DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO

DIREITO CONSTITUCIONAL MARCELO NOVELINO
DIREITOS FUNDAMENTAIS: Constituição: é o conjunto de elementos que formam e organizam o Estado  sentido material: sempre existiu, desde que existe a idéia de Estado. Há estado sem constituição? Não, no sentido material. Constituição em sentido formal, escrita é uma idéia que aparece depois, o documento escrito é algo que data do século XVIII, está ligado diretamente aos direitos fundamentais. Movimento constitucionalista: adoção de constituição escrita; é um movimento que é indissociável do desenvolvimento da teoria dos direitos fundamentais, os marcos são comuns. Ambos derivam de uma necessidade, a de limitar o poder, sair do absolutismo estatal. Direitos fundamentais e direitos humanos têm conteúdos diferentes. No plano internacional a referência aos direitos fundamentais é feita como direitos humanos. No plano interno (direito positivo de um determinado estado), ou seja, no ordenamento jurídico nacional, a denominação mais adequada é de direitos fundamentais (CF/88). Os direitos fundamentais são os direitos humanos positivados no plano interno. José Afonso da Silva denomina direitos fundamentais do homem, cuja conceituação é a seguinte: são as prerrogativas e instituições que o direito positivo concretiza em garantias de uma convivência digna, livre e igual de todas as pessoas (universalidade). Não adianta apenas o ordenamento positivar os direitos, é necessário que eles sejam concretizados, torna-los prerrogativas reais do nosso dia-a-dia. São direitos, logo, exigíveis, formando uma relação jurídica obrigacional (credor – objeto – devedor). O credor é o homem, os direitos fundamentais são do homem, ser humano, e não dos animais ou da natureza. O direito ambiental ainda é um direito em que o homem está no centro, nos é que temos direito a um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Declaração dos direitos do homem e do cidadão de 1789, França: durante a discussão dessa declaração chegou-se a debater se essa declaração abrangeria as mulheres, houve inclusive uma minuta de declaração de direitos das mulheres. São direitos, não liberalidade, obrigam, só há direito quando há coercibilidade, forma de torná-lo exigível. Não são quaisquer direitos, mas os fundamentais. Sob o ponto de vista formal, direito fundamental pode ser tudo aquilo que está formalmente colocado como fundamental, tudo o que está no título II da CF. Sob o ponto de vista material, direito fundamental é aquele que possui conteúdo essencial, direito indispensável à dignidade da pessoa humana. A fundamentalidade de um direito está ligada à necessidade da vida digna do ser humano, não basta viver, o que dá o conteúdo de fundamental é a dignidade da pessoa humana. Nem tudo o que está no título II ou no Art. 5º formalmente colocado como fundamental é também materialmente fundamental. Há dispositivos no Art. 5º 1 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE

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que podem ser suprimidos sem que com isso se afete a dignidade da pessoa humana (XXI, XXIX), enquanto outros são ao mesmo tempo formal e materialmente fundamentais. Parte da doutrina considera que a cláusula pétrea do Art. 60, § 4º, IV, deve ser entendida que os direitos materialmente fundamentais são cláusulas pétreas, os formalmente não são, porque podem ser suprimidos sem afetar a vida digna. Dentre os defensores dessa corrente, está o ministro Carlos Veloso. § 2º, Art. 5º: pode-se ter direitos fundamentais, sob o ponto de vista material, em qualquer lugar da CF e não apenas no título II. O STF já reconheceu a existência de direitos fundamentais fora do Art. 5º. Pode-se ter ainda direitos fundamentais implícitos, não formalizados expressamente na CF (ex: direito à alimentação, implícito ao próprio direito à vida), no ordenamento jurídico infraconstitucional e nos tratados. Os direitos fundamentais hoje são características do Estado democrático de direito. O reconhecimento desses direitos foi fruto de um processo histórico que tem as mesmas características da adoção da constituição escrita, o movimento constitucionalista se identifica com o movimento de reconhecimento de direitos fundamentais. Os documentos mais importantes são: Magna Carta de 1215 (Magna Charta Libertatum): foi um acordo firmado entre João sem terra e os barões do reino (senhores feudais) a respeito da tributação. Foi escrita em latim arcaico. Foi anulada por um papa (Inocêncio III) antes de vencida a sua duração, que seria de 3 meses. João Sem Terra alegou que foi coagido e pleiteou sua anulação ao papa. É o primeiro documento escrito de reconhecimento de limitação do poder do monarca. A autoridade maior, o rei reconhecendo limites a seus poderes, algo muito difícil na época. Não foi escrita sob a forma de artigos ou tópicos, a doutrina é que deu certa organização. Era dirigida apenas aos homens livres do reino. Esse documento ainda influencia a nossa vida hoje, porque muitos dispositivos dela estão reproduzidos na CF. Ex: há os princípios da legalidade tributária, da vedação do confisco, razoabilidade tributária, ampla publicidade; limites; razoabilidade da sanção penal, individualização da pena, impenhorabilidade, julgamento pelos pares; HC gratuito, devido processo legal, acesso ao judiciário, celeridade, não à corrupção, globalização econômica, sem barreiras alfandegárias, princípio da reciprocidade. Petition of rights de 1628: reafirma direitos já mencionado na magna carta. Hábeas corpus amendment act de 1679: texto voltado para a liberdade de locomoção. Bill of rights de 1689: primeiro documento de origem parlamentar a disciplinar direitos fundamentais. A revolução gloriosa faz reascender o poder do parlamento. 2

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Declaração de direitos do bom povo da Virgínia de 1776: influência a constituição dos EUA, especialmente as 10 primeiras emendas da constituição norte-americana. Declaração dos direitos do homem e do cidadão francesa de 1789: é francesa, mas é dirigida a toda a sociedade, tem caráter universal e foi o primeiro documento com este caráter (universalidade). Declaração universal dos direitos do homem de 1948: adotada pela ONU no pós-guerra. Natureza jurídica: é uma recomendação da ONU, não é um tratado coercitivo, mas são direitos reconhecidos internacionalmente. É o primeiro documento internacional a disciplinar o catálogo de direitos humanos. Nenhum desses textos tem a natureza jurídica de constituição, a primeira constituição a trazer o catálogo dos direitos fundamentais não é unânime na doutrina: 1. A constituição da Bélgica de 1831; 2. A constituição brasileira de 1824; e 3. A constituição dos Estados Unidos, não a de 1787, mas no Bill of Rights (10 primeiras emendas de 1791 e não o bill of rights da Inglaterra) Características dos direitos fundamentais: 1. Historicidade: os direitos fundamentais são históricos, ou seja, como quaisquer direitos eles nascem, modificam-se, desaparecem, acompanhando a história. O conteúdo varia com a história. Eles não são imutáveis, herméticos. O que é necessário à vida humana digna se modifica com o passar da história. 2. Inalienabilidade: não têm conteúdo econômico patrimonial, não podem ser objeto de negócio jurídico. 3. Imprescritibilidade: não se perde o direito fundamental porque deixou de exercê-lo em determinado período. 4. Irrenunciabilidade: pode não exercer, mas renunciar não. 5. Personalidade: são personalíssimos, pertencem à pessoa do titular. 6. Limitalibilidade ou relatividade dos direitos fundamentais: não há direitos absolutos, todos são relativos. As próprias características supra não podem ser entendidas como absolutas. A inalienabilidade, por exemplo, pode ocorrer no direito à imagem, não é alienado, mas algum tipo de negócio jurídico sim, sem ofensa aos direitos fundamentais. BBB e os direitos fundamentais: intimidade, vida privada etc, não há ofensa, as pessoas são maiores e capazes, revertido em benefício delas mesmas, há liberdade de ir e vir, sabe da filmagem, transmissão etc. Em razão da relatividade dos direitos fundamentais não podem justificar o ilícito, justificar a irresponsabilidade civil, anular outros direitos constitucionais fundamentais.
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segundo o modelo clássico: credor. Uma minoria é adepta do relativismo cultural. Depende do interesse público em questão. O que para uma agride para outra é costume. pois o Estado deve conceder ao menos a opção às pessoas. deve-se usar o princípio da hermenêutica da harmonização. Há uma ponderação de interesses constitucionais. mas nenhum deles será extinto. Não é aceita pela maioria. Objetiva: vislumbram-se valores e não direitos. sabendo que eles são relativos. Ex: liberdade da mulher. mais de um deles podem estar sendo exercido ao mesmo tempo. A vida é um valor que deve ser respeitado por cada um individualmente. Divergência entre os universalistas e os multiculturalistas. Em qualquer lugar do planeta deve-se ter reconhecido os direitos fundamentais. Universalidade: para a maior parte da doutrina os direitos fundamentais são universais. a fim de se buscar uma solução que não existe em tese. mas é preciso considerar a realidade fática. além de direito é um valor da sociedade e do Estado. a liberdade. e ambos devem preservá-los. não é possível sobrepor uma cultura a outra. As circunstâncias fáticas vão influenciar na harmonia desses direitos. A vida. 8. objeto e devedor  homem. Não há apenas a perspectiva subjetiva (direito).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO É possível a colisão entre os direitos fundamentais. 9. dignidade e Estado. Não há hipótese de solução abstrata na colisão de direitos fundamentais. Só é possível uma solução concreta que só vale para o caso concreto determinado. Os valores mais importantes de uma sociedade são a vida. mas em uma situação fática inconstitucional. a igualdade etc. ou seja. Ela pode influenciar o controle. O estudo do controle de constitucionalidade pressupõe não só a lei em abstrato. Eficácia dos direitos fundamentais: ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 4 . Perspectivas nas quais os direitos fundamentais podem ser entendidos: 1. Resolve-se com a ponderação de interesses (livro de Daniel Sarmento). A imposição de determinado estilo de vida em um país pode não ser compatível aos direitos fundamentais. mas também um valor que a pessoa deve preservar. Vedação ao retrocesso: não é possível retroceder nas conquistas já sentidas pela sociedade. 7. A lei pode ser em abstrato constitucional. não existe a aplicação do “tudo ou nada” (expressão de Ronald Dworking). um pode preponderar sobre o outro. Ela não é só um direito seu. Subjetiva: sob este ponto de vista eles são verdadeiros direitos que escondem uma relação jurídica obrigacional. usando dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. princípio da concordância prática. diferentemente da solução dada às antinomias entre as leis (solução abstratamente prevista). Concorrência: acumulação de direitos fundamentais. 2.

LIBERDADE. institui penas. 1ª Geração: num primeiro momento surgiram com a Revolução Francesa na declaração de 1789. Ligado à idéia de direitos negativos. O capitalismo estava em risco e alguns direitos fundamentais deveriam não mais ser apenas os de não-fazer. entre particulares. além de serem aplicados também nas relações privadas. De defesa ou de liberdade: exige-se que o Estado se abstenha de invadir a esfera do cidadão. É uma função muito ligada a uma obrigação de não-fazer. Não discriminação: função de promoção da igualdade. logo. 2. Estado do bem-estar social (welfare state). Direitos civis e políticos. 205. CF. não só o Estado. presente nas relações entre o cidadão e o Estado. a fim de garantir condições mínimas para as pessoas. Os direitos fundamentais devem garantir o pluralismo. aplicáveis nas relações de direito privado. O Estado é o principal devedor dos direitos fundamentais. Art. ou seja. poder judiciário etc). a vida. O homem tem também deveres fundamentais porque os direitos fundamentais têm um valor que deve ser respeitado. XXXIX. logo. É exigido do Estado uma obrigação de não-fazer. De proteção perante terceiros: outras pessoas também podem violar os direitos fundamentais. Estado abstencionista (aquele que não interfere na vida das pessoas). ele tem também a função de proteção em face dos demais seres humanos. Ex: declaração da ONU. 1. 4. Os direitos fundamentais podem ser ainda classificados em gerações. relações de direito público. o seu papel é que vai revelar quais são os direitos reconhecidos. uma abstenção: não tirar a liberdade. Horizontal: eficácia entre iguais. Funções dos direitos fundamentais: é uma classificação de Canotilho. obrigações de fazer. garantir os direitos das minorias. Ex: direito à propriedade. momentos históricos em que direitos com determinadas características são tidos como fundamentais. a tolerância. a propriedade etc. mas também a necessidade de um Estado-providência. que é a material. Art. O poder era absoluto e o liberal torna o Estado “mínimo”. De prestação: garantir às pessoas determinadas prestações positivas. CF (todos nós somos credores e devedores do direito à educação). 3. 2ª Geração: a revolução industrial no século XIX modificou a situação até então estabelecida. igualdade etc. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 5 . 225.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Vertical: é a clássica. Isso porque o Estado pode ser o inimigo (Leviatã). Estão ligados ao modelo de Estado que a revolução francesa admitiu – Estado liberal. ele tem que dar essa garantia por meio de mecanismos (polícia administrativa e judiciária. Art.

entre eles. o titular dos direitos de 1ª e 2ª gerações era tido apenas como sujeito individual. a partir daí a decisão judicial influencia uma coletividade. exigem uma atuação do Estado (prestações materiais e judiciais). Surgiu a 3ª geração. direito ao pluralismo. IGUALDADE. Direitos Sociais (art. vários autores. Classificação inspirada no autor alemão JELLINEK: * Direitos de defesa . Surgem os direitos sociais. coletivos. os direitos fundamentais também têm que ser. patrimônio cultural. FRATERNIDADE. Essa dimensão é reconhecida. * Direito de participação – tem tanto caráter positivo como negativo.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO ajudando. As ameaças são globais. econômicos. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 6 . 6º CF). 12 e ss CF). Modificação do papel do poder judiciário. Até a 3ª geração elas consideram as fronteiras estatais. que são direitos ligados à globalização. Os direitos são prestações positivas. pertencem a um grupo indeterminados): ambiente. porque exigem uma abstenção do Estado. Transforma um valor em norma. à informação etc. Direitos Individuais. Direitos 5ª geração (Paulo Bonavides): direito a paz – art. mas as ameaças à dignidade humana ultrapassam essas fronteiras. Tem o Estado que fazer prestações positivas. Direitos e Garantias – (diferença) Rui Barbosa Direitos: são disposições declaratórias que imprimem existência legal de valores reconhecidos e declarados no plano normativo. direitos do consumidor (rol exemplificativo).ligados à liberdade do individuo. Classificação com base na CF/88: Direitos fundamentais – é gênero (Titulo II CF) : direitos individuais. assim. Direitos Coletivos. 4º VI CF. Direitos a Nacionalidade e Políticos (Art. e por isso a utilização do termo geração é criticada pela doutrina. aumentando significativamente a importância do judiciário (ACP). As três gerações não se excluem. culturais. É mais adequado utilizar dimensões de direitos fundamentais. é uma forma de universalizar os direitos fundamentais. direitos das minorias. só que as ameaças à vida humana digna passa a não mais ser individualizável. que são os direitos ligados à titularidade difusa ou coletiva (não tem titularidade determinada. já falam na 4ª geração. Por isso. há uma soma e não uma substituição. * Direitos a prestações (ou prestacionais) – atitude positiva do Estado. obrigações de fazer. até então uma decisão judicial envolvida um autor e um réu. 3ª Geração: ainda no século XX. democracia plena em sentido global. nacionais e políticos. sociais. tem caráter negativo. Consagra o princípio da solidariedade. Paulo Bonavides.

meio ambiente. Além disso. Observância do princípio da reserva do possível. o conteúdo e alcance 7 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . o que não é tecnicamente exato. que se desincumbe do ônus de promover sozinho o bem-estar social. O Art. desporto. não são apenas os Remédios Constitucionais. É uma disposição geral. participação e representação. O preâmbulo da CF já assegura o bem-estar social. ele assegura o exercício dos direitos sociais para só depois citar os individuais. 9º. para ser um Estado de bem-estar social. Todos os princípios processuais são garantias. porque também os não cidadãos poderão usufruir. educação. 170 assegura a todos existência digna com base na justiça social. idoso. São um meio de proteção dos direitos substanciais. Melhor seria denominar direitos gerais. índios). diz que há o direito. uma proposta de diminuição do papel do Estado. Ex: hábeas corpus. Principio da Legalidade. Todos eles serão usufruídos por qualquer cidadão. a exemplo da flexibilização da legislação trabalhista (acabar com os direitos mínimos do trabalhador. mas parte da doutrina denomina “do cidadão”. aquilo que o dinheiro disponível permite (limite máximo). 6º é uma disposição declaratória. comunicação social. 8º. criança.saúde. ciência e tecnologia. O Art. voltada a uma obrigação de fazer e dar por parte do Estado. que tem como característica atender às necessidades do cidadão. O bem-estar social também está expresso na parte dogmática da CF. 6º e um detalhamento no título “Da ordem social” (seguridade . 193. abrange outros valores. do Estado que deixa de ser liberal. 7º) e direitos coletivos (associação. Isso não impediu que a partir de 90 até hoje a presença de emendas neo-liberais (crescimento do 3º setor e do mercado – 2º setor). Direitos sociais do trabalhador: direitos individuais (Art. ou seja. Arts. família. 10 e 11). que está limitado pelo orçamento de que dispõe. mas não delimita em que consistem. Vários dos direitos sociais previstos estão sendo repassados ao particular. são direitos positivos de 2ª dimensão. e em primeiro lugar. cultura. São direitos que exigem a implementação de políticas públicas para a concretização. o fato de a CF ter previsto títulos específicos para tratar do social é prova do modelo de bem-estar social da CF/88. assistência e previdência -. Principio do Devido Processo Legal. diferentemente dos de 1ª dimensão. e deixar para a livre negociação).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Garantias: são disposições assecuratórias que protegem os direitos em face do Poder do Estado. adolescente. bem como ao princípio do mínimo existencial (limite mínimo). no Art. isso demonstra uma opção do constituinte pela maior preocupação com o social em face do individual. demandando ainda mais custos para o Estado. greve. Os direitos sociais nascem no início do século XX. DIREITOS SOCIAIS Os direitos sociais podem ser divididos em dois grandes grupos sistematizados: Direitos sociais do cidadão: enunciados no Art.

retornando a lei revogada e assim por diante. Nestes a legislação infraconstitucional. Por outro lado. as decisões já vistas em controle são no sentido de que esse tema é afeto ao executivo e legislativo apenas. não obstante a conveniência e oportunidade (mérito administrativo). se a atividade é agropastoril o trabalhador e rural. mas a jurisprudência admite que lei estadual pode fixar pisos estaduais para categorias profissionais que não tenham esse piso fixado em lei federal. acordo ou convenção coletiva de trabalho. somente negativo. A lei que fixa o salário mínimo é constitucional? Atende ao que constitucionalmente o salário mínimo tem que atender? Apreciação judicial do valor do salário mínimo: se o STF declara a constitucionalidade da lei que fixa o salário mínimo a lei desaparece. o trabalho deixa de ser doméstico. O Art. Ele não é exaustivo. A partir do momento que o trabalho dele fica caracterizado como auxílio da atividade lucrativa do empregador. mas que foi modificado. 7º funciona como um parâmetro mínimo de direitos sociais individuais do trabalhador. na verdade se torna vinculado. Ou seja. não importando o lugar. até chegar a um ponto que fica sem lei alguma no ordenamento sobre o tema. Não pode fazer lei fixando o salário mínimo. alguns deles já estão no título da ordem social da própria CF. Efetivamente o estado não pode fixar salário mínimo. Para fins do Art.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO desses direitos terão que ser detalhados. O parágrafo único do Art. Quando há a delimitação dos direitos a serem implementados por políticas públicas o judiciário poderá interferir. além de outros na própria CF e na legislação ordinária. Mas há um outro tipo de direito social que não está detalhado na CF (ex: direito à moradia). Se a atividade é comercial. Salário mínimo: nacionalmente unificado. O STF já disse que não cabe ADI por omissão. Existia uma exceção tocante ao prazo prescricional. O âmbito de discricionariedade nas políticas públicas dos direitos detalhados na CF é muito menor do que o daqueles não descritos na CF. os direitos existem. 7º traz os direitos constitucionais do trabalhador. O trabalhador doméstico é aquele que trabalha nas tarefas de auxílio ao lar. 7º diz que nem todos os direitos ali previstos poderão ser usufruídos pelos domésticos. Isso não é fixar salário mínimo estadual. Trabalhador urbano e trabalhador rural: a diferenciação tem a ver com a natureza da atividade laboral e não o lugar em que o trabalho é prestado. sem finalidade lucrativa. tornando-se o mesmo para ambos. Não significa que o judiciário poderá interferir em todo e qualquer mérito administrativo. só atende a determinada categoria profissional. O Art. escapando ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 8 . Não se confunde o piso salarial estadual do serviço público (não se dirige aos celetistas) com o salário mínimo. o ato administrativo que se diz discricionário. O STF não atua como legislador positivo (em regra só o parlamento). na verdade. 7º não há qualquer diferença de tratamento jurídico entre o trabalhador rural e urbano. em razão da delimitação em tema de implementação de políticas públicas (reserva do possível e mínimo existencial). industrial ou prestação de serviços em geral o trabalhador é urbano. a jurisprudência e discussões de políticas públicas terão discricionariedade bem maior.

dando alguns postos com alta qualificação. A igualdade que a CF/88 quer é a igualdade material. não é possível tratar ou aplicar a lei de forma igual para quem é desigual no mundo real. ninguém quer abrir mão do conforto da automação. as mesmas oportunidades.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO pela tangente. 170. frustrando objetivo fundamental da república. O ser humano está se tornando minoria quando em competição com a máquina (Art. sob pena de perpetuar as desigualdades regionais. Nas decisões judiciais que fixam algo em salário mínimo o que diz o STF é que o valor é considerado no dia da decisão. sendo que o aumento terá que observar o princípio da reserva do possível. É preciso dar tratamento diferenciado aos desiguais para assegurar a igualdade material. e a partir dela. o pleno emprego é utopia. há a liberdade de manifestação artística. discute-se isso em relação ao parlamento). Proteção do mercado de trabalho da mulher: ação afirmativa é uma tentativa de concretização do princípio da igualdade. o reajuste se dá pelos índices judiciais. E do ponto de vista sistemático. o STF não admite. de acordo com o que é possível aumentar. é o mínimo para preservar o poder aquisitivo. O salário de servidor público não pode ser fixado em salário mínimo. Proteção em face da automação na forma da lei: também trata de ação afirmativa. Minoria em oportunidade e não em quantidade. A mulher não tem as mesmas oportunidades no mercado de trabalho (no serviço público não tem mais sentido. significa retrocessão. Na mesma base territorial (não inferior ao tamanho de um município) só pode existir um sindicato de empregador e de trabalhador. A ADPF pode servir de instrumento para a discussão do salário mínimo. VIII). O salário mínimo terá reajustes periódicos que preservem o poder aquisitivo. o STF já admitiu (informativo 264). O Estado só pode exigir o registro de sindicatos. a ação afirmativa tem que desaparecer (tem como característica a temporariedade). O salário mínimo não pode servir para a correção do valor da decisão a diante. A igualdade formal é relativa e não absoluta. Ação afirmativa é dar a uma minoria tratamento formal diferenciado para assegurar a igualdade material. Trabalho do menor de 14 anos: criança que atua em teatro. buscando saber qual é a finalidade da norma. mas não submeter a autorização. É questão difícil. A lei não pode tratar diferentemente as pessoas e nem ser aplicada diferentemente às pessoas (igualdade formal). A análise do inciso XXXIII tem que ser feita de forma teleológica. por isso se justifica o tratamento diferenciado na CF. novelas etc. Há a indicação do mínimo existencial na “preservação do poder aquisitivo”. e se o poder de compra do salário mínimo diminui. O ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 9 . Atingida a igualdade de oportunidades. A automação acaba com milhares postos de emprego de pouca qualificação. Até porque não se pode retroceder nos direitos fundamentais. Ao menos a inflação do período terá que reajustar.

A saúde é um sistema único. Nós somos credores e devedores ao mesmo tempo desse direito. DA ORDEM SOCIAL Saúde: é direito de todos. Há crime de abandono intelectual. A tônica principal do direito à saúde é a prevenção. é vedado. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 10 . Tanto a rede pública quanto a privada são serviços de relevância. a imunidade do líder sindical não é estendida a ele. além de outras fontes (CPMF. respeito às atividades essenciais. sem que seja por motivo de força maior. isso é ensino. e aos militares. o serviço deve ser gratuito. O acesso é universal e igualitário. Greve: abstenção coletiva do trabalho. a família e a sociedade. Educação: todos são credores do direito à educação. O atendimento do SUS tem que ser integral. A empresa que tem mais de duzentos trabalhadores terá um representante. independentemente de contribuição. ele terá o direito de receber indenização referente à remuneração que teria no período em que perduraria sua imunidade (STF). Não se pode restringir educação a sala de aula e professor.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO sindicato tem legitimidade para a defesa dos direitos e interesses coletivos. O devedor do direito à educação é o Estado. não necessariamente ela será reivindicatória. pode ser uma manifestação de apoio etc. as políticas devem em primeiro lugar. dá margem à intervenção da União no estado ou do estado no município. Se os estados e municípios não aplicam o mínimo existencial em saúde previsto constitucionalmente. além de o administrador responder (LRF). A educação é todo processo de aprendizado do ser humano e que inclui o ensino. Em uma clínica privada pode-se ter atendimentos particulares ou públicos. depende de lei. reduzir os riscos a doenças. Se o trabalho for paralisado pelo empregador é chamado de lock out. logo. Na rede pública é prestada diretamente ou por terceiros (convênios) (SUS). O SUS é financiado pelo orçamento da seguridade social dos entes. O trabalhador decide quando e porque fará a greve. há uma projeção difusa. para os servidores públicos. Em princípio seria um direito difuso. ao contrário da educação. em razão de convênio. É um direito não absoluto. mas a doutrina alerta que a saúde tem projeções difusas. coletiva e individual. O governo pode comprar no mercado externo hemoderivados para abastecer o SUS. coletivas e individuais. ou individuais da categoria. Dirigente sindical e estabilidade provisória: caso a empresa feche. Aos particulares o direito é auto-aplicável. que serão remunerados pelo SUS. no mercado interno é vedada a comercialização. por exemplo). Para garantir esse direito o Estado tem que se valer de políticas sociais e econômicas.

no ensino haverá rede pública regular (não onerosa) e rede privada. O pleno desenvolvimento da pessoa está ligado à idéia de liberdade. a fim de evitar a “neo-escravidão”. A universidade é para quem tem capacidade. não é mais até a 8ª série. mas será progressivamente universalizado e gratuito. Mas na CF não há previsão de delegação do ensino. O cidadão brasileiro tem que educação suficiente para saber o que irá fazer ao votar. O ensino médio deveria proporcionar isso. por exemplo. há violação a esse acesso constitucionalmente previsto? Alguns entendem que sim e são contrários às quotas. II. O ensino privado precisa ser autorizado e avaliado pelo poder público. Liberdade de cátedra é a liberdade de ensinar e está prevista no Art. com manipulação do pensamento das pessoas. vocação profissional e não para todos. A PARTIR DE 4 ANOS!!!). Ações afirmativas: quotas para minorias terem acesso às universidades. De acordo com a jurisprudência assente MS contra ato de dirigente de estabelecimento particular de ensino. porque mesmo quem entra por quotas. mas têm relação com a liberdade subjetiva. Assim como na saúde. mas apenas de autorização. É direito público subjetivo. a verdadeira mudança foi apenas para a rede pública. 206. Hoje as crianças já devem estar na escola a partir dos 6 anos e não 7. a CF não deixou qualquer discricionariedade para o legislador e administrador. O acesso é meritocrático. atingindo uma nota mínima para o ingresso. Outros defendem dizendo que não infringe. As formas modernas de neo-escravidão não têm a ver com a liberdade objetiva. ao instituir quotas. O estado irá cumprir assegurando o ensino fundamental obrigatório e gratuito (1ª ao 9º ano! Mudou. a reserva do possível nunca poderá ser argumento para o não oferecimento desse direito. O ensino médio não é obrigatório. seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. há dois tipos de atos dos dirigentes dos estabelecimentos particulares: atos derivados da ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 11 . 208. Acesso e permanência do educando na escola diretamente ligado ao inciso VII do Art. com base na capacidade. saber o que é sistema proporcional e majoritário. A autoridade pública por equiparação se dá por delegação e não por autorização. CF.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Os objetivos são: o pleno desenvolvimento da pessoa. Preferencialmente as pessoas portadoras de necessidades especiais deverão ter atendimento educacional na rede regular de ensino em nome do pluralismo e inclusão social. Não é todo e qualquer ato de dirigente de rede privada que cabe MS. A universidade não é o único caminho para a evolução da sociedade. de pensar. é preciso demonstrar capacidade dentro do grupo concorrente. A educação é fundamental para o pleno desenvolvimento da pessoa. A LEI MUDOU.

jornais e televisão apenas a brasileiro nato ou naturalizado há mais de 10 anos ou ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 12 . mas a CF foi omissa no tocante a propagandas infantis até determinada faixa etária. Como conciliar a classificação etária com os fusos horários do país? O MPF entrou com diversas ações exigindo que as emissoras locais retransmitissem os programas com restrição etária em horário diferenciado do restante do país. 221 da CF. § 3º. Uma que permite desde que haja autorização do órgão competente. Rádio e televisão são instrumentos que atingem uma grande massa e podem ser utilizados para propósitos não desejáveis numa sociedade (manipulação de pensamento). Os meios não podem deixar de noticiar os fatos. Ela é cumprida quando os meios atendem aos princípios. gestão e responsabilidade pelo conteúdo da programação dos meios de comunicação de rádio. a matrícula é facultativa. Há a restrição da propaganda de determinados produtos. Isso para evitar ameaça à soberania nacional. A censura está expressamente vedada na CF. 12. Por isso a CF não vai apenas reiterar as liberdades. A CF diz que lei federal deverá criar meios de defesa da pessoa contra os meios de rádio. TV e propaganda. A política e os meios de comunicação são indissociáveis. A função social dos meios de comunicação social está prevista no Art. desde que acompanhados dos responsáveis. 222 traz tratamento diferenciado entre brasileiro natos e naturalizados (exceção constitucional.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO “delegação”  cabe MS (autoridade) e atos de gestão da pessoa jurídica privada  não desafiam MS. e os menores de 16 anos podem entrar. Art. 220). porque estas liberdades já estavam consagradas no texto desde o Art. mas o aluno não é obrigado a cursar. LI. O Art. como fica?? Tem que ter fé). Comunicação social: a CF reitera a liberdade de pensamento. 89. a leitura que dão aos fatos faz parte da liberdade garantida. é ofensa ao direito de informação. Art. Na rede pública a CF obriga que exista ensino religioso. VII e Art. A CF só confiou a propriedade. É ponto de discussão ainda. mas também são instrumentos que podem trazer riscos (a neo-escravatura está na manipulação do pensamento). 5º (Art. 5º. 222). O ensino religioso deve ser histórico e ecumênico em nome do Estado laico. Há duas linhas de pensamento quanto à participação de menores em eventos. A outra (majoritária) diz que a obrigação do poder público é de apenas informar. que são quatro ao todo: Art. mas há outros que entendem que o ensino pode ser de orientação religiosa de cada religião especificamente (ingresso por concurso público. mas vai ainda buscar meios de tentar assegurar que os veículos de comunicação social não sejam utilizados para maus propósitos. Para se garantir uma pluralidade de linhas de pensamento a CF estabeleceu que os meios de comunicação não podem ser objeto de monopólio ou oligopólio. Os meios são indiscutivelmente úteis.

II). exploração mineral. VI. tem conceito jurídico indeterminado. ou seja. VI). 84. ao contrário do que a doutrina majoritária diz: que o decreto autônomo foi introduzido na CF com a EC32 (Art. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 13 .DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO pessoa jurídica brasileira. permissão ou autorização pelo poder executivo. as presentes e futuras gerações. A riqueza já esteve nas fábricas. O meio de comunicação impresso não precisa de autorização. As alterações contratuais nas empresas não devem ser comunicadas apenas à junta comercial. Os devedores são o poder público e a coletividade. É expressão aberta.985)  sistema nacional de unidades de conservação (SNUC). Sempre que uma obra for potencialmente causadora de impacto ambiental ela tem que ser precedida dos estudos de impacto ambiental que irão minimizar ou concluir que a obra não deve ser feita. A geração presente tem a obrigação de assegurar às gerações futuras o mínimo de condições ambientais para a continuidade da espécie humana. Todos são credores e devedores dessa relação jurídica fundamental ambiental. A atividade do poder público está ligada à bioética. e tem a ver com pesquisas científicas (pesquisa e manipulação de material genético). será encontrado em outras ciências que não a jurídica. mas apenas lei poderá modificar este decreto ou suprimi-lo (Art. com a riqueza (Art. Hoje ela está na exploração intelectual. especialmente os princípios do Art. poderão ser canceladas antes de findo o prazo por decisão judicial apenas. quem tem efetivo laço nacional. A CF não quis que eles ficassem nas mãos de estrangeiros ou de brasileiros naturalizados há pouco tempo. III). e que está na CF desde 1988. § 1º. O MP pode mover ação civil pública para o cancelamento da concessão ou permissão quando o meio de comunicação estiver sendo utilizado para violar a CF. em setores da agricultura. deverão ser comunicadas também ao Congresso Nacional. A não renovação da concessão depende de quorum especial do CN de 2/5 em votação nominal. necessário à perpetuação dos homens. O poder público criará unidades de conservação (lei 9. Meio ambiente: todos são credores do meio ambiente ecologicamente equilibrado. 84. na matéria-prima. Decreto é o ato jurídico que cria o SNUC. 225. 225. Decreto de 15/06/2005 criou o parque nacional Serra de Itabaiana (implica perda da propriedade do particular. Os credores futuros demonstram uma relação de eqüidade intergeracional. A natureza jurídica do meio ambiente ecologicamente equilibrado é de bem de uso comum do povo. Isso leva à conclusão de que esse decreto é autônomo. assim como o do Art. mas os demais meios (rádio e TV) deverão ter concessão. mas também com a ordem econômica. O prazo da concessão ou permissão para a TV é de 15 anos e de 10 anos para rádio. mediante desapropriação). 221. Todos têm direito.

É vedada a remoção dos índios de suas terras. adolescente e idoso: proteção aos portadores de deficiências físicas  Art. Matéria nuclear é da União. 14. CF. 231: os índios têm o usufruto exclusivo da terra. O STF resolveu a questão dizendo que por ser patrimônio nacional não arrasta a competência para a justiça federal. Têm também direitos originários. 109. mas a propriedade é da União. não se usa o conceito de imemoriabilidade (buscar pela memória das terras. Índios podem estar em terras originárias (tradicionalmente ocupadas por índios – bem da União – § 1º) ou adquiri-las civilmente (terras comuns). Bem de uso público pode ser prédio particular e não apenas os imóveis de domínio público (ex: shopping). Há doutrina que entende ser cláusula pétrea. Só será se incidir um dos incisos do Art. envolver agente federal). mas há exceções: § 5º: catástrofes. tudo seria indígena). O menor que trabalha tem direito a todas as garantias trabalhistas. 229 e 230: medicamentos com descontos para idosos. II e § 2º: garantir o acesso adequado às pessoas portadoras de deficiências. epidemias etc. 225. 228: imputáveis maiores de 18 anos.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Art. O STJ teve uma decisão isolada dizendo que pessoa jurídica não tem responsabilidade penal. município não pode fixar a idade livremente. Da família. Ação civil ou penal que afete ecossistemas do § 4º do Art. 227. 225 (patrimônio nacional) (não são bens da União) não necessariamente a competência será da justiça federal. Art. § 1º). mas poderá ser federal se houver interesse da União (dano de grande magnitude. § 3º: previsão da responsabilidade penal da pessoa jurídica. até onde o direito penal é aplicado nas comunidades indígenas. Dos Índios: tratamento pormenorizado na CF. Aos maiores de 65 anos é garantido a gratuidade dos transportes coletivos urbanos. a depender das circunstâncias. Art. garantido o retorno imediato tão logo cessado o risco. somente ela define regras por meio de lei federal. Não é tema pacífico. Questão alimentar é recíproca entre pais e filhos. Não se impõe o direito penal a essas tribos isoladas. apesar de ter competência para legislar sobre transporte coletivo urbano. § 1º. A responsabilidade civil ambiental é objetiva (Lei 6938. Modificar essa idade somente por emenda constitucional. Art. decisão superada. Geralmente são considerados inimputáveis. Responsabilidade civil. 14 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . A princípio a competência é da justiça estadual. Art. penal e administrativa por danos ambientais. ad referendum do CN. Tribos inseridas que mantêm certas tradições também é preciso ponderar caso a caso com valoração dos interesses. não é razoável aplicá-lo como é para nós. criança.

porque diz respeito a um dos elementos do Estado. geral da nacionalidade: existem duas espécies de ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 15 . Não há jus postulandi. José Afonso da Silva diz que nacionalidade é o vínculo jurídico-político de direito público interno que faz da pessoa um dos elementos componentes da dimensão humana do Estado. Os quilombolas (pessoas remanescentes de comunidades de quilombos) são uma minoria objeto de tombamento: ficam tombados todos os documentos e os sítios detentores de reminiscências históricas dos antigos quilombos (Art. Brasil pode solicitar extradição). § 5º). Art. a propriedade é intransferível. mas tem legitimidade. mas também como elemento humano do Estado (ex: brasileiro no exterior tem que justificar o não voto. Tem a ver com a ligação da pessoa com os elementos constitutivos do Estado. DIREITO À NACIONALIDADE É um tema que fala sobre o vínculo da nacionalidade. mas tratou de forma muito tímida. O Art.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO § 6º do Art. Essa vinculação de alguém ao elemento humano de um Estado é um direito. É um tombamento constitucional. § 1º). 216. os Estados deverão observar a teoria geral da nacionalidade. Cada Estado decide quem deve ser considerado seu nacional. Também está formalmente inserido na constituição escrita. Esse é um tema materialmente constitucional. O MP sempre que não for o autor. mas essa decisão não deve ser isolada. Bens imateriais são objeto de registro (carnaval. os antigos proprietários têm direito a indenização e qualquer dos entes poderá emitir os títulos respectivos (posição majoritária). isso deve ser evitado a todo custo. 232: há legitimidade ad causam das comunidades e organizações indígenas. porque é direito fundamental o direito à nacionalidade. Toda pessoa tem direito a uma nacionalidade: previsto no Pacto de San Jose da Costa Rica e na carta das nações unidas (dois documentos internacionais que cuidam da nacionalidade). A soberania tem um vínculo com o território. não deve ser matéria de lei ordinária (embora possa ter alguma). Teoria nacionalidade. as constituições não podem deixar alguém sem nacionalidade. 231 demonstra claramente a força do poder constituinte originário. A causa é da competência da justiça federal. 68 do ADCT também trata dos quilombolas: a CF assegura a propriedade definitiva às comunidades quilombolas. geográfico (território) e um político (soberania). mas ela não se vincula apenas ao território. 216. Em geral se entende que a titulação da propriedade é coletiva e não individual. acarajé etc) e não protegidos por tombamento (art. O tombamento recai sobre bens materiais ligados à questão cultural. intervém. são os direitos à nacionalidade. O Estado tem um elemento humano (povo). Para a elaboração da constituição.

não reservou para si conveniência ou oportunidade. derivada. Nacionalidade secundária (adquirida. de forma inversa. a: critério territorial. não gera direito adquirido. Pais ou pai/mãe a serviço do Brasil. Embaixador + funcionária da ONU: é brasileiro. Nasce um apátrida ou um heimatlos: nasce em Estado jus sanguinis de pais de Estado jus solis. Será exclusiva da pessoa quando o Estado desde já coloca na CF quais os requisitos necessários para alguém se tornar nacional. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 16 . Pode decorrer ainda de vontade exclusiva do Estado: na CF de 1891 houve declaração de nacionalidade pelo Estado. de 1º grau): decorre de um fato natural. é organismo internacional e não país. É nato quem nasce no Brasil. I. de 2º grau): não decorre de fato natural. Essa teoria não é utilizada na CF de forma pura. Filho de embaixadores de países diferentes não é brasileiro. exclusiva do Estado ou conjugada entre pessoa e Estado. b: critério sanguíneo. Há autores que dizem não ser possível a nacionalidade potestativa. mesmo o nascimento acidental e mesmo de pais estrangeiros. reservando para si conveniência e oportunidade. É chamada de nacionalidade potestativa (depende somente da vontade exclusiva da pessoa). voluntária. originária. Uma declaração de vontade de quem? Exclusiva da pessoa. decorre de um fato volitivo: uma declaração de vontade. o Estado não pode negar. ambos vinculados ao nascimento. Preenchidos os requisitos surge o direito à nacionalidade. o Estado sempre teria conveniência e oportunidade (cuidado! Jurisprudência admite). A serviço do Brasil na administração direta e indireta de forma permanente ou temporária (José Afonso da Silva). acúmulo não é ofensa a direitos fundamentais. Válido para filhos adotivos. Complementa a aliena “a” para que ninguém fique sem nacionalidade. O momento do nascimento é a regra para fixar a nacionalidade. Nacionalidade primária (nata. Nato: Art. 2. Só exclui quando ambos os pais estão a serviço de seu país. a possibilidade de dupla nacionalidade originária (polipátrida). Conjugada: requisitos + pedido. Art. Embaixador + funcionária de embaixada: é brasileiro. O nascimento vai determinar o critério de nacionalidade: territorial ou sanguíneo  jus solis e jus sanguinis  direito à nacionalidade por ter sangue nacional ou porque nasceu no território nacional. A exceção é o filho de embaixador que morreu antes do nascimento – filho póstumo – aplicado o momento da concepção. o Estado decide. o nascimento. gera direito adquirido. Há. mas sim temperada (mundo globalizado). de origem. I. onde ocorreu a adoção. caso contrário poderia gerar situações de apatria. Quem não estiver a serviço do país não exclui a nacionalidade brasileira.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO 1. Exceções: nasce no Brasil de pais estrangeiros que estão a serviço de seu país. 12. 12.

§ 4º. o direito já existe. 12. Mistura dos três elementos. VII. Art. 12. A doutrina entende como direito potestativo. a opção é feita perante a justiça federal e a partir dos 18 anos. II. a moradia já lhe dá o status de brasileiro nato (opção provisória. Ministro da defesa na CF impede que o Ministério da Defesa seja extinto por lei ordinária. Mesmo havendo reciprocidade de alguns casos. é originária jus sanguinis. ele é polipátrida – viajei!). Ele será nato. § 1º: quase nacionalidade. Período entre os 18 anos e a opção a nacionalidade fica suspensa. que é personalíssima. optar a qualquer tempo pela nacionalidade brasileira (elemento volitivo). estão ressalvadas as hipóteses reservadas ao brasileiro nato. há uma equiparação. c: Nascido no estrangeiro de pais brasileiros (elemento sanguíneo). fático). o Estado não pode negar. Naturalização cancelada por sentença judicial em virtude de atividade nociva ao interesse nacional. desde que venham a residir no Brasil (elemento objetivo. 12. só a CF (Arts. Reciprocidade. § 3º: linha sucessória presidencial. Vem ganhando um novo nome: supranacionalidade (comunidade européia – cidadão europeu vinculado e com direitos específicos). b: nacionalidade potestativa também. Art. § 2º: lei ordinária não pode dar tratamento diferenciado a brasileiro nato e naturalizado. I. Perdese ainda pela aquisição de nacionalidade secundária. conselho nacional da magistratura são ministros do STF. 12.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Art. Feita a opção. Art. esperando uma condição suspensiva (homologação judicial da opção dele) (fica apátrida por um tempo). ele volta a ser brasileiro nato e tem efeitos ex tunc. Chamada de nacionalidade secundária extraordinária. 12. A regra é que só pode ser polipátrida se for de nacionalidade originária. Essa opção é potestativa. isso não existe mais! Quando se trata de menor que vem para o Brasil: vem para o Brasil aos 5 anos (ex: Ronald). a definitiva é personalíssima e só pode ser feita quando for maior). Chamada de nacionalidade secundária ordinária. a: proveniente de país de língua portuguesa + residência por 1 ano. Ainda se o país da nacionalidade adquirida reconhecer a originária não perde ??? (ex: nasce no Brasil de pais italianos – este exemplo não é de nacionalidade adquirida. brasileiros natos. Presidente do TSE. Seria necessário primeiro uma emenda constitucional para excluir os casos reservados ao ministro da defesa. 89. Perda da nacionalidade: Art. Caso o país que se está a serviço exige 17 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . 12. § 3º e 5º LI). No caso do menor. Vindo morar aqui os pais podem fazer um registro e ele é considerado nato até seus 18 anos (provisoriamente). mas de brasileiro naturalizado pode. logo. basta requerer. Art. Art. Oficialato só de tenente em diante. Lei ordinária não pode criar novas hipóteses de brasileiro nato (numerus clausus). II. Não se ganha nacionalidade com o registro no consulado no exterior. 222. Aos 18 anos faz a opção. 12. 12. estatuto da igualdade.

DIREITOS POLÍTICOS Não é sinônimo de direito eleitoral. ou seja. § 1º. é vontade exclusiva do Estado. manifestação em plebiscito e em referendo. Os positivos podem ser ativos: voto. hino. Era nato. além da representativa. Direitos políticos positivos: é o conjunto de normas que garantem a participação da pessoa no processo político e eleitoral (José Afonso da Silva). Estando no país onde não é prevalente. É possível readquiri-la.450/SP. readquire como naturalizado. O casamento que confere nacionalidade automática também não exclui a originária.alguns autores preferem chamar assim. readquire – a doutrina diz ser como naturalizado. parágrafo único da CF: soberania popular e seu exercício por mecanismos de atuação direta (democracia direta ou semi-direta . Acúmulo não autorizado pela CF. Art. Alguns autores identificam os direitos políticos positivos tão somente com a capacidade ativa. Ex: Roberto Carlos optou pela espanhola – constitucionalmente não se encaixa em qualquer das exceções de não perda. A doutrina menciona este caso. Art. mas até hoje nenhum outro foi criado.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO para permanência. Deveria perder a nacionalidade brasileira. 18 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . 13 – símbolos: segundo o Art. ação popular. mas os mecanismos são os mesmos) ou representantes eleitos (democracia representativa). perdeu. É o conjunto de normas que regula a atuação da soberania popular. ou seja. exercer cargo público. por decisão do presidente da república se adquiriu outra. 37. Nacionalidade prevalecente: quanto ao polipátrida. pois não é uma manifestação de vontade livre. 1º. ou passivos: ser votado (candidatura). Ex: ação rescisória. Se estiver onde é prevalente sua proteção é absoluta. as nacionalidades são equivalentes. os direitos políticos cuidam. Todos os conhecidos são inconstitucionais. A perda da nacionalidade tem efeitos ex nunc. iniciativa popular. da direta (referendo. 13. mas não está incluída no âmbito do direito eleitoral). armas e selos nacionais. ela é viciada pela coação. mas há decisão do STF de 1986 que diz ser nato. A soberania exercida pelo próprio titular do poder ou o representante eleito. O direito eleitoral está vinculado à democracia representativa. são as mesmas? Tanto faz estar em um ou em outro país? Para fins de processo de extradição entre os dois Estados é preciso observar qual é a nacionalidade prevalecente. assinar ação popular. a iniciativa legislativa popular é questão de direitos políticos. apenas com o voto. Os direitos políticos abrangem o direito eleitoral (por exemplo. participação em conselhos e outros). Também nos casos em que o Estado confere a nacionalidade de forma exclusiva. Também tem efeitos irretroativos. mover iniciativa popular. plebiscito. só podem constar na propaganda de órgãos públicos os símbolos do Art. O STF começou a suscitar essa tese no HC 83. Podem ser criados outros por lei. que são os oficiais: bandeira. § 1º. a proteção é relativa. É aceito.

ou seja. suspensão e perda dos direito políticos. Voto: quanto à publicidade ele será secreto ou público. É a regra em caso de eleições. CF). significa ausência de restrições discriminatórias. § 4º. voto é o exercício do direito. O Judiciário não tem legitimidade direta popular. Quanto à extensão o sufrágio pode ser universal ou restrito. 60. administrador deve seguir a legalidade e praticar atos administrativos escritos). 60. No sufrágio universal as restrições são técnicas enquanto no restrito as restrições são discriminatórias. O restrito (não é técnico. CF. mas não discriminatórios. voto em urna eletrônica ou em cédulas de papel etc). Também não se confunde com desincompatibilização: alguém se desvencilhar de uma inelegibilidade relativa para uma eventual candidatura (deixando o cargo. uma mera afirmação não é renúncia ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 19 . Inelegibilidade: vedação à capacidade eleitoral passiva. de fato é discriminatório) pode ser o censitário (discrimina de acordo com a capacidade econômica) e capacitário (discrimina de acordo com a capacidade intelectual). Direito de sufrágio: é um direito público subjetivo de natureza política que tem o cidadão de eleger. O voto secreto garante a pessoalidade do voto. No universal (Art. escrutínio é o modo de exercício do direito de voto (público ou secreto. quando não pode sequer votar. a universalidade não é absoluta. A inelegibilidade pode ser absoluta (em relação a todos os cargos) ou relativa (em relação a alguns cargos). não é tecnicamente membro do Judiciário. 1º. não estar alistado etc. tanto em relação à capacidade ativa quanto passiva. apesar de eleito. não estar domiciliado em determinada circunscrição eleitoral. ou seja. O Brasil já adotou o sufrágio restrito cesitário na constituição de 1824. O sufrágio pode ser ativo (relacionado com a capacidade eleitoral ativa: direito de votar) e passivo (vinculado à capacidade eleitoral passiva: direito de ser votado). O sigilo do voto não é renunciado pelo eleitor. Instituições dos direitos políticos positivos: 1. todas são restrições técnicas). ele não se enquadra no parágrafo único do Art. diferente de inalistabilidade. é apenas uma das formas de sufrágio. Sufrágio é o direito. 2. esta impede a capacidade ativa e passiva. A exigência constitucional de alfabetização para ter a capacidade eleitoral passiva não descaracteriza o sufrágio universal (não é sufrágio restrito capacitário). quer dizer. por exemplo). Há exclusões ou restrições apenas por motivos técnicos. porque é norma de ordem pública. é apenas eleger. ser eleito e participar da organização e da atividade estatal. terá em sua atuação que saber ler e escrever (legislar. Essa exclusão por motivos técnicos não retira a característica da universalidade (ex: menores de 16 anos. § 4º. alguém que se candidata a cargo no legislativo ou executivo. O juiz de paz. Constituem as regras de inelegibilidade. liberdade. Não se confunde com voto. a exigência de alfabetização é técnica. nem escrutínio. O direito de sufrágio não abrange o poder Judiciário. CF) todos usufruem. É cláusula pétrea (Art.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Direitos políticos negativos: é o conjunto de normas que impedem a participação da pessoa no processo político e eleitoral.

CF). Sistemas eleitorais: é o conjunto de técnicas e procedimentos para a realização de eleições e a designação dos eleitos a partir dos votos emitidos. Essas classificações não são precisas. Em regra o voto no Brasil é obrigatório. enquanto o Art. normalmente utilizado para cargos do poder Executivo. mas com eleição por sistema majoritário) e os prefeitos nos municípios com até 200. a própria CF confunde. CF) (*território tem governador nomeado pelo presidente) e prefeitos em municípios com mais de 200. o Congresso promoverá eleição indireta 30 dias após a abertura da última vaga . mas o comparecimento à zona ou posto de justificação. ou desigual: vota mais de uma vez. Pode ser também obrigatório e facultativo. governadores dos estados e DF (Art. 29.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO ao sigilo. Na maioria absoluta é necessário atingir 50% + 1 do total de votos para ser o eleito. O que é cláusula pétrea é o voto direto. com o mesmo peso.Art. o cidadão elege um colégio de eleitores e estes elegem o candidato (modelo dos Estados Unidos). 46. maiores de 70 anos. Dependerá do tipo de sistema o resultado da eleição: Majoritário: está vinculado a cargos unipessoais. é órgão do legislativo. 81. 77. Por maioria absoluta elegem-se o presidente (Art. universal e periódico. 60. não significa ser verdade. mas não é cláusula pétrea. isso para permitir a fiscalização por parte do povo. II fala em voto universal. § 4º.000 eleitores. § 1º. Ela pode ser simples ou absoluta. Elegem-se por maioria simples os senadores (Art. O Art. CF). No parlamento a regra é o voto aberto. analfabetos). II. one vote. No sistema de maioria absoluta não são computados os votos brancos e nulos.000 eleitores (Art. caput fala em sufrágio universal. ou seja. O voto será igual: one man. podendo dar margem ao 2º turno. A CF não foi tecnicamente precisa. por emenda constitucional pode-se torná-lo facultativo. O que é obrigatório não é o voto válido. excepcionalmente é secreto. por isso também chamado de sistema dois turnos. CF – é exceção. É aquele no qual é eleito quem atinge a maioria dos votos. mas há casos de voto facultativo (menores entre 16 e 18 anos. só é preciso fazer um turno de votação. CF). A simples é chamada de sistema de um turno ou turno único. público. 14. No Brasil há a eleição indireta quando o Congresso Nacional elege para os cargos de presidente e vice-presidente da república para encerrar o mandato (os dois cargos vagos nos dois últimos anos do mandato. Também chamado de “maioria”. No indireto. caráter eletivo e não hereditário. O voto obrigatório está na CF. No voto direto o cidadão decide. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 20 . secreto. A periodicidade do voto está ligado à forma republicana. Tem como objetivo identificar os eleitos. 28. cada pessoa vota uma vez.

Órgão específico para as lides eleitorais (função judiciária e administrativa). Procedimentos eleitorais (fases): 1. Após as convenções há a fase externa. Apresentação das candidaturas. O número de deputados federais depende da população. julgar só na 3ª fase). mas o sistema é por maioria simples: Senado não obedece ao proporcional. Os advogados são indicados por lista feita pelo TJ e não pela OAB. mas nos Três só há um juiz federal. resultando no número de cadeiras do partido. É a casa dentro do sistema federativo onde os estados têm voz. e não do povo. 2. Proporcional: utilizado em regra em assembléias. com a propaganda eleitoral. Quociente eleitoral: são os votos válidos divididos pelo número de cadeiras. Após. Contencioso eleitoral. fechando a lista. É órgão de representação dos estados. Propaganda pode ser político-partidária. para o poder Legislativo. Todas são dirigidas pelo Poder Judiciário. isso. só internamente. O quociente partidário é o número de cadeiras encontrado para cada partido. mas são funções atípicas do Judiciário. órgãos colegiados. A propaganda político-partidária independe ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 21 . embora o contencioso só exista na 3ª fase (as 1ª e 2ª fases são atividades administrativas. Realização e organização do escrutínio. político-eleitoral e a institucional. Quociente partidário: são os votos dos partidos divididos pelo número do quociente eleitoral. Exceção: órgão colegiado. Apresentação das candidaturas: fase interna das convenções partidárias com indicação de candidatos. Câmara dos Deputados.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO São cargos em que se elege alguém sem qualquer proporcionalidade. escolha do nome do candidato que irá ocupar as cadeiras que o partido conquistou. tem número fixo de senadores (três). O órgão é federal. O quociente eleitoral é o número de votos necessários para que o partido ganhe uma cadeira. que nas eleições proporcionais só haverá voto de legenda. Na maioria dos países é o Executivo que cuida dos procedimentos eleitorais. Num primeiro momento há eleição entre partidos e coligações (voto na legenda). 3. Assembléias Legislativas (Câmara Legislativa do DF) e Câmaras Municipais são órgãos colegiados proporcionais. esta é considerada para parlamentos (órgãos colegiados). Não pode haver propaganda para eleitorado geral nesta fase. para reproduzir o pensamento da população. O MP não tem vaga como juiz pelo 5º constitucional. Lista aberta: quem decide a ordem de ocupação nas cadeiras é o eleitor (diferente da lista fechada. sem escolha para o eleitor). não é proporcional a nada. o número de deputados estaduais depende do número de deputados federais.

foi consulta prévia e não posterior (à constituição). são instrumentos de consulta popular. O momento em que a consulta é feita é que define a diferença entre ambos. 14. Os conscritos (são os convocados. não é eleitoral. Os estrangeiros são inalistáveis. proporcionando a uniformização. são inelegíveis. Exceção: português de Portugal com reciprocidade de tratamento pode se alistar e votar. § 1º. Aqui que se dá a definição de mesário etc. Inalistáveis (Art. Art. Realização do escrutínio: é organizado pela justiça eleitoral. O analfabeto é eleitor facultativo a partir dos 16 anos. foi de fato plebiscito. por isso. A iniciativa popular será vista em Poder Legislativo. Capacidade eleitoral: Vedado  16 anos  facultativo  18 anos  obrigatório  70 anos  facultativo. A institucional (Art. enquanto o referendo é a posterior a um ato realizado. por conseguinte. 2º da ADCT: a consulta lá prevista sobre a forma de governo foi anterior à revisão constitucional. federal ou estadual. Condições de elegibilidade: condições que devem ser preenchidas para ser elegível na forma da lei ordinária (lei complementar pode estabelecer outras condições de inelegibilidade). filiação partidária (no Brasil não há a candidatura independentes). os recrutados. idade mínima: ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 22 . ou melhor. A político-eleitoral está vinculada a uma determinada eleição (apresentação externa). § 2º): não têm capacidade ativa nem passiva. Opção de assistir ou não de forma igualitária: a obrigatoriedade do horário eleitoral deveria ser imposta também para a TV fechada. Plebiscito é a consulta prévia. A doutrina eleitoral faz uma crítica no tocante às TVs abertas e fechadas em razão do princípio da igualdade. Isso para o alfabetizado. A inelegibilidade é uma vedação à capacidade eleitoral passiva. ao titular do poder. alistabilidade. A inalistabilidade é uma vedação à capacidade eleitoral ativa. Contencioso eleitoral: Plebiscito e referendo são mecanismos de exercício de democracia direta (ou semi-direta). para o serviço militar obrigatório) também são inalistáveis. domicílio eleitoral na circunscrição. exercício dos direitos políticos. CF – a publicidade oficial não pode conter símbolos e nomes) é a das pessoas jurídicas de direito público. A questão relativa a ter ou não referendo ou plebiscito não é da competência da justiça eleitoral. é da justiça comum. Nacionalidade brasileira (exceto português de Portugal com reciprocidade e ressalvados os cargos reservados a natos – presidente e vice-presidente).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO das eleições. 37.

Cônjuges: em união estável também. Homossexuais também atingidos pela inelegibilidade. não os cargos do legislativo. Com 17 anos pode ser candidato. 21 anos: deputados federais. Art. Neste território a inelegibilidade é relativa. Há várias outras idades na CF que não são para cargos eletivos. é técnica não discriminatória e não descaracteriza o sufrágio como universal. em tese poderia se reeleger em 2006. para ministro de Estado (21 anos?). Mesmo com o divórcio a inelegibilidade vai persistir. Cônjuges concorrendo ao mesmo tempo para uma mesma circunscrição é possível. poderão apenas exercer os direitos políticos ativos facultativamente. 14. Presidente. Inelegíveis: são os inalistáveis e os analfabetos. prova de reconhecimento jurídico da relação. estes de forma absoluta. em outra circunscrição pode. 30 anos: governador. Os cargos do executivo tinham inelegibilidade relativa. 18 anos: vereadores. A idade mínima é considerada na data da posse. salvo se já passado um mandato inteiro. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE – 23 . prefeitos. (? Ele não repetiu essa matéria na aula. Reeleito passa ele a ter inelegibilidade relativa. No § 5º não é necessária a desincompatibilização para concorrer ao mesmo cargo. Pedro Lenza fala diferente?). Inelegibilidade absoluta e relativa: a restrição aos analfabetos não fere princípio. A vedação à reeleição por mais de uma vez só se aplica ao executivo. vice-prefeitos e juiz de paz. porque já eram titular de mandato eletivo. governador e prefeito devem renunciar seis meses antes do pleito caso queiram concorrer a outro cargo (desincompatibilização). vice-presidente e senador.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO 35 anos: presidente. vice-governador dos estados e DF. pode se eleger para outros cargos. 14. deputados estaduais e distritais. deveria ser circunscrição. para reeleição não precisam se afastar. Relativização do § 7º: “reeleição de Rosinha Garotinho” aguardando posição do STF este ano. agora com a regra da reeleição (1 só seguidos os mandatos). O que provoca a inelegibilidade reflexa são os cargos do executivo. Neste caso o juiz da infância e juventude poderá julgar matéria eleitoral. § 6º: desincompatibilização  ato pelo qual alguém se desvencilha de uma inelegibilidade relativa. Logo. § 7º: inelegibilidade reflexa: o termo jurisdição está equivocado. Se entram juntos podem se candidatar à reeleição no mandato seguinte. um menor de 17 anos está sujeito a praticar ato infracional eleitoral. por exemplo. Art.

enquanto durarem os efeitos (não significa prisão. não é vacatio legis. mesmo solto o sujeito estará com os direitos políticos suspensos e o preso provisório não está com os direitos políticos suspensos) e improbidade administrativa. devendo prestar contas à justiça eleitoral. 17 traz os mesmos princípios do caput (controle mínimo) que devem ser observados na estrutura interna do partido. Processo corre em segredo de justiça. mas sua aplicação fica suspensa. condenação criminal transitada em julgado. Há liberdade de criação de partidos. não eleito ele retorna às suas atividades de militar. A tendência é o entendimento de que a lei é estricto sensu. O Estado não pode controlar os partidos políticos. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 24 . Se militar jovem. ou seja. Lei complementar inelegibilidade (LC 64). na diplomação ele passa à inatividade automaticamente. os de eleitoral dizem que é caso de suspensão. será agregado e se eleitor. A autonomia deverá observar isso. Não podem receber recursos de Estados estrangeiros. O princípio democrático só se compatibiliza como pluripartidarismo. embora possa se reverter: cancelamento de naturalização por sentença transitada em julgado e recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa (os autores de constitucional falam em perda. não vai reaver). 16 é lei estricto sensu  verticalização eleitoral em discussão. Suspensão: incapacidade civil absoluta. Cassação de direitos políticos não é admissível. existem leis específicas e decisões da justiça eleitoral) (segundo o STF. Na perda não há expectativa de retorno. configura ato de força e anti-democrático. A lei do Art. emenda poderia sim modificar as regras eleitorais para uma eleição que ocorre em menos de um ano (vamos ver o que os tribunais vão decidir!). Se militar mais experiente. com mais de 10 anos. Internamente eles têm autonomia. apenas requisitos mínimos devem ser atendidos (controle mínimo). DOS PARTIDOS POLÍTICOS O Art. Lei lato sensu é qualquer ato normativo. Seu funcionamento parlamentar se dará de acordo com a lei. O § 1º do Art. logo. irá para a inatividade. se nada fizer. Somente poderão ter caráter nacional. Unipartidarismo e bipartidarismo são sistemas próprios de ditadura. pode estabelecer outros casos de Impugnação a mandato eletivo: contencioso eleitoral – 15 dias contados da diplomação. com menos de 10 anos de atividade. Perda e suspensão dos direito políticos é possível (direitos políticos negativos). 17 cuida dos sistemas partidários.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO O militar que pode se alistar pode concorrer. Lei eleitoral entra em vigor na data da publicação.

A constituição vai tratar dos elementos do Estado: povo (humano). Ela tem que dar as respostas que a sociedade precisa. O objeto da constituição é um objeto aberto (não hermético) e dinâmico (não estático). Acesso gratuito apenas ao rádio e TV. 99% dos países têm. seu estatuto é registrado na forma civil. e não à base da força (característico de grupo revolucionário). Israel). Os partidos têm direito a recursos do fundo partidário. ainda sem definição do que é. Se a constituição escrita reflete os fatores reais de poder ela irá durar.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Natureza jurídica: pessoa jurídica de direito privado. O que é constituição? Depende do ponto de vista. Entende a constituição como real ou efetiva e como escrita ou formal. O registro no TSE não tem natureza constitutiva. Há constituição sem Estado? Constituição da União européia em processamento – adotada por algo que não é um Estado. pelo processo político-eleitoral. Nem todo Estado possui constituição em sentido formal: documento escrito e formalizado (ex: Inglaterra. reis. O movimento deu origem às constituições dos Estados Unidos e da França. não (ex: juros não ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 25 . Embora a idéia de limitação de poder venha desde a Magna Carta (1215). Na sociedade há vários fatores reais do poder (exército. banqueiros. Em sentido jurídico é o conjunto de elementos que formam e estruturam o Estado. não há juízo de conveniência e oportunidade. conclui-se que todo Estado tem uma constituição em sentido material. meios de comunicação etc) que defendem interesses próprios. Para ele constituição real é a soma dos fatores reais de poder. Sociológica: Ferdinand Lassalle (A essência da constituição). não a mera folha de papel. e todas as suas conseqüências. vai mudar conforme as mudanças da sociedade exigir. Há uma acomodação entre eles  soma dos fatores reais do poder  esta é a verdadeira constituição. Partido político é uma agremiação que objetiva chegar ao poder dentro da legalidade. A maioria hoje tem constituição em sentido formal em razão do movimento constitucionalista do final do século XVIII. Assim. TEORIA GERAL DA CONSTITUIÇÃO Constituição em sentido comum é o conjunto de elementos de alguma coisa. território (geográfico) e governo/soberania (político). formam um objeto. líderes religiosos. O TSE só negará o registro se ele infringir os princípios. Hoje. ou seja. A constituição pode coincidir ou não com a soma dos fatores reais de poder. é o complexo normativo que disciplina os elementos de um determinado Estado. caso contrário. Concepções clássicas sobre constituição: 1.

2. IV. CF). sem eficácia (ex: Art. Art. Critica Lassalle porque entre a constituição e os fatores reais de poder a constituição pode imperar e não ceder – tem que atuar no mundo real (RE 328812). se tornar realidade – algo a perseguir (não insincero). puro dever-ser. O que está no topo do direito positivo é constituição: é norma suprema que gera as inferiores. Por isso. A constituição pode mudar a realidade diante de um embate. O que não for não é constituição. no ápice da pirâmide. é algo hipotético e lógico. Kelsen diz que o fundamento está fora do direito positivo. Instituições essenciais ao Estado que precisam ser decididas. A norma é simbólica. Mesma noção de poder constituinte. 208  lei constitucional – substância de lei e forma de constituição). A norma da constituição existe porque algo no mundo fora do direito positivo autoriza  norma hipotética fundamental (direito pressuposto # direito posto – direito positivo). Concepções modernas: 4. 1º. CF  decisão política fundamental. está no plano do direito pressuposto. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 26 . apenas tem forma de constituição. Força normativa da constituição: Konrad Hesse. não há como procurar fundamento dentro do direito positivo. sem conteúdo de constituição. É constituição em sentido lógico-jurídico (fora do direito positivo – dentro do hipotético). 3. Não tem decisão política fundamental (ex: Art. Constituição é decisão política fundamental. Sentido jurídico-positivo: constituição é a que está dentro da ordem jurídica positiva. Há coisas que funcionam como símbolos. O que é símbolo pode chegar a ter força normativa.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO superiores a 12% ao ano foi escrito na CF formal. Isso em razão da força normativa da constituição. 5. o legislador não é sincero ao elaborá-la. Constitucionalização simbólica: Marcelo Neres. É aquele sem a qual o Estado não existe. Jurídica: Hans Kelsen (Teoria pura do direito). Leis constitucionais: algo que tem natureza de lei e forma de constituição. O fundamento da existência do regulamento é a lei. mas não correspondia à soma dos fatores reais do poder). Este é o sentido jurídico-positivo (direito criado pelo homem – direito posto). qual é o fundamento de existência da constituição? Como a constituição ocupa o ápice da pirâmide do direito positivo. O direito positivo é representado por uma pirâmide – hierarquia entre as normas. Constituição é norma pura. o fundamento de existência da lei é a constituição. Política: Carl Schimitt (Teoria da constituição). Princípio da compatibilidade vertical. 7º. A constituição não necessariamente será a parte mais fraca e perdedora num conflito entre o que a constituição quer e a soma dos fatores reais de poder. Sentido lógico-jurídico: é norma hipotética fundamental que seria fonte de validade da constituição jurídicopositiva.

escritos e nãoescritos. Quanto à origem: a constituição pode ser democrática (promulgada ou popular – elaborada por representantes do podo – constituições de 1891. o processo de emenda é mais rígido). 1937. Constituição aberta: Peter Häberle. São três elementos. soberania do parlamento. Não-escrita ou histórica . como modificou tudo. com autorização do legislativo. Quanto à forma: pode ser escrita ou dogmática – alguém/grupo raciocina e escreve a Constituição. não fechado. A constituição deve ser um documento permeável. As seis teorias não necessariamente se excluem. A CF/88 não esgota a constituição brasileira. que são acordos parlamentares não escritos. não hermética. Classificação das constituições: Quanto ao conteúdo: pode ser material – conteúdo de constituição. Quanto à estabilidade: a constituição pode ser rígida (a estabilidade é maior porque ela não pode ser formalmente alterada pelo mesmo processo de lei ordinária. Corresponde ao constitucionalismo inglês.é formada ao longo do tempo. O Judiciário não pode examinar a soberania do parlamento. Carlos Roberto Siqueira Castro. flexível ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 27 . formada por: leis escritas de matéria constitucional. por decisões judiciais escritas (que interpretam as leis de matéria constitucional – cases law e as que interpretam costumes: common law) e pelas convenções constitucionais. É uma idéia que advém do constitucionalismo. Na não-escrita parte dela pode ser escrita (ex: Inglaterra). 5º. principalmente pelo constitucionalismo dos EUA (1787) e da França (1791). 1946 e 1988). decisões do STF. ou formal – formalizada como constituição. A CF de 1967 foi aprovada pelo congresso (poder constituído e não constituinte – tinha sido eleito para elaborar leis e não constituição) tipo especial de constituição outorgada. nem todo Estado possui. A classificação de escrita e não-escrita é fluida. há também elementos não–escritos na constituição escrita (CF/88  Art. conceitos jurídicos indeterminados respondidos por outro direito). e a interpretação do STF tem que ser considerada. § 2º). são abordagens diferentes sobre o que é constituição. 1967 e 1969). Assim como se tem elementos escritos na constituição não-escrita (costumeira). esta todo Estado tem. A de 1969 vem formalmente como EC 01 da de 1967. Celso Bastos. o que está escrito não exclui o que está implícito. não fechada. está aberta às necessidades da sociedade (EC.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO 6. 1934. revisão constitucional. mutação – mudança informal da CF. trata-se de uma nova constituição. portanto. A constituição escrita pode ser: codificada (um único texto escrito – CF/88). Paulo Bonavides. por isso lá não se fala em controle de constitucionalidade. não-codificada (em vários textos escritos ou esparsos). Há elementos. outorgada (é a constituição imposta – constituições de 1824.

(. só descreve a realidade – antigas constituições soviéticas). serve para manter o poder de quem está lá – não serve para limitar o poder. não obriga as leis ordinárias. É fonte de hermenêutica constitucional. Quanto à finalidade: a constituição pode ser garantia (serve apenas para garantir direitos – EUA). apenas para perpetuálo. São aquelas em que o processo de poder está de tal forma disciplinado que as relações políticas e os agentes do poder subordinam-se às determinações do seu conteúdo e de seu controle procedimental. Base do estado democrático é a constituição rígida. enquanto uma outra diz ser norma. que modifica o processo político da sociedade. Alguns chamam a flexível de plástica. O preâmbulo para a hermenêutica constitucional deve ser utilizado (interpretação da parte dogmática).. dirigente (dirige o futuro do estado e da sociedade. Proteção de Deus X liberdade religiosa (parte dogmática). Na CF/88 não tem sentido. embora tente a concretização. Nominal: constituição que não conseguiu ainda modificar o processo político da sociedade. porque tudo que está nele está no próprio corpo de constituição. Pode ser ainda classificada como semi-rígida (metade pode ser modificada por lei ordinária). Estrutura formal da constituição: Preâmbulo: existem duas teses a respeito da natureza jurídica do preâmbulo. ampla – CF/88). Uma primeira diz ser ele mera comunicação.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO (baixa estabilidade porque pode ser mudada por lei ordinária. Fazer lei ordinária é o mesmo que fazer emenda. ele é dotado de força normativa. natureza jurídica seria a mesma – e quanto à hierarquia? Daí se deduz que só há supremacia na constituição rígida. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 28 . ele não obriga. Classificação ontológica de Loweinstein: Segundo essa classificação a constituição pode ser: Normativa: é a que consegue se impor à sociedade. Quanto à extensão: pode ser concisa (ou breve – EUA) ou prolixa (ou longa. logo. não há contradição (ADI 2076) e não tem que ser reproduzido nas constituições estaduais. dá os objetivos almejados – consequentemente é mais extensa – CF/88) e balanço (não garante. nem dirige. O processo de fazer lei ordinária é o mesmo de emenda). Estariam excluídos os ateus e os politeístas – como não tem força normativa.. copiar do Lenza) Semântica: não serve para mudar a realidade. Mas a plástica para outros é considerada como aberta – plasticidade para se adequar. Pelo controle de constitucionalidade se expurga lei incompatível. o controle e a supremacia.

ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 29 . na pauta de deliberação dos estados gerais do reino estava a questão tributária (a burguesia perdia sempre na votação). porém. formando uma assembléia nacional constituinte. Existia na França os Estados Gerais do Reino em 1302 (criado por Felipe IV. A burguesia rompe com os demais estados gerais do reino. além de o voto ser por cabeça. Houve de fato uma proporcionalidade (300. pertence à nação (povo). era um órgão consultivo formado por três estados (1º estado: clero. a exemplo da CPMF na ADCT  não há sinceridade constitucional. É possível se fazer um paralelo entre a relação sócios  contrato social (Estado = sociedade política). desde que existe o Estado. 2º estado: nobreza. ele dá a estruturação do Estado. até se tornar dogmática. Poder constituinte formal: poder de escrever essas constituições materiais em uma formal. Propõe mudar os estados gerais do reino. que. segundo Montesquieu. que é ilimitada. O poder constituinte formal teve como marco histórico a obra de Emmanuel Joseph Siéyès – O que é o terceiro Estado? – A constituinte burguesa ou Qu’est ce que letiers é’tat de 1788. mas não ficou claro se a votação seria por cabeça. não é revogado. que. só a burguesia pagava tributos. conteúdo pelo poder de decidir. cria os poderes constituídos. O clero e a nobreza eram muito próximos e gozavam de privilégios tributários. O poder constituinte é que cria a constituição. nobreza e burguesia). Os poderes constituídos são limitados pela constituição. que aconselhavam o rei em determinados assuntos. povo  constituição. Art. sem eficácia. só pode ser mudada pelo poder constituinte. 1º ao 250. aplicabilidade se esvai. 600). é mais fácil quebrar a resistência. A França passava por uma situação econômica grave. daí surge a idéia de poder constituinte. 3º estado: burguesia). ela pode mudar a constituição. “o belo”).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Parte dogmática: parte comum do Art. 300. Isso não seria imutável? Não é imutável. É um poder que sempre existiu como sempre existiu a idéia de constituição material. inclusive mudar a forma dos estados gerais do reino. PODER CONSTITUINTE É o poder que tem o povo de dar-se uma constituição. continua em vigor. Disposições transitórias: faz transição – constituição quer dizer dirigir – tem realidade atual e futura – como atuar neste período. por sua vez. É texto constitucional. Esta obra diferencia o poder constituinte (deriva da nação) e poderes constituídos pela primeira vez. 1º ADCT: dispositivo etéreo. donde surge a revolução francesa. Siéyès propôs uma proporcionalidade “eleitoral” entre os representantes dos estados (clero. A nação não é refém da constituição. A mesma definição de constituição existe: Poder constituinte material: sempre existiu. A organização do estado não pode ser mudada pelos poderes constituídos. Utilização da transitoriedade como símbolo – intenção de permanência. Dar-se uma estrutura e um regramento por meio de uma constituição.

Para o concurso esta ainda é a melhor classificação. A justificativa do direito natural pode ser divina. O originário faz uma nova constituição. refundar uma nova ordem jurídica. ele próprio se funda. Do poder constituinte pode surgir um poder desconstituinte. ele tem que entregar este poder a um agente. enquanto o decorrente compreende as constituições estaduais e as leis orgânicas municipais (divergência quanto a este último). ou ainda. 2ª corrente: é um poder de direito/jurídico (Tomaz de Aquino – jusnaturalistas) de direito natural. O poder constituinte é ilimitado. grupos com personalidade fictícia etc (Frederic Müller – O Povo). O derivado reformador modifica esta constituição. Para uns o povo são as pessoas que estão no estado. os estrangeiros. Falar em poder constituinte originário seria redundante. A expressão “povo” não é unívoca. Divisão clássica do poder constituinte: Originário/primário e Derivado/secundário (reformador ou decorrente). ele é constituído. ele própria é a fonte de sua existência. tudo começa com ele – Hans Kelsen e juspositivistas. Pode haver ainda o ato puro e simples de outorga imposto pelo ditador. 1º. não há representante. Pensamento moderno sobre poder constituinte: não existe a distinção entre originário e derivado. O Brasil não adota o jusnaturalismo. histórico. aquela que tem mais de um significado. ou seja. ela é plurívoca. O poder constituinte é o único que pode desconstituir a ordem jurídica anterior. ele é também poder desconstituinte. Corrente adotada pelo Brasil. O ministro Carlos Aires explica essa tese fazendo uma analogia com o apagador e o giz. para outros são apenas os cidadãos. legislativo e judiciário). O titular do poder constituinte é o povo (parágrafo único do Art. logo. aquele que pode tudo. ele simplesmente existe. abrangeria inclusive as pessoas jurídicas. ele é auto-fundante. É o que faz nascer a constituição. O verdadeiramente constituinte é o poder de escrever. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 30 . ou não-divina. decorrente. porque ele é limitado. É um só. Os agentes/exercentes serão representantes que poderão ser eleitos (Assembléia Nacional Constituinte) ou ainda não eleitos: líderes revolucionários que tomam o poder e escrevem a constituição. O poder constituinte não existe por um fato histórico. Poder constituinte secundário seria contradição. O titular não pode exercer por si mesmo o poder constituinte. O restante são poderes constituídos: poder de reforma. CF) # de agente do poder constituinte ou exercente. O poder constituinte secundário não existe. ele existe autorizado pelo direito. clássicos (executivo.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Natureza jurídica do poder constituinte: 1ª corrente: é um poder de fato. não pode reiniciar uma nova ordem constitucional.

A ruptura pode ser pacífica. e o desejável é que seja por representantes eleitos para uma assembléia nacional constituinte. 1ª vez funda o Estado. autônomo. 1937: ditadura. é o verdadeiro poder constituinte (é o que faz nascer a primeira constituição de um Estado. 17 e 18 da ADCT). caso contrário. 231. o processo de surgimento de uma nova constituição é político. o demais é reforma).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO A nossa CF coloca o poder de reforma dentro de um poder constituído. Jorge Miranda divide as limitações meta-jurídicas em ideológicas (ligadas à opinião pública. morais) que vão limitar o poder constituinte originário. que no caso do Brasil só teria existido em 1824. Limites autoimpostos não são verdadeiros limites. 1946: saída da ditadura. É único. sem violência (CF/88. Em 1824: proclamação da independência. ele inicia tudo. É manifestado em momentos de ruptura na sociedade (Jorge Miranda). 1891: república. internacionais etc. § 6º. Legislativo. não tem que respeitar direito adquirido. Isso em nome da segurança jurídica. Poder constituinte originário: é o poder que cabe ao povo de darse uma nova constituição. É ilimitado juridicamente ou incondicionado. claramente. Características do poder constituinte originário: não há nada acima o poder constituinte originário. que não são jurídicos (meta-jurídicos ou extra-jurídicos. ideologias). Ele é inicial (poder de fato e não de direito – juspositivismo). Austrália). A ilimitação do poder constituinte originário é a falta de limites jurídicos. sociológicos. Assembléia nacional constituinte trabalhou de forma ilimitada em 1988. A forma que iniciou a CF/88 foi uma emenda à constituição anterior que chamou uma assembléia nacional constituinte que tem poderes ilimitados. desde que previsto expressamente no texto constitucional novo (Ex: Arts. Há outros limites. não fica limitado pela ordem jurídica anterior. 1988: nova redemocratização. institucionais 31 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . coisa julgada e ato jurídico perfeito. A regra é a recepção desses institutos em favor da segurança jurídica. ele não é constituinte. metrópole que concorda com a independência da colônia e entrega a primeira constituição – Inglaterra entregou ao Canadá.. 1967/1969: nova ditadura. valores. éticos. assembléia nacional constituinte não). Pela divisão moderna o poder constituinte originário é chamado de poder constituinte fundacional. Art. culturais. Voltando à classificação clássica. não coexiste com outra ordem jurídica superior ou colateral. CF.. Mas ela pode ser também violenta (belicosos ou beligerantes) como os golpes de estado e revoluções. Ele pode se manifestar de diversas formas. políticos. por transição. consideram-se recepcionados pela nova constituição (recebe leis e conseqüências dela). logo. a exemplo do limite da vedação do retrocesso. não limitado à constituição anterior (emenda tem limites. 1934: movimento constitucionalista.

A assembléia nacional constituinte possui regras de funcionamento. por si mesma. A sociedade não aceita. Vivência democrática: a constituição tem que ser legítima na origem e na prática. nova ruptura pode ocorrer caso esses limites meta-jurídicos sejam ultrapassados. ou o inverso (ser deturpada). substanciais: transcendentes (vem de valores éticos superiores. a exemplo da família).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO (instituições arraigadas na sociedade. foi dentro do Congresso Nacional. é ilegítima. Críticas: só em caso de assembléia. mas com o tempo pode se legitimar. Legitimidade da constituição fruto do poder constituinte originário: 1. quando não são a mesma coisa. O tempo pode provocar a legitimação ou a deslegitimação. Obedecer as regras do regimento interno da assembléia é legalidade e não legitimidade. Juridicamente não há limites. a assembléia nacional constituinte mudou. logo. Obediência ao procedimento constituinte. direitos humanos conexos com a dignidade). Se obedecidas é legítima a constituição. A própria assembléia estabelece as regras. como ela está presa às próprias regras? Não é verdadeiro limite. se for outorgada não há procedimento algum. Em 1988 não foi uma assembléia a parte. desde que isso não implique ferimento ao direito das minorias. se não. Em 88 o procedimento de votação não foi obedecido. Representantes ao mesmo tempo eleitos para legislar e elaborar a constituição. o procedimento constitucional. é legítima a constituição. 2. onde se encaixa o pluralismo democrático? Há o perigo da tirania da maioria. Uma constituição pode nascer ilegítima. E é um processo contínuo e não apenas em 88. Será legítima na origem quando há eleição para a assembléia nacional constituinte e quando há participação do povo no processo constituinte. promulgação (ato final de uma assembléia nacional constituinte). Todos os critérios de legitimidade devem ser observados em conjunto. Para ser legítima a constituição deve ser democrática na prática e não só na origem. Pode se dar por outorga (força). Alguns senadores que estavam no meio do mandato (não foram eleitos) foram constituintes – falhas na assembléia de 1988. Critério usado com cuidado. Na democracia o próprio poder do povo tem que ser limitado por valores (há autores que assim entendem). por referendo (povo se manifesta sobre o trabalho elaborado) ou por plebiscito (o povo autoriza que se escreva uma constituição). pois uma maioria pode querer esmagar uma minoria. imanentes (dizem respeito à configuração histórica do estado) e heterônomas (ligadas às relações internacionais). Participação efetiva do povo: influxo popular. Torna legalidade o mesmo que legitimidade. e todas seriam ilegítimas. Não se estende a terceiros que não participam da assembléia. Positivação da constituição: momento em que a constituição é introduzida no ordenamento positivo. Consensus: se o desejo da maioria da sociedade prevaleceu. A de 88 32 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . Na CF/88 foi grande. mas isso não a torna ilegítima. 3. Parte do direito posto.

Normas da constituição anterior são recepcionadas com status de lei infraconstitucional. 29. ADCT tem texto explícito nesse sentido. ela repristina. A constituição é escrita para ter durabilidade. chamada pelo STF de revogação (equívoco. automático. há a não recepção. fenômeno não automático). As alterações constitucionais podem ocorrer por processos: ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 33 . § 1º. o conteúdo foi aproveitado – CP. ADCT: revogação futura por ser incompatível – após 180 dias da promulgação. A lei anterior tem que ser materialmente compatível. mas o tempo já a legitimou e nem tudo foi ilegítimo. Art. Art. Fenômenos do direito constitucional intertemporal: relação da nova constituição com o que já existia. mas todos continuam em vigor até hoje. por exemplo. há um descompasso. Arts. Art. A não recepção só se dá por incompatibilidade material (conteúdo) e não a forma (em 88 não existe mais decreto-lei. Se ela se choca. Este fenômeno tem que ser sempre expresso no ADCT. Recepção: como regra a constituição recebe todas as normas que não colidem com ela. ADCT – até que se instalem novos tribunais. Regra geral não é aceita no ordenamento brasileiro. mas não para ser eterna. Para que o fenômeno ocorra é preciso que seja feita expressamente. A não recepção demonstra a ocorrência de uma inconstitucionalidade material superveniente. ela tem que mudar para durar. não precisa ser expresso. § 3º (prorrogação do regime jurídico para membros do MP empossados antes da CF/88). 70 da ADCT. Repristinação: lei que não tinha sido recepcionada por constituição anterior passa a valer com uma nova constituição. e por isso a norma será revogada (STF). quando seria possível em face da ilimitação e autonomia do poder constituinte originário.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO pode até ter sido considerada ilegítima. CTN – era lei ordinária). como uma lei revoga outra lei). 34. 25. A completa ruptura não é atualização. 25. Modificar a constituição que já existe a fim de alongar sua duração. Art. não é automático. Prorrogação: é possível prorrogar normas anteriores de constituição precedente (tem que ser expresso. § 5º. a sociedade é dinâmica e se a constituição não mudar. mas nova constituição. Várias normas inferiores não podem ser desprezadas porque provocaria um vazio normativo. 27. 34. Desconstitucionalização: nova constituição aproveita texto da velha constituição como lei ordinária e não mais constituição. Poder Constituinte Reformador: poder de reforma. Há uma tensão permanente entre durabilidade (permanência) e mudança (atualização). Este fenômeno é implícito. pois o que revoga é algo do mesmo nível. apesar de não necessário.

Limitações ao poder de reforma: Temporal: por exemplo. é poder limitado ou condicionado. 60. não pode ter EC nos próximos cinco anos. 102. 60. mas a CF não reconhece). O STF já disse não ser possível nova revisão. Material: certas matérias não podem ser objeto de mudança devido à grande importância material. presidente da república e mais da metade das assembléias legislativas da federação – maioria relativa dos 34 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . essência. rigidez para elaboração de EC. quando se revê toda a carta. Possui força superior que o limita. Formal: para mudar é necessário emendas que obedeçam a determinada forma preestabelecida. § 2º. CF e 3º do ADCT). conceituação de termos jurídicos indeterminados etc. Se dão por emenda constitucional ou revisão constitucional (Art. CF – jurisprudência admite efeito vinculante às cautelares! Após a lei também reconheceu. significado. É também subordinado ao poder constituinte originário. Todo poder emana do povo  representantes eleitos  STF (?!?). Informais: muda o conteúdo. Aqui foi adotado emenda para tudo em para um único momento a revisão. Se dá pela jurisprudência. Essa limitação material pode ser expressa ou implícita (interpretação sistemática e teleológica). Características do poder constituinte reformador: é poder derivado e não inicial. A mutação pode ser constitucional ou inconstitucional. O que diferenciou ambos aqui no Brasil foi o quorum e o momento que pode ser feito e não se ela é pontual ou global. O STF. EC é alteração formal pontual e revisão é alteração constitucional global. Ex: guerras. CF: limitação formal (rigidez). Chamado de mutação. sempre se manifestando.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Formais: muda a letra da constituição. Circunstancial: com certos fatos não se muda a constituição. interpretação doutrinária por força de conceitos jurídicos indeterminados etc). Será inconstitucional se a mudança informal por jurisprudência ou doutrina ferir a literalidade da constituição (ex: Art. O STF não tem o exercício direto ou delegado do povo: discutir a legitimidade política do STF (que tem o poder constituinte reformador) para eventual mandato no lugar da vitaliciedade ao menos. Art. Poder constituinte difuso: ele é latente. seja declarando a constitucionalidade ou inconstitucionalidade. em determinadas circunstâncias fáticas não está autorizado alterar a CF. Iniciativa da PEC: 1/3 da Câmara dos Deputados ou do Senado. A constitucional não tem ofensa à literalidade da constituição com a mudança informal (evolução da jurisprudência. E ainda uma terceira hipótese de alteração formal por tratados de direitos humanos (entram como EC). exerce o poder constituinte reformador. interpretação da doutrina.

60.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO membros de cada. O STF oscila no critério de definição de “tendente a abolir”. 60.6%). Não serão objeto de deliberação. § 3º. Estado de sítio e de defesa. Basta ser tendente a abolir matéria de cláusula pétrea e não apenas abolir. Rigidez do procedimento.MS). 60. CF: PEC rejeitada ou prejudicada não pode ser mais objeto de proposta na mesma sessão legislativa. A justificativa é não mudar na base da emoção. 28 e 32 da CF estabelecem interstício mínimo de 10 dias para votação em 1º e 2º turno). Não tem uma posição predefinida ou um parâmetro. Sessão legislativa corresponde a 1 ano (de 15/02 a 15/12. é fraude à idéia dos dois turnos (os Arts. Art. 1º e 2º turnos no senado votado no mesmo dia – fraudaram o § 2º do Art. 60. conjuntamente. Apesar de não estar expresso. Uma modificação qualquer não necessariamente será tendente a abolir. não é algo tendente a abolir. refletir tranquilamente – amadurecimento da decisão de mudança constitucional. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 35 . estado de defesa ou de sítio. CF: limitação formal. CF: limitação circunstancial: intervenção federal. Há vários modelos de federação. A EC/45 é inconstitucional sob esse prisma formal. Segundo o STF. há previsão de quorum de 2/3 (66. Na Câmara já fizeram a mesma coisa com a EC/47. Não é o maior quorum da CF (3/5 = 60%). formal (maioria) não pode a PEC rejeitada outras podem. 67 da CF: proposta de lei rejeitada pode ser reproposta na mesma sessão legislativa se houve um pedido da maioria absoluta de qualquer uma das casas. que é diferente do da elaboração de lei complementar e lei ordinária. § 1º. 60. há mais dois turnos de votação a fim de evitar alterações emotivas. O vício já se encontra na fase de tramitação legislativa – sequer pode haver a PEC. CF: limitação formal. Sessão legislativa ordinária  15/02 a 31/06 e 30/07 a 15/12). EC promulgada pelas mesas da Câmara e do Senado. A constituição confia nela própria. tem que ser algo refletido. nem toda mudança na federação será tendente a abolir a forma federativa. Mudar competências dos entes pode. Nas situações mais graves a constituição não pode ser modificada (guerra). mudar não. Art. Não é possível ao povo propor EC: não cabe por iniciativa popular. § 2º. Pode romper. pode mudar para aproximar de um ou de outro. cabendo iniciativa popular implicitamente (somente para prova subjetiva). a legislação emotiva é perigosa. Art. § 4º. intervenção. § 5º. ela já deu as soluções. Fase preventiva (controle preventivo judicial . Não se confunde com o Art. CF: limitações materiais: cláusulas pétreas. Art. Não pode dizer que será desfeita (acabar com a indissolubilidade). Há doutrina que diz que se aplica por analogia. 60. não precisa ser mudada. Art. Federação: foi cláusula pétrea desde a constituição de 1891. Os instrumentos para solucionar já estão nela. Na sessão legislativa extraordinária a PEC também não pode ser reapresentada – limitação de natureza: temporal (minoria) não existe limitação temporal na nossa PEC. Além do quorum elevado.

coletivas. prevalecendo a regra de permanência). Interpretação restritiva  propõe uma hermenêutica literal. O STF não resolveu este problema ainda. As emendas é que são exceção ao poder de durar a CF e não as cláusulas pétreas. Há várias formas de se justificar a ampliação. a emenda (cláusulas pétreas) deve ser interpretada ampliativamente (quando se amplia as cláusulas pétreas se restringe as emendas. e outros que estão no Art. Separação dos poderes: o mesmo raciocínio para a federação. periódico. sem que isso seja tendência a abolir a separação dos poderes (tanto que admitiu o efeito vinculante). 5º e fora dele também (o fundamento dessa corrente é que não se deve limitar demais as mudanças da CF. Como terceira forma de interpretação está a do ministro Carlos Aires de Brito: aplicar a regra geral de que o que é exceção tem interpretação restritiva e o que é regra tem interpretação ampliativa. sociais e difusos como projeção individual. universal e periódico. Amplia-se as cláusulas pétreas para restringir as emendas. Obrigatório não é cláusula pétrea. pois se forçaria uma ruptura com o ordenamento. Poder moderador ou fim da independência não é permitido. não se deve dificultar demais as mudanças. Vários ministros do STF adotam essa tese. que estão no Art. Uma delas é a busca dos fundamentos do Estado brasileiro. sejam de 1ª. Alguns dizem que são encontrados apenas no Art. difusos coletivos). no título II tem alguns que não são. Segundo o STF é possível mudar nosso modelo. Interpretação ampliativa  propõe uma hermenêutica sistemática teleológica. sociais e difusos). Há vários modelos de freios e contrapesos. Busca-se a finalidade constitucional das cláusulas pétreas. Os materiais (Carlos Veloso) são todos os vinculados à vida humana digna. 3ª ou 4ª dimensão. Logo. Tudo tem uma conotação individual. Na verdade a cláusula pétrea protege a regra. A doutrina desenvolveu duas linhas interpretativas. secreto. logo. 2ª. ficando preso às idéias de 1988). A ascensão ao poder no Brasil é meritocrático e temporário. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 36 . somente os individuais são cláusulas pétreas. Direitos e garantias individuais: essa expressão é a única referência na CF. Emenda é? A regra é a permanência ou a mudança da CF? A mudança por emenda é exceção. São os direitos fundamentais (individuais. por isso a dificuldade em saber a abrangência. “O povo de ontem não é o mesmo povo de hoje” – 1988 e 2006. É preciso que se faça interpretação maior do que a meramente gramatical.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Voto: direto. Uma segunda forma (Ingo Sarlet) é interpretar direitos coletivos. 5º. tudo se encaixa na própria literalidade. os direitos coletivos e sociais não são cláusulas pétreas (MS coletivo não é!?). instituindo muitos pontos como cláusulas pétreas. 1º da CF. Concluise que a finalidade é proteger os direitos fundamentais em todas as suas projeções (individuais.

60. o rol em si mesmo é uma cláusula pétrea? Existem três correntes: 1ª) Sim. 5. Não flexibilizar o processo de novas emendas. § 4º de forma maior. o rol não é cláusula pétrea. 2.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Pode ter EC ampliando os direitos e garantias individuais. ADCT). e por isso deve realmente ser entendido como cláusula pétrea (Art. O reformador não pode criar limites para ele mesmo. como outras colocadas pela CF (forças armadas). ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 37 . A democracia é o valor protegido pelas cláusulas pétreas e não as próprias cláusulas pétreas (Carlos Ayres de Brito). As do § 4º. Há hoje um discurso de se chamar nova revisão constitucional (Art. a democracia não pode ser uma cláusula pétrea. Ela é o ponto central da constituição. Exercente do poder de reforma: Congresso nacional. o que não quer dizer que o alcance das que já existem não pode se elastecer. O MP é uma das barreiras protetivas da democracia. Existem várias barreiras de proteção à democracia e a última proteção constitucional mais próxima são as cláusulas pétreas. Não é possível ampliar o rol de cláusulas pétreas pelos mesmos motivos (há quem diga que pode). 3º. seria reduzir o valor da democracia. As cláusulas pétreas seriam ilegítimas. Princípio da dignidade da pessoa humana. Dificultar o processo de emendas: não é possível. O constituinte originário decidiu que elas não podem ser alteradas. 4. 217). interpretando os incisos do Art. 127) que o MP é cláusula pétrea. As cláusulas pétreas são insuperáveis. Limitação temporal e limitação implícita de não facilitar o processo de EC. Elas existem para proteger a democracia. A doutrina é unânime em dizer que existem cláusulas pétreas implícitas: 1. não pode por EC chamar novas Ecs. Essa parte da doutrina defende a dupla revisão. Revogar cláusulas pétreas. 60. logo. O poder de reforma não pode se auto-limitar. pode. que é mais importante do que as cláusulas pétreas. 3. Rigidez constitucional. mais um ponto da mesma cláusula pétrea. apenas o originário pode. Art. mas contornáveis (Jorge Miranda também). CF são expressas. A democracia não é cláusula pétrea. 3ª) São legítimas. O povo querendo mudar pode. Titular do poder: povo. pois não se pode negar ao povo de hoje a capacidade de mudar o que precisar mudar. ADI 981/93: só pode ser feita uma única vez. é cláusula pétrea. A CF envolve a democracia para protegê-la. 2ª) Não. MP é instituição permanente: Hugo Nigro defende (Art. Ex: celeridade processual.

Existe no CN propostas de nova revisão. Em 97 a CCJ deu parecer pela inadmissibilidade. 144. além de ¾ dos estados ratificarem. A maioria da doutrina é unânime em dizer que não é possível facilitar o processo de emenda. 60. Portanto. 127. além de ser auto-limitação do poder reformador. menos rígida. 60. Sempre foi. 3º. uma delas para 1º/01/2007. De outro lado. No Brasil não se enfrentou o problema da dupla revisão. Em 1993 houve a possibilidade de por revisão constitucional aprovar emendas em um turno e por maioria absoluta (Art. a rigidez exacerbada também pode ser um problema. Há autores que entendem ser possível e outros não. emenda que aumente os requisitos para emendas futuras. CF). Até hoje se diz que essa emenda que aboliu a escravidão é inconstitucional. § 4º). nem referendar após a instituição. CF: MP é instituição permanente. A CF também diz que outras instituições são permanentes (Art. Nova constituição é momento raro em que o povo se envolve. Não ficar escravo de 1988. com referendo cinco anos após. sem ele não. o que não pode ser aceito pela doutrina majoritária. EC pode abolir?? Há quem o defenda como cláusula pétrea (Hugo Nigro). 6%) na Câmara e Senado. Daí em diante seria considerada cláusula pétrea. É inerente à república o voto periódico. o que foi um problema (Hitler fez o que quis). Há doutrinadores que entendem que se pode dificultar o processo de emenda. dizendo que a hipótese de pena de morte contraria cláusula pétrea. A federação e a separação dos poderes estão ligadas à idéia de república (Art. por isso ocorreu a Guerra Civil de Secessão dos EUA (1861 a 1865). Isso porque haveria plebiscito para a confirmação (Art. 2º. Na CF dos EUA de 1787 haviam 3 artigos sobre escravidão. o que impede a instituição de uma monarquia. A 38 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . que levou à elaboração da emenda 13 da CF. Na constituição dos EUA de 1787 é preciso 2/3 (66. mas em 88 não foi consagrada expressamente no § 4º do Art. A nossa é preciso de 3/5 (60%) sem ratificação dos estados. ADCT). ainda provocaria a superrigidez da constituição. É possível emenda para dificultar o processo de emenda? Em Weimar (constituição da Alemanha) a ausência de cláusulas pétreas permitiu a flexibilidade da constituição. Há uma PEC de instituir o parlamentarismo em 2007.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Uma EC para revogar a cláusula pétrea e outra para mudar a constituição. Mas se a dupla revisão for acompanhada de plebiscito ou referendo poderia. e em 98 foi arquivada. República: prova objetiva não é cláusula pétrea. Art. Para a maioria dos autores que entendem ser possível diz que poderíamos ter novo plebiscito sobre o tema. PEC 01 de 06/10/88: sobre a instituição da pena de morte. para abolir a escravidão dos EUA era quase impossível. por isso numa reforma (decisão cotidiana) o povo não está envolvido e por isso não seria possível. ADCT).

ADCT – limitação temporal de 5 anos). mas já disse por três vezes que não pode haver nova revisão. Por enquanto esta é a linha do supremo. As propostas seriam inconstitucionais. não seria possível nova revisão constitucional. CF: o poder decorrente não é ilimitado. 5º. Tem autonomia no âmbito do estado respectivo. 25. lei orgânica municipal X constituição estadual  depende.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO emenda que chama nova revisão é uma emenda que facilita o processo constitucional de novas emendas. logo. 3º. ADCT). Toda essa discussão porque há projetos que buscam nova revisão em 2007. 5º. 2º. limitações formais. nem o federal podem fazer nova revisão (STF). 11 do ADCT. quando já tinham status constitucional por força do § 2º do Art. Nem o legislativo estadual. Poder constituinte derivado decorrente: é aquele destinado à elaboração das constituições estaduais e das leis orgânicas municipais. não se falaria em poder constituinte derivado decorrente para eles (minoria). Nenhuma situação foi submetida ainda. mandou que fosse procedida a revisão) as limitações ao poder de emenda estavam presentes por ocasião da revisão (Art. 3º. no nosso caso. Revisão: prevista pelo constituinte em 1988. Outro procedimento de alteração formal da CF são os tratados e convenções internacionais de direitos humanos (Art. e limitado. Mas se houver deverá estar limitada também às cláusulas pétreas. entendidas como preceitos As cláusulas pétreas podem ser utilizadas como princípios de hermenêutica constitucional. Há alguns autores que não admitem o município como entidade federada (José Afonso da Silva). Encontra-se o poder constituinte derivado decorrente no Art. CF e Art. tem que observar os princípios da CF. limitações materiais não previsto pelo Art. São equivalentes a emenda (mesma força de EC). 29. Alguns autores o julgam inconstitucional porque restringe o alcance dos direitos humanos – mesmos requisitos formais da emenda. As cláusulas pétreas podem ser fundamentais (ADPF) para alguns autores. logo. subordinado características do poder de reforma. O STF terá que decidir. Revisão no Art. 11. 3º. tocante às cláusulas pétreas. parágrafo único do ADCT. São as mesmas Art. Aprovação em cada casa. não é sempre a constituição 39 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . Lei orgânica municipal: Art. mas não foi o que o STF decidiu à época. ADCT (na verdade ela só faria sentido se a forma ou sistema de governo tivessem sido alteradas como plebiscito. Plebiscito em 07/09/93 para definir forma e sistema de governo (Art. É poder derivado. Lei orgânica municipal X constituição federal  CF. mas o STF admitiu essa limitação. dois turnos e 3/5 de votos. § 3º).

quando o STF poderá controlar a do TJ. Os princípios são as decisões políticas fundamentais (Carl Schimitt). Influenciam a interpretação da norma e serve também para dar harmonia ao sistema de normas. Se lei estadual ou municipal contrariar a constituição estadual numa norma de repetição obrigatória na verdade estão ofendendo a CF. As normas repetidas podem ser obrigatórias e facultativas (ex: medida provisória). ADPF: facultativa. Podem ocorrer ao mesmo tempo. indispensáveis ao princípio federativo. exatamente por definir a lógica e a racionalidade do sistema normativo que lhe confere a tônica e lhe dá sentido harmônico. Pode dar ensejo a ADI ao STF para lei estadual e para lei municipal (ADPF para o STF. As normas obrigatórias são chamadas de normas centrais da federação. ADC: facultativa. são preceitos que tutelam situações subjetivas de vantagem ou de vínculo. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 40 .DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO estadual porque ela é limitada pela CF e não tem supremacia. compondo-lhes o espírito e servindo de critério para sua exata compreensão e inteligência. ADI: obrigatória. sem invadir competência municipal. Se for ação de controle abstrato de constitucionalidade apenas no TJ da decisão da ADI estadual de lei estadual ou municipal cabe RE ao STF (controle difuso ou concreto). É o mandamento nuclear do sistema. Integra o sistema de normas. A hermenêutica constitucional observará os princípios. mas sobre todo o sistema normativo. A lei orgânica municipal. Ela só será constitucional se atuar dentro de sua competência. Princípio não se confunde com norma: normas. Há uma mistura dos dois tipos de controle de constitucionalidade nos casos de normas de repetição obrigatória (mecanismo excepcional de controle). ou ainda ADI estadual no TJ. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Influenciam a própria elaboração das normas jurídicas. As decisões políticas fundamentais são intimamente ligadas aos princípios. segundo José Afonso da Silva. verdadeiro alicerce dele. Os princípios não tem aplicação endógena (apenas na CF). portanto. disposição fundamental que se irradia sobre diferentes normas. Seguindo o mesmo modelo necessariamente. pode prevalecer frente à constituição estadual. Celso Antonio Bandeira de Melo diz que princípio é o mandamento nuclear de um sistema. não cabe ADI contra lei municipal). A constituição estadual tem normas próprias e repetidas da CF. Se ele fizer a repetição facultativa terá que continuar aplicando a CF simetricamente. Ele vem antes das regras. Se a constituição estadual legislar sobre matéria municipal ela será inconstitucional perante a CF.

conclusão. Alguns princípios positivos da CF/88: ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO: José Afonso da Silva divide em: Estado de Direito. não apontam qual é a decisão.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Princípio é diferente de regra (Ronald Dworking): o princípio é o motivo para decidir de determinada forma ou sentido. da temporaridade. Utilizados na criação. e 4º. é regrada pela lei. duplo grau de jurisdição etc). ela não oferece espaço (motivo pode ser um ou outro). Princípios fundamentais: Arts. uma delas terá que anular a outra (Dworking fala no sistema do “all or nothing” das regras). Estado de direito: é aquele onde há o império da lei. Estado Democrático e Componente Revolucionário. sendo que uma “mata” a outra – “tudo ou nada” (critérios para solucionar o conflito aparente de normas). Princípio da separação de poderes é positivo positivado. 2º. Princípios Jurídico-constitucionais: são os da ordem jurídica escritos na constituição (ampla defesa. Submissão de todos ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 41 . norma é o resultado da interpretação. Normas e texto também não se confundem: texto é o objeto da interpretação. democracia. Princípio do duplo grau de jurisdição é princípio constitucional positivo não-positivado (é possível saber de sua existência pela interpretação sistemática do texto constitucional que previu tribunais e recursos). Os princípios constitucionais positivos podem ser: positivos positivados (explícitos. da especialidade. O choque entre princípios não gera a anulação de um ou de outro. Podem ser classificados em princípios constitucionais e não constitucionais. não expressos). Os princípios constitucionais podem ser gerais (pertencem direito constitucional em geral – no mundo) ou positivos (os que pertencem a uma determinada constituição . “é tudo ou nada” (tem a seguinte estrutura: se acontece A deve ser B – o Direito é o mundo do dever-ser. É possível buscar o critério da hierarquia. contraditório. Ela aponta uma decisão concreta Pode deixar de ser aplicada por um princípio. A regra é algo mais concreto. algum vai prevalecer num determinado caso concreto. não dão a decisão concreta. Quando há regras colidindo não há como conciliar. CF. presidencialismo). expressos) e positivos não-positivados (implícitos. é concreta. 1º. Há quem entenda como sinônimos regras e normas. por isso o Direito é o mundo das regras) ela não dá alternativa. federação. a vontade de quem exerce o poder não é absoluta. Canotilho classifica os princípios constitucionais em: 1. Princípios político-constitucionais: são os da ordem política escritos na constituição (república. Enunciam motivos para a decisão. 2.Direito constitucional de um Estado). interpretação e integração das normas. 3.

a participação popular. tudo é conseqüência do estado democrático de direito. É princípio constitucional positivo-positivado (princípio republicano). Ela não é cláusula pétrea explícita. Presidencialismo: princípio presidencialista – o Executivo deve ser exercido pelo presidente da república de forma independente do legislativo – chefe de estado e de governo reunidos no presidente da república (assim como a república. justiça social. divisão de poderes. são condutas antirepublicanas. eletivo (à exceção do Judiciário no Brasil) e periódico. corregedoria. República: o poder é meritocrático. Coisa pública confundida com coisa própria é chamada de patrimonialismo. melhorando as condições do povo. democracia. não existe coisa pública. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 42 . utilizar veículo público para interesses particulares. Forma de Governo: Monarquia: caracterizada pelo poder hereditário e vitalício. até porque quem está no poder faz a lei. a prática do nepotismo. O poder é absoluto porque tudo é do rei.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO à lei – quem está no poder deve obedecer a lei. A rigidez. responsabilização pelos seus atos – MP. igualdade. não impede a barbárie. O estado democrático de direito é aquele que através da lei criada pela soberania popular é capaz de modificar o status quo. Os controles buscam acabar com as práticas patrimonialistas. Existência da res publica – quem exerce o poder administra coisa do povo e não coisa própria. Essa noção de legalidade formal é importante. O Estado tem que ser democrático. ação popular – são órgãos republicanos. como por exemplo. a fim de garantir a legitimidade para elaboração das leis. Sistema de governo: Parlamentar: governa o 1º ministro e representa o chefe de estado. mas a partir do momento em que ela foi firmada pelo plebiscito não pode ser também objeto de emenda (divergente). TCU. segundo José Afonso. dizer que existe lei não é suficiente. O estado de direito e democrático tem que existir para revolucionar o status quo. caracterizado pela soberania popular. O terceiro elemento é o componente revolucionário. Esse é o verdadeiro. também é cláusula pétrea). permitindo a melhoria das condições do povo e não permitir a dominação de quem já está no poder. mas não é suficiente. Existe o controle do gestor público – tem que prestar contas. No entanto. Para alguns autores não há diferença entre estado democrático de direito e estado democrático. É aquele que institui a forma republicana de governo.

portanto. No entanto. o que existia com a idéia de Aristóteles era a tripartição funcional de legislar. a distribuição das funções a órgãos distintos: órgão legislativo. porque na verdade ele é um só. Montesquieu. Ademais. Já houve também uma divisão quádrupla: com o poder moderador (1824 – constituição de Benjamin Constanti). executar e julgar. cada um deles deve ter autogestão (Art. Cada órgão exerce função típica e atípica. Montesquieu se inspirou em Locke. não nasceu com Montesquieu. Aristóteles em “A Política” já se encontra que o Estado tem três funções. A justificativa da separação é a necessidade da independência de cada poder. quando Montesquieu propõe uma tripartição orgânica. Federal: princípio federativo. A separação é relativa um limita o outro por meio do mecanismo de checks and balances (freios e contrapesos) e independência dos “poderes” – órgãos. diz que é preciso limitar o poder e as funções (legislativa. a tripartição foi imaginada para limitar o poder. no “Espírito das Leis” (1748). a de legislar (função deliberativa). não podem estar concentradas em um só órgão – tripartição orgânica e não de poderes ou funções – Legislativo. Montesquieu no século XVIII ainda está imerso na monarquia absolutista. 2º. Reparte o poder no território. Os poderes são independentes e harmônicos. as demais funções se 43 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . mas não são iguais. Exercer mais de uma função é muito poder. Legislativo e Judiciário. executiva e judiciária) devem estar distribuídas em órgãos distintos. São três órgãos: Executivo. aplicar as leis (função executiva) e solucionar as lides entre particulares (função judiciária). depende do Estado. Cada função é exercida precipuamente por um órgão e subsidiariamente pelos demais. que dividiu as funções em dois grupos: legislativa e executiva. onde uma única pessoa concentrava em suas mãos as três funções. Em síntese. Há freios e contrapesos dentro das funções típicas e atípicas. e há órgãos para exercer as funções. Forma de Estado: outra decisão política fundamental. É cláusula pétrea. um pode preponderar. ou seja. Era preciso limitar o poder do monarca. porque ele é que toma a decisão política). Executivo e Judiciário (um controla o outro). órgão executivo e órgão judiciário. a separação dos órgãos não é absoluta.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Sistema convencional: de assembléia. Unitário: poder é um só em todo o território. O poder é um só. O Estado liberal tem como preponderante o legislativo – Estado legicêntrico (o órgão central é o legislativo. CF). Sistema de freios e contrapesos: são mecanismos que trazem uma pequena interferência de um poder no outro para possibilitar uma maior sofisticação na limitação do poder. A idéia de divisão de funções. SEPARAÇÃO DOS PODERES: A separação é orgânica apenas.

Busca ajustar os objetivos e os meios necessários.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO limitam ao que for legislado (aplicar e executar). E o legislativo. O sentido de proporcionalidade é mais amplo. Mas também decorre do princípio da legalidade. essa é a diferença. necessidade: o meio é o menos gravoso possível.uma única decisão judicial passa a atingir toda a coletividade. Razoabilidade – alguns entendem como distintos – o STF vem usando as expressões como sinônimas. Tudo isso fez com que o executivo crescesse. O poder público deve agir sempre com adequação entre fins e meios. Encontrado em vários ramos do direito. todos indicam a existência do princípio da proporcionalidade. executar e não só se abster). da razoabilidade. cresceu na função atípica (CPI) – fiscalização. Hoje o domínio é do Executivo. Usada nos atos administrativos. do estado de Direito etc. mas para quem as distingue. É um princípio consitucional-positivo implícito (não positivado) – alguns autores dizem que tem origem no devido processo legal. assim como princípio da vedação do retrocesso. No estado do bem-estar social o Executivo cresceu muito (fazer. passando a ter maior notoriedade. O seu papel político cresceu muito também em razão dos mecanismos de controle de constitucionalidade que surgiram no decorrer do século XX. O Judiciário cresceu a partir da 2ª metade do século XX. 44 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . que devem ser razoáveis). A razoabilidade é uma das projeções da proporcionalidade (proporcionalidade estrita). 3ª geração: direitos coletivos e difusos . Os atos administrativos podem ser desconstituídos em face de uma ofensa à proporcionalidade. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE: Também chamado de princípio da proibição do excesso. Hoje se tem uma redefinição do papel desses órgãos. a teoria passou a ser utilizada para avaliar atos legislativos no controle de constitucionalidade. proporcionalidade estrita: os benefícios da utilização da medida devem ser maiores que os malefícios (custo-benefício). aspecto que fez com que o Judiciário se agigantasse. O poder público deve agir de modo proporcional aos objetivos que pretende atingir. da isonomia. O executivo passa a ter mais condições de legislar – cresce sua função atípica de legislar – poder normativo das agências reguladoras e executivas (legislam). O princípio da proporcionalidade é dividido em (direito alemão): adequação: a medida deve ser apta ao fim. Para o STF são sinônimos. Alguns autores dizem que esta é a razoabilidade. Além de avaliar atos administrativos. Estado liberal – abstenção do Estado. A maioria ainda o denomina assim. A constituição é programática – ele fiscaliza e suas decisões atingem a coletividade. por sua vez. A proporcionalidade não está positivada na constituição. As funções atípicas estão aumentando cada vez mais. legislativos (a constituição já dá os objetivos e o legislador constrói os meios para se atingir. Medida provisória – legislar rapidamente.

Essa é a visão clássica. Essa definição conclui que norma = texto = dispositivo. É a que predomina na doutrina. Normas-princípio são motivos. em si. Quando a interpretação é feita pelo juiz o resultado que se tem é uma norma de decisão. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 45 . Regra é um dever-ser. abstração. uma eficácia jurídica mínima e uma eficácia jurídica máxima. Ela. norma é o resultado da interpretação. sendo que prevalecerá um no caso concreto. NORMAS CONSTITUCIONAIS José Afonso diz que normas são preceitos que tutelam situações subjetivas de vantagem ou de vínculo. Nessa idéia. Em todo esse pensamento há uma correspondência entre norma e texto. é um instrumento de ponderação. vigente (é a que se encontra no ordenamento). Por isso. declarado inconstitucional por falta de proporcionalidade. que pode ser dividido em normas-princípio e normas-regra (divisão do professor Jorge Miranda). Norma é diferente de texto. não se choca com outro princípio. conclusão. na verdade não é princípio. Texto é o objeto da interpretação. Existe uma graduação da eficácia da norma constitucional. mas um instrumento de mensuração de princípios. A proporcionalidade não é um motivo. é o dever-ser. não necessitando de complementação normativa. eficaz (é a que produz efeitos jurídicos – pode depender de outra norma). e força impeditiva – é a que impede que entre no ordenamento inferior normas que lhe sejam contrárias (controle de constitucionalidade). Por exemplo.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO A proporcionalidade está presente em todo o sistema (ex: proporcionalidade das penas). Toda norma constitucional possui eficácia (diferente de concretização). A norma pode ser: válida (produzida nos termos da lei). aplicável (é a que está apta a produzir todos os efeitos. norma é o gênero. O STF vem utilizando cada vez mais o sistema da proporcionalidade. Toda norma constitucional tem eficácia mínima e é caracterizada por duas forças: força paralisante – paralisa tudo que não está de acordo com a constituição (não recepção). ela não é estranha à constituição e por isso é utilizada no controle de constitucionalidade. Há uma outra maneira doutrinária de compreender o que é norma: norma # texto # dispositivo. por si só já pode ser executada). enquanto o princípio é um motivo. embora a doutrina diga ser a mesma coisa. A proporcionalidade é um instrumento para solucionar um choque entre princípios. Sua importância vem crescendo muito no controle (EUA). determinado estado dos EUA estabeleceu que era crime mulher tomar pílula anticoncepcional. Princípios podem se chocar. Já as normas-regra são regras.

Art. fatores reais de poder). portanto. culturais. tem força normativa (eficácia). CF). CF – a colheita de digitais em concurso público não é razoável. XIII. 3. CF. Quanto ao conteúdo: norma-princípio (aquela que positiva um princípio. 4. a constituição real e efetiva é a soma dos fatores reais de poder (Lassalle). 1º. desde que seja razoável. 5º. Eficácia máxima ou social é a efetiva concretização do texto constitucional. nem que seja a mínima (força paralisante e impeditiva) ela obriga o legislador (RE 168501). de questões jurídicas e não-jurídicas. um dever-ser). Quanto à natureza: normas formalmente constitucionais (está escrita na CF). Quanto à aplicabilidade (José Afonso da Silva): norma aplicável é a que está apta a produzir todos os seus efeitos. portanto. Constitucionalismo norte-americano: normas auto-aplicáveis (self-executing – aquelas que dispensam a lei ordinária comum – se aplicam por si só). Permite a redução do alcance por lei. ou ainda programáticas: norma que prevê um programa de atuação. 5º. costumes etc) reduza essa liberdade. ou seja. uma abstração – Art. LVIII. CF – conselho de defesa nacional). Contida: também são auto-aplicáveis. o meio é inadequado). § 2º. Classificação de Jorge Miranda. O que impede a eficácia máxima pode ser uma razão jurídica (falta outra norma – nos termos da lei) ou não-jurídica (políticas. 91. Sob esse aspecto. Limitada: aquelas que precisam de lei ordinária para serem concretizadas. culturais. A norma programática possui eficácia jurídica. Não se pode reduzir a concretização da constituição a uma questão jurídica. 2. Classificação das normas constitucionais: 1. 170. complementação por leis e fatores políticos. mas permitem que a lei reduza o seu alcance (Art. A norma garante a liberdade. CF – conselho da república que não existe sem lei institutiva. norma materialmente constitucional (tem conteúdo constitucional). sociológicos etc. A verdadeira concretização da constituição depende.dependem de lei infraconstitucional). atingirem a eficácia social (máxima). CF). a norma pode ser: Plena: aquelas cuja aplicabilidade não depende de nada e não podem ser restringidas pelo legislador ordinário. absoluto (Art. Enquanto não houver restrição a eficácia da norma será plena.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Nem toda norma constitucional tem eficácia máxima. não é ilimitado. normas não auto-aplicáveis (not self-executing . Pode ser institutiva: exigem a lei ordinária para dar corpo a instituições e órgãos (Art. Essa ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 46 . contida ou limitada. objetivo que precisa de lei para se concretizar. CF). Ela necessita de uma complementação. 3º. norma-regra (positiva uma regra. objetivos a serem alcançados (Art. § 2º. Art. não necessitando de complementação. mas ela permite que lei (a própria CF. 90. Determinados aspectos de saúde e educação podem ser de eficácia plena.

O juiz faz parte da construção da norma. A norma está potencialmente no texto. norma = texto. ele deve se prender a certos parâmetros de hermenêutica. mas também sobre os fatos. O juiz não poderá se desviar daquilo produzido pelo legislador presente no texto legal. Classicamente. Ele não pode substituir o legislador. critério subjetivo. plena. Nesse ponto de vista clássico o papel do juiz é de apenas dizer o que está na lei. O texto em conjunto com os fatos gera a norma. A norma não está completa na letra da lei. é passivo. acrescendo um quarto grupo: a de eficácia absoluta  norma tão absoluta que emenda não pode tocá-la (cláusulas pétreas). sob pena de ferimento à separação dos poderes. isso é interpretação evolutiva. tem parâmetros ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 47 . Em síntese sua classificação é a seguinte: norma de eficácia absoluta. Texto é o dispositivo. Se prende à vontade do legislador. o que lhe dá poder muito maior na hermenêutica. Postura interpretativista. em pensamento moderno. eficácia limitada – eficácia relativa dependente de complementação legislativa ou norma de eficácia complementável. relativa restringível. a professora Maria Helena Diniz também classifica como José Afonso da Silva. a mens legis. não importa a vontade do legislador. ele tem ideologia. Ainda quanto à aplicabilidade. chamando-as de normas de eficácia relativa restringível. que interpreta. todavia. apenas repetindo o que está na lei e o juiz ativo. relativa dependente de complementação legislativa ou complementável. Texto é o objeto e da interpretação do texto com os fatos resulta a norma (resultado). Texto + fatos + operador do Direito = norma. ele é passivo. postura não-interpretativista ou mens legislatoris (preso à vontade do legislador. Muda o nome das contidas. O juiz aqui é ativo  é o ativismo judicial: é a função ativa do juiz na hermenêutica. O juiz não pode. o conteúdo é o mesmo. participa da construção da norma. ter liberdade plena. Interpretativismo e não interpetrativismo: respectivamente referência ao juiz que pouco interpreta. ela é o resultado da hermenêutica. onde ele constrói a norma a partir de um texto. Eros Grau. O juiz é mecânico. HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL A tarefa do operador do Direito é a de decifrar o texto legal. mas a vontade da lei. Legislador (emissor)  texto legal (mensagem)  operador do Direito (receptor).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO classificação está na obra de José Afonso da Silva na “Aplicabilidade das normas constitucionais”. O juiz (operador) vai debruçar-se sobre o texto. é a letra da lei. chama a atenção para o seguinte: norma # texto. independe do momento histórico. Utilizada a interpretação histórica – da época em que foi elaborada a lei). portanto.

relacionando-se com o segundo ponto de vista de que o juiz é ativo. Critérios para garantir o mínimo de A primeira idéia tinha o juiz como sujeito passivo  link com a ciência: o observador não interfere no objeto observado. o observador interfere no objeto observado. não é mais assim. 3. 4. 5. Hoje isso. Preâmbulo: sua utilização como fonte hermenêutica. a depender da realidade fática a solução será determinada de acordo com a ponderação de interesses. * Administrativa: Administração pública. Tem relação horizontal também com as normas constitucionais – estudar o texto constitucional à luz dos fatos e também do preâmbulo.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO para trabalhar (hermenêutica). exceto o juiz). * Os fatos são importantíssimos para se resolver questões de controle de constitucionalidade. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 48 . não obriga o legislador comum. plausibilidade com a norma. mas sistematicamente. * Norma pode ser: norma jurídica comum (aquela trabalhada pelos operadores do Direito. em um segundo momento da ciência. Para Maria Helena são normas constitucionais de aplicabilidade absoluta. ela tem sua organização. Espécies de interpretação * Judicial: feita pelo juiz e tem como resultado a norma de decisão. Cláusulas pétreas: estão carregadas de princípios e devem sempre ser consideradas. * Doutrinária: doutrina. Princípios: tudo estruturado à luz dos princípios: separação dos poderes. Direitos fundamentais: devem sempre ser considerados para concretizar os direitos fundamentais. 2. e norma de decisão (do juiz). 6. Título I da CF/88: fundamentos e objetivos da república federativa do Brasil. Estes parâmetros são chamados pela doutrina de características da hermenêutica: 1. Unidade: a constituição tem sentido único. igualdade. Ele não tem força normativa. não deve ser interpretado um dispositivo isoladamente. é um sistema. Alguns doutrinadores chamam isso de “moderna hermenêutica constitucional” – toda a tarefa de interpretação da constituição é voltada à concretização dos direitos fundamentais (uma idéia entre outras). legalidade etc. estado de direito. o Executivo interpreta a CF.

mas seria o constituinte derivado. tem que se adequar com o tempo (mens legis – vontade da lei). Interpretar é aplicar. muita importância ao pensamento do legislador. resultados práticos. A autêntica (feita pelo legislador) não é adotada por todos. é uma unidade. desconsiderando que a constituição é aberta. logo. Não se coaduna com a constituição aberta. ficando presa à letra e à história. A interpretação tem que ser objetiva. Tópico-problemático: o intérprete deve priorizar os problemas práticos a serem resolvidos. Alguns consideram a EC como interpretação. Admitida apenas por uma minoria. não autêntica. Tentam construir essa idéia ainda. Histórica: interpretar à luz dos acontecimentos históricos da época em que a constituição foi produzida (discussões que levaram à produção). Interpretação presa no método gramatical não acompanha. Teria que ser feita pelo constituinte originário. tem vida própria. quando deve ser apenas um ponto de partida. atualizada. Preocupação com a vontade da constituição e não do legislador. Sistemática: a constituição interpretada com dispositivos isolados. A lei se modifica. Tem que interpretar. Alguns doutrinadores incluem a interpretação popular da constituição. Interpretação só subjetiva: ficar presa a 1988: não aconselhado. Problema: a constituição pode ter alteração não formal  mutação. aquela feita pelo povo (que não é doutrinador). é passivo. Se ele interpretasse estaria fazendo nova constituição e não interpretando. A doutrina dos não-interpretativistas se coaduna com a primeira linha mens legislatoris. A interpretação gramatical e a histórica impedem a constituição aberta. A segunda mens legis são a dos interpretativistas ou ativismo judicial – o juiz é ativo. não pode ser Teleológico: a partir da finalidade da constituição. Discutir os problemas a serem resolvidos. Não existe para a doutrina majoritária. Métodos de interpretação Gramatical: interpreta a CF a partir do texto. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 49 . concretizar. Também desaconselhado porque também está preso a momento histórico (1988). Isso significa que o juiz tem participação ativa na produção da norma (ativismo judicial). É interpretação que busca a mens legislatoris (vontade do legislador). Concretizador: o intérprete deve buscar concretizar a norma constitucional à luz de determinada situação histórica concreta. O juiz não tem que interpretar. processo aberto de argumentação. mas não pode ser onipotente.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO * Autêntica: o mesmo autor do texto interpretado.

Buscar a prevalência da vontade da lei .DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Princípios da interpretação (Canotilho) 1. Unidade da constituição: a constituição é um todo único. Bloco de constitucionalidade: algumas idéias estão presentes em todo o texto constitucional. 4. a constituição tem que ser concretizada e tudo isso tem que ser voltado à garantia dos direitos fundamentais. Escolher o caminho que confere maior efetividade. 3. intrínseca: interpretação dentro do sistema * Exclusão da interpretação da constituição a partir da lei. Concordância interpretação sistemática constitucionais é preciso (ponderação de interesses.mens legis. * Inadmissibilidade da interpretação autêntica. Movimento da moderna hermenêutica: é a segunda visão de que o juiz é ativo. Interpretação da lei conforme a constituição: não a constituição conforme a lei. Em conflito de dispositivos harmonizá-las à luz de cada caso concreto razoabilidade). É também uma técnica de controle de constitucionalidade. diverso. um sistema. Máxima efetividade ou princípio da eficiência: conferir à constituição a maior eficácia. além de princípio de hermenêutica. Pela supremacia da constituição se interpreta a lei ordinária à luz da CF. Força normativa da constituição: a constituição pode mudar. É parâmetro constitucional. os fatos são importantes para a criação da norma e o juiz deve examiná-los. 2. * Interpretação sistemática. * Interpretação constitucional. A cada caso concreto haverá fato 5. Regras de hermenêutica constitucional segundo Canotilho e Vital Moreira: * Interpretação objetiva: e não subjetiva (considera quem fez a lei – mens legislatoris). prática ou da harmonização: decorre da da constituição. A constituição material pode estar presente em lei ordinária inclusive. Interpretação contrária vai de encontro à moderna hermenêutica. influenciar a realidade. A constituição existe e deve ser interpretada para garantir os direitos fundamentais do cidadão. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 50 . são valores não presentes em dispositivo único.

que é matéria constitucional (James Madison era secretário de Estado que teria foro privilegiado na suprema corte nos termos de lei ordinária).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO O controle de constitucionalidade está ligado à rigidez constitucional. foi só a 1ª aplicação prática. as normas inferiores existem por força das superiores. A suprir uma omissão (ausência da lei) e não apenas para fulminar uma lei contrária à constituição. retirando do ordenamento as normas inferiores que a contrariam. Hoje o controle se presta também a declarar que a norma inferior está de acordo com a constituição e não contrária. Origem: constituição dos EUA de 1787. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 51 . Daí escapou dizendo que lei ordinária não pode criar competência para a suprema corte. Marshal declara inconstitucional a lei ordinária que fixava o foro privilegiado a Madison na suprema corte. Marbury desejava o documento que lhe dava a nomeação a juiz. seria nula. Tem por objetivo ainda garantir o cumprimento dos preceitos fundamentais da CF (ADPF). É o princípio da compatibilidade vertical das normas. É o primeiro caso jurisprudencial. Leading case do controle. após a posse de Thomas Jefferson (brecou o “trem da alegria”) contra Madison e quem estava na suprema corte era Marshall (encarregado de entregar o documento de posse a Marbury). A lei que contrariasse não produziria efeitos jurídicos. é escudo protetor do povo contra as decisões dos seus próprios representantes. A constituição é forte limite ao legislador. Autores como Alexandre Hamilton já discutiam e escreviam a respeito. que é influenciada por esse pensamento e promulgada em 1787). a rigidez constitucional e o controle de constitucionalidade. As bases do estado democrático de direito são a supremacia da CF. De acordo com a pirâmide de Kelsen. Em 1803 houve a primeira aplicação prática dessa teoria examinado pela suprema corte dos Estados Unidos no caso “Marbury X Madison” e juiz Marshall. relator (MMM). Essa decisão julgou inconstitucional a ação de Marbury dizendo que a lei ordinária não poderia criar regra de competência. Ocorre que Marshall não poderia desmoralizar o presidente Thomas Jefferson (era secretário de Estado nomeado para a suprema corte). O Judiciário seria o guardião da constituição (idéia debatida pela Convenção de Filadélfia – textos federalistas. antes da constituição dos EUA. só a constituição. mas esta decisão não inventou a teoria do controle. (O mesmo caso o STF julgou a constitucionalidade da lei FHC que fixava competência por foro privilegiado – declarou a inconstitucionalidade). as quais não podem contrariar. A idéia de constituição era de algo que pudesse defender o povo frente ao legislador (parlamento soberano – o parlamento inglês editava leis tributando as colônias inglesas e nada poderia ser feito porque esse parlamento era supremo – sistema de soberania do parlamento inglês acabou por ser um dos motivos principais das 13 colônias inglesas na américa do norte tornarem-se independentes – daí a idéia de constituição como instrumento de defesa frente ao legislador). Controle de constitucionalidade é o mecanismo que faz prevalecer a supremacia da constituição.

101. Defesa da constituição abstratamente. A intervenção era feita por lei e a ADI contra esta lei servia para acabar com a intervenção. vendendo-o a Sandford. só o STF poderia julgar a ADI interventiva. na constituição de 1824 não houve a previsão de controle (Art. legislador guardião da constituição) e em 20/11/1894 houve a elaboração da lei 221 que instituiu a justiça federal e um controle difuso a ser feito pelos juízes em casos concretos (Art. A lei federal que proibia a escravidão no território federal era inconstitucional porque feria o direito de propriedade da constituição. 1967 e 1969 não trazem grandes alterações. em 1934 (Art. 12. 13. IV. fazem a previsão de atos institucionais que não podiam ser apreciados pelo Judiciário (novo período ditatorial). lei 9868/99 e 9882/99 regulamentou a ADI e ADPF respectivamente. I. § § 1º e 2º) inaugura o controle concentrado. § 10) (no modelo norte-americano – influência de Rui Barbosa). que a ação não pode ser proposta etc). EC 03/93 criou a ADC e o efeito vinculante. e após para um território federal que também não tinha escravidão e finalmente retorna com ele a um estado escravocrata. PEC 358: 2ª parte da reforma do Judiciário. para só então ser editado o decreto de intervenção (é o oposto). ao contrário. 15. 1946 (em 1965 com a EC 16 – Art. O parágrafo único limita o controle do Judiciário  congresso nacional confirma a importância da lei por 2/3 de votos em cada uma das câmaras e a decisão de inconstitucionalidade fica inválida (a lei acaba por se tornar emenda. o próprio legislador zelava pela constituição). É considerada uma das piores decisões dos EUA (diz que Dred é coisa. 1988: aumento dos legitimados a propor ADI e surge a ADI por omissão. 1891 (Art.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO A segunda decisão de controle foi em 1853 (escravidão) no caso Dred Scott X Sandford. Os dois primeiros casos historicamente são casos concretos em que a discussão da constitucionalidade é incidental. 1937 (Art. No Brasil. EC 45/04 estabeleceu o efeito vinculante para a ADI e outras modificações. Hans Kelsen observando a proteção da constituição. sem a necessidade de um caso concreto. que não é a mesma de hoje. I. acionando Sandford. Dred era um escravo e morava em um estado escravocrata. 35. Em seguida o seu dono o leva a um estado que não tinha escravidão. 96) quorum de maioria absoluta para declarar a inconstitucionalidade. Hoje a intervenção depende de o STF dar procedência à representação interventiva promovida pelo PGR. bem como a ADPF. disse que seria melhor não esperar por um caso concreto para controlar – sistema austríaco de controle de constitucionalidade – controle abstrato. Dred quer dizer que se tornou livre a partir do momento que ele morou em lugares onde não era admitida a escravidão. A suprema corte dá uma decisão assegurando direitos fundamentais (da propriedade). A lei ordinária não poderia proibir a escravidão no território federal – nega o pedido de Dred. acabando com a supremacia da constituição – apesar de inconstitucional ela irá permanecer – ditadura justifica a medida). mas anulável. K)  ADI controle abstrato (idéia de Kelsen). Espécies de inconstitucionalidade: ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 52 . A lei inconstitucional não será nula.

Misto: mistura entre órgãos políticos e judiciais.não recepção – esta incompatibilidade superveniente só pode ser material a formal só é aferida originariamente – a forma modificada por nova constituição não gera inconstitucionalidade (ex: decreto-lei em vigor hoje) não impede a recepção). 2. Pode ocorrer de a lei nascer boa. Na inconstitucionalidade por ação pode ser por vício material (viola o conteúdo da CF) ou formal (o procedimento de elaboração da lei fere o que está escrito na constituição. Aqui atua a força paralisante da constituição. Por ação: ato normativo editado que contraria a CF. A jurisprudência do STF admite que a alteração da realidade fática pode tornar a lei inconstitucional. O Judiciário só pode afastar parte do texto se permanecer algum sentido para o resto do texto. Hoje há mecanismos de inconstitucionalidade superveniente. a constituição não mudar e futuramente a lei se tornar inconstitucional  mudam os fatos: alteração das circunstâncias fáticas. Ex: Suíça. 3. mas se torna inconstitucional devido a mudanças do texto da constituição . forma que contraria a prevista na CF – ex: MP assinada por ministro e não pelo presidente). 2. A jurisprudência do STF fala em revogação da lei (Sepúlveda Pertence). O controle não considera apenas o texto. caso contrário é melhor afastar todo o texto – declarar a inconstitucionalidade total. Político: o controle é entregue a um órgão político que não pertence ao Judiciário. parágrafo ou alínea – o controle pode recair apenas sobre uma palavra ou expressão). Composição mista do órgão de controle: metade dos membros da magistratura e metade escolhidos fora da magistratura. podendo ser material ou formal a norma constitucional impede que faça nascer lei que contraria norma constitucional – atua a força impeditiva da constituição). O controle é político para normas gerais e judicial para normas locais.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO 1. o que fez com que a lei se tornasse ruim. Sistemas de controle de constitucionalidade 1. ou superveniente (nasce boa. Judicial: o Judiciário faz o controle. com a possibilidade de alteração inclusive por mudanças da realidade fática. Por omissão: o legislador não agiu diante de uma norma de eficácia limitada institutiva ou programática. sempre tem que considerar os fatos reais (é tarefa política – poder). Pode ser ainda inconstitucionalidade originária (a lei já nasce com vício. Alteração do parâmetro constitucional. A última hipótese do controle misto é a que prevê vários tipos de controle combinados (modelo dos EUA e modelo ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 53 . mas hoje em dia a idéia é diferenciada. Ex: França. A mudança pode ser tanto por nova constituição como por EC – opera o fenômeno da recepção. Pode ser a inconstitucionalidade por ação total ou parcial (não se confunde com o veto parcial  texto integral de artigo.

é controle da lei em tese (Kelsen). O vício pode ser regimental ou constitucional. Preventivo judicial: mandado de segurança. Há ainda o MS impetrado por parlamentar quando a tramitação de PL ofende o processo legislativo constitucional. mas a jurisprudência do STF admite o MS impetrado por parlamentar quando o projeto de EC ofende ou é tendente a abolir cláusula pétrea (Art. Pode ser: Difuso: vários órgãos são autorizados a realizar o controle. verificar se o projeto está de acordo com a CF..DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO de Kelsen  Brasil). Mistura entre o repressivo/preventivo. só um órgão faz o controle. de um conflito de interesses. espalhado. abstrato: não há lide. difuso/concentrado. Tipos de controle: Preventivo: antes de a norma ingressar na ordem jurídica. Repressivo: após. 60.. o controle é incidente (modelo dos EUA). a norma já está produzindo efeitos. O parlamentar tem o direito líquido e certo de obstar que o projeto prossiga por meio do MS ao STF. mas não é uma regra absoluta: Preventivo político: veto presidencial por inconstitucionalidade (controle) que será revisto pelo Congresso (novo controle preventivo). Concreto: busca resolver o caso concreto que surge de uma lide. aguarda a edição da lei. Se a tramitação ofende a própria CF o STF admite a paralisação do PL em tramitação. concreto/abstrato (Brasil). No regimental o STF não interfere. Tradicionalmente não existe. CONTROLE PREVENTIVO REPRESSIVO DIFUSO: vários órgãos realizam o controle CONCENTRADO: só um órgão faz o controle CONCRETO: resolve o controle que surge de um lide ABSTRATO: não há lide. o controle da lei em tese Sistema brasileiro de controle de constitucionalidade: como regra geral diz-se que o controle adotado pelo Brasil é repressivo e judicial. § 4º: não haverá deliberação de EC. na fase do projeto. – controle na fase do projeto). comissões de constituição e justiça (na Câmara e no Senado). Mais um caso de vício formal que não está na jurisprudência do STF: MS impetrado por quem teve violada sua iniciativa ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 54 . ou concentrado.

61. por omissão ou interventiva). só quando a lei de conversão for editada. 97. X: Senado pode suspender a execução de lei julgada inconstitucional em caso concreto (controle difuso).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO legislativa privativa. Se um deputado tiver a iniciativa. Revogação da lei inconstitucional pelo próprio legislativo por meio da edição de uma nova lei. não precisa aguardar o veto (doutrina). se houver. Repressivo político: a doutrina entende que existe nos seguintes casos: Art. Ele não é o pedido. Para declarar a constitucionalidade não há o princípio da reserva de plenário (câmara e turma podem declarar a constitucionalidade). por exemplo). Repressivo judicial: pode ser concreto (difuso. São os três casos dados pela doutrina tradicional. qualquer juiz ou tribunal poderá examinar e fazer o controle) ou abstrato (concentrado – STF ou TJ). Discussão sobre a constitucionalidade da lei que um dos litigantes fundamenta seu pedido – o juiz terá que analisá-lo incidentalmente. 62. Luiz Roberto Barroso cita essas hipóteses. Também poderão (turma ou câmara) julgar declarando a inconstitucionalidade quando já houver posição do STF (pleno) ou dos órgãos especiais pela ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 55 . ele é causa de pedir. 52. Os órgãos fracionários não podem declarar a inconstitucionalidade. Ações típicas são ADI (genérica. Ex: aumento de servidor público federal só o chefe do executivo pode (Art. O juiz poderá de ofício conhecer do problema. 49. Exercido por qualquer juiz ou tribunal por argumentação de inconstitucionalidade incidentalmente em um caso concreto (argumentação deduzida em juízo). regulamento não pode criar obrigação) ou ainda exorbita na delegação conferida. Há uma lide em caso concreto (MMM – como teve início). Na verdade o controle da MP é ao mesmo tempo preventivo (em relação à lei de conversão) e repressivo em relação à MP em vigor (texto original). declara a inconstitucionalidade  chamado de reserva de plenário. Art. Art. * Controle judicial concreto ou difuso: também chamado de controle incidental ou por via de exceção. § 5º: medida provisória (produzem efeitos desde a edição. Maioria absoluta dos seus membros do pleno ou do órgão especial constituído (de 11 a 25 membros). a especializada cita ainda: legitimidade ativa da ADI e ADC (mesa da Câmara. Modificação no texto originário da MP não produz efeitos a terceiros. TCU também pode deixar de aplicar lei que considera inconstitucional. A inconstitucionalidade não precisa constar da causa de pedir. em regra). Art. § 1º). Congresso faz juízo prévio sobre o atendimento dos pressupostos constitucionais antes de falar do mérito. o presidente pode impetrar MS contra este ato para defender a sua iniciativa constitucional privativa. ADC e ADPF. atos que exorbitam ou inovam no mundo jurídico (só lei pode. V: Congresso Nacional sustar atos normativos do Executivo que já estão produzindo efeitos. negativa do executivo em aplicar a lei inconstitucional (ainda não declarada) a seu juízo. CF: para o controle difuso e abstrato. não depende de argumentação por uma das partes para que ele analise inclusive.

Os atos pretéritos realizados com base na lei inconstitucional não são atingidos. O Senado não é obrigado a suspender a execução da lei. ADC ou ADPF (repressivo). Senado suspende a execução no todo ou em parte. A lei não fica revogada. e mesmo que o STF julgue inteiramente inconstitucional ele pode suspender só de parte dela  juízo de conveniência. * Controle judicial abstrato: concentrado ou objetivo de constitucionalidade realizado pelo STF (CF) ou TJ (CE’s). A ADI genérica é o ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 56 . O controle difuso é subjetivo (entre partes). Art. assim como no controle abstrato estadual a assembléia legislativa não participa). Alguns autores sustentam que essa decisão tem natureza judicial que seria ex tunc. a depender dos termos do pedido. uma vez que os atos inconstitucionais são nulos e. X. O Senado pode suspender a execução de lei federal. ). Passará a ter efeitos erga omnes. mas é ex nunc. Se o pedido foi concreto poderá haver o controle desde que seja um controle efetivamente de um caso concreto (declarar incidentalmente a inconstitucionalidade para atingir um caso concreto) e neste caso a decisão terá efeitos erga omnes. Ainda excepcionalmente o efeito no controle difuso poderá ser ex nunc (RE 197917 – número de vereadores). Ele vem passando por um processo de objetivação – passar a atingir terceiros  amicus curiae em RE no controle difuso (informativo do STF n. Efeitos da decisão judicial no controle difuso: Inter partes: atinge as partes litigantes apenas. estadual e municipal. CPC). que seria obrigatório (minoria – o Senado só participa no controle difuso porque no concentrado a lei já não mais produzirá efeitos. estarão apenas aplicando um precedente. Ex tunc: efeitos retroativos. Se o pedido for o de uma ADI (disfarçada) não poderá haver o controle (abstrato – usurpando a competência do STF). 52. Caso o Senado suspenda a execução da lei declarada inconstitucional incidentalmente os efeitos serão erga omnes e ex nunc em relação aos terceiros atingidos. Há uma exceção em que os efeitos da decisão judicial no controle difuso será erga omnes  ações coletivas (ACP e AP). 481.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO inconstitucionalidade da questão (Art. CF: aplicado apenas no controle difuso. parágrafo único. O efeito é ex tunc em relação às partes do processo. só não será mais aplicada (suspensão). Ações típicas são ADI. portanto. Pela pirâmide de Kelsen extrai-se o princípio da compatibilidade vertical em que qualquer norma que não esteja compatível com a CF (ponto máximo da pirâmide) deve ser retirada do ordenamento. o Senado não participa. deverão deduzir ação um a um (é uma falha!). de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do STF. destituídos de qualquer carga de eficácia jurídica.

tratados internacionais (lei ordinária ou EC). resoluções do TSE quando veicular ato normativo. A lei municipal pode ser objeto de controle na ADI estadual em face da constituição estadual apenas no TJ. Arts. pareceres da consultoria geral (AGU) aprovados pelo presidente (quando se tornam obrigatórios para a administração pública federal). mas caso seja de efeitos concretos será cabível). § 2º (estadual) da CF/88 e lei 9868/99. mas se aproximam de ato administrativo com efeitos concretos. Cabe ADI contra: emendas constitucionais. § § 1º e 3º. E é isso que garante a supremacia da carta magna. mas na verdade ainda não são a mesma coisa. 84. lei no período da vacatio legis. Essa é uma atividade política. 97. decretos legislativos e resoluções quando são atos normativos (ex: RI). STF faz o papel de legislador negativo retirando normas e não resolvendo caso concreto. ADI genérica: mecanismo de controle que objetiva expurgar do sistema jurídico um ato normativo que contrarie a CF. 102. a IX. contra o princípio da maioria (maioria do povo que elegeu o legislador para fazer as leis). regimento interno de tribunal (vício constitucional).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO mecanismo que retira do ordenamento normas inferiores que contrariam a constituição. I. O objeto da ADI é lei ou ato normativo federal ou estadual. Objeto da ADI: lei ou ato normativo estadual ou federal (ADC somente federal). O TJ só pode fazer o controle com base na CF sendo difuso. regulamentos autônomos (Art. Municipal será objeto de ADPF. vinculada ao poder semelhante à de “legislador negativo”. A ADI não envolve partes. é um processo objetivo. 125. 103. § 2º. mas não propriamente o contraditório e a ampla defesa. ela é um processo de verificação da conformidade entre a lei e a constituição. Poderão ser objeto de MS (não cabe MS contra lei em tese. medidas provisórias. quanto da própria lei). tecnicamente não existe contraditório e ampla defesa. 102. O STF atuando como legislador negativo atua contra o poder da maioria  poder contramajoritário. Há algumas que são chamadas de lei. Essa atividade é um poder contramajoritário (Luiz Roberto Barroso). Exceção: lei de criação de municípios. O STF costuma dizer que ADI e ADC são a mesma coisa. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 57 . VI) (regulamentos comuns não podem). “p”. Para leis ou atos préconstitucionais (a recepção ou não recepção não poderá ser discutida em ADI. lei do DF  com base na competência legislativa do estado. Haverá uma defesa. I. enquanto que o objeto da ADC é apenas lei ou ato normativo federal (PEC 358-A confere à ADC o mesmo objeto da ADI – lei ou ato normativo estadual também). só que com um sinal invertido. lei delegada (tanto do ato que autoriza a delegação. Este processo não é um processo civil comum subjetivo. se legislar matéria de competência municipal não cabe. A ADI não visa dar a cada um o que é seu. “a”. um processo dialético. Não cabe ADI em face de: lei de conteúdo concreto (ato normativo abstrato coercitivo é lei).

estaduais não podem. Para regulamentos comuns. Antes o STF entendia que a ADI perdia o objeto. Para ser considerado de “âmbito nacional” analogicamente a lei orgânica dos partidos políticos. A exigência de a entidade de classe estar em funcionamento há mais de um ano é só para MS coletivo. 103. A perda superveniente da representação no congresso não prejudica a ADI em andamento proposta por partido político (a partir de 2004). A própria autoridade que editou ou participou da produção do ato normativo pode propor ADI. confederação sindical. normas de estado estrangeiro (pode ser negado o exequatur mas declarar a inconstitucionalidade não). Tudo isso pode ser discutido em controle difuso ou ADPF. É a chamada lei de efeitos concretos (lei que desapropria o imóvel rural e lei orçamentária) que não podem ser objeto de ADI. Presidente em face de uma MP. A jurisprudência do STF divide os legitimados em dois grupos: Legitimados universais: podem ajuizar toda e qualquer ADI. conselho federal da OAB. decreto regulamentar.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO só em ADPF). Podem propor ADI: Art. entidade de classe  pertinência temática entre o objeto da ADI com o legitimado. Pode ser que algum ato tenha a forma de lei. Legitimados especiais: exige pertinência temática da parte ativa. partido político com representação no congresso nacional. Não é a mesa do congresso. a lei deve estar no ordenamento. sentenças normativas. PGR. São os governadores. normas originárias (teoria das normas constitucionais inconstitucionais – Otto Bachof . OAB só a nacional. mesas de assembléias legislativas ou câmara distrital. mesas da câmara e senado. atos privados. Diretoria estadual de partido político não pode propor. por exemplo. Tudo isso pode ser objeto de ADC sendo federal. São o presidente da república. Lei de criação de municípios pode ser objeto de ADI. ocorre que na ADI 1244 há um voto no sentido de que se a lei foi revogada no curso de uma ADI ela deve prosseguir. apenas a da câmara e do senado. Durante ADI muda dispositivo da CF  ela perde o objeto. Os requisitos são analisados por ocasião da interposição da ADI. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE interpreta-se 58 . abstração e coercibilidade. Lei ou ato normativo: ato que tenha os atributos de generalidade. convenções coletivas de trabalho. só por EC) (STF não aceitou a teoria das normas constitucionais inconstitucionais).não admitida pelo STF. mas não tenha conteúdo ou substância de lei. Para atos revogados também não. CF prevê os legitimados para propor ADI.

lide. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 59 . 7º). abstrato. Isso para não privar a questão da análise do STF. Ocorria que quando uma questão lhe era apresentada ele poderia promover a ação. Não é admitida intervenção de terceiros (Art. 7º. Admitida a manifestação do amicus curiae por escrito ou também oralmente (Art. arquivá-la por ser totalmente incabível ou quando não concordava. § 2º) por despacho irrecorrível do relator . É também indisponível o pedido da cautelar. é processo objetivo. confederação sindical e entidade de classe). É processo unilateral. partes. Lei 9868/99. § 3º: AGU – a CF fala em citação. Com isso o STF está passando a admitir o amicus curiae no controle difuso (é figura do controle abstrato). mas é. ou seja. mais do que custus legis. VIII e IX exige (partido político. se não for o autor será ouvido previamente em ADI e em todos os processos do STF. I a VII: dispensa advogado. No pólo passivo estarão as autoridades das quais emanou o ato impugnado. mas havendo advogado deverá juntar procuração com poderes específicos. Pertinência temática e interesse de agir – o STF diz que não há interesse de agir mesmo com a pertinência temática (na verdade tem sim). mas os fundamentos eram bons. Nas ADIs estaduais melhor seria que não fosse a AGU. 5º: indisponibilidade de instância. Art. Não há pretensão resistida. A decisão no controle difuso é um precedente e a força dele acaba por atingir terceiros (as demais ações começam a ser julgadas no mesmo sentido – ex: progressão em crimes hediondos decidido em um HC). mesmo ele sendo o autor o processo volta a ele para parecer (razão histórica). para só após proferir o parecer com sua opinião. interesse de agir (jurisprudência do STF). Ultimamente está ocorrendo a objetivação ou abstrativização do controle difuso (autor x réu com decisão inter partes). Art. Não há prescrição e decadência em ADI. 103. Informativo 401. mas a questão era plausível. passou a promovê-la. Hoje. Art. Não é possível desistir da cautelar. Assim. 103. Não é réu! PGR: antes de 88 ele era o único a poder propor ADI. 402 ou 403 do STF. defesa simples (sem contraditório e ampla defesa). O MP é custus constitutionis. então propunha a ADI – raiz da ADC. Acreditava (em 88) que a lei era boa.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Associações de associações passaram a poder propor ADI (ADI 3155). não admite desistência. fora da atividade judicial típica. mas na verdade é mera notificação e não ato para formar lide com contraditório e ampla defesa.

mas o pedido é determinado. mas pode ser afastado expressamente. Ele é a regra. 9º.Art. 5º. § 1º). Não retira a condição de abstrato do controle (mas ele não é tão abstrato assim). mas ele sempre estará vinculado aos fatos/realidade – atividade política de legislar negativamente. Medida cautelar em ADI (Art. Art. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 60 . 11. As circunstâncias fáticas vão influenciar no julgamento da ADI. é a realidade fática comparada com ela que influencia no julgamento no controle (Art. quando o efeito será não repristinatório (Art. porque se for exigir como se aplicaria a uma legislação em vigor há muito tempo? Não há de se falar em periculum. CF) (Arts. § 2º igualmente reporta-se às conseqüências fáticas dentro do controle abstrato (requisitar informações aos tribunais superiores. que fica suspensa. 6º por vício formal – STF pode acolher como material. Há alguns julgados no STF dizendo que ambas as leis (A e B) sejam incluídas na inicial. Requisitos: fumus boni iuris e periculum in mora. Efeitos da cautelar na ADI: * Erga omnes.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO O controle é abstrato porque não está vinculado a uma lide. * Repristinatório: aplicar lei anterior A à que teve MC ADI (lei B). A causa de pedir é aberta. 9º. sendo matéria relevante remete diretamente ao tribunal para julgar o mérito (Art. o STF aceita. A cautelar tendo também efeito vinculante poderá dar margem a reclamação no STF ou TJ. TRF e TJ). 12). A jurisprudência do STF admite que o requisito do periculum in mora pode ser substituído pelo critério do requisito da conveniência. mas o que prevalece é que independentemente do pedido a abranger (lei A) na inicial haverá o efeito repristinatório. 102. p. § 2º). quando houver. § 1º da lei 9868). * Vinculante. no processo civil há. embora nem a CF nem a lei 9868 diga expressamente. I. A jurisprudência do STF diz que esse efeito existe. Na MC. Não é somente o texto comparado com a CF. O requerente pode fundamentar o seu pedido em uma causa de pedir e o STF fundamentar em outra (fundamenta com vício no conteúdo e o STF entende que há vício formal apenas). 11. por exemplo). * Ex nunc (excepcionalmente ex tunc . mas isso não significa que o STF poderá decidir ultra e extra petita (ex: ADI contra Art. 10 a 12 da lei 9868): salvo no recesso (cautelar apreciada por juiz monocraticamente). Decisão na ADI: Na ADI não há adstrição à causa de pedir. A causa petendi é aberta porque o processo é objetivo. não pode julgar inconstitucional o Art. sempre será concedida por maioria absoluta.

fazendo com que alcance todas as pessoas. 2666. As diferenças entre uma e outras estão diminuindo. O STF pode entender que a lei passou a ser inconstitucional (ADC 01). Vinculante: ao judiciário e administração pública direta ou indireta federal. 24 diz que a ADI procedente = ADC improcedente e que a ADI improcedente = ADC procedente. 2982. continuando quando os demais ministros estiverem presentes. E a tendência é que tudo seja resumido em uma só ação. estadual e municipal. logo. a lei é constitucional e continua no ordenamento. Exceção: no controle judicial e político preventivo (contra projeto de lei) a presunção de constitucionalidade é da lei e não do projeto de lei. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 61 . 2877. pode haver reclamação antes do trânsito (posição jurisprudencial do STF). Essa possibilidade é o cerne da vinculação (consagrada na jurisprudência do STF e que só depois viria a ser o conhecido efeito vinculante). Na dúvida a lei presume-se constitucional (presunção relativa de constitucionalidade da lei). mas se julgar improcedente a ADI. só que com o sinal invertido. O STF julgando uma ADI procedente ele também sofrerá os efeitos da decisão. Exceção. Na ADI 2231 ministro Gilmar Mendes se declarou impedido porque atuou como advogado geral da União defendendo a lei impugnada. Os efeitos correrão da data da publicação e não do trânsito em julgado. Não alcançada à maioria suspende-se o julgamento. 22: presença de pelo menos 8 ministros e manifestação da maioria absoluta – 6 ministros. Significa elastecer o pedido quando a inconstitucionalidade de um pedido implicar a de outro não expressamente impugnado (seria incompatível) (ADI 2797. 2608. pois a lei será retirada do ordenamento jurídico. 2666 e 2608). Só que somente as partes legitimadas poderiam interpor a reclamação.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Arrastamento: ADI 2982. dispensando a passagem pelo juiz de direito até que chegasse ao STF. A decisão da ADI vincula os demais órgãos do Judiciário. 2877. O Art. apenas embargos de declaração. 2797. mas o próprio Supremo não. Não há impedimento ou suspeição. Na ADI 1880 entendeu que qualquer pessoa poderia se valer da reclamação. Uma ADC procedente não impede uma ADI futura. PGR que move ADI e mais tarde se torna ministro do STF. Assim. Efeitos da decisão final da ADI: Erga omnes: se relaciona com os efeitos subjetivos da coisa julgada. Não cabe ação rescisória. a oposição dos embargos de declaração não impede os efeitos da ADI (Reclamação 2576). o processo é objetivo. Da decisão não cabem recursos. Por isso o STF diz que ADI e ADC são iguais. Inicialmente o STF passou a admitir a reclamação para garantir a autoridade de suas decisões. Art.

27 (há duas ADIs contra esse artigo. A natureza jurídica do ato inconstitucional é nulo. estadual e municipal. Exceção: Art. inclusive anterior à edição da lei impugnada atingindo lei anterior que havia sido revogada (torna dispensável que a inicial impugne expressamente). sua natureza é declaratória de nulidade da lei (efeitos ex tunc). É dizer que o STF declara uma lei inconstitucional e o legislador pode elaborar lei com mesmo conteúdo. 27 diz é que isso é relativo e não absoluto. 741. Mesmo antes da CF/88 ou da lei 9868 o STF tem várias decisões que dizem haver efeito jurídico em lei inconstitucional. ADC e às cautelares. federal. a ADI deve apagar os efeitos da lei. Em síntese. podendo prorrogar a validade da lei inconstitucional tanto posterior quanto anterior ao trânsito. O efeito vinculante incide inclusive sobre uma fase de execução (Art. CPC). inclusive no que diz respeito aos atos análogos. Todos esses efeitos se aplicam à ADI. Possível a restrição dos efeitos erga omnes. deve retroagir sempre. Cuidado. Desde o caso MMM diz-se 62 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . quando a lei estará sendo apenas anulável (sistema austríaco de inconstitucionalidade de Kelsen – só que nesse sistema se permite a prorrogação até 1 ano após a decisão). Transcendência dos motivos determinantes da decisão do STF em relação a uma lei ou ato normativo podem afetar outros atos normativos análogos. mais que maioria absoluta) decidir que só terá eficácia a partir do trânsito ou outro momento fixado (ex nunc). mas é isso que se vislumbra nesse Art. 27 da lei 9868 permite a modulação dos efeitos da decisão procedente da ADI por razões de segurança jurídica ou interesse social com mais de 2/3 dos membros (8. Mas no momento em que alguém aplicar essa lei a reclamação poderá ser utilizada (não impede o legislativo de legislar. a modulação dos efeitos da ADI pode ir para frente ou para trás em nome da segurança jurídica e excepcional interesse nacional. 27 excepciona a supremacia da CF e a teoria da nulidade (razões de segurança jurídica e interesse social . O STF poderá ainda fixar outro prazo que não o trânsito. repristinatório.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Vincula ainda toda a administração pública direta e indireta. em regra. O efeito vinculante atinge o Legislativo? A jurisprudência do STF se firmou no sentido de que não há efeito vinculante para o legislativo.relacionado a fatos). pode reconhecer a inconstitucionalidade. possibilitando que ato inconstitucional tenha efeitos mantidos até o trânsito ou outro momento (sem limitação). não se pode dizer ainda que a lei inconstitucional é anulável e não nula. vinculante e ex tunc. mas o STF inclusive já aplicou o dispositivo). o que importa não é que a impugnação foi feita a um determinado ato (RI). Outro ato com idêntica inconstitucionalidade não precisa de ADI para ser retirado. A lei inconstitucional é nula. mas apenas para impedir que seja aplicada – pelo Judiciário ou pela Administração). Isso vai depender muito da realidade fática. o que o Art. O Art. mas ao conteúdo dele. bastando a reclamação ao STF. Ex tunc. mas fixar a data mais conveniente.

A reclamação é dirigida diretamente ao STF. ADI e ADC têm natureza dúplice. em caso de descumprimento enseja reclamação (Art. Só ocorrerá. Possível em face da transcendência dos motivos determinantes. 102. Na prática. caso uma ADI declare inconstitucional uma lei 1. Com as reformas tenta-se igualar essas ações. não poderá após ser reexaminada. se uma primeira ADI foi improcedente ou uma ADC foi procedente (mudanças fáticas). l. julgando RE (controle difuso com autor e réu) pode decidir de maneira diversa a lei que já tinha sido julgada constitucional. mas não idênticos. Repristinatório: se procedente. Ainda quanto ao efeito vinculante. Vincula: demais órgãos do judiciário. Com a lei 9868 (Art. relativizando os efeitos da ADI. logo. Reclamação 1880 de 7/11/02 – o efeito vinculante pode ser usufruído por todos e não apenas aos legitimados da ADI. Antes ele só havia para a ADC. parágrafo único) há o efeito vinculante. Poderá julgar até mesmo uma ADI em sentido contrário. STF.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO que lei inconstitucional produz efeitos. talvez chegando novamente ao STF por RE (começar lá de baixo). que fará valer sua decisão. 102. O STF gostou tanto do Art. A fundamentação deve ser observada por todos (mesmo que não tenha sido objeto de controle abstrato – lei 2. agora.000/RJ (ato normativo análogo). § 2º). estadual e municipal). CF) (garantir a autoridade de suas decisões). uma lei pode se tornar inconstitucional e se isso acontecer o STF poderá reconhecer em RE ou ADI. Com a EC 45 o efeito vinculante está dirigido ao Judiciário e administração pública direta e indireta (antes ao Judiciário e ao Executivo). administração pública direta e indireta (federal. O que não pode é o contrário: se o STF julgar ADI procedente ou ADC improcedente a lei é fulminada. Futuramente a ADC também será para lei estadual. Mas para que mudou a redação? Administração direta incluiria o Legislativo? STF terá que se posicionar. I. Se o efeito fosse apenas erga omnes seria necessário seguir pelas vias ordinárias. A reclamação 1880 também reconheceu que a liminar da ADI teria efeito vinculante. então. com a EC 45 o efeito vinculante foi previsto (Art.000/RJ) sendo aplicada assim 63 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . Objetivação do controle difuso.000/SP essa decisão poderá alcançar uma lei 2. 28. na CF/88. O efeito vinculante atinge o Legislativo? Ainda hoje na jurisprudência tem-se que o efeito vinculante não atinge o Legislativo. a decisão deverá ser obrigatoriamente cumprida. Isto porque o efeito vinculante é para os demais órgãos do Judiciário. são efeitos semelhantes. 27 que está aplicando inclusive ao controle difuso (RE 197. Por mudança da realidade fática. ADI originariamente não tinha efeito vinculante.917 – deu efeito pro futuro). (ADI 3022).

ADC ADI procedente = ADC improcedente ADI improcedente = ADC procedente A lei já goza de presunção (relativa) de constitucionalidade. Antes de 1988 era ainda mais grave. sugeriuse a reabertura do prazo da ação (doutrina). A ADC foi introduzida pela EC 03 para tentar solucionar essa incongruência. O STF pode ainda se posicionar no sentido de estender os efeitos vinculantes ao Legislativo. os motivos que levaram à declaração da inconstitucionalidade. não cabe recurso. Ao aplicar uma lei o juiz deverá observar não só o dispositivo (direcionado a certa lei). Isso não impede que por ocasião da aplicação seja impetrada reclamação.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO mesmo dá margem a reclamação no STF. ainda que a considerasse constitucional. decisão que já transitou em julgado. Num primeiro momento a decisão 2 poderia dar margem a ação rescisória se ainda corresse o prazo para a rescisória. A tendência é que as ações de ADI e ADC se fundam em uma só ação de controle de constitucionalidade. O STF admite a transcendência dos motivos determinantes. Mesmo não utilizada a ação rescisória a decisão 2 poderá ser aplicada na fase de execução da decisão 1 por embargos à execução – inexigibilidade do título executivo. a parte legitimada até então só poderia levar a questão ao STF para defender a sua inconstitucionalidade (ADI). Já transcorrido. só embargos de declaração. Neste caso a lei 2000/RJ já existia e em caso de ato normativo análogo futuro? O Legislativo poderá editar lei análoga a uma já declarada inconstitucional? Pela jurisprudência não há óbice porque o Legislativo não sofre os efeitos vinculantes. Ação rescisória sob o fundamento de violação de literal disposição de lei. Controle abstrato: STF em ADI ou ADC declarou a mesma lei inconstitucional. é lei análoga à lei já declarada inconstitucional. ADI não tem execução. Controle difuso: juiz declarou lei constitucional. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 64 . pois o único legitimado era o PGR. só reclamação. O legislador não está proibido de legislar lei análoga (inconstitucional). mas também à fundamentação. Quais os motivos que levaram à introdução do instrumento da ADC? Antes da criação da ADC questões de segurança jurídica traduziam certo desconforto em face da divergência de decisões a respeito de uma mesma lei. Talvez um dia no lugar da decisão 2 (controle concentrado) tenhamos um controle difuso (RE – objetivação do controle difuso) em processo de mudança. sancionada pelo presidente e promulgada. uma vez que ela é votada no parlamento. 2. 1. Em face dessa situação. STF atingindo a coisa julgada.

Os efeitos são os mesmos da ADI: erga omnes. A controvérsia judicial é o requisito específico da ADC.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO O objeto da ADI é lei ou ato normativo federal ou estadual. Se a questão está sendo decidida de forma uniforme não há insegurança. pois a pretensão é confirmar a constitucionalidade. já que deve ser ouvido em todos os processos de competência do STF. A abrangência da ADI é maior que a da ADC (por enquanto. Ocorre que há dificuldade de configuração do requisito de efetiva controvérsia. Existe ADI discutindo a constitucionalidade do Art. O efeito vinculante originariamente era aplicado somente à ADC. 21 da lei 9868 e há um voto (do relator) dizendo que é inconstitucional por violar o princípio do livre acesso ao Judiciário. o mesmo da ADI (só que a 2ª parte da reforma do Judiciário ainda não foi aprovada). A liminar na ADC só tem validade por 180 dias. A lógica para o aumento dos legitimados é que o objeto da ADC se tornará maior. ex nunc e vinculante. A controvérsia deve ser formada por número significativo de decisões de mérito controversas. não cabível a ADC. uma vez que a MP só vigorará por 60 dias (prazo curto). Em ambas as ações (ADI e ADC) a questão dos fatos é fundamental. não há prazo de validade. justamente porque o papel dele é defender a constitucionalidade da lei ou ato normativo impugnado. A lei 9868 ainda está na redação antiga da CF. Há quem defenda que a lei deve ser revista para que os juizes não possam declarar a inconstitucionalidade da lei (mais lógico). igualando o objeto das ações). enquanto da ADC é apenas lei ou ato normativo federal. audiências públicas etc). O PGR será ouvido. modulação dos efeitos. Isso não ocorre na ADI. 65 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . pois há a PEC 358-A. Antes da EC 45 a legitimidade era menor. logo. Na ADI o que se suspende é a lei ou ato normativo e não os processos. A jurisprudência do STF está se posicionando no sentido de que os fatos cada vez mais influenciam na decisão de controle. A legitimação ativa da ADC hoje é coincidente com a da ADI. A jurisprudência entende que também é cabível liminar em ADC. Os fatos da vida não podem ser desconsiderados (a lei 9868 fala em perito. O legitimado da ADC deve indicar a existência de efetiva controvérsia judicial relevante sobre a aplicação da disposição objeto da ação declaratória. Cabe ADC em face de medida provisória? Para uma prova objetiva pode-se até dizer que cabe. não é o caso na ADC. isto porque o objeto da ADC é menor. posteriormente a jurisprudência e a lei 9868 o estendeu à ADI e às liminares (exemplo de mutação). O STF não é mero órgão de consulta. O AGU não é ouvido. Medida cautelar em ADC: por decisão da maioria absoluta dos membros pode ser concedida e consiste na determinação de que os juizes e tribunais suspendam o julgamento dos processos. o período pode não ser suficiente para que a controvérsia judicial se forme.

Bloco de constitucionalidade: há determinados temas que não se exaurem em alguns artigos. Dentro da classificação de José Afonso da Silva. No mandado de injunção a omissão lesa determinadas pessoas em um caso concreto. para que em 30 dias produza o ato faltante. projetando-se para além das regras constitucionais meramente escritas e dos princípios contemplados. Na ADI por omissão não há caso concreto. 66 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE .DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Uma lei pode ser constitucional em tese. O bloco de constitucionalidade pode trazer até mesmo matéria que esteja presente na legislação infraconstitucional. Em tese a lei que estabeleceu é constitucional segundo o STF. as pessoas prejudicadas poderão pleitear perdas e danos em razão da mora estatal. que o Estado está em mora. É um conjunto de medidas e princípios que podem estar inclusive implícitos. dignidade humana etc). A partir do momento que ele não age. o STF dará ciência da mora. mas em um caso concreto (em face dos fatos em concreto) a mesma lei pode ser inconstitucional. Ex: vedação de concessão de liminar contra o poder público. Sendo competência de poder. Sendo para órgão da administração pública a natureza da ação é mandamental e obrigatória. no máximo fixa um prazo para as providencias do poder competente. estão espalhados em diversos dispositivos (igualdade. Os remédios para combater a inconstitucionalidade por omissão são o mandado de injunção e a ADI por omissão. Trata-se de uma pluralidade de acepções. A partir do momento em que o judiciário reconhece que para todos. mas em um caso concreto. não se esgotando na constituição (ADI 1552). Observe-se que na ADI por omissão há inconstitucionalidade sem nenhuma nulidade. o controle é abstrato. as normas de eficácia limitada (institutivas ou programáticas) só podem se tornar realidade mediante a atuação do legislador infraconstitucional. há uma omissão que torna a norma constitucional ineficaz (inconstitucional). Existem dois tipos de ADI por omissão: contra o poder competente (legislativo ou executivo) e contra órgão administrativo. A jurisprudência do STF terminou por igualar o mandado de injunção à ADI por omissão já que entende que não pode legislar no caso concreto (ou abstratamente) e não pode obrigar ninguém a produzir a lei. ADI por omissão A inconstitucionalidade pode se dar por ação (ADI e ADC) e por omissão (ausência de uma norma que é necessária à constituição para que o dispositivo possa ter eficácia máxima). considerando a lei inconstitucional (razoabilidade) (ADI 223-MC). é verdadeiro apelo ao legislador (doutrina alemã assim denomina). visando a concretização da idéia e ordem constitucional global. ou para as partes. na ADI por omissão. no Mandado de Injunção. Mas em tese há diferenças. Isso desde que as normas estejam vocacionadas a desenvolver a eficácia dos postulados e dos preceitos inscritos na CF. o juiz poderá conceder a liminar.

No modelo de hoje não cabe liminar (no RI do STF prevê). podendo o STF fulminar tal lei. A inconstitucionalidade que o STF reconhece é fática (violação de um princípio sensível). 36) – violação aos princípios constitucionais sensíveis (para alguns são cláusulas pétreas implícitas. 1º da lei 9882. Impedia a intervenção. A intervenção era feita por lei. mas já tendo sido utilizado outro instrumento que não solucionou o problema é cabível a ADPF. e mais uma vez é sem nulidade. Os legitimados são os mesmos da ADI. apenas vai ensejar a intervenção. não tem sobre o que se pronunciar. preceitos fundamentais) pode autorizar a intervenção federal nos estados: Art. E quem estará representando a União neste caso é o PGR. Não há de se falar em liminar ou em oitiva do AGU. Assim. CF (princípios) – violação leva o PGR a representar ao STF – reconhecimento de uma situação fática inconstitucional. é o significado atual do princípio da subsidiariedade. No inciso I do parágrafo único do Art. Atenuação do significado ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 67 . incluídos os anteriores à constituição. Tudo isso torna a ADI interventiva um instrumento peculiar. a atuação do STF é para permitir a intervenção federal por decreto do presidente. estadual ou municipal. Inseri-lo dentro do controle abstrato é um equívoco por parte da doutrina. VII. Diferenças entre MI e ADI por omissão no quadro no material de apoio???? ADI INTERVENTIVA Este nome não consta na CF. A representação interventiva é uma ação concentrada (só o STF decide a respeito) e concreta (caso concreto de violação a princípio constitucional sensível). Existe uma lide entre a União e um estado. nos termos do caput do Art. A ADPF é ação subsidiária (princípio da subsidiariedade ou do exaurimento das instancias).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO O processo é basicamente o mesmo da ADI genérica. é concreto. para outros. Em tese não é cabível. não necessariamente normativo. embora seja concentrado. Diante dessa lei o PGR poderia ir ao STF para dizer que não existiam os motivos da intervenção e que a lei era inconstitucional. O que existe é a representação interventiva por parte do PGR (Art. Hoje é totalmente diferente. ADPF Cabível a ADPF contra ato do poder público. Na CF de 1934 existia uma verdadeira ADI interventiva. 34. Existindo outro meio capaz de resolver o problema não cabe a ADPF. 1º está previsto que é cabível ADPF contra lei ou ato normativo federal.

A MP não passa por processo algum. Dessa forma. uma pela constitucionalidade e outra pela inconstitucionalidade. erga omnes e. Seus efeitos são os mesmos da ADI e ADC: vinculante. Como princípio da hermenêutica significa que o intérprete deve interpretar a lei conforme a CF e não o inverso. simplesmente é publicada. Não existe ainda decisão de mérito de ADPF no STF. não se deve dar muito valor a essa presunção (cuidado!). alguns autores dizem que a presunção de constitucionalidade não deve ser estendida às medidas provisórias. interpretar de maneira absurda. O STF não pode “inventar”. No exame de uma lei o julgador poderá se deparar com dois caminhos possíveis de interpretação (é uma possibilidade dentro da interpretação. sob pena de ferimento ao princípio da supremacia constitucional. Sendo possível a escolha entre dois caminhos. podendo ser inclusive evolutiva). Declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto: a atividade típica do STF no controle é de legislador negativo. já que a lei goza de presunção de constitucionalidade. daí ainda existirem muitas dúvidas a respeito do instituto. ex tunc. Sob o ponto de vista do controle. Não pode contrariar o sentido inequívoco que o legislativo pretendeu dar (decisão do STF considerou a vontade do legislador. mas hoje. desde que não sejam absurdos). em regra. Por decisão de maioria absoluta cabe liminar. afastando a possibilidade de interpretação diversa. a vontade que é aferida é a da lei. É possível veto em ADPF? Existem duas posições do STF. Não sendo possível a interpretação conforme a constituição ele deve julgar procedente a ADI. reduzindo ou retirando do ordenamento texto inconstitucional. Assim. deve-se escolher aquele que diz que a lei é boa.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO literal do princípio da subsidiariedade quando o prosseguimento de ações nas vias ordinárias não se mostra apto para afastar a lesão a preceito fundamental. a ADI em julgamento será julgada improcedente e sendo ADC será procedente. Em recesso o relator pode conceder a liminar monocraticamente. A medida provisória não deve ter presunção de constitucionalidade com base nos argumentos de que a lei goza da presunção (passa por todo o processo legislativo). A ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 68 . TÉCNICAS DE CONSTITUCIONALIDADE JULGAMENTO NO CONTROLE DE Interpretação conforme a constituição: é ao mesmo tempo um princípio de hermenêutica e uma técnica de controle de constitucionalidade. pois estaria na verdade legislando. mas não é a mesma coisa. é constitucional. é parecido. com efeito vinculante.

mas sem revogar nada. É também uma forma de interpretação conforme a constituição. Na declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto a ADI é julgada procedente e a ADC improcedente. Mas em concreto a realidade é que a defensoria não tem condições de absorver essa demanda. sem a limitação que o presidente da república tem no veto (não pode vetar palavra ou expressão). Abstratamente a norma é inconstitucional. porque a lei pode se tornar inconstitucional (STF). enquanto o MP está muito mais bem estruturado. mas não declara a nulidade. O julgamento de uma ADC procedente não impede uma ADI no futuro. 69 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . Isso pode ocorrer na ADI ou ADC quando o intérprete se vale da técnica da lei ainda constitucional. Declaração de inconstitucionalidade sem pronúncia de nulidade: declara a inconstitucionalidade. por isso é preciso se valer da técnica. Declarar a inconstitucionalidade concreta produziria um prejuízo maior aos direitos fundamentais. Tal fato pode acontecer porque circunstâncias fáticas da realidade mudaram (cada vez mais os fatos influenciam a interpretação sobre a constitucionalidade ou não). a lei se torna inconstitucional. uma determinada interpretação por meio da técnica de declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto. As circunstâncias. enquanto a defensoria estiver desaparelhada o MP poderá mover a ação civil ex delito. ADI interventiva. assim. que não seriam efetivados. ADI por omissão. é a inconstitucionalidade progressiva. por um aspecto formal. O mesmo pode se dizer que a lei que dá prazo diferenciado para a defensoria (lei 1. e por conseqüência. Declaração de lei ainda constitucional: algo pode ser constitucional hoje e inconstitucional amanhã. A diferença é que na interpretação conforme a ADI é julgada improcedente ou a ADC procedente. simplesmente porque não há como retirar da lei só o que se quer. a redação da lei leva a uma necessidade de dizer que a lei é inconstitucional.060/50). onde. nenhuma palavra. Por isso pode-se dizer que a inconstitucionalidade é desejada. a forma não permite. A partir do momento em que a defensoria alcançar a estruturação desejada. 68 do CPP (MP move ação civil ex delito para o pobre). provando que nem tudo que é inconstitucional é nulo (teoria do funcionário de fato. sem que lei ou a CF mudasse. Apelo ao legislador: hipótese típica da ADI por omissão no caso do poder que está em mora.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO inconstitucionalidade vem acompanhada da revogação de um texto de lei (integralmente ou de parte). A situação é de que da forma como está redigido não há como reduzir nada. Declara-se inconstitucional. 68 do CPP é ainda constitucional. ou seja. a declaração de constitucionalidade ou inconstitucionalidade poderá variar no tempo e no lugar. Ex: Art. Há determinadas situações. O STF admite que o Art. Pela CF quem move ação para o hipossuficiente é a defensoria pública. esses dispositivos tornar-se-ão inconstitucionais. modulação dos efeitos da ADI etc).

A autonomia é a capacidade de o estado tomar decisões dentro de determinadas competências. permite o direito de secessão). os Estados Unidos da América. enquanto a fonte de poder regional se impõe em determinada região e podem ter pontos diferentes. é isolacionista). soberano é o estado que não está sujeito a ordem jurídica de outro estado. que á a municipal. foederes = pacto. Hoje. estão reunidos. Cada estado deixa de ser soberano. Federação: o Estado é composto pelos elementos político. Os estados deixaram de ser estados confederados soberanos. A idéia partiu da Inglaterra (13 colônias inglesas que se tornaram estados soberanos – qualidade de um estado que é capaz de decidir em última instância todos os assuntos de seu interesse. foi reputado insuficiente para atender a todos os estados (durou apenas seis anos). dissolveu-se então a confederação e em 1787. as decisões só valem se cada estado internamente se submeter às decisões. mas devendo-se se curvar às decisões centrais do estado soberano. união entre estados. aliança. Era um pacto confederativo. formaram em 1781 uma confederação (forma de reunião de estados soberanos. criaram a federação. Entretanto. mas continuam soberanos. para serem estados federados autônomos. Há ainda uma terceira fonte de poder político local. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 70 . No estado federado. Formaram. no território tem-se uma subdivisão geográfica. A fonte central se faz valer em todo o território nacional.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO ORGANIZAÇÃO DO ESTADO E DA FEDERAÇÃO O Estado pode assumir duas formas: federal ou unitária. mas apenas à sua própria ordem jurídica e à ordem jurídica internacional. geográfico e humano. A palavra federação vem do latim foedus. para formar um único estado novo soberano resultado da união de estados membros autônomos (estado central soberano + estados regionais autônomos) indissolúveis. Se a fonte de poder é unitária. uma única fonte de poder em todo o território. idéia clássica de soberania que não responde mais o conceito de soberania. A forma de Estado vai variar de acordo com os elementos político e geográfico (poder sobre o território). Foi uma forma de colaboração entre as colônias a fim de se protegerem mutuamente contra as constantes ameaças da metrópole inglesa. Ainda sobre os 13 estados soberanos. Nesta forma há mais de uma fonte de poder político no mesmo território. tem-se um Estado unitário. com uma fonte de poder central e em cada subdivisão uma outra fonte de poder que incide apenas ali. na Convenção de Filadélfia. completando essas múltiplas fontes de obrigações em um mesmo Estado. então. tem que ser ratificada pelo estado soberano.

o poder é mais bem dividido. Em ambos os casos há uma repartição de competências. CF). Não significa que todo estado bicameral é federado. espalhado). Diferente do processo de formação histórico. formando-se a república federada com um poder central e poderes regionais. os estados são mais fracos e com autonomia restrita. 46). * Constituição rígida para assegurar a repartição de tarefas sem ser modificada por lei ordinária. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 71 . e foi lá que surgiu a idéia. concentrado).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Assim a origem de estado federado se deu com a formação dos Estados Unidos da América (antigas 13 colônias inglesas). chamada de federação centrífuga (Brasil). Características básicas do modelo federal: * Descentralização político-administrativa constitucional: repartição de competências entre as entidades federadas. A força na agregação é uma força que vem de fora para dentro. Isso se explica pelo processo histórico por que passaram. mas é estado unitário. Bicameralismo: Senado + Câmara. por isso a doutrina denomina de federação centrípeta (EUA). 1º. converge para o centro. ela foge do centro. Daí conclui-se existirem dois modelos de federação: federação por agregação (EUA) e federação por desagregação (Brasil). os estados são fortes e têm grande autonomia. ao contrário do processo histórico por que passaram os Estados Unidos. O estado soberano unitário se dividiu. * Órgão de manifestação da vontade dos estados membros: Senado Federal (Art. não há direito de secessão (Art. mas há uma variação entre a quantidade de poderes que é atribuído ao poder central ou aos estados membros a depender do modelo de federação. estados autônomos. * Auto-organização dos estados-membros por constituições estaduais. na Inglaterra há bicameralismo. para onde ele se dirige (e não do ponto de vista histórico). Na desagregação a força vai do centro para fora. por desagregação  federação centrípeta (poder central maior. o poder é mais concentrado no poder central. No Brasil o estado era unitário monárquico e posteriormente foram criadas divisões territoriais. isto. * Controle de constitucionalidade como mecanismo de preservação da repartição de competências constitucionais. Na federação por agregação. Já na federação por desagregação. e nesse ponto de vista o conceito se inverte: por agregação  federação centrífuga (poder maior nas regiões. Alguns autores utilizam “centrípeta e centrífuga” para explicar o poder. * Princípio da indissolubilidade ou indissociabilidade: nenhum estado pode decidir sair.

há diferenças entre estados e União. sob esse ponto de vista. Nesse ponto de vista a nossa federação é simétrica. Representa o Brasil em nome da soberania. Federalismo simétrico: as entidades federadas se organizam à luz do modelo clássico e com isso é formada uma simetria entre o modelo federal e o estadual. Federalismo cooperativo – trabalhar conjuntamente (Art. pois não corresponde ao modelo clássico supra. A federação brasileira é tricotômica e não dual. José Afonso da Silva diz que município não é entidade federada. STF entende os municípios como entidade federada (doutrina majoritária).autonomia). não estão numa relação de subordinação. Teriam natureza jurídica de autarquia territorial ligada à Administração direta. Há uma outra forma de entendimento de simetria. Estados-membros e Municípios com competências próprias.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO * Autonomia financeira: recursos próprios. há ainda o DF (federação seria na verdade “quádrupla”). 19: liberdade religiosa. A nossa federação. E a União possui autonomia recíproca com os estadosmembros no plano interno e soberania no plano externo (as características básicas de federação estabelecem reciprocidade apenas entre os estados). Cada estado tem que obedecer simetricamente o modelo clássico. 1º e 18 da CF). sem religião oficial. como o modelo clássico. mas Estado é laico. Uma federação simétrica onde todos os estados se relacionam entre si. Podem relacionar-se com pessoa jurídica de direito privado internacional. 23. não são unidades federadas (Arts. No federalismo assimétrico. Modelos de federação: Clássico. parágrafo único. e a União tem que respeitar as decisões que são próprias de determinado estado-membro. mas não têm soberania. há uma igualdade (ex: todos os estados têm 3 senadores). * Autonomia recíproca entre os estados-membros. UNIÃO: entidade federada. União. Tríplice ou tricotômico: modelo brasileiro. é assimétrica. O que não impede a cooperação. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 72 . Além deles. não há hierarquia (autonomia recíproca). Como pessoa jurídica de direito público interno a União atua com autonomia em igualdade com as demais entidades federadas. Os estados podem ter relações internacionais. pessoa jurídica de direito público que possui capacidade política (pessoa jurídica de direito internacional –soberania e de direito interno . CF). com a CF e com a União da mesma forma. Uma simetria entre as entidades federadas. Territórios (se existirem) integram a União. mas não é a posição que prevalece nem na doutrina nem na jurisprudência do Supremo. Ex: Fundef – não é cada um por si. Art. Cada um dos estados tem suas competências próprias. dual ou dúplice: reparte a competência entre duas entidades: União e estados-membros.

ESTADOS FEDERADOS são organizações jurídicas das coletividades regionais para o exercício autônomo das competências constitucionais. só é fundamental para a defesa nacional. Pode se ter o terreno de marinha já engolido pelo mar (parâmetro de 1891). II).760/46  33 metros do preamar médio de 1891. lhas oceânicas (distantes) e próximas. *Autonomia financeira. Rios. 28) e judiciário (Art. 20. § 1º: cooperativismo federalista: a União é a proprietária. terreno de marinha sim. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 73 . lagos e quaisquer correntes de água. costeiras. Não há tamanho definido e onde tiver “areia”. mas algumas áreas podem ser dos estados (Art. 26. Praias marítimas (lei 7. 109. orçamentária e tributária. executivo (Art. Faixa de fronteira: 150 km de largura ao longo das fronteiras terrestres. 125) próprios. Ilhas lacustres: de lagos e fluviais nas zonas limítrofes. Zona econômica exclusiva: 12 – 200 milhas. 27). mas os demais entes e inclusive o proprietário do solo terá direito a participação. podendo ser instituído um regime jurídico diferenciado. Não é bem da União. *Auto-administração: administração pública estadual. EC 46 mudou o Art. Art. Plataforma continental: 200 metros de profundidade e mesmo após as 200 milhas.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Art. CF). *Auto-organização pelas constituições estaduais. É água internacional. Terra devoluta: terra que não tem registro. *Auto-legislação: leis estaduais. 200. Terrenos de marinha # praia: decreto 9. Acrescido de marinha é a parte que com o passar dos anos o mar recuou (além dos 33 metros). IV.661) (até onde começa uma outra vegetação) ou ecossistema. As ilhas são da União. mas os recursos são da União. Mar territorial: 12 milhas. que em regra são bens dos estados e não da União (só sendo indispensável à defesa das fronteiras). 20: bens da União. O estado-membro tem autonomia: *Auto-governo: os estados possuem poder legislativo (Art. praia não é medida em metros. fundamental para determinar a competência (Art. terrenos marginais e praias fluviais respectivas.

Limitação material a medida provisória estadual: MP estadual não pode tratar de serviço local de gás canalizado. 11. logo. região metropolitana: tem continuidade urbana. Art. aglomerados urbanos: carente de definição ainda). 28: poder executivo estadual. Art. Art. * Auto-organização: lei orgânica municipal. Normas repetidas obrigatórias ou normas centrais da federação. Art. Bens: águas. Deputado estadual ganha no máximo 75% do que ganha deputado federal. não tem poder judiciário. 25. ADCT). Art. Governador pode tomar posse em cargo público (concurso). Pode ter área particular em ilha. EC 46: ilhas que tinham sede dos municípios passam a ser dos estados. MUNICÍPIOS: é entidade federada? Tem autonomia? *Auto-governo: poder executivo e poder legislativo. 36 + 28 = 74. As repetidas podem ser obrigatórias (simetria) ou facultativas (ex: MP). mas não pode entrar em exercício. Art. Se adotar a norma repetida facultativa terá que seguir a simetria. § 1º: simetria no regime jurídico dos parlamentares. Ex: 40 deputados federais: 3 X 40 = 120. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 74 . quem já tinha até 1988. 18. áreas nas ilhas oceânicas e costeiras. 25. 45. 40  12x3 = 36  28x1 = 28. § 3º: plebiscito + lei complementar do congresso nacional para que estados desmembrem-se. incorporem-se etc. 25: observar também o princípio da simetria (Art. § 3º: subdivisão dentro do estado por lei complementar estadual: os estados é que criam as regiões (microrregião: não tem continuidade urbana. mínimo de 24 deputados estaduais e máximo de 94. A constituição estadual possui normas próprias e normas repetidas. Limitação ao triplo: 12 primeiros entram na regra do triplo. 27: poder legislativo estadual: número de deputados estaduais. a do estado é o serviço de distribuição local do gás.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO *Art. § 1º: número máximo de 70 e mínimo de 8 deputados federais. ADI – TJ: CE (norma de repetição obrigatória) X lei estadual ou lei municipal: cabe RE excepcionalmente em controle abstrato estadual (RE com efeitos diferentes do tradicional – excepcionalmente erga omnes). § 2º: serviço local que não é competência do município – exceção: exploração de gás natural é da União.

menos de 200 mil eleitores: 1 turno. por isso a maioria entende ser entidade federada. 29. Dependerá caso a caso da matéria. Nem todos os crimes serão julgados pelo TJ. VIII: inviolabilidade material (imunidade) com limitação geográfica: só em seu município. Art. o auxílio é sempre por TCE ou TC para todos os municípios (estadual). A CE pode ser inconstitucional em face da CF. Art. Art. dos municípios. TC emite parecer prévio sobre as contas do prefeito. CF e Art. Crime eleitoral: TRE. só os crimes comuns. Dentro do município só no exercício do mandato. e mesmo tratando de matérias de seu município em outro lugar não está acobertado. O raciocínio não é o mesmo do da CF. TC municípios: órgão estadual. do município. Políticoadministrativa não. não vincula. IV: número mínimo e máximo de vereadores. Exceção: MS impetrado em face de ato de prefeito da capital (TJ – na CE e não na CF). Crimes federais: TRF (interpretação do STF). A lei municipal não pode criar foro “privilegiado” e nem imunidade formal (autorização da Câmara Legislativa) para vereadores (inconstitucional). § 4º: é vedada a criação na estrutura dos municípios. CE x LOM (ou outra lei municipal)  a CE não pode invadir a competência municipal ditada pela CF. não há liberdade de escolha do número. *Autonomia financeira. STF entende que não cabe ao município decidir como achar conveniente o número de vereadores. após.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO *Auto-legislação: leis municipais. Na tribuna a imunidade atinge mesmo palavras fora do exercício do mandato. Legislativo com o auxílio do TC: do Estado. Art. 29. Art. A única diferença dos estados é que não tem poder judiciário. 29. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 75 . TCE: órgão estadual. 11 ADCT: municípios obedecem aos princípio da CE e da CF. nem sempre a CE prevalecerá. orçamentária e tributária. 31. * Auto-administração: administração pública municipal. 29. Controle pelo poder legislativo e executivo (externo e interno). 29. VI e VII). TCM: órgão municipal. CE x LOM: depende. II: mais de 200 mil eleitores: 2 turnos. A imunidade é civil e parlamentar. prevalece a mais restritiva no caso concreto. Subsídio dos vereadores sujeito a várias limitações (Art. mas para contrariar exige o voto de 2/3 da câmara municipal. Julgamento do prefeito pelo TJ: penal apenas. Em 5/10/88 quem tinha TCM permanece (só RJ e SP). Existe uma tabela em acórdãos do STF.

Lei federal (e não distrital) é que irá disciplinar. câmara territorial com competência deliberativa e não legislativa. defensoria. Não é um órgão legislativo (4 deputados federais). não tinha capacidade política. por isso. Disciplinado na CF por meio de técnicas de repartição de competência. Lei Orgânica: votada em 2 turnos. § 3º: não significa que a publicidade se limita a 60 dias. Caso tenha mais de 100 mil habitantes (e não eleitores) haverá Judiciário (1ª e 2ª instancias) – TJDFT e MPDFT. só significa que terá que pedir. Art. não têm capacidade política. nem autonomia. podendo. REPARTIÇÃO DE COMPETÊNCIAS: Existe a necessidade de repartição de competências a fim de se evitar a ausência estatal e dupla atuação sobre um mesmo assunto (omissão e superposição – desperdício). possuem competência própria. União: poder central. várias funções dos estados no DF são mantidas pela União (cria e mantém). DISTRITO FEDERAL: substituiu o antigo município neutro. Qualquer cidadão poderá pedir. O governo do DF otimiza esses órgãos. Tinha natureza de autarquia especial territorial. portanto. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 76 . TERRITÓRIOS: são ligados à União. Caso fosse criado. a com competência repartidas de acordo com a predominância do interesse (geral. tomam decisões. apenas para tomar algumas decisões.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Art. DF tem função específica de abrigar a capital federal. haver 2 turnos. Podem ser divididos em municípios. As contas são submetidas ao Congresso Nacional. Nada deve ser levado ao plano mais elevado se puder ser satisfatoriamente atendido por um plano mais baixo. Eleição para governador e vice-governador com as regras do Art. com parecer prévio do TCU. Antes de 88 não era entidade federada. § 2º: criação regulada por lei complementar. seria uma autarquia territorial ligado à administração direta. Governador nomeado pelo presidente da república após aprovação do Senado Federal. A repartição precisa ser racional. 77 (maioria absoluta). 31. Não é entidade federada. 18. estados: poder regional e municípios: poder local. partindo-se do princípio da predominância do interesse em relação a determinado assunto. com interstício mínimo de 20 dias e com 2/3 de votos. regional ou local). Vedação da divisão em municípios: competência legislativa (câmara legislativa): matéria dos estados e municípios. Todos legislam. Passou em 88 a ter natureza jurídica de pessoa jurídica de direito público interno com capacidade política (entidade federada).

organizada para evitar a duplicidade de esforços. Há 77 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . mas não o de chegada. Normas Suplementares: Estados. não é competência derivada. Art. mas de forma mista. 24). Em matéria de impostos essa foi a técnica adotada pela CF (Art. mais uma razão para não ser puramente utilizadas. mas não suficiente). Há várias matérias em que não é possível identificar o interesse predominante (o princípio é útil. Assim. Art. Eles já podem desde logo legislar naquelas matérias. Arts. respectivamente). Correlacionando as tarefas com os poderes dos entes pode-se encontrar competências: * Administrativas (materiais ou executivas) * Legislativas A competência material pode ser de dois tipos: exclusiva (tarefas que devem ser exercidas somente por um ente. *Enumeração dos poderes da União e dos estados e o residual para a União. 23). privativa (admite delegação por lei complementar. Para legislar a competência pode ser: exclusiva (não admite delegação. 22) e concorrente (para normas gerais e suplementares. deixa consignado que se algo for esquecido será da competência da União. Aqui essas regras não foram utilizadas de forma pura. cooperativa. *Enumeração dos poderes dos estados e o remanescente para a União (Canadá). 154). A primeira delas é o ponto de partida para a nossa repartição. Normas gerais: União. 21) e comum (tarefas que devem ser desempenhadas por todos os entes. já no residual. Art. mas em princípio a União deve fazer tudo. Competências: são as matérias que devem ser desempenhadas pelas entidades de direito público. há a intenção de esgotar e por precaução. há campos de atuação conjunta. Art. No remanescente não há a intenção de esgotar todas as possibilidades.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Técnicas formais de repartição de competências: *Enumeração dos poderes da União e o remanescente para os estados (EUA). Quando o estado legisla pela competência privativa por delegação sua competência é derivada e não originária e é feita por lei complementar. As técnicas supra mencionam apenas União e estados (federalismo clássico) e aqui o federalismo é o tricotômico. Na concorrente é competência originária do estado suplementar as normas gerais da União. 25 e 29 elaboração de CE e LOM.

22. é competência privativa. suspenderá a eficácia da lei estadual. II. 21/22 e 23/24. deve-se maximizar os recursos. parágrafo único: federalismo cooperativo. logo. 22. salvo a matéria de dano nuclear. 24. procedimento em matéria processual é concorrente. XXIII: seguridade social só da União. no que for contrário (Art. Formais: observar determinada forma. o restante é concorrente. XIII: a União institui e mantém. temporariedade. cassação de mandatos. mas isso não significa que cada um faz como quer ignorando o outro. Princípios: excepcionalidade. INTERVENÇÃO Sistema constitucional de solução de crises: são as medidas provisórias. que não é ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 78 . estados de exceção  estado de defesa e sítio e a intervenção. 30. Em regra a entidade que vai legislar é também a que vai executar. Art. está expresso. Caso a União não legisle normas gerais. o restante é competência municipal. formalidade. A intervenção é algo que foge à normalidade em uma situação excepcional de crise. 21. impeachment. Fáticos: motivos capazes de ensejar a intervenção. princípio 4º). um ente cooperando com o outro (no trânsito. 22. Art. 21. XVII: apesar de ser o DF é competência legislativa da União. Existe uma correlação entre os Arts. interpretação restritiva. Pressupostos: fático e formal. XXIV: apenas diretrizes e bases. XXIII. 24. necessidade. caso venha norma superveniente da União sobre a matéria. necessidade. 21. os estados poderão fazê-lo integralmente. Art. Apenas alguns dispositivos podem gerar dúvidas: Art. 22.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO competência suplementar dos municípios no Art. 24. no entanto. XI: processo é competência da União. Art. XXI e XXVII: apesar de falar em normas gerais não é competência concorrente. 225 diz que a responsabilidade ambiental é objetiva. Art. Não podem ser aplicados os parágrafos do Art. c: Art. XX: União apenas institui diretrizes para o desenvolvimento urbano. os estados não podem legislar supletivamente. na saúde. na educação etc). Art. Quando se faz a repartição de competências algumas coisas são comuns. mas não está na CF. Previdência social: União e Estados Art. A regra é a não intervenção. 23. Art.

Art.c Aristóteles divisou as três básicas funções: dentro de uma sociedade aquele ser que desempenha poder desenvolve basicamente três atribuições: cria a regra geral bem-viver nos casos concretos. 36. 35. A violação a eles dá ensejo a representação interventiva (ADI interventiva). o responsável civil pelos seus atos pode recair: atos vinculados ao objeto central da intervenção  União. dispensa o controle do legislativo também. § 1º. mas em menor grau. terá. Outra afirma sempre haver conveniência e oportunidade por parte do cheque do executivo). ela varia de acordo com o motivo. Art. Se o motivo for a coação a um dos poderes. 34. § 1º: forma geral é pelo decreto do chefe do executivo. PODER JUDICIÁRIO – Pedro Taques 390 a. para parte da doutrina. Quanto à conveniência e oportunidade não há. IV: pressuposto específico de forma. Em alguns casos pode ser dispensada a apreciação do legislativo (Art. 36. 36. Alguns chamam também de preceitos fundamentais. § 1º). Há controle judicial em relação aos pressupostos formais.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO única. 60. isso. VI e VII). dependerá de representação (solicitação) do poder legislativo ou poder executivo e requisição do STF. Há uma forma geral (decreto presidencial) e outra específica. Existindo interventor. podendo ensejar ADPF. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 79 . § 3º. 35. A nomeação de interventor não é obrigatória (Art. hipóteses da ADI interventiva. Não há nos casos do Art. segundo a doutrina). Motivos para intervenção dos estados nos municípios e União nos municípios em território: Art. Art. 34. A intervenção depende de juízo de conveniência e oportunidade do chefe do executivo. atos normais do cotidiano  estado (varia de acordo com a natureza do ato praticado. resolve os conflitos de interesse. VII  princípios constitucionais sensíveis. Motivos: Art. o decreto pode depender de solicitação (conveniência e oportunidade mantidas) ou de requisição (não cabe ao executivo fazer juízo de conveniência e oportunidade. Motivos que podem levar à intervenção da União nos estados e DF. 36: pressupostos formais. dependendo do motivo. Como já houve apreciação judiciária. Decretada a intervenção a constituição não poderá ser emendada: Art.

executivo e jurisdicional. Período dos contratualistas. 4) Objetivos. É possível identificar os elementos constitutivos do estado: 1) Poder ou soberania ou organização. coercibilidade). há a divisão orgânica de poder (não identificado por Aristóteles e Locke). assim. Michel Temer (Elementos do Direito Constitucional) revela três acepções do termo poder na constituição: poder significando soberania (Art. Poder político quer dizer possibilidade de imposição da violência legítima. a partir dele. possibilidade de impor vontade sobre vontade de terceiros. com exceção da de 1824 (adotou o poder moderador como 4º poder) adotaram a construção tripartite do poder. independente. executiva (Art. 2) Povo (nacionais). 92). o poder uno (Art. Poder é capacidade. cidadão e eleitoral. Todas as nossas constituições. Não existe outro centro de poder que possa impor a violência legítima (coação. São teoria que fundamenta a origem do Estado (sociedade politicamente organizada dotada de território. 1º) se manifesta por órgãos legislativo. A partir desse momento (1789) surgiu o movimento contratualistas (1762 – Rousseau): cada um abre mão de parcela dos próprios direitos e coloca sob a responsabilidade do Estado. 1º. Poder como órgão (Art. 1748 (Montesquieu): identificou as funções de Aristóteles e Locke e avançou. contra o absolutismo). mas pode mudar tendo em vista a realidade de determinado estado. executivo. é o poder que constituiu um determinado estado. A constituição francesa fala em função governativa (executiva e legislativa) e judicial. Essa divisão orgânica é divisão científica? Ela é histórica? É histórica (luta contra o exercício hipertrofiado do poder. parágrafo único). 2º). Dizia que para que nos pudéssemos voltar ao estado da natureza a sociedade se organizar e o poder deve ser exercido por um governo civil. Poder significando função. Alexandre de Morais fala que o ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 80 . Esse poder é indivisível. aplica e resolve os conflitos. O poder no âmbito do Estado é o poder político. A CF dá ao termo poder vários sentidos. povo e objetivos). 3) Território. dizendo que o poder não seja hipertrofiado . há a função legislativa (Art. único. 44). judicial. Cada uma das funções deve ser desempenhada por órgão distinto.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO 1690 (Locke) igualmente identificou no ser que exerce poder dentro da sociedade desempenharia três funções também: cria. Ex: a constituição da Venezuela fala da existência de cinco poderes: legislativo. 76) e jurisdicional (Art. o poder não pode ser unipessoal com as três funções básicas.

substitutividade e definitividade. Significa inafastabilidade da prestação jurisdicional (princípio da indeclinabilidade jurisdicional ou direito constitucional de ação – Art. 5º. Função legislativa: o órgão legislativo desempenha duas funções. a de inovação da ordem jurídica e fiscalização (Arts. 5º. Substitutividade: significa monopólio da jurisdição. sobretudo a partir da declaração universal dos direitos do homem e do cidadão (1789): se uma constituição não estabelecer a divisão de poderes ele não tem constituição. A partir da revolução francesa. Inércia: não existe jurisdição de ofício. 58 e 70 a 75). Porque a jurisdição é inerte. O juiz não pode agir de ofício sob pena de comprometer a sua capacidade subjetiva (imparcialidade). Surge o momento constitucionalista: ofertar direitos e garantias fundamentais do cidadão e divisão orgânica de poderes. a CF previu as funções essenciais da justiça MP e OAB (capacidade postulatória). após o ajuizamento da ação o juiz possui poderes instrutórios (Arts. ou seja. não é formalmente poder. Juízo arbitral é contenda que não será levada ao judiciário. mas essa é uma exceção. Há exceções em que o cidadão pode exercer as suas próprias razões. I – sistema processual penal acusatório – separação entre quem acusa e julga. A prestação jurisdicional é a tempo ou tempestiva. LXXVIII). direito adquirido e ato jurídico perfeito). 217. 345 do CP. 129 do CPC e 209 e 156 do CPP). § 1º). Definitividade: o poder judiciário tem por função aplicar a lei ao caso concreto. XXXV). porque na constituição a justiça que tarda é injustiça. O Estado substituindo a vontade das partes resolve os conflitos de interesse. no entanto. Montesquieu criou a divisão orgânica para regrar a atuação do Estado. Essa razoabilidade significa proibição de excesso. 5º. Existem algumas exceções. 81 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . Os processualistas dão o nome de definitividade à qualidade dos efeitos da sentença. A segunda exceção é o manejo do habeas data. só o poder judiciário poder trazer a segurança jurídica (Art.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO MP é instituição extra-poder. observado o Art. Função jurisdicional: é o poder-dever do Estado de aplicar o direito ao caso concreto. Art. A regra é a indeclinabilidade jurisdicional. 5º. substituindo a vontade das partes com a força definitiva. XXXVI – trilogia da irretroatividade: coisa julgada. caput). essa aplicação deve trazer a segurança jurídica. coisa julgada. de morosidade. só é possível após o esgotamento das vias administrativas (o STF já reconheceu que a exceção é constitucional). Em razão disso a EC 45 estabeleceu que o processo deve ter um prazo razoável (Art. Essa definitividade é uma imposição do princípio da segurança jurídica (Art. Essa função jurisdicional tem determinadas características: inércia. 129. há subtração da prestação jurisdicional: não é possível se valer da via jurisdicional antes de esgotar as vias da justiça desportiva (Art. No entanto. mas os seus membros têm garantia de poder. Só o Estado tem o monopólio da violência legítima.

Formas de acesso aos quadros do poder judiciário: a CF estabelece três formas de acesso. Ex: revisão pro reo. § 3º). TST (TRT – juízes do trabalho). durante o exercício da função eleitoral. pois a justiça eleitoral não tem quadro próprio de juízes. Como regra só pode ser presidente um dos ministros do STF. Esses ministros são escolhidos da seguinte forma: 3 do STF. a CF permite que a justiça estadual tenha justiça militar – TJ e conselho de justiça militar para estado que tenha mais de 20. 2 do STJ e 2 advogados escolhidos pelo presidente da república de uma lista fornecida pelo STF. Relativização da coisa julgada. Desta feita. STF  STJ (justiça comum estadual – TJ – juízes de direito e federal – TRF – juízes federais). erro material não faz coisa julgada. TRE: um por estado da federação e é composto por 7 juízes. Quinto constitucional: Estrutura do poder judiciário: em razão da nossa cultura jurídica (romano-germânica) o nosso judiciário tem estrutura absolutamente complexa. Composição do TSE: no mínimo 7 juízes que são denominados ministros. Crítica: a justiça eleitoral é federal. mas ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 82 . Todos que exercem função eleitoral o fazem por mandato de 2 anos. Dos 11 ministros do STF é feito um rodízio dos que oficiarão no TSE. a própria segurança jurídica não é absoluta. 1. 2 advogados escolhidos pelo presidente da república de uma lista fornecida pelo TJ e 1 representante da magistratura federal. não procuram justiça. TSE (TRE – juízes eleitorais e juntas eleitorais) e STM (tribunal militar e auditorias militares. mas em uma lei. o juiz de direito é servidor público federal (quem paga subsídio para o juiz eleitoral é a União). STJ e TSE a constituição fala em mínimo e não um número fixo. o juiz de direito desempenha função eleitoral.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Em regra não existem direitos fundamentais absolutos.Art. MG . procuram pacificação social. STF já reconheceu que a coisa julgada não pode ofender princípios constitucionais (desapropriação superfaturada). permitida uma única recondução por mais 2 anos. 125. 2 juízes de direito de entrância especial. Um dos dois do STJ será corregedor geral eleitoral.000 componentes entre PM e bombeiros – SP. Não obstante. RS. Cultura anglo-saxônica é bem mais simples (ex: Estados Unidos). Exerce em face do princípio da delegação (a CF delega ao juiz de direito função eleitoral). O judiciário não está previsto na constituição. é relativa. resolver conflito de interesses de forma pragmática (ex: Michael Jackson). Escolha pelo presidente da república após aprovação do senado: 3. Concurso público de provas e títulos: 2. Justiça Eleitoral As justiças especializadas são justiças federais. em sendo assim. 2 são desembargadores do TJ.

12. Junta eleitoral: a CF não fala sobre sua composição. os tribunais militares ainda não foram criados. 1 juiz auditor militar e 1 representante do MPM.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO quem comanda os TREs são os juízes estaduais. A justiça eleitoral não é dividida em comarca. A EC 45 inovou no tocante à justiça militar estadual: a justiça militar estadual nunca julga civis.000 existe concurso próprio para juiz auditor militar. Ela só possui jurisdição criminal. Ela é presidida pelo juiz auditor militar (concurso próprio) e exerce sua função em dois órgãos distintos: conselho de justiça militar especial e conselho de justiça militar comum. julga atos disciplinares praticados por militar. No entanto. também jurisdição não-criminal. todos togados e vitalícios. Justiça militar dos estados possui jurisdição criminal e a partir da EC 45. Os 5 civis podem ser natos ou naturalizados. 4 do comando do exército e 3 do comando da aeronáutica). Composta por 2 ou 4 cidadãos e presidida pelo juiz de direito exercendo a função eleitoral.3 do comando da marinha. Desses. O conselho funciona como colegiado ou singularmente. A justiça militar da União é composta pelo STM. 10 são militares (oficiais generais – última patente . mas em zonas eleitorais. nos estados em que o efetivo da PM e CBM for superior a 20. § 3º). os juízes poderão acompanhar as tropas militares. que em regra é juiz de direito designado pelo TJ para oficiar na auditoria militar. É presidido pelo juiz auditor militar. 3 são advogados escolhidos pelo presidente. 1º grau de jurisdição da justiça militar estadual: conselho de justiça militar. inovação. Estes 10 só poderão ser brasileiros natos (Art. São escolhidos pelo presidente da república e devem ter o nome aprovado pelo senado. Juiz eleitoral é o juiz de direito que por delegação exerce função eleitoral. ficando a cargo do Código Eleitoral. Justiça Militar Conhecida como justiça castrense. Só pode ser presidente do TRE um dos dois desembargadores do TJ. ou cível (lato sensu). A justiça militar da União julga além dos componentes das forças armadas. Afeta a inamovibilidade. O STM é composto por 15 juízes que levam o nome de ministros. A justiça militar estadual não julga civil nunca. serão criados por lei para atuação em época de guerra. Dos 15 ministros do STM. civis pela prática de crimes militares (Decreto-lei 1001/69). no entanto. Auditorias militares: primeiro grau de jurisdição da justiça militar. tribunais militares e auditorias militares. A CF reconhece duas: a justiça militar da União e a das unidades federadas. a justiça militar estadual não julga crimes dolosos contra ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 83 .

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a vida praticados por PMs contra civis. A emenda constitucionalizou a lei 9299/96. Crime militar cuja vítima for civil o julgamento será feito pelo juiz auditor militar de forma singular e não pelo conselho da justiça militar. Crime militar praticado por PM com vítima militar será julgado pelo conselho de justiça militar atuando de forma colegiada (Art. 125, § § 4º e 5º). A justiça militar estadual nunca julga crime de abuso de autoridade (lei 4898/65), quem julga é a justiça comum. A justiça militar estadual não julga crimes culposos cometidos por militares previstos no CTB, são julgados pela justiça estadual. Não existe conexão entre o crime militar e o comum, desmembra-se o julgamento. Justiça comum federal: a CF dividiu o território nacional em cinco regiões federais. Cada uma é sede de um TRF. É possível a criação de outros tribunais. Número mínimo de desembargadores federais é de 7. TRF 1ª região: sede em Brasília/DF e mais 14 estados da federação (todos do norte, centro-oeste e Minas Gerais, Bahia, Maranhão, Piauí). TRF 2ª região: sede no Rio de Janeiro/RJ. Estados são Rio de Janeiro e Espírito Santo. TRF 3ª região: sede em São Paulo/SP – São Paulo e MS. TRF 4ª região: sede em Porto Alegre – Paraná, Santa Catarina e RS. TRF 5ª região: sede em Recife – estados todos do nordeste, exceto Bahia, Maranhão e Piauí. O concurso é regional e é permitida a permuta desde que haja concordância dos respectivos tribunais. Nos estados sede de TRF (DF, SP, RJ, RS, PE) o juiz federal que oficia perante o TRE não é juiz federal de 1ª jurisdição, mas sim desembargador federal (EC 45 deu essa denominação). 1º grau de jurisdição: juiz federal, não é dividida em comarcas, foro significa seção judiciária federal. Cada estado é uma seção. A seção é divida em sub-seção judiciária federal. Justiça comum estadual: no mínimo 7 desembargadores no TJ, o número varia de acordo com o estado (número de feitos e habitantes). Nos tribunais cuja composição se faz por mais de 25 membros é possível a criação de órgão especial que é composto por no mínimo 11 e máximo 15 membros. A composição do órgão especial até a EC 45 eram os 25 mais antigos, a EC 45 disse que metade dos mais antigos e metade por eleição entre os demais membros (discutido no CNJ). 84

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O CNJ (tecnicamente correto) deveria estar na estrutura do poder judiciário (abaixo do STF e acima dos tribunais superiores). No entanto, existe uma segunda posição, de que ele é órgão do poder judiciário, no entanto não desenvolve atividade jurisdicional, por isso não pode estar dentro da estrutura (Alexandre de Morais) – Art. 92, § 2º exclui o CNJ da função jurisdicional. STJ: criado pela CF/88, mas em 1965 José Afonso da Silva escreveu artigo pela criação de um tribunal nacional para unificar decisões. É composto no mínimo de 33 ministros. Os ministros são escolhidos pelo presidente da república, mediante aprovação do senado por maioria absoluta. Até a EC 45 era maioria simples. A escolha é do presidente, no entanto, ela é vinculada a determinadas categorias (ela não é livre). Ele escolhe dentre listas fornecidas pelo STJ, diversamente do que ocorre no STF. 1/3 dentre desembargadores federais dos cinco TRFs (hoje são 11); 1/3 dentre desembargadores dos TJs; 1/3 entre advogados (5) e representantes do MP (federal ou estadual - 6). STF: composto de 11 juízes que recebem o nome de ministros. Alexandre de Morais entende que a alteração do número de ministros ofende cláusula pétrea. A escolha é livre pelo presidente da república, não é vinculada a categorias. Livre dentre brasileiros que preencham os seguintes requisitos: brasileiro nato (pois está na linha sucessória do presidente da república – Arts. 12, § 3º, 81 e 101), idade mínima de 35 anos (José Afonso da Silva fala que é quando se atinge a capacidade política absoluta – Art. 14 – que é alcançada por etapas); idade máxima de 65 anos (o cidadão tem exercer no mínimo 5 anos para se aposentar compulsoriamente) (Idade máxima para ser conselheiro do CNJ é de 66 anos, isso porque o mandato é de 2 anos permitida uma única recondução, atingindo os 70); reputação ilibada (Canotilho diz que é uma expressão “viajante” – a depender do momento); notável conhecimento jurídico (conhecimento jurídico que dispensa prova (Michel Temer diz que no mínimo tem que ser bacharel em Direito). Garantias do poder judiciário: elas têm por objetivo assegurar à instituição a necessária independência frente aos demais poderes para o exercício de suas funções, afastando pressões de qualquer natureza (Art. 2º). Essas garantias podem ser divididas em dois grupos: garantias institucionais e garantias dos membros. As institucionais, por seu turno, se dividem em: autonomia funcional, administrativa e financeira (Art. 99) e modo de escolha dos dirigentes dos tribunais (Art. 96, I, a). A garantia dos membros também se reparte em dois tipos: garantia de liberdade e de imparcialidade (Alexandre de Morais e José Afonso da Silva). As garantias de liberdade se dividem em três tipos: vitaliciedade, inamovibilidade e irredutibilidade de subsídios. Imparcialidade se reparte em vedação da atividade político-partidária, vedação de acumulação de cargos, empregos ou funções, vedação de recebimento de custas e quarentena.
GARANTIAS AUTONOMIA FUNCIONAL GARANTIAS INSTITUCIONAIS ADMINISTRATIVA

VITALICIEDADE ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE

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DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO INAMOVIBILIDADE GARANTIAS DOS MEMBROS IMPARCIALIDADE ACUMULAÇÃO DE CARGOS, GOS OU FUNÇÕES ÇÃO DE RECEBIMENTO DE CUSTAS ENTENA FINANCEIRA

IRREDUTIBILIDADE

GARANTIA DE LIBERDADE POLÍTICO-PARTIDÁRIA VEDAÇÃO DE EMPRE VEDA QUAR

Garantia institucional  autonomia: auto-governo do poder judiciário, independência do próprio órgão em relação aos demais poderes do estado (Art. 99). Havendo a violação das garantias institucionais é caso de condenação por crime de responsabilidade (Art. 85). Cabe ao próprio poder judiciário sobre os cargos que dispõem o órgão, ele é que possui legitimidade, competência legislativa para apresentar projetos de lei para dispor sobre cargos. Ele apresenta ao executivo o orçamento necessário para o ano seguinte (proposta orçamentária). Se não encaminhar no prazo estabelecido o executivo mantém a do ano anterior (respeitando a LRF – LC 101). Garantia institucional  auto-governo ou função governativa (modo de escolha dos dirigentes dos tribunais): Art. 96, I, a. Elaborar RI é exemplo do desempenho de função atípica ou secundária o judiciário. O CNJ foi criado para regrar essa função governativa. Garantia dos membros: visa a independência individual do magistrado. Garantia interna (o magistrado tem independência frente aos tribunais, há subordinação administrativa) e externa (o magistrado não deve obediência a ninguém, salvo à CF e à sua própria consciência). Garantia de liberdade  vitaliciedade: em 1º grau ela é atingida após 2 anos de efetivo exercício (estágio probatório). Existe o projeto de emenda 358/05 para passar o estágio para 3 anos. Em 2º grau ela é alcançada a partir da posse, sem qualquer lapso temporal (indicação ou 5º constitucional) – Art. 95, I. Não se confunde com estabilidade: estabilidade é para servidor público stricto sensu, estabilidade alcançada após estágio probatório de 3 anos. Com a estabilidade o servidor pode perder o cargo em razão de decisão administrativa. Vitaliciedade é só para agente político, espécie de servidor público lato sensu. Em 1º grau é adquirida em 2 anos e nos tribunais a partir da posse. Aquele que é dotado do predicativo da vitaliciedade só perde o cargo em razão de sentença judicial transitada em julgado. Abrandamento da vitaliciedade de ministro do STF – pode ser condenado por crime de responsabilidade (Art. 52 e lei 1079/50). São ofertados ao magistrado para que ele possa exercer a função com independência, sem temor de violar outros poderes, não como prerrogativa pessoal. Garantia de liberdade  inamovibilidade: não podem como regra ser removido ex officio, sem iniciativa própria, por determinação. Exceção em que poderá ser removido ex officio: interesse público com voto da maioria 86 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE

É aquela não nominal. 95. uma no cursinho. MINISTÉRIO PÚBLICO Qual é a posição constitucional do MP? CF de 1824: não tratou do MP. II e 103-B. A irredutibilidade é jurídica e não real (STF). Dizia que o procurador geral da república seria escolhido dentre os ministros do STF. Os juízes militares podem ser removidos porque em guerra o juiz acompanha as tropas. * FUNÇÕES ESSENCIAIS DA JUSTIÇA Hugo Nigro Mazili critica essa denominação dada pelo constituinte. Praticar atividade político-partidária em geral.. § 4º. A primeira constituição que tratou do MP foi a republicana de 1891. * Receber custas ou participação em processo. diversamente do servidor público stricto sensu. mas ao Estado como um todo. III). nessa data o MP não foi constitucionalizado. 93. 95. Em 1832 surge o código de processo criminal do império fazia referencia ao promotor da acusação. O MP e os advogados desempenham funções não só voltadas ao Judiciário. para ele melhor seria funções essenciais ao Estado. era voto de 2/3). O CNJ também pode por interesse público remover o magistrado (Arts. salvo uma de magistério (uma na faculdade.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO absoluta dos membros do tribunal (alterado pela EC 45. em 1891 o MP fazia parte do Judiciário. entidade pública ou privada. * Filiar-se a partido político. seja cotista etc.. Garantias de imparcialidade (Art. Dessa feita. o subsídio não é majorado a cada período considerando-se a inflação do mês anterior. VIII. parágrafo único): para a manutenção da capacidade subjetiva há uma série de vedações: * Exercer outro cargo ou função. para magistrados é de seis meses (desincompatibilização – renúncia ao cargo e não licença como para outros servidores públicos). que pode ser removido por conveniência e oportunidade (discricionariedade). * Receber auxílios ou contribuições de pessoa física. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 87 . A LOMAN veda ao magistrado que participe de sociedade. Garantia de liberdade  irredutibilidade de subsídios: o magistrado não pode ter reduzido o seu subsídio porque precisa ter tranqüilidade para o exercício da jurisdição. LC 64/90 estabelece prazo de filiação a magistrado diverso: até um ano antes da eleição é a regra.? O STF não decidiu ainda). manutenção da independência. portanto.

ela foi criada para uma realidade histórica em 1748. Alguns dizem que essa foi a constituição mais democrática que tivemos. O MP passou a fazer parte do Executivo. França etc). Há na doutrina quem entenda que o MP faz parte do Executivo (minoria). Os representantes do MP não praticam atos de natureza legislativa. Não deve prevalecer como dogma. Nessa classificação considera-se a natureza jurídica do ato praticado pelos representantes do MP. como verdade absoluta. Para Hugo Nigro não interessa o MP ser poder. nem atos com força definitiva jurisdicional. mas foi constitucionalizado só no ano seguinte. Nos momentos históricos em que predominava a democracia o MP era órgão independente. O MP é uma instituição extra-poder. fala do órgão ao lado dos demais poderes. pois se originou de uma assembléia nacional constituinte (a de 1988 foi de um congresso constituinte. não se pode aplicar a doutrina da época à nossa realidade constitucional. mas não como instituição (ditadura retira a independência do órgão). logo. ato administrativo e ato jurisdicional (decisão em sentido lato). concluindo-se que os representantes do MP só poderiam praticar 88 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . Alexandre de Moraes denomina do MP como instituição permanente que tem as mesmas garantias dos poderes. A constituinte posicionou o MP fora dos três poderes da república. ou seja.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Em 1890 veio ao mundo o decreto 1030 que institucionalizou o MP. o MP sem ser poder exerce função de poder e seus membros possuem garantia de poder. ou seja. CF de 1969: alguns dizem que não houve constituição. Muitos Estados não adotam a teoria tripartite de poder (de funções) (Venezuela. MP acompanhado do TC. implicitamente o MP nessa constituição pertencia ao Executivo. Essa divisão tripartite de Montesquieu não é científica. Essa atividade estava contida dentro do Executivo. Em 1977 a nossa constituição foi emendada pela EC 07 de 1977 deixou expresso mais uma vez que o MP faria parte do Executivo (pacote de abril de 77). CF de 1934: o MP estava contido no capítulo denominado: atividades de cooperação governamental. o que interessa é a função e garantia dos membros de poder. CF de 1988: o MP não é um quarto poder porque formalmente existem apenas três poderes. mas apenas uma emenda 01 à constituição de 67. logo. que inaugurou o Estado Novo. o legislativo da União foi convertido em assembléia constituinte). CF de 1937: foi uma constituição autoritária outorgada por Getúlio Vargas. O Estado se manifesta por ato legislativo. portanto volta a ser instituição independente. CF de 1946: redemocratização do país com eleição para presidente da república. CF de 1967: o MP fazia parte do Judiciário. só havia uma referência ao PGR em um artigo. Pela constituição de 1937 o MP foi esquecido.

Para José Afonso o PGR exerce investidura por prazo certo. O PGR pode afastar o PGT com autorização do conselho superior. O PGR até 1988 era escolhido livremente pelo presidente. cada estado tem sua lei complementar própria. A CF faz referência expressa à existência de dois MPs: MPU e MP dos estados. lei 8. caso o faça será inconstitucional. permitindo-se reconduções. Até a CF de 1988 o presidente poderia afastá-lo ad nutum. MPM. o que não quer dizer que o órgão faz parte do Executivo.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO atos de natureza administrativa. O chefe administrativo do MPU é o PGR. MPT. Dentre os subprocuradores o presidente escolhe o PGR (não é regra expressa. o seu procurador geral é o próprio PGR. mas é praxe). ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 89 . Após é promovido a subprocurador geral da república oficiando perante o STJ e por delegação do PGR no STF (são 62). O concurso é nacional. O PGR pode ser reconduzido quantas vezes o presidente quiser reconduzi-lo desde que com aprovação do senado por maioria absoluta. além de desenvolver atividades extrajudiciais. Em regra lei municipal não pode tratar de MP. Com a constituição de 88 houve uma restrição à escolha do PGR. O MPU se reparte em quatro categorias: MPF. MPDFT. Hoje existem aproximadamente 680 procuradores da república. O projeto de emenda 358/05 deixa isso expresso. MPT: possui o seu procurador geral do trabalho próprio. Justifica essa denominação afirmando que o presidente com autorização prévia precedente do senado pode afastar o PGR. MPF: procurador da república que oficia em regra perante o juiz federal. Regra: além do PGR. que é regional. LC 75/93 e Lei Orgânica Nacional do MP. só pode ser PGR membros da instituição. Alexandre de Moraes diz que o presidente pode escolher dentro de qualquer um dos ramos do MPU. Segundo grau de atribuição do membro do MPF: promovido a procurador regional da república que oficia em regra perante os TRFs (são 203). Elaborada uma lista de 3 nomes encaminhada ao PGR para escolha para cumprir mandato de 2 anos. diversamente do concurso para juiz federal. Membros do MPF com mais de 35 anos indicado pelo presidente e aprovado pelo senado por maioria absoluta para exercer mandato de 2 anos. todos os ramos do MPU possuem procurador geral próprio. à exceção do MPF. No entanto essa posição é minoritária.625/93. porque entende-se que será escolhido entre os membros do MPF apenas. em regra porque é possível que o conselho superior faça uma designação especial para atuar em outro órgão (tribunal). permitindo-se uma única recondução.

Há um procurador geral do MP junto ao TCU. José Afonso não concorda. mas o MP especial. Lei 8443/92 é a lei orgânica do MP especial junto ao TCU. quem deveria oficiar seriam apenas os membros do MPE. é escolhido pelo presidente de uma lista de 3 nomes fornecida pela categoria para mandato de 2 anos permitida uma única recondução. Ele pode ser afastado mediante autorização do conselho superior. 73. Art. Quem faz a nomeação dos representantes do MPTC é o presidente da república (há concurso próprio). Art. para ele tem de ser a Câmara e o Senado. a depender de cada estado (em GO. No entanto na maioria dos estados não há essa previsão. mas somente com a autorização do legislativo da União (Senado Federal). Isso por dois motivos: caso se posicione o MP dentre de um dos poderes de república far-se-ia que esse poder ficasse super forte ou 90 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . MPE: é chefiado administrativamente pelo PGJ escolhido pelo governador do estado de uma lista de 3 nomes para mandato de 2 anos. Regra: o governador não pode afastar o PGJ. 2º grau de atribuição é como procurador de justiça. Pode ser afastado. Pode ser procurador geral de justiça promotor ou procurador. projeto de emenda não poderia modificar essa condição. permitindo-se uma única recondução.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO MPM: também possui o seu procurador geral próprio escolhido pelo PGR de uma lista de 3 nomes. O 1º grau de atribuição é como promotor de justiça. é cláusula pétrea. três subprocuradores gerais e quatro procuradores do MP junto ao TCU. 130. MG. oficiando. 127. Alexandre de Moraes entende que a CF não prevê MP especial para os estados. Não faz parte do MPU nem dos estados. só a Assembléia Legislativa. MPTCE: em alguns estados já houve concurso próprio (GO. e quem oficia é membro do MPE. faz parte da economia doméstica do TCU (ADIN 789/DF). É núcleo intangível super-rígido da CF. MPDFT: o procurador geral do MPDFT não é escolhido pelo PGR. Quem oficia não é o MPE. mas a LC 75 fala apenas no Senado. RJ é possível promotor concorrer ao cargo). O STF disse que essa lei é constitucional. CF: membros do MP junto aos tribunais de contas. I também faz referência. O STF reconheceu que se a lei/constituição estadual reconhece como um cargo próprio deve haver um concurso próprio e não compor as vagas por membros do MPE. em regra. CF: MP é instituição permanente. Exerce mandato de 2 anos permitindo-se única recondução. O STF entende que esse MP previsto nesses artigos é um MP especial. mas não é a posição do STF. RO). Ele oficia em regra perante o juiz de direito. Aqui no MPDFT além do promotor de justiça a LC 75 fala em promotor de justiça adjunto. Art. § 2º. perante o TJ. Após certo tempo é promovido a procurador de justiça. O CNMP entendeu que o MPTCU não deve obediência ao conselho.

lazer). igualdade e dignidade. Status positivo: é a exigência de que o estado preste determinadas atividades. O MP tem por função a proteção dos direitos fundamentais do cidadão e os direitos fundamentais representam cláusula pétrea. ele pode fazer tudo que não seja proibido. O cidadão teria determinadas liberdades frente ao estado. Defende a ordem jurídica como fiscal da constituição. exercício de direitos políticos. 82 do CPC elenca as intervenções do MP. Defesa de status constitucionais: Jellinek fala a respeito. crédito do cidadão em relação ao Estado. fiscalizando a sua indivisibilidade. Status ativo: significa direito público subjetivo de natureza política que tem a pessoa humana de participar da organização do estado. pelo povo. Status passivo é a situação oposta. ou seja. regime democrático é muito mais do que isso. positivo e o ativo. deduzindo em juízo interesses da coletividade. indiretamente o MP deve ser entendido como cláusula pétrea. Como órgão agente o MP atua como advogado da sociedade. estão espraiados por todo o corpo constitucional (ex: princípio da anterioridade tributária. São quatro status: negativos. é custus legis. Exercício de direitos políticos e a proteção da liberdade. 91 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . Defesa do regime democrático. 5º. ou seja. Segundo a doutrina o MP tem por objetivo a defesa desses quatro status. 127. são sujeições do cidadão às determinações legais. logo. para o povo. educação. saúde. Em processo civil o Art.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO hipertrofiado. Funções: Função de órgão interveniente e função de órgão agente. Essencial à função jurisdicional do estado porque o juiz é inerte. igualdade e dignidade da pessoa humana. O Art. Enquanto interveniente o MP é o fiscal da lei (constituição). no entanto. Em processo penal na ação penal de iniciativa privada. 6º. o MP participa do processo eleitoral. com respeito à liberdade. ofendendo o controle que existe entre os três. ou seja. Topograficamente os direitos individuais estão por toda a CF. além delas existem outras. são créditos do cidadão em face do Estado (salário. inimputabilidade penal antes dos 18 anos etc). Incumbe-lhe a defesa da ordem jurídica. Proteção aos interesses sociais elencados no Art. previstos em regra no Art. as funções previstas são meramente exemplificativas. Proteção dos direitos individuais indisponíveis. O cidadão tem obrigação de respeitar o que está previsto. o MP protege esse status que a doutrina chama de status negativo de cidadão. democracia em um determinado momento significou governo do povo. 127 e melhor esclarecidas pelo Art. São funções previstas no Art. os direitos fundamentais de 2ª dimensão. 129. passivos. 129 esclarece o Art. o conjunto de normas de um Estado. mas não apenas lá.

61 da CF). Assim. 6ª câmara: índios e minorias.. 4ª câmara: meio ambiente. O princípio não impede designações na investigação (ex: GAECO e GAELD). LIII: ninguém será processado . Contaminação virótica constitucional do CPP: entender o CPP de acordo com a CF. 28 do CPP é um exemplo disso. nenhum deles determina ordem ao MP no exercício de suas funções. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 92 .  princípio do promotor natural. 28 vai para a câmara de coordenação e revisão (para revisão do pedido de arquivamento do inquérito): 1ª câmara: constitucional. mas não no exercício das funções constitucionais. Esse princípio está ainda no predicativo da inamovibilidade. § 1º): 1. Só agente político possui independência funcional. por exemplo). 5ª câmara: patrimônio público. Garantias do MP: podem ser divididas em dois grupos: Garantias institucionais: * Autonomia administrativa: auto-governo do MP. Os serviços auxiliares decorrem de lei própria (Art. § 2º). quem fala é a própria instituição. 2. 127. O MP apresenta por meio do procurador geral a sua lei própria.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Princípios institucionais do MP (Art. 5º. Possui competência legiferante. Existe chefia administrativa. 4. 2ª câmara: criminal e controle externo da atividade. evitando-se promotores ou acusadores de encomenda com o objetivo de prejudicar o beneficiar o acusado. É função governativa do MP. Unidade: só existe um MP. que a indivisibilidade. É conseqüência do princípio da unidade. unidade quer dizer que no momento em que o representante do órgão fala. 2º e no Art. Como corolário dessa unidade surge outro princípio institucional. Independência funcional: liberdade de auto-determinação só é encontrada no Art. Art. podem apresentar projeto de lei (Art. o representante não está obrigado a denunciar. No MPF o Art. O representante do MP no exercício de sua função institucional deve obediência à CF e à sua consciência. * Autonomia funcional: significa que o MP é independente dos três poderes da república. ela existe dentro de cada um dos ramos do MP. É uma garantia constitucional do cidadão de só ser processado por um órgão do MP previamente estabelecido. É garantia de promotor isento no momento do oferecimento da denúncia a fim se evitar benefícios e perseguições. 127. Significa não existência de subordinação hierárquica. Indivisibilidade: possibilidade de livre substituição de uns pelos outros dentro do mesmo ramo do MP sem qualquer medida concreta (substabelecimento. Fundamentos: Art. A indicação de promotores ou procuradores é inconstitucional. § 1º da CF. Promotor natural (agregado pela doutrina): o STF já firmou que é princípio. 3. Designações de apoio ao promotor natural pelo procurador geral (a pedido do promotor ou procurador natural).. 127. 3ª câmara: consumidor.

Exercer advocacia (o STF decidiu que defensor público não pode advogar também). Receber honorários ou custas processuais. § 3º e Art. é um absurdo. a dedicação deve ser exclusiva. 29 do ADCT). Até a CF de 88 os representantes do MPF advogavam. Os que entraram de 1988 até a promulgação da EC 45. Antes havia uma exceção. é uma exceção (é incompatível. * Irredutibilidade de subsídios. Exercer atividade político partidária: alterada pela EC 45. em 88 foi criada a AGU. No entanto aqueles que já eram do MP puderam continuar com a advocacia (Art. 128. Não é a posição do TSE: o afastamento para se candidatar deve ser definitivo. O CNMP estabeleceu prazo até junho/2006 para que os representantes cumpram esse dispositivo. vedando-se a advocacia por parte do MP.. Aqueles que entraram após a EC 45 não podem se candidatar. Vedações: previstas no Art. a CF diz serem equivalentes.). * Inamovibilidade. Sendo candidato a filiação deve ser feita um ano antes das eleições (a LC 64 fala em seis meses antes. 168). O CNMP estabeleceu que só podem ser 20h semanais apenas. afastando-se por meio de licença e não renúncia ao cargo. Hoje não existe mais qualquer exceção. § 5º. 127. a não ser que abandonem o MP.. diverso do orçamento dos outros poderes da república. teriam direito de se candidatar e perdendo volta. ainda que em disponibilidade.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO * Autonomia financeira: o MP possui dotação orçamentária própria. Garantias dos membros: tudo que se aplica para a magistratura se aplica aqui. segundo Alexandre de Moraes. 93 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . Projeto de emenda 358/05 irá adotar a posição de Alexandre de Moraes: possibilidade de se candidatar e voltar ao cargo do MP para aqueles que entraram após 1988 até a EC 45. * Vitaliciedade. As suas atribuições são desempenhadas às expensas do orçamento próprio (Art. “salvo nos casos previstos em lei” e a LC 75 possibilitava a filiação partidária. mas a CF permite). salvo uma de magistério. Participar de sociedade na forma da lei. mas o STF decidiu que é de um ano). Aqueles que entraram até 1988 adotam regime anterior e podem estar filiado e se candidatar. Exercer outra função pública. Magistério: não se definiu uma função de magistério (faculdade. II da CF. cursinho.

É imunidade material. portanto. Orientação jurídica é orientação judicial e extrajudicial. do trabalho e militar e existem pouquíssimos no Brasil. O AGU tem status de ministro de estado. o procurador geral da Fazenda Nacional está subordinado ao AGU (LC 73). Advocacia pública: até 1988 não existia a AGU. é muito mais que só judicial. juizados. mas existem exceções: HC. Defensoria pública: a CF garante a defesa jurídica pela defensoria pública. não faz parte da DPU. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 94 . 133. Imunidade: inviolabilidade em razão do exercício da função. Isto por uma questão histórica. 134 fala da necessidade de criação do órgão. então a CF/88 criou a AGU. Em sede estadual quem faz a defesa é o procurador do estado. É vedado o exercício da advocacia privada aos defensores públicos. Havia um conflito de interesses. No entanto. Não é irrestrita. O procurador do estado tem estabilidade após 3 anos (EC 19). Indispensabilidade é um fator importante para a garantia dos direitos fundamentais (ampla defesa. advocacia privada e defensoria pública.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO ADVOCACIA Segunda função essencial da justiça. Nomeação do procurador geral do estado (PGE) é livre do governador. Pode ser dividida em advocacia pública (Art. que é reservado à procuradoria geral da Fazenda Nacional (Art. 133 revela dois princípios: o da indispensabilidade do advogado e o da imunidade (material). São chefiados pelo procurador geral do estado. não existe prestação jurisdicional sem advogado. ele deve atuar nos limites da lei. ação popular (?). O Art. ela é organizada e mantida pela União. Regulada pela LC 73/93. O estatuto da ordem estabelece que o advogado tem imunidade no estrito cumprimento funcional. CF). § 3º). A DPDF é gerida pela União. ela não faz o executivo fiscal. revisão criminal. O chefe da AGU é o advogado geral da União escolhido livremente pelo presidente. a competência para julga-lo é do STF. justiça do trabalho. O STF suspendeu a palavra desacato que a lei estabelecia como imunidade para o advogado (ADIN 1127-8/DF). Exercem a representação judicial e a consultoria das respectivas unidades federadas. A DPU oficia perante a justiça federal. não precisa ser dos quadros da AGU desde que seja brasileiro com mais de 35 anos e notável saber jurídico. 131. É a regra. A AGU faz a defesa judicial e extrajudicial da União. 131). o MPF ajuizava as ações. contraditório). O Art. Advocacia privada: muito embora atue sem vínculo administrativo com o Estado. ainda assim presta serviço público relevante. exercendo função essencial (Art.

Nas demais esferas o sistema adotado é o unicameral. durante a Idade Média. a comunidade elege representantes para fazê-lo (teoria da soberania). Segundo a concepção de Rousseau. art. PODER LEGISLATIVO – Marcelo Novelino Origem: O Poder Legislativo foi concebido na Inglaterra. uma vez que o Congresso Nacional é composto por uma Casa de representantes do povo (Câmara dos Deputados) e outra de representantes dos Estados e do Distrito Federal (Senado). e. contábil. o Poder Legislativo se manifesta pela conjunção da vontade das duas Casas. O STF já decidiu que o advogado dativo não tem esse direito. no Distrito Federal (Câmara Legislativa) e nos Municípios (Câmara de Vereadores). No Brasil. o Legislativo se estrutura em dois tipos de sistemas: a) unicameral: formado por um único órgão. Luxemburgo.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Advogado constituído.. Funções O Poder Legislativo possui duas funções típicas: legislar (CF. não podendo votá-la diretamente. 48) e fiscalizar (CF. Estrutura Em regra. A fiscalização financeira e orçamentária é feita com o auxílio do Tribunal de Contas da União (CF. A LC 80/94 estabelece que o defensor público tem direito a intimação pessoal e o prazo em dobro. b) bicameral: composto por dois órgãos. Lei 1060/50 estabelece quem é hipossuficiente. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 95 . art. a soberania reside no povo que a exprime através da lei. 70). Nos juizados especiais não há intimação pessoal nem para o defensor público. O Brasil adota o bicameralismo do tipo federativo. Pelo princípio da participação: das vontades regionais e da vontade nacional (efetivada pelo Senado). A fiscalização dos atos emanados do Poder Executivo é decorrente do princípio da representação popular e ocorre nos âmbitos financeiro. com a finalidade de limitar a autoridade dos reis. é utilizado nos Estados-membros (Assembléia Legislativa). mas ao final serão cobrados honorários executados pela PFN. operacional e patrimonial.g. o qual atende à forma federativa de Estado positivada na Constituição. orçamentário. art. Em processo criminal pessoa rica pode ser patrocinada por defensor nomeado. a Câmara alta e a Câmara baixa. Advogados públicos: defensores Advogado dativo: supre a falta do defensor público. 71). Esse sistema costuma ser adotado em países pequenos como. Nesta hipótese.

A Câmara e o Senado exercem função administrativa. nos crimes de responsabilidade (é uma infração político-administrativa. e. é autorização para o processo de impeachment e a autorização da câmara tem natureza eminentemente ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 96 . VI) Procurador-Geral da República. 52. Se o crime de responsabilidade não for conexo com o praticado pelo Presidente. nos seguintes termos: “nas infrações penais comuns. cuja previsão consta da PEC 29/2000. se o crime for conexo com o praticado pelo Presidente. polícia. é com relação aos membros do CNJ e do CNMP. IV) Membros do Conselho Nacional de Justiça. inclusive os delitos eleitorais e as contravenções penais. I e II) para processar e julgar. A jurisprudência do STF já se consolidou no sentido de que a expressão crimes comuns abrange todas as modalidades de infrações penais. seus próprios Ministros e o Procurador-Geral da República”. seus próprios Ministros e o Procurador-Geral da República”. I. V) Membros do Conselho Nacional do Ministério Público. 102. se não for a competência é do STF. A exceção. os membros do Congresso Nacional. cuja pena não é a privativa de liberdade. II) Ministros de Estado e Comandantes das forças armadas (antes tinham status de ministro?). VII) Advogado-Geral da União (status de ministro de estado). nas hipóteses do art. I. As penas são a perda do cargo e inabilitação por 8 anos). “c”). XIII – “organização. Todas as autoridades mencionadas acima .DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Assim como os demais poderes. a competência será do STF (art. o Vice-Presidente. art. 52. 102. art. 51. o Presidente da República. provimento de cargos e seus serviços”.além dos Deputados e Senadores – serão julgadas pelo STF no caso de crime comum. os membros do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público. vice e ministro de estado. os membros do Congresso Nacional.g. CF/88. tanto nos crimes comuns e de responsabilidade será necessária autorização da câmara dos deputados com o quorum de 2/3. Para o julgamento do presidente. O Senado tem ainda a competência exclusiva (CF. o Legislativo também exerce funções atípicas. o Vice-Presidente. IV e do art. são crimes impróprios. até o momento. b: “nas infrações penais comuns.. III) Ministros do STF. o Presidente da República. as seguintes autoridades (as mais altas autoridades de cada poder): I) Presidente e Vice-Presidente da República. e.

§ 2o). estrangeiros e apátridas. b) eleitos diretamente. 45. art. art. art. que corresponde à soma dos brasileiros. O número de Deputados por Estado e pelo Distrito Federal será proporcional à população (e não ao número de eleitores). a natureza do crime de responsabilidade é penal. 14). 57) e tem início em 02/02 a 17/07 e reinicia em 01/08 a 22/12 (modificado por emenda) O Senado Federal é composto por representantes dos Estados e do Distrito Federal. art. não sendo necessário mais de 50%) (CF. 22 e 24) e. ou seja. sendo que cada Estado e o Distrito Federal elegerão três. 45). b). maiores de 35 anos (CF. inclusive de conveniência e oportunidade. maiores de 21 anos (CF. na seguinte serão eleitos dois (dois terços) (CF. que tem como uma de suas características a participação da vontade dos Estados na formação da vontade nacional. basta que o senador seja o mais votado. independentemente do tamanho de sua população para legislatura de 4 anos (CF. para exercerem um mandato de oito anos. Os Deputados são eleitos pelo sistema proporcional (CF. 46). duas legislaturas (CF. Atribuições do Congresso Nacional Dentre as atribuições do Congresso Nacional estão a competência legislativa e a competência deliberativa. §1o). A renovação desta representação não é feita simultaneamente. § 3o. 46. nenhum deles poderá ter menos de oito ou mais de setenta deputados (CF. Os territórios não possuem representantes no Senado Federal. § 1o). A paritariedade do número de Senadores se assenta no princípio federativo. sendo a representação distribuída proporcionalmente às correntes ideológicas (partidos políticos). arts. Aquela é atribuída ao Congresso para que disponha sobre todas as matérias de competência da União (CF. este elegerá quatro deputados. por escrutínio secreto (CF. Sendo crime comum o julgamento é no STF. e quem preside esse julgamento é o presidente do STF e a pena se limitará à perda do cargo e inabilitação por 8 anos. § 3o. art. não deve participar da vontade nacional. sobre as elencadas no art. art. não há segundo turno para eleição de senador. mas sim de forma alternada. VI. Caso seja criado algum território. Se em uma determinada eleição foi eleito um Senador (um terço). Segundo o STF. art. 14). VI. 46.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO política. Os Senadores são eleitos pelo sistema majoritário (maioria relativa. § 2o). art. Tanto que a competência para legislar é privativa da União (súmula 722/STF). 48 da Constituição da ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 97 . em especial. através de escrutínio secreto (CF. Deputados e Senadores A Câmara de Deputados é composta por representantes do povo. art. Dada a autorização o julgamento nos crimes de responsabilidade será feito pelo Senado. A sessão legislativa é o período anual (Art. eleitos diretamente. art. 14. 45. Todavia. Ele não é ente federativo. 14.

buscando apoio político. parágrafo único). 22. pois não podem ser delegadas. Além das sessões legislativas ordinárias. deve ser veiculada por decreto legislativo ou por resolução. com as competências da União previstas no art. a perda é decidida pela casa respectiva do cassado. quando houver urgência ou interesse público relevante (art. O mandato poderá ser cassado quando houver a violação das incompatibilidades do Art. prevista no art. Competências privativas. apesar de serem feitas pelo congresso não tratam de interesse exclusivo da União. 54. Ocorrem antes que a pessoa seja eleita para determinado cargo. lei complementar poderá autorizar os Estados a legislar sobre questões específicas das matérias ali relacionadas. por isso. A lei federal é a que trata de interesse exclusivo da União enquanto ente federativo (ex: lei 8112). As sessões legislativas extraordinárias podem ser convocadas pelo presidente do Senado Federal . exercida isoladamente e que não comporta delegação. art.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO República. privação da capacidade política passiva. por exemplo. pelos Presidentes da Câmara e do Senado ou mediante requerimento da maioria dos membros de ambas as casas. As leis nacionais. 51) e ao Senado Federal (CF. Conforme dispõe seu parágrafo único. § § 2º e 3º. A primeira tem a duração de quatro anos (art. 55. O Art. A competência deliberativa. pela inobservância do decoro parlamentar ou pela sentença penal ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 98 . §§ 6o e 7o). previstas em lei complementar). de estado de sítio e de intervenção federal e para compromisso e posse do Presidente e Vice . Incompatibilidade ocorre após a eleição para um cargo.. 14. 52). 54 da CF traz hipóteses de incompatibilidades de deputados e senadores. apesar do disposto na Constituição (“compete privativamente”. Estão ligadas à não possibilidade de deputado ou senador após a expedição do diploma exercer determinadas funções. Cassação e extinção do mandato: Art. como as matérias são veiculadas por lei. É o que ocorre. existe a possibilidade de convocação extraordinária do Congresso Nacional para deliberar sobre determinada matéria. a sanção do Presidente.. dispensando. Neste caso.). 57. comportam delegação ou competência suplementar. também são exclusivas. As inelegibilidades podem ser absolutas (inalistáveis e analfabetos) e relativas (parentesco. CF). apesar de exercidas isoladamente. mas de todo o Estado (ex: CP. 49. Deve-se atentar para a distinção entre legislatura e sessão legislativa. Trata-se de uma competência exclusiva. Algumas ocorrem a partir da diplomação e outras a partir da posse. 44. Na cassação do mandato. 57). O objetivo é evitar que o Executivo utilize determinados cargos para que certos deputados ou senadores possam ser favorecidos. militares. é exigida a sanção do Presidente da República.em caso de decretação de estado de defesa. ou seja. CTN). As competências atribuídas à Câmara dos Deputados (CF. Não se confunde com inelegibilidade (Art. na verdade. Geraldo Ataliba distingue lei nacional de lei federal.ou pelo Presidente da República. ao passo que a segunda é anual (art. art.

58. A função de membro da Mesa das Casas legislativas é de natureza executiva (direção. b) temporárias: extinguem-se com o fim da legislatura ou se dissolvem com o encerramento de seus trabalhos. muitas vezes. As comissões parlamentares foram valorizadas pela Constituição de 1988 que lhes atribuiu diversas competências. Por isso. § 1o). ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 99 . 58. As atribuições de cada comissão estão elencadas na Constituição (art. supervisão. administração e execução).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO condenatória definitiva. No caso do Congresso Nacional. correspondem ao campo funcional dos Ministérios. polícia. na função de órgãos técnicos. a Constituição veda a recondução para o mesmo cargo na eleição imediatamente subseqüente. Na extinção do mandato não há julgamento. Em se tratando de crime comum serão julgados pelo STF. emitem um parecer prévio para posterior apreciação do plenário. São estruturadas em função das matérias de sua competência. compostos por um conjunto de parlamentares eleitos por seus pares para dirigir os trabalhos legislativos pelo período de dois anos. Comissões parlamentares A diversidade e complexidade das matérias a serem analisadas pelo Legislativo suscitaram a necessidade de uma especialização dentro do parlamento com o intuito de se fazer um estudo prévio e especializado das propostas apresentadas. o que não impede a possibilidade de eleição para outro cargo da Mesa (art. § 2o) e nos regimentos internos de cada uma das Casas do Congresso Nacional.Classificações I) Quanto a sua duração. 57. Nos três casos a casa do deputado ou senador irá decidir pelo voto secreto (STF já entendeu que deve ser observado no âmbito estadual) e a decisão deve ser dada por maioria absoluta. as reuniões são dirigidas pela mesa do Senado Federal. art. as quais. . As comissões devem ter uma representação proporcional dos partidos ou dos blocos partidários das respectivas Casas Legislativas (CF. II) Quanto a sua formação. III a V. é apenas uma declaração de perda do mandato feita pela mesa da casa respectiva quando houver violação das hipóteses do Art. § 4o). as comissões podem ser: a) exclusivas: compostas apenas por Membros da Câmara ou do Senado. Mesas diretoras As mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal são os órgãos diretivos dessas Casas. 55. as comissões podem ser classificadas como: a) permanentes: quando permanecem mesmo após o fim das legislaturas. Essa análise é feita pelas comissões parlamentares que.

absoluta. § 1o). sendo mista. a alternância dos cargos de natureza executiva é peremptória. art. 2º) ter como objeto a apuração de fato determinado. econômica e social do país. em conjunto ou separadamente. 66. haja vista a necessidade de respeito à autonomia desses entes. categórica e irremissível. Michel Temer observa que “no Brasil. 3º) ter prazo certo para o seu funcionamento. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 100 . Nos termos do § 1º do art. p. Fatos de interesse exclusivamente privado. além de outros previstos nos regimentos internos das respectivas Casas legislativas. 35 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados. de Estados e de Municípios. art. III) Comissão representativa do Congresso Nacional Tem por escopo representá-lo durante o período de recesso. 62. Tratam de assuntos que devem ser decididos pelo Congresso Nacional. na última sessão ordinária do período legislativo. não podem ser objeto dessas comissões quando inexistir nexo causal com a gestão da coisa pública. 166. Assim. admite a reeleição: nas funções executivas implica necessariamente alternância” (Elementos de direito constitucional. entendesse por fato determinado o “acontecimento de relevante interesse para a vida pública e a ordem constitucional. a periodicidade. art. 58. IV) Comissões parlamentares de inquérito (CF. art. legal. Por outro lado. reproduzir de forma proporcional a representação partidária. devem ser fiscalizados pelos respectivos legislativos. em funções puramente legislativas.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO b) mistas: constituídas por Deputados e Senadores. desde que atendam aos seguintes requisitos: 1º) requerimento de. § 9o) ou a análise de projetos de leis financeiras (CF. Podem ser objeto de apuração todos os assuntos que estejam na competência fiscalizatória do Congresso Nacional. é necessário 1/3 dos deputados e 1/3 dos senadores e não 1/3 do congresso nacional. Podem ser criadas pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal. 128). que estiver devidamente caracterizado no requerimento da Comissão”. § 4o) e sobre as medidas provisórias (CF. corolário do princípio federativo. Todavia. um terço dos membros da respectiva Casa. admite-se a investigação se houver interesse simultâneo da União. dentro do possível. § 3o) a) Requisitos As comissões parlamentares de inquérito têm poderes de investigação próprios de autoridades judiciais. Os membros desta comissão são escolhidos pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal. e. Sua composição deverá. pelo menos. fatos que se refiram exclusivamente às competências dos Estados e Municípios. como a emissão de parecer sobre o veto (CF.

não são ilimitados nem absolutos. As conclusões decorrentes da investigação poderão ser encaminhadas ao Ministério Público para que este promova a responsabilidade civil ou criminal dos infratores. 5º. art. “Nemo tenetur se detegere: direito ao silêncio. sendo que os atos destas comissões também se submetem ao controle jurisdicional. o término desta sempre será o termo final de uma CPI. desde que haja aditamento do objeto inicial da CPI. XII) ou decretar prisão (CF. art. telefônico e fiscal). No que se refere à locução prazo certo. b) Poderes Os poderes das comissões parlamentares de inquérito. IX). nenhum dos poderes encontra-se acima da Constituição. As CPIs não podem: 1) desrespeitar o privilégio contra a auto-incriminação (CF. sendo eivados de nulidade quando destituídos de fundamentação (CF. art. embora bastante amplos. São conferidas a essas comissões determinadas prerrogativas para uma ampla investigação. busca e apreensão de documentos desde que respeite a inviolabilidade do domicílio. não havendo nisto qualquer ofensa ao princípio da separação dos poderes. ainda que o fato não tenha sido concluído. ou até mesmo de fatos inicialmente desconhecidos que surgirem durante a investigação. apesar da possibilidade de condução coercitiva dos convocados para depor como testemunha. Todavia. 5º. LXI). 93. Como pressuposto de legitimação da própria resolução adotada. o STF já se manifestou no sentido de que esta não impede prorrogações sucessivas dentro da mesma legislatura (Lei n. 2) determinar invasão de domicílio (CF. a qual se submete à ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 101 . condução coercitiva. o paciente possui o direito de não ver interpretado contra ele o seu silêncio”. O sigilo telefônico não se confunde com a inviolabilidade das comunicações telefônicas (interceptação telefônica). 1579/52). salvo em flagrante delito (“cláusula da reserva constitucional de jurisdição”). art. Em um Estado Democrático de Direito. Além de não ser obrigado a prestar esclarecimentos. como a possibilidade de obtenção de informações junto às instituições financeiras e o acesso a dados e registros telefônicos ou fiscais (quebra dos sigilos bancário. interceptação telefônica (CF. 5º. os atos das CPIs deverão ter suas razões expostas no momento da deliberação. De acordo com a jurisprudência do STF as testemunhas também podem invocar esse privilégio e não apenas os investigados. 5º. LXIII).DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO A exigência de se ter como objeto um fato determinado não impede a apuração de outros fatos conexos ao principal. XI). art.

sendo necessário extrair da atual Constituição o traço essencial da atual ordem. o Min.com ou sem reprodução expressa .DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO reserva constitucional de jurisdição. seqüestros etc. observada a competência fiscalizatória de cada Casa. Joaquim Barbosa “Já advertiu o eminente ministro Sepúlveda Pertence. de absorção compulsória . 3) formular acusações e punir delitos. não obstante. nem o conteúdo negativo das vedações. Tais comissões possuem os mesmos requisitos e poderes atribuídos pela Constituição à CPI federal (art. c) CPI estadual e municipal. para efeito de controle de constitucionalidade das normas constitucionais estaduais.ACO 730/RJ. são. Peluzo e Velloso não admitem a quebra. uma terceira modalidade de limitações à autonomia constitucional dos Estados: além dos grandes princípios e das vedações . Assim. em razão do princípio da simetria. ao tratar do princípio da separação de poderes. A competência das comissões de inquérito deve comportar-se no quadro da competência do Poder Legislativo”. não tendo o alcance dos princípios.no ordenamento parcial dos Estados e Municípios". Não se pode perder de vista que as comissões parlamentares de inquérito são instrumentos de atividade do Poder Legislativo. 4) Não tem poderes de medidas cautelares: determinar arrestos. sobretudo em face do que o ministro Pertence descreve como: ". as Assembléias Legislativas estaduais. Direito constitucional didático.).esses e aqueles. em respeito ao princípio federativo.hão de acrescentar-se as normas constitucionais centrais que. enquanto o sigilo telefônico não pode. p. implícitos ou explícitos .. para determinar procedimentos de natureza judiciária”. Só ele admite a possibilidade de quebra do sigilo bancário pela CPI municipal. inexistindo Poder Judiciário municipal. destinada a garantir o potencial do poder legislativo em ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 102 . a Câmara Legislativa do Distrito Federal e as Câmaras de Vereadores poderão instaurar suas próprias comissões para investigar fatos abrangidos por sua competência fiscalizatória... Em que pese o argumento de que. Além do Congresso Nacional. 443. não podendo “substituir-se à ação dos juízes e tribunais. há reserva de jurisdição. rel. no julgamento da ADI 98 (. § 3º). que para este não há "fórmula universal apriorística". sob pena de violar a separação dos poderes e as liberdades individuais. a criação de CPI municipal. 58. Min. não poderiam ser criadas comissões parlamentares pela Câmara de Vereadores. STF . Kildare Gonçalves. Joaquim Barbosa (STF) admitiu. o sigilo de dados telefônicos pode ser quebrado pela CPI.. pois seus poderes se destinam somente à instrução do inquérito legislativo. CARVALHO. a função parlamentar de investigação está naturalmente sujeita às regras e limitações que atingem o próprio órgão legislativo. O autor Kildare Gonçalves cita a lição de Raul Machado Horta no sentido de que “dentro do sistema constitucional de governo. Entendo que a possibilidade de criação de comissões parlamentares de inquérito seja uma dessas normas de absorção compulsória nos estados membros.

Cito o RE 96049 (1ª turma 30.ACO 730/RJ. Joaquim Barbosa.06. continha a mesma omissão do art. min. ou. respeitados os parâmetros federal e estadual. denominadas de imunidades. além do Min. esta Corte tenha se manifestado pela legitimidade de criação de comissão parlamentar de inquérito por Câmara Municipal. parece-nos indubitável que as Câmaras Municipais podem criar Comissões de Inquérito sobre fato determinado e prazo certo. STF . que. quando regularmente determinada por comissões parlamentares de inquérito..). em nossa estrutura federativa. Min. pois não tem o condão de negar a aplicação natural da Constituição Federal sobre os poderes das CPIs. STJ . Garantias legislativas A constituição estabelece determinadas garantias para o Poder Legislativo com a finalidade de assegurar sua independência. admitiram claramente a possibilidade de criação de CPI Municipal.. as Constituições Estaduais autorizam às Assembléias Legislativas e a Lei Orgânica dos Municípios do Estado de São Paulo autoriza às Câmaras Municipais. por não existir Poder Judiciário Municipal. Cremos. Assim. STF . Min.. votaram os Ministros Sepúlveda Pertence e Marco Aurélio. hoje revogado. cujo artigo 38.. um dos traços fundamentais da separação de poderes. do qual destaco o seguinte trecho: ". José Delgado (D. rel. 15/05/2002) “As CPIs estaduais não têm competência para investigar autoridades que estão submetidas a foro privilegiado federal”. rel. imediata e integral). STF . Oscar Corrêa).AgRg na PET 1611 / RO. Min.1983.) não tem resultado prático. É que a possibilidade de as CPIs estaduais determinarem a quebra de sigilo permanece.acredito que a expressa exclusão das CPIs estaduais e municipais da redação original do projeto de lei complementar (. mais longe ainda. não sendo possível ignorar que a Constituição do Estado do Rio de Janeiro legitima a atuação da CPI em questão”. ainda sob a vigência da Constituição anterior e da Lei 4. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 103 . No sentido de impossibilidade de criação. os Ministros Carlos Velloso e Cezar Peluso (apesar deste não admitir a quebra do sigilo bancário por ela). rel.. mesmo que é de todo interesse sejam elas criadas pelo legislativo municipal”.J. ainda que sem tratamento legal específico.ACO 730/RJ.n. Joaquim Barbosa “A quebra de sigilo bancário. Joaquim Barbosa “.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO sua função de fiscal da administração. rel. 4º da Lei complementar 105/2001. constitui ferramenta indispensável ao trabalho de fiscalização exercido pelos órgãos legislativos”. Essas garantias. não autoriza eventual pretensão restritiva dos Estados-membros”(g. que é a fiscalização da administração pelo Legislativo reforçada pelos meios a ela inerentes.ACO 730/RJ. Joaquim Barbosa “Não é de estranhar. são normas de eficácia plena (aplicabilidade direta. nos moldes que a Constituição Federal autoriza à Câmara e ao Senado. o próprio Regimento Interno destas pode prever. portanto. por aplicação direta da Constituição federal e das normas estaduais aplicáveis..595/1964. Min. No julgamento. rel.

27 . como o § 1º do art.que determina a aplicação. 03 do STF (“A imunidade concedida a deputados estaduais é restrita à justiça do estado”) foi considerada superada pelo próprio Tribunal em razão do disposto no art. 55 . desde que relacionados à atividade parlamentar. I) Imunidade material (ou absoluta. art. já Damásio de Jesus a qualifica como uma causa funcional de exclusão ou isenção da pena. palavras e votos (CF.que prescreve que a perda do mandato parlamentar será decidida por voto secreto nos casos que enuncia. Antes da CF/88 eles não tinham nenhuma imunidade. * A súmula 04 do STF (“não perde a imunidade parlamentar o congressista nomeado ministro de estado”) encontra-se superada. por maioria.e o § 2º do art. Ellen Gracie (01. Gilmar Mendes (12. Caso retorne à sua função legislativa. a imunidade é irrenunciável. art. mesmo após o término de seu mandato. 1.2003).ADI 2461/RJ e ADI 3208/RJ. De qualquer forma.Inq. Se o parlamentar se afastar de suas funções para ocupar outros cargos perderá a garantia. Para Zaffaroni e Pierangeli seria uma causa de atipicidade.5. A imunidade material conferida pela CF/88 a deputados e senadores abrange as opiniões.944/DF. * STF . ou inviolabilidade). a imunidade material só abrange os crimes praticados no exercício do mandato e na circunscrição do município. nem gozam de foro privilegiado (CF. A Constituição estabelece que as regras relativas às inviolabilidades e às imunidades se aplicam aos deputados estaduais. A súmula n. pela inconstitucionalidade de dispositivo constante de Constituição estadual.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Por ser uma garantia institucional deferida ao Poder Legislativo. Há uma certa divergência doutrinária acerca da natureza jurídica desta imunidade.10. palavras e votos que guardem relação com o exercício do mandato parlamentar. por estar em sentido diametralmente oposto às disposições fixadas pela Constituição Federal. Min. 53). Min. Os deputados estaduais possuem as mesmas imunidades e inviolabilidades que os deputados federais. Nélson Hungria e Pontes de Miranda entendem ser uma causa excludente de crime. administrativa ou política) dos congressistas por suas opiniões. 104 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . poderá ser beneficiado pela imunidade processual. * STF . A imunidade material (freedom of speech) exclui qualquer responsabilidade (civil. ainda que produzidos fora do recinto da respectiva casa legislativa. aos deputados estaduais. 29. rel. No tocante aos vereadores. rel. As imunidades podem ser materiais ou formais. não se justificando mais restringir ao âmbito estadual. das regras da Constituição Federal sobre perda de mandato . 27. penal. perdurando até o término do mandato. § 1o da Lei Maior. Seu início ocorre com a diplomação.2005) O Tribunal decidiu. sendo que eles não possuem imunidade processual. VIII). não deverá ser instaurado processo penal contra congressista. o qual prescreve que a perda do mandato de deputado estadual seria decidida por “voto aberto”.

§ 4o). contados do recebimento do pedido pela Mesa Diretora (art. Findo o mandato termina a prerrogativa de foro. pelo conteúdo e o contexto em que perpetradas. instituto de Direito Penal -. Do que resulta induvidoso independentemente de qualquer indagação sobre a eficácia temporal de emenda à Constituição . a partir da expedição do diploma. Min. art. 1.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO * STF . pelo da processabilidade. 53. impedindo a instauração ou o curso do processo. nos feitos em que se aguardava a deliberação da licença prévia.os congressistas. o STF deverá dar ciência aos membros da Casa à qual o parlamentar pertence. 2. 53. sejam de todo alheias à condição de Deputado ou Senador do agente”. A suspensão só é cabível até o julgamento pelo STF.e. b). rel. § 1o c/c art. § 3o). por isso. A imunidade não abrange prisão definitiva. previsto originariamente. os Deputados e Senadores poderão ser processados penalmente independente de qualquer deliberação prévia da Câmara ou do Senado.até que deferida ou enquanto durasse a investidura parlamentar do acusado configurava empecilho temporário ao exercício da jurisdição. Após a ciência. Os prazos prescricionais suspensos no regime de imunidade anterior (princípio da improcessabilidade). 102. em 11 de setembro de 2001. § 2º). pelo menos.344/DF. ademais. mas pode proteger o parlamentar no tocante ao processo penal ou à prisão . Imunidade parlamentar formal: EC 35/01: abolição da exigência de licença prévia para a instauração ou continuidade da persecução penal: aplicabilidade imediata. 1. Com a nova regra. substantiva. No caso de infrações penais comuns.344/DF. a qual . Sepúlveda Pertence “Malgrado a inviolabilidade alcance hoje "quaisquer opiniões. rel. O pedido de sustação deverá ser apreciado no prazo improrrogável de 45 dias. a "licença prévia" antes exigida caracterizava mera condição de procedibilidade. no período compreendido entre a diplomação e o término do mandato. 53. ainda quando proferidas fora do exercício formal do mandato. caso haja iniciativa de partido político nela representado. voltaram a fluir a partir da publicação da EC n. Esta espécie de imunidade foi mitigada pela EC n. Ao contrário da inviolabilidade ou imunidade material que elide a criminalidade do fato ou.Inq. possível apenas na hipótese de crime praticado após a diplomação. * STF . a competência para o julgamento. A sustação do processo. Min. 53. II) Imunidade formal (ou processual) A imunidade formal (freedom from arrest) não exclui o crime. art. salvo em flagrante de crime inafiançável (CF. é do Supremo Tribunal Federal (CF. não poderão ser presos. suspende a prescrição enquanto durar o mandato do parlamentar (art. palavras e votos" do congressista. ela é apenas para as prisões provisórias e cautelares. 1.Inq. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 105 . a tramitação do processo poderá ser sustada pelo voto da maioria relativa de seus membros (art. 35/2001. 35. I. § 5o).a aplicabilidade imediata aos casos pendentes da norma constitucional que fez desnecessária a licença prévia da Câmara. que substituiu o princípio da improcessabilidade. Ao receber a denúncia. Sepúlveda Pertence EMENTA: I. não cobre as ofensas que. 53. a responsabilidade do agente .

Verificada a incompatibilidade. 84 do CPP. o Vice-Presidente. 54 da Lei Maior. Min. 102. 84. rel. após ter sido eleito. embora de caráter processual. sendo considerado inelegível aquele que não dispõe de capacidade eleitoral passiva. Sydney Sanches O STF. IV e V)31 do mandato parlamentar. relativa a atos administrativos do agente.. b. decidiu que continuam válidos todos os atos praticados e decisões proferidas com base na Súmula 394 do STF. exerça simultaneamente um cargo. I). não é de aplicar-se à abolição da licença prévia o entendimento .") por entender que o art.súmula 245: “a imunidade parlamentar não se estende ao co-réu sem essa prerrogativa”. cancelou a Súmula 394 ("Cometido o crime durante o exercício funcional. o Tribunal. a decisão tem efeito ex nunc. com a possibilidade de o inelegível passar a elegível mediante a desincompatibilização. da CF que estabelece a competência do STF para processar e julgar originariamente. § 1o A competência especial por prerrogativa de função. por unanimidade.da incidência da garantia constitucional de ultraatividade da lei penal mais favorável à alteração superveniente de normas que. Este dispositivo prevê ainda outros casos de cassação (incisos II e VI)30 e de extinção (incisos III.. prevalece a competência especial por prerrogativa de função. A incompatibilidade impede que o parlamentar. ainda que o inquérito ou a ação penal sejam iniciados após a cessação daquele exercício. * STF . prevalece ainda que o inquérito ou a ação judicial sejam iniciados após a cessação do exercício da função pública. De início.. caso o impedimento se refira apenas a alguns cargos eletivos. Esta se verifica antes da eleição. tenham reflexos mediatos ou imediatos sobre o fato delituoso anterior à sua vigência.Inq 687-SP (QO) e Inq 881-MT (QO). faz-se necessário diferençar incompatibilidade de inelegibilidade. o Deputado ou Senador sofrerá uma sanção constitucional: a perda do mandato (art. nas infrações penais comuns. com redação dada pela Lei 10. A inelegibilidade é considerada absoluta quando o impedimento eleitoral se refere a qualquer cargo eletivo e não há possibilidade de o impedido se desvencilhar da situação a tempo de concorrer ao cargo. relativa.já endossado pelo Tribunal . Cuidando a hipótese de instituto de alcance puramente processual. o Presidente da República. Em seguida. 106 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . * STF . seus próprios Ministros e o Procurador-Geral da República . 55.628/2002 (“Art. (Informativo 159) * O § 1º do art.”) foi declarado inconstitucional pelo STF na ADI 2797.não alcança aquelas pessoas que não mais exercem mandato ou cargo. os membros do Congresso Nacional. é dizer. função ou emprego público remunerado ou pratique determinados atos vedados pelo art.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Incompatibilidades e perda de mandato As incompatibilidades previstas na Constituição possuem os mesmos propósitos das garantias legislativas: preservar a autonomia do Poder Legislativo. por unanimidade. I.

4º do DL 201/67) Governador STJ (autorização da AL) Prefeito TJ (inclusive crimes dolosos contra a vida) ou TRF (se o crime for contra a União) ou TRE (crime eleitoral) ou TM (crime militar) sem autorização DL 201/67 (crimes de responsabilidade impróprios. (g. ou a intenção de desprestigiar o Poder Legislativo (Direito constitucional didático. Autoridade Presidente Crime comum STF (autorização da CD) Crime de responsabilidade Senado (autorização da CD) Lei 1079/50: se não houver previsão na CE estadual será por um tribunal formado por 5 membros da AL + 5 do TJ e presidido pelo presidente do TJ (autorização da AL) Câmara de vereadores (Art. assegurada ampla defesa”. p. 451). terá seus efeitos suspensos até as correspondentes deliberações finais. Nele ficou consignado que a renúncia de congressista submetido a processo que vise ou possa levar à perda do mandato. 55. * CF. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 107 .n. 55.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO * Kildare observa que a suspensão do processo-crime deve ser precedida do exame da conveniência pública. “Nos casos dos incisos I. por voto secreto e maioria absoluta. a perda do mandato será decidida pela Câmara dos Deputados ou pelo Senado Federal. art. devendo ser examinada. ainda. política e moral do procedimento. II e VI. a existência ou não do propósito de perseguir o congressista. mediante provocação da respectiva Mesa ou de partido político representado no Congresso Nacional. na verdade são comuns) STF STF TJ Deputado Senador Deputado Estadual Vereador CD SF AL Juiz * Segundo o STF crimes comuns abrange crimes eleitorais e penais.) A Emenda Constitucional de Revisão n. § 2o. 6/94 introduziu um novo parágrafo (§ 4o) ao art.

47) Quorum de votação para LC e LO é o de maioria absoluta (+ de 50% dos membros). Outros. Cada uma delas tem o seu campo de atuação. Segundo ele a PEC é ato infraconstitucional. CF. A CF ela atos. É aquele que tem como normativos primários. mas não será invalidade por ser superior. E o é o fundamento de todos os o indireto. Uma é superior quando ela for o fundamento de validade da norma inferior. 59. como Geraldo Ataliba. a LC tem matéria reservada. pelo quorum diferenciado (Art. Mas o STJ tem várias decisões no sentido de que há hierarquia (sempre as jurisprudências se referem ao direito tributário). princípio ou regras da CF. Uma não é fundamento de validade da outra. ou seja. CF. Só que essa lei será apenas formalmente complementar. juntamente com a CF. como Michel Temer e Celso Bastos dizem não haver hierarquia. quando ela determina a forma de elaboração ou o conteúdo. Cabe à lei complementar estabelecer regras gerais de direito 108 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . no direito tributário existira hierarquia entre LC e LO com fundamento no Art. São os decretos e Não há hierarquia entre normas. CF/88. Ademais. Argumentam pela posição topográfica. É aquele que tem como fundamento imediato de validade é a constituição. mas em razão do princípio da economia legislativa. 146. ou seja. mas a constituição. Mas não seria um ato normativo primário segundo a regra? Michel Temer diz que é preciso diferenciar a EC da PEC. Atos normativos primários. enquanto a LO é residual. existem normas superiores e outras inferiores.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO PROCESSO LEGISLATIVO: Critério de hierarquia utilizado é o criado por Kelsen. mas materialmente ela será ordinária. mas de alguns ela é o direto e em outros regulamentos. o que tem que observar a CF é a proposta. Este é o entendimento do STF. Pirâmide: 1. Há hierarquia entre lei complementar e lei ordinária? Alguns entendem que há. São os atos do Art. fundamento direto de validade são os atos fundamento indireto é a constituição. Uma LC pode tratar de matéria de LO sem ser invalidada (o quorum foi atendido). posteriormente poderá ser revogada por uma lei ordinária (lei ordinária pode revogar lei complementar neste caso – cuidado!). Isso porque o fundamento de validade de uma lei ordinária não é a lei complementar. A EC já aprovada é incorporada à CF no mesmo nível das demais normas. Atos normativos secundários. Quorum de aprovação para a LO é o de maioria relativa (+ de 50% dos presentes) e para a LC é também o de maioria absoluta. emenda e tratado internacional de direitos humanos aprovados por 3/5 em dois turnos. III. Pontes de Miranda. 2. ou seja. Segundo ele as normas do ordenamento não estão todas sobre o mesmo nível. Excepcionalmente. Manuel Gonçalves Ferreira Filho e Alexandre de Morais. A emenda se enquadra no topo da pirâmide. 3.

A repartição de competências. autonomia dos entes da federação. o conteúdo das leis estaduais está subordinado ao conteúdo da norma geral da União. ADCT). LOM x CE: as duas teriam a mesma hierarquia em razão do princípio federativo. Igualmente a medida provisória. logo. A questão é saber qual delas violou a CF. Existe ainda uma repartição vertical de competências: Art. o conteúdo dela estaria subordinado ao conteúdo da CE (Art. ou seja. 24. LOM estaria subordinada materialmente à CE. Este é um critério isolado. tratados internacionais comuns. A União se limita a legislar normas gerais. parágrafo único. 3. Havendo conflito entre essas leis ele será resolvido não com base no princípio da hierarquia. Leis municipais complementares e ordinárias. 2. uma lei ordinária em nenhum caso pode tratar de assunto de lei complementar. estados e municípios terão lei ordinária e lei complementar. 11.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO tributário. Decretos municipais. Antes da EC 45 o órgão competente julgar o conflito de LF e LE era do STJ. 109 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE . 3. Decretos estaduais e municipais. daí a suposta hierarquia (o STF não entende assim). Quando uma matéria é reservada a lei complementar ela não pode ser tratada por nenhum outro ato normativo. LOM. Nos municípios também há uma hierarquia (pirâmide): 1. O processo legislativo é norma de repetição obrigatória. mas com base na CF. é horizontal. estados e DF. logo. Com a EC 45 a competência passou ao STF. determinam o conteúdo das leis ordinárias. Uma tem um conteúdo geral e a outra mais específico. CE. Cada ente tem suas atribuições. 29 da CF diz que a LOM tem que obedecer não só os princípios da CF. Assim. Leis estaduais e municipais. No âmbito estadual e municipal pirâmide é a seguinte: 1. O fundamento de validade de todas as leis (federal. logo. lei delegada. 2. estadual e municipal) é a CF. É um verdadeiro condomínio de competências legislativas. via de regra. Se a União vai estabelecer as normas gerais. O Art. mas também os princípios da CE. o que não exclui a competência suplementar dos estados. CF  competência legislativa concorrente entre União.

Elas têm origem nos decretos-leis. Em alguns parlamentarismos o primeiro-ministro pode editar ato normativo ad referendum do parlamento. que é até pior. Foi uma maneira de dizer que o STF analisaria quando bem entendesse.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Se uma lei municipal viola a LOM haverá uma ilegalidade e não inconstitucionalidade. Esse artigo não modificou a natureza de LO para CE. É o exercício de uma atividade atípica do Executivo. têm origem nos sistemas parlamentares. 30. por isso as sucessivas edições e reedições de MPs. dentro das competências estaduais feito pelo TJDF. 2. Requisitos da MP: relevância e urgência. § 5º. MEDIDAS PROVISÓRIAS – Robério São atos normativos editados pelo chefe do Executivo em situações de relevância e urgência. quando há a dissolução do parlamento e a convocação de novas eleições. Decretos distritais. 3. Os parlamentares têm o direito público subjetivo à observância do processo legislativo. aplicando-se as regras de controle de constitucionalidade. que. Pirâmide do DF: competência híbrida. São duas hipóteses de o Executivo legislar. com vigência temporária. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 110 . por sua vez. LODF. Daí poderem impetrar MS (controle preventivo de constitucionalidade) em face da inobservância do processo legislativo (e não em face do conteúdo da norma). fica-se provisoriamente sem o órgão legislativo. Os decretos-leis eram bastante criticados e substituídos pelas MPs. 1. Leis distritais ordinárias e complementares. No Brasil as MPs correspondem aos antigos decretos-leis (não eram os decretos-leis parlamentaristas. e nesse período há a autorização para o chefe do Executivo legislar provisoriamente em casos de relevância e urgência. era uma figura dentro do nosso presidencialismo). Com o aumento da edição de MPs o STF passou a entender que quando presentes objetivamente os requisitos ele analisaria a constitucionalidade da MP (o problema que analisar relevância e urgência é eminentemente subjetivo). O Executivo não vinha encontrando resistência. já que a redação da CF e EC 32 permitiu um abuso de MP (Art. Art. Isso é incompatível com os requisitos de relevância e urgência. Não existe um tribunal municipal para exercer um controle concentrado. porém. No início o STF não analisava esse aspecto. Em muitos parlamentarismos. não é inconstitucional. equipara a LODF à CE. A lei 9868/99. 62).

gerando a insegurança jurídica. cidadania. A edição de uma MP gera dois efeitos: * Altera provisoriamente o direito positivo de imediato (tem força de lei). orçamento e créditos adicionas e suplementares. MP que traga abolitio criminis produz efeitos imediatos com alteração provisória  extinção da punibilidade  Congresso rejeita a MP  o fato volta a ser típico  é possível voltar a punir aqueles que tiveram provisoriamente a extinção da punibilidade? O STF não tem posição. cassação de mandatos. não passa a valer automaticamente. * Deflagração do processo legislativo de conversão em lei. Só haverá processo legislativo na lei de conversão.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO Diante de tantos problemas houve uma emenda (EC 32/2001) alterando o regime das MPs (e provavelmente haverá nova alteração). Na verdade não há um processo legislativo de MP propriamente dito porque se trata de um processo monocrático de produção e que terá efeitos de imediato. partidos políticos e direito eleitoral. Essa MP produziria efeitos diferentes. * Organização do judiciário do MP. 62. intervenção. * Planos plurianuais. O texto da MP publicado é o projeto de lei de conversão. mas foram totalmente desvirtuadas da sua natureza. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 111 . processo penal e processo civil. carreira e garantia dos seus membros. Sistema constitucional de solução de crises: a CF é o instrumento para resolver situações do dia a dia e também em situações de crise: estado de sítio. de defesa. mas deve ser encarado como uma anistia (não é porque a anistia deve passar pelo Congresso). Parte da doutrina inclui a MP nesses instrumentos excepcionais para solucionar crises. É possível que o texto original da MP seja modificado pelos parlamentares durante o processo de conversão. Em relação ao direito penal. Só produzirá efeitos após a promulgação da lei de conversão (Art. § 12). passando a rejeição a produzir efeitos a partir de então. O texto publicado é lei provisória. mas essa modificação não altera o texto da lei provisória. * Direito penal. A jurisprudência do STF e a doutrina aceitam excepcionalmente a edição de MP em matéria penal que venha a beneficiar o réu. a vedação tem o intuito de evitar a surpresa. ela só fica suspensa. direitos políticos. Matérias vedadas à edição de MP: * Nacionalidade. há um descompasso completo que resultou em abuso. O momento da edição da MP não revoga a lei anterior. lei de diretrizes orçamentárias. impeachment.

A MP editada vale por 60 dias e pode ser prorrogada única vez por igual período (+ 60 dias) e não reeditada. * Matéria reservada a lei complementar. A conseqüência é que a MP de impostos fiscais é que a sua edição não produz o primeiro efeito de alterar provisoriamente o direito positivo (à exceção da MP de impostos extra fiscais – II. IPI. * Matéria já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo Congresso e pendente de sanção ou veto do presidente. Lei delegada é uma lei na qual o chefe do executivo pede ao do legislativo autorização para legislar. 150. Corporativas – mensalidade OAB) a edição da MP é normal. mas o prazo não corre durante o período de recesso quando ela poderá se elastecer no ordenamento. Exceto os impostos extra fiscais que não obedecem ao princípio da anterioridade (II. Não há posição jurisprudencial sobre a questão. IOF e imposto extraordinário). o de deflagrar o processo legislativo da lei de conversão. IE.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO * Que vise a detenção ou seqüestro de bens. 62. III – princípios da anterioridade e noventena). Só produz efeitos no exercício financeiro seguinte se tiver sido convertida em lei até o último dia do ano em que foi editada. De intervenção no domínio econômico. privativa da Câmara ou Senado. IPI. A data da edição da MP para os impostos fiscais é contada da data da conversão. É possível MP estadual se a constituição do estado prever. 68 que não consta do Art. Alguns autores dizem que matéria que é proibida a delegação também é proibida a MP. de poupança popular ou qualquer outro ativo financeiro. pois se silenciar a matéria será de lei ordinária. o prazo poderá ser maior que 120 dias. só no ano seguinte ao da conversão produzirá efeitos. IOF. obedece as regras comuns (Art. Só é tratado por lei complementar aquilo que a CF diz expressamente. matéria de competência exclusiva do congresso. § 2º). mas não é de repetição obrigatória. 62. § 2º (serviço de gás canalizado não pode ser regulamentado por MP). especial em matéria de imposto fiscal). Há ainda outras vedações nos Arts. 246 (o que foi objeto de emenda entre 1995 e 11/09/2001 não pode ser regulamentado por MP) e 25. não produz efeitos imediatos (no fundo é um processo legislativo diferenciado. Essa MP que majora ou institui tributos só produz um efeito. IE. É permitida a edição de MP em matéria tributária (Art. Há uma parte no § 1º do Art. 68. Há determinadas matérias que não podem ser legisladas monocraticamente pelo chefe do Executivo. A delegação é feita por resolução do Congresso Nacional. Esse dispositivo comprova a existência de um rol de matérias destinadas à edição por lei complementar. No máximo 120 dias. § 1º: direitos individuais. IEG). dependerá de ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 112 . nem mesmo com a concordância do Legislativo: Art. No caso dos impostos parafiscais (Sociais. logo. § 1º.

a lei que estava suspensa volta para o ordenamento (espécie de repristinação). Passados os 120 dias e o Congresso não converte. É uma possibilidade de uma lei inconstitucional valer. rejeitar etc). primeiramente deverá proceder ao controle de constitucionalidade (repressivo em relação à alteração feita e preventivo em relação à lei de conversão – duplo efeito) político. e se for inconstitucional? O Congresso rejeitada por se inconstitucional e após não edita o decreto legislativo: analisar a natureza jurídica do ato inconstitucional: se o ano é nulo ou anulável (2 correntes). mas que não pode ocorrer com base no silêncio do STF. 45 dias após a publicação e não apreciada entrará em regime de urgência – tranca a pauta de cada uma das casas subsequentemente. Não é a mesma reedição que existia antes da EC 32. reconhecer efeitos ao ato. isto. após a emenda. que é quando começa a produzir o primeiro efeito. Sendo anulável. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 113 . Durante o prazo de validade da MP o que seria aplicado então? O Congresso nacional precisa editar decreto legislativo para regular as relações jurídicas 60 dias após escoado o prazo de validade ou rejeitada a MP. Só após analisa o mérito. Vedada a reedição da mesma MP na mesma sessão legislativa que fora rejeitada ou perdido a eficácia como decurso do prazo sem apreciação. emitindo parecer antes de serem apreciadas em sessão separada em cada uma das casas. há o exame em separado na Câmara e no Senado. Consolidada a MP.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO quando tiver sido editada. Consolida a MP pela ausência do decreto legislativo. para fins de segurança jurídica. Antes de ser apreciada a comissão mista de deputados e senadores (para evitar duas comissões. Pode decidir por prevalecer a MP ou a lei que estava suspensa. Só é possível reeditar no ano seguinte. por razões de segurança jurídica a MP poderá ser mantida. Sendo nulo não é possível aplicar a MP. O STF pode dizer que mesmo sendo inconstitucional. se consolida. O Congresso no decreto irá deliberar se para as relações jurídicas que se formaram enquanto estava em vigor uma MP (rejeitada ou expirado o prazo) e uma lei suspensa. alterar. Inicia a votação na Câmara. Antes da EC 32 o exame da MP era feito em sessão conjunta. O prazo de 120 dias é contado da data da publicação da MP. uma na Câmara e outra no Senado) examina (pode emendar. Caso o Congresso não edite o decreto legislativo no prazo de 60 dias as relações jurídicas serão conservadas (do período que vigorou a MP). o § 11 poderia ser aplicado. Quando o Congresso em cada uma de suas casas analisa a MP.

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A omissão não pode levar ao reconhecimento dos efeitos jurídicos de um ato inconstitucional, assim, o silêncio do Congresso não poderia implicar validade da MP inconstitucional (opinião de Robério). Mesmo no prazo de 60 dias para a edição do decreto legislativo o Congresso poderá fazer valer a MP inconstitucional. Se o STF pode com base no Art. 27 da lei 9868 (relativizou a nulidade), porque o Congresso não poderia? Mas se este decreto legislativo vier, pode ser objeto de ADI??? Tecnicamente é um ato normativo, em tese poderia. Porém há um caráter subjetivo de conveniência e oportunidade por parte do Congresso. Todas essas questões não têm respostas, pois nunca ocorreram. O projeto de lei de conversão com alterações só produzirá efeitos após sanção ou veto (só havendo alteração do texto). Até lá continua em vigor a MP em seu texto original. A alteração do texto pode contar matéria vedada a MP durante o processo legislativo da lei de conversão? Pode, essa alteração não é aplicada de imediato, não causa surpresa, mas nem toda a matéria pode ser objeto de emenda parlamentar (não gera insegurança jurídica). Ex: matéria de lei complementar, pois MP tem status de lei ordinária; matéria privativa da Câmara e do Senado; exclusiva do Congresso (decreto legislativo, resolução) etc. Se o texto original for aprovado pelo Congresso não há necessidade de sanção ou veto do presidente. MP pode ser objeto de ADI. ADC em face de MP, em princípio pode, mas tem que haver o requisito da efetiva controvérsia judicial (pode não dar tempo – 120 dias). O simples ajuizamento da ADI não interfere na tramitação da MP no congresso. A liminar da ADI suspende o processo legislativo de conversão da MP e o primeiro efeito também. Sendo confirmada tudo se extingue. Se rejeitada a ADI volta a correr a tramitação. Se a MP for aprovada (passando a ser lei) no congresso enquanto corre a ADI é preciso emendar a inicial da ADI para incluir a lei de conversão. Os vícios da MP originária comunicam-se à lei de conversão. Sendo a MP rejeitada ou decorrido o prazo de conversão estando em curso ADI, implica perda do objeto da ADI. O STF está mudando esse posicionamento para fazer prevalecer a ADI para regular as conseqüências jurídicas do período em que vigorou a MP. A EC 32/01 conferiu validade às MPs que estavam em vigor, dispensando apreciação do Congresso. PROCESSO LEGISLATIVO – Robério Emendas: poder constituído (derivado).
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Existe hierarquia entre lei ordinária e lei complementar? Há hierarquia quando uma norma nasce da outra. A lei ordinária existe por força da CF e não de lei complementar, que também tem como fonte de existência a CF. No choque entre lei complementar e lei ordinária, parte da doutrina diz prevalecer a lei complementar por ter quorum de maioria absoluta, enquanto lei ordinária tem maioria simples. Há campo constitucional para lei complementar e para lei ordinária, determinada matéria será regulada especificamente por lei complementar. Se houver choque, significa que uma delas invadiu o campo da outra, porque as competências são delimitadas. Lei ordinária que tratou de matéria de lei complementar é inconstitucional porque deveria ser maioria absoluta e foi votada por maioria simples. Lei complementar que tratou de matéria de lei ordinária permanece no ordenamento, mas com natureza de lei ordinária, não é declarada inconstitucional (exige simples e foi por maioria absoluta), o que significa que lei ordinária posterior poderá modificar a lei complementar de natureza de lei ordinária (jurisprudência). Art. 59, parágrafo único: LC 95/98. Revogação poderá ser expressa ou implícita, mas sempre que possível o poder legislativo deve conter os artigos que serão revogados, em nome da segurança jurídica. Fases do processo legislativo: *Iniciativa: privativa, comum, concorrente ou popular. Não existe mais a iniciativa conjunta (projeto de lei de fixação dos subsídios dos ministros do STF – iniciativa era conjunta dos presidentes da Câmara, Senado, do STF e da República). Art. 61: algumas autoridades só têm iniciativa privativa (aqueles que precisam de pertinência temática). Outras têm iniciativa geral, salvo o que for de iniciativa privativa de outras. *Apreciação/Discussão: emendas parlamentares. *Votação: se aprovado há a remessa à outra casa. Se rejeitado é arquivado. A regra é que toda a tramitação legislativa se inicia na Câmara, à exceção dos projetos de iniciativa do Senado. *Revisão pela outra casa *Sanção ou veto por parte do presidente da república. Vetado volta ao Congresso. Sancionado, há a promulgação e publicação. *Promulgação *Publicação A organização do MP da União não é de iniciativa privativa do presidente, ela é concorrente entre o presidente o chefe do MPU (PGR), no mesmo sentido no âmbito estadual (Art. 128, § 5º e Art. 61, § 1º, d). 115

Cuidado!

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Iniciativa popular: 1% do eleitorado nacional distribuído em pelo menos 5 estados (0,3% em cada um deles). Prova objetiva não há iniciativa popular para emenda, mas doutrina minoritária entende ser cabível com os mesmos requisitos para a PEC. Lei 8072 (Glória Peres) não foi PL de iniciativa popular, não preencheram os requisitos, mesmo com 1 milhão de assinaturas (tem que ser revisto!). Somente um PL de financiamento habitacional popular foi recebido como iniciativa popular em 1989 e até hoje não foi votado. A CCJ suscitou se a iniciativa popular poderia versar sobre matéria de lei complementar? Pode versar sobre matéria de iniciativa privativa do presidente, STF ou outra autoridade? A CCJ da câmara decidiu em ambos os casos em parecer que a iniciativa popular pode versar sobre essas matérias, não há decisão nesse sentido em lugar algum. Nenhuma foi a juízo. A maioria da doutrina diz que não pode. E de emenda constitucional? A maioria da doutrina diz que não pode, mas uma minoria defende que sim. O projeto corre normalmente, não há nenhuma prerrogativa de minimização de exigências ou de urgência. Nos projetos de iniciativa privativa é possível emenda parlamentar? Sim, é possível desde que a emenda não implique em aumento da despesa. Em regra tudo começa na Câmara dos Deputados, só começa no Senado o que for projeto de senador ou de órgão ou comissão do Senado. A urgência pode ser constitucional (presidencial e MP) ou regimental. Urgência presidencial: presidente por iniciativa privativa ou não pode pedir urgência. Se a câmara ou Senado não se manifestarem em até 45 dias haverá trancamento da pauta (segundo caso de trancamento de pauta, o primeiro visto foi o de MP) (Art. 64, § 2º e 62, § 6º) na respectiva casa, salvo os casos em que se tenha prazo constitucional determinado. 10 dias para a Câmara apreciar as emendas do Senado. O prazo de 45 dias (urgência) não corre em recesso e em projetos de código. Projeto na Câmara: *Aprovado  Senado *Rejeitado  arquivo *Prejudicado  arquivo Projeto no Senado: *Aprovação  sanção ou veto do presidente *Alteração do projeto por emenda volta à Câmara. Se ela rejeita a alteração feita pelo senado vai direto à sanção presidencial. Isso significa que o projeto não foi aprovado em ambas as casas (é possível). *Rejeição do projeto arquivo. Há a apreciação do projeto. *Prejudicado  arquivo. O projeto não chega a ser examinado, há outro fato que prejudica o seu andamento. 116 ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE

mas a MP tranca a urgência presidencial. Se nenhum deles promulga há o impedimento do exercício do poder legislativo  crime de responsabilidade de todos. 5º. O veto deve ser sempre motivado. Projeto de lei rejeitado pode ser apresentado na mesma sessão legislativa se houver quorum de maioria absoluta em qualquer das casas do Congresso. tem que ser de artigo. Hipótese de veto tácito (implícito): ventilado primeiramente por Teotônio Negrão quanto à vedação da aplicação do CDC e aplicação lei de ACP a determinada matéria.DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO É possível uma lei não ter sido aprovada pelo plenário da Câmara ou do Senado quando é a aprovação puder se dar tão somente por comissões. logo. é votada em 1º lugar (Art. O veto parcial não pode ser de palavra ou expressão. O veto poderá ser total ou parcial por inconstitucionalidade (controle preventivo político) ou contrário ao interesse público. Decorrido o prazo de 15 dias úteis o silêncio do presidente importará sanção (sanção tácita). § 2º). A terceira hipótese do veto só tranca a mesa do Congresso (a votação é conjunta). Não apreciado o veto em 30 dias em sessão conjunta no Congresso  tranca a pauta (3ª hipótese de trancamento de pauta). PEC não pode ser reapresentada em hipótese alguma. Onde conclui a votação envia ao presidente para sanção ou veto no prazo de 15 dias úteis. A urgência não tranca a MP. Promulgação: presidente não o faz em 48h  presidente do Senado. inciso ou alínea (texto integral). § 2º e Art. mas o STF não admitiu. o projeto vai ao presidente para promulgação.684 (programa de parcelamento de débitos tributários). Sendo derrubado. ALUNO: WESLEY PAULA ANDRADE 117 . Motivos são encaminhados ao presidente do Senado em 48h e o veto será examinado em sessão conjunta em 30 dias e em votação secreta (quem preside é o presidente do Senado. 9º: os tribunais entenderam que foi caso de veto implícito. se não o faz em 48h  vice-presidente do Senado. logo. por exemplo) qual é votada primeiro? A urgência presidencial tranca tudo com exceção do que tiver prazo constitucional  MP tem prazo constitucional. Lei 10. Caso uma MP (votação em separado) e uma urgência presidencial (votação em separado) que estão trancando a pauta estiverem na mesma casa (Senado. que é o presidente do congresso). Art. 64. deverá ser sempre expresso. A rejeição do veto só poderá ocorrer por maioria absoluta. parágrafo.