ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

PROTEÇÃO DE PLANTAS

Módulo 3 Manejo de plantas daninhas
Tutores: Profº Dr.Antonio Alberto da Silva (UFV-MG) Profº Dr. José Ferreira da Silva (FUA-AM) Profº Dr. Francisco Affonso Ferreira (UFV-MG) Profº Dr. Lino Roberto Ferreira (UFV-MG)

Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Universidade Federal de Viçosa - UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia

Brasília - DF 2006
Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas 1

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Ficha Catalográfica Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Controle de plantas daninhas. Tutores: Antônio Alberto da Silva; [e outros]; colaboração de José Ferreira da Silva, Francisco Affonso Ferreira, Lino Roberto Ferreira - Brasília, DF: ABEAS; Viçosa, MG: UFV; 2006. 268.: il (ABEAS. Curso Proteção de Plantas. Módulo 3 - 3.1;3.2;3.3;3.4;3.5,3.6). Inclui bibliografia. 1. Plantas daninhas - controle. I.Silva, Antônio Alberto, 1950 - II. Silva, José Francisco da. III.Ferreira, Francisco Afonso. IV.Ferreira, Lino Roberto. V.Silva, José Ferreira da. VI. Oliveira Júnior, Rubem Silveríco de. VII. Vargas, Leandro. VIII. Universidade Federal de Viçosa. IX. Título É proibida a reprodução total ou parcial deste módulo Direitos reservados a ABEAS e ao autor

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Módulo 3: 3.1 - Biologia e métodos de controle

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Sumário
Módulo 3.1 – Biologia e métodos de controle, 04 Módulo 3.2 – Herbicidas: classificação e mecanismos de ação, 48 Módulo 3.3 – Herbicidas: absorção, translocação, metabolismo, formulação e misturas, 102 Módulo 3.4 – Herbicidas: comportamento no solo, 135 Módulo 3.5 – Herbicidas: resistência de plantas, 196 Módulo 3.6 – Manejo de plantas daninhas em pastagens, 235

Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas

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ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

PROTEÇÃO DE PLANTAS

Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas 3.1 - Biologia e métodos de controle
Tutores: Profº. Antonio Alberto da Silva Profº. Francisco Affonso Ferreira Profº. Lino Roberto Ferreira Profº. José Barbosa dos Santos

Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Universidade Federal de Viçosa - UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia

Brasília - DF 2006
4 Módulo 3.1 - Biologia e métodos de controle

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Sumário

Introdução, 06 1 - Planta daninha, 07 1.1 - Prejuízos causados pelas plantas daninhas, 08 1.1.1 - Prejuízos diretos, 08 1.1.2 - Prejuízos indiretos, 09 1.2 - Origem, estabelecimento e propagação das plantas daninhas, 10 1.3 - Classificação das plantas daninhas, 15 1.3.1 - Características práticas para reconhecimento das principais famílias de plantas daninhas, 16 1.4 - Características de agressividade das plantas daninhas, 18 2 - Competição entre plantas daninhas e culturas, 19 2.1 - Fatores do ambiente passíveis de competição, 20 2.1.1 - Competição por água, 23 2.1.2 - Competição por luz, 25 2.1.3 - Competição por CO2, 28 2.1.4 - Competição por nutrientes, 28 3 – Alelopatia, 30 3.1 - Alelopatia das plantas daninhas sobre as culturas e plantas daninhas, 31 3.2 - Alelopatia entre culturas, 32 3.3 - Alelopatia das coberturas mortas, 32 4 - Competição e período crítico de competição, 33 5 - Métodos de controle de plantas daninhas, 36 5.1 - Controle preventivo, 36 5.2 - Controle cultural, 37 5.3 - Controle mecânico ou físico, 37 5.4 - Controle biológico, 39 5.5 - Controle químico, 40 6 - Manejo integrado de plantas daninhas (mipd), 42 Referências bibliográficas, 45

Módulo 3.1 - Biologia e métodos de controle

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visando o melhoramento de culturas para resistência a herbicidas. Os estudos de ecologia e da toxicologia humana e animal são conduzidos. climatologia. fitotecnia. como exemplos. fisiologia vegetal. Novas técnicas estão sempre sendo pesquisadas e incorporadas. deve utilizar menos mão-de-obra para produção de maior quantidade de alimentos. esse percentual é ainda maior. São necessários. 2005). mecânicos ou químicos. estão sendo desenvolvidos trabalhos objetivando a criação de cultivares de soja resistentes ao glyphosate. destaca a importância da eficiência do controle de plantas daninhas. para uma população crescente de consumidores e decrescente de produtores. e a mão-de-obra rural existente é escassa e de baixa qualidade. isoenzimas e RAPD (biotecnologia) e sensoriamento remoto também são úteis na identificação de plantas daninhas. principalmente. é extremamente simples. o uso de herbicidas tornou-se prática indispensável. cuidados técnicos 6 Módulo 3. Cerca de 92% da população. ao imazaquin. Todavia. usando métodos manuais. além da eficiência e. de milho. antes do lançamento de qualquer herbicida. A demanda cada vez maior de alimentos. simultaneamente. química orgânica. em que os herbicidas correspondem a mais de 50% do volume total comercializado (ANDEF. economicidade do controle químico. o Brasil dispõe de um dos maiores mercados do mundo. toda e qualquer técnica de manejo de plantas daninhas somente terá sucesso se for aplicada levando-se em conta conhecimentos detalhados da biologia das plantas infestantes da área. fibras e energia. sendo um dos primeiros no "ranking" de vendas de agrotóxicos. de arroz. o controle de plantas daninhas. sendo mais eficientes no controle de plantas daninhas específicas e com doses cada vez mais baixas. vive hoje nas cidades. Em termos médios.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução Para um leigo. ao amônio-glufosinato. ou seja. Muitos estudos estão sendo conduzidos em genética. o estudo das plantas daninhas é dinâmico.Biologia e métodos de controle . com ajuda da física. bioquímica. as microondas e o raio laser estão sendo avaliados como futuros métodos de controle. envolvendo principalmente conhecimentos nas áreas de morfologia e fisiologia. entretanto. Devido à dificuldade de se encontrar mão-de-obra no campo. Como toda ciência. técnicas de biologia molecular e sensoriamento remoto. etc. é uma ciência multidisciplinar que depende de conhecimentos de botânica. física e química do solo.1 . Em razão disso. o ultra-som. o produtor deve ser mais eficiente. a eletricidade. biologia. cerca de 20-30% do custo de produção refere-se ao controle de plantas daninhas. Os novos herbicidas estão cada vez mais seguros para o ambiente e o homem. mecanização agrícola. como cana-de-açúcar. Com relação aos defensivos agrícolas. Assim. Em algumas culturas. Na verdade. no momento preciso e na quantidade necessária. na região produtora de alimentos do Brasil.

sendo recomendado sempre um programa de controle integrado. Como exemplos. cultural. citado por Fischer (1973). levando-se em consideração as espécies daninhas infestantes. Cruz (1979) salienta que é uma planta sem valor econômico ou que compete. associam-se os diversos métodos disponíveis (preventivo. para se obter um controle que seja eficiente. Deve-se ressaltar que o herbicida é considerado apenas uma ferramenta a mais no manejo de plantas daninhas. plantas estranhas no jardim. Na verdade.Biologia e métodos de controle 7 . plantas interferindo no desenvolvimento de culturas comerciais. por isso mesmo. etc. em determinadas situações. Segundo Rodrigues e Almeida (2005). que é o de conciliar. seja daninha. Uma planta cultivada também pode ser daninha se ela ocorrer numa área de outra cultura. Entretanto. todos os conceitos baseiam-se na sua indesejabilidade em relação a uma atividade humana. etc. pois estas. Uma planta pode ser daninha em determinado momento se estiver interferindo negativamente nos objetivos do homem. a qualidade do produto produzido ou interferir negativamente no processo da colheita é considerada daninha. num conceito mais amplo. a topografia da área. hoje. os conceitos de competitividade. porém esta mesma planta pode ser útil em outra situação. é um típico setor de tecnologia de ponta e. biológico e químico). plantas ao lado de refinarias de petróleo. qualquer planta estranha que vier a afetar a produtividade e.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas para atingir a máxima eficiência com o mínimo impacto negativo ao solo. Neste programa. mecânico. pelo solo. Fischer (1973) apresenta duas definições: “plantas cujas vantagens ainda não foram descobertas” e “plantas que interferem com os objetivos do homem em determinada situação”. são vários os conceitos de planta daninha: Shaw (1956). afirma que planta daninha é qualquer planta que ocorre onde não é desejada. servindo como planta medicinal. ou. na sua essência.1 . o tipo de solo. por exemplo. no seu processo. uma planta só deve ser considerada daninha se estiver direta ou indiretamente prejudicando uma determinada atividade humana. econômico e que preserve a qualidade ambiental e a saúde do homem. físico. Embora não se possa dizer que uma planta. promovendo a reciclagem de nutrientes. devido à evolução e complexidade que atualmente atingiu a Ciência das Plantas Daninhas. um campo no qual está muito presente o desafio maior do agronegócio brasileiro. sustentabilidade e eqüidade. é uma planta fora de lugar. citado por Marinis (1972). podem ser extremamente úteis. as condições ambientais e o nível cultural do proprietário. 1 . com o homem. à água e aos organismos não-alvos. plantas tóxicas em pastagens. Por esse motivo. os equipamentos disponíveis na propriedade. por exemplos. fornecendo néctar para as abelhas fabricarem o mel. Para Beal. Numa cultura.Planta daninha Definir planta daninha nem sempre é fácil. como. como a presença do milho em cultura da soja e da aveia em cultura do trigo. podem-se citar espécies altamente competidoras com culturas sendo extremamente úteis no controle da erosão. algumas têm sido consideradas plantas Módulo 3. o controle químico de plantas daninhas.

rizomas. capim-massambará (Sorghum halepense) e feijão-miúdo (Vigna ungiculata). É comum. b) São responsáveis pela não-certificação das sementes de culturas. d) Apresentam dormência e germinação desuniformes. 1). por exemplo: a) Reduzem a qualidade do produto comercial. etc. c) São rústicas quanto ao ataque de pragas e doenças. água. tubérculos. furtam energia do homem. Esses valores tornam-se ainda mais significativos na agricultura moderna. tubérculos de tiririca se desenvolvendo dentro tubérculos de batata (Fig. que são atributos que facilitam a perpetuação da espécie.1 . sementes de carrapicho-de-carneiro (Acanthospermum hispidum) aderidas à lã. Além da redução da produtividade das culturas.1 . cerca de 20-30% do custo de produção de uma lavoura se deve ao custo do controle das plantas daninhas.1 . quando estas são colhidas junto com sementes de determinadas espécies de plantas daninhas proibidas. São exemplos a presença de sementes de picão-preto (Bidens pilosa) junto ao capulho do algodão. como: a) Não são melhoradas geneticamente. etc. oficial-de-sala (Asclepias curassavica). Possuem habilidade de produzir grande número de sementes por planta. pois.Prejuízos causados pelas plantas daninhas 1.) 1. etc. também. bulbos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas daninhas comuns e outras plantas daninhas verdadeiras. na realidade. cavalinha (Equisetum 8 Módulo 3. capazes de se multiplicar por diversas maneiras (sementes.Prejuízos diretos As plantas daninhas. folhas. quando presentes em pastagens. etc. seria fácil erradicar uma espécie daninha. como é o caso de mudas cítricas produzidas em viveiro infestado com tiririca (Cyperus rotundus). Por exemplo: cafezinho (Palicourea marcgravii). num plantio rotacional trigo/soja. raízes. se todas as sementes germinassem de uma só vez.000 sementes por planta.Biologia e métodos de controle .1. como leiteiro (Euphorbia heterophylla). Muitas espécies de plantas daninhas são. geralmente com facilidade para disseminação pelo vento. As comuns são aquelas que não possuem habilidade de sobreviver em condições adversas. pêlo de animais. as plantas daninhas causam outros prejuízos diretos. b) Crescem em condições adversas. que produz até 42. as quais são facilmente dissemináveis por animais. sementes de capim-carrapicho (Cenchrus echinatus) junto ao feno. por misturas de sementes. As consideradas verdadeiras possuem características especiais que permitem fixá-las como infestantes ou daninhas. ainda. as plantas de trigo que surgirem das sementes remanescentes no solo passam a ser consideradas daninhas à cultura da soja. c) Podem intoxicar animais domésticos. Em média. Exemplo: Desmodium totuosum. arroz-vermelho (Oryza sativa). por máquinas. onde se exige perfeito controle das plantas para melhor eficiência das máquinas colheitadeiras. Por exemplo. impedirem a certificação de mudas em torrão.

Biologia e métodos de controle 9 . Outro exemplo de espécie de planta daninha que causa prejuízos diretos e indiretos é a Mucuna pruriens.1. prejudicar ou mesmo até impedir a realização de certas práticas culturais e a colheita. que germinam e parasitam as raízes do milho. dois meses mais tarde as plantas aparecem na superfície do solo. os nematóides: mais de 50 espécies de plantas daninhas hospedam Meloydogyne javanica e Heterodera (nematóide-do-cisto da soja). esta espécie daninha dificulta tremendamente a colheita manual. ainda não introduzida no Brasil. causado por um vírus à cultura do feijão. Figura 1 . durante a operação da colheita. arranha-gato (Acassia plumosa) e outras plantas espinhosas podem até impedir a colheita manual das culturas. florescem rapidamente e iniciam novamente o ciclo parasitário. samambaia (Pteridium aquilinium). Estas diminuem a eficiência das máquinas e aumentam as perdas durante a operação da colheita até mesmo quando em infestação moderada nas lavouras. Esta última é a pior invasora para milho. São exemplos destas espécies a corda-de-viola (Ipomoea grandifolia. podem. Sida santaremnensis.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas piramidale).2 . além dos prejuízos diretos que causam às culturas. que é transmitido pela mosca-branca após ter se “alimentado” de espécies do gênero Sida (Sida rhombifolia. Ipomoea aristolochiaefolia.000 sementes por planta. Ipomoea purpurea e outras desse gênero). d) Algumas espécies exercem o parasitismo em citros. Sida glaziovii. infestante comum em lavouras de milho. etc. os tricomas de suas folhas se rompem a um leve contato e liberam toxinas que causam inflamação na pele do trabalhador. Outro exemplo é o capim-massambará (Sorghum halepense). Sida micrantha. São exemplos a erva-de-passarinho (Phoradendron rubrum) em citros e a erva-de-bruxa (Striga lutea) em milho. carrapicho-de-carneiro (Acathospermum hispidum). Ela produz cerca de 5. ainda.Prejuízos indiretos As plantas daninhas podem ser hospedeiras alternativas de pragas e doenças. Algumas espécies.1 .).Dano em batata inglesa devido à penetração e ao desenvolvimento de tuberculos de tiririca 1. Módulo 3. milho e plantas ornamentais. feijão e cana-de-açúcar. flor-das-almas (Senecio brasiliensis). Sida cordifolia. algodoeirobravo (Ipomoea fistulosa). pois. chibata (Arrabidae bilabiata) e outras que podem causar a morte de animais. Capimcarrapicho (Cenchrus echinatus). como o mosaico-dourado do feijoeiro. que é hospedeiro do vírus do mosaico da cana-de-açúcar.

as plantas daninhas originaram-se. Além disso.Origem. etc. tornando-se inviável economicamente. O estudo do processo germinativo das sementes é de fundamental importância para quem trabalha com o manejo de plantas daninhas. Normalmente. Na verdade. o funcionamento de usinas hidrelétricas. têm o custo de controle muito elevado. como o é. o que assegura alta taxa de dispersão e restabelecimento de uma infestação. desmoronamentos de montanhas. que se constitui num grande disseminador de tais plantas. aguapé (Eichornia crassipes). Nestas áreas não é desejável a presença de plantas daninhas vivas ou mortas. que afirma que a vida originou-se no meio líquido. vias públicas.Biologia e métodos de controle . pelos quais as plantas podem perpetuar-se tanto por via seminífera como por via vegetativa. os parques e os jardins. o estabelecimento envolve o processo de germinação da semente. envolvendo os complexos aspectos morfogênicos e edafoclimáticos. Vários são os diásporos. etc. etc. Estas. como a tiririca (Cyperus rotundus) e a losna-brava (Artemisia verlotorum). devido ao próprio conceito de planta daninha. pelas plantas cultivadas. além da competição pelos recursos do meio. estabelecimento e propagação das plantas daninhas De acordo com Musik (1970) e Fischer (1973).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas As plantas daninhas. água. aumentando o custo da irrigação. prejudicando a pesca. a disseminação das plantas daninhas pode ser feita por vento. muitos herbicidas atuam.1 . também. Do ponto de vista morfofisiológico. como hipocótilo. dificultando a manutenção de represas.2 . Por outro lado. crescimento e desenvolvimento da planta. A propagação vegetativa é um mecanismo de sobrevivência de grande importância nas plantas daninhas perenes. o responsável pela evolução das plantas daninhas. Estas são encontradas onde está o homem. quando presentes em áreas com culturas que apresentam pequena capacidade competitiva. tubérculos. pois a semente é uma das vias de entrada dos herbicidas. 1. Existem duas grandes teorias: a hidrosere. podem ser altamente inconvenientes em áreas não-cultivadas: áreas industriais. caulículo. o estabelecimento de uma determinada planta daninha envolve os aspectos ecológicos da agregação e migração. provavelmente. animais. rizomas. inicialmente. segundo a qual a vida teve origem em terra firme. como glaciação. também. Exemplos: taboa (Typha angustifolia). onde podem dificultar o manejo da água. elas começaram a aparecer quando o homem iniciou suas atividades agrícolas. ação de rios e mares. refinarias de petróleo. possuem seus mecanismos de ação ligados ao processo 10 Módulo 3. incluindo o homem. também. Os propágulos podem ser raízes. e a xerosere. As plantas daninhas podem ser disseminadas por diversos meios. separando as benéficas (denominadas plantas cultivadas) das maléficas (denominando-as de plantas daninhas). ferrovias. como as olerícolas de modo geral. as plantas daninhas produzem muitas sementes. Musik (1970) salienta que o homem é. porque ele é quem cria o ambiente favorável a elas. Causam. que apresentam duas características essenciais: dormência e reservas alimentícias. Outras espécies de plantas daninhas podem ainda reduzir o valor da terra. radícula. além das partes das plântulas. etc. dos distúrbios naturais. Todavia. problemas sérios em ambientes aquáticos. ou seja. etc..

permeabilidade do tegumento à água e presença de água na forma líquida ou gasosa. e para isso são necessários alguns requisitos fundamentais: estarem as sementes viáveis e as condições ambientais serem favoráveis. A germinação da semente é a reativação dos pontos de crescimento do embrião que haviam sido paralisados nos estágios finais da maturação morfisiológica da semente. Essas necessidades são definidas para cada espécie e estão relacionadas com o habitat de origem e com a melhor forma de preservar a espécie (normalmente as espécies daninhas somente germinam quando existem condições para sobrevivência). A temperatura ótima é aquela que permite a obtenção da maior percentagem de emergência no menor espaço de tempo. Outro fator que pode influenciar a embebição é a permeabilidade do tegumento da semente à água. 1986. conforme ela seja fotoblástica positiva ou negativa. A embebição das sementes é um processo físico que ocorre tanto nas sementes vivas quanto nas mortas. impedindo que a planta se estabeleça. ocorre a ruptura do tegumento e saída da radícula. o que resulta numa diminuição do estande. é de duas a três vezes o peso da semente. aumenta-se o potencial de pressão interna na membrana que envolve a semente (pressão de embebição). como adequado suprimento hídrico. Para que uma semente viável (condição intrínseca) possa germinar. temperatura adequada à espécie. Com a embebição. Estas sementes permanecerão dormentes enquanto o tegumento estiver impermeável (semente dura). porque as sementes ficam por períodos prolongados nos estágios iniciais da Módulo 3. sendo dependente dos seguintes fatores: composição química da semente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas germinativo. Normalmente. atmosfera apropriada à espécie (concentração de CO2 e O2) e luz (comprimento de onda e intensidade). a velocidade da germinação é menor. As características físico-químicas das substâncias coloidais das sementes irão comandar o potencial da água nas sementes. A quantidade de água necessária para reidratação. com o ressurgimento das atividades paralisadas ou reduzidas por ocasião da maturação da semente. por onde sairá a radícula. menor tempo para embebição). cada espécie requer uma temperatura ideal para germinação. Se a semente não estiver em estado de dormência e houver condições ambientais favoráveis.Biologia e métodos de controle 11 . 1985). a celulose e as substâncias pécticas. ela entrará em processo de germinação (PROPINIGIS. o qual pode atingir centenas de atmosferas. dando origem ao que se chama de semente dura. temperatura. provocando o rompimento do tegumento. METIVIER. que perdem muita umidade por ocasião de sua maturação e secagem. concentração de oxigênio e presença ou ausência de luz. 1974. a germinação consiste no processo que se inicia com o suprimento de água à semente seca e termina quando o crescimento da plântula se inicia. para a maioria das espécies. FERRI. A água é necessária para que ocorra a reidratação das sementes. portanto. Em temperaturas abaixo da ótima. A embebição também é influenciada pela temperatura (temperaturas mais elevadas. Entretanto. Do ponto de vista fisiológico. ou seja. O processo da germinação inicia-se. são necessárias as seguintes condições ambientais favoráveis: água em quantidade suficiente. As principais substâncias responsáveis pela embebição são as proteínas. para o desenvolvimento do eixo embrionário em plântula independente.1 . é necessário o suprimento contínuo de água. É comum entre as espécies a presença do tegumento totalmente impermeável à água. em fases seguintes à reidratação.

nessas condições.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas germinação e. respiração.03% de CO2. e b) fatores do solo. Neste caso. isto é. A germinação. necessita de energia. porque uma atmosfera rica em nitrogênio parece ser mais econômica e eficiente.1 . ou muito curto. Através de concentrações elevadas de CO2 consegue-se evitar a germinação e auxiliar na conservação de sementes. Temperatura acima da ótima tende a aumentar. em regime de temperatura constante entre 25 e 30 °C. causando crescente desorganização do mecanismo germinativo e impossibilitando que as sementes menos vigorosas completem a emergência. por se tratar de um processo que ocorre em células vivas. Como exemplo desta interdependência podem-se citar as espécies do gênero Amaranthus. Todavia. as reações envolvem o fitocromo. em que a luz pode promover a germinação mesmo em temperaturas desfavoráveis. É importante salientar que a sensibilidade das sementes à luz é maior quando a semente está embebida. obtida por meio do processo de oxidação na presença do oxigênio. Existem espécies de plantas daninhas que somente germinam no escuro. O período de exposição pode ser curto. passam a germinar rapidamente se ocorrer alternância de temperaturas alta e baixa. devido à maior atividade metabólica. O processo de germinação inicia-se. porcentagem de matéria orgânica. ainda. em demasia. Há espécies cujas sementes somente germinam em regime de alternância de temperatura. Sementes desta espécie dificilmente germinam totalmente no escuro. as sementes germinam em atmosferas com 20% de O2 e 0. ser inibidoras ou promotoras da germinação. apenas flash de 0. podendo. entretanto. uma interdependência entre temperatura e outros fatores externos. portanto. Além destes. Em algumas espécies a necessidade de luz ocorre somente após a colheita e em outras por um longo período (por um ano ou mais). ou. com uma rápida absorção de água pelos biocolóides. também. O efeito do CO2 é normalmente contrário ao do O2. esta prática não é utilizada para conservação de sementes. que aumentam a necessidade de oxigênio pelo embrião. Em condições normais. atividade microbiana e teor de umidade. A necessidade de luz pode variar também em função do armazenamento. As necessidades e quantidades de 02 para germinação são influenciadas por outros fatores. a velocidade da germinação. longo e de forma cíclica.001 segundo (sementes de fumo). como a grama-seda (Cynodon dactylon). A respiração envolve trocas de gases. a fase gasosa do solo apresenta uma série de substâncias voláteis que são produzidas pelas plantas. como porosidade. como em sementes de alface (alta percentagem de germinação em exposição por um a dois minutos).Biologia e métodos de controle . pois sementes de muitas espécies não conseguem germinar quando a concentração de CO2 é muito elevada. outras necessitam de breve iluminação e outras são indiferentes. outras em luz contínua. razão por que a germinação das sementes é influenciada pela composição do ar atmosférico que as envolve. Em algumas espécies tem-se observado. esse fenômeno é semelhante ao fotoperiodismo observado para o florescimento. em alguns casos. ficam mais suscetíveis ao ataque de microrganismos patogênicos. profundidade de semeadura. ocorrendo a embebição de todos os tecidos da semente e uma expansão do tegumento 12 Módulo 3. A temperatura ótima está relacionada com as atividades das enzimas que participam dos diversos processos metabólicos que ocorrem durante a germinação e cujas ações somente se tornam eficientes em temperaturas específicas. como: a) altas temperaturas.

Isso ocorre porque durante o processo da embebição a enzima β-amilase. através da ação de duas enzimas: isocitrase e sintetase do malato). que é observada pelo aumento da respiração. pela ação das lipases. É o caso das aveias silvestre e cultivada. o embrião passa a sintetizar e liberar giberelinas que se movem através do endosperma. necessitam que a dormência seja superada de alguma forma. e a fitina. observa-se aumento nas sínteses de DNA e RNA. são transformadas em aminoácidos. nas primeiras 24 horas iniciais. as proteínas. a semente não germina. primeiramente na região da radícula do embrião. Uma outra razão é dormência. que é o repouso metabólico da semente devido a condições externas desfavoráveis. as sementes. Aumenta-se. que envolve a oxidação da matéria orgânica da semente com formação de ATP e substâncias intermediárias necessárias ao processo anabólico da germinação. os lipídeos. que são plantas muito semelhantes e apresentam ciclos vegetativos praticamente iguais. que elevam a produção de glucose. ao mesmo tempo. Um grande volume de sementes de plantas daninhas encontra-se. os quais dependem do uso de aminoácidos. é reativada e a enzima β-amilase é sintetizada de novo por estímulo hormonal (giberelinas) às expensas de aminoácidos originados de proteínas hidrolisadas e com a energia oriunda das atividades das fosforilases. Outro aspecto relacionado com a semente é a quiescência.Biologia e métodos de controle 13 . no solo. Neste caso. são transformados em ácidos graxos (em oleaginosas. as quais são essenciais para o desenvolvimento do embrião.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas envolvente. presente na semente seca. pelo contrário. por alguns autores. da glicólise e da respiração. havendo formação de α-amilase e outras enzimas. também. lipídeos e carboidratos solúveis armazenados no embrião. que é devida a condições intrínsecas inerentes à própria semente. O simples revolvimento do solo. verifica-se inicialmente a ativação do m-RNA preexistente. o número de ribossomos+RNA que incorporam os aminoácidos às proteínas. a drenagem de áreas encharcadas e as irrigações de solos secos podem estimular a germinação dessas sementes. pela ação das enzimas amilases. o homem sempre Módulo 3. enquanto a silvestre sobrevive por vários séculos sem a ajuda humana. as gorduras são convertidas em sacarose pelo ciclo do glioxilato. é transformado em açúcares redutores e sacarose. acompanhada pelo aumento da síntese protéica no embrião. podendo ser física. ocorrem a divisão e o alongamento celular. Em cereais. No caso da dormência. iniciando-se o crescimento celular e a mitose. porém a cultivada já não consegue viver sem ajuda do homem. ocorrem o metabolismo e a mobilização das reservas das sementes. pela ação das enzimas proteolíticas. é transformada em inositol e fósforo inorgânico. mecânica ou fisiológica. O amido. incrementando-se a respiração e o alongamento celular. a quiescência é confundida. ou. Esta fase da embebição coincide com o aumento da atividade metabólica.1 . para germinarem. por ação das fitases. Em conseqüência do aumento das atividades de diversas enzimas durante o processo de embebição. frutose e maltose. Durante esta fase o ácido giberélico (giberelinas) estimula a ativação e. nas quais o melhoramento genético reduziu ou mesmo suprimiu tal atributo. com a dormência. Propinigis (1974) cita como exemplo marcante a dormência das plantas daninhas comparada à das plantas cultivadas. e. em estado da quiescência. síntese das amilases. mesmo que as condições ambientes sejam favoráveis. Nas primeiras 12 a 16 horas após o início da embebição.

Segundo diversos autores. na temperatura e na composição atmosférica do solo ou até mesmo acelerar a liberação de compostos estimulantes da germinação. durante o processo de maturação. tegumento da semente impermeável à água e. contribuir para o desenvolvimento de métodos mais eficientes de controle de plantas daninhas. No retorno ao ambiente favorável. mesmo sob intenso controle sempre haverá no solo sementes desta espécie. pode ocorrer germinação durante meses ou até anos. A aveia cultivada amadurece no verão e suas sementes.000 sementes/m2/10 cm de profundidade.1 . não germina de forma uniforme. 1998). sem dormência. também chamada de induzida. por exemplo). e presença de algum inibidor fisiológico. que pode expor as sementes à luz (mesmo por frações de segundos). b) língua-de-vaca (Rumex cryspus): germina melhor na presença de luz. O amplo conhecimento da dormência poderá. O leiteiro (Euphorbia heterophylla). seria aquela que a semente adquire quando ainda está ligada à planta-mãe. seria aquela que a semente adquire devido ao ambiente desfavorável.. nas várias formas. b) “Dormência secundária”. as demais permanecem dormentes. garantindo a perpetuação da espécie. Por esta razão. Por isso. O solo agrícola é um banco de sementes de plantas daninhas contendo entre 2. provocar mudança nos teores de umidade. Como a dormência não é a mesma em todas as sementes de uma planta. 14 Módulo 3.Biologia e métodos de controle . em um dado período. e persiste por longo tempo após completada a maturação. é capaz de germinar até a profundidade de 25 cm no solo (VARGAS et al. germinam todas. Acredita-se que muitas outras espécies de plantas daninhas apresentam mecanismos semelhantes. também chamada de dormência inata. Como exemplos de espécies de plantas daninhas que apresentam mecanismos de dormência podem-se citar: a) ervaformigueira (Chenopodium album): produz sementes com tegumentos normal e duro. e o inverno violento pode matar as plântulas. sendo um meio necessário de sobrevivência entre as plantas daninhas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas procurou erradicá-la. Dormência pode ser definida como qualquer estágio no ciclo da vida no qual o crescimento ativo é suspenso por um período de tempo. Os diversos tipos de dormência podem ser agrupados em: a) “Dormência primária”. Certas espécies necessitam de condições especiais para germinarem. A dormência. aumentando a sua população quando as condições retornam à sua normalidade. no futuro. como os nitratos. uma avaliação da composição florística de uma área em uma única época do ano não representa o potencial de infestação desta área. Isso pode ocorrer pela simples movimentação do solo. a semente permanece dormente (sementes com tegumento impermeável. e c) quinquilho (Datura stramonium): germina melhor no escuro. ou. é um dos mais importantes mecanismos indiretos de dispersão. requerendo condição especial para quebra da dormência. Do total dessas sementes. ao oxigênio.000 e 50. podem ser várias as causas da dormência: embrião imaturo. sobrevivendo no solo por muito tempo. sendo considerada uma espécie de planta daninha importante. Já a aveia silvestre. Através deste mecanismo a espécie consegue sobreviver em estações desfavoráveis. endógena. inerente ou natural. por apresentar dormência. apenas 2 a 5% germinam. por ser indiferente à luz. mas sem sucesso.

1998).000 espécies.3 . Isto pode ser observado facilmente em condições de campo. Uma Aração 2. bianuais e perenes. crescem na primavera e produzem frutos e morrem em meio ao verão) e anuais de verão (que germinam na primavera.0 cm no plantio convencional e somente até 1. Destas. quando comparada com solos pouco compactados. Estas podem ser anuais de inverno (que germinam no outono ou inverno.0 cm.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A maior germinação foi observada (Quadro 1) no tratamento com (aração + enxada rotativa + ligeira compactação do solo). Uma Aração + E. em solos muito compactados. como é o caso de Brachiaria plantaginea.800 são consideradas mais nocivas em razão de suas características e seu comportamento. Quadro 1 . entretanto. Rotativa + Compactação 5. com aproximadamente 170. as plantas daninhas podem ser anuais.. Uma Aração + Enxada Rotativa 4. que germina até a profundidade de 3. cerca de 1. a emergência ocorre em menores profundidades. As plantas que produzem sementes englobam as monocotiledôneas e dicotiledôneas. de suas formas de reprodução e ciclo de vida para se desenvolver um bom programa de manejo integrado. causando a cada ano grandes perdas na agricultura. 1. respectivamente (VARGAS et al.000 espécies).Classificação das plantas daninhas Em certos casos. Outro fator que influencia a profundidade de emergência é o sistema de cultivo. Sem Cultivo No de Sementes Emergidas m-2 103 134 206 328 80 As características físico-químicas do solo também influenciam a profundidade de emergência das sementes. como Eleusine indica. espécies que produzem sementes pequenas. Este grupo abrange quase todas as plantas consideradas daninhas (cerca de 30. crescem no verão e Módulo 3. somente germinam quando estão até a profundidade de 1.5 cm no sistema de plantio direto.Biologia e métodos de controle 15 . O Quadro 2 apresenta as 12 famílias mais importantes do mundo. Espécies que produzem sementes grandes. podem germinar até a profundidades superiores a 15 e 25 cm.Influência do tipo do preparo do solo na germinação de sementes de plantas daninhas Tipo de Preparo do Solo 1. possivelmente pelo maior teor de umidade junto às sementes (maior contato entre as sementes e o solo). a seletividade de alguns herbicidas baseia-se em diferenças morfológicas e fisiológicas existentes entre as espécies de plantas daninhas e cultivadas. Uma Aração + Uma Gradagem 3. como as dos gêneros Ipomoea e Euphorbia. onde no rastro da roda do trator observa-se cerca de 10% a mais de emergência de plantas daninhas. sem o revolvimento do solo. assim.1 . Quanto ao ciclo de vida. As anuais completam seu ciclo de vida (semente-semente) em um ano ou menos. Outro fator extremamente importante na germinação das sementes é a profundidade em que elas se encontram no solo. Por estes e outros motivos é necessário conhecimento mais amplo das espécies de plantas daninhas.

como no caso de cenoura e alface silvestres.Biologia e métodos de controle .. exemplo: Senna obtusifolia. b) perenes herbáceas mais complexas. há nítida observância desses fatos. Echinocloa crusgalli. Para facilitar a correta identificação da espécie. bainha normalmente aberta. a simetria das pétalas. etc.Características práticas para reconhecimento das principais famílias de plantas daninhas Graminae .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas madurecem e morrem no outono). que são plantas cujos caules têm crescimento secundário. 1. etc. com nós e entrenós. o número de estames ou pétalas.Famílias de plantas daninhas e números de espécies mais importantes por família. Estas podem ser classificadas em: a) perenes herbáceas simples . onde as estações do ano são bem definidas. há necessidade de um período frio para florescimento e frutificação. e c) perenes lenhosas. exemplos: Cynodon dactylon.exemplo: dente-de-leão (Taraxacum officinale) . Durante a primeira fase de crescimento. que se reproduzem por sementes e podem também reproduzir-se vegetativamente se injuriadas ou cortadas. segundo Holm (1978) Famílias Gramineae Compositae Cyperaceae Poligoniaceae Amaranthaceae Cruciferae Leguminosae Convolvulaceae Euphorbiaceae Chenopodiaceae Malvaceae Solanaceae No Espécies 44 32 12 8 7 7 6 5 5 4 4 4 % Total de Espécies Daninhas 37% 43% 68% As plantas perenes são aquelas que vivem mais de dois anos e são caracterizadas pela renovação do crescimento ano após ano a partir do mesmo sistema radicular.1 . com incremento anual. Eleusine indica. entrenós com talo oco. o tipo de fruto. principalmente no sul.1 . Echinocloa cruspavonis e Bracharia plantaginea.talo cilíndrico. Cyperus rotundus.3. que se reproduzem por sementes e por mecanismos vegetativos. as plântulas se desenvolvem vegetativamente até o estágio de roseta. As plantas bianuais vivem mais do que um. 16 Módulo 3. livres ou unidas. porém menos do que dois anos. a posição do ovário (inferior ou superior). deve-se primeiramente saber se a planta é mono ou dicotiledônea. e depois ocorre maturação e morte. há uma lista enorme de características vegetativas que levam às famílias. se as pétalas estão ausentes ou presentes. Exemplos: Digitaria sanguinalis. Imperata brasilensis. Caso a planta esteja sem sementes. lígula normalmente presente. Em certas regiões do Brasil. Quadro 2 .

fruto em aquênio. flores muito pequenas e de cor verde. Solanaceae . anteras agrupadas ao redor do estilete.Papilionaceae . com seiva mucilaginosa e talos fibrosos. Cyperaceae .1 . Exemplos: Brassica rapa. Exemplos: Senna obtusifolia.corola irregular com estandarte interno. com muitos estames em androceu tubular.possuem cinco estames. Malvaceae . geralmente (9) + 1. o fruto é uma capsula. inflorescências condensadas. etc. talo estriado. usualmente anuais.língua-de-vaca. Exemplos: Sida spp. estames 10.estames tetradínamos (quatro comprimidos para dentro e quatro curvados para fora). nós dos talos inchados ou protuberantes.é subdividida em subfamílias: Subfamília I . flores vistosas.talo triangular sem nós.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Compositae . inseridos na corola.Mimosaceae . Leguminosae . talos e folhas muitas vezes com espinho. brácteas espinhosas. Exemplo: Mimosa e Acácia. Convolvulus arvensis e Cuscuta sp. Subfamília III . Polygonaceae . Ageratum conyzoides. Exemplos: Bidens pilosa. folhas irregularmente recortadas.corola com estandarte interno. Exemplos: Cyperus esculentus e Cyperus rotundus.Amaranthaceae . o fruto muitas vezes é uma cápsula ou um policoco. cinco estames de tamanho desigual.Biologia e métodos de controle 17 . corola em forma de tubo. estames quatro a infinito.presença de serocina. Sonchus oleraceus e Xanthium cavanillesii. cálice transformado em papus. Convolvulaceae .. Exemplo: Chenopodium album.flores vistosas com cálice e corola pentâmeros. Raphanus raphanistrum e Lepidium virginicum. muitas vezes. bainha fechada sem lígula. estames inseridos no fundo do tubo polínico. dividido em dois lóculos.corola actinomorfa. sem estípulas. Exemplos: Rumex crispus .Inflorescência em capítulo (flores muito pequenas e em dois tipos: tubulares e ligulares). Exemplos: Solanum.trepadoras com folhas alternadas e sem estípulas. estames livres e anteras unidas.flores muito pequenas e de cor verde. Exemplos: Desmodium e Phaseolus. Acanthospermum australe. planta com escamas. Subfamíla II . o fruto é uma síliqua. Physalis e Datura. com odor forte e característico. Exemplos: Ipomoea sp. Melampodium perfoliatum. estames 3-12 inseridos no cálice. folhas nunca bipenadas. seiva ácida e penetrante.folhas de disposição alternadas. Módulo 3. folhas bipenadas ou penadas. Exemplos: Amaranthus hybridus e Amaranthus viridis. hermafroditas e actinomorfas. Cruciferae .Cesalpinaceae . em geral as folhas são penadas. folhas e caules. Chenopodiaceae .

além de tudo isso. etc. caso o homem não interfira. Momordica charantia (melão-de-são-caetano) e Paspalum notatum (gramabatatais). Exemplos: Sorghum halepense (capim-massambará): reproduz por sementes e rizomas. através das fezes. tubérculos. e este foi o motivo de sua introdução no Brasil pela importação de animais ou lã. quando separadas. máquinas. Ipomoea sp. e) Mecanismos alternativos de reprodução. estolões.Características de agressividade das plantas daninhas As características das plantas daninhas verdadeiras fazem com que estas sejam mais agressivas em termos de desenvolvimento e ocupação rápida do solo.). bulbos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1.4 . Muitas plantas daninhas apresentam mais de um mecanismo de reprodução. vento. etc. Echinoclhoa crusgali (capim-arroz) foi introduzido junto com as sementes importadas. e Cyperus rotundus: apenas um tubérculo. usando os métodos de controle disponíveis.adere à lã das ovelhas.Biologia e métodos de controle . com isso. cortadas. Esta característica. em 60 dias. 18 Módulo 3. sendo uma das estratégias de sobrevivência das plantas daninhas. são distribuídas em outras áreas. d) Grande desuniformidade no processo germinativo.400 sementes por planta. a 12 cm.500 sementes por planta. cujas sementes permanecem viáveis mesmo após 54 meses. e cada tubérculo possui cerca de dez gemas que. Exemplos: Amaranthus retroflexus com 117. homem. Cynodon dactylon (grama-seda): por sementes e estolões. f) Facilidade de distribuição dos propágulos a grandes distâncias. muitas vezes. etc. Exemplo: Convolvulus arvensis. Exemplos: Avena fatua (aveia-brava) germina até a 17 cm. Isto ocorre pela ação de água. c) Capacidade de germinar e emergir a grandes profundidades. esta planta produz centenas de sementes viáveis. Há duas situações distintas: 1) Disseminação auxócora (externa): Acanthospermum australe (carrapicho-de-carneiro) . Essas características de agressividade são: a) Elevada capacidade de produção de dissemínulos (sementes. e Bidens pilosa (picãopreto) é transportado a longas distâncias nos pêlos de animais ou roupas dos operadores de máquinas. submersas em água ou após passarem pelo aparelho digestivo do porco ou boi. e Cyperus rotundus (tiririca). (corda-de-viola). por sementes e tubérculos. produz 126 tubérculos. e mantém alguma viabilidade após passarem pelo aparelho digestivo de ovinos e eqüinos e só perdem o poder germinativo passando pelo aparelho digestivo das aves.1 . Isso ocorre devido aos inúmeros e complexos processos de dormência. animais. 2) Disseminação zoócora (interna): as sementes ingeridas pelos animais passam pelo intestino e. Exemplos: Phoradendron rubrum (erva-de-passarinho). rizomas. é a causa do insucesso dos herbicidas aplicados ao solo. no momento do cultivo do solo. podem gerar mais dez plantas. b) Manutenção da viabilidade mesmo em condições desfavoráveis. a 20 cm. Artemisia biennis: 107. dominam as plantas cultivadas. e Euphorbia heterophylla (amendoim-bravo).

Decandole (1820) foi quem primeiro conceituou competição. depreende-se que. ambos os indivíduos são prejudicados. que também lutam pelos mesmos fatores de crescimento. Contudo. Já Odum (1969) afirma que competição significa uma luta por um fator. Do exposto. completando seu ciclo de vida. 2 . ou quando esta é rodeada pelos seus descendentes. nessas condições (KLINGMAN et al. luz.040 anos. 1982). Locatelly e Doll (1977) definem competição como a luta que se estabelece entre a cultura e as plantas daninhas por água. a 20-100 cm de profundidade. temperatura. e. 68 após 10 anos. em nível ecológico. 57 após 20 anos. frutos. Para Weaver e Clements (1938). nutrientes e dióxido de carbono disponíveis em um determinado local e tempo. nos ecossistemas agrícolas. mostraram que 71 delas estavam viáveis um ano após. esses fatores do ambiente tornam-se limitados. e a da ançarinha-branca. Brachiaria plantaginea tem grande facilidade para dominar a área quando o controle não é efetuado no momento oportuno. 44 após 30 anos e 36 após 38 anos. Muitas plantas daninhas crescem e se desenvolvem mais rápido que muitas culturas. por exemplo. luz. sobre outras. toda planta necessita de água.700 anos. podendo ser agravados pela presença de outras plantas no mesmo espaço. em razão de a competição envolver vários fatores diretos e indiretos. as plantas daninhas sempre levam vantagem competitiva sobre as plantas cultivadas. afirmando que todas as plantas de um determinado lugar estão em estado de guerra entre si. daninhas ou não. Na cultura da cebola. com pequeno porte e pouco crescimento vegetativo. cujas sementes foram enterradas em cápsulas porosas. À medida que a planta se desenvolve. Daí em diante vários outros conceitos foram emitidos. Observações usando 14C mostraram que a semente do lótus da índia pode ser viável por 1.1 . gerando.Biologia e métodos de controle 19 . Em soja. as plantas daninhas germinam e crescem muito mais rápido. a competição seria a luta que se inicia entre indivíduos quando uma planta está em um grupo de outras plantas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas g) Rápido desenvolvimento e crescimento inicial. por 1. quando esta é conduzida por semeadura direta. muitas vezes é preferível falar-se em interferência de uma comunidade de plantas.. crescer e reproduzir-se. h) Grande longevidade dos dissemínulos. esses autores salientam que. respectivamente. apresentem grande acúmulo de material em sementes. assim. ou seja. tubérculos ou outras partes de Módulo 3. Essa grande longevidade se deve a inúmeros e complexos processos de dormência. seja da mesma espécie ou de espécies diferentes. Observações com 107 espécies de plantas daninhas. uma relação de competição entre plantas vizinhas.Competição entre plantas daninhas e culturas Para germinar. a competição torna-se importante quando dois ou mais organismos lutam por algo que não existe em quantidade suficiente para todos. envolve os aspectos da migração e agregação. pois nos programas de melhoramento genético tem-se procurado desenvolver cultivares que. dominando facilmente a cultura. gás carbônico e oxigênio em quantidades adequadas. numa situação de competição.

até mesmo para o próprio desenvolvimento da cultura. a produtividade das culturas e a qualidade dos produtos colhidos. estes fatores de crescimento (ou pelo menos um deles) estão disponíveis em quantidade insuficiente. em condições de sombreamento (PITELLI. Condições são fatores não diretamente consumíveis. 1985). densidade do solo. Radosevich et al.. 20 Módulo 3. (1996) dividem os fatores do ambiente que determinam o crescimento das plantas e influenciam a competição em “recursos” e “condições”. como acontece. Devido à falta de mobilidade dos vegetais. como água. (2003).Fatores do ambiente passíveis de competição A competição entre plantas é diferente daquela que ocorre entre animais. comprometendo. a cultura e as plantas daninhas desenvolvem-se juntas na mesma área.Biologia e métodos de controle . capacidade de competir vantajosamente com as plantas daninhas verdadeiras. qualquer planta daninha que se estabeleça na cultura vai usar parte dos fatores de produção. pode ser devido à ocorrência de alta densidade dessas invasoras na área. luz. algumas vezes observada no em realação às culturas.1 . até que um nível ideal seja alcançado. a competição somente se estabelece quando a intensidade de recrutamento de recursos do meio pelos competidores suplanta a capacidade do meio em fornecer aqueles recursos. em razão da influência extrema que estes exercem sobre a utilização dos recursos pelas plantas. já limitados no meio. cuja dependência é muito grande. A resposta das plantas aos recursos segue uma curva-padrão: é pequena se o recurso é limitado e é máxima quando o ponto de saturação é atingido. Todavia. Como ambas possuem suas demandas por água. como pH do solo. Sabe-se. a grande capacidade de sobrevivência das plantas daninhas. por exemplo. gás carbônico. 2. A condição pode limitar a resposta da planta tanto pela carência quanto pela abundância. mas também a qualidade do produto colhido. em sua maioria. nutrientes e luz. ou seja. quase sempre esse acréscimo na produtividade econômica da espécie cultivada é acompanhado por decréscimo no potencial competitivo (PITELLI. Recursos são os fatores consumíveis. diminuindo ou impedindo que as plantas cultivadas tenham acesso aos fatores de crescimento. a qual ocorre porque. a competição entre plantas é de natureza aparentemente passiva. não apresentam.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas interesse econômico.1 . Para Santos et al. nutrientes e CO2 e. devido ao refinamento genético a que foram e ainda são submetidas. reduzindo não somente a produtividade da cultura. caso não haja interferência humana. não sendo visível no início do desenvolvimento das plantas. podendo declinar se houver excesso do recurso (ex: toxidez devido a excesso de Zn no solo). etc. estabelece-se a competição. que as plantas cultivadas. na maioria das vezes. fazendo o controle das plantas invasoras. Outro aspecto importante é a grande agressividade. Em ecossistemas agrícolas. Estas se estabelecem rapidamente. nessas circunstâncias. entretanto. 1985). a superioridade das plantas daninhas na competição por esses recursos. ou quando um dos competidores impede o acesso por parte do outro competidor. assim.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A maioria dos estudos sobre competição entre plantas daninhas e culturas tem focalizado somente a ocorrência e o impacto da competição na produção da cultura. citado por RADOSEVICH et al. De acordo com Grime. mudanças morfológicas e fisiológicas nas respostas de crescimento que estejam associadas com variações nos recursos. não estando. Os fatores que determinam a maior competitividade das plantas Módulo 3. principalmente o fósforo. podendo utilizar os recursos disponíveis rapidamente. podem reduzir o conteúdo relativo de N-P-K nos tecidos dessa cultura para 28-39-28% e 1429-21% do total. Na realidade. e correlações entre a presença de vizinhos. um bom competidor poderia ser a espécie com menor requerimento de recursos. 2003). 1990. totalmente esclarecida. porém a espécie daninha quase sempre supera a cultivada. Portanto. Com base nessas teorias. (2005). trabalhos mais recentes têm apresentado algumas justificativas para a baixa produtividade observada para as culturas quando em competição com espécies de plantas daninhas: Bidens pilosa e Leonurus sibiricus. pode-se concluir que determinadas plantas são boas competidoras por utilizarem um recurso rapidamente ou por serem capazes de continuar a crescer..1 . e o sucesso na competição é fortemente determinado pela capacidade da planta em capturar recursos. a competição entre a planta daninha e a cultivada afeta ambas as partes. a competição é a tendência de plantas vizinhas utilizarem os mesmos recursos.Biologia e métodos de controle 21 . Assim. Apesar de os debates continuarem a respeito da validade e relevância dessas duas teorias. sem examinar as características das plantas e os mecanismos que estão associados à competitividade (Radosevich et al. 1996). A base fisiológica que explica as vantagens que levam as plantas daninhas a ganhar a competição é muito complexa. Shainsk e Radosevich (1992). respectivamente (RONCHI et al. desenvolvendo-se juntamente com plantas de café em fase inicial. ambas ajudam a explicar como espécies de plantas competem por recursos limitados e como as características das plantas influenciam sua habilidade competitiva. nessa teoria.. e é desses autores a descrição que se segue. Contudo. os mecanismos de competição consistem tanto do efeito que as plantas exercem sobre os recursos quanto da resposta das plantas às variações dos recursos (GOLDBERG.. ainda. Radosevich et al. sucesso competitivo é a habilidade para extrair recursos escassos e para tolerar essa escassez de recursos. Embora a maioria das definições atuais sobre competição englobe o critério de Goldberg.. Para Procópio et al. Portanto. citados por Radosevich (1996) sugeriram que o mecanismo de competição por recursos deve ser demonstrado por depleção dos recursos associados à presença e abundância de plantas vizinhas. 1996). (1996) afirmam que duas dessas teorias (a de Grime e a de Tilman) têm recebido maior atenção do meio científico. mesmo com baixos níveis do recurso (RADOSEVICH et al. um bom competidor apresenta alta taxa de crescimento relativo. a depleção nos recursos e as respostas de crescimento. Para Tilman. várias outras teorias têm sido desenvolvidas para explicar a importância relativa dos componentes da competição e das características das plantas que lhes conferem competitividade superior.1996). a elevada capacidade competitiva da espécie Desmodium tortuosum nas culturas da soja e do feijão pode ter como contribuição o maior acúmulo de nutrientes por essa planta daninha.

seja ela daninha ou não. como: germinação fácil em condições ecológicas variáveis. d) Uma infestação moderada de plantas daninhas em lavouras pode ser tão danosa quanto uma infestação pesada. A competição entre plantas daninhas e culturas é um fator crítico para o desenvolvimento da cultura quando a espécie daninha se estabelece junto ou primeiro que a cultura (RADOSEVICH. podendo. que são capazes de prover quantidades limitadas dos fatores essenciais ao desenvolvimento das plantas. ela poderá cobrir rapidamente o solo. se a cultura se estabelecer primeiro. na fase plantular. desenvolvimento e crescimento rápido de uma grande superfície fotossintética mesmo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas daninhas sobre as culturas são o seu porte e sua arquitetura. várias generalizações podem ser inferidas sobre os aspectos competitivos entre as culturas e as plantas daninhas: a) A competição é mais séria quando a cultura está na fase jovem. grande número de estômatos por área foliar. Cardenas (1972) salienta que a competição deve-se a condições específicas quanto ao ambiente e ao solo. • Plasticidade fenotípica e populacional. a maior velocidade de germinação e estabelecimento da plântula. o maior índice de área foliar. ainda. também. isto é. 22 Módulo 3. ainda. apresentando muitas raízes fasciculadas nas camadas superficiais do solo e raízes principais com penetração profunda. b) As espécies daninhas de morfologia e desenvolvimento semelhantes ao da cultura. As plantas daninhas apresentam certas características que lhes conferem grande capacidade competitiva. A competição pode ser intra-específica. e sistema radicular muito desenvolvido. nutrientes e espaço. se a população de plantas da cultura por área for baixa ou o estande desuniforme. as plantas daninhas poderão vencer a competição pelos substratos ecológicos. interespecífica. Com base nos pontos descritos. desenvolvimento da cultura. Com base nesse conceito. podendo excluir ou inibir significativamente o crescimento das plantas invasoras. ocorre também a competição intraplanta ou endocompetição. c) As espécies daninhas competem por água. 1996). ou. do seu vigor. são mais competitivas se comparadas com aquelas que apresentam desenvolvimento diferente. Entretando. envolvendo indivíduos de espécies diferentes. comumente.1 .Biologia e métodos de controle . a maior velocidade do crescimento e a maior extensão do sistema radicular. No entanto. as características que fazem com que uma espécie de planta seja altamente competitiva são as seguintes: • Ciclo de vida semelhante ao da cultura. em que cada órgão ou parte da planta luta pelo fotoassimilado produzido nas fontes. da velocidade de crescimento inicial e da densidade de plantio. luz. parte aérea. entre outros fatores. ocorrendo entre indivíduos de uma mesma espécie. a menor susceptibilidade das espécies daninhas às intempéries climáticas. Todavia. que podem inibir a germinação e. e a maior capacidade de produção e liberação de substâncias químicas com propriedades alelopáticas. ou. em função da espécie cultivada. e. liberar toxinas no solo. nas primeiras seis a oito semanas após sua emergência. • Desenvolvimento inicial rápido das raízes e. como veranico e geadas. dependendo da época de seu estabelecimento.

Conhecendo tais fatores.. (2004b). esta espécie drena grande parte de fotoassimilados para a produção de raízes (baixa relação parte aérea/raiz) as quais promovem. portanto. mecânico ou biológico. O princípio básico da competição baseia-se no fato de que as primeiras plantas que surgem no solo. • Produção de um elevado número de propágulos por planta. Dentre esses fatores destacam-se a taxa de exploração de volume do solo pelo sistema radicular. 2). 1996). que são métodos culturais de controle de plantas daninhas. Em trabalho realizado por Procópio et al.1. ou seja. especialmente nitrogênio e carbono. no manejo da cultura. portanto.Competição por água As plantas daninhas são verdadeiras bombas extratoras de água do solo. tendem a excluir as demais. • Adaptação às mais variadas condições ambientais. A razão da elevada capacidade de sobrevivência de B. as características fisiológicas das plantas. Desse modo. da época correta de plantio. em dias quentes. minimizando assim a competição ou até mesmo eliminando-a com a ajuda de outros métodos de controle. na fase inicial de seu desenvolvimento. pilosa com pouca água no solo pode estar relacionada com o fato de que. Certas espécies de plantas são capazes de usar menos água por unidade de matéria seca produzida que outras.. etc. a competição por água leva a planta a competir ao mesmo tempo por luz e nutrientes. Vários fatores influenciam a capacidade competitiva das espécies por água. do cultivar adequado para a região. é normal em alguns agroecossistemas. como capacidade de remoção de água do solo. pequenas ou grandes. pois se estabelecem primeiro. 2002). como o método químico.1 . realizando.. o profissional necessita ter o conhecimento profundo da cultura e da vegetação daninha infestante da área a ser cultivada. o chamado manejo integrado de plantas daninhas. ficou constatado que a planta daninha Bidens pilosa é capaz de extrair água do solo em tensões três vezes maiores do que as alcançadas pela soja e pelo feijão (Fig.1 . etc. magnitude da condutividade hidráulica das raízes. as condições para que a cultura se estabeleça devem ser fornecidas antes do surgimento da vegetação daninha. torna-se fácil o manejo da cultura de modo que esta leve vantagem sobre o complexo daninho.. (RADOSEVICH et al. Módulo 3. Normalmente. É de se esperar.1996). dessa forma. sem qualquer sinal de déficit hídrico. apresentam alta eficiência no uso da água (EUA = g de matéria seca produzida/g de H2O utilizada). em fases posteriores de desenvolvimento.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • Germinação desuniforme no tempo e no espaço (presença de dormência). mais competitivas (RADOSEVICH et al. por isso. da percentagem de germinação e vigor das sementes. 2. as plantas da cultura ficarem completamente murchas e as plantas daninhas túrgidas. regulação estomática e capacidade das raízes de se ajustarem osmoticamente. • Produção e liberação no solo de substâncias alelopáticas. maior exploração do solo em busca de água (PROCÓPIO et al.Biologia e métodos de controle 23 . Disso resulta a importância do preparo do solo. que essas plantas com baixo requerimento de água sejam mais produtivas durante o período de limitada disponibilidade de água que as plantas com alto requerimento em água e. especialmente nos trópicos. da profundidade de plantio. Para que se faça o manejo adequado de plantas daninhas em uma cultura.

073 0. trigo.112 0.1 . O abacaxi. Outra maneira de se estimar o consumo de água pelas plantas é através da eficiência transpiratória. Cenchrus echinatus.Potencial hídrico no solo. no ponto de murcha permanente Quadro 3 – Valor máximo do uso eficiente da água (UEA) por diferentes espécies vegetais Espécie vegetal Phaseolus vulgaris Glycine max Euphorbia heterophylla Bidens pilosa Desmodium tortuosum Fonte: Procópio et al. Figura 2 . Alguns exemplos são apresentados no Quadro 3. O coeficiente transpiratório das diferentes espécies de plantas varia de 25 a 700. que correlaciona a água transpirada com a biomassa seca produzida. sorgo e cana-de-açúcar e grande número de espécies daninhas em nossas condições (Cyperus rotundus. soja. algodão.316 0.) apresenta coeficiente transpiratório entre 500 e 700 (Quadro 4). podendo competir melhor por este recurso em diferentes estádios fenológicos da cultura.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Todavia. Valores antes do florescimento Valores após o florescimento -------UEA – biomassa seca em g kg-1 de água fornecida------0. pois são espécies que realizam o metabolismo C3 (plantas ineficientes). Por outro lado.088 0. Brachiaria plantaginea. etc. Cynodon dactylon. (2002).Biologia e métodos de controle . Digitaria horizontalis. por ser uma planta xerófila e apresentar uma rota fotossintética específica (CAM). Panicum maximun. por realizarem o metabolismo C4.168 2.963 24 Módulo 3. Amaranthus retroflexus. A maioria das culturas (feijão. em gramas). algumas culturas de gramíneas.017 1.250 0. apresentam um coeficiente transpiratório entre 150 e 350 (Quadro 4). como milho.). chamada de coeficiente transpiratório (CT = volume água transpirado em mL/produção de biomassa seca. algumas espécies de plantas daninhas podem apresentar diferentes valores de EUA ao longo do ciclo. tem um coeficiente transpiratório extremamente baixo. cultivado com diferentes espécies vegetais. etc.367 0.015 0.

apesar de as plantas daninhas avaliadas apresentarem menor eficiência na utilização da radiação fotossinteticamente ativa. para diferentes espécies de plantas Espécie vegetal Amarantus hybridus* Glycine max Gossypium hirsutum Phaseolus vulgaris Panicum maximum* Oryza sativa Zea mays* Sorghum vulgare* Brachiaria brizantha* Eucalipto * Espécies que realizam o mecanismo C4. (1981. como água e nutrientes. mesmo crescendo com outras espécies em condição imposta de estresse hídrico. 1996). (2003) avaliaram o UER das culturas da soja e do feijão e das espécies de plantas daninhas Euphorbia heterophylla. Os autores afirmam que.. apresentam maiores valores para o uso eficiente da radiação (UER). que compete vantajosamente por este fator de crescimento com a cultura do arroz. chegando inclusive a citar exceções.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Essa diferença na eficiência do uso da água é um fator importante na agressividade da espécie.1.Competição por luz Para alguns autores. Coeficiente transpiratório 152 700 568 700 267 682 174 153 265 282 Fonte Blanco.1 . Observam-se. Para outros autores.2 . Esses autores salientam que. dois mecanismos diferentes para sobreviver à competição por água: habilidade para utilizar um recurso rapidamente (espécie C4) e habilidade para continuar a desenvolver-se mesmo com baixos níveis do recurso (planta C3). como a de Sesbania exaltata. 2004 Silva et al. porém o uso eficiente da água não é o único mecanismo utilizado para sobreviver à competição por água. Provavelmente a espécie C3 contornou a deficiência hídrica pelo controle estomatal. citados por Radosevich et al. verificando que as culturas foram capazes de produzir maior quantidade de biomassa por unidade de radiação captada. Bidens pilosa e Desmodium tortuosum. Módulo 3. como Locatelly e Doll (1977). Já A.. a competição das plantas daninhas pela luz deixa de existir. Santos et al. não foi eliminado. retroflexus. 2004 2. uma vez que a cultura tenha formado sombreamento completo.. 1977 Silva et al. o melhoramento genético imposto às culturas possibilitou a seleção de plantas com elevada capacidade de utilização da luz.Biologia e métodos de controle 25 . já que sua EUA é baixa. com certeza devido à sua alta EUA.Volume de água transpirada (em mL) para acúmulo de 1 g de biomasa seca. a competição pela luz não é tão importante como a competição por água e por nutrientes. nesse exemplo. observaram que a diferença na eficiência de uso da água entre Chenopodium album (C3) e Amaranthus retroflexus (C4) influenciou pouco a relação entre elas. a maior capacidade competitiva delas. quando avaliadas isoladamente das plantas daninhas. Pearcy et al. observada em campo. as quais. Quadro 4 . pode ser devida à maior população e melhor utilização de outros recursos.

por apresentarem dois sistemas carboxilativos. as plantas C3 fotorrespiram intensamente. é transportado para as células da bainha vascular das folhas. retorna às células do mesófilo. C4 (plantas eficientes) e CAM estão nas reações bioquímicas que ocorrem na fase escura da fotossíntese. catalisa a produção do ác. localizada nas células do mesófilo foliar. sendo esta relação para as plantas C4 de 1:5:2. Essas plantas não apresentam fotorrespiração detectável. A enzima primária de carboxilação é a PEP-carboxilase. baixo ponto de saturação luminosa. onde estes produtos são descarboxilados. responsável pela fixação do CO2. ou seja. Em função destas e outras 26 Módulo 3. Este AOA é convertido em malato ou aspartato. liberando no meio o CO2 e o ácido pirúvico. de modo que o primeiro produto estável da fotossíntese é um composto de três carbonos (ácido 3-fosfoglicérico). Todavia.1 . substrato inicial da respiração.5 difosfato carboxilase. apresentam baixa afinidade pelo CO2 e possuem elevado ponto de compensação para CO2. e. entretanto. o ácido pirúvico. a enzima responsável pela carboxilação primária nas plantas C4 (PEP-carboxilase) apresenta algumas características. É sabido que a relação molécula de CO2 fixado/ATP/NADPH é de 1:3:2 para as plantas C3. possuem ainda o ciclo de Hatch e Slack. também. em seguida. como: alta afinidade pelo CO2. atua especificamente como carboxilase. e não satura em alta intensidade luminosa. atividade ótima em temperaturas mais elevadas. logo. que ocorre em todas as plantas superiores. agora pela enzima ribulose 1. Estas plantas. a qual apresenta atividades de carboxilase e oxigenase. ocorrendo o ciclo de Calvin e Benson. formando o ácido oxaloacético (AOA). estas plantas passarão a perder a competição com as plantas C3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sabe-se que a competição pela luz é complexa sendo sua magnitude influenciada pela espécie. no ácido fosfoenolpirúvico.Biologia e métodos de controle . se a rota fotossintética que ela apresenta é C3. baixa eficiência no uso da água e menor taxa de produção de biomassa. não desassimilam o CO2 fixado. Esta enzima apresenta baixa afinidade pelo CO2 e. além do ciclo de Calvin e Benson. requerem maior energia para produção dos fotoassimilados. A enzima responsável pela carboxilação primária do CO2 proveniente do ar é a ribulose 1-5 bifosfato carboxilase-oxigenase (Rubisco). As plantas de rotas fotossintéticas do tipo C3 apresentam apenas o ciclo de Calvin e Benson. isso só é verdade em determinadas condições. onde é fosforilado. por difusão. a qual carboxiliza o CO2 absorvido do ar via estômatos. Em conseqüência da ação desta enzima. As diferenças entre as rotas fotossintéticas C3 (plantas ineficientes). se se reduzir o acesso à luz. Como toda esta energia é proveniente da luz. quando comparadas com plantas de metabolismo do tipo C4 (Quadro 5). regenerando a enzima PEP-carboxilase e recomeçando o ciclo. consumindo 2 ATPs. pois precisam recuperar duas enzimas para realização da fotossíntese. C4 ou se realiza o mecanismo ácido das crassuláceas (CAM). Este fato evidencia que as plantas C4 necessitam de mais energia para produção dos fotoassimilados. por difusão. do glicolato. Este CO2 liberado é novamente fixado. se ela é umbrófila ou heliófila e. 3 fosfoglicérico e. por ser ambígua quanto ao substrato. É muito comum imaginar que as espécies de metabolismo C4 são sempre mais eficientes que as plantas C3. As plantas C4. dependendo da espécie vegetal. também. As plantas C4 possuem duas enzimas responsáveis pela fixação do CO2 .

quando plantas estão se desenvolvendo em condições de temperaturas elevadas. arroz. Enzima primária carboxilativa 06. quando presente. Imperata cilindrica. No caso das plantas C4. Panicum maximum. chegando a acumular o dobro de biomassa por área foliar no mesmo espaço de tempo. Echinochloa crusgalli e Eleusine indica. oito são plantas C4 anuais ou perenes: Cyperus rotundus. Fotossíntese x intensidade luminosa 09. 07. milho. entre as dez espécies de plantas daninhas mais nocivas do mundo. estima-se que.5-bifosfato carboxilase-oxigenase (25oC). alta luminosidade e até mesmo déficit hídrico temporário. Ponto de compensação 04. etc.0 a 10 ppm de CO2 Presença de bainha vascular com cloroplastos. mandioca. mesmo que a concentração de CO2 no mesófilo foliar atinja níveis muito baixos. Além disso. nestas condições.) são cultivadas nos meses do ano que coincidem com períodos de elevada intensidade luminosa e temperatura. Sorghum halepense. Relação CO2 : ATP:NADPH 08. torna-se evidente que plantas daninhas C4 serão aquelas que exercerão maior competição com as culturas. Cynodon dactylon. porque a enzima responsável pela carboxilação primária nestas plantas (PEP-carboxilase) apresenta alta afinidade pelo CO2 (baixo Km) (Quadro 5). PEP-carboxilase (Km ≅ 5μM de CO2) Sem efeito 1:5:2 Não satura com aumento da luminosidade. as espécies C4 dominam completamente as C3.Características diferenciais entre plantas com rotas fotossintéticas C3 e C4 Característica 01. Anatomia foliar 05.Biologia e métodos de controle Fotossíntese C3 Presente: 25 a 30 % do valor da fotossíntese Ácido 3-fosfoglicérico Alto: 50-150 ppm de CO2 Ausência bainha vascular. e. Efeito do oxigênio (21%) sobre a fotossíntese. soja. nessas condições. Como a maioria das culturas agronômicas das regiões tropicais e subtropicais (algodão. Isso é possível porque este grupo de plantas não apresenta fotorrespiração detectável. liberando CO2. feijão. Temperatura ótima para a fotossíntese 10. sem cloroplastos RuDP-carboxilase (Km ≅ 20μM de CO2) Inibição 1:3:2 Satura com 1/3 da luminosidade máxima Próxima de 25 oC 15 a 35 mg CO2 dm-2 h-1 Fotossíntese C4 Presente: não mensurável pelo método de troca de gases com o ambiente Ácido oxaloacético Baixo: 0. Taxa de fotossíntese líquida com saturação de luz Módulo 3. a enzima carboxilativa das plantas C3 encontrase saturada quanto à luz.1 . em temperatura acima da ótima para a ribulose 1. é comum. Quadro 5 . esta passa a atuar mais como oxidativa. Este fato faz com que a concentração do CO2 no mesófilo foliar caia a níveis abaixo do mínimo necessário para atuação desta enzima. ainda assim essas plantas continuam acumulando biomassa. Próxima de 35 oC 40 a 80 mg CO2 dm-2 h-1 27 . levando a planta a atingir o ponto de compensação rapidamente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas características (Quadro 5). Isso acontece porque. Considerando todas as áreas do globo terrestre. Echinochloa colonum. cana-de-açúcar. Primeiro produto estável 03. Fotorrespiração 02. existem exceções. os estômatos estarem parcialmente fechados (horas mais quentes do dia).

000 g H2O / g biomassa seca 6.3 . 20 vezes menos P e cinco vezes menos K compara à soja (PEDRINHO JÚNIOR et al. da quantidade e das espécies presentes. deficiência de oxigênio e. o aspecto competitivo não é comumente discutido e geralmente é considerado não-significante. Coeficiente transpiratório 11.4 . ou.. que oferece resistência à difusão e ao fluxo de massa. Por exemplo. ele pode ser limitante. a atmosfera edáfica contém menos oxigênio e mais CO2 do que o ar acima do solo. podem levar desvantagem na competição com espécies mais tolerantes em tais situações.Competição por CO2 Com relação ao CO2. exercem forte competição com as culturas pelos nutrientes essenciais. deve-se considerar.5 % da biomassa seca Fotossíntese C4 150 a 350 g H2O / g biomassa seca 3. considerando as diferentes rotas fotossintéticas apresentadas por espécies de plantas daninhas e culturas. 2004).1 . No entanto. Outro ponto a ser considerado é a “Interação Radicular Passiva”. a concentração de CO2 no mesófilo foliar necessária para que uma determinada espécie passe a acumular matéria seca é diferente. Conteúdo de N na folha para atingir fotossíntese máxima Fonte: Ferri (1985).1. dentro de uma população mista de plantas. em condições de solo encharcado. em alto grau. a alta infestação dessa planta daninha em lavouras de soja implica maior remoção desse nutriente para a massa total da espécie infestante. Todavia.0 a 4. Richardia brasiliensis acumula 10 vezes menos N. Procópio et al. 2. Molinia caerulea é mais tolerante a alta taxa de CO2 do que Erica tetralix. (2005) observaram que Desmodium toruosum é capaz 28 Módulo 3.5 % da biomassa seca 2. a competição por nutrientes depende.Competição por nutrientes As plantas daninhas possuem grande capacidade de extrair do ambiente os elementos essenciais ao seu crescimento e desenvolvimento e. que são os dois processos principais de renovação da atmosfera do solo. principalmente. assim. Sob condições normais. Isso acontece devido ao consumo do oxigênio pelos microrganismos do solo e em razão de sua renovação lenta.Biologia e métodos de controle . em conseqüência da “tortuosidade” da matriz do solo. por exemplo. Determinadas espécies de plantas são mais sensíveis ao excesso de CO2 e. Como a eficiência na captura de CO2 proveniente do ar é diferente entre plantas C3 e C4 (Quadro 5) e se sua concentração pode variar. por exemplo. Fotossíntese C3 450 a 1. a quantidade extraída do que os teores que ela apresenta na matéria seca. com muito maior ênfase.1. os quais quase sempre estão em quantidades inferiores às necessidades das culturas em nossos solos. Devido à grande variação em termos de recrutamento dos recursos minerais do solo apresentada pelas diferentes espécies de plantas daninhas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Característica 11. em conseqüência disso. Quando se trata de analisar a capacidade de uma espécie de planta daninha em competir por nutrientes.5 a 7. para as espécies de plantas C3.

o manejo inadequado de nutrientes. a competição depende do nutriente. além do acúmulo de matéria seca. Bidens pilosa e Euphorbia heterophylla apresentam maior eficiência na utilização do N absorvido no solo.Biologia e métodos de controle 29 . competindo com uma espécie/planta por vaso Espécie Vegetal Bidens pilosa Commelina diffusa Leunurus sibiricus Nicandra physaloides Richardia brasiliensis Sida rhombifolia PTC* * 77 180 82 68 148 133 N 59 30 35 37 49 97 P K 72 67 42 37 33 38 62 68 61 57 83 105 Conteúdo relativo* de nutrientes Ca Mg S Cu Zn B Mn Fe Na 67 74 97 106 66 76 59 54 69 45 48 69 69 37 54 19 41 35 36 40 41 66 37 41 30 57 39 72 76 86 114 69 101 50 107 68 53 50 67 43 51 63 57 61 59 90 88 98 93 77 138 102 80 106 *Relativo ao conteúdo verificado na testemunha (cafeeiro sem competição). em campo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas de acumular até 2. evidenciando elevada eficiência na utilização desse nutriente. Podese afirmar que. diffusa a planta daninha que causou a maior diminuição no conteúdo relativo de nutrientes no cafeeiro (Quadro 6). sendo C. e do contrário ocorreu com o manganês (85% imobilizado pela cultura). os autores observaram que Bidens pilosa. é capaz de formar três vezes mais matéria seca por unidade de P absorvida do solo. Ronchi et al.4 vezes mais P por g de massa seca comparada à soja em mesma condição de recursos. Cerca de 80% do cálcio foi imobilizado pelas plantas daninhas. Os acúmulos de cálcio e manganês no arroz foram reduzidos em 40 e 28%. avaliando os períodos de convivência e acúmulo de nutrientes de diferentes plantas daninhas e o cafeeiro. acarretaram decréscimos consideráveis no conteúdo relativo de nutrientes de plantas de café. 2004a). pela interferência imposta pela comunidade infestante. verificaram que as espécies infestantes. Pitelli (1985). Para os autores. outras espécies são competidoras também na utilização desse recurso. comparadas à soja e ao feijão (PROCÓPIO et al. Isso demonstra que. Além da capacidade em extrair nutrientes do solo. observou que a matéria seca acumulada foi equivalente para a cultura e as plantas daninhas. Em lavoura de arroz de sequeiro..Conteúdo relativo* de nutrientes na parte aérea de plantas de café cultivadas em vasos (12 L de substrato). em competição com o feijoeiro. (2003). por ocasião do florescimento da cultura. com adição de subdoses. o grau de interferência varia consideravelmente com a espécie e com a densidade das plantas daninhas. mesmo em baixas densidades. poderá favorecer espécies vegetais que utilizam mais eficientemente esse recurso.1 . ** Período total de convivência da planta daninha com a muda de café no vaso Módulo 3. Quadro 6 . respectivamente. estudando a distribuição dos nutrientes extraídos pelas plantas daninhas e pela cultura. Além disso. desenvolvida na presença da comunidade infestante.

Os aleloquímicos. (folhas. onde são absorvidos pelas raízes (ALMEIDA. metabólitos secundários podem inibir a própria planta que os produziu. raízes. Milhares de compostos secundários sintetizados por espécies vegetais estão isolados e estimasse que outros milhares existam na natureza. os aleloquímicos podem ser absorvidos diretamente pela cutícula das plantas vizinhas. A quantidade dos compostos produzidos e a composição destes dependem da espécie e das condições ambientais. Em fruteiras (pessegueiros. quando cultivado sucessivamente na mesma área. geralmente da ordem de 0. os compostos secundários que. As plantas podem exsudar naturalmente uma série de compostos orgânicos. 1969). após muitos anos de cultivo da mesma espécie no solo. o estado sanitário. ou condensados no orvalho. lançados ao ambiente. Essas substâncias alelopáticas são liberadas dos tecidos da planta para o ambiente de diferentes formas. após serem transferidos para o ambiente (RICE. apresentam potencial para exercer alelopatia em agroecossistemas. sobre a própria planta ou microrganismos ou vice-versa.Biologia e métodos de controle . acumular e secretar uma grande variedade de metabólitos secundários. a maioria dos metabólitos secundários liberados pelas plantas está envolvida em interações com outros organismos. A primeira demonstração científica de auto-alelopatia foi feita em feijão-miúdo (Vigna unguiculata). denominados aleloquímicos. Assim. macieiras e citros) também ocorre a auto-inibição do desenvolvimento em plantios na mesma área. exsudação radicular. Os efeitos podem ser deletérios ou benéficos sobre outra planta. através de volatilização. principalmente monoterpenos e sesquiterpenos (RICE. 1984). fungos e herbívoros. ou seja. caules. existindo forte relação de dependência entre a produção destes metabólitos e 30 Módulo 3. 1984). Existe ainda a auto-alelopatia.Alelopatia As plantas superiores desenvolveram notável capacidade de sintetizar. Provavelmente. As plantas são hábeis em produzir aleloquímicos em todos os seus órgãos. ou seja. lixiviação e decomposição dos resíduos da planta. 1988). incluindo microrganismos. ou ainda alcançar o solo.4% do carbono fotossintetizado (ROVIRA. mas provavelmente estão associados com mecanismos ou estratégias químicas de adaptação às condições ambientais.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 3 . o comportamento ou a biologia da população de organismos de outra espécie são de interesse da alelopatia. promovem uma interação bioquímica entre plantas.1 a 0. que não parecem relacionados diretamente com nenhuma função do metabolismo primário. frutos e sementes). A maioria dos aleloquímicos voláteis são compostos terpenóides. Uma vez volatilizados. como outras plantas. quando lançados no ambiente. por meio dos próprios vapores. em raízes intactas.1 . insetos. afetam o crescimento. flores.

apresentam razoável efeito alelopático. aveia e centeio. nutrientes. Restos culturais de algumas culturas.Biologia e métodos de controle 31 . luz. o que dificulta a interpretação de resultados a campo. CO2. como tiririca. Os principais processos vitais afetados. neblina e orvalho. Os aleloquímicos podem ser liberados das células vivas ou mortas também pela ação da água. etc. 1988). Assim. espaço físico. A inibição sobre o desenvolvimento de plantas de pimentão por extratos de eucalipto é um exemplo. são: assimilação de nutrientes. Os alcalóides. 1996). grama-seda. foram eliminados genótipos possuidores de substâncias alelopáticas. Com a liberação direta dos compostos pelos tecidos. 3. ao melhorar o paladar e diminuir a toxicidade. O capim-marmelada (Brachiaria plantaginea) afeta o desenvolvimento da soja tanto no crescimento quanto na capacidade de nodulação (ALMEIDA. reduzindo a intensidade de infestação de algumas plantas daninhas. fotossíntese. segundo Almeida (1988). microrganismos podem metabolizar polímeros presentes e produzir substâncias tóxicas.Alelopatia das plantas daninhas sobre as culturas e plantas daninhas A interferência que as plantas daninhas causam sobre as culturas é decorrente da competição pelos fatores comuns (água.1 . Por exemplo.1 . Uma variedade de compostos químicos pode ser carreada da parte aérea das plantas por meio de chuva. permeabilidade da membrana celular. As perdas da permeabilidade seletiva da membrana citoplasmática ocorrem pouco tempo após a morte da planta. O fungo Penicillium urticae produz fitotoxina patulina durante a decomposição dos resíduos do trigo. síntese de proteínas. alguns terpenos e muitos compostos fenólicos podem ser lixiviados. etc. etc. que promove toxicidade na cultura que o sucede (Almeida. capim-massambará. e sua persistência no solo varia com as variações do ambiente. O eucalipto produz substâncias cuja presença é variável com as espécies. como taninos. O efeito alelopático das culturas sobre plantas daninhas é menos comum.) e dos efeitos das substâncias alelopáticas que estas produzem.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas as condições de ambiente (EINHELLIG. entre estes os ácidos. O desenvolvimento do tomateiro foi afetado por extratos de várias plantas daninhas. etc. alcalóides. em sistema de plantio direto. na cultura seguinte. aminoácidos e as substâncias pécticas. como nabo forrageiro. atividade enzimática. colza. 1988). Módulo 3. como Brachiaria plantaginea. e essa deficiência de defesa das plantas cultivadas é atribuída à seleção a que estas têm sido submetidas ao longo do tempo. O mecanismo de ação dos aleloquímicos não está ainda bem esclarecido. os aleloquímicos podem ser liberados através dos resíduos. para outras características que não as de agressividade para com outras plantas. Cenchrus echinatus e Euphorbia heterophylla. crescimento. açúcares. respiração.

Biologia e métodos de controle . normalmente cereais. a fim de avaliar suas atividades sobre as diferentes espécies de plantas daninhas. usando solução nutritiva circulante entre os vasos de sorgo e alface. degradando os aleloquímicos. Os efeitos alelopáticos são transitórios. Por isso. provoca efeitos alelopáticos pouco acentuados e por períodos curtos.Alelopatia das coberturas mortas No plantio direto. os resíduos secos podem causar fitotoxicidade mais severa. Essa cobertura é essencial para o sucesso do plantio direto. Quanto a possíveis efeitos alelopáticos do material incorporado ao solo.2 . os resíduos no solo são escassos e a temperatura e umidade no solo são suficientes para manter a atividade microbiana alta. Estes estudos irão contribuir de maneira decisiva para o manejo de plantas daninhas no sistema de plantio direto. reduzir o vigor vegetativo e provocar amarelecimento e clorose das folhas. provoca redução do estande da cultura da soja plantada imediatamente após a sua colheita. por exemplo. Atualmente. a cobertura morta pode prevenir a germinação. por isso. Segundo Barbosa (1996). podendo os resíduos de plantas de mesma espécie dar origem a compostos diferentes. Outros pesquisadores avaliam e colecionam germoplasmas de plantas alelopáticas. A cobertura morta da cultura do inverno. a incorporação dos resíduos deve ser feita com certa antecedência da semeadura das culturas. Nas culturas de verão. Normalmente. várias pesquisas estão sendo conduzidas visando identificar os compostos alelopáticos. conseqüentemente. os efeitos alelopáticos provocados pela incorporação de resíduos vegetais no solo são muitos variáveis. 3. A colza. também rápida. especialmente no que diz respeito às técnicas de rotação e consorciação. Se a cultura de verão for implantada com algum intervalo após a colheita desta cultura de inverno. assim como poderá ser um ponto de partida para síntese de novos compostos com atividade herbicida. 32 Módulo 3. o que tem contribuído para que os agricultores do sul deixem de cultivar colza. sabe-se que o processo de decomposição do material vegetal é variável com a qualidade dos tecidos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 3. redução do perfilhamento e até morte de plantas daninhas durante a fase inicial de desenvolvimento. o material fresco. possivelmente não ocorrerão problemas de fitotoxicidade. A taxa de decomposição é alta e a liberação dos compostos alelopáticos é. como as adubações verdes. os tipos de solo e as condições climáticas. exsudato radicular proveniente de plantas de sorgo reduziu a área foliar de plantas de alface em 68.Alelopatia entre culturas A possibilidade de se desenvolverem efeitos alelopáticos benéficos ou maléficos entre culturas tem interesse agronômico.3 .4%.1 . hoje disseminado no Brasil por todos estados produtores de grãos. com efeitos biológicos e toxicidade diversos. quando começa a época chuvosa. forma-se no final desta estação ou início da primavera. Em condições de baixas temperaturas. quando cultivadas em casa de vegetação. inferiores a 25 dias.

lophanta e A. No futuro. foram eficientes no controle das espécies daninhas D. Pitelli e Durigan (1984) sugeriram terminologia para períodos de convivência de plantas daninhas em culturas. Módulo 3. os efeitos negativos observados no crescimento. podendo ser alterado pelas condições de solo. Esse fato justifica. 4 . Geralmente. entre outros fatores. clima e manejo. A este efeito global denominou-se “interferência”. espaçamento e densidade de plantio) e à época e extensão da convivência. O grau de interferência entre plantas cultivadas e comunidades infestantes depende das manifestações de fatores ligados à comunidade infestante (composição específica. horizontalis. o estudo da época ideal de controle de plantas daninhas em cada cultura. maior será o grau de interferência. ao conjunto de ações que recebe uma determinada cultura em decorrência da presença da comunidade infestante num determinado local. as espécies Mucuna aterrima. alelopatia. esteróides livres e ogliconas esteróides. visando o mínimo possível de redução na produtividade. o conhecimento das propriedades alelopáticas das plantas será fundamental. (2004). gerando menor intensidade de interferência na produtividade econômica. Contudo. e. devidos à presença de plantas daninhas. menor será o grau de interferência. utilizadas como cobertura vegetal. referindo-se. ambos citados por Pitelli (1985). sendo a possível causa dos efeitos alelopáticos. densidade e distribuição). Os autores constataram elevada concentração de taninos condensados. os quais são descritos a seguir. Essa idéia foi originalmente apresentada por Bleasdale (1960) e mais tarde modificada por Blanco (1972). uma infestação moderada de plantas daninhas poderá ser tão danosa à cultura quanto uma infestação pesada. isto não é totalmente válido. pruriens e S. portanto.Competição e período crítico de competição De acordo com Pitelli (1985).Biologia e métodos de controle 33 . No entanto. à própria cultura (espécie ou variedade. mas sem prejudicar também o ambiente. De maneira geral.1 . quanto menor o período de convivência entre cultura e plantas daninhas. sendo o esquema apresentado na Figura 3. dependendo da época de seu estabelecimento. quanto maior for o período de convivência múltipla (culturaplantas daninhas). interferência na colheita e outras). bicolor. H. porque dependerá da época e do ciclo da cultura em que esse período ocorrer. Em trabalho realizado por Erasmo et al. mas resultante das pressões ambientais de ação direta (competição. O manejo de plantas daninhas altera a cronologia natural dos eventos. portanto.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas objetivando o melhoramento genético. para o sucesso deste método. pode-se dizer que. não devem ser atribuídos exclusivamente à competição imposta por estas. favorecendo a utilização de recursos pela planta cultivada. o controle biológico de plantas daninhas também poderá ser uma opção no manejo integrado. M. no desenvolvimento e na produtividade de uma cultura. spinosus.

qualitativamente. ou. a fertilização incrementa o crescimento inicial da cultura e das plantas daninhas. para que a produção não seja afetada quantitativa e. É importante esclarecer o significado deste período em termos de competição: as espécies daninhas que emergirem neste período.1 . Teoricamente. Desse modo. O limite superior deste período indica a época em que a interferência compromete irreversivelmente a produtividade econômica da cultura. o final do período anterior à interferência seria a época ideal para o primeiro controle da vegetação infestante. toda e qualquer prática cultural que incremente o crescimento inicial da cultura pode contribuir para um decréscimo no período total de prevenção da interferência. Após esse período. a Époc Dura çã o Período de convivê ncia lti Cu r va Es pé ci e s Espaçamento Densidade Densidade Cultura Grau de interferência rib st Di ui o çã Figura 3 . do sombreamento. principalmente. contribuindo para o próprio desenvolvimento da cultura. n D De d d s si ad e Ambiente S ol o Ma ne j o Clima 34 Módulo 3. em determinada época do ciclo da cultura.Modelo esquemático dos fatores que influenciam o grau de interferência entre cultura e comunidades infestantes Aquele espaço de tempo. em que a cultura deve ser mantida livre da interferência de plantas daninhas. a partir do plantio ou da emergência. este deve ser o período que as capinas ou o poder residual dos herbicidas devem cobrir. permitindo que a competição por recursos outros que não a adubação se instale de maneira mais rápida. após a semeadura ou o plantio.Biologia e métodos de controle . Na prática. em que a cultura pode conviver com a comunidade de plantas daninhas antes que a interferência se instale de maneira definitiva e reduza significativamente a produtividade da lavoura é denominado “período anterior à interferência” (PAI). na prática este limite não pode ser considerado. pois a comunidade teria acumulado energia e matéria orgânica que retornariam ao solo. permitindo menos cultivos ou o uso de herbicidas de menor poder residual. a própria cultura. impede o desenvolvimento das plantas daninhas. Por exemplo. A aplicação de certas práticas culturais contribui para diminuição deste período. através. No entanto.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas “Período total de prevenção da interferência” (PTPI) é o período. capaz de reduzir significativamente sua produtividade econômica. terão atingido tal estádio de desenvolvimento que promoverão uma interferência sobre a espécie cultivada.

encontrados pelos diversos autores. visando realizar com eficiência o manejo integrado das plantas daninhas. (2003) Alcântara et al. não são idênticos para as mesmas culturas.30 d Spadotto et al. espécies daninhas e culturas. baseado na hipótese de que aspectos econômicos como o custo de controle e o valor monetário dos grãos devem ser utilizados como critério para determinar o período aceitável de interferência das plantas daninhas antes de se decidir pelo seu controle (VIDAL et al.30 d Victoria Filho (1994) 15 – 88 d Dias et al. torna-se extremamente importante a pesquisa nesta área. (2005) 14 . clima.40 d 60 d 90 d 127 d 30 d 88 d 38 d 42 30 d 30 d 45 d 30 d 74 d 20 d 15 d 22 d 14 21 d 20 d Fonte Salgado et al. porque as condições em que foram conduzidas as pesquisas. nas diferentes condições envolvendo solo. as plantas daninhas podem ter atingido um estádio tal de desenvolvimento que inviabilize o uso de práticas mecânicas ou o controle químico. Isso é normal..60 d (1982) Rolin e Cristofolleti 30 . (2005) 22 – 38 d Dias et al. os períodos PTPI. Do ponto de vista prático. PAI e PCPI.1 . os cultivares utilizados e as composições específicas das comunidades infestantes foram diferentes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas pois a cultura e.Períodos de convivência e de controle de plantas daninhas em diversas culturas anuais e bianuais Cultura Algodão Alho Girassol Cebola Arroz de sequeiro Cana-de-açúcar ( plantio de ano ) Cana-de-açúcar (plantio de ano e meio) Feijão Café (após plantio das mudas no inverno) Café (após plantio das mudas no verão) Milho Soja Dias Após Semeadura ou Plantio (d) PTPI PAI PCPI 66 d 08 d 08 . (2002) Souza et al. (1981) Mascarenhas et al. Considerando a diversidade de fatores que influenciam o grau e os períodos de interferência apresentados. a cultura deverá ser mantida livre das plantas daninhas no período compreendido entre o final do PAI até o momento em que as plantas daninhas que vierem a emergir não mais irão interferir na produtividade da cultura. (1980) Brighenti et al. Recentemente foi proposto o Período Anterior ao Dano no Rendimento Econômico (PADRE). Em diversos trabalhos de pesquisa visando avaliar os efeitos da interferência de plantas daninhas em culturas (Quadro 7). (2003) 20 .30 d Martins (1994) Módulo 3. ou. 2005).90 d (1982) 47 – 127 Kuva et al. (2004) Soares et al. (1994) 20 .Biologia e métodos de controle 35 . Este seria o “período crítico de prevenção da interferência” (PCPI).66 d 80 d ----100 d 20 d 20 –100 d 30 d 21 d 21 – 30 d 42 d 40 d 30 d 30 . (1982) Oliveira e Almeida 45 .42 d Ramos e Pitelli (1994) 21 . Quadro 7 .

Em nível local. verifica-se grande evolução destes.. que possui sementes muito pequenas e tubérculos que infestam novas áreas com grande facilidade. um estado.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 5 . pêlos de animais. Em síntese. etc. Estas áreas podem ser um país. considerando uma cultura. quarentena de animais introduzidos. ou. limpar cuidadosamente máquinas.) e o arroz-vermelho (Oryza sativa) são distribuídos junto com as sementes de arroz. o estabelecimento e. Nestas legislações encontram-se os limites toleráveis de cada semente de planta daninha e também a lista de sementes proibidas por cultura ou grupo de culturas. Já o capim-arroz (Echinochloa sp. inspecionar cuidadosamente mudas adquiridas com torrão e também toda a matéria orgânica (esterco e composto) proveniente de outras áreas.Biologia e métodos de controle . o picão-preto (Bidens pilosa) e o capim-carrapicho (Cenchrus echinatus). grades e colheitadeiras.1 . que não interfiram na produção econômica da cultura. Eles abrangem desde o arranque das plantas com as mãos até o uso de sofisticados equipamentos de microondas para exterminar as sementes no solo. etc. Como exemplo. um município ou uma gleba de terra na propriedade. há legislações que regulamentam a entrada de sementes no país ou estado e sua comercialização interna.1 . 5. deve ser feita até um nível no qual as perdas pela interferência sejam iguais ao incremento no custo do controle. atualmente. além de outras espécies. limpeza de canais de irrigação. ou seja. 36 Módulo 3. tem-se a tiririca (Cyperus rotundus). a disseminação de determinadas espécies-problema em áreas ainda por elas não infestadas. o elemento humano é a chave do controle preventivo. A redução da interferência das plantas daninhas. visando prevenir a entrada e disseminação de uma ou mais plantas daninhas. Em níveis federal e estadual. por meio de estercos. se espalham por novas áreas por meio de roupas e sapatos dos operadores.Controle preventivo O controle preventivo de plantas daninhas consiste no uso de práticas que visam prevenir a introdução. etc. o controle é de responsabilidade de cada agricultor ou cooperativas.Métodos de controle de plantas daninhas Os métodos de controle de plantas daninhas usados são os mais variados possíveis e. A falta desses cuidados tem causado ampla disseminação das mais diversas espécies. que poderão se transformar em sérios problemas para a região. As medidas que podem evitar a introdução onde a espécie ainda não ocorre são: utilizar sementes de elevada pureza. mudas com torrão.

Consiste. principalmente em regiões montanhosas. Nas regiões subtropicais predominam mucuna-preta. uso de coberturas verdes. Variação do espaçamento: a variação do espaçamento entre linhas ou da densidade de plantas na linha pode contribuir para a redução da interferência das plantas daninhas sobre a cultura. a interferência destas plantas daninhas aumenta muito. em Módulo 3. entretanto. onde há agricultura de subsistência. visando beneficiar o estabelecimento e desenvolvimento das culturas. a queima. crotalárias. a escolha da cultura em rotação deve recair sobre plantas com habito de crescimento e características culturais bem contrastantes. como rotação de cultura.2 . em lavouras de milho. Quando o principal objetivo é o controle de plantas daninhas. Tremoço. a cobertura morta e o cultivo mecanizado. dependendo da arquitetura das plantas cultivadas e das espécies infestantes. no mesmo solo. em lavouras de trigo. então. a roçada. feijão-de-porco e lablabe. O principal efeito é a melhoria das condições físico-químicas do solo. ano após ano. jardins e na remoção de plantas daninhas entre as plantas das culturas em linha. Ainda hoje é usado para o controle em hortas caseiras.Biologia e métodos de controle 37 . e caruru-rasteiro (Amarantus deflexus). exemplos: capim-arroz (Echinoclhoa sp. estas plantas possuem também poder inibitório sobre outras e podem reduzir as infestações de algumas daninhas após serem incorporadas ao solo. variação do espaçamento da cultura.3 . em lavouras de arroz. quando o principal método de controle é o uso de enxada. Quando são aplicadas as mesmas técnicas culturais seguidamente. Coberturas verdes: as coberturas verdes são culturas geralmente muito competitivas com as plantas daninhas. ervilhaca.). 5. Rotação de culturas: cada cultura agrícola geralmente é infestada por espécies daninhas que possuem exigências semelhantes às da cultura ou apresentam os mesmos hábitos de crescimento. A capina manual feita com enxada é muito eficaz e ainda muito utilizada na nossa agricultura. O arranque manual. ou monda. aveia e centeio são usadas na região Sul do Brasil.1 . Contudo.Controle mecânico ou físico São métodos mecânicos de controle de plantas daninhas o arranque manual. e para muitas famílias.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 5. apaga-fogo (Alternanthera tenella). A redução entre linhas geralmente proporciona vantagem competitiva à maioria das culturas sobre as plantas daninhas sensíveis ao sombreamento. em usar as próprias características ecológicas das culturas e plantas daninhas. numa agricultura mais intensiva. etc. Essas práticas contribuem para impedir o aumento exagerado de determinadas plantas daninhas.Controle cultural O controle cultural consiste no uso de práticas comuns ao bom manejo da água e do solo. azevém anual. mostarda. esta é a única fonte de trabalho. nabo. a capina manual. guandu. é o método mais antigo de controle de plantas daninhas. em cana-de-açúcar. a inundação.

O cultivo mecanizado. como o capim-arroz (Echinochloa sp. beiras de estradas e pastagens a roçada é um método de controle de plantas daninhas dos mais importantes. devendo ser realizado quando as plantas daninhas estiverem ainda jovens e o solo não estiver muito úmido. por meio de outros métodos de controle. como nos tabuleiros de arroz. As principais limitações deste método são: a) dificuldade de controle de plantas daninhas na linha da cultura. Todavia. feito por cultivadores tracionados por animais ou tratores. a roçada manual ou mecânica é um método muito importante para controlar plantas daninhas. é mantida no limpo. Também em terrenos baldios. Em solos planos e nivelados. esta técnica é de uso limitado no Brasil. Outra técnica utilizada para o controle de plantas daninhas é a solarização. em razão do custo do combustível. em virtude da suspensão do fornecimento de oxigênio para suas raízes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas áreas maiores. que são posteriormente mortas devido à impossibilidade de emergência. na maioria dos casos. estimulando a germinação das sementes das plantas daninhas da camada superficial de solo.). Quanto à queima das plantas daninhas com lança-chamas. capim-kikuio (Penisetum clandestinum)). são o custo do nivelamento do solo e a grande quantidade de água necessária para sua implantação. grama-seda (Cynodon dactylon). Provoca aumento de temperatura e. apenas não apresentando efeito sobre as plantas daninhas que se desenvolvem em solos encharcados. já foi utilizada em algodão. é de larga aceitação na agricultura brasileira. sendo um dos principais métodos de controle de plantas daninhas em propriedades com menores áreas plantadas. através de adaptação de queimadores especiais em cultivadores tratorizados. a fileira de plantas. as sementes das plantas daninhas germinam e morrem em seguida. A inundação mata as plantas sensíveis. em nível. onde o controle da erosão é fundamental. como tiririca (Cyperus rotundus). bem como sobre as plantas aquáticas. são totalmente erradicadas sob inundação prolongada. a inundação é um efetivo método de controle de plantas daninhas. A cobertura do solo com restos vegetais em camada espessa ou com lâmina de polietileno é um meio físico-mecânico de controle das plantas daninhas. o alto custo da mão-de-obra e a dificuldade de encontrar operários no momento necessário e na quantidade desejada fazem com que este método seja apenas complementar a outros métodos. milho e trigo. em solo úmido. O espaço das entrelinhas é mantido roçado e. Espécies perenes de difícil controle. A cobertura provoca menor amplitude nas variações e no grau de umidade e da temperatura da superfície do solo. É restrito a pequenas áreas de hortaliças. Esta deve ser feita antes do plantio. e b) baixa eficiência: quando realizado em condições de chuva (solo molhado). para uso dirigido nesta cultura. Em pomares e cafezais. Este sistema de plantio é usado em extensas áreas de plantio de soja.Biologia e métodos de controle . devido à temperatura excessivamente alta principalmente até 5 cm de profundidade. A cobertura morta ainda pode apresentar efeitos alelopáticos úteis no controle de certas espécies daninhas. utilizando filme de polietileno sobre a superfície do solo. é ineficiente para controlar plantas daninhas que 38 Módulo 3. Os fatores limitantes deste método. além de muitas plantas daninhas anuais. a cobertura do solo com restos vegetais da cultura anterior é de grande utilidade. principalmente em terrenos declivosos. além de outros efeitos importantes sobre as culturas implantadas na área.1 . No plantio direto.

) capazes de reduzir a população das plantas daninhas.) com as larvas do inseto Cactoblastis cactorum. f) Avaliação da efetividade em diferentes épocas do ano. De modo geral.4 . etc. pode causar o enterrio das pequenas plântulas e. peixes. e) Acompanhamento da introdução e do estabelecimento do agente biocontrolador no campo. reduzindo sua capacidade de competir. com isso. podem-se citar: na Austrália. vírus. porque pode controlar uma espécie e uma outra ser favorecida.Biologia e métodos de controle 39 . insetos. são facilmente controladas em condições de calor e solo seco.Controle biológico O controle biológico consiste no uso de inimigos naturais (fungos. a fim de correlacionar os níveis de infecção com a redução da densidade populacional do hospedeiro. quando jovens (2-4 pares de folhas). o herbicida natural é registrado como Collego. o que é uma tendência normal em condições de campo. para controlar Morrenia odorata. Entre os diversos exemplos de controle biológico no mundo. Dependendo do tamanho relativo das plantas cultivadas e daninhas. daninhas ou não (este assunto já foi discutido em módulo à parte). no Havaí. No Brasil. bactérias. até o momento. desde a pesquisa até a prática do controle biológico: a) Seleção de espécies de plantas daninhas a serem controladas. a eficiência do controle biológico é duvidosa quando ele é usado isoladamente. praticado com fins econômicos. suspende a absorção de água e expõe a raiz às condições ambientais desfavoráveis. o deslocamento do solo sobre a linha. uma vez eliminado o hospedeiro. O controle biológico de plantas daninhas é muito complexo e seu estudo dever ser feito em etapas sucessivas. Nos Estados Unidos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas se reproduzem por partes vegetativas. foi já usado o fungo Phythophthora palmivora. todas as espécies anuais. aves. Para que este tipo de controle seja eficiente. o parasita deve ser altamente específico. Módulo 3. No entanto. Deve também ser considerada como controle biológico a inibição alelopática de plantas daninhas exercida por outras plantas. ele não deve parasitar outras espécies. Isso é mantido por meio do equilíbrio populacional entre o inimigo natural e a planta hospedeira. 5. o controle do cactus ou figo-da-índia (Opuntia spp. o cambará-de-espinho (Lantana camara) foi controlado pelos insetos Agromisa lantanae e Crocidosema lantanae. e. O cultivo quebra a relação íntima que existe entre raiz e solo. o controle biológico de plantas daninhas com inimigos naturais não tem sido. através de enxadas cultivadoras especiais. o fungo Coletotrichum gloeosporeoides pode ser usado para controlar o angiquinho (Aeschynomene virginica) em soja e milho. E. promover o controle das plantas daninhas na linha. d) Determinação da especificidade dos hospedeiros.1 . com o nome de Devine. c) Estudo e avaliação da ecologia dos vários inimigos naturais. ou seja. nos pomares de citros. b) Seleção de inimigos naturais mais eficientes.

que se reúne de dois em dois anos em congresso nacional. não podendo parasitar outras espécies. que tem evoluído muito nos últimos anos. Já se sabe que o fotoperíodo influencia a eficiência de controle das espécies de plantas daninhas pelo fungo. Carbamatos (1951). químico. Triazinas simétricas (1956). O objetivo das pesquisas em nível mundial é obter herbicidas mais eficazes com doses menores. A eficiência do controle biológico é duvidosa. descobriram o 2. Egeria najas e Ceratophyllum demersum pelo pacu (Piaractus mesopotamicus). a alelopatia. Zimmerman e Hitchock. Somente em 1942. quando associado a outros métodos de controle e será recomendado para espécies de plantas daninhas de controle comprovadamente difícil por métodos mecânicos e. então. etc. A partir de 1950. Este herbicida é a base de muitos outros produtos sintetizados em laboratório (2. etc. quando se controla uma espécie de planta daninha. e os trabalhos científicos sobre o assunto são publicados em revistas especializadas da SBCPD (Planta Daninha e Revista Barsileira de Herbicidas). entre outras.4-DB.Biologia e métodos de controle . nos Estados Unidos. plantas aquáticas submersas que causam problemas em reservatórios de hidrelétricas. ou. para controle de folhas largas na cultura do trigo. bem como a tecnologia de aplicação de herbicidas. nos Estados Unidos. Shultz (Alemanha) e Bolley (EUA) evidenciaram ação dos sais de cobre sobre algumas folhas largas.4.. mais seguro para o homem e para o ambiente. foi fundada a Sociedade Brasileira de Herbicidas e Plantas Daninhas (SBHPD). novos grupos químicos de herbicidas surgiram: Amidas (1952). carpas e outros peixes herbívoros é possível para controle de outras plantas aquáticas. 5. Miyazaki e Pitelli (2003) verificaram controle de até 100% das espécies aquáticas Egeria densa.) e marcou o início do controle químico de plantas daninhas em escala comercial. O controle biológico é eficiente.5 . ocorrem reuniões anuais de pesquisadores de herbicidas no cerrado (REPEC). 40 Módulo 3. quando se pensa em seu uso como o único método de controle. indicando a necessidade de uso de outro método de controle. Também são áreas de interesse. isolados de Fusarium graminearum vêm sendo estudados como agente de controle biológico de Egeria densa e de Egeria najas. o controle biológico. em 1956. no Brasil. sempre uma outra é favorecida. o sulfato ferroso foi avaliado por Bolley. no Brasil. Devido ao grande desenvolvimento da área de controle químico de plantas daninhas. Em 1908.WSSA. O uso de tilápias.Controle químico As pesquisas visando o controle químico de plantas daninhas foram iniciadas entre 1897 e 1900. hoje Sociedade Brasileira da Ciência das Plantas Daninhas (SBCPD). e temperaturas acima de 30 oC têm proporcionado melhor controle de Egeria (BORGES NETO et al. em 1963. quando Bonnet (França).5-T. foi criada a Weed Science Society of América . e. Isso porque o parasita deve ser altamente específico. 2. Ainda.1 .4-D. nos EUA. 2005). para discutir os avanços da área de plantas daninhas e seu controle.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas No Brasil.

A tendência ainda é de aumento. o herbicida é uma ferramenta muito importante no manejo integrado de plantas daninhas.água (rios. É eficiente no controle de plantas daninhas na linha de plantio e não afeta o sistema radicular das culturas. Este valor.8 em 1997 (ANDEF/SINDAG. 2005). na quantidade e qualidade necessária. 3. 5. Módulo 3. desde que utilizado no momento adequado e de forma correta. Há necessidade de mão-de-obra especializada para aplicação dos herbicidas. 2. alteração no espaçamento. Permite o plantio a lanço e. O conhecimento da fisiologia das plantas. difícil de ser encontrada no momento certo. havendo perigo de intoxicação do aplicador. 6. sendo a de maior importância o controle cultural. dos grupos aos quais pertencem os herbicidas e da tecnologia de aplicação é fundamental para o sucesso do controle químico das plantas daninhas. 2005). lagos e água subterrânea). Pode se atribuir essa grande aceitação do uso de herbicidas pelos produtores ao fato de o controle químico das plantas daninhas proporcionar as seguintes vantagens: 1. Pode controlar plantas daninhas de propagação vegetativa. em milhões de dolares.214. Permite o cultivo mínimo ou plantio direto das culturas. É importante considerar que todo herbicida é uma molécula química que tem que ser manuseada com cuidado. hoje está se tornando prática comum entre os pequenos. Portanto. evoluiu de 546. mas devem ser conhecidos. Atualmente estão sendo comercializadas no mercado brasileiro em torno de 200 marcas comerciais de herbicidas (RODRIGUES e ALMEIDA.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas O consumo de herbicida no Brasil representa 7-9% do consumo total do mundo. quando for necessário. Os riscos de uso existem. uma vez que esta tecnologia.Biologia e métodos de controle 41 . Mesmo em épocas chuvosas. que é cada vez mais cara. 4. O emprego do controle químico de plantas daninhas deve ser feito juntamente com outras práticas de controle. que era quase exclusivamente utilizada por grandes e médios produtores. Menor dependência da mão-de-obra.6 em 1990 para 1. cabendo ao controle químico apenas auxiliar quando necessário. solo e alimentos quando manuseados incorretamente. perfeitamente controlados e evitados. o controle químico das plantas daninhas é mais eficiente. uma vez que este possibilita as melhores condições de desenvolvimento e permanência das culturas. principalmente. Pode ocorrer também poluição do ambiente . ou. O emprego do controle químico como único e generalizado implica a inviabilidade econômica da prática agrícola e sério desequilíbrio no sistema de produção. sendo essa a causa de cerca de 80% dos problemas encontrados na prática.1 .

A integração de diversos métodos de controle dentro do sistema de produção pode dificultar o crescimento e desenvolvimento de populações de espécies daninhas de difícil controle. pode reduzir a dependência do uso de herbicidas e atrasar ou prevenir o aumento de espécies perenes geralmente associadas a sistemas de cultivo.Biologia e métodos de controle . a maneira integrada de cultivo. 6. 5. esse fato. Desse modo. 9. fica evidente que. Dez palavras-chave descrevem os processos recomendados. para culturas anuais. no controle integrado. Decidir quando o controle deve ser feito.1 . no Brasil.Manejo integrado de plantas daninhas (mipd) Cada vez mais o manejo integrado de pragas vem ganhando reforços em todos os setores agrícolas. Conhecer as espécies dominantes e suas interações. social e econômico a curto e a longo prazo. permite a esta aproveitar eficientemente os recursos do meio. tendo. dos métodos empregados. propondo uma série de medidas que se enquadraram no conceito de integração (CONCEIÇÃO. Escolher a(s) tecnologia(s) de controle compatível(is) com sistema. Prever populações e mudanças de populações de plantas daninhas. Integrar os processos com as medidas de proteção das culturas. as quais possuem seu ciclo ou parte dele na época das águas. os métodos culturais se apresentam como os 42 Módulo 3. que consiste em “um sistema ambiental do campo onde são usados todos os conhecimentos e ferramentas disponíveis para a produção das culturas livres de danos econômicos da vegetação competitiva”. Um bom programa de manejo de plantas daninhas pode ser resumido em três situações básicas: máxima produção no menor espaço de tempo. 10. e elas são um bom guia para o programa de manejo: 1. Estudar os métodos usados na propriedade. Considerando as condições brasileiras. sua base reforçada no campo da entomologia quando pioneiros promoveram o estudo dos problemas do algodoeiro no Nordeste do país. 7. Desse modo. 2000). Avaliar os impactos ambiental. máxima sustentatibilidade de produção e mínimo risco. da capacidade competitiva da cultura. Monitorar sementes e espécies da área de produção. Muitas vezes faz-se necessária a associação de dois ou mais métodos para se atingir o nível desejado. Considerar os recursos e as necessidades do fazendeiro. o manejo integrado de plantas daninhas. 8. do período crítico de competição. 3. O nível de controle das plantas daninhas obtido em uma lavoura dependerá da espécie infestante. em que se levam em conta todos os fatores que podem proporcionar à planta maior e melhor produção. Identificar as espécies-problema e suas densidades.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 6 . 4. das condições ambientais. constituindo-se. 2. etc.

os níveis populacionais da tiririca podem ser diminuídos. com a adoção do sistema de plantio direto utilizando herbicidas sistêmicos para dessecação. 4). no milho para silagem toda palhada da cultura anterior e retirada da área. toda a palhada da cultura permanece na área à superfície. tornando o sistema menos dependente do controle químico (JAKELAITIS et al. é possível obter redução nos níveis populacionais da tiririca a favor do plantio direto. principalmente por luminosidade. Outro exemplo de manejo integrado de plantas daninhas tem sido praticado em diversas regiões do Brasil quando se adota o sistema integrado agricultura-pecuária.Biologia e métodos de controle 43 . evitando assim sua disseminação e seu rápido crescimento. no plantio direto. a capacidade de brotação dos tubérculos de tiririca coletados sob solo no sistema integrado é diminuída com o passar do tempo. ou seja. Um bom exemplo da aplicação do Manejo Integrado pode ser observado pelo excelente manejo da tiririca na cultura do milho e do feijão graças à utilização do sistema de plantio direto e conhecimentos da biologia das espécies envolvidas. com uso de herbicidas sistêmicos usados como dessecantes. aliado ao fato de não revolver o solo. No plantio direto. como a cultura do milho e feijão. Dessa forma.1 . Ao contrário.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas mais adequados para integração com o controle químico. têmse observado excelentes resultados no manejo da tiririca. permanecendo dormentes (Fig. sendo que em três anos a redução no banco de tubérculos no solo pode chegar a mais de 90% (JAKELAITIS et al. ao controle cultural exercido pela falta de revolvimento do solo e conseqüente ausência de fragmentação das estruturas vegetativas da tiririca e à adoção de culturas altamente competitivas. no plantio convencional.. consegue-se ótimo manejo integrado da tiririca.. 2003). a forrageira cultivada em consórcio com a cultura principal reduz a interferência de muitas espécies de plantas daninhas. Dessa forma. Neste sistema. 2004) e também mais estável do ponto de vista ambiental (SANTOS et al. principalmente no período de desenvolvimento das culturas sensíveis à interferência das plantas daninhas. Em dois anos nesse sistema. aliado ao controle cultural. da ordem de 90 a 95%. 45 dias após a emergência. ou incoporada ao solo. independentemente se para produzir milho para grão ou para silagem. 5). Além disso. tanto para a cultura do milho quanto para o feijoeiro. Os maiores benefícios do sistema de plantio direto no manejo integrado da tiririca são obtidos devido à integração do controle químico proporcionado pelo uso do herbicida sistêmico para dessecação da vegetação em pré-plantio. aplicados no momento correto. em relação ao plantio convencional. visando a redução do número de propágulos de espécies de difícil controle em áreas agrícolas. Quando a finalidade de uso do solo é para milho grão.. 2005) Módulo 3. transformando esta espécie daninha extremamente problemática em uma espécie comum. a ponto de não acarretar reduções de produção das culturas infestadas (Fig.

1 .Biologia e métodos de controle .População de tiririca nas culturas de milho e feijão nos sistemas de plantios convencional e direto (após dois anos de adoção do manejo integrado de plantas daninhas –MIPD) aos 30 DAP Figura 5 – Brotação de tubérculos de tiririca coletados em campo em áreas de plantio convencional e em área onde se adotou o plantio direto com o manejo integrado dessa espécie infestante. após três anos de adoção 44 Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 4 .

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2 .Herbicidas: classificação e mecanismos de ação Tutores: Profº. Lino Roberto Ferreira Profº.Manejo de plantas daninhas 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 . José Barbosa dos Santos Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior .ABEAS Universidade Federal de Viçosa .2 .DF 2006 48 Módulo 3. Antonio Alberto da Silva Profº. Francisco Affonso Ferreira Profº.UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília .Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .

58 4.6. 68 4.4 .Mecanismo de ação. 55 4.1 .1 .Herbicidas inibidores do arranjo dos microtúbulos. 79 4.1 . 79 4. 85 4.Quanto à época de aplicação.3 .Algumas imidazolinonas.2.Herbicidas Inibidores do Fotossistema I.2 .2 . 73 4.1. 61 4.2 .5. 62 4.Seletividade. 56 4.6.Quanto à translocação.3 .Principal herbicida do grupo.8 .5.2 .Características gerais.2 .2 . -51 2 .3 .1 . 73 4.6 .7.1 .1.Caracterização de alguns herbicidas auxínicos. 76 4.3. 75 4.Características de algumas cloroacetanilidas.Principais características. 70 4. 73 4. 68 4.Mecanismo de ação das cloroacetanilidas. 51 1 .Herbicidas inibidores da EPSPs.Caracterização de alguns herbicidas inibidores dos microtúbulos.Características gerais dos inibidores do fotossistema II.Mecanismo de ação.Caracterização de Alguns Herbicidas Inibidores do Fotossistema II.Herbicidas auxínicos ou mimetizadores de auxina. 55 4.2.4 . 58 4.Quanto à seletividade.Caracterização de alguns herbicidas inibidores da PROTOX.Herbicidas inibidores da acetolactato sintase.3 .2 .5 . 83 4.2.1 .Mecanismos de seletividade.Mecanismo de ação.Algumas sulfoniluréias.5. 60 4.4.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução.Herbicidas inibidores da fotossistama II. 68 4.3. 77 4.Mecanismo de ação.Principais características.53 4 .52 3 .Inibidores da síntese de ácidos graxos de cadeias muito longas (VLCFA).3 . 75 4.4.2.3 .2 .Herbicidas inibidores da Protox.1.Quanto aos mecanismos de ação. 88 Módulo 3. 74 4.1 .3 .7.Problemas causados pela utilização incorreta de herbicidas auxínicos.1 . 79 4. 80 4.7 . 53 4.6.2 . 54 4.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 49 .3.4. 80 4.Principais características.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4.1 .Caracterização de alguns inibidores da ACCase. 89 4.Herbicidas inibidores de carotenóides.9 . 88 4.2 .10 .3 .Principais características.9.9.1 . 91 4.Características gerais.2 .Mecanismos de ação.Herbicidas inibidores da ACCase.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .8. 93 4. 91 4. 92 4.8.Mecanismo de ação.2 . 95 Referências bibliográficas.9. 99 50 Módulo 3.

época de aplicação. translocação. Todavia.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução Os herbicidas podem ser classificados de diversas maneiras. são mais tolerados por uma determinada espécie ou variedade de plantas do que por outras. Herbicidas não-seletivos São aqueles que atuam indiscriminadamente sobre todas as espécies de plantas. HESS. por meio da biotecnologia. é possível tornar um herbicida não-seletivo a seletivo para determinada espécie. atrazine para o milho.Quanto à seletividade Herbicidas seletivos São aqueles que.4-D para a cana-deaçúcar. Normalmente são recomendados para uso como dessecantes ou em aplicações dirigidas. fomesafen para o feijão. glyphosate. exemplo: a soja trasgênica resistente ao glyphosate. o metribuzin é seletivo apenas quando aplicado em pré-emergência. 1 . tem-se 2. Exemplos: diquat. das condições climáticas. Todavia. pois depende do estádio de desenvolvimento das plantas. 1995a). Essas características individuais permitem estabelecer grupos afins de herbicidas com base em sua seletividade.2 . de acordo com as características de cada um. Como exemplo. etc. etc. imazethapyr para a soja. estrutura química e mecanismo de ação (WARREN. Para soja. do tipo de solo. a seletividade é sempre relativa. e mesmo assim a dose tolerada é dependente das condições edafoclimáticas. paraquat.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 51 . etc. Módulo 3. por exemplo. da dose aplicada. dentro de determinadas condições.

neste caso. ou. quando atigem o solo. fotodegradável. como é o caso do metribuzin. trigo. exemplos: glyphosate. deve ser aplicado antes do plantio. ou seja. exemplo: sethoxydim em tomate. etc. clorimuron-ethyl. nicosulfuron em milho. aplicado em pré-plantio e incorporado. outros que possuem maior efeito residual no solo. das condições nas quais ele apresenta melhor desempenho. pois muitas vezes. por esta razão. a estes. etc. estes devem ser aplicados antes da emergência (pré-emergência) desta ou de forma dirigida. são desativados (sorvidos). reflorestamento e lavouras de café. eles devem ser aplicados em pré ou em pós-emergência das culturas ou das plantas daninhas.Quanto à época de aplicação Pré-plantio Quando o herbicida é muito volátil. feijão. se o herbicida é seletivo para a cultura. imazaquin. na cultura da soja somente pode ser usado em pré-emergência. apesar penetrarem também pelas raízes. em culturas perenes como fruteiras. que pode ser usado em tomate em pré e em pósemergência tardia ou após o transplante. etc. ainda. a sua aplicação em pré ou pós-emergência vai depender da tolerância da cultura e. paraquat.2 . imazethapy. eles somente devem ser aplicados em pós-emergência das plantas daninhas. até mesmo em subdoses. exemplos: flumioxazin. ele é muito tóxico à soja. Estes podem ou não auxiliar na dessecação das plantas. pois em pós-emergência. Se o herbicida é absorvido pelas folhas e raízes. ou. porém têm como objetivo principal garantir o controle inicial das plantas daninhas na implantação da lavoura. metribuzin. Esses produtos normalmente são não-seletivos. Outro 52 Módulo 3. feijão e soja. no sistema de plantio direto (cultivo mínimo). Quando aplicado após o preparo do solo e incorporado a este antes do plantio. alguns herbicidas devem ser aplicados antes do plantio. ser não-seletivos para a cultura e. etc. metsulfuron-methyl em trigo. Pós-plantio Dependendo da atividade dos herbicidas sobre as plantas. de solubilidade muito baixa em água e. visando facilitar o plantio e promover cobertura morta do solo. Também. como é o caso do trifluralin. Estes produtos podem. Todavia.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . ele necessita ser incorporado ao solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2 . apresentam curto efeito efeito residual e quase sempre são utilizados como dessecantes. ele pode ser aplicado em pós-emergência de ambas (plantas daninhas e culturas). como é o caso do glyphosate e paraquat aplicados no plantio direto de milho. diz-se que este herbicida é aplicado em PPI. Contudo. Entretanto. especialmente ao glyphosate. em aplicação dirigida. Quando são absorvidos apenas pelas folhas. pode-se também misturar. também.

Quanto ao mecanismo de ação. inibidores da ALS. inibidores da síntese de carotenóides. diquat. pelo floema ou por ambos. inibidores da PROTOX. porém com efeito final menor. a ação do produto pode ser mais rápida. Ele terá necessariamente que penetrar no tecido da planta. A este produto. 4 . nicosulfuron. 1995.HESS. picloram. Quando o movimento (translocação) do herbicida é via floema ou floema e xilema. quando usados em doses muito elevadas.Quanto aos mecanismos de ação É interessante que se faça distinção entre os termos usados rotineiramente quando se refere a herbicida: “modo e mecanismo de ação de herbicida”. Estes produtos. exemplos: paraquat. 3 . atingir a célula e posteriormente a organela. 2003a). ele é considerado sistêmico. O simples fato de um herbicida entrar em contato com a planta não é suficiente para que ele exerça sua ação tóxica. porque a morte rápida do tecido condutor (floema) limita a chegada de dose letal do herbicida a algumas estruturas reprodutivas das plantas. os herbicidas podem ser classificados em: mimetizadores de auxinas (auxínicos). recomendado para as culturas de milho e sorgo. podem apresentar ação de contato. entretanto a primeira lesão que ele causa na planta pode caracterizar o seu mecanismo de ação (ASHTON. flazasulfuron. 1973. lactofen. etc. imazethapyr.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas exemplo seria o herbicida atrazine. 1995). Neste caso. inibidores do fotossistema I. inibidores do arranjo dos microtúbulos.2 . aumentando a sua penetração pelas folhas. quando utilizado em pós-emergência. Os herbicidas também podem se movimentar (translocar) nas plantas pelo xilema. glyphosate. inibidores da ACCase. onde atuará para que seus efeitos possam ser observados. já a primeira lesão bioquímica ou biofísica que resulta na morte ou ação final do produto é considerada “mecanismo de ação”. Inibidores da GS. deve-se adicionar à calda óleo mineral visando solubilizar parte da cera epicuticular. etc. Módulo 3. THILL. Estes herbicidas sistêmicos são capazes de se translocarem a grandes distâncias na planta.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 53 . inibidores do fotossistema II. como é o caso de 2. CRAFTS. É importante lembrar que um mesmo herbicida pode influenciar vários processos metabólicos na planta. etc. LIEBL. “Modo de ação” refere-se à seqüência completa de todas as reações que ocorrem desde o contato do produto com a planta até a sua morte ou ação final do produto.4-D. inibidores da EPSPs. (WARREN.Quanto à translocação Os herbicidas podem ser de contato quando atuam próximo ou no local onde eles penetram nas plantas.

2 . Figura 1 .1 . induzem mudanças metabólicas e bioquímicas. as espécies sensíveis têm seu sistema radicular rapidamente destruído. além de interrupção do floema. trigo e cana-de-açúcar e em pastagens. Estudos sugerem que o metabolismo de ácidos nucléicos e os aspectos metabólicos da plasticidade da parede celular são seriamente afetados. o 2. 1973). porque eles marcaram o início do desenvolvimento da indústria química (THILL. Os herbicidas auxínicos. Por esse motivo. Esse alongamento celular parece estar relacionado com a diminuição do potencial osmótico das células.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . engrossamento das gemas terminais e morte da planta (Fig. pelo efeito destes produtos sobre o afrouxamento das paredes celulares. Acredita-se que estes produtos interfiram na ação da enzima RNA-polimerase e. Essa perda da rigidez das paredes celulares é provocada pelo incremento na síntese da enzima celulase. rapidamente. na síntese de ácidos nucléicos e proteínas (ASHTON. provocado pelo acúmulo de proteí¬nas e. Após aplicações de herbicidas auxínicos. em plantas sensíveis. conseqüentemente. Em conseqüência dos efeitos desses herbicidas.4-D e o MCPA são os mais importantes. notadamente nas raízes. milho. CRAFTS. quando aplicados em plantas sensíveis. sendo extensivamente utilizada em culturas de arroz. também. que leva estas espécies a sofrer. verifica-se crescimento desorga¬nizado. em poucos dias ou semanas. Estes herbicidas induzem intensa proliferação celular em tecidos. impedindo o movimento dos fotoassimilados das folhas para o sistema radicular. mais especificamente. causando epinastia de folhas e caule. epinastia das folhas e retorcimento do caule. podendo levá-las à morte.Herbicidas auxínicos ou mimetizadores de auxina Esta classe de herbicidas é uma das mais importantes em todo o mundo. Historicamente. 1). 2003a). especialmente da carboximetilcelulase (CMC).Sintomas leves de intoxicação de plantas de algodão (A) e ação final do produto sobre plantas de Raphanus raphanistrum (B) 54 Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. verificam-se rapidamente aumentos significativos da enzima celulase.

se aplicado em pós emergência total ocorrem sérios problemas de fitotoxicidade. sendo esta a principal rota para o metabolismo do 2. Nas culturas de arroz e trigo. se praticável. derivados do ácido picolínico podem causar fitotoxicidade. cada um dos diferentes princípios ativos. etc. resíduos deixados em pulverizadores mal lavados e contaminação de água de irrigação por estes herbicidas. sais ou ésteres. algodão. tomate. ser comercializado isoladamente ou em misturas.5 dicloro-4 hidroxifenoxiacético e 2.4-D após o perfilhamento e antes do emborrachamento. fumo. Arranjamento do tecido vascular em feixes dispersos.1 .Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 55 . Alguns desses produtos podem permanecer ativos no solo por longo período.1. Na cultura do milho (4-6 folhas).4-D para 2. exemplos: para arroz e trigo deve-se usar o 2. 3.4-D apenas em aplicação dirigida.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. Deriva.1. Aril hidroxilação do 2.3-D-4-OH. As seguintes medidas são recomendadas para reduzir problemas com a utilização destes herbicidas: a) Evitar o uso de formulações que apresentam elevada pressão de vapor (muito voláteis). 2. podem causar sérios problemas técnicos. podendo.. recebendo nomes comerciais diversos. comprometendo de maneira severa o rendimento de culturas e a qualidade do ambiente. sendo estes protegidos pelo esclerênquima em gramíneas (monocoti¬ledôneas). se aplicado fora do estádio de desenvolvimento recomendado.Problemas causados pela utilização incorreta de herbicidas auxínicos Todos os herbicidas auxíncos são derivados de ácidos fracos e podem ser formulados nos seus respectivos ácidos.Seletividade A seletividade dos herbicidas auxínicos pode ser dependente de diversos fatores: 1. exigindo cuidados especiais para se realizar rotação de culturas. 4. que são espécies altamente sensíveis. c) Usar baixa pressão para aplicação. deve-se usar 0 2. em condições de campo. além de facilitar a sua conjugação com aminoácidos e outros constituintes da planta. em doses extremamente baixas. d) Evitar a aplicação quando o vento estiver em direção às culturas.2 . 4. É comum a aril hidroxilação resultar na perda da capacidade auxínica destes herbicidas. Módulo 3. Estádio de desenvolvimento das plantas. e na cultura do milho. principalmente em aplicações aéreas. Essa característica especial das monocotiledôneas pode prevenir a destruição do floema pelo crescimento desorganizado das células. causada pela ação de herbicidas auxínicos.2 .4-D. em uva. b) Usar maior tamanho de gotas. Algumas espécies de plantas podem excretar estes herbicidas para o solo através de seu sistema radicular (exsudação radicular). Por exemplo.

4-D se transloca por toda a planta pois se movimenta tanto pelo xilema quanto pelo xilema. volatilidade. a resistência a estes herbicidas hormonais é reduzida. É recomendado para pastagens.Caracterização de alguns herbicidas auxínicos 2. persistência no ambiente. Apresenta persistência curta a média nos solos.). Cada formulação pode apresentar características físico-químicas diferentes. e com glyphosate.2 . plantas ganham maior tolerância com a idade. Em doses normais. gramados e culturas gramíneas (arroz. durante o florescimento. enquanto as de éster são praticamente insolúveis e. conferindo ao produto características dife¬renciais quanto à seletividade.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas e) Tomar cuidado especial com a lavagem do pulverizador após as aplicações.Em ambos os casos o 2. no mercado brasileiro. pka de 2. portanto. sendo esta a condição para ótima atividade do produto. O 2. etc. mais lixiviáveis. em pastagens. ou. Em geral.3 .Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . milho. para uso no plantio direto e em aplicações dirigidas.4-D Sal ou éster amina do ácido 2. Em mistura com o picloram. acumulando-se nas regiões meristemáticas dos pontos de crescimento. É muito utilizado em misturas com inibidores da fotossíntese na cultura da cana-de-açúcar. Transloca-se com grande eficiência em plantas com elevada atividade metabólica.1. cana-de-açúcar. toxicidade. 2005). etc. é encontrado em dife¬rentes formulações e marcas comerciais. Dicamba 56 Módulo 3.4-D não excede a quatro semanas em solos argilosos e clima quente. xilema.4-D) foi o primeiro herbicida seletivo descoberto para o controle de plantas daninhas latifoliadas anuais. porque são altamente solúveis. As formulações aminas são mais adsorvíveis no solo do que as de éster e. ALMEIDA. a decomposição é consideravelmente reduzida. Usar. amoníaco ou carvão ativado. com menor movimentação. 4. Movimenta-se pelo floema e. trigo. Em solos secos e frios. Apresenta solubilidade de 600 mg L-1. a atividade residual do 2. é usado para controlar plantas daninhas perenes. As formulações ésteres e ácidas são prontamente absorvidas pelas folhas. entretanto. além de detergente. em fruteiras e lavouras de café. e aquelas à base de sal são rapidamente absorvidas pelo sistema radicular das plantas.4 diclorofenoxiacético (2.4-D.8 e Koc médio de 20 mg g-1 de solo para formulações ácido ou sais e de 100 mL g-1 de solo para ésteres (RODRIGUES.

4-D. tomate. Para o controle de árvores. sendo muito utiliza¬do em misturas com o 2. Apresenta longa persistência (meia-vida de 20 a 300 dias) e fácil mobilidade no solo. apre¬senta efeito lento.0 e 83. fumo.). Sendo um herbicida de alta solubilidade em água. o que dificulta a absorção e translocação do herbicida até as raízes (SILVA et al. ou.2 . está sujeito a lixiviação. pode ser feito o pincelamento ou a pulveri¬zação dos tocos. Kow: 0. Esta mistura pode ser usada em área total ou em áreas localizadas. ou.2 a pH 1. do movimento capilar da água e. antes que se inicie o processo de cicatrização.4-D) é muito utilizada em pastagens para o controle de plantas daninhas anuais. 6-dicloro-2-metoxibenzoico (dicamba) é facilmente translocado pelas plantas via floema e. Também. algodão.3. pimentão. milho e trigo e em pastagens. O picloram. perenes e de árvores. 2001).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas O sal de dimetilamina do ácido 3. Apresenta pka: 2. porém extremamente persistente (a planta não consegue metabolizar rapidamente o picloram). Apresenta solubilidade de 720. A mistura (picloram + 2. Quando aplicação é feita no toco é fundamental que esta seja realizada imadiatamente após o corte da árvore. Deve ser observado o período residual para o cultivo de espécies altamente sensíveis (videira. ALMEIDA.000 mg L-1. podendo se acumular no lençol freático raso.87. em solos de textura arenosa. É muito pouco adsorvido pelos colóides de argila e mais pela matéria orgânica do solo. na região Sul do Brasil.29. Apresenta maior efeito sobre dicotile¬dôneas. para controlar arbustos e árvores.. em razão de sua longa persistência no solo (dois a três anos). sendo recomendado de modo semelhante ao 2.6 tricloro-2-piridinacarboxílico (picloram) é um produto extremamente ativo sobre dicotiledôneas. comuns em lavouras de trigo.4 a pH 7. É muito utilizado para controlar algumas espécies de dicotiledôneas tolerantes ao 2. É fracamente adsorvido pela matéria orgânica ou argila. para evitar a rebrota de espécies-problema como o leiteiro (Peschiera funchsiaefolia) e outras. como o cipó-de-veado (Polygonum convolvulus L. da evaporação. etc. Módulo 3.4-D. xilema.5. que podem apresentar severos sintomas de intoxicação. Kow: 1. e koc de 2 mg g-1 de solo.). até mesmo quando cultivadas em solos adubados com esterco proveniente de pastagens tratadas com picloram e pastoreadas logo depois. 2005). pka: 1. Dontor ou Manejo. considerando o controle de plantas daninhas herbáceas e arbustivas.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 57 .4-D para o controle de plantas em culturas de canade-açúcar. na planta. formando o Tordon. dependendo da intensidade. e também com fluroxypyr formando o Plenum. e Koc médio de 16 mg g-1 de solo. pode permanecer ativo na matéria orgânica proveniente de pastagens tratadas com este produto (RODRIGUES. Picloram O ácido 4-amino 3.

. pressão de vapor de 1. etc. É também muito eficiente e seletivo para controlar dicotiledôneas infestantes de áreas cultivadas com gramas: jardins. algodão. porém é rapidamente degradado no solo. 4.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . Nas condições normais. ALMEIDA. umidade relativa >50% e temperatura < 30°C. em aplicação foliar. sua meia-vida é de 20 a 45 dias. Kow: 2. sendo largamente utilizados nas cultu¬ras de grande interesse econômico. em área total para controle de plantas daninhas em pastagens e arroz. O vento deverá estar soprando da cultura sensível para a área de aplicação.Mecanismo de ação Os pigmentos. e Koc médio de 20 mL g-1 de solo. as proteínas e outras substâncias químicas envolvi¬das na reação da fotossíntese estão localizados nos cloroplastos. feijão. entre outras (RODRIGUES. cana-de-açúcar. 2005). Em solos leves. por sua vez. gerando um elétron “excitado”. fruteiras.. durante a fase luminosa da fotossíntese.000 m de culturas sensíveis. milho. também presa na proteína.64 a pH 5 e 0.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Triclopyr O ácido [(3.2 . a energia luminosa capturada pelos pigmentos (clorofila e carotenóides) é transferida para um “centro de reação” especial (P680). Nunca fazer aplicações aéreas a menos de 2. com ventos de 0 a 6 km h-1. 2004). Apresenta solubilidade em água de 23 mg L-1.1 . pode haver lixiviação (RODRIGUES. É recomendado para uso em pós-emergência. sem a interferência de inibidores do fotossistemoa II.6-tricloro-2-piridinil) oxi] acético (triclopyr) apresenta ação semelhante ao picloram. Seu grau de adsorção depende do pH do solo. Quando um segundo elétron é transferido para a plastoquinona “Qb”. A molécula da plastoquinona “Qa” transfere o elétron. Deve ser aplicado de outubro a março (no período chuvoso). hortaliças. campo de futebol.5.36 a pH 7. A aplicação poderá ser por equipamentos terestres ou por avião quando as áreas estiverem infestadas densamente por plantas daninhas de pequeno e médio porte. dependendo do tipo de solo e das condições climáticas. com as plantas em pleno vigor vegetativo.26 x 10-6 mm Hg a 25 oC. Interromper imediatamente as aplicações se houver mudança na direção do vento. ALMEIDA. 2005). Este elétron é transferido para uma molécula de plastoquinona presa a uma mem¬brana do cloroplasto (Qa). como arroz.Herbicidas inibidores da fotossistama II São de grande importância na agricultura brasileira e mundial. 4. açudes. (FREITAS et al. soja. pka: 2.2 . a quinona 58 Módulo 3. sob condições de alta pluviosidade. para uma outra molécula de plastoquinona.68. chamada “Qb”.2.

Sabe-se. Alguns exemplos: piridonas. aumentam a estabilidade desta na presença da luz. benzoquinonas. no sítio onde se prende a plastoquinona “Qb”. Isso impede que uma mudança na sequência de aminoácidos da proteína (mutação) tornando esse biotipo resistente aquele herbicida. 2003).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas reduzida torna-se protonada (dois íons de hidrogênio são adicionados). que ela tem uma configuração de cinco hélices que atravessam a membrana do cloroplasto (tilacóide) e duas hélices paralelas que se interligam. Essa proteína é chamada D-1. Fonte: Warren e Hess (1995) Os derivados das triazinas e das uréias substituídas são conhecidos por se prenderem justamente ao sítio dos elétrons da proteína D-1. dioxobenzotiazoles e cianoacrilatos. A associação com a proteína se dá com aminoácidos diferentes no sítio para cada biótipo. naftoquinonas. bromoxynil e ioxynil). Figura 2 . Além da competição em si pelo sítio na proteí¬na. (HESS. 1995a. das uréias substituídas.2. Diversos análogos do fenol foram descritos como inibidores fotossistema II.Esquema do transporte de elétrons na fotossíntese. dos fenóis. sendo conhecida também como proteína 32 kilodaltons. De modo geral. pironas. Muitos herbicidas inibidores do fotossistema II (derivados das triazinas. ou bolso. quando se prendem à proteína. Estes herbicidas. a função da plastohidroquinona é transferir elétrons entre os fotossis¬temas II (P68O) e I (P7OO). Plantas suscetíveis tratadas morrem mais rapidamente quando pulverizadas na presença da luz do que quando pulverizadas e colocadas no escuro. prendendo-se. etc. por exemplo. Estes herbicidas competem com a plastoquinona “Qb” parcialmente reduzida (QbH) pelo sítio na proteína D-1. quinolonas.2 . também. Esse fato demonstra que algo mais que a simples inibição do fotossistema II está ocorrendo. O sítio. ao sítio da plastoquinona “Qb”. ocasio¬nando a saída da plastoquinona e interrompendo o fluxo de elétrons entre os fotossistemas. seja válida para outros produtos desse mesmo grupo químico. como fazem os “clássicos”. Herbicidas derivados do fenol (dinoseb. o que aumenta o efeito inibitório destes. Atualmente. esta proteína é destruída rapidamente pela ação da luz. De maneira simplificada.) causam essa inibição prendendo-se na proteína. impedindo sua destruição. com baixa afinidade para se prender na proteína. sabe-se que a clorose foliar que Módulo 3. por alguma razão não conhecida. WELLER. onde a plastoquinona “Qb” se prende e onde os herbicidas vão se prender também. A proteína D-1 é hoje muito conhecida. formando uma plastoidroquinona (QbH2). como pode ser visto na Fig. fica entre a quarta e quinta hélices que atravessam as membranas dos cloroplastos e a hélice paralela que liga as duas. os herbicidas apresentam maior tempo de residência no sítio do que a plastoquinona “Qb”. não evitam a destruição da proteína D-1 pela luz.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 59 .

por esse motivo. Todos eles translocam-se nas plantas apenas via xilema. ela sai do estado neutro (sem carga) e vai para um estado de energia simples. Aparentemente. Figura 3 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ocorre após o tratamento é devida a rompimentos na membrana dos pigmentos causados pela peroxidação de lipídios (ácidos graxos insaturados) da membrana (Fig. todos eles podem ser absorvidos pelas raízes. Esta clorofila não retorna ao estado anterior quando o fluxo de elétrons é interrompido pela ação do herbicida que se prendeu ao sítio da plastoquinona “Qb”.Características gerais dos inibidores do fotossistema II • • • • A taxa de fixação de CO2 pelas plantas sensíveis. Essa molécula de clorofila. é sobrepujado pelo excesso de clorofila no estado de alta energia. Em casos nor¬mais. a carga é repassada aos carotenóides. entretanto. Esse excesso de energia (clorofila triple) causa o início da peroxidação de lipídios por dois mecanismos: a: formação direta de radical lipídico nos ácidos graxos insatura¬dos da membrana do cloroplasto. aparecendo os sinais de necrose foliar (WELLER. tornase ainda mais carregada e mais reativa (estado de energia tríplice). 4.2 . Na presença do herbicida. a velocidade de absorção foliar é diferente para cada produto deste grupo.2. 3). Essas reações dão início ao processo de peroxidação das membranas. e b: a clorofila de carga tríplice também reage com oxigênio e produz um oxigênio reativo (oxigênio singlet). declina poucas horas após o tratamento. 1995). no estado de energia simples. o sistema de prote¬ção. para que a clorofila não se destrua. 60 Módulo 3. Essa molécula de oxigênio carregada contribui para o processo de formação dos radicais lipídicos nos ácidos graxos insaturados da membrana. Estes herbicidas não provocam nenhum sinal visível de intoxicação no sistema radicular das plantas.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . não podendo transferir o elétron ao centro de reação P680 (fotossistema II). tratadas com esses herbicidas. que é normalmente transferido para o centro de reação (P680).Estrutura esquemática da membrana de um cloroplasto Fonte: Warren e Hess (1995) Quando a clorofila aceita um elétron.2 . plantas perenes somente são eliminadas por esses herbicidas quando tratadas via solo. dado pelos carotenóides.

Na realidade. 1995). o aparecimento de novas espé¬cies de plantas daninhas resistentes a estes herbicidas (atuam em sítio de ação específico). porque este produto é muito pouco móvel no perfil do solo. de adição de adjuvante (estes produtos podem apresentar difícil penetração foliar e não são sistêmicos).este fato pode ser devido à anatomia e. ou. Todavia. ele poderá entrar em contato com o sistema radicular do algodão e causar severa intoxicação à cultura.2. quando aplicadas diretamente no solo. Neste caso. não atingindo o local de sua absor¬ção pela planta (sistema radicular).2 . Em geral. menor reserva de carboidratos. também. Normalmente. ao tipo de formulação utilizado. Por estas razões.3 . inseticidas ou fungi¬cidas inibidores da colinesterase. o herbicida não será absorvido em quantidade suficiente para intoxicar a cultura. torna-se necessário fazer rotação com outros herbicidas que apresentam mecanismo de ação diferente. ainda. Alguns herbicidas deste grupo apresentam seletividade “toponômica” ou seletividade por posição. com relativa freqüência. pois possuem pressão de vapor muito baixa. Apresentam pouca ou média mobilida¬de no perfil do solo. Como exemplo. podendo levá-la à morte. são variáveis para cada tipo de solo. Absorção diferencial por folhas e raízes . o diuron não causa intoxicação à cultura do algodão quando utilizado em pré-emergência.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • • • • • • • • Quando esses herbicidas são usados em pós-emergência. podendo ser curta para alguns produtos (< 30 dias) ou muito longa (> 720 dias) para outros. estes herbicidas são muito adsorvidos pelos colóides orgânicos e minerais do solo.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 61 . Tem sido observado. Por este motivo. necessita-se de boa cobertura foliar da planta e. É comum ocorrer efeito sinérgico quando se aplicam inibidores do fotostema II em mistura com outros herbicidas. ainda. ou se for aplicado em solo de textura arenosa e com baixo teor de matéria orgânica. estes herbicidas não apresentam problemas de deriva por volatilização. Todos os herbicidas inibidores do fotossistema II apresentam toxicidade muito baixa para mamíferos. Neste caso.Mecanismos de seletividade As causas pelas quais os herbicidas inibidores do fotossistema II são seletivos são diversas e variam de cultura para cultura (WELLER. A persistência agronômica destes herbicidas no solo é extremamente variável. Módulo 3. Plantas que estão se desenvolvendo em condições de baixa lumino¬sidade são mais suscetíveis a esses herbicidas. se o diuron for incorporado mecanicamente ao solo. morfologia das folhas e raízes e. 4. pode se verificar perda de seletividade do herbicida. tem-se a seletividade do diuron para a cultura do algodão. as doses recomendadas. podendo garantir a seletividade de determi¬nadas espécies. Elas apresentam menor barreira cuticular à penetração dos herbicidas e.

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Translocação diferencial das raízes para as folhas - isto ocorre devido à presença de glândulas localizadas nas raízes e ao longo do xilema, que adsorvem estes produtos, impedindo que sejam translo¬cados até seus sítios de ação, localizados nos cloroplastos. Metabolismo diferencial - algumas espécies de plantas, em suas raízes ou em outras partes, possuem enzimas que são capazes de metabolizar as moléculas de determinados herbicidas, transformando-os rapida¬mente em produtos não-tóxicos para as plantas. Como exemplo, pode-se citar o milho e o sorgo, que apresentam em suas raízes teores elrvados de benzoxazinonas. Estes compostos podem promover rápida degradação da molécula de atrazine por meio de reações de hidroxilação, dealquilação, ou ainda a conjugação dessa molécula com polipetídeos naturais, tornando estas culturas tolerantes a este herbicida. Outro exemplo seria a seletividade da cultura de arroz ao herbicida propanil. Esta cultura apresenta concentrações de dez a trinta vezes da enzima arilacilamidase em realação às principais gramíneas infestantes do arroz. Elevadas concetrações da arilacilamidase, nas folhas de arroz, garantem a degradação do propanil antes que estes atinjam os cloroplastos (sítio de ação primário deste herbicida), o que não ocorre com as gramíneas infestantes dessa cultura. 4.2.4 - Caracterização de Alguns Herbicidas Inibidores do Fotossistema II Atrazine

O 6-cloro-N-etil-N’-(1-metiletil)-1,3,5-triazina-2,4-diamina (atrazine) apresenta solubilidade em água de 33 mg L-1, pka: 1,7, kow: 481; e koc médio de 100 mg g-1 de solo (Rodrigues; Almeida, 2005). É moderadamente adsorvido pelos colóides da argila e da matéria orgânica, tanto mais quanto maior o seu teor no solo; o processo é reversível, dependendo da umidade, da temperatura e do pH do terreno. É lixiviável, sendo comum ser encontrado nos solos cultivados em profundidade superior a 30 cm e também em águas subterrâneas. Sua degradação no solo é, em parte, microbiana, mas também química e física. Apresenta meia-vida no solo média de 60 dias e persistência média a longa nos solos nas doses recomendadas de 5 a 7 meses. Em solos tropicais e subtropicais sua persistência pode também ser maior que 12 meses se usado em doses elevadas em condições de pH do solo elevado, clima frio e seco. Em diversas regiões do Brasil, em campo, tem sido observada intoxicação da aveia semeada até 150dias após aplicação de atrazine na cultura do milho. É muito utilizado na cultura do milho, sendo, também, recomendado para cana-de-açúcar, café, fruteiras, cacau, pimenta-do-reino, etc. Fumo e trigo são muito sensíveis ao atrazine. Quando aplicado em pós-emergência, tem-se observado ótima eficiência de controle das plantas daninhas mesmo com a redução da dose aplicada. Todavia, para isso, é necessário adicionar à calda óleo mineral, sendo mais eficiente para controlar plantas daninhas recém-emergidas (plantas com 1-2 pares de folhas). É muito utilizado em misturas com outros herbicidas em culturas de milho, cana-de-açúcar, fruteiras e outras. As plantas de milho e sorgo possuem a capacidade de metabolizar o atrazine absorvido,
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transformando-o por meio de reações de hidroxilação, dealquilação e conjugação, por ação de benzoxazinonas presentes nestas espécies, em compostos não-tóxicos. O atrazine é muito eficiente no controle de dicotiledôneas, porém apresenta eficiência apenas regular para controle de diversas monocotiledôneas. Na cultura do milho, é muito utilizado em pré-emergência, quando em mistura com o metolachlor, formando o “Primestra”, e também em pós-emergência precoce, quando em mistura com óleo mineral (Primóleo) para controle de dicotiledôneas e em mistura no tanque com o nicosulfuron ou outras sulfoniluréias (foramsulfuron + idosulfuron-methyl), em áreas com infestação mista (JAKELAITIS et al., 2005). Simazine

O 6-cloro-N,N`-dietil-1,3,5-triazina-2,4-diamina (simazine) apresenta solubilidade em água de 3,5 mg L-1, pka: 1,62, kow: 122; e koc médio de 130 mg g-1 de solo. É adsorvido pelos colóides da argila e da matéria orgânica e tanto mais quanto maior o seu teor no solo; o processo é reversível, dependendo da umidade, da temperatura e do pH do terreno. É pouco lixiviável, não sendo comum ser encontrado nos solos cultivados em profundidade superior a 10 cm. Sua degradação no solo é, em parte, microbiana, mas também química, ocorrendo hidrólise, com formação de hidroxisimazine e dealquilação do grupo amino. Apresenta persistência média no solo nas doses recomendadas de 5 a 7 meses em condições tropicais e subtropicais, podendo ser maior que 12 meses se usado em doses elevadas. Pode ser usado em pré-emergência das plantas daninhas nas culturas de café, cana-deaçúcar, alfafa, fruteiras, etc., para controle de dicotiledôneas e algumas gramíneas. Em doses maiores que 10kg ha-1 do p.c., pode ser usado usado para limpeza de cercas e áreas industriais. É absorvido basicamente pelo sistema radicular das plantas, sendo pouco móvel no solo. É utilizado em misturas com o atrazine, visando minimizar efeitos do clima, principalmente oscilações pluviais, e também para aumentar o espectro de controle de espécies de plantas daninhas. Ametryn

O N-etil-N`-1(metiletil)-6-(metiltio)-1,3,5-triazina-2,4-diamina (ametryn) apresenta solubilidade em água de 200 mg L-1; pka: 4,1; kow: 427; e koc médio de 300 mg-1 de solo. É medianamente lixiviável nos solos arenosos (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Sua degradação no solo é, em maior parte microbiana, mas também química, por processos de oxidação e hidrólise.
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Apresenta persistência média no solo nas doses recomendadas de 4 a 6 meses em condições tropicais e subtropicais, podendo ser maior que nove meses se usado em doses elevadas, dependendo do clima e tipo de solo (meia-vida média no solo é de 60 dias). É reco¬mendado para as culturas de cana-de-açúcar, banana, café, abacaxi, citros, milho e videira, para controle de mono e dicotiledôneas. Pode ser absorvido facilmente pelas raízes e folhas de plantas. É pouco móvel no solo, por ser muito adsorvido por colóides orgânicos e minerais. Sua adsorção pelos colóides é muito influenciada pelo pH. Também pode apresentar adsorção negativa (dessorção), ocorrendo liberação para as plantas de moléculas anteriormente inativadas pelos colóides do solo. É muito utilizado em misturas com os herbicidas diuron, tebuthiuron, atrazine, trifolysulfuron-sodium, 2,4D, etc; principalmente quando recomen¬dado para de cultura da cana-de-açúcar (PROCÓPIO et al., 2003). É pouco lixiviado no solo, permanecendo na maioria das condições na camada superior (primeiros 30 cm). Prometryne

O N,N`-bis(1-metiletil)-6-(metiltio)-1,3,5-triazina-2,4-diamina (prometryne) apresenta solubilidade em água de 48 mg L-1; pka: 4,09; kow: 1.212; e koc médio de 400 mg g-1de solo. É pouco lixiviado em solos de textura média a argilosa, sendo facilmente degradado por microrganismos que o utilizam como fonte de energia. Apresenta persistência média no solo nas doses recomendadas de 1 a 3 meses em condições tropicais e subtropicais, dependendo das condições de solo, do clima e da dose utilizada. Sua absorção é feita pelas folhas e raízes, sendo mais utilizado em pré-emergência. É recomendado para as culturas de quia¬bo, aipo, cenoura, alho, salsa, cebola, ervilha, etc. A cultura da cebola apresenta maior tolerância ao prometryne quando este é aplicado antes do transplante. Não apresenta seletividade para a cultura da cebola em semeadura direta. Metribuzin

O 4-amino-6-(1,1-dimetiletil)-metiltio-1,2,4-triazina-5-(4H)-ona (metribuzin) apresenta solubilidade em água de 1.100 mg L-1; kow: 44,7; e koc médio de 60 mg g-1 de solo (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É moderadamente adsorvido em solos com alto teor de matéria orgânica e, ou, argila. É um herbicida muito dependente das condições edafoclimáticas para seu bom funcionamento. Quando aplicado na superfície de solo seco e persistir nesta condição por sete dias,
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é desativado por fotodegra¬dação (SILVA, 1989). O metribuzin é também facilmente lixiviado no solo, não sendo recomendado seu uso em solo arenoso e, ou, com baixo teor de matéria orgânica. É absorvido tanto pelas folhas quanto pelas raízes. Controla diversas espécies de dicotiledôneas e algumas gramíneas. É recomendado para aplicação em pré-emergência nas culturas de batata, tomate, soja, café, cana-de-açúcar e mandioca para o controle de diversas infestantes dicotiledôneas. Não apresenta nenhum controle sobre Euphorbia heterophylla. Na cultura do tomate conduzida em semeadura direta, deve ser usado exclusivamente em pré-emergência, logo após a semeadura. No tomate transplantado, poderá ser usado também em pós-emergência, até dezdias após o transplante das mudas. É utilizado em misturas com outros herbicidas, especial¬mente com trifluralin e metolachlor, na cultura da soja. Linuron

O N-(3,4-diclorofenil)-N-metoxi-N-metiluréia (linuron) é um herbicida derivado do grupo das uréias, que apresenta solubilidade em água de 75 mg L-1, pka: zero; kow: 1.010; e koc médio de 400 mg g-1 de solo. É adsorvido principalmente em solos com alto teor de matéria orgânica e, ou, argila, sendo pouco lixiviável nestes tipos de solo, apresentando persistência de 2 a 5 meses. É recomendado para uso em soja, algodão, milho, batata, cenoura, rabanete, alho, cebola, etc., principalmente para aplicações em pré-emergência. Nas culturas de cenoura e de cebola, pode também ser usado em pós-emergência, quando as plantas daninhas estiverem com 1-2 pares de folhas. É mais facilmente absorvido pelas raízes, tendo a sua atividade muito influenciada pelas caracterís¬ticas físico-químicas do solo (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Diuron

O N`-(3,4-diclorofenil)-N,N-dimetiluréia (diuron) apresenta solubilidade em água de 42 mg L-1; pka: zero; kow: 589; e koc médio de 480 mg g-1 de solo e uma meia-vida média no solo de 90 dias com persistência de 4-8 meses (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É muito adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais, sendo sua atividade altamente influenciada pelas características físico-químicas do solo; por esta razão, é pouco móvel no perfil do solo. Esta característica garante a “seletividade toponômica” do diuron para o algodão e outras culturas em solos de textura média a pesada. Todavia, em solos de textura arenosa e com baixo teor de matéria orgânica, o diuron pode atingir o sistema radicular das culturas, tornando-as sensíveis. É recomendado para as culturas de algodão, cana-de-açúcar, citros, abacaxi, mandioca, seringueira, pimenta-do-reino, cacau, etc., para
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o controle de gramíneas e dicotiledôneas, sendo facilmente absorvido pelas raízes das plantas. O diuron, também, é muito recomendado em misturas com diversos herbicidas (paraquat, ametryn, 2,4-D, tebuthiuron, atrazine, MSMA, etc.), para uso em plantio direto, em aplicações dirigidas em diferentes culturas, em sistemas de plantio direto e convencional. Tebuthiuron

O N-[5-(1,1-dimetiletil)-1,3,4-tiadiazol-2-il]-N,N’-dimetiluréia (tebuthiuron) possui solubilidade em água de 2.570 mg L-1; pka: zero; kow: 671 e koc médio de 80 mg g-1 de solo. É adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais, apresentando média lixiviação no perfil do solo. Quando usado em doses elevadas em cana-de-açúcar, recomenda-se não cultivar culturas sensíveis ao tebuthiuron, como feijão, amendoim e soja por um período inferior a dois anos e a três anos quando aplicado em pastagem. A persistência do tebuthiuron em regiões de elevada precipitação pluvial é de 12 a 15 meses; todavia, esta persistência é muito maior em regiões sujeitas a déficits hídricos prolongados. No Brasil, é recomendado para uso em cana-de-açúcar, pastagens e áreas nãocultivadas. Controla largo espectro de dicotiledôneas e monocotiledôneas anuais e perenes. É formulado como pó-molhável e suspensão concentrada. É recomendado para uso em préemergência na cultura da cana-de-açúcar, em aplicação isolada ou em misturas com outros produtos para o controle de plantas daninhas de folhas estreitas e largas que se propagam por sementes (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Também pode ser usado para eliminar árvores ou arbustos em pastagens. Neste caso, apresenta efeito lento, podendo demorar de 3 a 12 meses para eliminar a planta. Bentazon

O 3-(1-metiletil)-(1H)-2,1,3-benzotiodiazinona-4(3H)-ona 2-dióxido (bentazon) apre-senta solubilidade em água de 500 mg L-1; kow: 0,35; e koc médio de 34 mg g-1 de solo. É adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais do solo, mostrando potencial de lixiviação muito reduzido, não sendo encontrado em profundidades superiores a 20 cm. Apresenta curta persistência no solo (inferior a 20 dias), não se observando efeito residual em culturas sucessoras (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É registrado no Brasil para as culturas de amendoim, arroz, feijão, milho, soja e trigo. É utilizado exclusivamente em pós-emergência, devido à reduzida absorção radicular. Recomenda-se adição de um adjuvante oleoso à calda, para lhe facilitar a absorção por algumas
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É compatível com a maioria dos herbicidas. Contudo é totalmente ineficiente no controle de Euphorbia heterophylla e Amaranthus sp. exceto para a cultura do feijão onde a adição do adjuvante não é recomendada pois pode causar fitotoxicidade. com herbicidas recomendados para controlar plantas daninhas de folhas largas.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 67 . pka: zero. Requer um período de seis horas sem chuva. estando estas com bom vigor vegetativo. A aplicação simultânea induz efeito antagônico. preferencialmente. entre elas Acanthospermum australe.4-diclorofenil) propanamida (propanil) apresenta solubilidade em água de 500 mg L . visto que são comuns as combinações com graminicidas pós-emergentes. Ipomoea grandifolia. no início do desenvolvimento (2 a 3 folhas). horas de calor. Deve ser usado em aplicações seqüenciais com inseticidas: com os organofosforados observar intervalo mínimo entre as aplicações de 15 dias e. primeiro o graminicida e. no inverno. É fracamente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais. preferencialmente. e koc médio de 149 mg g-1 de solo. Deve ser aplicado sobre plantas daninhas no estádio de 2 a 4 folhas. Bidens pilosa. -1 Módulo 3. fitossanitárias ou cobertas de orvalho.2 . para os carbamatos. Commelina benghalensis. com estas. após as aplicações. ou com a cultura em precárias condições vegetativas. evitando períodos de estiagem e umidade relativa do ar inferior a 60%. ALMEIDA. Deve ser aplicado com as plantas daninhas com bom vigor vegetativo. visando aumentar o espectro de controle das plantas daninhas. Controla diversas espécies de folhas largas anuais. no tanque. inseticidas e fertilizantes foliares podem quebrar-lhe a seletividade para a cultura do arroz. além de outras. o bentazon. de apenas três dias. para assegurar sua absorção pelas plantas. quando a infestação do terreno incluir espécies que lhe são tolerantes. Não se adiciona surfatante à calda. Apresenta persistência muita curta no solo. 2005). aplica-se. É muito comum o uso do propanil em mistura com outros herbicidas. A eficácia é maior a temperaturas altas e reduz quando abaixo de 16 oC. razão pela qual. Propanil O N-(3. É comum ser utilizado em mistura. dicotiledôneas e ciperáceas. Não utilizá-lo em lavouras onde as sementes foram tratadas com carbofuran (RODRIGUES. Controla com eficiência diversas espécies de gramíneas. evitando períodos de estiagem. pois inibem a enzima arilacilamidase responsável pelo rápido metabolismo do propanil nas plantas de arroz. É recomendado em pós-emergência da cultura do arroz e das plantas daninhas. Não atua sobre gramíneas. 30 dias. nestas condições. sendo decomposto basicamente por microrganismos. em um intervalo de três dias. Rhaphanus raphanistrum. umidade relativa do ar inferior a 70% e excesso de chuva.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas espécies de plantas daninhas. as misturas com fungicidas. Todavia. kow: 193. o uso de óleo mineral torna-se mais necessário.

1.3. ou seja.Mecanismo de ação A atividade destes herbicidas é expressa por necrose foliar da planta tratada em pósemergência.3 .3. quando aplicados em préemergência. 4. no escuro.2 .Herbicidas inibidores da Protox 4. • Os difeniléteres são fortemente adsorvidos pela matéria orgânica do solo e muito pouco lixiviados. 1995) são: • Herbicidas deste grupo podem penetrar pelas raízes. se manifesta nas plantas próximo da superfície do solo. Principais características As principais características dos herbicidas inibidores da Protox (WARREN. • A persistência no solo varia consideravelmente entre os herbicidas deste grupo. em razão da maior sorção destes aos colóides do solo. HESS. Os primeiros sintomas são manchas verde-escuras nas folhas. tipo de solo e condições climáticas.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .2 . os herbicidas deste grupo não têm ação. • São poucos os relatos na literatura sobre o aparecimento de plantas daninhas que adquiriram resistência a estes herbicidas. pelos caules e pelas folhas de plantas jovens. • As partes tratadas da planta que são expostas à luz morrem rapidamente (dentro de um a dois dias). • A atividade herbicida acontece na presença da luz. em decor¬rência do uso repetido destes. • Há muito pouca ou praticamente nenhuma translocação nas plantas tratadas. durante a emergência das plântulas • A incorporação ao solo diminui a ação destes herbicidas. • A toxicidade para pássaros e mamíferos é baixa. que pode variar com a dose aplicada. enquanto para peixes ela varia de baixa a moderada. Como estes herbicidas não se movimentam dentro da planta. após 4-6 horas de luz solar. podendo variar de alguns dias a vários meses. • A ação tóxica dos herbicidas inibidores da Protox. as necroses foliares têm o formato e a intensidade das gotículas de pulverização. dando a impressão de que estão encharcadas pelo rompimento da membrana celular e 68 Módulo 3. para que ela seja efetivamente controlada.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. É comum ocorrer danos em culturas sucedâneas quando não se observa o período residual recomendado. É preciso que haja boa cobertura da planta.

outras publicações comprovaram que o pigmento envolvido era a protoporfirina IX. A estes sintomas iniciais segue-se a necrose. em tecidos tratados com os difeniléteres.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas derramamento de líquido citoplasmático nos intervalos celulares (Fig. ou mesmo de um mutante de planta amarelo (não-fotossintetizante). 1995). Figura 4 – Sintomas de intoxicação em plantas de pepino tratadas com fomesafen (A) e efeito residual no solo (carryover) em folhas de milho (B) Após a absorção e pequena translocação destes herbicidas até o local de ação. HESS. Esse pigmento interage com o oxigênio e a luz para formar o oxigênio singleto (O2). no momento em que a plântula emerge. sem Mg. Estas experiências demonstraram que o requerimento de luz para a atividade herbicida dos difeniléteres não está relacionado com a fotossíntese. foi verificado que o protoporfirinogênio IX. surgiram vários trabalhos que ajudaram no entendimento do mecanismo de ação desses herbicidas. Similarmente à aplicação pósemergência. o tecido é danificado por contato com o herbicida. como é que a protoporfirina IX estaria sendo acumulada? Num trabalho de 1993. Em seguida. Finalmente. o sintoma característico é a necrose do tecido que entrou em contato com o herbicida (WARREN. a luz é sempre necessária para a ação herbicida. No período de 1988-89. Módulo 3. Primeiramente foi mostrado que. não reduziu o dano ocasionado pela aplicação de um difeniléter. Quando estes herbicidas são usados em pré-emergência. ácido levulênico. precursor da protoporfirina IX. Ficou então uma questão crucial para ser respondida: se a Protox é inibida. foi mostrado que a enzima inibida pelos herbicidas do grupo dos difeniléteres era a protoporfirinogênio oxidase. tratando-se cloroplastos com um herbicida do grupo difenil-éter. 4A). conhecida simples¬mente pela abreviatura Protox. Experiências realizadas por vários autores mostraram que o uso de um herbicida inibidor do transporte de elétrons na fotossíntese (diuron). Foi descoberto também que substâncias capazes de inibir a síntese da protoporfirina IX (gabaculina. reconhecidamente capaz de iniciar o processo de peroxidação de lipídios.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 69 . e o produto formado não serve de substrato para a enzima Mg-quelatase. Foi mostrado que a protoporirina IX é acumulada fora dos plastídios. houve a formação de grande quantidade de oxigênio singleto (O2). responsável pela formação da Mg-protoporfirina IX. um precursor da clorofila. A oxidação enzimática ocorre então no citoplasma.6-dioxoheptanóico) serviam de proteção contra os difeniléteres. A protoporfirina IX formada no citoplasma.2 . sai do centro de reação do cloroplasto quando a Protox é inibida e se acumula no citoplasma. ácido 4.

Requer uma hora sem 70 Módulo 3. variando de dois a seis meses (ALMEIDA. deixando de haver o controle sobre a síntese de ALA. Esse fato sugere um manuseio bem cuidadoso desses herbicidas. Controla grande número de espécies de folhas largas anuais. A acumula¬ção de protoporfirina em células humanas é conhecida por estar associada com algumas doenças. Deve ser aplicado com as plantas daninhas com bom vigor vegetativo. 2005). Recomenda-se observar um intervalo mínimo de 150 dias entre a aplicação do fomesafen e a semeadura de milho e. a saída para o citoplasma. O padrão de acumulação é o mesmo observado na doença Porfiria variegata. O grupo heme é conhecido pela ação de controle na síntese do ácido aminolevulínico (ALA). Bidens pilosa. Uma explicação final deve ser dada sobre o fato de que a protopor¬firina IX se acumula muito rapidamente em células de plantas tratadas com um difeniléter ou oxadiazon. A acumulação rápida da protoporfirina IX sugere um descontrole na rota metabólica de síntese desta. quando adicionado na dieta de ratos. Amaranthus hybridus. daí o aparecimento de necroses de forma tão rápida (4-6 horas). além de outras. Vale a pena salientar que a enzima protoporfirinogênio oxidase (protox) ocorre também nos mitocôndrios de células animais e que a enzima encontrada nos mitocôndrios é mais sensível aos herbicidas difeniléteres do que a enzima encontrada nos cloroplastos. Ipomoea grandifolia. por exemplo. 4. pka: 2. precursor na planta dos citocromos. Euphorbia heterophylla. sorgo. Oxadiazon. É recomendado para uso em pós-emergência das plantas daninhas estando estas no estádio de 2 a 4 folhas. a síntese de heme é também inibida. HESS. provoca níveis elevados de porfirina.3 . Persistência alta no solo na dose recomendada. a partir do glutamato. o aparecimento do oxigênio singleto (forma reativa do oxigênnio) e a peroxidação dos ácidos graxos insaturados da plasmalema (WARREN. kow: 794. e koc médio de 60 mg g-1 de solo. que é sintetizado a partir da protoporfirina IX com a interferência da Fe quelatase.Caracterização de alguns herbicidas inibidores da PROTOX Fomesafen O 5-(2-cloro-4-(trifluorometil) fenoxi-N-(metilsulfonil)-2-nitrobenzamida (fomesafen) apresenta solubilidade em água de 50 mg L-1 (ácido). como a protoporfiria. RODRIGUES. a oxidação pela Protox no citoplasma.2 .3. evitando períodos de estiagem. A explicação mais plausível é a inibição da síntese do grupo heme. entre elas Acanthospermum australe. ou.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas interage com o oxigênio e a luz para formar o oxigênio singleto (‘O2) e iniciar o processo de peroxidação dos lipídios da plasmalema.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . 1995). horas de muito calor e umidade relativa do ar inferior a 60%. Deve-se adicionar à calda o adjuvante recomendado pelo fabricante. a formação da protoporfirina IX. Com a inibição da protox no cloroplasto. As conseqüências do descontrole são o aumento rápido do protoporfirinogênio IX.83. É registrado no Brasil para as culturas de soja e feijão.

no estádio de 2 a 4 folhas. nas culturas de nogueira. É comum ser utilizado em mistura com o fluazifop-p-butil. É fortemente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais e.2 . É registrado no Brasil para as culturas de algodão. O lactofen tem meia-vida no solo de três dias sendo completamente dissipado em menos de 30 dias. Lactofen O 2-etoxi-1-metil-2-oxoetil-5-[2-cloro-4-(trifluorometil)fenoxi-2-nitrobenzoato (lactofen) apresenta solubilidade em água de 0. arroz. ambas anuais. É registrado no Brasil para as culturas de soja. não afetando as culturas em sucessão. É fortemente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais. esta. É utilizado em pré e pós emergência precoce. Oxyfluorfen O 2-cloro-1-(3-etoxi-4-nitrofenoxi)-4-(trifluorometil)benzeno (oxyfluorfen) apresenta solubilidade em água < 0. citros. 2005). por isso.000 mg g-1de solo. O produto provoca intoxicação à cultura da soja. Controla grande número de espécies de folhas largas anuais. Sua degradação no solo é essencialmente por fotólise e insignificante por microrganismos. é resistente à lixiviação no perfil do solo. 2005). e koc médio de 100. cana-de-açúcar. incluindo algumas espécies-problema. Em Módulo 3.1 mg L-1. como Euphorbia heterophylla.000 mg g-1de solo.1 mg L-1. ser ainda maior em viveiros.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ocorrência de chuvas após a aplicação. para o controle em pós-emergência de plantas daninhas dicotiledôneas e gramíneas e também com outros herbicidas. Apresenta meia-vida de 30 a 40 dias e persistência média de seis meses no solo. dependendo da exigência da cultura. Sida rhombifolia. com clorose e necrose foliar e redução e crescimento. também. pka: zero. também. RODRIGUES. eucalipto e pinho. Controla gramíneas e algumas espécies de dicotiledôneas. milho e amendoim. mas a cultura se recupera. para inibir o aparecimento de biótipos resistentes a herbicidas. visando aumentar o espectro de controle de plantas daninhas de folhas largas e. RODRIGUES. devido às condições de umidade e sombreamento (ALMEIDA. pka: zero e koc médio de 10. podendo.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 71 .400. café. apresentando muito baixa lixiviação no perfil do solo (ALMEIDA. videira. sendo utilizado em outros países. para assegurar a absorção pelas plantas daninhas. É comum ser utilizado em mistura no tanque com outros herbicidas. arroz e amendoim. kow: 29. Commelina benghalensis. além de outras. É recomendado para uso em pós-emergência das plantas daninhas. visando aumentar espectro de controle de plantas daninhas.

Quando utilizado em pós-emergência. quando estas atingirem a fase de duas folhas. é utilizado em pré-emergência das plantas daninhas. evitando a ação dos raios solares. e.200 mg g-1 de solo. alho. kow: 63. é utilizado tanto em viveiros quanto em cafezais jovens e adultos. Oxadiazon O 3-[4. em pré-emer¬gência das plantas daninhas. Sua persistência no solo é de dois a seis meses.3. do tipo de solo e das condições climáticas (RODRIGUES. provoca o fechamento dos estômatos e deterioração das membranas celulares.2 . em aplicação dirigida. Não tem ação sobre os tecidos radiculares. porém antes da emergência do arroz. cenoura e cana-de-açúcar. exceto nas variedades de eucalipto de folha pilosa. Em cana-de-açúcar. também em pré72 Módulo 3.7 mg L-1 . dependendo da dose aplicada. recomenda-se usar adjuvantes na calda. de forma a não atingir a folhagem. é usado quando a cultura atinge desenvolvimento superior a 50 cm de altura. no máximo. ocasionando colapso das células. em préemergência das plantas daninhas. protetores de bicos. sendo pouco absorvido pelo sistema radicular e. deve ser aplicado logo após a arruação ou esparramação. pode ser usado em pré ou pós-emergência das plantas daninhas.4-oxadiazol-2-(3H)-ona (oxadiazon) apresenta solubilidade em água de 0. No Brasil. com elas mais desenvolvidas. É fortemente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais do solo. por esta razão e devido à sua baixa solubilidade em água. age sobre o hipocótilo das plantas em germinação e nos meristemas foliares. quando usado em pré emergência. com as plantas daninhas ainda não emergidas. Usar. pouco móvel. aplica-se logo após o plantio. em solo úmido. Em cafezais adultos.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . exige umidade no solo no momento da aplicação para penetrar neste. Nestas culturas deve ser utilizado em pré-emergência. 2005). de forma a não atingir o algodoeiro. em jato dirigido. Na cultura do arroz.100. em pré-emergência das plantas daninhas. podendo ser pulverizado sobre as plantas. aplicá-lo em mistura com o MSMA. podendo ser feitas duas aplicações anuais. se necessário. O alho e a cebola e. em que se faz em jato dirigido. Em algodão. Em cafezais jovens. Em cenoura. preferencialmente. na faixa de plantio. de maneira geral. também. pka: zero. Em arroz irrigado. logo após o plantio. logo após o corte. deve ser aplicado logo após a semeadura. Em préemer¬gência. Em viveiros. deve ser aplicado em préemergência das plantas daninhas. e koc médio: 3. aplica-se logo após o plantio. em solo úmido. apresenta lixiviação e movimentação lateral insignificantes. ALMEIDA. antes da emergência das plantas daninhas. ou. na cana-soca. Em café. Não é metabolizado nas plantas. as culturas que se reproduzem por bulbo são bastante tolerantes ao oxadiazon. podendo se reaplicar depois que as referidas culturas atinjam a fase de três folhas. atuando unicamente sobre órgãos da parte aérea.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas razão da sensibilidade à fotodecomposição. aplica-se logo após a semeadura ou até cinco dias depois.2-dicloro-5(1-metiletoxi)fenil]-5-(dimetietil)-1. é recomendado para as culturas de arroz. após a rega. Aplicar após o cultivo. cebola. Quando usado em pós-emergência. Em plantações de eucalipto e pinho.

Estes herbicidas inibem o crescimento da radícula e a formação das raízes secundárias.Principais características • • • • • • Paralisam o crescimento das raízes. 4. O efeito direto é sobre a divisão celular. e responsáveis pela movimentação dos cromossomas para os pólos da célula. 4. 5 e 6). Possuem pouca ou nenhuma atividade foliar.4. É comum aplicar o oxadiazon em misturas com herbicidas residuais (diuron. 1995b).Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 73 . Apresentam de moderada a muito baixa movimentação no solo. Módulo 3. ametryn.2 . Todos estes compostos (grupo das dinitroanilinas) interferem no movimento normal dos cromos¬somas durante a seqüência mitótica. a formação do fuso cromático e movimentação dos cromossomas na fase da mitose (Figs. porque a sua ação principal se manifesta pelo impedimen¬to da formação do sistema radicular das plantas. que corresponde à migração dos cromossomas da parte equatorial para os pólos das células. Interferem em uma das fases da mitose. São eficientes apenas quando usados em pré-emergência.) na cultura de cana-de-açúcar.4 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas emergência das invasoras. pendimethalin e oryzalin).Mecanismo de ação Estes herbicidas pertencem ao grupo das dinitroanilinas (trifluralin. Apresentam ótima ação no controle de gramíneas. As dinitroanilinas inibem a polimerização destas proteínas e. conseqüentemente.1 . simazine. semelhantemente à actimiosina encontrada nos músculos dos animais.2 . O fuso cromático é formado por proteínas microtubulares denominadas tubulinas. etc.Herbicidas inibidores do arranjo dos microtúbulos 4. Estas proteínas são contráteis.4. Todos os herbicidas deste grupo apresentam de moderada a baixa toxicidade para mamíferos. Repetidas aplicações não resultam na maior degradação microbioló¬gica. Eles provocam a ruptura da seqüência mitótica (prófase > metáfase > anáfase > telófase) já iniciada (HESS. tendo como conseqüência o aparecimento de células multinucleadas (aberrações).

ALMEIDA.3 mg L-1 a 25 °C). 2005). tomate. alfafa. cucurbitá¬ceas. necessita ser incorporado mecanicamente ao solo logo após a sua aplicação (RODRIGUES. quiabo.Caracterização de alguns herbicidas inibidores dos microtúbulos Trifluralin O 2. ervilha.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .1x10-4 mm Hg a 25 °C).2 . sendo recomendado para as culturas de soja. e outras. algodão.6-dinitro-N-N-dipropil-4-(trifluorometil) benzoamina (trifluralin) é um herbicida que apresenta excelente ação sobre as gramíneas anuais e perenes oriundas de sementes. Por ser um produto volátil (pressão de vapor de 1. cebola. brássicas.3 . em solos ricos em matéria orgânica. sensível à luz e de solubilidade em água extremamente baixa (0. beterraba. alho. É fortemente adsorvido pelos colóides da matéria orgânica e pouco pelos da argila.Mitose interrompida pela ação de herbicidas derivados das dininitoanilinas 4.4.Seqüência normal da mitose Figura 6 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 5 . feijão. pimentão. a forte adsorção pode impedir a absorção 74 Módulo 3.

cana-de-açúcar.1 . provocando inibição do crescimento radicular desta (SILVA et al. tabaco e trigo. em 1954 (CDAA) (SLIFE. motivo pelo qual a incorporação é recomendável em condições de solo seco e com período de estiagem. É recomendado para uso em pré emergência da planta daninha e da cultura ou em PPI.2 .200 mg g-1 de solo. ALMEIDA. alho.4x10-5 mm Hg). Sua persistência no solo varia de 3 a 6 meses de acordo com o solo. cebola. café. e koc médio de 7.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas do trifluralin pelas raízes das plantas. podendo. por esta razão. depois do glyphosate é o grupo de herbicida mais utilizado. motivo pelo qual não é aconselhável seu uso nestas condições. por causa do uso extensivo em soja e milho.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 75 . milho. Nos Estados Unidos da América do Norte.Inibidores da síntese de ácidos graxos de cadeias muito longas (VLCFA) 4.Principais características As cloroacetanilidas têm sido um dos grupos de herbicidas mais usados no mundo. arroz. O pendimethalin apresenta solubilidade de 0. As princi¬pais características dos herbicidas do grupo das cloroacetamidas são: Módulo 3.5 .000. Apresenta pka: zero. não existem ainda relatos do aparecimento de gramí¬neas que tenham adquirido resistência a esses herbicidas. sua lixiviação é muito baixa e as doses recomendadas se dão em função das características físico-químicas do solo. kow: 152.3 mg L-1. soja. 1998). em alguns casos de rotação de culturas (feijão/milho) em áreas de baixa fertilidade e mal manejadas.5. 4. sensível à luz e pouco móvel no solo. pka zero. amendoim. é muito reduzida. feijão. assim como o movimento lateral no solo.. A dose recomendada varia de acordo com as características fisico-químicas do solo. kow: 118. Apesar do uso contínuo por tantos anos. Pendimethalin O N-(1-etilpropil)-3. É fortemente adsorvido pelos colóides do solo. É absorvido principalmente pela radícula e praticamente não se transloca na planta.6-dinitrobenzenoamina (pendimethalin) é registrado no Brasil para controle de gramíneas nas seguintes culturas: algodão. A lixiviação.4-dimetil-2. 1995).000 mg g-1 de solo. a dose aplicada e as condições climáticas (RODRIGUES. Não há relatórios também sobre aumento de biodegradação no solo. e koc médio de 17. causar danos à cultura sucessora. 2005). Apre¬senta degradação lenta no solo.000. desde o lançamento do primeiro herbicida desse grupo. É um herbicida de média volatilidade (pressão de vapor de 9.

as sementes iniciam o processo de germinação. As cloroacetanilidas apresentam normalmente pressão de vapor de média a alta. as doses têm sido reduzidas. de espécies daninhas gramíneas e comelináceas. ciperáceas mostram inibição da parte aérea. exibem crescimento anormal.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . mas. Em razão de os efeitos desses herbicidas estarem ligados somente as plântulas. o controle não é consistente. o efeito residual no solo tem aumentado e a dependência dos fatores do solo tem diminuído. em dicotiledôneas (por exemplo. Em áreas tratadas com cloroacetanilidas.2 . quando o fazem. terpenos.2 . pelo fato de não terem ação pós-emergente. Muitos efeitos diferentes sobre vários processos bioquímicos já foram mostrados. naturalmente sensível a eles. o efeito inibitório causado pelo alachlor é maior sobre as raízes. flavonóides e proteínas. A toxicidade das cloroacetanilidas a peixes. possibili¬tando a utilização desses herbicidas nesta cultura. Em combinação com outros herbicidas. Os dados existentes indicam translocação muito pequena. as cloroacetanilidas apresentam de baixa a média mobilidade nos solos. 1995). as cloroacetanilidas podem auxiliar no controle de dicotiledôneas. porém. e. Devido a problemas de tolerância.5. Cada cloroacetanilida que apareceu no mercado depois do herbicida CDAA apresentou características um pouco diferentes das outras. mas não chegam a emergir. logo após a emergência. Exemplo deste uso é a proteção do sorgo contra cloroacetanilidas.Mecanismo de ação das cloroacetanilidas Apesar de ter sido estudado extensivamente. é muito difícil o estudo de translocação.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • • • • • • • • Controlam plântulas de muitas espécies de gramíneas anuais e algumas dicotiledôneas antes da emergência ou mesmo plantinhas. ácidos graxos. A hipótese mais aceita atualmente é a inibição de ácidos graxos de cadeias muito longas. A mobilidade no solo varia entre os herbicidas deste grupo e depende das condições de umidade e do teor de matéria orgânica do solo. em préemergência. De maneira geral. não há registros de problemas com deriva. 76 Módulo 3. é um dos grupos mais estudados e com o qual mais se têm usado os protetores de herbicida. o algodoeiro). o mecanismo bioquí¬mico primário de ação das cloroacetanilidas ainda não é bem conhecido. Há relatórios que as relacionam com a inibição da divisão celular e interferência com controle hormonal (SLIFE. As cloroacetanilidas são aparentemente absorvidas pelas raízes (dicotiledôneas) e pelas partes acima da semente epicótilo (principal¬mente gramíneas). As cloroacetanilidas estão relacionadas com a inibição da sín¬tese de lipídios. pássaros e mamíferos é muito baixa. 4. De modo geral. O maior uso das cloroacetanilidas está ligado ao controle. isoladamente. Gramíneas mostram inibição da emergência da primeira folha do coleóptilo.

é comum misturá-lo com atrazine ou cyanazine. Módulo 3. sendo este transferido (por exemplo. Em algodão.Características de algumas cloroacetanilidas Alachlor O 2-cloro-2. Richardia brasiliensis ou Sida sp. sendo esta enzima o ponto de começo de muitas rotas metabólicas. recomenda-se a mistura com graminicidas ou aplicação em seqüência ao trifluralin incorporado. kow 794. e koc médio de 120 mg g-1 de solo (RODRIGUES.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 77 . já foi mostrado que o herbicida alachlor é capaz de alquilar CoA.6-dietil-N-(metoximetil)acetanilida (alachlor) é recomendado para controle de diversas espécies de gramíneas e comelináceas. Quando aplicado em solo seco. A retirada do nucleófilo pode acontecer entre o halogênio das cloroacetanilidas e o nucleófilo. Em soja. mistura-se com metribuzin. aplicá-lo após a arruação ou esparramação. variável com o tipo de solo e as condições climáticas. Apresenta solubilidade em água de 242 mg L-1.2 . Em café novo ou recepado. pka: zero. 4. incluindo lipídios. ou. diuron ou atrazine. logo após a semeadura da cultura. etc. sendo usado em pré-emergência. Em café. possuindo média a baixa mobilidade no solo e persistência de 6 a 20 semanas. 2005). não se deve utilizá-lo em solos arenosos. ácidos graxos. soja ou amen¬doim no terreno tratado.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A maioria dos efeitos bioquímicos e fisiológicos relatados sobre o modo de ação destes herbicidas pode ser interpretada com base na inibição da síntese de proteínas. Em milho. As cloroacetanilidas são conhecidas como agentes alquilantes e podem agir alquilando nucleófilos biológi¬cos. É adsorvido pelos colóides do solo.5. Pelo menos “in vitro”. exceto em solos arenosos e. com isso. a eficácia do produto reduz. se a infestação for de Bidens pilosa.3 . As cloroacetanilidas podem também alquilar aminoacil tRNAs específicos e. ALMEIDA. podendo ser misturado com ametryn. estando o solo com boas condições de umidade. deve ser utilizado logo após o plantio. antes da emergência das plantas daninhas. se não chover no prazo de até cinco dias.. em condições de alta infestação de Brachiaria plantaginea. Os efeitos das cloroacetanilidas sobre a síntese de gorduras podem ser atribuídos à interferência no metabolismo da CoA. terpenos. Em cana-de-açúcar. inibir a síntese de proteínas. com baixo teor de matéria orgânica. o grupo amino do metionil-tRNA inicial). amendoim e girassol. pode-se cultivar milho.

é utilizado apenas em pré-emergência das plantas daninhas. antes da emergência das plantas daninhas e da cultura. batata. podendo ser misturado. dependendo da dose utilizada. entre outros. das condições climáticas e do tipo de solo. usa-se em cana-planta. metribuzin. restos de culturas e em boas condições de umidade. sua lixiviação é fraca a moderada. 2005). pka: zero. sendo usado em outros países. devendo ser aplicado em seguida à semeadura. livre de torrões. kow: 3. Em feijão. exceto em solos arenosos. a sua eficácia ficará comprometida se aplicado em solo seco e não ocorrer uma chuva de intensidade superior a 10mm no espaço de cinco dias (RODRIGUES. é largamente utilizado em mistura com o atrazine. Devido à sensibilidade do s-metolachlor. como atrazine. esparramação. à fotodegradação e à volatilização. Acetochlor O 2-cloro-N-(etoximetil)-N-(2-etil-6-metilfenil) acetanilida (acetochlor) é recomendado para uso em pré-emergência das plantas daninhas. para culturas de amendoim. girassol. 78 Módulo 3. sendo comum a mistura com outros herbicidas.05. e koc médio de 200 mg g-1 de solo. Apresenta solubilidade em água de 223 mg L-1. Em milho. por esta razão. é essencial que sua aplicação seja feita antes da completa emergência das plantas. A terra deve estar bem preparada. Em razão de sua absorção foliar ser quase nula. apresentando persistência de 8 a 12 semanas. recomenda-se sua aplicação logo após a semeadura. sorgo e plantas ornamentais. as comelináceas e um número reduzido de latifoliadas. cyanazine. deve ser aplicado logo após a arruação e. É adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais do solo. mas no prazo máximo de três dias após a ultima gradagem. milho e soja. também. Pelo fato de sua absorção ser quase total pelo coleóptilo das gramíneas e pelo epicótilo das dicotiledôneas. feijão. Apresenta solubilidade em água de 488 mg L-1. É sorvido pelos colóides de argila e matéria orgânica. Em café. ALMEIDA. por provocar inoxicação à cultura.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas S-metolachlor O 2-cloro-N-(2-etil-6-metilfenil)-N-[(1S)-2-metoxi-1-metiletil)]acetanilida (s-metolachlor) é registrado no Brasil para cana-de-açúcar. pka zero e kow 300. Em milho. não deve ser utilizado em solos arenosos. logo depois do plantio. etc. Para aumentar o espectro de ação sobre estas espécies.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . Em cana-de-açúcar. sendo pouco lixiviado. ou. é comum misturá-lo com latifolicidas. Controla essencialmente gramíneas anuais e algumas perenes de reprodução seminal.2 .

Esta substância promove a degradação rápida das membranas (peroxidação de lipídios). Módulo 3. podendo ser misturado. Este composto e os superóxidos. também. estes herbicidas capturam os elétrons provenientes da respiração. Durante o processo de auto-oxidação são produzidos radicais de superóxidos.Herbicidas Inibidores do Fotossistema I São herbicidas derivados da amônia quaternária (paraquat e diquat). (WELLER. para formarem o peróxido de hidrogênio. em várias partes do mundo e. A toxicidade do diquat é alta e a do paraquat é muito alta. aplica-se logo após a semeadura. Estes radicais são instáveis e rapidamente sofrem a auto-oxidação. com baixo teor de matéria orgânica. por isso.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 79 . no escuro.6.6. 4.1 . Vale ressaltar que este não é o único sítio de ação destes herbicidas. em aplicações dirigidas em diversas culturas. São rapidamente absorvidos pelas folhas.6 . também. Em soja. para mamíferos. Usualmente. reagem.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas com atrazine ou cyanazine. em pré-colheita para diversas culturas. com metribuzin. porque pequena atividade destes produtos é observada. São cátions fortes. chuvas após 30 minutos de sua aplicação não mais influenciam a eficiência de controle das plantas daninhas.2 .Mecanismo de ação Poucas horas após a aplicação destes herbicidas.Características gerais • • • • • • • São altamente solúveis em água e. A ação destes herbicidas é muito mais rápida na presença da luz do que no escuro. como dessecantes. na presença de luz. ou. exceto em solos arenosos e.2 . sendo largamente utilizados como dessecantes no “plantio direto”. Estes radicais livres formados pelos herbicidas paraquat e diquat não são os agentes responsáveis pelos sintomas de intoxicação observados. Estes compostos possuem a capacidade de captar elétrons provenientes da fotossíntese (no fotossistema I) e formarem radicais livres. formulados em solução aquosa. WARREN. O local de captura dos elétrons está próximo a ferredoxina e sua velocidade de ação depende da intensidade luminosa. os quais sofrem o processo de dismutação. 1995a). ocasionando o vazamento do conteúdo celular e a morte do tecido. entre outros. para formarem os radicais tóxicos. produzindo radicais hidroxil. 4. 4. São rapidamente adsorvidos e inativados pelos colóides do solo. antes da emergência das plantas daninhas e da cultura. a morte das plantas devido à ação destes herbicidas é tão rápida na presença da luz que não dá tempo de eles se translocarem na planta. na presença de Mg. Nesta condição. verifica-se severa injúria nas folhas das plantas tratadas (necrose do limbo foliar).

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4.6.3 - Principal herbicida do grupo Paraquat

O 1,1’-dimetil-4,4’-dicloreto de piridilio íon (paraquat) é um herbicida altamente solúvel em água (620.000 mg L-1); pka: zero; kow: 4,5; e koc estimada de 1.000.000 mg g-1 de solo. É inativado ao entrar em contato com o solo, por completa adsorção do cátion à argila. Esta ocorre devido à dupla carga positiva da molécula do paraquat, formando complexos com os locais de carga negativa, de onde não é removido mesmo com lavagens de solução saturada de sais, só sendo recuperado por fragmentação da argila com ácido sulfúrico 18 N. Por esta razão, sua lixiviação é nula e sua decomposição microbiana no solo é muito lenta. O paraquat pode ser usado para: • • • • • Dessecante em “plantio direto”. Para este fim, o paraquat é muito utilizado em mistura com o diuron, formando o Gramocil. Em pré-emergência de culturas, porém em pós-emergência das plantas daninhas. Aplicações dirigidas em culturas de milho, algodão, café, fruteiras e outras. Dessecante, em pré-colheita, para diversas culturas, visando viabilizar colheita mecânica e melhor qualidade fisiologia de sementes (DOMINGOS et al., 2001). Para limpeza de áreas não-cultivadas.

4.7 - Herbicidas inibidores da acetolactato sintase Os herbicidas derivados das sulfoniluréias, comercializados pela primeira vez em 1982, apresentam alto nível de atividade em doses muito pequenas. Atualmente, há vários herbicidas deste grupo no mercado. Através de pequenas modificações na estrutura química, a seletividade pode ser alterada de uma cultura para outra. Exemplos de culturas que são tolerantes a um ou mais herbicidas desse grupo químico são trigo, soja, arroz, milho, feijão, batata, beterraba, algodão, coníferas, canade-açúcar, etc. As sulfoniluréias inibem a síntese dos chamados aminoácidos ramificados (leucina, isoleucina e valina), através da inibição da enzima Aceto Lactato Sintase (ALS); esta inibição interrompe a síntese protéica, que, por sua vez, interfere na síntese do DNA e no crescimento celular. As plantas sensíveis tornam-se cloróticas, definham e morrem, no prazo de 7 a 14 dias após o tratamento. Essa enzima é inibida, também, pelos herbicidas dos grupos químicos imidazolinonas, triazolopyrimidines ou sulfonamidas e pyrimidinyl-oxybenzoatos (THILL, 1995; THILL, 2003a; BRIDGES, 2003c). Apesar do pouco tempo de uso, a literatura já registra muitas espécies de plantas daninhas que desenvolveram resistência aos inibidores da ALS.

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As principais características das sulfoniluréias são: • • Alguns são ativos em doses extremamente baixas; exemplo: o metsulfuronmethyl, que apresenta atividade na dose de 2 g ha-1 A maioria das sulfoniluréias apresenta bom controle de muitas espécies de folhas largas (dicotiledôneas); todavia, algumas possuem, também, ótima atividade contra gramíneas. A toxicidade aguda para mamíferos é muito baixa (5.500–6.500 mg kg-1 em ratos) para o herbicida chlorsulfuron, o mais estudado. Para outros análogos, a toxicidade é mais baixa ainda. As sulfoniluréias são ativas tanto em aplicações foliares quanto em aplicações no solo.

Apesar de quimicamente diferentes, as imidazolinonas têm o mesmo mecanismo de ação das sulfoniluréias, ou seja, inibem a enzima AHAS ou ALS. As principais caracte¬rísticas deste grupo são: • As imidazolinonas são recomendadas para controle em pré-emergência e em pósemergência de muitas folhas largas e gramíneas em cereais, soja e em áreas nãoagrícolas. • Estes herbicidas são potentes inibidores do crescimento vegetal. Plantas tratadas param de crescer quase que imediatamente após a aplicação. Dois a quatro dias após a aplicação desses herbicidas o ponto de crescimento (meriste¬ma apical) das plantas tratadas torna-se clorótico e, depois, necrótico e morre. A morte completa da planta vai ocorrer sete a dez dias após o tratamento. Plantas de maior porte podem levar mais tempo para morre¬r, mas a paralisação do crescimento é imediata. • Todos estes herbicidas são sistêmicos, ou seja, translocam pelo floema. Uma vez dentro do floema, por causa do pH alcalino, estes herbicidas, que são ácidos fracos, se dissociam e os ânions têm dificuldade para deixar o floema. • As imidazolinonas apresentam persistência de moderada a longa no solo. Maior sorção e, conseqüentemente, maior persistência ocorrem quando decrescem a umidade do solo, o pH e a temperatura e, também, quando os teores de matéria orgânica, óxidos de ferro e de alumínio no solo aumentam. • A dissipação no solo é, via de regra, por meio da degradação microbiana. Em condições de solo mais seco, mais herbicida é preso nos colóides do solo e menos produto é disponível para biodegra¬dação ou absorção pelas plantas, o que implica maior persistência e possível "carryover". As imidazolinonas são

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sensíveis à fotólise, mas esse processo de dissipação não é importante no solo. A fotólise é mais importante no meio aquático. • Pouca lixiviação tem sido reportada em condições de campo, apesar de os estudos de laboratório indicarem mobilidade moderada destes herbicidas no solo. • As imidazolinonas apresentam muito baixa ou nenhuma toxicidade para mamíferos. Esta toxicidade baixa pode ser explicada pela enzima-alvo, que não ocorre em animais, e também pelo fato de a excreção desses herbicidas ser muito rápida em animais-teste. Além das sulfoniluréias e das imidazolinonas, outros herbicidas, de grupos químicos diferentes, apresen¬tam o mesmo mecanismo de ação, ou seja, inibem a enzima ALS ou AHAS e, com isso, paralisam o crescimento das plantas (HESS, 1995c). Dente esses grupos químicos, podem-se destacar as triazolopirimidinas, ou sulfonamidas, e os piridinil-oxibenzoatos. As principais características do herbicida N - (2,6-diflluorofenil) - 5 - metil (1,2,4) triazolo [1,5a] pirimidina - 2 - sulfonamida (flumetsulan) e N-[2,6-diclorofenil] - 5 - etoxi - 7 - fluoro(1,2,4) triazolo – [(1,5c)] pirimidina - 2 - sulfonamida (diclosulan) são: Flumetsulan Diclosulan

• •

• • •

Apresentam ação pré-emergente sobre amplo espectro de plantas daninhas de folhas largas. As gramíneas, de maneira geral, são resistentes devido ao metabolismo mais rápido. Entre as culturas de folhas largas, a soja é tolerante. Possuem absorção radicular, mas a translocação é sistêmica, ou seja, translocamse tanto pelo floema quanto pelo xilema. A sorção no solo e a persistência aumentam quando o pH decresce e quando a matéria orgânica aumenta. A persistência no solo é mediana, não havendo casos relatados de "carryover". A dissipação no solo é devida ao ataque de microrganismos. Condições que favorecem a ação microbiana aceleram a dissipação destes herbicidas no solo. Possuem mobilidade no solo moderada, não se antevendo problemas de contaminação de depósitos subterrâneos de água. A toxicidade para mamíferos é muito baixa (Faixa Verde: DL50 > 6.000mg/kg em ratos).

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4.7.1 - Algumas sulfoniluréias Metsulfuron-Methyl

O ácido 2-[[[[(4-metoxi-6-metil-1,3,5-triazina-2-il)amino]carbonil]amino]sulfonil] benzóico (metsulfuron-methyl) apresenta solubilidade em água de 270 mg L-1; pka: 3,3; kow: 1,0 a pH 5 e 0,018 a pH 7; e koc médio de 35 mg g-1g de solo. É pouco sorvido e muito lixiviado no solo, dependendo da textura e do teor de matéria orgânica. Sua persistência (meia-vida) no solo varia de 30 a 120 dias (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É registrado no Brasil para controle de plantas daninhas de folhas largas nas culturas de trigo, arroz, cana-de-açúcar, aveia, cevada, manejo de inverno e pastagens. Entre as espécies sensíveis encontram-se Raphanus raphanistrum, Raphanus sativus, Acanthospermum australe, Bidens pilosa, Ipomoea grandifolia, além de muitas outras. É recomendado para uso em pós-emergência, devendo ocorrer intervalo de seis horas sem chuva após a sua aplicação. A ação do produto nas plantas daninhas sensíveis pode ser observada através da clorose das folhas e morte das gemas apicais, com evolução para morte das plantas até 21 dias após aplicação. Em espécies menos sensíveis, observa-se paralisação de seu desenvolvimento. Culturas como trigo e arroz, para as quais é seletivo, conseguem metabolizá-lo rapidamente a compostos não-fitotóxicos. Nicosulfuron

O 2-[[[[(4,6-dimetoxi-2pirimidinil)amino]carbonil]amino]sulfonil]-N,N-dimetil-3piridinacarboxamida (nicosulfuron) apresenta solubilidade em água de 360 mg L-1 a pH 5 e 12.200 a pH 6,85; pka: 4,3; kow: 0,44 a pH 5 e 0,018 a pH 7; e koc médio de 30 mg g-1 de solo a pH 6,5. Quanto à sua persistência em condições de Brasil, sabe-se que culturas de soja, girassol, algodão e feijão poderão ser semeadas 30 dias após a aplicação do nicosulfuron; trigo, arroz e batata, 45 dias após a aplicação; e tomate, 60 dias (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). No Brasil, está registrado para a cultura do milho, sendo utilizado em pós-emergência em área total. Controla gramíneas, inclusive o capim-massambará (Sorghum halepense), e diversas espécies de dicotiledôneas. No momen¬to da aplicação, as plantas de milho devem estar com duas a seis folhas; as plantas daninhas dicotiledôneas, com duas a seis folhas; e as gramíneas, com até dois perfilhos. A aplicação deve ser feita estando o solo úmido e com as plantas daninhas em pleno vigor vegetativo. A ocorrência de chuvas uma hora após a aplicação não afeta a eficiência deste herbicida. A mistura do
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nicosulfuron com o atrazine no tanque do pulverizador aumenta o espectro de controle de plantas daninhas. Existem diferentes níveis de tolerância entre os híbridos de milho disponíveis no mercado brasileiro ao nicosulfuron. Por isso, antes de aplicar esse herbicida em cultura do milho consulte a lista de híbridos e variedades tolerantes a esse herbicida. A mistura desse herbicida com inseticidas carbamatos ou fosforados pode torná-lo não-seletivo ao milho (SILVA et al., 2005) Halosulfuron

O metil-3-cloro-5-(4,6-dimetoxipirimidin-2-carbomoilsulfamoil)-1-metillpirazole-4carboxilato (halosulfuron) é registrado no Brasil para cana-de-açúcar, para controle de Cyperus rotundus. Apresenta solubilidade em água de 15 mg L-1 a pH 5,0 e 1.650 a pH 7,0; pka: 3,5; kow: 47 a pH 5,0 e 0,96 a pH 7,0; e koc médio de 93,5 mg g-1 de solo. Apresenta baixa adsorção no solo. Possui meia-vida média no solo em torno de 16 dias, variando com o tipo de solo e as condições climáticas (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Sua aplicação deve ser feita em pós-emergência das plantas daninhas, sendo o melhor período 30 a 40 dias após o plantio da cana-de-açúcar, quando as plantas daninhas deverão estar no final da fase vegetativa ou início do florescimento. As plantas de Cyperus rotundus devem estar em boas condições de desenvolvimento, sem efeito de estresse hídrico ou de baixa temperatura. Chlorimuron-ethyl

O ácido 2-[[[[(4-cloro-6-metoxi-pirimidinil)amino]carbonil]amino]sulfonil]benzóico (chlorimuron-ethyl), no Brasil, encontra-se registrado para a cultura da soja, sendo usado em pósemergência. Apresenta solubilidade em água de 450 mg L-1 a pH 6,5; pka: 4,2; kow de 320 a pH 5,0 e 2,3 a pH 7,0; e koc médio de 110 mg g-1 de solo (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). No solo, apresenta adsorção e lixiviação moderadas e meia-vida de 7,5 semanas. A persistência é maior em solos com pH mais elevado; em solos ácidos e com clima quente, a persistência é baixa. Manter intervalo de 60 dias entre a aplicação do chlorimuron-ethyl e a semeadura de trigo, milho, feijão e algodão. Para as outras culturas, fazer antes um bioensaio. Controla essencialmente espécies anuais de dicotiledôneas, sendo mais efetivo quando estas se encontram na fase inicial de crescimento (até seis folhas). Entre as espécies sensí¬veis encontram-se Desmodium tortuosum, Acathospermum australe, Ipomoea grandifolia, Bidens pilosa, além de outras. É comum misturá-lo com outros

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). Sua persistência no solo é alta (meia-vida de sete meses). 1999). para maior espectro de controle. em alguns tipos de Módulo 3.7. Pode ser usado em pré ou em pós-emergência inicial das plantas daninhas. podendo afetar culturas de inverno que seguem à soja tratada com o produto (SILVA et al. e valor médio de koc de 20 mg g-1 de solo a pH 7.000 mg L-1 a pH 5. kow e koc não disponíveis. 2005). 4. pka: 3. e a tiririca (Cyperus rotundus). não sendo recomendável cultivá-lo na modalidade de “milho safrinha” no mesmo ano agrícola da soja. O milho é muito sensível a resíduo de imazaquin no solo. as gramíneas devem ter no máximo três perfilhos. as dicotiledôneas.. exigindo intervalo de segurança acima de 180 dias após sua aplicação.100 a pH 7. todavia. para controle de dicotiledôneas em soja.2 .0. kow: 2. Sua mobilidade no solo é inversamente proporcional ao teor de matéria orgânica. O flazasulfuron deve ser aplicado em cobertura total das plantas daninhas e da cultura. Sua degradação no solo é por ação microbiana e química.2 . ALMEIDA. porém esta adsorção aumenta em pH baixo. é facilmente lixiviável no solo.5-dihidro-4-metil-4-(1-metiletil)-5-oxo-1H-imidazol-2-il]-3-quinolina carboxílico (imazaquin) apresenta solubilidade em água de 60 mg L-1.0 e 2.2. É fracamente adsorvido em solo com pH alto. Apresenta meia-vida variando de 9 a 120 dias. 2005).Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 85 .6-dimetoxipirimidin-2-il)-3-(3-trifluorometil-2-piridilsulfonil) uréia (Flazasulfuron) apresenta solubilidade em água de 27. pka. sendo influenciada pela temperatura e pelo pH do solo (RODRIGUES. seis folhas. as plantas de cana-de-açúcar devem possuir no máximo quatro folhas. Na cultura da cana. Flazasulfuron O 1-(4.8. diuron. pode ser misturado no tanque do pulverizador com outros herbicidas (ametryn.0 (RODRIGUES. para se evitar o efeito “guarda-chuva”. porém não deve ser misturado com graminicidas. evitando-se aplicar em períodos de estiagem e umidade relativa do ar inferior a 60% (SILVA et al.Algumas imidazolinonas Imazaquin O ácido 2-[4. Quando usadas em pósemergência.. de 5 a 8 folhas e em pleno desenvolvimento vegetativo. 1998).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas herbicidas. etc. estando o solo em boas condições de umidade. se objetivo for controlar a Cyperus rotundus. este herbicida deve ser aplicado isoladamente. ALMEIDA.

e as monocoti¬ledôneas. É registrado no Brasil para uso exclusivo na cultura da soja. podendo causar toxicidade a algumas culturas de inverno que forem cultivadas em sucessão à soja tratada com este herbicida (SILVA et al.0 e 31 a pH 7. Ipomoea grandifolia. no estádio cotiledonar. entre uma e quatro folhas. com eficiência. Hyptis suaveolens. estando estas com até quatro folhas e de monocotiledôneas. pka: 3. Bidens pilosa. Controla. o que geralmente acontece entre 5 e 15 dias após a semeadura da soja. O milho e o sorgo são muito sensíveis ao resíduo de imazethapyr no solo. Recomenda-se a aplicação em pós-emergência precoce. pouco lixiviado (RODRIGUES. Recomenda-se sua aplicação em pós-emergência das plantas daninhas dicotiledôneas. também. Controla essencialmente plantas daninhas dicotiledôneas.0. 2005).400 mg L-1. essencialmente microbiana (meia-vida de 15 dias).5-dihidro-4-metil-4-(1-metiletil)-5-oxo-1H-imidazol-2-il]-5-etil-piridina carboxílico (imazethapyr) apresenta solubilidade em água de 1. também. e kow: 11 a pH 5. 86 Módulo 3. pouco lixiviado.36 (RODRIGUES.. Imazamox O ácido nicotínico 2-(4-isopropil)-4-metil-1-metiletil-(1-metil-5-oxo-2-imidazolin-2-il)-5(metoximetil) (imazamox) apresenta solubilidade em água de 4. É fracamente adsorvido em solo com pH alto. estando as dicotiledôneas. Apresenta rápida degradação no solo.413 mg L-1 e Kow: 5. ALMEIDA. sendo utilizado em pré-plantio incorporado ou em pré-emergência das plantas daninhas. Apresenta lenta degradação no solo (meia-vida de 60 dias).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas solo. além de outras. entre as quais Euphorbia heterophylla. sendo. o que geralmente acontece entre 15 e 20 dias após a semeadura do feijão.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . Sida rhombifolia. Estudos preliminares têm demonstrado que este herbicida apresenta rápida degradação em condições de solos brasileiros (SILVA et al. além de outras. 2005). É registrado no Brasil para a cultura da soja. É pouco adsorvido pelos colóides do solo e. Ipomoea grandifolia. Controla com eficiência diversas espécies de plantas daninhas: Euphorbia heterophylla. mas esta adsorção aumenta em pH baixo. 1999).9.2 .. É registrado no Brasil para cultura da soja e do feijão. 1999). com até quatro folhas. Imazethapyr O ácido 2-[4. entre um a três perfilhos. ALMEIDA.

Estudos de laboratório indicam que imazapyr tem alto potencial de se mover no perfil do solo.benzoato (Pyrithiobac-sodium) apresenta solubilidade em água de 1610 mg L-1. Pyrithiobac-sodium O sódio 2-cloro-6-[(4.272 mg L-1 a pH 7. a persistência biológica é dependente. dependendo do movimento capilar da água no perfil do solo (FIRMINO. essencialmente por via microbiana. em condições aeróbicas. pode ser exsudado pelas raízes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas diversas espécies de plantas daninhas. em pós-emergência precoce na cultura do algodão. 2001). entre estas Euphorbia heterophylla. vindo intoxicar as novas mudas plantadas para renovação da floresta. pouco lixiviado. principalmente em solos arenosos. 2005). sobretudo. Apresenta degradação no solo essencialmente microbiana É registrado no Brasil para o controle de dicotiledôneas.36 (RODRIGUES. Apresenta lenta degradação no solo. Sua persistência no solo é longa (três a sete meses em solos tropicais e seis meses a dois anos em clima temperado. se aplicado em pósemergência precoce.5-dihidro-4-metil-4-(1-metietil)-5-oxo-1H-imidazol-2-il]-3-piridina carboxílico (imazapyr) apresenta solubilidade em água de 11.6. 7). Também quando aplicado no tronco do eucalipito visando eliminar rebrota após a derrubada.2 . ALMEIDA. É pouco adsorvido pelos colóides do solo e. não se processando em condições anaeróbicas. podendo ocorrer lixiviação positiva (para baixo) ou negativa (reversa –para cima). ALMEIDA. da dosagem e dos fatores ambientais.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 87 . com degradação mais rápida em clima quente e úmido. Módulo 3.0 e pka: 1. Kow: 0.34 e meia-vida no solo de dois meses (RODRIGUES. É fracamente adsorvido pelos colóides do solo.9 a 1. pka: 2. Imazapyr O ácido (+-)-2-[4. Em campo. também. Aplicações em altas doses para capinas de ruas pode intoxicar árvores utilizadas na arborização do ambiente (Fig.6-dimetoxipirimidina-2-il) tio]. 2005).

que o ponto de ação era a enzima EPSP sintase (5 enolpiruvilshikimato-3-fosfato sintase). pois fenilalanina. uma vez que 20% do carbono das plantas é utilizado nesta rota metabólica. evitando a transformação do shikimato em corismato. 88 Módulo 3.8. acreditam que a desregulação da rota do ácido shikímico resulta na perda de carbonos disponíveis para outras reações celulares na planta. nos níveis desses aminoácidos aromáticos (fenilalanina. tirosina e triptofano).Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . precursor comum na rota metabólica dos três aminoácidos aromáticos. A enzima EPSP sintase é sintetizada no citoplasma e transportada para dentro do cloroplasto onde atua. BRIDGES.2 . Alguns autores acham que a simples redução de aminoácidos e a acumulação de shikimato não seriam suficientes para a ação herbicida.Herbicidas inibidores da EPSPs 4. 1995c. Verificou-se. nas plantas tratadas.1 .Mecanismo de ação Logo após a aplicação. Glyphosate inibe a EPSP sintase por competição com o substrato PEP (fosfoenolpi¬ruvato). cultivadas em solo coletado à margem da rua tratada com o herbicida 4.8 . foi observado aumento acentuado na concentração de shikimato. SHANER. Por outro lado. então. 2003). tirosina e tryptofano são precursores da maioria dos compostos aromáticos nas plantas. Plantas normais cultivadas em solo sem resíduos de herbicidas (a) e plantas com sintomas de intoxicação do imazapyr (b). plantas tratadas com estes herbicidas param de crescer. O glyphosate se liga a esta enzima pela carboxila do ácido glutâmico (glutamina) na posição 418 da seqüência de aminoácidos (HESS.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 7 – Árvores mortas pela ação do imazapyr quando aplicado para capina química de rua (A). Há redução acentuada.

de maneira geral. 2003c). • Não apresentam atividade no solo.8. • Requerem uma semana para matar plantas anuais (efeito final) e tempo ainda maior para espécies perenes.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 89 . para não causar problemas de toxicidade para peixes. • Águas de pulverização contendo muitos sais solúveis (Ca e Mg) diminuem a atividade destes herbicidas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4.2 . já foram obtidas culturas resistentes a glyphosate. para melhor eficiência de translocação para o sistema radicular. por causa de sua conjugação com sesquióxidos de ferro e alumínio. • Através da engenharia genética. • Formulações usadas no meio aquático não contêm surfatantes. • Apresentam espectro de controle muito amplo. • A translocação é facilitada em condições de alta intensidade luminosa.2 .Características gerais Glyphosate O N-(fosfonometil) glicina (glyphosate) possui as seguintes características (BRIDGES. apresenta. praticamente não há seletividade. Quanto à resistência adiquirida pela pressão de seleção (aplicações repetidas do ghyphosate). poucas espécies de plantas daninhas foram identificadas como resistentes a estes herbicidas. • Translocação simplástica em gramíneas e folhas largas. como a soja e o algodão. muito pouca toxicidade para animais. • Durante a primeira semana após a aplicação a folhagem não deve ser cortada. em plantas anuais • Baixa vazão e menores gotículas são mais eficientes do que alta vazão e gotículas grandes. • A morte da planta ocorre lentamente: de 7 a 14 dias após a aplicação. • A translocação é melhor em plantas expostas à luz e que estejam com alta atividade metabólica. Módulo 3. • Como a enzima afetada é exclusiva de plantas.

reflorestamento e outras). Para o controle de plantas daninhas aquáticas Como regulador de florescimento em cana-de-açúcar. No Brasil. Para aplicações dirigidas em culturas perenes (café. 8). As formulações Roundup Transorb e Zap Qi se diferenciam das demais por apresentar penetração foliar mais rápida do que as demais existentes no mercado brasileiro.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • A absorção destes produtos pelas plantas é lenta. utilizado em diversas marcas comerciais. Na renovação de pastagens. Figura 8 – Eficiência de formulações de glyphosate em diversos períodos de simulação de chuva após a aplicação Atualmente o ghyphosate é o herbicida mais utilizado no mundo. No Brasil. fruteiras. englobando o Roundup original e o Roundup Transorb. Roundup WDG e Roundup Multiação.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . 2001). formulado como Roundup Transorb ou Zap Qi. 90 Módulo 3. 200). cujo representante é o Zap Qi. parque de industrias. Quando aplicado sobre plantas em condições de déficit hídrico prolongado. e sal potássico.. sendo recomendado para diversas atividades agrícolas e não-agrícolas. ruas. A não-ocorrência de chuvas até quatro horas após as aplicações garante absorção do glyphosate. esse tempo para penetração do glyphosate via foliar é maior (PIRES et al. A ocorrência de chuva em intervalo de tempo menor que 4-6 horas pode reduzir a eficiência destes herbicidas. o glyphosate está sendo comercializado com diferentes formulações: sal isopropilamina.). ferrovias. Para controle seletivo de plantas daninhas em culturas geneticamente modificadas. as suas principais recomendações são: • • • • • • • Para controle de plantas daninhas em áreas não-cultivadas (rodovias. para implantação do plantio direto de culturas. O efeito varia com a formulação. Como dessecantes. o tempo mínimo sem chuvas após aplicação para se garantir a absorção foliar desse herbicida é de seis horas (JAKELAITIS et al.2 . utilizado nas formulações granulares.. enquanto para as demais formulações. etc. em Brachiaria decumbens e Digitaria horizontalis em quatro horas (Fig. sal de amônia.

Espaçando-se as pulverizações por alguns dias. • As espécies não-gramíneas são todas tolerantes. bentazon e metribuzin.2 . seguida de necrose. novos produtos estão sendo desenvolvidos. até hoje. • Em doses normais. para que haja ação no solo. há sempre necessidade da adição de um surfatante ou adjuvante. para controle de gramíneas anuais e perenes. em fase de rápido crescimento. A translocação varia entre espécies. 2. 1995) são: • São utilizados exclusivamente em pós-emergência. imidazolinonas. As principais características deste grupo de herbicidas (THILL. • São prontamente absorvidos pela folhagem das plantas. eliminado. a qual começa nas regiões meristemáticas e se espalha pela planta toda.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. • São muito efetivos quando aplicados sobre plantas não-estressadas. • A seletividade varia entre espécies de gramíneas. acifluorfen. MCPA. podem ser citados: sulfoniluréias.4-DB. São muito utilizados para o controle de gramíneas anuais e perenes.1 . é necessária uma dose três vezes maior que a requerida para a ação em pósemergência. • Para a atividade máxima ser atingida. os herbicidas deste grupo não apresentam atividade suficiente para o controle de gramíneas em pré-emergência.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 91 . mas ocorre tanto pelo floema quanto pelo xilema. De maneira geral. WELLER.4D. até mesmo. • Misturas no tanque desses graminicidas específicos com latifolicidas têm trazido uma série de problemas de antagonismo.Principais características Os compostos deste grupo apareceram no mercado de herbicidas a partir de 1975 e. Os sintomas incluem rápida parada do crescimento das raízes e da parte aérea e troca de pigmento nas folhas dentro de dois a quatro dias. bromoxynil. • Apresentam lenta degradação no solo.9. requerendo uma semana ou mais para a morte completa. a eficiência diminui quando as gramíneas estão se desenvolvendo em condições de déficit hídrico. provavelmente eles afetam a absorção foliar. • A morte das gramíneas suscetíveis é lenta. o problema é minimizado e. Somente diclofop tem registro para uso no solo.Herbicidas inibidores da ACCase 4. 2. dicamba. tanto para plantas daninhas quanto para culturas.9 . Módulo 3. Entre os herbicidas que já mostraram ação antagônica.

quando o tecido meristemático decai. fica aparente a disfunção de membrana. Esta é uma reação-chave no início da biossíntese de lipídios. Enquanto 0. surgindo células binucleadas. também. que a ação dos graminicidas específicos era sobre a enzima Acetil Coenzima-A Carboxilase (ACCase). 4. Este herbicida é rapidamente absorvido pelas folhas e atinge os meristemas da planta. Há diferenças também entre a atividade de isômeros e as formulações. ele causou declínio na atividade respiratória. A diferença na tolerância entre espécies de gramíneas e folhas largas é muito grande. predominância da classe II) e. o aumento na permeabilidade de membrana e os efeitos ultra-estruturais observados nas células. Como não houve interferência na absorção de acetato. eles são tóxicos para mamíferos (classe toxicológica de I a III.5 μM. já existem plantas daninhas que adquiriram resistência aos inibidores da biossíntese de lipídios. A translocação ocorre pelo xilema e pelo floema. o problema era na síntese de lipídios. para peixes. por isso. necrótico. converte o Acetil Coenzima A (Acetil-CoA) em Malonil Coenzima A (Malonil-CoA) pela adição de uma molécula de CO2 ao Acetil-CoA. O caso mais relatado é o ocorrido na Austrália com a espécie Lolium rigidum. A partir de 1981. por exemplo. A inibição da ACCase explica perfeitamente a redução no crescimento. O tecido meristemático em gemas e nós torna-se clorótico e.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . apesar de a quantidade que atinge a área meristemática ser muito pequena em relação ao que é aplicado. Foi descoberto. e muitos autores 92 Módulo 3. de maneira geral. encontrada no estroma de plastídios. A enzima afetada por estes herbicidas ocorre também nas células animais. As folhas mais velhas apresentam sinais de senescência e mostram troca de pigmento. depois. Estudos feitos com sethoxydim mostraram que este herbicida inibe o crescimento e a acumulação de clorofila.9.2 . No caso de diclofopmethyl. em 1987. Ademais. que mostrou resistência ao diclofop-methyl e resistência cruzada a outros graminicidas específicos. Foi verificado também que a divisão celular foi prejudicada por causa da inibição da formação da parede celular. Esta enzima. Após alguns dias da aplicação. resultando no aumento dos níveis de açúcar e antocianina. Em algumas horas. para causar 50% de inibição em células de soja foi necessária uma concentração 47 vezes maior.5 a 0. Foi verificado que este herbicida inibe fortemente a incorporação de 14C-acetato em lipídios quando pontas de raízes de milho foram tratadas por 24 horas. nas concentrações de 0. às sulfoniluréias e ao trifluralin. a formulação ácida é mais ativa que a formulação éster e o isômero “D” é muito mais ativo que o “L”.2 . o crescimento de raízes e parte aérea é paralisado.1 μM de haloxyfop provocou 42% de inibição da incorporação de acetato em células de milho.Mecanismos de ação Muitos dos estudos já realizados sobre o mecanismo de ação dos arilofenoxipropionatos foram feitos com o herbicida diclofop-methyl. trabalhos realizados com diclofop-methyl começaram a desvendar o modo de ação dos graminicidas específicos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • • Apesar do pouco tempo de uso.

Quando o substrato Acetil-CoA é substituído por Proprionil-CoA. o qual é uma reação dependente de ATP. a enzima funciona.9. com intervalo superior a cinco dias. cenoura. Deve ser aplicado com as plantas em bom estado de vigor vegetativo. a qual é ligada covalentemente ao grupo da biotina por um espaçador móvel.1. devendo ser aplicado no início do desenvolvimento das plantas daninhas.3 . e koc médio de 5. É um herbicida Módulo 3. Não apresenta mobilidade no solo. que permite à biotina se mover entre os dois centros catalíticos (HESS. A enzima Acetil Coenzima A Carboxilase (ACCase) é. Não deve ser misturado com herbicidas que controlam dicotiledôneas. tabaco.5. evitando períodos de estiagem. citros. mas a eficiência diminui pela metade. pka: 3. 2005).E)-(+/-)-2-[1-[[(-cloro-2-propenil)oxi]imino]propil]-5-[2-(etiltio)propil]-3-hidroxi. ALMEIDA. kow: 4. algodão. dois a três dias (RODRIGUES. por incompatibilidade fisiológica (efeito antagônico). purificada e parcialmente caracterizada. que transfere o CO2 da biotina para o Acetil-CoA. tomate.1 mg L-1.700 mg g-1 de solo. WELLER.2 . kow: 15000 e persistência muito curta no solo. A falta de lipídios provoca despolarização da membrana celular (THILL. Controla grande número de espécies de gramíneas anuais no estádio de até 4 perfilhos e algumas perenes. É recomendado para uso em pós-emergência.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas julgam ser esta reação a que dosa o ritmo da biossíntese de lipídios. feijão. horas de muito calor e umidade relativa do ar inferior a 70%. soja. É registrado no Brasil para as culturas de alface. café. a transcarboxilase. A ACCase de milho já foi isolada. eucalipto. e a proteína transporte da biotina (BCP). 4.Caracterização de alguns inibidores da ACCase Fluazifop-p-butil O ácido (R)-2-[4-[[5-(trifuorometil)-2-piridinil]oxi]fenoxi] propanóico (fluazifop-p-butil) apresenta solubilidade em água de 1. roseira e crisântemo. tendo uma persistência média de 30 dias (RODRIGUES. pinho. na realidade. ALMEIDA 2005). devendo ser utilizado seqüencialmente. um complexo de três domínios: uma biotina carboxilase que promove a carboxilação da biotina com carbonato (CHO3).Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 93 . 1995). 1995). cebola.520 mg L-1. a não ser o fomesafen. Clethodim O (E.2ciclohexeno-1-ona (clethodim) apresenta solubilidade em água de 5.

citros. controla gramíneas perenes. É rapidamente absorvido pelas folhas. controla gramíneas anuais. tem ação sobre rebentos de gramíneas anuais que tenham sido roçadas. neste caso. como Cynodon dactylon e Sorghum halepense. milho. evitando períodos de estiagem. pka: 4. feijão e eucalipto. quando provenientes de rizomas). há que observar um intervalo de dez dias entre o emprego de um e outro. É compatível com outros herbicidas usados em pós-emergência para controle de folhas largas. com exceção do 2. desde jovem até adiantado estádio de desenvolvimento.. permitindo a aplicação dos dois numa só operação. pinho e outras. altamente seletivo para a cultura da soja e outras dicotiledôneas. Haloxifop-methyl O ácido 2-[4-[[ (3-cloro-5-(trifluorometil)-2-piridinil]oxi]fenoxi] propiônico (haloxyfopmethyl) apresenta solubilidade em água de 9. e com 10 a 40 cm. kow: 11. café. no Brasil. não se deve adicionar óleo mineral à calda. Destaca-se pelo seu amplo espectro de ação no controle de gramíneas anuais. devendo ser aplicado no início do desenvolvimento das plantas daninhas (4 folhas até 6 perfilhos. podendo requerer reaplicação no caso de rebrotas (RODRIGUES.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas graminicida. eucalipto.7. como é o caso normal em culturas perenes. Quando usado na dose de 120 g ha-1. acifluorfen. É moderadamente adsorvido pelos colóides do solo. em solos leves. 2005). É recomendado para uso em pós-emergência.3. como algodão. perenes e tigüera de culturas gramíneas. Nas doses de 360 . tais como: azevém. e koc médio de 33 mg g-1 de solo. pode haver lixiviação do produto.3 mg L-1. como bentazon. comuns em rotação de culturas com a soja. de reprodução seminal. É utilizado. para as culturas de soja. 94 Módulo 3. cenoura. ervilha. Em doses altas (120-360 g ha-1. não sendo prejudicada sua eficácia por chuvas que ocorram uma hora após sua aplicação. aveia e trigo. A ação residual do produto na lavoura é de 30 a 40 dias. tabaco.2 . amendoim. ALMEIDA.4-D. pois aumenta-lhe a fitotoxicidade. tomate. Deve ser aplicado com as plantas daninhas em bom vigor vegetativo. em condições de alta pluviosidade. sistêmico.600 g ha-1. horas de muito calor e umidade relativa do ar inferior a 60%. soja. feijão. quando provenientes de sementes. Quando misturado com herbicidas recomendados para uso em pós-emergência que controlam plantas daninhas de folhas largas e que já contenham em sua formulação um adjuvante. cebola. fomesafen e lactofen.

É necessário adicioná-lo à calda adjuvante. 9).10 . soja e tabaco. colza. gladíolo. amendoim. gergelim. banana.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sethoxydim O 2-[1-etoximina)butil] . dependendo das condições climáticas e do tipo de solo. As plantas suscetíveis a estes herbicidas perdem a cor verde após o tratamento com estes herbicidas (BRIDGES.0 de 4. melão e morango). para as culturas de alfafa.0 de 25 ppm e a pH 7. Controla gramíneas anuais e algumas perenes. O sintoma evidenciado pelas plantas tratadas é a produção de tecidos novos totalmente brancos (albinos).5 – [2-(etiltio)propil]-3-hidroxi-2-ciclohexeno-1. exceto pela falta de pigmentos verdes (clorofila) e amarelos (Fig. não sendo prejudicada a ação do sethoxydim por uma chuva que ocorra uma hora depois de sua aplicação. Módulo 3. e koc médio de 100 mg g-1 de solo (RODRIGUES . Estes tecidos são normais. 2003a). como Cynodon dactylon.16. eucalipto. cenoura. 4. citros. encontra-se em fase de registro para abacaxi. se bem que exija doses mais altas de aplicação. linho e mandioca.ona (sethoxydim) apresenta solubilidade em água a pH 4. Em outros países. ALMEIDA.2 . girassol. café. É um herbicida registrado no Brasil para algodão. Não prejudica as culturas suscetíveis que sejam instaladas no terreno 30 dias após o tratamento. algumas vezes rosados ou violáceos. feijão. também.Herbicidas inibidores de carotenóides Os grupos químicos izoxazolidinona e piridazinonas compõem a classe de herbicidas chamada inibidores de carotenóides. pka: 4. é recomendado. kow: 45. por ser a foliar a principal via de absorção do produto. Tem uma meia-vida no solo de 4 a 11 dias. o que acelera sua absorção.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 95 . não prejudicando culturas sensíveis que sejam instaladas no terreno um mês após o tratamento.1. Supõe-se que seja seletivo para todas as culturas que não são gramíneas. Deve ser aplicado em pós-emergência das plantas daninhas. Apresenta curta persistência no solo. macieira e em hortícolas (batata. melancia. 2005).700 mg L-1.

1994). contudo. A inibição desta enzima provoca o acúmulo de phytoeno. não implica que estes herbicidas inibam diretamente a síntese de clorofila. nas quais ela é destruída (ABERNATHY.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 9 – Sintomas de intoxicação de plantas de milho e feijão pelo clomazone. resultando no acúmulo de phytoeno e phytoflueno. tecidos formados antes da aplicação do herbicida não se mostram brancos imediatamente. Em condições normais. Outras alterações provocadas por estes produtos são: redução da síntese protéica. É importante salientar que estes herbicidas não têm efeito sobre carotenóides sintetizados antes da sua aplicação. O local de ação mais estudado é onde atua a enzima phytoeno desidrogenase. que a protegem.2 . do caroteno (MORELAND. devido à falta de clorofila. A inibição da enzima IPP (isopentyl pirophosphato isomerase) é o local provável da ação (Abernathy. passando do estado singlet para o estado triplet. O crescimento da planta continua por alguns dias. O herbicida clomazone parece ter um único local de ação e não causa acúmulo de phytoeno. Após a síntese da clorofila. Assim. esta se torna funcional e absorve energia. Os herbicidas inibidores de pigmento são usados para controle seletivo de plantas daninhas gramíneas. 1980). porém. mais reativo. ela não consegue se manter. fumo 96 Módulo 3. que são dois precursores. com predomínio do phytoeno. Devido a este processo. 1994). perda de proplastídios e degradação dos ribossomos 70S. Os herbicidas inibidores destes pigmentos agem na rota de biossíntese de carotenóides. e de folhas largas nas culturas de algodão. cana-de-açúcar. Assim. dissipando o excesso de energia. 1994). eles desenvolvem manchas cloróticas que progridem para necrose (ABERNATHY. mas sim de gossipol e hemigossipol.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . devido à falta de carotenóides que a protegem da foto-oxidação. a clorofila não se mantém sem a presença dos carotenóides. devido à necessidade de renovação dos carotenóides. a energia oriunda da forma triplet é dissipada através dos carotenóides. 1980). pelas plantas tratadas. a clorofila que está no estado triplet não dissipa energia e inicia reações de degradação. A inibição da síntese de carotenóides leva à decomposição da clorofila pela luz. anuais e perenes. Desse modo. o crescimento cessa e começam a surgir manchas necróticas. quando os caratenóides não estão presentes. 1980). A produção dos novos tecidos albinos. como resultado da perda da fotoproteção fornecida pelos carotenóides à clorofila (MORELAND. A perda da clorofila é resultado da sua oxidação pela luz (foto-oxidação). sem cor. Estes produtos também possuem efeitos sobre a reação de Hill (MORELAND. arroz.

Mesotrione O 2-(4-mesil-2nitrobenzoil) ciclohexano-1.7 mg L-1. 1994). O mesotrione inibe a biossíntese de caroteníodes. pode lixiviar e atingir camadas profundas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas e soja.07 e koc variando de 19 a 387 mg g-1 e curta persistência no solo sendo degradado rapidamente por microrganismos (RODRIGUES. através da interferência na atividade da enzima HPPD (4-hidroxifenil-piruvato-dioxigenase) nos cloroplastos – classificação nos grupos F2 (HRAC) e 28 (WSSA). koc: 300 mg g-1. O clomazone apresenta alta solubilidade:1. com posterior necrose e morte dos tecidos vegetais em cerca de 1 a 2 semanas. pka: 3. 2005). A seletividade do clomazone ao algodão pode ser aumentada com adição de um inseticida organofosforado (ABERNATHY.192 mg L-1. são mais comercializados.dimetil . A dose recomendada varia com a cultura e o tipo de solo.clorofenil) metil]-4. pka: zero.3 .Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 97 .isoxazolidinona (clomazone) e o 4-cloro-5(metilamino)-2-3-[(trifluorometil)]fenil-3(H)-m-toluil) piradazinona (norflurazon) translocam-se na planta via xilema. ALMEIDA. Clomazone Norflurazon Esta classe herbicida apresenta baixa toxicidade para animais. chegando às raízes das culturas. apresentam atividade de solo e podem persistir. causando danos naquelas sensíveis (RODRIGUES. No Brasil.4 .3-diona (mesotrione) é um herbicida seletivo de ação sistêmica indicado para o controle em pós-emergência de plantas daninhas na cultura do milho. afetando culturas sucessoras. A seletividade às culturas se dá pela translocação reduzida pela destoxificação das moléculas herbicidas. Quando aplicado sobre a superfície do solo. e não existem casos registrados de plantas daninhas resistentes (ABERNATHY. Apresenta solubilidade de 168. Controla diversas espécies de plantas dicotiledôneas e algumas gramíneas. Também são empregados em plantas daninhas aquáticas e no controle total da vegetação. ALMEIDA. 1994). Os sintomas envolvem branqueamento das plantas daninhas sensíveis. O 2 – [(2 . o clomazone e o norflurazon. 2005). e persistência no superior a 150 dias.2 . Módulo 3. O inseticida funciona com “safener” protetor e pode ser usado no tratamento da semente ou em aplicação no sulco de semeadura.

Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . responsável pela biossíntese da quinona. 2005). Apresenta baixa solubilidade em água: 6. Inibe a biossíntese de carotenoides. com posterior necrose e morte dos tecidos vegetais em cerca de 1 a 2 semanas.0 mg L-1 a 20 °C. O isoxaflutole pertence ao grupo dos herbicidas inibidores da biossíntese do caroteno. Com exceção da cultura do algodão onde é recomendado em jato dirigido. que são essências para proteger a clorofila contra a decomposição pela luz solar através da interferência na atividade da enzima HPPD (4-hidroxifenilpiruvato-dioxigenase). que é um co-fator chave para síntese de pigmentos carotenóides e para o transporte de elétrons. RODRIGUES. milho. baixa a média mobilidade nos solos dependendo de suas características ficas e químicas. e meia-vida média de 28 dias (ALMEIDA. nas demais culturas deve ser aplicado em pré emergência.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Isoxaflutole O 5-ciclopropil-4-metilsufonil-4-trifluorometilbenzoil)-isoxazole (isoxaflutole) é um herbicida recomendado para as culturas de cana-de-açúcar. 98 Módulo 3. mandioca e algodão para o controle de diversas gramíneas e algumas dicotiledôneas.2 . Os sintomas envolvem branqueamento das plantas daninhas sensíveis.

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Francisco Affonso Ferreira Profº.Herbicidas: absorção. translocação. metabolismo. formulação e misturas . formulação e misturas Tutores: Profº.ABEAS Universidade Federal de Viçosa .UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília . metabolismo.Herbicidas: absorção.3 .3 . José Francisco da Silva Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 . José Ferreira da Silva Profº.DF 2006 102 Módulo 3.Manejo de plantas daninhas 3. translocação.

3 . retenção e absorção de herbicida pela folha.2 . 104 1.Absorção de herbicidas. 129 5.4.2 .1 .Tipos de formulações.Interações de herbicidas com inseticidas em mistura.Interações entre herbicidas.2.Movimento descendente.2 .Translocação de herbicidas.1 . metabolismo.1 . 118 3 .Formulações sólidas.Formulações líquidas.3 .Penetração pelo caule.1 – Introdução.Movimento ascendente.Fatores que influenciam a absorção através das raízes. 125 4.Conceito de movimento simplástico e apoplástico. 127 4. 117 2. formulação e misturas 103 .1 . 112 1. 130 5. 116 2.1 . 111 1.1. 104 1. 120 4 – Formulação.1 .4.1.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário 1 .Translocação de alguns herbicidas.Interceptação. 112 1.2.2 . 130 5. 117 2.3 .Metabolismo dos herbicidas nas plantas. 116 2. 113 2 .4 . 127 4. 131 Referências bibliográficas.2 – Incompatibilidade. 126 4.Veículo de aplicação (água). 129 5. 104 1. 133 Módulo 3.Penetração pelas raízes.1.Mecanismo de absorção de herbicidas.2 .Herbicidas: absorção.Misturas de herbicidas. 128 5 .3 .4 .Vantagens das misturas ou combinações de herbicidas. translocação.

O caule (casca) de árvores ou arbustos pode também ser uma via de penetração de herbicidas. de estruturas jovens como radículas e caulículo e. ou. a seus metabólitos. onde atua.4-DB precisa ser absorvido.2 . Por isso.Absorção de herbicidas 1. Além disso.Herbicidas: absorção. transloque e atinja a organela onde irá atuar.3 . ou. ou quando. translocado e. formulação e misturas . Há necessidade de que ele penetre na planta. principalmente quando se deseja controlar apenas algumas plantas. A interceptação da gota pulverizada é função do método de aplicação e da distância entre o alvo e o bico do pulverizador. do metabolismo e da sensibilidade da planta a este herbicida e. Por outro lado. as folhas são a principal via de penetração. o simples fato de um herbicida atingir as folhas da planta e. Os herbicidas podem penetrar nas plantas através das suas estruturas aéreas (folhas.). caules. Por sua vez. da translocação. retenção e absorção de herbicida pela folha A absorção foliar de um herbicida requer que o produto seja depositado sobre a folha e permaneça ali por um período de tempo suficiente. a morfologia da planta e as condições ambientais exercem grande influência. em um reflorestamento. penetra pelas raízes. A absorção de herbicidas pelas raízes ou pelas folhas é influenciada pela disponibilidade dos produtos nos locais de absorção e com fatores ambientais (temperatura. quando aplicada ao solo. ou. ainda. as estruturas jovens das plântulas (radícula e caulículo) e as sementes são as vias de penetração mais importantes para os herbicidas aplicados e. ser aplicado no solo onde se desenvolve esta planta não é suficiente para que ele exerça a sua ação. tubérculos. metabolismo. A principal via de penetração dos herbicidas na planta é função de uma série de fatores intrínsecos e extrínsecos (ambientais).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1 . se deseja que as cepas das árvores não rebrotem após a derrubada. destruindo-os. que influenciam também a translocação destes até o sítio de ação.Introdução A atividade biológica de um herbicida na planta é função da absorção. transloca até as folhas e. Quando os herbicidas são aplicados diretamente na parte aérea da planta (pós-emergência). etc. 104 Módulo 3.Interceptação. translocação. estolões. umidade relativa do ar e umidade do solo). metabolizado para exercer sua ação herbicida. flores e frutos) e subterrâneas (raízes. luz. também. incorporados ao solo. até ser absorvido.1 . aí. atinge e penetra nos cloroplastos. dentro de uma população mista. 1. rizomas. pelas sementes. que serão discutidos no item referente à tecnologia de aplicação. A atrazina. por exemplo. também. as raízes. o 2.

como todas as estruturas aéreas das plantas. denominada cutícula. A chuva pode causar perdas consideráveis de herbicidas das folhas das plantas. por exemplo sais de sódio. não são absorvidos pela superfície da cultícula e são solúveis em água e podem ser lavados caso ocorra chuva até mais de 24 horas após. poros estomáticos. das condições climáticas e das espécies de plantas envolvidas (BRIDGES. ELAKKAD. porém são rapidamente absorvidos nos lipídios da cutícula e pouco lavados pela chuva. Sais catiônicos (carregados positivamente). PIRES et al. cavidade estomática. HESS. lipofílica. Embora em menor proporção. por isso. metabolismo. xilema e floema Fonte: Mengel e Kirkby (1982) 105 Módulo 3. mas são rapidamente absorvidos e. 1981). A influência da chuva sobre a eficiência dos herbicidas está também relacionada à formulação. são recobertas por uma camada morta (não-celular). menos sujeitos a lavagem pela chuva. Após a interceptação. 2003. mostrando células-guarda.3 .. 2. a forma e a área do limbo foliar. como o paraquat. razão pela qual muitos fatores influenciam.Corte transversal de uma folha (esquemático). Por exemplo. células da bainha do feixe. Também o nú¬mero e a abertura dos estômatos exercem pequena influência sobre a penetração dos herbicidas. igualmente. Sais aniônicos (cargas negativas). Figura 1 . JAKELAITIS et al. não penetram rapidamente.4-D ester para causar a mesma toxicidade em várias espécies sensíveis (BEHRENS..Herbicidas: absorção. são solúveis em água.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A morfologia da planta influencia a quantidade de herbicida interceptada e retida. o ângulo ou a orientação das folhas em rela¬ção ao jato de pulverização e as estruturas especializadas. Herbicidas lipofílicos (usualmente formulados como CE ou flowable) são pouco solúveis em água.. tanto a penetração dos herbicidas pelas folhas quanto pelas raízes. O corte transversal de uma folha está representado na Figura 1. do método e da tecnologia de aplicação. 2000. para cada herbicida. A perda do herbicida ou de sua atividade depende da ocorrência de chuva (intensidade e duração) neste intervalo. As folhas. esta existe também nas raízes. formulação e misturas . 2001). deve haver um período crítico sem ocorrência de chuvas até que ocorra absorção de quantidade suficiente deste.4-D amina requer um período muito mais longo sem chuva do que o 2. Dentre os aspectos relacionados com a morfologia da planta destacam-se o estádio de desenvolvimento (idade da planta). como tricomas (pêlos). translocação.

acredita-se que a cutina aumente de volume (por embebição).. assim a sua permeabilidade. aumentando.Representação esquemática dos principais componentes da camada cuticular e o seu grau lipofílico 106 Módulo 3. incluindo as células-guarda dos estômatos e as células que envolvem a câmara subestomática. de camadas superpostas e. separando as partículas de cera. formulação e misturas .3 . ésteres. a cutícula é recoberta por uma camada de cera. Ela pode ter a forma de grânulos. pode ser semifluida ou fluida. freqüentemente. Em consequência da variabilidade de seus componentes o grau de polaridade das cutículas varia muito. funcionando como uma resina de troca de cátions.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A cutícula recobre todas as células da epiderme da planta. álcoois. translocação. Externamente. aldeídos. A composição química do revestimento epicuticular é muito variável entre as espécies de plantas (Quadro 1). porém alguns componentes são comuns. cetonas. et al. Em presença de água. A camada cerosa que envolve a cutícula é mais rica em compostos menos polares do que a cutina. essa camada é uma complexa mistura de alcanos de longas cadeias (21 37 carbonos). Entre a camada cuticular e a membrana citoplasmática tem-se a parede celular. de prato (ou disco). Em geral. ainda. é referido como camada cuticular (Figura 2). metabolismo. O padrão de superfície da camada cuticular é bastante variável. ácidos graxos.Herbicidas: absorção. a qual possui grupos de polaridade variáveis (Figura 2). (FERREIRA. que é formada de fibrilos de celulose impregnados de pectina. Esse conjunto. 2005). Figura 2 . etc. A cutina é o principal componente estrutural da cutícula.

3 8. (1975). As características da solução aplicada. citado por Kissmann (1997). o herbicida.0 6.Herbicidas: absorção. A maior barreira à penetração de um herbicida no citoplasma das células é a membrana citoplasmática. via simplasto.0 7. formulação e misturas 107 . é que essas barreiras não são totalmente rígidas e distintas.3 . etc. A camada cuticular funciona como uma barreira à perda de água e também como uma barreira à entrada de pesticidas e microrganismos na planta.2 7.5 Fonte: Sandoz Agro Ltda.5 6.4 7. sobre a penetração dos herbicidas pelas folhas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas É conhecido o fato de que há uma interação bastante complexa entre a natureza química do produto aplicado e a superfície foliar. são importantes nessa interação.Percentagem de compostos apolares e polares e pH do revestimento epicuticular de diversas espécies de plantas daninhas Espécies daninhas Cyperus rotundus Avena fátua Brachiaria plantaginea Cynodon dactylon Digitaria sanguinalis Echinochloa crus-galli Panicum dichotomiflorum Poa annua Sorghum halepense Amaranthus retroflexus Capsella bursa-pastoris Chenopodium album Datura stramonium Ipomoea purpurea Poligonum lapathifolium Portulaca oleracea Senna obtusifolia Sida spinosa Sinapsis arvensis Solanum nigrum Stellaria media Xhathium orientale Compostos NãoPolares 82 10 17 12 37 27 17 29 6 44 32 32 92 32 12 37 7 85 47 88 9 58 Compostos Polares 17 90 82 88 62 72 82 71 93 55 68 66 7 68 86 63 93 14 52 11 91 41 pH 7.2 7. a polaridade do composto. translocação. a tensão superficial da calda. Uma hipótese citada por Klingman e Ashton.0 6. Entretanto. Apesar das barreiras existentes (como a camada cuticular). Módulo 3. Existem dois tipos principais de superfícies: uma facilmente molhável (rica em álcoois) e outra de molhagem mais difícil (rica em alcanos). O processo de absorção de um herbicida é complicado em razão da espessura.0 7. As folhas das plantas apresentam muitas barreiras à penetração dos herbicidas.0 6. pode penetrar no citoplasma. No momento em que os herbicidas entram em contato com a superfície foliar.2 8. após atravessar a camada cuticular e a parede celular.6 6. através dos plasmodesmas. composição química e permeabilidade da cutícula. metabolismo. tanto aos polares quanto aos não-polares. podem acontecer os pressupostos que se seguem (Figura 3).8 8.0 8. Quadro 1 . (1991).0 7.2 7.8 7.8 6.6 8.4 6. tanto os herbicidas polares quanto os não-polares penetram nas folhas das plantas.0 7.

a rota hidrofílica. penetrar. etc. Todos esses fatores podem influenciar a absorção de herbicidas. Para os herbicidas nãodissociáveis (amidas. uso de agentes ativadores de superfícies (surfatantes) e outros. representando os aspectos: volatilizar e perder para atmosfera ou ser lavado pela chuva (1). Para os herbicidas orgânicos.3 . tamanho das partículas e concentração do herbicida. que diferem em estrutura e polaridade. derivados de ácidos fracos. da idade da folha e do ambiente sob o qual a folha se desenvolve. umidade relativa). Schmidth et al. cerosidade e pilosidade da folha. fatores ambientais (luz.Herbicidas: absorção. 1991). mas sim à constituição lipídica e ao grau de impedimento da passagem de solutos. Figura 3 . ésteres. CESSNA. o pH da solução tem pouco ou nenhum efeito sobre a penetração. que inclui o movimento no floema (5) Fonte: Hess (1995) Uma grande diversidade de herbicidas.esta é chamada translocação apoplástica. o pH mais baixo aumenta a absorção do herbicida. a cutícula de folhas nova é mais permeável à água do que a de folhas velhas.). 108 Módulo 3. na parede celular e atingir o interior da célula (pela plasmalema) – é a translocação simplástica. permanecer sobre a superfície como um líquido viscoso ou na forma de cristal (2). metabolismo. (1981) atribuíram isto à maior polaridade da cutina encontrada nas folhas novas. na parede celular e então translocar antes de atingir o simplasto . formulação e misturas . que inclui o movimento no xilema (4) e penetrar na cutícula. mas admite-se que os compostos não-polares sigam uma rota lipofílica e os compostos polares. A absorção de herbicida não está necessariamente relacionada à espessura ou ao peso da cutícula. Há evidências de que a penetração de herbicidas decresce com o aumento da idade da folha (GROVER. penetrar na cutícula.Diagrama hipotético. atravessa a camada cuticular.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas que variam em função da espécie. como: potencial hidrogeniônico (pH). porque reduz sua polaridade. O exato mecanismo de penetração não é totalmente conhecido para todos os herbicidas. A passagem de uma molécula de herbicida através da camada cuticular é um processo físico que pode ser influenciado por uma série de fatores. translocação. espessura da cutícula. Apesar de a constituição física e química e a espessura poderem ser praticamente a mesma. temperatura. mas permanecer absorvido nos componentes lipofílicos da cutícula (3).

mover-se através do poro de um estômato aberto para dentro da câmara subestomática. influenciam a atividade dos herbicidas nos aspectos de absorção. formulação e misturas 109 . Os estômatos podem estar envolvidos. Segundo Pires et al. A natureza da resposta para as diferentes condições ambientais varia com a espécie vegetal. a menos que a tensão superficial da solução pulverizada seja muito reduzida pelo uso de surfatantes na formulação ou no tanque do pulverizador. a cutícula sobre as células-guarda parece mais fina e mais permeável a substâncias do que a cutícula sobre outras células epidérmicas. à alteração na composição das ceras ou ao aumento na formação de ceras epicuticulares. mesmo quando o período sem chuva foi de até seis horas. O grau de impermeabilidade da cutícula pode ser atribuído ao incremento de sua espessura. foi suficiente para ótimo controle das plantas tratadas. com a penetração de herbicidas nas folhas. favorece a abertura dos estômatos e pode aumentar o transporte de solutos na planta. por provocar maior fluidez dos lipídios da camada cuticular e da membrana celular e. Entretanto. provocando a cristalização do herbicida na superfície foliar. em conjunto. havendo maior absorção dos produtos polares com aumento da umidade (HESS. translocação. Como os herbicidas atravessam a cutícula? A resposta para essa pergunta ainda não está bem esclarecida. A umidade relativa do ar tem efeito mais consistente sobre absorção de herbicidas. A maioria dos Módulo 3. Condições de alta temperatura e luminosidade. mais rápida absorção do herbicida. em tese.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Os fatores ambientais.3 . como temperatura do ar. 1995). 2001 o glyphosate e o sulfosate apresentam máxima atividade em plantas não-estressadas. admite-se que a cutícula tenha estrutura porosa. Primeiro. Nas plantas estressadas. ou baixa umidade relativa do ar e umidade do solo.. também pode apresentar efeitos negativos devido à maior rapidez do secamento da gota pulverizada. Uma a duas semanas antes da aplicação. um intervalo sem chuvas de menos quatro e seis após a aplicação. dependendo das condições ambientais. respectivamente. Supõe-se que os herbicidas lipofílicos se solubilizam nos componentes lipofílicos da camada cuticular e se difundem através da cutícula. Nestas. Em segundo lugar. conseqüentemente. luz e teores de umidade no solo e na planta. geralmente promovem a formação de cutículas mais impermeáveis. e daí para o citoplasma das células do parênquima foliar. em condições de alta luminosidade e estresse hídrico no solo. tanto a absorção quanto a translocação são menores (HESS. comparando pulverizações feitas em plantas de capim-massambará (Sorgum halepense) sem estresse e estressadas. aumenta a hidratação da cutícula. sendo essa água de hidratação da cutícula a rota de penetração destes herbicidas. houve rebrota acentuada da maioria delas. a solução pulverizada poderia. Nas plantas estressadas (déficit hídrico no solo). Todavia. 1995). É difícil ou mesmo impossível afirmar qual dos processos é mais influenciado pelas mudanças nas condições do ambiente. de duas formas. para o sulfosate e glyphosate. translocação e grau de detoxificação.Herbicidas: absorção. o haloxyfop teve sua atividade reduzida de 92% para 12%. A elevação da umidade relativa aumenta o tempo de evaporação da gotícula pulverizada. metabolismo. a infiltração pelos estômatos não é possível. umidade relativa. Alta temperatura pode melhorar a absorção. Com relação aos herbicidas hidrofílicos. que se mantém hidratada.

LOADER. da presença de outros aditivos e das espécies das plantas. provoca efeito antagônico com glyphosate (TURNER. A função primária do surfatante é reduzir a tensão superficial da gota.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas surfatantes atualmente em uso atua aumentando a penetração cuticular e não consegue reduzir a tensão superficial adequadamente para permitir a penetração estomática. Entretanto. contendo parte hidrofílica e lipofílica. etc. LOADER. Este surfatantes são capazes de reduzir a tensão superficial ao ponto de a infiltração pelo estômato ocorrer. o desenvolvimento de surfatantes à base de organossilicones proporcionou avanço nesse ponto. incluindo picloram. o surfatante lipofílico é eficiente. favorecendo mais ainda a penetração do herbicida. Destes. no entanto. 1980). No caso do sethoxydim. Diversos produtos químicos. a eficiência do surfatante depende de sua natureza. às quais alguns ingredientes são adicionados. Recentemente. e podem ser catiônicos. Sulfato de amônio não melhora atividade do paraquat e na. para melhorar a penetração ou atividade dos herbicidas aplicados às folhagens. que têm vários propósitos. A adição somente do sal provoca decréscimo da atividade em aveia. do herbicida em questão. Finalmente. Os herbicidas são raramente aplicados na forma pura. Alguns trabalhos têm demonstrado que esse tipo de surfatante pode aumentar inclusive a translocação relativa do produto aplicado (KNOCHE. atividade do herbicida. têm sido usados como aditivos nas pulverizações. em geral. além de surfatantes e óleos. No entanto. A estimulação da absorção pode ser causada pelo surfatante adicional ou por outros aditivos presentes nas duas formulações misturadas. na concentação de 1 a 10% (p/v). os mais importantes são os agentes ativadores de superfície. Por exemplo. quando sulfato de amônio é adicionado à solução. ou. Eles geralmente são compostos de moléculas grandes. Sulfato de amônio.. Vários autores afirmam que os surfatantes melhoram a penetração e.3 . proporção de 20% p/v. Os resultados dos experimentos de campo. Também podem ocorrer interações negativas entre os dois herbicidas. melhorando a retenção e o espalhamento desta sobre a folhagem. translocação. a atividade do glyphosate é melhorada por surfatantes com alto balanço lipofílico-hidrofílico que pelos surfatantes hidrofílicos que são não-iônicos ou catiônicos (TURNER.Herbicidas: absorção. metabolismo. glyphosate e sethoxydim. emulsões. formulação e misturas . 1980). a absorção de um herbicida pode ser influenciada pela presença de outro herbicida misturado na calda. 110 Módulo 3. a melhoria só ocorre se o surfatante também estiver presente. ou surfatantes. Eles podem também induzir um fluxo de massa da solução pulverizada através do poro estomatal e também aumentar a penetração cuticular. 1994). mas preparados em soluções. tem sido usado para melhorar a atividade de númerosos herbicidas. Em alguns casos o surfatante pode provocar parcial solubilização da cera epicuticular. aniônicos ou não-iônicos. não têm sido suficientemente positivos ou consistentes para adição de tais aditivos na calda de pulverização e para se tornar uma prática recomendada.

que facilitam a penetração de herbicidas. é um sítio de entrada importante para muitos herbicidas aplicados ao solo que são ativos em sementes e durante a germinação e na emergência das plântulas (Quadro 2). também. aos herbicidas aplicados na parte aérea. ou. usando-se óleo como veículo. sendo. Nas plantas jovens. em diâmetro.3 . até a região do câmbio (xilema. Este processo está sendo implantado em algumas empresas de reflorestamento. rotas importantes para a penetração de herbicidas pelo caule.Herbicidas: absorção. Baseado na sua estrutura e composição. As células do periderma contêm tanino e são altamente suberizadas. além de serem aplicados em altas concentrações (5-10%). Outros constituintes comumente encontrados nestas células são ácidos graxos.3 . metabolismo. desprovida da camada de cera. causa pequenas rupturas na casca. Quadro 2 . O caule da plântula durante a emergência tem uma cutícula muito pouco desenvolvida. eles são preparados em formulações lipofílicas. butachlor. Módulo 3. sendo esta uma rota de entrada de herbicidas em muitas espécies de gramíneas. floema). alachlor.Grupos químicos de herbicidas e exemplos de ingredientes ativos que podem ser absorvidos do solo pelas radículas ou partes aéreas emergentes das plântulas Famílias de herbicidas Acetanilidas Ácidos ftálicos Difeniléteres Dinitroanilinas Tiocarbamatos Exemplo de produto acetochlor. molinate A penetração de herbicidas através da casca de plantas lenhosas é outra opção que pode ser aproveitada na prática. O crescimento do caule. principalmente os polares. Alternativa prática mais eficiente seria injetar o herbicida com equipamento próprio com uma pistola injetora. translocação. visando evitar a rebrota das cepas. Lenticelas são estruturas que atravessam o periderma. o periderma deve apresentar baixa permeabilidade à água e. a barreira que a estria de Gaspary representa na raiz não está presente nestes tecidos. Entretanto. Além do mais. e. metolachlor DCPA oxyfluorfen trifluralin. o periderma é um tecido protetor que substitui a epiderme.Penetração pelo caule A absorção de herbicidas pode ocorrer pelo caule das plantas jovens (durante emergência) e das adultas. portanto. formulação e misturas 111 . celuloses e terpenos. após a morte de suas células. tornando-a mais permeável aos herbicidas. usando imazapyr 20 a 30 dias antes da derrubada das árvores de eucalipto. pendimethalin butylate. lignina. Para atuação de herbicidas aplicados à casca das árvores.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. o herbicida será mecanicamente introduzido através da casca. Estes produtos são pulverizados ou pincelados no caule da planta. Neste caso.

a principal zona de absorção está entre 5 e 50 mm de sua extremidade. Apesar de não existir nenhuma barreira cuticular na zona dos pêlos radiculares. Esse fenômeno pode. todas as paredes radiais contêm uma banda fortemente impregnada com suberina (estria de Gaspary).Herbicidas: absorção.4 . seguida por uma fase de absorção mais lenta. ocorre.4.1 . próxima à zona de absorção radicular. há uma barreira lipídica localizada na endoderme da raiz. o que pode ocorrer pelo crescimento desta ou pela difusão do herbicida no estado gasoso e. Na endoderme ou antes dela. metabolismo. tamanhos e solubilidades diferentes são prontamente absorvidos pelas raízes. estar relacionado com a viscosidade da água (sob condições de baixa temperatura) e com reações químicas (absorção ativa).3 . O que acontece aos herbicidas nesse ponto não está completamente claro. Embora raízes jovens sejam também cobertas por uma camada cerosa e as mais velhas sejam fortemente suberizadas. A rota mais importante de entrada é a passagem do herbicida junto com a água através dos pêlos radiculares existentes nas extremidades das raízes. Os herbicidas têm que entrar em contato com a raiz. Muitos herbicidas com estruturas moleculares. a taxa de absorção aumenta rapidamente logo após a aplicação e. uma vez que nenhuma camada significativa de cera ou cutícula está presente nas partes das raízes onde a maior parte de absorção de herbicidas ocorre. Tem sido observado decréscimo na taxa de absorção de herbicidas devido ao abaixamento da temperatura. a água que se move em direção ao xilema deve entrar no simplasto. A entrada dos herbicidas pelas raízes não é tão limitada quanto pelas folhas.Penetração pelas raízes Muitos herbicidas aplicados ao solo são absorvidos pelas raízes. pode influenciar a absorção de herbicidas pelas raízes. depois. 1. 4). a penetração de água e solutos. em grande parte. ocorre decréscimo nesta taxa até ela se tornar nula. translocação. Nas raízes jovens. em solução com a água. Se o herbicida for 112 Módulo 3. normalmente. até a zona de absorção das raízes. com alta permeabilidade à água e a solutos (sais). O sistema radicular das plantas superiores apresenta uma superfície de absorção extremamente grande. Na endoderme. passando em seguida à negativa (perda por exsudação). formulação e misturas . Também a concentração hidrogeniônica. principalmente quando o composto é sujeito à ionização.4-D.Fatores que influenciam a absorção através das raízes A absorção de herbicidas pelas raízes é caracterizada por uma fase inicial de elevada taxa de absorção durante os 30 primeiros minutos até 2 horas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. A disponibilidade dos herbicidas para as raízes é função das propriedades físico-químicas dos herbicidas e do solo e da distribuição espacial destes compostos e das raízes no solo. para o 2. Por exemplo. Os pêlos radiculares são responsáveis por aumento significativo da área disponível para a absorção de água e de herbicidas (Fig. e esta barreira é conhecida por ser impermeável à água. ou.

como lipofilicidade e pka. Uma vez dentro do citoplasma das células. em geral. indicando que o 2. a corrente transpiratória correlaciona-se com o transporte destes para a parte aérea da planta.2 . em parte. para picloram. al.4-D é acumulado ativamente e o monuron. Quanto à concentração do herbicida. requerimento de oxigênio. podendo. Triazinas e uréias. mas hiperbólica. metabolismo. Para os herbicidas polares. Donaldson et al. absorção bloqueada por inibidores metabólicos. (1973) listam os seguintes critérios para a absorção ser ativa ou dependente de energia: Q10 ≥ 2. A linearidade é perdida quando o herbicida exerce efeito tóxico sobre a planta. ele pode penetrar no floema e. o pH que aumenta a sua polaridade beneficia também a sua absorção e penetração pelas raízes. é um processo passivo a puramente físico e. portanto. também. A correlação entre transpiração e absorção é válida para os herbicidas polares.Herbicidas: absorção. além do pH da solução do solo. que consiste em atravessar a membrana citoplasmática (plasmalema). se difundem nos espaços livres das células da epiderme do córtex da zona de absorção. então. Não há dados suficientes para o entendimento completo de mecanismo de absorção de todos os herbicidas.4-D. Os herbicidas solúveis na água. Sendo os herbicidas. portanto. a absorção de herbicidas polares. apresentando baixo Q10. e acumulação contra um gradiente de concentração. existem herbicidas não-polares que são. sendo os herbicidas mais lipofílicos absorvidos mais rapidamente. A segunda fase de absorção.4. o produto atravessá-la livremente. de onde se transloca até seu sítio de ação. (1973) a taxa de absorção de herbicida correlaciona-se com o coeficiente de partição óleo/água. alta temperatura do solo e alto potencial de água no solo são condições que favorecem a transpiração e. mas não o foram para monuron. por exemplo. pelas raízes. Essas condições foram satisfeitas para absorção de 2. baixa umidade relativa do ar. A absorção de herbicidas pela raiz também pode ser limitada por ligações ou adsorção do herbicida nos componentes celulares. formulação e misturas 113 . entretanto. segundo Donaldson et. Também atrazine e amitrole tiveram absorção passiva. inicialmente. podem ser adsorvidas. no xilema. translocação.Mecanismo de absorção de herbicidas A primeira fase de absorção é independente de energia metabólica. influenciam a absorção. estabelecendo um gradiente de concentração entre a parte externa da raiz (solução do solo) e a interna da planta (corrente de assimilados). demanda energia. passivamente. dentro de determinados limites. translocados via xilema. A segunda fase da absorção. há evidências contrárias. conseqüentemente. Também as propriedades físico-químicas dos herbicidas. prontamente absorvidos pelas raízes. também é ativa ou dependente de energia. taxa de absorção não é função linear da concentração externa. inibidores metabólicos. Esta fase tem um Q10 maior que a fase inicial e é sensível a inibidores metabólicos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas absorvido em solução com a água. ou. o que geralmente não é o caso da segunda fase.. De modo geral. Como a Módulo 3. a energia necessária à manutenção da seletividade da plasmalema é inibida. dependente da concentração. Embora alguns trabalhos demonstrem estreita relação entre transpiração e absorção. é um processo ativo de absorção. Até aí. atrazine e napropamide. Alta temperatura e irradiância. 1.3 . dependendo das características do produto. existe uma relação linear entre a concentração do produto disponível e a sua penetração pela raiz.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas translocação via xilema é muito mais rápida que a translocação via floema. e há várias explicações para isso. por Mengel e Kikby (1982).Moléculas de herbicidas capazes de entrar no protoplasma via simplasto (passam de célula em célula através dos plasmodesmatas) e atingem o floema. Estas incluem ligações nos tecidos do citoplasma. mostrando suas principais estruturas. formulação e misturas . x .3 .(a) Secção transversal de uma raiz. há tendência de aqueles herbicidas que são capazes de passar livremente do floema para o xilema serem de baixa ou nenhuma translocação via floema. floema por ambas as vias (simplásticas ou apoplásticas).Herbicidas: absorção. • . metabolismo. representando a absorção de herbicidas pelas raízes Durante a fase de absorção dependente de energia.Moléculas de herbicidas capazes de penetrar nas paredes celulares translocam-se via apoplasto. ou.Moléculas de herbicidas capazes de penetrar no xilema e. o . (b) Diagrama hipotético. translocação. Figura 4 . partição nos lipídios do citoplasma ou metabolismo a produtos polares que 114 Módulo 3. os herbicidas podem ser acumulados contra um gradiente de concentração. difundem-se através das estrias de Caspary e atingem o xilema.

Esta é a explicação alternativa para a acumulação de ácidos fracos. Normalmente. A exsudação também está relacionada com a detoxificação da planta. onde. imazethapyr e sethoxydin Fonte: Stelling (1994) Módulo 3. Uma vez que o pH no citoplasma é uma a duas unidades maior que o pH do meio externo da célula. como os derivados do ácido fenóxico acético. Várias classes de importantes compostos. correspondendo à zona de absorção. evidenciando que ela se dá por processo metabólico. os produtos de maior afinidade por substâncias lipofílicas (lipofilicidade) atravessam mais facilmente a plasmalema. metabolismo. acumulando-se no interior da célula (Figura 5). impedem a ação seletiva desta.4-D. podendo ser um dos fatores responsáveis pela tolerância desta ao herbicida. benzóico ou picolínico. chlorsulfuron. como 2. A exsudação é um fenômeno limitado apenas às raízes integrais (sem cortes) e vivas. Os herbicidas não-polares seguem uma rota lipofílica até atingirem a plasmalema. A zona da raiz mais ativa na exsudação é a zona de alongamento. provavelmente.4-D.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas são menos hábeis para se difundir através da plasmalema.Acumulação de herbicidas (ácidos fracos) no interior da célula (a) e sítios de dissociação dos herbicidas (b): bentazon. fenilacético.3 . os ácidos fracos se dissociam mais e entram no citoplasma. 2. Essas moléculas dissociadas (ânions) são menos capazes de atravessar a plasmalema do que as moléculas neutras. formulação e misturas 115 .Herbicidas: absorção. quando aplicadas nas folhas das plantas. Figura 5 . são exsudadas pelas raízes. translocação.

Herbicidas: absorção. basicamente. etc. até atingirem as células companheiras. considerando que não é fácil atingir toda a superfície foliar de uma planta. como ponto de crescimento. O movimento de solutos e assimilados no interior das plantas superiores pode ser definido. com velocidade de 60 a 100 vezes maior que o movimento no sentido radial. de onde são transpostos para o floema. Transporte a longa distância ocorre através dos tubos crivados (floema). o aumento na translocação de um produto aumentará a sua eficiência. Muitos herbicidas são absorvidos pelas raízes ou pelas partes subterrâneas do caule e são translocados para outras áreas. a translocação é também de grande importância.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2 . quando ocorre completa cobertura da parte aérea pela calda herbicida pulverizada.contrariamente ao simplasto. conseqüentemente. em dois sentidos. sem atravessar as barreiras à permeabilidade. metabolismo. e tendo em vista que há diferença de penetração de herbicida nas diferentes posições da parte aérea da planta. etc. como visto a seguir. Por outro lado. aquelas plantas que são capazes de se regenerar através de bulbos.Conceito de movimento simplástico e apoplástico Simplástico . necessitam que determinada quantidade do produto seja capaz de translocar e atingir estes orgãos de recuperação. tubérculos. rizomas. então as doses aplicadas deste produto podem ser reduzidas. formando um conjunto contínuo através das intercomunicações do citoplasma. Apoplástico .foi definido por Crafts e Crisp.1 . denominado plasmodesmas.3 . podem ser mortas por herbicidas de contato. O floema é o principal componente do simplasto.. menores serão os custos de aplicação e os riscos de causar prejuízos ao meio ambiente. estolons. Íons e moléculas podem movi¬mentar-se de célula para célula através dessas estruturas. 2. é formado pelo conjunto de células mortas. Entretanto.Translocação de herbicidas Há várias razões pelas quais é importante o estudo de translocação de herbicidas. que são as membranas citoplasmáticas. para exercerem a sua efetiva ação herbicida. Se a translocação de um herbicida pode ser aumentada. formulação e misturas . translocação. Para a maioria dos herbicidas aplicados ao solo. citados por Hay (1976). cloroplastos. como a massa total de células vivas de uma planta. principalmente de arbustos e árvores. em 1971. que não são capazes de se regenerar através de seus órgãos subterrâneos. os espaços intercelulares e o xilema. Plantas jovens. incluindo as paredes celulares. os quais formam um sistema contínuo no qual a água e os solutos se movimentam livremente. para que produza controle eficiente. 116 Módulo 3.

suporta essa teoria.5 vezes o diâmetro da célula. é ainda desconhecido. para muitas substâncias. se transformam em uma fonte. As folhas. à medida que se distancia da fonte. no entanto. Acredita-se que herbicidas e outras substâncias se movimentem juntamente com esse fluxo. As células com protoplasma muito denso e com pontuações na parte interna da parede celular permitem maior superfície de contato entre o sistema simplástico e o apoplástico. A teoria do transporte pelo fluxo de massa baseia-se na elevação da concentração de assimilados (açúcares. Citoplasmas das células do mesófilo. 2. primeiro. têm. inicialmente. enquanto as produzidas nas folhas da parte superior da planta são transportadas para as folhas novas e os brotos terminais. que descer até atingir o caule. A hipótese do transporte pelo fluxo de massa envolve uma corrente de solutos movendo-se da fonte (folhas. estão envolvidas no fluxo de carregamento destes vasos.Movimento descendente Os assimilados e solutos se movem a uma distância média correspondente a 2. Substâncias fotossintetizadas nas folhas da base da planta são transportadas para as raízes. Parte dessa distância ocorre pelo sistema apoplástico. As células companheiras e as células parenquematosas.1. que a estria de Gaspary não está presente nos ápices Módulo 3. causando elevação do potencial osmótico e. de alguma forma ainda não definida. A alta pressão de turgor.O decréscimo da concentração dos assimilados ao longo dos vasos. Estas células são conhecidas como células de transferências e parecem funcionar no carregamento dos vasos do floema e na transferência do floema para o xilema.3 . caules ou outros órgãos fotossintetizantes) para o dreno (áreas meristemáticas. que acompanham as células do floema. em direção contrária ao gradiente de concentração.1. O movimento por esta rota para o interior da raiz é bloqueado pelas paredes longitudinais das “estrias de Gaspary”. mas somente as células companheiras estão diretamente ligadas ao floema.2 . porém o mecanismo desse carregamento. metabolismo. antes de alcançar os vasos menores do floema. conseqüentemente. na endoderme.Movimento ascendente Íons e moléculas podem difundir-se pelos espaços intercelulares e paredes celulares do córtex. assume-se que esse movimento ocorra à custa de energia metabólica. supunha-se que as substâncias (íons ou moléculas) rompiam essa barreira e penetravam no sistema simplástico das células.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2. nestes vasos. flores e frutos em desenvolvimento. após o que podem subir pelo floema ou penetrar no xilema e se translocar com a corrente transpiratória. Contudo. das células de transferência e das células companheiras estão diretamente intercomunicados. principalmente sacarose) dentro dos vasos.Herbicidas: absorção. quando amadurecem. Os assimilados. Uma vez que estes assimilados se movem para dentro desses vasos. penetração de água dentro destas células. formulação e misturas 117 . força o fluxo em massa do conteúdo nele existente.1 . raízes e tecidos ou órgãos de reserva). para se translocarem das folhas para a parte superior da planta. O movimento para dentro do floema (carregamento) deve ser um processo ativo. hoje. Sabe-se. translocação. são um dreno e.

A elevação da umidade relativa pode aumentar o movimento descendente do 2.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas radiculares de células endodérmicas jovens e na região basal das raízes laterais em desenvolvimento (LUXOVÁ. Aplicado nas raízes ou nas folhas. ele se transloca até as raízes e.4-D. pelo sistema simplástico. principalmente. Picloram . Apesar de se translocarem no sentido descendente. talvez por inibir o movimento junto à corrente transpiratória. então. Apesar de apresentar pequena acumulação na raiz.3 .6-TBA . A sua pequena acumulação nas raízes está. Exsuda-se. CIAMPOROVÁ. o picloram é. pode controlar uma séria invasora do milho. A morte ou injúria das raízes reduz a sua exsudação. ele se acumula nos pontos de crescimento. é rapidamente absorvido e translocado para todas as partes da planta. ou. Aplicado nas folhas das plantas. também ocorre acumulação nas folhas jovens. espalhando-se rapidamente por toda a planta. a concentração do produto diminui nas raízes e nas folhas fotossintetizadoras e se concentra nas regiões meristemáticas desta. formulação e misturas .os representantes deste grupo translocam-se pelo floema e. 10 vezes mais tóxico às raízes que o 2. A adição do ácido 2-cloroetil-fosfônico (ethrel) ao dicamba aumenta a sua translocação. Aplicado nas folhas do milho. aproximadamente. indicando ser este um processo que requer energia. visando reduzir o sombreamento de culturas como o cacau. elevadas temperaturas e adequado suprimento de água no solo) são também favoráveis à translocação dos produtos que se movimentam pelo sistema apoplástico.4-D. podendo causar danos às plantas adjacentes às tratadas.Herbicidas: absorção. Se a planta é retirada da solução com herbicida e colocada numa solução sem herbicida.4-D.3. até certo ponto. Em geral. pelas raízes. Derivados do ácido fenóxico . 2. o que pode representar importante rota de passagem dos herbicidas do apoplasto para o simplasto. podendo. A presença de folhas jovens na planta aumenta a translocação do produto para as raízes.4-D move-se do floema para o xilema e retorna à folha tratada. mover-se de célula para célula.Translocação de alguns herbicidas Dicamba . 118 Módulo 3. no sentido descendente. apesar de ser bastante móvel no sentido basípeto da planta.parece movimentar-se prontamente em ambos os sistemas (apoplásticos e simplásticos). Pequena acumulação ocorre nas raízes. Ele transloca-se. pode ser exsudado pelas raízes. Se o produto é aplicado nas folhas. semelhante ao 2. neste caso. ou vazar para o xilema parenquimatoso e ser transportadas no sentido acrópeto pela corrente transpiratória. relacionada com sua exsudação por elas.1. xilema e acumulam-se nos pontos de crescimento (tecido meristemático). O 2. para folhas e pontos de crescimento da planta. não se acumulam na raiz por causa do fenômeno da exsudação. que é a striga (erva-debruxa).3 . sendo exsudado. Essas substâncias podem. 2.é altamente móvel na planta. translocação.quando aplicado em solução nutritiva. pode danificar a cultura quando ele for injetado em algumas espécies que são capazes de excretá-lo através de suas raízes. ser absorvido por plantas vizinhas não-tratadas. em grande proporção. as condições ambientais favoráveis à transpiração (umidade relativa baixa. metabolismo. 1992). O uso deste herbicida no raleamento de floresta. nos pontos de crescimento e nas raízes.

que é concentrada nos tecidos meristemáticos. Contudo. promove o acúmulo de CO2 na câmara subestomática. Altas concentrações destes produtos são encontradas em glândulas ricas em óleo (verdadeira barreira à translocação destes herbicidas) localizadas ao longo do caule e nas folhas da planta. translocação. Módulo 3. As triazinas também se acumulam em glândulas ricas em óleos. por causa do fechamento dos estômatos (redução na taxa de transpiração). como herbicidas não translocáveis nas plantas. porém se translocam apenas do ponto de aplicação para as extremidades da parte da planta onde foram aplicadas. mais rápida é absorvida pelas raízes e mais rápida é a translocação para o caule.a maioria das triazinas são mais facilmente absorvidas pelas raízes. Entretanto. A diferença de translocação do imazaquin pode ser a causa das diferenças na susceptibilidade entre as espécies. dentro de 30 minutos elas podem ser detectadas no topo da planta. Na prática. portanto. principalmente quando aplicados durante o dia. Aplicados às raízes. Aplicados às folhas. Imidazolinonas . principalmente. onde atuam. ao inibir a fotossíntese. ametryn e atrazine. a translocação da folha para o caule parece não estar relacionada com a lipofilicidade. Aparentemente.Herbicidas: absorção. A translocação das raízes para os caules parece estar relacionada com a lipofilicidade das imidazolinonas. sob forte intensidade luminosa.3 . aparecem os sintomas de toxidez. onde inibem a síntese de aminoácidos.estes herbicidas são absorvidos por folhas. Alguns trabalhos mostram que a translocação é aumentada pela redução da umidade relativa (elevação da transpiração). O sítio de ação dos herbicidas deste grupo é a enzima AHAS (ácido aceto hidroxi sintase). parece que ele atinge o xilema antes de necrosar o tecido e se move com a corrente transpiratória tão logo a planta seja exposta à luz. principalmente diuron. são bastante toleradas pelos citros e pelo algodão.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Uréias . em plantas de algodão. Ocorre paralisação da translocação em aveia uma hora após o tratamento. quanto mais lipofílica for a imidazolinona. de alguma forma. são também absorvidas pelas folhas. A sua velocidade de ação é proporcional à intensidade luminosa. em razão de sua rapidez de ação. principalmente nos cloroplastos. Outros autores admitem que a translocação ocorrida na planta seja por difusão causada pelo rompimento das células. na prática. Fatores que reduzem a transpiração da planta reduzem também a sua translocação. concentrando-se nas extremidades das folhas. Imazaquin é muito ativo no milho. Quando aplicadas às raízes das plantas. enquanto a translocação no milho continua por muito tempo. espalham-se por toda a planta. a pequena translocação do produto ocorre pelo sistema apoplástico. Triazinas . caules e raízes e se trans¬locam via floema ou xilema até os pontos de crescimento. Algumas uréias. eles são considerados herbicidas de contato. Algumas. os cloroplastos. sendo todas elas translocadas exclusivamente via xilema. Os estômatos fecham-se porque o herbicida.os derivados da uréia substituída são translocados exclusivamente via apoplástica. Bipiridílios – são considerados. como metribuzin. fluometuron e linuron. formulação e misturas 119 . em menor proporção. A taxa de absorção decresce algum tempo após a aplicação. onde. Assim. penetram no simplasto. metabolismo. mas pouco ativo em Avena fatua. Quando o paraquat é aplicado no escuro. atingindo. em solução nutritiva. inicialmente. eles não se translocam de uma folha para outra.

4-D). A hidroxilação na posição ‘para’ inativa o produto. A hidroxilação na posição ‘3’ e a sua conseqüente conjugação com glucose e. Algumas leguminosas. ou. o toleram.3 .4-D.5 T. na época da colheita das estruturas utilizadas para a alimentação. Tratar-se-á.: auxínicos. com conseqüente conjugação desta hidroxila com constituintes da planta.Metabolismo dos herbicidas nas plantas A seletividade dos herbicidas pode ser atribuída a numerosos fatores. Normalmente. A maioria das plantas degrada a cadeia do ácido acético. metabolismo. conhecer os seus metabólitos e a forma como são metabolizados. causando a inativação do herbicida. 120 Módulo 3. É importante saber não só que o herbicida é metabolizado. como a alfafa.Herbicidas: absorção. inibidores da ALS e da ACCase).4-DB também é metabolizado por algumas plantas (Figura 7). do metabolismo dos herbicidas nas plantas apenas em relação à sua detoxificação. Derivados dos ácidos fenóxicos Há três mecanismos básicos envolvidos no metabolismo dos derivados do ácido fenóxido acético (Figura 6): • degradação da cadeia do ácido acético. Uma das maneiras pelas quais as plantas se livram destes produtos é através do metabolismo destes. etc. alanina. valina. aqui.3. também o inativam. transformando-se em composto tóxico (2. Embora os herbicidas venham sendo usados há mais de 50 anos. há hidroxilação na posição anterior do cloro. formando o 2.6 T. o estudo de seus metabolismos é relativamente recente. e • conjugação do composto com constituintes da planta. Os compostos geralmente encontrados em conjugação com 2. A transferência do cloro da posição '4' para a posição '3' e a passagem do cloro da posição '5' para posição ‘6’ do 2. na passagem do cloro de uma posição para outra. • hidroxilação do anel aromático. formulação e misturas . metabolismo o da molécula é uma das principais causas da seletividade. mas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 3 . leucina. É muito importante saber se o herbicida é metabolizado ou não. também. ácido glutâmico. metabolismo.4-DB → β oxidação → 2. Para vários grupos de herbicidas (ex. mas somente algumas espécies o degradam em velocidade suficientemente rápida para aumentar ou proporcionar a sua tolerância ao produto. As agências governa¬mentais estabelecem limites de tolerância de resíduos dos produtos na planta. O 2. aminoácidos também são mecanismos de inativação do 2.4. translocação. na planta. fenilalanina e triptofano. translocação.4-D são: ácido aspártico. incluindo absorção.

enquanto em espécies suscetíveis (feijão e pepino) a degradação Módulo 3. principalmente gramíneas como milho.4-D em plantas superiores Figura 7 – β oxidação do 2. Em espécies tolerantes. translocação. são altamente tolerantes às clorotriazinas (atrazine e simazine). antes da saturação dos sítios de ação do produto. dando tempo para que outros processos metabólicos realizem a sua degradação. formulação e misturas 121 . A taxa de degradação das triazinas em plantas superiores varia grandemente com as diferentes espécies. Figura 6 .4-D ou o fazem muito lentamente.4-DB a 2.4-D em plantas superiores Triazinas Algumas plantas.3 . sorgo e cana-de-açúcar. elas são rapidamente degradadas (Figura 8).Herbicidas: absorção.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas porque não o transformam em 2. metabolismo.Biotransformação e rotas metabólicas do 2.

mas a hidroxilação é mais intensa nas raízes. Esta substância ocorre em toda a planta de milho. a base de seletividade destes herbicidas às plantas.Biotransformação e rotas metabólicas de atrazine em plantas superiores Os processos de inativação ocorrem pela hidroxilação. Extratos das raízes e da parte aérea do milho são capazes de hidroxilar as clorotriazinas. Também pode ocorrer conjugação das triazinas com peptídeos. Glutation-Stransferase é a enzima envolvida nessa conjugação. formulação e misturas . A substância catalisadora dessa reação foi identificada como benzoxazinona. primariamente. o que favorece a tolerância das plantas a estes herbicidas. a taxa de degradação das triazinas parece ser. 122 Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas é mais lenta. O metabolismo do metribuzin nas plantas superiores pode ser observado na Figura 9. A N-dealquilação é outra rota do metabolismo das triazinas. demetoxilação e dealquilação na posição ′N′ e por conjugação com peptídeos. translocação.3 . Portanto.Herbicidas: absorção. indicando que nestas a benzoxazinona é mais ativa. metabolismo. Figura 8 .

Biotransformação e rotas metabólicas do metribuzim em plantas superiores Derivados dos ácidos benzóico A hidroxilação do anel aromático e a sua conjugação com outros constituintes da planta são demonstradas na prática. É um produto não-seletivo e de elevada eficiência no controle de plantas daninhas perenes.6-TBA é considerado um herbicida estável. Enquanto estas inibem raízes e pontos de crescimento.3 . o propanil inibe o fotossistema II. Propanil É uma exceção entre as amidas. não se demonstrou.Herbicidas: absorção. formando a correspondente anilina. ou.3. Entretanto. metabolismo. e também com a conjugação com os constituintes da planta. ainda. formulação e misturas 123 . demetoxilação e deaquilação. o 2. É considerado um herbicida completamente metabolizado pelas Módulo 3. a ruptura do anel.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 9 . tanto na planta quanto no solo. Derivados da uréia As principais rotas do metabolismo das uréias substituídas estão relacionadas com a demetilação e. translocação. incluindo as de raízes profundas. Entre os compostos deste grupo.

principalmente com diversos tipos de carboidratos.4-D com a do picloram (em algumas espécies de plantas latifoliadas). O 3-4-diclorolactoanilida é um composto intermediário e instável nas plantas tolerantes. considerando-se o tempo de ação. Trabalhos realizados por Redemann e outros. Picloram: É um produto altamente estável na planta e no solo. como o capimarroz. sensível. Figura 10 . podendo a mistura do propanil com estes compostos causar sensível redução na tolerância do arroz ao propanil ou até perda total de seletividade do propanil a essa cultura. ele se acumula e inibe a reação devido à menor atividade da enzima que o degrada. por unidade de tempo. metabolismo. por causa de sua lenta degradação.Herbicidas: absorção. formulação e misturas . A enzima envolvida nesse processo (arilacilamidase) é 10 a 20 vezes mais ativa no arroz que no capim-arroz.Hidrólise do propanil em plantas de arroz O metabólito 3-4-dicloroanilina formado pode ser conjugado com constituintes da planta. citados por Foy (1976). razão pela qual o arroz é tolerante e o capim-arroz. Entretanto.3 . Comparando a atividade do 2.4-D é mais ativo que o picloram. A velocidade de sua metabolização influencia decisivamente a tolerância da planta. o picloram é mais de 10 vezes mais ativo. em trigo. observou-se que o 2. como o arroz. Nas plantas sensíveis. Esta enzima é sensível aos inseticidas carbamatos e fosforados orgânicos. translocação.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas plantas tolerantes (Figura 10). 124 Módulo 3. mostraram que somente 17% do picloram tinha sido metabolizado três meses após a sua aplicação. A sua alta atividade como arbusticida e arborecida está relacionada com a sua estabilidade na planta.

tamponantes (deixam o pH dentro de uma faixa desejada). é comercializado em formulações diferentes em várias regiões do mundo. Estes compotos causam redução da tensão superficial. adesivos (melhoram a aderência do produto com a superfície tratada). ingrediente ativo é o composto com atividade biológica.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4 . Eles podem ser aniônicos (carregados negativamente). adicionando substâncias coadjuvantes. formulação e misturas 125 . Os minerais também podem servir como veículo para aplicação de herbicidas. no Brasil. O mesmo ingrediente ativo. Eles podem ser: minerais (formulados com predominância de frações parafínicas de hidrocarbonetos). Os óleos não-fitotóxicos também têm grande uso como adjuvante. dispersantes (impedem a aglomeração de partículas). penetrantes. Recentemente surgiram os surfatantes à base de organossilicones. translocação. ou. mas a tendência atual. 1997). pelos estômatos. seja como molhantes. metabolismo. exceto água.Formulação Formular um herbicida consiste em preparar seu ingrediente ativo na concentração adequada. Os surfatantes são classificados de acordo com sua carga elétrica ou tendência de ionizar a porção hidrofílica da molécula. espessantes (aumentam a viscosidade). vegetais (apresentam porções variadas de ácidos graxos) e vegetais metilados (sofrem esterificação metílica). mantendo essas condições durante o armazenamento e transporte (ARAÚJO. antievaporantes e. também. servindo de interface entre as superfícies. Os surfatantes ou tensoativos são também adjuvantes. por possuírem porções lipofílicas e hidrofílicas na mesma molécula. catiônicos (carregados positivamente) e não-iônicos (neutros). molhantes (permitem rápida umectação do produto em contato com a água). Qualquer substância ou composto sem propriedade fitossanitária. às vezes. segundo Kissmann (1997). quelatizantes (tiram reatividade de moléculas e íons). espalhantes. e surfatantes (agentes ativadores de superfície).Herbicidas: absorção. Na legislação federal sobre produtos fitossanitários. para poder cumprir eficazmente sua finalidade biológica. Entre as classes de adjuvantes podem-se citar: emulsificantes (compatibilizam frações polares e apolares). corantes (dão coloração ao produto formulado). é uma formulação universal que possa ser usada em diversos países. solventes (dissolvem o ingrediente ativo).3 . que não alteram o equilíbrio eletrolítico nas formulações e nas caldas. que são capazes de reduzir muito a tensão superficial e até induzir um fluxo de massa da solução pulverizada através do poro estomatal. tendo em vista que o produto final deve ser usado em determinadas condições técnicas de aplicação. adesivos. e os ingredientes inertes são os outros compostos adicionados na formulação. A formulação é a etapa final da industrialização. fazendo com que o herbicida penetre. Módulo 3. que é acrescida na preparação de defensivos para facilitar a aplicação ou aumentar a eficiência ou diminuir os riscos é classificada como adjuvante.

que são inativados parcial ou totalmente. formulação e misturas . no mínimo. Deve-se salientar que essa dureza é calculada em função do teor de CaCO3 .4-534. necessidade de armazenagem e tipo de ambiente em que a aplicação é feita. ou seja. especialmente os de Ca++ e de Mg++. perigo de deriva e lixiviação. que são os principais causadores da dureza da água. 1997).Classes de dureza da água Classes Água muito branda Água branda Água semidura Água dura Água muito dura ppm de CaCO3 71. A água quase sempre apresenta sais em dissolução. assim.4 142.2-142. permanecer ativa por um longo período. nos seguintes fatores: características físicas e biológicas da planta daninha-alvo. custo. tornando-os indisponíveis. favorecer mais a penetração do herbicida (RADOSEVICH. Quadro 3 .Veículo de aplicação (água) O veículo mais importante para diluir formulações de produtos fitossanitários a serem aplicados por pulverização ou imersão é a água. por diminuírem ou eliminarem a seletividade de alguns herbicidas e até favorecerem ataques de fungos pela remoção da camada cerosa protetora ou por espalharem os esporos pela superfície vegetal (Kissmann. Uma formulação de herbicida pode ser considerada de boa qualidade se atender aos seguintes requisitos: ser letal à planta daninha ou. 4. Também. boa retenção na superfície da folha. que deve ser de boa qualidade.4 320. caso esta já esteja instalada. Um exemplo claro dessa ação ocorre com os compostos catiônicos (paraquat e diquat). danosa a ela. Além disso. 1997). os surfactantes favorecem o espalhamento uniforme da calda na superfície foliar.4-320. causando desnaturação enzimática ou disfunção das membranas e. Argilas e compostos orgânicos em suspenão na água podem absorver alguns tipos de ingredientes ativos.1 . podem solubilizar substâncias não-polares da folha. deve apresentar bom espalhamento. possível injúria na cultura.0 > 534. também. como sendo fitotóxicos.2 71. Deve também permitir a associação de produtos. e não afetar os microrganismos benéficos e a cultura.0 126 Módulo 3. equipamento de aplicação disponível. translocação.Herbicidas: absorção.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Além da redução da tensão superficial. metabolismo. tem que ser compatível.3 . assumir conotações negativas em certos casos. tanto física (sem absorção ou repulsão entre os ingredientes) como química (sem alteração dos compostos) ou biologicamente (a mistura deve ser eficiente para o controle) e ser estável. A escolha da formulação a ser usada baseia-se. Os sufatantes podem. aumentam a retenção e melhoram o contato da gotícula. e penetração foliar eficiente. segundo Ozkan (1995).

Durante a aplicação. não requerendo agitação durante aplicação. que representa água semidura. Possui a vantagem de ter. formulação e misturas 127 .ingredientes ativos à base de ácidos ou sais podem reagir na presença dos cátions Ca++ e Mg++ . segundo Kissmann (1997). cuja velocidade depende do pH. Grânulos dispersíveis em água (GRDA ou dry flowable): é uma formulação sólida constituída de grânulos. sob a forma de suspensão. com conseqüente perda da função desses surfatantes. translocação. 4.0 e 6. Nos ingredientes ativos . Valores extremos de pH podem afetar a estabilidade das caldas. no produto comercial. Adiciona-se geralmente uma substância dispersante. Muitos produtos que ficam preparados em água por muito tempo.1 . Geralmente. precisa-se de uma agitação contínua no tanque. podem sofrer degradação por hidrólise. de duas maneiras: acrescentando um surfatante não-iônico. e este.5.2 . adicionado em água. 700 g kg-1 de metribuzin). os elementos responsáveis pela dureza da água Ca++ e Mg++ podem substituí-los.Tipos de formulações As formulações apresentam-se. após dispersão em água.2. o que isolaria a carga elétrica e suprimiria a reatividade de íons desta. transformase numa suspensão. Pó solúvel (PS): nesta formulação o ingrediente ativo é totalmente solúvel em água. o que reduziria a tensão superficial dos líquidos. formando compostos insolúveis. nas formas sólida e líquida.3 . A dureza da água pode ser corrigida. metabolismo. vermiculita. e a constante de dissociação também é dependente do pH. As indústrias geralmente já formulam seus produtos para serem compatíveis com 20 até 320 ppm de carbonato de cálcio. maior concentração de Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A dureza da água interfere na qualidade das caldas dos herbicidas de duas maneiras: Nas formulações . ou acrescentando um quelatizante na água. 4.na presença de tensoativos aniônicos contendo Na+ ou K+. possui 50 a 80% de ingrediente ativo (ex: Sencor BR. para evitar floculação e aumentar a establilidade da suspensão. Muitas moléculas sofrem dissociação quando em solução.Herbicidas: absorção. as caldas fitossanitárias apresentam mais estabilidade numa faixa de pH entre 6. etc). Geralmente. O ingrediente ativo sólido está na forma de grânulos. descaracterizando sua ação biológica. É obtida pela moagem do ingrediente ativo absorvido em material inerte (sílica. para aplicação sob a forma de suspensão após desintegração e dispersão em água. basicamente.Formulações sólidas Pó molhável (PM): esta formulação é definida pela ABNT como formulação sólida de pó. com possíveis substituições e formações de compostos insolúveis. Outro fator muito importante que pode influir na estabilidade dos herbicidas e nos resultados é o pH da água. para aplicação. antes da aplicação.

que é o ingrediente ativo. O concentrado emulsionável conta. a baixa toxicidade e o fácil manuseio (ex. com isso. Pellets ou pastilhas: possuem ampla similaridade com os granulados. menor volume de calda para aplicação (ex: Scepter 70 DG. translocação. dissolvido no solvente. Suspo-emulsão: é uma formulação fluida e heterogênea. sob a forma de emulsão. e de princípio ativo. 200 g kg-1 de molinate). permanece por longos períodos em suspensão (mistura mais homogênea) e provoca menos desgaste nos bicos (ZAMBOLIM. com um solvente nãopolar (o ingrediente ativo). metabolismo. Emulsões são sistemas termodinamicamente instáveis que consistem em dois líquidos imiscíveis.: Karmex 500 SC. etc. sendo um deles disperso como glóbulos de pequeno tamanho dentro do outro. Granulados (GR): os grânulos são constituídos de veículos minerais. Como vantagens estão a ausência do pó. Possui maior penetração foliar.2. Em geral. constituída de uma dispersão estável de ingredientes ativos na forma de partículas sólidas e de finos grânulos na fase aquosa. Esta formulação contém as fases ‘oleosa’ (contendo o ingrediente ativo e o solvente orgânico surfatante) e ‘aquosa’ (que também pode conter 128 Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas princípios ativos. Emulsões concentradas: esta formulação é uma emulsão de ingrediente ativo de baixo ponto de fusão ou líquido. como a vermiculita.2 .: Dual 960 CE. A solubilidade mínima necessária é de 12%. são mais seletivos. álcool. 670 g L-1 de 2. adiciona-se geralmente um surfatante (ex. Seu processo de obtenção é o mais simples e barato. 500 g L-1 de diuron). para aplicação após a diluição em água. que pode conter outro(s) ingrediente(s) ativo(s) para aplicação após a diluição. basicamente. 960 g L-1 de metolachlor). 700 g kg-1 de imazaquin). Concentrado emulsionável (CE): é uma formulação líquida homogênea. 1997) (ex. diferindo-se por possuírem partículas de maior tamanho.3 . ele deve ser solúvel em pelo menos 25% por litro do solvente. para aplicação após diluição em água. formulação e misturas . e um agente emulsificante. VALE. e do solvente. 4. que pode ser água. 4-D). Suspensão concentrada (S) ou “flowable”: é uma formulação constituída por uma suspensão estável de ingrediente(s) ativo(s) num veículo líquido. sendo uma alternativa ao concentrado emulsionável (ex. Para que um produto seja formulado como solução. composta do soluto. requerendo. o princípio ativo sólido (micropartículas) é mantido suspenso em água.Herbicidas: absorção. têm maiores custos e dependem de equipamentos adequados para aplicação e de umidade no solo para liberar o ingrediente ativo (ex.: Ordran 200 GR. cuja concentração varia de 2 a 20%. dispensam o uso da água. Neste tipo de formulação. podem ser aplicados em locais de difícil acesso. acetona. Devido à sua pouca penetração foliar.: DMA 806 BR.Formulações líquidas Soluções (S): esta mistura é de natureza homogênea. A importância desta formulação reside na possibilidade de poder compatibilizar dois tipos de formulações diferentes. 110 g L-1 de fenoxaprop-p-ethyl). Microemulsão: é um caso específico de emulsão.: Podium.

5. 5 . além de surfatante).Misturas de herbicidas O controle de plantas daninhas visa. • Redução de resíduos na cultura e no solo devido ao uso de doses menores. entretanto. a preparar misturas de herbicidas com diferentes princípios ativos. Houve grande expansão no uso de misturas e na aplicação sequencial de vários herbicidas em um único ciclo cultural. reduzir ou eliminar a competição destas com a cultura É importante lembrar que existem centenas de espécies de plantas daninhas e que estas apresentam as mais variadas características morfológicas e fisiológicas. É mais efetiva que uma única dose de um herbicida. formulação e misturas 129 . homogêneo (ex.1 . A idéia de combinação de herbicidas para controlar seletivamente plantas daninhas em culturas desenvolveu-se posteriormente. bem como os fabricantes. • As misturas foram primeiramente usadas para o controle não-seletivo e seu uso contínuo tornou-se importante. além do conhecimento a respeito das interações entre os produtos. Além desse fato. especialmente as misturas. que lhes conferem comportamento diferenciado (susceptibilidade. ou mesmo com outros agroquímicos/pesticidas. devido ao uso de doses menores de cada herbicida misturado. o manejo de herbicidas. metabolismo. requer grande cuidado. quando comparadas com aplicação de um princípio ativo isoladamente. tolerância ou resistência) em relação aos herbicidas utilizados.Vantagens das misturas ou combinações de herbicidas A aplicação de misturas de herbicidas pode oferecer vantagens. • Redução de custos: o menor custo de aplicação. translocação. Módulo 3. Deve-se dar preferência às misturas prontas. entre outros aspectos. A aparência é de um líquido transparente.: Robust: 200 g de fluazifop-p-butil + 250 g L-1 de fomesafen). especialmente dos componentes mais persistentes. o controle mais efetivo de plantas daninhas e as menores quantidades de herbicidas aplicadas geralmente reduzem o custo total do manejo. visando obter o máximo de controle de plantas daninhas e minimizar injúrias às culturas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ingrediente ativo solúvel em água.Herbicidas: absorção. Há menor chance de a cultura ser injuriada.3 . • Aumento da segurança da cultura. a necessidade de reduzir os custos de produção da cultura tem levado os produtores. como: • Controle de maior número de espécies de plantas daninhas e redução do risco de aparecimento de genótipos resistentes.

causada pela incompatibilidade. 5. resultando em formação de precipitados. • Pode melhorar o controle de plantas daninhas pela ampliação da seletividade. é evitar possíveis incompatibilidades dos componentes da formulação. de modo que sua aplicação não pode ser executada. pela adição de outro herbicida mais efetivo sobre determinada espécie de planta daninha predominante. 5. 130 Módulo 3. etc.3 . metabolismo. Fatores como solubilidade. dependendo do modo como foi feita a mistura. por exemplo. translocação.Interações entre herbicidas O termo interação descreve a ação conjunta dos herbicidas nas plantas. uma das vantagens da mistura formulada.3 . Quando dois ou mais herbicidas são aplicados juntos.2 .Herbicidas: absorção. podem ser observados os seguintes efeitos sobre as plantas: • Efeitos sinérgicos: quando o efeito dos herbicidas aplicados juntos é maior que a soma dos efeitos isolados.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • Controle por um período maior.Incompatibilidade Quando dois ou mais herbicidas são combinados. em relação à de tanque. separação de fase. A incompatibilidade denota a inabilidade de dois ou mais herbicidas em serem usados simultaneamente. • Efeitos aditivos: quando o efeito dos herbicidas em mistura é igual à soma dos seus efeitos quando aplicados separados. • Melhores resultados em campos com variados tipos de solos. É a relação da efetividade de um material com o outro. formulação e misturas . Por isso. em razão da possível ação sinergística na planta daninha e ação antagônica sobre a cultura. juntos (misturados no tanque) ou ainda podem ser formulados juntos (comercializados numa mesma embalagem). complexação. carga iônica e outros parâmetros físicos são responsáveis pela redução do desempenho dos produtos. A incompatibilidade física é usualmente causada pela formulação e suas interações.. Estes herbicidas pré-misturados ou em misturas no tanque do pulverizador podem ser mais eficientes ou não. Menor desempenho da mistura pode ser resultado de qualquer incompatibilidade física ou biológica. com outro formulado como concentrado emulsionável tem elevada tendência a apresentar incompatibilidade física. A mistura de um herbicida formulado como pó-molhável. eles podem ser aplicados separadamente (um após o outro). que resulta numa rápida sedimentação dos componentes da mistura. • Efeitos antagônicos: quando o efeito dos herbicidas em mistura é menor que a soma dos seus efeitos quando aplicados separadamente.

induzindo o Módulo 3. inseticidas organofosforados podem inibir. bentazon. 2005) A tolerância do milho a este herbicida é devido ao rápido metabolismo deste. 1995). imazaquin. a mistura é aditiva.Interações de herbicidas com inseticidas em mistura Em geral. metabolismo. WARREN. As bases para essa interação podem ser: aumento da penetração foliar dos herbicidas aplicados em pós emergência. este metabolismo. a mistura é sinérgica. entretanto. O antagonismo em misturas de tanque acontece quando uma reação adversa ocorre entre os herbicidas na solução. Então. etc.Herbicidas: absorção. • Se a resposta observada for maior que a esperada. imazethapyr. translocação. principalmente quando a formulação éster do MCPA é usada. resultando em menor efeito dos herbicidas sistêmicos. MCPA. • Se a resposta observada for igual à esperada. etc. • Se a resposta observada foi menor que a esperada. interações dos mecanismos de ação dos herbicidas envolvidos. 5. A redução da penetração pela raiz pode resultar em antagonismo e aumentar a seletividade da cultura. e E = percentagem ‘esperada’ de inibição do crescimento pelos herbicidas A+B a p+q L/ha. Do ponto de vista prático. a mistura é antagônica. chlorimuron. aumento da translocação.4-D. Organofosforados estão envolvidos com interações com nicosulfuron (SILVA et al. É o caso do trifluralin e diuron em algodão e trifluralin e metribuzin em soja. por exemplo. por exemplo. Várias misturas sinergísticas de herbicidas têm sido reportadas. seria ideal que a mistura apresentasse efeitos antagônicos para a cultura e sinergísticos para as plantas daninhas.4 . O antagonismo também ocorre quando um herbicida de contato é aplicado com glyphosate ou com herbicidas auxínicos. os inibidores de lipídios não devem ser misturados com 2.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas É interessante lembrar que esses efeitos podem ser diferentes entre espécies de plantas.. O efeito da interação entre dois herbicidas pode ser estimado pela equação a deguir: em que: X = percentagem de inibição do crescimento pelo herbicida A e p L ha-1. entre o paraquat e o MCPA dimetylamina. a fitotoxicidade de alguns herbicidas tem mostrado ser influenciada por alguns inseticidas organofosforados ou metilcarbamatos. X+(100-Y) é a toxicidade esperada da mistura. Inseticidas organoclorados não têm apresentado interações com herbicidas. chlorsurfuron. O antagonismo do fenoxaprop com MCPA éster aumentou a tolerância do trigo sem reduzir o controle da aveia-brava (JORDAN.3 . ou reduzir. formulação e misturas 131 . etc. inibição do metabolismo. Também pode ocorrer a redução da penetração foliar. Y = percentagem de inibição do crescimento pelo herbicida B e q L ha-1. A absorção e a translocação do glyphosate ficam prejudicadas. É o antagonismo químico.

É interessante ressaltar o antagonismo entre phorate (Thimet). fomesafen e imazamox. 5. porém sem nenhuma base científica. viabilizam a aplicação desses insumos de uma só vez. disulfoton (Disyston) e o clomazone em algodão. metabolismo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas surgimento de sintomas de intoxicação nas plantas da cultura. às vezes. bentazon. Esses resultados. em ensaios preliminares apresentou efeitos aditivos. Os inseticidas protegem o algodão de alguma toxicidade do clomazone. A aplicação do terbufos em milho é antagonística aos resíduos do imazaquin no solo e tem dado considerável proteção ao milho. em mistura com os herbicidas fluazifop-p-butil+fomesafen. se confirmados.3 . translocação. formulação e misturas . Interações de herbicidas com fertilizantes em mistura Os herbicidas em misturas com fertilizantes. são usados por alguns produtores. O organofosforado terbufos (Counter) tem causado maiores problemas na prática.Herbicidas: absorção. A aplicação de molibdênio na cultura do feijão.5. Os mecanismos dessa interação não são bem conhecidos. 132 Módulo 3.

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Jose Barbosa dos Santos Profº.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 .Herbicidas: comportamento no solo 135 . Antonio Alberto da Silva Profº. Rafael Vivian Profº.UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília .DF 2006 Módulo 3.ABEAS Universidade Federal de Viçosa .Manejo de plantas daninhas 3.Herbicidas: comportamento no solo Tutores: Profº.4 . Rubem Sillvério de Oliveira Júnior Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior .4 .

Degradação biológica (microbiana) ou biodegradação.2. 158 2.3 . 150 2.Importância do estudo de herbicidas no solo.1 . 141 2.3 .6 . 164 3.1 – Persistência.Degradação química.Relação entre KH e incorporação de herbicidas.Processos de transporte.5.2 .3 .5 . 166 3.2.Processos de retenção. 170 4. 175 4.5.3 .4. 170 4. 164 3. 167 4 .1 .4 – Lixiviação. 140 2.Herbicidas: comportamento no solo .7 – Dessorção.Importância da matéria orgânica do solo na sorção de herbicidas. 147 2. 155 2.2.Escorrimento superficial (run-off) e sub-superficial (run-in). 162 3.1 .Capacidade de dissociação eletrolítica (pKa). 139 2 .Isotermas de sorção. 162 3.Principais propriedades físico-químicas dos herbicidas que interferem na sua sorção no solo.1 .6.2.4. 141 2. 167 3.2 – Volatilização.Pressão de vapor (P). 154 2.2 .2.3 – Adsorção.2 – Absorção.Textura e mineralogia.2 . 142 2.pH do solo.Fatores que influenciam a volatilização.Coeficiente de partição octanol-água (Kow). 167 3. 144 2.5 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução. 158 2.4 – Sorção.Relação entre PV e S.Alternativas para redução de perdas por volatilização. 175 136 Módulo 3. 161 3.2.1 – Precipitação. 138 1 .6 . 158 2.4 – Solubilidade.Processos de transformação.Principais propriedades do solo que influenciam a sorção de herbicidas. 162 3. 141 2.4 . 160 3 .6. 166 3.1 .Absorção pelas plantas.2 . 150 2.5.2 .Estimativa da sorção.

A fitorremediação como mecanismo de biorremediação. 186 Referências bibliográficas.3 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4.2 .4 .Problemas relacionados aos herbicidas residuais. 177 5 – Fitorremediação. 179 5.Fotodecomposição ou fotólise.Estratégias para o sucesso da fitorremediação. 183 6 . 182 5.1 .4 .Herbicidas: comportamento no solo 137 .Considerações finais. 188 Módulo 3. 178 5.

para que seja preservada a qualidade final dos produtos colhidos. 138 Módulo 3. Nos últimos anos. Outro fator relevante é que 60 a 70% do total dos pesticidas aplicados nos campos agrícolas não atingem a superfície alvo de interesse (LAW. os estudos envolvendo a sorção de herbicidas em solos brasileiros sob condições de clima tropical são também fundamentais para avaliação da eficiência de controle das plantas daninhas do local. são responsáveis por grande parte da degradação desses recursos. O seu tempo de permanência no ambiente depende. como o que ocorre para algumas moléculas simples e não-persistentes. o qual atua como o principal receptor e acumulador desses compostos.Herbicidas: comportamento no solo . Ao atingirem o solo. Embora escassos. da dinâmica do fluxo hídrico e do transporte de solutos. 2001) e acabam alcançando direta ou indiretamente o solo. observa-se maior preocupação quanto à contaminação do ambiente e a utilização racional dos recursos hídricos e do solo. juntamente com os processos envolvidos na dissipação desses compostos no ambiente. inicia-se o processo de redistribuição e degradação dos herbicidas aplicados. pois elevados índices de sorção podem comprometer a eficiência do herbicida. especialmente o solo e a água. a qual está relacionada à atividade microbiológica. As práticas agrícolas. atualmente. para compostos altamente persistentes. da capacidade de sorção do solo. biodisponibilidade e recalcitrância do herbicida. assim como dos próprios recursos naturais que sustentam a produção.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução O uso do controle químico em plantas daninhas. tornando-se indiscutível a utilização de herbicidas no sistema agrícola. permitindo maior compreensão da dinâmica desses compostos no ambiente. No entanto.4 . Com isso. Neste capítulo são apresentados os principais conceitos relacionados ao comportamento de herbicidas no solo. é fundamental que eles sejam adequadamente aplicados. cresce a importância do entendimento do destino final dessas moléculas e do estudo do comportamento no ambiente onde são aplicados. ou perdurar por meses ou anos. entre outros fatores. o qual pode ser extremamente curto. constitui-se prática indispensável para a agricultura em larga escala. Os exemplos apresentados destacam os estudos mais relevantes com herbicidas em solos. além da sua taxa de degradação. entretanto.

além da remediação e imobilização de poluentes (GRANATSTAIN.Importância do estudo de herbicidas no solo O estudo do comportamento de herbicidas no solo e no ambiente visa pelo menos dois objetivos principais: primeiramente. É responsável também pela ciclagem dos nutrientes. suportando as cadeias alimentares. que afetam direta ou indiretamente a eficiência no controle de uma planta daninha. 2001).Herbicidas: comportamento no solo 139 . 1992). BEZDICEK. Módulo 3. No entanto. química e biológica (DORAN. sendo responsável pelo suporte físico e de armazenagem dos nutrientes para as plantas. o estudo do comportamento de herbicidas no ambiente tem sido realizado através de estimativas das tendências a que estes estão sujeitos em função de três principais processos: retenção. transformação e transporte (Figura 1). de modo a minimizar os eventuais efeitos negativos que a sua presença possa causar ao ambiente. Promove a retenção e o movimento da água. em razão de o solo ser considerado um ambiente heterogêneo sob influência de diversos fatores. segundo. Atualmente. onde interagem inúmeros processos de ordem física. que interagem entre si. Outro fator relevante é que o solo atua na manutenção dos processos vitais. além do próprio herbicida. uma vez que o herbicida é uma substância exógena ao meio.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1 . PARKING. 1994). embora esses processos sejam descritos de forma isolada.4 . procura-se descobrir as interações do herbicida com os componentes do solo. embora a capacidade de permanência do herbicida e sua degradação no solo sejam um processo-chave na determinação do fato que este terá ou não efeito na qualidade ambiental (Hinz. conhecer os fatores do ambiente. a sua avaliação é de difícil mensuração e repetibilidade. atividade e diversidade microbiana.

4 . química e biológica).Herbicidas: comportamento no solo . evitando que ela se mova tanto dentro como para fora da matriz do solo. Sabe-se que as moléculas dos herbicidas. Entretanto. a partir da superfície do solo na forma de solução. que engloba mecanismos específicos de dissipação dos herbicidas: absorção. assim como conhecer qual a eficiência quando estes forem aplicado para o controle de plantas daninhas. por sua vez. transporte e transformação de um herbicida aplicado ao solo 2 . precipitação e adsorção. química e biológica. A distinção entre adsorção verdadeira (na qual camadas moleculares se formam na 140 Módulo 3. movimentar-se ou sofrer transformação física.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 1 . Como os herbicidas movem-se.Representação esquemática da interação entre processos de retenção. o que resulta na dissipação destas. transporte e retenção. normalmente. o processo de retenção constitui-se num dos processos mais importantes para prever a movimentação dos herbicidas no solo e sua taxa de degradação (física. o processo de retenção. pode ser entendido como um processo geral de sorção de herbicidas no solo. A retenção refere-se à habilidade do solo de reter um pesticida ou outra molécula orgânica. Entretanto. constantemente. estão sujeitas aos processos de movimento.Processos de retenção O solo é um sistema aberto e dinâmico no qual os seus constituintes podem. a compreensão dos fatores que regulam as interações de retenção é essencial para entender o comportamento dessas substâncias no solo. quando em contato com o solo.

2. Essa fixação ocorre por interação de forças da superfície do adsorvente (solo) e do adsorvato (herbicida).Herbicidas: comportamento no solo 141 . obtendo-se as curvas denominadas de isotermas de adsorção. Esta é a razão pela qual os estudos de adsorção conduzidos em laboratório são realizados em condições de temperatura constante. principalmente com os constituintes orgânicos do solo. funções químicas. pela formação de uma fase sólida separada na superfície de uma partícula sólida do solo. provocado pelo incremento da energia cinética das moléculas. a adsorção por ligações químicas.3 . 2.1 . Dependendo do sentido dessa força. 2. natureza ácido/base dos herbicidas. o termo adsorção é normalmente substituído por um outro mais geral. em razão disso. abordadas posteriormente. Segundo Gevao (2000). o herbicida pode ser adsorvido às partículas coloidais (orgânicas e minerais) do solo ou sofrer repulsão. Na prática. configuração. precipitação (na qual tanto uma fase sólida separada se forma nas superfícies sólidas como ligações covalentes com a superfície da partícula de solo acontecem) e absorção dos herbicidas pelas plantas e organismos é difícil. Dificilmente ocorrerá a absorção de herbicidas por partículas minerais ou orgânicas do solo.Adsorção A adsorção caracteriza-se por um fenômeno temporário pelo qual uma substância dissolvida se fixa a uma superfície sólida ou líquida. estrutura molecular. entre outros. distribuição de cargas. Além disso. denominado de sorção (KOSKINEN. em alguns casos. HARPER. Contudo.4 .2 . ou. a adsorção é usualmente determinada apenas através do desaparecimento da substância química da solução do solo.Precipitação A formação de precipitados entre as moléculas de herbicidas pode ocorrer pela junção das partículas dos argilominerais com o herbicida por ligações covalentes de alta força. ainda. resultando num aumento da concentração na solução do solo. podendo favorecer. As quantidades do herbicida adsorvido aos constituintes do solo são diretamente proporcionais à superfície específica do material coloidal e decresce geralmente com o aumento da temperatura. distribuição. a adsorção de herbicidas no solo depende das propriedades deste e do composto aplicado. as quais incluem tamanho.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas superfície de uma partícula de solo).Absorção O termo absorção é usado especificamente quando as moléculas do herbicida são absorvidas pelo sistema radicular e outras partes subterrâneas das plantas. 1990). seja ele avaliado em condições laboratoriais ou em Módulo 3. a velocidade das reações químicas aumenta com a elevação da temperatura. o processo adsortivo de herbicidas. polaridade. solubilidade.

expressando a atração elétron-núcleo. Figura 2 . a mais importante é a força de Van der Waals.4 . ligações eletrostáticas.Herbicidas: comportamento no solo . Entre as forças físicas. Esse tipo de ligação é muito mais importante nas ligações das moléculas dos herbicidas sobre a superfície da matéria orgânica do que pela 142 Módulo 3. devido a um sincronismo no movimento eletrônico.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas campo. envolvendo mole¬culas sem dipolo permanente. o qual varia em função do mecanismo e da velocidade das reações envolvidas (Figura 2). com alta massa (SCHWARZENDBACH et al. atmosféricos e aquáticos. podendo ocorrer interação entre uma molécula polar e outra apolar. Essa força é extremamente fraca e de curtíssima distância. sem distinção entre os processos específicos de adsorção. ligações hidrofóbicas. ocorrendo comumente em moléculas grandes de herbicidas. entre outras. absorção e precipitação.Representação da determinação do tempo de equilíbrio necessário nos estudos de adsorção de herbicidas em solos As forças responsáveis pelas reações de sorção dos herbicidas no solo incluem: forças físicas. reações de coordenação e ligações de troca. em virtude da heterogeneidade do solo e da sua continuidade com sistemas biológicos. As pontes de hidrogênio são produzidas pelas atrações eletrostáticas entre o núcleo eletropositivo do hidrogênio e pares de elétrons expostos de átomos eletronegativos.. 1993).Sorção Sorção refere-se a um processo geral. 2. O processo individual de sorção é profundamente complexo.4 . depende do tempo de equilíbrio alcançado pelo material adsorvente (solo) e o adsorvido (herbicida). pontes de hidrogênio. As pontes de hidrogênio caracterizam-se por formar uma interação dipolo-dipolo. com força muita fraca.

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superfície das argilas e ocorre com compostos contendo grupos >C=O + grupos –NH (ou –COOH, OH, >C=O ou – NH2) (Figura 3).

Figura 3 - Interação entre atrazine e substâncias húmicas por pontes de hidrogênio. Fonte: Senesi (1992).

Ligações hidrofóbicas estão associadas com a sorção de herbicidas apolares, os quais competem com as moléculas de água pelos sítios sortivos. Muitas das moléculas de herbicidas, principalmente os aromáticos, halogenados, fenóis e bifenóis, com baixa solubilidade em água, podem ligar-se à superfície das argilas por meio de ligações hidrofóbicas. Estas ligações são muito favorecidas quando são adicionados ao solo resíduos orgânicos naturais, aumentando o número de sítios hidrofóbicos de ligação. As ligações eletrostáticas envolvem cargas elétricas de superfície, formadas por complexas reações de adsorção, as quais podem ocorrer por adsorção por moléculas de água, por cátions, por troca aniônica e por compostos orgânicos naturais. A adsorção por troca aniônica é importante para solos pouco intemperizados de clima temperado. Contudo, em condições de solos brasileiros, desenvolvidos em condições de clima tropical e subtropical, predominam argilominerais (1:1) e elevados teores de óxidos de ferro e alumínio, com baixa capacidade de formar este tipo de ligação. As reações por coordenação envolvem ligações covalentes, de curta distância, e com sombreamento dos orbitais. São ligações muito fortes e a energia depende do número de elétrons em orbitais moleculares ligantes ou antiligantes. Essas ligações estão presentes, por exemplo, entre os prótons dos grupos funcionais de superfície e os átomos de hidrogênio (Fe-OH, Al-OH, COOH) e N2 (NH2). Esse tipo de ligação, formando complexos de esfera interna, torna difícil a separação e distinção entre o colóide e a molécula do herbicida. A protonação nada mais é que a formação de complexos de transferência de cargas na superfície mineral. Ocorre quando um grupo funcional forma um complexo com a superfície de um próton. O complexo pode ser extremamente estável, desenvolvendo sorção praticamente irreversível. Esse tipo de ligação ou mecanismo tem sido válido para herbicidas do grupo das striazinas, as quais se tornam catiônicas através da protonação, tanto na solução do solo como durante o processo de adsorção (Figura 4) (SCHWARZENDBACH et al., 1993).

Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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Figura 4 - Interação entre atrazine e substâncias húmicas por protonação do herbicida Fonte: Senesi (1992)

2.4.1 - Estimativa da sorção A avaliação da sorção é feita normalmente por meio da estimativa de coeficientes, denominados coeficientes de partição, coeficientes de partição solo-água, coeficientes de sorção ou constantes de adsorção. Neste capítulo será adotado o termo coeficiente de sorção para denominar a relação entre as concentrações de herbicida em solução e aquelas sorvidas ao solo. O coeficiente de sorção, Kd, pode ser estimado pela relação:

O Kd representa a relação entre a concentração do herbicida que permanece sorvido ao solo Cs (μg g-1) e a concentração do herbicida encontrada na solução de equilíbrio Cw (μg mL-1), para uma determinada quantidade específica do herbicida adicionado. Entretanto, como o teor de carbono orgânico, aparentemente, tem representado melhor a capacidade adsortiva dos herbicidas nos solos, principalmente para os compostos de caráter básico ou não-iônicos (KARICKHOFF, 1981; OLIVEIRA JR. et al., 1999), tem-se corrigido o Kd em relação ao teor de carbono orgânico do solo. A partir dessa normalização do Kd, obtém se o Koc, o qual permite a comparação da sorção entre diferentes solos e é um índice muito utilizado em métodos de classificação de mobilidade e em modelos de simulação do comportamento de pesticidas no solo. A normalização do Kd para o teor de carbono orgânico é feita pela relação:

Em que Koc representa o coeficiente de sorção normalizado para o teor de carbono orgânico do solo (L kg-1) e foc indica o teor (% ou dag kg-1) de carbono orgânico do solo, o qual é obtido dividindo-se o percentual de matéria orgânica por 1,72. Oliveira Jr. (1998), estudando a correlação entre as propriedades dos solos, verificou que os coeficientes de sorção (Kd e Koc) de diferentes herbicidas determinados em solos brasileiros correlacionaram-se significativamente com o teor de carbono orgânico e CTC dos solos para a
144 Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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maior parte dos herbicidas. De modo geral, os herbicidas ácidos fracos (imazethapyr, metsulfuron, nicosulfuron e sulfometuron) foram os que apresentaram menor sorção, ao passo que os herbicidas básicos fracos (atrazine, hexazinone, simazine) e não-iônicos (alachlor) foram os mais sorvidos. No Brasil, o Koc tem sido amplamente utilizado para predizer a capacidade de sorção de diversos herbicidas no solo; também é utilizado juntamente com a textura para recomendar as dosagens dos herbicidas. Entretanto, a padronização do Kd em relação ao carbono orgânico do solo não é consenso entre os pesquisadores da área, pois a sorção de herbicidas à matéria orgânica do solo ocorre de forma heterogênea, em função dos mecanismos e da fração orgânica envolvida no processo sortivo, cujos índices podem não representar a realidade. Ao mesmo tempo, o Kd e Koc nem sempre são suficientemente exatos para descrever a sorção de um pesticida em uma faixa considerada de concentração. As relações entre as concentrações em solução e na fase sólida podem, então, ser descritas por isotermas, descritas no item 3.4.2. As estimativas dos coeficientes sortivos apresentados (Kd e Koc) geralmente são conduzidas em condições laboratoriais, empregando-se a cromatografia líquida e gasosa como técnicas analíticas na determinação das concentrações dos herbicidas nas fases sólida (solo) e líquida (solução do solo) propriamente ditas. Entretanto, devido aos custos envolvidos nessas análises, outras formas de estimar a capacidade de sorção desses compostos no solo podem ser utilizadas. Entre elas, a técnica de bioensaio representa um método simples e de grande valia na determinação da capacidade sortiva e de resíduos de herbicidas no solo. Inicialmente, para a utilização dessa técnica, são feitas curvas de dose-resposta para cada composto, utilizando-se plantas indicadoras específicas ao mecanismo de ação de cada herbicida. As curvas de dose-resposta devem ser feitas no solo a ser estudado e em material inerte, preferencialmente areia lavada, isentos de qualquer resíduo. Após a aplicação de doses conhecidas do herbicida, são realizadas avaliações nas plantas indicadoras, as quais incluem fitoxicidade, altura da planta, comprimento de raiz, massa seca da parte aérea e raízes (Figura 5). Após as avaliações, utilizam-se modelos de regressão não-linear, como o proposto por Seefeldt et al. (1995):

em que D e C representam os limites superior e inferior da curva, respectivamente; b, a declividade da curva; e C50, a dose correspondente a 50% de resposta. O limite superior da curva D corresponde à respota média da testemunha e o limite inferior da curva C é a resposta média das plantas que receberam os herbicidas. O b descreve a declividade da curva em torno do C50.

Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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Figura 5 - Curva de dose-resposta para massa seca da parte aérea (% em relação à testemunha) de Sorghum vulgare, em função de doses crescentes de sulfentrazone (X) em Argissolo Vermelho-Amarelo (– – –) e em areia (____) Fonte: Vivian et al. (2005)

A partir dos dados obtidos de (C50) em solo e areia, utiliza-se a equação a seguir para expressar a relação de adsorção (RA) do solo em relação à resposta obtida em areia para a espécie indicadora (SOUZA, 1994). Considera-se que valores de RA elevados indicam maior capacidade de sorção do herbicida estudado no solo e, conseqüentemente, menor potencial de lixiviação do composto no perfil do solo. Um exemplo de curva de dose-resposta utilizada para o herbicida trifloxysulfuron-sodium em solo e areia pode ser observado na Figura 6. RA = C50solo – C50 areia C50 areia

Figura 6 – Curva de dose-resposta em solo (a) e areia (b) para trifloxysulfuron-sodium

146

Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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2.4.2 - Isotermas de sorção Quando se deseja estudar o comportamento dos herbicidas em diferentes concentrações no solo, deve-se observar que a sua sorção geralmente não ocorre de forma linear com o aumento do herbicida adicionado. Isso é devido à capacidade limitada de formar ligações com o material coloidal e a variação do coeficiente de sorção com a temperatura e umidade do solo. Para a determinação de uma isoterma de sorção, é necessário determinar o Kd em diferentes concentrações iniciais do herbicida em solução. As isotermas utilizadas para descrever o comportamento de herbicidas no solo, em diferentes concentrações iniciais, podem ser classificadas, conforme o seu comportamentodo, em S, H, C e. Tipo S: é uma curva não-linear e convexa em relação à abscissa. Inicialmente a adsorção é baixa, mas com o aumento da concentração do adsorvato na superfície adsorvida, ocorre aumento na adsorção pela associação entre as moléculas. Isso ocorre em razão da baixa afinidade do adsorvato pela interferência de outras substâncias. A água é um forte competidor na adsorção à superfície coloidal, e, com o aumento na concentração do soluto, essa competição se reduz. Tipo H: ocorre quando o adsorvato possui altíssima afinidade pelo adsorvente, e a máxima adsorção ocorre em baixas concentrações. Desse modo, até que não ocorra a máxima adsorção, não será possível detectar as moléculas na solução. Esse tipo de adsorção ocorre com moléculas extremamente catiônicas ou compostos orgânicos catiônicos, adsorvendo-se nos minerais das argilas.

Figura 7 – Comportamento das isotermas de sorção
Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo 147

Caq a concentração de equilíbrio do herbicida na solução do solo (mg mL-1). considera que a afinidade inicial é alta e. reduzindo a energia de interação proporcionalmente ao recobrimento da superfície. Cs representa a quantidade do herbicida adsorvido no solo (mg g-1). determinando a intensidade da adsorção. usando regressão linear e não-linear (isotermas de Freundlich) a 25 ºC. embora empírico. e 1/n é um fator de linearização.Herbicidas: comportamento no solo . É o tipo de adsorção mais comum que ocorre com os herbicidas no solo. a normalização do coeficiente de Freundlich em relação ao teor de carbono orgânico também pode ser calculada. Entre os modelos mais utilizados e que descrevem o comportamento das moléculas dos herbicidas no solo.4 . Kf. o coeficiente de adsorção da isoterma de Freudlich. o coeficiente de adsorção Kf é considerado nas análises de capacidade de 148 Módulo 3. de forma não linear. dando origem ao Kfoc. verifica-se que o incremento decresce na adsorção. De forma análoga ao Koc. Tipo L: apresenta-se como uma curva côncava em relação à abscissa. conforme aumenta a cobertura da superfície. Figura 8 . em solo argilo-siltoso Fonte: Mervosh (1995) Segundo o manual de testes para avaliação da ecotoxicidade de agentes químicos. definido pelo Ibama para o Brasil. A seguir.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Tipo C: a adsorção ocorre de forma linear conforme aumenta a concentração do adsorvato. descritos a seguir: a) O modelo de Freundlich.Comportamento adsortivo do herbicida Clomazone. Existem dois modelos muito utilizados que descrevem o comportamento das moléculas dos herbicidas conforme a sua concentração. diminuem a afinidade e declividade. e a curva passa a ser de formato linear do tipo C. o coeficiente de adsorção Kf aumenta linearmente conforme aumenta a concentração do herbicida. assim que a concentração deste aumenta. em função da sua concentração. Quando n for igual a 1. pode-se observar a equação empírica utilizada para descrever a isoterma de Freundlich e sua representação gráfica (Figura 8): Na equação. Esse modelo tem sido amplamente utilizado na determinação dos coeficientes de adsorção dos herbicidas no solo para uma determinada temperatura (CLEVELAND. verifica-se melhor ajuste pelos modelos de Freundlich e Langmuir. Novos grupos funcionais são criados no processo de adsorção. permitindo a continuidade do processo. 1996).

por haver inúmeros interferentes nos estudos de adsorção a campo e em laboratório. Sua classificação varia de pequena a elevada e reflete parcialmente a capacidade de movimento e persistência do composto no ambiente (Quadro 1).Herbicidas: comportamento no solo 149 .4 . Entretanto. verifica-se que outras avaliações são necessárias para definição do real comportamento de herbicidas no solo. A energia de adsorção é a mesma para todos os sítios e independe da cobertura de superfície (Figura 9). tem-se a adsorção máxima. Quadro 1 – Classificação da capacidade de adsorção de agentes químicos no solo Kf 0 – 24 25 – 29 50 – 149 > 150 Classificação da Adsorção Baixa Média Grande Elevada b) O modelo de Langmuir baseia-se na adsorção em superfícies planas que apresentam número fixo de grupos funcionais e que cada um interagirá com uma molécula. Esse modelo é expresso pela seguinte equação: em que Cm representa a quantidade máxima do herbicida adsorvido (mg g-1). Quando todos os grupos funcionais estiverem preenchidos. Figura 9 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas adsorção de herbicidas no solo. Ce é a concentração de equilíbrio do herbicida na solução (mg mL-1) e K1 é o coeficiente de adsorção para o modelo de Langmuir. segundo as isotermas de Langmuir e Freundlich Módulo 3.Modelo da energia de adsorção em função da superfície de cobertura.

Importância da matéria orgânica do solo na sorção de herbicidas Em solos tropicais e subtropicais altamente intemperizados.87 ± 0. 1992). ao compararem solos com diferentes propriedades. (1999). CAMARGO. Isto pode ser observado segundo os valores de Kf (Quadro 2) para o herbicida 2.1 .03 0. 1999).12 ± 0. Ela interfere em todos os processos sortivos que possam ocorrer.05 20. os quais serão abordados a seguir. diuron e 2. No entanto. principalmente. 2. (1999) Adsorção Kf 1/n 39. o teor de matéria orgânica no solo desempenha importante papel quando se trata de contaminantes ambientais.Herbicidas: comportamento no solo .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2.4-D.07 Dessorção Kf 1/n 22. principalmente para aqueles recomendados em pré-emergência de característica não-iônica ou para os catiônicos. dos teores de carbono orgânico do solo (VELINI.4-D em solo arenoso Solo calcinado Solo com MO MO = matéria orgânica Fonte: Viera et al.16 ± 0.80 ± 0.08 1.4-D no solo.5 . como herbicidas e metais pesados. a sorção de herbicidas ao solo aumenta com o incremento da CTC (capacidade de troca catiônica). aeração e atividade da biomassa microbiana.4 . a matéria orgânica tem grande importância para os processos de retenção de cátions e complexação de elementos tóxicos e de micronutrientes. em certos casos. também são importantes na sua sorção.48 ± 0. Mallawatantri e Mulla (1992) demonstraram que pelo menos 80% do incremento da sorção observada para metribuzin.05 A matéria orgânica é o principal componente que influencia a atividade dos herbicidas registrados para uso em solos tropicais. estudando o comportamento do herbicida atrazine em Latossolo Roxo sob dois sistemas de manejo 150 Módulo 3. no solo contendo matéria orgânica.30 1. estava relacionado ao aumento do conteúdo de carbono orgânico. da área superfícial específica das partículas coloidais da fração argila e. Segundo Viera et al.23 ± 0. avaliando a persistência do herbicida 2. Quadro 2 . verificaram que em solos com alto teor de matéria orgânica e baixo pH a lixiviação deste herbicida foi menor.Constantes de Freundlich obtidas a partir dos dados de adsorção de 2.23 0. (1984). Já Faloni (1999).28 ± 0. Thompson et al.4-D. o pH. caracterizando a grande influência da matéria orgânica na adsorção de herbicidas ácidos. assim como a mineralogia do solo em questão. constituindo-se num componente fundamental na sua capacidade produtiva (SANTOS.Principais propriedades do solo que influenciam a sorção de herbicidas Em geral. É responsável também pela estabilidade da estrutura do solo e infiltração de água.09 88.5.23 ± 0.

et al. et al. também percebeu que a matéria orgânica é a principal responsável pela adsorção deste herbicida. Kd) em função do teor de carbono orgânico do solo. No caso dos solos brasileiros. podendo-se ainda estimar a sorção de diversos herbicidas com base nos teores de carbono orgânico (Figura 11). Figura 10 .Herbicidas: comportamento no solo 151 . não-polares como o alachlor. Para alguns herbicidas. essa característica pode ser considerada a mais importante para esses herbicidas.. Fonte: Oliveira Jr. notadamente os não-iônicos. é possível obter uma predição dos valores de Kd com base nos teores de carbono orgânico do solo (Figura 10).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas (convencional e direto). Uma vez que a maior parte da CTC nos nossos solos está relacionada à matéria orgânica.4 .Sorção de alachlor (expressa pelo coeficiente de sorção. (1998b) Módulo 3. as propriedades que mais se correlacionam com a sorção de herbicidas básicos e não-iônicos são a CTC e o teor de carbono orgânico (OLIVEIRA JR. 1999).

aromaticidade. existe grande complexidade e variabilidade da matéria orgânica presente em diferentes solos... et al. 2001). os quais representam a fração mais ativa da matéria orgânica do solo (NETO et al. A disponibilização de maior ou menor número de sítios 152 Módulo 3.4 . os quais variam conforme sua polaridade.Herbicidas: comportamento no solo . pela variação do pH do meio. Essas diferenças podem interferir não só na retenção dos herbicidas. (1999) Teoricamente. 999). Dentre os componentes da fração humificada.. também foram demonstradas especificidades na sorção dos herbicidas. correlacionam-se melhor com os teores de humina do que os de ácidos húmicos ou fúlvicos da matéria orgânica do solo (PROCÓPIO et al. húmicos e humina. mas também na transformação e transporte destes (CORREIA. A fonte orgânica. As mudanças conformacionais provocadas nas moléculas da matéria orgânica. o clima. 1997).. a matéria orgânica do solo encontra-se dividida em substâncias humificadas e não-humificadas. TRAGHETTA et al. são citadas como um dos principais fatores que podem influenciar a sua capacidade de adsorção de pesticidas (WANG et al. Entretanto. disponibilidade de sítios hidrofóbicos e grupos funcionais. 1990. normalmente. A parte humificada é composta pelos ácido fúlvicos.Relação entre o coeficiente de sorção (Kd) e o teor de carbono orgânico do solo para herbicidas ácidos (linhas cheias) e para herbicidas básicos ou não-iônicos (linhas tracejadas) em solos brasileiros Fonte: Oliveira Jr. 2000). os minerais do solo e a população microbiana podem proporcionar a formação da diversidade de características dos compostos orgânicos do solo. Diversos estudos mostraram que a fração húmica apresenta maior correlação com a sorção dos herbicidas. Herbicidas iônicos (em faixa de pH com baixa dissociação) e os não-ônicos. em relação ao teor de matéria orgânica total do solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 11 .

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas hidrofóbicos pelas mudanças conformacionais das moléculas também pode influenciar a sorção de herbicidas lipofílicos (PROCÓPIO et al. Além destes. podendo representar maior permanência desta no meio ambiente. como pode ser verificado na Figura 12. é o principal parâmetro levado em consideração na recomendação da dosagem de herbicidas aplicados Módulo 3. pode ocorrer menor ação microbiana na degradação dessas moléculas. principalmente para aqueles cuja ação microbiana é a principal forma de degradação. Fonte: Adaptado de Akim e Bailey (1998) Embora se verifique extrema quantidade de interferentes nas características de sorção de herbicidas à matéria orgânica. Dessa forma. entre outros. a relação da textura do solo com a quantidade de matéria orgânica presente.4 . 2001) Outras características do solo também podem afetar a sorção de herbicidas à matéria orgânica: o material de origem do solo. os tipos de minerais predominantes na fração argila. na maioria dos trabalhos verificados. 1994). Prata (2001) também constatou que adição de vinhaça ao solo faz que o processo de mineralização do ametryn seja acelerado. a quantidade de matéria orgânica quimicamente protegida. Atualmente. os solos com altos teores de matéria-orgânica apresentam menor tendência geral de lixiviação dos herbicidas. devido à proteção física e química das moléculas do herbicida na matéria orgânica. Contudo.. sabe-se que sorção herbicida-matéria orgânica é mais estável do que aquela resultante da ligação com componentes minerais do solo.Simulação da adsorção de atrazine no modelo complexo de muscovita-ácido húmico. a adição de matéria orgânica ao solo acelera a degradação dos herbicidas. a presença de íons saturantes dos grupos funcionais da matéria orgânica e a especificidade dos íons (PIRES. 1998). é responsável pelas variações nos coeficientes de sorção de herbicidas encontrados na literatura. Entretanto. Figura 12 .Herbicidas: comportamento no solo 153 . formando complexos argilo-orgânicos. representando menor risco de contaminação dos lençóis freáticos (COX.

minerais de argila expansíveis (2:1) e de maior área superfical específíca. também que. silte e argila presente no solo é responsável pela classificação das diferentes classes texturais dos solos. Existem também dados demonstrando que os óxidos de ferro possuem maior capacidade de adsorver os herbicidas em relação aos óxidos de alumínio (Quadro 5). como a caulinita.5. como no caso dos herbicidas ácidos ou em altas concentrações de carbono orgânico.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas em pré-emergência. os erros de estimação dos teores de matéria orgânica e o desconhecimento da sorção específica de herbicidas por alguns argilominerais presentes são um dos inúmeros fatores que devem ser considerados para a adequação nas dosagens dos herbicidas atualmente recomendados. e ambos 154 Módulo 3. Por sua vez. como o Brasil. citam-se a superestimação dos teores de matéria orgânica efetivamente capazes de adsorver as moléculas dos herbicidas e a profundiade de coleta (0-20 cm) utilizada na determinação dos teores de matéria orgânica do solo. Sabe-se. uma elevação nas dosagens recomendadas para estes solos nem sempre é correta.Textura e mineralogia O conteúdo de areia. principalmente naqueles com capacidade de doação de prótons com carga aniônica (herbicidas ácidos fracos). como a montmorilonita e vermiculita. Essas propriedades originam forças de atração de grande intensidade. A formação de cargas nos minerais 2:1 ocorre pela substituição isomórfica nas camadas tetraédrica e octaédrica. observou que a sorção do glyphosate é instantânea. e não possuem a capacidade de expandir-se. são característicos de regiões muito intemperizadas.4 . Em diversos casos observados. principalmente. extremamente elevada e está relacionada. a riqueza de variação das argilas e a formação de compostos argilominerais representam diferentes possibilidades de adsorção dos herbicidas a essas partículas.. avaliando a adsorção e dessorção do glyphosate em três solos brasileiros com diferentes atributos mineralógicos. Esses minerais apresentam fraca atração dos cátions entre as camadas expansíveis. contribuindo significativamente para o aumento na sorção desses compostos (Quadro 4). Apesar de existir grande possibilidade de os solos mais argilosos apresentarem maiores teores de matéria orgânica. e a matéria orgânica desempenha papel secundário no caso de solos oxídicos. Entretanto. à fração mineral do solo. a textura é ainda o atual parâmetro utilizado para recomendação da dose dos herbicidas aplicados em pré-emergência ou pré-plantio incorporado. herbicidas e outras moléculas penetrem entre os planos basais e provoquem grande expansão do material. Já minerais 1:1. não ocorre correlação entre o comportamento do herbicida e as concentrações de argila. Em relação aos erros de estimação. Os óxidos de ferro e alumínio também atuam na sorção de diversos herbicidas.2 .Herbicidas: comportamento no solo . Prata (2002). 2. de clima tropical e subtropical. permitindo que água. possuem maior capacidade de adsorção de herbicidas (Quadro 3). podendo reter cátions. Suas cargas podem ser geradas nas bordas do mineral pela dissociação de prótons H+ dos grupos OH. A presença de argilas de baixa atividade.

A influência do pH do solo no processo de retenção e degradação dos herbicidas está estritamente relacionada à capacidade de dissociação eletrolítica . pH 3.Dissociação eletrolítica. Constante de Freundlich (Kf) 2.5 a 6.pKa dos compostos. menor é a quantidade sorvida do herbicida no material coloidal.0 6. principalmente em solos muito intemperizados.Sorção de imazaquin em diferentes hidróxidos (Fe e Al) Tipo de Hidróxido Hidróxido-Fe Hidróxido-Al Fonte: Shaner (1989).7 Partição do Imazaquin (Sólido/Líquido) (μG/g:μG/mL) 2326:1 238:1 40:1 2:1 0:1 Quadro 5 . como os latossolos.Herbicidas: comportamento no solo 155 .4-D.1.653 174 2.pH do solo O pH é uma medida muito importante que pode interferir nos processos de sorção dos herbicidas.4 . pode-se verificar na Figura 13. Módulo 3.3 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas encontram-se presentes em grandes concentrações na maioria dos solos brasileiros. que à medida que o pH do solo aumenta (2.8 4. a qual será abordada com mais detalhes no item 3.6 5. contribuindo em relação à capacidade sortiva nesses solos. para 2. principalmente nos daqueles com grande capacidade de inonizarem-se (catiônicos e aniônicos).5.3. Quadro 3 . Entretanto. o qual permanece disponível na solução do solo.0).Características de alguns minerais de argila importantes nos estudos de sorção de herbicidas em solo Característica Tipo de camada Capacidade de Expansão CTC (cmolc dm ) Área Superficial Específica (m2 g-1) -3 Montmorilonit Vermiculita a 2:1 2:1 Expansível 80-120 700-750 Ilita 1:1 Caulinita Não-expansível 2-10 25-50 2:1 NãoExpansão limitada expansível 120-200 15-40 500-700 75-125 Quadro 4 – Sorção de imazaquin em diferentes minerais de argila Mineral de Argila H-montmorilonita H-ilita Al-montmorilonita H-caolinita H-vermiculita Fonte: Dolling (1985).3 .3 3.

156 Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 13 – Sorção do herbicida 2.Herbicidas: comportamento no solo .4-D em função do aumento do pH do solo No caso de imidazolinonas aplicadas ao solo.6 4.6 6. Quadro 6 –Sorção de imazaquin sob diferentes pHs em dois solos Tipo de solo Franco-arenoso Franco-siltoso Fonte: Goetz (1986) pH 5. por exemplo. novamente. verifica-se novamente o decréscimo do coeficiente sortivo (Kd) do herbicida com o aumento do pH do solo.3 6. devido ao fatop que o pH influenciar fortemente a ligação das imidazolinonas às frações húmica e mineral do solo.5 Sorção (%) 53 53 0 62 40 25 Em trabalho similiar realizado com imazethapyr (Figura 14).7 5. Goetz (1986) demonstrou que a quantidade de imazaquin que se liga a diferentes tipos de solo era diretamente relacionada ao pH (Quadro 6).4 .2 5. que a quantidade sorvida do herbicida aumenta à medida que o pH diminui. Verifica-se.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 14 . especialmente em termos de lixiviação desses herbicidas. é maior em solos com pH alto e 157 Módulo 3. também. Nesse caso. Fonte: Oliveira Jr. têm maior capacidade de sorção desses herbicidas e operações como a calagem podem afetar significativamente o seu comportamento. por exemplo. solos ácidos.4 .Herbicidas: comportamento no solo . resultar em maior lixiviação do composto no perfil do solo. em função do aumento do pH do solo. (1998) Para herbicidas de maior persistência. a diminuição da sua capacidade sortiva com o acréscimo do pH do meio pode. conforme verificado na Figura 15.Coeficiente de sorção (Kd) constatado para o herbicida imazetaphyr. (2002) O pH pode também influenciar diversos outros processos envolvidos na degradação dos herbicidas no solo: a lixiviação de chlorsulfuron. além de possibilitar maior efeito do herbicida em culturas posteriormente instaladas no local. de modo geral. Figura 15 – Efeito do pH na lixiviação do herbicida imazaquin em colunas de solo Fonte: Inoue et al.

4 . Entretanto. a qual tem sido utilizada para substâncias presentes em solução aquosa. Geralmente os herbicidas apolares ou lipofílicos (Kow >10.6 . pressão de vapor (P) e constante da Lei de Henry (H).6. A polaridade é muito importante para penetração das moléculas dos herbicidas pela cutícula das folhas e também interfere nos processos sortivos com o solo. embora a degradação do referido produto seja mais rápida em solos ácidos (GOMEZ DE BARREDA et al. diz-se que maior é a sua hidrofilicidade. expressos normalmente na forma logarítmica (log Kow).Coeficiente de partição octanol-água (Kow) Esta propriedade indica a afinidade que a molécula do herbicida tem em relação à fase polar (representada pela água) e apolar (representada pelo octanol). Quanto maior for o pKa do herbicida. 1993). herbicidas com características apolares são considerados lipofílicos. menor será seu caráter ácido e menor a sua capacidade de ficar aniônico. Já os herbicidas polares. solubilidade.1 . o conhecimento das características moleculares dos herbicidas é muito utilizado no estudo do seu comportamento no ambiente.000) possuem maior potencial de se adsorverem a parte orgânica dos colóides do solo.Principais propriedades físico-químicas dos herbicidas que interferem na sua sorção no solo As principais propriedades físico-químicas de um herbicida que influenciam o seu comportamento são: coeficiente de partição octanol-água (Kow). Para 158 Módulo 3.2 . Ao contrário. Os valores de Kow são adimensionais. podem ser classificados da seguinte forma: a) Herbicidas ácidos fracos: são os herbicidas cujas formas moleculares apresentam capacidade de doar prótons e formar íons carregados negativamente. Conforme a fórmula molecular e pKa dos herbicidas eles. possuem maior afinidade às partes argilosa e mineral do solo. transformação e transporte. O comportamento dos herbicidas é muito influenciado pelo seu pKa. os hidrofílicos (Kow <10). 2. 2. e se adapta perfeitamente aos herbicidas em solução do solo. Embora algumas propriedades estejam mais distintamente relacionadas aos processos específicos de retenção. capacidade de dissociação eletrolítica quando em solução aquosa (pKa). Essa definição está restrita apenas à definição clássica de Brönsted-Lowry.Herbicidas: comportamento no solo .Capacidade de dissociação eletrolítica (pKa) O pKa representa a capacidade de dissociação que uma molécula do herbicida possui em água com diferentes pH.. Quanto mais polar for o herbicida. a maioria dos herbicidas possui em sua molécula uma região polar e outra apolar. podendo ser encontrados na forma dissociada (ionizada) e não-dissociada (não-ionizada ou neutra). 2.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas baixo teor de matéria orgânica.6.

Alguns outros compostos que reagem semelhantemente ao 2. podendo competir com os sítios de adsorção de nutrientes no solo. Nesse caso.. O 2. Alguns herbicidas de comportamento similar são simazine. OLIVEIRA JR. quando o pH do solo for igual ao seu pKa. podendo facilmente ser adsorvidos às partículas de argila e aos grupos funcionais que formam a CTC do solo. seu comportamento será semelhante ao das moléculas não-iônicas.4-D. quando o pH do solo for inferior ao seu pKa. Existe ainda um outro grupo de herbicidas tão básicos que possuem cargas positivas para todos os valores de pH verificados no solo (LEAVITT. picloram e demais herbicidas pertencentes ao grupo das sulfoniluréias e imidazolinonas. 1995) e hexazinone. passando a apresentar carga líquida positiva (Figura 17). 1980). maior será a tendência de o herbicida estar na sua forma molecular (neutra) e maior será sua capacidade de se adsorver nas partículas coloidais do solo. como atrazine. Entretanto. por exemplo. 2001).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas esses herbicidas. podem atrair íons hidrogênio em uma solução ácida.Comportamento de ionização de um herbicida ácido (2. Módulo 3. Quando o pH do solo for superior ao pKa destes herbicidas. Da mesma forma que os herbicidas ácidos. podendo reduzir sua capacidade de adsorção (KOGAN. maior será a tendência destes herbicidas de permanecer na sua forma dissociada ou protonada. CONSTANTIN. pode liberar íons hidrogênio numa solução básica ou neutra (Figura 16). as concentrações da formas dissociada e neutra serão iguais. sendo sorvidos ao solo de forma irreversível. como o que ocorre para o paraquat e o diquat. a molécula estará 50% na sua forma molecular ou neutra e 50% na forma dissociada (aniônica). este será prontamente dissociado e sua capacidade de ficar retido no solo será muito menor.4 .4-D são dicamba. pKa = 2.4-D. Quando o pH do meio for superior ao pKa do herbicida.Herbicidas: comportamento no solo 159 . Figura 16 . quando o pH do solo for igual ao seu pKa. PÈREZ. 2003.8) b) Herbicidas bases fracas: são os herbicidas que apresentam a capacidade de receber prótons e formar íons carregados positivamente. Herbicidas pertencentes a essa classificação. cyanazine (PIRES et al. Quanto menor o pH do solo em relação ao pKa do herbicida.. sua forma molecular será favorecida.

Herbicidas: comportamento no solo . A intensidade da dessorção reflete o grau de reversibilidade do processo sortivo. elevados índices de histerese indicam maior dificuldade de o herbicida sorvido retornar para a solução do solo. A informação da capacidade dessortiva do herbicida no solo pode ser muito importante.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 17 . em que na e nd representam as curvaturas obtidas nos ensaios de adsorção e dessorção. O índice H de histerese pode ser obtido pela equação H= na/nd. ser afetados pelo pH do solo e ficar retidos aos complexos argilominerais e ao material orgânico do solo. as isotermas de sorção e de dessorção diferem entre si. Alguns exemplos de herbicidas e sua classificação encontram-se no Quadro 7. altíssima dessorção do herbicida. podendo ocorrer. como observado por Pusino et al. Entre esses herbicidas estão incluídos trifluralin. permanecendo em sua forma molecular na solução do solo. esses efeitos são geralmente de menor intensidade. comparativamente aos herbicidas iônicos. Os herbicidas não-iônicos não reagem com a água e não carregam uma carga elétrica líquida. alachlor.Comportamento de ionização de um herbicida base fraca (atrazine. em alguns casos. Conforme Southwick et al. 2. possibilitando maior permanência deste no ambiente. pKa = 1. a sorção é praticamente irreversível e não ocorre retorno do herbicida à solução do solo. (2003) (Figura 18). respectivamente. por relacionar o seu efeito residual e persistência no solo. Embora sejam não-iônicos. em função dessa condição. muitos deles podem ser polares e. EPTC e diuron.7 . dando origem ao fenômeno denominado histerese (H). Em outros.7) c) Herbicidas não-iônicos: os herbicidas que não doam nem recebem prótons na solução do solo são considerados não-iônicos.Dessorção A dessorção representa a liberação da molécula do herbicida anteriormente sorvida. metolachlor. Neste caso.4 . (1993). embora se tenham verificado poucos estudos referentes a ensaios de dessorção na literatura. 160 Módulo 3. Contudo.

propachlor Linuron. trifloxysulfuron-sodium. imazaquin. industrial e agrícola Módulo 3. por influenciar a capacidade de contaminação dos recursos hídricos subsuperficiais. Figura 18 . cyanazine. prophan Dichlobenil Isopropyl éster de 2. principalmente. 2. porém as mais aceitas.Herbicidas e sua classificação conforme fórmula e grupos funcionais Catiônicos Básicos Ácidos Diversos Organofosforados Dinitroanilidas Carbamatos Benzonitrila Ésteres Anilidas Uréias HERBICIDAS Iônicos Diquat. chlorimuron-ethyl Bromacil.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 7 .4-D. paraquat Ametryn.Processos de transporte O transporte de herbicidas no solo representa um dos processos envolvidos na dissipação desses compostos no ambiente e se destaca.Curvas de adsorção ( ) e dessorção ( ) observadas para triasulfuron em três solos com diferentes teores de argila e materia orgânica. diuron. MSMA. imazetaphyr. Embora freqüentes. • falhas no estabelecimento do equilíbrio. (2003) 3 . segundo Pignatello (1989). oryzalin. os problemas de contaminação de aqüíferos no território brasileiro têm despertado pouco interesse dos pesquisadores. Pusino et al. propanil. imazapyr.Herbicidas: comportamento no solo 161 . propazine. isopropalin Chlorprophan. metolachlor. são: • transformações químicas ou biológicas que o composto em questão pode sofrer. triclopyr. prometone. Além disso. atrazine. DSMA Não-iônicos Methoxychlor Trifluralin. chloroxuron Diversas explicações têm sido propostas no intuito de elucidar a não-singularidade das isotermas de dessorção.4-D Alachlor. MCPA. picloram. e • problemas inerentes à metodologia de determinação. simazine Dicamba. metribuzin. a demanda hídrica para o abastecimento urbano.4 . swep.

o somatório de diferentes pesticidas carreados simultaneamente para uma mesma bacia hidrográfica pode comprometer a qualidade da água em relação ao seu aproveitamento posterior (DOMAGALSKY. as perdas podem ser altas. 1996..001 – 0. é mais pronunciado quando o produto é aplicado e logo após ocorre chuva intensa no local. como no caso do metolachlor (BUTTLE.90 <1 . 1993. dos herbicidas no solo. Todavia.Perdas de herbicidas no solo por diferentes processos de transporte Tipo de transporte Volatilização Lixiviação Run-off Fluxo preferêncial % de perda do i. Os autores constataram que a maior parte da contaminação era proveniente do escorrimento superficial de áreas irrigadas pulverizadas e que a maior concentração de resíduos ocorria nos primeiros 15 minutos da água. Já Pfeuffer e Rand (2004) monitoraram os pesticidas entre 1992 e 2001 no sul da Flórida. além. especialmente no caso de herbicidas aplicados em pré-emergência. destaca-se o escorrimento superficial. 1994).5 <0.25 1-9 Referência Taylor (1995) Flury (1996) Vicary et al (1999a) Vicary et al (1999b) Em certos casos. é claro. a volatilização e a lixiviação. 1990). BOWMAN et al. CARTER.1 . 3. na maior parte dos casos. A intensidade de perdas depende muito do sistema de plantio adotado (SETA et al.. respectivamente.Escorrimento superficial (run-off) e sub-superficial (run-in) Os termos run-off e run-in representam o movimento ou escorrimento em superfície e subsuperfície. 2000). No entanto. das práticas culturais. em certas situações. para o qual se verificou perda do herbicida aderido aos sedimentos variando entre 9 e 58% do total aplicado ao solo.4 . do tipo de solo em questão. de áreas pulverizadas para aquelas que não receberam diretamente o produto. O arraste das partículas coloidais. Dentre as principais formas de transporte nos estudos de herbicidas em solo. a quantidade total de herbicida que pode ser perdida por meio desse processo normalmente não excede 1% do total aplicado (Tabela 6). Entre alguns trabalhos citados na literatura. na Carolina do Sul. O maior potencial de movimento de herbicidas por escorrimento superficial ocorre logo após a aplicação. Quadro 8 .a aplicado <2 . em áreas irrigadas com intensa atividade agrícola. (1994) relataram a detecção de resíduos de herbicidas (oryzalin. Keese et al. mesmo quando a quantidade total transportada é pequena.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas tem se elevado nos últimos anos e poucos estudos são conduzidos com o objetivo de retardar o transporte de herbicidas sob condições tropicais. constatando que os herbicidas ametryn e atrazine foram os compostos mais comumente encontrados em águas 162 Módulo 3. juntamente com as moléculas dos herbicidas. pendimethalin e oxyfluorfen) em reservatórios de água.Herbicidas: comportamento no solo . da natureza e dose das aplicações e da declividade da área.

Estudos apresentados por Rand (2004). 3. mas. 3. as perdas podem aumentar significativamente em função do aumento de temperatura.1 95. também mostraram que ametryn.4 15.0 0.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas superficiais. juntamente com DDD e DDE foi o composto detectado com maior freqüência em sedimentos de rios de áreas agrícolas na Flórida.4 60. para efeito de comparação da PV de dois produtos distintos. existe maior probabilidade de o herbicida ser sorvido diretamente às partículas de solo (Quadro 10).4 1.8 78. podendo se perder para a atmosfera por evaporação.2 . É por isso que.8 9.2 0.5 98.4 .44 x 104 mm Hg.2.1 5.Herbicidas: comportamento no solo 163 .Fatores que influenciam a volatilização Vários fatores influenciam diretamente a volatilização de herbicidas presentes no solo.1 .8 2. No caso do clomazone (Quadro 9). Quadro 9 . os valores devem ser determinados à mesma temperatura.7 10.1 3. Módulo 3.7 96.4 2.Volatilização A volatilização é o processo pelo qual o herbicida presente na solução do solo passa para a forma de vapor.5 92.0 4. solos úmidos perdem mais herbicida por volatilização que um solo seco. Em solos secos.3 7. (1995) C Recuperado (% do Total de 14C-Clomazone Aplicado) Temperatura de Incubação (°C) 5 15 25 35 DMS5% 1.Efeitos da temperatura de incubação na distribuição de 14C-clomazone (PV=1. Além disso.5 9.0 NS b) Aumento da umidade do solo: o aumento da disponibilidade de água no solo facilita a perda de vapor.8 15. já que a água funciona como uma interfase entre a molécula e as partículas do solo. sendo o efeito mais pronunciado quanto maior for a PV do herbicida.8 93.4 68. de modo geral. a elevação da temperatura aumenta a taxa de evaporação da água presente no solo. esta é aumentada por: a) Elevação da temperatura: a temperatura do solo afeta a volatilização de produtos em função da alteração da pressão de vapor. EUA. 25 °C) aos 84 dias após a aplicação ao solo 14 Volatilizado Mineralizado Total extraído do solo Não extraído (resíduos ligados) Total recuperado Fonte: Mervosh et al.8 4.

A escolha da forma de incorporação depende.4 . é a conseqüência de maior importância imediata da volatilização no que diz respeito às atividades agrícolas.2.4 kg ha-1 à superfície do solo Temperatura do ar ( ) 0 4. 1994). eles precisam ser incorporados imediatamente ao solo para que não haja redução substancial de sua eficiência. o uso de formulações granuladas em vez das líquidas pode contribuir para diminuir as perdas por volatilização. principalmente da solubilidade do composto em questão. o que. a 20 °C).3 15.8 12.6 37. como a estrutura.0 67.Pressão de vapor (P) A pressão de vapor é a pressão exercida por um vapor em equilíbrio com um líquido.5 26.Efeito da temperatura na perda de EPTC após a aplicação de 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 10 . necessitam ser mecanicamente incorporados ao solo. % do Total Aplicado Solo Úmido Solo Seco (14% de Umidade) (1% de Umidade) 62.7 Fonte: Gray e Weierich (1965) °C Perda de EPTC em 24 h.2 80.2 75.0 9.2 81.3 mg L-1. a 25 °C). no entanto.7 A volatilização pode ser tão significativa para alguns produtos que. o peso molecular e. Além disso. 3.Alternativas para redução de perdas por volatilização a) Incorporação de herbicidas ao solo: a incorporação pode ser feita tanto com implementos quanto pelo uso de irrigação após a aplicação do herbicida.4 15. como o EPTC (S=370 mg L-1. O potencial de volatilização de um herbicida geralmente pode ser estimado indiretamente.4 12. TURCO. depois de sua aplicação.Herbicidas: comportamento no solo .3 . como o trifluralin (S = 0. neste caso. com a função de reduzir a evaporação. Herbicidas mais solúveis. a uma determinada temperatura. É uma indicação da 164 Módulo 3. ao passo que herbicidas menos solúveis. 3. No caso do EPTC. algumas alternativas que podem reduzir a volatilização e manter a eficiência desses herbicidas. b) Formulação do produto: para muitos herbicidas com maior potencial de volatilização têm sido desenvolvidas novas formulações com adjuvantes.2. a formulação granulada pode reduzir entre 60 e 100% as perdas por volatilização (GRAVEEL.2 . principalmente.0 12. sendo expressa normalmente em mm de Hg. podem ser incorporados com uma irrigação adequada. sem dúvida. a pressão de vapor (P). por meio de suas propriedades químicas. Existem.

mais provável que um líquido vaporize-se. podendo ser perdido em quantidades significativas quando não incorporado ou em solo úmido. podendo aumentar sob certas condições. No Quadro 11 encontram-se valores de pressão de vapor de alguns herbicidas aplicados ao solo.0 x 10-8 9. Perdas ainda maiores se não incorporados e. Pequeno.4 x 10-2 5.3 x 10-2 3.0 x 10-7 2.9 x 10-8 -16 PV (mm Hg. Perdas pequenas podem ocorrer sob alta temperatura. as quais muitas vezes incorporam adjuvantes com a finalidade de reduzir a volatilização. como as sulfoniluréias. 25 oC) 3.0 x 10-7 < 1.0 x 10-5 < 1. Portanto.5 x 10-6 3. quanto maior a pressão de vapor.6 x 10-3 1. Nota-se que o problema de volatilização é particularmente importante para alguns grupos químicos. Muito baixo 165 Módulo 3.0 x 10-7 < 2.6 x 10-5 4. já não apresentam esses problemas.0 x 10-8 < 1.1 x 10-2 4.4 x 10-8 1.4 x 10-6 Potencial de Volatilização Muito baixo Baixo a moderado Baixo Baixo. como as dinitroanilinas e os tiocarbamatos. imidazolinonas e sulfonamidas. Grupos químicos de desenvolvimento mais recente. Muito alto. Além do valor específico da pressão de vapor.0 x 10-12 1. 1994). comparada a uma perda típica de 0 a 4% por lixiviação e 0-10% por escorrimento superficial (GRAVEEL. ou.Herbicidas: comportamento no solo . Perdas mínimas que não reduzem a eficácia do produto nãoincorporado. TURCO. a intensidade e a velocidade de volatilização de um herbicida dependem também da intensidade e velocidade de movimento até a interface (normalmente a superfície do solo) onde ocorre o processo.1 x 10-4 3.2 x 10 <1.Pressão de vapor (PV) e potencial de volatilização de alguns herbicidas Grupo Químico e Princípio Ativo Cloroacetamidas Acetochlor Alachlor Butachlor Metolachlor Dinitroanilinas Trifluralin Isopropalin* Oryzalin Pendimethalin Tiocarbamatos Butylate* EPTC* Molinate Vernolate* Sulfoniluréias Chlorimuronethyl Nicosulfuron Oxasulfuron Imidazolinonas Imazamethabenz* Imazapyr Imazaquin Imazethapyr Imazamox Piridazinonas Norflurazon Triazolopirimidin 1. mas pode ser significativo se não incorporado.4 .1 x 10-8 < 1. Volátil.5 x 10-8 1.1 x 10-5 1.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas tendência da substância química em escapar na forma de gás. em solos úmidos Idem Idem Idem Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Perdas significativas quando não incorporado. solo úmido e vento. Perdas por volatilização são muito variáveis. Quadro 11 . normalmente em razão da melhoria na qualidade de suas formulações. Moderado. podendo ser de 10 a 90%.

2. 2003). em razão de apresentarem coeficientes de sorção para solos e sedimentos relativamente baixos. 166 Módulo 3. Por sua vez. a quantidade máxima de herbicida que se dissolve em água pura a uma determinada temperatura. O KH é um coeficiente de partição entre o ar e a água (solução do solo). Outros meios de degradação (ex: fotólise. PÈREZ. são. portanto. Moléculas altamente solúveis são rapidamente distribuídas no ciclo hidrológico. 25 oC) 2.2. dependendo se o herbicida for um sólido ou um líquido na temperatura do sistema: uma fase saturada de solução aquosa e uma fase líquida ou sólida do herbicida (LAVORENTI.0 x 10-16 Potencial de Volatilização Desprezível Muito baixo 1. mais provável que o composto em questão seja solúvel. Quanto maior a quantidade de grupos hidrofílicos na molécula do herbicida (mais polares). hidrólise e oxidação) e transporte (ex: volatilização da solução e lavagem da atmosfera pela água da chuva) também são afetados pela extensão da solubilidade em água dos herbicidas. * Atualmente não registrados para uso no Brasil Fontes: Adaptado de Ahrens (1994). mesmo quando forem iônicas (KOGAN.9 x 10-8 Insignificante. ou constante da lei de Henry.Relação entre PV e S A combinação de PV e S pode ser expressa através de uma constante denominada KH. a solubilidade em água é um dos mais importantes. 3. exceto quando solo está quente e não é ativado pela chuva por vários dias após a aplicação. a solubilidade de um herbicida e sua sorção no solo estão inversamente correlacionadas. isto é. maior a sua solubilidade. Em geral. Dos vários parâmetros que afetam o destino e o transporte de herbicidas. moléculas orgânicas grandes.7 x 10-5 6. sem carga. dentro de um mesmo grupo químico. exceto quando é exposto a condições quentes e secas por vários dias. duas fases distintas existirão. 1996).8 x 10-15 3.4 . pouco ou não solúveis. por definição. logo. Acima dessa concentração. o aumento no peso molecular diminui a solubilidade. há casos em que moléculas de elevada massa molecular apresentam baixa solubilidade. Hatzios (1998) e Rodrigues e Almeida (2005) 3.Solubilidade A solubilidade (S) de um herbicida em água é. De modo geral.5 .Herbicidas: comportamento no solo .4 . Insignificante. quanto mais iônico.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Grupo Químico e Princípio Ativo as Flumetsulam Cloransulammetil Derivados da uréia Linuron Diuron PV (mm Hg. maior será a sua afinidade por água. No entanto. Seu valor geralmente é expresso em mg L-1 (normalmente a 25 °C) e é um reflexo da polaridade da substância química. maior solubilidade resulta em menor sorção.

ocorre a diluição da concentração. portanto. KH também pode ser usado como indicativo do potencial de volatilização de determinado herbicida. dependendo da densidade de plantas. podendo ser usado também como indicativo do potencial de volatilização de determinados herbicidas. a absorção pelas plantas participa com pequena porcentagem na remoção do total presente no solo.2. (1988).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas sendo semelhante ao coeficiente de sorção (Kd) usado para descrever a sorção ao solo. Como a perda por volatilização é dada pelo produto de KH por concentração.Absorção pelas plantas A porcentagem de herbicida que a planta absorve do solo é difícil de ser medida. em virtude da alta concentração numa fina camada superficial do solo. Uma revisão bastante completa acerca das bases termodinâmicas e da determinação experimental de K¬H pode ser encontrada em Suntio et al. podendo reduzir as suas perdas. Experimentos em vaso demonstraram que as plantas podem absorver de 1 a 10% do total de herbicida disponível.Relação entre KH e incorporação de herbicidas A aplicação de um herbicida na superfície gera uma alta concentração numa fina camada de solo.4 . cujos valores elevados de KH indicam que os solutos são altamente voláteis A constante da lei de Henry é definida pela equação: KH e PV são constantes proporcionais. Quando se realiza a incorporação do herbicida. A sorção regula o potencial de um herbicida ser Módulo 3. 3. das espécies presentes. As duas propriedades mais importantes no que diz respeito ao processo de lixiviação são a sorção e a persistência do produto.6 .3 . Trabalhos feitos com outros herbicidas no campo mostram que as plantas podem remover de 2 a 5% do total de herbicida no solo (SHANER. mesmo compostos considerados não ou pouco voláteis podem apresentar certa perda.4 . O KH é muito importante para os herbicidas na fase líquida do solo. 3. Além disso. Portanto.Herbicidas: comportamento no solo 167 . 1989). 3.Lixiviação O destino de herbicidas aplicados ao solo depende muito das propriedades químicas da substância em questão. do volume de solo. etc. a distância torna a difusão para a superfície do solo mais difícil.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas perdido com sedimentos ou por lixiviação.5 Atrazine Mecoprop 12. Quadro 12 – Percentual de amostras de águas avaliadas no Reino Unido que excederam o limite de resíduos permitido Herbicidas com % amostras excedendo 0. Entre os estudos realizados. cuja equação a seguir estabelece que herbicidas com índice GUS<1.4 Linuron Chlorotoluron 3. com o objetivo de verificar a contaminação das reservas hídricas por pesticidas. a quantidade do herbicida perdido pela movimentação no perfil do solo é geralmente entre 0.Herbicidas: comportamento no solo . para classificá-los como lixiviadores (Koc < 300 (L kg-1) e t ½ vida > 21 dias) e não-lixiviadores (Koc > 500 (L kg-1) e t ½ vida < 14). A solubilidade é de importância secundária. Em 1986. proposto por Gustafson (1989).6 Benazolin 2.4 . Widerson e Kim (1986) simplificaram essa caracterização e definiram que os herbicidas que possuíssem valor de Koc menor que 512 (L/kg) e meia-vida (t ½ vida) superior a 11 dias seriam classificados como lixiviadores. como o realizado pelo National Center for Ecotoxicology and Hazardous Substances.4 Mecoprop Simazine 5. Cohen et al.4 0.7 Atrazine 2. esses modelos têm contribuído na redução dos custos de análise e também na prevenção de desastres ambientais. cujo critério é ainda utilizado pelo California Department of Food and Agriculture (CDFA).1 Dichlobenil 1. (1984) propuseram uma relação entre o Koc e a meia-vida (t ½ vida) dos herbicidas.9 0. mas. embora solubilidades muito baixas possam limitar o transporte com a água.1 mg L-1 Águas de superfície Águas subterrâneas Isoproturon 19.1 a 1% do total aplicado. em determinadas circunstâncias.8 Bentazone 1. Alguns estudos.8 são considerados 168 Módulo 3.4-D 5. lagos e águas em profundidade.6 Diuron CMPA 7.6 Terbutryn 1.1 Bromoxynil 1.5 Isoproturon Diuron 10.4 Environment Agency.1 Fonte: 4. 1999 Além das avaliações in locu. Embora empíricos. Em condições normais. alguns estudos têm sido realizados com o intuito de prever o potencial desses compostos de atingir rios.8 1. esse percentual pode ser igual ou superior a 5% (Carter. do Reino Unido apontaram alguns dos herbicidas com excesso de resíduos nas amostras de águas avaliadas (Quadro 12). Entre os critérios mais divulgados e aceitos para a classificação de herbicidas conforme seu potencial de lixiviação está o índice GUS (Groundwater Ubiquity Score).9 Chlorotoluror 2.1 1. 2000).0 0.

peptídeos e açúcares.4 . ao passo que índices superiores a 2. Aqueles com valores entre 1. sendo adotada por inúmeros estudos que buscam relacionar o potencial de lixiviação dos herbicidas no solo com a contaminação de lençóis freáticos.8 são considerados de potencial lixiviador intermediário: GUS = log t½ * (4 – log Kfoc) A equação utiliza os valores de t½ vida do herbicida e o coeficiente de sorção normalizado para teor de carbono orgânico do solo.Relação de herbicidas classificados conforme somatório obtido pelo IRA – Índice de Risco Ambiental Herbicida Trifluralin Hexazinona Paraquat Imazapyr Triclopyr Oxyfluorfen Linuron Sulfentrazone Isoxaflutole Haloxyfop Oryzlain Glyphosate Fluazifop Amônio-glufosinato Sethoxydim P 2 3 4 3 1 2 2 2 2 1 1 1 1 1 1 D 4 1 3 1 1 2 1 1 1 1 3 3 1 1 1 V 4 1 1 1 2 2 2 1 1 1 1 1 1 1 1 M 1 4 1 4 4 1 2 4 4 3 1 1 1 1 1 IT 4 2 2 2 2 3 3 2 2 3 3 2 3 2 2 IRA 15 15 11 11 11 10 10 10 10 9 9 8 7 6 6 Módulo 3. ele deve estar na solução do solo ou adsorvido a pequenas partículas. O índice é definido pela soma de inúmeros fatores: P (persistência).. M (mobilidade).8 representam produtos lixiviáveis. Recentemente. além de possuir t ½ vida elevada. o seu efeito sobre o meio ambiente.8 e 2. ácidos fúlvicos e húmicos de baixo peso molecular. Entretanto. 2001). como argila. entre outros. cujo resultado representa. D (dose). cujo resultado final permite elencar os compostos em relação ao maior ou menor risco para o meio ambiente (Quadro 13). para que um herbicida seja lixiviado.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas como não-lixiviáveis.Herbicidas: comportamento no solo 169 . aminoácidos. Kogan e Allister (2004) propuseram o IRA – Índice de Risco Ambiental. Quadro 7 . para que o fluxo hídrico consiga carrear o herbicida pelo perfil do solo (OLIVEIRA JR. V (volatilidade) e IT (índice toxicológico). além da capacidade de lixiviação do herbicida.

nos quais somente uma linha de dissipação é apresentada. considera-se que resíduos de herbicidas no solo sejam quaisquer substâncias resultantes da sua aplicação. A persistência desses compostos é normalmente medida pela meia-vida (t ½ vida). 1993).693. Co a concentração inicial e k.Herbicidas: comportamento no solo . a degradação refere-se a um conjunto de transformações físicas.Processos de transformação Os processos de transformação das moléculas de herbicidas presentes no solo e água são decorrentes da degradação dessas moléculas em compostos secundários. Essas substâncias podem incluir produtos de degradação (metabólitos). e. obtendo-se como produto final água. A degradação de moléculas de herbicidas no solo e o conhecimento dos principais mecanismos responsáveis pela aceleração ou pelo retardamento do processo influenciam diretamente a persistência desses compostos no ambiente. Ct a concentração no tempo t. a constante de degradação.693/K Entretanto. CO2 e compostos inorgânicos (MELTING. como a apresentada a seguir. O seu cálculo deriva do modelo de primeira ordem definido pela equação: Ln C0/Ct = K * t em que C0 é a concentração inicial do herbicida. 4.Persistência De forma prática. conforme fórmula que segue: t 1/2= 0. Essa equação pode ainda ser simplificada assumindo que. e K. De forma geral.1 . o ln será igual a 0. os intervalos de tempo 170 Módulo 3. por análise de regressão linear. em que Ct representa a concentração no tempo t. a constante de degradação. A t ½ vida é definida como o tempo necessário para que ocorra a dissipação de 50% da quantidade inicial do herbicida aplicado. Para modelos lineares. quando C0/Ct for igual a 2. pode-se estimar a t ½ vida. químicas e biológicas que levam à formação de metabólitos ou à completa mineralização das moléculas. até a sua completa mineralização.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4 . além da própria molécula do herbicida.4 . A equação anterior admite que a taxa de degradação diminui linearmente com o decréscimo da concentração. a qual é extremamente importante para predizer o risco de contaminação de lençóis freáticos. normalmente utilizam-se equações não-lineares de regressão (bi-exponen¬ciais) para o cálculo da t ½ vida de herbicidas no solo.

(1995) Nakagawa et al.6 0. a classificação de um herbicida como “persistente” ou “não-persistente” varia de acordo com o propósito da classificação. 9-12 (1982) 54-63 Novo et al. (1997) 8-13 Ravelli et al. ao aumentar a dose de aplicação do herbicida. Quadro 14 . (1997) 171 3. embora a t ½ vida sirva de parâmetro para avaliação do tempo de permanência do herbicida no ambiente. (1997) Campanhola et al. a t ½ vida poderá ser alterada e maior quantidade do herbicida estará disponível no ambiente.6 4.3 1. No Quadro 15 são mostrados os valores de meia-vida de alguns herbicidas em solos do Brasil.Valores de meia-vida (t ½ vida) observados para alguns herbicidas em solos do Brasil Herbicida Tipo de solo Classe Latossolo Vermelho-Escuro Atrazine Glei húmico Simazine Trifluralin Metribuzin Latossolo roxo Latossolo Vermelho-Amarelo Latossolo Vermelho-Amarelo Latossolo Vermelho-Escuro Latossolo Vermelho-Escuro Latossolo Vermelho-Escuro Módulo 3. 1996). ambiente (temperatura e precipitação) e práticas culturais (sistema de plantio e doses aplicadas).1 7.6 9. (1993) 7-21 Ravelli et al. (cm) 0-14 0-10 0-30 50-200 0-40 100200 0-15 70-150 MO Argila Areia pH (%) (%) (H2O) (%) 45 28 17 39 47 44 47 48 61 48 56 40 63 72 20 48 46 44 28 27 27 24 5.4 5.7 2.2 5.4 4.3 1.Herbicidas: comportamento no solo Prof. sua persistência é basicamente dependente de quatro fatores: solo (teor de carbono orgânico.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas considerados podem fornecer estimativas e interpretações errôneas da t ½ vida de herbicidas (BLUMHORST. 56 (1995) 22 Blanco et al.7 2. para que o herbicida atinja e contamine águas superficiais e subsuperficias.6 3. (1997) 54 5-29 8-21 8-26 Ravelli et al. Ct =C0 * e -kt Sabe-se que valores altos de t ½ vida contribuem. Por outro lado.8 5.6 5.8 6.4 .8 4. população de microrganismos presentes. dentro dos limites de uso agrícola. No Quadro 14 encontram-se exemplos de classificações adotadas na Inglaterra e no Brasil.7 4. (1997) 10-16 Ravelli et al. (1997) Ravelli et al.0 Podzolico Vermelho-Amarelo 0-10 Chlorsulfur on Latossolo Eermelho-Escuro .Exemplos de classificações de herbicidas quanto à persistência no solo Inglaterra Classe Não-persistente Levemente persistente Moderadamente persistente Muito persistente Fonte: Adaptado de Roberts (1996) e Foloni (1997) t1/2 (dias) <5 5-21 22-60 >60 Brasil (IBAMA) Classe Não-persistente Medianamente persistente Persistente Altamente persistente t1/2 (dias) <30 30-180 180-360 >360 Quadro 15 . No entanto.2 1.2 a t1/2 Referência (dias) Nakagawa et al. pH e textura). em muitos casos.3 0.4 5. Assim. (1997) Ravelli et al.

4 . podem-se citar. Isso ocorre principalmente para compostos cuja degradação é fortemente influenciada pela atividade microbiológica do solo. Herbicidas com maior persistência podem resultar no fenômeno denominado carryover. que pode ser definido como sendo os resíduos fitotóxicos que permanecem no solo e que venham a afetar culturas sensíveis plantadas em rotação após aquelas culturas em que foi utilizado o herbicida.Herbicidas: comportamento no solo . Observa-se que os herbicidas tendem a persistir por período mais prolongado quando lixiviam mais rapidamente para horizontes subsuperficiais. É o caso do imazaquin em relação ao trifluralin. 172 Módulo 3. a qual é reduzida à medida que se afasta da camada superficial do solo. Entre as principais formas pelas quais os herbicidas são degradados. as que seguem. Eventuais alternativas para minimizar o problema de carryover incluem a redução das doses (pode não resolver o problema em certos tipos de solos) e a aplicação em faixas ou dirigida em vez de em área total (reduz a quantidade total de herbicida aplicado).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nas Figuras 19 e 20 são encontrados exemplos de comportamentos de persistência de herbicidas em um Latossolo Roxo distrófico (LRd).

provenientes de áreas que receberam a aplicação de doses de imazaquin Fonte: Silva et al.Toxicidade visual (parte aérea) em plantas de milho cultivadas em amostras de solo coletadas aos 120 (A).Herbicidas: comportamento no solo 173 . (1998) Módulo 3.4 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 19 . 150 (B) e 180 (C) DAA.

4 . (1998) 174 Módulo 3.Toxicidade visual (parte aérea) em plantas de milho cultivadas em amostras de solo coletadas aos 120 (A). provenientes de áreas que receberam a aplicação de doses de trifluralin Fonte: Silva et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 20 .Herbicidas: comportamento no solo . 150 (B) e 180 (C) DAA.

como uma oxidação. Conjugação: quando o substrato torna-se mais complexo pela adição ou complexação com metabólicos microbianos. no qual ocorre a quebra de pontes químicas das moléculas herbicidas devido à substituição de um ou mais átomos por íons hidroxil da água (OH-).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. 4. Detoxificação: conversão de uma molécula tóxica em um produto menos tóxico ou atóxico.3 . Esse fenômeno pode ocorrer em solos extremamente secos embora seja facilitada naqueles cuja condição se aproxima da sua capacidade de campo e com temperaturas elevadas. Ativação: conversão. a hidrólise química é responsável. A estabilidade desses herbicidas sugere que a hidrólise química não é um mecanismo importante na sua degradação no solo (SHANER. ou mais complexa.2 . por exemplo são extremamente estáveis nas faixas de pH normalmente encontradas no solo e apresentam t ½ vida normalmente maior que seis meses. pelo início de uma série de atividades degradativas que ocorrem no solo e torna-se indispensável para os processos de transformação das moléculas de herbicidas no solo. redução ou perda de um grupo funcional. envolvendo mudanças estruturais na molécula. por ação enzimática. A hidrólise representa um processo geral de reação do herbicida com a água. Estudos mais detalhados indicam que a biodegradação pode ser por: Alteração não-tóxica: conversão de uma molécula não-tóxica. cujos principais mecanismos envolvidos são a oxirredução e hidrólise desses compostos. O fenômeno da recalcitrância (baixa degradabilidade no solo) é bastante complexo e regulado por outros fatores. entre eles: • características estruturais do composto: quantidade de substituição e natureza do grupo introduzido no núcleo central da molécula. 1989). em geral. envolvendo várias reações seqüenciais. As imidazolinonas.Degradação química A degradação ou decomposição de herbicidas no solo por meio de reações químicas e nãobiológicas são comuns para diversas moléculas. podendo se tornar recalcitrante e mais tóxico. implicando a perda ou alteração da toxidez da molécula. de um substrato não-tóxico em uma molécula com ação biocida. Módulo 3.Degradação biológica (microbiana) ou biodegradação O termo biodegradação refere-se à transformação biológica de um composto químico orgânico em outra forma.Herbicidas: comportamento no solo 175 . em um produto não-tóxico e desativado. O pH do solo também auxilia na velocidade da reação.4 . Embora para a grande maioria dos herbicidas aplicados ao solo os processos de degradação mediados por microrganismos sejam mais importantes. mas com potencialidade de ativação e toxidez. Essa transformação pode ser primária.

observaram que a taxa de degradação diminui com a profundidade (VEEH et al. como fonte de energia (metabolismo). 1997). ele pode acabar tornando-se mais persistente. Alteração do espectro de toxidez: alteração no composto que provoca alteração do grupo de organismos específicos sensíveis à sua ação. Já Sanyal e Kulshrestha (1999) observaram a ação de diversos microrganismos na degradação acelerada de metolachlor. os estudos ainda não permitem uma definição sobre a modificação ou atividade mircrobiana envolvida na degradação acelerada de herbicidas.Herbicidas: comportamento no solo • . uma vez que está menos exposto ao contato direto com a microbiota do solo. fornecendo nutrientes. diz-se que ocorreu um processo natural de adaptação metabólica. SHELTON. de várias espécies de microrganismos do solo. Sabe-se. a ação microbiana pode modificar a estrutura química do produto. • inacessibilidade do substrato às enzimas ou células microbianas capazes de promover a sua degradação. 1996). NH3 e íons inorgânicos. entretanto. sem fornecimento de energia para o seu crescimento (co-metabolismo) (MONTEIRO. (2001) observaram a biodegradação acelerada de carbetamida por microflora adptada. Diversas dessas moléculas têm sido descritas como condicionadoras da microbiota do solo para sua degradação (FELSOT. ou. • ausência de fatores de crescimento ou condições favoráveis para os microrganismos decompositores e • ausência de microrganismo(s) com capacidade metabólica (enzima) capaz de degradar o produto.. de que essa degradação seria devido ao aumento da atividade enzimática com maior ação degradativa sobre esses compostos. Mineralização: considerado sinônimo de degradação. diminuindo com a profundidade. onde tem maiores chances de ser biodegradado.. RAVELLI et al. Hole et al. que a população microbiana. H2O. com utilização do composto como fonte de carbono e energia. os processos de biodegradação podem ocorrer em função da atuação de uma ou. mais comumente.4 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas desativação de sistemas enzimáticos responsáveis pelas alterações na molécula do produto no solo. representada principalmente por fungos e bactérias. Contudo. ainda. pois outros fatores ambientais precisam ser considerados na interpretação desses resultados. embora os produtos finais sejam CO2. se um herbicida é lixiviado rapidamente da camada superficial do solo. Vários autores. 1993). Entretanto. Portanto. 1996. avaliando a degradação de pesticidas em várias profundidades. Quando a biodegradação é acelerada. sendo um dos maiores mecanismos envolvidos na degradação de herbicidas. Simples degradação: transformação de uma substância tóxica complexa em produtos mais simples. a segunda. esse fenômeno tem sido questionado a partir de duas considerações: a primeira é de que a degradação acelerada seria resultado do aumento do número de microrganismos selecionados pelo herbicida e. utilizando esse composto como fonte de C e N. A rota primária de degradação das 176 Módulo 3. é mais abundante nas camadas superficiais do solo. Estes microrganismos podem utilizar os herbicidas tanto como substratos. Além disso.

Módulo 3. paraquat. particularmente sob condições de alta umidade e temperatura. como as dinitroanilinas. uma vez que a penetração de luz UV no solo é bastante limitada. as quais podem levar à sua inativação. parece ser a microbiana. na presença de um agente nucleofílico em solução aquosa. começa quando a molécula do herbicida absorve a energia luminosa. A maioria dos herbicidas apresenta coloração que tende ao branco. são os mesmos que os encontrados em decorrência de processos enzimáticos. por exemplo. Apenas aqueles herbicidas na ou próximos à superfície do solo ou sobre plantas serão passíveis de sofrerem fotodecomposição. o comprimento de onda efetivo na fotodegradação de herbicidas pode estar fora do espectro de absorção específico do composto. e os produtos da transformação resultantes dessas reações. disponibilidade de nutrientes. Portanto. O processo de fotodecomposição. triasulfuron. aeração e micro/macrofauna) e as técnicas de aplicação. etc.. além das próprias culturas.4 . superfície mineral. oxirredução. Estudos de dissipação no campo mostram a perda rápida das imidazolinonas a partir do solo. e possui picos de absorção de luz na faixa do UV. estado de humificação da matéria orgânica. ou próximo disso. Compostos amarelados. Embora a energia solar que chega à superfície do solo na faixa abaixo de 295 nm seja considerada desprezível.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas imidazolinonas. as de maior ação sobre os herbicidas são: a hidrólise.Herbicidas: comportamento no solo 177 . Além disso. Dentres as principais reações fotoquímicas. 4. vento e luz solar) podem afetar a transformação dos herbicidas tanto na água quanto no solo. bentazon e atrazine em solução aquosa. Uma reação que também ocorre a partir da substituição de um halogênio de benzeno por uma hidroxila. é a reação fotonucleofílica de hidrólise. como hidrólise. umidade. monuron) e em pentaclorofenóis. a isomerização e a polimerização. sendo a desalogenação a reação fotoquímica mais comum. normalmente como os elétrons deslocados (cromóforos). propriedades do solo (pH. clethodim. Isso causa a excitação de elétrons e pode resultar na quebra ou na formação de ligações químicas. a energia luminosa pode ser absorvida por uma molécula intermediária e transferida à molécula do herbicida por colisão. Outros exemplos de reações fotoquímicas comuns ocorrem nas bifenilas policloradas (PCBs). uréias substituídas (diuron. a qual depende da insaturação eletrônica. diquat. a desalogenação. Geralmente a luz apresenta um papel de catalisador de reações químicas. cultivo e irrigação. algumas vezes.Fotodecomposição ou fotólise A radiação solar na faixa do ultravioleta (290-450 nm) contém energia suficiente para causar transformações químicas dos herbicidas. Fatores do ambiente (temperatura. ou decomposição pela luz. Exemplos de herbicidas que sofrem fotodecomposição incluem o trifluralin. possuem picos de absorção por volta de 370 nm. a oxidação. podem afetar a persistência dos herbicidas.4 .

Fitorremediação Recentemente. a degradação química e biológica e a sorção são alguns fatores que devem ser considerados para explicar o desaparecimento dos herbicidas do solo..tem-se mostrado viável nos casos em que ocorrem condições biogeoquimicamente favoráveis e pode ser efetiva na remediação de solos e águas subterrâneas quando utilizada paralelamente a outras tecno¬logias. É possível que parte das perdas esteja relacionada ao processo de fotodegradação. acentuada pela temperatura elevada na superfície do solo. Figura 21 . 1998.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Considera-se que os produtos da fotodegradação sejam similares aos produzidos por processos químicos e biológicos de degradação. A volatilização. e indústrias multinacionais. 2005). No entanto. outros fatores podem estar envolvidos. nos últimos dez anos. Mais especificamente. tem-se mostrado que a atenuação natural monitorada pode contribuir significativamente para o controle e a redução da contaminação de solos e águas subterrâneas (FURTADO. Monsanto e Rhone-Poulanc.Herbicidas: comportamento no solo . DINARDI et al. especialmente se um período prolongado de seca acontece após a aplicação. 178 Módulo 3. como a norte-americana Phytotech e a alemã BioPlanta. que se beneficiam do emprego da fitorremediação em suas áreas de produção e de pesquisa (GLASS. A Figura 21 exemplifica as estruturas químicas de produtos de fotodegradação do metolachlor. Herbicidas aplicados à superfície do solo são freqüentemente perdidos. como Union Carbine.4 .Estruturas químicas de quatro produtos de fotodegradação do metolachlor Fonte: Kochany e Maguire (1994) 5 .que consiste simplesmente em manejar ao longo de um certo tempo a degradação dos contaminantes que ocorre por meio de processos naturais . surgiram nos EUA e em grande parte da Europa inúmeras companhias que exploram a chamada “fitorremediação” para fins lucrativos. Esta alternativa . se comprovada ao longo de um período de monitoramento. ou isoladamente. 2003).

reduzindo-o ou até mesmo eliminando sua toxicidade. YU et al. comprovadamente. visando a descontaminação de ambientes (fitorreme¬diação) que apresentam resíduos de herbicidas em quantidade suficiente para causar interferência negativa nas diferentes atividades agrícolas ou comprometer a sustentabilidade ambiental. 2005. solventes halogenados. incluindo o desenvolvimento de vários microrganismos comprovadamente eficientes na biodegradação de alguns compostos (BELLINASO et al.1 . de ambientes contaminados por metais pesados e derivados de petróleo. são estimulados a degradar os contaminantes seja por utilização da molécula como fonte de nutrientes ou por co-metabolismo. este trabalho abordará especificamente aspectos da técnica da utilização das plantas e sua microbiota associada. Nesses estudos. o termo biorremediação é amplamente utilizado para o processo de descontaminação de ambientes por microrganismos. em particular bactérias.. Petrobrás (2006) e Unicamp (FEA.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Dentre os compostos de difícil degradação no solo.. b)... podendo atingir cursos de águas subterrâneas.Herbicidas: comportamento no solo 179 . bem como instituições de pesquisa. é no Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Viçosa que se intensificam os estudos na área da fitorremediação de solos contaminados por herbicidas. Contudo. 2005. No processo de biorremediação in situ dito “tradicional”. principalmente. 2003. SANTOS et al. os quais incluem a fitorremediação. 2000). compostos nitroaromáticos e. 2003. entre elas a Embrapa (2005). Dessa maneira. 2006). de nutrientes e de substrato. os herbicidas de longo efeito residual apresentam-se como principal problema à possibilidade de contaminação de culturas plantadas em sucessão e ao problema ambiental ocasionado por sua lixiviação direta ou de seus metabólitos para camadas mais profundas no perfil do solo. No Brasil. microrganismos do solo. A técnica é bem utilizada para remediação de áreas contaminadas com metais pesados (FRANCO. 2004a. tem-se a fitorremediação (ACCIOLY.4 .. Portanto. 2005).. As condições necessárias para essa degradação incluem a existência de receptores de elétrons. 2004. incluindo compostos químicos aplicados para as diferentes atividades agrícolas.. eficientes na descontaminação de áreas tratadas com os herbicidas trifloxysulfuron-sodium e tebuthiuron e que o provável mecanismo envolvido na descontaminação seja a interação da fitoestimulação e da fitodegradação. pesquisam e exploram métodos de biorremediação. já se sabe que as espécies Stizolobium aterrimum e Canavalia ensiformis são. Quando se trata da descontaminação pela utilização de plantas isoladas ou estimulando a microbiota associada às suas raízes. algumas empresas estatais e privadas. Módulo 3. 5. SIQUEIRA. mais recentemente. A pesquisa referente à biorremediação (biodegradação) de áreas contaminadas por herbicidas é relativamente ampla e já bem consolidada. principalmente) capazes de se desenvolverem em meio contendo o material poluente. VROUMSIA et al. PROCÓPIO et al. herbicidas (PIRES et al. 2005).A fitorremediação como mecanismo de biorremediação A biorremediação é o processo de remediação in situ de áreas contaminadas que emprega organismos vivos (microrganismos e plantas. QUEROL et al.

1996). 180 Módulo 3. elementos contaminantes. subseqüentemente. Outros trabalhos relatam a contribuição das plantas. 1995. CUNNINGHAM et al. Em trabalho realizado por Arthur et al. a aptidão rizosférica para a biorremediação desses compostos. 2003. aterrimum.. de 193 dias. na qual há o estímulo à atividade microbiana. 2004. (2005). PROCÓPIO et al. o contaminante. combinados e/ou ligados a tecidos das plantas (compartimentalização) (ACCIOLY. contaminado com o tebuthiuron. PERKOVICH et al. principalmente atrazine e metolachlor (ANDERSON et al. 1996. foi comprovado que o solo proveniente da rizosfera de diversas espécies de leguminosas.. apresentou maior atividade microbiana. é desenvolvido como agente para o controle do descontaminante. A seletividade deve-se ao fato de que os compostos orgânicos podem ser translocados para outros tecidos da planta e. promovido pela liberação de exsudatos radiculares. só recentemente tem-se apresentado como promissora técnica para descontaminação de áreas tratadas por herbicidas residuais (PIRES et al. entre elas C. tolerantes a certos herbicidas. comparado ao solo não vegetado. A utilização da fitorremediação para descontaminação de ambientes com resíduo de herbicidas é baseada na seletividade. ANDERSON.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quando comparada com técnicas tradicionais.4 . e • apresentam complexidade de análise diante das constantes transformações a que estão sujeitos. COATS.. no caso. em solos rizosféricos de Kochia scoparia. 1996. duas limitações. 2000. como bombeamento e tratamento. SCHNOOR. ensiformis e S. natural ou desenvolvida. Apesar de ser utilizada em solos contaminados com substâncias orgânicas ou inorgânicas. devem ser consideradas para o emprego da fitorremediação em áreas contaminadas por herbicidas: • são contaminantes orgânicos que apresentam diversidade molecular.. 1996). estimulando o efeito rizosférico na aceleração da mineralização de alguns herbicidas. (2000). e em solos não vegetados. podem ainda sofrer parcial ou completa degradação ou ser transformados em compostos menos tóxicos. a meia-vida do atrazine foi de 50 dias. como a capacidade de metabolização do herbicida a um composto não-tóxico (ou menos tóxico) à planta e ao ambiente.. 2001). solventes clorados e subprodutos tóxicos da indústria (CUNNINGHAM et al. as plantas. constatou-se que. 1996). conhecido como fitodegradação.. ou remoção física da camada contaminada. agrotóxicos.Herbicidas: comportamento no solo . BURKEN. especialmente menos fitotóxicos. que atuam degradando o composto no solo. 2005). Contudo. como metais pesados. SIQUEIRA. o que caracteriza. Apesar das facilidades observadas. Esse fato é de ocorrência comum em espécies agrícolas e daninhas. Em trabalho realizado por Pires et al.. no caso herbicida. um importante mecanismo de diminuição do herbicida por ação do fitorremediador parece ser a fitoestimulação. principalmente por sua eficiência na descontaminação e pelo baixo custo (PERKOVICH et al.. que algumas espécies exibem a determinados compostos ou mecanismos de ação. a fitorremediação tem sido considerada vantajosa. SANTOS et al. 1994. entre outros. Citam-se ainda outros mecanismos. entre outras. explosivos. SCRAMIN et al. hidrocar¬bonetos de petróleo. volatilizados.. em algumas plantas.

Herbicidas: comportamento no solo 181 .0.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Segundo Burken e Schnoor (1996). ampliando dessa forma. Dos componentes da matéria orgânica do solo. é sabido que valores de pH fora da faixa de neutralidade comprometem a atividade da microbiota do solo prejudicando diretamente os processos de fitorremediação. é maior quando o Log Kow do pesticida varia de 0. GARBISU. 1995. de baixa reatividade (caulinita). pelas plantas é afetada pelas propriedades químicas do composto. sendo maior a absorção quando o valor de Log Kow é de 2. persistência e concentração do herbicida. ligam-se às membranas lipídicas das raízes antes de entrarem no xilema. interferem ainda a constante de acidez (pKa) e a sua concentração (ALKORTA.. no papel eficiente das plantas. REDDY et al. além dessa característica. levando à fitodegradação. 1995).. Walker et al. fundamental para promover o carreamento do herbicida absorvido para a parte aérea das plantas. os efeitos benéficos nos processos de fitorremediação de herbicidas. além do mecanismo de ação. Para atrazine verificou-se que sua mineralização aumentava rapidamente com o aumento do pH (HOUOT et al.5 a 3. apesar de ter valores de pH mais altos que 6. 1997).4 . Em revisão feita por Pires et al.1 (PIRES et al. Para certas características das plantas e condições ambientais. o produto químico deve passar pelo simplasto da endoderme. a absorção de compostos orgânicos. conseqüentemente..1. Todavia. as substâncias húmicas são relatadas como as principais responsáveis pela sorção de herbicidas (PUSINO et al. incrementam-se também a biomassa e atividade microbiana e a biotransformação das moléculas dos herbicidas no solo (WEED et al. Solos com alto conteúdo deste mineral apresentam reduzida mineralização de atrazine. por exemplo. Dessa maneira. a matéria orgânica constitui o principal contribuinte para a CTC.1.. 2000). Para ser translocado. o conteúdo de argila. Outras propriedades do solo podem intervir na fitorremediação e. (1996) estudaram a degradação de isoproturon. 2003). (2003a) e de acordo com Brigss et al. pelas condições ambientais e pelas características da espécie vegetal. o fluxo transpiratório. as pesquisas devem direcionar esforços para obtenção de melhores resultados para as áreas contaminadas com os herbicidas que apresentam longo efeito residual no solo..1. 2000). com exceção do diuron em um dos solos. Compostos que são menos hidrofóbicos. 2001). Além disso. como. Maior conteúdo de matéria orgânica reduz as amplitudes de variação da temperatura e umidade do solo. logo. Módulo 3. como os herbicidas. CELIS et al.5 (HOUOT et al.. 1992. vários outros fatores poderão influenciar a capacidade descontaminadora de espécies vegetais em programas de fitorremediação. não passam através das membranas lipídicas associadas com as camadas da epiderme das raízes. Nas condições tropicais em que os solos são altamente intemperizados com predomínio de óxidos e hidróxidos de Fe e Al e argilas silicatadas 1:1.. (1982). Essa ligação ou exclusão leva a menor fluxo transpiratório sob valores de Log Kow que se distanciam de 2. com valores de Log Kow < 2. diuron e metsulfuron-metil na solução do solo e na fração adsorvida em dois tipos de solos e encontraram que a meia-vida destes produtos foi menor em solução que na fração adsorvida. a absorção radicular de xenobióticos da água (em solução) está diretamente relacionada ao logaritmo do coeficiente de partição octanol-água (Kow) do composto. Compostos que são mais hidrofóbicos. com Log Kow > 2.

que é recomendado para uso em pré-emergência na cultura da canade-açúcar. Existe ainda o impacto ambiental negativo ocasionado pela lixiviação dessas moléculas ou de seus metabólitos para camadas mais profundas no perfil do solo.. os herbicidas que apresentam longo efeito residual no solo proporcionam a ocorrência de toxicidade em culturas sensíveis (carryover) plantadas após sua utilização.. a contar da data de sua aplicação. para que se obtenha resultados satisfatórios. causando intoxicação às culturas de amendoim. que é utilizado em mistura com o ametryn na cultura da cana-de-açúcar ou puro na cultura do algodão em pós-emergência inicial. entre outras (RODRIGUES. como algodão. apresentam considerado efeito residual no solo. Mesmo sendo recomendado em concentrações baixas (em torno de 7. tomate. é de aproximadamente oito meses. 1987) de 15 a 25 meses em solo argiloso (MEYER. 2005. 2005). SANTOS et al. Outros herbicidas. podendo chegar a até três anos o intervalo para o plantio de culturas sensíveis. Mesmo possibilitando o controle efetivo de plantas daninhas por um período de tempo maior. ALMEIDA. principalmente como resultado de aplicações seqüenciais ao longo dos anos na mesma área (CERDEIRA. sendo. Áreas contami¬nadas por estes e outros herbicidas persistentes no solo são prioritárias nos programas de fitorremediação. feijão e soja quando cultivadas até dois anos após a sua aplicação. como picloram e imazapyr.5 g ha-1) (RODRIGUES. Problemas resultantes dos processos de poluição e degradação dos recursos naturais por herbicidas têm recebido atenção especial. portanto. quando simulada a reunião de todas as condições ambientais que favoreçam sua persistência (EMMERICH et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 5. Além disso. 2005). 1999). podendo atingir lençóis subterrâneos e se mover para outros ambientes com provável contaminação de outros ecossistemas.. 2005). para o plantio de culturas sensíveis.este herbicida apresenta elevada mobilidade em solos com baixos teores de argila e de carbono orgânico. eficiência em doses baixas. principalmente em sistemas agrícolas que necessitam utilizar esses produtos no manejo integrado de plantas daninhas (JAKELAITIS et al. as propriedades procuradas em um herbicida são sua pronta degradabilidade. apresenta problemas de carryover na cultura do feijão cultivado em seqüência. apresenta longo período residual. 1988) ou mesmo estender-se por mais de sete anos. Também o tebuthiuron. existindo uma conscientização dos problemas ambientais ou de saúde que podem ocorrer devido à má utilização desses compostos químicos (SANTOS et al. 2005). Sua persistência no solo pode variar de 11 a 14 meses em Latossolo Vermelho-Amarelo em lavouras de cana-de-açúcar (BLANCO.Herbicidas: comportamento no solo . soja.4 . o período de espera.2 . BOVEY. OLIVEIRA. especificidade e baixa toxicidade para os organismos não-alvos. Contudo. ALMEIDA. fonte potencial para contaminação de aqüíferos. reduzindo com isso o número de aplicações. batata.1984). Produtos como o trifloxysulfuron-sodium.Problemas relacionados aos herbicidas residuais Atualmente.. é essencial conhecer o tempo total necessário para a 182 Módulo 3.

• capacidade transpiratória elevada. Em essência. que. concentração e/ou metabolização e tolerância ao herbicida. Outro aspecto a ser observado é que. ao mesmo tempo ou subseqüentemente. a espécie vegetal ideal para remediar um solo contaminado por herbicidas seria uma cultura de alta produção de biomassa. Dessa forma..Estratégias para o sucesso da fitorremediação O sucesso no emprego da fitorremediação como técnica para descontaminação de áreas tratadas por herbicidas depende da natureza química e das propriedades do composto.. de clima quente ou frio. além dos procedimentos para o correto emprego da técnica. NEWMAN et al. • fácil colheita. entre outros fatores. a técnica pode apresentar algumas limitações de aplicação. porém. sendo importante ressaltar algumas delas.. pedregoso. 2000. além da aptidão ecológica da espécie vegetal a ser empregada. quando necessária a remoção da planta da área contaminada. • retenção do herbicida nas raízes.. solo seco. evitando sua manipulação e disposição.. CUNNINGHAM et al. PERKOVICH et al. várias espécies podem. visando efetivar e diminuir o tempo de descontaminação. com elevada umidade. Módulo 3. especialmente em árvores e plantas perenes. ser usadas em um mesmo local. 1996. no caso da fitoestabilização. • elevada taxa de exsudação radicular. 2003). 5. Com base nas análises apresentadas por diversos autores (FERRO et al.Herbicidas: comportamento no solo 183 .. • alta taxa de crescimento e produção de biomassa. daí a necessidade do conhecimento de estratégias que acelerem o processo de remediação. Dessa forma. SIQUEIRA. São conhecidas espécies que se desenvolvem bem em todos os ambientes. a escolha de plantas que apresentem tolerância ao herbicida é o primeiro passo na seleção de espécies potencialmente fitorremediadoras. como oposto à transferência para a parte aérea. aquela que for selecionada deve reunir o maior número delas. 1998. VOSE et al. algumas características devem ser consideradas na escolha da espécie vegetal a ser utilizada em programas de remediação de áreas contaminadas por herbicidas: • capacidade de absorção. ACCIOLY. embora a maioria dos testes avalie plantas isoladas. • resistência a pragas e doenças. 2000. O ideal seria reunir todas essas características numa só planta.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas descontaminação.4 . para promoverem maior descontaminação. 1996. • fácil controle ou erradicação.3 . • fácil aquisição ou multiplicação de propágulos. e • capacidade de desenvolver-se bem em ambientes diversos. • sistema radicular profundo e denso. que tanto pode tolerar como acumular o produto. 1994. como sugerido por Miller (1996). PIRES et al. as vezes é muito longo.

aterrimum da área contaminada com trifloxysulfuron-sodium. Belo et al. (2005) verificaram que. 184 Módulo 3. das várias espécies testadas tolerantes ao herbicida tebuthiuron. evidenciando a contribuição da microbiota no processo de descontaminação. Essas culturas são sensíveis à presença desse herbicida (RODRIGUES. possibilitou maior eficiência no processo de remediação por essas leguminosas. (2006) observaram que o solo proveniente da rizosfera de S. ensiformis e Lupinus albus possibilitaram o pleno desenvol¬vimento de Avena strigosa.4 . após a seleção de diversas espécies vegetais. após o período de remediação. (2006) constataram que a adição de composto orgânico ao solo contaminado com trifloxysulfuron-sodium e tebuthiuron. as leguminosas C. aterrimum. 2004b).. semelhante ao solo isento do herbicida (Figura 24). indicando que o produto pode estar sendo degradado internamente nos tecidos (fitodegradação) ou inativado por outros mecanismos rízosféricos. ALMEIDA. algumas especies vegetais utilizadas como cobertura do solo foram selecionadas (Figura 22).Herbicidas: comportamento no solo . Em outro trabalho.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nos trabalhos realizados até o momento no Brasil. comparado ao mesmo solo não tratado com o herbicida. visando a seleção de espécies vegetais com potencial para emprego em programas de fitorremediação de herbicidas (PIRES et al. utilizada como bioindicadora da presença do herbicida. além de melhorar o desenvolvimento das espécies vegetais S. Também Pires et al. ensiformis. destacando-se a mucuna-preta (Stizolobium aterrimum) e o feijão-de-porco (Canavalia ensiformis) (Figura 23). Santos et al.. tratado com o trifloxysulfuron-sodium. outros mecanismos podem ser implementados no programa de fitorremediação visando maior eficiência no processo. comprovando a eficiência na descontaminação. b. Além dos fatores mencionados.. 2006). SANTOS et al. aterrimum e C. (2005) verificaram que o aumento da densidade populacional de S.. provavelmente. (2004). 2003a. sendo. feijão-de-porco (Canavalia ensiformis) e mucuna-preta (Stizolobium aterrimum) promoveram a fitorremediação de solo contaminado pelo herbicida trifloxysulfuron-sodium. 2005. aterrimum promoveu maior descontaminação da área tratada com trifloxysulfuron-sodium. apresentou maior atividade microbiana. evidenciada pelo maior desprendimento de dióxido de carbono. ensiformis e S. a fitoestimulação da microbiota associada à rizosfera (PROCOPIO et al. PROCÓPIO et al. não interferiu no desenvolvimento posterior de plantas de feijão. 2005b. 2004. Procópio et al. possibilitando o posterior desenvolvimento de plantas de milho e feijão. Nos trabalhos realizados por Procópio et al. a permanência ou retirada da parte aérea das plantas de C. 2005).

7. agiriam em conjunto.5 e 15. os quais. visando a remediação Fonte: Procópio et al. Módulo 3. (2004) Para Accioly e Siqueira (2000).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 22 – Etapa de seleção de espécies vegetais tolerantes ao trifloxysulfuron-sodium e ao tebuthiuron.0 g ha-1) (não-seletivo a essas culturas).Herbicidas: comportamento no solo 185 . posteriormente cultivado (B) ou não (A) com mucuna-preta (Stizolobium aterrimum).0. para o sucesso da fitorremediação.4 . associados às práticas agronômicas. o programa deve envolver. amenizantes como a matéria orgânica do solo. removendo. visando a fitorremediação de solos contaminados por esses herbicidas Figura 23 – Desenvolvimento de mucuna-preta (Stizolobium aterrimum) (A) e feijão-de-porco (Canavalia ensiformis) (B). além do emprego de plantas e sua microbiota associada. em solos contaminados pelos herbicidas trifloxysulfuron-sodium e tebuthiuron Figura 24 – Desenvolvimento de plantas de milho e de feijão em solo tratado com o herbicida trifloxysulfuron-sodium (0. imobilizando ou tornando os contaminantes inofensivos ao ecossistema.

Esse fato denota a importância de pesquisas. O resultado dos processos de transporte. outros benefícios para o agricultor.Considerações finais O comportamento de herbicidas no ambiente. depende do somatório de diversos processos envolvidos. absorção moderada à matéria orgânica e argila. solubilidade de baixa para moderada em água (RODRIGUES. 1986). além da possibilidade de inoculação de microrganismos junto à semeadura das plantas. Nessa área. por perturbarem menos o ambiente. 2003.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Manejo da irrigação. Em se tratando de ambientes aquáticos. o atrazine oferece elevado risco de contaminação de aqüíferos. são pesquisas já iniciadas e fornecerão dados para maior eficiência nos processos de descontaminação de áreas que apresentam resíduos de outros herbicidas comprovadamente persistentes no ambiente. nos programas de fitorremediação de herbicidas. a fitorremediação surge como opção para o tratamento eficiente de solo e água contaminados por herbicidas de difícil decomposição nesses ambientes. Contudo. essa técnica é 186 Módulo 3. incremento na população e número de espécies vegetais. BEKHI. que visam o menor impacto negativo ao ambiente. GLASS. o sucesso do tratamento empregando planta aquáticas vai além do baixo custo. apesar de já ser bem conhecido o processo de biodegradação do atrazine por diversos microrganismos (BEKHI et al. alto potencial de escoamento. retenção e transformação que ocorrem com as moléculas representa a capacidade de contaminação e persistência destas no meioambiente. sendo comumente detectado após um ano. 2005). devido às suas características físico-químicas. KHAN. 2005). 6 . O que se observa é que o conhecimento teórico das propriedades dos compostos do solo.. além da capacidade remediadora. Contudo. Entre os herbicidas. O tema cresce em complexidade na medida em que se tenta selecionar espécies vegetais que apresentem. com o objetivo de prevenir quanto aos possíveis distúrbios ambientais provocados por esses compostos. dos fatores climáticos envolvidos e dos mecanismos de interação herbicida–ambiente nem sempre representa o comportamento constatado em condições naturais a campo. e até proteínas para usos em rações (DINARDI et al. geração de energia. os quais são responsáveis pelo destino final desses compostos. havendo possibilidades de reciclagem da biomassa produzida. 1998). como papel. como o picloram e outros.Herbicidas: comportamento no solo . baixa pressão de vapor. e uma abordagem detalhada da sua dinâmica seria difícil diante dos diversos interferentes relacionados ao seu comportamento. espera-se maior aceitação de métodos de descontaminação in situ. Além disso. principalmente em solos brasileiros. ALMEIDA. graças à atual preocupação na viabilidade das técnicas integradas de manejo. Este herbicida apresenta alta persistência no solo. hidrólise lenta. poucos são os trabalhos que apontam soluções para fitorremediação deste composto em ambientes aquáticos (MARCACCI. 1993. principalmente no solo. podendo ser utilizada como fertilizante. ração animal. fabricação de diversos produtos.4 .

4 . um dos motivos pelo qual deve ser mais estudado. quando todos os fatores envolvidos interagem. podendo ser aplicada a grandes áreas.Herbicidas: comportamento no solo 187 . Módulo 3. comparada a outros processos de descontaminação. As implicações são claras: entendendo como os herbicidas e outros pesticidas aplicados ao solo se comportam.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas relativamente barata. sem dúvida. este é. a identificação dos problemas de contaminação e as opções de recuperação do ambiente afetado. Embora o tema seja muito abrangente. torna-se possível sua utilização com eficiência técnica e econômica.

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192 Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

PIRES, F. R.; SOUZA, C. M.; SILVA, A. A.; PROCÓPIO, S. O.; CECON, P. R.; SANTOS, J. B.; SANTOS, E. A. Seleção de plantas tolerantes ao tebuthiuron e com potencial para fitorremediação. Revista CERES, v. 50, n. 291, p. 583-594, 2003b. PIRES, F. R.; SOUZA, C. M.; SILVA, A. A.; QUEIROZ, M. E. L. R.; PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; SANTOS, E. A.; CECON, P. R. Seleção de plantas com potencial para fitorremediação de tebuthiuron. Planta Daninha, v. 21, n. 3, p. 451-458, 2003a. PIRES, N. M.; OLIVEIRA JR., R. S.; PAES, J. M. V., SILVA, E. Avaliação do impacto ambiental causado pelo uso de herbicidas. Viçosa, MG: Sociedade de Investigações Florestais, 1995. 22 p. (Boletim Técnico SIF, 11). PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; PIRES, F. R.; SILVA, A. A.; SANTOS, E. A. Fitorremediação de solo contaminado com trifloxysulfuron-sodium por mucuna-preta (Stizolobium aterrimum). Planta Daninha, v. 23, n.4, p. 719-724, 2005a. PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; PIRES, F. R.; SILVA, A.A.; SANTOS, E. A.; CARGNELUTTI FILHO, C. Development of bean plants in soil contaminated with the herbicide trifloxysulfuron-sodium after Stizolobium aterrimum and Canavalia ensiformis cultivation. Crop Protection, 2006 (em fase de publicação) PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; SILVA, A. A.; PIRES, F. R.; RIBEIRO JÚNIOR, J. I.; SANTOS, E. A. Potencial de espécies vegetais para a remediação do herbicida trifloxysulfuronsodium. Planta Daninha, v. 23, n. 1, p. 9-16, 2005b. PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; SILVA, A. A.; PIRES, F. R.; RIBEIRO JÚNIOR, J. I.; SANTOS, E. A.; FERREIRA, L .R. Seleção de plantas com potencial para fitorremediação de solos contaminados com o herbicida trifloxysulfuron sodium. Planta Daninha, v. 22, n. 2, p. 315322, 2004. PUSINO, A. et al. Influence of organic matter and its clay complexes on metolachlor adsorption on soil. Pesticide Science, v. 36, p. 283-286, 1992. QUEROL, X.; ALASTUEY, A.; MORENO, N.; ALVAREZ-AYUSO, E.; GARCÍA-SÁNCHEZ, A.; CAMA, J.; AYORA, C.; SIMÓN, M. Immobilization of heavy metals in polluted soils by the addition of zeolitic material synthesized from coal fly ash. Chemosphere, v. 62, n. 2, p. 171-180, 2006. RAVELLI, A.; PANTANI, O.; CALAMAI, L.; FUSI, P. Rates of chlorsulfuron degradation in three Brazilian soils. Weed Res., v. 37, p. 51-59, 1997. REDDY, K. N. et al. Chlorimuron adsorption, desorption and degradation in soils from conventional tillage and no-tillage systems. Journal of Environmental Quality, v. 24, p. 760 767, 1995. ROBERTS, T. R. Assessing the environmental fate of agrochemicals. J. Environ. Sci. Health, B, v. 31, n. 3, p. 325-335, 1996. RODRIGUES, B. N.; ALMEIDA, F. S. Guia de herbicidas. 5.ed. Londrina, PR, 2005. 648 p. RODRIGUES, B. N.; ALMEIDA, F. S. Guia de herbicidas. 5.ed. Londrina, PR: Grafmarke, 2005. 591 p.
Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo 193

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194 Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

PROTEÇÃO DE PLANTAS

Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas 3.5 - Herbicidas: resistência de plantas
Tutores: Profº. Antonio Alberto da Silva Profº. Leandro Vargas Profº. Evander Alves Ferreira

Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Universidade Federal de Viçosa - UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia

Brasília - DF 2006
196 Módulo 3.5 - Herbicidas: resistência de plantas

Diagnóstico da resistência a campo. 202 2 . 221 14 .4 . 216 10.6 .Inibidores de ACCase.2 – Metabolização. 209 7 . 218 11 .Características da resistência por grupos herbicidas. 200 1.5 .Manejo da resistência a herbicidas.Como evitar a resistência.A resistência de plantas daninhas no Brasil.5 . 213 10.Mecanismos que conferem resistência. 215 10.Alteração do local de ação. 202 3 . 201 1.Resistência cruzada. 215 10. 208 5.Comentários finais. 204 5 .3 . 225 14. 203 4 . 210 8 .Fatores que favorecem o surgimento da resistência.Resistência múltipla.8 .Inibidores de ALS. 229 16 . 214 10.Derivados da glicina. 209 6 .2 – Bipiridílios.Herbicidas: resistência de plantas 197 .Pressão de seleção.2 .Variabilidade genética.Plantas daninhas resistentes em culturas transgênicas.Culturas transgênicas e plantas daninhas resistentes a herbicidas. 218 12 .7 – Triazinas. 208 5. 217 10. 214 10. 198 1 .3 – Compartimentalização. 211 9 . 200 1.Como confirmar a resistência.1 .Absorção e translocação. 212 10 . 230 Referências bibliográficas. 231 Módulo 3.1 .1 – Auxinas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução. 213 10.Seleção de biótipos resistentes por diferentes mecanismos de ação herbicida. 219 13 .1 . 225 15 .Resistência do azevém (lolium multiflorum) ao glyphosate.4 – Dinitroanilinas. 201 1.Evolução da resistência.Uréias/amidas.Culturas transgênicas.

6% aos inibidores da ACCase. 1977) Em menos de 30 anos.5% às dinitroanilinas e os 198 Módulo 3. foram descobertos biótipos de Senecio vulgaris resistentes a simazine (RYAN. 1998). 11.9% às triazinas. 1970). Dessa maneira. que era quase exclusivamente utilizada por grandes e médios produtores. havia mais de 100 espécies reconhecidamente resistentes em aproximadamente 40 países (HEAP. resistentes a herbicidas pertencentes ao grupo das auxinas (WEED SCIENCE. atualmente. há aproximadamente 284 biótipos de plantas daninhas que apresentam resistência a um ou mais mecanismos herbicidas (Quadro 1). e a tendência de uso desses compostos é de aumento. sendo o quinto no "ranking" de vendas de agrotóxicos. Na atualidade. Muitos outros casos foram relatados em diferentes locais do mundo e. 1997). principalmente por grandes agricultores. 1998a). Já em 1970. no estado de Washington (EUA).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução O controle de plantas daninhas com uso de herbicidas é prática comum na agricultura mundial. Em conseqüência. foram descritas em gêneros como Amaranthus e Chenopodium. Esses biótipos pertencem a 171 espécies e estão distribuídos em 59 países. 3. a população de plantas resistentes pode aumentar até o ponto de comprometer o nível de controle (HRAC. uma vez que essa tecnologia. A constatação da resistência de plantas daninhas aos herbicidas começou em 1957 com a identificação de biótipos de Commelina difusa. no Canadá. 1979). e Daucus carota. com resistência a triazinas. está prontamente disponível e profissionalmente desen¬volvido. principalmente. 7% às uréias e amidas. Uma das conseqüências do uso indiscriminado desses métodos tem sido o desenvolvimento de muitos casos de resistência a tais compostos por diversas espécies daninhas. onde os herbicidas correspondem a mais de 50% do volume total comercializado (ANDEF 2005). Destes biótipos. o Brasil é um dos maiores mercados do mundo. hoje está se tornando prática comum até entre os pequenos. 8. nos Estados Unidos. 22. Atualmente estão sendo comercializadas no mercado brasileiro em torno de 200 marcas comerciais de herbicidas (RODRIGUES.1% às auxinas sintéticas. Depois disso. possui custo atrativo.9% resistem aos herbicidas inibidores da ALS. O largo uso de herbicidas deve-se. os agricultores depositam confiança excessiva no controle químico das plantas daninhas. após o primeiro caso de resistência..5 . os demais métodos de controle têm sido deixados de lado. várias outras espécies. O uso repetido de um herbicida exerce uma pressão de seleção que leva ao aumento do número de indivíduos resistentes na população. ALMEIDA.Herbicidas: resistência de plantas . 28. ao fato de que o controle químico tem sido eficiente.7% aos bipiridílios. 7. Estudos posteriores demonstraram que esta espécie era resistente a todas as triazinas. em diferentes países (RADOSEVICH. 2005). devido a uma mutação nos cloroplastos (RADOSEVICH et al. No que se refere aos defensivos agrícolas.

não são claras. e os demais mecanismos somavam 8%. até o momento. Isso ocorre para diversos biótipos de grande ocorrência em diversas partes do mundo tornando cada vez mais difícil e oneroso o controle desses biótipos. Em 1983. se deve à alta especificidade. à eficiência e à grande área onde são empregados. a estes grupos de herbicidas. princi¬palmente quando não existe ou existem poucos herbicidas alternativos para serem usados no controle dos biótipos resistentes. restringindo esta prática a outros métodos menos eficientes. aos auxínicos. porém acredita-se que esteja relacionado com o seu modo de ação. Acredita-se que o maior número de biótipos resistentes aos herbicidas dos grupos inibidores de ALS.Herbicidas: resistência de plantas 199 . uréias e Branqueamento – inibição da Amitrole isoxazolidionas biossíntese de carotenóides Glicinas Inibição da EPSP sintase Glyphosate Inibição da divisão celular (inibição de Butachlor Chloracetamidas ácidos graxos de cadeias longas) Outros Diversos Diversos Total de biótipos de plantas daninhas observados no mundo Fonte: Adaptado de Retzinger. apesar do longo tempo de introdução no mercado. já que. 13%. A resistência de plantas daninhas a herbicidas assume grande importância. neste caso. A ocorrência de resistência múltipla agrava ainda mais o problema. das triazinas e existentes atualmente. Assim. Quadro 1 – Ocorrência de biótipos de plantas daninhas resistentes a diferentes grupos herbicidas Exemplo de herbicida Inibidores da ALS Inibição da acetolactato sintase (ALS) Clorsulfuron Inibidores do Fotossistema Inibição da fotossíntese no Atrazine II fotossistema II Inibição da acetil carboxilase Inibidores da ACCase Diclofop-methyl (ACCase) Bipiridílios Aceptores de eletrons do FSI Paraquat Auxinas sintéticas Ação semelhante ao ácido indolacético 2. aos bipiridílios. o controle dos biótipos resistentes com uso de herbicidas é seriamente comprometido. 12%. As razões do não-surgimento de plantas daninhas resistentes.4-D Uréias e amidas Inibição da fotossíntese no FS II Chlorotoluron Dinitroanilinas e outros Inibição da formação dos microtúbulos Trifluralin Inibição da síntese de lipídios – não da Thiocarbamatos e outros Trialate ACCase Triazoles.3% restantes aos demais grupos de herbicidas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 10. são dois ou mais os mecanismos que precisam ser substituídos. Não foram encontradas citações de plantas daninhas resistentes aos herbicidas perten¬centes aos grupos ariltriazolinonas. 67% dos casos de resistência documentados eram de biótipos resistentes às triazinas.5 . citado por HRAC (2004) Grupo de herbicida Mecanismo de ação Total ocorrência 82 65 33 22 23 20 10 8 4 6 2 7 284 Módulo 3. Essas proporções mudaram com a introdução no mercado dos novos grupos herbicidas inibidores de ALS e ACCase. benzotiadiazinas e ftalimidas.

. durante o crescimento do indivíduo é de cerca de 10-4.5 . Os erros de replicação e as lesões espontâneas geram a maior parte das mutações por substituição de base e mudança da matriz de leitura (SUZUKI et al.. 1992). teoricamente. existe. a probabilidade de as suas características cinéticas serem modificadas é grande. afirmando que são “aquelas mudanças bruscas hereditárias que alteram a atividade.. Biótipos resistentes podem ocorrer em uma população de plantas daninhas como resultado de mutações que provocam alterações no local de ação do herbicida (BETTS et al. cada trinca de bases nitrogenadas codifica um aminoácido que comporá a futura proteína. resultando em uma proteína mutante. 1969). contudo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1 . As etapas para produção de uma proteína são a transcrição. 1992). A atividade da enzima pode ou não ser modificada.Herbicidas: resistência de plantas . estando na dependência de qual aminoácido foi alterado. multiplicação do material genético. Se o aminoácido alterado for o ponto ou um dos pontos de acoplamento de uma molécula herbicida. que é a cópia do DNA pela enzima DNA polimerase. entretanto. porém não a posição do gene individualmente” (BREWBAKER. mesmo remota. A grande maioria das alterações que ocorrem no DNA. formando o RNA mensageiro (RNAm). serão repassadas aos seus descendentes. e a ocorrência de mutações que provoquem inserção. A ocorrência de erros na replicação ou transcrição da fita do DNA. A probabilidade de ocorrer erros na replicação do DNA. longas e específicas seqüências de bases nitrogenadas. mutação de ponto..Mecanismos que conferem resistência 1. O DNA é um cordão de genes (SUZUKI et al. A alteração de uma base nitrogenada. 1992). na tradução do RNAm. A seqüência linear de nucleotídios em um gene determina a seqüência linear de aminoácidos de uma proteína (SUZUKI et al. são responsáveis pela codificação das proteínas. A mutação é um processo biológico que vem ocorrendo desde que há vida no planeta. Na tradução do RNAm. pode originar uma enzima com características funcionais distintas ou não da original. que não provoquem a morte do indivíduo. Os genes. 1992).. e cai para 10-9 pela ação das enzimas reparadoras (SUZUKI et al.. 1992). Mutação foi definida por De Vries como mudanças repentinas e hereditárias.1 .Alteração do local de ação As informações genéticas de um organismo estão contidas em seu material genético (DNA). e a tradução do RNAm com a montagem da proteína pelo ribossomo. deleção ou substituição de uma base nitrogenada podem alterar um ou mais aminoácidos da proteína a ser formada. 1992). a maioria delas é deletéria e a evolução só é possível porque algumas delas podem ser benéficas em determinadas situações (SUZUKI et al. é preferível restringir. Caso ele componha o centro ativo da enzima. O DNA é uma dupla hélice formada por bases nitrogenadas púricas (adenina e guanina) e pirimidicas (timina e citosina) que formam os genes. este produto 200 Módulo 3. a possibilidade de erro.

Logicamente que. Esse é o mecanismo de tolerância a herbicidas apresentado pela maioria das culturas. que a mutação possa ocorrer por ação de algum herbicida ou outro defensivo agrícola (KISSMANN. 1992). Alteração do local de ação significa que a molécula herbicida diminui sua capacidade de inibir esse ponto. como é o caso da resistência de Lolium rigidum a triazinas e inibidores de ACCase. 1. a não ser que ela apresente outros mecanismos de resistência.Compartimentalização A molécula é conjugada com metabólitos da planta. podem provocar mutações no DNA. Fontes externas de radiação. 1996). são avaliados quanto à sua capacidade mutagênica. 1. e é muito improvável.. A luz ultravioleta e o oxigênio são mutagênicos (BREWBAKER. 1969). o tipo de mecanismo que está proporcionando a resistência. que podem estar relacionados com o tipo de mutação ocorrida. Acredita-se que os herbicidas não sejam capazes de provocar mutações. Não há evidências. A resistência de Arabidopsis thaliana às imidazolinonas se deve à alteração de um aminoácido da enzima ALS. devido a uma ou mais alterações na estrutura deste local. um herbicida que anteriormente era eficiente em inibir uma determinada enzima deixa de ter efeito sobre esta. como o sol. ou seja. tornando-a não-tóxica. ou. conforme relatam Sathasivan et al. Uma pequena alteração no polipeptídio pode resultar em um grande efeito sobre a afinidade com a molécula herbicida (BETTS et al.: plantas resistentes ao paraquat).3 . tornando-se inativa. têm-se plantas daninhas resistentes aos inibidores de ALS.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas pode perder a atividade inibitória sobre esta nova enzima.2 . se o herbicida possuir mais de um mecanismo de ação. em uma população de biótipos resistentes ocorrem diferentes níveis de resistência ou de susceptibilidade. Desse modo. mais rapidamente do que plantas sensíveis. com as formas alélicas do gene. tipo de molécula e. Como exemplo. como o vacúolo (ex. resistência múltipla. (1991). e a planta torna-se resistente àquele herbicida e a outros que se ligam da mesma forma àquela enzima. Módulo 3.Herbicidas: resistência de plantas 201 . a molécula herbicida. antes de serem lançados no mercado.Metabolização A planta resistente possui a capacidade de decompor. Contudo. já que estes produtos. ou é removida das partes metabolicamente ativas da célula e armazenada em locais inativos.5 . a planta pode morrer pela ação do(s) outro(s) mecanismo(s).

A resistência cruzada conferida pelo local de ação ocorre quando uma mudança bioquímica. PRESTON. controlam os membros da população. tolerante ou resistente a um herbicida. A resistência cruzada não confere. mesmo que pertencentes a diferentes grupos químicos.Resistência cruzada A resistência cruzada pode ser conferida a um biótipo por qualquer dos mecanismos que conferem resistência. a quantidade de herbicida que atinge o local de ação é bastante reduzida.Herbicidas: resistência de plantas .Absorção e translocação A absorção e a translocação são alteradas e. que agem no mesmo local na planta (POWLES. necessariamente. de uma população de plantas. devido a apenas um mecanismo de resistência.5 . também confere resistência a outras moléculas de diferentes grupos químicos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. a resistência é a capacidade adquirida de alguns biótipos. não chegando a ser suficiente para controlar a planta (ex. cultura de tecidos ou de agentes mutagênicos. Em uma população de plantas vão existir aquelas que. Biótipos de Lolium rigidum e Kochia scoparia. A resistência cruzada ocorre quando um biótipo é resistente a dois ou mais herbicidas. mesmo sofrendo injúrias. 1998). uma planta sensível pode morrer quando submetida a uma determinada dose do herbicida. Desse modo.: plantas resistentes aos bipiridílios). 2 .4 . assim. apresentam 202 Módulo 3. Uma planta é sensível a um herbicida quando o seu crescimento e desenvolvimento são alterados pela ação do produto. uma planta daninha pode ser sensível. resistência a herbicidas de todos os grupos químicos que possuem o mesmo local de ação. toleram mais ou menos um determinado herbicida. de sobreviver a determinados tratamentos herbicidas que. são resistentes a herbicidas de diferentes grupos químicos e com diferentes mecanismos. naturalmente. em que as plantas são capazes de sobreviver e se reproduzir após o tratamento herbicida. proporcionar tolerância ou resistência a herbicidas. sob condições normais. Relaciona-se com a variabilidade genética natural da espécie. Também podem existir variações no nível de resistência cruzada dos biótipos a herbicidas de grupos diferentes. que possuem resistência cruzada a herbicidas inibidores de ALS. Assim. e a resistência múltipla. Já a tolerância é uma característica inata de uma espécie. A resistência pode ser cruzada ou múltipla. isoladamente ou associados. A resistência pode ocorrer naturalmente (seleção) ou ser induzida com uso de técnicas de engenharia genética. Esses mecanismos podem. quando as plantas resistentes possuem dois ou mais mecanismos distintos que conferem resistência. Por outro lado. no ponto de ação de um herbicida. assim.

imazamethabenz. As mutações já analisadas mostram substituição. da prolina 173. selecionados com uso de herbicidas dos grupos ariloxifenoxipro-pionato ou cicloexanodiona. entre eles diclofop. Além disso. 1998). que resistem a 15 herbicidas diferentes. A conjugação da molécula herbicida com glicose também foi encontrada. Foi detectado. que não exibem alterações na enzima. 1998). A resistência cruzada. PRESTON. um exemplo são biótipos de Alopecurus myosuroides encontrados na Austrália. Isso se deve a pequenas diferenças de ligação entre a enzima e a molécula herbicida e a diferentes mutações que ocorrem no gene que codifica a enzima ALS (POWLES. devido à rápida metabolização da molécula por arilhidroxilação catalisada pelo Cyt P450 monoxigenase. Biótipos de Lolium rigidum resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase. PRESTON. que é resistente a vários herbicidas inibidores da ALS. Conrudo. as dificuldades de controle dos biótipos resistentes aumentam ainda mais quando os mecanismos que conferem a resistência estão relacionados com o local de ação e com outros mecanismos como o metabolismo. aumento da taxa de metabolismo dos herbicidas (POWLES. e futuro. O diferente nível de resistência pode ser resultado das diferentes mutações ocorridas no gene que codifica a enzima ACCCase e do tipo de alelo do gene (POWLES. já foram encontradas outras alterações na ALS tanto no centro ativo A como em outras partes da enzima (POWLES. 3 . 1998). em biótipos de Lolium rigidum resistentes aos herbicidas inibidores do FSII. resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase. de forma semelhante à que ocorre na cultura do trigo. é exemplificada por biótipos de Lolium rigidum. PRESTON. PRESTON. no centro ativo A da ALS. dois ou mais mecanismos conferem resistência à apenas um herbicida ou a um grupo de herbicida. Para controlar estas plantas daninhas. Acredita-se que as moléculas não-metabolizadas sejam imobilizadas ou armazenadas de forma a evitar sua ação sobre a enzima. 1998). Já os casos mais complexos são aqueles em que dois ou mais mecanismos conferem resistência à diversos herbicidas de diferentes grupos químicos.Resistência múltipla A resistência múltipla é o maior problema atual. mas apresentam pequenos aumentos no metabolismo do herbicida diclofop. pendimethalim e simazine. apresentam maior nível de resistência aos herbicidas do primeiro grupo do que aos do segundo. encontrados na Austrália.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas diferentes níveis de resistência aos diferentes grupos herbicidas que agem inibindo a ALS.5 . Nos casos mais simples. é necessário empregar misturas de herbicidas que não tenham sua atividade afetada pelos mecanismos de Módulo 3. devido a outros mecanismos. O metabolismo de herbicidas inibidores de ACCase e ALS é realizado pelo Cyt P450.Herbicidas: resistência de plantas 203 . relacionado a resistência de plantas daninhas a herbicidas.

Darwin postulava que a espécie como um todo vai mudando porque os seus indivíduos evoluem na mesma direção. pode ser resumida em três princípios: o da variação: existem variações morfológicas.5 . PRESTON. 1998).. 1992) (Quadro 2). o caso mais complicado de resistência múltipla. encontrado na Austrália. MORTIMER. 1992). 204 Módulo 3. dentro da população. Biótipos de Lolium rigidum e Alopecurus myosuroides constituem casos complexos. e. myosuroides metabolizam chlorotoluron e alguns herbicidas inibidores de ACCase e apresentam ACCase mutada. é devido à seleção de um biótipo resistente preexistente que. encontra condições para multiplicação (BETTS et al. Em geral. fisiológicas e de comportamento entre indivíduos. Existem biótipos de Lolium rigidum resistentes a herbicidas inibidores de ALS. 1998). o da hereditariedade: a prole parece mais com seus pais do que com indivíduos não-aparentados. Há poucos casos registrados de plantas com resistência múltipla (POWLES. PRESTON. e resistentes a chlorsulfuron. e o da seleção: algumas formas apresentam maior sucesso na sobrevivência e reprodução do que outras. as freqüências dos vários tipos. provocando mudanças na flora de algumas regiões.Evolução da resistência A teoria da evolução de Darwin. através da seleção natural. 1990). assim.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas resistência em questão. dentro de qualquer população. irão mudar com o tempo e os indivíduos mais bem adaptados ao ambiente tornam-se predominantes (SUZUKI et al. Contudo.. em uma população de plantas. devido a alterações na enzima. em determinado ambiente (SUZUKI et al.Herbicidas: resistência de plantas . Desse modo. por causa da pressão de seleção exercida por repetidas aplicações de um mesmo herbicida.. é de biótipos de Lolium rigidum que metabolizam herbicidas inibidores da ACCase. 1992). Os biótipos de A. ALS e FSII e possuem ACCase e ALS mutadas (POWLES. 1994). Muitas evidências sugerem que o aparecimento de resistência a um herbicida. 4 . LEBARON. a população da próxima geração terá uma freqüência elevada dos tipos que tiveram maior sucesso em sobreviver e se multiplicar nas condições ambientais vigentes. devido ao metabolismo. O surgimento de plantas daninhas resistentes a herbicidas é um exemplo de evolução de plantas como conseqüência de mudanças no ambiente provocadas pelo homem (MAXWELL. O uso repetido de herbicidas para controle de plantas tem exercido alta pressão de seleção. espécies ou biótipos de uma espécie que melhor se adaptam a uma determinada prática são selecionados e multiplicam-se rapidamente (HOLT.

9999 99. Por outro lado.Herbicidas: resistência de plantas 205 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 2 . conforme a Figura 1.99 99. 1988). altura e produção de sementes.000 10. A menor capacidade competitiva. RADOSEVICH. não foram detectadas diferenças na capacidade competitiva de Abutilon therphrasti resistente a triazina (GRAY et al. a aplicação do mesmo herbicida. aumenta esse tempo de aparecimento.000 1. 1996). em média..000 100. Módulo 3. apresentaram maiores área foliar. Em condições de seleção natural.0 80.000.Tempo para evolução da uma população de biótipos de plantas daninhas resistentes Ano 0 1 2 3 4 5 6 7 No de Plantas Resistentes 1 1 1 1 1 1 1 1 No de Plantas Sensíveis 1. sensíveis às triazinas. que apresenta 90% de eficácia de controle do biótipo suscetível. assim.0 90.0 50.000 100 10 5 2 % de Controle 99. Biótipos de Amaranthus retroflexus L.999 99.0 Evolução Imperceptível Imperceptível Imperceptível Imperceptível Imperceptível Pouco perceptível Perceptível Evidente Fonte: Kissmann (1996) A utilização de herbicidas que são altamente efetivos no controle de uma planta daninha específica por um longo período de tempo induz uma grande pressão de seleção quando comparados com outras práticas de controle. determinam a probabilidade do desenvolvimento de resistência das plantas daninhas a herbicidas. HOLT. o crescimento e a produtividade de plantas resistentes a triazinas podem estar relacionados com a sua capacidade fotossintética limitada (STOWE.. A intensidade dessa pressão de seleção sobre uma população de plantas daninhas. Assim. assim como as diferentes características biológicas. É evidente que a intensidade de seleção na prática não é tão intensa como mostrada na figura..5 . 1995). que funciona como um reservatório de sementes suscetíveis e. 1994). maior produção que biótipos menos adaptados (SAARI et al. (CONARD. 1979) e Chenopodium album (PARKS et al. vai selecionando os indivíduos resistentes e aumentando a sua freqüência na população.9 99. Os biótipos resistentes podem apresentar menor adaptação ecológica nesses ambientes e tornam-se predominantes devido à eliminação das plantas sensíveis. biótipos com maior adaptação ecológica apresentam. pois no campo existe o banco de sementes.

1996). 1993). A resistência está ligada a fatores genéticos e é hereditária (KISSMANN. herança e fluxo gênico (MAXWELL. inibidor da EPSPs (Quadro 3). MORTIMER. Na Austrália. provocando uma seleção direcional e progressiva de indivíduos que possuem genes de resistência.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 1 . ou levar muitos anos. como no caso do glyphosate. com o mesmo mecanismo de ação. foram selecionados biótipos de Lolium rigidum resistentes ao diclofop-methyl em três gerações. Foram identificados biótipos de plantas daninhas resistentes a sulfoniluréias após quatro a cinco anos de uso contínuo de herbicidas deste grupo (MALLORY-SMITH et al. 1994). 206 Módulo 3. e a seleção natural favorecem o surgimento e a evolução da resistência. As plantas que expressam o gene de resistência são selecionadas.Herbicidas: resistência de plantas . A ocorrência de variações genéticas. em uma população de plantas exerce alta pressão de seleção. partindo de uma população sensível e usando-se dose normal do herbicida. capazes de serem transmitidas hereditariamente.. como três anos após a introdução comercial (TARDIF. PAWLES.Aumento da freqüência do biótipo resistente devido a aplicações repetidas e anuais do mesmo herbicida A maior questão ecológica associada com a evolução da resistência aos herbicidas envolve o entendimento das relações entre adaptação.5 . 1990). tornando-se predominantes rapidamente na área. podendo ser bastante curtos. O tempo e a proporção de plantas resistentes em um local variam com a freqüência de uso do herbicida e dos seus efeitos biológicos. Aplicações repetidas de herbicidas. freqüência gênica.

herbicidas com essas características exercem alta pressão de seleção e. como é o caso de plantas resistentes aos inibidores de ALS.Herbicidas: resistência de plantas 207 . Há seis fatores relacionados à população de plantas que interagem e determinam a probabilidade e o tempo de evolução da resistência. somente a planta-mãe poderá transmitir a resistência para os filhos. conseqüentemente. O número de alelos que conferem a resistência é importante. e a taxa de cruzamentos entre biótipos resistentes e sensíveis (MORTIMER. Um gene é formado por um par de alelos. características como herança do tipo Módulo 3. São eles: o número de alelos envolvidos na expressão da resistência. O tipo de herança do(s) alelo(s) da resistência é ponto crucial no estabelecimento da resistência em uma população de plantas.5 . o modo de herança do(s) alelo(s) da resistência (citoplasmática ou nuclear). a transmissão será via cromossômica e. como é o caso de plantas resistentes a triazinas. que agem em pontos únicos nas rotas metabólicas das plantas. ou seja.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 3 – Tempo de evolução da resistência para diferentes mecanismos de ação Herbicida 2. Contudo. o surgimento de plantas resistentes. Por sua vez. uma vez que uma alteração no seu ponto de ação (enzima) pode provocar a perda de sua atividade sobre as plantas e. as características reprodutivas da espécie. 1998). mais genes podem estar envolvidos (poligênica) e mais lenta será a evolução da resistência.4-D Triazinas Propanil Paraquat Inibidores da EPSPs Inibidores da ACCase Inibidores da ALS Fonte: Weed Science (1998) Introdução 1948 1959 1962 1966 1974 1977 1982 Resistência 1957 1970 1991 1980 1996 1982 1984 Local EUA e Canadá EUA EUA Japão Austrália Austrália Austrália A indústria sempre buscou moléculas herbicidas com alto grau de segurança. se a herança for nuclear. a freqüência do(s) alelo(s) da resistência na população inicialmente sensível. altamente eficientes e específicos. A freqüência do(s) alelo(s) da resistência na população sensível geralmente está entre 1 em 1016 e 1 em 106 (MORTIMER. e quanto maior for a freqüência destes alelos. Desse modo. assim. possuem grandes possibilidades de selecionar biótipos resistentes. O objetivo foi atingido e surgiram os herbicidas modernos (inibidores de ALS e ACCase). assim. maior será a probabilidade de seleção de um biótipo resistente. As características poligênicas dependem da associação dos genes corretos. tanto o pai como a mãe podem transmitir a resistência. quando dois alelos estão envolvidos. a pressão de seleção. alta eficiência e baixa toxicidade para o homem e o ambiente. Por outro lado. Há dois tipos de herança: a citoplasmática (materna) e a nuclear. Herança citoplasmática é aquela em que os caracteres hereditários são transmitidos via citoplasma. quanto maior. dessa forma. pois. 1998). significa que somente um gene é responsável pela resistência (monogênica) e a evolução será rápida.

influenciam diretamente a dispersão das plantas resistentes. já a contribuição do movimento de sementes é relativamente pequena (SAARI et al. O intercâmbio de pólen. A alta pressão de seleção. e seleção destes dentro de uma população com alta tolerância. favorecendo o desenvolvimento da população resistente. imposta sobre uma população sensível proporciona espaço para o crescimento e desenvolvimento dos biótipos resistentes. 1998). controlando as plantas sensíveis em diversos fluxos germinativos. Já os herbicidas com residual longo agem durante tempo maior. o processo da evolução da resistência a herbicidas passa por três estádios: eliminação dos biótipos altamente sensíveis. A intensidade e a duração da seleção interagem. exceto os resistentes. 1994). O fluxo gênico apresenta correlação com o fluxo de distribuição de pólen e varia com a espécie. restando apenas os mais tolerantes e resistentes. A intensidade de seleção é a resposta da população de plantas às repetidas aplicações de herbicidas. favorecimento de um indivíduo em relação a outros. ou. O uso repetido de um mesmo herbicida ou de herbicidas com mesmo 208 Módulo 3. Resumidamente. de acordo com sua fenologia e seu crescimento (MORTIMER. A dispersão da resistência via pólen é influenciada pela eficiência de dispersão e longevidade do pólen (MULUGETA et al... O uso de herbicidas altamente eficientes e com residual longo exerce alta pressão de seleção. 1998). ao tempo. que será proporcional à dose e.Fatores que favorecem o surgimento da resistência 5. com maior rapidez no ambiente do que as do tipo citoplasmática (materna).5 . entre plantas resistentes e sensíveis. eliminação de todos os biótipos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas nuclear disseminam-se. 5 . A taxa de cruzamento entre os biótipos resistentes e sensíveis determina a dispersão dos alelos de resistência na população.1 . que é medida pela eficiência de controle das plantas daninhasalvo e pela relativa redução da produção de sementes das plantas remanescentes. como dispersão de pólen e número de propágulos produ¬zidos. e intercruzamento entre os biótipos sobreviventes. A duração da seleção é medida pelo tempo no qual o herbicida permanece com residual.Pressão de seleção Os fatores intensidade de seleção e sua duração contribuem para a pressão de seleção exercida pelos herbicidas. que serão selecionados futuramente devido segregação e recombinação de genes (MORTIMER. gerando novos indivíduos com maior grau de resistência.Herbicidas: resistência de plantas . A alta eficiência dos herbicidas provoca a eliminação rápida dos biótipos sensíveis. As características reprodutivas. o mecanismo de polinização e as condições climáticas durante a floração (STALLINGS et al. permite a dispersão da resistência principalmente em plantas com alta taxa de fecundação cruzada. via pólen.. 1995). provocando variações sazonais que podem ser observadas nas espécies. 1994).

dosagem. O(s) gene(s) que conferem a resistência a um determinado herbicida pode(m) estar presente(s) em uma população antes mesmo que este herbicida seja lançado no mercado. Segundo HRAC (1998a). torna inevitável o surgimento de plantas resistentes.2 . Geneticamente.5 . calibração. Características das plantas daninhas como alta diversidade genética. volume de calda.Herbicidas: resistência de plantas 209 . grande produção de polén e propágulos. quando se suspeitar da ocorrência de resistência. 5. contribuem grandemente para o surgimento de plantas resistentes. inicialmente. baixa dormência das sementes. associada à adequada intensidade e duração de seleção. 1998). O controle insatisfatório de plantas daninhas não significa necessariamente que seja resistência.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas mecanismo de ação. é resultado da relação entre a freqüência da mutação e o tamanho da população. aliadas ao monocultivo e ao uso repetido do controle químico. A possibilidade de ocorrer resistência em uma população. que se apresentam indiferentes à aplicação de algum herbicida (HRAC. produz alta pressão de seleção e aumenta a possibilidade de seleção de biótipos resistentes. 1998a). 1969). A seleção altera as proporções entre as plantas sensíveis e resistentes. há dois caminhos para o aparecimento de plantas resistentes: a ocorrência de um gene ou de genes que conferem a resistência em freqüência muito baixa na população ou através de uma mutação (MORTIMER. 6 . época ou estádio de aplicação. altamente específicos e com longo residual.Variabilidade genética A variabilidade genética das plantas daninhas.Diagnóstico da resistência a campo A resistência é um fenômeno que evolui em uma lavoura durante vários anos. deve-se responder às seguintes perguntas: a) Produto. Toda população natural de plantas daninhas contém biótipos resistentes a herbicidas. O gene ou os cromossomos mutantes são a fonte essencial de toda a variação genética (BREWBAKER. adjuvantes. tipo de bicos e condições ambientais foram adequados? b) As falhas de controle foram para uma espécie apenas? c) As plantas não são resultado de reinfestação? Módulo 3. devido à mutação.

Os resultados podem indicar se a resistência é devido à alteração no local de ação ou à metabolização da molécula.000 sementes. devem-se colher sementes de plantas em locais que nunca receberam aplicação daquele herbicida. a) Ultimamente tem-se reptido aplicação de um mesmo herbicida ou herbicidas com mesmo mecanismo de ação? b) O herbicida em questão vem perdendo eficiência? c) Há casos de plantas resistentes a este herbicida? d) O herbicida não perdeu eficiência sobre outras espécies? Se a resposta a uma ou mais destas perguntas for afirmativa.Herbicidas: resistência de plantas . Para servir como padrão sensível. Existem metodologias para estudo da maioria dos casos de resistência. indica que o provável mecanismo envolvido é metabolismo da molécula. deve-se colher em torno de 40 plantas ou 1. se a diferença de controle for pequena. para identificar o mecanismo exato da resistência. Após duas e quatro semanas. podem ser realizadas em nível de laboratório.Como confirmar a resistência O método mais comum e recomendado pelo HRAC (1998b) é colher sementes das plantas suspeitas de resistência e de plantas sensíveis. As diferenças entre biótipos resistentes e sensíveis de uma espécie podem ser quantitativamente expressas comparando-se as doses de herbicidas necessárias para reduzir 50% da população (DL50). devendo-se realizar testes para confirmação. Se a diferença de controle entre os biótipos resistentes e sensíveis for grande. Por outro lado. Análises bioquímicas. existe a possibilidade de ser resistência. indica que o possível mecanismo de resistência está relacionado com o local de ação. avaliar o controle e a produção de matéria fresca. No Brasil. da biomassa (GR50) ou da atividade da enzima (I50).5 . semear em vasos e tratar com doses crescentes do herbicida em questão. As condições de aplicação devem seguir aquelas recomendadas pela empresa fabricante. Ponchio (1997) isolou a enzima ALS e avaliou a sua resposta a diferentes doses de herbicidas que agem sobre ela. das plantas tratadas com herbicida em comparação com as não-tratadas (MAXWELL. Para se ter certeza de que as plantas colhidas representam a população. MORTIMER. duas e quatro vezes a dose recomendada. As doses a serem aplicadas são: metade da recomendada. 7 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Se as respostas a estas perguntas forem afirmativas. deve-se iniciar a investigação dos fatores que levam à resistência. dose recomendada. 1994). 210 Módulo 3.

Para minimizar os riscos de resistência. Isso pode ser conseguido com adoção das seguintes práticas: a) Usar herbicidas com diferente mecanismo de ação.Herbicidas: resistência de plantas 211 . b) Realizar aplicações seqüenciais. l) Rotacionar o método de preparo do solo. d) Realizar rotação de mecanismo de ação. 8 . juntamente com esta. a fim de minimizar o risco do surgimento de plantas resistentes (Quadro 4). j) Usar sementes certificadas. já que a probabilidade de uma planta daninha tornar-se resistente aos dois mecanismos. algumas práticas podem ser implantadas. deve-se. devem-se realizar os testes e determinar medidas de manejo. h) Rotacionar os métodos de controle de plantas daninhas. A adoção dessas práticas visa reduzir a pressão de seleção. k) Controlar plantas em áreas adjacentes (terraços. simultaneamente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A empresa fabricante deve ser informada e. e) Limitar aplicações de um mesmo herbicida. Módulo 3.Como evitar a resistência Antes que as falhas de controle apareçam na lavoura. i) Acompanhar mudanças na flora. O acompanhamento e a avaliação da eficiência das medidas adotadas para combate à resistência são indispensáveis para garantir o sucesso da prática. g) Rotacionar o plantio de culturas. através de diferentes métodos de controle e mecanismos herbicidas. Em caso de confirmação da resistência. A mistura de produtos com diferentes mecanismos de ação proporciona controle eficiente por maior número de anos do que ambos aplicados de forma isolada. os herbicidas que compõem a mistura devem controlar o mesmo espectro de plantas daninhas e ter persistência similar e diferente mecanismo de ação e de detoxificação. c) Evitar a disseminação. é pequena. São elas: reduzir a pressão de seleção e controlar os indivíduos resistentes antes que eles possam se multiplicar. f) Usar herbicidas com menor pressão de seleção (residual e eficiência). para reduzir o acréscimo de sementes ao banco. pós-colheita). c) Usar mistura de herbicidas com diferentes mecanismos de ação e de detoxificação. b) Colocar em prática o programa de manejo da resistência. em primeiro lugar: a) Erradicar imediatamente as plantas remanescentes.5 . As práticas culturais visam aumentar o número de possibilidades de controle das plantas daninhas.

resistentes às triazinas.Manejo da resistência a herbicidas As estratégias de manejo vêm sendo discutidas continuamente por cientistas da área. Por outro lado. no caso de a resistência ser monogênica.5 . 1998). são menos competitivos do que biótipos sensíveis. As características poligênicas dependem da associação dos genes corretos. e com o passar do tempo a população de plantas resistentes será reduzida (MORTIMER. seleção reversa. e os biótipos mais adaptados tendem a dominar o ambiente. de acordo com as práticas de cultivo Opção de manejo Mecanismo herbicida usado Mistura de herbicidas Método de controle Rotação de cultura Infestação Controle nos últimos três anos Fonte: Adaptado de HRAC (1998d) Baixo Mais que dois Mais que dois mecanismos Cultural. se a resistência for uma característica poligênica. O comportamento de uma população de plantas pode ser altamente modificado. ou. 1998). As várias opções que vêm sendo sugeridas estão baseadas em somente dois processos biológicos: alteração da pressão de seleção e. A baixa pressão de seleção poderá. favorecendo os alelos sensíveis (MORTIMER. mecânico e químico Completa Baixa Bom Risco de resistência Médio Dois mecanismos Dois mecanismos Cultural e químico Limitada Média Declinando Alto Um mecanismo Um mecanismo Químico Nenhuma Alta Ruim 9 . 1998). neste caso. pode ser conseguida com redução na dose do herbicida que selecionou as plantas resistentes. uso de misturas de herbicidas. O uso de altas doses pode intensificar a seleção. A seleção reversa ocorre na ausência da seleção herbicida. Essa tática somente será eficiente na redução da população dos biótipos resistentes em casos em que as diferenças de adaptabilidade entre os biótipos resistentes e sensíveis forem grandes (MORTIMER. assim.Herbicidas: resistência de plantas . 1998). a redução na pressão de seleção aumenta a probabilidade de associação desses genes em um biótipo. Desse modo. selecionar biótipos altamente resistentes. as plantas que não são controladas com uso de herbicidas alternativos podem contribuir para a disseminação e o aumento da freqüência gênica dos alelos sensíveis. A taxa de cruzamento entre os biótipos resistentes é reduzida. 212 Módulo 3. Biótipos de Senecio vulgaris. rotação de culturas e métodos de controle e usando-se herbicidas com diferentes mecanismos de ação. mas reduzirá o número de genes na população capazes de associarem-se (MORTIMER. essas medidas podem agravar o problema.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 4 – Risco de evolução da resistência. A redução na pressão de seleção.

através do GCPF (Federação Global de Proteção de Plantas).Características da resistência por grupos herbicidas 10. O terceiro caso foi em 1964. e de Daucus carota. devido ao largo uso destes herbicidas para controlar grande número de espécies e ao restrito número de herbicidas com potencial para substituí-los (HEAP.4-D. que visam prolongar a vida útil das moléculas envolvidas na resistência. na Espanha.1 . poucas plantas daninhas evoluíram resistência até hoje.5 . rotação de mecanismos de ação e adoção de práticas culturais específicas. e Matricaria perforata.Auxinas As auxinas sintéticas 2. resistentes ao 2. Papaver rhoeas.4-D e MCPA revolucionaram o controle de espécies daninhas de folha larga em cereais na década de 1940 e têm sido usadas largamente desde então. O herbicida quinclorac. foram identificados biótipos de Commelina diffusa. responsáveis pelo HRAC. 10 . que incluem mistura de herbicidas. Considerando o tempo e o uso extensivo destes herbicidas. inibidores de ALS e inibidores de ACCase. financiando pesquisas e com iniciativas educativas que visam esclarecer aspectos sobre a resistência e o modo de ação de cada herbicida. no Canadá. estão empenhadas em desenvolver técnicas e estratégias para identificação. Os biótipos resistentes assumem importância.4-D e MCPA em trigo selecionou Sinapis arvensis. manejo e monitoramento dos casos de resistência. quando biótipos resistentes de Convolvulus arvensis foram identificados nos Estados Unidos (WEED SCIENCE. O conhecimento do modo de ação dos herbicidas é fundamental na adoção de técnicas de manejo. Em 1957. Módulo 3. Os três primeiros casos de resistência identificados foram a esta classe herbicida. considerado uma auxina e usado para controle de gramíneas em arroz. Este grupo chama-se HRAC (Herbicide Resistance Action Committee) e é formado por três subgrupos que estudam triazinas. por serem os três grupos de produtos com maiores problemas (KISSMANN. 1997). 1996). nos Estados Unidos. 1998) O uso extensivo de 2. As empresas fabricantes de herbicidas.Herbicidas: resistência de plantas 213 . fortemente defendidas pelas empresas. selecionou biótipos resistentes de Echinocloa crus-galli na Espanha.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Considerando que a resistência é um problema que pode afetar intensamente o mercado de herbicidas. no Canadá. na França. de constituir um grupo permanente de cientistas para estudar o assunto e propor soluções. as indústrias tomaram a iniciativa.

plantas de Conyza bonariensis resistentes ao paraquat (PRESTON. com surgimento de apenas uma espécie resistente (HEAP. nãotranslocáveis (de contato) e com baixa persistência biológica no solo. foram identificados.5 . Devido à pequena área infestada e ao número de herbicidas alternativos. no Japão. 1994). Os biótipos também apresentaram-se resistentes ao diclofop e sensíveis aos demais herbicidas graminicidas usados para seu controle. Lorraine-Colwill et al. limitado metabolismo pelas plantas e baixo poder residual. Dentre estas. Atualmente existem comprovados no mundo seis casos de resistência ao glyphosate. na Austrália.Herbicidas: resistência de plantas . respectivamente. entre plantas resistentes e suscetíveis as enzimas são igualmente sensíveis ao glyphosate em ambas as populações. Por apresentar mais de um mecanismo de ação.3 . selecionaram. Os mecanismos que conferem resistência aos bipiridílios são redução na translocação e compartimentalização da molécula (PRESTON. resistentes ao glyphosate. Depois disso. que apresentam. 10. 17 espécies resistentes. dez vezes nos últimos 15 anos. em uma vasta área. em lavouras que usaram o produto para controlar plantas daninhas em pré-plantio. Erigeron sumatrensis e Youngia japonica resistentes a estes herbicidas. (2002) trabalhando com Lolium rigidum. mais de um mecanismo de ação. de que o glyphosate apresenta baixo risco para selecionar biótipos resistentes. em 1980.Derivados da glicina O herbicida glyphosate é o produto mais usado deste grupo. que apresentam baixo residual. biótipos de Lolium rigidum. Em 1996 foram identificados. Segundo esses autores. cada um. não encontraram nenhuma diferença em nível da expressão gênica no alvo do herbicida e na síntese de EPSPs. O argumento mais convincente. no Egito. foram identificadas. biótipos de Erigeron philadelphicus. 20 são dicotiledôneas e sete são monocotiledôneas (HEAP. 1997). (1997) demonstraram que os biótipos resistentes de Lolium rigidum foram dez vezes mais tolerantes ao glyphosate do que os biótipos sensíveis. Contudo. é considerado um produto com baixa probabilidade de selecionar espécies resistentes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 10. 1997).2 . é o longo tempo em que este vem sendo usado. Trabalhos realizados por Pratley et al. 214 Módulo 3. os herbicidas bipiridílios. selecionaram 26 espécies resistentes. Aplicações de paraquat e diquat selecionaram 25 e duas espécies resistentes. pelo menos. os biótipos resistentes a este grupo herbicida não são considerados de grande importância (HEAP. Após duas décadas de uso. e os herbicidas auxínicos e inibidores de ACCase. como o glyphosate.Bipiridílios Os herbicidas bipiridílios são herbicidas não-seletivos aplicados em pós-emergência. 1994). 1997).

10. os cultivares de soja resistentes ao glyphosate.Herbicidas: resistência de plantas 215 . 1997). no Canadá. devem ser usados com rotação de culturas e de herbicidas. 1997).5 . Dessa forma. HOWAT. translocação. foram selecionados artificialmente (MORTIMER. POWLES. entre os biótipos resistentes e sensíveis. assim. Entre as plantas resistentes. recentemente desenvolvidos. Estima-se que haja. Biótipos de Lolium rigidum apresentam resistência cruzada às dinitroanilinas. Nos Estados Unidos. em razão da área infestada e do número restrito de mecanismos alternativos para controle dos biótipos resistentes (HEAP. Sorghum halepense e Amaranthus palmeri evoluíram resistência à trifluralin após 15 a 20 anos de uso em cereais e leguminosas. mais de 3. Lolium rigidum e Avena fatua são as espécies com maior importância. e isso fez com que fossem selecionados biótipos de Setaria viridis com resistência múltipla a estes mecanismos (HEAP. acredita-se que estes mecanismos não são as causas principais da resistência dos biótipos a este herbicida. 1990. 1990). Apesar do tempo de uso e do seu longo período residual. são usados em pré-emergência para controlar plantas daninhas gramíneas em culturas oleaginosas. 10. Essas moléculas agem sobre a enzima ACCase e controlam com eficiência gramíneas em culturas mono e dicotiledôneas. metabolismo e sensibilidade da EPSPS ao glyphosate. mais de 500 locais com Avena fatua (HEAP.000 locais com Lolium rigidum resistente e. além do químico. 1998). somente cinco monocotiledôneas e uma dicotiledônea apresentam resistência a este grupo herbicida (HEAP. em 16 países. na Austrália.Dinitroanilinas Os herbicidas do grupo dinitroanilinas.Inibidores de ACCase Este grupo herbicida foi introduzido na década de 1970. biótipos de Eleusine indica. como trifluralin. para controle de gramíneas. devido ao metabolismo dessas moléculas (MOSS. Módulo 3. Biótipos de Festuca rubra. devem ser adotados. Há 17 espécies monocotiledôneas resistentes aos inibidores da ACCase. 1998).4 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Esses trabalhos também demonstraram que não existem diferenças de absorção. em resposta ao tratamento com glyphosate. Os herbicidas inibidores de ACCase são o primeiro grupo herbicida alternativo para controlar biótipos resistentes aos herbicidas do grupo dinitroanilina. 1998). A identificação de biótipos resistentes ao glyphosate indica que a resistência a este produto deve ser prevenida. A única diferença entre os biótipos foi o maior nível de RNAm encontrado nos biótipos resistentes.5 . Desse modo. a maior quantidade de EPSPs sintetizada poderia ser a causa da resistência. considera-se que aquelas que resistem aos herbicidas inibidores de ACCase tenham a maior importância econômica. O uso de misturas herbicidas e emprego de mais de um método de controle. oryzalin e pendimethalin. resistentes ao glyphosate.

selecionados com uso de herbicidas dos grupos ariloxifenoxipro-pionato ou cicloexanodiona.Herbicidas: resistência de plantas . 1994). este grupo herbicida vem apresentando o maior número de registros de plantas resistentes. um relacionado com a ACCase e outro com a membrana plasmática. apresentam maior nível de resistência aos herbicidas do primeiro grupo do que aos do segundo. Em biótipos de Lolium rigidum. plantas resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase devem possuir mais de um mecanismo que proporcione a resistência. 1994). 1994).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Biótipos de Lolium rigidum. 5) trabalhos têm mostrado que os biótipos resistentes apresentam a mesma adaptabilidade ecológica que os biótipos sucetíveis dos inibidores 216 Módulo 3. 1998). como: 1) a amplitude de recomendações possíveis. Nos últimos dez anos. Assim. AHRENS. 1997). em 14 países. em razão da sua eficiência e do reduzido impacto ambiental (SAARI et al. 1994. alta seletividade para as culturas e alta eficiência com emprego de doses baixas (HESS.. Amaranthus strumarium e Sorghum bicolor (HEAP.esses herbicidas podem atingir níveis de controle próximos a 100%. Entre as espécies descritas estão Kochia scoparia. 2) alta eficácia da maioria dos herbicidas inibidores da ALS . resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase. o que se deve a vários fatores. 10. 41 são dicotiledôneas e nove são monocotiledôneas.6 . Os herbicidas inibidores da ALS apresentam alta freqüência de casos de resistência de plantas daninhas. a repolarização das membranas ocorre independentemente da presença da ACCase mutada e existem muitas diferenças entre as membranas dos biótipos resistente e sensível (HEAP. PRESTON. com o lançamento da molécula chlorsulfuron para uso em cereais (SAARI et al. Os herbicidas classificados como inibidores de ALS tornaram-se uma ferramenta de grande importância para agricultura. surgiu a primeira espécie resistente (SAARI et al. A despolarização das membranas é um segundo mecanismo de ação atribuído aos herbicidas deste grupo. 4) a resistência aos herbicidas inibidores da ALS é determinada geneticamente por lócus simples e semidominante e alta freqüência inicial em todos os casos de resistência estudados até o momento. há 50 espécies de plantas daninhas resistentes a estes produtos. a resistência aos inibidores da ALS tem sido atribuída a mudanças na seqüência de aminoácidos. 3) muitos herbicidas inibidores da ALS apresentam residual prolongado no solo e conseqüentemente aumentam a pressão de seleção para biótipos resistentes. que vai desde a cultura da soja até área de produção de arroz irrigado e florestas implantadas. Atualmente. 1997). Essas características contribuíram para o surgimento rápido da resistência.. A manutenção do potencial é vital para a sobrevivência da célula. 1994). bem como a seu grande espectro de controle de plantas daninhas..5 . Aproxi¬madamente cinco anos após o início do uso dos herbicidas inibidores de ALS. Dentre estas. Estes herbicidas são largamente usados devido a sua baixa toxicidade para animais.Inibidores de ALS A introdução no mercado dos herbicidas inibidores de ALS ocorreu em 1982. O diferente nível de resistência pode ser resultado das diferentes mutações ocorridas no gene que codifica a enzima ACCase e do tipo de alelo do gene (POWLES. desde gramíneas até dicotiledôneas e plantas daninhas perenes como a tiririca e a grama-seda.

assim. respondeu igualmente a um biótipo sensível ao herbicida. PRESTON. usando-se herbicidas alternativos (HEAP.. SAARI et al. da prolina 173 por uma alanina. Os diferentes níveis de resistência são atribuídos às diferenças na estrutura do centro de reação da D1 entre às espécies. O gene que codifica a enzima ALS nas espécies resistentes pode apresentar diferentes mutações. Além da prolina. não foram encontrados biótipos resistentes que apresentem alteração na taxa de crescimento ou na capacidade competitiva. a resistência deste biótipo se deve à rápida metabolização do herbicida. FALCO. foi identificada somente uma mutação na proteína D1: a substituição da serina 264 por uma glicina. 2004).7 . A resistência a imidazolinonas e sulfoniluréias é conferida por um gene dominante nuclear (MAZUR.. 1997). 1989. Alterações na proteína D1 são as principais causas da ocorrência de plantas resistentes aos herbicidas que agem no fotossistema II. no centro ativo A da ALS. 1994). dessa forma. O metabolismo das moléculas herbicidas é outro mecanismo usado por plantas daninhas para resistir a estes herbicidas. entre elas a substituição.5 . contudo.Herbicidas: resistência de plantas 217 . As espécies mais freqüentes são Chenopodium album. 1998). Essas mutações não alteram a função biológica da ALS. em um dos biótipos resistentes. A mutação na D1 provoca alto nível de resistência aos herbicidas do grupo triazinas. As plantas daninhas resistentes têm sido controladas com eficiência. assim. (1992) identificaram biótipos de Lolium rigidum resistentes ao herbicida chlorsulfuron. Entre as plantas resistentes relatadas existem nove espécies de Amaranthus. em 16 países. 10. como as triazinas e uréias substituídas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas da ALS. cinco de Polygonum e quatro de Chenopodium. Amaranthus retroflexus e Senecio vulgaris. mas não a todos os herbicidas do grupo das uréias. não está descartada a hipótese de que o metabolismo da molécula também esteja envolvido. serina ou treonina. outros aminoácidos da ALS podem ser substituídos e produzir plantas resistentes com características distintas. e Solanum nigrum. em dez países.Triazinas A maioria das plantas daninhas resistentes às triazinas foram localizadas em lavouras de milho na Europa e América do Norte. Estima-se que a área infestada no mundo com plantas daninhas resistentes aos herbicidas triazinas seja superior a três milhões de hectares. em nove países. já que. 1992). A causa da resistência aos herbicidas inibidores de ALS está em mutações que ocorrem no DNA e no metabolismo da molécula herbicida. glutamina. A rápida inativação metabólica é a base para a resistência do biótipo SR4/84 de Lolium rigidum ao chlorsulfuron (COTTERMAN. que conferem alterações funcionais na enzima ALS (POWLES. até o momento. e 6) a maioria dos casos de resistência aos inibidores da ALS estudados apresenta resistência cruzada aos diversos grupos químicos de herbicidas que tem este mecanismo de ação (VARGAS et al. biótipos resistentes apresentam menor crescimento do que biótipos normais Módulo 3. Já um segundo biótipo apresentou resistência devido à insensibilidade da enzima ALS ao inibidor. até o momento. histidina. Christopher et al. Esta mutação afeta o fluxo de elétrons no FSII. SAARI. porém a atividade da ALS.

Atualmente. que pertence ao grupo das amidas. por possuírem capacidade de metabolizar herbicidas com diferentes mecanismos de ação. 1997).D 218 Mecanismo Local de ação alterado/metabolismo Local de ação alterado Local de ação alterado Local de ação alterado Metabolismo Desconhecido Módulo 3.5 . em 1983. 11 . 1998).8 . Os herbicidas triazinas e auxina sintéticas vêm sendo usados em milhões de hectares há mais de 30 anos. 10. 1997). A ocorrência destes biótipos resistentes inviabiliza o uso deste herbicida em lavouras da Colômbia.Herbicidas: resistência de plantas . 1998). Isso demonstra que as triazinas apresentam maior risco de seleção de biótipos resistentes que as auxinas sintéticas (HEAP. apresentam sérios problemas de controle. PRESTON. O herbicida propanil é usado para controlar Echinocloa colona e E. da Costa Rica e dos Estados Unidos (HEAP. e na Alemanha. Os biótipos de plantas daninhas resistentes às triazinas são controlados com eficiência. Quadro 5 . A mutação responsável pela resistência às triazinas ocorreu no genoma do cloroplasto. em 1982. ao tamanho da área e ao tempo em que este produto é usado na área.Seleção de biótipos resistentes por diferentes mecanismos de ação herbicida Os herbicidas selecionam biótipos resistentes com diferentes mecanismos de resistência (Quadro 5) e em diferentes períodos de tempo (Quadro 3). Biótipos de Alopecurus myosuroides. Até o momento existem 64 espécies resistentes às triazinas e 17 resistentes aos auxínicos. com e sem rotação. em muitos países.4. dessa forma. resistentes a chlorotoluron. crusgalli em lavouras de arroz. além da facilidade que as espécies possuem de evoluir resistência para o herbicida e do número de mecanismos envolvidos. mas sim via herança materna. a resistência não é transmitida hereditariamente via pólen. As diferenças relacionadas ao mecanismo de ação destes herbicidas podem ser a resposta para essa questão.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas (POWLES. As diferenças se devem à variabilidade genética das espécies envolvidas. mais de 40 espécies apresentam resistência a este grupo e duas ao propanil.Mecanismos de resistência de plantas daninhas a herbicidas pertencentes a diferentes grupos químicos Herbicida Triazinas Dinitroanilina Inibidores da ALS Inibidores da ACCase Propanil 2.Uréias/amidas A primeira espécie a apresentar resistência às uréias foi Alopecurus myosuroides no Reino Unido. com uso de herbicidas alternativos (HEAP.

mostrou-se menos sensível a estes herbicidas e. a vasta área tratada. A alta freqüência inicial de indivíduos resistentes na população.5 . O primeiro caso de resistência.Herbicidas: resistência de plantas 219 . Eleusine indica. a alta especificidade e eficiência e o longo período residual contribuem para a evolução rápida da resistência aos herbicidas que agem inibindo as enzimas ALS e ACCase. são elas: Lolium rigudum.A resistência de plantas daninhas no Brasil Atualmente são reconhecidos 15 casos de plantas daninhas resistentes no Brasil. selecionaram biótipos resistentes devido ao seu emprego em vastas áreas (HEAP. 2003). 1997). Conyza canadensis. LÓPEZ-OVEJERO. apesar de serem considerados de baixo risco. aos herbicidas inibidores de ALS. Em razão de suas características. um número limitado de populações de plantas daninhas sofreu pressão de seleção suficiente para o aparecimento de biótipos resistentes (CHRISTOFOLETI.. dos biótipos resistentes. mas são sensíveis aos herbicidas alternativos sulfentrazone. Conyza banariensis e Plantago lanceolata (WEED SCIENCE. Até hoje foram constatados casos de resistência em 6 espécies de plantas daninhas. Lolium multiflorum. 1997). foi o da planta daninha Bidens pilosa L. bentazon. desse modo. fomesafen e acifluorfen (PONCHIO. 12 . relatado oficialmente. O primeiro caso de resistência de plantas daninhas ao herbicida glyphosate foi registrado em 1996. lactofen. O glyphosate esta sendo usado intensivamente na agricultura há mais de 25 anos. 1997. poderão ser evitados o surgimento de novos casos de resistência e o surgimento de plantas com resistência múltipla. Estes biótipos foram encontrados em lavouras dos estados do Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul e apresentam resistência cruzada aos herbicidas inibidores de ALS. Nos últimos dez anos foram identificadas mais espécies resistentes para os inibidores de ALS do que para qualquer outro mecanismo de ação. Módulo 3. constitui-se na mais provável causa da resistência (PONCHIO. 1999). Somente com o uso de todos os métodos de controle disponíveis conjuntamente. estes herbicidas apresentam alto potencial para selecionar plantas resistentes. que é um problema muito maior do que a resistência cruzada. (Quadro 6). A enzima ALS. VARGAS et al. 2006). até o presente momento.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Os herbicidas dos grupos cloroacetamidas e inibidores da EPSPs (glyphosate).

Espécies de plantas daninhas resistentes a herbicidas ocorrentes no Brasil e seu provável mecanismo Biótipos resistentes Bidens pilosa Bidens subalternans Brachiaria plantaginea Cyperus difformis Echinochloa colonum Digitaria ciliaris Echinochloa crusgalli var. resistentes aos herbicidas inibidores de ALS. Não houve diferenças entre os biótipos resistentes e sensíveis relacionadas à taxa de germinação e à profundidade de germinação e emergência.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 6 . e Brachiaria plantaginea.arroz Capim. 220 Módulo 3. foram identificados em lavouras de soja nos estados do Rio Grande do Sul e Paraná. Estudos relacionados a inibidores da ALS em condições de laboratório e de campo. crusgalli Echinochloa crus-pavonis Eleusineiíndica Euphorbia heterophylla Euphorbia heterophylla Sagitaria montevidensis Fimbristylis miliacea Lolium multifolium Parthenium hysterophorus Raphanus sativus Fonte: Wees Science (2006) Nome comum Picão-preto Picão-preto Capim-marmelada Junquinho Capim-arroz Capim-colchão Capim. Os biótipos resistentes sobreviveram ao tratamento com dose 16 vezes maior que a dose de campo (de rótulo). até o momento. resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase. estão sendo realizados na Universidade Federal de Viçosa. porém são sensíveis a herbicidas com outros mecanismos de ação. diferenças entre os biótipos resistentes e sensíveis. O uso repetido destes herbicidas pode ser a principal causa da seleção dos biótipos resistentes.arroz Capim-pé-de-galinha Leiteiro Leiteiro Flecha Cuminho Azevém Losna-branca Nabiça Mecanismo de ação ao qual adquiriu resistência Inibidores da ALS Inibidores da ALS Inibidores da ACCase Inibidores da ALS Auxina sintética Inibidores da ACCase Auxina sintética Auxina sintética Inibidores da ALS Inibidores da ALS Inibidores da ALS e PPO Inibidores da ALS Inibidores da ALS Inibidores da EPSPs Inibidores da ALS Inibidores da ALS Biótipos de Euphorbia heterophylla. Estudos relacionados à capacidade competitiva e ao comportamento das sementes no solo não indicam. Os resultados deste trabalho indicam que a resistência é conferida por um gene dominante nuclear e que os biótipos apresentam resistência cruzada aos herbicidas inibidores de ALS.5 . referentes à resistência em Euphorbia heterophylla L. onde estes produtos são empregados há mais de cinco anos..Herbicidas: resistência de plantas .

2004). ereta. Com relação ao Lolium rigidum. Módulo 3. as enzimas foram igualmente sensíveis ao glyphosate em ambas às populações. a dose de 360 g ha-1 foi suficiente para controlar o biótipo sensível. Depois do tratamento com glyphosate os autores observaram acumulação do produto nas raízes de plantas suscetíveis e nas pontas das folhas de plantas resistentes (Quadro 7). 20% a doses de até 11. No Brasil. observaram que aproximadamente 80% das plantas avaliadas resistiram a dose de até 1. Lorraine-Colwill et al. A diferença marcante entre populações resistentes e suscetíveis foi encontrada no translocação do glyphosate.. propaga-se apenas por sementes (LORENZI.Resistência do azevém (lolium multiflorum) ao glyphosate Lolium multiflorum é uma espécie anual ou bianual.Herbicidas: resistência de plantas 221 . trabalhando com biótipos sucetíveis e resistentes de azevém (Lolium multiflorum).520 g ha-1. Vargas et al. Em todos esses casos a aplicação repetida e continuada de glyphosate para controle da vegetação é considerada a principal causa da seleção dos biótipos resistentes. morfologicamente muito variável. Nesse mesmo trabalho. densamente perfilhada. foram identificados biótipos de azevém (Lolium multiflorum) resistentes ao glyphosate em lavouras de culturas anuais e em pomares (ROMAN et al. Nas plantas resistentes e suscetíveis. de 30 a 90 cm de altura. em média.440 g ha-1 de glyphosate e.5 . O primeiro caso de Lolium multiflorum resistente ao glyphosate foi relatado por Perez e Kogan (2002). que vinham recebendo. Originária do sul da Europa. Este biótipo resistente foi identificado em pomares no Chile. herbácea. (2004). aproximadamente. glaba. 2000). o mecanismo que confere resistência ao glyphosate ainda não foi determinado com clareza.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 13 . As plantas resistentes e suscetíveis foram igualmente capazes de absorver o herbicida aplicado. três aplicações de glyphosate por ciclo durante os últimos 8 a 10 anos. (2002) não encontraram nenhuma diferença em nível da expressão gênica no alvo do herbicida e na síntese de EPSPs.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 7 .5 ± 2.4 ± 8.2 ± 2.9 ± 4. Quadro 8 – Inibição da EPSPS em teste in vitro População Suscetível Intermediário Resistente Altamente resistente Fonte: BAERSON et al. com erros-padrão.5 44. Os valores mostrados são a médias de 10-15 plantas dos biótipos resistente e suscetível.3 ± 7.6 ± 6. a hipótese de alteração da EPSPS no sítio de ação é descartada.6 ± 2.3 ± 3. (2002). Os autores isolaram a enzima EPSPS e realizaram testes in vitro de sua atividade na presença de glyphosate em todas as populações. é muito pouco provável que os maiores níveis de expressão da EPSPs dos indivíduos resistentes expliquem completamente a maior tolerância ao produto.0 38. Segundo Kogan e Pérez (2003). LA: local da aplicação.5 43.8 Esses autores observaram superprodução da EPSPS induzida pela aplicação do glyphosate e também expressivo aumento no nível de EPSPS nas plantas resistentes e altamente resistentes. Os resultados do trabalho indicados no Quadro 8 mostram que a atividade da EPSPS das plantas resistentes é similar à atividade das plantas suscetíveis. Baerson et al.Translocação foliar do 14glyphosate aplicado em plantas resistentes e suscetíveis.5 .9 36.Herbicidas: resistência de plantas . dessa forma. sugerindo que o mecanismo de resistência não esta completamente baseado no sítio de ação. intermediário . em biótipos de L. (2002) % de inibição por glyphosate 0 hora após a aplicação 48 horas após a aplicação 42. 222 Módulo 3. (2002) observaram inicialmente que numa população de Lolium rigudum existiam plantas com diferentes níveis de resistência ao glyphosate e assim classificaram estes biótipos como suscetível.8 42.0 42.4 44. resistente e altamente resistente. rigidum após o pré-tratamento com glyphosate isopropilamina (450 g ha-1) Horas 2 4 8 24 48 Biótipos S R S R S R S R S R Acima do LA 30 ± 2 28 ± 4 40 ± 3 42 ± 4 36 ± 5 48 ± 5 19 ± 3 42 ± 5 15 ± 2 50 ± 1 C (% total absorvido) LA Abaixo do LA 13 ± 1 55 ± 2 11 ± 1 58 ± 5 11 ± 1 44 ± 3 10 ± 1 44 ± 4 11 ± 2 45 ± 3 10 ± 2 37 ± 3 08 ± 1 53 ± 3 10 ± 1 43 ± 4 10 ± 2 55 ± 3 11 ± 1 33 ± 3 14 Raízes 02 ± 0 02 ± 0 05 ± 1 04 ± 0 08 ± 1 05 ± 1 20 ± 2 05 ± 1 20 ± 4 06 ± 1 Lorraine-Colwill et al.

intermediário e resistente ao herbicida glyphosate). A dose de 200 g ha-1 foi suficiente para controlar 100% das plantas sensíveis (Fig. Todavia. resistente (B) e de resistência intermediária (C) de Lolium multiflorum Fonte: Ferreira et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 2 . (2006a) com três biótipos de Lolium multiflorum (biótipos sensível. (2006a) Em recente trabalho realizado por Ferreira et al.Herbicidas: resistência de plantas 223 . observou-se que doses de até 3. em ambos os biótipos (resistente e com resistência intermediária) de L. 3 B e C. Módulo 3.200 g ha-1 de glyphosate não controlaram os biótipos resistentes e de resistência intermediária. multiflorum observou-se redução na produção de massa seca da parte aérea. Essa queda de produção foi mais severa no biótipo intermediário do que no resistente (Fig. Tanto o biótipo resistente quanto o intermediário apresentaram elevados níveis de intoxicação (80%) aos 14 dias após a aplicação dos tratamentos (Fig. 4).Evolução da intoxicação provocada por glyphosate sobre biótipos sensível (A). 3A).5 .

5 . O biótipo R apresentou maior acúmulo de 14glyphosate na folha aplicada às 64 horas enquanto no suscetível observaram maior acúmulo desse herbicida nas raízes (Fig. (2006) verificaram que tanto o suscetível quanto o resistente absorveram o glyphosate na mesma intensidade (Fig. 224 Módulo 3.Biótipos resistente (R) e sensível (S) de L multiflorum cinco dias após tratamento com 800 g ha-1 de glyphosate (FERREIRA et al. (2006a) Figura 4 .Herbicidas: resistência de plantas . 2006a) O possível caso da resistência de L. multiflorum pode estar ligado a translocação diferencial deste herbicida pelos diferentes biótipos. que constataram maior acúmulo do produto marcado nas raízes do biótipo resistente.. 5). Todavia observaram diferença marcante na translocação do 14glyphosate entre os biótipos resistente (R) e sensível (S). 2A). (2002) em Lolium rigudum.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 3 . Esses resultados se assemelham aos encontrados por Lorraine-Colwill et al. Ferreira et al.Porcentagem de produção de massa seca dos biótipos resistente e intermediário tratados com glyphosate em relação à testemunha Fonte: Ferreira et al.

(B) . a área de produção de transgênicos passou de 81 milhões de hectares em 2004 para 90 milhões. (A) – na água de lavagem.4 milhões de hectares de sementes. No mundo. milhares de hectares cultivados com culturas transgênicas já foram incorporados no processo produtivo. com uma área plantada de 9. Módulo 3.na folha onde foi aplicado. correspondendo a um aumento de 11% em 2005 no total de 21 países onde o plantio de transgênicos é permitido (JAMES.Culturas transgênicas e plantas daninhas resistentes a herbicidas 14.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 5 – Concentrações de glyphosate avaliadas em diferentes tempos após aplicação.Herbicidas: resistência de plantas 225 . Depois disso.5 . O Brasil é hoje o terceiro produtor de transgênicos.Culturas transgênicas Cultivares de soja e de outras culturas foram lançados recentemente no mercado.nas raízes de biótipos de L. perdendo apenas para Argentina e Estados Unidos (Quadro 9).1 . (C) – na parte aérea e (D) . multiflorum resistente (R) e sensível (S) Fonte: Ferreira et al. (2006b) 14 . 2005).

México. 11 são países em desenvolvimento e 10 industrializados (Fig.1 < 0.Superfície global de cultivos transgênicos em 2005 (em milhões de hectares) Ordem 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 Fonte: James (2005) País EUA Argentina Brasil Canadá China Paraguai Índia África do Sul Uruguai Austrália México Romênia Filipinas Espanha Colômbia Irã Honduras Portugal Alemanha França Rep.8 17. com crescimento de 22% no ano de 2003. 2). em ordem decrescente de área cultivada.5 . dos 21 países produtores de transgênicos.1 0. A terceira cultura geneticamente modificada mais cultivada foi o algodão Bt.4 5. Argentina.1 Culturas transgênicas Soja. em ordem decrescente de área: milho tolerante a herbicida.1 < 0. sexta colocação em 2003. cultivado em 4. representando 60% da área mundial destinada às plantas geneticamente modificadas em 90 milhões de hectares. Índia. África do Sul e Argentina. EUA. Paraguai.3 1.1 < 0. A soja tolerante a herbicida é atualmente a cultura geneticamente modificada dominante. milho Bt tolerante a herbicida. milho e algodão Soja e milho Algodão Soja e algodão Soja Milho Milho Algodão Arroz Milho Milho Milho Milho Milho Em 2005. canola tolerante a herbicida. Canadá.3 milhões de hectares.5 0. que. quando foram cultivados 12. em ordem decrescente de área cultivada. África do Sul e México. milho e canola Algodão Soja Algodão Soja. O algodão Bt foi plantado em oito países.3 0.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 9 . são: EUA. ocupou um total de 15.4 milhões de hectares. Uruguai. equivalente a 6% da área mundial com lavouras geneticamente modificadas.1 0. comercialmente disponível em nove países em 2005 (Quadro 9) que. Importante destacar que o milho Bt. e que ocupou 4. Ela ocupa 48. Brasil.3 milhões de hectares (5%) em dois países: Canadá e EUA.1 0. Romênia.3 0.3 0. foram: China.8 milhões de hectares (4%) em dois países: EUA e 226 Módulo 3.1 < 0.3 milhões de hectares (5%) em quatro países: EUA.5 milhões de hectares.1 9. milho e algodão Soja Soja. Checa Superfície (milhões de ha-1) 49. Canadá. milho.Herbicidas: resistência de plantas . algodão.1 < 0.8 3. Outras cinco culturas listadas no Quadro 10 ocuparam entre 2% e 5% da área mundial cultivada com plantas derivadas da biotecnologia e incluem. Austrália. cultivado em 4.8 1.1 < 0. cultivado em 3. África do Sul e Colômbia.0 milhões de hectares. canola e mamão Soja. Argentina.1 < 0.

2005). os países produtores de culturas trangênicas em 2005. Austrália e África do Sul (JAMES. Quadro 10 – Princiapais lavouras geneticamente modificada em 2005 Culturas Soja tolerante a herbicida Milho Bt Algodão Bt Milho tolerante a herbicida Canola tolerante a herbicida Milho Bt/tolerante a herbicida Algodão Bt/tolerante a herbicida Algodão tolerante a herbicida Fonte: James (2005) % em relação ao total de áreas cultivadas 60 14 06 05 05 04 04 02 Módulo 3. em milhões de hectares.5 milhão de hectares (2%) em 3 países: EUA. de 1996 a 2005 O Quadro 10 mostra. Austrália e México.Herbicidas: resistência de plantas 227 . Figura 2 – Evolução da área de cultivo de transgênicos no mundo. e algodão tolerante a herbicida cultivado em 1.5 . algodão Bt e tolerante a herbicida cultivado em 3 milhões de hectares (4%) em três países: EUA. em ordem crescente por área.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Canadá.

como ocorre no melhoramento genético clássico (no cruzamento ocorre a "mistura" de metade da carga genética de cada variedade parental). como ferramenta da biotecnologia agrícola.5 . por meio de desenvolvimento de métodos refinados com o uso de técnicas de biologia molecular.7 81. de características desejadas) entre um organismo doador (que pode ser uma planta. No melhoramento tradicional. denominadas de transgênicas. Além disso.Herbicidas: resistência de plantas . etc. a transgenia.1 90. 228 Módulo 3. com o objetivo de acelerá-lo e de ampliar a variedade de genes que podem ser introduzidos nas plantas. com segurança (MONSANTO. 2001).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A descoberta das leis da hereditariedade. um fungo.7 11. 2005). Assim. surgiram as plantas que carregam em seu genoma a adição de DNA oriundo de uma fonte diferente de germoplasma paternal.) e plantas. oferece maior precisão do que os cruzamentos. 2005). Já a transgenia é uma evolução desse processo.9 42. e a decifração do código genético foram condições primordiais para o surgimento da biotecnologia moderna. hoje conhecida como tecnologia do DNA recombinante ou engenharia genética (VALOIS. bem como da natureza química do material genético. A biotecnologia agrícola utiliza a transgenia como uma ferramenta de pesquisa agrícola caracterizada pela transferência de genes de interesse agronômico (e.0 A transgenia permite um melhoramento "pontual" através da inserção de um ou poucos genes e da conseqüente expressão de uma ou poucas características desejáveis (MONSANTO. 2005). Quadro 11 –Área total de lavouras geneticamente modificadas no mundo entre os anos de 1996 e 2005 Ano 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 Fonte: James (2005) Hectares (em milhões) 1. O Quadro 11 mostra a evolução do cultivo de plantas geneticamente modificada e tolerante a herbicidas durante o o período de 1996 a 2005. conseqüentemente. que.8 39. uma vez que permite a inserção de genes cujas características são conhecidas com antecedência. sem que sejam introduzidos outros genes.0 27. permitiram a manipulação do material genético.6 59. a área cultivada com lavouras transgênicas cresceu mais de 47 vezes (JAMES. cruzam-se as espécies sexualmente compatíveis e ocorre a combinação simultânea de vários genes.7 67.2 52. Nessse período. uma bactéria.

É uma planta perene que se reproduz por sementes aéreas. dessa forma.Herbicidas: resistência de plantas 229 . Muitos produrores de soja transgênica no Rio Grande do Sul preferem controlar as plantas daninhas com aplicação de pós-emergência feita na cultura. ROCHA et al. que é um requisito para a seleção de plantas resistentes. Espécies altamente sensíveis a esse produto serão eliminadas. Esse fato poderá levar a uma situação extrema. tendo em vista que vários produtos ou combinações de produtos utilizados atualmente serão substituídos por um único ingrediente ativo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 15 . deixando de fazer o controle das plantas Módulo 3. 2000). No Brasil. por exemplo. Borreria latifolia e Tridax procumbens são plantas consideradas tolerantes ao glyphosate.Plantas daninhas resistentes em culturas transgênicas Os métodos de controle das plantas daninhas não sofrerão alteração. espera-se a ocorrência de profundas mudanças nos sistemas de controle.. No início serão observados apenas os benefícios da nova tecnologia. em que fatores como a intensidade e a rapidez da mudança na composição de uma comunidade são acentuados e inevitavelmente influenciados pelas práticas agrícolas e pela ação humana. O risco do surgimento de casos de plantas daninhas resistentes é maior para aqueles herbicidas que já apresentam biótipos resistentes.5 . em alguns casos. somente haverá. 2005). benghalensis. em que a maioria da área cultivada empregará a mesma molécula herbicida. a substituição das moléculas herbicidas que vinham sendo usadas por outra. será utilizado um único ingrediente ativo. essas plantas apresentam grande potencial de se tornarem um sério problema de controle. Dessa forma. sendo hospedeira de pragas e moléstias. C. Os produtos e as combinações de produtos utilizados na soja convencional serão substituídos pelo glyphosate. o glyphosate (GAZZIERO. subterrâneas e multiplica-se também a partir do enraizamento de porções do caule (ROCHA 1999. 2005). porém com o decorrer dos anos existirá uma grande possibilidade de surgir problemas como a seleção das espécies consideradas tolerantes ou mesmo espécies resistentes (GAZZIERO. Em 2005 a soja transgênica foi oficialmente liberada para plantio no país. se o manejo das plantas daninhas não for adequadamente utilizado na soja transgênica. como é o caso dos herbicidas para os quais estão sendo desenvolvidas culturas resistentes. Espécies como Commelina benghalensis. o que significa alta pressão de seleção. as plantas daninhas apresentam composição e dinâmica de um país tropical. e outras consideradas tolerantes apresentam a possibilidade de disseminação e conseqüente aumento de infestação nas áreas cultivadas com soja transgênica. A dinâmica e o estabelecimento das plantas daninhas nos levam a antever uma provável mudança na composição das plantas infestantes. é uma espécie que se adapta com facilidade a diferentes ambientes e apresenta intensa resposta à calagem e adubação do solo.

). 2003). Na maioria dos casos. em outras espécies. Desse modo.Herbicidas: resistência de plantas . Sabe-se que sua evolução em uma área é dependente da pressão de seleção. com mesmo mecanismo de ação. Euphorbia heterophylla. e em anos seguidos. agricultores que empregarem extensivamente. Contudo. como: uso de misturas de herbicidas com diferentes mecanismos de ação e rotação destes mecanismos. do número de genes envolvidos. além da resistência de azevém (Lolium sp. e as informações de que se dispõe são relacionadas a casos de outros países. Vargas (2004). da variabilidade genética da espécie daninha. Biótipos de azevém (Lolium multiflorum) resistente ao glyphosate se tornaram um grave problema nas lavouras de soja transgênica no Rio Grande do Sul. ao se realizar a aplicação. Nas áreas com mais de 15 anos de uso têm sido feitas três aplicações/ano em doses que variam de 2 a 8 L ha-1. para que se possa entender e estabelecer estratégias específicas para os nossos casos. do padrão de herança. em condições semelhantes. do fluxo gênico e da dispersão de propágulos. O conhecimento desses pontos é importante para embasar previsões de proporções futuras entre plantas resistentes. estarão sujeitos à seleção de plantas daninhas resistentes. Para que isso seja evitado.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas que germinam antes da semeadura da soja. o mesmo herbicida ou herbicidas. poucos cientistas estão se dedicando a essa área no Brasil. 16 . devem ser adotadas as práticas de manejo adequadas. Commelina benghalensis. levando a um considerável aumento nos custos de produção. trazendo prejuízos a cultura (THEISEN citado po GAZZIERO. tolerantes e sensíveis em áreas afetadas e para eleger métodos de manejo e controle das plantas tolerantes e resistentes que permitam impedir a multiplicação e a disseminação desse(s) gene(s) para outras populações. que poucas vezes podem ser generalizados para as nossas condições. o processo de competição entre a cultura e as plantas daninhas já se iniciou. 230 Módulo 3. Estudos aprofundados sobre essa questão devem ser realizados com urgência no país. observou em pomares de maça tratados com glyphosate a seleção de Richardia brasiliensis.Comentários finais A resistência de plantas daninhas a herbicidas é um fato consumado no Brasil.5 . sobre os quais tem sido aplicada doses de 16 L ha-1 do produto comercial sem sucesso.

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Manejo de plantas daninhas em pastagens 235 .DF 2006 Módulo 3. Lino Roberto Ferreira Profº.UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília . Antonio Alberto da Silva Profº.Manejo de plantas daninhas 3.6 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 .6 .Manejo de plantas daninhas em pastagens Tutores: Profº.ABEAS Universidade Federal de Viçosa . Ricardo Camara Werlang Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior .

246 1.Controle de plantas daninhas. 257 2.Uso de herbicidas na manutenção de pastagens.Fatores do ambiente passíveis de competição.3 .Integração da agricultura e pecuária. 238 1.6 .3 . 259 2.Uso de herbicidas na reforma e formação de pastagens. 252 2.Competição por nutrientes. 247 2 . 258 2.Competição por água.Manejo de plantas daninhas em pastagens . 237 1 .4 .1.4.Controle mecânico ou físico. 244 1.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução.1 . 246 1. 243 1.Uso de herbicidas na recuperação de pastagens.1 .3 .Controle preventivo.1 .Competição entre plantas daninhas e forrageiras.1.Controle cultural.3 .1 . 252 2.1.Competição por luz. 239 1.Controle químico.2 . 267 236 Módulo 3. 260 2.2 . 253 2.2 .Plantas tóxicas.2 .4. 261 Referências bibliográficas.4.

dependendo de cada caso. parte expressiva do setor se distanciou da prática extrativista que por muitos anos caracterizou a atividade e tem sido um exemplo de capacidade de ajustes e adaptação à realidade do mercado atual. que são responsáveis pela reestruturação desde níveis e formas de informação. formas de produção que. 1996) A pecuária brasileira está sendo influenciada pelo processo de globalização em andamento no mundo. Com relação aos sistemas de produção agrícolas. qualidade. 1997). em maior ou menor grau. indústria. Módulo 3. 1997).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução Atualmente. que penaliza os setores não-competitivos e ineficientes (EUCLIDES FILHO. passando por mudança do estágio de conhecimento e culminando com o estabelecimento de um novo padrão de comportamento da sociedade como um todo. com respeito ao ambiente e aos animais. Dessa forma. deve considerar os vários pontos determinantes dos segmentos envolvidos no setor. possibilitem convivência harmoniosa com a natureza.Manejo de plantas daninhas em pastagens 237 . produtor. consumidor. ambientalmente corretos. e aproximando-se. em particular. isto é sinônimo de estabelecimento de sistemas sustentáveis. representado pela pecuária extensiva. economia. Conseqüentemente. como política. da intensificação total. O primeiro é que elas viabilizam a competitividade brasileira. socialmente justos. além de produtivas. a humanidade coloca em segundo plano os tratados e previsões que fundamentaram a “revolução verde” e busca. e o segundo é o fato de possibilitarem o atendimento da grande demanda mundial por alimento produzido de forma natural. ou seja. sistemas economicamente viáveis. em última instância. As mudanças que vêm ocorrendo nos sistemas de produção são reflexos de transformações econômicas. eficiência. Uma das características que faz com que a atividade pecuária no Brasil seja altamente competitiva é o fato de o País possuir grandes áreas de pastagens e condições adequadas para o desenvolvimento destas. nesse contexto. Os últimos dez anos têm sido decisivos para a economia brasileira. e na pecuária. assumem dois aspectos fundamentais. a atividade pecuária tende a se tornar cada vez mais uma atividade empresarial. As pastagens. diante das transformações que vêm se processando. e produtivos. em especial para a pecuária. como solo. Nesse período. É importante ressaltar que. social. sociais e políticas. nesse contexto. em geral. a formação do que pode ser denominado um novo status de cultura global (EUCLIDES FILHO. espera-se.6 . afastando-se cada vez mais do modelo extrativista. competitivos e eficientes. competitividade e sustentabilidade (EUCLIDES FILHO. apesar de esse processo estar sendo propalado como a globalização da economia. capazes de ser conservadores de recursos. A tomada de decisão na pecuária. água e recursos genéticos animais e/ou vegetais. essa tendência é muito mais complexa e envolve modificações muito mais profundas.

devido à elevada capacidade competitiva das plantas daninhas. Nas Figuras 1 e 2 são apresentadas algumas das principais espécies de plantas daninhas das pastagens. e até mesmo arbóreo. Degradação de pastagens é um processo evolutivo de perda de vigor e produtividade da forrageira. Em razão do porte arbustivo. que afeta a produção e o desempenho animal e culmina com a degradação do solo e dos recursos naturais em função de manejos inadequados. uma vez que estas plantas competem por luz. No entanto. Assim. bem manejadas e livres de plantas daninhas. atualmente. Causada por diversos fatores. entre eles má escolha da espécie forrageira. falta de adubação de manutenção e manejo da pastagem inadequado. 1 . As plantas daninhas podem. além de ser um ambiente propício para o desenvolvimento de parasitas. têm a sua taxa de fotossíntese líquida altamente reduzida e. agravam-se os efeitos ambientais pela erosão dos solos e assoreamento dos mananciais de água. reduzindo a disponibilidade desses fatores para as forrageiras. em um dos maiores problemas dos sistemas de produção de bovinos no Brasil Central. como ferimentos no úbere das vacas. a presença de plantas daninhas em pastagens reduz a sua capacidade de suporte (unidade animal por ha). sem possibilidade de recuperação natural. Essas forrageiras. nutrientes e água. se sombreadas. até mesmo parcialmente. 2000). é lógico que o sucesso desse setor está estreitamente relacionado com a manutenção das pastagens em condições adequadas. é facilmente dominada pelas plantas daninhas. má formação inicial. a degradação precisa ser revertida para garantir a produtividade e a viabilidade econômica da pecuária (MACEDO et al. ocasionado pela competição com as plantas daninhas.6 . ocasionar danos físicos aos animais. Além dos impactos negativos na produção e desvalorização do patrimônio. a prática demonstra outra realidade. Pastagem degradada se constitui. 2000).Competição entre plantas daninhas e forrageiras Pastagens produtivas significam pastagens bem formadas. ainda. mas também por espaço. Isso ocorre porque a maioria das gramíneas forrageiras cultivadas no Brasil tem a sua eficiência fotossintética altamente dependente da intensidade da luz. as quais dificultam o processo de produção pecuária. água e nutrientes.. e aumenta o tempo de formação das áreas reformadas. de muitas espécies de plantas daninhas infestantes de pastagens em condições brasileiras. espaço.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Diante da importante função assumida pela pastagem no contexto de pecuária empresarial e competitiva. Essa competição se dá principalmente por luz.. A presença delas em pastagens reduz a produtividade.Manejo de plantas daninhas em pastagens . pode-se considerar a luz como o principal fator (recurso) de competição destas com as forrageiras. pois são espécies que apresentam o metabolismo C4. 238 Módulo 3. Estima-se que 80% dos quase 60 milhões de hectares da área de pastagens na região de Cerrados apresentam algum estágio de degradação (MACEDO et al. por diminuir o potencial de formação de pasto pelas forrageiras. nestas condições.

nutrientes e luz. nessas circunstâncias.Manejo de plantas daninhas em pastagens 239 . estabelece-se a competição. até mesmo para o próprio desenvolvimento da forrageira.1 . muito comuns em pastagens brasileiras.Fatores do ambiente passíveis de competição Em ecossistemas agropastoris. esses fatores de crescimento (ou pelo menos um deles) estão disponíveis em quantidade insuficiente. luz. Recursos são os fatores consumíveis. qualquer planta daninha que se estabeleça na pastagem vai usar parte dos fatores de produção.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas causados por espécies com espinhos.6 . a forrageira e as plantas daninhas desenvolvem-se juntas na mesma área. nutrientes e CO2 e. já limitados no meio. reduzindo a produtividade da forrageira. Isso ocorre porque. 1. como água. A seguir serão abordados os principais fatores envolvidos na competição entre as plantas daninhas e as forrageiras. caso eles se alimentem de plantas tóxicas. podendo declinar se houver excesso do recurso (ex. (1996) dividem os fatores do ambiente que determinam o crescimento das plantas e influenciam a competição em “recursos” e “condições”. Módulo 3. na maioria das vezes. ou até mesmo levá-los à morte. gás carbônico. A resposta das plantas aos recursos segue uma curva-padrão: é pequena se o recurso for limitado e máxima quando o ponto de saturação for atingido. Radosevich et al. Como ambas possuem suas demandas por água.: toxidez devido a excesso de Zn no solo).

(d) assa-peixe roxo (Vernonia glabrata). (g) guanxuma (Sida glaziovii) e (h) lobeira (Solanum lycocarpum) 240 Módulo 3. (e) ciganinha (Memora peregrina).Manejo de plantas daninhas em pastagens . (c) mata-pasto (Eupatorium maximilianii).6 . (f) fedegoso (Senna ocidentalis).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 1 – Principais plantas daninhas das pastagens (a) assa-peixe branco (Vernonia polyanthes). (b) leiteiro (Peschiera fuchsiaefolia).

6 . (h) ximbuva (Enterolobium contortisiliquum) e (i) samambaia (Pteridium aquilinum) Módulo 3. (b) arranha-gato (Acacia plumosa). (d) cafezinho (Palicourea marcgravii). fistulosa).(c) guizo-de-cascavel (Crotalaria spectabilis).(a) camboatá (Tapirira guianensis).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 2 – Principais plantas daninhas das pastagens . (e) cambará (Lantana camara). (g) mamona (Ricinus communis). (f) algodão-bravo (Ipomoea carnea sbsp.Manejo de plantas daninhas em pastagens 241 . e plantas tóxicas .

. se a forrageira se estabelecer primeiro. etc. sem examinar as características das plantas e os mecanismos que estão associados à competitividade (RADOSEVICH et al. como: a competição é mais séria nos períodos iniciais de desenvolvimento da 242 Módulo 3. podendo excluir ou inibir significativamente o crescimento das plantas invasoras.6 . e a maior capacidade de produção e liberação de substâncias químicas com propriedades alelopáticas. Determinadas plantas são boas competidoras por utilizarem um recurso rapidamente ou por serem capazes de continuar a crescer. em razão da influência extrema que eles exercem na utilização dos recursos pelas plantas. como pH do solo. a menor suscetibilidade das espécies daninhas às intempéries climáticas. e. a maior velocidade do crescimento e a maior extensão do sistema radicular. 1996). seja ela daninha ou não. 1985). cuja dependência é muito grande. A competição entre plantas daninhas e forrageiras é um fator crítico para o desenvolvimento da pastagem quando a espécie daninha se estabelece junto ou primeiro que a forrageira. Várias generalizações podem ser inferidas sobre os aspectos competitivos entre as forrageiras e as plantas daninhas. como acontece. Os fatores que determinam a maior competitividade das plantas daninhas em relação às culturas são o seu porte e sua arquitetura. A condição pode limitar a resposta da planta tanto pela carência quanto pela abundância. porém a espécie daninha quase sempre supera a cultivada. Todavia. Na realidade. A competição pode ser intra-específica. se a população de plantas da forrageira por área for baixa ou o estande for desuniforme. dependendo da espécie cultivada. como veranico e geadas. No entanto. ou quando um dos competidores impede o acesso por parte do outro competidor. a maior velocidade de germinação e estabelecimento da plântula. caracterizado pela pastagem degradada. densidade do solo. A maioria dos estudos sobre competição entre plantas daninhas e culturas tem focalizado somente a ocorrência e o impacto da competição na produção da cultura. o maior índice de área foliar. por exemplo.. ela poderá cobrir rapidamente o solo. também. Entretanto. Contudo. do seu vigor. até que um nível ideal seja alcançado.. interespecífica. citado por RADOSEVICH et al. 1996). A base fisiológica que explica as vantagens que levam as plantas daninhas a ganhar a competição é muito complexa. a competição somente se estabelece quando a intensidade de recrutamento de recursos do meio pelos competidores suplanta a capacidade do meio em fornecer aqueles recursos. não estando. envolvendo indivíduos de espécies diferentes. da velocidade de crescimento inicial e da densidade de plantio. 1990. as plantas daninhas poderão vencer a competição pelos substratos ecológicos. ocorrendo entre indivíduos de uma mesma espécie.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Condições são fatores não diretamente consumíveis. totalmente esclarecida. 1996). Os mecanismos de competição consistem tanto do efeito que as plantas exercem sobre os recursos quanto da resposta destas às variações dos recursos (GOLDBERG. em condições de sombreamento (PITELLI.. mesmo com baixos níveis do recurso no ambiente (RADOSEVICH et al. a competição entre a planta daninha e a cultivada afeta ambas as partes.Manejo de plantas daninhas em pastagens . ainda. em áreas de pastagens degradadas a capacidade competitiva das plantas daninhas é ainda maior.

fazendo com que esta leve vantagem sobre o complexo de plantas daninhas. Módulo 3. as espécies daninhas de maior porte do que as forrageiras exercem grande potencial competitivo com estas. as características fisiológicas das plantas. ciganinha e outras). Conhecendo esses fatores. que são métodos culturais de controle de plantas daninhas.. nutrientes e espaço. regulação estomática e capacidade das raízes de se ajustarem osmoticamente. apresentando muitas raízes fasciculadas nas camadas superficiais do solo e raízes principais com penetração profunda. etc. desenvolvimento e crescimento rápido de grande superfície fotossintética mesmo ainda na fase de plântula. comumente. por isso. luz. Assim a competição é mais facilmente minimizada ou até mesmo eliminada com a integração de outros métodos de controle. devido ao sombreamento. são mais competitivas se comparadas com aquelas que apresentam desenvolvimento diferente. das condições adequadas de pastejo e manejo adequado da forrageira. e as espécies daninhas competem por água. que podem inibir a germinação e ou desenvolvimento da forrageira. da profundidade de plantio. dessa forma. (Radosevich et al. o profissional necessita ter o conhecimento profundo da forrageira e da vegetação daninha infestante da área a ser formada.: assa-peixe. Vários fatores influenciam a capacidade competitiva das espécies por água. no manejo da forrageira. torna-se fácil o manejo da forrageira. e sistema radicular muito desenvolvido. grande número de estômatos por área foliar. especialmente nitrogênio e carbono. Disso resulta a importância do preparo do solo. liberar toxinas no solo. realizando. 1996). principalmente se a forrageira possui metabolismo C4. como capacidade de remoção de água do solo.1. que as plantas forrageiras fiquem completamente murchas e as plantas daninhas túrgidas.6 .Manejo de plantas daninhas em pastagens 243 . da época correta de plantio.1 . As plantas daninhas apresentam certas características que lhes conferem grande capacidade competitiva. como o químico ou mecânico. o chamado manejo integrado de plantas daninhas. Para que se faça o manejo adequado de plantas daninhas em uma pastagem. da escolha da forrageira adequada para a região.Competição por água As plantas daninhas são verdadeiras bombas extratoras de água do solo. 1. as condições para que ela se estabeleça devem ser fornecidas antes do surgimento da vegetação daninha. ainda. é normal em alguns agroecossistemas. Desse modo. as espécies daninhas de morfologia e desenvolvimento semelhantes ao da forrageira. pois se estabelecem primeiro. pequenas ou grandes. da percentagem de germinação e vigor das sementes. como: germinação fácil em condições ecológicas variáveis. O princípio básico da competição baseia-se no fato de que as primeiras plantas que surgem no solo.. sem qualquer sinal de déficit hídrico. magnitude da condutividade hidráulica das raízes. especialmente nos trópicos em dias quentes. Dentre esses fatores destacam-se a taxa de exploração de volume do solo pelo sistema radicular (maior profundidade do sistema radicular – ex. Normalmente. etc. a competição por água leva a planta a competir ao mesmo tempo por luz e nutrientes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas forrageira. podendo. tendem a excluir as demais.

3-fosfoglicérico e. requerem maior energia para produção dos fotoassimilados. por difusão. Esta enzima apresenta baixa afinidade pelo CO2 e. por apresentarem dois sistemas carboxilativos. Essas plantas. em seguida. de modo que o primeiro produto estável da fotossíntese é um composto de três carbonos (ácido 3-fosfoglicérico). quando comparadas com plantas C4. As plantas C4 possuem duas enzimas responsáveis pela fixação do CO2. As plantas C4. do glicolato. C4 ou se realiza o mecanismo ácido das crassuláceas (CAM). é transportado para as células da bainha vascular das folhas. por ser ambígua quanto ao substrato. A enzima primária de carboxilação é a PEP-carboxilase. também. além do ciclo de Calvin e Benson. pois precisam recuperar duas enzimas para realização da fotossíntese. onde é fosforilado. Entretanto.5 difosfato carboxilase.2 . a qual apresenta atividades de carboxilase e oxigenase. baixa eficiência no uso da água e menor taxa de produção de biomassa. sendo esta relação para as plantas C4. responsável pela fixação do CO2. Elas não apresentam fotorrespiração detectável. Este AOA é convertido em malato ou aspartato. as plantas C3 fotorrespiram intensamente. É sabido que a relação. Este CO2 liberado é novamente fixado. a superioridade das forrageiras utilizadas no Brasil (C4 em sua grande maioria) é dependente de certas condições. consumindo 2 ATPs.1. localizada nas células do mesófilo foliar. ou seja. baixo ponto de saturação luminosa. não desassimilam o CO2 fixado.Competição por luz A competição pela luz é muito complexa e sua magnitude é influenciada pela espécie. retorna às células do mesófilo. a qual carboxiliza o CO2 absorvido do ar via estômatos. que ocorre em todas as plantas superiores. molécula de CO2 fixado/ATP/NADPH é de 1:3:2 para as plantas C3. se a rota fotossintética que ela apresenta é C3.6 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. e. apresentam baixa afinidade pelo CO2 e possuem elevado ponto de compensação para CO2. ocorrendo o ciclo de Cavin e Benson. Em conseqüência da ação desta enzima. As plantas C3 apresentam apenas o ciclo de Calvin e Benson. comparado a regiões temperadas. C4 (plantas eficientes) e CAM estão nas reações bioquímicas que ocorrem na fase escura da fotossíntese. Esse fato evidencia que as plantas C4 244 Módulo 3. o ácido pirúvico. como a luminosidade adequada. de 1:5:2. A maior eficiência das plantas C4 em relação a C3 em condições adequadas de luminosidade e temperatura é o principal fator da superioridade de produção forrageira em condições tropicais (maioria C4). se ela é umbrófila ou heliófila e. regenerando a enzima PEP-carboxilase e recomeçando o ciclo. A enzima responsável pela carboxilação primária do CO2 proveniente do ar é a ribulose 1-5 bifosfato carboxilase-oxigenase (Rubisco). considerando ambos os grupos em condições ótimas. liberando no meio o CO2 e o ácido pirúvico.Manejo de plantas daninhas em pastagens . substrato inicial da respiração. possuem ainda o ciclo de Hatch e Slack. no ácido fosfoenolpirúvico. logo. As diferenças entre as rotas fotossintéticas C3 (plantas ineficientes). catalisa a produção do ác. dependendo da espécie vegetal. onde esses produtos são descarboxilados. também. agora pela enzima ribulose 1. formando o ácido oxaloacético (AOA). por difusão.

atividade ótima em temperaturas mais elevadas. luminosidade e nutrientes. porém são influenciadas por fatores externos. os estômatos estarem parcialmente fechados (horas mais quentes do dia). Módulo 3. A combinação das características morfogênicas determina as três principais características estruturais das forrageiras: tamanho de folha. que são diretamente correlacionadas com a quantidade e qualidade da luz. Cada espécie de forrageira possui um padrão genético de crescimento e expansão foliar (determinado por suas características morfogênicas . REIS.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas necessitam de mais energia para produção dos fotoassimilados..são plantas C4. em temperatura acima da ótima para a ribulose 1. Isso acontece porque. a ocorrência de sombreamento por plantas daninhas implica redução drástica do potencial competitivo dessas forrageiras. aparecimento de folha e duração da folha) que.espécies de Brachiaria (CORSI et al. Todavia. as condições de luminosidade e temperatura serão preponderantes no desenvolvimento adequado das forrageiras.6 .Manejo de plantas daninhas em pastagens 245 . chegando a acumular o dobro de biomassa por área foliar no mesmo espaço de tempo. aliado a outros fatores. mesmo que a concentração de CO2 no mesófilo foliar atinja níveis muito baixos.5-bifosfato carboxilase-oxigenase (25oC). a fim de evitar o sombreamento. se for reduzido o acesso à luz. No caso das plantas C4.. 1998) e Pennisetum purpureum (RODRIGUES et al. como: alta afinidade pelo CO2. a enzima responsável pela carboxilação primária nas plantas C4 (PEPcarboxilase) apresenta algumas características. 1994). 1999) . densidade de perfilhos e número de folhas por perfilho. ainda assim elas continuam acumulando biomassa. levando a planta a atingir o ponto de compensação rapidamente. as espécies C4 dominam completamente as C3. ocorre a necessidade de controle de invasoras. A luz como fonte de energia de todos os processos biológicos na forrageira é o componente principal na produção da pastagem. Isso é possível porque esse grupo de plantas não apresenta fotorrespiração detectável.alongamento de folha. Além disso. estas plantas passarão a perder a competição com as plantas C3. Em função destas e de outras características. gênero Cynodon (SILVA et al. gênero Panicum (RODRIGUES. esta passa a atuar mais como oxidativa. Esse fato faz com que a concentração do CO2 no mesófilo foliar caia a níveis abaixo do mínimo necessário para atuação desta enzima. Portanto. nessas condições. porque a enzima responsável pela carboxilação primária nestas plantas (PEP-carboxilase) apresenta alta afinidade pelo CO2 (baixo Km). é comum. 1995). atua especificamente como carboxilase. Como a maioria das forrageiras das regiões tropicais e subtropicais . luminosidade alta e até mesmo déficit hídrico temporário. Essas características são genéticas. conseqüentemente. quando plantas estão se desenvolvendo em condições de temperaturas elevadas. como água. indica o potencial de produção de uma pastagem. liberando CO2. e não satura em alta intensidade luminosa. nessas condições. temperatura. a enzima carboxilativa das plantas C3 encontra-se saturada quanto à luz e. Como toda essa energia é proveniente da luz.

a baixa retenção de água no solo e o aumento do processo erosivo são sintomas do manejo inadequado que prejudicam o meio ambiente. maior eficiência no uso de máquinas. a preocupação da utilização racional de água e agroquímicos e a necessidade de maior competitividade e sustentabilidade (COBUCCI. a competição por nutrientes depende. a consorciação de lavouras e forrageiras. tornando-o sustentável em termos econômicos e ecológicos (KICHEL et al. a utilização de culturas anuais em cultivos seqüenciais ou simultâneos como formas de sistemas de produção. A venda de grãos das culturas.1. evitando a erosão e quebra do equilíbrio. visam melhoria das propriedades do solo.. doenças e plantas daninhas. melhoria das propriedades físicas do solo. 1. Nesse sentido. além da quebra do ciclo de pragas e doenças. exercem forte competição com as forrageiras pelos nutrientes essenciais. apesar de esse processo ser lento e silencioso.6 .. MIRANDA.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1.3 .Competição por nutrientes As plantas daninhas possuem grande capacidade de extrair do ambiente os elementos essenciais ao seu crescimento e desenvolvimento e. o aproveitamento da adubação residual e o preparo do solo mais elaborado podem ser vantajosos na redução dos custos e na eficiência de recuperação das pastagens degradadas (Macedo et al. diversificação do sistema produtivo e de aumento da produtividade do empreendimento agrícola. 246 Módulo 3. em conseqüência disso. o empobrecimento da fertilidade do solo. As tecnologias para recuperação e manejo sustentável dos solos degradados dos Cerrados.Integração da agricultura e pecuária A degradação das pastagens. A integração agricultura e pecuária não será abordada em maior detalhe. em alto grau. Devido à grande variação em termos de recrutamento dos recursos minerais do solo apresentada pelas diferentes espécies de plantas daninhas. observam-se a expansão do plantio direto.2 . os quais quase sempre estão em quantidades inferiores às necessidades das forrageiras em nossos solos. que facilitam a ocorrência de pragas.Manejo de plantas daninhas em pastagens . É notório que o setor agropecuário brasileiro está passando por um processo de transição socioeconômica e agroambiental. Portes et al. 2000).. com maior ênfase. tanto para as áreas de pastagens como de agricultura. 2000). deve-se considerar. como alternativa de recuperação de pastagens degradadas. 2000. 2001). das espécies presentes. tem sido proposto recentemente. Essas tecnologias também proporcionam maior diversificação das atividades econômicas no meio rural (KICHEL. Quando se trata de analisar a capacidade de uma espécie de planta daninha em competir por nutrientes. por constituir-se em tema complexo e não ser objetivo do presente trabalho. a queda na produtividade das lavouras. 2001). a quantidade extraída do que os teores que ela apresenta na matéria seca.

consideram-se tóxicas todas as plantas que. Módulo 3. além do grau de sensibilidade do animal a um princípio tóxico (AFONSO. Algumas plantas cultivadas também são consideradas tóxicas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. e causa danos à saúde ou morte. estado sanitário e nutricional. que pode causar anemia devida a nitratos/nitritos.6 . os quais podem estar relacionados ao animal ou à planta. 2002). principalmente em bezerros. Na mesma raça há fatores ligados ao próprio indivíduo. O tipo de solo também pode influenciar na toxidez de uma planta. A maioria das plantas tóxicas é consumida pelos animais em razão da escassez de alimentos nas pastagens e da mudança de animais famintos para pastagens que possuem plantas tóxicas (FREITAS et al. vai retendo no seu organismo.Manejo de plantas daninhas em pastagens 247 . POTT. A mais temível do Brasil é a erva-de-rato ou cafezinho (Palicourea marcgravii) (POTT. POTT. muitas das quais ingeridas pelo gado. como é o caso das mandiocas-do-mato (Manihot spp. raiva ou outra doença. POTT. floração e frutificação. a ingestão de certas plantas em pequenas quantidades leva o animal a adquirir resistência ou tolerância ao princípio tóxico. mas também aquelas que provocam direta ou indiretamente perturbações na saúde do animal. Várias provocam sinais que podem ser confundidos com picada de cobra. Existem também plantas com princípio tóxico cumulativo. tóxicas. POTT. pois às vezes ela provoca intoxicações apenas em uma dessas fases. como brotação. O conceito sobre plantas tóxicas é relativo. como Brachiaria decumbens. citado por Hoehne (1939). (2000) definem planta tóxica de interesse pecuário a que é ingerida por animais domésticos de fazenda. visto algumas serem tóxicas em uma região e em outra não (AFONSO. certas raças toleram mais. ingerindo pequenas quantidades diárias. com comprovação experimental. 2002). deve-se considerar a sua fase vegetativa. Por outro lado. peso. arrecta). Com relação à planta. Além da fome. subquadripara = B. há outros fatores que também propiciam intoxicações. que o animal. como idade.Plantas tóxicas Calcula-se que 12% das mortes de bovinos são causadas por sementes. outras menos. até atingir a dose letal (AFONSO. podem provocar danos que se refletem na sua saúde ou vitalidade.). 2002). ingeridas espontânea ou acidentalmente pelo animal.3 . sendo algumas. No caso da espécie bovina. Segundo Howes (1933). Portanto. plantas tóxicas não são somente vegetais que provocam verdadeiros envenenamentos e intoxicações agudas. que causa fotossensibilização ("orelha frita"). Os biomas Pantanal e Cerrado possuem floras ricas em espécies. em condições naturais. AFONSO. sexo. 1991). e braquiária-d´água ou "tanner grass" (B. Tokarnia et al. 2002). folhas ou raízes de plantas que possuem grande quantidade de elementos químicos nocivos ao gado (AFONSO.. certos venenos. 2000).

ou estado de embriaguez. flor e semente praticamente durante o ano todo. sobrevindo a morte dentro de poucos minutos. Abobral e Paraguai. controle químico Arbusto responsável pela maioria das mortes de bovinos causadas por plantas tóxicas em terra firme. com um resumo das suas principais características. Possui distribuição ampla. havendo pasto). caindo com facilidade. capoeiras e em pastos recém-formados. Na Figura 2 estão apresentadas e no Quadro 1 listadas as de maior ocorrência e importância no Brasil. Controle: erradicar as plantas. Cresce somente em solo de barro (LSD) (argiloso).6 . sendo Erva de rato. cercar as matas e as capoeiras onde existir a planta. desequilíbrio do trem posterior. Inicialmente os sinais apresentados são de emagrecimento progressivo. Arbusto aquático. Rebrota após cortes e ácido lisérgico fogo. exceto se for afogado depois. tremores musculares. Possui boa Figura 2 d palatabilidade. os ramos que encostam no chão Alcalóides derivados do enraízam. A semente pilosa (origem do nome algodão) é espalhada pela água. DL (100 g de folhas verdes). Nos bovinos. lassidão e pêlos ásperos. respiração ofegante.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas São várias as espécies de plantas tóxicas presentes nas pastagens no Brasil. São tóxicas as folhas e as sementes. Algodão-bravo. o que é difícil de ocorrer no campo. afeta o Rubiaceae em áreas sombreadas das beiras ciclo de Krebs das matas. uso de herbicidas. de 1 a 4 m de altura. Às vezes o animal mostra. Perene. A evolução da intoxicação é crônica e não há recuperação do animal Controle: erradicação. Quadro 1 – Principais plantas tóxicas encontradas no Brasil Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal). cochos e aguadas. DL (9 kg de folhas verdes por dia. fistulosa) Convolvulaceae Figura 2 f 248 Módulo 3. iniciam poucas horas após ser completada a ingestão da dose letal. muito alagável. sendo ingerida em qualquer época do ano. Aumenta em campos com excesso de gado ou perto de porteiras. canudo-de-pita (Ipomoea carnea subsp.Manejo de plantas daninhas em pastagens . trepador. encontrada em todo o País. sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica. com as pernas traseiras abertas e instabilidade no trem posterior. A principal forma de propagação é vegetativa. os sintomas consistem em queda repentina do animal ao chão. marcgravii) acético. Causa a síndrome da morte súbita. antes de cair. Ocorre em terra firme. com cafezinho Ácido exceção do extremo sul e do sertão (Palicourea monoflúornordestino. durante semanas. Com a evolução da intoxicação o animal apresenta sinais de origem nervosa. nas planícies de inundação dos rios Negro. O seu andar se torna desequilibrado (como se estivesse embriagado). É muito comum em lagoas rasas.

Samambaia (Pteridium aquilinum) Substância Dennstaedtiacea radiomimética e e tiaminase Figura 2 i Planta tóxica de importância no Brasil e no mundo. trôpego. para áreas (Lantana (lantadene A e infestadas.6 . DL (variada). Muitos animais morrem nessa fase. falta de apetite. continue a procurá-la. controle cultural (calagem e aração do solo) e químico Módulo 3. que aparece de repente. fezes ressequidas e. para provocar sintomas de intoxicação aguda. quando expostos ao solo. Sob condições naturais.Manejo de plantas daninhas em pastagens 249 . Controle: erradicar as plantas (herbicidas) e não transferir animais com fome para pastagens infestadas. utilizar ungüentos antiinflamatórios. sonolência. Causa febre alta. sendo a brotação a porção mais tóxica das partes aéreas. planta somente em circunstâncias chumbinho ou especiais. que faz com que este. hemorragia na pele e nas mucosas visíveis. Já na fase aguda. anemia. No tratamento os camara) animais devem ficar na sombra. Ingestão em menores quantidades ocasionam hematúria intermitente. principalmente quando camará Triterpenóides transferido. Controle: erradicação da planta. convulsões. Os animais apresentam andar incerto. lantadene B) Verbenaceae Deve-se administrar glicose. DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal). sendo a correção e aração deste um método cultural de controle desta espécie. manifestam fotossensibilidade sob forma de eritema e edema inflamatórios nas partes menos pigmentadas da pele e inquietação à procura de sombra. extrato hepático e purgante oleoso Figura 2 e e medicar as lesões na pele. depois de comê-la por algum tempo. culminando na morte. tem incordenação ao andar. os animais apresentam anorexia e diminuição ou parada dos movimentos do rúmen. As plantas ocorrem em solo ácido. O animal sangra prolongadamente por qualquer ferimento. mesmo cessada a fome. se habitue a ela e.000 g de folhas verdes ingerido durante três semanas a poucos meses. Inicialmente. emagrecimento.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta Arbusto ou subarbusto é cosmopolita. A fome faz o animal ingerir a planta. Em eqüinos causa deficiência de vitamina B1. os bovinos ingerem a Cambará. A planta toda é tóxica. com fome. apresentam tremores musculares. devido ao efeito acumulativo). em pequena quantidade. sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica. eventualmente diarréias enegrecidas. Consistem nas manifestações de fotossensibilidade hepatógena. DL (1.

Comum em áreas ruderais como Ricinina beira de estrada. as folhas foram observadas bem pastadas por bovinos no Pantanal. DL (2.. mas de ciclo curto. Comum em áreas mexidas. com flor e semente em grande parte do ano. Há relatos de pirrolizidinas que o princípio tóxico desta planta se concentra mais nas flores e nas sementes. etc. de 1 a 4 m de altura. grupo das outras menos tóxicas. É tóxica ao fígado. em solos de vários tipos. Já a intoxicação pelas sementes varia de aguda a subaguda. DL (5. antes que forme sementes. que germina melhor após o fogo. dificilmente o animal se recupera. por irritação do tubo digestivo.Manejo de plantas daninhas em pastagens . O bovino apresenta andar desequilibrado. geralmente não folha e ricina inundáveis. com tremores musculares. Controle com herbicida. Controle: É facilmente eliminada com mais de uma roçada. depósitos (alcalóide) na de lixo. com o animal apresentando fraqueza. causando perturbação nervosa. geralmente férteis. sendo umas mais. Morre na queimada. apatia e diarréia sanguinolenta. Os principais sinais na intoxicação por Crotalaria iniciamse por contrações abdominais. Guizo-decascavel. A torta de mamona não bem detoxicada pelo calor também é tóxica. os animais mais novos são mais sensíveis . ereto. mas das folhas não. taperas.000 g de folhas frescas ou 200 g de sementes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta Mamona (Ricinus communis) Euphorbiaceae Figura 2 g Arbusto pouco lenhoso. Controle: Pode ser praticamente eliminada com roçadeira (rebrota pouco). e a plântula encontra condições mais favoráveis na pastagem rapada e rala (degradada). Possui ampla distribuição. ingerindo também flores e frutos. sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica. DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal). de 50 a 100 cm de altura. Uso de herbicidas. na semente. Anual. procurando ficar deitado. e dificuldade de caminhar longas distâncias. perda do equilíbrio ao caminhar e alteração do sistema nervoso sob forma de excitação ou depressão.500 g de folhas verdes ao dia foram suficientes para levar os bovinos à morte). chique-chique (Crotalaria spectabilis) Leguminosae Figura 2 c Planta ereta. No Brasil existem mais de 40 espécies Alcalóides do de Crotalaria. Deve-se atentar para o seu aparecimento em leiras. mas retorna por semente. A intoxicação pelas folhas é aguda.um quarto dessa dose no caso de bezerro). geralmente férteis. tanto as folhas como as sementes são tóxicas. perda de apetite. O consumo repetido de pequenas quantidades de semente pode dar imunidade. com flor e fruto quase durante o ano todo. perturbações digestivas. Ocorre também eructação excessiva (arroto) acompanhada por sialorréia (baba).6 . Embora conste como pouco palatável. antes da formação de sementes. Há formas de folhas verdes e outras arroxeadas. leiras provenientes de desmatamento e pastagens cultivadas. 250 Módulo 3. as quais são o meio de propagação. Os sinais apresentados têm predominância neuro-muscular. A parte aérea morre com a queima. O fruto estoura ao sol e lança as sementes a vários metros de distância. principalmente em situações de fome. que favorece a germinação. Após apresentar estes sinais. em solos argilosos ou (toxoalbumina) arenosos. É palatável. onde o solo é mais fértil. Perene. com copa.

Há citações de que as favas provocam aborto em vacas. caem ou deitam-se precipitadamente. o animal faz movimentos de pedalagem com os membros traseiros e dianteiros. produz fruto de agosto Ximbuva. Os bovinos ingerem a planta somente quando estão com fome. Floresce de setembro a novembro. Em seguida provoca diarréia de coloração amarelada e fétida. de 6 a 24 horas após a ingestão da planta. Afonso e Pott (2002) Módulo 3. quando movimentados. diminuição ou até perda total do apetite. fazendo movimentos de pedalagem. não causem outros sinais de intoxicação. copa larga. DL (1. (1991). Uso de herbicidas. a novembro. sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica. perde as folhas na estação seca.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta Árvore de 8 a 18 m de altura. Ficam logo em decúbito letal. geralmente férteis. às vezes. Os principais sinais apresentados pelo animal intoxicado se caracterizam por lassidão. acompanhada de outras perturbações digestivas. DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal). DL (250 a 1. mesmo em pequenas porções. embora. solos arenosos ou contortisiliquum Saponina do argilosos. Os sintomas iniciam-se. Semente espalhada tamboril pela fauna. neste caso. Controle: É facilmente eliminada com anelamento (descascar em volta do tronco). aparentemente.500 g de folhas verdes).6 .500 g de favas que leva um bovino à morte na intoxicação experimental). a planta não tem boa palatabilidade. Os animais.Manejo de plantas daninhas em pastagens 251 . Controle: Pastagens em abundância e erradicação da espécie. Gibata ou chibata Glicosídeo do (Arrabidaea tipo esteróide bilabiata) cardioativo Bignoniaceae Trepadeira. Comum em matas e (Enterolobium cerradões. aproximadamente. Ocorre retração acentuada dos globos oculares e. Causa lesões no tubo digestivo. Leguminosae especialmente no Nordeste e Triângulo Mineiro. próximo à morte. A parte tóxica Figura 2 h importante desta planta são os seus frutos. planta tóxica mais importante das regiões de várzea da bacia amazônica. que amadurecem e caem no período da seca e apresentam boa palatabilidade para os bovinos. ) tipo esteroidal Encontrado em todo o Brasil. cerram fortemente as pálpebras. berram e morrem. O quadro de intoxicação se manifesta poucas horas após a ingestão das favas e a sua evolução é aguda. Fonte: Freitas et al.300 a 1.

ainda. o manejo de plantas daninhas pode ser definido como a combinação racional de medidas preventivas associadas a medidas de controle e de erradicação. os custos de controle. assegurar a produção adequada de alimentos. Muitas vezes faz-se necessária a associação de dois ou mais métodos para se atingir o nível desejado. O nível de controle das plantas daninhas. 2. Isso pode ser possível se o pecuarista proceder à absoluta racionalização do controle de plantas daninhas. Atualmente. Um bom programa de manejo de plantas daninhas pode ser resumido em três situações básicas: máxima produção no menor espaço de tempo. constituindo-se. do período crítico de competição. biológico e químico. resguarda os seus aspectos benéficos e não causa danos à forrageira. em um determinado agroecossistema.Manejo de plantas daninhas em pastagens .1 .Controle preventivo O controle preventivo de plantas daninhas consiste no uso de práticas que visam prevenir a introdução. da capacidade competitiva da forrageira. Visa. a energia gasta com tratos culturais. Dessa forma. o estabelecimento e. O controle ideal é aquele que. ou.. mantendo a qualidade ambiental com a maximização de lucro para o agricultor.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2 . por meio de métodos e equipamentos usados oportunamente. deve ser feita quando as perdas forem superiores ao incremento no custo devido ao controle.Controle de plantas daninhas Os métodos de controle de plantas daninhas usados são os mesmos empregados em outros sistemas de produção agrossilvopastoril. economicamente. das condições ambientais. esse fato. no controle integrado. Atualmente. a disseminação de determinadas espécies-problema em áreas 252 Módulo 3. onde são usados todos os conhecimentos e ferramentas disponíveis para produção das culturas livre de danos econômicos da vegetação daninha competitiva. A redução da interferência das plantas daninhas. dependerá da espécie infestante.6 . aos animais e ao solo. além de outras operações e a erosão do solo causada por água e vento. recomenda-se o “manejo integrado das plantas daninhas”. quando não há redução da sua produtividade econômica. segundo Victoria Filho (2000). 2005). Os métodos de controle podem ser: preventivo. se necessárias. mecânico ou físico. considerando uma forrageira. cultural. com o objetivo de reduzir as perdas causadas por estas plantas. tem sido preconizado o manejo integrado de plantas daninhas. sendo muito variados. com o advento da chamada agricultura economicamente sustentável. que consiste num sistema ambientalmente correto no campo. dos métodos empregados. etc. obtido em uma pastagem. elimina os prejuízos causados pelas plantas daninhas. máxima sustentatibilidade de produção e mínimo risco (SILVA et al. ou seja.

os seguintes procedimentos devem ser observados: diagnóstico da área . As medidas que podem evitar a introdução onde a espécie ainda não ocorre são: utilização de sementes de elevada pureza. principalmente. impedindo. 2. limpeza de canais de irrigação.2 . As quantidades desses produtos dependem da espécie forrageira e do nível de produtividade desejado. Quando da escolha dessa espécie. A conservação do solo é outro ponto importante. topografia. e. condições favoráveis para a forrageira em relação às demais espécies presentes na área (plantas daninhas) e possibilita a vantagem competitiva da forrageira em relação às plantas daninhas. etc. que poderão se transformar em sérios problemas para a região. grades. análise da produtividade desejada. que deve começar antes da implantação. banco de sementes de plantas daninhas. A correção da acidez do solo e o fornecimento de cálcio e magnésio a este (quando necessária). A intensidade e os equipamentos a serem utilizados no preparo de solo dependem do tipo deste. Regionalmente. um município ou uma gleba de terra na propriedade. limpeza cuidadosa de máquinas. a quarentena de animais introduzidos em outras áreas. um estado. ainda. assim.Controle cultural O controle cultural reúne todas as práticas disponíveis para o estabelecimento das forragens em condições adequadas ao seu desenvolvimento e à sua persistência com boa produtividade. devem ser realizados no momento correto. ou mesmo reduzindo os efeitos erosivos. tipo de solo.Manejo de plantas daninhas em pastagens 253 . o controle é de responsabilidade de cada agricultor ou cooperativas. arbustos. devendo-se realizar a construção de terraços ou curvas de nível quando a área apresentar suscetibilidade ou risco de erosão ou até mesmo escorrimento superficial da água das chuvas.realizado por meio de análise química e física do solo. capoeiras. o elemento humano é a chave do controle preventivo. objetivo da produção. com uma limpeza adequada da área. da quantidade e das espécies de plantas daninhas e de forrageira a ser Módulo 3. clima (déficit hídrico e ocorrência de queimadas). palatabilidade e longevidade. visando prevenir a entrada e disseminação de uma ou mais plantas daninhas. Outro componente importante do controle cultural é a formação adequada da pastagem. qualidade. Essas áreas podem ser um país. impedimentos físicos ou mecânicos. A escolha de espécies forrageiras adequadas para cada área e objetivo de pastejo é um importante componente do sucesso da atividade. inspeção cuidadosamente de mudas adquiridas com torrão e também de toda a matéria orgânica (esterco e composto) proveniente de outras áreas. eliminando-se rebrota do cerrado de porte alto. pragas. e época de utilização da espécie.6 . Em síntese. como a ciganinha (Memora peregrina). bem como a aplicação de adubos fosfatados. pedaços de tronco e galhadas. Proporciona. O preparo do solo deve ser feito de modo a proporcionar ótima germinação e estabelecimento da forrageira.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ainda por elas não infestadas. histórico da área e outros. tocos. o nível tecnológico a ser adotado.

as sementes devem ser distribuídas na área e. peso médio no misto e peso leve no argiloso. produção e longevidade da forrageira. enxofre e micronutrientes. para favorecer a germinação e eliminação delas. como: pureza. esta deve ser considerada como uma cultura que vai produzir por muitos anos. A correção de fósforo. para que o solo não fique aderido nele. ou seja. evitando. a melhor época é de novembro a janeiro. principalmente nos solos mistos e arenosos. A correção adequada de nutrientes do solo é outro fator que melhora as condições de estabelecimento. As sementes devem possibilitar a formação de estande adequado e uniforme. A quantidade de sementes a ser utilizada depende da espécie forrageira. posteriormente. o preparo do solo deve ser escalonado.6 . com pouca palha. devem ser antes do plantio e incorporados. evitar o preparo excessivo do solo.5 a 4 cm de profundidade (dependendo do solo e da forrageira). Portanto. quando recomendados. ou melhor. no entanto. retardando o plantio da forrageira. tem vantagem competitiva a espécie que se estabelece primeiro na área. com maior peso no solo arenoso. assim. ou seja. a sua pulverização. Comumente. hídricas e de fotoperíodo da forrageira.Manejo de plantas daninhas em pastagens . assim. deve-se passar o rolo compactador. da germinação e do vigor. Deve-se. Outro componente do controle cultural muitas vezes desprezado é a quantidade e a qualidade das sementes das forrageiras. Podem ser aplicados antes do plantio ou em cobertura. O plantio pode ser realizado a lanço sobre o solo devidamente preparado com uma grade leve. para incorporar as sementes de 0. O plantio com semeadeira deve seguir as mesmas exigências do 254 Módulo 3. Deve-se evitar a utilização do rolo em solo com excesso de umidade. o preparo do solo deve ser igual. Entretanto. Em áreas que apresentarem alta quantidade de palhada. Deve-se considerar para isso a disponibilidade hídrica e temperatura para cada região. de modo geral. Para a maioria das forrageiras. começando com as primeiras chuvas em setembro até março. O plantio na época correta e de forma correta é fator preponderante no estabelecimento adequado da forrageira.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas implantada. proporcionando. Em áreas com infestação elevada de plantas daninhas é recomendada a utilização de até 50% a mais da quantidade de semente. algodão. ao daquele utilizado para plantio de soja. exceto para estilosantes ou andropógon. Em áreas que apresentarem alta infestação de plantas daninhas ou outras forrageiras. que. exceção feita aos fosfatos naturais reativos. que impõe restrição à emergência das plântulas. quando necessária. potássio. o estabelecimento mais rápido da forrageira na área. sendo este um fator importante na dinâmica competitiva da forrageira com as plantas daninhas. Logo após a última gradagem (niveladora). levando em consideração o resultado da análise de solo. a compactação da camada superficial deste. além das exigências térmicas. milho e outros. a exigência de cada espécie forrageira e o nível de produtividade desejado. livres de sementes de plantas daninhas e possuindo qualidade fisiológica (vigor e germinação). para que ocorra a decomposição desta sem interferir na germinação da forrageira. poucos torrões. a época do plantio é muito ampla em quase todo o território nacional. deve ser realizada em quantidades recomendadas. podendo variar em certas regiões. parcial ou totalmente fechada. isto é. solo nivelado e livre de plantas daninhas. deve-se realizar o preparo do solo no mínimo 120 dias antes do plantio no período das águas.

milho). dependendo do equipamento e da espécie forrageira. para garantir o estande adequado e uniforme. com espaçamento entre linhas de 13 a 40 cm. sem limitações químicas e físicas. As vantagens desse manejo são: evitar o acamamento. Na formação de pastagem. o nitrogênio é o que proporciona o maior efeito no aumento de produtividade. e proporcionar a mais rápida e perfeita cobertura de solo. A adubação nitrogenada possibilita maior rapidez e quantidade de área foliar. na mesma operação. estimulando a emissão de novos perfilhos e raízes. Toda vez que o nível de infestação for significativo. ou antes da emissão da inflorescência (sementeira). diminuir a competição interespecífica. reduzindo assim a produção de semente e translocação de nutrientes para estas. realiza-se o plantio de linhas espaçadas de 13 a 40 cm. animais jovens com alta lotação. podendo-se realizar. possivelmente. A realização de adubações de cobertura nitrogenadas melhora as condições de desenvolvimento e estabelecimento da forrageira. O manejo da pastagem estabelecida é. sem erosão. com profundidade de 0. Módulo 3. colocando-se 10 a 20% a mais de sementes do que o sistema tradicional. A princípio. deve-se passar o rolo compactador após o plantio. eliminando o excesso de plantas. implicando o sombreamento e abafamento das plantas daninhas. deve-se iniciar o pastejo de 60 a 100 dias após a emergência da pastagem. principalmente em solos de baixo teor de matéria orgânica. tocos. tem como objetivo contribuir para a boa formação da pastagem. Já o plantio direto exige as mesmas condições do plantio direto de grãos (soja. Após a dessecação. por curto período de tempo (10 a 30 dias). com o objetivo de auxiliar na boa formação da pastagem. aproveitando o maior valor nutritivo. de preferência. As pragas mais importantes na formação de pastagens são: lagartas. trilheiros. por melhorar as condições desta. Devem-se utilizar.5 a 4 cm. o método de controle cultural de plantas daninhas mais importante. O não-controle dessas pragas pode comprometer a formação e a persistência da pastagem. fechando o dossel mais rápido.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas plantio a lanço. boa cobertura do solo. eliminar a maior parte das gemas apicais. com boa produção de carne/hectare. espécie forrageira e produtividade desejada. recomenda-se a aplicação de nitrogênio de 30 a 40 dias após a emergência ou após o manejo de formação (primeiro pastejo). distribuição uniforme da palhada. A manutenção da pastagem em condições ideais com o controle adequado de pragas também é componente do controle cultural de plantas daninhas.6 . O manejo de formação da pastagem. isto é. também chamado de pastejo de uniformização. cupins subterrâneos e formigas. A dose aplicada vai depender da análise de solo. dessa forma. antecipar a utilização da forragem. a adubação da pastagem ou consórcio com outras espécies.Manejo de plantas daninhas em pastagens 255 . Estando todos os nutrientes corrigidos. desde que o plantio seja realizado na época recomendada para cada região. Esse sistema de plantio exige máquinas e equipamentos adequados. plantas daninhas de difícil controle por herbicidas e outros. compactação. maior sombreamento para plantas daninhas. Se a semeadeira não possuir sistema de compactação. uma vez que vai garantir a longevidade e qualidade da pastagem. ele deve ser controlado com defensivos específicos para cada tipo de praga. o nitrogênio é muito importante. favorecendo o surgimento e estabelecimento de plantas daninhas. Para gramíneas forrageiras de média a boa produtividade. cupins. proporcionando.

De modo geral. como exemplo: tanzânia e mombaça (40 a 50 cm). com período de pastejo de 1 a 15 dias. etc. Esta prática também é considerada um método preventivo. O manejo correto consiste na utilização de lotação adequada. com 28 a 36 dias de pastejo. está diretamente relacionada com a produtividade da pastagem.Manejo de plantas daninhas em pastagens . categoria animal. e tifton (15 cm). Uma das principais causas da degradação das pastagens é a redução da fertilidade do solo. A quantidade de adubação de manutenção. sendo o manejo específico para cada região. e rotacionado o animal usa de 3 a 40 piquetes ou invernadas. evitando assim a infestação da pastagem com sementes de plantas daninhas presentes no trato digestivo desses animais. Brachiaria decumbens (20 cm).o animal explora duas invernadas alternadamente. e com o mesmo período de descanso. Isso ocorre quando há pastejo excessivo (superpastejo). do potencial produtivo da forrageira. exclusivamente. pisoteio demasiado e arranque de plantas. Outro método cultural de controle de plantas daninhas é a manutenção de animais oriundos de outras pastagens em área isolada por 24 a 48 horas. excesso de lotação (carga animal excessiva). Este manejo pode facilitar o desenvolvimento da espécie forrageira ou das espécies de plantas daninhas. utilizada anualmente. que pode chegar a mais de 40% do total de nutrientes ingeridos pelo animal em pastejo. portanto. A melhoria das condições para o desenvolvimento das plantas daninhas ocorre quando o manejo empregado reduz as reservas e a capacidade competitiva e de restabelecimento da forrageira.o animal fica sempre na mesma invernada ou pastagem. Humidícola e Dictioneura (15 cm). maior aproveitamento do investimento empregado até o momento. em razão dos nutrientes perdidos no processo produtivo. o beneficiamento da forrageira vai depender do manejo correto. alternado . nível de adubação ou fertilidade natural do solo. A pastagem degradada não oferece condições à forrageira de competir com as plantas daninhas. De maneira geral. épocas corretas de entrada e retirada dos animais (altura de pastejo). A adubação de manutenção é. época do ano. condições da propriedade (solo e clima). finalidade de pastejo.6 . O tamanho e o número de piquetes dependem. A utilização da adubação de manutenção é extremamente econômica desde que seja escolhida a espécie de forrageira adequada às condições de clima e solo e que ela esteja bem formada e com manejo adequado. sistema de produção e outros. recomenda-se devolver às pastagens 20% da receita bruta anual. da intensidade de pastejo e do número de animais. portanto. com período de descanso de 24 a 39 dias. marandu e andropógon (30 cm).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ou seja. dependendo da espécie forrageira. um fator importante no controle integrado de plantas daninhas. principalmente nitrogênio e fósforo. o pastejo pode ser classificado de três maneiras: contínuo . por evitar a entrada de plantas daninhas na pastagem. tornando a infestação da área uma questão de tempo. A altura de pastejo depende da espécie forrageira. 256 Módulo 3. espécie forrageira.

além de controlar as plantas daninhas. pois reduz a quantidade de matéria orgânica do solo. rebrotam e perfilham. como a maior parte desse material vegetal é constituída por tecidos de elevada relação C/N (na maioria Módulo 3.Manejo de plantas daninhas em pastagens 257 . é um método pouco eficiente e ineficaz. uma vez que a maioria das plantas se restabelece logo após o corte. aumentando a infestação. porém demanda equipamentos apropriados. É um método não-seletivo. esta tem a tendência de aumentar a cada roçada. induzindo o aparecimento de reboleiras. assim. os quais requerem manutenção adequada. a roçada. A utilização do fogo é um método pouco eficiente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2. a capina manual. Assim. possui a vantagem se ser altamente seletivo quanto à planta controlada. As plantas roçadas podem rebrotar logo após a realização desta prática. também controla a espécie forrageira. porém possui baixa eficiência e eficácia. ainda.Controle mecânico ou físico São métodos mecânicos de controle de plantas daninhas o arranque manual. O arranque manual.3 . é o método mais antigo de controle de plantas daninhas. a cobertura morta e o cultivo mecanizado. Possui baixa eficiência e eficácia. para plantas daninhas perenes a manutenção de parte do sistema radicular no solo possibilita a rebrota e o seu restabelecimento. quando o principal método de controle é o uso de enxada. a inundação. Seu rendimento operacional é maior do que o arranque. Esta prática. É um método relativamente seletivo. ou seja. no entanto. e algumas ainda perfilham. A parte aérea das plantas cortada ao entrar em contato com a superfície do solo vai desencadear os processos de decomposição e degradação. No controle de plantas daninhas em pastagens. devido à rebrota e ao restabelecimento das plantas daninhas. bem com a roçada manual. contudo. as espécies de plantas daninhas perenes que possuem reservas no sistema radicular rebrotam ou. ocorrendo perda de nutrientes e degradação da fertilidade do solo. e na maioria dos casos a forrageira é mais suscetível à ocorrência de queimadas do que as plantas daninhas. elevado custo de controle. por possuir sistema radicular menos profundo e mais fácil de ser arrancado. como o trator e a roçadeira. danificando assim o sistema radicular e reduzindo o vigor da forrageira. possui custo elevado. Entretanto. a queima.6 . O custo é relativamente inferior ao da roçada manual. por também cortar a forrageira. ou monda. Um dos métodos mais utilizados no controle de plantas daninhas em pastagens é a roçada manual com foice. deve ser repetida periodicamente. Este método. Outro método muito empregado entre os pecuaristas é a roçada mecanizada. por demandar muita mão-de-obra. expondo-o à ação da erosão. que possui rendimento operacional elevado e necessita de pouca mão-de-obra. Este método de controle exige muita mão-deobra e possui baixo rendimento operacional. afeta a atividade microbiana deste. agride pouco a forrageira e pode ser empregado em locais de difícil acesso com máquinas (roçadeira). jardins e na remoção de plantas daninhas entre as plantas das culturas em linha. No entanto. Ainda hoje é usado no controle em hortas caseiras. Serve para controlar plantas gramíneas. acarretando. e disponibiliza de forma desorganizada os nutrientes armazenados nos vegetais.

A utilização de herbicida seletivo no controle de plantas daninhas em pastagens tem demonstrado várias vantagens. o controle é mais eficiente. O herbicida deve ser considerado uma ferramenta a mais e não como o único método de controle. É eficiente no controle de plantas daninhas anuais e perenes e possui alto rendimento operacional. Todo herbicida é uma molécula química que tem que ser manuseada com cuidado. • Mesmo em épocas chuvosas. após a realização da roçada. As vantagens do uso do controle químico podem ser enumeradas: • Menor dependência da mão-de-obra. em certas regiões é difícil de ser encontrada no momento certo e na quantidade necessária. as instruções dos fabricantes e as leis governamentais que regulamentam o seu uso. Na 258 Módulo 3. Por possuir seletividade.4 . • Permite o menor revolvimento do solo . quando for adotada juntamente com outros métodos de controle. lagos e água subterrânea). observando-se as normas técnicas. • Maior rendimento na operação de controle de plantas daninhas.Manejo de plantas daninhas em pastagens . uma vez que reduz ou elimina a competição entre estas e a forrageira. Pode ocorrer também poluição do ambiente água (rios. solo e alimentos . sendo essa a causa de cerca de 80% dos problemas encontrados na prática. e este será imobilizado do solo. em concentrações convenientes. • Pode controlar plantas daninhas perenes e de propagação vegetativa. proporcionando menor rebrota das plantas daninhas. A roçada é uma prática que controla plantas daninhas sem reservas no sistema radicular e as demais espécies. principalmente. mas devem ser conhecidos. Há necessidade de mão-de-obra especializada para aplicação dos herbicidas. sendo o tempo de recuperação da área relativamente rápido. havendo perigo de intoxicação do aplicador. São necessárias pessoas capacitadas para uso correto dos herbicidas. Deve-se salientar que. tanto fisiologicamente como quando aplicado de forma localizada. reduzindo. perfeitamente controlados e evitados.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas gramíneas).6 . a quantidade disponível deste nutriente no solo em um momento em que a forrageira dele necessita para seu restabelecimento. têm a finalidade de inibir o desenvolvimento ou provocar a morte das plantas daninhas. dos grupos aos quais pertencem os herbicidas e da tecnologia de aplicação é fundamental para o sucesso do controle químico das plantas daninhas.Controle químico No controle químico utilizam-se herbicidas que. O conhecimento da fisiologia das plantas. os microrganismos do solo demandam nitrogênio. • É eficiente no controle de plantas daninhas na pastagem sem afetar o sistema radicular da forrageira. 2. Os riscos de uso existem. como o cultural e químico.plantio direto. ele causa menor dano à forrageira. para garantir o restabelecimento da forrageira e o seu poder de competição com as plantas daninhas. assim. os animais devem ser retirados da área. que possui custo elevado.quando manuseados incorretamente.

sendo comum a mistura entre alguns destes. sendo para isso realizada a destoca e gradagens. Portanto. uma vez que este possibilita as melhores condições de desenvolvimento e permanência da forrageira. sendo a de maior importância o controle cultural. é prática viável. O emprego do controle químico deve ser feito juntamente com outras práticas de controle. sendo estes de amplo espectro de ação e baixa persistência no ambiente (dessecantes). possuindo retorno rápido e certo. são dependentes das plantas daninhas presentes na área e de seu desenvolvimento no momento da aplicação (Quadro 2). O emprego do controle químico como único e generalizado implica a inviabilidade econômica da prática agrícola e sério desequilíbrio no sistema de produção. Os herbicidas a serem utilizados. São necessários alguns fatores para o sucesso da utilização do controle químico no manejo integrado de plantas daninhas. e distribuição de plantas daninhas (localizada ou não). A gradagem é um método mecânico de controle de plantas daninhas.Manejo de plantas daninhas em pastagens 259 . paraquat + diuron e 2. Os demais sistemas de plantio devem ser realizados em solo com preparo adequado. o herbicida é uma ferramenta muito importante no manejo integrado de plantas daninhas. bem como suas misturas. desde que utilizado no momento adequado e de forma correta. porém não controla as espécies que possuem órgãos de reserva. em pequenas doses. Os principais herbicidas utilizados com essa finalidade são glyphosate. Nesse caso.1 . A eliminação da vegetação pode ocorrer pelo emprego de práticas mecânicas ou por meio de controle químico com herbicidas. O objetivo deste controle é reduzir a competição das plantas daninhas e possibilitar condições ideais ao rápido estabelecimento e desenvolvimento da forrageira. paraquat. A seguir será abordado o manejo de plantas daninhas em pastagens utilizando-se herbicidas. a utilização de herbicidas no controle de plantas daninhas tem se mostrado uma prática economicamente viável. como: conhecimento das condições de degradação da pastagem e decisões conjuntas para sua recuperação.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas maioria dos casos. Quando a forrageira (monocotiledônea) estiver se estabelecendo na área e surgirem plantas daninhas dicotiledôneas. desde que inserida em um manejo adequado de controle de plantas daninhas e recuperação da pastagem. sendo necessário o emprego conjunto do controle químico com herbicidas sistêmicos (Quadro 2). identificação correta das plantas daninhas (espécie. não possuindo torrões e tocos. o emprego do controle químico se faz necessário. uma vez que estes produtos são seletivos às gramíneas (Quadro 2).4. atividade metabólica e densidade de infestação). 2. diquat. com posterior implantação da forrageira. estádio de desenvolvimento. conhecimento do tipo da forrageira. Módulo 3. biologia.4-D.6 .Uso de herbicidas na reforma e formação de pastagens Na reforma de pastagens ocorre a necessidade da destruição da vegetação da área. também em estádios iniciais de desenvolvimento. cabendo ao controle químico apenas auxiliar quando necessário. o emprego de reguladores de crescimento.

4-D. como adubação e calagem. o primeiro passo é a eliminação da competição pelas plantas daninhas. como o 2.6 . 2. como o tebuthiuron (Quadro 2). A recuperação da pastagem demanda menor custo e possibilita a obtenção mais rápida de pasto. que impõem dificuldades na pulverização ou mesmo no corte. os arbustos com muitos espinhos. A ausência da complementação do controle químico com o controle cultural inviabiliza essa tecnologia. triclopyr e tebuthiuron (Quadro 2). mesmo que os herbicidas sejam eficazes no controle das espécies infestantes. o controle de plantas daninhas é fundamental para a sustentabilidade do sistema de produção.4-D + picloram. Entretanto.Manejo de plantas daninhas em pastagens . do nível de infestação de plantas daninhas. 2.3 . A ausência de condições adequadas ao desenvolvimento da forrageira proporciona o restabelecimento das plantas daninhas na área. Práticas culturais adequadas.4. por possibilitar condições adequadas ao desenvolvimento da forrageira. da espécie da forrageira. uma vez que implica disponibilizar condições adequadas ao restabelecimento e desenvolvimento da forrageira já implantada na área. A eliminação de reboleiras de plantas daninhas perenes e arbustivas pode ser realizada com aplicação localizada nas folhagens. utilizando-se para isso o picloram. tornando esta competitiva e dificultando o estabelecimento de plantas daninhas. fluroxipir + picloram e triclopyr (Quadro 2). o que pode ser realizado pelo emprego de herbicidas. das espécies de plantas daninhas presentes na área e do nível tecnológico empregado pelo pecuarista. 260 Módulo 3.Uso de herbicidas na manutenção de pastagens O manejo adequado da pastagem é o principal fator responsável por sua longevidade e produtividade. como: 2. A prática da recuperação é dependente. através de produtos seletivos às gramíneas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2. Devese manter a pastagem sem pastoreio por um período de tempo após as práticas suficiente para recuperação desta.4-D + picloram.: na pindoba) ou mesmo no toco recémcortado de arbustos e árvores. ainda. podem ser eliminados pela utilização de produtos granulados espalhados no solo na projeção da copa.Uso de herbicidas na recuperação de pastagens A recuperação de pastagens é caracterizada pelo retorno às condições de produção destas sem ocorrer destruição da forrageira ou mesmo o revolvimento do solo. são componentes fundamentais no sucesso do manejo de plantas daninhas e na recuperação da forrageira.4-D + picloram. a fim de proporcionar condições adequadas de restabelecimento da forrageira. 2. É dependente da população adequada de plantas forrageiras na área e da viabilidade do seu sistema radicular. fluroxipir + picloram. Eles possibilitam condições de rápida recuperação da pastagem e melhor aproveitamento do adubo e da calagem pela forrageira. Os herbicidas podem ser utilizados para eliminar as plantas daninhas.4-D. Dentre os vários componentes do manejo de pastagens.4. 2. fluroxipir + picloram e triclopyr (Quadro 2). quando comparada à formação ou mesmo à reforma. Na prática da recuperação das pastagens. ou seja. no meristema apical (ex.2 . presença de comprometimento da fertilidade do solo com manutenção da integridade da forrageira.

Quadro 2 – Principais herbicidas recomendados na cultura das pastagens Nome técnico Nome comercial Observações Aplicação (pós-emergência) em área total em forrageiras monocotiledôneas controlando seletivamente as espécies dicotiledôneas. Controla várias espécies de gramíneas e dicotiledôneas anuais. Por ser herbicida não-seletivo. como tomate. Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas. que possuem persistência neste e no solo. café. jurubeba (Solanum paniculatum). tomate. picão-branco (Galinsoga parviflora). erva-moura (maria preta) (Solanum nigrum). trapoeraba (Commelina spp.4-D nessas plantas. poaia (Richardia spp. ou cultivadas em área tratada por um período inferior à sua carência. usá-lo em mistura no tanque do pulverizador. picão-preto (Bidens pilosa). estando estas em estádio inicial de desenvolvimento.). serralha (Sonchus oleraceus). podendo causar sérios danos a culturas sensíveis adubadas com o esterco. não ocasionando a morte delas em aplicação isolada. com glyphosate.).) e aguapé (Eichornia crassipes) Utilizado na renovação das pastagens. soja. Deve ser aplicado preferencialmente nos estádios iniciais de desenvolvimento das plantas daninhas. glyphosate potássico ou sulfosate. ao pastoreio da área. porém não elimina as plantas perenes. Nabo-bravo (Brassica rapa). entre outras. Recomenda-se aplicálo com ponta de pulverização que produza boa cobertura foliar.).). Controla plantas de folhas largas anuais e algumas perenes. carrapicho-de-carneiro (Acanthospermum hispidum). Nabiça (Raphanus raphanistrum). Também é utilizado na dessecação para o plantio direto em pósemergência das plantas daninhas. corriola (lpomoea spp). batata. Deve-se atentar para o efeito da deriva para culturas altamente sensíveis próximo à área de pulverização. mamona (Ricinus communis). joá (Solanum spp. devendo ser aplicada a mistura de 2. previamente. cordãode-frade (Leonotis spp. visando redução das doses e maior eficiência de controle. 2.6 . No controle em área total procede-se. devido ao rápido metabolismo do 2.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Deve-se atentar para a manutenção da pastagem livre de pastoreio no momento e também por um período de tempo após a aplicação dos herbicidas. beldroega (Portulaca oleracea). não pode ser aplicado sobre a forrageira.). Na dessecação para o sistema de plantio direto.Manejo de plantas daninhas em pastagens 261 . guanxuma (Sida spp. flor-roxa (Echium plantagineum). feijão. de ação por contato.4-D Diversos Diuron + Gramocil paraquat Módulo 3. Mostarda (Brassica campestre). dente-de-leão (Taraxacum officinale). Plantas daninhas controladas: amendoim-bravo (Euphorbia spp). com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. caruru (Amaranthus sp. melão-de-são-caetano (Momordica charantia).4-D com picloram. mastruço (mentruz) (Coronopus didymus). Esta prática também reduz a contaminação do esterco dos animais com esses herbicidas. alface e outras hortaliças. em infestações mistas (de gramíneas e dicotiledôneas). mentrasto (Ageratum conyzoides). Não aplicar em plantas daninhas perenes adultas. como: algodão. para matar as plantas daninhas anuais (monocotiledôneas e dicotiledôneas). que não se reproduzem por partes vegetativas. objetivando a recuperação da forrageira. em área total.

3% v. batata. Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas. Plantas daninhas controladas: assa-peixe branco (Vernonia polyanthes).4-D e para controlar arbustos e árvores. Plantas daninhas controladas (*aplicação no toco recém-roçado): amendoim-bravo (Euphorbia paniculata). ao pastoreio da área.6 . café. assapeixes (Vernonia spp. samambaia (Pteridium aquilinum). erva-lanceta (Solidago microglossa). carqueja (Bacharis trimera). Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos. como: algodão. previamente. espinilho (Fagara praecox). Aplicação em pós-emergência em área total ou localizada. maria-mole (Senecio brasiliensis). soja. É utilizado no controle de plantas herbáceas tolerantes ao 2. Utilizar surfatantes (0. tomate. batata.). Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos. Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso). arranha-gato* (Acacia sp.4-D + Mannejo picloram 2. Deve-se atentar para o efeito da deriva para culturas altamente sensíveis próximo à área de pulverização. como: algodão. canelade-perdiz (Croton glandulosus) e mata-pasto (Eupatorium maximilianii) e outras. Deve ser realizado durante a estação das chuvas. buva (Erigeron bonariensis). Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos. mio-mio (Baccharis coridifolia). previamente. tomate. Deve-se atentar para o efeito da deriva. No segundo caso. entre outras. o de aplicação no toco recém-roçado. principalmente em pulverizações aéreas que devem ser realizadas no mínimo a 2. aguapé (Eichordia crassipes).v Aterbane ou 0.2 a 0.3% de óleo mineral). caraguatá (Erygium spp). guanxumas (Sida spp. erva-de-bicho (Polygonum punctatum). feijão. fumeiro (Solanum sp). malva-branca (Sida cordifolia).v. com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. No controle em área total procede-se.4-D 262 Módulo 3. e Sharnkya sp.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Utilizar surfatantes 0.Manejo de plantas daninhas em pastagens .000 metros de distância de culturas sensíveis. quando as plantas se encontram em pleno vigor vegetativo.). em pleno vigor vegetativo. joá (Solanum sisymbrifolium). na erradicação de arbustos ou árvores isoladas utiliza-se o método da pulverização da copa ou. Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas. 2. feijão.25% v. No controle em área total procede-se. a aplicação deve ser realizada cerca de 40 dias após a emergência das plantas daninhas. capixingui (Croton floribundus). deve-se roçar as plantas daninhas e esperar a rebrota vigorosa e bem enfolhada (30 a 40 cm para plantas herbáceas e 1 m para semilenhosas) para posterior aplicação. cheirosa (Hyptis suaveolens). entre outras.). jurubeba (Solanum paniculatum). Caso contrário. ao pastoreio da área. tojo (Ulex europaeus) e trançagem (Plantago major). cambarazinho (Eupatorium laevigatum). preferencialmente. pulveriza-se por via terrestre ou aérea toda a área ou as reboleiras mais infestadas. No primeiro caso. timbó* (Serfania sp). cajussara (Solanum spp. com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. guanxuma (Sida rhombifolia).20 a 0. leiteiro* (Peschiera fuchsiaefolia). fedegoso (Senna obtusifolia). Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso).4-D + Tordon picloram 2. É utilizado na reforma e recuperação da pastagem no controle de plantas daninhas dicotiledôneas herbáceas e semi-arbustivas. soja. café.). picão-preto (Bidens pilosa).

Aplicação em pósemergência em área total ou localizada. vassourinha (Sida santaremnensis). Por ser um herbicida sistêmico. Fluroxipir Plenum + picloram Glyphosate diversos Módulo 3. Em pastagem. deve-se evitar o contato com as forrageiras.). previamente.5% v. com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. mata-pasto (Eupatorium maximilianii). principalmente para uso em áreas infestadas por plantas de difícil controle.2 a 0. por ser fortemente sorvido ao solo e não possuir efeito residual. As plantas daninhas devem estar em pleno desenvolvimento vegetativo. No controle em área total procede-se. Requer período de 4-6 horas sem chuvas após sua aplicação. Evitar deriva deste produto para culturas altamente sensíveis. angiquinho* (Parapiptadenia sp). malva branca (Sida cordifolia). A dose recomendada depende das espécies e do estádio de desenvolvimento destas. ainda. controla plantas daninhas dicotiledôneas herbáceas semi-arbustivas e arbustivas. estando estas em boas condições metabólicas. assa-peixe branco do cerrado* (Vernonia ferruginea). roseta* (Randia armata. guanxuma (Sida rhombifolia). entre outras. (*Em algumas condições ocorre a exigência de repasse no segundo ano com a aplicação de picloram no toco recém-roçado). Aplicar em pós-emergência das plantas daninhas. Neste caso. Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Utilizar surfatante 0. Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente.v. Bauhinia variegata). Este herbicida não impõe restrições quanto à escolha das culturas subseqüentes. joá (Solanum viarum). Controla de forma não-seletiva plantas daninhas mono e dicotiledôneas. café. ou reverter o terreno para outras culturas. controla plantas daninhas perenes e com órgãos de reserva. batata. evitando a rebrota destas após o revolvimento do solo. jovens ou adultas. quando se pretende renová-la. tomate.4-D. ao pastoreio da área. feijão. aroeirinha* (Schinus terebenthifolius). plantas de cerrado ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso). soja. mamica-de-porca* (Fagara rhoifolium). como: algodão.3% v. malvão (Triunfetta bartramia). para assegurar sua absorção. Plantas daninhas controladas: assa-peixe-branco (Vernonia polyanthes). em aplicações localizadas para controlar plantas em reboleiras.6 . guatanbú* (Aspidosperma sp. dependendo da formulação utilizada. usa-se para destruí-la. por não ser seletivo a elas.Manejo de plantas daninhas em pastagens 263 .v ou óleo mineral 0. Pode ser utilizado. É comum sua mistura ao 2. Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos. assa-peixe-roxo (Vernonia westiniana).

jurubeba (Solanum paniculatum) e outras. que apresentam engrossamento visível próximo à superfície do solo. entre outras. deve-se aplicar o produto sobre o solo ao redor do toco. Controle de guatambu (Aspidosperma sp.6 .aplicação de Garlon 5. Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas. cuidando para atingir o mínimo possível as folhas da forrageira.) e outras brotações de cerrado .0% v. leiteiro (Peschiera fuchsiaefolia). No controle em área total procede-se. não impondo restrições quanto a culturas subseqüentes.) pata-de-vaca (Bauhinia variegata e Parapiptadenia sp. cambará (Lantana camara). objetivando-se atingir o seu sistema radicular. com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. Evitar deriva deste produto para culturas altamente sensíveis. médio e grande porte. em pastagens infestadas densamente por plantas daninhas de pequeno.v de Garlon em óleo diesel para cada metro de altura desta planta. espinilho (Acacia farnesiana). aroeirinha (Schinus terebenthifolius). camboatá (Tapirira guianensis). plantas de cerrado ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso). Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente. Plantas daninhas controladas: arranha-gato (Acacia plumosa). Em plantas com toco de diâmetro inferior a 3 cm. molhando bem todo o toco até atingir o ponto de escorrimento.0% v. esta pode ser aérea ou terrestre. O produto deve ser aplicado imediatamente após o corte. ao pastoreio da área. soja. deve-se corta-las com enxadão abaixo do nível do solo e posteriormente aplicar o produto em caule e raízes decepadas até o ponto de encharcamento.v em óleo diesel a baixa pressão no terço final do caule. Aplicar o produto molhando bem e uniformemente toda a folhagem da planta. Em plantas que possuem engrossamento do caule abaixo do nível do solo (ex. Plantas daninhas controladas: erva-quente (Borreria alata). queimada). Não adicionar óleo diesel nem surfatantes. A aplicação deve ser realizada diretamente no meristema apical da planta. mesmo que a altura esteja abaixo da roçada recente. Os caules mais grossos devem ser rachados em cruz para proporcionar a maior absorção do produto. Deve-se utilizar ponta de pulverização do tipo cone cheio. tomate. deve-se fazer o corte abaixo do engrossamento da raiz da última roçada. assa-peixe (Vernonia polyanthes). Roçar as plantas daninhas a serem controladas com foice o mais próximo possível do solo.Manejo de plantas daninhas em pastagens . A aplicação deve ser realizada em plantas com desenvolvimento adequado. Para plantas velhas. Não realizar aplicação em plantas secas e com atividade metabólica reduzida (estresse hídrico acentuado.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Controle eficiente da pindoba (Orbinea speciosa) – 10 mL da solução 4. devem-se aplicar 15 a 20 mL por planta. batata. apresentando meiavida no solo de 20 a 45 dias. café. pata-de-vaca (Bauhinia variegata) e ciganinha (Memora peregrina). como: algodão. Em plantas já roçadas anteriormente. roçadas várias vezes. mamica-de-porca (Machaerium aculeatum). previamente. Aplicação deve ser localizada no toco recém-roçado. Na aplicação em área total não se deve utilizar óleo diesel. localizado no centro da projeção das folhas mais novas. Triclopyr Garlon Picloram Padron 264 Módulo 3. aproximadamente 30-40 cm acima do nível do solo (cerca de 20 mL por planta).: ciganinha). espinho-agulha (Barnadesia rosea). O produto é rapidamente degradado. dependendo do tipo de solo e das condições climáticas. para evitar perda do produto. que deve ficar o mais próximo possível no momento da aplicação. feijão.

mangueirinha ou camboatá-do-cerrado (Tapirira guianensis).). assa-peixe-do-cerrado (Gochnatia polymorpha). arranha-gato ou unha-de-gato (Acacia plumosa). ou localizada nas reboleiras de infestantes que se pretende eliminar. espinho-agulha (Chuquiragua tomentosa). esporão-de-galo (Celtis glycicarpa). como soja. nível tecnológico do pecuarista e herbicida utilizado. pereiro (Aspidosperma eburneum). espécie infestante. folha-de-santana (Vernonia ferruginea). chirca (Eupatorium bonifolium). aroeirinha (Schinus terebinthifolius). algodão. limãozinho ou juvu (Acanthocladus brasiliensis). sendo elas dependentes das condições de infestação. cipó-prata (Banisteria metalicolor). Plantas daninhas controladas: gramão ou grama-batatais (Paspalum notatum). veludo-vermelho (Chomelia pohliana). portanto. No entanto. os danos tendem a desaparecer num período de 6 a 12 meses. Devido ao modo de absorção e translocação do herbicida.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Formulação granulada aplicada a lanço. a aplicação não deve ser feita em arbustos roçados ou queimados recentemente. cansanção ou urtigão (Cnidosculus urens). pois esta é importante para melhor absorção do herbicida e conseqüentemente agilizará o processo de morte desse arbusto. jurubeba (Solanum fastigiatum). fumo. café-de-bugre (Solanum caavurana). leiteiro-vermelho (Chrysophyllum marginatum). espinho-agulha (Barnadesia rósea). malícia ou dorme-dorme (Mimosa invisa). assa-peixe-do-pará. em ambos os casos. Deve-se evitar a aplicação sobre ou perto de culturas anuais suscetíveis. resultados mais rápidos e eficientes serão obtidos quando a aplicação for realizada pouco antes (ou no início) do período chuvoso (julho a dezembro nas regiões Sul e Centro-Oeste). leiteiro (Peschiera fuchsiaefolia). assa-peixe. para reduzir os efeitos negativos à forrageira. feijão. tomate. carqueja (Bacharis trimera). fumo-bravo (Solanum verbascifolium). pepino e outras. os arbustos devem apresentar bom desenvolvimento foliar. a área é caracterizada pela infestação menor do Módulo 3. A localizada é denominada catação e constitui-se na eliminação de arbustos agrupados. A distribuição do produto deve ser uniforme na área. taboca (Guadua angustifólia). limão-bravo (Soliva sessilis). operação na ocasião do controle (reforma. seu efeito restringe-se ao local de aplicação. lobeira (Solanum lycocarpum). devendo. distribuindo-se os grânulos na projeção da copa. bem como de árvores frutíferas. embaixo da copa dos arbustos indesejáveis (plantas com espinhos e outras). No caso de aplicação em área total. entretanto. ou. É aplicado em dose única em qualquer época do ano. as culturas rotacionais poderão ser plantadas no mínimo 3 anos após a aplicação do herbicida. Não aplicar o produto em florestas ou reservas naturais. quando em aplicação localizada. Tebuthiuro Graslan n São várias as maneiras de aplicação de herbicidas em pastagens. mamica-de-porca (Fagara hiemalis) e tarumã (Vitex sp.6 . Em caso de lesões ocasionadas principalmente pela maior concentração localizada do produto. animais domésticos e pessoas desprotegidas por um período de 7 dias após a aplicação do produto. recuperação e manutenção). assa-peixebranco. com granuladeira ou por via aérea. o aplicador proteger-se com equipamento de proteção adequado (luvas impermeáveis e outros). Usa-se em cobertura total do terreno. capa-bode (Melochia tomentosa). É recomendado para solos arenosos e areno-argilosos. roseta ou limãozinho-de-goiá (Randia armata). cruzeta (Strychnos parvifolia). esporão-de-galo (Pisonea aculeata). formação. cega-jumento ou cajussara (Solanum rugosum). Mantenha afastados das áreas de aplicação crianças.Manejo de plantas daninhas em pastagens 265 . A aplicação foliar pode ser localizada ou em área total. Após a aplicação deste produto não se recomenda eliminar a parte aérea do arbusto de que se deseja o controle. assa-peixe-roxo (Vernonia scabra). ainda.

A principal vantagem da aplicação aérea é o alto rendimento operacional. podendo ser realizada com pulverizador de barra. tendo como objetivo aumentar a suscetibilidade das plantas daninhas aos herbicidas. canhão ou avião (aérea). ou mesmo um pulverizador tratorizado adaptado com várias saídas de pontas. Essa forma de pulverização possui alto rendimento operacional e exigência baixa de mão-de-obra. direcionadas por trabalhadores que acompanham o trator. denominado Burro Jet. Deve-se cuidar quanto à deriva próximo a áreas agrícolas. pelas exigências quanto a monitoramento sistemático das condições meteorológicas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas que 40% e disposta em reboleiras. pode-se realizar a aplicação basal. A aplicação em área total é feita em áreas com infestação acima de 40% e está condicionada à topografia adequada da área. Esta prática demanda maior nível tecnológico do pecuarista. É utilizado no controle de arbustos com espinhos e com arquitetura de galhos bem fechados. caracterizada pela deposição do herbicida granulado no solo na projeção da copa da planta daninha. Os pulverizadores utilizados são o costal tracionado por uma pessoa. permitindo a mecanização com o trator. uma vez que a maioria das culturas anuais e perenes é altamente sensível aos herbicidas reguladores de crescimento utilizados em pastagens.6 . Outra forma de aplicação de herbicidas é em toco recém-roçado. A aplicação aérea é recomendada em grandes áreas que possuem obstáculos à pulverização tratorizada. Todavia. podendo pulverizar até 300 ha por dia. o pulverizador tracionado por animal. 266 Módulo 3. em condições que impõem restrições à aplicação foliar ou ao corte dos arbustos. necessidade de pista de pouso próximo à área e topografia adequada à pulverização aérea.Manejo de plantas daninhas em pastagens .

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