garantir a autoridade de suas decisões). A reclamação 1880 também reconheceu que a liminar da ADI teria efeito vinculante. agora. 28. Com a lei 9868 (Art.000/RJ (ato normativo análogo). Com as reformas tenta-se igualar essas ações. Poderá julgar até mesmo uma ADI em sentido contrário. Isto porque o efeito vinculante é para os demais órgãos do Judiciário. Por mudança da realidade fática.000/SP essa decisão poderá alcançar uma lei 2. logo. Com a EC 45 o efeito vinculante está dirigido ao Judiciário e administração pública direta e indireta (antes ao Judiciário e ao Executivo). Futuramente a ADC também será para lei estadual. julgando RE (controle difuso com autor e réu) pode decidir de maneira diversa a lei que já tinha sido julgada constitucional. 27 que está aplicando inclusive ao controle difuso (RE 197. I.

só embargos de declaração. sugeriuse a reabertura do prazo da ação (doutrina). 1. ainda que a considerasse constitucional. não cabe recurso. pois o único legitimado era o PGR. 2. STF atingindo a coisa julgada. uma vez que ela é votada no parlamento. Neste caso a lei 2000/RJ já existia e em caso de ato normativo análogo futuro? O Legislativo poderá editar lei análoga a uma já declarada inconstitucional? Pela jurisprudência não há óbice porque o Legislativo não sofre os efeitos vinculantes. mas também à fundamentação. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 64 . O STF pode ainda se posicionar no sentido de estender os efeitos vinculantes ao Legislativo. A tendência é que as ações de ADI e ADC se fundam em uma só ação de controle de constitucionalidade. os motivos que levaram à declaração da inconstitucionalidade. Num primeiro momento a decisão 2 poderia dar margem a ação rescisória se ainda corresse o prazo para a rescisória. Quais os motivos que levaram à introdução do instrumento da ADC? Antes da criação da ADC questões de segurança jurídica traduziam certo desconforto em face da divergência de decisões a respeito de uma mesma lei. decisão que já transitou em julgado. sancionada pelo presidente e promulgada. A ADC foi introduzida pela EC 03 para tentar solucionar essa incongruência. ADC ADI procedente = ADC improcedente ADI improcedente = ADC procedente A lei já goza de presunção (relativa) de constitucionalidade. Controle abstrato: STF em ADI ou ADC declarou a mesma lei inconstitucional. só reclamação. ADI não tem execução. Em face dessa situação. é lei análoga à lei já declarada inconstitucional. Ao aplicar uma lei o juiz deverá observar não só o dispositivo (direcionado a certa lei). Já transcorrido. Talvez um dia no lugar da decisão 2 (controle concentrado) tenhamos um controle difuso (RE – objetivação do controle difuso) em processo de mudança. a parte legitimada até então só poderia levar a questão ao STF para defender a sua inconstitucionalidade (ADI).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO mesmo dá margem a reclamação no STF. Controle difuso: juiz declarou lei constitucional. O STF admite a transcendência dos motivos determinantes. Mesmo não utilizada a ação rescisória a decisão 2 poderá ser aplicada na fase de execução da decisão 1 por embargos à execução – inexigibilidade do título executivo. O legislador não está proibido de legislar lei análoga (inconstitucional). Antes de 1988 era ainda mais grave. Ação rescisória sob o fundamento de violação de literal disposição de lei. Isso não impede que por ocasião da aplicação seja impetrada reclamação.

pois há a PEC 358-A. A jurisprudência do STF está se posicionando no sentido de que os fatos cada vez mais influenciam na decisão de controle. justamente porque o papel dele é defender a constitucionalidade da lei ou ato normativo impugnado. não é o caso na ADC. modulação dos efeitos. Ocorre que há dificuldade de configuração do requisito de efetiva controvérsia. A lei 9868 ainda está na redação antiga da CF. O PGR será ouvido. Isso não ocorre na ADI. Os fatos da vida não podem ser desconsiderados (a lei 9868 fala em perito. o período pode não ser suficiente para que a controvérsia judicial se forme. posteriormente a jurisprudência e a lei 9868 o estendeu à ADI e às liminares (exemplo de mutação).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO O objeto da ADI é lei ou ato normativo federal ou estadual. A abrangência da ADI é maior que a da ADC (por enquanto. Existe ADI discutindo a constitucionalidade do Art. logo. O STF não é mero órgão de consulta. uma vez que a MP só vigorará por 60 dias (prazo curto). O legitimado da ADC deve indicar a existência de efetiva controvérsia judicial relevante sobre a aplicação da disposição objeto da ação declaratória. isto porque o objeto da ADC é menor. Medida cautelar em ADC: por decisão da maioria absoluta dos membros pode ser concedida e consiste na determinação de que os juizes e tribunais suspendam o julgamento dos processos. A lógica para o aumento dos legitimados é que o objeto da ADC se tornará maior. não há prazo de validade. Na ADI o que se suspende é a lei ou ato normativo e não os processos. Em ambas as ações (ADI e ADC) a questão dos fatos é fundamental. O efeito vinculante originariamente era aplicado somente à ADC. audiências públicas etc). não cabível a ADC. ex nunc e vinculante. 21 da lei 9868 e há um voto (do relator) dizendo que é inconstitucional por violar o princípio do livre acesso ao Judiciário. Há quem defenda que a lei deve ser revista para que os juizes não possam declarar a inconstitucionalidade da lei (mais lógico). Antes da EC 45 a legitimidade era menor. A liminar na ADC só tem validade por 180 dias. já que deve ser ouvido em todos os processos de competência do STF. igualando o objeto das ações). enquanto da ADC é apenas lei ou ato normativo federal. o mesmo da ADI (só que a 2ª parte da reforma do Judiciário ainda não foi aprovada). pois a pretensão é confirmar a constitucionalidade. 65 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . A legitimação ativa da ADC hoje é coincidente com a da ADI. A jurisprudência entende que também é cabível liminar em ADC. O AGU não é ouvido. Se a questão está sendo decidida de forma uniforme não há insegurança. Cabe ADC em face de medida provisória? Para uma prova objetiva pode-se até dizer que cabe. A controvérsia judicial é o requisito específico da ADC. Os efeitos são os mesmos da ADI: erga omnes. A controvérsia deve ser formada por número significativo de decisões de mérito controversas.

o controle é abstrato. dignidade humana etc).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Uma lei pode ser constitucional em tese. ou para as partes. projetando-se para além das regras constitucionais meramente escritas e dos princípios contemplados. considerando a lei inconstitucional (razoabilidade) (ADI 223-MC). ADI por omissão A inconstitucionalidade pode se dar por ação (ADI e ADC) e por omissão (ausência de uma norma que é necessária à constituição para que o dispositivo possa ter eficácia máxima). Sendo competência de poder. no Mandado de Injunção. 66 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . O bloco de constitucionalidade pode trazer até mesmo matéria que esteja presente na legislação infraconstitucional. Bloco de constitucionalidade: há determinados temas que não se exaurem em alguns artigos. No mandado de injunção a omissão lesa determinadas pessoas em um caso concreto. Os remédios para combater a inconstitucionalidade por omissão são o mandado de injunção e a ADI por omissão. Na ADI por omissão não há caso concreto. na ADI por omissão. A partir do momento que ele não age. há uma omissão que torna a norma constitucional ineficaz (inconstitucional). Existem dois tipos de ADI por omissão: contra o poder competente (legislativo ou executivo) e contra órgão administrativo. as pessoas prejudicadas poderão pleitear perdas e danos em razão da mora estatal. Observe-se que na ADI por omissão há inconstitucionalidade sem nenhuma nulidade. Ex: vedação de concessão de liminar contra o poder público. Trata-se de uma pluralidade de acepções. mas em um caso concreto (em face dos fatos em concreto) a mesma lei pode ser inconstitucional. o juiz poderá conceder a liminar. visando a concretização da idéia e ordem constitucional global. A jurisprudência do STF terminou por igualar o mandado de injunção à ADI por omissão já que entende que não pode legislar no caso concreto (ou abstratamente) e não pode obrigar ninguém a produzir a lei. as normas de eficácia limitada (institutivas ou programáticas) só podem se tornar realidade mediante a atuação do legislador infraconstitucional. é verdadeiro apelo ao legislador (doutrina alemã assim denomina). não se esgotando na constituição (ADI 1552). Mas em tese há diferenças. que o Estado está em mora. no máximo fixa um prazo para as providencias do poder competente. Dentro da classificação de José Afonso da Silva. É um conjunto de medidas e princípios que podem estar inclusive implícitos. A partir do momento em que o judiciário reconhece que para todos. mas em um caso concreto. o STF dará ciência da mora. Isso desde que as normas estejam vocacionadas a desenvolver a eficácia dos postulados e dos preceitos inscritos na CF. para que em 30 dias produza o ato faltante. estão espalhados em diversos dispositivos (igualdade. Sendo para órgão da administração pública a natureza da ação é mandamental e obrigatória. Em tese a lei que estabeleceu é constitucional segundo o STF.

Em tese não é cabível. E quem estará representando a União neste caso é o PGR. para outros. No modelo de hoje não cabe liminar (no RI do STF prevê). embora seja concentrado.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO O processo é basicamente o mesmo da ADI genérica. não necessariamente normativo. e mais uma vez é sem nulidade. Atenuação do significado ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 67 . Existe uma lide entre a União e um estado. Na CF de 1934 existia uma verdadeira ADI interventiva. é o significado atual do princípio da subsidiariedade. podendo o STF fulminar tal lei. 36) – violação aos princípios constitucionais sensíveis (para alguns são cláusulas pétreas implícitas. A inconstitucionalidade que o STF reconhece é fática (violação de um princípio sensível). nos termos do caput do Art. Os legitimados são os mesmos da ADI. é concreto. não tem sobre o que se pronunciar. Impedia a intervenção. Tudo isso torna a ADI interventiva um instrumento peculiar. Diante dessa lei o PGR poderia ir ao STF para dizer que não existiam os motivos da intervenção e que a lei era inconstitucional. 34. Inseri-lo dentro do controle abstrato é um equívoco por parte da doutrina. Hoje é totalmente diferente. 1º da lei 9882. A representação interventiva é uma ação concentrada (só o STF decide a respeito) e concreta (caso concreto de violação a princípio constitucional sensível). incluídos os anteriores à constituição. Não há de se falar em liminar ou em oitiva do AGU. No inciso I do parágrafo único do Art. Assim. apenas vai ensejar a intervenção. O que existe é a representação interventiva por parte do PGR (Art. ADPF Cabível a ADPF contra ato do poder público. 1º está previsto que é cabível ADPF contra lei ou ato normativo federal. A ADPF é ação subsidiária (princípio da subsidiariedade ou do exaurimento das instancias). A intervenção era feita por lei. Existindo outro meio capaz de resolver o problema não cabe a ADPF. a atuação do STF é para permitir a intervenção federal por decreto do presidente. Diferenças entre MI e ADI por omissão no quadro no material de apoio???? ADI INTERVENTIVA Este nome não consta na CF. estadual ou municipal. CF (princípios) – violação leva o PGR a representar ao STF – reconhecimento de uma situação fática inconstitucional. preceitos fundamentais) pode autorizar a intervenção federal nos estados: Art. mas já tendo sido utilizado outro instrumento que não solucionou o problema é cabível a ADPF. VII.

Dessa forma. com efeito vinculante. Não existe ainda decisão de mérito de ADPF no STF.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO literal do princípio da subsidiariedade quando o prosseguimento de ações nas vias ordinárias não se mostra apto para afastar a lesão a preceito fundamental. alguns autores dizem que a presunção de constitucionalidade não deve ser estendida às medidas provisórias. daí ainda existirem muitas dúvidas a respeito do instituto. O STF não pode “inventar”. Não sendo possível a interpretação conforme a constituição ele deve julgar procedente a ADI. Sendo possível a escolha entre dois caminhos. mas não é a mesma coisa. é constitucional. A MP não passa por processo algum. erga omnes e. uma pela constitucionalidade e outra pela inconstitucionalidade. É possível veto em ADPF? Existem duas posições do STF. é parecido. pois estaria na verdade legislando. em regra. já que a lei goza de presunção de constitucionalidade. afastando a possibilidade de interpretação diversa. Não pode contrariar o sentido inequívoco que o legislativo pretendeu dar (decisão do STF considerou a vontade do legislador. No exame de uma lei o julgador poderá se deparar com dois caminhos possíveis de interpretação (é uma possibilidade dentro da interpretação. Por decisão de maioria absoluta cabe liminar. podendo ser inclusive evolutiva). não se deve dar muito valor a essa presunção (cuidado!). Como princípio da hermenêutica significa que o intérprete deve interpretar a lei conforme a CF e não o inverso. sob pena de ferimento ao princípio da supremacia constitucional. Assim. TÉCNICAS DE CONSTITUCIONALIDADE JULGAMENTO NO CONTROLE DE Interpretação conforme a constituição: é ao mesmo tempo um princípio de hermenêutica e uma técnica de controle de constitucionalidade. deve-se escolher aquele que diz que a lei é boa. A ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 68 . ex tunc. Sob o ponto de vista do controle. Seus efeitos são os mesmos da ADI e ADC: vinculante. Declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto: a atividade típica do STF no controle é de legislador negativo. a ADI em julgamento será julgada improcedente e sendo ADC será procedente. mas hoje. simplesmente é publicada. Em recesso o relator pode conceder a liminar monocraticamente. reduzindo ou retirando do ordenamento texto inconstitucional. a vontade que é aferida é a da lei. A medida provisória não deve ter presunção de constitucionalidade com base nos argumentos de que a lei goza da presunção (passa por todo o processo legislativo). interpretar de maneira absurda. desde que não sejam absurdos).

DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO inconstitucionalidade vem acompanhada da revogação de um texto de lei (integralmente ou de parte). modulação dos efeitos da ADI etc). Declarar a inconstitucionalidade concreta produziria um prejuízo maior aos direitos fundamentais. sem que lei ou a CF mudasse. As circunstâncias. Na declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto a ADI é julgada procedente e a ADC improcedente. a declaração de constitucionalidade ou inconstitucionalidade poderá variar no tempo e no lugar. mas não declara a nulidade. A diferença é que na interpretação conforme a ADI é julgada improcedente ou a ADC procedente. Há determinadas situações. Isso pode ocorrer na ADI ou ADC quando o intérprete se vale da técnica da lei ainda constitucional. sem a limitação que o presidente da república tem no veto (não pode vetar palavra ou expressão). 68 do CPP (MP move ação civil ex delito para o pobre). onde. a forma não permite.060/50). Abstratamente a norma é inconstitucional. simplesmente porque não há como retirar da lei só o que se quer. Mas em concreto a realidade é que a defensoria não tem condições de absorver essa demanda. É também uma forma de interpretação conforme a constituição. Pela CF quem move ação para o hipossuficiente é a defensoria pública. ADI por omissão. enquanto o MP está muito mais bem estruturado. A partir do momento em que a defensoria alcançar a estruturação desejada. enquanto a defensoria estiver desaparelhada o MP poderá mover a ação civil ex delito. 69 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . 68 do CPP é ainda constitucional. Tal fato pode acontecer porque circunstâncias fáticas da realidade mudaram (cada vez mais os fatos influenciam a interpretação sobre a constitucionalidade ou não). que não seriam efetivados. A situação é de que da forma como está redigido não há como reduzir nada. mas sem revogar nada. porque a lei pode se tornar inconstitucional (STF). Ex: Art. O julgamento de uma ADC procedente não impede uma ADI no futuro. assim. nenhuma palavra. provando que nem tudo que é inconstitucional é nulo (teoria do funcionário de fato. é a inconstitucionalidade progressiva. Declara-se inconstitucional. por um aspecto formal. ADI interventiva. a lei se torna inconstitucional. e por conseqüência. por isso é preciso se valer da técnica. esses dispositivos tornar-se-ão inconstitucionais. O STF admite que o Art. O mesmo pode se dizer que a lei que dá prazo diferenciado para a defensoria (lei 1. ou seja. Declaração de lei ainda constitucional: algo pode ser constitucional hoje e inconstitucional amanhã. Apelo ao legislador: hipótese típica da ADI por omissão no caso do poder que está em mora. a redação da lei leva a uma necessidade de dizer que a lei é inconstitucional. uma determinada interpretação por meio da técnica de declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto. Por isso pode-se dizer que a inconstitucionalidade é desejada. Declaração de inconstitucionalidade sem pronúncia de nulidade: declara a inconstitucionalidade.

criaram a federação. completando essas múltiplas fontes de obrigações em um mesmo Estado. A forma de Estado vai variar de acordo com os elementos político e geográfico (poder sobre o território). A fonte central se faz valer em todo o território nacional. as decisões só valem se cada estado internamente se submeter às decisões. mas apenas à sua própria ordem jurídica e à ordem jurídica internacional. uma única fonte de poder em todo o território. A palavra federação vem do latim foedus. para serem estados federados autônomos. união entre estados. Federação: o Estado é composto pelos elementos político. Era um pacto confederativo. estão reunidos. então. é isolacionista). foederes = pacto. com uma fonte de poder central e em cada subdivisão uma outra fonte de poder que incide apenas ali.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO ORGANIZAÇÃO DO ESTADO E DA FEDERAÇÃO O Estado pode assumir duas formas: federal ou unitária. enquanto a fonte de poder regional se impõe em determinada região e podem ter pontos diferentes. Os estados deixaram de ser estados confederados soberanos. foi reputado insuficiente para atender a todos os estados (durou apenas seis anos). tem que ser ratificada pelo estado soberano. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 70 . Há ainda uma terceira fonte de poder político local. aliança. na Convenção de Filadélfia. A autonomia é a capacidade de o estado tomar decisões dentro de determinadas competências. permite o direito de secessão). formaram em 1781 uma confederação (forma de reunião de estados soberanos. geográfico e humano. para formar um único estado novo soberano resultado da união de estados membros autônomos (estado central soberano + estados regionais autônomos) indissolúveis. Ainda sobre os 13 estados soberanos. Formaram. soberano é o estado que não está sujeito a ordem jurídica de outro estado. tem-se um Estado unitário. No estado federado. A idéia partiu da Inglaterra (13 colônias inglesas que se tornaram estados soberanos – qualidade de um estado que é capaz de decidir em última instância todos os assuntos de seu interesse. dissolveu-se então a confederação e em 1787. Se a fonte de poder é unitária. Nesta forma há mais de uma fonte de poder político no mesmo território. que á a municipal. mas continuam soberanos. mas devendo-se se curvar às decisões centrais do estado soberano. Entretanto. os Estados Unidos da América. Foi uma forma de colaboração entre as colônias a fim de se protegerem mutuamente contra as constantes ameaças da metrópole inglesa. Cada estado deixa de ser soberano. Hoje. no território tem-se uma subdivisão geográfica. idéia clássica de soberania que não responde mais o conceito de soberania.

ela foge do centro. e nesse ponto de vista o conceito se inverte: por agregação  federação centrífuga (poder maior nas regiões. o poder é mais concentrado no poder central. O estado soberano unitário se dividiu. No Brasil o estado era unitário monárquico e posteriormente foram criadas divisões territoriais. espalhado). Isso se explica pelo processo histórico por que passaram. mas é estado unitário. 1º. Na desagregação a força vai do centro para fora. formando-se a república federada com um poder central e poderes regionais. Daí conclui-se existirem dois modelos de federação: federação por agregação (EUA) e federação por desagregação (Brasil). * Princípio da indissolubilidade ou indissociabilidade: nenhum estado pode decidir sair. o poder é mais bem dividido. por isso a doutrina denomina de federação centrípeta (EUA). os estados são fortes e têm grande autonomia. concentrado). ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 71 . para onde ele se dirige (e não do ponto de vista histórico). Já na federação por desagregação. por desagregação  federação centrípeta (poder central maior. na Inglaterra há bicameralismo. * Constituição rígida para assegurar a repartição de tarefas sem ser modificada por lei ordinária. e foi lá que surgiu a idéia. isto. Bicameralismo: Senado + Câmara. Características básicas do modelo federal: * Descentralização político-administrativa constitucional: repartição de competências entre as entidades federadas. A força na agregação é uma força que vem de fora para dentro. Na federação por agregação. ao contrário do processo histórico por que passaram os Estados Unidos. converge para o centro. estados autônomos. mas há uma variação entre a quantidade de poderes que é atribuído ao poder central ou aos estados membros a depender do modelo de federação.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Assim a origem de estado federado se deu com a formação dos Estados Unidos da América (antigas 13 colônias inglesas). * Órgão de manifestação da vontade dos estados membros: Senado Federal (Art. * Controle de constitucionalidade como mecanismo de preservação da repartição de competências constitucionais. CF). os estados são mais fracos e com autonomia restrita. Alguns autores utilizam “centrípeta e centrífuga” para explicar o poder. * Auto-organização dos estados-membros por constituições estaduais. Em ambos os casos há uma repartição de competências. 46). Diferente do processo de formação histórico. chamada de federação centrífuga (Brasil). não há direito de secessão (Art. Não significa que todo estado bicameral é federado.

Estados-membros e Municípios com competências próprias. 1º e 18 da CF). Territórios (se existirem) integram a União. não estão numa relação de subordinação. Cada um dos estados tem suas competências próprias. * Autonomia recíproca entre os estados-membros. Tríplice ou tricotômico: modelo brasileiro. A nossa federação. mas não é a posição que prevalece nem na doutrina nem na jurisprudência do Supremo. Os estados podem ter relações internacionais. STF entende os municípios como entidade federada (doutrina majoritária). parágrafo único. mas Estado é laico. pois não corresponde ao modelo clássico supra. Além deles. 19: liberdade religiosa. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 72 . Há uma outra forma de entendimento de simetria. José Afonso da Silva diz que município não é entidade federada. Teriam natureza jurídica de autarquia territorial ligada à Administração direta. Nesse ponto de vista a nossa federação é simétrica.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO * Autonomia financeira: recursos próprios. Federalismo cooperativo – trabalhar conjuntamente (Art. Podem relacionar-se com pessoa jurídica de direito privado internacional.autonomia). não há hierarquia (autonomia recíproca). sem religião oficial. sob esse ponto de vista. CF). Como pessoa jurídica de direito público interno a União atua com autonomia em igualdade com as demais entidades federadas. há ainda o DF (federação seria na verdade “quádrupla”). Ex: Fundef – não é cada um por si. A federação brasileira é tricotômica e não dual. e a União tem que respeitar as decisões que são próprias de determinado estado-membro. No federalismo assimétrico. Art. 23. não são unidades federadas (Arts. como o modelo clássico. Modelos de federação: Clássico. Cada estado tem que obedecer simetricamente o modelo clássico. Uma simetria entre as entidades federadas. há uma igualdade (ex: todos os estados têm 3 senadores). Federalismo simétrico: as entidades federadas se organizam à luz do modelo clássico e com isso é formada uma simetria entre o modelo federal e o estadual. há diferenças entre estados e União. Representa o Brasil em nome da soberania. União. O que não impede a cooperação. é assimétrica. mas não têm soberania. pessoa jurídica de direito público que possui capacidade política (pessoa jurídica de direito internacional –soberania e de direito interno . Uma federação simétrica onde todos os estados se relacionam entre si. com a CF e com a União da mesma forma. dual ou dúplice: reparte a competência entre duas entidades: União e estados-membros. UNIÃO: entidade federada. E a União possui autonomia recíproca com os estadosmembros no plano interno e soberania no plano externo (as características básicas de federação estabelecem reciprocidade apenas entre os estados).

*Auto-legislação: leis estaduais. terrenos marginais e praias fluviais respectivas. mas os recursos são da União. CF). *Autonomia financeira.760/46  33 metros do preamar médio de 1891. EC 46 mudou o Art. As ilhas são da União. podendo ser instituído um regime jurídico diferenciado. IV. Terra devoluta: terra que não tem registro. 109. lhas oceânicas (distantes) e próximas. § 1º: cooperativismo federalista: a União é a proprietária. 27). ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 73 . fundamental para determinar a competência (Art. executivo (Art. *Auto-organização pelas constituições estaduais. Rios. É água internacional. só é fundamental para a defesa nacional. que em regra são bens dos estados e não da União (só sendo indispensável à defesa das fronteiras). Acrescido de marinha é a parte que com o passar dos anos o mar recuou (além dos 33 metros). Mar territorial: 12 milhas. Zona econômica exclusiva: 12 – 200 milhas. 20: bens da União. terreno de marinha sim.661) (até onde começa uma outra vegetação) ou ecossistema. 125) próprios. 20. 200. O estado-membro tem autonomia: *Auto-governo: os estados possuem poder legislativo (Art. II). Art. mas algumas áreas podem ser dos estados (Art. mas os demais entes e inclusive o proprietário do solo terá direito a participação. *Auto-administração: administração pública estadual. Praias marítimas (lei 7. praia não é medida em metros. costeiras.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Art. Não é bem da União. ESTADOS FEDERADOS são organizações jurídicas das coletividades regionais para o exercício autônomo das competências constitucionais. 28) e judiciário (Art. Faixa de fronteira: 150 km de largura ao longo das fronteiras terrestres. orçamentária e tributária. lagos e quaisquer correntes de água. Ilhas lacustres: de lagos e fluviais nas zonas limítrofes. 26. Não há tamanho definido e onde tiver “areia”. Plataforma continental: 200 metros de profundidade e mesmo após as 200 milhas. Pode se ter o terreno de marinha já engolido pelo mar (parâmetro de 1891). Terrenos de marinha # praia: decreto 9.

36 + 28 = 74. Governador pode tomar posse em cargo público (concurso). quem já tinha até 1988. Art. mínimo de 24 deputados estaduais e máximo de 94. Limitação ao triplo: 12 primeiros entram na regra do triplo.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO *Art. 25: observar também o princípio da simetria (Art. Art. Pode ter área particular em ilha. § 3º: subdivisão dentro do estado por lei complementar estadual: os estados é que criam as regiões (microrregião: não tem continuidade urbana. ADCT). Art. 27: poder legislativo estadual: número de deputados estaduais. § 1º: número máximo de 70 e mínimo de 8 deputados federais. a do estado é o serviço de distribuição local do gás. § 2º: serviço local que não é competência do município – exceção: exploração de gás natural é da União. não tem poder judiciário. Bens: águas. Se adotar a norma repetida facultativa terá que seguir a simetria. região metropolitana: tem continuidade urbana. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 74 . MUNICÍPIOS: é entidade federada? Tem autonomia? *Auto-governo: poder executivo e poder legislativo. A constituição estadual possui normas próprias e normas repetidas. Deputado estadual ganha no máximo 75% do que ganha deputado federal. logo. 40  12x3 = 36  28x1 = 28. incorporem-se etc. EC 46: ilhas que tinham sede dos municípios passam a ser dos estados. aglomerados urbanos: carente de definição ainda). Normas repetidas obrigatórias ou normas centrais da federação. 11. 18. § 1º: simetria no regime jurídico dos parlamentares. 28: poder executivo estadual. áreas nas ilhas oceânicas e costeiras. * Auto-organização: lei orgânica municipal. Art. mas não pode entrar em exercício. 25. § 3º: plebiscito + lei complementar do congresso nacional para que estados desmembrem-se. Art. Art. ADI – TJ: CE (norma de repetição obrigatória) X lei estadual ou lei municipal: cabe RE excepcionalmente em controle abstrato estadual (RE com efeitos diferentes do tradicional – excepcionalmente erga omnes). As repetidas podem ser obrigatórias (simetria) ou facultativas (ex: MP). Ex: 40 deputados federais: 3 X 40 = 120. Limitação material a medida provisória estadual: MP estadual não pode tratar de serviço local de gás canalizado. 25. 45.

Em 5/10/88 quem tinha TCM permanece (só RJ e SP). Exceção: MS impetrado em face de ato de prefeito da capital (TJ – na CE e não na CF). 11 ADCT: municípios obedecem aos princípio da CE e da CF. TCE: órgão estadual. TCM: órgão municipal. Art. menos de 200 mil eleitores: 1 turno. TC municípios: órgão estadual. 29. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 75 . CE x LOM (ou outra lei municipal)  a CE não pode invadir a competência municipal ditada pela CF. por isso a maioria entende ser entidade federada. Art. 29. e mesmo tratando de matérias de seu município em outro lugar não está acobertado. CF e Art. STF entende que não cabe ao município decidir como achar conveniente o número de vereadores. 31. A imunidade é civil e parlamentar. 29. TC emite parecer prévio sobre as contas do prefeito. A CE pode ser inconstitucional em face da CF. prevalece a mais restritiva no caso concreto. não há liberdade de escolha do número. não vincula. Crime eleitoral: TRE. A única diferença dos estados é que não tem poder judiciário. § 4º: é vedada a criação na estrutura dos municípios. A lei municipal não pode criar foro “privilegiado” e nem imunidade formal (autorização da Câmara Legislativa) para vereadores (inconstitucional). após. 29. do município. Legislativo com o auxílio do TC: do Estado. VIII: inviolabilidade material (imunidade) com limitação geográfica: só em seu município. Na tribuna a imunidade atinge mesmo palavras fora do exercício do mandato. só os crimes comuns. Nem todos os crimes serão julgados pelo TJ. mas para contrariar exige o voto de 2/3 da câmara municipal. IV: número mínimo e máximo de vereadores. Existe uma tabela em acórdãos do STF. II: mais de 200 mil eleitores: 2 turnos. o auxílio é sempre por TCE ou TC para todos os municípios (estadual). Controle pelo poder legislativo e executivo (externo e interno). Subsídio dos vereadores sujeito a várias limitações (Art. 29.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO *Auto-legislação: leis municipais. O raciocínio não é o mesmo do da CF. Crimes federais: TRF (interpretação do STF). Dentro do município só no exercício do mandato. Art. VI e VII). * Auto-administração: administração pública municipal. Dependerá caso a caso da matéria. nem sempre a CE prevalecerá. Julgamento do prefeito pelo TJ: penal apenas. dos municípios. CE x LOM: depende. Art. Art. *Autonomia financeira. orçamentária e tributária. Políticoadministrativa não.

As contas são submetidas ao Congresso Nacional. partindo-se do princípio da predominância do interesse em relação a determinado assunto. Não é entidade federada. Nada deve ser levado ao plano mais elevado se puder ser satisfatoriamente atendido por um plano mais baixo. REPARTIÇÃO DE COMPETÊNCIAS: Existe a necessidade de repartição de competências a fim de se evitar a ausência estatal e dupla atuação sobre um mesmo assunto (omissão e superposição – desperdício). Governador nomeado pelo presidente da república após aprovação do Senado Federal. Disciplinado na CF por meio de técnicas de repartição de competência. apenas para tomar algumas decisões. 31. com interstício mínimo de 20 dias e com 2/3 de votos. 77 (maioria absoluta). Tinha natureza de autarquia especial territorial. tomam decisões. Podem ser divididos em municípios. não tinha capacidade política. Eleição para governador e vice-governador com as regras do Art. várias funções dos estados no DF são mantidas pela União (cria e mantém). por isso. Antes de 88 não era entidade federada. TERRITÓRIOS: são ligados à União. § 2º: criação regulada por lei complementar. nem autonomia. A repartição precisa ser racional. a com competência repartidas de acordo com a predominância do interesse (geral. DF tem função específica de abrigar a capital federal. Passou em 88 a ter natureza jurídica de pessoa jurídica de direito público interno com capacidade política (entidade federada). Caso tenha mais de 100 mil habitantes (e não eleitores) haverá Judiciário (1ª e 2ª instancias) – TJDFT e MPDFT. regional ou local). não têm capacidade política. defensoria. Vedação da divisão em municípios: competência legislativa (câmara legislativa): matéria dos estados e municípios. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 76 . seria uma autarquia territorial ligado à administração direta. DISTRITO FEDERAL: substituiu o antigo município neutro. estados: poder regional e municípios: poder local. câmara territorial com competência deliberativa e não legislativa. 18. União: poder central. haver 2 turnos. podendo. portanto. Lei federal (e não distrital) é que irá disciplinar. Não é um órgão legislativo (4 deputados federais). com parecer prévio do TCU. Caso fosse criado. O governo do DF otimiza esses órgãos. só significa que terá que pedir.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Art. possuem competência própria. § 3º: não significa que a publicidade se limita a 60 dias. Art. Todos legislam. Qualquer cidadão poderá pedir. Lei Orgânica: votada em 2 turnos.

mas não o de chegada. Há várias matérias em que não é possível identificar o interesse predominante (o princípio é útil. Art. Competências: são as matérias que devem ser desempenhadas pelas entidades de direito público. mais uma razão para não ser puramente utilizadas. 154). há campos de atuação conjunta. respectivamente). cooperativa. *Enumeração dos poderes dos estados e o remanescente para a União (Canadá). Art. organizada para evitar a duplicidade de esforços.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Técnicas formais de repartição de competências: *Enumeração dos poderes da União e o remanescente para os estados (EUA). Em matéria de impostos essa foi a técnica adotada pela CF (Art. Art. deixa consignado que se algo for esquecido será da competência da União. privativa (admite delegação por lei complementar. mas de forma mista. 25 e 29 elaboração de CE e LOM. Aqui essas regras não foram utilizadas de forma pura. Quando o estado legisla pela competência privativa por delegação sua competência é derivada e não originária e é feita por lei complementar. mas em princípio a União deve fazer tudo. Há 77 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . já no residual. Eles já podem desde logo legislar naquelas matérias. Art. mas não suficiente). A primeira delas é o ponto de partida para a nossa repartição. Correlacionando as tarefas com os poderes dos entes pode-se encontrar competências: * Administrativas (materiais ou executivas) * Legislativas A competência material pode ser de dois tipos: exclusiva (tarefas que devem ser exercidas somente por um ente. 22) e concorrente (para normas gerais e suplementares. há a intenção de esgotar e por precaução. não é competência derivada. Assim. No remanescente não há a intenção de esgotar todas as possibilidades. As técnicas supra mencionam apenas União e estados (federalismo clássico) e aqui o federalismo é o tricotômico. Para legislar a competência pode ser: exclusiva (não admite delegação. Na concorrente é competência originária do estado suplementar as normas gerais da União. Normas gerais: União. *Enumeração dos poderes da União e dos estados e o residual para a União. Normas Suplementares: Estados. Arts. 21) e comum (tarefas que devem ser desempenhadas por todos os entes. 23). 24).

logo. é competência privativa. mas isso não significa que cada um faz como quer ignorando o outro. Apenas alguns dispositivos podem gerar dúvidas: Art.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO competência suplementar dos municípios no Art. Formais: observar determinada forma. A intervenção é algo que foge à normalidade em uma situação excepcional de crise. XXI e XXVII: apesar de falar em normas gerais não é competência concorrente. o restante é competência municipal. 21/22 e 23/24. INTERVENÇÃO Sistema constitucional de solução de crises: são as medidas provisórias. Princípios: excepcionalidade. Art. XX: União apenas institui diretrizes para o desenvolvimento urbano. mas não está na CF. Caso a União não legisle normas gerais. Quando se faz a repartição de competências algumas coisas são comuns. estados de exceção  estado de defesa e sítio e a intervenção. Art. XIII: a União institui e mantém. Pressupostos: fático e formal. 21. 21. procedimento em matéria processual é concorrente. princípio 4º). 24. impeachment. parágrafo único: federalismo cooperativo. 24. Art. Fáticos: motivos capazes de ensejar a intervenção. Não podem ser aplicados os parágrafos do Art. formalidade. temporariedade. 22. na educação etc). Art. Art. XXIII: seguridade social só da União. 22. XVII: apesar de ser o DF é competência legislativa da União. XXIII. A regra é a não intervenção. os estados poderão fazê-lo integralmente. 225 diz que a responsabilidade ambiental é objetiva. deve-se maximizar os recursos. 30. o restante é concorrente. está expresso. 21. Art. 23. 24. XI: processo é competência da União. Existe uma correlação entre os Arts. um ente cooperando com o outro (no trânsito. cassação de mandatos. salvo a matéria de dano nuclear. Em regra a entidade que vai legislar é também a que vai executar. interpretação restritiva. os estados não podem legislar supletivamente. necessidade. caso venha norma superveniente da União sobre a matéria. Previdência social: União e Estados Art. necessidade. 22. que não é ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 78 . XXIV: apenas diretrizes e bases. Art. suspenderá a eficácia da lei estadual. no entanto. no que for contrário (Art. 22. na saúde. II. c: Art.

A violação a eles dá ensejo a representação interventiva (ADI interventiva). ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 79 . 36. Art. Em alguns casos pode ser dispensada a apreciação do legislativo (Art. Não há nos casos do Art. Motivos para intervenção dos estados nos municípios e União nos municípios em território: Art. A nomeação de interventor não é obrigatória (Art. VII  princípios constitucionais sensíveis.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO única. Decretada a intervenção a constituição não poderá ser emendada: Art. Motivos: Art. VI e VII). Outra afirma sempre haver conveniência e oportunidade por parte do cheque do executivo). 35. o decreto pode depender de solicitação (conveniência e oportunidade mantidas) ou de requisição (não cabe ao executivo fazer juízo de conveniência e oportunidade. terá. 36. Existindo interventor. Como já houve apreciação judiciária. resolve os conflitos de interesse. hipóteses da ADI interventiva. dependerá de representação (solicitação) do poder legislativo ou poder executivo e requisição do STF. segundo a doutrina). 36. o responsável civil pelos seus atos pode recair: atos vinculados ao objeto central da intervenção  União. dependendo do motivo. § 1º). podendo ensejar ADPF. ela varia de acordo com o motivo. 36: pressupostos formais. Há controle judicial em relação aos pressupostos formais. § 1º. isso. dispensa o controle do legislativo também. 35. § 3º. Motivos que podem levar à intervenção da União nos estados e DF. Alguns chamam também de preceitos fundamentais. PODER JUDICIÁRIO – Pedro Taques 390 a. A intervenção depende de juízo de conveniência e oportunidade do chefe do executivo.c Aristóteles divisou as três básicas funções: dentro de uma sociedade aquele ser que desempenha poder desenvolve basicamente três atribuições: cria a regra geral bem-viver nos casos concretos. Art. IV: pressuposto específico de forma. atos normais do cotidiano  estado (varia de acordo com a natureza do ato praticado. Art. Há uma forma geral (decreto presidencial) e outra específica. Quanto à conveniência e oportunidade não há. para parte da doutrina. § 1º: forma geral é pelo decreto do chefe do executivo. 60. 34. 34. Se o motivo for a coação a um dos poderes. mas em menor grau.

com exceção da de 1824 (adotou o poder moderador como 4º poder) adotaram a construção tripartite do poder. a partir dele. Essa divisão orgânica é divisão científica? Ela é histórica? É histórica (luta contra o exercício hipertrofiado do poder. 92). Poder é capacidade. o poder uno (Art. 44). dizendo que o poder não seja hipertrofiado . há a função legislativa (Art. o poder não pode ser unipessoal com as três funções básicas. é o poder que constituiu um determinado estado. independente. A partir desse momento (1789) surgiu o movimento contratualistas (1762 – Rousseau): cada um abre mão de parcela dos próprios direitos e coloca sob a responsabilidade do Estado. É possível identificar os elementos constitutivos do estado: 1) Poder ou soberania ou organização. Poder como órgão (Art. Cada uma das funções deve ser desempenhada por órgão distinto. Michel Temer (Elementos do Direito Constitucional) revela três acepções do termo poder na constituição: poder significando soberania (Art. Período dos contratualistas. Não existe outro centro de poder que possa impor a violência legítima (coação. há a divisão orgânica de poder (não identificado por Aristóteles e Locke). Todas as nossas constituições.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO 1690 (Locke) igualmente identificou no ser que exerce poder dentro da sociedade desempenharia três funções também: cria. A CF dá ao termo poder vários sentidos. O poder no âmbito do Estado é o poder político. mas pode mudar tendo em vista a realidade de determinado estado. judicial. 2) Povo (nacionais). 1º) se manifesta por órgãos legislativo. assim. Esse poder é indivisível. Ex: a constituição da Venezuela fala da existência de cinco poderes: legislativo. coercibilidade). 1748 (Montesquieu): identificou as funções de Aristóteles e Locke e avançou. A constituição francesa fala em função governativa (executiva e legislativa) e judicial. possibilidade de impor vontade sobre vontade de terceiros. único. povo e objetivos). 76) e jurisdicional (Art. 2º). executivo. parágrafo único). Poder político quer dizer possibilidade de imposição da violência legítima. executivo e jurisdicional. 4) Objetivos. contra o absolutismo). cidadão e eleitoral. aplica e resolve os conflitos. 3) Território. executiva (Art. Alexandre de Morais fala que o ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 80 . 1º. São teoria que fundamenta a origem do Estado (sociedade politicamente organizada dotada de território. Poder significando função. Dizia que para que nos pudéssemos voltar ao estado da natureza a sociedade se organizar e o poder deve ser exercido por um governo civil.

Essa definitividade é uma imposição do princípio da segurança jurídica (Art. A partir da revolução francesa. caput). após o ajuizamento da ação o juiz possui poderes instrutórios (Arts. LXXVIII). ou seja. Só o Estado tem o monopólio da violência legítima. O Estado substituindo a vontade das partes resolve os conflitos de interesse. I – sistema processual penal acusatório – separação entre quem acusa e julga. mas essa é uma exceção. § 1º). 5º. A regra é a indeclinabilidade jurisdicional. Essa função jurisdicional tem determinadas características: inércia. no entanto. XXXV). a CF previu as funções essenciais da justiça MP e OAB (capacidade postulatória). porque na constituição a justiça que tarda é injustiça. 345 do CP. essa aplicação deve trazer a segurança jurídica. substituindo a vontade das partes com a força definitiva. Surge o momento constitucionalista: ofertar direitos e garantias fundamentais do cidadão e divisão orgânica de poderes. só o poder judiciário poder trazer a segurança jurídica (Art. Inércia: não existe jurisdição de ofício. direito adquirido e ato jurídico perfeito). 217. Existem algumas exceções. mas os seus membros têm garantia de poder. Essa razoabilidade significa proibição de excesso. há subtração da prestação jurisdicional: não é possível se valer da via jurisdicional antes de esgotar as vias da justiça desportiva (Art. coisa julgada. sobretudo a partir da declaração universal dos direitos do homem e do cidadão (1789): se uma constituição não estabelecer a divisão de poderes ele não tem constituição. Significa inafastabilidade da prestação jurisdicional (princípio da indeclinabilidade jurisdicional ou direito constitucional de ação – Art. 81 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . Em razão disso a EC 45 estabeleceu que o processo deve ter um prazo razoável (Art. não é formalmente poder.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO MP é instituição extra-poder. Função jurisdicional: é o poder-dever do Estado de aplicar o direito ao caso concreto. 5º. A prestação jurisdicional é a tempo ou tempestiva. substitutividade e definitividade. Os processualistas dão o nome de definitividade à qualidade dos efeitos da sentença. Definitividade: o poder judiciário tem por função aplicar a lei ao caso concreto. Juízo arbitral é contenda que não será levada ao judiciário. Substitutividade: significa monopólio da jurisdição. Art. XXXVI – trilogia da irretroatividade: coisa julgada. 129 do CPC e 209 e 156 do CPP). Há exceções em que o cidadão pode exercer as suas próprias razões. 5º. de morosidade. Porque a jurisdição é inerte. No entanto. A segunda exceção é o manejo do habeas data. 129. só é possível após o esgotamento das vias administrativas (o STF já reconheceu que a exceção é constitucional). a de inovação da ordem jurídica e fiscalização (Arts. 58 e 70 a 75). Montesquieu criou a divisão orgânica para regrar a atuação do Estado. Função legislativa: o órgão legislativo desempenha duas funções. 5º. observado o Art. O juiz não pode agir de ofício sob pena de comprometer a sua capacidade subjetiva (imparcialidade).

Formas de acesso aos quadros do poder judiciário: a CF estabelece três formas de acesso. RS. Composição do TSE: no mínimo 7 juízes que são denominados ministros. não procuram justiça. 1. o juiz de direito desempenha função eleitoral.Art. procuram pacificação social. 2 advogados escolhidos pelo presidente da república de uma lista fornecida pelo TJ e 1 representante da magistratura federal. TST (TRT – juízes do trabalho). Desta feita. STJ e TSE a constituição fala em mínimo e não um número fixo. Todos que exercem função eleitoral o fazem por mandato de 2 anos. Um dos dois do STJ será corregedor geral eleitoral. pois a justiça eleitoral não tem quadro próprio de juízes. 2 do STJ e 2 advogados escolhidos pelo presidente da república de uma lista fornecida pelo STF. STF  STJ (justiça comum estadual – TJ – juízes de direito e federal – TRF – juízes federais). Relativização da coisa julgada. STF já reconheceu que a coisa julgada não pode ofender princípios constitucionais (desapropriação superfaturada).000 componentes entre PM e bombeiros – SP. TSE (TRE – juízes eleitorais e juntas eleitorais) e STM (tribunal militar e auditorias militares. o juiz de direito é servidor público federal (quem paga subsídio para o juiz eleitoral é a União). Esses ministros são escolhidos da seguinte forma: 3 do STF.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Em regra não existem direitos fundamentais absolutos. permitida uma única recondução por mais 2 anos. 2 juízes de direito de entrância especial. Como regra só pode ser presidente um dos ministros do STF. Quinto constitucional: Estrutura do poder judiciário: em razão da nossa cultura jurídica (romano-germânica) o nosso judiciário tem estrutura absolutamente complexa. mas em uma lei. 125. O judiciário não está previsto na constituição. a CF permite que a justiça estadual tenha justiça militar – TJ e conselho de justiça militar para estado que tenha mais de 20. durante o exercício da função eleitoral. Crítica: a justiça eleitoral é federal. Exerce em face do princípio da delegação (a CF delega ao juiz de direito função eleitoral). Escolha pelo presidente da república após aprovação do senado: 3. § 3º). em sendo assim. Justiça Eleitoral As justiças especializadas são justiças federais. a própria segurança jurídica não é absoluta. Ex: revisão pro reo. Não obstante. Cultura anglo-saxônica é bem mais simples (ex: Estados Unidos). mas ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 82 . erro material não faz coisa julgada. TRE: um por estado da federação e é composto por 7 juízes. resolver conflito de interesses de forma pragmática (ex: Michael Jackson). 2 são desembargadores do TJ. MG . Dos 11 ministros do STF é feito um rodízio dos que oficiarão no TSE. é relativa. Concurso público de provas e títulos: 2.

civis pela prática de crimes militares (Decreto-lei 1001/69). Ela é presidida pelo juiz auditor militar (concurso próprio) e exerce sua função em dois órgãos distintos: conselho de justiça militar especial e conselho de justiça militar comum. ou cível (lato sensu). inovação. Composta por 2 ou 4 cidadãos e presidida pelo juiz de direito exercendo a função eleitoral. no entanto. 4 do comando do exército e 3 do comando da aeronáutica). serão criados por lei para atuação em época de guerra. 10 são militares (oficiais generais – última patente . mas em zonas eleitorais. No entanto. O conselho funciona como colegiado ou singularmente. os tribunais militares ainda não foram criados. É presidido pelo juiz auditor militar. A justiça militar da União é composta pelo STM. julga atos disciplinares praticados por militar. São escolhidos pelo presidente da república e devem ter o nome aprovado pelo senado. que em regra é juiz de direito designado pelo TJ para oficiar na auditoria militar.000 existe concurso próprio para juiz auditor militar. 12. Estes 10 só poderão ser brasileiros natos (Art. tribunais militares e auditorias militares. 1º grau de jurisdição da justiça militar estadual: conselho de justiça militar. A justiça militar estadual não julga civil nunca. A EC 45 inovou no tocante à justiça militar estadual: a justiça militar estadual nunca julga civis. A CF reconhece duas: a justiça militar da União e a das unidades federadas. a justiça militar estadual não julga crimes dolosos contra ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 83 . 3 são advogados escolhidos pelo presidente. 1 juiz auditor militar e 1 representante do MPM. os juízes poderão acompanhar as tropas militares. Juiz eleitoral é o juiz de direito que por delegação exerce função eleitoral. A justiça militar da União julga além dos componentes das forças armadas. nos estados em que o efetivo da PM e CBM for superior a 20. Desses. O STM é composto por 15 juízes que levam o nome de ministros. Os 5 civis podem ser natos ou naturalizados. Só pode ser presidente do TRE um dos dois desembargadores do TJ.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO quem comanda os TREs são os juízes estaduais. também jurisdição não-criminal. Afeta a inamovibilidade. Ela só possui jurisdição criminal.3 do comando da marinha. Junta eleitoral: a CF não fala sobre sua composição. ficando a cargo do Código Eleitoral. A justiça eleitoral não é dividida em comarca. Auditorias militares: primeiro grau de jurisdição da justiça militar. Justiça Militar Conhecida como justiça castrense. § 3º). todos togados e vitalícios. Dos 15 ministros do STM. Justiça militar dos estados possui jurisdição criminal e a partir da EC 45.

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a vida praticados por PMs contra civis. A emenda constitucionalizou a lei 9299/96. Crime militar cuja vítima for civil o julgamento será feito pelo juiz auditor militar de forma singular e não pelo conselho da justiça militar. Crime militar praticado por PM com vítima militar será julgado pelo conselho de justiça militar atuando de forma colegiada (Art. 125, § § 4º e 5º). A justiça militar estadual nunca julga crime de abuso de autoridade (lei 4898/65), quem julga é a justiça comum. A justiça militar estadual não julga crimes culposos cometidos por militares previstos no CTB, são julgados pela justiça estadual. Não existe conexão entre o crime militar e o comum, desmembra-se o julgamento. Justiça comum federal: a CF dividiu o território nacional em cinco regiões federais. Cada uma é sede de um TRF. É possível a criação de outros tribunais. Número mínimo de desembargadores federais é de 7. TRF 1ª região: sede em Brasília/DF e mais 14 estados da federação (todos do norte, centro-oeste e Minas Gerais, Bahia, Maranhão, Piauí). TRF 2ª região: sede no Rio de Janeiro/RJ. Estados são Rio de Janeiro e Espírito Santo. TRF 3ª região: sede em São Paulo/SP – São Paulo e MS. TRF 4ª região: sede em Porto Alegre – Paraná, Santa Catarina e RS. TRF 5ª região: sede em Recife – estados todos do nordeste, exceto Bahia, Maranhão e Piauí. O concurso é regional e é permitida a permuta desde que haja concordância dos respectivos tribunais. Nos estados sede de TRF (DF, SP, RJ, RS, PE) o juiz federal que oficia perante o TRE não é juiz federal de 1ª jurisdição, mas sim desembargador federal (EC 45 deu essa denominação). 1º grau de jurisdição: juiz federal, não é dividida em comarcas, foro significa seção judiciária federal. Cada estado é uma seção. A seção é divida em sub-seção judiciária federal. Justiça comum estadual: no mínimo 7 desembargadores no TJ, o número varia de acordo com o estado (número de feitos e habitantes). Nos tribunais cuja composição se faz por mais de 25 membros é possível a criação de órgão especial que é composto por no mínimo 11 e máximo 15 membros. A composição do órgão especial até a EC 45 eram os 25 mais antigos, a EC 45 disse que metade dos mais antigos e metade por eleição entre os demais membros (discutido no CNJ). 84

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O CNJ (tecnicamente correto) deveria estar na estrutura do poder judiciário (abaixo do STF e acima dos tribunais superiores). No entanto, existe uma segunda posição, de que ele é órgão do poder judiciário, no entanto não desenvolve atividade jurisdicional, por isso não pode estar dentro da estrutura (Alexandre de Morais) – Art. 92, § 2º exclui o CNJ da função jurisdicional. STJ: criado pela CF/88, mas em 1965 José Afonso da Silva escreveu artigo pela criação de um tribunal nacional para unificar decisões. É composto no mínimo de 33 ministros. Os ministros são escolhidos pelo presidente da república, mediante aprovação do senado por maioria absoluta. Até a EC 45 era maioria simples. A escolha é do presidente, no entanto, ela é vinculada a determinadas categorias (ela não é livre). Ele escolhe dentre listas fornecidas pelo STJ, diversamente do que ocorre no STF. 1/3 dentre desembargadores federais dos cinco TRFs (hoje são 11); 1/3 dentre desembargadores dos TJs; 1/3 entre advogados (5) e representantes do MP (federal ou estadual - 6). STF: composto de 11 juízes que recebem o nome de ministros. Alexandre de Morais entende que a alteração do número de ministros ofende cláusula pétrea. A escolha é livre pelo presidente da república, não é vinculada a categorias. Livre dentre brasileiros que preencham os seguintes requisitos: brasileiro nato (pois está na linha sucessória do presidente da república – Arts. 12, § 3º, 81 e 101), idade mínima de 35 anos (José Afonso da Silva fala que é quando se atinge a capacidade política absoluta – Art. 14 – que é alcançada por etapas); idade máxima de 65 anos (o cidadão tem exercer no mínimo 5 anos para se aposentar compulsoriamente) (Idade máxima para ser conselheiro do CNJ é de 66 anos, isso porque o mandato é de 2 anos permitida uma única recondução, atingindo os 70); reputação ilibada (Canotilho diz que é uma expressão “viajante” – a depender do momento); notável conhecimento jurídico (conhecimento jurídico que dispensa prova (Michel Temer diz que no mínimo tem que ser bacharel em Direito). Garantias do poder judiciário: elas têm por objetivo assegurar à instituição a necessária independência frente aos demais poderes para o exercício de suas funções, afastando pressões de qualquer natureza (Art. 2º). Essas garantias podem ser divididas em dois grupos: garantias institucionais e garantias dos membros. As institucionais, por seu turno, se dividem em: autonomia funcional, administrativa e financeira (Art. 99) e modo de escolha dos dirigentes dos tribunais (Art. 96, I, a). A garantia dos membros também se reparte em dois tipos: garantia de liberdade e de imparcialidade (Alexandre de Morais e José Afonso da Silva). As garantias de liberdade se dividem em três tipos: vitaliciedade, inamovibilidade e irredutibilidade de subsídios. Imparcialidade se reparte em vedação da atividade político-partidária, vedação de acumulação de cargos, empregos ou funções, vedação de recebimento de custas e quarentena.
GARANTIAS AUTONOMIA FUNCIONAL GARANTIAS INSTITUCIONAIS ADMINISTRATIVA

VITALICIEDADE ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE

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DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO INAMOVIBILIDADE GARANTIAS DOS MEMBROS IMPARCIALIDADE ACUMULAÇÃO DE CARGOS, GOS OU FUNÇÕES ÇÃO DE RECEBIMENTO DE CUSTAS ENTENA FINANCEIRA

IRREDUTIBILIDADE

GARANTIA DE LIBERDADE POLÍTICO-PARTIDÁRIA VEDAÇÃO DE EMPRE VEDA QUAR

Garantia institucional  autonomia: auto-governo do poder judiciário, independência do próprio órgão em relação aos demais poderes do estado (Art. 99). Havendo a violação das garantias institucionais é caso de condenação por crime de responsabilidade (Art. 85). Cabe ao próprio poder judiciário sobre os cargos que dispõem o órgão, ele é que possui legitimidade, competência legislativa para apresentar projetos de lei para dispor sobre cargos. Ele apresenta ao executivo o orçamento necessário para o ano seguinte (proposta orçamentária). Se não encaminhar no prazo estabelecido o executivo mantém a do ano anterior (respeitando a LRF – LC 101). Garantia institucional  auto-governo ou função governativa (modo de escolha dos dirigentes dos tribunais): Art. 96, I, a. Elaborar RI é exemplo do desempenho de função atípica ou secundária o judiciário. O CNJ foi criado para regrar essa função governativa. Garantia dos membros: visa a independência individual do magistrado. Garantia interna (o magistrado tem independência frente aos tribunais, há subordinação administrativa) e externa (o magistrado não deve obediência a ninguém, salvo à CF e à sua própria consciência). Garantia de liberdade  vitaliciedade: em 1º grau ela é atingida após 2 anos de efetivo exercício (estágio probatório). Existe o projeto de emenda 358/05 para passar o estágio para 3 anos. Em 2º grau ela é alcançada a partir da posse, sem qualquer lapso temporal (indicação ou 5º constitucional) – Art. 95, I. Não se confunde com estabilidade: estabilidade é para servidor público stricto sensu, estabilidade alcançada após estágio probatório de 3 anos. Com a estabilidade o servidor pode perder o cargo em razão de decisão administrativa. Vitaliciedade é só para agente político, espécie de servidor público lato sensu. Em 1º grau é adquirida em 2 anos e nos tribunais a partir da posse. Aquele que é dotado do predicativo da vitaliciedade só perde o cargo em razão de sentença judicial transitada em julgado. Abrandamento da vitaliciedade de ministro do STF – pode ser condenado por crime de responsabilidade (Art. 52 e lei 1079/50). São ofertados ao magistrado para que ele possa exercer a função com independência, sem temor de violar outros poderes, não como prerrogativa pessoal. Garantia de liberdade  inamovibilidade: não podem como regra ser removido ex officio, sem iniciativa própria, por determinação. Exceção em que poderá ser removido ex officio: interesse público com voto da maioria 86 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE

* Receber custas ou participação em processo. * Receber auxílios ou contribuições de pessoa física. uma no cursinho. nessa data o MP não foi constitucionalizado. A primeira constituição que tratou do MP foi a republicana de 1891. seja cotista etc. * FUNÇÕES ESSENCIAIS DA JUSTIÇA Hugo Nigro Mazili critica essa denominação dada pelo constituinte. para ele melhor seria funções essenciais ao Estado. Dessa feita. A irredutibilidade é jurídica e não real (STF). 93. Garantias de imparcialidade (Art. parágrafo único): para a manutenção da capacidade subjetiva há uma série de vedações: * Exercer outro cargo ou função. II e 103-B. III). para magistrados é de seis meses (desincompatibilização – renúncia ao cargo e não licença como para outros servidores públicos). O MP e os advogados desempenham funções não só voltadas ao Judiciário. salvo uma de magistério (uma na faculdade. manutenção da independência.. Praticar atividade político-partidária em geral. 95. § 4º. A LOMAN veda ao magistrado que participe de sociedade. Os juízes militares podem ser removidos porque em guerra o juiz acompanha as tropas. portanto. VIII. O CNJ também pode por interesse público remover o magistrado (Arts. MINISTÉRIO PÚBLICO Qual é a posição constitucional do MP? CF de 1824: não tratou do MP. * Filiar-se a partido político. que pode ser removido por conveniência e oportunidade (discricionariedade).. em 1891 o MP fazia parte do Judiciário. É aquela não nominal. diversamente do servidor público stricto sensu. era voto de 2/3). ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 87 . o subsídio não é majorado a cada período considerando-se a inflação do mês anterior.? O STF não decidiu ainda). LC 64/90 estabelece prazo de filiação a magistrado diverso: até um ano antes da eleição é a regra. entidade pública ou privada. mas ao Estado como um todo. Dizia que o procurador geral da república seria escolhido dentre os ministros do STF. Em 1832 surge o código de processo criminal do império fazia referencia ao promotor da acusação.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO absoluta dos membros do tribunal (alterado pela EC 45. 95. Garantia de liberdade  irredutibilidade de subsídios: o magistrado não pode ter reduzido o seu subsídio porque precisa ter tranqüilidade para o exercício da jurisdição.

o que interessa é a função e garantia dos membros de poder. concluindo-se que os representantes do MP só poderiam praticar 88 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . como verdade absoluta. Em 1977 a nossa constituição foi emendada pela EC 07 de 1977 deixou expresso mais uma vez que o MP faria parte do Executivo (pacote de abril de 77). O MP é uma instituição extra-poder. implicitamente o MP nessa constituição pertencia ao Executivo. Não deve prevalecer como dogma. nem atos com força definitiva jurisdicional. CF de 1988: o MP não é um quarto poder porque formalmente existem apenas três poderes. logo. CF de 1946: redemocratização do país com eleição para presidente da república. Para Hugo Nigro não interessa o MP ser poder. Alguns dizem que essa foi a constituição mais democrática que tivemos. Essa atividade estava contida dentro do Executivo. pois se originou de uma assembléia nacional constituinte (a de 1988 foi de um congresso constituinte. Muitos Estados não adotam a teoria tripartite de poder (de funções) (Venezuela. ou seja. ela foi criada para uma realidade histórica em 1748. CF de 1967: o MP fazia parte do Judiciário. Essa divisão tripartite de Montesquieu não é científica. O Estado se manifesta por ato legislativo. o MP sem ser poder exerce função de poder e seus membros possuem garantia de poder. que inaugurou o Estado Novo. mas não como instituição (ditadura retira a independência do órgão). Há na doutrina quem entenda que o MP faz parte do Executivo (minoria). CF de 1937: foi uma constituição autoritária outorgada por Getúlio Vargas. Nessa classificação considera-se a natureza jurídica do ato praticado pelos representantes do MP. fala do órgão ao lado dos demais poderes. CF de 1969: alguns dizem que não houve constituição. o legislativo da União foi convertido em assembléia constituinte).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Em 1890 veio ao mundo o decreto 1030 que institucionalizou o MP. Alexandre de Moraes denomina do MP como instituição permanente que tem as mesmas garantias dos poderes. O MP passou a fazer parte do Executivo. Pela constituição de 1937 o MP foi esquecido. mas foi constitucionalizado só no ano seguinte. CF de 1934: o MP estava contido no capítulo denominado: atividades de cooperação governamental. ato administrativo e ato jurisdicional (decisão em sentido lato). mas apenas uma emenda 01 à constituição de 67. logo. ou seja. só havia uma referência ao PGR em um artigo. França etc). Os representantes do MP não praticam atos de natureza legislativa. não se pode aplicar a doutrina da época à nossa realidade constitucional. MP acompanhado do TC. Nos momentos históricos em que predominava a democracia o MP era órgão independente. portanto volta a ser instituição independente. A constituinte posicionou o MP fora dos três poderes da república.

Elaborada uma lista de 3 nomes encaminhada ao PGR para escolha para cumprir mandato de 2 anos. Justifica essa denominação afirmando que o presidente com autorização prévia precedente do senado pode afastar o PGR. MPT: possui o seu procurador geral do trabalho próprio. além de desenvolver atividades extrajudiciais. à exceção do MPF. LC 75/93 e Lei Orgânica Nacional do MP. cada estado tem sua lei complementar própria. Alexandre de Moraes diz que o presidente pode escolher dentro de qualquer um dos ramos do MPU. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 89 . MPDFT. O PGR pode afastar o PGT com autorização do conselho superior. O concurso é nacional. o que não quer dizer que o órgão faz parte do Executivo. Membros do MPF com mais de 35 anos indicado pelo presidente e aprovado pelo senado por maioria absoluta para exercer mandato de 2 anos.625/93. o seu procurador geral é o próprio PGR. Dentre os subprocuradores o presidente escolhe o PGR (não é regra expressa. MPM. Com a constituição de 88 houve uma restrição à escolha do PGR. O projeto de emenda 358/05 deixa isso expresso. todos os ramos do MPU possuem procurador geral próprio. lei 8. diversamente do concurso para juiz federal.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO atos de natureza administrativa. permitindo-se reconduções. Para José Afonso o PGR exerce investidura por prazo certo. O MPU se reparte em quatro categorias: MPF. Segundo grau de atribuição do membro do MPF: promovido a procurador regional da república que oficia em regra perante os TRFs (são 203). MPF: procurador da república que oficia em regra perante o juiz federal. O chefe administrativo do MPU é o PGR. MPT. mas é praxe). Hoje existem aproximadamente 680 procuradores da república. Após é promovido a subprocurador geral da república oficiando perante o STJ e por delegação do PGR no STF (são 62). A CF faz referência expressa à existência de dois MPs: MPU e MP dos estados. em regra porque é possível que o conselho superior faça uma designação especial para atuar em outro órgão (tribunal). O PGR pode ser reconduzido quantas vezes o presidente quiser reconduzi-lo desde que com aprovação do senado por maioria absoluta. só pode ser PGR membros da instituição. que é regional. No entanto essa posição é minoritária. porque entende-se que será escolhido entre os membros do MPF apenas. permitindo-se uma única recondução. O PGR até 1988 era escolhido livremente pelo presidente. Regra: além do PGR. Até a CF de 1988 o presidente poderia afastá-lo ad nutum. Em regra lei municipal não pode tratar de MP. caso o faça será inconstitucional.

José Afonso não concorda. O STF entende que esse MP previsto nesses artigos é um MP especial. mas somente com a autorização do legislativo da União (Senado Federal). Isso por dois motivos: caso se posicione o MP dentre de um dos poderes de república far-se-ia que esse poder ficasse super forte ou 90 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . para ele tem de ser a Câmara e o Senado. Regra: o governador não pode afastar o PGJ. 2º grau de atribuição é como procurador de justiça. Ele pode ser afastado mediante autorização do conselho superior. Alexandre de Moraes entende que a CF não prevê MP especial para os estados. MPTCE: em alguns estados já houve concurso próprio (GO. é escolhido pelo presidente de uma lista de 3 nomes fornecida pela categoria para mandato de 2 anos permitida uma única recondução. MPDFT: o procurador geral do MPDFT não é escolhido pelo PGR. 127. MG. O STF disse que essa lei é constitucional. mas a LC 75 fala apenas no Senado. RO). Lei 8443/92 é a lei orgânica do MP especial junto ao TCU. I também faz referência. Exerce mandato de 2 anos permitindo-se única recondução. quem deveria oficiar seriam apenas os membros do MPE. O STF reconheceu que se a lei/constituição estadual reconhece como um cargo próprio deve haver um concurso próprio e não compor as vagas por membros do MPE. permitindo-se uma única recondução. O CNMP entendeu que o MPTCU não deve obediência ao conselho. Aqui no MPDFT além do promotor de justiça a LC 75 fala em promotor de justiça adjunto. Art. É núcleo intangível super-rígido da CF. perante o TJ. O 1º grau de atribuição é como promotor de justiça. e quem oficia é membro do MPE. é cláusula pétrea. mas o MP especial. Não faz parte do MPU nem dos estados. mas não é a posição do STF. RJ é possível promotor concorrer ao cargo). Após certo tempo é promovido a procurador de justiça. a depender de cada estado (em GO. oficiando. faz parte da economia doméstica do TCU (ADIN 789/DF). só a Assembléia Legislativa. Art. CF: membros do MP junto aos tribunais de contas. 130. MPE: é chefiado administrativamente pelo PGJ escolhido pelo governador do estado de uma lista de 3 nomes para mandato de 2 anos. Pode ser procurador geral de justiça promotor ou procurador. CF: MP é instituição permanente. Pode ser afastado. § 2º. Quem oficia não é o MPE.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO MPM: também possui o seu procurador geral próprio escolhido pelo PGR de uma lista de 3 nomes. Ele oficia em regra perante o juiz de direito. em regra. Há um procurador geral do MP junto ao TCU. Art. Quem faz a nomeação dos representantes do MPTC é o presidente da república (há concurso próprio). três subprocuradores gerais e quatro procuradores do MP junto ao TCU. 73. projeto de emenda não poderia modificar essa condição. No entanto na maioria dos estados não há essa previsão.

deduzindo em juízo interesses da coletividade. 82 do CPC elenca as intervenções do MP. ele pode fazer tudo que não seja proibido. mas não apenas lá. as funções previstas são meramente exemplificativas. 91 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . O cidadão teria determinadas liberdades frente ao estado. no entanto. lazer). indiretamente o MP deve ser entendido como cláusula pétrea. são sujeições do cidadão às determinações legais. São funções previstas no Art. 129 esclarece o Art. São quatro status: negativos. igualdade e dignidade da pessoa humana. para o povo. é custus legis. são créditos do cidadão em face do Estado (salário. Defende a ordem jurídica como fiscal da constituição. ou seja. saúde. crédito do cidadão em relação ao Estado. com respeito à liberdade. regime democrático é muito mais do que isso. O cidadão tem obrigação de respeitar o que está previsto. Status ativo: significa direito público subjetivo de natureza política que tem a pessoa humana de participar da organização do estado. Funções: Função de órgão interveniente e função de órgão agente. positivo e o ativo. Essencial à função jurisdicional do estado porque o juiz é inerte. Em processo penal na ação penal de iniciativa privada. Status passivo é a situação oposta. igualdade e dignidade.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO hipertrofiado. logo. os direitos fundamentais de 2ª dimensão. Enquanto interveniente o MP é o fiscal da lei (constituição). estão espraiados por todo o corpo constitucional (ex: princípio da anterioridade tributária. ou seja. pelo povo. exercício de direitos políticos. fiscalizando a sua indivisibilidade. 129. o MP protege esse status que a doutrina chama de status negativo de cidadão. democracia em um determinado momento significou governo do povo. Proteção aos interesses sociais elencados no Art. O Art. Defesa de status constitucionais: Jellinek fala a respeito. inimputabilidade penal antes dos 18 anos etc). além delas existem outras. Status positivo: é a exigência de que o estado preste determinadas atividades. 5º. passivos. 127. o conjunto de normas de um Estado. o MP participa do processo eleitoral. Incumbe-lhe a defesa da ordem jurídica. educação. Proteção dos direitos individuais indisponíveis. ou seja. Defesa do regime democrático. Em processo civil o Art. Topograficamente os direitos individuais estão por toda a CF. Exercício de direitos políticos e a proteção da liberdade. 127 e melhor esclarecidas pelo Art. O MP tem por função a proteção dos direitos fundamentais do cidadão e os direitos fundamentais representam cláusula pétrea. 6º. ofendendo o controle que existe entre os três. Segundo a doutrina o MP tem por objetivo a defesa desses quatro status. Como órgão agente o MP atua como advogado da sociedade. previstos em regra no Art.

O princípio não impede designações na investigação (ex: GAECO e GAELD). Fundamentos: Art. nenhum deles determina ordem ao MP no exercício de suas funções. ela existe dentro de cada um dos ramos do MP. É conseqüência do princípio da unidade. Significa não existência de subordinação hierárquica. 3.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Princípios institucionais do MP (Art. * Autonomia funcional: significa que o MP é independente dos três poderes da república. § 1º): 1. 4ª câmara: meio ambiente. § 1º da CF. Indivisibilidade: possibilidade de livre substituição de uns pelos outros dentro do mesmo ramo do MP sem qualquer medida concreta (substabelecimento. Esse princípio está ainda no predicativo da inamovibilidade. que a indivisibilidade. 61 da CF). O representante do MP no exercício de sua função institucional deve obediência à CF e à sua consciência. quem fala é a própria instituição. A indicação de promotores ou procuradores é inconstitucional. É função governativa do MP. Art. O MP apresenta por meio do procurador geral a sua lei própria. 5º. 28 do CPP é um exemplo disso.  princípio do promotor natural. unidade quer dizer que no momento em que o representante do órgão fala. 3ª câmara: consumidor. 5ª câmara: patrimônio público. podem apresentar projeto de lei (Art. 4. Promotor natural (agregado pela doutrina): o STF já firmou que é princípio. É uma garantia constitucional do cidadão de só ser processado por um órgão do MP previamente estabelecido. 127. Existe chefia administrativa. Assim. É garantia de promotor isento no momento do oferecimento da denúncia a fim se evitar benefícios e perseguições. Designações de apoio ao promotor natural pelo procurador geral (a pedido do promotor ou procurador natural). 127. LIII: ninguém será processado .. 2ª câmara: criminal e controle externo da atividade. § 2º).. Como corolário dessa unidade surge outro princípio institucional. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 92 . o representante não está obrigado a denunciar. 2. 2º e no Art. Independência funcional: liberdade de auto-determinação só é encontrada no Art. Unidade: só existe um MP. Só agente político possui independência funcional. 6ª câmara: índios e minorias. mas não no exercício das funções constitucionais. Possui competência legiferante. 127. Contaminação virótica constitucional do CPP: entender o CPP de acordo com a CF. por exemplo). Garantias do MP: podem ser divididas em dois grupos: Garantias institucionais: * Autonomia administrativa: auto-governo do MP. 28 vai para a câmara de coordenação e revisão (para revisão do pedido de arquivamento do inquérito): 1ª câmara: constitucional. No MPF o Art. evitando-se promotores ou acusadores de encomenda com o objetivo de prejudicar o beneficiar o acusado. Os serviços auxiliares decorrem de lei própria (Art.

Receber honorários ou custas processuais. Antes havia uma exceção. em 88 foi criada a AGU. § 3º e Art. § 5º. Sendo candidato a filiação deve ser feita um ano antes das eleições (a LC 64 fala em seis meses antes. Magistério: não se definiu uma função de magistério (faculdade. 128. * Vitaliciedade. Hoje não existe mais qualquer exceção. Participar de sociedade na forma da lei. a CF diz serem equivalentes. salvo uma de magistério. 127.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO * Autonomia financeira: o MP possui dotação orçamentária própria.. Não é a posição do TSE: o afastamento para se candidatar deve ser definitivo. diverso do orçamento dos outros poderes da república. é uma exceção (é incompatível. O CNMP estabeleceu prazo até junho/2006 para que os representantes cumpram esse dispositivo. * Inamovibilidade. * Irredutibilidade de subsídios. vedando-se a advocacia por parte do MP. Os que entraram de 1988 até a promulgação da EC 45. Até a CF de 88 os representantes do MPF advogavam. 93 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . Exercer advocacia (o STF decidiu que defensor público não pode advogar também). teriam direito de se candidatar e perdendo volta. Vedações: previstas no Art. mas o STF decidiu que é de um ano). As suas atribuições são desempenhadas às expensas do orçamento próprio (Art. afastando-se por meio de licença e não renúncia ao cargo. a não ser que abandonem o MP. Garantias dos membros: tudo que se aplica para a magistratura se aplica aqui. cursinho. “salvo nos casos previstos em lei” e a LC 75 possibilitava a filiação partidária.. é um absurdo. Exercer outra função pública. Aqueles que entraram até 1988 adotam regime anterior e podem estar filiado e se candidatar. Aqueles que entraram após a EC 45 não podem se candidatar.). II da CF. segundo Alexandre de Moraes. No entanto aqueles que já eram do MP puderam continuar com a advocacia (Art. 168). 29 do ADCT). mas a CF permite). Exercer atividade político partidária: alterada pela EC 45. Projeto de emenda 358/05 irá adotar a posição de Alexandre de Moraes: possibilidade de se candidatar e voltar ao cargo do MP para aqueles que entraram após 1988 até a EC 45. O CNMP estabeleceu que só podem ser 20h semanais apenas. ainda que em disponibilidade. a dedicação deve ser exclusiva.

§ 3º). A DPDF é gerida pela União. não precisa ser dos quadros da AGU desde que seja brasileiro com mais de 35 anos e notável saber jurídico. Em sede estadual quem faz a defesa é o procurador do estado. O chefe da AGU é o advogado geral da União escolhido livremente pelo presidente. que é reservado à procuradoria geral da Fazenda Nacional (Art. Isto por uma questão histórica. ele deve atuar nos limites da lei. O Art. O estatuto da ordem estabelece que o advogado tem imunidade no estrito cumprimento funcional. O STF suspendeu a palavra desacato que a lei estabelecia como imunidade para o advogado (ADIN 1127-8/DF). então a CF/88 criou a AGU. é muito mais que só judicial. não existe prestação jurisdicional sem advogado. É a regra. 133 revela dois princípios: o da indispensabilidade do advogado e o da imunidade (material). ela não faz o executivo fiscal.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO ADVOCACIA Segunda função essencial da justiça. No entanto. Exercem a representação judicial e a consultoria das respectivas unidades federadas. ainda assim presta serviço público relevante. A AGU faz a defesa judicial e extrajudicial da União. revisão criminal. exercendo função essencial (Art. Nomeação do procurador geral do estado (PGE) é livre do governador. ela é organizada e mantida pela União. 133. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 94 . A DPU oficia perante a justiça federal. do trabalho e militar e existem pouquíssimos no Brasil. a competência para julga-lo é do STF. Regulada pela LC 73/93. advocacia privada e defensoria pública. Orientação jurídica é orientação judicial e extrajudicial. CF). Não é irrestrita. contraditório). justiça do trabalho. É vedado o exercício da advocacia privada aos defensores públicos. Advocacia pública: até 1988 não existia a AGU. portanto. O procurador do estado tem estabilidade após 3 anos (EC 19). Advocacia privada: muito embora atue sem vínculo administrativo com o Estado. 134 fala da necessidade de criação do órgão. não faz parte da DPU. Indispensabilidade é um fator importante para a garantia dos direitos fundamentais (ampla defesa. ação popular (?). juizados. Pode ser dividida em advocacia pública (Art. 131). É imunidade material. o procurador geral da Fazenda Nacional está subordinado ao AGU (LC 73). São chefiados pelo procurador geral do estado. mas existem exceções: HC. Imunidade: inviolabilidade em razão do exercício da função. Havia um conflito de interesses. O Art. o MPF ajuizava as ações. O AGU tem status de ministro de estado. 131. Defensoria pública: a CF garante a defesa jurídica pela defensoria pública.

A fiscalização financeira e orçamentária é feita com o auxílio do Tribunal de Contas da União (CF. art. A LC 80/94 estabelece que o defensor público tem direito a intimação pessoal e o prazo em dobro. durante a Idade Média. PODER LEGISLATIVO – Marcelo Novelino Origem: O Poder Legislativo foi concebido na Inglaterra. Advogados públicos: defensores Advogado dativo: supre a falta do defensor público. Em processo criminal pessoa rica pode ser patrocinada por defensor nomeado. Esse sistema costuma ser adotado em países pequenos como. art. a Câmara alta e a Câmara baixa. Segundo a concepção de Rousseau. Estrutura Em regra. O STF já decidiu que o advogado dativo não tem esse direito. 48) e fiscalizar (CF.g. mas ao final serão cobrados honorários executados pela PFN.. 70). No Brasil. Funções O Poder Legislativo possui duas funções típicas: legislar (CF. Nas demais esferas o sistema adotado é o unicameral.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Advogado constituído. O Brasil adota o bicameralismo do tipo federativo. Lei 1060/50 estabelece quem é hipossuficiente. o Legislativo se estrutura em dois tipos de sistemas: a) unicameral: formado por um único órgão. operacional e patrimonial. art. o Poder Legislativo se manifesta pela conjunção da vontade das duas Casas. 71). o qual atende à forma federativa de Estado positivada na Constituição. b) bicameral: composto por dois órgãos. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 95 . não podendo votá-la diretamente. é utilizado nos Estados-membros (Assembléia Legislativa). a soberania reside no povo que a exprime através da lei. orçamentário. com a finalidade de limitar a autoridade dos reis. A fiscalização dos atos emanados do Poder Executivo é decorrente do princípio da representação popular e ocorre nos âmbitos financeiro. a comunidade elege representantes para fazê-lo (teoria da soberania). contábil. e. Nesta hipótese. no Distrito Federal (Câmara Legislativa) e nos Municípios (Câmara de Vereadores). Luxemburgo. Nos juizados especiais não há intimação pessoal nem para o defensor público. Pelo princípio da participação: das vontades regionais e da vontade nacional (efetivada pelo Senado). uma vez que o Congresso Nacional é composto por uma Casa de representantes do povo (Câmara dos Deputados) e outra de representantes dos Estados e do Distrito Federal (Senado).

vice e ministro de estado. 52. são crimes impróprios. tanto nos crimes comuns e de responsabilidade será necessária autorização da câmara dos deputados com o quorum de 2/3. 102. e. provimento de cargos e seus serviços”. os membros do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público. art. CF/88. a competência será do STF (art. V) Membros do Conselho Nacional do Ministério Público. As penas são a perda do cargo e inabilitação por 8 anos). IV e do art. I e II) para processar e julgar. VI) Procurador-Geral da República. I. é autorização para o processo de impeachment e a autorização da câmara tem natureza eminentemente ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 96 . nas hipóteses do art. os membros do Congresso Nacional.. 51. polícia. o Vice-Presidente. e. VII) Advogado-Geral da União (status de ministro de estado). Todas as autoridades mencionadas acima . 102. o Presidente da República. cuja previsão consta da PEC 29/2000. o Legislativo também exerce funções atípicas. A exceção. b: “nas infrações penais comuns. seus próprios Ministros e o Procurador-Geral da República”. cuja pena não é a privativa de liberdade. I. III) Ministros do STF. até o momento. o Vice-Presidente. nos seguintes termos: “nas infrações penais comuns. art. II) Ministros de Estado e Comandantes das forças armadas (antes tinham status de ministro?).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Assim como os demais poderes.g. “c”). A Câmara e o Senado exercem função administrativa. se não for a competência é do STF. é com relação aos membros do CNJ e do CNMP. os membros do Congresso Nacional.além dos Deputados e Senadores – serão julgadas pelo STF no caso de crime comum. 52. Para o julgamento do presidente. A jurisprudência do STF já se consolidou no sentido de que a expressão crimes comuns abrange todas as modalidades de infrações penais. se o crime for conexo com o praticado pelo Presidente. XIII – “organização. IV) Membros do Conselho Nacional de Justiça. inclusive os delitos eleitorais e as contravenções penais. as seguintes autoridades (as mais altas autoridades de cada poder): I) Presidente e Vice-Presidente da República. nos crimes de responsabilidade (é uma infração político-administrativa. seus próprios Ministros e o Procurador-Geral da República”. O Senado tem ainda a competência exclusiva (CF. Se o crime de responsabilidade não for conexo com o praticado pelo Presidente. o Presidente da República.

Sendo crime comum o julgamento é no STF. sobre as elencadas no art. 14. inclusive de conveniência e oportunidade. art. maiores de 21 anos (CF. não deve participar da vontade nacional. 45. estrangeiros e apátridas. Tanto que a competência para legislar é privativa da União (súmula 722/STF). Dada a autorização o julgamento nos crimes de responsabilidade será feito pelo Senado. 14. que tem como uma de suas características a participação da vontade dos Estados na formação da vontade nacional. art. sendo a representação distribuída proporcionalmente às correntes ideológicas (partidos políticos). VI. Atribuições do Congresso Nacional Dentre as atribuições do Congresso Nacional estão a competência legislativa e a competência deliberativa. b). art.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO política. Segundo o STF. e quem preside esse julgamento é o presidente do STF e a pena se limitará à perda do cargo e inabilitação por 8 anos. Os Senadores são eleitos pelo sistema majoritário (maioria relativa. através de escrutínio secreto (CF. § 2o). 14). 46). § 3o. Ele não é ente federativo. maiores de 35 anos (CF. art. art. art. art. a natureza do crime de responsabilidade é penal. basta que o senador seja o mais votado. 57) e tem início em 02/02 a 17/07 e reinicia em 01/08 a 22/12 (modificado por emenda) O Senado Federal é composto por representantes dos Estados e do Distrito Federal. 48 da Constituição da ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 97 . este elegerá quatro deputados. em especial. não sendo necessário mais de 50%) (CF. § 2o). eleitos diretamente. O número de Deputados por Estado e pelo Distrito Federal será proporcional à população (e não ao número de eleitores). art. A paritariedade do número de Senadores se assenta no princípio federativo. Aquela é atribuída ao Congresso para que disponha sobre todas as matérias de competência da União (CF. Os territórios não possuem representantes no Senado Federal. na seguinte serão eleitos dois (dois terços) (CF. independentemente do tamanho de sua população para legislatura de 4 anos (CF. b) eleitos diretamente. art. Deputados e Senadores A Câmara de Deputados é composta por representantes do povo. VI. 46. §1o). § 3o. 22 e 24) e. Caso seja criado algum território. 14). por escrutínio secreto (CF. sendo que cada Estado e o Distrito Federal elegerão três. 45. Os Deputados são eleitos pelo sistema proporcional (CF. A renovação desta representação não é feita simultaneamente. ou seja. § 1o). Todavia. mas sim de forma alternada. não há segundo turno para eleição de senador. art. que corresponde à soma dos brasileiros. Se em uma determinada eleição foi eleito um Senador (um terço). nenhum deles poderá ter menos de oito ou mais de setenta deputados (CF. duas legislaturas (CF. 45). para exercerem um mandato de oito anos. A sessão legislativa é o período anual (Art. arts. 46.

O objetivo é evitar que o Executivo utilize determinados cargos para que certos deputados ou senadores possam ser favorecidos. apesar do disposto na Constituição (“compete privativamente”. As sessões legislativas extraordinárias podem ser convocadas pelo presidente do Senado Federal . pelos Presidentes da Câmara e do Senado ou mediante requerimento da maioria dos membros de ambas as casas. CF). Deve-se atentar para a distinção entre legislatura e sessão legislativa. de estado de sítio e de intervenção federal e para compromisso e posse do Presidente e Vice . Neste caso. A competência deliberativa. Além das sessões legislativas ordinárias. §§ 6o e 7o). art. 51) e ao Senado Federal (CF. privação da capacidade política passiva. existe a possibilidade de convocação extraordinária do Congresso Nacional para deliberar sobre determinada matéria. Na cassação do mandato. como as matérias são veiculadas por lei. O mandato poderá ser cassado quando houver a violação das incompatibilidades do Art. deve ser veiculada por decreto legislativo ou por resolução. 57.). por exemplo. a perda é decidida pela casa respectiva do cassado.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO República. 22. Conforme dispõe seu parágrafo único. com as competências da União previstas no art.. As competências atribuídas à Câmara dos Deputados (CF. CTN).ou pelo Presidente da República. também são exclusivas. A lei federal é a que trata de interesse exclusivo da União enquanto ente federativo (ex: lei 8112). 44. apesar de serem feitas pelo congresso não tratam de interesse exclusivo da União. apesar de exercidas isoladamente. prevista no art. pela inobservância do decoro parlamentar ou pela sentença penal ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 98 . parágrafo único). 55. dispensando. a sanção do Presidente. militares. 57). Geraldo Ataliba distingue lei nacional de lei federal. A primeira tem a duração de quatro anos (art. 52). Incompatibilidade ocorre após a eleição para um cargo. exercida isoladamente e que não comporta delegação. Competências privativas. 54 da CF traz hipóteses de incompatibilidades de deputados e senadores. pois não podem ser delegadas. é exigida a sanção do Presidente da República. buscando apoio político. lei complementar poderá autorizar os Estados a legislar sobre questões específicas das matérias ali relacionadas. ao passo que a segunda é anual (art. As inelegibilidades podem ser absolutas (inalistáveis e analfabetos) e relativas (parentesco. Trata-se de uma competência exclusiva.. por isso. 54. É o que ocorre. Algumas ocorrem a partir da diplomação e outras a partir da posse. previstas em lei complementar). quando houver urgência ou interesse público relevante (art. As leis nacionais. art. § § 2º e 3º. mas de todo o Estado (ex: CP. Ocorrem antes que a pessoa seja eleita para determinado cargo. 49.em caso de decretação de estado de defesa. O Art. ou seja. 14. Não se confunde com inelegibilidade (Art. comportam delegação ou competência suplementar. na verdade. Cassação e extinção do mandato: Art. Estão ligadas à não possibilidade de deputado ou senador após a expedição do diploma exercer determinadas funções.

Em se tratando de crime comum serão julgados pelo STF. as reuniões são dirigidas pela mesa do Senado Federal.Classificações I) Quanto a sua duração.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO condenatória definitiva. Na extinção do mandato não há julgamento. As atribuições de cada comissão estão elencadas na Constituição (art. § 2o) e nos regimentos internos de cada uma das Casas do Congresso Nacional. 58. muitas vezes. Por isso. II) Quanto a sua formação. No caso do Congresso Nacional. supervisão. § 4o). As comissões devem ter uma representação proporcional dos partidos ou dos blocos partidários das respectivas Casas Legislativas (CF. a Constituição veda a recondução para o mesmo cargo na eleição imediatamente subseqüente. As comissões parlamentares foram valorizadas pela Constituição de 1988 que lhes atribuiu diversas competências. correspondem ao campo funcional dos Ministérios. Mesas diretoras As mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal são os órgãos diretivos dessas Casas. o que não impede a possibilidade de eleição para outro cargo da Mesa (art. administração e execução). Comissões parlamentares A diversidade e complexidade das matérias a serem analisadas pelo Legislativo suscitaram a necessidade de uma especialização dentro do parlamento com o intuito de se fazer um estudo prévio e especializado das propostas apresentadas. 57. 58. III a V. compostos por um conjunto de parlamentares eleitos por seus pares para dirigir os trabalhos legislativos pelo período de dois anos. . A função de membro da Mesa das Casas legislativas é de natureza executiva (direção. é apenas uma declaração de perda do mandato feita pela mesa da casa respectiva quando houver violação das hipóteses do Art. Essa análise é feita pelas comissões parlamentares que. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 99 . polícia. emitem um parecer prévio para posterior apreciação do plenário. b) temporárias: extinguem-se com o fim da legislatura ou se dissolvem com o encerramento de seus trabalhos. 55. § 1o). as comissões podem ser classificadas como: a) permanentes: quando permanecem mesmo após o fim das legislaturas. art. Nos três casos a casa do deputado ou senador irá decidir pelo voto secreto (STF já entendeu que deve ser observado no âmbito estadual) e a decisão deve ser dada por maioria absoluta. as quais. as comissões podem ser: a) exclusivas: compostas apenas por Membros da Câmara ou do Senado. São estruturadas em função das matérias de sua competência. na função de órgãos técnicos.

além de outros previstos nos regimentos internos das respectivas Casas legislativas. IV) Comissões parlamentares de inquérito (CF. Podem ser criadas pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal. 62. art. Michel Temer observa que “no Brasil. desde que atendam aos seguintes requisitos: 1º) requerimento de. § 9o) ou a análise de projetos de leis financeiras (CF. reproduzir de forma proporcional a representação partidária. Sua composição deverá. legal. art. Por outro lado. pelo menos. corolário do princípio federativo. categórica e irremissível. em conjunto ou separadamente. Nos termos do § 1º do art. em funções puramente legislativas. III) Comissão representativa do Congresso Nacional Tem por escopo representá-lo durante o período de recesso. sendo mista. um terço dos membros da respectiva Casa. a periodicidade. fatos que se refiram exclusivamente às competências dos Estados e Municípios. p. admite a reeleição: nas funções executivas implica necessariamente alternância” (Elementos de direito constitucional. que estiver devidamente caracterizado no requerimento da Comissão”. § 4o) e sobre as medidas provisórias (CF. § 1o).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO b) mistas: constituídas por Deputados e Senadores. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 100 . e. 35 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados. devem ser fiscalizados pelos respectivos legislativos. 128). não podem ser objeto dessas comissões quando inexistir nexo causal com a gestão da coisa pública. Assim. entendesse por fato determinado o “acontecimento de relevante interesse para a vida pública e a ordem constitucional. Todavia. 2º) ter como objeto a apuração de fato determinado. Podem ser objeto de apuração todos os assuntos que estejam na competência fiscalizatória do Congresso Nacional. Tratam de assuntos que devem ser decididos pelo Congresso Nacional. art. § 3o) a) Requisitos As comissões parlamentares de inquérito têm poderes de investigação próprios de autoridades judiciais. 58. a alternância dos cargos de natureza executiva é peremptória. absoluta. dentro do possível. haja vista a necessidade de respeito à autonomia desses entes. 166. econômica e social do país. 3º) ter prazo certo para o seu funcionamento. 66. como a emissão de parecer sobre o veto (CF. art. de Estados e de Municípios. é necessário 1/3 dos deputados e 1/3 dos senadores e não 1/3 do congresso nacional. Fatos de interesse exclusivamente privado. admite-se a investigação se houver interesse simultâneo da União. Os membros desta comissão são escolhidos pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal. na última sessão ordinária do período legislativo.

embora bastante amplos. São conferidas a essas comissões determinadas prerrogativas para uma ampla investigação. 5º. não são ilimitados nem absolutos. b) Poderes Os poderes das comissões parlamentares de inquérito. art. salvo em flagrante delito (“cláusula da reserva constitucional de jurisdição”). No que se refere à locução prazo certo. a qual se submete à ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 101 . sendo eivados de nulidade quando destituídos de fundamentação (CF. como a possibilidade de obtenção de informações junto às instituições financeiras e o acesso a dados e registros telefônicos ou fiscais (quebra dos sigilos bancário. O sigilo telefônico não se confunde com a inviolabilidade das comunicações telefônicas (interceptação telefônica). Além de não ser obrigado a prestar esclarecimentos. Em um Estado Democrático de Direito. o STF já se manifestou no sentido de que esta não impede prorrogações sucessivas dentro da mesma legislatura (Lei n. XII) ou decretar prisão (CF. Todavia. 2) determinar invasão de domicílio (CF. “Nemo tenetur se detegere: direito ao silêncio. desde que haja aditamento do objeto inicial da CPI.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO A exigência de se ter como objeto um fato determinado não impede a apuração de outros fatos conexos ao principal. sendo que os atos destas comissões também se submetem ao controle jurisdicional. 5º. interceptação telefônica (CF. art. 1579/52). condução coercitiva. ainda que o fato não tenha sido concluído. 93. 5º. busca e apreensão de documentos desde que respeite a inviolabilidade do domicílio. o término desta sempre será o termo final de uma CPI. art. Como pressuposto de legitimação da própria resolução adotada. IX). art. o paciente possui o direito de não ver interpretado contra ele o seu silêncio”. telefônico e fiscal). não havendo nisto qualquer ofensa ao princípio da separação dos poderes. 5º. LXIII). os atos das CPIs deverão ter suas razões expostas no momento da deliberação. As conclusões decorrentes da investigação poderão ser encaminhadas ao Ministério Público para que este promova a responsabilidade civil ou criminal dos infratores. XI). art. De acordo com a jurisprudência do STF as testemunhas também podem invocar esse privilégio e não apenas os investigados. ou até mesmo de fatos inicialmente desconhecidos que surgirem durante a investigação. As CPIs não podem: 1) desrespeitar o privilégio contra a auto-incriminação (CF. apesar da possibilidade de condução coercitiva dos convocados para depor como testemunha. LXI). nenhum dos poderes encontra-se acima da Constituição.

. não obstante. Em que pese o argumento de que. implícitos ou explícitos . 58. A competência das comissões de inquérito deve comportar-se no quadro da competência do Poder Legislativo”. de absorção compulsória . 443. Além do Congresso Nacional. CARVALHO. Tais comissões possuem os mesmos requisitos e poderes atribuídos pela Constituição à CPI federal (art. não poderiam ser criadas comissões parlamentares pela Câmara de Vereadores. são.. STF . Joaquim Barbosa (STF) admitiu.. Assim. Joaquim Barbosa “Já advertiu o eminente ministro Sepúlveda Pertence. inexistindo Poder Judiciário municipal. 4) Não tem poderes de medidas cautelares: determinar arrestos.ACO 730/RJ. as Assembléias Legislativas estaduais.).esses e aqueles. O autor Kildare Gonçalves cita a lição de Raul Machado Horta no sentido de que “dentro do sistema constitucional de governo. a criação de CPI municipal. seqüestros etc. sob pena de violar a separação dos poderes e as liberdades individuais. § 3º). Só ele admite a possibilidade de quebra do sigilo bancário pela CPI municipal. destinada a garantir o potencial do poder legislativo em ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 102 . há reserva de jurisdição.no ordenamento parcial dos Estados e Municípios". não podendo “substituir-se à ação dos juízes e tribunais. sendo necessário extrair da atual Constituição o traço essencial da atual ordem. 3) formular acusações e punir delitos. nem o conteúdo negativo das vedações. c) CPI estadual e municipal. enquanto o sigilo telefônico não pode. o Min. ao tratar do princípio da separação de poderes.. Entendo que a possibilidade de criação de comissões parlamentares de inquérito seja uma dessas normas de absorção compulsória nos estados membros. que para este não há "fórmula universal apriorística". Peluzo e Velloso não admitem a quebra. pois seus poderes se destinam somente à instrução do inquérito legislativo. observada a competência fiscalizatória de cada Casa. Min. em respeito ao princípio federativo.com ou sem reprodução expressa . rel. Não se pode perder de vista que as comissões parlamentares de inquérito são instrumentos de atividade do Poder Legislativo. o sigilo de dados telefônicos pode ser quebrado pela CPI. para determinar procedimentos de natureza judiciária”. sobretudo em face do que o ministro Pertence descreve como: ". no julgamento da ADI 98 (. não tendo o alcance dos princípios. para efeito de controle de constitucionalidade das normas constitucionais estaduais. Kildare Gonçalves. a Câmara Legislativa do Distrito Federal e as Câmaras de Vereadores poderão instaurar suas próprias comissões para investigar fatos abrangidos por sua competência fiscalizatória.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO reserva constitucional de jurisdição. Direito constitucional didático. a função parlamentar de investigação está naturalmente sujeita às regras e limitações que atingem o próprio órgão legislativo. uma terceira modalidade de limitações à autonomia constitucional dos Estados: além dos grandes princípios e das vedações .hão de acrescentar-se as normas constitucionais centrais que. em razão do princípio da simetria. p.

595/1964. mesmo que é de todo interesse sejam elas criadas pelo legislativo municipal”. rel.AgRg na PET 1611 / RO.. que é a fiscalização da administração pelo Legislativo reforçada pelos meios a ela inerentes. ainda que sem tratamento legal específico. No sentido de impossibilidade de criação. um dos traços fundamentais da separação de poderes. cujo artigo 38. rel. respeitados os parâmetros federal e estadual. além do Min. Min. continha a mesma omissão do art. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 103 . o próprio Regimento Interno destas pode prever. É que a possibilidade de as CPIs estaduais determinarem a quebra de sigilo permanece. José Delgado (D. Cremos. Min. No julgamento. mais longe ainda. Joaquim Barbosa “Não é de estranhar. esta Corte tenha se manifestado pela legitimidade de criação de comissão parlamentar de inquérito por Câmara Municipal.ACO 730/RJ. por aplicação direta da Constituição federal e das normas estaduais aplicáveis. STJ .ACO 730/RJ. min. não sendo possível ignorar que a Constituição do Estado do Rio de Janeiro legitima a atuação da CPI em questão”.06. Cito o RE 96049 (1ª turma 30.. rel. Garantias legislativas A constituição estabelece determinadas garantias para o Poder Legislativo com a finalidade de assegurar sua independência. ainda sob a vigência da Constituição anterior e da Lei 4. imediata e integral).ACO 730/RJ.J. quando regularmente determinada por comissões parlamentares de inquérito.acredito que a expressa exclusão das CPIs estaduais e municipais da redação original do projeto de lei complementar (. Min. portanto.). Essas garantias. votaram os Ministros Sepúlveda Pertence e Marco Aurélio. rel. admitiram claramente a possibilidade de criação de CPI Municipal.) não tem resultado prático. pois não tem o condão de negar a aplicação natural da Constituição Federal sobre os poderes das CPIs. Joaquim Barbosa “. 15/05/2002) “As CPIs estaduais não têm competência para investigar autoridades que estão submetidas a foro privilegiado federal”. ou. constitui ferramenta indispensável ao trabalho de fiscalização exercido pelos órgãos legislativos”.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO sua função de fiscal da administração. Joaquim Barbosa. do qual destaco o seguinte trecho: ". em nossa estrutura federativa. rel. Min. as Constituições Estaduais autorizam às Assembléias Legislativas e a Lei Orgânica dos Municípios do Estado de São Paulo autoriza às Câmaras Municipais. não autoriza eventual pretensão restritiva dos Estados-membros”(g. por não existir Poder Judiciário Municipal. STF .1983. Oscar Corrêa). os Ministros Carlos Velloso e Cezar Peluso (apesar deste não admitir a quebra do sigilo bancário por ela). que... nos moldes que a Constituição Federal autoriza à Câmara e ao Senado. STF . 4º da Lei complementar 105/2001. Joaquim Barbosa “A quebra de sigilo bancário. hoje revogado. denominadas de imunidades.n. parece-nos indubitável que as Câmaras Municipais podem criar Comissões de Inquérito sobre fato determinado e prazo certo.. Assim. são normas de eficácia plena (aplicabilidade direta. STF ..

Antes da CF/88 eles não tinham nenhuma imunidade. ainda que produzidos fora do recinto da respectiva casa legislativa. administrativa ou política) dos congressistas por suas opiniões. por estar em sentido diametralmente oposto às disposições fixadas pela Constituição Federal. mesmo após o término de seu mandato. Gilmar Mendes (12. 27 .que determina a aplicação. Min. como o § 1º do art.que prescreve que a perda do mandato parlamentar será decidida por voto secreto nos casos que enuncia. Há uma certa divergência doutrinária acerca da natureza jurídica desta imunidade. não deverá ser instaurado processo penal contra congressista. não se justificando mais restringir ao âmbito estadual. pela inconstitucionalidade de dispositivo constante de Constituição estadual. ou inviolabilidade). rel. art.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Por ser uma garantia institucional deferida ao Poder Legislativo. Ellen Gracie (01. nem gozam de foro privilegiado (CF. palavras e votos (CF. poderá ser beneficiado pela imunidade processual. I) Imunidade material (ou absoluta.944/DF. Caso retorne à sua função legislativa.e o § 2º do art. das regras da Constituição Federal sobre perda de mandato . 29. perdurando até o término do mandato. 03 do STF (“A imunidade concedida a deputados estaduais é restrita à justiça do estado”) foi considerada superada pelo próprio Tribunal em razão do disposto no art. a imunidade é irrenunciável. De qualquer forma. já Damásio de Jesus a qualifica como uma causa funcional de exclusão ou isenção da pena. 53). desde que relacionados à atividade parlamentar. Nélson Hungria e Pontes de Miranda entendem ser uma causa excludente de crime. aos deputados estaduais. 104 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . Se o parlamentar se afastar de suas funções para ocupar outros cargos perderá a garantia. Min.5. 27. VIII). No tocante aos vereadores. penal. Seu início ocorre com a diplomação. rel. * STF . 55 . A imunidade material conferida pela CF/88 a deputados e senadores abrange as opiniões. sendo que eles não possuem imunidade processual. * A súmula 04 do STF (“não perde a imunidade parlamentar o congressista nomeado ministro de estado”) encontra-se superada.2003). As imunidades podem ser materiais ou formais. 1.Inq. A súmula n. por maioria.10.ADI 2461/RJ e ADI 3208/RJ. A Constituição estabelece que as regras relativas às inviolabilidades e às imunidades se aplicam aos deputados estaduais. palavras e votos que guardem relação com o exercício do mandato parlamentar. A imunidade material (freedom of speech) exclui qualquer responsabilidade (civil.2005) O Tribunal decidiu. * STF . § 1o da Lei Maior. art. Para Zaffaroni e Pierangeli seria uma causa de atipicidade. o qual prescreve que a perda do mandato de deputado estadual seria decidida por “voto aberto”. a imunidade material só abrange os crimes praticados no exercício do mandato e na circunscrição do município. Os deputados estaduais possuem as mesmas imunidades e inviolabilidades que os deputados federais.

Do que resulta induvidoso independentemente de qualquer indagação sobre a eficácia temporal de emenda à Constituição . § 1o c/c art. * STF .344/DF. no período compreendido entre a diplomação e o término do mandato. substantiva. não poderão ser presos. Imunidade parlamentar formal: EC 35/01: abolição da exigência de licença prévia para a instauração ou continuidade da persecução penal: aplicabilidade imediata. mas pode proteger o parlamentar no tocante ao processo penal ou à prisão . 35/2001. Ao receber a denúncia. que substituiu o princípio da improcessabilidade. a "licença prévia" antes exigida caracterizava mera condição de procedibilidade. 53.344/DF. a competência para o julgamento. os Deputados e Senadores poderão ser processados penalmente independente de qualquer deliberação prévia da Câmara ou do Senado. pelo menos. § 5o). impedindo a instauração ou o curso do processo. voltaram a fluir a partir da publicação da EC n. instituto de Direito Penal -. Ao contrário da inviolabilidade ou imunidade material que elide a criminalidade do fato ou. § 4o). I. a partir da expedição do diploma. suspende a prescrição enquanto durar o mandato do parlamentar (art. 53. Com a nova regra. previsto originariamente.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO * STF .Inq. II) Imunidade formal (ou processual) A imunidade formal (freedom from arrest) não exclui o crime. 53.e. 53. a qual . A imunidade não abrange prisão definitiva. o STF deverá dar ciência aos membros da Casa à qual o parlamentar pertence. § 2º). ela é apenas para as prisões provisórias e cautelares.a aplicabilidade imediata aos casos pendentes da norma constitucional que fez desnecessária a licença prévia da Câmara. é do Supremo Tribunal Federal (CF. 35. O pedido de sustação deverá ser apreciado no prazo improrrogável de 45 dias. No caso de infrações penais comuns. nos feitos em que se aguardava a deliberação da licença prévia. a tramitação do processo poderá ser sustada pelo voto da maioria relativa de seus membros (art. possível apenas na hipótese de crime praticado após a diplomação. art. caso haja iniciativa de partido político nela representado. Esta espécie de imunidade foi mitigada pela EC n. 1.Inq. art. 102. A sustação do processo. pelo conteúdo e o contexto em que perpetradas. 53. A suspensão só é cabível até o julgamento pelo STF. Min. por isso. § 3o). ainda quando proferidas fora do exercício formal do mandato. sejam de todo alheias à condição de Deputado ou Senador do agente”. Após a ciência. salvo em flagrante de crime inafiançável (CF. Findo o mandato termina a prerrogativa de foro. não cobre as ofensas que. 1. contados do recebimento do pedido pela Mesa Diretora (art. palavras e votos" do congressista. 2. rel. a responsabilidade do agente . Sepúlveda Pertence EMENTA: I. Min. Os prazos prescricionais suspensos no regime de imunidade anterior (princípio da improcessabilidade).os congressistas. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 105 . b). pelo da processabilidade. ademais. 1.até que deferida ou enquanto durasse a investidura parlamentar do acusado configurava empecilho temporário ao exercício da jurisdição. rel. em 11 de setembro de 2001. Sepúlveda Pertence “Malgrado a inviolabilidade alcance hoje "quaisquer opiniões.

o Tribunal. tenham reflexos mediatos ou imediatos sobre o fato delituoso anterior à sua vigência. 54 da Lei Maior. Em seguida. IV e V)31 do mandato parlamentar. I). Esta se verifica antes da eleição.. função ou emprego público remunerado ou pratique determinados atos vedados pelo art. b. o Deputado ou Senador sofrerá uma sanção constitucional: a perda do mandato (art. Min. 55. Verificada a incompatibilidade.da incidência da garantia constitucional de ultraatividade da lei penal mais favorável à alteração superveniente de normas que. De início. 106 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . I. com a possibilidade de o inelegível passar a elegível mediante a desincompatibilização. * STF . seus próprios Ministros e o Procurador-Geral da República . não é de aplicar-se à abolição da licença prévia o entendimento . por unanimidade. sendo considerado inelegível aquele que não dispõe de capacidade eleitoral passiva. a decisão tem efeito ex nunc. prevalece a competência especial por prerrogativa de função.não alcança aquelas pessoas que não mais exercem mandato ou cargo.. embora de caráter processual. A inelegibilidade é considerada absoluta quando o impedimento eleitoral se refere a qualquer cargo eletivo e não há possibilidade de o impedido se desvencilhar da situação a tempo de concorrer ao cargo. relativa. Este dispositivo prevê ainda outros casos de cassação (incisos II e VI)30 e de extinção (incisos III. é dizer. A incompatibilidade impede que o parlamentar. o Vice-Presidente. Cuidando a hipótese de instituto de alcance puramente processual. exerça simultaneamente um cargo. relativa a atos administrativos do agente.súmula 245: “a imunidade parlamentar não se estende ao co-réu sem essa prerrogativa”.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Incompatibilidades e perda de mandato As incompatibilidades previstas na Constituição possuem os mesmos propósitos das garantias legislativas: preservar a autonomia do Poder Legislativo. nas infrações penais comuns.. após ter sido eleito. os membros do Congresso Nacional.já endossado pelo Tribunal . § 1o A competência especial por prerrogativa de função. Sydney Sanches O STF. cancelou a Súmula 394 ("Cometido o crime durante o exercício funcional. faz-se necessário diferençar incompatibilidade de inelegibilidade. prevalece ainda que o inquérito ou a ação judicial sejam iniciados após a cessação do exercício da função pública. caso o impedimento se refira apenas a alguns cargos eletivos. decidiu que continuam válidos todos os atos praticados e decisões proferidas com base na Súmula 394 do STF.628/2002 (“Art.") por entender que o art. 84 do CPP. por unanimidade.Inq 687-SP (QO) e Inq 881-MT (QO).”) foi declarado inconstitucional pelo STF na ADI 2797. com redação dada pela Lei 10. 102. * STF . da CF que estabelece a competência do STF para processar e julgar originariamente. o Presidente da República. ainda que o inquérito ou a ação penal sejam iniciados após a cessação daquele exercício. 84. rel. (Informativo 159) * O § 1º do art.

* CF. a perda do mandato será decidida pela Câmara dos Deputados ou pelo Senado Federal.n. 6/94 introduziu um novo parágrafo (§ 4o) ao art. 451). ou a intenção de desprestigiar o Poder Legislativo (Direito constitucional didático. na verdade são comuns) STF STF TJ Deputado Senador Deputado Estadual Vereador CD SF AL Juiz * Segundo o STF crimes comuns abrange crimes eleitorais e penais. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 107 . por voto secreto e maioria absoluta. política e moral do procedimento. 55. “Nos casos dos incisos I. Autoridade Presidente Crime comum STF (autorização da CD) Crime de responsabilidade Senado (autorização da CD) Lei 1079/50: se não houver previsão na CE estadual será por um tribunal formado por 5 membros da AL + 5 do TJ e presidido pelo presidente do TJ (autorização da AL) Câmara de vereadores (Art. art. II e VI. 55. a existência ou não do propósito de perseguir o congressista. mediante provocação da respectiva Mesa ou de partido político representado no Congresso Nacional. terá seus efeitos suspensos até as correspondentes deliberações finais. Nele ficou consignado que a renúncia de congressista submetido a processo que vise ou possa levar à perda do mandato. (g. assegurada ampla defesa”.) A Emenda Constitucional de Revisão n. devendo ser examinada. 4º do DL 201/67) Governador STJ (autorização da AL) Prefeito TJ (inclusive crimes dolosos contra a vida) ou TRF (se o crime for contra a União) ou TRE (crime eleitoral) ou TM (crime militar) sem autorização DL 201/67 (crimes de responsabilidade impróprios.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO * Kildare observa que a suspensão do processo-crime deve ser precedida do exame da conveniência pública. p. § 2o. ainda.

Pirâmide: 1. São os atos do Art. pelo quorum diferenciado (Art. juntamente com a CF. 2. III. Argumentam pela posição topográfica. fundamento direto de validade são os atos fundamento indireto é a constituição. ou seja. no direito tributário existira hierarquia entre LC e LO com fundamento no Art. 146. E o é o fundamento de todos os o indireto. É aquele que tem como fundamento imediato de validade é a constituição. posteriormente poderá ser revogada por uma lei ordinária (lei ordinária pode revogar lei complementar neste caso – cuidado!). mas de alguns ela é o direto e em outros regulamentos. ou seja. Atos normativos primários. como Michel Temer e Celso Bastos dizem não haver hierarquia. princípio ou regras da CF. 3. mas materialmente ela será ordinária. A EC já aprovada é incorporada à CF no mesmo nível das demais normas. mas a constituição. Uma é superior quando ela for o fundamento de validade da norma inferior. Uma não é fundamento de validade da outra. quando ela determina a forma de elaboração ou o conteúdo. 47) Quorum de votação para LC e LO é o de maioria absoluta (+ de 50% dos membros). ou seja. Cada uma delas tem o seu campo de atuação. A CF ela atos. Cabe à lei complementar estabelecer regras gerais de direito 108 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . existem normas superiores e outras inferiores. CF. Uma LC pode tratar de matéria de LO sem ser invalidada (o quorum foi atendido). 59. São os decretos e Não há hierarquia entre normas. Pontes de Miranda. Outros. CF. Segundo ele a PEC é ato infraconstitucional. Mas não seria um ato normativo primário segundo a regra? Michel Temer diz que é preciso diferenciar a EC da PEC. como Geraldo Ataliba. Quorum de aprovação para a LO é o de maioria relativa (+ de 50% dos presentes) e para a LC é também o de maioria absoluta. emenda e tratado internacional de direitos humanos aprovados por 3/5 em dois turnos. Manuel Gonçalves Ferreira Filho e Alexandre de Morais. mas não será invalidade por ser superior. Este é o entendimento do STF. o que tem que observar a CF é a proposta. Excepcionalmente. Atos normativos secundários. Mas o STJ tem várias decisões no sentido de que há hierarquia (sempre as jurisprudências se referem ao direito tributário). CF/88. Há hierarquia entre lei complementar e lei ordinária? Alguns entendem que há. mas em razão do princípio da economia legislativa. a LC tem matéria reservada. É aquele que tem como normativos primários. A emenda se enquadra no topo da pirâmide. Só que essa lei será apenas formalmente complementar. Segundo ele as normas do ordenamento não estão todas sobre o mesmo nível. enquanto a LO é residual. Isso porque o fundamento de validade de uma lei ordinária não é a lei complementar. Ademais.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO PROCESSO LEGISLATIVO: Critério de hierarquia utilizado é o criado por Kelsen.

A questão é saber qual delas violou a CF. LOM x CE: as duas teriam a mesma hierarquia em razão do princípio federativo. o conteúdo das leis estaduais está subordinado ao conteúdo da norma geral da União. determinam o conteúdo das leis ordinárias. O processo legislativo é norma de repetição obrigatória. 2. Leis estaduais e municipais. uma lei ordinária em nenhum caso pode tratar de assunto de lei complementar. tratados internacionais comuns. ou seja. o conteúdo dela estaria subordinado ao conteúdo da CE (Art. Quando uma matéria é reservada a lei complementar ela não pode ser tratada por nenhum outro ato normativo. 29 da CF diz que a LOM tem que obedecer não só os princípios da CF. 3. o que não exclui a competência suplementar dos estados. Leis municipais complementares e ordinárias. O Art. via de regra. LOM. lei delegada. estados e DF. Existe ainda uma repartição vertical de competências: Art. estadual e municipal) é a CF.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO tributário. É um verdadeiro condomínio de competências legislativas. 2. mas com base na CF. Decretos municipais. Com a EC 45 a competência passou ao STF. Decretos estaduais e municipais. logo. Havendo conflito entre essas leis ele será resolvido não com base no princípio da hierarquia. 11. daí a suposta hierarquia (o STF não entende assim). CE. ADCT). 24. No âmbito estadual e municipal pirâmide é a seguinte: 1. autonomia dos entes da federação. Uma tem um conteúdo geral e a outra mais específico. Cada ente tem suas atribuições. Assim. A União se limita a legislar normas gerais. Este é um critério isolado. CF  competência legislativa concorrente entre União. Igualmente a medida provisória. LOM estaria subordinada materialmente à CE. Nos municípios também há uma hierarquia (pirâmide): 1. é horizontal. logo. logo. 3. estados e municípios terão lei ordinária e lei complementar. 109 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . Se a União vai estabelecer as normas gerais. parágrafo único. A repartição de competências. Antes da EC 45 o órgão competente julgar o conflito de LF e LE era do STJ. O fundamento de validade de todas as leis (federal. mas também os princípios da CE.

que. por isso as sucessivas edições e reedições de MPs. O Executivo não vinha encontrando resistência. MEDIDAS PROVISÓRIAS – Robério São atos normativos editados pelo chefe do Executivo em situações de relevância e urgência. fica-se provisoriamente sem o órgão legislativo. que é até pior. com vigência temporária. Os parlamentares têm o direito público subjetivo à observância do processo legislativo. LODF. § 5º. Foi uma maneira de dizer que o STF analisaria quando bem entendesse. Pirâmide do DF: competência híbrida. Esse artigo não modificou a natureza de LO para CE. Os decretos-leis eram bastante criticados e substituídos pelas MPs. Decretos distritais. Art. É o exercício de uma atividade atípica do Executivo. têm origem nos sistemas parlamentares. já que a redação da CF e EC 32 permitiu um abuso de MP (Art. era uma figura dentro do nosso presidencialismo). 1. Em muitos parlamentarismos. equipara a LODF à CE. aplicando-se as regras de controle de constitucionalidade. No Brasil as MPs correspondem aos antigos decretos-leis (não eram os decretos-leis parlamentaristas. por sua vez. 30. Daí poderem impetrar MS (controle preventivo de constitucionalidade) em face da inobservância do processo legislativo (e não em face do conteúdo da norma). São duas hipóteses de o Executivo legislar. 3. A lei 9868/99.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Se uma lei municipal viola a LOM haverá uma ilegalidade e não inconstitucionalidade. No início o STF não analisava esse aspecto. quando há a dissolução do parlamento e a convocação de novas eleições. 62). ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 110 . 2. Com o aumento da edição de MPs o STF passou a entender que quando presentes objetivamente os requisitos ele analisaria a constitucionalidade da MP (o problema que analisar relevância e urgência é eminentemente subjetivo). Isso é incompatível com os requisitos de relevância e urgência. porém. Não existe um tribunal municipal para exercer um controle concentrado. Elas têm origem nos decretos-leis. e nesse período há a autorização para o chefe do Executivo legislar provisoriamente em casos de relevância e urgência. Requisitos da MP: relevância e urgência. Leis distritais ordinárias e complementares. não é inconstitucional. dentro das competências estaduais feito pelo TJDF. Em alguns parlamentarismos o primeiro-ministro pode editar ato normativo ad referendum do parlamento.

partidos políticos e direito eleitoral. lei de diretrizes orçamentárias. * Planos plurianuais. intervenção. Essa MP produziria efeitos diferentes. mas deve ser encarado como uma anistia (não é porque a anistia deve passar pelo Congresso). MP que traga abolitio criminis produz efeitos imediatos com alteração provisória  extinção da punibilidade  Congresso rejeita a MP  o fato volta a ser típico  é possível voltar a punir aqueles que tiveram provisoriamente a extinção da punibilidade? O STF não tem posição. ela só fica suspensa. 62. carreira e garantia dos seus membros. impeachment. O texto publicado é lei provisória.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Diante de tantos problemas houve uma emenda (EC 32/2001) alterando o regime das MPs (e provavelmente haverá nova alteração). passando a rejeição a produzir efeitos a partir de então. Sistema constitucional de solução de crises: a CF é o instrumento para resolver situações do dia a dia e também em situações de crise: estado de sítio. gerando a insegurança jurídica. O momento da edição da MP não revoga a lei anterior. direitos políticos. A jurisprudência do STF e a doutrina aceitam excepcionalmente a edição de MP em matéria penal que venha a beneficiar o réu. há um descompasso completo que resultou em abuso. É possível que o texto original da MP seja modificado pelos parlamentares durante o processo de conversão. Na verdade não há um processo legislativo de MP propriamente dito porque se trata de um processo monocrático de produção e que terá efeitos de imediato. Matérias vedadas à edição de MP: * Nacionalidade. mas foram totalmente desvirtuadas da sua natureza. Só haverá processo legislativo na lei de conversão. de defesa. * Organização do judiciário do MP. processo penal e processo civil. A edição de uma MP gera dois efeitos: * Altera provisoriamente o direito positivo de imediato (tem força de lei). cidadania. O texto da MP publicado é o projeto de lei de conversão. a vedação tem o intuito de evitar a surpresa. § 12). orçamento e créditos adicionas e suplementares. * Deflagração do processo legislativo de conversão em lei. cassação de mandatos. Só produzirá efeitos após a promulgação da lei de conversão (Art. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 111 . Em relação ao direito penal. * Direito penal. não passa a valer automaticamente. mas essa modificação não altera o texto da lei provisória. Parte da doutrina inclui a MP nesses instrumentos excepcionais para solucionar crises.

No máximo 120 dias.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO * Que vise a detenção ou seqüestro de bens. dependerá de ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 112 . de poupança popular ou qualquer outro ativo financeiro. Alguns autores dizem que matéria que é proibida a delegação também é proibida a MP. Há uma parte no § 1º do Art. Lei delegada é uma lei na qual o chefe do executivo pede ao do legislativo autorização para legislar. mas o prazo não corre durante o período de recesso quando ela poderá se elastecer no ordenamento. matéria de competência exclusiva do congresso. IE. Há determinadas matérias que não podem ser legisladas monocraticamente pelo chefe do Executivo. Só produz efeitos no exercício financeiro seguinte se tiver sido convertida em lei até o último dia do ano em que foi editada. o prazo poderá ser maior que 120 dias. A conseqüência é que a MP de impostos fiscais é que a sua edição não produz o primeiro efeito de alterar provisoriamente o direito positivo (à exceção da MP de impostos extra fiscais – II. IPI. É permitida a edição de MP em matéria tributária (Art. IEG). A data da edição da MP para os impostos fiscais é contada da data da conversão. III – princípios da anterioridade e noventena). Há ainda outras vedações nos Arts. logo. Só é tratado por lei complementar aquilo que a CF diz expressamente. 68 que não consta do Art. 62. De intervenção no domínio econômico. não produz efeitos imediatos (no fundo é um processo legislativo diferenciado. 150. § 2º (serviço de gás canalizado não pode ser regulamentado por MP). IE. nem mesmo com a concordância do Legislativo: Art. 62. Não há posição jurisprudencial sobre a questão. * Matéria já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo Congresso e pendente de sanção ou veto do presidente. 246 (o que foi objeto de emenda entre 1995 e 11/09/2001 não pode ser regulamentado por MP) e 25. obedece as regras comuns (Art. IPI. só no ano seguinte ao da conversão produzirá efeitos. privativa da Câmara ou Senado. § 1º. Exceto os impostos extra fiscais que não obedecem ao princípio da anterioridade (II. pois se silenciar a matéria será de lei ordinária. § 2º). Essa MP que majora ou institui tributos só produz um efeito. § 1º: direitos individuais. * Matéria reservada a lei complementar. A delegação é feita por resolução do Congresso Nacional. IOF e imposto extraordinário). IOF. especial em matéria de imposto fiscal). o de deflagrar o processo legislativo da lei de conversão. No caso dos impostos parafiscais (Sociais. Esse dispositivo comprova a existência de um rol de matérias destinadas à edição por lei complementar. mas não é de repetição obrigatória. 68. Corporativas – mensalidade OAB) a edição da MP é normal. É possível MP estadual se a constituição do estado prever. A MP editada vale por 60 dias e pode ser prorrogada única vez por igual período (+ 60 dias) e não reeditada.

Durante o prazo de validade da MP o que seria aplicado então? O Congresso nacional precisa editar decreto legislativo para regular as relações jurídicas 60 dias após escoado o prazo de validade ou rejeitada a MP. isto. Pode decidir por prevalecer a MP ou a lei que estava suspensa. para fins de segurança jurídica. Inicia a votação na Câmara.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO quando tiver sido editada. Antes da EC 32 o exame da MP era feito em sessão conjunta. É uma possibilidade de uma lei inconstitucional valer. a lei que estava suspensa volta para o ordenamento (espécie de repristinação). que é quando começa a produzir o primeiro efeito. Passados os 120 dias e o Congresso não converte. Sendo nulo não é possível aplicar a MP. Só após analisa o mérito. uma na Câmara e outra no Senado) examina (pode emendar. e se for inconstitucional? O Congresso rejeitada por se inconstitucional e após não edita o decreto legislativo: analisar a natureza jurídica do ato inconstitucional: se o ano é nulo ou anulável (2 correntes). alterar. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 113 . por razões de segurança jurídica a MP poderá ser mantida. primeiramente deverá proceder ao controle de constitucionalidade (repressivo em relação à alteração feita e preventivo em relação à lei de conversão – duplo efeito) político. Caso o Congresso não edite o decreto legislativo no prazo de 60 dias as relações jurídicas serão conservadas (do período que vigorou a MP). Só é possível reeditar no ano seguinte. Não é a mesma reedição que existia antes da EC 32. há o exame em separado na Câmara e no Senado. O STF pode dizer que mesmo sendo inconstitucional. Consolida a MP pela ausência do decreto legislativo. o § 11 poderia ser aplicado. rejeitar etc). O prazo de 120 dias é contado da data da publicação da MP. reconhecer efeitos ao ato. após a emenda. 45 dias após a publicação e não apreciada entrará em regime de urgência – tranca a pauta de cada uma das casas subsequentemente. O Congresso no decreto irá deliberar se para as relações jurídicas que se formaram enquanto estava em vigor uma MP (rejeitada ou expirado o prazo) e uma lei suspensa. Quando o Congresso em cada uma de suas casas analisa a MP. Consolidada a MP. emitindo parecer antes de serem apreciadas em sessão separada em cada uma das casas. Sendo anulável. Antes de ser apreciada a comissão mista de deputados e senadores (para evitar duas comissões. se consolida. mas que não pode ocorrer com base no silêncio do STF. Vedada a reedição da mesma MP na mesma sessão legislativa que fora rejeitada ou perdido a eficácia como decurso do prazo sem apreciação.

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A omissão não pode levar ao reconhecimento dos efeitos jurídicos de um ato inconstitucional, assim, o silêncio do Congresso não poderia implicar validade da MP inconstitucional (opinião de Robério). Mesmo no prazo de 60 dias para a edição do decreto legislativo o Congresso poderá fazer valer a MP inconstitucional. Se o STF pode com base no Art. 27 da lei 9868 (relativizou a nulidade), porque o Congresso não poderia? Mas se este decreto legislativo vier, pode ser objeto de ADI??? Tecnicamente é um ato normativo, em tese poderia. Porém há um caráter subjetivo de conveniência e oportunidade por parte do Congresso. Todas essas questões não têm respostas, pois nunca ocorreram. O projeto de lei de conversão com alterações só produzirá efeitos após sanção ou veto (só havendo alteração do texto). Até lá continua em vigor a MP em seu texto original. A alteração do texto pode contar matéria vedada a MP durante o processo legislativo da lei de conversão? Pode, essa alteração não é aplicada de imediato, não causa surpresa, mas nem toda a matéria pode ser objeto de emenda parlamentar (não gera insegurança jurídica). Ex: matéria de lei complementar, pois MP tem status de lei ordinária; matéria privativa da Câmara e do Senado; exclusiva do Congresso (decreto legislativo, resolução) etc. Se o texto original for aprovado pelo Congresso não há necessidade de sanção ou veto do presidente. MP pode ser objeto de ADI. ADC em face de MP, em princípio pode, mas tem que haver o requisito da efetiva controvérsia judicial (pode não dar tempo – 120 dias). O simples ajuizamento da ADI não interfere na tramitação da MP no congresso. A liminar da ADI suspende o processo legislativo de conversão da MP e o primeiro efeito também. Sendo confirmada tudo se extingue. Se rejeitada a ADI volta a correr a tramitação. Se a MP for aprovada (passando a ser lei) no congresso enquanto corre a ADI é preciso emendar a inicial da ADI para incluir a lei de conversão. Os vícios da MP originária comunicam-se à lei de conversão. Sendo a MP rejeitada ou decorrido o prazo de conversão estando em curso ADI, implica perda do objeto da ADI. O STF está mudando esse posicionamento para fazer prevalecer a ADI para regular as conseqüências jurídicas do período em que vigorou a MP. A EC 32/01 conferiu validade às MPs que estavam em vigor, dispensando apreciação do Congresso. PROCESSO LEGISLATIVO – Robério Emendas: poder constituído (derivado).
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Existe hierarquia entre lei ordinária e lei complementar? Há hierarquia quando uma norma nasce da outra. A lei ordinária existe por força da CF e não de lei complementar, que também tem como fonte de existência a CF. No choque entre lei complementar e lei ordinária, parte da doutrina diz prevalecer a lei complementar por ter quorum de maioria absoluta, enquanto lei ordinária tem maioria simples. Há campo constitucional para lei complementar e para lei ordinária, determinada matéria será regulada especificamente por lei complementar. Se houver choque, significa que uma delas invadiu o campo da outra, porque as competências são delimitadas. Lei ordinária que tratou de matéria de lei complementar é inconstitucional porque deveria ser maioria absoluta e foi votada por maioria simples. Lei complementar que tratou de matéria de lei ordinária permanece no ordenamento, mas com natureza de lei ordinária, não é declarada inconstitucional (exige simples e foi por maioria absoluta), o que significa que lei ordinária posterior poderá modificar a lei complementar de natureza de lei ordinária (jurisprudência). Art. 59, parágrafo único: LC 95/98. Revogação poderá ser expressa ou implícita, mas sempre que possível o poder legislativo deve conter os artigos que serão revogados, em nome da segurança jurídica. Fases do processo legislativo: *Iniciativa: privativa, comum, concorrente ou popular. Não existe mais a iniciativa conjunta (projeto de lei de fixação dos subsídios dos ministros do STF – iniciativa era conjunta dos presidentes da Câmara, Senado, do STF e da República). Art. 61: algumas autoridades só têm iniciativa privativa (aqueles que precisam de pertinência temática). Outras têm iniciativa geral, salvo o que for de iniciativa privativa de outras. *Apreciação/Discussão: emendas parlamentares. *Votação: se aprovado há a remessa à outra casa. Se rejeitado é arquivado. A regra é que toda a tramitação legislativa se inicia na Câmara, à exceção dos projetos de iniciativa do Senado. *Revisão pela outra casa *Sanção ou veto por parte do presidente da república. Vetado volta ao Congresso. Sancionado, há a promulgação e publicação. *Promulgação *Publicação A organização do MP da União não é de iniciativa privativa do presidente, ela é concorrente entre o presidente o chefe do MPU (PGR), no mesmo sentido no âmbito estadual (Art. 128, § 5º e Art. 61, § 1º, d). 115

Cuidado!

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Iniciativa popular: 1% do eleitorado nacional distribuído em pelo menos 5 estados (0,3% em cada um deles). Prova objetiva não há iniciativa popular para emenda, mas doutrina minoritária entende ser cabível com os mesmos requisitos para a PEC. Lei 8072 (Glória Peres) não foi PL de iniciativa popular, não preencheram os requisitos, mesmo com 1 milhão de assinaturas (tem que ser revisto!). Somente um PL de financiamento habitacional popular foi recebido como iniciativa popular em 1989 e até hoje não foi votado. A CCJ suscitou se a iniciativa popular poderia versar sobre matéria de lei complementar? Pode versar sobre matéria de iniciativa privativa do presidente, STF ou outra autoridade? A CCJ da câmara decidiu em ambos os casos em parecer que a iniciativa popular pode versar sobre essas matérias, não há decisão nesse sentido em lugar algum. Nenhuma foi a juízo. A maioria da doutrina diz que não pode. E de emenda constitucional? A maioria da doutrina diz que não pode, mas uma minoria defende que sim. O projeto corre normalmente, não há nenhuma prerrogativa de minimização de exigências ou de urgência. Nos projetos de iniciativa privativa é possível emenda parlamentar? Sim, é possível desde que a emenda não implique em aumento da despesa. Em regra tudo começa na Câmara dos Deputados, só começa no Senado o que for projeto de senador ou de órgão ou comissão do Senado. A urgência pode ser constitucional (presidencial e MP) ou regimental. Urgência presidencial: presidente por iniciativa privativa ou não pode pedir urgência. Se a câmara ou Senado não se manifestarem em até 45 dias haverá trancamento da pauta (segundo caso de trancamento de pauta, o primeiro visto foi o de MP) (Art. 64, § 2º e 62, § 6º) na respectiva casa, salvo os casos em que se tenha prazo constitucional determinado. 10 dias para a Câmara apreciar as emendas do Senado. O prazo de 45 dias (urgência) não corre em recesso e em projetos de código. Projeto na Câmara: *Aprovado  Senado *Rejeitado  arquivo *Prejudicado  arquivo Projeto no Senado: *Aprovação  sanção ou veto do presidente *Alteração do projeto por emenda volta à Câmara. Se ela rejeita a alteração feita pelo senado vai direto à sanção presidencial. Isso significa que o projeto não foi aprovado em ambas as casas (é possível). *Rejeição do projeto arquivo. Há a apreciação do projeto. *Prejudicado  arquivo. O projeto não chega a ser examinado, há outro fato que prejudica o seu andamento. 116 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE

Onde conclui a votação envia ao presidente para sanção ou veto no prazo de 15 dias úteis. mas o STF não admitiu.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO É possível uma lei não ter sido aprovada pelo plenário da Câmara ou do Senado quando é a aprovação puder se dar tão somente por comissões. mas a MP tranca a urgência presidencial.684 (programa de parcelamento de débitos tributários). O veto poderá ser total ou parcial por inconstitucionalidade (controle preventivo político) ou contrário ao interesse público. que é o presidente do congresso). Decorrido o prazo de 15 dias úteis o silêncio do presidente importará sanção (sanção tácita). Se nenhum deles promulga há o impedimento do exercício do poder legislativo  crime de responsabilidade de todos. tem que ser de artigo. Art. deverá ser sempre expresso. Projeto de lei rejeitado pode ser apresentado na mesma sessão legislativa se houver quorum de maioria absoluta em qualquer das casas do Congresso. Motivos são encaminhados ao presidente do Senado em 48h e o veto será examinado em sessão conjunta em 30 dias e em votação secreta (quem preside é o presidente do Senado. Hipótese de veto tácito (implícito): ventilado primeiramente por Teotônio Negrão quanto à vedação da aplicação do CDC e aplicação lei de ACP a determinada matéria. Promulgação: presidente não o faz em 48h  presidente do Senado. Lei 10. 9º: os tribunais entenderam que foi caso de veto implícito. é votada em 1º lugar (Art. logo. § 2º e Art. A rejeição do veto só poderá ocorrer por maioria absoluta. por exemplo) qual é votada primeiro? A urgência presidencial tranca tudo com exceção do que tiver prazo constitucional  MP tem prazo constitucional. O veto deve ser sempre motivado. PEC não pode ser reapresentada em hipótese alguma. Sendo derrubado. O veto parcial não pode ser de palavra ou expressão. Não apreciado o veto em 30 dias em sessão conjunta no Congresso  tranca a pauta (3ª hipótese de trancamento de pauta). § 2º). 5º. logo. A terceira hipótese do veto só tranca a mesa do Congresso (a votação é conjunta). Caso uma MP (votação em separado) e uma urgência presidencial (votação em separado) que estão trancando a pauta estiverem na mesma casa (Senado. 64. parágrafo. A urgência não tranca a MP. o projeto vai ao presidente para promulgação. inciso ou alínea (texto integral). se não o faz em 48h  vice-presidente do Senado. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 117 .

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