DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO

DIREITO CONSTITUCIONAL MARCELO NOVELINO
DIREITOS FUNDAMENTAIS: Constituição: é o conjunto de elementos que formam e organizam o Estado  sentido material: sempre existiu, desde que existe a idéia de Estado. Há estado sem constituição? Não, no sentido material. Constituição em sentido formal, escrita é uma idéia que aparece depois, o documento escrito é algo que data do século XVIII, está ligado diretamente aos direitos fundamentais. Movimento constitucionalista: adoção de constituição escrita; é um movimento que é indissociável do desenvolvimento da teoria dos direitos fundamentais, os marcos são comuns. Ambos derivam de uma necessidade, a de limitar o poder, sair do absolutismo estatal. Direitos fundamentais e direitos humanos têm conteúdos diferentes. No plano internacional a referência aos direitos fundamentais é feita como direitos humanos. No plano interno (direito positivo de um determinado estado), ou seja, no ordenamento jurídico nacional, a denominação mais adequada é de direitos fundamentais (CF/88). Os direitos fundamentais são os direitos humanos positivados no plano interno. José Afonso da Silva denomina direitos fundamentais do homem, cuja conceituação é a seguinte: são as prerrogativas e instituições que o direito positivo concretiza em garantias de uma convivência digna, livre e igual de todas as pessoas (universalidade). Não adianta apenas o ordenamento positivar os direitos, é necessário que eles sejam concretizados, torna-los prerrogativas reais do nosso dia-a-dia. São direitos, logo, exigíveis, formando uma relação jurídica obrigacional (credor – objeto – devedor). O credor é o homem, os direitos fundamentais são do homem, ser humano, e não dos animais ou da natureza. O direito ambiental ainda é um direito em que o homem está no centro, nos é que temos direito a um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Declaração dos direitos do homem e do cidadão de 1789, França: durante a discussão dessa declaração chegou-se a debater se essa declaração abrangeria as mulheres, houve inclusive uma minuta de declaração de direitos das mulheres. São direitos, não liberalidade, obrigam, só há direito quando há coercibilidade, forma de torná-lo exigível. Não são quaisquer direitos, mas os fundamentais. Sob o ponto de vista formal, direito fundamental pode ser tudo aquilo que está formalmente colocado como fundamental, tudo o que está no título II da CF. Sob o ponto de vista material, direito fundamental é aquele que possui conteúdo essencial, direito indispensável à dignidade da pessoa humana. A fundamentalidade de um direito está ligada à necessidade da vida digna do ser humano, não basta viver, o que dá o conteúdo de fundamental é a dignidade da pessoa humana. Nem tudo o que está no título II ou no Art. 5º formalmente colocado como fundamental é também materialmente fundamental. Há dispositivos no Art. 5º 1 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE

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que podem ser suprimidos sem que com isso se afete a dignidade da pessoa humana (XXI, XXIX), enquanto outros são ao mesmo tempo formal e materialmente fundamentais. Parte da doutrina considera que a cláusula pétrea do Art. 60, § 4º, IV, deve ser entendida que os direitos materialmente fundamentais são cláusulas pétreas, os formalmente não são, porque podem ser suprimidos sem afetar a vida digna. Dentre os defensores dessa corrente, está o ministro Carlos Veloso. § 2º, Art. 5º: pode-se ter direitos fundamentais, sob o ponto de vista material, em qualquer lugar da CF e não apenas no título II. O STF já reconheceu a existência de direitos fundamentais fora do Art. 5º. Pode-se ter ainda direitos fundamentais implícitos, não formalizados expressamente na CF (ex: direito à alimentação, implícito ao próprio direito à vida), no ordenamento jurídico infraconstitucional e nos tratados. Os direitos fundamentais hoje são características do Estado democrático de direito. O reconhecimento desses direitos foi fruto de um processo histórico que tem as mesmas características da adoção da constituição escrita, o movimento constitucionalista se identifica com o movimento de reconhecimento de direitos fundamentais. Os documentos mais importantes são: Magna Carta de 1215 (Magna Charta Libertatum): foi um acordo firmado entre João sem terra e os barões do reino (senhores feudais) a respeito da tributação. Foi escrita em latim arcaico. Foi anulada por um papa (Inocêncio III) antes de vencida a sua duração, que seria de 3 meses. João Sem Terra alegou que foi coagido e pleiteou sua anulação ao papa. É o primeiro documento escrito de reconhecimento de limitação do poder do monarca. A autoridade maior, o rei reconhecendo limites a seus poderes, algo muito difícil na época. Não foi escrita sob a forma de artigos ou tópicos, a doutrina é que deu certa organização. Era dirigida apenas aos homens livres do reino. Esse documento ainda influencia a nossa vida hoje, porque muitos dispositivos dela estão reproduzidos na CF. Ex: há os princípios da legalidade tributária, da vedação do confisco, razoabilidade tributária, ampla publicidade; limites; razoabilidade da sanção penal, individualização da pena, impenhorabilidade, julgamento pelos pares; HC gratuito, devido processo legal, acesso ao judiciário, celeridade, não à corrupção, globalização econômica, sem barreiras alfandegárias, princípio da reciprocidade. Petition of rights de 1628: reafirma direitos já mencionado na magna carta. Hábeas corpus amendment act de 1679: texto voltado para a liberdade de locomoção. Bill of rights de 1689: primeiro documento de origem parlamentar a disciplinar direitos fundamentais. A revolução gloriosa faz reascender o poder do parlamento. 2

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Declaração de direitos do bom povo da Virgínia de 1776: influência a constituição dos EUA, especialmente as 10 primeiras emendas da constituição norte-americana. Declaração dos direitos do homem e do cidadão francesa de 1789: é francesa, mas é dirigida a toda a sociedade, tem caráter universal e foi o primeiro documento com este caráter (universalidade). Declaração universal dos direitos do homem de 1948: adotada pela ONU no pós-guerra. Natureza jurídica: é uma recomendação da ONU, não é um tratado coercitivo, mas são direitos reconhecidos internacionalmente. É o primeiro documento internacional a disciplinar o catálogo de direitos humanos. Nenhum desses textos tem a natureza jurídica de constituição, a primeira constituição a trazer o catálogo dos direitos fundamentais não é unânime na doutrina: 1. A constituição da Bélgica de 1831; 2. A constituição brasileira de 1824; e 3. A constituição dos Estados Unidos, não a de 1787, mas no Bill of Rights (10 primeiras emendas de 1791 e não o bill of rights da Inglaterra) Características dos direitos fundamentais: 1. Historicidade: os direitos fundamentais são históricos, ou seja, como quaisquer direitos eles nascem, modificam-se, desaparecem, acompanhando a história. O conteúdo varia com a história. Eles não são imutáveis, herméticos. O que é necessário à vida humana digna se modifica com o passar da história. 2. Inalienabilidade: não têm conteúdo econômico patrimonial, não podem ser objeto de negócio jurídico. 3. Imprescritibilidade: não se perde o direito fundamental porque deixou de exercê-lo em determinado período. 4. Irrenunciabilidade: pode não exercer, mas renunciar não. 5. Personalidade: são personalíssimos, pertencem à pessoa do titular. 6. Limitalibilidade ou relatividade dos direitos fundamentais: não há direitos absolutos, todos são relativos. As próprias características supra não podem ser entendidas como absolutas. A inalienabilidade, por exemplo, pode ocorrer no direito à imagem, não é alienado, mas algum tipo de negócio jurídico sim, sem ofensa aos direitos fundamentais. BBB e os direitos fundamentais: intimidade, vida privada etc, não há ofensa, as pessoas são maiores e capazes, revertido em benefício delas mesmas, há liberdade de ir e vir, sabe da filmagem, transmissão etc. Em razão da relatividade dos direitos fundamentais não podem justificar o ilícito, justificar a irresponsabilidade civil, anular outros direitos constitucionais fundamentais.
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sabendo que eles são relativos. Ex: liberdade da mulher. e ambos devem preservá-los. 8. mais de um deles podem estar sendo exercido ao mesmo tempo. a fim de se buscar uma solução que não existe em tese. mas também um valor que a pessoa deve preservar. Em qualquer lugar do planeta deve-se ter reconhecido os direitos fundamentais. Ela pode influenciar o controle. usando dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Só é possível uma solução concreta que só vale para o caso concreto determinado. mas em uma situação fática inconstitucional. As circunstâncias fáticas vão influenciar na harmonia desses direitos. diferentemente da solução dada às antinomias entre as leis (solução abstratamente prevista). 7. Vedação ao retrocesso: não é possível retroceder nas conquistas já sentidas pela sociedade. deve-se usar o princípio da hermenêutica da harmonização. não é possível sobrepor uma cultura a outra. princípio da concordância prática. a liberdade. A lei pode ser em abstrato constitucional. O que para uma agride para outra é costume. pois o Estado deve conceder ao menos a opção às pessoas. A imposição de determinado estilo de vida em um país pode não ser compatível aos direitos fundamentais. objeto e devedor  homem. Uma minoria é adepta do relativismo cultural. não existe a aplicação do “tudo ou nada” (expressão de Ronald Dworking). Não há apenas a perspectiva subjetiva (direito). a igualdade etc. A vida. Não é aceita pela maioria. Subjetiva: sob este ponto de vista eles são verdadeiros direitos que escondem uma relação jurídica obrigacional. Ela não é só um direito seu. mas é preciso considerar a realidade fática.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO É possível a colisão entre os direitos fundamentais. Universalidade: para a maior parte da doutrina os direitos fundamentais são universais. um pode preponderar sobre o outro. Não há hipótese de solução abstrata na colisão de direitos fundamentais. dignidade e Estado. 2. Concorrência: acumulação de direitos fundamentais. segundo o modelo clássico: credor. Eficácia dos direitos fundamentais: ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 4 . ou seja. Objetiva: vislumbram-se valores e não direitos. Resolve-se com a ponderação de interesses (livro de Daniel Sarmento). O estudo do controle de constitucionalidade pressupõe não só a lei em abstrato. A vida é um valor que deve ser respeitado por cada um individualmente. mas nenhum deles será extinto. Há uma ponderação de interesses constitucionais. 9. Depende do interesse público em questão. Perspectivas nas quais os direitos fundamentais podem ser entendidos: 1. Divergência entre os universalistas e os multiculturalistas. além de direito é um valor da sociedade e do Estado. Os valores mais importantes de uma sociedade são a vida.

Ex: declaração da ONU. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 5 . CF (todos nós somos credores e devedores do direito à educação). Ex: direito à propriedade. ele tem também a função de proteção em face dos demais seres humanos. 4. Funções dos direitos fundamentais: é uma classificação de Canotilho. igualdade etc. uma abstenção: não tirar a liberdade. além de serem aplicados também nas relações privadas. Estado do bem-estar social (welfare state). Art. a fim de garantir condições mínimas para as pessoas. a tolerância. O homem tem também deveres fundamentais porque os direitos fundamentais têm um valor que deve ser respeitado. Não discriminação: função de promoção da igualdade. ou seja. É uma função muito ligada a uma obrigação de não-fazer. Direitos civis e políticos. mas também a necessidade de um Estado-providência. 2. obrigações de fazer. Estão ligados ao modelo de Estado que a revolução francesa admitiu – Estado liberal. garantir os direitos das minorias. Horizontal: eficácia entre iguais. 205. Art. Art. CF. É exigido do Estado uma obrigação de não-fazer. entre particulares. logo. De defesa ou de liberdade: exige-se que o Estado se abstenha de invadir a esfera do cidadão. a propriedade etc. 3. 1ª Geração: num primeiro momento surgiram com a Revolução Francesa na declaração de 1789. 1. De prestação: garantir às pessoas determinadas prestações positivas. presente nas relações entre o cidadão e o Estado. XXXIX. relações de direito público. O Estado é o principal devedor dos direitos fundamentais. que é a material. logo. Os direitos fundamentais podem ser ainda classificados em gerações. Os direitos fundamentais devem garantir o pluralismo. não só o Estado. a vida. Ligado à idéia de direitos negativos. O poder era absoluto e o liberal torna o Estado “mínimo”. poder judiciário etc). Estado abstencionista (aquele que não interfere na vida das pessoas). institui penas. aplicáveis nas relações de direito privado. LIBERDADE. o seu papel é que vai revelar quais são os direitos reconhecidos. ele tem que dar essa garantia por meio de mecanismos (polícia administrativa e judiciária. 225. De proteção perante terceiros: outras pessoas também podem violar os direitos fundamentais. momentos históricos em que direitos com determinadas características são tidos como fundamentais.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Vertical: é a clássica. Isso porque o Estado pode ser o inimigo (Leviatã). O capitalismo estava em risco e alguns direitos fundamentais deveriam não mais ser apenas os de não-fazer. 2ª Geração: a revolução industrial no século XIX modificou a situação até então estabelecida.

12 e ss CF). os direitos fundamentais também têm que ser. 4º VI CF. Direitos a Nacionalidade e Políticos (Art. Paulo Bonavides. Tem o Estado que fazer prestações positivas. porque exigem uma abstenção do Estado.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO ajudando. já falam na 4ª geração. As três gerações não se excluem. à informação etc. Transforma um valor em norma. 3ª Geração: ainda no século XX. há uma soma e não uma substituição. nacionais e políticos. direitos das minorias. mas as ameaças à dignidade humana ultrapassam essas fronteiras. entre eles. exigem uma atuação do Estado (prestações materiais e judiciais). * Direitos a prestações (ou prestacionais) – atitude positiva do Estado. até então uma decisão judicial envolvida um autor e um réu. É mais adequado utilizar dimensões de direitos fundamentais. só que as ameaças à vida humana digna passa a não mais ser individualizável. vários autores. sociais. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 6 . IGUALDADE. o titular dos direitos de 1ª e 2ª gerações era tido apenas como sujeito individual. a partir daí a decisão judicial influencia uma coletividade. Essa dimensão é reconhecida. assim. Surgiu a 3ª geração. Surgem os direitos sociais. aumentando significativamente a importância do judiciário (ACP). FRATERNIDADE. patrimônio cultural. culturais. que são os direitos ligados à titularidade difusa ou coletiva (não tem titularidade determinada. econômicos. Direitos e Garantias – (diferença) Rui Barbosa Direitos: são disposições declaratórias que imprimem existência legal de valores reconhecidos e declarados no plano normativo. 6º CF).ligados à liberdade do individuo. obrigações de fazer. Até a 3ª geração elas consideram as fronteiras estatais. coletivos. e por isso a utilização do termo geração é criticada pela doutrina. pertencem a um grupo indeterminados): ambiente. direitos do consumidor (rol exemplificativo). Direitos Individuais. tem caráter negativo. Classificação com base na CF/88: Direitos fundamentais – é gênero (Titulo II CF) : direitos individuais. democracia plena em sentido global. Direitos Coletivos. Os direitos são prestações positivas. é uma forma de universalizar os direitos fundamentais. Direitos 5ª geração (Paulo Bonavides): direito a paz – art. Direitos Sociais (art. que são direitos ligados à globalização. direito ao pluralismo. Classificação inspirada no autor alemão JELLINEK: * Direitos de defesa . As ameaças são globais. Consagra o princípio da solidariedade. Por isso. Modificação do papel do poder judiciário. * Direito de participação – tem tanto caráter positivo como negativo.

DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Garantias: são disposições assecuratórias que protegem os direitos em face do Poder do Estado. assistência e previdência -. 10 e 11). ciência e tecnologia. que está limitado pelo orçamento de que dispõe. do Estado que deixa de ser liberal. O preâmbulo da CF já assegura o bem-estar social. criança. São direitos que exigem a implementação de políticas públicas para a concretização. Os direitos sociais nascem no início do século XX. O Art. Isso não impediu que a partir de 90 até hoje a presença de emendas neo-liberais (crescimento do 3º setor e do mercado – 2º setor). aquilo que o dinheiro disponível permite (limite máximo). não são apenas os Remédios Constitucionais. para ser um Estado de bem-estar social. e em primeiro lugar. mas não delimita em que consistem. É uma disposição geral. porque também os não cidadãos poderão usufruir. São um meio de proteção dos direitos substanciais. 6º e um detalhamento no título “Da ordem social” (seguridade . demandando ainda mais custos para o Estado. mas parte da doutrina denomina “do cidadão”. o que não é tecnicamente exato. idoso. Principio da Legalidade. 8º. Direitos sociais do trabalhador: direitos individuais (Art. DIREITOS SOCIAIS Os direitos sociais podem ser divididos em dois grandes grupos sistematizados: Direitos sociais do cidadão: enunciados no Art. greve. são direitos positivos de 2ª dimensão. abrange outros valores. Melhor seria denominar direitos gerais. 170 assegura a todos existência digna com base na justiça social. Principio do Devido Processo Legal. 6º é uma disposição declaratória. bem como ao princípio do mínimo existencial (limite mínimo). e deixar para a livre negociação). uma proposta de diminuição do papel do Estado. Arts. educação. a exemplo da flexibilização da legislação trabalhista (acabar com os direitos mínimos do trabalhador. 9º. diz que há o direito. Vários dos direitos sociais previstos estão sendo repassados ao particular. voltada a uma obrigação de fazer e dar por parte do Estado. Todos os princípios processuais são garantias. participação e representação. índios). ele assegura o exercício dos direitos sociais para só depois citar os individuais. 193. o conteúdo e alcance 7 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . diferentemente dos de 1ª dimensão. Além disso. cultura. que tem como característica atender às necessidades do cidadão. isso demonstra uma opção do constituinte pela maior preocupação com o social em face do individual. O Art. no Art. o fato de a CF ter previsto títulos específicos para tratar do social é prova do modelo de bem-estar social da CF/88. que se desincumbe do ônus de promover sozinho o bem-estar social. adolescente. desporto. família.saúde. Ex: hábeas corpus. 7º) e direitos coletivos (associação. comunicação social. Todos eles serão usufruídos por qualquer cidadão. ou seja. meio ambiente. Observância do princípio da reserva do possível. O bem-estar social também está expresso na parte dogmática da CF.

alguns deles já estão no título da ordem social da própria CF. industrial ou prestação de serviços em geral o trabalhador é urbano. retornando a lei revogada e assim por diante. Para fins do Art. até chegar a um ponto que fica sem lei alguma no ordenamento sobre o tema. Quando há a delimitação dos direitos a serem implementados por políticas públicas o judiciário poderá interferir. Por outro lado. Ou seja. A lei que fixa o salário mínimo é constitucional? Atende ao que constitucionalmente o salário mínimo tem que atender? Apreciação judicial do valor do salário mínimo: se o STF declara a constitucionalidade da lei que fixa o salário mínimo a lei desaparece. O STF já disse que não cabe ADI por omissão. 7º traz os direitos constitucionais do trabalhador. Nestes a legislação infraconstitucional. Não significa que o judiciário poderá interferir em todo e qualquer mérito administrativo.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO desses direitos terão que ser detalhados. Se a atividade é comercial. tornando-se o mesmo para ambos. o trabalho deixa de ser doméstico. Isso não é fixar salário mínimo estadual. em razão da delimitação em tema de implementação de políticas públicas (reserva do possível e mínimo existencial). Não pode fazer lei fixando o salário mínimo. Trabalhador urbano e trabalhador rural: a diferenciação tem a ver com a natureza da atividade laboral e não o lugar em que o trabalho é prestado. Salário mínimo: nacionalmente unificado. as decisões já vistas em controle são no sentido de que esse tema é afeto ao executivo e legislativo apenas. a jurisprudência e discussões de políticas públicas terão discricionariedade bem maior. mas que foi modificado. O Art. Ele não é exaustivo. sem finalidade lucrativa. 7º não há qualquer diferença de tratamento jurídico entre o trabalhador rural e urbano. 7º diz que nem todos os direitos ali previstos poderão ser usufruídos pelos domésticos. só atende a determinada categoria profissional. O Art. na verdade. Efetivamente o estado não pode fixar salário mínimo. Não se confunde o piso salarial estadual do serviço público (não se dirige aos celetistas) com o salário mínimo. se a atividade é agropastoril o trabalhador e rural. não importando o lugar. mas a jurisprudência admite que lei estadual pode fixar pisos estaduais para categorias profissionais que não tenham esse piso fixado em lei federal. o ato administrativo que se diz discricionário. A partir do momento que o trabalho dele fica caracterizado como auxílio da atividade lucrativa do empregador. acordo ou convenção coletiva de trabalho. além de outros na própria CF e na legislação ordinária. somente negativo. 7º funciona como um parâmetro mínimo de direitos sociais individuais do trabalhador. Existia uma exceção tocante ao prazo prescricional. O âmbito de discricionariedade nas políticas públicas dos direitos detalhados na CF é muito menor do que o daqueles não descritos na CF. Mas há um outro tipo de direito social que não está detalhado na CF (ex: direito à moradia). os direitos existem. na verdade se torna vinculado. escapando ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 8 . O parágrafo único do Art. O STF não atua como legislador positivo (em regra só o parlamento). não obstante a conveniência e oportunidade (mérito administrativo). O trabalhador doméstico é aquele que trabalha nas tarefas de auxílio ao lar.

o reajuste se dá pelos índices judiciais. ninguém quer abrir mão do conforto da automação. Proteção em face da automação na forma da lei: também trata de ação afirmativa. E do ponto de vista sistemático. A ADPF pode servir de instrumento para a discussão do salário mínimo. O Estado só pode exigir o registro de sindicatos. É preciso dar tratamento diferenciado aos desiguais para assegurar a igualdade material. Trabalho do menor de 14 anos: criança que atua em teatro.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO pela tangente. 170. O salário de servidor público não pode ser fixado em salário mínimo. e se o poder de compra do salário mínimo diminui. e a partir dela. O ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 9 . Há a indicação do mínimo existencial na “preservação do poder aquisitivo”. buscando saber qual é a finalidade da norma. VIII). novelas etc. A mulher não tem as mesmas oportunidades no mercado de trabalho (no serviço público não tem mais sentido. A análise do inciso XXXIII tem que ser feita de forma teleológica. significa retrocessão. Ação afirmativa é dar a uma minoria tratamento formal diferenciado para assegurar a igualdade material. o pleno emprego é utopia. o STF já admitiu (informativo 264). dando alguns postos com alta qualificação. Até porque não se pode retroceder nos direitos fundamentais. as mesmas oportunidades. a ação afirmativa tem que desaparecer (tem como característica a temporariedade). o STF não admite. O salário mínimo não pode servir para a correção do valor da decisão a diante. Na mesma base territorial (não inferior ao tamanho de um município) só pode existir um sindicato de empregador e de trabalhador. sob pena de perpetuar as desigualdades regionais. Nas decisões judiciais que fixam algo em salário mínimo o que diz o STF é que o valor é considerado no dia da decisão. Atingida a igualdade de oportunidades. é o mínimo para preservar o poder aquisitivo. discute-se isso em relação ao parlamento). O ser humano está se tornando minoria quando em competição com a máquina (Art. Proteção do mercado de trabalho da mulher: ação afirmativa é uma tentativa de concretização do princípio da igualdade. frustrando objetivo fundamental da república. sendo que o aumento terá que observar o princípio da reserva do possível. mas não submeter a autorização. Ao menos a inflação do período terá que reajustar. A automação acaba com milhares postos de emprego de pouca qualificação. não é possível tratar ou aplicar a lei de forma igual para quem é desigual no mundo real. de acordo com o que é possível aumentar. O salário mínimo terá reajustes periódicos que preservem o poder aquisitivo. É questão difícil. Minoria em oportunidade e não em quantidade. A igualdade formal é relativa e não absoluta. A igualdade que a CF/88 quer é a igualdade material. A lei não pode tratar diferentemente as pessoas e nem ser aplicada diferentemente às pessoas (igualdade formal). há a liberdade de manifestação artística. por isso se justifica o tratamento diferenciado na CF.

Tanto a rede pública quanto a privada são serviços de relevância. e aos militares. por exemplo). Se os estados e municípios não aplicam o mínimo existencial em saúde previsto constitucionalmente. mas a doutrina alerta que a saúde tem projeções difusas. logo. Em princípio seria um direito difuso. A saúde é um sistema único. isso é ensino. ele terá o direito de receber indenização referente à remuneração que teria no período em que perduraria sua imunidade (STF). Em uma clínica privada pode-se ter atendimentos particulares ou públicos. pode ser uma manifestação de apoio etc. depende de lei. O devedor do direito à educação é o Estado. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 10 . DA ORDEM SOCIAL Saúde: é direito de todos. Educação: todos são credores do direito à educação. há uma projeção difusa. além de o administrador responder (LRF). A empresa que tem mais de duzentos trabalhadores terá um representante. Na rede pública é prestada diretamente ou por terceiros (convênios) (SUS). a família e a sociedade. para os servidores públicos. a imunidade do líder sindical não é estendida a ele. Não se pode restringir educação a sala de aula e professor. Para garantir esse direito o Estado tem que se valer de políticas sociais e econômicas. o serviço deve ser gratuito. respeito às atividades essenciais. Nós somos credores e devedores ao mesmo tempo desse direito. Se o trabalho for paralisado pelo empregador é chamado de lock out. Dirigente sindical e estabilidade provisória: caso a empresa feche. ao contrário da educação. além de outras fontes (CPMF. dá margem à intervenção da União no estado ou do estado no município. é vedado. em razão de convênio.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO sindicato tem legitimidade para a defesa dos direitos e interesses coletivos. O acesso é universal e igualitário. O SUS é financiado pelo orçamento da seguridade social dos entes. no mercado interno é vedada a comercialização. Greve: abstenção coletiva do trabalho. sem que seja por motivo de força maior. não necessariamente ela será reivindicatória. A educação é todo processo de aprendizado do ser humano e que inclui o ensino. as políticas devem em primeiro lugar. ou individuais da categoria. que serão remunerados pelo SUS. independentemente de contribuição. O atendimento do SUS tem que ser integral. coletivas e individuais. coletiva e individual. É um direito não absoluto. O governo pode comprar no mercado externo hemoderivados para abastecer o SUS. A tônica principal do direito à saúde é a prevenção. reduzir os riscos a doenças. Há crime de abandono intelectual. Aos particulares o direito é auto-aplicável. O trabalhador decide quando e porque fará a greve.

Hoje as crianças já devem estar na escola a partir dos 6 anos e não 7. há violação a esse acesso constitucionalmente previsto? Alguns entendem que sim e são contrários às quotas. Liberdade de cátedra é a liberdade de ensinar e está prevista no Art. mas será progressivamente universalizado e gratuito. a fim de evitar a “neo-escravidão”. a CF não deixou qualquer discricionariedade para o legislador e administrador. Acesso e permanência do educando na escola diretamente ligado ao inciso VII do Art. não é mais até a 8ª série. Ações afirmativas: quotas para minorias terem acesso às universidades. de pensar. A educação é fundamental para o pleno desenvolvimento da pessoa. A LEI MUDOU. 208. é preciso demonstrar capacidade dentro do grupo concorrente. As formas modernas de neo-escravidão não têm a ver com a liberdade objetiva.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Os objetivos são: o pleno desenvolvimento da pessoa. por exemplo. O estado irá cumprir assegurando o ensino fundamental obrigatório e gratuito (1ª ao 9º ano! Mudou. Não é todo e qualquer ato de dirigente de rede privada que cabe MS. O ensino privado precisa ser autorizado e avaliado pelo poder público. Preferencialmente as pessoas portadoras de necessidades especiais deverão ter atendimento educacional na rede regular de ensino em nome do pluralismo e inclusão social. O acesso é meritocrático. mas têm relação com a liberdade subjetiva. II. A universidade é para quem tem capacidade. vocação profissional e não para todos. A autoridade pública por equiparação se dá por delegação e não por autorização. O pleno desenvolvimento da pessoa está ligado à idéia de liberdade. a reserva do possível nunca poderá ser argumento para o não oferecimento desse direito. no ensino haverá rede pública regular (não onerosa) e rede privada. porque mesmo quem entra por quotas. O cidadão brasileiro tem que educação suficiente para saber o que irá fazer ao votar. saber o que é sistema proporcional e majoritário. É direito público subjetivo. com manipulação do pensamento das pessoas. 206. a verdadeira mudança foi apenas para a rede pública. com base na capacidade. De acordo com a jurisprudência assente MS contra ato de dirigente de estabelecimento particular de ensino. Assim como na saúde. atingindo uma nota mínima para o ingresso. mas apenas de autorização. Outros defendem dizendo que não infringe. A universidade não é o único caminho para a evolução da sociedade. Mas na CF não há previsão de delegação do ensino. ao instituir quotas. CF. seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. A PARTIR DE 4 ANOS!!!). há dois tipos de atos dos dirigentes dos estabelecimentos particulares: atos derivados da ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 11 . O ensino médio não é obrigatório. O ensino médio deveria proporcionar isso.

como fica?? Tem que ter fé). VII e Art. 222). Por isso a CF não vai apenas reiterar as liberdades. Art. A CF diz que lei federal deverá criar meios de defesa da pessoa contra os meios de rádio. Há a restrição da propaganda de determinados produtos. mas vai ainda buscar meios de tentar assegurar que os veículos de comunicação social não sejam utilizados para maus propósitos. jornais e televisão apenas a brasileiro nato ou naturalizado há mais de 10 anos ou ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 12 . A censura está expressamente vedada na CF. 12. mas o aluno não é obrigado a cursar. a leitura que dão aos fatos faz parte da liberdade garantida. Os meios são indiscutivelmente úteis. 89. Rádio e televisão são instrumentos que atingem uma grande massa e podem ser utilizados para propósitos não desejáveis numa sociedade (manipulação de pensamento). que são quatro ao todo: Art. TV e propaganda. A função social dos meios de comunicação social está prevista no Art. Há duas linhas de pensamento quanto à participação de menores em eventos. 222 traz tratamento diferenciado entre brasileiro natos e naturalizados (exceção constitucional. mas também são instrumentos que podem trazer riscos (a neo-escravatura está na manipulação do pensamento). A outra (majoritária) diz que a obrigação do poder público é de apenas informar. O ensino religioso deve ser histórico e ecumênico em nome do Estado laico.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO “delegação”  cabe MS (autoridade) e atos de gestão da pessoa jurídica privada  não desafiam MS. A CF só confiou a propriedade. § 3º. 5º. É ponto de discussão ainda. mas a CF foi omissa no tocante a propagandas infantis até determinada faixa etária. Para se garantir uma pluralidade de linhas de pensamento a CF estabeleceu que os meios de comunicação não podem ser objeto de monopólio ou oligopólio. Comunicação social: a CF reitera a liberdade de pensamento. e os menores de 16 anos podem entrar. desde que acompanhados dos responsáveis. Ela é cumprida quando os meios atendem aos princípios. LI. porque estas liberdades já estavam consagradas no texto desde o Art. Isso para evitar ameaça à soberania nacional. O Art. gestão e responsabilidade pelo conteúdo da programação dos meios de comunicação de rádio. 5º (Art. Como conciliar a classificação etária com os fusos horários do país? O MPF entrou com diversas ações exigindo que as emissoras locais retransmitissem os programas com restrição etária em horário diferenciado do restante do país. A política e os meios de comunicação são indissociáveis. 221 da CF. mas há outros que entendem que o ensino pode ser de orientação religiosa de cada religião especificamente (ingresso por concurso público. Os meios não podem deixar de noticiar os fatos. 220). Uma que permite desde que haja autorização do órgão competente. é ofensa ao direito de informação. Art. Na rede pública a CF obriga que exista ensino religioso. a matrícula é facultativa.

na matéria-prima. 84. II). A riqueza já esteve nas fábricas. Meio ambiente: todos são credores do meio ambiente ecologicamente equilibrado. com a riqueza (Art. Isso leva à conclusão de que esse decreto é autônomo. quem tem efetivo laço nacional. Sempre que uma obra for potencialmente causadora de impacto ambiental ela tem que ser precedida dos estudos de impacto ambiental que irão minimizar ou concluir que a obra não deve ser feita. tem conceito jurídico indeterminado. deverão ser comunicadas também ao Congresso Nacional. Hoje ela está na exploração intelectual. poderão ser canceladas antes de findo o prazo por decisão judicial apenas. mas apenas lei poderá modificar este decreto ou suprimi-lo (Art. O poder público criará unidades de conservação (lei 9. e tem a ver com pesquisas científicas (pesquisa e manipulação de material genético). Os credores futuros demonstram uma relação de eqüidade intergeracional. O prazo da concessão ou permissão para a TV é de 15 anos e de 10 anos para rádio. Os devedores são o poder público e a coletividade. Decreto é o ato jurídico que cria o SNUC. mas também com a ordem econômica. Todos são credores e devedores dessa relação jurídica fundamental ambiental. É expressão aberta. 84. especialmente os princípios do Art. Todos têm direito. ao contrário do que a doutrina majoritária diz: que o decreto autônomo foi introduzido na CF com a EC32 (Art. mas os demais meios (rádio e TV) deverão ter concessão. as presentes e futuras gerações. assim como o do Art. 225. VI). A atividade do poder público está ligada à bioética. As alterações contratuais nas empresas não devem ser comunicadas apenas à junta comercial. O MP pode mover ação civil pública para o cancelamento da concessão ou permissão quando o meio de comunicação estiver sendo utilizado para violar a CF. 225. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 13 . será encontrado em outras ciências que não a jurídica.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO pessoa jurídica brasileira. 221. mediante desapropriação). A não renovação da concessão depende de quorum especial do CN de 2/5 em votação nominal. e que está na CF desde 1988. A natureza jurídica do meio ambiente ecologicamente equilibrado é de bem de uso comum do povo. necessário à perpetuação dos homens. Decreto de 15/06/2005 criou o parque nacional Serra de Itabaiana (implica perda da propriedade do particular. ou seja. permissão ou autorização pelo poder executivo. III). A CF não quis que eles ficassem nas mãos de estrangeiros ou de brasileiros naturalizados há pouco tempo. exploração mineral. A geração presente tem a obrigação de assegurar às gerações futuras o mínimo de condições ambientais para a continuidade da espécie humana. em setores da agricultura. VI. § 1º.985)  sistema nacional de unidades de conservação (SNUC). O meio de comunicação impresso não precisa de autorização.

Aos maiores de 65 anos é garantido a gratuidade dos transportes coletivos urbanos. ad referendum do CN. Têm também direitos originários. somente ela define regras por meio de lei federal. O menor que trabalha tem direito a todas as garantias trabalhistas. Matéria nuclear é da União. a depender das circunstâncias. Ação civil ou penal que afete ecossistemas do § 4º do Art. Tribos inseridas que mantêm certas tradições também é preciso ponderar caso a caso com valoração dos interesses. Não é tema pacífico. mas poderá ser federal se houver interesse da União (dano de grande magnitude. Art. § 1º). Da família. É vedada a remoção dos índios de suas terras. 228: imputáveis maiores de 18 anos. Art. Art. garantido o retorno imediato tão logo cessado o risco. envolver agente federal). município não pode fixar a idade livremente. não se usa o conceito de imemoriabilidade (buscar pela memória das terras. A princípio a competência é da justiça estadual. A responsabilidade civil ambiental é objetiva (Lei 6938. 231: os índios têm o usufruto exclusivo da terra. Índios podem estar em terras originárias (tradicionalmente ocupadas por índios – bem da União – § 1º) ou adquiri-las civilmente (terras comuns). mas a propriedade é da União. Dos Índios: tratamento pormenorizado na CF. 14 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . 229 e 230: medicamentos com descontos para idosos. até onde o direito penal é aplicado nas comunidades indígenas. criança. Geralmente são considerados inimputáveis. penal e administrativa por danos ambientais. decisão superada. Responsabilidade civil. epidemias etc. CF. II e § 2º: garantir o acesso adequado às pessoas portadoras de deficiências. adolescente e idoso: proteção aos portadores de deficiências físicas  Art. Art. 109. apesar de ter competência para legislar sobre transporte coletivo urbano. mas há exceções: § 5º: catástrofes. O STJ teve uma decisão isolada dizendo que pessoa jurídica não tem responsabilidade penal. 227. 14. Há doutrina que entende ser cláusula pétrea. § 3º: previsão da responsabilidade penal da pessoa jurídica. tudo seria indígena). Não se impõe o direito penal a essas tribos isoladas. Bem de uso público pode ser prédio particular e não apenas os imóveis de domínio público (ex: shopping). Questão alimentar é recíproca entre pais e filhos. Modificar essa idade somente por emenda constitucional. 225 (patrimônio nacional) (não são bens da União) não necessariamente a competência será da justiça federal. O STF resolveu a questão dizendo que por ser patrimônio nacional não arrasta a competência para a justiça federal. Só será se incidir um dos incisos do Art. § 1º. 225.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Art. não é razoável aplicá-lo como é para nós.

§ 5º). O tombamento recai sobre bens materiais ligados à questão cultural. geral da nacionalidade: existem duas espécies de ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 15 . Os quilombolas (pessoas remanescentes de comunidades de quilombos) são uma minoria objeto de tombamento: ficam tombados todos os documentos e os sítios detentores de reminiscências históricas dos antigos quilombos (Art. 231 demonstra claramente a força do poder constituinte originário. Não há jus postulandi. Bens imateriais são objeto de registro (carnaval. intervém. Cada Estado decide quem deve ser considerado seu nacional. 216. Em geral se entende que a titulação da propriedade é coletiva e não individual. Toda pessoa tem direito a uma nacionalidade: previsto no Pacto de San Jose da Costa Rica e na carta das nações unidas (dois documentos internacionais que cuidam da nacionalidade). Tem a ver com a ligação da pessoa com os elementos constitutivos do Estado. acarajé etc) e não protegidos por tombamento (art. geográfico (território) e um político (soberania). mas também como elemento humano do Estado (ex: brasileiro no exterior tem que justificar o não voto. José Afonso da Silva diz que nacionalidade é o vínculo jurídico-político de direito público interno que faz da pessoa um dos elementos componentes da dimensão humana do Estado. 216. O MP sempre que não for o autor. Essa vinculação de alguém ao elemento humano de um Estado é um direito. mas tratou de forma muito tímida. Também está formalmente inserido na constituição escrita. mas tem legitimidade. porque é direito fundamental o direito à nacionalidade.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO § 6º do Art. os antigos proprietários têm direito a indenização e qualquer dos entes poderá emitir os títulos respectivos (posição majoritária). Brasil pode solicitar extradição). DIREITO À NACIONALIDADE É um tema que fala sobre o vínculo da nacionalidade. mas ela não se vincula apenas ao território. os Estados deverão observar a teoria geral da nacionalidade. 232: há legitimidade ad causam das comunidades e organizações indígenas. O Art. são os direitos à nacionalidade. A soberania tem um vínculo com o território. mas essa decisão não deve ser isolada. Teoria nacionalidade. isso deve ser evitado a todo custo. 68 do ADCT também trata dos quilombolas: a CF assegura a propriedade definitiva às comunidades quilombolas. O Estado tem um elemento humano (povo). não deve ser matéria de lei ordinária (embora possa ter alguma). É um tombamento constitucional. a propriedade é intransferível. Art. A causa é da competência da justiça federal. Esse é um tema materialmente constitucional. Para a elaboração da constituição. as constituições não podem deixar alguém sem nacionalidade. porque diz respeito a um dos elementos do Estado. § 1º).

12. Pode decorrer ainda de vontade exclusiva do Estado: na CF de 1891 houve declaração de nacionalidade pelo Estado. originária. mas sim temperada (mundo globalizado). Nasce um apátrida ou um heimatlos: nasce em Estado jus sanguinis de pais de Estado jus solis. Só exclui quando ambos os pais estão a serviço de seu país. Conjugada: requisitos + pedido. o nascimento. voluntária. Embaixador + funcionária de embaixada: é brasileiro. Nacionalidade secundária (adquirida. caso contrário poderia gerar situações de apatria. Complementa a aliena “a” para que ninguém fique sem nacionalidade. não gera direito adquirido. Nato: Art. Art. É nato quem nasce no Brasil. Uma declaração de vontade de quem? Exclusiva da pessoa. O nascimento vai determinar o critério de nacionalidade: territorial ou sanguíneo  jus solis e jus sanguinis  direito à nacionalidade por ter sangue nacional ou porque nasceu no território nacional. Filho de embaixadores de países diferentes não é brasileiro. Há autores que dizem não ser possível a nacionalidade potestativa. O momento do nascimento é a regra para fixar a nacionalidade. Embaixador + funcionária da ONU: é brasileiro. de origem. gera direito adquirido. a: critério territorial. é organismo internacional e não país. decorre de um fato volitivo: uma declaração de vontade. Quem não estiver a serviço do país não exclui a nacionalidade brasileira. o Estado não pode negar. mesmo o nascimento acidental e mesmo de pais estrangeiros. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 16 . onde ocorreu a adoção. A exceção é o filho de embaixador que morreu antes do nascimento – filho póstumo – aplicado o momento da concepção. Exceções: nasce no Brasil de pais estrangeiros que estão a serviço de seu país. Preenchidos os requisitos surge o direito à nacionalidade. 2. de 2º grau): não decorre de fato natural. acúmulo não é ofensa a direitos fundamentais. A serviço do Brasil na administração direta e indireta de forma permanente ou temporária (José Afonso da Silva). o Estado sempre teria conveniência e oportunidade (cuidado! Jurisprudência admite). I. ambos vinculados ao nascimento. exclusiva do Estado ou conjugada entre pessoa e Estado. reservando para si conveniência e oportunidade. Há.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO 1. Será exclusiva da pessoa quando o Estado desde já coloca na CF quais os requisitos necessários para alguém se tornar nacional. Nacionalidade primária (nata. 12. de 1º grau): decorre de um fato natural. b: critério sanguíneo. não reservou para si conveniência ou oportunidade. É chamada de nacionalidade potestativa (depende somente da vontade exclusiva da pessoa). Pais ou pai/mãe a serviço do Brasil. de forma inversa. derivada. I. Essa teoria não é utilizada na CF de forma pura. Válido para filhos adotivos. a possibilidade de dupla nacionalidade originária (polipátrida). o Estado decide.

12. Não se ganha nacionalidade com o registro no consulado no exterior. Ainda se o país da nacionalidade adquirida reconhecer a originária não perde ??? (ex: nasce no Brasil de pais italianos – este exemplo não é de nacionalidade adquirida. II. conselho nacional da magistratura são ministros do STF. Art. 12. Vem ganhando um novo nome: supranacionalidade (comunidade européia – cidadão europeu vinculado e com direitos específicos). Chamada de nacionalidade secundária extraordinária. esperando uma condição suspensiva (homologação judicial da opção dele) (fica apátrida por um tempo). estão ressalvadas as hipóteses reservadas ao brasileiro nato. Art. Mistura dos três elementos. § 4º. VII. Feita a opção. estatuto da igualdade. II. Oficialato só de tenente em diante. 12. § 3º: linha sucessória presidencial. a: proveniente de país de língua portuguesa + residência por 1 ano. Seria necessário primeiro uma emenda constitucional para excluir os casos reservados ao ministro da defesa. Art. 12. § 2º: lei ordinária não pode dar tratamento diferenciado a brasileiro nato e naturalizado. só a CF (Arts. 222. Perda da nacionalidade: Art. mas de brasileiro naturalizado pode. Aos 18 anos faz a opção. 12. 12. o direito já existe. a opção é feita perante a justiça federal e a partir dos 18 anos. b: nacionalidade potestativa também. Lei ordinária não pode criar novas hipóteses de brasileiro nato (numerus clausus). há uma equiparação. Naturalização cancelada por sentença judicial em virtude de atividade nociva ao interesse nacional. basta requerer. Art. Art. a moradia já lhe dá o status de brasileiro nato (opção provisória.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Art. Ministro da defesa na CF impede que o Ministério da Defesa seja extinto por lei ordinária. Presidente do TSE. Ele será nato. ele volta a ser brasileiro nato e tem efeitos ex tunc. que é personalíssima. Período entre os 18 anos e a opção a nacionalidade fica suspensa. Perdese ainda pela aquisição de nacionalidade secundária. optar a qualquer tempo pela nacionalidade brasileira (elemento volitivo). fático). isso não existe mais! Quando se trata de menor que vem para o Brasil: vem para o Brasil aos 5 anos (ex: Ronald). Mesmo havendo reciprocidade de alguns casos. § 3º e 5º LI). Chamada de nacionalidade secundária ordinária. § 1º: quase nacionalidade. A doutrina entende como direito potestativo. Reciprocidade. Caso o país que se está a serviço exige 17 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . 12. o Estado não pode negar. No caso do menor. a definitiva é personalíssima e só pode ser feita quando for maior). 89. Essa opção é potestativa. c: Nascido no estrangeiro de pais brasileiros (elemento sanguíneo). A regra é que só pode ser polipátrida se for de nacionalidade originária. é originária jus sanguinis. desde que venham a residir no Brasil (elemento objetivo. Vindo morar aqui os pais podem fazer um registro e ele é considerado nato até seus 18 anos (provisoriamente). ele é polipátrida – viajei!). logo. brasileiros natos. 12. I.

exercer cargo público. 13. mover iniciativa popular. mas há decisão do STF de 1986 que diz ser nato. além da representativa. só podem constar na propaganda de órgãos públicos os símbolos do Art. perdeu. 1º. Também tem efeitos irretroativos. mas não está incluída no âmbito do direito eleitoral). por decisão do presidente da república se adquiriu outra. mas até hoje nenhum outro foi criado.alguns autores preferem chamar assim. Os direitos políticos abrangem o direito eleitoral (por exemplo. Art. Ex: Roberto Carlos optou pela espanhola – constitucionalmente não se encaixa em qualquer das exceções de não perda. é vontade exclusiva do Estado. Art. Se estiver onde é prevalente sua proteção é absoluta. armas e selos nacionais. readquire – a doutrina diz ser como naturalizado. a proteção é relativa. A perda da nacionalidade tem efeitos ex nunc. 18 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . Era nato. assinar ação popular.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO para permanência. participação em conselhos e outros). Acúmulo não autorizado pela CF. que são os oficiais: bandeira. ação popular. Também nos casos em que o Estado confere a nacionalidade de forma exclusiva. as nacionalidades são equivalentes. O direito eleitoral está vinculado à democracia representativa. A doutrina menciona este caso. Alguns autores identificam os direitos políticos positivos tão somente com a capacidade ativa. ela é viciada pela coação. Podem ser criados outros por lei. hino. Direitos políticos positivos: é o conjunto de normas que garantem a participação da pessoa no processo político e eleitoral (José Afonso da Silva). pois não é uma manifestação de vontade livre. a iniciativa legislativa popular é questão de direitos políticos. mas os mecanismos são os mesmos) ou representantes eleitos (democracia representativa). O STF começou a suscitar essa tese no HC 83. ou passivos: ser votado (candidatura). apenas com o voto. manifestação em plebiscito e em referendo. iniciativa popular. Deveria perder a nacionalidade brasileira. A soberania exercida pelo próprio titular do poder ou o representante eleito. da direta (referendo. 37. os direitos políticos cuidam. Nacionalidade prevalecente: quanto ao polipátrida. É aceito. § 1º. Os positivos podem ser ativos: voto. Ex: ação rescisória. readquire como naturalizado. Estando no país onde não é prevalente. ou seja. parágrafo único da CF: soberania popular e seu exercício por mecanismos de atuação direta (democracia direta ou semi-direta . DIREITOS POLÍTICOS Não é sinônimo de direito eleitoral. Todos os conhecidos são inconstitucionais. 13 – símbolos: segundo o Art. são as mesmas? Tanto faz estar em um ou em outro país? Para fins de processo de extradição entre os dois Estados é preciso observar qual é a nacionalidade prevalecente.450/SP. O casamento que confere nacionalidade automática também não exclui a originária. § 1º. plebiscito. É o conjunto de normas que regula a atuação da soberania popular. ou seja. É possível readquiri-la.

Não se confunde com voto. voto em urna eletrônica ou em cédulas de papel etc). A inelegibilidade pode ser absoluta (em relação a todos os cargos) ou relativa (em relação a alguns cargos). não é tecnicamente membro do Judiciário. é apenas uma das formas de sufrágio. apesar de eleito. porque é norma de ordem pública. voto é o exercício do direito. 60. diferente de inalistabilidade. Quanto à extensão o sufrágio pode ser universal ou restrito. Também não se confunde com desincompatibilização: alguém se desvencilhar de uma inelegibilidade relativa para uma eventual candidatura (deixando o cargo. suspensão e perda dos direito políticos. É cláusula pétrea (Art. ele não se enquadra no parágrafo único do Art. quer dizer. O direito de sufrágio não abrange o poder Judiciário. Há exclusões ou restrições apenas por motivos técnicos.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Direitos políticos negativos: é o conjunto de normas que impedem a participação da pessoa no processo político e eleitoral. não estar domiciliado em determinada circunscrição eleitoral. ou seja. terá em sua atuação que saber ler e escrever (legislar. § 4º. § 4º. Essa exclusão por motivos técnicos não retira a característica da universalidade (ex: menores de 16 anos. CF) todos usufruem. administrador deve seguir a legalidade e praticar atos administrativos escritos). O sigilo do voto não é renunciado pelo eleitor. todas são restrições técnicas). por exemplo). Constituem as regras de inelegibilidade. uma mera afirmação não é renúncia ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 19 . ou seja. No sufrágio universal as restrições são técnicas enquanto no restrito as restrições são discriminatórias. O sufrágio pode ser ativo (relacionado com a capacidade eleitoral ativa: direito de votar) e passivo (vinculado à capacidade eleitoral passiva: direito de ser votado). ser eleito e participar da organização e da atividade estatal. a exigência de alfabetização é técnica. é apenas eleger. O Judiciário não tem legitimidade direta popular. O restrito (não é técnico. a universalidade não é absoluta. O juiz de paz. mas não discriminatórios. quando não pode sequer votar. No universal (Art. alguém que se candidata a cargo no legislativo ou executivo. 1º. Inelegibilidade: vedação à capacidade eleitoral passiva. Voto: quanto à publicidade ele será secreto ou público. É a regra em caso de eleições. nem escrutínio. 2. O voto secreto garante a pessoalidade do voto. O Brasil já adotou o sufrágio restrito cesitário na constituição de 1824. CF). não estar alistado etc. Direito de sufrágio: é um direito público subjetivo de natureza política que tem o cidadão de eleger. escrutínio é o modo de exercício do direito de voto (público ou secreto. esta impede a capacidade ativa e passiva. Instituições dos direitos políticos positivos: 1. liberdade. A exigência constitucional de alfabetização para ter a capacidade eleitoral passiva não descaracteriza o sufrágio universal (não é sufrágio restrito capacitário). CF. significa ausência de restrições discriminatórias. tanto em relação à capacidade ativa quanto passiva. 60. de fato é discriminatório) pode ser o censitário (discrimina de acordo com a capacidade econômica) e capacitário (discrimina de acordo com a capacidade intelectual). Sufrágio é o direito.

No parlamento a regra é o voto aberto. só é preciso fazer um turno de votação. universal e periódico. analfabetos). CF). ou desigual: vota mais de uma vez. ou seja. A CF não foi tecnicamente precisa. não significa ser verdade. No indireto. Por maioria absoluta elegem-se o presidente (Art.000 eleitores (Art. CF).000 eleitores. 14.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO ao sigilo. 81. II fala em voto universal. Essas classificações não são precisas. 46. II. secreto. mas não é cláusula pétrea. CF – é exceção. 77. público. CF) (*território tem governador nomeado pelo presidente) e prefeitos em municípios com mais de 200. caput fala em sufrágio universal.Art. mas com eleição por sistema majoritário) e os prefeitos nos municípios com até 200. 28. O que é cláusula pétrea é o voto direto. No sistema de maioria absoluta não são computados os votos brancos e nulos. normalmente utilizado para cargos do poder Executivo. governadores dos estados e DF (Art. podendo dar margem ao 2º turno. Também chamado de “maioria”. por isso também chamado de sistema dois turnos. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 20 . o Congresso promoverá eleição indireta 30 dias após a abertura da última vaga . excepcionalmente é secreto. com o mesmo peso. mas há casos de voto facultativo (menores entre 16 e 18 anos. O voto será igual: one man. Dependerá do tipo de sistema o resultado da eleição: Majoritário: está vinculado a cargos unipessoais. A simples é chamada de sistema de um turno ou turno único. enquanto o Art. Ela pode ser simples ou absoluta. Na maioria absoluta é necessário atingir 50% + 1 do total de votos para ser o eleito. No Brasil há a eleição indireta quando o Congresso Nacional elege para os cargos de presidente e vice-presidente da república para encerrar o mandato (os dois cargos vagos nos dois últimos anos do mandato. É aquele no qual é eleito quem atinge a maioria dos votos. O Art. 29. Sistemas eleitorais: é o conjunto de técnicas e procedimentos para a realização de eleições e a designação dos eleitos a partir dos votos emitidos. Elegem-se por maioria simples os senadores (Art. isso para permitir a fiscalização por parte do povo. maiores de 70 anos. § 4º. mas o comparecimento à zona ou posto de justificação. Tem como objetivo identificar os eleitos. é órgão do legislativo. O voto obrigatório está na CF. CF). No voto direto o cidadão decide. caráter eletivo e não hereditário. o cidadão elege um colégio de eleitores e estes elegem o candidato (modelo dos Estados Unidos). 60. por emenda constitucional pode-se torná-lo facultativo. cada pessoa vota uma vez. Em regra o voto no Brasil é obrigatório. a própria CF confunde. § 1º. A periodicidade do voto está ligado à forma republicana. Pode ser também obrigatório e facultativo. O que é obrigatório não é o voto válido. one vote.

Realização e organização do escrutínio. e não do povo. Após as convenções há a fase externa. isso. Após. para o poder Legislativo. mas o sistema é por maioria simples: Senado não obedece ao proporcional. Câmara dos Deputados. resultando no número de cadeiras do partido. fechando a lista. Proporcional: utilizado em regra em assembléias.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO São cargos em que se elege alguém sem qualquer proporcionalidade. Apresentação das candidaturas. Num primeiro momento há eleição entre partidos e coligações (voto na legenda). O MP não tem vaga como juiz pelo 5º constitucional. Na maioria dos países é o Executivo que cuida dos procedimentos eleitorais. embora o contencioso só exista na 3ª fase (as 1ª e 2ª fases são atividades administrativas. órgãos colegiados. sem escolha para o eleitor). não é proporcional a nada. Todas são dirigidas pelo Poder Judiciário. Quociente eleitoral: são os votos válidos divididos pelo número de cadeiras. Apresentação das candidaturas: fase interna das convenções partidárias com indicação de candidatos. que nas eleições proporcionais só haverá voto de legenda. político-eleitoral e a institucional. O quociente partidário é o número de cadeiras encontrado para cada partido. 2. tem número fixo de senadores (três). O número de deputados federais depende da população. com a propaganda eleitoral. Contencioso eleitoral. para reproduzir o pensamento da população. Procedimentos eleitorais (fases): 1. escolha do nome do candidato que irá ocupar as cadeiras que o partido conquistou. 3. Órgão específico para as lides eleitorais (função judiciária e administrativa). A propaganda político-partidária independe ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 21 . É órgão de representação dos estados. Lista aberta: quem decide a ordem de ocupação nas cadeiras é o eleitor (diferente da lista fechada. Quociente partidário: são os votos dos partidos divididos pelo número do quociente eleitoral. esta é considerada para parlamentos (órgãos colegiados). Propaganda pode ser político-partidária. É a casa dentro do sistema federativo onde os estados têm voz. só internamente. O quociente eleitoral é o número de votos necessários para que o partido ganhe uma cadeira. julgar só na 3ª fase). Assembléias Legislativas (Câmara Legislativa do DF) e Câmaras Municipais são órgãos colegiados proporcionais. o número de deputados estaduais depende do número de deputados federais. Exceção: órgão colegiado. mas nos Três só há um juiz federal. Não pode haver propaganda para eleitorado geral nesta fase. Os advogados são indicados por lista feita pelo TJ e não pela OAB. O órgão é federal. mas são funções atípicas do Judiciário.

A iniciativa popular será vista em Poder Legislativo. Os estrangeiros são inalistáveis. enquanto o referendo é a posterior a um ato realizado. são inelegíveis. filiação partidária (no Brasil não há a candidatura independentes). ao titular do poder. proporcionando a uniformização. Capacidade eleitoral: Vedado  16 anos  facultativo  18 anos  obrigatório  70 anos  facultativo. A inelegibilidade é uma vedação à capacidade eleitoral passiva. A questão relativa a ter ou não referendo ou plebiscito não é da competência da justiça eleitoral. CF – a publicidade oficial não pode conter símbolos e nomes) é a das pessoas jurídicas de direito público. foi consulta prévia e não posterior (à constituição). Contencioso eleitoral: Plebiscito e referendo são mecanismos de exercício de democracia direta (ou semi-direta). Condições de elegibilidade: condições que devem ser preenchidas para ser elegível na forma da lei ordinária (lei complementar pode estabelecer outras condições de inelegibilidade). § 2º): não têm capacidade ativa nem passiva. é da justiça comum. Art. A inalistabilidade é uma vedação à capacidade eleitoral ativa.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO das eleições. A institucional (Art. são instrumentos de consulta popular. ou melhor. por isso. § 1º. Inalistáveis (Art. 37. A doutrina eleitoral faz uma crítica no tocante às TVs abertas e fechadas em razão do princípio da igualdade. Os conscritos (são os convocados. foi de fato plebiscito. por conseguinte. 2º da ADCT: a consulta lá prevista sobre a forma de governo foi anterior à revisão constitucional. Aqui que se dá a definição de mesário etc. O analfabeto é eleitor facultativo a partir dos 16 anos. Exceção: português de Portugal com reciprocidade de tratamento pode se alistar e votar. A político-eleitoral está vinculada a uma determinada eleição (apresentação externa). Plebiscito é a consulta prévia. Isso para o alfabetizado. exercício dos direitos políticos. domicílio eleitoral na circunscrição. os recrutados. Nacionalidade brasileira (exceto português de Portugal com reciprocidade e ressalvados os cargos reservados a natos – presidente e vice-presidente). não é eleitoral. Opção de assistir ou não de forma igualitária: a obrigatoriedade do horário eleitoral deveria ser imposta também para a TV fechada. 14. idade mínima: ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 22 . alistabilidade. O momento em que a consulta é feita é que define a diferença entre ambos. Realização do escrutínio: é organizado pela justiça eleitoral. para o serviço militar obrigatório) também são inalistáveis. federal ou estadual.

deveria ser circunscrição. Se entram juntos podem se candidatar à reeleição no mandato seguinte. prefeitos. vice-presidente e senador. Os cargos do executivo tinham inelegibilidade relativa. Pedro Lenza fala diferente?). Logo. prova de reconhecimento jurídico da relação. Cônjuges concorrendo ao mesmo tempo para uma mesma circunscrição é possível. Reeleito passa ele a ter inelegibilidade relativa. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE – 23 . Art. em outra circunscrição pode. vice-governador dos estados e DF. salvo se já passado um mandato inteiro. Neste território a inelegibilidade é relativa. não os cargos do legislativo. A vedação à reeleição por mais de uma vez só se aplica ao executivo. por exemplo. Art. Inelegíveis: são os inalistáveis e os analfabetos. é técnica não discriminatória e não descaracteriza o sufrágio como universal.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO 35 anos: presidente. para reeleição não precisam se afastar. § 7º: inelegibilidade reflexa: o termo jurisdição está equivocado. O que provoca a inelegibilidade reflexa são os cargos do executivo. para ministro de Estado (21 anos?). vice-prefeitos e juiz de paz. porque já eram titular de mandato eletivo. poderão apenas exercer os direitos políticos ativos facultativamente. Presidente. 14. deputados estaduais e distritais. estes de forma absoluta. 18 anos: vereadores. Neste caso o juiz da infância e juventude poderá julgar matéria eleitoral. Com 17 anos pode ser candidato. 14. Há várias outras idades na CF que não são para cargos eletivos. um menor de 17 anos está sujeito a praticar ato infracional eleitoral. (? Ele não repetiu essa matéria na aula. 30 anos: governador. Inelegibilidade absoluta e relativa: a restrição aos analfabetos não fere princípio. agora com a regra da reeleição (1 só seguidos os mandatos). pode se eleger para outros cargos. A idade mínima é considerada na data da posse. § 6º: desincompatibilização  ato pelo qual alguém se desvencilha de uma inelegibilidade relativa. Mesmo com o divórcio a inelegibilidade vai persistir. 21 anos: deputados federais. em tese poderia se reeleger em 2006. Homossexuais também atingidos pela inelegibilidade. Cônjuges: em união estável também. No § 5º não é necessária a desincompatibilização para concorrer ao mesmo cargo. governador e prefeito devem renunciar seis meses antes do pleito caso queiram concorrer a outro cargo (desincompatibilização). Relativização do § 7º: “reeleição de Rosinha Garotinho” aguardando posição do STF este ano.

Na perda não há expectativa de retorno. devendo prestar contas à justiça eleitoral. 17 traz os mesmos princípios do caput (controle mínimo) que devem ser observados na estrutura interna do partido. logo. mesmo solto o sujeito estará com os direitos políticos suspensos e o preso provisório não está com os direitos políticos suspensos) e improbidade administrativa. Lei lato sensu é qualquer ato normativo. Se militar mais experiente. emenda poderia sim modificar as regras eleitorais para uma eleição que ocorre em menos de um ano (vamos ver o que os tribunais vão decidir!). DOS PARTIDOS POLÍTICOS O Art. 16 é lei estricto sensu  verticalização eleitoral em discussão. será agregado e se eleitor. pode estabelecer outros casos de Impugnação a mandato eletivo: contencioso eleitoral – 15 dias contados da diplomação. condenação criminal transitada em julgado. A lei do Art. configura ato de força e anti-democrático. O princípio democrático só se compatibiliza como pluripartidarismo. não eleito ele retorna às suas atividades de militar. Internamente eles têm autonomia. Processo corre em segredo de justiça. 17 cuida dos sistemas partidários. se nada fizer. Seu funcionamento parlamentar se dará de acordo com a lei. Lei complementar inelegibilidade (LC 64).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO O militar que pode se alistar pode concorrer. Perda e suspensão dos direito políticos é possível (direitos políticos negativos). com menos de 10 anos de atividade. Unipartidarismo e bipartidarismo são sistemas próprios de ditadura. O § 1º do Art. apenas requisitos mínimos devem ser atendidos (controle mínimo). A tendência é o entendimento de que a lei é estricto sensu. irá para a inatividade. enquanto durarem os efeitos (não significa prisão. Cassação de direitos políticos não é admissível. embora possa se reverter: cancelamento de naturalização por sentença transitada em julgado e recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa (os autores de constitucional falam em perda. mas sua aplicação fica suspensa. Não podem receber recursos de Estados estrangeiros. Somente poderão ter caráter nacional. na diplomação ele passa à inatividade automaticamente. existem leis específicas e decisões da justiça eleitoral) (segundo o STF. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 24 . A autonomia deverá observar isso. não é vacatio legis. O Estado não pode controlar os partidos políticos. com mais de 10 anos. não vai reaver). Se militar jovem. Há liberdade de criação de partidos. Suspensão: incapacidade civil absoluta. os de eleitoral dizem que é caso de suspensão. Lei eleitoral entra em vigor na data da publicação. ou seja.

e não à base da força (característico de grupo revolucionário). TEORIA GERAL DA CONSTITUIÇÃO Constituição em sentido comum é o conjunto de elementos de alguma coisa. Entende a constituição como real ou efetiva e como escrita ou formal. meios de comunicação etc) que defendem interesses próprios. O que é constituição? Depende do ponto de vista. O registro no TSE não tem natureza constitutiva. A maioria hoje tem constituição em sentido formal em razão do movimento constitucionalista do final do século XVIII. ou seja. Na sociedade há vários fatores reais do poder (exército. Concepções clássicas sobre constituição: 1. Nem todo Estado possui constituição em sentido formal: documento escrito e formalizado (ex: Inglaterra. reis. Há constituição sem Estado? Constituição da União européia em processamento – adotada por algo que não é um Estado. Hoje. Ela tem que dar as respostas que a sociedade precisa. Partido político é uma agremiação que objetiva chegar ao poder dentro da legalidade. caso contrário. O movimento deu origem às constituições dos Estados Unidos e da França. O objeto da constituição é um objeto aberto (não hermético) e dinâmico (não estático). Há uma acomodação entre eles  soma dos fatores reais do poder  esta é a verdadeira constituição. A constituição pode coincidir ou não com a soma dos fatores reais de poder. vai mudar conforme as mudanças da sociedade exigir. Acesso gratuito apenas ao rádio e TV. líderes religiosos. Em sentido jurídico é o conjunto de elementos que formam e estruturam o Estado. Israel). A constituição vai tratar dos elementos do Estado: povo (humano). território (geográfico) e governo/soberania (político). 99% dos países têm. O TSE só negará o registro se ele infringir os princípios. ainda sem definição do que é. não a mera folha de papel. conclui-se que todo Estado tem uma constituição em sentido material. Sociológica: Ferdinand Lassalle (A essência da constituição).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Natureza jurídica: pessoa jurídica de direito privado. é o complexo normativo que disciplina os elementos de um determinado Estado. pelo processo político-eleitoral. Os partidos têm direito a recursos do fundo partidário. Embora a idéia de limitação de poder venha desde a Magna Carta (1215). formam um objeto. Para ele constituição real é a soma dos fatores reais de poder. Se a constituição escrita reflete os fatores reais de poder ela irá durar. Assim. não há juízo de conveniência e oportunidade. seu estatuto é registrado na forma civil. não (ex: juros não ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 25 . banqueiros. e todas as suas conseqüências.

Constituição é norma pura. 3. O que é símbolo pode chegar a ter força normativa. Política: Carl Schimitt (Teoria da constituição). sem eficácia (ex: Art. A norma é simbólica. está no plano do direito pressuposto. Constituição é decisão política fundamental. sem conteúdo de constituição. IV. Princípio da compatibilidade vertical. Não tem decisão política fundamental (ex: Art. É aquele sem a qual o Estado não existe. Concepções modernas: 4. Leis constitucionais: algo que tem natureza de lei e forma de constituição. É constituição em sentido lógico-jurídico (fora do direito positivo – dentro do hipotético). O que está no topo do direito positivo é constituição: é norma suprema que gera as inferiores. A norma da constituição existe porque algo no mundo fora do direito positivo autoriza  norma hipotética fundamental (direito pressuposto # direito posto – direito positivo). CF). Força normativa da constituição: Konrad Hesse. Por isso.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO superiores a 12% ao ano foi escrito na CF formal. A constituição não necessariamente será a parte mais fraca e perdedora num conflito entre o que a constituição quer e a soma dos fatores reais de poder. O que não for não é constituição. se tornar realidade – algo a perseguir (não insincero). Critica Lassalle porque entre a constituição e os fatores reais de poder a constituição pode imperar e não ceder – tem que atuar no mundo real (RE 328812). o legislador não é sincero ao elaborá-la. Sentido lógico-jurídico: é norma hipotética fundamental que seria fonte de validade da constituição jurídicopositiva. Há coisas que funcionam como símbolos. A constituição pode mudar a realidade diante de um embate. 5. CF  decisão política fundamental. Este é o sentido jurídico-positivo (direito criado pelo homem – direito posto). Art. Instituições essenciais ao Estado que precisam ser decididas. no ápice da pirâmide. o fundamento de existência da lei é a constituição. 1º. apenas tem forma de constituição. 2. Mesma noção de poder constituinte. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 26 . Sentido jurídico-positivo: constituição é a que está dentro da ordem jurídica positiva. 208  lei constitucional – substância de lei e forma de constituição). Constitucionalização simbólica: Marcelo Neres. puro dever-ser. Jurídica: Hans Kelsen (Teoria pura do direito). Kelsen diz que o fundamento está fora do direito positivo. Isso em razão da força normativa da constituição. O direito positivo é representado por uma pirâmide – hierarquia entre as normas. O fundamento da existência do regulamento é a lei. 7º. qual é o fundamento de existência da constituição? Como a constituição ocupa o ápice da pirâmide do direito positivo. é algo hipotético e lógico. mas não correspondia à soma dos fatores reais do poder). não há como procurar fundamento dentro do direito positivo.

portanto. A constituição escrita pode ser: codificada (um único texto escrito – CF/88). 1967 e 1969). o processo de emenda é mais rígido). Quanto à estabilidade: a constituição pode ser rígida (a estabilidade é maior porque ela não pode ser formalmente alterada pelo mesmo processo de lei ordinária. Há elementos. Paulo Bonavides. por isso lá não se fala em controle de constitucionalidade. o que está escrito não exclui o que está implícito. formada por: leis escritas de matéria constitucional. Constituição aberta: Peter Häberle. Não-escrita ou histórica . É uma idéia que advém do constitucionalismo. Assim como se tem elementos escritos na constituição não-escrita (costumeira). A de 1969 vem formalmente como EC 01 da de 1967. mutação – mudança informal da CF. Corresponde ao constitucionalismo inglês. O Judiciário não pode examinar a soberania do parlamento. não hermética. não fechada. não-codificada (em vários textos escritos ou esparsos). está aberta às necessidades da sociedade (EC. e a interpretação do STF tem que ser considerada. 5º. principalmente pelo constitucionalismo dos EUA (1787) e da França (1791). A classificação de escrita e não-escrita é fluida. outorgada (é a constituição imposta – constituições de 1824. que são acordos parlamentares não escritos. As seis teorias não necessariamente se excluem. 1946 e 1988). como modificou tudo. esta todo Estado tem.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO 6. Na não-escrita parte dela pode ser escrita (ex: Inglaterra). Carlos Roberto Siqueira Castro. § 2º). A CF/88 não esgota a constituição brasileira. flexível ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 27 .é formada ao longo do tempo. não fechado. ou formal – formalizada como constituição. Classificação das constituições: Quanto ao conteúdo: pode ser material – conteúdo de constituição. Quanto à forma: pode ser escrita ou dogmática – alguém/grupo raciocina e escreve a Constituição. há também elementos não–escritos na constituição escrita (CF/88  Art. 1937. nem todo Estado possui. Celso Bastos. soberania do parlamento. A CF de 1967 foi aprovada pelo congresso (poder constituído e não constituinte – tinha sido eleito para elaborar leis e não constituição) tipo especial de constituição outorgada. São três elementos. conceitos jurídicos indeterminados respondidos por outro direito). com autorização do legislativo. por decisões judiciais escritas (que interpretam as leis de matéria constitucional – cases law e as que interpretam costumes: common law) e pelas convenções constitucionais. escritos e nãoescritos. são abordagens diferentes sobre o que é constituição. trata-se de uma nova constituição. decisões do STF. Quanto à origem: a constituição pode ser democrática (promulgada ou popular – elaborada por representantes do podo – constituições de 1891. A constituição deve ser um documento permeável. revisão constitucional. 1934.

apenas para perpetuálo. ampla – CF/88). (. O preâmbulo para a hermenêutica constitucional deve ser utilizado (interpretação da parte dogmática). Classificação ontológica de Loweinstein: Segundo essa classificação a constituição pode ser: Normativa: é a que consegue se impor à sociedade. Estariam excluídos os ateus e os politeístas – como não tem força normativa. dirigente (dirige o futuro do estado e da sociedade. Proteção de Deus X liberdade religiosa (parte dogmática). serve para manter o poder de quem está lá – não serve para limitar o poder. Quanto à extensão: pode ser concisa (ou breve – EUA) ou prolixa (ou longa. enquanto uma outra diz ser norma.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO (baixa estabilidade porque pode ser mudada por lei ordinária. Base do estado democrático é a constituição rígida. dá os objetivos almejados – consequentemente é mais extensa – CF/88) e balanço (não garante. O processo de fazer lei ordinária é o mesmo de emenda).. natureza jurídica seria a mesma – e quanto à hierarquia? Daí se deduz que só há supremacia na constituição rígida. nem dirige. Mas a plástica para outros é considerada como aberta – plasticidade para se adequar. não há contradição (ADI 2076) e não tem que ser reproduzido nas constituições estaduais. ele não obriga. São aquelas em que o processo de poder está de tal forma disciplinado que as relações políticas e os agentes do poder subordinam-se às determinações do seu conteúdo e de seu controle procedimental. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 28 . logo. Na CF/88 não tem sentido. ele é dotado de força normativa. Quanto à finalidade: a constituição pode ser garantia (serve apenas para garantir direitos – EUA). Pode ser ainda classificada como semi-rígida (metade pode ser modificada por lei ordinária). Estrutura formal da constituição: Preâmbulo: existem duas teses a respeito da natureza jurídica do preâmbulo. que modifica o processo político da sociedade. o controle e a supremacia. só descreve a realidade – antigas constituições soviéticas).. Nominal: constituição que não conseguiu ainda modificar o processo político da sociedade. copiar do Lenza) Semântica: não serve para mudar a realidade. Pelo controle de constitucionalidade se expurga lei incompatível. Fazer lei ordinária é o mesmo que fazer emenda. embora tente a concretização. Uma primeira diz ser ele mera comunicação. não obriga as leis ordinárias. porque tudo que está nele está no próprio corpo de constituição. É fonte de hermenêutica constitucional. Alguns chamam a flexível de plástica.

só pode ser mudada pelo poder constituinte. até se tornar dogmática. Propõe mudar os estados gerais do reino. segundo Montesquieu. Siéyès propôs uma proporcionalidade “eleitoral” entre os representantes dos estados (clero. Houve de fato uma proporcionalidade (300. é mais fácil quebrar a resistência. Dar-se uma estrutura e um regramento por meio de uma constituição. ele dá a estruturação do Estado. só a burguesia pagava tributos. ela pode mudar a constituição. É possível se fazer um paralelo entre a relação sócios  contrato social (Estado = sociedade política). Os poderes constituídos são limitados pela constituição. pertence à nação (povo). por sua vez. conteúdo pelo poder de decidir. 1º ADCT: dispositivo etéreo. 3º estado: burguesia). Art. A burguesia rompe com os demais estados gerais do reino. que. “o belo”). era um órgão consultivo formado por três estados (1º estado: clero. continua em vigor. 300. mas não ficou claro se a votação seria por cabeça. na pauta de deliberação dos estados gerais do reino estava a questão tributária (a burguesia perdia sempre na votação). Poder constituinte formal: poder de escrever essas constituições materiais em uma formal. A nação não é refém da constituição. formando uma assembléia nacional constituinte. A mesma definição de constituição existe: Poder constituinte material: sempre existiu. 2º estado: nobreza. O poder constituinte é que cria a constituição. que. É um poder que sempre existiu como sempre existiu a idéia de constituição material. desde que existe o Estado. 1º ao 250.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Parte dogmática: parte comum do Art. aplicabilidade se esvai. inclusive mudar a forma dos estados gerais do reino. sem eficácia. O poder constituinte formal teve como marco histórico a obra de Emmanuel Joseph Siéyès – O que é o terceiro Estado? – A constituinte burguesa ou Qu’est ce que letiers é’tat de 1788. não é revogado. Isso não seria imutável? Não é imutável. 600). povo  constituição. que aconselhavam o rei em determinados assuntos. A França passava por uma situação econômica grave. nobreza e burguesia). ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 29 . cria os poderes constituídos. a exemplo da CPMF na ADCT  não há sinceridade constitucional. É texto constitucional. além de o voto ser por cabeça. O clero e a nobreza eram muito próximos e gozavam de privilégios tributários. donde surge a revolução francesa. Utilização da transitoriedade como símbolo – intenção de permanência. Esta obra diferencia o poder constituinte (deriva da nação) e poderes constituídos pela primeira vez. que é ilimitada. Disposições transitórias: faz transição – constituição quer dizer dirigir – tem realidade atual e futura – como atuar neste período. Existia na França os Estados Gerais do Reino em 1302 (criado por Felipe IV. PODER CONSTITUINTE É o poder que tem o povo de dar-se uma constituição. A organização do estado não pode ser mudada pelos poderes constituídos. porém. daí surge a idéia de poder constituinte.

CF) # de agente do poder constituinte ou exercente. ou seja. refundar uma nova ordem jurídica. ele é também poder desconstituinte. para outros são apenas os cidadãos. ele própria é a fonte de sua existência. O derivado reformador modifica esta constituição. O poder constituinte não existe por um fato histórico. aquele que pode tudo. ele é constituído. É o que faz nascer a constituição. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 30 . abrangeria inclusive as pessoas jurídicas. decorrente. O poder constituinte é o único que pode desconstituir a ordem jurídica anterior. O verdadeiramente constituinte é o poder de escrever. Para uns o povo são as pessoas que estão no estado. logo. O ministro Carlos Aires explica essa tese fazendo uma analogia com o apagador e o giz. enquanto o decorrente compreende as constituições estaduais e as leis orgânicas municipais (divergência quanto a este último). Do poder constituinte pode surgir um poder desconstituinte. 1º. Pode haver ainda o ato puro e simples de outorga imposto pelo ditador. ele tem que entregar este poder a um agente. A justificativa do direito natural pode ser divina. O titular não pode exercer por si mesmo o poder constituinte. grupos com personalidade fictícia etc (Frederic Müller – O Povo). Para o concurso esta ainda é a melhor classificação. Poder constituinte secundário seria contradição. O poder constituinte é ilimitado. É um só. clássicos (executivo. ele é auto-fundante. não há representante. porque ele é limitado. Corrente adotada pelo Brasil. O titular do poder constituinte é o povo (parágrafo único do Art. os estrangeiros. aquela que tem mais de um significado. ele existe autorizado pelo direito. ele próprio se funda. Divisão clássica do poder constituinte: Originário/primário e Derivado/secundário (reformador ou decorrente). não pode reiniciar uma nova ordem constitucional. 2ª corrente: é um poder de direito/jurídico (Tomaz de Aquino – jusnaturalistas) de direito natural. legislativo e judiciário). ele simplesmente existe. Os agentes/exercentes serão representantes que poderão ser eleitos (Assembléia Nacional Constituinte) ou ainda não eleitos: líderes revolucionários que tomam o poder e escrevem a constituição. O restante são poderes constituídos: poder de reforma. ela é plurívoca. Pensamento moderno sobre poder constituinte: não existe a distinção entre originário e derivado. histórico. A expressão “povo” não é unívoca. tudo começa com ele – Hans Kelsen e juspositivistas. Falar em poder constituinte originário seria redundante. O poder constituinte secundário não existe. O originário faz uma nova constituição.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Natureza jurídica do poder constituinte: 1ª corrente: é um poder de fato. O Brasil não adota o jusnaturalismo. ou ainda. ou não-divina.

não limitado à constituição anterior (emenda tem limites. ideologias). claramente.. Art. Austrália). Mas ela pode ser também violenta (belicosos ou beligerantes) como os golpes de estado e revoluções. A ilimitação do poder constituinte originário é a falta de limites jurídicos. 1937: ditadura. É manifestado em momentos de ruptura na sociedade (Jorge Miranda). A forma que iniciou a CF/88 foi uma emenda à constituição anterior que chamou uma assembléia nacional constituinte que tem poderes ilimitados. políticos. Há outros limites. que não são jurídicos (meta-jurídicos ou extra-jurídicos. 231. § 6º. Características do poder constituinte originário: não há nada acima o poder constituinte originário. caso contrário. 1891: república. 1934: movimento constitucionalista. 17 e 18 da ADCT). ele não é constituinte. Legislativo. 1988: nova redemocratização. 1ª vez funda o Estado. Ele pode se manifestar de diversas formas. Ele é inicial (poder de fato e não de direito – juspositivismo). que no caso do Brasil só teria existido em 1824. A ruptura pode ser pacífica. sem violência (CF/88. Em 1824: proclamação da independência. assembléia nacional constituinte não). sociológicos. metrópole que concorda com a independência da colônia e entrega a primeira constituição – Inglaterra entregou ao Canadá. Limites autoimpostos não são verdadeiros limites. o processo de surgimento de uma nova constituição é político. Poder constituinte originário: é o poder que cabe ao povo de darse uma nova constituição. não fica limitado pela ordem jurídica anterior. Jorge Miranda divide as limitações meta-jurídicas em ideológicas (ligadas à opinião pública. Voltando à classificação clássica. consideram-se recepcionados pela nova constituição (recebe leis e conseqüências dela). Assembléia nacional constituinte trabalhou de forma ilimitada em 1988. 1967/1969: nova ditadura. 1946: saída da ditadura.. morais) que vão limitar o poder constituinte originário. não coexiste com outra ordem jurídica superior ou colateral. valores. Isso em nome da segurança jurídica. ele inicia tudo. CF. éticos. por transição. é o verdadeiro poder constituinte (é o que faz nascer a primeira constituição de um Estado. não tem que respeitar direito adquirido. a exemplo do limite da vedação do retrocesso. culturais. autônomo. desde que previsto expressamente no texto constitucional novo (Ex: Arts. internacionais etc. A regra é a recepção desses institutos em favor da segurança jurídica. e o desejável é que seja por representantes eleitos para uma assembléia nacional constituinte. É único. logo. É ilimitado juridicamente ou incondicionado. coisa julgada e ato jurídico perfeito. institucionais 31 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . o demais é reforma).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO A nossa CF coloca o poder de reforma dentro de um poder constituído. Pela divisão moderna o poder constituinte originário é chamado de poder constituinte fundacional.

Em 1988 não foi uma assembléia a parte. ou o inverso (ser deturpada). imanentes (dizem respeito à configuração histórica do estado) e heterônomas (ligadas às relações internacionais). 3. Críticas: só em caso de assembléia. nova ruptura pode ocorrer caso esses limites meta-jurídicos sejam ultrapassados. mas isso não a torna ilegítima. Obediência ao procedimento constituinte. O tempo pode provocar a legitimação ou a deslegitimação. se não. Legitimidade da constituição fruto do poder constituinte originário: 1. se for outorgada não há procedimento algum. promulgação (ato final de uma assembléia nacional constituinte). Se obedecidas é legítima a constituição. como ela está presa às próprias regras? Não é verdadeiro limite.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO (instituições arraigadas na sociedade. direitos humanos conexos com a dignidade). Para ser legítima a constituição deve ser democrática na prática e não só na origem. Alguns senadores que estavam no meio do mandato (não foram eleitos) foram constituintes – falhas na assembléia de 1988. e todas seriam ilegítimas. 2. Positivação da constituição: momento em que a constituição é introduzida no ordenamento positivo. Em 88 o procedimento de votação não foi obedecido. Representantes ao mesmo tempo eleitos para legislar e elaborar a constituição. A própria assembléia estabelece as regras. E é um processo contínuo e não apenas em 88. pois uma maioria pode querer esmagar uma minoria. Na CF/88 foi grande. desde que isso não implique ferimento ao direito das minorias. por si mesma. é legítima a constituição. por referendo (povo se manifesta sobre o trabalho elaborado) ou por plebiscito (o povo autoriza que se escreva uma constituição). Participação efetiva do povo: influxo popular. o procedimento constitucional. Torna legalidade o mesmo que legitimidade. Parte do direito posto. substanciais: transcendentes (vem de valores éticos superiores. foi dentro do Congresso Nacional. mas com o tempo pode se legitimar. Na democracia o próprio poder do povo tem que ser limitado por valores (há autores que assim entendem). A sociedade não aceita. Uma constituição pode nascer ilegítima. a assembléia nacional constituinte mudou. quando não são a mesma coisa. onde se encaixa o pluralismo democrático? Há o perigo da tirania da maioria. Será legítima na origem quando há eleição para a assembléia nacional constituinte e quando há participação do povo no processo constituinte. Não se estende a terceiros que não participam da assembléia. Todos os critérios de legitimidade devem ser observados em conjunto. Juridicamente não há limites. Critério usado com cuidado. A de 88 32 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . A assembléia nacional constituinte possui regras de funcionamento. Vivência democrática: a constituição tem que ser legítima na origem e na prática. é ilegítima. Pode se dar por outorga (força). Obedecer as regras do regimento interno da assembléia é legalidade e não legitimidade. a exemplo da família). logo. Consensus: se o desejo da maioria da sociedade prevaleceu.

Várias normas inferiores não podem ser desprezadas porque provocaria um vazio normativo. Fenômenos do direito constitucional intertemporal: relação da nova constituição com o que já existia. não é automático. a sociedade é dinâmica e se a constituição não mudar. 25. e por isso a norma será revogada (STF). ADCT – até que se instalem novos tribunais. 70 da ADCT. apesar de não necessário. CTN – era lei ordinária). pois o que revoga é algo do mesmo nível. As alterações constitucionais podem ocorrer por processos: ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 33 . ela tem que mudar para durar. § 3º (prorrogação do regime jurídico para membros do MP empossados antes da CF/88). 25. Art. § 1º. ela repristina. A lei anterior tem que ser materialmente compatível. Recepção: como regra a constituição recebe todas as normas que não colidem com ela. 34.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO pode até ter sido considerada ilegítima. Repristinação: lei que não tinha sido recepcionada por constituição anterior passa a valer com uma nova constituição. automático. não precisa ser expresso. Regra geral não é aceita no ordenamento brasileiro. Art. fenômeno não automático). Há uma tensão permanente entre durabilidade (permanência) e mudança (atualização). 27. Poder Constituinte Reformador: poder de reforma. Se ela se choca. 29. Para que o fenômeno ocorra é preciso que seja feita expressamente. mas todos continuam em vigor até hoje. Art. § 5º. Art. Desconstitucionalização: nova constituição aproveita texto da velha constituição como lei ordinária e não mais constituição. A constituição é escrita para ter durabilidade. A completa ruptura não é atualização. 34. ADCT: revogação futura por ser incompatível – após 180 dias da promulgação. ADCT tem texto explícito nesse sentido. por exemplo. chamada pelo STF de revogação (equívoco. Prorrogação: é possível prorrogar normas anteriores de constituição precedente (tem que ser expresso. mas não para ser eterna. Arts. Normas da constituição anterior são recepcionadas com status de lei infraconstitucional. Este fenômeno é implícito. A não recepção demonstra a ocorrência de uma inconstitucionalidade material superveniente. mas nova constituição. como uma lei revoga outra lei). o conteúdo foi aproveitado – CP. quando seria possível em face da ilimitação e autonomia do poder constituinte originário. mas o tempo já a legitimou e nem tudo foi ilegítimo. há um descompasso. Modificar a constituição que já existe a fim de alongar sua duração. há a não recepção. A não recepção só se dá por incompatibilidade material (conteúdo) e não a forma (em 88 não existe mais decreto-lei. Este fenômeno tem que ser sempre expresso no ADCT.

Informais: muda o conteúdo. Essa limitação material pode ser expressa ou implícita (interpretação sistemática e teleológica). não pode ter EC nos próximos cinco anos. O STF não tem o exercício direto ou delegado do povo: discutir a legitimidade política do STF (que tem o poder constituinte reformador) para eventual mandato no lugar da vitaliciedade ao menos. CF: limitação formal (rigidez). interpretação doutrinária por força de conceitos jurídicos indeterminados etc). essência. Poder constituinte difuso: ele é latente. Chamado de mutação. significado. presidente da república e mais da metade das assembléias legislativas da federação – maioria relativa dos 34 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . Material: certas matérias não podem ser objeto de mudança devido à grande importância material. Todo poder emana do povo  representantes eleitos  STF (?!?). § 2º. CF e 3º do ADCT). A constitucional não tem ofensa à literalidade da constituição com a mudança informal (evolução da jurisprudência. Aqui foi adotado emenda para tudo em para um único momento a revisão. 60. em determinadas circunstâncias fáticas não está autorizado alterar a CF. Possui força superior que o limita. Ex: guerras. Art. rigidez para elaboração de EC. seja declarando a constitucionalidade ou inconstitucionalidade. Circunstancial: com certos fatos não se muda a constituição. mas a CF não reconhece). E ainda uma terceira hipótese de alteração formal por tratados de direitos humanos (entram como EC). conceituação de termos jurídicos indeterminados etc. Será inconstitucional se a mudança informal por jurisprudência ou doutrina ferir a literalidade da constituição (ex: Art. 102. sempre se manifestando. O STF. A mutação pode ser constitucional ou inconstitucional. Características do poder constituinte reformador: é poder derivado e não inicial. quando se revê toda a carta. exerce o poder constituinte reformador. Se dão por emenda constitucional ou revisão constitucional (Art. Limitações ao poder de reforma: Temporal: por exemplo. O que diferenciou ambos aqui no Brasil foi o quorum e o momento que pode ser feito e não se ela é pontual ou global. Se dá pela jurisprudência. Iniciativa da PEC: 1/3 da Câmara dos Deputados ou do Senado. é poder limitado ou condicionado.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Formais: muda a letra da constituição. interpretação da doutrina. O STF já disse não ser possível nova revisão. É também subordinado ao poder constituinte originário. CF – jurisprudência admite efeito vinculante às cautelares! Após a lei também reconheceu. EC é alteração formal pontual e revisão é alteração constitucional global. Formal: para mudar é necessário emendas que obedeçam a determinada forma preestabelecida. 60.

Não pode dizer que será desfeita (acabar com a indissolubilidade). Art. Nas situações mais graves a constituição não pode ser modificada (guerra).MS). tem que ser algo refletido. ela já deu as soluções. Rigidez do procedimento. Não serão objeto de deliberação. Não se confunde com o Art. O vício já se encontra na fase de tramitação legislativa – sequer pode haver a PEC. § 1º. a legislação emotiva é perigosa. § 4º. 60. formal (maioria) não pode a PEC rejeitada outras podem. é fraude à idéia dos dois turnos (os Arts. § 2º. cabendo iniciativa popular implicitamente (somente para prova subjetiva). ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 35 . O STF oscila no critério de definição de “tendente a abolir”. Uma modificação qualquer não necessariamente será tendente a abolir. Na sessão legislativa extraordinária a PEC também não pode ser reapresentada – limitação de natureza: temporal (minoria) não existe limitação temporal na nossa PEC. Há doutrina que diz que se aplica por analogia. 1º e 2º turnos no senado votado no mesmo dia – fraudaram o § 2º do Art. estado de defesa ou de sítio.6%). 60. CF: limitação circunstancial: intervenção federal. A constituição confia nela própria. 67 da CF: proposta de lei rejeitada pode ser reproposta na mesma sessão legislativa se houve um pedido da maioria absoluta de qualquer uma das casas. Art. Pode romper. Basta ser tendente a abolir matéria de cláusula pétrea e não apenas abolir. Art. 60. Fase preventiva (controle preventivo judicial .DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO membros de cada. 28 e 32 da CF estabelecem interstício mínimo de 10 dias para votação em 1º e 2º turno). Na Câmara já fizeram a mesma coisa com a EC/47. CF: limitações materiais: cláusulas pétreas. Estado de sítio e de defesa. Há vários modelos de federação. Não tem uma posição predefinida ou um parâmetro. 60. nem toda mudança na federação será tendente a abolir a forma federativa. intervenção. Não é possível ao povo propor EC: não cabe por iniciativa popular. A EC/45 é inconstitucional sob esse prisma formal. Art. há mais dois turnos de votação a fim de evitar alterações emotivas. Os instrumentos para solucionar já estão nela. CF: limitação formal. Sessão legislativa corresponde a 1 ano (de 15/02 a 15/12. não precisa ser mudada. conjuntamente. que é diferente do da elaboração de lei complementar e lei ordinária. 60. CF: limitação formal. Federação: foi cláusula pétrea desde a constituição de 1891. Sessão legislativa ordinária  15/02 a 31/06 e 30/07 a 15/12). A justificativa é não mudar na base da emoção. há previsão de quorum de 2/3 (66. 60. Apesar de não estar expresso. Não é o maior quorum da CF (3/5 = 60%). Mudar competências dos entes pode. refletir tranquilamente – amadurecimento da decisão de mudança constitucional. pode mudar para aproximar de um ou de outro. § 5º. CF: PEC rejeitada ou prejudicada não pode ser mais objeto de proposta na mesma sessão legislativa. mudar não. Além do quorum elevado. EC promulgada pelas mesas da Câmara e do Senado. não é algo tendente a abolir. § 3º. Art. Segundo o STF.

Os materiais (Carlos Veloso) são todos os vinculados à vida humana digna. 2ª. sociais e difusos). 3ª ou 4ª dimensão. É preciso que se faça interpretação maior do que a meramente gramatical. a emenda (cláusulas pétreas) deve ser interpretada ampliativamente (quando se amplia as cláusulas pétreas se restringe as emendas. Alguns dizem que são encontrados apenas no Art. O STF não resolveu este problema ainda. universal e periódico. A ascensão ao poder no Brasil é meritocrático e temporário. sem que isso seja tendência a abolir a separação dos poderes (tanto que admitiu o efeito vinculante). Na verdade a cláusula pétrea protege a regra. Vários ministros do STF adotam essa tese. Há vários modelos de freios e contrapesos. somente os individuais são cláusulas pétreas. Emenda é? A regra é a permanência ou a mudança da CF? A mudança por emenda é exceção. os direitos coletivos e sociais não são cláusulas pétreas (MS coletivo não é!?). Amplia-se as cláusulas pétreas para restringir as emendas. Obrigatório não é cláusula pétrea. sociais e difusos como projeção individual. “O povo de ontem não é o mesmo povo de hoje” – 1988 e 2006. Uma segunda forma (Ingo Sarlet) é interpretar direitos coletivos. 5º. que estão no Art. Como terceira forma de interpretação está a do ministro Carlos Aires de Brito: aplicar a regra geral de que o que é exceção tem interpretação restritiva e o que é regra tem interpretação ampliativa. Concluise que a finalidade é proteger os direitos fundamentais em todas as suas projeções (individuais. 5º e fora dele também (o fundamento dessa corrente é que não se deve limitar demais as mudanças da CF. tudo se encaixa na própria literalidade. Interpretação ampliativa  propõe uma hermenêutica sistemática teleológica. periódico. A doutrina desenvolveu duas linhas interpretativas. Busca-se a finalidade constitucional das cláusulas pétreas. instituindo muitos pontos como cláusulas pétreas. difusos coletivos). Uma delas é a busca dos fundamentos do Estado brasileiro. prevalecendo a regra de permanência). por isso a dificuldade em saber a abrangência. As emendas é que são exceção ao poder de durar a CF e não as cláusulas pétreas. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 36 . Interpretação restritiva  propõe uma hermenêutica literal. no título II tem alguns que não são. Separação dos poderes: o mesmo raciocínio para a federação. logo. sejam de 1ª. 1º da CF.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Voto: direto. Direitos e garantias individuais: essa expressão é a única referência na CF. Há várias formas de se justificar a ampliação. Poder moderador ou fim da independência não é permitido. secreto. pois se forçaria uma ruptura com o ordenamento. Tudo tem uma conotação individual. coletivas. Logo. Segundo o STF é possível mudar nosso modelo. ficando preso às idéias de 1988). São os direitos fundamentais (individuais. não se deve dificultar demais as mudanças. e outros que estão no Art.

Dificultar o processo de emendas: não é possível. Art. o rol não é cláusula pétrea. Não flexibilizar o processo de novas emendas. não pode por EC chamar novas Ecs. mas contornáveis (Jorge Miranda também). As cláusulas pétreas seriam ilegítimas. a democracia não pode ser uma cláusula pétrea. que é mais importante do que as cláusulas pétreas. o que não quer dizer que o alcance das que já existem não pode se elastecer. MP é instituição permanente: Hugo Nigro defende (Art. 217). 4. Essa parte da doutrina defende a dupla revisão. As do § 4º. 2. logo. interpretando os incisos do Art. § 4º de forma maior. O povo querendo mudar pode. Titular do poder: povo. Rigidez constitucional. Elas existem para proteger a democracia. A democracia é o valor protegido pelas cláusulas pétreas e não as próprias cláusulas pétreas (Carlos Ayres de Brito). 127) que o MP é cláusula pétrea. O MP é uma das barreiras protetivas da democracia. A democracia não é cláusula pétrea. Existem várias barreiras de proteção à democracia e a última proteção constitucional mais próxima são as cláusulas pétreas. pode. 2ª) Não. mais um ponto da mesma cláusula pétrea. ADI 981/93: só pode ser feita uma única vez. Princípio da dignidade da pessoa humana. como outras colocadas pela CF (forças armadas). 60. Revogar cláusulas pétreas. A CF envolve a democracia para protegê-la. é cláusula pétrea. pois não se pode negar ao povo de hoje a capacidade de mudar o que precisar mudar. Não é possível ampliar o rol de cláusulas pétreas pelos mesmos motivos (há quem diga que pode). apenas o originário pode. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 37 . Ela é o ponto central da constituição. As cláusulas pétreas são insuperáveis. O poder de reforma não pode se auto-limitar. Limitação temporal e limitação implícita de não facilitar o processo de EC. e por isso deve realmente ser entendido como cláusula pétrea (Art. CF são expressas. 60. 3º. o rol em si mesmo é uma cláusula pétrea? Existem três correntes: 1ª) Sim. 5. A doutrina é unânime em dizer que existem cláusulas pétreas implícitas: 1. O constituinte originário decidiu que elas não podem ser alteradas. O reformador não pode criar limites para ele mesmo. ADCT). 3ª) São legítimas. 3. Há hoje um discurso de se chamar nova revisão constitucional (Art. seria reduzir o valor da democracia.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Pode ter EC ampliando os direitos e garantias individuais. Exercente do poder de reforma: Congresso nacional. Ex: celeridade processual.

144. Existe no CN propostas de nova revisão. sem ele não. Em 1993 houve a possibilidade de por revisão constitucional aprovar emendas em um turno e por maioria absoluta (Art. ADCT).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Uma EC para revogar a cláusula pétrea e outra para mudar a constituição. No Brasil não se enfrentou o problema da dupla revisão. Para a maioria dos autores que entendem ser possível diz que poderíamos ter novo plebiscito sobre o tema. 6%) na Câmara e Senado. Na CF dos EUA de 1787 haviam 3 artigos sobre escravidão. uma delas para 1º/01/2007. 2º. A nossa é preciso de 3/5 (60%) sem ratificação dos estados. Isso porque haveria plebiscito para a confirmação (Art. PEC 01 de 06/10/88: sobre a instituição da pena de morte. a rigidez exacerbada também pode ser um problema. com referendo cinco anos após. e em 98 foi arquivada. Portanto. Sempre foi. A 38 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . ADCT). 60. Nova constituição é momento raro em que o povo se envolve. A maioria da doutrina é unânime em dizer que não é possível facilitar o processo de emenda. CF: MP é instituição permanente. por isso ocorreu a Guerra Civil de Secessão dos EUA (1861 a 1865). A CF também diz que outras instituições são permanentes (Art. mas em 88 não foi consagrada expressamente no § 4º do Art. Daí em diante seria considerada cláusula pétrea. República: prova objetiva não é cláusula pétrea. o que impede a instituição de uma monarquia. Há uma PEC de instituir o parlamentarismo em 2007. Não ficar escravo de 1988. ainda provocaria a superrigidez da constituição. Até hoje se diz que essa emenda que aboliu a escravidão é inconstitucional. CF). É inerente à república o voto periódico. Mas se a dupla revisão for acompanhada de plebiscito ou referendo poderia. § 4º). 60. menos rígida. além de ser auto-limitação do poder reformador. que levou à elaboração da emenda 13 da CF. 127. EC pode abolir?? Há quem o defenda como cláusula pétrea (Hugo Nigro). É possível emenda para dificultar o processo de emenda? Em Weimar (constituição da Alemanha) a ausência de cláusulas pétreas permitiu a flexibilidade da constituição. Há autores que entendem ser possível e outros não. 3º. dizendo que a hipótese de pena de morte contraria cláusula pétrea. Art. Em 97 a CCJ deu parecer pela inadmissibilidade. A federação e a separação dos poderes estão ligadas à idéia de república (Art. o que não pode ser aceito pela doutrina majoritária. emenda que aumente os requisitos para emendas futuras. nem referendar após a instituição. por isso numa reforma (decisão cotidiana) o povo não está envolvido e por isso não seria possível. Há doutrinadores que entendem que se pode dificultar o processo de emenda. De outro lado. Na constituição dos EUA de 1787 é preciso 2/3 (66. o que foi um problema (Hitler fez o que quis). para abolir a escravidão dos EUA era quase impossível. além de ¾ dos estados ratificarem.

tocante às cláusulas pétreas. mas o STF admitiu essa limitação. tem que observar os princípios da CF. São equivalentes a emenda (mesma força de EC). Poder constituinte derivado decorrente: é aquele destinado à elaboração das constituições estaduais e das leis orgânicas municipais. 11 do ADCT. Aprovação em cada casa. limitações materiais não previsto pelo Art. As cláusulas pétreas podem ser fundamentais (ADPF) para alguns autores. 29. Nenhuma situação foi submetida ainda. O STF terá que decidir. dois turnos e 3/5 de votos. ADCT). não seria possível nova revisão constitucional. 2º. lei orgânica municipal X constituição estadual  depende. entendidas como preceitos As cláusulas pétreas podem ser utilizadas como princípios de hermenêutica constitucional. Toda essa discussão porque há projetos que buscam nova revisão em 2007. É poder derivado. subordinado características do poder de reforma. mandou que fosse procedida a revisão) as limitações ao poder de emenda estavam presentes por ocasião da revisão (Art. 25. Encontra-se o poder constituinte derivado decorrente no Art. não é sempre a constituição 39 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . § 3º). nem o federal podem fazer nova revisão (STF). parágrafo único do ADCT. limitações formais. CF: o poder decorrente não é ilimitado. Por enquanto esta é a linha do supremo. não se falaria em poder constituinte derivado decorrente para eles (minoria). Revisão no Art. Há alguns autores que não admitem o município como entidade federada (José Afonso da Silva). no nosso caso. Mas se houver deverá estar limitada também às cláusulas pétreas. e limitado. Lei orgânica municipal: Art. quando já tinham status constitucional por força do § 2º do Art. 5º. 3º. Lei orgânica municipal X constituição federal  CF.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO emenda que chama nova revisão é uma emenda que facilita o processo constitucional de novas emendas. mas não foi o que o STF decidiu à época. ADCT – limitação temporal de 5 anos). As propostas seriam inconstitucionais. mas já disse por três vezes que não pode haver nova revisão. Revisão: prevista pelo constituinte em 1988. Tem autonomia no âmbito do estado respectivo. ADCT (na verdade ela só faria sentido se a forma ou sistema de governo tivessem sido alteradas como plebiscito. Outro procedimento de alteração formal da CF são os tratados e convenções internacionais de direitos humanos (Art. logo. logo. São as mesmas Art. Nem o legislativo estadual. 3º. 5º. Plebiscito em 07/09/93 para definir forma e sistema de governo (Art. 3º. 11. Alguns autores o julgam inconstitucional porque restringe o alcance dos direitos humanos – mesmos requisitos formais da emenda. CF e Art.

ou ainda ADI estadual no TJ. Pode dar ensejo a ADI ao STF para lei estadual e para lei municipal (ADPF para o STF. Os princípios são as decisões políticas fundamentais (Carl Schimitt). verdadeiro alicerce dele. segundo José Afonso da Silva. Celso Antonio Bandeira de Melo diz que princípio é o mandamento nuclear de um sistema. Se ele fizer a repetição facultativa terá que continuar aplicando a CF simetricamente. Podem ocorrer ao mesmo tempo. ADI: obrigatória. disposição fundamental que se irradia sobre diferentes normas. sem invadir competência municipal. Princípio não se confunde com norma: normas. portanto. Se lei estadual ou municipal contrariar a constituição estadual numa norma de repetição obrigatória na verdade estão ofendendo a CF. exatamente por definir a lógica e a racionalidade do sistema normativo que lhe confere a tônica e lhe dá sentido harmônico. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Influenciam a própria elaboração das normas jurídicas. Integra o sistema de normas. mas sobre todo o sistema normativo. Ela só será constitucional se atuar dentro de sua competência. A hermenêutica constitucional observará os princípios. Há uma mistura dos dois tipos de controle de constitucionalidade nos casos de normas de repetição obrigatória (mecanismo excepcional de controle). A constituição estadual tem normas próprias e repetidas da CF. ADPF: facultativa. ADC: facultativa. não cabe ADI contra lei municipal). As normas obrigatórias são chamadas de normas centrais da federação. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 40 . Influenciam a interpretação da norma e serve também para dar harmonia ao sistema de normas. As normas repetidas podem ser obrigatórias e facultativas (ex: medida provisória). Se for ação de controle abstrato de constitucionalidade apenas no TJ da decisão da ADI estadual de lei estadual ou municipal cabe RE ao STF (controle difuso ou concreto). Seguindo o mesmo modelo necessariamente.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO estadual porque ela é limitada pela CF e não tem supremacia. indispensáveis ao princípio federativo. É o mandamento nuclear do sistema. são preceitos que tutelam situações subjetivas de vantagem ou de vínculo. Se a constituição estadual legislar sobre matéria municipal ela será inconstitucional perante a CF. A lei orgânica municipal. pode prevalecer frente à constituição estadual. compondo-lhes o espírito e servindo de critério para sua exata compreensão e inteligência. Os princípios não tem aplicação endógena (apenas na CF). quando o STF poderá controlar a do TJ. As decisões políticas fundamentais são intimamente ligadas aos princípios. Ele vem antes das regras.

contraditório. presidencialismo). a vontade de quem exerce o poder não é absoluta. federação. Princípio da separação de poderes é positivo positivado. Podem ser classificados em princípios constitucionais e não constitucionais. 1º. Enunciam motivos para a decisão. Canotilho classifica os princípios constitucionais em: 1. norma é o resultado da interpretação. 2. conclusão. não expressos). e 4º. Princípios Jurídico-constitucionais: são os da ordem jurídica escritos na constituição (ampla defesa. “é tudo ou nada” (tem a seguinte estrutura: se acontece A deve ser B – o Direito é o mundo do dever-ser. 3. Os princípios constitucionais positivos podem ser: positivos positivados (explícitos. é concreta. Princípio do duplo grau de jurisdição é princípio constitucional positivo não-positivado (é possível saber de sua existência pela interpretação sistemática do texto constitucional que previu tribunais e recursos). expressos) e positivos não-positivados (implícitos. Submissão de todos ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 41 . ela não oferece espaço (motivo pode ser um ou outro). Alguns princípios positivos da CF/88: ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO: José Afonso da Silva divide em: Estado de Direito.Direito constitucional de um Estado). Há quem entenda como sinônimos regras e normas. da temporaridade. é regrada pela lei. Estado Democrático e Componente Revolucionário. O choque entre princípios não gera a anulação de um ou de outro. 2º. Utilizados na criação. Ela aponta uma decisão concreta Pode deixar de ser aplicada por um princípio. da especialidade. Estado de direito: é aquele onde há o império da lei. Princípios fundamentais: Arts. não apontam qual é a decisão. por isso o Direito é o mundo das regras) ela não dá alternativa. sendo que uma “mata” a outra – “tudo ou nada” (critérios para solucionar o conflito aparente de normas). algum vai prevalecer num determinado caso concreto. não dão a decisão concreta. democracia. Os princípios constitucionais podem ser gerais (pertencem direito constitucional em geral – no mundo) ou positivos (os que pertencem a uma determinada constituição . CF. uma delas terá que anular a outra (Dworking fala no sistema do “all or nothing” das regras). Princípios político-constitucionais: são os da ordem política escritos na constituição (república. A regra é algo mais concreto. Quando há regras colidindo não há como conciliar. interpretação e integração das normas. duplo grau de jurisdição etc).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Princípio é diferente de regra (Ronald Dworking): o princípio é o motivo para decidir de determinada forma ou sentido. Normas e texto também não se confundem: texto é o objeto da interpretação. É possível buscar o critério da hierarquia.

como por exemplo. O poder é absoluto porque tudo é do rei. a prática do nepotismo. responsabilização pelos seus atos – MP. mas não é suficiente. Os controles buscam acabar com as práticas patrimonialistas. Essa noção de legalidade formal é importante. também é cláusula pétrea). República: o poder é meritocrático. O Estado tem que ser democrático. permitindo a melhoria das condições do povo e não permitir a dominação de quem já está no poder. dizer que existe lei não é suficiente. igualdade. justiça social. não impede a barbárie. É aquele que institui a forma republicana de governo. Existe o controle do gestor público – tem que prestar contas. Para alguns autores não há diferença entre estado democrático de direito e estado democrático. O terceiro elemento é o componente revolucionário. eletivo (à exceção do Judiciário no Brasil) e periódico. Coisa pública confundida com coisa própria é chamada de patrimonialismo. até porque quem está no poder faz a lei. segundo José Afonso. utilizar veículo público para interesses particulares. ação popular – são órgãos republicanos. Forma de Governo: Monarquia: caracterizada pelo poder hereditário e vitalício. Ela não é cláusula pétrea explícita. melhorando as condições do povo. mas a partir do momento em que ela foi firmada pelo plebiscito não pode ser também objeto de emenda (divergente). ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 42 . É princípio constitucional positivo-positivado (princípio republicano). são condutas antirepublicanas. caracterizado pela soberania popular. A rigidez. O estado de direito e democrático tem que existir para revolucionar o status quo. corregedoria. não existe coisa pública. a fim de garantir a legitimidade para elaboração das leis. democracia. Existência da res publica – quem exerce o poder administra coisa do povo e não coisa própria.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO à lei – quem está no poder deve obedecer a lei. Esse é o verdadeiro. tudo é conseqüência do estado democrático de direito. TCU. Sistema de governo: Parlamentar: governa o 1º ministro e representa o chefe de estado. a participação popular. divisão de poderes. O estado democrático de direito é aquele que através da lei criada pela soberania popular é capaz de modificar o status quo. Presidencialismo: princípio presidencialista – o Executivo deve ser exercido pelo presidente da república de forma independente do legislativo – chefe de estado e de governo reunidos no presidente da república (assim como a república. No entanto.

O poder é um só. aplicar as leis (função executiva) e solucionar as lides entre particulares (função judiciária). Unitário: poder é um só em todo o território. Legislativo e Judiciário. No entanto. quando Montesquieu propõe uma tripartição orgânica. onde uma única pessoa concentrava em suas mãos as três funções. não nasceu com Montesquieu. A separação é relativa um limita o outro por meio do mecanismo de checks and balances (freios e contrapesos) e independência dos “poderes” – órgãos. Exercer mais de uma função é muito poder. ou seja. 2º. porque na verdade ele é um só. a distribuição das funções a órgãos distintos: órgão legislativo. um pode preponderar. porque ele é que toma a decisão política). SEPARAÇÃO DOS PODERES: A separação é orgânica apenas. É cláusula pétrea. Em síntese. Forma de Estado: outra decisão política fundamental. Aristóteles em “A Política” já se encontra que o Estado tem três funções. órgão executivo e órgão judiciário. executiva e judiciária) devem estar distribuídas em órgãos distintos. portanto. mas não são iguais. CF). as demais funções se 43 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . a tripartição foi imaginada para limitar o poder. São três órgãos: Executivo. O Estado liberal tem como preponderante o legislativo – Estado legicêntrico (o órgão central é o legislativo. não podem estar concentradas em um só órgão – tripartição orgânica e não de poderes ou funções – Legislativo. A idéia de divisão de funções. que dividiu as funções em dois grupos: legislativa e executiva. e há órgãos para exercer as funções. o que existia com a idéia de Aristóteles era a tripartição funcional de legislar. A justificativa da separação é a necessidade da independência de cada poder. Era preciso limitar o poder do monarca. Os poderes são independentes e harmônicos. Montesquieu se inspirou em Locke. depende do Estado. a separação dos órgãos não é absoluta. Montesquieu no século XVIII ainda está imerso na monarquia absolutista. Montesquieu. Executivo e Judiciário (um controla o outro). Reparte o poder no território. Cada função é exercida precipuamente por um órgão e subsidiariamente pelos demais. Há freios e contrapesos dentro das funções típicas e atípicas. Federal: princípio federativo. a de legislar (função deliberativa).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Sistema convencional: de assembléia. Cada órgão exerce função típica e atípica. diz que é preciso limitar o poder e as funções (legislativa. Sistema de freios e contrapesos: são mecanismos que trazem uma pequena interferência de um poder no outro para possibilitar uma maior sofisticação na limitação do poder. executar e julgar. cada um deles deve ter autogestão (Art. no “Espírito das Leis” (1748). Ademais. Já houve também uma divisão quádrupla: com o poder moderador (1824 – constituição de Benjamin Constanti).

Além de avaliar atos administrativos. Encontrado em vários ramos do direito. O sentido de proporcionalidade é mais amplo. Estado liberal – abstenção do Estado. A maioria ainda o denomina assim. Para o STF são sinônimos. Alguns autores dizem que esta é a razoabilidade. da isonomia. A constituição é programática – ele fiscaliza e suas decisões atingem a coletividade. Tudo isso fez com que o executivo crescesse. que devem ser razoáveis). É um princípio consitucional-positivo implícito (não positivado) – alguns autores dizem que tem origem no devido processo legal. mas para quem as distingue. Busca ajustar os objetivos e os meios necessários. E o legislativo. da razoabilidade. Razoabilidade – alguns entendem como distintos – o STF vem usando as expressões como sinônimas. 3ª geração: direitos coletivos e difusos .DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO limitam ao que for legislado (aplicar e executar). Usada nos atos administrativos. Os atos administrativos podem ser desconstituídos em face de uma ofensa à proporcionalidade. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE: Também chamado de princípio da proibição do excesso. 44 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . O poder público deve agir sempre com adequação entre fins e meios. assim como princípio da vedação do retrocesso. Hoje o domínio é do Executivo. A razoabilidade é uma das projeções da proporcionalidade (proporcionalidade estrita). A proporcionalidade não está positivada na constituição. Hoje se tem uma redefinição do papel desses órgãos. As funções atípicas estão aumentando cada vez mais. por sua vez. do estado de Direito etc. O seu papel político cresceu muito também em razão dos mecanismos de controle de constitucionalidade que surgiram no decorrer do século XX. O princípio da proporcionalidade é dividido em (direito alemão): adequação: a medida deve ser apta ao fim. O poder público deve agir de modo proporcional aos objetivos que pretende atingir. Medida provisória – legislar rapidamente.uma única decisão judicial passa a atingir toda a coletividade. necessidade: o meio é o menos gravoso possível. essa é a diferença. O executivo passa a ter mais condições de legislar – cresce sua função atípica de legislar – poder normativo das agências reguladoras e executivas (legislam). cresceu na função atípica (CPI) – fiscalização. a teoria passou a ser utilizada para avaliar atos legislativos no controle de constitucionalidade. No estado do bem-estar social o Executivo cresceu muito (fazer. Mas também decorre do princípio da legalidade. passando a ter maior notoriedade. executar e não só se abster). legislativos (a constituição já dá os objetivos e o legislador constrói os meios para se atingir. O Judiciário cresceu a partir da 2ª metade do século XX. proporcionalidade estrita: os benefícios da utilização da medida devem ser maiores que os malefícios (custo-benefício). todos indicam a existência do princípio da proporcionalidade. aspecto que fez com que o Judiciário se agigantasse.

mas um instrumento de mensuração de princípios. Quando a interpretação é feita pelo juiz o resultado que se tem é uma norma de decisão. Existe uma graduação da eficácia da norma constitucional. é um instrumento de ponderação. Em todo esse pensamento há uma correspondência entre norma e texto. Texto é o objeto da interpretação. É a que predomina na doutrina. norma é o resultado da interpretação. O STF vem utilizando cada vez mais o sistema da proporcionalidade. Normas-princípio são motivos. conclusão. enquanto o princípio é um motivo. A norma pode ser: válida (produzida nos termos da lei). embora a doutrina diga ser a mesma coisa.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO A proporcionalidade está presente em todo o sistema (ex: proporcionalidade das penas). abstração. A proporcionalidade é um instrumento para solucionar um choque entre princípios. declarado inconstitucional por falta de proporcionalidade. Essa definição conclui que norma = texto = dispositivo. Toda norma constitucional possui eficácia (diferente de concretização). Por exemplo. A proporcionalidade não é um motivo. Ela. Já as normas-regra são regras. norma é o gênero. Por isso. uma eficácia jurídica mínima e uma eficácia jurídica máxima. ela não é estranha à constituição e por isso é utilizada no controle de constitucionalidade. Princípios podem se chocar. Norma é diferente de texto. na verdade não é princípio. Toda norma constitucional tem eficácia mínima e é caracterizada por duas forças: força paralisante – paralisa tudo que não está de acordo com a constituição (não recepção). Sua importância vem crescendo muito no controle (EUA). Há uma outra maneira doutrinária de compreender o que é norma: norma # texto # dispositivo. Nessa idéia. vigente (é a que se encontra no ordenamento). sendo que prevalecerá um no caso concreto. aplicável (é a que está apta a produzir todos os efeitos. NORMAS CONSTITUCIONAIS José Afonso diz que normas são preceitos que tutelam situações subjetivas de vantagem ou de vínculo. que pode ser dividido em normas-princípio e normas-regra (divisão do professor Jorge Miranda). eficaz (é a que produz efeitos jurídicos – pode depender de outra norma). determinado estado dos EUA estabeleceu que era crime mulher tomar pílula anticoncepcional. é o dever-ser. e força impeditiva – é a que impede que entre no ordenamento inferior normas que lhe sejam contrárias (controle de constitucionalidade). ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 45 . Essa é a visão clássica. por si só já pode ser executada). não se choca com outro princípio. Regra é um dever-ser. não necessitando de complementação normativa. em si.

CF – conselho da república que não existe sem lei institutiva. Art. normas não auto-aplicáveis (not self-executing . sociológicos etc. § 2º. Sob esse aspecto. Quanto ao conteúdo: norma-princípio (aquela que positiva um princípio. Quanto à natureza: normas formalmente constitucionais (está escrita na CF). Classificação de Jorge Miranda. 5º. culturais. 3. atingirem a eficácia social (máxima). A norma programática possui eficácia jurídica. costumes etc) reduza essa liberdade. culturais. objetivo que precisa de lei para se concretizar. CF – a colheita de digitais em concurso público não é razoável. mas permitem que a lei reduza o seu alcance (Art. complementação por leis e fatores políticos. não é ilimitado. desde que seja razoável. XIII. ou seja. um dever-ser). de questões jurídicas e não-jurídicas. CF). Ela necessita de uma complementação. Art. 170. mas ela permite que lei (a própria CF. 4. a constituição real e efetiva é a soma dos fatores reais de poder (Lassalle). 1º. § 2º. norma materialmente constitucional (tem conteúdo constitucional). o meio é inadequado). CF. nem que seja a mínima (força paralisante e impeditiva) ela obriga o legislador (RE 168501).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Nem toda norma constitucional tem eficácia máxima. uma abstração – Art. CF). A verdadeira concretização da constituição depende. contida ou limitada. Contida: também são auto-aplicáveis. não necessitando de complementação. objetivos a serem alcançados (Art. CF – conselho de defesa nacional). Pode ser institutiva: exigem a lei ordinária para dar corpo a instituições e órgãos (Art. LVIII. 91. 5º. Limitada: aquelas que precisam de lei ordinária para serem concretizadas. A norma garante a liberdade. tem força normativa (eficácia). Classificação das normas constitucionais: 1. Enquanto não houver restrição a eficácia da norma será plena. 2. Determinados aspectos de saúde e educação podem ser de eficácia plena. Não se pode reduzir a concretização da constituição a uma questão jurídica. Essa ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 46 .dependem de lei infraconstitucional). Quanto à aplicabilidade (José Afonso da Silva): norma aplicável é a que está apta a produzir todos os seus efeitos. Eficácia máxima ou social é a efetiva concretização do texto constitucional. Constitucionalismo norte-americano: normas auto-aplicáveis (self-executing – aquelas que dispensam a lei ordinária comum – se aplicam por si só). 90. Permite a redução do alcance por lei. 3º. ou ainda programáticas: norma que prevê um programa de atuação. portanto. portanto. norma-regra (positiva uma regra. CF). absoluto (Art. a norma pode ser: Plena: aquelas cuja aplicabilidade não depende de nada e não podem ser restringidas pelo legislador ordinário. O que impede a eficácia máxima pode ser uma razão jurídica (falta outra norma – nos termos da lei) ou não-jurídica (políticas. fatores reais de poder).

HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL A tarefa do operador do Direito é a de decifrar o texto legal. chama a atenção para o seguinte: norma # texto. O juiz é mecânico. mas a vontade da lei. A norma está potencialmente no texto. chamando-as de normas de eficácia relativa restringível. em pensamento moderno. relativa restringível. ele deve se prender a certos parâmetros de hermenêutica. independe do momento histórico. apenas repetindo o que está na lei e o juiz ativo. Legislador (emissor)  texto legal (mensagem)  operador do Direito (receptor). mas também sobre os fatos. O juiz não pode. Em síntese sua classificação é a seguinte: norma de eficácia absoluta. Utilizada a interpretação histórica – da época em que foi elaborada a lei). relativa dependente de complementação legislativa ou complementável. Texto é o objeto e da interpretação do texto com os fatos resulta a norma (resultado). O juiz aqui é ativo  é o ativismo judicial: é a função ativa do juiz na hermenêutica. critério subjetivo. ele tem ideologia. Muda o nome das contidas. Ainda quanto à aplicabilidade. A norma não está completa na letra da lei. Ele não pode substituir o legislador. norma = texto. que interpreta.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO classificação está na obra de José Afonso da Silva na “Aplicabilidade das normas constitucionais”. todavia. é passivo. Texto + fatos + operador do Direito = norma. O texto em conjunto com os fatos gera a norma. onde ele constrói a norma a partir de um texto. O juiz (operador) vai debruçar-se sobre o texto. O juiz não poderá se desviar daquilo produzido pelo legislador presente no texto legal. ele é passivo. o que lhe dá poder muito maior na hermenêutica. Interpretativismo e não interpetrativismo: respectivamente referência ao juiz que pouco interpreta. o conteúdo é o mesmo. Se prende à vontade do legislador. Nesse ponto de vista clássico o papel do juiz é de apenas dizer o que está na lei. sob pena de ferimento à separação dos poderes. Postura interpretativista. portanto. ter liberdade plena. plena. Classicamente. participa da construção da norma. O juiz faz parte da construção da norma. ela é o resultado da hermenêutica. isso é interpretação evolutiva. é a letra da lei. acrescendo um quarto grupo: a de eficácia absoluta  norma tão absoluta que emenda não pode tocá-la (cláusulas pétreas). Texto é o dispositivo. tem parâmetros ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 47 . não importa a vontade do legislador. Eros Grau. postura não-interpretativista ou mens legislatoris (preso à vontade do legislador. a professora Maria Helena Diniz também classifica como José Afonso da Silva. eficácia limitada – eficácia relativa dependente de complementação legislativa ou norma de eficácia complementável. a mens legis.

DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO para trabalhar (hermenêutica). o Executivo interpreta a CF. Preâmbulo: sua utilização como fonte hermenêutica. Para Maria Helena são normas constitucionais de aplicabilidade absoluta. não é mais assim. Critérios para garantir o mínimo de A primeira idéia tinha o juiz como sujeito passivo  link com a ciência: o observador não interfere no objeto observado. não obriga o legislador comum. mas sistematicamente. plausibilidade com a norma. Espécies de interpretação * Judicial: feita pelo juiz e tem como resultado a norma de decisão. Estes parâmetros são chamados pela doutrina de características da hermenêutica: 1. igualdade. a depender da realidade fática a solução será determinada de acordo com a ponderação de interesses. 2. * Os fatos são importantíssimos para se resolver questões de controle de constitucionalidade. o observador interfere no objeto observado. legalidade etc. relacionando-se com o segundo ponto de vista de que o juiz é ativo. não deve ser interpretado um dispositivo isoladamente. * Norma pode ser: norma jurídica comum (aquela trabalhada pelos operadores do Direito. * Doutrinária: doutrina. Ele não tem força normativa. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 48 . 5. Princípios: tudo estruturado à luz dos princípios: separação dos poderes. ela tem sua organização. Hoje isso. em um segundo momento da ciência. Unidade: a constituição tem sentido único. exceto o juiz). Cláusulas pétreas: estão carregadas de princípios e devem sempre ser consideradas. Direitos fundamentais: devem sempre ser considerados para concretizar os direitos fundamentais. Título I da CF/88: fundamentos e objetivos da república federativa do Brasil. é um sistema. e norma de decisão (do juiz). * Administrativa: Administração pública. Alguns doutrinadores chamam isso de “moderna hermenêutica constitucional” – toda a tarefa de interpretação da constituição é voltada à concretização dos direitos fundamentais (uma idéia entre outras). Tem relação horizontal também com as normas constitucionais – estudar o texto constitucional à luz dos fatos e também do preâmbulo. 6. estado de direito. 3. 4.

Discutir os problemas a serem resolvidos. resultados práticos. Alguns doutrinadores incluem a interpretação popular da constituição. A segunda mens legis são a dos interpretativistas ou ativismo judicial – o juiz é ativo. Métodos de interpretação Gramatical: interpreta a CF a partir do texto. aquela feita pelo povo (que não é doutrinador). é uma unidade. A autêntica (feita pelo legislador) não é adotada por todos. não autêntica. Admitida apenas por uma minoria. mas não pode ser onipotente. É interpretação que busca a mens legislatoris (vontade do legislador). tem que se adequar com o tempo (mens legis – vontade da lei). Sistemática: a constituição interpretada com dispositivos isolados. logo. quando deve ser apenas um ponto de partida. Preocupação com a vontade da constituição e não do legislador. Interpretação só subjetiva: ficar presa a 1988: não aconselhado. Concretizador: o intérprete deve buscar concretizar a norma constitucional à luz de determinada situação histórica concreta. processo aberto de argumentação. A doutrina dos não-interpretativistas se coaduna com a primeira linha mens legislatoris. Também desaconselhado porque também está preso a momento histórico (1988). muita importância ao pensamento do legislador. Tópico-problemático: o intérprete deve priorizar os problemas práticos a serem resolvidos. O juiz não tem que interpretar. A interpretação gramatical e a histórica impedem a constituição aberta. é passivo. Alguns consideram a EC como interpretação. Interpretação presa no método gramatical não acompanha. Não existe para a doutrina majoritária. mas seria o constituinte derivado. ficando presa à letra e à história. atualizada. Se ele interpretasse estaria fazendo nova constituição e não interpretando. concretizar. não pode ser Teleológico: a partir da finalidade da constituição.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO * Autêntica: o mesmo autor do texto interpretado. Tentam construir essa idéia ainda. tem vida própria. A interpretação tem que ser objetiva. Teria que ser feita pelo constituinte originário. A lei se modifica. Isso significa que o juiz tem participação ativa na produção da norma (ativismo judicial). Problema: a constituição pode ter alteração não formal  mutação. desconsiderando que a constituição é aberta. Histórica: interpretar à luz dos acontecimentos históricos da época em que a constituição foi produzida (discussões que levaram à produção). Tem que interpretar. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 49 . Não se coaduna com a constituição aberta. Interpretar é aplicar.

Interpretação da lei conforme a constituição: não a constituição conforme a lei. É também uma técnica de controle de constitucionalidade. A constituição existe e deve ser interpretada para garantir os direitos fundamentais do cidadão.mens legis. A constituição material pode estar presente em lei ordinária inclusive. Força normativa da constituição: a constituição pode mudar. além de princípio de hermenêutica. Máxima efetividade ou princípio da eficiência: conferir à constituição a maior eficácia. * Inadmissibilidade da interpretação autêntica. intrínseca: interpretação dentro do sistema * Exclusão da interpretação da constituição a partir da lei. É parâmetro constitucional. influenciar a realidade. são valores não presentes em dispositivo único. Movimento da moderna hermenêutica: é a segunda visão de que o juiz é ativo. prática ou da harmonização: decorre da da constituição.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Princípios da interpretação (Canotilho) 1. os fatos são importantes para a criação da norma e o juiz deve examiná-los. Em conflito de dispositivos harmonizá-las à luz de cada caso concreto razoabilidade). Interpretação contrária vai de encontro à moderna hermenêutica. Bloco de constitucionalidade: algumas idéias estão presentes em todo o texto constitucional. Unidade da constituição: a constituição é um todo único. * Interpretação sistemática. 3. a constituição tem que ser concretizada e tudo isso tem que ser voltado à garantia dos direitos fundamentais. diverso. Escolher o caminho que confere maior efetividade. Regras de hermenêutica constitucional segundo Canotilho e Vital Moreira: * Interpretação objetiva: e não subjetiva (considera quem fez a lei – mens legislatoris). CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 50 . 4. um sistema. Buscar a prevalência da vontade da lei . Pela supremacia da constituição se interpreta a lei ordinária à luz da CF. * Interpretação constitucional. 2. Concordância interpretação sistemática constitucionais é preciso (ponderação de interesses. A cada caso concreto haverá fato 5.

Tem por objetivo ainda garantir o cumprimento dos preceitos fundamentais da CF (ADPF). foi só a 1ª aplicação prática. As bases do estado democrático de direito são a supremacia da CF. Em 1803 houve a primeira aplicação prática dessa teoria examinado pela suprema corte dos Estados Unidos no caso “Marbury X Madison” e juiz Marshall. antes da constituição dos EUA. Daí escapou dizendo que lei ordinária não pode criar competência para a suprema corte. Ocorre que Marshall não poderia desmoralizar o presidente Thomas Jefferson (era secretário de Estado nomeado para a suprema corte). De acordo com a pirâmide de Kelsen. a rigidez constitucional e o controle de constitucionalidade. Marshal declara inconstitucional a lei ordinária que fixava o foro privilegiado a Madison na suprema corte. as normas inferiores existem por força das superiores. A idéia de constituição era de algo que pudesse defender o povo frente ao legislador (parlamento soberano – o parlamento inglês editava leis tributando as colônias inglesas e nada poderia ser feito porque esse parlamento era supremo – sistema de soberania do parlamento inglês acabou por ser um dos motivos principais das 13 colônias inglesas na américa do norte tornarem-se independentes – daí a idéia de constituição como instrumento de defesa frente ao legislador). Origem: constituição dos EUA de 1787.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO O controle de constitucionalidade está ligado à rigidez constitucional. é escudo protetor do povo contra as decisões dos seus próprios representantes. que é matéria constitucional (James Madison era secretário de Estado que teria foro privilegiado na suprema corte nos termos de lei ordinária). Essa decisão julgou inconstitucional a ação de Marbury dizendo que a lei ordinária não poderia criar regra de competência. Leading case do controle. (O mesmo caso o STF julgou a constitucionalidade da lei FHC que fixava competência por foro privilegiado – declarou a inconstitucionalidade). após a posse de Thomas Jefferson (brecou o “trem da alegria”) contra Madison e quem estava na suprema corte era Marshall (encarregado de entregar o documento de posse a Marbury). A lei que contrariasse não produziria efeitos jurídicos. Hoje o controle se presta também a declarar que a norma inferior está de acordo com a constituição e não contrária. Marbury desejava o documento que lhe dava a nomeação a juiz. É o princípio da compatibilidade vertical das normas. só a constituição. A constituição é forte limite ao legislador. seria nula. É o primeiro caso jurisprudencial. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 51 . relator (MMM). mas esta decisão não inventou a teoria do controle. Controle de constitucionalidade é o mecanismo que faz prevalecer a supremacia da constituição. O Judiciário seria o guardião da constituição (idéia debatida pela Convenção de Filadélfia – textos federalistas. que é influenciada por esse pensamento e promulgada em 1787). A suprir uma omissão (ausência da lei) e não apenas para fulminar uma lei contrária à constituição. as quais não podem contrariar. Autores como Alexandre Hamilton já discutiam e escreviam a respeito. retirando do ordenamento as normas inferiores que a contrariam.

§ 10) (no modelo norte-americano – influência de Rui Barbosa). A intervenção era feita por lei e a ADI contra esta lei servia para acabar com a intervenção. A lei federal que proibia a escravidão no território federal era inconstitucional porque feria o direito de propriedade da constituição. 1988: aumento dos legitimados a propor ADI e surge a ADI por omissão. 1967 e 1969 não trazem grandes alterações. Os dois primeiros casos historicamente são casos concretos em que a discussão da constitucionalidade é incidental. 96) quorum de maioria absoluta para declarar a inconstitucionalidade. No Brasil. A lei inconstitucional não será nula. 101. Em seguida o seu dono o leva a um estado que não tinha escravidão. A suprema corte dá uma decisão assegurando direitos fundamentais (da propriedade). IV. que a ação não pode ser proposta etc). Dred era um escravo e morava em um estado escravocrata. disse que seria melhor não esperar por um caso concreto para controlar – sistema austríaco de controle de constitucionalidade – controle abstrato. o próprio legislador zelava pela constituição). acionando Sandford. fazem a previsão de atos institucionais que não podiam ser apreciados pelo Judiciário (novo período ditatorial). § § 1º e 2º) inaugura o controle concentrado. 15. legislador guardião da constituição) e em 20/11/1894 houve a elaboração da lei 221 que instituiu a justiça federal e um controle difuso a ser feito pelos juízes em casos concretos (Art. 1937 (Art. lei 9868/99 e 9882/99 regulamentou a ADI e ADPF respectivamente. mas anulável. Dred quer dizer que se tornou livre a partir do momento que ele morou em lugares onde não era admitida a escravidão. Hans Kelsen observando a proteção da constituição. ao contrário. O parágrafo único limita o controle do Judiciário  congresso nacional confirma a importância da lei por 2/3 de votos em cada uma das câmaras e a decisão de inconstitucionalidade fica inválida (a lei acaba por se tornar emenda.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO A segunda decisão de controle foi em 1853 (escravidão) no caso Dred Scott X Sandford. Defesa da constituição abstratamente. bem como a ADPF. PEC 358: 2ª parte da reforma do Judiciário. K)  ADI controle abstrato (idéia de Kelsen). 1891 (Art. Espécies de inconstitucionalidade: ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 52 . na constituição de 1824 não houve a previsão de controle (Art. 1946 (em 1965 com a EC 16 – Art. 35. acabando com a supremacia da constituição – apesar de inconstitucional ela irá permanecer – ditadura justifica a medida). 12. e após para um território federal que também não tinha escravidão e finalmente retorna com ele a um estado escravocrata. EC 03/93 criou a ADC e o efeito vinculante. só o STF poderia julgar a ADI interventiva. vendendo-o a Sandford. Hoje a intervenção depende de o STF dar procedência à representação interventiva promovida pelo PGR. EC 45/04 estabeleceu o efeito vinculante para a ADI e outras modificações. sem a necessidade de um caso concreto. A lei ordinária não poderia proibir a escravidão no território federal – nega o pedido de Dred. 13. É considerada uma das piores decisões dos EUA (diz que Dred é coisa. que não é a mesma de hoje. para só então ser editado o decreto de intervenção (é o oposto). I. em 1934 (Art. I.

DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO 1. Pode ser a inconstitucionalidade por ação total ou parcial (não se confunde com o veto parcial  texto integral de artigo. Ex: França. Composição mista do órgão de controle: metade dos membros da magistratura e metade escolhidos fora da magistratura. ou superveniente (nasce boa. Aqui atua a força paralisante da constituição. O controle não considera apenas o texto. podendo ser material ou formal a norma constitucional impede que faça nascer lei que contraria norma constitucional – atua a força impeditiva da constituição). A última hipótese do controle misto é a que prevê vários tipos de controle combinados (modelo dos EUA e modelo ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 53 . 3. Pode ser ainda inconstitucionalidade originária (a lei já nasce com vício. Pode ocorrer de a lei nascer boa. A jurisprudência do STF admite que a alteração da realidade fática pode tornar a lei inconstitucional. o que fez com que a lei se tornasse ruim. forma que contraria a prevista na CF – ex: MP assinada por ministro e não pelo presidente). mas hoje em dia a idéia é diferenciada. A mudança pode ser tanto por nova constituição como por EC – opera o fenômeno da recepção. com a possibilidade de alteração inclusive por mudanças da realidade fática. 2. A jurisprudência do STF fala em revogação da lei (Sepúlveda Pertence). sempre tem que considerar os fatos reais (é tarefa política – poder). a constituição não mudar e futuramente a lei se tornar inconstitucional  mudam os fatos: alteração das circunstâncias fáticas. caso contrário é melhor afastar todo o texto – declarar a inconstitucionalidade total. Por omissão: o legislador não agiu diante de uma norma de eficácia limitada institutiva ou programática. mas se torna inconstitucional devido a mudanças do texto da constituição .não recepção – esta incompatibilidade superveniente só pode ser material a formal só é aferida originariamente – a forma modificada por nova constituição não gera inconstitucionalidade (ex: decreto-lei em vigor hoje) não impede a recepção). 2. Político: o controle é entregue a um órgão político que não pertence ao Judiciário. Alteração do parâmetro constitucional. O controle é político para normas gerais e judicial para normas locais. Judicial: o Judiciário faz o controle. Hoje há mecanismos de inconstitucionalidade superveniente. Por ação: ato normativo editado que contraria a CF. Misto: mistura entre órgãos políticos e judiciais. Sistemas de controle de constitucionalidade 1. parágrafo ou alínea – o controle pode recair apenas sobre uma palavra ou expressão). Na inconstitucionalidade por ação pode ser por vício material (viola o conteúdo da CF) ou formal (o procedimento de elaboração da lei fere o que está escrito na constituição. Ex: Suíça. O Judiciário só pode afastar parte do texto se permanecer algum sentido para o resto do texto.

ou concentrado. aguarda a edição da lei. o controle é incidente (modelo dos EUA). só um órgão faz o controle. Mais um caso de vício formal que não está na jurisprudência do STF: MS impetrado por quem teve violada sua iniciativa ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 54 . Concreto: busca resolver o caso concreto que surge de uma lide.. comissões de constituição e justiça (na Câmara e no Senado).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO de Kelsen  Brasil). Tradicionalmente não existe. na fase do projeto. O parlamentar tem o direito líquido e certo de obstar que o projeto prossiga por meio do MS ao STF. § 4º: não haverá deliberação de EC. espalhado. O vício pode ser regimental ou constitucional. Tipos de controle: Preventivo: antes de a norma ingressar na ordem jurídica. a norma já está produzindo efeitos. Há ainda o MS impetrado por parlamentar quando a tramitação de PL ofende o processo legislativo constitucional. No regimental o STF não interfere. CONTROLE PREVENTIVO REPRESSIVO DIFUSO: vários órgãos realizam o controle CONCENTRADO: só um órgão faz o controle CONCRETO: resolve o controle que surge de um lide ABSTRATO: não há lide. Preventivo judicial: mandado de segurança. o controle da lei em tese Sistema brasileiro de controle de constitucionalidade: como regra geral diz-se que o controle adotado pelo Brasil é repressivo e judicial.. Repressivo: após. 60. mas a jurisprudência do STF admite o MS impetrado por parlamentar quando o projeto de EC ofende ou é tendente a abolir cláusula pétrea (Art. mas não é uma regra absoluta: Preventivo político: veto presidencial por inconstitucionalidade (controle) que será revisto pelo Congresso (novo controle preventivo). verificar se o projeto está de acordo com a CF. Mistura entre o repressivo/preventivo. Se a tramitação ofende a própria CF o STF admite a paralisação do PL em tramitação. é controle da lei em tese (Kelsen). Pode ser: Difuso: vários órgãos são autorizados a realizar o controle. abstrato: não há lide. – controle na fase do projeto). de um conflito de interesses. concreto/abstrato (Brasil). difuso/concentrado.

Ex: aumento de servidor público federal só o chefe do executivo pode (Art. 52. TCU também pode deixar de aplicar lei que considera inconstitucional. Modificação no texto originário da MP não produz efeitos a terceiros. 62. declara a inconstitucionalidade  chamado de reserva de plenário. por exemplo). São os três casos dados pela doutrina tradicional. ADC e ADPF. negativa do executivo em aplicar a lei inconstitucional (ainda não declarada) a seu juízo. em regra). Art. por omissão ou interventiva). X: Senado pode suspender a execução de lei julgada inconstitucional em caso concreto (controle difuso). o presidente pode impetrar MS contra este ato para defender a sua iniciativa constitucional privativa. V: Congresso Nacional sustar atos normativos do Executivo que já estão produzindo efeitos. Art.61. a especializada cita ainda: legitimidade ativa da ADI e ADC (mesa da Câmara. Os órgãos fracionários não podem declarar a inconstitucionalidade. Repressivo judicial: pode ser concreto (difuso. se houver. Discussão sobre a constitucionalidade da lei que um dos litigantes fundamenta seu pedido – o juiz terá que analisá-lo incidentalmente.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO legislativa privativa. § 1º). Também poderão (turma ou câmara) julgar declarando a inconstitucionalidade quando já houver posição do STF (pleno) ou dos órgãos especiais pela ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 55 . Revogação da lei inconstitucional pelo próprio legislativo por meio da edição de uma nova lei. só quando a lei de conversão for editada. Na verdade o controle da MP é ao mesmo tempo preventivo (em relação à lei de conversão) e repressivo em relação à MP em vigor (texto original). não precisa aguardar o veto (doutrina). regulamento não pode criar obrigação) ou ainda exorbita na delegação conferida. não depende de argumentação por uma das partes para que ele analise inclusive. O juiz poderá de ofício conhecer do problema. 49. Repressivo político: a doutrina entende que existe nos seguintes casos: Art. * Controle judicial concreto ou difuso: também chamado de controle incidental ou por via de exceção. § 5º: medida provisória (produzem efeitos desde a edição. A inconstitucionalidade não precisa constar da causa de pedir. Ações típicas são ADI (genérica. ele é causa de pedir. 97. atos que exorbitam ou inovam no mundo jurídico (só lei pode. Há uma lide em caso concreto (MMM – como teve início). Congresso faz juízo prévio sobre o atendimento dos pressupostos constitucionais antes de falar do mérito. Ele não é o pedido. Art. Luiz Roberto Barroso cita essas hipóteses. Maioria absoluta dos seus membros do pleno ou do órgão especial constituído (de 11 a 25 membros). Para declarar a constitucionalidade não há o princípio da reserva de plenário (câmara e turma podem declarar a constitucionalidade). Se um deputado tiver a iniciativa. qualquer juiz ou tribunal poderá examinar e fazer o controle) ou abstrato (concentrado – STF ou TJ). CF: para o controle difuso e abstrato. Exercido por qualquer juiz ou tribunal por argumentação de inconstitucionalidade incidentalmente em um caso concreto (argumentação deduzida em juízo).

que seria obrigatório (minoria – o Senado só participa no controle difuso porque no concentrado a lei já não mais produzirá efeitos. Art. X. Ex tunc: efeitos retroativos. 481. Efeitos da decisão judicial no controle difuso: Inter partes: atinge as partes litigantes apenas. O Senado pode suspender a execução de lei federal. O controle difuso é subjetivo (entre partes). parágrafo único. Passará a ter efeitos erga omnes. portanto. Ele vem passando por um processo de objetivação – passar a atingir terceiros  amicus curiae em RE no controle difuso (informativo do STF n. estarão apenas aplicando um precedente. 52. o Senado não participa. Pela pirâmide de Kelsen extrai-se o princípio da compatibilidade vertical em que qualquer norma que não esteja compatível com a CF (ponto máximo da pirâmide) deve ser retirada do ordenamento. ). de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do STF. Alguns autores sustentam que essa decisão tem natureza judicial que seria ex tunc. deverão deduzir ação um a um (é uma falha!). ADC ou ADPF (repressivo). a depender dos termos do pedido.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO inconstitucionalidade da questão (Art. e mesmo que o STF julgue inteiramente inconstitucional ele pode suspender só de parte dela  juízo de conveniência. Os atos pretéritos realizados com base na lei inconstitucional não são atingidos. CF: aplicado apenas no controle difuso. A lei não fica revogada. Ainda excepcionalmente o efeito no controle difuso poderá ser ex nunc (RE 197917 – número de vereadores). destituídos de qualquer carga de eficácia jurídica. Há uma exceção em que os efeitos da decisão judicial no controle difuso será erga omnes  ações coletivas (ACP e AP). mas é ex nunc. * Controle judicial abstrato: concentrado ou objetivo de constitucionalidade realizado pelo STF (CF) ou TJ (CE’s). O efeito é ex tunc em relação às partes do processo. assim como no controle abstrato estadual a assembléia legislativa não participa). Ações típicas são ADI. Se o pedido foi concreto poderá haver o controle desde que seja um controle efetivamente de um caso concreto (declarar incidentalmente a inconstitucionalidade para atingir um caso concreto) e neste caso a decisão terá efeitos erga omnes. A ADI genérica é o ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 56 . Se o pedido for o de uma ADI (disfarçada) não poderá haver o controle (abstrato – usurpando a competência do STF). Caso o Senado suspenda a execução da lei declarada inconstitucional incidentalmente os efeitos serão erga omnes e ex nunc em relação aos terceiros atingidos. só não será mais aplicada (suspensão). estadual e municipal. uma vez que os atos inconstitucionais são nulos e. Senado suspende a execução no todo ou em parte. CPC). O Senado não é obrigado a suspender a execução da lei.

resoluções do TSE quando veicular ato normativo. § 2º (estadual) da CF/88 e lei 9868/99. 97. “a”. Poderão ser objeto de MS (não cabe MS contra lei em tese. Essa atividade é um poder contramajoritário (Luiz Roberto Barroso). I. regulamentos autônomos (Art. 102. Há algumas que são chamadas de lei. 102. Municipal será objeto de ADPF. Arts. se legislar matéria de competência municipal não cabe. O STF costuma dizer que ADI e ADC são a mesma coisa. Cabe ADI contra: emendas constitucionais. mas caso seja de efeitos concretos será cabível). lei delegada (tanto do ato que autoriza a delegação. a IX. decretos legislativos e resoluções quando são atos normativos (ex: RI). ela é um processo de verificação da conformidade entre a lei e a constituição. § 2º. contra o princípio da maioria (maioria do povo que elegeu o legislador para fazer as leis). lei no período da vacatio legis. O objeto da ADI é lei ou ato normativo federal ou estadual. 103. O STF atuando como legislador negativo atua contra o poder da maioria  poder contramajoritário. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 57 . § § 1º e 3º. Para leis ou atos préconstitucionais (a recepção ou não recepção não poderá ser discutida em ADI. 125. regimento interno de tribunal (vício constitucional). Essa é uma atividade política. um processo dialético. VI) (regulamentos comuns não podem). Exceção: lei de criação de municípios. vinculada ao poder semelhante à de “legislador negativo”. E é isso que garante a supremacia da carta magna. mas não propriamente o contraditório e a ampla defesa. é um processo objetivo. tratados internacionais (lei ordinária ou EC). Este processo não é um processo civil comum subjetivo. 84. “p”. mas se aproximam de ato administrativo com efeitos concretos. enquanto que o objeto da ADC é apenas lei ou ato normativo federal (PEC 358-A confere à ADC o mesmo objeto da ADI – lei ou ato normativo estadual também). medidas provisórias. Objeto da ADI: lei ou ato normativo estadual ou federal (ADC somente federal). A ADI não visa dar a cada um o que é seu. A ADI não envolve partes. A lei municipal pode ser objeto de controle na ADI estadual em face da constituição estadual apenas no TJ. STF faz o papel de legislador negativo retirando normas e não resolvendo caso concreto. quanto da própria lei). só que com um sinal invertido. tecnicamente não existe contraditório e ampla defesa. pareceres da consultoria geral (AGU) aprovados pelo presidente (quando se tornam obrigatórios para a administração pública federal). I. Haverá uma defesa. Não cabe ADI em face de: lei de conteúdo concreto (ato normativo abstrato coercitivo é lei). O TJ só pode fazer o controle com base na CF sendo difuso. mas na verdade ainda não são a mesma coisa. ADI genérica: mecanismo de controle que objetiva expurgar do sistema jurídico um ato normativo que contrarie a CF. lei do DF  com base na competência legislativa do estado.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO mecanismo que retira do ordenamento normas inferiores que contrariam a constituição.

só por EC) (STF não aceitou a teoria das normas constitucionais inconstitucionais). Antes o STF entendia que a ADI perdia o objeto. abstração e coercibilidade. conselho federal da OAB. a lei deve estar no ordenamento. Presidente em face de uma MP. Para regulamentos comuns. Durante ADI muda dispositivo da CF  ela perde o objeto. mesas de assembléias legislativas ou câmara distrital. convenções coletivas de trabalho. por exemplo. Legitimados especiais: exige pertinência temática da parte ativa. mesas da câmara e senado. decreto regulamentar. Lei ou ato normativo: ato que tenha os atributos de generalidade. Tudo isso pode ser objeto de ADC sendo federal. atos privados. A jurisprudência do STF divide os legitimados em dois grupos: Legitimados universais: podem ajuizar toda e qualquer ADI. A própria autoridade que editou ou participou da produção do ato normativo pode propor ADI. normas originárias (teoria das normas constitucionais inconstitucionais – Otto Bachof . Diretoria estadual de partido político não pode propor. É a chamada lei de efeitos concretos (lei que desapropria o imóvel rural e lei orçamentária) que não podem ser objeto de ADI. Para ser considerado de “âmbito nacional” analogicamente a lei orgânica dos partidos políticos. Não é a mesa do congresso. apenas a da câmara e do senado.não admitida pelo STF. São os governadores. Podem propor ADI: Art. São o presidente da república. Pode ser que algum ato tenha a forma de lei. mas não tenha conteúdo ou substância de lei. Tudo isso pode ser discutido em controle difuso ou ADPF. sentenças normativas. OAB só a nacional.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO só em ADPF). confederação sindical. Lei de criação de municípios pode ser objeto de ADI. Para atos revogados também não. normas de estado estrangeiro (pode ser negado o exequatur mas declarar a inconstitucionalidade não). PGR. ocorre que na ADI 1244 há um voto no sentido de que se a lei foi revogada no curso de uma ADI ela deve prosseguir. 103. A perda superveniente da representação no congresso não prejudica a ADI em andamento proposta por partido político (a partir de 2004). entidade de classe  pertinência temática entre o objeto da ADI com o legitimado. Os requisitos são analisados por ocasião da interposição da ADI. CF prevê os legitimados para propor ADI. A exigência de a entidade de classe estar em funcionamento há mais de um ano é só para MS coletivo. estaduais não podem. partido político com representação no congresso nacional. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE interpreta-se 58 .

mesmo ele sendo o autor o processo volta a ele para parecer (razão histórica). Art. É também indisponível o pedido da cautelar. 7º). ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 59 . Acreditava (em 88) que a lei era boa. 103. Não é réu! PGR: antes de 88 ele era o único a poder propor ADI. Pertinência temática e interesse de agir – o STF diz que não há interesse de agir mesmo com a pertinência temática (na verdade tem sim). Ultimamente está ocorrendo a objetivação ou abstrativização do controle difuso (autor x réu com decisão inter partes). mas na verdade é mera notificação e não ato para formar lide com contraditório e ampla defesa. 103. Hoje. Art. abstrato. A decisão no controle difuso é um precedente e a força dele acaba por atingir terceiros (as demais ações começam a ser julgadas no mesmo sentido – ex: progressão em crimes hediondos decidido em um HC). Isso para não privar a questão da análise do STF. No pólo passivo estarão as autoridades das quais emanou o ato impugnado. Nas ADIs estaduais melhor seria que não fosse a AGU. mas é. VIII e IX exige (partido político. Informativo 401. mais do que custus legis. então propunha a ADI – raiz da ADC. Lei 9868/99. 402 ou 403 do STF. é processo objetivo. interesse de agir (jurisprudência do STF). defesa simples (sem contraditório e ampla defesa). É processo unilateral. Ocorria que quando uma questão lhe era apresentada ele poderia promover a ação. 7º. passou a promovê-la. mas a questão era plausível. lide.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Associações de associações passaram a poder propor ADI (ADI 3155). confederação sindical e entidade de classe). § 3º: AGU – a CF fala em citação. ou seja. Admitida a manifestação do amicus curiae por escrito ou também oralmente (Art. mas os fundamentos eram bons. partes. Não há pretensão resistida. O MP é custus constitutionis. Não é admitida intervenção de terceiros (Art. para só após proferir o parecer com sua opinião. Com isso o STF está passando a admitir o amicus curiae no controle difuso (é figura do controle abstrato). Assim. I a VII: dispensa advogado. Não há prescrição e decadência em ADI. mas havendo advogado deverá juntar procuração com poderes específicos. Art. Não é possível desistir da cautelar. fora da atividade judicial típica. 5º: indisponibilidade de instância. arquivá-la por ser totalmente incabível ou quando não concordava. § 2º) por despacho irrecorrível do relator . se não for o autor será ouvido previamente em ADI e em todos os processos do STF. não admite desistência.

Não retira a condição de abstrato do controle (mas ele não é tão abstrato assim). Art. mas pode ser afastado expressamente. porque se for exigir como se aplicaria a uma legislação em vigor há muito tempo? Não há de se falar em periculum. § 1º).Art. Efeitos da cautelar na ADI: * Erga omnes. * Ex nunc (excepcionalmente ex tunc . quando houver. 12). * Vinculante. Requisitos: fumus boni iuris e periculum in mora. A jurisprudência do STF admite que o requisito do periculum in mora pode ser substituído pelo critério do requisito da conveniência. As circunstâncias fáticas vão influenciar no julgamento da ADI. mas ele sempre estará vinculado aos fatos/realidade – atividade política de legislar negativamente. O requerente pode fundamentar o seu pedido em uma causa de pedir e o STF fundamentar em outra (fundamenta com vício no conteúdo e o STF entende que há vício formal apenas). A cautelar tendo também efeito vinculante poderá dar margem a reclamação no STF ou TJ. mas o que prevalece é que independentemente do pedido a abranger (lei A) na inicial haverá o efeito repristinatório. 5º.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO O controle é abstrato porque não está vinculado a uma lide. que fica suspensa. 9º. I. Decisão na ADI: Na ADI não há adstrição à causa de pedir. § 2º). ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 60 . Na MC. 9º. CF) (Arts. mas o pedido é determinado. quando o efeito será não repristinatório (Art. * Repristinatório: aplicar lei anterior A à que teve MC ADI (lei B). § 1º da lei 9868). sempre será concedida por maioria absoluta. o STF aceita. 10 a 12 da lei 9868): salvo no recesso (cautelar apreciada por juiz monocraticamente). sendo matéria relevante remete diretamente ao tribunal para julgar o mérito (Art. Medida cautelar em ADI (Art. 6º por vício formal – STF pode acolher como material. TRF e TJ). no processo civil há. Há alguns julgados no STF dizendo que ambas as leis (A e B) sejam incluídas na inicial. não pode julgar inconstitucional o Art. A jurisprudência do STF diz que esse efeito existe. Ele é a regra. embora nem a CF nem a lei 9868 diga expressamente. A causa de pedir é aberta. 102. 11. § 2º igualmente reporta-se às conseqüências fáticas dentro do controle abstrato (requisitar informações aos tribunais superiores. por exemplo). Não é somente o texto comparado com a CF. 11. A causa petendi é aberta porque o processo é objetivo. é a realidade fática comparada com ela que influencia no julgamento no controle (Art. mas isso não significa que o STF poderá decidir ultra e extra petita (ex: ADI contra Art. p.

Efeitos da decisão final da ADI: Erga omnes: se relaciona com os efeitos subjetivos da coisa julgada. 2877. Assim. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 61 . Não há impedimento ou suspeição. 2608. 2982. As diferenças entre uma e outras estão diminuindo. O STF pode entender que a lei passou a ser inconstitucional (ADC 01). Não alcançada à maioria suspende-se o julgamento.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Arrastamento: ADI 2982. 24 diz que a ADI procedente = ADC improcedente e que a ADI improcedente = ADC procedente. Inicialmente o STF passou a admitir a reclamação para garantir a autoridade de suas decisões. 2666. logo. 22: presença de pelo menos 8 ministros e manifestação da maioria absoluta – 6 ministros. 2877. Exceção. apenas embargos de declaração. Art. Na dúvida a lei presume-se constitucional (presunção relativa de constitucionalidade da lei). Não cabe ação rescisória. Por isso o STF diz que ADI e ADC são iguais. só que com o sinal invertido. O Art. 2797. Na ADI 2231 ministro Gilmar Mendes se declarou impedido porque atuou como advogado geral da União defendendo a lei impugnada. E a tendência é que tudo seja resumido em uma só ação. A decisão da ADI vincula os demais órgãos do Judiciário. o processo é objetivo. Essa possibilidade é o cerne da vinculação (consagrada na jurisprudência do STF e que só depois viria a ser o conhecido efeito vinculante). PGR que move ADI e mais tarde se torna ministro do STF. pode haver reclamação antes do trânsito (posição jurisprudencial do STF). a lei é constitucional e continua no ordenamento. Na ADI 1880 entendeu que qualquer pessoa poderia se valer da reclamação. 2666 e 2608). mas o próprio Supremo não. estadual e municipal. pois a lei será retirada do ordenamento jurídico. Os efeitos correrão da data da publicação e não do trânsito em julgado. Vinculante: ao judiciário e administração pública direta ou indireta federal. dispensando a passagem pelo juiz de direito até que chegasse ao STF. fazendo com que alcance todas as pessoas. continuando quando os demais ministros estiverem presentes. Exceção: no controle judicial e político preventivo (contra projeto de lei) a presunção de constitucionalidade é da lei e não do projeto de lei. Da decisão não cabem recursos. a oposição dos embargos de declaração não impede os efeitos da ADI (Reclamação 2576). O STF julgando uma ADI procedente ele também sofrerá os efeitos da decisão. Significa elastecer o pedido quando a inconstitucionalidade de um pedido implicar a de outro não expressamente impugnado (seria incompatível) (ADI 2797. mas se julgar improcedente a ADI. Uma ADC procedente não impede uma ADI futura. Só que somente as partes legitimadas poderiam interpor a reclamação.

O STF poderá ainda fixar outro prazo que não o trânsito. mas apenas para impedir que seja aplicada – pelo Judiciário ou pela Administração). em regra. vinculante e ex tunc. repristinatório. 27 excepciona a supremacia da CF e a teoria da nulidade (razões de segurança jurídica e interesse social . mais que maioria absoluta) decidir que só terá eficácia a partir do trânsito ou outro momento fixado (ex nunc). Mesmo antes da CF/88 ou da lei 9868 o STF tem várias decisões que dizem haver efeito jurídico em lei inconstitucional.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Vincula ainda toda a administração pública direta e indireta. quando a lei estará sendo apenas anulável (sistema austríaco de inconstitucionalidade de Kelsen – só que nesse sistema se permite a prorrogação até 1 ano após a decisão). 27 diz é que isso é relativo e não absoluto. Transcendência dos motivos determinantes da decisão do STF em relação a uma lei ou ato normativo podem afetar outros atos normativos análogos. 27 da lei 9868 permite a modulação dos efeitos da decisão procedente da ADI por razões de segurança jurídica ou interesse social com mais de 2/3 dos membros (8. 27 (há duas ADIs contra esse artigo. ADC e às cautelares. possibilitando que ato inconstitucional tenha efeitos mantidos até o trânsito ou outro momento (sem limitação). podendo prorrogar a validade da lei inconstitucional tanto posterior quanto anterior ao trânsito. não se pode dizer ainda que a lei inconstitucional é anulável e não nula. CPC). O efeito vinculante incide inclusive sobre uma fase de execução (Art. a modulação dos efeitos da ADI pode ir para frente ou para trás em nome da segurança jurídica e excepcional interesse nacional. o que importa não é que a impugnação foi feita a um determinado ato (RI). Cuidado. inclusive anterior à edição da lei impugnada atingindo lei anterior que havia sido revogada (torna dispensável que a inicial impugne expressamente). o que o Art. Em síntese. A lei inconstitucional é nula. Todos esses efeitos se aplicam à ADI. mas é isso que se vislumbra nesse Art. mas ao conteúdo dele. pode reconhecer a inconstitucionalidade. Exceção: Art. 741. O efeito vinculante atinge o Legislativo? A jurisprudência do STF se firmou no sentido de que não há efeito vinculante para o legislativo. estadual e municipal. Ex tunc. Possível a restrição dos efeitos erga omnes. mas fixar a data mais conveniente. A natureza jurídica do ato inconstitucional é nulo. O Art. deve retroagir sempre. mas o STF inclusive já aplicou o dispositivo). a ADI deve apagar os efeitos da lei. Outro ato com idêntica inconstitucionalidade não precisa de ADI para ser retirado. federal. sua natureza é declaratória de nulidade da lei (efeitos ex tunc). Desde o caso MMM diz-se 62 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . bastando a reclamação ao STF. Mas no momento em que alguém aplicar essa lei a reclamação poderá ser utilizada (não impede o legislativo de legislar.relacionado a fatos). É dizer que o STF declara uma lei inconstitucional e o legislador pode elaborar lei com mesmo conteúdo. Isso vai depender muito da realidade fática. inclusive no que diz respeito aos atos análogos.

agora. A reclamação 1880 também reconheceu que a liminar da ADI teria efeito vinculante. Com a EC 45 o efeito vinculante está dirigido ao Judiciário e administração pública direta e indireta (antes ao Judiciário e ao Executivo). em caso de descumprimento enseja reclamação (Art. Vincula: demais órgãos do judiciário. são efeitos semelhantes. A fundamentação deve ser observada por todos (mesmo que não tenha sido objeto de controle abstrato – lei 2. a decisão deverá ser obrigatoriamente cumprida. 27 que está aplicando inclusive ao controle difuso (RE 197. administração pública direta e indireta (federal. Se o efeito fosse apenas erga omnes seria necessário seguir pelas vias ordinárias. caso uma ADI declare inconstitucional uma lei 1. Futuramente a ADC também será para lei estadual. estadual e municipal). Mas para que mudou a redação? Administração direta incluiria o Legislativo? STF terá que se posicionar. A reclamação é dirigida diretamente ao STF. ADI originariamente não tinha efeito vinculante. relativizando os efeitos da ADI. O que não pode é o contrário: se o STF julgar ADI procedente ou ADC improcedente a lei é fulminada.000/RJ) sendo aplicada assim 63 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . 28. uma lei pode se tornar inconstitucional e se isso acontecer o STF poderá reconhecer em RE ou ADI. 102. Com a lei 9868 (Art. então. Reclamação 1880 de 7/11/02 – o efeito vinculante pode ser usufruído por todos e não apenas aos legitimados da ADI. julgando RE (controle difuso com autor e réu) pode decidir de maneira diversa a lei que já tinha sido julgada constitucional. Isto porque o efeito vinculante é para os demais órgãos do Judiciário. O efeito vinculante atinge o Legislativo? Ainda hoje na jurisprudência tem-se que o efeito vinculante não atinge o Legislativo. parágrafo único) há o efeito vinculante. Antes ele só havia para a ADC. § 2º). Possível em face da transcendência dos motivos determinantes. 102. Repristinatório: se procedente.000/SP essa decisão poderá alcançar uma lei 2. Na prática. CF) (garantir a autoridade de suas decisões). com a EC 45 o efeito vinculante foi previsto (Art.917 – deu efeito pro futuro).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO que lei inconstitucional produz efeitos. que fará valer sua decisão. Com as reformas tenta-se igualar essas ações. na CF/88. Objetivação do controle difuso. Poderá julgar até mesmo uma ADI em sentido contrário. l. O STF gostou tanto do Art.000/RJ (ato normativo análogo). logo. talvez chegando novamente ao STF por RE (começar lá de baixo). I. STF. Ainda quanto ao efeito vinculante. mas não idênticos. ADI e ADC têm natureza dúplice. não poderá após ser reexaminada. (ADI 3022). Por mudança da realidade fática. se uma primeira ADI foi improcedente ou uma ADC foi procedente (mudanças fáticas). Só ocorrerá.

DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO mesmo dá margem a reclamação no STF. pois o único legitimado era o PGR. os motivos que levaram à declaração da inconstitucionalidade. sancionada pelo presidente e promulgada. só reclamação. Antes de 1988 era ainda mais grave. uma vez que ela é votada no parlamento. Quais os motivos que levaram à introdução do instrumento da ADC? Antes da criação da ADC questões de segurança jurídica traduziam certo desconforto em face da divergência de decisões a respeito de uma mesma lei. 2. Mesmo não utilizada a ação rescisória a decisão 2 poderá ser aplicada na fase de execução da decisão 1 por embargos à execução – inexigibilidade do título executivo. Num primeiro momento a decisão 2 poderia dar margem a ação rescisória se ainda corresse o prazo para a rescisória. Talvez um dia no lugar da decisão 2 (controle concentrado) tenhamos um controle difuso (RE – objetivação do controle difuso) em processo de mudança. Em face dessa situação. decisão que já transitou em julgado. Neste caso a lei 2000/RJ já existia e em caso de ato normativo análogo futuro? O Legislativo poderá editar lei análoga a uma já declarada inconstitucional? Pela jurisprudência não há óbice porque o Legislativo não sofre os efeitos vinculantes. é lei análoga à lei já declarada inconstitucional. O STF admite a transcendência dos motivos determinantes. Isso não impede que por ocasião da aplicação seja impetrada reclamação. O STF pode ainda se posicionar no sentido de estender os efeitos vinculantes ao Legislativo. Controle difuso: juiz declarou lei constitucional. 1. A ADC foi introduzida pela EC 03 para tentar solucionar essa incongruência. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 64 . ainda que a considerasse constitucional. não cabe recurso. STF atingindo a coisa julgada. ADC ADI procedente = ADC improcedente ADI improcedente = ADC procedente A lei já goza de presunção (relativa) de constitucionalidade. só embargos de declaração. Ação rescisória sob o fundamento de violação de literal disposição de lei. sugeriuse a reabertura do prazo da ação (doutrina). Ao aplicar uma lei o juiz deverá observar não só o dispositivo (direcionado a certa lei). mas também à fundamentação. ADI não tem execução. A tendência é que as ações de ADI e ADC se fundam em uma só ação de controle de constitucionalidade. a parte legitimada até então só poderia levar a questão ao STF para defender a sua inconstitucionalidade (ADI). Já transcorrido. Controle abstrato: STF em ADI ou ADC declarou a mesma lei inconstitucional. O legislador não está proibido de legislar lei análoga (inconstitucional).

A abrangência da ADI é maior que a da ADC (por enquanto. A liminar na ADC só tem validade por 180 dias. ex nunc e vinculante. pois a pretensão é confirmar a constitucionalidade.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO O objeto da ADI é lei ou ato normativo federal ou estadual. modulação dos efeitos. Os fatos da vida não podem ser desconsiderados (a lei 9868 fala em perito. Antes da EC 45 a legitimidade era menor. o período pode não ser suficiente para que a controvérsia judicial se forme. A controvérsia judicial é o requisito específico da ADC. O AGU não é ouvido. Há quem defenda que a lei deve ser revista para que os juizes não possam declarar a inconstitucionalidade da lei (mais lógico). O STF não é mero órgão de consulta. Existe ADI discutindo a constitucionalidade do Art. Isso não ocorre na ADI. 65 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . enquanto da ADC é apenas lei ou ato normativo federal. já que deve ser ouvido em todos os processos de competência do STF. Se a questão está sendo decidida de forma uniforme não há insegurança. Cabe ADC em face de medida provisória? Para uma prova objetiva pode-se até dizer que cabe. Os efeitos são os mesmos da ADI: erga omnes. Em ambas as ações (ADI e ADC) a questão dos fatos é fundamental. O PGR será ouvido. audiências públicas etc). A lógica para o aumento dos legitimados é que o objeto da ADC se tornará maior. uma vez que a MP só vigorará por 60 dias (prazo curto). A jurisprudência do STF está se posicionando no sentido de que os fatos cada vez mais influenciam na decisão de controle. isto porque o objeto da ADC é menor. igualando o objeto das ações). o mesmo da ADI (só que a 2ª parte da reforma do Judiciário ainda não foi aprovada). pois há a PEC 358-A. 21 da lei 9868 e há um voto (do relator) dizendo que é inconstitucional por violar o princípio do livre acesso ao Judiciário. não é o caso na ADC. Na ADI o que se suspende é a lei ou ato normativo e não os processos. justamente porque o papel dele é defender a constitucionalidade da lei ou ato normativo impugnado. A legitimação ativa da ADC hoje é coincidente com a da ADI. A jurisprudência entende que também é cabível liminar em ADC. A controvérsia deve ser formada por número significativo de decisões de mérito controversas. Medida cautelar em ADC: por decisão da maioria absoluta dos membros pode ser concedida e consiste na determinação de que os juizes e tribunais suspendam o julgamento dos processos. não há prazo de validade. O legitimado da ADC deve indicar a existência de efetiva controvérsia judicial relevante sobre a aplicação da disposição objeto da ação declaratória. posteriormente a jurisprudência e a lei 9868 o estendeu à ADI e às liminares (exemplo de mutação). logo. O efeito vinculante originariamente era aplicado somente à ADC. Ocorre que há dificuldade de configuração do requisito de efetiva controvérsia. A lei 9868 ainda está na redação antiga da CF. não cabível a ADC.

estão espalhados em diversos dispositivos (igualdade. no máximo fixa um prazo para as providencias do poder competente. mas em um caso concreto (em face dos fatos em concreto) a mesma lei pode ser inconstitucional. Na ADI por omissão não há caso concreto. as normas de eficácia limitada (institutivas ou programáticas) só podem se tornar realidade mediante a atuação do legislador infraconstitucional. dignidade humana etc). Trata-se de uma pluralidade de acepções. na ADI por omissão. Dentro da classificação de José Afonso da Silva. Bloco de constitucionalidade: há determinados temas que não se exaurem em alguns artigos. A jurisprudência do STF terminou por igualar o mandado de injunção à ADI por omissão já que entende que não pode legislar no caso concreto (ou abstratamente) e não pode obrigar ninguém a produzir a lei. é verdadeiro apelo ao legislador (doutrina alemã assim denomina). o STF dará ciência da mora. que o Estado está em mora. Em tese a lei que estabeleceu é constitucional segundo o STF. as pessoas prejudicadas poderão pleitear perdas e danos em razão da mora estatal. Observe-se que na ADI por omissão há inconstitucionalidade sem nenhuma nulidade. Mas em tese há diferenças. considerando a lei inconstitucional (razoabilidade) (ADI 223-MC). No mandado de injunção a omissão lesa determinadas pessoas em um caso concreto. para que em 30 dias produza o ato faltante.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Uma lei pode ser constitucional em tese. É um conjunto de medidas e princípios que podem estar inclusive implícitos. ou para as partes. não se esgotando na constituição (ADI 1552). no Mandado de Injunção. Existem dois tipos de ADI por omissão: contra o poder competente (legislativo ou executivo) e contra órgão administrativo. mas em um caso concreto. 66 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . O bloco de constitucionalidade pode trazer até mesmo matéria que esteja presente na legislação infraconstitucional. Isso desde que as normas estejam vocacionadas a desenvolver a eficácia dos postulados e dos preceitos inscritos na CF. projetando-se para além das regras constitucionais meramente escritas e dos princípios contemplados. A partir do momento em que o judiciário reconhece que para todos. o controle é abstrato. há uma omissão que torna a norma constitucional ineficaz (inconstitucional). A partir do momento que ele não age. Sendo competência de poder. Os remédios para combater a inconstitucionalidade por omissão são o mandado de injunção e a ADI por omissão. Sendo para órgão da administração pública a natureza da ação é mandamental e obrigatória. ADI por omissão A inconstitucionalidade pode se dar por ação (ADI e ADC) e por omissão (ausência de uma norma que é necessária à constituição para que o dispositivo possa ter eficácia máxima). o juiz poderá conceder a liminar. Ex: vedação de concessão de liminar contra o poder público. visando a concretização da idéia e ordem constitucional global.

Assim. Não há de se falar em liminar ou em oitiva do AGU. podendo o STF fulminar tal lei. Hoje é totalmente diferente. No modelo de hoje não cabe liminar (no RI do STF prevê). A intervenção era feita por lei. é concreto. No inciso I do parágrafo único do Art. Existe uma lide entre a União e um estado. Diferenças entre MI e ADI por omissão no quadro no material de apoio???? ADI INTERVENTIVA Este nome não consta na CF. Existindo outro meio capaz de resolver o problema não cabe a ADPF. preceitos fundamentais) pode autorizar a intervenção federal nos estados: Art. apenas vai ensejar a intervenção. é o significado atual do princípio da subsidiariedade. Na CF de 1934 existia uma verdadeira ADI interventiva. VII. embora seja concentrado. E quem estará representando a União neste caso é o PGR. A representação interventiva é uma ação concentrada (só o STF decide a respeito) e concreta (caso concreto de violação a princípio constitucional sensível). A ADPF é ação subsidiária (princípio da subsidiariedade ou do exaurimento das instancias). 34. Os legitimados são os mesmos da ADI. não necessariamente normativo. A inconstitucionalidade que o STF reconhece é fática (violação de um princípio sensível). Atenuação do significado ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 67 . Tudo isso torna a ADI interventiva um instrumento peculiar. 1º está previsto que é cabível ADPF contra lei ou ato normativo federal. mas já tendo sido utilizado outro instrumento que não solucionou o problema é cabível a ADPF. 36) – violação aos princípios constitucionais sensíveis (para alguns são cláusulas pétreas implícitas.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO O processo é basicamente o mesmo da ADI genérica. e mais uma vez é sem nulidade. ADPF Cabível a ADPF contra ato do poder público. para outros. Diante dessa lei o PGR poderia ir ao STF para dizer que não existiam os motivos da intervenção e que a lei era inconstitucional. nos termos do caput do Art. não tem sobre o que se pronunciar. Em tese não é cabível. Impedia a intervenção. O que existe é a representação interventiva por parte do PGR (Art. estadual ou municipal. 1º da lei 9882. incluídos os anteriores à constituição. a atuação do STF é para permitir a intervenção federal por decreto do presidente. CF (princípios) – violação leva o PGR a representar ao STF – reconhecimento de uma situação fática inconstitucional. Inseri-lo dentro do controle abstrato é um equívoco por parte da doutrina.

Por decisão de maioria absoluta cabe liminar. a ADI em julgamento será julgada improcedente e sendo ADC será procedente. simplesmente é publicada. uma pela constitucionalidade e outra pela inconstitucionalidade. Como princípio da hermenêutica significa que o intérprete deve interpretar a lei conforme a CF e não o inverso. alguns autores dizem que a presunção de constitucionalidade não deve ser estendida às medidas provisórias. afastando a possibilidade de interpretação diversa. Sendo possível a escolha entre dois caminhos. Não sendo possível a interpretação conforme a constituição ele deve julgar procedente a ADI. Declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto: a atividade típica do STF no controle é de legislador negativo. mas hoje. daí ainda existirem muitas dúvidas a respeito do instituto. Não existe ainda decisão de mérito de ADPF no STF. Em recesso o relator pode conceder a liminar monocraticamente. mas não é a mesma coisa. No exame de uma lei o julgador poderá se deparar com dois caminhos possíveis de interpretação (é uma possibilidade dentro da interpretação. com efeito vinculante. sob pena de ferimento ao princípio da supremacia constitucional. Sob o ponto de vista do controle. em regra. pois estaria na verdade legislando. O STF não pode “inventar”. É possível veto em ADPF? Existem duas posições do STF. reduzindo ou retirando do ordenamento texto inconstitucional. TÉCNICAS DE CONSTITUCIONALIDADE JULGAMENTO NO CONTROLE DE Interpretação conforme a constituição: é ao mesmo tempo um princípio de hermenêutica e uma técnica de controle de constitucionalidade. erga omnes e.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO literal do princípio da subsidiariedade quando o prosseguimento de ações nas vias ordinárias não se mostra apto para afastar a lesão a preceito fundamental. Seus efeitos são os mesmos da ADI e ADC: vinculante. A MP não passa por processo algum. A ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 68 . A medida provisória não deve ter presunção de constitucionalidade com base nos argumentos de que a lei goza da presunção (passa por todo o processo legislativo). a vontade que é aferida é a da lei. Dessa forma. deve-se escolher aquele que diz que a lei é boa. ex tunc. é parecido. não se deve dar muito valor a essa presunção (cuidado!). Não pode contrariar o sentido inequívoco que o legislativo pretendeu dar (decisão do STF considerou a vontade do legislador. interpretar de maneira absurda. desde que não sejam absurdos). podendo ser inclusive evolutiva). Assim. já que a lei goza de presunção de constitucionalidade. é constitucional.

Declaração de lei ainda constitucional: algo pode ser constitucional hoje e inconstitucional amanhã. Por isso pode-se dizer que a inconstitucionalidade é desejada. É também uma forma de interpretação conforme a constituição. provando que nem tudo que é inconstitucional é nulo (teoria do funcionário de fato. ADI interventiva. Abstratamente a norma é inconstitucional. simplesmente porque não há como retirar da lei só o que se quer. Ex: Art. uma determinada interpretação por meio da técnica de declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto. mas sem revogar nada. enquanto o MP está muito mais bem estruturado. porque a lei pode se tornar inconstitucional (STF). sem a limitação que o presidente da república tem no veto (não pode vetar palavra ou expressão). mas não declara a nulidade. a forma não permite. sem que lei ou a CF mudasse. O mesmo pode se dizer que a lei que dá prazo diferenciado para a defensoria (lei 1. enquanto a defensoria estiver desaparelhada o MP poderá mover a ação civil ex delito. Declarar a inconstitucionalidade concreta produziria um prejuízo maior aos direitos fundamentais. a declaração de constitucionalidade ou inconstitucionalidade poderá variar no tempo e no lugar. O STF admite que o Art. Isso pode ocorrer na ADI ou ADC quando o intérprete se vale da técnica da lei ainda constitucional. a lei se torna inconstitucional. Tal fato pode acontecer porque circunstâncias fáticas da realidade mudaram (cada vez mais os fatos influenciam a interpretação sobre a constitucionalidade ou não). que não seriam efetivados. ADI por omissão. 69 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . Apelo ao legislador: hipótese típica da ADI por omissão no caso do poder que está em mora. As circunstâncias. Declara-se inconstitucional. modulação dos efeitos da ADI etc). nenhuma palavra. e por conseqüência. A diferença é que na interpretação conforme a ADI é julgada improcedente ou a ADC procedente. Na declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto a ADI é julgada procedente e a ADC improcedente. Declaração de inconstitucionalidade sem pronúncia de nulidade: declara a inconstitucionalidade. esses dispositivos tornar-se-ão inconstitucionais. Há determinadas situações. onde.060/50). A situação é de que da forma como está redigido não há como reduzir nada. Pela CF quem move ação para o hipossuficiente é a defensoria pública. O julgamento de uma ADC procedente não impede uma ADI no futuro. 68 do CPP (MP move ação civil ex delito para o pobre). Mas em concreto a realidade é que a defensoria não tem condições de absorver essa demanda. ou seja. 68 do CPP é ainda constitucional. por um aspecto formal. por isso é preciso se valer da técnica. assim. é a inconstitucionalidade progressiva. A partir do momento em que a defensoria alcançar a estruturação desejada.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO inconstitucionalidade vem acompanhada da revogação de um texto de lei (integralmente ou de parte). a redação da lei leva a uma necessidade de dizer que a lei é inconstitucional.

criaram a federação. tem que ser ratificada pelo estado soberano. Nesta forma há mais de uma fonte de poder político no mesmo território. Se a fonte de poder é unitária. uma única fonte de poder em todo o território. para formar um único estado novo soberano resultado da união de estados membros autônomos (estado central soberano + estados regionais autônomos) indissolúveis. Entretanto. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 70 . Hoje. enquanto a fonte de poder regional se impõe em determinada região e podem ter pontos diferentes. união entre estados. na Convenção de Filadélfia. aliança. foederes = pacto. os Estados Unidos da América. A palavra federação vem do latim foedus. A fonte central se faz valer em todo o território nacional. Há ainda uma terceira fonte de poder político local. que á a municipal. Os estados deixaram de ser estados confederados soberanos. para serem estados federados autônomos. idéia clássica de soberania que não responde mais o conceito de soberania. mas continuam soberanos. A idéia partiu da Inglaterra (13 colônias inglesas que se tornaram estados soberanos – qualidade de um estado que é capaz de decidir em última instância todos os assuntos de seu interesse. A autonomia é a capacidade de o estado tomar decisões dentro de determinadas competências. formaram em 1781 uma confederação (forma de reunião de estados soberanos. no território tem-se uma subdivisão geográfica. Foi uma forma de colaboração entre as colônias a fim de se protegerem mutuamente contra as constantes ameaças da metrópole inglesa. foi reputado insuficiente para atender a todos os estados (durou apenas seis anos). com uma fonte de poder central e em cada subdivisão uma outra fonte de poder que incide apenas ali. A forma de Estado vai variar de acordo com os elementos político e geográfico (poder sobre o território). Era um pacto confederativo. então. estão reunidos. completando essas múltiplas fontes de obrigações em um mesmo Estado.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO ORGANIZAÇÃO DO ESTADO E DA FEDERAÇÃO O Estado pode assumir duas formas: federal ou unitária. Formaram. Federação: o Estado é composto pelos elementos político. dissolveu-se então a confederação e em 1787. Cada estado deixa de ser soberano. No estado federado. soberano é o estado que não está sujeito a ordem jurídica de outro estado. as decisões só valem se cada estado internamente se submeter às decisões. mas apenas à sua própria ordem jurídica e à ordem jurídica internacional. tem-se um Estado unitário. é isolacionista). permite o direito de secessão). mas devendo-se se curvar às decisões centrais do estado soberano. Ainda sobre os 13 estados soberanos. geográfico e humano.

Características básicas do modelo federal: * Descentralização político-administrativa constitucional: repartição de competências entre as entidades federadas. Alguns autores utilizam “centrípeta e centrífuga” para explicar o poder. na Inglaterra há bicameralismo. Bicameralismo: Senado + Câmara. ela foge do centro.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Assim a origem de estado federado se deu com a formação dos Estados Unidos da América (antigas 13 colônias inglesas). por isso a doutrina denomina de federação centrípeta (EUA). 1º. concentrado). O estado soberano unitário se dividiu. espalhado). A força na agregação é uma força que vem de fora para dentro. Em ambos os casos há uma repartição de competências. Já na federação por desagregação. não há direito de secessão (Art. CF). os estados são fortes e têm grande autonomia. Na desagregação a força vai do centro para fora. mas é estado unitário. ao contrário do processo histórico por que passaram os Estados Unidos. o poder é mais bem dividido. isto. e foi lá que surgiu a idéia. e nesse ponto de vista o conceito se inverte: por agregação  federação centrífuga (poder maior nas regiões. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 71 . formando-se a república federada com um poder central e poderes regionais. estados autônomos. mas há uma variação entre a quantidade de poderes que é atribuído ao poder central ou aos estados membros a depender do modelo de federação. para onde ele se dirige (e não do ponto de vista histórico). * Auto-organização dos estados-membros por constituições estaduais. Isso se explica pelo processo histórico por que passaram. Não significa que todo estado bicameral é federado. Na federação por agregação. Diferente do processo de formação histórico. * Órgão de manifestação da vontade dos estados membros: Senado Federal (Art. converge para o centro. 46). os estados são mais fracos e com autonomia restrita. chamada de federação centrífuga (Brasil). * Constituição rígida para assegurar a repartição de tarefas sem ser modificada por lei ordinária. por desagregação  federação centrípeta (poder central maior. No Brasil o estado era unitário monárquico e posteriormente foram criadas divisões territoriais. * Princípio da indissolubilidade ou indissociabilidade: nenhum estado pode decidir sair. * Controle de constitucionalidade como mecanismo de preservação da repartição de competências constitucionais. Daí conclui-se existirem dois modelos de federação: federação por agregação (EUA) e federação por desagregação (Brasil). o poder é mais concentrado no poder central.

há uma igualdade (ex: todos os estados têm 3 senadores). O que não impede a cooperação. Cada estado tem que obedecer simetricamente o modelo clássico. No federalismo assimétrico.autonomia). Modelos de federação: Clássico. 1º e 18 da CF). A federação brasileira é tricotômica e não dual. há diferenças entre estados e União. com a CF e com a União da mesma forma. Territórios (se existirem) integram a União. não são unidades federadas (Arts. como o modelo clássico. Há uma outra forma de entendimento de simetria. dual ou dúplice: reparte a competência entre duas entidades: União e estados-membros. há ainda o DF (federação seria na verdade “quádrupla”). 23. Como pessoa jurídica de direito público interno a União atua com autonomia em igualdade com as demais entidades federadas. é assimétrica. Estados-membros e Municípios com competências próprias. Podem relacionar-se com pessoa jurídica de direito privado internacional. * Autonomia recíproca entre os estados-membros. Teriam natureza jurídica de autarquia territorial ligada à Administração direta. Além deles. UNIÃO: entidade federada. 19: liberdade religiosa. José Afonso da Silva diz que município não é entidade federada. pois não corresponde ao modelo clássico supra. e a União tem que respeitar as decisões que são próprias de determinado estado-membro. A nossa federação. Ex: Fundef – não é cada um por si. mas não têm soberania. parágrafo único. não estão numa relação de subordinação. Cada um dos estados tem suas competências próprias. União. Nesse ponto de vista a nossa federação é simétrica. Art. Uma federação simétrica onde todos os estados se relacionam entre si. sob esse ponto de vista. mas não é a posição que prevalece nem na doutrina nem na jurisprudência do Supremo. Representa o Brasil em nome da soberania. Federalismo cooperativo – trabalhar conjuntamente (Art. mas Estado é laico. CF). Uma simetria entre as entidades federadas.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO * Autonomia financeira: recursos próprios. E a União possui autonomia recíproca com os estadosmembros no plano interno e soberania no plano externo (as características básicas de federação estabelecem reciprocidade apenas entre os estados). STF entende os municípios como entidade federada (doutrina majoritária). pessoa jurídica de direito público que possui capacidade política (pessoa jurídica de direito internacional –soberania e de direito interno . não há hierarquia (autonomia recíproca). ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 72 . sem religião oficial. Os estados podem ter relações internacionais. Federalismo simétrico: as entidades federadas se organizam à luz do modelo clássico e com isso é formada uma simetria entre o modelo federal e o estadual. Tríplice ou tricotômico: modelo brasileiro.

Terra devoluta: terra que não tem registro.661) (até onde começa uma outra vegetação) ou ecossistema. Zona econômica exclusiva: 12 – 200 milhas. *Auto-administração: administração pública estadual. executivo (Art. 20. As ilhas são da União. 109. Ilhas lacustres: de lagos e fluviais nas zonas limítrofes. *Auto-legislação: leis estaduais. orçamentária e tributária. É água internacional. § 1º: cooperativismo federalista: a União é a proprietária. 20: bens da União. 200. Art. Acrescido de marinha é a parte que com o passar dos anos o mar recuou (além dos 33 metros). *Auto-organização pelas constituições estaduais. terreno de marinha sim. Plataforma continental: 200 metros de profundidade e mesmo após as 200 milhas. ESTADOS FEDERADOS são organizações jurídicas das coletividades regionais para o exercício autônomo das competências constitucionais. fundamental para determinar a competência (Art. Praias marítimas (lei 7. lagos e quaisquer correntes de água.760/46  33 metros do preamar médio de 1891. lhas oceânicas (distantes) e próximas. mas os demais entes e inclusive o proprietário do solo terá direito a participação. costeiras. 28) e judiciário (Art. 27). Pode se ter o terreno de marinha já engolido pelo mar (parâmetro de 1891). praia não é medida em metros. 125) próprios. Não há tamanho definido e onde tiver “areia”. só é fundamental para a defesa nacional. Terrenos de marinha # praia: decreto 9. II). O estado-membro tem autonomia: *Auto-governo: os estados possuem poder legislativo (Art. que em regra são bens dos estados e não da União (só sendo indispensável à defesa das fronteiras). Faixa de fronteira: 150 km de largura ao longo das fronteiras terrestres. Não é bem da União. IV. mas algumas áreas podem ser dos estados (Art. terrenos marginais e praias fluviais respectivas. podendo ser instituído um regime jurídico diferenciado. Rios. EC 46 mudou o Art. Mar territorial: 12 milhas. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 73 . *Autonomia financeira.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Art. CF). 26. mas os recursos são da União.

região metropolitana: tem continuidade urbana. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 74 . § 2º: serviço local que não é competência do município – exceção: exploração de gás natural é da União. áreas nas ilhas oceânicas e costeiras. A constituição estadual possui normas próprias e normas repetidas. As repetidas podem ser obrigatórias (simetria) ou facultativas (ex: MP). aglomerados urbanos: carente de definição ainda). mínimo de 24 deputados estaduais e máximo de 94. 28: poder executivo estadual. ADI – TJ: CE (norma de repetição obrigatória) X lei estadual ou lei municipal: cabe RE excepcionalmente em controle abstrato estadual (RE com efeitos diferentes do tradicional – excepcionalmente erga omnes). 25: observar também o princípio da simetria (Art. Bens: águas. Art. não tem poder judiciário. MUNICÍPIOS: é entidade federada? Tem autonomia? *Auto-governo: poder executivo e poder legislativo. * Auto-organização: lei orgânica municipal. 11. 40  12x3 = 36  28x1 = 28. § 3º: plebiscito + lei complementar do congresso nacional para que estados desmembrem-se. Art. Deputado estadual ganha no máximo 75% do que ganha deputado federal. § 1º: simetria no regime jurídico dos parlamentares. Art. ADCT). Normas repetidas obrigatórias ou normas centrais da federação. 25. Se adotar a norma repetida facultativa terá que seguir a simetria. EC 46: ilhas que tinham sede dos municípios passam a ser dos estados. Art. Art. Ex: 40 deputados federais: 3 X 40 = 120. Limitação ao triplo: 12 primeiros entram na regra do triplo. mas não pode entrar em exercício.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO *Art. 18. incorporem-se etc. Limitação material a medida provisória estadual: MP estadual não pode tratar de serviço local de gás canalizado. Art. Pode ter área particular em ilha. 25. Governador pode tomar posse em cargo público (concurso). § 1º: número máximo de 70 e mínimo de 8 deputados federais. logo. a do estado é o serviço de distribuição local do gás. 36 + 28 = 74. 45. 27: poder legislativo estadual: número de deputados estaduais. quem já tinha até 1988. § 3º: subdivisão dentro do estado por lei complementar estadual: os estados é que criam as regiões (microrregião: não tem continuidade urbana.

prevalece a mais restritiva no caso concreto. CE x LOM (ou outra lei municipal)  a CE não pode invadir a competência municipal ditada pela CF. não há liberdade de escolha do número. Dependerá caso a caso da matéria. A imunidade é civil e parlamentar. Art. do município. VI e VII). *Autonomia financeira. CE x LOM: depende. 29. não vincula. STF entende que não cabe ao município decidir como achar conveniente o número de vereadores. TCE: órgão estadual. Na tribuna a imunidade atinge mesmo palavras fora do exercício do mandato. Art. TCM: órgão municipal. e mesmo tratando de matérias de seu município em outro lugar não está acobertado. 11 ADCT: municípios obedecem aos princípio da CE e da CF. Crime eleitoral: TRE. TC emite parecer prévio sobre as contas do prefeito. VIII: inviolabilidade material (imunidade) com limitação geográfica: só em seu município. § 4º: é vedada a criação na estrutura dos municípios. por isso a maioria entende ser entidade federada. Exceção: MS impetrado em face de ato de prefeito da capital (TJ – na CE e não na CF). Julgamento do prefeito pelo TJ: penal apenas. 31. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 75 .DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO *Auto-legislação: leis municipais. II: mais de 200 mil eleitores: 2 turnos. o auxílio é sempre por TCE ou TC para todos os municípios (estadual). 29. mas para contrariar exige o voto de 2/3 da câmara municipal. Legislativo com o auxílio do TC: do Estado. só os crimes comuns. A lei municipal não pode criar foro “privilegiado” e nem imunidade formal (autorização da Câmara Legislativa) para vereadores (inconstitucional). Art. dos municípios. menos de 200 mil eleitores: 1 turno. CF e Art. orçamentária e tributária. Em 5/10/88 quem tinha TCM permanece (só RJ e SP). Subsídio dos vereadores sujeito a várias limitações (Art. Art. Políticoadministrativa não. IV: número mínimo e máximo de vereadores. O raciocínio não é o mesmo do da CF. * Auto-administração: administração pública municipal. A CE pode ser inconstitucional em face da CF. 29. Art. TC municípios: órgão estadual. Existe uma tabela em acórdãos do STF. Nem todos os crimes serão julgados pelo TJ. Controle pelo poder legislativo e executivo (externo e interno). 29. 29. após. Dentro do município só no exercício do mandato. nem sempre a CE prevalecerá. A única diferença dos estados é que não tem poder judiciário. Crimes federais: TRF (interpretação do STF).

apenas para tomar algumas decisões. Lei federal (e não distrital) é que irá disciplinar. Antes de 88 não era entidade federada.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Art. Eleição para governador e vice-governador com as regras do Art. câmara territorial com competência deliberativa e não legislativa. defensoria. haver 2 turnos. seria uma autarquia territorial ligado à administração direta. com interstício mínimo de 20 dias e com 2/3 de votos. A repartição precisa ser racional. Vedação da divisão em municípios: competência legislativa (câmara legislativa): matéria dos estados e municípios. estados: poder regional e municípios: poder local. TERRITÓRIOS: são ligados à União. Caso fosse criado. portanto. Art. nem autonomia. Todos legislam. Governador nomeado pelo presidente da república após aprovação do Senado Federal. 31. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 76 . § 2º: criação regulada por lei complementar. DF tem função específica de abrigar a capital federal. Passou em 88 a ter natureza jurídica de pessoa jurídica de direito público interno com capacidade política (entidade federada). Lei Orgânica: votada em 2 turnos. com parecer prévio do TCU. União: poder central. só significa que terá que pedir. possuem competência própria. não tinha capacidade política. 18. REPARTIÇÃO DE COMPETÊNCIAS: Existe a necessidade de repartição de competências a fim de se evitar a ausência estatal e dupla atuação sobre um mesmo assunto (omissão e superposição – desperdício). Não é entidade federada. Podem ser divididos em municípios. Qualquer cidadão poderá pedir. DISTRITO FEDERAL: substituiu o antigo município neutro. várias funções dos estados no DF são mantidas pela União (cria e mantém). não têm capacidade política. Disciplinado na CF por meio de técnicas de repartição de competência. Nada deve ser levado ao plano mais elevado se puder ser satisfatoriamente atendido por um plano mais baixo. § 3º: não significa que a publicidade se limita a 60 dias. partindo-se do princípio da predominância do interesse em relação a determinado assunto. podendo. Caso tenha mais de 100 mil habitantes (e não eleitores) haverá Judiciário (1ª e 2ª instancias) – TJDFT e MPDFT. Tinha natureza de autarquia especial territorial. O governo do DF otimiza esses órgãos. por isso. tomam decisões. regional ou local). 77 (maioria absoluta). As contas são submetidas ao Congresso Nacional. Não é um órgão legislativo (4 deputados federais). a com competência repartidas de acordo com a predominância do interesse (geral.

Há várias matérias em que não é possível identificar o interesse predominante (o princípio é útil. *Enumeração dos poderes dos estados e o remanescente para a União (Canadá). Em matéria de impostos essa foi a técnica adotada pela CF (Art. No remanescente não há a intenção de esgotar todas as possibilidades. há a intenção de esgotar e por precaução. privativa (admite delegação por lei complementar.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Técnicas formais de repartição de competências: *Enumeração dos poderes da União e o remanescente para os estados (EUA). mas de forma mista. Normas gerais: União. 24). mas em princípio a União deve fazer tudo. mas não suficiente). não é competência derivada. Para legislar a competência pode ser: exclusiva (não admite delegação. mais uma razão para não ser puramente utilizadas. Normas Suplementares: Estados. Eles já podem desde logo legislar naquelas matérias. organizada para evitar a duplicidade de esforços. mas não o de chegada. 154). Art. As técnicas supra mencionam apenas União e estados (federalismo clássico) e aqui o federalismo é o tricotômico. Quando o estado legisla pela competência privativa por delegação sua competência é derivada e não originária e é feita por lei complementar. Art. Assim. Art. Correlacionando as tarefas com os poderes dos entes pode-se encontrar competências: * Administrativas (materiais ou executivas) * Legislativas A competência material pode ser de dois tipos: exclusiva (tarefas que devem ser exercidas somente por um ente. 25 e 29 elaboração de CE e LOM. Há 77 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . já no residual. 23). deixa consignado que se algo for esquecido será da competência da União. 21) e comum (tarefas que devem ser desempenhadas por todos os entes. respectivamente). Arts. Competências: são as matérias que devem ser desempenhadas pelas entidades de direito público. Aqui essas regras não foram utilizadas de forma pura. A primeira delas é o ponto de partida para a nossa repartição. Na concorrente é competência originária do estado suplementar as normas gerais da União. cooperativa. *Enumeração dos poderes da União e dos estados e o residual para a União. há campos de atuação conjunta. Art. 22) e concorrente (para normas gerais e suplementares.

22. Existe uma correlação entre os Arts. procedimento em matéria processual é concorrente. deve-se maximizar os recursos. INTERVENÇÃO Sistema constitucional de solução de crises: são as medidas provisórias. Art. suspenderá a eficácia da lei estadual. mas não está na CF. interpretação restritiva. na saúde. caso venha norma superveniente da União sobre a matéria. Art. XXIV: apenas diretrizes e bases. o restante é competência municipal. Fáticos: motivos capazes de ensejar a intervenção. os estados poderão fazê-lo integralmente. necessidade. Em regra a entidade que vai legislar é também a que vai executar. Art. 24. 24. XXIII: seguridade social só da União. Apenas alguns dispositivos podem gerar dúvidas: Art. 22. Art. mas isso não significa que cada um faz como quer ignorando o outro. 22. 225 diz que a responsabilidade ambiental é objetiva. Art. necessidade. 21. 22. XIII: a União institui e mantém. é competência privativa. 30. XXIII. Previdência social: União e Estados Art. no que for contrário (Art. impeachment. temporariedade. XI: processo é competência da União. XXI e XXVII: apesar de falar em normas gerais não é competência concorrente. Princípios: excepcionalidade. parágrafo único: federalismo cooperativo. que não é ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 78 . II. salvo a matéria de dano nuclear. no entanto. um ente cooperando com o outro (no trânsito.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO competência suplementar dos municípios no Art. logo. 21/22 e 23/24. na educação etc). Formais: observar determinada forma. Art. está expresso. c: Art. o restante é concorrente. 21. formalidade. XVII: apesar de ser o DF é competência legislativa da União. A intervenção é algo que foge à normalidade em uma situação excepcional de crise. princípio 4º). estados de exceção  estado de defesa e sítio e a intervenção. A regra é a não intervenção. Caso a União não legisle normas gerais. Pressupostos: fático e formal. cassação de mandatos. os estados não podem legislar supletivamente. Não podem ser aplicados os parágrafos do Art. 24. 23. Art. Quando se faz a repartição de competências algumas coisas são comuns. 21. XX: União apenas institui diretrizes para o desenvolvimento urbano.

Motivos para intervenção dos estados nos municípios e União nos municípios em território: Art. 36: pressupostos formais. terá. A intervenção depende de juízo de conveniência e oportunidade do chefe do executivo. 34. Se o motivo for a coação a um dos poderes. Decretada a intervenção a constituição não poderá ser emendada: Art. Em alguns casos pode ser dispensada a apreciação do legislativo (Art. § 1º). atos normais do cotidiano  estado (varia de acordo com a natureza do ato praticado. A violação a eles dá ensejo a representação interventiva (ADI interventiva). VI e VII). resolve os conflitos de interesse. Motivos: Art. Há controle judicial em relação aos pressupostos formais. 34. Existindo interventor. Art. § 3º. A nomeação de interventor não é obrigatória (Art. segundo a doutrina).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO única. 36. IV: pressuposto específico de forma. hipóteses da ADI interventiva. VII  princípios constitucionais sensíveis. 35. Outra afirma sempre haver conveniência e oportunidade por parte do cheque do executivo). ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 79 . 35. o decreto pode depender de solicitação (conveniência e oportunidade mantidas) ou de requisição (não cabe ao executivo fazer juízo de conveniência e oportunidade. dispensa o controle do legislativo também. ela varia de acordo com o motivo. o responsável civil pelos seus atos pode recair: atos vinculados ao objeto central da intervenção  União. Art. § 1º. Alguns chamam também de preceitos fundamentais.c Aristóteles divisou as três básicas funções: dentro de uma sociedade aquele ser que desempenha poder desenvolve basicamente três atribuições: cria a regra geral bem-viver nos casos concretos. Como já houve apreciação judiciária. isso. Art. § 1º: forma geral é pelo decreto do chefe do executivo. Motivos que podem levar à intervenção da União nos estados e DF. podendo ensejar ADPF. dependendo do motivo. 36. 36. mas em menor grau. dependerá de representação (solicitação) do poder legislativo ou poder executivo e requisição do STF. Quanto à conveniência e oportunidade não há. PODER JUDICIÁRIO – Pedro Taques 390 a. Não há nos casos do Art. 60. para parte da doutrina. Há uma forma geral (decreto presidencial) e outra específica.

executivo e jurisdicional. a partir dele. O poder no âmbito do Estado é o poder político. Não existe outro centro de poder que possa impor a violência legítima (coação. É possível identificar os elementos constitutivos do estado: 1) Poder ou soberania ou organização. o poder não pode ser unipessoal com as três funções básicas. 44). Período dos contratualistas. 3) Território. 2) Povo (nacionais). A CF dá ao termo poder vários sentidos. Alexandre de Morais fala que o ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 80 . Dizia que para que nos pudéssemos voltar ao estado da natureza a sociedade se organizar e o poder deve ser exercido por um governo civil. cidadão e eleitoral. possibilidade de impor vontade sobre vontade de terceiros. mas pode mudar tendo em vista a realidade de determinado estado. 2º). Todas as nossas constituições. parágrafo único). A constituição francesa fala em função governativa (executiva e legislativa) e judicial. povo e objetivos). executiva (Art. é o poder que constituiu um determinado estado.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO 1690 (Locke) igualmente identificou no ser que exerce poder dentro da sociedade desempenharia três funções também: cria. com exceção da de 1824 (adotou o poder moderador como 4º poder) adotaram a construção tripartite do poder. 1º) se manifesta por órgãos legislativo. há a divisão orgânica de poder (não identificado por Aristóteles e Locke). 4) Objetivos. 1º. 76) e jurisdicional (Art. judicial. Poder político quer dizer possibilidade de imposição da violência legítima. executivo. único. Michel Temer (Elementos do Direito Constitucional) revela três acepções do termo poder na constituição: poder significando soberania (Art. o poder uno (Art. assim. há a função legislativa (Art. Poder significando função. Essa divisão orgânica é divisão científica? Ela é histórica? É histórica (luta contra o exercício hipertrofiado do poder. Poder como órgão (Art. São teoria que fundamenta a origem do Estado (sociedade politicamente organizada dotada de território. Poder é capacidade. Esse poder é indivisível. 1748 (Montesquieu): identificou as funções de Aristóteles e Locke e avançou. contra o absolutismo). aplica e resolve os conflitos. dizendo que o poder não seja hipertrofiado . 92). independente. Cada uma das funções deve ser desempenhada por órgão distinto. Ex: a constituição da Venezuela fala da existência de cinco poderes: legislativo. A partir desse momento (1789) surgiu o movimento contratualistas (1762 – Rousseau): cada um abre mão de parcela dos próprios direitos e coloca sob a responsabilidade do Estado. coercibilidade).

A segunda exceção é o manejo do habeas data. a de inovação da ordem jurídica e fiscalização (Arts. ou seja. de morosidade. essa aplicação deve trazer a segurança jurídica. direito adquirido e ato jurídico perfeito). 345 do CP. XXXV). substituindo a vontade das partes com a força definitiva. Essa função jurisdicional tem determinadas características: inércia. 5º. § 1º). Há exceções em que o cidadão pode exercer as suas próprias razões. 58 e 70 a 75). A regra é a indeclinabilidade jurisdicional. Juízo arbitral é contenda que não será levada ao judiciário. coisa julgada. Só o Estado tem o monopólio da violência legítima. sobretudo a partir da declaração universal dos direitos do homem e do cidadão (1789): se uma constituição não estabelecer a divisão de poderes ele não tem constituição. porque na constituição a justiça que tarda é injustiça. Definitividade: o poder judiciário tem por função aplicar a lei ao caso concreto. caput). No entanto. substitutividade e definitividade. só é possível após o esgotamento das vias administrativas (o STF já reconheceu que a exceção é constitucional). 81 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . há subtração da prestação jurisdicional: não é possível se valer da via jurisdicional antes de esgotar as vias da justiça desportiva (Art. Art. no entanto. Inércia: não existe jurisdição de ofício. LXXVIII). Porque a jurisdição é inerte. Os processualistas dão o nome de definitividade à qualidade dos efeitos da sentença. I – sistema processual penal acusatório – separação entre quem acusa e julga. O juiz não pode agir de ofício sob pena de comprometer a sua capacidade subjetiva (imparcialidade). Essa razoabilidade significa proibição de excesso. 217. Em razão disso a EC 45 estabeleceu que o processo deve ter um prazo razoável (Art. Essa definitividade é uma imposição do princípio da segurança jurídica (Art. O Estado substituindo a vontade das partes resolve os conflitos de interesse.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO MP é instituição extra-poder. Surge o momento constitucionalista: ofertar direitos e garantias fundamentais do cidadão e divisão orgânica de poderes. após o ajuizamento da ação o juiz possui poderes instrutórios (Arts. 5º. Existem algumas exceções. A prestação jurisdicional é a tempo ou tempestiva. só o poder judiciário poder trazer a segurança jurídica (Art. 129. Substitutividade: significa monopólio da jurisdição. Função legislativa: o órgão legislativo desempenha duas funções. XXXVI – trilogia da irretroatividade: coisa julgada. Função jurisdicional: é o poder-dever do Estado de aplicar o direito ao caso concreto. Significa inafastabilidade da prestação jurisdicional (princípio da indeclinabilidade jurisdicional ou direito constitucional de ação – Art. 5º. 5º. mas os seus membros têm garantia de poder. A partir da revolução francesa. mas essa é uma exceção. a CF previu as funções essenciais da justiça MP e OAB (capacidade postulatória). 129 do CPC e 209 e 156 do CPP). não é formalmente poder. observado o Art. Montesquieu criou a divisão orgânica para regrar a atuação do Estado.

em sendo assim. Concurso público de provas e títulos: 2. STJ e TSE a constituição fala em mínimo e não um número fixo. Todos que exercem função eleitoral o fazem por mandato de 2 anos. Composição do TSE: no mínimo 7 juízes que são denominados ministros. 2 são desembargadores do TJ. resolver conflito de interesses de forma pragmática (ex: Michael Jackson).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Em regra não existem direitos fundamentais absolutos. Dos 11 ministros do STF é feito um rodízio dos que oficiarão no TSE. Ex: revisão pro reo. Formas de acesso aos quadros do poder judiciário: a CF estabelece três formas de acesso. é relativa. 125. Justiça Eleitoral As justiças especializadas são justiças federais. a CF permite que a justiça estadual tenha justiça militar – TJ e conselho de justiça militar para estado que tenha mais de 20.Art. RS. TRE: um por estado da federação e é composto por 7 juízes. 2 juízes de direito de entrância especial. STF  STJ (justiça comum estadual – TJ – juízes de direito e federal – TRF – juízes federais). Escolha pelo presidente da república após aprovação do senado: 3. TST (TRT – juízes do trabalho). O judiciário não está previsto na constituição. 2 advogados escolhidos pelo presidente da república de uma lista fornecida pelo TJ e 1 representante da magistratura federal. Quinto constitucional: Estrutura do poder judiciário: em razão da nossa cultura jurídica (romano-germânica) o nosso judiciário tem estrutura absolutamente complexa.000 componentes entre PM e bombeiros – SP. Como regra só pode ser presidente um dos ministros do STF. Não obstante. Relativização da coisa julgada. durante o exercício da função eleitoral. STF já reconheceu que a coisa julgada não pode ofender princípios constitucionais (desapropriação superfaturada). mas em uma lei. Exerce em face do princípio da delegação (a CF delega ao juiz de direito função eleitoral). TSE (TRE – juízes eleitorais e juntas eleitorais) e STM (tribunal militar e auditorias militares. Esses ministros são escolhidos da seguinte forma: 3 do STF. o juiz de direito desempenha função eleitoral. o juiz de direito é servidor público federal (quem paga subsídio para o juiz eleitoral é a União). MG . não procuram justiça. a própria segurança jurídica não é absoluta. procuram pacificação social. Crítica: a justiça eleitoral é federal. § 3º). pois a justiça eleitoral não tem quadro próprio de juízes. Cultura anglo-saxônica é bem mais simples (ex: Estados Unidos). Desta feita. mas ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 82 . permitida uma única recondução por mais 2 anos. erro material não faz coisa julgada. Um dos dois do STJ será corregedor geral eleitoral. 1. 2 do STJ e 2 advogados escolhidos pelo presidente da república de uma lista fornecida pelo STF.

serão criados por lei para atuação em época de guerra. julga atos disciplinares praticados por militar. civis pela prática de crimes militares (Decreto-lei 1001/69). a justiça militar estadual não julga crimes dolosos contra ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 83 . 1º grau de jurisdição da justiça militar estadual: conselho de justiça militar. Junta eleitoral: a CF não fala sobre sua composição. Estes 10 só poderão ser brasileiros natos (Art. A justiça militar estadual não julga civil nunca.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO quem comanda os TREs são os juízes estaduais. A justiça militar da União julga além dos componentes das forças armadas. Só pode ser presidente do TRE um dos dois desembargadores do TJ. 1 juiz auditor militar e 1 representante do MPM. Dos 15 ministros do STM. Afeta a inamovibilidade.000 existe concurso próprio para juiz auditor militar. Juiz eleitoral é o juiz de direito que por delegação exerce função eleitoral. Justiça Militar Conhecida como justiça castrense. A justiça eleitoral não é dividida em comarca. ou cível (lato sensu). os juízes poderão acompanhar as tropas militares. Composta por 2 ou 4 cidadãos e presidida pelo juiz de direito exercendo a função eleitoral. A EC 45 inovou no tocante à justiça militar estadual: a justiça militar estadual nunca julga civis.3 do comando da marinha. que em regra é juiz de direito designado pelo TJ para oficiar na auditoria militar. Justiça militar dos estados possui jurisdição criminal e a partir da EC 45. inovação. 12. É presidido pelo juiz auditor militar. § 3º). 3 são advogados escolhidos pelo presidente. Ela é presidida pelo juiz auditor militar (concurso próprio) e exerce sua função em dois órgãos distintos: conselho de justiça militar especial e conselho de justiça militar comum. 4 do comando do exército e 3 do comando da aeronáutica). O STM é composto por 15 juízes que levam o nome de ministros. no entanto. No entanto. A CF reconhece duas: a justiça militar da União e a das unidades federadas. São escolhidos pelo presidente da república e devem ter o nome aprovado pelo senado. tribunais militares e auditorias militares. os tribunais militares ainda não foram criados. nos estados em que o efetivo da PM e CBM for superior a 20. todos togados e vitalícios. Desses. Auditorias militares: primeiro grau de jurisdição da justiça militar. Os 5 civis podem ser natos ou naturalizados. também jurisdição não-criminal. ficando a cargo do Código Eleitoral. A justiça militar da União é composta pelo STM. 10 são militares (oficiais generais – última patente . O conselho funciona como colegiado ou singularmente. mas em zonas eleitorais. Ela só possui jurisdição criminal.

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a vida praticados por PMs contra civis. A emenda constitucionalizou a lei 9299/96. Crime militar cuja vítima for civil o julgamento será feito pelo juiz auditor militar de forma singular e não pelo conselho da justiça militar. Crime militar praticado por PM com vítima militar será julgado pelo conselho de justiça militar atuando de forma colegiada (Art. 125, § § 4º e 5º). A justiça militar estadual nunca julga crime de abuso de autoridade (lei 4898/65), quem julga é a justiça comum. A justiça militar estadual não julga crimes culposos cometidos por militares previstos no CTB, são julgados pela justiça estadual. Não existe conexão entre o crime militar e o comum, desmembra-se o julgamento. Justiça comum federal: a CF dividiu o território nacional em cinco regiões federais. Cada uma é sede de um TRF. É possível a criação de outros tribunais. Número mínimo de desembargadores federais é de 7. TRF 1ª região: sede em Brasília/DF e mais 14 estados da federação (todos do norte, centro-oeste e Minas Gerais, Bahia, Maranhão, Piauí). TRF 2ª região: sede no Rio de Janeiro/RJ. Estados são Rio de Janeiro e Espírito Santo. TRF 3ª região: sede em São Paulo/SP – São Paulo e MS. TRF 4ª região: sede em Porto Alegre – Paraná, Santa Catarina e RS. TRF 5ª região: sede em Recife – estados todos do nordeste, exceto Bahia, Maranhão e Piauí. O concurso é regional e é permitida a permuta desde que haja concordância dos respectivos tribunais. Nos estados sede de TRF (DF, SP, RJ, RS, PE) o juiz federal que oficia perante o TRE não é juiz federal de 1ª jurisdição, mas sim desembargador federal (EC 45 deu essa denominação). 1º grau de jurisdição: juiz federal, não é dividida em comarcas, foro significa seção judiciária federal. Cada estado é uma seção. A seção é divida em sub-seção judiciária federal. Justiça comum estadual: no mínimo 7 desembargadores no TJ, o número varia de acordo com o estado (número de feitos e habitantes). Nos tribunais cuja composição se faz por mais de 25 membros é possível a criação de órgão especial que é composto por no mínimo 11 e máximo 15 membros. A composição do órgão especial até a EC 45 eram os 25 mais antigos, a EC 45 disse que metade dos mais antigos e metade por eleição entre os demais membros (discutido no CNJ). 84

ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE

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O CNJ (tecnicamente correto) deveria estar na estrutura do poder judiciário (abaixo do STF e acima dos tribunais superiores). No entanto, existe uma segunda posição, de que ele é órgão do poder judiciário, no entanto não desenvolve atividade jurisdicional, por isso não pode estar dentro da estrutura (Alexandre de Morais) – Art. 92, § 2º exclui o CNJ da função jurisdicional. STJ: criado pela CF/88, mas em 1965 José Afonso da Silva escreveu artigo pela criação de um tribunal nacional para unificar decisões. É composto no mínimo de 33 ministros. Os ministros são escolhidos pelo presidente da república, mediante aprovação do senado por maioria absoluta. Até a EC 45 era maioria simples. A escolha é do presidente, no entanto, ela é vinculada a determinadas categorias (ela não é livre). Ele escolhe dentre listas fornecidas pelo STJ, diversamente do que ocorre no STF. 1/3 dentre desembargadores federais dos cinco TRFs (hoje são 11); 1/3 dentre desembargadores dos TJs; 1/3 entre advogados (5) e representantes do MP (federal ou estadual - 6). STF: composto de 11 juízes que recebem o nome de ministros. Alexandre de Morais entende que a alteração do número de ministros ofende cláusula pétrea. A escolha é livre pelo presidente da república, não é vinculada a categorias. Livre dentre brasileiros que preencham os seguintes requisitos: brasileiro nato (pois está na linha sucessória do presidente da república – Arts. 12, § 3º, 81 e 101), idade mínima de 35 anos (José Afonso da Silva fala que é quando se atinge a capacidade política absoluta – Art. 14 – que é alcançada por etapas); idade máxima de 65 anos (o cidadão tem exercer no mínimo 5 anos para se aposentar compulsoriamente) (Idade máxima para ser conselheiro do CNJ é de 66 anos, isso porque o mandato é de 2 anos permitida uma única recondução, atingindo os 70); reputação ilibada (Canotilho diz que é uma expressão “viajante” – a depender do momento); notável conhecimento jurídico (conhecimento jurídico que dispensa prova (Michel Temer diz que no mínimo tem que ser bacharel em Direito). Garantias do poder judiciário: elas têm por objetivo assegurar à instituição a necessária independência frente aos demais poderes para o exercício de suas funções, afastando pressões de qualquer natureza (Art. 2º). Essas garantias podem ser divididas em dois grupos: garantias institucionais e garantias dos membros. As institucionais, por seu turno, se dividem em: autonomia funcional, administrativa e financeira (Art. 99) e modo de escolha dos dirigentes dos tribunais (Art. 96, I, a). A garantia dos membros também se reparte em dois tipos: garantia de liberdade e de imparcialidade (Alexandre de Morais e José Afonso da Silva). As garantias de liberdade se dividem em três tipos: vitaliciedade, inamovibilidade e irredutibilidade de subsídios. Imparcialidade se reparte em vedação da atividade político-partidária, vedação de acumulação de cargos, empregos ou funções, vedação de recebimento de custas e quarentena.
GARANTIAS AUTONOMIA FUNCIONAL GARANTIAS INSTITUCIONAIS ADMINISTRATIVA

VITALICIEDADE ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE

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DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO INAMOVIBILIDADE GARANTIAS DOS MEMBROS IMPARCIALIDADE ACUMULAÇÃO DE CARGOS, GOS OU FUNÇÕES ÇÃO DE RECEBIMENTO DE CUSTAS ENTENA FINANCEIRA

IRREDUTIBILIDADE

GARANTIA DE LIBERDADE POLÍTICO-PARTIDÁRIA VEDAÇÃO DE EMPRE VEDA QUAR

Garantia institucional  autonomia: auto-governo do poder judiciário, independência do próprio órgão em relação aos demais poderes do estado (Art. 99). Havendo a violação das garantias institucionais é caso de condenação por crime de responsabilidade (Art. 85). Cabe ao próprio poder judiciário sobre os cargos que dispõem o órgão, ele é que possui legitimidade, competência legislativa para apresentar projetos de lei para dispor sobre cargos. Ele apresenta ao executivo o orçamento necessário para o ano seguinte (proposta orçamentária). Se não encaminhar no prazo estabelecido o executivo mantém a do ano anterior (respeitando a LRF – LC 101). Garantia institucional  auto-governo ou função governativa (modo de escolha dos dirigentes dos tribunais): Art. 96, I, a. Elaborar RI é exemplo do desempenho de função atípica ou secundária o judiciário. O CNJ foi criado para regrar essa função governativa. Garantia dos membros: visa a independência individual do magistrado. Garantia interna (o magistrado tem independência frente aos tribunais, há subordinação administrativa) e externa (o magistrado não deve obediência a ninguém, salvo à CF e à sua própria consciência). Garantia de liberdade  vitaliciedade: em 1º grau ela é atingida após 2 anos de efetivo exercício (estágio probatório). Existe o projeto de emenda 358/05 para passar o estágio para 3 anos. Em 2º grau ela é alcançada a partir da posse, sem qualquer lapso temporal (indicação ou 5º constitucional) – Art. 95, I. Não se confunde com estabilidade: estabilidade é para servidor público stricto sensu, estabilidade alcançada após estágio probatório de 3 anos. Com a estabilidade o servidor pode perder o cargo em razão de decisão administrativa. Vitaliciedade é só para agente político, espécie de servidor público lato sensu. Em 1º grau é adquirida em 2 anos e nos tribunais a partir da posse. Aquele que é dotado do predicativo da vitaliciedade só perde o cargo em razão de sentença judicial transitada em julgado. Abrandamento da vitaliciedade de ministro do STF – pode ser condenado por crime de responsabilidade (Art. 52 e lei 1079/50). São ofertados ao magistrado para que ele possa exercer a função com independência, sem temor de violar outros poderes, não como prerrogativa pessoal. Garantia de liberdade  inamovibilidade: não podem como regra ser removido ex officio, sem iniciativa própria, por determinação. Exceção em que poderá ser removido ex officio: interesse público com voto da maioria 86 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE

parágrafo único): para a manutenção da capacidade subjetiva há uma série de vedações: * Exercer outro cargo ou função. A primeira constituição que tratou do MP foi a republicana de 1891.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO absoluta dos membros do tribunal (alterado pela EC 45. o subsídio não é majorado a cada período considerando-se a inflação do mês anterior. MINISTÉRIO PÚBLICO Qual é a posição constitucional do MP? CF de 1824: não tratou do MP. Dessa feita. nessa data o MP não foi constitucionalizado. Dizia que o procurador geral da república seria escolhido dentre os ministros do STF. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 87 . para magistrados é de seis meses (desincompatibilização – renúncia ao cargo e não licença como para outros servidores públicos). 93. 95. era voto de 2/3). seja cotista etc. * FUNÇÕES ESSENCIAIS DA JUSTIÇA Hugo Nigro Mazili critica essa denominação dada pelo constituinte. Praticar atividade político-partidária em geral.? O STF não decidiu ainda). A LOMAN veda ao magistrado que participe de sociedade. salvo uma de magistério (uma na faculdade.. * Receber custas ou participação em processo. mas ao Estado como um todo. Os juízes militares podem ser removidos porque em guerra o juiz acompanha as tropas. § 4º. uma no cursinho. para ele melhor seria funções essenciais ao Estado. III). em 1891 o MP fazia parte do Judiciário. LC 64/90 estabelece prazo de filiação a magistrado diverso: até um ano antes da eleição é a regra. É aquela não nominal. Garantias de imparcialidade (Art. portanto. A irredutibilidade é jurídica e não real (STF). que pode ser removido por conveniência e oportunidade (discricionariedade). Em 1832 surge o código de processo criminal do império fazia referencia ao promotor da acusação. diversamente do servidor público stricto sensu. II e 103-B. entidade pública ou privada. manutenção da independência. 95. VIII. * Receber auxílios ou contribuições de pessoa física.. O MP e os advogados desempenham funções não só voltadas ao Judiciário. Garantia de liberdade  irredutibilidade de subsídios: o magistrado não pode ter reduzido o seu subsídio porque precisa ter tranqüilidade para o exercício da jurisdição. * Filiar-se a partido político. O CNJ também pode por interesse público remover o magistrado (Arts.

Nos momentos históricos em que predominava a democracia o MP era órgão independente. mas apenas uma emenda 01 à constituição de 67. Essa atividade estava contida dentro do Executivo. O Estado se manifesta por ato legislativo. ela foi criada para uma realidade histórica em 1748. França etc). mas não como instituição (ditadura retira a independência do órgão). o MP sem ser poder exerce função de poder e seus membros possuem garantia de poder. o que interessa é a função e garantia dos membros de poder. Nessa classificação considera-se a natureza jurídica do ato praticado pelos representantes do MP. ou seja. ou seja. que inaugurou o Estado Novo. implicitamente o MP nessa constituição pertencia ao Executivo. só havia uma referência ao PGR em um artigo. Os representantes do MP não praticam atos de natureza legislativa. o legislativo da União foi convertido em assembléia constituinte). CF de 1967: o MP fazia parte do Judiciário. MP acompanhado do TC. CF de 1969: alguns dizem que não houve constituição. Para Hugo Nigro não interessa o MP ser poder. como verdade absoluta. pois se originou de uma assembléia nacional constituinte (a de 1988 foi de um congresso constituinte. O MP passou a fazer parte do Executivo. logo. A constituinte posicionou o MP fora dos três poderes da república. não se pode aplicar a doutrina da época à nossa realidade constitucional. CF de 1946: redemocratização do país com eleição para presidente da república. Pela constituição de 1937 o MP foi esquecido. O MP é uma instituição extra-poder. Alguns dizem que essa foi a constituição mais democrática que tivemos. Alexandre de Moraes denomina do MP como instituição permanente que tem as mesmas garantias dos poderes. mas foi constitucionalizado só no ano seguinte. Há na doutrina quem entenda que o MP faz parte do Executivo (minoria). Muitos Estados não adotam a teoria tripartite de poder (de funções) (Venezuela. logo. portanto volta a ser instituição independente. nem atos com força definitiva jurisdicional. concluindo-se que os representantes do MP só poderiam praticar 88 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . ato administrativo e ato jurisdicional (decisão em sentido lato). Essa divisão tripartite de Montesquieu não é científica. fala do órgão ao lado dos demais poderes. CF de 1937: foi uma constituição autoritária outorgada por Getúlio Vargas. CF de 1988: o MP não é um quarto poder porque formalmente existem apenas três poderes. Em 1977 a nossa constituição foi emendada pela EC 07 de 1977 deixou expresso mais uma vez que o MP faria parte do Executivo (pacote de abril de 77). CF de 1934: o MP estava contido no capítulo denominado: atividades de cooperação governamental. Não deve prevalecer como dogma.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Em 1890 veio ao mundo o decreto 1030 que institucionalizou o MP.

O chefe administrativo do MPU é o PGR. permitindo-se uma única recondução. o seu procurador geral é o próprio PGR. MPT. Dentre os subprocuradores o presidente escolhe o PGR (não é regra expressa. só pode ser PGR membros da instituição. lei 8. Justifica essa denominação afirmando que o presidente com autorização prévia precedente do senado pode afastar o PGR. o que não quer dizer que o órgão faz parte do Executivo. Em regra lei municipal não pode tratar de MP. caso o faça será inconstitucional. LC 75/93 e Lei Orgânica Nacional do MP. além de desenvolver atividades extrajudiciais. Até a CF de 1988 o presidente poderia afastá-lo ad nutum. permitindo-se reconduções. Para José Afonso o PGR exerce investidura por prazo certo. cada estado tem sua lei complementar própria. MPT: possui o seu procurador geral do trabalho próprio. Membros do MPF com mais de 35 anos indicado pelo presidente e aprovado pelo senado por maioria absoluta para exercer mandato de 2 anos. O PGR pode ser reconduzido quantas vezes o presidente quiser reconduzi-lo desde que com aprovação do senado por maioria absoluta. mas é praxe). Hoje existem aproximadamente 680 procuradores da república. MPM. O concurso é nacional. O MPU se reparte em quatro categorias: MPF. Segundo grau de atribuição do membro do MPF: promovido a procurador regional da república que oficia em regra perante os TRFs (são 203). em regra porque é possível que o conselho superior faça uma designação especial para atuar em outro órgão (tribunal). Regra: além do PGR. A CF faz referência expressa à existência de dois MPs: MPU e MP dos estados. O projeto de emenda 358/05 deixa isso expresso. Com a constituição de 88 houve uma restrição à escolha do PGR. MPDFT. Elaborada uma lista de 3 nomes encaminhada ao PGR para escolha para cumprir mandato de 2 anos. diversamente do concurso para juiz federal. todos os ramos do MPU possuem procurador geral próprio. Após é promovido a subprocurador geral da república oficiando perante o STJ e por delegação do PGR no STF (são 62). que é regional. MPF: procurador da república que oficia em regra perante o juiz federal. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 89 .625/93. O PGR até 1988 era escolhido livremente pelo presidente. No entanto essa posição é minoritária. O PGR pode afastar o PGT com autorização do conselho superior. Alexandre de Moraes diz que o presidente pode escolher dentro de qualquer um dos ramos do MPU. porque entende-se que será escolhido entre os membros do MPF apenas. à exceção do MPF.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO atos de natureza administrativa.

RO). faz parte da economia doméstica do TCU (ADIN 789/DF). Pode ser procurador geral de justiça promotor ou procurador. para ele tem de ser a Câmara e o Senado. só a Assembléia Legislativa. 127. Isso por dois motivos: caso se posicione o MP dentre de um dos poderes de república far-se-ia que esse poder ficasse super forte ou 90 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . MPTCE: em alguns estados já houve concurso próprio (GO. CF: MP é instituição permanente. Não faz parte do MPU nem dos estados. três subprocuradores gerais e quatro procuradores do MP junto ao TCU. Aqui no MPDFT além do promotor de justiça a LC 75 fala em promotor de justiça adjunto. é cláusula pétrea. § 2º. projeto de emenda não poderia modificar essa condição. O 1º grau de atribuição é como promotor de justiça. quem deveria oficiar seriam apenas os membros do MPE. Art. em regra. Lei 8443/92 é a lei orgânica do MP especial junto ao TCU. No entanto na maioria dos estados não há essa previsão. mas o MP especial. Exerce mandato de 2 anos permitindo-se única recondução. mas a LC 75 fala apenas no Senado. MG. MPE: é chefiado administrativamente pelo PGJ escolhido pelo governador do estado de uma lista de 3 nomes para mandato de 2 anos. O CNMP entendeu que o MPTCU não deve obediência ao conselho. José Afonso não concorda. Regra: o governador não pode afastar o PGJ. CF: membros do MP junto aos tribunais de contas. MPDFT: o procurador geral do MPDFT não é escolhido pelo PGR. Ele oficia em regra perante o juiz de direito. É núcleo intangível super-rígido da CF. mas não é a posição do STF. 130. a depender de cada estado (em GO.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO MPM: também possui o seu procurador geral próprio escolhido pelo PGR de uma lista de 3 nomes. perante o TJ. O STF disse que essa lei é constitucional. RJ é possível promotor concorrer ao cargo). O STF reconheceu que se a lei/constituição estadual reconhece como um cargo próprio deve haver um concurso próprio e não compor as vagas por membros do MPE. e quem oficia é membro do MPE. Pode ser afastado. permitindo-se uma única recondução. Quem faz a nomeação dos representantes do MPTC é o presidente da república (há concurso próprio). Art. é escolhido pelo presidente de uma lista de 3 nomes fornecida pela categoria para mandato de 2 anos permitida uma única recondução. 73. Alexandre de Moraes entende que a CF não prevê MP especial para os estados. oficiando. I também faz referência. 2º grau de atribuição é como procurador de justiça. Art. Há um procurador geral do MP junto ao TCU. Ele pode ser afastado mediante autorização do conselho superior. Quem oficia não é o MPE. O STF entende que esse MP previsto nesses artigos é um MP especial. mas somente com a autorização do legislativo da União (Senado Federal). Após certo tempo é promovido a procurador de justiça.

91 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . Incumbe-lhe a defesa da ordem jurídica. ou seja. O cidadão teria determinadas liberdades frente ao estado. estão espraiados por todo o corpo constitucional (ex: princípio da anterioridade tributária. mas não apenas lá. O MP tem por função a proteção dos direitos fundamentais do cidadão e os direitos fundamentais representam cláusula pétrea. Em processo penal na ação penal de iniciativa privada. deduzindo em juízo interesses da coletividade. Em processo civil o Art. ele pode fazer tudo que não seja proibido. 6º. pelo povo. Segundo a doutrina o MP tem por objetivo a defesa desses quatro status. 5º. crédito do cidadão em relação ao Estado. Exercício de direitos políticos e a proteção da liberdade. para o povo. democracia em um determinado momento significou governo do povo. O cidadão tem obrigação de respeitar o que está previsto. inimputabilidade penal antes dos 18 anos etc). lazer). igualdade e dignidade da pessoa humana. ou seja. São quatro status: negativos. 127 e melhor esclarecidas pelo Art. Defesa do regime democrático. Como órgão agente o MP atua como advogado da sociedade. ou seja. ofendendo o controle que existe entre os três. no entanto. Defende a ordem jurídica como fiscal da constituição. O Art. 129. saúde. igualdade e dignidade. Proteção aos interesses sociais elencados no Art. são créditos do cidadão em face do Estado (salário. previstos em regra no Art. Status passivo é a situação oposta. além delas existem outras. 82 do CPC elenca as intervenções do MP. 129 esclarece o Art. 127. regime democrático é muito mais do que isso. Essencial à função jurisdicional do estado porque o juiz é inerte. passivos. exercício de direitos políticos. o conjunto de normas de um Estado. logo. Status positivo: é a exigência de que o estado preste determinadas atividades. os direitos fundamentais de 2ª dimensão. Topograficamente os direitos individuais estão por toda a CF. educação. as funções previstas são meramente exemplificativas. Defesa de status constitucionais: Jellinek fala a respeito. é custus legis. positivo e o ativo. o MP participa do processo eleitoral. o MP protege esse status que a doutrina chama de status negativo de cidadão. são sujeições do cidadão às determinações legais. Funções: Função de órgão interveniente e função de órgão agente. com respeito à liberdade. Status ativo: significa direito público subjetivo de natureza política que tem a pessoa humana de participar da organização do estado. indiretamente o MP deve ser entendido como cláusula pétrea. Enquanto interveniente o MP é o fiscal da lei (constituição). Proteção dos direitos individuais indisponíveis.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO hipertrofiado. São funções previstas no Art. fiscalizando a sua indivisibilidade.

6ª câmara: índios e minorias. LIII: ninguém será processado . por exemplo). É conseqüência do princípio da unidade. 28 vai para a câmara de coordenação e revisão (para revisão do pedido de arquivamento do inquérito): 1ª câmara: constitucional. Promotor natural (agregado pela doutrina): o STF já firmou que é princípio. evitando-se promotores ou acusadores de encomenda com o objetivo de prejudicar o beneficiar o acusado. podem apresentar projeto de lei (Art. Designações de apoio ao promotor natural pelo procurador geral (a pedido do promotor ou procurador natural). 3ª câmara: consumidor.. É função governativa do MP. Unidade: só existe um MP. A indicação de promotores ou procuradores é inconstitucional. 2. Significa não existência de subordinação hierárquica. Assim. É uma garantia constitucional do cidadão de só ser processado por um órgão do MP previamente estabelecido. 127. O MP apresenta por meio do procurador geral a sua lei própria. 61 da CF). Esse princípio está ainda no predicativo da inamovibilidade. quem fala é a própria instituição. No MPF o Art. Só agente político possui independência funcional. nenhum deles determina ordem ao MP no exercício de suas funções. que a indivisibilidade. 2ª câmara: criminal e controle externo da atividade. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 92 .DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Princípios institucionais do MP (Art. 127. Possui competência legiferante. * Autonomia funcional: significa que o MP é independente dos três poderes da república. O representante do MP no exercício de sua função institucional deve obediência à CF e à sua consciência. Contaminação virótica constitucional do CPP: entender o CPP de acordo com a CF. Art. ela existe dentro de cada um dos ramos do MP. Indivisibilidade: possibilidade de livre substituição de uns pelos outros dentro do mesmo ramo do MP sem qualquer medida concreta (substabelecimento. Independência funcional: liberdade de auto-determinação só é encontrada no Art. 5ª câmara: patrimônio público. o representante não está obrigado a denunciar. mas não no exercício das funções constitucionais. § 1º da CF. 4ª câmara: meio ambiente. Existe chefia administrativa.  princípio do promotor natural. 3. Como corolário dessa unidade surge outro princípio institucional. 127. Garantias do MP: podem ser divididas em dois grupos: Garantias institucionais: * Autonomia administrativa: auto-governo do MP. unidade quer dizer que no momento em que o representante do órgão fala. 2º e no Art. 5º. Fundamentos: Art.. 28 do CPP é um exemplo disso. 4. § 1º): 1. Os serviços auxiliares decorrem de lei própria (Art. O princípio não impede designações na investigação (ex: GAECO e GAELD). É garantia de promotor isento no momento do oferecimento da denúncia a fim se evitar benefícios e perseguições. § 2º).

cursinho. “salvo nos casos previstos em lei” e a LC 75 possibilitava a filiação partidária. ainda que em disponibilidade. O CNMP estabeleceu prazo até junho/2006 para que os representantes cumpram esse dispositivo. Sendo candidato a filiação deve ser feita um ano antes das eleições (a LC 64 fala em seis meses antes. teriam direito de se candidatar e perdendo volta. Exercer outra função pública. a dedicação deve ser exclusiva. mas a CF permite). é um absurdo. O CNMP estabeleceu que só podem ser 20h semanais apenas. Participar de sociedade na forma da lei. Aqueles que entraram após a EC 45 não podem se candidatar. a CF diz serem equivalentes. Não é a posição do TSE: o afastamento para se candidatar deve ser definitivo. Vedações: previstas no Art. Antes havia uma exceção. * Inamovibilidade.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO * Autonomia financeira: o MP possui dotação orçamentária própria. Garantias dos membros: tudo que se aplica para a magistratura se aplica aqui. Projeto de emenda 358/05 irá adotar a posição de Alexandre de Moraes: possibilidade de se candidatar e voltar ao cargo do MP para aqueles que entraram após 1988 até a EC 45.. em 88 foi criada a AGU. salvo uma de magistério. No entanto aqueles que já eram do MP puderam continuar com a advocacia (Art. Os que entraram de 1988 até a promulgação da EC 45. 29 do ADCT). Hoje não existe mais qualquer exceção. afastando-se por meio de licença e não renúncia ao cargo. Receber honorários ou custas processuais. Exercer advocacia (o STF decidiu que defensor público não pode advogar também). a não ser que abandonem o MP.. Exercer atividade político partidária: alterada pela EC 45. 127. § 5º. é uma exceção (é incompatível. * Irredutibilidade de subsídios. As suas atribuições são desempenhadas às expensas do orçamento próprio (Art. vedando-se a advocacia por parte do MP. * Vitaliciedade.). segundo Alexandre de Moraes. 93 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . Aqueles que entraram até 1988 adotam regime anterior e podem estar filiado e se candidatar. 128. § 3º e Art. Magistério: não se definiu uma função de magistério (faculdade. mas o STF decidiu que é de um ano). diverso do orçamento dos outros poderes da república. II da CF. Até a CF de 88 os representantes do MPF advogavam. 168).

É imunidade material. mas existem exceções: HC. O Art. contraditório). 134 fala da necessidade de criação do órgão. exercendo função essencial (Art. A AGU faz a defesa judicial e extrajudicial da União. CF). não existe prestação jurisdicional sem advogado. O procurador do estado tem estabilidade após 3 anos (EC 19). O STF suspendeu a palavra desacato que a lei estabelecia como imunidade para o advogado (ADIN 1127-8/DF). revisão criminal. ainda assim presta serviço público relevante. Regulada pela LC 73/93. O Art. ela é organizada e mantida pela União. § 3º). Defensoria pública: a CF garante a defesa jurídica pela defensoria pública. não faz parte da DPU. 133 revela dois princípios: o da indispensabilidade do advogado e o da imunidade (material). ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 94 . a competência para julga-lo é do STF. Havia um conflito de interesses. ela não faz o executivo fiscal. Nomeação do procurador geral do estado (PGE) é livre do governador. O estatuto da ordem estabelece que o advogado tem imunidade no estrito cumprimento funcional. É a regra. São chefiados pelo procurador geral do estado. justiça do trabalho. A DPDF é gerida pela União. o procurador geral da Fazenda Nacional está subordinado ao AGU (LC 73). então a CF/88 criou a AGU. Advocacia privada: muito embora atue sem vínculo administrativo com o Estado. 133. é muito mais que só judicial.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO ADVOCACIA Segunda função essencial da justiça. Indispensabilidade é um fator importante para a garantia dos direitos fundamentais (ampla defesa. não precisa ser dos quadros da AGU desde que seja brasileiro com mais de 35 anos e notável saber jurídico. O chefe da AGU é o advogado geral da União escolhido livremente pelo presidente. ele deve atuar nos limites da lei. É vedado o exercício da advocacia privada aos defensores públicos. O AGU tem status de ministro de estado. A DPU oficia perante a justiça federal. do trabalho e militar e existem pouquíssimos no Brasil. Isto por uma questão histórica. juizados. que é reservado à procuradoria geral da Fazenda Nacional (Art. No entanto. 131. Não é irrestrita. o MPF ajuizava as ações. advocacia privada e defensoria pública. portanto. 131). Orientação jurídica é orientação judicial e extrajudicial. Advocacia pública: até 1988 não existia a AGU. Imunidade: inviolabilidade em razão do exercício da função. Pode ser dividida em advocacia pública (Art. ação popular (?). Exercem a representação judicial e a consultoria das respectivas unidades federadas. Em sede estadual quem faz a defesa é o procurador do estado.

o Poder Legislativo se manifesta pela conjunção da vontade das duas Casas. 70). Nos juizados especiais não há intimação pessoal nem para o defensor público. Lei 1060/50 estabelece quem é hipossuficiente. Nesta hipótese. Nas demais esferas o sistema adotado é o unicameral. a comunidade elege representantes para fazê-lo (teoria da soberania). Luxemburgo. A fiscalização financeira e orçamentária é feita com o auxílio do Tribunal de Contas da União (CF. orçamentário. é utilizado nos Estados-membros (Assembléia Legislativa). art. durante a Idade Média. 48) e fiscalizar (CF. Pelo princípio da participação: das vontades regionais e da vontade nacional (efetivada pelo Senado). O STF já decidiu que o advogado dativo não tem esse direito. no Distrito Federal (Câmara Legislativa) e nos Municípios (Câmara de Vereadores).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Advogado constituído. Estrutura Em regra.g. não podendo votá-la diretamente. Segundo a concepção de Rousseau. A fiscalização dos atos emanados do Poder Executivo é decorrente do princípio da representação popular e ocorre nos âmbitos financeiro. a Câmara alta e a Câmara baixa. uma vez que o Congresso Nacional é composto por uma Casa de representantes do povo (Câmara dos Deputados) e outra de representantes dos Estados e do Distrito Federal (Senado). o qual atende à forma federativa de Estado positivada na Constituição. O Brasil adota o bicameralismo do tipo federativo. art. contábil. o Legislativo se estrutura em dois tipos de sistemas: a) unicameral: formado por um único órgão.. Advogados públicos: defensores Advogado dativo: supre a falta do defensor público. Em processo criminal pessoa rica pode ser patrocinada por defensor nomeado. PODER LEGISLATIVO – Marcelo Novelino Origem: O Poder Legislativo foi concebido na Inglaterra. art. A LC 80/94 estabelece que o defensor público tem direito a intimação pessoal e o prazo em dobro. Funções O Poder Legislativo possui duas funções típicas: legislar (CF. mas ao final serão cobrados honorários executados pela PFN. b) bicameral: composto por dois órgãos. operacional e patrimonial. Esse sistema costuma ser adotado em países pequenos como. com a finalidade de limitar a autoridade dos reis. 71). a soberania reside no povo que a exprime através da lei. No Brasil. e. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 95 .

o Presidente da República. A Câmara e o Senado exercem função administrativa. I. provimento de cargos e seus serviços”. O Senado tem ainda a competência exclusiva (CF. tanto nos crimes comuns e de responsabilidade será necessária autorização da câmara dos deputados com o quorum de 2/3. Todas as autoridades mencionadas acima . se não for a competência é do STF. VI) Procurador-Geral da República. se o crime for conexo com o praticado pelo Presidente. A jurisprudência do STF já se consolidou no sentido de que a expressão crimes comuns abrange todas as modalidades de infrações penais. até o momento. cuja previsão consta da PEC 29/2000. A exceção. 102.g. os membros do Congresso Nacional. vice e ministro de estado. e. V) Membros do Conselho Nacional do Ministério Público. IV e do art. VII) Advogado-Geral da União (status de ministro de estado). 102. nas hipóteses do art.. a competência será do STF (art. seus próprios Ministros e o Procurador-Geral da República”. 51. 52. o Vice-Presidente. nos seguintes termos: “nas infrações penais comuns. os membros do Congresso Nacional. Para o julgamento do presidente. II) Ministros de Estado e Comandantes das forças armadas (antes tinham status de ministro?). 52. as seguintes autoridades (as mais altas autoridades de cada poder): I) Presidente e Vice-Presidente da República. XIII – “organização. art. b: “nas infrações penais comuns. cuja pena não é a privativa de liberdade. e. art. é autorização para o processo de impeachment e a autorização da câmara tem natureza eminentemente ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 96 . o Vice-Presidente. III) Ministros do STF. o Legislativo também exerce funções atípicas. são crimes impróprios. o Presidente da República. nos crimes de responsabilidade (é uma infração político-administrativa. polícia. I e II) para processar e julgar. As penas são a perda do cargo e inabilitação por 8 anos). os membros do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público.além dos Deputados e Senadores – serão julgadas pelo STF no caso de crime comum. I.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Assim como os demais poderes. inclusive os delitos eleitorais e as contravenções penais. “c”). Se o crime de responsabilidade não for conexo com o praticado pelo Presidente. CF/88. seus próprios Ministros e o Procurador-Geral da República”. IV) Membros do Conselho Nacional de Justiça. é com relação aos membros do CNJ e do CNMP.

45. A renovação desta representação não é feita simultaneamente. Ele não é ente federativo. inclusive de conveniência e oportunidade. art. art. 45. sendo que cada Estado e o Distrito Federal elegerão três. basta que o senador seja o mais votado. maiores de 35 anos (CF. b) eleitos diretamente. § 1o). para exercerem um mandato de oito anos. § 2o). 48 da Constituição da ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 97 . art. através de escrutínio secreto (CF. 14). este elegerá quatro deputados. Aquela é atribuída ao Congresso para que disponha sobre todas as matérias de competência da União (CF.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO política. art. duas legislaturas (CF. Sendo crime comum o julgamento é no STF. a natureza do crime de responsabilidade é penal. art. § 2o). §1o). 22 e 24) e. arts. que tem como uma de suas características a participação da vontade dos Estados na formação da vontade nacional. 45). por escrutínio secreto (CF. O número de Deputados por Estado e pelo Distrito Federal será proporcional à população (e não ao número de eleitores). sobre as elencadas no art. VI. mas sim de forma alternada. em especial. independentemente do tamanho de sua população para legislatura de 4 anos (CF. 14. Segundo o STF. que corresponde à soma dos brasileiros. art. 14. A paritariedade do número de Senadores se assenta no princípio federativo. eleitos diretamente. art. sendo a representação distribuída proporcionalmente às correntes ideológicas (partidos políticos). não sendo necessário mais de 50%) (CF. 57) e tem início em 02/02 a 17/07 e reinicia em 01/08 a 22/12 (modificado por emenda) O Senado Federal é composto por representantes dos Estados e do Distrito Federal. art. Tanto que a competência para legislar é privativa da União (súmula 722/STF). 46). estrangeiros e apátridas. b). e quem preside esse julgamento é o presidente do STF e a pena se limitará à perda do cargo e inabilitação por 8 anos. Caso seja criado algum território. Os territórios não possuem representantes no Senado Federal. ou seja. na seguinte serão eleitos dois (dois terços) (CF. A sessão legislativa é o período anual (Art. maiores de 21 anos (CF. art. Os Senadores são eleitos pelo sistema majoritário (maioria relativa. não há segundo turno para eleição de senador. § 3o. Se em uma determinada eleição foi eleito um Senador (um terço). 14). Atribuições do Congresso Nacional Dentre as atribuições do Congresso Nacional estão a competência legislativa e a competência deliberativa. § 3o. Os Deputados são eleitos pelo sistema proporcional (CF. 46. Todavia. não deve participar da vontade nacional. Dada a autorização o julgamento nos crimes de responsabilidade será feito pelo Senado. Deputados e Senadores A Câmara de Deputados é composta por representantes do povo. nenhum deles poderá ter menos de oito ou mais de setenta deputados (CF. art. 46. VI.

Na cassação do mandato. O Art. 55. quando houver urgência ou interesse público relevante (art. ao passo que a segunda é anual (art. §§ 6o e 7o). As inelegibilidades podem ser absolutas (inalistáveis e analfabetos) e relativas (parentesco. como as matérias são veiculadas por lei. 49. As leis nacionais. previstas em lei complementar). É o que ocorre. apesar de exercidas isoladamente. militares. 51) e ao Senado Federal (CF. comportam delegação ou competência suplementar. mas de todo o Estado (ex: CP. A lei federal é a que trata de interesse exclusivo da União enquanto ente federativo (ex: lei 8112). 54. ou seja. buscando apoio político. 14.).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO República. apesar do disposto na Constituição (“compete privativamente”. A primeira tem a duração de quatro anos (art. com as competências da União previstas no art. parágrafo único).. § § 2º e 3º. Além das sessões legislativas ordinárias. Deve-se atentar para a distinção entre legislatura e sessão legislativa. na verdade. privação da capacidade política passiva. 57. Geraldo Ataliba distingue lei nacional de lei federal. CF). Competências privativas.ou pelo Presidente da República. Ocorrem antes que a pessoa seja eleita para determinado cargo. também são exclusivas. 57). é exigida a sanção do Presidente da República. Neste caso. As competências atribuídas à Câmara dos Deputados (CF. CTN). Não se confunde com inelegibilidade (Art. 44. A competência deliberativa. pela inobservância do decoro parlamentar ou pela sentença penal ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 98 . art. lei complementar poderá autorizar os Estados a legislar sobre questões específicas das matérias ali relacionadas. Cassação e extinção do mandato: Art. a perda é decidida pela casa respectiva do cassado. As sessões legislativas extraordinárias podem ser convocadas pelo presidente do Senado Federal . 54 da CF traz hipóteses de incompatibilidades de deputados e senadores. Algumas ocorrem a partir da diplomação e outras a partir da posse. Conforme dispõe seu parágrafo único. Trata-se de uma competência exclusiva. pois não podem ser delegadas. O objetivo é evitar que o Executivo utilize determinados cargos para que certos deputados ou senadores possam ser favorecidos. Incompatibilidade ocorre após a eleição para um cargo. 52). deve ser veiculada por decreto legislativo ou por resolução. a sanção do Presidente. existe a possibilidade de convocação extraordinária do Congresso Nacional para deliberar sobre determinada matéria. 22.em caso de decretação de estado de defesa. de estado de sítio e de intervenção federal e para compromisso e posse do Presidente e Vice . dispensando. apesar de serem feitas pelo congresso não tratam de interesse exclusivo da União.. exercida isoladamente e que não comporta delegação. por isso. pelos Presidentes da Câmara e do Senado ou mediante requerimento da maioria dos membros de ambas as casas. Estão ligadas à não possibilidade de deputado ou senador após a expedição do diploma exercer determinadas funções. prevista no art. por exemplo. O mandato poderá ser cassado quando houver a violação das incompatibilidades do Art. art.

A função de membro da Mesa das Casas legislativas é de natureza executiva (direção. Essa análise é feita pelas comissões parlamentares que. emitem um parecer prévio para posterior apreciação do plenário. As comissões parlamentares foram valorizadas pela Constituição de 1988 que lhes atribuiu diversas competências. na função de órgãos técnicos.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO condenatória definitiva. Na extinção do mandato não há julgamento. as comissões podem ser classificadas como: a) permanentes: quando permanecem mesmo após o fim das legislaturas. 57. as quais. III a V. No caso do Congresso Nacional. § 4o). ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 99 . As comissões devem ter uma representação proporcional dos partidos ou dos blocos partidários das respectivas Casas Legislativas (CF. Nos três casos a casa do deputado ou senador irá decidir pelo voto secreto (STF já entendeu que deve ser observado no âmbito estadual) e a decisão deve ser dada por maioria absoluta. supervisão. muitas vezes. a Constituição veda a recondução para o mesmo cargo na eleição imediatamente subseqüente. Comissões parlamentares A diversidade e complexidade das matérias a serem analisadas pelo Legislativo suscitaram a necessidade de uma especialização dentro do parlamento com o intuito de se fazer um estudo prévio e especializado das propostas apresentadas. administração e execução). Por isso. correspondem ao campo funcional dos Ministérios. b) temporárias: extinguem-se com o fim da legislatura ou se dissolvem com o encerramento de seus trabalhos. 58. as comissões podem ser: a) exclusivas: compostas apenas por Membros da Câmara ou do Senado. § 2o) e nos regimentos internos de cada uma das Casas do Congresso Nacional. São estruturadas em função das matérias de sua competência. Em se tratando de crime comum serão julgados pelo STF. As atribuições de cada comissão estão elencadas na Constituição (art. o que não impede a possibilidade de eleição para outro cargo da Mesa (art.Classificações I) Quanto a sua duração. as reuniões são dirigidas pela mesa do Senado Federal. . compostos por um conjunto de parlamentares eleitos por seus pares para dirigir os trabalhos legislativos pelo período de dois anos. art. polícia. 58. 55. Mesas diretoras As mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal são os órgãos diretivos dessas Casas. § 1o). II) Quanto a sua formação. é apenas uma declaração de perda do mandato feita pela mesa da casa respectiva quando houver violação das hipóteses do Art.

a alternância dos cargos de natureza executiva é peremptória. art. art. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 100 . é necessário 1/3 dos deputados e 1/3 dos senadores e não 1/3 do congresso nacional. Michel Temer observa que “no Brasil. pelo menos. admite-se a investigação se houver interesse simultâneo da União. 35 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados. Os membros desta comissão são escolhidos pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal. econômica e social do país. absoluta. 62. Podem ser criadas pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal. 166. sendo mista. e. como a emissão de parecer sobre o veto (CF.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO b) mistas: constituídas por Deputados e Senadores. fatos que se refiram exclusivamente às competências dos Estados e Municípios. Fatos de interesse exclusivamente privado. devem ser fiscalizados pelos respectivos legislativos. legal. categórica e irremissível. além de outros previstos nos regimentos internos das respectivas Casas legislativas. § 1o). de Estados e de Municípios. reproduzir de forma proporcional a representação partidária. p. Assim. Nos termos do § 1º do art. a periodicidade. dentro do possível. art. Sua composição deverá. 128). admite a reeleição: nas funções executivas implica necessariamente alternância” (Elementos de direito constitucional. art. entendesse por fato determinado o “acontecimento de relevante interesse para a vida pública e a ordem constitucional. § 3o) a) Requisitos As comissões parlamentares de inquérito têm poderes de investigação próprios de autoridades judiciais. 58. corolário do princípio federativo. desde que atendam aos seguintes requisitos: 1º) requerimento de. III) Comissão representativa do Congresso Nacional Tem por escopo representá-lo durante o período de recesso. na última sessão ordinária do período legislativo. Podem ser objeto de apuração todos os assuntos que estejam na competência fiscalizatória do Congresso Nacional. Tratam de assuntos que devem ser decididos pelo Congresso Nacional. em funções puramente legislativas. IV) Comissões parlamentares de inquérito (CF. Todavia. 2º) ter como objeto a apuração de fato determinado. haja vista a necessidade de respeito à autonomia desses entes. § 4o) e sobre as medidas provisórias (CF. em conjunto ou separadamente. um terço dos membros da respectiva Casa. não podem ser objeto dessas comissões quando inexistir nexo causal com a gestão da coisa pública. 3º) ter prazo certo para o seu funcionamento. Por outro lado. que estiver devidamente caracterizado no requerimento da Comissão”. 66. § 9o) ou a análise de projetos de leis financeiras (CF.

art. o paciente possui o direito de não ver interpretado contra ele o seu silêncio”. desde que haja aditamento do objeto inicial da CPI. busca e apreensão de documentos desde que respeite a inviolabilidade do domicílio. Além de não ser obrigado a prestar esclarecimentos. ainda que o fato não tenha sido concluído. 5º. como a possibilidade de obtenção de informações junto às instituições financeiras e o acesso a dados e registros telefônicos ou fiscais (quebra dos sigilos bancário. interceptação telefônica (CF. Em um Estado Democrático de Direito. apesar da possibilidade de condução coercitiva dos convocados para depor como testemunha. No que se refere à locução prazo certo. b) Poderes Os poderes das comissões parlamentares de inquérito. art. os atos das CPIs deverão ter suas razões expostas no momento da deliberação. XI). 93. LXI). art. nenhum dos poderes encontra-se acima da Constituição. art. As conclusões decorrentes da investigação poderão ser encaminhadas ao Ministério Público para que este promova a responsabilidade civil ou criminal dos infratores. De acordo com a jurisprudência do STF as testemunhas também podem invocar esse privilégio e não apenas os investigados. salvo em flagrante delito (“cláusula da reserva constitucional de jurisdição”). 1579/52). Como pressuposto de legitimação da própria resolução adotada. 5º. 5º.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO A exigência de se ter como objeto um fato determinado não impede a apuração de outros fatos conexos ao principal. não havendo nisto qualquer ofensa ao princípio da separação dos poderes. O sigilo telefônico não se confunde com a inviolabilidade das comunicações telefônicas (interceptação telefônica). sendo eivados de nulidade quando destituídos de fundamentação (CF. IX). As CPIs não podem: 1) desrespeitar o privilégio contra a auto-incriminação (CF. telefônico e fiscal). ou até mesmo de fatos inicialmente desconhecidos que surgirem durante a investigação. condução coercitiva. o STF já se manifestou no sentido de que esta não impede prorrogações sucessivas dentro da mesma legislatura (Lei n. “Nemo tenetur se detegere: direito ao silêncio. 2) determinar invasão de domicílio (CF. 5º. art. o término desta sempre será o termo final de uma CPI. Todavia. XII) ou decretar prisão (CF. sendo que os atos destas comissões também se submetem ao controle jurisdicional. LXIII). embora bastante amplos. a qual se submete à ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 101 . São conferidas a essas comissões determinadas prerrogativas para uma ampla investigação. não são ilimitados nem absolutos.

. são. Não se pode perder de vista que as comissões parlamentares de inquérito são instrumentos de atividade do Poder Legislativo. o Min. seqüestros etc. no julgamento da ADI 98 (. as Assembléias Legislativas estaduais. Entendo que a possibilidade de criação de comissões parlamentares de inquérito seja uma dessas normas de absorção compulsória nos estados membros. o sigilo de dados telefônicos pode ser quebrado pela CPI. Peluzo e Velloso não admitem a quebra. para efeito de controle de constitucionalidade das normas constitucionais estaduais. 4) Não tem poderes de medidas cautelares: determinar arrestos.). 58.hão de acrescentar-se as normas constitucionais centrais que. Min.no ordenamento parcial dos Estados e Municípios". sobretudo em face do que o ministro Pertence descreve como: ". ao tratar do princípio da separação de poderes. enquanto o sigilo telefônico não pode. em razão do princípio da simetria. inexistindo Poder Judiciário municipal. de absorção compulsória . p. a Câmara Legislativa do Distrito Federal e as Câmaras de Vereadores poderão instaurar suas próprias comissões para investigar fatos abrangidos por sua competência fiscalizatória. destinada a garantir o potencial do poder legislativo em ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 102 . rel. 3) formular acusações e punir delitos. em respeito ao princípio federativo. que para este não há "fórmula universal apriorística". Tais comissões possuem os mesmos requisitos e poderes atribuídos pela Constituição à CPI federal (art. não tendo o alcance dos princípios. c) CPI estadual e municipal.. Só ele admite a possibilidade de quebra do sigilo bancário pela CPI municipal.ACO 730/RJ. a criação de CPI municipal. 443.com ou sem reprodução expressa . CARVALHO. Assim. implícitos ou explícitos .esses e aqueles. sendo necessário extrair da atual Constituição o traço essencial da atual ordem. nem o conteúdo negativo das vedações. não podendo “substituir-se à ação dos juízes e tribunais. A competência das comissões de inquérito deve comportar-se no quadro da competência do Poder Legislativo”. não poderiam ser criadas comissões parlamentares pela Câmara de Vereadores. observada a competência fiscalizatória de cada Casa.. STF . uma terceira modalidade de limitações à autonomia constitucional dos Estados: além dos grandes princípios e das vedações .DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO reserva constitucional de jurisdição. O autor Kildare Gonçalves cita a lição de Raul Machado Horta no sentido de que “dentro do sistema constitucional de governo.. há reserva de jurisdição. Direito constitucional didático. Joaquim Barbosa “Já advertiu o eminente ministro Sepúlveda Pertence. não obstante. pois seus poderes se destinam somente à instrução do inquérito legislativo. Joaquim Barbosa (STF) admitiu. para determinar procedimentos de natureza judiciária”. sob pena de violar a separação dos poderes e as liberdades individuais. a função parlamentar de investigação está naturalmente sujeita às regras e limitações que atingem o próprio órgão legislativo. § 3º). Além do Congresso Nacional. Em que pese o argumento de que. Kildare Gonçalves.

acredito que a expressa exclusão das CPIs estaduais e municipais da redação original do projeto de lei complementar (.). ainda que sem tratamento legal específico.. parece-nos indubitável que as Câmaras Municipais podem criar Comissões de Inquérito sobre fato determinado e prazo certo. do qual destaco o seguinte trecho: ". No sentido de impossibilidade de criação...DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO sua função de fiscal da administração.ACO 730/RJ. ainda sob a vigência da Constituição anterior e da Lei 4. não autoriza eventual pretensão restritiva dos Estados-membros”(g. Oscar Corrêa). denominadas de imunidades. quando regularmente determinada por comissões parlamentares de inquérito. portanto. por não existir Poder Judiciário Municipal. Cito o RE 96049 (1ª turma 30. que. o próprio Regimento Interno destas pode prever. além do Min. Joaquim Barbosa “. admitiram claramente a possibilidade de criação de CPI Municipal.ACO 730/RJ. Min. Cremos.. continha a mesma omissão do art. STF . não sendo possível ignorar que a Constituição do Estado do Rio de Janeiro legitima a atuação da CPI em questão”. votaram os Ministros Sepúlveda Pertence e Marco Aurélio. que é a fiscalização da administração pelo Legislativo reforçada pelos meios a ela inerentes.06. STF .n.ACO 730/RJ. Min. Essas garantias. os Ministros Carlos Velloso e Cezar Peluso (apesar deste não admitir a quebra do sigilo bancário por ela). nos moldes que a Constituição Federal autoriza à Câmara e ao Senado. esta Corte tenha se manifestado pela legitimidade de criação de comissão parlamentar de inquérito por Câmara Municipal. ou.J. Garantias legislativas A constituição estabelece determinadas garantias para o Poder Legislativo com a finalidade de assegurar sua independência.) não tem resultado prático.595/1964.. pois não tem o condão de negar a aplicação natural da Constituição Federal sobre os poderes das CPIs. imediata e integral). rel.1983. 4º da Lei complementar 105/2001. Min. respeitados os parâmetros federal e estadual. No julgamento. hoje revogado. mais longe ainda. José Delgado (D. min. em nossa estrutura federativa. STJ . rel. STF . por aplicação direta da Constituição federal e das normas estaduais aplicáveis. Joaquim Barbosa “Não é de estranhar. são normas de eficácia plena (aplicabilidade direta. Joaquim Barbosa “A quebra de sigilo bancário. É que a possibilidade de as CPIs estaduais determinarem a quebra de sigilo permanece. Joaquim Barbosa. um dos traços fundamentais da separação de poderes. 15/05/2002) “As CPIs estaduais não têm competência para investigar autoridades que estão submetidas a foro privilegiado federal”. mesmo que é de todo interesse sejam elas criadas pelo legislativo municipal”. Min. rel. as Constituições Estaduais autorizam às Assembléias Legislativas e a Lei Orgânica dos Municípios do Estado de São Paulo autoriza às Câmaras Municipais. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 103 .. Assim. constitui ferramenta indispensável ao trabalho de fiscalização exercido pelos órgãos legislativos”.AgRg na PET 1611 / RO. rel. rel. cujo artigo 38.

art. rel. administrativa ou política) dos congressistas por suas opiniões. De qualquer forma. I) Imunidade material (ou absoluta. As imunidades podem ser materiais ou formais. palavras e votos que guardem relação com o exercício do mandato parlamentar. Min. Caso retorne à sua função legislativa.que prescreve que a perda do mandato parlamentar será decidida por voto secreto nos casos que enuncia. Ellen Gracie (01.944/DF. das regras da Constituição Federal sobre perda de mandato . Para Zaffaroni e Pierangeli seria uma causa de atipicidade. 1. poderá ser beneficiado pela imunidade processual. Nélson Hungria e Pontes de Miranda entendem ser uma causa excludente de crime. não se justificando mais restringir ao âmbito estadual. não deverá ser instaurado processo penal contra congressista. 55 . Os deputados estaduais possuem as mesmas imunidades e inviolabilidades que os deputados federais. sendo que eles não possuem imunidade processual. VIII). desde que relacionados à atividade parlamentar. A imunidade material conferida pela CF/88 a deputados e senadores abrange as opiniões.e o § 2º do art.5. por maioria. Se o parlamentar se afastar de suas funções para ocupar outros cargos perderá a garantia.que determina a aplicação.ADI 2461/RJ e ADI 3208/RJ. * A súmula 04 do STF (“não perde a imunidade parlamentar o congressista nomeado ministro de estado”) encontra-se superada.2003). ou inviolabilidade). § 1o da Lei Maior. rel. art. palavras e votos (CF. nem gozam de foro privilegiado (CF. 03 do STF (“A imunidade concedida a deputados estaduais é restrita à justiça do estado”) foi considerada superada pelo próprio Tribunal em razão do disposto no art. * STF . penal. o qual prescreve que a perda do mandato de deputado estadual seria decidida por “voto aberto”.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Por ser uma garantia institucional deferida ao Poder Legislativo. 27. A imunidade material (freedom of speech) exclui qualquer responsabilidade (civil. aos deputados estaduais. pela inconstitucionalidade de dispositivo constante de Constituição estadual. Min. já Damásio de Jesus a qualifica como uma causa funcional de exclusão ou isenção da pena. ainda que produzidos fora do recinto da respectiva casa legislativa.10. mesmo após o término de seu mandato. 53). 29. * STF . como o § 1º do art. perdurando até o término do mandato. A súmula n.2005) O Tribunal decidiu. Seu início ocorre com a diplomação. 104 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE .Inq. a imunidade material só abrange os crimes praticados no exercício do mandato e na circunscrição do município. No tocante aos vereadores. A Constituição estabelece que as regras relativas às inviolabilidades e às imunidades se aplicam aos deputados estaduais. Gilmar Mendes (12. por estar em sentido diametralmente oposto às disposições fixadas pela Constituição Federal. Há uma certa divergência doutrinária acerca da natureza jurídica desta imunidade. 27 . a imunidade é irrenunciável. Antes da CF/88 eles não tinham nenhuma imunidade.

em 11 de setembro de 2001. Min. 1. Ao receber a denúncia. voltaram a fluir a partir da publicação da EC n. § 4o). pelo da processabilidade. Findo o mandato termina a prerrogativa de foro. sejam de todo alheias à condição de Deputado ou Senador do agente”. a competência para o julgamento. b). 102. a "licença prévia" antes exigida caracterizava mera condição de procedibilidade. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 105 . Esta espécie de imunidade foi mitigada pela EC n. a tramitação do processo poderá ser sustada pelo voto da maioria relativa de seus membros (art. art. 53. o STF deverá dar ciência aos membros da Casa à qual o parlamentar pertence. § 2º). § 1o c/c art. nos feitos em que se aguardava a deliberação da licença prévia. Sepúlveda Pertence EMENTA: I. 2. No caso de infrações penais comuns. previsto originariamente. mas pode proteger o parlamentar no tocante ao processo penal ou à prisão . que substituiu o princípio da improcessabilidade. 35/2001.e. 1. Após a ciência. por isso. instituto de Direito Penal -. pelo menos.os congressistas. no período compreendido entre a diplomação e o término do mandato. Ao contrário da inviolabilidade ou imunidade material que elide a criminalidade do fato ou.Inq. a responsabilidade do agente . 1. I. rel. ademais. II) Imunidade formal (ou processual) A imunidade formal (freedom from arrest) não exclui o crime. Com a nova regra. pelo conteúdo e o contexto em que perpetradas. salvo em flagrante de crime inafiançável (CF. ela é apenas para as prisões provisórias e cautelares. Imunidade parlamentar formal: EC 35/01: abolição da exigência de licença prévia para a instauração ou continuidade da persecução penal: aplicabilidade imediata. Os prazos prescricionais suspensos no regime de imunidade anterior (princípio da improcessabilidade). O pedido de sustação deverá ser apreciado no prazo improrrogável de 45 dias.344/DF. art. palavras e votos" do congressista. Do que resulta induvidoso independentemente de qualquer indagação sobre a eficácia temporal de emenda à Constituição .344/DF. Min. possível apenas na hipótese de crime praticado após a diplomação. os Deputados e Senadores poderão ser processados penalmente independente de qualquer deliberação prévia da Câmara ou do Senado. substantiva. impedindo a instauração ou o curso do processo. contados do recebimento do pedido pela Mesa Diretora (art.Inq.até que deferida ou enquanto durasse a investidura parlamentar do acusado configurava empecilho temporário ao exercício da jurisdição. ainda quando proferidas fora do exercício formal do mandato. § 3o). não cobre as ofensas que. caso haja iniciativa de partido político nela representado. 53. suspende a prescrição enquanto durar o mandato do parlamentar (art. A imunidade não abrange prisão definitiva. 53. 53. a partir da expedição do diploma. 53. Sepúlveda Pertence “Malgrado a inviolabilidade alcance hoje "quaisquer opiniões.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO * STF . § 5o). não poderão ser presos. * STF . A sustação do processo. a qual . A suspensão só é cabível até o julgamento pelo STF.a aplicabilidade imediata aos casos pendentes da norma constitucional que fez desnecessária a licença prévia da Câmara. é do Supremo Tribunal Federal (CF. 35. rel.

55. 102. * STF . relativa. o Tribunal. I. b. 84. com redação dada pela Lei 10. o Vice-Presidente. nas infrações penais comuns. Este dispositivo prevê ainda outros casos de cassação (incisos II e VI)30 e de extinção (incisos III.já endossado pelo Tribunal .DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Incompatibilidades e perda de mandato As incompatibilidades previstas na Constituição possuem os mesmos propósitos das garantias legislativas: preservar a autonomia do Poder Legislativo. decidiu que continuam válidos todos os atos praticados e decisões proferidas com base na Súmula 394 do STF. os membros do Congresso Nacional. Verificada a incompatibilidade.628/2002 (“Art.. IV e V)31 do mandato parlamentar. A incompatibilidade impede que o parlamentar.Inq 687-SP (QO) e Inq 881-MT (QO). Sydney Sanches O STF.”) foi declarado inconstitucional pelo STF na ADI 2797. da CF que estabelece a competência do STF para processar e julgar originariamente. Cuidando a hipótese de instituto de alcance puramente processual. embora de caráter processual. não é de aplicar-se à abolição da licença prévia o entendimento . § 1o A competência especial por prerrogativa de função. por unanimidade. é dizer. relativa a atos administrativos do agente. ainda que o inquérito ou a ação penal sejam iniciados após a cessação daquele exercício. De início. exerça simultaneamente um cargo. Esta se verifica antes da eleição.") por entender que o art.súmula 245: “a imunidade parlamentar não se estende ao co-réu sem essa prerrogativa”. a decisão tem efeito ex nunc. o Deputado ou Senador sofrerá uma sanção constitucional: a perda do mandato (art. faz-se necessário diferençar incompatibilidade de inelegibilidade. com a possibilidade de o inelegível passar a elegível mediante a desincompatibilização. 84 do CPP. após ter sido eleito. por unanimidade. seus próprios Ministros e o Procurador-Geral da República . caso o impedimento se refira apenas a alguns cargos eletivos. tenham reflexos mediatos ou imediatos sobre o fato delituoso anterior à sua vigência. cancelou a Súmula 394 ("Cometido o crime durante o exercício funcional. A inelegibilidade é considerada absoluta quando o impedimento eleitoral se refere a qualquer cargo eletivo e não há possibilidade de o impedido se desvencilhar da situação a tempo de concorrer ao cargo. prevalece a competência especial por prerrogativa de função. sendo considerado inelegível aquele que não dispõe de capacidade eleitoral passiva. 106 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE .. rel. (Informativo 159) * O § 1º do art..não alcança aquelas pessoas que não mais exercem mandato ou cargo. Em seguida. função ou emprego público remunerado ou pratique determinados atos vedados pelo art. * STF . o Presidente da República. Min. 54 da Lei Maior.da incidência da garantia constitucional de ultraatividade da lei penal mais favorável à alteração superveniente de normas que. I). prevalece ainda que o inquérito ou a ação judicial sejam iniciados após a cessação do exercício da função pública.

art. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 107 . mediante provocação da respectiva Mesa ou de partido político representado no Congresso Nacional. 55. * CF. política e moral do procedimento.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO * Kildare observa que a suspensão do processo-crime deve ser precedida do exame da conveniência pública. 451). a perda do mandato será decidida pela Câmara dos Deputados ou pelo Senado Federal. p. ainda. por voto secreto e maioria absoluta. Nele ficou consignado que a renúncia de congressista submetido a processo que vise ou possa levar à perda do mandato. Autoridade Presidente Crime comum STF (autorização da CD) Crime de responsabilidade Senado (autorização da CD) Lei 1079/50: se não houver previsão na CE estadual será por um tribunal formado por 5 membros da AL + 5 do TJ e presidido pelo presidente do TJ (autorização da AL) Câmara de vereadores (Art.) A Emenda Constitucional de Revisão n.n. 4º do DL 201/67) Governador STJ (autorização da AL) Prefeito TJ (inclusive crimes dolosos contra a vida) ou TRF (se o crime for contra a União) ou TRE (crime eleitoral) ou TM (crime militar) sem autorização DL 201/67 (crimes de responsabilidade impróprios. ou a intenção de desprestigiar o Poder Legislativo (Direito constitucional didático. 6/94 introduziu um novo parágrafo (§ 4o) ao art. assegurada ampla defesa”. a existência ou não do propósito de perseguir o congressista. § 2o. (g. 55. II e VI. terá seus efeitos suspensos até as correspondentes deliberações finais. na verdade são comuns) STF STF TJ Deputado Senador Deputado Estadual Vereador CD SF AL Juiz * Segundo o STF crimes comuns abrange crimes eleitorais e penais. “Nos casos dos incisos I. devendo ser examinada.

como Geraldo Ataliba. Uma LC pode tratar de matéria de LO sem ser invalidada (o quorum foi atendido). Quorum de aprovação para a LO é o de maioria relativa (+ de 50% dos presentes) e para a LC é também o de maioria absoluta. Isso porque o fundamento de validade de uma lei ordinária não é a lei complementar.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO PROCESSO LEGISLATIVO: Critério de hierarquia utilizado é o criado por Kelsen. pelo quorum diferenciado (Art. a LC tem matéria reservada. Atos normativos primários. Argumentam pela posição topográfica. fundamento direto de validade são os atos fundamento indireto é a constituição. CF. E o é o fundamento de todos os o indireto. São os atos do Art. quando ela determina a forma de elaboração ou o conteúdo. Segundo ele as normas do ordenamento não estão todas sobre o mesmo nível. 3. Excepcionalmente. mas em razão do princípio da economia legislativa. 59. Cada uma delas tem o seu campo de atuação. mas de alguns ela é o direto e em outros regulamentos. CF/88. A emenda se enquadra no topo da pirâmide. 2. Outros. Segundo ele a PEC é ato infraconstitucional. III. Cabe à lei complementar estabelecer regras gerais de direito 108 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . ou seja. São os decretos e Não há hierarquia entre normas. Ademais. A EC já aprovada é incorporada à CF no mesmo nível das demais normas. Mas não seria um ato normativo primário segundo a regra? Michel Temer diz que é preciso diferenciar a EC da PEC. existem normas superiores e outras inferiores. o que tem que observar a CF é a proposta. Manuel Gonçalves Ferreira Filho e Alexandre de Morais. ou seja. ou seja. CF. Uma é superior quando ela for o fundamento de validade da norma inferior. mas materialmente ela será ordinária. 146. posteriormente poderá ser revogada por uma lei ordinária (lei ordinária pode revogar lei complementar neste caso – cuidado!). É aquele que tem como normativos primários. Mas o STJ tem várias decisões no sentido de que há hierarquia (sempre as jurisprudências se referem ao direito tributário). mas a constituição. A CF ela atos. Este é o entendimento do STF. no direito tributário existira hierarquia entre LC e LO com fundamento no Art. enquanto a LO é residual. princípio ou regras da CF. emenda e tratado internacional de direitos humanos aprovados por 3/5 em dois turnos. É aquele que tem como fundamento imediato de validade é a constituição. mas não será invalidade por ser superior. Pontes de Miranda. 47) Quorum de votação para LC e LO é o de maioria absoluta (+ de 50% dos membros). Há hierarquia entre lei complementar e lei ordinária? Alguns entendem que há. juntamente com a CF. como Michel Temer e Celso Bastos dizem não haver hierarquia. Só que essa lei será apenas formalmente complementar. Atos normativos secundários. Uma não é fundamento de validade da outra. Pirâmide: 1.

estados e DF. Quando uma matéria é reservada a lei complementar ela não pode ser tratada por nenhum outro ato normativo. CF  competência legislativa concorrente entre União. mas também os princípios da CE. Igualmente a medida provisória. ADCT). Este é um critério isolado. o que não exclui a competência suplementar dos estados. estadual e municipal) é a CF. tratados internacionais comuns. LOM estaria subordinada materialmente à CE. ou seja. logo. Decretos estaduais e municipais. A União se limita a legislar normas gerais. daí a suposta hierarquia (o STF não entende assim). Cada ente tem suas atribuições. LOM x CE: as duas teriam a mesma hierarquia em razão do princípio federativo. logo. A repartição de competências. 11. LOM. Com a EC 45 a competência passou ao STF. lei delegada. Havendo conflito entre essas leis ele será resolvido não com base no princípio da hierarquia. Antes da EC 45 o órgão competente julgar o conflito de LF e LE era do STJ. o conteúdo dela estaria subordinado ao conteúdo da CE (Art. 2. 29 da CF diz que a LOM tem que obedecer não só os princípios da CF. Nos municípios também há uma hierarquia (pirâmide): 1. Uma tem um conteúdo geral e a outra mais específico. O processo legislativo é norma de repetição obrigatória. determinam o conteúdo das leis ordinárias. 109 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . O Art. autonomia dos entes da federação. Leis estaduais e municipais. 3. Se a União vai estabelecer as normas gerais. CE. via de regra. Assim. Leis municipais complementares e ordinárias. 2. É um verdadeiro condomínio de competências legislativas. o conteúdo das leis estaduais está subordinado ao conteúdo da norma geral da União. No âmbito estadual e municipal pirâmide é a seguinte: 1. 24. A questão é saber qual delas violou a CF. 3. uma lei ordinária em nenhum caso pode tratar de assunto de lei complementar. parágrafo único. mas com base na CF. logo. O fundamento de validade de todas as leis (federal. estados e municípios terão lei ordinária e lei complementar. é horizontal.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO tributário. Existe ainda uma repartição vertical de competências: Art. Decretos municipais.

quando há a dissolução do parlamento e a convocação de novas eleições. Em alguns parlamentarismos o primeiro-ministro pode editar ato normativo ad referendum do parlamento. 3. Esse artigo não modificou a natureza de LO para CE. dentro das competências estaduais feito pelo TJDF. 2. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 110 . É o exercício de uma atividade atípica do Executivo. Os decretos-leis eram bastante criticados e substituídos pelas MPs. São duas hipóteses de o Executivo legislar. 62). que é até pior. não é inconstitucional. têm origem nos sistemas parlamentares. LODF. e nesse período há a autorização para o chefe do Executivo legislar provisoriamente em casos de relevância e urgência. porém. era uma figura dentro do nosso presidencialismo). Os parlamentares têm o direito público subjetivo à observância do processo legislativo. Decretos distritais. 30. com vigência temporária. 1. § 5º. No Brasil as MPs correspondem aos antigos decretos-leis (não eram os decretos-leis parlamentaristas. Isso é incompatível com os requisitos de relevância e urgência. Art. por sua vez. Foi uma maneira de dizer que o STF analisaria quando bem entendesse. MEDIDAS PROVISÓRIAS – Robério São atos normativos editados pelo chefe do Executivo em situações de relevância e urgência. Requisitos da MP: relevância e urgência. por isso as sucessivas edições e reedições de MPs. O Executivo não vinha encontrando resistência. No início o STF não analisava esse aspecto. Daí poderem impetrar MS (controle preventivo de constitucionalidade) em face da inobservância do processo legislativo (e não em face do conteúdo da norma). já que a redação da CF e EC 32 permitiu um abuso de MP (Art. Em muitos parlamentarismos. Elas têm origem nos decretos-leis. aplicando-se as regras de controle de constitucionalidade. Pirâmide do DF: competência híbrida.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Se uma lei municipal viola a LOM haverá uma ilegalidade e não inconstitucionalidade. equipara a LODF à CE. Não existe um tribunal municipal para exercer um controle concentrado. Leis distritais ordinárias e complementares. fica-se provisoriamente sem o órgão legislativo. que. A lei 9868/99. Com o aumento da edição de MPs o STF passou a entender que quando presentes objetivamente os requisitos ele analisaria a constitucionalidade da MP (o problema que analisar relevância e urgência é eminentemente subjetivo).

A jurisprudência do STF e a doutrina aceitam excepcionalmente a edição de MP em matéria penal que venha a beneficiar o réu. gerando a insegurança jurídica. intervenção. lei de diretrizes orçamentárias. impeachment. direitos políticos. 62.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Diante de tantos problemas houve uma emenda (EC 32/2001) alterando o regime das MPs (e provavelmente haverá nova alteração). É possível que o texto original da MP seja modificado pelos parlamentares durante o processo de conversão. * Organização do judiciário do MP. orçamento e créditos adicionas e suplementares. partidos políticos e direito eleitoral. carreira e garantia dos seus membros. ela só fica suspensa. * Planos plurianuais. Essa MP produziria efeitos diferentes. há um descompasso completo que resultou em abuso. MP que traga abolitio criminis produz efeitos imediatos com alteração provisória  extinção da punibilidade  Congresso rejeita a MP  o fato volta a ser típico  é possível voltar a punir aqueles que tiveram provisoriamente a extinção da punibilidade? O STF não tem posição. Matérias vedadas à edição de MP: * Nacionalidade. O momento da edição da MP não revoga a lei anterior. Na verdade não há um processo legislativo de MP propriamente dito porque se trata de um processo monocrático de produção e que terá efeitos de imediato. passando a rejeição a produzir efeitos a partir de então. mas essa modificação não altera o texto da lei provisória. Só produzirá efeitos após a promulgação da lei de conversão (Art. Só haverá processo legislativo na lei de conversão. § 12). O texto da MP publicado é o projeto de lei de conversão. de defesa. Sistema constitucional de solução de crises: a CF é o instrumento para resolver situações do dia a dia e também em situações de crise: estado de sítio. mas deve ser encarado como uma anistia (não é porque a anistia deve passar pelo Congresso). * Deflagração do processo legislativo de conversão em lei. Parte da doutrina inclui a MP nesses instrumentos excepcionais para solucionar crises. não passa a valer automaticamente. A edição de uma MP gera dois efeitos: * Altera provisoriamente o direito positivo de imediato (tem força de lei). processo penal e processo civil. cassação de mandatos. a vedação tem o intuito de evitar a surpresa. Em relação ao direito penal. mas foram totalmente desvirtuadas da sua natureza. * Direito penal. O texto publicado é lei provisória. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 111 . cidadania.

A delegação é feita por resolução do Congresso Nacional. A MP editada vale por 60 dias e pode ser prorrogada única vez por igual período (+ 60 dias) e não reeditada. privativa da Câmara ou Senado. Não há posição jurisprudencial sobre a questão. não produz efeitos imediatos (no fundo é um processo legislativo diferenciado. 246 (o que foi objeto de emenda entre 1995 e 11/09/2001 não pode ser regulamentado por MP) e 25. Só é tratado por lei complementar aquilo que a CF diz expressamente. o prazo poderá ser maior que 120 dias. IPI. de poupança popular ou qualquer outro ativo financeiro. Corporativas – mensalidade OAB) a edição da MP é normal. Esse dispositivo comprova a existência de um rol de matérias destinadas à edição por lei complementar. 62. pois se silenciar a matéria será de lei ordinária. No caso dos impostos parafiscais (Sociais. É permitida a edição de MP em matéria tributária (Art. Lei delegada é uma lei na qual o chefe do executivo pede ao do legislativo autorização para legislar. IPI. dependerá de ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 112 . Só produz efeitos no exercício financeiro seguinte se tiver sido convertida em lei até o último dia do ano em que foi editada. IEG). § 2º (serviço de gás canalizado não pode ser regulamentado por MP). o de deflagrar o processo legislativo da lei de conversão. Há determinadas matérias que não podem ser legisladas monocraticamente pelo chefe do Executivo. Há uma parte no § 1º do Art. só no ano seguinte ao da conversão produzirá efeitos. * Matéria reservada a lei complementar. IOF e imposto extraordinário). 150. § 2º). Exceto os impostos extra fiscais que não obedecem ao princípio da anterioridade (II. É possível MP estadual se a constituição do estado prever. Essa MP que majora ou institui tributos só produz um efeito. Alguns autores dizem que matéria que é proibida a delegação também é proibida a MP. 68 que não consta do Art. mas o prazo não corre durante o período de recesso quando ela poderá se elastecer no ordenamento. No máximo 120 dias. especial em matéria de imposto fiscal). § 1º. IE. A conseqüência é que a MP de impostos fiscais é que a sua edição não produz o primeiro efeito de alterar provisoriamente o direito positivo (à exceção da MP de impostos extra fiscais – II. III – princípios da anterioridade e noventena). 62. IOF. Há ainda outras vedações nos Arts.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO * Que vise a detenção ou seqüestro de bens. * Matéria já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo Congresso e pendente de sanção ou veto do presidente. logo. A data da edição da MP para os impostos fiscais é contada da data da conversão. matéria de competência exclusiva do congresso. mas não é de repetição obrigatória. IE. nem mesmo com a concordância do Legislativo: Art. § 1º: direitos individuais. 68. obedece as regras comuns (Art. De intervenção no domínio econômico.

DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO quando tiver sido editada. alterar. Consolida a MP pela ausência do decreto legislativo. isto. uma na Câmara e outra no Senado) examina (pode emendar. a lei que estava suspensa volta para o ordenamento (espécie de repristinação). Não é a mesma reedição que existia antes da EC 32. É uma possibilidade de uma lei inconstitucional valer. para fins de segurança jurídica. após a emenda. primeiramente deverá proceder ao controle de constitucionalidade (repressivo em relação à alteração feita e preventivo em relação à lei de conversão – duplo efeito) político. Passados os 120 dias e o Congresso não converte. Durante o prazo de validade da MP o que seria aplicado então? O Congresso nacional precisa editar decreto legislativo para regular as relações jurídicas 60 dias após escoado o prazo de validade ou rejeitada a MP. Só é possível reeditar no ano seguinte. o § 11 poderia ser aplicado. O prazo de 120 dias é contado da data da publicação da MP. O Congresso no decreto irá deliberar se para as relações jurídicas que se formaram enquanto estava em vigor uma MP (rejeitada ou expirado o prazo) e uma lei suspensa. Pode decidir por prevalecer a MP ou a lei que estava suspensa. reconhecer efeitos ao ato. Quando o Congresso em cada uma de suas casas analisa a MP. Consolidada a MP. há o exame em separado na Câmara e no Senado. por razões de segurança jurídica a MP poderá ser mantida. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 113 . Sendo nulo não é possível aplicar a MP. Antes da EC 32 o exame da MP era feito em sessão conjunta. rejeitar etc). se consolida. Inicia a votação na Câmara. 45 dias após a publicação e não apreciada entrará em regime de urgência – tranca a pauta de cada uma das casas subsequentemente. que é quando começa a produzir o primeiro efeito. Caso o Congresso não edite o decreto legislativo no prazo de 60 dias as relações jurídicas serão conservadas (do período que vigorou a MP). Sendo anulável. Antes de ser apreciada a comissão mista de deputados e senadores (para evitar duas comissões. Vedada a reedição da mesma MP na mesma sessão legislativa que fora rejeitada ou perdido a eficácia como decurso do prazo sem apreciação. O STF pode dizer que mesmo sendo inconstitucional. emitindo parecer antes de serem apreciadas em sessão separada em cada uma das casas. Só após analisa o mérito. e se for inconstitucional? O Congresso rejeitada por se inconstitucional e após não edita o decreto legislativo: analisar a natureza jurídica do ato inconstitucional: se o ano é nulo ou anulável (2 correntes). mas que não pode ocorrer com base no silêncio do STF.

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A omissão não pode levar ao reconhecimento dos efeitos jurídicos de um ato inconstitucional, assim, o silêncio do Congresso não poderia implicar validade da MP inconstitucional (opinião de Robério). Mesmo no prazo de 60 dias para a edição do decreto legislativo o Congresso poderá fazer valer a MP inconstitucional. Se o STF pode com base no Art. 27 da lei 9868 (relativizou a nulidade), porque o Congresso não poderia? Mas se este decreto legislativo vier, pode ser objeto de ADI??? Tecnicamente é um ato normativo, em tese poderia. Porém há um caráter subjetivo de conveniência e oportunidade por parte do Congresso. Todas essas questões não têm respostas, pois nunca ocorreram. O projeto de lei de conversão com alterações só produzirá efeitos após sanção ou veto (só havendo alteração do texto). Até lá continua em vigor a MP em seu texto original. A alteração do texto pode contar matéria vedada a MP durante o processo legislativo da lei de conversão? Pode, essa alteração não é aplicada de imediato, não causa surpresa, mas nem toda a matéria pode ser objeto de emenda parlamentar (não gera insegurança jurídica). Ex: matéria de lei complementar, pois MP tem status de lei ordinária; matéria privativa da Câmara e do Senado; exclusiva do Congresso (decreto legislativo, resolução) etc. Se o texto original for aprovado pelo Congresso não há necessidade de sanção ou veto do presidente. MP pode ser objeto de ADI. ADC em face de MP, em princípio pode, mas tem que haver o requisito da efetiva controvérsia judicial (pode não dar tempo – 120 dias). O simples ajuizamento da ADI não interfere na tramitação da MP no congresso. A liminar da ADI suspende o processo legislativo de conversão da MP e o primeiro efeito também. Sendo confirmada tudo se extingue. Se rejeitada a ADI volta a correr a tramitação. Se a MP for aprovada (passando a ser lei) no congresso enquanto corre a ADI é preciso emendar a inicial da ADI para incluir a lei de conversão. Os vícios da MP originária comunicam-se à lei de conversão. Sendo a MP rejeitada ou decorrido o prazo de conversão estando em curso ADI, implica perda do objeto da ADI. O STF está mudando esse posicionamento para fazer prevalecer a ADI para regular as conseqüências jurídicas do período em que vigorou a MP. A EC 32/01 conferiu validade às MPs que estavam em vigor, dispensando apreciação do Congresso. PROCESSO LEGISLATIVO – Robério Emendas: poder constituído (derivado).
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Existe hierarquia entre lei ordinária e lei complementar? Há hierarquia quando uma norma nasce da outra. A lei ordinária existe por força da CF e não de lei complementar, que também tem como fonte de existência a CF. No choque entre lei complementar e lei ordinária, parte da doutrina diz prevalecer a lei complementar por ter quorum de maioria absoluta, enquanto lei ordinária tem maioria simples. Há campo constitucional para lei complementar e para lei ordinária, determinada matéria será regulada especificamente por lei complementar. Se houver choque, significa que uma delas invadiu o campo da outra, porque as competências são delimitadas. Lei ordinária que tratou de matéria de lei complementar é inconstitucional porque deveria ser maioria absoluta e foi votada por maioria simples. Lei complementar que tratou de matéria de lei ordinária permanece no ordenamento, mas com natureza de lei ordinária, não é declarada inconstitucional (exige simples e foi por maioria absoluta), o que significa que lei ordinária posterior poderá modificar a lei complementar de natureza de lei ordinária (jurisprudência). Art. 59, parágrafo único: LC 95/98. Revogação poderá ser expressa ou implícita, mas sempre que possível o poder legislativo deve conter os artigos que serão revogados, em nome da segurança jurídica. Fases do processo legislativo: *Iniciativa: privativa, comum, concorrente ou popular. Não existe mais a iniciativa conjunta (projeto de lei de fixação dos subsídios dos ministros do STF – iniciativa era conjunta dos presidentes da Câmara, Senado, do STF e da República). Art. 61: algumas autoridades só têm iniciativa privativa (aqueles que precisam de pertinência temática). Outras têm iniciativa geral, salvo o que for de iniciativa privativa de outras. *Apreciação/Discussão: emendas parlamentares. *Votação: se aprovado há a remessa à outra casa. Se rejeitado é arquivado. A regra é que toda a tramitação legislativa se inicia na Câmara, à exceção dos projetos de iniciativa do Senado. *Revisão pela outra casa *Sanção ou veto por parte do presidente da república. Vetado volta ao Congresso. Sancionado, há a promulgação e publicação. *Promulgação *Publicação A organização do MP da União não é de iniciativa privativa do presidente, ela é concorrente entre o presidente o chefe do MPU (PGR), no mesmo sentido no âmbito estadual (Art. 128, § 5º e Art. 61, § 1º, d). 115

Cuidado!

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Iniciativa popular: 1% do eleitorado nacional distribuído em pelo menos 5 estados (0,3% em cada um deles). Prova objetiva não há iniciativa popular para emenda, mas doutrina minoritária entende ser cabível com os mesmos requisitos para a PEC. Lei 8072 (Glória Peres) não foi PL de iniciativa popular, não preencheram os requisitos, mesmo com 1 milhão de assinaturas (tem que ser revisto!). Somente um PL de financiamento habitacional popular foi recebido como iniciativa popular em 1989 e até hoje não foi votado. A CCJ suscitou se a iniciativa popular poderia versar sobre matéria de lei complementar? Pode versar sobre matéria de iniciativa privativa do presidente, STF ou outra autoridade? A CCJ da câmara decidiu em ambos os casos em parecer que a iniciativa popular pode versar sobre essas matérias, não há decisão nesse sentido em lugar algum. Nenhuma foi a juízo. A maioria da doutrina diz que não pode. E de emenda constitucional? A maioria da doutrina diz que não pode, mas uma minoria defende que sim. O projeto corre normalmente, não há nenhuma prerrogativa de minimização de exigências ou de urgência. Nos projetos de iniciativa privativa é possível emenda parlamentar? Sim, é possível desde que a emenda não implique em aumento da despesa. Em regra tudo começa na Câmara dos Deputados, só começa no Senado o que for projeto de senador ou de órgão ou comissão do Senado. A urgência pode ser constitucional (presidencial e MP) ou regimental. Urgência presidencial: presidente por iniciativa privativa ou não pode pedir urgência. Se a câmara ou Senado não se manifestarem em até 45 dias haverá trancamento da pauta (segundo caso de trancamento de pauta, o primeiro visto foi o de MP) (Art. 64, § 2º e 62, § 6º) na respectiva casa, salvo os casos em que se tenha prazo constitucional determinado. 10 dias para a Câmara apreciar as emendas do Senado. O prazo de 45 dias (urgência) não corre em recesso e em projetos de código. Projeto na Câmara: *Aprovado  Senado *Rejeitado  arquivo *Prejudicado  arquivo Projeto no Senado: *Aprovação  sanção ou veto do presidente *Alteração do projeto por emenda volta à Câmara. Se ela rejeita a alteração feita pelo senado vai direto à sanção presidencial. Isso significa que o projeto não foi aprovado em ambas as casas (é possível). *Rejeição do projeto arquivo. Há a apreciação do projeto. *Prejudicado  arquivo. O projeto não chega a ser examinado, há outro fato que prejudica o seu andamento. 116 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE

Se nenhum deles promulga há o impedimento do exercício do poder legislativo  crime de responsabilidade de todos. 64. Caso uma MP (votação em separado) e uma urgência presidencial (votação em separado) que estão trancando a pauta estiverem na mesma casa (Senado.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO É possível uma lei não ter sido aprovada pelo plenário da Câmara ou do Senado quando é a aprovação puder se dar tão somente por comissões. é votada em 1º lugar (Art. deverá ser sempre expresso. parágrafo. que é o presidente do congresso). Sendo derrubado. Motivos são encaminhados ao presidente do Senado em 48h e o veto será examinado em sessão conjunta em 30 dias e em votação secreta (quem preside é o presidente do Senado. 5º. 9º: os tribunais entenderam que foi caso de veto implícito. Projeto de lei rejeitado pode ser apresentado na mesma sessão legislativa se houver quorum de maioria absoluta em qualquer das casas do Congresso. o projeto vai ao presidente para promulgação. mas o STF não admitiu. § 2º e Art. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 117 . A urgência não tranca a MP. PEC não pode ser reapresentada em hipótese alguma. A rejeição do veto só poderá ocorrer por maioria absoluta. inciso ou alínea (texto integral). Lei 10. mas a MP tranca a urgência presidencial. Art. O veto poderá ser total ou parcial por inconstitucionalidade (controle preventivo político) ou contrário ao interesse público. Decorrido o prazo de 15 dias úteis o silêncio do presidente importará sanção (sanção tácita). logo. O veto deve ser sempre motivado. A terceira hipótese do veto só tranca a mesa do Congresso (a votação é conjunta). Onde conclui a votação envia ao presidente para sanção ou veto no prazo de 15 dias úteis. § 2º).684 (programa de parcelamento de débitos tributários). logo. Hipótese de veto tácito (implícito): ventilado primeiramente por Teotônio Negrão quanto à vedação da aplicação do CDC e aplicação lei de ACP a determinada matéria. Não apreciado o veto em 30 dias em sessão conjunta no Congresso  tranca a pauta (3ª hipótese de trancamento de pauta). tem que ser de artigo. Promulgação: presidente não o faz em 48h  presidente do Senado. O veto parcial não pode ser de palavra ou expressão. por exemplo) qual é votada primeiro? A urgência presidencial tranca tudo com exceção do que tiver prazo constitucional  MP tem prazo constitucional. se não o faz em 48h  vice-presidente do Senado.

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