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Projeto Politico Pedagogico

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Projeto da escolas
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Published by: Aurivania Gomes Arraujo on Jun 07, 2011
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PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO PARA A EDUCAÇÃO INFANTIL MODA, EXIGÊNCIA OU VARIÁVEL DA APRENDIZAGEM?

Autor (a): Lisandra Brizolla Venturini Orientadora: Profº Cecília Terezinha Meurer Universidade Castelo Branco – IESDE – Santa Maria Resumo Esta pesquisa tem como objetivo conhecer e analisar em que medidas as orientações do Projeto Político Pedagógico atua como moda, exigência ou variável de aprendizagem, em um enfoque psicopedagógico, já que a Lei de Diretrizes e Bases da educação Nacional – n° 9.394/96 determina às escolas a elaboração e a execução de suas propostas pedagógicas. Contudo, pensar um projeto de educação implica pensar o tipo e qualidade de escola, a concepção de homem e de sociedade que se pretende construir. O estudo da referida proposta amplia a visão de educadora, aumentando as chances de tornar eficaz o aprendizado das crianças da Pré-Escola num ato concreto, permitindo, assim, ter melhores condições de realizar a prática pedagógica com mais competência, prazer e eficácia. Esta pesquisa de tipo qualitativa, através de instrumentos, como entrevistas semi-estruturadas para os pais e professores, recolhendo dados sobre as formas de como o PPP tem sua essencialidade para a aprendizagem, concluí que a construção deste é imprescindível e pode contribuir para estabelecer novos paradigmas de gestão e de práticas pedagógicas que levem a instituição escolar para uma educação flexível com a contemporaneidade, inovadora, a fim de provocar uma revolução nas maneiras de ensinar e promover aprendizagens efetivas. Palavras – chaves: Projeto Político-Pedagógico, aprendizagem, escola.

OBJETIVOS Este artigo apresenta pesquisa que tem como objetivo conhecer e analisar em que medidas as orientações do Projeto Político Pedagógico atuam como moda, exigência ou variável de aprendizagem, em um enfoque psicopedagógico. METODOLOGIA Esta pesquisa adotou o método qualitativo, pois, baseia-se nas concepções de Bogdam e Biklen (1982), onde proporciona uma relação direta do pesquisador com o ambiente procurando um significado mais profundo na relação (ANDRÉ E LUDKE, 1986: p.16), sendo uma abordagem descritiva. A pesquisa tem como meta analisar como a escola trabalha com o Projeto Político-Pedagógico e de como os professores o percebem na maneira realizar a aprendizagem de seus alunos.

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Introdução O presente trabalho tem como tema a importância do projeto Político-Pedagógico como variável da aprendizagem, num enfoque psicopedagógico, de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – n° 9.394/96 que determina às escolas a elaboração e a execução de suas propostas pedagógicas. A partir do tema escolhido, minha primeira atitude como educadora foi aprofundar teoricamente e constatar no cotidiano da escola pesquisada a repercussão da implantação do Projeto Político-Pedagógico no processo das aprendizagens dos educandos na Educação Infantil. E, ainda, se havia sido elaborado conforme a realidade individual e social da clientela da Escola. Daí a pergunta norteadora: O Projeto Político Pedagógico atuam como moda, exigência ou variável de aprendizagem? Ao propor-se compreender as diferentes concepções teóricas acerca do PPP na Educação Infantil procura-se relacioná-las com as formas de implantação, associa-se a teoria à prática e buscam-se interfaces necessárias para o entendimento do problema. Sabe-se que no Projeto Político-Pedagógico (P.P.P) constam as principais características da Escola. Nele, está presente a concepção de educação da escola, bem como, suas estratégias para este fim; retrata como é elaborado e quem participa ou não do seu processo de construção. O P.P.P é, portanto, a identidade da escola. Contudo, sua elaboração, enquanto projeto de educação, significa pensar e analisar a realidade em toda a sua extensão e que é uma atitude imprescindível à realização bem sucedida daquilo que se propõe. Implica antever o tipo de Escola que a comunidade escolar pretende, considerando suas necessidades e possibilidades, a partir de uma reflexão de conceitos fundamentais como: ser humano, escola e sociedade. Sendo a educação uma responsabilidade social e não somente de educadores, é, portanto, de patrimônio público, exigindo uma gestão democrática e, contribuindo para formar cidadãos capazes de refletir e criticar a realidade na qual está inserido e exercer participação cidadã em seu meio. 2

Portanto, pensar um projeto de educação implica pensar o tipo e qualidade de escola, a concepção de homem e de sociedade que se pretende construir. Porém, durante os meus trabalhos com a Educação Infantil (no período de graduação em Pedagogia), percebi nas instituições educacionais, de um modo geral, uma correria enorme na busca da construção de seus PPP. Inclusive no que se refere ao planejamento de aula por parte da Professora de Pré - Escola. Sabemos que as mudanças na educação dependem fundamentalmente da vontade política, no que diz respeito a encará-la como prioridade nacional e da vontade e empenho dos professores em tornar em prática uma aprendizagem efetiva dos educandos, contribuindo, para que tenhamos propostas interessantes no papel, mas, que na prática, há uma grande distância entre o ideal e o que o fazer pedagógico realiza. Isso por que, a nossa educação sempre foi um dos caminhos mais fáceis para se praticar os desvios de recursos para outros setores. Nesse sentido, como a moda é uma constante em nossas vidas, alguns “educadores” encaram o Projeto de Educação como moda, pois, esperam por um pacote pronto de técnicas e métodos de ensino, enquanto outros aguardam como mais uma exigência de acordos internacionais, tendo-o como apenas como uma lei a cumprir. E enquanto a sociedade se transforma continuamente, a tecnologia avança rapidamente, a proposta de um ensino prazeroso, qualitativo e efetivo, permanece só no papel. Salvo, é claro, com algumas exceções, da luta daqueles que vêem a educação como o futuro da humanidade, estes não acreditam nas mudanças na educação, quando elas acontecem de cima para baixo. Para buscar estas respostas procurou-se realizar a pesquisa de campo, com entrevistas semi-estruturadas em Escolas Públicas de Santa Maria. Desse modo o trabalho está dividido em sete capítulos. No primeiro capítulo, se faz presente a introdução. O segundo capítulo trata da educação no contexto escolar, acompanhado de três subitens: a caminhada sistemática do ato educativo, o currículo e a realidade do aluno, tendo como terceiro item a formação do professor. No terceiro será abordado a respeito do PPP e sua prática, bem como suas concepções e as ações da escola. Após, 3

será a metodologia trabalhada, juntamente com os resultados obtidos nesta pesquisa. Finalmente, é colocada a conclusão, seguida das referências bibliográficas e, contendo também, os anexos no final deste trabalho.

2. A EDUCAÇÃO NO CONTEXTO ESCOLAR

2.1 A caminhada sistemática do ato educativo

Toda a pessoa ao nascer tem o direito de ter educação e adaptarse a um mundo que varia de geração para geração devido ao espírito criador do ser humano. É através da educação que a sociedade pode reproduzir seus conhecimentos e se renovar cultural e espiritualmente, sendo um movimento social em direção ao bem estar comum. A Pedagogia, em seu sentido denotativo, nas palavras de Ferreira (1977), é teoria e ciência da educação e do ensino. Sendo a ciência da educação e do ensino, estuda a educação, a instrução e o ensino, permitindo, assim, uma compreensão global do fenômeno educativo. Essa compreensão diz respeito aos aspectos sócio-políticos da escola dentro do contexto mundial, filosóficos, sociais, religiosos, culturais, intelectuais, históricos e emocionais de cada aluno e indivíduos da escola, levando em consideração toda a singularidade de cada um em meio à diversidade. Dessa forma, o processo educativo que se desenvolve na escola pela educação, instrução e ensino condiciona decisivamente o ensino para a aprendizagem. Subordina-se aos interesses sociais e às culturas de determinada sociedade ou região na qual pertence. Nesse compasso, o ato educativo investiga questionamentos sobre que tipo de homem se pretende formar e ao tipo de sociedade que se aspira. De acordo com Libâneo (1990), a prática educativa requer uma direção de sentido para a formação humana de indivíduos e processos que assegurem a atividade prática que lhes corresponde (p.24). Essa pedagogia, portanto, modela as ações educacionais na aliança com a teoria e a prática, pois, estuda 4

as instruções apropriadas de acordo com a situação educacional, ensina para uma aprendizagem afetiva e finalmente, educa e prepara o indivíduo para uma vida social solidária, promovida ao bem comum. Libâneo (1990), vem a complementar que

A prática educativa é o processo pelo qual são assimilados conhecimentos e experiências acumulados pela prática social da humanidade, Cabe à Pedagogia assegurá-lo, orientando-o para finalidades sociais e políticas, e criando um conjunto de condições metodológicas e organizativas para viabilizá-lo. (p.24)

As influências educacionais se dão ao longo de toda a vida, fazendo-se na família, na comunidade, em instituições sociais, culturais e religiosas e entre estas, especialmente na escola, sendo que a ela cabe grande parte da responsabilidade do indivíduo, uma vez que é nela que acontece a sistematização do ato educativo. A educação de qualidade é um dos caminhos e um dos instrumentos mais importantes para a conquista da cidadania e para a construção de uma sociedade mais justa, mais democrática, com mais paz e melhor para se viver. Desta forma, é necessário ajudar a despertar em cada pessoa a conscientização de sua própria dignidade e a sua capacidade de exercer a cidadania. Aqueles que tiveram o privilégio de serem alfabetizados e de estudar na escola, por exemplo, sabem a tamanha importância que a escola exerce em suas vidas, nas decisões e até no comportamento de condutas. Tanto os indivíduos que não tiveram a oportunidade de estar em uma escola aprendendo quanto os que já a experimentaram, sentem as diferenças que a escola promove na vida de cada um. Os primeiros lamentam não poder fazer parte de uma sociedade na qual as informações passam por transformações diariamente, enquanto no segundo, na maioria, concretizam seus sonhos de “ser alguém” na vida, ou melhor, escolher uma profissão a percorrer durante grande parte de sua caminhada. Dentro desses parâmetros, percebe-se, contudo, que a da educação é um eixo condutor para que a pessoa torne-se responsável pelo seu próprio progresso e pelo bem da comunidade. Não basta saber. É necessário que esse saber esteja em função de uma sociedade mais humana. É preciso aprender a aprender e colocar o 5

aprendizado a serviço de uma melhor qualidade de vida para todos. Ensinar a aprender e aprender a ser inteligente não é dom com o qual nascemos, mas é o resultado de uma visão crítica de saber pensar, de avaliar, tomar decisões podendo o educando exercer de maneira mais eficaz os seus direitos. É através desta perspectiva de mudança que se pode alterar o futuro de uma nova sociedade, de uma família, de uma escola. É válido afirmar que ensinar e aprender é o estabelecimento de uma relação de causa e efeito. É o produto da troca das informações e das experiências pessoais entre educando e educador. Nessa troca todos saem ganhando e os resultados são especiais, no sentido em que especial for o empenho, a responsabilidade e as influências de ambos, isto é, de quem ensina aprendendo e de quem aprende educando. Assim, o ato educativo contribui para a emancipação do ser humano, e, por outro lado, prepara para os desafios que encontrará nos caminhos de sua vida.

2.2 Currículo e a realidade do Aluno

O currículo educacional representa a síntese dos conhecimentos e valores que caracterizam um processo social expresso pelo trabalho pedagógico desenvolvido nas escolas. A palavra currículo origina-se do Latim, curriculum, que significa curso, rota, o caminho da vida ou das atividades de uma pessoa ou de um grupo de pessoas.
Currículo pode ser conceituado como programa integral da escola, envolvendo os fins da educação, o que os professores e alunos fazem e como fazem e os materiais que usam. É concebido com uma perspectiva abrangente, como o conjunto de atividades da escola que afetam, direta ou indiretamente, o processo de transmissão-assimilação e produção de conhecimento. É o instrumento de confronto de saberes o saber sistematizado, indispensável à compreensão crítica da realidade e o saber de classe, que o aluno representa e que é o resultado das formas de sobrevivência que as camadas populares criam. (Marquezam ,2000, p.20)

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Assim sendo, o currículo deve ser planejado de forma participativa, a partir das aspirações e necessidades da comunidade escolar, considerando-se pelas características próprias com vistas à transformação da sociedade. No currículo devem ser selecionados e organizados os objetivos e as atividades a serem desenvolvidas no decorrer do processo educativo, devendo ser centrado nos reais interesses e necessidades do grupo. Também deve ser adequado às maneiras de pensar, agir, sentir do aluno, de acordo com sua fase de desenvolvimento, ampliando seus horizontes e levando-o a interagir consigo mesmo, com o outro e com o mundo. Nesse compasso,, pensar em currículo escolar é considerar a diversidade das características sociais que chegam a escola. Não havendo o reconhecimento de seu universo, o aluno fica desorientado, é como se o seu mundo não existisse a partir do momento em que não fosse valorizado pelo sistema escolar, e, entretanto, ele também não se insere na realidade proposta, tida como única. Contudo, entende-se que os alunos que chegam à escola são sujeitos sócio-culturais, e têm a capacidade de construir seus próprios conhecimentos de acordo com os saberes e culturas próprias trazidas da família. Sob essa ótica, o ensino-aprendizagem não deve ocorrer numa homogeneidade de ritmos, estratégias e propostas educativas para todos, independente da origem social, idade ou das experiências vivenciadas. O currículo não deve ser separado do contexto social que circunda, pois é justamente aí onde ele irá achar elementos que constituirão sua estrutura. Faz-se necessário a visão de que o currículo e a escola não somente constrói uma sociedade como também a refletem. Uma escola de zona rural, por exemplo, tem características, obviamente, distintas de uma escola de zona urbana. Logo, é aferível que o currículo seja o reflexo dessas características, tornando-as partes integrantes do processo educativo. Muitas vezes, não há um questionamento ou conhecimento justificável sobre a realidade na qual está inserido o aluno, pois, ela se quer é abordada, impedindo assim, a criança de expressar uma das características básicas de sua forma de aprender, que é o envolvimento de situações de aprendizagem,

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através da ligação com as suas vivências. Segundo o pensamento de Freire (1996)

A questão da identidade cultural, de que fazem parte a dimensão individual e a de classe dos educandos cujo respeito é absolutamente fundamental na prática educativa progressista, é problema que não pode ser desprezado. Tem que ver diretamente com a assunção de nós por nós mesmos. É isto que o puro treinamento do professor não faz, perdendo-se e perdendo-o na estreita e pragmática visão do processo (p.41-42).

Independente de qual sociedade a escola está inserida, levar em conta a construção de um currículo compatível às reais necessidades da aprendizagem não se limita apenas às meras aulas transmisssíveis e mecanicistas ou apenas aos conteúdos a serem “jogados” aos alunos, mas, mais do que um simples documento, uma questão atitudinal. O professor, na qualidade de educador, deve assumir sua verdadeira função, que é o de assumir a si mesmo, cada aluno e todo o conjunto de aprendizes que integram o ser de sua profissão. Todos têm que entrar no processo de assunção, corporificando o saber do senso comum para o científico, ao mesmo tempo, aprimorando o currículo de fato. Assim, quando uma criança fala do seu mundo, aprofunda a compreensão de si mesmo, confronta seu conhecimento com outros conhecimentos e vendo seu mundo validado, ganha confiança em si, passando a ter confiança em sua capacidade de aprender. O que combina com a idéia de Rego (1998), quando descreve que a escola desempenhará bem seu papel na medida em que, partindo daquilo que a criança já sabe (o conhecimento que ela traz de seu cotidiano, suas idéias, a respeito de seus objetivos, fatos e fenômenos, suas teorias acerca do que observa no mundo)..., ela for capaz de ampliar e desafiar a construção de novos conhecimentos. Sabe-se que conteúdos curriculares não se constituem no fim em si mesmos, mas, em instrumentos e caminhos para uma educação de qualidade. Graças a eles, podemos dar cor ao preto e branco, ou seja, colorir (ajeitar) o que pode ser melhorado, e ao mesmo tempo, refletir sobre o que ainda precisa ser aprimorado.

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O autor também disponibiliza este pensamento de maneira bastante consistente:
O currículo deve ser um meio de vida e ação, de modo que os indivíduos construam e reconstruam o significado de suas experiências. Segundo o autor, para provocar uma aprendizagem ao mesmo tempo rigorosa e relevante será necessário voltar o olhar para a aprendizagem espontânea, cotidiana que a criança realiza em sua experiência vital, para encontrar os modelos que possam orientar as dificuldades de aprendizagem sistemática na sala de aula. (SACRISTÁN , 2000.p.16)

Desta forma, percebe-se que o currículo é uma construção social no sentido que está diretamente ligado a um momento histórico, a uma determinada sociedade, as relações que esta estabelece com o conhecimento, procurando jamais menosprezar o saber popular em nome do saber acadêmico. Um dos maiores educadores em eminência, não só no Brasil, Paulo Freire (1996), o gerador de idéias inovadoras, através da pedagogia libertadora, acreditava que deveríamos estabelecer uma “intimidade” entre os saberes curriculares fundamentais aos alunos e a experiência social que eles têm como indivíduos, que todo o aluno deve ser estimulado a construir o próprio conhecimento, resolvendo problemas trazidos da sociedade, pois, só assim poderá devolver para esta sociedade um conhecimento aproveitável e produtivo. Sendo assim, o currículo precisa ser analisado de forma reflexiva, crítica e contextualizada. Os educadores devem estar cientes de que devem estar sempre atentos às mudanças e necessidades para formular estratégias de releitura e análise da cultura que ocorre cotidianamente na vida dos indivíduos. Elaborar um currículo de acordo com a realidade do aluno não quer dizer trabalhar somente dentro desta realidade. Pelo contrário, partindo dessa realidade é necessário proporcionar condições para que este aluno conheça e valorize as diferenças. O Referencial Curricular Nacional (1998) elaborado pelo Ministério da Educação, justifica que a escola é o lugar ideal para trabalhar as diferenças, uma vez que, nela se estabelecem os primeiros contatos com novos costumes, hábitos, expressões e histórias. Segundo referido documento, o papel do

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educador é o de mostrar e provar que as pessoas pertencem a vários grupos sociais, cada um, com modos de vidas singulares. Assim inicia o processo de conscientização dos aprendizes sobre suas relações com os demais indivíduos, com um novo olhar nas formas de ser e de viver. Começam a reconstruir sua visão da realidade e tornam-se mais receptivos à diversidade, tornando-se críticos, ao passo que, passam também não apenas a aceitar as multiculturas, mas a entender e abraçar a diversidade. É, portanto, imprescindível que a criança entenda com espontaneidade que o mundo é enorme, heterogêneo e que sempre se tem algo novo a aprender.

2.3 A formação do Professor.

É necessário estar em constante investimento na pessoa do professor, possibilitando-lhe capacidade de entender a globalização do sujeito, e principalmente, demonstrar capacidade de assumir a formação como um processo dinâmico. Por estes motivos, o professor deve assumir o papel de formador e de formando. Se o educador é formador, tem que estar em constante processo de formação em todas as áreas. A educação é uma constante construção do ser, é processo inacabado. Não projeta um homem ideal, e sim, possui o propósito de oportunizar opções para que o sujeito faça escolhas. Ser professor exige conhecimento dinâmico e consistente, a fim de acompanhar as mudanças diárias impostas pelas ciências, informática e tecnologias. Ao mesmo tempo, deve ter conhecimento de princípios estabelecidos, sobre os quais se embasam todas as novas conquistas do intelecto humano. Ao atuar em tal complexidade, é inadmissível o professor ter uma formação terminal e completa, sendo de extrema importância a formação continuada. Segundo Nóvoa (1995, p.28) “a formação não se faz antes da mudança, faz-se durante, produz-se nesse esforço de inovação e de melhores percursos para a transformação da escola”. As novas tecnologias e as novas situações mundiais exigem, fundamentalmente, a chamada educação continuada, de forma a atender, às novas exigências do mercado, de maneira ágil e, ainda, em curto prazo. 10

Vivemos na era da incerteza (MORIN: 2001: p.23) na qual, mais do que aprender verdades estabelecidas e indiscutíveis, é necessário viver e conviver com a diversidade de perspectivas, com a realidade das teorias, com a existência de múltiplas interpretações, de toda informação para construir, a partir delas, o próprio juízo ou ponto de vista. Ser professor nesta “sociedade tecnológica” e estar plugado no mundo, transformando a informação em conhecimento para si, para os alunos, para a comunidade escolar.
Parece que a atualização é coisa que só diz respeito a fase atual de nossa vida. Mesmo não lembrada em muitas ocasiões, faz parte integrante de toda a vida humana. Para que alguém progrida, basta ter inteligência e usar um pouco de capacidade do cérebro. Uns criam, inventam, outros usam os inventos, mas todos indistintamente, precisam se adaptar às novas situações. Há uma cultura que acompanha cada produto. Só a atualização através de educação faz com que possamos usar os produtos novos (WERNECK, 2003, P.30).

Desta forma flexibilidade, articulação, autonomia de pensamento e ação, capacidade de integrar conhecimentos vindos de várias áreas fazem parte de um conjunto de habilidades supervalorizadas em todas as áreas e principalmente na educacional.
É evidente que o professor não ensina senão na mediada em que os alunos aprendem. Não há, de fato, docência, ela não é cumprida sem a efetiva aprendizagem por parte dos alunos, mais ainda, sem que, por meio dela também o professor aprenda na relação dialogal com o outro. (MARQUES, 2000, p.154).

O professor deve sempre refletir sobre suas ações, sobre os resultados obtidos através de suas metas, se levaram aos objetivos almejados, tendo sempre em mente que só conseguimos resultados diferentes, quando fazemos as coisas de forma diferente.
Não basta entendermos a aprendizagem somente a partir de quem aprende. Importa entendê-la, igualmente, na atuação daquele com quem se aprende, ambos, o professor e o aluno, não relacionados em abstratos e no vazio, mas situados em lugares sociais específicos, entre os quais o mais importante é a escola e, mais concretamente, a sala de aula (MARQUES, 1994, p.85).

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É necessário que o professor avalie se está atualizado e alerta o suficiente para emitir pareceres seguros, baseado em argumentação consistentes a respeito do que se impõe na escola pela realidade emergente. Não é preciso julgar tudo o que é novo como bom, nem como ruim. É imprescindível a capacidade de aprender e analisar criticamente o contexto dessa aprendizagem, aumentando cada vez mais o seu saber, retornando seu espaço profissional e, acima de tudo, conquistando a confiança do aluno pela coerência entre o fazer e o pensar. Pensar sobre os fins que almeja a escola, sua forma de organização e funcionamento como garantir a aprendizagem a todos os seus alunos, o acesso ao conhecimento, é dever de todos os envolvidos no processo educativo.

3. O PROJETO POLÌTICO PEDAGOGICO E SUA PRÁTICA 3.1. Concepções

Vive-se a época da “cultura de projeto” em nossa sociedade, onde as condutas de antecipação para prever e explorar o futuro fazem parte de nosso presente. Essa influência do futuro sobre nossas adaptações cotidianas só faz sentido se o domínio que se tenta desenvolver sobre os diferentes espaços, cumpre a função de melhorar as condições de vida do ser humano. Portanto, é a partir desse pensar inicial que surge este texto, com o objetivo de melhor compreender o significado e o processo do projeto pedagógico. De forma clara, como coloca Gadotti (2001), a palavra projeto vem do verbo projetar, lançar-se para frente, dando sempre a idéia de movimento, de mudança. A sua origem etimológica, como explica Veiga (2001, p.12), vem a confirmar sua origem, no qual “vem do latim projectu, particípio passado do verbo projecere, que significa lançar para diante”.

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Como o projeto é uma atividade natural e intencional que o ser humano utiliza para procurar solucionar problemas e construir conhecimentos, se faz presente na escola, com embasamento legal definido o fazer de acordo com a comunidade que o educando está inserido. Boutinet (2002), em seu estudo sobre a antropologia do projeto, explica que o termo projeto teve o seu reconhecimento no final do século XVII e a primeira tentativa de formalização de um projeto foi através de uma criação arquitetônica, com o sentido semelhante ao que nele se reconhece atualmente, apesar da marca do pensamento medieval “no qual o presente pretende ser a reatualização de um passado considerado como jamais ocorrido” (p.34). Na tentativa de uma síntese, pode-se dizer que a palavra projeto faz referência a idéia de frentes de um projetar, lançar para, a ação intencional e sistemática, no qual estão presentes: a utopia concreta / confiança, a ruptura / continuidade e o instituinte / instituído. Conforme Gadotti (citado por VEIGA, 2001, p.18):

Todo projeto supõe ruptura com o presente e promessas para o futuro. Projetar significa tentar quebrar um estado confortável para arriscar-se, atravessar um período de instabilidade e buscar uma estabilidade em função de promessa que cada projeto contém de estado melhor do que o presente. Um projeto educativo pode ser tomado como promessa frente determinadas rupturas. As promessas tornam visíveis os campos de ação possível, comprometendo seus atores e autores.

E o projeto com a qualificação de pedagógico, qual é seu significado? De repente, em meados da década de 90, a idéia de projeto pedagógico vem tomando corpo no discurso oficial e em quase todas as instituições de ensino, espalhadas no Brasil. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9394/94), em seu artigo 12, Inciso I, prevê que “os

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estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino, tem a incumbência de elaborar e executar sua proposta pedagógica”, deixando explícita a idéia de que a escola não pode prescindir da reflexão sobre sua intencionalidade educativa. Assim, o projeto pedagógico passou a ser objeto prioritário de estudo e de muita discussão. Para André (2001, p.188), o projeto pedagógico “não é somente uma carta de intenções”, nem apenas uma exigência de ordem administrativa, pois deve “expressar a reflexão e o trabalho realizado em conjunto por todos os profissionais da escola, no sentido de atender às Diretrizes do Sistema Nacional de Educação, bem como as necessidades locais e específicas da clientela da escola”, ele é “a concretização da identidade da escola e do oferecimento das garantias para um ensino de qualidade”. Segundo Libâneo (2001, p. 125), o projeto pedagógico “deve ser compreendido como instrumento e processo de organização da escola”, tendo em conta as características do instituído e instituinte. Para Veiga (1998), o projeto pedagógico

Não é um conjunto de planos e projetos de professores, nem somente um documento que trata das diretrizes pedagógicas da instituição educativa, mas um produto específico que reflete a realidade da escola, situada em um contexto mais amplo que a influencia e que pode ser por ela influenciado. (p. 113)

Portanto, trata-se de um instrumento que permite clarificar a ação educativa da instituição educacional em sua totalidade. O Projeto pedagógico tem como propósito a explicitação dos fundamentos teórico-metodológicos, dos objetivos, do tipo de organização e das formas de implementação e de avaliação institucional.

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O projeto pedagógico não é modismo, nem documento para ficar engavetado em uma mesa na sala de direção da escola, ele transcende o simples agrupamento de planos de ensino e atividades diversificadas, pois, é um instrumento do trabalho que indica rumo, direção e é construído com a participação de todos os profissionais da instituição e demais membros da comunidade escolar. Todos, contribuindo, conseqüentemente, para a

aprendizagem efetiva dos educandos. O projeto pedagógico tem suas dimensões, como explicam André (2001) e Veiga (1998): a política e a pedagógica. Ele “é político no sentido de compromisso com a formação do cidadão para um tipo de sociedade”; (ANDRÉ,2001,p.189) e é pedagógico porque possibilita a efetivação da intencionalidade da escola, que é a formação do cidadão participativo, responsável, compromissado, crítico e criativo “. Essa última é a dimensão que trata de definir as ações educativas da escola, visando a efetivação de seus propósitos e sua intencionalidade (VEIGA, p.12). Assim sendo, a” dimensão política se cumpre na medida em que ela se realiza enquanto prática especificamente pedagógica” (SAVIANI, cit. por VEIGA, 2001. p.13). Para Veiga (2001, p.11) a concepção de um projeto pedagógico deve apresentar características tais como: ser processo participativo de decisões preocupar-se em instaurar uma forma de organização de trabalho pedagógico que desvele os conflitos e as contradições, explicitar princípios baseados na autonomia da escola, na solidariedade entre os agentes educativos e no estímulo à participação de todos no projeto comum e coletivo, conter opções explícitas na direção de superar problemas no decorrer do

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trabalho educativo voltado para uma realidade específica, explicitar o compromisso com a formação do cidadão. A execução de um projeto pedagógico de qualidade deve, segundo a mesma autora: nascer da própria realidade, tendo como suporte a explicitação das causas dos problemas e das situações nas quais tais problemas aparecem, ser exeqüível e prever as condições necessárias ao desenvolvimento e à avaliação, ser uma ação articulada de todos os envolvidos com a realidade da escola, ser construído continuamente, pois, como produto, é também processo.

3.2. As ações da escola

A cidadania requer a participação democrática em todas as instâncias educativas, sociais e políticas. A LDB 9394/96 propõe princípios da gestão democrática, no qual a ação educativa deverá estar fundada numa instituição do saber onde a escola seja construída, voltando-se para o contexto das diversas culturas em que a aquisição dos conhecimentos, a formação de atitudes e habilidades, bem como a conscientização da realidade sejam proposições sempre presentes em qualquer contexto escolar.

Traçar e executar seu projeto pedagógico e nele sua identidade afirmativa e distintiva é tarefa que não se limita ao âmbito das relações interpessoais, mas que se faça realisticamente presentes nas estruturas e funções da escola, na organicidade dos fluxos de relações nos recursos e limites que a singularizam envolvendo ações continuadas com prazos distintos. (MARQUES, 1991, p. 50)

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Portanto, na LDB o grande desafio lançado às escolas é a construção do seu projeto educativo. Porém, a necessidade de um Projeto Político-Pedagógico na escola antecede a qualquer decisão política ou exigência legal, uma vez que, enquanto membros de uma instituição escolar, deve-se ter nítido a que horizonte pretende-se chegar com os alunos, com a comunidade e com a sociedade. Nenhum Projeto Político-Pedagógico pode ser considerado como receita que pode ser transferida para uma outra realidade, uma vez que a principal condição para que este projeto tenha êxito é o seu enraizamento no contexto social-cultural sendo uma construção feita pelos sujeitos inseridos no referido contexto. A escola, hoje, precisa aproveitar a abertura que a LDB N° 9394/96 proporciona para a construção do seu Projeto Político Pedagógico e, por conseqüência, seu regimento. No artigo 12, fica clara a autonomia da escola para elaborar e executar sua proposta política e, logo a seguir, o artigo 13 incumbe os docentes de participar da elaboração desta proposta. Assim, o Projeto PolíticoPedagógico deve ser elaborado com a participação de todos os integrantes da comunidade escolar, no qual devem chegar a um denominador comum sobre a adequação deste, à realidade da escola. Todos os envolvidos devem estar conscientes de que devem contribuir para o êxito da referida proposta. Ao ser construído, o projeto de uma escola será planejado o que tem se a há intenção de fazer, realizar. Nos dizeres de Gadotti:

Todo projeto supõe ruptura com o presente e promessas para o futuro. Projetar significa tentar quebrar um estado confortável para arriscar-se, atravessar um período de instabilidade e

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buscar uma estabilidade em função de promessa que cada projeto contém de estado melhor do que o presente. Um projeto educativo pode ser tomado como promessa frente determinadas rupturas. As promessas tornam visíveis os campos de ação possível, comprometendo seus atores e autores” (1994, p.579).

Assim sendo, Veiga (2001, p.12), coloca que o Projeto PolíticoPedagógico não é somente um agrupamento de planos de ensino e de variadas atividades, não é apenas um documento elaborado e simplesmente arquivado ou enviado para as autoridades educacionais como prova de cumprimento de exigências legais. Ele deve ser construído e utilizado em todos os momentos por todos os envolvidos com o processo educativo da escola, sendo a síntese de todo o projeto de formação, da concepção política adotada e das opções pedagógicas e metodológicas que deverão, em sala de aula e nas diversas práticas escolares permitir a efetivação de uma práxis de fato inovadora, capaz de concretizar os sonhos, os anseios, as aprendizagens de fato, os desejos, as necessidades da formação permanente dos sujeitos educativos. Em suma, falar da construção do projeto pedagógico é falar de planejamento no contexto de um processo participativo, no qual o passo inicial é a elaboração do marco referencial, sendo este a luz que deverá iluminar o fazer das demais etapas.

4. Os resultados Na questão 1 foi perguntado aos professores ”Sua escola tem Projeto Político Pedagógico. Como foi o processo de sua criação?”. As

respostas, em sua maioria, estão concentradas na segunda alternativa que

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corresponde ao seguinte: “ Várias reuniões em estudos para depois formular o documento”. Na questão 2 “Todos participaram da elaboração? Ou somente alguns? Houve representação dos pais? Dos alunos?” . Os dados recolhidos foram que todos os segmentos da escola participaram, embora os entrevistados não colocassem o número de participantes. Na questão 3, foi perguntado como ocorreu a seleção da teoria que embasa o documento . As respostas obtidas encaminham para “a busca somente na prática dos professores as concepções do documento”. Isto significa que a teoria embasada em autores foi colocada de lado Na questão 4, pretendeu-se conhecer as partes do PPP . Os dados obtidos foram na maioria relacionados com os “planos de estudos e projetos de estudos culturais”, isto significa que o PPP ainda está como currículo escolar. Na questão 5, objetiva-se conhecer a relação entre o proposto no PPP e as ações da escola. Perguntou-se aos entrevistados sobre o PPP e a sua comunidade. Onde você vê isso acontecer? O que você aponta de importante no PPP, o que tem a ver com sua comunidade? Predominou nas respostas, o entendimento do PPP da escola como uma ligação entre as famílias, alunos e professores. O PPP, portanto, conforme uma das entrevistadas: “É um documento que norteia toda a vida da escola”, sendo um instrumento de auxílio no diálogo entre pais, alunos e professores. Porém, conforme constatei em entrevista semi-estruturada que isto não significa que todos os segmentos da escola adotam a PPP como

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variável de ensino, pois, o dia a dia é voltado apenas para os conteúdos de ensino. Na questão 6, foi perguntado: “No seu entender: os professores vêem o PPP como uma necessidade na escola infantil? Ou pode ser secundário, uma vez que a Educação Infantil tem direção própria? E seria mais um documento a ser criado para ser guardado.” As respostas obtidas giram em torno do PPP como uma necessidade na escola infantil. Vale salientar que há a admissão da escola infantil como parte integrante da escola, e em oposição, que as ações da educação infantil são específicas, ou seja, que as atividades da educação infantil só dizem respeito aos responsáveis pela educação infantil. Contudo, percebe-se que a teoria proposta no projeto educativo da escola não condiz com as práticas da maioria das escolas. A outra clientela pesquisada: pais . Para eles foram feitas 3 perguntas. A primeira: “O (A) senhor(a) conhece o Projeto Político Pedagógico de sua escola?” Nas respostas encontradas domina a negativa, pois muitos não sabem o que a escola pretende. A segunda questão: ”Participou da elaboração dele? Como?”.Os pais responderam que não. A terceira questão: ”Que ações sua escola realiza para por em prática o PPP?”As respostas foram que também não sabem associar as atividades do filhos com o objetivo da escola.

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4.1. Análise

Estamos hoje ainda em processo de discussão sobre o projeto pedagógico. Até a poucas décadas, a escola se reduzia em cumprir a meta de ensinar. Entretanto, em meados da década de 90, a escola, repentinamente, passou a pensar o projeto pedagógico como instrumento de autoconhecimento e conhecimento do contexto escolar e mundial. Ou seja, a escola deparou-se com uma mudança complexa, no sentido de levar em conta as multiculturas existentes, propiciando, então, os questionamentos sobre seus fins e não apenas aos métodos. A questão do projeto da escola nas escolas públicas pesquisadas representa um desafio para todos os educadores. Isso porque é necessário que haja uma mudança na mentalidade de toda a comunidade escolar. Uma elaboração conjunta, isto é, a gestão democrática faz parte da natureza do Projeto Político-Pedagógico. A comunidade escolar precisa compreender que a transformação social depende não só do Estado, mas da ação ativa de todos nós. Sob esta ótica, insisto que a mudança na mentalidade de toda a comunidade escolar significa ressignificar o comprometimento e o envolvimento de todos os segmentos responsáveis pela escola: a merendeira, a faxineira, os professores e professoras, diretores e diretoras, pais, mães, irmãos, vizinhos da escola, alunos e alunas e equipe diretiva. O Estado pode contribuir com recursos e idéias positivas que

solucionem problemas escolares, mas a escola é que sabe sobre suas

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culturas, sobre o contexto de sua região, etnias, etc. Portanto, cabe uma mudança significativa na concepção de Projeto Político-

Pedagógico na escola. Pais estão omissos nas questões referentes à instituição onde seus filhos aprendem a viver, a se comunicar, a gostar de aprender, enfim, onde seus filhos tem a oportunidade de se sentir importante para si e para os outros. Os professores limitados a ensinar conteúdos. Sabemos que o Projeto político-Pedagógico é visto, muitas vezes, por alguns, como uma exigência e por outros, como uma moda. Porém, também sabemos que a transformação da escola como instituição identidária da comunidade é um processo que não ocorre de forma rápida, pois, estamos em uma caminhada, na qual torna-se imprescindível a discussão e reflexão do Projeto Político-Pedagógico como variável de ensino.

CONCLUSÃO O PPP é, portanto um documento que não deve ficar engavetado em uma mesa na sala de direção da escola, ele transcende o simples agrupamento de planos de ensino e atividades diversificadas, pois, é um instrumento do trabalho que indica rumo, direção e é construído com a participação de todos os profissionais da instituição e demais membros da comunidade escolar, sendo imprescindível na aprendizagem, principalmente dos que estão no início das descobertas sobre o mundo que o cerca. A crise paradigmática presente atualmente no mundo inteiro, também atinge a escola e ela se encontra no início da

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caminhada, da transformação de uma escola caracterizada pela globalização, numa sociedade pós-moderna e pós-industrial. Sem dúvida, a escola começa a se questionar sobre si mesma, sobre seu papel contra a hegemonização do poder e as desigualdades, em favor do respeito à singularidade em meio à diversidade. Percebe-se que a construção de um Projeto PolíticoPedagógico se faz necessário como uma obrigatoriedade para o sucesso na educação. Ele pode contribuir para estabelecer novos paradigmas de gestão e de práticas pedagógicas que levem a instituição escolar a transgredir de uma educação tradicional, conteudista apenas, para uma educação de esforços, construções, flexível com a contemporaneidade, inovadora, a fim de provocar uma revolução nas maneiras de ensinar e promover aprendizagens efetivas.

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