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ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

PROTEÇÃO DE PLANTAS

Módulo 3 Manejo de plantas daninhas
Tutores: Profº Dr.Antonio Alberto da Silva (UFV-MG) Profº Dr. José Ferreira da Silva (FUA-AM) Profº Dr. Francisco Affonso Ferreira (UFV-MG) Profº Dr. Lino Roberto Ferreira (UFV-MG)

Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Universidade Federal de Viçosa - UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia

Brasília - DF 2006
Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas 1

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Ficha Catalográfica Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Controle de plantas daninhas. Tutores: Antônio Alberto da Silva; [e outros]; colaboração de José Ferreira da Silva, Francisco Affonso Ferreira, Lino Roberto Ferreira - Brasília, DF: ABEAS; Viçosa, MG: UFV; 2006. 268.: il (ABEAS. Curso Proteção de Plantas. Módulo 3 - 3.1;3.2;3.3;3.4;3.5,3.6). Inclui bibliografia. 1. Plantas daninhas - controle. I.Silva, Antônio Alberto, 1950 - II. Silva, José Francisco da. III.Ferreira, Francisco Afonso. IV.Ferreira, Lino Roberto. V.Silva, José Ferreira da. VI. Oliveira Júnior, Rubem Silveríco de. VII. Vargas, Leandro. VIII. Universidade Federal de Viçosa. IX. Título É proibida a reprodução total ou parcial deste módulo Direitos reservados a ABEAS e ao autor

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Módulo 3: 3.1 - Biologia e métodos de controle

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Sumário
Módulo 3.1 – Biologia e métodos de controle, 04 Módulo 3.2 – Herbicidas: classificação e mecanismos de ação, 48 Módulo 3.3 – Herbicidas: absorção, translocação, metabolismo, formulação e misturas, 102 Módulo 3.4 – Herbicidas: comportamento no solo, 135 Módulo 3.5 – Herbicidas: resistência de plantas, 196 Módulo 3.6 – Manejo de plantas daninhas em pastagens, 235

Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas

3

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

PROTEÇÃO DE PLANTAS

Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas 3.1 - Biologia e métodos de controle
Tutores: Profº. Antonio Alberto da Silva Profº. Francisco Affonso Ferreira Profº. Lino Roberto Ferreira Profº. José Barbosa dos Santos

Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Universidade Federal de Viçosa - UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia

Brasília - DF 2006
4 Módulo 3.1 - Biologia e métodos de controle

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Sumário

Introdução, 06 1 - Planta daninha, 07 1.1 - Prejuízos causados pelas plantas daninhas, 08 1.1.1 - Prejuízos diretos, 08 1.1.2 - Prejuízos indiretos, 09 1.2 - Origem, estabelecimento e propagação das plantas daninhas, 10 1.3 - Classificação das plantas daninhas, 15 1.3.1 - Características práticas para reconhecimento das principais famílias de plantas daninhas, 16 1.4 - Características de agressividade das plantas daninhas, 18 2 - Competição entre plantas daninhas e culturas, 19 2.1 - Fatores do ambiente passíveis de competição, 20 2.1.1 - Competição por água, 23 2.1.2 - Competição por luz, 25 2.1.3 - Competição por CO2, 28 2.1.4 - Competição por nutrientes, 28 3 – Alelopatia, 30 3.1 - Alelopatia das plantas daninhas sobre as culturas e plantas daninhas, 31 3.2 - Alelopatia entre culturas, 32 3.3 - Alelopatia das coberturas mortas, 32 4 - Competição e período crítico de competição, 33 5 - Métodos de controle de plantas daninhas, 36 5.1 - Controle preventivo, 36 5.2 - Controle cultural, 37 5.3 - Controle mecânico ou físico, 37 5.4 - Controle biológico, 39 5.5 - Controle químico, 40 6 - Manejo integrado de plantas daninhas (mipd), 42 Referências bibliográficas, 45

Módulo 3.1 - Biologia e métodos de controle

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química orgânica.1 . cuidados técnicos 6 Módulo 3. é extremamente simples. Em algumas culturas. Os novos herbicidas estão cada vez mais seguros para o ambiente e o homem. usando métodos manuais. o Brasil dispõe de um dos maiores mercados do mundo. etc. São necessários. fitotecnia. para uma população crescente de consumidores e decrescente de produtores. ou seja. de milho. biologia. economicidade do controle químico. Com relação aos defensivos agrícolas. técnicas de biologia molecular e sensoriamento remoto. simultaneamente. no momento preciso e na quantidade necessária. climatologia. Novas técnicas estão sempre sendo pesquisadas e incorporadas. deve utilizar menos mão-de-obra para produção de maior quantidade de alimentos. como exemplos. Muitos estudos estão sendo conduzidos em genética. bioquímica. toda e qualquer técnica de manejo de plantas daninhas somente terá sucesso se for aplicada levando-se em conta conhecimentos detalhados da biologia das plantas infestantes da área. Como toda ciência. como cana-de-açúcar. física e química do solo. além da eficiência e. em que os herbicidas correspondem a mais de 50% do volume total comercializado (ANDEF. sendo mais eficientes no controle de plantas daninhas específicas e com doses cada vez mais baixas. estão sendo desenvolvidos trabalhos objetivando a criação de cultivares de soja resistentes ao glyphosate. o uso de herbicidas tornou-se prática indispensável. Em razão disso. o produtor deve ser mais eficiente. na região produtora de alimentos do Brasil. Na verdade. mecânicos ou químicos. Em termos médios. é uma ciência multidisciplinar que depende de conhecimentos de botânica. o controle de plantas daninhas. ao amônio-glufosinato. principalmente. Cerca de 92% da população. ao imazaquin. de arroz. fisiologia vegetal. fibras e energia. esse percentual é ainda maior. vive hoje nas cidades. envolvendo principalmente conhecimentos nas áreas de morfologia e fisiologia. com ajuda da física. o ultra-som. Todavia. a eletricidade.Biologia e métodos de controle . o estudo das plantas daninhas é dinâmico. antes do lançamento de qualquer herbicida. as microondas e o raio laser estão sendo avaliados como futuros métodos de controle. isoenzimas e RAPD (biotecnologia) e sensoriamento remoto também são úteis na identificação de plantas daninhas. A demanda cada vez maior de alimentos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução Para um leigo. Devido à dificuldade de se encontrar mão-de-obra no campo. e a mão-de-obra rural existente é escassa e de baixa qualidade. cerca de 20-30% do custo de produção refere-se ao controle de plantas daninhas. visando o melhoramento de culturas para resistência a herbicidas. mecanização agrícola. sendo um dos primeiros no "ranking" de vendas de agrotóxicos. destaca a importância da eficiência do controle de plantas daninhas. 2005). Os estudos de ecologia e da toxicologia humana e animal são conduzidos. Assim. entretanto.

com o homem. seja daninha. por exemplos. que é o de conciliar. fornecendo néctar para as abelhas fabricarem o mel. as condições ambientais e o nível cultural do proprietário. devido à evolução e complexidade que atualmente atingiu a Ciência das Plantas Daninhas. etc. todos os conceitos baseiam-se na sua indesejabilidade em relação a uma atividade humana. algumas têm sido consideradas plantas Módulo 3. associam-se os diversos métodos disponíveis (preventivo. sustentabilidade e eqüidade. Deve-se ressaltar que o herbicida é considerado apenas uma ferramenta a mais no manejo de plantas daninhas. os equipamentos disponíveis na propriedade. como a presença do milho em cultura da soja e da aveia em cultura do trigo. no seu processo. ou. é um típico setor de tecnologia de ponta e. físico.1 . hoje. a topografia da área. Cruz (1979) salienta que é uma planta sem valor econômico ou que compete. na sua essência. promovendo a reciclagem de nutrientes. o controle químico de plantas daninhas. os conceitos de competitividade. plantas tóxicas em pastagens. Embora não se possa dizer que uma planta. 1 . sendo recomendado sempre um programa de controle integrado. por exemplo. levando-se em consideração as espécies daninhas infestantes.Biologia e métodos de controle 7 . como. para se obter um controle que seja eficiente. por isso mesmo. num conceito mais amplo. cultural. a qualidade do produto produzido ou interferir negativamente no processo da colheita é considerada daninha. servindo como planta medicinal. etc. citado por Fischer (1973).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas para atingir a máxima eficiência com o mínimo impacto negativo ao solo. um campo no qual está muito presente o desafio maior do agronegócio brasileiro. Fischer (1973) apresenta duas definições: “plantas cujas vantagens ainda não foram descobertas” e “plantas que interferem com os objetivos do homem em determinada situação”. citado por Marinis (1972). em determinadas situações. Na verdade. Por esse motivo. Numa cultura. qualquer planta estranha que vier a afetar a produtividade e. uma planta só deve ser considerada daninha se estiver direta ou indiretamente prejudicando uma determinada atividade humana. Como exemplos. plantas ao lado de refinarias de petróleo. são vários os conceitos de planta daninha: Shaw (1956). mecânico. Entretanto.Planta daninha Definir planta daninha nem sempre é fácil. à água e aos organismos não-alvos. biológico e químico). econômico e que preserve a qualidade ambiental e a saúde do homem. afirma que planta daninha é qualquer planta que ocorre onde não é desejada. o tipo de solo. plantas interferindo no desenvolvimento de culturas comerciais. pelo solo. Neste programa. Uma planta cultivada também pode ser daninha se ela ocorrer numa área de outra cultura. Segundo Rodrigues e Almeida (2005). podem-se citar espécies altamente competidoras com culturas sendo extremamente úteis no controle da erosão. plantas estranhas no jardim. Uma planta pode ser daninha em determinado momento se estiver interferindo negativamente nos objetivos do homem. porém esta mesma planta pode ser útil em outra situação. Para Beal. pois estas. podem ser extremamente úteis. é uma planta fora de lugar.

etc. as plantas de trigo que surgirem das sementes remanescentes no solo passam a ser consideradas daninhas à cultura da soja. na realidade. que são atributos que facilitam a perpetuação da espécie. c) Podem intoxicar animais domésticos. folhas. quando estas são colhidas junto com sementes de determinadas espécies de plantas daninhas proibidas. Além da redução da produtividade das culturas. sementes de carrapicho-de-carneiro (Acanthospermum hispidum) aderidas à lã. como é o caso de mudas cítricas produzidas em viveiro infestado com tiririca (Cyperus rotundus). etc. cavalinha (Equisetum 8 Módulo 3. ainda. num plantio rotacional trigo/soja. também. Por exemplo. as plantas daninhas causam outros prejuízos diretos. b) São responsáveis pela não-certificação das sementes de culturas. tubérculos de tiririca se desenvolvendo dentro tubérculos de batata (Fig. furtam energia do homem. se todas as sementes germinassem de uma só vez. 1).Biologia e métodos de controle . como leiteiro (Euphorbia heterophylla). As comuns são aquelas que não possuem habilidade de sobreviver em condições adversas.Prejuízos causados pelas plantas daninhas 1. Por exemplo: cafezinho (Palicourea marcgravii). seria fácil erradicar uma espécie daninha. capim-massambará (Sorghum halepense) e feijão-miúdo (Vigna ungiculata). cerca de 20-30% do custo de produção de uma lavoura se deve ao custo do controle das plantas daninhas. sementes de capim-carrapicho (Cenchrus echinatus) junto ao feno. É comum.1. pois. b) Crescem em condições adversas. As consideradas verdadeiras possuem características especiais que permitem fixá-las como infestantes ou daninhas. quando presentes em pastagens. pêlo de animais. capazes de se multiplicar por diversas maneiras (sementes. por máquinas.Prejuízos diretos As plantas daninhas. por misturas de sementes.1 . geralmente com facilidade para disseminação pelo vento. Em média.1 . bulbos. Muitas espécies de plantas daninhas são. Possuem habilidade de produzir grande número de sementes por planta.) 1.000 sementes por planta. arroz-vermelho (Oryza sativa). etc. como: a) Não são melhoradas geneticamente. Esses valores tornam-se ainda mais significativos na agricultura moderna.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas daninhas comuns e outras plantas daninhas verdadeiras. água. d) Apresentam dormência e germinação desuniformes. São exemplos a presença de sementes de picão-preto (Bidens pilosa) junto ao capulho do algodão. raízes. impedirem a certificação de mudas em torrão. por exemplo: a) Reduzem a qualidade do produto comercial. c) São rústicas quanto ao ataque de pragas e doenças. Exemplo: Desmodium totuosum. onde se exige perfeito controle das plantas para melhor eficiência das máquinas colheitadeiras. as quais são facilmente dissemináveis por animais. etc. tubérculos.1 . que produz até 42. rizomas. oficial-de-sala (Asclepias curassavica).

prejudicar ou mesmo até impedir a realização de certas práticas culturais e a colheita. Sida micrantha. samambaia (Pteridium aquilinium). esta espécie daninha dificulta tremendamente a colheita manual. feijão e cana-de-açúcar. algodoeirobravo (Ipomoea fistulosa). São exemplos destas espécies a corda-de-viola (Ipomoea grandifolia.Prejuízos indiretos As plantas daninhas podem ser hospedeiras alternativas de pragas e doenças.Biologia e métodos de controle 9 .2 . Ipomoea purpurea e outras desse gênero).). ainda não introduzida no Brasil. Figura 1 . que é hospedeiro do vírus do mosaico da cana-de-açúcar.1 . milho e plantas ornamentais. podem. Ela produz cerca de 5. como o mosaico-dourado do feijoeiro. pois. dois meses mais tarde as plantas aparecem na superfície do solo. além dos prejuízos diretos que causam às culturas. os tricomas de suas folhas se rompem a um leve contato e liberam toxinas que causam inflamação na pele do trabalhador. Sida santaremnensis. Capimcarrapicho (Cenchrus echinatus). Ipomoea aristolochiaefolia. Módulo 3. florescem rapidamente e iniciam novamente o ciclo parasitário. Estas diminuem a eficiência das máquinas e aumentam as perdas durante a operação da colheita até mesmo quando em infestação moderada nas lavouras. Sida glaziovii. que é transmitido pela mosca-branca após ter se “alimentado” de espécies do gênero Sida (Sida rhombifolia. que germinam e parasitam as raízes do milho. Esta última é a pior invasora para milho. São exemplos a erva-de-passarinho (Phoradendron rubrum) em citros e a erva-de-bruxa (Striga lutea) em milho.Dano em batata inglesa devido à penetração e ao desenvolvimento de tuberculos de tiririca 1. Outro exemplo de espécie de planta daninha que causa prejuízos diretos e indiretos é a Mucuna pruriens.1. etc. d) Algumas espécies exercem o parasitismo em citros. causado por um vírus à cultura do feijão. ainda. chibata (Arrabidae bilabiata) e outras que podem causar a morte de animais. flor-das-almas (Senecio brasiliensis). Outro exemplo é o capim-massambará (Sorghum halepense). arranha-gato (Acassia plumosa) e outras plantas espinhosas podem até impedir a colheita manual das culturas. os nematóides: mais de 50 espécies de plantas daninhas hospedam Meloydogyne javanica e Heterodera (nematóide-do-cisto da soja).000 sementes por planta.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas piramidale). durante a operação da colheita. infestante comum em lavouras de milho. carrapicho-de-carneiro (Acathospermum hispidum). Sida cordifolia. Algumas espécies.

a disseminação das plantas daninhas pode ser feita por vento. prejudicando a pesca. As plantas daninhas podem ser disseminadas por diversos meios. pelos quais as plantas podem perpetuar-se tanto por via seminífera como por via vegetativa. o estabelecimento de uma determinada planta daninha envolve os aspectos ecológicos da agregação e migração. também. como o é. problemas sérios em ambientes aquáticos. o funcionamento de usinas hidrelétricas. separando as benéficas (denominadas plantas cultivadas) das maléficas (denominando-as de plantas daninhas). inicialmente. desmoronamentos de montanhas. Vários são os diásporos. vias públicas. também. estabelecimento e propagação das plantas daninhas De acordo com Musik (1970) e Fischer (1973). Do ponto de vista morfofisiológico. Exemplos: taboa (Typha angustifolia). rizomas. O estudo do processo germinativo das sementes é de fundamental importância para quem trabalha com o manejo de plantas daninhas. tubérculos. muitos herbicidas atuam. porque ele é quem cria o ambiente favorável a elas. o responsável pela evolução das plantas daninhas.. envolvendo os complexos aspectos morfogênicos e edafoclimáticos.2 . Estas. dificultando a manutenção de represas. pois a semente é uma das vias de entrada dos herbicidas. etc. A propagação vegetativa é um mecanismo de sobrevivência de grande importância nas plantas daninhas perenes. Por outro lado. radícula. Normalmente. animais. podem ser altamente inconvenientes em áreas não-cultivadas: áreas industriais. provavelmente. que apresentam duas características essenciais: dormência e reservas alimentícias. elas começaram a aparecer quando o homem iniciou suas atividades agrícolas. Na verdade. Outras espécies de plantas daninhas podem ainda reduzir o valor da terra. ação de rios e mares. Todavia. têm o custo de controle muito elevado.Biologia e métodos de controle . Os propágulos podem ser raízes. também. ou seja. Existem duas grandes teorias: a hidrosere. Musik (1970) salienta que o homem é. Nestas áreas não é desejável a presença de plantas daninhas vivas ou mortas. como as olerícolas de modo geral. Causam.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas As plantas daninhas. dos distúrbios naturais. crescimento e desenvolvimento da planta. aumentando o custo da irrigação. refinarias de petróleo. segundo a qual a vida teve origem em terra firme. Estas são encontradas onde está o homem. ferrovias. 1. onde podem dificultar o manejo da água. quando presentes em áreas com culturas que apresentam pequena capacidade competitiva. Além disso. as plantas daninhas originaram-se. devido ao próprio conceito de planta daninha. tornando-se inviável economicamente. etc. incluindo o homem. além das partes das plântulas. as plantas daninhas produzem muitas sementes. etc. os parques e os jardins. e a xerosere. caulículo. aguapé (Eichornia crassipes).1 . etc. possuem seus mecanismos de ação ligados ao processo 10 Módulo 3. que se constitui num grande disseminador de tais plantas. além da competição pelos recursos do meio. etc. o estabelecimento envolve o processo de germinação da semente. como a tiririca (Cyperus rotundus) e a losna-brava (Artemisia verlotorum). que afirma que a vida originou-se no meio líquido. como glaciação. como hipocótilo.Origem. pelas plantas cultivadas. água. o que assegura alta taxa de dispersão e restabelecimento de uma infestação.

atmosfera apropriada à espécie (concentração de CO2 e O2) e luz (comprimento de onda e intensidade). a celulose e as substâncias pécticas. Se a semente não estiver em estado de dormência e houver condições ambientais favoráveis. com o ressurgimento das atividades paralisadas ou reduzidas por ocasião da maturação da semente. portanto. Estas sementes permanecerão dormentes enquanto o tegumento estiver impermeável (semente dura). Em temperaturas abaixo da ótima. As características físico-químicas das substâncias coloidais das sementes irão comandar o potencial da água nas sementes. menor tempo para embebição). A água é necessária para que ocorra a reidratação das sementes. 1986. como adequado suprimento hídrico. para o desenvolvimento do eixo embrionário em plântula independente. conforme ela seja fotoblástica positiva ou negativa. Com a embebição. 1974. e para isso são necessários alguns requisitos fundamentais: estarem as sementes viáveis e as condições ambientais serem favoráveis. A germinação da semente é a reativação dos pontos de crescimento do embrião que haviam sido paralisados nos estágios finais da maturação morfisiológica da semente. As principais substâncias responsáveis pela embebição são as proteínas. concentração de oxigênio e presença ou ausência de luz. sendo dependente dos seguintes fatores: composição química da semente. temperatura. o qual pode atingir centenas de atmosferas.1 . ou seja. é necessário o suprimento contínuo de água.Biologia e métodos de controle 11 . A temperatura ótima é aquela que permite a obtenção da maior percentagem de emergência no menor espaço de tempo. aumenta-se o potencial de pressão interna na membrana que envolve a semente (pressão de embebição). A embebição também é influenciada pela temperatura (temperaturas mais elevadas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas germinativo. porque as sementes ficam por períodos prolongados nos estágios iniciais da Módulo 3. Para que uma semente viável (condição intrínseca) possa germinar. Entretanto. O processo da germinação inicia-se. em fases seguintes à reidratação. impedindo que a planta se estabeleça. é de duas a três vezes o peso da semente. permeabilidade do tegumento à água e presença de água na forma líquida ou gasosa. Essas necessidades são definidas para cada espécie e estão relacionadas com o habitat de origem e com a melhor forma de preservar a espécie (normalmente as espécies daninhas somente germinam quando existem condições para sobrevivência). ocorre a ruptura do tegumento e saída da radícula. dando origem ao que se chama de semente dura. cada espécie requer uma temperatura ideal para germinação. a velocidade da germinação é menor. 1985). provocando o rompimento do tegumento. METIVIER. para a maioria das espécies. por onde sairá a radícula. Normalmente. FERRI. A quantidade de água necessária para reidratação. são necessárias as seguintes condições ambientais favoráveis: água em quantidade suficiente. A embebição das sementes é um processo físico que ocorre tanto nas sementes vivas quanto nas mortas. o que resulta numa diminuição do estande. que perdem muita umidade por ocasião de sua maturação e secagem. temperatura adequada à espécie. É comum entre as espécies a presença do tegumento totalmente impermeável à água. a germinação consiste no processo que se inicia com o suprimento de água à semente seca e termina quando o crescimento da plântula se inicia. Outro fator que pode influenciar a embebição é a permeabilidade do tegumento da semente à água. Do ponto de vista fisiológico. ela entrará em processo de germinação (PROPINIGIS.

podendo. uma interdependência entre temperatura e outros fatores externos. ocorrendo a embebição de todos os tecidos da semente e uma expansão do tegumento 12 Módulo 3. também. isto é. É importante salientar que a sensibilidade das sementes à luz é maior quando a semente está embebida. as sementes germinam em atmosferas com 20% de O2 e 0. como a grama-seda (Cynodon dactylon). como em sementes de alface (alta percentagem de germinação em exposição por um a dois minutos). portanto. razão por que a germinação das sementes é influenciada pela composição do ar atmosférico que as envolve. A germinação. profundidade de semeadura. porque uma atmosfera rica em nitrogênio parece ser mais econômica e eficiente. necessita de energia.001 segundo (sementes de fumo). devido à maior atividade metabólica. como porosidade.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas germinação e. que aumentam a necessidade de oxigênio pelo embrião. ou. a velocidade da germinação. as reações envolvem o fitocromo. Através de concentrações elevadas de CO2 consegue-se evitar a germinação e auxiliar na conservação de sementes. Neste caso. As necessidades e quantidades de 02 para germinação são influenciadas por outros fatores. atividade microbiana e teor de umidade. O processo de germinação inicia-se. A respiração envolve trocas de gases. Em algumas espécies a necessidade de luz ocorre somente após a colheita e em outras por um longo período (por um ano ou mais). nessas condições. Existem espécies de plantas daninhas que somente germinam no escuro. Sementes desta espécie dificilmente germinam totalmente no escuro. entretanto.03% de CO2. em regime de temperatura constante entre 25 e 30 °C. com uma rápida absorção de água pelos biocolóides.Biologia e métodos de controle . ou muito curto. como: a) altas temperaturas. causando crescente desorganização do mecanismo germinativo e impossibilitando que as sementes menos vigorosas completem a emergência. pois sementes de muitas espécies não conseguem germinar quando a concentração de CO2 é muito elevada. esta prática não é utilizada para conservação de sementes. respiração. apenas flash de 0. longo e de forma cíclica. passam a germinar rapidamente se ocorrer alternância de temperaturas alta e baixa. Além destes. O período de exposição pode ser curto. em que a luz pode promover a germinação mesmo em temperaturas desfavoráveis. ser inibidoras ou promotoras da germinação. ainda.1 . a fase gasosa do solo apresenta uma série de substâncias voláteis que são produzidas pelas plantas. obtida por meio do processo de oxidação na presença do oxigênio. A temperatura ótima está relacionada com as atividades das enzimas que participam dos diversos processos metabólicos que ocorrem durante a germinação e cujas ações somente se tornam eficientes em temperaturas específicas. Como exemplo desta interdependência podem-se citar as espécies do gênero Amaranthus. Há espécies cujas sementes somente germinam em regime de alternância de temperatura. em demasia. outras necessitam de breve iluminação e outras são indiferentes. em alguns casos. outras em luz contínua. por se tratar de um processo que ocorre em células vivas. Em algumas espécies tem-se observado. O efeito do CO2 é normalmente contrário ao do O2. Todavia. e b) fatores do solo. ficam mais suscetíveis ao ataque de microrganismos patogênicos. A necessidade de luz pode variar também em função do armazenamento. Em condições normais. Temperatura acima da ótima tende a aumentar. esse fenômeno é semelhante ao fotoperiodismo observado para o florescimento. porcentagem de matéria orgânica.

No caso da dormência. acompanhada pelo aumento da síntese protéica no embrião. O amido. é reativada e a enzima β-amilase é sintetizada de novo por estímulo hormonal (giberelinas) às expensas de aminoácidos originados de proteínas hidrolisadas e com a energia oriunda das atividades das fosforilases. são transformados em ácidos graxos (em oleaginosas. Isso ocorre porque durante o processo da embebição a enzima β-amilase. da glicólise e da respiração. e. ao mesmo tempo. que é o repouso metabólico da semente devido a condições externas desfavoráveis. pelo contrário. por alguns autores. a quiescência é confundida. Esta fase da embebição coincide com o aumento da atividade metabólica. pela ação das enzimas amilases. ocorrem a divisão e o alongamento celular. mecânica ou fisiológica. também. Em conseqüência do aumento das atividades de diversas enzimas durante o processo de embebição. o embrião passa a sintetizar e liberar giberelinas que se movem através do endosperma. Outro aspecto relacionado com a semente é a quiescência. que envolve a oxidação da matéria orgânica da semente com formação de ATP e substâncias intermediárias necessárias ao processo anabólico da germinação. Um grande volume de sementes de plantas daninhas encontra-se. nas quais o melhoramento genético reduziu ou mesmo suprimiu tal atributo. verifica-se inicialmente a ativação do m-RNA preexistente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas envolvente. Propinigis (1974) cita como exemplo marcante a dormência das plantas daninhas comparada à das plantas cultivadas. ou. Em cereais. Aumenta-se. Uma outra razão é dormência. e a fitina. que é devida a condições intrínsecas inerentes à própria semente. as proteínas. síntese das amilases. primeiramente na região da radícula do embrião. com a dormência. Durante esta fase o ácido giberélico (giberelinas) estimula a ativação e. é transformada em inositol e fósforo inorgânico. através da ação de duas enzimas: isocitrase e sintetase do malato). no solo. incrementando-se a respiração e o alongamento celular. que são plantas muito semelhantes e apresentam ciclos vegetativos praticamente iguais. observa-se aumento nas sínteses de DNA e RNA. as sementes. os lipídeos. que é observada pelo aumento da respiração. necessitam que a dormência seja superada de alguma forma. pela ação das lipases. lipídeos e carboidratos solúveis armazenados no embrião. ocorrem o metabolismo e a mobilização das reservas das sementes. que elevam a produção de glucose. presente na semente seca. pela ação das enzimas proteolíticas. Neste caso. em estado da quiescência.1 . É o caso das aveias silvestre e cultivada. as gorduras são convertidas em sacarose pelo ciclo do glioxilato. enquanto a silvestre sobrevive por vários séculos sem a ajuda humana. podendo ser física. frutose e maltose. nas primeiras 24 horas iniciais. porém a cultivada já não consegue viver sem ajuda do homem. a semente não germina. os quais dependem do uso de aminoácidos. mesmo que as condições ambientes sejam favoráveis. para germinarem. O simples revolvimento do solo. havendo formação de α-amilase e outras enzimas. por ação das fitases. é transformado em açúcares redutores e sacarose. o homem sempre Módulo 3. são transformadas em aminoácidos. a drenagem de áreas encharcadas e as irrigações de solos secos podem estimular a germinação dessas sementes. Nas primeiras 12 a 16 horas após o início da embebição. o número de ribossomos+RNA que incorporam os aminoácidos às proteínas. as quais são essenciais para o desenvolvimento do embrião. iniciando-se o crescimento celular e a mitose.Biologia e métodos de controle 13 .

requerendo condição especial para quebra da dormência. Como a dormência não é a mesma em todas as sementes de uma planta. por apresentar dormência. tegumento da semente impermeável à água e. Os diversos tipos de dormência podem ser agrupados em: a) “Dormência primária”. durante o processo de maturação. germinam todas. seria aquela que a semente adquire devido ao ambiente desfavorável. as demais permanecem dormentes. Já a aveia silvestre. ao oxigênio. e persiste por longo tempo após completada a maturação. Acredita-se que muitas outras espécies de plantas daninhas apresentam mecanismos semelhantes. também chamada de induzida. Dormência pode ser definida como qualquer estágio no ciclo da vida no qual o crescimento ativo é suspenso por um período de tempo. pode ocorrer germinação durante meses ou até anos. Como exemplos de espécies de plantas daninhas que apresentam mecanismos de dormência podem-se citar: a) ervaformigueira (Chenopodium album): produz sementes com tegumentos normal e duro. seria aquela que a semente adquire quando ainda está ligada à planta-mãe. e o inverno violento pode matar as plântulas. b) língua-de-vaca (Rumex cryspus): germina melhor na presença de luz. sobrevivendo no solo por muito tempo. garantindo a perpetuação da espécie.1 .. Através deste mecanismo a espécie consegue sobreviver em estações desfavoráveis. aumentando a sua população quando as condições retornam à sua normalidade. O solo agrícola é um banco de sementes de plantas daninhas contendo entre 2. na temperatura e na composição atmosférica do solo ou até mesmo acelerar a liberação de compostos estimulantes da germinação. uma avaliação da composição florística de uma área em uma única época do ano não representa o potencial de infestação desta área. b) “Dormência secundária”. e c) quinquilho (Datura stramonium): germina melhor no escuro. ou. no futuro. O amplo conhecimento da dormência poderá. sendo considerada uma espécie de planta daninha importante. inerente ou natural. 1998). como os nitratos. provocar mudança nos teores de umidade. 14 Módulo 3. A dormência. Isso pode ocorrer pela simples movimentação do solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas procurou erradicá-la. Certas espécies necessitam de condições especiais para germinarem. contribuir para o desenvolvimento de métodos mais eficientes de controle de plantas daninhas. não germina de forma uniforme. mas sem sucesso. O leiteiro (Euphorbia heterophylla). apenas 2 a 5% germinam. endógena. por ser indiferente à luz. a semente permanece dormente (sementes com tegumento impermeável.000 e 50. Por esta razão. é capaz de germinar até a profundidade de 25 cm no solo (VARGAS et al. sendo um meio necessário de sobrevivência entre as plantas daninhas. Por isso. sem dormência. No retorno ao ambiente favorável.Biologia e métodos de controle . Do total dessas sementes. é um dos mais importantes mecanismos indiretos de dispersão. por exemplo). mesmo sob intenso controle sempre haverá no solo sementes desta espécie. também chamada de dormência inata.000 sementes/m2/10 cm de profundidade. que pode expor as sementes à luz (mesmo por frações de segundos). podem ser várias as causas da dormência: embrião imaturo. em um dado período. A aveia cultivada amadurece no verão e suas sementes. e presença de algum inibidor fisiológico. Segundo diversos autores. nas várias formas.

5 cm no sistema de plantio direto..0 cm no plantio convencional e somente até 1. Isto pode ser observado facilmente em condições de campo. como as dos gêneros Ipomoea e Euphorbia. em solos muito compactados. possivelmente pelo maior teor de umidade junto às sementes (maior contato entre as sementes e o solo).Classificação das plantas daninhas Em certos casos. Uma Aração + E.800 são consideradas mais nocivas em razão de suas características e seu comportamento. como é o caso de Brachiaria plantaginea. de suas formas de reprodução e ciclo de vida para se desenvolver um bom programa de manejo integrado. Rotativa + Compactação 5. Quadro 1 . As plantas que produzem sementes englobam as monocotiledôneas e dicotiledôneas. Espécies que produzem sementes grandes.3 . que germina até a profundidade de 3. entretanto. Uma Aração + Uma Gradagem 3. respectivamente (VARGAS et al.Influência do tipo do preparo do solo na germinação de sementes de plantas daninhas Tipo de Preparo do Solo 1.000 espécies. bianuais e perenes. assim. as plantas daninhas podem ser anuais. somente germinam quando estão até a profundidade de 1. onde no rastro da roda do trator observa-se cerca de 10% a mais de emergência de plantas daninhas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A maior germinação foi observada (Quadro 1) no tratamento com (aração + enxada rotativa + ligeira compactação do solo). com aproximadamente 170. As anuais completam seu ciclo de vida (semente-semente) em um ano ou menos.Biologia e métodos de controle 15 . causando a cada ano grandes perdas na agricultura. a emergência ocorre em menores profundidades. a seletividade de alguns herbicidas baseia-se em diferenças morfológicas e fisiológicas existentes entre as espécies de plantas daninhas e cultivadas. Quanto ao ciclo de vida. Uma Aração 2. espécies que produzem sementes pequenas.1 . Sem Cultivo No de Sementes Emergidas m-2 103 134 206 328 80 As características físico-químicas do solo também influenciam a profundidade de emergência das sementes. Por estes e outros motivos é necessário conhecimento mais amplo das espécies de plantas daninhas. Estas podem ser anuais de inverno (que germinam no outono ou inverno. crescem no verão e Módulo 3.0 cm. Este grupo abrange quase todas as plantas consideradas daninhas (cerca de 30.000 espécies). O Quadro 2 apresenta as 12 famílias mais importantes do mundo. quando comparada com solos pouco compactados. cerca de 1. 1998). como Eleusine indica. Outro fator que influencia a profundidade de emergência é o sistema de cultivo. Outro fator extremamente importante na germinação das sementes é a profundidade em que elas se encontram no solo. Destas. 1. Uma Aração + Enxada Rotativa 4. podem germinar até a profundidades superiores a 15 e 25 cm. crescem na primavera e produzem frutos e morrem em meio ao verão) e anuais de verão (que germinam na primavera. sem o revolvimento do solo.

b) perenes herbáceas mais complexas. Echinocloa crusgalli. etc.Famílias de plantas daninhas e números de espécies mais importantes por família. etc. deve-se primeiramente saber se a planta é mono ou dicotiledônea.1 . a posição do ovário (inferior ou superior). Exemplos: Digitaria sanguinalis. principalmente no sul. com nós e entrenós. porém menos do que dois anos. Eleusine indica. as plântulas se desenvolvem vegetativamente até o estágio de roseta.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas madurecem e morrem no outono). há necessidade de um período frio para florescimento e frutificação. exemplos: Cynodon dactylon. e c) perenes lenhosas. Durante a primeira fase de crescimento. exemplo: Senna obtusifolia. Caso a planta esteja sem sementes. Estas podem ser classificadas em: a) perenes herbáceas simples . Quadro 2 . se as pétalas estão ausentes ou presentes. 16 Módulo 3. que se reproduzem por sementes e por mecanismos vegetativos. o tipo de fruto. segundo Holm (1978) Famílias Gramineae Compositae Cyperaceae Poligoniaceae Amaranthaceae Cruciferae Leguminosae Convolvulaceae Euphorbiaceae Chenopodiaceae Malvaceae Solanaceae No Espécies 44 32 12 8 7 7 6 5 5 4 4 4 % Total de Espécies Daninhas 37% 43% 68% As plantas perenes são aquelas que vivem mais de dois anos e são caracterizadas pela renovação do crescimento ano após ano a partir do mesmo sistema radicular.Características práticas para reconhecimento das principais famílias de plantas daninhas Graminae . Echinocloa cruspavonis e Bracharia plantaginea. a simetria das pétalas..1 . que se reproduzem por sementes e podem também reproduzir-se vegetativamente se injuriadas ou cortadas. Em certas regiões do Brasil. onde as estações do ano são bem definidas. o número de estames ou pétalas.3. livres ou unidas.exemplo: dente-de-leão (Taraxacum officinale) .talo cilíndrico. entrenós com talo oco. lígula normalmente presente. As plantas bianuais vivem mais do que um. bainha normalmente aberta. com incremento anual. como no caso de cenoura e alface silvestres. há nítida observância desses fatos. Imperata brasilensis. que são plantas cujos caules têm crescimento secundário. há uma lista enorme de características vegetativas que levam às famílias. Para facilitar a correta identificação da espécie. e depois ocorre maturação e morte.Biologia e métodos de controle . 1. Cyperus rotundus.

estames quatro a infinito. folhas irregularmente recortadas. estames livres e anteras unidas. Physalis e Datura. Exemplo: Mimosa e Acácia.flores muito pequenas e de cor verde. Exemplos: Bidens pilosa. cinco estames de tamanho desigual.flores vistosas com cálice e corola pentâmeros. Exemplos: Ipomoea sp. talo estriado. cálice transformado em papus. Chenopodiaceae . em geral as folhas são penadas. Módulo 3.Mimosaceae .Biologia e métodos de controle 17 . Exemplos: Rumex crispus .corola irregular com estandarte interno. Acanthospermum australe.Inflorescência em capítulo (flores muito pequenas e em dois tipos: tubulares e ligulares). flores muito pequenas e de cor verde.corola com estandarte interno.corola actinomorfa. estames 3-12 inseridos no cálice. corola em forma de tubo. flores vistosas.Papilionaceae . o fruto é uma capsula.talo triangular sem nós. Cruciferae . folhas bipenadas ou penadas.. Exemplos: Cyperus esculentus e Cyperus rotundus. Polygonaceae .possuem cinco estames. Raphanus raphanistrum e Lepidium virginicum.presença de serocina. fruto em aquênio. com odor forte e característico.Cesalpinaceae .língua-de-vaca.trepadoras com folhas alternadas e sem estípulas. folhas e caules. etc. planta com escamas. Cyperaceae . sem estípulas. bainha fechada sem lígula. o fruto é uma síliqua.1 . Exemplos: Senna obtusifolia. Malvaceae . Exemplos: Amaranthus hybridus e Amaranthus viridis. geralmente (9) + 1. Exemplo: Chenopodium album. Sonchus oleraceus e Xanthium cavanillesii. Solanaceae . com seiva mucilaginosa e talos fibrosos. folhas nunca bipenadas.folhas de disposição alternadas. Convolvulus arvensis e Cuscuta sp. Exemplos: Desmodium e Phaseolus. dividido em dois lóculos. com muitos estames em androceu tubular. talos e folhas muitas vezes com espinho. brácteas espinhosas.Amaranthaceae . seiva ácida e penetrante.é subdividida em subfamílias: Subfamília I . inseridos na corola. Exemplos: Solanum. usualmente anuais. Ageratum conyzoides. Subfamíla II . inflorescências condensadas. o fruto muitas vezes é uma cápsula ou um policoco. Convolvulaceae . hermafroditas e actinomorfas. Exemplos: Brassica rapa. estames 10. anteras agrupadas ao redor do estilete. muitas vezes. Subfamília III . Leguminosae . nós dos talos inchados ou protuberantes. Exemplos: Sida spp. estames inseridos no fundo do tubo polínico.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Compositae .estames tetradínamos (quatro comprimidos para dentro e quatro curvados para fora). Melampodium perfoliatum.

d) Grande desuniformidade no processo germinativo. Essas características de agressividade são: a) Elevada capacidade de produção de dissemínulos (sementes. f) Facilidade de distribuição dos propágulos a grandes distâncias. por sementes e tubérculos. quando separadas. etc. e Cyperus rotundus: apenas um tubérculo. esta planta produz centenas de sementes viáveis. Cynodon dactylon (grama-seda): por sementes e estolões. b) Manutenção da viabilidade mesmo em condições desfavoráveis. no momento do cultivo do solo. Muitas plantas daninhas apresentam mais de um mecanismo de reprodução. são distribuídas em outras áreas. e este foi o motivo de sua introdução no Brasil pela importação de animais ou lã. é a causa do insucesso dos herbicidas aplicados ao solo. a 12 cm.). cortadas.400 sementes por planta. Exemplos: Phoradendron rubrum (erva-de-passarinho). e mantém alguma viabilidade após passarem pelo aparelho digestivo de ovinos e eqüinos e só perdem o poder germinativo passando pelo aparelho digestivo das aves. e) Mecanismos alternativos de reprodução. vento. e Euphorbia heterophylla (amendoim-bravo). em 60 dias. muitas vezes. Artemisia biennis: 107. cujas sementes permanecem viáveis mesmo após 54 meses. bulbos. e Bidens pilosa (picãopreto) é transportado a longas distâncias nos pêlos de animais ou roupas dos operadores de máquinas. Echinoclhoa crusgali (capim-arroz) foi introduzido junto com as sementes importadas. submersas em água ou após passarem pelo aparelho digestivo do porco ou boi. usando os métodos de controle disponíveis. Exemplos: Amaranthus retroflexus com 117. Há duas situações distintas: 1) Disseminação auxócora (externa): Acanthospermum australe (carrapicho-de-carneiro) . caso o homem não interfira.500 sementes por planta.4 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. 2) Disseminação zoócora (interna): as sementes ingeridas pelos animais passam pelo intestino e. animais. a 20 cm. com isso.Características de agressividade das plantas daninhas As características das plantas daninhas verdadeiras fazem com que estas sejam mais agressivas em termos de desenvolvimento e ocupação rápida do solo. sendo uma das estratégias de sobrevivência das plantas daninhas. etc. dominam as plantas cultivadas. etc. podem gerar mais dez plantas. c) Capacidade de germinar e emergir a grandes profundidades. através das fezes. e Cyperus rotundus (tiririca). tubérculos. estolões.adere à lã das ovelhas. 18 Módulo 3. máquinas. produz 126 tubérculos. Esta característica. Isso ocorre devido aos inúmeros e complexos processos de dormência. Momordica charantia (melão-de-são-caetano) e Paspalum notatum (gramabatatais). além de tudo isso. Exemplos: Avena fatua (aveia-brava) germina até a 17 cm. Exemplos: Sorghum halepense (capim-massambará): reproduz por sementes e rizomas. rizomas.Biologia e métodos de controle . Exemplo: Convolvulus arvensis. homem. Ipomoea sp. Isto ocorre pela ação de água.1 . (corda-de-viola). e cada tubérculo possui cerca de dez gemas que.

Contudo. por exemplo. ou quando esta é rodeada pelos seus descendentes. pois nos programas de melhoramento genético tem-se procurado desenvolver cultivares que. as plantas daninhas sempre levam vantagem competitiva sobre as plantas cultivadas. Observações com 107 espécies de plantas daninhas.Biologia e métodos de controle 19 . crescer e reproduzir-se. frutos. daninhas ou não.. Em soja. podendo ser agravados pela presença de outras plantas no mesmo espaço. Brachiaria plantaginea tem grande facilidade para dominar a área quando o controle não é efetuado no momento oportuno. 2 . com pequeno porte e pouco crescimento vegetativo. e. À medida que a planta se desenvolve. 1982). 44 após 30 anos e 36 após 38 anos. numa situação de competição. envolve os aspectos da migração e agregação. e a da ançarinha-branca. toda planta necessita de água. luz. esses fatores do ambiente tornam-se limitados. nutrientes e dióxido de carbono disponíveis em um determinado local e tempo. Daí em diante vários outros conceitos foram emitidos. esses autores salientam que.1 . apresentem grande acúmulo de material em sementes. completando seu ciclo de vida. Decandole (1820) foi quem primeiro conceituou competição. Locatelly e Doll (1977) definem competição como a luta que se estabelece entre a cultura e as plantas daninhas por água. ambos os indivíduos são prejudicados.Competição entre plantas daninhas e culturas Para germinar. gerando. respectivamente. gás carbônico e oxigênio em quantidades adequadas. as plantas daninhas germinam e crescem muito mais rápido. Essa grande longevidade se deve a inúmeros e complexos processos de dormência. em razão de a competição envolver vários fatores diretos e indiretos. temperatura. luz.700 anos. tubérculos ou outras partes de Módulo 3. por 1. cujas sementes foram enterradas em cápsulas porosas. Muitas plantas daninhas crescem e se desenvolvem mais rápido que muitas culturas. Na cultura da cebola. seja da mesma espécie ou de espécies diferentes.040 anos. nos ecossistemas agrícolas. a competição torna-se importante quando dois ou mais organismos lutam por algo que não existe em quantidade suficiente para todos. Observações usando 14C mostraram que a semente do lótus da índia pode ser viável por 1. em nível ecológico. a competição seria a luta que se inicia entre indivíduos quando uma planta está em um grupo de outras plantas. h) Grande longevidade dos dissemínulos. mostraram que 71 delas estavam viáveis um ano após. Para Weaver e Clements (1938). 68 após 10 anos. muitas vezes é preferível falar-se em interferência de uma comunidade de plantas. a 20-100 cm de profundidade. Já Odum (1969) afirma que competição significa uma luta por um fator. que também lutam pelos mesmos fatores de crescimento. sobre outras. 57 após 20 anos. assim.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas g) Rápido desenvolvimento e crescimento inicial. Do exposto. dominando facilmente a cultura. uma relação de competição entre plantas vizinhas. ou seja. depreende-se que. afirmando que todas as plantas de um determinado lugar estão em estado de guerra entre si. quando esta é conduzida por semeadura direta. nessas condições (KLINGMAN et al.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas interesse econômico. em sua maioria. ou quando um dos competidores impede o acesso por parte do outro competidor. a qual ocorre porque. a produtividade das culturas e a qualidade dos produtos colhidos. Em ecossistemas agrícolas. (2003). diminuindo ou impedindo que as plantas cultivadas tenham acesso aos fatores de crescimento. como acontece. nutrientes e CO2 e. densidade do solo. na maioria das vezes. nessas circunstâncias. que as plantas cultivadas. cuja dependência é muito grande. Radosevich et al. não sendo visível no início do desenvolvimento das plantas. A resposta das plantas aos recursos segue uma curva-padrão: é pequena se o recurso é limitado e é máxima quando o ponto de saturação é atingido. entretanto. luz. até que um nível ideal seja alcançado. em condições de sombreamento (PITELLI. até mesmo para o próprio desenvolvimento da cultura. como pH do solo. reduzindo não somente a produtividade da cultura. fazendo o controle das plantas invasoras. assim.1 . qualquer planta daninha que se estabeleça na cultura vai usar parte dos fatores de produção.Fatores do ambiente passíveis de competição A competição entre plantas é diferente daquela que ocorre entre animais. Como ambas possuem suas demandas por água. como água. estabelece-se a competição. por exemplo. 1985). 1985). Sabe-se.Biologia e métodos de controle . a competição entre plantas é de natureza aparentemente passiva. devido ao refinamento genético a que foram e ainda são submetidas. já limitados no meio. não apresentam.1 . em razão da influência extrema que estes exercem sobre a utilização dos recursos pelas plantas. Todavia. ou seja. (1996) dividem os fatores do ambiente que determinam o crescimento das plantas e influenciam a competição em “recursos” e “condições”. a cultura e as plantas daninhas desenvolvem-se juntas na mesma área. podendo declinar se houver excesso do recurso (ex: toxidez devido a excesso de Zn no solo). mas também a qualidade do produto colhido. estes fatores de crescimento (ou pelo menos um deles) estão disponíveis em quantidade insuficiente. a competição somente se estabelece quando a intensidade de recrutamento de recursos do meio pelos competidores suplanta a capacidade do meio em fornecer aqueles recursos. algumas vezes observada no em realação às culturas. comprometendo. caso não haja interferência humana. gás carbônico. a grande capacidade de sobrevivência das plantas daninhas. Devido à falta de mobilidade dos vegetais. Recursos são os fatores consumíveis. Condições são fatores não diretamente consumíveis. a superioridade das plantas daninhas na competição por esses recursos. pode ser devido à ocorrência de alta densidade dessas invasoras na área. capacidade de competir vantajosamente com as plantas daninhas verdadeiras. quase sempre esse acréscimo na produtividade econômica da espécie cultivada é acompanhado por decréscimo no potencial competitivo (PITELLI. A condição pode limitar a resposta da planta tanto pela carência quanto pela abundância. Estas se estabelecem rapidamente.. etc. Outro aspecto importante é a grande agressividade. nutrientes e luz. 2. 20 Módulo 3. Para Santos et al.

mesmo com baixos níveis do recurso (RADOSEVICH et al. os mecanismos de competição consistem tanto do efeito que as plantas exercem sobre os recursos quanto da resposta das plantas às variações dos recursos (GOLDBERG. Apesar de os debates continuarem a respeito da validade e relevância dessas duas teorias. nessa teoria. e o sucesso na competição é fortemente determinado pela capacidade da planta em capturar recursos. De acordo com Grime. pode-se concluir que determinadas plantas são boas competidoras por utilizarem um recurso rapidamente ou por serem capazes de continuar a crescer. um bom competidor apresenta alta taxa de crescimento relativo. Portanto.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A maioria dos estudos sobre competição entre plantas daninhas e culturas tem focalizado somente a ocorrência e o impacto da competição na produção da cultura. Os fatores que determinam a maior competitividade das plantas Módulo 3. Para Tilman. 2003). podendo utilizar os recursos disponíveis rapidamente. e é desses autores a descrição que se segue. não estando. Shainsk e Radosevich (1992). porém a espécie daninha quase sempre supera a cultivada. citado por RADOSEVICH et al. Portanto. Assim. mudanças morfológicas e fisiológicas nas respostas de crescimento que estejam associadas com variações nos recursos. Com base nessas teorias. (1996) afirmam que duas dessas teorias (a de Grime e a de Tilman) têm recebido maior atenção do meio científico. sem examinar as características das plantas e os mecanismos que estão associados à competitividade (Radosevich et al. 1996). Embora a maioria das definições atuais sobre competição englobe o critério de Goldberg.. a depleção nos recursos e as respostas de crescimento. ambas ajudam a explicar como espécies de plantas competem por recursos limitados e como as características das plantas influenciam sua habilidade competitiva. podem reduzir o conteúdo relativo de N-P-K nos tecidos dessa cultura para 28-39-28% e 1429-21% do total. ainda.1996). Radosevich et al. a competição entre a planta daninha e a cultivada afeta ambas as partes. Na realidade. A base fisiológica que explica as vantagens que levam as plantas daninhas a ganhar a competição é muito complexa. respectivamente (RONCHI et al. 1996). Para Procópio et al. a competição é a tendência de plantas vizinhas utilizarem os mesmos recursos. sucesso competitivo é a habilidade para extrair recursos escassos e para tolerar essa escassez de recursos. Contudo. várias outras teorias têm sido desenvolvidas para explicar a importância relativa dos componentes da competição e das características das plantas que lhes conferem competitividade superior. principalmente o fósforo. citados por Radosevich (1996) sugeriram que o mecanismo de competição por recursos deve ser demonstrado por depleção dos recursos associados à presença e abundância de plantas vizinhas.. (2005). totalmente esclarecida.. desenvolvendo-se juntamente com plantas de café em fase inicial.. e correlações entre a presença de vizinhos. um bom competidor poderia ser a espécie com menor requerimento de recursos.Biologia e métodos de controle 21 . a elevada capacidade competitiva da espécie Desmodium tortuosum nas culturas da soja e do feijão pode ter como contribuição o maior acúmulo de nutrientes por essa planta daninha.1 . 1990. trabalhos mais recentes têm apresentado algumas justificativas para a baixa produtividade observada para as culturas quando em competição com espécies de plantas daninhas: Bidens pilosa e Leonurus sibiricus.

nas primeiras seis a oito semanas após sua emergência. ou. ocorre também a competição intraplanta ou endocompetição. as características que fazem com que uma espécie de planta seja altamente competitiva são as seguintes: • Ciclo de vida semelhante ao da cultura. c) As espécies daninhas competem por água. o maior índice de área foliar. se a população de plantas da cultura por área for baixa ou o estande desuniforme. que podem inibir a germinação e. parte aérea. e sistema radicular muito desenvolvido. ela poderá cobrir rapidamente o solo. entre outros fatores. luz. desenvolvimento da cultura. grande número de estômatos por área foliar. Todavia. 1996). como: germinação fácil em condições ecológicas variáveis. No entanto. na fase plantular. A competição pode ser intra-específica. do seu vigor. ainda. a menor susceptibilidade das espécies daninhas às intempéries climáticas. as plantas daninhas poderão vencer a competição pelos substratos ecológicos. As plantas daninhas apresentam certas características que lhes conferem grande capacidade competitiva. 22 Módulo 3. se a cultura se estabelecer primeiro. da velocidade de crescimento inicial e da densidade de plantio. comumente.Biologia e métodos de controle . apresentando muitas raízes fasciculadas nas camadas superficiais do solo e raízes principais com penetração profunda. seja ela daninha ou não. interespecífica. que são capazes de prover quantidades limitadas dos fatores essenciais ao desenvolvimento das plantas. também. e. várias generalizações podem ser inferidas sobre os aspectos competitivos entre as culturas e as plantas daninhas: a) A competição é mais séria quando a cultura está na fase jovem. podendo excluir ou inibir significativamente o crescimento das plantas invasoras. ocorrendo entre indivíduos de uma mesma espécie.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas daninhas sobre as culturas são o seu porte e sua arquitetura. A competição entre plantas daninhas e culturas é um fator crítico para o desenvolvimento da cultura quando a espécie daninha se estabelece junto ou primeiro que a cultura (RADOSEVICH. e a maior capacidade de produção e liberação de substâncias químicas com propriedades alelopáticas. nutrientes e espaço. ou. podendo. Com base nesse conceito.1 . em que cada órgão ou parte da planta luta pelo fotoassimilado produzido nas fontes. como veranico e geadas. d) Uma infestação moderada de plantas daninhas em lavouras pode ser tão danosa quanto uma infestação pesada. desenvolvimento e crescimento rápido de uma grande superfície fotossintética mesmo. em função da espécie cultivada. • Desenvolvimento inicial rápido das raízes e. ainda. envolvendo indivíduos de espécies diferentes. liberar toxinas no solo. a maior velocidade de germinação e estabelecimento da plântula. Com base nos pontos descritos. Cardenas (1972) salienta que a competição deve-se a condições específicas quanto ao ambiente e ao solo. a maior velocidade do crescimento e a maior extensão do sistema radicular. • Plasticidade fenotípica e populacional. dependendo da época de seu estabelecimento. b) As espécies daninhas de morfologia e desenvolvimento semelhantes ao da cultura. são mais competitivas se comparadas com aquelas que apresentam desenvolvimento diferente. isto é. Entretando.

. Conhecendo tais fatores. as características fisiológicas das plantas. que são métodos culturais de controle de plantas daninhas. que essas plantas com baixo requerimento de água sejam mais produtivas durante o período de limitada disponibilidade de água que as plantas com alto requerimento em água e. ficou constatado que a planta daninha Bidens pilosa é capaz de extrair água do solo em tensões três vezes maiores do que as alcançadas pela soja e pelo feijão (Fig. Normalmente. o profissional necessita ter o conhecimento profundo da cultura e da vegetação daninha infestante da área a ser cultivada. O princípio básico da competição baseia-se no fato de que as primeiras plantas que surgem no solo. regulação estomática e capacidade das raízes de se ajustarem osmoticamente. Módulo 3. Desse modo. A razão da elevada capacidade de sobrevivência de B. apresentam alta eficiência no uso da água (EUA = g de matéria seca produzida/g de H2O utilizada). (2004b). etc. da profundidade de plantio. Disso resulta a importância do preparo do solo. como o método químico. maior exploração do solo em busca de água (PROCÓPIO et al.Competição por água As plantas daninhas são verdadeiras bombas extratoras de água do solo. portanto. como capacidade de remoção de água do solo. por isso. • Produção e liberação no solo de substâncias alelopáticas. • Adaptação às mais variadas condições ambientais. Vários fatores influenciam a capacidade competitiva das espécies por água. pilosa com pouca água no solo pode estar relacionada com o fato de que. 2002).Biologia e métodos de controle 23 . portanto.1 . Para que se faça o manejo adequado de plantas daninhas em uma cultura. do cultivar adequado para a região. na fase inicial de seu desenvolvimento.. no manejo da cultura. pois se estabelecem primeiro. Dentre esses fatores destacam-se a taxa de exploração de volume do solo pelo sistema radicular. 1996). as plantas da cultura ficarem completamente murchas e as plantas daninhas túrgidas. sem qualquer sinal de déficit hídrico. esta espécie drena grande parte de fotoassimilados para a produção de raízes (baixa relação parte aérea/raiz) as quais promovem. especialmente nitrogênio e carbono.1996). mecânico ou biológico. é normal em alguns agroecossistemas. especialmente nos trópicos. torna-se fácil o manejo da cultura de modo que esta leve vantagem sobre o complexo daninho. 2. É de se esperar. etc. o chamado manejo integrado de plantas daninhas. minimizando assim a competição ou até mesmo eliminando-a com a ajuda de outros métodos de controle. pequenas ou grandes. da percentagem de germinação e vigor das sementes. da época correta de plantio. 2). em fases posteriores de desenvolvimento.1 . tendem a excluir as demais. as condições para que a cultura se estabeleça devem ser fornecidas antes do surgimento da vegetação daninha.. • Produção de um elevado número de propágulos por planta. a competição por água leva a planta a competir ao mesmo tempo por luz e nutrientes. Em trabalho realizado por Procópio et al.1. Certas espécies de plantas são capazes de usar menos água por unidade de matéria seca produzida que outras. magnitude da condutividade hidráulica das raízes. realizando. em dias quentes. dessa forma. (RADOSEVICH et al.. mais competitivas (RADOSEVICH et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • Germinação desuniforme no tempo e no espaço (presença de dormência). ou seja.

Digitaria horizontalis. apresentam um coeficiente transpiratório entre 150 e 350 (Quadro 4). Cynodon dactylon. A maioria das culturas (feijão.). no ponto de murcha permanente Quadro 3 – Valor máximo do uso eficiente da água (UEA) por diferentes espécies vegetais Espécie vegetal Phaseolus vulgaris Glycine max Euphorbia heterophylla Bidens pilosa Desmodium tortuosum Fonte: Procópio et al. trigo.088 0.316 0.015 0.Biologia e métodos de controle .Potencial hídrico no solo.017 1.073 0. soja. algumas culturas de gramíneas. Brachiaria plantaginea.250 0. chamada de coeficiente transpiratório (CT = volume água transpirado em mL/produção de biomassa seca.) apresenta coeficiente transpiratório entre 500 e 700 (Quadro 4). sorgo e cana-de-açúcar e grande número de espécies daninhas em nossas condições (Cyperus rotundus. Por outro lado. por realizarem o metabolismo C4. O abacaxi.112 0.367 0. Panicum maximun. cultivado com diferentes espécies vegetais. algumas espécies de plantas daninhas podem apresentar diferentes valores de EUA ao longo do ciclo. que correlaciona a água transpirada com a biomassa seca produzida. (2002).168 2. Amaranthus retroflexus. por ser uma planta xerófila e apresentar uma rota fotossintética específica (CAM). podendo competir melhor por este recurso em diferentes estádios fenológicos da cultura. etc.1 . como milho.963 24 Módulo 3. Cenchrus echinatus. em gramas). Valores antes do florescimento Valores após o florescimento -------UEA – biomassa seca em g kg-1 de água fornecida------0. tem um coeficiente transpiratório extremamente baixo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Todavia. algodão. O coeficiente transpiratório das diferentes espécies de plantas varia de 25 a 700. Figura 2 . pois são espécies que realizam o metabolismo C3 (plantas ineficientes). Outra maneira de se estimar o consumo de água pelas plantas é através da eficiência transpiratória. Alguns exemplos são apresentados no Quadro 3. etc.

1996). pode ser devida à maior população e melhor utilização de outros recursos.. Bidens pilosa e Desmodium tortuosum. com certeza devido à sua alta EUA.Volume de água transpirada (em mL) para acúmulo de 1 g de biomasa seca. (2003) avaliaram o UER das culturas da soja e do feijão e das espécies de plantas daninhas Euphorbia heterophylla. a competição das plantas daninhas pela luz deixa de existir. para diferentes espécies de plantas Espécie vegetal Amarantus hybridus* Glycine max Gossypium hirsutum Phaseolus vulgaris Panicum maximum* Oryza sativa Zea mays* Sorghum vulgare* Brachiaria brizantha* Eucalipto * Espécies que realizam o mecanismo C4. Pearcy et al. Coeficiente transpiratório 152 700 568 700 267 682 174 153 265 282 Fonte Blanco.Competição por luz Para alguns autores. como Locatelly e Doll (1977). verificando que as culturas foram capazes de produzir maior quantidade de biomassa por unidade de radiação captada. não foi eliminado. observada em campo. a maior capacidade competitiva delas. Os autores afirmam que.1 . Módulo 3. Quadro 4 .. a competição pela luz não é tão importante como a competição por água e por nutrientes. 2004 Silva et al. as quais.1. observaram que a diferença na eficiência de uso da água entre Chenopodium album (C3) e Amaranthus retroflexus (C4) influenciou pouco a relação entre elas. Santos et al. dois mecanismos diferentes para sobreviver à competição por água: habilidade para utilizar um recurso rapidamente (espécie C4) e habilidade para continuar a desenvolver-se mesmo com baixos níveis do recurso (planta C3). chegando inclusive a citar exceções. como a de Sesbania exaltata. retroflexus. 1977 Silva et al. que compete vantajosamente por este fator de crescimento com a cultura do arroz.Biologia e métodos de controle 25 . 2004 2. apresentam maiores valores para o uso eficiente da radiação (UER).2 . (1981. Observam-se. apesar de as plantas daninhas avaliadas apresentarem menor eficiência na utilização da radiação fotossinteticamente ativa. Para outros autores. mesmo crescendo com outras espécies em condição imposta de estresse hídrico. porém o uso eficiente da água não é o único mecanismo utilizado para sobreviver à competição por água. já que sua EUA é baixa. o melhoramento genético imposto às culturas possibilitou a seleção de plantas com elevada capacidade de utilização da luz. Provavelmente a espécie C3 contornou a deficiência hídrica pelo controle estomatal. como água e nutrientes. citados por Radosevich et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Essa diferença na eficiência do uso da água é um fator importante na agressividade da espécie. uma vez que a cultura tenha formado sombreamento completo. quando avaliadas isoladamente das plantas daninhas. Já A. Esses autores salientam que.. nesse exemplo.

por ser ambígua quanto ao substrato. ocorrendo o ciclo de Calvin e Benson. também. no ácido fosfoenolpirúvico. baixa eficiência no uso da água e menor taxa de produção de biomassa. a enzima responsável pela carboxilação primária nas plantas C4 (PEP-carboxilase) apresenta algumas características. ou seja. estas plantas passarão a perder a competição com as plantas C3. C4 ou se realiza o mecanismo ácido das crassuláceas (CAM). o ácido pirúvico.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sabe-se que a competição pela luz é complexa sendo sua magnitude influenciada pela espécie. As diferenças entre as rotas fotossintéticas C3 (plantas ineficientes). atua especificamente como carboxilase. apresentam baixa afinidade pelo CO2 e possuem elevado ponto de compensação para CO2. 3 fosfoglicérico e. A enzima responsável pela carboxilação primária do CO2 proveniente do ar é a ribulose 1-5 bifosfato carboxilase-oxigenase (Rubisco). a qual carboxiliza o CO2 absorvido do ar via estômatos. que ocorre em todas as plantas superiores. catalisa a produção do ác. liberando no meio o CO2 e o ácido pirúvico. em seguida. É sabido que a relação molécula de CO2 fixado/ATP/NADPH é de 1:3:2 para as plantas C3. É muito comum imaginar que as espécies de metabolismo C4 são sempre mais eficientes que as plantas C3.Biologia e métodos de controle . formando o ácido oxaloacético (AOA). dependendo da espécie vegetal. As plantas C4. além do ciclo de Calvin e Benson. possuem ainda o ciclo de Hatch e Slack.5 difosfato carboxilase. substrato inicial da respiração. localizada nas células do mesófilo foliar. baixo ponto de saturação luminosa. as plantas C3 fotorrespiram intensamente. Estas plantas. requerem maior energia para produção dos fotoassimilados. isso só é verdade em determinadas condições. responsável pela fixação do CO2. A enzima primária de carboxilação é a PEP-carboxilase. agora pela enzima ribulose 1. do glicolato. por difusão. se a rota fotossintética que ela apresenta é C3. atividade ótima em temperaturas mais elevadas. por apresentarem dois sistemas carboxilativos. regenerando a enzima PEP-carboxilase e recomeçando o ciclo. consumindo 2 ATPs.1 . Este fato evidencia que as plantas C4 necessitam de mais energia para produção dos fotoassimilados. pois precisam recuperar duas enzimas para realização da fotossíntese. As plantas C4 possuem duas enzimas responsáveis pela fixação do CO2 . Em função destas e outras 26 Módulo 3. se se reduzir o acesso à luz. Como toda esta energia é proveniente da luz. onde é fosforilado. e. também. e não satura em alta intensidade luminosa. como: alta afinidade pelo CO2. entretanto. sendo esta relação para as plantas C4 de 1:5:2. é transportado para as células da bainha vascular das folhas. de modo que o primeiro produto estável da fotossíntese é um composto de três carbonos (ácido 3-fosfoglicérico). retorna às células do mesófilo. por difusão. Todavia. C4 (plantas eficientes) e CAM estão nas reações bioquímicas que ocorrem na fase escura da fotossíntese. quando comparadas com plantas de metabolismo do tipo C4 (Quadro 5). logo. onde estes produtos são descarboxilados. Este AOA é convertido em malato ou aspartato. não desassimilam o CO2 fixado. Este CO2 liberado é novamente fixado. se ela é umbrófila ou heliófila e. Em conseqüência da ação desta enzima. Essas plantas não apresentam fotorrespiração detectável. a qual apresenta atividades de carboxilase e oxigenase. As plantas de rotas fotossintéticas do tipo C3 apresentam apenas o ciclo de Calvin e Benson. Esta enzima apresenta baixa afinidade pelo CO2 e.

Fotorrespiração 02. No caso das plantas C4. arroz. a enzima carboxilativa das plantas C3 encontrase saturada quanto à luz. Fotossíntese x intensidade luminosa 09.5-bifosfato carboxilase-oxigenase (25oC). liberando CO2. alta luminosidade e até mesmo déficit hídrico temporário. etc. Como a maioria das culturas agronômicas das regiões tropicais e subtropicais (algodão. estima-se que. Enzima primária carboxilativa 06. nestas condições. Este fato faz com que a concentração do CO2 no mesófilo foliar caia a níveis abaixo do mínimo necessário para atuação desta enzima. Temperatura ótima para a fotossíntese 10. PEP-carboxilase (Km ≅ 5μM de CO2) Sem efeito 1:5:2 Não satura com aumento da luminosidade. ainda assim essas plantas continuam acumulando biomassa. levando a planta a atingir o ponto de compensação rapidamente. Taxa de fotossíntese líquida com saturação de luz Módulo 3. torna-se evidente que plantas daninhas C4 serão aquelas que exercerão maior competição com as culturas. Ponto de compensação 04.0 a 10 ppm de CO2 Presença de bainha vascular com cloroplastos. mesmo que a concentração de CO2 no mesófilo foliar atinja níveis muito baixos. quando plantas estão se desenvolvendo em condições de temperaturas elevadas. chegando a acumular o dobro de biomassa por área foliar no mesmo espaço de tempo. em temperatura acima da ótima para a ribulose 1. Além disso. os estômatos estarem parcialmente fechados (horas mais quentes do dia). entre as dez espécies de plantas daninhas mais nocivas do mundo. Primeiro produto estável 03.1 . é comum. Considerando todas as áreas do globo terrestre. cana-de-açúcar. porque a enzima responsável pela carboxilação primária nestas plantas (PEP-carboxilase) apresenta alta afinidade pelo CO2 (baixo Km) (Quadro 5). Cynodon dactylon. Imperata cilindrica.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas características (Quadro 5). Isso acontece porque. Echinochloa crusgalli e Eleusine indica. e. as espécies C4 dominam completamente as C3. Relação CO2 : ATP:NADPH 08. sem cloroplastos RuDP-carboxilase (Km ≅ 20μM de CO2) Inibição 1:3:2 Satura com 1/3 da luminosidade máxima Próxima de 25 oC 15 a 35 mg CO2 dm-2 h-1 Fotossíntese C4 Presente: não mensurável pelo método de troca de gases com o ambiente Ácido oxaloacético Baixo: 0.Biologia e métodos de controle Fotossíntese C3 Presente: 25 a 30 % do valor da fotossíntese Ácido 3-fosfoglicérico Alto: 50-150 ppm de CO2 Ausência bainha vascular.) são cultivadas nos meses do ano que coincidem com períodos de elevada intensidade luminosa e temperatura. nessas condições. Panicum maximum. milho. oito são plantas C4 anuais ou perenes: Cyperus rotundus. esta passa a atuar mais como oxidativa. Anatomia foliar 05. existem exceções. soja. Sorghum halepense. mandioca. quando presente. Quadro 5 . feijão. Echinochloa colonum. Efeito do oxigênio (21%) sobre a fotossíntese. Isso é possível porque este grupo de plantas não apresenta fotorrespiração detectável. Próxima de 35 oC 40 a 80 mg CO2 dm-2 h-1 27 .Características diferenciais entre plantas com rotas fotossintéticas C3 e C4 Característica 01. 07.

a quantidade extraída do que os teores que ela apresenta na matéria seca.Competição por nutrientes As plantas daninhas possuem grande capacidade de extrair do ambiente os elementos essenciais ao seu crescimento e desenvolvimento e. a atmosfera edáfica contém menos oxigênio e mais CO2 do que o ar acima do solo. para as espécies de plantas C3. Coeficiente transpiratório 11. considerando as diferentes rotas fotossintéticas apresentadas por espécies de plantas daninhas e culturas. 20 vezes menos P e cinco vezes menos K compara à soja (PEDRINHO JÚNIOR et al. Fotossíntese C3 450 a 1. Outro ponto a ser considerado é a “Interação Radicular Passiva”. 2004). por exemplo. em conseqüência da “tortuosidade” da matriz do solo.1. que oferece resistência à difusão e ao fluxo de massa. Determinadas espécies de plantas são mais sensíveis ao excesso de CO2 e. a alta infestação dessa planta daninha em lavouras de soja implica maior remoção desse nutriente para a massa total da espécie infestante.3 . em conseqüência disso. assim. o aspecto competitivo não é comumente discutido e geralmente é considerado não-significante. Richardia brasiliensis acumula 10 vezes menos N.Competição por CO2 Com relação ao CO2. Como a eficiência na captura de CO2 proveniente do ar é diferente entre plantas C3 e C4 (Quadro 5) e se sua concentração pode variar.000 g H2O / g biomassa seca 6.1 . que são os dois processos principais de renovação da atmosfera do solo.5 a 7. ou. podem levar desvantagem na competição com espécies mais tolerantes em tais situações. em alto grau. Procópio et al. Quando se trata de analisar a capacidade de uma espécie de planta daninha em competir por nutrientes.4 . a concentração de CO2 no mesófilo foliar necessária para que uma determinada espécie passe a acumular matéria seca é diferente.Biologia e métodos de controle .. (2005) observaram que Desmodium toruosum é capaz 28 Módulo 3. Sob condições normais.5 % da biomassa seca 2. a competição por nutrientes depende. deve-se considerar.0 a 4. exercem forte competição com as culturas pelos nutrientes essenciais. os quais quase sempre estão em quantidades inferiores às necessidades das culturas em nossos solos. Por exemplo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Característica 11. principalmente. por exemplo. Molinia caerulea é mais tolerante a alta taxa de CO2 do que Erica tetralix.1. Conteúdo de N na folha para atingir fotossíntese máxima Fonte: Ferri (1985). Devido à grande variação em termos de recrutamento dos recursos minerais do solo apresentada pelas diferentes espécies de plantas daninhas. dentro de uma população mista de plantas. Isso acontece devido ao consumo do oxigênio pelos microrganismos do solo e em razão de sua renovação lenta. 2. da quantidade e das espécies presentes.5 % da biomassa seca Fotossíntese C4 150 a 350 g H2O / g biomassa seca 3. em condições de solo encharcado. com muito maior ênfase. No entanto. Todavia. deficiência de oxigênio e. ele pode ser limitante.

é capaz de formar três vezes mais matéria seca por unidade de P absorvida do solo. acarretaram decréscimos consideráveis no conteúdo relativo de nutrientes de plantas de café. respectivamente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas de acumular até 2. com adição de subdoses. (2003). diffusa a planta daninha que causou a maior diminuição no conteúdo relativo de nutrientes no cafeeiro (Quadro 6). Os acúmulos de cálcio e manganês no arroz foram reduzidos em 40 e 28%. Pitelli (1985).Conteúdo relativo* de nutrientes na parte aérea de plantas de café cultivadas em vasos (12 L de substrato). outras espécies são competidoras também na utilização desse recurso.1 .Biologia e métodos de controle 29 . observou que a matéria seca acumulada foi equivalente para a cultura e as plantas daninhas. Em lavoura de arroz de sequeiro. Quadro 6 . avaliando os períodos de convivência e acúmulo de nutrientes de diferentes plantas daninhas e o cafeeiro. o manejo inadequado de nutrientes. os autores observaram que Bidens pilosa. Além da capacidade em extrair nutrientes do solo. por ocasião do florescimento da cultura. Podese afirmar que. comparadas à soja e ao feijão (PROCÓPIO et al. além do acúmulo de matéria seca. em competição com o feijoeiro. sendo C.. Cerca de 80% do cálcio foi imobilizado pelas plantas daninhas. 2004a). o grau de interferência varia consideravelmente com a espécie e com a densidade das plantas daninhas. evidenciando elevada eficiência na utilização desse nutriente. estudando a distribuição dos nutrientes extraídos pelas plantas daninhas e pela cultura. pela interferência imposta pela comunidade infestante. Para os autores. competindo com uma espécie/planta por vaso Espécie Vegetal Bidens pilosa Commelina diffusa Leunurus sibiricus Nicandra physaloides Richardia brasiliensis Sida rhombifolia PTC* * 77 180 82 68 148 133 N 59 30 35 37 49 97 P K 72 67 42 37 33 38 62 68 61 57 83 105 Conteúdo relativo* de nutrientes Ca Mg S Cu Zn B Mn Fe Na 67 74 97 106 66 76 59 54 69 45 48 69 69 37 54 19 41 35 36 40 41 66 37 41 30 57 39 72 76 86 114 69 101 50 107 68 53 50 67 43 51 63 57 61 59 90 88 98 93 77 138 102 80 106 *Relativo ao conteúdo verificado na testemunha (cafeeiro sem competição). ** Período total de convivência da planta daninha com a muda de café no vaso Módulo 3. Isso demonstra que. e do contrário ocorreu com o manganês (85% imobilizado pela cultura).4 vezes mais P por g de massa seca comparada à soja em mesma condição de recursos. em campo. Bidens pilosa e Euphorbia heterophylla apresentam maior eficiência na utilização do N absorvido no solo. desenvolvida na presença da comunidade infestante. a competição depende do nutriente. Ronchi et al. poderá favorecer espécies vegetais que utilizam mais eficientemente esse recurso. mesmo em baixas densidades. verificaram que as espécies infestantes. Além disso.

ou seja. Milhares de compostos secundários sintetizados por espécies vegetais estão isolados e estimasse que outros milhares existam na natureza. macieiras e citros) também ocorre a auto-inibição do desenvolvimento em plantios na mesma área. promovem uma interação bioquímica entre plantas. lançados ao ambiente. A maioria dos aleloquímicos voláteis são compostos terpenóides. existindo forte relação de dependência entre a produção destes metabólitos e 30 Módulo 3. A quantidade dos compostos produzidos e a composição destes dependem da espécie e das condições ambientais. quando lançados no ambiente. metabólitos secundários podem inibir a própria planta que os produziu. As plantas podem exsudar naturalmente uma série de compostos orgânicos. após serem transferidos para o ambiente (RICE.1 . 1969). o estado sanitário. A primeira demonstração científica de auto-alelopatia foi feita em feijão-miúdo (Vigna unguiculata). frutos e sementes). quando cultivado sucessivamente na mesma área.1 a 0. (folhas. flores. principalmente monoterpenos e sesquiterpenos (RICE.Biologia e métodos de controle . 1984). insetos. a maioria dos metabólitos secundários liberados pelas plantas está envolvida em interações com outros organismos. mas provavelmente estão associados com mecanismos ou estratégias químicas de adaptação às condições ambientais. Em fruteiras (pessegueiros. os compostos secundários que.4% do carbono fotossintetizado (ROVIRA. Os aleloquímicos. Os efeitos podem ser deletérios ou benéficos sobre outra planta. por meio dos próprios vapores. geralmente da ordem de 0. em raízes intactas. os aleloquímicos podem ser absorvidos diretamente pela cutícula das plantas vizinhas. lixiviação e decomposição dos resíduos da planta. acumular e secretar uma grande variedade de metabólitos secundários. ou condensados no orvalho. afetam o crescimento. Essas substâncias alelopáticas são liberadas dos tecidos da planta para o ambiente de diferentes formas. ou seja. Provavelmente. 1988). exsudação radicular. Uma vez volatilizados. apresentam potencial para exercer alelopatia em agroecossistemas. que não parecem relacionados diretamente com nenhuma função do metabolismo primário. Existe ainda a auto-alelopatia. caules. raízes. denominados aleloquímicos.Alelopatia As plantas superiores desenvolveram notável capacidade de sintetizar. ou ainda alcançar o solo. após muitos anos de cultivo da mesma espécie no solo. Assim. como outras plantas. fungos e herbívoros.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 3 . As plantas são hábeis em produzir aleloquímicos em todos os seus órgãos. 1984). incluindo microrganismos. onde são absorvidos pelas raízes (ALMEIDA. o comportamento ou a biologia da população de organismos de outra espécie são de interesse da alelopatia. sobre a própria planta ou microrganismos ou vice-versa. através de volatilização.

em sistema de plantio direto. crescimento. para outras características que não as de agressividade para com outras plantas. fotossíntese. como nabo forrageiro. açúcares. como tiririca. e essa deficiência de defesa das plantas cultivadas é atribuída à seleção a que estas têm sido submetidas ao longo do tempo. A inibição sobre o desenvolvimento de plantas de pimentão por extratos de eucalipto é um exemplo. são: assimilação de nutrientes. etc. Os aleloquímicos podem ser liberados das células vivas ou mortas também pela ação da água.1 . Assim. alguns terpenos e muitos compostos fenólicos podem ser lixiviados. ao melhorar o paladar e diminuir a toxicidade.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas as condições de ambiente (EINHELLIG. Módulo 3. capim-massambará. o que dificulta a interpretação de resultados a campo. atividade enzimática. como Brachiaria plantaginea. alcalóides. etc. os aleloquímicos podem ser liberados através dos resíduos. Cenchrus echinatus e Euphorbia heterophylla. neblina e orvalho. grama-seda. O efeito alelopático das culturas sobre plantas daninhas é menos comum. Os principais processos vitais afetados. As perdas da permeabilidade seletiva da membrana citoplasmática ocorrem pouco tempo após a morte da planta. aveia e centeio. colza. O fungo Penicillium urticae produz fitotoxina patulina durante a decomposição dos resíduos do trigo.Biologia e métodos de controle 31 . respiração. 1996). 1988). nutrientes.) e dos efeitos das substâncias alelopáticas que estas produzem. luz. aminoácidos e as substâncias pécticas. reduzindo a intensidade de infestação de algumas plantas daninhas. 3. O mecanismo de ação dos aleloquímicos não está ainda bem esclarecido. 1988).1 . permeabilidade da membrana celular. microrganismos podem metabolizar polímeros presentes e produzir substâncias tóxicas. Por exemplo. síntese de proteínas. apresentam razoável efeito alelopático. Uma variedade de compostos químicos pode ser carreada da parte aérea das plantas por meio de chuva. segundo Almeida (1988). Os alcalóides. Com a liberação direta dos compostos pelos tecidos. O eucalipto produz substâncias cuja presença é variável com as espécies. espaço físico. entre estes os ácidos. etc. na cultura seguinte.Alelopatia das plantas daninhas sobre as culturas e plantas daninhas A interferência que as plantas daninhas causam sobre as culturas é decorrente da competição pelos fatores comuns (água. etc. CO2. Restos culturais de algumas culturas. que promove toxicidade na cultura que o sucede (Almeida. O capim-marmelada (Brachiaria plantaginea) afeta o desenvolvimento da soja tanto no crescimento quanto na capacidade de nodulação (ALMEIDA. O desenvolvimento do tomateiro foi afetado por extratos de várias plantas daninhas. foram eliminados genótipos possuidores de substâncias alelopáticas. como taninos. e sua persistência no solo varia com as variações do ambiente.

várias pesquisas estão sendo conduzidas visando identificar os compostos alelopáticos. A colza. Se a cultura de verão for implantada com algum intervalo após a colheita desta cultura de inverno. assim como poderá ser um ponto de partida para síntese de novos compostos com atividade herbicida.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 3. quando cultivadas em casa de vegetação. especialmente no que diz respeito às técnicas de rotação e consorciação. A cobertura morta da cultura do inverno. quando começa a época chuvosa. possivelmente não ocorrerão problemas de fitotoxicidade. usando solução nutritiva circulante entre os vasos de sorgo e alface. 32 Módulo 3. Normalmente. A taxa de decomposição é alta e a liberação dos compostos alelopáticos é. Quanto a possíveis efeitos alelopáticos do material incorporado ao solo. também rápida.Alelopatia das coberturas mortas No plantio direto. forma-se no final desta estação ou início da primavera. inferiores a 25 dias. normalmente cereais. como as adubações verdes. Estes estudos irão contribuir de maneira decisiva para o manejo de plantas daninhas no sistema de plantio direto. provoca redução do estande da cultura da soja plantada imediatamente após a sua colheita. a fim de avaliar suas atividades sobre as diferentes espécies de plantas daninhas. o que tem contribuído para que os agricultores do sul deixem de cultivar colza. Nas culturas de verão. exsudato radicular proveniente de plantas de sorgo reduziu a área foliar de plantas de alface em 68. o material fresco. os resíduos no solo são escassos e a temperatura e umidade no solo são suficientes para manter a atividade microbiana alta. conseqüentemente. os tipos de solo e as condições climáticas. degradando os aleloquímicos. por isso.2 . sabe-se que o processo de decomposição do material vegetal é variável com a qualidade dos tecidos. Em condições de baixas temperaturas.Biologia e métodos de controle .4%. Atualmente. redução do perfilhamento e até morte de plantas daninhas durante a fase inicial de desenvolvimento. podendo os resíduos de plantas de mesma espécie dar origem a compostos diferentes.1 . os efeitos alelopáticos provocados pela incorporação de resíduos vegetais no solo são muitos variáveis. Outros pesquisadores avaliam e colecionam germoplasmas de plantas alelopáticas. Essa cobertura é essencial para o sucesso do plantio direto. Segundo Barbosa (1996). reduzir o vigor vegetativo e provocar amarelecimento e clorose das folhas. provoca efeitos alelopáticos pouco acentuados e por períodos curtos. hoje disseminado no Brasil por todos estados produtores de grãos. a incorporação dos resíduos deve ser feita com certa antecedência da semeadura das culturas. a cobertura morta pode prevenir a germinação. com efeitos biológicos e toxicidade diversos. Os efeitos alelopáticos são transitórios.3 . Por isso. por exemplo.Alelopatia entre culturas A possibilidade de se desenvolverem efeitos alelopáticos benéficos ou maléficos entre culturas tem interesse agronômico. 3. os resíduos secos podem causar fitotoxicidade mais severa.

No futuro.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas objetivando o melhoramento genético. pode-se dizer que. Os autores constataram elevada concentração de taninos condensados. O grau de interferência entre plantas cultivadas e comunidades infestantes depende das manifestações de fatores ligados à comunidade infestante (composição específica. Em trabalho realizado por Erasmo et al. não devem ser atribuídos exclusivamente à competição imposta por estas. maior será o grau de interferência. Pitelli e Durigan (1984) sugeriram terminologia para períodos de convivência de plantas daninhas em culturas. densidade e distribuição). sendo a possível causa dos efeitos alelopáticos. o conhecimento das propriedades alelopáticas das plantas será fundamental. o controle biológico de plantas daninhas também poderá ser uma opção no manejo integrado.Competição e período crítico de competição De acordo com Pitelli (1985). menor será o grau de interferência. os quais são descritos a seguir. à própria cultura (espécie ou variedade. o estudo da época ideal de controle de plantas daninhas em cada cultura. ambos citados por Pitelli (1985). Essa idéia foi originalmente apresentada por Bleasdale (1960) e mais tarde modificada por Blanco (1972).Biologia e métodos de controle 33 . bicolor. gerando menor intensidade de interferência na produtividade econômica. clima e manejo. devidos à presença de plantas daninhas. porque dependerá da época e do ciclo da cultura em que esse período ocorrer. interferência na colheita e outras). De maneira geral. e. podendo ser alterado pelas condições de solo. spinosus. (2004). 4 . Esse fato justifica. espaçamento e densidade de plantio) e à época e extensão da convivência. utilizadas como cobertura vegetal. entre outros fatores. portanto. foram eficientes no controle das espécies daninhas D. favorecendo a utilização de recursos pela planta cultivada. alelopatia. H. no desenvolvimento e na produtividade de uma cultura.1 . esteróides livres e ogliconas esteróides. os efeitos negativos observados no crescimento. portanto. lophanta e A. quanto maior for o período de convivência múltipla (culturaplantas daninhas). pruriens e S. para o sucesso deste método. visando o mínimo possível de redução na produtividade. O manejo de plantas daninhas altera a cronologia natural dos eventos. uma infestação moderada de plantas daninhas poderá ser tão danosa à cultura quanto uma infestação pesada. Geralmente. No entanto. isto não é totalmente válido. M. Contudo. dependendo da época de seu estabelecimento. Módulo 3. ao conjunto de ações que recebe uma determinada cultura em decorrência da presença da comunidade infestante num determinado local. sendo o esquema apresentado na Figura 3. referindo-se. mas resultante das pressões ambientais de ação direta (competição. A este efeito global denominou-se “interferência”. as espécies Mucuna aterrima. horizontalis. mas sem prejudicar também o ambiente. quanto menor o período de convivência entre cultura e plantas daninhas.

O limite superior deste período indica a época em que a interferência compromete irreversivelmente a produtividade econômica da cultura. em determinada época do ciclo da cultura. permitindo que a competição por recursos outros que não a adubação se instale de maneira mais rápida. Teoricamente.Biologia e métodos de controle .1 . o final do período anterior à interferência seria a época ideal para o primeiro controle da vegetação infestante. pois a comunidade teria acumulado energia e matéria orgânica que retornariam ao solo. contribuindo para o próprio desenvolvimento da cultura. a fertilização incrementa o crescimento inicial da cultura e das plantas daninhas. em que a cultura pode conviver com a comunidade de plantas daninhas antes que a interferência se instale de maneira definitiva e reduza significativamente a produtividade da lavoura é denominado “período anterior à interferência” (PAI). Desse modo. terão atingido tal estádio de desenvolvimento que promoverão uma interferência sobre a espécie cultivada. este deve ser o período que as capinas ou o poder residual dos herbicidas devem cobrir. principalmente. Na prática.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas “Período total de prevenção da interferência” (PTPI) é o período. qualitativamente. impede o desenvolvimento das plantas daninhas. toda e qualquer prática cultural que incremente o crescimento inicial da cultura pode contribuir para um decréscimo no período total de prevenção da interferência. permitindo menos cultivos ou o uso de herbicidas de menor poder residual. na prática este limite não pode ser considerado. a partir do plantio ou da emergência. a Époc Dura çã o Período de convivê ncia lti Cu r va Es pé ci e s Espaçamento Densidade Densidade Cultura Grau de interferência rib st Di ui o çã Figura 3 . a própria cultura. É importante esclarecer o significado deste período em termos de competição: as espécies daninhas que emergirem neste período. No entanto. do sombreamento. Após esse período.Modelo esquemático dos fatores que influenciam o grau de interferência entre cultura e comunidades infestantes Aquele espaço de tempo. após a semeadura ou o plantio. Por exemplo. ou. capaz de reduzir significativamente sua produtividade econômica. em que a cultura deve ser mantida livre da interferência de plantas daninhas. para que a produção não seja afetada quantitativa e. A aplicação de certas práticas culturais contribui para diminuição deste período. n D De d d s si ad e Ambiente S ol o Ma ne j o Clima 34 Módulo 3. através.

Biologia e métodos de controle 35 . porque as condições em que foram conduzidas as pesquisas.30 d Martins (1994) Módulo 3. (1980) Brighenti et al. os cultivares utilizados e as composições específicas das comunidades infestantes foram diferentes. torna-se extremamente importante a pesquisa nesta área. (1994) 20 . (2005) 22 – 38 d Dias et al. (1981) Mascarenhas et al. Quadro 7 . Considerando a diversidade de fatores que influenciam o grau e os períodos de interferência apresentados. (1982) Oliveira e Almeida 45 . não são idênticos para as mesmas culturas..42 d Ramos e Pitelli (1994) 21 . PAI e PCPI.30 d Spadotto et al. clima. Do ponto de vista prático.90 d (1982) 47 – 127 Kuva et al. Em diversos trabalhos de pesquisa visando avaliar os efeitos da interferência de plantas daninhas em culturas (Quadro 7). (2003) Alcântara et al.66 d 80 d ----100 d 20 d 20 –100 d 30 d 21 d 21 – 30 d 42 d 40 d 30 d 30 .40 d 60 d 90 d 127 d 30 d 88 d 38 d 42 30 d 30 d 45 d 30 d 74 d 20 d 15 d 22 d 14 21 d 20 d Fonte Salgado et al. 2005). Isso é normal. ou. (2005) 14 .1 .60 d (1982) Rolin e Cristofolleti 30 .30 d Victoria Filho (1994) 15 – 88 d Dias et al. os períodos PTPI. (2004) Soares et al. encontrados pelos diversos autores. (2002) Souza et al. (2003) 20 . as plantas daninhas podem ter atingido um estádio tal de desenvolvimento que inviabilize o uso de práticas mecânicas ou o controle químico. a cultura deverá ser mantida livre das plantas daninhas no período compreendido entre o final do PAI até o momento em que as plantas daninhas que vierem a emergir não mais irão interferir na produtividade da cultura. Recentemente foi proposto o Período Anterior ao Dano no Rendimento Econômico (PADRE). nas diferentes condições envolvendo solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas pois a cultura e. visando realizar com eficiência o manejo integrado das plantas daninhas.Períodos de convivência e de controle de plantas daninhas em diversas culturas anuais e bianuais Cultura Algodão Alho Girassol Cebola Arroz de sequeiro Cana-de-açúcar ( plantio de ano ) Cana-de-açúcar (plantio de ano e meio) Feijão Café (após plantio das mudas no inverno) Café (após plantio das mudas no verão) Milho Soja Dias Após Semeadura ou Plantio (d) PTPI PAI PCPI 66 d 08 d 08 . espécies daninhas e culturas. Este seria o “período crítico de prevenção da interferência” (PCPI). baseado na hipótese de que aspectos econômicos como o custo de controle e o valor monetário dos grãos devem ser utilizados como critério para determinar o período aceitável de interferência das plantas daninhas antes de se decidir pelo seu controle (VIDAL et al.

a disseminação de determinadas espécies-problema em áreas ainda por elas não infestadas. grades e colheitadeiras. etc. que poderão se transformar em sérios problemas para a região. o controle é de responsabilidade de cada agricultor ou cooperativas. Em níveis federal e estadual. além de outras espécies.Métodos de controle de plantas daninhas Os métodos de controle de plantas daninhas usados são os mais variados possíveis e.. o estabelecimento e. Eles abrangem desde o arranque das plantas com as mãos até o uso de sofisticados equipamentos de microondas para exterminar as sementes no solo. o picão-preto (Bidens pilosa) e o capim-carrapicho (Cenchrus echinatus). pêlos de animais. limpeza de canais de irrigação. inspecionar cuidadosamente mudas adquiridas com torrão e também toda a matéria orgânica (esterco e composto) proveniente de outras áreas. por meio de estercos. 36 Módulo 3. que não interfiram na produção econômica da cultura.1 . um município ou uma gleba de terra na propriedade. um estado.Biologia e métodos de controle . Em nível local. se espalham por novas áreas por meio de roupas e sapatos dos operadores. tem-se a tiririca (Cyperus rotundus). 5. Nestas legislações encontram-se os limites toleráveis de cada semente de planta daninha e também a lista de sementes proibidas por cultura ou grupo de culturas. verifica-se grande evolução destes. As medidas que podem evitar a introdução onde a espécie ainda não ocorre são: utilizar sementes de elevada pureza. A falta desses cuidados tem causado ampla disseminação das mais diversas espécies. atualmente. etc. há legislações que regulamentam a entrada de sementes no país ou estado e sua comercialização interna. etc. A redução da interferência das plantas daninhas. que possui sementes muito pequenas e tubérculos que infestam novas áreas com grande facilidade. quarentena de animais introduzidos.Controle preventivo O controle preventivo de plantas daninhas consiste no uso de práticas que visam prevenir a introdução. ou seja. mudas com torrão. limpar cuidadosamente máquinas.1 . Estas áreas podem ser um país.) e o arroz-vermelho (Oryza sativa) são distribuídos junto com as sementes de arroz. ou.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 5 . deve ser feita até um nível no qual as perdas pela interferência sejam iguais ao incremento no custo do controle. Já o capim-arroz (Echinochloa sp. Em síntese. considerando uma cultura. o elemento humano é a chave do controle preventivo. Como exemplo. visando prevenir a entrada e disseminação de uma ou mais plantas daninhas.

mostarda. crotalárias. principalmente em regiões montanhosas. a interferência destas plantas daninhas aumenta muito. onde há agricultura de subsistência. numa agricultura mais intensiva. em cana-de-açúcar.Controle mecânico ou físico São métodos mecânicos de controle de plantas daninhas o arranque manual. a queima. e para muitas famílias. dependendo da arquitetura das plantas cultivadas e das espécies infestantes. A redução entre linhas geralmente proporciona vantagem competitiva à maioria das culturas sobre as plantas daninhas sensíveis ao sombreamento. então. a cobertura morta e o cultivo mecanizado. a roçada. em lavouras de trigo. Quando o principal objetivo é o controle de plantas daninhas. etc. ervilhaca. Consiste. Rotação de culturas: cada cultura agrícola geralmente é infestada por espécies daninhas que possuem exigências semelhantes às da cultura ou apresentam os mesmos hábitos de crescimento. quando o principal método de controle é o uso de enxada.Biologia e métodos de controle 37 . jardins e na remoção de plantas daninhas entre as plantas das culturas em linha.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 5. aveia e centeio são usadas na região Sul do Brasil. uso de coberturas verdes. apaga-fogo (Alternanthera tenella). a capina manual. Essas práticas contribuem para impedir o aumento exagerado de determinadas plantas daninhas. O arranque manual. Nas regiões subtropicais predominam mucuna-preta. é o método mais antigo de controle de plantas daninhas. guandu. variação do espaçamento da cultura. feijão-de-porco e lablabe. em lavouras de arroz.1 . entretanto. nabo.3 . Contudo. esta é a única fonte de trabalho. em lavouras de milho. exemplos: capim-arroz (Echinoclhoa sp. Quando são aplicadas as mesmas técnicas culturais seguidamente. em usar as próprias características ecológicas das culturas e plantas daninhas. e caruru-rasteiro (Amarantus deflexus). a escolha da cultura em rotação deve recair sobre plantas com habito de crescimento e características culturais bem contrastantes. a inundação.).2 . Tremoço. estas plantas possuem também poder inibitório sobre outras e podem reduzir as infestações de algumas daninhas após serem incorporadas ao solo.Controle cultural O controle cultural consiste no uso de práticas comuns ao bom manejo da água e do solo. azevém anual. ou monda. Variação do espaçamento: a variação do espaçamento entre linhas ou da densidade de plantas na linha pode contribuir para a redução da interferência das plantas daninhas sobre a cultura. em Módulo 3. no mesmo solo. A capina manual feita com enxada é muito eficaz e ainda muito utilizada na nossa agricultura. Ainda hoje é usado para o controle em hortas caseiras. ano após ano. O principal efeito é a melhoria das condições físico-químicas do solo. visando beneficiar o estabelecimento e desenvolvimento das culturas. como rotação de cultura. Coberturas verdes: as coberturas verdes são culturas geralmente muito competitivas com as plantas daninhas. 5.

onde o controle da erosão é fundamental. bem como sobre as plantas aquáticas. Também em terrenos baldios. devendo ser realizado quando as plantas daninhas estiverem ainda jovens e o solo não estiver muito úmido. as sementes das plantas daninhas germinam e morrem em seguida. O cultivo mecanizado. A cobertura provoca menor amplitude nas variações e no grau de umidade e da temperatura da superfície do solo. como nos tabuleiros de arroz. são totalmente erradicadas sob inundação prolongada. em solo úmido. Provoca aumento de temperatura e. capim-kikuio (Penisetum clandestinum)). Todavia. A cobertura morta ainda pode apresentar efeitos alelopáticos úteis no controle de certas espécies daninhas. a roçada manual ou mecânica é um método muito importante para controlar plantas daninhas.1 . milho e trigo. Outra técnica utilizada para o controle de plantas daninhas é a solarização. como o capim-arroz (Echinochloa sp. beiras de estradas e pastagens a roçada é um método de controle de plantas daninhas dos mais importantes. como tiririca (Cyperus rotundus). é de larga aceitação na agricultura brasileira. Este sistema de plantio é usado em extensas áreas de plantio de soja.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas áreas maiores. principalmente em terrenos declivosos. em nível. para uso dirigido nesta cultura. devido à temperatura excessivamente alta principalmente até 5 cm de profundidade. Esta deve ser feita antes do plantio. através de adaptação de queimadores especiais em cultivadores tratorizados. já foi utilizada em algodão. a inundação é um efetivo método de controle de plantas daninhas. apenas não apresentando efeito sobre as plantas daninhas que se desenvolvem em solos encharcados. Quanto à queima das plantas daninhas com lança-chamas. A cobertura do solo com restos vegetais em camada espessa ou com lâmina de polietileno é um meio físico-mecânico de controle das plantas daninhas.). além de muitas plantas daninhas anuais. Em solos planos e nivelados. Os fatores limitantes deste método. utilizando filme de polietileno sobre a superfície do solo. sendo um dos principais métodos de controle de plantas daninhas em propriedades com menores áreas plantadas. que são posteriormente mortas devido à impossibilidade de emergência. em virtude da suspensão do fornecimento de oxigênio para suas raízes. é ineficiente para controlar plantas daninhas que 38 Módulo 3. na maioria dos casos. esta técnica é de uso limitado no Brasil. estimulando a germinação das sementes das plantas daninhas da camada superficial de solo. No plantio direto. por meio de outros métodos de controle. É restrito a pequenas áreas de hortaliças. Espécies perenes de difícil controle. o alto custo da mão-de-obra e a dificuldade de encontrar operários no momento necessário e na quantidade desejada fazem com que este método seja apenas complementar a outros métodos. A inundação mata as plantas sensíveis. O espaço das entrelinhas é mantido roçado e. a fileira de plantas. e b) baixa eficiência: quando realizado em condições de chuva (solo molhado). é mantida no limpo.Biologia e métodos de controle . a cobertura do solo com restos vegetais da cultura anterior é de grande utilidade. Em pomares e cafezais. além de outros efeitos importantes sobre as culturas implantadas na área. As principais limitações deste método são: a) dificuldade de controle de plantas daninhas na linha da cultura. em razão do custo do combustível. são o custo do nivelamento do solo e a grande quantidade de água necessária para sua implantação. grama-seda (Cynodon dactylon). feito por cultivadores tracionados por animais ou tratores.

Módulo 3. para controlar Morrenia odorata. com o nome de Devine. o cambará-de-espinho (Lantana camara) foi controlado pelos insetos Agromisa lantanae e Crocidosema lantanae. Para que este tipo de controle seja eficiente. Entre os diversos exemplos de controle biológico no mundo. reduzindo sua capacidade de competir. d) Determinação da especificidade dos hospedeiros. quando jovens (2-4 pares de folhas). daninhas ou não (este assunto já foi discutido em módulo à parte). suspende a absorção de água e expõe a raiz às condições ambientais desfavoráveis. promover o controle das plantas daninhas na linha. 5. no Havaí. todas as espécies anuais. e. são facilmente controladas em condições de calor e solo seco. desde a pesquisa até a prática do controle biológico: a) Seleção de espécies de plantas daninhas a serem controladas. b) Seleção de inimigos naturais mais eficientes. Dependendo do tamanho relativo das plantas cultivadas e daninhas. o herbicida natural é registrado como Collego.4 . a fim de correlacionar os níveis de infecção com a redução da densidade populacional do hospedeiro. f) Avaliação da efetividade em diferentes épocas do ano. com isso. bactérias. o parasita deve ser altamente específico. o controle biológico de plantas daninhas com inimigos naturais não tem sido. o fungo Coletotrichum gloeosporeoides pode ser usado para controlar o angiquinho (Aeschynomene virginica) em soja e milho. peixes. c) Estudo e avaliação da ecologia dos vários inimigos naturais. até o momento. foi já usado o fungo Phythophthora palmivora.Controle biológico O controle biológico consiste no uso de inimigos naturais (fungos. o controle do cactus ou figo-da-índia (Opuntia spp. uma vez eliminado o hospedeiro. praticado com fins econômicos. podem-se citar: na Austrália.Biologia e métodos de controle 39 . o que é uma tendência normal em condições de campo. O controle biológico de plantas daninhas é muito complexo e seu estudo dever ser feito em etapas sucessivas. No entanto. e) Acompanhamento da introdução e do estabelecimento do agente biocontrolador no campo.) capazes de reduzir a população das plantas daninhas. vírus. através de enxadas cultivadoras especiais. insetos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas se reproduzem por partes vegetativas. No Brasil. ou seja. porque pode controlar uma espécie e uma outra ser favorecida.) com as larvas do inseto Cactoblastis cactorum. aves. pode causar o enterrio das pequenas plântulas e. Nos Estados Unidos. O cultivo quebra a relação íntima que existe entre raiz e solo. a eficiência do controle biológico é duvidosa quando ele é usado isoladamente. etc. o deslocamento do solo sobre a linha. Isso é mantido por meio do equilíbrio populacional entre o inimigo natural e a planta hospedeira. nos pomares de citros. De modo geral.1 . E. ele não deve parasitar outras espécies. Deve também ser considerada como controle biológico a inibição alelopática de plantas daninhas exercida por outras plantas.

1 . ou. Já se sabe que o fotoperíodo influencia a eficiência de controle das espécies de plantas daninhas pelo fungo. então. etc. Triazinas simétricas (1956). O objetivo das pesquisas em nível mundial é obter herbicidas mais eficazes com doses menores.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas No Brasil. quando associado a outros métodos de controle e será recomendado para espécies de plantas daninhas de controle comprovadamente difícil por métodos mecânicos e. que se reúne de dois em dois anos em congresso nacional. Carbamatos (1951). a alelopatia. Em 1908. indicando a necessidade de uso de outro método de controle. Também são áreas de interesse. Shultz (Alemanha) e Bolley (EUA) evidenciaram ação dos sais de cobre sobre algumas folhas largas.5 . carpas e outros peixes herbívoros é possível para controle de outras plantas aquáticas. para discutir os avanços da área de plantas daninhas e seu controle. nos EUA.4-D. no Brasil.4-DB. e. quando se controla uma espécie de planta daninha. químico.Biologia e métodos de controle . quando Bonnet (França). Isso porque o parasita deve ser altamente específico. Ainda. mais seguro para o homem e para o ambiente. Este herbicida é a base de muitos outros produtos sintetizados em laboratório (2. não podendo parasitar outras espécies. plantas aquáticas submersas que causam problemas em reservatórios de hidrelétricas. que tem evoluído muito nos últimos anos. Egeria najas e Ceratophyllum demersum pelo pacu (Piaractus mesopotamicus).. Miyazaki e Pitelli (2003) verificaram controle de até 100% das espécies aquáticas Egeria densa. O uso de tilápias. quando se pensa em seu uso como o único método de controle. 2. sempre uma outra é favorecida. foi criada a Weed Science Society of América . em 1956. e os trabalhos científicos sobre o assunto são publicados em revistas especializadas da SBCPD (Planta Daninha e Revista Barsileira de Herbicidas). no Brasil. A eficiência do controle biológico é duvidosa.) e marcou o início do controle químico de plantas daninhas em escala comercial. 40 Módulo 3. e temperaturas acima de 30 oC têm proporcionado melhor controle de Egeria (BORGES NETO et al. Somente em 1942. o sulfato ferroso foi avaliado por Bolley. entre outras. 5. descobriram o 2.Controle químico As pesquisas visando o controle químico de plantas daninhas foram iniciadas entre 1897 e 1900. hoje Sociedade Brasileira da Ciência das Plantas Daninhas (SBCPD). ocorrem reuniões anuais de pesquisadores de herbicidas no cerrado (REPEC). A partir de 1950. Devido ao grande desenvolvimento da área de controle químico de plantas daninhas.WSSA. o controle biológico. bem como a tecnologia de aplicação de herbicidas. para controle de folhas largas na cultura do trigo.5-T. Zimmerman e Hitchock.4. O controle biológico é eficiente. 2005). isolados de Fusarium graminearum vêm sendo estudados como agente de controle biológico de Egeria densa e de Egeria najas. nos Estados Unidos. nos Estados Unidos. etc. novos grupos químicos de herbicidas surgiram: Amidas (1952). em 1963. foi fundada a Sociedade Brasileira de Herbicidas e Plantas Daninhas (SBHPD).

Pode se atribuir essa grande aceitação do uso de herbicidas pelos produtores ao fato de o controle químico das plantas daninhas proporcionar as seguintes vantagens: 1. 3. O emprego do controle químico de plantas daninhas deve ser feito juntamente com outras práticas de controle. que é cada vez mais cara. Este valor.8 em 1997 (ANDEF/SINDAG. alteração no espaçamento. difícil de ser encontrada no momento certo.Biologia e métodos de controle 41 . Pode controlar plantas daninhas de propagação vegetativa. Portanto. 2.6 em 1990 para 1. em milhões de dolares. O conhecimento da fisiologia das plantas.água (rios.1 . na quantidade e qualidade necessária.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas O consumo de herbicida no Brasil representa 7-9% do consumo total do mundo. Módulo 3. Permite o plantio a lanço e. Menor dependência da mão-de-obra.214. evoluiu de 546. 6. lagos e água subterrânea). É importante considerar que todo herbicida é uma molécula química que tem que ser manuseada com cuidado. 4. dos grupos aos quais pertencem os herbicidas e da tecnologia de aplicação é fundamental para o sucesso do controle químico das plantas daninhas. o herbicida é uma ferramenta muito importante no manejo integrado de plantas daninhas. O emprego do controle químico como único e generalizado implica a inviabilidade econômica da prática agrícola e sério desequilíbrio no sistema de produção. 5. hoje está se tornando prática comum entre os pequenos. desde que utilizado no momento adequado e de forma correta. sendo essa a causa de cerca de 80% dos problemas encontrados na prática. ou. o controle químico das plantas daninhas é mais eficiente. perfeitamente controlados e evitados. A tendência ainda é de aumento. Há necessidade de mão-de-obra especializada para aplicação dos herbicidas. uma vez que esta tecnologia. Os riscos de uso existem. havendo perigo de intoxicação do aplicador. solo e alimentos quando manuseados incorretamente. 2005). Mesmo em épocas chuvosas. 2005). quando for necessário. Pode ocorrer também poluição do ambiente . que era quase exclusivamente utilizada por grandes e médios produtores. sendo a de maior importância o controle cultural. mas devem ser conhecidos. principalmente. cabendo ao controle químico apenas auxiliar quando necessário. uma vez que este possibilita as melhores condições de desenvolvimento e permanência das culturas. Atualmente estão sendo comercializadas no mercado brasileiro em torno de 200 marcas comerciais de herbicidas (RODRIGUES e ALMEIDA. É eficiente no controle de plantas daninhas na linha de plantio e não afeta o sistema radicular das culturas. Permite o cultivo mínimo ou plantio direto das culturas.

Manejo integrado de plantas daninhas (mipd) Cada vez mais o manejo integrado de pragas vem ganhando reforços em todos os setores agrícolas. Considerar os recursos e as necessidades do fazendeiro. 2. as quais possuem seu ciclo ou parte dele na época das águas.Biologia e métodos de controle . fica evidente que. Prever populações e mudanças de populações de plantas daninhas. no Brasil. máxima sustentatibilidade de produção e mínimo risco. o manejo integrado de plantas daninhas. Escolher a(s) tecnologia(s) de controle compatível(is) com sistema. no controle integrado. Desse modo. tendo. Avaliar os impactos ambiental. constituindo-se. Desse modo. Estudar os métodos usados na propriedade. Monitorar sementes e espécies da área de produção. 8. etc. Considerando as condições brasileiras. Decidir quando o controle deve ser feito. a maneira integrada de cultivo. 6. pode reduzir a dependência do uso de herbicidas e atrasar ou prevenir o aumento de espécies perenes geralmente associadas a sistemas de cultivo. 5. O nível de controle das plantas daninhas obtido em uma lavoura dependerá da espécie infestante. os métodos culturais se apresentam como os 42 Módulo 3. para culturas anuais. sua base reforçada no campo da entomologia quando pioneiros promoveram o estudo dos problemas do algodoeiro no Nordeste do país. Identificar as espécies-problema e suas densidades. em que se levam em conta todos os fatores que podem proporcionar à planta maior e melhor produção. 9.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 6 . permite a esta aproveitar eficientemente os recursos do meio. do período crítico de competição. 4. e elas são um bom guia para o programa de manejo: 1. dos métodos empregados. 2000). Um bom programa de manejo de plantas daninhas pode ser resumido em três situações básicas: máxima produção no menor espaço de tempo. da capacidade competitiva da cultura. propondo uma série de medidas que se enquadraram no conceito de integração (CONCEIÇÃO. social e econômico a curto e a longo prazo. das condições ambientais. A integração de diversos métodos de controle dentro do sistema de produção pode dificultar o crescimento e desenvolvimento de populações de espécies daninhas de difícil controle. esse fato. Integrar os processos com as medidas de proteção das culturas. Conhecer as espécies dominantes e suas interações. 10.1 . que consiste em “um sistema ambiental do campo onde são usados todos os conhecimentos e ferramentas disponíveis para a produção das culturas livres de danos econômicos da vegetação competitiva”. Muitas vezes faz-se necessária a associação de dois ou mais métodos para se atingir o nível desejado. 7. 3. Dez palavras-chave descrevem os processos recomendados.

2005) Módulo 3. consegue-se ótimo manejo integrado da tiririca. no milho para silagem toda palhada da cultura anterior e retirada da área. 4). Dessa forma. No plantio direto. aplicados no momento correto. Dessa forma.. Os maiores benefícios do sistema de plantio direto no manejo integrado da tiririca são obtidos devido à integração do controle químico proporcionado pelo uso do herbicida sistêmico para dessecação da vegetação em pré-plantio. toda a palhada da cultura permanece na área à superfície. a ponto de não acarretar reduções de produção das culturas infestadas (Fig. Outro exemplo de manejo integrado de plantas daninhas tem sido praticado em diversas regiões do Brasil quando se adota o sistema integrado agricultura-pecuária. com uso de herbicidas sistêmicos usados como dessecantes. sendo que em três anos a redução no banco de tubérculos no solo pode chegar a mais de 90% (JAKELAITIS et al. no plantio direto. tanto para a cultura do milho quanto para o feijoeiro. com a adoção do sistema de plantio direto utilizando herbicidas sistêmicos para dessecação. os níveis populacionais da tiririca podem ser diminuídos. Em dois anos nesse sistema. independentemente se para produzir milho para grão ou para silagem. 5). permanecendo dormentes (Fig. principalmente por luminosidade.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas mais adequados para integração com o controle químico. tornando o sistema menos dependente do controle químico (JAKELAITIS et al. aliado ao fato de não revolver o solo. 2003).Biologia e métodos de controle 43 .. transformando esta espécie daninha extremamente problemática em uma espécie comum. Ao contrário. da ordem de 90 a 95%. visando a redução do número de propágulos de espécies de difícil controle em áreas agrícolas. como a cultura do milho e feijão. no plantio convencional. é possível obter redução nos níveis populacionais da tiririca a favor do plantio direto. ou seja. ao controle cultural exercido pela falta de revolvimento do solo e conseqüente ausência de fragmentação das estruturas vegetativas da tiririca e à adoção de culturas altamente competitivas. a forrageira cultivada em consórcio com a cultura principal reduz a interferência de muitas espécies de plantas daninhas. evitando assim sua disseminação e seu rápido crescimento. principalmente no período de desenvolvimento das culturas sensíveis à interferência das plantas daninhas. têmse observado excelentes resultados no manejo da tiririca. Quando a finalidade de uso do solo é para milho grão. aliado ao controle cultural. 45 dias após a emergência. Além disso. Um bom exemplo da aplicação do Manejo Integrado pode ser observado pelo excelente manejo da tiririca na cultura do milho e do feijão graças à utilização do sistema de plantio direto e conhecimentos da biologia das espécies envolvidas. 2004) e também mais estável do ponto de vista ambiental (SANTOS et al..1 . a capacidade de brotação dos tubérculos de tiririca coletados sob solo no sistema integrado é diminuída com o passar do tempo. em relação ao plantio convencional. ou incoporada ao solo. Neste sistema.

População de tiririca nas culturas de milho e feijão nos sistemas de plantios convencional e direto (após dois anos de adoção do manejo integrado de plantas daninhas –MIPD) aos 30 DAP Figura 5 – Brotação de tubérculos de tiririca coletados em campo em áreas de plantio convencional e em área onde se adotou o plantio direto com o manejo integrado dessa espécie infestante.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 4 . após três anos de adoção 44 Módulo 3.Biologia e métodos de controle .1 .

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DF 2006 48 Módulo 3.2 . José Barbosa dos Santos Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 .Manejo de plantas daninhas 3.ABEAS Universidade Federal de Viçosa .Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .Herbicidas: classificação e mecanismos de ação Tutores: Profº. Lino Roberto Ferreira Profº. Francisco Affonso Ferreira Profº. Antonio Alberto da Silva Profº.2 .UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília .

56 4.3. 51 1 .4.Algumas imidazolinonas.2 . -51 2 .Principais características. 73 4. 79 4.Mecanismo de ação. 58 4.3 . 61 4. 58 4. 55 4.5 .2 . 76 4.Quanto aos mecanismos de ação.4. 70 4.3.2 .Mecanismos de seletividade.Herbicidas inibidores da EPSPs. 75 4.5.1 .1 .4 .2 .Mecanismo de ação.6. 88 Módulo 3. 68 4. 75 4.Quanto à época de aplicação.Principais características. 79 4. 80 4. 53 4.5. 73 4.1.53 4 .1 .Caracterização de alguns herbicidas inibidores dos microtúbulos. 54 4.6 .1 . 68 4.2 . 77 4.6.Herbicidas auxínicos ou mimetizadores de auxina.2 . 73 4.Mecanismo de ação.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 49 . 62 4.3 .Características de algumas cloroacetanilidas.1.Herbicidas inibidores do arranjo dos microtúbulos. 85 4.2 .Principais características. 55 4.1 .8 .Características gerais dos inibidores do fotossistema II.1 .Características gerais.7.Herbicidas inibidores da acetolactato sintase. 83 4.Herbicidas Inibidores do Fotossistema I.Herbicidas inibidores da fotossistama II.3 .Problemas causados pela utilização incorreta de herbicidas auxínicos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução.Mecanismo de ação das cloroacetanilidas.2.Quanto à translocação.Caracterização de alguns herbicidas auxínicos.7 .Caracterização de Alguns Herbicidas Inibidores do Fotossistema II.Herbicidas inibidores da Protox.1 .Inibidores da síntese de ácidos graxos de cadeias muito longas (VLCFA).2 .52 3 .5.4 .2. 60 4. 80 4. 79 4.7.Algumas sulfoniluréias.4.3 . 68 4.3 .Caracterização de alguns herbicidas inibidores da PROTOX.2.Principal herbicida do grupo.2 .3.3 .Mecanismo de ação.6.Seletividade.3 .1 .1.Quanto à seletividade. 74 4.2.

Herbicidas inibidores da ACCase.9 .Herbicidas inibidores de carotenóides. 93 4.9.1 .8. 92 4.3 . 89 4. 88 4.9.9.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .10 .1 . 91 4.Mecanismo de ação.2 .2 .8.Características gerais. 91 4. 95 Referências bibliográficas. 99 50 Módulo 3.Mecanismos de ação.Caracterização de alguns inibidores da ACCase.Principais características.2 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4.

glyphosate.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 51 . fomesafen para o feijão. de acordo com as características de cada um. paraquat. Herbicidas não-seletivos São aqueles que atuam indiscriminadamente sobre todas as espécies de plantas. da dose aplicada. Todavia. Como exemplo. são mais tolerados por uma determinada espécie ou variedade de plantas do que por outras.Quanto à seletividade Herbicidas seletivos São aqueles que. pois depende do estádio de desenvolvimento das plantas. dentro de determinadas condições. do tipo de solo. Módulo 3. e mesmo assim a dose tolerada é dependente das condições edafoclimáticas. atrazine para o milho. translocação. Todavia. etc. por exemplo. das condições climáticas. estrutura química e mecanismo de ação (WARREN. época de aplicação. tem-se 2. etc. exemplo: a soja trasgênica resistente ao glyphosate. por meio da biotecnologia. Essas características individuais permitem estabelecer grupos afins de herbicidas com base em sua seletividade. Normalmente são recomendados para uso como dessecantes ou em aplicações dirigidas. 1995a). 1 . a seletividade é sempre relativa. imazethapyr para a soja.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução Os herbicidas podem ser classificados de diversas maneiras. etc. Para soja.4-D para a cana-deaçúcar. é possível tornar um herbicida não-seletivo a seletivo para determinada espécie. o metribuzin é seletivo apenas quando aplicado em pré-emergência.2 . Exemplos: diquat. HESS.

a estes. como é o caso do metribuzin. paraquat. Se o herbicida é absorvido pelas folhas e raízes. neste caso. até mesmo em subdoses. etc. feijão. ou seja. como é o caso do glyphosate e paraquat aplicados no plantio direto de milho. metribuzin. visando facilitar o plantio e promover cobertura morta do solo. imazaquin. ele pode ser aplicado em pós-emergência de ambas (plantas daninhas e culturas). em aplicação dirigida. como é o caso do trifluralin. se o herbicida é seletivo para a cultura. ele é muito tóxico à soja. etc. Quando são absorvidos apenas pelas folhas. etc. reflorestamento e lavouras de café. Pós-plantio Dependendo da atividade dos herbicidas sobre as plantas. metsulfuron-methyl em trigo. a sua aplicação em pré ou pós-emergência vai depender da tolerância da cultura e. exemplo: sethoxydim em tomate.Quanto à época de aplicação Pré-plantio Quando o herbicida é muito volátil. Estes produtos podem.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . ele necessita ser incorporado ao solo. outros que possuem maior efeito residual no solo. exemplos: glyphosate. feijão e soja. exemplos: flumioxazin.2 . pois muitas vezes. trigo. em culturas perenes como fruteiras. aplicado em pré-plantio e incorporado. alguns herbicidas devem ser aplicados antes do plantio. ainda. apresentam curto efeito efeito residual e quase sempre são utilizados como dessecantes. quando atigem o solo. ou. por esta razão. Esses produtos normalmente são não-seletivos. pode-se também misturar. de solubilidade muito baixa em água e. Contudo. eles devem ser aplicados em pré ou em pós-emergência das culturas ou das plantas daninhas. apesar penetrarem também pelas raízes. também. nicosulfuron em milho. especialmente ao glyphosate. Também. estes devem ser aplicados antes da emergência (pré-emergência) desta ou de forma dirigida. Quando aplicado após o preparo do solo e incorporado a este antes do plantio. diz-se que este herbicida é aplicado em PPI. etc. ou. Estes podem ou não auxiliar na dessecação das plantas. Todavia. fotodegradável. deve ser aplicado antes do plantio. Entretanto. ser não-seletivos para a cultura e. no sistema de plantio direto (cultivo mínimo). porém têm como objetivo principal garantir o controle inicial das plantas daninhas na implantação da lavoura. eles somente devem ser aplicados em pós-emergência das plantas daninhas. na cultura da soja somente pode ser usado em pré-emergência.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2 . clorimuron-ethyl. são desativados (sorvidos). que pode ser usado em tomate em pré e em pósemergência tardia ou após o transplante. das condições nas quais ele apresenta melhor desempenho. pois em pós-emergência. imazethapy. Outro 52 Módulo 3.

Estes herbicidas sistêmicos são capazes de se translocarem a grandes distâncias na planta. quando utilizado em pós-emergência. 1973. Inibidores da GS. 1995). Módulo 3.2 . flazasulfuron. exemplos: paraquat. 1995. inibidores do arranjo dos microtúbulos. já a primeira lesão bioquímica ou biofísica que resulta na morte ou ação final do produto é considerada “mecanismo de ação”. nicosulfuron. os herbicidas podem ser classificados em: mimetizadores de auxinas (auxínicos). Os herbicidas também podem se movimentar (translocar) nas plantas pelo xilema. entretanto a primeira lesão que ele causa na planta pode caracterizar o seu mecanismo de ação (ASHTON. a ação do produto pode ser mais rápida. porque a morte rápida do tecido condutor (floema) limita a chegada de dose letal do herbicida a algumas estruturas reprodutivas das plantas.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 53 .4-D. Ele terá necessariamente que penetrar no tecido da planta. inibidores da ALS.HESS. inibidores da síntese de carotenóides. recomendado para as culturas de milho e sorgo. É importante lembrar que um mesmo herbicida pode influenciar vários processos metabólicos na planta.Quanto à translocação Os herbicidas podem ser de contato quando atuam próximo ou no local onde eles penetram nas plantas. etc. podem apresentar ação de contato. 2003a). 4 . como é o caso de 2. inibidores do fotossistema I.Quanto aos mecanismos de ação É interessante que se faça distinção entre os termos usados rotineiramente quando se refere a herbicida: “modo e mecanismo de ação de herbicida”. Quanto ao mecanismo de ação. Neste caso. pelo floema ou por ambos. Quando o movimento (translocação) do herbicida é via floema ou floema e xilema. LIEBL. (WARREN. quando usados em doses muito elevadas. imazethapyr. aumentando a sua penetração pelas folhas. porém com efeito final menor. CRAFTS. ele é considerado sistêmico. A este produto. atingir a célula e posteriormente a organela. inibidores do fotossistema II. O simples fato de um herbicida entrar em contato com a planta não é suficiente para que ele exerça sua ação tóxica.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas exemplo seria o herbicida atrazine. Estes produtos. lactofen. inibidores da ACCase. inibidores da PROTOX. onde atuará para que seus efeitos possam ser observados. diquat. “Modo de ação” refere-se à seqüência completa de todas as reações que ocorrem desde o contato do produto com a planta até a sua morte ou ação final do produto. 3 . THILL. etc. inibidores da EPSPs. picloram. etc. deve-se adicionar à calda óleo mineral visando solubilizar parte da cera epicuticular. glyphosate.

o 2. mais especificamente. Em conseqüência dos efeitos desses herbicidas. provocado pelo acúmulo de proteí¬nas e.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . pelo efeito destes produtos sobre o afrouxamento das paredes celulares. especialmente da carboximetilcelulase (CMC). impedindo o movimento dos fotoassimilados das folhas para o sistema radicular. além de interrupção do floema. na síntese de ácidos nucléicos e proteínas (ASHTON.4-D e o MCPA são os mais importantes. causando epinastia de folhas e caule.1 . engrossamento das gemas terminais e morte da planta (Fig. Os herbicidas auxínicos. em plantas sensíveis. que leva estas espécies a sofrer. trigo e cana-de-açúcar e em pastagens. 2003a). verifica-se crescimento desorga¬nizado. porque eles marcaram o início do desenvolvimento da indústria química (THILL. podendo levá-las à morte. quando aplicados em plantas sensíveis. Estes herbicidas induzem intensa proliferação celular em tecidos. as espécies sensíveis têm seu sistema radicular rapidamente destruído.2 . em poucos dias ou semanas. Após aplicações de herbicidas auxínicos. Acredita-se que estes produtos interfiram na ação da enzima RNA-polimerase e.Sintomas leves de intoxicação de plantas de algodão (A) e ação final do produto sobre plantas de Raphanus raphanistrum (B) 54 Módulo 3.Herbicidas auxínicos ou mimetizadores de auxina Esta classe de herbicidas é uma das mais importantes em todo o mundo. Essa perda da rigidez das paredes celulares é provocada pelo incremento na síntese da enzima celulase. Esse alongamento celular parece estar relacionado com a diminuição do potencial osmótico das células.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. Historicamente. sendo extensivamente utilizada em culturas de arroz. rapidamente. epinastia das folhas e retorcimento do caule. verificam-se rapidamente aumentos significativos da enzima celulase. milho. conseqüentemente. 1). 1973). Por esse motivo. Estudos sugerem que o metabolismo de ácidos nucléicos e os aspectos metabólicos da plasticidade da parede celular são seriamente afetados. CRAFTS. Figura 1 . induzem mudanças metabólicas e bioquímicas. também. notadamente nas raízes.

3-D-4-OH. b) Usar maior tamanho de gotas. resíduos deixados em pulverizadores mal lavados e contaminação de água de irrigação por estes herbicidas. se praticável. comprometendo de maneira severa o rendimento de culturas e a qualidade do ambiente.4-D.2 . em uva.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. em condições de campo. 4. podendo.4-D após o perfilhamento e antes do emborrachamento. causada pela ação de herbicidas auxínicos. que são espécies altamente sensíveis.1 . podem causar sérios problemas técnicos. 4. Algumas espécies de plantas podem excretar estes herbicidas para o solo através de seu sistema radicular (exsudação radicular). Essa característica especial das monocotiledôneas pode prevenir a destruição do floema pelo crescimento desorganizado das células. sendo estes protegidos pelo esclerênquima em gramíneas (monocoti¬ledôneas). Estádio de desenvolvimento das plantas.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 55 .5 dicloro-4 hidroxifenoxiacético e 2. tomate. 3. Aril hidroxilação do 2.1.4-D para 2. É comum a aril hidroxilação resultar na perda da capacidade auxínica destes herbicidas. recebendo nomes comerciais diversos.1. Arranjamento do tecido vascular em feixes dispersos. 2.Problemas causados pela utilização incorreta de herbicidas auxínicos Todos os herbicidas auxíncos são derivados de ácidos fracos e podem ser formulados nos seus respectivos ácidos.4-D apenas em aplicação dirigida. algodão.Seletividade A seletividade dos herbicidas auxínicos pode ser dependente de diversos fatores: 1. se aplicado em pós emergência total ocorrem sérios problemas de fitotoxicidade. cada um dos diferentes princípios ativos. Alguns desses produtos podem permanecer ativos no solo por longo período. sais ou ésteres. derivados do ácido picolínico podem causar fitotoxicidade.. e na cultura do milho. ser comercializado isoladamente ou em misturas. principalmente em aplicações aéreas. Por exemplo. se aplicado fora do estádio de desenvolvimento recomendado. d) Evitar a aplicação quando o vento estiver em direção às culturas. etc. Módulo 3. As seguintes medidas são recomendadas para reduzir problemas com a utilização destes herbicidas: a) Evitar o uso de formulações que apresentam elevada pressão de vapor (muito voláteis).2 . em doses extremamente baixas. exigindo cuidados especiais para se realizar rotação de culturas. além de facilitar a sua conjugação com aminoácidos e outros constituintes da planta. exemplos: para arroz e trigo deve-se usar o 2. c) Usar baixa pressão para aplicação. sendo esta a principal rota para o metabolismo do 2. Na cultura do milho (4-6 folhas). Nas culturas de arroz e trigo. deve-se usar 0 2. Deriva. fumo.

pka de 2. É muito utilizado em misturas com inibidores da fotossíntese na cultura da cana-de-açúcar.Caracterização de alguns herbicidas auxínicos 2. gramados e culturas gramíneas (arroz. Movimenta-se pelo floema e. e aquelas à base de sal são rapidamente absorvidas pelo sistema radicular das plantas. xilema. ALMEIDA. toxicidade. Em mistura com o picloram. amoníaco ou carvão ativado. em pastagens. é encontrado em dife¬rentes formulações e marcas comerciais.4-D.4-D se transloca por toda a planta pois se movimenta tanto pelo xilema quanto pelo xilema.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .1.2 . trigo. durante o florescimento. As formulações aminas são mais adsorvíveis no solo do que as de éster e. em fruteiras e lavouras de café. 4. entretanto. é usado para controlar plantas daninhas perenes.4-D Sal ou éster amina do ácido 2.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas e) Tomar cuidado especial com a lavagem do pulverizador após as aplicações. sendo esta a condição para ótima atividade do produto. enquanto as de éster são praticamente insolúveis e. 2005). É recomendado para pastagens. para uso no plantio direto e em aplicações dirigidas. Dicamba 56 Módulo 3. mais lixiviáveis.4-D) foi o primeiro herbicida seletivo descoberto para o controle de plantas daninhas latifoliadas anuais. plantas ganham maior tolerância com a idade. portanto. porque são altamente solúveis.3 .). Em doses normais.4-D não excede a quatro semanas em solos argilosos e clima quente. e com glyphosate. a decomposição é consideravelmente reduzida.8 e Koc médio de 20 mg g-1 de solo para formulações ácido ou sais e de 100 mL g-1 de solo para ésteres (RODRIGUES. persistência no ambiente. volatilidade. conferindo ao produto características dife¬renciais quanto à seletividade. além de detergente. cana-de-açúcar. Transloca-se com grande eficiência em plantas com elevada atividade metabólica. Apresenta persistência curta a média nos solos. Em solos secos e frios.4 diclorofenoxiacético (2. a atividade residual do 2. Em geral. Apresenta solubilidade de 600 mg L-1. etc. etc. acumulando-se nas regiões meristemáticas dos pontos de crescimento.Em ambos os casos o 2. no mercado brasileiro. milho. O 2. ou. Usar. com menor movimentação. Cada formulação pode apresentar características físico-químicas diferentes. a resistência a estes herbicidas hormonais é reduzida. As formulações ésteres e ácidas são prontamente absorvidas pelas folhas.

ou. Deve ser observado o período residual para o cultivo de espécies altamente sensíveis (videira. ALMEIDA. sendo recomendado de modo semelhante ao 2. formando o Tordon. etc. fumo. Esta mistura pode ser usada em área total ou em áreas localizadas.4-D. 6-dicloro-2-metoxibenzoico (dicamba) é facilmente translocado pelas plantas via floema e. na planta.). em solos de textura arenosa.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas O sal de dimetilamina do ácido 3.000 mg L-1. Quando aplicação é feita no toco é fundamental que esta seja realizada imadiatamente após o corte da árvore. apre¬senta efeito lento. milho e trigo e em pastagens. para controlar arbustos e árvores. É muito utilizado para controlar algumas espécies de dicotiledôneas tolerantes ao 2. e koc de 2 mg g-1 de solo. Apresenta longa persistência (meia-vida de 20 a 300 dias) e fácil mobilidade no solo. que podem apresentar severos sintomas de intoxicação. tomate. Kow: 1.. antes que se inicie o processo de cicatrização. até mesmo quando cultivadas em solos adubados com esterco proveniente de pastagens tratadas com picloram e pastoreadas logo depois. ou.4-D para o controle de plantas em culturas de canade-açúcar. pka: 1. do movimento capilar da água e. xilema. pode permanecer ativo na matéria orgânica proveniente de pastagens tratadas com este produto (RODRIGUES.0 e 83. Dontor ou Manejo. pode ser feito o pincelamento ou a pulveri¬zação dos tocos. Apresenta solubilidade de 720. Apresenta maior efeito sobre dicotile¬dôneas. É fracamente adsorvido pela matéria orgânica ou argila. da evaporação. A mistura (picloram + 2. em razão de sua longa persistência no solo (dois a três anos). Apresenta pka: 2.3. na região Sul do Brasil.87. está sujeito a lixiviação. comuns em lavouras de trigo.4-D) é muito utilizada em pastagens para o controle de plantas daninhas anuais. para evitar a rebrota de espécies-problema como o leiteiro (Peschiera funchsiaefolia) e outras. 2001). O picloram. Também. Picloram O ácido 4-amino 3. podendo se acumular no lençol freático raso. sendo muito utiliza¬do em misturas com o 2. Módulo 3.4-D. como o cipó-de-veado (Polygonum convolvulus L.29.4 a pH 7. É muito pouco adsorvido pelos colóides de argila e mais pela matéria orgânica do solo. e também com fluroxypyr formando o Plenum.2 .5.6 tricloro-2-piridinacarboxílico (picloram) é um produto extremamente ativo sobre dicotiledôneas. perenes e de árvores. Para o controle de árvores. considerando o controle de plantas daninhas herbáceas e arbustivas.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 57 . algodão.). Kow: 0. Sendo um herbicida de alta solubilidade em água.2 a pH 1. porém extremamente persistente (a planta não consegue metabolizar rapidamente o picloram). e Koc médio de 16 mg g-1 de solo. dependendo da intensidade. o que dificulta a absorção e translocação do herbicida até as raízes (SILVA et al. 2005). pimentão.

sua meia-vida é de 20 a 45 dias. Apresenta solubilidade em água de 23 mg L-1. açudes... Kow: 2. em aplicação foliar. A molécula da plastoquinona “Qa” transfere o elétron. como arroz. sendo largamente utilizados nas cultu¬ras de grande interesse econômico.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .2 .000 m de culturas sensíveis. pode haver lixiviação (RODRIGUES. É também muito eficiente e seletivo para controlar dicotiledôneas infestantes de áreas cultivadas com gramas: jardins. fruteiras. e Koc médio de 20 mL g-1 de solo. 4.5. a energia luminosa capturada pelos pigmentos (clorofila e carotenóides) é transferida para um “centro de reação” especial (P680). Seu grau de adsorção depende do pH do solo.2 .6-tricloro-2-piridinil) oxi] acético (triclopyr) apresenta ação semelhante ao picloram. 2005). A aplicação poderá ser por equipamentos terestres ou por avião quando as áreas estiverem infestadas densamente por plantas daninhas de pequeno e médio porte.Mecanismo de ação Os pigmentos. algodão. em área total para controle de plantas daninhas em pastagens e arroz. entre outras (RODRIGUES. umidade relativa >50% e temperatura < 30°C. chamada “Qb”. feijão. Nunca fazer aplicações aéreas a menos de 2. Quando um segundo elétron é transferido para a plastoquinona “Qb”. ALMEIDA. pressão de vapor de 1. 2004). etc. durante a fase luminosa da fotossíntese. ALMEIDA. também presa na proteína.64 a pH 5 e 0. campo de futebol.Herbicidas inibidores da fotossistama II São de grande importância na agricultura brasileira e mundial. com ventos de 0 a 6 km h-1. para uma outra molécula de plastoquinona. 4.1 . com as plantas em pleno vigor vegetativo. O vento deverá estar soprando da cultura sensível para a área de aplicação. milho. por sua vez. pka: 2. gerando um elétron “excitado”. soja.2.68. Interromper imediatamente as aplicações se houver mudança na direção do vento. hortaliças. (FREITAS et al.26 x 10-6 mm Hg a 25 oC.36 a pH 7. dependendo do tipo de solo e das condições climáticas. Este elétron é transferido para uma molécula de plastoquinona presa a uma mem¬brana do cloroplasto (Qa). sob condições de alta pluviosidade. sem a interferência de inibidores do fotossistemoa II. porém é rapidamente degradado no solo. Deve ser aplicado de outubro a março (no período chuvoso). cana-de-açúcar. Em solos leves. Nas condições normais. 2005). a quinona 58 Módulo 3. as proteínas e outras substâncias químicas envolvi¬das na reação da fotossíntese estão localizados nos cloroplastos. É recomendado para uso em pós-emergência.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Triclopyr O ácido [(3.

Herbicidas derivados do fenol (dinoseb. prendendo-se. como pode ser visto na Fig. Esse fato demonstra que algo mais que a simples inibição do fotossistema II está ocorrendo. sabe-se que a clorose foliar que Módulo 3.) causam essa inibição prendendo-se na proteína. O sítio. Essa proteína é chamada D-1. esta proteína é destruída rapidamente pela ação da luz. no sítio onde se prende a plastoquinona “Qb”. Além da competição em si pelo sítio na proteí¬na. dos fenóis. também. onde a plastoquinona “Qb” se prende e onde os herbicidas vão se prender também. impedindo sua destruição. os herbicidas apresentam maior tempo de residência no sítio do que a plastoquinona “Qb”. pironas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas reduzida torna-se protonada (dois íons de hidrogênio são adicionados). Plantas suscetíveis tratadas morrem mais rapidamente quando pulverizadas na presença da luz do que quando pulverizadas e colocadas no escuro. o que aumenta o efeito inibitório destes. quando se prendem à proteína. Diversos análogos do fenol foram descritos como inibidores fotossistema II. sendo conhecida também como proteína 32 kilodaltons. Muitos herbicidas inibidores do fotossistema II (derivados das triazinas. Isso impede que uma mudança na sequência de aminoácidos da proteína (mutação) tornando esse biotipo resistente aquele herbicida.Esquema do transporte de elétrons na fotossíntese. De modo geral. Atualmente. com baixa afinidade para se prender na proteína. ocasio¬nando a saída da plastoquinona e interrompendo o fluxo de elétrons entre os fotossistemas. ou bolso. 2003). por alguma razão não conhecida. ao sítio da plastoquinona “Qb”.2. que ela tem uma configuração de cinco hélices que atravessam a membrana do cloroplasto (tilacóide) e duas hélices paralelas que se interligam. dioxobenzotiazoles e cianoacrilatos. bromoxynil e ioxynil).Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 59 . fica entre a quarta e quinta hélices que atravessam as membranas dos cloroplastos e a hélice paralela que liga as duas.2 . aumentam a estabilidade desta na presença da luz. naftoquinonas. (HESS. por exemplo. não evitam a destruição da proteína D-1 pela luz. etc. quinolonas. Estes herbicidas. formando uma plastoidroquinona (QbH2). seja válida para outros produtos desse mesmo grupo químico. Estes herbicidas competem com a plastoquinona “Qb” parcialmente reduzida (QbH) pelo sítio na proteína D-1. De maneira simplificada. Fonte: Warren e Hess (1995) Os derivados das triazinas e das uréias substituídas são conhecidos por se prenderem justamente ao sítio dos elétrons da proteína D-1. 1995a. Alguns exemplos: piridonas. A associação com a proteína se dá com aminoácidos diferentes no sítio para cada biótipo. benzoquinonas. A proteína D-1 é hoje muito conhecida. Sabe-se. Figura 2 . como fazem os “clássicos”. a função da plastohidroquinona é transferir elétrons entre os fotossis¬temas II (P68O) e I (P7OO). WELLER. das uréias substituídas.

Essas reações dão início ao processo de peroxidação das membranas.2 . tornase ainda mais carregada e mais reativa (estado de energia tríplice). Na presença do herbicida. no estado de energia simples.Estrutura esquemática da membrana de um cloroplasto Fonte: Warren e Hess (1995) Quando a clorofila aceita um elétron. que é normalmente transferido para o centro de reação (P680). e b: a clorofila de carga tríplice também reage com oxigênio e produz um oxigênio reativo (oxigênio singlet). 1995). tratadas com esses herbicidas. declina poucas horas após o tratamento. Em casos nor¬mais. não podendo transferir o elétron ao centro de reação P680 (fotossistema II). todos eles podem ser absorvidos pelas raízes. Essa molécula de oxigênio carregada contribui para o processo de formação dos radicais lipídicos nos ácidos graxos insaturados da membrana. Todos eles translocam-se nas plantas apenas via xilema. Esse excesso de energia (clorofila triple) causa o início da peroxidação de lipídios por dois mecanismos: a: formação direta de radical lipídico nos ácidos graxos insatura¬dos da membrana do cloroplasto. Estes herbicidas não provocam nenhum sinal visível de intoxicação no sistema radicular das plantas. o sistema de prote¬ção. 3). Essa molécula de clorofila. Aparentemente. a velocidade de absorção foliar é diferente para cada produto deste grupo.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .Características gerais dos inibidores do fotossistema II • • • • A taxa de fixação de CO2 pelas plantas sensíveis. ela sai do estado neutro (sem carga) e vai para um estado de energia simples.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ocorre após o tratamento é devida a rompimentos na membrana dos pigmentos causados pela peroxidação de lipídios (ácidos graxos insaturados) da membrana (Fig. aparecendo os sinais de necrose foliar (WELLER. Esta clorofila não retorna ao estado anterior quando o fluxo de elétrons é interrompido pela ação do herbicida que se prendeu ao sítio da plastoquinona “Qb”. 4. é sobrepujado pelo excesso de clorofila no estado de alta energia. entretanto. por esse motivo.2 . 60 Módulo 3. a carga é repassada aos carotenóides.2. Figura 3 . dado pelos carotenóides. para que a clorofila não se destrua. plantas perenes somente são eliminadas por esses herbicidas quando tratadas via solo.

ainda. ou. Elas apresentam menor barreira cuticular à penetração dos herbicidas e.3 . quando aplicadas diretamente no solo. Todavia. tem-se a seletividade do diuron para a cultura do algodão. podendo garantir a seletividade de determi¬nadas espécies. podendo levá-la à morte. Absorção diferencial por folhas e raízes . de adição de adjuvante (estes produtos podem apresentar difícil penetração foliar e não são sistêmicos). Alguns herbicidas deste grupo apresentam seletividade “toponômica” ou seletividade por posição. menor reserva de carboidratos. Neste caso.Mecanismos de seletividade As causas pelas quais os herbicidas inibidores do fotossistema II são seletivos são diversas e variam de cultura para cultura (WELLER. podendo ser curta para alguns produtos (< 30 dias) ou muito longa (> 720 dias) para outros. Na realidade. estes herbicidas são muito adsorvidos pelos colóides orgânicos e minerais do solo. Apresentam pouca ou média mobilida¬de no perfil do solo. 1995). pode se verificar perda de seletividade do herbicida. Neste caso.2. Em geral. se o diuron for incorporado mecanicamente ao solo. torna-se necessário fazer rotação com outros herbicidas que apresentam mecanismo de ação diferente. morfologia das folhas e raízes e. Como exemplo. ele poderá entrar em contato com o sistema radicular do algodão e causar severa intoxicação à cultura.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 61 . não atingindo o local de sua absor¬ção pela planta (sistema radicular). inseticidas ou fungi¬cidas inibidores da colinesterase. A persistência agronômica destes herbicidas no solo é extremamente variável. necessita-se de boa cobertura foliar da planta e. Por este motivo. 4. ainda.2 . são variáveis para cada tipo de solo. É comum ocorrer efeito sinérgico quando se aplicam inibidores do fotostema II em mistura com outros herbicidas. Plantas que estão se desenvolvendo em condições de baixa lumino¬sidade são mais suscetíveis a esses herbicidas. Módulo 3. ao tipo de formulação utilizado. pois possuem pressão de vapor muito baixa. ou se for aplicado em solo de textura arenosa e com baixo teor de matéria orgânica. o aparecimento de novas espé¬cies de plantas daninhas resistentes a estes herbicidas (atuam em sítio de ação específico).este fato pode ser devido à anatomia e. porque este produto é muito pouco móvel no perfil do solo. estes herbicidas não apresentam problemas de deriva por volatilização. o herbicida não será absorvido em quantidade suficiente para intoxicar a cultura.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • • • • • • • • Quando esses herbicidas são usados em pós-emergência. o diuron não causa intoxicação à cultura do algodão quando utilizado em pré-emergência. Normalmente. as doses recomendadas. com relativa freqüência. Por estas razões. também. Tem sido observado. Todos os herbicidas inibidores do fotossistema II apresentam toxicidade muito baixa para mamíferos.

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Translocação diferencial das raízes para as folhas - isto ocorre devido à presença de glândulas localizadas nas raízes e ao longo do xilema, que adsorvem estes produtos, impedindo que sejam translo¬cados até seus sítios de ação, localizados nos cloroplastos. Metabolismo diferencial - algumas espécies de plantas, em suas raízes ou em outras partes, possuem enzimas que são capazes de metabolizar as moléculas de determinados herbicidas, transformando-os rapida¬mente em produtos não-tóxicos para as plantas. Como exemplo, pode-se citar o milho e o sorgo, que apresentam em suas raízes teores elrvados de benzoxazinonas. Estes compostos podem promover rápida degradação da molécula de atrazine por meio de reações de hidroxilação, dealquilação, ou ainda a conjugação dessa molécula com polipetídeos naturais, tornando estas culturas tolerantes a este herbicida. Outro exemplo seria a seletividade da cultura de arroz ao herbicida propanil. Esta cultura apresenta concentrações de dez a trinta vezes da enzima arilacilamidase em realação às principais gramíneas infestantes do arroz. Elevadas concetrações da arilacilamidase, nas folhas de arroz, garantem a degradação do propanil antes que estes atinjam os cloroplastos (sítio de ação primário deste herbicida), o que não ocorre com as gramíneas infestantes dessa cultura. 4.2.4 - Caracterização de Alguns Herbicidas Inibidores do Fotossistema II Atrazine

O 6-cloro-N-etil-N’-(1-metiletil)-1,3,5-triazina-2,4-diamina (atrazine) apresenta solubilidade em água de 33 mg L-1, pka: 1,7, kow: 481; e koc médio de 100 mg g-1 de solo (Rodrigues; Almeida, 2005). É moderadamente adsorvido pelos colóides da argila e da matéria orgânica, tanto mais quanto maior o seu teor no solo; o processo é reversível, dependendo da umidade, da temperatura e do pH do terreno. É lixiviável, sendo comum ser encontrado nos solos cultivados em profundidade superior a 30 cm e também em águas subterrâneas. Sua degradação no solo é, em parte, microbiana, mas também química e física. Apresenta meia-vida no solo média de 60 dias e persistência média a longa nos solos nas doses recomendadas de 5 a 7 meses. Em solos tropicais e subtropicais sua persistência pode também ser maior que 12 meses se usado em doses elevadas em condições de pH do solo elevado, clima frio e seco. Em diversas regiões do Brasil, em campo, tem sido observada intoxicação da aveia semeada até 150dias após aplicação de atrazine na cultura do milho. É muito utilizado na cultura do milho, sendo, também, recomendado para cana-de-açúcar, café, fruteiras, cacau, pimenta-do-reino, etc. Fumo e trigo são muito sensíveis ao atrazine. Quando aplicado em pós-emergência, tem-se observado ótima eficiência de controle das plantas daninhas mesmo com a redução da dose aplicada. Todavia, para isso, é necessário adicionar à calda óleo mineral, sendo mais eficiente para controlar plantas daninhas recém-emergidas (plantas com 1-2 pares de folhas). É muito utilizado em misturas com outros herbicidas em culturas de milho, cana-de-açúcar, fruteiras e outras. As plantas de milho e sorgo possuem a capacidade de metabolizar o atrazine absorvido,
62 Módulo 3.2 - Herbicidas: classificação e mecanismos de ação

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transformando-o por meio de reações de hidroxilação, dealquilação e conjugação, por ação de benzoxazinonas presentes nestas espécies, em compostos não-tóxicos. O atrazine é muito eficiente no controle de dicotiledôneas, porém apresenta eficiência apenas regular para controle de diversas monocotiledôneas. Na cultura do milho, é muito utilizado em pré-emergência, quando em mistura com o metolachlor, formando o “Primestra”, e também em pós-emergência precoce, quando em mistura com óleo mineral (Primóleo) para controle de dicotiledôneas e em mistura no tanque com o nicosulfuron ou outras sulfoniluréias (foramsulfuron + idosulfuron-methyl), em áreas com infestação mista (JAKELAITIS et al., 2005). Simazine

O 6-cloro-N,N`-dietil-1,3,5-triazina-2,4-diamina (simazine) apresenta solubilidade em água de 3,5 mg L-1, pka: 1,62, kow: 122; e koc médio de 130 mg g-1 de solo. É adsorvido pelos colóides da argila e da matéria orgânica e tanto mais quanto maior o seu teor no solo; o processo é reversível, dependendo da umidade, da temperatura e do pH do terreno. É pouco lixiviável, não sendo comum ser encontrado nos solos cultivados em profundidade superior a 10 cm. Sua degradação no solo é, em parte, microbiana, mas também química, ocorrendo hidrólise, com formação de hidroxisimazine e dealquilação do grupo amino. Apresenta persistência média no solo nas doses recomendadas de 5 a 7 meses em condições tropicais e subtropicais, podendo ser maior que 12 meses se usado em doses elevadas. Pode ser usado em pré-emergência das plantas daninhas nas culturas de café, cana-deaçúcar, alfafa, fruteiras, etc., para controle de dicotiledôneas e algumas gramíneas. Em doses maiores que 10kg ha-1 do p.c., pode ser usado usado para limpeza de cercas e áreas industriais. É absorvido basicamente pelo sistema radicular das plantas, sendo pouco móvel no solo. É utilizado em misturas com o atrazine, visando minimizar efeitos do clima, principalmente oscilações pluviais, e também para aumentar o espectro de controle de espécies de plantas daninhas. Ametryn

O N-etil-N`-1(metiletil)-6-(metiltio)-1,3,5-triazina-2,4-diamina (ametryn) apresenta solubilidade em água de 200 mg L-1; pka: 4,1; kow: 427; e koc médio de 300 mg-1 de solo. É medianamente lixiviável nos solos arenosos (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Sua degradação no solo é, em maior parte microbiana, mas também química, por processos de oxidação e hidrólise.
Módulo 3.2 - Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 63

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Apresenta persistência média no solo nas doses recomendadas de 4 a 6 meses em condições tropicais e subtropicais, podendo ser maior que nove meses se usado em doses elevadas, dependendo do clima e tipo de solo (meia-vida média no solo é de 60 dias). É reco¬mendado para as culturas de cana-de-açúcar, banana, café, abacaxi, citros, milho e videira, para controle de mono e dicotiledôneas. Pode ser absorvido facilmente pelas raízes e folhas de plantas. É pouco móvel no solo, por ser muito adsorvido por colóides orgânicos e minerais. Sua adsorção pelos colóides é muito influenciada pelo pH. Também pode apresentar adsorção negativa (dessorção), ocorrendo liberação para as plantas de moléculas anteriormente inativadas pelos colóides do solo. É muito utilizado em misturas com os herbicidas diuron, tebuthiuron, atrazine, trifolysulfuron-sodium, 2,4D, etc; principalmente quando recomen¬dado para de cultura da cana-de-açúcar (PROCÓPIO et al., 2003). É pouco lixiviado no solo, permanecendo na maioria das condições na camada superior (primeiros 30 cm). Prometryne

O N,N`-bis(1-metiletil)-6-(metiltio)-1,3,5-triazina-2,4-diamina (prometryne) apresenta solubilidade em água de 48 mg L-1; pka: 4,09; kow: 1.212; e koc médio de 400 mg g-1de solo. É pouco lixiviado em solos de textura média a argilosa, sendo facilmente degradado por microrganismos que o utilizam como fonte de energia. Apresenta persistência média no solo nas doses recomendadas de 1 a 3 meses em condições tropicais e subtropicais, dependendo das condições de solo, do clima e da dose utilizada. Sua absorção é feita pelas folhas e raízes, sendo mais utilizado em pré-emergência. É recomendado para as culturas de quia¬bo, aipo, cenoura, alho, salsa, cebola, ervilha, etc. A cultura da cebola apresenta maior tolerância ao prometryne quando este é aplicado antes do transplante. Não apresenta seletividade para a cultura da cebola em semeadura direta. Metribuzin

O 4-amino-6-(1,1-dimetiletil)-metiltio-1,2,4-triazina-5-(4H)-ona (metribuzin) apresenta solubilidade em água de 1.100 mg L-1; kow: 44,7; e koc médio de 60 mg g-1 de solo (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É moderadamente adsorvido em solos com alto teor de matéria orgânica e, ou, argila. É um herbicida muito dependente das condições edafoclimáticas para seu bom funcionamento. Quando aplicado na superfície de solo seco e persistir nesta condição por sete dias,
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é desativado por fotodegra¬dação (SILVA, 1989). O metribuzin é também facilmente lixiviado no solo, não sendo recomendado seu uso em solo arenoso e, ou, com baixo teor de matéria orgânica. É absorvido tanto pelas folhas quanto pelas raízes. Controla diversas espécies de dicotiledôneas e algumas gramíneas. É recomendado para aplicação em pré-emergência nas culturas de batata, tomate, soja, café, cana-de-açúcar e mandioca para o controle de diversas infestantes dicotiledôneas. Não apresenta nenhum controle sobre Euphorbia heterophylla. Na cultura do tomate conduzida em semeadura direta, deve ser usado exclusivamente em pré-emergência, logo após a semeadura. No tomate transplantado, poderá ser usado também em pós-emergência, até dezdias após o transplante das mudas. É utilizado em misturas com outros herbicidas, especial¬mente com trifluralin e metolachlor, na cultura da soja. Linuron

O N-(3,4-diclorofenil)-N-metoxi-N-metiluréia (linuron) é um herbicida derivado do grupo das uréias, que apresenta solubilidade em água de 75 mg L-1, pka: zero; kow: 1.010; e koc médio de 400 mg g-1 de solo. É adsorvido principalmente em solos com alto teor de matéria orgânica e, ou, argila, sendo pouco lixiviável nestes tipos de solo, apresentando persistência de 2 a 5 meses. É recomendado para uso em soja, algodão, milho, batata, cenoura, rabanete, alho, cebola, etc., principalmente para aplicações em pré-emergência. Nas culturas de cenoura e de cebola, pode também ser usado em pós-emergência, quando as plantas daninhas estiverem com 1-2 pares de folhas. É mais facilmente absorvido pelas raízes, tendo a sua atividade muito influenciada pelas caracterís¬ticas físico-químicas do solo (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Diuron

O N`-(3,4-diclorofenil)-N,N-dimetiluréia (diuron) apresenta solubilidade em água de 42 mg L-1; pka: zero; kow: 589; e koc médio de 480 mg g-1 de solo e uma meia-vida média no solo de 90 dias com persistência de 4-8 meses (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É muito adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais, sendo sua atividade altamente influenciada pelas características físico-químicas do solo; por esta razão, é pouco móvel no perfil do solo. Esta característica garante a “seletividade toponômica” do diuron para o algodão e outras culturas em solos de textura média a pesada. Todavia, em solos de textura arenosa e com baixo teor de matéria orgânica, o diuron pode atingir o sistema radicular das culturas, tornando-as sensíveis. É recomendado para as culturas de algodão, cana-de-açúcar, citros, abacaxi, mandioca, seringueira, pimenta-do-reino, cacau, etc., para
Módulo 3.2 - Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 65

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o controle de gramíneas e dicotiledôneas, sendo facilmente absorvido pelas raízes das plantas. O diuron, também, é muito recomendado em misturas com diversos herbicidas (paraquat, ametryn, 2,4-D, tebuthiuron, atrazine, MSMA, etc.), para uso em plantio direto, em aplicações dirigidas em diferentes culturas, em sistemas de plantio direto e convencional. Tebuthiuron

O N-[5-(1,1-dimetiletil)-1,3,4-tiadiazol-2-il]-N,N’-dimetiluréia (tebuthiuron) possui solubilidade em água de 2.570 mg L-1; pka: zero; kow: 671 e koc médio de 80 mg g-1 de solo. É adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais, apresentando média lixiviação no perfil do solo. Quando usado em doses elevadas em cana-de-açúcar, recomenda-se não cultivar culturas sensíveis ao tebuthiuron, como feijão, amendoim e soja por um período inferior a dois anos e a três anos quando aplicado em pastagem. A persistência do tebuthiuron em regiões de elevada precipitação pluvial é de 12 a 15 meses; todavia, esta persistência é muito maior em regiões sujeitas a déficits hídricos prolongados. No Brasil, é recomendado para uso em cana-de-açúcar, pastagens e áreas nãocultivadas. Controla largo espectro de dicotiledôneas e monocotiledôneas anuais e perenes. É formulado como pó-molhável e suspensão concentrada. É recomendado para uso em préemergência na cultura da cana-de-açúcar, em aplicação isolada ou em misturas com outros produtos para o controle de plantas daninhas de folhas estreitas e largas que se propagam por sementes (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Também pode ser usado para eliminar árvores ou arbustos em pastagens. Neste caso, apresenta efeito lento, podendo demorar de 3 a 12 meses para eliminar a planta. Bentazon

O 3-(1-metiletil)-(1H)-2,1,3-benzotiodiazinona-4(3H)-ona 2-dióxido (bentazon) apre-senta solubilidade em água de 500 mg L-1; kow: 0,35; e koc médio de 34 mg g-1 de solo. É adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais do solo, mostrando potencial de lixiviação muito reduzido, não sendo encontrado em profundidades superiores a 20 cm. Apresenta curta persistência no solo (inferior a 20 dias), não se observando efeito residual em culturas sucessoras (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É registrado no Brasil para as culturas de amendoim, arroz, feijão, milho, soja e trigo. É utilizado exclusivamente em pós-emergência, devido à reduzida absorção radicular. Recomenda-se adição de um adjuvante oleoso à calda, para lhe facilitar a absorção por algumas
66 Módulo 3.2 - Herbicidas: classificação e mecanismos de ação

ALMEIDA. kow: 193. É fracamente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais. umidade relativa do ar inferior a 70% e excesso de chuva. Não utilizá-lo em lavouras onde as sementes foram tratadas com carbofuran (RODRIGUES. Contudo é totalmente ineficiente no controle de Euphorbia heterophylla e Amaranthus sp. Controla diversas espécies de folhas largas anuais. A eficácia é maior a temperaturas altas e reduz quando abaixo de 16 oC. em um intervalo de três dias. Apresenta persistência muita curta no solo. Propanil O N-(3. quando a infestação do terreno incluir espécies que lhe são tolerantes. fitossanitárias ou cobertas de orvalho. primeiro o graminicida e. além de outras. É recomendado em pós-emergência da cultura do arroz e das plantas daninhas. Deve ser usado em aplicações seqüenciais com inseticidas: com os organofosforados observar intervalo mínimo entre as aplicações de 15 dias e.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 67 . inseticidas e fertilizantes foliares podem quebrar-lhe a seletividade para a cultura do arroz.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas espécies de plantas daninhas. exceto para a cultura do feijão onde a adição do adjuvante não é recomendada pois pode causar fitotoxicidade. É comum ser utilizado em mistura. de apenas três dias. visando aumentar o espectro de controle das plantas daninhas. Deve ser aplicado com as plantas daninhas com bom vigor vegetativo. Controla com eficiência diversas espécies de gramíneas. o uso de óleo mineral torna-se mais necessário. as misturas com fungicidas. preferencialmente. evitando períodos de estiagem e umidade relativa do ar inferior a 60%. É compatível com a maioria dos herbicidas. para os carbamatos. preferencialmente. -1 Módulo 3. Não atua sobre gramíneas. 2005). sendo decomposto basicamente por microrganismos. nestas condições. pka: zero. evitando períodos de estiagem. no tanque. Ipomoea grandifolia. pois inibem a enzima arilacilamidase responsável pelo rápido metabolismo do propanil nas plantas de arroz. razão pela qual. no início do desenvolvimento (2 a 3 folhas). entre elas Acanthospermum australe. ou com a cultura em precárias condições vegetativas. aplica-se. após as aplicações. Não se adiciona surfatante à calda. Deve ser aplicado sobre plantas daninhas no estádio de 2 a 4 folhas. Requer um período de seis horas sem chuva. no inverno. horas de calor. Rhaphanus raphanistrum.2 . É muito comum o uso do propanil em mistura com outros herbicidas. visto que são comuns as combinações com graminicidas pós-emergentes. Bidens pilosa. e koc médio de 149 mg g-1 de solo. Todavia. A aplicação simultânea induz efeito antagônico. 30 dias. para assegurar sua absorção pelas plantas. o bentazon. com estas. estando estas com bom vigor vegetativo. Commelina benghalensis. com herbicidas recomendados para controlar plantas daninhas de folhas largas.4-diclorofenil) propanamida (propanil) apresenta solubilidade em água de 500 mg L . dicotiledôneas e ciperáceas.

• A persistência no solo varia consideravelmente entre os herbicidas deste grupo. em razão da maior sorção destes aos colóides do solo. Os primeiros sintomas são manchas verde-escuras nas folhas.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .3. após 4-6 horas de luz solar. • Os difeniléteres são fortemente adsorvidos pela matéria orgânica do solo e muito pouco lixiviados. • Há muito pouca ou praticamente nenhuma translocação nas plantas tratadas. os herbicidas deste grupo não têm ação. 4. para que ela seja efetivamente controlada. HESS.3.3 . no escuro. pelos caules e pelas folhas de plantas jovens.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. • A toxicidade para pássaros e mamíferos é baixa. que pode variar com a dose aplicada. Como estes herbicidas não se movimentam dentro da planta. as necroses foliares têm o formato e a intensidade das gotículas de pulverização. • A atividade herbicida acontece na presença da luz. 1995) são: • Herbicidas deste grupo podem penetrar pelas raízes. • A ação tóxica dos herbicidas inibidores da Protox. enquanto para peixes ela varia de baixa a moderada. podendo variar de alguns dias a vários meses.2 .Herbicidas inibidores da Protox 4. • São poucos os relatos na literatura sobre o aparecimento de plantas daninhas que adquiriram resistência a estes herbicidas. em decor¬rência do uso repetido destes. • As partes tratadas da planta que são expostas à luz morrem rapidamente (dentro de um a dois dias).1. É preciso que haja boa cobertura da planta. É comum ocorrer danos em culturas sucedâneas quando não se observa o período residual recomendado.2 . durante a emergência das plântulas • A incorporação ao solo diminui a ação destes herbicidas.Mecanismo de ação A atividade destes herbicidas é expressa por necrose foliar da planta tratada em pósemergência. quando aplicados em préemergência. se manifesta nas plantas próximo da superfície do solo. Principais características As principais características dos herbicidas inibidores da Protox (WARREN. ou seja. tipo de solo e condições climáticas. dando a impressão de que estão encharcadas pelo rompimento da membrana celular e 68 Módulo 3.

houve a formação de grande quantidade de oxigênio singleto (O2). ácido levulênico. Finalmente. sai do centro de reação do cloroplasto quando a Protox é inibida e se acumula no citoplasma. responsável pela formação da Mg-protoporfirina IX. tratando-se cloroplastos com um herbicida do grupo difenil-éter. A protoporfirina IX formada no citoplasma. Estas experiências demonstraram que o requerimento de luz para a atividade herbicida dos difeniléteres não está relacionado com a fotossíntese. 1995). No período de 1988-89. foi verificado que o protoporfirinogênio IX. Foi mostrado que a protoporirina IX é acumulada fora dos plastídios. A oxidação enzimática ocorre então no citoplasma. a luz é sempre necessária para a ação herbicida. foi mostrado que a enzima inibida pelos herbicidas do grupo dos difeniléteres era a protoporfirinogênio oxidase. como é que a protoporfirina IX estaria sendo acumulada? Num trabalho de 1993. Primeiramente foi mostrado que. Figura 4 – Sintomas de intoxicação em plantas de pepino tratadas com fomesafen (A) e efeito residual no solo (carryover) em folhas de milho (B) Após a absorção e pequena translocação destes herbicidas até o local de ação. conhecida simples¬mente pela abreviatura Protox. outras publicações comprovaram que o pigmento envolvido era a protoporfirina IX. HESS. Foi descoberto também que substâncias capazes de inibir a síntese da protoporfirina IX (gabaculina. ou mesmo de um mutante de planta amarelo (não-fotossintetizante). no momento em que a plântula emerge.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 69 . e o produto formado não serve de substrato para a enzima Mg-quelatase. Experiências realizadas por vários autores mostraram que o uso de um herbicida inibidor do transporte de elétrons na fotossíntese (diuron). 4A).2 .6-dioxoheptanóico) serviam de proteção contra os difeniléteres. A estes sintomas iniciais segue-se a necrose. precursor da protoporfirina IX. ácido 4. o sintoma característico é a necrose do tecido que entrou em contato com o herbicida (WARREN. Módulo 3. sem Mg. Esse pigmento interage com o oxigênio e a luz para formar o oxigênio singleto (O2). Quando estes herbicidas são usados em pré-emergência. Ficou então uma questão crucial para ser respondida: se a Protox é inibida. não reduziu o dano ocasionado pela aplicação de um difeniléter. surgiram vários trabalhos que ajudaram no entendimento do mecanismo de ação desses herbicidas. Similarmente à aplicação pósemergência. Em seguida. o tecido é danificado por contato com o herbicida. em tecidos tratados com os difeniléteres. reconhecidamente capaz de iniciar o processo de peroxidação de lipídios. um precursor da clorofila.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas derramamento de líquido citoplasmático nos intervalos celulares (Fig.

Vale a pena salientar que a enzima protoporfirinogênio oxidase (protox) ocorre também nos mitocôndrios de células animais e que a enzima encontrada nos mitocôndrios é mais sensível aos herbicidas difeniléteres do que a enzima encontrada nos cloroplastos. Persistência alta no solo na dose recomendada. provoca níveis elevados de porfirina.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . RODRIGUES. o aparecimento do oxigênio singleto (forma reativa do oxigênnio) e a peroxidação dos ácidos graxos insaturados da plasmalema (WARREN. 4. Deve ser aplicado com as plantas daninhas com bom vigor vegetativo. sorgo. Bidens pilosa. além de outras. O grupo heme é conhecido pela ação de controle na síntese do ácido aminolevulínico (ALA).3. Recomenda-se observar um intervalo mínimo de 150 dias entre a aplicação do fomesafen e a semeadura de milho e. a síntese de heme é também inibida. Com a inibição da protox no cloroplasto. Oxadiazon. 1995).83. Esse fato sugere um manuseio bem cuidadoso desses herbicidas. evitando períodos de estiagem. Deve-se adicionar à calda o adjuvante recomendado pelo fabricante. deixando de haver o controle sobre a síntese de ALA. Uma explicação final deve ser dada sobre o fato de que a protopor¬firina IX se acumula muito rapidamente em células de plantas tratadas com um difeniléter ou oxadiazon. que é sintetizado a partir da protoporfirina IX com a interferência da Fe quelatase. a oxidação pela Protox no citoplasma.3 . Controla grande número de espécies de folhas largas anuais.2 . A acumulação rápida da protoporfirina IX sugere um descontrole na rota metabólica de síntese desta. As conseqüências do descontrole são o aumento rápido do protoporfirinogênio IX. precursor na planta dos citocromos. como a protoporfiria. A acumula¬ção de protoporfirina em células humanas é conhecida por estar associada com algumas doenças. daí o aparecimento de necroses de forma tão rápida (4-6 horas). Ipomoea grandifolia. pka: 2. e koc médio de 60 mg g-1 de solo. horas de muito calor e umidade relativa do ar inferior a 60%. ou. variando de dois a seis meses (ALMEIDA. a saída para o citoplasma. por exemplo. kow: 794. entre elas Acanthospermum australe. quando adicionado na dieta de ratos. Amaranthus hybridus.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas interage com o oxigênio e a luz para formar o oxigênio singleto (‘O2) e iniciar o processo de peroxidação dos lipídios da plasmalema. HESS.Caracterização de alguns herbicidas inibidores da PROTOX Fomesafen O 5-(2-cloro-4-(trifluorometil) fenoxi-N-(metilsulfonil)-2-nitrobenzamida (fomesafen) apresenta solubilidade em água de 50 mg L-1 (ácido). 2005). a partir do glutamato. É registrado no Brasil para as culturas de soja e feijão. Euphorbia heterophylla. É recomendado para uso em pós-emergência das plantas daninhas estando estas no estádio de 2 a 4 folhas. Requer uma hora sem 70 Módulo 3. O padrão de acumulação é o mesmo observado na doença Porfiria variegata. A explicação mais plausível é a inibição da síntese do grupo heme. a formação da protoporfirina IX.

Oxyfluorfen O 2-cloro-1-(3-etoxi-4-nitrofenoxi)-4-(trifluorometil)benzeno (oxyfluorfen) apresenta solubilidade em água < 0. Sida rhombifolia. eucalipto e pinho. para o controle em pós-emergência de plantas daninhas dicotiledôneas e gramíneas e também com outros herbicidas. É registrado no Brasil para as culturas de algodão.1 mg L-1. apresentando muito baixa lixiviação no perfil do solo (ALMEIDA. Commelina benghalensis. É utilizado em pré e pós emergência precoce. 2005). Controla gramíneas e algumas espécies de dicotiledôneas. cana-de-açúcar. pka: zero e koc médio de 10. também.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 71 . visando aumentar o espectro de controle de plantas daninhas de folhas largas e. O produto provoca intoxicação à cultura da soja. além de outras.2 . também. Apresenta meia-vida de 30 a 40 dias e persistência média de seis meses no solo. incluindo algumas espécies-problema. pka: zero. como Euphorbia heterophylla. O lactofen tem meia-vida no solo de três dias sendo completamente dissipado em menos de 30 dias. É recomendado para uso em pós-emergência das plantas daninhas. É fortemente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais e. e koc médio de 100. milho e amendoim.000 mg g-1de solo. É registrado no Brasil para as culturas de soja. É comum ser utilizado em mistura no tanque com outros herbicidas. arroz e amendoim. Em Módulo 3.1 mg L-1. com clorose e necrose foliar e redução e crescimento. Lactofen O 2-etoxi-1-metil-2-oxoetil-5-[2-cloro-4-(trifluorometil)fenoxi-2-nitrobenzoato (lactofen) apresenta solubilidade em água de 0.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ocorrência de chuvas após a aplicação.000 mg g-1de solo. por isso. É comum ser utilizado em mistura com o fluazifop-p-butil. no estádio de 2 a 4 folhas. dependendo da exigência da cultura. café. RODRIGUES. arroz. não afetando as culturas em sucessão. Sua degradação no solo é essencialmente por fotólise e insignificante por microrganismos. para inibir o aparecimento de biótipos resistentes a herbicidas. visando aumentar espectro de controle de plantas daninhas. Controla grande número de espécies de folhas largas anuais. podendo. nas culturas de nogueira. videira. sendo utilizado em outros países. É fortemente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais. esta.400. RODRIGUES. ambas anuais. é resistente à lixiviação no perfil do solo. mas a cultura se recupera. ser ainda maior em viveiros. citros. para assegurar a absorção pelas plantas daninhas. kow: 29. 2005). devido às condições de umidade e sombreamento (ALMEIDA.

O alho e a cebola e.2-dicloro-5(1-metiletoxi)fenil]-5-(dimetietil)-1. na faixa de plantio. cenoura e cana-de-açúcar. age sobre o hipocótilo das plantas em germinação e nos meristemas foliares. Em cafezais adultos. Em arroz irrigado. Em cenoura. podendo ser feitas duas aplicações anuais. Não tem ação sobre os tecidos radiculares.3. deve ser aplicado logo após a semeadura. atuando unicamente sobre órgãos da parte aérea. ALMEIDA. Sua persistência no solo é de dois a seis meses. Em café. evitando a ação dos raios solares. Quando utilizado em pós-emergência. Em algodão. Em cafezais jovens. deve ser aplicado em préemergência das plantas daninhas. aplicá-lo em mistura com o MSMA. aplica-se logo após o plantio. Em préemer¬gência. provoca o fechamento dos estômatos e deterioração das membranas celulares. e koc médio: 3. aplica-se logo após a semeadura ou até cinco dias depois. kow: 63.2 . porém antes da emergência do arroz.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . é usado quando a cultura atinge desenvolvimento superior a 50 cm de altura. com elas mais desenvolvidas.100. é utilizado em pré-emergência das plantas daninhas. Quando usado em pós-emergência. alho. as culturas que se reproduzem por bulbo são bastante tolerantes ao oxadiazon. Nestas culturas deve ser utilizado em pré-emergência. Em cana-de-açúcar. Em plantações de eucalipto e pinho.4-oxadiazol-2-(3H)-ona (oxadiazon) apresenta solubilidade em água de 0. podendo ser pulverizado sobre as plantas. na cana-soca. preferencialmente. com as plantas daninhas ainda não emergidas. em jato dirigido. no máximo. Na cultura do arroz. quando usado em pré emergência. de forma a não atingir a folhagem. dependendo da dose aplicada. se necessário. Oxadiazon O 3-[4. recomenda-se usar adjuvantes na calda. Aplicar após o cultivo.7 mg L-1 . é utilizado tanto em viveiros quanto em cafezais jovens e adultos. também em pré72 Módulo 3. em préemergência das plantas daninhas. sendo pouco absorvido pelo sistema radicular e. deve ser aplicado logo após a arruação ou esparramação. e. 2005). Em viveiros. Usar. exige umidade no solo no momento da aplicação para penetrar neste. em solo úmido. após a rega. ocasionando colapso das células. protetores de bicos. em que se faz em jato dirigido. ou. Não é metabolizado nas plantas. também. cebola. logo após o corte. podendo se reaplicar depois que as referidas culturas atinjam a fase de três folhas. de forma a não atingir o algodoeiro. pka: zero. do tipo de solo e das condições climáticas (RODRIGUES. quando estas atingirem a fase de duas folhas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas razão da sensibilidade à fotodecomposição. apresenta lixiviação e movimentação lateral insignificantes.200 mg g-1 de solo. exceto nas variedades de eucalipto de folha pilosa. é recomendado para as culturas de arroz. pouco móvel. em aplicação dirigida. de maneira geral. pode ser usado em pré ou pós-emergência das plantas daninhas. por esta razão e devido à sua baixa solubilidade em água. aplica-se logo após o plantio. No Brasil. É fortemente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais do solo. em pré-emergência das plantas daninhas. antes da emergência das plantas daninhas. logo após o plantio. em pré-emer¬gência das plantas daninhas. em solo úmido.

4. As dinitroanilinas inibem a polimerização destas proteínas e.4 .2 . Estes herbicidas inibem o crescimento da radícula e a formação das raízes secundárias. etc. 1995b). Apresentam de moderada a muito baixa movimentação no solo. Apresentam ótima ação no controle de gramíneas. O efeito direto é sobre a divisão celular. Estas proteínas são contráteis. conseqüentemente.) na cultura de cana-de-açúcar. 4.4. a formação do fuso cromático e movimentação dos cromossomas na fase da mitose (Figs. Eles provocam a ruptura da seqüência mitótica (prófase > metáfase > anáfase > telófase) já iniciada (HESS. 4. Todos estes compostos (grupo das dinitroanilinas) interferem no movimento normal dos cromos¬somas durante a seqüência mitótica.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 73 . Todos os herbicidas deste grupo apresentam de moderada a baixa toxicidade para mamíferos. Módulo 3. porque a sua ação principal se manifesta pelo impedimen¬to da formação do sistema radicular das plantas. tendo como conseqüência o aparecimento de células multinucleadas (aberrações).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas emergência das invasoras. que corresponde à migração dos cromossomas da parte equatorial para os pólos das células. simazine.2 . 5 e 6). Possuem pouca ou nenhuma atividade foliar. e responsáveis pela movimentação dos cromossomas para os pólos da célula. Interferem em uma das fases da mitose. O fuso cromático é formado por proteínas microtubulares denominadas tubulinas. Repetidas aplicações não resultam na maior degradação microbioló¬gica. São eficientes apenas quando usados em pré-emergência. semelhantemente à actimiosina encontrada nos músculos dos animais.Herbicidas inibidores do arranjo dos microtúbulos 4. É comum aplicar o oxadiazon em misturas com herbicidas residuais (diuron.1 . ametryn. pendimethalin e oryzalin).Mecanismo de ação Estes herbicidas pertencem ao grupo das dinitroanilinas (trifluralin.Principais características • • • • • • Paralisam o crescimento das raízes.

e outras.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 5 .1x10-4 mm Hg a 25 °C). quiabo.4. alfafa. pimentão. alho.3 .6-dinitro-N-N-dipropil-4-(trifluorometil) benzoamina (trifluralin) é um herbicida que apresenta excelente ação sobre as gramíneas anuais e perenes oriundas de sementes.Mitose interrompida pela ação de herbicidas derivados das dininitoanilinas 4. tomate. algodão. ALMEIDA.Seqüência normal da mitose Figura 6 . ervilha. Por ser um produto volátil (pressão de vapor de 1. a forte adsorção pode impedir a absorção 74 Módulo 3. necessita ser incorporado mecanicamente ao solo logo após a sua aplicação (RODRIGUES.Caracterização de alguns herbicidas inibidores dos microtúbulos Trifluralin O 2. beterraba. brássicas. 2005). sensível à luz e de solubilidade em água extremamente baixa (0. sendo recomendado para as culturas de soja.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . cebola.3 mg L-1 a 25 °C). É fortemente adsorvido pelos colóides da matéria orgânica e pouco pelos da argila. cucurbitá¬ceas. em solos ricos em matéria orgânica. feijão.2 .

Apesar do uso contínuo por tantos anos. 1998). assim como o movimento lateral no solo. O pendimethalin apresenta solubilidade de 0.5 .1 . Apre¬senta degradação lenta no solo. provocando inibição do crescimento radicular desta (SILVA et al. Não há relatórios também sobre aumento de biodegradação no solo. desde o lançamento do primeiro herbicida desse grupo.Principais características As cloroacetanilidas têm sido um dos grupos de herbicidas mais usados no mundo. A dose recomendada varia de acordo com as características fisico-químicas do solo. sensível à luz e pouco móvel no solo. kow: 118. 1995). 2005).000 mg g-1 de solo.4x10-5 mm Hg).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas do trifluralin pelas raízes das plantas. em 1954 (CDAA) (SLIFE. causar danos à cultura sucessora. amendoim. As princi¬pais características dos herbicidas do grupo das cloroacetamidas são: Módulo 3. A lixiviação. É absorvido principalmente pela radícula e praticamente não se transloca na planta.6-dinitrobenzenoamina (pendimethalin) é registrado no Brasil para controle de gramíneas nas seguintes culturas: algodão. tabaco e trigo. em alguns casos de rotação de culturas (feijão/milho) em áreas de baixa fertilidade e mal manejadas. por causa do uso extensivo em soja e milho. por esta razão.200 mg g-1 de solo. cebola. arroz. é muito reduzida.3 mg L-1. Sua persistência no solo varia de 3 a 6 meses de acordo com o solo. feijão.Inibidores da síntese de ácidos graxos de cadeias muito longas (VLCFA) 4.5.4-dimetil-2. cana-de-açúcar.000.. 4. podendo. a dose aplicada e as condições climáticas (RODRIGUES. É um herbicida de média volatilidade (pressão de vapor de 9. É recomendado para uso em pré emergência da planta daninha e da cultura ou em PPI. motivo pelo qual a incorporação é recomendável em condições de solo seco e com período de estiagem. Pendimethalin O N-(1-etilpropil)-3.2 . kow: 152. sua lixiviação é muito baixa e as doses recomendadas se dão em função das características físico-químicas do solo. não existem ainda relatos do aparecimento de gramí¬neas que tenham adquirido resistência a esses herbicidas. milho. pka zero. café.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 75 . e koc médio de 17. Apresenta pka: zero. É fortemente adsorvido pelos colóides do solo. e koc médio de 7. motivo pelo qual não é aconselhável seu uso nestas condições. Nos Estados Unidos da América do Norte. alho. ALMEIDA. depois do glyphosate é o grupo de herbicida mais utilizado. soja.000.

não há registros de problemas com deriva.2 . Exemplo deste uso é a proteção do sorgo contra cloroacetanilidas. isoladamente. 1995). quando o fazem. ciperáceas mostram inibição da parte aérea. o efeito residual no solo tem aumentado e a dependência dos fatores do solo tem diminuído. Em razão de os efeitos desses herbicidas estarem ligados somente as plântulas. 76 Módulo 3. A hipótese mais aceita atualmente é a inibição de ácidos graxos de cadeias muito longas. as cloroacetanilidas podem auxiliar no controle de dicotiledôneas.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . Em áreas tratadas com cloroacetanilidas. o algodoeiro). possibili¬tando a utilização desses herbicidas nesta cultura. As cloroacetanilidas apresentam normalmente pressão de vapor de média a alta. Gramíneas mostram inibição da emergência da primeira folha do coleóptilo. De modo geral. o controle não é consistente. é muito difícil o estudo de translocação. exibem crescimento anormal. A toxicidade das cloroacetanilidas a peixes. e. O maior uso das cloroacetanilidas está ligado ao controle. pássaros e mamíferos é muito baixa. o efeito inibitório causado pelo alachlor é maior sobre as raízes. mas.Mecanismo de ação das cloroacetanilidas Apesar de ter sido estudado extensivamente. A mobilidade no solo varia entre os herbicidas deste grupo e depende das condições de umidade e do teor de matéria orgânica do solo. de espécies daninhas gramíneas e comelináceas. As cloroacetanilidas são aparentemente absorvidas pelas raízes (dicotiledôneas) e pelas partes acima da semente epicótilo (principal¬mente gramíneas). Os dados existentes indicam translocação muito pequena. as sementes iniciam o processo de germinação. é um dos grupos mais estudados e com o qual mais se têm usado os protetores de herbicida. as doses têm sido reduzidas. o mecanismo bioquí¬mico primário de ação das cloroacetanilidas ainda não é bem conhecido. De maneira geral. ácidos graxos.5. As cloroacetanilidas estão relacionadas com a inibição da sín¬tese de lipídios. em préemergência. 4. naturalmente sensível a eles. Há relatórios que as relacionam com a inibição da divisão celular e interferência com controle hormonal (SLIFE. terpenos. porém. pelo fato de não terem ação pós-emergente. as cloroacetanilidas apresentam de baixa a média mobilidade nos solos.2 . em dicotiledôneas (por exemplo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • • • • • • • • Controlam plântulas de muitas espécies de gramíneas anuais e algumas dicotiledôneas antes da emergência ou mesmo plantinhas. flavonóides e proteínas. mas não chegam a emergir. Devido a problemas de tolerância. Muitos efeitos diferentes sobre vários processos bioquímicos já foram mostrados. logo após a emergência. Em combinação com outros herbicidas. Cada cloroacetanilida que apareceu no mercado depois do herbicida CDAA apresentou características um pouco diferentes das outras.

já foi mostrado que o herbicida alachlor é capaz de alquilar CoA. possuindo média a baixa mobilidade no solo e persistência de 6 a 20 semanas.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 77 .3 . e koc médio de 120 mg g-1 de solo (RODRIGUES. se a infestação for de Bidens pilosa. 2005). 4. sendo usado em pré-emergência. é comum misturá-lo com atrazine ou cyanazine. Em soja. podendo ser misturado com ametryn. logo após a semeadura da cultura. Em café novo ou recepado. Richardia brasiliensis ou Sida sp. As cloroacetanilidas podem também alquilar aminoacil tRNAs específicos e. incluindo lipídios. É adsorvido pelos colóides do solo. Em café. sendo esta enzima o ponto de começo de muitas rotas metabólicas. exceto em solos arenosos e. diuron ou atrazine.5. inibir a síntese de proteínas. amendoim e girassol. Os efeitos das cloroacetanilidas sobre a síntese de gorduras podem ser atribuídos à interferência no metabolismo da CoA. a eficácia do produto reduz. etc. pode-se cultivar milho. terpenos. pka: zero. aplicá-lo após a arruação ou esparramação. estando o solo com boas condições de umidade. deve ser utilizado logo após o plantio. se não chover no prazo de até cinco dias. variável com o tipo de solo e as condições climáticas. antes da emergência das plantas daninhas. ALMEIDA. Em algodão.. não se deve utilizá-lo em solos arenosos. kow 794.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A maioria dos efeitos bioquímicos e fisiológicos relatados sobre o modo de ação destes herbicidas pode ser interpretada com base na inibição da síntese de proteínas. Módulo 3. em condições de alta infestação de Brachiaria plantaginea. ácidos graxos. com baixo teor de matéria orgânica.2 . mistura-se com metribuzin. A retirada do nucleófilo pode acontecer entre o halogênio das cloroacetanilidas e o nucleófilo. Quando aplicado em solo seco. As cloroacetanilidas são conhecidas como agentes alquilantes e podem agir alquilando nucleófilos biológi¬cos. Pelo menos “in vitro”.Características de algumas cloroacetanilidas Alachlor O 2-cloro-2. ou. soja ou amen¬doim no terreno tratado. Em cana-de-açúcar. recomenda-se a mistura com graminicidas ou aplicação em seqüência ao trifluralin incorporado. sendo este transferido (por exemplo. Apresenta solubilidade em água de 242 mg L-1.6-dietil-N-(metoximetil)acetanilida (alachlor) é recomendado para controle de diversas espécies de gramíneas e comelináceas. com isso. Em milho. o grupo amino do metionil-tRNA inicial).

sendo usado em outros países. das condições climáticas e do tipo de solo. cyanazine. feijão. Apresenta solubilidade em água de 223 mg L-1. antes da emergência das plantas daninhas e da cultura. Para aumentar o espectro de ação sobre estas espécies. kow: 3. por esta razão. apresentando persistência de 8 a 12 semanas. sendo comum a mistura com outros herbicidas. batata. Em razão de sua absorção foliar ser quase nula. devendo ser aplicado em seguida à semeadura. Controla essencialmente gramíneas anuais e algumas perenes de reprodução seminal. é essencial que sua aplicação seja feita antes da completa emergência das plantas. mas no prazo máximo de três dias após a ultima gradagem. como atrazine. metribuzin. esparramação. exceto em solos arenosos. pka zero e kow 300. 2005). É adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais do solo. A terra deve estar bem preparada. livre de torrões. deve ser aplicado logo após a arruação e. milho e soja. 78 Módulo 3. É sorvido pelos colóides de argila e matéria orgânica.2 . a sua eficácia ficará comprometida se aplicado em solo seco e não ocorrer uma chuva de intensidade superior a 10mm no espaço de cinco dias (RODRIGUES. dependendo da dose utilizada. Acetochlor O 2-cloro-N-(etoximetil)-N-(2-etil-6-metilfenil) acetanilida (acetochlor) é recomendado para uso em pré-emergência das plantas daninhas. logo depois do plantio. sua lixiviação é fraca a moderada. Apresenta solubilidade em água de 488 mg L-1. Em café. Pelo fato de sua absorção ser quase total pelo coleóptilo das gramíneas e pelo epicótilo das dicotiledôneas. Em feijão. também. usa-se em cana-planta.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . pka: zero. para culturas de amendoim. sendo pouco lixiviado. ou. à fotodegradação e à volatilização. por provocar inoxicação à cultura. é largamente utilizado em mistura com o atrazine. sorgo e plantas ornamentais. não deve ser utilizado em solos arenosos. girassol. ALMEIDA. recomenda-se sua aplicação logo após a semeadura.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas S-metolachlor O 2-cloro-N-(2-etil-6-metilfenil)-N-[(1S)-2-metoxi-1-metiletil)]acetanilida (s-metolachlor) é registrado no Brasil para cana-de-açúcar. entre outros. é comum misturá-lo com latifolicidas. Em milho. Devido à sensibilidade do s-metolachlor. restos de culturas e em boas condições de umidade. as comelináceas e um número reduzido de latifoliadas.05. etc. Em milho. é utilizado apenas em pré-emergência das plantas daninhas. Em cana-de-açúcar. e koc médio de 200 mg g-1 de solo. podendo ser misturado.

6 . aplica-se logo após a semeadura.6. os quais sofrem o processo de dismutação. Estes radicais livres formados pelos herbicidas paraquat e diquat não são os agentes responsáveis pelos sintomas de intoxicação observados. para formarem o peróxido de hidrogênio. em várias partes do mundo e. também.1 . Nesta condição. 1995a). São rapidamente absorvidos pelas folhas. Estes compostos possuem a capacidade de captar elétrons provenientes da fotossíntese (no fotossistema I) e formarem radicais livres. em aplicações dirigidas em diversas culturas. no escuro.Herbicidas Inibidores do Fotossistema I São herbicidas derivados da amônia quaternária (paraquat e diquat). exceto em solos arenosos e. em pré-colheita para diversas culturas.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 79 . 4. como dessecantes. também. para formarem os radicais tóxicos. ou. por isso. Esta substância promove a degradação rápida das membranas (peroxidação de lipídios). Em soja. O local de captura dos elétrons está próximo a ferredoxina e sua velocidade de ação depende da intensidade luminosa. WARREN. São rapidamente adsorvidos e inativados pelos colóides do solo.6. com baixo teor de matéria orgânica. A toxicidade do diquat é alta e a do paraquat é muito alta. para mamíferos. A ação destes herbicidas é muito mais rápida na presença da luz do que no escuro. porque pequena atividade destes produtos é observada. na presença de Mg. Durante o processo de auto-oxidação são produzidos radicais de superóxidos. Usualmente. antes da emergência das plantas daninhas e da cultura. Estes radicais são instáveis e rapidamente sofrem a auto-oxidação.Mecanismo de ação Poucas horas após a aplicação destes herbicidas. (WELLER. 4. São cátions fortes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas com atrazine ou cyanazine. ocasionando o vazamento do conteúdo celular e a morte do tecido. chuvas após 30 minutos de sua aplicação não mais influenciam a eficiência de controle das plantas daninhas. produzindo radicais hidroxil. na presença de luz. entre outros. com metribuzin. podendo ser misturado. 4. Este composto e os superóxidos. verifica-se severa injúria nas folhas das plantas tratadas (necrose do limbo foliar). Vale ressaltar que este não é o único sítio de ação destes herbicidas. a morte das plantas devido à ação destes herbicidas é tão rápida na presença da luz que não dá tempo de eles se translocarem na planta.Características gerais • • • • • • • São altamente solúveis em água e. estes herbicidas capturam os elétrons provenientes da respiração.2 . reagem. sendo largamente utilizados como dessecantes no “plantio direto”.2 . formulados em solução aquosa. Módulo 3.

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4.6.3 - Principal herbicida do grupo Paraquat

O 1,1’-dimetil-4,4’-dicloreto de piridilio íon (paraquat) é um herbicida altamente solúvel em água (620.000 mg L-1); pka: zero; kow: 4,5; e koc estimada de 1.000.000 mg g-1 de solo. É inativado ao entrar em contato com o solo, por completa adsorção do cátion à argila. Esta ocorre devido à dupla carga positiva da molécula do paraquat, formando complexos com os locais de carga negativa, de onde não é removido mesmo com lavagens de solução saturada de sais, só sendo recuperado por fragmentação da argila com ácido sulfúrico 18 N. Por esta razão, sua lixiviação é nula e sua decomposição microbiana no solo é muito lenta. O paraquat pode ser usado para: • • • • • Dessecante em “plantio direto”. Para este fim, o paraquat é muito utilizado em mistura com o diuron, formando o Gramocil. Em pré-emergência de culturas, porém em pós-emergência das plantas daninhas. Aplicações dirigidas em culturas de milho, algodão, café, fruteiras e outras. Dessecante, em pré-colheita, para diversas culturas, visando viabilizar colheita mecânica e melhor qualidade fisiologia de sementes (DOMINGOS et al., 2001). Para limpeza de áreas não-cultivadas.

4.7 - Herbicidas inibidores da acetolactato sintase Os herbicidas derivados das sulfoniluréias, comercializados pela primeira vez em 1982, apresentam alto nível de atividade em doses muito pequenas. Atualmente, há vários herbicidas deste grupo no mercado. Através de pequenas modificações na estrutura química, a seletividade pode ser alterada de uma cultura para outra. Exemplos de culturas que são tolerantes a um ou mais herbicidas desse grupo químico são trigo, soja, arroz, milho, feijão, batata, beterraba, algodão, coníferas, canade-açúcar, etc. As sulfoniluréias inibem a síntese dos chamados aminoácidos ramificados (leucina, isoleucina e valina), através da inibição da enzima Aceto Lactato Sintase (ALS); esta inibição interrompe a síntese protéica, que, por sua vez, interfere na síntese do DNA e no crescimento celular. As plantas sensíveis tornam-se cloróticas, definham e morrem, no prazo de 7 a 14 dias após o tratamento. Essa enzima é inibida, também, pelos herbicidas dos grupos químicos imidazolinonas, triazolopyrimidines ou sulfonamidas e pyrimidinyl-oxybenzoatos (THILL, 1995; THILL, 2003a; BRIDGES, 2003c). Apesar do pouco tempo de uso, a literatura já registra muitas espécies de plantas daninhas que desenvolveram resistência aos inibidores da ALS.

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As principais características das sulfoniluréias são: • • Alguns são ativos em doses extremamente baixas; exemplo: o metsulfuronmethyl, que apresenta atividade na dose de 2 g ha-1 A maioria das sulfoniluréias apresenta bom controle de muitas espécies de folhas largas (dicotiledôneas); todavia, algumas possuem, também, ótima atividade contra gramíneas. A toxicidade aguda para mamíferos é muito baixa (5.500–6.500 mg kg-1 em ratos) para o herbicida chlorsulfuron, o mais estudado. Para outros análogos, a toxicidade é mais baixa ainda. As sulfoniluréias são ativas tanto em aplicações foliares quanto em aplicações no solo.

Apesar de quimicamente diferentes, as imidazolinonas têm o mesmo mecanismo de ação das sulfoniluréias, ou seja, inibem a enzima AHAS ou ALS. As principais caracte¬rísticas deste grupo são: • As imidazolinonas são recomendadas para controle em pré-emergência e em pósemergência de muitas folhas largas e gramíneas em cereais, soja e em áreas nãoagrícolas. • Estes herbicidas são potentes inibidores do crescimento vegetal. Plantas tratadas param de crescer quase que imediatamente após a aplicação. Dois a quatro dias após a aplicação desses herbicidas o ponto de crescimento (meriste¬ma apical) das plantas tratadas torna-se clorótico e, depois, necrótico e morre. A morte completa da planta vai ocorrer sete a dez dias após o tratamento. Plantas de maior porte podem levar mais tempo para morre¬r, mas a paralisação do crescimento é imediata. • Todos estes herbicidas são sistêmicos, ou seja, translocam pelo floema. Uma vez dentro do floema, por causa do pH alcalino, estes herbicidas, que são ácidos fracos, se dissociam e os ânions têm dificuldade para deixar o floema. • As imidazolinonas apresentam persistência de moderada a longa no solo. Maior sorção e, conseqüentemente, maior persistência ocorrem quando decrescem a umidade do solo, o pH e a temperatura e, também, quando os teores de matéria orgânica, óxidos de ferro e de alumínio no solo aumentam. • A dissipação no solo é, via de regra, por meio da degradação microbiana. Em condições de solo mais seco, mais herbicida é preso nos colóides do solo e menos produto é disponível para biodegra¬dação ou absorção pelas plantas, o que implica maior persistência e possível "carryover". As imidazolinonas são

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sensíveis à fotólise, mas esse processo de dissipação não é importante no solo. A fotólise é mais importante no meio aquático. • Pouca lixiviação tem sido reportada em condições de campo, apesar de os estudos de laboratório indicarem mobilidade moderada destes herbicidas no solo. • As imidazolinonas apresentam muito baixa ou nenhuma toxicidade para mamíferos. Esta toxicidade baixa pode ser explicada pela enzima-alvo, que não ocorre em animais, e também pelo fato de a excreção desses herbicidas ser muito rápida em animais-teste. Além das sulfoniluréias e das imidazolinonas, outros herbicidas, de grupos químicos diferentes, apresen¬tam o mesmo mecanismo de ação, ou seja, inibem a enzima ALS ou AHAS e, com isso, paralisam o crescimento das plantas (HESS, 1995c). Dente esses grupos químicos, podem-se destacar as triazolopirimidinas, ou sulfonamidas, e os piridinil-oxibenzoatos. As principais características do herbicida N - (2,6-diflluorofenil) - 5 - metil (1,2,4) triazolo [1,5a] pirimidina - 2 - sulfonamida (flumetsulan) e N-[2,6-diclorofenil] - 5 - etoxi - 7 - fluoro(1,2,4) triazolo – [(1,5c)] pirimidina - 2 - sulfonamida (diclosulan) são: Flumetsulan Diclosulan

• •

• • •

Apresentam ação pré-emergente sobre amplo espectro de plantas daninhas de folhas largas. As gramíneas, de maneira geral, são resistentes devido ao metabolismo mais rápido. Entre as culturas de folhas largas, a soja é tolerante. Possuem absorção radicular, mas a translocação é sistêmica, ou seja, translocamse tanto pelo floema quanto pelo xilema. A sorção no solo e a persistência aumentam quando o pH decresce e quando a matéria orgânica aumenta. A persistência no solo é mediana, não havendo casos relatados de "carryover". A dissipação no solo é devida ao ataque de microrganismos. Condições que favorecem a ação microbiana aceleram a dissipação destes herbicidas no solo. Possuem mobilidade no solo moderada, não se antevendo problemas de contaminação de depósitos subterrâneos de água. A toxicidade para mamíferos é muito baixa (Faixa Verde: DL50 > 6.000mg/kg em ratos).

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4.7.1 - Algumas sulfoniluréias Metsulfuron-Methyl

O ácido 2-[[[[(4-metoxi-6-metil-1,3,5-triazina-2-il)amino]carbonil]amino]sulfonil] benzóico (metsulfuron-methyl) apresenta solubilidade em água de 270 mg L-1; pka: 3,3; kow: 1,0 a pH 5 e 0,018 a pH 7; e koc médio de 35 mg g-1g de solo. É pouco sorvido e muito lixiviado no solo, dependendo da textura e do teor de matéria orgânica. Sua persistência (meia-vida) no solo varia de 30 a 120 dias (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É registrado no Brasil para controle de plantas daninhas de folhas largas nas culturas de trigo, arroz, cana-de-açúcar, aveia, cevada, manejo de inverno e pastagens. Entre as espécies sensíveis encontram-se Raphanus raphanistrum, Raphanus sativus, Acanthospermum australe, Bidens pilosa, Ipomoea grandifolia, além de muitas outras. É recomendado para uso em pós-emergência, devendo ocorrer intervalo de seis horas sem chuva após a sua aplicação. A ação do produto nas plantas daninhas sensíveis pode ser observada através da clorose das folhas e morte das gemas apicais, com evolução para morte das plantas até 21 dias após aplicação. Em espécies menos sensíveis, observa-se paralisação de seu desenvolvimento. Culturas como trigo e arroz, para as quais é seletivo, conseguem metabolizá-lo rapidamente a compostos não-fitotóxicos. Nicosulfuron

O 2-[[[[(4,6-dimetoxi-2pirimidinil)amino]carbonil]amino]sulfonil]-N,N-dimetil-3piridinacarboxamida (nicosulfuron) apresenta solubilidade em água de 360 mg L-1 a pH 5 e 12.200 a pH 6,85; pka: 4,3; kow: 0,44 a pH 5 e 0,018 a pH 7; e koc médio de 30 mg g-1 de solo a pH 6,5. Quanto à sua persistência em condições de Brasil, sabe-se que culturas de soja, girassol, algodão e feijão poderão ser semeadas 30 dias após a aplicação do nicosulfuron; trigo, arroz e batata, 45 dias após a aplicação; e tomate, 60 dias (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). No Brasil, está registrado para a cultura do milho, sendo utilizado em pós-emergência em área total. Controla gramíneas, inclusive o capim-massambará (Sorghum halepense), e diversas espécies de dicotiledôneas. No momen¬to da aplicação, as plantas de milho devem estar com duas a seis folhas; as plantas daninhas dicotiledôneas, com duas a seis folhas; e as gramíneas, com até dois perfilhos. A aplicação deve ser feita estando o solo úmido e com as plantas daninhas em pleno vigor vegetativo. A ocorrência de chuvas uma hora após a aplicação não afeta a eficiência deste herbicida. A mistura do
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nicosulfuron com o atrazine no tanque do pulverizador aumenta o espectro de controle de plantas daninhas. Existem diferentes níveis de tolerância entre os híbridos de milho disponíveis no mercado brasileiro ao nicosulfuron. Por isso, antes de aplicar esse herbicida em cultura do milho consulte a lista de híbridos e variedades tolerantes a esse herbicida. A mistura desse herbicida com inseticidas carbamatos ou fosforados pode torná-lo não-seletivo ao milho (SILVA et al., 2005) Halosulfuron

O metil-3-cloro-5-(4,6-dimetoxipirimidin-2-carbomoilsulfamoil)-1-metillpirazole-4carboxilato (halosulfuron) é registrado no Brasil para cana-de-açúcar, para controle de Cyperus rotundus. Apresenta solubilidade em água de 15 mg L-1 a pH 5,0 e 1.650 a pH 7,0; pka: 3,5; kow: 47 a pH 5,0 e 0,96 a pH 7,0; e koc médio de 93,5 mg g-1 de solo. Apresenta baixa adsorção no solo. Possui meia-vida média no solo em torno de 16 dias, variando com o tipo de solo e as condições climáticas (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Sua aplicação deve ser feita em pós-emergência das plantas daninhas, sendo o melhor período 30 a 40 dias após o plantio da cana-de-açúcar, quando as plantas daninhas deverão estar no final da fase vegetativa ou início do florescimento. As plantas de Cyperus rotundus devem estar em boas condições de desenvolvimento, sem efeito de estresse hídrico ou de baixa temperatura. Chlorimuron-ethyl

O ácido 2-[[[[(4-cloro-6-metoxi-pirimidinil)amino]carbonil]amino]sulfonil]benzóico (chlorimuron-ethyl), no Brasil, encontra-se registrado para a cultura da soja, sendo usado em pósemergência. Apresenta solubilidade em água de 450 mg L-1 a pH 6,5; pka: 4,2; kow de 320 a pH 5,0 e 2,3 a pH 7,0; e koc médio de 110 mg g-1 de solo (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). No solo, apresenta adsorção e lixiviação moderadas e meia-vida de 7,5 semanas. A persistência é maior em solos com pH mais elevado; em solos ácidos e com clima quente, a persistência é baixa. Manter intervalo de 60 dias entre a aplicação do chlorimuron-ethyl e a semeadura de trigo, milho, feijão e algodão. Para as outras culturas, fazer antes um bioensaio. Controla essencialmente espécies anuais de dicotiledôneas, sendo mais efetivo quando estas se encontram na fase inicial de crescimento (até seis folhas). Entre as espécies sensí¬veis encontram-se Desmodium tortuosum, Acathospermum australe, Ipomoea grandifolia, Bidens pilosa, além de outras. É comum misturá-lo com outros

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Módulo 3.2 - Herbicidas: classificação e mecanismos de ação

5-dihidro-4-metil-4-(1-metiletil)-5-oxo-1H-imidazol-2-il]-3-quinolina carboxílico (imazaquin) apresenta solubilidade em água de 60 mg L-1. ALMEIDA. É fracamente adsorvido em solo com pH alto.8. para se evitar o efeito “guarda-chuva”. O flazasulfuron deve ser aplicado em cobertura total das plantas daninhas e da cultura. este herbicida deve ser aplicado isoladamente. se objetivo for controlar a Cyperus rotundus. para controle de dicotiledôneas em soja. Sua degradação no solo é por ação microbiana e química. 1999). é facilmente lixiviável no solo. 2005). Flazasulfuron O 1-(4.2 . ALMEIDA. 4. pka: 3. podendo afetar culturas de inverno que seguem à soja tratada com o produto (SILVA et al. as plantas de cana-de-açúcar devem possuir no máximo quatro folhas.0 e 2. as gramíneas devem ter no máximo três perfilhos.2.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 85 .0 (RODRIGUES.7.2 . Apresenta meia-vida variando de 9 a 120 dias. não sendo recomendável cultivá-lo na modalidade de “milho safrinha” no mesmo ano agrícola da soja. sendo influenciada pela temperatura e pelo pH do solo (RODRIGUES.. de 5 a 8 folhas e em pleno desenvolvimento vegetativo. estando o solo em boas condições de umidade. porém esta adsorção aumenta em pH baixo. pode ser misturado no tanque do pulverizador com outros herbicidas (ametryn. porém não deve ser misturado com graminicidas. etc. para maior espectro de controle.).. 1998). exigindo intervalo de segurança acima de 180 dias após sua aplicação. Quando usadas em pósemergência. kow e koc não disponíveis. as dicotiledôneas. seis folhas. e a tiririca (Cyperus rotundus). Sua mobilidade no solo é inversamente proporcional ao teor de matéria orgânica. todavia. kow: 2. em alguns tipos de Módulo 3. O milho é muito sensível a resíduo de imazaquin no solo.0. 2005). pka. Sua persistência no solo é alta (meia-vida de sete meses).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas herbicidas.000 mg L-1 a pH 5.Algumas imidazolinonas Imazaquin O ácido 2-[4.100 a pH 7. Na cultura da cana. Pode ser usado em pré ou em pós-emergência inicial das plantas daninhas. evitando-se aplicar em períodos de estiagem e umidade relativa do ar inferior a 60% (SILVA et al.6-dimetoxipirimidin-2-il)-3-(3-trifluorometil-2-piridilsulfonil) uréia (Flazasulfuron) apresenta solubilidade em água de 27. e valor médio de koc de 20 mg g-1 de solo a pH 7. diuron.

86 Módulo 3. entre as quais Euphorbia heterophylla. estando estas com até quatro folhas e de monocotiledôneas.. Hyptis suaveolens. Apresenta lenta degradação no solo (meia-vida de 60 dias). além de outras. pouco lixiviado.0 e 31 a pH 7. podendo causar toxicidade a algumas culturas de inverno que forem cultivadas em sucessão à soja tratada com este herbicida (SILVA et al. Ipomoea grandifolia. É registrado no Brasil para uso exclusivo na cultura da soja.5-dihidro-4-metil-4-(1-metiletil)-5-oxo-1H-imidazol-2-il]-5-etil-piridina carboxílico (imazethapyr) apresenta solubilidade em água de 1. Imazethapyr O ácido 2-[4. Ipomoea grandifolia. 1999). o que geralmente acontece entre 15 e 20 dias após a semeadura do feijão. Bidens pilosa. O milho e o sorgo são muito sensíveis ao resíduo de imazethapyr no solo. 2005). e kow: 11 a pH 5. entre um a três perfilhos. pka: 3. com até quatro folhas. ALMEIDA. pouco lixiviado (RODRIGUES. essencialmente microbiana (meia-vida de 15 dias). Controla.36 (RODRIGUES. Controla essencialmente plantas daninhas dicotiledôneas. no estádio cotiledonar. Imazamox O ácido nicotínico 2-(4-isopropil)-4-metil-1-metiletil-(1-metil-5-oxo-2-imidazolin-2-il)-5(metoximetil) (imazamox) apresenta solubilidade em água de 4.0. sendo utilizado em pré-plantio incorporado ou em pré-emergência das plantas daninhas. estando as dicotiledôneas. É registrado no Brasil para a cultura da soja.. também. também. com eficiência. ALMEIDA. Sida rhombifolia. Recomenda-se sua aplicação em pós-emergência das plantas daninhas dicotiledôneas. 2005).2 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas solo. Apresenta rápida degradação no solo. além de outras. É pouco adsorvido pelos colóides do solo e. sendo. Estudos preliminares têm demonstrado que este herbicida apresenta rápida degradação em condições de solos brasileiros (SILVA et al.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . entre uma e quatro folhas. Controla com eficiência diversas espécies de plantas daninhas: Euphorbia heterophylla. 1999). e as monocoti¬ledôneas. o que geralmente acontece entre 5 e 15 dias após a semeadura da soja.9. É registrado no Brasil para cultura da soja e do feijão.400 mg L-1. Recomenda-se a aplicação em pós-emergência precoce. mas esta adsorção aumenta em pH baixo. É fracamente adsorvido em solo com pH alto.413 mg L-1 e Kow: 5.

É pouco adsorvido pelos colóides do solo e.6. 2001). sobretudo. em pós-emergência precoce na cultura do algodão.272 mg L-1 a pH 7. É fracamente adsorvido pelos colóides do solo. a persistência biológica é dependente. com degradação mais rápida em clima quente e úmido. essencialmente por via microbiana. também. 2005). Imazapyr O ácido (+-)-2-[4. Módulo 3.0 e pka: 1. principalmente em solos arenosos. Também quando aplicado no tronco do eucalipito visando eliminar rebrota após a derrubada.9 a 1. dependendo do movimento capilar da água no perfil do solo (FIRMINO. ALMEIDA.6-dimetoxipirimidina-2-il) tio]. Aplicações em altas doses para capinas de ruas pode intoxicar árvores utilizadas na arborização do ambiente (Fig.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 87 .34 e meia-vida no solo de dois meses (RODRIGUES. Apresenta degradação no solo essencialmente microbiana É registrado no Brasil para o controle de dicotiledôneas. pode ser exsudado pelas raízes. Apresenta lenta degradação no solo. Pyrithiobac-sodium O sódio 2-cloro-6-[(4. ALMEIDA. da dosagem e dos fatores ambientais. Em campo. pka: 2.36 (RODRIGUES.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas diversas espécies de plantas daninhas.2 . em condições aeróbicas.5-dihidro-4-metil-4-(1-metietil)-5-oxo-1H-imidazol-2-il]-3-piridina carboxílico (imazapyr) apresenta solubilidade em água de 11. não se processando em condições anaeróbicas. Sua persistência no solo é longa (três a sete meses em solos tropicais e seis meses a dois anos em clima temperado. vindo intoxicar as novas mudas plantadas para renovação da floresta. 7). se aplicado em pósemergência precoce. pouco lixiviado. Kow: 0. podendo ocorrer lixiviação positiva (para baixo) ou negativa (reversa –para cima). 2005).benzoato (Pyrithiobac-sodium) apresenta solubilidade em água de 1610 mg L-1. entre estas Euphorbia heterophylla. Estudos de laboratório indicam que imazapyr tem alto potencial de se mover no perfil do solo.

Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .1 . O glyphosate se liga a esta enzima pela carboxila do ácido glutâmico (glutamina) na posição 418 da seqüência de aminoácidos (HESS. então. tirosina e tryptofano são precursores da maioria dos compostos aromáticos nas plantas.2 . foi observado aumento acentuado na concentração de shikimato. nos níveis desses aminoácidos aromáticos (fenilalanina. cultivadas em solo coletado à margem da rua tratada com o herbicida 4. SHANER. 1995c. 2003).8. Verificou-se.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 7 – Árvores mortas pela ação do imazapyr quando aplicado para capina química de rua (A). Alguns autores acham que a simples redução de aminoácidos e a acumulação de shikimato não seriam suficientes para a ação herbicida. nas plantas tratadas. precursor comum na rota metabólica dos três aminoácidos aromáticos.8 .Mecanismo de ação Logo após a aplicação. 88 Módulo 3. Plantas normais cultivadas em solo sem resíduos de herbicidas (a) e plantas com sintomas de intoxicação do imazapyr (b). plantas tratadas com estes herbicidas param de crescer. que o ponto de ação era a enzima EPSP sintase (5 enolpiruvilshikimato-3-fosfato sintase).Herbicidas inibidores da EPSPs 4. Glyphosate inibe a EPSP sintase por competição com o substrato PEP (fosfoenolpi¬ruvato). BRIDGES. Por outro lado. uma vez que 20% do carbono das plantas é utilizado nesta rota metabólica. tirosina e triptofano). Há redução acentuada. evitando a transformação do shikimato em corismato. A enzima EPSP sintase é sintetizada no citoplasma e transportada para dentro do cloroplasto onde atua. acreditam que a desregulação da rota do ácido shikímico resulta na perda de carbonos disponíveis para outras reações celulares na planta. pois fenilalanina.

• Águas de pulverização contendo muitos sais solúveis (Ca e Mg) diminuem a atividade destes herbicidas. como a soja e o algodão. • A translocação é facilitada em condições de alta intensidade luminosa.8. em plantas anuais • Baixa vazão e menores gotículas são mais eficientes do que alta vazão e gotículas grandes.2 . muito pouca toxicidade para animais. para melhor eficiência de translocação para o sistema radicular. para não causar problemas de toxicidade para peixes.2 . de maneira geral. • Apresentam espectro de controle muito amplo.Características gerais Glyphosate O N-(fosfonometil) glicina (glyphosate) possui as seguintes características (BRIDGES.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. • A morte da planta ocorre lentamente: de 7 a 14 dias após a aplicação. • A translocação é melhor em plantas expostas à luz e que estejam com alta atividade metabólica. poucas espécies de plantas daninhas foram identificadas como resistentes a estes herbicidas. • Não apresentam atividade no solo. apresenta. • Requerem uma semana para matar plantas anuais (efeito final) e tempo ainda maior para espécies perenes. 2003c). Quanto à resistência adiquirida pela pressão de seleção (aplicações repetidas do ghyphosate). já foram obtidas culturas resistentes a glyphosate.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 89 . por causa de sua conjugação com sesquióxidos de ferro e alumínio. Módulo 3. • Através da engenharia genética. • Durante a primeira semana após a aplicação a folhagem não deve ser cortada. • Formulações usadas no meio aquático não contêm surfatantes. • Translocação simplástica em gramíneas e folhas largas. • Como a enzima afetada é exclusiva de plantas. praticamente não há seletividade.

200). o glyphosate está sendo comercializado com diferentes formulações: sal isopropilamina. o tempo mínimo sem chuvas após aplicação para se garantir a absorção foliar desse herbicida é de seis horas (JAKELAITIS et al. No Brasil. Roundup WDG e Roundup Multiação. em Brachiaria decumbens e Digitaria horizontalis em quatro horas (Fig. utilizado nas formulações granulares. fruteiras. Para aplicações dirigidas em culturas perenes (café.. e sal potássico. A ocorrência de chuva em intervalo de tempo menor que 4-6 horas pode reduzir a eficiência destes herbicidas. sal de amônia. ferrovias. 8). as suas principais recomendações são: • • • • • • • Para controle de plantas daninhas em áreas não-cultivadas (rodovias. cujo representante é o Zap Qi.). 90 Módulo 3. ruas. Para controle seletivo de plantas daninhas em culturas geneticamente modificadas. utilizado em diversas marcas comerciais. O efeito varia com a formulação.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . Como dessecantes. Figura 8 – Eficiência de formulações de glyphosate em diversos períodos de simulação de chuva após a aplicação Atualmente o ghyphosate é o herbicida mais utilizado no mundo. A não-ocorrência de chuvas até quatro horas após as aplicações garante absorção do glyphosate.. No Brasil. esse tempo para penetração do glyphosate via foliar é maior (PIRES et al. Para o controle de plantas daninhas aquáticas Como regulador de florescimento em cana-de-açúcar.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • A absorção destes produtos pelas plantas é lenta.2 . formulado como Roundup Transorb ou Zap Qi. reflorestamento e outras). englobando o Roundup original e o Roundup Transorb. Na renovação de pastagens. 2001). enquanto para as demais formulações. parque de industrias. para implantação do plantio direto de culturas. As formulações Roundup Transorb e Zap Qi se diferenciam das demais por apresentar penetração foliar mais rápida do que as demais existentes no mercado brasileiro. sendo recomendado para diversas atividades agrícolas e não-agrícolas. Quando aplicado sobre plantas em condições de déficit hídrico prolongado. etc.

o problema é minimizado e. Os sintomas incluem rápida parada do crescimento das raízes e da parte aérea e troca de pigmento nas folhas dentro de dois a quatro dias. bentazon e metribuzin. • A seletividade varia entre espécies de gramíneas. São muito utilizados para o controle de gramíneas anuais e perenes. eliminado. • Em doses normais. requerendo uma semana ou mais para a morte completa. até mesmo. é necessária uma dose três vezes maior que a requerida para a ação em pósemergência. • Apresentam lenta degradação no solo. até hoje. 1995) são: • São utilizados exclusivamente em pós-emergência. imidazolinonas. tanto para plantas daninhas quanto para culturas.1 . a qual começa nas regiões meristemáticas e se espalha pela planta toda. provavelmente eles afetam a absorção foliar. A translocação varia entre espécies. mas ocorre tanto pelo floema quanto pelo xilema. há sempre necessidade da adição de um surfatante ou adjuvante. MCPA. • São prontamente absorvidos pela folhagem das plantas.9 . Entre os herbicidas que já mostraram ação antagônica.Herbicidas inibidores da ACCase 4. Módulo 3. bromoxynil. em fase de rápido crescimento. De maneira geral. seguida de necrose. os herbicidas deste grupo não apresentam atividade suficiente para o controle de gramíneas em pré-emergência.Principais características Os compostos deste grupo apareceram no mercado de herbicidas a partir de 1975 e. a eficiência diminui quando as gramíneas estão se desenvolvendo em condições de déficit hídrico. • A morte das gramíneas suscetíveis é lenta. • São muito efetivos quando aplicados sobre plantas não-estressadas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4.4-DB. podem ser citados: sulfoniluréias. • Misturas no tanque desses graminicidas específicos com latifolicidas têm trazido uma série de problemas de antagonismo.2 . 2. • As espécies não-gramíneas são todas tolerantes. • Para a atividade máxima ser atingida.4D. para controle de gramíneas anuais e perenes.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 91 . WELLER. para que haja ação no solo. acifluorfen.9. 2. As principais características deste grupo de herbicidas (THILL. Somente diclofop tem registro para uso no solo. dicamba. Espaçando-se as pulverizações por alguns dias. novos produtos estão sendo desenvolvidos.

já existem plantas daninhas que adquiriram resistência aos inibidores da biossíntese de lipídios. Estudos feitos com sethoxydim mostraram que este herbicida inibe o crescimento e a acumulação de clorofila.5 a 0. necrótico. quando o tecido meristemático decai. Ademais. para peixes. Como não houve interferência na absorção de acetato. Enquanto 0. Foi verificado também que a divisão celular foi prejudicada por causa da inibição da formação da parede celular. O caso mais relatado é o ocorrido na Austrália com a espécie Lolium rigidum. apesar de a quantidade que atinge a área meristemática ser muito pequena em relação ao que é aplicado. que mostrou resistência ao diclofop-methyl e resistência cruzada a outros graminicidas específicos. No caso de diclofopmethyl. resultando no aumento dos níveis de açúcar e antocianina. A inibição da ACCase explica perfeitamente a redução no crescimento. Foi descoberto.5 μM. o problema era na síntese de lipídios. Foi verificado que este herbicida inibe fortemente a incorporação de 14C-acetato em lipídios quando pontas de raízes de milho foram tratadas por 24 horas. para causar 50% de inibição em células de soja foi necessária uma concentração 47 vezes maior. trabalhos realizados com diclofop-methyl começaram a desvendar o modo de ação dos graminicidas específicos. por exemplo. eles são tóxicos para mamíferos (classe toxicológica de I a III. Esta é uma reação-chave no início da biossíntese de lipídios.2 . depois. também. ele causou declínio na atividade respiratória. A partir de 1981. 4. A enzima afetada por estes herbicidas ocorre também nas células animais.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • • Apesar do pouco tempo de uso. em 1987.9. que a ação dos graminicidas específicos era sobre a enzima Acetil Coenzima-A Carboxilase (ACCase).Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .Mecanismos de ação Muitos dos estudos já realizados sobre o mecanismo de ação dos arilofenoxipropionatos foram feitos com o herbicida diclofop-methyl. e muitos autores 92 Módulo 3. a formulação ácida é mais ativa que a formulação éster e o isômero “D” é muito mais ativo que o “L”. A translocação ocorre pelo xilema e pelo floema. A diferença na tolerância entre espécies de gramíneas e folhas largas é muito grande. predominância da classe II) e. de maneira geral. fica aparente a disfunção de membrana.1 μM de haloxyfop provocou 42% de inibição da incorporação de acetato em células de milho. por isso. Esta enzima. Há diferenças também entre a atividade de isômeros e as formulações. o aumento na permeabilidade de membrana e os efeitos ultra-estruturais observados nas células. As folhas mais velhas apresentam sinais de senescência e mostram troca de pigmento. o crescimento de raízes e parte aérea é paralisado. nas concentrações de 0. O tecido meristemático em gemas e nós torna-se clorótico e. às sulfoniluréias e ao trifluralin. Após alguns dias da aplicação. surgindo células binucleadas. encontrada no estroma de plastídios. converte o Acetil Coenzima A (Acetil-CoA) em Malonil Coenzima A (Malonil-CoA) pela adição de uma molécula de CO2 ao Acetil-CoA. Este herbicida é rapidamente absorvido pelas folhas e atinge os meristemas da planta.2 . Em algumas horas.

com intervalo superior a cinco dias. a transcarboxilase.1. citros. 1995). 1995). 4. devendo ser aplicado no início do desenvolvimento das plantas daninhas. a qual é ligada covalentemente ao grupo da biotina por um espaçador móvel. tabaco. tomate. devendo ser utilizado seqüencialmente.1 mg L-1. É recomendado para uso em pós-emergência. Não apresenta mobilidade no solo. Clethodim O (E. Deve ser aplicado com as plantas em bom estado de vigor vegetativo. soja. A falta de lipídios provoca despolarização da membrana celular (THILL. ALMEIDA 2005). Controla grande número de espécies de gramíneas anuais no estádio de até 4 perfilhos e algumas perenes. cebola. É registrado no Brasil para as culturas de alface. por incompatibilidade fisiológica (efeito antagônico).E)-(+/-)-2-[1-[[(-cloro-2-propenil)oxi]imino]propil]-5-[2-(etiltio)propil]-3-hidroxi. evitando períodos de estiagem. A enzima Acetil Coenzima A Carboxilase (ACCase) é.9. que permite à biotina se mover entre os dois centros catalíticos (HESS.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas julgam ser esta reação a que dosa o ritmo da biossíntese de lipídios. mas a eficiência diminui pela metade. feijão. kow: 4. pka: 3.520 mg L-1. purificada e parcialmente caracterizada. e a proteína transporte da biotina (BCP). e koc médio de 5. pinho.5. dois a três dias (RODRIGUES. horas de muito calor e umidade relativa do ar inferior a 70%. WELLER. na realidade. a enzima funciona.2 .Caracterização de alguns inibidores da ACCase Fluazifop-p-butil O ácido (R)-2-[4-[[5-(trifuorometil)-2-piridinil]oxi]fenoxi] propanóico (fluazifop-p-butil) apresenta solubilidade em água de 1.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 93 . tendo uma persistência média de 30 dias (RODRIGUES. Não deve ser misturado com herbicidas que controlam dicotiledôneas. roseira e crisântemo. É um herbicida Módulo 3. Quando o substrato Acetil-CoA é substituído por Proprionil-CoA. ALMEIDA. a não ser o fomesafen. o qual é uma reação dependente de ATP. café. eucalipto. cenoura. algodão.700 mg g-1 de solo.3 . um complexo de três domínios: uma biotina carboxilase que promove a carboxilação da biotina com carbonato (CHO3). 2005).2ciclohexeno-1-ona (clethodim) apresenta solubilidade em água de 5. kow: 15000 e persistência muito curta no solo. A ACCase de milho já foi isolada. que transfere o CO2 da biotina para o Acetil-CoA.

em condições de alta pluviosidade. kow: 11. não sendo prejudicada sua eficácia por chuvas que ocorram uma hora após sua aplicação. evitando períodos de estiagem. horas de muito calor e umidade relativa do ar inferior a 60%. tabaco. A ação residual do produto na lavoura é de 30 a 40 dias. amendoim. como é o caso normal em culturas perenes. neste caso. feijão. Em doses altas (120-360 g ha-1. cebola. e com 10 a 40 cm. pode haver lixiviação do produto. fomesafen e lactofen. como Cynodon dactylon e Sorghum halepense. pka: 4.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . desde jovem até adiantado estádio de desenvolvimento. tomate. com exceção do 2. pinho e outras. É compatível com outros herbicidas usados em pós-emergência para controle de folhas largas. citros. ALMEIDA. altamente seletivo para a cultura da soja e outras dicotiledôneas. Quando usado na dose de 120 g ha-1. É recomendado para uso em pós-emergência.7. há que observar um intervalo de dez dias entre o emprego de um e outro. Nas doses de 360 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas graminicida. quando provenientes de rizomas). Quando misturado com herbicidas recomendados para uso em pós-emergência que controlam plantas daninhas de folhas largas e que já contenham em sua formulação um adjuvante. É rapidamente absorvido pelas folhas. não se deve adicionar óleo mineral à calda. tais como: azevém. 94 Módulo 3. eucalipto. em solos leves. para as culturas de soja. como bentazon.3. acifluorfen. de reprodução seminal.2 .3 mg L-1. Haloxifop-methyl O ácido 2-[4-[[ (3-cloro-5-(trifluorometil)-2-piridinil]oxi]fenoxi] propiônico (haloxyfopmethyl) apresenta solubilidade em água de 9. 2005). Destaca-se pelo seu amplo espectro de ação no controle de gramíneas anuais. comuns em rotação de culturas com a soja.600 g ha-1. pois aumenta-lhe a fitotoxicidade. feijão e eucalipto. café. sistêmico. É moderadamente adsorvido pelos colóides do solo. no Brasil. controla gramíneas perenes. como algodão. e koc médio de 33 mg g-1 de solo.4-D.. perenes e tigüera de culturas gramíneas. devendo ser aplicado no início do desenvolvimento das plantas daninhas (4 folhas até 6 perfilhos. Deve ser aplicado com as plantas daninhas em bom vigor vegetativo. milho. É utilizado. tem ação sobre rebentos de gramíneas anuais que tenham sido roçadas. ervilha. controla gramíneas anuais. aveia e trigo. podendo requerer reaplicação no caso de rebrotas (RODRIGUES. quando provenientes de sementes. cenoura. soja. permitindo a aplicação dos dois numa só operação.

encontra-se em fase de registro para abacaxi. algumas vezes rosados ou violáceos.0 de 4. gladíolo. Supõe-se que seja seletivo para todas as culturas que não são gramíneas. amendoim. É necessário adicioná-lo à calda adjuvante.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 95 . citros. ALMEIDA. Estes tecidos são normais. como Cynodon dactylon. dependendo das condições climáticas e do tipo de solo. e koc médio de 100 mg g-1 de solo (RODRIGUES . 9). banana.16. também. melancia. gergelim. O sintoma evidenciado pelas plantas tratadas é a produção de tecidos novos totalmente brancos (albinos). melão e morango). cenoura. Não prejudica as culturas suscetíveis que sejam instaladas no terreno 30 dias após o tratamento.10 . Módulo 3.Herbicidas inibidores de carotenóides Os grupos químicos izoxazolidinona e piridazinonas compõem a classe de herbicidas chamada inibidores de carotenóides.1. eucalipto. se bem que exija doses mais altas de aplicação. café.0 de 25 ppm e a pH 7. não sendo prejudicada a ação do sethoxydim por uma chuva que ocorra uma hora depois de sua aplicação. 4. macieira e em hortícolas (batata. feijão. 2003a).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sethoxydim O 2-[1-etoximina)butil] . colza.ona (sethoxydim) apresenta solubilidade em água a pH 4. Tem uma meia-vida no solo de 4 a 11 dias. é recomendado. 2005). o que acelera sua absorção. Apresenta curta persistência no solo. linho e mandioca. Em outros países. para as culturas de alfafa. por ser a foliar a principal via de absorção do produto.5 – [2-(etiltio)propil]-3-hidroxi-2-ciclohexeno-1. soja e tabaco.700 mg L-1. girassol. exceto pela falta de pigmentos verdes (clorofila) e amarelos (Fig. Controla gramíneas anuais e algumas perenes. kow: 45. não prejudicando culturas sensíveis que sejam instaladas no terreno um mês após o tratamento. É um herbicida registrado no Brasil para algodão. pka: 4. As plantas suscetíveis a estes herbicidas perdem a cor verde após o tratamento com estes herbicidas (BRIDGES. Deve ser aplicado em pós-emergência das plantas daninhas.2 .

A perda da clorofila é resultado da sua oxidação pela luz (foto-oxidação). que a protegem.2 . O herbicida clomazone parece ter um único local de ação e não causa acúmulo de phytoeno. passando do estado singlet para o estado triplet. 1980). Assim. A produção dos novos tecidos albinos. com predomínio do phytoeno. Após a síntese da clorofila. 1994). Estes produtos também possuem efeitos sobre a reação de Hill (MORELAND. A inibição da enzima IPP (isopentyl pirophosphato isomerase) é o local provável da ação (Abernathy. 1994). nas quais ela é destruída (ABERNATHY. É importante salientar que estes herbicidas não têm efeito sobre carotenóides sintetizados antes da sua aplicação. e de folhas largas nas culturas de algodão. contudo. do caroteno (MORELAND. Devido a este processo. resultando no acúmulo de phytoeno e phytoflueno. Os herbicidas inibidores de pigmento são usados para controle seletivo de plantas daninhas gramíneas. não implica que estes herbicidas inibam diretamente a síntese de clorofila. devido à necessidade de renovação dos carotenóides. dissipando o excesso de energia. 1994). 1980). cana-de-açúcar. Desse modo. Outras alterações provocadas por estes produtos são: redução da síntese protéica. pelas plantas tratadas. O crescimento da planta continua por alguns dias. porém. devido à falta de carotenóides que a protegem da foto-oxidação. perda de proplastídios e degradação dos ribossomos 70S. anuais e perenes.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . A inibição da síntese de carotenóides leva à decomposição da clorofila pela luz. devido à falta de clorofila. ela não consegue se manter. eles desenvolvem manchas cloróticas que progridem para necrose (ABERNATHY. a energia oriunda da forma triplet é dissipada através dos carotenóides. a clorofila não se mantém sem a presença dos carotenóides. A inibição desta enzima provoca o acúmulo de phytoeno. o crescimento cessa e começam a surgir manchas necróticas. esta se torna funcional e absorve energia. como resultado da perda da fotoproteção fornecida pelos carotenóides à clorofila (MORELAND. O local de ação mais estudado é onde atua a enzima phytoeno desidrogenase. a clorofila que está no estado triplet não dissipa energia e inicia reações de degradação. tecidos formados antes da aplicação do herbicida não se mostram brancos imediatamente. Os herbicidas inibidores destes pigmentos agem na rota de biossíntese de carotenóides.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 9 – Sintomas de intoxicação de plantas de milho e feijão pelo clomazone. mas sim de gossipol e hemigossipol. mais reativo. arroz. 1980). quando os caratenóides não estão presentes. Assim. sem cor. que são dois precursores. fumo 96 Módulo 3. Em condições normais.

2005).isoxazolidinona (clomazone) e o 4-cloro-5(metilamino)-2-3-[(trifluorometil)]fenil-3(H)-m-toluil) piradazinona (norflurazon) translocam-se na planta via xilema.2 . O 2 – [(2 . O mesotrione inibe a biossíntese de caroteníodes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas e soja. afetando culturas sucessoras. Controla diversas espécies de plantas dicotiledôneas e algumas gramíneas. chegando às raízes das culturas.4 . 1994). ALMEIDA.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 97 . pode lixiviar e atingir camadas profundas. e não existem casos registrados de plantas daninhas resistentes (ABERNATHY. o clomazone e o norflurazon. apresentam atividade de solo e podem persistir. A dose recomendada varia com a cultura e o tipo de solo.3 . com posterior necrose e morte dos tecidos vegetais em cerca de 1 a 2 semanas. através da interferência na atividade da enzima HPPD (4-hidroxifenil-piruvato-dioxigenase) nos cloroplastos – classificação nos grupos F2 (HRAC) e 28 (WSSA).dimetil . pka: zero. Quando aplicado sobre a superfície do solo. Módulo 3. A seletividade do clomazone ao algodão pode ser aumentada com adição de um inseticida organofosforado (ABERNATHY. 1994).3-diona (mesotrione) é um herbicida seletivo de ação sistêmica indicado para o controle em pós-emergência de plantas daninhas na cultura do milho. Apresenta solubilidade de 168. Mesotrione O 2-(4-mesil-2nitrobenzoil) ciclohexano-1. e persistência no superior a 150 dias.192 mg L-1. No Brasil. Também são empregados em plantas daninhas aquáticas e no controle total da vegetação. A seletividade às culturas se dá pela translocação reduzida pela destoxificação das moléculas herbicidas. ALMEIDA. O inseticida funciona com “safener” protetor e pode ser usado no tratamento da semente ou em aplicação no sulco de semeadura. koc: 300 mg g-1. Os sintomas envolvem branqueamento das plantas daninhas sensíveis. são mais comercializados. Clomazone Norflurazon Esta classe herbicida apresenta baixa toxicidade para animais. causando danos naquelas sensíveis (RODRIGUES.clorofenil) metil]-4.7 mg L-1.07 e koc variando de 19 a 387 mg g-1 e curta persistência no solo sendo degradado rapidamente por microrganismos (RODRIGUES. 2005). pka: 3. O clomazone apresenta alta solubilidade:1.

com posterior necrose e morte dos tecidos vegetais em cerca de 1 a 2 semanas. 2005). Os sintomas envolvem branqueamento das plantas daninhas sensíveis.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Isoxaflutole O 5-ciclopropil-4-metilsufonil-4-trifluorometilbenzoil)-isoxazole (isoxaflutole) é um herbicida recomendado para as culturas de cana-de-açúcar. Com exceção da cultura do algodão onde é recomendado em jato dirigido. milho. que é um co-fator chave para síntese de pigmentos carotenóides e para o transporte de elétrons. baixa a média mobilidade nos solos dependendo de suas características ficas e químicas. nas demais culturas deve ser aplicado em pré emergência. que são essências para proteger a clorofila contra a decomposição pela luz solar através da interferência na atividade da enzima HPPD (4-hidroxifenilpiruvato-dioxigenase). Apresenta baixa solubilidade em água: 6.0 mg L-1 a 20 °C. Inibe a biossíntese de carotenoides. responsável pela biossíntese da quinona. 98 Módulo 3.2 . e meia-vida média de 28 dias (ALMEIDA. O isoxaflutole pertence ao grupo dos herbicidas inibidores da biossíntese do caroteno. RODRIGUES. mandioca e algodão para o controle de diversas gramíneas e algumas dicotiledôneas.

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ABEAS Universidade Federal de Viçosa .UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília .Herbicidas: absorção. metabolismo. Francisco Affonso Ferreira Profº.Manejo de plantas daninhas 3.3 .DF 2006 102 Módulo 3. José Francisco da Silva Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior . translocação. metabolismo.3 . formulação e misturas . translocação.Herbicidas: absorção. José Ferreira da Silva Profº. formulação e misturas Tutores: Profº.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 .

112 1. 116 2.4 . 128 5 . 118 3 . 112 1.Mecanismo de absorção de herbicidas.Translocação de herbicidas.1 .Movimento descendente.Misturas de herbicidas.2. translocação. 131 Referências bibliográficas.Interações entre herbicidas.Movimento ascendente. 129 5.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário 1 .Formulações líquidas. 117 2.3 .4. 120 4 – Formulação.3 .2 – Incompatibilidade.1.4. 130 5.1 .Vantagens das misturas ou combinações de herbicidas.3 .Absorção de herbicidas.Tipos de formulações. metabolismo.1 .Conceito de movimento simplástico e apoplástico.Interações de herbicidas com inseticidas em mistura. 117 2.2 . retenção e absorção de herbicida pela folha. 111 1.Formulações sólidas.Herbicidas: absorção.4 . 127 4. 116 2.2 . 127 4. 133 Módulo 3.Metabolismo dos herbicidas nas plantas.2 .2 . 104 1.1.Penetração pelo caule.1 . 104 1.1 .1 – Introdução.Translocação de alguns herbicidas. 129 5.1 .Fatores que influenciam a absorção através das raízes. 126 4.Penetração pelas raízes.3 . 113 2 . 130 5. formulação e misturas 103 . 125 4. 104 1.2.2 .Interceptação.1.Veículo de aplicação (água).

Quando os herbicidas são aplicados diretamente na parte aérea da planta (pós-emergência). do metabolismo e da sensibilidade da planta a este herbicida e. translocado e. etc. até ser absorvido. ainda. pelas sementes. retenção e absorção de herbicida pela folha A absorção foliar de um herbicida requer que o produto seja depositado sobre a folha e permaneça ali por um período de tempo suficiente. que influenciam também a translocação destes até o sítio de ação. que serão discutidos no item referente à tecnologia de aplicação. Por sua vez.2 . por exemplo. a seus metabólitos. a morfologia da planta e as condições ambientais exercem grande influência. metabolismo. ser aplicado no solo onde se desenvolve esta planta não é suficiente para que ele exerça a sua ação. da translocação. 1. estolões. metabolizado para exercer sua ação herbicida. incorporados ao solo. A interceptação da gota pulverizada é função do método de aplicação e da distância entre o alvo e o bico do pulverizador.).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1 . ou quando. tubérculos. umidade relativa do ar e umidade do solo). Por isso. Os herbicidas podem penetrar nas plantas através das suas estruturas aéreas (folhas. as estruturas jovens das plântulas (radícula e caulículo) e as sementes são as vias de penetração mais importantes para os herbicidas aplicados e. ou. aí. A absorção de herbicidas pelas raízes ou pelas folhas é influenciada pela disponibilidade dos produtos nos locais de absorção e com fatores ambientais (temperatura.Absorção de herbicidas 1. luz. em um reflorestamento. ou.3 . atinge e penetra nos cloroplastos.Introdução A atividade biológica de um herbicida na planta é função da absorção. se deseja que as cepas das árvores não rebrotem após a derrubada. caules. 104 Módulo 3.Interceptação. transloca até as folhas e. também. translocação. A principal via de penetração dos herbicidas na planta é função de uma série de fatores intrínsecos e extrínsecos (ambientais).Herbicidas: absorção. rizomas. Além disso. destruindo-os. o 2. Há necessidade de que ele penetre na planta. principalmente quando se deseja controlar apenas algumas plantas.1 . formulação e misturas . as folhas são a principal via de penetração. Por outro lado. A atrazina. as raízes. de estruturas jovens como radículas e caulículo e. dentro de uma população mista. transloque e atinja a organela onde irá atuar. também. flores e frutos) e subterrâneas (raízes.4-DB precisa ser absorvido. penetra pelas raízes. quando aplicada ao solo. O caule (casca) de árvores ou arbustos pode também ser uma via de penetração de herbicidas. ou. o simples fato de um herbicida atingir as folhas da planta e. onde atua.

lipofílica. As folhas. Por exemplo. JAKELAITIS et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A morfologia da planta influencia a quantidade de herbicida interceptada e retida. PIRES et al. denominada cutícula. Após a interceptação.3 . O corte transversal de uma folha está representado na Figura 1. não são absorvidos pela superfície da cultícula e são solúveis em água e podem ser lavados caso ocorra chuva até mais de 24 horas após. são solúveis em água. formulação e misturas . 2000. Herbicidas lipofílicos (usualmente formulados como CE ou flowable) são pouco solúveis em água.. mas são rapidamente absorvidos e. menos sujeitos a lavagem pela chuva. Sais catiônicos (carregados positivamente). 2... células da bainha do feixe. igualmente. como o paraquat. do método e da tecnologia de aplicação.Corte transversal de uma folha (esquemático). esta existe também nas raízes. por exemplo sais de sódio. por isso.4-D amina requer um período muito mais longo sem chuva do que o 2. Dentre os aspectos relacionados com a morfologia da planta destacam-se o estádio de desenvolvimento (idade da planta). para cada herbicida. das condições climáticas e das espécies de plantas envolvidas (BRIDGES. Figura 1 . A perda do herbicida ou de sua atividade depende da ocorrência de chuva (intensidade e duração) neste intervalo. 2001). Sais aniônicos (cargas negativas). A influência da chuva sobre a eficiência dos herbicidas está também relacionada à formulação. deve haver um período crítico sem ocorrência de chuvas até que ocorra absorção de quantidade suficiente deste. 1981). poros estomáticos. Também o nú¬mero e a abertura dos estômatos exercem pequena influência sobre a penetração dos herbicidas. porém são rapidamente absorvidos nos lipídios da cutícula e pouco lavados pela chuva.Herbicidas: absorção.4-D ester para causar a mesma toxicidade em várias espécies sensíveis (BEHRENS. A chuva pode causar perdas consideráveis de herbicidas das folhas das plantas. tanto a penetração dos herbicidas pelas folhas quanto pelas raízes. cavidade estomática. mostrando células-guarda. como todas as estruturas aéreas das plantas. são recobertas por uma camada morta (não-celular). xilema e floema Fonte: Mengel e Kirkby (1982) 105 Módulo 3. translocação. ELAKKAD. como tricomas (pêlos). Embora em menor proporção. razão pela qual muitos fatores influenciam. metabolismo. HESS. o ângulo ou a orientação das folhas em rela¬ção ao jato de pulverização e as estruturas especializadas. a forma e a área do limbo foliar. 2003. não penetram rapidamente.

A cutina é o principal componente estrutural da cutícula. pode ser semifluida ou fluida. A composição química do revestimento epicuticular é muito variável entre as espécies de plantas (Quadro 1). funcionando como uma resina de troca de cátions. Ela pode ter a forma de grânulos. assim a sua permeabilidade. aumentando. de camadas superpostas e. porém alguns componentes são comuns. de prato (ou disco). a cutícula é recoberta por uma camada de cera. cetonas.Representação esquemática dos principais componentes da camada cuticular e o seu grau lipofílico 106 Módulo 3. Externamente. translocação. Entre a camada cuticular e a membrana citoplasmática tem-se a parede celular. é referido como camada cuticular (Figura 2).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A cutícula recobre todas as células da epiderme da planta. álcoois. A camada cerosa que envolve a cutícula é mais rica em compostos menos polares do que a cutina. et al. ainda. incluindo as células-guarda dos estômatos e as células que envolvem a câmara subestomática. essa camada é uma complexa mistura de alcanos de longas cadeias (21 37 carbonos). separando as partículas de cera. ácidos graxos. Em geral.Herbicidas: absorção. Em presença de água. acredita-se que a cutina aumente de volume (por embebição). Em consequência da variabilidade de seus componentes o grau de polaridade das cutículas varia muito. Figura 2 . aldeídos. 2005).. (FERREIRA. metabolismo. O padrão de superfície da camada cuticular é bastante variável. etc. freqüentemente. formulação e misturas . que é formada de fibrilos de celulose impregnados de pectina. a qual possui grupos de polaridade variáveis (Figura 2).3 . ésteres. Esse conjunto.

4 6. As folhas das plantas apresentam muitas barreiras à penetração dos herbicidas.8 8.0 8. via simplasto. A camada cuticular funciona como uma barreira à perda de água e também como uma barreira à entrada de pesticidas e microrganismos na planta.0 6.Percentagem de compostos apolares e polares e pH do revestimento epicuticular de diversas espécies de plantas daninhas Espécies daninhas Cyperus rotundus Avena fátua Brachiaria plantaginea Cynodon dactylon Digitaria sanguinalis Echinochloa crus-galli Panicum dichotomiflorum Poa annua Sorghum halepense Amaranthus retroflexus Capsella bursa-pastoris Chenopodium album Datura stramonium Ipomoea purpurea Poligonum lapathifolium Portulaca oleracea Senna obtusifolia Sida spinosa Sinapsis arvensis Solanum nigrum Stellaria media Xhathium orientale Compostos NãoPolares 82 10 17 12 37 27 17 29 6 44 32 32 92 32 12 37 7 85 47 88 9 58 Compostos Polares 17 90 82 88 62 72 82 71 93 55 68 66 7 68 86 63 93 14 52 11 91 41 pH 7. Quadro 1 . citado por Kissmann (1997).2 7. tanto os herbicidas polares quanto os não-polares penetram nas folhas das plantas.3 8. o herbicida.8 7.0 7. Existem dois tipos principais de superfícies: uma facilmente molhável (rica em álcoois) e outra de molhagem mais difícil (rica em alcanos).0 7. através dos plasmodesmas. sobre a penetração dos herbicidas pelas folhas. após atravessar a camada cuticular e a parede celular. pode penetrar no citoplasma. O processo de absorção de um herbicida é complicado em razão da espessura. podem acontecer os pressupostos que se seguem (Figura 3). metabolismo.8 6.3 .Herbicidas: absorção. Entretanto. formulação e misturas 107 . (1991). tanto aos polares quanto aos não-polares. a polaridade do composto. (1975).0 6.6 6. composição química e permeabilidade da cutícula.4 7.0 6.0 7.2 7.2 7.0 7. a tensão superficial da calda. A maior barreira à penetração de um herbicida no citoplasma das células é a membrana citoplasmática.5 6.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas É conhecido o fato de que há uma interação bastante complexa entre a natureza química do produto aplicado e a superfície foliar. No momento em que os herbicidas entram em contato com a superfície foliar.6 8. Apesar das barreiras existentes (como a camada cuticular). Uma hipótese citada por Klingman e Ashton.5 Fonte: Sandoz Agro Ltda. As características da solução aplicada.2 8. Módulo 3. é que essas barreiras não são totalmente rígidas e distintas. translocação. etc. são importantes nessa interação.

umidade relativa). Todos esses fatores podem influenciar a absorção de herbicidas. porque reduz sua polaridade.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas que variam em função da espécie. mas sim à constituição lipídica e ao grau de impedimento da passagem de solutos. temperatura.Herbicidas: absorção. O exato mecanismo de penetração não é totalmente conhecido para todos os herbicidas. penetrar. derivados de ácidos fracos. que inclui o movimento no xilema (4) e penetrar na cutícula. a rota hidrofílica. da idade da folha e do ambiente sob o qual a folha se desenvolve.esta é chamada translocação apoplástica. Para os herbicidas orgânicos. na parede celular e então translocar antes de atingir o simplasto . 108 Módulo 3. A passagem de uma molécula de herbicida através da camada cuticular é um processo físico que pode ser influenciado por uma série de fatores. representando os aspectos: volatilizar e perder para atmosfera ou ser lavado pela chuva (1). o pH da solução tem pouco ou nenhum efeito sobre a penetração. que inclui o movimento no floema (5) Fonte: Hess (1995) Uma grande diversidade de herbicidas.Diagrama hipotético. 1991). Schmidth et al. CESSNA. mas permanecer absorvido nos componentes lipofílicos da cutícula (3). o pH mais baixo aumenta a absorção do herbicida. Figura 3 . fatores ambientais (luz. ésteres. na parede celular e atingir o interior da célula (pela plasmalema) – é a translocação simplástica. metabolismo. uso de agentes ativadores de superfícies (surfatantes) e outros. espessura da cutícula. A absorção de herbicida não está necessariamente relacionada à espessura ou ao peso da cutícula. mas admite-se que os compostos não-polares sigam uma rota lipofílica e os compostos polares. como: potencial hidrogeniônico (pH). (1981) atribuíram isto à maior polaridade da cutina encontrada nas folhas novas. translocação. etc. a cutícula de folhas nova é mais permeável à água do que a de folhas velhas. Há evidências de que a penetração de herbicidas decresce com o aumento da idade da folha (GROVER. Apesar de a constituição física e química e a espessura poderem ser praticamente a mesma.).3 . cerosidade e pilosidade da folha. atravessa a camada cuticular. tamanho das partículas e concentração do herbicida. Para os herbicidas nãodissociáveis (amidas. formulação e misturas . penetrar na cutícula. que diferem em estrutura e polaridade. permanecer sobre a superfície como um líquido viscoso ou na forma de cristal (2).

tanto a absorção quanto a translocação são menores (HESS. houve rebrota acentuada da maioria delas. conseqüentemente. em conjunto. em condições de alta luminosidade e estresse hídrico no solo. foi suficiente para ótimo controle das plantas tratadas. Segundo Pires et al. Alta temperatura pode melhorar a absorção. Nas plantas estressadas (déficit hídrico no solo). também pode apresentar efeitos negativos devido à maior rapidez do secamento da gota pulverizada. Como os herbicidas atravessam a cutícula? A resposta para essa pergunta ainda não está bem esclarecida. Entretanto. e daí para o citoplasma das células do parênquima foliar. O grau de impermeabilidade da cutícula pode ser atribuído ao incremento de sua espessura. A natureza da resposta para as diferentes condições ambientais varia com a espécie vegetal. Os estômatos podem estar envolvidos. mesmo quando o período sem chuva foi de até seis horas.Herbicidas: absorção. Em segundo lugar.. translocação. luz e teores de umidade no solo e na planta. umidade relativa. Nas plantas estressadas. por provocar maior fluidez dos lipídios da camada cuticular e da membrana celular e. A umidade relativa do ar tem efeito mais consistente sobre absorção de herbicidas. favorece a abertura dos estômatos e pode aumentar o transporte de solutos na planta. provocando a cristalização do herbicida na superfície foliar. geralmente promovem a formação de cutículas mais impermeáveis. Todavia.3 . a menos que a tensão superficial da solução pulverizada seja muito reduzida pelo uso de surfatantes na formulação ou no tanque do pulverizador. Condições de alta temperatura e luminosidade. influenciam a atividade dos herbicidas nos aspectos de absorção. admite-se que a cutícula tenha estrutura porosa. 1995). A elevação da umidade relativa aumenta o tempo de evaporação da gotícula pulverizada. a infiltração pelos estômatos não é possível. dependendo das condições ambientais. de duas formas. Nestas. ou baixa umidade relativa do ar e umidade do solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Os fatores ambientais. translocação e grau de detoxificação. 1995). como temperatura do ar. mais rápida absorção do herbicida. a cutícula sobre as células-guarda parece mais fina e mais permeável a substâncias do que a cutícula sobre outras células epidérmicas. formulação e misturas 109 . com a penetração de herbicidas nas folhas. Com relação aos herbicidas hidrofílicos. Supõe-se que os herbicidas lipofílicos se solubilizam nos componentes lipofílicos da camada cuticular e se difundem através da cutícula. Primeiro. comparando pulverizações feitas em plantas de capim-massambará (Sorgum halepense) sem estresse e estressadas. mover-se através do poro de um estômato aberto para dentro da câmara subestomática. respectivamente. havendo maior absorção dos produtos polares com aumento da umidade (HESS. que se mantém hidratada. em tese. É difícil ou mesmo impossível afirmar qual dos processos é mais influenciado pelas mudanças nas condições do ambiente. Uma a duas semanas antes da aplicação. um intervalo sem chuvas de menos quatro e seis após a aplicação. 2001 o glyphosate e o sulfosate apresentam máxima atividade em plantas não-estressadas. aumenta a hidratação da cutícula. A maioria dos Módulo 3. sendo essa água de hidratação da cutícula a rota de penetração destes herbicidas. para o sulfosate e glyphosate. à alteração na composição das ceras ou ao aumento na formação de ceras epicuticulares. o haloxyfop teve sua atividade reduzida de 92% para 12%. metabolismo. a solução pulverizada poderia.

A estimulação da absorção pode ser causada pelo surfatante adicional ou por outros aditivos presentes nas duas formulações misturadas.. tem sido usado para melhorar a atividade de númerosos herbicidas. Finalmente. 1994). Sulfato de amônio. a eficiência do surfatante depende de sua natureza. quando sulfato de amônio é adicionado à solução. Diversos produtos químicos. metabolismo. Sulfato de amônio não melhora atividade do paraquat e na. aniônicos ou não-iônicos. Vários autores afirmam que os surfatantes melhoram a penetração e. o surfatante lipofílico é eficiente. Este surfatantes são capazes de reduzir a tensão superficial ao ponto de a infiltração pelo estômato ocorrer. e podem ser catiônicos. formulação e misturas . mas preparados em soluções. emulsões. contendo parte hidrofílica e lipofílica. Os herbicidas são raramente aplicados na forma pura. Os resultados dos experimentos de campo. a absorção de um herbicida pode ser influenciada pela presença de outro herbicida misturado na calda. No entanto. proporção de 20% p/v. não têm sido suficientemente positivos ou consistentes para adição de tais aditivos na calda de pulverização e para se tornar uma prática recomendada. LOADER. além de surfatantes e óleos. o desenvolvimento de surfatantes à base de organossilicones proporcionou avanço nesse ponto. os mais importantes são os agentes ativadores de superfície.Herbicidas: absorção. atividade do herbicida. A adição somente do sal provoca decréscimo da atividade em aveia.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas surfatantes atualmente em uso atua aumentando a penetração cuticular e não consegue reduzir a tensão superficial adequadamente para permitir a penetração estomática. para melhorar a penetração ou atividade dos herbicidas aplicados às folhagens. em geral. 1980). às quais alguns ingredientes são adicionados. provoca efeito antagônico com glyphosate (TURNER. melhorando a retenção e o espalhamento desta sobre a folhagem. incluindo picloram. da presença de outros aditivos e das espécies das plantas. que têm vários propósitos. ou. Destes. 1980). etc. Entretanto. Por exemplo. Eles podem também induzir um fluxo de massa da solução pulverizada através do poro estomatal e também aumentar a penetração cuticular. Também podem ocorrer interações negativas entre os dois herbicidas.3 . a atividade do glyphosate é melhorada por surfatantes com alto balanço lipofílico-hidrofílico que pelos surfatantes hidrofílicos que são não-iônicos ou catiônicos (TURNER. têm sido usados como aditivos nas pulverizações. na concentação de 1 a 10% (p/v). A função primária do surfatante é reduzir a tensão superficial da gota. do herbicida em questão. Recentemente. No caso do sethoxydim. Alguns trabalhos têm demonstrado que esse tipo de surfatante pode aumentar inclusive a translocação relativa do produto aplicado (KNOCHE. LOADER. glyphosate e sethoxydim. ou surfatantes. a melhoria só ocorre se o surfatante também estiver presente. Eles geralmente são compostos de moléculas grandes. 110 Módulo 3. no entanto. favorecendo mais ainda a penetração do herbicida. Em alguns casos o surfatante pode provocar parcial solubilização da cera epicuticular. translocação.

Lenticelas são estruturas que atravessam o periderma. usando-se óleo como veículo. além de serem aplicados em altas concentrações (5-10%).3 . Além do mais. desprovida da camada de cera. portanto. após a morte de suas células.Herbicidas: absorção. O crescimento do caule. Para atuação de herbicidas aplicados à casca das árvores. formulação e misturas 111 .Grupos químicos de herbicidas e exemplos de ingredientes ativos que podem ser absorvidos do solo pelas radículas ou partes aéreas emergentes das plântulas Famílias de herbicidas Acetanilidas Ácidos ftálicos Difeniléteres Dinitroanilinas Tiocarbamatos Exemplo de produto acetochlor. lignina. causa pequenas rupturas na casca. Quadro 2 . que facilitam a penetração de herbicidas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. tornando-a mais permeável aos herbicidas. Estes produtos são pulverizados ou pincelados no caule da planta. aos herbicidas aplicados na parte aérea. em diâmetro. sendo. a barreira que a estria de Gaspary representa na raiz não está presente nestes tecidos. Baseado na sua estrutura e composição. visando evitar a rebrota das cepas. eles são preparados em formulações lipofílicas. metabolismo. ou.Penetração pelo caule A absorção de herbicidas pode ocorrer pelo caule das plantas jovens (durante emergência) e das adultas. Entretanto. butachlor. o herbicida será mecanicamente introduzido através da casca. é um sítio de entrada importante para muitos herbicidas aplicados ao solo que são ativos em sementes e durante a germinação e na emergência das plântulas (Quadro 2). floema). pendimethalin butylate. metolachlor DCPA oxyfluorfen trifluralin. celuloses e terpenos. sendo esta uma rota de entrada de herbicidas em muitas espécies de gramíneas. Este processo está sendo implantado em algumas empresas de reflorestamento. O caule da plântula durante a emergência tem uma cutícula muito pouco desenvolvida. As células do periderma contêm tanino e são altamente suberizadas. Neste caso. até a região do câmbio (xilema. e. Outros constituintes comumente encontrados nestas células são ácidos graxos. o periderma é um tecido protetor que substitui a epiderme. Alternativa prática mais eficiente seria injetar o herbicida com equipamento próprio com uma pistola injetora. Nas plantas jovens. alachlor. usando imazapyr 20 a 30 dias antes da derrubada das árvores de eucalipto. o periderma deve apresentar baixa permeabilidade à água e. principalmente os polares.3 . translocação. molinate A penetração de herbicidas através da casca de plantas lenhosas é outra opção que pode ser aproveitada na prática. rotas importantes para a penetração de herbicidas pelo caule. também. Módulo 3.

seguida por uma fase de absorção mais lenta. próxima à zona de absorção radicular. 4). ocorre decréscimo nesta taxa até ela se tornar nula. A rota mais importante de entrada é a passagem do herbicida junto com a água através dos pêlos radiculares existentes nas extremidades das raízes.Fatores que influenciam a absorção através das raízes A absorção de herbicidas pelas raízes é caracterizada por uma fase inicial de elevada taxa de absorção durante os 30 primeiros minutos até 2 horas. Por exemplo. Se o herbicida for 112 Módulo 3. Embora raízes jovens sejam também cobertas por uma camada cerosa e as mais velhas sejam fortemente suberizadas. ocorre. formulação e misturas . Na endoderme. metabolismo. Os herbicidas têm que entrar em contato com a raiz. há uma barreira lipídica localizada na endoderme da raiz. tamanhos e solubilidades diferentes são prontamente absorvidos pelas raízes. depois.Penetração pelas raízes Muitos herbicidas aplicados ao solo são absorvidos pelas raízes. estar relacionado com a viscosidade da água (sob condições de baixa temperatura) e com reações químicas (absorção ativa). Nas raízes jovens.4. ou. A entrada dos herbicidas pelas raízes não é tão limitada quanto pelas folhas. o que pode ocorrer pelo crescimento desta ou pela difusão do herbicida no estado gasoso e.3 .Herbicidas: absorção. Esse fenômeno pode. translocação. pode influenciar a absorção de herbicidas pelas raízes. a água que se move em direção ao xilema deve entrar no simplasto. uma vez que nenhuma camada significativa de cera ou cutícula está presente nas partes das raízes onde a maior parte de absorção de herbicidas ocorre. A disponibilidade dos herbicidas para as raízes é função das propriedades físico-químicas dos herbicidas e do solo e da distribuição espacial destes compostos e das raízes no solo.1 . em grande parte.4-D.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1.4 . a principal zona de absorção está entre 5 e 50 mm de sua extremidade. O sistema radicular das plantas superiores apresenta uma superfície de absorção extremamente grande. Tem sido observado decréscimo na taxa de absorção de herbicidas devido ao abaixamento da temperatura. Também a concentração hidrogeniônica. O que acontece aos herbicidas nesse ponto não está completamente claro. até a zona de absorção das raízes. em solução com a água. com alta permeabilidade à água e a solutos (sais). e esta barreira é conhecida por ser impermeável à água. normalmente. principalmente quando o composto é sujeito à ionização. todas as paredes radiais contêm uma banda fortemente impregnada com suberina (estria de Gaspary). a penetração de água e solutos. a taxa de absorção aumenta rapidamente logo após a aplicação e. Os pêlos radiculares são responsáveis por aumento significativo da área disponível para a absorção de água e de herbicidas (Fig. Apesar de não existir nenhuma barreira cuticular na zona dos pêlos radiculares. 1. Na endoderme ou antes dela. passando em seguida à negativa (perda por exsudação). Muitos herbicidas com estruturas moleculares. para o 2.

apresentando baixo Q10.. Também atrazine e amitrole tiveram absorção passiva. translocados via xilema. Como a Módulo 3. no xilema. Sendo os herbicidas. de onde se transloca até seu sítio de ação. A segunda fase de absorção. o pH que aumenta a sua polaridade beneficia também a sua absorção e penetração pelas raízes. sendo os herbicidas mais lipofílicos absorvidos mais rapidamente. inicialmente. A correlação entre transpiração e absorção é válida para os herbicidas polares. requerimento de oxigênio. metabolismo. dependendo das características do produto. translocação. para picloram. e acumulação contra um gradiente de concentração. De modo geral. atrazine e napropamide. a corrente transpiratória correlaciona-se com o transporte destes para a parte aérea da planta.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas absorvido em solução com a água. formulação e misturas 113 . ou. 1. ele pode penetrar no floema e. o produto atravessá-la livremente. Triazinas e uréias. baixa umidade relativa do ar. mas hiperbólica. portanto. A segunda fase da absorção. em geral. dependente da concentração. Embora alguns trabalhos demonstrem estreita relação entre transpiração e absorção. em parte.4-D é acumulado ativamente e o monuron.4. é um processo ativo de absorção. como lipofilicidade e pka.2 . taxa de absorção não é função linear da concentração externa. influenciam a absorção. Até aí.4-D. passivamente. (1973) listam os seguintes critérios para a absorção ser ativa ou dependente de energia: Q10 ≥ 2. por exemplo. Donaldson et al. que consiste em atravessar a membrana citoplasmática (plasmalema). (1973) a taxa de absorção de herbicida correlaciona-se com o coeficiente de partição óleo/água. é um processo passivo a puramente físico e. o que geralmente não é o caso da segunda fase. Uma vez dentro do citoplasma das células. Essas condições foram satisfeitas para absorção de 2. mas não o foram para monuron. existem herbicidas não-polares que são. alta temperatura do solo e alto potencial de água no solo são condições que favorecem a transpiração e. Os herbicidas solúveis na água. A linearidade é perdida quando o herbicida exerce efeito tóxico sobre a planta. Também as propriedades físico-químicas dos herbicidas. indicando que o 2.Mecanismo de absorção de herbicidas A primeira fase de absorção é independente de energia metabólica.Herbicidas: absorção. há evidências contrárias. podem ser adsorvidas. Esta fase tem um Q10 maior que a fase inicial e é sensível a inibidores metabólicos. a absorção de herbicidas polares. Para os herbicidas polares. conseqüentemente. segundo Donaldson et. também é ativa ou dependente de energia. existe uma relação linear entre a concentração do produto disponível e a sua penetração pela raiz. Quanto à concentração do herbicida. Alta temperatura e irradiância. estabelecendo um gradiente de concentração entre a parte externa da raiz (solução do solo) e a interna da planta (corrente de assimilados). além do pH da solução do solo. absorção bloqueada por inibidores metabólicos. inibidores metabólicos. demanda energia. prontamente absorvidos pelas raízes. dentro de determinados limites.3 . portanto. A absorção de herbicidas pela raiz também pode ser limitada por ligações ou adsorção do herbicida nos componentes celulares. podendo. se difundem nos espaços livres das células da epiderme do córtex da zona de absorção. também. al. entretanto. Não há dados suficientes para o entendimento completo de mecanismo de absorção de todos os herbicidas. pelas raízes. então. a energia necessária à manutenção da seletividade da plasmalema é inibida.

e há várias explicações para isso. • .Moléculas de herbicidas capazes de penetrar no xilema e. partição nos lipídios do citoplasma ou metabolismo a produtos polares que 114 Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas translocação via xilema é muito mais rápida que a translocação via floema. mostrando suas principais estruturas. representando a absorção de herbicidas pelas raízes Durante a fase de absorção dependente de energia.(a) Secção transversal de uma raiz.Moléculas de herbicidas capazes de penetrar nas paredes celulares translocam-se via apoplasto. por Mengel e Kikby (1982).3 .Moléculas de herbicidas capazes de entrar no protoplasma via simplasto (passam de célula em célula através dos plasmodesmatas) e atingem o floema.Herbicidas: absorção. floema por ambas as vias (simplásticas ou apoplásticas). há tendência de aqueles herbicidas que são capazes de passar livremente do floema para o xilema serem de baixa ou nenhuma translocação via floema. x . translocação. o . metabolismo. os herbicidas podem ser acumulados contra um gradiente de concentração. ou. (b) Diagrama hipotético. Figura 4 . formulação e misturas . difundem-se através das estrias de Caspary e atingem o xilema. Estas incluem ligações nos tecidos do citoplasma.

onde.Herbicidas: absorção. Várias classes de importantes compostos. translocação. Essas moléculas dissociadas (ânions) são menos capazes de atravessar a plasmalema do que as moléculas neutras. os produtos de maior afinidade por substâncias lipofílicas (lipofilicidade) atravessam mais facilmente a plasmalema. como 2. chlorsulfuron. impedem a ação seletiva desta. Uma vez que o pH no citoplasma é uma a duas unidades maior que o pH do meio externo da célula. A exsudação é um fenômeno limitado apenas às raízes integrais (sem cortes) e vivas. como os derivados do ácido fenóxico acético. os ácidos fracos se dissociam mais e entram no citoplasma. correspondendo à zona de absorção.4-D. benzóico ou picolínico. formulação e misturas 115 . imazethapyr e sethoxydin Fonte: Stelling (1994) Módulo 3. acumulando-se no interior da célula (Figura 5).4-D. provavelmente. Figura 5 . metabolismo. Normalmente. Os herbicidas não-polares seguem uma rota lipofílica até atingirem a plasmalema. Esta é a explicação alternativa para a acumulação de ácidos fracos. A exsudação também está relacionada com a detoxificação da planta. podendo ser um dos fatores responsáveis pela tolerância desta ao herbicida. 2. fenilacético.3 . são exsudadas pelas raízes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas são menos hábeis para se difundir através da plasmalema. evidenciando que ela se dá por processo metabólico. A zona da raiz mais ativa na exsudação é a zona de alongamento.Acumulação de herbicidas (ácidos fracos) no interior da célula (a) e sítios de dissociação dos herbicidas (b): bentazon. quando aplicadas nas folhas das plantas.

com velocidade de 60 a 100 vezes maior que o movimento no sentido radial. Se a translocação de um herbicida pode ser aumentada. os quais formam um sistema contínuo no qual a água e os solutos se movimentam livremente. 2. e tendo em vista que há diferença de penetração de herbicida nas diferentes posições da parte aérea da planta. metabolismo. Por outro lado. para exercerem a sua efetiva ação herbicida. etc. de onde são transpostos para o floema. citados por Hay (1976). cloroplastos. tubérculos. então as doses aplicadas deste produto podem ser reduzidas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2 . 116 Módulo 3.Conceito de movimento simplástico e apoplástico Simplástico .3 . O movimento de solutos e assimilados no interior das plantas superiores pode ser definido. como ponto de crescimento.1 . como visto a seguir. incluindo as paredes celulares. o aumento na translocação de um produto aumentará a sua eficiência. basicamente. rizomas. até atingirem as células companheiras. Para a maioria dos herbicidas aplicados ao solo. necessitam que determinada quantidade do produto seja capaz de translocar e atingir estes orgãos de recuperação.Translocação de herbicidas Há várias razões pelas quais é importante o estudo de translocação de herbicidas. menores serão os custos de aplicação e os riscos de causar prejuízos ao meio ambiente. conseqüentemente.foi definido por Crafts e Crisp. os espaços intercelulares e o xilema. Plantas jovens. Transporte a longa distância ocorre através dos tubos crivados (floema). estolons. a translocação é também de grande importância. como a massa total de células vivas de uma planta. é formado pelo conjunto de células mortas. podem ser mortas por herbicidas de contato. etc. formando um conjunto contínuo através das intercomunicações do citoplasma. Íons e moléculas podem movi¬mentar-se de célula para célula através dessas estruturas. translocação. sem atravessar as barreiras à permeabilidade. considerando que não é fácil atingir toda a superfície foliar de uma planta. quando ocorre completa cobertura da parte aérea pela calda herbicida pulverizada. para que produza controle eficiente. em 1971.contrariamente ao simplasto. Entretanto.. Apoplástico . Muitos herbicidas são absorvidos pelas raízes ou pelas partes subterrâneas do caule e são translocados para outras áreas. principalmente de arbustos e árvores. que são as membranas citoplasmáticas. aquelas plantas que são capazes de se regenerar através de bulbos. que não são capazes de se regenerar através de seus órgãos subterrâneos. formulação e misturas .Herbicidas: absorção. denominado plasmodesmas. O floema é o principal componente do simplasto. em dois sentidos.

caules ou outros órgãos fotossintetizantes) para o dreno (áreas meristemáticas. raízes e tecidos ou órgãos de reserva). Uma vez que estes assimilados se movem para dentro desses vasos. quando amadurecem. em direção contrária ao gradiente de concentração. Sabe-se. que acompanham as células do floema.5 vezes o diâmetro da célula. O movimento para dentro do floema (carregamento) deve ser um processo ativo.Movimento ascendente Íons e moléculas podem difundir-se pelos espaços intercelulares e paredes celulares do córtex. têm. que descer até atingir o caule.1 . no entanto. O movimento por esta rota para o interior da raiz é bloqueado pelas paredes longitudinais das “estrias de Gaspary”. causando elevação do potencial osmótico e. flores e frutos em desenvolvimento. antes de alcançar os vasos menores do floema. Substâncias fotossintetizadas nas folhas da base da planta são transportadas para as raízes.1. primeiro. é ainda desconhecido. As folhas. supunha-se que as substâncias (íons ou moléculas) rompiam essa barreira e penetravam no sistema simplástico das células. para se translocarem das folhas para a parte superior da planta. Parte dessa distância ocorre pelo sistema apoplástico. 2. Citoplasmas das células do mesófilo. inicialmente. translocação. conseqüentemente. Acredita-se que herbicidas e outras substâncias se movimentem juntamente com esse fluxo. principalmente sacarose) dentro dos vasos. formulação e misturas 117 . enquanto as produzidas nas folhas da parte superior da planta são transportadas para as folhas novas e os brotos terminais. A teoria do transporte pelo fluxo de massa baseia-se na elevação da concentração de assimilados (açúcares. força o fluxo em massa do conteúdo nele existente. mas somente as células companheiras estão diretamente ligadas ao floema.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2. penetração de água dentro destas células.Movimento descendente Os assimilados e solutos se movem a uma distância média correspondente a 2. As células companheiras e as células parenquematosas. na endoderme. se transformam em uma fonte. hoje. nestes vasos.O decréscimo da concentração dos assimilados ao longo dos vasos.Herbicidas: absorção. que a estria de Gaspary não está presente nos ápices Módulo 3. metabolismo. assume-se que esse movimento ocorra à custa de energia metabólica. A alta pressão de turgor. para muitas substâncias.2 . porém o mecanismo desse carregamento. estão envolvidas no fluxo de carregamento destes vasos. Os assimilados. das células de transferência e das células companheiras estão diretamente intercomunicados. são um dreno e. As células com protoplasma muito denso e com pontuações na parte interna da parede celular permitem maior superfície de contato entre o sistema simplástico e o apoplástico. de alguma forma ainda não definida.1. suporta essa teoria. à medida que se distancia da fonte. após o que podem subir pelo floema ou penetrar no xilema e se translocar com a corrente transpiratória. Estas células são conhecidas como células de transferências e parecem funcionar no carregamento dos vasos do floema e na transferência do floema para o xilema. A hipótese do transporte pelo fluxo de massa envolve uma corrente de solutos movendo-se da fonte (folhas. Contudo.3 .

semelhante ao 2. 2. O 2. mover-se de célula para célula.é altamente móvel na planta. podendo causar danos às plantas adjacentes às tratadas. ele se acumula nos pontos de crescimento. ou. 1992). Se a planta é retirada da solução com herbicida e colocada numa solução sem herbicida. translocação. o picloram é. pode danificar a cultura quando ele for injetado em algumas espécies que são capazes de excretá-lo através de suas raízes. 118 Módulo 3. A morte ou injúria das raízes reduz a sua exsudação.Herbicidas: absorção. elevadas temperaturas e adequado suprimento de água no solo) são também favoráveis à translocação dos produtos que se movimentam pelo sistema apoplástico. talvez por inibir o movimento junto à corrente transpiratória. para folhas e pontos de crescimento da planta.3.Translocação de alguns herbicidas Dicamba . é rapidamente absorvido e translocado para todas as partes da planta. ele se transloca até as raízes e. também ocorre acumulação nas folhas jovens. A sua pequena acumulação nas raízes está. visando reduzir o sombreamento de culturas como o cacau. o que pode representar importante rota de passagem dos herbicidas do apoplasto para o simplasto. podendo. a concentração do produto diminui nas raízes e nas folhas fotossintetizadoras e se concentra nas regiões meristemáticas desta. Exsuda-se. neste caso. xilema e acumulam-se nos pontos de crescimento (tecido meristemático). relacionada com sua exsudação por elas.quando aplicado em solução nutritiva.4-D move-se do floema para o xilema e retorna à folha tratada. pode ser exsudado pelas raízes. sendo exsudado. pode controlar uma séria invasora do milho. Apesar de apresentar pequena acumulação na raiz. principalmente. A presença de folhas jovens na planta aumenta a translocação do produto para as raízes.4-D. Picloram . 2. Aplicado nas raízes ou nas folhas.3 . nos pontos de crescimento e nas raízes. formulação e misturas . até certo ponto.os representantes deste grupo translocam-se pelo floema e.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas radiculares de células endodérmicas jovens e na região basal das raízes laterais em desenvolvimento (LUXOVÁ. indicando ser este um processo que requer energia.4-D. A adição do ácido 2-cloroetil-fosfônico (ethrel) ao dicamba aumenta a sua translocação. Aplicado nas folhas das plantas. A elevação da umidade relativa pode aumentar o movimento descendente do 2. espalhando-se rapidamente por toda a planta. Essas substâncias podem. pelo sistema simplástico. ser absorvido por plantas vizinhas não-tratadas. Pequena acumulação ocorre nas raízes. no sentido descendente. Ele transloca-se.3 . então. Derivados do ácido fenóxico . Em geral.1. pelas raízes. em grande proporção.6-TBA . aproximadamente. Apesar de se translocarem no sentido descendente. metabolismo.4-D. ou vazar para o xilema parenquimatoso e ser transportadas no sentido acrópeto pela corrente transpiratória. as condições ambientais favoráveis à transpiração (umidade relativa baixa. 10 vezes mais tóxico às raízes que o 2. CIAMPOROVÁ. Se o produto é aplicado nas folhas. O uso deste herbicida no raleamento de floresta.parece movimentar-se prontamente em ambos os sistemas (apoplásticos e simplásticos). não se acumulam na raiz por causa do fenômeno da exsudação. que é a striga (erva-debruxa). apesar de ser bastante móvel no sentido basípeto da planta. Aplicado nas folhas do milho.

os derivados da uréia substituída são translocados exclusivamente via apoplástica. dentro de 30 minutos elas podem ser detectadas no topo da planta. são bastante toleradas pelos citros e pelo algodão. Os estômatos fecham-se porque o herbicida. na prática. em razão de sua rapidez de ação. A sua velocidade de ação é proporcional à intensidade luminosa.Herbicidas: absorção. porém se translocam apenas do ponto de aplicação para as extremidades da parte da planta onde foram aplicadas. inicialmente. Imidazolinonas .3 . Imazaquin é muito ativo no milho. em solução nutritiva. como herbicidas não translocáveis nas plantas. Entretanto. As triazinas também se acumulam em glândulas ricas em óleos. principalmente. Na prática. Módulo 3. principalmente nos cloroplastos. Algumas uréias. A translocação das raízes para os caules parece estar relacionada com a lipofilicidade das imidazolinonas. parece que ele atinge o xilema antes de necrosar o tecido e se move com a corrente transpiratória tão logo a planta seja exposta à luz. Fatores que reduzem a transpiração da planta reduzem também a sua translocação. mais rápida é absorvida pelas raízes e mais rápida é a translocação para o caule. promove o acúmulo de CO2 na câmara subestomática. O sítio de ação dos herbicidas deste grupo é a enzima AHAS (ácido aceto hidroxi sintase). Triazinas . penetram no simplasto. de alguma forma. caules e raízes e se trans¬locam via floema ou xilema até os pontos de crescimento. a pequena translocação do produto ocorre pelo sistema apoplástico.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Uréias . em plantas de algodão. ao inibir a fotossíntese. aparecem os sintomas de toxidez. A diferença de translocação do imazaquin pode ser a causa das diferenças na susceptibilidade entre as espécies. translocação. são também absorvidas pelas folhas. Contudo. por causa do fechamento dos estômatos (redução na taxa de transpiração). atingindo. Quando aplicadas às raízes das plantas. Outros autores admitem que a translocação ocorrida na planta seja por difusão causada pelo rompimento das células. onde inibem a síntese de aminoácidos. principalmente diuron. portanto. sendo todas elas translocadas exclusivamente via xilema. Bipiridílios – são considerados. espalham-se por toda a planta. Aplicados às folhas. enquanto a translocação no milho continua por muito tempo. Alguns trabalhos mostram que a translocação é aumentada pela redução da umidade relativa (elevação da transpiração). os cloroplastos. Assim. onde atuam. que é concentrada nos tecidos meristemáticos. metabolismo.estes herbicidas são absorvidos por folhas. onde. Altas concentrações destes produtos são encontradas em glândulas ricas em óleo (verdadeira barreira à translocação destes herbicidas) localizadas ao longo do caule e nas folhas da planta. a translocação da folha para o caule parece não estar relacionada com a lipofilicidade. formulação e misturas 119 . como metribuzin.a maioria das triazinas são mais facilmente absorvidas pelas raízes. principalmente quando aplicados durante o dia. eles não se translocam de uma folha para outra. Quando o paraquat é aplicado no escuro. em menor proporção. Aplicados às raízes. Aparentemente. quanto mais lipofílica for a imidazolinona. sob forte intensidade luminosa. ametryn e atrazine. A taxa de absorção decresce algum tempo após a aplicação. Algumas. mas pouco ativo em Avena fatua. Ocorre paralisação da translocação em aveia uma hora após o tratamento. eles são considerados herbicidas de contato. fluometuron e linuron. concentrando-se nas extremidades das folhas.

o estudo de seus metabolismos é relativamente recente. e • conjugação do composto com constituintes da planta. Normalmente. O 2. etc. conhecer os seus metabólitos e a forma como são metabolizados. o toleram.3 . também o inativam. inibidores da ALS e da ACCase). também. Algumas leguminosas.3. Uma das maneiras pelas quais as plantas se livram destes produtos é através do metabolismo destes. valina.5 T. metabolismo. leucina.6 T. há hidroxilação na posição anterior do cloro. como a alfafa. aqui. Tratar-se-á. A hidroxilação na posição ‘3’ e a sua conseqüente conjugação com glucose e. com conseqüente conjugação desta hidroxila com constituintes da planta. Os compostos geralmente encontrados em conjugação com 2. na época da colheita das estruturas utilizadas para a alimentação. metabolismo o da molécula é uma das principais causas da seletividade. aminoácidos também são mecanismos de inativação do 2.4-DB → β oxidação → 2. translocação. ácido glutâmico. formulação e misturas . A maioria das plantas degrada a cadeia do ácido acético. na passagem do cloro de uma posição para outra.4-D). fenilalanina e triptofano. As agências governa¬mentais estabelecem limites de tolerância de resíduos dos produtos na planta. • hidroxilação do anel aromático. causando a inativação do herbicida. na planta. Embora os herbicidas venham sendo usados há mais de 50 anos. 120 Módulo 3. A hidroxilação na posição ‘para’ inativa o produto.4-D. do metabolismo dos herbicidas nas plantas apenas em relação à sua detoxificação.Herbicidas: absorção.4. mas.4-DB também é metabolizado por algumas plantas (Figura 7).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 3 . translocação. alanina. É muito importante saber se o herbicida é metabolizado ou não. mas somente algumas espécies o degradam em velocidade suficientemente rápida para aumentar ou proporcionar a sua tolerância ao produto. incluindo absorção. Derivados dos ácidos fenóxicos Há três mecanismos básicos envolvidos no metabolismo dos derivados do ácido fenóxido acético (Figura 6): • degradação da cadeia do ácido acético. formando o 2. transformando-se em composto tóxico (2. metabolismo.: auxínicos. Para vários grupos de herbicidas (ex. É importante saber não só que o herbicida é metabolizado.Metabolismo dos herbicidas nas plantas A seletividade dos herbicidas pode ser atribuída a numerosos fatores. ou. A transferência do cloro da posição '4' para a posição '3' e a passagem do cloro da posição '5' para posição ‘6’ do 2.4-D são: ácido aspártico.

A taxa de degradação das triazinas em plantas superiores varia grandemente com as diferentes espécies.3 . translocação. formulação e misturas 121 . antes da saturação dos sítios de ação do produto. principalmente gramíneas como milho. enquanto em espécies suscetíveis (feijão e pepino) a degradação Módulo 3. metabolismo.Herbicidas: absorção.4-D ou o fazem muito lentamente. sorgo e cana-de-açúcar.4-DB a 2.4-D em plantas superiores Triazinas Algumas plantas. Figura 6 .4-D em plantas superiores Figura 7 – β oxidação do 2. dando tempo para que outros processos metabólicos realizem a sua degradação. são altamente tolerantes às clorotriazinas (atrazine e simazine).Biotransformação e rotas metabólicas do 2.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas porque não o transformam em 2. elas são rapidamente degradadas (Figura 8). Em espécies tolerantes.

A substância catalisadora dessa reação foi identificada como benzoxazinona.Herbicidas: absorção. a base de seletividade destes herbicidas às plantas. primariamente. 122 Módulo 3. A N-dealquilação é outra rota do metabolismo das triazinas. mas a hidroxilação é mais intensa nas raízes.3 . o que favorece a tolerância das plantas a estes herbicidas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas é mais lenta.Biotransformação e rotas metabólicas de atrazine em plantas superiores Os processos de inativação ocorrem pela hidroxilação. demetoxilação e dealquilação na posição ′N′ e por conjugação com peptídeos. formulação e misturas . metabolismo. Portanto. Esta substância ocorre em toda a planta de milho. Glutation-Stransferase é a enzima envolvida nessa conjugação. indicando que nestas a benzoxazinona é mais ativa. translocação. O metabolismo do metribuzin nas plantas superiores pode ser observado na Figura 9. a taxa de degradação das triazinas parece ser. Extratos das raízes e da parte aérea do milho são capazes de hidroxilar as clorotriazinas. Também pode ocorrer conjugação das triazinas com peptídeos. Figura 8 .

tanto na planta quanto no solo. Enquanto estas inibem raízes e pontos de crescimento. formando a correspondente anilina. ou. o 2.3. É um produto não-seletivo e de elevada eficiência no controle de plantas daninhas perenes.Herbicidas: absorção. demetoxilação e deaquilação. translocação. Entretanto.3 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 9 . metabolismo.Biotransformação e rotas metabólicas do metribuzim em plantas superiores Derivados dos ácidos benzóico A hidroxilação do anel aromático e a sua conjugação com outros constituintes da planta são demonstradas na prática. ainda.6-TBA é considerado um herbicida estável. a ruptura do anel. É considerado um herbicida completamente metabolizado pelas Módulo 3. não se demonstrou. formulação e misturas 123 . Propanil É uma exceção entre as amidas. Derivados da uréia As principais rotas do metabolismo das uréias substituídas estão relacionadas com a demetilação e. incluindo as de raízes profundas. o propanil inibe o fotossistema II. Entre os compostos deste grupo. e também com a conjugação com os constituintes da planta.

4-D é mais ativo que o picloram. 124 Módulo 3. o picloram é mais de 10 vezes mais ativo. A enzima envolvida nesse processo (arilacilamidase) é 10 a 20 vezes mais ativa no arroz que no capim-arroz. O 3-4-diclorolactoanilida é um composto intermediário e instável nas plantas tolerantes. metabolismo. Comparando a atividade do 2. em trigo. como o capimarroz.3 . ele se acumula e inibe a reação devido à menor atividade da enzima que o degrada. formulação e misturas . A sua alta atividade como arbusticida e arborecida está relacionada com a sua estabilidade na planta. observou-se que o 2. por causa de sua lenta degradação. por unidade de tempo. considerando-se o tempo de ação.4-D com a do picloram (em algumas espécies de plantas latifoliadas).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas plantas tolerantes (Figura 10). como o arroz. razão pela qual o arroz é tolerante e o capim-arroz. sensível. podendo a mistura do propanil com estes compostos causar sensível redução na tolerância do arroz ao propanil ou até perda total de seletividade do propanil a essa cultura.Hidrólise do propanil em plantas de arroz O metabólito 3-4-dicloroanilina formado pode ser conjugado com constituintes da planta. translocação. Esta enzima é sensível aos inseticidas carbamatos e fosforados orgânicos.Herbicidas: absorção. Trabalhos realizados por Redemann e outros. principalmente com diversos tipos de carboidratos. Nas plantas sensíveis. Picloram: É um produto altamente estável na planta e no solo. citados por Foy (1976). A velocidade de sua metabolização influencia decisivamente a tolerância da planta. Entretanto. mostraram que somente 17% do picloram tinha sido metabolizado três meses após a sua aplicação. Figura 10 .

Entre as classes de adjuvantes podem-se citar: emulsificantes (compatibilizam frações polares e apolares). solventes (dissolvem o ingrediente ativo). pelos estômatos. Na legislação federal sobre produtos fitossanitários.Herbicidas: absorção. Eles podem ser aniônicos (carregados negativamente). ou. espalhantes. segundo Kissmann (1997). para poder cumprir eficazmente sua finalidade biológica. mantendo essas condições durante o armazenamento e transporte (ARAÚJO.Formulação Formular um herbicida consiste em preparar seu ingrediente ativo na concentração adequada. Os óleos não-fitotóxicos também têm grande uso como adjuvante. adesivos. dispersantes (impedem a aglomeração de partículas). metabolismo. no Brasil. Os minerais também podem servir como veículo para aplicação de herbicidas. espessantes (aumentam a viscosidade). é uma formulação universal que possa ser usada em diversos países. Módulo 3. translocação. mas a tendência atual. fazendo com que o herbicida penetre. também. é comercializado em formulações diferentes em várias regiões do mundo. Os surfatantes ou tensoativos são também adjuvantes. vegetais (apresentam porções variadas de ácidos graxos) e vegetais metilados (sofrem esterificação metílica). antievaporantes e. Recentemente surgiram os surfatantes à base de organossilicones. e os ingredientes inertes são os outros compostos adicionados na formulação. que é acrescida na preparação de defensivos para facilitar a aplicação ou aumentar a eficiência ou diminuir os riscos é classificada como adjuvante. por possuírem porções lipofílicas e hidrofílicas na mesma molécula. O mesmo ingrediente ativo. 1997). Os surfatantes são classificados de acordo com sua carga elétrica ou tendência de ionizar a porção hidrofílica da molécula.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4 . catiônicos (carregados positivamente) e não-iônicos (neutros). ingrediente ativo é o composto com atividade biológica. adicionando substâncias coadjuvantes. tamponantes (deixam o pH dentro de uma faixa desejada). A formulação é a etapa final da industrialização. tendo em vista que o produto final deve ser usado em determinadas condições técnicas de aplicação. corantes (dão coloração ao produto formulado). servindo de interface entre as superfícies.3 . que não alteram o equilíbrio eletrolítico nas formulações e nas caldas. às vezes. Eles podem ser: minerais (formulados com predominância de frações parafínicas de hidrocarbonetos). seja como molhantes. molhantes (permitem rápida umectação do produto em contato com a água). e surfatantes (agentes ativadores de superfície). exceto água. formulação e misturas 125 . Estes compotos causam redução da tensão superficial. que são capazes de reduzir muito a tensão superficial e até induzir um fluxo de massa da solução pulverizada através do poro estomatal. quelatizantes (tiram reatividade de moléculas e íons). penetrantes. adesivos (melhoram a aderência do produto com a superfície tratada). Qualquer substância ou composto sem propriedade fitossanitária.

também. tanto física (sem absorção ou repulsão entre os ingredientes) como química (sem alteração dos compostos) ou biologicamente (a mistura deve ser eficiente para o controle) e ser estável.4-534. formulação e misturas . Quadro 3 . 1997). podem solubilizar substâncias não-polares da folha.2 71.1 . metabolismo. que são inativados parcial ou totalmente. nos seguintes fatores: características físicas e biológicas da planta daninha-alvo.2-142. causando desnaturação enzimática ou disfunção das membranas e. deve apresentar bom espalhamento.0 126 Módulo 3. perigo de deriva e lixiviação. 1997). especialmente os de Ca++ e de Mg++.0 > 534. assim. Também. Uma formulação de herbicida pode ser considerada de boa qualidade se atender aos seguintes requisitos: ser letal à planta daninha ou.Classes de dureza da água Classes Água muito branda Água branda Água semidura Água dura Água muito dura ppm de CaCO3 71.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Além da redução da tensão superficial. A escolha da formulação a ser usada baseia-se. que são os principais causadores da dureza da água.Veículo de aplicação (água) O veículo mais importante para diluir formulações de produtos fitossanitários a serem aplicados por pulverização ou imersão é a água. Argilas e compostos orgânicos em suspenão na água podem absorver alguns tipos de ingredientes ativos. custo. aumentam a retenção e melhoram o contato da gotícula. Deve também permitir a associação de produtos. A água quase sempre apresenta sais em dissolução. por diminuírem ou eliminarem a seletividade de alguns herbicidas e até favorecerem ataques de fungos pela remoção da camada cerosa protetora ou por espalharem os esporos pela superfície vegetal (Kissmann. como sendo fitotóxicos. tem que ser compatível. e não afetar os microrganismos benéficos e a cultura. caso esta já esteja instalada.4 142. os surfactantes favorecem o espalhamento uniforme da calda na superfície foliar. danosa a ela. tornando-os indisponíveis. Um exemplo claro dessa ação ocorre com os compostos catiônicos (paraquat e diquat).Herbicidas: absorção. que deve ser de boa qualidade. segundo Ozkan (1995). equipamento de aplicação disponível.4-320.4 320. ou seja. necessidade de armazenagem e tipo de ambiente em que a aplicação é feita. boa retenção na superfície da folha. permanecer ativa por um longo período.3 . favorecer mais a penetração do herbicida (RADOSEVICH. Além disso. Os sufatantes podem. no mínimo. Deve-se salientar que essa dureza é calculada em função do teor de CaCO3 . assumir conotações negativas em certos casos. 4. e penetração foliar eficiente. translocação. possível injúria na cultura.

Valores extremos de pH podem afetar a estabilidade das caldas. que representa água semidura. cuja velocidade depende do pH. Nos ingredientes ativos . com possíveis substituições e formações de compostos insolúveis. translocação. para aplicação. antes da aplicação. Adiciona-se geralmente uma substância dispersante. com conseqüente perda da função desses surfatantes.1 . no produto comercial. metabolismo. As indústrias geralmente já formulam seus produtos para serem compatíveis com 20 até 320 ppm de carbonato de cálcio. Muitas moléculas sofrem dissociação quando em solução.Herbicidas: absorção.5. para aplicação sob a forma de suspensão após desintegração e dispersão em água. É obtida pela moagem do ingrediente ativo absorvido em material inerte (sílica. Grânulos dispersíveis em água (GRDA ou dry flowable): é uma formulação sólida constituída de grânulos. Durante a aplicação.ingredientes ativos à base de ácidos ou sais podem reagir na presença dos cátions Ca++ e Mg++ . não requerendo agitação durante aplicação. podem sofrer degradação por hidrólise. as caldas fitossanitárias apresentam mais estabilidade numa faixa de pH entre 6. possui 50 a 80% de ingrediente ativo (ex: Sencor BR. 4. precisa-se de uma agitação contínua no tanque. e a constante de dissociação também é dependente do pH. A dureza da água pode ser corrigida. formulação e misturas 127 .na presença de tensoativos aniônicos contendo Na+ ou K+. Geralmente.3 .Tipos de formulações As formulações apresentam-se. etc). 4. Pó solúvel (PS): nesta formulação o ingrediente ativo é totalmente solúvel em água. Muitos produtos que ficam preparados em água por muito tempo. Possui a vantagem de ter. os elementos responsáveis pela dureza da água Ca++ e Mg++ podem substituí-los.2 . 700 g kg-1 de metribuzin). descaracterizando sua ação biológica. transformase numa suspensão.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A dureza da água interfere na qualidade das caldas dos herbicidas de duas maneiras: Nas formulações . após dispersão em água. sob a forma de suspensão. vermiculita. segundo Kissmann (1997). e este.2. ou acrescentando um quelatizante na água. Geralmente. formando compostos insolúveis. basicamente. para evitar floculação e aumentar a establilidade da suspensão.Formulações sólidas Pó molhável (PM): esta formulação é definida pela ABNT como formulação sólida de pó. maior concentração de Módulo 3. nas formas sólida e líquida. o que reduziria a tensão superficial dos líquidos. o que isolaria a carga elétrica e suprimiria a reatividade de íons desta. O ingrediente ativo sólido está na forma de grânulos.0 e 6. de duas maneiras: acrescentando um surfatante não-iônico. adicionado em água. Outro fator muito importante que pode influir na estabilidade dos herbicidas e nos resultados é o pH da água.

com um solvente nãopolar (o ingrediente ativo). Emulsões concentradas: esta formulação é uma emulsão de ingrediente ativo de baixo ponto de fusão ou líquido. A importância desta formulação reside na possibilidade de poder compatibilizar dois tipos de formulações diferentes. 960 g L-1 de metolachlor).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas princípios ativos. sendo uma alternativa ao concentrado emulsionável (ex. são mais seletivos.: Karmex 500 SC. basicamente. 700 g kg-1 de imazaquin).: DMA 806 BR. álcool. sob a forma de emulsão. para aplicação após a diluição em água.: Dual 960 CE. o princípio ativo sólido (micropartículas) é mantido suspenso em água.Herbicidas: absorção. Como vantagens estão a ausência do pó. VALE. 4. diferindo-se por possuírem partículas de maior tamanho. Microemulsão: é um caso específico de emulsão. têm maiores custos e dependem de equipamentos adequados para aplicação e de umidade no solo para liberar o ingrediente ativo (ex. A solubilidade mínima necessária é de 12%. e do solvente.3 . cuja concentração varia de 2 a 20%. dissolvido no solvente. que pode ser água. constituída de uma dispersão estável de ingredientes ativos na forma de partículas sólidas e de finos grânulos na fase aquosa. que é o ingrediente ativo. metabolismo. etc. e de princípio ativo. 1997) (ex. O concentrado emulsionável conta. Suspensão concentrada (S) ou “flowable”: é uma formulação constituída por uma suspensão estável de ingrediente(s) ativo(s) num veículo líquido. sendo um deles disperso como glóbulos de pequeno tamanho dentro do outro. requerendo. composta do soluto.Formulações líquidas Soluções (S): esta mistura é de natureza homogênea. Emulsões são sistemas termodinamicamente instáveis que consistem em dois líquidos imiscíveis. menor volume de calda para aplicação (ex: Scepter 70 DG. ele deve ser solúvel em pelo menos 25% por litro do solvente. 670 g L-1 de 2. a baixa toxicidade e o fácil manuseio (ex. Esta formulação contém as fases ‘oleosa’ (contendo o ingrediente ativo e o solvente orgânico surfatante) e ‘aquosa’ (que também pode conter 128 Módulo 3. podem ser aplicados em locais de difícil acesso. dispensam o uso da água. Possui maior penetração foliar. Pellets ou pastilhas: possuem ampla similaridade com os granulados. para aplicação após diluição em água. permanece por longos períodos em suspensão (mistura mais homogênea) e provoca menos desgaste nos bicos (ZAMBOLIM. que pode conter outro(s) ingrediente(s) ativo(s) para aplicação após a diluição. Granulados (GR): os grânulos são constituídos de veículos minerais. adiciona-se geralmente um surfatante (ex. 110 g L-1 de fenoxaprop-p-ethyl). 500 g L-1 de diuron). com isso. e um agente emulsificante.: Ordran 200 GR. acetona.2 . Seu processo de obtenção é o mais simples e barato. Neste tipo de formulação. Concentrado emulsionável (CE): é uma formulação líquida homogênea. formulação e misturas .2. 4-D). Devido à sua pouca penetração foliar. 200 g kg-1 de molinate). Suspo-emulsão: é uma formulação fluida e heterogênea. Em geral.: Podium. translocação. Para que um produto seja formulado como solução. como a vermiculita.

A aparência é de um líquido transparente. além do conhecimento a respeito das interações entre os produtos. devido ao uso de doses menores de cada herbicida misturado. • Aumento da segurança da cultura. Deve-se dar preferência às misturas prontas.Vantagens das misturas ou combinações de herbicidas A aplicação de misturas de herbicidas pode oferecer vantagens. bem como os fabricantes. formulação e misturas 129 . Além desse fato. 5. especialmente dos componentes mais persistentes.Misturas de herbicidas O controle de plantas daninhas visa. quando comparadas com aplicação de um princípio ativo isoladamente.Herbicidas: absorção. o manejo de herbicidas. que lhes conferem comportamento diferenciado (susceptibilidade. como: • Controle de maior número de espécies de plantas daninhas e redução do risco de aparecimento de genótipos resistentes. visando obter o máximo de controle de plantas daninhas e minimizar injúrias às culturas. entre outros aspectos. Há menor chance de a cultura ser injuriada. • Redução de resíduos na cultura e no solo devido ao uso de doses menores. Módulo 3. reduzir ou eliminar a competição destas com a cultura É importante lembrar que existem centenas de espécies de plantas daninhas e que estas apresentam as mais variadas características morfológicas e fisiológicas. 5 .: Robust: 200 g de fluazifop-p-butil + 250 g L-1 de fomesafen). a preparar misturas de herbicidas com diferentes princípios ativos. além de surfatante). ou mesmo com outros agroquímicos/pesticidas.1 . o controle mais efetivo de plantas daninhas e as menores quantidades de herbicidas aplicadas geralmente reduzem o custo total do manejo. especialmente as misturas. • As misturas foram primeiramente usadas para o controle não-seletivo e seu uso contínuo tornou-se importante. entretanto. A idéia de combinação de herbicidas para controlar seletivamente plantas daninhas em culturas desenvolveu-se posteriormente. translocação. a necessidade de reduzir os custos de produção da cultura tem levado os produtores. metabolismo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ingrediente ativo solúvel em água. requer grande cuidado. • Redução de custos: o menor custo de aplicação. Houve grande expansão no uso de misturas e na aplicação sequencial de vários herbicidas em um único ciclo cultural. tolerância ou resistência) em relação aos herbicidas utilizados.3 . É mais efetiva que uma única dose de um herbicida. homogêneo (ex.

A incompatibilidade denota a inabilidade de dois ou mais herbicidas em serem usados simultaneamente.Herbicidas: absorção. 5. é evitar possíveis incompatibilidades dos componentes da formulação. eles podem ser aplicados separadamente (um após o outro). 130 Módulo 3. uma das vantagens da mistura formulada. com outro formulado como concentrado emulsionável tem elevada tendência a apresentar incompatibilidade física. Por isso. • Pode melhorar o controle de plantas daninhas pela ampliação da seletividade. Quando dois ou mais herbicidas são aplicados juntos. formulação e misturas . 5..ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • Controle por um período maior.3 . por exemplo. A incompatibilidade física é usualmente causada pela formulação e suas interações. causada pela incompatibilidade. Estes herbicidas pré-misturados ou em misturas no tanque do pulverizador podem ser mais eficientes ou não. podem ser observados os seguintes efeitos sobre as plantas: • Efeitos sinérgicos: quando o efeito dos herbicidas aplicados juntos é maior que a soma dos efeitos isolados. pela adição de outro herbicida mais efetivo sobre determinada espécie de planta daninha predominante. em razão da possível ação sinergística na planta daninha e ação antagônica sobre a cultura. em relação à de tanque. complexação. Fatores como solubilidade. metabolismo. etc. A mistura de um herbicida formulado como pó-molhável. juntos (misturados no tanque) ou ainda podem ser formulados juntos (comercializados numa mesma embalagem). dependendo do modo como foi feita a mistura. • Efeitos aditivos: quando o efeito dos herbicidas em mistura é igual à soma dos seus efeitos quando aplicados separados. que resulta numa rápida sedimentação dos componentes da mistura. Menor desempenho da mistura pode ser resultado de qualquer incompatibilidade física ou biológica. • Melhores resultados em campos com variados tipos de solos. carga iônica e outros parâmetros físicos são responsáveis pela redução do desempenho dos produtos.2 . É a relação da efetividade de um material com o outro. translocação. resultando em formação de precipitados. de modo que sua aplicação não pode ser executada.3 .Incompatibilidade Quando dois ou mais herbicidas são combinados.Interações entre herbicidas O termo interação descreve a ação conjunta dos herbicidas nas plantas. • Efeitos antagônicos: quando o efeito dos herbicidas em mistura é menor que a soma dos seus efeitos quando aplicados separadamente. separação de fase.

imazaquin. aumento da translocação. 1995).Herbicidas: absorção. • Se a resposta observada for maior que a esperada.. Y = percentagem de inibição do crescimento pelo herbicida B e q L ha-1. O efeito da interação entre dois herbicidas pode ser estimado pela equação a deguir: em que: X = percentagem de inibição do crescimento pelo herbicida A e p L ha-1. X+(100-Y) é a toxicidade esperada da mistura. É o antagonismo químico.4-D. chlorsurfuron.4 . O antagonismo também ocorre quando um herbicida de contato é aplicado com glyphosate ou com herbicidas auxínicos. Também pode ocorrer a redução da penetração foliar. translocação. Então. Do ponto de vista prático.Interações de herbicidas com inseticidas em mistura Em geral. bentazon. A absorção e a translocação do glyphosate ficam prejudicadas. • Se a resposta observada for igual à esperada. a fitotoxicidade de alguns herbicidas tem mostrado ser influenciada por alguns inseticidas organofosforados ou metilcarbamatos. este metabolismo. etc. chlorimuron. As bases para essa interação podem ser: aumento da penetração foliar dos herbicidas aplicados em pós emergência. ou reduzir. entre o paraquat e o MCPA dimetylamina. É o caso do trifluralin e diuron em algodão e trifluralin e metribuzin em soja. a mistura é antagônica. e E = percentagem ‘esperada’ de inibição do crescimento pelos herbicidas A+B a p+q L/ha. resultando em menor efeito dos herbicidas sistêmicos. por exemplo. inseticidas organofosforados podem inibir. • Se a resposta observada foi menor que a esperada. Inseticidas organoclorados não têm apresentado interações com herbicidas. induzindo o Módulo 3. interações dos mecanismos de ação dos herbicidas envolvidos. imazethapyr. entretanto. por exemplo. Organofosforados estão envolvidos com interações com nicosulfuron (SILVA et al. WARREN. os inibidores de lipídios não devem ser misturados com 2. principalmente quando a formulação éster do MCPA é usada. O antagonismo em misturas de tanque acontece quando uma reação adversa ocorre entre os herbicidas na solução.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas É interessante lembrar que esses efeitos podem ser diferentes entre espécies de plantas. Várias misturas sinergísticas de herbicidas têm sido reportadas. etc. MCPA. seria ideal que a mistura apresentasse efeitos antagônicos para a cultura e sinergísticos para as plantas daninhas.3 . 5. metabolismo. A redução da penetração pela raiz pode resultar em antagonismo e aumentar a seletividade da cultura. formulação e misturas 131 . etc. a mistura é aditiva. inibição do metabolismo. O antagonismo do fenoxaprop com MCPA éster aumentou a tolerância do trigo sem reduzir o controle da aveia-brava (JORDAN. 2005) A tolerância do milho a este herbicida é devido ao rápido metabolismo deste. a mistura é sinérgica.

Esses resultados. A aplicação de molibdênio na cultura do feijão.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas surgimento de sintomas de intoxicação nas plantas da cultura. É interessante ressaltar o antagonismo entre phorate (Thimet).5. translocação. bentazon. formulação e misturas . A aplicação do terbufos em milho é antagonística aos resíduos do imazaquin no solo e tem dado considerável proteção ao milho. metabolismo. viabilizam a aplicação desses insumos de uma só vez. 5. Os inseticidas protegem o algodão de alguma toxicidade do clomazone. são usados por alguns produtores. Os mecanismos dessa interação não são bem conhecidos. em mistura com os herbicidas fluazifop-p-butil+fomesafen. porém sem nenhuma base científica. às vezes. disulfoton (Disyston) e o clomazone em algodão. em ensaios preliminares apresentou efeitos aditivos. 132 Módulo 3.3 . O organofosforado terbufos (Counter) tem causado maiores problemas na prática. Interações de herbicidas com fertilizantes em mistura Os herbicidas em misturas com fertilizantes.Herbicidas: absorção. fomesafen e imazamox. se confirmados.

302 p. I. 56-58. 49. M. 19. 787 p.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Referências bibliográficas ARAÚJO.. DONALDSON. In: KEARNEY....3 . A. v. 638. BAYER. Herbicide combinations and interactions. 1981. S. Cyanamid Química do Brasil. MORTON. BUKOVAK.) Herbicides physiology. v. West Lafayette: Purdue University. HANCE. C. VENTRELLA. M. 421. DEMUNER. 29. D.. n. vol. v. J. A. E. metabolismo. L. V. 1969. C. G. SILVA. M. In: AUDUS.. Absorption of 2. A. Bot. R. F. HESS. O. R.4-D. G.. L. ecology. p. A. ecology. SENAR. A.Herbicidas: absorção. SANTOS. Picloram and related compounds. p. Módulo 3. Composição química da cera epicuticular e caracterização da superfície foliar em genótipos de cana-de-açúcar. 279-285.. In: Hebicide action course. O. n. Planta Daninha. 2003. v. 4. J. 52. 1976.. GROVER. D. p. R. M. Influence of rainfall on the phytotoxicity of foliarly applied 2. Uptake of herbicides from soils by shoots.. 2. p. Plant Sci. 378. Bocca Raton: CCR Press. v. 1-dimthylurea (monuron) by barley roots. SILVA. Vol. DAWSON. 1995. A.. Destino final das embalagens de agrotóxicos (Produtos Fitotassanitários). p. 2.) Herbicides chemistry. J. 777-813. HULL. A.. West lafayette: Purdue University. v. By Audus. p. Curitiba. 232-234. formulação e misturas 133 . 335-360. KAUFMANN. L.. Vol. R. West Lafayette: Purdue University. PROCÓPIO. J. 1973.. J.. BRIDGES. A. E. Ed. Associação Regional do Estado do Paraná. In: Herbicide action couse.4dichlorophenoxyacetic acid and 3-(p-chlorophenyl)1. S. D. Herbicides entry into plants. J. D. 365-393. Herbicide transport in plants. Can. BEHRENS. p. D. L. 42. H. Adsorption of some herbicides by soil and roots. GROVER. 349. FOY. Environmental influences on cuticle development and resultant foliar penetration. N. J. Weed Sci. F. MIRANDA. Absorption. Environmental chemistry of herbicides. A. D. In: Herbicide action curse. (Eds. Plant Phisiol. 1976. LEONARD. 1995. W. Rev. R. C. JORDAN. Controle de Digitaria horizontalis pelos herbicidas glyphosate. WARREN. p.. p. degradation and mode of action. translocação. 1994. P. West lafayette: Purdue University. 2. J. 2005. CESSNA. p. J. HESS. L. Aduvantes. 1975. In: Herbicide action curse. A. APPLEBY. MARQUES. R. FERREIRA. HAY. 2001. ELAKKAD. R. 1997. 40 p. JAKELAITIS.. (Ed.. E. H. A. T.. sulfosate e glifosate potássico submetidos a diferentes intervalos de chuva após a aplicação.. T. biochemistry. 611-619.. vol. p.. R. B.J. WHARRIE.. 1976. 23. H. biochemistry. In: Herbicides physiology. A. J. A. Planta Daninha. 1991. P. p. 1.. FERREIRA.. 344-365.

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Jose Barbosa dos Santos Profº. Rubem Sillvério de Oliveira Júnior Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior .4 .Manejo de plantas daninhas 3.ABEAS Universidade Federal de Viçosa . Rafael Vivian Profº.4 .DF 2006 Módulo 3.Herbicidas: comportamento no solo Tutores: Profº.Herbicidas: comportamento no solo 135 . Antonio Alberto da Silva Profº.UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 .

Isotermas de sorção. 166 3.3 . 138 1 .5. 142 2.2.3 .Absorção pelas plantas.Processos de retenção.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução. 150 2.7 – Dessorção. 162 3. 167 3.2. 141 2. 147 2.5.Importância da matéria orgânica do solo na sorção de herbicidas.Pressão de vapor (P). 164 3.1 . 158 2. 139 2 .2 .2 – Volatilização.4 – Sorção.4.3 . 158 2.3 .2 . 150 2. 140 2. 175 4.4.2. 166 3.Degradação química. 141 2.5.Textura e mineralogia. 162 3.3 – Adsorção.Principais propriedades físico-químicas dos herbicidas que interferem na sua sorção no solo. 175 136 Módulo 3. 141 2. 144 2.2.5 .1 – Precipitação.2.4 .Coeficiente de partição octanol-água (Kow).Escorrimento superficial (run-off) e sub-superficial (run-in).4 – Solubilidade.Processos de transporte.pH do solo. 162 3.Relação entre PV e S.Relação entre KH e incorporação de herbicidas.Estimativa da sorção.4 – Lixiviação.2 .Processos de transformação.1 – Persistência. 155 2.6 . 154 2.1 . 160 3 .2 .1 .Importância do estudo de herbicidas no solo.2.1 .6.Capacidade de dissociação eletrolítica (pKa).6.2 .5 .2 – Absorção. 164 3.1 .Herbicidas: comportamento no solo . 167 3.Alternativas para redução de perdas por volatilização.6 . 158 2.Fatores que influenciam a volatilização. 170 4. 161 3.Principais propriedades do solo que influenciam a sorção de herbicidas.Degradação biológica (microbiana) ou biodegradação. 170 4. 167 4 .

4 . 183 6 .Herbicidas: comportamento no solo 137 .A fitorremediação como mecanismo de biorremediação. 178 5.Considerações finais.4 . 177 5 – Fitorremediação. 188 Módulo 3.1 .Estratégias para o sucesso da fitorremediação.2 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. 182 5.Problemas relacionados aos herbicidas residuais. 186 Referências bibliográficas.Fotodecomposição ou fotólise.3 . 179 5.

2001) e acabam alcançando direta ou indiretamente o solo. permitindo maior compreensão da dinâmica desses compostos no ambiente. Os exemplos apresentados destacam os estudos mais relevantes com herbicidas em solos. juntamente com os processos envolvidos na dissipação desses compostos no ambiente. O seu tempo de permanência no ambiente depende. são responsáveis por grande parte da degradação desses recursos. especialmente o solo e a água. a qual está relacionada à atividade microbiológica.Herbicidas: comportamento no solo . da capacidade de sorção do solo. entretanto. o qual pode ser extremamente curto. como o que ocorre para algumas moléculas simples e não-persistentes. os estudos envolvendo a sorção de herbicidas em solos brasileiros sob condições de clima tropical são também fundamentais para avaliação da eficiência de controle das plantas daninhas do local. para compostos altamente persistentes. observa-se maior preocupação quanto à contaminação do ambiente e a utilização racional dos recursos hídricos e do solo. é fundamental que eles sejam adequadamente aplicados. Nos últimos anos. tornando-se indiscutível a utilização de herbicidas no sistema agrícola. Com isso.4 . Ao atingirem o solo. No entanto. biodisponibilidade e recalcitrância do herbicida. o qual atua como o principal receptor e acumulador desses compostos. Embora escassos. atualmente. constitui-se prática indispensável para a agricultura em larga escala. cresce a importância do entendimento do destino final dessas moléculas e do estudo do comportamento no ambiente onde são aplicados. As práticas agrícolas. pois elevados índices de sorção podem comprometer a eficiência do herbicida. inicia-se o processo de redistribuição e degradação dos herbicidas aplicados. 138 Módulo 3. da dinâmica do fluxo hídrico e do transporte de solutos. assim como dos próprios recursos naturais que sustentam a produção. entre outros fatores. além da sua taxa de degradação.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução O uso do controle químico em plantas daninhas. ou perdurar por meses ou anos. para que seja preservada a qualidade final dos produtos colhidos. Neste capítulo são apresentados os principais conceitos relacionados ao comportamento de herbicidas no solo. Outro fator relevante é que 60 a 70% do total dos pesticidas aplicados nos campos agrícolas não atingem a superfície alvo de interesse (LAW.

PARKING. transformação e transporte (Figura 1). embora esses processos sejam descritos de forma isolada.Herbicidas: comportamento no solo 139 . química e biológica (DORAN. 1994). É responsável também pela ciclagem dos nutrientes. que interagem entre si. 1992). Módulo 3. além do próprio herbicida. embora a capacidade de permanência do herbicida e sua degradação no solo sejam um processo-chave na determinação do fato que este terá ou não efeito na qualidade ambiental (Hinz. 2001).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1 . Promove a retenção e o movimento da água. uma vez que o herbicida é uma substância exógena ao meio.4 . procura-se descobrir as interações do herbicida com os componentes do solo. Outro fator relevante é que o solo atua na manutenção dos processos vitais. além da remediação e imobilização de poluentes (GRANATSTAIN. conhecer os fatores do ambiente. de modo a minimizar os eventuais efeitos negativos que a sua presença possa causar ao ambiente. segundo. a sua avaliação é de difícil mensuração e repetibilidade. sendo responsável pelo suporte físico e de armazenagem dos nutrientes para as plantas. atividade e diversidade microbiana.Importância do estudo de herbicidas no solo O estudo do comportamento de herbicidas no solo e no ambiente visa pelo menos dois objetivos principais: primeiramente. suportando as cadeias alimentares. onde interagem inúmeros processos de ordem física. No entanto. em razão de o solo ser considerado um ambiente heterogêneo sob influência de diversos fatores. BEZDICEK. o estudo do comportamento de herbicidas no ambiente tem sido realizado através de estimativas das tendências a que estes estão sujeitos em função de três principais processos: retenção. que afetam direta ou indiretamente a eficiência no controle de uma planta daninha. Atualmente.

o processo de retenção. constantemente. transporte e retenção. normalmente. a partir da superfície do solo na forma de solução. estão sujeitas aos processos de movimento.Herbicidas: comportamento no solo . transporte e transformação de um herbicida aplicado ao solo 2 . a compreensão dos fatores que regulam as interações de retenção é essencial para entender o comportamento dessas substâncias no solo. química e biológica).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 1 . evitando que ela se mova tanto dentro como para fora da matriz do solo. assim como conhecer qual a eficiência quando estes forem aplicado para o controle de plantas daninhas. precipitação e adsorção. Entretanto. quando em contato com o solo. o que resulta na dissipação destas.4 .Processos de retenção O solo é um sistema aberto e dinâmico no qual os seus constituintes podem. pode ser entendido como um processo geral de sorção de herbicidas no solo. movimentar-se ou sofrer transformação física. por sua vez. química e biológica. Entretanto. Como os herbicidas movem-se. que engloba mecanismos específicos de dissipação dos herbicidas: absorção. A distinção entre adsorção verdadeira (na qual camadas moleculares se formam na 140 Módulo 3. A retenção refere-se à habilidade do solo de reter um pesticida ou outra molécula orgânica.Representação esquemática da interação entre processos de retenção. Sabe-se que as moléculas dos herbicidas. o processo de retenção constitui-se num dos processos mais importantes para prever a movimentação dos herbicidas no solo e sua taxa de degradação (física.

Contudo. distribuição. configuração. distribuição de cargas. As quantidades do herbicida adsorvido aos constituintes do solo são diretamente proporcionais à superfície específica do material coloidal e decresce geralmente com o aumento da temperatura. solubilidade. 2. Essa fixação ocorre por interação de forças da superfície do adsorvente (solo) e do adsorvato (herbicida). a velocidade das reações químicas aumenta com a elevação da temperatura. em alguns casos. natureza ácido/base dos herbicidas.Herbicidas: comportamento no solo 141 . polaridade. funções químicas.Absorção O termo absorção é usado especificamente quando as moléculas do herbicida são absorvidas pelo sistema radicular e outras partes subterrâneas das plantas. principalmente com os constituintes orgânicos do solo.3 .Precipitação A formação de precipitados entre as moléculas de herbicidas pode ocorrer pela junção das partículas dos argilominerais com o herbicida por ligações covalentes de alta força. Segundo Gevao (2000). abordadas posteriormente. ainda. pela formação de uma fase sólida separada na superfície de uma partícula sólida do solo. 1990). Dificilmente ocorrerá a absorção de herbicidas por partículas minerais ou orgânicas do solo. a adsorção por ligações químicas.4 . Na prática. precipitação (na qual tanto uma fase sólida separada se forma nas superfícies sólidas como ligações covalentes com a superfície da partícula de solo acontecem) e absorção dos herbicidas pelas plantas e organismos é difícil.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas superfície de uma partícula de solo). denominado de sorção (KOSKINEN. a adsorção é usualmente determinada apenas através do desaparecimento da substância química da solução do solo. 2. HARPER. Esta é a razão pela qual os estudos de adsorção conduzidos em laboratório são realizados em condições de temperatura constante. as quais incluem tamanho. podendo favorecer.Adsorção A adsorção caracteriza-se por um fenômeno temporário pelo qual uma substância dissolvida se fixa a uma superfície sólida ou líquida. o processo adsortivo de herbicidas. ou. Dependendo do sentido dessa força. estrutura molecular. resultando num aumento da concentração na solução do solo. 2. a adsorção de herbicidas no solo depende das propriedades deste e do composto aplicado.1 . em razão disso. Além disso. o herbicida pode ser adsorvido às partículas coloidais (orgânicas e minerais) do solo ou sofrer repulsão. provocado pelo incremento da energia cinética das moléculas. o termo adsorção é normalmente substituído por um outro mais geral. entre outros.2 . obtendo-se as curvas denominadas de isotermas de adsorção. seja ele avaliado em condições laboratoriais ou em Módulo 3.

em virtude da heterogeneidade do solo e da sua continuidade com sistemas biológicos.Sorção Sorção refere-se a um processo geral.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas campo. envolvendo mole¬culas sem dipolo permanente. podendo ocorrer interação entre uma molécula polar e outra apolar. 1993).4 . depende do tempo de equilíbrio alcançado pelo material adsorvente (solo) e o adsorvido (herbicida). ligações eletrostáticas. o qual varia em função do mecanismo e da velocidade das reações envolvidas (Figura 2). reações de coordenação e ligações de troca.Herbicidas: comportamento no solo . pontes de hidrogênio. absorção e precipitação. As pontes de hidrogênio caracterizam-se por formar uma interação dipolo-dipolo. Entre as forças físicas. Esse tipo de ligação é muito mais importante nas ligações das moléculas dos herbicidas sobre a superfície da matéria orgânica do que pela 142 Módulo 3. Essa força é extremamente fraca e de curtíssima distância. a mais importante é a força de Van der Waals. devido a um sincronismo no movimento eletrônico. entre outras. com alta massa (SCHWARZENDBACH et al. ocorrendo comumente em moléculas grandes de herbicidas.. sem distinção entre os processos específicos de adsorção. atmosféricos e aquáticos. 2. expressando a atração elétron-núcleo.4 . com força muita fraca.Representação da determinação do tempo de equilíbrio necessário nos estudos de adsorção de herbicidas em solos As forças responsáveis pelas reações de sorção dos herbicidas no solo incluem: forças físicas. As pontes de hidrogênio são produzidas pelas atrações eletrostáticas entre o núcleo eletropositivo do hidrogênio e pares de elétrons expostos de átomos eletronegativos. O processo individual de sorção é profundamente complexo. ligações hidrofóbicas. Figura 2 .

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superfície das argilas e ocorre com compostos contendo grupos >C=O + grupos –NH (ou –COOH, OH, >C=O ou – NH2) (Figura 3).

Figura 3 - Interação entre atrazine e substâncias húmicas por pontes de hidrogênio. Fonte: Senesi (1992).

Ligações hidrofóbicas estão associadas com a sorção de herbicidas apolares, os quais competem com as moléculas de água pelos sítios sortivos. Muitas das moléculas de herbicidas, principalmente os aromáticos, halogenados, fenóis e bifenóis, com baixa solubilidade em água, podem ligar-se à superfície das argilas por meio de ligações hidrofóbicas. Estas ligações são muito favorecidas quando são adicionados ao solo resíduos orgânicos naturais, aumentando o número de sítios hidrofóbicos de ligação. As ligações eletrostáticas envolvem cargas elétricas de superfície, formadas por complexas reações de adsorção, as quais podem ocorrer por adsorção por moléculas de água, por cátions, por troca aniônica e por compostos orgânicos naturais. A adsorção por troca aniônica é importante para solos pouco intemperizados de clima temperado. Contudo, em condições de solos brasileiros, desenvolvidos em condições de clima tropical e subtropical, predominam argilominerais (1:1) e elevados teores de óxidos de ferro e alumínio, com baixa capacidade de formar este tipo de ligação. As reações por coordenação envolvem ligações covalentes, de curta distância, e com sombreamento dos orbitais. São ligações muito fortes e a energia depende do número de elétrons em orbitais moleculares ligantes ou antiligantes. Essas ligações estão presentes, por exemplo, entre os prótons dos grupos funcionais de superfície e os átomos de hidrogênio (Fe-OH, Al-OH, COOH) e N2 (NH2). Esse tipo de ligação, formando complexos de esfera interna, torna difícil a separação e distinção entre o colóide e a molécula do herbicida. A protonação nada mais é que a formação de complexos de transferência de cargas na superfície mineral. Ocorre quando um grupo funcional forma um complexo com a superfície de um próton. O complexo pode ser extremamente estável, desenvolvendo sorção praticamente irreversível. Esse tipo de ligação ou mecanismo tem sido válido para herbicidas do grupo das striazinas, as quais se tornam catiônicas através da protonação, tanto na solução do solo como durante o processo de adsorção (Figura 4) (SCHWARZENDBACH et al., 1993).

Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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Figura 4 - Interação entre atrazine e substâncias húmicas por protonação do herbicida Fonte: Senesi (1992)

2.4.1 - Estimativa da sorção A avaliação da sorção é feita normalmente por meio da estimativa de coeficientes, denominados coeficientes de partição, coeficientes de partição solo-água, coeficientes de sorção ou constantes de adsorção. Neste capítulo será adotado o termo coeficiente de sorção para denominar a relação entre as concentrações de herbicida em solução e aquelas sorvidas ao solo. O coeficiente de sorção, Kd, pode ser estimado pela relação:

O Kd representa a relação entre a concentração do herbicida que permanece sorvido ao solo Cs (μg g-1) e a concentração do herbicida encontrada na solução de equilíbrio Cw (μg mL-1), para uma determinada quantidade específica do herbicida adicionado. Entretanto, como o teor de carbono orgânico, aparentemente, tem representado melhor a capacidade adsortiva dos herbicidas nos solos, principalmente para os compostos de caráter básico ou não-iônicos (KARICKHOFF, 1981; OLIVEIRA JR. et al., 1999), tem-se corrigido o Kd em relação ao teor de carbono orgânico do solo. A partir dessa normalização do Kd, obtém se o Koc, o qual permite a comparação da sorção entre diferentes solos e é um índice muito utilizado em métodos de classificação de mobilidade e em modelos de simulação do comportamento de pesticidas no solo. A normalização do Kd para o teor de carbono orgânico é feita pela relação:

Em que Koc representa o coeficiente de sorção normalizado para o teor de carbono orgânico do solo (L kg-1) e foc indica o teor (% ou dag kg-1) de carbono orgânico do solo, o qual é obtido dividindo-se o percentual de matéria orgânica por 1,72. Oliveira Jr. (1998), estudando a correlação entre as propriedades dos solos, verificou que os coeficientes de sorção (Kd e Koc) de diferentes herbicidas determinados em solos brasileiros correlacionaram-se significativamente com o teor de carbono orgânico e CTC dos solos para a
144 Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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maior parte dos herbicidas. De modo geral, os herbicidas ácidos fracos (imazethapyr, metsulfuron, nicosulfuron e sulfometuron) foram os que apresentaram menor sorção, ao passo que os herbicidas básicos fracos (atrazine, hexazinone, simazine) e não-iônicos (alachlor) foram os mais sorvidos. No Brasil, o Koc tem sido amplamente utilizado para predizer a capacidade de sorção de diversos herbicidas no solo; também é utilizado juntamente com a textura para recomendar as dosagens dos herbicidas. Entretanto, a padronização do Kd em relação ao carbono orgânico do solo não é consenso entre os pesquisadores da área, pois a sorção de herbicidas à matéria orgânica do solo ocorre de forma heterogênea, em função dos mecanismos e da fração orgânica envolvida no processo sortivo, cujos índices podem não representar a realidade. Ao mesmo tempo, o Kd e Koc nem sempre são suficientemente exatos para descrever a sorção de um pesticida em uma faixa considerada de concentração. As relações entre as concentrações em solução e na fase sólida podem, então, ser descritas por isotermas, descritas no item 3.4.2. As estimativas dos coeficientes sortivos apresentados (Kd e Koc) geralmente são conduzidas em condições laboratoriais, empregando-se a cromatografia líquida e gasosa como técnicas analíticas na determinação das concentrações dos herbicidas nas fases sólida (solo) e líquida (solução do solo) propriamente ditas. Entretanto, devido aos custos envolvidos nessas análises, outras formas de estimar a capacidade de sorção desses compostos no solo podem ser utilizadas. Entre elas, a técnica de bioensaio representa um método simples e de grande valia na determinação da capacidade sortiva e de resíduos de herbicidas no solo. Inicialmente, para a utilização dessa técnica, são feitas curvas de dose-resposta para cada composto, utilizando-se plantas indicadoras específicas ao mecanismo de ação de cada herbicida. As curvas de dose-resposta devem ser feitas no solo a ser estudado e em material inerte, preferencialmente areia lavada, isentos de qualquer resíduo. Após a aplicação de doses conhecidas do herbicida, são realizadas avaliações nas plantas indicadoras, as quais incluem fitoxicidade, altura da planta, comprimento de raiz, massa seca da parte aérea e raízes (Figura 5). Após as avaliações, utilizam-se modelos de regressão não-linear, como o proposto por Seefeldt et al. (1995):

em que D e C representam os limites superior e inferior da curva, respectivamente; b, a declividade da curva; e C50, a dose correspondente a 50% de resposta. O limite superior da curva D corresponde à respota média da testemunha e o limite inferior da curva C é a resposta média das plantas que receberam os herbicidas. O b descreve a declividade da curva em torno do C50.

Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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Figura 5 - Curva de dose-resposta para massa seca da parte aérea (% em relação à testemunha) de Sorghum vulgare, em função de doses crescentes de sulfentrazone (X) em Argissolo Vermelho-Amarelo (– – –) e em areia (____) Fonte: Vivian et al. (2005)

A partir dos dados obtidos de (C50) em solo e areia, utiliza-se a equação a seguir para expressar a relação de adsorção (RA) do solo em relação à resposta obtida em areia para a espécie indicadora (SOUZA, 1994). Considera-se que valores de RA elevados indicam maior capacidade de sorção do herbicida estudado no solo e, conseqüentemente, menor potencial de lixiviação do composto no perfil do solo. Um exemplo de curva de dose-resposta utilizada para o herbicida trifloxysulfuron-sodium em solo e areia pode ser observado na Figura 6. RA = C50solo – C50 areia C50 areia

Figura 6 – Curva de dose-resposta em solo (a) e areia (b) para trifloxysulfuron-sodium

146

Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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2.4.2 - Isotermas de sorção Quando se deseja estudar o comportamento dos herbicidas em diferentes concentrações no solo, deve-se observar que a sua sorção geralmente não ocorre de forma linear com o aumento do herbicida adicionado. Isso é devido à capacidade limitada de formar ligações com o material coloidal e a variação do coeficiente de sorção com a temperatura e umidade do solo. Para a determinação de uma isoterma de sorção, é necessário determinar o Kd em diferentes concentrações iniciais do herbicida em solução. As isotermas utilizadas para descrever o comportamento de herbicidas no solo, em diferentes concentrações iniciais, podem ser classificadas, conforme o seu comportamentodo, em S, H, C e. Tipo S: é uma curva não-linear e convexa em relação à abscissa. Inicialmente a adsorção é baixa, mas com o aumento da concentração do adsorvato na superfície adsorvida, ocorre aumento na adsorção pela associação entre as moléculas. Isso ocorre em razão da baixa afinidade do adsorvato pela interferência de outras substâncias. A água é um forte competidor na adsorção à superfície coloidal, e, com o aumento na concentração do soluto, essa competição se reduz. Tipo H: ocorre quando o adsorvato possui altíssima afinidade pelo adsorvente, e a máxima adsorção ocorre em baixas concentrações. Desse modo, até que não ocorra a máxima adsorção, não será possível detectar as moléculas na solução. Esse tipo de adsorção ocorre com moléculas extremamente catiônicas ou compostos orgânicos catiônicos, adsorvendo-se nos minerais das argilas.

Figura 7 – Comportamento das isotermas de sorção
Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo 147

Esse modelo tem sido amplamente utilizado na determinação dos coeficientes de adsorção dos herbicidas no solo para uma determinada temperatura (CLEVELAND.Herbicidas: comportamento no solo . o coeficiente de adsorção Kf é considerado nas análises de capacidade de 148 Módulo 3. Tipo L: apresenta-se como uma curva côncava em relação à abscissa. e 1/n é um fator de linearização. diminuem a afinidade e declividade. e a curva passa a ser de formato linear do tipo C. definido pelo Ibama para o Brasil. o coeficiente de adsorção da isoterma de Freudlich. Novos grupos funcionais são criados no processo de adsorção. usando regressão linear e não-linear (isotermas de Freundlich) a 25 ºC. em solo argilo-siltoso Fonte: Mervosh (1995) Segundo o manual de testes para avaliação da ecotoxicidade de agentes químicos. determinando a intensidade da adsorção. De forma análoga ao Koc. verifica-se melhor ajuste pelos modelos de Freundlich e Langmuir. de forma não linear. dando origem ao Kfoc.Comportamento adsortivo do herbicida Clomazone. 1996). Existem dois modelos muito utilizados que descrevem o comportamento das moléculas dos herbicidas conforme a sua concentração. a normalização do coeficiente de Freundlich em relação ao teor de carbono orgânico também pode ser calculada. conforme aumenta a cobertura da superfície. verifica-se que o incremento decresce na adsorção. considera que a afinidade inicial é alta e.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Tipo C: a adsorção ocorre de forma linear conforme aumenta a concentração do adsorvato. assim que a concentração deste aumenta.4 . reduzindo a energia de interação proporcionalmente ao recobrimento da superfície. permitindo a continuidade do processo. descritos a seguir: a) O modelo de Freundlich. Entre os modelos mais utilizados e que descrevem o comportamento das moléculas dos herbicidas no solo. A seguir. embora empírico. em função da sua concentração. Quando n for igual a 1. Caq a concentração de equilíbrio do herbicida na solução do solo (mg mL-1). pode-se observar a equação empírica utilizada para descrever a isoterma de Freundlich e sua representação gráfica (Figura 8): Na equação. o coeficiente de adsorção Kf aumenta linearmente conforme aumenta a concentração do herbicida. É o tipo de adsorção mais comum que ocorre com os herbicidas no solo. Kf. Cs representa a quantidade do herbicida adsorvido no solo (mg g-1). Figura 8 .

Entretanto. Quando todos os grupos funcionais estiverem preenchidos. tem-se a adsorção máxima. A energia de adsorção é a mesma para todos os sítios e independe da cobertura de superfície (Figura 9). Figura 9 . segundo as isotermas de Langmuir e Freundlich Módulo 3. Ce é a concentração de equilíbrio do herbicida na solução (mg mL-1) e K1 é o coeficiente de adsorção para o modelo de Langmuir.Modelo da energia de adsorção em função da superfície de cobertura. Sua classificação varia de pequena a elevada e reflete parcialmente a capacidade de movimento e persistência do composto no ambiente (Quadro 1). verifica-se que outras avaliações são necessárias para definição do real comportamento de herbicidas no solo. por haver inúmeros interferentes nos estudos de adsorção a campo e em laboratório.Herbicidas: comportamento no solo 149 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas adsorção de herbicidas no solo.4 . Quadro 1 – Classificação da capacidade de adsorção de agentes químicos no solo Kf 0 – 24 25 – 29 50 – 149 > 150 Classificação da Adsorção Baixa Média Grande Elevada b) O modelo de Langmuir baseia-se na adsorção em superfícies planas que apresentam número fixo de grupos funcionais e que cada um interagirá com uma molécula. Esse modelo é expresso pela seguinte equação: em que Cm representa a quantidade máxima do herbicida adsorvido (mg g-1).

80 ± 0. (1984).07 Dessorção Kf 1/n 22. principalmente para aqueles recomendados em pré-emergência de característica não-iônica ou para os catiônicos.05 A matéria orgânica é o principal componente que influencia a atividade dos herbicidas registrados para uso em solos tropicais.Principais propriedades do solo que influenciam a sorção de herbicidas Em geral.16 ± 0. Thompson et al.28 ± 0.30 1. da área superfícial específica das partículas coloidais da fração argila e.12 ± 0.5. o pH.87 ± 0.1 . diuron e 2. assim como a mineralogia do solo em questão. avaliando a persistência do herbicida 2. 1999). 1992). CAMARGO. Ela interfere em todos os processos sortivos que possam ocorrer. Já Faloni (1999). (1999) Adsorção Kf 1/n 39.23 ± 0.4-D. a matéria orgânica tem grande importância para os processos de retenção de cátions e complexação de elementos tóxicos e de micronutrientes. É responsável também pela estabilidade da estrutura do solo e infiltração de água. estava relacionado ao aumento do conteúdo de carbono orgânico.4-D no solo.4 . constituindo-se num componente fundamental na sua capacidade produtiva (SANTOS. Quadro 2 .23 0. No entanto. a sorção de herbicidas ao solo aumenta com o incremento da CTC (capacidade de troca catiônica). o teor de matéria orgânica no solo desempenha importante papel quando se trata de contaminantes ambientais.5 .Importância da matéria orgânica do solo na sorção de herbicidas Em solos tropicais e subtropicais altamente intemperizados. Isto pode ser observado segundo os valores de Kf (Quadro 2) para o herbicida 2.09 88. os quais serão abordados a seguir. estudando o comportamento do herbicida atrazine em Latossolo Roxo sob dois sistemas de manejo 150 Módulo 3.23 ± 0.03 0. (1999).48 ± 0. em certos casos. 2.4-D. como herbicidas e metais pesados. Segundo Viera et al. dos teores de carbono orgânico do solo (VELINI. aeração e atividade da biomassa microbiana.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2. ao compararem solos com diferentes propriedades. Mallawatantri e Mulla (1992) demonstraram que pelo menos 80% do incremento da sorção observada para metribuzin.Herbicidas: comportamento no solo .05 20. verificaram que em solos com alto teor de matéria orgânica e baixo pH a lixiviação deste herbicida foi menor. no solo contendo matéria orgânica.Constantes de Freundlich obtidas a partir dos dados de adsorção de 2.4-D em solo arenoso Solo calcinado Solo com MO MO = matéria orgânica Fonte: Viera et al. principalmente.08 1. também são importantes na sua sorção. caracterizando a grande influência da matéria orgânica na adsorção de herbicidas ácidos.

. Figura 10 . notadamente os não-iônicos. as propriedades que mais se correlacionam com a sorção de herbicidas básicos e não-iônicos são a CTC e o teor de carbono orgânico (OLIVEIRA JR. (1998b) Módulo 3.4 . Kd) em função do teor de carbono orgânico do solo.Sorção de alachlor (expressa pelo coeficiente de sorção. Uma vez que a maior parte da CTC nos nossos solos está relacionada à matéria orgânica. podendo-se ainda estimar a sorção de diversos herbicidas com base nos teores de carbono orgânico (Figura 11).Herbicidas: comportamento no solo 151 . também percebeu que a matéria orgânica é a principal responsável pela adsorção deste herbicida. 1999).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas (convencional e direto). et al. é possível obter uma predição dos valores de Kd com base nos teores de carbono orgânico do solo (Figura 10). não-polares como o alachlor. No caso dos solos brasileiros. et al. Para alguns herbicidas. Fonte: Oliveira Jr. essa característica pode ser considerada a mais importante para esses herbicidas.

1997). A fonte orgânica. Essas diferenças podem interferir não só na retenção dos herbicidas. também foram demonstradas especificidades na sorção dos herbicidas. pela variação do pH do meio.. Entretanto. normalmente. Herbicidas iônicos (em faixa de pH com baixa dissociação) e os não-ônicos. Diversos estudos mostraram que a fração húmica apresenta maior correlação com a sorção dos herbicidas. As mudanças conformacionais provocadas nas moléculas da matéria orgânica. TRAGHETTA et al. A parte humificada é composta pelos ácido fúlvicos. (1999) Teoricamente. o clima. et al. A disponibilização de maior ou menor número de sítios 152 Módulo 3. são citadas como um dos principais fatores que podem influenciar a sua capacidade de adsorção de pesticidas (WANG et al.Relação entre o coeficiente de sorção (Kd) e o teor de carbono orgânico do solo para herbicidas ácidos (linhas cheias) e para herbicidas básicos ou não-iônicos (linhas tracejadas) em solos brasileiros Fonte: Oliveira Jr.. Dentre os componentes da fração humificada.. disponibilidade de sítios hidrofóbicos e grupos funcionais. mas também na transformação e transporte destes (CORREIA. correlacionam-se melhor com os teores de humina do que os de ácidos húmicos ou fúlvicos da matéria orgânica do solo (PROCÓPIO et al. húmicos e humina.Herbicidas: comportamento no solo . 999). os minerais do solo e a população microbiana podem proporcionar a formação da diversidade de características dos compostos orgânicos do solo. 2000). existe grande complexidade e variabilidade da matéria orgânica presente em diferentes solos. aromaticidade. em relação ao teor de matéria orgânica total do solo. 2001).. os quais variam conforme sua polaridade. a matéria orgânica do solo encontra-se dividida em substâncias humificadas e não-humificadas. os quais representam a fração mais ativa da matéria orgânica do solo (NETO et al.4 . 1990.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 11 .

a adição de matéria orgânica ao solo acelera a degradação dos herbicidas. pode ocorrer menor ação microbiana na degradação dessas moléculas. Atualmente. a quantidade de matéria orgânica quimicamente protegida. os solos com altos teores de matéria-orgânica apresentam menor tendência geral de lixiviação dos herbicidas.Simulação da adsorção de atrazine no modelo complexo de muscovita-ácido húmico. Figura 12 . podendo representar maior permanência desta no meio ambiente. na maioria dos trabalhos verificados. a presença de íons saturantes dos grupos funcionais da matéria orgânica e a especificidade dos íons (PIRES. Entretanto.4 . entre outros. é responsável pelas variações nos coeficientes de sorção de herbicidas encontrados na literatura. Dessa forma. Prata (2001) também constatou que adição de vinhaça ao solo faz que o processo de mineralização do ametryn seja acelerado. principalmente para aqueles cuja ação microbiana é a principal forma de degradação. sabe-se que sorção herbicida-matéria orgânica é mais estável do que aquela resultante da ligação com componentes minerais do solo. Fonte: Adaptado de Akim e Bailey (1998) Embora se verifique extrema quantidade de interferentes nas características de sorção de herbicidas à matéria orgânica.Herbicidas: comportamento no solo 153 . 1998). formando complexos argilo-orgânicos. 1994). a relação da textura do solo com a quantidade de matéria orgânica presente. 2001) Outras características do solo também podem afetar a sorção de herbicidas à matéria orgânica: o material de origem do solo. Além destes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas hidrofóbicos pelas mudanças conformacionais das moléculas também pode influenciar a sorção de herbicidas lipofílicos (PROCÓPIO et al. os tipos de minerais predominantes na fração argila. Contudo. é o principal parâmetro levado em consideração na recomendação da dosagem de herbicidas aplicados Módulo 3.. como pode ser verificado na Figura 12. devido à proteção física e química das moléculas do herbicida na matéria orgânica. representando menor risco de contaminação dos lençóis freáticos (COX.

principalmente naqueles com capacidade de doação de prótons com carga aniônica (herbicidas ácidos fracos). os erros de estimação dos teores de matéria orgânica e o desconhecimento da sorção específica de herbicidas por alguns argilominerais presentes são um dos inúmeros fatores que devem ser considerados para a adequação nas dosagens dos herbicidas atualmente recomendados.5. e ambos 154 Módulo 3. como a montmorilonita e vermiculita. não ocorre correlação entre o comportamento do herbicida e as concentrações de argila. a textura é ainda o atual parâmetro utilizado para recomendação da dose dos herbicidas aplicados em pré-emergência ou pré-plantio incorporado. Em diversos casos observados. e a matéria orgânica desempenha papel secundário no caso de solos oxídicos. de clima tropical e subtropical. A formação de cargas nos minerais 2:1 ocorre pela substituição isomórfica nas camadas tetraédrica e octaédrica. Sabe-se. extremamente elevada e está relacionada. Suas cargas podem ser geradas nas bordas do mineral pela dissociação de prótons H+ dos grupos OH. Apesar de existir grande possibilidade de os solos mais argilosos apresentarem maiores teores de matéria orgânica. como no caso dos herbicidas ácidos ou em altas concentrações de carbono orgânico. à fração mineral do solo. Prata (2002). principalmente..Textura e mineralogia O conteúdo de areia.2 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas em pré-emergência. Essas propriedades originam forças de atração de grande intensidade. como o Brasil. avaliando a adsorção e dessorção do glyphosate em três solos brasileiros com diferentes atributos mineralógicos. permitindo que água. herbicidas e outras moléculas penetrem entre os planos basais e provoquem grande expansão do material. Existem também dados demonstrando que os óxidos de ferro possuem maior capacidade de adsorver os herbicidas em relação aos óxidos de alumínio (Quadro 5). Os óxidos de ferro e alumínio também atuam na sorção de diversos herbicidas. citam-se a superestimação dos teores de matéria orgânica efetivamente capazes de adsorver as moléculas dos herbicidas e a profundiade de coleta (0-20 cm) utilizada na determinação dos teores de matéria orgânica do solo. contribuindo significativamente para o aumento na sorção desses compostos (Quadro 4). Por sua vez. possuem maior capacidade de adsorção de herbicidas (Quadro 3). Esses minerais apresentam fraca atração dos cátions entre as camadas expansíveis. Em relação aos erros de estimação.Herbicidas: comportamento no solo . silte e argila presente no solo é responsável pela classificação das diferentes classes texturais dos solos. a riqueza de variação das argilas e a formação de compostos argilominerais representam diferentes possibilidades de adsorção dos herbicidas a essas partículas. como a caulinita. A presença de argilas de baixa atividade. também que. são característicos de regiões muito intemperizadas. podendo reter cátions.4 . Entretanto. observou que a sorção do glyphosate é instantânea. e não possuem a capacidade de expandir-se. Já minerais 1:1. minerais de argila expansíveis (2:1) e de maior área superfical específíca. uma elevação nas dosagens recomendadas para estes solos nem sempre é correta. 2.

5.Dissociação eletrolítica.Sorção de imazaquin em diferentes hidróxidos (Fe e Al) Tipo de Hidróxido Hidróxido-Fe Hidróxido-Al Fonte: Shaner (1989).8 4. como os latossolos.6 5. que à medida que o pH do solo aumenta (2.653 174 2.Herbicidas: comportamento no solo 155 . a qual será abordada com mais detalhes no item 3. principalmente nos daqueles com grande capacidade de inonizarem-se (catiônicos e aniônicos). A influência do pH do solo no processo de retenção e degradação dos herbicidas está estritamente relacionada à capacidade de dissociação eletrolítica .1.3 3.5 a 6.pH do solo O pH é uma medida muito importante que pode interferir nos processos de sorção dos herbicidas. para 2. principalmente em solos muito intemperizados.7 Partição do Imazaquin (Sólido/Líquido) (μG/g:μG/mL) 2326:1 238:1 40:1 2:1 0:1 Quadro 5 .3 . menor é a quantidade sorvida do herbicida no material coloidal.3. contribuindo em relação à capacidade sortiva nesses solos.pKa dos compostos.4 . Módulo 3. pH 3. o qual permanece disponível na solução do solo.4-D.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas encontram-se presentes em grandes concentrações na maioria dos solos brasileiros. Quadro 3 . Constante de Freundlich (Kf) 2. Entretanto.0 6. pode-se verificar na Figura 13.0).3 .Características de alguns minerais de argila importantes nos estudos de sorção de herbicidas em solo Característica Tipo de camada Capacidade de Expansão CTC (cmolc dm ) Área Superficial Específica (m2 g-1) -3 Montmorilonit Vermiculita a 2:1 2:1 Expansível 80-120 700-750 Ilita 1:1 Caulinita Não-expansível 2-10 25-50 2:1 NãoExpansão limitada expansível 120-200 15-40 500-700 75-125 Quadro 4 – Sorção de imazaquin em diferentes minerais de argila Mineral de Argila H-montmorilonita H-ilita Al-montmorilonita H-caolinita H-vermiculita Fonte: Dolling (1985).

6 6. Quadro 6 –Sorção de imazaquin sob diferentes pHs em dois solos Tipo de solo Franco-arenoso Franco-siltoso Fonte: Goetz (1986) pH 5. 156 Módulo 3.Herbicidas: comportamento no solo .2 5. devido ao fatop que o pH influenciar fortemente a ligação das imidazolinonas às frações húmica e mineral do solo. que a quantidade sorvida do herbicida aumenta à medida que o pH diminui.4 .7 5. Verifica-se. novamente.6 4. verifica-se novamente o decréscimo do coeficiente sortivo (Kd) do herbicida com o aumento do pH do solo.3 6.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 13 – Sorção do herbicida 2.4-D em função do aumento do pH do solo No caso de imidazolinonas aplicadas ao solo.5 Sorção (%) 53 53 0 62 40 25 Em trabalho similiar realizado com imazethapyr (Figura 14). Goetz (1986) demonstrou que a quantidade de imazaquin que se liga a diferentes tipos de solo era diretamente relacionada ao pH (Quadro 6). por exemplo.

de modo geral. solos ácidos. resultar em maior lixiviação do composto no perfil do solo. (1998) Para herbicidas de maior persistência. têm maior capacidade de sorção desses herbicidas e operações como a calagem podem afetar significativamente o seu comportamento. Figura 15 – Efeito do pH na lixiviação do herbicida imazaquin em colunas de solo Fonte: Inoue et al. especialmente em termos de lixiviação desses herbicidas. (2002) O pH pode também influenciar diversos outros processos envolvidos na degradação dos herbicidas no solo: a lixiviação de chlorsulfuron. também. por exemplo.Coeficiente de sorção (Kd) constatado para o herbicida imazetaphyr. é maior em solos com pH alto e 157 Módulo 3. em função do aumento do pH do solo. além de possibilitar maior efeito do herbicida em culturas posteriormente instaladas no local. Fonte: Oliveira Jr. a diminuição da sua capacidade sortiva com o acréscimo do pH do meio pode. conforme verificado na Figura 15.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 14 .4 . Nesse caso.Herbicidas: comportamento no solo .

Quanto maior for o pKa do herbicida. e se adapta perfeitamente aos herbicidas em solução do solo. embora a degradação do referido produto seja mais rápida em solos ácidos (GOMEZ DE BARREDA et al. 2.Coeficiente de partição octanol-água (Kow) Esta propriedade indica a afinidade que a molécula do herbicida tem em relação à fase polar (representada pela água) e apolar (representada pelo octanol). Entretanto. A polaridade é muito importante para penetração das moléculas dos herbicidas pela cutícula das folhas e também interfere nos processos sortivos com o solo.4 . o conhecimento das características moleculares dos herbicidas é muito utilizado no estudo do seu comportamento no ambiente. capacidade de dissociação eletrolítica quando em solução aquosa (pKa).1 ..Herbicidas: comportamento no solo . expressos normalmente na forma logarítmica (log Kow). Essa definição está restrita apenas à definição clássica de Brönsted-Lowry.Principais propriedades físico-químicas dos herbicidas que interferem na sua sorção no solo As principais propriedades físico-químicas de um herbicida que influenciam o seu comportamento são: coeficiente de partição octanol-água (Kow). Ao contrário. Os valores de Kow são adimensionais. os hidrofílicos (Kow <10). Embora algumas propriedades estejam mais distintamente relacionadas aos processos específicos de retenção. menor será seu caráter ácido e menor a sua capacidade de ficar aniônico. 2.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas baixo teor de matéria orgânica.2 . 2. Conforme a fórmula molecular e pKa dos herbicidas eles. podem ser classificados da seguinte forma: a) Herbicidas ácidos fracos: são os herbicidas cujas formas moleculares apresentam capacidade de doar prótons e formar íons carregados negativamente. diz-se que maior é a sua hidrofilicidade.6. pressão de vapor (P) e constante da Lei de Henry (H). Geralmente os herbicidas apolares ou lipofílicos (Kow >10. a qual tem sido utilizada para substâncias presentes em solução aquosa. herbicidas com características apolares são considerados lipofílicos. O comportamento dos herbicidas é muito influenciado pelo seu pKa.6.6 . 1993). Já os herbicidas polares. a maioria dos herbicidas possui em sua molécula uma região polar e outra apolar. solubilidade. Para 158 Módulo 3. Quanto mais polar for o herbicida. possuem maior afinidade às partes argilosa e mineral do solo. transformação e transporte.000) possuem maior potencial de se adsorverem a parte orgânica dos colóides do solo. podendo ser encontrados na forma dissociada (ionizada) e não-dissociada (não-ionizada ou neutra).Capacidade de dissociação eletrolítica (pKa) O pKa representa a capacidade de dissociação que uma molécula do herbicida possui em água com diferentes pH.

sendo sorvidos ao solo de forma irreversível. podendo competir com os sítios de adsorção de nutrientes no solo. como atrazine. Alguns outros compostos que reagem semelhantemente ao 2. Herbicidas pertencentes a essa classificação.4-D são dicamba. Existe ainda um outro grupo de herbicidas tão básicos que possuem cargas positivas para todos os valores de pH verificados no solo (LEAVITT. 2003. Quando o pH do solo for superior ao pKa destes herbicidas. Entretanto. podendo reduzir sua capacidade de adsorção (KOGAN. Quanto menor o pH do solo em relação ao pKa do herbicida. podendo facilmente ser adsorvidos às partículas de argila e aos grupos funcionais que formam a CTC do solo. Alguns herbicidas de comportamento similar são simazine. quando o pH do solo for inferior ao seu pKa. por exemplo.Herbicidas: comportamento no solo 159 . passando a apresentar carga líquida positiva (Figura 17). sua forma molecular será favorecida. podem atrair íons hidrogênio em uma solução ácida.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas esses herbicidas.Comportamento de ionização de um herbicida ácido (2. maior será a tendência destes herbicidas de permanecer na sua forma dissociada ou protonada. quando o pH do solo for igual ao seu pKa.. Da mesma forma que os herbicidas ácidos.4 . Módulo 3. O 2. pode liberar íons hidrogênio numa solução básica ou neutra (Figura 16). PÈREZ. CONSTANTIN. maior será a tendência de o herbicida estar na sua forma molecular (neutra) e maior será sua capacidade de se adsorver nas partículas coloidais do solo. 1980). cyanazine (PIRES et al. pKa = 2. Quando o pH do meio for superior ao pKa do herbicida.8) b) Herbicidas bases fracas: são os herbicidas que apresentam a capacidade de receber prótons e formar íons carregados positivamente. este será prontamente dissociado e sua capacidade de ficar retido no solo será muito menor. como o que ocorre para o paraquat e o diquat.4-D. quando o pH do solo for igual ao seu pKa.. a molécula estará 50% na sua forma molecular ou neutra e 50% na forma dissociada (aniônica). as concentrações da formas dissociada e neutra serão iguais. Nesse caso.4-D. picloram e demais herbicidas pertencentes ao grupo das sulfoniluréias e imidazolinonas. 2001). seu comportamento será semelhante ao das moléculas não-iônicas. OLIVEIRA JR. Figura 16 . 1995) e hexazinone.

alachlor. a sorção é praticamente irreversível e não ocorre retorno do herbicida à solução do solo. Em outros. O índice H de histerese pode ser obtido pela equação H= na/nd. Embora sejam não-iônicos. Alguns exemplos de herbicidas e sua classificação encontram-se no Quadro 7. Neste caso. esses efeitos são geralmente de menor intensidade. possibilitando maior permanência deste no ambiente. ser afetados pelo pH do solo e ficar retidos aos complexos argilominerais e ao material orgânico do solo. embora se tenham verificado poucos estudos referentes a ensaios de dessorção na literatura. comparativamente aos herbicidas iônicos. dando origem ao fenômeno denominado histerese (H).7) c) Herbicidas não-iônicos: os herbicidas que não doam nem recebem prótons na solução do solo são considerados não-iônicos. A informação da capacidade dessortiva do herbicida no solo pode ser muito importante. metolachlor. Contudo. Conforme Southwick et al. 2. 160 Módulo 3. EPTC e diuron. em que na e nd representam as curvaturas obtidas nos ensaios de adsorção e dessorção. respectivamente.4 . em função dessa condição. muitos deles podem ser polares e. pKa = 1. A intensidade da dessorção reflete o grau de reversibilidade do processo sortivo. por relacionar o seu efeito residual e persistência no solo.Comportamento de ionização de um herbicida base fraca (atrazine.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 17 . as isotermas de sorção e de dessorção diferem entre si. Os herbicidas não-iônicos não reagem com a água e não carregam uma carga elétrica líquida. altíssima dessorção do herbicida. Entre esses herbicidas estão incluídos trifluralin.Herbicidas: comportamento no solo . permanecendo em sua forma molecular na solução do solo. como observado por Pusino et al. em alguns casos. (2003) (Figura 18). elevados índices de histerese indicam maior dificuldade de o herbicida sorvido retornar para a solução do solo.7 . podendo ocorrer. (1993).Dessorção A dessorção representa a liberação da molécula do herbicida anteriormente sorvida.

segundo Pignatello (1989). picloram. metolachlor. os problemas de contaminação de aqüíferos no território brasileiro têm despertado pouco interesse dos pesquisadores.4-D Alachlor. chlorimuron-ethyl Bromacil. imazetaphyr. industrial e agrícola Módulo 3. propachlor Linuron.Processos de transporte O transporte de herbicidas no solo representa um dos processos envolvidos na dissipação desses compostos no ambiente e se destaca. MSMA. atrazine. prometone. imazapyr. Embora freqüentes. Pusino et al. são: • transformações químicas ou biológicas que o composto em questão pode sofrer.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 7 . propazine. porém as mais aceitas. DSMA Não-iônicos Methoxychlor Trifluralin. 2.4 . oryzalin. paraquat Ametryn. isopropalin Chlorprophan. por influenciar a capacidade de contaminação dos recursos hídricos subsuperficiais. cyanazine. Figura 18 . (2003) 3 . triclopyr. prophan Dichlobenil Isopropyl éster de 2. MCPA. diuron. chloroxuron Diversas explicações têm sido propostas no intuito de elucidar a não-singularidade das isotermas de dessorção. Além disso. simazine Dicamba. metribuzin.4-D. swep.Curvas de adsorção ( ) e dessorção ( ) observadas para triasulfuron em três solos com diferentes teores de argila e materia orgânica.Herbicidas e sua classificação conforme fórmula e grupos funcionais Catiônicos Básicos Ácidos Diversos Organofosforados Dinitroanilidas Carbamatos Benzonitrila Ésteres Anilidas Uréias HERBICIDAS Iônicos Diquat.Herbicidas: comportamento no solo 161 . imazaquin. e • problemas inerentes à metodologia de determinação. a demanda hídrica para o abastecimento urbano. • falhas no estabelecimento do equilíbrio. principalmente. trifloxysulfuron-sodium. propanil.

juntamente com as moléculas dos herbicidas. 1993.1 . das práticas culturais. A intensidade de perdas depende muito do sistema de plantio adotado (SETA et al. O arraste das partículas coloidais.a aplicado <2 . é mais pronunciado quando o produto é aplicado e logo após ocorre chuva intensa no local. a quantidade total de herbicida que pode ser perdida por meio desse processo normalmente não excede 1% do total aplicado (Tabela 6). pendimethalin e oxyfluorfen) em reservatórios de água. o somatório de diferentes pesticidas carreados simultaneamente para uma mesma bacia hidrográfica pode comprometer a qualidade da água em relação ao seu aproveitamento posterior (DOMAGALSKY.5 <0. mesmo quando a quantidade total transportada é pequena.Herbicidas: comportamento no solo . constatando que os herbicidas ametryn e atrazine foram os compostos mais comumente encontrados em águas 162 Módulo 3. para o qual se verificou perda do herbicida aderido aos sedimentos variando entre 9 e 58% do total aplicado ao solo. a volatilização e a lixiviação. dos herbicidas no solo. do tipo de solo em questão. 2000). como no caso do metolachlor (BUTTLE. Keese et al. respectivamente. Quadro 8 . Todavia. O maior potencial de movimento de herbicidas por escorrimento superficial ocorre logo após a aplicação. destaca-se o escorrimento superficial. as perdas podem ser altas. 1990). na Carolina do Sul.. em áreas irrigadas com intensa atividade agrícola.001 – 0. Dentre as principais formas de transporte nos estudos de herbicidas em solo. Já Pfeuffer e Rand (2004) monitoraram os pesticidas entre 1992 e 2001 no sul da Flórida.Escorrimento superficial (run-off) e sub-superficial (run-in) Os termos run-off e run-in representam o movimento ou escorrimento em superfície e subsuperfície. No entanto. em certas situações. é claro. especialmente no caso de herbicidas aplicados em pré-emergência.25 1-9 Referência Taylor (1995) Flury (1996) Vicary et al (1999a) Vicary et al (1999b) Em certos casos.90 <1 . além. de áreas pulverizadas para aquelas que não receberam diretamente o produto. (1994) relataram a detecção de resíduos de herbicidas (oryzalin. 1994).. BOWMAN et al.Perdas de herbicidas no solo por diferentes processos de transporte Tipo de transporte Volatilização Lixiviação Run-off Fluxo preferêncial % de perda do i.4 . 1996. Entre alguns trabalhos citados na literatura. na maior parte dos casos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas tem se elevado nos últimos anos e poucos estudos são conduzidos com o objetivo de retardar o transporte de herbicidas sob condições tropicais. da natureza e dose das aplicações e da declividade da área. 3. Os autores constataram que a maior parte da contaminação era proveniente do escorrimento superficial de áreas irrigadas pulverizadas e que a maior concentração de resíduos ocorria nos primeiros 15 minutos da água. CARTER.

Fatores que influenciam a volatilização Vários fatores influenciam diretamente a volatilização de herbicidas presentes no solo.1 . esta é aumentada por: a) Elevação da temperatura: a temperatura do solo afeta a volatilização de produtos em função da alteração da pressão de vapor. Além disso. (1995) C Recuperado (% do Total de 14C-Clomazone Aplicado) Temperatura de Incubação (°C) 5 15 25 35 DMS5% 1.1 3.8 78. Quadro 9 .7 10. mas.1 5. solos úmidos perdem mais herbicida por volatilização que um solo seco. os valores devem ser determinados à mesma temperatura.2.0 0. de modo geral. Módulo 3. 3.4 .44 x 104 mm Hg. EUA.8 4.5 9. as perdas podem aumentar significativamente em função do aumento de temperatura. Em solos secos. É por isso que. sendo o efeito mais pronunciado quanto maior for a PV do herbicida.4 15. existe maior probabilidade de o herbicida ser sorvido diretamente às partículas de solo (Quadro 10).Herbicidas: comportamento no solo 163 .8 15. 3.Efeitos da temperatura de incubação na distribuição de 14C-clomazone (PV=1.Volatilização A volatilização é o processo pelo qual o herbicida presente na solução do solo passa para a forma de vapor.0 NS b) Aumento da umidade do solo: o aumento da disponibilidade de água no solo facilita a perda de vapor.8 2.8 9. juntamente com DDD e DDE foi o composto detectado com maior freqüência em sedimentos de rios de áreas agrícolas na Flórida.7 96.4 2.2 .8 93. 25 °C) aos 84 dias após a aplicação ao solo 14 Volatilizado Mineralizado Total extraído do solo Não extraído (resíduos ligados) Total recuperado Fonte: Mervosh et al.4 68.4 1.2 0.0 4.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas superficiais. a elevação da temperatura aumenta a taxa de evaporação da água presente no solo. Estudos apresentados por Rand (2004). para efeito de comparação da PV de dois produtos distintos.1 95.4 60. No caso do clomazone (Quadro 9). podendo se perder para a atmosfera por evaporação.5 92.5 98. também mostraram que ametryn.3 7. já que a água funciona como uma interfase entre a molécula e as partículas do solo.

depois de sua aplicação. no entanto. A escolha da forma de incorporação depende. por meio de suas propriedades químicas. a 20 °C). o uso de formulações granuladas em vez das líquidas pode contribuir para diminuir as perdas por volatilização.Pressão de vapor (P) A pressão de vapor é a pressão exercida por um vapor em equilíbrio com um líquido. a 25 °C). O potencial de volatilização de um herbicida geralmente pode ser estimado indiretamente.0 12.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 10 . b) Formulação do produto: para muitos herbicidas com maior potencial de volatilização têm sido desenvolvidas novas formulações com adjuvantes.4 15.8 12.7 Fonte: Gray e Weierich (1965) °C Perda de EPTC em 24 h. a uma determinada temperatura. Além disso. 3.4 . como o EPTC (S=370 mg L-1. algumas alternativas que podem reduzir a volatilização e manter a eficiência desses herbicidas. com a função de reduzir a evaporação.Efeito da temperatura na perda de EPTC após a aplicação de 3.3 . % do Total Aplicado Solo Úmido Solo Seco (14% de Umidade) (1% de Umidade) 62.5 26.Herbicidas: comportamento no solo .0 67. é a conseqüência de maior importância imediata da volatilização no que diz respeito às atividades agrícolas. É uma indicação da 164 Módulo 3. Herbicidas mais solúveis. principalmente da solubilidade do composto em questão.0 9.3 mg L-1. sendo expressa normalmente em mm de Hg. principalmente.2 81. neste caso. 1994).4 12. o peso molecular e. podem ser incorporados com uma irrigação adequada. como a estrutura.6 37. eles precisam ser incorporados imediatamente ao solo para que não haja redução substancial de sua eficiência.Alternativas para redução de perdas por volatilização a) Incorporação de herbicidas ao solo: a incorporação pode ser feita tanto com implementos quanto pelo uso de irrigação após a aplicação do herbicida. TURCO. a pressão de vapor (P). ao passo que herbicidas menos solúveis. 3.4 kg ha-1 à superfície do solo Temperatura do ar ( ) 0 4. o que.2 80.7 A volatilização pode ser tão significativa para alguns produtos que.2 . Existem. a formulação granulada pode reduzir entre 60 e 100% as perdas por volatilização (GRAVEEL.2. como o trifluralin (S = 0.3 15. sem dúvida. necessitam ser mecanicamente incorporados ao solo.2. No caso do EPTC.2 75.

6 x 10-5 4.3 x 10-2 3.5 x 10-6 3. No Quadro 11 encontram-se valores de pressão de vapor de alguns herbicidas aplicados ao solo. em solos úmidos Idem Idem Idem Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Perdas significativas quando não incorporado.1 x 10-2 4.Herbicidas: comportamento no solo .4 .2 x 10 <1. mais provável que um líquido vaporize-se. Nota-se que o problema de volatilização é particularmente importante para alguns grupos químicos. imidazolinonas e sulfonamidas.4 x 10-8 1. ou.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas tendência da substância química em escapar na forma de gás. podendo ser de 10 a 90%.0 x 10-7 < 1. 1994).1 x 10-5 1. TURCO. podendo ser perdido em quantidades significativas quando não incorporado ou em solo úmido. como as dinitroanilinas e os tiocarbamatos.Pressão de vapor (PV) e potencial de volatilização de alguns herbicidas Grupo Químico e Princípio Ativo Cloroacetamidas Acetochlor Alachlor Butachlor Metolachlor Dinitroanilinas Trifluralin Isopropalin* Oryzalin Pendimethalin Tiocarbamatos Butylate* EPTC* Molinate Vernolate* Sulfoniluréias Chlorimuronethyl Nicosulfuron Oxasulfuron Imidazolinonas Imazamethabenz* Imazapyr Imazaquin Imazethapyr Imazamox Piridazinonas Norflurazon Triazolopirimidin 1. Portanto. Grupos químicos de desenvolvimento mais recente. Volátil. comparada a uma perda típica de 0 a 4% por lixiviação e 0-10% por escorrimento superficial (GRAVEEL.1 x 10-8 < 1. Perdas ainda maiores se não incorporados e. Além do valor específico da pressão de vapor. Perdas pequenas podem ocorrer sob alta temperatura. quanto maior a pressão de vapor. Quadro 11 . Perdas por volatilização são muito variáveis.0 x 10-7 2.0 x 10-8 9.0 x 10-12 1. normalmente em razão da melhoria na qualidade de suas formulações. como as sulfoniluréias. já não apresentam esses problemas.9 x 10-8 -16 PV (mm Hg.0 x 10-5 < 1. podendo aumentar sob certas condições. a intensidade e a velocidade de volatilização de um herbicida dependem também da intensidade e velocidade de movimento até a interface (normalmente a superfície do solo) onde ocorre o processo. Pequeno.1 x 10-4 3. Muito baixo 165 Módulo 3.0 x 10-7 < 2.0 x 10-8 < 1.6 x 10-3 1. as quais muitas vezes incorporam adjuvantes com a finalidade de reduzir a volatilização. mas pode ser significativo se não incorporado. solo úmido e vento. Moderado.4 x 10-6 Potencial de Volatilização Muito baixo Baixo a moderado Baixo Baixo.5 x 10-8 1.4 x 10-2 5. Perdas mínimas que não reduzem a eficácia do produto nãoincorporado. 25 oC) 3. Muito alto.

Hatzios (1998) e Rodrigues e Almeida (2005) 3. moléculas orgânicas grandes.2. hidrólise e oxidação) e transporte (ex: volatilização da solução e lavagem da atmosfera pela água da chuva) também são afetados pela extensão da solubilidade em água dos herbicidas. ou constante da lei de Henry. isto é. a quantidade máxima de herbicida que se dissolve em água pura a uma determinada temperatura.7 x 10-5 6.4 . em razão de apresentarem coeficientes de sorção para solos e sedimentos relativamente baixos.2. portanto. dependendo se o herbicida for um sólido ou um líquido na temperatura do sistema: uma fase saturada de solução aquosa e uma fase líquida ou sólida do herbicida (LAVORENTI. O KH é um coeficiente de partição entre o ar e a água (solução do solo).9 x 10-8 Insignificante. mesmo quando forem iônicas (KOGAN.4 . mais provável que o composto em questão seja solúvel. 3. exceto quando é exposto a condições quentes e secas por vários dias. Em geral. exceto quando solo está quente e não é ativado pela chuva por vários dias após a aplicação. * Atualmente não registrados para uso no Brasil Fontes: Adaptado de Ahrens (1994). 1996). Quanto maior a quantidade de grupos hidrofílicos na molécula do herbicida (mais polares). duas fases distintas existirão. Dos vários parâmetros que afetam o destino e o transporte de herbicidas. maior solubilidade resulta em menor sorção. a solubilidade em água é um dos mais importantes. maior a sua solubilidade. maior será a sua afinidade por água. por definição.Relação entre PV e S A combinação de PV e S pode ser expressa através de uma constante denominada KH. Insignificante. No entanto. Por sua vez. há casos em que moléculas de elevada massa molecular apresentam baixa solubilidade.8 x 10-15 3. pouco ou não solúveis.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Grupo Químico e Princípio Ativo as Flumetsulam Cloransulammetil Derivados da uréia Linuron Diuron PV (mm Hg. Seu valor geralmente é expresso em mg L-1 (normalmente a 25 °C) e é um reflexo da polaridade da substância química. dentro de um mesmo grupo químico.0 x 10-16 Potencial de Volatilização Desprezível Muito baixo 1. 25 oC) 2.Solubilidade A solubilidade (S) de um herbicida em água é. Outros meios de degradação (ex: fotólise. PÈREZ. logo. quanto mais iônico. a solubilidade de um herbicida e sua sorção no solo estão inversamente correlacionadas. Acima dessa concentração.5 . Moléculas altamente solúveis são rapidamente distribuídas no ciclo hidrológico. são. 2003).Herbicidas: comportamento no solo . De modo geral. o aumento no peso molecular diminui a solubilidade. 166 Módulo 3. sem carga.

As duas propriedades mais importantes no que diz respeito ao processo de lixiviação são a sorção e a persistência do produto. 3. Uma revisão bastante completa acerca das bases termodinâmicas e da determinação experimental de K¬H pode ser encontrada em Suntio et al. a absorção pelas plantas participa com pequena porcentagem na remoção do total presente no solo. O KH é muito importante para os herbicidas na fase líquida do solo.4 . KH também pode ser usado como indicativo do potencial de volatilização de determinado herbicida. dependendo da densidade de plantas. Trabalhos feitos com outros herbicidas no campo mostram que as plantas podem remover de 2 a 5% do total de herbicida no solo (SHANER. mesmo compostos considerados não ou pouco voláteis podem apresentar certa perda. (1988). Quando se realiza a incorporação do herbicida. Experimentos em vaso demonstraram que as plantas podem absorver de 1 a 10% do total de herbicida disponível.6 . Como a perda por volatilização é dada pelo produto de KH por concentração. 1989). ocorre a diluição da concentração. A sorção regula o potencial de um herbicida ser Módulo 3. Portanto. podendo ser usado também como indicativo do potencial de volatilização de determinados herbicidas. 3. Além disso.3 .Herbicidas: comportamento no solo 167 .Absorção pelas plantas A porcentagem de herbicida que a planta absorve do solo é difícil de ser medida. em virtude da alta concentração numa fina camada superficial do solo. do volume de solo. 3. portanto.4 . etc.Relação entre KH e incorporação de herbicidas A aplicação de um herbicida na superfície gera uma alta concentração numa fina camada de solo. a distância torna a difusão para a superfície do solo mais difícil. das espécies presentes. podendo reduzir as suas perdas. cujos valores elevados de KH indicam que os solutos são altamente voláteis A constante da lei de Henry é definida pela equação: KH e PV são constantes proporcionais.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas sendo semelhante ao coeficiente de sorção (Kd) usado para descrever a sorção ao solo.Lixiviação O destino de herbicidas aplicados ao solo depende muito das propriedades químicas da substância em questão.2.

(1984) propuseram uma relação entre o Koc e a meia-vida (t ½ vida) dos herbicidas. lagos e águas em profundidade.7 Atrazine 2. Embora empíricos. cuja equação a seguir estabelece que herbicidas com índice GUS<1.9 0. com o objetivo de verificar a contaminação das reservas hídricas por pesticidas.1 a 1% do total aplicado. em determinadas circunstâncias. a quantidade do herbicida perdido pela movimentação no perfil do solo é geralmente entre 0.4 Mecoprop Simazine 5.1 Fonte: 4.4 Linuron Chlorotoluron 3. como o realizado pelo National Center for Ecotoxicology and Hazardous Substances.4 Environment Agency.8 são considerados 168 Módulo 3. mas.8 1.6 Terbutryn 1. cujo critério é ainda utilizado pelo California Department of Food and Agriculture (CDFA).4-D 5. Em condições normais. alguns estudos têm sido realizados com o intuito de prever o potencial desses compostos de atingir rios.1 1. esse percentual pode ser igual ou superior a 5% (Carter. Em 1986. do Reino Unido apontaram alguns dos herbicidas com excesso de resíduos nas amostras de águas avaliadas (Quadro 12).Herbicidas: comportamento no solo . Alguns estudos. A solubilidade é de importância secundária.1 mg L-1 Águas de superfície Águas subterrâneas Isoproturon 19.4 0.0 0. Entre os critérios mais divulgados e aceitos para a classificação de herbicidas conforme seu potencial de lixiviação está o índice GUS (Groundwater Ubiquity Score).1 Dichlobenil 1.5 Isoproturon Diuron 10. 2000). Cohen et al.4 .1 Bromoxynil 1.5 Atrazine Mecoprop 12. 1999 Além das avaliações in locu.9 Chlorotoluror 2.6 Diuron CMPA 7. para classificá-los como lixiviadores (Koc < 300 (L kg-1) e t ½ vida > 21 dias) e não-lixiviadores (Koc > 500 (L kg-1) e t ½ vida < 14). esses modelos têm contribuído na redução dos custos de análise e também na prevenção de desastres ambientais. Quadro 12 – Percentual de amostras de águas avaliadas no Reino Unido que excederam o limite de resíduos permitido Herbicidas com % amostras excedendo 0.6 Benazolin 2. proposto por Gustafson (1989).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas perdido com sedimentos ou por lixiviação.8 Bentazone 1. embora solubilidades muito baixas possam limitar o transporte com a água. Widerson e Kim (1986) simplificaram essa caracterização e definiram que os herbicidas que possuíssem valor de Koc menor que 512 (L/kg) e meia-vida (t ½ vida) superior a 11 dias seriam classificados como lixiviadores. Entre os estudos realizados.

para que um herbicida seja lixiviado. sendo adotada por inúmeros estudos que buscam relacionar o potencial de lixiviação dos herbicidas no solo com a contaminação de lençóis freáticos. entre outros. ácidos fúlvicos e húmicos de baixo peso molecular. O índice é definido pela soma de inúmeros fatores: P (persistência).8 são considerados de potencial lixiviador intermediário: GUS = log t½ * (4 – log Kfoc) A equação utiliza os valores de t½ vida do herbicida e o coeficiente de sorção normalizado para teor de carbono orgânico do solo. ele deve estar na solução do solo ou adsorvido a pequenas partículas. ao passo que índices superiores a 2. como argila.4 . Quadro 7 .8 e 2. D (dose). Recentemente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas como não-lixiviáveis. cujo resultado representa. M (mobilidade). Aqueles com valores entre 1. Kogan e Allister (2004) propuseram o IRA – Índice de Risco Ambiental. V (volatilidade) e IT (índice toxicológico).Herbicidas: comportamento no solo 169 . aminoácidos. cujo resultado final permite elencar os compostos em relação ao maior ou menor risco para o meio ambiente (Quadro 13). para que o fluxo hídrico consiga carrear o herbicida pelo perfil do solo (OLIVEIRA JR. além de possuir t ½ vida elevada.Relação de herbicidas classificados conforme somatório obtido pelo IRA – Índice de Risco Ambiental Herbicida Trifluralin Hexazinona Paraquat Imazapyr Triclopyr Oxyfluorfen Linuron Sulfentrazone Isoxaflutole Haloxyfop Oryzlain Glyphosate Fluazifop Amônio-glufosinato Sethoxydim P 2 3 4 3 1 2 2 2 2 1 1 1 1 1 1 D 4 1 3 1 1 2 1 1 1 1 3 3 1 1 1 V 4 1 1 1 2 2 2 1 1 1 1 1 1 1 1 M 1 4 1 4 4 1 2 4 4 3 1 1 1 1 1 IT 4 2 2 2 2 3 3 2 2 3 3 2 3 2 2 IRA 15 15 11 11 11 10 10 10 10 9 9 8 7 6 6 Módulo 3. além da capacidade de lixiviação do herbicida.8 representam produtos lixiviáveis. peptídeos e açúcares. 2001). o seu efeito sobre o meio ambiente. Entretanto..

quando C0/Ct for igual a 2. considera-se que resíduos de herbicidas no solo sejam quaisquer substâncias resultantes da sua aplicação. A persistência desses compostos é normalmente medida pela meia-vida (t ½ vida). A degradação de moléculas de herbicidas no solo e o conhecimento dos principais mecanismos responsáveis pela aceleração ou pelo retardamento do processo influenciam diretamente a persistência desses compostos no ambiente.Persistência De forma prática. O seu cálculo deriva do modelo de primeira ordem definido pela equação: Ln C0/Ct = K * t em que C0 é a concentração inicial do herbicida.693/K Entretanto. a constante de degradação. químicas e biológicas que levam à formação de metabólitos ou à completa mineralização das moléculas.Processos de transformação Os processos de transformação das moléculas de herbicidas presentes no solo e água são decorrentes da degradação dessas moléculas em compostos secundários. De forma geral. conforme fórmula que segue: t 1/2= 0. Essas substâncias podem incluir produtos de degradação (metabólitos). a qual é extremamente importante para predizer o risco de contaminação de lençóis freáticos. 4. até a sua completa mineralização. e K. Co a concentração inicial e k. o ln será igual a 0. como a apresentada a seguir.4 . A t ½ vida é definida como o tempo necessário para que ocorra a dissipação de 50% da quantidade inicial do herbicida aplicado. nos quais somente uma linha de dissipação é apresentada. e. Para modelos lineares. obtendo-se como produto final água. CO2 e compostos inorgânicos (MELTING. 1993).1 . normalmente utilizam-se equações não-lineares de regressão (bi-exponen¬ciais) para o cálculo da t ½ vida de herbicidas no solo. pode-se estimar a t ½ vida.693. Ct a concentração no tempo t. A equação anterior admite que a taxa de degradação diminui linearmente com o decréscimo da concentração. em que Ct representa a concentração no tempo t. os intervalos de tempo 170 Módulo 3. Essa equação pode ainda ser simplificada assumindo que. por análise de regressão linear. a degradação refere-se a um conjunto de transformações físicas. além da própria molécula do herbicida.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4 .Herbicidas: comportamento no solo . a constante de degradação.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas considerados podem fornecer estimativas e interpretações errôneas da t ½ vida de herbicidas (BLUMHORST. No entanto. a t ½ vida poderá ser alterada e maior quantidade do herbicida estará disponível no ambiente.7 2. em muitos casos. (cm) 0-14 0-10 0-30 50-200 0-40 100200 0-15 70-150 MO Argila Areia pH (%) (%) (H2O) (%) 45 28 17 39 47 44 47 48 61 48 56 40 63 72 20 48 46 44 28 27 27 24 5.4 . (1995) Nakagawa et al.3 0. (1997) 8-13 Ravelli et al. embora a t ½ vida sirva de parâmetro para avaliação do tempo de permanência do herbicida no ambiente. Quadro 14 .1 7. (1997) Ravelli et al.3 1. Ct =C0 * e -kt Sabe-se que valores altos de t ½ vida contribuem. ambiente (temperatura e precipitação) e práticas culturais (sistema de plantio e doses aplicadas). Assim.6 3.6 4. Por outro lado.8 6. pH e textura). No Quadro 14 encontram-se exemplos de classificações adotadas na Inglaterra e no Brasil. (1997) Campanhola et al.Herbicidas: comportamento no solo Prof.4 5. No Quadro 15 são mostrados os valores de meia-vida de alguns herbicidas em solos do Brasil. dentro dos limites de uso agrícola.2 a t1/2 Referência (dias) Nakagawa et al.Valores de meia-vida (t ½ vida) observados para alguns herbicidas em solos do Brasil Herbicida Tipo de solo Classe Latossolo Vermelho-Escuro Atrazine Glei húmico Simazine Trifluralin Metribuzin Latossolo roxo Latossolo Vermelho-Amarelo Latossolo Vermelho-Amarelo Latossolo Vermelho-Escuro Latossolo Vermelho-Escuro Latossolo Vermelho-Escuro Módulo 3.2 1.0 Podzolico Vermelho-Amarelo 0-10 Chlorsulfur on Latossolo Eermelho-Escuro . (1997) Ravelli et al. sua persistência é basicamente dependente de quatro fatores: solo (teor de carbono orgânico. (1993) 7-21 Ravelli et al.3 1. para que o herbicida atinja e contamine águas superficiais e subsuperficias. (1997) 10-16 Ravelli et al. (1997) 171 3. 56 (1995) 22 Blanco et al.7 2.4 5. 1996). a classificação de um herbicida como “persistente” ou “não-persistente” varia de acordo com o propósito da classificação. (1997) 54 5-29 8-21 8-26 Ravelli et al.4 4.2 5. 9-12 (1982) 54-63 Novo et al.8 4. população de microrganismos presentes.8 5.6 0.7 4. ao aumentar a dose de aplicação do herbicida.Exemplos de classificações de herbicidas quanto à persistência no solo Inglaterra Classe Não-persistente Levemente persistente Moderadamente persistente Muito persistente Fonte: Adaptado de Roberts (1996) e Foloni (1997) t1/2 (dias) <5 5-21 22-60 >60 Brasil (IBAMA) Classe Não-persistente Medianamente persistente Persistente Altamente persistente t1/2 (dias) <30 30-180 180-360 >360 Quadro 15 .6 5.6 9.

É o caso do imazaquin em relação ao trifluralin. que pode ser definido como sendo os resíduos fitotóxicos que permanecem no solo e que venham a afetar culturas sensíveis plantadas em rotação após aquelas culturas em que foi utilizado o herbicida. Eventuais alternativas para minimizar o problema de carryover incluem a redução das doses (pode não resolver o problema em certos tipos de solos) e a aplicação em faixas ou dirigida em vez de em área total (reduz a quantidade total de herbicida aplicado). podem-se citar. Entre as principais formas pelas quais os herbicidas são degradados. a qual é reduzida à medida que se afasta da camada superficial do solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nas Figuras 19 e 20 são encontrados exemplos de comportamentos de persistência de herbicidas em um Latossolo Roxo distrófico (LRd).Herbicidas: comportamento no solo . Herbicidas com maior persistência podem resultar no fenômeno denominado carryover. Observa-se que os herbicidas tendem a persistir por período mais prolongado quando lixiviam mais rapidamente para horizontes subsuperficiais.4 . Isso ocorre principalmente para compostos cuja degradação é fortemente influenciada pela atividade microbiológica do solo. as que seguem. 172 Módulo 3.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 19 . (1998) Módulo 3.Herbicidas: comportamento no solo 173 .4 . provenientes de áreas que receberam a aplicação de doses de imazaquin Fonte: Silva et al.Toxicidade visual (parte aérea) em plantas de milho cultivadas em amostras de solo coletadas aos 120 (A). 150 (B) e 180 (C) DAA.

(1998) 174 Módulo 3.4 . provenientes de áreas que receberam a aplicação de doses de trifluralin Fonte: Silva et al.Toxicidade visual (parte aérea) em plantas de milho cultivadas em amostras de solo coletadas aos 120 (A).Herbicidas: comportamento no solo .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 20 . 150 (B) e 180 (C) DAA.

Essa transformação pode ser primária. A estabilidade desses herbicidas sugere que a hidrólise química não é um mecanismo importante na sua degradação no solo (SHANER. implicando a perda ou alteração da toxidez da molécula. As imidazolinonas. 1989). podendo se tornar recalcitrante e mais tóxico.Degradação química A degradação ou decomposição de herbicidas no solo por meio de reações químicas e nãobiológicas são comuns para diversas moléculas. Ativação: conversão. envolvendo várias reações seqüenciais. por exemplo são extremamente estáveis nas faixas de pH normalmente encontradas no solo e apresentam t ½ vida normalmente maior que seis meses.Herbicidas: comportamento no solo 175 . a hidrólise química é responsável. redução ou perda de um grupo funcional.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. ou mais complexa. entre eles: • características estruturais do composto: quantidade de substituição e natureza do grupo introduzido no núcleo central da molécula. Esse fenômeno pode ocorrer em solos extremamente secos embora seja facilitada naqueles cuja condição se aproxima da sua capacidade de campo e com temperaturas elevadas. envolvendo mudanças estruturais na molécula. de um substrato não-tóxico em uma molécula com ação biocida. pelo início de uma série de atividades degradativas que ocorrem no solo e torna-se indispensável para os processos de transformação das moléculas de herbicidas no solo. A hidrólise representa um processo geral de reação do herbicida com a água.3 . em um produto não-tóxico e desativado. 4.4 . mas com potencialidade de ativação e toxidez. Estudos mais detalhados indicam que a biodegradação pode ser por: Alteração não-tóxica: conversão de uma molécula não-tóxica.2 . como uma oxidação. por ação enzimática.Degradação biológica (microbiana) ou biodegradação O termo biodegradação refere-se à transformação biológica de um composto químico orgânico em outra forma. em geral. Detoxificação: conversão de uma molécula tóxica em um produto menos tóxico ou atóxico. O fenômeno da recalcitrância (baixa degradabilidade no solo) é bastante complexo e regulado por outros fatores. Conjugação: quando o substrato torna-se mais complexo pela adição ou complexação com metabólicos microbianos. O pH do solo também auxilia na velocidade da reação. Módulo 3. cujos principais mecanismos envolvidos são a oxirredução e hidrólise desses compostos. Embora para a grande maioria dos herbicidas aplicados ao solo os processos de degradação mediados por microrganismos sejam mais importantes. no qual ocorre a quebra de pontes químicas das moléculas herbicidas devido à substituição de um ou mais átomos por íons hidroxil da água (OH-).

1993). 1997). sendo um dos maiores mecanismos envolvidos na degradação de herbicidas. Estes microrganismos podem utilizar os herbicidas tanto como substratos. fornecendo nutrientes. mais comumente. 1996). Vários autores. avaliando a degradação de pesticidas em várias profundidades. sem fornecimento de energia para o seu crescimento (co-metabolismo) (MONTEIRO. se um herbicida é lixiviado rapidamente da camada superficial do solo. NH3 e íons inorgânicos. Mineralização: considerado sinônimo de degradação. a ação microbiana pode modificar a estrutura química do produto. Simples degradação: transformação de uma substância tóxica complexa em produtos mais simples. Já Sanyal e Kulshrestha (1999) observaram a ação de diversos microrganismos na degradação acelerada de metolachlor. entretanto. esse fenômeno tem sido questionado a partir de duas considerações: a primeira é de que a degradação acelerada seria resultado do aumento do número de microrganismos selecionados pelo herbicida e. onde tem maiores chances de ser biodegradado. 1996. (2001) observaram a biodegradação acelerada de carbetamida por microflora adptada. Quando a biodegradação é acelerada. Entretanto. Contudo. os estudos ainda não permitem uma definição sobre a modificação ou atividade mircrobiana envolvida na degradação acelerada de herbicidas.Herbicidas: comportamento no solo • . uma vez que está menos exposto ao contato direto com a microbiota do solo. Sabe-se. RAVELLI et al. ou. utilizando esse composto como fonte de C e N. Alteração do espectro de toxidez: alteração no composto que provoca alteração do grupo de organismos específicos sensíveis à sua ação. os processos de biodegradação podem ocorrer em função da atuação de uma ou. Portanto. que a população microbiana.4 . Hole et al. observaram que a taxa de degradação diminui com a profundidade (VEEH et al. diz-se que ocorreu um processo natural de adaptação metabólica. • ausência de fatores de crescimento ou condições favoráveis para os microrganismos decompositores e • ausência de microrganismo(s) com capacidade metabólica (enzima) capaz de degradar o produto. A rota primária de degradação das 176 Módulo 3. de que essa degradação seria devido ao aumento da atividade enzimática com maior ação degradativa sobre esses compostos. Diversas dessas moléculas têm sido descritas como condicionadoras da microbiota do solo para sua degradação (FELSOT. como fonte de energia (metabolismo). embora os produtos finais sejam CO2. diminuindo com a profundidade. com utilização do composto como fonte de carbono e energia. representada principalmente por fungos e bactérias. SHELTON.. H2O.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas desativação de sistemas enzimáticos responsáveis pelas alterações na molécula do produto no solo.. é mais abundante nas camadas superficiais do solo. Além disso. ele pode acabar tornando-se mais persistente. ainda. pois outros fatores ambientais precisam ser considerados na interpretação desses resultados. a segunda. • inacessibilidade do substrato às enzimas ou células microbianas capazes de promover a sua degradação. de várias espécies de microrganismos do solo.

Fotodecomposição ou fotólise A radiação solar na faixa do ultravioleta (290-450 nm) contém energia suficiente para causar transformações químicas dos herbicidas. a desalogenação. Embora a energia solar que chega à superfície do solo na faixa abaixo de 295 nm seja considerada desprezível. por exemplo. além das próprias culturas. possuem picos de absorção por volta de 370 nm. ou decomposição pela luz. 4. parece ser a microbiana. etc. Dentres as principais reações fotoquímicas. sendo a desalogenação a reação fotoquímica mais comum. particularmente sob condições de alta umidade e temperatura. Além disso. cultivo e irrigação. propriedades do solo (pH. o comprimento de onda efetivo na fotodegradação de herbicidas pode estar fora do espectro de absorção específico do composto. uréias substituídas (diuron. normalmente como os elétrons deslocados (cromóforos). é a reação fotonucleofílica de hidrólise. a qual depende da insaturação eletrônica. as de maior ação sobre os herbicidas são: a hidrólise. bentazon e atrazine em solução aquosa. Portanto. algumas vezes. Estudos de dissipação no campo mostram a perda rápida das imidazolinonas a partir do solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas imidazolinonas. A maioria dos herbicidas apresenta coloração que tende ao branco. oxirredução. na presença de um agente nucleofílico em solução aquosa. umidade. monuron) e em pentaclorofenóis. são os mesmos que os encontrados em decorrência de processos enzimáticos. Módulo 3. Outros exemplos de reações fotoquímicas comuns ocorrem nas bifenilas policloradas (PCBs). triasulfuron. e os produtos da transformação resultantes dessas reações. a oxidação. Compostos amarelados. ou próximo disso. diquat. paraquat. uma vez que a penetração de luz UV no solo é bastante limitada. superfície mineral. a isomerização e a polimerização. as quais podem levar à sua inativação. clethodim. Apenas aqueles herbicidas na ou próximos à superfície do solo ou sobre plantas serão passíveis de sofrerem fotodecomposição.4 . começa quando a molécula do herbicida absorve a energia luminosa. Fatores do ambiente (temperatura.4 . estado de humificação da matéria orgânica. vento e luz solar) podem afetar a transformação dos herbicidas tanto na água quanto no solo. podem afetar a persistência dos herbicidas. como hidrólise.Herbicidas: comportamento no solo 177 . Uma reação que também ocorre a partir da substituição de um halogênio de benzeno por uma hidroxila. disponibilidade de nutrientes. como as dinitroanilinas.. Isso causa a excitação de elétrons e pode resultar na quebra ou na formação de ligações químicas. aeração e micro/macrofauna) e as técnicas de aplicação. Exemplos de herbicidas que sofrem fotodecomposição incluem o trifluralin. e possui picos de absorção de luz na faixa do UV. Geralmente a luz apresenta um papel de catalisador de reações químicas. O processo de fotodecomposição. a energia luminosa pode ser absorvida por uma molécula intermediária e transferida à molécula do herbicida por colisão.

. Herbicidas aplicados à superfície do solo são freqüentemente perdidos.tem-se mostrado viável nos casos em que ocorrem condições biogeoquimicamente favoráveis e pode ser efetiva na remediação de solos e águas subterrâneas quando utilizada paralelamente a outras tecno¬logias. No entanto. Mais especificamente. 2003). a degradação química e biológica e a sorção são alguns fatores que devem ser considerados para explicar o desaparecimento dos herbicidas do solo. se comprovada ao longo de um período de monitoramento. Esta alternativa .Estruturas químicas de quatro produtos de fotodegradação do metolachlor Fonte: Kochany e Maguire (1994) 5 . e indústrias multinacionais. 1998.Herbicidas: comportamento no solo . outros fatores podem estar envolvidos. acentuada pela temperatura elevada na superfície do solo. 178 Módulo 3.4 . que se beneficiam do emprego da fitorremediação em suas áreas de produção e de pesquisa (GLASS.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Considera-se que os produtos da fotodegradação sejam similares aos produzidos por processos químicos e biológicos de degradação. ou isoladamente.Fitorremediação Recentemente.que consiste simplesmente em manejar ao longo de um certo tempo a degradação dos contaminantes que ocorre por meio de processos naturais . como a norte-americana Phytotech e a alemã BioPlanta. A volatilização. surgiram nos EUA e em grande parte da Europa inúmeras companhias que exploram a chamada “fitorremediação” para fins lucrativos. como Union Carbine. A Figura 21 exemplifica as estruturas químicas de produtos de fotodegradação do metolachlor. Monsanto e Rhone-Poulanc. Figura 21 . 2005). É possível que parte das perdas esteja relacionada ao processo de fotodegradação. DINARDI et al. tem-se mostrado que a atenuação natural monitorada pode contribuir significativamente para o controle e a redução da contaminação de solos e águas subterrâneas (FURTADO. nos últimos dez anos. especialmente se um período prolongado de seca acontece após a aplicação.

já se sabe que as espécies Stizolobium aterrimum e Canavalia ensiformis são. Módulo 3.1 .. 2006). Contudo. No processo de biorremediação in situ dito “tradicional”. podendo atingir cursos de águas subterrâneas. VROUMSIA et al. 2005). Quando se trata da descontaminação pela utilização de plantas isoladas ou estimulando a microbiota associada às suas raízes. eficientes na descontaminação de áreas tratadas com os herbicidas trifloxysulfuron-sodium e tebuthiuron e que o provável mecanismo envolvido na descontaminação seja a interação da fitoestimulação e da fitodegradação. 2003.Herbicidas: comportamento no solo 179 . herbicidas (PIRES et al. compostos nitroaromáticos e. o termo biorremediação é amplamente utilizado para o processo de descontaminação de ambientes por microrganismos.A fitorremediação como mecanismo de biorremediação A biorremediação é o processo de remediação in situ de áreas contaminadas que emprega organismos vivos (microrganismos e plantas.4 . principalmente.. mais recentemente. 2005). incluindo o desenvolvimento de vários microrganismos comprovadamente eficientes na biodegradação de alguns compostos (BELLINASO et al. Nesses estudos. é no Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Viçosa que se intensificam os estudos na área da fitorremediação de solos contaminados por herbicidas. solventes halogenados. em particular bactérias. 2000). 2003. PROCÓPIO et al. Petrobrás (2006) e Unicamp (FEA.. SIQUEIRA. tem-se a fitorremediação (ACCIOLY. b). 2005. principalmente) capazes de se desenvolverem em meio contendo o material poluente.. microrganismos do solo. comprovadamente. A pesquisa referente à biorremediação (biodegradação) de áreas contaminadas por herbicidas é relativamente ampla e já bem consolidada. os herbicidas de longo efeito residual apresentam-se como principal problema à possibilidade de contaminação de culturas plantadas em sucessão e ao problema ambiental ocasionado por sua lixiviação direta ou de seus metabólitos para camadas mais profundas no perfil do solo. reduzindo-o ou até mesmo eliminando sua toxicidade. 2004a. são estimulados a degradar os contaminantes seja por utilização da molécula como fonte de nutrientes ou por co-metabolismo. incluindo compostos químicos aplicados para as diferentes atividades agrícolas. YU et al. 5.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Dentre os compostos de difícil degradação no solo. entre elas a Embrapa (2005). QUEROL et al. este trabalho abordará especificamente aspectos da técnica da utilização das plantas e sua microbiota associada.. No Brasil. visando a descontaminação de ambientes (fitorreme¬diação) que apresentam resíduos de herbicidas em quantidade suficiente para causar interferência negativa nas diferentes atividades agrícolas ou comprometer a sustentabilidade ambiental. A técnica é bem utilizada para remediação de áreas contaminadas com metais pesados (FRANCO. de ambientes contaminados por metais pesados e derivados de petróleo. pesquisam e exploram métodos de biorremediação. SANTOS et al.. 2004. os quais incluem a fitorremediação. 2005. Portanto. As condições necessárias para essa degradação incluem a existência de receptores de elétrons. de nutrientes e de substrato.. algumas empresas estatais e privadas. bem como instituições de pesquisa. Dessa maneira.

foi comprovado que o solo proveniente da rizosfera de diversas espécies de leguminosas.. SCRAMIN et al. subseqüentemente. 180 Módulo 3..4 . SANTOS et al. elementos contaminantes. Apesar das facilidades observadas. entre outras. 2001). no caso herbicida.. conhecido como fitodegradação. 1996). agrotóxicos. podem ainda sofrer parcial ou completa degradação ou ser transformados em compostos menos tóxicos. comparado ao solo não vegetado. BURKEN. principalmente por sua eficiência na descontaminação e pelo baixo custo (PERKOVICH et al. 2005). as plantas. principalmente atrazine e metolachlor (ANDERSON et al. Em trabalho realizado por Arthur et al. como metais pesados. entre elas C. o contaminante. 2003.. 1996). em solos rizosféricos de Kochia scoparia. 1996). e • apresentam complexidade de análise diante das constantes transformações a que estão sujeitos. (2005). como bombeamento e tratamento. duas limitações. A utilização da fitorremediação para descontaminação de ambientes com resíduo de herbicidas é baseada na seletividade. PROCÓPIO et al. em algumas plantas. explosivos.Herbicidas: comportamento no solo . solventes clorados e subprodutos tóxicos da indústria (CUNNINGHAM et al. que atuam degradando o composto no solo. estimulando o efeito rizosférico na aceleração da mineralização de alguns herbicidas.. 1994. é desenvolvido como agente para o controle do descontaminante.. Outros trabalhos relatam a contribuição das plantas. Em trabalho realizado por Pires et al. volatilizados. especialmente menos fitotóxicos. de 193 dias. Contudo. na qual há o estímulo à atividade microbiana. e em solos não vegetados. aterrimum. que algumas espécies exibem a determinados compostos ou mecanismos de ação. 1996. a fitorremediação tem sido considerada vantajosa. tolerantes a certos herbicidas. promovido pela liberação de exsudatos radiculares. apresentou maior atividade microbiana. SIQUEIRA. SCHNOOR.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quando comparada com técnicas tradicionais. ou remoção física da camada contaminada. como a capacidade de metabolização do herbicida a um composto não-tóxico (ou menos tóxico) à planta e ao ambiente. 1995.. (2000).. hidrocar¬bonetos de petróleo. 2000. Citam-se ainda outros mecanismos. Apesar de ser utilizada em solos contaminados com substâncias orgânicas ou inorgânicas. no caso. COATS. o que caracteriza. a meia-vida do atrazine foi de 50 dias. um importante mecanismo de diminuição do herbicida por ação do fitorremediador parece ser a fitoestimulação. só recentemente tem-se apresentado como promissora técnica para descontaminação de áreas tratadas por herbicidas residuais (PIRES et al. 1996. devem ser consideradas para o emprego da fitorremediação em áreas contaminadas por herbicidas: • são contaminantes orgânicos que apresentam diversidade molecular. combinados e/ou ligados a tecidos das plantas (compartimentalização) (ACCIOLY. contaminado com o tebuthiuron. natural ou desenvolvida. CUNNINGHAM et al. A seletividade deve-se ao fato de que os compostos orgânicos podem ser translocados para outros tecidos da planta e.. 2004. a aptidão rizosférica para a biorremediação desses compostos. PERKOVICH et al. entre outros. ANDERSON. ensiformis e S. Esse fato é de ocorrência comum em espécies agrícolas e daninhas. constatou-se que.

1. vários outros fatores poderão influenciar a capacidade descontaminadora de espécies vegetais em programas de fitorremediação. como os herbicidas. CELIS et al. interferem ainda a constante de acidez (pKa) e a sua concentração (ALKORTA. é maior quando o Log Kow do pesticida varia de 0. Além disso.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Segundo Burken e Schnoor (1996). Compostos que são mais hidrofóbicos. logo. no papel eficiente das plantas. é sabido que valores de pH fora da faixa de neutralidade comprometem a atividade da microbiota do solo prejudicando diretamente os processos de fitorremediação. Dessa maneira. Todavia. (1996) estudaram a degradação de isoproturon.5 (HOUOT et al. Em revisão feita por Pires et al.. a absorção de compostos orgânicos. Módulo 3. o fluxo transpiratório. com exceção do diuron em um dos solos. 2003). ligam-se às membranas lipídicas das raízes antes de entrarem no xilema. além do mecanismo de ação. 1992. fundamental para promover o carreamento do herbicida absorvido para a parte aérea das plantas. com Log Kow > 2. levando à fitodegradação. apesar de ter valores de pH mais altos que 6. Para ser translocado. Outras propriedades do solo podem intervir na fitorremediação e. Compostos que são menos hidrofóbicos. pelas condições ambientais e pelas características da espécie vegetal. Dos componentes da matéria orgânica do solo. conseqüentemente. persistência e concentração do herbicida. pelas plantas é afetada pelas propriedades químicas do composto. Nas condições tropicais em que os solos são altamente intemperizados com predomínio de óxidos e hidróxidos de Fe e Al e argilas silicatadas 1:1.. 2000). (1982). de baixa reatividade (caulinita).. REDDY et al. 1997). não passam através das membranas lipídicas associadas com as camadas da epiderme das raízes. GARBISU. Essa ligação ou exclusão leva a menor fluxo transpiratório sob valores de Log Kow que se distanciam de 2.1. (2003a) e de acordo com Brigss et al... por exemplo.4 .. 1995. a matéria orgânica constitui o principal contribuinte para a CTC.5 a 3. 1995). o produto químico deve passar pelo simplasto da endoderme. Maior conteúdo de matéria orgânica reduz as amplitudes de variação da temperatura e umidade do solo.. 2001). Para atrazine verificou-se que sua mineralização aumentava rapidamente com o aumento do pH (HOUOT et al. sendo maior a absorção quando o valor de Log Kow é de 2. Walker et al.1 (PIRES et al.1. como. diuron e metsulfuron-metil na solução do solo e na fração adsorvida em dois tipos de solos e encontraram que a meia-vida destes produtos foi menor em solução que na fração adsorvida. as pesquisas devem direcionar esforços para obtenção de melhores resultados para as áreas contaminadas com os herbicidas que apresentam longo efeito residual no solo.Herbicidas: comportamento no solo 181 . a absorção radicular de xenobióticos da água (em solução) está diretamente relacionada ao logaritmo do coeficiente de partição octanol-água (Kow) do composto. o conteúdo de argila. além dessa característica. os efeitos benéficos nos processos de fitorremediação de herbicidas. ampliando dessa forma. Para certas características das plantas e condições ambientais. as substâncias húmicas são relatadas como as principais responsáveis pela sorção de herbicidas (PUSINO et al. Solos com alto conteúdo deste mineral apresentam reduzida mineralização de atrazine.0. 2000). incrementam-se também a biomassa e atividade microbiana e a biotransformação das moléculas dos herbicidas no solo (WEED et al. com valores de Log Kow < 2.

batata. as propriedades procuradas em um herbicida são sua pronta degradabilidade. 2005). Problemas resultantes dos processos de poluição e degradação dos recursos naturais por herbicidas têm recebido atenção especial. OLIVEIRA. principalmente como resultado de aplicações seqüenciais ao longo dos anos na mesma área (CERDEIRA. especificidade e baixa toxicidade para os organismos não-alvos.Herbicidas: comportamento no solo . que é utilizado em mistura com o ametryn na cultura da cana-de-açúcar ou puro na cultura do algodão em pós-emergência inicial.2 .Problemas relacionados aos herbicidas residuais Atualmente.5 g ha-1) (RODRIGUES. sendo. Outros herbicidas. como picloram e imazapyr... podendo chegar a até três anos o intervalo para o plantio de culturas sensíveis. eficiência em doses baixas. 1999). ALMEIDA.1984).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 5. soja. como algodão. para que se obtenha resultados satisfatórios. podendo atingir lençóis subterrâneos e se mover para outros ambientes com provável contaminação de outros ecossistemas. BOVEY. Sua persistência no solo pode variar de 11 a 14 meses em Latossolo Vermelho-Amarelo em lavouras de cana-de-açúcar (BLANCO. Mesmo possibilitando o controle efetivo de plantas daninhas por um período de tempo maior. que é recomendado para uso em pré-emergência na cultura da canade-açúcar. entre outras (RODRIGUES. Também o tebuthiuron. Mesmo sendo recomendado em concentrações baixas (em torno de 7. portanto. é de aproximadamente oito meses. 1988) ou mesmo estender-se por mais de sete anos. ALMEIDA. 2005). fonte potencial para contaminação de aqüíferos. 2005).. Além disso. Contudo.4 . 2005). quando simulada a reunião de todas as condições ambientais que favoreçam sua persistência (EMMERICH et al. principalmente em sistemas agrícolas que necessitam utilizar esses produtos no manejo integrado de plantas daninhas (JAKELAITIS et al. Áreas contami¬nadas por estes e outros herbicidas persistentes no solo são prioritárias nos programas de fitorremediação. 1987) de 15 a 25 meses em solo argiloso (MEYER. apresenta longo período residual. Produtos como o trifloxysulfuron-sodium. SANTOS et al. os herbicidas que apresentam longo efeito residual no solo proporcionam a ocorrência de toxicidade em culturas sensíveis (carryover) plantadas após sua utilização. causando intoxicação às culturas de amendoim. Existe ainda o impacto ambiental negativo ocasionado pela lixiviação dessas moléculas ou de seus metabólitos para camadas mais profundas no perfil do solo. tomate. a contar da data de sua aplicação. 2005. é essencial conhecer o tempo total necessário para a 182 Módulo 3.. existindo uma conscientização dos problemas ambientais ou de saúde que podem ocorrer devido à má utilização desses compostos químicos (SANTOS et al.este herbicida apresenta elevada mobilidade em solos com baixos teores de argila e de carbono orgânico. apresenta problemas de carryover na cultura do feijão cultivado em seqüência. reduzindo com isso o número de aplicações. para o plantio de culturas sensíveis. apresentam considerado efeito residual no solo. o período de espera. feijão e soja quando cultivadas até dois anos após a sua aplicação.

. concentração e/ou metabolização e tolerância ao herbicida. Com base nas análises apresentadas por diversos autores (FERRO et al. a escolha de plantas que apresentem tolerância ao herbicida é o primeiro passo na seleção de espécies potencialmente fitorremediadoras. várias espécies podem.4 . sendo importante ressaltar algumas delas. ACCIOLY. 2000. embora a maioria dos testes avalie plantas isoladas. 2003). • elevada taxa de exsudação radicular. evitando sua manipulação e disposição. que tanto pode tolerar como acumular o produto. daí a necessidade do conhecimento de estratégias que acelerem o processo de remediação. PERKOVICH et al. como sugerido por Miller (1996). ser usadas em um mesmo local. Dessa forma.Estratégias para o sucesso da fitorremediação O sucesso no emprego da fitorremediação como técnica para descontaminação de áreas tratadas por herbicidas depende da natureza química e das propriedades do composto. • alta taxa de crescimento e produção de biomassa. no caso da fitoestabilização. Outro aspecto a ser observado é que. • fácil aquisição ou multiplicação de propágulos. aquela que for selecionada deve reunir o maior número delas. • capacidade transpiratória elevada.. 5. 1996. as vezes é muito longo. • fácil colheita. pedregoso.. além da aptidão ecológica da espécie vegetal a ser empregada.3 . Em essência.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas descontaminação. 1994. com elevada umidade. entre outros fatores. porém. SIQUEIRA.. visando efetivar e diminuir o tempo de descontaminação. VOSE et al. O ideal seria reunir todas essas características numa só planta. São conhecidas espécies que se desenvolvem bem em todos os ambientes. além dos procedimentos para o correto emprego da técnica. de clima quente ou frio. CUNNINGHAM et al. 1996. como oposto à transferência para a parte aérea. PIRES et al. para promoverem maior descontaminação. algumas características devem ser consideradas na escolha da espécie vegetal a ser utilizada em programas de remediação de áreas contaminadas por herbicidas: • capacidade de absorção. NEWMAN et al. a espécie vegetal ideal para remediar um solo contaminado por herbicidas seria uma cultura de alta produção de biomassa.. ao mesmo tempo ou subseqüentemente. que. e • capacidade de desenvolver-se bem em ambientes diversos.Herbicidas: comportamento no solo 183 . quando necessária a remoção da planta da área contaminada. solo seco. 2000. especialmente em árvores e plantas perenes. a técnica pode apresentar algumas limitações de aplicação. 1998. Módulo 3. • retenção do herbicida nas raízes. • sistema radicular profundo e denso.. Dessa forma. • resistência a pragas e doenças. • fácil controle ou erradicação.

(2005) verificaram que. aterrimum da área contaminada com trifloxysulfuron-sodium. possibilitou maior eficiência no processo de remediação por essas leguminosas. ensiformis e Lupinus albus possibilitaram o pleno desenvol¬vimento de Avena strigosa. além de melhorar o desenvolvimento das espécies vegetais S. evidenciando a contribuição da microbiota no processo de descontaminação.. Santos et al. Nos trabalhos realizados por Procópio et al. semelhante ao solo isento do herbicida (Figura 24). 2004b). não interferiu no desenvolvimento posterior de plantas de feijão.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nos trabalhos realizados até o momento no Brasil. comprovando a eficiência na descontaminação. algumas especies vegetais utilizadas como cobertura do solo foram selecionadas (Figura 22). Essas culturas são sensíveis à presença desse herbicida (RODRIGUES. a permanência ou retirada da parte aérea das plantas de C.. possibilitando o posterior desenvolvimento de plantas de milho e feijão. (2005) verificaram que o aumento da densidade populacional de S. visando a seleção de espécies vegetais com potencial para emprego em programas de fitorremediação de herbicidas (PIRES et al. Em outro trabalho. aterrimum promoveu maior descontaminação da área tratada com trifloxysulfuron-sodium. (2006) observaram que o solo proveniente da rizosfera de S. comparado ao mesmo solo não tratado com o herbicida. Também Pires et al. após a seleção de diversas espécies vegetais. b. utilizada como bioindicadora da presença do herbicida. 2005). ensiformis. 2004. das várias espécies testadas tolerantes ao herbicida tebuthiuron. aterrimum.4 . evidenciada pelo maior desprendimento de dióxido de carbono. (2006) constataram que a adição de composto orgânico ao solo contaminado com trifloxysulfuron-sodium e tebuthiuron. Além dos fatores mencionados. apresentou maior atividade microbiana. SANTOS et al. provavelmente. feijão-de-porco (Canavalia ensiformis) e mucuna-preta (Stizolobium aterrimum) promoveram a fitorremediação de solo contaminado pelo herbicida trifloxysulfuron-sodium.Herbicidas: comportamento no solo . ALMEIDA. 184 Módulo 3. (2004). PROCÓPIO et al.. 2005b. indicando que o produto pode estar sendo degradado internamente nos tecidos (fitodegradação) ou inativado por outros mecanismos rízosféricos. 2003a. a fitoestimulação da microbiota associada à rizosfera (PROCOPIO et al. Procópio et al.. sendo. as leguminosas C. ensiformis e S. destacando-se a mucuna-preta (Stizolobium aterrimum) e o feijão-de-porco (Canavalia ensiformis) (Figura 23). outros mecanismos podem ser implementados no programa de fitorremediação visando maior eficiência no processo. 2006). após o período de remediação. tratado com o trifloxysulfuron-sodium. 2005. Belo et al. aterrimum e C.

posteriormente cultivado (B) ou não (A) com mucuna-preta (Stizolobium aterrimum). visando a remediação Fonte: Procópio et al. para o sucesso da fitorremediação. além do emprego de plantas e sua microbiota associada. Módulo 3.5 e 15. (2004) Para Accioly e Siqueira (2000). visando a fitorremediação de solos contaminados por esses herbicidas Figura 23 – Desenvolvimento de mucuna-preta (Stizolobium aterrimum) (A) e feijão-de-porco (Canavalia ensiformis) (B). amenizantes como a matéria orgânica do solo.0 g ha-1) (não-seletivo a essas culturas). 7. os quais. em solos contaminados pelos herbicidas trifloxysulfuron-sodium e tebuthiuron Figura 24 – Desenvolvimento de plantas de milho e de feijão em solo tratado com o herbicida trifloxysulfuron-sodium (0.Herbicidas: comportamento no solo 185 . associados às práticas agronômicas.0.4 . removendo. o programa deve envolver. imobilizando ou tornando os contaminantes inofensivos ao ecossistema. agiriam em conjunto.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 22 – Etapa de seleção de espécies vegetais tolerantes ao trifloxysulfuron-sodium e ao tebuthiuron.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Manejo da irrigação. apesar de já ser bem conhecido o processo de biodegradação do atrazine por diversos microrganismos (BEKHI et al. e uma abordagem detalhada da sua dinâmica seria difícil diante dos diversos interferentes relacionados ao seu comportamento. por perturbarem menos o ambiente. 2005). além da possibilidade de inoculação de microrganismos junto à semeadura das plantas. principalmente no solo. os quais são responsáveis pelo destino final desses compostos. havendo possibilidades de reciclagem da biomassa produzida. espera-se maior aceitação de métodos de descontaminação in situ. fabricação de diversos produtos. KHAN. principalmente em solos brasileiros. o sucesso do tratamento empregando planta aquáticas vai além do baixo custo. O tema cresce em complexidade na medida em que se tenta selecionar espécies vegetais que apresentem. além da capacidade remediadora. poucos são os trabalhos que apontam soluções para fitorremediação deste composto em ambientes aquáticos (MARCACCI. dos fatores climáticos envolvidos e dos mecanismos de interação herbicida–ambiente nem sempre representa o comportamento constatado em condições naturais a campo. solubilidade de baixa para moderada em água (RODRIGUES. Entre os herbicidas.4 . geração de energia. Nessa área. ração animal. Esse fato denota a importância de pesquisas. Em se tratando de ambientes aquáticos. GLASS.. BEKHI. e até proteínas para usos em rações (DINARDI et al. baixa pressão de vapor. Além disso. Este herbicida apresenta alta persistência no solo. 6 . graças à atual preocupação na viabilidade das técnicas integradas de manejo. ALMEIDA. 1993. retenção e transformação que ocorrem com as moléculas representa a capacidade de contaminação e persistência destas no meioambiente.Herbicidas: comportamento no solo . incremento na população e número de espécies vegetais. 2003. que visam o menor impacto negativo ao ambiente. O resultado dos processos de transporte. depende do somatório de diversos processos envolvidos. 1998). absorção moderada à matéria orgânica e argila. como papel. podendo ser utilizada como fertilizante. Contudo. devido às suas características físico-químicas. como o picloram e outros. são pesquisas já iniciadas e fornecerão dados para maior eficiência nos processos de descontaminação de áreas que apresentam resíduos de outros herbicidas comprovadamente persistentes no ambiente. outros benefícios para o agricultor. 1986). hidrólise lenta. o atrazine oferece elevado risco de contaminação de aqüíferos. O que se observa é que o conhecimento teórico das propriedades dos compostos do solo. 2005).Considerações finais O comportamento de herbicidas no ambiente. a fitorremediação surge como opção para o tratamento eficiente de solo e água contaminados por herbicidas de difícil decomposição nesses ambientes. essa técnica é 186 Módulo 3. alto potencial de escoamento. sendo comumente detectado após um ano. com o objetivo de prevenir quanto aos possíveis distúrbios ambientais provocados por esses compostos. Contudo. nos programas de fitorremediação de herbicidas.

comparada a outros processos de descontaminação. este é. quando todos os fatores envolvidos interagem. a identificação dos problemas de contaminação e as opções de recuperação do ambiente afetado.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas relativamente barata. torna-se possível sua utilização com eficiência técnica e econômica. Embora o tema seja muito abrangente. As implicações são claras: entendendo como os herbicidas e outros pesticidas aplicados ao solo se comportam. sem dúvida. podendo ser aplicada a grandes áreas.4 . Módulo 3. um dos motivos pelo qual deve ser mais estudado.Herbicidas: comportamento no solo 187 .

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192 Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

PIRES, F. R.; SOUZA, C. M.; SILVA, A. A.; PROCÓPIO, S. O.; CECON, P. R.; SANTOS, J. B.; SANTOS, E. A. Seleção de plantas tolerantes ao tebuthiuron e com potencial para fitorremediação. Revista CERES, v. 50, n. 291, p. 583-594, 2003b. PIRES, F. R.; SOUZA, C. M.; SILVA, A. A.; QUEIROZ, M. E. L. R.; PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; SANTOS, E. A.; CECON, P. R. Seleção de plantas com potencial para fitorremediação de tebuthiuron. Planta Daninha, v. 21, n. 3, p. 451-458, 2003a. PIRES, N. M.; OLIVEIRA JR., R. S.; PAES, J. M. V., SILVA, E. Avaliação do impacto ambiental causado pelo uso de herbicidas. Viçosa, MG: Sociedade de Investigações Florestais, 1995. 22 p. (Boletim Técnico SIF, 11). PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; PIRES, F. R.; SILVA, A. A.; SANTOS, E. A. Fitorremediação de solo contaminado com trifloxysulfuron-sodium por mucuna-preta (Stizolobium aterrimum). Planta Daninha, v. 23, n.4, p. 719-724, 2005a. PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; PIRES, F. R.; SILVA, A.A.; SANTOS, E. A.; CARGNELUTTI FILHO, C. Development of bean plants in soil contaminated with the herbicide trifloxysulfuron-sodium after Stizolobium aterrimum and Canavalia ensiformis cultivation. Crop Protection, 2006 (em fase de publicação) PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; SILVA, A. A.; PIRES, F. R.; RIBEIRO JÚNIOR, J. I.; SANTOS, E. A. Potencial de espécies vegetais para a remediação do herbicida trifloxysulfuronsodium. Planta Daninha, v. 23, n. 1, p. 9-16, 2005b. PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; SILVA, A. A.; PIRES, F. R.; RIBEIRO JÚNIOR, J. I.; SANTOS, E. A.; FERREIRA, L .R. Seleção de plantas com potencial para fitorremediação de solos contaminados com o herbicida trifloxysulfuron sodium. Planta Daninha, v. 22, n. 2, p. 315322, 2004. PUSINO, A. et al. Influence of organic matter and its clay complexes on metolachlor adsorption on soil. Pesticide Science, v. 36, p. 283-286, 1992. QUEROL, X.; ALASTUEY, A.; MORENO, N.; ALVAREZ-AYUSO, E.; GARCÍA-SÁNCHEZ, A.; CAMA, J.; AYORA, C.; SIMÓN, M. Immobilization of heavy metals in polluted soils by the addition of zeolitic material synthesized from coal fly ash. Chemosphere, v. 62, n. 2, p. 171-180, 2006. RAVELLI, A.; PANTANI, O.; CALAMAI, L.; FUSI, P. Rates of chlorsulfuron degradation in three Brazilian soils. Weed Res., v. 37, p. 51-59, 1997. REDDY, K. N. et al. Chlorimuron adsorption, desorption and degradation in soils from conventional tillage and no-tillage systems. Journal of Environmental Quality, v. 24, p. 760 767, 1995. ROBERTS, T. R. Assessing the environmental fate of agrochemicals. J. Environ. Sci. Health, B, v. 31, n. 3, p. 325-335, 1996. RODRIGUES, B. N.; ALMEIDA, F. S. Guia de herbicidas. 5.ed. Londrina, PR, 2005. 648 p. RODRIGUES, B. N.; ALMEIDA, F. S. Guia de herbicidas. 5.ed. Londrina, PR: Grafmarke, 2005. 591 p.
Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo 193

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194 Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

PROTEÇÃO DE PLANTAS

Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas 3.5 - Herbicidas: resistência de plantas
Tutores: Profº. Antonio Alberto da Silva Profº. Leandro Vargas Profº. Evander Alves Ferreira

Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Universidade Federal de Viçosa - UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia

Brasília - DF 2006
196 Módulo 3.5 - Herbicidas: resistência de plantas

208 5.Mecanismos que conferem resistência.Inibidores de ALS.Características da resistência por grupos herbicidas.Pressão de seleção. 213 10.5 . 202 2 .1 . 204 5 .Alteração do local de ação.Inibidores de ACCase. 201 1.Absorção e translocação.Derivados da glicina.Fatores que favorecem o surgimento da resistência.1 . 212 10 .Como evitar a resistência. 215 10. 200 1. 215 10. 218 12 . 214 10.A resistência de plantas daninhas no Brasil.6 . 214 10. 202 3 . 218 11 . 211 9 .Herbicidas: resistência de plantas 197 . 209 7 . 208 5.Uréias/amidas.2 . 203 4 . 221 14 .7 – Triazinas. 231 Módulo 3.Como confirmar a resistência. 217 10.2 – Bipiridílios.Culturas transgênicas.Resistência do azevém (lolium multiflorum) ao glyphosate. 201 1. 230 Referências bibliográficas.Culturas transgênicas e plantas daninhas resistentes a herbicidas.3 .4 .Comentários finais.Evolução da resistência.Resistência cruzada.Variabilidade genética.3 – Compartimentalização.Seleção de biótipos resistentes por diferentes mecanismos de ação herbicida.8 .Plantas daninhas resistentes em culturas transgênicas.Manejo da resistência a herbicidas.1 . 198 1 .5 . 225 14.Diagnóstico da resistência a campo. 216 10. 213 10.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução.1 – Auxinas. 219 13 . 229 16 .2 – Metabolização. 225 15 . 200 1.Resistência múltipla.4 – Dinitroanilinas. 210 8 . 209 6 .

1997). no estado de Washington (EUA). No que se refere aos defensivos agrícolas. Uma das conseqüências do uso indiscriminado desses métodos tem sido o desenvolvimento de muitos casos de resistência a tais compostos por diversas espécies daninhas. várias outras espécies. 28. 11. 7. Em conseqüência. uma vez que essa tecnologia. Já em 1970. que era quase exclusivamente utilizada por grandes e médios produtores. A constatação da resistência de plantas daninhas aos herbicidas começou em 1957 com a identificação de biótipos de Commelina difusa. 1970). Depois disso.Herbicidas: resistência de plantas .9% resistem aos herbicidas inibidores da ALS. devido a uma mutação nos cloroplastos (RADOSEVICH et al. 1998a). ao fato de que o controle químico tem sido eficiente.1% às auxinas sintéticas. Estudos posteriores demonstraram que esta espécie era resistente a todas as triazinas. O uso repetido de um herbicida exerce uma pressão de seleção que leva ao aumento do número de indivíduos resistentes na população. onde os herbicidas correspondem a mais de 50% do volume total comercializado (ANDEF 2005). O largo uso de herbicidas deve-se.. foram descritas em gêneros como Amaranthus e Chenopodium. há aproximadamente 284 biótipos de plantas daninhas que apresentam resistência a um ou mais mecanismos herbicidas (Quadro 1). no Canadá. 7% às uréias e amidas. 1977) Em menos de 30 anos. Atualmente estão sendo comercializadas no mercado brasileiro em torno de 200 marcas comerciais de herbicidas (RODRIGUES. Destes biótipos. e a tendência de uso desses compostos é de aumento. principalmente.6% aos inibidores da ACCase. possui custo atrativo. os agricultores depositam confiança excessiva no controle químico das plantas daninhas. 22. 8. 1979). Dessa maneira. Muitos outros casos foram relatados em diferentes locais do mundo e. os demais métodos de controle têm sido deixados de lado. 3. a população de plantas resistentes pode aumentar até o ponto de comprometer o nível de controle (HRAC. e Daucus carota. 2005). resistentes a herbicidas pertencentes ao grupo das auxinas (WEED SCIENCE. hoje está se tornando prática comum até entre os pequenos. sendo o quinto no "ranking" de vendas de agrotóxicos. com resistência a triazinas. Esses biótipos pertencem a 171 espécies e estão distribuídos em 59 países. foram descobertos biótipos de Senecio vulgaris resistentes a simazine (RYAN. está prontamente disponível e profissionalmente desen¬volvido.5 . após o primeiro caso de resistência. principalmente por grandes agricultores.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução O controle de plantas daninhas com uso de herbicidas é prática comum na agricultura mundial. o Brasil é um dos maiores mercados do mundo. atualmente.9% às triazinas. 1998). nos Estados Unidos. ALMEIDA. havia mais de 100 espécies reconhecidamente resistentes em aproximadamente 40 países (HEAP. em diferentes países (RADOSEVICH. Na atualidade.5% às dinitroanilinas e os 198 Módulo 3.7% aos bipiridílios.

Essas proporções mudaram com a introdução no mercado dos novos grupos herbicidas inibidores de ALS e ACCase. à eficiência e à grande área onde são empregados. Não foram encontradas citações de plantas daninhas resistentes aos herbicidas perten¬centes aos grupos ariltriazolinonas. e os demais mecanismos somavam 8%. 67% dos casos de resistência documentados eram de biótipos resistentes às triazinas.3% restantes aos demais grupos de herbicidas. benzotiadiazinas e ftalimidas. são dois ou mais os mecanismos que precisam ser substituídos. Assim. A ocorrência de resistência múltipla agrava ainda mais o problema.Herbicidas: resistência de plantas 199 . Isso ocorre para diversos biótipos de grande ocorrência em diversas partes do mundo tornando cada vez mais difícil e oneroso o controle desses biótipos. já que. uréias e Branqueamento – inibição da Amitrole isoxazolidionas biossíntese de carotenóides Glicinas Inibição da EPSP sintase Glyphosate Inibição da divisão celular (inibição de Butachlor Chloracetamidas ácidos graxos de cadeias longas) Outros Diversos Diversos Total de biótipos de plantas daninhas observados no mundo Fonte: Adaptado de Retzinger. Em 1983. A resistência de plantas daninhas a herbicidas assume grande importância. restringindo esta prática a outros métodos menos eficientes. das triazinas e existentes atualmente. a estes grupos de herbicidas. aos auxínicos. Quadro 1 – Ocorrência de biótipos de plantas daninhas resistentes a diferentes grupos herbicidas Exemplo de herbicida Inibidores da ALS Inibição da acetolactato sintase (ALS) Clorsulfuron Inibidores do Fotossistema Inibição da fotossíntese no Atrazine II fotossistema II Inibição da acetil carboxilase Inibidores da ACCase Diclofop-methyl (ACCase) Bipiridílios Aceptores de eletrons do FSI Paraquat Auxinas sintéticas Ação semelhante ao ácido indolacético 2.4-D Uréias e amidas Inibição da fotossíntese no FS II Chlorotoluron Dinitroanilinas e outros Inibição da formação dos microtúbulos Trifluralin Inibição da síntese de lipídios – não da Thiocarbamatos e outros Trialate ACCase Triazoles. não são claras. princi¬palmente quando não existe ou existem poucos herbicidas alternativos para serem usados no controle dos biótipos resistentes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 10. As razões do não-surgimento de plantas daninhas resistentes. 13%. Acredita-se que o maior número de biótipos resistentes aos herbicidas dos grupos inibidores de ALS. neste caso. citado por HRAC (2004) Grupo de herbicida Mecanismo de ação Total ocorrência 82 65 33 22 23 20 10 8 4 6 2 7 284 Módulo 3. aos bipiridílios. se deve à alta especificidade. o controle dos biótipos resistentes com uso de herbicidas é seriamente comprometido. 12%. porém acredita-se que esteja relacionado com o seu modo de ação. até o momento. apesar do longo tempo de introdução no mercado.5 .

Os erros de replicação e as lesões espontâneas geram a maior parte das mutações por substituição de base e mudança da matriz de leitura (SUZUKI et al. existe. A atividade da enzima pode ou não ser modificada.. formando o RNA mensageiro (RNAm).Mecanismos que conferem resistência 1. durante o crescimento do indivíduo é de cerca de 10-4.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1 . na tradução do RNAm. 1992). A mutação é um processo biológico que vem ocorrendo desde que há vida no planeta. 1969). 1992). Os genes. e cai para 10-9 pela ação das enzimas reparadoras (SUZUKI et al.1 . a probabilidade de as suas características cinéticas serem modificadas é grande.. resultando em uma proteína mutante. mesmo remota. porém não a posição do gene individualmente” (BREWBAKER. A grande maioria das alterações que ocorrem no DNA. Biótipos resistentes podem ocorrer em uma população de plantas daninhas como resultado de mutações que provocam alterações no local de ação do herbicida (BETTS et al. que é a cópia do DNA pela enzima DNA polimerase. O DNA é uma dupla hélice formada por bases nitrogenadas púricas (adenina e guanina) e pirimidicas (timina e citosina) que formam os genes. A probabilidade de ocorrer erros na replicação do DNA. A ocorrência de erros na replicação ou transcrição da fita do DNA. Se o aminoácido alterado for o ponto ou um dos pontos de acoplamento de uma molécula herbicida. teoricamente. são responsáveis pela codificação das proteínas. 1992). a possibilidade de erro. este produto 200 Módulo 3. e a tradução do RNAm com a montagem da proteína pelo ribossomo. afirmando que são “aquelas mudanças bruscas hereditárias que alteram a atividade. Caso ele componha o centro ativo da enzima. As etapas para produção de uma proteína são a transcrição.. Na tradução do RNAm. a maioria delas é deletéria e a evolução só é possível porque algumas delas podem ser benéficas em determinadas situações (SUZUKI et al.. serão repassadas aos seus descendentes. cada trinca de bases nitrogenadas codifica um aminoácido que comporá a futura proteína.5 . entretanto.. 1992). 1992). deleção ou substituição de uma base nitrogenada podem alterar um ou mais aminoácidos da proteína a ser formada. A seqüência linear de nucleotídios em um gene determina a seqüência linear de aminoácidos de uma proteína (SUZUKI et al. longas e específicas seqüências de bases nitrogenadas. e a ocorrência de mutações que provoquem inserção.Alteração do local de ação As informações genéticas de um organismo estão contidas em seu material genético (DNA). Mutação foi definida por De Vries como mudanças repentinas e hereditárias. pode originar uma enzima com características funcionais distintas ou não da original.. mutação de ponto. é preferível restringir.Herbicidas: resistência de plantas . A alteração de uma base nitrogenada. multiplicação do material genético. O DNA é um cordão de genes (SUZUKI et al. contudo. 1992). que não provoquem a morte do indivíduo. estando na dependência de qual aminoácido foi alterado.

Módulo 3. 1992). têm-se plantas daninhas resistentes aos inibidores de ALS. ou.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas pode perder a atividade inibitória sobre esta nova enzima. como o sol. o tipo de mecanismo que está proporcionando a resistência. tornando-se inativa. 1. Contudo. Fontes externas de radiação. são avaliados quanto à sua capacidade mutagênica. tornando-a não-tóxica. um herbicida que anteriormente era eficiente em inibir uma determinada enzima deixa de ter efeito sobre esta. como o vacúolo (ex. conforme relatam Sathasivan et al. e a planta torna-se resistente àquele herbicida e a outros que se ligam da mesma forma àquela enzima. mais rapidamente do que plantas sensíveis. devido a uma ou mais alterações na estrutura deste local. Uma pequena alteração no polipeptídio pode resultar em um grande efeito sobre a afinidade com a molécula herbicida (BETTS et al. resistência múltipla. antes de serem lançados no mercado. Não há evidências.. (1991). que podem estar relacionados com o tipo de mutação ocorrida. ou seja. Alteração do local de ação significa que a molécula herbicida diminui sua capacidade de inibir esse ponto. em uma população de biótipos resistentes ocorrem diferentes níveis de resistência ou de susceptibilidade. como é o caso da resistência de Lolium rigidum a triazinas e inibidores de ACCase. Acredita-se que os herbicidas não sejam capazes de provocar mutações. a molécula herbicida. Esse é o mecanismo de tolerância a herbicidas apresentado pela maioria das culturas. se o herbicida possuir mais de um mecanismo de ação. e é muito improvável. A resistência de Arabidopsis thaliana às imidazolinonas se deve à alteração de um aminoácido da enzima ALS. já que estes produtos. A luz ultravioleta e o oxigênio são mutagênicos (BREWBAKER. com as formas alélicas do gene. 1969).2 . 1.: plantas resistentes ao paraquat). Como exemplo.Compartimentalização A molécula é conjugada com metabólitos da planta. Logicamente que.5 .Herbicidas: resistência de plantas 201 .Metabolização A planta resistente possui a capacidade de decompor. podem provocar mutações no DNA. ou é removida das partes metabolicamente ativas da célula e armazenada em locais inativos. 1996). a planta pode morrer pela ação do(s) outro(s) mecanismo(s). que a mutação possa ocorrer por ação de algum herbicida ou outro defensivo agrícola (KISSMANN. Desse modo. tipo de molécula e.3 . a não ser que ela apresente outros mecanismos de resistência.

devido a apenas um mecanismo de resistência. em que as plantas são capazes de sobreviver e se reproduzir após o tratamento herbicida. mesmo que pertencentes a diferentes grupos químicos. resistência a herbicidas de todos os grupos químicos que possuem o mesmo local de ação. necessariamente.Resistência cruzada A resistência cruzada pode ser conferida a um biótipo por qualquer dos mecanismos que conferem resistência. assim. Relaciona-se com a variabilidade genética natural da espécie.Herbicidas: resistência de plantas . no ponto de ação de um herbicida. A resistência cruzada conferida pelo local de ação ocorre quando uma mudança bioquímica. quando as plantas resistentes possuem dois ou mais mecanismos distintos que conferem resistência. sob condições normais. apresentam 202 Módulo 3. de uma população de plantas.Absorção e translocação A absorção e a translocação são alteradas e. Já a tolerância é uma característica inata de uma espécie. de sobreviver a determinados tratamentos herbicidas que. e a resistência múltipla. cultura de tecidos ou de agentes mutagênicos. Por outro lado. A resistência cruzada ocorre quando um biótipo é resistente a dois ou mais herbicidas. que possuem resistência cruzada a herbicidas inibidores de ALS. também confere resistência a outras moléculas de diferentes grupos químicos. Em uma população de plantas vão existir aquelas que. que agem no mesmo local na planta (POWLES. A resistência pode ser cruzada ou múltipla. Esses mecanismos podem. PRESTON. Uma planta é sensível a um herbicida quando o seu crescimento e desenvolvimento são alterados pela ação do produto. uma planta daninha pode ser sensível. A resistência pode ocorrer naturalmente (seleção) ou ser induzida com uso de técnicas de engenharia genética.4 . Também podem existir variações no nível de resistência cruzada dos biótipos a herbicidas de grupos diferentes. controlam os membros da população. isoladamente ou associados. 2 .: plantas resistentes aos bipiridílios). são resistentes a herbicidas de diferentes grupos químicos e com diferentes mecanismos.5 . naturalmente. tolerante ou resistente a um herbicida. Biótipos de Lolium rigidum e Kochia scoparia. não chegando a ser suficiente para controlar a planta (ex. mesmo sofrendo injúrias. uma planta sensível pode morrer quando submetida a uma determinada dose do herbicida. assim. a resistência é a capacidade adquirida de alguns biótipos. proporcionar tolerância ou resistência a herbicidas. A resistência cruzada não confere. toleram mais ou menos um determinado herbicida. Assim. Desse modo. 1998).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. a quantidade de herbicida que atinge o local de ação é bastante reduzida.

devido a outros mecanismos. pendimethalim e simazine. selecionados com uso de herbicidas dos grupos ariloxifenoxipro-pionato ou cicloexanodiona. Já os casos mais complexos são aqueles em que dois ou mais mecanismos conferem resistência à diversos herbicidas de diferentes grupos químicos. e futuro. Biótipos de Lolium rigidum resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase. no centro ativo A da ALS. em biótipos de Lolium rigidum resistentes aos herbicidas inibidores do FSII. da prolina 173. Conrudo. A conjugação da molécula herbicida com glicose também foi encontrada. 1998). de forma semelhante à que ocorre na cultura do trigo. PRESTON. Acredita-se que as moléculas não-metabolizadas sejam imobilizadas ou armazenadas de forma a evitar sua ação sobre a enzima. Além disso. as dificuldades de controle dos biótipos resistentes aumentam ainda mais quando os mecanismos que conferem a resistência estão relacionados com o local de ação e com outros mecanismos como o metabolismo. entre eles diclofop.5 . A resistência cruzada. dois ou mais mecanismos conferem resistência à apenas um herbicida ou a um grupo de herbicida. que resistem a 15 herbicidas diferentes. apresentam maior nível de resistência aos herbicidas do primeiro grupo do que aos do segundo. já foram encontradas outras alterações na ALS tanto no centro ativo A como em outras partes da enzima (POWLES. Foi detectado. 1998). Isso se deve a pequenas diferenças de ligação entre a enzima e a molécula herbicida e a diferentes mutações que ocorrem no gene que codifica a enzima ALS (POWLES. resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase. O metabolismo de herbicidas inibidores de ACCase e ALS é realizado pelo Cyt P450. relacionado a resistência de plantas daninhas a herbicidas. PRESTON. PRESTON.Herbicidas: resistência de plantas 203 .Resistência múltipla A resistência múltipla é o maior problema atual. Nos casos mais simples. 1998). Para controlar estas plantas daninhas. encontrados na Austrália.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas diferentes níveis de resistência aos diferentes grupos herbicidas que agem inibindo a ALS. que não exibem alterações na enzima. devido à rápida metabolização da molécula por arilhidroxilação catalisada pelo Cyt P450 monoxigenase. 1998). 3 . O diferente nível de resistência pode ser resultado das diferentes mutações ocorridas no gene que codifica a enzima ACCCase e do tipo de alelo do gene (POWLES. é exemplificada por biótipos de Lolium rigidum. As mutações já analisadas mostram substituição. é necessário empregar misturas de herbicidas que não tenham sua atividade afetada pelos mecanismos de Módulo 3. PRESTON. aumento da taxa de metabolismo dos herbicidas (POWLES. mas apresentam pequenos aumentos no metabolismo do herbicida diclofop. que é resistente a vários herbicidas inibidores da ALS. um exemplo são biótipos de Alopecurus myosuroides encontrados na Austrália. imazamethabenz.

1998). 1992). em determinado ambiente (SUZUKI et al. O surgimento de plantas daninhas resistentes a herbicidas é um exemplo de evolução de plantas como conseqüência de mudanças no ambiente provocadas pelo homem (MAXWELL. Os biótipos de A. Biótipos de Lolium rigidum e Alopecurus myosuroides constituem casos complexos. myosuroides metabolizam chlorotoluron e alguns herbicidas inibidores de ACCase e apresentam ACCase mutada. Darwin postulava que a espécie como um todo vai mudando porque os seus indivíduos evoluem na mesma direção. e o da seleção: algumas formas apresentam maior sucesso na sobrevivência e reprodução do que outras. 4 . espécies ou biótipos de uma espécie que melhor se adaptam a uma determinada prática são selecionados e multiplicam-se rapidamente (HOLT. PRESTON. devido ao metabolismo. e resistentes a chlorsulfuron.. encontra condições para multiplicação (BETTS et al. 1992).Evolução da resistência A teoria da evolução de Darwin. dentro da população. é devido à seleção de um biótipo resistente preexistente que. fisiológicas e de comportamento entre indivíduos. irão mudar com o tempo e os indivíduos mais bem adaptados ao ambiente tornam-se predominantes (SUZUKI et al. Desse modo. a população da próxima geração terá uma freqüência elevada dos tipos que tiveram maior sucesso em sobreviver e se multiplicar nas condições ambientais vigentes. pode ser resumida em três princípios: o da variação: existem variações morfológicas. Existem biótipos de Lolium rigidum resistentes a herbicidas inibidores de ALS. as freqüências dos vários tipos. 1994). LEBARON. o caso mais complicado de resistência múltipla. Em geral. e. assim. Há poucos casos registrados de plantas com resistência múltipla (POWLES. PRESTON. em uma população de plantas. o da hereditariedade: a prole parece mais com seus pais do que com indivíduos não-aparentados. MORTIMER. provocando mudanças na flora de algumas regiões.. dentro de qualquer população. 1992) (Quadro 2). O uso repetido de herbicidas para controle de plantas tem exercido alta pressão de seleção.. através da seleção natural.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas resistência em questão. 204 Módulo 3. 1998). por causa da pressão de seleção exercida por repetidas aplicações de um mesmo herbicida. encontrado na Austrália. 1990). Contudo.Herbicidas: resistência de plantas .5 . devido a alterações na enzima. Muitas evidências sugerem que o aparecimento de resistência a um herbicida. ALS e FSII e possuem ACCase e ALS mutadas (POWLES. é de biótipos de Lolium rigidum que metabolizam herbicidas inibidores da ACCase.

não foram detectadas diferenças na capacidade competitiva de Abutilon therphrasti resistente a triazina (GRAY et al. maior produção que biótipos menos adaptados (SAARI et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 2 . 1979) e Chenopodium album (PARKS et al.0 50. que funciona como um reservatório de sementes suscetíveis e.0 Evolução Imperceptível Imperceptível Imperceptível Imperceptível Imperceptível Pouco perceptível Perceptível Evidente Fonte: Kissmann (1996) A utilização de herbicidas que são altamente efetivos no controle de uma planta daninha específica por um longo período de tempo induz uma grande pressão de seleção quando comparados com outras práticas de controle. a aplicação do mesmo herbicida. HOLT.. aumenta esse tempo de aparecimento. sensíveis às triazinas. Em condições de seleção natural. pois no campo existe o banco de sementes. em média. É evidente que a intensidade de seleção na prática não é tão intensa como mostrada na figura.999 99.000 10.5 .. Assim. assim como as diferentes características biológicas. biótipos com maior adaptação ecológica apresentam.000. Por outro lado. (CONARD.9999 99. 1994). conforme a Figura 1. Biótipos de Amaranthus retroflexus L. 1995).000 1. o crescimento e a produtividade de plantas resistentes a triazinas podem estar relacionados com a sua capacidade fotossintética limitada (STOWE.0 90.Tempo para evolução da uma população de biótipos de plantas daninhas resistentes Ano 0 1 2 3 4 5 6 7 No de Plantas Resistentes 1 1 1 1 1 1 1 1 No de Plantas Sensíveis 1. apresentaram maiores área foliar.000 100 10 5 2 % de Controle 99.000 100. Os biótipos resistentes podem apresentar menor adaptação ecológica nesses ambientes e tornam-se predominantes devido à eliminação das plantas sensíveis..0 80. determinam a probabilidade do desenvolvimento de resistência das plantas daninhas a herbicidas.Herbicidas: resistência de plantas 205 .9 99. A intensidade dessa pressão de seleção sobre uma população de plantas daninhas. vai selecionando os indivíduos resistentes e aumentando a sua freqüência na população. A menor capacidade competitiva. 1988).99 99. altura e produção de sementes. 1996). Módulo 3. RADOSEVICH. que apresenta 90% de eficácia de controle do biótipo suscetível. assim.

provocando uma seleção direcional e progressiva de indivíduos que possuem genes de resistência.5 . capazes de serem transmitidas hereditariamente.Aumento da freqüência do biótipo resistente devido a aplicações repetidas e anuais do mesmo herbicida A maior questão ecológica associada com a evolução da resistência aos herbicidas envolve o entendimento das relações entre adaptação.Herbicidas: resistência de plantas . 1996). e a seleção natural favorecem o surgimento e a evolução da resistência. tornando-se predominantes rapidamente na área. A ocorrência de variações genéticas. 1993). Foram identificados biótipos de plantas daninhas resistentes a sulfoniluréias após quatro a cinco anos de uso contínuo de herbicidas deste grupo (MALLORY-SMITH et al. como no caso do glyphosate. Na Austrália.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 1 . O tempo e a proporção de plantas resistentes em um local variam com a freqüência de uso do herbicida e dos seus efeitos biológicos. foram selecionados biótipos de Lolium rigidum resistentes ao diclofop-methyl em três gerações. como três anos após a introdução comercial (TARDIF. 1990). MORTIMER. em uma população de plantas exerce alta pressão de seleção. PAWLES. ou levar muitos anos. podendo ser bastante curtos. Aplicações repetidas de herbicidas. A resistência está ligada a fatores genéticos e é hereditária (KISSMANN. freqüência gênica. partindo de uma população sensível e usando-se dose normal do herbicida. 1994). inibidor da EPSPs (Quadro 3). com o mesmo mecanismo de ação. As plantas que expressam o gene de resistência são selecionadas. herança e fluxo gênico (MAXWELL.. 206 Módulo 3.

herbicidas com essas características exercem alta pressão de seleção e. como é o caso de plantas resistentes aos inibidores de ALS. Há seis fatores relacionados à população de plantas que interagem e determinam a probabilidade e o tempo de evolução da resistência. possuem grandes possibilidades de selecionar biótipos resistentes. São eles: o número de alelos envolvidos na expressão da resistência. Desse modo. uma vez que uma alteração no seu ponto de ação (enzima) pode provocar a perda de sua atividade sobre as plantas e. e quanto maior for a freqüência destes alelos. a transmissão será via cromossômica e. Contudo. Há dois tipos de herança: a citoplasmática (materna) e a nuclear. altamente eficientes e específicos. Um gene é formado por um par de alelos. quanto maior.4-D Triazinas Propanil Paraquat Inibidores da EPSPs Inibidores da ACCase Inibidores da ALS Fonte: Weed Science (1998) Introdução 1948 1959 1962 1966 1974 1977 1982 Resistência 1957 1970 1991 1980 1996 1982 1984 Local EUA e Canadá EUA EUA Japão Austrália Austrália Austrália A indústria sempre buscou moléculas herbicidas com alto grau de segurança. Por outro lado.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 3 – Tempo de evolução da resistência para diferentes mecanismos de ação Herbicida 2. O tipo de herança do(s) alelo(s) da resistência é ponto crucial no estabelecimento da resistência em uma população de plantas. ou seja. as características reprodutivas da espécie. O objetivo foi atingido e surgiram os herbicidas modernos (inibidores de ALS e ACCase). como é o caso de plantas resistentes a triazinas. maior será a probabilidade de seleção de um biótipo resistente. conseqüentemente. a pressão de seleção. quando dois alelos estão envolvidos. Por sua vez. dessa forma.Herbicidas: resistência de plantas 207 . se a herança for nuclear. o surgimento de plantas resistentes. O número de alelos que conferem a resistência é importante. 1998). mais genes podem estar envolvidos (poligênica) e mais lenta será a evolução da resistência. significa que somente um gene é responsável pela resistência (monogênica) e a evolução será rápida. A freqüência do(s) alelo(s) da resistência na população sensível geralmente está entre 1 em 1016 e 1 em 106 (MORTIMER. características como herança do tipo Módulo 3. e a taxa de cruzamentos entre biótipos resistentes e sensíveis (MORTIMER. assim. pois. que agem em pontos únicos nas rotas metabólicas das plantas. somente a planta-mãe poderá transmitir a resistência para os filhos.5 . 1998). alta eficiência e baixa toxicidade para o homem e o ambiente. a freqüência do(s) alelo(s) da resistência na população inicialmente sensível. Herança citoplasmática é aquela em que os caracteres hereditários são transmitidos via citoplasma. tanto o pai como a mãe podem transmitir a resistência. As características poligênicas dependem da associação dos genes corretos. o modo de herança do(s) alelo(s) da resistência (citoplasmática ou nuclear). assim.

favorecendo o desenvolvimento da população resistente. de acordo com sua fenologia e seu crescimento (MORTIMER. exceto os resistentes. A intensidade de seleção é a resposta da população de plantas às repetidas aplicações de herbicidas. ao tempo. que serão selecionados futuramente devido segregação e recombinação de genes (MORTIMER. permite a dispersão da resistência principalmente em plantas com alta taxa de fecundação cruzada. 1998). 1995). A intensidade e a duração da seleção interagem. Resumidamente. e intercruzamento entre os biótipos sobreviventes. que será proporcional à dose e. 5 .. influenciam diretamente a dispersão das plantas resistentes. o processo da evolução da resistência a herbicidas passa por três estádios: eliminação dos biótipos altamente sensíveis. A duração da seleção é medida pelo tempo no qual o herbicida permanece com residual. eliminação de todos os biótipos. gerando novos indivíduos com maior grau de resistência. e seleção destes dentro de uma população com alta tolerância.5 . As características reprodutivas. controlando as plantas sensíveis em diversos fluxos germinativos. A alta pressão de seleção. o mecanismo de polinização e as condições climáticas durante a floração (STALLINGS et al. O fluxo gênico apresenta correlação com o fluxo de distribuição de pólen e varia com a espécie. ou. 1994). entre plantas resistentes e sensíveis. restando apenas os mais tolerantes e resistentes.Pressão de seleção Os fatores intensidade de seleção e sua duração contribuem para a pressão de seleção exercida pelos herbicidas. Já os herbicidas com residual longo agem durante tempo maior. A alta eficiência dos herbicidas provoca a eliminação rápida dos biótipos sensíveis.Fatores que favorecem o surgimento da resistência 5. que é medida pela eficiência de controle das plantas daninhasalvo e pela relativa redução da produção de sementes das plantas remanescentes. 1994). O uso repetido de um mesmo herbicida ou de herbicidas com mesmo 208 Módulo 3. O intercâmbio de pólen. com maior rapidez no ambiente do que as do tipo citoplasmática (materna).Herbicidas: resistência de plantas . O uso de herbicidas altamente eficientes e com residual longo exerce alta pressão de seleção. A dispersão da resistência via pólen é influenciada pela eficiência de dispersão e longevidade do pólen (MULUGETA et al. favorecimento de um indivíduo em relação a outros.. A taxa de cruzamento entre os biótipos resistentes e sensíveis determina a dispersão dos alelos de resistência na população. imposta sobre uma população sensível proporciona espaço para o crescimento e desenvolvimento dos biótipos resistentes.. provocando variações sazonais que podem ser observadas nas espécies. já a contribuição do movimento de sementes é relativamente pequena (SAARI et al. 1998). como dispersão de pólen e número de propágulos produ¬zidos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas nuclear disseminam-se. via pólen.1 .

adjuvantes. Toda população natural de plantas daninhas contém biótipos resistentes a herbicidas. dosagem. A seleção altera as proporções entre as plantas sensíveis e resistentes. altamente específicos e com longo residual.Variabilidade genética A variabilidade genética das plantas daninhas. aliadas ao monocultivo e ao uso repetido do controle químico. é resultado da relação entre a freqüência da mutação e o tamanho da população. O controle insatisfatório de plantas daninhas não significa necessariamente que seja resistência. calibração. 5.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas mecanismo de ação. Segundo HRAC (1998a). tipo de bicos e condições ambientais foram adequados? b) As falhas de controle foram para uma espécie apenas? c) As plantas não são resultado de reinfestação? Módulo 3. O(s) gene(s) que conferem a resistência a um determinado herbicida pode(m) estar presente(s) em uma população antes mesmo que este herbicida seja lançado no mercado. Características das plantas daninhas como alta diversidade genética. 1969). produz alta pressão de seleção e aumenta a possibilidade de seleção de biótipos resistentes. 6 . época ou estádio de aplicação. Geneticamente.5 . torna inevitável o surgimento de plantas resistentes. que se apresentam indiferentes à aplicação de algum herbicida (HRAC.2 . A possibilidade de ocorrer resistência em uma população.Diagnóstico da resistência a campo A resistência é um fenômeno que evolui em uma lavoura durante vários anos. O gene ou os cromossomos mutantes são a fonte essencial de toda a variação genética (BREWBAKER. há dois caminhos para o aparecimento de plantas resistentes: a ocorrência de um gene ou de genes que conferem a resistência em freqüência muito baixa na população ou através de uma mutação (MORTIMER. devido à mutação. 1998). deve-se responder às seguintes perguntas: a) Produto. volume de calda. 1998a). inicialmente. baixa dormência das sementes. contribuem grandemente para o surgimento de plantas resistentes. grande produção de polén e propágulos. associada à adequada intensidade e duração de seleção. quando se suspeitar da ocorrência de resistência.Herbicidas: resistência de plantas 209 .

Para servir como padrão sensível. se a diferença de controle for pequena. As diferenças entre biótipos resistentes e sensíveis de uma espécie podem ser quantitativamente expressas comparando-se as doses de herbicidas necessárias para reduzir 50% da população (DL50). avaliar o controle e a produção de matéria fresca.Herbicidas: resistência de plantas . das plantas tratadas com herbicida em comparação com as não-tratadas (MAXWELL. deve-se colher em torno de 40 plantas ou 1. Por outro lado. duas e quatro vezes a dose recomendada. As condições de aplicação devem seguir aquelas recomendadas pela empresa fabricante. 7 . Se a diferença de controle entre os biótipos resistentes e sensíveis for grande. 1994).000 sementes. para identificar o mecanismo exato da resistência. existe a possibilidade de ser resistência. Após duas e quatro semanas. a) Ultimamente tem-se reptido aplicação de um mesmo herbicida ou herbicidas com mesmo mecanismo de ação? b) O herbicida em questão vem perdendo eficiência? c) Há casos de plantas resistentes a este herbicida? d) O herbicida não perdeu eficiência sobre outras espécies? Se a resposta a uma ou mais destas perguntas for afirmativa. da biomassa (GR50) ou da atividade da enzima (I50). dose recomendada.5 . Os resultados podem indicar se a resistência é devido à alteração no local de ação ou à metabolização da molécula. podem ser realizadas em nível de laboratório. Existem metodologias para estudo da maioria dos casos de resistência. Análises bioquímicas. indica que o provável mecanismo envolvido é metabolismo da molécula. Ponchio (1997) isolou a enzima ALS e avaliou a sua resposta a diferentes doses de herbicidas que agem sobre ela. MORTIMER. No Brasil. indica que o possível mecanismo de resistência está relacionado com o local de ação. 210 Módulo 3. semear em vasos e tratar com doses crescentes do herbicida em questão.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Se as respostas a estas perguntas forem afirmativas. As doses a serem aplicadas são: metade da recomendada. Para se ter certeza de que as plantas colhidas representam a população. devem-se colher sementes de plantas em locais que nunca receberam aplicação daquele herbicida.Como confirmar a resistência O método mais comum e recomendado pelo HRAC (1998b) é colher sementes das plantas suspeitas de resistência e de plantas sensíveis. deve-se iniciar a investigação dos fatores que levam à resistência. devendo-se realizar testes para confirmação.

As práticas culturais visam aumentar o número de possibilidades de controle das plantas daninhas. algumas práticas podem ser implantadas. g) Rotacionar o plantio de culturas. A mistura de produtos com diferentes mecanismos de ação proporciona controle eficiente por maior número de anos do que ambos aplicados de forma isolada. f) Usar herbicidas com menor pressão de seleção (residual e eficiência). h) Rotacionar os métodos de controle de plantas daninhas. devem-se realizar os testes e determinar medidas de manejo. k) Controlar plantas em áreas adjacentes (terraços. em primeiro lugar: a) Erradicar imediatamente as plantas remanescentes. é pequena. b) Realizar aplicações seqüenciais. j) Usar sementes certificadas. l) Rotacionar o método de preparo do solo. c) Evitar a disseminação.Como evitar a resistência Antes que as falhas de controle apareçam na lavoura. b) Colocar em prática o programa de manejo da resistência. pós-colheita). 8 . Isso pode ser conseguido com adoção das seguintes práticas: a) Usar herbicidas com diferente mecanismo de ação. O acompanhamento e a avaliação da eficiência das medidas adotadas para combate à resistência são indispensáveis para garantir o sucesso da prática. e) Limitar aplicações de um mesmo herbicida. para reduzir o acréscimo de sementes ao banco. os herbicidas que compõem a mistura devem controlar o mesmo espectro de plantas daninhas e ter persistência similar e diferente mecanismo de ação e de detoxificação. juntamente com esta. a fim de minimizar o risco do surgimento de plantas resistentes (Quadro 4). Para minimizar os riscos de resistência. d) Realizar rotação de mecanismo de ação. simultaneamente. já que a probabilidade de uma planta daninha tornar-se resistente aos dois mecanismos. i) Acompanhar mudanças na flora.5 . deve-se. c) Usar mistura de herbicidas com diferentes mecanismos de ação e de detoxificação. através de diferentes métodos de controle e mecanismos herbicidas. Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A empresa fabricante deve ser informada e.Herbicidas: resistência de plantas 211 . Em caso de confirmação da resistência. São elas: reduzir a pressão de seleção e controlar os indivíduos resistentes antes que eles possam se multiplicar. A adoção dessas práticas visa reduzir a pressão de seleção.

O uso de altas doses pode intensificar a seleção. pode ser conseguida com redução na dose do herbicida que selecionou as plantas resistentes. e os biótipos mais adaptados tendem a dominar o ambiente. O comportamento de uma população de plantas pode ser altamente modificado. assim.Herbicidas: resistência de plantas .5 . 1998). 1998). as plantas que não são controladas com uso de herbicidas alternativos podem contribuir para a disseminação e o aumento da freqüência gênica dos alelos sensíveis. Biótipos de Senecio vulgaris. As várias opções que vêm sendo sugeridas estão baseadas em somente dois processos biológicos: alteração da pressão de seleção e.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 4 – Risco de evolução da resistência. selecionar biótipos altamente resistentes. seleção reversa. mecânico e químico Completa Baixa Bom Risco de resistência Médio Dois mecanismos Dois mecanismos Cultural e químico Limitada Média Declinando Alto Um mecanismo Um mecanismo Químico Nenhuma Alta Ruim 9 . Por outro lado. 1998). rotação de culturas e métodos de controle e usando-se herbicidas com diferentes mecanismos de ação. Essa tática somente será eficiente na redução da população dos biótipos resistentes em casos em que as diferenças de adaptabilidade entre os biótipos resistentes e sensíveis forem grandes (MORTIMER. ou. A seleção reversa ocorre na ausência da seleção herbicida. 1998). são menos competitivos do que biótipos sensíveis. 212 Módulo 3. favorecendo os alelos sensíveis (MORTIMER. mas reduzirá o número de genes na população capazes de associarem-se (MORTIMER. resistentes às triazinas. A taxa de cruzamento entre os biótipos resistentes é reduzida. Desse modo. uso de misturas de herbicidas. essas medidas podem agravar o problema. As características poligênicas dependem da associação dos genes corretos. a redução na pressão de seleção aumenta a probabilidade de associação desses genes em um biótipo. A redução na pressão de seleção. neste caso. de acordo com as práticas de cultivo Opção de manejo Mecanismo herbicida usado Mistura de herbicidas Método de controle Rotação de cultura Infestação Controle nos últimos três anos Fonte: Adaptado de HRAC (1998d) Baixo Mais que dois Mais que dois mecanismos Cultural. se a resistência for uma característica poligênica. A baixa pressão de seleção poderá. no caso de a resistência ser monogênica.Manejo da resistência a herbicidas As estratégias de manejo vêm sendo discutidas continuamente por cientistas da área. e com o passar do tempo a população de plantas resistentes será reduzida (MORTIMER.

nos Estados Unidos. O herbicida quinclorac. e Matricaria perforata.Herbicidas: resistência de plantas 213 . Os biótipos resistentes assumem importância. as indústrias tomaram a iniciativa. O terceiro caso foi em 1964.5 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Considerando que a resistência é um problema que pode afetar intensamente o mercado de herbicidas. Módulo 3. no Canadá. no Canadá.4-D. quando biótipos resistentes de Convolvulus arvensis foram identificados nos Estados Unidos (WEED SCIENCE. fortemente defendidas pelas empresas. financiando pesquisas e com iniciativas educativas que visam esclarecer aspectos sobre a resistência e o modo de ação de cada herbicida. que incluem mistura de herbicidas. resistentes ao 2. poucas plantas daninhas evoluíram resistência até hoje. 1997). 1998) O uso extensivo de 2. de constituir um grupo permanente de cientistas para estudar o assunto e propor soluções. por serem os três grupos de produtos com maiores problemas (KISSMANN.4-D e MCPA revolucionaram o controle de espécies daninhas de folha larga em cereais na década de 1940 e têm sido usadas largamente desde então. na França.1 . através do GCPF (Federação Global de Proteção de Plantas).Auxinas As auxinas sintéticas 2. O conhecimento do modo de ação dos herbicidas é fundamental na adoção de técnicas de manejo.4-D e MCPA em trigo selecionou Sinapis arvensis. foram identificados biótipos de Commelina diffusa. considerado uma auxina e usado para controle de gramíneas em arroz. Em 1957. Papaver rhoeas. devido ao largo uso destes herbicidas para controlar grande número de espécies e ao restrito número de herbicidas com potencial para substituí-los (HEAP. estão empenhadas em desenvolver técnicas e estratégias para identificação. As empresas fabricantes de herbicidas. que visam prolongar a vida útil das moléculas envolvidas na resistência. responsáveis pelo HRAC. rotação de mecanismos de ação e adoção de práticas culturais específicas. Os três primeiros casos de resistência identificados foram a esta classe herbicida. na Espanha. Este grupo chama-se HRAC (Herbicide Resistance Action Committee) e é formado por três subgrupos que estudam triazinas. 10 . inibidores de ALS e inibidores de ACCase. 1996). manejo e monitoramento dos casos de resistência. e de Daucus carota. Considerando o tempo e o uso extensivo destes herbicidas.Características da resistência por grupos herbicidas 10. selecionou biótipos resistentes de Echinocloa crus-galli na Espanha.

é o longo tempo em que este vem sendo usado. 20 são dicotiledôneas e sete são monocotiledôneas (HEAP. em lavouras que usaram o produto para controlar plantas daninhas em pré-plantio. 214 Módulo 3. (1997) demonstraram que os biótipos resistentes de Lolium rigidum foram dez vezes mais tolerantes ao glyphosate do que os biótipos sensíveis.Herbicidas: resistência de plantas . com surgimento de apenas uma espécie resistente (HEAP. 10. e os herbicidas auxínicos e inibidores de ACCase. 1997). os biótipos resistentes a este grupo herbicida não são considerados de grande importância (HEAP. resistentes ao glyphosate. respectivamente. de que o glyphosate apresenta baixo risco para selecionar biótipos resistentes. pelo menos. 1994).Bipiridílios Os herbicidas bipiridílios são herbicidas não-seletivos aplicados em pós-emergência. no Japão. Trabalhos realizados por Pratley et al. 1997). biótipos de Lolium rigidum. limitado metabolismo pelas plantas e baixo poder residual. plantas de Conyza bonariensis resistentes ao paraquat (PRESTON. foram identificadas. Devido à pequena área infestada e ao número de herbicidas alternativos. na Austrália. selecionaram 26 espécies resistentes. 17 espécies resistentes. Depois disso. Segundo esses autores. (2002) trabalhando com Lolium rigidum. Dentre estas.5 . entre plantas resistentes e suscetíveis as enzimas são igualmente sensíveis ao glyphosate em ambas as populações. Em 1996 foram identificados. no Egito.3 . mais de um mecanismo de ação. Após duas décadas de uso. Por apresentar mais de um mecanismo de ação. Aplicações de paraquat e diquat selecionaram 25 e duas espécies resistentes. dez vezes nos últimos 15 anos. selecionaram. foram identificados. nãotranslocáveis (de contato) e com baixa persistência biológica no solo. os herbicidas bipiridílios. como o glyphosate. O argumento mais convincente.Derivados da glicina O herbicida glyphosate é o produto mais usado deste grupo. Erigeron sumatrensis e Youngia japonica resistentes a estes herbicidas. cada um. Atualmente existem comprovados no mundo seis casos de resistência ao glyphosate. Lorraine-Colwill et al. Os mecanismos que conferem resistência aos bipiridílios são redução na translocação e compartimentalização da molécula (PRESTON. que apresentam baixo residual. Contudo. em 1980. 1994). biótipos de Erigeron philadelphicus. Os biótipos também apresentaram-se resistentes ao diclofop e sensíveis aos demais herbicidas graminicidas usados para seu controle.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 10.2 . que apresentam. é considerado um produto com baixa probabilidade de selecionar espécies resistentes. em uma vasta área. 1997). não encontraram nenhuma diferença em nível da expressão gênica no alvo do herbicida e na síntese de EPSPs.

10. devem ser usados com rotação de culturas e de herbicidas. devem ser adotados. 10.5 . foram selecionados artificialmente (MORTIMER. 1997). Biótipos de Lolium rigidum apresentam resistência cruzada às dinitroanilinas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Esses trabalhos também demonstraram que não existem diferenças de absorção. Os herbicidas inibidores de ACCase são o primeiro grupo herbicida alternativo para controlar biótipos resistentes aos herbicidas do grupo dinitroanilina. 1998). assim. 1990. Dessa forma. Sorghum halepense e Amaranthus palmeri evoluíram resistência à trifluralin após 15 a 20 anos de uso em cereais e leguminosas. translocação.5 . 1990). Biótipos de Festuca rubra. O uso de misturas herbicidas e emprego de mais de um método de controle. para controle de gramíneas. mais de 500 locais com Avena fatua (HEAP. metabolismo e sensibilidade da EPSPS ao glyphosate. Apesar do tempo de uso e do seu longo período residual. Há 17 espécies monocotiledôneas resistentes aos inibidores da ACCase. A única diferença entre os biótipos foi o maior nível de RNAm encontrado nos biótipos resistentes. são usados em pré-emergência para controlar plantas daninhas gramíneas em culturas oleaginosas. entre os biótipos resistentes e sensíveis. Essas moléculas agem sobre a enzima ACCase e controlam com eficiência gramíneas em culturas mono e dicotiledôneas. somente cinco monocotiledôneas e uma dicotiledônea apresentam resistência a este grupo herbicida (HEAP. biótipos de Eleusine indica. a maior quantidade de EPSPs sintetizada poderia ser a causa da resistência.4 .000 locais com Lolium rigidum resistente e. devido ao metabolismo dessas moléculas (MOSS. POWLES. resistentes ao glyphosate.Herbicidas: resistência de plantas 215 . Desse modo. recentemente desenvolvidos.Dinitroanilinas Os herbicidas do grupo dinitroanilinas. Módulo 3. além do químico. 1998). oryzalin e pendimethalin. Estima-se que haja. HOWAT. como trifluralin. Nos Estados Unidos. A identificação de biótipos resistentes ao glyphosate indica que a resistência a este produto deve ser prevenida. mais de 3. Entre as plantas resistentes. em resposta ao tratamento com glyphosate. 1998). acredita-se que estes mecanismos não são as causas principais da resistência dos biótipos a este herbicida. Lolium rigidum e Avena fatua são as espécies com maior importância. 1997). considera-se que aquelas que resistem aos herbicidas inibidores de ACCase tenham a maior importância econômica. e isso fez com que fossem selecionados biótipos de Setaria viridis com resistência múltipla a estes mecanismos (HEAP.Inibidores de ACCase Este grupo herbicida foi introduzido na década de 1970. os cultivares de soja resistentes ao glyphosate. no Canadá. em 16 países. em razão da área infestada e do número restrito de mecanismos alternativos para controle dos biótipos resistentes (HEAP. na Austrália.

1994. apresentam maior nível de resistência aos herbicidas do primeiro grupo do que aos do segundo.5 . 1994). 5) trabalhos têm mostrado que os biótipos resistentes apresentam a mesma adaptabilidade ecológica que os biótipos sucetíveis dos inibidores 216 Módulo 3. Atualmente. que vai desde a cultura da soja até área de produção de arroz irrigado e florestas implantadas. este grupo herbicida vem apresentando o maior número de registros de plantas resistentes. o que se deve a vários fatores.Herbicidas: resistência de plantas . 1994). Nos últimos dez anos. A manutenção do potencial é vital para a sobrevivência da célula. 1994).6 .esses herbicidas podem atingir níveis de controle próximos a 100%. 10.. Estes herbicidas são largamente usados devido a sua baixa toxicidade para animais. Essas características contribuíram para o surgimento rápido da resistência. plantas resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase devem possuir mais de um mecanismo que proporcione a resistência. selecionados com uso de herbicidas dos grupos ariloxifenoxipro-pionato ou cicloexanodiona.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Biótipos de Lolium rigidum. O diferente nível de resistência pode ser resultado das diferentes mutações ocorridas no gene que codifica a enzima ACCase e do tipo de alelo do gene (POWLES. em razão da sua eficiência e do reduzido impacto ambiental (SAARI et al. Em biótipos de Lolium rigidum. 1997). Os herbicidas classificados como inibidores de ALS tornaram-se uma ferramenta de grande importância para agricultura.Inibidores de ALS A introdução no mercado dos herbicidas inibidores de ALS ocorreu em 1982. Amaranthus strumarium e Sorghum bicolor (HEAP. 2) alta eficácia da maioria dos herbicidas inibidores da ALS . em 14 países. desde gramíneas até dicotiledôneas e plantas daninhas perenes como a tiririca e a grama-seda. 3) muitos herbicidas inibidores da ALS apresentam residual prolongado no solo e conseqüentemente aumentam a pressão de seleção para biótipos resistentes. AHRENS. alta seletividade para as culturas e alta eficiência com emprego de doses baixas (HESS. Dentre estas. 41 são dicotiledôneas e nove são monocotiledôneas. Assim. Entre as espécies descritas estão Kochia scoparia. 1998). a repolarização das membranas ocorre independentemente da presença da ACCase mutada e existem muitas diferenças entre as membranas dos biótipos resistente e sensível (HEAP. como: 1) a amplitude de recomendações possíveis. há 50 espécies de plantas daninhas resistentes a estes produtos. surgiu a primeira espécie resistente (SAARI et al. Os herbicidas inibidores da ALS apresentam alta freqüência de casos de resistência de plantas daninhas. resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase. Aproxi¬madamente cinco anos após o início do uso dos herbicidas inibidores de ALS. A despolarização das membranas é um segundo mecanismo de ação atribuído aos herbicidas deste grupo. PRESTON. 1997). 4) a resistência aos herbicidas inibidores da ALS é determinada geneticamente por lócus simples e semidominante e alta freqüência inicial em todos os casos de resistência estudados até o momento. bem como a seu grande espectro de controle de plantas daninhas. com o lançamento da molécula chlorsulfuron para uso em cereais (SAARI et al. um relacionado com a ACCase e outro com a membrana plasmática. a resistência aos inibidores da ALS tem sido atribuída a mudanças na seqüência de aminoácidos. 1994)...

A resistência a imidazolinonas e sulfoniluréias é conferida por um gene dominante nuclear (MAZUR. PRESTON. outros aminoácidos da ALS podem ser substituídos e produzir plantas resistentes com características distintas. porém a atividade da ALS. Christopher et al. até o momento. e Solanum nigrum. da prolina 173 por uma alanina. 1989. em nove países. As espécies mais freqüentes são Chenopodium album. biótipos resistentes apresentam menor crescimento do que biótipos normais Módulo 3. Entre as plantas resistentes relatadas existem nove espécies de Amaranthus. que conferem alterações funcionais na enzima ALS (POWLES. contudo. glutamina.7 . Amaranthus retroflexus e Senecio vulgaris. no centro ativo A da ALS. Além da prolina. foi identificada somente uma mutação na proteína D1: a substituição da serina 264 por uma glicina. 1992). A rápida inativação metabólica é a base para a resistência do biótipo SR4/84 de Lolium rigidum ao chlorsulfuron (COTTERMAN.5 . já que. a resistência deste biótipo se deve à rápida metabolização do herbicida.. Esta mutação afeta o fluxo de elétrons no FSII. O gene que codifica a enzima ALS nas espécies resistentes pode apresentar diferentes mutações. e 6) a maioria dos casos de resistência aos inibidores da ALS estudados apresenta resistência cruzada aos diversos grupos químicos de herbicidas que tem este mecanismo de ação (VARGAS et al. até o momento. Os diferentes níveis de resistência são atribuídos às diferenças na estrutura do centro de reação da D1 entre às espécies. FALCO. serina ou treonina. 10. 1998). A causa da resistência aos herbicidas inibidores de ALS está em mutações que ocorrem no DNA e no metabolismo da molécula herbicida. Já um segundo biótipo apresentou resistência devido à insensibilidade da enzima ALS ao inibidor. assim. entre elas a substituição. assim. 2004). como as triazinas e uréias substituídas. respondeu igualmente a um biótipo sensível ao herbicida. As plantas daninhas resistentes têm sido controladas com eficiência. em dez países. usando-se herbicidas alternativos (HEAP.Herbicidas: resistência de plantas 217 .Triazinas A maioria das plantas daninhas resistentes às triazinas foram localizadas em lavouras de milho na Europa e América do Norte.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas da ALS. (1992) identificaram biótipos de Lolium rigidum resistentes ao herbicida chlorsulfuron. não foram encontrados biótipos resistentes que apresentem alteração na taxa de crescimento ou na capacidade competitiva.. histidina. A mutação na D1 provoca alto nível de resistência aos herbicidas do grupo triazinas. não está descartada a hipótese de que o metabolismo da molécula também esteja envolvido. em 16 países. 1994). em um dos biótipos resistentes. mas não a todos os herbicidas do grupo das uréias. O metabolismo das moléculas herbicidas é outro mecanismo usado por plantas daninhas para resistir a estes herbicidas. 1997). Estima-se que a área infestada no mundo com plantas daninhas resistentes aos herbicidas triazinas seja superior a três milhões de hectares. dessa forma. SAARI. Alterações na proteína D1 são as principais causas da ocorrência de plantas resistentes aos herbicidas que agem no fotossistema II. SAARI et al. cinco de Polygonum e quatro de Chenopodium. Essas mutações não alteram a função biológica da ALS.

mas sim via herança materna. 11 . 1998).5 . Quadro 5 . a resistência não é transmitida hereditariamente via pólen. Os herbicidas triazinas e auxina sintéticas vêm sendo usados em milhões de hectares há mais de 30 anos.8 . com e sem rotação. 1998). ao tamanho da área e ao tempo em que este produto é usado na área. mais de 40 espécies apresentam resistência a este grupo e duas ao propanil. da Costa Rica e dos Estados Unidos (HEAP. 1997). Até o momento existem 64 espécies resistentes às triazinas e 17 resistentes aos auxínicos. Isso demonstra que as triazinas apresentam maior risco de seleção de biótipos resistentes que as auxinas sintéticas (HEAP. apresentam sérios problemas de controle. em 1983. O herbicida propanil é usado para controlar Echinocloa colona e E. 10. e na Alemanha. com uso de herbicidas alternativos (HEAP. Os biótipos de plantas daninhas resistentes às triazinas são controlados com eficiência. Atualmente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas (POWLES. em 1982. As diferenças se devem à variabilidade genética das espécies envolvidas.D 218 Mecanismo Local de ação alterado/metabolismo Local de ação alterado Local de ação alterado Local de ação alterado Metabolismo Desconhecido Módulo 3. Biótipos de Alopecurus myosuroides.Herbicidas: resistência de plantas .4. crusgalli em lavouras de arroz. 1997). A mutação responsável pela resistência às triazinas ocorreu no genoma do cloroplasto. resistentes a chlorotoluron. PRESTON.Seleção de biótipos resistentes por diferentes mecanismos de ação herbicida Os herbicidas selecionam biótipos resistentes com diferentes mecanismos de resistência (Quadro 5) e em diferentes períodos de tempo (Quadro 3).Mecanismos de resistência de plantas daninhas a herbicidas pertencentes a diferentes grupos químicos Herbicida Triazinas Dinitroanilina Inibidores da ALS Inibidores da ACCase Propanil 2. em muitos países. A ocorrência destes biótipos resistentes inviabiliza o uso deste herbicida em lavouras da Colômbia. que pertence ao grupo das amidas. além da facilidade que as espécies possuem de evoluir resistência para o herbicida e do número de mecanismos envolvidos.Uréias/amidas A primeira espécie a apresentar resistência às uréias foi Alopecurus myosuroides no Reino Unido. por possuírem capacidade de metabolizar herbicidas com diferentes mecanismos de ação. dessa forma. As diferenças relacionadas ao mecanismo de ação destes herbicidas podem ser a resposta para essa questão.

selecionaram biótipos resistentes devido ao seu emprego em vastas áreas (HEAP. Estes biótipos foram encontrados em lavouras dos estados do Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul e apresentam resistência cruzada aos herbicidas inibidores de ALS. dos biótipos resistentes.A resistência de plantas daninhas no Brasil Atualmente são reconhecidos 15 casos de plantas daninhas resistentes no Brasil. VARGAS et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Os herbicidas dos grupos cloroacetamidas e inibidores da EPSPs (glyphosate). Até hoje foram constatados casos de resistência em 6 espécies de plantas daninhas. poderão ser evitados o surgimento de novos casos de resistência e o surgimento de plantas com resistência múltipla. lactofen. O primeiro caso de resistência.5 . (Quadro 6). 1997). constitui-se na mais provável causa da resistência (PONCHIO. mostrou-se menos sensível a estes herbicidas e. estes herbicidas apresentam alto potencial para selecionar plantas resistentes. Somente com o uso de todos os métodos de controle disponíveis conjuntamente. Em razão de suas características.Herbicidas: resistência de plantas 219 . Conyza banariensis e Plantago lanceolata (WEED SCIENCE. a alta especificidade e eficiência e o longo período residual contribuem para a evolução rápida da resistência aos herbicidas que agem inibindo as enzimas ALS e ACCase. O primeiro caso de resistência de plantas daninhas ao herbicida glyphosate foi registrado em 1996. Conyza canadensis. são elas: Lolium rigudum. apesar de serem considerados de baixo risco. que é um problema muito maior do que a resistência cruzada. A enzima ALS. O glyphosate esta sendo usado intensivamente na agricultura há mais de 25 anos. 12 . A alta freqüência inicial de indivíduos resistentes na população. 1999). Módulo 3. mas são sensíveis aos herbicidas alternativos sulfentrazone. Lolium multiflorum. 2006). LÓPEZ-OVEJERO. 1997). 1997. desse modo. até o presente momento. relatado oficialmente. bentazon. fomesafen e acifluorfen (PONCHIO. aos herbicidas inibidores de ALS. a vasta área tratada. 2003). Nos últimos dez anos foram identificadas mais espécies resistentes para os inibidores de ALS do que para qualquer outro mecanismo de ação. foi o da planta daninha Bidens pilosa L. um número limitado de populações de plantas daninhas sofreu pressão de seleção suficiente para o aparecimento de biótipos resistentes (CHRISTOFOLETI.. Eleusine indica.

porém são sensíveis a herbicidas com outros mecanismos de ação. até o momento. estão sendo realizados na Universidade Federal de Viçosa. referentes à resistência em Euphorbia heterophylla L.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 6 .Herbicidas: resistência de plantas . Estudos relacionados à capacidade competitiva e ao comportamento das sementes no solo não indicam. Estudos relacionados a inibidores da ALS em condições de laboratório e de campo. O uso repetido destes herbicidas pode ser a principal causa da seleção dos biótipos resistentes. Os biótipos resistentes sobreviveram ao tratamento com dose 16 vezes maior que a dose de campo (de rótulo). crusgalli Echinochloa crus-pavonis Eleusineiíndica Euphorbia heterophylla Euphorbia heterophylla Sagitaria montevidensis Fimbristylis miliacea Lolium multifolium Parthenium hysterophorus Raphanus sativus Fonte: Wees Science (2006) Nome comum Picão-preto Picão-preto Capim-marmelada Junquinho Capim-arroz Capim-colchão Capim. onde estes produtos são empregados há mais de cinco anos. Os resultados deste trabalho indicam que a resistência é conferida por um gene dominante nuclear e que os biótipos apresentam resistência cruzada aos herbicidas inibidores de ALS. resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase. resistentes aos herbicidas inibidores de ALS. Não houve diferenças entre os biótipos resistentes e sensíveis relacionadas à taxa de germinação e à profundidade de germinação e emergência. e Brachiaria plantaginea.arroz Capim.5 . diferenças entre os biótipos resistentes e sensíveis. foram identificados em lavouras de soja nos estados do Rio Grande do Sul e Paraná.Espécies de plantas daninhas resistentes a herbicidas ocorrentes no Brasil e seu provável mecanismo Biótipos resistentes Bidens pilosa Bidens subalternans Brachiaria plantaginea Cyperus difformis Echinochloa colonum Digitaria ciliaris Echinochloa crusgalli var.. 220 Módulo 3.arroz Capim-pé-de-galinha Leiteiro Leiteiro Flecha Cuminho Azevém Losna-branca Nabiça Mecanismo de ação ao qual adquiriu resistência Inibidores da ALS Inibidores da ALS Inibidores da ACCase Inibidores da ALS Auxina sintética Inibidores da ACCase Auxina sintética Auxina sintética Inibidores da ALS Inibidores da ALS Inibidores da ALS e PPO Inibidores da ALS Inibidores da ALS Inibidores da EPSPs Inibidores da ALS Inibidores da ALS Biótipos de Euphorbia heterophylla.

observaram que aproximadamente 80% das plantas avaliadas resistiram a dose de até 1. Vargas et al. Depois do tratamento com glyphosate os autores observaram acumulação do produto nas raízes de plantas suscetíveis e nas pontas das folhas de plantas resistentes (Quadro 7). No Brasil. trabalhando com biótipos sucetíveis e resistentes de azevém (Lolium multiflorum). (2002) não encontraram nenhuma diferença em nível da expressão gênica no alvo do herbicida e na síntese de EPSPs. as enzimas foram igualmente sensíveis ao glyphosate em ambas às populações. (2004).Herbicidas: resistência de plantas 221 . Lorraine-Colwill et al. 2004). Originária do sul da Europa. ereta.Resistência do azevém (lolium multiflorum) ao glyphosate Lolium multiflorum é uma espécie anual ou bianual. três aplicações de glyphosate por ciclo durante os últimos 8 a 10 anos. foram identificados biótipos de azevém (Lolium multiflorum) resistentes ao glyphosate em lavouras de culturas anuais e em pomares (ROMAN et al. Este biótipo resistente foi identificado em pomares no Chile. Nas plantas resistentes e suscetíveis. herbácea. O primeiro caso de Lolium multiflorum resistente ao glyphosate foi relatado por Perez e Kogan (2002). As plantas resistentes e suscetíveis foram igualmente capazes de absorver o herbicida aplicado. glaba. Nesse mesmo trabalho. em média. densamente perfilhada..440 g ha-1 de glyphosate e. o mecanismo que confere resistência ao glyphosate ainda não foi determinado com clareza. Com relação ao Lolium rigidum. propaga-se apenas por sementes (LORENZI. aproximadamente. A diferença marcante entre populações resistentes e suscetíveis foi encontrada no translocação do glyphosate.520 g ha-1. a dose de 360 g ha-1 foi suficiente para controlar o biótipo sensível. de 30 a 90 cm de altura. 2000). morfologicamente muito variável. 20% a doses de até 11.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 13 . Em todos esses casos a aplicação repetida e continuada de glyphosate para controle da vegetação é considerada a principal causa da seleção dos biótipos resistentes.5 . Módulo 3. que vinham recebendo.

0 42. (2002) % de inibição por glyphosate 0 hora após a aplicação 48 horas após a aplicação 42. Quadro 8 – Inibição da EPSPS em teste in vitro População Suscetível Intermediário Resistente Altamente resistente Fonte: BAERSON et al.3 ± 7.5 .5 44.2 ± 2. Segundo Kogan e Pérez (2003). Baerson et al. rigidum após o pré-tratamento com glyphosate isopropilamina (450 g ha-1) Horas 2 4 8 24 48 Biótipos S R S R S R S R S R Acima do LA 30 ± 2 28 ± 4 40 ± 3 42 ± 4 36 ± 5 48 ± 5 19 ± 3 42 ± 5 15 ± 2 50 ± 1 C (% total absorvido) LA Abaixo do LA 13 ± 1 55 ± 2 11 ± 1 58 ± 5 11 ± 1 44 ± 3 10 ± 1 44 ± 4 11 ± 2 45 ± 3 10 ± 2 37 ± 3 08 ± 1 53 ± 3 10 ± 1 43 ± 4 10 ± 2 55 ± 3 11 ± 1 33 ± 3 14 Raízes 02 ± 0 02 ± 0 05 ± 1 04 ± 0 08 ± 1 05 ± 1 20 ± 2 05 ± 1 20 ± 4 06 ± 1 Lorraine-Colwill et al. LA: local da aplicação. dessa forma. sugerindo que o mecanismo de resistência não esta completamente baseado no sítio de ação.8 42.9 36.0 38. com erros-padrão. Os valores mostrados são a médias de 10-15 plantas dos biótipos resistente e suscetível. é muito pouco provável que os maiores níveis de expressão da EPSPs dos indivíduos resistentes expliquem completamente a maior tolerância ao produto. (2002) observaram inicialmente que numa população de Lolium rigudum existiam plantas com diferentes níveis de resistência ao glyphosate e assim classificaram estes biótipos como suscetível.9 ± 4.5 ± 2.3 ± 3. resistente e altamente resistente. intermediário .Herbicidas: resistência de plantas . em biótipos de L.4 44.6 ± 6. 222 Módulo 3. (2002).5 43.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 7 . Os autores isolaram a enzima EPSPS e realizaram testes in vitro de sua atividade na presença de glyphosate em todas as populações.4 ± 8.Translocação foliar do 14glyphosate aplicado em plantas resistentes e suscetíveis. a hipótese de alteração da EPSPS no sítio de ação é descartada.6 ± 2. Os resultados do trabalho indicados no Quadro 8 mostram que a atividade da EPSPS das plantas resistentes é similar à atividade das plantas suscetíveis.8 Esses autores observaram superprodução da EPSPS induzida pela aplicação do glyphosate e também expressivo aumento no nível de EPSPS nas plantas resistentes e altamente resistentes.

observou-se que doses de até 3. A dose de 200 g ha-1 foi suficiente para controlar 100% das plantas sensíveis (Fig. Todavia. Módulo 3.Evolução da intoxicação provocada por glyphosate sobre biótipos sensível (A). multiflorum observou-se redução na produção de massa seca da parte aérea. resistente (B) e de resistência intermediária (C) de Lolium multiflorum Fonte: Ferreira et al. Essa queda de produção foi mais severa no biótipo intermediário do que no resistente (Fig. (2006a) com três biótipos de Lolium multiflorum (biótipos sensível. (2006a) Em recente trabalho realizado por Ferreira et al. Tanto o biótipo resistente quanto o intermediário apresentaram elevados níveis de intoxicação (80%) aos 14 dias após a aplicação dos tratamentos (Fig. 3 B e C.5 .Herbicidas: resistência de plantas 223 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 2 . intermediário e resistente ao herbicida glyphosate).200 g ha-1 de glyphosate não controlaram os biótipos resistentes e de resistência intermediária. em ambos os biótipos (resistente e com resistência intermediária) de L. 4). 3A).

Ferreira et al. O biótipo R apresentou maior acúmulo de 14glyphosate na folha aplicada às 64 horas enquanto no suscetível observaram maior acúmulo desse herbicida nas raízes (Fig.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 3 .Biótipos resistente (R) e sensível (S) de L multiflorum cinco dias após tratamento com 800 g ha-1 de glyphosate (FERREIRA et al. (2006a) Figura 4 .5 . 2006a) O possível caso da resistência de L. Todavia observaram diferença marcante na translocação do 14glyphosate entre os biótipos resistente (R) e sensível (S). 2A).Herbicidas: resistência de plantas . que constataram maior acúmulo do produto marcado nas raízes do biótipo resistente. (2006) verificaram que tanto o suscetível quanto o resistente absorveram o glyphosate na mesma intensidade (Fig. 5).Porcentagem de produção de massa seca dos biótipos resistente e intermediário tratados com glyphosate em relação à testemunha Fonte: Ferreira et al. multiflorum pode estar ligado a translocação diferencial deste herbicida pelos diferentes biótipos. Esses resultados se assemelham aos encontrados por Lorraine-Colwill et al. (2002) em Lolium rigudum. 224 Módulo 3..

correspondendo a um aumento de 11% em 2005 no total de 21 países onde o plantio de transgênicos é permitido (JAMES.Herbicidas: resistência de plantas 225 .1 . (A) – na água de lavagem. milhares de hectares cultivados com culturas transgênicas já foram incorporados no processo produtivo.Culturas transgênicas e plantas daninhas resistentes a herbicidas 14. a área de produção de transgênicos passou de 81 milhões de hectares em 2004 para 90 milhões.4 milhões de hectares de sementes.5 . com uma área plantada de 9.na folha onde foi aplicado. Módulo 3. (B) . No mundo. 2005). Depois disso. (2006b) 14 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 5 – Concentrações de glyphosate avaliadas em diferentes tempos após aplicação.nas raízes de biótipos de L. perdendo apenas para Argentina e Estados Unidos (Quadro 9). multiflorum resistente (R) e sensível (S) Fonte: Ferreira et al. O Brasil é hoje o terceiro produtor de transgênicos.Culturas transgênicas Cultivares de soja e de outras culturas foram lançados recentemente no mercado. (C) – na parte aérea e (D) .

equivalente a 6% da área mundial com lavouras geneticamente modificadas. canola tolerante a herbicida. Argentina. ocupou um total de 15.0 milhões de hectares. em ordem decrescente de área cultivada. milho e canola Algodão Soja Algodão Soja. África do Sul e Argentina. canola e mamão Soja. 11 são países em desenvolvimento e 10 industrializados (Fig. Romênia. milho.3 0.3 0. cultivado em 3. quando foram cultivados 12. que. Argentina.4 milhões de hectares.1 Culturas transgênicas Soja. Brasil. cultivado em 4.3 1. Austrália. cultivado em 4.1 < 0.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 9 . são: EUA. O algodão Bt foi plantado em oito países. África do Sul e Colômbia. A terceira cultura geneticamente modificada mais cultivada foi o algodão Bt. Canadá.Herbicidas: resistência de plantas . sexta colocação em 2003.3 milhões de hectares (5%) em quatro países: EUA. com crescimento de 22% no ano de 2003.1 < 0.1 9. México.1 < 0. 2).5 0. comercialmente disponível em nove países em 2005 (Quadro 9) que. Paraguai.1 0. Outras cinco culturas listadas no Quadro 10 ocuparam entre 2% e 5% da área mundial cultivada com plantas derivadas da biotecnologia e incluem. milho e algodão Soja Soja.1 < 0.Superfície global de cultivos transgênicos em 2005 (em milhões de hectares) Ordem 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 Fonte: James (2005) País EUA Argentina Brasil Canadá China Paraguai Índia África do Sul Uruguai Austrália México Romênia Filipinas Espanha Colômbia Irã Honduras Portugal Alemanha França Rep. Canadá. algodão. Importante destacar que o milho Bt.8 1. Uruguai. EUA. A soja tolerante a herbicida é atualmente a cultura geneticamente modificada dominante.1 < 0.1 0. Índia.8 17.1 < 0.3 0.3 milhões de hectares (5%) em dois países: Canadá e EUA.1 < 0. África do Sul e México. e que ocupou 4. em ordem decrescente de área cultivada.8 milhões de hectares (4%) em dois países: EUA e 226 Módulo 3. foram: China. Checa Superfície (milhões de ha-1) 49. Ela ocupa 48.5 .4 5. dos 21 países produtores de transgênicos. representando 60% da área mundial destinada às plantas geneticamente modificadas em 90 milhões de hectares.1 0. milho Bt tolerante a herbicida.3 milhões de hectares.8 3. milho e algodão Soja e milho Algodão Soja e algodão Soja Milho Milho Algodão Arroz Milho Milho Milho Milho Milho Em 2005.5 milhões de hectares. em ordem decrescente de área: milho tolerante a herbicida.

em milhões de hectares.Herbicidas: resistência de plantas 227 .5 . Austrália e África do Sul (JAMES. Figura 2 – Evolução da área de cultivo de transgênicos no mundo. 2005). algodão Bt e tolerante a herbicida cultivado em 3 milhões de hectares (4%) em três países: EUA. de 1996 a 2005 O Quadro 10 mostra. Austrália e México. os países produtores de culturas trangênicas em 2005. em ordem crescente por área.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Canadá. e algodão tolerante a herbicida cultivado em 1.5 milhão de hectares (2%) em 3 países: EUA. Quadro 10 – Princiapais lavouras geneticamente modificada em 2005 Culturas Soja tolerante a herbicida Milho Bt Algodão Bt Milho tolerante a herbicida Canola tolerante a herbicida Milho Bt/tolerante a herbicida Algodão Bt/tolerante a herbicida Algodão tolerante a herbicida Fonte: James (2005) % em relação ao total de áreas cultivadas 60 14 06 05 05 04 04 02 Módulo 3.

Herbicidas: resistência de plantas . 2005).7 11. uma bactéria.7 67.6 59. permitiram a manipulação do material genético. O Quadro 11 mostra a evolução do cultivo de plantas geneticamente modificada e tolerante a herbicidas durante o o período de 1996 a 2005. denominadas de transgênicas.7 81. Além disso. sem que sejam introduzidos outros genes.0 A transgenia permite um melhoramento "pontual" através da inserção de um ou poucos genes e da conseqüente expressão de uma ou poucas características desejáveis (MONSANTO. No melhoramento tradicional. Já a transgenia é uma evolução desse processo. que. de características desejadas) entre um organismo doador (que pode ser uma planta. oferece maior precisão do que os cruzamentos. por meio de desenvolvimento de métodos refinados com o uso de técnicas de biologia molecular.5 . bem como da natureza química do material genético. como ocorre no melhoramento genético clássico (no cruzamento ocorre a "mistura" de metade da carga genética de cada variedade parental). Quadro 11 –Área total de lavouras geneticamente modificadas no mundo entre os anos de 1996 e 2005 Ano 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 Fonte: James (2005) Hectares (em milhões) 1.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A descoberta das leis da hereditariedade.9 42. Nessse período.0 27.8 39.) e plantas. com segurança (MONSANTO. e a decifração do código genético foram condições primordiais para o surgimento da biotecnologia moderna. 2001). etc. um fungo. A biotecnologia agrícola utiliza a transgenia como uma ferramenta de pesquisa agrícola caracterizada pela transferência de genes de interesse agronômico (e. 2005). com o objetivo de acelerá-lo e de ampliar a variedade de genes que podem ser introduzidos nas plantas. a transgenia. hoje conhecida como tecnologia do DNA recombinante ou engenharia genética (VALOIS.2 52. como ferramenta da biotecnologia agrícola. cruzam-se as espécies sexualmente compatíveis e ocorre a combinação simultânea de vários genes. 228 Módulo 3.1 90. uma vez que permite a inserção de genes cujas características são conhecidas com antecedência. conseqüentemente. surgiram as plantas que carregam em seu genoma a adição de DNA oriundo de uma fonte diferente de germoplasma paternal. a área cultivada com lavouras transgênicas cresceu mais de 47 vezes (JAMES. Assim. 2005).

por exemplo. o glyphosate (GAZZIERO. será utilizado um único ingrediente ativo. Espécies altamente sensíveis a esse produto serão eliminadas. A dinâmica e o estabelecimento das plantas daninhas nos levam a antever uma provável mudança na composição das plantas infestantes. Os produtos e as combinações de produtos utilizados na soja convencional serão substituídos pelo glyphosate. as plantas daninhas apresentam composição e dinâmica de um país tropical. Em 2005 a soja transgênica foi oficialmente liberada para plantio no país. ROCHA et al. Muitos produrores de soja transgênica no Rio Grande do Sul preferem controlar as plantas daninhas com aplicação de pós-emergência feita na cultura. é uma espécie que se adapta com facilidade a diferentes ambientes e apresenta intensa resposta à calagem e adubação do solo. 2000). o que significa alta pressão de seleção. em que a maioria da área cultivada empregará a mesma molécula herbicida.Herbicidas: resistência de plantas 229 . como é o caso dos herbicidas para os quais estão sendo desenvolvidas culturas resistentes. se o manejo das plantas daninhas não for adequadamente utilizado na soja transgênica. Dessa forma. 2005).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 15 .Plantas daninhas resistentes em culturas transgênicas Os métodos de controle das plantas daninhas não sofrerão alteração. O risco do surgimento de casos de plantas daninhas resistentes é maior para aqueles herbicidas que já apresentam biótipos resistentes. essas plantas apresentam grande potencial de se tornarem um sério problema de controle. 2005). Espécies como Commelina benghalensis.. que é um requisito para a seleção de plantas resistentes. porém com o decorrer dos anos existirá uma grande possibilidade de surgir problemas como a seleção das espécies consideradas tolerantes ou mesmo espécies resistentes (GAZZIERO. deixando de fazer o controle das plantas Módulo 3. e outras consideradas tolerantes apresentam a possibilidade de disseminação e conseqüente aumento de infestação nas áreas cultivadas com soja transgênica. subterrâneas e multiplica-se também a partir do enraizamento de porções do caule (ROCHA 1999. espera-se a ocorrência de profundas mudanças nos sistemas de controle. somente haverá. É uma planta perene que se reproduz por sementes aéreas. em alguns casos. benghalensis. C. dessa forma. No Brasil.5 . Esse fato poderá levar a uma situação extrema. sendo hospedeira de pragas e moléstias. a substituição das moléculas herbicidas que vinham sendo usadas por outra. tendo em vista que vários produtos ou combinações de produtos utilizados atualmente serão substituídos por um único ingrediente ativo. em que fatores como a intensidade e a rapidez da mudança na composição de uma comunidade são acentuados e inevitavelmente influenciados pelas práticas agrícolas e pela ação humana. No início serão observados apenas os benefícios da nova tecnologia. Borreria latifolia e Tridax procumbens são plantas consideradas tolerantes ao glyphosate.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas que germinam antes da semeadura da soja. Na maioria dos casos. observou em pomares de maça tratados com glyphosate a seleção de Richardia brasiliensis. o mesmo herbicida ou herbicidas. Desse modo.). que poucas vezes podem ser generalizados para as nossas condições. e as informações de que se dispõe são relacionadas a casos de outros países. e em anos seguidos. tolerantes e sensíveis em áreas afetadas e para eleger métodos de manejo e controle das plantas tolerantes e resistentes que permitam impedir a multiplicação e a disseminação desse(s) gene(s) para outras populações. Euphorbia heterophylla.Herbicidas: resistência de plantas . devem ser adotadas as práticas de manejo adequadas. O conhecimento desses pontos é importante para embasar previsões de proporções futuras entre plantas resistentes. para que se possa entender e estabelecer estratégias específicas para os nossos casos. estarão sujeitos à seleção de plantas daninhas resistentes. do fluxo gênico e da dispersão de propágulos. Contudo. Commelina benghalensis. poucos cientistas estão se dedicando a essa área no Brasil. além da resistência de azevém (Lolium sp. em condições semelhantes. como: uso de misturas de herbicidas com diferentes mecanismos de ação e rotação destes mecanismos. do padrão de herança.Comentários finais A resistência de plantas daninhas a herbicidas é um fato consumado no Brasil. ao se realizar a aplicação.5 . 2003). Biótipos de azevém (Lolium multiflorum) resistente ao glyphosate se tornaram um grave problema nas lavouras de soja transgênica no Rio Grande do Sul. sobre os quais tem sido aplicada doses de 16 L ha-1 do produto comercial sem sucesso. trazendo prejuízos a cultura (THEISEN citado po GAZZIERO. Vargas (2004). 230 Módulo 3. Sabe-se que sua evolução em uma área é dependente da pressão de seleção. Para que isso seja evitado. em outras espécies. do número de genes envolvidos. 16 . agricultores que empregarem extensivamente. da variabilidade genética da espécie daninha. Estudos aprofundados sobre essa questão devem ser realizados com urgência no país. Nas áreas com mais de 15 anos de uso têm sido feitas três aplicações/ano em doses que variam de 2 a 8 L ha-1. com mesmo mecanismo de ação. levando a um considerável aumento nos custos de produção. o processo de competição entre a cultura e as plantas daninhas já se iniciou.

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6 .Manejo de plantas daninhas em pastagens 235 .Manejo de plantas daninhas em pastagens Tutores: Profº. Antonio Alberto da Silva Profº.DF 2006 Módulo 3.6 . Lino Roberto Ferreira Profº. Ricardo Camara Werlang Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior .UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília .Manejo de plantas daninhas 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 .ABEAS Universidade Federal de Viçosa .

Controle de plantas daninhas.Controle químico. 260 2.Competição entre plantas daninhas e forrageiras.1 . 243 1.2 . 252 2.Controle preventivo.3 . 252 2.Competição por luz. 258 2.1. 261 Referências bibliográficas.2 . 237 1 .Uso de herbicidas na reforma e formação de pastagens. 246 1.4 . 253 2.Controle cultural.4.Manejo de plantas daninhas em pastagens .3 .Controle mecânico ou físico.Fatores do ambiente passíveis de competição.6 .4.1.3 .2 . 267 236 Módulo 3.1 . 239 1.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução.1.1 . 244 1. 257 2.Plantas tóxicas.Uso de herbicidas na recuperação de pastagens. 247 2 .3 .Uso de herbicidas na manutenção de pastagens. 238 1.4.2 . 246 1.Competição por nutrientes. 259 2.Competição por água.Integração da agricultura e pecuária.1 .

A tomada de decisão na pecuária. sistemas economicamente viáveis. em maior ou menor grau. eficiência. que penaliza os setores não-competitivos e ineficientes (EUCLIDES FILHO. 1996) A pecuária brasileira está sendo influenciada pelo processo de globalização em andamento no mundo. indústria. dependendo de cada caso. ou seja. em particular. além de produtivas. competitivos e eficientes. capazes de ser conservadores de recursos. Módulo 3. ambientalmente corretos. As mudanças que vêm ocorrendo nos sistemas de produção são reflexos de transformações econômicas. possibilitem convivência harmoniosa com a natureza. Conseqüentemente. formas de produção que. a humanidade coloca em segundo plano os tratados e previsões que fundamentaram a “revolução verde” e busca. em especial para a pecuária. passando por mudança do estágio de conhecimento e culminando com o estabelecimento de um novo padrão de comportamento da sociedade como um todo. que são responsáveis pela reestruturação desde níveis e formas de informação. apesar de esse processo estar sendo propalado como a globalização da economia.Manejo de plantas daninhas em pastagens 237 . espera-se. da intensificação total. 1997). a formação do que pode ser denominado um novo status de cultura global (EUCLIDES FILHO. diante das transformações que vêm se processando. Dessa forma. Com relação aos sistemas de produção agrícolas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução Atualmente. As pastagens. Os últimos dez anos têm sido decisivos para a economia brasileira. com respeito ao ambiente e aos animais. sociais e políticas. como política. consumidor. produtor. Uma das características que faz com que a atividade pecuária no Brasil seja altamente competitiva é o fato de o País possuir grandes áreas de pastagens e condições adequadas para o desenvolvimento destas. deve considerar os vários pontos determinantes dos segmentos envolvidos no setor. em geral. economia. água e recursos genéticos animais e/ou vegetais. e aproximando-se. e produtivos. 1997). em última instância. essa tendência é muito mais complexa e envolve modificações muito mais profundas. afastando-se cada vez mais do modelo extrativista. socialmente justos.6 . assumem dois aspectos fundamentais. social. isto é sinônimo de estabelecimento de sistemas sustentáveis. É importante ressaltar que. parte expressiva do setor se distanciou da prática extrativista que por muitos anos caracterizou a atividade e tem sido um exemplo de capacidade de ajustes e adaptação à realidade do mercado atual. competitividade e sustentabilidade (EUCLIDES FILHO. O primeiro é que elas viabilizam a competitividade brasileira. qualidade. representado pela pecuária extensiva. nesse contexto. a atividade pecuária tende a se tornar cada vez mais uma atividade empresarial. e o segundo é o fato de possibilitarem o atendimento da grande demanda mundial por alimento produzido de forma natural. e na pecuária. nesse contexto. como solo. Nesse período.

má formação inicial. ocasionar danos físicos aos animais. bem manejadas e livres de plantas daninhas.. as quais dificultam o processo de produção pecuária. em um dos maiores problemas dos sistemas de produção de bovinos no Brasil Central. As plantas daninhas podem. é lógico que o sucesso desse setor está estreitamente relacionado com a manutenção das pastagens em condições adequadas. como ferimentos no úbere das vacas. 2000).Manejo de plantas daninhas em pastagens . Causada por diversos fatores. sem possibilidade de recuperação natural. de muitas espécies de plantas daninhas infestantes de pastagens em condições brasileiras. a degradação precisa ser revertida para garantir a produtividade e a viabilidade econômica da pecuária (MACEDO et al. reduzindo a disponibilidade desses fatores para as forrageiras. nestas condições. que afeta a produção e o desempenho animal e culmina com a degradação do solo e dos recursos naturais em função de manejos inadequados. Degradação de pastagens é um processo evolutivo de perda de vigor e produtividade da forrageira. Nas Figuras 1 e 2 são apresentadas algumas das principais espécies de plantas daninhas das pastagens. e aumenta o tempo de formação das áreas reformadas. Essa competição se dá principalmente por luz. Assim. Isso ocorre porque a maioria das gramíneas forrageiras cultivadas no Brasil tem a sua eficiência fotossintética altamente dependente da intensidade da luz. pode-se considerar a luz como o principal fator (recurso) de competição destas com as forrageiras. e até mesmo arbóreo.6 . água e nutrientes. a presença de plantas daninhas em pastagens reduz a sua capacidade de suporte (unidade animal por ha). Pastagem degradada se constitui. entre eles má escolha da espécie forrageira. por diminuir o potencial de formação de pasto pelas forrageiras. A presença delas em pastagens reduz a produtividade. devido à elevada capacidade competitiva das plantas daninhas. falta de adubação de manutenção e manejo da pastagem inadequado.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Diante da importante função assumida pela pastagem no contexto de pecuária empresarial e competitiva. ocasionado pela competição com as plantas daninhas. atualmente. Estima-se que 80% dos quase 60 milhões de hectares da área de pastagens na região de Cerrados apresentam algum estágio de degradação (MACEDO et al.. até mesmo parcialmente. têm a sua taxa de fotossíntese líquida altamente reduzida e. Além dos impactos negativos na produção e desvalorização do patrimônio. pois são espécies que apresentam o metabolismo C4. além de ser um ambiente propício para o desenvolvimento de parasitas. mas também por espaço. 2000). nutrientes e água. se sombreadas. é facilmente dominada pelas plantas daninhas. uma vez que estas plantas competem por luz. Em razão do porte arbustivo.Competição entre plantas daninhas e forrageiras Pastagens produtivas significam pastagens bem formadas. a prática demonstra outra realidade. espaço. No entanto. 1 . agravam-se os efeitos ambientais pela erosão dos solos e assoreamento dos mananciais de água. ainda. 238 Módulo 3. Essas forrageiras.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas causados por espécies com espinhos. gás carbônico. Como ambas possuem suas demandas por água. reduzindo a produtividade da forrageira. qualquer planta daninha que se estabeleça na pastagem vai usar parte dos fatores de produção. nessas circunstâncias. caso eles se alimentem de plantas tóxicas. como água. podendo declinar se houver excesso do recurso (ex. Módulo 3. Isso ocorre porque. até mesmo para o próprio desenvolvimento da forrageira.Fatores do ambiente passíveis de competição Em ecossistemas agropastoris. na maioria das vezes. estabelece-se a competição. (1996) dividem os fatores do ambiente que determinam o crescimento das plantas e influenciam a competição em “recursos” e “condições”. nutrientes e CO2 e. ou até mesmo levá-los à morte. a forrageira e as plantas daninhas desenvolvem-se juntas na mesma área.Manejo de plantas daninhas em pastagens 239 . esses fatores de crescimento (ou pelo menos um deles) estão disponíveis em quantidade insuficiente. A resposta das plantas aos recursos segue uma curva-padrão: é pequena se o recurso for limitado e máxima quando o ponto de saturação for atingido. 1.: toxidez devido a excesso de Zn no solo). Recursos são os fatores consumíveis. Radosevich et al.1 . já limitados no meio.6 . luz. muito comuns em pastagens brasileiras. A seguir serão abordados os principais fatores envolvidos na competição entre as plantas daninhas e as forrageiras. nutrientes e luz.

(d) assa-peixe roxo (Vernonia glabrata).Manejo de plantas daninhas em pastagens . (b) leiteiro (Peschiera fuchsiaefolia).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 1 – Principais plantas daninhas das pastagens (a) assa-peixe branco (Vernonia polyanthes). (f) fedegoso (Senna ocidentalis).6 . (c) mata-pasto (Eupatorium maximilianii). (e) ciganinha (Memora peregrina). (g) guanxuma (Sida glaziovii) e (h) lobeira (Solanum lycocarpum) 240 Módulo 3.

fistulosa).(a) camboatá (Tapirira guianensis). (g) mamona (Ricinus communis). (e) cambará (Lantana camara).(c) guizo-de-cascavel (Crotalaria spectabilis).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 2 – Principais plantas daninhas das pastagens . (d) cafezinho (Palicourea marcgravii).6 . e plantas tóxicas . (f) algodão-bravo (Ipomoea carnea sbsp. (b) arranha-gato (Acacia plumosa).Manejo de plantas daninhas em pastagens 241 . (h) ximbuva (Enterolobium contortisiliquum) e (i) samambaia (Pteridium aquilinum) Módulo 3.

a menor suscetibilidade das espécies daninhas às intempéries climáticas. totalmente esclarecida.. ainda. Determinadas plantas são boas competidoras por utilizarem um recurso rapidamente ou por serem capazes de continuar a crescer. A base fisiológica que explica as vantagens que levam as plantas daninhas a ganhar a competição é muito complexa. em razão da influência extrema que eles exercem na utilização dos recursos pelas plantas.Manejo de plantas daninhas em pastagens . e a maior capacidade de produção e liberação de substâncias químicas com propriedades alelopáticas. Contudo. mesmo com baixos níveis do recurso no ambiente (RADOSEVICH et al. 1985).. até que um nível ideal seja alcançado. Os fatores que determinam a maior competitividade das plantas daninhas em relação às culturas são o seu porte e sua arquitetura. como pH do solo. Várias generalizações podem ser inferidas sobre os aspectos competitivos entre as forrageiras e as plantas daninhas. ou quando um dos competidores impede o acesso por parte do outro competidor. dependendo da espécie cultivada. se a população de plantas da forrageira por área for baixa ou o estande for desuniforme. 1990. também. 1996). A maioria dos estudos sobre competição entre plantas daninhas e culturas tem focalizado somente a ocorrência e o impacto da competição na produção da cultura. do seu vigor. seja ela daninha ou não. as plantas daninhas poderão vencer a competição pelos substratos ecológicos. A competição entre plantas daninhas e forrageiras é um fator crítico para o desenvolvimento da pastagem quando a espécie daninha se estabelece junto ou primeiro que a forrageira. não estando. porém a espécie daninha quase sempre supera a cultivada. como veranico e geadas. A condição pode limitar a resposta da planta tanto pela carência quanto pela abundância. da velocidade de crescimento inicial e da densidade de plantio.. em condições de sombreamento (PITELLI. como: a competição é mais séria nos períodos iniciais de desenvolvimento da 242 Módulo 3. etc. interespecífica. em áreas de pastagens degradadas a capacidade competitiva das plantas daninhas é ainda maior. Todavia. ela poderá cobrir rapidamente o solo. 1996). ocorrendo entre indivíduos de uma mesma espécie.. a competição somente se estabelece quando a intensidade de recrutamento de recursos do meio pelos competidores suplanta a capacidade do meio em fornecer aqueles recursos. podendo excluir ou inibir significativamente o crescimento das plantas invasoras.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Condições são fatores não diretamente consumíveis. envolvendo indivíduos de espécies diferentes.6 . Entretanto. densidade do solo. a maior velocidade do crescimento e a maior extensão do sistema radicular. Os mecanismos de competição consistem tanto do efeito que as plantas exercem sobre os recursos quanto da resposta destas às variações dos recursos (GOLDBERG. e. Na realidade. cuja dependência é muito grande. a competição entre a planta daninha e a cultivada afeta ambas as partes. como acontece. 1996). citado por RADOSEVICH et al. A competição pode ser intra-específica. caracterizado pela pastagem degradada. No entanto. por exemplo. se a forrageira se estabelecer primeiro. o maior índice de área foliar. a maior velocidade de germinação e estabelecimento da plântula. sem examinar as características das plantas e os mecanismos que estão associados à competitividade (RADOSEVICH et al.

que as plantas forrageiras fiquem completamente murchas e as plantas daninhas túrgidas. são mais competitivas se comparadas com aquelas que apresentam desenvolvimento diferente. e sistema radicular muito desenvolvido.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas forrageira. comumente.: assa-peixe. a competição por água leva a planta a competir ao mesmo tempo por luz e nutrientes. nutrientes e espaço. como o químico ou mecânico. Módulo 3. fazendo com que esta leve vantagem sobre o complexo de plantas daninhas. as condições para que ela se estabeleça devem ser fornecidas antes do surgimento da vegetação daninha.. Dentre esses fatores destacam-se a taxa de exploração de volume do solo pelo sistema radicular (maior profundidade do sistema radicular – ex. regulação estomática e capacidade das raízes de se ajustarem osmoticamente. (Radosevich et al. torna-se fácil o manejo da forrageira.. e as espécies daninhas competem por água. etc. Para que se faça o manejo adequado de plantas daninhas em uma pastagem.Manejo de plantas daninhas em pastagens 243 . ciganinha e outras). 1996). como capacidade de remoção de água do solo. da época correta de plantio. 1. luz.1. como: germinação fácil em condições ecológicas variáveis.Competição por água As plantas daninhas são verdadeiras bombas extratoras de água do solo. Conhecendo esses fatores. as espécies daninhas de maior porte do que as forrageiras exercem grande potencial competitivo com estas. que podem inibir a germinação e ou desenvolvimento da forrageira. As plantas daninhas apresentam certas características que lhes conferem grande capacidade competitiva. especialmente nitrogênio e carbono. é normal em alguns agroecossistemas. podendo. as espécies daninhas de morfologia e desenvolvimento semelhantes ao da forrageira. pequenas ou grandes. Normalmente. da escolha da forrageira adequada para a região. dessa forma. liberar toxinas no solo. da profundidade de plantio. O princípio básico da competição baseia-se no fato de que as primeiras plantas que surgem no solo. realizando. das condições adequadas de pastejo e manejo adequado da forrageira. devido ao sombreamento. da percentagem de germinação e vigor das sementes.6 . Desse modo. grande número de estômatos por área foliar. pois se estabelecem primeiro. ainda. magnitude da condutividade hidráulica das raízes. sem qualquer sinal de déficit hídrico. Vários fatores influenciam a capacidade competitiva das espécies por água. que são métodos culturais de controle de plantas daninhas. Disso resulta a importância do preparo do solo. apresentando muitas raízes fasciculadas nas camadas superficiais do solo e raízes principais com penetração profunda. especialmente nos trópicos em dias quentes. etc. o profissional necessita ter o conhecimento profundo da forrageira e da vegetação daninha infestante da área a ser formada. no manejo da forrageira. Assim a competição é mais facilmente minimizada ou até mesmo eliminada com a integração de outros métodos de controle. tendem a excluir as demais. desenvolvimento e crescimento rápido de grande superfície fotossintética mesmo ainda na fase de plântula.1 . por isso. principalmente se a forrageira possui metabolismo C4. o chamado manejo integrado de plantas daninhas. as características fisiológicas das plantas.

Entretanto. não desassimilam o CO2 fixado. apresentam baixa afinidade pelo CO2 e possuem elevado ponto de compensação para CO2.2 . catalisa a produção do ác. por difusão. dependendo da espécie vegetal. C4 ou se realiza o mecanismo ácido das crassuláceas (CAM). É sabido que a relação. As diferenças entre as rotas fotossintéticas C3 (plantas ineficientes). do glicolato. A maior eficiência das plantas C4 em relação a C3 em condições adequadas de luminosidade e temperatura é o principal fator da superioridade de produção forrageira em condições tropicais (maioria C4). se a rota fotossintética que ela apresenta é C3. considerando ambos os grupos em condições ótimas. quando comparadas com plantas C4.Manejo de plantas daninhas em pastagens . o ácido pirúvico. a superioridade das forrageiras utilizadas no Brasil (C4 em sua grande maioria) é dependente de certas condições. também. 3-fosfoglicérico e. Este CO2 liberado é novamente fixado. a qual apresenta atividades de carboxilase e oxigenase. por apresentarem dois sistemas carboxilativos. A enzima primária de carboxilação é a PEP-carboxilase. retorna às células do mesófilo. sendo esta relação para as plantas C4. baixa eficiência no uso da água e menor taxa de produção de biomassa. C4 (plantas eficientes) e CAM estão nas reações bioquímicas que ocorrem na fase escura da fotossíntese. no ácido fosfoenolpirúvico.6 . consumindo 2 ATPs. e. Esse fato evidencia que as plantas C4 244 Módulo 3. As plantas C4 possuem duas enzimas responsáveis pela fixação do CO2. é transportado para as células da bainha vascular das folhas.Competição por luz A competição pela luz é muito complexa e sua magnitude é influenciada pela espécie. Essas plantas. a qual carboxiliza o CO2 absorvido do ar via estômatos.1. comparado a regiões temperadas. pois precisam recuperar duas enzimas para realização da fotossíntese. Este AOA é convertido em malato ou aspartato.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. regenerando a enzima PEP-carboxilase e recomeçando o ciclo. Elas não apresentam fotorrespiração detectável. molécula de CO2 fixado/ATP/NADPH é de 1:3:2 para as plantas C3. Em conseqüência da ação desta enzima. onde é fosforilado. as plantas C3 fotorrespiram intensamente. As plantas C4. liberando no meio o CO2 e o ácido pirúvico. por difusão. também. A enzima responsável pela carboxilação primária do CO2 proveniente do ar é a ribulose 1-5 bifosfato carboxilase-oxigenase (Rubisco). baixo ponto de saturação luminosa. responsável pela fixação do CO2.5 difosfato carboxilase. por ser ambígua quanto ao substrato. requerem maior energia para produção dos fotoassimilados. Esta enzima apresenta baixa afinidade pelo CO2 e. como a luminosidade adequada. agora pela enzima ribulose 1. que ocorre em todas as plantas superiores. de 1:5:2. ocorrendo o ciclo de Cavin e Benson. além do ciclo de Calvin e Benson. formando o ácido oxaloacético (AOA). localizada nas células do mesófilo foliar. possuem ainda o ciclo de Hatch e Slack. ou seja. se ela é umbrófila ou heliófila e. de modo que o primeiro produto estável da fotossíntese é um composto de três carbonos (ácido 3-fosfoglicérico). em seguida. onde esses produtos são descarboxilados. As plantas C3 apresentam apenas o ciclo de Calvin e Benson. logo. substrato inicial da respiração.

Em função destas e de outras características. A luz como fonte de energia de todos os processos biológicos na forrageira é o componente principal na produção da pastagem.alongamento de folha. atua especificamente como carboxilase. em temperatura acima da ótima para a ribulose 1. ainda assim elas continuam acumulando biomassa. gênero Cynodon (SILVA et al. Além disso. Isso acontece porque. aliado a outros fatores. liberando CO2. como água. Módulo 3. Portanto. 1999) . gênero Panicum (RODRIGUES. Todavia.5-bifosfato carboxilase-oxigenase (25oC). indica o potencial de produção de uma pastagem. que são diretamente correlacionadas com a quantidade e qualidade da luz. Esse fato faz com que a concentração do CO2 no mesófilo foliar caia a níveis abaixo do mínimo necessário para atuação desta enzima. quando plantas estão se desenvolvendo em condições de temperaturas elevadas. os estômatos estarem parcialmente fechados (horas mais quentes do dia). porém são influenciadas por fatores externos. levando a planta a atingir o ponto de compensação rapidamente. luminosidade alta e até mesmo déficit hídrico temporário. temperatura. No caso das plantas C4. mesmo que a concentração de CO2 no mesófilo foliar atinja níveis muito baixos. 1995). porque a enzima responsável pela carboxilação primária nestas plantas (PEP-carboxilase) apresenta alta afinidade pelo CO2 (baixo Km).. Como toda essa energia é proveniente da luz. Cada espécie de forrageira possui um padrão genético de crescimento e expansão foliar (determinado por suas características morfogênicas .6 . densidade de perfilhos e número de folhas por perfilho.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas necessitam de mais energia para produção dos fotoassimilados. estas plantas passarão a perder a competição com as plantas C3. REIS. a enzima responsável pela carboxilação primária nas plantas C4 (PEPcarboxilase) apresenta algumas características. Essas características são genéticas.espécies de Brachiaria (CORSI et al. e não satura em alta intensidade luminosa. se for reduzido o acesso à luz. 1998) e Pennisetum purpureum (RODRIGUES et al. A combinação das características morfogênicas determina as três principais características estruturais das forrageiras: tamanho de folha.são plantas C4. as espécies C4 dominam completamente as C3. conseqüentemente. luminosidade e nutrientes. como: alta afinidade pelo CO2. esta passa a atuar mais como oxidativa. aparecimento de folha e duração da folha) que. a enzima carboxilativa das plantas C3 encontra-se saturada quanto à luz e. Isso é possível porque esse grupo de plantas não apresenta fotorrespiração detectável.. Como a maioria das forrageiras das regiões tropicais e subtropicais . chegando a acumular o dobro de biomassa por área foliar no mesmo espaço de tempo. a fim de evitar o sombreamento. nessas condições. as condições de luminosidade e temperatura serão preponderantes no desenvolvimento adequado das forrageiras. 1994). atividade ótima em temperaturas mais elevadas. é comum.Manejo de plantas daninhas em pastagens 245 . a ocorrência de sombreamento por plantas daninhas implica redução drástica do potencial competitivo dessas forrageiras. nessas condições. ocorre a necessidade de controle de invasoras.

É notório que o setor agropecuário brasileiro está passando por um processo de transição socioeconômica e agroambiental.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. A venda de grãos das culturas. Essas tecnologias também proporcionam maior diversificação das atividades econômicas no meio rural (KICHEL. deve-se considerar.. tornando-o sustentável em termos econômicos e ecológicos (KICHEL et al. 2000). evitando a erosão e quebra do equilíbrio. apesar de esse processo ser lento e silencioso. o aproveitamento da adubação residual e o preparo do solo mais elaborado podem ser vantajosos na redução dos custos e na eficiência de recuperação das pastagens degradadas (Macedo et al. 1. em conseqüência disso. 2001).2 . 2000). exercem forte competição com as forrageiras pelos nutrientes essenciais. As tecnologias para recuperação e manejo sustentável dos solos degradados dos Cerrados. tanto para as áreas de pastagens como de agricultura. a baixa retenção de água no solo e o aumento do processo erosivo são sintomas do manejo inadequado que prejudicam o meio ambiente. das espécies presentes. Portes et al. a quantidade extraída do que os teores que ela apresenta na matéria seca.6 . o empobrecimento da fertilidade do solo.. doenças e plantas daninhas.. MIRANDA. visam melhoria das propriedades do solo.Integração da agricultura e pecuária A degradação das pastagens. os quais quase sempre estão em quantidades inferiores às necessidades das forrageiras em nossos solos. Quando se trata de analisar a capacidade de uma espécie de planta daninha em competir por nutrientes. a queda na produtividade das lavouras. diversificação do sistema produtivo e de aumento da produtividade do empreendimento agrícola.Competição por nutrientes As plantas daninhas possuem grande capacidade de extrair do ambiente os elementos essenciais ao seu crescimento e desenvolvimento e. observam-se a expansão do plantio direto. em alto grau. a competição por nutrientes depende. que facilitam a ocorrência de pragas. melhoria das propriedades físicas do solo. A integração agricultura e pecuária não será abordada em maior detalhe. por constituir-se em tema complexo e não ser objetivo do presente trabalho. 2001). a consorciação de lavouras e forrageiras. a preocupação da utilização racional de água e agroquímicos e a necessidade de maior competitividade e sustentabilidade (COBUCCI.Manejo de plantas daninhas em pastagens . além da quebra do ciclo de pragas e doenças. 246 Módulo 3. com maior ênfase.3 . Devido à grande variação em termos de recrutamento dos recursos minerais do solo apresentada pelas diferentes espécies de plantas daninhas. Nesse sentido. 2000. a utilização de culturas anuais em cultivos seqüenciais ou simultâneos como formas de sistemas de produção. tem sido proposto recentemente. como alternativa de recuperação de pastagens degradadas.1. maior eficiência no uso de máquinas.

em condições naturais. Os biomas Pantanal e Cerrado possuem floras ricas em espécies.. a ingestão de certas plantas em pequenas quantidades leva o animal a adquirir resistência ou tolerância ao princípio tóxico. além do grau de sensibilidade do animal a um princípio tóxico (AFONSO. 1991). sexo. Existem também plantas com princípio tóxico cumulativo. que pode causar anemia devida a nitratos/nitritos. mas também aquelas que provocam direta ou indiretamente perturbações na saúde do animal. outras menos. AFONSO. 2002). estado sanitário e nutricional. Módulo 3. Com relação à planta. com comprovação experimental.3 . A mais temível do Brasil é a erva-de-rato ou cafezinho (Palicourea marcgravii) (POTT. deve-se considerar a sua fase vegetativa. Além da fome. 2002). Segundo Howes (1933). No caso da espécie bovina. 2000). tóxicas. consideram-se tóxicas todas as plantas que. como é o caso das mandiocas-do-mato (Manihot spp. 2002). O conceito sobre plantas tóxicas é relativo. Tokarnia et al. pois às vezes ela provoca intoxicações apenas em uma dessas fases. que o animal. como Brachiaria decumbens. como idade.Manejo de plantas daninhas em pastagens 247 . certas raças toleram mais. visto algumas serem tóxicas em uma região e em outra não (AFONSO. Por outro lado. floração e frutificação. muitas das quais ingeridas pelo gado. citado por Hoehne (1939).).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. POTT. (2000) definem planta tóxica de interesse pecuário a que é ingerida por animais domésticos de fazenda. há outros fatores que também propiciam intoxicações. e braquiária-d´água ou "tanner grass" (B. até atingir a dose letal (AFONSO. Algumas plantas cultivadas também são consideradas tóxicas. Na mesma raça há fatores ligados ao próprio indivíduo. plantas tóxicas não são somente vegetais que provocam verdadeiros envenenamentos e intoxicações agudas. Várias provocam sinais que podem ser confundidos com picada de cobra. ingerindo pequenas quantidades diárias. vai retendo no seu organismo. subquadripara = B. que causa fotossensibilização ("orelha frita"). ingeridas espontânea ou acidentalmente pelo animal.Plantas tóxicas Calcula-se que 12% das mortes de bovinos são causadas por sementes. POTT. A maioria das plantas tóxicas é consumida pelos animais em razão da escassez de alimentos nas pastagens e da mudança de animais famintos para pastagens que possuem plantas tóxicas (FREITAS et al. O tipo de solo também pode influenciar na toxidez de uma planta. principalmente em bezerros. peso. podem provocar danos que se refletem na sua saúde ou vitalidade. arrecta). os quais podem estar relacionados ao animal ou à planta. certos venenos. POTT. e causa danos à saúde ou morte. como brotação. 2002).6 . folhas ou raízes de plantas que possuem grande quantidade de elementos químicos nocivos ao gado (AFONSO. POTT. raiva ou outra doença. Portanto. sendo algumas.

Abobral e Paraguai. A semente pilosa (origem do nome algodão) é espalhada pela água. Ocorre em terra firme. uso de herbicidas. Quadro 1 – Principais plantas tóxicas encontradas no Brasil Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal). DL (9 kg de folhas verdes por dia. Inicialmente os sinais apresentados são de emagrecimento progressivo. desequilíbrio do trem posterior. com as pernas traseiras abertas e instabilidade no trem posterior. respiração ofegante. capoeiras e em pastos recém-formados. Às vezes o animal mostra. nas planícies de inundação dos rios Negro. cercar as matas e as capoeiras onde existir a planta. flor e semente praticamente durante o ano todo. ou estado de embriaguez. com cafezinho Ácido exceção do extremo sul e do sertão (Palicourea monoflúornordestino. iniciam poucas horas após ser completada a ingestão da dose letal. durante semanas. de 1 a 4 m de altura. É muito comum em lagoas rasas. Cresce somente em solo de barro (LSD) (argiloso). Possui distribuição ampla. Rebrota após cortes e ácido lisérgico fogo. Na Figura 2 estão apresentadas e no Quadro 1 listadas as de maior ocorrência e importância no Brasil. Possui boa Figura 2 d palatabilidade. Causa a síndrome da morte súbita. marcgravii) acético. o que é difícil de ocorrer no campo.6 . A evolução da intoxicação é crônica e não há recuperação do animal Controle: erradicação. cochos e aguadas. canudo-de-pita (Ipomoea carnea subsp. os ramos que encostam no chão Alcalóides derivados do enraízam. Perene.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas São várias as espécies de plantas tóxicas presentes nas pastagens no Brasil. trepador. caindo com facilidade. Arbusto aquático. exceto se for afogado depois. com um resumo das suas principais características. controle químico Arbusto responsável pela maioria das mortes de bovinos causadas por plantas tóxicas em terra firme. DL (100 g de folhas verdes). antes de cair. Algodão-bravo. Controle: erradicar as plantas. A principal forma de propagação é vegetativa. sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica. afeta o Rubiaceae em áreas sombreadas das beiras ciclo de Krebs das matas. São tóxicas as folhas e as sementes. muito alagável. tremores musculares. Com a evolução da intoxicação o animal apresenta sinais de origem nervosa. O seu andar se torna desequilibrado (como se estivesse embriagado). havendo pasto). os sintomas consistem em queda repentina do animal ao chão. fistulosa) Convolvulaceae Figura 2 f 248 Módulo 3. sendo Erva de rato. sendo ingerida em qualquer época do ano. encontrada em todo o País. Nos bovinos. sobrevindo a morte dentro de poucos minutos.Manejo de plantas daninhas em pastagens . lassidão e pêlos ásperos. Aumenta em campos com excesso de gado ou perto de porteiras.

para áreas (Lantana (lantadene A e infestadas. Em eqüinos causa deficiência de vitamina B1. Já na fase aguda. controle cultural (calagem e aração do solo) e químico Módulo 3. No tratamento os camara) animais devem ficar na sombra.6 . extrato hepático e purgante oleoso Figura 2 e e medicar as lesões na pele. fezes ressequidas e. com fome. mesmo cessada a fome. Consistem nas manifestações de fotossensibilidade hepatógena. que aparece de repente. devido ao efeito acumulativo). sendo a brotação a porção mais tóxica das partes aéreas. depois de comê-la por algum tempo. Controle: erradicação da planta. trôpego. utilizar ungüentos antiinflamatórios. emagrecimento. culminando na morte. tem incordenação ao andar. Controle: erradicar as plantas (herbicidas) e não transferir animais com fome para pastagens infestadas. Sob condições naturais. eventualmente diarréias enegrecidas. DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal). os animais apresentam anorexia e diminuição ou parada dos movimentos do rúmen. O animal sangra prolongadamente por qualquer ferimento.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta Arbusto ou subarbusto é cosmopolita. sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica. principalmente quando camará Triterpenóides transferido. sonolência. continue a procurá-la. hemorragia na pele e nas mucosas visíveis. manifestam fotossensibilidade sob forma de eritema e edema inflamatórios nas partes menos pigmentadas da pele e inquietação à procura de sombra. As plantas ocorrem em solo ácido.Manejo de plantas daninhas em pastagens 249 . convulsões. Muitos animais morrem nessa fase. sendo a correção e aração deste um método cultural de controle desta espécie. que faz com que este. em pequena quantidade. apresentam tremores musculares. A planta toda é tóxica. Ingestão em menores quantidades ocasionam hematúria intermitente. quando expostos ao solo. planta somente em circunstâncias chumbinho ou especiais. falta de apetite. A fome faz o animal ingerir a planta. Os animais apresentam andar incerto. se habitue a ela e. Samambaia (Pteridium aquilinum) Substância Dennstaedtiacea radiomimética e e tiaminase Figura 2 i Planta tóxica de importância no Brasil e no mundo. os bovinos ingerem a Cambará. Inicialmente. anemia. para provocar sintomas de intoxicação aguda. DL (1. lantadene B) Verbenaceae Deve-se administrar glicose. Causa febre alta.000 g de folhas verdes ingerido durante três semanas a poucos meses. DL (variada).

depósitos (alcalóide) na de lixo. com flor e semente em grande parte do ano. DL (2.Manejo de plantas daninhas em pastagens . Já a intoxicação pelas sementes varia de aguda a subaguda. Comum em áreas mexidas. de 1 a 4 m de altura. antes que forme sementes. Há relatos de pirrolizidinas que o princípio tóxico desta planta se concentra mais nas flores e nas sementes. com tremores musculares. taperas. Controle com herbicida. em solos de vários tipos. Há formas de folhas verdes e outras arroxeadas. por irritação do tubo digestivo. Morre na queimada. etc. mas das folhas não. ingerindo também flores e frutos. Guizo-decascavel. onde o solo é mais fértil. dificilmente o animal se recupera. Anual.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta Mamona (Ricinus communis) Euphorbiaceae Figura 2 g Arbusto pouco lenhoso. procurando ficar deitado. geralmente férteis.um quarto dessa dose no caso de bezerro). Embora conste como pouco palatável.. mas de ciclo curto. perda de apetite. na semente. de 50 a 100 cm de altura. geralmente férteis. tanto as folhas como as sementes são tóxicas. e a plântula encontra condições mais favoráveis na pastagem rapada e rala (degradada). Possui ampla distribuição. leiras provenientes de desmatamento e pastagens cultivadas. em solos argilosos ou (toxoalbumina) arenosos. com o animal apresentando fraqueza. perturbações digestivas. No Brasil existem mais de 40 espécies Alcalóides do de Crotalaria. antes da formação de sementes. ereto. sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica. que favorece a germinação. DL (5. É palatável.6 . grupo das outras menos tóxicas. e dificuldade de caminhar longas distâncias. Controle: É facilmente eliminada com mais de uma roçada. que germina melhor após o fogo. causando perturbação nervosa. Uso de herbicidas. as quais são o meio de propagação. mas retorna por semente. A parte aérea morre com a queima. O fruto estoura ao sol e lança as sementes a vários metros de distância. apatia e diarréia sanguinolenta. principalmente em situações de fome. Os sinais apresentados têm predominância neuro-muscular. DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal).500 g de folhas verdes ao dia foram suficientes para levar os bovinos à morte). as folhas foram observadas bem pastadas por bovinos no Pantanal. Controle: Pode ser praticamente eliminada com roçadeira (rebrota pouco). O bovino apresenta andar desequilibrado. É tóxica ao fígado. com flor e fruto quase durante o ano todo. Deve-se atentar para o seu aparecimento em leiras. os animais mais novos são mais sensíveis . Perene. Ocorre também eructação excessiva (arroto) acompanhada por sialorréia (baba). Após apresentar estes sinais. geralmente não folha e ricina inundáveis. com copa.000 g de folhas frescas ou 200 g de sementes. chique-chique (Crotalaria spectabilis) Leguminosae Figura 2 c Planta ereta. perda do equilíbrio ao caminhar e alteração do sistema nervoso sob forma de excitação ou depressão. sendo umas mais. 250 Módulo 3. Os principais sinais na intoxicação por Crotalaria iniciamse por contrações abdominais. Comum em áreas ruderais como Ricinina beira de estrada. O consumo repetido de pequenas quantidades de semente pode dar imunidade. A intoxicação pelas folhas é aguda. A torta de mamona não bem detoxicada pelo calor também é tóxica.

mesmo em pequenas porções. de 6 a 24 horas após a ingestão da planta. copa larga. caem ou deitam-se precipitadamente. Controle: É facilmente eliminada com anelamento (descascar em volta do tronco). que amadurecem e caem no período da seca e apresentam boa palatabilidade para os bovinos. planta tóxica mais importante das regiões de várzea da bacia amazônica. próximo à morte. berram e morrem. (1991). Em seguida provoca diarréia de coloração amarelada e fétida. DL (250 a 1. Comum em matas e (Enterolobium cerradões. neste caso. embora. aparentemente.6 . geralmente férteis. acompanhada de outras perturbações digestivas. Ficam logo em decúbito letal. Fonte: Freitas et al. A parte tóxica Figura 2 h importante desta planta são os seus frutos. Leguminosae especialmente no Nordeste e Triângulo Mineiro. perde as folhas na estação seca. não causem outros sinais de intoxicação. Os animais. O quadro de intoxicação se manifesta poucas horas após a ingestão das favas e a sua evolução é aguda. Uso de herbicidas. quando movimentados. Gibata ou chibata Glicosídeo do (Arrabidaea tipo esteróide bilabiata) cardioativo Bignoniaceae Trepadeira. Semente espalhada tamboril pela fauna. solos arenosos ou contortisiliquum Saponina do argilosos. DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal). ) tipo esteroidal Encontrado em todo o Brasil.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta Árvore de 8 a 18 m de altura. Ocorre retração acentuada dos globos oculares e. cerram fortemente as pálpebras. Causa lesões no tubo digestivo. diminuição ou até perda total do apetite. Os principais sinais apresentados pelo animal intoxicado se caracterizam por lassidão. o animal faz movimentos de pedalagem com os membros traseiros e dianteiros.500 g de folhas verdes). a planta não tem boa palatabilidade. Afonso e Pott (2002) Módulo 3. Os bovinos ingerem a planta somente quando estão com fome. Os sintomas iniciam-se. sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica. Floresce de setembro a novembro. DL (1.300 a 1.500 g de favas que leva um bovino à morte na intoxicação experimental). produz fruto de agosto Ximbuva. às vezes. a novembro. fazendo movimentos de pedalagem. aproximadamente. Controle: Pastagens em abundância e erradicação da espécie. Há citações de que as favas provocam aborto em vacas.Manejo de plantas daninhas em pastagens 251 .

Controle preventivo O controle preventivo de plantas daninhas consiste no uso de práticas que visam prevenir a introdução.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2 . do período crítico de competição. segundo Victoria Filho (2000).1 . a energia gasta com tratos culturais. em um determinado agroecossistema. assegurar a produção adequada de alimentos. no controle integrado. se necessárias. etc. biológico e químico. constituindo-se. a disseminação de determinadas espécies-problema em áreas 252 Módulo 3. Um bom programa de manejo de plantas daninhas pode ser resumido em três situações básicas: máxima produção no menor espaço de tempo. onde são usados todos os conhecimentos e ferramentas disponíveis para produção das culturas livre de danos econômicos da vegetação daninha competitiva. cultural. considerando uma forrageira. além de outras operações e a erosão do solo causada por água e vento. aos animais e ao solo. sendo muito variados. resguarda os seus aspectos benéficos e não causa danos à forrageira. Isso pode ser possível se o pecuarista proceder à absoluta racionalização do controle de plantas daninhas. tem sido preconizado o manejo integrado de plantas daninhas. Muitas vezes faz-se necessária a associação de dois ou mais métodos para se atingir o nível desejado. Visa. Dessa forma. esse fato. ou. O controle ideal é aquele que. economicamente. com o objetivo de reduzir as perdas causadas por estas plantas. 2005). o manejo de plantas daninhas pode ser definido como a combinação racional de medidas preventivas associadas a medidas de controle e de erradicação. que consiste num sistema ambientalmente correto no campo. dependerá da espécie infestante. ainda. quando não há redução da sua produtividade econômica. Atualmente. mecânico ou físico. por meio de métodos e equipamentos usados oportunamente. dos métodos empregados. com o advento da chamada agricultura economicamente sustentável. máxima sustentatibilidade de produção e mínimo risco (SILVA et al. O nível de controle das plantas daninhas. o estabelecimento e. ou seja. deve ser feita quando as perdas forem superiores ao incremento no custo devido ao controle.Manejo de plantas daninhas em pastagens . elimina os prejuízos causados pelas plantas daninhas..6 . obtido em uma pastagem. 2. Os métodos de controle podem ser: preventivo. os custos de controle. recomenda-se o “manejo integrado das plantas daninhas”. Atualmente. da capacidade competitiva da forrageira. mantendo a qualidade ambiental com a maximização de lucro para o agricultor. A redução da interferência das plantas daninhas. das condições ambientais.Controle de plantas daninhas Os métodos de controle de plantas daninhas usados são os mesmos empregados em outros sistemas de produção agrossilvopastoril.

Essas áreas podem ser um país. topografia. que poderão se transformar em sérios problemas para a região.realizado por meio de análise química e física do solo. ainda. tipo de solo. os seguintes procedimentos devem ser observados: diagnóstico da área . impedimentos físicos ou mecânicos. histórico da área e outros. da quantidade e das espécies de plantas daninhas e de forrageira a ser Módulo 3. eliminando-se rebrota do cerrado de porte alto. O preparo do solo deve ser feito de modo a proporcionar ótima germinação e estabelecimento da forrageira. um município ou uma gleba de terra na propriedade. pedaços de tronco e galhadas.Controle cultural O controle cultural reúne todas as práticas disponíveis para o estabelecimento das forragens em condições adequadas ao seu desenvolvimento e à sua persistência com boa produtividade. etc. e. 2. clima (déficit hídrico e ocorrência de queimadas). A intensidade e os equipamentos a serem utilizados no preparo de solo dependem do tipo deste. bem como a aplicação de adubos fosfatados. A conservação do solo é outro ponto importante. impedindo. Regionalmente.Manejo de plantas daninhas em pastagens 253 . visando prevenir a entrada e disseminação de uma ou mais plantas daninhas. As medidas que podem evitar a introdução onde a espécie ainda não ocorre são: utilização de sementes de elevada pureza. devem ser realizados no momento correto. Proporciona. Quando da escolha dessa espécie. assim. ou mesmo reduzindo os efeitos erosivos. A correção da acidez do solo e o fornecimento de cálcio e magnésio a este (quando necessária). banco de sementes de plantas daninhas. tocos. principalmente. análise da produtividade desejada. pragas. com uma limpeza adequada da área. a quarentena de animais introduzidos em outras áreas. Outro componente importante do controle cultural é a formação adequada da pastagem.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ainda por elas não infestadas. palatabilidade e longevidade.6 . condições favoráveis para a forrageira em relação às demais espécies presentes na área (plantas daninhas) e possibilita a vantagem competitiva da forrageira em relação às plantas daninhas. A escolha de espécies forrageiras adequadas para cada área e objetivo de pastejo é um importante componente do sucesso da atividade. capoeiras. As quantidades desses produtos dependem da espécie forrageira e do nível de produtividade desejado. o controle é de responsabilidade de cada agricultor ou cooperativas. arbustos. o elemento humano é a chave do controle preventivo. um estado. limpeza cuidadosa de máquinas. objetivo da produção. inspeção cuidadosamente de mudas adquiridas com torrão e também de toda a matéria orgânica (esterco e composto) proveniente de outras áreas. limpeza de canais de irrigação. o nível tecnológico a ser adotado. como a ciganinha (Memora peregrina). e época de utilização da espécie. grades. Em síntese.2 . qualidade. que deve começar antes da implantação. devendo-se realizar a construção de terraços ou curvas de nível quando a área apresentar suscetibilidade ou risco de erosão ou até mesmo escorrimento superficial da água das chuvas.

principalmente nos solos mistos e arenosos. Deve-se. além das exigências térmicas. tem vantagem competitiva a espécie que se estabelece primeiro na área. podendo variar em certas regiões. assim. poucos torrões. O plantio na época correta e de forma correta é fator preponderante no estabelecimento adequado da forrageira. parcial ou totalmente fechada. exceto para estilosantes ou andropógon. Em áreas que apresentarem alta infestação de plantas daninhas ou outras forrageiras. deve-se realizar o preparo do solo no mínimo 120 dias antes do plantio no período das águas. sendo este um fator importante na dinâmica competitiva da forrageira com as plantas daninhas. quando recomendados. exceção feita aos fosfatos naturais reativos. evitar o preparo excessivo do solo. o preparo do solo deve ser igual. que. de modo geral. para favorecer a germinação e eliminação delas. evitando. a compactação da camada superficial deste.Manejo de plantas daninhas em pastagens . potássio. Logo após a última gradagem (niveladora). solo nivelado e livre de plantas daninhas. a exigência de cada espécie forrageira e o nível de produtividade desejado. O plantio com semeadeira deve seguir as mesmas exigências do 254 Módulo 3. retardando o plantio da forrageira. algodão. milho e outros.6 . hídricas e de fotoperíodo da forrageira. para que ocorra a decomposição desta sem interferir na germinação da forrageira. assim. levando em consideração o resultado da análise de solo. deve-se passar o rolo compactador. o preparo do solo deve ser escalonado. no entanto. enxofre e micronutrientes. a sua pulverização. que impõe restrição à emergência das plântulas. Outro componente do controle cultural muitas vezes desprezado é a quantidade e a qualidade das sementes das forrageiras. Em áreas que apresentarem alta quantidade de palhada. livres de sementes de plantas daninhas e possuindo qualidade fisiológica (vigor e germinação). para que o solo não fique aderido nele. deve ser realizada em quantidades recomendadas. produção e longevidade da forrageira. posteriormente. Deve-se considerar para isso a disponibilidade hídrica e temperatura para cada região. A correção adequada de nutrientes do solo é outro fator que melhora as condições de estabelecimento. As sementes devem possibilitar a formação de estande adequado e uniforme. Podem ser aplicados antes do plantio ou em cobertura. como: pureza. Entretanto. ou melhor. proporcionando. Em áreas com infestação elevada de plantas daninhas é recomendada a utilização de até 50% a mais da quantidade de semente. Deve-se evitar a utilização do rolo em solo com excesso de umidade. para incorporar as sementes de 0. ou seja. quando necessária. com pouca palha. começando com as primeiras chuvas em setembro até março. A correção de fósforo. Portanto. com maior peso no solo arenoso. O plantio pode ser realizado a lanço sobre o solo devidamente preparado com uma grade leve. o estabelecimento mais rápido da forrageira na área. a melhor época é de novembro a janeiro. A quantidade de sementes a ser utilizada depende da espécie forrageira. da germinação e do vigor. Comumente. Para a maioria das forrageiras. esta deve ser considerada como uma cultura que vai produzir por muitos anos. peso médio no misto e peso leve no argiloso. ou seja.5 a 4 cm de profundidade (dependendo do solo e da forrageira). isto é. as sementes devem ser distribuídas na área e. devem ser antes do plantio e incorporados. a época do plantio é muito ampla em quase todo o território nacional.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas implantada. ao daquele utilizado para plantio de soja.

O não-controle dessas pragas pode comprometer a formação e a persistência da pastagem. cupins. O manejo da pastagem estabelecida é. realiza-se o plantio de linhas espaçadas de 13 a 40 cm. A dose aplicada vai depender da análise de solo. favorecendo o surgimento e estabelecimento de plantas daninhas. com boa produção de carne/hectare. antecipar a utilização da forragem. diminuir a competição interespecífica. de preferência. plantas daninhas de difícil controle por herbicidas e outros. cupins subterrâneos e formigas. A realização de adubações de cobertura nitrogenadas melhora as condições de desenvolvimento e estabelecimento da forrageira. isto é. Para gramíneas forrageiras de média a boa produtividade. na mesma operação. e proporcionar a mais rápida e perfeita cobertura de solo. tem como objetivo contribuir para a boa formação da pastagem. As vantagens desse manejo são: evitar o acamamento. As pragas mais importantes na formação de pastagens são: lagartas. eliminando o excesso de plantas. uma vez que vai garantir a longevidade e qualidade da pastagem. colocando-se 10 a 20% a mais de sementes do que o sistema tradicional. com espaçamento entre linhas de 13 a 40 cm. compactação. espécie forrageira e produtividade desejada. A princípio. ou antes da emissão da inflorescência (sementeira). milho). fechando o dossel mais rápido. eliminar a maior parte das gemas apicais. maior sombreamento para plantas daninhas. para garantir o estande adequado e uniforme. podendo-se realizar. deve-se passar o rolo compactador após o plantio. a adubação da pastagem ou consórcio com outras espécies. desde que o plantio seja realizado na época recomendada para cada região. A adubação nitrogenada possibilita maior rapidez e quantidade de área foliar. por melhorar as condições desta. animais jovens com alta lotação. dessa forma. por curto período de tempo (10 a 30 dias). possivelmente. reduzindo assim a produção de semente e translocação de nutrientes para estas. recomenda-se a aplicação de nitrogênio de 30 a 40 dias após a emergência ou após o manejo de formação (primeiro pastejo). Se a semeadeira não possuir sistema de compactação.Manejo de plantas daninhas em pastagens 255 . trilheiros. Estando todos os nutrientes corrigidos. o nitrogênio é muito importante. Esse sistema de plantio exige máquinas e equipamentos adequados. principalmente em solos de baixo teor de matéria orgânica.6 . aproveitando o maior valor nutritivo. implicando o sombreamento e abafamento das plantas daninhas. Toda vez que o nível de infestação for significativo. boa cobertura do solo. distribuição uniforme da palhada. o método de controle cultural de plantas daninhas mais importante. A manutenção da pastagem em condições ideais com o controle adequado de pragas também é componente do controle cultural de plantas daninhas. com profundidade de 0.5 a 4 cm. com o objetivo de auxiliar na boa formação da pastagem. o nitrogênio é o que proporciona o maior efeito no aumento de produtividade. tocos. ele deve ser controlado com defensivos específicos para cada tipo de praga. Na formação de pastagem. dependendo do equipamento e da espécie forrageira. Módulo 3. estimulando a emissão de novos perfilhos e raízes. deve-se iniciar o pastejo de 60 a 100 dias após a emergência da pastagem. O manejo de formação da pastagem. proporcionando. sem erosão. sem limitações químicas e físicas. Já o plantio direto exige as mesmas condições do plantio direto de grãos (soja. também chamado de pastejo de uniformização. Após a dessecação.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas plantio a lanço. Devem-se utilizar.

época do ano. tornando a infestação da área uma questão de tempo. utilizada anualmente. épocas corretas de entrada e retirada dos animais (altura de pastejo). finalidade de pastejo. Este manejo pode facilitar o desenvolvimento da espécie forrageira ou das espécies de plantas daninhas. recomenda-se devolver às pastagens 20% da receita bruta anual. como exemplo: tanzânia e mombaça (40 a 50 cm).6 . do potencial produtivo da forrageira.o animal explora duas invernadas alternadamente. A melhoria das condições para o desenvolvimento das plantas daninhas ocorre quando o manejo empregado reduz as reservas e a capacidade competitiva e de restabelecimento da forrageira. com período de pastejo de 1 a 15 dias.Manejo de plantas daninhas em pastagens .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ou seja. Outro método cultural de controle de plantas daninhas é a manutenção de animais oriundos de outras pastagens em área isolada por 24 a 48 horas. um fator importante no controle integrado de plantas daninhas. com período de descanso de 24 a 39 dias. condições da propriedade (solo e clima). A pastagem degradada não oferece condições à forrageira de competir com as plantas daninhas. etc. em razão dos nutrientes perdidos no processo produtivo. maior aproveitamento do investimento empregado até o momento. Brachiaria decumbens (20 cm). exclusivamente. A adubação de manutenção é. e tifton (15 cm). O manejo correto consiste na utilização de lotação adequada. da intensidade de pastejo e do número de animais. De maneira geral. com 28 a 36 dias de pastejo. está diretamente relacionada com a produtividade da pastagem. A altura de pastejo depende da espécie forrageira. o pastejo pode ser classificado de três maneiras: contínuo . por evitar a entrada de plantas daninhas na pastagem. principalmente nitrogênio e fósforo. marandu e andropógon (30 cm). De modo geral. o beneficiamento da forrageira vai depender do manejo correto. dependendo da espécie forrageira. alternado . portanto. espécie forrageira. sistema de produção e outros. pisoteio demasiado e arranque de plantas. evitando assim a infestação da pastagem com sementes de plantas daninhas presentes no trato digestivo desses animais. Esta prática também é considerada um método preventivo. categoria animal.o animal fica sempre na mesma invernada ou pastagem. portanto. nível de adubação ou fertilidade natural do solo. A quantidade de adubação de manutenção. Isso ocorre quando há pastejo excessivo (superpastejo). que pode chegar a mais de 40% do total de nutrientes ingeridos pelo animal em pastejo. excesso de lotação (carga animal excessiva). 256 Módulo 3. sendo o manejo específico para cada região. e rotacionado o animal usa de 3 a 40 piquetes ou invernadas. Uma das principais causas da degradação das pastagens é a redução da fertilidade do solo. O tamanho e o número de piquetes dependem. e com o mesmo período de descanso. A utilização da adubação de manutenção é extremamente econômica desde que seja escolhida a espécie de forrageira adequada às condições de clima e solo e que ela esteja bem formada e com manejo adequado. Humidícola e Dictioneura (15 cm).

ou monda. expondo-o à ação da erosão. devido à rebrota e ao restabelecimento das plantas daninhas. É um método não-seletivo. porém possui baixa eficiência e eficácia. assim. ainda. danificando assim o sistema radicular e reduzindo o vigor da forrageira.Manejo de plantas daninhas em pastagens 257 . As plantas roçadas podem rebrotar logo após a realização desta prática. Ainda hoje é usado no controle em hortas caseiras. e disponibiliza de forma desorganizada os nutrientes armazenados nos vegetais. é o método mais antigo de controle de plantas daninhas. É um método relativamente seletivo. que possui rendimento operacional elevado e necessita de pouca mão-de-obra. possui a vantagem se ser altamente seletivo quanto à planta controlada. a capina manual. possui custo elevado. por também cortar a forrageira. No entanto. contudo. Seu rendimento operacional é maior do que o arranque. esta tem a tendência de aumentar a cada roçada. Este método. elevado custo de controle. agride pouco a forrageira e pode ser empregado em locais de difícil acesso com máquinas (roçadeira). Entretanto. é um método pouco eficiente e ineficaz.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2. bem com a roçada manual.6 . O arranque manual. Assim. os quais requerem manutenção adequada.3 . rebrotam e perfilham. acarretando. quando o principal método de controle é o uso de enxada. para plantas daninhas perenes a manutenção de parte do sistema radicular no solo possibilita a rebrota e o seu restabelecimento. O custo é relativamente inferior ao da roçada manual. no entanto. a cobertura morta e o cultivo mecanizado. A parte aérea das plantas cortada ao entrar em contato com a superfície do solo vai desencadear os processos de decomposição e degradação. Outro método muito empregado entre os pecuaristas é a roçada mecanizada. No controle de plantas daninhas em pastagens. ocorrendo perda de nutrientes e degradação da fertilidade do solo. Possui baixa eficiência e eficácia. e na maioria dos casos a forrageira é mais suscetível à ocorrência de queimadas do que as plantas daninhas. a queima. uma vez que a maioria das plantas se restabelece logo após o corte. aumentando a infestação. além de controlar as plantas daninhas. Um dos métodos mais utilizados no controle de plantas daninhas em pastagens é a roçada manual com foice. Esta prática. porém demanda equipamentos apropriados. a inundação. ou seja. A utilização do fogo é um método pouco eficiente. afeta a atividade microbiana deste. deve ser repetida periodicamente. a roçada.Controle mecânico ou físico São métodos mecânicos de controle de plantas daninhas o arranque manual. induzindo o aparecimento de reboleiras. e algumas ainda perfilham. Serve para controlar plantas gramíneas. por demandar muita mão-de-obra. como a maior parte desse material vegetal é constituída por tecidos de elevada relação C/N (na maioria Módulo 3. as espécies de plantas daninhas perenes que possuem reservas no sistema radicular rebrotam ou. por possuir sistema radicular menos profundo e mais fácil de ser arrancado. também controla a espécie forrageira. jardins e na remoção de plantas daninhas entre as plantas das culturas em linha. como o trator e a roçadeira. pois reduz a quantidade de matéria orgânica do solo. Este método de controle exige muita mão-deobra e possui baixo rendimento operacional.

observando-se as normas técnicas.Manejo de plantas daninhas em pastagens . A utilização de herbicida seletivo no controle de plantas daninhas em pastagens tem demonstrado várias vantagens. têm a finalidade de inibir o desenvolvimento ou provocar a morte das plantas daninhas. • É eficiente no controle de plantas daninhas na pastagem sem afetar o sistema radicular da forrageira. ele causa menor dano à forrageira. as instruções dos fabricantes e as leis governamentais que regulamentam o seu uso. em certas regiões é difícil de ser encontrada no momento certo e na quantidade necessária. em concentrações convenientes. proporcionando menor rebrota das plantas daninhas. perfeitamente controlados e evitados. e este será imobilizado do solo. uma vez que reduz ou elimina a competição entre estas e a forrageira. • Permite o menor revolvimento do solo . Há necessidade de mão-de-obra especializada para aplicação dos herbicidas. Pode ocorrer também poluição do ambiente água (rios. quando for adotada juntamente com outros métodos de controle. principalmente. O conhecimento da fisiologia das plantas. Deve-se salientar que. lagos e água subterrânea).6 . após a realização da roçada. Todo herbicida é uma molécula química que tem que ser manuseada com cuidado. os animais devem ser retirados da área. sendo o tempo de recuperação da área relativamente rápido. mas devem ser conhecidos. A roçada é uma prática que controla plantas daninhas sem reservas no sistema radicular e as demais espécies. a quantidade disponível deste nutriente no solo em um momento em que a forrageira dele necessita para seu restabelecimento.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas gramíneas). o controle é mais eficiente. havendo perigo de intoxicação do aplicador. Na 258 Módulo 3. • Pode controlar plantas daninhas perenes e de propagação vegetativa. dos grupos aos quais pertencem os herbicidas e da tecnologia de aplicação é fundamental para o sucesso do controle químico das plantas daninhas. para garantir o restabelecimento da forrageira e o seu poder de competição com as plantas daninhas. reduzindo.plantio direto. As vantagens do uso do controle químico podem ser enumeradas: • Menor dependência da mão-de-obra. como o cultural e químico. • Maior rendimento na operação de controle de plantas daninhas.quando manuseados incorretamente. os microrganismos do solo demandam nitrogênio. que possui custo elevado. solo e alimentos . São necessárias pessoas capacitadas para uso correto dos herbicidas. O herbicida deve ser considerado uma ferramenta a mais e não como o único método de controle.4 . assim. Os riscos de uso existem. É eficiente no controle de plantas daninhas anuais e perenes e possui alto rendimento operacional. sendo essa a causa de cerca de 80% dos problemas encontrados na prática. tanto fisiologicamente como quando aplicado de forma localizada. Por possuir seletividade. 2. • Mesmo em épocas chuvosas.Controle químico No controle químico utilizam-se herbicidas que.

sendo necessário o emprego conjunto do controle químico com herbicidas sistêmicos (Quadro 2). também em estádios iniciais de desenvolvimento. A eliminação da vegetação pode ocorrer pelo emprego de práticas mecânicas ou por meio de controle químico com herbicidas. A gradagem é um método mecânico de controle de plantas daninhas. cabendo ao controle químico apenas auxiliar quando necessário. identificação correta das plantas daninhas (espécie. e distribuição de plantas daninhas (localizada ou não). paraquat + diuron e 2. O emprego do controle químico deve ser feito juntamente com outras práticas de controle. Quando a forrageira (monocotiledônea) estiver se estabelecendo na área e surgirem plantas daninhas dicotiledôneas. conhecimento do tipo da forrageira. possuindo retorno rápido e certo. desde que inserida em um manejo adequado de controle de plantas daninhas e recuperação da pastagem.Uso de herbicidas na reforma e formação de pastagens Na reforma de pastagens ocorre a necessidade da destruição da vegetação da área. bem como suas misturas.Manejo de plantas daninhas em pastagens 259 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas maioria dos casos.1 . estádio de desenvolvimento. com posterior implantação da forrageira.4-D. como: conhecimento das condições de degradação da pastagem e decisões conjuntas para sua recuperação. uma vez que estes produtos são seletivos às gramíneas (Quadro 2). paraquat. O objetivo deste controle é reduzir a competição das plantas daninhas e possibilitar condições ideais ao rápido estabelecimento e desenvolvimento da forrageira. em pequenas doses. não possuindo torrões e tocos. Os principais herbicidas utilizados com essa finalidade são glyphosate. diquat. biologia. Portanto. sendo para isso realizada a destoca e gradagens. atividade metabólica e densidade de infestação). sendo a de maior importância o controle cultural. são dependentes das plantas daninhas presentes na área e de seu desenvolvimento no momento da aplicação (Quadro 2). é prática viável. 2. o emprego de reguladores de crescimento. a utilização de herbicidas no controle de plantas daninhas tem se mostrado uma prática economicamente viável. porém não controla as espécies que possuem órgãos de reserva. A seguir será abordado o manejo de plantas daninhas em pastagens utilizando-se herbicidas. sendo comum a mistura entre alguns destes. Os herbicidas a serem utilizados. Nesse caso.6 . o herbicida é uma ferramenta muito importante no manejo integrado de plantas daninhas.4. sendo estes de amplo espectro de ação e baixa persistência no ambiente (dessecantes). Os demais sistemas de plantio devem ser realizados em solo com preparo adequado. uma vez que este possibilita as melhores condições de desenvolvimento e permanência da forrageira. desde que utilizado no momento adequado e de forma correta. o emprego do controle químico se faz necessário. O emprego do controle químico como único e generalizado implica a inviabilidade econômica da prática agrícola e sério desequilíbrio no sistema de produção. São necessários alguns fatores para o sucesso da utilização do controle químico no manejo integrado de plantas daninhas. Módulo 3.

que impõem dificuldades na pulverização ou mesmo no corte. 2. utilizando-se para isso o picloram. Práticas culturais adequadas.2 . como o tebuthiuron (Quadro 2).6 . Na prática da recuperação das pastagens. do nível de infestação de plantas daninhas. da espécie da forrageira. Eles possibilitam condições de rápida recuperação da pastagem e melhor aproveitamento do adubo e da calagem pela forrageira. A prática da recuperação é dependente.4.4-D. ou seja. a fim de proporcionar condições adequadas de restabelecimento da forrageira. são componentes fundamentais no sucesso do manejo de plantas daninhas e na recuperação da forrageira. uma vez que implica disponibilizar condições adequadas ao restabelecimento e desenvolvimento da forrageira já implantada na área. o que pode ser realizado pelo emprego de herbicidas. presença de comprometimento da fertilidade do solo com manutenção da integridade da forrageira.Manejo de plantas daninhas em pastagens .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2. o primeiro passo é a eliminação da competição pelas plantas daninhas.4-D + picloram. quando comparada à formação ou mesmo à reforma. como: 2. fluroxipir + picloram. através de produtos seletivos às gramíneas.Uso de herbicidas na manutenção de pastagens O manejo adequado da pastagem é o principal fator responsável por sua longevidade e produtividade. A eliminação de reboleiras de plantas daninhas perenes e arbustivas pode ser realizada com aplicação localizada nas folhagens. tornando esta competitiva e dificultando o estabelecimento de plantas daninhas.4-D. Devese manter a pastagem sem pastoreio por um período de tempo após as práticas suficiente para recuperação desta. fluroxipir + picloram e triclopyr (Quadro 2). como o 2. mesmo que os herbicidas sejam eficazes no controle das espécies infestantes. ainda. os arbustos com muitos espinhos. das espécies de plantas daninhas presentes na área e do nível tecnológico empregado pelo pecuarista. 2. A ausência da complementação do controle químico com o controle cultural inviabiliza essa tecnologia. É dependente da população adequada de plantas forrageiras na área e da viabilidade do seu sistema radicular. o controle de plantas daninhas é fundamental para a sustentabilidade do sistema de produção. como adubação e calagem. A recuperação da pastagem demanda menor custo e possibilita a obtenção mais rápida de pasto.4-D + picloram. 2. por possibilitar condições adequadas ao desenvolvimento da forrageira.4-D + picloram. A ausência de condições adequadas ao desenvolvimento da forrageira proporciona o restabelecimento das plantas daninhas na área. no meristema apical (ex. 260 Módulo 3. 2. fluroxipir + picloram e triclopyr (Quadro 2). triclopyr e tebuthiuron (Quadro 2). podem ser eliminados pela utilização de produtos granulados espalhados no solo na projeção da copa.: na pindoba) ou mesmo no toco recémcortado de arbustos e árvores.Uso de herbicidas na recuperação de pastagens A recuperação de pastagens é caracterizada pelo retorno às condições de produção destas sem ocorrer destruição da forrageira ou mesmo o revolvimento do solo. Entretanto.4. Os herbicidas podem ser utilizados para eliminar as plantas daninhas.3 . Dentre os vários componentes do manejo de pastagens.

Na dessecação para o sistema de plantio direto. jurubeba (Solanum paniculatum). Não aplicar em plantas daninhas perenes adultas. previamente. ao pastoreio da área.).). flor-roxa (Echium plantagineum). Mostarda (Brassica campestre). tomate. mentrasto (Ageratum conyzoides). com glyphosate. como tomate. usá-lo em mistura no tanque do pulverizador. Recomenda-se aplicálo com ponta de pulverização que produza boa cobertura foliar. Também é utilizado na dessecação para o plantio direto em pósemergência das plantas daninhas. cordãode-frade (Leonotis spp. beldroega (Portulaca oleracea). Controla várias espécies de gramíneas e dicotiledôneas anuais. Esta prática também reduz a contaminação do esterco dos animais com esses herbicidas. glyphosate potássico ou sulfosate. Controla plantas de folhas largas anuais e algumas perenes. batata. 2. entre outras. Plantas daninhas controladas: amendoim-bravo (Euphorbia spp). Quadro 2 – Principais herbicidas recomendados na cultura das pastagens Nome técnico Nome comercial Observações Aplicação (pós-emergência) em área total em forrageiras monocotiledôneas controlando seletivamente as espécies dicotiledôneas. porém não elimina as plantas perenes. erva-moura (maria preta) (Solanum nigrum). poaia (Richardia spp. trapoeraba (Commelina spp. podendo causar sérios danos a culturas sensíveis adubadas com o esterco. café.4-D Diversos Diuron + Gramocil paraquat Módulo 3. Deve ser aplicado preferencialmente nos estádios iniciais de desenvolvimento das plantas daninhas. Por ser herbicida não-seletivo. carrapicho-de-carneiro (Acanthospermum hispidum). corriola (lpomoea spp). No controle em área total procede-se. devido ao rápido metabolismo do 2. Nabo-bravo (Brassica rapa). como: algodão. alface e outras hortaliças. em área total. mastruço (mentruz) (Coronopus didymus). picão-branco (Galinsoga parviflora).). não pode ser aplicado sobre a forrageira. serralha (Sonchus oleraceus). mamona (Ricinus communis).). visando redução das doses e maior eficiência de controle.4-D com picloram.Manejo de plantas daninhas em pastagens 261 . picão-preto (Bidens pilosa). devendo ser aplicada a mistura de 2. não ocasionando a morte delas em aplicação isolada. de ação por contato. Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas. guanxuma (Sida spp. melão-de-são-caetano (Momordica charantia).4-D nessas plantas. Nabiça (Raphanus raphanistrum).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Deve-se atentar para a manutenção da pastagem livre de pastoreio no momento e também por um período de tempo após a aplicação dos herbicidas. que não se reproduzem por partes vegetativas. joá (Solanum spp. objetivando a recuperação da forrageira. caruru (Amaranthus sp. Deve-se atentar para o efeito da deriva para culturas altamente sensíveis próximo à área de pulverização. feijão. soja.). dente-de-leão (Taraxacum officinale). estando estas em estádio inicial de desenvolvimento. com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. em infestações mistas (de gramíneas e dicotiledôneas).6 . para matar as plantas daninhas anuais (monocotiledôneas e dicotiledôneas). ou cultivadas em área tratada por um período inferior à sua carência.) e aguapé (Eichornia crassipes) Utilizado na renovação das pastagens. que possuem persistência neste e no solo.

ao pastoreio da área. ao pastoreio da área.4-D + Tordon picloram 2. pulveriza-se por via terrestre ou aérea toda a área ou as reboleiras mais infestadas.4-D + Mannejo picloram 2.Manejo de plantas daninhas em pastagens .000 metros de distância de culturas sensíveis. Utilizar surfatantes (0. Deve ser realizado durante a estação das chuvas. com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. malva-branca (Sida cordifolia). soja. café. canelade-perdiz (Croton glandulosus) e mata-pasto (Eupatorium maximilianii) e outras. batata. No controle em área total procede-se. guanxumas (Sida spp.). No primeiro caso. Plantas daninhas controladas (*aplicação no toco recém-roçado): amendoim-bravo (Euphorbia paniculata).3% v. tomate. entre outras. Deve-se atentar para o efeito da deriva para culturas altamente sensíveis próximo à área de pulverização. feijão. cajussara (Solanum spp.6 . aguapé (Eichordia crassipes).v. entre outras. Deve-se atentar para o efeito da deriva.25% v. Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos. soja. café. No segundo caso. cambarazinho (Eupatorium laevigatum).). a aplicação deve ser realizada cerca de 40 dias após a emergência das plantas daninhas. joá (Solanum sisymbrifolium). leiteiro* (Peschiera fuchsiaefolia). É utilizado no controle de plantas herbáceas tolerantes ao 2. Plantas daninhas controladas: assa-peixe branco (Vernonia polyanthes). em pleno vigor vegetativo. samambaia (Pteridium aquilinum). arranha-gato* (Acacia sp. timbó* (Serfania sp). picão-preto (Bidens pilosa). Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso). guanxuma (Sida rhombifolia). Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos. cheirosa (Hyptis suaveolens). Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso). o de aplicação no toco recém-roçado. previamente.4-D e para controlar arbustos e árvores. buva (Erigeron bonariensis). fumeiro (Solanum sp). Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas. erva-de-bicho (Polygonum punctatum). tomate.).). No controle em área total procede-se. jurubeba (Solanum paniculatum).v Aterbane ou 0. quando as plantas se encontram em pleno vigor vegetativo. como: algodão. mio-mio (Baccharis coridifolia).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Utilizar surfatantes 0. com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. feijão. fedegoso (Senna obtusifolia). espinilho (Fagara praecox). capixingui (Croton floribundus). Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas. batata. 2.20 a 0.2 a 0. como: algodão. Aplicação em pós-emergência em área total ou localizada. na erradicação de arbustos ou árvores isoladas utiliza-se o método da pulverização da copa ou. maria-mole (Senecio brasiliensis). É utilizado na reforma e recuperação da pastagem no controle de plantas daninhas dicotiledôneas herbáceas e semi-arbustivas. Caso contrário. tojo (Ulex europaeus) e trançagem (Plantago major). erva-lanceta (Solidago microglossa).3% de óleo mineral). e Sharnkya sp. previamente. deve-se roçar as plantas daninhas e esperar a rebrota vigorosa e bem enfolhada (30 a 40 cm para plantas herbáceas e 1 m para semilenhosas) para posterior aplicação. caraguatá (Erygium spp).4-D 262 Módulo 3. preferencialmente. assapeixes (Vernonia spp. Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos. principalmente em pulverizações aéreas que devem ser realizadas no mínimo a 2. carqueja (Bacharis trimera).

com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. por ser fortemente sorvido ao solo e não possuir efeito residual. mata-pasto (Eupatorium maximilianii). As plantas daninhas devem estar em pleno desenvolvimento vegetativo. Evitar deriva deste produto para culturas altamente sensíveis. Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas. Por ser um herbicida sistêmico. Em pastagem. Controla de forma não-seletiva plantas daninhas mono e dicotiledôneas. angiquinho* (Parapiptadenia sp). evitando a rebrota destas após o revolvimento do solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Utilizar surfatante 0. controla plantas daninhas dicotiledôneas herbáceas semi-arbustivas e arbustivas.v ou óleo mineral 0. malvão (Triunfetta bartramia). por não ser seletivo a elas. plantas de cerrado ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso). previamente. Aplicação em pósemergência em área total ou localizada.v. principalmente para uso em áreas infestadas por plantas de difícil controle. ao pastoreio da área. Fluroxipir Plenum + picloram Glyphosate diversos Módulo 3. Requer período de 4-6 horas sem chuvas após sua aplicação.Manejo de plantas daninhas em pastagens 263 . É comum sua mistura ao 2. (*Em algumas condições ocorre a exigência de repasse no segundo ano com a aplicação de picloram no toco recém-roçado). café. como: algodão. em aplicações localizadas para controlar plantas em reboleiras.). entre outras. dependendo da formulação utilizada. vassourinha (Sida santaremnensis). ainda.3% v. guatanbú* (Aspidosperma sp. joá (Solanum viarum). para assegurar sua absorção. roseta* (Randia armata. Plantas daninhas controladas: assa-peixe-branco (Vernonia polyanthes). deve-se evitar o contato com as forrageiras. estando estas em boas condições metabólicas.5% v.2 a 0. feijão. Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos. Neste caso. A dose recomendada depende das espécies e do estádio de desenvolvimento destas. quando se pretende renová-la. Pode ser utilizado. jovens ou adultas. Aplicar em pós-emergência das plantas daninhas. controla plantas daninhas perenes e com órgãos de reserva. usa-se para destruí-la. aroeirinha* (Schinus terebenthifolius). assa-peixe branco do cerrado* (Vernonia ferruginea). Este herbicida não impõe restrições quanto à escolha das culturas subseqüentes. assa-peixe-roxo (Vernonia westiniana). soja. mamica-de-porca* (Fagara rhoifolium). ou reverter o terreno para outras culturas.6 .4-D. tomate. No controle em área total procede-se. malva branca (Sida cordifolia). Bauhinia variegata). batata. Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente. guanxuma (Sida rhombifolia).

aproximadamente 30-40 cm acima do nível do solo (cerca de 20 mL por planta). mamica-de-porca (Machaerium aculeatum). deve-se fazer o corte abaixo do engrossamento da raiz da última roçada. plantas de cerrado ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso). mesmo que a altura esteja abaixo da roçada recente. assa-peixe (Vernonia polyanthes). jurubeba (Solanum paniculatum) e outras. Deve-se utilizar ponta de pulverização do tipo cone cheio.v em óleo diesel a baixa pressão no terço final do caule.aplicação de Garlon 5. No controle em área total procede-se. Em plantas que possuem engrossamento do caule abaixo do nível do solo (ex. camboatá (Tapirira guianensis). deve-se corta-las com enxadão abaixo do nível do solo e posteriormente aplicar o produto em caule e raízes decepadas até o ponto de encharcamento. Não realizar aplicação em plantas secas e com atividade metabólica reduzida (estresse hídrico acentuado. como: algodão. pata-de-vaca (Bauhinia variegata) e ciganinha (Memora peregrina). entre outras. que apresentam engrossamento visível próximo à superfície do solo. ao pastoreio da área. molhando bem todo o toco até atingir o ponto de escorrimento. Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas. Não adicionar óleo diesel nem surfatantes.) e outras brotações de cerrado .Manejo de plantas daninhas em pastagens . não impondo restrições quanto a culturas subseqüentes. leiteiro (Peschiera fuchsiaefolia). apresentando meiavida no solo de 20 a 45 dias. Na aplicação em área total não se deve utilizar óleo diesel. Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente. Evitar deriva deste produto para culturas altamente sensíveis. localizado no centro da projeção das folhas mais novas. espinho-agulha (Barnadesia rosea). previamente. Roçar as plantas daninhas a serem controladas com foice o mais próximo possível do solo. Em plantas já roçadas anteriormente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Controle eficiente da pindoba (Orbinea speciosa) – 10 mL da solução 4. para evitar perda do produto.) pata-de-vaca (Bauhinia variegata e Parapiptadenia sp. O produto é rapidamente degradado. A aplicação deve ser realizada diretamente no meristema apical da planta. soja. Aplicar o produto molhando bem e uniformemente toda a folhagem da planta. cambará (Lantana camara). Em plantas com toco de diâmetro inferior a 3 cm. devem-se aplicar 15 a 20 mL por planta. batata. café. Aplicação deve ser localizada no toco recém-roçado. queimada).0% v. com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. Plantas daninhas controladas: erva-quente (Borreria alata). Triclopyr Garlon Picloram Padron 264 Módulo 3. deve-se aplicar o produto sobre o solo ao redor do toco. dependendo do tipo de solo e das condições climáticas. esta pode ser aérea ou terrestre. A aplicação deve ser realizada em plantas com desenvolvimento adequado. Controle de guatambu (Aspidosperma sp. feijão. cuidando para atingir o mínimo possível as folhas da forrageira. Para plantas velhas. médio e grande porte. Os caules mais grossos devem ser rachados em cruz para proporcionar a maior absorção do produto.6 . Plantas daninhas controladas: arranha-gato (Acacia plumosa).0% v. O produto deve ser aplicado imediatamente após o corte. que deve ficar o mais próximo possível no momento da aplicação. espinilho (Acacia farnesiana). objetivando-se atingir o seu sistema radicular. tomate. em pastagens infestadas densamente por plantas daninhas de pequeno.v de Garlon em óleo diesel para cada metro de altura desta planta. roçadas várias vezes.: ciganinha). aroeirinha (Schinus terebenthifolius).

para reduzir os efeitos negativos à forrageira. No entanto. cruzeta (Strychnos parvifolia). fumo-bravo (Solanum verbascifolium). Tebuthiuro Graslan n São várias as maneiras de aplicação de herbicidas em pastagens. operação na ocasião do controle (reforma. Mantenha afastados das áreas de aplicação crianças. folha-de-santana (Vernonia ferruginea). pepino e outras. cipó-prata (Banisteria metalicolor). distribuindo-se os grânulos na projeção da copa. cansanção ou urtigão (Cnidosculus urens). espinho-agulha (Barnadesia rósea). o aplicador proteger-se com equipamento de proteção adequado (luvas impermeáveis e outros). Em caso de lesões ocasionadas principalmente pela maior concentração localizada do produto. pois esta é importante para melhor absorção do herbicida e conseqüentemente agilizará o processo de morte desse arbusto. nível tecnológico do pecuarista e herbicida utilizado. bem como de árvores frutíferas. esporão-de-galo (Celtis glycicarpa). entretanto. feijão. sendo elas dependentes das condições de infestação. os arbustos devem apresentar bom desenvolvimento foliar. esporão-de-galo (Pisonea aculeata). espécie infestante. ou localizada nas reboleiras de infestantes que se pretende eliminar. veludo-vermelho (Chomelia pohliana). algodão. Devido ao modo de absorção e translocação do herbicida. como soja. aroeirinha (Schinus terebinthifolius). mamica-de-porca (Fagara hiemalis) e tarumã (Vitex sp. limãozinho ou juvu (Acanthocladus brasiliensis). recuperação e manutenção). a aplicação não deve ser feita em arbustos roçados ou queimados recentemente. animais domésticos e pessoas desprotegidas por um período de 7 dias após a aplicação do produto. com granuladeira ou por via aérea.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Formulação granulada aplicada a lanço. espinho-agulha (Chuquiragua tomentosa). leiteiro-vermelho (Chrysophyllum marginatum). tomate. Deve-se evitar a aplicação sobre ou perto de culturas anuais suscetíveis. capa-bode (Melochia tomentosa). cega-jumento ou cajussara (Solanum rugosum). No caso de aplicação em área total. jurubeba (Solanum fastigiatum). malícia ou dorme-dorme (Mimosa invisa). arranha-gato ou unha-de-gato (Acacia plumosa). pereiro (Aspidosperma eburneum). roseta ou limãozinho-de-goiá (Randia armata). assa-peixebranco. A aplicação foliar pode ser localizada ou em área total. assa-peixe.Manejo de plantas daninhas em pastagens 265 . os danos tendem a desaparecer num período de 6 a 12 meses.). A localizada é denominada catação e constitui-se na eliminação de arbustos agrupados.6 . lobeira (Solanum lycocarpum). seu efeito restringe-se ao local de aplicação. assa-peixe-roxo (Vernonia scabra). devendo. embaixo da copa dos arbustos indesejáveis (plantas com espinhos e outras). carqueja (Bacharis trimera). É aplicado em dose única em qualquer época do ano. É recomendado para solos arenosos e areno-argilosos. Após a aplicação deste produto não se recomenda eliminar a parte aérea do arbusto de que se deseja o controle. leiteiro (Peschiera fuchsiaefolia). a área é caracterizada pela infestação menor do Módulo 3. formação. Plantas daninhas controladas: gramão ou grama-batatais (Paspalum notatum). chirca (Eupatorium bonifolium). Usa-se em cobertura total do terreno. em ambos os casos. taboca (Guadua angustifólia). A distribuição do produto deve ser uniforme na área. café-de-bugre (Solanum caavurana). fumo. Não aplicar o produto em florestas ou reservas naturais. limão-bravo (Soliva sessilis). ou. resultados mais rápidos e eficientes serão obtidos quando a aplicação for realizada pouco antes (ou no início) do período chuvoso (julho a dezembro nas regiões Sul e Centro-Oeste). quando em aplicação localizada. assa-peixe-do-cerrado (Gochnatia polymorpha). portanto. assa-peixe-do-pará. mangueirinha ou camboatá-do-cerrado (Tapirira guianensis). as culturas rotacionais poderão ser plantadas no mínimo 3 anos após a aplicação do herbicida. ainda.

A principal vantagem da aplicação aérea é o alto rendimento operacional. podendo pulverizar até 300 ha por dia. É utilizado no controle de arbustos com espinhos e com arquitetura de galhos bem fechados. caracterizada pela deposição do herbicida granulado no solo na projeção da copa da planta daninha. A aplicação em área total é feita em áreas com infestação acima de 40% e está condicionada à topografia adequada da área. pode-se realizar a aplicação basal. 266 Módulo 3. ou mesmo um pulverizador tratorizado adaptado com várias saídas de pontas. direcionadas por trabalhadores que acompanham o trator. Deve-se cuidar quanto à deriva próximo a áreas agrícolas.Manejo de plantas daninhas em pastagens . Essa forma de pulverização possui alto rendimento operacional e exigência baixa de mão-de-obra. uma vez que a maioria das culturas anuais e perenes é altamente sensível aos herbicidas reguladores de crescimento utilizados em pastagens. necessidade de pista de pouso próximo à área e topografia adequada à pulverização aérea. denominado Burro Jet. canhão ou avião (aérea). podendo ser realizada com pulverizador de barra.6 . pelas exigências quanto a monitoramento sistemático das condições meteorológicas. Todavia. Outra forma de aplicação de herbicidas é em toco recém-roçado. o pulverizador tracionado por animal.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas que 40% e disposta em reboleiras. Esta prática demanda maior nível tecnológico do pecuarista. Os pulverizadores utilizados são o costal tracionado por uma pessoa. em condições que impõem restrições à aplicação foliar ou ao corte dos arbustos. A aplicação aérea é recomendada em grandes áreas que possuem obstáculos à pulverização tratorizada. permitindo a mecanização com o trator. tendo como objetivo aumentar a suscetibilidade das plantas daninhas aos herbicidas.

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