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EXECUÇÃO PENAL ESQUEMATIZADA

 A lei de execução penal é aplicada tanto para o preso provisório, quanto para o condenado pela justiça
eleitoral ou militar, quando esses forem recolhidos em cadeias comuns. Ou seja, não há tratamento
diferenciado

 Aos provisórios e condenados somente serão cerceados os direitos especificados na sentença, ou seja,
não é possível aumentar a limitação por decisão discricionária.

 Os condenados deverão ser classificados pela CTC, que definira a partir de seus antecedentes e
personalidade, o programa individual do cumprimento da pena da forma mais adequada, tanto para o
condenado, quanto para o provisório. A CTC será composta por no mínimo seis pessoas, a saber:

01-Diretor da unidade prisional;


02-Dois chefes de serviço;
01-Psiquiatra;
01-Assistente social;
01- Psicólogo

 Aos presos provisórios a CTC atuara junto ao Juízo da Execução Penal e será integrada por fiscais do
Serviço social

 O exame criminológico é obrigatório para os condenados em regime fechado e facultativo aos


condenados do regime semi aberto.

 Entre as atividades da CTC estão:

• Entrevistar pessoas;
• Buscar dados dos reeducandos em cadastros oficiais e privados

 Assistência educacional compreende a instrução escolar e a formação profissional. O ensino de


primeiro grau é obrigatório. O ensino profissional será em nível de iniciação ou aperfeiçoamento

 São considerados egressos os condenados que já cumpriram a sua pena pelo prazo de um ano após a
soltura e os ex-detentos em livramento condicional pelo prazo estipulado na condicional. Ao egresso é
garantido o direito de ficar ate por dois meses (prorrogável uma única vez) em alojamento recebendo
alimentação e auxilio para obter emprego.

 O trabalho dos reeducando não se sujeita à CLT. O salário nesse caso será de no mínimo 75% (¾) do
salário mínimo vigente. A PSC não será remunerada. Somente o condenado é obrigado a trabalhar. O
trabalho do preso deve atentar-se às suas habilidades e condições pessoais. Fica limitado o trabalho
artesanal em regiões que não seja foco de turismo. A jornada será de seis a oito horas, com descanso
aos domingos. Excepcionalmente poderá haver horários e dias diferente diferentes de trabalho para os
que atuam na conservação e manutenção da cadeia. O produto do trabalho dos presos poderá ser
comprado pela Administração Publica sem a necessidade de licitação sempre que houver motivo
relevante para isso. O trabalho externo somente será permitido pela Direção da Unidade ao condenado
em regime fechado que tenha bom comportamento e tenha cumprido pelo menos 1/6 da pena, em
serviços ou obras publicas no limite de ate 10% da força de trabalho da equipe total. O exercício de
atividade em entidade privada depende de aquiescência do preso. Será revogado o trabalho externo
quando o preso praticar novo crime, falta grave ou tiver mau comportamento.

 Direitos dos presos:

• -Previdência social;
• Audiência com o Diretor da Unidade Prisional
• Constituição de pecúlio;
• Proteção de sua imagem contra o sensacionalismo;
• Atestado de pena restante a cumprir, emitido anualmente sob pena de responsabilidade da
autoridade Judiciária competente (extrato de liquidação de pena)
 È facultado ao preso o direito de contratar medico particular, quando aquele estiver em tratamento
ambulatorial ou internado. Quando houver divergências entre o medico e o oficial e o contrato, as
mesmas serão resolvidas pelo Juiz da VEP

 Todas as faltas disciplinares devem ser previstas em regulamentos anteriores punição. São vedadas
celas escuras e punições coletivas.

 As faltas graves são definidas por lei federal. São faltas graves cometidas pelo condenado a pena
privativa de liberdade:

• Fugir;
• Possuir ‘’chuchos’’ ou outro instrumento que possa ser usado como arma;
• Participar ou auxiliar motins ou rebeliões;
• Descumprir as regas do S.A;
• Desrespeitar servidor ou outra pessoa;
• Desrespeitar ordens recebidas, a execução do trabalho e demais tarefas.

 As faltas graves cometidas aos condenados nas penas de privação de direitos são:
• Descumprir ou retardar injustificadamente a restrição imposta
• Desrespeitar servidor ou outra pessoa;
• Desrespeitar ordens recebidas, a execução do trabalho e demais tarefas

 Considera-se a tentativa como falta consumada, aplicando-se a punição como se o fato tivesse se
concretizado.

 O RDD será aplicado quando houver fato previsto como crime doloso que subverta a ordem ou a
disciplina interna:
• Limite de ate 360 dias por cada punição. Quando houver reincidência no RDD
o limite máximo será de ate 1/6 da pena, para evitar que o preso fique longos períodos no RDD.
• Cela individual, duas horas de banho de sol diários, visitas semanais de duas
horas, permitida a entrada de duas pessoas mais as crianças;
• Preso de alta periculosidade, condenados ou não, brasileiros ou não ou os
detentos suspeitos de envolvimento em facções poderão ser recolhidos ao RDD

 Sanções disciplinares:
• Advertência verbal (aplicação discricionária pelo Diretor da Unidade);
• Repreensão (aplicação discricionária pelo Diretor da Unidade);
• Suspensão dos direitos de visita, leitura de livros, revistas, cartas, assistir televisão ou radio
(aplicação discricionária pelo Diretor da Unidade, limitadas a 30 dias)
• Isolamento, que devera ser comunicado ao Juiz da VEP (a cela deve ter pelo menos 6 m2, )
(aplicação discricionária pelo Diretor da Unidade e não pode ser superior a trinta dias)
• Inclusão no RDD (depende de parecer do MP e decisão fundamentada do titular da VEP)

 Órgãos que compõe a Execução Penal:


• Conselho Nacional de Políticas Criminais e Penitenciaria com sede em BSB, subordinado ao
MJ, tendo treze membros dentre professores e profissionais de áreas do Direito afins à Execução
Penal( estes escolhidos pelo MJ) , bem como representantes da comunidade dos Ministros da área
social.O mandato será de 02 anos, sendo o conselho renovado 1/3 em cada ano.Suas atribuições
básicas são as de propor diretrizes e metas da política criminal,promover a avaliação do sistema
criminal, estimular a pesquisa criminológica, estabelecer regras para a construção de unidades
prisionais, fiscalizar e inspecionar os estabelecimentos prisionais, representar ao Juiz da VEP,
representar a favor da interdição de unidades prisionais, determinar a capacidade máxima de
lotação das unidades,

• Juízo da Execução penal: Competindo-lhe a composição e instalação do Conselho da comunidade,


a emissão do extrato de liquidação de pena, a conversão e a unificação de penas, inspecionar e
fiscalizar as unidades prisionais e interditar cadeias quando for necessário
• O Ministério Publico

• Conselho Penitenciário: Seus membros serão escolhidos pelo Governador de cada Estado e do DF
dentre professores e profissionais de áreas do Direito afins à Execução Penal, bem como membros
da comunidade.O mandato será de quatro anos.Competindo-lhe a emissão de pareceres sobre
indultos e comutação de penas( exceto se o pedido versar sobre problemas de saúde), inspeções,
realizar relatórios dos trabalhos efetuados e apresentá-los ao Conselho Nacional no primeiro
trimestre de casa ano.

• DEPEN: Órgão Executivo e de apoio administrativo e financeiro. Competindo-lhe celebrar


convênios com os Estado e o DF, realizar cursos de aperfeiçoamento para servidores e cursos
profissionalizantes para os condenados. Estabelecer o cadastro nacional de vagas existente nas
unidades prisionais.

• Patronato: Deve auxiliar o egresso na sua readaptação a sociedade, orientar sobre o


cumprimento da pena.Podem ser públicos ou particulares.

• Conselho da Comunidade: Composto de no mínimo um advogado indicado pela OAB, um


representante de associação comercial ou industrial e de um assistente social escolhido pela
Regional do Conselho Nacional de Assistentes Sociais. Se faltar um desses membros, o titular da
VEP decidira pela escolha. Compete-lhe fazer visitas mensais às unidades prisionais, entrevistar
presos, fazer relatórios.

 Sobre o quadro de Pessoal:


• A LEP diz que o Diretor do estabelecimento deve morar na unidade, ou próximo.
• Nas unidades femininas só será permitido trabalho de homens quando tratar-se de serviço
técnico especializado

 Sobre os estabelecimentos prisionais:


• Mulheres e maiores de 60 devem ter estabelecimento próprio;
• Devera haver instalações destinadas a estagio de universitários;
• Lactantes devem ter espaço apropriado;
• Primários separados de reincidentes;
• Funcionários da Justiça criminal quando presos, devem ficar separado dos demais

 Da Penitenciaria:
Destina-se somente aos condenados em regime fechado;
Cada cela devera ter pelo menos 6m2;
Penitenciaria feminina devera ter creche e seção para gestante;
A penitenciaria devera ser em local afastado, não ao ponto de inviabilizar as visitas

Casa do Albergado:
• Destina-se aos regimes aberto e limitação de fim de semana;
• Deve situar-se em região de centro urbano;
• Ausência de obstáculos para fuga;

 Centro de observação:
Destina-se à realização de exames gerais e criminológicos, que serão enviados à CTC;
Será instalado autonomamente ou anexo ao estabelecimento prisional;
Na falta do Centro de Observação, a CTC fará todo o trabalho
 Do Hospital de Custodia e tratamento psiquiátrico:
• Destina- se aos doentes mentais e os com desenvolvimento mental incompleto
que sejam inteiramente incapazes de compreender a natureza ilícita dos crimes que cometeram
(imputáveis);
• O mesmo regime aplica-se aos semi imputáveis;
• É obrigatório o exame psiquiátrico e demais necessário ao tratamento;

 Da Cadeia Publica:
• Destina-se aos presos provisórios;
• Cada Comarca devera ter pelo menos uma, instalado perto dos Centros Urbanos.

 Das penas privativas de liberdade:


• A guia de recolhimento deverá conter os dados do condenado, infos sobre
antecedentes, data provável do termino da pena, inteiro teor da denuncia e da sentença.;
• O recolhimento para o cumprimento de pena privativa só ocorrerá com a
expedição da carta de guia. As guias deverão ser registradas em livro específico para isso;
• A superveniência de doença mental implica na transferência do regime fechado
para o tratamento psiquiátrico;
• Depois de cumprida ou extinta a pena, o condenado só sai da cadeia após a
expedição do alvará

 Dos regimes:
As penas de reclusão devem ser cumpridas em regime fechado, semi – aberto ou aberto

Regime fechado: Unidade prisional de segurança máxima ou media, regime inicial a quem for
condenado a pena superior a 08 anos;

Regime semi – aberto: Colônia Agrícola Industrial ou similar, regime inicial do não reincidente
que seja condenado a pena superior a quatro anos e inferior a oito anos;

Regime aberto: Casa do Albergado ou similar, regime inicial do condenado a pena igual ou
inferior a quatro anos.

• A condenação em mais de um crime importa a soma do tempo das penas no momento da


determinação do regime de cumprimento. Quem for condenado a regime semi aberto, pode ser
transferido para o fechado se sobrevier pena que, sendo somada a atual, configure mais de oito
anos.

 Das regras do regime fechado:


• Trabalho de dia, isolamento noturno, trabalho externo só em obras publicas, limitado a 10% da
força de trabalho

 Das regras do regime semi aberto:


• Trabalho comum durante o dia, em colônia agrícola, industrial ou similar;
• Trabalho externo é admissível;
• Freqüência em cursos supletivos, profissionalizantes e de segundo grau ou superior.

 Das regras do regime aberto:


• Só poderá ingressar no regime aberto quem estiver trabalhando ou quem tenha
possibilidade de em curto prazo, começar a trabalhar;
• Devera apresentar fundados indícios de bom comportamento e responsabilidade;
• Recolhimento noturno e nos dias de folga;
• Progressão para o fechado na ocorrência de fato tido por doloso se houver frustração
aos fins da pena e se lhe for possível, não pagar a multa;
• Não se ausentar da cidade onde reside sem autorização judicial;
• Comparecer em Juízo quando convocado.

Das regras do regime domiciliar


• Somente os condenados em regime aberto que sejam maiores de 70 anos, portador
de doença grave, mãe com filho menor ou P.N. E ou gestante.

 Da permissão de saída:
Para os presos dos regimes fechado, semi aberto ou provisório;
Falecimento ou doença de cônjuge, companheira (o), ascendente,
descente ou irmão;
Tratamento medico;
A permanência fora da unidade prisional não excederá o tempo
necessário.

Da Saída temporária:
Para os presos do regime semi aberto;
Visita familiar;
Estudo;
Outras atividades que contribua em sua reeducação;
Depende de autorização judicial, sempre dando vistas ao MP;
Comportamento adequado;
Cumprimento de no mínimo 1/6 da pena; e ¼ se reincidente;
Prazo da saída de ate sete dias, podendo ser renovada mais quatro vezes no ano
Poderá ser deferida para dar inicio a pratica de curso ou estudo;
• Será revogado quando o condenado praticar
crime doloso, praticar falta grave, desrespeitar as regras do beneficio ou revelar baixo grau de
aproveitamento do curso;
A retomada do beneficio depende de absolvição criminal,ou do cancelamento da pena adm.

Da remição
• Somente para os presos dos regimes fechado ou semi aberto;
• Três dias de trabalho descontam um dia da pena;
• O acidentado em beneficia-se com a remição
• O cometimento de falta grave enseja à perda do direito ao tempo remido, iniciando
nova contagem;
• Conta- se o tempo remido para concessão de condicional e indulto;

Livramento condicional
• Somente é deferido aos condenados com pena igual ou superior a dois anos;
• Cumprimento de mais de 1/3 da pena se não for reincidente em crime doloso e tiver
bons antecedentes;
• Cumprimento de mais da metade da pena se o condenado for reincidente em crime
doloso;
• Cumprimento de mais de 2/3 da pena nos casos de condenação por crime hediondo,
exceto se reincidente;
• Tenha reparado o dano causado, exceto se lhe for impossível por hipossuficiência;
• O condenado por crime doloso cometido com violência ou grave ameaça à pessoa
será avaliado com mais rigor na concessão do beneficio;
• Depende também de oitiva do MP e do Conselho Penitenciário;
• O beneficiado deve obter ocupação licita dentro de um prazo razoável, se lhe for
possível a labuta;
• Não freqüentar bares, prostíbulos, festas e outros lugares de ‘má-fama’;
• Manter o Juiz informado sobre suas atividades;
• Não realizar mudança de domicilio sem autorização do Juiz;
• No deferimento de pedido para residir fora da Comarca original, o Juiz da nova
Comarca será informado oficialmente e será o novo responsável pela observação das regras do
L.C;
• Na saída do beneficiado, ser-lhe-á entregue uma caderneta que conterá sua
identificação, as condições impostas. Na falta da caderneta será entregue um salvo – conduto;

• O beneficio será revogado se houver condenação a pena privativa de liberdade


irrecorrível, tanto por fato novo, quanto por fato antigo que ainda não tenha sido julgado
(revogação obrigatória);
• A revogação poderá ocorrer também, se houver descumprimento das regras impostas
ou se houver condenação irrecorrível por crime ou contravenção a pena que não seja privativa
de liberdade (revogação facultativa)

 Das penas restritivas de direitos:


I- Prestação pecuniária
II- Perda de bens e valores
III- Vetado
IV- Prestação se serviços à comunidade ou entidade publica
V- Interdição temporária de direitos
VI- Limitação de fim de semana

Prestação pecuniária;
Pagamento de dinheiro a vitima ou a família dela, ou ainda para entidades publicas ou privadas
de assistência social, sendo o valor de um salário mínimo a 360 salários mínimos. Se houver a
concordância do beneficiário, a pena pode ser convertida em prestação de outra natureza

• Prestação de serviços à comunidade:


Trabalho gratuito, duração de oito horas semanais, podendo ser realizados aos sábados,
domingos e feriados, ou em dias úteis;
A entidade beneficiada devera relatar mensalmente o andamento do cumprimento da pena

• Interdição temporária de direitos:


Proibição do exercício de atividade típica de funcionário publico ou mandato eletivo;
Suspensão da CNH;
Proibição de freqüentar certos lugares;
Proibição do exercício de atividade profissional que necessite de autorização do poder publico

• Limitação de fim-de semana:


Permanência de 05 horas, aos sábados e domingos na casa do albergado ou instituição
congênere

 Pena de multa:
• Após a extração da certidão de transito em julgado, O MP citara o condenado para pagar
a pena de multa em dez dias, ou nomear bens à penhora;
A execução da pena de multa será suspensa na superveniência de doença mental;
A pena poderá ser paga em prestações;
A concomitância de pena privativa de liberdade com a de multa enseja o desconto da
remuneração do preso que trabalha;
 Execução das Medidas de Segurança
• Detentiva: Ocorre com a internação em hospital de custodia e tratamento psiquiátrico
• Não detentiva: Sujeição a tratamento ambulatorial
Em ambos os casos só haverá o inicio do cumprimento da medida após expedição da carta de
guia

 Da Cessação de Periculosidade:
• Será averiguada no fim do prazo mínimo de duração da medida de segurança. Um mês antes de
expirar o prazo mínimo da medida, será enviado ao Juiz da VEP, relatório com laudo psiquiátrico, versando
sobre a revogação ou manutenção da medida. Serão dadas vistas ao curador e ao MP pelo prazo de três dias

 Das conversões das penas


• Pena restritiva de liberdade ate dois anos pode ser convertida em restritiva de direitos. Requisitos:

I- Condenado a pena em regime aberto;


II- No mínimo ¼ da pena já cumprida;
III- Boa personalidade e antecedentes que recomendem a medida

• A P.S. C será convertida quando:


I- O reeducando não for localizado, ao não atender a intimação por edital;
II- Descumprir injustificadamente o serviço que lhe foi ordenado;
III- Praticar falta grave;
IV- Superveniência de condenação a pena privativa de liberdade;

• A pena de limitação de fim – de – semana será convertida quando:


I- Não houver o comparecimento do condenado;
II- Recusar-se a exercer as atividades determinadas pelo Juiz da VEP;
III- O reeducando não for localizado, ao não atender a intimação por edital;
IV- Praticar falta grave;
V- Superveniência de condenação a pena privativa de liberdade;

Inexiste a possibilidade de conversão de pena de multa

Disposições finais:
• É proibida a divulgação de ocorrência internas que perturbem a ordem interna
ou exponha o preso;
• O condenado por crime político esta desobrigado de trabalhar;