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Dir. Constitucional - Marcelo Novelino - Aula Digitada

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DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO

DIREITO CONSTITUCIONAL MARCELO NOVELINO
DIREITOS FUNDAMENTAIS: Constituição: é o conjunto de elementos que formam e organizam o Estado  sentido material: sempre existiu, desde que existe a idéia de Estado. Há estado sem constituição? Não, no sentido material. Constituição em sentido formal, escrita é uma idéia que aparece depois, o documento escrito é algo que data do século XVIII, está ligado diretamente aos direitos fundamentais. Movimento constitucionalista: adoção de constituição escrita; é um movimento que é indissociável do desenvolvimento da teoria dos direitos fundamentais, os marcos são comuns. Ambos derivam de uma necessidade, a de limitar o poder, sair do absolutismo estatal. Direitos fundamentais e direitos humanos têm conteúdos diferentes. No plano internacional a referência aos direitos fundamentais é feita como direitos humanos. No plano interno (direito positivo de um determinado estado), ou seja, no ordenamento jurídico nacional, a denominação mais adequada é de direitos fundamentais (CF/88). Os direitos fundamentais são os direitos humanos positivados no plano interno. José Afonso da Silva denomina direitos fundamentais do homem, cuja conceituação é a seguinte: são as prerrogativas e instituições que o direito positivo concretiza em garantias de uma convivência digna, livre e igual de todas as pessoas (universalidade). Não adianta apenas o ordenamento positivar os direitos, é necessário que eles sejam concretizados, torna-los prerrogativas reais do nosso dia-a-dia. São direitos, logo, exigíveis, formando uma relação jurídica obrigacional (credor – objeto – devedor). O credor é o homem, os direitos fundamentais são do homem, ser humano, e não dos animais ou da natureza. O direito ambiental ainda é um direito em que o homem está no centro, nos é que temos direito a um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Declaração dos direitos do homem e do cidadão de 1789, França: durante a discussão dessa declaração chegou-se a debater se essa declaração abrangeria as mulheres, houve inclusive uma minuta de declaração de direitos das mulheres. São direitos, não liberalidade, obrigam, só há direito quando há coercibilidade, forma de torná-lo exigível. Não são quaisquer direitos, mas os fundamentais. Sob o ponto de vista formal, direito fundamental pode ser tudo aquilo que está formalmente colocado como fundamental, tudo o que está no título II da CF. Sob o ponto de vista material, direito fundamental é aquele que possui conteúdo essencial, direito indispensável à dignidade da pessoa humana. A fundamentalidade de um direito está ligada à necessidade da vida digna do ser humano, não basta viver, o que dá o conteúdo de fundamental é a dignidade da pessoa humana. Nem tudo o que está no título II ou no Art. 5º formalmente colocado como fundamental é também materialmente fundamental. Há dispositivos no Art. 5º 1 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE

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que podem ser suprimidos sem que com isso se afete a dignidade da pessoa humana (XXI, XXIX), enquanto outros são ao mesmo tempo formal e materialmente fundamentais. Parte da doutrina considera que a cláusula pétrea do Art. 60, § 4º, IV, deve ser entendida que os direitos materialmente fundamentais são cláusulas pétreas, os formalmente não são, porque podem ser suprimidos sem afetar a vida digna. Dentre os defensores dessa corrente, está o ministro Carlos Veloso. § 2º, Art. 5º: pode-se ter direitos fundamentais, sob o ponto de vista material, em qualquer lugar da CF e não apenas no título II. O STF já reconheceu a existência de direitos fundamentais fora do Art. 5º. Pode-se ter ainda direitos fundamentais implícitos, não formalizados expressamente na CF (ex: direito à alimentação, implícito ao próprio direito à vida), no ordenamento jurídico infraconstitucional e nos tratados. Os direitos fundamentais hoje são características do Estado democrático de direito. O reconhecimento desses direitos foi fruto de um processo histórico que tem as mesmas características da adoção da constituição escrita, o movimento constitucionalista se identifica com o movimento de reconhecimento de direitos fundamentais. Os documentos mais importantes são: Magna Carta de 1215 (Magna Charta Libertatum): foi um acordo firmado entre João sem terra e os barões do reino (senhores feudais) a respeito da tributação. Foi escrita em latim arcaico. Foi anulada por um papa (Inocêncio III) antes de vencida a sua duração, que seria de 3 meses. João Sem Terra alegou que foi coagido e pleiteou sua anulação ao papa. É o primeiro documento escrito de reconhecimento de limitação do poder do monarca. A autoridade maior, o rei reconhecendo limites a seus poderes, algo muito difícil na época. Não foi escrita sob a forma de artigos ou tópicos, a doutrina é que deu certa organização. Era dirigida apenas aos homens livres do reino. Esse documento ainda influencia a nossa vida hoje, porque muitos dispositivos dela estão reproduzidos na CF. Ex: há os princípios da legalidade tributária, da vedação do confisco, razoabilidade tributária, ampla publicidade; limites; razoabilidade da sanção penal, individualização da pena, impenhorabilidade, julgamento pelos pares; HC gratuito, devido processo legal, acesso ao judiciário, celeridade, não à corrupção, globalização econômica, sem barreiras alfandegárias, princípio da reciprocidade. Petition of rights de 1628: reafirma direitos já mencionado na magna carta. Hábeas corpus amendment act de 1679: texto voltado para a liberdade de locomoção. Bill of rights de 1689: primeiro documento de origem parlamentar a disciplinar direitos fundamentais. A revolução gloriosa faz reascender o poder do parlamento. 2

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Declaração de direitos do bom povo da Virgínia de 1776: influência a constituição dos EUA, especialmente as 10 primeiras emendas da constituição norte-americana. Declaração dos direitos do homem e do cidadão francesa de 1789: é francesa, mas é dirigida a toda a sociedade, tem caráter universal e foi o primeiro documento com este caráter (universalidade). Declaração universal dos direitos do homem de 1948: adotada pela ONU no pós-guerra. Natureza jurídica: é uma recomendação da ONU, não é um tratado coercitivo, mas são direitos reconhecidos internacionalmente. É o primeiro documento internacional a disciplinar o catálogo de direitos humanos. Nenhum desses textos tem a natureza jurídica de constituição, a primeira constituição a trazer o catálogo dos direitos fundamentais não é unânime na doutrina: 1. A constituição da Bélgica de 1831; 2. A constituição brasileira de 1824; e 3. A constituição dos Estados Unidos, não a de 1787, mas no Bill of Rights (10 primeiras emendas de 1791 e não o bill of rights da Inglaterra) Características dos direitos fundamentais: 1. Historicidade: os direitos fundamentais são históricos, ou seja, como quaisquer direitos eles nascem, modificam-se, desaparecem, acompanhando a história. O conteúdo varia com a história. Eles não são imutáveis, herméticos. O que é necessário à vida humana digna se modifica com o passar da história. 2. Inalienabilidade: não têm conteúdo econômico patrimonial, não podem ser objeto de negócio jurídico. 3. Imprescritibilidade: não se perde o direito fundamental porque deixou de exercê-lo em determinado período. 4. Irrenunciabilidade: pode não exercer, mas renunciar não. 5. Personalidade: são personalíssimos, pertencem à pessoa do titular. 6. Limitalibilidade ou relatividade dos direitos fundamentais: não há direitos absolutos, todos são relativos. As próprias características supra não podem ser entendidas como absolutas. A inalienabilidade, por exemplo, pode ocorrer no direito à imagem, não é alienado, mas algum tipo de negócio jurídico sim, sem ofensa aos direitos fundamentais. BBB e os direitos fundamentais: intimidade, vida privada etc, não há ofensa, as pessoas são maiores e capazes, revertido em benefício delas mesmas, há liberdade de ir e vir, sabe da filmagem, transmissão etc. Em razão da relatividade dos direitos fundamentais não podem justificar o ilícito, justificar a irresponsabilidade civil, anular outros direitos constitucionais fundamentais.
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Concorrência: acumulação de direitos fundamentais. diferentemente da solução dada às antinomias entre as leis (solução abstratamente prevista). A lei pode ser em abstrato constitucional. princípio da concordância prática. Perspectivas nas quais os direitos fundamentais podem ser entendidos: 1. ou seja. objeto e devedor  homem. Universalidade: para a maior parte da doutrina os direitos fundamentais são universais. e ambos devem preservá-los.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO É possível a colisão entre os direitos fundamentais. Em qualquer lugar do planeta deve-se ter reconhecido os direitos fundamentais. Depende do interesse público em questão. não é possível sobrepor uma cultura a outra. Ela não é só um direito seu. usando dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. 8. 7. pois o Estado deve conceder ao menos a opção às pessoas. Não há apenas a perspectiva subjetiva (direito). As circunstâncias fáticas vão influenciar na harmonia desses direitos. Resolve-se com a ponderação de interesses (livro de Daniel Sarmento). A vida. Ex: liberdade da mulher. Objetiva: vislumbram-se valores e não direitos. deve-se usar o princípio da hermenêutica da harmonização. mas nenhum deles será extinto. Os valores mais importantes de uma sociedade são a vida. Subjetiva: sob este ponto de vista eles são verdadeiros direitos que escondem uma relação jurídica obrigacional. Divergência entre os universalistas e os multiculturalistas. a fim de se buscar uma solução que não existe em tese. além de direito é um valor da sociedade e do Estado. 2. Há uma ponderação de interesses constitucionais. Não há hipótese de solução abstrata na colisão de direitos fundamentais. O que para uma agride para outra é costume. dignidade e Estado. mais de um deles podem estar sendo exercido ao mesmo tempo. A imposição de determinado estilo de vida em um país pode não ser compatível aos direitos fundamentais. Ela pode influenciar o controle. Não é aceita pela maioria. Uma minoria é adepta do relativismo cultural. mas também um valor que a pessoa deve preservar. Eficácia dos direitos fundamentais: ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 4 . um pode preponderar sobre o outro. segundo o modelo clássico: credor. sabendo que eles são relativos. 9. a igualdade etc. O estudo do controle de constitucionalidade pressupõe não só a lei em abstrato. a liberdade. mas é preciso considerar a realidade fática. mas em uma situação fática inconstitucional. Só é possível uma solução concreta que só vale para o caso concreto determinado. não existe a aplicação do “tudo ou nada” (expressão de Ronald Dworking). A vida é um valor que deve ser respeitado por cada um individualmente. Vedação ao retrocesso: não é possível retroceder nas conquistas já sentidas pela sociedade.

O Estado é o principal devedor dos direitos fundamentais. obrigações de fazer. que é a material. Os direitos fundamentais podem ser ainda classificados em gerações. garantir os direitos das minorias. igualdade etc. Estado abstencionista (aquele que não interfere na vida das pessoas). não só o Estado. poder judiciário etc). Ex: declaração da ONU. logo. O capitalismo estava em risco e alguns direitos fundamentais deveriam não mais ser apenas os de não-fazer. O poder era absoluto e o liberal torna o Estado “mínimo”. Ligado à idéia de direitos negativos. ele tem também a função de proteção em face dos demais seres humanos. É exigido do Estado uma obrigação de não-fazer. O homem tem também deveres fundamentais porque os direitos fundamentais têm um valor que deve ser respeitado. Ex: direito à propriedade. institui penas. Art. LIBERDADE. Não discriminação: função de promoção da igualdade. Estão ligados ao modelo de Estado que a revolução francesa admitiu – Estado liberal. De defesa ou de liberdade: exige-se que o Estado se abstenha de invadir a esfera do cidadão. logo. mas também a necessidade de um Estado-providência. Os direitos fundamentais devem garantir o pluralismo. momentos históricos em que direitos com determinadas características são tidos como fundamentais. ele tem que dar essa garantia por meio de mecanismos (polícia administrativa e judiciária. Art. 2ª Geração: a revolução industrial no século XIX modificou a situação até então estabelecida. 1. a propriedade etc. Funções dos direitos fundamentais: é uma classificação de Canotilho. XXXIX. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 5 . 3. relações de direito público. presente nas relações entre o cidadão e o Estado. uma abstenção: não tirar a liberdade. Estado do bem-estar social (welfare state). o seu papel é que vai revelar quais são os direitos reconhecidos. aplicáveis nas relações de direito privado. além de serem aplicados também nas relações privadas. 205. Direitos civis e políticos. Art. ou seja. Isso porque o Estado pode ser o inimigo (Leviatã). CF. entre particulares. 4. 225. 1ª Geração: num primeiro momento surgiram com a Revolução Francesa na declaração de 1789. a fim de garantir condições mínimas para as pessoas. De proteção perante terceiros: outras pessoas também podem violar os direitos fundamentais. CF (todos nós somos credores e devedores do direito à educação). É uma função muito ligada a uma obrigação de não-fazer. a tolerância.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Vertical: é a clássica. Horizontal: eficácia entre iguais. 2. De prestação: garantir às pessoas determinadas prestações positivas. a vida.

É mais adequado utilizar dimensões de direitos fundamentais. Direitos Sociais (art. obrigações de fazer. que são os direitos ligados à titularidade difusa ou coletiva (não tem titularidade determinada. FRATERNIDADE. 3ª Geração: ainda no século XX. 6º CF). Paulo Bonavides.ligados à liberdade do individuo. a partir daí a decisão judicial influencia uma coletividade. Transforma um valor em norma. As ameaças são globais. 12 e ss CF). exigem uma atuação do Estado (prestações materiais e judiciais). Por isso. Direitos Coletivos.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO ajudando. coletivos. é uma forma de universalizar os direitos fundamentais. nacionais e políticos. Modificação do papel do poder judiciário. Essa dimensão é reconhecida. As três gerações não se excluem. direito ao pluralismo. pertencem a um grupo indeterminados): ambiente. * Direito de participação – tem tanto caráter positivo como negativo. mas as ameaças à dignidade humana ultrapassam essas fronteiras. 4º VI CF. Os direitos são prestações positivas. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 6 . os direitos fundamentais também têm que ser. aumentando significativamente a importância do judiciário (ACP). democracia plena em sentido global. vários autores. Surgiu a 3ª geração. Direitos a Nacionalidade e Políticos (Art. Direitos Individuais. e por isso a utilização do termo geração é criticada pela doutrina. culturais. direitos do consumidor (rol exemplificativo). à informação etc. patrimônio cultural. Classificação com base na CF/88: Direitos fundamentais – é gênero (Titulo II CF) : direitos individuais. já falam na 4ª geração. há uma soma e não uma substituição. Direitos 5ª geração (Paulo Bonavides): direito a paz – art. Direitos e Garantias – (diferença) Rui Barbosa Direitos: são disposições declaratórias que imprimem existência legal de valores reconhecidos e declarados no plano normativo. Até a 3ª geração elas consideram as fronteiras estatais. assim. Classificação inspirada no autor alemão JELLINEK: * Direitos de defesa . porque exigem uma abstenção do Estado. Consagra o princípio da solidariedade. sociais. * Direitos a prestações (ou prestacionais) – atitude positiva do Estado. IGUALDADE. entre eles. econômicos. Tem o Estado que fazer prestações positivas. Surgem os direitos sociais. que são direitos ligados à globalização. até então uma decisão judicial envolvida um autor e um réu. direitos das minorias. tem caráter negativo. o titular dos direitos de 1ª e 2ª gerações era tido apenas como sujeito individual. só que as ameaças à vida humana digna passa a não mais ser individualizável.

ele assegura o exercício dos direitos sociais para só depois citar os individuais. e em primeiro lugar. que tem como característica atender às necessidades do cidadão. bem como ao princípio do mínimo existencial (limite mínimo). Direitos sociais do trabalhador: direitos individuais (Art. isso demonstra uma opção do constituinte pela maior preocupação com o social em face do individual. criança. O bem-estar social também está expresso na parte dogmática da CF. não são apenas os Remédios Constitucionais. idoso. ou seja. Além disso. meio ambiente. São um meio de proteção dos direitos substanciais.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Garantias: são disposições assecuratórias que protegem os direitos em face do Poder do Estado. o fato de a CF ter previsto títulos específicos para tratar do social é prova do modelo de bem-estar social da CF/88. do Estado que deixa de ser liberal. Os direitos sociais nascem no início do século XX. 7º) e direitos coletivos (associação. São direitos que exigem a implementação de políticas públicas para a concretização. são direitos positivos de 2ª dimensão. comunicação social. É uma disposição geral. 193.saúde. uma proposta de diminuição do papel do Estado. participação e representação. e deixar para a livre negociação). índios). 6º e um detalhamento no título “Da ordem social” (seguridade . Vários dos direitos sociais previstos estão sendo repassados ao particular. 10 e 11). que se desincumbe do ônus de promover sozinho o bem-estar social. que está limitado pelo orçamento de que dispõe. voltada a uma obrigação de fazer e dar por parte do Estado. mas parte da doutrina denomina “do cidadão”. educação. 6º é uma disposição declaratória. O preâmbulo da CF já assegura o bem-estar social. demandando ainda mais custos para o Estado. O Art. porque também os não cidadãos poderão usufruir. no Art. Isso não impediu que a partir de 90 até hoje a presença de emendas neo-liberais (crescimento do 3º setor e do mercado – 2º setor). Todos os princípios processuais são garantias. cultura. a exemplo da flexibilização da legislação trabalhista (acabar com os direitos mínimos do trabalhador. Todos eles serão usufruídos por qualquer cidadão. família. Observância do princípio da reserva do possível. Arts. mas não delimita em que consistem. 9º. Ex: hábeas corpus. Principio do Devido Processo Legal. diz que há o direito. abrange outros valores. O Art. greve. desporto. assistência e previdência -. Melhor seria denominar direitos gerais. DIREITOS SOCIAIS Os direitos sociais podem ser divididos em dois grandes grupos sistematizados: Direitos sociais do cidadão: enunciados no Art. ciência e tecnologia. 170 assegura a todos existência digna com base na justiça social. o que não é tecnicamente exato. aquilo que o dinheiro disponível permite (limite máximo). adolescente. diferentemente dos de 1ª dimensão. para ser um Estado de bem-estar social. o conteúdo e alcance 7 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . 8º. Principio da Legalidade.

Quando há a delimitação dos direitos a serem implementados por políticas públicas o judiciário poderá interferir. Ele não é exaustivo. Por outro lado. alguns deles já estão no título da ordem social da própria CF. na verdade se torna vinculado. O parágrafo único do Art. industrial ou prestação de serviços em geral o trabalhador é urbano. Não pode fazer lei fixando o salário mínimo. O STF não atua como legislador positivo (em regra só o parlamento). Mas há um outro tipo de direito social que não está detalhado na CF (ex: direito à moradia). acordo ou convenção coletiva de trabalho. em razão da delimitação em tema de implementação de políticas públicas (reserva do possível e mínimo existencial). Não significa que o judiciário poderá interferir em todo e qualquer mérito administrativo. Ou seja. 7º diz que nem todos os direitos ali previstos poderão ser usufruídos pelos domésticos. escapando ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 8 . só atende a determinada categoria profissional. 7º traz os direitos constitucionais do trabalhador. Salário mínimo: nacionalmente unificado. as decisões já vistas em controle são no sentido de que esse tema é afeto ao executivo e legislativo apenas. Trabalhador urbano e trabalhador rural: a diferenciação tem a ver com a natureza da atividade laboral e não o lugar em que o trabalho é prestado. 7º não há qualquer diferença de tratamento jurídico entre o trabalhador rural e urbano. O STF já disse que não cabe ADI por omissão. A lei que fixa o salário mínimo é constitucional? Atende ao que constitucionalmente o salário mínimo tem que atender? Apreciação judicial do valor do salário mínimo: se o STF declara a constitucionalidade da lei que fixa o salário mínimo a lei desaparece. o trabalho deixa de ser doméstico. O Art. O âmbito de discricionariedade nas políticas públicas dos direitos detalhados na CF é muito menor do que o daqueles não descritos na CF. Para fins do Art. retornando a lei revogada e assim por diante. O trabalhador doméstico é aquele que trabalha nas tarefas de auxílio ao lar. O Art. Nestes a legislação infraconstitucional. o ato administrativo que se diz discricionário. sem finalidade lucrativa. mas que foi modificado. somente negativo. tornando-se o mesmo para ambos. não importando o lugar. Não se confunde o piso salarial estadual do serviço público (não se dirige aos celetistas) com o salário mínimo. Efetivamente o estado não pode fixar salário mínimo. os direitos existem. até chegar a um ponto que fica sem lei alguma no ordenamento sobre o tema. Existia uma exceção tocante ao prazo prescricional.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO desses direitos terão que ser detalhados. Isso não é fixar salário mínimo estadual. se a atividade é agropastoril o trabalhador e rural. além de outros na própria CF e na legislação ordinária. não obstante a conveniência e oportunidade (mérito administrativo). 7º funciona como um parâmetro mínimo de direitos sociais individuais do trabalhador. na verdade. Se a atividade é comercial. mas a jurisprudência admite que lei estadual pode fixar pisos estaduais para categorias profissionais que não tenham esse piso fixado em lei federal. A partir do momento que o trabalho dele fica caracterizado como auxílio da atividade lucrativa do empregador. a jurisprudência e discussões de políticas públicas terão discricionariedade bem maior.

A automação acaba com milhares postos de emprego de pouca qualificação. novelas etc. mas não submeter a autorização. E do ponto de vista sistemático. as mesmas oportunidades. e se o poder de compra do salário mínimo diminui. o pleno emprego é utopia. A análise do inciso XXXIII tem que ser feita de forma teleológica. o STF já admitiu (informativo 264). Trabalho do menor de 14 anos: criança que atua em teatro. e a partir dela. O salário mínimo terá reajustes periódicos que preservem o poder aquisitivo. Até porque não se pode retroceder nos direitos fundamentais. o reajuste se dá pelos índices judiciais. Proteção do mercado de trabalho da mulher: ação afirmativa é uma tentativa de concretização do princípio da igualdade. de acordo com o que é possível aumentar. não é possível tratar ou aplicar a lei de forma igual para quem é desigual no mundo real. Ação afirmativa é dar a uma minoria tratamento formal diferenciado para assegurar a igualdade material.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO pela tangente. por isso se justifica o tratamento diferenciado na CF. A lei não pode tratar diferentemente as pessoas e nem ser aplicada diferentemente às pessoas (igualdade formal). O ser humano está se tornando minoria quando em competição com a máquina (Art. há a liberdade de manifestação artística. a ação afirmativa tem que desaparecer (tem como característica a temporariedade). O salário de servidor público não pode ser fixado em salário mínimo. Ao menos a inflação do período terá que reajustar. frustrando objetivo fundamental da república. É questão difícil. 170. é o mínimo para preservar o poder aquisitivo. sob pena de perpetuar as desigualdades regionais. sendo que o aumento terá que observar o princípio da reserva do possível. discute-se isso em relação ao parlamento). Minoria em oportunidade e não em quantidade. A igualdade formal é relativa e não absoluta. A ADPF pode servir de instrumento para a discussão do salário mínimo. Proteção em face da automação na forma da lei: também trata de ação afirmativa. buscando saber qual é a finalidade da norma. Há a indicação do mínimo existencial na “preservação do poder aquisitivo”. Na mesma base territorial (não inferior ao tamanho de um município) só pode existir um sindicato de empregador e de trabalhador. Nas decisões judiciais que fixam algo em salário mínimo o que diz o STF é que o valor é considerado no dia da decisão. Atingida a igualdade de oportunidades. A igualdade que a CF/88 quer é a igualdade material. significa retrocessão. A mulher não tem as mesmas oportunidades no mercado de trabalho (no serviço público não tem mais sentido. É preciso dar tratamento diferenciado aos desiguais para assegurar a igualdade material. dando alguns postos com alta qualificação. VIII). ninguém quer abrir mão do conforto da automação. o STF não admite. O Estado só pode exigir o registro de sindicatos. O ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 9 . O salário mínimo não pode servir para a correção do valor da decisão a diante.

Se o trabalho for paralisado pelo empregador é chamado de lock out. A educação é todo processo de aprendizado do ser humano e que inclui o ensino. em razão de convênio. É um direito não absoluto. a família e a sociedade. DA ORDEM SOCIAL Saúde: é direito de todos. O acesso é universal e igualitário. reduzir os riscos a doenças. Se os estados e municípios não aplicam o mínimo existencial em saúde previsto constitucionalmente. pode ser uma manifestação de apoio etc. não necessariamente ela será reivindicatória. as políticas devem em primeiro lugar. respeito às atividades essenciais. O governo pode comprar no mercado externo hemoderivados para abastecer o SUS. ao contrário da educação. o serviço deve ser gratuito. além de o administrador responder (LRF). é vedado. dá margem à intervenção da União no estado ou do estado no município.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO sindicato tem legitimidade para a defesa dos direitos e interesses coletivos. isso é ensino. que serão remunerados pelo SUS. Greve: abstenção coletiva do trabalho. O trabalhador decide quando e porque fará a greve. há uma projeção difusa. A tônica principal do direito à saúde é a prevenção. a imunidade do líder sindical não é estendida a ele. Dirigente sindical e estabilidade provisória: caso a empresa feche. coletiva e individual. O devedor do direito à educação é o Estado. A saúde é um sistema único. mas a doutrina alerta que a saúde tem projeções difusas. além de outras fontes (CPMF. por exemplo). Em princípio seria um direito difuso. Há crime de abandono intelectual. Aos particulares o direito é auto-aplicável. ele terá o direito de receber indenização referente à remuneração que teria no período em que perduraria sua imunidade (STF). Nós somos credores e devedores ao mesmo tempo desse direito. ou individuais da categoria. Não se pode restringir educação a sala de aula e professor. e aos militares. O atendimento do SUS tem que ser integral. no mercado interno é vedada a comercialização. independentemente de contribuição. depende de lei. Na rede pública é prestada diretamente ou por terceiros (convênios) (SUS). Em uma clínica privada pode-se ter atendimentos particulares ou públicos. Educação: todos são credores do direito à educação. Para garantir esse direito o Estado tem que se valer de políticas sociais e econômicas. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 10 . sem que seja por motivo de força maior. logo. O SUS é financiado pelo orçamento da seguridade social dos entes. para os servidores públicos. Tanto a rede pública quanto a privada são serviços de relevância. coletivas e individuais. A empresa que tem mais de duzentos trabalhadores terá um representante.

Hoje as crianças já devem estar na escola a partir dos 6 anos e não 7. 206. seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. mas têm relação com a liberdade subjetiva. As formas modernas de neo-escravidão não têm a ver com a liberdade objetiva. A autoridade pública por equiparação se dá por delegação e não por autorização. CF. ao instituir quotas. com manipulação do pensamento das pessoas. O ensino privado precisa ser autorizado e avaliado pelo poder público. Mas na CF não há previsão de delegação do ensino. O ensino médio deveria proporcionar isso. por exemplo. saber o que é sistema proporcional e majoritário. com base na capacidade. Assim como na saúde. É direito público subjetivo. mas apenas de autorização. a fim de evitar a “neo-escravidão”. de pensar. Outros defendem dizendo que não infringe. porque mesmo quem entra por quotas. O acesso é meritocrático. A universidade não é o único caminho para a evolução da sociedade. é preciso demonstrar capacidade dentro do grupo concorrente. a reserva do possível nunca poderá ser argumento para o não oferecimento desse direito. O ensino médio não é obrigatório. no ensino haverá rede pública regular (não onerosa) e rede privada. há violação a esse acesso constitucionalmente previsto? Alguns entendem que sim e são contrários às quotas. O cidadão brasileiro tem que educação suficiente para saber o que irá fazer ao votar. a CF não deixou qualquer discricionariedade para o legislador e administrador. mas será progressivamente universalizado e gratuito. Acesso e permanência do educando na escola diretamente ligado ao inciso VII do Art. atingindo uma nota mínima para o ingresso. não é mais até a 8ª série. Não é todo e qualquer ato de dirigente de rede privada que cabe MS. O pleno desenvolvimento da pessoa está ligado à idéia de liberdade. há dois tipos de atos dos dirigentes dos estabelecimentos particulares: atos derivados da ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 11 . Ações afirmativas: quotas para minorias terem acesso às universidades. A LEI MUDOU. Preferencialmente as pessoas portadoras de necessidades especiais deverão ter atendimento educacional na rede regular de ensino em nome do pluralismo e inclusão social. A educação é fundamental para o pleno desenvolvimento da pessoa. vocação profissional e não para todos. a verdadeira mudança foi apenas para a rede pública. Liberdade de cátedra é a liberdade de ensinar e está prevista no Art. A universidade é para quem tem capacidade. A PARTIR DE 4 ANOS!!!). O estado irá cumprir assegurando o ensino fundamental obrigatório e gratuito (1ª ao 9º ano! Mudou. 208. II. De acordo com a jurisprudência assente MS contra ato de dirigente de estabelecimento particular de ensino.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Os objetivos são: o pleno desenvolvimento da pessoa.

mas também são instrumentos que podem trazer riscos (a neo-escravatura está na manipulação do pensamento). é ofensa ao direito de informação. 222 traz tratamento diferenciado entre brasileiro natos e naturalizados (exceção constitucional. Rádio e televisão são instrumentos que atingem uma grande massa e podem ser utilizados para propósitos não desejáveis numa sociedade (manipulação de pensamento). A outra (majoritária) diz que a obrigação do poder público é de apenas informar. e os menores de 16 anos podem entrar. A censura está expressamente vedada na CF. a leitura que dão aos fatos faz parte da liberdade garantida. Como conciliar a classificação etária com os fusos horários do país? O MPF entrou com diversas ações exigindo que as emissoras locais retransmitissem os programas com restrição etária em horário diferenciado do restante do país. Ela é cumprida quando os meios atendem aos princípios. Art. a matrícula é facultativa. Na rede pública a CF obriga que exista ensino religioso. 5º (Art. O ensino religioso deve ser histórico e ecumênico em nome do Estado laico. LI. A política e os meios de comunicação são indissociáveis. 221 da CF. mas há outros que entendem que o ensino pode ser de orientação religiosa de cada religião especificamente (ingresso por concurso público. mas o aluno não é obrigado a cursar. Os meios são indiscutivelmente úteis. 89. Os meios não podem deixar de noticiar os fatos.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO “delegação”  cabe MS (autoridade) e atos de gestão da pessoa jurídica privada  não desafiam MS. Art. § 3º. porque estas liberdades já estavam consagradas no texto desde o Art. 5º. como fica?? Tem que ter fé). Isso para evitar ameaça à soberania nacional. mas vai ainda buscar meios de tentar assegurar que os veículos de comunicação social não sejam utilizados para maus propósitos. A CF diz que lei federal deverá criar meios de defesa da pessoa contra os meios de rádio. VII e Art. que são quatro ao todo: Art. 220). TV e propaganda. mas a CF foi omissa no tocante a propagandas infantis até determinada faixa etária. A função social dos meios de comunicação social está prevista no Art. Uma que permite desde que haja autorização do órgão competente. Para se garantir uma pluralidade de linhas de pensamento a CF estabeleceu que os meios de comunicação não podem ser objeto de monopólio ou oligopólio. gestão e responsabilidade pelo conteúdo da programação dos meios de comunicação de rádio. A CF só confiou a propriedade. Por isso a CF não vai apenas reiterar as liberdades. jornais e televisão apenas a brasileiro nato ou naturalizado há mais de 10 anos ou ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 12 . Há duas linhas de pensamento quanto à participação de menores em eventos. 222). 12. Comunicação social: a CF reitera a liberdade de pensamento. desde que acompanhados dos responsáveis. É ponto de discussão ainda. O Art. Há a restrição da propaganda de determinados produtos.

A natureza jurídica do meio ambiente ecologicamente equilibrado é de bem de uso comum do povo. Os credores futuros demonstram uma relação de eqüidade intergeracional. mas apenas lei poderá modificar este decreto ou suprimi-lo (Art. com a riqueza (Art. O prazo da concessão ou permissão para a TV é de 15 anos e de 10 anos para rádio. necessário à perpetuação dos homens. A riqueza já esteve nas fábricas. É expressão aberta. II). mas também com a ordem econômica. A atividade do poder público está ligada à bioética. § 1º. Todos têm direito. 84. assim como o do Art. A geração presente tem a obrigação de assegurar às gerações futuras o mínimo de condições ambientais para a continuidade da espécie humana. A não renovação da concessão depende de quorum especial do CN de 2/5 em votação nominal. tem conceito jurídico indeterminado. especialmente os princípios do Art. ao contrário do que a doutrina majoritária diz: que o decreto autônomo foi introduzido na CF com a EC32 (Art. 221. O MP pode mover ação civil pública para o cancelamento da concessão ou permissão quando o meio de comunicação estiver sendo utilizado para violar a CF. quem tem efetivo laço nacional. Decreto de 15/06/2005 criou o parque nacional Serra de Itabaiana (implica perda da propriedade do particular. em setores da agricultura. e que está na CF desde 1988. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 13 . O poder público criará unidades de conservação (lei 9. III). na matéria-prima. mas os demais meios (rádio e TV) deverão ter concessão. O meio de comunicação impresso não precisa de autorização. VI. Hoje ela está na exploração intelectual. as presentes e futuras gerações. 84. ou seja.985)  sistema nacional de unidades de conservação (SNUC). exploração mineral. 225. Decreto é o ato jurídico que cria o SNUC. A CF não quis que eles ficassem nas mãos de estrangeiros ou de brasileiros naturalizados há pouco tempo. 225. Meio ambiente: todos são credores do meio ambiente ecologicamente equilibrado. Todos são credores e devedores dessa relação jurídica fundamental ambiental.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO pessoa jurídica brasileira. Isso leva à conclusão de que esse decreto é autônomo. Sempre que uma obra for potencialmente causadora de impacto ambiental ela tem que ser precedida dos estudos de impacto ambiental que irão minimizar ou concluir que a obra não deve ser feita. mediante desapropriação). será encontrado em outras ciências que não a jurídica. poderão ser canceladas antes de findo o prazo por decisão judicial apenas. VI). Os devedores são o poder público e a coletividade. permissão ou autorização pelo poder executivo. e tem a ver com pesquisas científicas (pesquisa e manipulação de material genético). As alterações contratuais nas empresas não devem ser comunicadas apenas à junta comercial. deverão ser comunicadas também ao Congresso Nacional.

Há doutrina que entende ser cláusula pétrea. penal e administrativa por danos ambientais. decisão superada. 14 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . Art. não se usa o conceito de imemoriabilidade (buscar pela memória das terras. mas a propriedade é da União. A princípio a competência é da justiça estadual. 225. Bem de uso público pode ser prédio particular e não apenas os imóveis de domínio público (ex: shopping). a depender das circunstâncias. O STF resolveu a questão dizendo que por ser patrimônio nacional não arrasta a competência para a justiça federal. tudo seria indígena). CF. Só será se incidir um dos incisos do Art. garantido o retorno imediato tão logo cessado o risco. município não pode fixar a idade livremente. Geralmente são considerados inimputáveis. Dos Índios: tratamento pormenorizado na CF. Responsabilidade civil. A responsabilidade civil ambiental é objetiva (Lei 6938.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Art. II e § 2º: garantir o acesso adequado às pessoas portadoras de deficiências. O STJ teve uma decisão isolada dizendo que pessoa jurídica não tem responsabilidade penal. Têm também direitos originários. 228: imputáveis maiores de 18 anos. Não é tema pacífico. não é razoável aplicá-lo como é para nós. mas há exceções: § 5º: catástrofes. adolescente e idoso: proteção aos portadores de deficiências físicas  Art. Modificar essa idade somente por emenda constitucional. envolver agente federal). ad referendum do CN. 227. Índios podem estar em terras originárias (tradicionalmente ocupadas por índios – bem da União – § 1º) ou adquiri-las civilmente (terras comuns). 229 e 230: medicamentos com descontos para idosos. apesar de ter competência para legislar sobre transporte coletivo urbano. § 3º: previsão da responsabilidade penal da pessoa jurídica. 225 (patrimônio nacional) (não são bens da União) não necessariamente a competência será da justiça federal. criança. 109. Tribos inseridas que mantêm certas tradições também é preciso ponderar caso a caso com valoração dos interesses. Art. 231: os índios têm o usufruto exclusivo da terra. Matéria nuclear é da União. epidemias etc. Não se impõe o direito penal a essas tribos isoladas. Da família. § 1º). Art. § 1º. Aos maiores de 65 anos é garantido a gratuidade dos transportes coletivos urbanos. O menor que trabalha tem direito a todas as garantias trabalhistas. até onde o direito penal é aplicado nas comunidades indígenas. mas poderá ser federal se houver interesse da União (dano de grande magnitude. É vedada a remoção dos índios de suas terras. Ação civil ou penal que afete ecossistemas do § 4º do Art. Art. somente ela define regras por meio de lei federal. Questão alimentar é recíproca entre pais e filhos. 14.

Toda pessoa tem direito a uma nacionalidade: previsto no Pacto de San Jose da Costa Rica e na carta das nações unidas (dois documentos internacionais que cuidam da nacionalidade). Os quilombolas (pessoas remanescentes de comunidades de quilombos) são uma minoria objeto de tombamento: ficam tombados todos os documentos e os sítios detentores de reminiscências históricas dos antigos quilombos (Art. as constituições não podem deixar alguém sem nacionalidade. O tombamento recai sobre bens materiais ligados à questão cultural. O Estado tem um elemento humano (povo). porque é direito fundamental o direito à nacionalidade. Também está formalmente inserido na constituição escrita. § 5º). § 1º). Não há jus postulandi. mas ela não se vincula apenas ao território. 216. mas também como elemento humano do Estado (ex: brasileiro no exterior tem que justificar o não voto. Cada Estado decide quem deve ser considerado seu nacional.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO § 6º do Art. mas tratou de forma muito tímida. não deve ser matéria de lei ordinária (embora possa ter alguma). geográfico (território) e um político (soberania). José Afonso da Silva diz que nacionalidade é o vínculo jurídico-político de direito público interno que faz da pessoa um dos elementos componentes da dimensão humana do Estado. A soberania tem um vínculo com o território. mas tem legitimidade. os antigos proprietários têm direito a indenização e qualquer dos entes poderá emitir os títulos respectivos (posição majoritária). Para a elaboração da constituição. são os direitos à nacionalidade. a propriedade é intransferível. Esse é um tema materialmente constitucional. 232: há legitimidade ad causam das comunidades e organizações indígenas. Essa vinculação de alguém ao elemento humano de um Estado é um direito. Tem a ver com a ligação da pessoa com os elementos constitutivos do Estado. Art. mas essa decisão não deve ser isolada. os Estados deverão observar a teoria geral da nacionalidade. A causa é da competência da justiça federal. geral da nacionalidade: existem duas espécies de ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 15 . 216. Brasil pode solicitar extradição). DIREITO À NACIONALIDADE É um tema que fala sobre o vínculo da nacionalidade. porque diz respeito a um dos elementos do Estado. intervém. O MP sempre que não for o autor. Bens imateriais são objeto de registro (carnaval. O Art. Em geral se entende que a titulação da propriedade é coletiva e não individual. 68 do ADCT também trata dos quilombolas: a CF assegura a propriedade definitiva às comunidades quilombolas. acarajé etc) e não protegidos por tombamento (art. Teoria nacionalidade. isso deve ser evitado a todo custo. É um tombamento constitucional. 231 demonstra claramente a força do poder constituinte originário.

Art. Embaixador + funcionária da ONU: é brasileiro. o nascimento. É nato quem nasce no Brasil. Pais ou pai/mãe a serviço do Brasil. Nacionalidade primária (nata. É chamada de nacionalidade potestativa (depende somente da vontade exclusiva da pessoa). não reservou para si conveniência ou oportunidade. Há autores que dizem não ser possível a nacionalidade potestativa. I. o Estado decide. Válido para filhos adotivos. Só exclui quando ambos os pais estão a serviço de seu país. Filho de embaixadores de países diferentes não é brasileiro. Nato: Art. Será exclusiva da pessoa quando o Estado desde já coloca na CF quais os requisitos necessários para alguém se tornar nacional. o Estado sempre teria conveniência e oportunidade (cuidado! Jurisprudência admite). Há. Essa teoria não é utilizada na CF de forma pura. A exceção é o filho de embaixador que morreu antes do nascimento – filho póstumo – aplicado o momento da concepção. mas sim temperada (mundo globalizado). o Estado não pode negar. Conjugada: requisitos + pedido. 12. reservando para si conveniência e oportunidade. de 2º grau): não decorre de fato natural. originária. Exceções: nasce no Brasil de pais estrangeiros que estão a serviço de seu país. A serviço do Brasil na administração direta e indireta de forma permanente ou temporária (José Afonso da Silva). a possibilidade de dupla nacionalidade originária (polipátrida). não gera direito adquirido. Quem não estiver a serviço do país não exclui a nacionalidade brasileira. é organismo internacional e não país. gera direito adquirido. Nacionalidade secundária (adquirida. caso contrário poderia gerar situações de apatria. decorre de um fato volitivo: uma declaração de vontade. O nascimento vai determinar o critério de nacionalidade: territorial ou sanguíneo  jus solis e jus sanguinis  direito à nacionalidade por ter sangue nacional ou porque nasceu no território nacional. 12. Preenchidos os requisitos surge o direito à nacionalidade. a: critério territorial. onde ocorreu a adoção. mesmo o nascimento acidental e mesmo de pais estrangeiros. de forma inversa. de 1º grau): decorre de um fato natural. de origem. O momento do nascimento é a regra para fixar a nacionalidade. ambos vinculados ao nascimento. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 16 .DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO 1. acúmulo não é ofensa a direitos fundamentais. exclusiva do Estado ou conjugada entre pessoa e Estado. Pode decorrer ainda de vontade exclusiva do Estado: na CF de 1891 houve declaração de nacionalidade pelo Estado. derivada. Complementa a aliena “a” para que ninguém fique sem nacionalidade. voluntária. 2. b: critério sanguíneo. Uma declaração de vontade de quem? Exclusiva da pessoa. Nasce um apátrida ou um heimatlos: nasce em Estado jus sanguinis de pais de Estado jus solis. I. Embaixador + funcionária de embaixada: é brasileiro.

§ 3º e 5º LI). isso não existe mais! Quando se trata de menor que vem para o Brasil: vem para o Brasil aos 5 anos (ex: Ronald). ele é polipátrida – viajei!). Não se ganha nacionalidade com o registro no consulado no exterior. 12. 12. Mesmo havendo reciprocidade de alguns casos. Vindo morar aqui os pais podem fazer um registro e ele é considerado nato até seus 18 anos (provisoriamente). mas de brasileiro naturalizado pode. Art. optar a qualquer tempo pela nacionalidade brasileira (elemento volitivo). Oficialato só de tenente em diante. o Estado não pode negar. Lei ordinária não pode criar novas hipóteses de brasileiro nato (numerus clausus). Perdese ainda pela aquisição de nacionalidade secundária. conselho nacional da magistratura são ministros do STF. brasileiros natos. há uma equiparação. desde que venham a residir no Brasil (elemento objetivo. a definitiva é personalíssima e só pode ser feita quando for maior). A doutrina entende como direito potestativo. 12. § 4º. Seria necessário primeiro uma emenda constitucional para excluir os casos reservados ao ministro da defesa. fático). Essa opção é potestativa. é originária jus sanguinis. No caso do menor. Aos 18 anos faz a opção. Vem ganhando um novo nome: supranacionalidade (comunidade européia – cidadão europeu vinculado e com direitos específicos). Reciprocidade. Ainda se o país da nacionalidade adquirida reconhecer a originária não perde ??? (ex: nasce no Brasil de pais italianos – este exemplo não é de nacionalidade adquirida. Art. 12. a: proveniente de país de língua portuguesa + residência por 1 ano. que é personalíssima. o direito já existe. Art. a opção é feita perante a justiça federal e a partir dos 18 anos. basta requerer. estatuto da igualdade. Ministro da defesa na CF impede que o Ministério da Defesa seja extinto por lei ordinária. Chamada de nacionalidade secundária ordinária. I. esperando uma condição suspensiva (homologação judicial da opção dele) (fica apátrida por um tempo). § 1º: quase nacionalidade. Ele será nato. só a CF (Arts. b: nacionalidade potestativa também. Chamada de nacionalidade secundária extraordinária.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Art. c: Nascido no estrangeiro de pais brasileiros (elemento sanguíneo). Mistura dos três elementos. a moradia já lhe dá o status de brasileiro nato (opção provisória. § 3º: linha sucessória presidencial. estão ressalvadas as hipóteses reservadas ao brasileiro nato. Caso o país que se está a serviço exige 17 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . 12. Art. 222. A regra é que só pode ser polipátrida se for de nacionalidade originária. 89. Art. Período entre os 18 anos e a opção a nacionalidade fica suspensa. 12. ele volta a ser brasileiro nato e tem efeitos ex tunc. Feita a opção. logo. Presidente do TSE. Perda da nacionalidade: Art. Naturalização cancelada por sentença judicial em virtude de atividade nociva ao interesse nacional. VII. II. § 2º: lei ordinária não pode dar tratamento diferenciado a brasileiro nato e naturalizado. 12. 12. II.

além da representativa. Art. Direitos políticos positivos: é o conjunto de normas que garantem a participação da pessoa no processo político e eleitoral (José Afonso da Silva). Podem ser criados outros por lei. Os positivos podem ser ativos: voto. exercer cargo público. Nacionalidade prevalecente: quanto ao polipátrida. ou seja. readquire como naturalizado. A doutrina menciona este caso. 13. 13 – símbolos: segundo o Art. por decisão do presidente da república se adquiriu outra.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO para permanência. participação em conselhos e outros). os direitos políticos cuidam. Todos os conhecidos são inconstitucionais. as nacionalidades são equivalentes. assinar ação popular. a iniciativa legislativa popular é questão de direitos políticos. a proteção é relativa. iniciativa popular. Também tem efeitos irretroativos. é vontade exclusiva do Estado. Ex: Roberto Carlos optou pela espanhola – constitucionalmente não se encaixa em qualquer das exceções de não perda. ou seja. ela é viciada pela coação. Também nos casos em que o Estado confere a nacionalidade de forma exclusiva. Alguns autores identificam os direitos políticos positivos tão somente com a capacidade ativa. A soberania exercida pelo próprio titular do poder ou o representante eleito.450/SP. Os direitos políticos abrangem o direito eleitoral (por exemplo. É possível readquiri-la. Estando no país onde não é prevalente. só podem constar na propaganda de órgãos públicos os símbolos do Art. mas há decisão do STF de 1986 que diz ser nato. É o conjunto de normas que regula a atuação da soberania popular. mas os mecanismos são os mesmos) ou representantes eleitos (democracia representativa). Acúmulo não autorizado pela CF. da direta (referendo. Era nato. perdeu. 37. mover iniciativa popular. DIREITOS POLÍTICOS Não é sinônimo de direito eleitoral.alguns autores preferem chamar assim. parágrafo único da CF: soberania popular e seu exercício por mecanismos de atuação direta (democracia direta ou semi-direta . são as mesmas? Tanto faz estar em um ou em outro país? Para fins de processo de extradição entre os dois Estados é preciso observar qual é a nacionalidade prevalecente. ou passivos: ser votado (candidatura). mas até hoje nenhum outro foi criado. hino. Deveria perder a nacionalidade brasileira. O casamento que confere nacionalidade automática também não exclui a originária. Ex: ação rescisória. mas não está incluída no âmbito do direito eleitoral). O STF começou a suscitar essa tese no HC 83. § 1º. pois não é uma manifestação de vontade livre. que são os oficiais: bandeira. § 1º. Art. Se estiver onde é prevalente sua proteção é absoluta. plebiscito. É aceito. O direito eleitoral está vinculado à democracia representativa. 1º. readquire – a doutrina diz ser como naturalizado. A perda da nacionalidade tem efeitos ex nunc. 18 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . manifestação em plebiscito e em referendo. armas e selos nacionais. apenas com o voto. ação popular.

ou seja. esta impede a capacidade ativa e passiva. escrutínio é o modo de exercício do direito de voto (público ou secreto. 60. não é tecnicamente membro do Judiciário. O sufrágio pode ser ativo (relacionado com a capacidade eleitoral ativa: direito de votar) e passivo (vinculado à capacidade eleitoral passiva: direito de ser votado). ser eleito e participar da organização e da atividade estatal. não estar domiciliado em determinada circunscrição eleitoral. mas não discriminatórios. A inelegibilidade pode ser absoluta (em relação a todos os cargos) ou relativa (em relação a alguns cargos). a universalidade não é absoluta. O direito de sufrágio não abrange o poder Judiciário. Inelegibilidade: vedação à capacidade eleitoral passiva. ele não se enquadra no parágrafo único do Art. Quanto à extensão o sufrágio pode ser universal ou restrito. de fato é discriminatório) pode ser o censitário (discrimina de acordo com a capacidade econômica) e capacitário (discrimina de acordo com a capacidade intelectual). O juiz de paz. diferente de inalistabilidade. Não se confunde com voto. a exigência de alfabetização é técnica. Essa exclusão por motivos técnicos não retira a característica da universalidade (ex: menores de 16 anos. quando não pode sequer votar. é apenas eleger. 2. Sufrágio é o direito. Também não se confunde com desincompatibilização: alguém se desvencilhar de uma inelegibilidade relativa para uma eventual candidatura (deixando o cargo. É a regra em caso de eleições. liberdade. todas são restrições técnicas). Instituições dos direitos políticos positivos: 1. É cláusula pétrea (Art. por exemplo). porque é norma de ordem pública. voto é o exercício do direito. § 4º. Direito de sufrágio: é um direito público subjetivo de natureza política que tem o cidadão de eleger. No sufrágio universal as restrições são técnicas enquanto no restrito as restrições são discriminatórias. Voto: quanto à publicidade ele será secreto ou público. nem escrutínio. suspensão e perda dos direito políticos. § 4º. CF). A exigência constitucional de alfabetização para ter a capacidade eleitoral passiva não descaracteriza o sufrágio universal (não é sufrágio restrito capacitário). O sigilo do voto não é renunciado pelo eleitor. terá em sua atuação que saber ler e escrever (legislar. uma mera afirmação não é renúncia ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 19 . CF.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Direitos políticos negativos: é o conjunto de normas que impedem a participação da pessoa no processo político e eleitoral. O restrito (não é técnico. Há exclusões ou restrições apenas por motivos técnicos. 60. No universal (Art. é apenas uma das formas de sufrágio. 1º. apesar de eleito. Constituem as regras de inelegibilidade. alguém que se candidata a cargo no legislativo ou executivo. não estar alistado etc. tanto em relação à capacidade ativa quanto passiva. O Judiciário não tem legitimidade direta popular. ou seja. O Brasil já adotou o sufrágio restrito cesitário na constituição de 1824. significa ausência de restrições discriminatórias. voto em urna eletrônica ou em cédulas de papel etc). quer dizer. CF) todos usufruem. administrador deve seguir a legalidade e praticar atos administrativos escritos). O voto secreto garante a pessoalidade do voto.

universal e periódico. maiores de 70 anos. governadores dos estados e DF (Art.Art. só é preciso fazer um turno de votação. § 4º. público. No indireto. caráter eletivo e não hereditário. Por maioria absoluta elegem-se o presidente (Art. podendo dar margem ao 2º turno. 28. com o mesmo peso. Ela pode ser simples ou absoluta. II fala em voto universal.000 eleitores. o Congresso promoverá eleição indireta 30 dias após a abertura da última vaga . Essas classificações não são precisas.000 eleitores (Art. por emenda constitucional pode-se torná-lo facultativo. 81. No parlamento a regra é o voto aberto. isso para permitir a fiscalização por parte do povo. No sistema de maioria absoluta não são computados os votos brancos e nulos. Sistemas eleitorais: é o conjunto de técnicas e procedimentos para a realização de eleições e a designação dos eleitos a partir dos votos emitidos. mas há casos de voto facultativo (menores entre 16 e 18 anos. A simples é chamada de sistema de um turno ou turno único. 14. CF). 77. o cidadão elege um colégio de eleitores e estes elegem o candidato (modelo dos Estados Unidos). A periodicidade do voto está ligado à forma republicana. Em regra o voto no Brasil é obrigatório. cada pessoa vota uma vez. No voto direto o cidadão decide. é órgão do legislativo. É aquele no qual é eleito quem atinge a maioria dos votos. mas o comparecimento à zona ou posto de justificação. O que é cláusula pétrea é o voto direto. CF – é exceção. ou seja. one vote. secreto. O voto será igual: one man. O voto obrigatório está na CF. 46. Pode ser também obrigatório e facultativo. excepcionalmente é secreto.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO ao sigilo. por isso também chamado de sistema dois turnos. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 20 . 60. enquanto o Art. não significa ser verdade. CF). mas não é cláusula pétrea. § 1º. caput fala em sufrágio universal. mas com eleição por sistema majoritário) e os prefeitos nos municípios com até 200. Tem como objetivo identificar os eleitos. No Brasil há a eleição indireta quando o Congresso Nacional elege para os cargos de presidente e vice-presidente da república para encerrar o mandato (os dois cargos vagos nos dois últimos anos do mandato. O Art. Dependerá do tipo de sistema o resultado da eleição: Majoritário: está vinculado a cargos unipessoais. CF) (*território tem governador nomeado pelo presidente) e prefeitos em municípios com mais de 200. II. Na maioria absoluta é necessário atingir 50% + 1 do total de votos para ser o eleito. ou desigual: vota mais de uma vez. Elegem-se por maioria simples os senadores (Art. A CF não foi tecnicamente precisa. Também chamado de “maioria”. a própria CF confunde. 29. O que é obrigatório não é o voto válido. CF). analfabetos). normalmente utilizado para cargos do poder Executivo.

É órgão de representação dos estados. fechando a lista. tem número fixo de senadores (três). Proporcional: utilizado em regra em assembléias. 2. o número de deputados estaduais depende do número de deputados federais. Assembléias Legislativas (Câmara Legislativa do DF) e Câmaras Municipais são órgãos colegiados proporcionais. Exceção: órgão colegiado. julgar só na 3ª fase). O quociente partidário é o número de cadeiras encontrado para cada partido. não é proporcional a nada. mas são funções atípicas do Judiciário. para o poder Legislativo. Lista aberta: quem decide a ordem de ocupação nas cadeiras é o eleitor (diferente da lista fechada. Realização e organização do escrutínio. A propaganda político-partidária independe ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 21 . Quociente eleitoral: são os votos válidos divididos pelo número de cadeiras. escolha do nome do candidato que irá ocupar as cadeiras que o partido conquistou. Apresentação das candidaturas: fase interna das convenções partidárias com indicação de candidatos. que nas eleições proporcionais só haverá voto de legenda. para reproduzir o pensamento da população. Após. 3. sem escolha para o eleitor). Não pode haver propaganda para eleitorado geral nesta fase. O MP não tem vaga como juiz pelo 5º constitucional. O órgão é federal. embora o contencioso só exista na 3ª fase (as 1ª e 2ª fases são atividades administrativas. mas nos Três só há um juiz federal. Os advogados são indicados por lista feita pelo TJ e não pela OAB. Num primeiro momento há eleição entre partidos e coligações (voto na legenda). Apresentação das candidaturas. Na maioria dos países é o Executivo que cuida dos procedimentos eleitorais. Câmara dos Deputados. Órgão específico para as lides eleitorais (função judiciária e administrativa). só internamente. Todas são dirigidas pelo Poder Judiciário. O número de deputados federais depende da população. Quociente partidário: são os votos dos partidos divididos pelo número do quociente eleitoral. político-eleitoral e a institucional. Contencioso eleitoral. Procedimentos eleitorais (fases): 1. Propaganda pode ser político-partidária. É a casa dentro do sistema federativo onde os estados têm voz. órgãos colegiados. mas o sistema é por maioria simples: Senado não obedece ao proporcional. O quociente eleitoral é o número de votos necessários para que o partido ganhe uma cadeira.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO São cargos em que se elege alguém sem qualquer proporcionalidade. com a propaganda eleitoral. Após as convenções há a fase externa. resultando no número de cadeiras do partido. esta é considerada para parlamentos (órgãos colegiados). e não do povo. isso.

2º da ADCT: a consulta lá prevista sobre a forma de governo foi anterior à revisão constitucional. Plebiscito é a consulta prévia. foi de fato plebiscito. filiação partidária (no Brasil não há a candidatura independentes). Isso para o alfabetizado. proporcionando a uniformização. O momento em que a consulta é feita é que define a diferença entre ambos. 37. Os conscritos (são os convocados. Opção de assistir ou não de forma igualitária: a obrigatoriedade do horário eleitoral deveria ser imposta também para a TV fechada. Capacidade eleitoral: Vedado  16 anos  facultativo  18 anos  obrigatório  70 anos  facultativo. A doutrina eleitoral faz uma crítica no tocante às TVs abertas e fechadas em razão do princípio da igualdade. A institucional (Art. Os estrangeiros são inalistáveis. Aqui que se dá a definição de mesário etc. Contencioso eleitoral: Plebiscito e referendo são mecanismos de exercício de democracia direta (ou semi-direta). enquanto o referendo é a posterior a um ato realizado. § 2º): não têm capacidade ativa nem passiva. Nacionalidade brasileira (exceto português de Portugal com reciprocidade e ressalvados os cargos reservados a natos – presidente e vice-presidente). ao titular do poder. exercício dos direitos políticos. não é eleitoral. é da justiça comum. Realização do escrutínio: é organizado pela justiça eleitoral. para o serviço militar obrigatório) também são inalistáveis. são instrumentos de consulta popular. são inelegíveis. alistabilidade. A político-eleitoral está vinculada a uma determinada eleição (apresentação externa). ou melhor. Condições de elegibilidade: condições que devem ser preenchidas para ser elegível na forma da lei ordinária (lei complementar pode estabelecer outras condições de inelegibilidade). 14. A inalistabilidade é uma vedação à capacidade eleitoral ativa. CF – a publicidade oficial não pode conter símbolos e nomes) é a das pessoas jurídicas de direito público.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO das eleições. federal ou estadual. O analfabeto é eleitor facultativo a partir dos 16 anos. Art. A iniciativa popular será vista em Poder Legislativo. os recrutados. foi consulta prévia e não posterior (à constituição). § 1º. idade mínima: ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 22 . A questão relativa a ter ou não referendo ou plebiscito não é da competência da justiça eleitoral. por conseguinte. A inelegibilidade é uma vedação à capacidade eleitoral passiva. por isso. Inalistáveis (Art. domicílio eleitoral na circunscrição. Exceção: português de Portugal com reciprocidade de tratamento pode se alistar e votar.

salvo se já passado um mandato inteiro. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE – 23 . Neste território a inelegibilidade é relativa. prefeitos. Logo. governador e prefeito devem renunciar seis meses antes do pleito caso queiram concorrer a outro cargo (desincompatibilização). 18 anos: vereadores. (? Ele não repetiu essa matéria na aula. 14. poderão apenas exercer os direitos políticos ativos facultativamente. Inelegíveis: são os inalistáveis e os analfabetos. 14. para ministro de Estado (21 anos?). § 7º: inelegibilidade reflexa: o termo jurisdição está equivocado. Homossexuais também atingidos pela inelegibilidade. A idade mínima é considerada na data da posse. A vedação à reeleição por mais de uma vez só se aplica ao executivo. um menor de 17 anos está sujeito a praticar ato infracional eleitoral. Art. pode se eleger para outros cargos. Inelegibilidade absoluta e relativa: a restrição aos analfabetos não fere princípio. vice-presidente e senador. porque já eram titular de mandato eletivo. Com 17 anos pode ser candidato. não os cargos do legislativo. vice-governador dos estados e DF. estes de forma absoluta. por exemplo. Se entram juntos podem se candidatar à reeleição no mandato seguinte. Cônjuges: em união estável também. em outra circunscrição pode. Mesmo com o divórcio a inelegibilidade vai persistir. vice-prefeitos e juiz de paz. Pedro Lenza fala diferente?). 21 anos: deputados federais. em tese poderia se reeleger em 2006.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO 35 anos: presidente. é técnica não discriminatória e não descaracteriza o sufrágio como universal. 30 anos: governador. Há várias outras idades na CF que não são para cargos eletivos. deveria ser circunscrição. agora com a regra da reeleição (1 só seguidos os mandatos). deputados estaduais e distritais. O que provoca a inelegibilidade reflexa são os cargos do executivo. Neste caso o juiz da infância e juventude poderá julgar matéria eleitoral. Relativização do § 7º: “reeleição de Rosinha Garotinho” aguardando posição do STF este ano. Os cargos do executivo tinham inelegibilidade relativa. Cônjuges concorrendo ao mesmo tempo para uma mesma circunscrição é possível. prova de reconhecimento jurídico da relação. para reeleição não precisam se afastar. Reeleito passa ele a ter inelegibilidade relativa. Art. No § 5º não é necessária a desincompatibilização para concorrer ao mesmo cargo. § 6º: desincompatibilização  ato pelo qual alguém se desvencilha de uma inelegibilidade relativa. Presidente.

17 cuida dos sistemas partidários. enquanto durarem os efeitos (não significa prisão. pode estabelecer outros casos de Impugnação a mandato eletivo: contencioso eleitoral – 15 dias contados da diplomação. DOS PARTIDOS POLÍTICOS O Art. devendo prestar contas à justiça eleitoral. Lei eleitoral entra em vigor na data da publicação. O § 1º do Art. irá para a inatividade. na diplomação ele passa à inatividade automaticamente. existem leis específicas e decisões da justiça eleitoral) (segundo o STF. 17 traz os mesmos princípios do caput (controle mínimo) que devem ser observados na estrutura interna do partido. será agregado e se eleitor. se nada fizer. Não podem receber recursos de Estados estrangeiros. Unipartidarismo e bipartidarismo são sistemas próprios de ditadura. Se militar mais experiente. os de eleitoral dizem que é caso de suspensão. condenação criminal transitada em julgado. logo. não é vacatio legis. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 24 . Se militar jovem. apenas requisitos mínimos devem ser atendidos (controle mínimo). O princípio democrático só se compatibiliza como pluripartidarismo. Perda e suspensão dos direito políticos é possível (direitos políticos negativos).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO O militar que pode se alistar pode concorrer. O Estado não pode controlar os partidos políticos. não vai reaver). emenda poderia sim modificar as regras eleitorais para uma eleição que ocorre em menos de um ano (vamos ver o que os tribunais vão decidir!). configura ato de força e anti-democrático. ou seja. mas sua aplicação fica suspensa. Seu funcionamento parlamentar se dará de acordo com a lei. Suspensão: incapacidade civil absoluta. Há liberdade de criação de partidos. A tendência é o entendimento de que a lei é estricto sensu. A lei do Art. Processo corre em segredo de justiça. Lei complementar inelegibilidade (LC 64). mesmo solto o sujeito estará com os direitos políticos suspensos e o preso provisório não está com os direitos políticos suspensos) e improbidade administrativa. embora possa se reverter: cancelamento de naturalização por sentença transitada em julgado e recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa (os autores de constitucional falam em perda. 16 é lei estricto sensu  verticalização eleitoral em discussão. com mais de 10 anos. Lei lato sensu é qualquer ato normativo. Somente poderão ter caráter nacional. Internamente eles têm autonomia. Na perda não há expectativa de retorno. A autonomia deverá observar isso. não eleito ele retorna às suas atividades de militar. com menos de 10 anos de atividade. Cassação de direitos políticos não é admissível.

conclui-se que todo Estado tem uma constituição em sentido material. líderes religiosos. Há uma acomodação entre eles  soma dos fatores reais do poder  esta é a verdadeira constituição. A maioria hoje tem constituição em sentido formal em razão do movimento constitucionalista do final do século XVIII. Israel). Sociológica: Ferdinand Lassalle (A essência da constituição). TEORIA GERAL DA CONSTITUIÇÃO Constituição em sentido comum é o conjunto de elementos de alguma coisa. O movimento deu origem às constituições dos Estados Unidos e da França. O TSE só negará o registro se ele infringir os princípios. Ela tem que dar as respostas que a sociedade precisa. não a mera folha de papel. O objeto da constituição é um objeto aberto (não hermético) e dinâmico (não estático). Na sociedade há vários fatores reais do poder (exército. Assim. A constituição pode coincidir ou não com a soma dos fatores reais de poder. meios de comunicação etc) que defendem interesses próprios. ou seja. caso contrário. O registro no TSE não tem natureza constitutiva. e todas as suas conseqüências. Os partidos têm direito a recursos do fundo partidário. território (geográfico) e governo/soberania (político). reis. Partido político é uma agremiação que objetiva chegar ao poder dentro da legalidade. não há juízo de conveniência e oportunidade. formam um objeto.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Natureza jurídica: pessoa jurídica de direito privado. Acesso gratuito apenas ao rádio e TV. ainda sem definição do que é. Embora a idéia de limitação de poder venha desde a Magna Carta (1215). vai mudar conforme as mudanças da sociedade exigir. banqueiros. Entende a constituição como real ou efetiva e como escrita ou formal. e não à base da força (característico de grupo revolucionário). Em sentido jurídico é o conjunto de elementos que formam e estruturam o Estado. Concepções clássicas sobre constituição: 1. 99% dos países têm. não (ex: juros não ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 25 . Há constituição sem Estado? Constituição da União européia em processamento – adotada por algo que não é um Estado. Hoje. Para ele constituição real é a soma dos fatores reais de poder. é o complexo normativo que disciplina os elementos de um determinado Estado. seu estatuto é registrado na forma civil. O que é constituição? Depende do ponto de vista. A constituição vai tratar dos elementos do Estado: povo (humano). Nem todo Estado possui constituição em sentido formal: documento escrito e formalizado (ex: Inglaterra. pelo processo político-eleitoral. Se a constituição escrita reflete os fatores reais de poder ela irá durar.

Instituições essenciais ao Estado que precisam ser decididas. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 26 . apenas tem forma de constituição. Constitucionalização simbólica: Marcelo Neres.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO superiores a 12% ao ano foi escrito na CF formal. qual é o fundamento de existência da constituição? Como a constituição ocupa o ápice da pirâmide do direito positivo. A norma é simbólica. Art. 208  lei constitucional – substância de lei e forma de constituição). 7º. Constituição é norma pura. 5. sem conteúdo de constituição. o fundamento de existência da lei é a constituição. O que é símbolo pode chegar a ter força normativa. Kelsen diz que o fundamento está fora do direito positivo. 3. A norma da constituição existe porque algo no mundo fora do direito positivo autoriza  norma hipotética fundamental (direito pressuposto # direito posto – direito positivo). CF  decisão política fundamental. Princípio da compatibilidade vertical. Há coisas que funcionam como símbolos. o legislador não é sincero ao elaborá-la. Força normativa da constituição: Konrad Hesse. no ápice da pirâmide. IV. Mesma noção de poder constituinte. não há como procurar fundamento dentro do direito positivo. puro dever-ser. está no plano do direito pressuposto. O que está no topo do direito positivo é constituição: é norma suprema que gera as inferiores. Jurídica: Hans Kelsen (Teoria pura do direito). Sentido lógico-jurídico: é norma hipotética fundamental que seria fonte de validade da constituição jurídicopositiva. Não tem decisão política fundamental (ex: Art. Isso em razão da força normativa da constituição. Por isso. é algo hipotético e lógico. se tornar realidade – algo a perseguir (não insincero). A constituição pode mudar a realidade diante de um embate. 1º. A constituição não necessariamente será a parte mais fraca e perdedora num conflito entre o que a constituição quer e a soma dos fatores reais de poder. O direito positivo é representado por uma pirâmide – hierarquia entre as normas. Leis constitucionais: algo que tem natureza de lei e forma de constituição. O fundamento da existência do regulamento é a lei. O que não for não é constituição. 2. É aquele sem a qual o Estado não existe. mas não correspondia à soma dos fatores reais do poder). Critica Lassalle porque entre a constituição e os fatores reais de poder a constituição pode imperar e não ceder – tem que atuar no mundo real (RE 328812). Constituição é decisão política fundamental. Este é o sentido jurídico-positivo (direito criado pelo homem – direito posto). Política: Carl Schimitt (Teoria da constituição). CF). Concepções modernas: 4. Sentido jurídico-positivo: constituição é a que está dentro da ordem jurídica positiva. sem eficácia (ex: Art. É constituição em sentido lógico-jurídico (fora do direito positivo – dentro do hipotético).

As seis teorias não necessariamente se excluem. outorgada (é a constituição imposta – constituições de 1824. A CF de 1967 foi aprovada pelo congresso (poder constituído e não constituinte – tinha sido eleito para elaborar leis e não constituição) tipo especial de constituição outorgada. o processo de emenda é mais rígido). A de 1969 vem formalmente como EC 01 da de 1967. e a interpretação do STF tem que ser considerada. trata-se de uma nova constituição. não hermética. não fechado. flexível ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 27 . decisões do STF. O Judiciário não pode examinar a soberania do parlamento. soberania do parlamento. como modificou tudo. Constituição aberta: Peter Häberle.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO 6. mutação – mudança informal da CF. Na não-escrita parte dela pode ser escrita (ex: Inglaterra). não fechada. Há elementos. Quanto à forma: pode ser escrita ou dogmática – alguém/grupo raciocina e escreve a Constituição. há também elementos não–escritos na constituição escrita (CF/88  Art. Quanto à origem: a constituição pode ser democrática (promulgada ou popular – elaborada por representantes do podo – constituições de 1891. 1934. Não-escrita ou histórica . por decisões judiciais escritas (que interpretam as leis de matéria constitucional – cases law e as que interpretam costumes: common law) e pelas convenções constitucionais. A CF/88 não esgota a constituição brasileira. Assim como se tem elementos escritos na constituição não-escrita (costumeira). são abordagens diferentes sobre o que é constituição. Celso Bastos. conceitos jurídicos indeterminados respondidos por outro direito). Corresponde ao constitucionalismo inglês. Carlos Roberto Siqueira Castro. não-codificada (em vários textos escritos ou esparsos).é formada ao longo do tempo. por isso lá não se fala em controle de constitucionalidade. está aberta às necessidades da sociedade (EC. A classificação de escrita e não-escrita é fluida. Quanto à estabilidade: a constituição pode ser rígida (a estabilidade é maior porque ela não pode ser formalmente alterada pelo mesmo processo de lei ordinária. É uma idéia que advém do constitucionalismo. 5º. 1946 e 1988). formada por: leis escritas de matéria constitucional. que são acordos parlamentares não escritos. portanto. com autorização do legislativo. principalmente pelo constitucionalismo dos EUA (1787) e da França (1791). São três elementos. A constituição escrita pode ser: codificada (um único texto escrito – CF/88). revisão constitucional. A constituição deve ser um documento permeável. Classificação das constituições: Quanto ao conteúdo: pode ser material – conteúdo de constituição. nem todo Estado possui. 1937. escritos e nãoescritos. § 2º). o que está escrito não exclui o que está implícito. 1967 e 1969). Paulo Bonavides. esta todo Estado tem. ou formal – formalizada como constituição.

ampla – CF/88). Uma primeira diz ser ele mera comunicação. só descreve a realidade – antigas constituições soviéticas). (. Base do estado democrático é a constituição rígida. embora tente a concretização. apenas para perpetuálo. enquanto uma outra diz ser norma. Quanto à extensão: pode ser concisa (ou breve – EUA) ou prolixa (ou longa.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO (baixa estabilidade porque pode ser mudada por lei ordinária. Estariam excluídos os ateus e os politeístas – como não tem força normativa. Quanto à finalidade: a constituição pode ser garantia (serve apenas para garantir direitos – EUA). dirigente (dirige o futuro do estado e da sociedade. O processo de fazer lei ordinária é o mesmo de emenda). Alguns chamam a flexível de plástica. copiar do Lenza) Semântica: não serve para mudar a realidade. porque tudo que está nele está no próprio corpo de constituição.. natureza jurídica seria a mesma – e quanto à hierarquia? Daí se deduz que só há supremacia na constituição rígida.. Proteção de Deus X liberdade religiosa (parte dogmática). O preâmbulo para a hermenêutica constitucional deve ser utilizado (interpretação da parte dogmática). Nominal: constituição que não conseguiu ainda modificar o processo político da sociedade. Mas a plástica para outros é considerada como aberta – plasticidade para se adequar. É fonte de hermenêutica constitucional. ele não obriga. não há contradição (ADI 2076) e não tem que ser reproduzido nas constituições estaduais. Pode ser ainda classificada como semi-rígida (metade pode ser modificada por lei ordinária). logo. ele é dotado de força normativa. serve para manter o poder de quem está lá – não serve para limitar o poder. o controle e a supremacia. Classificação ontológica de Loweinstein: Segundo essa classificação a constituição pode ser: Normativa: é a que consegue se impor à sociedade. Fazer lei ordinária é o mesmo que fazer emenda. dá os objetivos almejados – consequentemente é mais extensa – CF/88) e balanço (não garante. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 28 . Na CF/88 não tem sentido. nem dirige. não obriga as leis ordinárias. que modifica o processo político da sociedade. Pelo controle de constitucionalidade se expurga lei incompatível. São aquelas em que o processo de poder está de tal forma disciplinado que as relações políticas e os agentes do poder subordinam-se às determinações do seu conteúdo e de seu controle procedimental. Estrutura formal da constituição: Preâmbulo: existem duas teses a respeito da natureza jurídica do preâmbulo.

a exemplo da CPMF na ADCT  não há sinceridade constitucional. aplicabilidade se esvai. O poder constituinte formal teve como marco histórico a obra de Emmanuel Joseph Siéyès – O que é o terceiro Estado? – A constituinte burguesa ou Qu’est ce que letiers é’tat de 1788. desde que existe o Estado. Utilização da transitoriedade como símbolo – intenção de permanência. que. Existia na França os Estados Gerais do Reino em 1302 (criado por Felipe IV. além de o voto ser por cabeça. só a burguesia pagava tributos. Art. era um órgão consultivo formado por três estados (1º estado: clero. pertence à nação (povo). O poder constituinte é que cria a constituição. É possível se fazer um paralelo entre a relação sócios  contrato social (Estado = sociedade política). inclusive mudar a forma dos estados gerais do reino. A França passava por uma situação econômica grave. que. por sua vez. É um poder que sempre existiu como sempre existiu a idéia de constituição material. povo  constituição. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 29 . até se tornar dogmática. daí surge a idéia de poder constituinte. cria os poderes constituídos. ela pode mudar a constituição. que é ilimitada. 1º ao 250. porém. Disposições transitórias: faz transição – constituição quer dizer dirigir – tem realidade atual e futura – como atuar neste período. continua em vigor. PODER CONSTITUINTE É o poder que tem o povo de dar-se uma constituição. é mais fácil quebrar a resistência. não é revogado. conteúdo pelo poder de decidir. É texto constitucional. Isso não seria imutável? Não é imutável. Propõe mudar os estados gerais do reino. O clero e a nobreza eram muito próximos e gozavam de privilégios tributários. 300. 1º ADCT: dispositivo etéreo.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Parte dogmática: parte comum do Art. sem eficácia. que aconselhavam o rei em determinados assuntos. Esta obra diferencia o poder constituinte (deriva da nação) e poderes constituídos pela primeira vez. Os poderes constituídos são limitados pela constituição. A mesma definição de constituição existe: Poder constituinte material: sempre existiu. nobreza e burguesia). Poder constituinte formal: poder de escrever essas constituições materiais em uma formal. A nação não é refém da constituição. na pauta de deliberação dos estados gerais do reino estava a questão tributária (a burguesia perdia sempre na votação). mas não ficou claro se a votação seria por cabeça. “o belo”). formando uma assembléia nacional constituinte. Houve de fato uma proporcionalidade (300. A organização do estado não pode ser mudada pelos poderes constituídos. donde surge a revolução francesa. Dar-se uma estrutura e um regramento por meio de uma constituição. A burguesia rompe com os demais estados gerais do reino. ele dá a estruturação do Estado. segundo Montesquieu. 2º estado: nobreza. só pode ser mudada pelo poder constituinte. 3º estado: burguesia). Siéyès propôs uma proporcionalidade “eleitoral” entre os representantes dos estados (clero. 600).

ele é também poder desconstituinte. ele simplesmente existe. clássicos (executivo. Divisão clássica do poder constituinte: Originário/primário e Derivado/secundário (reformador ou decorrente). É um só. O verdadeiramente constituinte é o poder de escrever. O ministro Carlos Aires explica essa tese fazendo uma analogia com o apagador e o giz. A justificativa do direito natural pode ser divina. Corrente adotada pelo Brasil. histórico. legislativo e judiciário). O poder constituinte é ilimitado. não há representante. ou não-divina. O restante são poderes constituídos: poder de reforma. Do poder constituinte pode surgir um poder desconstituinte. abrangeria inclusive as pessoas jurídicas. aquele que pode tudo. Falar em poder constituinte originário seria redundante. não pode reiniciar uma nova ordem constitucional. os estrangeiros. porque ele é limitado. ou seja. O poder constituinte não existe por um fato histórico. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 30 . aquela que tem mais de um significado. 2ª corrente: é um poder de direito/jurídico (Tomaz de Aquino – jusnaturalistas) de direito natural. Poder constituinte secundário seria contradição. ele própria é a fonte de sua existência. 1º. ele é auto-fundante. O Brasil não adota o jusnaturalismo. É o que faz nascer a constituição. decorrente. O originário faz uma nova constituição. CF) # de agente do poder constituinte ou exercente. O titular não pode exercer por si mesmo o poder constituinte. logo. refundar uma nova ordem jurídica. O poder constituinte é o único que pode desconstituir a ordem jurídica anterior. Para o concurso esta ainda é a melhor classificação. O titular do poder constituinte é o povo (parágrafo único do Art. enquanto o decorrente compreende as constituições estaduais e as leis orgânicas municipais (divergência quanto a este último). Pensamento moderno sobre poder constituinte: não existe a distinção entre originário e derivado. ele tem que entregar este poder a um agente. ele existe autorizado pelo direito. Para uns o povo são as pessoas que estão no estado. O poder constituinte secundário não existe.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Natureza jurídica do poder constituinte: 1ª corrente: é um poder de fato. ou ainda. A expressão “povo” não é unívoca. tudo começa com ele – Hans Kelsen e juspositivistas. grupos com personalidade fictícia etc (Frederic Müller – O Povo). Os agentes/exercentes serão representantes que poderão ser eleitos (Assembléia Nacional Constituinte) ou ainda não eleitos: líderes revolucionários que tomam o poder e escrevem a constituição. ele próprio se funda. para outros são apenas os cidadãos. ela é plurívoca. ele é constituído. Pode haver ainda o ato puro e simples de outorga imposto pelo ditador. O derivado reformador modifica esta constituição.

Jorge Miranda divide as limitações meta-jurídicas em ideológicas (ligadas à opinião pública. por transição. a exemplo do limite da vedação do retrocesso. 17 e 18 da ADCT). não tem que respeitar direito adquirido. não limitado à constituição anterior (emenda tem limites. ele inicia tudo. § 6º. A regra é a recepção desses institutos em favor da segurança jurídica. logo. Pela divisão moderna o poder constituinte originário é chamado de poder constituinte fundacional. Ele é inicial (poder de fato e não de direito – juspositivismo). claramente. Austrália). Art. É manifestado em momentos de ruptura na sociedade (Jorge Miranda). Voltando à classificação clássica. consideram-se recepcionados pela nova constituição (recebe leis e conseqüências dela). 1946: saída da ditadura.. Ele pode se manifestar de diversas formas. 1934: movimento constitucionalista. que não são jurídicos (meta-jurídicos ou extra-jurídicos. A forma que iniciou a CF/88 foi uma emenda à constituição anterior que chamou uma assembléia nacional constituinte que tem poderes ilimitados. Legislativo. metrópole que concorda com a independência da colônia e entrega a primeira constituição – Inglaterra entregou ao Canadá. Em 1824: proclamação da independência. não fica limitado pela ordem jurídica anterior. é o verdadeiro poder constituinte (é o que faz nascer a primeira constituição de um Estado. e o desejável é que seja por representantes eleitos para uma assembléia nacional constituinte. assembléia nacional constituinte não).. caso contrário. éticos. políticos. o demais é reforma). A ruptura pode ser pacífica. 1967/1969: nova ditadura. não coexiste com outra ordem jurídica superior ou colateral. CF. Características do poder constituinte originário: não há nada acima o poder constituinte originário.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO A nossa CF coloca o poder de reforma dentro de um poder constituído. Limites autoimpostos não são verdadeiros limites. 1891: república. morais) que vão limitar o poder constituinte originário. valores. Mas ela pode ser também violenta (belicosos ou beligerantes) como os golpes de estado e revoluções. internacionais etc. institucionais 31 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . 1988: nova redemocratização. Poder constituinte originário: é o poder que cabe ao povo de darse uma nova constituição. Isso em nome da segurança jurídica. autônomo. coisa julgada e ato jurídico perfeito. sem violência (CF/88. ideologias). É único. sociológicos. desde que previsto expressamente no texto constitucional novo (Ex: Arts. Há outros limites. ele não é constituinte. Assembléia nacional constituinte trabalhou de forma ilimitada em 1988. 1937: ditadura. 1ª vez funda o Estado. 231. que no caso do Brasil só teria existido em 1824. A ilimitação do poder constituinte originário é a falta de limites jurídicos. É ilimitado juridicamente ou incondicionado. o processo de surgimento de uma nova constituição é político. culturais.

a exemplo da família). Alguns senadores que estavam no meio do mandato (não foram eleitos) foram constituintes – falhas na assembléia de 1988. Será legítima na origem quando há eleição para a assembléia nacional constituinte e quando há participação do povo no processo constituinte. Para ser legítima a constituição deve ser democrática na prática e não só na origem. promulgação (ato final de uma assembléia nacional constituinte). pois uma maioria pode querer esmagar uma minoria. foi dentro do Congresso Nacional. Participação efetiva do povo: influxo popular. A assembléia nacional constituinte possui regras de funcionamento. quando não são a mesma coisa. Uma constituição pode nascer ilegítima. A própria assembléia estabelece as regras. ou o inverso (ser deturpada). Na CF/88 foi grande. E é um processo contínuo e não apenas em 88. é legítima a constituição. Em 1988 não foi uma assembléia a parte. por si mesma. Obedecer as regras do regimento interno da assembléia é legalidade e não legitimidade. o procedimento constitucional. Legitimidade da constituição fruto do poder constituinte originário: 1. se for outorgada não há procedimento algum. A sociedade não aceita. substanciais: transcendentes (vem de valores éticos superiores.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO (instituições arraigadas na sociedade. O tempo pode provocar a legitimação ou a deslegitimação. Não se estende a terceiros que não participam da assembléia. Todos os critérios de legitimidade devem ser observados em conjunto. Consensus: se o desejo da maioria da sociedade prevaleceu. Se obedecidas é legítima a constituição. desde que isso não implique ferimento ao direito das minorias. 3. Críticas: só em caso de assembléia. mas com o tempo pode se legitimar. Juridicamente não há limites. nova ruptura pode ocorrer caso esses limites meta-jurídicos sejam ultrapassados. e todas seriam ilegítimas. imanentes (dizem respeito à configuração histórica do estado) e heterônomas (ligadas às relações internacionais). Representantes ao mesmo tempo eleitos para legislar e elaborar a constituição. 2. Positivação da constituição: momento em que a constituição é introduzida no ordenamento positivo. a assembléia nacional constituinte mudou. A de 88 32 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . mas isso não a torna ilegítima. Parte do direito posto. é ilegítima. como ela está presa às próprias regras? Não é verdadeiro limite. Vivência democrática: a constituição tem que ser legítima na origem e na prática. onde se encaixa o pluralismo democrático? Há o perigo da tirania da maioria. Em 88 o procedimento de votação não foi obedecido. Torna legalidade o mesmo que legitimidade. Na democracia o próprio poder do povo tem que ser limitado por valores (há autores que assim entendem). por referendo (povo se manifesta sobre o trabalho elaborado) ou por plebiscito (o povo autoriza que se escreva uma constituição). Critério usado com cuidado. Obediência ao procedimento constituinte. se não. direitos humanos conexos com a dignidade). Pode se dar por outorga (força). logo.

Há uma tensão permanente entre durabilidade (permanência) e mudança (atualização). não precisa ser expresso. há a não recepção. A constituição é escrita para ter durabilidade. pois o que revoga é algo do mesmo nível. Prorrogação: é possível prorrogar normas anteriores de constituição precedente (tem que ser expresso. Art. Normas da constituição anterior são recepcionadas com status de lei infraconstitucional. 34. A completa ruptura não é atualização. Regra geral não é aceita no ordenamento brasileiro. mas não para ser eterna. chamada pelo STF de revogação (equívoco. 27. ADCT – até que se instalem novos tribunais. mas nova constituição. 25. não é automático. quando seria possível em face da ilimitação e autonomia do poder constituinte originário. § 5º.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO pode até ter sido considerada ilegítima. mas todos continuam em vigor até hoje. A lei anterior tem que ser materialmente compatível. ela tem que mudar para durar. Este fenômeno tem que ser sempre expresso no ADCT. fenômeno não automático). Para que o fenômeno ocorra é preciso que seja feita expressamente. Poder Constituinte Reformador: poder de reforma. ADCT tem texto explícito nesse sentido. há um descompasso. Este fenômeno é implícito. A não recepção demonstra a ocorrência de uma inconstitucionalidade material superveniente. As alterações constitucionais podem ocorrer por processos: ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 33 . por exemplo. § 3º (prorrogação do regime jurídico para membros do MP empossados antes da CF/88). Várias normas inferiores não podem ser desprezadas porque provocaria um vazio normativo. automático. Desconstitucionalização: nova constituição aproveita texto da velha constituição como lei ordinária e não mais constituição. mas o tempo já a legitimou e nem tudo foi ilegítimo. § 1º. a sociedade é dinâmica e se a constituição não mudar. A não recepção só se dá por incompatibilidade material (conteúdo) e não a forma (em 88 não existe mais decreto-lei. 34. ela repristina. Se ela se choca. Art. Arts. Modificar a constituição que já existe a fim de alongar sua duração. Fenômenos do direito constitucional intertemporal: relação da nova constituição com o que já existia. Art. como uma lei revoga outra lei). CTN – era lei ordinária). 70 da ADCT. apesar de não necessário. Recepção: como regra a constituição recebe todas as normas que não colidem com ela. 29. ADCT: revogação futura por ser incompatível – após 180 dias da promulgação. Art. Repristinação: lei que não tinha sido recepcionada por constituição anterior passa a valer com uma nova constituição. o conteúdo foi aproveitado – CP. e por isso a norma será revogada (STF). 25.

60. exerce o poder constituinte reformador. Se dá pela jurisprudência. § 2º. rigidez para elaboração de EC.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Formais: muda a letra da constituição. Material: certas matérias não podem ser objeto de mudança devido à grande importância material. em determinadas circunstâncias fáticas não está autorizado alterar a CF. essência. Limitações ao poder de reforma: Temporal: por exemplo. significado. 102. Essa limitação material pode ser expressa ou implícita (interpretação sistemática e teleológica). seja declarando a constitucionalidade ou inconstitucionalidade. E ainda uma terceira hipótese de alteração formal por tratados de direitos humanos (entram como EC). Iniciativa da PEC: 1/3 da Câmara dos Deputados ou do Senado. Chamado de mutação. Poder constituinte difuso: ele é latente. O que diferenciou ambos aqui no Brasil foi o quorum e o momento que pode ser feito e não se ela é pontual ou global. Possui força superior que o limita. 60. Art. Informais: muda o conteúdo. A mutação pode ser constitucional ou inconstitucional. O STF já disse não ser possível nova revisão. O STF não tem o exercício direto ou delegado do povo: discutir a legitimidade política do STF (que tem o poder constituinte reformador) para eventual mandato no lugar da vitaliciedade ao menos. CF e 3º do ADCT). Será inconstitucional se a mudança informal por jurisprudência ou doutrina ferir a literalidade da constituição (ex: Art. mas a CF não reconhece). interpretação da doutrina. quando se revê toda a carta. A constitucional não tem ofensa à literalidade da constituição com a mudança informal (evolução da jurisprudência. é poder limitado ou condicionado. presidente da república e mais da metade das assembléias legislativas da federação – maioria relativa dos 34 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . Circunstancial: com certos fatos não se muda a constituição. Todo poder emana do povo  representantes eleitos  STF (?!?). não pode ter EC nos próximos cinco anos. CF – jurisprudência admite efeito vinculante às cautelares! Após a lei também reconheceu. Ex: guerras. É também subordinado ao poder constituinte originário. conceituação de termos jurídicos indeterminados etc. Aqui foi adotado emenda para tudo em para um único momento a revisão. CF: limitação formal (rigidez). Formal: para mudar é necessário emendas que obedeçam a determinada forma preestabelecida. O STF. Características do poder constituinte reformador: é poder derivado e não inicial. EC é alteração formal pontual e revisão é alteração constitucional global. Se dão por emenda constitucional ou revisão constitucional (Art. interpretação doutrinária por força de conceitos jurídicos indeterminados etc). sempre se manifestando.

§ 4º. Não serão objeto de deliberação. A constituição confia nela própria. Apesar de não estar expresso.MS). mudar não. CF: limitação formal. tem que ser algo refletido. intervenção. § 5º. Fase preventiva (controle preventivo judicial . O vício já se encontra na fase de tramitação legislativa – sequer pode haver a PEC. CF: limitação formal. Há doutrina que diz que se aplica por analogia. A EC/45 é inconstitucional sob esse prisma formal. Mudar competências dos entes pode. 67 da CF: proposta de lei rejeitada pode ser reproposta na mesma sessão legislativa se houve um pedido da maioria absoluta de qualquer uma das casas. há mais dois turnos de votação a fim de evitar alterações emotivas. a legislação emotiva é perigosa. CF: limitações materiais: cláusulas pétreas. Estado de sítio e de defesa. § 3º. Segundo o STF. Art. § 2º. cabendo iniciativa popular implicitamente (somente para prova subjetiva). 1º e 2º turnos no senado votado no mesmo dia – fraudaram o § 2º do Art.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO membros de cada. Não pode dizer que será desfeita (acabar com a indissolubilidade). não precisa ser mudada. Federação: foi cláusula pétrea desde a constituição de 1891. Não tem uma posição predefinida ou um parâmetro. 60. 60. que é diferente do da elaboração de lei complementar e lei ordinária. Há vários modelos de federação. 60. § 1º. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 35 . Art. Não se confunde com o Art. Art. Art. conjuntamente. EC promulgada pelas mesas da Câmara e do Senado. formal (maioria) não pode a PEC rejeitada outras podem. CF: PEC rejeitada ou prejudicada não pode ser mais objeto de proposta na mesma sessão legislativa. Na sessão legislativa extraordinária a PEC também não pode ser reapresentada – limitação de natureza: temporal (minoria) não existe limitação temporal na nossa PEC. 60. Uma modificação qualquer não necessariamente será tendente a abolir. O STF oscila no critério de definição de “tendente a abolir”. não é algo tendente a abolir. ela já deu as soluções. CF: limitação circunstancial: intervenção federal.6%). nem toda mudança na federação será tendente a abolir a forma federativa. 28 e 32 da CF estabelecem interstício mínimo de 10 dias para votação em 1º e 2º turno). há previsão de quorum de 2/3 (66. Sessão legislativa corresponde a 1 ano (de 15/02 a 15/12. Além do quorum elevado. Rigidez do procedimento. Pode romper. pode mudar para aproximar de um ou de outro. A justificativa é não mudar na base da emoção. Basta ser tendente a abolir matéria de cláusula pétrea e não apenas abolir. Não é possível ao povo propor EC: não cabe por iniciativa popular. Não é o maior quorum da CF (3/5 = 60%). Os instrumentos para solucionar já estão nela. 60. Sessão legislativa ordinária  15/02 a 31/06 e 30/07 a 15/12). 60. estado de defesa ou de sítio. Na Câmara já fizeram a mesma coisa com a EC/47. Nas situações mais graves a constituição não pode ser modificada (guerra). é fraude à idéia dos dois turnos (os Arts. refletir tranquilamente – amadurecimento da decisão de mudança constitucional. Art.

Obrigatório não é cláusula pétrea. Na verdade a cláusula pétrea protege a regra. Há várias formas de se justificar a ampliação. no título II tem alguns que não são. Como terceira forma de interpretação está a do ministro Carlos Aires de Brito: aplicar a regra geral de que o que é exceção tem interpretação restritiva e o que é regra tem interpretação ampliativa. os direitos coletivos e sociais não são cláusulas pétreas (MS coletivo não é!?). não se deve dificultar demais as mudanças. O STF não resolveu este problema ainda. a emenda (cláusulas pétreas) deve ser interpretada ampliativamente (quando se amplia as cláusulas pétreas se restringe as emendas. Concluise que a finalidade é proteger os direitos fundamentais em todas as suas projeções (individuais. Busca-se a finalidade constitucional das cláusulas pétreas. periódico. “O povo de ontem não é o mesmo povo de hoje” – 1988 e 2006. e outros que estão no Art. somente os individuais são cláusulas pétreas. Segundo o STF é possível mudar nosso modelo. 5º e fora dele também (o fundamento dessa corrente é que não se deve limitar demais as mudanças da CF. Emenda é? A regra é a permanência ou a mudança da CF? A mudança por emenda é exceção. Uma segunda forma (Ingo Sarlet) é interpretar direitos coletivos. sociais e difusos como projeção individual. coletivas. 2ª. Tudo tem uma conotação individual. pois se forçaria uma ruptura com o ordenamento. Alguns dizem que são encontrados apenas no Art. logo. que estão no Art. São os direitos fundamentais (individuais. É preciso que se faça interpretação maior do que a meramente gramatical. sejam de 1ª. sociais e difusos). sem que isso seja tendência a abolir a separação dos poderes (tanto que admitiu o efeito vinculante). ficando preso às idéias de 1988). Os materiais (Carlos Veloso) são todos os vinculados à vida humana digna. prevalecendo a regra de permanência). instituindo muitos pontos como cláusulas pétreas. Interpretação restritiva  propõe uma hermenêutica literal. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 36 . tudo se encaixa na própria literalidade. Separação dos poderes: o mesmo raciocínio para a federação. por isso a dificuldade em saber a abrangência. Vários ministros do STF adotam essa tese. Amplia-se as cláusulas pétreas para restringir as emendas. A ascensão ao poder no Brasil é meritocrático e temporário. universal e periódico. Há vários modelos de freios e contrapesos. Poder moderador ou fim da independência não é permitido. secreto. difusos coletivos). A doutrina desenvolveu duas linhas interpretativas. Direitos e garantias individuais: essa expressão é a única referência na CF. As emendas é que são exceção ao poder de durar a CF e não as cláusulas pétreas. Logo. 1º da CF.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Voto: direto. Interpretação ampliativa  propõe uma hermenêutica sistemática teleológica. 3ª ou 4ª dimensão. 5º. Uma delas é a busca dos fundamentos do Estado brasileiro.

Art. Rigidez constitucional. interpretando os incisos do Art. Princípio da dignidade da pessoa humana. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 37 . Elas existem para proteger a democracia. apenas o originário pode. O constituinte originário decidiu que elas não podem ser alteradas. o rol em si mesmo é uma cláusula pétrea? Existem três correntes: 1ª) Sim. O MP é uma das barreiras protetivas da democracia. o rol não é cláusula pétrea. MP é instituição permanente: Hugo Nigro defende (Art. Há hoje um discurso de se chamar nova revisão constitucional (Art. mas contornáveis (Jorge Miranda também). Exercente do poder de reforma: Congresso nacional. Ex: celeridade processual. 2. O poder de reforma não pode se auto-limitar. A doutrina é unânime em dizer que existem cláusulas pétreas implícitas: 1. § 4º de forma maior. CF são expressas. 3ª) São legítimas. O povo querendo mudar pode. 2ª) Não. a democracia não pode ser uma cláusula pétrea. é cláusula pétrea. Titular do poder: povo. Dificultar o processo de emendas: não é possível. Não flexibilizar o processo de novas emendas. 60. e por isso deve realmente ser entendido como cláusula pétrea (Art. As cláusulas pétreas são insuperáveis. Limitação temporal e limitação implícita de não facilitar o processo de EC. Existem várias barreiras de proteção à democracia e a última proteção constitucional mais próxima são as cláusulas pétreas. A CF envolve a democracia para protegê-la. pode. Revogar cláusulas pétreas. 5. 217). Ela é o ponto central da constituição. A democracia é o valor protegido pelas cláusulas pétreas e não as próprias cláusulas pétreas (Carlos Ayres de Brito). seria reduzir o valor da democracia.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Pode ter EC ampliando os direitos e garantias individuais. 4. que é mais importante do que as cláusulas pétreas. Não é possível ampliar o rol de cláusulas pétreas pelos mesmos motivos (há quem diga que pode). 3. o que não quer dizer que o alcance das que já existem não pode se elastecer. 127) que o MP é cláusula pétrea. não pode por EC chamar novas Ecs. As do § 4º. ADI 981/93: só pode ser feita uma única vez. pois não se pode negar ao povo de hoje a capacidade de mudar o que precisar mudar. como outras colocadas pela CF (forças armadas). As cláusulas pétreas seriam ilegítimas. ADCT). mais um ponto da mesma cláusula pétrea. Essa parte da doutrina defende a dupla revisão. 3º. logo. A democracia não é cláusula pétrea. 60. O reformador não pode criar limites para ele mesmo.

Há doutrinadores que entendem que se pode dificultar o processo de emenda. dizendo que a hipótese de pena de morte contraria cláusula pétrea. É possível emenda para dificultar o processo de emenda? Em Weimar (constituição da Alemanha) a ausência de cláusulas pétreas permitiu a flexibilidade da constituição. 60. e em 98 foi arquivada. emenda que aumente os requisitos para emendas futuras. É inerente à república o voto periódico. A nossa é preciso de 3/5 (60%) sem ratificação dos estados. EC pode abolir?? Há quem o defenda como cláusula pétrea (Hugo Nigro). Sempre foi. Isso porque haveria plebiscito para a confirmação (Art. o que não pode ser aceito pela doutrina majoritária. Nova constituição é momento raro em que o povo se envolve. Art. além de ser auto-limitação do poder reformador. mas em 88 não foi consagrada expressamente no § 4º do Art. PEC 01 de 06/10/88: sobre a instituição da pena de morte. A maioria da doutrina é unânime em dizer que não é possível facilitar o processo de emenda. 144. Até hoje se diz que essa emenda que aboliu a escravidão é inconstitucional. A 38 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . uma delas para 1º/01/2007. ADCT). 2º. Na CF dos EUA de 1787 haviam 3 artigos sobre escravidão. Portanto. Há autores que entendem ser possível e outros não. 6%) na Câmara e Senado. além de ¾ dos estados ratificarem. ADCT). CF: MP é instituição permanente. que levou à elaboração da emenda 13 da CF. sem ele não. o que foi um problema (Hitler fez o que quis). ainda provocaria a superrigidez da constituição. De outro lado. 60. Para a maioria dos autores que entendem ser possível diz que poderíamos ter novo plebiscito sobre o tema. Em 1993 houve a possibilidade de por revisão constitucional aprovar emendas em um turno e por maioria absoluta (Art. República: prova objetiva não é cláusula pétrea. Em 97 a CCJ deu parecer pela inadmissibilidade. Há uma PEC de instituir o parlamentarismo em 2007. nem referendar após a instituição. Mas se a dupla revisão for acompanhada de plebiscito ou referendo poderia. o que impede a instituição de uma monarquia. A federação e a separação dos poderes estão ligadas à idéia de república (Art. § 4º). por isso numa reforma (decisão cotidiana) o povo não está envolvido e por isso não seria possível. com referendo cinco anos após. 3º. A CF também diz que outras instituições são permanentes (Art. Daí em diante seria considerada cláusula pétrea. para abolir a escravidão dos EUA era quase impossível. Existe no CN propostas de nova revisão. a rigidez exacerbada também pode ser um problema. por isso ocorreu a Guerra Civil de Secessão dos EUA (1861 a 1865). CF). No Brasil não se enfrentou o problema da dupla revisão. Não ficar escravo de 1988.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Uma EC para revogar a cláusula pétrea e outra para mudar a constituição. Na constituição dos EUA de 1787 é preciso 2/3 (66. menos rígida. 127.

Nenhuma situação foi submetida ainda. limitações formais. São equivalentes a emenda (mesma força de EC). 3º. mas não foi o que o STF decidiu à época. Mas se houver deverá estar limitada também às cláusulas pétreas. Alguns autores o julgam inconstitucional porque restringe o alcance dos direitos humanos – mesmos requisitos formais da emenda. Encontra-se o poder constituinte derivado decorrente no Art. 11. entendidas como preceitos As cláusulas pétreas podem ser utilizadas como princípios de hermenêutica constitucional. mas o STF admitiu essa limitação. Por enquanto esta é a linha do supremo. nem o federal podem fazer nova revisão (STF).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO emenda que chama nova revisão é uma emenda que facilita o processo constitucional de novas emendas. Nem o legislativo estadual. ADCT). mandou que fosse procedida a revisão) as limitações ao poder de emenda estavam presentes por ocasião da revisão (Art. § 3º). Toda essa discussão porque há projetos que buscam nova revisão em 2007. não é sempre a constituição 39 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . 2º. Lei orgânica municipal: Art. Revisão: prevista pelo constituinte em 1988. tem que observar os princípios da CF. e limitado. 5º. não seria possível nova revisão constitucional. CF: o poder decorrente não é ilimitado. mas já disse por três vezes que não pode haver nova revisão. 11 do ADCT. quando já tinham status constitucional por força do § 2º do Art. É poder derivado. subordinado características do poder de reforma. ADCT – limitação temporal de 5 anos). O STF terá que decidir. As propostas seriam inconstitucionais. 5º. 3º. CF e Art. Revisão no Art. dois turnos e 3/5 de votos. Aprovação em cada casa. Lei orgânica municipal X constituição federal  CF. logo. limitações materiais não previsto pelo Art. tocante às cláusulas pétreas. São as mesmas Art. As cláusulas pétreas podem ser fundamentais (ADPF) para alguns autores. 29. ADCT (na verdade ela só faria sentido se a forma ou sistema de governo tivessem sido alteradas como plebiscito. Plebiscito em 07/09/93 para definir forma e sistema de governo (Art. Poder constituinte derivado decorrente: é aquele destinado à elaboração das constituições estaduais e das leis orgânicas municipais. não se falaria em poder constituinte derivado decorrente para eles (minoria). Há alguns autores que não admitem o município como entidade federada (José Afonso da Silva). no nosso caso. 25. Tem autonomia no âmbito do estado respectivo. parágrafo único do ADCT. lei orgânica municipal X constituição estadual  depende. 3º. Outro procedimento de alteração formal da CF são os tratados e convenções internacionais de direitos humanos (Art. logo.

A lei orgânica municipal. não cabe ADI contra lei municipal). Seguindo o mesmo modelo necessariamente. As normas obrigatórias são chamadas de normas centrais da federação. ou ainda ADI estadual no TJ. Há uma mistura dos dois tipos de controle de constitucionalidade nos casos de normas de repetição obrigatória (mecanismo excepcional de controle). Pode dar ensejo a ADI ao STF para lei estadual e para lei municipal (ADPF para o STF. portanto. Integra o sistema de normas. verdadeiro alicerce dele. segundo José Afonso da Silva. quando o STF poderá controlar a do TJ. ADC: facultativa. disposição fundamental que se irradia sobre diferentes normas. Se for ação de controle abstrato de constitucionalidade apenas no TJ da decisão da ADI estadual de lei estadual ou municipal cabe RE ao STF (controle difuso ou concreto). A hermenêutica constitucional observará os princípios. É o mandamento nuclear do sistema. As normas repetidas podem ser obrigatórias e facultativas (ex: medida provisória). ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 40 . Os princípios são as decisões políticas fundamentais (Carl Schimitt). Se a constituição estadual legislar sobre matéria municipal ela será inconstitucional perante a CF. indispensáveis ao princípio federativo. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Influenciam a própria elaboração das normas jurídicas. Ela só será constitucional se atuar dentro de sua competência. exatamente por definir a lógica e a racionalidade do sistema normativo que lhe confere a tônica e lhe dá sentido harmônico. A constituição estadual tem normas próprias e repetidas da CF. Os princípios não tem aplicação endógena (apenas na CF). pode prevalecer frente à constituição estadual. Podem ocorrer ao mesmo tempo. Se ele fizer a repetição facultativa terá que continuar aplicando a CF simetricamente.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO estadual porque ela é limitada pela CF e não tem supremacia. Se lei estadual ou municipal contrariar a constituição estadual numa norma de repetição obrigatória na verdade estão ofendendo a CF. compondo-lhes o espírito e servindo de critério para sua exata compreensão e inteligência. As decisões políticas fundamentais são intimamente ligadas aos princípios. Ele vem antes das regras. ADPF: facultativa. ADI: obrigatória. mas sobre todo o sistema normativo. são preceitos que tutelam situações subjetivas de vantagem ou de vínculo. Influenciam a interpretação da norma e serve também para dar harmonia ao sistema de normas. Princípio não se confunde com norma: normas. Celso Antonio Bandeira de Melo diz que princípio é o mandamento nuclear de um sistema. sem invadir competência municipal.

conclusão. Utilizados na criação. Há quem entenda como sinônimos regras e normas. Submissão de todos ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 41 . democracia. ela não oferece espaço (motivo pode ser um ou outro). expressos) e positivos não-positivados (implícitos. a vontade de quem exerce o poder não é absoluta. não expressos). Quando há regras colidindo não há como conciliar. não dão a decisão concreta. algum vai prevalecer num determinado caso concreto. é concreta. Estado de direito: é aquele onde há o império da lei. não apontam qual é a decisão. da especialidade. por isso o Direito é o mundo das regras) ela não dá alternativa. Enunciam motivos para a decisão. 2º. É possível buscar o critério da hierarquia. Normas e texto também não se confundem: texto é o objeto da interpretação. “é tudo ou nada” (tem a seguinte estrutura: se acontece A deve ser B – o Direito é o mundo do dever-ser. Princípio da separação de poderes é positivo positivado. A regra é algo mais concreto. 2. Princípios político-constitucionais: são os da ordem política escritos na constituição (república. Princípios Jurídico-constitucionais: são os da ordem jurídica escritos na constituição (ampla defesa. Os princípios constitucionais positivos podem ser: positivos positivados (explícitos. Ela aponta uma decisão concreta Pode deixar de ser aplicada por um princípio. Princípios fundamentais: Arts. uma delas terá que anular a outra (Dworking fala no sistema do “all or nothing” das regras). contraditório. presidencialismo). O choque entre princípios não gera a anulação de um ou de outro. Alguns princípios positivos da CF/88: ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO: José Afonso da Silva divide em: Estado de Direito. da temporaridade. norma é o resultado da interpretação. Podem ser classificados em princípios constitucionais e não constitucionais. duplo grau de jurisdição etc). Canotilho classifica os princípios constitucionais em: 1. Princípio do duplo grau de jurisdição é princípio constitucional positivo não-positivado (é possível saber de sua existência pela interpretação sistemática do texto constitucional que previu tribunais e recursos). é regrada pela lei. 1º.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Princípio é diferente de regra (Ronald Dworking): o princípio é o motivo para decidir de determinada forma ou sentido. CF. e 4º. federação. sendo que uma “mata” a outra – “tudo ou nada” (critérios para solucionar o conflito aparente de normas). Estado Democrático e Componente Revolucionário. Os princípios constitucionais podem ser gerais (pertencem direito constitucional em geral – no mundo) ou positivos (os que pertencem a uma determinada constituição . interpretação e integração das normas.Direito constitucional de um Estado). 3.

Os controles buscam acabar com as práticas patrimonialistas. Existência da res publica – quem exerce o poder administra coisa do povo e não coisa própria. são condutas antirepublicanas. a participação popular. permitindo a melhoria das condições do povo e não permitir a dominação de quem já está no poder. Existe o controle do gestor público – tem que prestar contas. O estado de direito e democrático tem que existir para revolucionar o status quo. Forma de Governo: Monarquia: caracterizada pelo poder hereditário e vitalício. O Estado tem que ser democrático. não impede a barbárie. a prática do nepotismo. caracterizado pela soberania popular. justiça social. até porque quem está no poder faz a lei. mas a partir do momento em que ela foi firmada pelo plebiscito não pode ser também objeto de emenda (divergente). segundo José Afonso. utilizar veículo público para interesses particulares. Esse é o verdadeiro. dizer que existe lei não é suficiente. mas não é suficiente. Essa noção de legalidade formal é importante. também é cláusula pétrea).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO à lei – quem está no poder deve obedecer a lei. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 42 . A rigidez. a fim de garantir a legitimidade para elaboração das leis. democracia. igualdade. Sistema de governo: Parlamentar: governa o 1º ministro e representa o chefe de estado. É aquele que institui a forma republicana de governo. TCU. Ela não é cláusula pétrea explícita. Coisa pública confundida com coisa própria é chamada de patrimonialismo. não existe coisa pública. eletivo (à exceção do Judiciário no Brasil) e periódico. corregedoria. República: o poder é meritocrático. No entanto. tudo é conseqüência do estado democrático de direito. O poder é absoluto porque tudo é do rei. ação popular – são órgãos republicanos. divisão de poderes. responsabilização pelos seus atos – MP. O terceiro elemento é o componente revolucionário. Para alguns autores não há diferença entre estado democrático de direito e estado democrático. Presidencialismo: princípio presidencialista – o Executivo deve ser exercido pelo presidente da república de forma independente do legislativo – chefe de estado e de governo reunidos no presidente da república (assim como a república. É princípio constitucional positivo-positivado (princípio republicano). como por exemplo. melhorando as condições do povo. O estado democrático de direito é aquele que através da lei criada pela soberania popular é capaz de modificar o status quo.

que dividiu as funções em dois grupos: legislativa e executiva. SEPARAÇÃO DOS PODERES: A separação é orgânica apenas. É cláusula pétrea. no “Espírito das Leis” (1748). não nasceu com Montesquieu. Federal: princípio federativo. Há freios e contrapesos dentro das funções típicas e atípicas. órgão executivo e órgão judiciário. Unitário: poder é um só em todo o território. O poder é um só. O Estado liberal tem como preponderante o legislativo – Estado legicêntrico (o órgão central é o legislativo. Forma de Estado: outra decisão política fundamental. No entanto. não podem estar concentradas em um só órgão – tripartição orgânica e não de poderes ou funções – Legislativo. Sistema de freios e contrapesos: são mecanismos que trazem uma pequena interferência de um poder no outro para possibilitar uma maior sofisticação na limitação do poder. a tripartição foi imaginada para limitar o poder. Montesquieu no século XVIII ainda está imerso na monarquia absolutista. um pode preponderar. as demais funções se 43 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . a de legislar (função deliberativa). São três órgãos: Executivo. A idéia de divisão de funções. CF). portanto. e há órgãos para exercer as funções. Cada órgão exerce função típica e atípica. porque na verdade ele é um só.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Sistema convencional: de assembléia. Exercer mais de uma função é muito poder. Ademais. Cada função é exercida precipuamente por um órgão e subsidiariamente pelos demais. Aristóteles em “A Política” já se encontra que o Estado tem três funções. Executivo e Judiciário (um controla o outro). A separação é relativa um limita o outro por meio do mecanismo de checks and balances (freios e contrapesos) e independência dos “poderes” – órgãos. quando Montesquieu propõe uma tripartição orgânica. Os poderes são independentes e harmônicos. Era preciso limitar o poder do monarca. Montesquieu se inspirou em Locke. diz que é preciso limitar o poder e as funções (legislativa. o que existia com a idéia de Aristóteles era a tripartição funcional de legislar. a separação dos órgãos não é absoluta. Já houve também uma divisão quádrupla: com o poder moderador (1824 – constituição de Benjamin Constanti). onde uma única pessoa concentrava em suas mãos as três funções. Reparte o poder no território. executiva e judiciária) devem estar distribuídas em órgãos distintos. ou seja. depende do Estado. a distribuição das funções a órgãos distintos: órgão legislativo. Montesquieu. Em síntese. porque ele é que toma a decisão política). A justificativa da separação é a necessidade da independência de cada poder. executar e julgar. aplicar as leis (função executiva) e solucionar as lides entre particulares (função judiciária). cada um deles deve ter autogestão (Art. Legislativo e Judiciário. mas não são iguais. 2º.

A proporcionalidade não está positivada na constituição. necessidade: o meio é o menos gravoso possível. Tudo isso fez com que o executivo crescesse. Mas também decorre do princípio da legalidade. Hoje o domínio é do Executivo. No estado do bem-estar social o Executivo cresceu muito (fazer. mas para quem as distingue. O princípio da proporcionalidade é dividido em (direito alemão): adequação: a medida deve ser apta ao fim. Estado liberal – abstenção do Estado. essa é a diferença. A maioria ainda o denomina assim. proporcionalidade estrita: os benefícios da utilização da medida devem ser maiores que os malefícios (custo-benefício). do estado de Direito etc. As funções atípicas estão aumentando cada vez mais. Alguns autores dizem que esta é a razoabilidade. E o legislativo. legislativos (a constituição já dá os objetivos e o legislador constrói os meios para se atingir. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE: Também chamado de princípio da proibição do excesso. da razoabilidade. aspecto que fez com que o Judiciário se agigantasse. Além de avaliar atos administrativos. O executivo passa a ter mais condições de legislar – cresce sua função atípica de legislar – poder normativo das agências reguladoras e executivas (legislam). Hoje se tem uma redefinição do papel desses órgãos. O poder público deve agir de modo proporcional aos objetivos que pretende atingir. por sua vez. a teoria passou a ser utilizada para avaliar atos legislativos no controle de constitucionalidade. É um princípio consitucional-positivo implícito (não positivado) – alguns autores dizem que tem origem no devido processo legal. que devem ser razoáveis). A razoabilidade é uma das projeções da proporcionalidade (proporcionalidade estrita). Encontrado em vários ramos do direito. O Judiciário cresceu a partir da 2ª metade do século XX. 3ª geração: direitos coletivos e difusos . 44 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . Busca ajustar os objetivos e os meios necessários. Para o STF são sinônimos. Medida provisória – legislar rapidamente. O seu papel político cresceu muito também em razão dos mecanismos de controle de constitucionalidade que surgiram no decorrer do século XX.uma única decisão judicial passa a atingir toda a coletividade. cresceu na função atípica (CPI) – fiscalização. A constituição é programática – ele fiscaliza e suas decisões atingem a coletividade. executar e não só se abster). O sentido de proporcionalidade é mais amplo. todos indicam a existência do princípio da proporcionalidade.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO limitam ao que for legislado (aplicar e executar). Usada nos atos administrativos. passando a ter maior notoriedade. Os atos administrativos podem ser desconstituídos em face de uma ofensa à proporcionalidade. Razoabilidade – alguns entendem como distintos – o STF vem usando as expressões como sinônimas. assim como princípio da vedação do retrocesso. O poder público deve agir sempre com adequação entre fins e meios. da isonomia.

é o dever-ser. e força impeditiva – é a que impede que entre no ordenamento inferior normas que lhe sejam contrárias (controle de constitucionalidade). Norma é diferente de texto. não se choca com outro princípio. A norma pode ser: válida (produzida nos termos da lei). na verdade não é princípio. ela não é estranha à constituição e por isso é utilizada no controle de constitucionalidade. Quando a interpretação é feita pelo juiz o resultado que se tem é uma norma de decisão. Já as normas-regra são regras. eficaz (é a que produz efeitos jurídicos – pode depender de outra norma). Regra é um dever-ser. Sua importância vem crescendo muito no controle (EUA). em si. O STF vem utilizando cada vez mais o sistema da proporcionalidade. Em todo esse pensamento há uma correspondência entre norma e texto. Toda norma constitucional possui eficácia (diferente de concretização). que pode ser dividido em normas-princípio e normas-regra (divisão do professor Jorge Miranda). Princípios podem se chocar. declarado inconstitucional por falta de proporcionalidade.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO A proporcionalidade está presente em todo o sistema (ex: proporcionalidade das penas). por si só já pode ser executada). ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 45 . Essa é a visão clássica. enquanto o princípio é um motivo. norma é o gênero. Ela. aplicável (é a que está apta a produzir todos os efeitos. A proporcionalidade não é um motivo. não necessitando de complementação normativa. abstração. sendo que prevalecerá um no caso concreto. A proporcionalidade é um instrumento para solucionar um choque entre princípios. Existe uma graduação da eficácia da norma constitucional. Nessa idéia. conclusão. norma é o resultado da interpretação. Essa definição conclui que norma = texto = dispositivo. Texto é o objeto da interpretação. Por exemplo. Por isso. uma eficácia jurídica mínima e uma eficácia jurídica máxima. é um instrumento de ponderação. NORMAS CONSTITUCIONAIS José Afonso diz que normas são preceitos que tutelam situações subjetivas de vantagem ou de vínculo. vigente (é a que se encontra no ordenamento). determinado estado dos EUA estabeleceu que era crime mulher tomar pílula anticoncepcional. Toda norma constitucional tem eficácia mínima e é caracterizada por duas forças: força paralisante – paralisa tudo que não está de acordo com a constituição (não recepção). É a que predomina na doutrina. embora a doutrina diga ser a mesma coisa. mas um instrumento de mensuração de princípios. Há uma outra maneira doutrinária de compreender o que é norma: norma # texto # dispositivo. Normas-princípio são motivos.

nem que seja a mínima (força paralisante e impeditiva) ela obriga o legislador (RE 168501). norma materialmente constitucional (tem conteúdo constitucional). Constitucionalismo norte-americano: normas auto-aplicáveis (self-executing – aquelas que dispensam a lei ordinária comum – se aplicam por si só). 5º. 1º. Ela necessita de uma complementação. Sob esse aspecto. ou seja. objetivos a serem alcançados (Art. Quanto à natureza: normas formalmente constitucionais (está escrita na CF). tem força normativa (eficácia). a constituição real e efetiva é a soma dos fatores reais de poder (Lassalle). LVIII. um dever-ser). complementação por leis e fatores políticos. XIII.dependem de lei infraconstitucional). culturais. CF). § 2º. objetivo que precisa de lei para se concretizar. O que impede a eficácia máxima pode ser uma razão jurídica (falta outra norma – nos termos da lei) ou não-jurídica (políticas. uma abstração – Art. A norma garante a liberdade. Quanto ao conteúdo: norma-princípio (aquela que positiva um princípio. normas não auto-aplicáveis (not self-executing . culturais. 5º. desde que seja razoável. portanto. mas permitem que a lei reduza o seu alcance (Art. 170. Classificação das normas constitucionais: 1. Quanto à aplicabilidade (José Afonso da Silva): norma aplicável é a que está apta a produzir todos os seus efeitos. mas ela permite que lei (a própria CF. ou ainda programáticas: norma que prevê um programa de atuação. CF). de questões jurídicas e não-jurídicas.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Nem toda norma constitucional tem eficácia máxima. CF – conselho da república que não existe sem lei institutiva. Contida: também são auto-aplicáveis. sociológicos etc. Art. CF – conselho de defesa nacional). não é ilimitado. contida ou limitada. 91. § 2º. CF. Enquanto não houver restrição a eficácia da norma será plena. norma-regra (positiva uma regra. Art. Determinados aspectos de saúde e educação podem ser de eficácia plena. a norma pode ser: Plena: aquelas cuja aplicabilidade não depende de nada e não podem ser restringidas pelo legislador ordinário. Essa ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 46 . CF). 3. 2. 90. Classificação de Jorge Miranda. Eficácia máxima ou social é a efetiva concretização do texto constitucional. absoluto (Art. Pode ser institutiva: exigem a lei ordinária para dar corpo a instituições e órgãos (Art. 4. fatores reais de poder). Não se pode reduzir a concretização da constituição a uma questão jurídica. Permite a redução do alcance por lei. atingirem a eficácia social (máxima). A norma programática possui eficácia jurídica. Limitada: aquelas que precisam de lei ordinária para serem concretizadas. 3º. o meio é inadequado). portanto. CF – a colheita de digitais em concurso público não é razoável. não necessitando de complementação. A verdadeira concretização da constituição depende. costumes etc) reduza essa liberdade.

O juiz não poderá se desviar daquilo produzido pelo legislador presente no texto legal. mas também sobre os fatos. chama a atenção para o seguinte: norma # texto. relativa dependente de complementação legislativa ou complementável. é a letra da lei. a mens legis. Texto é o objeto e da interpretação do texto com os fatos resulta a norma (resultado). Eros Grau.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO classificação está na obra de José Afonso da Silva na “Aplicabilidade das normas constitucionais”. é passivo. O juiz é mecânico. Legislador (emissor)  texto legal (mensagem)  operador do Direito (receptor). que interpreta. O juiz não pode. acrescendo um quarto grupo: a de eficácia absoluta  norma tão absoluta que emenda não pode tocá-la (cláusulas pétreas). ela é o resultado da hermenêutica. Texto + fatos + operador do Direito = norma. todavia. Utilizada a interpretação histórica – da época em que foi elaborada a lei). portanto. isso é interpretação evolutiva. tem parâmetros ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 47 . chamando-as de normas de eficácia relativa restringível. Postura interpretativista. relativa restringível. ele é passivo. Se prende à vontade do legislador. onde ele constrói a norma a partir de um texto. ele tem ideologia. sob pena de ferimento à separação dos poderes. Interpretativismo e não interpetrativismo: respectivamente referência ao juiz que pouco interpreta. Ele não pode substituir o legislador. Muda o nome das contidas. postura não-interpretativista ou mens legislatoris (preso à vontade do legislador. a professora Maria Helena Diniz também classifica como José Afonso da Silva. O juiz aqui é ativo  é o ativismo judicial: é a função ativa do juiz na hermenêutica. participa da construção da norma. Texto é o dispositivo. A norma está potencialmente no texto. Em síntese sua classificação é a seguinte: norma de eficácia absoluta. norma = texto. A norma não está completa na letra da lei. Ainda quanto à aplicabilidade. O juiz (operador) vai debruçar-se sobre o texto. Classicamente. apenas repetindo o que está na lei e o juiz ativo. o conteúdo é o mesmo. HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL A tarefa do operador do Direito é a de decifrar o texto legal. ele deve se prender a certos parâmetros de hermenêutica. plena. O texto em conjunto com os fatos gera a norma. não importa a vontade do legislador. mas a vontade da lei. em pensamento moderno. Nesse ponto de vista clássico o papel do juiz é de apenas dizer o que está na lei. O juiz faz parte da construção da norma. critério subjetivo. eficácia limitada – eficácia relativa dependente de complementação legislativa ou norma de eficácia complementável. o que lhe dá poder muito maior na hermenêutica. ter liberdade plena. independe do momento histórico.

Alguns doutrinadores chamam isso de “moderna hermenêutica constitucional” – toda a tarefa de interpretação da constituição é voltada à concretização dos direitos fundamentais (uma idéia entre outras). Princípios: tudo estruturado à luz dos princípios: separação dos poderes. mas sistematicamente. * Os fatos são importantíssimos para se resolver questões de controle de constitucionalidade. Para Maria Helena são normas constitucionais de aplicabilidade absoluta. 3. não deve ser interpretado um dispositivo isoladamente. legalidade etc. 6. Direitos fundamentais: devem sempre ser considerados para concretizar os direitos fundamentais. Estes parâmetros são chamados pela doutrina de características da hermenêutica: 1. não é mais assim. Título I da CF/88: fundamentos e objetivos da república federativa do Brasil. plausibilidade com a norma. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 48 . estado de direito. 4. ela tem sua organização. * Norma pode ser: norma jurídica comum (aquela trabalhada pelos operadores do Direito. Espécies de interpretação * Judicial: feita pelo juiz e tem como resultado a norma de decisão. Tem relação horizontal também com as normas constitucionais – estudar o texto constitucional à luz dos fatos e também do preâmbulo. Preâmbulo: sua utilização como fonte hermenêutica.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO para trabalhar (hermenêutica). 2. Critérios para garantir o mínimo de A primeira idéia tinha o juiz como sujeito passivo  link com a ciência: o observador não interfere no objeto observado. em um segundo momento da ciência. 5. Ele não tem força normativa. Hoje isso. exceto o juiz). a depender da realidade fática a solução será determinada de acordo com a ponderação de interesses. o Executivo interpreta a CF. não obriga o legislador comum. o observador interfere no objeto observado. Cláusulas pétreas: estão carregadas de princípios e devem sempre ser consideradas. Unidade: a constituição tem sentido único. e norma de decisão (do juiz). * Doutrinária: doutrina. é um sistema. * Administrativa: Administração pública. relacionando-se com o segundo ponto de vista de que o juiz é ativo. igualdade.

Interpretação presa no método gramatical não acompanha. A interpretação gramatical e a histórica impedem a constituição aberta. A doutrina dos não-interpretativistas se coaduna com a primeira linha mens legislatoris. processo aberto de argumentação. Alguns doutrinadores incluem a interpretação popular da constituição. Admitida apenas por uma minoria. mas seria o constituinte derivado. concretizar. Alguns consideram a EC como interpretação. atualizada. Histórica: interpretar à luz dos acontecimentos históricos da época em que a constituição foi produzida (discussões que levaram à produção). tem que se adequar com o tempo (mens legis – vontade da lei). O juiz não tem que interpretar. É interpretação que busca a mens legislatoris (vontade do legislador). muita importância ao pensamento do legislador. aquela feita pelo povo (que não é doutrinador). Métodos de interpretação Gramatical: interpreta a CF a partir do texto. Interpretação só subjetiva: ficar presa a 1988: não aconselhado. Problema: a constituição pode ter alteração não formal  mutação. Não se coaduna com a constituição aberta. A interpretação tem que ser objetiva. Não existe para a doutrina majoritária. Concretizador: o intérprete deve buscar concretizar a norma constitucional à luz de determinada situação histórica concreta. não pode ser Teleológico: a partir da finalidade da constituição. é uma unidade. Sistemática: a constituição interpretada com dispositivos isolados. A autêntica (feita pelo legislador) não é adotada por todos. tem vida própria. resultados práticos. Discutir os problemas a serem resolvidos.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO * Autêntica: o mesmo autor do texto interpretado. Também desaconselhado porque também está preso a momento histórico (1988). ficando presa à letra e à história. não autêntica. logo. Teria que ser feita pelo constituinte originário. é passivo. mas não pode ser onipotente. A lei se modifica. Tópico-problemático: o intérprete deve priorizar os problemas práticos a serem resolvidos. Isso significa que o juiz tem participação ativa na produção da norma (ativismo judicial). A segunda mens legis são a dos interpretativistas ou ativismo judicial – o juiz é ativo. Interpretar é aplicar. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 49 . Tentam construir essa idéia ainda. Preocupação com a vontade da constituição e não do legislador. Se ele interpretasse estaria fazendo nova constituição e não interpretando. Tem que interpretar. quando deve ser apenas um ponto de partida. desconsiderando que a constituição é aberta.

* Inadmissibilidade da interpretação autêntica. Concordância interpretação sistemática constitucionais é preciso (ponderação de interesses. Unidade da constituição: a constituição é um todo único. são valores não presentes em dispositivo único. A constituição material pode estar presente em lei ordinária inclusive. Interpretação contrária vai de encontro à moderna hermenêutica. Em conflito de dispositivos harmonizá-las à luz de cada caso concreto razoabilidade). * Interpretação sistemática.mens legis. diverso. 4. prática ou da harmonização: decorre da da constituição. A cada caso concreto haverá fato 5. É parâmetro constitucional. Força normativa da constituição: a constituição pode mudar. * Interpretação constitucional. Movimento da moderna hermenêutica: é a segunda visão de que o juiz é ativo. Regras de hermenêutica constitucional segundo Canotilho e Vital Moreira: * Interpretação objetiva: e não subjetiva (considera quem fez a lei – mens legislatoris). Pela supremacia da constituição se interpreta a lei ordinária à luz da CF. Buscar a prevalência da vontade da lei .DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Princípios da interpretação (Canotilho) 1. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 50 . influenciar a realidade. um sistema. Interpretação da lei conforme a constituição: não a constituição conforme a lei. além de princípio de hermenêutica. a constituição tem que ser concretizada e tudo isso tem que ser voltado à garantia dos direitos fundamentais. Escolher o caminho que confere maior efetividade. Bloco de constitucionalidade: algumas idéias estão presentes em todo o texto constitucional. Máxima efetividade ou princípio da eficiência: conferir à constituição a maior eficácia. 2. 3. É também uma técnica de controle de constitucionalidade. os fatos são importantes para a criação da norma e o juiz deve examiná-los. A constituição existe e deve ser interpretada para garantir os direitos fundamentais do cidadão. intrínseca: interpretação dentro do sistema * Exclusão da interpretação da constituição a partir da lei.

Leading case do controle. Daí escapou dizendo que lei ordinária não pode criar competência para a suprema corte.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO O controle de constitucionalidade está ligado à rigidez constitucional. Em 1803 houve a primeira aplicação prática dessa teoria examinado pela suprema corte dos Estados Unidos no caso “Marbury X Madison” e juiz Marshall. Autores como Alexandre Hamilton já discutiam e escreviam a respeito. que é matéria constitucional (James Madison era secretário de Estado que teria foro privilegiado na suprema corte nos termos de lei ordinária). É o primeiro caso jurisprudencial. A suprir uma omissão (ausência da lei) e não apenas para fulminar uma lei contrária à constituição. É o princípio da compatibilidade vertical das normas. As bases do estado democrático de direito são a supremacia da CF. Tem por objetivo ainda garantir o cumprimento dos preceitos fundamentais da CF (ADPF). A lei que contrariasse não produziria efeitos jurídicos. De acordo com a pirâmide de Kelsen. Origem: constituição dos EUA de 1787. que é influenciada por esse pensamento e promulgada em 1787). mas esta decisão não inventou a teoria do controle. Marbury desejava o documento que lhe dava a nomeação a juiz. Ocorre que Marshall não poderia desmoralizar o presidente Thomas Jefferson (era secretário de Estado nomeado para a suprema corte). só a constituição. Hoje o controle se presta também a declarar que a norma inferior está de acordo com a constituição e não contrária. as quais não podem contrariar. retirando do ordenamento as normas inferiores que a contrariam. após a posse de Thomas Jefferson (brecou o “trem da alegria”) contra Madison e quem estava na suprema corte era Marshall (encarregado de entregar o documento de posse a Marbury). A idéia de constituição era de algo que pudesse defender o povo frente ao legislador (parlamento soberano – o parlamento inglês editava leis tributando as colônias inglesas e nada poderia ser feito porque esse parlamento era supremo – sistema de soberania do parlamento inglês acabou por ser um dos motivos principais das 13 colônias inglesas na américa do norte tornarem-se independentes – daí a idéia de constituição como instrumento de defesa frente ao legislador). é escudo protetor do povo contra as decisões dos seus próprios representantes. as normas inferiores existem por força das superiores. Marshal declara inconstitucional a lei ordinária que fixava o foro privilegiado a Madison na suprema corte. (O mesmo caso o STF julgou a constitucionalidade da lei FHC que fixava competência por foro privilegiado – declarou a inconstitucionalidade). O Judiciário seria o guardião da constituição (idéia debatida pela Convenção de Filadélfia – textos federalistas. seria nula. Controle de constitucionalidade é o mecanismo que faz prevalecer a supremacia da constituição. antes da constituição dos EUA. A constituição é forte limite ao legislador. foi só a 1ª aplicação prática. a rigidez constitucional e o controle de constitucionalidade. Essa decisão julgou inconstitucional a ação de Marbury dizendo que a lei ordinária não poderia criar regra de competência. relator (MMM). ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 51 .

acabando com a supremacia da constituição – apesar de inconstitucional ela irá permanecer – ditadura justifica a medida). Os dois primeiros casos historicamente são casos concretos em que a discussão da constitucionalidade é incidental. PEC 358: 2ª parte da reforma do Judiciário. O parágrafo único limita o controle do Judiciário  congresso nacional confirma a importância da lei por 2/3 de votos em cada uma das câmaras e a decisão de inconstitucionalidade fica inválida (a lei acaba por se tornar emenda. A lei federal que proibia a escravidão no território federal era inconstitucional porque feria o direito de propriedade da constituição. K)  ADI controle abstrato (idéia de Kelsen). A intervenção era feita por lei e a ADI contra esta lei servia para acabar com a intervenção. Espécies de inconstitucionalidade: ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 52 . acionando Sandford. 35. I. Em seguida o seu dono o leva a um estado que não tinha escravidão. só o STF poderia julgar a ADI interventiva. A lei inconstitucional não será nula. que a ação não pode ser proposta etc). lei 9868/99 e 9882/99 regulamentou a ADI e ADPF respectivamente. Dred quer dizer que se tornou livre a partir do momento que ele morou em lugares onde não era admitida a escravidão. 96) quorum de maioria absoluta para declarar a inconstitucionalidade. 101. que não é a mesma de hoje. vendendo-o a Sandford. 1967 e 1969 não trazem grandes alterações. I. Hans Kelsen observando a proteção da constituição. É considerada uma das piores decisões dos EUA (diz que Dred é coisa. o próprio legislador zelava pela constituição). 13. em 1934 (Art. e após para um território federal que também não tinha escravidão e finalmente retorna com ele a um estado escravocrata. Hoje a intervenção depende de o STF dar procedência à representação interventiva promovida pelo PGR. disse que seria melhor não esperar por um caso concreto para controlar – sistema austríaco de controle de constitucionalidade – controle abstrato. fazem a previsão de atos institucionais que não podiam ser apreciados pelo Judiciário (novo período ditatorial). Dred era um escravo e morava em um estado escravocrata. 1988: aumento dos legitimados a propor ADI e surge a ADI por omissão. § § 1º e 2º) inaugura o controle concentrado. IV. 1937 (Art. § 10) (no modelo norte-americano – influência de Rui Barbosa). legislador guardião da constituição) e em 20/11/1894 houve a elaboração da lei 221 que instituiu a justiça federal e um controle difuso a ser feito pelos juízes em casos concretos (Art. mas anulável. A suprema corte dá uma decisão assegurando direitos fundamentais (da propriedade). 1946 (em 1965 com a EC 16 – Art. para só então ser editado o decreto de intervenção (é o oposto). na constituição de 1824 não houve a previsão de controle (Art. EC 03/93 criou a ADC e o efeito vinculante.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO A segunda decisão de controle foi em 1853 (escravidão) no caso Dred Scott X Sandford. bem como a ADPF. ao contrário. Defesa da constituição abstratamente. EC 45/04 estabeleceu o efeito vinculante para a ADI e outras modificações. sem a necessidade de um caso concreto. 15. No Brasil. 1891 (Art. 12. A lei ordinária não poderia proibir a escravidão no território federal – nega o pedido de Dred.

DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO 1. A jurisprudência do STF admite que a alteração da realidade fática pode tornar a lei inconstitucional. O controle é político para normas gerais e judicial para normas locais. Pode ser a inconstitucionalidade por ação total ou parcial (não se confunde com o veto parcial  texto integral de artigo. A mudança pode ser tanto por nova constituição como por EC – opera o fenômeno da recepção. Hoje há mecanismos de inconstitucionalidade superveniente. sempre tem que considerar os fatos reais (é tarefa política – poder). 2. Sistemas de controle de constitucionalidade 1. podendo ser material ou formal a norma constitucional impede que faça nascer lei que contraria norma constitucional – atua a força impeditiva da constituição).não recepção – esta incompatibilidade superveniente só pode ser material a formal só é aferida originariamente – a forma modificada por nova constituição não gera inconstitucionalidade (ex: decreto-lei em vigor hoje) não impede a recepção). Na inconstitucionalidade por ação pode ser por vício material (viola o conteúdo da CF) ou formal (o procedimento de elaboração da lei fere o que está escrito na constituição. 2. Por omissão: o legislador não agiu diante de uma norma de eficácia limitada institutiva ou programática. forma que contraria a prevista na CF – ex: MP assinada por ministro e não pelo presidente). Político: o controle é entregue a um órgão político que não pertence ao Judiciário. com a possibilidade de alteração inclusive por mudanças da realidade fática. A jurisprudência do STF fala em revogação da lei (Sepúlveda Pertence). Misto: mistura entre órgãos políticos e judiciais. 3. ou superveniente (nasce boa. Pode ocorrer de a lei nascer boa. o que fez com que a lei se tornasse ruim. Ex: Suíça. O Judiciário só pode afastar parte do texto se permanecer algum sentido para o resto do texto. caso contrário é melhor afastar todo o texto – declarar a inconstitucionalidade total. Composição mista do órgão de controle: metade dos membros da magistratura e metade escolhidos fora da magistratura. Pode ser ainda inconstitucionalidade originária (a lei já nasce com vício. Por ação: ato normativo editado que contraria a CF. Ex: França. mas hoje em dia a idéia é diferenciada. mas se torna inconstitucional devido a mudanças do texto da constituição . O controle não considera apenas o texto. parágrafo ou alínea – o controle pode recair apenas sobre uma palavra ou expressão). A última hipótese do controle misto é a que prevê vários tipos de controle combinados (modelo dos EUA e modelo ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 53 . Alteração do parâmetro constitucional. Aqui atua a força paralisante da constituição. a constituição não mudar e futuramente a lei se tornar inconstitucional  mudam os fatos: alteração das circunstâncias fáticas. Judicial: o Judiciário faz o controle.

mas não é uma regra absoluta: Preventivo político: veto presidencial por inconstitucionalidade (controle) que será revisto pelo Congresso (novo controle preventivo). § 4º: não haverá deliberação de EC. espalhado. – controle na fase do projeto). verificar se o projeto está de acordo com a CF. Se a tramitação ofende a própria CF o STF admite a paralisação do PL em tramitação. Preventivo judicial: mandado de segurança. de um conflito de interesses. mas a jurisprudência do STF admite o MS impetrado por parlamentar quando o projeto de EC ofende ou é tendente a abolir cláusula pétrea (Art. Pode ser: Difuso: vários órgãos são autorizados a realizar o controle. a norma já está produzindo efeitos. ou concentrado. Tradicionalmente não existe. O vício pode ser regimental ou constitucional. Repressivo: após. comissões de constituição e justiça (na Câmara e no Senado). O parlamentar tem o direito líquido e certo de obstar que o projeto prossiga por meio do MS ao STF. No regimental o STF não interfere.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO de Kelsen  Brasil). Tipos de controle: Preventivo: antes de a norma ingressar na ordem jurídica. só um órgão faz o controle. abstrato: não há lide. concreto/abstrato (Brasil). na fase do projeto. difuso/concentrado. Mistura entre o repressivo/preventivo... CONTROLE PREVENTIVO REPRESSIVO DIFUSO: vários órgãos realizam o controle CONCENTRADO: só um órgão faz o controle CONCRETO: resolve o controle que surge de um lide ABSTRATO: não há lide. é controle da lei em tese (Kelsen). Há ainda o MS impetrado por parlamentar quando a tramitação de PL ofende o processo legislativo constitucional. Mais um caso de vício formal que não está na jurisprudência do STF: MS impetrado por quem teve violada sua iniciativa ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 54 . aguarda a edição da lei. o controle da lei em tese Sistema brasileiro de controle de constitucionalidade: como regra geral diz-se que o controle adotado pelo Brasil é repressivo e judicial. o controle é incidente (modelo dos EUA). 60. Concreto: busca resolver o caso concreto que surge de uma lide.

Luiz Roberto Barroso cita essas hipóteses. se houver. * Controle judicial concreto ou difuso: também chamado de controle incidental ou por via de exceção. São os três casos dados pela doutrina tradicional. 52. atos que exorbitam ou inovam no mundo jurídico (só lei pode. regulamento não pode criar obrigação) ou ainda exorbita na delegação conferida. Maioria absoluta dos seus membros do pleno ou do órgão especial constituído (de 11 a 25 membros). Para declarar a constitucionalidade não há o princípio da reserva de plenário (câmara e turma podem declarar a constitucionalidade). Os órgãos fracionários não podem declarar a inconstitucionalidade. negativa do executivo em aplicar a lei inconstitucional (ainda não declarada) a seu juízo. Ex: aumento de servidor público federal só o chefe do executivo pode (Art. não precisa aguardar o veto (doutrina). o presidente pode impetrar MS contra este ato para defender a sua iniciativa constitucional privativa. por exemplo). Exercido por qualquer juiz ou tribunal por argumentação de inconstitucionalidade incidentalmente em um caso concreto (argumentação deduzida em juízo). A inconstitucionalidade não precisa constar da causa de pedir. ele é causa de pedir. Discussão sobre a constitucionalidade da lei que um dos litigantes fundamenta seu pedido – o juiz terá que analisá-lo incidentalmente. Na verdade o controle da MP é ao mesmo tempo preventivo (em relação à lei de conversão) e repressivo em relação à MP em vigor (texto original). § 1º). Congresso faz juízo prévio sobre o atendimento dos pressupostos constitucionais antes de falar do mérito. qualquer juiz ou tribunal poderá examinar e fazer o controle) ou abstrato (concentrado – STF ou TJ). Art. X: Senado pode suspender a execução de lei julgada inconstitucional em caso concreto (controle difuso). a especializada cita ainda: legitimidade ativa da ADI e ADC (mesa da Câmara. Ações típicas são ADI (genérica. 49. não depende de argumentação por uma das partes para que ele analise inclusive. em regra). Ele não é o pedido. Há uma lide em caso concreto (MMM – como teve início). Art. só quando a lei de conversão for editada. Também poderão (turma ou câmara) julgar declarando a inconstitucionalidade quando já houver posição do STF (pleno) ou dos órgãos especiais pela ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 55 . Repressivo político: a doutrina entende que existe nos seguintes casos: Art.61. § 5º: medida provisória (produzem efeitos desde a edição. Revogação da lei inconstitucional pelo próprio legislativo por meio da edição de uma nova lei. Se um deputado tiver a iniciativa. declara a inconstitucionalidade  chamado de reserva de plenário. ADC e ADPF. 62. V: Congresso Nacional sustar atos normativos do Executivo que já estão produzindo efeitos. Modificação no texto originário da MP não produz efeitos a terceiros. por omissão ou interventiva). Repressivo judicial: pode ser concreto (difuso. O juiz poderá de ofício conhecer do problema. TCU também pode deixar de aplicar lei que considera inconstitucional. 97. Art. CF: para o controle difuso e abstrato.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO legislativa privativa.

Há uma exceção em que os efeitos da decisão judicial no controle difuso será erga omnes  ações coletivas (ACP e AP). estadual e municipal. O Senado não é obrigado a suspender a execução da lei. 52. estarão apenas aplicando um precedente. X. Se o pedido for o de uma ADI (disfarçada) não poderá haver o controle (abstrato – usurpando a competência do STF). CPC). A ADI genérica é o ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 56 . Alguns autores sustentam que essa decisão tem natureza judicial que seria ex tunc. 481. Art. deverão deduzir ação um a um (é uma falha!). parágrafo único. e mesmo que o STF julgue inteiramente inconstitucional ele pode suspender só de parte dela  juízo de conveniência. Passará a ter efeitos erga omnes. O efeito é ex tunc em relação às partes do processo. a depender dos termos do pedido. ADC ou ADPF (repressivo). destituídos de qualquer carga de eficácia jurídica. assim como no controle abstrato estadual a assembléia legislativa não participa). * Controle judicial abstrato: concentrado ou objetivo de constitucionalidade realizado pelo STF (CF) ou TJ (CE’s). Caso o Senado suspenda a execução da lei declarada inconstitucional incidentalmente os efeitos serão erga omnes e ex nunc em relação aos terceiros atingidos. uma vez que os atos inconstitucionais são nulos e. só não será mais aplicada (suspensão). Os atos pretéritos realizados com base na lei inconstitucional não são atingidos. que seria obrigatório (minoria – o Senado só participa no controle difuso porque no concentrado a lei já não mais produzirá efeitos. Efeitos da decisão judicial no controle difuso: Inter partes: atinge as partes litigantes apenas. de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do STF. O Senado pode suspender a execução de lei federal. CF: aplicado apenas no controle difuso. Senado suspende a execução no todo ou em parte. Ações típicas são ADI. ). Se o pedido foi concreto poderá haver o controle desde que seja um controle efetivamente de um caso concreto (declarar incidentalmente a inconstitucionalidade para atingir um caso concreto) e neste caso a decisão terá efeitos erga omnes. Ex tunc: efeitos retroativos. portanto. A lei não fica revogada. Pela pirâmide de Kelsen extrai-se o princípio da compatibilidade vertical em que qualquer norma que não esteja compatível com a CF (ponto máximo da pirâmide) deve ser retirada do ordenamento.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO inconstitucionalidade da questão (Art. o Senado não participa. Ele vem passando por um processo de objetivação – passar a atingir terceiros  amicus curiae em RE no controle difuso (informativo do STF n. mas é ex nunc. O controle difuso é subjetivo (entre partes). Ainda excepcionalmente o efeito no controle difuso poderá ser ex nunc (RE 197917 – número de vereadores).

quanto da própria lei). 84. STF faz o papel de legislador negativo retirando normas e não resolvendo caso concreto. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 57 . mas se aproximam de ato administrativo com efeitos concretos. O TJ só pode fazer o controle com base na CF sendo difuso.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO mecanismo que retira do ordenamento normas inferiores que contrariam a constituição. 103. O objeto da ADI é lei ou ato normativo federal ou estadual. Não cabe ADI em face de: lei de conteúdo concreto (ato normativo abstrato coercitivo é lei). 102. Este processo não é um processo civil comum subjetivo. mas caso seja de efeitos concretos será cabível). pareceres da consultoria geral (AGU) aprovados pelo presidente (quando se tornam obrigatórios para a administração pública federal). I. é um processo objetivo. se legislar matéria de competência municipal não cabe. A ADI não envolve partes. Objeto da ADI: lei ou ato normativo estadual ou federal (ADC somente federal). E é isso que garante a supremacia da carta magna. § 2º (estadual) da CF/88 e lei 9868/99. lei do DF  com base na competência legislativa do estado. mas na verdade ainda não são a mesma coisa. VI) (regulamentos comuns não podem). ADI genérica: mecanismo de controle que objetiva expurgar do sistema jurídico um ato normativo que contrarie a CF. medidas provisórias. I. Para leis ou atos préconstitucionais (a recepção ou não recepção não poderá ser discutida em ADI. resoluções do TSE quando veicular ato normativo. ela é um processo de verificação da conformidade entre a lei e a constituição. tecnicamente não existe contraditório e ampla defesa. só que com um sinal invertido. “a”. Cabe ADI contra: emendas constitucionais. lei delegada (tanto do ato que autoriza a delegação. “p”. A ADI não visa dar a cada um o que é seu. Poderão ser objeto de MS (não cabe MS contra lei em tese. decretos legislativos e resoluções quando são atos normativos (ex: RI). um processo dialético. Essa atividade é um poder contramajoritário (Luiz Roberto Barroso). A lei municipal pode ser objeto de controle na ADI estadual em face da constituição estadual apenas no TJ. mas não propriamente o contraditório e a ampla defesa. 97. contra o princípio da maioria (maioria do povo que elegeu o legislador para fazer as leis). Haverá uma defesa. tratados internacionais (lei ordinária ou EC). vinculada ao poder semelhante à de “legislador negativo”. Há algumas que são chamadas de lei. regimento interno de tribunal (vício constitucional). § 2º. Municipal será objeto de ADPF. O STF costuma dizer que ADI e ADC são a mesma coisa. regulamentos autônomos (Art. Arts. lei no período da vacatio legis. O STF atuando como legislador negativo atua contra o poder da maioria  poder contramajoritário. 125. Essa é uma atividade política. § § 1º e 3º. enquanto que o objeto da ADC é apenas lei ou ato normativo federal (PEC 358-A confere à ADC o mesmo objeto da ADI – lei ou ato normativo estadual também). Exceção: lei de criação de municípios. 102. a IX.

partido político com representação no congresso nacional. ocorre que na ADI 1244 há um voto no sentido de que se a lei foi revogada no curso de uma ADI ela deve prosseguir. Tudo isso pode ser discutido em controle difuso ou ADPF. normas originárias (teoria das normas constitucionais inconstitucionais – Otto Bachof . atos privados. Os requisitos são analisados por ocasião da interposição da ADI. Legitimados especiais: exige pertinência temática da parte ativa. A própria autoridade que editou ou participou da produção do ato normativo pode propor ADI. PGR. normas de estado estrangeiro (pode ser negado o exequatur mas declarar a inconstitucionalidade não). Lei de criação de municípios pode ser objeto de ADI. Presidente em face de uma MP. Diretoria estadual de partido político não pode propor. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE interpreta-se 58 . É a chamada lei de efeitos concretos (lei que desapropria o imóvel rural e lei orçamentária) que não podem ser objeto de ADI. Podem propor ADI: Art. Lei ou ato normativo: ato que tenha os atributos de generalidade. apenas a da câmara e do senado. CF prevê os legitimados para propor ADI. São os governadores.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO só em ADPF). Tudo isso pode ser objeto de ADC sendo federal. abstração e coercibilidade. Para atos revogados também não. A perda superveniente da representação no congresso não prejudica a ADI em andamento proposta por partido político (a partir de 2004). por exemplo. Para regulamentos comuns. mesas da câmara e senado. conselho federal da OAB. Para ser considerado de “âmbito nacional” analogicamente a lei orgânica dos partidos políticos. estaduais não podem. A jurisprudência do STF divide os legitimados em dois grupos: Legitimados universais: podem ajuizar toda e qualquer ADI. a lei deve estar no ordenamento. A exigência de a entidade de classe estar em funcionamento há mais de um ano é só para MS coletivo. sentenças normativas.não admitida pelo STF. São o presidente da república. Não é a mesa do congresso. confederação sindical. Antes o STF entendia que a ADI perdia o objeto. Pode ser que algum ato tenha a forma de lei. convenções coletivas de trabalho. OAB só a nacional. Durante ADI muda dispositivo da CF  ela perde o objeto. 103. decreto regulamentar. entidade de classe  pertinência temática entre o objeto da ADI com o legitimado. mas não tenha conteúdo ou substância de lei. só por EC) (STF não aceitou a teoria das normas constitucionais inconstitucionais). mesas de assembléias legislativas ou câmara distrital.

Não há prescrição e decadência em ADI. mas é. VIII e IX exige (partido político. defesa simples (sem contraditório e ampla defesa). fora da atividade judicial típica. 103. se não for o autor será ouvido previamente em ADI e em todos os processos do STF. Ocorria que quando uma questão lhe era apresentada ele poderia promover a ação. arquivá-la por ser totalmente incabível ou quando não concordava. mesmo ele sendo o autor o processo volta a ele para parecer (razão histórica). Pertinência temática e interesse de agir – o STF diz que não há interesse de agir mesmo com a pertinência temática (na verdade tem sim). Hoje. confederação sindical e entidade de classe). ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 59 . Art. O MP é custus constitutionis. Admitida a manifestação do amicus curiae por escrito ou também oralmente (Art. Assim. Acreditava (em 88) que a lei era boa. Isso para não privar a questão da análise do STF. Não é admitida intervenção de terceiros (Art. abstrato. lide. A decisão no controle difuso é um precedente e a força dele acaba por atingir terceiros (as demais ações começam a ser julgadas no mesmo sentido – ex: progressão em crimes hediondos decidido em um HC). 402 ou 403 do STF. I a VII: dispensa advogado. interesse de agir (jurisprudência do STF). É também indisponível o pedido da cautelar. 7º). Ultimamente está ocorrendo a objetivação ou abstrativização do controle difuso (autor x réu com decisão inter partes). 103. é processo objetivo. Não é réu! PGR: antes de 88 ele era o único a poder propor ADI. Art.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Associações de associações passaram a poder propor ADI (ADI 3155). § 3º: AGU – a CF fala em citação. No pólo passivo estarão as autoridades das quais emanou o ato impugnado. § 2º) por despacho irrecorrível do relator . então propunha a ADI – raiz da ADC. mas os fundamentos eram bons. mas havendo advogado deverá juntar procuração com poderes específicos. Nas ADIs estaduais melhor seria que não fosse a AGU. Informativo 401. mais do que custus legis. Art. para só após proferir o parecer com sua opinião. passou a promovê-la. Com isso o STF está passando a admitir o amicus curiae no controle difuso (é figura do controle abstrato). mas na verdade é mera notificação e não ato para formar lide com contraditório e ampla defesa. 5º: indisponibilidade de instância. partes. ou seja. Não é possível desistir da cautelar. É processo unilateral. Não há pretensão resistida. não admite desistência. 7º. Lei 9868/99. mas a questão era plausível.

A causa petendi é aberta porque o processo é objetivo. porque se for exigir como se aplicaria a uma legislação em vigor há muito tempo? Não há de se falar em periculum. * Vinculante. TRF e TJ). A cautelar tendo também efeito vinculante poderá dar margem a reclamação no STF ou TJ. 102. quando o efeito será não repristinatório (Art. não pode julgar inconstitucional o Art. O requerente pode fundamentar o seu pedido em uma causa de pedir e o STF fundamentar em outra (fundamenta com vício no conteúdo e o STF entende que há vício formal apenas). § 1º da lei 9868). Há alguns julgados no STF dizendo que ambas as leis (A e B) sejam incluídas na inicial. * Ex nunc (excepcionalmente ex tunc .DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO O controle é abstrato porque não está vinculado a uma lide. mas pode ser afastado expressamente. A jurisprudência do STF admite que o requisito do periculum in mora pode ser substituído pelo critério do requisito da conveniência. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 60 . Não retira a condição de abstrato do controle (mas ele não é tão abstrato assim). 9º. Efeitos da cautelar na ADI: * Erga omnes. A causa de pedir é aberta. § 2º). 11. Não é somente o texto comparado com a CF. que fica suspensa. A jurisprudência do STF diz que esse efeito existe. I. por exemplo). Na MC. Decisão na ADI: Na ADI não há adstrição à causa de pedir. Medida cautelar em ADI (Art. mas ele sempre estará vinculado aos fatos/realidade – atividade política de legislar negativamente. 12). CF) (Arts. é a realidade fática comparada com ela que influencia no julgamento no controle (Art. mas o que prevalece é que independentemente do pedido a abranger (lei A) na inicial haverá o efeito repristinatório. * Repristinatório: aplicar lei anterior A à que teve MC ADI (lei B). As circunstâncias fáticas vão influenciar no julgamento da ADI. embora nem a CF nem a lei 9868 diga expressamente. Ele é a regra. no processo civil há. sempre será concedida por maioria absoluta. 10 a 12 da lei 9868): salvo no recesso (cautelar apreciada por juiz monocraticamente). o STF aceita. 11. § 1º). 6º por vício formal – STF pode acolher como material.Art. quando houver. Art. 5º. 9º. mas isso não significa que o STF poderá decidir ultra e extra petita (ex: ADI contra Art. mas o pedido é determinado. Requisitos: fumus boni iuris e periculum in mora. p. § 2º igualmente reporta-se às conseqüências fáticas dentro do controle abstrato (requisitar informações aos tribunais superiores. sendo matéria relevante remete diretamente ao tribunal para julgar o mérito (Art.

22: presença de pelo menos 8 ministros e manifestação da maioria absoluta – 6 ministros. E a tendência é que tudo seja resumido em uma só ação. pode haver reclamação antes do trânsito (posição jurisprudencial do STF). As diferenças entre uma e outras estão diminuindo. Significa elastecer o pedido quando a inconstitucionalidade de um pedido implicar a de outro não expressamente impugnado (seria incompatível) (ADI 2797. Na ADI 2231 ministro Gilmar Mendes se declarou impedido porque atuou como advogado geral da União defendendo a lei impugnada. O STF pode entender que a lei passou a ser inconstitucional (ADC 01). a oposição dos embargos de declaração não impede os efeitos da ADI (Reclamação 2576). Não há impedimento ou suspeição. fazendo com que alcance todas as pessoas. mas se julgar improcedente a ADI. Vinculante: ao judiciário e administração pública direta ou indireta federal. A decisão da ADI vincula os demais órgãos do Judiciário.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Arrastamento: ADI 2982. Da decisão não cabem recursos. 2797. Os efeitos correrão da data da publicação e não do trânsito em julgado. 2877. apenas embargos de declaração. Não cabe ação rescisória. o processo é objetivo. logo. 24 diz que a ADI procedente = ADC improcedente e que a ADI improcedente = ADC procedente. Exceção: no controle judicial e político preventivo (contra projeto de lei) a presunção de constitucionalidade é da lei e não do projeto de lei. Na dúvida a lei presume-se constitucional (presunção relativa de constitucionalidade da lei). Efeitos da decisão final da ADI: Erga omnes: se relaciona com os efeitos subjetivos da coisa julgada. 2666. 2982. Uma ADC procedente não impede uma ADI futura. estadual e municipal. continuando quando os demais ministros estiverem presentes. Exceção. O Art. Essa possibilidade é o cerne da vinculação (consagrada na jurisprudência do STF e que só depois viria a ser o conhecido efeito vinculante). Art. Não alcançada à maioria suspende-se o julgamento. O STF julgando uma ADI procedente ele também sofrerá os efeitos da decisão. mas o próprio Supremo não. Assim. 2608. Só que somente as partes legitimadas poderiam interpor a reclamação. só que com o sinal invertido. dispensando a passagem pelo juiz de direito até que chegasse ao STF. Por isso o STF diz que ADI e ADC são iguais. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 61 . pois a lei será retirada do ordenamento jurídico. Na ADI 1880 entendeu que qualquer pessoa poderia se valer da reclamação. 2666 e 2608). Inicialmente o STF passou a admitir a reclamação para garantir a autoridade de suas decisões. a lei é constitucional e continua no ordenamento. PGR que move ADI e mais tarde se torna ministro do STF. 2877.

mais que maioria absoluta) decidir que só terá eficácia a partir do trânsito ou outro momento fixado (ex nunc). o que importa não é que a impugnação foi feita a um determinado ato (RI).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Vincula ainda toda a administração pública direta e indireta. Outro ato com idêntica inconstitucionalidade não precisa de ADI para ser retirado. Desde o caso MMM diz-se 62 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . 27 excepciona a supremacia da CF e a teoria da nulidade (razões de segurança jurídica e interesse social . mas é isso que se vislumbra nesse Art. 741. 27 (há duas ADIs contra esse artigo. 27 da lei 9868 permite a modulação dos efeitos da decisão procedente da ADI por razões de segurança jurídica ou interesse social com mais de 2/3 dos membros (8. A natureza jurídica do ato inconstitucional é nulo. O efeito vinculante atinge o Legislativo? A jurisprudência do STF se firmou no sentido de que não há efeito vinculante para o legislativo. possibilitando que ato inconstitucional tenha efeitos mantidos até o trânsito ou outro momento (sem limitação). ADC e às cautelares. federal. o que o Art. em regra. podendo prorrogar a validade da lei inconstitucional tanto posterior quanto anterior ao trânsito. quando a lei estará sendo apenas anulável (sistema austríaco de inconstitucionalidade de Kelsen – só que nesse sistema se permite a prorrogação até 1 ano após a decisão). É dizer que o STF declara uma lei inconstitucional e o legislador pode elaborar lei com mesmo conteúdo. a modulação dos efeitos da ADI pode ir para frente ou para trás em nome da segurança jurídica e excepcional interesse nacional. O Art.relacionado a fatos). Exceção: Art. bastando a reclamação ao STF. Ex tunc. Isso vai depender muito da realidade fática. mas apenas para impedir que seja aplicada – pelo Judiciário ou pela Administração). mas fixar a data mais conveniente. Possível a restrição dos efeitos erga omnes. inclusive anterior à edição da lei impugnada atingindo lei anterior que havia sido revogada (torna dispensável que a inicial impugne expressamente). O efeito vinculante incide inclusive sobre uma fase de execução (Art. estadual e municipal. a ADI deve apagar os efeitos da lei. O STF poderá ainda fixar outro prazo que não o trânsito. vinculante e ex tunc. 27 diz é que isso é relativo e não absoluto. Todos esses efeitos se aplicam à ADI. A lei inconstitucional é nula. CPC). Cuidado. mas ao conteúdo dele. Mesmo antes da CF/88 ou da lei 9868 o STF tem várias decisões que dizem haver efeito jurídico em lei inconstitucional. inclusive no que diz respeito aos atos análogos. Mas no momento em que alguém aplicar essa lei a reclamação poderá ser utilizada (não impede o legislativo de legislar. mas o STF inclusive já aplicou o dispositivo). pode reconhecer a inconstitucionalidade. Em síntese. Transcendência dos motivos determinantes da decisão do STF em relação a uma lei ou ato normativo podem afetar outros atos normativos análogos. não se pode dizer ainda que a lei inconstitucional é anulável e não nula. repristinatório. deve retroagir sempre. sua natureza é declaratória de nulidade da lei (efeitos ex tunc).

O STF gostou tanto do Art. caso uma ADI declare inconstitucional uma lei 1. Na prática.000/SP essa decisão poderá alcançar uma lei 2. ADI e ADC têm natureza dúplice. logo. ADI originariamente não tinha efeito vinculante. administração pública direta e indireta (federal. O que não pode é o contrário: se o STF julgar ADI procedente ou ADC improcedente a lei é fulminada. A reclamação é dirigida diretamente ao STF. Futuramente a ADC também será para lei estadual. § 2º). A fundamentação deve ser observada por todos (mesmo que não tenha sido objeto de controle abstrato – lei 2. 27 que está aplicando inclusive ao controle difuso (RE 197. Com a EC 45 o efeito vinculante está dirigido ao Judiciário e administração pública direta e indireta (antes ao Judiciário e ao Executivo). A reclamação 1880 também reconheceu que a liminar da ADI teria efeito vinculante. Repristinatório: se procedente. que fará valer sua decisão. 102. talvez chegando novamente ao STF por RE (começar lá de baixo). na CF/88.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO que lei inconstitucional produz efeitos. Isto porque o efeito vinculante é para os demais órgãos do Judiciário.000/RJ (ato normativo análogo). parágrafo único) há o efeito vinculante. são efeitos semelhantes.917 – deu efeito pro futuro). Com as reformas tenta-se igualar essas ações. O efeito vinculante atinge o Legislativo? Ainda hoje na jurisprudência tem-se que o efeito vinculante não atinge o Legislativo. agora. (ADI 3022). Antes ele só havia para a ADC. STF. 102. l. a decisão deverá ser obrigatoriamente cumprida.000/RJ) sendo aplicada assim 63 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . então. Por mudança da realidade fática. uma lei pode se tornar inconstitucional e se isso acontecer o STF poderá reconhecer em RE ou ADI. Com a lei 9868 (Art. Reclamação 1880 de 7/11/02 – o efeito vinculante pode ser usufruído por todos e não apenas aos legitimados da ADI. Só ocorrerá. Vincula: demais órgãos do judiciário. I. Se o efeito fosse apenas erga omnes seria necessário seguir pelas vias ordinárias. relativizando os efeitos da ADI. 28. em caso de descumprimento enseja reclamação (Art. Poderá julgar até mesmo uma ADI em sentido contrário. julgando RE (controle difuso com autor e réu) pode decidir de maneira diversa a lei que já tinha sido julgada constitucional. se uma primeira ADI foi improcedente ou uma ADC foi procedente (mudanças fáticas). Objetivação do controle difuso. não poderá após ser reexaminada. Possível em face da transcendência dos motivos determinantes. Ainda quanto ao efeito vinculante. com a EC 45 o efeito vinculante foi previsto (Art. mas não idênticos. CF) (garantir a autoridade de suas decisões). Mas para que mudou a redação? Administração direta incluiria o Legislativo? STF terá que se posicionar. estadual e municipal).

só reclamação. é lei análoga à lei já declarada inconstitucional. A tendência é que as ações de ADI e ADC se fundam em uma só ação de controle de constitucionalidade. ADI não tem execução. os motivos que levaram à declaração da inconstitucionalidade. Isso não impede que por ocasião da aplicação seja impetrada reclamação. Ação rescisória sob o fundamento de violação de literal disposição de lei. Em face dessa situação. Mesmo não utilizada a ação rescisória a decisão 2 poderá ser aplicada na fase de execução da decisão 1 por embargos à execução – inexigibilidade do título executivo. uma vez que ela é votada no parlamento. Controle abstrato: STF em ADI ou ADC declarou a mesma lei inconstitucional. Num primeiro momento a decisão 2 poderia dar margem a ação rescisória se ainda corresse o prazo para a rescisória. O STF admite a transcendência dos motivos determinantes. pois o único legitimado era o PGR. ADC ADI procedente = ADC improcedente ADI improcedente = ADC procedente A lei já goza de presunção (relativa) de constitucionalidade. O STF pode ainda se posicionar no sentido de estender os efeitos vinculantes ao Legislativo. mas também à fundamentação. Neste caso a lei 2000/RJ já existia e em caso de ato normativo análogo futuro? O Legislativo poderá editar lei análoga a uma já declarada inconstitucional? Pela jurisprudência não há óbice porque o Legislativo não sofre os efeitos vinculantes. O legislador não está proibido de legislar lei análoga (inconstitucional). sancionada pelo presidente e promulgada. 1. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 64 . 2. só embargos de declaração. decisão que já transitou em julgado. Já transcorrido. a parte legitimada até então só poderia levar a questão ao STF para defender a sua inconstitucionalidade (ADI). Ao aplicar uma lei o juiz deverá observar não só o dispositivo (direcionado a certa lei). não cabe recurso. STF atingindo a coisa julgada. Antes de 1988 era ainda mais grave. Controle difuso: juiz declarou lei constitucional. sugeriuse a reabertura do prazo da ação (doutrina).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO mesmo dá margem a reclamação no STF. Quais os motivos que levaram à introdução do instrumento da ADC? Antes da criação da ADC questões de segurança jurídica traduziam certo desconforto em face da divergência de decisões a respeito de uma mesma lei. A ADC foi introduzida pela EC 03 para tentar solucionar essa incongruência. Talvez um dia no lugar da decisão 2 (controle concentrado) tenhamos um controle difuso (RE – objetivação do controle difuso) em processo de mudança. ainda que a considerasse constitucional.

Isso não ocorre na ADI. o mesmo da ADI (só que a 2ª parte da reforma do Judiciário ainda não foi aprovada). isto porque o objeto da ADC é menor. Ocorre que há dificuldade de configuração do requisito de efetiva controvérsia. Se a questão está sendo decidida de forma uniforme não há insegurança.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO O objeto da ADI é lei ou ato normativo federal ou estadual. A legitimação ativa da ADC hoje é coincidente com a da ADI. enquanto da ADC é apenas lei ou ato normativo federal. Os efeitos são os mesmos da ADI: erga omnes. pois a pretensão é confirmar a constitucionalidade. O legitimado da ADC deve indicar a existência de efetiva controvérsia judicial relevante sobre a aplicação da disposição objeto da ação declaratória. A abrangência da ADI é maior que a da ADC (por enquanto. o período pode não ser suficiente para que a controvérsia judicial se forme. já que deve ser ouvido em todos os processos de competência do STF. não há prazo de validade. ex nunc e vinculante. Os fatos da vida não podem ser desconsiderados (a lei 9868 fala em perito. justamente porque o papel dele é defender a constitucionalidade da lei ou ato normativo impugnado. posteriormente a jurisprudência e a lei 9868 o estendeu à ADI e às liminares (exemplo de mutação). A jurisprudência do STF está se posicionando no sentido de que os fatos cada vez mais influenciam na decisão de controle. A lei 9868 ainda está na redação antiga da CF. igualando o objeto das ações). O STF não é mero órgão de consulta. modulação dos efeitos. pois há a PEC 358-A. O PGR será ouvido. A liminar na ADC só tem validade por 180 dias. A lógica para o aumento dos legitimados é que o objeto da ADC se tornará maior. Cabe ADC em face de medida provisória? Para uma prova objetiva pode-se até dizer que cabe. Antes da EC 45 a legitimidade era menor. A controvérsia deve ser formada por número significativo de decisões de mérito controversas. não cabível a ADC. Na ADI o que se suspende é a lei ou ato normativo e não os processos. uma vez que a MP só vigorará por 60 dias (prazo curto). 65 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . logo. Há quem defenda que a lei deve ser revista para que os juizes não possam declarar a inconstitucionalidade da lei (mais lógico). Em ambas as ações (ADI e ADC) a questão dos fatos é fundamental. A jurisprudência entende que também é cabível liminar em ADC. A controvérsia judicial é o requisito específico da ADC. Medida cautelar em ADC: por decisão da maioria absoluta dos membros pode ser concedida e consiste na determinação de que os juizes e tribunais suspendam o julgamento dos processos. 21 da lei 9868 e há um voto (do relator) dizendo que é inconstitucional por violar o princípio do livre acesso ao Judiciário. audiências públicas etc). não é o caso na ADC. Existe ADI discutindo a constitucionalidade do Art. O AGU não é ouvido. O efeito vinculante originariamente era aplicado somente à ADC.

Os remédios para combater a inconstitucionalidade por omissão são o mandado de injunção e a ADI por omissão. Existem dois tipos de ADI por omissão: contra o poder competente (legislativo ou executivo) e contra órgão administrativo. estão espalhados em diversos dispositivos (igualdade. projetando-se para além das regras constitucionais meramente escritas e dos princípios contemplados. não se esgotando na constituição (ADI 1552). o controle é abstrato. Isso desde que as normas estejam vocacionadas a desenvolver a eficácia dos postulados e dos preceitos inscritos na CF. as normas de eficácia limitada (institutivas ou programáticas) só podem se tornar realidade mediante a atuação do legislador infraconstitucional. Na ADI por omissão não há caso concreto. Em tese a lei que estabeleceu é constitucional segundo o STF.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Uma lei pode ser constitucional em tese. No mandado de injunção a omissão lesa determinadas pessoas em um caso concreto. mas em um caso concreto. A jurisprudência do STF terminou por igualar o mandado de injunção à ADI por omissão já que entende que não pode legislar no caso concreto (ou abstratamente) e não pode obrigar ninguém a produzir a lei. 66 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . na ADI por omissão. no Mandado de Injunção. É um conjunto de medidas e princípios que podem estar inclusive implícitos. Observe-se que na ADI por omissão há inconstitucionalidade sem nenhuma nulidade. A partir do momento que ele não age. A partir do momento em que o judiciário reconhece que para todos. visando a concretização da idéia e ordem constitucional global. Sendo competência de poder. há uma omissão que torna a norma constitucional ineficaz (inconstitucional). o STF dará ciência da mora. que o Estado está em mora. Ex: vedação de concessão de liminar contra o poder público. no máximo fixa um prazo para as providencias do poder competente. Bloco de constitucionalidade: há determinados temas que não se exaurem em alguns artigos. Mas em tese há diferenças. é verdadeiro apelo ao legislador (doutrina alemã assim denomina). mas em um caso concreto (em face dos fatos em concreto) a mesma lei pode ser inconstitucional. Trata-se de uma pluralidade de acepções. O bloco de constitucionalidade pode trazer até mesmo matéria que esteja presente na legislação infraconstitucional. Sendo para órgão da administração pública a natureza da ação é mandamental e obrigatória. ou para as partes. as pessoas prejudicadas poderão pleitear perdas e danos em razão da mora estatal. o juiz poderá conceder a liminar. Dentro da classificação de José Afonso da Silva. para que em 30 dias produza o ato faltante. considerando a lei inconstitucional (razoabilidade) (ADI 223-MC). ADI por omissão A inconstitucionalidade pode se dar por ação (ADI e ADC) e por omissão (ausência de uma norma que é necessária à constituição para que o dispositivo possa ter eficácia máxima). dignidade humana etc).

A ADPF é ação subsidiária (princípio da subsidiariedade ou do exaurimento das instancias). é concreto. E quem estará representando a União neste caso é o PGR. VII.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO O processo é basicamente o mesmo da ADI genérica. podendo o STF fulminar tal lei. A intervenção era feita por lei. Os legitimados são os mesmos da ADI. 1º está previsto que é cabível ADPF contra lei ou ato normativo federal. Assim. estadual ou municipal. não tem sobre o que se pronunciar. A representação interventiva é uma ação concentrada (só o STF decide a respeito) e concreta (caso concreto de violação a princípio constitucional sensível). ADPF Cabível a ADPF contra ato do poder público. incluídos os anteriores à constituição. No inciso I do parágrafo único do Art. mas já tendo sido utilizado outro instrumento que não solucionou o problema é cabível a ADPF. A inconstitucionalidade que o STF reconhece é fática (violação de um princípio sensível). Existindo outro meio capaz de resolver o problema não cabe a ADPF. Diferenças entre MI e ADI por omissão no quadro no material de apoio???? ADI INTERVENTIVA Este nome não consta na CF. é o significado atual do princípio da subsidiariedade. Inseri-lo dentro do controle abstrato é um equívoco por parte da doutrina. Na CF de 1934 existia uma verdadeira ADI interventiva. nos termos do caput do Art. e mais uma vez é sem nulidade. 1º da lei 9882. No modelo de hoje não cabe liminar (no RI do STF prevê). Existe uma lide entre a União e um estado. embora seja concentrado. Em tese não é cabível. a atuação do STF é para permitir a intervenção federal por decreto do presidente. 34. preceitos fundamentais) pode autorizar a intervenção federal nos estados: Art. Atenuação do significado ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 67 . Tudo isso torna a ADI interventiva um instrumento peculiar. Diante dessa lei o PGR poderia ir ao STF para dizer que não existiam os motivos da intervenção e que a lei era inconstitucional. 36) – violação aos princípios constitucionais sensíveis (para alguns são cláusulas pétreas implícitas. Não há de se falar em liminar ou em oitiva do AGU. Hoje é totalmente diferente. para outros. não necessariamente normativo. apenas vai ensejar a intervenção. O que existe é a representação interventiva por parte do PGR (Art. CF (princípios) – violação leva o PGR a representar ao STF – reconhecimento de uma situação fática inconstitucional. Impedia a intervenção.

sob pena de ferimento ao princípio da supremacia constitucional. não se deve dar muito valor a essa presunção (cuidado!). Em recesso o relator pode conceder a liminar monocraticamente. Seus efeitos são os mesmos da ADI e ADC: vinculante. Assim.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO literal do princípio da subsidiariedade quando o prosseguimento de ações nas vias ordinárias não se mostra apto para afastar a lesão a preceito fundamental. alguns autores dizem que a presunção de constitucionalidade não deve ser estendida às medidas provisórias. Sob o ponto de vista do controle. A medida provisória não deve ter presunção de constitucionalidade com base nos argumentos de que a lei goza da presunção (passa por todo o processo legislativo). A MP não passa por processo algum. Não sendo possível a interpretação conforme a constituição ele deve julgar procedente a ADI. Dessa forma. erga omnes e. a ADI em julgamento será julgada improcedente e sendo ADC será procedente. Não pode contrariar o sentido inequívoco que o legislativo pretendeu dar (decisão do STF considerou a vontade do legislador. é parecido. O STF não pode “inventar”. afastando a possibilidade de interpretação diversa. TÉCNICAS DE CONSTITUCIONALIDADE JULGAMENTO NO CONTROLE DE Interpretação conforme a constituição: é ao mesmo tempo um princípio de hermenêutica e uma técnica de controle de constitucionalidade. em regra. É possível veto em ADPF? Existem duas posições do STF. com efeito vinculante. uma pela constitucionalidade e outra pela inconstitucionalidade. Por decisão de maioria absoluta cabe liminar. desde que não sejam absurdos). reduzindo ou retirando do ordenamento texto inconstitucional. mas não é a mesma coisa. Declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto: a atividade típica do STF no controle é de legislador negativo. já que a lei goza de presunção de constitucionalidade. pois estaria na verdade legislando. daí ainda existirem muitas dúvidas a respeito do instituto. deve-se escolher aquele que diz que a lei é boa. A ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 68 . No exame de uma lei o julgador poderá se deparar com dois caminhos possíveis de interpretação (é uma possibilidade dentro da interpretação. interpretar de maneira absurda. Não existe ainda decisão de mérito de ADPF no STF. Sendo possível a escolha entre dois caminhos. a vontade que é aferida é a da lei. Como princípio da hermenêutica significa que o intérprete deve interpretar a lei conforme a CF e não o inverso. é constitucional. simplesmente é publicada. ex tunc. mas hoje. podendo ser inclusive evolutiva).

que não seriam efetivados. Declara-se inconstitucional. Ex: Art. a lei se torna inconstitucional. Mas em concreto a realidade é que a defensoria não tem condições de absorver essa demanda. A partir do momento em que a defensoria alcançar a estruturação desejada. assim. porque a lei pode se tornar inconstitucional (STF). O mesmo pode se dizer que a lei que dá prazo diferenciado para a defensoria (lei 1. Isso pode ocorrer na ADI ou ADC quando o intérprete se vale da técnica da lei ainda constitucional. Declaração de inconstitucionalidade sem pronúncia de nulidade: declara a inconstitucionalidade. ADI interventiva. enquanto o MP está muito mais bem estruturado. O STF admite que o Art. onde. a forma não permite. Na declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto a ADI é julgada procedente e a ADC improcedente. As circunstâncias. Tal fato pode acontecer porque circunstâncias fáticas da realidade mudaram (cada vez mais os fatos influenciam a interpretação sobre a constitucionalidade ou não). mas sem revogar nada. nenhuma palavra. 68 do CPP (MP move ação civil ex delito para o pobre). A situação é de que da forma como está redigido não há como reduzir nada. Abstratamente a norma é inconstitucional. uma determinada interpretação por meio da técnica de declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto. simplesmente porque não há como retirar da lei só o que se quer. Por isso pode-se dizer que a inconstitucionalidade é desejada. sem a limitação que o presidente da república tem no veto (não pode vetar palavra ou expressão). a redação da lei leva a uma necessidade de dizer que a lei é inconstitucional. 68 do CPP é ainda constitucional. modulação dos efeitos da ADI etc). Declaração de lei ainda constitucional: algo pode ser constitucional hoje e inconstitucional amanhã. ou seja. sem que lei ou a CF mudasse. Apelo ao legislador: hipótese típica da ADI por omissão no caso do poder que está em mora.060/50). a declaração de constitucionalidade ou inconstitucionalidade poderá variar no tempo e no lugar. ADI por omissão. O julgamento de uma ADC procedente não impede uma ADI no futuro. A diferença é que na interpretação conforme a ADI é julgada improcedente ou a ADC procedente. Há determinadas situações. provando que nem tudo que é inconstitucional é nulo (teoria do funcionário de fato. enquanto a defensoria estiver desaparelhada o MP poderá mover a ação civil ex delito. 69 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . mas não declara a nulidade. é a inconstitucionalidade progressiva. Declarar a inconstitucionalidade concreta produziria um prejuízo maior aos direitos fundamentais. esses dispositivos tornar-se-ão inconstitucionais. por um aspecto formal. É também uma forma de interpretação conforme a constituição.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO inconstitucionalidade vem acompanhada da revogação de um texto de lei (integralmente ou de parte). Pela CF quem move ação para o hipossuficiente é a defensoria pública. e por conseqüência. por isso é preciso se valer da técnica.

geográfico e humano. Há ainda uma terceira fonte de poder político local. união entre estados. No estado federado. estão reunidos. A forma de Estado vai variar de acordo com os elementos político e geográfico (poder sobre o território). para formar um único estado novo soberano resultado da união de estados membros autônomos (estado central soberano + estados regionais autônomos) indissolúveis. tem que ser ratificada pelo estado soberano. mas apenas à sua própria ordem jurídica e à ordem jurídica internacional. Se a fonte de poder é unitária. A idéia partiu da Inglaterra (13 colônias inglesas que se tornaram estados soberanos – qualidade de um estado que é capaz de decidir em última instância todos os assuntos de seu interesse. dissolveu-se então a confederação e em 1787. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 70 . Cada estado deixa de ser soberano. Era um pacto confederativo. foi reputado insuficiente para atender a todos os estados (durou apenas seis anos). então. é isolacionista). uma única fonte de poder em todo o território. foederes = pacto. permite o direito de secessão). mas devendo-se se curvar às decisões centrais do estado soberano. no território tem-se uma subdivisão geográfica. completando essas múltiplas fontes de obrigações em um mesmo Estado. Os estados deixaram de ser estados confederados soberanos. Entretanto. Nesta forma há mais de uma fonte de poder político no mesmo território. A palavra federação vem do latim foedus. os Estados Unidos da América. Foi uma forma de colaboração entre as colônias a fim de se protegerem mutuamente contra as constantes ameaças da metrópole inglesa. enquanto a fonte de poder regional se impõe em determinada região e podem ter pontos diferentes. A autonomia é a capacidade de o estado tomar decisões dentro de determinadas competências. A fonte central se faz valer em todo o território nacional. idéia clássica de soberania que não responde mais o conceito de soberania. formaram em 1781 uma confederação (forma de reunião de estados soberanos. Ainda sobre os 13 estados soberanos. tem-se um Estado unitário. na Convenção de Filadélfia. as decisões só valem se cada estado internamente se submeter às decisões. Federação: o Estado é composto pelos elementos político.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO ORGANIZAÇÃO DO ESTADO E DA FEDERAÇÃO O Estado pode assumir duas formas: federal ou unitária. para serem estados federados autônomos. criaram a federação. soberano é o estado que não está sujeito a ordem jurídica de outro estado. Hoje. que á a municipal. Formaram. com uma fonte de poder central e em cada subdivisão uma outra fonte de poder que incide apenas ali. aliança. mas continuam soberanos.

Diferente do processo de formação histórico. não há direito de secessão (Art. os estados são fortes e têm grande autonomia. * Auto-organização dos estados-membros por constituições estaduais. por isso a doutrina denomina de federação centrípeta (EUA). e nesse ponto de vista o conceito se inverte: por agregação  federação centrífuga (poder maior nas regiões. 1º. ao contrário do processo histórico por que passaram os Estados Unidos. ela foge do centro. * Órgão de manifestação da vontade dos estados membros: Senado Federal (Art. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 71 . Isso se explica pelo processo histórico por que passaram. A força na agregação é uma força que vem de fora para dentro. Na desagregação a força vai do centro para fora. os estados são mais fracos e com autonomia restrita. o poder é mais bem dividido. converge para o centro.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Assim a origem de estado federado se deu com a formação dos Estados Unidos da América (antigas 13 colônias inglesas). chamada de federação centrífuga (Brasil). O estado soberano unitário se dividiu. * Princípio da indissolubilidade ou indissociabilidade: nenhum estado pode decidir sair. Alguns autores utilizam “centrípeta e centrífuga” para explicar o poder. Daí conclui-se existirem dois modelos de federação: federação por agregação (EUA) e federação por desagregação (Brasil). concentrado). e foi lá que surgiu a idéia. 46). Em ambos os casos há uma repartição de competências. o poder é mais concentrado no poder central. mas é estado unitário. isto. Já na federação por desagregação. Características básicas do modelo federal: * Descentralização político-administrativa constitucional: repartição de competências entre as entidades federadas. Não significa que todo estado bicameral é federado. na Inglaterra há bicameralismo. Na federação por agregação. por desagregação  federação centrípeta (poder central maior. para onde ele se dirige (e não do ponto de vista histórico). formando-se a república federada com um poder central e poderes regionais. No Brasil o estado era unitário monárquico e posteriormente foram criadas divisões territoriais. estados autônomos. Bicameralismo: Senado + Câmara. espalhado). mas há uma variação entre a quantidade de poderes que é atribuído ao poder central ou aos estados membros a depender do modelo de federação. CF). * Controle de constitucionalidade como mecanismo de preservação da repartição de competências constitucionais. * Constituição rígida para assegurar a repartição de tarefas sem ser modificada por lei ordinária.

não estão numa relação de subordinação. Cada estado tem que obedecer simetricamente o modelo clássico. Art. Representa o Brasil em nome da soberania. não há hierarquia (autonomia recíproca). José Afonso da Silva diz que município não é entidade federada. parágrafo único. Uma federação simétrica onde todos os estados se relacionam entre si. E a União possui autonomia recíproca com os estadosmembros no plano interno e soberania no plano externo (as características básicas de federação estabelecem reciprocidade apenas entre os estados). há diferenças entre estados e União. mas não têm soberania. Como pessoa jurídica de direito público interno a União atua com autonomia em igualdade com as demais entidades federadas. 1º e 18 da CF). STF entende os municípios como entidade federada (doutrina majoritária). mas não é a posição que prevalece nem na doutrina nem na jurisprudência do Supremo. Territórios (se existirem) integram a União. No federalismo assimétrico. CF). com a CF e com a União da mesma forma. como o modelo clássico. não são unidades federadas (Arts. Podem relacionar-se com pessoa jurídica de direito privado internacional. O que não impede a cooperação. Os estados podem ter relações internacionais. União. A federação brasileira é tricotômica e não dual. 23. 19: liberdade religiosa. Estados-membros e Municípios com competências próprias. Tríplice ou tricotômico: modelo brasileiro. mas Estado é laico. Nesse ponto de vista a nossa federação é simétrica. Uma simetria entre as entidades federadas. A nossa federação. há ainda o DF (federação seria na verdade “quádrupla”). Teriam natureza jurídica de autarquia territorial ligada à Administração direta. Cada um dos estados tem suas competências próprias. há uma igualdade (ex: todos os estados têm 3 senadores).autonomia). UNIÃO: entidade federada. pessoa jurídica de direito público que possui capacidade política (pessoa jurídica de direito internacional –soberania e de direito interno . ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 72 . Federalismo cooperativo – trabalhar conjuntamente (Art. * Autonomia recíproca entre os estados-membros.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO * Autonomia financeira: recursos próprios. Ex: Fundef – não é cada um por si. e a União tem que respeitar as decisões que são próprias de determinado estado-membro. pois não corresponde ao modelo clássico supra. Há uma outra forma de entendimento de simetria. é assimétrica. dual ou dúplice: reparte a competência entre duas entidades: União e estados-membros. Além deles. sem religião oficial. Modelos de federação: Clássico. sob esse ponto de vista. Federalismo simétrico: as entidades federadas se organizam à luz do modelo clássico e com isso é formada uma simetria entre o modelo federal e o estadual.

§ 1º: cooperativismo federalista: a União é a proprietária. Mar territorial: 12 milhas. 26. Faixa de fronteira: 150 km de largura ao longo das fronteiras terrestres. *Auto-legislação: leis estaduais. orçamentária e tributária. 20: bens da União. 125) próprios. Rios.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Art. Pode se ter o terreno de marinha já engolido pelo mar (parâmetro de 1891). mas os demais entes e inclusive o proprietário do solo terá direito a participação. ESTADOS FEDERADOS são organizações jurídicas das coletividades regionais para o exercício autônomo das competências constitucionais. O estado-membro tem autonomia: *Auto-governo: os estados possuem poder legislativo (Art. 27). podendo ser instituído um regime jurídico diferenciado. Zona econômica exclusiva: 12 – 200 milhas. terrenos marginais e praias fluviais respectivas. terreno de marinha sim. fundamental para determinar a competência (Art. Art. 28) e judiciário (Art. mas algumas áreas podem ser dos estados (Art. *Autonomia financeira. praia não é medida em metros. só é fundamental para a defesa nacional. Não é bem da União. Praias marítimas (lei 7. Não há tamanho definido e onde tiver “areia”. executivo (Art. que em regra são bens dos estados e não da União (só sendo indispensável à defesa das fronteiras).661) (até onde começa uma outra vegetação) ou ecossistema. lhas oceânicas (distantes) e próximas. Terra devoluta: terra que não tem registro. II). *Auto-administração: administração pública estadual. Acrescido de marinha é a parte que com o passar dos anos o mar recuou (além dos 33 metros). Plataforma continental: 200 metros de profundidade e mesmo após as 200 milhas. EC 46 mudou o Art.760/46  33 metros do preamar médio de 1891. 20. IV. Terrenos de marinha # praia: decreto 9. 200. Ilhas lacustres: de lagos e fluviais nas zonas limítrofes. CF). *Auto-organização pelas constituições estaduais. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 73 . lagos e quaisquer correntes de água. É água internacional. As ilhas são da União. costeiras. 109. mas os recursos são da União.

região metropolitana: tem continuidade urbana. Ex: 40 deputados federais: 3 X 40 = 120. Bens: águas. § 3º: subdivisão dentro do estado por lei complementar estadual: os estados é que criam as regiões (microrregião: não tem continuidade urbana. áreas nas ilhas oceânicas e costeiras. 25. 25. MUNICÍPIOS: é entidade federada? Tem autonomia? *Auto-governo: poder executivo e poder legislativo. Limitação material a medida provisória estadual: MP estadual não pode tratar de serviço local de gás canalizado. Governador pode tomar posse em cargo público (concurso). 25: observar também o princípio da simetria (Art. 18. EC 46: ilhas que tinham sede dos municípios passam a ser dos estados. incorporem-se etc. Pode ter área particular em ilha. Deputado estadual ganha no máximo 75% do que ganha deputado federal. 40  12x3 = 36  28x1 = 28. 11. § 2º: serviço local que não é competência do município – exceção: exploração de gás natural é da União. Art. Se adotar a norma repetida facultativa terá que seguir a simetria. Normas repetidas obrigatórias ou normas centrais da federação. mínimo de 24 deputados estaduais e máximo de 94.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO *Art. 36 + 28 = 74. As repetidas podem ser obrigatórias (simetria) ou facultativas (ex: MP). Art. * Auto-organização: lei orgânica municipal. 45. Art. Art. mas não pode entrar em exercício. § 1º: simetria no regime jurídico dos parlamentares. Limitação ao triplo: 12 primeiros entram na regra do triplo. não tem poder judiciário. aglomerados urbanos: carente de definição ainda). ADCT). § 1º: número máximo de 70 e mínimo de 8 deputados federais. ADI – TJ: CE (norma de repetição obrigatória) X lei estadual ou lei municipal: cabe RE excepcionalmente em controle abstrato estadual (RE com efeitos diferentes do tradicional – excepcionalmente erga omnes). 28: poder executivo estadual. logo. § 3º: plebiscito + lei complementar do congresso nacional para que estados desmembrem-se. A constituição estadual possui normas próprias e normas repetidas. Art. 27: poder legislativo estadual: número de deputados estaduais. Art. a do estado é o serviço de distribuição local do gás. quem já tinha até 1988. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 74 .

Existe uma tabela em acórdãos do STF. por isso a maioria entende ser entidade federada. Julgamento do prefeito pelo TJ: penal apenas. Art. CF e Art. A única diferença dos estados é que não tem poder judiciário.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO *Auto-legislação: leis municipais. 29. Crimes federais: TRF (interpretação do STF). CE x LOM (ou outra lei municipal)  a CE não pode invadir a competência municipal ditada pela CF. 29. Em 5/10/88 quem tinha TCM permanece (só RJ e SP). após. 11 ADCT: municípios obedecem aos princípio da CE e da CF. A lei municipal não pode criar foro “privilegiado” e nem imunidade formal (autorização da Câmara Legislativa) para vereadores (inconstitucional). menos de 200 mil eleitores: 1 turno. A imunidade é civil e parlamentar. o auxílio é sempre por TCE ou TC para todos os municípios (estadual). Crime eleitoral: TRE. Art. só os crimes comuns. Nem todos os crimes serão julgados pelo TJ. dos municípios. TC emite parecer prévio sobre as contas do prefeito. CE x LOM: depende. do município. 29. II: mais de 200 mil eleitores: 2 turnos. Legislativo com o auxílio do TC: do Estado. STF entende que não cabe ao município decidir como achar conveniente o número de vereadores. não vincula. prevalece a mais restritiva no caso concreto. Subsídio dos vereadores sujeito a várias limitações (Art. TCE: órgão estadual. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 75 . VIII: inviolabilidade material (imunidade) com limitação geográfica: só em seu município. 29. Exceção: MS impetrado em face de ato de prefeito da capital (TJ – na CE e não na CF). 29. e mesmo tratando de matérias de seu município em outro lugar não está acobertado. O raciocínio não é o mesmo do da CF. Na tribuna a imunidade atinge mesmo palavras fora do exercício do mandato. Controle pelo poder legislativo e executivo (externo e interno). TCM: órgão municipal. VI e VII). A CE pode ser inconstitucional em face da CF. Dependerá caso a caso da matéria. IV: número mínimo e máximo de vereadores. 31. Políticoadministrativa não. * Auto-administração: administração pública municipal. não há liberdade de escolha do número. Dentro do município só no exercício do mandato. orçamentária e tributária. TC municípios: órgão estadual. Art. nem sempre a CE prevalecerá. *Autonomia financeira. § 4º: é vedada a criação na estrutura dos municípios. Art. mas para contrariar exige o voto de 2/3 da câmara municipal. Art.

a com competência repartidas de acordo com a predominância do interesse (geral. Tinha natureza de autarquia especial territorial. por isso. Antes de 88 não era entidade federada. Qualquer cidadão poderá pedir. partindo-se do princípio da predominância do interesse em relação a determinado assunto. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 76 . Lei Orgânica: votada em 2 turnos. Nada deve ser levado ao plano mais elevado se puder ser satisfatoriamente atendido por um plano mais baixo. 77 (maioria absoluta). Todos legislam. com parecer prévio do TCU. Art. DF tem função específica de abrigar a capital federal. não têm capacidade política. câmara territorial com competência deliberativa e não legislativa. Passou em 88 a ter natureza jurídica de pessoa jurídica de direito público interno com capacidade política (entidade federada). nem autonomia. DISTRITO FEDERAL: substituiu o antigo município neutro. várias funções dos estados no DF são mantidas pela União (cria e mantém). defensoria. REPARTIÇÃO DE COMPETÊNCIAS: Existe a necessidade de repartição de competências a fim de se evitar a ausência estatal e dupla atuação sobre um mesmo assunto (omissão e superposição – desperdício). As contas são submetidas ao Congresso Nacional. Governador nomeado pelo presidente da república após aprovação do Senado Federal.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Art. podendo. Não é entidade federada. Caso fosse criado. Lei federal (e não distrital) é que irá disciplinar. só significa que terá que pedir. não tinha capacidade política. O governo do DF otimiza esses órgãos. § 3º: não significa que a publicidade se limita a 60 dias. Caso tenha mais de 100 mil habitantes (e não eleitores) haverá Judiciário (1ª e 2ª instancias) – TJDFT e MPDFT. § 2º: criação regulada por lei complementar. tomam decisões. 31. Eleição para governador e vice-governador com as regras do Art. Vedação da divisão em municípios: competência legislativa (câmara legislativa): matéria dos estados e municípios. Não é um órgão legislativo (4 deputados federais). Disciplinado na CF por meio de técnicas de repartição de competência. Podem ser divididos em municípios. regional ou local). seria uma autarquia territorial ligado à administração direta. portanto. União: poder central. haver 2 turnos. apenas para tomar algumas decisões. com interstício mínimo de 20 dias e com 2/3 de votos. estados: poder regional e municípios: poder local. 18. TERRITÓRIOS: são ligados à União. possuem competência própria. A repartição precisa ser racional.

mais uma razão para não ser puramente utilizadas. mas de forma mista. há a intenção de esgotar e por precaução. As técnicas supra mencionam apenas União e estados (federalismo clássico) e aqui o federalismo é o tricotômico. organizada para evitar a duplicidade de esforços. mas não suficiente). 23). Arts. 22) e concorrente (para normas gerais e suplementares. Quando o estado legisla pela competência privativa por delegação sua competência é derivada e não originária e é feita por lei complementar. A primeira delas é o ponto de partida para a nossa repartição. Art. já no residual. Art. Em matéria de impostos essa foi a técnica adotada pela CF (Art. Aqui essas regras não foram utilizadas de forma pura. Assim. 21) e comum (tarefas que devem ser desempenhadas por todos os entes. deixa consignado que se algo for esquecido será da competência da União. No remanescente não há a intenção de esgotar todas as possibilidades. *Enumeração dos poderes da União e dos estados e o residual para a União. Há várias matérias em que não é possível identificar o interesse predominante (o princípio é útil. 24). Normas gerais: União. Para legislar a competência pode ser: exclusiva (não admite delegação. Competências: são as matérias que devem ser desempenhadas pelas entidades de direito público. Normas Suplementares: Estados. Art. Correlacionando as tarefas com os poderes dos entes pode-se encontrar competências: * Administrativas (materiais ou executivas) * Legislativas A competência material pode ser de dois tipos: exclusiva (tarefas que devem ser exercidas somente por um ente. Art. cooperativa. privativa (admite delegação por lei complementar. mas em princípio a União deve fazer tudo.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Técnicas formais de repartição de competências: *Enumeração dos poderes da União e o remanescente para os estados (EUA). 154). mas não o de chegada. não é competência derivada. há campos de atuação conjunta. 25 e 29 elaboração de CE e LOM. Na concorrente é competência originária do estado suplementar as normas gerais da União. *Enumeração dos poderes dos estados e o remanescente para a União (Canadá). Há 77 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . respectivamente). Eles já podem desde logo legislar naquelas matérias.

procedimento em matéria processual é concorrente. XI: processo é competência da União. parágrafo único: federalismo cooperativo. o restante é competência municipal. 24. um ente cooperando com o outro (no trânsito. Previdência social: União e Estados Art. Caso a União não legisle normas gerais. 30. II. Não podem ser aplicados os parágrafos do Art. Em regra a entidade que vai legislar é também a que vai executar. Quando se faz a repartição de competências algumas coisas são comuns. 21. Formais: observar determinada forma. Fáticos: motivos capazes de ensejar a intervenção. c: Art. os estados poderão fazê-lo integralmente. o restante é concorrente. XXIV: apenas diretrizes e bases. os estados não podem legislar supletivamente. cassação de mandatos. impeachment. no que for contrário (Art. mas isso não significa que cada um faz como quer ignorando o outro. 22. INTERVENÇÃO Sistema constitucional de solução de crises: são as medidas provisórias. XXIII. A intervenção é algo que foge à normalidade em uma situação excepcional de crise. A regra é a não intervenção.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO competência suplementar dos municípios no Art. interpretação restritiva. 24. logo. temporariedade. no entanto. Apenas alguns dispositivos podem gerar dúvidas: Art. Art. Art. salvo a matéria de dano nuclear. suspenderá a eficácia da lei estadual. Art. 23. 22. XVII: apesar de ser o DF é competência legislativa da União. está expresso. Pressupostos: fático e formal. 22. 24. estados de exceção  estado de defesa e sítio e a intervenção. na educação etc). Princípios: excepcionalidade. caso venha norma superveniente da União sobre a matéria. XX: União apenas institui diretrizes para o desenvolvimento urbano. deve-se maximizar os recursos. 225 diz que a responsabilidade ambiental é objetiva. XIII: a União institui e mantém. princípio 4º). necessidade. formalidade. 21/22 e 23/24. é competência privativa. 22. 21. que não é ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 78 . Existe uma correlação entre os Arts. necessidade. XXI e XXVII: apesar de falar em normas gerais não é competência concorrente. Art. mas não está na CF. 21. Art. na saúde. Art. XXIII: seguridade social só da União. Art.

35. hipóteses da ADI interventiva. 36. Motivos que podem levar à intervenção da União nos estados e DF. atos normais do cotidiano  estado (varia de acordo com a natureza do ato praticado. isso. § 1º. Como já houve apreciação judiciária. segundo a doutrina). A nomeação de interventor não é obrigatória (Art. Motivos: Art. 60. Existindo interventor. Motivos para intervenção dos estados nos municípios e União nos municípios em território: Art. o responsável civil pelos seus atos pode recair: atos vinculados ao objeto central da intervenção  União. Em alguns casos pode ser dispensada a apreciação do legislativo (Art. Decretada a intervenção a constituição não poderá ser emendada: Art. resolve os conflitos de interesse. 35. PODER JUDICIÁRIO – Pedro Taques 390 a. dispensa o controle do legislativo também. Há controle judicial em relação aos pressupostos formais. 36. Quanto à conveniência e oportunidade não há. Se o motivo for a coação a um dos poderes. dependerá de representação (solicitação) do poder legislativo ou poder executivo e requisição do STF. A violação a eles dá ensejo a representação interventiva (ADI interventiva). § 1º: forma geral é pelo decreto do chefe do executivo. A intervenção depende de juízo de conveniência e oportunidade do chefe do executivo.c Aristóteles divisou as três básicas funções: dentro de uma sociedade aquele ser que desempenha poder desenvolve basicamente três atribuições: cria a regra geral bem-viver nos casos concretos. VI e VII). para parte da doutrina. § 1º). IV: pressuposto específico de forma. VII  princípios constitucionais sensíveis. 36: pressupostos formais.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO única. Há uma forma geral (decreto presidencial) e outra específica. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 79 . mas em menor grau. Art. 36. 34. ela varia de acordo com o motivo. Alguns chamam também de preceitos fundamentais. 34. Outra afirma sempre haver conveniência e oportunidade por parte do cheque do executivo). terá. Art. podendo ensejar ADPF. Art. § 3º. o decreto pode depender de solicitação (conveniência e oportunidade mantidas) ou de requisição (não cabe ao executivo fazer juízo de conveniência e oportunidade. dependendo do motivo. Não há nos casos do Art.

Alexandre de Morais fala que o ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 80 . Cada uma das funções deve ser desempenhada por órgão distinto. Essa divisão orgânica é divisão científica? Ela é histórica? É histórica (luta contra o exercício hipertrofiado do poder. 1748 (Montesquieu): identificou as funções de Aristóteles e Locke e avançou. Poder significando função. Ex: a constituição da Venezuela fala da existência de cinco poderes: legislativo. é o poder que constituiu um determinado estado. cidadão e eleitoral. Poder é capacidade. É possível identificar os elementos constitutivos do estado: 1) Poder ou soberania ou organização. o poder uno (Art. coercibilidade). 4) Objetivos. São teoria que fundamenta a origem do Estado (sociedade politicamente organizada dotada de território. há a divisão orgânica de poder (não identificado por Aristóteles e Locke). Todas as nossas constituições. a partir dele. executiva (Art. Não existe outro centro de poder que possa impor a violência legítima (coação. 76) e jurisdicional (Art. mas pode mudar tendo em vista a realidade de determinado estado. 1º) se manifesta por órgãos legislativo. 92). Poder como órgão (Art.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO 1690 (Locke) igualmente identificou no ser que exerce poder dentro da sociedade desempenharia três funções também: cria. executivo. judicial. Michel Temer (Elementos do Direito Constitucional) revela três acepções do termo poder na constituição: poder significando soberania (Art. único. Esse poder é indivisível. A partir desse momento (1789) surgiu o movimento contratualistas (1762 – Rousseau): cada um abre mão de parcela dos próprios direitos e coloca sob a responsabilidade do Estado. assim. com exceção da de 1824 (adotou o poder moderador como 4º poder) adotaram a construção tripartite do poder. contra o absolutismo). Período dos contratualistas. Poder político quer dizer possibilidade de imposição da violência legítima. independente. A CF dá ao termo poder vários sentidos. parágrafo único). 44). há a função legislativa (Art. aplica e resolve os conflitos. 2) Povo (nacionais). possibilidade de impor vontade sobre vontade de terceiros. 2º). povo e objetivos). Dizia que para que nos pudéssemos voltar ao estado da natureza a sociedade se organizar e o poder deve ser exercido por um governo civil. 1º. O poder no âmbito do Estado é o poder político. dizendo que o poder não seja hipertrofiado . o poder não pode ser unipessoal com as três funções básicas. executivo e jurisdicional. A constituição francesa fala em função governativa (executiva e legislativa) e judicial. 3) Território.

Inércia: não existe jurisdição de ofício. No entanto. só o poder judiciário poder trazer a segurança jurídica (Art. O juiz não pode agir de ofício sob pena de comprometer a sua capacidade subjetiva (imparcialidade). A regra é a indeclinabilidade jurisdicional. Essa definitividade é uma imposição do princípio da segurança jurídica (Art. 5º. sobretudo a partir da declaração universal dos direitos do homem e do cidadão (1789): se uma constituição não estabelecer a divisão de poderes ele não tem constituição. Substitutividade: significa monopólio da jurisdição. só é possível após o esgotamento das vias administrativas (o STF já reconheceu que a exceção é constitucional). 129 do CPC e 209 e 156 do CPP). Significa inafastabilidade da prestação jurisdicional (princípio da indeclinabilidade jurisdicional ou direito constitucional de ação – Art. substitutividade e definitividade. Função jurisdicional: é o poder-dever do Estado de aplicar o direito ao caso concreto. Em razão disso a EC 45 estabeleceu que o processo deve ter um prazo razoável (Art. 81 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . § 1º). Definitividade: o poder judiciário tem por função aplicar a lei ao caso concreto. ou seja. observado o Art. Só o Estado tem o monopólio da violência legítima. 5º. I – sistema processual penal acusatório – separação entre quem acusa e julga. mas essa é uma exceção. 5º. Existem algumas exceções. há subtração da prestação jurisdicional: não é possível se valer da via jurisdicional antes de esgotar as vias da justiça desportiva (Art. a de inovação da ordem jurídica e fiscalização (Arts. 129. não é formalmente poder. a CF previu as funções essenciais da justiça MP e OAB (capacidade postulatória). essa aplicação deve trazer a segurança jurídica. Há exceções em que o cidadão pode exercer as suas próprias razões. Juízo arbitral é contenda que não será levada ao judiciário. caput). 217. Montesquieu criou a divisão orgânica para regrar a atuação do Estado. porque na constituição a justiça que tarda é injustiça. direito adquirido e ato jurídico perfeito). A partir da revolução francesa. Os processualistas dão o nome de definitividade à qualidade dos efeitos da sentença. mas os seus membros têm garantia de poder. A segunda exceção é o manejo do habeas data. Art. no entanto. 5º. A prestação jurisdicional é a tempo ou tempestiva.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO MP é instituição extra-poder. Essa função jurisdicional tem determinadas características: inércia. substituindo a vontade das partes com a força definitiva. Função legislativa: o órgão legislativo desempenha duas funções. XXXV). após o ajuizamento da ação o juiz possui poderes instrutórios (Arts. XXXVI – trilogia da irretroatividade: coisa julgada. de morosidade. Porque a jurisdição é inerte. Essa razoabilidade significa proibição de excesso. coisa julgada. Surge o momento constitucionalista: ofertar direitos e garantias fundamentais do cidadão e divisão orgânica de poderes. 58 e 70 a 75). 345 do CP. LXXVIII). O Estado substituindo a vontade das partes resolve os conflitos de interesse.

permitida uma única recondução por mais 2 anos. Como regra só pode ser presidente um dos ministros do STF. TRE: um por estado da federação e é composto por 7 juízes. Dos 11 ministros do STF é feito um rodízio dos que oficiarão no TSE. RS. o juiz de direito desempenha função eleitoral. 2 são desembargadores do TJ. Concurso público de provas e títulos: 2. TST (TRT – juízes do trabalho). resolver conflito de interesses de forma pragmática (ex: Michael Jackson). 2 juízes de direito de entrância especial. erro material não faz coisa julgada. STF já reconheceu que a coisa julgada não pode ofender princípios constitucionais (desapropriação superfaturada). durante o exercício da função eleitoral. em sendo assim. Não obstante. Crítica: a justiça eleitoral é federal. 2 do STJ e 2 advogados escolhidos pelo presidente da república de uma lista fornecida pelo STF.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Em regra não existem direitos fundamentais absolutos. a própria segurança jurídica não é absoluta. 1. Justiça Eleitoral As justiças especializadas são justiças federais. Um dos dois do STJ será corregedor geral eleitoral. 2 advogados escolhidos pelo presidente da república de uma lista fornecida pelo TJ e 1 representante da magistratura federal. § 3º).000 componentes entre PM e bombeiros – SP. Todos que exercem função eleitoral o fazem por mandato de 2 anos. mas em uma lei.Art. Escolha pelo presidente da república após aprovação do senado: 3. STF  STJ (justiça comum estadual – TJ – juízes de direito e federal – TRF – juízes federais). MG . STJ e TSE a constituição fala em mínimo e não um número fixo. Composição do TSE: no mínimo 7 juízes que são denominados ministros. Formas de acesso aos quadros do poder judiciário: a CF estabelece três formas de acesso. Desta feita. mas ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 82 . O judiciário não está previsto na constituição. Esses ministros são escolhidos da seguinte forma: 3 do STF. Exerce em face do princípio da delegação (a CF delega ao juiz de direito função eleitoral). 125. TSE (TRE – juízes eleitorais e juntas eleitorais) e STM (tribunal militar e auditorias militares. procuram pacificação social. a CF permite que a justiça estadual tenha justiça militar – TJ e conselho de justiça militar para estado que tenha mais de 20. é relativa. não procuram justiça. Quinto constitucional: Estrutura do poder judiciário: em razão da nossa cultura jurídica (romano-germânica) o nosso judiciário tem estrutura absolutamente complexa. Ex: revisão pro reo. o juiz de direito é servidor público federal (quem paga subsídio para o juiz eleitoral é a União). pois a justiça eleitoral não tem quadro próprio de juízes. Cultura anglo-saxônica é bem mais simples (ex: Estados Unidos). Relativização da coisa julgada.

A justiça militar da União julga além dos componentes das forças armadas. serão criados por lei para atuação em época de guerra. Auditorias militares: primeiro grau de jurisdição da justiça militar. § 3º).3 do comando da marinha. A justiça militar estadual não julga civil nunca. 1º grau de jurisdição da justiça militar estadual: conselho de justiça militar. os tribunais militares ainda não foram criados. Ela só possui jurisdição criminal. No entanto.000 existe concurso próprio para juiz auditor militar. A EC 45 inovou no tocante à justiça militar estadual: a justiça militar estadual nunca julga civis. civis pela prática de crimes militares (Decreto-lei 1001/69). O STM é composto por 15 juízes que levam o nome de ministros. 3 são advogados escolhidos pelo presidente. que em regra é juiz de direito designado pelo TJ para oficiar na auditoria militar. nos estados em que o efetivo da PM e CBM for superior a 20. A CF reconhece duas: a justiça militar da União e a das unidades federadas. A justiça militar da União é composta pelo STM. inovação. É presidido pelo juiz auditor militar. Juiz eleitoral é o juiz de direito que por delegação exerce função eleitoral. Dos 15 ministros do STM.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO quem comanda os TREs são os juízes estaduais. Composta por 2 ou 4 cidadãos e presidida pelo juiz de direito exercendo a função eleitoral. mas em zonas eleitorais. tribunais militares e auditorias militares. Afeta a inamovibilidade. no entanto. Os 5 civis podem ser natos ou naturalizados. A justiça eleitoral não é dividida em comarca. Só pode ser presidente do TRE um dos dois desembargadores do TJ. Estes 10 só poderão ser brasileiros natos (Art. 4 do comando do exército e 3 do comando da aeronáutica). também jurisdição não-criminal. 10 são militares (oficiais generais – última patente . O conselho funciona como colegiado ou singularmente. todos togados e vitalícios. os juízes poderão acompanhar as tropas militares. Junta eleitoral: a CF não fala sobre sua composição. Desses. julga atos disciplinares praticados por militar. Justiça militar dos estados possui jurisdição criminal e a partir da EC 45. Ela é presidida pelo juiz auditor militar (concurso próprio) e exerce sua função em dois órgãos distintos: conselho de justiça militar especial e conselho de justiça militar comum. Justiça Militar Conhecida como justiça castrense. ficando a cargo do Código Eleitoral. a justiça militar estadual não julga crimes dolosos contra ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 83 . ou cível (lato sensu). 12. São escolhidos pelo presidente da república e devem ter o nome aprovado pelo senado. 1 juiz auditor militar e 1 representante do MPM.

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a vida praticados por PMs contra civis. A emenda constitucionalizou a lei 9299/96. Crime militar cuja vítima for civil o julgamento será feito pelo juiz auditor militar de forma singular e não pelo conselho da justiça militar. Crime militar praticado por PM com vítima militar será julgado pelo conselho de justiça militar atuando de forma colegiada (Art. 125, § § 4º e 5º). A justiça militar estadual nunca julga crime de abuso de autoridade (lei 4898/65), quem julga é a justiça comum. A justiça militar estadual não julga crimes culposos cometidos por militares previstos no CTB, são julgados pela justiça estadual. Não existe conexão entre o crime militar e o comum, desmembra-se o julgamento. Justiça comum federal: a CF dividiu o território nacional em cinco regiões federais. Cada uma é sede de um TRF. É possível a criação de outros tribunais. Número mínimo de desembargadores federais é de 7. TRF 1ª região: sede em Brasília/DF e mais 14 estados da federação (todos do norte, centro-oeste e Minas Gerais, Bahia, Maranhão, Piauí). TRF 2ª região: sede no Rio de Janeiro/RJ. Estados são Rio de Janeiro e Espírito Santo. TRF 3ª região: sede em São Paulo/SP – São Paulo e MS. TRF 4ª região: sede em Porto Alegre – Paraná, Santa Catarina e RS. TRF 5ª região: sede em Recife – estados todos do nordeste, exceto Bahia, Maranhão e Piauí. O concurso é regional e é permitida a permuta desde que haja concordância dos respectivos tribunais. Nos estados sede de TRF (DF, SP, RJ, RS, PE) o juiz federal que oficia perante o TRE não é juiz federal de 1ª jurisdição, mas sim desembargador federal (EC 45 deu essa denominação). 1º grau de jurisdição: juiz federal, não é dividida em comarcas, foro significa seção judiciária federal. Cada estado é uma seção. A seção é divida em sub-seção judiciária federal. Justiça comum estadual: no mínimo 7 desembargadores no TJ, o número varia de acordo com o estado (número de feitos e habitantes). Nos tribunais cuja composição se faz por mais de 25 membros é possível a criação de órgão especial que é composto por no mínimo 11 e máximo 15 membros. A composição do órgão especial até a EC 45 eram os 25 mais antigos, a EC 45 disse que metade dos mais antigos e metade por eleição entre os demais membros (discutido no CNJ). 84

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O CNJ (tecnicamente correto) deveria estar na estrutura do poder judiciário (abaixo do STF e acima dos tribunais superiores). No entanto, existe uma segunda posição, de que ele é órgão do poder judiciário, no entanto não desenvolve atividade jurisdicional, por isso não pode estar dentro da estrutura (Alexandre de Morais) – Art. 92, § 2º exclui o CNJ da função jurisdicional. STJ: criado pela CF/88, mas em 1965 José Afonso da Silva escreveu artigo pela criação de um tribunal nacional para unificar decisões. É composto no mínimo de 33 ministros. Os ministros são escolhidos pelo presidente da república, mediante aprovação do senado por maioria absoluta. Até a EC 45 era maioria simples. A escolha é do presidente, no entanto, ela é vinculada a determinadas categorias (ela não é livre). Ele escolhe dentre listas fornecidas pelo STJ, diversamente do que ocorre no STF. 1/3 dentre desembargadores federais dos cinco TRFs (hoje são 11); 1/3 dentre desembargadores dos TJs; 1/3 entre advogados (5) e representantes do MP (federal ou estadual - 6). STF: composto de 11 juízes que recebem o nome de ministros. Alexandre de Morais entende que a alteração do número de ministros ofende cláusula pétrea. A escolha é livre pelo presidente da república, não é vinculada a categorias. Livre dentre brasileiros que preencham os seguintes requisitos: brasileiro nato (pois está na linha sucessória do presidente da república – Arts. 12, § 3º, 81 e 101), idade mínima de 35 anos (José Afonso da Silva fala que é quando se atinge a capacidade política absoluta – Art. 14 – que é alcançada por etapas); idade máxima de 65 anos (o cidadão tem exercer no mínimo 5 anos para se aposentar compulsoriamente) (Idade máxima para ser conselheiro do CNJ é de 66 anos, isso porque o mandato é de 2 anos permitida uma única recondução, atingindo os 70); reputação ilibada (Canotilho diz que é uma expressão “viajante” – a depender do momento); notável conhecimento jurídico (conhecimento jurídico que dispensa prova (Michel Temer diz que no mínimo tem que ser bacharel em Direito). Garantias do poder judiciário: elas têm por objetivo assegurar à instituição a necessária independência frente aos demais poderes para o exercício de suas funções, afastando pressões de qualquer natureza (Art. 2º). Essas garantias podem ser divididas em dois grupos: garantias institucionais e garantias dos membros. As institucionais, por seu turno, se dividem em: autonomia funcional, administrativa e financeira (Art. 99) e modo de escolha dos dirigentes dos tribunais (Art. 96, I, a). A garantia dos membros também se reparte em dois tipos: garantia de liberdade e de imparcialidade (Alexandre de Morais e José Afonso da Silva). As garantias de liberdade se dividem em três tipos: vitaliciedade, inamovibilidade e irredutibilidade de subsídios. Imparcialidade se reparte em vedação da atividade político-partidária, vedação de acumulação de cargos, empregos ou funções, vedação de recebimento de custas e quarentena.
GARANTIAS AUTONOMIA FUNCIONAL GARANTIAS INSTITUCIONAIS ADMINISTRATIVA

VITALICIEDADE ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE

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DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO INAMOVIBILIDADE GARANTIAS DOS MEMBROS IMPARCIALIDADE ACUMULAÇÃO DE CARGOS, GOS OU FUNÇÕES ÇÃO DE RECEBIMENTO DE CUSTAS ENTENA FINANCEIRA

IRREDUTIBILIDADE

GARANTIA DE LIBERDADE POLÍTICO-PARTIDÁRIA VEDAÇÃO DE EMPRE VEDA QUAR

Garantia institucional  autonomia: auto-governo do poder judiciário, independência do próprio órgão em relação aos demais poderes do estado (Art. 99). Havendo a violação das garantias institucionais é caso de condenação por crime de responsabilidade (Art. 85). Cabe ao próprio poder judiciário sobre os cargos que dispõem o órgão, ele é que possui legitimidade, competência legislativa para apresentar projetos de lei para dispor sobre cargos. Ele apresenta ao executivo o orçamento necessário para o ano seguinte (proposta orçamentária). Se não encaminhar no prazo estabelecido o executivo mantém a do ano anterior (respeitando a LRF – LC 101). Garantia institucional  auto-governo ou função governativa (modo de escolha dos dirigentes dos tribunais): Art. 96, I, a. Elaborar RI é exemplo do desempenho de função atípica ou secundária o judiciário. O CNJ foi criado para regrar essa função governativa. Garantia dos membros: visa a independência individual do magistrado. Garantia interna (o magistrado tem independência frente aos tribunais, há subordinação administrativa) e externa (o magistrado não deve obediência a ninguém, salvo à CF e à sua própria consciência). Garantia de liberdade  vitaliciedade: em 1º grau ela é atingida após 2 anos de efetivo exercício (estágio probatório). Existe o projeto de emenda 358/05 para passar o estágio para 3 anos. Em 2º grau ela é alcançada a partir da posse, sem qualquer lapso temporal (indicação ou 5º constitucional) – Art. 95, I. Não se confunde com estabilidade: estabilidade é para servidor público stricto sensu, estabilidade alcançada após estágio probatório de 3 anos. Com a estabilidade o servidor pode perder o cargo em razão de decisão administrativa. Vitaliciedade é só para agente político, espécie de servidor público lato sensu. Em 1º grau é adquirida em 2 anos e nos tribunais a partir da posse. Aquele que é dotado do predicativo da vitaliciedade só perde o cargo em razão de sentença judicial transitada em julgado. Abrandamento da vitaliciedade de ministro do STF – pode ser condenado por crime de responsabilidade (Art. 52 e lei 1079/50). São ofertados ao magistrado para que ele possa exercer a função com independência, sem temor de violar outros poderes, não como prerrogativa pessoal. Garantia de liberdade  inamovibilidade: não podem como regra ser removido ex officio, sem iniciativa própria, por determinação. Exceção em que poderá ser removido ex officio: interesse público com voto da maioria 86 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE

* FUNÇÕES ESSENCIAIS DA JUSTIÇA Hugo Nigro Mazili critica essa denominação dada pelo constituinte.. nessa data o MP não foi constitucionalizado. entidade pública ou privada. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 87 . Garantia de liberdade  irredutibilidade de subsídios: o magistrado não pode ter reduzido o seu subsídio porque precisa ter tranqüilidade para o exercício da jurisdição. Dessa feita. diversamente do servidor público stricto sensu. mas ao Estado como um todo. 93. Dizia que o procurador geral da república seria escolhido dentre os ministros do STF. portanto.. VIII. * Filiar-se a partido político. Os juízes militares podem ser removidos porque em guerra o juiz acompanha as tropas. Praticar atividade político-partidária em geral. 95. salvo uma de magistério (uma na faculdade. manutenção da independência. É aquela não nominal. * Receber custas ou participação em processo. seja cotista etc.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO absoluta dos membros do tribunal (alterado pela EC 45. O MP e os advogados desempenham funções não só voltadas ao Judiciário. * Receber auxílios ou contribuições de pessoa física. uma no cursinho. II e 103-B. em 1891 o MP fazia parte do Judiciário. III). 95. parágrafo único): para a manutenção da capacidade subjetiva há uma série de vedações: * Exercer outro cargo ou função. Garantias de imparcialidade (Art. Em 1832 surge o código de processo criminal do império fazia referencia ao promotor da acusação.? O STF não decidiu ainda). o subsídio não é majorado a cada período considerando-se a inflação do mês anterior. LC 64/90 estabelece prazo de filiação a magistrado diverso: até um ano antes da eleição é a regra. A irredutibilidade é jurídica e não real (STF). O CNJ também pode por interesse público remover o magistrado (Arts. A primeira constituição que tratou do MP foi a republicana de 1891. § 4º. para ele melhor seria funções essenciais ao Estado. que pode ser removido por conveniência e oportunidade (discricionariedade). era voto de 2/3). A LOMAN veda ao magistrado que participe de sociedade. para magistrados é de seis meses (desincompatibilização – renúncia ao cargo e não licença como para outros servidores públicos). MINISTÉRIO PÚBLICO Qual é a posição constitucional do MP? CF de 1824: não tratou do MP.

concluindo-se que os representantes do MP só poderiam praticar 88 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . Alguns dizem que essa foi a constituição mais democrática que tivemos. ato administrativo e ato jurisdicional (decisão em sentido lato). Muitos Estados não adotam a teoria tripartite de poder (de funções) (Venezuela. Não deve prevalecer como dogma. ou seja. mas foi constitucionalizado só no ano seguinte. que inaugurou o Estado Novo. Nessa classificação considera-se a natureza jurídica do ato praticado pelos representantes do MP. pois se originou de uma assembléia nacional constituinte (a de 1988 foi de um congresso constituinte. ela foi criada para uma realidade histórica em 1748. CF de 1937: foi uma constituição autoritária outorgada por Getúlio Vargas. França etc). Nos momentos históricos em que predominava a democracia o MP era órgão independente. o MP sem ser poder exerce função de poder e seus membros possuem garantia de poder. mas apenas uma emenda 01 à constituição de 67. Essa divisão tripartite de Montesquieu não é científica. Alexandre de Moraes denomina do MP como instituição permanente que tem as mesmas garantias dos poderes. CF de 1988: o MP não é um quarto poder porque formalmente existem apenas três poderes.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Em 1890 veio ao mundo o decreto 1030 que institucionalizou o MP. logo. o legislativo da União foi convertido em assembléia constituinte). CF de 1934: o MP estava contido no capítulo denominado: atividades de cooperação governamental. fala do órgão ao lado dos demais poderes. logo. MP acompanhado do TC. CF de 1946: redemocratização do país com eleição para presidente da república. Há na doutrina quem entenda que o MP faz parte do Executivo (minoria). A constituinte posicionou o MP fora dos três poderes da república. CF de 1969: alguns dizem que não houve constituição. Pela constituição de 1937 o MP foi esquecido. ou seja. O MP é uma instituição extra-poder. portanto volta a ser instituição independente. mas não como instituição (ditadura retira a independência do órgão). O Estado se manifesta por ato legislativo. só havia uma referência ao PGR em um artigo. Os representantes do MP não praticam atos de natureza legislativa. O MP passou a fazer parte do Executivo. o que interessa é a função e garantia dos membros de poder. não se pode aplicar a doutrina da época à nossa realidade constitucional. implicitamente o MP nessa constituição pertencia ao Executivo. nem atos com força definitiva jurisdicional. Em 1977 a nossa constituição foi emendada pela EC 07 de 1977 deixou expresso mais uma vez que o MP faria parte do Executivo (pacote de abril de 77). Para Hugo Nigro não interessa o MP ser poder. CF de 1967: o MP fazia parte do Judiciário. como verdade absoluta. Essa atividade estava contida dentro do Executivo.

O MPU se reparte em quatro categorias: MPF. mas é praxe). Com a constituição de 88 houve uma restrição à escolha do PGR. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 89 . cada estado tem sua lei complementar própria. permitindo-se uma única recondução. Alexandre de Moraes diz que o presidente pode escolher dentro de qualquer um dos ramos do MPU. só pode ser PGR membros da instituição. que é regional. em regra porque é possível que o conselho superior faça uma designação especial para atuar em outro órgão (tribunal). além de desenvolver atividades extrajudiciais. porque entende-se que será escolhido entre os membros do MPF apenas. MPM. MPF: procurador da república que oficia em regra perante o juiz federal. o seu procurador geral é o próprio PGR. O projeto de emenda 358/05 deixa isso expresso. Hoje existem aproximadamente 680 procuradores da república. Em regra lei municipal não pode tratar de MP. o que não quer dizer que o órgão faz parte do Executivo. Segundo grau de atribuição do membro do MPF: promovido a procurador regional da república que oficia em regra perante os TRFs (são 203). No entanto essa posição é minoritária. MPDFT.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO atos de natureza administrativa.625/93. MPT. Regra: além do PGR. Após é promovido a subprocurador geral da república oficiando perante o STJ e por delegação do PGR no STF (são 62). lei 8. O concurso é nacional. Membros do MPF com mais de 35 anos indicado pelo presidente e aprovado pelo senado por maioria absoluta para exercer mandato de 2 anos. à exceção do MPF. permitindo-se reconduções. A CF faz referência expressa à existência de dois MPs: MPU e MP dos estados. Justifica essa denominação afirmando que o presidente com autorização prévia precedente do senado pode afastar o PGR. diversamente do concurso para juiz federal. Dentre os subprocuradores o presidente escolhe o PGR (não é regra expressa. O chefe administrativo do MPU é o PGR. Até a CF de 1988 o presidente poderia afastá-lo ad nutum. LC 75/93 e Lei Orgânica Nacional do MP. Elaborada uma lista de 3 nomes encaminhada ao PGR para escolha para cumprir mandato de 2 anos. caso o faça será inconstitucional. todos os ramos do MPU possuem procurador geral próprio. O PGR até 1988 era escolhido livremente pelo presidente. O PGR pode afastar o PGT com autorização do conselho superior. Para José Afonso o PGR exerce investidura por prazo certo. MPT: possui o seu procurador geral do trabalho próprio. O PGR pode ser reconduzido quantas vezes o presidente quiser reconduzi-lo desde que com aprovação do senado por maioria absoluta.

I também faz referência. O STF entende que esse MP previsto nesses artigos é um MP especial. mas a LC 75 fala apenas no Senado. MPDFT: o procurador geral do MPDFT não é escolhido pelo PGR. O CNMP entendeu que o MPTCU não deve obediência ao conselho. Há um procurador geral do MP junto ao TCU. e quem oficia é membro do MPE. 127. permitindo-se uma única recondução. Ele oficia em regra perante o juiz de direito. Art. quem deveria oficiar seriam apenas os membros do MPE. É núcleo intangível super-rígido da CF. perante o TJ. projeto de emenda não poderia modificar essa condição. RO). No entanto na maioria dos estados não há essa previsão. Regra: o governador não pode afastar o PGJ. O STF disse que essa lei é constitucional. Quem faz a nomeação dos representantes do MPTC é o presidente da república (há concurso próprio). Quem oficia não é o MPE. faz parte da economia doméstica do TCU (ADIN 789/DF). RJ é possível promotor concorrer ao cargo). CF: MP é instituição permanente. Art. mas não é a posição do STF. 130. MG. mas somente com a autorização do legislativo da União (Senado Federal). Exerce mandato de 2 anos permitindo-se única recondução. em regra. para ele tem de ser a Câmara e o Senado.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO MPM: também possui o seu procurador geral próprio escolhido pelo PGR de uma lista de 3 nomes. Art. Alexandre de Moraes entende que a CF não prevê MP especial para os estados. O 1º grau de atribuição é como promotor de justiça. oficiando. 73. José Afonso não concorda. três subprocuradores gerais e quatro procuradores do MP junto ao TCU. 2º grau de atribuição é como procurador de justiça. Não faz parte do MPU nem dos estados. Pode ser procurador geral de justiça promotor ou procurador. CF: membros do MP junto aos tribunais de contas. Lei 8443/92 é a lei orgânica do MP especial junto ao TCU. é escolhido pelo presidente de uma lista de 3 nomes fornecida pela categoria para mandato de 2 anos permitida uma única recondução. MPTCE: em alguns estados já houve concurso próprio (GO. Aqui no MPDFT além do promotor de justiça a LC 75 fala em promotor de justiça adjunto. só a Assembléia Legislativa. § 2º. Pode ser afastado. Após certo tempo é promovido a procurador de justiça. mas o MP especial. MPE: é chefiado administrativamente pelo PGJ escolhido pelo governador do estado de uma lista de 3 nomes para mandato de 2 anos. Isso por dois motivos: caso se posicione o MP dentre de um dos poderes de república far-se-ia que esse poder ficasse super forte ou 90 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . é cláusula pétrea. a depender de cada estado (em GO. O STF reconheceu que se a lei/constituição estadual reconhece como um cargo próprio deve haver um concurso próprio e não compor as vagas por membros do MPE. Ele pode ser afastado mediante autorização do conselho superior.

ou seja. Funções: Função de órgão interveniente e função de órgão agente. é custus legis. democracia em um determinado momento significou governo do povo. 91 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . mas não apenas lá. igualdade e dignidade. indiretamente o MP deve ser entendido como cláusula pétrea. Segundo a doutrina o MP tem por objetivo a defesa desses quatro status. estão espraiados por todo o corpo constitucional (ex: princípio da anterioridade tributária. 127. ou seja. Enquanto interveniente o MP é o fiscal da lei (constituição). positivo e o ativo. São funções previstas no Art. Defende a ordem jurídica como fiscal da constituição. 82 do CPC elenca as intervenções do MP. pelo povo. saúde. no entanto. Incumbe-lhe a defesa da ordem jurídica. o MP protege esse status que a doutrina chama de status negativo de cidadão. Status positivo: é a exigência de que o estado preste determinadas atividades. ofendendo o controle que existe entre os três. igualdade e dignidade da pessoa humana. fiscalizando a sua indivisibilidade. 6º. 127 e melhor esclarecidas pelo Art. O cidadão tem obrigação de respeitar o que está previsto. ou seja. Essencial à função jurisdicional do estado porque o juiz é inerte. crédito do cidadão em relação ao Estado. regime democrático é muito mais do que isso. para o povo. são créditos do cidadão em face do Estado (salário. o conjunto de normas de um Estado. Em processo penal na ação penal de iniciativa privada. Status ativo: significa direito público subjetivo de natureza política que tem a pessoa humana de participar da organização do estado. inimputabilidade penal antes dos 18 anos etc). Proteção aos interesses sociais elencados no Art. educação. exercício de direitos políticos. 5º. Defesa de status constitucionais: Jellinek fala a respeito. previstos em regra no Art. o MP participa do processo eleitoral. O Art. Proteção dos direitos individuais indisponíveis. ele pode fazer tudo que não seja proibido. Status passivo é a situação oposta. O cidadão teria determinadas liberdades frente ao estado. 129 esclarece o Art. O MP tem por função a proteção dos direitos fundamentais do cidadão e os direitos fundamentais representam cláusula pétrea. os direitos fundamentais de 2ª dimensão. Como órgão agente o MP atua como advogado da sociedade. com respeito à liberdade. logo. lazer).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO hipertrofiado. deduzindo em juízo interesses da coletividade. são sujeições do cidadão às determinações legais. São quatro status: negativos. Defesa do regime democrático. Em processo civil o Art. passivos. as funções previstas são meramente exemplificativas. Topograficamente os direitos individuais estão por toda a CF. além delas existem outras. 129. Exercício de direitos políticos e a proteção da liberdade.

2. Art. É uma garantia constitucional do cidadão de só ser processado por um órgão do MP previamente estabelecido. que a indivisibilidade. * Autonomia funcional: significa que o MP é independente dos três poderes da república. É garantia de promotor isento no momento do oferecimento da denúncia a fim se evitar benefícios e perseguições. 61 da CF). Fundamentos: Art. 28 vai para a câmara de coordenação e revisão (para revisão do pedido de arquivamento do inquérito): 1ª câmara: constitucional. O princípio não impede designações na investigação (ex: GAECO e GAELD). 2ª câmara: criminal e controle externo da atividade. 5º. Os serviços auxiliares decorrem de lei própria (Art. 4. § 2º).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Princípios institucionais do MP (Art. § 1º): 1. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 92 .  princípio do promotor natural. LIII: ninguém será processado . o representante não está obrigado a denunciar. Designações de apoio ao promotor natural pelo procurador geral (a pedido do promotor ou procurador natural). 4ª câmara: meio ambiente. Garantias do MP: podem ser divididas em dois grupos: Garantias institucionais: * Autonomia administrativa: auto-governo do MP. 3. Promotor natural (agregado pela doutrina): o STF já firmou que é princípio. ela existe dentro de cada um dos ramos do MP. evitando-se promotores ou acusadores de encomenda com o objetivo de prejudicar o beneficiar o acusado. mas não no exercício das funções constitucionais. Indivisibilidade: possibilidade de livre substituição de uns pelos outros dentro do mesmo ramo do MP sem qualquer medida concreta (substabelecimento. Esse princípio está ainda no predicativo da inamovibilidade. A indicação de promotores ou procuradores é inconstitucional. O MP apresenta por meio do procurador geral a sua lei própria. 127. 5ª câmara: patrimônio público. 3ª câmara: consumidor. Contaminação virótica constitucional do CPP: entender o CPP de acordo com a CF. Como corolário dessa unidade surge outro princípio institucional. É conseqüência do princípio da unidade. Unidade: só existe um MP. Existe chefia administrativa. No MPF o Art. unidade quer dizer que no momento em que o representante do órgão fala. Assim.. Possui competência legiferante.. O representante do MP no exercício de sua função institucional deve obediência à CF e à sua consciência. É função governativa do MP. por exemplo). podem apresentar projeto de lei (Art. nenhum deles determina ordem ao MP no exercício de suas funções. quem fala é a própria instituição. Independência funcional: liberdade de auto-determinação só é encontrada no Art. Só agente político possui independência funcional. 2º e no Art. § 1º da CF. 6ª câmara: índios e minorias. Significa não existência de subordinação hierárquica. 28 do CPP é um exemplo disso. 127. 127.

a não ser que abandonem o MP. teriam direito de se candidatar e perdendo volta. No entanto aqueles que já eram do MP puderam continuar com a advocacia (Art. Projeto de emenda 358/05 irá adotar a posição de Alexandre de Moraes: possibilidade de se candidatar e voltar ao cargo do MP para aqueles que entraram após 1988 até a EC 45. * Vitaliciedade. Magistério: não se definiu uma função de magistério (faculdade. a dedicação deve ser exclusiva. afastando-se por meio de licença e não renúncia ao cargo. é um absurdo. diverso do orçamento dos outros poderes da república. a CF diz serem equivalentes. mas o STF decidiu que é de um ano). O CNMP estabeleceu que só podem ser 20h semanais apenas. Vedações: previstas no Art. Exercer advocacia (o STF decidiu que defensor público não pode advogar também). ainda que em disponibilidade. salvo uma de magistério. “salvo nos casos previstos em lei” e a LC 75 possibilitava a filiação partidária. 93 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . * Irredutibilidade de subsídios. cursinho. 168). Garantias dos membros: tudo que se aplica para a magistratura se aplica aqui. Aqueles que entraram até 1988 adotam regime anterior e podem estar filiado e se candidatar. é uma exceção (é incompatível. O CNMP estabeleceu prazo até junho/2006 para que os representantes cumpram esse dispositivo. Sendo candidato a filiação deve ser feita um ano antes das eleições (a LC 64 fala em seis meses antes. * Inamovibilidade. segundo Alexandre de Moraes. Os que entraram de 1988 até a promulgação da EC 45. § 5º.. 29 do ADCT). Aqueles que entraram após a EC 45 não podem se candidatar. Participar de sociedade na forma da lei. 128. em 88 foi criada a AGU. Exercer outra função pública. § 3º e Art. Hoje não existe mais qualquer exceção.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO * Autonomia financeira: o MP possui dotação orçamentária própria. II da CF. As suas atribuições são desempenhadas às expensas do orçamento próprio (Art. Não é a posição do TSE: o afastamento para se candidatar deve ser definitivo.. 127.). Receber honorários ou custas processuais. mas a CF permite). Exercer atividade político partidária: alterada pela EC 45. Antes havia uma exceção. Até a CF de 88 os representantes do MPF advogavam. vedando-se a advocacia por parte do MP.

A AGU faz a defesa judicial e extrajudicial da União. É imunidade material. mas existem exceções: HC. Regulada pela LC 73/93. Imunidade: inviolabilidade em razão do exercício da função. portanto. Indispensabilidade é um fator importante para a garantia dos direitos fundamentais (ampla defesa. justiça do trabalho. § 3º). ela não faz o executivo fiscal. O procurador do estado tem estabilidade após 3 anos (EC 19). CF). No entanto. exercendo função essencial (Art. São chefiados pelo procurador geral do estado. 131. 133. Pode ser dividida em advocacia pública (Art. Advocacia pública: até 1988 não existia a AGU. é muito mais que só judicial. Nomeação do procurador geral do estado (PGE) é livre do governador. não precisa ser dos quadros da AGU desde que seja brasileiro com mais de 35 anos e notável saber jurídico. O chefe da AGU é o advogado geral da União escolhido livremente pelo presidente. Em sede estadual quem faz a defesa é o procurador do estado. É a regra. então a CF/88 criou a AGU. O AGU tem status de ministro de estado. O STF suspendeu a palavra desacato que a lei estabelecia como imunidade para o advogado (ADIN 1127-8/DF). ainda assim presta serviço público relevante. Exercem a representação judicial e a consultoria das respectivas unidades federadas. não faz parte da DPU. não existe prestação jurisdicional sem advogado. ação popular (?). contraditório). a competência para julga-lo é do STF. Havia um conflito de interesses. o MPF ajuizava as ações. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 94 . A DPDF é gerida pela União. advocacia privada e defensoria pública. O Art. Orientação jurídica é orientação judicial e extrajudicial. O Art. 131). do trabalho e militar e existem pouquíssimos no Brasil. É vedado o exercício da advocacia privada aos defensores públicos. Não é irrestrita. Defensoria pública: a CF garante a defesa jurídica pela defensoria pública. Isto por uma questão histórica. 133 revela dois princípios: o da indispensabilidade do advogado e o da imunidade (material). que é reservado à procuradoria geral da Fazenda Nacional (Art. o procurador geral da Fazenda Nacional está subordinado ao AGU (LC 73). ele deve atuar nos limites da lei. juizados. O estatuto da ordem estabelece que o advogado tem imunidade no estrito cumprimento funcional. Advocacia privada: muito embora atue sem vínculo administrativo com o Estado. A DPU oficia perante a justiça federal.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO ADVOCACIA Segunda função essencial da justiça. revisão criminal. 134 fala da necessidade de criação do órgão. ela é organizada e mantida pela União.

Luxemburgo. A fiscalização dos atos emanados do Poder Executivo é decorrente do princípio da representação popular e ocorre nos âmbitos financeiro.. com a finalidade de limitar a autoridade dos reis.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Advogado constituído. o qual atende à forma federativa de Estado positivada na Constituição. Segundo a concepção de Rousseau. O STF já decidiu que o advogado dativo não tem esse direito. 71). durante a Idade Média. a comunidade elege representantes para fazê-lo (teoria da soberania). O Brasil adota o bicameralismo do tipo federativo.g. 70). Lei 1060/50 estabelece quem é hipossuficiente. mas ao final serão cobrados honorários executados pela PFN. 48) e fiscalizar (CF. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 95 . No Brasil. a soberania reside no povo que a exprime através da lei. não podendo votá-la diretamente. A fiscalização financeira e orçamentária é feita com o auxílio do Tribunal de Contas da União (CF. Nas demais esferas o sistema adotado é o unicameral. Esse sistema costuma ser adotado em países pequenos como. e. no Distrito Federal (Câmara Legislativa) e nos Municípios (Câmara de Vereadores). art. a Câmara alta e a Câmara baixa. art. contábil. o Poder Legislativo se manifesta pela conjunção da vontade das duas Casas. PODER LEGISLATIVO – Marcelo Novelino Origem: O Poder Legislativo foi concebido na Inglaterra. é utilizado nos Estados-membros (Assembléia Legislativa). operacional e patrimonial. orçamentário. Estrutura Em regra. A LC 80/94 estabelece que o defensor público tem direito a intimação pessoal e o prazo em dobro. Pelo princípio da participação: das vontades regionais e da vontade nacional (efetivada pelo Senado). uma vez que o Congresso Nacional é composto por uma Casa de representantes do povo (Câmara dos Deputados) e outra de representantes dos Estados e do Distrito Federal (Senado). Em processo criminal pessoa rica pode ser patrocinada por defensor nomeado. b) bicameral: composto por dois órgãos. o Legislativo se estrutura em dois tipos de sistemas: a) unicameral: formado por um único órgão. Advogados públicos: defensores Advogado dativo: supre a falta do defensor público. Nesta hipótese. Nos juizados especiais não há intimação pessoal nem para o defensor público. art. Funções O Poder Legislativo possui duas funções típicas: legislar (CF.

até o momento. seus próprios Ministros e o Procurador-Geral da República”. é com relação aos membros do CNJ e do CNMP. nos seguintes termos: “nas infrações penais comuns. I. é autorização para o processo de impeachment e a autorização da câmara tem natureza eminentemente ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 96 . VI) Procurador-Geral da República. nas hipóteses do art. b: “nas infrações penais comuns. V) Membros do Conselho Nacional do Ministério Público. o Vice-Presidente. se não for a competência é do STF. Se o crime de responsabilidade não for conexo com o praticado pelo Presidente. Todas as autoridades mencionadas acima . o Legislativo também exerce funções atípicas. se o crime for conexo com o praticado pelo Presidente. os membros do Congresso Nacional.além dos Deputados e Senadores – serão julgadas pelo STF no caso de crime comum. I e II) para processar e julgar. a competência será do STF (art. os membros do Congresso Nacional. o Vice-Presidente. polícia. e. inclusive os delitos eleitorais e as contravenções penais. cuja previsão consta da PEC 29/2000. o Presidente da República.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Assim como os demais poderes. art. nos crimes de responsabilidade (é uma infração político-administrativa. 52. 52. A exceção. 51. são crimes impróprios. IV e do art. CF/88. os membros do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público. A jurisprudência do STF já se consolidou no sentido de que a expressão crimes comuns abrange todas as modalidades de infrações penais. I. “c”). seus próprios Ministros e o Procurador-Geral da República”. vice e ministro de estado. 102.g.. 102. II) Ministros de Estado e Comandantes das forças armadas (antes tinham status de ministro?). As penas são a perda do cargo e inabilitação por 8 anos). Para o julgamento do presidente. as seguintes autoridades (as mais altas autoridades de cada poder): I) Presidente e Vice-Presidente da República. VII) Advogado-Geral da União (status de ministro de estado). cuja pena não é a privativa de liberdade. o Presidente da República. XIII – “organização. A Câmara e o Senado exercem função administrativa. provimento de cargos e seus serviços”. art. IV) Membros do Conselho Nacional de Justiça. O Senado tem ainda a competência exclusiva (CF. III) Ministros do STF. e. tanto nos crimes comuns e de responsabilidade será necessária autorização da câmara dos deputados com o quorum de 2/3.

DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO política. art. § 3o. não sendo necessário mais de 50%) (CF. independentemente do tamanho de sua população para legislatura de 4 anos (CF. 14. Deputados e Senadores A Câmara de Deputados é composta por representantes do povo. A renovação desta representação não é feita simultaneamente. estrangeiros e apátridas. art. Sendo crime comum o julgamento é no STF. sendo a representação distribuída proporcionalmente às correntes ideológicas (partidos políticos). Tanto que a competência para legislar é privativa da União (súmula 722/STF). Atribuições do Congresso Nacional Dentre as atribuições do Congresso Nacional estão a competência legislativa e a competência deliberativa. não há segundo turno para eleição de senador. art. 45. eleitos diretamente. Dada a autorização o julgamento nos crimes de responsabilidade será feito pelo Senado. § 1o). 14). através de escrutínio secreto (CF. art. basta que o senador seja o mais votado. b). para exercerem um mandato de oito anos. 45). em especial. 48 da Constituição da ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 97 . 22 e 24) e. art. este elegerá quatro deputados. 46. Os territórios não possuem representantes no Senado Federal. art. maiores de 35 anos (CF. 14. § 2o). Todavia. §1o). b) eleitos diretamente. A sessão legislativa é o período anual (Art. Aquela é atribuída ao Congresso para que disponha sobre todas as matérias de competência da União (CF. a natureza do crime de responsabilidade é penal. ou seja. por escrutínio secreto (CF. que corresponde à soma dos brasileiros. A paritariedade do número de Senadores se assenta no princípio federativo. duas legislaturas (CF. § 3o. Caso seja criado algum território. art. § 2o). Os Deputados são eleitos pelo sistema proporcional (CF. Ele não é ente federativo. Os Senadores são eleitos pelo sistema majoritário (maioria relativa. nenhum deles poderá ter menos de oito ou mais de setenta deputados (CF. Segundo o STF. art. maiores de 21 anos (CF. 57) e tem início em 02/02 a 17/07 e reinicia em 01/08 a 22/12 (modificado por emenda) O Senado Federal é composto por representantes dos Estados e do Distrito Federal. não deve participar da vontade nacional. art. O número de Deputados por Estado e pelo Distrito Federal será proporcional à população (e não ao número de eleitores). Se em uma determinada eleição foi eleito um Senador (um terço). VI. e quem preside esse julgamento é o presidente do STF e a pena se limitará à perda do cargo e inabilitação por 8 anos. 14). arts. na seguinte serão eleitos dois (dois terços) (CF. mas sim de forma alternada. 45. 46. VI. art. 46). inclusive de conveniência e oportunidade. que tem como uma de suas características a participação da vontade dos Estados na formação da vontade nacional. sobre as elencadas no art. sendo que cada Estado e o Distrito Federal elegerão três.

57). 14. quando houver urgência ou interesse público relevante (art. 54 da CF traz hipóteses de incompatibilidades de deputados e senadores. apesar de exercidas isoladamente. dispensando. Além das sessões legislativas ordinárias.). Na cassação do mandato. de estado de sítio e de intervenção federal e para compromisso e posse do Presidente e Vice . pelos Presidentes da Câmara e do Senado ou mediante requerimento da maioria dos membros de ambas as casas. a sanção do Presidente. É o que ocorre. 54. a perda é decidida pela casa respectiva do cassado. buscando apoio político. ou seja. Geraldo Ataliba distingue lei nacional de lei federal. também são exclusivas. ao passo que a segunda é anual (art. Competências privativas. art. Cassação e extinção do mandato: Art. com as competências da União previstas no art. § § 2º e 3º. Conforme dispõe seu parágrafo único. lei complementar poderá autorizar os Estados a legislar sobre questões específicas das matérias ali relacionadas. O objetivo é evitar que o Executivo utilize determinados cargos para que certos deputados ou senadores possam ser favorecidos. Deve-se atentar para a distinção entre legislatura e sessão legislativa. As competências atribuídas à Câmara dos Deputados (CF. militares.. pois não podem ser delegadas. O mandato poderá ser cassado quando houver a violação das incompatibilidades do Art. A competência deliberativa. As sessões legislativas extraordinárias podem ser convocadas pelo presidente do Senado Federal . parágrafo único). Ocorrem antes que a pessoa seja eleita para determinado cargo. por isso. comportam delegação ou competência suplementar. §§ 6o e 7o). previstas em lei complementar). 52). 44. art. O Art. As leis nacionais. Algumas ocorrem a partir da diplomação e outras a partir da posse. 49. por exemplo. A lei federal é a que trata de interesse exclusivo da União enquanto ente federativo (ex: lei 8112). Não se confunde com inelegibilidade (Art.em caso de decretação de estado de defesa. Trata-se de uma competência exclusiva. exercida isoladamente e que não comporta delegação.ou pelo Presidente da República. 22. CF). 57. existe a possibilidade de convocação extraordinária do Congresso Nacional para deliberar sobre determinada matéria. mas de todo o Estado (ex: CP. como as matérias são veiculadas por lei. Estão ligadas à não possibilidade de deputado ou senador após a expedição do diploma exercer determinadas funções. pela inobservância do decoro parlamentar ou pela sentença penal ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 98 . Neste caso.. A primeira tem a duração de quatro anos (art. privação da capacidade política passiva. CTN). na verdade. 55.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO República. Incompatibilidade ocorre após a eleição para um cargo. As inelegibilidades podem ser absolutas (inalistáveis e analfabetos) e relativas (parentesco. deve ser veiculada por decreto legislativo ou por resolução. apesar de serem feitas pelo congresso não tratam de interesse exclusivo da União. apesar do disposto na Constituição (“compete privativamente”. prevista no art. é exigida a sanção do Presidente da República. 51) e ao Senado Federal (CF.

art. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 99 . Nos três casos a casa do deputado ou senador irá decidir pelo voto secreto (STF já entendeu que deve ser observado no âmbito estadual) e a decisão deve ser dada por maioria absoluta. Essa análise é feita pelas comissões parlamentares que. as quais. Em se tratando de crime comum serão julgados pelo STF. § 1o). o que não impede a possibilidade de eleição para outro cargo da Mesa (art. . Na extinção do mandato não há julgamento. correspondem ao campo funcional dos Ministérios. Por isso. § 2o) e nos regimentos internos de cada uma das Casas do Congresso Nacional. II) Quanto a sua formação. 58. muitas vezes. A função de membro da Mesa das Casas legislativas é de natureza executiva (direção. polícia. As atribuições de cada comissão estão elencadas na Constituição (art. São estruturadas em função das matérias de sua competência. As comissões parlamentares foram valorizadas pela Constituição de 1988 que lhes atribuiu diversas competências. é apenas uma declaração de perda do mandato feita pela mesa da casa respectiva quando houver violação das hipóteses do Art. As comissões devem ter uma representação proporcional dos partidos ou dos blocos partidários das respectivas Casas Legislativas (CF. Mesas diretoras As mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal são os órgãos diretivos dessas Casas. compostos por um conjunto de parlamentares eleitos por seus pares para dirigir os trabalhos legislativos pelo período de dois anos. na função de órgãos técnicos. III a V. supervisão. as comissões podem ser: a) exclusivas: compostas apenas por Membros da Câmara ou do Senado. Comissões parlamentares A diversidade e complexidade das matérias a serem analisadas pelo Legislativo suscitaram a necessidade de uma especialização dentro do parlamento com o intuito de se fazer um estudo prévio e especializado das propostas apresentadas. as reuniões são dirigidas pela mesa do Senado Federal. emitem um parecer prévio para posterior apreciação do plenário. administração e execução). § 4o). a Constituição veda a recondução para o mesmo cargo na eleição imediatamente subseqüente. 58.Classificações I) Quanto a sua duração. 55. b) temporárias: extinguem-se com o fim da legislatura ou se dissolvem com o encerramento de seus trabalhos.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO condenatória definitiva. as comissões podem ser classificadas como: a) permanentes: quando permanecem mesmo após o fim das legislaturas. 57. No caso do Congresso Nacional.

2º) ter como objeto a apuração de fato determinado. art. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 100 . de Estados e de Municípios. legal. é necessário 1/3 dos deputados e 1/3 dos senadores e não 1/3 do congresso nacional. absoluta. Sua composição deverá. como a emissão de parecer sobre o veto (CF. p. entendesse por fato determinado o “acontecimento de relevante interesse para a vida pública e a ordem constitucional. fatos que se refiram exclusivamente às competências dos Estados e Municípios. dentro do possível. 62. IV) Comissões parlamentares de inquérito (CF. § 3o) a) Requisitos As comissões parlamentares de inquérito têm poderes de investigação próprios de autoridades judiciais. Os membros desta comissão são escolhidos pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal. Tratam de assuntos que devem ser decididos pelo Congresso Nacional. a periodicidade. econômica e social do país. Nos termos do § 1º do art. art. Assim.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO b) mistas: constituídas por Deputados e Senadores. § 4o) e sobre as medidas provisórias (CF. corolário do princípio federativo. Podem ser criadas pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal. 66. que estiver devidamente caracterizado no requerimento da Comissão”. desde que atendam aos seguintes requisitos: 1º) requerimento de. III) Comissão representativa do Congresso Nacional Tem por escopo representá-lo durante o período de recesso. além de outros previstos nos regimentos internos das respectivas Casas legislativas. reproduzir de forma proporcional a representação partidária. não podem ser objeto dessas comissões quando inexistir nexo causal com a gestão da coisa pública. art. devem ser fiscalizados pelos respectivos legislativos. Todavia. Michel Temer observa que “no Brasil. um terço dos membros da respectiva Casa. § 9o) ou a análise de projetos de leis financeiras (CF. Podem ser objeto de apuração todos os assuntos que estejam na competência fiscalizatória do Congresso Nacional. categórica e irremissível. haja vista a necessidade de respeito à autonomia desses entes. pelo menos. sendo mista. admite a reeleição: nas funções executivas implica necessariamente alternância” (Elementos de direito constitucional. 58. a alternância dos cargos de natureza executiva é peremptória. Fatos de interesse exclusivamente privado. em conjunto ou separadamente. art. e. na última sessão ordinária do período legislativo. § 1o). em funções puramente legislativas. 166. 3º) ter prazo certo para o seu funcionamento. Por outro lado. 35 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados. admite-se a investigação se houver interesse simultâneo da União. 128).

Além de não ser obrigado a prestar esclarecimentos. salvo em flagrante delito (“cláusula da reserva constitucional de jurisdição”). art. De acordo com a jurisprudência do STF as testemunhas também podem invocar esse privilégio e não apenas os investigados. nenhum dos poderes encontra-se acima da Constituição. O sigilo telefônico não se confunde com a inviolabilidade das comunicações telefônicas (interceptação telefônica). ainda que o fato não tenha sido concluído. busca e apreensão de documentos desde que respeite a inviolabilidade do domicílio. art. XI).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO A exigência de se ter como objeto um fato determinado não impede a apuração de outros fatos conexos ao principal. não havendo nisto qualquer ofensa ao princípio da separação dos poderes. 93. No que se refere à locução prazo certo. Em um Estado Democrático de Direito. a qual se submete à ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 101 . 5º. ou até mesmo de fatos inicialmente desconhecidos que surgirem durante a investigação. Como pressuposto de legitimação da própria resolução adotada. LXI). não são ilimitados nem absolutos. 5º. os atos das CPIs deverão ter suas razões expostas no momento da deliberação. telefônico e fiscal). 2) determinar invasão de domicílio (CF. XII) ou decretar prisão (CF. art. São conferidas a essas comissões determinadas prerrogativas para uma ampla investigação. embora bastante amplos. “Nemo tenetur se detegere: direito ao silêncio. o paciente possui o direito de não ver interpretado contra ele o seu silêncio”. sendo que os atos destas comissões também se submetem ao controle jurisdicional. apesar da possibilidade de condução coercitiva dos convocados para depor como testemunha. 5º. 1579/52). como a possibilidade de obtenção de informações junto às instituições financeiras e o acesso a dados e registros telefônicos ou fiscais (quebra dos sigilos bancário. As CPIs não podem: 1) desrespeitar o privilégio contra a auto-incriminação (CF. interceptação telefônica (CF. sendo eivados de nulidade quando destituídos de fundamentação (CF. IX). art. desde que haja aditamento do objeto inicial da CPI. art. 5º. o término desta sempre será o termo final de uma CPI. As conclusões decorrentes da investigação poderão ser encaminhadas ao Ministério Público para que este promova a responsabilidade civil ou criminal dos infratores. b) Poderes Os poderes das comissões parlamentares de inquérito. Todavia. LXIII). condução coercitiva. o STF já se manifestou no sentido de que esta não impede prorrogações sucessivas dentro da mesma legislatura (Lei n.

. a função parlamentar de investigação está naturalmente sujeita às regras e limitações que atingem o próprio órgão legislativo. não obstante. não tendo o alcance dos princípios. Direito constitucional didático. observada a competência fiscalizatória de cada Casa. que para este não há "fórmula universal apriorística". Não se pode perder de vista que as comissões parlamentares de inquérito são instrumentos de atividade do Poder Legislativo. Tais comissões possuem os mesmos requisitos e poderes atribuídos pela Constituição à CPI federal (art. Joaquim Barbosa “Já advertiu o eminente ministro Sepúlveda Pertence. c) CPI estadual e municipal. inexistindo Poder Judiciário municipal. a Câmara Legislativa do Distrito Federal e as Câmaras de Vereadores poderão instaurar suas próprias comissões para investigar fatos abrangidos por sua competência fiscalizatória. 4) Não tem poderes de medidas cautelares: determinar arrestos. em respeito ao princípio federativo. uma terceira modalidade de limitações à autonomia constitucional dos Estados: além dos grandes princípios e das vedações . de absorção compulsória .ACO 730/RJ.no ordenamento parcial dos Estados e Municípios". destinada a garantir o potencial do poder legislativo em ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 102 . CARVALHO. Min. Só ele admite a possibilidade de quebra do sigilo bancário pela CPI municipal.esses e aqueles. ao tratar do princípio da separação de poderes. 3) formular acusações e punir delitos. O autor Kildare Gonçalves cita a lição de Raul Machado Horta no sentido de que “dentro do sistema constitucional de governo. § 3º). 58. rel. implícitos ou explícitos . A competência das comissões de inquérito deve comportar-se no quadro da competência do Poder Legislativo”.. STF . sobretudo em face do que o ministro Pertence descreve como: ". Peluzo e Velloso não admitem a quebra.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO reserva constitucional de jurisdição. seqüestros etc. são. Entendo que a possibilidade de criação de comissões parlamentares de inquérito seja uma dessas normas de absorção compulsória nos estados membros.hão de acrescentar-se as normas constitucionais centrais que. sob pena de violar a separação dos poderes e as liberdades individuais. não poderiam ser criadas comissões parlamentares pela Câmara de Vereadores.com ou sem reprodução expressa . Joaquim Barbosa (STF) admitiu. o sigilo de dados telefônicos pode ser quebrado pela CPI. não podendo “substituir-se à ação dos juízes e tribunais. a criação de CPI municipal.. pois seus poderes se destinam somente à instrução do inquérito legislativo. há reserva de jurisdição. Além do Congresso Nacional. no julgamento da ADI 98 (. enquanto o sigilo telefônico não pode. as Assembléias Legislativas estaduais. o Min. para determinar procedimentos de natureza judiciária”.. sendo necessário extrair da atual Constituição o traço essencial da atual ordem. 443. para efeito de controle de constitucionalidade das normas constitucionais estaduais. Em que pese o argumento de que. Assim. p. Kildare Gonçalves. nem o conteúdo negativo das vedações.). em razão do princípio da simetria.

rel. votaram os Ministros Sepúlveda Pertence e Marco Aurélio. portanto. ainda sob a vigência da Constituição anterior e da Lei 4. são normas de eficácia plena (aplicabilidade direta. Min. do qual destaco o seguinte trecho: ". por não existir Poder Judiciário Municipal. mais longe ainda. 15/05/2002) “As CPIs estaduais não têm competência para investigar autoridades que estão submetidas a foro privilegiado federal”.ACO 730/RJ. José Delgado (D.n.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO sua função de fiscal da administração. cujo artigo 38. esta Corte tenha se manifestado pela legitimidade de criação de comissão parlamentar de inquérito por Câmara Municipal.ACO 730/RJ. Cito o RE 96049 (1ª turma 30. parece-nos indubitável que as Câmaras Municipais podem criar Comissões de Inquérito sobre fato determinado e prazo certo. Min. não sendo possível ignorar que a Constituição do Estado do Rio de Janeiro legitima a atuação da CPI em questão”. rel.ACO 730/RJ. rel. quando regularmente determinada por comissões parlamentares de inquérito. não autoriza eventual pretensão restritiva dos Estados-membros”(g. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 103 . ainda que sem tratamento legal específico.06..595/1964. além do Min. denominadas de imunidades.) não tem resultado prático. em nossa estrutura federativa. STF .. Joaquim Barbosa “. min.AgRg na PET 1611 / RO. STF . respeitados os parâmetros federal e estadual. os Ministros Carlos Velloso e Cezar Peluso (apesar deste não admitir a quebra do sigilo bancário por ela). Assim. 4º da Lei complementar 105/2001. rel. STF . No julgamento. um dos traços fundamentais da separação de poderes. Joaquim Barbosa “A quebra de sigilo bancário. Cremos. admitiram claramente a possibilidade de criação de CPI Municipal. STJ . Joaquim Barbosa “Não é de estranhar...acredito que a expressa exclusão das CPIs estaduais e municipais da redação original do projeto de lei complementar (. No sentido de impossibilidade de criação.. Garantias legislativas A constituição estabelece determinadas garantias para o Poder Legislativo com a finalidade de assegurar sua independência. continha a mesma omissão do art. por aplicação direta da Constituição federal e das normas estaduais aplicáveis. nos moldes que a Constituição Federal autoriza à Câmara e ao Senado.. hoje revogado. constitui ferramenta indispensável ao trabalho de fiscalização exercido pelos órgãos legislativos”. que. Essas garantias. Min.J. ou. imediata e integral). Min.1983. É que a possibilidade de as CPIs estaduais determinarem a quebra de sigilo permanece. o próprio Regimento Interno destas pode prever. Oscar Corrêa).). as Constituições Estaduais autorizam às Assembléias Legislativas e a Lei Orgânica dos Municípios do Estado de São Paulo autoriza às Câmaras Municipais. que é a fiscalização da administração pelo Legislativo reforçada pelos meios a ela inerentes. rel. pois não tem o condão de negar a aplicação natural da Constituição Federal sobre os poderes das CPIs. mesmo que é de todo interesse sejam elas criadas pelo legislativo municipal”. Joaquim Barbosa.

nem gozam de foro privilegiado (CF. 104 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . Gilmar Mendes (12. Para Zaffaroni e Pierangeli seria uma causa de atipicidade.ADI 2461/RJ e ADI 3208/RJ. como o § 1º do art. palavras e votos que guardem relação com o exercício do mandato parlamentar. Se o parlamentar se afastar de suas funções para ocupar outros cargos perderá a garantia.10. Há uma certa divergência doutrinária acerca da natureza jurídica desta imunidade. não se justificando mais restringir ao âmbito estadual. mesmo após o término de seu mandato. Ellen Gracie (01. palavras e votos (CF. a imunidade material só abrange os crimes praticados no exercício do mandato e na circunscrição do município. * STF .Inq.e o § 2º do art. poderá ser beneficiado pela imunidade processual. A imunidade material conferida pela CF/88 a deputados e senadores abrange as opiniões. ainda que produzidos fora do recinto da respectiva casa legislativa. Os deputados estaduais possuem as mesmas imunidades e inviolabilidades que os deputados federais. por maioria. De qualquer forma. 53). I) Imunidade material (ou absoluta. a imunidade é irrenunciável. por estar em sentido diametralmente oposto às disposições fixadas pela Constituição Federal. * STF . sendo que eles não possuem imunidade processual. das regras da Constituição Federal sobre perda de mandato . já Damásio de Jesus a qualifica como uma causa funcional de exclusão ou isenção da pena.que prescreve que a perda do mandato parlamentar será decidida por voto secreto nos casos que enuncia. No tocante aos vereadores. * A súmula 04 do STF (“não perde a imunidade parlamentar o congressista nomeado ministro de estado”) encontra-se superada. desde que relacionados à atividade parlamentar. perdurando até o término do mandato. art.que determina a aplicação. rel.944/DF. pela inconstitucionalidade de dispositivo constante de Constituição estadual. 55 . 27 . A súmula n. ou inviolabilidade). o qual prescreve que a perda do mandato de deputado estadual seria decidida por “voto aberto”. administrativa ou política) dos congressistas por suas opiniões. A imunidade material (freedom of speech) exclui qualquer responsabilidade (civil. art. A Constituição estabelece que as regras relativas às inviolabilidades e às imunidades se aplicam aos deputados estaduais. Antes da CF/88 eles não tinham nenhuma imunidade. Min.5. não deverá ser instaurado processo penal contra congressista. 27. 03 do STF (“A imunidade concedida a deputados estaduais é restrita à justiça do estado”) foi considerada superada pelo próprio Tribunal em razão do disposto no art.2003). 1.2005) O Tribunal decidiu. 29. As imunidades podem ser materiais ou formais. aos deputados estaduais. rel. § 1o da Lei Maior. penal. Caso retorne à sua função legislativa. VIII). Min.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Por ser uma garantia institucional deferida ao Poder Legislativo. Seu início ocorre com a diplomação. Nélson Hungria e Pontes de Miranda entendem ser uma causa excludente de crime.

Min. que substituiu o princípio da improcessabilidade. A suspensão só é cabível até o julgamento pelo STF. o STF deverá dar ciência aos membros da Casa à qual o parlamentar pertence. ademais. A sustação do processo. os Deputados e Senadores poderão ser processados penalmente independente de qualquer deliberação prévia da Câmara ou do Senado.Inq. não cobre as ofensas que. sejam de todo alheias à condição de Deputado ou Senador do agente”.até que deferida ou enquanto durasse a investidura parlamentar do acusado configurava empecilho temporário ao exercício da jurisdição. 53. O pedido de sustação deverá ser apreciado no prazo improrrogável de 45 dias. a "licença prévia" antes exigida caracterizava mera condição de procedibilidade. 1. a responsabilidade do agente . 1. § 1o c/c art.os congressistas. caso haja iniciativa de partido político nela representado. rel. Min. ainda quando proferidas fora do exercício formal do mandato. Após a ciência. § 3o).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO * STF . substantiva. A imunidade não abrange prisão definitiva. No caso de infrações penais comuns. voltaram a fluir a partir da publicação da EC n. a qual . pelo da processabilidade. art. Os prazos prescricionais suspensos no regime de imunidade anterior (princípio da improcessabilidade). não poderão ser presos. 2. Ao contrário da inviolabilidade ou imunidade material que elide a criminalidade do fato ou. no período compreendido entre a diplomação e o término do mandato. mas pode proteger o parlamentar no tocante ao processo penal ou à prisão . é do Supremo Tribunal Federal (CF. 53. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 105 .e. Do que resulta induvidoso independentemente de qualquer indagação sobre a eficácia temporal de emenda à Constituição . instituto de Direito Penal -. Imunidade parlamentar formal: EC 35/01: abolição da exigência de licença prévia para a instauração ou continuidade da persecução penal: aplicabilidade imediata. possível apenas na hipótese de crime praticado após a diplomação. Findo o mandato termina a prerrogativa de foro. a partir da expedição do diploma. Sepúlveda Pertence EMENTA: I. rel.344/DF. palavras e votos" do congressista. a competência para o julgamento. 35/2001. 53. 35. Com a nova regra. § 5o). 1. impedindo a instauração ou o curso do processo. § 4o). salvo em flagrante de crime inafiançável (CF. 53. contados do recebimento do pedido pela Mesa Diretora (art. por isso. em 11 de setembro de 2001. II) Imunidade formal (ou processual) A imunidade formal (freedom from arrest) não exclui o crime. a tramitação do processo poderá ser sustada pelo voto da maioria relativa de seus membros (art. nos feitos em que se aguardava a deliberação da licença prévia. § 2º).Inq. suspende a prescrição enquanto durar o mandato do parlamentar (art. Esta espécie de imunidade foi mitigada pela EC n. 102. art. I.344/DF. Sepúlveda Pertence “Malgrado a inviolabilidade alcance hoje "quaisquer opiniões. Ao receber a denúncia. pelo menos. 53. pelo conteúdo e o contexto em que perpetradas. b).a aplicabilidade imediata aos casos pendentes da norma constitucional que fez desnecessária a licença prévia da Câmara. previsto originariamente. * STF . ela é apenas para as prisões provisórias e cautelares.

. A incompatibilidade impede que o parlamentar.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Incompatibilidades e perda de mandato As incompatibilidades previstas na Constituição possuem os mesmos propósitos das garantias legislativas: preservar a autonomia do Poder Legislativo. o Vice-Presidente. Sydney Sanches O STF. rel. da CF que estabelece a competência do STF para processar e julgar originariamente. I). I. embora de caráter processual. após ter sido eleito. Esta se verifica antes da eleição. 54 da Lei Maior. não é de aplicar-se à abolição da licença prévia o entendimento . 106 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . cancelou a Súmula 394 ("Cometido o crime durante o exercício funcional. é dizer. Verificada a incompatibilidade. prevalece a competência especial por prerrogativa de função. b. função ou emprego público remunerado ou pratique determinados atos vedados pelo art.. IV e V)31 do mandato parlamentar. * STF . Min. Este dispositivo prevê ainda outros casos de cassação (incisos II e VI)30 e de extinção (incisos III. os membros do Congresso Nacional. a decisão tem efeito ex nunc. por unanimidade. prevalece ainda que o inquérito ou a ação judicial sejam iniciados após a cessação do exercício da função pública. o Deputado ou Senador sofrerá uma sanção constitucional: a perda do mandato (art. tenham reflexos mediatos ou imediatos sobre o fato delituoso anterior à sua vigência. faz-se necessário diferençar incompatibilidade de inelegibilidade. ainda que o inquérito ou a ação penal sejam iniciados após a cessação daquele exercício.não alcança aquelas pessoas que não mais exercem mandato ou cargo. 55. § 1o A competência especial por prerrogativa de função. com a possibilidade de o inelegível passar a elegível mediante a desincompatibilização.628/2002 (“Art.") por entender que o art. com redação dada pela Lei 10. o Tribunal. caso o impedimento se refira apenas a alguns cargos eletivos. De início.”) foi declarado inconstitucional pelo STF na ADI 2797. A inelegibilidade é considerada absoluta quando o impedimento eleitoral se refere a qualquer cargo eletivo e não há possibilidade de o impedido se desvencilhar da situação a tempo de concorrer ao cargo. * STF . Em seguida. 84 do CPP. relativa. 102. exerça simultaneamente um cargo.da incidência da garantia constitucional de ultraatividade da lei penal mais favorável à alteração superveniente de normas que.Inq 687-SP (QO) e Inq 881-MT (QO). relativa a atos administrativos do agente. o Presidente da República. decidiu que continuam válidos todos os atos praticados e decisões proferidas com base na Súmula 394 do STF. sendo considerado inelegível aquele que não dispõe de capacidade eleitoral passiva.já endossado pelo Tribunal . 84. Cuidando a hipótese de instituto de alcance puramente processual. nas infrações penais comuns..súmula 245: “a imunidade parlamentar não se estende ao co-réu sem essa prerrogativa”. seus próprios Ministros e o Procurador-Geral da República . por unanimidade. (Informativo 159) * O § 1º do art.

na verdade são comuns) STF STF TJ Deputado Senador Deputado Estadual Vereador CD SF AL Juiz * Segundo o STF crimes comuns abrange crimes eleitorais e penais. Autoridade Presidente Crime comum STF (autorização da CD) Crime de responsabilidade Senado (autorização da CD) Lei 1079/50: se não houver previsão na CE estadual será por um tribunal formado por 5 membros da AL + 5 do TJ e presidido pelo presidente do TJ (autorização da AL) Câmara de vereadores (Art. por voto secreto e maioria absoluta. § 2o. 6/94 introduziu um novo parágrafo (§ 4o) ao art. 55. * CF. política e moral do procedimento. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 107 . p. a perda do mandato será decidida pela Câmara dos Deputados ou pelo Senado Federal. art. Nele ficou consignado que a renúncia de congressista submetido a processo que vise ou possa levar à perda do mandato. devendo ser examinada. 451).) A Emenda Constitucional de Revisão n. ainda. “Nos casos dos incisos I. assegurada ampla defesa”.n. II e VI. terá seus efeitos suspensos até as correspondentes deliberações finais. mediante provocação da respectiva Mesa ou de partido político representado no Congresso Nacional. 55. (g. 4º do DL 201/67) Governador STJ (autorização da AL) Prefeito TJ (inclusive crimes dolosos contra a vida) ou TRF (se o crime for contra a União) ou TRE (crime eleitoral) ou TM (crime militar) sem autorização DL 201/67 (crimes de responsabilidade impróprios.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO * Kildare observa que a suspensão do processo-crime deve ser precedida do exame da conveniência pública. ou a intenção de desprestigiar o Poder Legislativo (Direito constitucional didático. a existência ou não do propósito de perseguir o congressista.

Ademais. Este é o entendimento do STF. enquanto a LO é residual. Uma não é fundamento de validade da outra. Pirâmide: 1. A EC já aprovada é incorporada à CF no mesmo nível das demais normas. Segundo ele a PEC é ato infraconstitucional. E o é o fundamento de todos os o indireto. no direito tributário existira hierarquia entre LC e LO com fundamento no Art. a LC tem matéria reservada. Cada uma delas tem o seu campo de atuação. Mas não seria um ato normativo primário segundo a regra? Michel Temer diz que é preciso diferenciar a EC da PEC. pelo quorum diferenciado (Art. o que tem que observar a CF é a proposta. Há hierarquia entre lei complementar e lei ordinária? Alguns entendem que há. como Michel Temer e Celso Bastos dizem não haver hierarquia. É aquele que tem como fundamento imediato de validade é a constituição. CF. Pontes de Miranda. Atos normativos primários. posteriormente poderá ser revogada por uma lei ordinária (lei ordinária pode revogar lei complementar neste caso – cuidado!). mas em razão do princípio da economia legislativa. quando ela determina a forma de elaboração ou o conteúdo. fundamento direto de validade são os atos fundamento indireto é a constituição. É aquele que tem como normativos primários. Uma é superior quando ela for o fundamento de validade da norma inferior. Segundo ele as normas do ordenamento não estão todas sobre o mesmo nível. Só que essa lei será apenas formalmente complementar. juntamente com a CF. ou seja. mas a constituição. existem normas superiores e outras inferiores. Excepcionalmente. ou seja. Argumentam pela posição topográfica. Mas o STJ tem várias decisões no sentido de que há hierarquia (sempre as jurisprudências se referem ao direito tributário). 59. 3. 146. São os decretos e Não há hierarquia entre normas. Manuel Gonçalves Ferreira Filho e Alexandre de Morais.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO PROCESSO LEGISLATIVO: Critério de hierarquia utilizado é o criado por Kelsen. como Geraldo Ataliba. mas de alguns ela é o direto e em outros regulamentos. Quorum de aprovação para a LO é o de maioria relativa (+ de 50% dos presentes) e para a LC é também o de maioria absoluta. Atos normativos secundários. mas não será invalidade por ser superior. A CF ela atos. Cabe à lei complementar estabelecer regras gerais de direito 108 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . A emenda se enquadra no topo da pirâmide. Isso porque o fundamento de validade de uma lei ordinária não é a lei complementar. Uma LC pode tratar de matéria de LO sem ser invalidada (o quorum foi atendido). CF/88. mas materialmente ela será ordinária. III. emenda e tratado internacional de direitos humanos aprovados por 3/5 em dois turnos. ou seja. 47) Quorum de votação para LC e LO é o de maioria absoluta (+ de 50% dos membros). Outros. princípio ou regras da CF. 2. São os atos do Art. CF.

É um verdadeiro condomínio de competências legislativas. 11. tratados internacionais comuns. CF  competência legislativa concorrente entre União. estadual e municipal) é a CF. 29 da CF diz que a LOM tem que obedecer não só os princípios da CF. LOM. estados e municípios terão lei ordinária e lei complementar. Cada ente tem suas atribuições. Com a EC 45 a competência passou ao STF. 109 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . O fundamento de validade de todas as leis (federal. Decretos estaduais e municipais. é horizontal. A União se limita a legislar normas gerais. O Art. estados e DF. Assim. ADCT). Leis estaduais e municipais. Antes da EC 45 o órgão competente julgar o conflito de LF e LE era do STJ. O processo legislativo é norma de repetição obrigatória. o que não exclui a competência suplementar dos estados. A repartição de competências. Se a União vai estabelecer as normas gerais. Quando uma matéria é reservada a lei complementar ela não pode ser tratada por nenhum outro ato normativo. parágrafo único. logo. 2. o conteúdo dela estaria subordinado ao conteúdo da CE (Art. Existe ainda uma repartição vertical de competências: Art. Leis municipais complementares e ordinárias. LOM estaria subordinada materialmente à CE. CE. determinam o conteúdo das leis ordinárias. Este é um critério isolado. logo. o conteúdo das leis estaduais está subordinado ao conteúdo da norma geral da União. Nos municípios também há uma hierarquia (pirâmide): 1. Havendo conflito entre essas leis ele será resolvido não com base no princípio da hierarquia. Decretos municipais. A questão é saber qual delas violou a CF. autonomia dos entes da federação. Igualmente a medida provisória. daí a suposta hierarquia (o STF não entende assim). ou seja. via de regra. LOM x CE: as duas teriam a mesma hierarquia em razão do princípio federativo. uma lei ordinária em nenhum caso pode tratar de assunto de lei complementar. Uma tem um conteúdo geral e a outra mais específico.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO tributário. 2. logo. 3. mas também os princípios da CE. lei delegada. 3. No âmbito estadual e municipal pirâmide é a seguinte: 1. mas com base na CF. 24.

1. Pirâmide do DF: competência híbrida. quando há a dissolução do parlamento e a convocação de novas eleições. não é inconstitucional. Em muitos parlamentarismos. era uma figura dentro do nosso presidencialismo). porém.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Se uma lei municipal viola a LOM haverá uma ilegalidade e não inconstitucionalidade. Em alguns parlamentarismos o primeiro-ministro pode editar ato normativo ad referendum do parlamento. Leis distritais ordinárias e complementares. Não existe um tribunal municipal para exercer um controle concentrado. 62). É o exercício de uma atividade atípica do Executivo. que é até pior. O Executivo não vinha encontrando resistência. Decretos distritais. Esse artigo não modificou a natureza de LO para CE. MEDIDAS PROVISÓRIAS – Robério São atos normativos editados pelo chefe do Executivo em situações de relevância e urgência. dentro das competências estaduais feito pelo TJDF. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 110 . LODF. No Brasil as MPs correspondem aos antigos decretos-leis (não eram os decretos-leis parlamentaristas. por sua vez. Requisitos da MP: relevância e urgência. No início o STF não analisava esse aspecto. têm origem nos sistemas parlamentares. Daí poderem impetrar MS (controle preventivo de constitucionalidade) em face da inobservância do processo legislativo (e não em face do conteúdo da norma). que. § 5º. equipara a LODF à CE. A lei 9868/99. 3. aplicando-se as regras de controle de constitucionalidade. Os decretos-leis eram bastante criticados e substituídos pelas MPs. Isso é incompatível com os requisitos de relevância e urgência. fica-se provisoriamente sem o órgão legislativo. por isso as sucessivas edições e reedições de MPs. Elas têm origem nos decretos-leis. Com o aumento da edição de MPs o STF passou a entender que quando presentes objetivamente os requisitos ele analisaria a constitucionalidade da MP (o problema que analisar relevância e urgência é eminentemente subjetivo). já que a redação da CF e EC 32 permitiu um abuso de MP (Art. 30. e nesse período há a autorização para o chefe do Executivo legislar provisoriamente em casos de relevância e urgência. Foi uma maneira de dizer que o STF analisaria quando bem entendesse. 2. São duas hipóteses de o Executivo legislar. Os parlamentares têm o direito público subjetivo à observância do processo legislativo. Art. com vigência temporária.

carreira e garantia dos seus membros. ela só fica suspensa. cidadania. passando a rejeição a produzir efeitos a partir de então.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Diante de tantos problemas houve uma emenda (EC 32/2001) alterando o regime das MPs (e provavelmente haverá nova alteração). impeachment. A jurisprudência do STF e a doutrina aceitam excepcionalmente a edição de MP em matéria penal que venha a beneficiar o réu. Só haverá processo legislativo na lei de conversão. O texto da MP publicado é o projeto de lei de conversão. O momento da edição da MP não revoga a lei anterior. partidos políticos e direito eleitoral. Na verdade não há um processo legislativo de MP propriamente dito porque se trata de um processo monocrático de produção e que terá efeitos de imediato. Sistema constitucional de solução de crises: a CF é o instrumento para resolver situações do dia a dia e também em situações de crise: estado de sítio. § 12). intervenção. orçamento e créditos adicionas e suplementares. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 111 . há um descompasso completo que resultou em abuso. mas deve ser encarado como uma anistia (não é porque a anistia deve passar pelo Congresso). direitos políticos. não passa a valer automaticamente. Só produzirá efeitos após a promulgação da lei de conversão (Art. 62. de defesa. * Planos plurianuais. * Deflagração do processo legislativo de conversão em lei. cassação de mandatos. Essa MP produziria efeitos diferentes. MP que traga abolitio criminis produz efeitos imediatos com alteração provisória  extinção da punibilidade  Congresso rejeita a MP  o fato volta a ser típico  é possível voltar a punir aqueles que tiveram provisoriamente a extinção da punibilidade? O STF não tem posição. A edição de uma MP gera dois efeitos: * Altera provisoriamente o direito positivo de imediato (tem força de lei). processo penal e processo civil. mas essa modificação não altera o texto da lei provisória. O texto publicado é lei provisória. Matérias vedadas à edição de MP: * Nacionalidade. a vedação tem o intuito de evitar a surpresa. É possível que o texto original da MP seja modificado pelos parlamentares durante o processo de conversão. gerando a insegurança jurídica. lei de diretrizes orçamentárias. * Organização do judiciário do MP. Parte da doutrina inclui a MP nesses instrumentos excepcionais para solucionar crises. mas foram totalmente desvirtuadas da sua natureza. Em relação ao direito penal. * Direito penal.

privativa da Câmara ou Senado. dependerá de ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 112 . mas o prazo não corre durante o período de recesso quando ela poderá se elastecer no ordenamento. Esse dispositivo comprova a existência de um rol de matérias destinadas à edição por lei complementar. 62. Corporativas – mensalidade OAB) a edição da MP é normal. Lei delegada é uma lei na qual o chefe do executivo pede ao do legislativo autorização para legislar. Há uma parte no § 1º do Art. § 1º. É possível MP estadual se a constituição do estado prever. No máximo 120 dias. Essa MP que majora ou institui tributos só produz um efeito. mas não é de repetição obrigatória. No caso dos impostos parafiscais (Sociais. IOF e imposto extraordinário). nem mesmo com a concordância do Legislativo: Art. IE. IOF. Só é tratado por lei complementar aquilo que a CF diz expressamente. obedece as regras comuns (Art. logo. Há ainda outras vedações nos Arts. especial em matéria de imposto fiscal). * Matéria já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo Congresso e pendente de sanção ou veto do presidente. o de deflagrar o processo legislativo da lei de conversão. IPI. § 2º (serviço de gás canalizado não pode ser regulamentado por MP). IEG). 150. só no ano seguinte ao da conversão produzirá efeitos. Não há posição jurisprudencial sobre a questão. § 1º: direitos individuais. o prazo poderá ser maior que 120 dias. de poupança popular ou qualquer outro ativo financeiro. Só produz efeitos no exercício financeiro seguinte se tiver sido convertida em lei até o último dia do ano em que foi editada. 68 que não consta do Art. matéria de competência exclusiva do congresso. A conseqüência é que a MP de impostos fiscais é que a sua edição não produz o primeiro efeito de alterar provisoriamente o direito positivo (à exceção da MP de impostos extra fiscais – II. IE. * Matéria reservada a lei complementar.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO * Que vise a detenção ou seqüestro de bens. IPI. Exceto os impostos extra fiscais que não obedecem ao princípio da anterioridade (II. 62. A delegação é feita por resolução do Congresso Nacional. A MP editada vale por 60 dias e pode ser prorrogada única vez por igual período (+ 60 dias) e não reeditada. É permitida a edição de MP em matéria tributária (Art. 68. pois se silenciar a matéria será de lei ordinária. não produz efeitos imediatos (no fundo é um processo legislativo diferenciado. Alguns autores dizem que matéria que é proibida a delegação também é proibida a MP. Há determinadas matérias que não podem ser legisladas monocraticamente pelo chefe do Executivo. A data da edição da MP para os impostos fiscais é contada da data da conversão. 246 (o que foi objeto de emenda entre 1995 e 11/09/2001 não pode ser regulamentado por MP) e 25. III – princípios da anterioridade e noventena). § 2º). De intervenção no domínio econômico.

É uma possibilidade de uma lei inconstitucional valer. por razões de segurança jurídica a MP poderá ser mantida. Só após analisa o mérito. que é quando começa a produzir o primeiro efeito. Sendo nulo não é possível aplicar a MP. Consolidada a MP. isto. primeiramente deverá proceder ao controle de constitucionalidade (repressivo em relação à alteração feita e preventivo em relação à lei de conversão – duplo efeito) político. O STF pode dizer que mesmo sendo inconstitucional. Passados os 120 dias e o Congresso não converte. rejeitar etc). Pode decidir por prevalecer a MP ou a lei que estava suspensa. alterar. após a emenda. e se for inconstitucional? O Congresso rejeitada por se inconstitucional e após não edita o decreto legislativo: analisar a natureza jurídica do ato inconstitucional: se o ano é nulo ou anulável (2 correntes). se consolida. Não é a mesma reedição que existia antes da EC 32. Caso o Congresso não edite o decreto legislativo no prazo de 60 dias as relações jurídicas serão conservadas (do período que vigorou a MP). ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 113 . 45 dias após a publicação e não apreciada entrará em regime de urgência – tranca a pauta de cada uma das casas subsequentemente. a lei que estava suspensa volta para o ordenamento (espécie de repristinação). mas que não pode ocorrer com base no silêncio do STF.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO quando tiver sido editada. reconhecer efeitos ao ato. emitindo parecer antes de serem apreciadas em sessão separada em cada uma das casas. O Congresso no decreto irá deliberar se para as relações jurídicas que se formaram enquanto estava em vigor uma MP (rejeitada ou expirado o prazo) e uma lei suspensa. o § 11 poderia ser aplicado. Quando o Congresso em cada uma de suas casas analisa a MP. Vedada a reedição da mesma MP na mesma sessão legislativa que fora rejeitada ou perdido a eficácia como decurso do prazo sem apreciação. Só é possível reeditar no ano seguinte. Antes da EC 32 o exame da MP era feito em sessão conjunta. Durante o prazo de validade da MP o que seria aplicado então? O Congresso nacional precisa editar decreto legislativo para regular as relações jurídicas 60 dias após escoado o prazo de validade ou rejeitada a MP. há o exame em separado na Câmara e no Senado. para fins de segurança jurídica. O prazo de 120 dias é contado da data da publicação da MP. Consolida a MP pela ausência do decreto legislativo. Inicia a votação na Câmara. Antes de ser apreciada a comissão mista de deputados e senadores (para evitar duas comissões. uma na Câmara e outra no Senado) examina (pode emendar. Sendo anulável.

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A omissão não pode levar ao reconhecimento dos efeitos jurídicos de um ato inconstitucional, assim, o silêncio do Congresso não poderia implicar validade da MP inconstitucional (opinião de Robério). Mesmo no prazo de 60 dias para a edição do decreto legislativo o Congresso poderá fazer valer a MP inconstitucional. Se o STF pode com base no Art. 27 da lei 9868 (relativizou a nulidade), porque o Congresso não poderia? Mas se este decreto legislativo vier, pode ser objeto de ADI??? Tecnicamente é um ato normativo, em tese poderia. Porém há um caráter subjetivo de conveniência e oportunidade por parte do Congresso. Todas essas questões não têm respostas, pois nunca ocorreram. O projeto de lei de conversão com alterações só produzirá efeitos após sanção ou veto (só havendo alteração do texto). Até lá continua em vigor a MP em seu texto original. A alteração do texto pode contar matéria vedada a MP durante o processo legislativo da lei de conversão? Pode, essa alteração não é aplicada de imediato, não causa surpresa, mas nem toda a matéria pode ser objeto de emenda parlamentar (não gera insegurança jurídica). Ex: matéria de lei complementar, pois MP tem status de lei ordinária; matéria privativa da Câmara e do Senado; exclusiva do Congresso (decreto legislativo, resolução) etc. Se o texto original for aprovado pelo Congresso não há necessidade de sanção ou veto do presidente. MP pode ser objeto de ADI. ADC em face de MP, em princípio pode, mas tem que haver o requisito da efetiva controvérsia judicial (pode não dar tempo – 120 dias). O simples ajuizamento da ADI não interfere na tramitação da MP no congresso. A liminar da ADI suspende o processo legislativo de conversão da MP e o primeiro efeito também. Sendo confirmada tudo se extingue. Se rejeitada a ADI volta a correr a tramitação. Se a MP for aprovada (passando a ser lei) no congresso enquanto corre a ADI é preciso emendar a inicial da ADI para incluir a lei de conversão. Os vícios da MP originária comunicam-se à lei de conversão. Sendo a MP rejeitada ou decorrido o prazo de conversão estando em curso ADI, implica perda do objeto da ADI. O STF está mudando esse posicionamento para fazer prevalecer a ADI para regular as conseqüências jurídicas do período em que vigorou a MP. A EC 32/01 conferiu validade às MPs que estavam em vigor, dispensando apreciação do Congresso. PROCESSO LEGISLATIVO – Robério Emendas: poder constituído (derivado).
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Existe hierarquia entre lei ordinária e lei complementar? Há hierarquia quando uma norma nasce da outra. A lei ordinária existe por força da CF e não de lei complementar, que também tem como fonte de existência a CF. No choque entre lei complementar e lei ordinária, parte da doutrina diz prevalecer a lei complementar por ter quorum de maioria absoluta, enquanto lei ordinária tem maioria simples. Há campo constitucional para lei complementar e para lei ordinária, determinada matéria será regulada especificamente por lei complementar. Se houver choque, significa que uma delas invadiu o campo da outra, porque as competências são delimitadas. Lei ordinária que tratou de matéria de lei complementar é inconstitucional porque deveria ser maioria absoluta e foi votada por maioria simples. Lei complementar que tratou de matéria de lei ordinária permanece no ordenamento, mas com natureza de lei ordinária, não é declarada inconstitucional (exige simples e foi por maioria absoluta), o que significa que lei ordinária posterior poderá modificar a lei complementar de natureza de lei ordinária (jurisprudência). Art. 59, parágrafo único: LC 95/98. Revogação poderá ser expressa ou implícita, mas sempre que possível o poder legislativo deve conter os artigos que serão revogados, em nome da segurança jurídica. Fases do processo legislativo: *Iniciativa: privativa, comum, concorrente ou popular. Não existe mais a iniciativa conjunta (projeto de lei de fixação dos subsídios dos ministros do STF – iniciativa era conjunta dos presidentes da Câmara, Senado, do STF e da República). Art. 61: algumas autoridades só têm iniciativa privativa (aqueles que precisam de pertinência temática). Outras têm iniciativa geral, salvo o que for de iniciativa privativa de outras. *Apreciação/Discussão: emendas parlamentares. *Votação: se aprovado há a remessa à outra casa. Se rejeitado é arquivado. A regra é que toda a tramitação legislativa se inicia na Câmara, à exceção dos projetos de iniciativa do Senado. *Revisão pela outra casa *Sanção ou veto por parte do presidente da república. Vetado volta ao Congresso. Sancionado, há a promulgação e publicação. *Promulgação *Publicação A organização do MP da União não é de iniciativa privativa do presidente, ela é concorrente entre o presidente o chefe do MPU (PGR), no mesmo sentido no âmbito estadual (Art. 128, § 5º e Art. 61, § 1º, d). 115

Cuidado!

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Iniciativa popular: 1% do eleitorado nacional distribuído em pelo menos 5 estados (0,3% em cada um deles). Prova objetiva não há iniciativa popular para emenda, mas doutrina minoritária entende ser cabível com os mesmos requisitos para a PEC. Lei 8072 (Glória Peres) não foi PL de iniciativa popular, não preencheram os requisitos, mesmo com 1 milhão de assinaturas (tem que ser revisto!). Somente um PL de financiamento habitacional popular foi recebido como iniciativa popular em 1989 e até hoje não foi votado. A CCJ suscitou se a iniciativa popular poderia versar sobre matéria de lei complementar? Pode versar sobre matéria de iniciativa privativa do presidente, STF ou outra autoridade? A CCJ da câmara decidiu em ambos os casos em parecer que a iniciativa popular pode versar sobre essas matérias, não há decisão nesse sentido em lugar algum. Nenhuma foi a juízo. A maioria da doutrina diz que não pode. E de emenda constitucional? A maioria da doutrina diz que não pode, mas uma minoria defende que sim. O projeto corre normalmente, não há nenhuma prerrogativa de minimização de exigências ou de urgência. Nos projetos de iniciativa privativa é possível emenda parlamentar? Sim, é possível desde que a emenda não implique em aumento da despesa. Em regra tudo começa na Câmara dos Deputados, só começa no Senado o que for projeto de senador ou de órgão ou comissão do Senado. A urgência pode ser constitucional (presidencial e MP) ou regimental. Urgência presidencial: presidente por iniciativa privativa ou não pode pedir urgência. Se a câmara ou Senado não se manifestarem em até 45 dias haverá trancamento da pauta (segundo caso de trancamento de pauta, o primeiro visto foi o de MP) (Art. 64, § 2º e 62, § 6º) na respectiva casa, salvo os casos em que se tenha prazo constitucional determinado. 10 dias para a Câmara apreciar as emendas do Senado. O prazo de 45 dias (urgência) não corre em recesso e em projetos de código. Projeto na Câmara: *Aprovado  Senado *Rejeitado  arquivo *Prejudicado  arquivo Projeto no Senado: *Aprovação  sanção ou veto do presidente *Alteração do projeto por emenda volta à Câmara. Se ela rejeita a alteração feita pelo senado vai direto à sanção presidencial. Isso significa que o projeto não foi aprovado em ambas as casas (é possível). *Rejeição do projeto arquivo. Há a apreciação do projeto. *Prejudicado  arquivo. O projeto não chega a ser examinado, há outro fato que prejudica o seu andamento. 116 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE

9º: os tribunais entenderam que foi caso de veto implícito. se não o faz em 48h  vice-presidente do Senado. mas o STF não admitiu. que é o presidente do congresso). Não apreciado o veto em 30 dias em sessão conjunta no Congresso  tranca a pauta (3ª hipótese de trancamento de pauta). § 2º). deverá ser sempre expresso. parágrafo. O veto deve ser sempre motivado. Caso uma MP (votação em separado) e uma urgência presidencial (votação em separado) que estão trancando a pauta estiverem na mesma casa (Senado. Decorrido o prazo de 15 dias úteis o silêncio do presidente importará sanção (sanção tácita). A rejeição do veto só poderá ocorrer por maioria absoluta. PEC não pode ser reapresentada em hipótese alguma. logo. Art. O veto poderá ser total ou parcial por inconstitucionalidade (controle preventivo político) ou contrário ao interesse público. mas a MP tranca a urgência presidencial.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO É possível uma lei não ter sido aprovada pelo plenário da Câmara ou do Senado quando é a aprovação puder se dar tão somente por comissões. Promulgação: presidente não o faz em 48h  presidente do Senado. é votada em 1º lugar (Art. Motivos são encaminhados ao presidente do Senado em 48h e o veto será examinado em sessão conjunta em 30 dias e em votação secreta (quem preside é o presidente do Senado. A terceira hipótese do veto só tranca a mesa do Congresso (a votação é conjunta). Hipótese de veto tácito (implícito): ventilado primeiramente por Teotônio Negrão quanto à vedação da aplicação do CDC e aplicação lei de ACP a determinada matéria. Onde conclui a votação envia ao presidente para sanção ou veto no prazo de 15 dias úteis. Lei 10. o projeto vai ao presidente para promulgação. 64. inciso ou alínea (texto integral). O veto parcial não pode ser de palavra ou expressão. Se nenhum deles promulga há o impedimento do exercício do poder legislativo  crime de responsabilidade de todos. tem que ser de artigo.684 (programa de parcelamento de débitos tributários). Sendo derrubado. por exemplo) qual é votada primeiro? A urgência presidencial tranca tudo com exceção do que tiver prazo constitucional  MP tem prazo constitucional. 5º. A urgência não tranca a MP. Projeto de lei rejeitado pode ser apresentado na mesma sessão legislativa se houver quorum de maioria absoluta em qualquer das casas do Congresso. § 2º e Art. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 117 . logo.

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