ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

PROTEÇÃO DE PLANTAS

Módulo 3 Manejo de plantas daninhas
Tutores: Profº Dr.Antonio Alberto da Silva (UFV-MG) Profº Dr. José Ferreira da Silva (FUA-AM) Profº Dr. Francisco Affonso Ferreira (UFV-MG) Profº Dr. Lino Roberto Ferreira (UFV-MG)

Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Universidade Federal de Viçosa - UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia

Brasília - DF 2006
Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas 1

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Ficha Catalográfica Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Controle de plantas daninhas. Tutores: Antônio Alberto da Silva; [e outros]; colaboração de José Ferreira da Silva, Francisco Affonso Ferreira, Lino Roberto Ferreira - Brasília, DF: ABEAS; Viçosa, MG: UFV; 2006. 268.: il (ABEAS. Curso Proteção de Plantas. Módulo 3 - 3.1;3.2;3.3;3.4;3.5,3.6). Inclui bibliografia. 1. Plantas daninhas - controle. I.Silva, Antônio Alberto, 1950 - II. Silva, José Francisco da. III.Ferreira, Francisco Afonso. IV.Ferreira, Lino Roberto. V.Silva, José Ferreira da. VI. Oliveira Júnior, Rubem Silveríco de. VII. Vargas, Leandro. VIII. Universidade Federal de Viçosa. IX. Título É proibida a reprodução total ou parcial deste módulo Direitos reservados a ABEAS e ao autor

2

Módulo 3: 3.1 - Biologia e métodos de controle

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Sumário
Módulo 3.1 – Biologia e métodos de controle, 04 Módulo 3.2 – Herbicidas: classificação e mecanismos de ação, 48 Módulo 3.3 – Herbicidas: absorção, translocação, metabolismo, formulação e misturas, 102 Módulo 3.4 – Herbicidas: comportamento no solo, 135 Módulo 3.5 – Herbicidas: resistência de plantas, 196 Módulo 3.6 – Manejo de plantas daninhas em pastagens, 235

Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas

3

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

PROTEÇÃO DE PLANTAS

Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas 3.1 - Biologia e métodos de controle
Tutores: Profº. Antonio Alberto da Silva Profº. Francisco Affonso Ferreira Profº. Lino Roberto Ferreira Profº. José Barbosa dos Santos

Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Universidade Federal de Viçosa - UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia

Brasília - DF 2006
4 Módulo 3.1 - Biologia e métodos de controle

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Sumário

Introdução, 06 1 - Planta daninha, 07 1.1 - Prejuízos causados pelas plantas daninhas, 08 1.1.1 - Prejuízos diretos, 08 1.1.2 - Prejuízos indiretos, 09 1.2 - Origem, estabelecimento e propagação das plantas daninhas, 10 1.3 - Classificação das plantas daninhas, 15 1.3.1 - Características práticas para reconhecimento das principais famílias de plantas daninhas, 16 1.4 - Características de agressividade das plantas daninhas, 18 2 - Competição entre plantas daninhas e culturas, 19 2.1 - Fatores do ambiente passíveis de competição, 20 2.1.1 - Competição por água, 23 2.1.2 - Competição por luz, 25 2.1.3 - Competição por CO2, 28 2.1.4 - Competição por nutrientes, 28 3 – Alelopatia, 30 3.1 - Alelopatia das plantas daninhas sobre as culturas e plantas daninhas, 31 3.2 - Alelopatia entre culturas, 32 3.3 - Alelopatia das coberturas mortas, 32 4 - Competição e período crítico de competição, 33 5 - Métodos de controle de plantas daninhas, 36 5.1 - Controle preventivo, 36 5.2 - Controle cultural, 37 5.3 - Controle mecânico ou físico, 37 5.4 - Controle biológico, 39 5.5 - Controle químico, 40 6 - Manejo integrado de plantas daninhas (mipd), 42 Referências bibliográficas, 45

Módulo 3.1 - Biologia e métodos de controle

5

vive hoje nas cidades. Na verdade. mecanização agrícola. de milho. economicidade do controle químico. de arroz. Em termos médios. sendo um dos primeiros no "ranking" de vendas de agrotóxicos. e a mão-de-obra rural existente é escassa e de baixa qualidade. o controle de plantas daninhas. fisiologia vegetal. é extremamente simples. as microondas e o raio laser estão sendo avaliados como futuros métodos de controle. o ultra-som. Em algumas culturas. o Brasil dispõe de um dos maiores mercados do mundo. A demanda cada vez maior de alimentos. ou seja. no momento preciso e na quantidade necessária. fitotecnia. com ajuda da física. além da eficiência e. mecânicos ou químicos. São necessários. a eletricidade. esse percentual é ainda maior. envolvendo principalmente conhecimentos nas áreas de morfologia e fisiologia. usando métodos manuais. estão sendo desenvolvidos trabalhos objetivando a criação de cultivares de soja resistentes ao glyphosate. o produtor deve ser mais eficiente. 2005). ao imazaquin. principalmente. Em razão disso. fibras e energia. é uma ciência multidisciplinar que depende de conhecimentos de botânica. deve utilizar menos mão-de-obra para produção de maior quantidade de alimentos. entretanto. simultaneamente. técnicas de biologia molecular e sensoriamento remoto. na região produtora de alimentos do Brasil. Os estudos de ecologia e da toxicologia humana e animal são conduzidos. Muitos estudos estão sendo conduzidos em genética. visando o melhoramento de culturas para resistência a herbicidas. Assim. Os novos herbicidas estão cada vez mais seguros para o ambiente e o homem. em que os herbicidas correspondem a mais de 50% do volume total comercializado (ANDEF. cuidados técnicos 6 Módulo 3. toda e qualquer técnica de manejo de plantas daninhas somente terá sucesso se for aplicada levando-se em conta conhecimentos detalhados da biologia das plantas infestantes da área. etc. Novas técnicas estão sempre sendo pesquisadas e incorporadas. bioquímica. Como toda ciência. biologia. química orgânica. como cana-de-açúcar.1 . Devido à dificuldade de se encontrar mão-de-obra no campo. sendo mais eficientes no controle de plantas daninhas específicas e com doses cada vez mais baixas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução Para um leigo. climatologia. antes do lançamento de qualquer herbicida. para uma população crescente de consumidores e decrescente de produtores. destaca a importância da eficiência do controle de plantas daninhas. cerca de 20-30% do custo de produção refere-se ao controle de plantas daninhas. como exemplos. o estudo das plantas daninhas é dinâmico. Todavia. o uso de herbicidas tornou-se prática indispensável. Com relação aos defensivos agrícolas. física e química do solo. isoenzimas e RAPD (biotecnologia) e sensoriamento remoto também são úteis na identificação de plantas daninhas. Cerca de 92% da população.Biologia e métodos de controle . ao amônio-glufosinato.

os equipamentos disponíveis na propriedade. Por esse motivo. a qualidade do produto produzido ou interferir negativamente no processo da colheita é considerada daninha.1 . Uma planta pode ser daninha em determinado momento se estiver interferindo negativamente nos objetivos do homem. devido à evolução e complexidade que atualmente atingiu a Ciência das Plantas Daninhas. o tipo de solo. associam-se os diversos métodos disponíveis (preventivo. ou. por exemplo. Como exemplos. à água e aos organismos não-alvos. são vários os conceitos de planta daninha: Shaw (1956). por exemplos. promovendo a reciclagem de nutrientes. Cruz (1979) salienta que é uma planta sem valor econômico ou que compete. algumas têm sido consideradas plantas Módulo 3. cultural. sustentabilidade e eqüidade. plantas ao lado de refinarias de petróleo. econômico e que preserve a qualidade ambiental e a saúde do homem. etc. levando-se em consideração as espécies daninhas infestantes. podem ser extremamente úteis. com o homem. mecânico. os conceitos de competitividade. podem-se citar espécies altamente competidoras com culturas sendo extremamente úteis no controle da erosão. como. por isso mesmo. porém esta mesma planta pode ser útil em outra situação. pelo solo. Fischer (1973) apresenta duas definições: “plantas cujas vantagens ainda não foram descobertas” e “plantas que interferem com os objetivos do homem em determinada situação”. Uma planta cultivada também pode ser daninha se ela ocorrer numa área de outra cultura. plantas estranhas no jardim. sendo recomendado sempre um programa de controle integrado. Neste programa. como a presença do milho em cultura da soja e da aveia em cultura do trigo. um campo no qual está muito presente o desafio maior do agronegócio brasileiro. a topografia da área. uma planta só deve ser considerada daninha se estiver direta ou indiretamente prejudicando uma determinada atividade humana. Deve-se ressaltar que o herbicida é considerado apenas uma ferramenta a mais no manejo de plantas daninhas. todos os conceitos baseiam-se na sua indesejabilidade em relação a uma atividade humana.Biologia e métodos de controle 7 . servindo como planta medicinal. é um típico setor de tecnologia de ponta e. Entretanto. seja daninha. plantas tóxicas em pastagens. citado por Marinis (1972). 1 . afirma que planta daninha é qualquer planta que ocorre onde não é desejada. Embora não se possa dizer que uma planta. o controle químico de plantas daninhas. biológico e químico). num conceito mais amplo. Na verdade. em determinadas situações.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas para atingir a máxima eficiência com o mínimo impacto negativo ao solo. no seu processo. na sua essência. fornecendo néctar para as abelhas fabricarem o mel. Segundo Rodrigues e Almeida (2005). qualquer planta estranha que vier a afetar a produtividade e. que é o de conciliar. citado por Fischer (1973). plantas interferindo no desenvolvimento de culturas comerciais. é uma planta fora de lugar. hoje. as condições ambientais e o nível cultural do proprietário. pois estas. Numa cultura.Planta daninha Definir planta daninha nem sempre é fácil. para se obter um controle que seja eficiente. Para Beal. físico. etc.

na realidade. Além da redução da produtividade das culturas. quando presentes em pastagens. capim-massambará (Sorghum halepense) e feijão-miúdo (Vigna ungiculata). Esses valores tornam-se ainda mais significativos na agricultura moderna. por misturas de sementes. As comuns são aquelas que não possuem habilidade de sobreviver em condições adversas. ainda. se todas as sementes germinassem de uma só vez. cavalinha (Equisetum 8 Módulo 3. oficial-de-sala (Asclepias curassavica). impedirem a certificação de mudas em torrão. Muitas espécies de plantas daninhas são. cerca de 20-30% do custo de produção de uma lavoura se deve ao custo do controle das plantas daninhas. É comum. b) Crescem em condições adversas.Biologia e métodos de controle . que são atributos que facilitam a perpetuação da espécie. 1). por exemplo: a) Reduzem a qualidade do produto comercial. sementes de capim-carrapicho (Cenchrus echinatus) junto ao feno. pois. raízes. arroz-vermelho (Oryza sativa). Exemplo: Desmodium totuosum. pêlo de animais.Prejuízos diretos As plantas daninhas. c) Podem intoxicar animais domésticos. as plantas de trigo que surgirem das sementes remanescentes no solo passam a ser consideradas daninhas à cultura da soja.) 1. Em média.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas daninhas comuns e outras plantas daninhas verdadeiras. como é o caso de mudas cítricas produzidas em viveiro infestado com tiririca (Cyperus rotundus). água. etc. rizomas. As consideradas verdadeiras possuem características especiais que permitem fixá-las como infestantes ou daninhas. num plantio rotacional trigo/soja.000 sementes por planta. geralmente com facilidade para disseminação pelo vento. etc. quando estas são colhidas junto com sementes de determinadas espécies de plantas daninhas proibidas. também. por máquinas. b) São responsáveis pela não-certificação das sementes de culturas. folhas. sementes de carrapicho-de-carneiro (Acanthospermum hispidum) aderidas à lã. tubérculos. etc. as quais são facilmente dissemináveis por animais. capazes de se multiplicar por diversas maneiras (sementes.1. c) São rústicas quanto ao ataque de pragas e doenças.1 .Prejuízos causados pelas plantas daninhas 1. etc. Por exemplo. d) Apresentam dormência e germinação desuniformes. tubérculos de tiririca se desenvolvendo dentro tubérculos de batata (Fig. Possuem habilidade de produzir grande número de sementes por planta. seria fácil erradicar uma espécie daninha. furtam energia do homem. bulbos. que produz até 42. Por exemplo: cafezinho (Palicourea marcgravii). onde se exige perfeito controle das plantas para melhor eficiência das máquinas colheitadeiras.1 . como leiteiro (Euphorbia heterophylla). São exemplos a presença de sementes de picão-preto (Bidens pilosa) junto ao capulho do algodão.1 . as plantas daninhas causam outros prejuízos diretos. como: a) Não são melhoradas geneticamente.

algodoeirobravo (Ipomoea fistulosa). além dos prejuízos diretos que causam às culturas.000 sementes por planta. durante a operação da colheita.1 . Outro exemplo de espécie de planta daninha que causa prejuízos diretos e indiretos é a Mucuna pruriens. Estas diminuem a eficiência das máquinas e aumentam as perdas durante a operação da colheita até mesmo quando em infestação moderada nas lavouras. Sida santaremnensis. Outro exemplo é o capim-massambará (Sorghum halepense). samambaia (Pteridium aquilinium).2 . flor-das-almas (Senecio brasiliensis). que germinam e parasitam as raízes do milho. infestante comum em lavouras de milho. etc.). ainda. os nematóides: mais de 50 espécies de plantas daninhas hospedam Meloydogyne javanica e Heterodera (nematóide-do-cisto da soja). ainda não introduzida no Brasil. os tricomas de suas folhas se rompem a um leve contato e liberam toxinas que causam inflamação na pele do trabalhador. Algumas espécies. causado por um vírus à cultura do feijão. Módulo 3. Ipomoea purpurea e outras desse gênero). como o mosaico-dourado do feijoeiro. pois. prejudicar ou mesmo até impedir a realização de certas práticas culturais e a colheita. d) Algumas espécies exercem o parasitismo em citros. podem. que é hospedeiro do vírus do mosaico da cana-de-açúcar. que é transmitido pela mosca-branca após ter se “alimentado” de espécies do gênero Sida (Sida rhombifolia.Dano em batata inglesa devido à penetração e ao desenvolvimento de tuberculos de tiririca 1. Figura 1 .Prejuízos indiretos As plantas daninhas podem ser hospedeiras alternativas de pragas e doenças.Biologia e métodos de controle 9 . Ipomoea aristolochiaefolia. Esta última é a pior invasora para milho.1. florescem rapidamente e iniciam novamente o ciclo parasitário. Capimcarrapicho (Cenchrus echinatus). Sida micrantha. dois meses mais tarde as plantas aparecem na superfície do solo. São exemplos destas espécies a corda-de-viola (Ipomoea grandifolia. Ela produz cerca de 5. esta espécie daninha dificulta tremendamente a colheita manual. carrapicho-de-carneiro (Acathospermum hispidum). feijão e cana-de-açúcar. arranha-gato (Acassia plumosa) e outras plantas espinhosas podem até impedir a colheita manual das culturas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas piramidale). Sida glaziovii. chibata (Arrabidae bilabiata) e outras que podem causar a morte de animais. São exemplos a erva-de-passarinho (Phoradendron rubrum) em citros e a erva-de-bruxa (Striga lutea) em milho. Sida cordifolia. milho e plantas ornamentais.

que afirma que a vida originou-se no meio líquido. pois a semente é uma das vias de entrada dos herbicidas. provavelmente. Musik (1970) salienta que o homem é. tornando-se inviável economicamente. o estabelecimento de uma determinada planta daninha envolve os aspectos ecológicos da agregação e migração. rizomas. e a xerosere. aguapé (Eichornia crassipes). separando as benéficas (denominadas plantas cultivadas) das maléficas (denominando-as de plantas daninhas). têm o custo de controle muito elevado. As plantas daninhas podem ser disseminadas por diversos meios. dificultando a manutenção de represas. A propagação vegetativa é um mecanismo de sobrevivência de grande importância nas plantas daninhas perenes. vias públicas. água. o responsável pela evolução das plantas daninhas. as plantas daninhas produzem muitas sementes. caulículo. tubérculos. O estudo do processo germinativo das sementes é de fundamental importância para quem trabalha com o manejo de plantas daninhas. ferrovias. além das partes das plântulas. segundo a qual a vida teve origem em terra firme. dos distúrbios naturais. Por outro lado. como a tiririca (Cyperus rotundus) e a losna-brava (Artemisia verlotorum). muitos herbicidas atuam. desmoronamentos de montanhas. a disseminação das plantas daninhas pode ser feita por vento. etc. Além disso.2 . onde podem dificultar o manejo da água. etc. como glaciação. pelos quais as plantas podem perpetuar-se tanto por via seminífera como por via vegetativa. além da competição pelos recursos do meio.1 . etc. radícula. possuem seus mecanismos de ação ligados ao processo 10 Módulo 3. como hipocótilo. o estabelecimento envolve o processo de germinação da semente. 1. Vários são os diásporos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas As plantas daninhas. aumentando o custo da irrigação. também.Origem. ação de rios e mares. também. incluindo o homem. Causam. podem ser altamente inconvenientes em áreas não-cultivadas: áreas industriais. o que assegura alta taxa de dispersão e restabelecimento de uma infestação. Do ponto de vista morfofisiológico. quando presentes em áreas com culturas que apresentam pequena capacidade competitiva.Biologia e métodos de controle . prejudicando a pesca. etc. Os propágulos podem ser raízes. Normalmente. Na verdade. Todavia. pelas plantas cultivadas. Estas. refinarias de petróleo. Nestas áreas não é desejável a presença de plantas daninhas vivas ou mortas. Estas são encontradas onde está o homem. ou seja. envolvendo os complexos aspectos morfogênicos e edafoclimáticos. Existem duas grandes teorias: a hidrosere. etc. Exemplos: taboa (Typha angustifolia). que apresentam duas características essenciais: dormência e reservas alimentícias.. porque ele é quem cria o ambiente favorável a elas. inicialmente. as plantas daninhas originaram-se. animais. Outras espécies de plantas daninhas podem ainda reduzir o valor da terra. os parques e os jardins. o funcionamento de usinas hidrelétricas. também. devido ao próprio conceito de planta daninha. que se constitui num grande disseminador de tais plantas. elas começaram a aparecer quando o homem iniciou suas atividades agrícolas. como o é. como as olerícolas de modo geral. problemas sérios em ambientes aquáticos. crescimento e desenvolvimento da planta. estabelecimento e propagação das plantas daninhas De acordo com Musik (1970) e Fischer (1973).

conforme ela seja fotoblástica positiva ou negativa. 1974. ela entrará em processo de germinação (PROPINIGIS. menor tempo para embebição). As principais substâncias responsáveis pela embebição são as proteínas. temperatura. são necessárias as seguintes condições ambientais favoráveis: água em quantidade suficiente. é de duas a três vezes o peso da semente. o que resulta numa diminuição do estande. portanto. METIVIER. aumenta-se o potencial de pressão interna na membrana que envolve a semente (pressão de embebição). sendo dependente dos seguintes fatores: composição química da semente. a germinação consiste no processo que se inicia com o suprimento de água à semente seca e termina quando o crescimento da plântula se inicia. é necessário o suprimento contínuo de água. Entretanto. em fases seguintes à reidratação.1 . concentração de oxigênio e presença ou ausência de luz. cada espécie requer uma temperatura ideal para germinação. como adequado suprimento hídrico. Se a semente não estiver em estado de dormência e houver condições ambientais favoráveis. temperatura adequada à espécie. A quantidade de água necessária para reidratação. A temperatura ótima é aquela que permite a obtenção da maior percentagem de emergência no menor espaço de tempo. Com a embebição. o qual pode atingir centenas de atmosferas.Biologia e métodos de controle 11 . a celulose e as substâncias pécticas. ocorre a ruptura do tegumento e saída da radícula. Em temperaturas abaixo da ótima. com o ressurgimento das atividades paralisadas ou reduzidas por ocasião da maturação da semente. As características físico-químicas das substâncias coloidais das sementes irão comandar o potencial da água nas sementes. por onde sairá a radícula. para o desenvolvimento do eixo embrionário em plântula independente. A embebição também é influenciada pela temperatura (temperaturas mais elevadas. Normalmente. Estas sementes permanecerão dormentes enquanto o tegumento estiver impermeável (semente dura). impedindo que a planta se estabeleça. para a maioria das espécies. Outro fator que pode influenciar a embebição é a permeabilidade do tegumento da semente à água. A água é necessária para que ocorra a reidratação das sementes. ou seja. e para isso são necessários alguns requisitos fundamentais: estarem as sementes viáveis e as condições ambientais serem favoráveis.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas germinativo. permeabilidade do tegumento à água e presença de água na forma líquida ou gasosa. que perdem muita umidade por ocasião de sua maturação e secagem. porque as sementes ficam por períodos prolongados nos estágios iniciais da Módulo 3. Do ponto de vista fisiológico. O processo da germinação inicia-se. dando origem ao que se chama de semente dura. 1986. É comum entre as espécies a presença do tegumento totalmente impermeável à água. Essas necessidades são definidas para cada espécie e estão relacionadas com o habitat de origem e com a melhor forma de preservar a espécie (normalmente as espécies daninhas somente germinam quando existem condições para sobrevivência). A embebição das sementes é um processo físico que ocorre tanto nas sementes vivas quanto nas mortas. A germinação da semente é a reativação dos pontos de crescimento do embrião que haviam sido paralisados nos estágios finais da maturação morfisiológica da semente. a velocidade da germinação é menor. provocando o rompimento do tegumento. FERRI. 1985). Para que uma semente viável (condição intrínseca) possa germinar. atmosfera apropriada à espécie (concentração de CO2 e O2) e luz (comprimento de onda e intensidade).

passam a germinar rapidamente se ocorrer alternância de temperaturas alta e baixa. Temperatura acima da ótima tende a aumentar. como a grama-seda (Cynodon dactylon). apenas flash de 0. devido à maior atividade metabólica. A necessidade de luz pode variar também em função do armazenamento. outras necessitam de breve iluminação e outras são indiferentes. que aumentam a necessidade de oxigênio pelo embrião. ou muito curto.001 segundo (sementes de fumo). O processo de germinação inicia-se. portanto. porque uma atmosfera rica em nitrogênio parece ser mais econômica e eficiente. O efeito do CO2 é normalmente contrário ao do O2. ficam mais suscetíveis ao ataque de microrganismos patogênicos. como: a) altas temperaturas. porcentagem de matéria orgânica. outras em luz contínua. ou. nessas condições. a fase gasosa do solo apresenta uma série de substâncias voláteis que são produzidas pelas plantas. uma interdependência entre temperatura e outros fatores externos. esta prática não é utilizada para conservação de sementes. necessita de energia. causando crescente desorganização do mecanismo germinativo e impossibilitando que as sementes menos vigorosas completem a emergência. As necessidades e quantidades de 02 para germinação são influenciadas por outros fatores. profundidade de semeadura. em regime de temperatura constante entre 25 e 30 °C. isto é. ainda. ocorrendo a embebição de todos os tecidos da semente e uma expansão do tegumento 12 Módulo 3. como em sementes de alface (alta percentagem de germinação em exposição por um a dois minutos). a velocidade da germinação. A temperatura ótima está relacionada com as atividades das enzimas que participam dos diversos processos metabólicos que ocorrem durante a germinação e cujas ações somente se tornam eficientes em temperaturas específicas. razão por que a germinação das sementes é influenciada pela composição do ar atmosférico que as envolve. Existem espécies de plantas daninhas que somente germinam no escuro. em que a luz pode promover a germinação mesmo em temperaturas desfavoráveis. longo e de forma cíclica. Além destes. esse fenômeno é semelhante ao fotoperiodismo observado para o florescimento. atividade microbiana e teor de umidade. obtida por meio do processo de oxidação na presença do oxigênio. Neste caso. A respiração envolve trocas de gases. Através de concentrações elevadas de CO2 consegue-se evitar a germinação e auxiliar na conservação de sementes. podendo. Em algumas espécies a necessidade de luz ocorre somente após a colheita e em outras por um longo período (por um ano ou mais). com uma rápida absorção de água pelos biocolóides. entretanto. respiração. Há espécies cujas sementes somente germinam em regime de alternância de temperatura. também. Sementes desta espécie dificilmente germinam totalmente no escuro. e b) fatores do solo.1 . em alguns casos. O período de exposição pode ser curto. Em condições normais. Em algumas espécies tem-se observado. como porosidade. por se tratar de um processo que ocorre em células vivas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas germinação e. as sementes germinam em atmosferas com 20% de O2 e 0.Biologia e métodos de controle . Todavia. É importante salientar que a sensibilidade das sementes à luz é maior quando a semente está embebida. as reações envolvem o fitocromo. pois sementes de muitas espécies não conseguem germinar quando a concentração de CO2 é muito elevada. em demasia.03% de CO2. Como exemplo desta interdependência podem-se citar as espécies do gênero Amaranthus. ser inibidoras ou promotoras da germinação. A germinação.

O simples revolvimento do solo. por alguns autores. pela ação das lipases.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas envolvente. Outro aspecto relacionado com a semente é a quiescência. Durante esta fase o ácido giberélico (giberelinas) estimula a ativação e. havendo formação de α-amilase e outras enzimas. observa-se aumento nas sínteses de DNA e RNA. as sementes. Um grande volume de sementes de plantas daninhas encontra-se. é reativada e a enzima β-amilase é sintetizada de novo por estímulo hormonal (giberelinas) às expensas de aminoácidos originados de proteínas hidrolisadas e com a energia oriunda das atividades das fosforilases. o número de ribossomos+RNA que incorporam os aminoácidos às proteínas. que são plantas muito semelhantes e apresentam ciclos vegetativos praticamente iguais. primeiramente na região da radícula do embrião. também. necessitam que a dormência seja superada de alguma forma. são transformados em ácidos graxos (em oleaginosas. pela ação das enzimas amilases. o homem sempre Módulo 3. o embrião passa a sintetizar e liberar giberelinas que se movem através do endosperma. O amido. que elevam a produção de glucose. é transformada em inositol e fósforo inorgânico. pelo contrário. verifica-se inicialmente a ativação do m-RNA preexistente. que envolve a oxidação da matéria orgânica da semente com formação de ATP e substâncias intermediárias necessárias ao processo anabólico da germinação. para germinarem. é transformado em açúcares redutores e sacarose. lipídeos e carboidratos solúveis armazenados no embrião. são transformadas em aminoácidos. frutose e maltose. com a dormência. as quais são essenciais para o desenvolvimento do embrião. os lipídeos. ocorrem o metabolismo e a mobilização das reservas das sementes. mesmo que as condições ambientes sejam favoráveis. No caso da dormência. ocorrem a divisão e o alongamento celular. Em conseqüência do aumento das atividades de diversas enzimas durante o processo de embebição. incrementando-se a respiração e o alongamento celular. iniciando-se o crescimento celular e a mitose. que é devida a condições intrínsecas inerentes à própria semente. nas primeiras 24 horas iniciais. síntese das amilases. que é o repouso metabólico da semente devido a condições externas desfavoráveis. Esta fase da embebição coincide com o aumento da atividade metabólica. os quais dependem do uso de aminoácidos. enquanto a silvestre sobrevive por vários séculos sem a ajuda humana. a quiescência é confundida. as gorduras são convertidas em sacarose pelo ciclo do glioxilato. mecânica ou fisiológica. É o caso das aveias silvestre e cultivada. Uma outra razão é dormência. Isso ocorre porque durante o processo da embebição a enzima β-amilase. e a fitina. Nas primeiras 12 a 16 horas após o início da embebição. que é observada pelo aumento da respiração. a drenagem de áreas encharcadas e as irrigações de solos secos podem estimular a germinação dessas sementes. a semente não germina. Aumenta-se. presente na semente seca. podendo ser física. as proteínas. ou. Em cereais. ao mesmo tempo. da glicólise e da respiração. Propinigis (1974) cita como exemplo marcante a dormência das plantas daninhas comparada à das plantas cultivadas. acompanhada pelo aumento da síntese protéica no embrião. Neste caso. pela ação das enzimas proteolíticas.1 . através da ação de duas enzimas: isocitrase e sintetase do malato). nas quais o melhoramento genético reduziu ou mesmo suprimiu tal atributo. e. por ação das fitases. no solo. em estado da quiescência. porém a cultivada já não consegue viver sem ajuda do homem.Biologia e métodos de controle 13 .

Do total dessas sementes. também chamada de induzida.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas procurou erradicá-la. Através deste mecanismo a espécie consegue sobreviver em estações desfavoráveis. uma avaliação da composição florística de uma área em uma única época do ano não representa o potencial de infestação desta área. na temperatura e na composição atmosférica do solo ou até mesmo acelerar a liberação de compostos estimulantes da germinação. podem ser várias as causas da dormência: embrião imaturo. é capaz de germinar até a profundidade de 25 cm no solo (VARGAS et al.000 sementes/m2/10 cm de profundidade. 14 Módulo 3. também chamada de dormência inata. e persiste por longo tempo após completada a maturação. no futuro. O solo agrícola é um banco de sementes de plantas daninhas contendo entre 2.000 e 50. sendo um meio necessário de sobrevivência entre as plantas daninhas. por exemplo). O leiteiro (Euphorbia heterophylla). endógena. seria aquela que a semente adquire devido ao ambiente desfavorável. e c) quinquilho (Datura stramonium): germina melhor no escuro.1 . aumentando a sua população quando as condições retornam à sua normalidade. ao oxigênio. b) língua-de-vaca (Rumex cryspus): germina melhor na presença de luz. por apresentar dormência. Dormência pode ser definida como qualquer estágio no ciclo da vida no qual o crescimento ativo é suspenso por um período de tempo. Por isso. O amplo conhecimento da dormência poderá. nas várias formas. sendo considerada uma espécie de planta daninha importante. A dormência. b) “Dormência secundária”.. por ser indiferente à luz. em um dado período. Certas espécies necessitam de condições especiais para germinarem. mesmo sob intenso controle sempre haverá no solo sementes desta espécie. No retorno ao ambiente favorável. sobrevivendo no solo por muito tempo. é um dos mais importantes mecanismos indiretos de dispersão. como os nitratos. e presença de algum inibidor fisiológico. pode ocorrer germinação durante meses ou até anos. e o inverno violento pode matar as plântulas. Segundo diversos autores. requerendo condição especial para quebra da dormência. Já a aveia silvestre. Como exemplos de espécies de plantas daninhas que apresentam mecanismos de dormência podem-se citar: a) ervaformigueira (Chenopodium album): produz sementes com tegumentos normal e duro. Por esta razão. seria aquela que a semente adquire quando ainda está ligada à planta-mãe. Os diversos tipos de dormência podem ser agrupados em: a) “Dormência primária”. a semente permanece dormente (sementes com tegumento impermeável. A aveia cultivada amadurece no verão e suas sementes. tegumento da semente impermeável à água e. germinam todas. não germina de forma uniforme. Isso pode ocorrer pela simples movimentação do solo. que pode expor as sementes à luz (mesmo por frações de segundos). garantindo a perpetuação da espécie. mas sem sucesso. sem dormência. apenas 2 a 5% germinam.Biologia e métodos de controle . as demais permanecem dormentes. contribuir para o desenvolvimento de métodos mais eficientes de controle de plantas daninhas. Acredita-se que muitas outras espécies de plantas daninhas apresentam mecanismos semelhantes. provocar mudança nos teores de umidade. 1998). ou. inerente ou natural. Como a dormência não é a mesma em todas as sementes de uma planta. durante o processo de maturação.

Este grupo abrange quase todas as plantas consideradas daninhas (cerca de 30.1 . como as dos gêneros Ipomoea e Euphorbia. bianuais e perenes. Uma Aração 2. Uma Aração + Enxada Rotativa 4.3 . As anuais completam seu ciclo de vida (semente-semente) em um ano ou menos. Sem Cultivo No de Sementes Emergidas m-2 103 134 206 328 80 As características físico-químicas do solo também influenciam a profundidade de emergência das sementes. quando comparada com solos pouco compactados. como Eleusine indica. Quanto ao ciclo de vida.Influência do tipo do preparo do solo na germinação de sementes de plantas daninhas Tipo de Preparo do Solo 1.Biologia e métodos de controle 15 .800 são consideradas mais nocivas em razão de suas características e seu comportamento. 1998). em solos muito compactados.000 espécies). Destas. cerca de 1. Outro fator que influencia a profundidade de emergência é o sistema de cultivo. assim. com aproximadamente 170. Uma Aração + Uma Gradagem 3. possivelmente pelo maior teor de umidade junto às sementes (maior contato entre as sementes e o solo).Classificação das plantas daninhas Em certos casos. espécies que produzem sementes pequenas.0 cm. respectivamente (VARGAS et al. como é o caso de Brachiaria plantaginea. Espécies que produzem sementes grandes. onde no rastro da roda do trator observa-se cerca de 10% a mais de emergência de plantas daninhas. Isto pode ser observado facilmente em condições de campo. causando a cada ano grandes perdas na agricultura. Por estes e outros motivos é necessário conhecimento mais amplo das espécies de plantas daninhas.0 cm no plantio convencional e somente até 1. Estas podem ser anuais de inverno (que germinam no outono ou inverno. a seletividade de alguns herbicidas baseia-se em diferenças morfológicas e fisiológicas existentes entre as espécies de plantas daninhas e cultivadas. 1.000 espécies. crescem no verão e Módulo 3. O Quadro 2 apresenta as 12 famílias mais importantes do mundo. as plantas daninhas podem ser anuais. Outro fator extremamente importante na germinação das sementes é a profundidade em que elas se encontram no solo. que germina até a profundidade de 3. Quadro 1 . sem o revolvimento do solo. crescem na primavera e produzem frutos e morrem em meio ao verão) e anuais de verão (que germinam na primavera. somente germinam quando estão até a profundidade de 1.. a emergência ocorre em menores profundidades. entretanto.5 cm no sistema de plantio direto. de suas formas de reprodução e ciclo de vida para se desenvolver um bom programa de manejo integrado. podem germinar até a profundidades superiores a 15 e 25 cm. Uma Aração + E. Rotativa + Compactação 5.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A maior germinação foi observada (Quadro 1) no tratamento com (aração + enxada rotativa + ligeira compactação do solo). As plantas que produzem sementes englobam as monocotiledôneas e dicotiledôneas.

que se reproduzem por sementes e por mecanismos vegetativos. a posição do ovário (inferior ou superior). deve-se primeiramente saber se a planta é mono ou dicotiledônea.1 . Quadro 2 . há uma lista enorme de características vegetativas que levam às famílias. 1. o tipo de fruto. Caso a planta esteja sem sementes. lígula normalmente presente.3.1 . Exemplos: Digitaria sanguinalis. etc. etc. exemplos: Cynodon dactylon. Eleusine indica. segundo Holm (1978) Famílias Gramineae Compositae Cyperaceae Poligoniaceae Amaranthaceae Cruciferae Leguminosae Convolvulaceae Euphorbiaceae Chenopodiaceae Malvaceae Solanaceae No Espécies 44 32 12 8 7 7 6 5 5 4 4 4 % Total de Espécies Daninhas 37% 43% 68% As plantas perenes são aquelas que vivem mais de dois anos e são caracterizadas pela renovação do crescimento ano após ano a partir do mesmo sistema radicular. Echinocloa crusgalli. onde as estações do ano são bem definidas. entrenós com talo oco. que são plantas cujos caules têm crescimento secundário. livres ou unidas. que se reproduzem por sementes e podem também reproduzir-se vegetativamente se injuriadas ou cortadas. as plântulas se desenvolvem vegetativamente até o estágio de roseta. e c) perenes lenhosas. como no caso de cenoura e alface silvestres. Imperata brasilensis. há necessidade de um período frio para florescimento e frutificação. porém menos do que dois anos.Famílias de plantas daninhas e números de espécies mais importantes por família. bainha normalmente aberta.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas madurecem e morrem no outono).Biologia e métodos de controle .Características práticas para reconhecimento das principais famílias de plantas daninhas Graminae . Durante a primeira fase de crescimento. Para facilitar a correta identificação da espécie.exemplo: dente-de-leão (Taraxacum officinale) . exemplo: Senna obtusifolia. há nítida observância desses fatos. 16 Módulo 3. As plantas bianuais vivem mais do que um. b) perenes herbáceas mais complexas. principalmente no sul. o número de estames ou pétalas. Estas podem ser classificadas em: a) perenes herbáceas simples .. Cyperus rotundus. com incremento anual. com nós e entrenós. Em certas regiões do Brasil. e depois ocorre maturação e morte. a simetria das pétalas. se as pétalas estão ausentes ou presentes.talo cilíndrico. Echinocloa cruspavonis e Bracharia plantaginea.

Chenopodiaceae . flores vistosas. Exemplos: Desmodium e Phaseolus. cinco estames de tamanho desigual. brácteas espinhosas. Physalis e Datura.possuem cinco estames.Inflorescência em capítulo (flores muito pequenas e em dois tipos: tubulares e ligulares). geralmente (9) + 1. estames inseridos no fundo do tubo polínico. folhas nunca bipenadas.língua-de-vaca.trepadoras com folhas alternadas e sem estípulas. Exemplos: Rumex crispus .corola actinomorfa. estames 3-12 inseridos no cálice. Exemplos: Senna obtusifolia.Mimosaceae . bainha fechada sem lígula.talo triangular sem nós.. Subfamília III . o fruto é uma capsula.corola irregular com estandarte interno. hermafroditas e actinomorfas. Cruciferae . Exemplos: Amaranthus hybridus e Amaranthus viridis. Convolvulus arvensis e Cuscuta sp. planta com escamas. o fruto muitas vezes é uma cápsula ou um policoco.Biologia e métodos de controle 17 . estames 10.flores vistosas com cálice e corola pentâmeros. etc.flores muito pequenas e de cor verde. Malvaceae . o fruto é uma síliqua. talos e folhas muitas vezes com espinho. Acanthospermum australe. Exemplos: Bidens pilosa. Módulo 3. Exemplos: Ipomoea sp. inseridos na corola. nós dos talos inchados ou protuberantes. Cyperaceae . Convolvulaceae .é subdividida em subfamílias: Subfamília I .folhas de disposição alternadas. folhas irregularmente recortadas. talo estriado. Exemplos: Solanum. com seiva mucilaginosa e talos fibrosos. Exemplo: Mimosa e Acácia. Exemplo: Chenopodium album. com odor forte e característico.Cesalpinaceae .1 .Amaranthaceae . estames livres e anteras unidas. em geral as folhas são penadas.corola com estandarte interno. Exemplos: Cyperus esculentus e Cyperus rotundus. Exemplos: Sida spp.estames tetradínamos (quatro comprimidos para dentro e quatro curvados para fora). anteras agrupadas ao redor do estilete. Subfamíla II . Exemplos: Brassica rapa. muitas vezes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Compositae . Ageratum conyzoides. corola em forma de tubo. seiva ácida e penetrante.Papilionaceae . inflorescências condensadas. dividido em dois lóculos. Sonchus oleraceus e Xanthium cavanillesii. Polygonaceae . usualmente anuais. fruto em aquênio. cálice transformado em papus. sem estípulas. Raphanus raphanistrum e Lepidium virginicum. flores muito pequenas e de cor verde. estames quatro a infinito. com muitos estames em androceu tubular. Melampodium perfoliatum. folhas e caules. folhas bipenadas ou penadas. Leguminosae . Solanaceae .presença de serocina.

quando separadas. através das fezes. f) Facilidade de distribuição dos propágulos a grandes distâncias.400 sementes por planta. a 12 cm. bulbos. Echinoclhoa crusgali (capim-arroz) foi introduzido junto com as sementes importadas.Biologia e métodos de controle . Essas características de agressividade são: a) Elevada capacidade de produção de dissemínulos (sementes. Cynodon dactylon (grama-seda): por sementes e estolões. Muitas plantas daninhas apresentam mais de um mecanismo de reprodução. são distribuídas em outras áreas. é a causa do insucesso dos herbicidas aplicados ao solo. 2) Disseminação zoócora (interna): as sementes ingeridas pelos animais passam pelo intestino e. etc. Esta característica. (corda-de-viola). estolões. caso o homem não interfira. por sementes e tubérculos. em 60 dias. Exemplos: Phoradendron rubrum (erva-de-passarinho).500 sementes por planta. homem. e Euphorbia heterophylla (amendoim-bravo). Momordica charantia (melão-de-são-caetano) e Paspalum notatum (gramabatatais). podem gerar mais dez plantas. máquinas.1 . Há duas situações distintas: 1) Disseminação auxócora (externa): Acanthospermum australe (carrapicho-de-carneiro) .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. Ipomoea sp. Exemplo: Convolvulus arvensis. Exemplos: Sorghum halepense (capim-massambará): reproduz por sementes e rizomas. Isto ocorre pela ação de água. esta planta produz centenas de sementes viáveis. etc. submersas em água ou após passarem pelo aparelho digestivo do porco ou boi.adere à lã das ovelhas. e mantém alguma viabilidade após passarem pelo aparelho digestivo de ovinos e eqüinos e só perdem o poder germinativo passando pelo aparelho digestivo das aves. 18 Módulo 3.). Exemplos: Avena fatua (aveia-brava) germina até a 17 cm. muitas vezes. d) Grande desuniformidade no processo germinativo. a 20 cm. animais. e cada tubérculo possui cerca de dez gemas que. no momento do cultivo do solo. dominam as plantas cultivadas. etc.4 . c) Capacidade de germinar e emergir a grandes profundidades. usando os métodos de controle disponíveis. e Cyperus rotundus: apenas um tubérculo. e este foi o motivo de sua introdução no Brasil pela importação de animais ou lã. e Cyperus rotundus (tiririca). vento. sendo uma das estratégias de sobrevivência das plantas daninhas.Características de agressividade das plantas daninhas As características das plantas daninhas verdadeiras fazem com que estas sejam mais agressivas em termos de desenvolvimento e ocupação rápida do solo. Artemisia biennis: 107. com isso. produz 126 tubérculos. rizomas. e Bidens pilosa (picãopreto) é transportado a longas distâncias nos pêlos de animais ou roupas dos operadores de máquinas. além de tudo isso. cujas sementes permanecem viáveis mesmo após 54 meses. b) Manutenção da viabilidade mesmo em condições desfavoráveis. Exemplos: Amaranthus retroflexus com 117. Isso ocorre devido aos inúmeros e complexos processos de dormência. e) Mecanismos alternativos de reprodução. cortadas. tubérculos.

apresentem grande acúmulo de material em sementes. Já Odum (1969) afirma que competição significa uma luta por um fator. 57 após 20 anos. À medida que a planta se desenvolve. completando seu ciclo de vida.1 .040 anos. a 20-100 cm de profundidade. nessas condições (KLINGMAN et al. e. Decandole (1820) foi quem primeiro conceituou competição. frutos. a competição torna-se importante quando dois ou mais organismos lutam por algo que não existe em quantidade suficiente para todos. sobre outras. 1982). mostraram que 71 delas estavam viáveis um ano após. assim. Muitas plantas daninhas crescem e se desenvolvem mais rápido que muitas culturas. Contudo. ambos os indivíduos são prejudicados.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas g) Rápido desenvolvimento e crescimento inicial. esses autores salientam que. as plantas daninhas germinam e crescem muito mais rápido. Observações com 107 espécies de plantas daninhas. depreende-se que. Daí em diante vários outros conceitos foram emitidos. seja da mesma espécie ou de espécies diferentes. nutrientes e dióxido de carbono disponíveis em um determinado local e tempo. em nível ecológico. em razão de a competição envolver vários fatores diretos e indiretos. dominando facilmente a cultura. tubérculos ou outras partes de Módulo 3. esses fatores do ambiente tornam-se limitados. que também lutam pelos mesmos fatores de crescimento. 68 após 10 anos. Do exposto. ou seja. nos ecossistemas agrícolas. muitas vezes é preferível falar-se em interferência de uma comunidade de plantas.Biologia e métodos de controle 19 . gás carbônico e oxigênio em quantidades adequadas. crescer e reproduzir-se. toda planta necessita de água. luz. Essa grande longevidade se deve a inúmeros e complexos processos de dormência. podendo ser agravados pela presença de outras plantas no mesmo espaço.Competição entre plantas daninhas e culturas Para germinar. h) Grande longevidade dos dissemínulos. Observações usando 14C mostraram que a semente do lótus da índia pode ser viável por 1. quando esta é conduzida por semeadura direta. envolve os aspectos da migração e agregação. e a da ançarinha-branca. numa situação de competição. cujas sementes foram enterradas em cápsulas porosas. por exemplo. uma relação de competição entre plantas vizinhas. temperatura. Brachiaria plantaginea tem grande facilidade para dominar a área quando o controle não é efetuado no momento oportuno. 44 após 30 anos e 36 após 38 anos. as plantas daninhas sempre levam vantagem competitiva sobre as plantas cultivadas. 2 .700 anos. afirmando que todas as plantas de um determinado lugar estão em estado de guerra entre si. luz. por 1. com pequeno porte e pouco crescimento vegetativo. Na cultura da cebola. Locatelly e Doll (1977) definem competição como a luta que se estabelece entre a cultura e as plantas daninhas por água. respectivamente.. daninhas ou não. pois nos programas de melhoramento genético tem-se procurado desenvolver cultivares que. Em soja. Para Weaver e Clements (1938). ou quando esta é rodeada pelos seus descendentes. a competição seria a luta que se inicia entre indivíduos quando uma planta está em um grupo de outras plantas. gerando.

Para Santos et al. quase sempre esse acréscimo na produtividade econômica da espécie cultivada é acompanhado por decréscimo no potencial competitivo (PITELLI. podendo declinar se houver excesso do recurso (ex: toxidez devido a excesso de Zn no solo). Estas se estabelecem rapidamente. luz. em sua maioria. Todavia. Outro aspecto importante é a grande agressividade.1 . nessas circunstâncias. estes fatores de crescimento (ou pelo menos um deles) estão disponíveis em quantidade insuficiente. Em ecossistemas agrícolas. como água. em razão da influência extrema que estes exercem sobre a utilização dos recursos pelas plantas. Recursos são os fatores consumíveis. Como ambas possuem suas demandas por água.1 . assim. a produtividade das culturas e a qualidade dos produtos colhidos.. por exemplo. a superioridade das plantas daninhas na competição por esses recursos. 2. já limitados no meio. não apresentam. 1985).Fatores do ambiente passíveis de competição A competição entre plantas é diferente daquela que ocorre entre animais. a cultura e as plantas daninhas desenvolvem-se juntas na mesma área. (2003). fazendo o controle das plantas invasoras. na maioria das vezes. reduzindo não somente a produtividade da cultura. densidade do solo. estabelece-se a competição. entretanto. ou seja. Devido à falta de mobilidade dos vegetais. Sabe-se. comprometendo. a grande capacidade de sobrevivência das plantas daninhas. não sendo visível no início do desenvolvimento das plantas. a competição entre plantas é de natureza aparentemente passiva. ou quando um dos competidores impede o acesso por parte do outro competidor. como pH do solo. capacidade de competir vantajosamente com as plantas daninhas verdadeiras. diminuindo ou impedindo que as plantas cultivadas tenham acesso aos fatores de crescimento. pode ser devido à ocorrência de alta densidade dessas invasoras na área. qualquer planta daninha que se estabeleça na cultura vai usar parte dos fatores de produção. 1985). a competição somente se estabelece quando a intensidade de recrutamento de recursos do meio pelos competidores suplanta a capacidade do meio em fornecer aqueles recursos. A resposta das plantas aos recursos segue uma curva-padrão: é pequena se o recurso é limitado e é máxima quando o ponto de saturação é atingido. nutrientes e CO2 e. até que um nível ideal seja alcançado. algumas vezes observada no em realação às culturas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas interesse econômico. até mesmo para o próprio desenvolvimento da cultura. 20 Módulo 3. cuja dependência é muito grande.Biologia e métodos de controle . Condições são fatores não diretamente consumíveis. Radosevich et al. caso não haja interferência humana. gás carbônico. devido ao refinamento genético a que foram e ainda são submetidas. em condições de sombreamento (PITELLI. mas também a qualidade do produto colhido. etc. como acontece. nutrientes e luz. a qual ocorre porque. A condição pode limitar a resposta da planta tanto pela carência quanto pela abundância. que as plantas cultivadas. (1996) dividem os fatores do ambiente que determinam o crescimento das plantas e influenciam a competição em “recursos” e “condições”.

e é desses autores a descrição que se segue. os mecanismos de competição consistem tanto do efeito que as plantas exercem sobre os recursos quanto da resposta das plantas às variações dos recursos (GOLDBERG. várias outras teorias têm sido desenvolvidas para explicar a importância relativa dos componentes da competição e das características das plantas que lhes conferem competitividade superior. podendo utilizar os recursos disponíveis rapidamente. um bom competidor apresenta alta taxa de crescimento relativo. Os fatores que determinam a maior competitividade das plantas Módulo 3. (1996) afirmam que duas dessas teorias (a de Grime e a de Tilman) têm recebido maior atenção do meio científico. citado por RADOSEVICH et al. Shainsk e Radosevich (1992).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A maioria dos estudos sobre competição entre plantas daninhas e culturas tem focalizado somente a ocorrência e o impacto da competição na produção da cultura. Para Procópio et al. respectivamente (RONCHI et al. De acordo com Grime. Apesar de os debates continuarem a respeito da validade e relevância dessas duas teorias. a elevada capacidade competitiva da espécie Desmodium tortuosum nas culturas da soja e do feijão pode ter como contribuição o maior acúmulo de nutrientes por essa planta daninha. Assim. podem reduzir o conteúdo relativo de N-P-K nos tecidos dessa cultura para 28-39-28% e 1429-21% do total.. citados por Radosevich (1996) sugeriram que o mecanismo de competição por recursos deve ser demonstrado por depleção dos recursos associados à presença e abundância de plantas vizinhas. Portanto.1 . totalmente esclarecida. principalmente o fósforo. mudanças morfológicas e fisiológicas nas respostas de crescimento que estejam associadas com variações nos recursos... 1996). A base fisiológica que explica as vantagens que levam as plantas daninhas a ganhar a competição é muito complexa. Embora a maioria das definições atuais sobre competição englobe o critério de Goldberg. um bom competidor poderia ser a espécie com menor requerimento de recursos. ambas ajudam a explicar como espécies de plantas competem por recursos limitados e como as características das plantas influenciam sua habilidade competitiva. e correlações entre a presença de vizinhos. nessa teoria. Para Tilman. a competição é a tendência de plantas vizinhas utilizarem os mesmos recursos. 2003).. mesmo com baixos níveis do recurso (RADOSEVICH et al. sucesso competitivo é a habilidade para extrair recursos escassos e para tolerar essa escassez de recursos. a depleção nos recursos e as respostas de crescimento. Radosevich et al. Portanto.1996).Biologia e métodos de controle 21 . sem examinar as características das plantas e os mecanismos que estão associados à competitividade (Radosevich et al. não estando. (2005). e o sucesso na competição é fortemente determinado pela capacidade da planta em capturar recursos. ainda. trabalhos mais recentes têm apresentado algumas justificativas para a baixa produtividade observada para as culturas quando em competição com espécies de plantas daninhas: Bidens pilosa e Leonurus sibiricus. 1996). Contudo. porém a espécie daninha quase sempre supera a cultivada. 1990. Na realidade. a competição entre a planta daninha e a cultivada afeta ambas as partes. Com base nessas teorias. desenvolvendo-se juntamente com plantas de café em fase inicial. pode-se concluir que determinadas plantas são boas competidoras por utilizarem um recurso rapidamente ou por serem capazes de continuar a crescer.

e sistema radicular muito desenvolvido. a maior velocidade do crescimento e a maior extensão do sistema radicular. As plantas daninhas apresentam certas características que lhes conferem grande capacidade competitiva. várias generalizações podem ser inferidas sobre os aspectos competitivos entre as culturas e as plantas daninhas: a) A competição é mais séria quando a cultura está na fase jovem. do seu vigor. também. liberar toxinas no solo. em função da espécie cultivada. A competição pode ser intra-específica. são mais competitivas se comparadas com aquelas que apresentam desenvolvimento diferente. da velocidade de crescimento inicial e da densidade de plantio. nutrientes e espaço. podendo excluir ou inibir significativamente o crescimento das plantas invasoras. parte aérea. se a cultura se estabelecer primeiro. as características que fazem com que uma espécie de planta seja altamente competitiva são as seguintes: • Ciclo de vida semelhante ao da cultura. se a população de plantas da cultura por área for baixa ou o estande desuniforme. Cardenas (1972) salienta que a competição deve-se a condições específicas quanto ao ambiente e ao solo. 22 Módulo 3. ainda. nas primeiras seis a oito semanas após sua emergência. grande número de estômatos por área foliar. comumente. em que cada órgão ou parte da planta luta pelo fotoassimilado produzido nas fontes. isto é. c) As espécies daninhas competem por água. Com base nos pontos descritos. ela poderá cobrir rapidamente o solo. • Desenvolvimento inicial rápido das raízes e. o maior índice de área foliar. d) Uma infestação moderada de plantas daninhas em lavouras pode ser tão danosa quanto uma infestação pesada. seja ela daninha ou não. desenvolvimento e crescimento rápido de uma grande superfície fotossintética mesmo. que podem inibir a germinação e. Entretando.Biologia e métodos de controle . b) As espécies daninhas de morfologia e desenvolvimento semelhantes ao da cultura. apresentando muitas raízes fasciculadas nas camadas superficiais do solo e raízes principais com penetração profunda. e. ocorre também a competição intraplanta ou endocompetição. e a maior capacidade de produção e liberação de substâncias químicas com propriedades alelopáticas. como veranico e geadas. como: germinação fácil em condições ecológicas variáveis. que são capazes de prover quantidades limitadas dos fatores essenciais ao desenvolvimento das plantas. dependendo da época de seu estabelecimento. • Plasticidade fenotípica e populacional.1 . luz. podendo. a menor susceptibilidade das espécies daninhas às intempéries climáticas. envolvendo indivíduos de espécies diferentes. interespecífica. ocorrendo entre indivíduos de uma mesma espécie. A competição entre plantas daninhas e culturas é um fator crítico para o desenvolvimento da cultura quando a espécie daninha se estabelece junto ou primeiro que a cultura (RADOSEVICH. entre outros fatores. ou. 1996). desenvolvimento da cultura. Todavia. na fase plantular. ainda.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas daninhas sobre as culturas são o seu porte e sua arquitetura. as plantas daninhas poderão vencer a competição pelos substratos ecológicos. No entanto. Com base nesse conceito. ou. a maior velocidade de germinação e estabelecimento da plântula.

portanto. especialmente nos trópicos. dessa forma. maior exploração do solo em busca de água (PROCÓPIO et al. Conhecendo tais fatores.. da profundidade de plantio. Normalmente.Biologia e métodos de controle 23 . 2002). portanto. o profissional necessita ter o conhecimento profundo da cultura e da vegetação daninha infestante da área a ser cultivada. torna-se fácil o manejo da cultura de modo que esta leve vantagem sobre o complexo daninho.. Certas espécies de plantas são capazes de usar menos água por unidade de matéria seca produzida que outras. pilosa com pouca água no solo pode estar relacionada com o fato de que. É de se esperar. realizando.Competição por água As plantas daninhas são verdadeiras bombas extratoras de água do solo. etc. A razão da elevada capacidade de sobrevivência de B.1. da percentagem de germinação e vigor das sementes. o chamado manejo integrado de plantas daninhas. do cultivar adequado para a região. pequenas ou grandes. as condições para que a cultura se estabeleça devem ser fornecidas antes do surgimento da vegetação daninha. Disso resulta a importância do preparo do solo. • Produção e liberação no solo de substâncias alelopáticas. Desse modo. (RADOSEVICH et al. as plantas da cultura ficarem completamente murchas e as plantas daninhas túrgidas. • Adaptação às mais variadas condições ambientais. 2). em dias quentes. na fase inicial de seu desenvolvimento. que são métodos culturais de controle de plantas daninhas. Dentre esses fatores destacam-se a taxa de exploração de volume do solo pelo sistema radicular. como capacidade de remoção de água do solo. O princípio básico da competição baseia-se no fato de que as primeiras plantas que surgem no solo. em fases posteriores de desenvolvimento. sem qualquer sinal de déficit hídrico. mais competitivas (RADOSEVICH et al. • Produção de um elevado número de propágulos por planta. tendem a excluir as demais. esta espécie drena grande parte de fotoassimilados para a produção de raízes (baixa relação parte aérea/raiz) as quais promovem. pois se estabelecem primeiro. Para que se faça o manejo adequado de plantas daninhas em uma cultura. da época correta de plantio. Em trabalho realizado por Procópio et al. regulação estomática e capacidade das raízes de se ajustarem osmoticamente. ficou constatado que a planta daninha Bidens pilosa é capaz de extrair água do solo em tensões três vezes maiores do que as alcançadas pela soja e pelo feijão (Fig.1 . Módulo 3. como o método químico. ou seja. (2004b). 1996). a competição por água leva a planta a competir ao mesmo tempo por luz e nutrientes. é normal em alguns agroecossistemas. magnitude da condutividade hidráulica das raízes. apresentam alta eficiência no uso da água (EUA = g de matéria seca produzida/g de H2O utilizada). Vários fatores influenciam a capacidade competitiva das espécies por água. especialmente nitrogênio e carbono. mecânico ou biológico. por isso. as características fisiológicas das plantas. etc... 2. minimizando assim a competição ou até mesmo eliminando-a com a ajuda de outros métodos de controle.1 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • Germinação desuniforme no tempo e no espaço (presença de dormência). que essas plantas com baixo requerimento de água sejam mais produtivas durante o período de limitada disponibilidade de água que as plantas com alto requerimento em água e. no manejo da cultura.1996).

Figura 2 .250 0. como milho. (2002). Por outro lado. por ser uma planta xerófila e apresentar uma rota fotossintética específica (CAM).112 0. podendo competir melhor por este recurso em diferentes estádios fenológicos da cultura.Potencial hídrico no solo.015 0. apresentam um coeficiente transpiratório entre 150 e 350 (Quadro 4). Valores antes do florescimento Valores após o florescimento -------UEA – biomassa seca em g kg-1 de água fornecida------0.316 0. Alguns exemplos são apresentados no Quadro 3. chamada de coeficiente transpiratório (CT = volume água transpirado em mL/produção de biomassa seca. tem um coeficiente transpiratório extremamente baixo.073 0.088 0. Amaranthus retroflexus. em gramas). por realizarem o metabolismo C4. Outra maneira de se estimar o consumo de água pelas plantas é através da eficiência transpiratória. que correlaciona a água transpirada com a biomassa seca produzida. algumas culturas de gramíneas. O coeficiente transpiratório das diferentes espécies de plantas varia de 25 a 700. etc. Digitaria horizontalis.Biologia e métodos de controle . Cenchrus echinatus.1 .168 2. pois são espécies que realizam o metabolismo C3 (plantas ineficientes). A maioria das culturas (feijão.). Cynodon dactylon.963 24 Módulo 3. algumas espécies de plantas daninhas podem apresentar diferentes valores de EUA ao longo do ciclo. trigo. O abacaxi. sorgo e cana-de-açúcar e grande número de espécies daninhas em nossas condições (Cyperus rotundus. no ponto de murcha permanente Quadro 3 – Valor máximo do uso eficiente da água (UEA) por diferentes espécies vegetais Espécie vegetal Phaseolus vulgaris Glycine max Euphorbia heterophylla Bidens pilosa Desmodium tortuosum Fonte: Procópio et al. Panicum maximun. etc. algodão. soja.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Todavia.) apresenta coeficiente transpiratório entre 500 e 700 (Quadro 4).367 0. Brachiaria plantaginea.017 1. cultivado com diferentes espécies vegetais.

retroflexus. com certeza devido à sua alta EUA. a maior capacidade competitiva delas. (2003) avaliaram o UER das culturas da soja e do feijão e das espécies de plantas daninhas Euphorbia heterophylla.Competição por luz Para alguns autores. o melhoramento genético imposto às culturas possibilitou a seleção de plantas com elevada capacidade de utilização da luz. 2004 Silva et al.Biologia e métodos de controle 25 .1 . Para outros autores. Provavelmente a espécie C3 contornou a deficiência hídrica pelo controle estomatal. citados por Radosevich et al. observada em campo. quando avaliadas isoladamente das plantas daninhas. mesmo crescendo com outras espécies em condição imposta de estresse hídrico. uma vez que a cultura tenha formado sombreamento completo. como a de Sesbania exaltata.1. 2004 2. as quais. como água e nutrientes. como Locatelly e Doll (1977). Pearcy et al. Os autores afirmam que.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Essa diferença na eficiência do uso da água é um fator importante na agressividade da espécie. chegando inclusive a citar exceções. Santos et al. Módulo 3. para diferentes espécies de plantas Espécie vegetal Amarantus hybridus* Glycine max Gossypium hirsutum Phaseolus vulgaris Panicum maximum* Oryza sativa Zea mays* Sorghum vulgare* Brachiaria brizantha* Eucalipto * Espécies que realizam o mecanismo C4. 1977 Silva et al. (1981. pode ser devida à maior população e melhor utilização de outros recursos. a competição pela luz não é tão importante como a competição por água e por nutrientes.2 . Bidens pilosa e Desmodium tortuosum. a competição das plantas daninhas pela luz deixa de existir... já que sua EUA é baixa. Coeficiente transpiratório 152 700 568 700 267 682 174 153 265 282 Fonte Blanco. que compete vantajosamente por este fator de crescimento com a cultura do arroz. 1996). Já A. observaram que a diferença na eficiência de uso da água entre Chenopodium album (C3) e Amaranthus retroflexus (C4) influenciou pouco a relação entre elas. apresentam maiores valores para o uso eficiente da radiação (UER). apesar de as plantas daninhas avaliadas apresentarem menor eficiência na utilização da radiação fotossinteticamente ativa. dois mecanismos diferentes para sobreviver à competição por água: habilidade para utilizar um recurso rapidamente (espécie C4) e habilidade para continuar a desenvolver-se mesmo com baixos níveis do recurso (planta C3).Volume de água transpirada (em mL) para acúmulo de 1 g de biomasa seca. verificando que as culturas foram capazes de produzir maior quantidade de biomassa por unidade de radiação captada.. nesse exemplo. não foi eliminado. Observam-se. Esses autores salientam que. porém o uso eficiente da água não é o único mecanismo utilizado para sobreviver à competição por água. Quadro 4 .

5 difosfato carboxilase. C4 (plantas eficientes) e CAM estão nas reações bioquímicas que ocorrem na fase escura da fotossíntese. se a rota fotossintética que ela apresenta é C3. de modo que o primeiro produto estável da fotossíntese é um composto de três carbonos (ácido 3-fosfoglicérico). As plantas C4. estas plantas passarão a perder a competição com as plantas C3. e não satura em alta intensidade luminosa. Todavia. onde estes produtos são descarboxilados. também. como: alta afinidade pelo CO2. atividade ótima em temperaturas mais elevadas. que ocorre em todas as plantas superiores. onde é fosforilado. o ácido pirúvico. Em conseqüência da ação desta enzima. por ser ambígua quanto ao substrato. sendo esta relação para as plantas C4 de 1:5:2. 3 fosfoglicérico e. A enzima responsável pela carboxilação primária do CO2 proveniente do ar é a ribulose 1-5 bifosfato carboxilase-oxigenase (Rubisco). regenerando a enzima PEP-carboxilase e recomeçando o ciclo. agora pela enzima ribulose 1. entretanto. por apresentarem dois sistemas carboxilativos. Este CO2 liberado é novamente fixado. consumindo 2 ATPs. É muito comum imaginar que as espécies de metabolismo C4 são sempre mais eficientes que as plantas C3. formando o ácido oxaloacético (AOA). É sabido que a relação molécula de CO2 fixado/ATP/NADPH é de 1:3:2 para as plantas C3. se se reduzir o acesso à luz. As plantas de rotas fotossintéticas do tipo C3 apresentam apenas o ciclo de Calvin e Benson. possuem ainda o ciclo de Hatch e Slack. C4 ou se realiza o mecanismo ácido das crassuláceas (CAM). a qual carboxiliza o CO2 absorvido do ar via estômatos.Biologia e métodos de controle . é transportado para as células da bainha vascular das folhas. Este AOA é convertido em malato ou aspartato. apresentam baixa afinidade pelo CO2 e possuem elevado ponto de compensação para CO2. As plantas C4 possuem duas enzimas responsáveis pela fixação do CO2 .1 . baixa eficiência no uso da água e menor taxa de produção de biomassa. além do ciclo de Calvin e Benson.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sabe-se que a competição pela luz é complexa sendo sua magnitude influenciada pela espécie. dependendo da espécie vegetal. responsável pela fixação do CO2. por difusão. retorna às células do mesófilo. ou seja. Essas plantas não apresentam fotorrespiração detectável. e. no ácido fosfoenolpirúvico. catalisa a produção do ác. por difusão. não desassimilam o CO2 fixado. Como toda esta energia é proveniente da luz. baixo ponto de saturação luminosa. Esta enzima apresenta baixa afinidade pelo CO2 e. as plantas C3 fotorrespiram intensamente. quando comparadas com plantas de metabolismo do tipo C4 (Quadro 5). localizada nas células do mesófilo foliar. isso só é verdade em determinadas condições. As diferenças entre as rotas fotossintéticas C3 (plantas ineficientes). substrato inicial da respiração. atua especificamente como carboxilase. Em função destas e outras 26 Módulo 3. Estas plantas. logo. também. a qual apresenta atividades de carboxilase e oxigenase. A enzima primária de carboxilação é a PEP-carboxilase. pois precisam recuperar duas enzimas para realização da fotossíntese. do glicolato. a enzima responsável pela carboxilação primária nas plantas C4 (PEP-carboxilase) apresenta algumas características. em seguida. se ela é umbrófila ou heliófila e. ocorrendo o ciclo de Calvin e Benson. Este fato evidencia que as plantas C4 necessitam de mais energia para produção dos fotoassimilados. liberando no meio o CO2 e o ácido pirúvico. requerem maior energia para produção dos fotoassimilados.

Efeito do oxigênio (21%) sobre a fotossíntese. Isso é possível porque este grupo de plantas não apresenta fotorrespiração detectável. nestas condições. Considerando todas as áreas do globo terrestre. Próxima de 35 oC 40 a 80 mg CO2 dm-2 h-1 27 .Características diferenciais entre plantas com rotas fotossintéticas C3 e C4 Característica 01. feijão. oito são plantas C4 anuais ou perenes: Cyperus rotundus. etc.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas características (Quadro 5). Isso acontece porque. Além disso. liberando CO2. chegando a acumular o dobro de biomassa por área foliar no mesmo espaço de tempo. Cynodon dactylon. Echinochloa colonum. existem exceções. ainda assim essas plantas continuam acumulando biomassa. Este fato faz com que a concentração do CO2 no mesófilo foliar caia a níveis abaixo do mínimo necessário para atuação desta enzima. porque a enzima responsável pela carboxilação primária nestas plantas (PEP-carboxilase) apresenta alta afinidade pelo CO2 (baixo Km) (Quadro 5). quando presente. Echinochloa crusgalli e Eleusine indica.0 a 10 ppm de CO2 Presença de bainha vascular com cloroplastos. Imperata cilindrica. estima-se que. sem cloroplastos RuDP-carboxilase (Km ≅ 20μM de CO2) Inibição 1:3:2 Satura com 1/3 da luminosidade máxima Próxima de 25 oC 15 a 35 mg CO2 dm-2 h-1 Fotossíntese C4 Presente: não mensurável pelo método de troca de gases com o ambiente Ácido oxaloacético Baixo: 0. quando plantas estão se desenvolvendo em condições de temperaturas elevadas. Taxa de fotossíntese líquida com saturação de luz Módulo 3. arroz. Primeiro produto estável 03. Quadro 5 . as espécies C4 dominam completamente as C3. Fotorrespiração 02. e. em temperatura acima da ótima para a ribulose 1.1 . entre as dez espécies de plantas daninhas mais nocivas do mundo. os estômatos estarem parcialmente fechados (horas mais quentes do dia).Biologia e métodos de controle Fotossíntese C3 Presente: 25 a 30 % do valor da fotossíntese Ácido 3-fosfoglicérico Alto: 50-150 ppm de CO2 Ausência bainha vascular. Relação CO2 : ATP:NADPH 08. a enzima carboxilativa das plantas C3 encontrase saturada quanto à luz. Ponto de compensação 04. 07. mandioca. Panicum maximum.5-bifosfato carboxilase-oxigenase (25oC). torna-se evidente que plantas daninhas C4 serão aquelas que exercerão maior competição com as culturas. Fotossíntese x intensidade luminosa 09. Sorghum halepense. levando a planta a atingir o ponto de compensação rapidamente. nessas condições.) são cultivadas nos meses do ano que coincidem com períodos de elevada intensidade luminosa e temperatura. PEP-carboxilase (Km ≅ 5μM de CO2) Sem efeito 1:5:2 Não satura com aumento da luminosidade. No caso das plantas C4. esta passa a atuar mais como oxidativa. Como a maioria das culturas agronômicas das regiões tropicais e subtropicais (algodão. cana-de-açúcar. Temperatura ótima para a fotossíntese 10. alta luminosidade e até mesmo déficit hídrico temporário. milho. mesmo que a concentração de CO2 no mesófilo foliar atinja níveis muito baixos. é comum. Enzima primária carboxilativa 06. Anatomia foliar 05. soja.

ele pode ser limitante.5 % da biomassa seca Fotossíntese C4 150 a 350 g H2O / g biomassa seca 3. a quantidade extraída do que os teores que ela apresenta na matéria seca.Competição por CO2 Com relação ao CO2. (2005) observaram que Desmodium toruosum é capaz 28 Módulo 3.3 . em condições de solo encharcado. 20 vezes menos P e cinco vezes menos K compara à soja (PEDRINHO JÚNIOR et al. exercem forte competição com as culturas pelos nutrientes essenciais.5 a 7. Por exemplo.1. Devido à grande variação em termos de recrutamento dos recursos minerais do solo apresentada pelas diferentes espécies de plantas daninhas. em conseqüência disso. Todavia..Competição por nutrientes As plantas daninhas possuem grande capacidade de extrair do ambiente os elementos essenciais ao seu crescimento e desenvolvimento e. Procópio et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Característica 11.Biologia e métodos de controle . por exemplo. Sob condições normais. ou. deve-se considerar. para as espécies de plantas C3.4 . a competição por nutrientes depende.1. assim. 2. Molinia caerulea é mais tolerante a alta taxa de CO2 do que Erica tetralix. Conteúdo de N na folha para atingir fotossíntese máxima Fonte: Ferri (1985). dentro de uma população mista de plantas. em alto grau. No entanto. o aspecto competitivo não é comumente discutido e geralmente é considerado não-significante.000 g H2O / g biomassa seca 6. Determinadas espécies de plantas são mais sensíveis ao excesso de CO2 e. Fotossíntese C3 450 a 1. da quantidade e das espécies presentes. podem levar desvantagem na competição com espécies mais tolerantes em tais situações. Isso acontece devido ao consumo do oxigênio pelos microrganismos do solo e em razão de sua renovação lenta. deficiência de oxigênio e. 2004). a atmosfera edáfica contém menos oxigênio e mais CO2 do que o ar acima do solo.5 % da biomassa seca 2. a concentração de CO2 no mesófilo foliar necessária para que uma determinada espécie passe a acumular matéria seca é diferente. os quais quase sempre estão em quantidades inferiores às necessidades das culturas em nossos solos.1 . Outro ponto a ser considerado é a “Interação Radicular Passiva”. Quando se trata de analisar a capacidade de uma espécie de planta daninha em competir por nutrientes. Como a eficiência na captura de CO2 proveniente do ar é diferente entre plantas C3 e C4 (Quadro 5) e se sua concentração pode variar. que são os dois processos principais de renovação da atmosfera do solo. que oferece resistência à difusão e ao fluxo de massa. em conseqüência da “tortuosidade” da matriz do solo. com muito maior ênfase. Coeficiente transpiratório 11.0 a 4. principalmente. considerando as diferentes rotas fotossintéticas apresentadas por espécies de plantas daninhas e culturas. Richardia brasiliensis acumula 10 vezes menos N. a alta infestação dessa planta daninha em lavouras de soja implica maior remoção desse nutriente para a massa total da espécie infestante. por exemplo.

observou que a matéria seca acumulada foi equivalente para a cultura e as plantas daninhas. verificaram que as espécies infestantes. Quadro 6 . 2004a). Em lavoura de arroz de sequeiro. Além da capacidade em extrair nutrientes do solo. respectivamente. sendo C. a competição depende do nutriente. evidenciando elevada eficiência na utilização desse nutriente. Além disso. Ronchi et al. Para os autores. Os acúmulos de cálcio e manganês no arroz foram reduzidos em 40 e 28%. com adição de subdoses. e do contrário ocorreu com o manganês (85% imobilizado pela cultura). por ocasião do florescimento da cultura.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas de acumular até 2. Isso demonstra que.Conteúdo relativo* de nutrientes na parte aérea de plantas de café cultivadas em vasos (12 L de substrato). Podese afirmar que. em competição com o feijoeiro.Biologia e métodos de controle 29 . diffusa a planta daninha que causou a maior diminuição no conteúdo relativo de nutrientes no cafeeiro (Quadro 6). é capaz de formar três vezes mais matéria seca por unidade de P absorvida do solo. (2003). o grau de interferência varia consideravelmente com a espécie e com a densidade das plantas daninhas. ** Período total de convivência da planta daninha com a muda de café no vaso Módulo 3. pela interferência imposta pela comunidade infestante. poderá favorecer espécies vegetais que utilizam mais eficientemente esse recurso. em campo. estudando a distribuição dos nutrientes extraídos pelas plantas daninhas e pela cultura. mesmo em baixas densidades. acarretaram decréscimos consideráveis no conteúdo relativo de nutrientes de plantas de café. Bidens pilosa e Euphorbia heterophylla apresentam maior eficiência na utilização do N absorvido no solo. competindo com uma espécie/planta por vaso Espécie Vegetal Bidens pilosa Commelina diffusa Leunurus sibiricus Nicandra physaloides Richardia brasiliensis Sida rhombifolia PTC* * 77 180 82 68 148 133 N 59 30 35 37 49 97 P K 72 67 42 37 33 38 62 68 61 57 83 105 Conteúdo relativo* de nutrientes Ca Mg S Cu Zn B Mn Fe Na 67 74 97 106 66 76 59 54 69 45 48 69 69 37 54 19 41 35 36 40 41 66 37 41 30 57 39 72 76 86 114 69 101 50 107 68 53 50 67 43 51 63 57 61 59 90 88 98 93 77 138 102 80 106 *Relativo ao conteúdo verificado na testemunha (cafeeiro sem competição).. desenvolvida na presença da comunidade infestante. Pitelli (1985). outras espécies são competidoras também na utilização desse recurso.1 . Cerca de 80% do cálcio foi imobilizado pelas plantas daninhas. além do acúmulo de matéria seca. os autores observaram que Bidens pilosa. o manejo inadequado de nutrientes. avaliando os períodos de convivência e acúmulo de nutrientes de diferentes plantas daninhas e o cafeeiro.4 vezes mais P por g de massa seca comparada à soja em mesma condição de recursos. comparadas à soja e ao feijão (PROCÓPIO et al.

promovem uma interação bioquímica entre plantas. geralmente da ordem de 0.1 . 1984). 1988). por meio dos próprios vapores. a maioria dos metabólitos secundários liberados pelas plantas está envolvida em interações com outros organismos. apresentam potencial para exercer alelopatia em agroecossistemas.4% do carbono fotossintetizado (ROVIRA. (folhas. frutos e sementes). lançados ao ambiente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 3 . A quantidade dos compostos produzidos e a composição destes dependem da espécie e das condições ambientais. através de volatilização. 1984). ou seja. sobre a própria planta ou microrganismos ou vice-versa. flores. Uma vez volatilizados. A maioria dos aleloquímicos voláteis são compostos terpenóides. após muitos anos de cultivo da mesma espécie no solo. Essas substâncias alelopáticas são liberadas dos tecidos da planta para o ambiente de diferentes formas. Existe ainda a auto-alelopatia. As plantas podem exsudar naturalmente uma série de compostos orgânicos. Em fruteiras (pessegueiros.1 a 0. insetos. quando cultivado sucessivamente na mesma área. As plantas são hábeis em produzir aleloquímicos em todos os seus órgãos. Os aleloquímicos. acumular e secretar uma grande variedade de metabólitos secundários. os aleloquímicos podem ser absorvidos diretamente pela cutícula das plantas vizinhas. lixiviação e decomposição dos resíduos da planta. após serem transferidos para o ambiente (RICE. Milhares de compostos secundários sintetizados por espécies vegetais estão isolados e estimasse que outros milhares existam na natureza. raízes. o comportamento ou a biologia da população de organismos de outra espécie são de interesse da alelopatia.Alelopatia As plantas superiores desenvolveram notável capacidade de sintetizar.Biologia e métodos de controle . os compostos secundários que. incluindo microrganismos. como outras plantas. Os efeitos podem ser deletérios ou benéficos sobre outra planta. que não parecem relacionados diretamente com nenhuma função do metabolismo primário. existindo forte relação de dependência entre a produção destes metabólitos e 30 Módulo 3. Assim. afetam o crescimento. onde são absorvidos pelas raízes (ALMEIDA. A primeira demonstração científica de auto-alelopatia foi feita em feijão-miúdo (Vigna unguiculata). mas provavelmente estão associados com mecanismos ou estratégias químicas de adaptação às condições ambientais. ou condensados no orvalho. o estado sanitário. macieiras e citros) também ocorre a auto-inibição do desenvolvimento em plantios na mesma área. exsudação radicular. 1969). ou ainda alcançar o solo. denominados aleloquímicos. ou seja. caules. metabólitos secundários podem inibir a própria planta que os produziu. Provavelmente. quando lançados no ambiente. fungos e herbívoros. em raízes intactas. principalmente monoterpenos e sesquiterpenos (RICE.

O eucalipto produz substâncias cuja presença é variável com as espécies. fotossíntese. permeabilidade da membrana celular. síntese de proteínas. Assim. Uma variedade de compostos químicos pode ser carreada da parte aérea das plantas por meio de chuva. etc. aminoácidos e as substâncias pécticas. Por exemplo. atividade enzimática. espaço físico.) e dos efeitos das substâncias alelopáticas que estas produzem. 3. entre estes os ácidos. em sistema de plantio direto. colza. microrganismos podem metabolizar polímeros presentes e produzir substâncias tóxicas.1 . para outras características que não as de agressividade para com outras plantas. CO2. segundo Almeida (1988). são: assimilação de nutrientes. 1988). grama-seda. ao melhorar o paladar e diminuir a toxicidade. 1988). como tiririca. alcalóides. crescimento. como nabo forrageiro. Os aleloquímicos podem ser liberados das células vivas ou mortas também pela ação da água. O mecanismo de ação dos aleloquímicos não está ainda bem esclarecido. Os alcalóides. O capim-marmelada (Brachiaria plantaginea) afeta o desenvolvimento da soja tanto no crescimento quanto na capacidade de nodulação (ALMEIDA.Biologia e métodos de controle 31 . respiração. apresentam razoável efeito alelopático. que promove toxicidade na cultura que o sucede (Almeida. O desenvolvimento do tomateiro foi afetado por extratos de várias plantas daninhas. alguns terpenos e muitos compostos fenólicos podem ser lixiviados. As perdas da permeabilidade seletiva da membrana citoplasmática ocorrem pouco tempo após a morte da planta. e essa deficiência de defesa das plantas cultivadas é atribuída à seleção a que estas têm sido submetidas ao longo do tempo. Cenchrus echinatus e Euphorbia heterophylla. como Brachiaria plantaginea. na cultura seguinte. nutrientes. A inibição sobre o desenvolvimento de plantas de pimentão por extratos de eucalipto é um exemplo. luz. O efeito alelopático das culturas sobre plantas daninhas é menos comum. açúcares. e sua persistência no solo varia com as variações do ambiente. reduzindo a intensidade de infestação de algumas plantas daninhas. etc. Os principais processos vitais afetados.1 . etc. o que dificulta a interpretação de resultados a campo. neblina e orvalho. Módulo 3. 1996). foram eliminados genótipos possuidores de substâncias alelopáticas. aveia e centeio.Alelopatia das plantas daninhas sobre as culturas e plantas daninhas A interferência que as plantas daninhas causam sobre as culturas é decorrente da competição pelos fatores comuns (água.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas as condições de ambiente (EINHELLIG. Com a liberação direta dos compostos pelos tecidos. O fungo Penicillium urticae produz fitotoxina patulina durante a decomposição dos resíduos do trigo. etc. Restos culturais de algumas culturas. como taninos. capim-massambará. os aleloquímicos podem ser liberados através dos resíduos.

inferiores a 25 dias. exsudato radicular proveniente de plantas de sorgo reduziu a área foliar de plantas de alface em 68. usando solução nutritiva circulante entre os vasos de sorgo e alface. Segundo Barbosa (1996). a incorporação dos resíduos deve ser feita com certa antecedência da semeadura das culturas. conseqüentemente. a fim de avaliar suas atividades sobre as diferentes espécies de plantas daninhas. Em condições de baixas temperaturas. podendo os resíduos de plantas de mesma espécie dar origem a compostos diferentes.4%. A cobertura morta da cultura do inverno. o material fresco. os resíduos no solo são escassos e a temperatura e umidade no solo são suficientes para manter a atividade microbiana alta. quando cultivadas em casa de vegetação. 3. Atualmente. A colza.Alelopatia das coberturas mortas No plantio direto. 32 Módulo 3. Essa cobertura é essencial para o sucesso do plantio direto. degradando os aleloquímicos. Outros pesquisadores avaliam e colecionam germoplasmas de plantas alelopáticas.Alelopatia entre culturas A possibilidade de se desenvolverem efeitos alelopáticos benéficos ou maléficos entre culturas tem interesse agronômico. assim como poderá ser um ponto de partida para síntese de novos compostos com atividade herbicida. Normalmente. o que tem contribuído para que os agricultores do sul deixem de cultivar colza. também rápida. normalmente cereais.2 . sabe-se que o processo de decomposição do material vegetal é variável com a qualidade dos tecidos. com efeitos biológicos e toxicidade diversos. hoje disseminado no Brasil por todos estados produtores de grãos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 3. por isso. redução do perfilhamento e até morte de plantas daninhas durante a fase inicial de desenvolvimento. reduzir o vigor vegetativo e provocar amarelecimento e clorose das folhas. por exemplo. os resíduos secos podem causar fitotoxicidade mais severa. várias pesquisas estão sendo conduzidas visando identificar os compostos alelopáticos. Quanto a possíveis efeitos alelopáticos do material incorporado ao solo. Os efeitos alelopáticos são transitórios.3 . forma-se no final desta estação ou início da primavera. A taxa de decomposição é alta e a liberação dos compostos alelopáticos é. provoca efeitos alelopáticos pouco acentuados e por períodos curtos. provoca redução do estande da cultura da soja plantada imediatamente após a sua colheita. quando começa a época chuvosa. como as adubações verdes. Por isso. os efeitos alelopáticos provocados pela incorporação de resíduos vegetais no solo são muitos variáveis. possivelmente não ocorrerão problemas de fitotoxicidade.Biologia e métodos de controle . Se a cultura de verão for implantada com algum intervalo após a colheita desta cultura de inverno. Nas culturas de verão. os tipos de solo e as condições climáticas. a cobertura morta pode prevenir a germinação. especialmente no que diz respeito às técnicas de rotação e consorciação.1 . Estes estudos irão contribuir de maneira decisiva para o manejo de plantas daninhas no sistema de plantio direto.

interferência na colheita e outras). visando o mínimo possível de redução na produtividade. podendo ser alterado pelas condições de solo. clima e manejo. favorecendo a utilização de recursos pela planta cultivada. (2004).Competição e período crítico de competição De acordo com Pitelli (1985). Contudo. o estudo da época ideal de controle de plantas daninhas em cada cultura. gerando menor intensidade de interferência na produtividade econômica. utilizadas como cobertura vegetal. referindo-se. bicolor. pode-se dizer que.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas objetivando o melhoramento genético. portanto. Esse fato justifica. Geralmente. e. pruriens e S. De maneira geral. O manejo de plantas daninhas altera a cronologia natural dos eventos. H. ao conjunto de ações que recebe uma determinada cultura em decorrência da presença da comunidade infestante num determinado local. portanto. as espécies Mucuna aterrima. o conhecimento das propriedades alelopáticas das plantas será fundamental. 4 . Módulo 3. não devem ser atribuídos exclusivamente à competição imposta por estas. entre outros fatores. horizontalis. para o sucesso deste método. quanto menor o período de convivência entre cultura e plantas daninhas. sendo o esquema apresentado na Figura 3. devidos à presença de plantas daninhas. espaçamento e densidade de plantio) e à época e extensão da convivência. maior será o grau de interferência. esteróides livres e ogliconas esteróides. sendo a possível causa dos efeitos alelopáticos. no desenvolvimento e na produtividade de uma cultura. os quais são descritos a seguir. lophanta e A.Biologia e métodos de controle 33 . isto não é totalmente válido. Pitelli e Durigan (1984) sugeriram terminologia para períodos de convivência de plantas daninhas em culturas. os efeitos negativos observados no crescimento. à própria cultura (espécie ou variedade.1 . foram eficientes no controle das espécies daninhas D. ambos citados por Pitelli (1985). No entanto. O grau de interferência entre plantas cultivadas e comunidades infestantes depende das manifestações de fatores ligados à comunidade infestante (composição específica. mas resultante das pressões ambientais de ação direta (competição. A este efeito global denominou-se “interferência”. Os autores constataram elevada concentração de taninos condensados. porque dependerá da época e do ciclo da cultura em que esse período ocorrer. densidade e distribuição). spinosus. quanto maior for o período de convivência múltipla (culturaplantas daninhas). uma infestação moderada de plantas daninhas poderá ser tão danosa à cultura quanto uma infestação pesada. mas sem prejudicar também o ambiente. No futuro. M. dependendo da época de seu estabelecimento. o controle biológico de plantas daninhas também poderá ser uma opção no manejo integrado. Em trabalho realizado por Erasmo et al. menor será o grau de interferência. alelopatia. Essa idéia foi originalmente apresentada por Bleasdale (1960) e mais tarde modificada por Blanco (1972).

em que a cultura deve ser mantida livre da interferência de plantas daninhas. Após esse período. Teoricamente. ou. na prática este limite não pode ser considerado.Biologia e métodos de controle . a própria cultura.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas “Período total de prevenção da interferência” (PTPI) é o período. Desse modo. No entanto. para que a produção não seja afetada quantitativa e. através. este deve ser o período que as capinas ou o poder residual dos herbicidas devem cobrir. a fertilização incrementa o crescimento inicial da cultura e das plantas daninhas. após a semeadura ou o plantio.Modelo esquemático dos fatores que influenciam o grau de interferência entre cultura e comunidades infestantes Aquele espaço de tempo. pois a comunidade teria acumulado energia e matéria orgânica que retornariam ao solo. É importante esclarecer o significado deste período em termos de competição: as espécies daninhas que emergirem neste período. Na prática. impede o desenvolvimento das plantas daninhas. em determinada época do ciclo da cultura. em que a cultura pode conviver com a comunidade de plantas daninhas antes que a interferência se instale de maneira definitiva e reduza significativamente a produtividade da lavoura é denominado “período anterior à interferência” (PAI). toda e qualquer prática cultural que incremente o crescimento inicial da cultura pode contribuir para um decréscimo no período total de prevenção da interferência. a Époc Dura çã o Período de convivê ncia lti Cu r va Es pé ci e s Espaçamento Densidade Densidade Cultura Grau de interferência rib st Di ui o çã Figura 3 . o final do período anterior à interferência seria a época ideal para o primeiro controle da vegetação infestante. terão atingido tal estádio de desenvolvimento que promoverão uma interferência sobre a espécie cultivada. permitindo menos cultivos ou o uso de herbicidas de menor poder residual.1 . principalmente. do sombreamento. O limite superior deste período indica a época em que a interferência compromete irreversivelmente a produtividade econômica da cultura. Por exemplo. capaz de reduzir significativamente sua produtividade econômica. A aplicação de certas práticas culturais contribui para diminuição deste período. contribuindo para o próprio desenvolvimento da cultura. n D De d d s si ad e Ambiente S ol o Ma ne j o Clima 34 Módulo 3. a partir do plantio ou da emergência. qualitativamente. permitindo que a competição por recursos outros que não a adubação se instale de maneira mais rápida.

encontrados pelos diversos autores. baseado na hipótese de que aspectos econômicos como o custo de controle e o valor monetário dos grãos devem ser utilizados como critério para determinar o período aceitável de interferência das plantas daninhas antes de se decidir pelo seu controle (VIDAL et al. (2003) 20 . 2005). Quadro 7 . (1980) Brighenti et al.1 .42 d Ramos e Pitelli (1994) 21 . Isso é normal. (2004) Soares et al. (1981) Mascarenhas et al.90 d (1982) 47 – 127 Kuva et al. não são idênticos para as mesmas culturas. ou. as plantas daninhas podem ter atingido um estádio tal de desenvolvimento que inviabilize o uso de práticas mecânicas ou o controle químico.60 d (1982) Rolin e Cristofolleti 30 .30 d Martins (1994) Módulo 3.30 d Spadotto et al. espécies daninhas e culturas.Biologia e métodos de controle 35 . Do ponto de vista prático. PAI e PCPI. (2005) 22 – 38 d Dias et al. (2003) Alcântara et al.Períodos de convivência e de controle de plantas daninhas em diversas culturas anuais e bianuais Cultura Algodão Alho Girassol Cebola Arroz de sequeiro Cana-de-açúcar ( plantio de ano ) Cana-de-açúcar (plantio de ano e meio) Feijão Café (após plantio das mudas no inverno) Café (após plantio das mudas no verão) Milho Soja Dias Após Semeadura ou Plantio (d) PTPI PAI PCPI 66 d 08 d 08 . a cultura deverá ser mantida livre das plantas daninhas no período compreendido entre o final do PAI até o momento em que as plantas daninhas que vierem a emergir não mais irão interferir na produtividade da cultura. Em diversos trabalhos de pesquisa visando avaliar os efeitos da interferência de plantas daninhas em culturas (Quadro 7). os períodos PTPI. visando realizar com eficiência o manejo integrado das plantas daninhas. Este seria o “período crítico de prevenção da interferência” (PCPI). Recentemente foi proposto o Período Anterior ao Dano no Rendimento Econômico (PADRE). porque as condições em que foram conduzidas as pesquisas. (1994) 20 . torna-se extremamente importante a pesquisa nesta área. clima. (1982) Oliveira e Almeida 45 . (2002) Souza et al.66 d 80 d ----100 d 20 d 20 –100 d 30 d 21 d 21 – 30 d 42 d 40 d 30 d 30 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas pois a cultura e.30 d Victoria Filho (1994) 15 – 88 d Dias et al. (2005) 14 ..40 d 60 d 90 d 127 d 30 d 88 d 38 d 42 30 d 30 d 45 d 30 d 74 d 20 d 15 d 22 d 14 21 d 20 d Fonte Salgado et al. Considerando a diversidade de fatores que influenciam o grau e os períodos de interferência apresentados. os cultivares utilizados e as composições específicas das comunidades infestantes foram diferentes. nas diferentes condições envolvendo solo.

A falta desses cuidados tem causado ampla disseminação das mais diversas espécies. Em nível local. limpar cuidadosamente máquinas. se espalham por novas áreas por meio de roupas e sapatos dos operadores. ou.. o estabelecimento e. que possui sementes muito pequenas e tubérculos que infestam novas áreas com grande facilidade. além de outras espécies. Em síntese. etc. verifica-se grande evolução destes. a disseminação de determinadas espécies-problema em áreas ainda por elas não infestadas. As medidas que podem evitar a introdução onde a espécie ainda não ocorre são: utilizar sementes de elevada pureza.Biologia e métodos de controle . 5. que poderão se transformar em sérios problemas para a região. inspecionar cuidadosamente mudas adquiridas com torrão e também toda a matéria orgânica (esterco e composto) proveniente de outras áreas. um estado. há legislações que regulamentam a entrada de sementes no país ou estado e sua comercialização interna. quarentena de animais introduzidos. que não interfiram na produção econômica da cultura. pêlos de animais.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 5 . deve ser feita até um nível no qual as perdas pela interferência sejam iguais ao incremento no custo do controle. etc.1 .Controle preventivo O controle preventivo de plantas daninhas consiste no uso de práticas que visam prevenir a introdução. um município ou uma gleba de terra na propriedade. etc. por meio de estercos. o elemento humano é a chave do controle preventivo. atualmente. Nestas legislações encontram-se os limites toleráveis de cada semente de planta daninha e também a lista de sementes proibidas por cultura ou grupo de culturas. Estas áreas podem ser um país. Já o capim-arroz (Echinochloa sp. tem-se a tiririca (Cyperus rotundus). Como exemplo. 36 Módulo 3. grades e colheitadeiras. limpeza de canais de irrigação. mudas com torrão. A redução da interferência das plantas daninhas. o controle é de responsabilidade de cada agricultor ou cooperativas. Em níveis federal e estadual. ou seja. o picão-preto (Bidens pilosa) e o capim-carrapicho (Cenchrus echinatus).Métodos de controle de plantas daninhas Os métodos de controle de plantas daninhas usados são os mais variados possíveis e. considerando uma cultura. Eles abrangem desde o arranque das plantas com as mãos até o uso de sofisticados equipamentos de microondas para exterminar as sementes no solo.) e o arroz-vermelho (Oryza sativa) são distribuídos junto com as sementes de arroz. visando prevenir a entrada e disseminação de uma ou mais plantas daninhas.1 .

em lavouras de milho. Consiste. a roçada.3 . principalmente em regiões montanhosas. entretanto. jardins e na remoção de plantas daninhas entre as plantas das culturas em linha. Variação do espaçamento: a variação do espaçamento entre linhas ou da densidade de plantas na linha pode contribuir para a redução da interferência das plantas daninhas sobre a cultura. ano após ano. então. nabo. é o método mais antigo de controle de plantas daninhas.1 .Controle cultural O controle cultural consiste no uso de práticas comuns ao bom manejo da água e do solo. ou monda. visando beneficiar o estabelecimento e desenvolvimento das culturas. O arranque manual. dependendo da arquitetura das plantas cultivadas e das espécies infestantes. onde há agricultura de subsistência.2 . uso de coberturas verdes. Nas regiões subtropicais predominam mucuna-preta. a cobertura morta e o cultivo mecanizado.Controle mecânico ou físico São métodos mecânicos de controle de plantas daninhas o arranque manual. em lavouras de trigo. O principal efeito é a melhoria das condições físico-químicas do solo. em usar as próprias características ecológicas das culturas e plantas daninhas. a inundação. e caruru-rasteiro (Amarantus deflexus). Coberturas verdes: as coberturas verdes são culturas geralmente muito competitivas com as plantas daninhas. A capina manual feita com enxada é muito eficaz e ainda muito utilizada na nossa agricultura. Rotação de culturas: cada cultura agrícola geralmente é infestada por espécies daninhas que possuem exigências semelhantes às da cultura ou apresentam os mesmos hábitos de crescimento. crotalárias. Contudo. Quando são aplicadas as mesmas técnicas culturais seguidamente. numa agricultura mais intensiva. mostarda.). no mesmo solo. 5. e para muitas famílias. variação do espaçamento da cultura. como rotação de cultura. em cana-de-açúcar. Ainda hoje é usado para o controle em hortas caseiras. a capina manual. etc. esta é a única fonte de trabalho. aveia e centeio são usadas na região Sul do Brasil. a interferência destas plantas daninhas aumenta muito. Essas práticas contribuem para impedir o aumento exagerado de determinadas plantas daninhas. em lavouras de arroz. exemplos: capim-arroz (Echinoclhoa sp. a escolha da cultura em rotação deve recair sobre plantas com habito de crescimento e características culturais bem contrastantes. ervilhaca. A redução entre linhas geralmente proporciona vantagem competitiva à maioria das culturas sobre as plantas daninhas sensíveis ao sombreamento. Tremoço. apaga-fogo (Alternanthera tenella). guandu. estas plantas possuem também poder inibitório sobre outras e podem reduzir as infestações de algumas daninhas após serem incorporadas ao solo. em Módulo 3. feijão-de-porco e lablabe.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 5. a queima.Biologia e métodos de controle 37 . quando o principal método de controle é o uso de enxada. Quando o principal objetivo é o controle de plantas daninhas. azevém anual.

bem como sobre as plantas aquáticas. apenas não apresentando efeito sobre as plantas daninhas que se desenvolvem em solos encharcados. a cobertura do solo com restos vegetais da cultura anterior é de grande utilidade. milho e trigo. em nível. é de larga aceitação na agricultura brasileira. Esta deve ser feita antes do plantio.Biologia e métodos de controle . o alto custo da mão-de-obra e a dificuldade de encontrar operários no momento necessário e na quantidade desejada fazem com que este método seja apenas complementar a outros métodos. além de muitas plantas daninhas anuais. é mantida no limpo. são o custo do nivelamento do solo e a grande quantidade de água necessária para sua implantação. onde o controle da erosão é fundamental. como nos tabuleiros de arroz. O espaço das entrelinhas é mantido roçado e. É restrito a pequenas áreas de hortaliças. Os fatores limitantes deste método. sendo um dos principais métodos de controle de plantas daninhas em propriedades com menores áreas plantadas. Em solos planos e nivelados. em razão do custo do combustível. é ineficiente para controlar plantas daninhas que 38 Módulo 3. feito por cultivadores tracionados por animais ou tratores. além de outros efeitos importantes sobre as culturas implantadas na área. as sementes das plantas daninhas germinam e morrem em seguida. estimulando a germinação das sementes das plantas daninhas da camada superficial de solo. Quanto à queima das plantas daninhas com lança-chamas. devido à temperatura excessivamente alta principalmente até 5 cm de profundidade.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas áreas maiores. A cobertura morta ainda pode apresentar efeitos alelopáticos úteis no controle de certas espécies daninhas.). devendo ser realizado quando as plantas daninhas estiverem ainda jovens e o solo não estiver muito úmido. a fileira de plantas. por meio de outros métodos de controle. na maioria dos casos.1 . já foi utilizada em algodão. As principais limitações deste método são: a) dificuldade de controle de plantas daninhas na linha da cultura. Provoca aumento de temperatura e. No plantio direto. que são posteriormente mortas devido à impossibilidade de emergência. Também em terrenos baldios. Espécies perenes de difícil controle. são totalmente erradicadas sob inundação prolongada. em virtude da suspensão do fornecimento de oxigênio para suas raízes. Todavia. A cobertura do solo com restos vegetais em camada espessa ou com lâmina de polietileno é um meio físico-mecânico de controle das plantas daninhas. como o capim-arroz (Echinochloa sp. beiras de estradas e pastagens a roçada é um método de controle de plantas daninhas dos mais importantes. A cobertura provoca menor amplitude nas variações e no grau de umidade e da temperatura da superfície do solo. Este sistema de plantio é usado em extensas áreas de plantio de soja. para uso dirigido nesta cultura. a inundação é um efetivo método de controle de plantas daninhas. A inundação mata as plantas sensíveis. O cultivo mecanizado. como tiririca (Cyperus rotundus). esta técnica é de uso limitado no Brasil. grama-seda (Cynodon dactylon). a roçada manual ou mecânica é um método muito importante para controlar plantas daninhas. Em pomares e cafezais. em solo úmido. Outra técnica utilizada para o controle de plantas daninhas é a solarização. através de adaptação de queimadores especiais em cultivadores tratorizados. capim-kikuio (Penisetum clandestinum)). e b) baixa eficiência: quando realizado em condições de chuva (solo molhado). utilizando filme de polietileno sobre a superfície do solo. principalmente em terrenos declivosos.

reduzindo sua capacidade de competir. o cambará-de-espinho (Lantana camara) foi controlado pelos insetos Agromisa lantanae e Crocidosema lantanae. Para que este tipo de controle seja eficiente. Módulo 3. para controlar Morrenia odorata.) com as larvas do inseto Cactoblastis cactorum. a eficiência do controle biológico é duvidosa quando ele é usado isoladamente. d) Determinação da especificidade dos hospedeiros. através de enxadas cultivadoras especiais. bactérias. No entanto. todas as espécies anuais. o parasita deve ser altamente específico. no Havaí. b) Seleção de inimigos naturais mais eficientes. o deslocamento do solo sobre a linha. até o momento. são facilmente controladas em condições de calor e solo seco. o que é uma tendência normal em condições de campo. nos pomares de citros.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas se reproduzem por partes vegetativas. porque pode controlar uma espécie e uma outra ser favorecida. uma vez eliminado o hospedeiro. O cultivo quebra a relação íntima que existe entre raiz e solo. desde a pesquisa até a prática do controle biológico: a) Seleção de espécies de plantas daninhas a serem controladas. e) Acompanhamento da introdução e do estabelecimento do agente biocontrolador no campo. Deve também ser considerada como controle biológico a inibição alelopática de plantas daninhas exercida por outras plantas. De modo geral. Dependendo do tamanho relativo das plantas cultivadas e daninhas. o herbicida natural é registrado como Collego. f) Avaliação da efetividade em diferentes épocas do ano.Controle biológico O controle biológico consiste no uso de inimigos naturais (fungos. O controle biológico de plantas daninhas é muito complexo e seu estudo dever ser feito em etapas sucessivas. foi já usado o fungo Phythophthora palmivora. podem-se citar: na Austrália. 5.Biologia e métodos de controle 39 . Isso é mantido por meio do equilíbrio populacional entre o inimigo natural e a planta hospedeira. com o nome de Devine. promover o controle das plantas daninhas na linha. aves. e. o fungo Coletotrichum gloeosporeoides pode ser usado para controlar o angiquinho (Aeschynomene virginica) em soja e milho. pode causar o enterrio das pequenas plântulas e.1 . E.) capazes de reduzir a população das plantas daninhas. suspende a absorção de água e expõe a raiz às condições ambientais desfavoráveis. c) Estudo e avaliação da ecologia dos vários inimigos naturais. o controle biológico de plantas daninhas com inimigos naturais não tem sido. ele não deve parasitar outras espécies. insetos. vírus. o controle do cactus ou figo-da-índia (Opuntia spp. ou seja. quando jovens (2-4 pares de folhas).4 . praticado com fins econômicos. peixes. daninhas ou não (este assunto já foi discutido em módulo à parte). No Brasil. Nos Estados Unidos. a fim de correlacionar os níveis de infecção com a redução da densidade populacional do hospedeiro. com isso. etc. Entre os diversos exemplos de controle biológico no mundo.

Egeria najas e Ceratophyllum demersum pelo pacu (Piaractus mesopotamicus).5 .5-T. O controle biológico é eficiente. Triazinas simétricas (1956).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas No Brasil. ocorrem reuniões anuais de pesquisadores de herbicidas no cerrado (REPEC).) e marcou o início do controle químico de plantas daninhas em escala comercial. o sulfato ferroso foi avaliado por Bolley. Já se sabe que o fotoperíodo influencia a eficiência de controle das espécies de plantas daninhas pelo fungo.4-DB. 5. para controle de folhas largas na cultura do trigo. foi fundada a Sociedade Brasileira de Herbicidas e Plantas Daninhas (SBHPD).4. indicando a necessidade de uso de outro método de controle. A partir de 1950. e os trabalhos científicos sobre o assunto são publicados em revistas especializadas da SBCPD (Planta Daninha e Revista Barsileira de Herbicidas). 40 Módulo 3. A eficiência do controle biológico é duvidosa. nos Estados Unidos. 2.1 .Controle químico As pesquisas visando o controle químico de plantas daninhas foram iniciadas entre 1897 e 1900. Ainda. no Brasil.. no Brasil. não podendo parasitar outras espécies. quando Bonnet (França). descobriram o 2. plantas aquáticas submersas que causam problemas em reservatórios de hidrelétricas. foi criada a Weed Science Society of América . que tem evoluído muito nos últimos anos. Devido ao grande desenvolvimento da área de controle químico de plantas daninhas. nos Estados Unidos. em 1963. carpas e outros peixes herbívoros é possível para controle de outras plantas aquáticas. hoje Sociedade Brasileira da Ciência das Plantas Daninhas (SBCPD). que se reúne de dois em dois anos em congresso nacional. O uso de tilápias. e. etc. Somente em 1942. e temperaturas acima de 30 oC têm proporcionado melhor controle de Egeria (BORGES NETO et al. mais seguro para o homem e para o ambiente. quando se pensa em seu uso como o único método de controle. sempre uma outra é favorecida. Shultz (Alemanha) e Bolley (EUA) evidenciaram ação dos sais de cobre sobre algumas folhas largas. a alelopatia. quando se controla uma espécie de planta daninha. então. Em 1908.4-D. novos grupos químicos de herbicidas surgiram: Amidas (1952).WSSA. etc. nos EUA. Miyazaki e Pitelli (2003) verificaram controle de até 100% das espécies aquáticas Egeria densa. Este herbicida é a base de muitos outros produtos sintetizados em laboratório (2. Carbamatos (1951). o controle biológico. em 1956. 2005). Também são áreas de interesse. Isso porque o parasita deve ser altamente específico. ou. quando associado a outros métodos de controle e será recomendado para espécies de plantas daninhas de controle comprovadamente difícil por métodos mecânicos e. bem como a tecnologia de aplicação de herbicidas. isolados de Fusarium graminearum vêm sendo estudados como agente de controle biológico de Egeria densa e de Egeria najas.Biologia e métodos de controle . O objetivo das pesquisas em nível mundial é obter herbicidas mais eficazes com doses menores. para discutir os avanços da área de plantas daninhas e seu controle. químico. entre outras. Zimmerman e Hitchock.

sendo essa a causa de cerca de 80% dos problemas encontrados na prática. Permite o plantio a lanço e. Mesmo em épocas chuvosas. em milhões de dolares. O conhecimento da fisiologia das plantas. A tendência ainda é de aumento. Pode se atribuir essa grande aceitação do uso de herbicidas pelos produtores ao fato de o controle químico das plantas daninhas proporcionar as seguintes vantagens: 1. difícil de ser encontrada no momento certo. que era quase exclusivamente utilizada por grandes e médios produtores. 2005). que é cada vez mais cara. havendo perigo de intoxicação do aplicador. Há necessidade de mão-de-obra especializada para aplicação dos herbicidas. É importante considerar que todo herbicida é uma molécula química que tem que ser manuseada com cuidado. 2. sendo a de maior importância o controle cultural. Portanto. Pode ocorrer também poluição do ambiente .Biologia e métodos de controle 41 . Atualmente estão sendo comercializadas no mercado brasileiro em torno de 200 marcas comerciais de herbicidas (RODRIGUES e ALMEIDA. Este valor. principalmente. 5. lagos e água subterrânea). Pode controlar plantas daninhas de propagação vegetativa. uma vez que este possibilita as melhores condições de desenvolvimento e permanência das culturas.8 em 1997 (ANDEF/SINDAG. Permite o cultivo mínimo ou plantio direto das culturas. o controle químico das plantas daninhas é mais eficiente. mas devem ser conhecidos. O emprego do controle químico como único e generalizado implica a inviabilidade econômica da prática agrícola e sério desequilíbrio no sistema de produção. hoje está se tornando prática comum entre os pequenos. Módulo 3. ou. evoluiu de 546. dos grupos aos quais pertencem os herbicidas e da tecnologia de aplicação é fundamental para o sucesso do controle químico das plantas daninhas. quando for necessário. 6. uma vez que esta tecnologia. solo e alimentos quando manuseados incorretamente. o herbicida é uma ferramenta muito importante no manejo integrado de plantas daninhas. É eficiente no controle de plantas daninhas na linha de plantio e não afeta o sistema radicular das culturas. 4. 3. desde que utilizado no momento adequado e de forma correta.214.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas O consumo de herbicida no Brasil representa 7-9% do consumo total do mundo. Menor dependência da mão-de-obra. 2005). O emprego do controle químico de plantas daninhas deve ser feito juntamente com outras práticas de controle. cabendo ao controle químico apenas auxiliar quando necessário. perfeitamente controlados e evitados.1 . na quantidade e qualidade necessária.água (rios.6 em 1990 para 1. alteração no espaçamento. Os riscos de uso existem.

2000). Identificar as espécies-problema e suas densidades. sua base reforçada no campo da entomologia quando pioneiros promoveram o estudo dos problemas do algodoeiro no Nordeste do país.1 . tendo. em que se levam em conta todos os fatores que podem proporcionar à planta maior e melhor produção. constituindo-se. 3. 4. da capacidade competitiva da cultura. 8. propondo uma série de medidas que se enquadraram no conceito de integração (CONCEIÇÃO. os métodos culturais se apresentam como os 42 Módulo 3. que consiste em “um sistema ambiental do campo onde são usados todos os conhecimentos e ferramentas disponíveis para a produção das culturas livres de danos econômicos da vegetação competitiva”. Conhecer as espécies dominantes e suas interações. as quais possuem seu ciclo ou parte dele na época das águas. Integrar os processos com as medidas de proteção das culturas. para culturas anuais. do período crítico de competição. Um bom programa de manejo de plantas daninhas pode ser resumido em três situações básicas: máxima produção no menor espaço de tempo. O nível de controle das plantas daninhas obtido em uma lavoura dependerá da espécie infestante. Estudar os métodos usados na propriedade. das condições ambientais. a maneira integrada de cultivo. Desse modo. o manejo integrado de plantas daninhas. máxima sustentatibilidade de produção e mínimo risco. etc. Prever populações e mudanças de populações de plantas daninhas. no controle integrado. Considerar os recursos e as necessidades do fazendeiro. esse fato. dos métodos empregados. Muitas vezes faz-se necessária a associação de dois ou mais métodos para se atingir o nível desejado. 9. 10. Monitorar sementes e espécies da área de produção. no Brasil. fica evidente que. Escolher a(s) tecnologia(s) de controle compatível(is) com sistema. permite a esta aproveitar eficientemente os recursos do meio. Considerando as condições brasileiras. 2.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 6 . 6.Biologia e métodos de controle . Decidir quando o controle deve ser feito. e elas são um bom guia para o programa de manejo: 1. 7. Avaliar os impactos ambiental. 5.Manejo integrado de plantas daninhas (mipd) Cada vez mais o manejo integrado de pragas vem ganhando reforços em todos os setores agrícolas. social e econômico a curto e a longo prazo. pode reduzir a dependência do uso de herbicidas e atrasar ou prevenir o aumento de espécies perenes geralmente associadas a sistemas de cultivo. A integração de diversos métodos de controle dentro do sistema de produção pode dificultar o crescimento e desenvolvimento de populações de espécies daninhas de difícil controle. Dez palavras-chave descrevem os processos recomendados. Desse modo.

no plantio direto.. independentemente se para produzir milho para grão ou para silagem. tornando o sistema menos dependente do controle químico (JAKELAITIS et al. a ponto de não acarretar reduções de produção das culturas infestadas (Fig. 5). 2005) Módulo 3. a forrageira cultivada em consórcio com a cultura principal reduz a interferência de muitas espécies de plantas daninhas. Um bom exemplo da aplicação do Manejo Integrado pode ser observado pelo excelente manejo da tiririca na cultura do milho e do feijão graças à utilização do sistema de plantio direto e conhecimentos da biologia das espécies envolvidas. Os maiores benefícios do sistema de plantio direto no manejo integrado da tiririca são obtidos devido à integração do controle químico proporcionado pelo uso do herbicida sistêmico para dessecação da vegetação em pré-plantio. 2004) e também mais estável do ponto de vista ambiental (SANTOS et al. 2003).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas mais adequados para integração com o controle químico. permanecendo dormentes (Fig. com uso de herbicidas sistêmicos usados como dessecantes. Quando a finalidade de uso do solo é para milho grão. Em dois anos nesse sistema. no plantio convencional. é possível obter redução nos níveis populacionais da tiririca a favor do plantio direto. Dessa forma. sendo que em três anos a redução no banco de tubérculos no solo pode chegar a mais de 90% (JAKELAITIS et al. consegue-se ótimo manejo integrado da tiririca. da ordem de 90 a 95%. ou seja. tanto para a cultura do milho quanto para o feijoeiro.. com a adoção do sistema de plantio direto utilizando herbicidas sistêmicos para dessecação. Ao contrário. toda a palhada da cultura permanece na área à superfície. 45 dias após a emergência. 4). transformando esta espécie daninha extremamente problemática em uma espécie comum. aplicados no momento correto. Outro exemplo de manejo integrado de plantas daninhas tem sido praticado em diversas regiões do Brasil quando se adota o sistema integrado agricultura-pecuária. aliado ao fato de não revolver o solo. aliado ao controle cultural. principalmente no período de desenvolvimento das culturas sensíveis à interferência das plantas daninhas. como a cultura do milho e feijão. Além disso. ao controle cultural exercido pela falta de revolvimento do solo e conseqüente ausência de fragmentação das estruturas vegetativas da tiririca e à adoção de culturas altamente competitivas.Biologia e métodos de controle 43 . Neste sistema. evitando assim sua disseminação e seu rápido crescimento. Dessa forma. no milho para silagem toda palhada da cultura anterior e retirada da área. a capacidade de brotação dos tubérculos de tiririca coletados sob solo no sistema integrado é diminuída com o passar do tempo. têmse observado excelentes resultados no manejo da tiririca. principalmente por luminosidade. No plantio direto. ou incoporada ao solo. os níveis populacionais da tiririca podem ser diminuídos.1 . visando a redução do número de propágulos de espécies de difícil controle em áreas agrícolas. em relação ao plantio convencional..

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 4 . após três anos de adoção 44 Módulo 3.População de tiririca nas culturas de milho e feijão nos sistemas de plantios convencional e direto (após dois anos de adoção do manejo integrado de plantas daninhas –MIPD) aos 30 DAP Figura 5 – Brotação de tubérculos de tiririca coletados em campo em áreas de plantio convencional e em área onde se adotou o plantio direto com o manejo integrado dessa espécie infestante.1 .Biologia e métodos de controle .

553-560... L. v. A. E. H. C. G. R. O Biológico.. Períodos de interferência das plantas daninhas na cultura da cana-de-açúcar: III .. A. DIAS. A alelopatia e as plantas. 337342. et al. v.gov.. Influência do fotoperíodo e da temperatura na intensidade de doença causada por Fusarium graminearum em Egeria densa e E. FERRI. L. 21.. L.br>. 401 p. v. n. Planta daninha. V. 1. Interferência de capim-marmelada na cultura da soja. R. R. 23 p. Planta daninha. C. Campinas. 4. SARMENTO. A. p. São Paulo: EPU. CRUZ. FREITAS. v. 2005. Acesso em: 2 jan. OLIVEIRA JR. R. n. Planta Daninha. 53). 3. Fisiologia Vegetal 1.. A importância dos estudos ecológicos nos programas de controle de plantas daninhas. 1. 22. et al. S. BLANCO.38. v. F. Viçosa: UFV. C. Disponível em: <www. Potencial de espécies utilizadas como adubo verde no manejo integrado de plantas daninhas. Q.. GORGATI.G. (IAPAR. N. SILVA. A.capim-braquiária (Brachiaria decumbens) e capimcolonião (Panicum maximum).. 37-44. 2005.. AGNES. M. 22.) Manejo Integrado: Doenças. KUVA. BRIGHENTI. BORGES NETO. F. Planta Daninha. AZEVEDO.andef.. L. (Ed. 2. p. ERASMO. L. 1979. PITELLI. W. p. 1985. 23. IAPAR. JAKELAITIS. METIVIER. Períodos de interferência de plantas daninhas na cultura do girassol. M. 362 p. 1986. 398-404. CONCEIÇÃO. Planta Daninha. Dormência e germinação. R.1 . n. C.343-50. LEMES. J.. 3.. Manejo integrado em defesa vegetal. JAKELAITIS. A. L. L. n. 2004. 12. A. M. T. n. MACHADO.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Referências bibliográficas ALMEIDA. Planta Daninha. v. F.. GRAVENA. L. M. S. 2005. 21. 2003. Dinâmica populacional de plantas daninhas sob diferentes sistemas de manejo nas culturas de milho e feijão. In: ZAMBOLIM. 23. L. FERREIRA. 1994. p. ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE DEFESA FITOSANITÁRIA – ANDEF. 2. n. v. Módulo 3. A... pragas e plantas daninhas. R. 2004. 3. Dados estatísticos. R. MARTINS.10.) Fisiologia vegetal 2. 2004. P. A. E. 449-456. n.G. S. MIRANDA. PITELLI. In: FERRI. C.Biologia e métodos de controle 45 . A. 251-257. C. R.. 22. Circula. 1988. p. p. najas. São Paulo: EPU. 71-79. Herbicidas em cultura de algodão. n. R. Períodos de interferência de Commelina benghalensis na cultura do café recém-plantada. F. A. v. SILVA. R. Planta daninha. A. FERREIRA.. ALVES. 2000. 416 p. G. p. n. 1972. S.. D. 93-99. São Paulo: CATI. Manejo de Plantas daninhas no consórcio de milho com capim-braquiária (Brachiaria decumbens). A. (Ed. M. p. 2005. P. v. L. SILVA. CASTRO. A. p. A. 2003. Z. 60 p. A.. Planta daninha.

PEDRINHO JÚNIOR. p. 3. A. S. SP. n. SILVA. SANTOS. B. 2003. A. p. L. E. 2005. 46 Módulo 3. J. D. 21. S. 2004. M. R. J. A. In: Weed ecology implicatios for manegements. PIRES. RAMOS. M. Evaluation of the biocontrol potential of pacu (Piaractus mesopotamicus) for Egeria densa. R. R. n. E. R.. E. L. PITELLI.. 35-57. n. D. Absorção e utilização do fósforo pelas culturas da soja e do feijão e por plantas daninhas. SANTOS.. 422 p. SILVA.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas MIYAZAKI. MATTOS.. 1996. 1984. A. p. Acta Scientiarum. A. p. S. C. O. J.. p. JAKELAITIS. n.. Revista Brasileira de Ciência do Solo. n. SANTOS. S. Alellopthy. L. Acúmulo de nutrientes pelo cafeeiro sob interferência de plantas daninhas. p. Fisiologia de sementes.. Y. A. PITELLI. J. E. D... MARTINS. Planta Daninha. 1.. 24. A. 136-144. n. PROCÓPIO. 2002. L.. N.. A. E. COSTA. GHERSA. C. D. São Paulo: Livraria Pioneira. 5. D. TERRA. v. Análise do crescimento e eficiência no uso da água pelas culturas de soja e do feijão e por plantas daninhas. F. Brasília: Ministério da Agricultura.Biologia e métodos de controle . COSTA. F. 219-227. v. p.. 1994. MENDONÇA. 1969. 5. v.. 10. A. ODUM. 217-301. Plant root exudades. feijão e plantas daninhas. T. 1. F. 2. MENDONÇA.. n. A. 29. A. 22. Bot. Guia de herbicidas. SILVA. Orlando: Academic Press. PROCÓPIO. 1974. J. BIANCO. 20. 29. ALVES. Planta Daninha.. Agiplan.. 373-379. A. K. Rev. S. P. R. v. C. MUSIK T. 2004b. 3. J. A. p. S.1 . v. 1969. Acúmulo de massa seca e macronutrientes por plantas de Glycine max e Richardia brasiliensis. A. R.. v.. New York: John Willey and sons. B.O. RODRIGUES. SILVA. FERREIRA. p. 22... B. 21.683-691. A. 591 p.. SILVA.. p.. p. 273 p. F.1. Weed biology and control. P. Planta Daninha. PIRES. E. HOLT. n. E. S. v. 365-374. Pesquisa Agropecuária Brasileira. B. S. O. Physiological aspects of competition. v. Planta Daninha.. 3541. Editora da USP.. PITELLI. MENDONÇA.. Ponto de murcha permanente de soja. 1345-1351. 2005.. A. 2002. 22. 53-61. v. Ecologia. G. SANTOS. J. M.ed. 2005. A. S. F. 2004a. Atividade microbiana do solo após aplicação de herbicidas em sistemas de plantio direto e convencional. SANTOS. 23. B. Efeitos de diferentes períodos de controle da comunidade infestante sobre a produtividade da cultura do milho. J. Períodos de interferência das plantas daninhas na cultura do algodoeiro (Gossypium hirsutum). P... F.. SILVA. v. Planta Daninha. Absorção e utilização do nitrogênio pelas culturas da soja e do feijão e por plantas daninhas. v.. PR: Grafmarke. VIVIAN. D. 35. C. R. Edição especial. 1970. 78 p. ROVIRA. B. S. p. A. n. PROCÓPIO. HERNANDEZ. A. 4. RADOSEVICH. najas and Ceratophyllum demersum. SALGADO. RICE. ALMEIDA.. n. 1523-1531. PROCÓPIO. DONAGEMMA. L. 2. Londrina. Planta daninha.. PROPINIGIS. 53-59. P. New York: McGraw-Hill Book Company.. F. RONCHI. F. O. SILVA. Planta daninha. 2003. A. 3. A.ed. A. R.

J.. 387-396. 2. C. p. FLECK. 8-31. SILVA.. p. D.. submetido a diferentes teores de água em convivência com braquiária. 3. p. Planta Daninha. T. 1.. VIDAL. MARCONDES. Piracicaba: ESALQ. v. R.. n. J. R. v. VICTORIA FILHO. v. S.. SP. A. 23. Módulo 3. 2003. J. N. 2004. DIAS. R. A. Captação e aproveitamento da radiação solar pelas culturas da soja e do feijão e por plantas daninhas.. A. p. CARDOSO. SIQUEIRA. 59-62. Determinaçao do período crítico para prevenção da interferência de plantas daninhas na cultura de soja: uso do modelo broken-stick. Piracicaba. 1994. COSTA.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas SANTOS. 2005. Planta Daninha. In: SEMINÁRIO SOBRE PRAGAS. MEROTTO JR. n. 2003. 5. 387-396.. SOARES. WEAVER. L. T. BRAZ. SPADOTTO. n. A. D. D. v. 62.. n. A. A. Plant ecology. 1. 601 p. J. 1998. SILVA. 67. A. C. A. VARGAS. A. L. p. 1994. 3. SEDIYAMA.Biologia e métodos de controle 47 . 12. (Euphorbia heterophylla L. A... 100-111.. S. p. Manejo integrado de plantas daninhas do feijoeiro (Phaseolus vulgaris). SILVA. J. 21. 1938... 4. R. SILVA. B. Período anterior ao dano no rendimento econômico (PADRE): nova abordagem sobre os períodos de interferência entre plantas daninhas e cultivadas. n. Revista Floresta. A.. Índice de consumo e eficiência do uso da água em eucalipto. 3. Planta daninha. A. W. PROCÓPIO. L. Anais. C. 34. Períodos de interferência das plantas daninhas na cultura de cebola (Allium cepa) transplantada.. New York: Mc Graw-HILL Book Company. B.. E. 147-153. A.1 . v. A. E. A... Bragantia. LUIZ.). C. PITELLI. SILVA.. O. G.. G. DOENÇAS E PLANTAS DANINHAS DO FEIJOEIRO. Profundidade de germinação de sementes de leiteiro. CLEMENTS F. n. p. 1994. v. Boletim Informativo da SBCPD.

DF 2006 48 Módulo 3. Francisco Affonso Ferreira Profº.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação Tutores: Profº. José Barbosa dos Santos Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior .Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .Manejo de plantas daninhas 3.UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília . Antonio Alberto da Silva Profº.2 .2 . Lino Roberto Ferreira Profº.ABEAS Universidade Federal de Viçosa .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 .

Mecanismos de seletividade.4 .Quanto aos mecanismos de ação.5.3 .2 .Mecanismo de ação.5. 75 4. 61 4.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução.2 .Inibidores da síntese de ácidos graxos de cadeias muito longas (VLCFA).1 .2 . 55 4.3 .Herbicidas inibidores do arranjo dos microtúbulos.Seletividade.1 .Quanto à seletividade.3 .1 .Principal herbicida do grupo.3 .2 .8 . 70 4. 79 4.1. 68 4.Quanto à translocação. 79 4. 51 1 .7 .3 . 55 4. 68 4. 77 4.Mecanismo de ação das cloroacetanilidas.Caracterização de alguns herbicidas inibidores dos microtúbulos.Principais características.4 . 54 4.Características de algumas cloroacetanilidas.2.3.1 .Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 49 . 68 4. 80 4.Caracterização de alguns herbicidas auxínicos. 73 4.6.Herbicidas inibidores da Protox.Algumas imidazolinonas.1 .4.53 4 . 53 4.1 .2. 83 4.6. 88 Módulo 3. -51 2 .Características gerais.Herbicidas inibidores da acetolactato sintase.2 . 85 4.Problemas causados pela utilização incorreta de herbicidas auxínicos.6 .Principais características.1.Herbicidas inibidores da EPSPs.Herbicidas auxínicos ou mimetizadores de auxina.7.2 .3. 73 4.Caracterização de Alguns Herbicidas Inibidores do Fotossistema II.2 .2 . 60 4. 56 4.3 .Herbicidas inibidores da fotossistama II.5.3 .6.Algumas sulfoniluréias.1 . 73 4.2 .1.2. 58 4.2.Mecanismo de ação.Principais características. 74 4. 75 4.Mecanismo de ação.3.Mecanismo de ação.Características gerais dos inibidores do fotossistema II. 58 4.Herbicidas Inibidores do Fotossistema I.Caracterização de alguns herbicidas inibidores da PROTOX. 80 4.4.Quanto à época de aplicação.1 . 62 4.52 3 . 76 4.4. 79 4.5 .7.

89 4.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4.Herbicidas inibidores da ACCase.2 .Mecanismos de ação.Principais características.9 . 92 4.8. 93 4.2 .Mecanismo de ação. 95 Referências bibliográficas.9.Caracterização de alguns inibidores da ACCase. 91 4. 99 50 Módulo 3.8.9.Herbicidas inibidores de carotenóides. 88 4.1 .Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .10 . 91 4.2 .Características gerais.1 .3 .9.

é possível tornar um herbicida não-seletivo a seletivo para determinada espécie. a seletividade é sempre relativa. Normalmente são recomendados para uso como dessecantes ou em aplicações dirigidas. tem-se 2. o metribuzin é seletivo apenas quando aplicado em pré-emergência. Para soja. estrutura química e mecanismo de ação (WARREN. translocação. e mesmo assim a dose tolerada é dependente das condições edafoclimáticas. paraquat. por exemplo. Módulo 3. imazethapyr para a soja. HESS. Como exemplo. dentro de determinadas condições.2 . glyphosate.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução Os herbicidas podem ser classificados de diversas maneiras. Herbicidas não-seletivos São aqueles que atuam indiscriminadamente sobre todas as espécies de plantas. 1 . das condições climáticas. etc. fomesafen para o feijão. pois depende do estádio de desenvolvimento das plantas. etc. são mais tolerados por uma determinada espécie ou variedade de plantas do que por outras.Quanto à seletividade Herbicidas seletivos São aqueles que. 1995a). da dose aplicada.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 51 . Exemplos: diquat. exemplo: a soja trasgênica resistente ao glyphosate. Essas características individuais permitem estabelecer grupos afins de herbicidas com base em sua seletividade. Todavia. Todavia. do tipo de solo. época de aplicação.4-D para a cana-deaçúcar. de acordo com as características de cada um. por meio da biotecnologia. atrazine para o milho. etc.

neste caso. nicosulfuron em milho. Também. são desativados (sorvidos). Quando aplicado após o preparo do solo e incorporado a este antes do plantio.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . a estes. Estes produtos podem. feijão. como é o caso do trifluralin. etc. ou. quando atigem o solo. ele necessita ser incorporado ao solo. metsulfuron-methyl em trigo. Quando são absorvidos apenas pelas folhas. Todavia. porém têm como objetivo principal garantir o controle inicial das plantas daninhas na implantação da lavoura. eles somente devem ser aplicados em pós-emergência das plantas daninhas. como é o caso do metribuzin. Estes podem ou não auxiliar na dessecação das plantas. visando facilitar o plantio e promover cobertura morta do solo. no sistema de plantio direto (cultivo mínimo). Contudo. Entretanto. outros que possuem maior efeito residual no solo. também. trigo. Esses produtos normalmente são não-seletivos. pois muitas vezes. em aplicação dirigida. clorimuron-ethyl. exemplos: flumioxazin. por esta razão. alguns herbicidas devem ser aplicados antes do plantio. Se o herbicida é absorvido pelas folhas e raízes. paraquat. pode-se também misturar. metribuzin. etc. ser não-seletivos para a cultura e. apesar penetrarem também pelas raízes. a sua aplicação em pré ou pós-emergência vai depender da tolerância da cultura e. até mesmo em subdoses.Quanto à época de aplicação Pré-plantio Quando o herbicida é muito volátil. das condições nas quais ele apresenta melhor desempenho. imazethapy. ainda. reflorestamento e lavouras de café. especialmente ao glyphosate. aplicado em pré-plantio e incorporado.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2 . ou. fotodegradável. etc. exemplo: sethoxydim em tomate. ele pode ser aplicado em pós-emergência de ambas (plantas daninhas e culturas). Outro 52 Módulo 3. que pode ser usado em tomate em pré e em pósemergência tardia ou após o transplante. estes devem ser aplicados antes da emergência (pré-emergência) desta ou de forma dirigida. ou seja. feijão e soja. ele é muito tóxico à soja. de solubilidade muito baixa em água e. exemplos: glyphosate. como é o caso do glyphosate e paraquat aplicados no plantio direto de milho. pois em pós-emergência.2 . deve ser aplicado antes do plantio. imazaquin. eles devem ser aplicados em pré ou em pós-emergência das culturas ou das plantas daninhas. diz-se que este herbicida é aplicado em PPI. apresentam curto efeito efeito residual e quase sempre são utilizados como dessecantes. na cultura da soja somente pode ser usado em pré-emergência. Pós-plantio Dependendo da atividade dos herbicidas sobre as plantas. se o herbicida é seletivo para a cultura. em culturas perenes como fruteiras. etc.

4-D. quando utilizado em pós-emergência. porém com efeito final menor. podem apresentar ação de contato. inibidores da PROTOX. Módulo 3. como é o caso de 2. A este produto. inibidores da ACCase. picloram. LIEBL.2 . inibidores do fotossistema II. deve-se adicionar à calda óleo mineral visando solubilizar parte da cera epicuticular. inibidores da ALS. Quanto ao mecanismo de ação. atingir a célula e posteriormente a organela. entretanto a primeira lesão que ele causa na planta pode caracterizar o seu mecanismo de ação (ASHTON. 3 . inibidores do fotossistema I. diquat. 2003a). os herbicidas podem ser classificados em: mimetizadores de auxinas (auxínicos). nicosulfuron.HESS.Quanto à translocação Os herbicidas podem ser de contato quando atuam próximo ou no local onde eles penetram nas plantas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas exemplo seria o herbicida atrazine. exemplos: paraquat. Inibidores da GS. quando usados em doses muito elevadas. onde atuará para que seus efeitos possam ser observados. Ele terá necessariamente que penetrar no tecido da planta. aumentando a sua penetração pelas folhas. 4 . Quando o movimento (translocação) do herbicida é via floema ou floema e xilema. etc. pelo floema ou por ambos. etc. Estes produtos.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 53 . imazethapyr. a ação do produto pode ser mais rápida. 1995. recomendado para as culturas de milho e sorgo. Os herbicidas também podem se movimentar (translocar) nas plantas pelo xilema. (WARREN. lactofen.Quanto aos mecanismos de ação É interessante que se faça distinção entre os termos usados rotineiramente quando se refere a herbicida: “modo e mecanismo de ação de herbicida”. já a primeira lesão bioquímica ou biofísica que resulta na morte ou ação final do produto é considerada “mecanismo de ação”. 1973. Neste caso. 1995). inibidores da síntese de carotenóides. O simples fato de um herbicida entrar em contato com a planta não é suficiente para que ele exerça sua ação tóxica. THILL. glyphosate. inibidores do arranjo dos microtúbulos. inibidores da EPSPs. ele é considerado sistêmico. Estes herbicidas sistêmicos são capazes de se translocarem a grandes distâncias na planta. CRAFTS. “Modo de ação” refere-se à seqüência completa de todas as reações que ocorrem desde o contato do produto com a planta até a sua morte ou ação final do produto. porque a morte rápida do tecido condutor (floema) limita a chegada de dose letal do herbicida a algumas estruturas reprodutivas das plantas. flazasulfuron. É importante lembrar que um mesmo herbicida pode influenciar vários processos metabólicos na planta. etc.

engrossamento das gemas terminais e morte da planta (Fig.4-D e o MCPA são os mais importantes.Sintomas leves de intoxicação de plantas de algodão (A) e ação final do produto sobre plantas de Raphanus raphanistrum (B) 54 Módulo 3. verificam-se rapidamente aumentos significativos da enzima celulase. pelo efeito destes produtos sobre o afrouxamento das paredes celulares. trigo e cana-de-açúcar e em pastagens. 2003a). causando epinastia de folhas e caule. também. Em conseqüência dos efeitos desses herbicidas. impedindo o movimento dos fotoassimilados das folhas para o sistema radicular. 1973). especialmente da carboximetilcelulase (CMC).2 . rapidamente. Os herbicidas auxínicos. as espécies sensíveis têm seu sistema radicular rapidamente destruído. Acredita-se que estes produtos interfiram na ação da enzima RNA-polimerase e. verifica-se crescimento desorga¬nizado. provocado pelo acúmulo de proteí¬nas e. Figura 1 . mais especificamente. além de interrupção do floema. Essa perda da rigidez das paredes celulares é provocada pelo incremento na síntese da enzima celulase. notadamente nas raízes. Por esse motivo. na síntese de ácidos nucléicos e proteínas (ASHTON. porque eles marcaram o início do desenvolvimento da indústria química (THILL. induzem mudanças metabólicas e bioquímicas. em plantas sensíveis. 1). podendo levá-las à morte. Historicamente.Herbicidas auxínicos ou mimetizadores de auxina Esta classe de herbicidas é uma das mais importantes em todo o mundo. epinastia das folhas e retorcimento do caule. em poucos dias ou semanas. que leva estas espécies a sofrer. conseqüentemente.1 . Estes herbicidas induzem intensa proliferação celular em tecidos. milho.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . CRAFTS. quando aplicados em plantas sensíveis.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. Após aplicações de herbicidas auxínicos. o 2. Estudos sugerem que o metabolismo de ácidos nucléicos e os aspectos metabólicos da plasticidade da parede celular são seriamente afetados. Esse alongamento celular parece estar relacionado com a diminuição do potencial osmótico das células. sendo extensivamente utilizada em culturas de arroz.

b) Usar maior tamanho de gotas. deve-se usar 0 2. Na cultura do milho (4-6 folhas). Por exemplo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. d) Evitar a aplicação quando o vento estiver em direção às culturas.Seletividade A seletividade dos herbicidas auxínicos pode ser dependente de diversos fatores: 1. tomate. Módulo 3. exigindo cuidados especiais para se realizar rotação de culturas. além de facilitar a sua conjugação com aminoácidos e outros constituintes da planta. sendo estes protegidos pelo esclerênquima em gramíneas (monocoti¬ledôneas). em condições de campo.1. Aril hidroxilação do 2. derivados do ácido picolínico podem causar fitotoxicidade.3-D-4-OH.2 . em doses extremamente baixas. Nas culturas de arroz e trigo. 3.1. exemplos: para arroz e trigo deve-se usar o 2. principalmente em aplicações aéreas. fumo. Essa característica especial das monocotiledôneas pode prevenir a destruição do floema pelo crescimento desorganizado das células. podem causar sérios problemas técnicos. sendo esta a principal rota para o metabolismo do 2.1 .. As seguintes medidas são recomendadas para reduzir problemas com a utilização destes herbicidas: a) Evitar o uso de formulações que apresentam elevada pressão de vapor (muito voláteis). 4. 2.2 . se praticável. É comum a aril hidroxilação resultar na perda da capacidade auxínica destes herbicidas. 4. Deriva. cada um dos diferentes princípios ativos. se aplicado em pós emergência total ocorrem sérios problemas de fitotoxicidade.4-D para 2. c) Usar baixa pressão para aplicação.4-D. algodão. que são espécies altamente sensíveis. etc. resíduos deixados em pulverizadores mal lavados e contaminação de água de irrigação por estes herbicidas.Problemas causados pela utilização incorreta de herbicidas auxínicos Todos os herbicidas auxíncos são derivados de ácidos fracos e podem ser formulados nos seus respectivos ácidos.5 dicloro-4 hidroxifenoxiacético e 2. Estádio de desenvolvimento das plantas. Arranjamento do tecido vascular em feixes dispersos.4-D apenas em aplicação dirigida. e na cultura do milho. recebendo nomes comerciais diversos. causada pela ação de herbicidas auxínicos. Algumas espécies de plantas podem excretar estes herbicidas para o solo através de seu sistema radicular (exsudação radicular). ser comercializado isoladamente ou em misturas. Alguns desses produtos podem permanecer ativos no solo por longo período.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 55 . se aplicado fora do estádio de desenvolvimento recomendado.4-D após o perfilhamento e antes do emborrachamento. em uva. sais ou ésteres. comprometendo de maneira severa o rendimento de culturas e a qualidade do ambiente. podendo.

gramados e culturas gramíneas (arroz. etc. além de detergente. ou. Movimenta-se pelo floema e. acumulando-se nas regiões meristemáticas dos pontos de crescimento. 2005). conferindo ao produto características dife¬renciais quanto à seletividade. em fruteiras e lavouras de café. As formulações aminas são mais adsorvíveis no solo do que as de éster e. O 2.1. entretanto.Em ambos os casos o 2. milho. sendo esta a condição para ótima atividade do produto. As formulações ésteres e ácidas são prontamente absorvidas pelas folhas. Em solos secos e frios. porque são altamente solúveis. Usar. Apresenta persistência curta a média nos solos.4-D se transloca por toda a planta pois se movimenta tanto pelo xilema quanto pelo xilema.3 . Cada formulação pode apresentar características físico-químicas diferentes. ALMEIDA. a resistência a estes herbicidas hormonais é reduzida. é encontrado em dife¬rentes formulações e marcas comerciais. toxicidade. no mercado brasileiro. a atividade residual do 2.4-D) foi o primeiro herbicida seletivo descoberto para o controle de plantas daninhas latifoliadas anuais. em pastagens. volatilidade.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . etc. Dicamba 56 Módulo 3.4-D Sal ou éster amina do ácido 2.4 diclorofenoxiacético (2. Apresenta solubilidade de 600 mg L-1. persistência no ambiente.4-D. durante o florescimento.4-D não excede a quatro semanas em solos argilosos e clima quente. É muito utilizado em misturas com inibidores da fotossíntese na cultura da cana-de-açúcar. Em mistura com o picloram. plantas ganham maior tolerância com a idade. trigo. amoníaco ou carvão ativado. enquanto as de éster são praticamente insolúveis e.2 . Transloca-se com grande eficiência em plantas com elevada atividade metabólica.). e com glyphosate.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas e) Tomar cuidado especial com a lavagem do pulverizador após as aplicações. portanto. é usado para controlar plantas daninhas perenes. a decomposição é consideravelmente reduzida. e aquelas à base de sal são rapidamente absorvidas pelo sistema radicular das plantas. com menor movimentação. Em doses normais. pka de 2. Em geral. cana-de-açúcar. mais lixiviáveis. 4. xilema.Caracterização de alguns herbicidas auxínicos 2.8 e Koc médio de 20 mg g-1 de solo para formulações ácido ou sais e de 100 mL g-1 de solo para ésteres (RODRIGUES. É recomendado para pastagens. para uso no plantio direto e em aplicações dirigidas.

4-D.5.6 tricloro-2-piridinacarboxílico (picloram) é um produto extremamente ativo sobre dicotiledôneas. Deve ser observado o período residual para o cultivo de espécies altamente sensíveis (videira. sendo muito utiliza¬do em misturas com o 2. Dontor ou Manejo. Quando aplicação é feita no toco é fundamental que esta seja realizada imadiatamente após o corte da árvore. formando o Tordon.4-D para o controle de plantas em culturas de canade-açúcar. Para o controle de árvores.2 a pH 1. apre¬senta efeito lento. Apresenta solubilidade de 720. etc. Sendo um herbicida de alta solubilidade em água. xilema. tomate. Também. 6-dicloro-2-metoxibenzoico (dicamba) é facilmente translocado pelas plantas via floema e. 2005). É muito pouco adsorvido pelos colóides de argila e mais pela matéria orgânica do solo. ou.. na planta. É fracamente adsorvido pela matéria orgânica ou argila.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 57 . até mesmo quando cultivadas em solos adubados com esterco proveniente de pastagens tratadas com picloram e pastoreadas logo depois. Apresenta pka: 2. podendo se acumular no lençol freático raso. na região Sul do Brasil.87. para evitar a rebrota de espécies-problema como o leiteiro (Peschiera funchsiaefolia) e outras. como o cipó-de-veado (Polygonum convolvulus L.0 e 83. em solos de textura arenosa. em razão de sua longa persistência no solo (dois a três anos). antes que se inicie o processo de cicatrização. pode permanecer ativo na matéria orgânica proveniente de pastagens tratadas com este produto (RODRIGUES. ALMEIDA. comuns em lavouras de trigo.000 mg L-1. O picloram. que podem apresentar severos sintomas de intoxicação. Esta mistura pode ser usada em área total ou em áreas localizadas. perenes e de árvores.29. É muito utilizado para controlar algumas espécies de dicotiledôneas tolerantes ao 2.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas O sal de dimetilamina do ácido 3. do movimento capilar da água e. e Koc médio de 16 mg g-1 de solo.4-D) é muito utilizada em pastagens para o controle de plantas daninhas anuais. Kow: 0.).4-D. da evaporação. pka: 1. sendo recomendado de modo semelhante ao 2. para controlar arbustos e árvores.4 a pH 7. Apresenta maior efeito sobre dicotile¬dôneas. Kow: 1. e também com fluroxypyr formando o Plenum. está sujeito a lixiviação. pimentão. milho e trigo e em pastagens.2 .3. pode ser feito o pincelamento ou a pulveri¬zação dos tocos. dependendo da intensidade. o que dificulta a absorção e translocação do herbicida até as raízes (SILVA et al. fumo. Apresenta longa persistência (meia-vida de 20 a 300 dias) e fácil mobilidade no solo. Módulo 3. 2001). ou. e koc de 2 mg g-1 de solo. porém extremamente persistente (a planta não consegue metabolizar rapidamente o picloram).). A mistura (picloram + 2. Picloram O ácido 4-amino 3. algodão. considerando o controle de plantas daninhas herbáceas e arbustivas.

000 m de culturas sensíveis. ALMEIDA. O vento deverá estar soprando da cultura sensível para a área de aplicação. as proteínas e outras substâncias químicas envolvi¬das na reação da fotossíntese estão localizados nos cloroplastos. feijão. em área total para controle de plantas daninhas em pastagens e arroz. Este elétron é transferido para uma molécula de plastoquinona presa a uma mem¬brana do cloroplasto (Qa).68. e Koc médio de 20 mL g-1 de solo. cana-de-açúcar.64 a pH 5 e 0. dependendo do tipo de solo e das condições climáticas.Herbicidas inibidores da fotossistama II São de grande importância na agricultura brasileira e mundial. É recomendado para uso em pós-emergência.1 . açudes. ALMEIDA. pode haver lixiviação (RODRIGUES. também presa na proteína. em aplicação foliar. com as plantas em pleno vigor vegetativo. chamada “Qb”. porém é rapidamente degradado no solo.26 x 10-6 mm Hg a 25 oC. A molécula da plastoquinona “Qa” transfere o elétron.6-tricloro-2-piridinil) oxi] acético (triclopyr) apresenta ação semelhante ao picloram.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . soja. umidade relativa >50% e temperatura < 30°C.2. durante a fase luminosa da fotossíntese.Mecanismo de ação Os pigmentos. 2004)..5.2 . milho. com ventos de 0 a 6 km h-1. Interromper imediatamente as aplicações se houver mudança na direção do vento. Apresenta solubilidade em água de 23 mg L-1. É também muito eficiente e seletivo para controlar dicotiledôneas infestantes de áreas cultivadas com gramas: jardins.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Triclopyr O ácido [(3. sua meia-vida é de 20 a 45 dias. etc. pka: 2. como arroz. a quinona 58 Módulo 3. por sua vez. Nas condições normais. Kow: 2. fruteiras. pressão de vapor de 1. sendo largamente utilizados nas cultu¬ras de grande interesse econômico.2 . para uma outra molécula de plastoquinona. a energia luminosa capturada pelos pigmentos (clorofila e carotenóides) é transferida para um “centro de reação” especial (P680). Seu grau de adsorção depende do pH do solo. 4..36 a pH 7. Quando um segundo elétron é transferido para a plastoquinona “Qb”. sob condições de alta pluviosidade. A aplicação poderá ser por equipamentos terestres ou por avião quando as áreas estiverem infestadas densamente por plantas daninhas de pequeno e médio porte. 4. (FREITAS et al. Deve ser aplicado de outubro a março (no período chuvoso). Nunca fazer aplicações aéreas a menos de 2. gerando um elétron “excitado”. algodão. sem a interferência de inibidores do fotossistemoa II. hortaliças. Em solos leves. 2005). 2005). campo de futebol. entre outras (RODRIGUES.

De modo geral. dioxobenzotiazoles e cianoacrilatos. das uréias substituídas. pironas. Sabe-se. ao sítio da plastoquinona “Qb”. esta proteína é destruída rapidamente pela ação da luz. impedindo sua destruição.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 59 . A proteína D-1 é hoje muito conhecida. por alguma razão não conhecida. seja válida para outros produtos desse mesmo grupo químico. Fonte: Warren e Hess (1995) Os derivados das triazinas e das uréias substituídas são conhecidos por se prenderem justamente ao sítio dos elétrons da proteína D-1.2. Estes herbicidas competem com a plastoquinona “Qb” parcialmente reduzida (QbH) pelo sítio na proteína D-1. com baixa afinidade para se prender na proteína. sabe-se que a clorose foliar que Módulo 3. sendo conhecida também como proteína 32 kilodaltons. os herbicidas apresentam maior tempo de residência no sítio do que a plastoquinona “Qb”. Figura 2 . onde a plastoquinona “Qb” se prende e onde os herbicidas vão se prender também. aumentam a estabilidade desta na presença da luz. etc. A associação com a proteína se dá com aminoácidos diferentes no sítio para cada biótipo. formando uma plastoidroquinona (QbH2). 2003). a função da plastohidroquinona é transferir elétrons entre os fotossis¬temas II (P68O) e I (P7OO). Alguns exemplos: piridonas. que ela tem uma configuração de cinco hélices que atravessam a membrana do cloroplasto (tilacóide) e duas hélices paralelas que se interligam. naftoquinonas. no sítio onde se prende a plastoquinona “Qb”. Estes herbicidas. também. Herbicidas derivados do fenol (dinoseb. Atualmente. bromoxynil e ioxynil). 1995a. dos fenóis. Além da competição em si pelo sítio na proteí¬na. fica entre a quarta e quinta hélices que atravessam as membranas dos cloroplastos e a hélice paralela que liga as duas. benzoquinonas.Esquema do transporte de elétrons na fotossíntese. Esse fato demonstra que algo mais que a simples inibição do fotossistema II está ocorrendo. como fazem os “clássicos”. Isso impede que uma mudança na sequência de aminoácidos da proteína (mutação) tornando esse biotipo resistente aquele herbicida. como pode ser visto na Fig. WELLER. por exemplo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas reduzida torna-se protonada (dois íons de hidrogênio são adicionados). prendendo-se. ocasio¬nando a saída da plastoquinona e interrompendo o fluxo de elétrons entre os fotossistemas. Muitos herbicidas inibidores do fotossistema II (derivados das triazinas. ou bolso. Plantas suscetíveis tratadas morrem mais rapidamente quando pulverizadas na presença da luz do que quando pulverizadas e colocadas no escuro. Essa proteína é chamada D-1. não evitam a destruição da proteína D-1 pela luz. quando se prendem à proteína.2 . Diversos análogos do fenol foram descritos como inibidores fotossistema II. De maneira simplificada. quinolonas. (HESS.) causam essa inibição prendendo-se na proteína. O sítio. o que aumenta o efeito inibitório destes.

tornase ainda mais carregada e mais reativa (estado de energia tríplice). 3). e b: a clorofila de carga tríplice também reage com oxigênio e produz um oxigênio reativo (oxigênio singlet). não podendo transferir o elétron ao centro de reação P680 (fotossistema II).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ocorre após o tratamento é devida a rompimentos na membrana dos pigmentos causados pela peroxidação de lipídios (ácidos graxos insaturados) da membrana (Fig. por esse motivo.Estrutura esquemática da membrana de um cloroplasto Fonte: Warren e Hess (1995) Quando a clorofila aceita um elétron.Características gerais dos inibidores do fotossistema II • • • • A taxa de fixação de CO2 pelas plantas sensíveis. declina poucas horas após o tratamento. aparecendo os sinais de necrose foliar (WELLER. 60 Módulo 3. Todos eles translocam-se nas plantas apenas via xilema.2. que é normalmente transferido para o centro de reação (P680). Na presença do herbicida. tratadas com esses herbicidas. Estes herbicidas não provocam nenhum sinal visível de intoxicação no sistema radicular das plantas. no estado de energia simples. a velocidade de absorção foliar é diferente para cada produto deste grupo. plantas perenes somente são eliminadas por esses herbicidas quando tratadas via solo. entretanto. a carga é repassada aos carotenóides. ela sai do estado neutro (sem carga) e vai para um estado de energia simples. Essas reações dão início ao processo de peroxidação das membranas. Esta clorofila não retorna ao estado anterior quando o fluxo de elétrons é interrompido pela ação do herbicida que se prendeu ao sítio da plastoquinona “Qb”. Essa molécula de oxigênio carregada contribui para o processo de formação dos radicais lipídicos nos ácidos graxos insaturados da membrana. Figura 3 . dado pelos carotenóides. 1995). para que a clorofila não se destrua. 4. é sobrepujado pelo excesso de clorofila no estado de alta energia. Aparentemente.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . o sistema de prote¬ção. Essa molécula de clorofila. Em casos nor¬mais. Esse excesso de energia (clorofila triple) causa o início da peroxidação de lipídios por dois mecanismos: a: formação direta de radical lipídico nos ácidos graxos insatura¬dos da membrana do cloroplasto. todos eles podem ser absorvidos pelas raízes.2 .2 .

Como exemplo. Na realidade. porque este produto é muito pouco móvel no perfil do solo. se o diuron for incorporado mecanicamente ao solo.este fato pode ser devido à anatomia e.2. Em geral. ou se for aplicado em solo de textura arenosa e com baixo teor de matéria orgânica. o diuron não causa intoxicação à cultura do algodão quando utilizado em pré-emergência. pode se verificar perda de seletividade do herbicida.Mecanismos de seletividade As causas pelas quais os herbicidas inibidores do fotossistema II são seletivos são diversas e variam de cultura para cultura (WELLER. Tem sido observado. ele poderá entrar em contato com o sistema radicular do algodão e causar severa intoxicação à cultura. inseticidas ou fungi¬cidas inibidores da colinesterase. estes herbicidas não apresentam problemas de deriva por volatilização. não atingindo o local de sua absor¬ção pela planta (sistema radicular). 1995). ainda. menor reserva de carboidratos. quando aplicadas diretamente no solo. Alguns herbicidas deste grupo apresentam seletividade “toponômica” ou seletividade por posição.3 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • • • • • • • • Quando esses herbicidas são usados em pós-emergência. Todavia. Apresentam pouca ou média mobilida¬de no perfil do solo. podendo ser curta para alguns produtos (< 30 dias) ou muito longa (> 720 dias) para outros. o aparecimento de novas espé¬cies de plantas daninhas resistentes a estes herbicidas (atuam em sítio de ação específico). também. as doses recomendadas. 4. torna-se necessário fazer rotação com outros herbicidas que apresentam mecanismo de ação diferente. o herbicida não será absorvido em quantidade suficiente para intoxicar a cultura. Absorção diferencial por folhas e raízes . podendo levá-la à morte. tem-se a seletividade do diuron para a cultura do algodão. de adição de adjuvante (estes produtos podem apresentar difícil penetração foliar e não são sistêmicos).2 . podendo garantir a seletividade de determi¬nadas espécies. com relativa freqüência. são variáveis para cada tipo de solo. necessita-se de boa cobertura foliar da planta e. Módulo 3. Todos os herbicidas inibidores do fotossistema II apresentam toxicidade muito baixa para mamíferos. Plantas que estão se desenvolvendo em condições de baixa lumino¬sidade são mais suscetíveis a esses herbicidas. Elas apresentam menor barreira cuticular à penetração dos herbicidas e. estes herbicidas são muito adsorvidos pelos colóides orgânicos e minerais do solo. Normalmente. ainda. Neste caso. ou. É comum ocorrer efeito sinérgico quando se aplicam inibidores do fotostema II em mistura com outros herbicidas. Neste caso. A persistência agronômica destes herbicidas no solo é extremamente variável.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 61 . pois possuem pressão de vapor muito baixa. morfologia das folhas e raízes e. Por este motivo. Por estas razões. ao tipo de formulação utilizado.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Translocação diferencial das raízes para as folhas - isto ocorre devido à presença de glândulas localizadas nas raízes e ao longo do xilema, que adsorvem estes produtos, impedindo que sejam translo¬cados até seus sítios de ação, localizados nos cloroplastos. Metabolismo diferencial - algumas espécies de plantas, em suas raízes ou em outras partes, possuem enzimas que são capazes de metabolizar as moléculas de determinados herbicidas, transformando-os rapida¬mente em produtos não-tóxicos para as plantas. Como exemplo, pode-se citar o milho e o sorgo, que apresentam em suas raízes teores elrvados de benzoxazinonas. Estes compostos podem promover rápida degradação da molécula de atrazine por meio de reações de hidroxilação, dealquilação, ou ainda a conjugação dessa molécula com polipetídeos naturais, tornando estas culturas tolerantes a este herbicida. Outro exemplo seria a seletividade da cultura de arroz ao herbicida propanil. Esta cultura apresenta concentrações de dez a trinta vezes da enzima arilacilamidase em realação às principais gramíneas infestantes do arroz. Elevadas concetrações da arilacilamidase, nas folhas de arroz, garantem a degradação do propanil antes que estes atinjam os cloroplastos (sítio de ação primário deste herbicida), o que não ocorre com as gramíneas infestantes dessa cultura. 4.2.4 - Caracterização de Alguns Herbicidas Inibidores do Fotossistema II Atrazine

O 6-cloro-N-etil-N’-(1-metiletil)-1,3,5-triazina-2,4-diamina (atrazine) apresenta solubilidade em água de 33 mg L-1, pka: 1,7, kow: 481; e koc médio de 100 mg g-1 de solo (Rodrigues; Almeida, 2005). É moderadamente adsorvido pelos colóides da argila e da matéria orgânica, tanto mais quanto maior o seu teor no solo; o processo é reversível, dependendo da umidade, da temperatura e do pH do terreno. É lixiviável, sendo comum ser encontrado nos solos cultivados em profundidade superior a 30 cm e também em águas subterrâneas. Sua degradação no solo é, em parte, microbiana, mas também química e física. Apresenta meia-vida no solo média de 60 dias e persistência média a longa nos solos nas doses recomendadas de 5 a 7 meses. Em solos tropicais e subtropicais sua persistência pode também ser maior que 12 meses se usado em doses elevadas em condições de pH do solo elevado, clima frio e seco. Em diversas regiões do Brasil, em campo, tem sido observada intoxicação da aveia semeada até 150dias após aplicação de atrazine na cultura do milho. É muito utilizado na cultura do milho, sendo, também, recomendado para cana-de-açúcar, café, fruteiras, cacau, pimenta-do-reino, etc. Fumo e trigo são muito sensíveis ao atrazine. Quando aplicado em pós-emergência, tem-se observado ótima eficiência de controle das plantas daninhas mesmo com a redução da dose aplicada. Todavia, para isso, é necessário adicionar à calda óleo mineral, sendo mais eficiente para controlar plantas daninhas recém-emergidas (plantas com 1-2 pares de folhas). É muito utilizado em misturas com outros herbicidas em culturas de milho, cana-de-açúcar, fruteiras e outras. As plantas de milho e sorgo possuem a capacidade de metabolizar o atrazine absorvido,
62 Módulo 3.2 - Herbicidas: classificação e mecanismos de ação

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

transformando-o por meio de reações de hidroxilação, dealquilação e conjugação, por ação de benzoxazinonas presentes nestas espécies, em compostos não-tóxicos. O atrazine é muito eficiente no controle de dicotiledôneas, porém apresenta eficiência apenas regular para controle de diversas monocotiledôneas. Na cultura do milho, é muito utilizado em pré-emergência, quando em mistura com o metolachlor, formando o “Primestra”, e também em pós-emergência precoce, quando em mistura com óleo mineral (Primóleo) para controle de dicotiledôneas e em mistura no tanque com o nicosulfuron ou outras sulfoniluréias (foramsulfuron + idosulfuron-methyl), em áreas com infestação mista (JAKELAITIS et al., 2005). Simazine

O 6-cloro-N,N`-dietil-1,3,5-triazina-2,4-diamina (simazine) apresenta solubilidade em água de 3,5 mg L-1, pka: 1,62, kow: 122; e koc médio de 130 mg g-1 de solo. É adsorvido pelos colóides da argila e da matéria orgânica e tanto mais quanto maior o seu teor no solo; o processo é reversível, dependendo da umidade, da temperatura e do pH do terreno. É pouco lixiviável, não sendo comum ser encontrado nos solos cultivados em profundidade superior a 10 cm. Sua degradação no solo é, em parte, microbiana, mas também química, ocorrendo hidrólise, com formação de hidroxisimazine e dealquilação do grupo amino. Apresenta persistência média no solo nas doses recomendadas de 5 a 7 meses em condições tropicais e subtropicais, podendo ser maior que 12 meses se usado em doses elevadas. Pode ser usado em pré-emergência das plantas daninhas nas culturas de café, cana-deaçúcar, alfafa, fruteiras, etc., para controle de dicotiledôneas e algumas gramíneas. Em doses maiores que 10kg ha-1 do p.c., pode ser usado usado para limpeza de cercas e áreas industriais. É absorvido basicamente pelo sistema radicular das plantas, sendo pouco móvel no solo. É utilizado em misturas com o atrazine, visando minimizar efeitos do clima, principalmente oscilações pluviais, e também para aumentar o espectro de controle de espécies de plantas daninhas. Ametryn

O N-etil-N`-1(metiletil)-6-(metiltio)-1,3,5-triazina-2,4-diamina (ametryn) apresenta solubilidade em água de 200 mg L-1; pka: 4,1; kow: 427; e koc médio de 300 mg-1 de solo. É medianamente lixiviável nos solos arenosos (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Sua degradação no solo é, em maior parte microbiana, mas também química, por processos de oxidação e hidrólise.
Módulo 3.2 - Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 63

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Apresenta persistência média no solo nas doses recomendadas de 4 a 6 meses em condições tropicais e subtropicais, podendo ser maior que nove meses se usado em doses elevadas, dependendo do clima e tipo de solo (meia-vida média no solo é de 60 dias). É reco¬mendado para as culturas de cana-de-açúcar, banana, café, abacaxi, citros, milho e videira, para controle de mono e dicotiledôneas. Pode ser absorvido facilmente pelas raízes e folhas de plantas. É pouco móvel no solo, por ser muito adsorvido por colóides orgânicos e minerais. Sua adsorção pelos colóides é muito influenciada pelo pH. Também pode apresentar adsorção negativa (dessorção), ocorrendo liberação para as plantas de moléculas anteriormente inativadas pelos colóides do solo. É muito utilizado em misturas com os herbicidas diuron, tebuthiuron, atrazine, trifolysulfuron-sodium, 2,4D, etc; principalmente quando recomen¬dado para de cultura da cana-de-açúcar (PROCÓPIO et al., 2003). É pouco lixiviado no solo, permanecendo na maioria das condições na camada superior (primeiros 30 cm). Prometryne

O N,N`-bis(1-metiletil)-6-(metiltio)-1,3,5-triazina-2,4-diamina (prometryne) apresenta solubilidade em água de 48 mg L-1; pka: 4,09; kow: 1.212; e koc médio de 400 mg g-1de solo. É pouco lixiviado em solos de textura média a argilosa, sendo facilmente degradado por microrganismos que o utilizam como fonte de energia. Apresenta persistência média no solo nas doses recomendadas de 1 a 3 meses em condições tropicais e subtropicais, dependendo das condições de solo, do clima e da dose utilizada. Sua absorção é feita pelas folhas e raízes, sendo mais utilizado em pré-emergência. É recomendado para as culturas de quia¬bo, aipo, cenoura, alho, salsa, cebola, ervilha, etc. A cultura da cebola apresenta maior tolerância ao prometryne quando este é aplicado antes do transplante. Não apresenta seletividade para a cultura da cebola em semeadura direta. Metribuzin

O 4-amino-6-(1,1-dimetiletil)-metiltio-1,2,4-triazina-5-(4H)-ona (metribuzin) apresenta solubilidade em água de 1.100 mg L-1; kow: 44,7; e koc médio de 60 mg g-1 de solo (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É moderadamente adsorvido em solos com alto teor de matéria orgânica e, ou, argila. É um herbicida muito dependente das condições edafoclimáticas para seu bom funcionamento. Quando aplicado na superfície de solo seco e persistir nesta condição por sete dias,
64 Módulo 3.2 - Herbicidas: classificação e mecanismos de ação

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

é desativado por fotodegra¬dação (SILVA, 1989). O metribuzin é também facilmente lixiviado no solo, não sendo recomendado seu uso em solo arenoso e, ou, com baixo teor de matéria orgânica. É absorvido tanto pelas folhas quanto pelas raízes. Controla diversas espécies de dicotiledôneas e algumas gramíneas. É recomendado para aplicação em pré-emergência nas culturas de batata, tomate, soja, café, cana-de-açúcar e mandioca para o controle de diversas infestantes dicotiledôneas. Não apresenta nenhum controle sobre Euphorbia heterophylla. Na cultura do tomate conduzida em semeadura direta, deve ser usado exclusivamente em pré-emergência, logo após a semeadura. No tomate transplantado, poderá ser usado também em pós-emergência, até dezdias após o transplante das mudas. É utilizado em misturas com outros herbicidas, especial¬mente com trifluralin e metolachlor, na cultura da soja. Linuron

O N-(3,4-diclorofenil)-N-metoxi-N-metiluréia (linuron) é um herbicida derivado do grupo das uréias, que apresenta solubilidade em água de 75 mg L-1, pka: zero; kow: 1.010; e koc médio de 400 mg g-1 de solo. É adsorvido principalmente em solos com alto teor de matéria orgânica e, ou, argila, sendo pouco lixiviável nestes tipos de solo, apresentando persistência de 2 a 5 meses. É recomendado para uso em soja, algodão, milho, batata, cenoura, rabanete, alho, cebola, etc., principalmente para aplicações em pré-emergência. Nas culturas de cenoura e de cebola, pode também ser usado em pós-emergência, quando as plantas daninhas estiverem com 1-2 pares de folhas. É mais facilmente absorvido pelas raízes, tendo a sua atividade muito influenciada pelas caracterís¬ticas físico-químicas do solo (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Diuron

O N`-(3,4-diclorofenil)-N,N-dimetiluréia (diuron) apresenta solubilidade em água de 42 mg L-1; pka: zero; kow: 589; e koc médio de 480 mg g-1 de solo e uma meia-vida média no solo de 90 dias com persistência de 4-8 meses (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É muito adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais, sendo sua atividade altamente influenciada pelas características físico-químicas do solo; por esta razão, é pouco móvel no perfil do solo. Esta característica garante a “seletividade toponômica” do diuron para o algodão e outras culturas em solos de textura média a pesada. Todavia, em solos de textura arenosa e com baixo teor de matéria orgânica, o diuron pode atingir o sistema radicular das culturas, tornando-as sensíveis. É recomendado para as culturas de algodão, cana-de-açúcar, citros, abacaxi, mandioca, seringueira, pimenta-do-reino, cacau, etc., para
Módulo 3.2 - Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 65

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

o controle de gramíneas e dicotiledôneas, sendo facilmente absorvido pelas raízes das plantas. O diuron, também, é muito recomendado em misturas com diversos herbicidas (paraquat, ametryn, 2,4-D, tebuthiuron, atrazine, MSMA, etc.), para uso em plantio direto, em aplicações dirigidas em diferentes culturas, em sistemas de plantio direto e convencional. Tebuthiuron

O N-[5-(1,1-dimetiletil)-1,3,4-tiadiazol-2-il]-N,N’-dimetiluréia (tebuthiuron) possui solubilidade em água de 2.570 mg L-1; pka: zero; kow: 671 e koc médio de 80 mg g-1 de solo. É adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais, apresentando média lixiviação no perfil do solo. Quando usado em doses elevadas em cana-de-açúcar, recomenda-se não cultivar culturas sensíveis ao tebuthiuron, como feijão, amendoim e soja por um período inferior a dois anos e a três anos quando aplicado em pastagem. A persistência do tebuthiuron em regiões de elevada precipitação pluvial é de 12 a 15 meses; todavia, esta persistência é muito maior em regiões sujeitas a déficits hídricos prolongados. No Brasil, é recomendado para uso em cana-de-açúcar, pastagens e áreas nãocultivadas. Controla largo espectro de dicotiledôneas e monocotiledôneas anuais e perenes. É formulado como pó-molhável e suspensão concentrada. É recomendado para uso em préemergência na cultura da cana-de-açúcar, em aplicação isolada ou em misturas com outros produtos para o controle de plantas daninhas de folhas estreitas e largas que se propagam por sementes (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Também pode ser usado para eliminar árvores ou arbustos em pastagens. Neste caso, apresenta efeito lento, podendo demorar de 3 a 12 meses para eliminar a planta. Bentazon

O 3-(1-metiletil)-(1H)-2,1,3-benzotiodiazinona-4(3H)-ona 2-dióxido (bentazon) apre-senta solubilidade em água de 500 mg L-1; kow: 0,35; e koc médio de 34 mg g-1 de solo. É adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais do solo, mostrando potencial de lixiviação muito reduzido, não sendo encontrado em profundidades superiores a 20 cm. Apresenta curta persistência no solo (inferior a 20 dias), não se observando efeito residual em culturas sucessoras (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É registrado no Brasil para as culturas de amendoim, arroz, feijão, milho, soja e trigo. É utilizado exclusivamente em pós-emergência, devido à reduzida absorção radicular. Recomenda-se adição de um adjuvante oleoso à calda, para lhe facilitar a absorção por algumas
66 Módulo 3.2 - Herbicidas: classificação e mecanismos de ação

Não se adiciona surfatante à calda. exceto para a cultura do feijão onde a adição do adjuvante não é recomendada pois pode causar fitotoxicidade.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas espécies de plantas daninhas. dicotiledôneas e ciperáceas. Contudo é totalmente ineficiente no controle de Euphorbia heterophylla e Amaranthus sp. fitossanitárias ou cobertas de orvalho. Deve ser usado em aplicações seqüenciais com inseticidas: com os organofosforados observar intervalo mínimo entre as aplicações de 15 dias e. Não atua sobre gramíneas. em um intervalo de três dias. -1 Módulo 3. Não utilizá-lo em lavouras onde as sementes foram tratadas com carbofuran (RODRIGUES. o uso de óleo mineral torna-se mais necessário. Bidens pilosa. primeiro o graminicida e. Rhaphanus raphanistrum. 30 dias. Controla diversas espécies de folhas largas anuais. Deve ser aplicado com as plantas daninhas com bom vigor vegetativo. além de outras. visto que são comuns as combinações com graminicidas pós-emergentes. Commelina benghalensis.2 . É recomendado em pós-emergência da cultura do arroz e das plantas daninhas. kow: 193. É muito comum o uso do propanil em mistura com outros herbicidas. quando a infestação do terreno incluir espécies que lhe são tolerantes. A aplicação simultânea induz efeito antagônico. o bentazon. umidade relativa do ar inferior a 70% e excesso de chuva. Deve ser aplicado sobre plantas daninhas no estádio de 2 a 4 folhas. com estas. É fracamente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais. razão pela qual. ou com a cultura em precárias condições vegetativas. evitando períodos de estiagem. para assegurar sua absorção pelas plantas. ALMEIDA. preferencialmente. É compatível com a maioria dos herbicidas. com herbicidas recomendados para controlar plantas daninhas de folhas largas. Ipomoea grandifolia. no tanque. nestas condições. pois inibem a enzima arilacilamidase responsável pelo rápido metabolismo do propanil nas plantas de arroz. preferencialmente. Requer um período de seis horas sem chuva.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 67 . inseticidas e fertilizantes foliares podem quebrar-lhe a seletividade para a cultura do arroz.4-diclorofenil) propanamida (propanil) apresenta solubilidade em água de 500 mg L . Apresenta persistência muita curta no solo. Todavia. 2005). visando aumentar o espectro de controle das plantas daninhas. É comum ser utilizado em mistura. entre elas Acanthospermum australe. estando estas com bom vigor vegetativo. Propanil O N-(3. as misturas com fungicidas. no início do desenvolvimento (2 a 3 folhas). de apenas três dias. A eficácia é maior a temperaturas altas e reduz quando abaixo de 16 oC. evitando períodos de estiagem e umidade relativa do ar inferior a 60%. pka: zero. após as aplicações. sendo decomposto basicamente por microrganismos. para os carbamatos. horas de calor. aplica-se. no inverno. Controla com eficiência diversas espécies de gramíneas. e koc médio de 149 mg g-1 de solo.

• Há muito pouca ou praticamente nenhuma translocação nas plantas tratadas. • A atividade herbicida acontece na presença da luz. • A toxicidade para pássaros e mamíferos é baixa. ou seja. pelos caules e pelas folhas de plantas jovens. dando a impressão de que estão encharcadas pelo rompimento da membrana celular e 68 Módulo 3. • A ação tóxica dos herbicidas inibidores da Protox. 1995) são: • Herbicidas deste grupo podem penetrar pelas raízes. se manifesta nas plantas próximo da superfície do solo.2 . • São poucos os relatos na literatura sobre o aparecimento de plantas daninhas que adquiriram resistência a estes herbicidas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4.Herbicidas inibidores da Protox 4. para que ela seja efetivamente controlada. no escuro.3 . os herbicidas deste grupo não têm ação. que pode variar com a dose aplicada. Como estes herbicidas não se movimentam dentro da planta. • Os difeniléteres são fortemente adsorvidos pela matéria orgânica do solo e muito pouco lixiviados. Principais características As principais características dos herbicidas inibidores da Protox (WARREN. Os primeiros sintomas são manchas verde-escuras nas folhas. as necroses foliares têm o formato e a intensidade das gotículas de pulverização. em razão da maior sorção destes aos colóides do solo. tipo de solo e condições climáticas. podendo variar de alguns dias a vários meses. durante a emergência das plântulas • A incorporação ao solo diminui a ação destes herbicidas. É comum ocorrer danos em culturas sucedâneas quando não se observa o período residual recomendado. É preciso que haja boa cobertura da planta. após 4-6 horas de luz solar.1. em decor¬rência do uso repetido destes.3. • As partes tratadas da planta que são expostas à luz morrem rapidamente (dentro de um a dois dias). quando aplicados em préemergência. enquanto para peixes ela varia de baixa a moderada. 4. • A persistência no solo varia consideravelmente entre os herbicidas deste grupo.Mecanismo de ação A atividade destes herbicidas é expressa por necrose foliar da planta tratada em pósemergência. HESS.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .3.2 .

precursor da protoporfirina IX. outras publicações comprovaram que o pigmento envolvido era a protoporfirina IX. tratando-se cloroplastos com um herbicida do grupo difenil-éter. Experiências realizadas por vários autores mostraram que o uso de um herbicida inibidor do transporte de elétrons na fotossíntese (diuron). Finalmente. Em seguida. No período de 1988-89. Módulo 3. um precursor da clorofila. em tecidos tratados com os difeniléteres. sai do centro de reação do cloroplasto quando a Protox é inibida e se acumula no citoplasma. 4A). Similarmente à aplicação pósemergência. Estas experiências demonstraram que o requerimento de luz para a atividade herbicida dos difeniléteres não está relacionado com a fotossíntese. o sintoma característico é a necrose do tecido que entrou em contato com o herbicida (WARREN.2 . A protoporfirina IX formada no citoplasma.6-dioxoheptanóico) serviam de proteção contra os difeniléteres. Esse pigmento interage com o oxigênio e a luz para formar o oxigênio singleto (O2). Foi mostrado que a protoporirina IX é acumulada fora dos plastídios.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas derramamento de líquido citoplasmático nos intervalos celulares (Fig. Primeiramente foi mostrado que. conhecida simples¬mente pela abreviatura Protox. surgiram vários trabalhos que ajudaram no entendimento do mecanismo de ação desses herbicidas. Quando estes herbicidas são usados em pré-emergência. Foi descoberto também que substâncias capazes de inibir a síntese da protoporfirina IX (gabaculina.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 69 . ácido 4. A oxidação enzimática ocorre então no citoplasma. ácido levulênico. a luz é sempre necessária para a ação herbicida. Ficou então uma questão crucial para ser respondida: se a Protox é inibida. houve a formação de grande quantidade de oxigênio singleto (O2). o tecido é danificado por contato com o herbicida. Figura 4 – Sintomas de intoxicação em plantas de pepino tratadas com fomesafen (A) e efeito residual no solo (carryover) em folhas de milho (B) Após a absorção e pequena translocação destes herbicidas até o local de ação. não reduziu o dano ocasionado pela aplicação de um difeniléter. reconhecidamente capaz de iniciar o processo de peroxidação de lipídios. como é que a protoporfirina IX estaria sendo acumulada? Num trabalho de 1993. e o produto formado não serve de substrato para a enzima Mg-quelatase. 1995). foi mostrado que a enzima inibida pelos herbicidas do grupo dos difeniléteres era a protoporfirinogênio oxidase. ou mesmo de um mutante de planta amarelo (não-fotossintetizante). sem Mg. responsável pela formação da Mg-protoporfirina IX. no momento em que a plântula emerge. A estes sintomas iniciais segue-se a necrose. HESS. foi verificado que o protoporfirinogênio IX.

daí o aparecimento de necroses de forma tão rápida (4-6 horas). a síntese de heme é também inibida. A acumulação rápida da protoporfirina IX sugere um descontrole na rota metabólica de síntese desta. evitando períodos de estiagem. RODRIGUES. a saída para o citoplasma. provoca níveis elevados de porfirina. É recomendado para uso em pós-emergência das plantas daninhas estando estas no estádio de 2 a 4 folhas. por exemplo. A explicação mais plausível é a inibição da síntese do grupo heme. A acumula¬ção de protoporfirina em células humanas é conhecida por estar associada com algumas doenças.2 . 4. deixando de haver o controle sobre a síntese de ALA. As conseqüências do descontrole são o aumento rápido do protoporfirinogênio IX. Deve-se adicionar à calda o adjuvante recomendado pelo fabricante. a partir do glutamato. 1995). 2005). entre elas Acanthospermum australe. O grupo heme é conhecido pela ação de controle na síntese do ácido aminolevulínico (ALA). além de outras. variando de dois a seis meses (ALMEIDA. e koc médio de 60 mg g-1 de solo. a formação da protoporfirina IX. Persistência alta no solo na dose recomendada. Euphorbia heterophylla. quando adicionado na dieta de ratos. a oxidação pela Protox no citoplasma. Bidens pilosa. horas de muito calor e umidade relativa do ar inferior a 60%. O padrão de acumulação é o mesmo observado na doença Porfiria variegata. Com a inibição da protox no cloroplasto. Recomenda-se observar um intervalo mínimo de 150 dias entre a aplicação do fomesafen e a semeadura de milho e. precursor na planta dos citocromos. Controla grande número de espécies de folhas largas anuais. que é sintetizado a partir da protoporfirina IX com a interferência da Fe quelatase.Caracterização de alguns herbicidas inibidores da PROTOX Fomesafen O 5-(2-cloro-4-(trifluorometil) fenoxi-N-(metilsulfonil)-2-nitrobenzamida (fomesafen) apresenta solubilidade em água de 50 mg L-1 (ácido). o aparecimento do oxigênio singleto (forma reativa do oxigênnio) e a peroxidação dos ácidos graxos insaturados da plasmalema (WARREN. kow: 794.3 . Vale a pena salientar que a enzima protoporfirinogênio oxidase (protox) ocorre também nos mitocôndrios de células animais e que a enzima encontrada nos mitocôndrios é mais sensível aos herbicidas difeniléteres do que a enzima encontrada nos cloroplastos.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . É registrado no Brasil para as culturas de soja e feijão. sorgo. Amaranthus hybridus. Deve ser aplicado com as plantas daninhas com bom vigor vegetativo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas interage com o oxigênio e a luz para formar o oxigênio singleto (‘O2) e iniciar o processo de peroxidação dos lipídios da plasmalema. como a protoporfiria. Oxadiazon. Requer uma hora sem 70 Módulo 3. Ipomoea grandifolia.83. HESS. Esse fato sugere um manuseio bem cuidadoso desses herbicidas.3. ou. Uma explicação final deve ser dada sobre o fato de que a protopor¬firina IX se acumula muito rapidamente em células de plantas tratadas com um difeniléter ou oxadiazon. pka: 2.

ambas anuais. esta. dependendo da exigência da cultura.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 71 . apresentando muito baixa lixiviação no perfil do solo (ALMEIDA.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ocorrência de chuvas após a aplicação. com clorose e necrose foliar e redução e crescimento. é resistente à lixiviação no perfil do solo. cana-de-açúcar. RODRIGUES. É utilizado em pré e pós emergência precoce. por isso. eucalipto e pinho. É registrado no Brasil para as culturas de algodão.1 mg L-1. Oxyfluorfen O 2-cloro-1-(3-etoxi-4-nitrofenoxi)-4-(trifluorometil)benzeno (oxyfluorfen) apresenta solubilidade em água < 0. mas a cultura se recupera. O lactofen tem meia-vida no solo de três dias sendo completamente dissipado em menos de 30 dias. É registrado no Brasil para as culturas de soja. kow: 29. como Euphorbia heterophylla. devido às condições de umidade e sombreamento (ALMEIDA. Apresenta meia-vida de 30 a 40 dias e persistência média de seis meses no solo. É fortemente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais e. Commelina benghalensis. É comum ser utilizado em mistura com o fluazifop-p-butil. É comum ser utilizado em mistura no tanque com outros herbicidas. sendo utilizado em outros países. Sua degradação no solo é essencialmente por fotólise e insignificante por microrganismos. Controla grande número de espécies de folhas largas anuais. Lactofen O 2-etoxi-1-metil-2-oxoetil-5-[2-cloro-4-(trifluorometil)fenoxi-2-nitrobenzoato (lactofen) apresenta solubilidade em água de 0. também. 2005). Controla gramíneas e algumas espécies de dicotiledôneas. citros. também. para assegurar a absorção pelas plantas daninhas. arroz. visando aumentar espectro de controle de plantas daninhas.000 mg g-1de solo. arroz e amendoim. café.400. milho e amendoim. pka: zero e koc médio de 10. pka: zero.000 mg g-1de solo. Sida rhombifolia. nas culturas de nogueira. não afetando as culturas em sucessão. incluindo algumas espécies-problema. videira. É recomendado para uso em pós-emergência das plantas daninhas. para o controle em pós-emergência de plantas daninhas dicotiledôneas e gramíneas e também com outros herbicidas. podendo. além de outras. É fortemente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais. no estádio de 2 a 4 folhas. Em Módulo 3. e koc médio de 100.2 . para inibir o aparecimento de biótipos resistentes a herbicidas. 2005).1 mg L-1. O produto provoca intoxicação à cultura da soja. RODRIGUES. visando aumentar o espectro de controle de plantas daninhas de folhas largas e. ser ainda maior em viveiros.

antes da emergência das plantas daninhas. podendo se reaplicar depois que as referidas culturas atinjam a fase de três folhas. do tipo de solo e das condições climáticas (RODRIGUES. alho. Em viveiros. em pré-emergência das plantas daninhas. em aplicação dirigida. aplica-se logo após o plantio. deve ser aplicado em préemergência das plantas daninhas. se necessário. kow: 63. ALMEIDA. exige umidade no solo no momento da aplicação para penetrar neste. No Brasil. em solo úmido. por esta razão e devido à sua baixa solubilidade em água. Em arroz irrigado. pouco móvel. cenoura e cana-de-açúcar. Em cafezais adultos. Em plantações de eucalipto e pinho. Não tem ação sobre os tecidos radiculares.2-dicloro-5(1-metiletoxi)fenil]-5-(dimetietil)-1. em solo úmido. é usado quando a cultura atinge desenvolvimento superior a 50 cm de altura. Usar. na faixa de plantio. recomenda-se usar adjuvantes na calda. Em algodão. também.7 mg L-1 . após a rega. Quando usado em pós-emergência.100. Em cafezais jovens. em préemergência das plantas daninhas. em pré-emer¬gência das plantas daninhas. as culturas que se reproduzem por bulbo são bastante tolerantes ao oxadiazon. Não é metabolizado nas plantas. é utilizado em pré-emergência das plantas daninhas. com as plantas daninhas ainda não emergidas.2 . de forma a não atingir a folhagem. em jato dirigido. pka: zero. em que se faz em jato dirigido. aplica-se logo após a semeadura ou até cinco dias depois. Nestas culturas deve ser utilizado em pré-emergência. podendo ser pulverizado sobre as plantas. Na cultura do arroz. ocasionando colapso das células. Aplicar após o cultivo. Em cana-de-açúcar. evitando a ação dos raios solares. Em préemer¬gência. 2005).200 mg g-1 de solo. dependendo da dose aplicada. age sobre o hipocótilo das plantas em germinação e nos meristemas foliares. atuando unicamente sobre órgãos da parte aérea. preferencialmente. podendo ser feitas duas aplicações anuais. de forma a não atingir o algodoeiro. na cana-soca. no máximo. de maneira geral.3. quando usado em pré emergência. é utilizado tanto em viveiros quanto em cafezais jovens e adultos. Em cenoura. aplicá-lo em mistura com o MSMA. Em café. ou. deve ser aplicado logo após a arruação ou esparramação. também em pré72 Módulo 3.4-oxadiazol-2-(3H)-ona (oxadiazon) apresenta solubilidade em água de 0. porém antes da emergência do arroz. quando estas atingirem a fase de duas folhas. provoca o fechamento dos estômatos e deterioração das membranas celulares. deve ser aplicado logo após a semeadura. É fortemente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais do solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas razão da sensibilidade à fotodecomposição. com elas mais desenvolvidas. é recomendado para as culturas de arroz. exceto nas variedades de eucalipto de folha pilosa. apresenta lixiviação e movimentação lateral insignificantes. e koc médio: 3. pode ser usado em pré ou pós-emergência das plantas daninhas. O alho e a cebola e. logo após o plantio. cebola. Sua persistência no solo é de dois a seis meses. Quando utilizado em pós-emergência. aplica-se logo após o plantio.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . logo após o corte. Oxadiazon O 3-[4. sendo pouco absorvido pelo sistema radicular e. protetores de bicos. e.

etc. a formação do fuso cromático e movimentação dos cromossomas na fase da mitose (Figs. São eficientes apenas quando usados em pré-emergência.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas emergência das invasoras.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 73 . conseqüentemente. e responsáveis pela movimentação dos cromossomas para os pólos da célula. semelhantemente à actimiosina encontrada nos músculos dos animais. Apresentam ótima ação no controle de gramíneas. Módulo 3. Eles provocam a ruptura da seqüência mitótica (prófase > metáfase > anáfase > telófase) já iniciada (HESS. 4. 1995b). Todos os herbicidas deste grupo apresentam de moderada a baixa toxicidade para mamíferos.4. tendo como conseqüência o aparecimento de células multinucleadas (aberrações). ametryn.2 .4 . O efeito direto é sobre a divisão celular.Herbicidas inibidores do arranjo dos microtúbulos 4. Interferem em uma das fases da mitose. Apresentam de moderada a muito baixa movimentação no solo. porque a sua ação principal se manifesta pelo impedimen¬to da formação do sistema radicular das plantas. É comum aplicar o oxadiazon em misturas com herbicidas residuais (diuron.Mecanismo de ação Estes herbicidas pertencem ao grupo das dinitroanilinas (trifluralin. 5 e 6). Possuem pouca ou nenhuma atividade foliar. Repetidas aplicações não resultam na maior degradação microbioló¬gica. 4. O fuso cromático é formado por proteínas microtubulares denominadas tubulinas. Todos estes compostos (grupo das dinitroanilinas) interferem no movimento normal dos cromos¬somas durante a seqüência mitótica.4.1 .) na cultura de cana-de-açúcar.Principais características • • • • • • Paralisam o crescimento das raízes. simazine. que corresponde à migração dos cromossomas da parte equatorial para os pólos das células. Estes herbicidas inibem o crescimento da radícula e a formação das raízes secundárias. As dinitroanilinas inibem a polimerização destas proteínas e.2 . pendimethalin e oryzalin). Estas proteínas são contráteis.

em solos ricos em matéria orgânica.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . sensível à luz e de solubilidade em água extremamente baixa (0. cucurbitá¬ceas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 5 . ALMEIDA.Seqüência normal da mitose Figura 6 .6-dinitro-N-N-dipropil-4-(trifluorometil) benzoamina (trifluralin) é um herbicida que apresenta excelente ação sobre as gramíneas anuais e perenes oriundas de sementes.1x10-4 mm Hg a 25 °C). feijão. e outras. a forte adsorção pode impedir a absorção 74 Módulo 3. cebola. algodão.3 . alfafa. É fortemente adsorvido pelos colóides da matéria orgânica e pouco pelos da argila. Por ser um produto volátil (pressão de vapor de 1. sendo recomendado para as culturas de soja.Caracterização de alguns herbicidas inibidores dos microtúbulos Trifluralin O 2. tomate. ervilha.Mitose interrompida pela ação de herbicidas derivados das dininitoanilinas 4. pimentão. brássicas.4. quiabo. beterraba. 2005).3 mg L-1 a 25 °C). necessita ser incorporado mecanicamente ao solo logo após a sua aplicação (RODRIGUES. alho.2 .

É um herbicida de média volatilidade (pressão de vapor de 9. É absorvido principalmente pela radícula e praticamente não se transloca na planta.6-dinitrobenzenoamina (pendimethalin) é registrado no Brasil para controle de gramíneas nas seguintes culturas: algodão. feijão.5. Pendimethalin O N-(1-etilpropil)-3. a dose aplicada e as condições climáticas (RODRIGUES. 1998). arroz. por causa do uso extensivo em soja e milho. amendoim. kow: 118.1 .000. Apesar do uso contínuo por tantos anos. As princi¬pais características dos herbicidas do grupo das cloroacetamidas são: Módulo 3. 1995). Sua persistência no solo varia de 3 a 6 meses de acordo com o solo. Não há relatórios também sobre aumento de biodegradação no solo. Apre¬senta degradação lenta no solo.4x10-5 mm Hg). milho. O pendimethalin apresenta solubilidade de 0. motivo pelo qual não é aconselhável seu uso nestas condições. ALMEIDA. motivo pelo qual a incorporação é recomendável em condições de solo seco e com período de estiagem.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 75 . depois do glyphosate é o grupo de herbicida mais utilizado. cana-de-açúcar. desde o lançamento do primeiro herbicida desse grupo. e koc médio de 17. A lixiviação. causar danos à cultura sucessora. não existem ainda relatos do aparecimento de gramí¬neas que tenham adquirido resistência a esses herbicidas. Nos Estados Unidos da América do Norte. Apresenta pka: zero.5 . podendo. pka zero. por esta razão.Inibidores da síntese de ácidos graxos de cadeias muito longas (VLCFA) 4.. em 1954 (CDAA) (SLIFE. provocando inibição do crescimento radicular desta (SILVA et al.000 mg g-1 de solo. alho. É fortemente adsorvido pelos colóides do solo. e koc médio de 7. 2005). café.4-dimetil-2. é muito reduzida. em alguns casos de rotação de culturas (feijão/milho) em áreas de baixa fertilidade e mal manejadas. A dose recomendada varia de acordo com as características fisico-químicas do solo. sua lixiviação é muito baixa e as doses recomendadas se dão em função das características físico-químicas do solo. tabaco e trigo.3 mg L-1.000. kow: 152. 4.Principais características As cloroacetanilidas têm sido um dos grupos de herbicidas mais usados no mundo. assim como o movimento lateral no solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas do trifluralin pelas raízes das plantas. soja. cebola.2 .200 mg g-1 de solo. sensível à luz e pouco móvel no solo. É recomendado para uso em pré emergência da planta daninha e da cultura ou em PPI.

A mobilidade no solo varia entre os herbicidas deste grupo e depende das condições de umidade e do teor de matéria orgânica do solo. pássaros e mamíferos é muito baixa. as sementes iniciam o processo de germinação. é muito difícil o estudo de translocação. As cloroacetanilidas apresentam normalmente pressão de vapor de média a alta.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . e. naturalmente sensível a eles. o algodoeiro). o mecanismo bioquí¬mico primário de ação das cloroacetanilidas ainda não é bem conhecido. Em razão de os efeitos desses herbicidas estarem ligados somente as plântulas. Os dados existentes indicam translocação muito pequena. pelo fato de não terem ação pós-emergente. porém. A hipótese mais aceita atualmente é a inibição de ácidos graxos de cadeias muito longas. mas. Exemplo deste uso é a proteção do sorgo contra cloroacetanilidas. possibili¬tando a utilização desses herbicidas nesta cultura. as cloroacetanilidas podem auxiliar no controle de dicotiledôneas. O maior uso das cloroacetanilidas está ligado ao controle. é um dos grupos mais estudados e com o qual mais se têm usado os protetores de herbicida. Cada cloroacetanilida que apareceu no mercado depois do herbicida CDAA apresentou características um pouco diferentes das outras. exibem crescimento anormal. logo após a emergência. Em combinação com outros herbicidas. o efeito inibitório causado pelo alachlor é maior sobre as raízes. 1995). quando o fazem. ciperáceas mostram inibição da parte aérea. 4. Muitos efeitos diferentes sobre vários processos bioquímicos já foram mostrados. em préemergência. o controle não é consistente.Mecanismo de ação das cloroacetanilidas Apesar de ter sido estudado extensivamente. isoladamente. Em áreas tratadas com cloroacetanilidas. de espécies daninhas gramíneas e comelináceas. De modo geral. o efeito residual no solo tem aumentado e a dependência dos fatores do solo tem diminuído.2 . Há relatórios que as relacionam com a inibição da divisão celular e interferência com controle hormonal (SLIFE. mas não chegam a emergir. não há registros de problemas com deriva. ácidos graxos. As cloroacetanilidas são aparentemente absorvidas pelas raízes (dicotiledôneas) e pelas partes acima da semente epicótilo (principal¬mente gramíneas). A toxicidade das cloroacetanilidas a peixes.2 . em dicotiledôneas (por exemplo. as doses têm sido reduzidas. De maneira geral.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • • • • • • • • Controlam plântulas de muitas espécies de gramíneas anuais e algumas dicotiledôneas antes da emergência ou mesmo plantinhas. 76 Módulo 3. As cloroacetanilidas estão relacionadas com a inibição da sín¬tese de lipídios. flavonóides e proteínas. as cloroacetanilidas apresentam de baixa a média mobilidade nos solos.5. Gramíneas mostram inibição da emergência da primeira folha do coleóptilo. Devido a problemas de tolerância. terpenos.

Em café novo ou recepado. Pelo menos “in vitro”. As cloroacetanilidas podem também alquilar aminoacil tRNAs específicos e. inibir a síntese de proteínas. ALMEIDA. Os efeitos das cloroacetanilidas sobre a síntese de gorduras podem ser atribuídos à interferência no metabolismo da CoA. não se deve utilizá-lo em solos arenosos. As cloroacetanilidas são conhecidas como agentes alquilantes e podem agir alquilando nucleófilos biológi¬cos.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 77 . em condições de alta infestação de Brachiaria plantaginea. é comum misturá-lo com atrazine ou cyanazine. sendo este transferido (por exemplo. Apresenta solubilidade em água de 242 mg L-1. amendoim e girassol. possuindo média a baixa mobilidade no solo e persistência de 6 a 20 semanas. ácidos graxos. estando o solo com boas condições de umidade. Quando aplicado em solo seco. com isso. podendo ser misturado com ametryn. Em algodão.5. diuron ou atrazine.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A maioria dos efeitos bioquímicos e fisiológicos relatados sobre o modo de ação destes herbicidas pode ser interpretada com base na inibição da síntese de proteínas. Richardia brasiliensis ou Sida sp. exceto em solos arenosos e. mistura-se com metribuzin. 4. pode-se cultivar milho. Em café. o grupo amino do metionil-tRNA inicial). logo após a semeadura da cultura. etc. e koc médio de 120 mg g-1 de solo (RODRIGUES. ou. É adsorvido pelos colóides do solo. kow 794. antes da emergência das plantas daninhas. soja ou amen¬doim no terreno tratado. já foi mostrado que o herbicida alachlor é capaz de alquilar CoA. Em soja. com baixo teor de matéria orgânica. deve ser utilizado logo após o plantio. Em cana-de-açúcar.6-dietil-N-(metoximetil)acetanilida (alachlor) é recomendado para controle de diversas espécies de gramíneas e comelináceas.2 . incluindo lipídios. Em milho. se não chover no prazo de até cinco dias. aplicá-lo após a arruação ou esparramação.3 . pka: zero. sendo esta enzima o ponto de começo de muitas rotas metabólicas. 2005). recomenda-se a mistura com graminicidas ou aplicação em seqüência ao trifluralin incorporado.Características de algumas cloroacetanilidas Alachlor O 2-cloro-2. A retirada do nucleófilo pode acontecer entre o halogênio das cloroacetanilidas e o nucleófilo. Módulo 3. variável com o tipo de solo e as condições climáticas. sendo usado em pré-emergência. a eficácia do produto reduz. se a infestação for de Bidens pilosa.. terpenos.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas S-metolachlor O 2-cloro-N-(2-etil-6-metilfenil)-N-[(1S)-2-metoxi-1-metiletil)]acetanilida (s-metolachlor) é registrado no Brasil para cana-de-açúcar. Apresenta solubilidade em água de 488 mg L-1. milho e soja. cyanazine. livre de torrões. é largamente utilizado em mistura com o atrazine. ou. etc. Em feijão. mas no prazo máximo de três dias após a ultima gradagem. é essencial que sua aplicação seja feita antes da completa emergência das plantas. Controla essencialmente gramíneas anuais e algumas perenes de reprodução seminal. kow: 3. sendo comum a mistura com outros herbicidas. as comelináceas e um número reduzido de latifoliadas. Pelo fato de sua absorção ser quase total pelo coleóptilo das gramíneas e pelo epicótilo das dicotiledôneas.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . Devido à sensibilidade do s-metolachlor. logo depois do plantio. Em cana-de-açúcar. feijão. não deve ser utilizado em solos arenosos. sua lixiviação é fraca a moderada. É adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais do solo. sendo pouco lixiviado.2 . A terra deve estar bem preparada. sendo usado em outros países. por esta razão. 78 Módulo 3. Para aumentar o espectro de ação sobre estas espécies. deve ser aplicado logo após a arruação e. entre outros. antes da emergência das plantas daninhas e da cultura. como atrazine. É sorvido pelos colóides de argila e matéria orgânica. das condições climáticas e do tipo de solo. é comum misturá-lo com latifolicidas. também. Em razão de sua absorção foliar ser quase nula. Em milho. dependendo da dose utilizada. apresentando persistência de 8 a 12 semanas. sorgo e plantas ornamentais. para culturas de amendoim. restos de culturas e em boas condições de umidade. podendo ser misturado. a sua eficácia ficará comprometida se aplicado em solo seco e não ocorrer uma chuva de intensidade superior a 10mm no espaço de cinco dias (RODRIGUES. por provocar inoxicação à cultura. batata.05. esparramação. exceto em solos arenosos. e koc médio de 200 mg g-1 de solo. ALMEIDA. recomenda-se sua aplicação logo após a semeadura. Em milho. à fotodegradação e à volatilização. metribuzin. pka: zero. Acetochlor O 2-cloro-N-(etoximetil)-N-(2-etil-6-metilfenil) acetanilida (acetochlor) é recomendado para uso em pré-emergência das plantas daninhas. pka zero e kow 300. 2005). Em café. girassol. é utilizado apenas em pré-emergência das plantas daninhas. Apresenta solubilidade em água de 223 mg L-1. usa-se em cana-planta. devendo ser aplicado em seguida à semeadura.

com baixo teor de matéria orgânica. a morte das plantas devido à ação destes herbicidas é tão rápida na presença da luz que não dá tempo de eles se translocarem na planta. Em soja. Este composto e os superóxidos. O local de captura dos elétrons está próximo a ferredoxina e sua velocidade de ação depende da intensidade luminosa.6. A ação destes herbicidas é muito mais rápida na presença da luz do que no escuro. verifica-se severa injúria nas folhas das plantas tratadas (necrose do limbo foliar). Estes compostos possuem a capacidade de captar elétrons provenientes da fotossíntese (no fotossistema I) e formarem radicais livres. Vale ressaltar que este não é o único sítio de ação destes herbicidas.6 . Durante o processo de auto-oxidação são produzidos radicais de superóxidos.Herbicidas Inibidores do Fotossistema I São herbicidas derivados da amônia quaternária (paraquat e diquat). podendo ser misturado. também. para formarem o peróxido de hidrogênio. estes herbicidas capturam os elétrons provenientes da respiração. São cátions fortes.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 79 . na presença de Mg. 4. Nesta condição. 4. 4. sendo largamente utilizados como dessecantes no “plantio direto”. com metribuzin. 1995a).Mecanismo de ação Poucas horas após a aplicação destes herbicidas. Estes radicais são instáveis e rapidamente sofrem a auto-oxidação. Estes radicais livres formados pelos herbicidas paraquat e diquat não são os agentes responsáveis pelos sintomas de intoxicação observados. aplica-se logo após a semeadura. exceto em solos arenosos e. Módulo 3. em aplicações dirigidas em diversas culturas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas com atrazine ou cyanazine.Características gerais • • • • • • • São altamente solúveis em água e. A toxicidade do diquat é alta e a do paraquat é muito alta. São rapidamente absorvidos pelas folhas. na presença de luz. porque pequena atividade destes produtos é observada. Esta substância promove a degradação rápida das membranas (peroxidação de lipídios). entre outros. como dessecantes. produzindo radicais hidroxil. WARREN. antes da emergência das plantas daninhas e da cultura. também. no escuro. São rapidamente adsorvidos e inativados pelos colóides do solo. os quais sofrem o processo de dismutação. formulados em solução aquosa. (WELLER.6.2 . para formarem os radicais tóxicos. Usualmente. para mamíferos. em várias partes do mundo e.1 . reagem. ocasionando o vazamento do conteúdo celular e a morte do tecido. chuvas após 30 minutos de sua aplicação não mais influenciam a eficiência de controle das plantas daninhas. em pré-colheita para diversas culturas.2 . ou. por isso.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

4.6.3 - Principal herbicida do grupo Paraquat

O 1,1’-dimetil-4,4’-dicloreto de piridilio íon (paraquat) é um herbicida altamente solúvel em água (620.000 mg L-1); pka: zero; kow: 4,5; e koc estimada de 1.000.000 mg g-1 de solo. É inativado ao entrar em contato com o solo, por completa adsorção do cátion à argila. Esta ocorre devido à dupla carga positiva da molécula do paraquat, formando complexos com os locais de carga negativa, de onde não é removido mesmo com lavagens de solução saturada de sais, só sendo recuperado por fragmentação da argila com ácido sulfúrico 18 N. Por esta razão, sua lixiviação é nula e sua decomposição microbiana no solo é muito lenta. O paraquat pode ser usado para: • • • • • Dessecante em “plantio direto”. Para este fim, o paraquat é muito utilizado em mistura com o diuron, formando o Gramocil. Em pré-emergência de culturas, porém em pós-emergência das plantas daninhas. Aplicações dirigidas em culturas de milho, algodão, café, fruteiras e outras. Dessecante, em pré-colheita, para diversas culturas, visando viabilizar colheita mecânica e melhor qualidade fisiologia de sementes (DOMINGOS et al., 2001). Para limpeza de áreas não-cultivadas.

4.7 - Herbicidas inibidores da acetolactato sintase Os herbicidas derivados das sulfoniluréias, comercializados pela primeira vez em 1982, apresentam alto nível de atividade em doses muito pequenas. Atualmente, há vários herbicidas deste grupo no mercado. Através de pequenas modificações na estrutura química, a seletividade pode ser alterada de uma cultura para outra. Exemplos de culturas que são tolerantes a um ou mais herbicidas desse grupo químico são trigo, soja, arroz, milho, feijão, batata, beterraba, algodão, coníferas, canade-açúcar, etc. As sulfoniluréias inibem a síntese dos chamados aminoácidos ramificados (leucina, isoleucina e valina), através da inibição da enzima Aceto Lactato Sintase (ALS); esta inibição interrompe a síntese protéica, que, por sua vez, interfere na síntese do DNA e no crescimento celular. As plantas sensíveis tornam-se cloróticas, definham e morrem, no prazo de 7 a 14 dias após o tratamento. Essa enzima é inibida, também, pelos herbicidas dos grupos químicos imidazolinonas, triazolopyrimidines ou sulfonamidas e pyrimidinyl-oxybenzoatos (THILL, 1995; THILL, 2003a; BRIDGES, 2003c). Apesar do pouco tempo de uso, a literatura já registra muitas espécies de plantas daninhas que desenvolveram resistência aos inibidores da ALS.

80

Módulo 3.2 - Herbicidas: classificação e mecanismos de ação

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

As principais características das sulfoniluréias são: • • Alguns são ativos em doses extremamente baixas; exemplo: o metsulfuronmethyl, que apresenta atividade na dose de 2 g ha-1 A maioria das sulfoniluréias apresenta bom controle de muitas espécies de folhas largas (dicotiledôneas); todavia, algumas possuem, também, ótima atividade contra gramíneas. A toxicidade aguda para mamíferos é muito baixa (5.500–6.500 mg kg-1 em ratos) para o herbicida chlorsulfuron, o mais estudado. Para outros análogos, a toxicidade é mais baixa ainda. As sulfoniluréias são ativas tanto em aplicações foliares quanto em aplicações no solo.

Apesar de quimicamente diferentes, as imidazolinonas têm o mesmo mecanismo de ação das sulfoniluréias, ou seja, inibem a enzima AHAS ou ALS. As principais caracte¬rísticas deste grupo são: • As imidazolinonas são recomendadas para controle em pré-emergência e em pósemergência de muitas folhas largas e gramíneas em cereais, soja e em áreas nãoagrícolas. • Estes herbicidas são potentes inibidores do crescimento vegetal. Plantas tratadas param de crescer quase que imediatamente após a aplicação. Dois a quatro dias após a aplicação desses herbicidas o ponto de crescimento (meriste¬ma apical) das plantas tratadas torna-se clorótico e, depois, necrótico e morre. A morte completa da planta vai ocorrer sete a dez dias após o tratamento. Plantas de maior porte podem levar mais tempo para morre¬r, mas a paralisação do crescimento é imediata. • Todos estes herbicidas são sistêmicos, ou seja, translocam pelo floema. Uma vez dentro do floema, por causa do pH alcalino, estes herbicidas, que são ácidos fracos, se dissociam e os ânions têm dificuldade para deixar o floema. • As imidazolinonas apresentam persistência de moderada a longa no solo. Maior sorção e, conseqüentemente, maior persistência ocorrem quando decrescem a umidade do solo, o pH e a temperatura e, também, quando os teores de matéria orgânica, óxidos de ferro e de alumínio no solo aumentam. • A dissipação no solo é, via de regra, por meio da degradação microbiana. Em condições de solo mais seco, mais herbicida é preso nos colóides do solo e menos produto é disponível para biodegra¬dação ou absorção pelas plantas, o que implica maior persistência e possível "carryover". As imidazolinonas são

Módulo 3.2 - Herbicidas: classificação e mecanismos de ação

81

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

sensíveis à fotólise, mas esse processo de dissipação não é importante no solo. A fotólise é mais importante no meio aquático. • Pouca lixiviação tem sido reportada em condições de campo, apesar de os estudos de laboratório indicarem mobilidade moderada destes herbicidas no solo. • As imidazolinonas apresentam muito baixa ou nenhuma toxicidade para mamíferos. Esta toxicidade baixa pode ser explicada pela enzima-alvo, que não ocorre em animais, e também pelo fato de a excreção desses herbicidas ser muito rápida em animais-teste. Além das sulfoniluréias e das imidazolinonas, outros herbicidas, de grupos químicos diferentes, apresen¬tam o mesmo mecanismo de ação, ou seja, inibem a enzima ALS ou AHAS e, com isso, paralisam o crescimento das plantas (HESS, 1995c). Dente esses grupos químicos, podem-se destacar as triazolopirimidinas, ou sulfonamidas, e os piridinil-oxibenzoatos. As principais características do herbicida N - (2,6-diflluorofenil) - 5 - metil (1,2,4) triazolo [1,5a] pirimidina - 2 - sulfonamida (flumetsulan) e N-[2,6-diclorofenil] - 5 - etoxi - 7 - fluoro(1,2,4) triazolo – [(1,5c)] pirimidina - 2 - sulfonamida (diclosulan) são: Flumetsulan Diclosulan

• •

• • •

Apresentam ação pré-emergente sobre amplo espectro de plantas daninhas de folhas largas. As gramíneas, de maneira geral, são resistentes devido ao metabolismo mais rápido. Entre as culturas de folhas largas, a soja é tolerante. Possuem absorção radicular, mas a translocação é sistêmica, ou seja, translocamse tanto pelo floema quanto pelo xilema. A sorção no solo e a persistência aumentam quando o pH decresce e quando a matéria orgânica aumenta. A persistência no solo é mediana, não havendo casos relatados de "carryover". A dissipação no solo é devida ao ataque de microrganismos. Condições que favorecem a ação microbiana aceleram a dissipação destes herbicidas no solo. Possuem mobilidade no solo moderada, não se antevendo problemas de contaminação de depósitos subterrâneos de água. A toxicidade para mamíferos é muito baixa (Faixa Verde: DL50 > 6.000mg/kg em ratos).

82

Módulo 3.2 - Herbicidas: classificação e mecanismos de ação

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

4.7.1 - Algumas sulfoniluréias Metsulfuron-Methyl

O ácido 2-[[[[(4-metoxi-6-metil-1,3,5-triazina-2-il)amino]carbonil]amino]sulfonil] benzóico (metsulfuron-methyl) apresenta solubilidade em água de 270 mg L-1; pka: 3,3; kow: 1,0 a pH 5 e 0,018 a pH 7; e koc médio de 35 mg g-1g de solo. É pouco sorvido e muito lixiviado no solo, dependendo da textura e do teor de matéria orgânica. Sua persistência (meia-vida) no solo varia de 30 a 120 dias (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É registrado no Brasil para controle de plantas daninhas de folhas largas nas culturas de trigo, arroz, cana-de-açúcar, aveia, cevada, manejo de inverno e pastagens. Entre as espécies sensíveis encontram-se Raphanus raphanistrum, Raphanus sativus, Acanthospermum australe, Bidens pilosa, Ipomoea grandifolia, além de muitas outras. É recomendado para uso em pós-emergência, devendo ocorrer intervalo de seis horas sem chuva após a sua aplicação. A ação do produto nas plantas daninhas sensíveis pode ser observada através da clorose das folhas e morte das gemas apicais, com evolução para morte das plantas até 21 dias após aplicação. Em espécies menos sensíveis, observa-se paralisação de seu desenvolvimento. Culturas como trigo e arroz, para as quais é seletivo, conseguem metabolizá-lo rapidamente a compostos não-fitotóxicos. Nicosulfuron

O 2-[[[[(4,6-dimetoxi-2pirimidinil)amino]carbonil]amino]sulfonil]-N,N-dimetil-3piridinacarboxamida (nicosulfuron) apresenta solubilidade em água de 360 mg L-1 a pH 5 e 12.200 a pH 6,85; pka: 4,3; kow: 0,44 a pH 5 e 0,018 a pH 7; e koc médio de 30 mg g-1 de solo a pH 6,5. Quanto à sua persistência em condições de Brasil, sabe-se que culturas de soja, girassol, algodão e feijão poderão ser semeadas 30 dias após a aplicação do nicosulfuron; trigo, arroz e batata, 45 dias após a aplicação; e tomate, 60 dias (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). No Brasil, está registrado para a cultura do milho, sendo utilizado em pós-emergência em área total. Controla gramíneas, inclusive o capim-massambará (Sorghum halepense), e diversas espécies de dicotiledôneas. No momen¬to da aplicação, as plantas de milho devem estar com duas a seis folhas; as plantas daninhas dicotiledôneas, com duas a seis folhas; e as gramíneas, com até dois perfilhos. A aplicação deve ser feita estando o solo úmido e com as plantas daninhas em pleno vigor vegetativo. A ocorrência de chuvas uma hora após a aplicação não afeta a eficiência deste herbicida. A mistura do
Módulo 3.2 - Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 83

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

nicosulfuron com o atrazine no tanque do pulverizador aumenta o espectro de controle de plantas daninhas. Existem diferentes níveis de tolerância entre os híbridos de milho disponíveis no mercado brasileiro ao nicosulfuron. Por isso, antes de aplicar esse herbicida em cultura do milho consulte a lista de híbridos e variedades tolerantes a esse herbicida. A mistura desse herbicida com inseticidas carbamatos ou fosforados pode torná-lo não-seletivo ao milho (SILVA et al., 2005) Halosulfuron

O metil-3-cloro-5-(4,6-dimetoxipirimidin-2-carbomoilsulfamoil)-1-metillpirazole-4carboxilato (halosulfuron) é registrado no Brasil para cana-de-açúcar, para controle de Cyperus rotundus. Apresenta solubilidade em água de 15 mg L-1 a pH 5,0 e 1.650 a pH 7,0; pka: 3,5; kow: 47 a pH 5,0 e 0,96 a pH 7,0; e koc médio de 93,5 mg g-1 de solo. Apresenta baixa adsorção no solo. Possui meia-vida média no solo em torno de 16 dias, variando com o tipo de solo e as condições climáticas (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Sua aplicação deve ser feita em pós-emergência das plantas daninhas, sendo o melhor período 30 a 40 dias após o plantio da cana-de-açúcar, quando as plantas daninhas deverão estar no final da fase vegetativa ou início do florescimento. As plantas de Cyperus rotundus devem estar em boas condições de desenvolvimento, sem efeito de estresse hídrico ou de baixa temperatura. Chlorimuron-ethyl

O ácido 2-[[[[(4-cloro-6-metoxi-pirimidinil)amino]carbonil]amino]sulfonil]benzóico (chlorimuron-ethyl), no Brasil, encontra-se registrado para a cultura da soja, sendo usado em pósemergência. Apresenta solubilidade em água de 450 mg L-1 a pH 6,5; pka: 4,2; kow de 320 a pH 5,0 e 2,3 a pH 7,0; e koc médio de 110 mg g-1 de solo (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). No solo, apresenta adsorção e lixiviação moderadas e meia-vida de 7,5 semanas. A persistência é maior em solos com pH mais elevado; em solos ácidos e com clima quente, a persistência é baixa. Manter intervalo de 60 dias entre a aplicação do chlorimuron-ethyl e a semeadura de trigo, milho, feijão e algodão. Para as outras culturas, fazer antes um bioensaio. Controla essencialmente espécies anuais de dicotiledôneas, sendo mais efetivo quando estas se encontram na fase inicial de crescimento (até seis folhas). Entre as espécies sensí¬veis encontram-se Desmodium tortuosum, Acathospermum australe, Ipomoea grandifolia, Bidens pilosa, além de outras. É comum misturá-lo com outros

84

Módulo 3.2 - Herbicidas: classificação e mecanismos de ação

Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 85 .0 (RODRIGUES. Sua mobilidade no solo é inversamente proporcional ao teor de matéria orgânica. O flazasulfuron deve ser aplicado em cobertura total das plantas daninhas e da cultura. e a tiririca (Cyperus rotundus). porém não deve ser misturado com graminicidas. sendo influenciada pela temperatura e pelo pH do solo (RODRIGUES.). as plantas de cana-de-açúcar devem possuir no máximo quatro folhas. é facilmente lixiviável no solo. 2005). 1999).5-dihidro-4-metil-4-(1-metiletil)-5-oxo-1H-imidazol-2-il]-3-quinolina carboxílico (imazaquin) apresenta solubilidade em água de 60 mg L-1.8. diuron.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas herbicidas. pka: 3. para controle de dicotiledôneas em soja.Algumas imidazolinonas Imazaquin O ácido 2-[4. 2005). kow e koc não disponíveis. estando o solo em boas condições de umidade.6-dimetoxipirimidin-2-il)-3-(3-trifluorometil-2-piridilsulfonil) uréia (Flazasulfuron) apresenta solubilidade em água de 27. seis folhas.000 mg L-1 a pH 5. Flazasulfuron O 1-(4.7. para se evitar o efeito “guarda-chuva”.2 . todavia.2 . Sua persistência no solo é alta (meia-vida de sete meses). as dicotiledôneas. de 5 a 8 folhas e em pleno desenvolvimento vegetativo. pka. evitando-se aplicar em períodos de estiagem e umidade relativa do ar inferior a 60% (SILVA et al. etc. Sua degradação no solo é por ação microbiana e química. Na cultura da cana. pode ser misturado no tanque do pulverizador com outros herbicidas (ametryn.0. este herbicida deve ser aplicado isoladamente. para maior espectro de controle. kow: 2. se objetivo for controlar a Cyperus rotundus. não sendo recomendável cultivá-lo na modalidade de “milho safrinha” no mesmo ano agrícola da soja.. e valor médio de koc de 20 mg g-1 de solo a pH 7. Apresenta meia-vida variando de 9 a 120 dias.. 1998). exigindo intervalo de segurança acima de 180 dias após sua aplicação. ALMEIDA.100 a pH 7. porém esta adsorção aumenta em pH baixo.2. 4. ALMEIDA.0 e 2. podendo afetar culturas de inverno que seguem à soja tratada com o produto (SILVA et al. em alguns tipos de Módulo 3. O milho é muito sensível a resíduo de imazaquin no solo. Pode ser usado em pré ou em pós-emergência inicial das plantas daninhas. Quando usadas em pósemergência. as gramíneas devem ter no máximo três perfilhos. É fracamente adsorvido em solo com pH alto.

Ipomoea grandifolia. Hyptis suaveolens. Imazethapyr O ácido 2-[4. pka: 3.9. sendo utilizado em pré-plantio incorporado ou em pré-emergência das plantas daninhas. Imazamox O ácido nicotínico 2-(4-isopropil)-4-metil-1-metiletil-(1-metil-5-oxo-2-imidazolin-2-il)-5(metoximetil) (imazamox) apresenta solubilidade em água de 4. sendo. Controla com eficiência diversas espécies de plantas daninhas: Euphorbia heterophylla.5-dihidro-4-metil-4-(1-metiletil)-5-oxo-1H-imidazol-2-il]-5-etil-piridina carboxílico (imazethapyr) apresenta solubilidade em água de 1. É pouco adsorvido pelos colóides do solo e. Apresenta lenta degradação no solo (meia-vida de 60 dias). ALMEIDA. 1999). com até quatro folhas. 86 Módulo 3.36 (RODRIGUES. estando estas com até quatro folhas e de monocotiledôneas. e as monocoti¬ledôneas.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . com eficiência.413 mg L-1 e Kow: 5.2 . Bidens pilosa. Sida rhombifolia. Apresenta rápida degradação no solo. mas esta adsorção aumenta em pH baixo. e kow: 11 a pH 5. Controla.0. o que geralmente acontece entre 5 e 15 dias após a semeadura da soja. além de outras. também. podendo causar toxicidade a algumas culturas de inverno que forem cultivadas em sucessão à soja tratada com este herbicida (SILVA et al. o que geralmente acontece entre 15 e 20 dias após a semeadura do feijão.. Ipomoea grandifolia. também. ALMEIDA. Estudos preliminares têm demonstrado que este herbicida apresenta rápida degradação em condições de solos brasileiros (SILVA et al. 1999). É registrado no Brasil para uso exclusivo na cultura da soja. entre um a três perfilhos. além de outras. O milho e o sorgo são muito sensíveis ao resíduo de imazethapyr no solo.400 mg L-1. no estádio cotiledonar. É registrado no Brasil para a cultura da soja. pouco lixiviado. 2005).0 e 31 a pH 7. 2005).. Recomenda-se a aplicação em pós-emergência precoce. entre uma e quatro folhas. pouco lixiviado (RODRIGUES. Recomenda-se sua aplicação em pós-emergência das plantas daninhas dicotiledôneas. Controla essencialmente plantas daninhas dicotiledôneas. É fracamente adsorvido em solo com pH alto.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas solo. entre as quais Euphorbia heterophylla. essencialmente microbiana (meia-vida de 15 dias). estando as dicotiledôneas. É registrado no Brasil para cultura da soja e do feijão.

Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 87 . pouco lixiviado. podendo ocorrer lixiviação positiva (para baixo) ou negativa (reversa –para cima).0 e pka: 1.5-dihidro-4-metil-4-(1-metietil)-5-oxo-1H-imidazol-2-il]-3-piridina carboxílico (imazapyr) apresenta solubilidade em água de 11. ALMEIDA. Apresenta degradação no solo essencialmente microbiana É registrado no Brasil para o controle de dicotiledôneas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas diversas espécies de plantas daninhas.272 mg L-1 a pH 7. Imazapyr O ácido (+-)-2-[4. Sua persistência no solo é longa (três a sete meses em solos tropicais e seis meses a dois anos em clima temperado. Aplicações em altas doses para capinas de ruas pode intoxicar árvores utilizadas na arborização do ambiente (Fig.36 (RODRIGUES. Também quando aplicado no tronco do eucalipito visando eliminar rebrota após a derrubada. pka: 2. Estudos de laboratório indicam que imazapyr tem alto potencial de se mover no perfil do solo.2 . pode ser exsudado pelas raízes. Pyrithiobac-sodium O sódio 2-cloro-6-[(4. É pouco adsorvido pelos colóides do solo e. entre estas Euphorbia heterophylla.benzoato (Pyrithiobac-sodium) apresenta solubilidade em água de 1610 mg L-1. também. Módulo 3. em condições aeróbicas. em pós-emergência precoce na cultura do algodão. dependendo do movimento capilar da água no perfil do solo (FIRMINO. 7). se aplicado em pósemergência precoce. com degradação mais rápida em clima quente e úmido. da dosagem e dos fatores ambientais. 2005). É fracamente adsorvido pelos colóides do solo. ALMEIDA.34 e meia-vida no solo de dois meses (RODRIGUES. não se processando em condições anaeróbicas.6-dimetoxipirimidina-2-il) tio]. a persistência biológica é dependente. principalmente em solos arenosos. essencialmente por via microbiana. sobretudo. Kow: 0. 2005).9 a 1. Apresenta lenta degradação no solo. Em campo. 2001).6. vindo intoxicar as novas mudas plantadas para renovação da floresta.

2 . tirosina e tryptofano são precursores da maioria dos compostos aromáticos nas plantas. Glyphosate inibe a EPSP sintase por competição com o substrato PEP (fosfoenolpi¬ruvato). nos níveis desses aminoácidos aromáticos (fenilalanina. então. Plantas normais cultivadas em solo sem resíduos de herbicidas (a) e plantas com sintomas de intoxicação do imazapyr (b). uma vez que 20% do carbono das plantas é utilizado nesta rota metabólica. precursor comum na rota metabólica dos três aminoácidos aromáticos. 88 Módulo 3. foi observado aumento acentuado na concentração de shikimato. plantas tratadas com estes herbicidas param de crescer. pois fenilalanina.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . que o ponto de ação era a enzima EPSP sintase (5 enolpiruvilshikimato-3-fosfato sintase).Herbicidas inibidores da EPSPs 4. Por outro lado. nas plantas tratadas. Alguns autores acham que a simples redução de aminoácidos e a acumulação de shikimato não seriam suficientes para a ação herbicida. A enzima EPSP sintase é sintetizada no citoplasma e transportada para dentro do cloroplasto onde atua. tirosina e triptofano). Verificou-se. Há redução acentuada.8 . O glyphosate se liga a esta enzima pela carboxila do ácido glutâmico (glutamina) na posição 418 da seqüência de aminoácidos (HESS. SHANER. 2003).1 .Mecanismo de ação Logo após a aplicação. BRIDGES.8. acreditam que a desregulação da rota do ácido shikímico resulta na perda de carbonos disponíveis para outras reações celulares na planta.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 7 – Árvores mortas pela ação do imazapyr quando aplicado para capina química de rua (A). 1995c. evitando a transformação do shikimato em corismato. cultivadas em solo coletado à margem da rua tratada com o herbicida 4.

em plantas anuais • Baixa vazão e menores gotículas são mais eficientes do que alta vazão e gotículas grandes. • Águas de pulverização contendo muitos sais solúveis (Ca e Mg) diminuem a atividade destes herbicidas. • Apresentam espectro de controle muito amplo. Módulo 3. como a soja e o algodão. muito pouca toxicidade para animais. para melhor eficiência de translocação para o sistema radicular.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 89 . poucas espécies de plantas daninhas foram identificadas como resistentes a estes herbicidas. apresenta. Quanto à resistência adiquirida pela pressão de seleção (aplicações repetidas do ghyphosate). • Durante a primeira semana após a aplicação a folhagem não deve ser cortada. • Translocação simplástica em gramíneas e folhas largas.2 . • Formulações usadas no meio aquático não contêm surfatantes.2 . por causa de sua conjugação com sesquióxidos de ferro e alumínio. para não causar problemas de toxicidade para peixes. • A morte da planta ocorre lentamente: de 7 a 14 dias após a aplicação.Características gerais Glyphosate O N-(fosfonometil) glicina (glyphosate) possui as seguintes características (BRIDGES. • Através da engenharia genética. • A translocação é melhor em plantas expostas à luz e que estejam com alta atividade metabólica.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. já foram obtidas culturas resistentes a glyphosate.8. de maneira geral. • Como a enzima afetada é exclusiva de plantas. 2003c). • A translocação é facilitada em condições de alta intensidade luminosa. • Requerem uma semana para matar plantas anuais (efeito final) e tempo ainda maior para espécies perenes. praticamente não há seletividade. • Não apresentam atividade no solo.

A ocorrência de chuva em intervalo de tempo menor que 4-6 horas pode reduzir a eficiência destes herbicidas. sendo recomendado para diversas atividades agrícolas e não-agrícolas. No Brasil. sal de amônia. 90 Módulo 3. O efeito varia com a formulação. esse tempo para penetração do glyphosate via foliar é maior (PIRES et al. Para controle seletivo de plantas daninhas em culturas geneticamente modificadas. ferrovias. ruas. 2001). No Brasil. enquanto para as demais formulações. reflorestamento e outras). Para aplicações dirigidas em culturas perenes (café..Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . formulado como Roundup Transorb ou Zap Qi. para implantação do plantio direto de culturas. Quando aplicado sobre plantas em condições de déficit hídrico prolongado. A não-ocorrência de chuvas até quatro horas após as aplicações garante absorção do glyphosate. parque de industrias. Como dessecantes. englobando o Roundup original e o Roundup Transorb. etc.. 200). e sal potássico. utilizado nas formulações granulares. Na renovação de pastagens. Roundup WDG e Roundup Multiação.2 . as suas principais recomendações são: • • • • • • • Para controle de plantas daninhas em áreas não-cultivadas (rodovias. em Brachiaria decumbens e Digitaria horizontalis em quatro horas (Fig. o glyphosate está sendo comercializado com diferentes formulações: sal isopropilamina.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • A absorção destes produtos pelas plantas é lenta. 8). fruteiras. cujo representante é o Zap Qi.). Para o controle de plantas daninhas aquáticas Como regulador de florescimento em cana-de-açúcar. As formulações Roundup Transorb e Zap Qi se diferenciam das demais por apresentar penetração foliar mais rápida do que as demais existentes no mercado brasileiro. Figura 8 – Eficiência de formulações de glyphosate em diversos períodos de simulação de chuva após a aplicação Atualmente o ghyphosate é o herbicida mais utilizado no mundo. o tempo mínimo sem chuvas após aplicação para se garantir a absorção foliar desse herbicida é de seis horas (JAKELAITIS et al. utilizado em diversas marcas comerciais.

para controle de gramíneas anuais e perenes. eliminado. WELLER. seguida de necrose. • Em doses normais.9. novos produtos estão sendo desenvolvidos. é necessária uma dose três vezes maior que a requerida para a ação em pósemergência. a qual começa nas regiões meristemáticas e se espalha pela planta toda. os herbicidas deste grupo não apresentam atividade suficiente para o controle de gramíneas em pré-emergência. • As espécies não-gramíneas são todas tolerantes.Principais características Os compostos deste grupo apareceram no mercado de herbicidas a partir de 1975 e. acifluorfen.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. mas ocorre tanto pelo floema quanto pelo xilema. 2. • São prontamente absorvidos pela folhagem das plantas. podem ser citados: sulfoniluréias.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 91 .9 . • Para a atividade máxima ser atingida.1 . • A seletividade varia entre espécies de gramíneas. 1995) são: • São utilizados exclusivamente em pós-emergência. há sempre necessidade da adição de um surfatante ou adjuvante. Os sintomas incluem rápida parada do crescimento das raízes e da parte aérea e troca de pigmento nas folhas dentro de dois a quatro dias. A translocação varia entre espécies. dicamba. o problema é minimizado e. Entre os herbicidas que já mostraram ação antagônica. As principais características deste grupo de herbicidas (THILL. 2. para que haja ação no solo. tanto para plantas daninhas quanto para culturas. De maneira geral. Somente diclofop tem registro para uso no solo. a eficiência diminui quando as gramíneas estão se desenvolvendo em condições de déficit hídrico. em fase de rápido crescimento. • Apresentam lenta degradação no solo. imidazolinonas. Módulo 3.4-DB.4D. • Misturas no tanque desses graminicidas específicos com latifolicidas têm trazido uma série de problemas de antagonismo. até mesmo. • São muito efetivos quando aplicados sobre plantas não-estressadas. bentazon e metribuzin. • A morte das gramíneas suscetíveis é lenta.2 . Espaçando-se as pulverizações por alguns dias. até hoje.Herbicidas inibidores da ACCase 4. MCPA. bromoxynil. provavelmente eles afetam a absorção foliar. São muito utilizados para o controle de gramíneas anuais e perenes. requerendo uma semana ou mais para a morte completa.

2 .Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . A translocação ocorre pelo xilema e pelo floema. Foi verificado também que a divisão celular foi prejudicada por causa da inibição da formação da parede celular. Em algumas horas. O caso mais relatado é o ocorrido na Austrália com a espécie Lolium rigidum.Mecanismos de ação Muitos dos estudos já realizados sobre o mecanismo de ação dos arilofenoxipropionatos foram feitos com o herbicida diclofop-methyl. depois. em 1987. A enzima afetada por estes herbicidas ocorre também nas células animais. Após alguns dias da aplicação. trabalhos realizados com diclofop-methyl começaram a desvendar o modo de ação dos graminicidas específicos.1 μM de haloxyfop provocou 42% de inibição da incorporação de acetato em células de milho. já existem plantas daninhas que adquiriram resistência aos inibidores da biossíntese de lipídios. No caso de diclofopmethyl. que a ação dos graminicidas específicos era sobre a enzima Acetil Coenzima-A Carboxilase (ACCase). O tecido meristemático em gemas e nós torna-se clorótico e. Estudos feitos com sethoxydim mostraram que este herbicida inibe o crescimento e a acumulação de clorofila. nas concentrações de 0.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • • Apesar do pouco tempo de uso. A inibição da ACCase explica perfeitamente a redução no crescimento. para causar 50% de inibição em células de soja foi necessária uma concentração 47 vezes maior. Esta é uma reação-chave no início da biossíntese de lipídios.2 . A partir de 1981.5 μM. ele causou declínio na atividade respiratória. o aumento na permeabilidade de membrana e os efeitos ultra-estruturais observados nas células. por exemplo. encontrada no estroma de plastídios. eles são tóxicos para mamíferos (classe toxicológica de I a III.5 a 0. às sulfoniluréias e ao trifluralin. As folhas mais velhas apresentam sinais de senescência e mostram troca de pigmento. surgindo células binucleadas. o crescimento de raízes e parte aérea é paralisado. Foi descoberto. a formulação ácida é mais ativa que a formulação éster e o isômero “D” é muito mais ativo que o “L”. fica aparente a disfunção de membrana. por isso. Ademais. Há diferenças também entre a atividade de isômeros e as formulações. Esta enzima. resultando no aumento dos níveis de açúcar e antocianina. o problema era na síntese de lipídios. converte o Acetil Coenzima A (Acetil-CoA) em Malonil Coenzima A (Malonil-CoA) pela adição de uma molécula de CO2 ao Acetil-CoA.9. Enquanto 0. predominância da classe II) e. e muitos autores 92 Módulo 3. Este herbicida é rapidamente absorvido pelas folhas e atinge os meristemas da planta. também. apesar de a quantidade que atinge a área meristemática ser muito pequena em relação ao que é aplicado. 4. que mostrou resistência ao diclofop-methyl e resistência cruzada a outros graminicidas específicos. quando o tecido meristemático decai. Como não houve interferência na absorção de acetato. de maneira geral. necrótico. A diferença na tolerância entre espécies de gramíneas e folhas largas é muito grande. para peixes. Foi verificado que este herbicida inibe fortemente a incorporação de 14C-acetato em lipídios quando pontas de raízes de milho foram tratadas por 24 horas.

roseira e crisântemo.5.9. pka: 3. eucalipto. cenoura. pinho. a qual é ligada covalentemente ao grupo da biotina por um espaçador móvel. na realidade. É um herbicida Módulo 3. e koc médio de 5.700 mg g-1 de solo. um complexo de três domínios: uma biotina carboxilase que promove a carboxilação da biotina com carbonato (CHO3). ALMEIDA 2005).1 mg L-1. e a proteína transporte da biotina (BCP). kow: 4.3 . por incompatibilidade fisiológica (efeito antagônico). evitando períodos de estiagem. dois a três dias (RODRIGUES.Caracterização de alguns inibidores da ACCase Fluazifop-p-butil O ácido (R)-2-[4-[[5-(trifuorometil)-2-piridinil]oxi]fenoxi] propanóico (fluazifop-p-butil) apresenta solubilidade em água de 1.2 . kow: 15000 e persistência muito curta no solo. soja.2ciclohexeno-1-ona (clethodim) apresenta solubilidade em água de 5. que transfere o CO2 da biotina para o Acetil-CoA. Deve ser aplicado com as plantas em bom estado de vigor vegetativo. 1995). algodão.520 mg L-1. Não deve ser misturado com herbicidas que controlam dicotiledôneas. A falta de lipídios provoca despolarização da membrana celular (THILL. 1995). a transcarboxilase. É registrado no Brasil para as culturas de alface. café. ALMEIDA.E)-(+/-)-2-[1-[[(-cloro-2-propenil)oxi]imino]propil]-5-[2-(etiltio)propil]-3-hidroxi.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas julgam ser esta reação a que dosa o ritmo da biossíntese de lipídios. WELLER. cebola. 4. Quando o substrato Acetil-CoA é substituído por Proprionil-CoA. tendo uma persistência média de 30 dias (RODRIGUES. devendo ser aplicado no início do desenvolvimento das plantas daninhas. o qual é uma reação dependente de ATP. mas a eficiência diminui pela metade. com intervalo superior a cinco dias. a enzima funciona. que permite à biotina se mover entre os dois centros catalíticos (HESS. Clethodim O (E.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 93 . A ACCase de milho já foi isolada. Controla grande número de espécies de gramíneas anuais no estádio de até 4 perfilhos e algumas perenes. a não ser o fomesafen. feijão. 2005). horas de muito calor e umidade relativa do ar inferior a 70%. tomate.1. devendo ser utilizado seqüencialmente. citros. purificada e parcialmente caracterizada. A enzima Acetil Coenzima A Carboxilase (ACCase) é. Não apresenta mobilidade no solo. É recomendado para uso em pós-emergência. tabaco.

pinho e outras. acifluorfen.. com exceção do 2. feijão e eucalipto. Quando misturado com herbicidas recomendados para uso em pós-emergência que controlam plantas daninhas de folhas largas e que já contenham em sua formulação um adjuvante. aveia e trigo. cenoura. comuns em rotação de culturas com a soja.4-D. ALMEIDA. Quando usado na dose de 120 g ha-1. ervilha. É moderadamente adsorvido pelos colóides do solo. há que observar um intervalo de dez dias entre o emprego de um e outro. É compatível com outros herbicidas usados em pós-emergência para controle de folhas largas. permitindo a aplicação dos dois numa só operação. não sendo prejudicada sua eficácia por chuvas que ocorram uma hora após sua aplicação.3. tomate. devendo ser aplicado no início do desenvolvimento das plantas daninhas (4 folhas até 6 perfilhos. 2005). Nas doses de 360 . Em doses altas (120-360 g ha-1. controla gramíneas anuais. evitando períodos de estiagem. amendoim. quando provenientes de sementes. no Brasil. café. para as culturas de soja.7. como bentazon. e com 10 a 40 cm. podendo requerer reaplicação no caso de rebrotas (RODRIGUES.600 g ha-1. Deve ser aplicado com as plantas daninhas em bom vigor vegetativo. desde jovem até adiantado estádio de desenvolvimento. de reprodução seminal. 94 Módulo 3. sistêmico. É rapidamente absorvido pelas folhas. neste caso. em condições de alta pluviosidade. controla gramíneas perenes. como é o caso normal em culturas perenes. milho. e koc médio de 33 mg g-1 de solo. Destaca-se pelo seu amplo espectro de ação no controle de gramíneas anuais. soja. tabaco. eucalipto. Haloxifop-methyl O ácido 2-[4-[[ (3-cloro-5-(trifluorometil)-2-piridinil]oxi]fenoxi] propiônico (haloxyfopmethyl) apresenta solubilidade em água de 9. altamente seletivo para a cultura da soja e outras dicotiledôneas. não se deve adicionar óleo mineral à calda. É recomendado para uso em pós-emergência.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . citros. em solos leves. quando provenientes de rizomas).2 . pode haver lixiviação do produto. pois aumenta-lhe a fitotoxicidade. feijão. perenes e tigüera de culturas gramíneas. como algodão. horas de muito calor e umidade relativa do ar inferior a 60%. É utilizado. como Cynodon dactylon e Sorghum halepense. fomesafen e lactofen. A ação residual do produto na lavoura é de 30 a 40 dias.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas graminicida. pka: 4. cebola. tais como: azevém. kow: 11.3 mg L-1. tem ação sobre rebentos de gramíneas anuais que tenham sido roçadas.

não prejudicando culturas sensíveis que sejam instaladas no terreno um mês após o tratamento. o que acelera sua absorção. girassol. kow: 45.0 de 25 ppm e a pH 7. ALMEIDA. 2005).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sethoxydim O 2-[1-etoximina)butil] . melão e morango). eucalipto. pka: 4.1.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 95 . banana.10 . As plantas suscetíveis a estes herbicidas perdem a cor verde após o tratamento com estes herbicidas (BRIDGES. Módulo 3. É necessário adicioná-lo à calda adjuvante. Controla gramíneas anuais e algumas perenes. gladíolo. 4. Tem uma meia-vida no solo de 4 a 11 dias. cenoura. como Cynodon dactylon.16.5 – [2-(etiltio)propil]-3-hidroxi-2-ciclohexeno-1.0 de 4. não sendo prejudicada a ação do sethoxydim por uma chuva que ocorra uma hora depois de sua aplicação. Apresenta curta persistência no solo. Estes tecidos são normais.700 mg L-1. e koc médio de 100 mg g-1 de solo (RODRIGUES . Não prejudica as culturas suscetíveis que sejam instaladas no terreno 30 dias após o tratamento. 2003a). citros. café. soja e tabaco.2 . linho e mandioca. amendoim. encontra-se em fase de registro para abacaxi. exceto pela falta de pigmentos verdes (clorofila) e amarelos (Fig. macieira e em hortícolas (batata. gergelim. também. colza. É um herbicida registrado no Brasil para algodão. Em outros países. para as culturas de alfafa. dependendo das condições climáticas e do tipo de solo.ona (sethoxydim) apresenta solubilidade em água a pH 4. O sintoma evidenciado pelas plantas tratadas é a produção de tecidos novos totalmente brancos (albinos). se bem que exija doses mais altas de aplicação. feijão. por ser a foliar a principal via de absorção do produto.Herbicidas inibidores de carotenóides Os grupos químicos izoxazolidinona e piridazinonas compõem a classe de herbicidas chamada inibidores de carotenóides. Deve ser aplicado em pós-emergência das plantas daninhas. algumas vezes rosados ou violáceos. 9). melancia. Supõe-se que seja seletivo para todas as culturas que não são gramíneas. é recomendado.

O local de ação mais estudado é onde atua a enzima phytoeno desidrogenase. não implica que estes herbicidas inibam diretamente a síntese de clorofila. arroz. Outras alterações provocadas por estes produtos são: redução da síntese protéica. que a protegem. a clorofila que está no estado triplet não dissipa energia e inicia reações de degradação. e de folhas largas nas culturas de algodão. A perda da clorofila é resultado da sua oxidação pela luz (foto-oxidação). com predomínio do phytoeno. anuais e perenes. 1994). dissipando o excesso de energia.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . 1994). perda de proplastídios e degradação dos ribossomos 70S. sem cor. 1980). Após a síntese da clorofila. do caroteno (MORELAND. como resultado da perda da fotoproteção fornecida pelos carotenóides à clorofila (MORELAND. nas quais ela é destruída (ABERNATHY. Em condições normais. É importante salientar que estes herbicidas não têm efeito sobre carotenóides sintetizados antes da sua aplicação. 1980). esta se torna funcional e absorve energia. Desse modo. quando os caratenóides não estão presentes. tecidos formados antes da aplicação do herbicida não se mostram brancos imediatamente. Os herbicidas inibidores destes pigmentos agem na rota de biossíntese de carotenóides. eles desenvolvem manchas cloróticas que progridem para necrose (ABERNATHY. o crescimento cessa e começam a surgir manchas necróticas. Os herbicidas inibidores de pigmento são usados para controle seletivo de plantas daninhas gramíneas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 9 – Sintomas de intoxicação de plantas de milho e feijão pelo clomazone. Assim. Devido a este processo. 1980). devido à falta de clorofila. cana-de-açúcar. mas sim de gossipol e hemigossipol. pelas plantas tratadas. ela não consegue se manter. A inibição desta enzima provoca o acúmulo de phytoeno. fumo 96 Módulo 3. A produção dos novos tecidos albinos. resultando no acúmulo de phytoeno e phytoflueno. a energia oriunda da forma triplet é dissipada através dos carotenóides. devido à falta de carotenóides que a protegem da foto-oxidação. O crescimento da planta continua por alguns dias. contudo. passando do estado singlet para o estado triplet. que são dois precursores.2 . 1994). Estes produtos também possuem efeitos sobre a reação de Hill (MORELAND. a clorofila não se mantém sem a presença dos carotenóides. mais reativo. porém. Assim. O herbicida clomazone parece ter um único local de ação e não causa acúmulo de phytoeno. A inibição da enzima IPP (isopentyl pirophosphato isomerase) é o local provável da ação (Abernathy. A inibição da síntese de carotenóides leva à decomposição da clorofila pela luz. devido à necessidade de renovação dos carotenóides.

3 . O clomazone apresenta alta solubilidade:1. No Brasil. com posterior necrose e morte dos tecidos vegetais em cerca de 1 a 2 semanas. Controla diversas espécies de plantas dicotiledôneas e algumas gramíneas. koc: 300 mg g-1. afetando culturas sucessoras.2 . A seletividade do clomazone ao algodão pode ser aumentada com adição de um inseticida organofosforado (ABERNATHY. A seletividade às culturas se dá pela translocação reduzida pela destoxificação das moléculas herbicidas.isoxazolidinona (clomazone) e o 4-cloro-5(metilamino)-2-3-[(trifluorometil)]fenil-3(H)-m-toluil) piradazinona (norflurazon) translocam-se na planta via xilema. ALMEIDA. Mesotrione O 2-(4-mesil-2nitrobenzoil) ciclohexano-1.clorofenil) metil]-4. A dose recomendada varia com a cultura e o tipo de solo. pka: 3. O inseticida funciona com “safener” protetor e pode ser usado no tratamento da semente ou em aplicação no sulco de semeadura.4 . 2005). ALMEIDA. Os sintomas envolvem branqueamento das plantas daninhas sensíveis.3-diona (mesotrione) é um herbicida seletivo de ação sistêmica indicado para o controle em pós-emergência de plantas daninhas na cultura do milho.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas e soja. Módulo 3. pka: zero. pode lixiviar e atingir camadas profundas. O mesotrione inibe a biossíntese de caroteníodes. Apresenta solubilidade de 168.dimetil .07 e koc variando de 19 a 387 mg g-1 e curta persistência no solo sendo degradado rapidamente por microrganismos (RODRIGUES.192 mg L-1. e não existem casos registrados de plantas daninhas resistentes (ABERNATHY. 1994). Também são empregados em plantas daninhas aquáticas e no controle total da vegetação. Quando aplicado sobre a superfície do solo. Clomazone Norflurazon Esta classe herbicida apresenta baixa toxicidade para animais. e persistência no superior a 150 dias.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 97 .7 mg L-1. o clomazone e o norflurazon. são mais comercializados. apresentam atividade de solo e podem persistir. 1994). causando danos naquelas sensíveis (RODRIGUES. 2005). chegando às raízes das culturas. através da interferência na atividade da enzima HPPD (4-hidroxifenil-piruvato-dioxigenase) nos cloroplastos – classificação nos grupos F2 (HRAC) e 28 (WSSA). O 2 – [(2 .

e meia-vida média de 28 dias (ALMEIDA. 2005). responsável pela biossíntese da quinona. Inibe a biossíntese de carotenoides.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Isoxaflutole O 5-ciclopropil-4-metilsufonil-4-trifluorometilbenzoil)-isoxazole (isoxaflutole) é um herbicida recomendado para as culturas de cana-de-açúcar. Apresenta baixa solubilidade em água: 6. RODRIGUES.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . baixa a média mobilidade nos solos dependendo de suas características ficas e químicas. que são essências para proteger a clorofila contra a decomposição pela luz solar através da interferência na atividade da enzima HPPD (4-hidroxifenilpiruvato-dioxigenase). que é um co-fator chave para síntese de pigmentos carotenóides e para o transporte de elétrons. milho. Os sintomas envolvem branqueamento das plantas daninhas sensíveis. Com exceção da cultura do algodão onde é recomendado em jato dirigido. nas demais culturas deve ser aplicado em pré emergência. O isoxaflutole pertence ao grupo dos herbicidas inibidores da biossíntese do caroteno.2 . mandioca e algodão para o controle de diversas gramíneas e algumas dicotiledôneas.0 mg L-1 a 20 °C. 98 Módulo 3. com posterior necrose e morte dos tecidos vegetais em cerca de 1 a 2 semanas.

R. F. F. FIRMINO. J. 509-516. In: Herbicides action course. p. J. D. Revista Ceres. In: Herbicide action course. D. HESS. F. SILVA. A.. Purdue University: Indiana. Inhibitors of amino acid biosynthesis. Módulo 3. 397-410. West Lafayette: Purdue University. 787p. 2003. BRIDGES. 2003c. F. Mode of action of photosynthesis inhibitors. R. G. 3. BRIDGES. West Lafayette: Purdue University.. 1995d. 1995b. 491-500. 21. 365-380.2 . Pigment inhibitors uses and mode of action.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Referências bibliográficas ABERHATHY. FERREIRA. A. West Lafayette: Purdue University. In: Herbicide action course. HESS. p. n..159. F. D. HESS.. BRIDGES. p. Glufosinate: use and mode of action. BARBOSA. L. Eficiência do triclopyr no controle de plantas daninhas em gramado (Paspalum notatum). 2003. F. A. A. p. 504 p. C. épocas de colheita. L. West Lafayette: Purdue University. p. DOMINGOS. 285-296. In: Herbicide action course. D. D. n. 787 p. SILVA. 23. West Lafayette: Purdue University. 787p. FERREIRA. A. Mode of action of herbicides. R. In: HERBICIDE ACTION COURSE. 501-513. FREITAS.. do enleiramento e da chuva simulada no rendimento e qualidade fisiológica das sementes de feijão. 2003a. SILVA. In: Herbicide action course.. 1995a. Imidazolinones. Purdue University: Indiana. F. 1995c. Sorção e movimento do imazapyr em três solos. 1. v. p. n. CRAFTS. SILVA. E. West Lafayette: Purdue University. S. D.. 1994... A. 2001. 277 p. 1994. Dissertação (Mestrado em Fitotecnia) – Universidade Federal de Viçosa. Planta Daninha. HESS. R. C. BRIDGES. In: Herbicide action course. S. ASHTON. HESS. D. In: Herbicide action course. v. A. In: Herbicide action course. 72 f. Controle de plantas daninhas na cultura de milho-pipoca com herbicidas aplicados em pós-emergência. SILVA.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 99 . Mode of action of pigment inhibitors. JAKELAIS. D. Viçosa-MG. F.. Mode of action of lipid biosyntesis inhibitors (Graminicides – Accase Inhibitors). 48. Summary of lectures. 2001. v. Glyphosate-type herbicidas. 2003b. D. 373-395. A. C. Efeito de dessecantes. Mecanism of action of inhibitors of aminoacid biosyntesis. 1973. p. Mode of action of herbicides that disrupt mitosis. C. SILVA. 2005. Planta Daninha. 2001. New York: John Willey & Sons. C.. 787p. L. M. A. J. F. West Laf ayette: Purdue University.

610. 2003. F. Sulfonylurea.. 1999. F. 2.. SHANNER.. STAB –Açúcar álcool e subprodutos. 150 p. In: Herbicide action course. West Lafayette: Purdue University. BRIDGES. n. OLIVEIRA JUNIOR. LIEBL. D.R. 23. Controle de Digitaria Horizontalis pelos herbicidas glyphosate. D. Guia de Herbicidas. L. 5. p. L. 5. 21. SILVA. R. R. MG: 2003. R. A. 2001. S. A. 225-260.. ALMEIDA. D. sob estas condições em soja.2 . Aplicações seqüências e épocas de aplicação de herbicidas em misturas com chlorpirifos no milho e em plantas daninhas. SILVA. 17.. In: Herbicide action course. SILVA. R. E. 1995. sulfosate e glyphosate potássico submetidos a diferentes intervalos de chuva após a aplicação. and sulfonylaminocarbonyl-triazolinone herbicides. A. L. Manejo de plantas daninhas na cultura de cana-de-açúcar. Bioatividade do alachor e do metribuzin sob diferentes manejos de água e efeitos do metribuzin. J. v. R. Planta Daninha.. F. F. Growth regulator herbicides. West Lafayette: Purdue University.. n. A. SILVA. L. FERREIRA. 100 Módulo 3. Inhibitors of aromatic amino acid biosyntesis (glyphosate). v. A.. S. R. FERREIRA. 459-465. 291-295. p. In: Herbicide action course. Piracicaba.. p. SILVA. n. Avaliação da atividade residual no solo de imazaquin e trifluralin através de bioensaios com milho.. A. triazolopyrimidine. Persistência do grupo das imidazolinonas e efeitos sobre culturas sucessoras de milho e sorgo.. 1989. PR: 2005. 3. 1989. A. 279310. E. M. WERLANG. F.. A.. 1999. A. THILL. 1995. OLIVEIRA Jr. RODRIGUES. SHANER.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas JAKELAITIS.. R. Rockville. S.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . Viçosa. p. 2003. A. A. WELLER.ed. 411-463.. D. p. p. Tese (Doutorado) – Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”. L. N. Flazasulfuron: épocas e doses de aplicação em relação ao controle de plantas daninhas e seletividade para cana-de-açúcar. 267-291. THILL. S. D. MORELAND. R. Contole de plantas daninhas em pastagens. FERREIRA. B. n. 3. v. Cell growth disrupters and inhibitors. Acta Scientiarum. MIRANDA. Annual review.. 787 p. SILVA. A. A. A. D. Acta Scientiarum. PROCÓPIO. A. UFV.. 138 f. In: Herbicide action course. Viçosa. 591 p. OLIVEIRA JUNIOR. FERREIRA. CASTRO FILHO. JAKELAIS. FERREIRA.. 1980. Mechanisms of action of herbicides. 279-285. West Lafayette: Purdue University.. Londrina. v. 19. 2002. G. Planta Daninha. L. A. West Lafayette: Purdue University. Inhibitors of roots and/or shoots of seedling chloroacetamides. FERREIRA. In: SIMÓSIO SOBRE MANEJO ESTRATÉGICO DA PASTAGEM. West Lafayette: Purdue University.. FERREIRA. S. 527-534. 787 p. SILVA. p. A.. SILVA. A. 2003. 2005. SILVA. In: Herbicide action course. SLIFE. C. A. FREITAS. A. Plant Physiology. F. 514-529. In: Herbicide action course. A. F. 1998. VARGAS . 2003. p. W... Growth regulator herbicides. West Lafayette: Purdue University. O. 44-47. p. p. V. n. p. 3.

. C. 787 p. HESS. Sulfonilureas and triazolopyrimidines.C.D. In: Herbicide action course. WARREN. C.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas THILL.C. WELLER. 787 p. Classification of herbicides. S. West Lafayette: Purdue University. G. F. C. D. THILL. Superoxide generators and protoporphyrinogen oxidase inhibitors (Paraquat and Diquat). WARREN. In: Herbicide action course. G. p. D. 787 p. G. G. 1995a..D. Módulo 3. 787 p. 1995. F . Lipid biosyntesis inhibitors. 1995. In: Herbicide action course. 787 p. 1995.. 787 p. Mode of action of inhibitors of protoporphyrinogen oxidase (Diphenilethers and oxadiazon). S. WARREN. WARREN.2 . West Lafayette: Purdue University..F. S. Superoxide generators and protoporphyrinogen oxidase inhibitors (Diphenyleters and Oxadiazon). In: Herbicide action course. West Lafayette: Purdue University. West Lafayette: Purdue University.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 101 . Photosystem II inhibitors. HESS. WELLER. S. F. 1995. 2003. WELLER. In: Herbicide action course. In: Herbicide action course. West Lafayette: Purdue University. West Lafayette: Purdue University. 1995b. West Lafayette: Purdue University.. In: Herbicide action course. F. WELLER. F. 131-184.

formulação e misturas . metabolismo.ABEAS Universidade Federal de Viçosa .Herbicidas: absorção. Francisco Affonso Ferreira Profº.UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília . translocação. translocação.Herbicidas: absorção.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 .3 . metabolismo.Manejo de plantas daninhas 3. formulação e misturas Tutores: Profº. José Francisco da Silva Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior . José Ferreira da Silva Profº.DF 2006 102 Módulo 3.3 .

3 .2.Tipos de formulações.Conceito de movimento simplástico e apoplástico. 118 3 . 112 1.2 – Incompatibilidade.1 . formulação e misturas 103 .1.1 .4.3 . 131 Referências bibliográficas. 117 2.Mecanismo de absorção de herbicidas.Absorção de herbicidas.2 .Misturas de herbicidas.Herbicidas: absorção. 104 1. 104 1.Interceptação. 112 1.Movimento descendente. 116 2.Formulações sólidas.2 . 104 1.1 – Introdução.1.Translocação de herbicidas. 120 4 – Formulação.Interações entre herbicidas.Vantagens das misturas ou combinações de herbicidas. 130 5. 116 2.1.Fatores que influenciam a absorção através das raízes.2 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário 1 . metabolismo. translocação.Penetração pelas raízes.4. 133 Módulo 3.2 . 125 4.Interações de herbicidas com inseticidas em mistura.1 .Penetração pelo caule. 127 4. 117 2.3 . 111 1. 130 5.3 .Metabolismo dos herbicidas nas plantas. 128 5 .2 .1 .1 .Translocação de alguns herbicidas.Movimento ascendente. 129 5. 126 4.1 . 113 2 .4 . retenção e absorção de herbicida pela folha.Veículo de aplicação (água). 129 5.4 .Formulações líquidas. 127 4.2.

pelas sementes. da translocação. se deseja que as cepas das árvores não rebrotem após a derrubada. A interceptação da gota pulverizada é função do método de aplicação e da distância entre o alvo e o bico do pulverizador. aí. luz. dentro de uma população mista. as raízes. A absorção de herbicidas pelas raízes ou pelas folhas é influenciada pela disponibilidade dos produtos nos locais de absorção e com fatores ambientais (temperatura. destruindo-os. A principal via de penetração dos herbicidas na planta é função de uma série de fatores intrínsecos e extrínsecos (ambientais). até ser absorvido.1 . as folhas são a principal via de penetração.Herbicidas: absorção.). do metabolismo e da sensibilidade da planta a este herbicida e. 104 Módulo 3. o simples fato de um herbicida atingir as folhas da planta e. incorporados ao solo. principalmente quando se deseja controlar apenas algumas plantas. em um reflorestamento. Há necessidade de que ele penetre na planta. rizomas. Os herbicidas podem penetrar nas plantas através das suas estruturas aéreas (folhas. o 2. Além disso. por exemplo. que serão discutidos no item referente à tecnologia de aplicação. ainda. ser aplicado no solo onde se desenvolve esta planta não é suficiente para que ele exerça a sua ação. de estruturas jovens como radículas e caulículo e.Absorção de herbicidas 1. A atrazina. a seus metabólitos. 1. ou. estolões. atinge e penetra nos cloroplastos. etc.3 . ou. Por outro lado. formulação e misturas . Por sua vez. transloque e atinja a organela onde irá atuar. translocação. retenção e absorção de herbicida pela folha A absorção foliar de um herbicida requer que o produto seja depositado sobre a folha e permaneça ali por um período de tempo suficiente.Interceptação. transloca até as folhas e. umidade relativa do ar e umidade do solo). quando aplicada ao solo. a morfologia da planta e as condições ambientais exercem grande influência. O caule (casca) de árvores ou arbustos pode também ser uma via de penetração de herbicidas. onde atua. metabolismo. ou quando.2 . penetra pelas raízes. Quando os herbicidas são aplicados diretamente na parte aérea da planta (pós-emergência). flores e frutos) e subterrâneas (raízes. translocado e. caules. também. tubérculos. Por isso. as estruturas jovens das plântulas (radícula e caulículo) e as sementes são as vias de penetração mais importantes para os herbicidas aplicados e.Introdução A atividade biológica de um herbicida na planta é função da absorção.4-DB precisa ser absorvido. ou. metabolizado para exercer sua ação herbicida.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1 . também. que influenciam também a translocação destes até o sítio de ação.

Por exemplo.Herbicidas: absorção. não são absorvidos pela superfície da cultícula e são solúveis em água e podem ser lavados caso ocorra chuva até mais de 24 horas após. como tricomas (pêlos). por exemplo sais de sódio. não penetram rapidamente.. das condições climáticas e das espécies de plantas envolvidas (BRIDGES. lipofílica. A influência da chuva sobre a eficiência dos herbicidas está também relacionada à formulação.Corte transversal de uma folha (esquemático). igualmente. Herbicidas lipofílicos (usualmente formulados como CE ou flowable) são pouco solúveis em água. metabolismo. 2000. Também o nú¬mero e a abertura dos estômatos exercem pequena influência sobre a penetração dos herbicidas.. poros estomáticos. 2003. Figura 1 . HESS. cavidade estomática. porém são rapidamente absorvidos nos lipídios da cutícula e pouco lavados pela chuva. denominada cutícula. como o paraquat. 1981). a forma e a área do limbo foliar. mas são rapidamente absorvidos e. são solúveis em água. JAKELAITIS et al.4-D ester para causar a mesma toxicidade em várias espécies sensíveis (BEHRENS. por isso. 2. esta existe também nas raízes. como todas as estruturas aéreas das plantas. translocação. formulação e misturas . menos sujeitos a lavagem pela chuva. A perda do herbicida ou de sua atividade depende da ocorrência de chuva (intensidade e duração) neste intervalo.4-D amina requer um período muito mais longo sem chuva do que o 2. Sais aniônicos (cargas negativas). mostrando células-guarda. células da bainha do feixe. As folhas. O corte transversal de uma folha está representado na Figura 1. Após a interceptação.3 . Embora em menor proporção. Sais catiônicos (carregados positivamente). A chuva pode causar perdas consideráveis de herbicidas das folhas das plantas. o ângulo ou a orientação das folhas em rela¬ção ao jato de pulverização e as estruturas especializadas.. 2001).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A morfologia da planta influencia a quantidade de herbicida interceptada e retida. são recobertas por uma camada morta (não-celular). Dentre os aspectos relacionados com a morfologia da planta destacam-se o estádio de desenvolvimento (idade da planta). deve haver um período crítico sem ocorrência de chuvas até que ocorra absorção de quantidade suficiente deste. para cada herbicida. razão pela qual muitos fatores influenciam. PIRES et al. ELAKKAD. do método e da tecnologia de aplicação. tanto a penetração dos herbicidas pelas folhas quanto pelas raízes. xilema e floema Fonte: Mengel e Kirkby (1982) 105 Módulo 3.

etc. Ela pode ter a forma de grânulos. é referido como camada cuticular (Figura 2). pode ser semifluida ou fluida.. ácidos graxos. Esse conjunto. Externamente. freqüentemente. et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A cutícula recobre todas as células da epiderme da planta.Representação esquemática dos principais componentes da camada cuticular e o seu grau lipofílico 106 Módulo 3. separando as partículas de cera. formulação e misturas . aldeídos. assim a sua permeabilidade. incluindo as células-guarda dos estômatos e as células que envolvem a câmara subestomática. acredita-se que a cutina aumente de volume (por embebição). de prato (ou disco). O padrão de superfície da camada cuticular é bastante variável. funcionando como uma resina de troca de cátions. álcoois. 2005). A cutina é o principal componente estrutural da cutícula. metabolismo. Em presença de água. Figura 2 . que é formada de fibrilos de celulose impregnados de pectina. Em consequência da variabilidade de seus componentes o grau de polaridade das cutículas varia muito. ainda. Em geral. a cutícula é recoberta por uma camada de cera. a qual possui grupos de polaridade variáveis (Figura 2). (FERREIRA. translocação. Entre a camada cuticular e a membrana citoplasmática tem-se a parede celular. A camada cerosa que envolve a cutícula é mais rica em compostos menos polares do que a cutina. de camadas superpostas e. ésteres. aumentando.Herbicidas: absorção. essa camada é uma complexa mistura de alcanos de longas cadeias (21 37 carbonos).3 . cetonas. A composição química do revestimento epicuticular é muito variável entre as espécies de plantas (Quadro 1). porém alguns componentes são comuns.

Uma hipótese citada por Klingman e Ashton. via simplasto. Quadro 1 .5 Fonte: Sandoz Agro Ltda. a polaridade do composto.0 6. A camada cuticular funciona como uma barreira à perda de água e também como uma barreira à entrada de pesticidas e microrganismos na planta.8 8.0 6. citado por Kissmann (1997).3 .Herbicidas: absorção. através dos plasmodesmas. o herbicida.0 7.0 8.0 6. etc. metabolismo. A maior barreira à penetração de um herbicida no citoplasma das células é a membrana citoplasmática. translocação. As folhas das plantas apresentam muitas barreiras à penetração dos herbicidas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas É conhecido o fato de que há uma interação bastante complexa entre a natureza química do produto aplicado e a superfície foliar.5 6.3 8. (1975). (1991).0 7. formulação e misturas 107 . a tensão superficial da calda.8 6. são importantes nessa interação.Percentagem de compostos apolares e polares e pH do revestimento epicuticular de diversas espécies de plantas daninhas Espécies daninhas Cyperus rotundus Avena fátua Brachiaria plantaginea Cynodon dactylon Digitaria sanguinalis Echinochloa crus-galli Panicum dichotomiflorum Poa annua Sorghum halepense Amaranthus retroflexus Capsella bursa-pastoris Chenopodium album Datura stramonium Ipomoea purpurea Poligonum lapathifolium Portulaca oleracea Senna obtusifolia Sida spinosa Sinapsis arvensis Solanum nigrum Stellaria media Xhathium orientale Compostos NãoPolares 82 10 17 12 37 27 17 29 6 44 32 32 92 32 12 37 7 85 47 88 9 58 Compostos Polares 17 90 82 88 62 72 82 71 93 55 68 66 7 68 86 63 93 14 52 11 91 41 pH 7. Existem dois tipos principais de superfícies: uma facilmente molhável (rica em álcoois) e outra de molhagem mais difícil (rica em alcanos). é que essas barreiras não são totalmente rígidas e distintas.2 7.6 6. O processo de absorção de um herbicida é complicado em razão da espessura. As características da solução aplicada.0 7. Entretanto. Apesar das barreiras existentes (como a camada cuticular).4 6.4 7.2 7. Módulo 3.8 7. sobre a penetração dos herbicidas pelas folhas. tanto os herbicidas polares quanto os não-polares penetram nas folhas das plantas.2 7. após atravessar a camada cuticular e a parede celular.0 7. pode penetrar no citoplasma.2 8. No momento em que os herbicidas entram em contato com a superfície foliar. podem acontecer os pressupostos que se seguem (Figura 3). tanto aos polares quanto aos não-polares.6 8. composição química e permeabilidade da cutícula.

fatores ambientais (luz. Schmidth et al. mas permanecer absorvido nos componentes lipofílicos da cutícula (3).esta é chamada translocação apoplástica. metabolismo. A absorção de herbicida não está necessariamente relacionada à espessura ou ao peso da cutícula. a cutícula de folhas nova é mais permeável à água do que a de folhas velhas. na parede celular e atingir o interior da célula (pela plasmalema) – é a translocação simplástica. da idade da folha e do ambiente sob o qual a folha se desenvolve. Todos esses fatores podem influenciar a absorção de herbicidas. cerosidade e pilosidade da folha.3 . Figura 3 . o pH mais baixo aumenta a absorção do herbicida. etc. que inclui o movimento no floema (5) Fonte: Hess (1995) Uma grande diversidade de herbicidas. A passagem de uma molécula de herbicida através da camada cuticular é um processo físico que pode ser influenciado por uma série de fatores. umidade relativa). como: potencial hidrogeniônico (pH). temperatura. penetrar. penetrar na cutícula. CESSNA. a rota hidrofílica. 1991).Diagrama hipotético. tamanho das partículas e concentração do herbicida. formulação e misturas . O exato mecanismo de penetração não é totalmente conhecido para todos os herbicidas. derivados de ácidos fracos. que inclui o movimento no xilema (4) e penetrar na cutícula. Para os herbicidas nãodissociáveis (amidas. que diferem em estrutura e polaridade. porque reduz sua polaridade. 108 Módulo 3. representando os aspectos: volatilizar e perder para atmosfera ou ser lavado pela chuva (1). mas sim à constituição lipídica e ao grau de impedimento da passagem de solutos. Há evidências de que a penetração de herbicidas decresce com o aumento da idade da folha (GROVER. o pH da solução tem pouco ou nenhum efeito sobre a penetração. Para os herbicidas orgânicos.Herbicidas: absorção. na parede celular e então translocar antes de atingir o simplasto . mas admite-se que os compostos não-polares sigam uma rota lipofílica e os compostos polares.). permanecer sobre a superfície como um líquido viscoso ou na forma de cristal (2). espessura da cutícula. translocação. atravessa a camada cuticular. Apesar de a constituição física e química e a espessura poderem ser praticamente a mesma. ésteres. (1981) atribuíram isto à maior polaridade da cutina encontrada nas folhas novas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas que variam em função da espécie. uso de agentes ativadores de superfícies (surfatantes) e outros.

mover-se através do poro de um estômato aberto para dentro da câmara subestomática. Nas plantas estressadas. a infiltração pelos estômatos não é possível. aumenta a hidratação da cutícula. que se mantém hidratada. em condições de alta luminosidade e estresse hídrico no solo. Como os herbicidas atravessam a cutícula? A resposta para essa pergunta ainda não está bem esclarecida. para o sulfosate e glyphosate.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Os fatores ambientais. A elevação da umidade relativa aumenta o tempo de evaporação da gotícula pulverizada. 1995). O grau de impermeabilidade da cutícula pode ser atribuído ao incremento de sua espessura. admite-se que a cutícula tenha estrutura porosa. a menos que a tensão superficial da solução pulverizada seja muito reduzida pelo uso de surfatantes na formulação ou no tanque do pulverizador. translocação e grau de detoxificação. de duas formas. um intervalo sem chuvas de menos quatro e seis após a aplicação. metabolismo. havendo maior absorção dos produtos polares com aumento da umidade (HESS. comparando pulverizações feitas em plantas de capim-massambará (Sorgum halepense) sem estresse e estressadas. Nas plantas estressadas (déficit hídrico no solo). 1995). houve rebrota acentuada da maioria delas. Uma a duas semanas antes da aplicação. Alta temperatura pode melhorar a absorção. mesmo quando o período sem chuva foi de até seis horas. umidade relativa. Os estômatos podem estar envolvidos. A umidade relativa do ar tem efeito mais consistente sobre absorção de herbicidas. Condições de alta temperatura e luminosidade. formulação e misturas 109 . respectivamente. em tese. como temperatura do ar.Herbicidas: absorção. 2001 o glyphosate e o sulfosate apresentam máxima atividade em plantas não-estressadas. Entretanto. É difícil ou mesmo impossível afirmar qual dos processos é mais influenciado pelas mudanças nas condições do ambiente. Primeiro. tanto a absorção quanto a translocação são menores (HESS. Nestas. Com relação aos herbicidas hidrofílicos.. A natureza da resposta para as diferentes condições ambientais varia com a espécie vegetal.3 . em conjunto. sendo essa água de hidratação da cutícula a rota de penetração destes herbicidas. A maioria dos Módulo 3. Todavia. dependendo das condições ambientais. o haloxyfop teve sua atividade reduzida de 92% para 12%. luz e teores de umidade no solo e na planta. com a penetração de herbicidas nas folhas. mais rápida absorção do herbicida. por provocar maior fluidez dos lipídios da camada cuticular e da membrana celular e. geralmente promovem a formação de cutículas mais impermeáveis. a solução pulverizada poderia. a cutícula sobre as células-guarda parece mais fina e mais permeável a substâncias do que a cutícula sobre outras células epidérmicas. à alteração na composição das ceras ou ao aumento na formação de ceras epicuticulares. provocando a cristalização do herbicida na superfície foliar. ou baixa umidade relativa do ar e umidade do solo. foi suficiente para ótimo controle das plantas tratadas. Em segundo lugar. translocação. e daí para o citoplasma das células do parênquima foliar. Supõe-se que os herbicidas lipofílicos se solubilizam nos componentes lipofílicos da camada cuticular e se difundem através da cutícula. influenciam a atividade dos herbicidas nos aspectos de absorção. favorece a abertura dos estômatos e pode aumentar o transporte de solutos na planta. conseqüentemente. também pode apresentar efeitos negativos devido à maior rapidez do secamento da gota pulverizada. Segundo Pires et al.

Finalmente. Este surfatantes são capazes de reduzir a tensão superficial ao ponto de a infiltração pelo estômato ocorrer. tem sido usado para melhorar a atividade de númerosos herbicidas.Herbicidas: absorção. no entanto. metabolismo. formulação e misturas . às quais alguns ingredientes são adicionados. Vários autores afirmam que os surfatantes melhoram a penetração e. aniônicos ou não-iônicos. Os resultados dos experimentos de campo. para melhorar a penetração ou atividade dos herbicidas aplicados às folhagens. o surfatante lipofílico é eficiente. 1980).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas surfatantes atualmente em uso atua aumentando a penetração cuticular e não consegue reduzir a tensão superficial adequadamente para permitir a penetração estomática. Por exemplo. a melhoria só ocorre se o surfatante também estiver presente. contendo parte hidrofílica e lipofílica. Sulfato de amônio não melhora atividade do paraquat e na.3 .. 1980). translocação. incluindo picloram. emulsões. etc. o desenvolvimento de surfatantes à base de organossilicones proporcionou avanço nesse ponto. Sulfato de amônio. A estimulação da absorção pode ser causada pelo surfatante adicional ou por outros aditivos presentes nas duas formulações misturadas. Destes. 110 Módulo 3. A função primária do surfatante é reduzir a tensão superficial da gota. Os herbicidas são raramente aplicados na forma pura. que têm vários propósitos. do herbicida em questão. Eles geralmente são compostos de moléculas grandes. provoca efeito antagônico com glyphosate (TURNER. da presença de outros aditivos e das espécies das plantas. No caso do sethoxydim. No entanto. LOADER. ou surfatantes. Recentemente. a absorção de um herbicida pode ser influenciada pela presença de outro herbicida misturado na calda. Eles podem também induzir um fluxo de massa da solução pulverizada através do poro estomatal e também aumentar a penetração cuticular. mas preparados em soluções. a atividade do glyphosate é melhorada por surfatantes com alto balanço lipofílico-hidrofílico que pelos surfatantes hidrofílicos que são não-iônicos ou catiônicos (TURNER. Entretanto. proporção de 20% p/v. na concentação de 1 a 10% (p/v). quando sulfato de amônio é adicionado à solução. têm sido usados como aditivos nas pulverizações. glyphosate e sethoxydim. A adição somente do sal provoca decréscimo da atividade em aveia. não têm sido suficientemente positivos ou consistentes para adição de tais aditivos na calda de pulverização e para se tornar uma prática recomendada. Alguns trabalhos têm demonstrado que esse tipo de surfatante pode aumentar inclusive a translocação relativa do produto aplicado (KNOCHE. a eficiência do surfatante depende de sua natureza. 1994). ou. em geral. favorecendo mais ainda a penetração do herbicida. e podem ser catiônicos. LOADER. Diversos produtos químicos. os mais importantes são os agentes ativadores de superfície. além de surfatantes e óleos. Também podem ocorrer interações negativas entre os dois herbicidas. melhorando a retenção e o espalhamento desta sobre a folhagem. Em alguns casos o surfatante pode provocar parcial solubilização da cera epicuticular. atividade do herbicida.

usando-se óleo como veículo. é um sítio de entrada importante para muitos herbicidas aplicados ao solo que são ativos em sementes e durante a germinação e na emergência das plântulas (Quadro 2). butachlor. até a região do câmbio (xilema. Outros constituintes comumente encontrados nestas células são ácidos graxos. eles são preparados em formulações lipofílicas. Além do mais. floema). formulação e misturas 111 . em diâmetro.3 . ou. Para atuação de herbicidas aplicados à casca das árvores. rotas importantes para a penetração de herbicidas pelo caule. e. visando evitar a rebrota das cepas. o periderma deve apresentar baixa permeabilidade à água e. Módulo 3. O caule da plântula durante a emergência tem uma cutícula muito pouco desenvolvida.3 . o periderma é um tecido protetor que substitui a epiderme. Lenticelas são estruturas que atravessam o periderma.Penetração pelo caule A absorção de herbicidas pode ocorrer pelo caule das plantas jovens (durante emergência) e das adultas. Neste caso. além de serem aplicados em altas concentrações (5-10%). metabolismo. usando imazapyr 20 a 30 dias antes da derrubada das árvores de eucalipto. molinate A penetração de herbicidas através da casca de plantas lenhosas é outra opção que pode ser aproveitada na prática. translocação. aos herbicidas aplicados na parte aérea. após a morte de suas células. Baseado na sua estrutura e composição. Estes produtos são pulverizados ou pincelados no caule da planta.Grupos químicos de herbicidas e exemplos de ingredientes ativos que podem ser absorvidos do solo pelas radículas ou partes aéreas emergentes das plântulas Famílias de herbicidas Acetanilidas Ácidos ftálicos Difeniléteres Dinitroanilinas Tiocarbamatos Exemplo de produto acetochlor. lignina. As células do periderma contêm tanino e são altamente suberizadas. a barreira que a estria de Gaspary representa na raiz não está presente nestes tecidos. alachlor. Quadro 2 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. O crescimento do caule. principalmente os polares. que facilitam a penetração de herbicidas. Este processo está sendo implantado em algumas empresas de reflorestamento.Herbicidas: absorção. metolachlor DCPA oxyfluorfen trifluralin. celuloses e terpenos. sendo. sendo esta uma rota de entrada de herbicidas em muitas espécies de gramíneas. desprovida da camada de cera. portanto. Entretanto. causa pequenas rupturas na casca. o herbicida será mecanicamente introduzido através da casca. pendimethalin butylate. tornando-a mais permeável aos herbicidas. Nas plantas jovens. também. Alternativa prática mais eficiente seria injetar o herbicida com equipamento próprio com uma pistola injetora.

a água que se move em direção ao xilema deve entrar no simplasto. formulação e misturas . Os pêlos radiculares são responsáveis por aumento significativo da área disponível para a absorção de água e de herbicidas (Fig. tamanhos e solubilidades diferentes são prontamente absorvidos pelas raízes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1.Fatores que influenciam a absorção através das raízes A absorção de herbicidas pelas raízes é caracterizada por uma fase inicial de elevada taxa de absorção durante os 30 primeiros minutos até 2 horas. Se o herbicida for 112 Módulo 3. Também a concentração hidrogeniônica. ocorre. normalmente. 4). com alta permeabilidade à água e a solutos (sais). até a zona de absorção das raízes. Os herbicidas têm que entrar em contato com a raiz. e esta barreira é conhecida por ser impermeável à água.4. A disponibilidade dos herbicidas para as raízes é função das propriedades físico-químicas dos herbicidas e do solo e da distribuição espacial destes compostos e das raízes no solo. Na endoderme. passando em seguida à negativa (perda por exsudação). A rota mais importante de entrada é a passagem do herbicida junto com a água através dos pêlos radiculares existentes nas extremidades das raízes. Muitos herbicidas com estruturas moleculares. em solução com a água. ou.Penetração pelas raízes Muitos herbicidas aplicados ao solo são absorvidos pelas raízes.Herbicidas: absorção. Apesar de não existir nenhuma barreira cuticular na zona dos pêlos radiculares. Na endoderme ou antes dela. para o 2. Tem sido observado decréscimo na taxa de absorção de herbicidas devido ao abaixamento da temperatura. metabolismo. Embora raízes jovens sejam também cobertas por uma camada cerosa e as mais velhas sejam fortemente suberizadas. a taxa de absorção aumenta rapidamente logo após a aplicação e. há uma barreira lipídica localizada na endoderme da raiz. em grande parte.1 . principalmente quando o composto é sujeito à ionização. estar relacionado com a viscosidade da água (sob condições de baixa temperatura) e com reações químicas (absorção ativa).4 . a penetração de água e solutos.4-D. ocorre decréscimo nesta taxa até ela se tornar nula. pode influenciar a absorção de herbicidas pelas raízes. O sistema radicular das plantas superiores apresenta uma superfície de absorção extremamente grande. a principal zona de absorção está entre 5 e 50 mm de sua extremidade. translocação. O que acontece aos herbicidas nesse ponto não está completamente claro. 1. uma vez que nenhuma camada significativa de cera ou cutícula está presente nas partes das raízes onde a maior parte de absorção de herbicidas ocorre. próxima à zona de absorção radicular. depois. Esse fenômeno pode. seguida por uma fase de absorção mais lenta. todas as paredes radiais contêm uma banda fortemente impregnada com suberina (estria de Gaspary). Nas raízes jovens. o que pode ocorrer pelo crescimento desta ou pela difusão do herbicida no estado gasoso e. Por exemplo. A entrada dos herbicidas pelas raízes não é tão limitada quanto pelas folhas.3 .

Uma vez dentro do citoplasma das células. de onde se transloca até seu sítio de ação.4-D é acumulado ativamente e o monuron. segundo Donaldson et. no xilema. pelas raízes. ou. Alta temperatura e irradiância. prontamente absorvidos pelas raízes. passivamente. Para os herbicidas polares. mas hiperbólica. conseqüentemente. sendo os herbicidas mais lipofílicos absorvidos mais rapidamente. atrazine e napropamide. entretanto. por exemplo. e acumulação contra um gradiente de concentração. há evidências contrárias. (1973) listam os seguintes critérios para a absorção ser ativa ou dependente de energia: Q10 ≥ 2. podem ser adsorvidas. o produto atravessá-la livremente. Os herbicidas solúveis na água. baixa umidade relativa do ar. A absorção de herbicidas pela raiz também pode ser limitada por ligações ou adsorção do herbicida nos componentes celulares. apresentando baixo Q10. é um processo ativo de absorção.Mecanismo de absorção de herbicidas A primeira fase de absorção é independente de energia metabólica. Donaldson et al. para picloram. Esta fase tem um Q10 maior que a fase inicial e é sensível a inibidores metabólicos. dentro de determinados limites.2 . existe uma relação linear entre a concentração do produto disponível e a sua penetração pela raiz. al. inicialmente. o pH que aumenta a sua polaridade beneficia também a sua absorção e penetração pelas raízes. também. A correlação entre transpiração e absorção é válida para os herbicidas polares. 1. além do pH da solução do solo. se difundem nos espaços livres das células da epiderme do córtex da zona de absorção. translocados via xilema. Embora alguns trabalhos demonstrem estreita relação entre transpiração e absorção.Herbicidas: absorção. portanto. o que geralmente não é o caso da segunda fase. em parte. inibidores metabólicos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas absorvido em solução com a água. Quanto à concentração do herbicida. ele pode penetrar no floema e. também é ativa ou dependente de energia. a corrente transpiratória correlaciona-se com o transporte destes para a parte aérea da planta. translocação.4. formulação e misturas 113 . A linearidade é perdida quando o herbicida exerce efeito tóxico sobre a planta. indicando que o 2.3 . Sendo os herbicidas. mas não o foram para monuron. A segunda fase de absorção. podendo. (1973) a taxa de absorção de herbicida correlaciona-se com o coeficiente de partição óleo/água. Triazinas e uréias.4-D. Também atrazine e amitrole tiveram absorção passiva. absorção bloqueada por inibidores metabólicos. então. requerimento de oxigênio. influenciam a absorção. Essas condições foram satisfeitas para absorção de 2. estabelecendo um gradiente de concentração entre a parte externa da raiz (solução do solo) e a interna da planta (corrente de assimilados). a energia necessária à manutenção da seletividade da plasmalema é inibida. que consiste em atravessar a membrana citoplasmática (plasmalema). Não há dados suficientes para o entendimento completo de mecanismo de absorção de todos os herbicidas. portanto. dependente da concentração. Até aí. metabolismo. como lipofilicidade e pka. é um processo passivo a puramente físico e. existem herbicidas não-polares que são. De modo geral. taxa de absorção não é função linear da concentração externa. A segunda fase da absorção. dependendo das características do produto. Como a Módulo 3. em geral. a absorção de herbicidas polares.. alta temperatura do solo e alto potencial de água no solo são condições que favorecem a transpiração e. demanda energia. Também as propriedades físico-químicas dos herbicidas.

partição nos lipídios do citoplasma ou metabolismo a produtos polares que 114 Módulo 3.Moléculas de herbicidas capazes de entrar no protoplasma via simplasto (passam de célula em célula através dos plasmodesmatas) e atingem o floema. formulação e misturas . Estas incluem ligações nos tecidos do citoplasma. há tendência de aqueles herbicidas que são capazes de passar livremente do floema para o xilema serem de baixa ou nenhuma translocação via floema. ou. difundem-se através das estrias de Caspary e atingem o xilema.(a) Secção transversal de uma raiz. por Mengel e Kikby (1982). (b) Diagrama hipotético. o . x .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas translocação via xilema é muito mais rápida que a translocação via floema.Moléculas de herbicidas capazes de penetrar no xilema e. • . Figura 4 .Herbicidas: absorção. representando a absorção de herbicidas pelas raízes Durante a fase de absorção dependente de energia.3 . e há várias explicações para isso. translocação. os herbicidas podem ser acumulados contra um gradiente de concentração. metabolismo.Moléculas de herbicidas capazes de penetrar nas paredes celulares translocam-se via apoplasto. floema por ambas as vias (simplásticas ou apoplásticas). mostrando suas principais estruturas.

4-D. Várias classes de importantes compostos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas são menos hábeis para se difundir através da plasmalema. benzóico ou picolínico. como os derivados do ácido fenóxico acético. Os herbicidas não-polares seguem uma rota lipofílica até atingirem a plasmalema. Esta é a explicação alternativa para a acumulação de ácidos fracos. Normalmente. Essas moléculas dissociadas (ânions) são menos capazes de atravessar a plasmalema do que as moléculas neutras. Figura 5 . quando aplicadas nas folhas das plantas. correspondendo à zona de absorção. provavelmente.4-D. podendo ser um dos fatores responsáveis pela tolerância desta ao herbicida. como 2. os ácidos fracos se dissociam mais e entram no citoplasma. acumulando-se no interior da célula (Figura 5). 2. A zona da raiz mais ativa na exsudação é a zona de alongamento. chlorsulfuron. formulação e misturas 115 . imazethapyr e sethoxydin Fonte: Stelling (1994) Módulo 3.3 . onde. A exsudação é um fenômeno limitado apenas às raízes integrais (sem cortes) e vivas. evidenciando que ela se dá por processo metabólico. translocação. impedem a ação seletiva desta. os produtos de maior afinidade por substâncias lipofílicas (lipofilicidade) atravessam mais facilmente a plasmalema.Herbicidas: absorção. são exsudadas pelas raízes. A exsudação também está relacionada com a detoxificação da planta.Acumulação de herbicidas (ácidos fracos) no interior da célula (a) e sítios de dissociação dos herbicidas (b): bentazon. Uma vez que o pH no citoplasma é uma a duas unidades maior que o pH do meio externo da célula. fenilacético. metabolismo.

Translocação de herbicidas Há várias razões pelas quais é importante o estudo de translocação de herbicidas. Transporte a longa distância ocorre através dos tubos crivados (floema). etc. Se a translocação de um herbicida pode ser aumentada.1 . translocação. denominado plasmodesmas. Entretanto. incluindo as paredes celulares.Herbicidas: absorção. cloroplastos. principalmente de arbustos e árvores. Plantas jovens. estolons. com velocidade de 60 a 100 vezes maior que o movimento no sentido radial. citados por Hay (1976). 2. Íons e moléculas podem movi¬mentar-se de célula para célula através dessas estruturas. basicamente.foi definido por Crafts e Crisp. então as doses aplicadas deste produto podem ser reduzidas. considerando que não é fácil atingir toda a superfície foliar de uma planta. O movimento de solutos e assimilados no interior das plantas superiores pode ser definido. os espaços intercelulares e o xilema. etc. tubérculos. menores serão os custos de aplicação e os riscos de causar prejuízos ao meio ambiente. como a massa total de células vivas de uma planta. de onde são transpostos para o floema. e tendo em vista que há diferença de penetração de herbicida nas diferentes posições da parte aérea da planta. 116 Módulo 3. até atingirem as células companheiras. em 1971. Por outro lado.contrariamente ao simplasto. para que produza controle eficiente. o aumento na translocação de um produto aumentará a sua eficiência.Conceito de movimento simplástico e apoplástico Simplástico . sem atravessar as barreiras à permeabilidade.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2 . em dois sentidos. é formado pelo conjunto de células mortas. podem ser mortas por herbicidas de contato. necessitam que determinada quantidade do produto seja capaz de translocar e atingir estes orgãos de recuperação. formulação e misturas . Apoplástico ..3 . rizomas. Para a maioria dos herbicidas aplicados ao solo. formando um conjunto contínuo através das intercomunicações do citoplasma. que não são capazes de se regenerar através de seus órgãos subterrâneos. Muitos herbicidas são absorvidos pelas raízes ou pelas partes subterrâneas do caule e são translocados para outras áreas. para exercerem a sua efetiva ação herbicida. conseqüentemente. O floema é o principal componente do simplasto. que são as membranas citoplasmáticas. metabolismo. os quais formam um sistema contínuo no qual a água e os solutos se movimentam livremente. como ponto de crescimento. como visto a seguir. a translocação é também de grande importância. quando ocorre completa cobertura da parte aérea pela calda herbicida pulverizada. aquelas plantas que são capazes de se regenerar através de bulbos.

As células companheiras e as células parenquematosas. têm.1. Uma vez que estes assimilados se movem para dentro desses vasos. principalmente sacarose) dentro dos vasos. conseqüentemente. causando elevação do potencial osmótico e. em direção contrária ao gradiente de concentração.Herbicidas: absorção. flores e frutos em desenvolvimento. nestes vasos. assume-se que esse movimento ocorra à custa de energia metabólica. Parte dessa distância ocorre pelo sistema apoplástico. A alta pressão de turgor. O movimento por esta rota para o interior da raiz é bloqueado pelas paredes longitudinais das “estrias de Gaspary”. translocação.Movimento ascendente Íons e moléculas podem difundir-se pelos espaços intercelulares e paredes celulares do córtex. após o que podem subir pelo floema ou penetrar no xilema e se translocar com a corrente transpiratória. para se translocarem das folhas para a parte superior da planta. hoje. suporta essa teoria. para muitas substâncias. à medida que se distancia da fonte. porém o mecanismo desse carregamento. quando amadurecem. Substâncias fotossintetizadas nas folhas da base da planta são transportadas para as raízes.Movimento descendente Os assimilados e solutos se movem a uma distância média correspondente a 2. As células com protoplasma muito denso e com pontuações na parte interna da parede celular permitem maior superfície de contato entre o sistema simplástico e o apoplástico. de alguma forma ainda não definida. que a estria de Gaspary não está presente nos ápices Módulo 3. são um dreno e.1. caules ou outros órgãos fotossintetizantes) para o dreno (áreas meristemáticas. estão envolvidas no fluxo de carregamento destes vasos. que acompanham as células do floema. primeiro.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2.3 . no entanto. força o fluxo em massa do conteúdo nele existente.2 . inicialmente. 2.1 . raízes e tecidos ou órgãos de reserva). se transformam em uma fonte. metabolismo. enquanto as produzidas nas folhas da parte superior da planta são transportadas para as folhas novas e os brotos terminais. Contudo. A teoria do transporte pelo fluxo de massa baseia-se na elevação da concentração de assimilados (açúcares.5 vezes o diâmetro da célula. O movimento para dentro do floema (carregamento) deve ser um processo ativo. das células de transferência e das células companheiras estão diretamente intercomunicados. A hipótese do transporte pelo fluxo de massa envolve uma corrente de solutos movendo-se da fonte (folhas. supunha-se que as substâncias (íons ou moléculas) rompiam essa barreira e penetravam no sistema simplástico das células.O decréscimo da concentração dos assimilados ao longo dos vasos. Acredita-se que herbicidas e outras substâncias se movimentem juntamente com esse fluxo. Os assimilados. formulação e misturas 117 . mas somente as células companheiras estão diretamente ligadas ao floema. penetração de água dentro destas células. na endoderme. é ainda desconhecido. As folhas. que descer até atingir o caule. antes de alcançar os vasos menores do floema. Citoplasmas das células do mesófilo. Sabe-se. Estas células são conhecidas como células de transferências e parecem funcionar no carregamento dos vasos do floema e na transferência do floema para o xilema.

A presença de folhas jovens na planta aumenta a translocação do produto para as raízes. as condições ambientais favoráveis à transpiração (umidade relativa baixa. pode ser exsudado pelas raízes. xilema e acumulam-se nos pontos de crescimento (tecido meristemático). elevadas temperaturas e adequado suprimento de água no solo) são também favoráveis à translocação dos produtos que se movimentam pelo sistema apoplástico. Aplicado nas raízes ou nas folhas.1. aproximadamente. semelhante ao 2. Derivados do ácido fenóxico . 118 Módulo 3. em grande proporção. podendo. pode controlar uma séria invasora do milho. o que pode representar importante rota de passagem dos herbicidas do apoplasto para o simplasto. ou vazar para o xilema parenquimatoso e ser transportadas no sentido acrópeto pela corrente transpiratória. Apesar de se translocarem no sentido descendente. 2.4-D. também ocorre acumulação nas folhas jovens. 2.3 .os representantes deste grupo translocam-se pelo floema e. A elevação da umidade relativa pode aumentar o movimento descendente do 2. sendo exsudado. formulação e misturas . pode danificar a cultura quando ele for injetado em algumas espécies que são capazes de excretá-lo através de suas raízes. então. Aplicado nas folhas das plantas. metabolismo. mover-se de célula para célula. CIAMPOROVÁ. A sua pequena acumulação nas raízes está. o picloram é. pelo sistema simplástico. pelas raízes. para folhas e pontos de crescimento da planta.3. neste caso. Ele transloca-se.3 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas radiculares de células endodérmicas jovens e na região basal das raízes laterais em desenvolvimento (LUXOVÁ. A morte ou injúria das raízes reduz a sua exsudação.6-TBA .Herbicidas: absorção. 10 vezes mais tóxico às raízes que o 2. Exsuda-se. 1992). podendo causar danos às plantas adjacentes às tratadas. indicando ser este um processo que requer energia.parece movimentar-se prontamente em ambos os sistemas (apoplásticos e simplásticos). no sentido descendente. visando reduzir o sombreamento de culturas como o cacau. Se o produto é aplicado nas folhas. ou. Pequena acumulação ocorre nas raízes. O uso deste herbicida no raleamento de floresta. O 2.é altamente móvel na planta. Essas substâncias podem.4-D. Apesar de apresentar pequena acumulação na raiz.4-D. é rapidamente absorvido e translocado para todas as partes da planta. Aplicado nas folhas do milho. que é a striga (erva-debruxa). Picloram . nos pontos de crescimento e nas raízes. ele se acumula nos pontos de crescimento. Em geral. apesar de ser bastante móvel no sentido basípeto da planta. espalhando-se rapidamente por toda a planta. não se acumulam na raiz por causa do fenômeno da exsudação. talvez por inibir o movimento junto à corrente transpiratória. A adição do ácido 2-cloroetil-fosfônico (ethrel) ao dicamba aumenta a sua translocação.quando aplicado em solução nutritiva. translocação.Translocação de alguns herbicidas Dicamba . ele se transloca até as raízes e.4-D move-se do floema para o xilema e retorna à folha tratada. ser absorvido por plantas vizinhas não-tratadas. até certo ponto. principalmente. Se a planta é retirada da solução com herbicida e colocada numa solução sem herbicida. a concentração do produto diminui nas raízes e nas folhas fotossintetizadoras e se concentra nas regiões meristemáticas desta. relacionada com sua exsudação por elas.

Módulo 3. concentrando-se nas extremidades das folhas. metabolismo. Imazaquin é muito ativo no milho. aparecem os sintomas de toxidez. Quando aplicadas às raízes das plantas. como herbicidas não translocáveis nas plantas. Assim. em plantas de algodão. principalmente nos cloroplastos. Algumas uréias. Fatores que reduzem a transpiração da planta reduzem também a sua translocação. como metribuzin. os cloroplastos. principalmente quando aplicados durante o dia. mas pouco ativo em Avena fatua. Imidazolinonas . ametryn e atrazine. enquanto a translocação no milho continua por muito tempo. Alguns trabalhos mostram que a translocação é aumentada pela redução da umidade relativa (elevação da transpiração). parece que ele atinge o xilema antes de necrosar o tecido e se move com a corrente transpiratória tão logo a planta seja exposta à luz. por causa do fechamento dos estômatos (redução na taxa de transpiração). onde. Ocorre paralisação da translocação em aveia uma hora após o tratamento. eles são considerados herbicidas de contato. Algumas. em menor proporção. inicialmente. promove o acúmulo de CO2 na câmara subestomática. principalmente. Altas concentrações destes produtos são encontradas em glândulas ricas em óleo (verdadeira barreira à translocação destes herbicidas) localizadas ao longo do caule e nas folhas da planta. Na prática. translocação. de alguma forma. Aparentemente. Triazinas . espalham-se por toda a planta. principalmente diuron. sob forte intensidade luminosa. A taxa de absorção decresce algum tempo após a aplicação. Aplicados às folhas. O sítio de ação dos herbicidas deste grupo é a enzima AHAS (ácido aceto hidroxi sintase). mais rápida é absorvida pelas raízes e mais rápida é a translocação para o caule. Quando o paraquat é aplicado no escuro.3 . ao inibir a fotossíntese. sendo todas elas translocadas exclusivamente via xilema. Bipiridílios – são considerados.a maioria das triazinas são mais facilmente absorvidas pelas raízes.os derivados da uréia substituída são translocados exclusivamente via apoplástica. porém se translocam apenas do ponto de aplicação para as extremidades da parte da planta onde foram aplicadas. fluometuron e linuron. As triazinas também se acumulam em glândulas ricas em óleos. Aplicados às raízes. são bastante toleradas pelos citros e pelo algodão.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Uréias . Entretanto. onde atuam. na prática. são também absorvidas pelas folhas.estes herbicidas são absorvidos por folhas. que é concentrada nos tecidos meristemáticos. caules e raízes e se trans¬locam via floema ou xilema até os pontos de crescimento. atingindo. A sua velocidade de ação é proporcional à intensidade luminosa. portanto. Os estômatos fecham-se porque o herbicida. A diferença de translocação do imazaquin pode ser a causa das diferenças na susceptibilidade entre as espécies. onde inibem a síntese de aminoácidos. quanto mais lipofílica for a imidazolinona. Outros autores admitem que a translocação ocorrida na planta seja por difusão causada pelo rompimento das células. formulação e misturas 119 . a pequena translocação do produto ocorre pelo sistema apoplástico. dentro de 30 minutos elas podem ser detectadas no topo da planta. penetram no simplasto.Herbicidas: absorção. em razão de sua rapidez de ação. em solução nutritiva. eles não se translocam de uma folha para outra. A translocação das raízes para os caules parece estar relacionada com a lipofilicidade das imidazolinonas. Contudo. a translocação da folha para o caule parece não estar relacionada com a lipofilicidade.

É muito importante saber se o herbicida é metabolizado ou não. aqui. Embora os herbicidas venham sendo usados há mais de 50 anos. As agências governa¬mentais estabelecem limites de tolerância de resíduos dos produtos na planta. Uma das maneiras pelas quais as plantas se livram destes produtos é através do metabolismo destes. na época da colheita das estruturas utilizadas para a alimentação. metabolismo o da molécula é uma das principais causas da seletividade. também o inativam. metabolismo. 120 Módulo 3. o toleram.4-D são: ácido aspártico. Os compostos geralmente encontrados em conjugação com 2. A transferência do cloro da posição '4' para a posição '3' e a passagem do cloro da posição '5' para posição ‘6’ do 2. etc. há hidroxilação na posição anterior do cloro. • hidroxilação do anel aromático. ácido glutâmico. inibidores da ALS e da ACCase).Herbicidas: absorção.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 3 . valina. transformando-se em composto tóxico (2. Normalmente. também. formando o 2.: auxínicos.4-DB → β oxidação → 2. incluindo absorção. como a alfafa. com conseqüente conjugação desta hidroxila com constituintes da planta. formulação e misturas . aminoácidos também são mecanismos de inativação do 2. mas. translocação. e • conjugação do composto com constituintes da planta.4. A maioria das plantas degrada a cadeia do ácido acético. causando a inativação do herbicida. translocação. do metabolismo dos herbicidas nas plantas apenas em relação à sua detoxificação.5 T. mas somente algumas espécies o degradam em velocidade suficientemente rápida para aumentar ou proporcionar a sua tolerância ao produto. ou.Metabolismo dos herbicidas nas plantas A seletividade dos herbicidas pode ser atribuída a numerosos fatores. fenilalanina e triptofano. É importante saber não só que o herbicida é metabolizado.3 .4-D).4-DB também é metabolizado por algumas plantas (Figura 7). Tratar-se-á. o estudo de seus metabolismos é relativamente recente. Derivados dos ácidos fenóxicos Há três mecanismos básicos envolvidos no metabolismo dos derivados do ácido fenóxido acético (Figura 6): • degradação da cadeia do ácido acético. na planta. na passagem do cloro de uma posição para outra. metabolismo.4-D. leucina. alanina. A hidroxilação na posição ‘3’ e a sua conseqüente conjugação com glucose e. O 2.6 T. Para vários grupos de herbicidas (ex. A hidroxilação na posição ‘para’ inativa o produto. conhecer os seus metabólitos e a forma como são metabolizados. Algumas leguminosas.3.

4-DB a 2. translocação.4-D em plantas superiores Triazinas Algumas plantas. principalmente gramíneas como milho. dando tempo para que outros processos metabólicos realizem a sua degradação. A taxa de degradação das triazinas em plantas superiores varia grandemente com as diferentes espécies.Biotransformação e rotas metabólicas do 2. formulação e misturas 121 . enquanto em espécies suscetíveis (feijão e pepino) a degradação Módulo 3. Figura 6 . metabolismo. elas são rapidamente degradadas (Figura 8).4-D ou o fazem muito lentamente.4-D em plantas superiores Figura 7 – β oxidação do 2. sorgo e cana-de-açúcar.Herbicidas: absorção.3 . antes da saturação dos sítios de ação do produto.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas porque não o transformam em 2. Em espécies tolerantes. são altamente tolerantes às clorotriazinas (atrazine e simazine).

primariamente. A substância catalisadora dessa reação foi identificada como benzoxazinona. Extratos das raízes e da parte aérea do milho são capazes de hidroxilar as clorotriazinas. Figura 8 . Portanto. demetoxilação e dealquilação na posição ′N′ e por conjugação com peptídeos. a base de seletividade destes herbicidas às plantas. O metabolismo do metribuzin nas plantas superiores pode ser observado na Figura 9. Também pode ocorrer conjugação das triazinas com peptídeos. Esta substância ocorre em toda a planta de milho. indicando que nestas a benzoxazinona é mais ativa. 122 Módulo 3. A N-dealquilação é outra rota do metabolismo das triazinas.3 . o que favorece a tolerância das plantas a estes herbicidas.Herbicidas: absorção. Glutation-Stransferase é a enzima envolvida nessa conjugação.Biotransformação e rotas metabólicas de atrazine em plantas superiores Os processos de inativação ocorrem pela hidroxilação. translocação. metabolismo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas é mais lenta. formulação e misturas . a taxa de degradação das triazinas parece ser. mas a hidroxilação é mais intensa nas raízes.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 9 . Derivados da uréia As principais rotas do metabolismo das uréias substituídas estão relacionadas com a demetilação e. demetoxilação e deaquilação. a ruptura do anel. Entretanto.Herbicidas: absorção. É considerado um herbicida completamente metabolizado pelas Módulo 3. formando a correspondente anilina. ainda. Propanil É uma exceção entre as amidas. formulação e misturas 123 . não se demonstrou.Biotransformação e rotas metabólicas do metribuzim em plantas superiores Derivados dos ácidos benzóico A hidroxilação do anel aromático e a sua conjugação com outros constituintes da planta são demonstradas na prática. e também com a conjugação com os constituintes da planta.3 . translocação. o propanil inibe o fotossistema II.3.6-TBA é considerado um herbicida estável. o 2. metabolismo. Enquanto estas inibem raízes e pontos de crescimento. tanto na planta quanto no solo. Entre os compostos deste grupo. É um produto não-seletivo e de elevada eficiência no controle de plantas daninhas perenes. ou. incluindo as de raízes profundas.

Figura 10 . A enzima envolvida nesse processo (arilacilamidase) é 10 a 20 vezes mais ativa no arroz que no capim-arroz. como o capimarroz. como o arroz.3 . observou-se que o 2. O 3-4-diclorolactoanilida é um composto intermediário e instável nas plantas tolerantes. ele se acumula e inibe a reação devido à menor atividade da enzima que o degrada. considerando-se o tempo de ação. translocação. citados por Foy (1976). formulação e misturas . Nas plantas sensíveis. Trabalhos realizados por Redemann e outros.4-D é mais ativo que o picloram. A sua alta atividade como arbusticida e arborecida está relacionada com a sua estabilidade na planta. em trigo. Entretanto.4-D com a do picloram (em algumas espécies de plantas latifoliadas). metabolismo. podendo a mistura do propanil com estes compostos causar sensível redução na tolerância do arroz ao propanil ou até perda total de seletividade do propanil a essa cultura.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas plantas tolerantes (Figura 10). sensível.Herbicidas: absorção. o picloram é mais de 10 vezes mais ativo. Esta enzima é sensível aos inseticidas carbamatos e fosforados orgânicos. Comparando a atividade do 2. 124 Módulo 3. principalmente com diversos tipos de carboidratos.Hidrólise do propanil em plantas de arroz O metabólito 3-4-dicloroanilina formado pode ser conjugado com constituintes da planta. mostraram que somente 17% do picloram tinha sido metabolizado três meses após a sua aplicação. por causa de sua lenta degradação. por unidade de tempo. razão pela qual o arroz é tolerante e o capim-arroz. A velocidade de sua metabolização influencia decisivamente a tolerância da planta. Picloram: É um produto altamente estável na planta e no solo.

Os surfatantes são classificados de acordo com sua carga elétrica ou tendência de ionizar a porção hidrofílica da molécula. tamponantes (deixam o pH dentro de uma faixa desejada). metabolismo. que são capazes de reduzir muito a tensão superficial e até induzir um fluxo de massa da solução pulverizada através do poro estomatal. Eles podem ser aniônicos (carregados negativamente). no Brasil. às vezes. adesivos (melhoram a aderência do produto com a superfície tratada). segundo Kissmann (1997). Na legislação federal sobre produtos fitossanitários. antievaporantes e.Herbicidas: absorção. Estes compotos causam redução da tensão superficial. Eles podem ser: minerais (formulados com predominância de frações parafínicas de hidrocarbonetos). para poder cumprir eficazmente sua finalidade biológica. também. pelos estômatos. é comercializado em formulações diferentes em várias regiões do mundo. é uma formulação universal que possa ser usada em diversos países. 1997). que é acrescida na preparação de defensivos para facilitar a aplicação ou aumentar a eficiência ou diminuir os riscos é classificada como adjuvante. e os ingredientes inertes são os outros compostos adicionados na formulação. seja como molhantes. Qualquer substância ou composto sem propriedade fitossanitária. solventes (dissolvem o ingrediente ativo). Os surfatantes ou tensoativos são também adjuvantes. espessantes (aumentam a viscosidade). dispersantes (impedem a aglomeração de partículas).Formulação Formular um herbicida consiste em preparar seu ingrediente ativo na concentração adequada. quelatizantes (tiram reatividade de moléculas e íons). corantes (dão coloração ao produto formulado). e surfatantes (agentes ativadores de superfície). espalhantes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4 . servindo de interface entre as superfícies. adesivos. vegetais (apresentam porções variadas de ácidos graxos) e vegetais metilados (sofrem esterificação metílica). Entre as classes de adjuvantes podem-se citar: emulsificantes (compatibilizam frações polares e apolares). exceto água. mas a tendência atual. mantendo essas condições durante o armazenamento e transporte (ARAÚJO. O mesmo ingrediente ativo. molhantes (permitem rápida umectação do produto em contato com a água). ou. que não alteram o equilíbrio eletrolítico nas formulações e nas caldas. Recentemente surgiram os surfatantes à base de organossilicones. A formulação é a etapa final da industrialização. translocação.3 . Os minerais também podem servir como veículo para aplicação de herbicidas. adicionando substâncias coadjuvantes. Módulo 3. tendo em vista que o produto final deve ser usado em determinadas condições técnicas de aplicação. penetrantes. Os óleos não-fitotóxicos também têm grande uso como adjuvante. por possuírem porções lipofílicas e hidrofílicas na mesma molécula. ingrediente ativo é o composto com atividade biológica. fazendo com que o herbicida penetre. formulação e misturas 125 . catiônicos (carregados positivamente) e não-iônicos (neutros).

0 > 534. tem que ser compatível. que são inativados parcial ou totalmente. que deve ser de boa qualidade. necessidade de armazenagem e tipo de ambiente em que a aplicação é feita.1 . deve apresentar bom espalhamento. ou seja. Uma formulação de herbicida pode ser considerada de boa qualidade se atender aos seguintes requisitos: ser letal à planta daninha ou. Os sufatantes podem. também.2 71. permanecer ativa por um longo período. metabolismo.4 320.4-534. translocação. especialmente os de Ca++ e de Mg++. os surfactantes favorecem o espalhamento uniforme da calda na superfície foliar. podem solubilizar substâncias não-polares da folha. 1997).Classes de dureza da água Classes Água muito branda Água branda Água semidura Água dura Água muito dura ppm de CaCO3 71. equipamento de aplicação disponível. Argilas e compostos orgânicos em suspenão na água podem absorver alguns tipos de ingredientes ativos. e penetração foliar eficiente. A água quase sempre apresenta sais em dissolução. segundo Ozkan (1995). Além disso. nos seguintes fatores: características físicas e biológicas da planta daninha-alvo. 4.4 142. 1997). perigo de deriva e lixiviação. assim.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Além da redução da tensão superficial. caso esta já esteja instalada.2-142. danosa a ela.0 126 Módulo 3. favorecer mais a penetração do herbicida (RADOSEVICH.Herbicidas: absorção. Deve também permitir a associação de produtos. no mínimo. A escolha da formulação a ser usada baseia-se.3 . como sendo fitotóxicos. aumentam a retenção e melhoram o contato da gotícula. Deve-se salientar que essa dureza é calculada em função do teor de CaCO3 .Veículo de aplicação (água) O veículo mais importante para diluir formulações de produtos fitossanitários a serem aplicados por pulverização ou imersão é a água. tanto física (sem absorção ou repulsão entre os ingredientes) como química (sem alteração dos compostos) ou biologicamente (a mistura deve ser eficiente para o controle) e ser estável. Também. tornando-os indisponíveis. Um exemplo claro dessa ação ocorre com os compostos catiônicos (paraquat e diquat). custo. causando desnaturação enzimática ou disfunção das membranas e. que são os principais causadores da dureza da água. formulação e misturas .4-320. assumir conotações negativas em certos casos. por diminuírem ou eliminarem a seletividade de alguns herbicidas e até favorecerem ataques de fungos pela remoção da camada cerosa protetora ou por espalharem os esporos pela superfície vegetal (Kissmann. Quadro 3 . e não afetar os microrganismos benéficos e a cultura. boa retenção na superfície da folha. possível injúria na cultura.

1 . os elementos responsáveis pela dureza da água Ca++ e Mg++ podem substituí-los. o que reduziria a tensão superficial dos líquidos.3 . Adiciona-se geralmente uma substância dispersante. basicamente. com possíveis substituições e formações de compostos insolúveis. Muitas moléculas sofrem dissociação quando em solução.2 . Durante a aplicação. no produto comercial. metabolismo. A dureza da água pode ser corrigida. para aplicação.Herbicidas: absorção. e este. 4. descaracterizando sua ação biológica. segundo Kissmann (1997). 700 g kg-1 de metribuzin). sob a forma de suspensão.ingredientes ativos à base de ácidos ou sais podem reagir na presença dos cátions Ca++ e Mg++ . transformase numa suspensão.na presença de tensoativos aniônicos contendo Na+ ou K+. com conseqüente perda da função desses surfatantes. Nos ingredientes ativos . e a constante de dissociação também é dependente do pH. podem sofrer degradação por hidrólise. adicionado em água. Valores extremos de pH podem afetar a estabilidade das caldas. as caldas fitossanitárias apresentam mais estabilidade numa faixa de pH entre 6. após dispersão em água.5. As indústrias geralmente já formulam seus produtos para serem compatíveis com 20 até 320 ppm de carbonato de cálcio. Muitos produtos que ficam preparados em água por muito tempo. É obtida pela moagem do ingrediente ativo absorvido em material inerte (sílica. precisa-se de uma agitação contínua no tanque. Pó solúvel (PS): nesta formulação o ingrediente ativo é totalmente solúvel em água. ou acrescentando um quelatizante na água. para aplicação sob a forma de suspensão após desintegração e dispersão em água.Tipos de formulações As formulações apresentam-se. de duas maneiras: acrescentando um surfatante não-iônico. formulação e misturas 127 . o que isolaria a carga elétrica e suprimiria a reatividade de íons desta. Geralmente. para evitar floculação e aumentar a establilidade da suspensão. Outro fator muito importante que pode influir na estabilidade dos herbicidas e nos resultados é o pH da água. cuja velocidade depende do pH. 4. etc). que representa água semidura. antes da aplicação. vermiculita. O ingrediente ativo sólido está na forma de grânulos.2.Formulações sólidas Pó molhável (PM): esta formulação é definida pela ABNT como formulação sólida de pó. possui 50 a 80% de ingrediente ativo (ex: Sencor BR. Geralmente. maior concentração de Módulo 3. Grânulos dispersíveis em água (GRDA ou dry flowable): é uma formulação sólida constituída de grânulos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A dureza da água interfere na qualidade das caldas dos herbicidas de duas maneiras: Nas formulações .0 e 6. Possui a vantagem de ter. translocação. formando compostos insolúveis. não requerendo agitação durante aplicação. nas formas sólida e líquida.

menor volume de calda para aplicação (ex: Scepter 70 DG. álcool. permanece por longos períodos em suspensão (mistura mais homogênea) e provoca menos desgaste nos bicos (ZAMBOLIM. Esta formulação contém as fases ‘oleosa’ (contendo o ingrediente ativo e o solvente orgânico surfatante) e ‘aquosa’ (que também pode conter 128 Módulo 3. 1997) (ex. Suspo-emulsão: é uma formulação fluida e heterogênea. com um solvente nãopolar (o ingrediente ativo).: Ordran 200 GR. 500 g L-1 de diuron). podem ser aplicados em locais de difícil acesso. e um agente emulsificante. 960 g L-1 de metolachlor). sendo uma alternativa ao concentrado emulsionável (ex. Como vantagens estão a ausência do pó. para aplicação após a diluição em água. 4-D). VALE. Emulsões concentradas: esta formulação é uma emulsão de ingrediente ativo de baixo ponto de fusão ou líquido. adiciona-se geralmente um surfatante (ex.3 . Suspensão concentrada (S) ou “flowable”: é uma formulação constituída por uma suspensão estável de ingrediente(s) ativo(s) num veículo líquido. Concentrado emulsionável (CE): é uma formulação líquida homogênea. para aplicação após diluição em água. O concentrado emulsionável conta. Emulsões são sistemas termodinamicamente instáveis que consistem em dois líquidos imiscíveis. têm maiores custos e dependem de equipamentos adequados para aplicação e de umidade no solo para liberar o ingrediente ativo (ex.: Dual 960 CE. são mais seletivos. a baixa toxicidade e o fácil manuseio (ex. formulação e misturas . constituída de uma dispersão estável de ingredientes ativos na forma de partículas sólidas e de finos grânulos na fase aquosa. que pode conter outro(s) ingrediente(s) ativo(s) para aplicação após a diluição. e de princípio ativo. Neste tipo de formulação.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas princípios ativos. 110 g L-1 de fenoxaprop-p-ethyl). etc. basicamente. composta do soluto. diferindo-se por possuírem partículas de maior tamanho. Pellets ou pastilhas: possuem ampla similaridade com os granulados. requerendo. o princípio ativo sólido (micropartículas) é mantido suspenso em água. 4. Para que um produto seja formulado como solução. 670 g L-1 de 2.Formulações líquidas Soluções (S): esta mistura é de natureza homogênea. Microemulsão: é um caso específico de emulsão. e do solvente. Granulados (GR): os grânulos são constituídos de veículos minerais. translocação. como a vermiculita. Em geral.2 . que é o ingrediente ativo. cuja concentração varia de 2 a 20%. ele deve ser solúvel em pelo menos 25% por litro do solvente. que pode ser água. com isso.: Karmex 500 SC.: DMA 806 BR. Possui maior penetração foliar. 200 g kg-1 de molinate). dispensam o uso da água. Seu processo de obtenção é o mais simples e barato. dissolvido no solvente. sob a forma de emulsão.: Podium. metabolismo. acetona. 700 g kg-1 de imazaquin). A importância desta formulação reside na possibilidade de poder compatibilizar dois tipos de formulações diferentes. A solubilidade mínima necessária é de 12%.2. sendo um deles disperso como glóbulos de pequeno tamanho dentro do outro.Herbicidas: absorção. Devido à sua pouca penetração foliar.

bem como os fabricantes. 5. visando obter o máximo de controle de plantas daninhas e minimizar injúrias às culturas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ingrediente ativo solúvel em água. reduzir ou eliminar a competição destas com a cultura É importante lembrar que existem centenas de espécies de plantas daninhas e que estas apresentam as mais variadas características morfológicas e fisiológicas.Vantagens das misturas ou combinações de herbicidas A aplicação de misturas de herbicidas pode oferecer vantagens.Herbicidas: absorção. ou mesmo com outros agroquímicos/pesticidas.1 . quando comparadas com aplicação de um princípio ativo isoladamente. entretanto. Módulo 3. o controle mais efetivo de plantas daninhas e as menores quantidades de herbicidas aplicadas geralmente reduzem o custo total do manejo. É mais efetiva que uma única dose de um herbicida. • Redução de resíduos na cultura e no solo devido ao uso de doses menores. além do conhecimento a respeito das interações entre os produtos. devido ao uso de doses menores de cada herbicida misturado.Misturas de herbicidas O controle de plantas daninhas visa. metabolismo. especialmente dos componentes mais persistentes. • As misturas foram primeiramente usadas para o controle não-seletivo e seu uso contínuo tornou-se importante. a preparar misturas de herbicidas com diferentes princípios ativos. A aparência é de um líquido transparente. formulação e misturas 129 . Além desse fato. a necessidade de reduzir os custos de produção da cultura tem levado os produtores.3 . tolerância ou resistência) em relação aos herbicidas utilizados. que lhes conferem comportamento diferenciado (susceptibilidade. além de surfatante). especialmente as misturas. Deve-se dar preferência às misturas prontas. • Redução de custos: o menor custo de aplicação. o manejo de herbicidas. Há menor chance de a cultura ser injuriada. entre outros aspectos. translocação. como: • Controle de maior número de espécies de plantas daninhas e redução do risco de aparecimento de genótipos resistentes.: Robust: 200 g de fluazifop-p-butil + 250 g L-1 de fomesafen). Houve grande expansão no uso de misturas e na aplicação sequencial de vários herbicidas em um único ciclo cultural. 5 . requer grande cuidado. A idéia de combinação de herbicidas para controlar seletivamente plantas daninhas em culturas desenvolveu-se posteriormente. homogêneo (ex. • Aumento da segurança da cultura.

que resulta numa rápida sedimentação dos componentes da mistura. com outro formulado como concentrado emulsionável tem elevada tendência a apresentar incompatibilidade física. uma das vantagens da mistura formulada. • Melhores resultados em campos com variados tipos de solos. dependendo do modo como foi feita a mistura. 130 Módulo 3. carga iônica e outros parâmetros físicos são responsáveis pela redução do desempenho dos produtos.Incompatibilidade Quando dois ou mais herbicidas são combinados. 5. Menor desempenho da mistura pode ser resultado de qualquer incompatibilidade física ou biológica. resultando em formação de precipitados. podem ser observados os seguintes efeitos sobre as plantas: • Efeitos sinérgicos: quando o efeito dos herbicidas aplicados juntos é maior que a soma dos efeitos isolados. A incompatibilidade física é usualmente causada pela formulação e suas interações. formulação e misturas . Estes herbicidas pré-misturados ou em misturas no tanque do pulverizador podem ser mais eficientes ou não. é evitar possíveis incompatibilidades dos componentes da formulação. eles podem ser aplicados separadamente (um após o outro). translocação. em razão da possível ação sinergística na planta daninha e ação antagônica sobre a cultura. 5. É a relação da efetividade de um material com o outro..3 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • Controle por um período maior. Por isso. Fatores como solubilidade. etc. metabolismo. pela adição de outro herbicida mais efetivo sobre determinada espécie de planta daninha predominante. causada pela incompatibilidade. • Pode melhorar o controle de plantas daninhas pela ampliação da seletividade.Herbicidas: absorção. de modo que sua aplicação não pode ser executada. em relação à de tanque.Interações entre herbicidas O termo interação descreve a ação conjunta dos herbicidas nas plantas.3 . por exemplo. • Efeitos aditivos: quando o efeito dos herbicidas em mistura é igual à soma dos seus efeitos quando aplicados separados. A incompatibilidade denota a inabilidade de dois ou mais herbicidas em serem usados simultaneamente. Quando dois ou mais herbicidas são aplicados juntos. separação de fase. juntos (misturados no tanque) ou ainda podem ser formulados juntos (comercializados numa mesma embalagem). complexação.2 . A mistura de um herbicida formulado como pó-molhável. • Efeitos antagônicos: quando o efeito dos herbicidas em mistura é menor que a soma dos seus efeitos quando aplicados separadamente.

inibição do metabolismo. • Se a resposta observada foi menor que a esperada. Também pode ocorrer a redução da penetração foliar. chlorimuron.Herbicidas: absorção. 1995). principalmente quando a formulação éster do MCPA é usada. O antagonismo em misturas de tanque acontece quando uma reação adversa ocorre entre os herbicidas na solução. os inibidores de lipídios não devem ser misturados com 2. resultando em menor efeito dos herbicidas sistêmicos. ou reduzir. O efeito da interação entre dois herbicidas pode ser estimado pela equação a deguir: em que: X = percentagem de inibição do crescimento pelo herbicida A e p L ha-1. É o antagonismo químico. chlorsurfuron. etc. Então. WARREN. induzindo o Módulo 3. metabolismo. a mistura é aditiva. MCPA. 2005) A tolerância do milho a este herbicida é devido ao rápido metabolismo deste. A absorção e a translocação do glyphosate ficam prejudicadas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas É interessante lembrar que esses efeitos podem ser diferentes entre espécies de plantas. • Se a resposta observada for maior que a esperada. • Se a resposta observada for igual à esperada. formulação e misturas 131 . Inseticidas organoclorados não têm apresentado interações com herbicidas. interações dos mecanismos de ação dos herbicidas envolvidos. Várias misturas sinergísticas de herbicidas têm sido reportadas. imazethapyr. aumento da translocação. Y = percentagem de inibição do crescimento pelo herbicida B e q L ha-1. seria ideal que a mistura apresentasse efeitos antagônicos para a cultura e sinergísticos para as plantas daninhas. etc. Organofosforados estão envolvidos com interações com nicosulfuron (SILVA et al. a mistura é sinérgica. bentazon. por exemplo.Interações de herbicidas com inseticidas em mistura Em geral. por exemplo.4-D. inseticidas organofosforados podem inibir. a mistura é antagônica. Do ponto de vista prático. este metabolismo. entretanto.3 . e E = percentagem ‘esperada’ de inibição do crescimento pelos herbicidas A+B a p+q L/ha. 5. A redução da penetração pela raiz pode resultar em antagonismo e aumentar a seletividade da cultura.4 . O antagonismo também ocorre quando um herbicida de contato é aplicado com glyphosate ou com herbicidas auxínicos. imazaquin. a fitotoxicidade de alguns herbicidas tem mostrado ser influenciada por alguns inseticidas organofosforados ou metilcarbamatos. O antagonismo do fenoxaprop com MCPA éster aumentou a tolerância do trigo sem reduzir o controle da aveia-brava (JORDAN. etc. entre o paraquat e o MCPA dimetylamina. X+(100-Y) é a toxicidade esperada da mistura.. translocação. As bases para essa interação podem ser: aumento da penetração foliar dos herbicidas aplicados em pós emergência. É o caso do trifluralin e diuron em algodão e trifluralin e metribuzin em soja.

5. Esses resultados.3 . translocação. É interessante ressaltar o antagonismo entre phorate (Thimet). às vezes. Os inseticidas protegem o algodão de alguma toxicidade do clomazone. são usados por alguns produtores. em ensaios preliminares apresentou efeitos aditivos. O organofosforado terbufos (Counter) tem causado maiores problemas na prática. em mistura com os herbicidas fluazifop-p-butil+fomesafen. formulação e misturas . porém sem nenhuma base científica. A aplicação de molibdênio na cultura do feijão. Interações de herbicidas com fertilizantes em mistura Os herbicidas em misturas com fertilizantes. A aplicação do terbufos em milho é antagonística aos resíduos do imazaquin no solo e tem dado considerável proteção ao milho. 132 Módulo 3. se confirmados.5. fomesafen e imazamox.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas surgimento de sintomas de intoxicação nas plantas da cultura. Os mecanismos dessa interação não são bem conhecidos. bentazon.Herbicidas: absorção. metabolismo. viabilizam a aplicação desses insumos de uma só vez. disulfoton (Disyston) e o clomazone em algodão.

M. p. biochemistry. Adsorption of some herbicides by soil and roots. 2. Destino final das embalagens de agrotóxicos (Produtos Fitotassanitários). 1969. 344-365. L. (Eds. degradation and mode of action. T. Associação Regional do Estado do Paraná. R. BUKOVAK. 1995.. J. A. p. E. BAYER. E. v. 421. Environmental influences on cuticle development and resultant foliar penetration. p. A. 349. 378. 1. D.4-D. Bocca Raton: CCR Press. Uptake of herbicides from soils by shoots. J. H. 777-813. L. West Lafayette: Purdue University.. A. M. J. Composição química da cera epicuticular e caracterização da superfície foliar em genótipos de cana-de-açúcar. p. A. 787 p. ecology. WARREN. 1976. vol.J. A. C. C. 232-234. p. 23. Bot. Influence of rainfall on the phytotoxicity of foliarly applied 2. 1991.. Ed.. FERREIRA. Cyanamid Química do Brasil. p. 302 p. N. Aduvantes. p. p. I. 638. HULL. Plant Phisiol..ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Referências bibliográficas ARAÚJO. In: Herbicides physiology. SILVA. In: KEARNEY. Absorption of 2. GROVER. D. Módulo 3. P. J. R.. HESS.3 .. p. Planta Daninha. sulfosate e glifosate potássico submetidos a diferentes intervalos de chuva após a aplicação. JORDAN. n. H. 1981.. 19. L. S. J. 1997. Picloram and related compounds. H. GROVER. Herbicides entry into plants. n. M. BRIDGES.. 40 p. biochemistry.. A. v. formulação e misturas 133 . 365-393. 2. R. 279-285.. KAUFMANN. J. 4. VENTRELLA. 611-619.. D. 2005. JAKELAITIS. B. vol. (Ed.) Herbicides physiology. 1995. R.. West Lafayette: Purdue University. p. Absorption. Rev.. Environmental chemistry of herbicides.. Can.. T. LEONARD. O. APPLEBY. HESS. In: Hebicide action course. 1973. J. O. 2. metabolismo. L. In: Herbicide action couse. DEMUNER.4dichlorophenoxyacetic acid and 3-(p-chlorophenyl)1. C. E. Planta Daninha. CESSNA. W. A. Controle de Digitaria horizontalis pelos herbicidas glyphosate. L. D. R. v. DONALDSON. J. p. R. MIRANDA. p. Herbicide combinations and interactions.. G. ELAKKAD. v. R. FOY. HAY. PROCÓPIO. A. BEHRENS.. WHARRIE. DAWSON. 1975. S. D. J. SENAR. A. By Audus. 1976. 1976. 56-58. Vol. P. v. v.. SANTOS. 2003. ecology. 52. SILVA. F. J.. In: Herbicide action curse. M. R. A. F. In: Herbicide action curse. 335-360. 1994. Curitiba. 29. Weed Sci.) Herbicides chemistry. 49. 1-dimthylurea (monuron) by barley roots. Herbicide transport in plants. translocação. V... FERREIRA.. A. MORTON. In: AUDUS. D. G.. Plant Sci. 42. MARQUES. 2001. A. HANCE. Vol. A. West lafayette: Purdue University.Herbicidas: absorção. West lafayette: Purdue University..

527-534. SILVA. C. D. HOLT. SCHMIDT. Palestras e mesas redondas. F. CHERSA.3 . Amer.. (Eds.. Root Structure. (Eds. F. The use of model system to study the cuticular penetration of 14C-MCPA and 14C-MCPB. Planta Daninha. p. M. E. NORRIS. 139.. 3.ed.. Adjuvantes para caldas de produtos fitossanitários. v. E. MCKAY. SILVA. C. A. M. 221-239. RADOSEWICH. Mod. Quantificação dos herbicidas glyphosate e sulfosate na água após simulação de chuva. In: KOLEK. Weed science – principles and practices. J. 5. FREITAS.. Brasília. 18. W. VALE. R.. F. LIVINGSTONE. 134 Módulo 3. p. 20.. Inc. S. F. translocação. Weed Sci. 3.. KLINGMAN. FERREIRA. 1997.) Beauv.4-D in relation to cuticle thickness. Planta Daninha. 665 p.. n. Principles of plant nutrition. MERRIDA. 1992. M. FERREIRA. Herbicide formulations. F. v. 431 p. Weed Res. T. K. 1994. TURNER. E. C. 491-499.. A.) London: Academic Press. Effect of ammonium sulphate and other additives upon the phytotoxicity of glyphosate to Agropyron repens (L. A. Dordrecht: Kluwe Academic Publishers. Inc. N. 1975. PIRES. 34. J. p. J. Weed ecology implications for management.) Physiology of the plant root sistem.. In: CONGRESSO BRASILEIRO DA CIÊNCIA DAS PLANTAS DANINHAS.I. A. 1981. 591 p. MG: SBCPD. 105. MENEGEL. ALMEIDA. F. LUXOVÁ. Mechanism of herbicide absorption across plant membranes and acumulation in plant cells.. D. p. In: SMITH. Georgia. 74. 1997. Pflanzenphysiol. 1974 OZKAN. L. 2005.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas KIRKWOOD. Bern/Switzerland. KIRKBY. p. R.Herbicidas: absorção.. STERLING.. Organosilicone surfactant performance in agricultural spray application: a review.. G. B. formulação e misturas .. C. Controle de doenças de plantas. Ced. 253. A. v. A.. CIAMPOROVÁ. F. SILVA. KOZINKA. Handbook of Weed Managemment Systems. 263-276. K.. New York: Wiley & Sons... MG. Penetration of 2. M. 2005. LOADER. V. N. T.. v.. JAKELAITIS. New York: John Willey Y Linos. 589 p. ZAMBOLIM. C. R. 61. 1995. A. PR: Edição dos Autores. SCHONHERR. R. I.. A. KNOCHE. 72. KISSMANN. 1994. ASHTON. in the plant cuticle. n. X. M. M. 189 p. 2.. p. V. 42 p. Londrina. A. 2000. OLIVEIRA. metabolismo.. p. 42. 41. P. In: CLUTER. S. 1997. Bot.. K. A. v. ALVIN. 1982. Water permeability and fine structure of cuticular membranes isolated enzimatically from leaves of Clivia miniata Reg. 1980.P. Caxambu. L. v. H. Z. CARDOSO. Viçosa.. 21. E. 23. v. Maecel Dexker. L. Guia de herbicidas.. p. M. adjuvants and spray drift management.. 1982.. K. PRICE. 1997. I. p. 217-243.. J. H. p. A. Weed Res. G. 204 285. Aplicações seqüenciais e épocas e doses e aplicação de herbicidas em mistura com chlorpirifos no milho e em plantas daninhas. R. RODRIGUES. M. L.ed.

Rubem Sillvério de Oliveira Júnior Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior .ABEAS Universidade Federal de Viçosa .Manejo de plantas daninhas 3. Antonio Alberto da Silva Profº.4 .4 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 . Rafael Vivian Profº. Jose Barbosa dos Santos Profº.Herbicidas: comportamento no solo 135 .Herbicidas: comportamento no solo Tutores: Profº.UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília .DF 2006 Módulo 3.

Degradação química.Coeficiente de partição octanol-água (Kow).Fatores que influenciam a volatilização. 144 2. 140 2. 167 4 . 162 3. 158 2.Degradação biológica (microbiana) ou biodegradação.Relação entre KH e incorporação de herbicidas. 167 3. 158 2.5.2.Isotermas de sorção.Processos de retenção.Processos de transporte. 162 3.Processos de transformação.6 .6.Herbicidas: comportamento no solo .4 – Solubilidade.1 .Escorrimento superficial (run-off) e sub-superficial (run-in).Textura e mineralogia.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução.2 – Volatilização.5. 161 3.1 .Principais propriedades físico-químicas dos herbicidas que interferem na sua sorção no solo.2.pH do solo.Importância da matéria orgânica do solo na sorção de herbicidas.Principais propriedades do solo que influenciam a sorção de herbicidas.2 .Pressão de vapor (P).Relação entre PV e S. 175 136 Módulo 3.4.1 . 158 2. 142 2.2. 164 3.1 – Precipitação. 166 3.1 – Persistência. 141 2.7 – Dessorção.2. 147 2.2 . 167 3. 170 4.6.Capacidade de dissociação eletrolítica (pKa).6 . 160 3 .3 – Adsorção. 175 4.4 – Lixiviação.2.5 . 150 2. 141 2. 141 2.4.2 . 154 2.4 . 166 3.5 .3 . 139 2 . 164 3.Absorção pelas plantas. 162 3.2 . 150 2.3 .2 – Absorção.3 . 138 1 .2 .3 . 170 4.2.4 – Sorção.Estimativa da sorção.5.Importância do estudo de herbicidas no solo.1 . 155 2.Alternativas para redução de perdas por volatilização.1 .

A fitorremediação como mecanismo de biorremediação.Considerações finais. 178 5.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4.3 . 177 5 – Fitorremediação.Herbicidas: comportamento no solo 137 .Problemas relacionados aos herbicidas residuais. 188 Módulo 3.4 .Estratégias para o sucesso da fitorremediação. 183 6 . 182 5. 186 Referências bibliográficas. 179 5.2 .Fotodecomposição ou fotólise.4 .1 .

como o que ocorre para algumas moléculas simples e não-persistentes. No entanto. Com isso. biodisponibilidade e recalcitrância do herbicida. ou perdurar por meses ou anos. é fundamental que eles sejam adequadamente aplicados. 138 Módulo 3.Herbicidas: comportamento no solo . entre outros fatores. As práticas agrícolas. Os exemplos apresentados destacam os estudos mais relevantes com herbicidas em solos. Nos últimos anos. Neste capítulo são apresentados os principais conceitos relacionados ao comportamento de herbicidas no solo. a qual está relacionada à atividade microbiológica. 2001) e acabam alcançando direta ou indiretamente o solo. para compostos altamente persistentes. cresce a importância do entendimento do destino final dessas moléculas e do estudo do comportamento no ambiente onde são aplicados. os estudos envolvendo a sorção de herbicidas em solos brasileiros sob condições de clima tropical são também fundamentais para avaliação da eficiência de controle das plantas daninhas do local. observa-se maior preocupação quanto à contaminação do ambiente e a utilização racional dos recursos hídricos e do solo. o qual pode ser extremamente curto. O seu tempo de permanência no ambiente depende. além da sua taxa de degradação. assim como dos próprios recursos naturais que sustentam a produção.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução O uso do controle químico em plantas daninhas. permitindo maior compreensão da dinâmica desses compostos no ambiente. atualmente. tornando-se indiscutível a utilização de herbicidas no sistema agrícola. inicia-se o processo de redistribuição e degradação dos herbicidas aplicados.4 . são responsáveis por grande parte da degradação desses recursos. para que seja preservada a qualidade final dos produtos colhidos. especialmente o solo e a água. pois elevados índices de sorção podem comprometer a eficiência do herbicida. Embora escassos. constitui-se prática indispensável para a agricultura em larga escala. juntamente com os processos envolvidos na dissipação desses compostos no ambiente. o qual atua como o principal receptor e acumulador desses compostos. da dinâmica do fluxo hídrico e do transporte de solutos. Ao atingirem o solo. entretanto. Outro fator relevante é que 60 a 70% do total dos pesticidas aplicados nos campos agrícolas não atingem a superfície alvo de interesse (LAW. da capacidade de sorção do solo.

PARKING. que afetam direta ou indiretamente a eficiência no controle de uma planta daninha. embora a capacidade de permanência do herbicida e sua degradação no solo sejam um processo-chave na determinação do fato que este terá ou não efeito na qualidade ambiental (Hinz. além da remediação e imobilização de poluentes (GRANATSTAIN. procura-se descobrir as interações do herbicida com os componentes do solo. em razão de o solo ser considerado um ambiente heterogêneo sob influência de diversos fatores.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1 . embora esses processos sejam descritos de forma isolada.Herbicidas: comportamento no solo 139 . transformação e transporte (Figura 1). Atualmente. segundo. uma vez que o herbicida é uma substância exógena ao meio. 1994). conhecer os fatores do ambiente. 2001). química e biológica (DORAN. que interagem entre si. de modo a minimizar os eventuais efeitos negativos que a sua presença possa causar ao ambiente. É responsável também pela ciclagem dos nutrientes. o estudo do comportamento de herbicidas no ambiente tem sido realizado através de estimativas das tendências a que estes estão sujeitos em função de três principais processos: retenção. sendo responsável pelo suporte físico e de armazenagem dos nutrientes para as plantas. a sua avaliação é de difícil mensuração e repetibilidade. onde interagem inúmeros processos de ordem física. BEZDICEK. 1992). Módulo 3. Promove a retenção e o movimento da água. atividade e diversidade microbiana. além do próprio herbicida. Outro fator relevante é que o solo atua na manutenção dos processos vitais. No entanto.Importância do estudo de herbicidas no solo O estudo do comportamento de herbicidas no solo e no ambiente visa pelo menos dois objetivos principais: primeiramente.4 . suportando as cadeias alimentares.

química e biológica. precipitação e adsorção. Sabe-se que as moléculas dos herbicidas. o que resulta na dissipação destas. evitando que ela se mova tanto dentro como para fora da matriz do solo. quando em contato com o solo. que engloba mecanismos específicos de dissipação dos herbicidas: absorção. a partir da superfície do solo na forma de solução. constantemente. A distinção entre adsorção verdadeira (na qual camadas moleculares se formam na 140 Módulo 3. Como os herbicidas movem-se. pode ser entendido como um processo geral de sorção de herbicidas no solo. A retenção refere-se à habilidade do solo de reter um pesticida ou outra molécula orgânica. química e biológica). movimentar-se ou sofrer transformação física. transporte e transformação de um herbicida aplicado ao solo 2 . transporte e retenção.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 1 . Entretanto. Entretanto.Representação esquemática da interação entre processos de retenção. por sua vez.4 . o processo de retenção constitui-se num dos processos mais importantes para prever a movimentação dos herbicidas no solo e sua taxa de degradação (física. assim como conhecer qual a eficiência quando estes forem aplicado para o controle de plantas daninhas. normalmente. o processo de retenção.Herbicidas: comportamento no solo . a compreensão dos fatores que regulam as interações de retenção é essencial para entender o comportamento dessas substâncias no solo. estão sujeitas aos processos de movimento.Processos de retenção O solo é um sistema aberto e dinâmico no qual os seus constituintes podem.

Herbicidas: comportamento no solo 141 . estrutura molecular.4 .1 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas superfície de uma partícula de solo). em razão disso. entre outros. as quais incluem tamanho. em alguns casos. obtendo-se as curvas denominadas de isotermas de adsorção.Precipitação A formação de precipitados entre as moléculas de herbicidas pode ocorrer pela junção das partículas dos argilominerais com o herbicida por ligações covalentes de alta força. Esta é a razão pela qual os estudos de adsorção conduzidos em laboratório são realizados em condições de temperatura constante. Dependendo do sentido dessa força. Além disso. Contudo.Adsorção A adsorção caracteriza-se por um fenômeno temporário pelo qual uma substância dissolvida se fixa a uma superfície sólida ou líquida. a adsorção é usualmente determinada apenas através do desaparecimento da substância química da solução do solo. o termo adsorção é normalmente substituído por um outro mais geral. Segundo Gevao (2000). resultando num aumento da concentração na solução do solo. denominado de sorção (KOSKINEN. distribuição. o processo adsortivo de herbicidas. natureza ácido/base dos herbicidas. 2. a adsorção de herbicidas no solo depende das propriedades deste e do composto aplicado. polaridade.3 . Na prática. configuração. HARPER. As quantidades do herbicida adsorvido aos constituintes do solo são diretamente proporcionais à superfície específica do material coloidal e decresce geralmente com o aumento da temperatura. Essa fixação ocorre por interação de forças da superfície do adsorvente (solo) e do adsorvato (herbicida).Absorção O termo absorção é usado especificamente quando as moléculas do herbicida são absorvidas pelo sistema radicular e outras partes subterrâneas das plantas. a velocidade das reações químicas aumenta com a elevação da temperatura. 1990). a adsorção por ligações químicas. Dificilmente ocorrerá a absorção de herbicidas por partículas minerais ou orgânicas do solo. ainda. solubilidade.2 . principalmente com os constituintes orgânicos do solo. 2. provocado pelo incremento da energia cinética das moléculas. abordadas posteriormente. o herbicida pode ser adsorvido às partículas coloidais (orgânicas e minerais) do solo ou sofrer repulsão. precipitação (na qual tanto uma fase sólida separada se forma nas superfícies sólidas como ligações covalentes com a superfície da partícula de solo acontecem) e absorção dos herbicidas pelas plantas e organismos é difícil. funções químicas. pela formação de uma fase sólida separada na superfície de uma partícula sólida do solo. ou. seja ele avaliado em condições laboratoriais ou em Módulo 3. distribuição de cargas. podendo favorecer. 2.

absorção e precipitação. As pontes de hidrogênio são produzidas pelas atrações eletrostáticas entre o núcleo eletropositivo do hidrogênio e pares de elétrons expostos de átomos eletronegativos. o qual varia em função do mecanismo e da velocidade das reações envolvidas (Figura 2).4 . a mais importante é a força de Van der Waals. devido a um sincronismo no movimento eletrônico. ligações hidrofóbicas. O processo individual de sorção é profundamente complexo.Herbicidas: comportamento no solo . envolvendo mole¬culas sem dipolo permanente. sem distinção entre os processos específicos de adsorção. atmosféricos e aquáticos. As pontes de hidrogênio caracterizam-se por formar uma interação dipolo-dipolo. depende do tempo de equilíbrio alcançado pelo material adsorvente (solo) e o adsorvido (herbicida). expressando a atração elétron-núcleo. podendo ocorrer interação entre uma molécula polar e outra apolar. 2. entre outras. Entre as forças físicas. Essa força é extremamente fraca e de curtíssima distância.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas campo. Figura 2 . pontes de hidrogênio.Representação da determinação do tempo de equilíbrio necessário nos estudos de adsorção de herbicidas em solos As forças responsáveis pelas reações de sorção dos herbicidas no solo incluem: forças físicas.4 . com força muita fraca. ligações eletrostáticas. reações de coordenação e ligações de troca. com alta massa (SCHWARZENDBACH et al.Sorção Sorção refere-se a um processo geral.. ocorrendo comumente em moléculas grandes de herbicidas. em virtude da heterogeneidade do solo e da sua continuidade com sistemas biológicos. 1993). Esse tipo de ligação é muito mais importante nas ligações das moléculas dos herbicidas sobre a superfície da matéria orgânica do que pela 142 Módulo 3.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

superfície das argilas e ocorre com compostos contendo grupos >C=O + grupos –NH (ou –COOH, OH, >C=O ou – NH2) (Figura 3).

Figura 3 - Interação entre atrazine e substâncias húmicas por pontes de hidrogênio. Fonte: Senesi (1992).

Ligações hidrofóbicas estão associadas com a sorção de herbicidas apolares, os quais competem com as moléculas de água pelos sítios sortivos. Muitas das moléculas de herbicidas, principalmente os aromáticos, halogenados, fenóis e bifenóis, com baixa solubilidade em água, podem ligar-se à superfície das argilas por meio de ligações hidrofóbicas. Estas ligações são muito favorecidas quando são adicionados ao solo resíduos orgânicos naturais, aumentando o número de sítios hidrofóbicos de ligação. As ligações eletrostáticas envolvem cargas elétricas de superfície, formadas por complexas reações de adsorção, as quais podem ocorrer por adsorção por moléculas de água, por cátions, por troca aniônica e por compostos orgânicos naturais. A adsorção por troca aniônica é importante para solos pouco intemperizados de clima temperado. Contudo, em condições de solos brasileiros, desenvolvidos em condições de clima tropical e subtropical, predominam argilominerais (1:1) e elevados teores de óxidos de ferro e alumínio, com baixa capacidade de formar este tipo de ligação. As reações por coordenação envolvem ligações covalentes, de curta distância, e com sombreamento dos orbitais. São ligações muito fortes e a energia depende do número de elétrons em orbitais moleculares ligantes ou antiligantes. Essas ligações estão presentes, por exemplo, entre os prótons dos grupos funcionais de superfície e os átomos de hidrogênio (Fe-OH, Al-OH, COOH) e N2 (NH2). Esse tipo de ligação, formando complexos de esfera interna, torna difícil a separação e distinção entre o colóide e a molécula do herbicida. A protonação nada mais é que a formação de complexos de transferência de cargas na superfície mineral. Ocorre quando um grupo funcional forma um complexo com a superfície de um próton. O complexo pode ser extremamente estável, desenvolvendo sorção praticamente irreversível. Esse tipo de ligação ou mecanismo tem sido válido para herbicidas do grupo das striazinas, as quais se tornam catiônicas através da protonação, tanto na solução do solo como durante o processo de adsorção (Figura 4) (SCHWARZENDBACH et al., 1993).

Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

143

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Figura 4 - Interação entre atrazine e substâncias húmicas por protonação do herbicida Fonte: Senesi (1992)

2.4.1 - Estimativa da sorção A avaliação da sorção é feita normalmente por meio da estimativa de coeficientes, denominados coeficientes de partição, coeficientes de partição solo-água, coeficientes de sorção ou constantes de adsorção. Neste capítulo será adotado o termo coeficiente de sorção para denominar a relação entre as concentrações de herbicida em solução e aquelas sorvidas ao solo. O coeficiente de sorção, Kd, pode ser estimado pela relação:

O Kd representa a relação entre a concentração do herbicida que permanece sorvido ao solo Cs (μg g-1) e a concentração do herbicida encontrada na solução de equilíbrio Cw (μg mL-1), para uma determinada quantidade específica do herbicida adicionado. Entretanto, como o teor de carbono orgânico, aparentemente, tem representado melhor a capacidade adsortiva dos herbicidas nos solos, principalmente para os compostos de caráter básico ou não-iônicos (KARICKHOFF, 1981; OLIVEIRA JR. et al., 1999), tem-se corrigido o Kd em relação ao teor de carbono orgânico do solo. A partir dessa normalização do Kd, obtém se o Koc, o qual permite a comparação da sorção entre diferentes solos e é um índice muito utilizado em métodos de classificação de mobilidade e em modelos de simulação do comportamento de pesticidas no solo. A normalização do Kd para o teor de carbono orgânico é feita pela relação:

Em que Koc representa o coeficiente de sorção normalizado para o teor de carbono orgânico do solo (L kg-1) e foc indica o teor (% ou dag kg-1) de carbono orgânico do solo, o qual é obtido dividindo-se o percentual de matéria orgânica por 1,72. Oliveira Jr. (1998), estudando a correlação entre as propriedades dos solos, verificou que os coeficientes de sorção (Kd e Koc) de diferentes herbicidas determinados em solos brasileiros correlacionaram-se significativamente com o teor de carbono orgânico e CTC dos solos para a
144 Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

maior parte dos herbicidas. De modo geral, os herbicidas ácidos fracos (imazethapyr, metsulfuron, nicosulfuron e sulfometuron) foram os que apresentaram menor sorção, ao passo que os herbicidas básicos fracos (atrazine, hexazinone, simazine) e não-iônicos (alachlor) foram os mais sorvidos. No Brasil, o Koc tem sido amplamente utilizado para predizer a capacidade de sorção de diversos herbicidas no solo; também é utilizado juntamente com a textura para recomendar as dosagens dos herbicidas. Entretanto, a padronização do Kd em relação ao carbono orgânico do solo não é consenso entre os pesquisadores da área, pois a sorção de herbicidas à matéria orgânica do solo ocorre de forma heterogênea, em função dos mecanismos e da fração orgânica envolvida no processo sortivo, cujos índices podem não representar a realidade. Ao mesmo tempo, o Kd e Koc nem sempre são suficientemente exatos para descrever a sorção de um pesticida em uma faixa considerada de concentração. As relações entre as concentrações em solução e na fase sólida podem, então, ser descritas por isotermas, descritas no item 3.4.2. As estimativas dos coeficientes sortivos apresentados (Kd e Koc) geralmente são conduzidas em condições laboratoriais, empregando-se a cromatografia líquida e gasosa como técnicas analíticas na determinação das concentrações dos herbicidas nas fases sólida (solo) e líquida (solução do solo) propriamente ditas. Entretanto, devido aos custos envolvidos nessas análises, outras formas de estimar a capacidade de sorção desses compostos no solo podem ser utilizadas. Entre elas, a técnica de bioensaio representa um método simples e de grande valia na determinação da capacidade sortiva e de resíduos de herbicidas no solo. Inicialmente, para a utilização dessa técnica, são feitas curvas de dose-resposta para cada composto, utilizando-se plantas indicadoras específicas ao mecanismo de ação de cada herbicida. As curvas de dose-resposta devem ser feitas no solo a ser estudado e em material inerte, preferencialmente areia lavada, isentos de qualquer resíduo. Após a aplicação de doses conhecidas do herbicida, são realizadas avaliações nas plantas indicadoras, as quais incluem fitoxicidade, altura da planta, comprimento de raiz, massa seca da parte aérea e raízes (Figura 5). Após as avaliações, utilizam-se modelos de regressão não-linear, como o proposto por Seefeldt et al. (1995):

em que D e C representam os limites superior e inferior da curva, respectivamente; b, a declividade da curva; e C50, a dose correspondente a 50% de resposta. O limite superior da curva D corresponde à respota média da testemunha e o limite inferior da curva C é a resposta média das plantas que receberam os herbicidas. O b descreve a declividade da curva em torno do C50.

Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

145

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Figura 5 - Curva de dose-resposta para massa seca da parte aérea (% em relação à testemunha) de Sorghum vulgare, em função de doses crescentes de sulfentrazone (X) em Argissolo Vermelho-Amarelo (– – –) e em areia (____) Fonte: Vivian et al. (2005)

A partir dos dados obtidos de (C50) em solo e areia, utiliza-se a equação a seguir para expressar a relação de adsorção (RA) do solo em relação à resposta obtida em areia para a espécie indicadora (SOUZA, 1994). Considera-se que valores de RA elevados indicam maior capacidade de sorção do herbicida estudado no solo e, conseqüentemente, menor potencial de lixiviação do composto no perfil do solo. Um exemplo de curva de dose-resposta utilizada para o herbicida trifloxysulfuron-sodium em solo e areia pode ser observado na Figura 6. RA = C50solo – C50 areia C50 areia

Figura 6 – Curva de dose-resposta em solo (a) e areia (b) para trifloxysulfuron-sodium

146

Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

2.4.2 - Isotermas de sorção Quando se deseja estudar o comportamento dos herbicidas em diferentes concentrações no solo, deve-se observar que a sua sorção geralmente não ocorre de forma linear com o aumento do herbicida adicionado. Isso é devido à capacidade limitada de formar ligações com o material coloidal e a variação do coeficiente de sorção com a temperatura e umidade do solo. Para a determinação de uma isoterma de sorção, é necessário determinar o Kd em diferentes concentrações iniciais do herbicida em solução. As isotermas utilizadas para descrever o comportamento de herbicidas no solo, em diferentes concentrações iniciais, podem ser classificadas, conforme o seu comportamentodo, em S, H, C e. Tipo S: é uma curva não-linear e convexa em relação à abscissa. Inicialmente a adsorção é baixa, mas com o aumento da concentração do adsorvato na superfície adsorvida, ocorre aumento na adsorção pela associação entre as moléculas. Isso ocorre em razão da baixa afinidade do adsorvato pela interferência de outras substâncias. A água é um forte competidor na adsorção à superfície coloidal, e, com o aumento na concentração do soluto, essa competição se reduz. Tipo H: ocorre quando o adsorvato possui altíssima afinidade pelo adsorvente, e a máxima adsorção ocorre em baixas concentrações. Desse modo, até que não ocorra a máxima adsorção, não será possível detectar as moléculas na solução. Esse tipo de adsorção ocorre com moléculas extremamente catiônicas ou compostos orgânicos catiônicos, adsorvendo-se nos minerais das argilas.

Figura 7 – Comportamento das isotermas de sorção
Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo 147

em solo argilo-siltoso Fonte: Mervosh (1995) Segundo o manual de testes para avaliação da ecotoxicidade de agentes químicos. conforme aumenta a cobertura da superfície. o coeficiente de adsorção Kf aumenta linearmente conforme aumenta a concentração do herbicida. Esse modelo tem sido amplamente utilizado na determinação dos coeficientes de adsorção dos herbicidas no solo para uma determinada temperatura (CLEVELAND. Caq a concentração de equilíbrio do herbicida na solução do solo (mg mL-1). permitindo a continuidade do processo.Comportamento adsortivo do herbicida Clomazone. dando origem ao Kfoc. em função da sua concentração. de forma não linear. Novos grupos funcionais são criados no processo de adsorção.4 . o coeficiente de adsorção Kf é considerado nas análises de capacidade de 148 Módulo 3. Cs representa a quantidade do herbicida adsorvido no solo (mg g-1). a normalização do coeficiente de Freundlich em relação ao teor de carbono orgânico também pode ser calculada. considera que a afinidade inicial é alta e. verifica-se que o incremento decresce na adsorção. A seguir. o coeficiente de adsorção da isoterma de Freudlich. Kf. Entre os modelos mais utilizados e que descrevem o comportamento das moléculas dos herbicidas no solo. Figura 8 . Quando n for igual a 1. pode-se observar a equação empírica utilizada para descrever a isoterma de Freundlich e sua representação gráfica (Figura 8): Na equação. reduzindo a energia de interação proporcionalmente ao recobrimento da superfície. 1996). usando regressão linear e não-linear (isotermas de Freundlich) a 25 ºC. diminuem a afinidade e declividade. definido pelo Ibama para o Brasil. assim que a concentração deste aumenta. e 1/n é um fator de linearização. De forma análoga ao Koc. determinando a intensidade da adsorção. e a curva passa a ser de formato linear do tipo C. Existem dois modelos muito utilizados que descrevem o comportamento das moléculas dos herbicidas conforme a sua concentração.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Tipo C: a adsorção ocorre de forma linear conforme aumenta a concentração do adsorvato. descritos a seguir: a) O modelo de Freundlich. embora empírico.Herbicidas: comportamento no solo . verifica-se melhor ajuste pelos modelos de Freundlich e Langmuir. É o tipo de adsorção mais comum que ocorre com os herbicidas no solo. Tipo L: apresenta-se como uma curva côncava em relação à abscissa.

Modelo da energia de adsorção em função da superfície de cobertura. tem-se a adsorção máxima. A energia de adsorção é a mesma para todos os sítios e independe da cobertura de superfície (Figura 9). Entretanto. Esse modelo é expresso pela seguinte equação: em que Cm representa a quantidade máxima do herbicida adsorvido (mg g-1).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas adsorção de herbicidas no solo.4 . Ce é a concentração de equilíbrio do herbicida na solução (mg mL-1) e K1 é o coeficiente de adsorção para o modelo de Langmuir.Herbicidas: comportamento no solo 149 . Sua classificação varia de pequena a elevada e reflete parcialmente a capacidade de movimento e persistência do composto no ambiente (Quadro 1). Figura 9 . verifica-se que outras avaliações são necessárias para definição do real comportamento de herbicidas no solo. Quadro 1 – Classificação da capacidade de adsorção de agentes químicos no solo Kf 0 – 24 25 – 29 50 – 149 > 150 Classificação da Adsorção Baixa Média Grande Elevada b) O modelo de Langmuir baseia-se na adsorção em superfícies planas que apresentam número fixo de grupos funcionais e que cada um interagirá com uma molécula. Quando todos os grupos funcionais estiverem preenchidos. segundo as isotermas de Langmuir e Freundlich Módulo 3. por haver inúmeros interferentes nos estudos de adsorção a campo e em laboratório.

em certos casos. No entanto.Herbicidas: comportamento no solo .05 A matéria orgânica é o principal componente que influencia a atividade dos herbicidas registrados para uso em solos tropicais.4-D em solo arenoso Solo calcinado Solo com MO MO = matéria orgânica Fonte: Viera et al.23 ± 0. principalmente para aqueles recomendados em pré-emergência de característica não-iônica ou para os catiônicos. Ela interfere em todos os processos sortivos que possam ocorrer. caracterizando a grande influência da matéria orgânica na adsorção de herbicidas ácidos.4-D no solo.4 . 1999). É responsável também pela estabilidade da estrutura do solo e infiltração de água.07 Dessorção Kf 1/n 22. Quadro 2 .4-D. estudando o comportamento do herbicida atrazine em Latossolo Roxo sob dois sistemas de manejo 150 Módulo 3. 1992). (1999). verificaram que em solos com alto teor de matéria orgânica e baixo pH a lixiviação deste herbicida foi menor. assim como a mineralogia do solo em questão.80 ± 0.4-D.30 1.Principais propriedades do solo que influenciam a sorção de herbicidas Em geral.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2. Mallawatantri e Mulla (1992) demonstraram que pelo menos 80% do incremento da sorção observada para metribuzin.23 0. a sorção de herbicidas ao solo aumenta com o incremento da CTC (capacidade de troca catiônica). avaliando a persistência do herbicida 2. principalmente.09 88.87 ± 0.Importância da matéria orgânica do solo na sorção de herbicidas Em solos tropicais e subtropicais altamente intemperizados. estava relacionado ao aumento do conteúdo de carbono orgânico. os quais serão abordados a seguir. (1984). Segundo Viera et al.28 ± 0.08 1.03 0. da área superfícial específica das partículas coloidais da fração argila e. Isto pode ser observado segundo os valores de Kf (Quadro 2) para o herbicida 2.5. (1999) Adsorção Kf 1/n 39. aeração e atividade da biomassa microbiana. Já Faloni (1999). CAMARGO. 2.5 .23 ± 0. a matéria orgânica tem grande importância para os processos de retenção de cátions e complexação de elementos tóxicos e de micronutrientes. diuron e 2. o pH.05 20.12 ± 0. dos teores de carbono orgânico do solo (VELINI. constituindo-se num componente fundamental na sua capacidade produtiva (SANTOS. também são importantes na sua sorção. como herbicidas e metais pesados.1 . no solo contendo matéria orgânica. Thompson et al.Constantes de Freundlich obtidas a partir dos dados de adsorção de 2.48 ± 0. o teor de matéria orgânica no solo desempenha importante papel quando se trata de contaminantes ambientais. ao compararem solos com diferentes propriedades.16 ± 0.

et al. No caso dos solos brasileiros. 1999). Kd) em função do teor de carbono orgânico do solo. et al.Herbicidas: comportamento no solo 151 . também percebeu que a matéria orgânica é a principal responsável pela adsorção deste herbicida. Figura 10 . Fonte: Oliveira Jr. essa característica pode ser considerada a mais importante para esses herbicidas. Para alguns herbicidas.. (1998b) Módulo 3.Sorção de alachlor (expressa pelo coeficiente de sorção.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas (convencional e direto).4 . notadamente os não-iônicos. Uma vez que a maior parte da CTC nos nossos solos está relacionada à matéria orgânica. as propriedades que mais se correlacionam com a sorção de herbicidas básicos e não-iônicos são a CTC e o teor de carbono orgânico (OLIVEIRA JR. não-polares como o alachlor. é possível obter uma predição dos valores de Kd com base nos teores de carbono orgânico do solo (Figura 10). podendo-se ainda estimar a sorção de diversos herbicidas com base nos teores de carbono orgânico (Figura 11).

mas também na transformação e transporte destes (CORREIA.Herbicidas: comportamento no solo . também foram demonstradas especificidades na sorção dos herbicidas. húmicos e humina.. os quais representam a fração mais ativa da matéria orgânica do solo (NETO et al. o clima. os minerais do solo e a população microbiana podem proporcionar a formação da diversidade de características dos compostos orgânicos do solo. os quais variam conforme sua polaridade. A disponibilização de maior ou menor número de sítios 152 Módulo 3..4 .. correlacionam-se melhor com os teores de humina do que os de ácidos húmicos ou fúlvicos da matéria orgânica do solo (PROCÓPIO et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 11 . 2001). existe grande complexidade e variabilidade da matéria orgânica presente em diferentes solos.. Essas diferenças podem interferir não só na retenção dos herbicidas. et al. A fonte orgânica. normalmente. Entretanto. pela variação do pH do meio. 999). TRAGHETTA et al. são citadas como um dos principais fatores que podem influenciar a sua capacidade de adsorção de pesticidas (WANG et al. A parte humificada é composta pelos ácido fúlvicos. disponibilidade de sítios hidrofóbicos e grupos funcionais. a matéria orgânica do solo encontra-se dividida em substâncias humificadas e não-humificadas. em relação ao teor de matéria orgânica total do solo. (1999) Teoricamente. Diversos estudos mostraram que a fração húmica apresenta maior correlação com a sorção dos herbicidas. 1990. 1997). Herbicidas iônicos (em faixa de pH com baixa dissociação) e os não-ônicos. Dentre os componentes da fração humificada. As mudanças conformacionais provocadas nas moléculas da matéria orgânica. 2000). aromaticidade.Relação entre o coeficiente de sorção (Kd) e o teor de carbono orgânico do solo para herbicidas ácidos (linhas cheias) e para herbicidas básicos ou não-iônicos (linhas tracejadas) em solos brasileiros Fonte: Oliveira Jr.

é o principal parâmetro levado em consideração na recomendação da dosagem de herbicidas aplicados Módulo 3. principalmente para aqueles cuja ação microbiana é a principal forma de degradação. a relação da textura do solo com a quantidade de matéria orgânica presente. devido à proteção física e química das moléculas do herbicida na matéria orgânica. Além destes. Atualmente. como pode ser verificado na Figura 12. 1994).. entre outros. a presença de íons saturantes dos grupos funcionais da matéria orgânica e a especificidade dos íons (PIRES. formando complexos argilo-orgânicos. Fonte: Adaptado de Akim e Bailey (1998) Embora se verifique extrema quantidade de interferentes nas características de sorção de herbicidas à matéria orgânica.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas hidrofóbicos pelas mudanças conformacionais das moléculas também pode influenciar a sorção de herbicidas lipofílicos (PROCÓPIO et al.Herbicidas: comportamento no solo 153 . Figura 12 . sabe-se que sorção herbicida-matéria orgânica é mais estável do que aquela resultante da ligação com componentes minerais do solo. representando menor risco de contaminação dos lençóis freáticos (COX. podendo representar maior permanência desta no meio ambiente. pode ocorrer menor ação microbiana na degradação dessas moléculas.Simulação da adsorção de atrazine no modelo complexo de muscovita-ácido húmico. os tipos de minerais predominantes na fração argila. 1998). na maioria dos trabalhos verificados. Contudo. 2001) Outras características do solo também podem afetar a sorção de herbicidas à matéria orgânica: o material de origem do solo. a adição de matéria orgânica ao solo acelera a degradação dos herbicidas. Prata (2001) também constatou que adição de vinhaça ao solo faz que o processo de mineralização do ametryn seja acelerado.4 . os solos com altos teores de matéria-orgânica apresentam menor tendência geral de lixiviação dos herbicidas. Entretanto. Dessa forma. é responsável pelas variações nos coeficientes de sorção de herbicidas encontrados na literatura. a quantidade de matéria orgânica quimicamente protegida.

Esses minerais apresentam fraca atração dos cátions entre as camadas expansíveis. como a montmorilonita e vermiculita. a riqueza de variação das argilas e a formação de compostos argilominerais representam diferentes possibilidades de adsorção dos herbicidas a essas partículas.Textura e mineralogia O conteúdo de areia. também que. Entretanto. Os óxidos de ferro e alumínio também atuam na sorção de diversos herbicidas. Existem também dados demonstrando que os óxidos de ferro possuem maior capacidade de adsorver os herbicidas em relação aos óxidos de alumínio (Quadro 5). silte e argila presente no solo é responsável pela classificação das diferentes classes texturais dos solos. Apesar de existir grande possibilidade de os solos mais argilosos apresentarem maiores teores de matéria orgânica. 2. permitindo que água. principalmente. Em diversos casos observados. como a caulinita. e ambos 154 Módulo 3. Prata (2002). observou que a sorção do glyphosate é instantânea. uma elevação nas dosagens recomendadas para estes solos nem sempre é correta. A presença de argilas de baixa atividade. contribuindo significativamente para o aumento na sorção desses compostos (Quadro 4). a textura é ainda o atual parâmetro utilizado para recomendação da dose dos herbicidas aplicados em pré-emergência ou pré-plantio incorporado. avaliando a adsorção e dessorção do glyphosate em três solos brasileiros com diferentes atributos mineralógicos. Suas cargas podem ser geradas nas bordas do mineral pela dissociação de prótons H+ dos grupos OH. Por sua vez. Em relação aos erros de estimação. extremamente elevada e está relacionada.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas em pré-emergência.4 . principalmente naqueles com capacidade de doação de prótons com carga aniônica (herbicidas ácidos fracos).. à fração mineral do solo. Sabe-se.5. e não possuem a capacidade de expandir-se.2 . Já minerais 1:1. podendo reter cátions. herbicidas e outras moléculas penetrem entre os planos basais e provoquem grande expansão do material. como o Brasil. como no caso dos herbicidas ácidos ou em altas concentrações de carbono orgânico. são característicos de regiões muito intemperizadas. Essas propriedades originam forças de atração de grande intensidade. não ocorre correlação entre o comportamento do herbicida e as concentrações de argila. e a matéria orgânica desempenha papel secundário no caso de solos oxídicos. minerais de argila expansíveis (2:1) e de maior área superfical específíca. de clima tropical e subtropical. A formação de cargas nos minerais 2:1 ocorre pela substituição isomórfica nas camadas tetraédrica e octaédrica. os erros de estimação dos teores de matéria orgânica e o desconhecimento da sorção específica de herbicidas por alguns argilominerais presentes são um dos inúmeros fatores que devem ser considerados para a adequação nas dosagens dos herbicidas atualmente recomendados. possuem maior capacidade de adsorção de herbicidas (Quadro 3). citam-se a superestimação dos teores de matéria orgânica efetivamente capazes de adsorver as moléculas dos herbicidas e a profundiade de coleta (0-20 cm) utilizada na determinação dos teores de matéria orgânica do solo.Herbicidas: comportamento no solo .

3 .653 174 2.3 . Constante de Freundlich (Kf) 2. pH 3.7 Partição do Imazaquin (Sólido/Líquido) (μG/g:μG/mL) 2326:1 238:1 40:1 2:1 0:1 Quadro 5 . menor é a quantidade sorvida do herbicida no material coloidal.5.5 a 6. principalmente nos daqueles com grande capacidade de inonizarem-se (catiônicos e aniônicos).Características de alguns minerais de argila importantes nos estudos de sorção de herbicidas em solo Característica Tipo de camada Capacidade de Expansão CTC (cmolc dm ) Área Superficial Específica (m2 g-1) -3 Montmorilonit Vermiculita a 2:1 2:1 Expansível 80-120 700-750 Ilita 1:1 Caulinita Não-expansível 2-10 25-50 2:1 NãoExpansão limitada expansível 120-200 15-40 500-700 75-125 Quadro 4 – Sorção de imazaquin em diferentes minerais de argila Mineral de Argila H-montmorilonita H-ilita Al-montmorilonita H-caolinita H-vermiculita Fonte: Dolling (1985). Quadro 3 .0 6.4-D. Módulo 3. a qual será abordada com mais detalhes no item 3.6 5.Dissociação eletrolítica.8 4. Entretanto. A influência do pH do solo no processo de retenção e degradação dos herbicidas está estritamente relacionada à capacidade de dissociação eletrolítica .0).3 3. para 2. contribuindo em relação à capacidade sortiva nesses solos.Sorção de imazaquin em diferentes hidróxidos (Fe e Al) Tipo de Hidróxido Hidróxido-Fe Hidróxido-Al Fonte: Shaner (1989).4 . que à medida que o pH do solo aumenta (2.pH do solo O pH é uma medida muito importante que pode interferir nos processos de sorção dos herbicidas. como os latossolos.Herbicidas: comportamento no solo 155 .pKa dos compostos.1. o qual permanece disponível na solução do solo. principalmente em solos muito intemperizados.3. pode-se verificar na Figura 13.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas encontram-se presentes em grandes concentrações na maioria dos solos brasileiros.

que a quantidade sorvida do herbicida aumenta à medida que o pH diminui.6 6.4 . Verifica-se.5 Sorção (%) 53 53 0 62 40 25 Em trabalho similiar realizado com imazethapyr (Figura 14). verifica-se novamente o decréscimo do coeficiente sortivo (Kd) do herbicida com o aumento do pH do solo.2 5. devido ao fatop que o pH influenciar fortemente a ligação das imidazolinonas às frações húmica e mineral do solo. novamente.6 4.3 6. Goetz (1986) demonstrou que a quantidade de imazaquin que se liga a diferentes tipos de solo era diretamente relacionada ao pH (Quadro 6). 156 Módulo 3. por exemplo.7 5.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 13 – Sorção do herbicida 2. Quadro 6 –Sorção de imazaquin sob diferentes pHs em dois solos Tipo de solo Franco-arenoso Franco-siltoso Fonte: Goetz (1986) pH 5.4-D em função do aumento do pH do solo No caso de imidazolinonas aplicadas ao solo.Herbicidas: comportamento no solo .

de modo geral. Fonte: Oliveira Jr. Figura 15 – Efeito do pH na lixiviação do herbicida imazaquin em colunas de solo Fonte: Inoue et al. (2002) O pH pode também influenciar diversos outros processos envolvidos na degradação dos herbicidas no solo: a lixiviação de chlorsulfuron. Nesse caso.Coeficiente de sorção (Kd) constatado para o herbicida imazetaphyr. conforme verificado na Figura 15. a diminuição da sua capacidade sortiva com o acréscimo do pH do meio pode. além de possibilitar maior efeito do herbicida em culturas posteriormente instaladas no local. também. têm maior capacidade de sorção desses herbicidas e operações como a calagem podem afetar significativamente o seu comportamento. (1998) Para herbicidas de maior persistência.4 . solos ácidos.Herbicidas: comportamento no solo . por exemplo. é maior em solos com pH alto e 157 Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 14 . especialmente em termos de lixiviação desses herbicidas. resultar em maior lixiviação do composto no perfil do solo. em função do aumento do pH do solo.

possuem maior afinidade às partes argilosa e mineral do solo.1 . Essa definição está restrita apenas à definição clássica de Brönsted-Lowry. O comportamento dos herbicidas é muito influenciado pelo seu pKa. herbicidas com características apolares são considerados lipofílicos. o conhecimento das características moleculares dos herbicidas é muito utilizado no estudo do seu comportamento no ambiente. Geralmente os herbicidas apolares ou lipofílicos (Kow >10. 2. A polaridade é muito importante para penetração das moléculas dos herbicidas pela cutícula das folhas e também interfere nos processos sortivos com o solo. a qual tem sido utilizada para substâncias presentes em solução aquosa. a maioria dos herbicidas possui em sua molécula uma região polar e outra apolar. Entretanto.000) possuem maior potencial de se adsorverem a parte orgânica dos colóides do solo. Os valores de Kow são adimensionais. expressos normalmente na forma logarítmica (log Kow). podendo ser encontrados na forma dissociada (ionizada) e não-dissociada (não-ionizada ou neutra).2 . podem ser classificados da seguinte forma: a) Herbicidas ácidos fracos: são os herbicidas cujas formas moleculares apresentam capacidade de doar prótons e formar íons carregados negativamente. capacidade de dissociação eletrolítica quando em solução aquosa (pKa).Capacidade de dissociação eletrolítica (pKa) O pKa representa a capacidade de dissociação que uma molécula do herbicida possui em água com diferentes pH. 1993). transformação e transporte. 2. 2. Ao contrário.6.Principais propriedades físico-químicas dos herbicidas que interferem na sua sorção no solo As principais propriedades físico-químicas de um herbicida que influenciam o seu comportamento são: coeficiente de partição octanol-água (Kow). solubilidade.Coeficiente de partição octanol-água (Kow) Esta propriedade indica a afinidade que a molécula do herbicida tem em relação à fase polar (representada pela água) e apolar (representada pelo octanol). diz-se que maior é a sua hidrofilicidade. Para 158 Módulo 3.4 .6. embora a degradação do referido produto seja mais rápida em solos ácidos (GOMEZ DE BARREDA et al.6 . Quanto maior for o pKa do herbicida. pressão de vapor (P) e constante da Lei de Henry (H).. Já os herbicidas polares. menor será seu caráter ácido e menor a sua capacidade de ficar aniônico.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas baixo teor de matéria orgânica. e se adapta perfeitamente aos herbicidas em solução do solo. Embora algumas propriedades estejam mais distintamente relacionadas aos processos específicos de retenção. os hidrofílicos (Kow <10). Conforme a fórmula molecular e pKa dos herbicidas eles.Herbicidas: comportamento no solo . Quanto mais polar for o herbicida.

2001). CONSTANTIN. pode liberar íons hidrogênio numa solução básica ou neutra (Figura 16).4 .Comportamento de ionização de um herbicida ácido (2. 2003.4-D. Alguns outros compostos que reagem semelhantemente ao 2.4-D. sua forma molecular será favorecida. a molécula estará 50% na sua forma molecular ou neutra e 50% na forma dissociada (aniônica). OLIVEIRA JR. Entretanto. Quando o pH do meio for superior ao pKa do herbicida. pKa = 2. quando o pH do solo for igual ao seu pKa. maior será a tendência de o herbicida estar na sua forma molecular (neutra) e maior será sua capacidade de se adsorver nas partículas coloidais do solo. quando o pH do solo for igual ao seu pKa. Herbicidas pertencentes a essa classificação. podendo facilmente ser adsorvidos às partículas de argila e aos grupos funcionais que formam a CTC do solo. como atrazine. picloram e demais herbicidas pertencentes ao grupo das sulfoniluréias e imidazolinonas. passando a apresentar carga líquida positiva (Figura 17). 1980).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas esses herbicidas. O 2. maior será a tendência destes herbicidas de permanecer na sua forma dissociada ou protonada.Herbicidas: comportamento no solo 159 . Módulo 3. 1995) e hexazinone... podendo reduzir sua capacidade de adsorção (KOGAN. Alguns herbicidas de comportamento similar são simazine. seu comportamento será semelhante ao das moléculas não-iônicas. quando o pH do solo for inferior ao seu pKa. como o que ocorre para o paraquat e o diquat. as concentrações da formas dissociada e neutra serão iguais. por exemplo. podem atrair íons hidrogênio em uma solução ácida. Existe ainda um outro grupo de herbicidas tão básicos que possuem cargas positivas para todos os valores de pH verificados no solo (LEAVITT. Figura 16 . Da mesma forma que os herbicidas ácidos. sendo sorvidos ao solo de forma irreversível.4-D são dicamba. podendo competir com os sítios de adsorção de nutrientes no solo. cyanazine (PIRES et al. Quando o pH do solo for superior ao pKa destes herbicidas. Nesse caso. este será prontamente dissociado e sua capacidade de ficar retido no solo será muito menor.8) b) Herbicidas bases fracas: são os herbicidas que apresentam a capacidade de receber prótons e formar íons carregados positivamente. Quanto menor o pH do solo em relação ao pKa do herbicida. PÈREZ.

em alguns casos. como observado por Pusino et al. muitos deles podem ser polares e.4 . A informação da capacidade dessortiva do herbicida no solo pode ser muito importante. Embora sejam não-iônicos. Entre esses herbicidas estão incluídos trifluralin. ser afetados pelo pH do solo e ficar retidos aos complexos argilominerais e ao material orgânico do solo. metolachlor. por relacionar o seu efeito residual e persistência no solo.Herbicidas: comportamento no solo . 160 Módulo 3. Em outros. permanecendo em sua forma molecular na solução do solo.7 . comparativamente aos herbicidas iônicos. possibilitando maior permanência deste no ambiente. as isotermas de sorção e de dessorção diferem entre si. Alguns exemplos de herbicidas e sua classificação encontram-se no Quadro 7. Contudo. altíssima dessorção do herbicida. Conforme Southwick et al. Os herbicidas não-iônicos não reagem com a água e não carregam uma carga elétrica líquida. respectivamente. pKa = 1. podendo ocorrer.Dessorção A dessorção representa a liberação da molécula do herbicida anteriormente sorvida. a sorção é praticamente irreversível e não ocorre retorno do herbicida à solução do solo. EPTC e diuron. (1993). em função dessa condição. dando origem ao fenômeno denominado histerese (H). 2. A intensidade da dessorção reflete o grau de reversibilidade do processo sortivo. (2003) (Figura 18). alachlor. em que na e nd representam as curvaturas obtidas nos ensaios de adsorção e dessorção.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 17 . Neste caso. O índice H de histerese pode ser obtido pela equação H= na/nd. elevados índices de histerese indicam maior dificuldade de o herbicida sorvido retornar para a solução do solo. embora se tenham verificado poucos estudos referentes a ensaios de dessorção na literatura. esses efeitos são geralmente de menor intensidade.7) c) Herbicidas não-iônicos: os herbicidas que não doam nem recebem prótons na solução do solo são considerados não-iônicos.Comportamento de ionização de um herbicida base fraca (atrazine.

industrial e agrícola Módulo 3. trifloxysulfuron-sodium. 2. propazine. picloram. Embora freqüentes. e • problemas inerentes à metodologia de determinação.Processos de transporte O transporte de herbicidas no solo representa um dos processos envolvidos na dissipação desses compostos no ambiente e se destaca. (2003) 3 . isopropalin Chlorprophan. imazetaphyr. simazine Dicamba. imazapyr. são: • transformações químicas ou biológicas que o composto em questão pode sofrer. Pusino et al. imazaquin.4 . chloroxuron Diversas explicações têm sido propostas no intuito de elucidar a não-singularidade das isotermas de dessorção. porém as mais aceitas.Herbicidas e sua classificação conforme fórmula e grupos funcionais Catiônicos Básicos Ácidos Diversos Organofosforados Dinitroanilidas Carbamatos Benzonitrila Ésteres Anilidas Uréias HERBICIDAS Iônicos Diquat.Herbicidas: comportamento no solo 161 . Figura 18 . os problemas de contaminação de aqüíferos no território brasileiro têm despertado pouco interesse dos pesquisadores. atrazine. MSMA. chlorimuron-ethyl Bromacil. a demanda hídrica para o abastecimento urbano. DSMA Não-iônicos Methoxychlor Trifluralin. Além disso. prophan Dichlobenil Isopropyl éster de 2. oryzalin. por influenciar a capacidade de contaminação dos recursos hídricos subsuperficiais. propachlor Linuron.4-D.4-D Alachlor. prometone. segundo Pignatello (1989). diuron. cyanazine. swep. • falhas no estabelecimento do equilíbrio.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 7 . metolachlor. paraquat Ametryn. principalmente.Curvas de adsorção ( ) e dessorção ( ) observadas para triasulfuron em três solos com diferentes teores de argila e materia orgânica. propanil. metribuzin. triclopyr. MCPA.

(1994) relataram a detecção de resíduos de herbicidas (oryzalin. 1996. além. Dentre as principais formas de transporte nos estudos de herbicidas em solo.001 – 0. da natureza e dose das aplicações e da declividade da área. mesmo quando a quantidade total transportada é pequena. destaca-se o escorrimento superficial.Escorrimento superficial (run-off) e sub-superficial (run-in) Os termos run-off e run-in representam o movimento ou escorrimento em superfície e subsuperfície. em áreas irrigadas com intensa atividade agrícola.90 <1 . a volatilização e a lixiviação. respectivamente. Quadro 8 . A intensidade de perdas depende muito do sistema de plantio adotado (SETA et al. 1994). o somatório de diferentes pesticidas carreados simultaneamente para uma mesma bacia hidrográfica pode comprometer a qualidade da água em relação ao seu aproveitamento posterior (DOMAGALSKY. No entanto.Herbicidas: comportamento no solo .. CARTER. 2000). dos herbicidas no solo. especialmente no caso de herbicidas aplicados em pré-emergência.4 . juntamente com as moléculas dos herbicidas. a quantidade total de herbicida que pode ser perdida por meio desse processo normalmente não excede 1% do total aplicado (Tabela 6). em certas situações. Já Pfeuffer e Rand (2004) monitoraram os pesticidas entre 1992 e 2001 no sul da Flórida. BOWMAN et al. constatando que os herbicidas ametryn e atrazine foram os compostos mais comumente encontrados em águas 162 Módulo 3. Todavia. do tipo de solo em questão. 3.1 . das práticas culturais. é mais pronunciado quando o produto é aplicado e logo após ocorre chuva intensa no local. 1993. para o qual se verificou perda do herbicida aderido aos sedimentos variando entre 9 e 58% do total aplicado ao solo. 1990).5 <0. de áreas pulverizadas para aquelas que não receberam diretamente o produto.. Entre alguns trabalhos citados na literatura. na Carolina do Sul. Os autores constataram que a maior parte da contaminação era proveniente do escorrimento superficial de áreas irrigadas pulverizadas e que a maior concentração de resíduos ocorria nos primeiros 15 minutos da água. O maior potencial de movimento de herbicidas por escorrimento superficial ocorre logo após a aplicação. as perdas podem ser altas. na maior parte dos casos. Keese et al. é claro.25 1-9 Referência Taylor (1995) Flury (1996) Vicary et al (1999a) Vicary et al (1999b) Em certos casos.a aplicado <2 . pendimethalin e oxyfluorfen) em reservatórios de água. O arraste das partículas coloidais.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas tem se elevado nos últimos anos e poucos estudos são conduzidos com o objetivo de retardar o transporte de herbicidas sob condições tropicais.Perdas de herbicidas no solo por diferentes processos de transporte Tipo de transporte Volatilização Lixiviação Run-off Fluxo preferêncial % de perda do i. como no caso do metolachlor (BUTTLE.

existe maior probabilidade de o herbicida ser sorvido diretamente às partículas de solo (Quadro 10).4 2.1 . Quadro 9 .Herbicidas: comportamento no solo 163 .0 4.4 15. Além disso. EUA.Fatores que influenciam a volatilização Vários fatores influenciam diretamente a volatilização de herbicidas presentes no solo. sendo o efeito mais pronunciado quanto maior for a PV do herbicida. Em solos secos. mas. Estudos apresentados por Rand (2004).1 95. esta é aumentada por: a) Elevação da temperatura: a temperatura do solo afeta a volatilização de produtos em função da alteração da pressão de vapor.7 10.8 9.8 4. No caso do clomazone (Quadro 9). 3.3 7.1 3.5 98.8 2. os valores devem ser determinados à mesma temperatura.2 .8 15.7 96. podendo se perder para a atmosfera por evaporação.44 x 104 mm Hg.0 NS b) Aumento da umidade do solo: o aumento da disponibilidade de água no solo facilita a perda de vapor.2 0. de modo geral.4 68. 3.5 92. Módulo 3.2. as perdas podem aumentar significativamente em função do aumento de temperatura.4 . 25 °C) aos 84 dias após a aplicação ao solo 14 Volatilizado Mineralizado Total extraído do solo Não extraído (resíduos ligados) Total recuperado Fonte: Mervosh et al. É por isso que. juntamente com DDD e DDE foi o composto detectado com maior freqüência em sedimentos de rios de áreas agrícolas na Flórida.Efeitos da temperatura de incubação na distribuição de 14C-clomazone (PV=1.8 78.8 93.5 9. para efeito de comparação da PV de dois produtos distintos.4 60.0 0.1 5. também mostraram que ametryn. já que a água funciona como uma interfase entre a molécula e as partículas do solo. solos úmidos perdem mais herbicida por volatilização que um solo seco. (1995) C Recuperado (% do Total de 14C-Clomazone Aplicado) Temperatura de Incubação (°C) 5 15 25 35 DMS5% 1.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas superficiais.4 1. a elevação da temperatura aumenta a taxa de evaporação da água presente no solo.Volatilização A volatilização é o processo pelo qual o herbicida presente na solução do solo passa para a forma de vapor.

Efeito da temperatura na perda de EPTC após a aplicação de 3.Herbicidas: comportamento no solo . a formulação granulada pode reduzir entre 60 e 100% as perdas por volatilização (GRAVEEL.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 10 . algumas alternativas que podem reduzir a volatilização e manter a eficiência desses herbicidas.0 9. principalmente. 3.0 12.7 A volatilização pode ser tão significativa para alguns produtos que. eles precisam ser incorporados imediatamente ao solo para que não haja redução substancial de sua eficiência. Existem.6 37. 1994).3 15.3 .Alternativas para redução de perdas por volatilização a) Incorporação de herbicidas ao solo: a incorporação pode ser feita tanto com implementos quanto pelo uso de irrigação após a aplicação do herbicida. TURCO.4 kg ha-1 à superfície do solo Temperatura do ar ( ) 0 4. É uma indicação da 164 Módulo 3. como a estrutura.Pressão de vapor (P) A pressão de vapor é a pressão exercida por um vapor em equilíbrio com um líquido. como o trifluralin (S = 0.4 . o que. a 25 °C).8 12. o peso molecular e. a 20 °C). com a função de reduzir a evaporação. por meio de suas propriedades químicas.2. sem dúvida. necessitam ser mecanicamente incorporados ao solo. Herbicidas mais solúveis.7 Fonte: Gray e Weierich (1965) °C Perda de EPTC em 24 h. como o EPTC (S=370 mg L-1. o uso de formulações granuladas em vez das líquidas pode contribuir para diminuir as perdas por volatilização.2. % do Total Aplicado Solo Úmido Solo Seco (14% de Umidade) (1% de Umidade) 62. sendo expressa normalmente em mm de Hg. b) Formulação do produto: para muitos herbicidas com maior potencial de volatilização têm sido desenvolvidas novas formulações com adjuvantes.0 67. A escolha da forma de incorporação depende.2 75. podem ser incorporados com uma irrigação adequada. 3. a pressão de vapor (P).2 81. depois de sua aplicação. Além disso. ao passo que herbicidas menos solúveis.3 mg L-1. principalmente da solubilidade do composto em questão.2 80.4 12. neste caso. é a conseqüência de maior importância imediata da volatilização no que diz respeito às atividades agrícolas. No caso do EPTC.2 .4 15. O potencial de volatilização de um herbicida geralmente pode ser estimado indiretamente. no entanto.5 26. a uma determinada temperatura.

1 x 10-8 < 1.0 x 10-7 2. Perdas por volatilização são muito variáveis. a intensidade e a velocidade de volatilização de um herbicida dependem também da intensidade e velocidade de movimento até a interface (normalmente a superfície do solo) onde ocorre o processo.2 x 10 <1. Além do valor específico da pressão de vapor.4 x 10-6 Potencial de Volatilização Muito baixo Baixo a moderado Baixo Baixo. comparada a uma perda típica de 0 a 4% por lixiviação e 0-10% por escorrimento superficial (GRAVEEL. imidazolinonas e sulfonamidas. quanto maior a pressão de vapor.4 x 10-8 1. Portanto. podendo aumentar sob certas condições. em solos úmidos Idem Idem Idem Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Perdas significativas quando não incorporado. mas pode ser significativo se não incorporado. solo úmido e vento. podendo ser de 10 a 90%. Perdas ainda maiores se não incorporados e. normalmente em razão da melhoria na qualidade de suas formulações. Perdas mínimas que não reduzem a eficácia do produto nãoincorporado. como as sulfoniluréias. mais provável que um líquido vaporize-se. Muito alto. Quadro 11 .9 x 10-8 -16 PV (mm Hg. já não apresentam esses problemas.1 x 10-4 3. podendo ser perdido em quantidades significativas quando não incorporado ou em solo úmido. Muito baixo 165 Módulo 3.0 x 10-12 1. as quais muitas vezes incorporam adjuvantes com a finalidade de reduzir a volatilização.5 x 10-6 3.0 x 10-7 < 1. Pequeno. ou.0 x 10-5 < 1.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas tendência da substância química em escapar na forma de gás.3 x 10-2 3.1 x 10-2 4. Perdas pequenas podem ocorrer sob alta temperatura. Volátil.6 x 10-5 4.0 x 10-8 < 1.0 x 10-7 < 2. TURCO.0 x 10-8 9.Herbicidas: comportamento no solo .1 x 10-5 1.6 x 10-3 1.4 x 10-2 5.5 x 10-8 1. como as dinitroanilinas e os tiocarbamatos. 25 oC) 3. Nota-se que o problema de volatilização é particularmente importante para alguns grupos químicos.4 .Pressão de vapor (PV) e potencial de volatilização de alguns herbicidas Grupo Químico e Princípio Ativo Cloroacetamidas Acetochlor Alachlor Butachlor Metolachlor Dinitroanilinas Trifluralin Isopropalin* Oryzalin Pendimethalin Tiocarbamatos Butylate* EPTC* Molinate Vernolate* Sulfoniluréias Chlorimuronethyl Nicosulfuron Oxasulfuron Imidazolinonas Imazamethabenz* Imazapyr Imazaquin Imazethapyr Imazamox Piridazinonas Norflurazon Triazolopirimidin 1. 1994). No Quadro 11 encontram-se valores de pressão de vapor de alguns herbicidas aplicados ao solo. Grupos químicos de desenvolvimento mais recente. Moderado.

exceto quando é exposto a condições quentes e secas por vários dias. quanto mais iônico. Moléculas altamente solúveis são rapidamente distribuídas no ciclo hidrológico. 166 Módulo 3. O KH é um coeficiente de partição entre o ar e a água (solução do solo).9 x 10-8 Insignificante. o aumento no peso molecular diminui a solubilidade.Herbicidas: comportamento no solo .2. Acima dessa concentração. são. Quanto maior a quantidade de grupos hidrofílicos na molécula do herbicida (mais polares). pouco ou não solúveis. PÈREZ. sem carga. dentro de um mesmo grupo químico. Hatzios (1998) e Rodrigues e Almeida (2005) 3. Por sua vez. ou constante da lei de Henry. a solubilidade de um herbicida e sua sorção no solo estão inversamente correlacionadas. mais provável que o composto em questão seja solúvel.4 .5 . Seu valor geralmente é expresso em mg L-1 (normalmente a 25 °C) e é um reflexo da polaridade da substância química.8 x 10-15 3. a solubilidade em água é um dos mais importantes. Dos vários parâmetros que afetam o destino e o transporte de herbicidas.2.7 x 10-5 6. 1996). exceto quando solo está quente e não é ativado pela chuva por vários dias após a aplicação. * Atualmente não registrados para uso no Brasil Fontes: Adaptado de Ahrens (1994). portanto.Relação entre PV e S A combinação de PV e S pode ser expressa através de uma constante denominada KH. em razão de apresentarem coeficientes de sorção para solos e sedimentos relativamente baixos. maior solubilidade resulta em menor sorção. Outros meios de degradação (ex: fotólise. No entanto. moléculas orgânicas grandes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Grupo Químico e Princípio Ativo as Flumetsulam Cloransulammetil Derivados da uréia Linuron Diuron PV (mm Hg. De modo geral. por definição. duas fases distintas existirão. mesmo quando forem iônicas (KOGAN. 25 oC) 2. 2003). hidrólise e oxidação) e transporte (ex: volatilização da solução e lavagem da atmosfera pela água da chuva) também são afetados pela extensão da solubilidade em água dos herbicidas. Insignificante. há casos em que moléculas de elevada massa molecular apresentam baixa solubilidade. maior a sua solubilidade. isto é. a quantidade máxima de herbicida que se dissolve em água pura a uma determinada temperatura.4 . 3. dependendo se o herbicida for um sólido ou um líquido na temperatura do sistema: uma fase saturada de solução aquosa e uma fase líquida ou sólida do herbicida (LAVORENTI. Em geral. logo.Solubilidade A solubilidade (S) de um herbicida em água é. maior será a sua afinidade por água.0 x 10-16 Potencial de Volatilização Desprezível Muito baixo 1.

cujos valores elevados de KH indicam que os solutos são altamente voláteis A constante da lei de Henry é definida pela equação: KH e PV são constantes proporcionais. podendo ser usado também como indicativo do potencial de volatilização de determinados herbicidas.Absorção pelas plantas A porcentagem de herbicida que a planta absorve do solo é difícil de ser medida. podendo reduzir as suas perdas.6 . do volume de solo.4 .Relação entre KH e incorporação de herbicidas A aplicação de um herbicida na superfície gera uma alta concentração numa fina camada de solo. 3. Uma revisão bastante completa acerca das bases termodinâmicas e da determinação experimental de K¬H pode ser encontrada em Suntio et al. das espécies presentes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas sendo semelhante ao coeficiente de sorção (Kd) usado para descrever a sorção ao solo.Lixiviação O destino de herbicidas aplicados ao solo depende muito das propriedades químicas da substância em questão. Portanto. A sorção regula o potencial de um herbicida ser Módulo 3. 3. etc. ocorre a diluição da concentração.4 .2. Além disso. O KH é muito importante para os herbicidas na fase líquida do solo. Experimentos em vaso demonstraram que as plantas podem absorver de 1 a 10% do total de herbicida disponível. portanto. (1988). Trabalhos feitos com outros herbicidas no campo mostram que as plantas podem remover de 2 a 5% do total de herbicida no solo (SHANER. 1989). dependendo da densidade de plantas. Quando se realiza a incorporação do herbicida. 3. Como a perda por volatilização é dada pelo produto de KH por concentração. a absorção pelas plantas participa com pequena porcentagem na remoção do total presente no solo.3 . a distância torna a difusão para a superfície do solo mais difícil. As duas propriedades mais importantes no que diz respeito ao processo de lixiviação são a sorção e a persistência do produto. KH também pode ser usado como indicativo do potencial de volatilização de determinado herbicida.Herbicidas: comportamento no solo 167 . mesmo compostos considerados não ou pouco voláteis podem apresentar certa perda. em virtude da alta concentração numa fina camada superficial do solo.

Em condições normais.8 Bentazone 1.4-D 5. Em 1986.4 Mecoprop Simazine 5.9 Chlorotoluror 2. Alguns estudos. Embora empíricos.1 Fonte: 4. Entre os estudos realizados.4 Linuron Chlorotoluron 3.6 Benazolin 2.6 Terbutryn 1.4 . (1984) propuseram uma relação entre o Koc e a meia-vida (t ½ vida) dos herbicidas.1 a 1% do total aplicado. embora solubilidades muito baixas possam limitar o transporte com a água. a quantidade do herbicida perdido pela movimentação no perfil do solo é geralmente entre 0.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas perdido com sedimentos ou por lixiviação. Widerson e Kim (1986) simplificaram essa caracterização e definiram que os herbicidas que possuíssem valor de Koc menor que 512 (L/kg) e meia-vida (t ½ vida) superior a 11 dias seriam classificados como lixiviadores.Herbicidas: comportamento no solo . 1999 Além das avaliações in locu.1 1. do Reino Unido apontaram alguns dos herbicidas com excesso de resíduos nas amostras de águas avaliadas (Quadro 12).5 Atrazine Mecoprop 12. para classificá-los como lixiviadores (Koc < 300 (L kg-1) e t ½ vida > 21 dias) e não-lixiviadores (Koc > 500 (L kg-1) e t ½ vida < 14).7 Atrazine 2. com o objetivo de verificar a contaminação das reservas hídricas por pesticidas. Cohen et al. mas. esses modelos têm contribuído na redução dos custos de análise e também na prevenção de desastres ambientais. esse percentual pode ser igual ou superior a 5% (Carter. proposto por Gustafson (1989). como o realizado pelo National Center for Ecotoxicology and Hazardous Substances. 2000).4 0.4 Environment Agency. Quadro 12 – Percentual de amostras de águas avaliadas no Reino Unido que excederam o limite de resíduos permitido Herbicidas com % amostras excedendo 0. A solubilidade é de importância secundária.1 Bromoxynil 1. cuja equação a seguir estabelece que herbicidas com índice GUS<1. cujo critério é ainda utilizado pelo California Department of Food and Agriculture (CDFA). Entre os critérios mais divulgados e aceitos para a classificação de herbicidas conforme seu potencial de lixiviação está o índice GUS (Groundwater Ubiquity Score).6 Diuron CMPA 7.8 1. alguns estudos têm sido realizados com o intuito de prever o potencial desses compostos de atingir rios.5 Isoproturon Diuron 10.0 0.8 são considerados 168 Módulo 3. em determinadas circunstâncias.1 Dichlobenil 1. lagos e águas em profundidade.9 0.1 mg L-1 Águas de superfície Águas subterrâneas Isoproturon 19.

. entre outros. aminoácidos.Relação de herbicidas classificados conforme somatório obtido pelo IRA – Índice de Risco Ambiental Herbicida Trifluralin Hexazinona Paraquat Imazapyr Triclopyr Oxyfluorfen Linuron Sulfentrazone Isoxaflutole Haloxyfop Oryzlain Glyphosate Fluazifop Amônio-glufosinato Sethoxydim P 2 3 4 3 1 2 2 2 2 1 1 1 1 1 1 D 4 1 3 1 1 2 1 1 1 1 3 3 1 1 1 V 4 1 1 1 2 2 2 1 1 1 1 1 1 1 1 M 1 4 1 4 4 1 2 4 4 3 1 1 1 1 1 IT 4 2 2 2 2 3 3 2 2 3 3 2 3 2 2 IRA 15 15 11 11 11 10 10 10 10 9 9 8 7 6 6 Módulo 3. M (mobilidade). sendo adotada por inúmeros estudos que buscam relacionar o potencial de lixiviação dos herbicidas no solo com a contaminação de lençóis freáticos. além de possuir t ½ vida elevada.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas como não-lixiviáveis. ácidos fúlvicos e húmicos de baixo peso molecular. D (dose). o seu efeito sobre o meio ambiente. além da capacidade de lixiviação do herbicida. Entretanto. Aqueles com valores entre 1. Recentemente.8 e 2. ele deve estar na solução do solo ou adsorvido a pequenas partículas. para que o fluxo hídrico consiga carrear o herbicida pelo perfil do solo (OLIVEIRA JR. ao passo que índices superiores a 2. como argila. Kogan e Allister (2004) propuseram o IRA – Índice de Risco Ambiental. cujo resultado final permite elencar os compostos em relação ao maior ou menor risco para o meio ambiente (Quadro 13). peptídeos e açúcares. 2001). O índice é definido pela soma de inúmeros fatores: P (persistência).8 representam produtos lixiviáveis. para que um herbicida seja lixiviado.Herbicidas: comportamento no solo 169 .8 são considerados de potencial lixiviador intermediário: GUS = log t½ * (4 – log Kfoc) A equação utiliza os valores de t½ vida do herbicida e o coeficiente de sorção normalizado para teor de carbono orgânico do solo. Quadro 7 . cujo resultado representa. V (volatilidade) e IT (índice toxicológico).4 .

e K.Processos de transformação Os processos de transformação das moléculas de herbicidas presentes no solo e água são decorrentes da degradação dessas moléculas em compostos secundários. químicas e biológicas que levam à formação de metabólitos ou à completa mineralização das moléculas. A t ½ vida é definida como o tempo necessário para que ocorra a dissipação de 50% da quantidade inicial do herbicida aplicado. 4. a degradação refere-se a um conjunto de transformações físicas. obtendo-se como produto final água. Ct a concentração no tempo t. a qual é extremamente importante para predizer o risco de contaminação de lençóis freáticos. CO2 e compostos inorgânicos (MELTING. De forma geral. além da própria molécula do herbicida. o ln será igual a 0.Persistência De forma prática. conforme fórmula que segue: t 1/2= 0.4 . os intervalos de tempo 170 Módulo 3.693. até a sua completa mineralização. a constante de degradação.1 . 1993). nos quais somente uma linha de dissipação é apresentada.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4 . Co a concentração inicial e k. em que Ct representa a concentração no tempo t. Essas substâncias podem incluir produtos de degradação (metabólitos). A degradação de moléculas de herbicidas no solo e o conhecimento dos principais mecanismos responsáveis pela aceleração ou pelo retardamento do processo influenciam diretamente a persistência desses compostos no ambiente.Herbicidas: comportamento no solo . a constante de degradação. A equação anterior admite que a taxa de degradação diminui linearmente com o decréscimo da concentração.693/K Entretanto. Essa equação pode ainda ser simplificada assumindo que. considera-se que resíduos de herbicidas no solo sejam quaisquer substâncias resultantes da sua aplicação. por análise de regressão linear. como a apresentada a seguir. normalmente utilizam-se equações não-lineares de regressão (bi-exponen¬ciais) para o cálculo da t ½ vida de herbicidas no solo. pode-se estimar a t ½ vida. Para modelos lineares. e. O seu cálculo deriva do modelo de primeira ordem definido pela equação: Ln C0/Ct = K * t em que C0 é a concentração inicial do herbicida. quando C0/Ct for igual a 2. A persistência desses compostos é normalmente medida pela meia-vida (t ½ vida).

(1997) 8-13 Ravelli et al.4 5.4 5. 1996).2 a t1/2 Referência (dias) Nakagawa et al.6 4. Por outro lado.6 0.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas considerados podem fornecer estimativas e interpretações errôneas da t ½ vida de herbicidas (BLUMHORST.6 3.3 0. (1997) Ravelli et al.6 5.Valores de meia-vida (t ½ vida) observados para alguns herbicidas em solos do Brasil Herbicida Tipo de solo Classe Latossolo Vermelho-Escuro Atrazine Glei húmico Simazine Trifluralin Metribuzin Latossolo roxo Latossolo Vermelho-Amarelo Latossolo Vermelho-Amarelo Latossolo Vermelho-Escuro Latossolo Vermelho-Escuro Latossolo Vermelho-Escuro Módulo 3. pH e textura). (1997) 10-16 Ravelli et al. (1995) Nakagawa et al.6 9. No entanto. (1997) 54 5-29 8-21 8-26 Ravelli et al. ao aumentar a dose de aplicação do herbicida.Herbicidas: comportamento no solo Prof.Exemplos de classificações de herbicidas quanto à persistência no solo Inglaterra Classe Não-persistente Levemente persistente Moderadamente persistente Muito persistente Fonte: Adaptado de Roberts (1996) e Foloni (1997) t1/2 (dias) <5 5-21 22-60 >60 Brasil (IBAMA) Classe Não-persistente Medianamente persistente Persistente Altamente persistente t1/2 (dias) <30 30-180 180-360 >360 Quadro 15 . No Quadro 15 são mostrados os valores de meia-vida de alguns herbicidas em solos do Brasil.7 4. No Quadro 14 encontram-se exemplos de classificações adotadas na Inglaterra e no Brasil. Ct =C0 * e -kt Sabe-se que valores altos de t ½ vida contribuem. (cm) 0-14 0-10 0-30 50-200 0-40 100200 0-15 70-150 MO Argila Areia pH (%) (%) (H2O) (%) 45 28 17 39 47 44 47 48 61 48 56 40 63 72 20 48 46 44 28 27 27 24 5. a t ½ vida poderá ser alterada e maior quantidade do herbicida estará disponível no ambiente.8 5.4 . (1997) 171 3.1 7.4 4. dentro dos limites de uso agrícola.2 1. (1997) Ravelli et al. embora a t ½ vida sirva de parâmetro para avaliação do tempo de permanência do herbicida no ambiente. para que o herbicida atinja e contamine águas superficiais e subsuperficias. a classificação de um herbicida como “persistente” ou “não-persistente” varia de acordo com o propósito da classificação. sua persistência é basicamente dependente de quatro fatores: solo (teor de carbono orgânico.0 Podzolico Vermelho-Amarelo 0-10 Chlorsulfur on Latossolo Eermelho-Escuro .8 4. 9-12 (1982) 54-63 Novo et al.3 1. 56 (1995) 22 Blanco et al.2 5. população de microrganismos presentes.3 1.8 6. em muitos casos. ambiente (temperatura e precipitação) e práticas culturais (sistema de plantio e doses aplicadas). Assim. Quadro 14 .7 2. (1993) 7-21 Ravelli et al. (1997) Campanhola et al.7 2.

172 Módulo 3.4 . Isso ocorre principalmente para compostos cuja degradação é fortemente influenciada pela atividade microbiológica do solo. que pode ser definido como sendo os resíduos fitotóxicos que permanecem no solo e que venham a afetar culturas sensíveis plantadas em rotação após aquelas culturas em que foi utilizado o herbicida. Entre as principais formas pelas quais os herbicidas são degradados.Herbicidas: comportamento no solo . Eventuais alternativas para minimizar o problema de carryover incluem a redução das doses (pode não resolver o problema em certos tipos de solos) e a aplicação em faixas ou dirigida em vez de em área total (reduz a quantidade total de herbicida aplicado). as que seguem. É o caso do imazaquin em relação ao trifluralin. Herbicidas com maior persistência podem resultar no fenômeno denominado carryover. podem-se citar. Observa-se que os herbicidas tendem a persistir por período mais prolongado quando lixiviam mais rapidamente para horizontes subsuperficiais. a qual é reduzida à medida que se afasta da camada superficial do solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nas Figuras 19 e 20 são encontrados exemplos de comportamentos de persistência de herbicidas em um Latossolo Roxo distrófico (LRd).

provenientes de áreas que receberam a aplicação de doses de imazaquin Fonte: Silva et al. 150 (B) e 180 (C) DAA. (1998) Módulo 3.4 .Toxicidade visual (parte aérea) em plantas de milho cultivadas em amostras de solo coletadas aos 120 (A).Herbicidas: comportamento no solo 173 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 19 .

4 . (1998) 174 Módulo 3.Toxicidade visual (parte aérea) em plantas de milho cultivadas em amostras de solo coletadas aos 120 (A).Herbicidas: comportamento no solo .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 20 . provenientes de áreas que receberam a aplicação de doses de trifluralin Fonte: Silva et al. 150 (B) e 180 (C) DAA.

Conjugação: quando o substrato torna-se mais complexo pela adição ou complexação com metabólicos microbianos. podendo se tornar recalcitrante e mais tóxico.Herbicidas: comportamento no solo 175 . Ativação: conversão. redução ou perda de um grupo funcional.Degradação biológica (microbiana) ou biodegradação O termo biodegradação refere-se à transformação biológica de um composto químico orgânico em outra forma. Módulo 3. 1989). como uma oxidação. mas com potencialidade de ativação e toxidez. implicando a perda ou alteração da toxidez da molécula.2 . Esse fenômeno pode ocorrer em solos extremamente secos embora seja facilitada naqueles cuja condição se aproxima da sua capacidade de campo e com temperaturas elevadas. envolvendo mudanças estruturais na molécula. por ação enzimática. no qual ocorre a quebra de pontes químicas das moléculas herbicidas devido à substituição de um ou mais átomos por íons hidroxil da água (OH-).3 . a hidrólise química é responsável. em um produto não-tóxico e desativado. ou mais complexa.Degradação química A degradação ou decomposição de herbicidas no solo por meio de reações químicas e nãobiológicas são comuns para diversas moléculas. de um substrato não-tóxico em uma molécula com ação biocida. Essa transformação pode ser primária. Detoxificação: conversão de uma molécula tóxica em um produto menos tóxico ou atóxico. Estudos mais detalhados indicam que a biodegradação pode ser por: Alteração não-tóxica: conversão de uma molécula não-tóxica. envolvendo várias reações seqüenciais. O pH do solo também auxilia na velocidade da reação. por exemplo são extremamente estáveis nas faixas de pH normalmente encontradas no solo e apresentam t ½ vida normalmente maior que seis meses. Embora para a grande maioria dos herbicidas aplicados ao solo os processos de degradação mediados por microrganismos sejam mais importantes. cujos principais mecanismos envolvidos são a oxirredução e hidrólise desses compostos. em geral.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. O fenômeno da recalcitrância (baixa degradabilidade no solo) é bastante complexo e regulado por outros fatores. 4.4 . As imidazolinonas. entre eles: • características estruturais do composto: quantidade de substituição e natureza do grupo introduzido no núcleo central da molécula. A estabilidade desses herbicidas sugere que a hidrólise química não é um mecanismo importante na sua degradação no solo (SHANER. pelo início de uma série de atividades degradativas que ocorrem no solo e torna-se indispensável para os processos de transformação das moléculas de herbicidas no solo. A hidrólise representa um processo geral de reação do herbicida com a água.

• inacessibilidade do substrato às enzimas ou células microbianas capazes de promover a sua degradação. embora os produtos finais sejam CO2. onde tem maiores chances de ser biodegradado. H2O. Estes microrganismos podem utilizar os herbicidas tanto como substratos. se um herbicida é lixiviado rapidamente da camada superficial do solo. Além disso. sendo um dos maiores mecanismos envolvidos na degradação de herbicidas. diz-se que ocorreu um processo natural de adaptação metabólica. Vários autores. NH3 e íons inorgânicos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas desativação de sistemas enzimáticos responsáveis pelas alterações na molécula do produto no solo. ou. avaliando a degradação de pesticidas em várias profundidades. 1993). mais comumente. Diversas dessas moléculas têm sido descritas como condicionadoras da microbiota do solo para sua degradação (FELSOT. (2001) observaram a biodegradação acelerada de carbetamida por microflora adptada. que a população microbiana. a segunda. esse fenômeno tem sido questionado a partir de duas considerações: a primeira é de que a degradação acelerada seria resultado do aumento do número de microrganismos selecionados pelo herbicida e. diminuindo com a profundidade. Quando a biodegradação é acelerada. como fonte de energia (metabolismo). Mineralização: considerado sinônimo de degradação. pois outros fatores ambientais precisam ser considerados na interpretação desses resultados.Herbicidas: comportamento no solo • . representada principalmente por fungos e bactérias.. com utilização do composto como fonte de carbono e energia. sem fornecimento de energia para o seu crescimento (co-metabolismo) (MONTEIRO. 1996. • ausência de fatores de crescimento ou condições favoráveis para os microrganismos decompositores e • ausência de microrganismo(s) com capacidade metabólica (enzima) capaz de degradar o produto. de que essa degradação seria devido ao aumento da atividade enzimática com maior ação degradativa sobre esses compostos. SHELTON. os processos de biodegradação podem ocorrer em função da atuação de uma ou. Hole et al. A rota primária de degradação das 176 Módulo 3. 1997). os estudos ainda não permitem uma definição sobre a modificação ou atividade mircrobiana envolvida na degradação acelerada de herbicidas. é mais abundante nas camadas superficiais do solo. Portanto. uma vez que está menos exposto ao contato direto com a microbiota do solo.. ainda.4 . Já Sanyal e Kulshrestha (1999) observaram a ação de diversos microrganismos na degradação acelerada de metolachlor. 1996). utilizando esse composto como fonte de C e N. de várias espécies de microrganismos do solo. entretanto. fornecendo nutrientes. RAVELLI et al. observaram que a taxa de degradação diminui com a profundidade (VEEH et al. Entretanto. Alteração do espectro de toxidez: alteração no composto que provoca alteração do grupo de organismos específicos sensíveis à sua ação. ele pode acabar tornando-se mais persistente. Sabe-se. Simples degradação: transformação de uma substância tóxica complexa em produtos mais simples. a ação microbiana pode modificar a estrutura química do produto. Contudo.

Uma reação que também ocorre a partir da substituição de um halogênio de benzeno por uma hidroxila. Outros exemplos de reações fotoquímicas comuns ocorrem nas bifenilas policloradas (PCBs).4 . as de maior ação sobre os herbicidas são: a hidrólise. o comprimento de onda efetivo na fotodegradação de herbicidas pode estar fora do espectro de absorção específico do composto. propriedades do solo (pH. ou próximo disso. etc. Embora a energia solar que chega à superfície do solo na faixa abaixo de 295 nm seja considerada desprezível. algumas vezes. e possui picos de absorção de luz na faixa do UV. são os mesmos que os encontrados em decorrência de processos enzimáticos. a isomerização e a polimerização. 4. as quais podem levar à sua inativação. clethodim. paraquat. cultivo e irrigação. superfície mineral. Portanto. por exemplo. particularmente sob condições de alta umidade e temperatura. monuron) e em pentaclorofenóis. sendo a desalogenação a reação fotoquímica mais comum. aeração e micro/macrofauna) e as técnicas de aplicação. diquat. como hidrólise. Módulo 3. umidade. parece ser a microbiana. Dentres as principais reações fotoquímicas. disponibilidade de nutrientes. oxirredução. uréias substituídas (diuron. Isso causa a excitação de elétrons e pode resultar na quebra ou na formação de ligações químicas. a energia luminosa pode ser absorvida por uma molécula intermediária e transferida à molécula do herbicida por colisão. Compostos amarelados. podem afetar a persistência dos herbicidas. na presença de um agente nucleofílico em solução aquosa. uma vez que a penetração de luz UV no solo é bastante limitada. O processo de fotodecomposição.. Exemplos de herbicidas que sofrem fotodecomposição incluem o trifluralin.4 . Estudos de dissipação no campo mostram a perda rápida das imidazolinonas a partir do solo. é a reação fotonucleofílica de hidrólise. normalmente como os elétrons deslocados (cromóforos). começa quando a molécula do herbicida absorve a energia luminosa. ou decomposição pela luz. vento e luz solar) podem afetar a transformação dos herbicidas tanto na água quanto no solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas imidazolinonas. triasulfuron. Apenas aqueles herbicidas na ou próximos à superfície do solo ou sobre plantas serão passíveis de sofrerem fotodecomposição. a desalogenação. Além disso. estado de humificação da matéria orgânica. como as dinitroanilinas. Fatores do ambiente (temperatura. além das próprias culturas. A maioria dos herbicidas apresenta coloração que tende ao branco. a qual depende da insaturação eletrônica. e os produtos da transformação resultantes dessas reações.Fotodecomposição ou fotólise A radiação solar na faixa do ultravioleta (290-450 nm) contém energia suficiente para causar transformações químicas dos herbicidas. a oxidação.Herbicidas: comportamento no solo 177 . Geralmente a luz apresenta um papel de catalisador de reações químicas. possuem picos de absorção por volta de 370 nm. bentazon e atrazine em solução aquosa.

A Figura 21 exemplifica as estruturas químicas de produtos de fotodegradação do metolachlor. se comprovada ao longo de um período de monitoramento.. ou isoladamente. A volatilização.que consiste simplesmente em manejar ao longo de um certo tempo a degradação dos contaminantes que ocorre por meio de processos naturais . DINARDI et al. que se beneficiam do emprego da fitorremediação em suas áreas de produção e de pesquisa (GLASS. Figura 21 . acentuada pela temperatura elevada na superfície do solo. outros fatores podem estar envolvidos. e indústrias multinacionais. tem-se mostrado que a atenuação natural monitorada pode contribuir significativamente para o controle e a redução da contaminação de solos e águas subterrâneas (FURTADO. É possível que parte das perdas esteja relacionada ao processo de fotodegradação. surgiram nos EUA e em grande parte da Europa inúmeras companhias que exploram a chamada “fitorremediação” para fins lucrativos. especialmente se um período prolongado de seca acontece após a aplicação. como a norte-americana Phytotech e a alemã BioPlanta. Herbicidas aplicados à superfície do solo são freqüentemente perdidos.Herbicidas: comportamento no solo . 178 Módulo 3. Esta alternativa .Estruturas químicas de quatro produtos de fotodegradação do metolachlor Fonte: Kochany e Maguire (1994) 5 . nos últimos dez anos.4 . 2005).tem-se mostrado viável nos casos em que ocorrem condições biogeoquimicamente favoráveis e pode ser efetiva na remediação de solos e águas subterrâneas quando utilizada paralelamente a outras tecno¬logias. Mais especificamente. a degradação química e biológica e a sorção são alguns fatores que devem ser considerados para explicar o desaparecimento dos herbicidas do solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Considera-se que os produtos da fotodegradação sejam similares aos produzidos por processos químicos e biológicos de degradação. No entanto. Monsanto e Rhone-Poulanc. 2003). como Union Carbine.Fitorremediação Recentemente. 1998.

. podendo atingir cursos de águas subterrâneas. YU et al. No processo de biorremediação in situ dito “tradicional”. principalmente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Dentre os compostos de difícil degradação no solo. herbicidas (PIRES et al. já se sabe que as espécies Stizolobium aterrimum e Canavalia ensiformis são. os herbicidas de longo efeito residual apresentam-se como principal problema à possibilidade de contaminação de culturas plantadas em sucessão e ao problema ambiental ocasionado por sua lixiviação direta ou de seus metabólitos para camadas mais profundas no perfil do solo.. incluindo o desenvolvimento de vários microrganismos comprovadamente eficientes na biodegradação de alguns compostos (BELLINASO et al. microrganismos do solo. Quando se trata da descontaminação pela utilização de plantas isoladas ou estimulando a microbiota associada às suas raízes. bem como instituições de pesquisa. principalmente) capazes de se desenvolverem em meio contendo o material poluente. PROCÓPIO et al. 2003. A técnica é bem utilizada para remediação de áreas contaminadas com metais pesados (FRANCO.A fitorremediação como mecanismo de biorremediação A biorremediação é o processo de remediação in situ de áreas contaminadas que emprega organismos vivos (microrganismos e plantas. Petrobrás (2006) e Unicamp (FEA. As condições necessárias para essa degradação incluem a existência de receptores de elétrons. 2004a. Dessa maneira. Contudo. o termo biorremediação é amplamente utilizado para o processo de descontaminação de ambientes por microrganismos. incluindo compostos químicos aplicados para as diferentes atividades agrícolas. No Brasil.1 . 2006). 5. SIQUEIRA. mais recentemente. solventes halogenados. eficientes na descontaminação de áreas tratadas com os herbicidas trifloxysulfuron-sodium e tebuthiuron e que o provável mecanismo envolvido na descontaminação seja a interação da fitoestimulação e da fitodegradação. em particular bactérias. de nutrientes e de substrato.4 . reduzindo-o ou até mesmo eliminando sua toxicidade. 2005). 2005). este trabalho abordará especificamente aspectos da técnica da utilização das plantas e sua microbiota associada. tem-se a fitorremediação (ACCIOLY. comprovadamente. de ambientes contaminados por metais pesados e derivados de petróleo. entre elas a Embrapa (2005).Herbicidas: comportamento no solo 179 .. são estimulados a degradar os contaminantes seja por utilização da molécula como fonte de nutrientes ou por co-metabolismo. Módulo 3. 2004. 2005. Nesses estudos. SANTOS et al. algumas empresas estatais e privadas. é no Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Viçosa que se intensificam os estudos na área da fitorremediação de solos contaminados por herbicidas. 2000). VROUMSIA et al. 2003. b). os quais incluem a fitorremediação.. 2005. pesquisam e exploram métodos de biorremediação.. Portanto... compostos nitroaromáticos e. visando a descontaminação de ambientes (fitorreme¬diação) que apresentam resíduos de herbicidas em quantidade suficiente para causar interferência negativa nas diferentes atividades agrícolas ou comprometer a sustentabilidade ambiental. A pesquisa referente à biorremediação (biodegradação) de áreas contaminadas por herbicidas é relativamente ampla e já bem consolidada. QUEROL et al.

duas limitações. a fitorremediação tem sido considerada vantajosa. entre outros. Apesar de ser utilizada em solos contaminados com substâncias orgânicas ou inorgânicas. promovido pela liberação de exsudatos radiculares. aterrimum. a meia-vida do atrazine foi de 50 dias. 1996). e • apresentam complexidade de análise diante das constantes transformações a que estão sujeitos. ANDERSON. principalmente por sua eficiência na descontaminação e pelo baixo custo (PERKOVICH et al. SANTOS et al. PERKOVICH et al. como bombeamento e tratamento. entre elas C. em solos rizosféricos de Kochia scoparia. Citam-se ainda outros mecanismos. como a capacidade de metabolização do herbicida a um composto não-tóxico (ou menos tóxico) à planta e ao ambiente. ou remoção física da camada contaminada. comparado ao solo não vegetado. combinados e/ou ligados a tecidos das plantas (compartimentalização) (ACCIOLY.. solventes clorados e subprodutos tóxicos da indústria (CUNNINGHAM et al. o contaminante. SIQUEIRA. de 193 dias.. CUNNINGHAM et al. as plantas. principalmente atrazine e metolachlor (ANDERSON et al. a aptidão rizosférica para a biorremediação desses compostos. ensiformis e S.. A seletividade deve-se ao fato de que os compostos orgânicos podem ser translocados para outros tecidos da planta e. 1996.. podem ainda sofrer parcial ou completa degradação ou ser transformados em compostos menos tóxicos. SCRAMIN et al.. que algumas espécies exibem a determinados compostos ou mecanismos de ação. 1996). no caso. PROCÓPIO et al. Em trabalho realizado por Arthur et al. (2005). um importante mecanismo de diminuição do herbicida por ação do fitorremediador parece ser a fitoestimulação.. como metais pesados. subseqüentemente. e em solos não vegetados. COATS. tolerantes a certos herbicidas. Esse fato é de ocorrência comum em espécies agrícolas e daninhas. 1994. conhecido como fitodegradação. entre outras. 1996). o que caracteriza. é desenvolvido como agente para o controle do descontaminante. Em trabalho realizado por Pires et al.Herbicidas: comportamento no solo . Apesar das facilidades observadas. constatou-se que.. A utilização da fitorremediação para descontaminação de ambientes com resíduo de herbicidas é baseada na seletividade.4 .. 2004. hidrocar¬bonetos de petróleo. contaminado com o tebuthiuron. apresentou maior atividade microbiana. 2005). SCHNOOR. em algumas plantas. devem ser consideradas para o emprego da fitorremediação em áreas contaminadas por herbicidas: • são contaminantes orgânicos que apresentam diversidade molecular. 1996. explosivos. BURKEN. elementos contaminantes. estimulando o efeito rizosférico na aceleração da mineralização de alguns herbicidas. 1995. foi comprovado que o solo proveniente da rizosfera de diversas espécies de leguminosas. 2000. (2000). só recentemente tem-se apresentado como promissora técnica para descontaminação de áreas tratadas por herbicidas residuais (PIRES et al. Outros trabalhos relatam a contribuição das plantas. 180 Módulo 3. no caso herbicida. que atuam degradando o composto no solo. volatilizados. 2001). agrotóxicos. Contudo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quando comparada com técnicas tradicionais. especialmente menos fitotóxicos. na qual há o estímulo à atividade microbiana. 2003. natural ou desenvolvida..

2003).5 a 3. CELIS et al.4 . 1992. com exceção do diuron em um dos solos. interferem ainda a constante de acidez (pKa) e a sua concentração (ALKORTA. não passam através das membranas lipídicas associadas com as camadas da epiderme das raízes.. a matéria orgânica constitui o principal contribuinte para a CTC. Para atrazine verificou-se que sua mineralização aumentava rapidamente com o aumento do pH (HOUOT et al. como. diuron e metsulfuron-metil na solução do solo e na fração adsorvida em dois tipos de solos e encontraram que a meia-vida destes produtos foi menor em solução que na fração adsorvida. 1995. logo. vários outros fatores poderão influenciar a capacidade descontaminadora de espécies vegetais em programas de fitorremediação. Nas condições tropicais em que os solos são altamente intemperizados com predomínio de óxidos e hidróxidos de Fe e Al e argilas silicatadas 1:1.. a absorção radicular de xenobióticos da água (em solução) está diretamente relacionada ao logaritmo do coeficiente de partição octanol-água (Kow) do composto. conseqüentemente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Segundo Burken e Schnoor (1996).0.. Compostos que são menos hidrofóbicos. Compostos que são mais hidrofóbicos. é sabido que valores de pH fora da faixa de neutralidade comprometem a atividade da microbiota do solo prejudicando diretamente os processos de fitorremediação.5 (HOUOT et al. Além disso. 1997).. (1996) estudaram a degradação de isoproturon. (1982). Dessa maneira. levando à fitodegradação. Módulo 3. além do mecanismo de ação.Herbicidas: comportamento no solo 181 . ligam-se às membranas lipídicas das raízes antes de entrarem no xilema. por exemplo.1. os efeitos benéficos nos processos de fitorremediação de herbicidas. o fluxo transpiratório. como os herbicidas.. 1995). as substâncias húmicas são relatadas como as principais responsáveis pela sorção de herbicidas (PUSINO et al.1. 2000). Para ser translocado. com valores de Log Kow < 2.. é maior quando o Log Kow do pesticida varia de 0. de baixa reatividade (caulinita). apesar de ter valores de pH mais altos que 6. GARBISU. as pesquisas devem direcionar esforços para obtenção de melhores resultados para as áreas contaminadas com os herbicidas que apresentam longo efeito residual no solo. sendo maior a absorção quando o valor de Log Kow é de 2. Todavia. pelas condições ambientais e pelas características da espécie vegetal. Em revisão feita por Pires et al. (2003a) e de acordo com Brigss et al.1.1 (PIRES et al. Maior conteúdo de matéria orgânica reduz as amplitudes de variação da temperatura e umidade do solo. Para certas características das plantas e condições ambientais. persistência e concentração do herbicida. fundamental para promover o carreamento do herbicida absorvido para a parte aérea das plantas. ampliando dessa forma. 2000). REDDY et al. Solos com alto conteúdo deste mineral apresentam reduzida mineralização de atrazine. a absorção de compostos orgânicos.. 2001). Essa ligação ou exclusão leva a menor fluxo transpiratório sob valores de Log Kow que se distanciam de 2. no papel eficiente das plantas. o produto químico deve passar pelo simplasto da endoderme. além dessa característica. pelas plantas é afetada pelas propriedades químicas do composto. com Log Kow > 2. o conteúdo de argila. Dos componentes da matéria orgânica do solo. Outras propriedades do solo podem intervir na fitorremediação e. Walker et al. incrementam-se também a biomassa e atividade microbiana e a biotransformação das moléculas dos herbicidas no solo (WEED et al.

. as propriedades procuradas em um herbicida são sua pronta degradabilidade.este herbicida apresenta elevada mobilidade em solos com baixos teores de argila e de carbono orgânico. é de aproximadamente oito meses. feijão e soja quando cultivadas até dois anos após a sua aplicação. principalmente em sistemas agrícolas que necessitam utilizar esses produtos no manejo integrado de plantas daninhas (JAKELAITIS et al. é essencial conhecer o tempo total necessário para a 182 Módulo 3. SANTOS et al. Sua persistência no solo pode variar de 11 a 14 meses em Latossolo Vermelho-Amarelo em lavouras de cana-de-açúcar (BLANCO. Também o tebuthiuron. podendo atingir lençóis subterrâneos e se mover para outros ambientes com provável contaminação de outros ecossistemas. entre outras (RODRIGUES. quando simulada a reunião de todas as condições ambientais que favoreçam sua persistência (EMMERICH et al. como algodão. o período de espera. 2005). 2005). principalmente como resultado de aplicações seqüenciais ao longo dos anos na mesma área (CERDEIRA. OLIVEIRA. batata. reduzindo com isso o número de aplicações. para que se obtenha resultados satisfatórios. 1988) ou mesmo estender-se por mais de sete anos. apresenta problemas de carryover na cultura do feijão cultivado em seqüência. sendo. Problemas resultantes dos processos de poluição e degradação dos recursos naturais por herbicidas têm recebido atenção especial. 1999). 2005).4 .5 g ha-1) (RODRIGUES. 2005). soja.Herbicidas: comportamento no solo . a contar da data de sua aplicação. para o plantio de culturas sensíveis. Outros herbicidas. como picloram e imazapyr. existindo uma conscientização dos problemas ambientais ou de saúde que podem ocorrer devido à má utilização desses compostos químicos (SANTOS et al.. que é utilizado em mistura com o ametryn na cultura da cana-de-açúcar ou puro na cultura do algodão em pós-emergência inicial. Mesmo sendo recomendado em concentrações baixas (em torno de 7.Problemas relacionados aos herbicidas residuais Atualmente. Mesmo possibilitando o controle efetivo de plantas daninhas por um período de tempo maior. Contudo. portanto. os herbicidas que apresentam longo efeito residual no solo proporcionam a ocorrência de toxicidade em culturas sensíveis (carryover) plantadas após sua utilização. BOVEY. podendo chegar a até três anos o intervalo para o plantio de culturas sensíveis. Produtos como o trifloxysulfuron-sodium. especificidade e baixa toxicidade para os organismos não-alvos. apresenta longo período residual. eficiência em doses baixas.. ALMEIDA.1984). 2005. Além disso. 1987) de 15 a 25 meses em solo argiloso (MEYER. Existe ainda o impacto ambiental negativo ocasionado pela lixiviação dessas moléculas ou de seus metabólitos para camadas mais profundas no perfil do solo. apresentam considerado efeito residual no solo. tomate. Áreas contami¬nadas por estes e outros herbicidas persistentes no solo são prioritárias nos programas de fitorremediação. ALMEIDA.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 5. causando intoxicação às culturas de amendoim.. fonte potencial para contaminação de aqüíferos.2 . que é recomendado para uso em pré-emergência na cultura da canade-açúcar.

1996. 2003). entre outros fatores. ACCIOLY. sendo importante ressaltar algumas delas.Herbicidas: comportamento no solo 183 . especialmente em árvores e plantas perenes. a escolha de plantas que apresentem tolerância ao herbicida é o primeiro passo na seleção de espécies potencialmente fitorremediadoras. com elevada umidade. • capacidade transpiratória elevada. pedregoso. a técnica pode apresentar algumas limitações de aplicação. concentração e/ou metabolização e tolerância ao herbicida. Dessa forma. • fácil aquisição ou multiplicação de propágulos. Módulo 3. • resistência a pragas e doenças. • fácil colheita. no caso da fitoestabilização. CUNNINGHAM et al.Estratégias para o sucesso da fitorremediação O sucesso no emprego da fitorremediação como técnica para descontaminação de áreas tratadas por herbicidas depende da natureza química e das propriedades do composto. além dos procedimentos para o correto emprego da técnica.3 .. de clima quente ou frio. NEWMAN et al. • fácil controle ou erradicação. quando necessária a remoção da planta da área contaminada. que. porém. embora a maioria dos testes avalie plantas isoladas... SIQUEIRA. solo seco. Dessa forma. a espécie vegetal ideal para remediar um solo contaminado por herbicidas seria uma cultura de alta produção de biomassa. • sistema radicular profundo e denso. várias espécies podem. Em essência. Outro aspecto a ser observado é que. aquela que for selecionada deve reunir o maior número delas. PERKOVICH et al. 1994. além da aptidão ecológica da espécie vegetal a ser empregada. que tanto pode tolerar como acumular o produto. 1996. algumas características devem ser consideradas na escolha da espécie vegetal a ser utilizada em programas de remediação de áreas contaminadas por herbicidas: • capacidade de absorção. as vezes é muito longo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas descontaminação. 2000. • retenção do herbicida nas raízes. ao mesmo tempo ou subseqüentemente.. e • capacidade de desenvolver-se bem em ambientes diversos. 2000. 1998. • alta taxa de crescimento e produção de biomassa. VOSE et al. daí a necessidade do conhecimento de estratégias que acelerem o processo de remediação. Com base nas análises apresentadas por diversos autores (FERRO et al. evitando sua manipulação e disposição.. como oposto à transferência para a parte aérea. O ideal seria reunir todas essas características numa só planta. para promoverem maior descontaminação. como sugerido por Miller (1996). 5.4 . visando efetivar e diminuir o tempo de descontaminação. São conhecidas espécies que se desenvolvem bem em todos os ambientes. • elevada taxa de exsudação radicular. ser usadas em um mesmo local. PIRES et al..

evidenciada pelo maior desprendimento de dióxido de carbono.. ensiformis. sendo. aterrimum.. (2006) observaram que o solo proveniente da rizosfera de S. 2006). 2005b.4 . Em outro trabalho. 184 Módulo 3.. utilizada como bioindicadora da presença do herbicida.Herbicidas: comportamento no solo . SANTOS et al. tratado com o trifloxysulfuron-sodium. Belo et al. PROCÓPIO et al. (2005) verificaram que o aumento da densidade populacional de S. algumas especies vegetais utilizadas como cobertura do solo foram selecionadas (Figura 22). b. Santos et al. possibilitando o posterior desenvolvimento de plantas de milho e feijão. indicando que o produto pode estar sendo degradado internamente nos tecidos (fitodegradação) ou inativado por outros mecanismos rízosféricos. (2005) verificaram que. apresentou maior atividade microbiana. não interferiu no desenvolvimento posterior de plantas de feijão. feijão-de-porco (Canavalia ensiformis) e mucuna-preta (Stizolobium aterrimum) promoveram a fitorremediação de solo contaminado pelo herbicida trifloxysulfuron-sodium. provavelmente. destacando-se a mucuna-preta (Stizolobium aterrimum) e o feijão-de-porco (Canavalia ensiformis) (Figura 23). Além dos fatores mencionados. 2005). aterrimum da área contaminada com trifloxysulfuron-sodium. evidenciando a contribuição da microbiota no processo de descontaminação. (2006) constataram que a adição de composto orgânico ao solo contaminado com trifloxysulfuron-sodium e tebuthiuron.. ensiformis e S. 2004b).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nos trabalhos realizados até o momento no Brasil. ensiformis e Lupinus albus possibilitaram o pleno desenvol¬vimento de Avena strigosa. Também Pires et al. 2005. a permanência ou retirada da parte aérea das plantas de C. as leguminosas C. a fitoestimulação da microbiota associada à rizosfera (PROCOPIO et al. outros mecanismos podem ser implementados no programa de fitorremediação visando maior eficiência no processo. possibilitou maior eficiência no processo de remediação por essas leguminosas. semelhante ao solo isento do herbicida (Figura 24). 2003a. ALMEIDA. Nos trabalhos realizados por Procópio et al. após o período de remediação. após a seleção de diversas espécies vegetais. Essas culturas são sensíveis à presença desse herbicida (RODRIGUES. das várias espécies testadas tolerantes ao herbicida tebuthiuron. visando a seleção de espécies vegetais com potencial para emprego em programas de fitorremediação de herbicidas (PIRES et al. comparado ao mesmo solo não tratado com o herbicida. além de melhorar o desenvolvimento das espécies vegetais S. Procópio et al. 2004. (2004). comprovando a eficiência na descontaminação. aterrimum e C. aterrimum promoveu maior descontaminação da área tratada com trifloxysulfuron-sodium.

(2004) Para Accioly e Siqueira (2000).5 e 15. o programa deve envolver. 7.4 . em solos contaminados pelos herbicidas trifloxysulfuron-sodium e tebuthiuron Figura 24 – Desenvolvimento de plantas de milho e de feijão em solo tratado com o herbicida trifloxysulfuron-sodium (0.0.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 22 – Etapa de seleção de espécies vegetais tolerantes ao trifloxysulfuron-sodium e ao tebuthiuron. agiriam em conjunto. para o sucesso da fitorremediação. visando a remediação Fonte: Procópio et al. os quais. visando a fitorremediação de solos contaminados por esses herbicidas Figura 23 – Desenvolvimento de mucuna-preta (Stizolobium aterrimum) (A) e feijão-de-porco (Canavalia ensiformis) (B). amenizantes como a matéria orgânica do solo. Módulo 3. imobilizando ou tornando os contaminantes inofensivos ao ecossistema. além do emprego de plantas e sua microbiota associada.0 g ha-1) (não-seletivo a essas culturas). removendo. associados às práticas agronômicas. posteriormente cultivado (B) ou não (A) com mucuna-preta (Stizolobium aterrimum).Herbicidas: comportamento no solo 185 .

além da possibilidade de inoculação de microrganismos junto à semeadura das plantas. hidrólise lenta. havendo possibilidades de reciclagem da biomassa produzida. principalmente no solo. além da capacidade remediadora. o atrazine oferece elevado risco de contaminação de aqüíferos. apesar de já ser bem conhecido o processo de biodegradação do atrazine por diversos microrganismos (BEKHI et al. como papel. podendo ser utilizada como fertilizante. com o objetivo de prevenir quanto aos possíveis distúrbios ambientais provocados por esses compostos. BEKHI. 2005). incremento na população e número de espécies vegetais. Este herbicida apresenta alta persistência no solo. e uma abordagem detalhada da sua dinâmica seria difícil diante dos diversos interferentes relacionados ao seu comportamento. 1998). depende do somatório de diversos processos envolvidos. geração de energia. dos fatores climáticos envolvidos e dos mecanismos de interação herbicida–ambiente nem sempre representa o comportamento constatado em condições naturais a campo. a fitorremediação surge como opção para o tratamento eficiente de solo e água contaminados por herbicidas de difícil decomposição nesses ambientes. O que se observa é que o conhecimento teórico das propriedades dos compostos do solo. Entre os herbicidas. KHAN.. 1993. são pesquisas já iniciadas e fornecerão dados para maior eficiência nos processos de descontaminação de áreas que apresentam resíduos de outros herbicidas comprovadamente persistentes no ambiente.Herbicidas: comportamento no solo . nos programas de fitorremediação de herbicidas. O resultado dos processos de transporte. espera-se maior aceitação de métodos de descontaminação in situ. 1986). baixa pressão de vapor. alto potencial de escoamento. ração animal.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Manejo da irrigação. Além disso. os quais são responsáveis pelo destino final desses compostos. que visam o menor impacto negativo ao ambiente. 2003. Em se tratando de ambientes aquáticos. poucos são os trabalhos que apontam soluções para fitorremediação deste composto em ambientes aquáticos (MARCACCI.Considerações finais O comportamento de herbicidas no ambiente. essa técnica é 186 Módulo 3. sendo comumente detectado após um ano. o sucesso do tratamento empregando planta aquáticas vai além do baixo custo. 6 . GLASS. principalmente em solos brasileiros. outros benefícios para o agricultor. como o picloram e outros. absorção moderada à matéria orgânica e argila. retenção e transformação que ocorrem com as moléculas representa a capacidade de contaminação e persistência destas no meioambiente. O tema cresce em complexidade na medida em que se tenta selecionar espécies vegetais que apresentem. por perturbarem menos o ambiente. solubilidade de baixa para moderada em água (RODRIGUES. ALMEIDA. Nessa área. devido às suas características físico-químicas. graças à atual preocupação na viabilidade das técnicas integradas de manejo. 2005). Contudo. e até proteínas para usos em rações (DINARDI et al. fabricação de diversos produtos.4 . Contudo. Esse fato denota a importância de pesquisas.

Embora o tema seja muito abrangente. As implicações são claras: entendendo como os herbicidas e outros pesticidas aplicados ao solo se comportam. este é. podendo ser aplicada a grandes áreas.4 .Herbicidas: comportamento no solo 187 . Módulo 3. sem dúvida.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas relativamente barata. a identificação dos problemas de contaminação e as opções de recuperação do ambiente afetado. torna-se possível sua utilização com eficiência técnica e econômica. quando todos os fatores envolvidos interagem. um dos motivos pelo qual deve ser mais estudado. comparada a outros processos de descontaminação.

A. T.B. 2003. 1995. J. AHRENS. ALVAREZ V. A. 1997. Fitorremediação de herbicidas em solo enriquecido com matéria orgânica. R. A.. 2001. 273-276. A. COATS. 22. M... 1994. ANDERSON. J. 1... 1986. Bras. Champaign: Weed Science Society of America. SANTOS. PERKOVICH.. Biores. 299-352. M. Soil Sci.. Can. M. G. Degradation of atrazine. p. A. v. 473-484. A. MACHADO. SIQUEIRA. Qual. C. 30. Sci... J.. R. COATS. 1997. Screening rhizosphere soil samples for the ability to mineralize elevated concentrations of atrazine and metolachlor. 28... W. 188 Módulo 3. v.. 2000. B. J. Contaminação química e biorremediação do solo. COATS. p. G. J. Agric. 34... n.. WALL. v. p. Health. G.. v.Herbicidas: comportamento no solo ... Transport of herbicides and nutrients in surface runoff from cropland in Southern Ontario. 2000. FERREIRA. MG: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo.). R. BLANCO. Planta Daninha. FEMS Microbiology Ecology. A. J. GREER.ed. PERALBA. KHAN. Persistência de herbicidas em Latossolo Vermelho-Amarelo em cultura de cana-de-açúcar. 43. M.. M. p. 1993. U. D. J. WAGGER. BELLINASO. A. 1318-1326. 7. BEHKI. v. T.. v. L. ANDERSON. v. 1994. 1237-1241. BLANCO. p. D. BEHKI. and simazine by Rhodococcus strain B-30. F. F. 1987. Viçosa. HENRIQUES. P. 59-66. B. KING.. B.. Degradation of an atrazine and metolachlor herbicide mixture in pesticide-contaminated soils from two agrochemical dealerships in Iowa. TOPP. Environ. E. J. SILVA. R. Chemosphere. I. C. V. F. R. p. 681-687. G. R. J. SCHAEFER. H.. ANDERSON. 2.. 74. ALKORTA. L. E. E. GARBISU.. n. Runoff of sulfonylurea herbicides in relation to tillage system and rainfall intensity. M. In: NOVAIS. Tópicos em ciência do solo. Herbicide handbook.. propazine. C. T. Technol. 5. BOWMAN. Enhanced degradation of a mixture of three herbicides in the rhizosphere of a herbicide-tolerant plant. Phytoremediation of organic contaminants in soils. 119. 75-90. Agropec.. Degradation of atrazine by Pseudomonas: N-dealkylation and dehalogenation of atrazine and its metabolites. R. J. S. p. J. 1551 1557. A. v. L. v. J..4 . p. W. ARTHUR.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Referências bibliográficas ACCIOLY.. C. A. A. p. n. R. R. R. T.. (Eds. 746-749. Persistência e lixiviação do herbicida simazina em solo barrento cultivado com milho. L. 42. H. Food Chem. Air. Agric. DICK.. W. 2006 (Em fase de publicação) BLANCO. T.. GERMON P. p. O. v. Water. GAYLARDE. Biodegradation of the herbicide trifluralin by bacteria isolated from soil. 191-194. E. AFYUNI. Food Chem. S. BELO. 130-140.. B. LEIDY. 2. SANTOS. 26. v. 15.. OLIVEIRA. 79. M. p. KRUGER. Pesq. Soil Poll. M. C. H. G. n. 1994. M.. Planta Daninha. E. J. C. p.. v. 1. Environ. 352 p. J.

California. 1996. v. R. 1984. Bull.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas BRIGSS. J. M. 1996. Wallingford. 1982. S. L. HERMOSIN. v.. E.. n. Series. R. Am. Herbicide and nitrate residues in surface and groundwater from sugarcane área in Brazil.. T. 198 f. BUTTLE. Relationship between lipphilicity and root uptake and translocation of non-ionized chemicals by barley. 131. M. C. Potential for pesticide contamination of ground water resulting from agricultural uses. v. Water Resour. 19. C. ENVIRONMENT AGENCY. v. H. ENFIELD. Agropec. S. CERDEIRA. 40. p. n. p.). J. Phytoremediation of soils contaminated with organic pollutants. J. PELEGRINE. S. L. N. Chem.. (Fórum de Estudos Contábeis. RENARD. J. N. SOBRINHO. 531 538. CARTER. G.1633002266/noticia. 1985... HELMER. 1990.4 . M. D. A. R. A. Journal of Environmental Quality. J. J. G.. LANE. N. Oxon. EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA – EMBRAPA. CAMPANHOLA. BRITO. Pesticides in the aquatic environment 1996. L. 1984.. M. v. 1999. v. S.. SCHNOOR. L. p. Treatment and disposal of wastes. BROMILOW.. K. 3). G. 32. v. Fitorremediação. EVANS. Módulo 3. v. CORNEJO. CARSEL.2005-11-03. G. SCHWAB. Sci. F..1289017113/ mostra_noticia>. Disponível em: :<http://www21. 5. 1982. RUEGG. A. 495-504. 1985. DOLLING. M... D. UK. 2. Pesticides and pesticide degradation products in stormwater runoff: Sacramento River Basin. Birmingham. Studies of interactions of some imidazolinone herbicides with clays. 958-963. D. Environ. Sorption of triazafluron by iron and humic acid-coated montmorillonite. E. Comportamento de metribuzin e trifluralina no solo e sua absorção por soja. R. R. H. A.2005-0815. National Centre for Ecotoxicology and hazardous substances. p. P. 297-325. 122.1209214647/foldernoticia.embrapa. A. A. Qual. CUNNINGHAM. 2006. W. C. Uso da biodiversidade na agricultura. na indústria e na preservação ambiental. 2003. Symp. R. p. EMMERICH. 55-114.. Pestc. Phytoremediation: plant uptake of atrazine and role of root exudates. 26. 17. 565571. 56. LORD. BURKEN. BROMILOW. G. A. (Eds... CONEGLIAN. Thesis (M. F. 3. Weed Research.. 1999. 15 p.2005-12-06.. J. T. 382-386. 4. Journal of Environmental Quality.br/noticias/banco_de_noticias/2005/folder. 138.sede. n. Pesq. D. Fate and effectiveness of tebuthiuron applied to a rangeland watershed... FORMAGI. Rio de Janeiro: Faculdades Integradas Claretianas.. J. Engin. p. Acesso em: 23 jan. Metolachlor transport in surface runoff. Bolletino Chimico Farmacêutico. p.. A. 472-479. CREEGER. J. n. v. p. In: KRUEGER. R. A. ANDERSON. p. Advances in Agronomy. p.. V. 13. 1996.. Herbicide movement in soils: principles. DINARDI. DOMAGALSKY. CELIS.. patways and processes.. 113-122. SEIBER. v. C. p. Bras. 1997. 953-964. J. COHEN. Environ.Herbicidas: comportamento no solo 189 . K. Thesis Department of Chemistry) – University of Birmingham.Sc. 13. COX L.. 2000.

J. C. Brighton. 739-745. p. p.2. 26-45. Champaign: Weed Science Society of America. Factors affecting mobility of pesticides in soil. Champaign: Weed Science Society of America. Environ. 175-189. 1986. v. R. B. Toxicol. West Lafayette: Purdue University. J.4 . GLASS. v. Journal of Environmental Quality. WEHTJE.. 1994. L. Needham: Glass Associates. Chem. In: PURDUE UNIVERSITY. 339-357. v.Herbicidas: comportamento no solo . vol. F. n. S. In: DUKE.. PORTO. Y. C. M.. A. SIMS. WEIERICH. J. S. GRAVEEL. 1993. p. B. 2004. GRAY. I. Viçosa. p. 5. L. (Ed. 277-251. n. Sorption and degradation of pesticides and organic chemical in soils. Química e Derivados.. v. Remediação de solos. FRANCO. Weed Sci. TOPP. G. S. p. Disponível em: <www.. M.. Abstract. Reviews of weed science. 190 Módulo 3. 33. FURTADO. WALKER. E. Madison: Soils Sciences Society of America. A.. 2. G. 243-247. 13. BUGBEE. v. F. CARBONNEL. Enhanced diodegradation of soil pesticides: interactions between physicochemical processes and microbial ecology.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas FACULDADE DE ENGENHARIA AGRÍCOLA – FEA/UNICAMP. E. 1998. American Society of Agronomy.. MG: SBCPD. De BARREDA. L. J. Brighton. S. CASES. HOUOT. In: LINEE. D. 3.. Herbicide handbook – supplement to seventh edition. FERRO. p. 139 p.. 104 p. 809-814. Weeds.. Proceedings. HOLE. Groudwater ubiquity score: a simple method for assessing pesticide leachibility. J. 1989. C. Factors affecting the vapor loss of EPTC from soils. Viçosa. Sulfonylureas and quinclorac degradation in water. A. SHLETON. 2001.. MAIA. 1993... p. K. HATZIOS. A.. S. R. H. p. 35. FELSOT. ABDELLAH. p. Hycrest crested wheatgrass accelerates the degradation of pentachlorophenol in soil. et al.). 1998. The 1998 United Status Market for Phytoremediation. D. Remoção de metais pesados por quitina e quitosana isoladas de Cunninghamella elegans. GOMEZ DE BARREDA. E. n. 207 225. HAJEK. G.. O. N. Soil Biology and Biochemestry... 1997. n. v.... 21. Sorption-desorption and herbicide behavior in soil. A. G. D.br>. HARPER. MG. M. GOETZ. Herbicide action course. 1994. O. (Eds. SOULAS. LORENZO. 615625. 272 279.. UK: 1993.agr. Vol. 1965. Rapid degradation of carbetamide upon repeated application to Autralian soils. MUNOZ.. D. GUSTAFSON. 1997. A. 8. In: BRIGHTON CROP CONFERENCE – WEEDS. B. 788-793. Soil solution and mobility characterization of imazaquin. p.). R. TURCO.. R. In: CONGRESSO BRASILEIRO DA CIÊNCIA DAS PLANTAS DANINHAS – Palestras e Mesas Redondas. p. D. FOLONI. S. A. 1994. Brazilian Journal of Microbiology. 141-147. 464 507. maio de 2005.unicamp. p.. R. 23. 34. D. 4. 2006. p. K. Dependence of accelerated degradation of atrazine on soil pH in French and Canadian soils.. R. 2000.. 6. UK. Avaliação da periculosidade ambiental segundo a nova proposta do IBAMA. Acesso em: 10 jan. v. et al. 32. G. D. L. Soil Biology and Biochemistry.

Chem. J. Soil. Evaluation of pesticide groundwater pollution potential from standard indices of soil-chemical adsorption and biodegradation. Planta Daninha... SILVA. R. n. Comportamento de herbicidas no meio ambiente.. VIANA. ANDREA.. A.. E. Sunlight photodegradation of metolacchlor in water. Chemosphere. Disponível em: <http://www. R. L. Semi-empirical estimation of hydrophobic pollutants on natural sediments and soils. J. 1996. L. R. Campinas. H. Bras. 1995. In: EMBRAPA – CNPMA. 4. F.. RAVANEL. C. W. MILLER. 1981. S. KOSKINEN. D.. R. In: Crops and Soils Magazine. TORMENA. v.Herbicidas: comportamento no solo 191 . MARCACCI. The retention process: mechanisms. J. SP: 1996. 125-132. 2. Qual. 422-428. 1990. C. Workshop sobre biodegradação.org>. STOLLER.. 1. Clomazone fate in soil as affected by microbial activity. 2. 30. B... A. 406-412. R.. 1995. C. temperature and soil moisture. Phytoremediation. Anais. n. 471476. OLIVEIRA JR. Qual. CONSTANTIN. Workshop sobre biodegradação. 16. R. MALLAWATANTRI. J. v.. 646 p. 20. Conjugation of atrazine in vetiver (Chrysopogon zizanioides Nash) grown in hydroponics. J. 120-128. p. FARMER. p. 1988. J. 69-78. v. Food. M. Pesticides in the soil environment: processes. impacts and modelling. WHITWELL. E.. n. MERVOSH.gwrtac.. 546-551.M.. FOCHT. 1. 81-115. P. In Press Corrected Proof. K. H. n. 2005 JURY. p. A. KEESE. MELTING. 2002. JAKELAITIS. L. M. v.. p. 23. R. p. p. J. Disponível em: 18 jun. 51-57. Environmental and Experimental Botany. 537 543. Agric. Campinas. R.... Environ. M.. Efeitos de herbicidas no consórcio de milho com Brachiaria brizantha. W. Environ. A. KARICKHOFF. MONTEIRO. p. SILVA. CAMPER. p. HARPER.. p. 2) LAVORENTI.. p.. M. v. p. v. n. 21. RILLEY. chemical pH. B. W. D. LUCHINI. W. R.. LEAVITT.. MEYER. In: EMBRAPA – CNPMA. Anais. MAGUIRE. H. Agric. M. S. n. J. Available online 12 March 2005. SP: 1996. 2001. 4.. A. n. PEREIRA. J. R. 2.4 . 1992. Soil microbial ecology: applications in agricultural and environmental management. Environ. Campinas.. G. 1994. 1996. Biodegradação de herbicidas. p. R. N... v. C.. D. Herbicide runoff from ornamental container nurseries. Weed Science. KOCHANY. v. L. 1993. (Book Series. NAKAGAWA. P. MARCHIORI JR.. J. Campinas. Qual. Calagem e o potencial de lixiviação de imazaquin em colunas de solo. 10. Herbicide adsorption and organic carbon contents on adjacent low-input versus conventional farms. J. p. S.). v. Chem. R. Pesq. C.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas INOUE. Comportamento da atrazina em solos brasileiros em condicoes de laboratorio. BOVEY. Módulo 3. 1987. R. p. Planta Daninha. 1996. In: CHENG. S. New York: Marcel Dekker. 43. P. MUSUMECI. v. F. 13-14. D. 8. SIMS. J.. A. 1994. 1980. A. G.S. (Ed. T.. 320-324. Food. RAVETON. WILSON. W. Madison: Soil Science Society of America. J. FERREIRA. W.. 833-846. Tebuthiuron formulation and placement effects on response of woody plants and soil residue. T. n. A. Agropec. O. 4. 373-378. E.. L. 36.. 23. n. T.. SCHWITZGUÉBEL. 42.. MULLA.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

NEWMAN, L. A.; DOTY, S. L.; GERY, K. L.; HEILMAN, P. E.; MUIZNIEKS, I.; SHANG, T. Q.; SIEMIENIEC, S. T. Phytoremediation of organic contaminants: a review of phytoremediation research at the university of Washington. Journal Soil Contaminant., v. 7, p. 531-542, 1998. NOVO, M. C. S. S.; BLANCO, H. G.; AMBRÓSIO, L. A.; COELHO, R. R.; GIMENEZ, R. B. F.; ARCAS, J. B. Determinação de resíduos do herbicida trifluralin em latossolo roxo com soja. Turrialba, v. 43, n. 1, p. 66-71, 1993. OLIVEIRA JR., R. S. Relação entre propriedades químicas e físicas do solo e sorção, dessorção e potencial de lixiviação de herbicidas. 1998. 86 f. Tese (Doutorado em Fitotecnia) – Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, MG, 1998. OLIVEIRA JR., R. S.; KOSKINEN, W. C.; FERREIRA, F. A. Sorption and leaching potential of herbicides in Brazilian soils. In: WEED SCIENCE SOCIETY OF AMERICA MEETING, 39., 1999, San Diego-CA. Abstracts... Lawrence: WSSA, 1999. p. 47. OLIVEIRA JR., R. S.; KOSKINEN, W. C.; FERREIRA, F. A.; KHAKURAL, B. R.; MULLA, D. J.; ROBERT, P. C. Spatial variability of imazethapyr sorption coefficients. In: WEED SCIENCE SOCIETY OF AMERICA MEETING, 38., 1998, Chicago-IL. Abstracts... Lawrence: WSSA, 1998a. p. 86. OLIVEIRA JR., R. S.; KOSKINEN, W. C.; FERREIRA, F. A.; KHAKURAL, B. R.; MULLA, D. J.; ROBERT, P. C. Spatial variability of alachlor sorption coefficients. ANNUAL MEETING ABSTRACTS AMERICAN SOCIETY OF AGRONOMY, CROP SCIENCE SOCIETY OF AMERICA, SOIL SCIENCE SOCIETY OF AMERICA, 1998, Baltimore-MD. Abstracts... Baltimore: ASA/CSSA/SSSA, 1998b. p. 206. PATROBRAS: Remediação de área contaminadas por combustíveis. Disponível em: <http://www.remas.ufsc.br/projeto_petrobras.htm>. Acesso em: 23 jan. 2006. PERKOVICH, B. S.; ANDERSON, T. A.; KRUGER, E. L.; COATS, J .R. Enhanced mineralization of [14C] atrazine in K. scoparia rhizosferic soil from a pesticide-contaminated site. Pesticide Science, v. 46, p. 391-396, 1996. PIGNATELLO, J. J. Sorption dynamics of organic compounds in soils and sediments. In: SAWHNEY, B. L.; BROWN, K. W. (Eds.). Reactions and movement of organic chemicals in soils. Madison: Soil Society of America and the American Society of Agronomy, 1989. p. 45 79. (SSSA Special Publication, 22) PIRES, F. R.; SOUZA, C. M.; SILVA, A. A.; PROCÓPIO, S. O. Phytoremediation of herbicidepolluted soils. Planta daninha, v .21, n. 2, p. 335-341, 2003a PIRES, F. R.; SOUZA, C. M. CECON, P. R.; SANTOS, J. B.; TÓTOLA, M. R.; PROCÓPIO, S. O.; SILVA, A. A.; SILVA, C. S. W. Inferências sobre atividade rizosférica de espécies com potencial para fitorremediação do herbicida tebuthiuron. Revista Brasileira de Ciência do Solo, v. 29, p. 627-634, 2005c. PIRES, F. R.; SOUZA, C. M.; SILVA, A. A.; CECON, P. R.; PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B. Fitorremediação de solos contaminados com tebuthiuron utilizando-se espécies cultivadas para adubação verde. Planta Daninha, v. 23, n. 4, p. 711-717, 2005b.
192 Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

PIRES, F. R.; SOUZA, C. M.; SILVA, A. A.; PROCÓPIO, S. O.; CECON, P. R.; SANTOS, J. B.; SANTOS, E. A. Seleção de plantas tolerantes ao tebuthiuron e com potencial para fitorremediação. Revista CERES, v. 50, n. 291, p. 583-594, 2003b. PIRES, F. R.; SOUZA, C. M.; SILVA, A. A.; QUEIROZ, M. E. L. R.; PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; SANTOS, E. A.; CECON, P. R. Seleção de plantas com potencial para fitorremediação de tebuthiuron. Planta Daninha, v. 21, n. 3, p. 451-458, 2003a. PIRES, N. M.; OLIVEIRA JR., R. S.; PAES, J. M. V., SILVA, E. Avaliação do impacto ambiental causado pelo uso de herbicidas. Viçosa, MG: Sociedade de Investigações Florestais, 1995. 22 p. (Boletim Técnico SIF, 11). PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; PIRES, F. R.; SILVA, A. A.; SANTOS, E. A. Fitorremediação de solo contaminado com trifloxysulfuron-sodium por mucuna-preta (Stizolobium aterrimum). Planta Daninha, v. 23, n.4, p. 719-724, 2005a. PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; PIRES, F. R.; SILVA, A.A.; SANTOS, E. A.; CARGNELUTTI FILHO, C. Development of bean plants in soil contaminated with the herbicide trifloxysulfuron-sodium after Stizolobium aterrimum and Canavalia ensiformis cultivation. Crop Protection, 2006 (em fase de publicação) PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; SILVA, A. A.; PIRES, F. R.; RIBEIRO JÚNIOR, J. I.; SANTOS, E. A. Potencial de espécies vegetais para a remediação do herbicida trifloxysulfuronsodium. Planta Daninha, v. 23, n. 1, p. 9-16, 2005b. PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; SILVA, A. A.; PIRES, F. R.; RIBEIRO JÚNIOR, J. I.; SANTOS, E. A.; FERREIRA, L .R. Seleção de plantas com potencial para fitorremediação de solos contaminados com o herbicida trifloxysulfuron sodium. Planta Daninha, v. 22, n. 2, p. 315322, 2004. PUSINO, A. et al. Influence of organic matter and its clay complexes on metolachlor adsorption on soil. Pesticide Science, v. 36, p. 283-286, 1992. QUEROL, X.; ALASTUEY, A.; MORENO, N.; ALVAREZ-AYUSO, E.; GARCÍA-SÁNCHEZ, A.; CAMA, J.; AYORA, C.; SIMÓN, M. Immobilization of heavy metals in polluted soils by the addition of zeolitic material synthesized from coal fly ash. Chemosphere, v. 62, n. 2, p. 171-180, 2006. RAVELLI, A.; PANTANI, O.; CALAMAI, L.; FUSI, P. Rates of chlorsulfuron degradation in three Brazilian soils. Weed Res., v. 37, p. 51-59, 1997. REDDY, K. N. et al. Chlorimuron adsorption, desorption and degradation in soils from conventional tillage and no-tillage systems. Journal of Environmental Quality, v. 24, p. 760 767, 1995. ROBERTS, T. R. Assessing the environmental fate of agrochemicals. J. Environ. Sci. Health, B, v. 31, n. 3, p. 325-335, 1996. RODRIGUES, B. N.; ALMEIDA, F. S. Guia de herbicidas. 5.ed. Londrina, PR, 2005. 648 p. RODRIGUES, B. N.; ALMEIDA, F. S. Guia de herbicidas. 5.ed. Londrina, PR: Grafmarke, 2005. 591 p.
Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo 193

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

SANIAL, D.; KULSHRESTHA, G. Effect of repeated metolachlor applications on its persistence and field soil and degradation kinetics in mixed microbial cultures. Biology and fertility of soils, v. 30, p. 124-131, 1999. SANTOS, E. A.; SANTOS, J. B.; FERREIRA, L. R.; COSTA, M. D.; SILVA, A. A. Fitoestimulação por Stizolobium aterrimum como processo de remediação de solos contaminados por trifloxysulfuron-sodium. Planta Daninha, 2006 (Em fase de publicação) SANTOS, J. B.; JAKELAITIS, A.; SILVA, A.A.; VIVIAN, R.; COSTA, M.D.; SILVA, A.F. Atividade microbiana do solo após aplicação de herbicidas em sistemas de plantio direto e convencional. Planta Daninha, v. 23, n. 4, p. 683-691, 2005. SANTOS, J. B.; PROCÓPIO, S. O.; SILVA, A. A.; PIRES, F. R.; RIBEIRO JÚNIOR, J. I.; SANTOS, E. A.; FERREIRA, L. R. Fitorremediação do herbicida trifloxysulfuron sodium. Planta Daninha, v. 22, n. 02, p. 323-330, 2004a. SANTOS, J. B.; PROCÓPIO, S. O.; SILVA, A. A.; PIRES, F. R.; RIBEIRO JÚNIOR, J. I.; SANTOS, E. A. Seletividade do herbicida trifloxysulfuron sodium para fins de fitorremediação. Revista Ceres, v. 51, n. 293, p. 129-141, 2004b. SCRAMIN, S.; SKORUPA, L. A.; MELO, I. S. Utilização de plantas na remediação de solos contaminados por herbicidas – levantamento da flora existente em áreas de cultivo de cana-deaçúcar. In: MELO, I. S. et al. Biodegradação. Jaguariúna, SP: EMBRAPA Meio Ambiente, 2001. p. 369-371. SENESI, N. Binding mechanisms of pesticides to soil humic substances. The Science of the Total Environment, v. 63, n. 123/124, p. 63-76, 1992. SETA, A. K.; BLEVINS, R. L.; FRYE, W. W.; BARFIELD, B. J. Reducing soil erosion and agricultural chemical losses with conservation tillage. J. Environ. Qual., v. 22, n. 3, p. 661-665, 1993. SHANER, D. L. Factors affecting soil and foliar bioavailability of the imidazolinone herbicides. Princeton: American Cyanamid Company, 1989. 24 p. SILVA, A. A.; FREITAS, F. M.; FERREIRA, L. R.; JAKELAITIS, A.; SILVA, A. F. Aplicações seqüenciais e épocas de aplicação de herbicidas em mistura com chlorpirifos no milho e em plantas daninhas. Planta Daninha, v. 23, n. 3, p. 527-534, 2005. SILVA, A. A.; OLIVEIRA JR., R. S.; CASTRO FILHO, J. E. Avaliação da atividade residual no solo de imazaquin e trifluralin através de bioensaios com milho. Acta Scientiarum, v. 20, n. 3, p. 291-295, 1998. SUNTIO, L. R.; SHIU, W. Y.; MACKAY, D.; SEIBER, J. N.; GLOTFELTY, D. Critical review of Henry's law constants for pesticides. Environ. Cont. Toxicol., v. 103, p. 1-59, 1988. VEEH, R. H.; INSKEEP, W. P.; CAMPER, A. K. Soil depth and temperature effects on microbial degradation of 2,4-D. J. Environ. Qual., v. 25, n. 1., p. 5-11, 1996. VELINI, E. D. Comportamento de herbicidas no solo. In: KIMOTO, T.; VELINI, E. D.; GOTO, R.; KOJIMA, K. (Coord.) Simpósio Nacional sobre Manejo Integrado de Plantas Daninhas em Hortaliças. Botucatu: FCA-UNESP, 1992. p. 44-64.
194 Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

VOSE, J. M.; SWANK, W. T.; HARVEY, G. J.; CLINTON, B. D.; SOBEK, C. Leaf water relations and sapflow in Eastern cottonwood (Populus detoides Bartr.) trees planted for phytoremediation of a groundwater pollutant. Intern. Journal of Phytoremediaton, v. 2, p. 53 73, 2000. VROUMSIA, T. A; STEIMAN, R. B.; SEIGLE-MURANDI, F. B. J.; BENOIT-GUYOD, F. Fungal bioconversion of 2,4-dichlorophenoxyacetic acid (2,4-D) and 2,4-dichlorophenol (2,4 DCP). Chemosphere, v. 60, p. 1471-1480, 2005 WAGENET, R. J.; RAO, P. S. C. Modelling pesticide fate in soils. In: CHENG, H. H. (Ed.). Pesticides in the soil environment: processes, impacts and modelling. Madison: Soil Science Society of America, 1990. p. 351-399. (Book Series, 2). WALKER, A.; WELCH, S. J.; ROBERTS, S. J. Introduction and transfer of enhanced biodegradation of the herbicide napropamide in soils. Pesticide Science, v. 47, p. 131-135, 1996. WEED, D. A. J.; KANWAR, R. S.; STOLTENBERG, D. E.; PFEIFFER, R. L. Dissipation and distribuition of herbicides in the soil profile. Journal of Environmental Quality, v. 24, p. 68 79, 1995. YU, Y. L.; WANG, X.; LUO, Y. M.; YANG, J. F.; YU, J. Q.; FAN, D. F. Fungal degradation of metsulfuron-methyl in pure cultures and soil. Chemosphere, v. 60, p. 460-466, 2005.

Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

195

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

PROTEÇÃO DE PLANTAS

Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas 3.5 - Herbicidas: resistência de plantas
Tutores: Profº. Antonio Alberto da Silva Profº. Leandro Vargas Profº. Evander Alves Ferreira

Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Universidade Federal de Viçosa - UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia

Brasília - DF 2006
196 Módulo 3.5 - Herbicidas: resistência de plantas

1 . 209 6 .Comentários finais. 229 16 . 201 1.5 .Resistência do azevém (lolium multiflorum) ao glyphosate. 209 7 .Variabilidade genética.Mecanismos que conferem resistência. 211 9 .3 .Como confirmar a resistência. 202 2 . 200 1.Culturas transgênicas e plantas daninhas resistentes a herbicidas.Derivados da glicina.Culturas transgênicas.1 . 218 12 .Inibidores de ACCase. 225 15 .Como evitar a resistência.Seleção de biótipos resistentes por diferentes mecanismos de ação herbicida.Fatores que favorecem o surgimento da resistência.Resistência múltipla. 225 14. 203 4 .3 – Compartimentalização. 208 5. 204 5 .Uréias/amidas.Características da resistência por grupos herbicidas. 212 10 .Pressão de seleção. 198 1 .Absorção e translocação.4 . 208 5. 215 10.Alteração do local de ação. 221 14 .Plantas daninhas resistentes em culturas transgênicas. 200 1. 230 Referências bibliográficas. 215 10.2 .1 – Auxinas.Resistência cruzada.8 . 217 10.7 – Triazinas. 213 10. 201 1.Manejo da resistência a herbicidas. 231 Módulo 3. 219 13 .4 – Dinitroanilinas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução.A resistência de plantas daninhas no Brasil. 210 8 . 213 10.1 . 216 10. 214 10. 214 10.2 – Metabolização.Inibidores de ALS.Evolução da resistência.5 .2 – Bipiridílios.Herbicidas: resistência de plantas 197 . 218 11 .6 .Diagnóstico da resistência a campo. 202 3 .

nos Estados Unidos. principalmente. foram descritas em gêneros como Amaranthus e Chenopodium.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução O controle de plantas daninhas com uso de herbicidas é prática comum na agricultura mundial. que era quase exclusivamente utilizada por grandes e médios produtores.9% às triazinas. Muitos outros casos foram relatados em diferentes locais do mundo e. 1979). está prontamente disponível e profissionalmente desen¬volvido. Estudos posteriores demonstraram que esta espécie era resistente a todas as triazinas. Dessa maneira. 1997). 28. há aproximadamente 284 biótipos de plantas daninhas que apresentam resistência a um ou mais mecanismos herbicidas (Quadro 1). 22. os demais métodos de controle têm sido deixados de lado. principalmente por grandes agricultores. no estado de Washington (EUA). Depois disso. Em conseqüência.7% aos bipiridílios. 8. 11. o Brasil é um dos maiores mercados do mundo. O uso repetido de um herbicida exerce uma pressão de seleção que leva ao aumento do número de indivíduos resistentes na população. sendo o quinto no "ranking" de vendas de agrotóxicos. Esses biótipos pertencem a 171 espécies e estão distribuídos em 59 países. Já em 1970. ao fato de que o controle químico tem sido eficiente. resistentes a herbicidas pertencentes ao grupo das auxinas (WEED SCIENCE.. e Daucus carota. hoje está se tornando prática comum até entre os pequenos.5 . possui custo atrativo. devido a uma mutação nos cloroplastos (RADOSEVICH et al. Uma das conseqüências do uso indiscriminado desses métodos tem sido o desenvolvimento de muitos casos de resistência a tais compostos por diversas espécies daninhas.9% resistem aos herbicidas inibidores da ALS. uma vez que essa tecnologia. 1970). 1998). 7% às uréias e amidas. 3. onde os herbicidas correspondem a mais de 50% do volume total comercializado (ANDEF 2005). foram descobertos biótipos de Senecio vulgaris resistentes a simazine (RYAN. com resistência a triazinas. No que se refere aos defensivos agrícolas. 2005).Herbicidas: resistência de plantas . no Canadá. a população de plantas resistentes pode aumentar até o ponto de comprometer o nível de controle (HRAC. Na atualidade. Destes biótipos. Atualmente estão sendo comercializadas no mercado brasileiro em torno de 200 marcas comerciais de herbicidas (RODRIGUES. várias outras espécies. O largo uso de herbicidas deve-se. após o primeiro caso de resistência.5% às dinitroanilinas e os 198 Módulo 3.6% aos inibidores da ACCase. atualmente.1% às auxinas sintéticas. os agricultores depositam confiança excessiva no controle químico das plantas daninhas. A constatação da resistência de plantas daninhas aos herbicidas começou em 1957 com a identificação de biótipos de Commelina difusa. 1998a). e a tendência de uso desses compostos é de aumento. 7. em diferentes países (RADOSEVICH. havia mais de 100 espécies reconhecidamente resistentes em aproximadamente 40 países (HEAP. ALMEIDA. 1977) Em menos de 30 anos.

porém acredita-se que esteja relacionado com o seu modo de ação. neste caso. Acredita-se que o maior número de biótipos resistentes aos herbicidas dos grupos inibidores de ALS. o controle dos biótipos resistentes com uso de herbicidas é seriamente comprometido. A resistência de plantas daninhas a herbicidas assume grande importância. Quadro 1 – Ocorrência de biótipos de plantas daninhas resistentes a diferentes grupos herbicidas Exemplo de herbicida Inibidores da ALS Inibição da acetolactato sintase (ALS) Clorsulfuron Inibidores do Fotossistema Inibição da fotossíntese no Atrazine II fotossistema II Inibição da acetil carboxilase Inibidores da ACCase Diclofop-methyl (ACCase) Bipiridílios Aceptores de eletrons do FSI Paraquat Auxinas sintéticas Ação semelhante ao ácido indolacético 2. das triazinas e existentes atualmente.Herbicidas: resistência de plantas 199 .3% restantes aos demais grupos de herbicidas.4-D Uréias e amidas Inibição da fotossíntese no FS II Chlorotoluron Dinitroanilinas e outros Inibição da formação dos microtúbulos Trifluralin Inibição da síntese de lipídios – não da Thiocarbamatos e outros Trialate ACCase Triazoles. benzotiadiazinas e ftalimidas. e os demais mecanismos somavam 8%.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 10. 13%.5 . 12%. Não foram encontradas citações de plantas daninhas resistentes aos herbicidas perten¬centes aos grupos ariltriazolinonas. citado por HRAC (2004) Grupo de herbicida Mecanismo de ação Total ocorrência 82 65 33 22 23 20 10 8 4 6 2 7 284 Módulo 3. são dois ou mais os mecanismos que precisam ser substituídos. Assim. A ocorrência de resistência múltipla agrava ainda mais o problema. Em 1983. se deve à alta especificidade. a estes grupos de herbicidas. restringindo esta prática a outros métodos menos eficientes. 67% dos casos de resistência documentados eram de biótipos resistentes às triazinas. apesar do longo tempo de introdução no mercado. uréias e Branqueamento – inibição da Amitrole isoxazolidionas biossíntese de carotenóides Glicinas Inibição da EPSP sintase Glyphosate Inibição da divisão celular (inibição de Butachlor Chloracetamidas ácidos graxos de cadeias longas) Outros Diversos Diversos Total de biótipos de plantas daninhas observados no mundo Fonte: Adaptado de Retzinger. As razões do não-surgimento de plantas daninhas resistentes. princi¬palmente quando não existe ou existem poucos herbicidas alternativos para serem usados no controle dos biótipos resistentes. Isso ocorre para diversos biótipos de grande ocorrência em diversas partes do mundo tornando cada vez mais difícil e oneroso o controle desses biótipos. já que. aos bipiridílios. não são claras. aos auxínicos. à eficiência e à grande área onde são empregados. Essas proporções mudaram com a introdução no mercado dos novos grupos herbicidas inibidores de ALS e ACCase. até o momento.

longas e específicas seqüências de bases nitrogenadas. a probabilidade de as suas características cinéticas serem modificadas é grande. a maioria delas é deletéria e a evolução só é possível porque algumas delas podem ser benéficas em determinadas situações (SUZUKI et al.. Biótipos resistentes podem ocorrer em uma população de plantas daninhas como resultado de mutações que provocam alterações no local de ação do herbicida (BETTS et al. A alteração de uma base nitrogenada. e cai para 10-9 pela ação das enzimas reparadoras (SUZUKI et al.. 1969). 1992). serão repassadas aos seus descendentes. A grande maioria das alterações que ocorrem no DNA. A ocorrência de erros na replicação ou transcrição da fita do DNA.. resultando em uma proteína mutante.Herbicidas: resistência de plantas . a possibilidade de erro. na tradução do RNAm. pode originar uma enzima com características funcionais distintas ou não da original. deleção ou substituição de uma base nitrogenada podem alterar um ou mais aminoácidos da proteína a ser formada. multiplicação do material genético.Mecanismos que conferem resistência 1. formando o RNA mensageiro (RNAm). mesmo remota.5 . que não provoquem a morte do indivíduo.. afirmando que são “aquelas mudanças bruscas hereditárias que alteram a atividade. que é a cópia do DNA pela enzima DNA polimerase. entretanto. A probabilidade de ocorrer erros na replicação do DNA. e a tradução do RNAm com a montagem da proteína pelo ribossomo. Os genes. Os erros de replicação e as lesões espontâneas geram a maior parte das mutações por substituição de base e mudança da matriz de leitura (SUZUKI et al. estando na dependência de qual aminoácido foi alterado. e a ocorrência de mutações que provoquem inserção.. Se o aminoácido alterado for o ponto ou um dos pontos de acoplamento de uma molécula herbicida. cada trinca de bases nitrogenadas codifica um aminoácido que comporá a futura proteína. 1992). O DNA é uma dupla hélice formada por bases nitrogenadas púricas (adenina e guanina) e pirimidicas (timina e citosina) que formam os genes.. contudo.Alteração do local de ação As informações genéticas de um organismo estão contidas em seu material genético (DNA). Mutação foi definida por De Vries como mudanças repentinas e hereditárias. 1992). existe.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1 . este produto 200 Módulo 3. porém não a posição do gene individualmente” (BREWBAKER. mutação de ponto. Na tradução do RNAm. durante o crescimento do indivíduo é de cerca de 10-4.1 . 1992). é preferível restringir. 1992). A atividade da enzima pode ou não ser modificada. teoricamente. 1992). O DNA é um cordão de genes (SUZUKI et al. As etapas para produção de uma proteína são a transcrição. são responsáveis pela codificação das proteínas. A seqüência linear de nucleotídios em um gene determina a seqüência linear de aminoácidos de uma proteína (SUZUKI et al. A mutação é um processo biológico que vem ocorrendo desde que há vida no planeta. Caso ele componha o centro ativo da enzima.

5 . 1.3 . e é muito improvável.2 . um herbicida que anteriormente era eficiente em inibir uma determinada enzima deixa de ter efeito sobre esta. se o herbicida possuir mais de um mecanismo de ação. devido a uma ou mais alterações na estrutura deste local. com as formas alélicas do gene. A luz ultravioleta e o oxigênio são mutagênicos (BREWBAKER. ou. 1. Como exemplo. antes de serem lançados no mercado. Alteração do local de ação significa que a molécula herbicida diminui sua capacidade de inibir esse ponto. a molécula herbicida. em uma população de biótipos resistentes ocorrem diferentes níveis de resistência ou de susceptibilidade.: plantas resistentes ao paraquat). que podem estar relacionados com o tipo de mutação ocorrida.Herbicidas: resistência de plantas 201 . Uma pequena alteração no polipeptídio pode resultar em um grande efeito sobre a afinidade com a molécula herbicida (BETTS et al. 1969).Metabolização A planta resistente possui a capacidade de decompor. têm-se plantas daninhas resistentes aos inibidores de ALS. como o sol. são avaliados quanto à sua capacidade mutagênica. Não há evidências. Acredita-se que os herbicidas não sejam capazes de provocar mutações. resistência múltipla. a não ser que ela apresente outros mecanismos de resistência.Compartimentalização A molécula é conjugada com metabólitos da planta. 1996). Desse modo. Esse é o mecanismo de tolerância a herbicidas apresentado pela maioria das culturas. a planta pode morrer pela ação do(s) outro(s) mecanismo(s). podem provocar mutações no DNA. Contudo. tipo de molécula e. tornando-a não-tóxica. o tipo de mecanismo que está proporcionando a resistência. mais rapidamente do que plantas sensíveis. como o vacúolo (ex. 1992). já que estes produtos. ou é removida das partes metabolicamente ativas da célula e armazenada em locais inativos. que a mutação possa ocorrer por ação de algum herbicida ou outro defensivo agrícola (KISSMANN. conforme relatam Sathasivan et al. como é o caso da resistência de Lolium rigidum a triazinas e inibidores de ACCase. (1991). tornando-se inativa. Fontes externas de radiação. ou seja. A resistência de Arabidopsis thaliana às imidazolinonas se deve à alteração de um aminoácido da enzima ALS. Módulo 3.. e a planta torna-se resistente àquele herbicida e a outros que se ligam da mesma forma àquela enzima.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas pode perder a atividade inibitória sobre esta nova enzima. Logicamente que.

tolerante ou resistente a um herbicida. uma planta sensível pode morrer quando submetida a uma determinada dose do herbicida. a quantidade de herbicida que atinge o local de ação é bastante reduzida.Absorção e translocação A absorção e a translocação são alteradas e. PRESTON. Por outro lado. e a resistência múltipla. que agem no mesmo local na planta (POWLES. de uma população de plantas. Desse modo. necessariamente. também confere resistência a outras moléculas de diferentes grupos químicos. A resistência cruzada não confere. sob condições normais. isoladamente ou associados. a resistência é a capacidade adquirida de alguns biótipos. não chegando a ser suficiente para controlar a planta (ex.5 . no ponto de ação de um herbicida.Resistência cruzada A resistência cruzada pode ser conferida a um biótipo por qualquer dos mecanismos que conferem resistência. Esses mecanismos podem.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. A resistência pode ocorrer naturalmente (seleção) ou ser induzida com uso de técnicas de engenharia genética. uma planta daninha pode ser sensível. Assim. quando as plantas resistentes possuem dois ou mais mecanismos distintos que conferem resistência. apresentam 202 Módulo 3. são resistentes a herbicidas de diferentes grupos químicos e com diferentes mecanismos. assim. 1998).Herbicidas: resistência de plantas . em que as plantas são capazes de sobreviver e se reproduzir após o tratamento herbicida.: plantas resistentes aos bipiridílios). A resistência cruzada conferida pelo local de ação ocorre quando uma mudança bioquímica. devido a apenas um mecanismo de resistência. Uma planta é sensível a um herbicida quando o seu crescimento e desenvolvimento são alterados pela ação do produto. naturalmente. Biótipos de Lolium rigidum e Kochia scoparia. de sobreviver a determinados tratamentos herbicidas que. que possuem resistência cruzada a herbicidas inibidores de ALS. proporcionar tolerância ou resistência a herbicidas. Também podem existir variações no nível de resistência cruzada dos biótipos a herbicidas de grupos diferentes. mesmo sofrendo injúrias. assim. Em uma população de plantas vão existir aquelas que. A resistência pode ser cruzada ou múltipla. controlam os membros da população. toleram mais ou menos um determinado herbicida. A resistência cruzada ocorre quando um biótipo é resistente a dois ou mais herbicidas.4 . mesmo que pertencentes a diferentes grupos químicos. resistência a herbicidas de todos os grupos químicos que possuem o mesmo local de ação. Já a tolerância é uma característica inata de uma espécie. Relaciona-se com a variabilidade genética natural da espécie. 2 . cultura de tecidos ou de agentes mutagênicos.

é exemplificada por biótipos de Lolium rigidum. 1998). entre eles diclofop. devido à rápida metabolização da molécula por arilhidroxilação catalisada pelo Cyt P450 monoxigenase. PRESTON. 3 . é necessário empregar misturas de herbicidas que não tenham sua atividade afetada pelos mecanismos de Módulo 3. Conrudo.Resistência múltipla A resistência múltipla é o maior problema atual. A conjugação da molécula herbicida com glicose também foi encontrada. PRESTON.5 . Acredita-se que as moléculas não-metabolizadas sejam imobilizadas ou armazenadas de forma a evitar sua ação sobre a enzima. que é resistente a vários herbicidas inibidores da ALS. devido a outros mecanismos. resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase. aumento da taxa de metabolismo dos herbicidas (POWLES. As mutações já analisadas mostram substituição. que não exibem alterações na enzima. PRESTON. Já os casos mais complexos são aqueles em que dois ou mais mecanismos conferem resistência à diversos herbicidas de diferentes grupos químicos. já foram encontradas outras alterações na ALS tanto no centro ativo A como em outras partes da enzima (POWLES. selecionados com uso de herbicidas dos grupos ariloxifenoxipro-pionato ou cicloexanodiona. um exemplo são biótipos de Alopecurus myosuroides encontrados na Austrália. que resistem a 15 herbicidas diferentes. O metabolismo de herbicidas inibidores de ACCase e ALS é realizado pelo Cyt P450. Isso se deve a pequenas diferenças de ligação entre a enzima e a molécula herbicida e a diferentes mutações que ocorrem no gene que codifica a enzima ALS (POWLES. Para controlar estas plantas daninhas. da prolina 173. no centro ativo A da ALS. 1998). mas apresentam pequenos aumentos no metabolismo do herbicida diclofop.Herbicidas: resistência de plantas 203 . de forma semelhante à que ocorre na cultura do trigo. pendimethalim e simazine. relacionado a resistência de plantas daninhas a herbicidas. 1998). Nos casos mais simples. PRESTON. O diferente nível de resistência pode ser resultado das diferentes mutações ocorridas no gene que codifica a enzima ACCCase e do tipo de alelo do gene (POWLES. e futuro. dois ou mais mecanismos conferem resistência à apenas um herbicida ou a um grupo de herbicida. imazamethabenz. 1998). Foi detectado. as dificuldades de controle dos biótipos resistentes aumentam ainda mais quando os mecanismos que conferem a resistência estão relacionados com o local de ação e com outros mecanismos como o metabolismo. encontrados na Austrália. Além disso. Biótipos de Lolium rigidum resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase. em biótipos de Lolium rigidum resistentes aos herbicidas inibidores do FSII.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas diferentes níveis de resistência aos diferentes grupos herbicidas que agem inibindo a ALS. apresentam maior nível de resistência aos herbicidas do primeiro grupo do que aos do segundo. A resistência cruzada.

. Contudo. devido a alterações na enzima. Muitas evidências sugerem que o aparecimento de resistência a um herbicida.5 . PRESTON. 1998). LEBARON. provocando mudanças na flora de algumas regiões. e o da seleção: algumas formas apresentam maior sucesso na sobrevivência e reprodução do que outras. Os biótipos de A.Evolução da resistência A teoria da evolução de Darwin. Existem biótipos de Lolium rigidum resistentes a herbicidas inibidores de ALS. dentro de qualquer população. pode ser resumida em três princípios: o da variação: existem variações morfológicas. Biótipos de Lolium rigidum e Alopecurus myosuroides constituem casos complexos.. Há poucos casos registrados de plantas com resistência múltipla (POWLES. myosuroides metabolizam chlorotoluron e alguns herbicidas inibidores de ACCase e apresentam ACCase mutada. 1994). Em geral.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas resistência em questão. 1998). ALS e FSII e possuem ACCase e ALS mutadas (POWLES. irão mudar com o tempo e os indivíduos mais bem adaptados ao ambiente tornam-se predominantes (SUZUKI et al. O surgimento de plantas daninhas resistentes a herbicidas é um exemplo de evolução de plantas como conseqüência de mudanças no ambiente provocadas pelo homem (MAXWELL. 204 Módulo 3. 1990). é de biótipos de Lolium rigidum que metabolizam herbicidas inibidores da ACCase.. é devido à seleção de um biótipo resistente preexistente que. MORTIMER. 1992) (Quadro 2). e. em determinado ambiente (SUZUKI et al. em uma população de plantas. assim. as freqüências dos vários tipos. através da seleção natural. o da hereditariedade: a prole parece mais com seus pais do que com indivíduos não-aparentados. por causa da pressão de seleção exercida por repetidas aplicações de um mesmo herbicida. 1992). dentro da população. o caso mais complicado de resistência múltipla. encontra condições para multiplicação (BETTS et al. espécies ou biótipos de uma espécie que melhor se adaptam a uma determinada prática são selecionados e multiplicam-se rapidamente (HOLT. devido ao metabolismo.Herbicidas: resistência de plantas . Desse modo. a população da próxima geração terá uma freqüência elevada dos tipos que tiveram maior sucesso em sobreviver e se multiplicar nas condições ambientais vigentes. PRESTON. e resistentes a chlorsulfuron. 1992). encontrado na Austrália. fisiológicas e de comportamento entre indivíduos. O uso repetido de herbicidas para controle de plantas tem exercido alta pressão de seleção. 4 . Darwin postulava que a espécie como um todo vai mudando porque os seus indivíduos evoluem na mesma direção.

99 99.. 1988). aumenta esse tempo de aparecimento..9 99.000 100 10 5 2 % de Controle 99. (CONARD. altura e produção de sementes. que funciona como um reservatório de sementes suscetíveis e. RADOSEVICH. A menor capacidade competitiva. 1996). que apresenta 90% de eficácia de controle do biótipo suscetível. conforme a Figura 1. maior produção que biótipos menos adaptados (SAARI et al. Biótipos de Amaranthus retroflexus L. sensíveis às triazinas. apresentaram maiores área foliar. 1995). Por outro lado. determinam a probabilidade do desenvolvimento de resistência das plantas daninhas a herbicidas.5 .999 99.9999 99.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 2 . A intensidade dessa pressão de seleção sobre uma população de plantas daninhas. Os biótipos resistentes podem apresentar menor adaptação ecológica nesses ambientes e tornam-se predominantes devido à eliminação das plantas sensíveis. vai selecionando os indivíduos resistentes e aumentando a sua freqüência na população.0 50.000 100.Tempo para evolução da uma população de biótipos de plantas daninhas resistentes Ano 0 1 2 3 4 5 6 7 No de Plantas Resistentes 1 1 1 1 1 1 1 1 No de Plantas Sensíveis 1.000 1.0 90.000 10. Em condições de seleção natural. assim como as diferentes características biológicas. não foram detectadas diferenças na capacidade competitiva de Abutilon therphrasti resistente a triazina (GRAY et al.000. Módulo 3. em média. o crescimento e a produtividade de plantas resistentes a triazinas podem estar relacionados com a sua capacidade fotossintética limitada (STOWE. assim. 1994). pois no campo existe o banco de sementes. a aplicação do mesmo herbicida. Assim. biótipos com maior adaptação ecológica apresentam.Herbicidas: resistência de plantas 205 .0 80. 1979) e Chenopodium album (PARKS et al. HOLT.0 Evolução Imperceptível Imperceptível Imperceptível Imperceptível Imperceptível Pouco perceptível Perceptível Evidente Fonte: Kissmann (1996) A utilização de herbicidas que são altamente efetivos no controle de uma planta daninha específica por um longo período de tempo induz uma grande pressão de seleção quando comparados com outras práticas de controle.. É evidente que a intensidade de seleção na prática não é tão intensa como mostrada na figura.

Na Austrália.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 1 . como três anos após a introdução comercial (TARDIF.. 206 Módulo 3. capazes de serem transmitidas hereditariamente. 1990). em uma população de plantas exerce alta pressão de seleção. inibidor da EPSPs (Quadro 3). partindo de uma população sensível e usando-se dose normal do herbicida. MORTIMER. 1993).Aumento da freqüência do biótipo resistente devido a aplicações repetidas e anuais do mesmo herbicida A maior questão ecológica associada com a evolução da resistência aos herbicidas envolve o entendimento das relações entre adaptação. Foram identificados biótipos de plantas daninhas resistentes a sulfoniluréias após quatro a cinco anos de uso contínuo de herbicidas deste grupo (MALLORY-SMITH et al. e a seleção natural favorecem o surgimento e a evolução da resistência. A ocorrência de variações genéticas. O tempo e a proporção de plantas resistentes em um local variam com a freqüência de uso do herbicida e dos seus efeitos biológicos. As plantas que expressam o gene de resistência são selecionadas. 1996). PAWLES. tornando-se predominantes rapidamente na área. Aplicações repetidas de herbicidas. com o mesmo mecanismo de ação. como no caso do glyphosate. ou levar muitos anos. podendo ser bastante curtos. freqüência gênica. foram selecionados biótipos de Lolium rigidum resistentes ao diclofop-methyl em três gerações. A resistência está ligada a fatores genéticos e é hereditária (KISSMANN.5 .Herbicidas: resistência de plantas . provocando uma seleção direcional e progressiva de indivíduos que possuem genes de resistência. 1994). herança e fluxo gênico (MAXWELL.

Desse modo. uma vez que uma alteração no seu ponto de ação (enzima) pode provocar a perda de sua atividade sobre as plantas e. A freqüência do(s) alelo(s) da resistência na população sensível geralmente está entre 1 em 1016 e 1 em 106 (MORTIMER.5 . como é o caso de plantas resistentes aos inibidores de ALS. assim.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 3 – Tempo de evolução da resistência para diferentes mecanismos de ação Herbicida 2. alta eficiência e baixa toxicidade para o homem e o ambiente. Há seis fatores relacionados à população de plantas que interagem e determinam a probabilidade e o tempo de evolução da resistência. se a herança for nuclear. herbicidas com essas características exercem alta pressão de seleção e. Um gene é formado por um par de alelos. dessa forma. o surgimento de plantas resistentes.4-D Triazinas Propanil Paraquat Inibidores da EPSPs Inibidores da ACCase Inibidores da ALS Fonte: Weed Science (1998) Introdução 1948 1959 1962 1966 1974 1977 1982 Resistência 1957 1970 1991 1980 1996 1982 1984 Local EUA e Canadá EUA EUA Japão Austrália Austrália Austrália A indústria sempre buscou moléculas herbicidas com alto grau de segurança. como é o caso de plantas resistentes a triazinas. as características reprodutivas da espécie. mais genes podem estar envolvidos (poligênica) e mais lenta será a evolução da resistência. As características poligênicas dependem da associação dos genes corretos. características como herança do tipo Módulo 3. São eles: o número de alelos envolvidos na expressão da resistência. a transmissão será via cromossômica e. somente a planta-mãe poderá transmitir a resistência para os filhos. Por sua vez. 1998). tanto o pai como a mãe podem transmitir a resistência. Há dois tipos de herança: a citoplasmática (materna) e a nuclear. possuem grandes possibilidades de selecionar biótipos resistentes. a freqüência do(s) alelo(s) da resistência na população inicialmente sensível. a pressão de seleção.Herbicidas: resistência de plantas 207 . Por outro lado. O objetivo foi atingido e surgiram os herbicidas modernos (inibidores de ALS e ACCase). maior será a probabilidade de seleção de um biótipo resistente. significa que somente um gene é responsável pela resistência (monogênica) e a evolução será rápida. O tipo de herança do(s) alelo(s) da resistência é ponto crucial no estabelecimento da resistência em uma população de plantas. e quanto maior for a freqüência destes alelos. ou seja. O número de alelos que conferem a resistência é importante. Contudo. conseqüentemente. Herança citoplasmática é aquela em que os caracteres hereditários são transmitidos via citoplasma. quando dois alelos estão envolvidos. que agem em pontos únicos nas rotas metabólicas das plantas. quanto maior. assim. e a taxa de cruzamentos entre biótipos resistentes e sensíveis (MORTIMER. o modo de herança do(s) alelo(s) da resistência (citoplasmática ou nuclear). altamente eficientes e específicos. pois. 1998).

permite a dispersão da resistência principalmente em plantas com alta taxa de fecundação cruzada.5 . exceto os resistentes. As características reprodutivas. Já os herbicidas com residual longo agem durante tempo maior.Herbicidas: resistência de plantas . que será proporcional à dose e.Fatores que favorecem o surgimento da resistência 5. eliminação de todos os biótipos. 1995). de acordo com sua fenologia e seu crescimento (MORTIMER. O fluxo gênico apresenta correlação com o fluxo de distribuição de pólen e varia com a espécie.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas nuclear disseminam-se. 1994). A alta eficiência dos herbicidas provoca a eliminação rápida dos biótipos sensíveis. entre plantas resistentes e sensíveis. 1994). 1998). O intercâmbio de pólen.Pressão de seleção Os fatores intensidade de seleção e sua duração contribuem para a pressão de seleção exercida pelos herbicidas. com maior rapidez no ambiente do que as do tipo citoplasmática (materna). ou. ao tempo. que é medida pela eficiência de controle das plantas daninhasalvo e pela relativa redução da produção de sementes das plantas remanescentes. gerando novos indivíduos com maior grau de resistência.. restando apenas os mais tolerantes e resistentes. 5 . Resumidamente.1 .. favorecendo o desenvolvimento da população resistente. imposta sobre uma população sensível proporciona espaço para o crescimento e desenvolvimento dos biótipos resistentes. A intensidade de seleção é a resposta da população de plantas às repetidas aplicações de herbicidas. e seleção destes dentro de uma população com alta tolerância. A alta pressão de seleção. via pólen. e intercruzamento entre os biótipos sobreviventes.. o processo da evolução da resistência a herbicidas passa por três estádios: eliminação dos biótipos altamente sensíveis. como dispersão de pólen e número de propágulos produ¬zidos. que serão selecionados futuramente devido segregação e recombinação de genes (MORTIMER. o mecanismo de polinização e as condições climáticas durante a floração (STALLINGS et al. A taxa de cruzamento entre os biótipos resistentes e sensíveis determina a dispersão dos alelos de resistência na população. 1998). controlando as plantas sensíveis em diversos fluxos germinativos. O uso repetido de um mesmo herbicida ou de herbicidas com mesmo 208 Módulo 3. O uso de herbicidas altamente eficientes e com residual longo exerce alta pressão de seleção. A duração da seleção é medida pelo tempo no qual o herbicida permanece com residual. A dispersão da resistência via pólen é influenciada pela eficiência de dispersão e longevidade do pólen (MULUGETA et al. favorecimento de um indivíduo em relação a outros. influenciam diretamente a dispersão das plantas resistentes. provocando variações sazonais que podem ser observadas nas espécies. A intensidade e a duração da seleção interagem. já a contribuição do movimento de sementes é relativamente pequena (SAARI et al.

torna inevitável o surgimento de plantas resistentes. tipo de bicos e condições ambientais foram adequados? b) As falhas de controle foram para uma espécie apenas? c) As plantas não são resultado de reinfestação? Módulo 3. 1998a). que se apresentam indiferentes à aplicação de algum herbicida (HRAC. O controle insatisfatório de plantas daninhas não significa necessariamente que seja resistência. produz alta pressão de seleção e aumenta a possibilidade de seleção de biótipos resistentes. dosagem. Segundo HRAC (1998a). 1969). quando se suspeitar da ocorrência de resistência. associada à adequada intensidade e duração de seleção. inicialmente. devido à mutação.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas mecanismo de ação. adjuvantes. Toda população natural de plantas daninhas contém biótipos resistentes a herbicidas. contribuem grandemente para o surgimento de plantas resistentes. Geneticamente.Herbicidas: resistência de plantas 209 . calibração. A seleção altera as proporções entre as plantas sensíveis e resistentes.Diagnóstico da resistência a campo A resistência é um fenômeno que evolui em uma lavoura durante vários anos. O gene ou os cromossomos mutantes são a fonte essencial de toda a variação genética (BREWBAKER. 1998). Características das plantas daninhas como alta diversidade genética. época ou estádio de aplicação. 5. é resultado da relação entre a freqüência da mutação e o tamanho da população.5 . grande produção de polén e propágulos. deve-se responder às seguintes perguntas: a) Produto. 6 . aliadas ao monocultivo e ao uso repetido do controle químico. baixa dormência das sementes. há dois caminhos para o aparecimento de plantas resistentes: a ocorrência de um gene ou de genes que conferem a resistência em freqüência muito baixa na população ou através de uma mutação (MORTIMER. A possibilidade de ocorrer resistência em uma população. O(s) gene(s) que conferem a resistência a um determinado herbicida pode(m) estar presente(s) em uma população antes mesmo que este herbicida seja lançado no mercado.2 . altamente específicos e com longo residual. volume de calda.Variabilidade genética A variabilidade genética das plantas daninhas.

devendo-se realizar testes para confirmação. a) Ultimamente tem-se reptido aplicação de um mesmo herbicida ou herbicidas com mesmo mecanismo de ação? b) O herbicida em questão vem perdendo eficiência? c) Há casos de plantas resistentes a este herbicida? d) O herbicida não perdeu eficiência sobre outras espécies? Se a resposta a uma ou mais destas perguntas for afirmativa. Análises bioquímicas. 210 Módulo 3. indica que o possível mecanismo de resistência está relacionado com o local de ação. Para se ter certeza de que as plantas colhidas representam a população.Como confirmar a resistência O método mais comum e recomendado pelo HRAC (1998b) é colher sementes das plantas suspeitas de resistência e de plantas sensíveis.000 sementes. se a diferença de controle for pequena. Para servir como padrão sensível.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Se as respostas a estas perguntas forem afirmativas. As condições de aplicação devem seguir aquelas recomendadas pela empresa fabricante. deve-se iniciar a investigação dos fatores que levam à resistência.5 . Se a diferença de controle entre os biótipos resistentes e sensíveis for grande. para identificar o mecanismo exato da resistência. 7 . podem ser realizadas em nível de laboratório. As diferenças entre biótipos resistentes e sensíveis de uma espécie podem ser quantitativamente expressas comparando-se as doses de herbicidas necessárias para reduzir 50% da população (DL50). deve-se colher em torno de 40 plantas ou 1. Por outro lado. 1994). existe a possibilidade de ser resistência. da biomassa (GR50) ou da atividade da enzima (I50). Existem metodologias para estudo da maioria dos casos de resistência. dose recomendada. Ponchio (1997) isolou a enzima ALS e avaliou a sua resposta a diferentes doses de herbicidas que agem sobre ela. indica que o provável mecanismo envolvido é metabolismo da molécula. Os resultados podem indicar se a resistência é devido à alteração no local de ação ou à metabolização da molécula. duas e quatro vezes a dose recomendada. avaliar o controle e a produção de matéria fresca.Herbicidas: resistência de plantas . Após duas e quatro semanas. semear em vasos e tratar com doses crescentes do herbicida em questão. das plantas tratadas com herbicida em comparação com as não-tratadas (MAXWELL. devem-se colher sementes de plantas em locais que nunca receberam aplicação daquele herbicida. As doses a serem aplicadas são: metade da recomendada. MORTIMER. No Brasil.

simultaneamente.Herbicidas: resistência de plantas 211 . em primeiro lugar: a) Erradicar imediatamente as plantas remanescentes.Como evitar a resistência Antes que as falhas de controle apareçam na lavoura. A mistura de produtos com diferentes mecanismos de ação proporciona controle eficiente por maior número de anos do que ambos aplicados de forma isolada. l) Rotacionar o método de preparo do solo. b) Colocar em prática o programa de manejo da resistência.5 . i) Acompanhar mudanças na flora. deve-se. é pequena. Em caso de confirmação da resistência. São elas: reduzir a pressão de seleção e controlar os indivíduos resistentes antes que eles possam se multiplicar. a fim de minimizar o risco do surgimento de plantas resistentes (Quadro 4). os herbicidas que compõem a mistura devem controlar o mesmo espectro de plantas daninhas e ter persistência similar e diferente mecanismo de ação e de detoxificação. para reduzir o acréscimo de sementes ao banco. e) Limitar aplicações de um mesmo herbicida. A adoção dessas práticas visa reduzir a pressão de seleção.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A empresa fabricante deve ser informada e. devem-se realizar os testes e determinar medidas de manejo. f) Usar herbicidas com menor pressão de seleção (residual e eficiência). algumas práticas podem ser implantadas. k) Controlar plantas em áreas adjacentes (terraços. Para minimizar os riscos de resistência. c) Usar mistura de herbicidas com diferentes mecanismos de ação e de detoxificação. pós-colheita). Módulo 3. juntamente com esta. já que a probabilidade de uma planta daninha tornar-se resistente aos dois mecanismos. d) Realizar rotação de mecanismo de ação. j) Usar sementes certificadas. através de diferentes métodos de controle e mecanismos herbicidas. b) Realizar aplicações seqüenciais. 8 . g) Rotacionar o plantio de culturas. c) Evitar a disseminação. O acompanhamento e a avaliação da eficiência das medidas adotadas para combate à resistência são indispensáveis para garantir o sucesso da prática. Isso pode ser conseguido com adoção das seguintes práticas: a) Usar herbicidas com diferente mecanismo de ação. h) Rotacionar os métodos de controle de plantas daninhas. As práticas culturais visam aumentar o número de possibilidades de controle das plantas daninhas.

1998). mas reduzirá o número de genes na população capazes de associarem-se (MORTIMER. O comportamento de uma população de plantas pode ser altamente modificado. pode ser conseguida com redução na dose do herbicida que selecionou as plantas resistentes. assim. uso de misturas de herbicidas. essas medidas podem agravar o problema. A baixa pressão de seleção poderá. são menos competitivos do que biótipos sensíveis. a redução na pressão de seleção aumenta a probabilidade de associação desses genes em um biótipo.Manejo da resistência a herbicidas As estratégias de manejo vêm sendo discutidas continuamente por cientistas da área.Herbicidas: resistência de plantas . mecânico e químico Completa Baixa Bom Risco de resistência Médio Dois mecanismos Dois mecanismos Cultural e químico Limitada Média Declinando Alto Um mecanismo Um mecanismo Químico Nenhuma Alta Ruim 9 . de acordo com as práticas de cultivo Opção de manejo Mecanismo herbicida usado Mistura de herbicidas Método de controle Rotação de cultura Infestação Controle nos últimos três anos Fonte: Adaptado de HRAC (1998d) Baixo Mais que dois Mais que dois mecanismos Cultural.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 4 – Risco de evolução da resistência. se a resistência for uma característica poligênica.5 . rotação de culturas e métodos de controle e usando-se herbicidas com diferentes mecanismos de ação. favorecendo os alelos sensíveis (MORTIMER. Essa tática somente será eficiente na redução da população dos biótipos resistentes em casos em que as diferenças de adaptabilidade entre os biótipos resistentes e sensíveis forem grandes (MORTIMER. O uso de altas doses pode intensificar a seleção. resistentes às triazinas. A taxa de cruzamento entre os biótipos resistentes é reduzida. Desse modo. 1998). neste caso. Biótipos de Senecio vulgaris. 1998). selecionar biótipos altamente resistentes. As várias opções que vêm sendo sugeridas estão baseadas em somente dois processos biológicos: alteração da pressão de seleção e. A seleção reversa ocorre na ausência da seleção herbicida. no caso de a resistência ser monogênica. seleção reversa. e com o passar do tempo a população de plantas resistentes será reduzida (MORTIMER. 212 Módulo 3. as plantas que não são controladas com uso de herbicidas alternativos podem contribuir para a disseminação e o aumento da freqüência gênica dos alelos sensíveis. e os biótipos mais adaptados tendem a dominar o ambiente. ou. 1998). Por outro lado. A redução na pressão de seleção. As características poligênicas dependem da associação dos genes corretos.

Módulo 3.4-D e MCPA revolucionaram o controle de espécies daninhas de folha larga em cereais na década de 1940 e têm sido usadas largamente desde então. O terceiro caso foi em 1964. Os biótipos resistentes assumem importância. 1998) O uso extensivo de 2.Auxinas As auxinas sintéticas 2. Este grupo chama-se HRAC (Herbicide Resistance Action Committee) e é formado por três subgrupos que estudam triazinas. considerado uma auxina e usado para controle de gramíneas em arroz. poucas plantas daninhas evoluíram resistência até hoje. 1997). fortemente defendidas pelas empresas.Características da resistência por grupos herbicidas 10.1 . devido ao largo uso destes herbicidas para controlar grande número de espécies e ao restrito número de herbicidas com potencial para substituí-los (HEAP. Os três primeiros casos de resistência identificados foram a esta classe herbicida. quando biótipos resistentes de Convolvulus arvensis foram identificados nos Estados Unidos (WEED SCIENCE. nos Estados Unidos.5 . inibidores de ALS e inibidores de ACCase.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Considerando que a resistência é um problema que pode afetar intensamente o mercado de herbicidas. resistentes ao 2. as indústrias tomaram a iniciativa. de constituir um grupo permanente de cientistas para estudar o assunto e propor soluções.4-D. Em 1957. que incluem mistura de herbicidas.Herbicidas: resistência de plantas 213 . foram identificados biótipos de Commelina diffusa. na França. O conhecimento do modo de ação dos herbicidas é fundamental na adoção de técnicas de manejo. manejo e monitoramento dos casos de resistência. As empresas fabricantes de herbicidas. e Matricaria perforata. por serem os três grupos de produtos com maiores problemas (KISSMANN. através do GCPF (Federação Global de Proteção de Plantas). e de Daucus carota. 10 . 1996). no Canadá. Papaver rhoeas.4-D e MCPA em trigo selecionou Sinapis arvensis. selecionou biótipos resistentes de Echinocloa crus-galli na Espanha. Considerando o tempo e o uso extensivo destes herbicidas. no Canadá. estão empenhadas em desenvolver técnicas e estratégias para identificação. O herbicida quinclorac. financiando pesquisas e com iniciativas educativas que visam esclarecer aspectos sobre a resistência e o modo de ação de cada herbicida. responsáveis pelo HRAC. rotação de mecanismos de ação e adoção de práticas culturais específicas. na Espanha. que visam prolongar a vida útil das moléculas envolvidas na resistência.

na Austrália. Atualmente existem comprovados no mundo seis casos de resistência ao glyphosate. resistentes ao glyphosate. e os herbicidas auxínicos e inibidores de ACCase.Derivados da glicina O herbicida glyphosate é o produto mais usado deste grupo. Trabalhos realizados por Pratley et al. como o glyphosate. Aplicações de paraquat e diquat selecionaram 25 e duas espécies resistentes. Contudo. Lorraine-Colwill et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 10.Herbicidas: resistência de plantas . (2002) trabalhando com Lolium rigidum. 1994). biótipos de Erigeron philadelphicus.Bipiridílios Os herbicidas bipiridílios são herbicidas não-seletivos aplicados em pós-emergência. entre plantas resistentes e suscetíveis as enzimas são igualmente sensíveis ao glyphosate em ambas as populações. é considerado um produto com baixa probabilidade de selecionar espécies resistentes. 1997).5 . Depois disso. Após duas décadas de uso. com surgimento de apenas uma espécie resistente (HEAP. 10. selecionaram. dez vezes nos últimos 15 anos. nãotranslocáveis (de contato) e com baixa persistência biológica no solo. limitado metabolismo pelas plantas e baixo poder residual. em uma vasta área. 1997). não encontraram nenhuma diferença em nível da expressão gênica no alvo do herbicida e na síntese de EPSPs. de que o glyphosate apresenta baixo risco para selecionar biótipos resistentes. Segundo esses autores. que apresentam. que apresentam baixo residual. 20 são dicotiledôneas e sete são monocotiledôneas (HEAP. os biótipos resistentes a este grupo herbicida não são considerados de grande importância (HEAP. Devido à pequena área infestada e ao número de herbicidas alternativos. Dentre estas. Erigeron sumatrensis e Youngia japonica resistentes a estes herbicidas. Em 1996 foram identificados. no Egito. os herbicidas bipiridílios. foram identificados. 1997). 214 Módulo 3. Os mecanismos que conferem resistência aos bipiridílios são redução na translocação e compartimentalização da molécula (PRESTON. 1994). pelo menos. mais de um mecanismo de ação. foram identificadas. Por apresentar mais de um mecanismo de ação. em 1980. (1997) demonstraram que os biótipos resistentes de Lolium rigidum foram dez vezes mais tolerantes ao glyphosate do que os biótipos sensíveis. O argumento mais convincente. no Japão.2 . selecionaram 26 espécies resistentes. respectivamente. plantas de Conyza bonariensis resistentes ao paraquat (PRESTON. é o longo tempo em que este vem sendo usado. cada um. 17 espécies resistentes. em lavouras que usaram o produto para controlar plantas daninhas em pré-plantio.3 . biótipos de Lolium rigidum. Os biótipos também apresentaram-se resistentes ao diclofop e sensíveis aos demais herbicidas graminicidas usados para seu controle.

1990). a maior quantidade de EPSPs sintetizada poderia ser a causa da resistência. como trifluralin. biótipos de Eleusine indica. para controle de gramíneas. acredita-se que estes mecanismos não são as causas principais da resistência dos biótipos a este herbicida.Inibidores de ACCase Este grupo herbicida foi introduzido na década de 1970. metabolismo e sensibilidade da EPSPS ao glyphosate. 1998). HOWAT.000 locais com Lolium rigidum resistente e. devem ser adotados.4 .5 . Lolium rigidum e Avena fatua são as espécies com maior importância.Herbicidas: resistência de plantas 215 . Entre as plantas resistentes. Estima-se que haja. Apesar do tempo de uso e do seu longo período residual.Dinitroanilinas Os herbicidas do grupo dinitroanilinas. no Canadá. translocação. 1998). os cultivares de soja resistentes ao glyphosate. considera-se que aquelas que resistem aos herbicidas inibidores de ACCase tenham a maior importância econômica. em resposta ao tratamento com glyphosate. mais de 3. 1997). 1997). Os herbicidas inibidores de ACCase são o primeiro grupo herbicida alternativo para controlar biótipos resistentes aos herbicidas do grupo dinitroanilina. mais de 500 locais com Avena fatua (HEAP. além do químico. em razão da área infestada e do número restrito de mecanismos alternativos para controle dos biótipos resistentes (HEAP. e isso fez com que fossem selecionados biótipos de Setaria viridis com resistência múltipla a estes mecanismos (HEAP. somente cinco monocotiledôneas e uma dicotiledônea apresentam resistência a este grupo herbicida (HEAP. POWLES. na Austrália.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Esses trabalhos também demonstraram que não existem diferenças de absorção. Essas moléculas agem sobre a enzima ACCase e controlam com eficiência gramíneas em culturas mono e dicotiledôneas. recentemente desenvolvidos. A identificação de biótipos resistentes ao glyphosate indica que a resistência a este produto deve ser prevenida. assim. devido ao metabolismo dessas moléculas (MOSS. entre os biótipos resistentes e sensíveis. O uso de misturas herbicidas e emprego de mais de um método de controle. Há 17 espécies monocotiledôneas resistentes aos inibidores da ACCase. resistentes ao glyphosate. Biótipos de Festuca rubra. Dessa forma. A única diferença entre os biótipos foi o maior nível de RNAm encontrado nos biótipos resistentes. Sorghum halepense e Amaranthus palmeri evoluíram resistência à trifluralin após 15 a 20 anos de uso em cereais e leguminosas. Biótipos de Lolium rigidum apresentam resistência cruzada às dinitroanilinas. 1990.5 . devem ser usados com rotação de culturas e de herbicidas. 10. Desse modo. são usados em pré-emergência para controlar plantas daninhas gramíneas em culturas oleaginosas. 10. Módulo 3. 1998). oryzalin e pendimethalin. em 16 países. foram selecionados artificialmente (MORTIMER. Nos Estados Unidos.

10. Entre as espécies descritas estão Kochia scoparia. Os herbicidas classificados como inibidores de ALS tornaram-se uma ferramenta de grande importância para agricultura. A manutenção do potencial é vital para a sobrevivência da célula. o que se deve a vários fatores.5 . Assim. 41 são dicotiledôneas e nove são monocotiledôneas. 1998).. AHRENS. Em biótipos de Lolium rigidum. há 50 espécies de plantas daninhas resistentes a estes produtos.Inibidores de ALS A introdução no mercado dos herbicidas inibidores de ALS ocorreu em 1982. Aproxi¬madamente cinco anos após o início do uso dos herbicidas inibidores de ALS. 1994). surgiu a primeira espécie resistente (SAARI et al.6 . Amaranthus strumarium e Sorghum bicolor (HEAP. este grupo herbicida vem apresentando o maior número de registros de plantas resistentes. O diferente nível de resistência pode ser resultado das diferentes mutações ocorridas no gene que codifica a enzima ACCase e do tipo de alelo do gene (POWLES. 1994). como: 1) a amplitude de recomendações possíveis. 1994. com o lançamento da molécula chlorsulfuron para uso em cereais (SAARI et al. um relacionado com a ACCase e outro com a membrana plasmática.. 1997). 5) trabalhos têm mostrado que os biótipos resistentes apresentam a mesma adaptabilidade ecológica que os biótipos sucetíveis dos inibidores 216 Módulo 3. a repolarização das membranas ocorre independentemente da presença da ACCase mutada e existem muitas diferenças entre as membranas dos biótipos resistente e sensível (HEAP. em 14 países. 1997). alta seletividade para as culturas e alta eficiência com emprego de doses baixas (HESS. apresentam maior nível de resistência aos herbicidas do primeiro grupo do que aos do segundo. plantas resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase devem possuir mais de um mecanismo que proporcione a resistência.. 1994). Atualmente. 3) muitos herbicidas inibidores da ALS apresentam residual prolongado no solo e conseqüentemente aumentam a pressão de seleção para biótipos resistentes. a resistência aos inibidores da ALS tem sido atribuída a mudanças na seqüência de aminoácidos. 1994). Nos últimos dez anos. que vai desde a cultura da soja até área de produção de arroz irrigado e florestas implantadas. resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase. Dentre estas. 4) a resistência aos herbicidas inibidores da ALS é determinada geneticamente por lócus simples e semidominante e alta freqüência inicial em todos os casos de resistência estudados até o momento. 2) alta eficácia da maioria dos herbicidas inibidores da ALS . desde gramíneas até dicotiledôneas e plantas daninhas perenes como a tiririca e a grama-seda. em razão da sua eficiência e do reduzido impacto ambiental (SAARI et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Biótipos de Lolium rigidum.esses herbicidas podem atingir níveis de controle próximos a 100%. selecionados com uso de herbicidas dos grupos ariloxifenoxipro-pionato ou cicloexanodiona. Os herbicidas inibidores da ALS apresentam alta freqüência de casos de resistência de plantas daninhas. bem como a seu grande espectro de controle de plantas daninhas. Essas características contribuíram para o surgimento rápido da resistência. PRESTON. Estes herbicidas são largamente usados devido a sua baixa toxicidade para animais. A despolarização das membranas é um segundo mecanismo de ação atribuído aos herbicidas deste grupo.Herbicidas: resistência de plantas .

assim. contudo. em dez países. mas não a todos os herbicidas do grupo das uréias. biótipos resistentes apresentam menor crescimento do que biótipos normais Módulo 3. até o momento.Triazinas A maioria das plantas daninhas resistentes às triazinas foram localizadas em lavouras de milho na Europa e América do Norte. 10. e 6) a maioria dos casos de resistência aos inibidores da ALS estudados apresenta resistência cruzada aos diversos grupos químicos de herbicidas que tem este mecanismo de ação (VARGAS et al. não foram encontrados biótipos resistentes que apresentem alteração na taxa de crescimento ou na capacidade competitiva. 2004). não está descartada a hipótese de que o metabolismo da molécula também esteja envolvido. porém a atividade da ALS.. A resistência a imidazolinonas e sulfoniluréias é conferida por um gene dominante nuclear (MAZUR. da prolina 173 por uma alanina. Amaranthus retroflexus e Senecio vulgaris. em 16 países. O gene que codifica a enzima ALS nas espécies resistentes pode apresentar diferentes mutações. 1997). serina ou treonina. glutamina. dessa forma.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas da ALS. no centro ativo A da ALS. em um dos biótipos resistentes.5 . 1998). assim. Estima-se que a área infestada no mundo com plantas daninhas resistentes aos herbicidas triazinas seja superior a três milhões de hectares. respondeu igualmente a um biótipo sensível ao herbicida. Alterações na proteína D1 são as principais causas da ocorrência de plantas resistentes aos herbicidas que agem no fotossistema II. cinco de Polygonum e quatro de Chenopodium. SAARI et al. outros aminoácidos da ALS podem ser substituídos e produzir plantas resistentes com características distintas. 1994). foi identificada somente uma mutação na proteína D1: a substituição da serina 264 por uma glicina.7 . O metabolismo das moléculas herbicidas é outro mecanismo usado por plantas daninhas para resistir a estes herbicidas. A causa da resistência aos herbicidas inibidores de ALS está em mutações que ocorrem no DNA e no metabolismo da molécula herbicida. As espécies mais freqüentes são Chenopodium album.Herbicidas: resistência de plantas 217 . PRESTON. em nove países. Os diferentes níveis de resistência são atribuídos às diferenças na estrutura do centro de reação da D1 entre às espécies. As plantas daninhas resistentes têm sido controladas com eficiência. histidina. A mutação na D1 provoca alto nível de resistência aos herbicidas do grupo triazinas. e Solanum nigrum. FALCO. entre elas a substituição. que conferem alterações funcionais na enzima ALS (POWLES. como as triazinas e uréias substituídas. Christopher et al. (1992) identificaram biótipos de Lolium rigidum resistentes ao herbicida chlorsulfuron. 1992). usando-se herbicidas alternativos (HEAP. Além da prolina. Essas mutações não alteram a função biológica da ALS.. Entre as plantas resistentes relatadas existem nove espécies de Amaranthus. a resistência deste biótipo se deve à rápida metabolização do herbicida. A rápida inativação metabólica é a base para a resistência do biótipo SR4/84 de Lolium rigidum ao chlorsulfuron (COTTERMAN. Já um segundo biótipo apresentou resistência devido à insensibilidade da enzima ALS ao inibidor. até o momento. Esta mutação afeta o fluxo de elétrons no FSII. SAARI. 1989. já que.

1997). em 1983. em muitos países. que pertence ao grupo das amidas. Os biótipos de plantas daninhas resistentes às triazinas são controlados com eficiência. mais de 40 espécies apresentam resistência a este grupo e duas ao propanil. a resistência não é transmitida hereditariamente via pólen. PRESTON.D 218 Mecanismo Local de ação alterado/metabolismo Local de ação alterado Local de ação alterado Local de ação alterado Metabolismo Desconhecido Módulo 3. crusgalli em lavouras de arroz. além da facilidade que as espécies possuem de evoluir resistência para o herbicida e do número de mecanismos envolvidos. resistentes a chlorotoluron. ao tamanho da área e ao tempo em que este produto é usado na área. dessa forma. com uso de herbicidas alternativos (HEAP.4. Até o momento existem 64 espécies resistentes às triazinas e 17 resistentes aos auxínicos. 11 . As diferenças relacionadas ao mecanismo de ação destes herbicidas podem ser a resposta para essa questão.Herbicidas: resistência de plantas . Os herbicidas triazinas e auxina sintéticas vêm sendo usados em milhões de hectares há mais de 30 anos. por possuírem capacidade de metabolizar herbicidas com diferentes mecanismos de ação. As diferenças se devem à variabilidade genética das espécies envolvidas. apresentam sérios problemas de controle. A mutação responsável pela resistência às triazinas ocorreu no genoma do cloroplasto.Seleção de biótipos resistentes por diferentes mecanismos de ação herbicida Os herbicidas selecionam biótipos resistentes com diferentes mecanismos de resistência (Quadro 5) e em diferentes períodos de tempo (Quadro 3).8 . Quadro 5 .5 .Mecanismos de resistência de plantas daninhas a herbicidas pertencentes a diferentes grupos químicos Herbicida Triazinas Dinitroanilina Inibidores da ALS Inibidores da ACCase Propanil 2. Isso demonstra que as triazinas apresentam maior risco de seleção de biótipos resistentes que as auxinas sintéticas (HEAP. 10. em 1982. O herbicida propanil é usado para controlar Echinocloa colona e E. e na Alemanha. 1997). 1998). 1998). Biótipos de Alopecurus myosuroides. Atualmente.Uréias/amidas A primeira espécie a apresentar resistência às uréias foi Alopecurus myosuroides no Reino Unido. com e sem rotação. da Costa Rica e dos Estados Unidos (HEAP. A ocorrência destes biótipos resistentes inviabiliza o uso deste herbicida em lavouras da Colômbia. mas sim via herança materna.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas (POWLES.

1997).Herbicidas: resistência de plantas 219 . constitui-se na mais provável causa da resistência (PONCHIO. até o presente momento. poderão ser evitados o surgimento de novos casos de resistência e o surgimento de plantas com resistência múltipla. Em razão de suas características. 1997). 2006). foi o da planta daninha Bidens pilosa L. O glyphosate esta sendo usado intensivamente na agricultura há mais de 25 anos. A enzima ALS. lactofen. O primeiro caso de resistência. mostrou-se menos sensível a estes herbicidas e. mas são sensíveis aos herbicidas alternativos sulfentrazone. a alta especificidade e eficiência e o longo período residual contribuem para a evolução rápida da resistência aos herbicidas que agem inibindo as enzimas ALS e ACCase. fomesafen e acifluorfen (PONCHIO. Até hoje foram constatados casos de resistência em 6 espécies de plantas daninhas. Conyza banariensis e Plantago lanceolata (WEED SCIENCE. bentazon. O primeiro caso de resistência de plantas daninhas ao herbicida glyphosate foi registrado em 1996. são elas: Lolium rigudum. LÓPEZ-OVEJERO. apesar de serem considerados de baixo risco. um número limitado de populações de plantas daninhas sofreu pressão de seleção suficiente para o aparecimento de biótipos resistentes (CHRISTOFOLETI. a vasta área tratada. 2003). Conyza canadensis. relatado oficialmente.A resistência de plantas daninhas no Brasil Atualmente são reconhecidos 15 casos de plantas daninhas resistentes no Brasil. aos herbicidas inibidores de ALS. 1999). Nos últimos dez anos foram identificadas mais espécies resistentes para os inibidores de ALS do que para qualquer outro mecanismo de ação. 1997.. Estes biótipos foram encontrados em lavouras dos estados do Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul e apresentam resistência cruzada aos herbicidas inibidores de ALS. Eleusine indica. que é um problema muito maior do que a resistência cruzada. dos biótipos resistentes.5 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Os herbicidas dos grupos cloroacetamidas e inibidores da EPSPs (glyphosate). Módulo 3. Lolium multiflorum. estes herbicidas apresentam alto potencial para selecionar plantas resistentes. desse modo. selecionaram biótipos resistentes devido ao seu emprego em vastas áreas (HEAP. 12 . VARGAS et al. Somente com o uso de todos os métodos de controle disponíveis conjuntamente. A alta freqüência inicial de indivíduos resistentes na população. (Quadro 6).

. até o momento.Espécies de plantas daninhas resistentes a herbicidas ocorrentes no Brasil e seu provável mecanismo Biótipos resistentes Bidens pilosa Bidens subalternans Brachiaria plantaginea Cyperus difformis Echinochloa colonum Digitaria ciliaris Echinochloa crusgalli var. foram identificados em lavouras de soja nos estados do Rio Grande do Sul e Paraná. porém são sensíveis a herbicidas com outros mecanismos de ação.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 6 . resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase. Estudos relacionados a inibidores da ALS em condições de laboratório e de campo. diferenças entre os biótipos resistentes e sensíveis. referentes à resistência em Euphorbia heterophylla L.arroz Capim-pé-de-galinha Leiteiro Leiteiro Flecha Cuminho Azevém Losna-branca Nabiça Mecanismo de ação ao qual adquiriu resistência Inibidores da ALS Inibidores da ALS Inibidores da ACCase Inibidores da ALS Auxina sintética Inibidores da ACCase Auxina sintética Auxina sintética Inibidores da ALS Inibidores da ALS Inibidores da ALS e PPO Inibidores da ALS Inibidores da ALS Inibidores da EPSPs Inibidores da ALS Inibidores da ALS Biótipos de Euphorbia heterophylla.Herbicidas: resistência de plantas .arroz Capim. Os resultados deste trabalho indicam que a resistência é conferida por um gene dominante nuclear e que os biótipos apresentam resistência cruzada aos herbicidas inibidores de ALS. crusgalli Echinochloa crus-pavonis Eleusineiíndica Euphorbia heterophylla Euphorbia heterophylla Sagitaria montevidensis Fimbristylis miliacea Lolium multifolium Parthenium hysterophorus Raphanus sativus Fonte: Wees Science (2006) Nome comum Picão-preto Picão-preto Capim-marmelada Junquinho Capim-arroz Capim-colchão Capim. Estudos relacionados à capacidade competitiva e ao comportamento das sementes no solo não indicam. O uso repetido destes herbicidas pode ser a principal causa da seleção dos biótipos resistentes. Os biótipos resistentes sobreviveram ao tratamento com dose 16 vezes maior que a dose de campo (de rótulo). onde estes produtos são empregados há mais de cinco anos. 220 Módulo 3. resistentes aos herbicidas inibidores de ALS. estão sendo realizados na Universidade Federal de Viçosa.5 . Não houve diferenças entre os biótipos resistentes e sensíveis relacionadas à taxa de germinação e à profundidade de germinação e emergência. e Brachiaria plantaginea.

520 g ha-1. No Brasil. Lorraine-Colwill et al. densamente perfilhada. as enzimas foram igualmente sensíveis ao glyphosate em ambas às populações. observaram que aproximadamente 80% das plantas avaliadas resistiram a dose de até 1. Módulo 3. 2004). O primeiro caso de Lolium multiflorum resistente ao glyphosate foi relatado por Perez e Kogan (2002). 2000). três aplicações de glyphosate por ciclo durante os últimos 8 a 10 anos.. o mecanismo que confere resistência ao glyphosate ainda não foi determinado com clareza. Este biótipo resistente foi identificado em pomares no Chile. Originária do sul da Europa. A diferença marcante entre populações resistentes e suscetíveis foi encontrada no translocação do glyphosate. 20% a doses de até 11. glaba. ereta. Em todos esses casos a aplicação repetida e continuada de glyphosate para controle da vegetação é considerada a principal causa da seleção dos biótipos resistentes. aproximadamente. As plantas resistentes e suscetíveis foram igualmente capazes de absorver o herbicida aplicado. Depois do tratamento com glyphosate os autores observaram acumulação do produto nas raízes de plantas suscetíveis e nas pontas das folhas de plantas resistentes (Quadro 7). propaga-se apenas por sementes (LORENZI. Com relação ao Lolium rigidum.Resistência do azevém (lolium multiflorum) ao glyphosate Lolium multiflorum é uma espécie anual ou bianual. em média. foram identificados biótipos de azevém (Lolium multiflorum) resistentes ao glyphosate em lavouras de culturas anuais e em pomares (ROMAN et al. Vargas et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 13 . que vinham recebendo. a dose de 360 g ha-1 foi suficiente para controlar o biótipo sensível. morfologicamente muito variável. (2004).Herbicidas: resistência de plantas 221 . (2002) não encontraram nenhuma diferença em nível da expressão gênica no alvo do herbicida e na síntese de EPSPs. Nas plantas resistentes e suscetíveis. herbácea.440 g ha-1 de glyphosate e. trabalhando com biótipos sucetíveis e resistentes de azevém (Lolium multiflorum).5 . Nesse mesmo trabalho. de 30 a 90 cm de altura.

2 ± 2. intermediário . 222 Módulo 3.6 ± 6. Os valores mostrados são a médias de 10-15 plantas dos biótipos resistente e suscetível. Baerson et al.9 ± 4. resistente e altamente resistente. Segundo Kogan e Pérez (2003).8 Esses autores observaram superprodução da EPSPS induzida pela aplicação do glyphosate e também expressivo aumento no nível de EPSPS nas plantas resistentes e altamente resistentes. Quadro 8 – Inibição da EPSPS em teste in vitro População Suscetível Intermediário Resistente Altamente resistente Fonte: BAERSON et al.3 ± 7. com erros-padrão.9 36.6 ± 2. é muito pouco provável que os maiores níveis de expressão da EPSPs dos indivíduos resistentes expliquem completamente a maior tolerância ao produto.4 ± 8.Herbicidas: resistência de plantas . (2002).5 . rigidum após o pré-tratamento com glyphosate isopropilamina (450 g ha-1) Horas 2 4 8 24 48 Biótipos S R S R S R S R S R Acima do LA 30 ± 2 28 ± 4 40 ± 3 42 ± 4 36 ± 5 48 ± 5 19 ± 3 42 ± 5 15 ± 2 50 ± 1 C (% total absorvido) LA Abaixo do LA 13 ± 1 55 ± 2 11 ± 1 58 ± 5 11 ± 1 44 ± 3 10 ± 1 44 ± 4 11 ± 2 45 ± 3 10 ± 2 37 ± 3 08 ± 1 53 ± 3 10 ± 1 43 ± 4 10 ± 2 55 ± 3 11 ± 1 33 ± 3 14 Raízes 02 ± 0 02 ± 0 05 ± 1 04 ± 0 08 ± 1 05 ± 1 20 ± 2 05 ± 1 20 ± 4 06 ± 1 Lorraine-Colwill et al.5 43. dessa forma.Translocação foliar do 14glyphosate aplicado em plantas resistentes e suscetíveis.0 38.4 44.5 44. Os autores isolaram a enzima EPSPS e realizaram testes in vitro de sua atividade na presença de glyphosate em todas as populações. (2002) observaram inicialmente que numa população de Lolium rigudum existiam plantas com diferentes níveis de resistência ao glyphosate e assim classificaram estes biótipos como suscetível.8 42.3 ± 3. LA: local da aplicação.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 7 . (2002) % de inibição por glyphosate 0 hora após a aplicação 48 horas após a aplicação 42. sugerindo que o mecanismo de resistência não esta completamente baseado no sítio de ação.0 42. em biótipos de L. Os resultados do trabalho indicados no Quadro 8 mostram que a atividade da EPSPS das plantas resistentes é similar à atividade das plantas suscetíveis.5 ± 2. a hipótese de alteração da EPSPS no sítio de ação é descartada.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 2 . Essa queda de produção foi mais severa no biótipo intermediário do que no resistente (Fig. em ambos os biótipos (resistente e com resistência intermediária) de L.200 g ha-1 de glyphosate não controlaram os biótipos resistentes e de resistência intermediária. 3A). 3 B e C. Módulo 3. A dose de 200 g ha-1 foi suficiente para controlar 100% das plantas sensíveis (Fig.5 . multiflorum observou-se redução na produção de massa seca da parte aérea. 4). resistente (B) e de resistência intermediária (C) de Lolium multiflorum Fonte: Ferreira et al. (2006a) Em recente trabalho realizado por Ferreira et al.Herbicidas: resistência de plantas 223 . (2006a) com três biótipos de Lolium multiflorum (biótipos sensível. intermediário e resistente ao herbicida glyphosate).Evolução da intoxicação provocada por glyphosate sobre biótipos sensível (A). Tanto o biótipo resistente quanto o intermediário apresentaram elevados níveis de intoxicação (80%) aos 14 dias após a aplicação dos tratamentos (Fig. Todavia. observou-se que doses de até 3.

O biótipo R apresentou maior acúmulo de 14glyphosate na folha aplicada às 64 horas enquanto no suscetível observaram maior acúmulo desse herbicida nas raízes (Fig. Ferreira et al.5 . multiflorum pode estar ligado a translocação diferencial deste herbicida pelos diferentes biótipos. 224 Módulo 3. 2A). Esses resultados se assemelham aos encontrados por Lorraine-Colwill et al.Biótipos resistente (R) e sensível (S) de L multiflorum cinco dias após tratamento com 800 g ha-1 de glyphosate (FERREIRA et al.Herbicidas: resistência de plantas .. que constataram maior acúmulo do produto marcado nas raízes do biótipo resistente. Todavia observaram diferença marcante na translocação do 14glyphosate entre os biótipos resistente (R) e sensível (S). (2006a) Figura 4 . (2002) em Lolium rigudum.Porcentagem de produção de massa seca dos biótipos resistente e intermediário tratados com glyphosate em relação à testemunha Fonte: Ferreira et al. 5).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 3 . (2006) verificaram que tanto o suscetível quanto o resistente absorveram o glyphosate na mesma intensidade (Fig. 2006a) O possível caso da resistência de L.

O Brasil é hoje o terceiro produtor de transgênicos. (C) – na parte aérea e (D) . milhares de hectares cultivados com culturas transgênicas já foram incorporados no processo produtivo.Herbicidas: resistência de plantas 225 .5 . No mundo.4 milhões de hectares de sementes. (B) . perdendo apenas para Argentina e Estados Unidos (Quadro 9). multiflorum resistente (R) e sensível (S) Fonte: Ferreira et al. a área de produção de transgênicos passou de 81 milhões de hectares em 2004 para 90 milhões. 2005). (A) – na água de lavagem. correspondendo a um aumento de 11% em 2005 no total de 21 países onde o plantio de transgênicos é permitido (JAMES. Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 5 – Concentrações de glyphosate avaliadas em diferentes tempos após aplicação.Culturas transgênicas e plantas daninhas resistentes a herbicidas 14.na folha onde foi aplicado. com uma área plantada de 9.1 . Depois disso.nas raízes de biótipos de L.Culturas transgênicas Cultivares de soja e de outras culturas foram lançados recentemente no mercado. (2006b) 14 .

Canadá. 2).8 17.1 < 0. A terceira cultura geneticamente modificada mais cultivada foi o algodão Bt. Ela ocupa 48.1 < 0.1 9. comercialmente disponível em nove países em 2005 (Quadro 9) que.4 milhões de hectares. O algodão Bt foi plantado em oito países. em ordem decrescente de área cultivada. foram: China. África do Sul e Argentina. EUA. Uruguai.3 milhões de hectares (5%) em dois países: Canadá e EUA. em ordem decrescente de área: milho tolerante a herbicida. milho e algodão Soja e milho Algodão Soja e algodão Soja Milho Milho Algodão Arroz Milho Milho Milho Milho Milho Em 2005. equivalente a 6% da área mundial com lavouras geneticamente modificadas. Argentina.1 < 0. milho Bt tolerante a herbicida.8 1.1 < 0.5 0.1 Culturas transgênicas Soja. milho e canola Algodão Soja Algodão Soja.3 milhões de hectares (5%) em quatro países: EUA. são: EUA. algodão.1 < 0.1 0.5 . canola tolerante a herbicida. cultivado em 4.4 5. que. ocupou um total de 15.1 < 0.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 9 .1 0. milho e algodão Soja Soja. em ordem decrescente de área cultivada.0 milhões de hectares. Brasil. Importante destacar que o milho Bt.3 1. Índia. 11 são países em desenvolvimento e 10 industrializados (Fig. Austrália. Checa Superfície (milhões de ha-1) 49. quando foram cultivados 12. dos 21 países produtores de transgênicos. A soja tolerante a herbicida é atualmente a cultura geneticamente modificada dominante. com crescimento de 22% no ano de 2003. Argentina. cultivado em 3. África do Sul e Colômbia.3 0. Romênia.3 0. e que ocupou 4. México.1 0.1 < 0.8 3.3 0. milho.8 milhões de hectares (4%) em dois países: EUA e 226 Módulo 3. cultivado em 4. canola e mamão Soja. sexta colocação em 2003.3 milhões de hectares. Paraguai.Herbicidas: resistência de plantas . Outras cinco culturas listadas no Quadro 10 ocuparam entre 2% e 5% da área mundial cultivada com plantas derivadas da biotecnologia e incluem. Canadá.Superfície global de cultivos transgênicos em 2005 (em milhões de hectares) Ordem 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 Fonte: James (2005) País EUA Argentina Brasil Canadá China Paraguai Índia África do Sul Uruguai Austrália México Romênia Filipinas Espanha Colômbia Irã Honduras Portugal Alemanha França Rep. África do Sul e México. representando 60% da área mundial destinada às plantas geneticamente modificadas em 90 milhões de hectares.5 milhões de hectares.

Figura 2 – Evolução da área de cultivo de transgênicos no mundo. e algodão tolerante a herbicida cultivado em 1.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Canadá.Herbicidas: resistência de plantas 227 . de 1996 a 2005 O Quadro 10 mostra. Austrália e México.5 milhão de hectares (2%) em 3 países: EUA. Austrália e África do Sul (JAMES. os países produtores de culturas trangênicas em 2005.5 . algodão Bt e tolerante a herbicida cultivado em 3 milhões de hectares (4%) em três países: EUA. em milhões de hectares. em ordem crescente por área. 2005). Quadro 10 – Princiapais lavouras geneticamente modificada em 2005 Culturas Soja tolerante a herbicida Milho Bt Algodão Bt Milho tolerante a herbicida Canola tolerante a herbicida Milho Bt/tolerante a herbicida Algodão Bt/tolerante a herbicida Algodão tolerante a herbicida Fonte: James (2005) % em relação ao total de áreas cultivadas 60 14 06 05 05 04 04 02 Módulo 3.

) e plantas.9 42. sem que sejam introduzidos outros genes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A descoberta das leis da hereditariedade.6 59. como ocorre no melhoramento genético clássico (no cruzamento ocorre a "mistura" de metade da carga genética de cada variedade parental). 228 Módulo 3. denominadas de transgênicas. 2005). com o objetivo de acelerá-lo e de ampliar a variedade de genes que podem ser introduzidos nas plantas. por meio de desenvolvimento de métodos refinados com o uso de técnicas de biologia molecular. Assim.7 81. com segurança (MONSANTO. permitiram a manipulação do material genético. que. 2005).Herbicidas: resistência de plantas . 2001). A biotecnologia agrícola utiliza a transgenia como uma ferramenta de pesquisa agrícola caracterizada pela transferência de genes de interesse agronômico (e.0 A transgenia permite um melhoramento "pontual" através da inserção de um ou poucos genes e da conseqüente expressão de uma ou poucas características desejáveis (MONSANTO. cruzam-se as espécies sexualmente compatíveis e ocorre a combinação simultânea de vários genes. de características desejadas) entre um organismo doador (que pode ser uma planta. hoje conhecida como tecnologia do DNA recombinante ou engenharia genética (VALOIS. conseqüentemente.0 27. uma bactéria. No melhoramento tradicional. e a decifração do código genético foram condições primordiais para o surgimento da biotecnologia moderna. uma vez que permite a inserção de genes cujas características são conhecidas com antecedência. 2005). Nessse período. um fungo.7 11. O Quadro 11 mostra a evolução do cultivo de plantas geneticamente modificada e tolerante a herbicidas durante o o período de 1996 a 2005. bem como da natureza química do material genético.5 . etc.1 90. Quadro 11 –Área total de lavouras geneticamente modificadas no mundo entre os anos de 1996 e 2005 Ano 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 Fonte: James (2005) Hectares (em milhões) 1. Além disso. como ferramenta da biotecnologia agrícola. surgiram as plantas que carregam em seu genoma a adição de DNA oriundo de uma fonte diferente de germoplasma paternal. Já a transgenia é uma evolução desse processo.8 39. a transgenia. a área cultivada com lavouras transgênicas cresceu mais de 47 vezes (JAMES. oferece maior precisão do que os cruzamentos.7 67.2 52.

porém com o decorrer dos anos existirá uma grande possibilidade de surgir problemas como a seleção das espécies consideradas tolerantes ou mesmo espécies resistentes (GAZZIERO. subterrâneas e multiplica-se também a partir do enraizamento de porções do caule (ROCHA 1999.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 15 . Os produtos e as combinações de produtos utilizados na soja convencional serão substituídos pelo glyphosate. O risco do surgimento de casos de plantas daninhas resistentes é maior para aqueles herbicidas que já apresentam biótipos resistentes. em alguns casos. A dinâmica e o estabelecimento das plantas daninhas nos levam a antever uma provável mudança na composição das plantas infestantes. É uma planta perene que se reproduz por sementes aéreas. C. e outras consideradas tolerantes apresentam a possibilidade de disseminação e conseqüente aumento de infestação nas áreas cultivadas com soja transgênica. como é o caso dos herbicidas para os quais estão sendo desenvolvidas culturas resistentes. 2005). Muitos produrores de soja transgênica no Rio Grande do Sul preferem controlar as plantas daninhas com aplicação de pós-emergência feita na cultura. 2000). o que significa alta pressão de seleção. Em 2005 a soja transgênica foi oficialmente liberada para plantio no país. é uma espécie que se adapta com facilidade a diferentes ambientes e apresenta intensa resposta à calagem e adubação do solo. Esse fato poderá levar a uma situação extrema. 2005). tendo em vista que vários produtos ou combinações de produtos utilizados atualmente serão substituídos por um único ingrediente ativo. deixando de fazer o controle das plantas Módulo 3. No Brasil. Espécies altamente sensíveis a esse produto serão eliminadas. o glyphosate (GAZZIERO. ROCHA et al. por exemplo. se o manejo das plantas daninhas não for adequadamente utilizado na soja transgênica. as plantas daninhas apresentam composição e dinâmica de um país tropical.Herbicidas: resistência de plantas 229 . No início serão observados apenas os benefícios da nova tecnologia.Plantas daninhas resistentes em culturas transgênicas Os métodos de controle das plantas daninhas não sofrerão alteração. Espécies como Commelina benghalensis. Dessa forma. será utilizado um único ingrediente ativo.. essas plantas apresentam grande potencial de se tornarem um sério problema de controle. Borreria latifolia e Tridax procumbens são plantas consideradas tolerantes ao glyphosate. a substituição das moléculas herbicidas que vinham sendo usadas por outra. benghalensis. em que a maioria da área cultivada empregará a mesma molécula herbicida. somente haverá. espera-se a ocorrência de profundas mudanças nos sistemas de controle.5 . sendo hospedeira de pragas e moléstias. em que fatores como a intensidade e a rapidez da mudança na composição de uma comunidade são acentuados e inevitavelmente influenciados pelas práticas agrícolas e pela ação humana. dessa forma. que é um requisito para a seleção de plantas resistentes.

5 . além da resistência de azevém (Lolium sp. 16 . trazendo prejuízos a cultura (THEISEN citado po GAZZIERO. tolerantes e sensíveis em áreas afetadas e para eleger métodos de manejo e controle das plantas tolerantes e resistentes que permitam impedir a multiplicação e a disseminação desse(s) gene(s) para outras populações. em outras espécies. e as informações de que se dispõe são relacionadas a casos de outros países. em condições semelhantes. Vargas (2004). ao se realizar a aplicação. Para que isso seja evitado.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas que germinam antes da semeadura da soja.Herbicidas: resistência de plantas . da variabilidade genética da espécie daninha. que poucas vezes podem ser generalizados para as nossas condições. com mesmo mecanismo de ação. poucos cientistas estão se dedicando a essa área no Brasil. Biótipos de azevém (Lolium multiflorum) resistente ao glyphosate se tornaram um grave problema nas lavouras de soja transgênica no Rio Grande do Sul. do padrão de herança. Na maioria dos casos.Comentários finais A resistência de plantas daninhas a herbicidas é um fato consumado no Brasil. Estudos aprofundados sobre essa questão devem ser realizados com urgência no país. e em anos seguidos. para que se possa entender e estabelecer estratégias específicas para os nossos casos. Euphorbia heterophylla. 230 Módulo 3. o processo de competição entre a cultura e as plantas daninhas já se iniciou. como: uso de misturas de herbicidas com diferentes mecanismos de ação e rotação destes mecanismos. 2003).). sobre os quais tem sido aplicada doses de 16 L ha-1 do produto comercial sem sucesso. O conhecimento desses pontos é importante para embasar previsões de proporções futuras entre plantas resistentes. Contudo. Desse modo. do fluxo gênico e da dispersão de propágulos. Nas áreas com mais de 15 anos de uso têm sido feitas três aplicações/ano em doses que variam de 2 a 8 L ha-1. estarão sujeitos à seleção de plantas daninhas resistentes. do número de genes envolvidos. Commelina benghalensis. Sabe-se que sua evolução em uma área é dependente da pressão de seleção. o mesmo herbicida ou herbicidas. agricultores que empregarem extensivamente. devem ser adotadas as práticas de manejo adequadas. levando a um considerável aumento nos custos de produção. observou em pomares de maça tratados com glyphosate a seleção de Richardia brasiliensis.

J. J. A. HEAP. 11p. n. 1992. 40. et al. 2006 – (aceito para publicação) GAZZIERO. 4. 2003. 2. 1992. n. 1992. J. 217 p.br>. E. C. n. D. L. SILVA. 43. POWLES. S. Acesso em: 12 jan. BREWBAKER. O. 3. P.gov. D. SOMERS. p. Web: <http://ipmwww. LOPEZ-OVEJERO. BURNSIDE. Pesticide Biochemistry Physiology.ncsu. 2002. J.. A.html>. Translocação de glyphosate em de plantas de Lolium multiflorum resistentes e sensível a esse herbicida.. R. L. 721-730. Weed Science.. P. 1998c. Weed tecnhology. E.. N. A. J.. E.5 . São Paulo: USP. S. GRAY. J. D. Weed Sci. J. A.. Investigating the mechanism of glyphosate resistance in rigid ryegrass Lolium ridigum). E. 1992. p. Disponível em: <www. SANTOS. 1969.. Productivity and intranspecific competitive ability of a velvetleaf (Abutilon theophrasti) biotype resistant to atrazine. n. VARGAS. CD-ROM. J. A. N. 621-25. v.. L. COTTERMAN. Dados estatísticos. CHRISTOPHER. 619-626. n. BAERSON. Plant physiology: v. EHLKE. J. HERBICIDE RESISTANCE ACTION COMMITTEE – HRAC. p. Tolerância de biótipos de Lolium multiflorum ao glyphosate. A.. 2005. 1997. GRONWALD. Planta Daninha.htm>.. BETTS.com/paper/resist97.Herbicidas: resistência de plantas 231 . WYSE. D. A. Genética na agricultura. In: SEMINÁRIO-TALLER IBEROAMERICANO-RESISTENCIA A HERBICIDAS Y CULTIVOS TRANGÊNICOS. 50. v. v.. W. As plantas daninhas e soja resistente ao glyphosate no Brasil.edu/orgs/hrac/ partnership. 507-515. 4.A. v. Weed Science. v. 6. SILVA.. BALKE. 2005. J. HOLTUM. Partnership in the management of resistance. T. 1995. Web: <http://Weedscience. SAARI. 184-189. R. Planta Daninha.. 21. Resistance to Acetolactate synthaseinhibiting herbicides in anual ryegrass (Lolium rigidum) involves at least two mechanisms. VARGAS.. K. Principais aspectos da resistência de plantas daninhas ao herbicida glyphosate. L. B. L. Mechanism of inheritance of diclofop resistance in italian ryegrass (Lolium multiflorum). B. CHRISTOFFOLETI.andef. The occurrence of herbicide-Resistant weeds worldwide. p. Planta Daninha.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Referências bibliográficas ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE DEFESA FITOSANITÁRIA –ANDEF. Módulo 3. STOLTENBERG. FERREIRA. 43. 5 p. B. A. p. 1909-1913.. p. 2006 – (aceito para publicação) FERREIRA.. L. L. Rapid metabolic inactivation is the basis for cross-resistance to chlorsulfuron in diclofop-methyl-resistant rigid ryegrass (Lolium rigidum) biotype SR4/84. C. 3. I. 2006. M. J.. SANTOS. Rationale for developing herbicide-resistant crops. 100. 182-192. n. p.

et al. LEBARON. D. M.. The development of herbicide resistant crops. 1-25. Web: <http://ipmwww. 1. R. FALCO. HOLTUM. v. HESS. D. Web: <http:// ipmwww. 2003. J. Mechanism of action of inhibitors of amino acid biosynthesis. Herbicidas. Significance and distribution of herbicide resistance. 10-23. J.. A.. 233 p. Plantas daninhas do Brasil – Terrestres. GRAHAM. 32. parasitas e tóxicas.html>.Herbicidas: resistência de plantas . 441-470. R. Web: <http://ipmwww. LORRAINE-COLWILL. DIAL. 62-72. MORTIMER. PÉREZ. MAXWELL. THILL. Ediciones Universidad Católica de Chile. HERBICIDE RESISTANCE ACTION COMMITTEE – HRAC. J. Situação global da comercialização de lavouras geneticamente modificadas (GM): 2005. v. K.edu/orgs/ hrac/guideline.. D.monsanto. v. v. B.asp>. 1994. 4.A. Weed technology. p. M. p.com. 1. n.edu/ orgs/hrac/hoetomil. Selection for herbicide resistance. KISSMANN. H. 1990.htm>. MOSS. 1996. 1990. A. Web: <http:// ipmwww. Biochem.edu/orgs/hrac/brighton.br/ biotecnologia/oque/oque. 38. How to minimize resistance risks and how to respond to cases of suspected and confirmed resistance.5 . S. A. S. Managing weed resistance: the role of the agrochemica industry. Guideline to the management of herbicide resistance.. 1998b. D. J.ncsu.ncsu.. Investigations into the mechanism of glyphosate resistance in Lolium rigidum. Identification of sulfonylurea herbicideresistance prickly lettuce (Lactuca serriola). 3.html>. 32 p. S. p. A.ed. C. . Pest. The role of HRAC in the management of weed resistance. Herbicide cross-resistance in slender foxtail (Alopecurus myosuroides). aquáticas. 608 p. S. Review of graminicide resistance. KOGAN.html>. p. H. O que é biotecnologia? Disponível em: <http://www. In: Herbicide action course. 232 Módulo 3. Boca Raton: 1994. West Lafayette: Purdue University. 1998. B. Nova Odessa. 7 p.edu/orgs/hrac/ weedresis. C. 1998a. ncsu. ncsu. A. F. F. MORTIMER. 2006. 40. M.. p. Physiol. LORENZI.htm>. 1998d. 141-149. 74. In: POWLES. 1989. 2003. 4. M. MALLORY-SMITH. A. Weed science. edu/orgs/hrac/monograph1. 6. 2005. n. São Paulo: Basf Brasileira S. 492-496. 10 p. 33 p. C. JUTSUM. MONSANTO. JAMES. p.G. M. 163-168.ncsu. HOLT. Weed technology. J. A. 1990. Annual Review of Plant Physiology and Plant Molecular Biology. SP: 2000.. n. n. C.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas HERBICIDE RESISTANCE ACTION COMMITTEE – HRAC. Web: <http://ipmwww. J. B. Herbicide resistance in plants: biology and biochemistry. Acesso em: 19 jan. M. v. p.. J. Fundamentos fisiológicos y bioquímicos del modo de acción. 13 p. HERBICIDE RESISTANCE ACTION COMMITTEE – HRAC. 9 p. Resistência de plantas a herbicidas.. 1998. MAZUR.

. RADOSEVICH. v. 4. Herbicide cross resistance and multiple resistance in plants. R. HOLTUM. 1991. Web: <http://www. Módulo 3. N. 301-306. 95 102. S. PRESTON.. n. p. v. B. Herbicide-resistant weeds in Austrália.htm>. 161167. 2000. 1970. A. RODELLA. SATHASIVAN. v. A. SUZUKI.edu/orgs/hrac/mono2. S. p. 1977. 143 f. STOWE. 4. 1996. Herbicide susceptibility and biological fitness of triazine-resistant and susceptible common lambsquarters (Chenopodium album). D. K. C.htm>. H.. n. G. 1988. Planta Daninha. CURRAN. B. In: POWLES. v. Tese (Doutorado) – Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”.. S. 22... Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. 1998. C.. A. R. 1. n. 316-318. HARTWIG. 183-189. Resistance to acetolactate synthase inhibiting herbicides. P.. 18. Plant physiology. W. COTTERMAN. K. C. E.. J. Boca Raton: 1994.Herbicidas: resistência de plantas 233 . PR. In: POWLES.ed. D. SAARI. D. et al. A.. B. S. M. LEWONTIN. J. Weed Res. RADOSEVICH. R. MALLORY-SMITH. Resistance to photosystem I disruptin herbicides.. 517-522... 12-19. 2004.. Piracicaba. PONCHIO. 43. 1. S. MARTINS. n. Weed Science. 87. L. M. p. p. VARGAS. 24-25. 3. E. KOGAN. HAUGHN. A. 178-185. W. B. G. v. 2002. ROMAN. 1. M. ROCHA. A. D. STALLINGS. Comparison of triazine-resistant and -susceptible biotypes of Senecio vulgaris and their F1 hybrids. p. Boca Raton: 1994. p.. C. BELAS. J. n. invasoras e tolerantes. Introdução à genética. D. 44.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PARKS. 1. GRIFFITHS. 1044-1050. SHAFII.. 614-616. POWLES.com/byyear/year. STEINBACK. p. HOLTUM. 61-82. Weed Science. Resistência de biótipos de Bidens pilosa L. p. S. D. J. W. F. Web: <http://ipmwww. M. 1997. J. Effects of photosystem II inhibitors on thylakoid membranes of two common groundsel (Senecio vulgaris) biotypes.. 26 p. MILLER. 1992. p. 2006. Access: 19 Jan. ncsu. J. ROCHA. S. Glyphosate-resistant Lolium multiflorum in Chilean orchards. C. 1997. 1990... RIZZARDI. n. Pollen-mediated gene flow of sulfonylurea-resistant kochia (Kochia scoparia). D. T.. 5. F. RYAN. 3. G. 1998. Brasil. J. THILL. Mechanism of atrazine resistance in lambsquarters and pigweed. G. 43. n. Ocorrência de Commelina villosa como planta daninha em áreas agrícolas no Estado do Paraná. A. THILL. L. L. Weed Science. 633 p. A. C. 83-139. n. columbia. p. 1995.. Plant physiology. HOWAT. J. p. a herbicidas inibidores da enzima ALS/AHAS. Herbicide resistance in plants: biology and biochemistry. N. n. B. D. v. R.. R. v... Resistance of common groundsel to simazine and atrazine.. Weed technology. C. CALVIN. p. Molecular basis of imidazolinone herbicide resistance in Arabidopsis thaliana var. Herbicide resistance in plants: biology and biochemistry. HOLT. D. PEREZ. MURAI. C. PRESTON.5 . E. C. J.. v.. 2. v. Resistência de azevém (Lolium multiflorum) ao herbicida glyphosate. S. p. 97. L. R. P. ROTH.weedscience.. 18. S. C. v. A. POWLES. 4. Cultivar: 1999. 25. Planta Daninha. Weed science. SP. ARNTZEN. Weed science.

2 p. 27-53. L. L. Cadernos de Ciência & Tecnologia. B. Viçosa-MG: JARD Prod. TAVARES. 1998. 652 p. 2004. F.. A. Disponível em: <http://www.weedscience. E. A. S.. 1. RS: Embrapa Uva e Vinho. 2006. A. 1999. p.org/in. C.com/contacts/ resgroups/rice-workshop. VALVERDE.weedscience. Prevention and management of herbicide resistant weeds in rice-workshop.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas VALOIS. SEDIYAMA. Resistência de plantas daninhas a herbicidas. v.. VARGAS. Manual de manejo e controle de plantas daninhas. 2001. Acesso em: 17 jan. 131 p. Gráficas.. BORÉM. E. C. WEED SCIENCE – INTERNATIONAL SURVEY OF HERBICIDE RESISTANT WEEDS. S. 234 Módulo 3.htm>. n. Web: <http://www.Herbicidas: resistência de plantas . FERREIRA. T.asp>. Passo Fundo. SILVA. 18... VARGAS. ROMAN. A.5 . A. Importância dos transgênicos para a agricultura.

Manejo de plantas daninhas 3.Manejo de plantas daninhas em pastagens 235 . Ricardo Camara Werlang Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior . Lino Roberto Ferreira Profº. Antonio Alberto da Silva Profº.ABEAS Universidade Federal de Viçosa .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 .UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília .6 .Manejo de plantas daninhas em pastagens Tutores: Profº.DF 2006 Módulo 3.6 .

238 1. 253 2.Competição entre plantas daninhas e forrageiras.Uso de herbicidas na recuperação de pastagens.Competição por nutrientes. 244 1.1. 243 1. 259 2.Controle preventivo. 261 Referências bibliográficas.3 .Controle mecânico ou físico.Manejo de plantas daninhas em pastagens .Controle químico.2 .6 .Controle cultural.4 .Uso de herbicidas na manutenção de pastagens.3 .Fatores do ambiente passíveis de competição.2 . 260 2. 252 2.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução. 247 2 .2 . 257 2. 252 2.4. 239 1.1 .3 .4.1 . 246 1. 258 2.Competição por água.4. 267 236 Módulo 3.1 . 237 1 .1.Uso de herbicidas na reforma e formação de pastagens.3 .Competição por luz.2 . 246 1.1.Controle de plantas daninhas.Plantas tóxicas.1 .Integração da agricultura e pecuária.

A tomada de decisão na pecuária. em particular.Manejo de plantas daninhas em pastagens 237 . e aproximando-se. isto é sinônimo de estabelecimento de sistemas sustentáveis. produtor. O primeiro é que elas viabilizam a competitividade brasileira. sociais e políticas. em especial para a pecuária. a humanidade coloca em segundo plano os tratados e previsões que fundamentaram a “revolução verde” e busca. Uma das características que faz com que a atividade pecuária no Brasil seja altamente competitiva é o fato de o País possuir grandes áreas de pastagens e condições adequadas para o desenvolvimento destas. apesar de esse processo estar sendo propalado como a globalização da economia. 1996) A pecuária brasileira está sendo influenciada pelo processo de globalização em andamento no mundo. dependendo de cada caso. eficiência. capazes de ser conservadores de recursos. como política. e produtivos.6 . consumidor. possibilitem convivência harmoniosa com a natureza. e o segundo é o fato de possibilitarem o atendimento da grande demanda mundial por alimento produzido de forma natural. Módulo 3. ou seja. Nesse período. parte expressiva do setor se distanciou da prática extrativista que por muitos anos caracterizou a atividade e tem sido um exemplo de capacidade de ajustes e adaptação à realidade do mercado atual. e na pecuária. Conseqüentemente. em geral. ambientalmente corretos. nesse contexto. afastando-se cada vez mais do modelo extrativista. representado pela pecuária extensiva. como solo. 1997). As mudanças que vêm ocorrendo nos sistemas de produção são reflexos de transformações econômicas. sistemas economicamente viáveis. competitividade e sustentabilidade (EUCLIDES FILHO. além de produtivas. que são responsáveis pela reestruturação desde níveis e formas de informação. competitivos e eficientes. que penaliza os setores não-competitivos e ineficientes (EUCLIDES FILHO. em última instância. da intensificação total. assumem dois aspectos fundamentais. social. Com relação aos sistemas de produção agrícolas. essa tendência é muito mais complexa e envolve modificações muito mais profundas. Dessa forma. em maior ou menor grau. As pastagens. formas de produção que. nesse contexto. Os últimos dez anos têm sido decisivos para a economia brasileira. água e recursos genéticos animais e/ou vegetais. a atividade pecuária tende a se tornar cada vez mais uma atividade empresarial. diante das transformações que vêm se processando. É importante ressaltar que. qualidade. indústria. espera-se. 1997).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução Atualmente. a formação do que pode ser denominado um novo status de cultura global (EUCLIDES FILHO. passando por mudança do estágio de conhecimento e culminando com o estabelecimento de um novo padrão de comportamento da sociedade como um todo. com respeito ao ambiente e aos animais. socialmente justos. economia. deve considerar os vários pontos determinantes dos segmentos envolvidos no setor.

Manejo de plantas daninhas em pastagens . espaço. Nas Figuras 1 e 2 são apresentadas algumas das principais espécies de plantas daninhas das pastagens. Isso ocorre porque a maioria das gramíneas forrageiras cultivadas no Brasil tem a sua eficiência fotossintética altamente dependente da intensidade da luz. reduzindo a disponibilidade desses fatores para as forrageiras.. 2000). Em razão do porte arbustivo. bem manejadas e livres de plantas daninhas. No entanto. a presença de plantas daninhas em pastagens reduz a sua capacidade de suporte (unidade animal por ha). Essas forrageiras. 238 Módulo 3. Além dos impactos negativos na produção e desvalorização do patrimônio. é facilmente dominada pelas plantas daninhas. As plantas daninhas podem.Competição entre plantas daninhas e forrageiras Pastagens produtivas significam pastagens bem formadas. de muitas espécies de plantas daninhas infestantes de pastagens em condições brasileiras. agravam-se os efeitos ambientais pela erosão dos solos e assoreamento dos mananciais de água. 1 . ocasionado pela competição com as plantas daninhas. até mesmo parcialmente. pode-se considerar a luz como o principal fator (recurso) de competição destas com as forrageiras. se sombreadas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Diante da importante função assumida pela pastagem no contexto de pecuária empresarial e competitiva. a prática demonstra outra realidade. 2000). Assim. nutrientes e água. por diminuir o potencial de formação de pasto pelas forrageiras. má formação inicial. devido à elevada capacidade competitiva das plantas daninhas. Degradação de pastagens é um processo evolutivo de perda de vigor e produtividade da forrageira. Causada por diversos fatores. pois são espécies que apresentam o metabolismo C4. a degradação precisa ser revertida para garantir a produtividade e a viabilidade econômica da pecuária (MACEDO et al. falta de adubação de manutenção e manejo da pastagem inadequado. sem possibilidade de recuperação natural. em um dos maiores problemas dos sistemas de produção de bovinos no Brasil Central. entre eles má escolha da espécie forrageira. que afeta a produção e o desempenho animal e culmina com a degradação do solo e dos recursos naturais em função de manejos inadequados. atualmente. água e nutrientes. nestas condições. ainda. Estima-se que 80% dos quase 60 milhões de hectares da área de pastagens na região de Cerrados apresentam algum estágio de degradação (MACEDO et al. uma vez que estas plantas competem por luz. Pastagem degradada se constitui. como ferimentos no úbere das vacas. é lógico que o sucesso desse setor está estreitamente relacionado com a manutenção das pastagens em condições adequadas. mas também por espaço.6 . e até mesmo arbóreo.. ocasionar danos físicos aos animais. Essa competição se dá principalmente por luz. e aumenta o tempo de formação das áreas reformadas. além de ser um ambiente propício para o desenvolvimento de parasitas. têm a sua taxa de fotossíntese líquida altamente reduzida e. as quais dificultam o processo de produção pecuária. A presença delas em pastagens reduz a produtividade.

A seguir serão abordados os principais fatores envolvidos na competição entre as plantas daninhas e as forrageiras. na maioria das vezes. nutrientes e CO2 e. caso eles se alimentem de plantas tóxicas. já limitados no meio. Isso ocorre porque. podendo declinar se houver excesso do recurso (ex. até mesmo para o próprio desenvolvimento da forrageira. Recursos são os fatores consumíveis. gás carbônico. 1.6 . luz. estabelece-se a competição. muito comuns em pastagens brasileiras. nutrientes e luz. qualquer planta daninha que se estabeleça na pastagem vai usar parte dos fatores de produção.: toxidez devido a excesso de Zn no solo). a forrageira e as plantas daninhas desenvolvem-se juntas na mesma área. (1996) dividem os fatores do ambiente que determinam o crescimento das plantas e influenciam a competição em “recursos” e “condições”. ou até mesmo levá-los à morte. esses fatores de crescimento (ou pelo menos um deles) estão disponíveis em quantidade insuficiente.Fatores do ambiente passíveis de competição Em ecossistemas agropastoris.1 . como água.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas causados por espécies com espinhos. Como ambas possuem suas demandas por água. nessas circunstâncias.Manejo de plantas daninhas em pastagens 239 . A resposta das plantas aos recursos segue uma curva-padrão: é pequena se o recurso for limitado e máxima quando o ponto de saturação for atingido. Módulo 3. reduzindo a produtividade da forrageira. Radosevich et al.

(g) guanxuma (Sida glaziovii) e (h) lobeira (Solanum lycocarpum) 240 Módulo 3.6 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 1 – Principais plantas daninhas das pastagens (a) assa-peixe branco (Vernonia polyanthes).Manejo de plantas daninhas em pastagens . (d) assa-peixe roxo (Vernonia glabrata). (b) leiteiro (Peschiera fuchsiaefolia). (c) mata-pasto (Eupatorium maximilianii). (f) fedegoso (Senna ocidentalis). (e) ciganinha (Memora peregrina).

fistulosa).6 . (f) algodão-bravo (Ipomoea carnea sbsp. (b) arranha-gato (Acacia plumosa).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 2 – Principais plantas daninhas das pastagens .Manejo de plantas daninhas em pastagens 241 .(c) guizo-de-cascavel (Crotalaria spectabilis).(a) camboatá (Tapirira guianensis). (e) cambará (Lantana camara). (h) ximbuva (Enterolobium contortisiliquum) e (i) samambaia (Pteridium aquilinum) Módulo 3. (d) cafezinho (Palicourea marcgravii). (g) mamona (Ricinus communis). e plantas tóxicas .

a competição entre a planta daninha e a cultivada afeta ambas as partes. o maior índice de área foliar. como acontece.Manejo de plantas daninhas em pastagens . 1996). também.6 . se a forrageira se estabelecer primeiro. Todavia. em razão da influência extrema que eles exercem na utilização dos recursos pelas plantas. dependendo da espécie cultivada. ainda. por exemplo. podendo excluir ou inibir significativamente o crescimento das plantas invasoras. A competição entre plantas daninhas e forrageiras é um fator crítico para o desenvolvimento da pastagem quando a espécie daninha se estabelece junto ou primeiro que a forrageira... a maior velocidade de germinação e estabelecimento da plântula. interespecífica. A condição pode limitar a resposta da planta tanto pela carência quanto pela abundância.. e a maior capacidade de produção e liberação de substâncias químicas com propriedades alelopáticas. ocorrendo entre indivíduos de uma mesma espécie. Na realidade. do seu vigor. ou quando um dos competidores impede o acesso por parte do outro competidor. a menor suscetibilidade das espécies daninhas às intempéries climáticas. caracterizado pela pastagem degradada. mesmo com baixos níveis do recurso no ambiente (RADOSEVICH et al. porém a espécie daninha quase sempre supera a cultivada. 1996). como veranico e geadas. se a população de plantas da forrageira por área for baixa ou o estande for desuniforme. Entretanto. citado por RADOSEVICH et al. em áreas de pastagens degradadas a capacidade competitiva das plantas daninhas é ainda maior. a competição somente se estabelece quando a intensidade de recrutamento de recursos do meio pelos competidores suplanta a capacidade do meio em fornecer aqueles recursos. não estando. seja ela daninha ou não. da velocidade de crescimento inicial e da densidade de plantio. Os mecanismos de competição consistem tanto do efeito que as plantas exercem sobre os recursos quanto da resposta destas às variações dos recursos (GOLDBERG. as plantas daninhas poderão vencer a competição pelos substratos ecológicos. No entanto. até que um nível ideal seja alcançado. 1996). ela poderá cobrir rapidamente o solo. sem examinar as características das plantas e os mecanismos que estão associados à competitividade (RADOSEVICH et al. em condições de sombreamento (PITELLI. envolvendo indivíduos de espécies diferentes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Condições são fatores não diretamente consumíveis. Os fatores que determinam a maior competitividade das plantas daninhas em relação às culturas são o seu porte e sua arquitetura. densidade do solo. etc. A competição pode ser intra-específica. totalmente esclarecida. 1990. e. A base fisiológica que explica as vantagens que levam as plantas daninhas a ganhar a competição é muito complexa. a maior velocidade do crescimento e a maior extensão do sistema radicular. 1985). cuja dependência é muito grande. Várias generalizações podem ser inferidas sobre os aspectos competitivos entre as forrageiras e as plantas daninhas. Determinadas plantas são boas competidoras por utilizarem um recurso rapidamente ou por serem capazes de continuar a crescer. como pH do solo.. como: a competição é mais séria nos períodos iniciais de desenvolvimento da 242 Módulo 3. A maioria dos estudos sobre competição entre plantas daninhas e culturas tem focalizado somente a ocorrência e o impacto da competição na produção da cultura. Contudo.

Para que se faça o manejo adequado de plantas daninhas em uma pastagem. apresentando muitas raízes fasciculadas nas camadas superficiais do solo e raízes principais com penetração profunda. como capacidade de remoção de água do solo. no manejo da forrageira. as espécies daninhas de maior porte do que as forrageiras exercem grande potencial competitivo com estas. e as espécies daninhas competem por água.. grande número de estômatos por área foliar.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas forrageira. (Radosevich et al. fazendo com que esta leve vantagem sobre o complexo de plantas daninhas.6 . da escolha da forrageira adequada para a região. Normalmente. torna-se fácil o manejo da forrageira. o chamado manejo integrado de plantas daninhas. as espécies daninhas de morfologia e desenvolvimento semelhantes ao da forrageira. etc. comumente. é normal em alguns agroecossistemas. Desse modo. ainda.1 . 1996). regulação estomática e capacidade das raízes de se ajustarem osmoticamente. da época correta de plantio. devido ao sombreamento. da profundidade de plantio. das condições adequadas de pastejo e manejo adequado da forrageira. 1. O princípio básico da competição baseia-se no fato de que as primeiras plantas que surgem no solo. como o químico ou mecânico.Competição por água As plantas daninhas são verdadeiras bombas extratoras de água do solo. principalmente se a forrageira possui metabolismo C4. que são métodos culturais de controle de plantas daninhas. luz. tendem a excluir as demais. nutrientes e espaço. especialmente nitrogênio e carbono. etc. dessa forma.: assa-peixe. especialmente nos trópicos em dias quentes. podendo. pois se estabelecem primeiro..Manejo de plantas daninhas em pastagens 243 . Disso resulta a importância do preparo do solo. pequenas ou grandes. ciganinha e outras). e sistema radicular muito desenvolvido. as condições para que ela se estabeleça devem ser fornecidas antes do surgimento da vegetação daninha.1. magnitude da condutividade hidráulica das raízes. as características fisiológicas das plantas. são mais competitivas se comparadas com aquelas que apresentam desenvolvimento diferente. como: germinação fácil em condições ecológicas variáveis. por isso. a competição por água leva a planta a competir ao mesmo tempo por luz e nutrientes. Conhecendo esses fatores. liberar toxinas no solo. Assim a competição é mais facilmente minimizada ou até mesmo eliminada com a integração de outros métodos de controle. Vários fatores influenciam a capacidade competitiva das espécies por água. o profissional necessita ter o conhecimento profundo da forrageira e da vegetação daninha infestante da área a ser formada. realizando. Módulo 3. da percentagem de germinação e vigor das sementes. sem qualquer sinal de déficit hídrico. que podem inibir a germinação e ou desenvolvimento da forrageira. As plantas daninhas apresentam certas características que lhes conferem grande capacidade competitiva. desenvolvimento e crescimento rápido de grande superfície fotossintética mesmo ainda na fase de plântula. Dentre esses fatores destacam-se a taxa de exploração de volume do solo pelo sistema radicular (maior profundidade do sistema radicular – ex. que as plantas forrageiras fiquem completamente murchas e as plantas daninhas túrgidas.

por difusão. Esse fato evidencia que as plantas C4 244 Módulo 3. considerando ambos os grupos em condições ótimas.Manejo de plantas daninhas em pastagens . por ser ambígua quanto ao substrato. onde esses produtos são descarboxilados. é transportado para as células da bainha vascular das folhas. possuem ainda o ciclo de Hatch e Slack. onde é fosforilado. as plantas C3 fotorrespiram intensamente. É sabido que a relação. Esta enzima apresenta baixa afinidade pelo CO2 e.Competição por luz A competição pela luz é muito complexa e sua magnitude é influenciada pela espécie.1. de 1:5:2.6 . comparado a regiões temperadas. As plantas C3 apresentam apenas o ciclo de Calvin e Benson. 3-fosfoglicérico e.2 . a superioridade das forrageiras utilizadas no Brasil (C4 em sua grande maioria) é dependente de certas condições. sendo esta relação para as plantas C4. o ácido pirúvico. Elas não apresentam fotorrespiração detectável. Em conseqüência da ação desta enzima. As diferenças entre as rotas fotossintéticas C3 (plantas ineficientes). C4 ou se realiza o mecanismo ácido das crassuláceas (CAM). se ela é umbrófila ou heliófila e. se a rota fotossintética que ela apresenta é C3. do glicolato. C4 (plantas eficientes) e CAM estão nas reações bioquímicas que ocorrem na fase escura da fotossíntese. agora pela enzima ribulose 1. regenerando a enzima PEP-carboxilase e recomeçando o ciclo. catalisa a produção do ác. além do ciclo de Calvin e Benson. Essas plantas. baixa eficiência no uso da água e menor taxa de produção de biomassa. em seguida. ou seja. por difusão. também. molécula de CO2 fixado/ATP/NADPH é de 1:3:2 para as plantas C3. por apresentarem dois sistemas carboxilativos. consumindo 2 ATPs. quando comparadas com plantas C4. As plantas C4 possuem duas enzimas responsáveis pela fixação do CO2. baixo ponto de saturação luminosa. Este AOA é convertido em malato ou aspartato. localizada nas células do mesófilo foliar. que ocorre em todas as plantas superiores. a qual apresenta atividades de carboxilase e oxigenase. Este CO2 liberado é novamente fixado. responsável pela fixação do CO2. retorna às células do mesófilo. A maior eficiência das plantas C4 em relação a C3 em condições adequadas de luminosidade e temperatura é o principal fator da superioridade de produção forrageira em condições tropicais (maioria C4). formando o ácido oxaloacético (AOA). Entretanto. dependendo da espécie vegetal. As plantas C4. requerem maior energia para produção dos fotoassimilados. e. liberando no meio o CO2 e o ácido pirúvico.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. de modo que o primeiro produto estável da fotossíntese é um composto de três carbonos (ácido 3-fosfoglicérico). A enzima responsável pela carboxilação primária do CO2 proveniente do ar é a ribulose 1-5 bifosfato carboxilase-oxigenase (Rubisco). a qual carboxiliza o CO2 absorvido do ar via estômatos. substrato inicial da respiração. apresentam baixa afinidade pelo CO2 e possuem elevado ponto de compensação para CO2. como a luminosidade adequada. ocorrendo o ciclo de Cavin e Benson. também. não desassimilam o CO2 fixado. A enzima primária de carboxilação é a PEP-carboxilase. pois precisam recuperar duas enzimas para realização da fotossíntese. logo.5 difosfato carboxilase. no ácido fosfoenolpirúvico.

em temperatura acima da ótima para a ribulose 1. Em função destas e de outras características. liberando CO2.5-bifosfato carboxilase-oxigenase (25oC). Cada espécie de forrageira possui um padrão genético de crescimento e expansão foliar (determinado por suas características morfogênicas . 1998) e Pennisetum purpureum (RODRIGUES et al. atividade ótima em temperaturas mais elevadas.Manejo de plantas daninhas em pastagens 245 . nessas condições. porém são influenciadas por fatores externos. as espécies C4 dominam completamente as C3. as condições de luminosidade e temperatura serão preponderantes no desenvolvimento adequado das forrageiras. Como a maioria das forrageiras das regiões tropicais e subtropicais .são plantas C4. Todavia. No caso das plantas C4. aliado a outros fatores. a fim de evitar o sombreamento.. a ocorrência de sombreamento por plantas daninhas implica redução drástica do potencial competitivo dessas forrageiras. indica o potencial de produção de uma pastagem. luminosidade alta e até mesmo déficit hídrico temporário. densidade de perfilhos e número de folhas por perfilho. Além disso. ocorre a necessidade de controle de invasoras. se for reduzido o acesso à luz. quando plantas estão se desenvolvendo em condições de temperaturas elevadas. esta passa a atuar mais como oxidativa. a enzima carboxilativa das plantas C3 encontra-se saturada quanto à luz e. os estômatos estarem parcialmente fechados (horas mais quentes do dia). REIS. Esse fato faz com que a concentração do CO2 no mesófilo foliar caia a níveis abaixo do mínimo necessário para atuação desta enzima. gênero Cynodon (SILVA et al. estas plantas passarão a perder a competição com as plantas C3. levando a planta a atingir o ponto de compensação rapidamente. temperatura. gênero Panicum (RODRIGUES. Portanto. Isso acontece porque. A luz como fonte de energia de todos os processos biológicos na forrageira é o componente principal na produção da pastagem. porque a enzima responsável pela carboxilação primária nestas plantas (PEP-carboxilase) apresenta alta afinidade pelo CO2 (baixo Km). que são diretamente correlacionadas com a quantidade e qualidade da luz. atua especificamente como carboxilase.. Isso é possível porque esse grupo de plantas não apresenta fotorrespiração detectável. Módulo 3. Como toda essa energia é proveniente da luz. Essas características são genéticas.6 . é comum. 1995). ainda assim elas continuam acumulando biomassa. nessas condições. como água. chegando a acumular o dobro de biomassa por área foliar no mesmo espaço de tempo. mesmo que a concentração de CO2 no mesófilo foliar atinja níveis muito baixos. a enzima responsável pela carboxilação primária nas plantas C4 (PEPcarboxilase) apresenta algumas características. conseqüentemente.espécies de Brachiaria (CORSI et al. 1994). luminosidade e nutrientes. 1999) .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas necessitam de mais energia para produção dos fotoassimilados.alongamento de folha. como: alta afinidade pelo CO2. e não satura em alta intensidade luminosa. aparecimento de folha e duração da folha) que. A combinação das características morfogênicas determina as três principais características estruturais das forrageiras: tamanho de folha.

os quais quase sempre estão em quantidades inferiores às necessidades das forrageiras em nossos solos. o aproveitamento da adubação residual e o preparo do solo mais elaborado podem ser vantajosos na redução dos custos e na eficiência de recuperação das pastagens degradadas (Macedo et al. com maior ênfase. maior eficiência no uso de máquinas. Nesse sentido. a queda na produtividade das lavouras.2 .. 2000). 2000. a baixa retenção de água no solo e o aumento do processo erosivo são sintomas do manejo inadequado que prejudicam o meio ambiente. a consorciação de lavouras e forrageiras..Integração da agricultura e pecuária A degradação das pastagens. MIRANDA..Competição por nutrientes As plantas daninhas possuem grande capacidade de extrair do ambiente os elementos essenciais ao seu crescimento e desenvolvimento e. exercem forte competição com as forrageiras pelos nutrientes essenciais. diversificação do sistema produtivo e de aumento da produtividade do empreendimento agrícola. Quando se trata de analisar a capacidade de uma espécie de planta daninha em competir por nutrientes. tornando-o sustentável em termos econômicos e ecológicos (KICHEL et al. visam melhoria das propriedades do solo. como alternativa de recuperação de pastagens degradadas. 2001). Essas tecnologias também proporcionam maior diversificação das atividades econômicas no meio rural (KICHEL. a preocupação da utilização racional de água e agroquímicos e a necessidade de maior competitividade e sustentabilidade (COBUCCI. 1. Devido à grande variação em termos de recrutamento dos recursos minerais do solo apresentada pelas diferentes espécies de plantas daninhas. o empobrecimento da fertilidade do solo. melhoria das propriedades físicas do solo. que facilitam a ocorrência de pragas. É notório que o setor agropecuário brasileiro está passando por um processo de transição socioeconômica e agroambiental. A integração agricultura e pecuária não será abordada em maior detalhe. das espécies presentes. em alto grau.3 . a competição por nutrientes depende.1. por constituir-se em tema complexo e não ser objetivo do presente trabalho. 2000). apesar de esse processo ser lento e silencioso. 2001).Manejo de plantas daninhas em pastagens .6 . As tecnologias para recuperação e manejo sustentável dos solos degradados dos Cerrados. doenças e plantas daninhas. deve-se considerar.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. A venda de grãos das culturas. tem sido proposto recentemente. em conseqüência disso. além da quebra do ciclo de pragas e doenças. 246 Módulo 3. a quantidade extraída do que os teores que ela apresenta na matéria seca. evitando a erosão e quebra do equilíbrio. a utilização de culturas anuais em cultivos seqüenciais ou simultâneos como formas de sistemas de produção. Portes et al. observam-se a expansão do plantio direto. tanto para as áreas de pastagens como de agricultura.

plantas tóxicas não são somente vegetais que provocam verdadeiros envenenamentos e intoxicações agudas. (2000) definem planta tóxica de interesse pecuário a que é ingerida por animais domésticos de fazenda. estado sanitário e nutricional. POTT. ingeridas espontânea ou acidentalmente pelo animal. podem provocar danos que se refletem na sua saúde ou vitalidade. a ingestão de certas plantas em pequenas quantidades leva o animal a adquirir resistência ou tolerância ao princípio tóxico. principalmente em bezerros.6 . 2000). Com relação à planta.3 . deve-se considerar a sua fase vegetativa. Por outro lado. 2002). mas também aquelas que provocam direta ou indiretamente perturbações na saúde do animal. No caso da espécie bovina. como Brachiaria decumbens. Segundo Howes (1933). com comprovação experimental. Além da fome. Tokarnia et al. folhas ou raízes de plantas que possuem grande quantidade de elementos químicos nocivos ao gado (AFONSO.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. 2002). Existem também plantas com princípio tóxico cumulativo. em condições naturais. pois às vezes ela provoca intoxicações apenas em uma dessas fases. e braquiária-d´água ou "tanner grass" (B. como é o caso das mandiocas-do-mato (Manihot spp. além do grau de sensibilidade do animal a um princípio tóxico (AFONSO.. POTT. subquadripara = B. Módulo 3. como idade. consideram-se tóxicas todas as plantas que. até atingir a dose letal (AFONSO. como brotação. há outros fatores que também propiciam intoxicações. Várias provocam sinais que podem ser confundidos com picada de cobra. AFONSO. certas raças toleram mais. peso. e causa danos à saúde ou morte. POTT. sendo algumas. citado por Hoehne (1939). 2002). que o animal. Portanto. A maioria das plantas tóxicas é consumida pelos animais em razão da escassez de alimentos nas pastagens e da mudança de animais famintos para pastagens que possuem plantas tóxicas (FREITAS et al. os quais podem estar relacionados ao animal ou à planta. A mais temível do Brasil é a erva-de-rato ou cafezinho (Palicourea marcgravii) (POTT. O tipo de solo também pode influenciar na toxidez de uma planta.). sexo. visto algumas serem tóxicas em uma região e em outra não (AFONSO. 1991). raiva ou outra doença. Algumas plantas cultivadas também são consideradas tóxicas. vai retendo no seu organismo. arrecta). Na mesma raça há fatores ligados ao próprio indivíduo. tóxicas. Os biomas Pantanal e Cerrado possuem floras ricas em espécies. certos venenos. muitas das quais ingeridas pelo gado.Plantas tóxicas Calcula-se que 12% das mortes de bovinos são causadas por sementes. que causa fotossensibilização ("orelha frita"). ingerindo pequenas quantidades diárias.Manejo de plantas daninhas em pastagens 247 . 2002). floração e frutificação. que pode causar anemia devida a nitratos/nitritos. POTT. outras menos. O conceito sobre plantas tóxicas é relativo.

Cresce somente em solo de barro (LSD) (argiloso). exceto se for afogado depois. flor e semente praticamente durante o ano todo. o que é difícil de ocorrer no campo. com cafezinho Ácido exceção do extremo sul e do sertão (Palicourea monoflúornordestino. os ramos que encostam no chão Alcalóides derivados do enraízam. desequilíbrio do trem posterior. Aumenta em campos com excesso de gado ou perto de porteiras. Inicialmente os sinais apresentados são de emagrecimento progressivo. marcgravii) acético. uso de herbicidas. com um resumo das suas principais características. iniciam poucas horas após ser completada a ingestão da dose letal. É muito comum em lagoas rasas. sendo ingerida em qualquer época do ano.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas São várias as espécies de plantas tóxicas presentes nas pastagens no Brasil. Ocorre em terra firme. afeta o Rubiaceae em áreas sombreadas das beiras ciclo de Krebs das matas. sendo Erva de rato. durante semanas. muito alagável. nas planícies de inundação dos rios Negro. A evolução da intoxicação é crônica e não há recuperação do animal Controle: erradicação. sobrevindo a morte dentro de poucos minutos. cercar as matas e as capoeiras onde existir a planta. Perene. A principal forma de propagação é vegetativa. Às vezes o animal mostra. Possui distribuição ampla. DL (9 kg de folhas verdes por dia. canudo-de-pita (Ipomoea carnea subsp. capoeiras e em pastos recém-formados. O seu andar se torna desequilibrado (como se estivesse embriagado). Quadro 1 – Principais plantas tóxicas encontradas no Brasil Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal). Possui boa Figura 2 d palatabilidade. Algodão-bravo.6 . os sintomas consistem em queda repentina do animal ao chão. Na Figura 2 estão apresentadas e no Quadro 1 listadas as de maior ocorrência e importância no Brasil. havendo pasto). Arbusto aquático. controle químico Arbusto responsável pela maioria das mortes de bovinos causadas por plantas tóxicas em terra firme. caindo com facilidade. de 1 a 4 m de altura. respiração ofegante. tremores musculares. com as pernas traseiras abertas e instabilidade no trem posterior. ou estado de embriaguez. São tóxicas as folhas e as sementes. A semente pilosa (origem do nome algodão) é espalhada pela água. Nos bovinos. sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica. Rebrota após cortes e ácido lisérgico fogo. Controle: erradicar as plantas. fistulosa) Convolvulaceae Figura 2 f 248 Módulo 3. Com a evolução da intoxicação o animal apresenta sinais de origem nervosa. Abobral e Paraguai. trepador. encontrada em todo o País. antes de cair. lassidão e pêlos ásperos. Causa a síndrome da morte súbita.Manejo de plantas daninhas em pastagens . cochos e aguadas. DL (100 g de folhas verdes).

manifestam fotossensibilidade sob forma de eritema e edema inflamatórios nas partes menos pigmentadas da pele e inquietação à procura de sombra. principalmente quando camará Triterpenóides transferido. tem incordenação ao andar. extrato hepático e purgante oleoso Figura 2 e e medicar as lesões na pele. os animais apresentam anorexia e diminuição ou parada dos movimentos do rúmen. Muitos animais morrem nessa fase. quando expostos ao solo. convulsões. que faz com que este. anemia. Os animais apresentam andar incerto. sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica. No tratamento os camara) animais devem ficar na sombra. Já na fase aguda. trôpego. em pequena quantidade. sendo a brotação a porção mais tóxica das partes aéreas. DL (variada). sendo a correção e aração deste um método cultural de controle desta espécie. para provocar sintomas de intoxicação aguda. eventualmente diarréias enegrecidas. DL (1. planta somente em circunstâncias chumbinho ou especiais. os bovinos ingerem a Cambará. devido ao efeito acumulativo). falta de apetite. emagrecimento. Inicialmente. depois de comê-la por algum tempo. O animal sangra prolongadamente por qualquer ferimento. continue a procurá-la. A planta toda é tóxica. As plantas ocorrem em solo ácido. controle cultural (calagem e aração do solo) e químico Módulo 3. lantadene B) Verbenaceae Deve-se administrar glicose. culminando na morte. Consistem nas manifestações de fotossensibilidade hepatógena. com fome. que aparece de repente. mesmo cessada a fome. utilizar ungüentos antiinflamatórios.6 . hemorragia na pele e nas mucosas visíveis. DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal). Ingestão em menores quantidades ocasionam hematúria intermitente. Samambaia (Pteridium aquilinum) Substância Dennstaedtiacea radiomimética e e tiaminase Figura 2 i Planta tóxica de importância no Brasil e no mundo. apresentam tremores musculares.000 g de folhas verdes ingerido durante três semanas a poucos meses. fezes ressequidas e. Sob condições naturais. se habitue a ela e. A fome faz o animal ingerir a planta. Causa febre alta.Manejo de plantas daninhas em pastagens 249 . Em eqüinos causa deficiência de vitamina B1.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta Arbusto ou subarbusto é cosmopolita. para áreas (Lantana (lantadene A e infestadas. Controle: erradicação da planta. Controle: erradicar as plantas (herbicidas) e não transferir animais com fome para pastagens infestadas. sonolência.

A intoxicação pelas folhas é aguda. de 1 a 4 m de altura. geralmente não folha e ricina inundáveis. etc. grupo das outras menos tóxicas. ingerindo também flores e frutos. Controle: É facilmente eliminada com mais de uma roçada. apatia e diarréia sanguinolenta. Morre na queimada. taperas. principalmente em situações de fome.000 g de folhas frescas ou 200 g de sementes. Já a intoxicação pelas sementes varia de aguda a subaguda. Comum em áreas ruderais como Ricinina beira de estrada.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta Mamona (Ricinus communis) Euphorbiaceae Figura 2 g Arbusto pouco lenhoso. DL (5. procurando ficar deitado. de 50 a 100 cm de altura. com flor e fruto quase durante o ano todo. Há formas de folhas verdes e outras arroxeadas. onde o solo é mais fértil. com o animal apresentando fraqueza.Manejo de plantas daninhas em pastagens .6 . É palatável. Possui ampla distribuição. O consumo repetido de pequenas quantidades de semente pode dar imunidade. Os principais sinais na intoxicação por Crotalaria iniciamse por contrações abdominais. Os sinais apresentados têm predominância neuro-muscular. com flor e semente em grande parte do ano. ereto. em solos de vários tipos. Perene. É tóxica ao fígado. perda do equilíbrio ao caminhar e alteração do sistema nervoso sob forma de excitação ou depressão. sendo umas mais. perturbações digestivas.um quarto dessa dose no caso de bezerro). Controle com herbicida. Deve-se atentar para o seu aparecimento em leiras. que germina melhor após o fogo. Embora conste como pouco palatável. Uso de herbicidas. DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal). antes que forme sementes. Anual. em solos argilosos ou (toxoalbumina) arenosos. 250 Módulo 3. dificilmente o animal se recupera. mas das folhas não. com copa. O fruto estoura ao sol e lança as sementes a vários metros de distância. mas retorna por semente. A torta de mamona não bem detoxicada pelo calor também é tóxica. leiras provenientes de desmatamento e pastagens cultivadas. Após apresentar estes sinais. as quais são o meio de propagação. Há relatos de pirrolizidinas que o princípio tóxico desta planta se concentra mais nas flores e nas sementes. tanto as folhas como as sementes são tóxicas. e a plântula encontra condições mais favoráveis na pastagem rapada e rala (degradada). e dificuldade de caminhar longas distâncias. perda de apetite. A parte aérea morre com a queima. geralmente férteis. antes da formação de sementes. O bovino apresenta andar desequilibrado. Controle: Pode ser praticamente eliminada com roçadeira (rebrota pouco). chique-chique (Crotalaria spectabilis) Leguminosae Figura 2 c Planta ereta.500 g de folhas verdes ao dia foram suficientes para levar os bovinos à morte). por irritação do tubo digestivo. Guizo-decascavel. No Brasil existem mais de 40 espécies Alcalóides do de Crotalaria. DL (2. na semente. sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica. que favorece a germinação. as folhas foram observadas bem pastadas por bovinos no Pantanal. causando perturbação nervosa. geralmente férteis. Comum em áreas mexidas. com tremores musculares. depósitos (alcalóide) na de lixo. mas de ciclo curto. os animais mais novos são mais sensíveis . Ocorre também eructação excessiva (arroto) acompanhada por sialorréia (baba)..

Controle: É facilmente eliminada com anelamento (descascar em volta do tronco). acompanhada de outras perturbações digestivas. copa larga. Os animais. Em seguida provoca diarréia de coloração amarelada e fétida. diminuição ou até perda total do apetite. solos arenosos ou contortisiliquum Saponina do argilosos. sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica.500 g de favas que leva um bovino à morte na intoxicação experimental). não causem outros sinais de intoxicação. Ocorre retração acentuada dos globos oculares e. DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal). fazendo movimentos de pedalagem. Os principais sinais apresentados pelo animal intoxicado se caracterizam por lassidão. que amadurecem e caem no período da seca e apresentam boa palatabilidade para os bovinos. Causa lesões no tubo digestivo. Comum em matas e (Enterolobium cerradões. quando movimentados. o animal faz movimentos de pedalagem com os membros traseiros e dianteiros. ) tipo esteroidal Encontrado em todo o Brasil.Manejo de plantas daninhas em pastagens 251 . Controle: Pastagens em abundância e erradicação da espécie. mesmo em pequenas porções. Semente espalhada tamboril pela fauna. Gibata ou chibata Glicosídeo do (Arrabidaea tipo esteróide bilabiata) cardioativo Bignoniaceae Trepadeira. geralmente férteis. a planta não tem boa palatabilidade. embora. Floresce de setembro a novembro.6 . de 6 a 24 horas após a ingestão da planta. Uso de herbicidas. neste caso. Fonte: Freitas et al. planta tóxica mais importante das regiões de várzea da bacia amazônica. Os bovinos ingerem a planta somente quando estão com fome.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta Árvore de 8 a 18 m de altura. próximo à morte. DL (1. Os sintomas iniciam-se. Leguminosae especialmente no Nordeste e Triângulo Mineiro. aparentemente. Há citações de que as favas provocam aborto em vacas. Afonso e Pott (2002) Módulo 3. (1991). cerram fortemente as pálpebras. aproximadamente. produz fruto de agosto Ximbuva.300 a 1. perde as folhas na estação seca. berram e morrem.500 g de folhas verdes). caem ou deitam-se precipitadamente. às vezes. Ficam logo em decúbito letal. DL (250 a 1. a novembro. A parte tóxica Figura 2 h importante desta planta são os seus frutos. O quadro de intoxicação se manifesta poucas horas após a ingestão das favas e a sua evolução é aguda.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2 .. Atualmente. assegurar a produção adequada de alimentos. do período crítico de competição. obtido em uma pastagem. onde são usados todos os conhecimentos e ferramentas disponíveis para produção das culturas livre de danos econômicos da vegetação daninha competitiva. constituindo-se. a energia gasta com tratos culturais. no controle integrado. das condições ambientais.Manejo de plantas daninhas em pastagens . Os métodos de controle podem ser: preventivo. da capacidade competitiva da forrageira. quando não há redução da sua produtividade econômica. Atualmente. Visa. segundo Victoria Filho (2000). biológico e químico.Controle preventivo O controle preventivo de plantas daninhas consiste no uso de práticas que visam prevenir a introdução. aos animais e ao solo. considerando uma forrageira. os custos de controle. máxima sustentatibilidade de produção e mínimo risco (SILVA et al. mantendo a qualidade ambiental com a maximização de lucro para o agricultor. sendo muito variados.6 . Muitas vezes faz-se necessária a associação de dois ou mais métodos para se atingir o nível desejado. dependerá da espécie infestante.Controle de plantas daninhas Os métodos de controle de plantas daninhas usados são os mesmos empregados em outros sistemas de produção agrossilvopastoril. tem sido preconizado o manejo integrado de plantas daninhas. por meio de métodos e equipamentos usados oportunamente. que consiste num sistema ambientalmente correto no campo. ainda. o estabelecimento e. economicamente. Isso pode ser possível se o pecuarista proceder à absoluta racionalização do controle de plantas daninhas. elimina os prejuízos causados pelas plantas daninhas. a disseminação de determinadas espécies-problema em áreas 252 Módulo 3. 2. o manejo de plantas daninhas pode ser definido como a combinação racional de medidas preventivas associadas a medidas de controle e de erradicação. Dessa forma. O nível de controle das plantas daninhas. esse fato. Um bom programa de manejo de plantas daninhas pode ser resumido em três situações básicas: máxima produção no menor espaço de tempo. com o objetivo de reduzir as perdas causadas por estas plantas. com o advento da chamada agricultura economicamente sustentável. cultural. em um determinado agroecossistema. deve ser feita quando as perdas forem superiores ao incremento no custo devido ao controle. 2005). se necessárias. mecânico ou físico. ou.1 . dos métodos empregados. ou seja. A redução da interferência das plantas daninhas. recomenda-se o “manejo integrado das plantas daninhas”. etc. além de outras operações e a erosão do solo causada por água e vento. O controle ideal é aquele que. resguarda os seus aspectos benéficos e não causa danos à forrageira.

impedindo. ou mesmo reduzindo os efeitos erosivos.Controle cultural O controle cultural reúne todas as práticas disponíveis para o estabelecimento das forragens em condições adequadas ao seu desenvolvimento e à sua persistência com boa produtividade. análise da produtividade desejada. condições favoráveis para a forrageira em relação às demais espécies presentes na área (plantas daninhas) e possibilita a vantagem competitiva da forrageira em relação às plantas daninhas. grades. 2.realizado por meio de análise química e física do solo. os seguintes procedimentos devem ser observados: diagnóstico da área . principalmente. etc. objetivo da produção. limpeza de canais de irrigação. e. capoeiras. banco de sementes de plantas daninhas. inspeção cuidadosamente de mudas adquiridas com torrão e também de toda a matéria orgânica (esterco e composto) proveniente de outras áreas. devendo-se realizar a construção de terraços ou curvas de nível quando a área apresentar suscetibilidade ou risco de erosão ou até mesmo escorrimento superficial da água das chuvas. que poderão se transformar em sérios problemas para a região. a quarentena de animais introduzidos em outras áreas. Proporciona. Essas áreas podem ser um país. um município ou uma gleba de terra na propriedade. limpeza cuidadosa de máquinas. clima (déficit hídrico e ocorrência de queimadas). pedaços de tronco e galhadas. topografia. tocos.6 . assim. com uma limpeza adequada da área. da quantidade e das espécies de plantas daninhas e de forrageira a ser Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ainda por elas não infestadas.2 . arbustos. As medidas que podem evitar a introdução onde a espécie ainda não ocorre são: utilização de sementes de elevada pureza. Regionalmente. A escolha de espécies forrageiras adequadas para cada área e objetivo de pastejo é um importante componente do sucesso da atividade. bem como a aplicação de adubos fosfatados. o controle é de responsabilidade de cada agricultor ou cooperativas. o nível tecnológico a ser adotado.Manejo de plantas daninhas em pastagens 253 . Em síntese. eliminando-se rebrota do cerrado de porte alto. impedimentos físicos ou mecânicos. As quantidades desses produtos dependem da espécie forrageira e do nível de produtividade desejado. A intensidade e os equipamentos a serem utilizados no preparo de solo dependem do tipo deste. visando prevenir a entrada e disseminação de uma ou mais plantas daninhas. como a ciganinha (Memora peregrina). O preparo do solo deve ser feito de modo a proporcionar ótima germinação e estabelecimento da forrageira. ainda. palatabilidade e longevidade. que deve começar antes da implantação. e época de utilização da espécie. A conservação do solo é outro ponto importante. Quando da escolha dessa espécie. qualidade. o elemento humano é a chave do controle preventivo. tipo de solo. Outro componente importante do controle cultural é a formação adequada da pastagem. A correção da acidez do solo e o fornecimento de cálcio e magnésio a este (quando necessária). um estado. histórico da área e outros. devem ser realizados no momento correto. pragas.

esta deve ser considerada como uma cultura que vai produzir por muitos anos. evitando. a sua pulverização. exceção feita aos fosfatos naturais reativos. principalmente nos solos mistos e arenosos. enxofre e micronutrientes. da germinação e do vigor. peso médio no misto e peso leve no argiloso. ou seja. Logo após a última gradagem (niveladora). Entretanto. parcial ou totalmente fechada. para que o solo não fique aderido nele. Em áreas com infestação elevada de plantas daninhas é recomendada a utilização de até 50% a mais da quantidade de semente. produção e longevidade da forrageira. livres de sementes de plantas daninhas e possuindo qualidade fisiológica (vigor e germinação). além das exigências térmicas. Em áreas que apresentarem alta infestação de plantas daninhas ou outras forrageiras. o preparo do solo deve ser igual. Em áreas que apresentarem alta quantidade de palhada. ou seja. para favorecer a germinação e eliminação delas.Manejo de plantas daninhas em pastagens . o preparo do solo deve ser escalonado.5 a 4 cm de profundidade (dependendo do solo e da forrageira). para incorporar as sementes de 0. sendo este um fator importante na dinâmica competitiva da forrageira com as plantas daninhas. como: pureza. ao daquele utilizado para plantio de soja. levando em consideração o resultado da análise de solo. poucos torrões.6 . assim.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas implantada. Outro componente do controle cultural muitas vezes desprezado é a quantidade e a qualidade das sementes das forrageiras. com pouca palha. milho e outros. A correção de fósforo. que. deve ser realizada em quantidades recomendadas. posteriormente. a compactação da camada superficial deste. As sementes devem possibilitar a formação de estande adequado e uniforme. O plantio com semeadeira deve seguir as mesmas exigências do 254 Módulo 3. podendo variar em certas regiões. Deve-se considerar para isso a disponibilidade hídrica e temperatura para cada região. O plantio na época correta e de forma correta é fator preponderante no estabelecimento adequado da forrageira. A quantidade de sementes a ser utilizada depende da espécie forrageira. deve-se passar o rolo compactador. as sementes devem ser distribuídas na área e. Podem ser aplicados antes do plantio ou em cobertura. retardando o plantio da forrageira. devem ser antes do plantio e incorporados. começando com as primeiras chuvas em setembro até março. potássio. Deve-se evitar a utilização do rolo em solo com excesso de umidade. A correção adequada de nutrientes do solo é outro fator que melhora as condições de estabelecimento. proporcionando. a época do plantio é muito ampla em quase todo o território nacional. para que ocorra a decomposição desta sem interferir na germinação da forrageira. que impõe restrição à emergência das plântulas. no entanto. isto é. evitar o preparo excessivo do solo. Portanto. Comumente. a melhor época é de novembro a janeiro. assim. quando necessária. deve-se realizar o preparo do solo no mínimo 120 dias antes do plantio no período das águas. solo nivelado e livre de plantas daninhas. tem vantagem competitiva a espécie que se estabelece primeiro na área. hídricas e de fotoperíodo da forrageira. exceto para estilosantes ou andropógon. O plantio pode ser realizado a lanço sobre o solo devidamente preparado com uma grade leve. o estabelecimento mais rápido da forrageira na área. ou melhor. Para a maioria das forrageiras. de modo geral. algodão. com maior peso no solo arenoso. Deve-se. quando recomendados. a exigência de cada espécie forrageira e o nível de produtividade desejado.

A dose aplicada vai depender da análise de solo. boa cobertura do solo. compactação. reduzindo assim a produção de semente e translocação de nutrientes para estas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas plantio a lanço. aproveitando o maior valor nutritivo. podendo-se realizar. Na formação de pastagem. cupins. trilheiros. por melhorar as condições desta. Se a semeadeira não possuir sistema de compactação. a adubação da pastagem ou consórcio com outras espécies. sem limitações químicas e físicas. dependendo do equipamento e da espécie forrageira. milho). plantas daninhas de difícil controle por herbicidas e outros. isto é. o método de controle cultural de plantas daninhas mais importante. Estando todos os nutrientes corrigidos. eliminar a maior parte das gemas apicais. O não-controle dessas pragas pode comprometer a formação e a persistência da pastagem. implicando o sombreamento e abafamento das plantas daninhas. por curto período de tempo (10 a 30 dias). cupins subterrâneos e formigas. tem como objetivo contribuir para a boa formação da pastagem. As vantagens desse manejo são: evitar o acamamento. antecipar a utilização da forragem. Módulo 3. para garantir o estande adequado e uniforme. A realização de adubações de cobertura nitrogenadas melhora as condições de desenvolvimento e estabelecimento da forrageira. O manejo de formação da pastagem. Devem-se utilizar. favorecendo o surgimento e estabelecimento de plantas daninhas. diminuir a competição interespecífica. sem erosão. com boa produção de carne/hectare. deve-se iniciar o pastejo de 60 a 100 dias após a emergência da pastagem. fechando o dossel mais rápido. com o objetivo de auxiliar na boa formação da pastagem. ou antes da emissão da inflorescência (sementeira). Para gramíneas forrageiras de média a boa produtividade. possivelmente. eliminando o excesso de plantas.6 . tocos. Já o plantio direto exige as mesmas condições do plantio direto de grãos (soja. Após a dessecação. recomenda-se a aplicação de nitrogênio de 30 a 40 dias após a emergência ou após o manejo de formação (primeiro pastejo). e proporcionar a mais rápida e perfeita cobertura de solo. ele deve ser controlado com defensivos específicos para cada tipo de praga. deve-se passar o rolo compactador após o plantio. realiza-se o plantio de linhas espaçadas de 13 a 40 cm. maior sombreamento para plantas daninhas. distribuição uniforme da palhada. Esse sistema de plantio exige máquinas e equipamentos adequados. proporcionando. colocando-se 10 a 20% a mais de sementes do que o sistema tradicional. As pragas mais importantes na formação de pastagens são: lagartas. espécie forrageira e produtividade desejada. principalmente em solos de baixo teor de matéria orgânica. A princípio. Toda vez que o nível de infestação for significativo. A manutenção da pastagem em condições ideais com o controle adequado de pragas também é componente do controle cultural de plantas daninhas. o nitrogênio é o que proporciona o maior efeito no aumento de produtividade. uma vez que vai garantir a longevidade e qualidade da pastagem. de preferência.5 a 4 cm. com espaçamento entre linhas de 13 a 40 cm. animais jovens com alta lotação. estimulando a emissão de novos perfilhos e raízes. com profundidade de 0.Manejo de plantas daninhas em pastagens 255 . O manejo da pastagem estabelecida é. o nitrogênio é muito importante. dessa forma. também chamado de pastejo de uniformização. na mesma operação. desde que o plantio seja realizado na época recomendada para cada região. A adubação nitrogenada possibilita maior rapidez e quantidade de área foliar.

e com o mesmo período de descanso. pisoteio demasiado e arranque de plantas. como exemplo: tanzânia e mombaça (40 a 50 cm). e tifton (15 cm). evitando assim a infestação da pastagem com sementes de plantas daninhas presentes no trato digestivo desses animais. está diretamente relacionada com a produtividade da pastagem. maior aproveitamento do investimento empregado até o momento. De maneira geral. recomenda-se devolver às pastagens 20% da receita bruta anual.o animal explora duas invernadas alternadamente.6 . A quantidade de adubação de manutenção. A melhoria das condições para o desenvolvimento das plantas daninhas ocorre quando o manejo empregado reduz as reservas e a capacidade competitiva e de restabelecimento da forrageira. Uma das principais causas da degradação das pastagens é a redução da fertilidade do solo. O tamanho e o número de piquetes dependem. A adubação de manutenção é. o pastejo pode ser classificado de três maneiras: contínuo . o beneficiamento da forrageira vai depender do manejo correto. sistema de produção e outros. sendo o manejo específico para cada região.Manejo de plantas daninhas em pastagens . categoria animal. O manejo correto consiste na utilização de lotação adequada. Humidícola e Dictioneura (15 cm). por evitar a entrada de plantas daninhas na pastagem. que pode chegar a mais de 40% do total de nutrientes ingeridos pelo animal em pastejo. Isso ocorre quando há pastejo excessivo (superpastejo). um fator importante no controle integrado de plantas daninhas. Brachiaria decumbens (20 cm). portanto.o animal fica sempre na mesma invernada ou pastagem. época do ano. e rotacionado o animal usa de 3 a 40 piquetes ou invernadas. Este manejo pode facilitar o desenvolvimento da espécie forrageira ou das espécies de plantas daninhas. espécie forrageira. com período de pastejo de 1 a 15 dias. com período de descanso de 24 a 39 dias. alternado . exclusivamente. do potencial produtivo da forrageira. A altura de pastejo depende da espécie forrageira. épocas corretas de entrada e retirada dos animais (altura de pastejo). principalmente nitrogênio e fósforo. em razão dos nutrientes perdidos no processo produtivo. utilizada anualmente. A utilização da adubação de manutenção é extremamente econômica desde que seja escolhida a espécie de forrageira adequada às condições de clima e solo e que ela esteja bem formada e com manejo adequado. Outro método cultural de controle de plantas daninhas é a manutenção de animais oriundos de outras pastagens em área isolada por 24 a 48 horas. da intensidade de pastejo e do número de animais. De modo geral. portanto. excesso de lotação (carga animal excessiva). dependendo da espécie forrageira. A pastagem degradada não oferece condições à forrageira de competir com as plantas daninhas. nível de adubação ou fertilidade natural do solo. com 28 a 36 dias de pastejo. condições da propriedade (solo e clima).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ou seja. 256 Módulo 3. finalidade de pastejo. Esta prática também é considerada um método preventivo. tornando a infestação da área uma questão de tempo. etc. marandu e andropógon (30 cm).

porém demanda equipamentos apropriados. que possui rendimento operacional elevado e necessita de pouca mão-de-obra. pois reduz a quantidade de matéria orgânica do solo. Esta prática. como o trator e a roçadeira. é o método mais antigo de controle de plantas daninhas. É um método não-seletivo. ocorrendo perda de nutrientes e degradação da fertilidade do solo. possui a vantagem se ser altamente seletivo quanto à planta controlada. ou monda. Ainda hoje é usado no controle em hortas caseiras. No entanto. No controle de plantas daninhas em pastagens. afeta a atividade microbiana deste. porém possui baixa eficiência e eficácia. a inundação. é um método pouco eficiente e ineficaz. bem com a roçada manual. para plantas daninhas perenes a manutenção de parte do sistema radicular no solo possibilita a rebrota e o seu restabelecimento. expondo-o à ação da erosão. Entretanto. e algumas ainda perfilham.Controle mecânico ou físico São métodos mecânicos de controle de plantas daninhas o arranque manual. acarretando.6 . agride pouco a forrageira e pode ser empregado em locais de difícil acesso com máquinas (roçadeira). ainda. os quais requerem manutenção adequada. Possui baixa eficiência e eficácia. devido à rebrota e ao restabelecimento das plantas daninhas. uma vez que a maioria das plantas se restabelece logo após o corte. no entanto. Assim. induzindo o aparecimento de reboleiras. danificando assim o sistema radicular e reduzindo o vigor da forrageira. contudo. A parte aérea das plantas cortada ao entrar em contato com a superfície do solo vai desencadear os processos de decomposição e degradação. como a maior parte desse material vegetal é constituída por tecidos de elevada relação C/N (na maioria Módulo 3. assim. e disponibiliza de forma desorganizada os nutrientes armazenados nos vegetais. por demandar muita mão-de-obra. deve ser repetida periodicamente. jardins e na remoção de plantas daninhas entre as plantas das culturas em linha. a roçada. a queima. Seu rendimento operacional é maior do que o arranque. possui custo elevado. ou seja.Manejo de plantas daninhas em pastagens 257 . O custo é relativamente inferior ao da roçada manual. por também cortar a forrageira. e na maioria dos casos a forrageira é mais suscetível à ocorrência de queimadas do que as plantas daninhas. aumentando a infestação. por possuir sistema radicular menos profundo e mais fácil de ser arrancado. Este método de controle exige muita mão-deobra e possui baixo rendimento operacional. Serve para controlar plantas gramíneas. rebrotam e perfilham. As plantas roçadas podem rebrotar logo após a realização desta prática. É um método relativamente seletivo. a cobertura morta e o cultivo mecanizado. O arranque manual. Outro método muito empregado entre os pecuaristas é a roçada mecanizada.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2. também controla a espécie forrageira. esta tem a tendência de aumentar a cada roçada. a capina manual. as espécies de plantas daninhas perenes que possuem reservas no sistema radicular rebrotam ou. Um dos métodos mais utilizados no controle de plantas daninhas em pastagens é a roçada manual com foice.3 . elevado custo de controle. Este método. além de controlar as plantas daninhas. A utilização do fogo é um método pouco eficiente. quando o principal método de controle é o uso de enxada.

tanto fisiologicamente como quando aplicado de forma localizada. 2. a quantidade disponível deste nutriente no solo em um momento em que a forrageira dele necessita para seu restabelecimento. o controle é mais eficiente. lagos e água subterrânea). • Permite o menor revolvimento do solo . Há necessidade de mão-de-obra especializada para aplicação dos herbicidas. perfeitamente controlados e evitados. para garantir o restabelecimento da forrageira e o seu poder de competição com as plantas daninhas.4 . principalmente. os microrganismos do solo demandam nitrogênio. havendo perigo de intoxicação do aplicador. sendo essa a causa de cerca de 80% dos problemas encontrados na prática. mas devem ser conhecidos. após a realização da roçada. O conhecimento da fisiologia das plantas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas gramíneas). observando-se as normas técnicas.plantio direto. A utilização de herbicida seletivo no controle de plantas daninhas em pastagens tem demonstrado várias vantagens.Controle químico No controle químico utilizam-se herbicidas que. Na 258 Módulo 3. em certas regiões é difícil de ser encontrada no momento certo e na quantidade necessária. uma vez que reduz ou elimina a competição entre estas e a forrageira. e este será imobilizado do solo. assim. Os riscos de uso existem. dos grupos aos quais pertencem os herbicidas e da tecnologia de aplicação é fundamental para o sucesso do controle químico das plantas daninhas.6 . • Pode controlar plantas daninhas perenes e de propagação vegetativa. ele causa menor dano à forrageira. proporcionando menor rebrota das plantas daninhas.quando manuseados incorretamente. as instruções dos fabricantes e as leis governamentais que regulamentam o seu uso. Todo herbicida é uma molécula química que tem que ser manuseada com cuidado. sendo o tempo de recuperação da área relativamente rápido. • Mesmo em épocas chuvosas. solo e alimentos . Pode ocorrer também poluição do ambiente água (rios. em concentrações convenientes. Deve-se salientar que. • Maior rendimento na operação de controle de plantas daninhas. como o cultural e químico. reduzindo. têm a finalidade de inibir o desenvolvimento ou provocar a morte das plantas daninhas. • É eficiente no controle de plantas daninhas na pastagem sem afetar o sistema radicular da forrageira.Manejo de plantas daninhas em pastagens . A roçada é uma prática que controla plantas daninhas sem reservas no sistema radicular e as demais espécies. os animais devem ser retirados da área. É eficiente no controle de plantas daninhas anuais e perenes e possui alto rendimento operacional. que possui custo elevado. quando for adotada juntamente com outros métodos de controle. Por possuir seletividade. São necessárias pessoas capacitadas para uso correto dos herbicidas. As vantagens do uso do controle químico podem ser enumeradas: • Menor dependência da mão-de-obra. O herbicida deve ser considerado uma ferramenta a mais e não como o único método de controle.

sendo a de maior importância o controle cultural. uma vez que este possibilita as melhores condições de desenvolvimento e permanência da forrageira. o emprego de reguladores de crescimento. estádio de desenvolvimento. é prática viável. diquat. 2. e distribuição de plantas daninhas (localizada ou não). paraquat. desde que utilizado no momento adequado e de forma correta. Os herbicidas a serem utilizados. não possuindo torrões e tocos. biologia. desde que inserida em um manejo adequado de controle de plantas daninhas e recuperação da pastagem. sendo para isso realizada a destoca e gradagens. sendo comum a mistura entre alguns destes. bem como suas misturas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas maioria dos casos. Os demais sistemas de plantio devem ser realizados em solo com preparo adequado.4.1 . cabendo ao controle químico apenas auxiliar quando necessário. uma vez que estes produtos são seletivos às gramíneas (Quadro 2). A seguir será abordado o manejo de plantas daninhas em pastagens utilizando-se herbicidas. são dependentes das plantas daninhas presentes na área e de seu desenvolvimento no momento da aplicação (Quadro 2). conhecimento do tipo da forrageira. A gradagem é um método mecânico de controle de plantas daninhas. sendo estes de amplo espectro de ação e baixa persistência no ambiente (dessecantes). O objetivo deste controle é reduzir a competição das plantas daninhas e possibilitar condições ideais ao rápido estabelecimento e desenvolvimento da forrageira.6 . Módulo 3. identificação correta das plantas daninhas (espécie. paraquat + diuron e 2.Uso de herbicidas na reforma e formação de pastagens Na reforma de pastagens ocorre a necessidade da destruição da vegetação da área.Manejo de plantas daninhas em pastagens 259 . também em estádios iniciais de desenvolvimento. São necessários alguns fatores para o sucesso da utilização do controle químico no manejo integrado de plantas daninhas. o emprego do controle químico se faz necessário. Nesse caso. como: conhecimento das condições de degradação da pastagem e decisões conjuntas para sua recuperação. a utilização de herbicidas no controle de plantas daninhas tem se mostrado uma prática economicamente viável. com posterior implantação da forrageira. Portanto. O emprego do controle químico como único e generalizado implica a inviabilidade econômica da prática agrícola e sério desequilíbrio no sistema de produção.4-D. atividade metabólica e densidade de infestação). o herbicida é uma ferramenta muito importante no manejo integrado de plantas daninhas. A eliminação da vegetação pode ocorrer pelo emprego de práticas mecânicas ou por meio de controle químico com herbicidas. porém não controla as espécies que possuem órgãos de reserva. O emprego do controle químico deve ser feito juntamente com outras práticas de controle. possuindo retorno rápido e certo. Os principais herbicidas utilizados com essa finalidade são glyphosate. em pequenas doses. sendo necessário o emprego conjunto do controle químico com herbicidas sistêmicos (Quadro 2). Quando a forrageira (monocotiledônea) estiver se estabelecendo na área e surgirem plantas daninhas dicotiledôneas.

Práticas culturais adequadas. que impõem dificuldades na pulverização ou mesmo no corte. 260 Módulo 3.Uso de herbicidas na manutenção de pastagens O manejo adequado da pastagem é o principal fator responsável por sua longevidade e produtividade. quando comparada à formação ou mesmo à reforma.4-D + picloram. 2.4. fluroxipir + picloram e triclopyr (Quadro 2). Devese manter a pastagem sem pastoreio por um período de tempo após as práticas suficiente para recuperação desta. Na prática da recuperação das pastagens. triclopyr e tebuthiuron (Quadro 2). Eles possibilitam condições de rápida recuperação da pastagem e melhor aproveitamento do adubo e da calagem pela forrageira. ainda.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2. a fim de proporcionar condições adequadas de restabelecimento da forrageira. os arbustos com muitos espinhos. Dentre os vários componentes do manejo de pastagens.4-D. Os herbicidas podem ser utilizados para eliminar as plantas daninhas. são componentes fundamentais no sucesso do manejo de plantas daninhas e na recuperação da forrageira. da espécie da forrageira. Entretanto. através de produtos seletivos às gramíneas. do nível de infestação de plantas daninhas.: na pindoba) ou mesmo no toco recémcortado de arbustos e árvores. utilizando-se para isso o picloram. A prática da recuperação é dependente. É dependente da população adequada de plantas forrageiras na área e da viabilidade do seu sistema radicular.Uso de herbicidas na recuperação de pastagens A recuperação de pastagens é caracterizada pelo retorno às condições de produção destas sem ocorrer destruição da forrageira ou mesmo o revolvimento do solo. mesmo que os herbicidas sejam eficazes no controle das espécies infestantes. como o 2. tornando esta competitiva e dificultando o estabelecimento de plantas daninhas. ou seja.4-D + picloram. no meristema apical (ex.3 . A ausência de condições adequadas ao desenvolvimento da forrageira proporciona o restabelecimento das plantas daninhas na área. como adubação e calagem. o controle de plantas daninhas é fundamental para a sustentabilidade do sistema de produção. presença de comprometimento da fertilidade do solo com manutenção da integridade da forrageira. por possibilitar condições adequadas ao desenvolvimento da forrageira. fluroxipir + picloram e triclopyr (Quadro 2). das espécies de plantas daninhas presentes na área e do nível tecnológico empregado pelo pecuarista. 2.4. fluroxipir + picloram. 2. como o tebuthiuron (Quadro 2). A recuperação da pastagem demanda menor custo e possibilita a obtenção mais rápida de pasto. podem ser eliminados pela utilização de produtos granulados espalhados no solo na projeção da copa. o primeiro passo é a eliminação da competição pelas plantas daninhas.2 .Manejo de plantas daninhas em pastagens . uma vez que implica disponibilizar condições adequadas ao restabelecimento e desenvolvimento da forrageira já implantada na área.4-D.6 . A ausência da complementação do controle químico com o controle cultural inviabiliza essa tecnologia. A eliminação de reboleiras de plantas daninhas perenes e arbustivas pode ser realizada com aplicação localizada nas folhagens. 2. como: 2. o que pode ser realizado pelo emprego de herbicidas.4-D + picloram.

). porém não elimina as plantas perenes. serralha (Sonchus oleraceus). picão-preto (Bidens pilosa). em área total. como: algodão.4-D Diversos Diuron + Gramocil paraquat Módulo 3. Por ser herbicida não-seletivo.).6 . podendo causar sérios danos a culturas sensíveis adubadas com o esterco. melão-de-são-caetano (Momordica charantia). No controle em área total procede-se.). guanxuma (Sida spp. visando redução das doses e maior eficiência de controle. Também é utilizado na dessecação para o plantio direto em pósemergência das plantas daninhas. com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. ao pastoreio da área. entre outras.4-D com picloram.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Deve-se atentar para a manutenção da pastagem livre de pastoreio no momento e também por um período de tempo após a aplicação dos herbicidas. devido ao rápido metabolismo do 2. feijão. com glyphosate. Controla várias espécies de gramíneas e dicotiledôneas anuais. café. em infestações mistas (de gramíneas e dicotiledôneas). Quadro 2 – Principais herbicidas recomendados na cultura das pastagens Nome técnico Nome comercial Observações Aplicação (pós-emergência) em área total em forrageiras monocotiledôneas controlando seletivamente as espécies dicotiledôneas.Manejo de plantas daninhas em pastagens 261 . glyphosate potássico ou sulfosate. devendo ser aplicada a mistura de 2. batata. poaia (Richardia spp. não ocasionando a morte delas em aplicação isolada. cordãode-frade (Leonotis spp. joá (Solanum spp. mamona (Ricinus communis). Plantas daninhas controladas: amendoim-bravo (Euphorbia spp).) e aguapé (Eichornia crassipes) Utilizado na renovação das pastagens. Recomenda-se aplicálo com ponta de pulverização que produza boa cobertura foliar. mentrasto (Ageratum conyzoides). beldroega (Portulaca oleracea). não pode ser aplicado sobre a forrageira. Deve ser aplicado preferencialmente nos estádios iniciais de desenvolvimento das plantas daninhas. caruru (Amaranthus sp. para matar as plantas daninhas anuais (monocotiledôneas e dicotiledôneas). alface e outras hortaliças.). carrapicho-de-carneiro (Acanthospermum hispidum). Não aplicar em plantas daninhas perenes adultas. corriola (lpomoea spp). usá-lo em mistura no tanque do pulverizador. de ação por contato. que não se reproduzem por partes vegetativas.4-D nessas plantas. Deve-se atentar para o efeito da deriva para culturas altamente sensíveis próximo à área de pulverização. previamente. dente-de-leão (Taraxacum officinale). Controla plantas de folhas largas anuais e algumas perenes. Esta prática também reduz a contaminação do esterco dos animais com esses herbicidas. Mostarda (Brassica campestre). Nabiça (Raphanus raphanistrum). Nabo-bravo (Brassica rapa). 2. tomate. Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas. que possuem persistência neste e no solo. como tomate. erva-moura (maria preta) (Solanum nigrum). ou cultivadas em área tratada por um período inferior à sua carência. trapoeraba (Commelina spp. flor-roxa (Echium plantagineum). picão-branco (Galinsoga parviflora). jurubeba (Solanum paniculatum). soja. mastruço (mentruz) (Coronopus didymus).). estando estas em estádio inicial de desenvolvimento. objetivando a recuperação da forrageira. Na dessecação para o sistema de plantio direto.

soja. fedegoso (Senna obtusifolia). leiteiro* (Peschiera fuchsiaefolia). tomate. batata. pulveriza-se por via terrestre ou aérea toda a área ou as reboleiras mais infestadas. No segundo caso.v Aterbane ou 0.20 a 0.). como: algodão. No controle em área total procede-se. Plantas daninhas controladas: assa-peixe branco (Vernonia polyanthes). cheirosa (Hyptis suaveolens). carqueja (Bacharis trimera). guanxumas (Sida spp. tojo (Ulex europaeus) e trançagem (Plantago major). buva (Erigeron bonariensis). malva-branca (Sida cordifolia).3% v. entre outras. aguapé (Eichordia crassipes). Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas. 2. café.v. picão-preto (Bidens pilosa).3% de óleo mineral). como: algodão. canelade-perdiz (Croton glandulosus) e mata-pasto (Eupatorium maximilianii) e outras. Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos. previamente.6 . Deve ser realizado durante a estação das chuvas. feijão. caraguatá (Erygium spp). soja. principalmente em pulverizações aéreas que devem ser realizadas no mínimo a 2. Plantas daninhas controladas (*aplicação no toco recém-roçado): amendoim-bravo (Euphorbia paniculata). café. guanxuma (Sida rhombifolia). Deve-se atentar para o efeito da deriva. quando as plantas se encontram em pleno vigor vegetativo.). Deve-se atentar para o efeito da deriva para culturas altamente sensíveis próximo à área de pulverização. feijão. cajussara (Solanum spp.). Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos. preferencialmente. samambaia (Pteridium aquilinum). e Sharnkya sp. com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. mio-mio (Baccharis coridifolia). com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. No primeiro caso. Aplicação em pós-emergência em área total ou localizada.25% v. Caso contrário. Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos. capixingui (Croton floribundus). o de aplicação no toco recém-roçado. jurubeba (Solanum paniculatum). fumeiro (Solanum sp). espinilho (Fagara praecox).). ao pastoreio da área.2 a 0. Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso). ao pastoreio da área. É utilizado na reforma e recuperação da pastagem no controle de plantas daninhas dicotiledôneas herbáceas e semi-arbustivas.4-D + Mannejo picloram 2. Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Utilizar surfatantes 0. previamente. deve-se roçar as plantas daninhas e esperar a rebrota vigorosa e bem enfolhada (30 a 40 cm para plantas herbáceas e 1 m para semilenhosas) para posterior aplicação. entre outras.000 metros de distância de culturas sensíveis. arranha-gato* (Acacia sp. tomate. na erradicação de arbustos ou árvores isoladas utiliza-se o método da pulverização da copa ou. erva-lanceta (Solidago microglossa). em pleno vigor vegetativo.Manejo de plantas daninhas em pastagens .4-D e para controlar arbustos e árvores. Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso). a aplicação deve ser realizada cerca de 40 dias após a emergência das plantas daninhas. No controle em área total procede-se. É utilizado no controle de plantas herbáceas tolerantes ao 2. cambarazinho (Eupatorium laevigatum). timbó* (Serfania sp). Utilizar surfatantes (0.4-D + Tordon picloram 2.4-D 262 Módulo 3. assapeixes (Vernonia spp. batata. joá (Solanum sisymbrifolium). erva-de-bicho (Polygonum punctatum). maria-mole (Senecio brasiliensis).

v ou óleo mineral 0. Pode ser utilizado. A dose recomendada depende das espécies e do estádio de desenvolvimento destas. (*Em algumas condições ocorre a exigência de repasse no segundo ano com a aplicação de picloram no toco recém-roçado). Aplicar em pós-emergência das plantas daninhas. malva branca (Sida cordifolia). quando se pretende renová-la. dependendo da formulação utilizada. Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas. Requer período de 4-6 horas sem chuvas após sua aplicação. entre outras. soja. Aplicação em pósemergência em área total ou localizada.2 a 0. controla plantas daninhas perenes e com órgãos de reserva. por ser fortemente sorvido ao solo e não possuir efeito residual. café. vassourinha (Sida santaremnensis). jovens ou adultas. em aplicações localizadas para controlar plantas em reboleiras. como: algodão. É comum sua mistura ao 2. Evitar deriva deste produto para culturas altamente sensíveis. guanxuma (Sida rhombifolia).6 . tomate. estando estas em boas condições metabólicas. As plantas daninhas devem estar em pleno desenvolvimento vegetativo. Plantas daninhas controladas: assa-peixe-branco (Vernonia polyanthes). por não ser seletivo a elas. evitando a rebrota destas após o revolvimento do solo. aroeirinha* (Schinus terebenthifolius). usa-se para destruí-la. mata-pasto (Eupatorium maximilianii). Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente. plantas de cerrado ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso). controla plantas daninhas dicotiledôneas herbáceas semi-arbustivas e arbustivas. Bauhinia variegata). previamente. ou reverter o terreno para outras culturas. batata.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Utilizar surfatante 0. ao pastoreio da área.3% v. angiquinho* (Parapiptadenia sp). assa-peixe-roxo (Vernonia westiniana). assa-peixe branco do cerrado* (Vernonia ferruginea).5% v.). roseta* (Randia armata.v.4-D. malvão (Triunfetta bartramia). Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos.Manejo de plantas daninhas em pastagens 263 . Fluroxipir Plenum + picloram Glyphosate diversos Módulo 3. guatanbú* (Aspidosperma sp. ainda. Por ser um herbicida sistêmico. Controla de forma não-seletiva plantas daninhas mono e dicotiledôneas. Neste caso. Em pastagem. No controle em área total procede-se. principalmente para uso em áreas infestadas por plantas de difícil controle. deve-se evitar o contato com as forrageiras. mamica-de-porca* (Fagara rhoifolium). para assegurar sua absorção. joá (Solanum viarum). Este herbicida não impõe restrições quanto à escolha das culturas subseqüentes. com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. feijão.

como: algodão. leiteiro (Peschiera fuchsiaefolia). Os caules mais grossos devem ser rachados em cruz para proporcionar a maior absorção do produto. previamente. médio e grande porte. objetivando-se atingir o seu sistema radicular. Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas. mesmo que a altura esteja abaixo da roçada recente. O produto deve ser aplicado imediatamente após o corte. batata. Plantas daninhas controladas: arranha-gato (Acacia plumosa). Evitar deriva deste produto para culturas altamente sensíveis. Roçar as plantas daninhas a serem controladas com foice o mais próximo possível do solo.6 . soja. Não realizar aplicação em plantas secas e com atividade metabólica reduzida (estresse hídrico acentuado.Manejo de plantas daninhas em pastagens . espinilho (Acacia farnesiana).v em óleo diesel a baixa pressão no terço final do caule. Em plantas com toco de diâmetro inferior a 3 cm. Triclopyr Garlon Picloram Padron 264 Módulo 3. em pastagens infestadas densamente por plantas daninhas de pequeno. assa-peixe (Vernonia polyanthes). localizado no centro da projeção das folhas mais novas. mamica-de-porca (Machaerium aculeatum). roçadas várias vezes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Controle eficiente da pindoba (Orbinea speciosa) – 10 mL da solução 4.v de Garlon em óleo diesel para cada metro de altura desta planta. com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. entre outras. ao pastoreio da área. O produto é rapidamente degradado. deve-se fazer o corte abaixo do engrossamento da raiz da última roçada. Em plantas que possuem engrossamento do caule abaixo do nível do solo (ex. Em plantas já roçadas anteriormente. A aplicação deve ser realizada diretamente no meristema apical da planta. espinho-agulha (Barnadesia rosea). Na aplicação em área total não se deve utilizar óleo diesel. Para plantas velhas. Não adicionar óleo diesel nem surfatantes.) pata-de-vaca (Bauhinia variegata e Parapiptadenia sp. apresentando meiavida no solo de 20 a 45 dias.0% v. tomate. não impondo restrições quanto a culturas subseqüentes. devem-se aplicar 15 a 20 mL por planta. deve-se corta-las com enxadão abaixo do nível do solo e posteriormente aplicar o produto em caule e raízes decepadas até o ponto de encharcamento. deve-se aplicar o produto sobre o solo ao redor do toco. molhando bem todo o toco até atingir o ponto de escorrimento. Deve-se utilizar ponta de pulverização do tipo cone cheio. Aplicar o produto molhando bem e uniformemente toda a folhagem da planta.0% v. A aplicação deve ser realizada em plantas com desenvolvimento adequado. cambará (Lantana camara). Controle de guatambu (Aspidosperma sp. dependendo do tipo de solo e das condições climáticas. camboatá (Tapirira guianensis). aroeirinha (Schinus terebenthifolius).) e outras brotações de cerrado . plantas de cerrado ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso). para evitar perda do produto.aplicação de Garlon 5. jurubeba (Solanum paniculatum) e outras. café. Plantas daninhas controladas: erva-quente (Borreria alata). esta pode ser aérea ou terrestre. Aplicação deve ser localizada no toco recém-roçado. cuidando para atingir o mínimo possível as folhas da forrageira. que apresentam engrossamento visível próximo à superfície do solo. No controle em área total procede-se. feijão. pata-de-vaca (Bauhinia variegata) e ciganinha (Memora peregrina).: ciganinha). aproximadamente 30-40 cm acima do nível do solo (cerca de 20 mL por planta). queimada). Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente. que deve ficar o mais próximo possível no momento da aplicação.

pois esta é importante para melhor absorção do herbicida e conseqüentemente agilizará o processo de morte desse arbusto. ainda. limão-bravo (Soliva sessilis). capa-bode (Melochia tomentosa). ou localizada nas reboleiras de infestantes que se pretende eliminar. veludo-vermelho (Chomelia pohliana). Devido ao modo de absorção e translocação do herbicida. chirca (Eupatorium bonifolium). É aplicado em dose única em qualquer época do ano. mangueirinha ou camboatá-do-cerrado (Tapirira guianensis). café-de-bugre (Solanum caavurana). malícia ou dorme-dorme (Mimosa invisa). seu efeito restringe-se ao local de aplicação. cega-jumento ou cajussara (Solanum rugosum). sendo elas dependentes das condições de infestação. cruzeta (Strychnos parvifolia). A distribuição do produto deve ser uniforme na área. Tebuthiuro Graslan n São várias as maneiras de aplicação de herbicidas em pastagens.Manejo de plantas daninhas em pastagens 265 . arranha-gato ou unha-de-gato (Acacia plumosa). com granuladeira ou por via aérea. como soja. A aplicação foliar pode ser localizada ou em área total. nível tecnológico do pecuarista e herbicida utilizado. animais domésticos e pessoas desprotegidas por um período de 7 dias após a aplicação do produto. leiteiro-vermelho (Chrysophyllum marginatum). espécie infestante. entretanto. embaixo da copa dos arbustos indesejáveis (plantas com espinhos e outras). devendo. ou. Não aplicar o produto em florestas ou reservas naturais.). carqueja (Bacharis trimera). a aplicação não deve ser feita em arbustos roçados ou queimados recentemente. Em caso de lesões ocasionadas principalmente pela maior concentração localizada do produto. distribuindo-se os grânulos na projeção da copa.6 . os arbustos devem apresentar bom desenvolvimento foliar. assa-peixe-roxo (Vernonia scabra). portanto. Deve-se evitar a aplicação sobre ou perto de culturas anuais suscetíveis. algodão. folha-de-santana (Vernonia ferruginea). os danos tendem a desaparecer num período de 6 a 12 meses. lobeira (Solanum lycocarpum). No entanto. assa-peixe-do-pará. leiteiro (Peschiera fuchsiaefolia). esporão-de-galo (Pisonea aculeata). tomate. fumo. bem como de árvores frutíferas. operação na ocasião do controle (reforma. A localizada é denominada catação e constitui-se na eliminação de arbustos agrupados. recuperação e manutenção). espinho-agulha (Barnadesia rósea). Usa-se em cobertura total do terreno. taboca (Guadua angustifólia). pereiro (Aspidosperma eburneum). feijão. fumo-bravo (Solanum verbascifolium). assa-peixe-do-cerrado (Gochnatia polymorpha). aroeirinha (Schinus terebinthifolius).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Formulação granulada aplicada a lanço. a área é caracterizada pela infestação menor do Módulo 3. jurubeba (Solanum fastigiatum). assa-peixebranco. esporão-de-galo (Celtis glycicarpa). o aplicador proteger-se com equipamento de proteção adequado (luvas impermeáveis e outros). mamica-de-porca (Fagara hiemalis) e tarumã (Vitex sp. cansanção ou urtigão (Cnidosculus urens). cipó-prata (Banisteria metalicolor). Após a aplicação deste produto não se recomenda eliminar a parte aérea do arbusto de que se deseja o controle. Plantas daninhas controladas: gramão ou grama-batatais (Paspalum notatum). limãozinho ou juvu (Acanthocladus brasiliensis). formação. assa-peixe. Mantenha afastados das áreas de aplicação crianças. em ambos os casos. pepino e outras. as culturas rotacionais poderão ser plantadas no mínimo 3 anos após a aplicação do herbicida. espinho-agulha (Chuquiragua tomentosa). para reduzir os efeitos negativos à forrageira. roseta ou limãozinho-de-goiá (Randia armata). É recomendado para solos arenosos e areno-argilosos. No caso de aplicação em área total. resultados mais rápidos e eficientes serão obtidos quando a aplicação for realizada pouco antes (ou no início) do período chuvoso (julho a dezembro nas regiões Sul e Centro-Oeste). quando em aplicação localizada.

podendo ser realizada com pulverizador de barra. Os pulverizadores utilizados são o costal tracionado por uma pessoa. Essa forma de pulverização possui alto rendimento operacional e exigência baixa de mão-de-obra. pelas exigências quanto a monitoramento sistemático das condições meteorológicas. em condições que impõem restrições à aplicação foliar ou ao corte dos arbustos.Manejo de plantas daninhas em pastagens . permitindo a mecanização com o trator. A aplicação aérea é recomendada em grandes áreas que possuem obstáculos à pulverização tratorizada. podendo pulverizar até 300 ha por dia. necessidade de pista de pouso próximo à área e topografia adequada à pulverização aérea. Todavia. A aplicação em área total é feita em áreas com infestação acima de 40% e está condicionada à topografia adequada da área. direcionadas por trabalhadores que acompanham o trator. É utilizado no controle de arbustos com espinhos e com arquitetura de galhos bem fechados. A principal vantagem da aplicação aérea é o alto rendimento operacional. caracterizada pela deposição do herbicida granulado no solo na projeção da copa da planta daninha. ou mesmo um pulverizador tratorizado adaptado com várias saídas de pontas. tendo como objetivo aumentar a suscetibilidade das plantas daninhas aos herbicidas. uma vez que a maioria das culturas anuais e perenes é altamente sensível aos herbicidas reguladores de crescimento utilizados em pastagens. Outra forma de aplicação de herbicidas é em toco recém-roçado. Deve-se cuidar quanto à deriva próximo a áreas agrícolas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas que 40% e disposta em reboleiras. Esta prática demanda maior nível tecnológico do pecuarista. denominado Burro Jet. canhão ou avião (aérea). 266 Módulo 3. pode-se realizar a aplicação basal. o pulverizador tracionado por animal.6 .

118-120. MACEDO. I. BALSALOBRE. MIRANDA. 1985. A. 2000. In: SIMPÓSIO SOBRE O CERRADO. p.). 2001. pivô central e plantio direto. M. 355 p. Manejo integrado fitossanidade: cultivo protegido. KICHEL. C. L. KLUTHCOUSKI. (Comunicado Técnico.. P. In: ZAMBOLIM.. S.H. Análise do crescimento de uma cultivar de braquiária em cultivo solteiro e consorciado com cereais. p. Principais plantas tóxicas para herbívoros. Viçosa: UFV.. (Ed... (Documento. M. 8 p. M. p.Manejo de plantas daninhas em pastagens 267 . 1349-1358. Piracicaba. Anais.. 53). S. Plantas no Pantanal tóxicas para bovinos. TAMBOSI. SILVA. PORTES.. Viçosa: UFV. Bases para o estabelecimento do manejo de pastagens de brachiária. T. p. B. N.. 2000. P. (Divulgação. Sistema de integração agricultura & pecuária. L.. MIRANDA. In: SIMPÓSIO DE FORRAGICULTURA E PASTAGENS: TEMAS EM EVIDÊNCIAS. Nova Odessa. 62). Produção de bovinos de corte com a integração agricultura x pecuária. n.. 249-266. A.. 1939. A pecuária de corte no brasil: novos horizontes. 1991. Informe Agropecuário. 2001. LORENZI. Z. aquáticas. C. T. Plantas e substâncias vegetais tóxicas e medicinais.C.. Degradação e alternativas de recuperação e renovação de pastagens. 11. Anais.. J. 583-624. ZIMMER. São Paulo: Graphicars. M. SP. 1994. Brasília. H. Plantas daninhas do Brasil: terrestres. Manejo integrado de plantas daninhas em sistema de plantio direto. 35. 7. POTT.. Interferência de plantas daninhas em culturas agrícolas. SANTOD. . T. HOEHNE. 1. FERREIRA.. n. KICHEL. p. In: SIMPÓSIO SOBRE MANEJO DE PASTAGEM. novos desafios. Campo Grande: Embrapa-CNPGC. K.. 8. INTERNATIONAL SYMPOSIUM ON TROPICAL SAVANNAS. H.. 1996. 16-27. A. Planaltina: EMBRAPA-CPAC. A. p. 48 p... A. Pesquisa Agropecuária Brasileira. S. SILVA. Anais. OLIVEIRA. 1. Piracicaba: FEALQ. C. 51-68. M. Lavras. F.. 69). A. C. Campo Grande: Embrapa-CNPGC. 11. EUCLIDES FILHO. N. 2000. S.. K. B. 120.6 . N. parasitas e tóxicas. v.. P... A. F. I. 1997. 2002.. PITELLI. J. Lavras: UFLA. 20 p. Editora Plantarum Ltda. KICHEL. 608 p. E. 19 p. Módulo 3.ed. 3. R. A pecuária de corte brasileira no terceiro milênio. R. FREITAS. A .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Referências bibliográficas AFONSO. CARVALHO. 2000. C. 1996c. CORSI. COBUCCI. EUCLIDES FILHO. A. 4 p. Campo Grande: Embrapa-CNPGC. H. v. Campo Grande: EmbrapaCNPGC. 2000.

Piracicaba: FEALQ.. 1996.. Bases para o estabelecimento do manejo de Cynodon sp. p. In: SIMPÓSIO SOBRE MANEJO DA PASTAGEM. D. 15.. A... Estratégias de manejo de plantas daninhas. V. M. VARGAS. A. Rio de Janeiro: Helianthus. SILVA. 1995. In: SIMPÓSIO SOBRE MANEJO DA PASTAGEM. L. F. PASSANEZI.. DÖBEREINER. 203 p. 2000. (Ed.. Controle de plantas daninhas. S. R.. 2000. GHERSA. A. 349-363. 135-156. Piracicaba: FEALQ. A. R.. 1998. SILVA. R. Plantas tóxicas para bovinos em Mato Grosso do Sul. Manejo integrado de doenças. A. Plantas tóxicas do Brasil. S. p. 17. MONTEIRO. ABEAS. In: SIMPÓSIO SOBRE MANEJO DE PASTAGEM. pragas e plantas daninhas. G.. Anais. C. Capim elefante.. SILVA. 5 p. A.. Piracicaba.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas POTT. New York: John Willey and Sons. R. Anais . RADOSEVICH. F. FERREIRA. R. F. In: Weed ecology implicatios for manegements. Documentos. Curso de proteção de plantas. F... 1999. 197-218. E. SILVA. J. L.6 . J. Piracicaba: FEALQ.. PEDREIRA. P. A. L. Bases para o estabelecimento do manejo de capins do gênero Panicum. C. 129-150. J. TOKARNIA.. 320 p. Physiological aspects of competition. C.. .. 2000. VICTORIA FILHO. 12.. REIS. FAGUNDES. J. AFONSO. Campo Grande: Embrapa-CNPGC.Manejo de plantas daninhas em pastagens .. 268 Módulo 3.. L. p. 2005.. Piracicaba. (CNPGC. CARNEVALLI. p. HOLT. Módulo 3. C.. A. 7). R. T. H... S. Piracicaba. J. Anais. RODRIGUES. 217-301. L. M. Viçosa: UFV. A. J. p. FERREIRA. In: ZAMBOLIM.). RODRIGUES. RODRIGUES.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful