ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

PROTEÇÃO DE PLANTAS

Módulo 3 Manejo de plantas daninhas
Tutores: Profº Dr.Antonio Alberto da Silva (UFV-MG) Profº Dr. José Ferreira da Silva (FUA-AM) Profº Dr. Francisco Affonso Ferreira (UFV-MG) Profº Dr. Lino Roberto Ferreira (UFV-MG)

Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Universidade Federal de Viçosa - UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia

Brasília - DF 2006
Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas 1

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Ficha Catalográfica Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Controle de plantas daninhas. Tutores: Antônio Alberto da Silva; [e outros]; colaboração de José Ferreira da Silva, Francisco Affonso Ferreira, Lino Roberto Ferreira - Brasília, DF: ABEAS; Viçosa, MG: UFV; 2006. 268.: il (ABEAS. Curso Proteção de Plantas. Módulo 3 - 3.1;3.2;3.3;3.4;3.5,3.6). Inclui bibliografia. 1. Plantas daninhas - controle. I.Silva, Antônio Alberto, 1950 - II. Silva, José Francisco da. III.Ferreira, Francisco Afonso. IV.Ferreira, Lino Roberto. V.Silva, José Ferreira da. VI. Oliveira Júnior, Rubem Silveríco de. VII. Vargas, Leandro. VIII. Universidade Federal de Viçosa. IX. Título É proibida a reprodução total ou parcial deste módulo Direitos reservados a ABEAS e ao autor

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Módulo 3: 3.1 - Biologia e métodos de controle

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Sumário
Módulo 3.1 – Biologia e métodos de controle, 04 Módulo 3.2 – Herbicidas: classificação e mecanismos de ação, 48 Módulo 3.3 – Herbicidas: absorção, translocação, metabolismo, formulação e misturas, 102 Módulo 3.4 – Herbicidas: comportamento no solo, 135 Módulo 3.5 – Herbicidas: resistência de plantas, 196 Módulo 3.6 – Manejo de plantas daninhas em pastagens, 235

Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas

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ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

PROTEÇÃO DE PLANTAS

Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas 3.1 - Biologia e métodos de controle
Tutores: Profº. Antonio Alberto da Silva Profº. Francisco Affonso Ferreira Profº. Lino Roberto Ferreira Profº. José Barbosa dos Santos

Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Universidade Federal de Viçosa - UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia

Brasília - DF 2006
4 Módulo 3.1 - Biologia e métodos de controle

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Sumário

Introdução, 06 1 - Planta daninha, 07 1.1 - Prejuízos causados pelas plantas daninhas, 08 1.1.1 - Prejuízos diretos, 08 1.1.2 - Prejuízos indiretos, 09 1.2 - Origem, estabelecimento e propagação das plantas daninhas, 10 1.3 - Classificação das plantas daninhas, 15 1.3.1 - Características práticas para reconhecimento das principais famílias de plantas daninhas, 16 1.4 - Características de agressividade das plantas daninhas, 18 2 - Competição entre plantas daninhas e culturas, 19 2.1 - Fatores do ambiente passíveis de competição, 20 2.1.1 - Competição por água, 23 2.1.2 - Competição por luz, 25 2.1.3 - Competição por CO2, 28 2.1.4 - Competição por nutrientes, 28 3 – Alelopatia, 30 3.1 - Alelopatia das plantas daninhas sobre as culturas e plantas daninhas, 31 3.2 - Alelopatia entre culturas, 32 3.3 - Alelopatia das coberturas mortas, 32 4 - Competição e período crítico de competição, 33 5 - Métodos de controle de plantas daninhas, 36 5.1 - Controle preventivo, 36 5.2 - Controle cultural, 37 5.3 - Controle mecânico ou físico, 37 5.4 - Controle biológico, 39 5.5 - Controle químico, 40 6 - Manejo integrado de plantas daninhas (mipd), 42 Referências bibliográficas, 45

Módulo 3.1 - Biologia e métodos de controle

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técnicas de biologia molecular e sensoriamento remoto. é uma ciência multidisciplinar que depende de conhecimentos de botânica. envolvendo principalmente conhecimentos nas áreas de morfologia e fisiologia. ou seja. Com relação aos defensivos agrícolas. e a mão-de-obra rural existente é escassa e de baixa qualidade. na região produtora de alimentos do Brasil. mecanização agrícola. ao imazaquin. física e química do solo.Biologia e métodos de controle . o estudo das plantas daninhas é dinâmico. Cerca de 92% da população. 2005). como exemplos. Devido à dificuldade de se encontrar mão-de-obra no campo. a eletricidade. para uma população crescente de consumidores e decrescente de produtores. isoenzimas e RAPD (biotecnologia) e sensoriamento remoto também são úteis na identificação de plantas daninhas. Os estudos de ecologia e da toxicologia humana e animal são conduzidos. cuidados técnicos 6 Módulo 3. Novas técnicas estão sempre sendo pesquisadas e incorporadas. Em algumas culturas. A demanda cada vez maior de alimentos. de milho. principalmente. o uso de herbicidas tornou-se prática indispensável. economicidade do controle químico. o ultra-som. cerca de 20-30% do custo de produção refere-se ao controle de plantas daninhas. com ajuda da física. as microondas e o raio laser estão sendo avaliados como futuros métodos de controle. além da eficiência e. Como toda ciência. destaca a importância da eficiência do controle de plantas daninhas. em que os herbicidas correspondem a mais de 50% do volume total comercializado (ANDEF. vive hoje nas cidades. é extremamente simples. como cana-de-açúcar. esse percentual é ainda maior. deve utilizar menos mão-de-obra para produção de maior quantidade de alimentos. sendo mais eficientes no controle de plantas daninhas específicas e com doses cada vez mais baixas. ao amônio-glufosinato.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução Para um leigo. Assim. o Brasil dispõe de um dos maiores mercados do mundo. toda e qualquer técnica de manejo de plantas daninhas somente terá sucesso se for aplicada levando-se em conta conhecimentos detalhados da biologia das plantas infestantes da área. São necessários. Na verdade. mecânicos ou químicos. usando métodos manuais. entretanto. climatologia. fitotecnia. visando o melhoramento de culturas para resistência a herbicidas. etc. Muitos estudos estão sendo conduzidos em genética. fibras e energia. química orgânica. simultaneamente. no momento preciso e na quantidade necessária. bioquímica. Em termos médios. sendo um dos primeiros no "ranking" de vendas de agrotóxicos. Em razão disso. Os novos herbicidas estão cada vez mais seguros para o ambiente e o homem. biologia. de arroz. fisiologia vegetal.1 . o controle de plantas daninhas. estão sendo desenvolvidos trabalhos objetivando a criação de cultivares de soja resistentes ao glyphosate. antes do lançamento de qualquer herbicida. Todavia. o produtor deve ser mais eficiente.

é um típico setor de tecnologia de ponta e. Numa cultura. Como exemplos. citado por Fischer (1973). ou. são vários os conceitos de planta daninha: Shaw (1956). promovendo a reciclagem de nutrientes. plantas tóxicas em pastagens. Para Beal. pois estas. Neste programa. na sua essência. qualquer planta estranha que vier a afetar a produtividade e. para se obter um controle que seja eficiente. etc. físico. à água e aos organismos não-alvos. todos os conceitos baseiam-se na sua indesejabilidade em relação a uma atividade humana. sendo recomendado sempre um programa de controle integrado. cultural. podem-se citar espécies altamente competidoras com culturas sendo extremamente úteis no controle da erosão. biológico e químico). em determinadas situações.Planta daninha Definir planta daninha nem sempre é fácil. no seu processo. etc. Segundo Rodrigues e Almeida (2005). a qualidade do produto produzido ou interferir negativamente no processo da colheita é considerada daninha. afirma que planta daninha é qualquer planta que ocorre onde não é desejada. plantas estranhas no jardim. Na verdade. plantas ao lado de refinarias de petróleo. Entretanto. um campo no qual está muito presente o desafio maior do agronegócio brasileiro. 1 .1 . Embora não se possa dizer que uma planta. as condições ambientais e o nível cultural do proprietário. Por esse motivo. Fischer (1973) apresenta duas definições: “plantas cujas vantagens ainda não foram descobertas” e “plantas que interferem com os objetivos do homem em determinada situação”. servindo como planta medicinal. por exemplo. como. os equipamentos disponíveis na propriedade. uma planta só deve ser considerada daninha se estiver direta ou indiretamente prejudicando uma determinada atividade humana. algumas têm sido consideradas plantas Módulo 3. seja daninha. Deve-se ressaltar que o herbicida é considerado apenas uma ferramenta a mais no manejo de plantas daninhas. podem ser extremamente úteis. mecânico. Cruz (1979) salienta que é uma planta sem valor econômico ou que compete.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas para atingir a máxima eficiência com o mínimo impacto negativo ao solo. pelo solo. como a presença do milho em cultura da soja e da aveia em cultura do trigo. num conceito mais amplo. hoje. com o homem. sustentabilidade e eqüidade. por isso mesmo. Uma planta cultivada também pode ser daninha se ela ocorrer numa área de outra cultura. Uma planta pode ser daninha em determinado momento se estiver interferindo negativamente nos objetivos do homem.Biologia e métodos de controle 7 . levando-se em consideração as espécies daninhas infestantes. os conceitos de competitividade. que é o de conciliar. plantas interferindo no desenvolvimento de culturas comerciais. o tipo de solo. o controle químico de plantas daninhas. é uma planta fora de lugar. porém esta mesma planta pode ser útil em outra situação. econômico e que preserve a qualidade ambiental e a saúde do homem. por exemplos. fornecendo néctar para as abelhas fabricarem o mel. associam-se os diversos métodos disponíveis (preventivo. a topografia da área. citado por Marinis (1972). devido à evolução e complexidade que atualmente atingiu a Ciência das Plantas Daninhas.

quando presentes em pastagens.Prejuízos diretos As plantas daninhas. capim-massambará (Sorghum halepense) e feijão-miúdo (Vigna ungiculata). como é o caso de mudas cítricas produzidas em viveiro infestado com tiririca (Cyperus rotundus). tubérculos de tiririca se desenvolvendo dentro tubérculos de batata (Fig. c) Podem intoxicar animais domésticos. as plantas daninhas causam outros prejuízos diretos. como leiteiro (Euphorbia heterophylla). sementes de carrapicho-de-carneiro (Acanthospermum hispidum) aderidas à lã. rizomas. que são atributos que facilitam a perpetuação da espécie. raízes.Prejuízos causados pelas plantas daninhas 1. d) Apresentam dormência e germinação desuniformes. etc. como: a) Não são melhoradas geneticamente. as quais são facilmente dissemináveis por animais. etc. As comuns são aquelas que não possuem habilidade de sobreviver em condições adversas. Por exemplo: cafezinho (Palicourea marcgravii). impedirem a certificação de mudas em torrão. c) São rústicas quanto ao ataque de pragas e doenças. Além da redução da produtividade das culturas. ainda.1 . Esses valores tornam-se ainda mais significativos na agricultura moderna. arroz-vermelho (Oryza sativa). 1). cerca de 20-30% do custo de produção de uma lavoura se deve ao custo do controle das plantas daninhas. pois. capazes de se multiplicar por diversas maneiras (sementes. onde se exige perfeito controle das plantas para melhor eficiência das máquinas colheitadeiras. tubérculos. b) Crescem em condições adversas. b) São responsáveis pela não-certificação das sementes de culturas. as plantas de trigo que surgirem das sementes remanescentes no solo passam a ser consideradas daninhas à cultura da soja.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas daninhas comuns e outras plantas daninhas verdadeiras. etc. se todas as sementes germinassem de uma só vez. seria fácil erradicar uma espécie daninha. cavalinha (Equisetum 8 Módulo 3. oficial-de-sala (Asclepias curassavica). sementes de capim-carrapicho (Cenchrus echinatus) junto ao feno. Por exemplo.1. furtam energia do homem. também.Biologia e métodos de controle . Possuem habilidade de produzir grande número de sementes por planta. É comum. na realidade. Muitas espécies de plantas daninhas são. geralmente com facilidade para disseminação pelo vento. que produz até 42. por misturas de sementes. quando estas são colhidas junto com sementes de determinadas espécies de plantas daninhas proibidas. bulbos. folhas. num plantio rotacional trigo/soja.) 1.000 sementes por planta. pêlo de animais. por máquinas. água. por exemplo: a) Reduzem a qualidade do produto comercial. Exemplo: Desmodium totuosum. São exemplos a presença de sementes de picão-preto (Bidens pilosa) junto ao capulho do algodão. As consideradas verdadeiras possuem características especiais que permitem fixá-las como infestantes ou daninhas.1 . Em média. etc.1 .

Sida micrantha. Figura 1 . ainda. etc.2 . prejudicar ou mesmo até impedir a realização de certas práticas culturais e a colheita. Ela produz cerca de 5. Esta última é a pior invasora para milho. que germinam e parasitam as raízes do milho. Módulo 3.000 sementes por planta. Ipomoea aristolochiaefolia. além dos prejuízos diretos que causam às culturas. que é hospedeiro do vírus do mosaico da cana-de-açúcar. Outro exemplo de espécie de planta daninha que causa prejuízos diretos e indiretos é a Mucuna pruriens. d) Algumas espécies exercem o parasitismo em citros. florescem rapidamente e iniciam novamente o ciclo parasitário. Sida santaremnensis. São exemplos destas espécies a corda-de-viola (Ipomoea grandifolia. Sida cordifolia. como o mosaico-dourado do feijoeiro. que é transmitido pela mosca-branca após ter se “alimentado” de espécies do gênero Sida (Sida rhombifolia. podem. milho e plantas ornamentais. Capimcarrapicho (Cenchrus echinatus). durante a operação da colheita. Algumas espécies. os nematóides: mais de 50 espécies de plantas daninhas hospedam Meloydogyne javanica e Heterodera (nematóide-do-cisto da soja).1 . esta espécie daninha dificulta tremendamente a colheita manual.1. carrapicho-de-carneiro (Acathospermum hispidum). Ipomoea purpurea e outras desse gênero). algodoeirobravo (Ipomoea fistulosa). Outro exemplo é o capim-massambará (Sorghum halepense). feijão e cana-de-açúcar. arranha-gato (Acassia plumosa) e outras plantas espinhosas podem até impedir a colheita manual das culturas. Estas diminuem a eficiência das máquinas e aumentam as perdas durante a operação da colheita até mesmo quando em infestação moderada nas lavouras. Sida glaziovii. os tricomas de suas folhas se rompem a um leve contato e liberam toxinas que causam inflamação na pele do trabalhador. chibata (Arrabidae bilabiata) e outras que podem causar a morte de animais.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas piramidale).). pois. causado por um vírus à cultura do feijão. ainda não introduzida no Brasil. samambaia (Pteridium aquilinium). dois meses mais tarde as plantas aparecem na superfície do solo.Dano em batata inglesa devido à penetração e ao desenvolvimento de tuberculos de tiririca 1. São exemplos a erva-de-passarinho (Phoradendron rubrum) em citros e a erva-de-bruxa (Striga lutea) em milho. infestante comum em lavouras de milho.Prejuízos indiretos As plantas daninhas podem ser hospedeiras alternativas de pragas e doenças. flor-das-almas (Senecio brasiliensis).Biologia e métodos de controle 9 .

etc. separando as benéficas (denominadas plantas cultivadas) das maléficas (denominando-as de plantas daninhas). Outras espécies de plantas daninhas podem ainda reduzir o valor da terra. água. e a xerosere. ferrovias. como glaciação. as plantas daninhas originaram-se. ou seja. aguapé (Eichornia crassipes). Nestas áreas não é desejável a presença de plantas daninhas vivas ou mortas. Causam. envolvendo os complexos aspectos morfogênicos e edafoclimáticos. a disseminação das plantas daninhas pode ser feita por vento. Todavia. crescimento e desenvolvimento da planta. Vários são os diásporos. onde podem dificultar o manejo da água. As plantas daninhas podem ser disseminadas por diversos meios. o que assegura alta taxa de dispersão e restabelecimento de uma infestação. Por outro lado. Além disso. refinarias de petróleo. provavelmente. aumentando o custo da irrigação. quando presentes em áreas com culturas que apresentam pequena capacidade competitiva. Na verdade. Existem duas grandes teorias: a hidrosere. animais. que se constitui num grande disseminador de tais plantas. etc. segundo a qual a vida teve origem em terra firme.Biologia e métodos de controle . porque ele é quem cria o ambiente favorável a elas. rizomas. prejudicando a pesca. o funcionamento de usinas hidrelétricas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas As plantas daninhas. Musik (1970) salienta que o homem é. inicialmente. como hipocótilo. Normalmente. como o é. etc. estabelecimento e propagação das plantas daninhas De acordo com Musik (1970) e Fischer (1973). o estabelecimento envolve o processo de germinação da semente. Do ponto de vista morfofisiológico. também. também. devido ao próprio conceito de planta daninha. dificultando a manutenção de represas. elas começaram a aparecer quando o homem iniciou suas atividades agrícolas. têm o custo de controle muito elevado. dos distúrbios naturais. pois a semente é uma das vias de entrada dos herbicidas. o responsável pela evolução das plantas daninhas. etc. pelas plantas cultivadas. que afirma que a vida originou-se no meio líquido. pelos quais as plantas podem perpetuar-se tanto por via seminífera como por via vegetativa. os parques e os jardins. possuem seus mecanismos de ação ligados ao processo 10 Módulo 3.1 . Exemplos: taboa (Typha angustifolia). podem ser altamente inconvenientes em áreas não-cultivadas: áreas industriais. Os propágulos podem ser raízes. incluindo o homem.. vias públicas. as plantas daninhas produzem muitas sementes. Estas. problemas sérios em ambientes aquáticos. que apresentam duas características essenciais: dormência e reservas alimentícias.2 . tornando-se inviável economicamente. O estudo do processo germinativo das sementes é de fundamental importância para quem trabalha com o manejo de plantas daninhas. A propagação vegetativa é um mecanismo de sobrevivência de grande importância nas plantas daninhas perenes. além da competição pelos recursos do meio. o estabelecimento de uma determinada planta daninha envolve os aspectos ecológicos da agregação e migração. ação de rios e mares. muitos herbicidas atuam. além das partes das plântulas. tubérculos. como as olerícolas de modo geral. etc. caulículo. radícula. Estas são encontradas onde está o homem.Origem. 1. também. como a tiririca (Cyperus rotundus) e a losna-brava (Artemisia verlotorum). desmoronamentos de montanhas.

conforme ela seja fotoblástica positiva ou negativa. A água é necessária para que ocorra a reidratação das sementes. com o ressurgimento das atividades paralisadas ou reduzidas por ocasião da maturação da semente. As principais substâncias responsáveis pela embebição são as proteínas. O processo da germinação inicia-se. permeabilidade do tegumento à água e presença de água na forma líquida ou gasosa. por onde sairá a radícula. A embebição também é influenciada pela temperatura (temperaturas mais elevadas. Entretanto. Estas sementes permanecerão dormentes enquanto o tegumento estiver impermeável (semente dura). 1974.Biologia e métodos de controle 11 . Se a semente não estiver em estado de dormência e houver condições ambientais favoráveis. FERRI. ela entrará em processo de germinação (PROPINIGIS. temperatura adequada à espécie. o que resulta numa diminuição do estande. que perdem muita umidade por ocasião de sua maturação e secagem. É comum entre as espécies a presença do tegumento totalmente impermeável à água.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas germinativo. o qual pode atingir centenas de atmosferas. a celulose e as substâncias pécticas. menor tempo para embebição). impedindo que a planta se estabeleça. 1986. ou seja. como adequado suprimento hídrico. a germinação consiste no processo que se inicia com o suprimento de água à semente seca e termina quando o crescimento da plântula se inicia. para o desenvolvimento do eixo embrionário em plântula independente. portanto. Para que uma semente viável (condição intrínseca) possa germinar. é de duas a três vezes o peso da semente. sendo dependente dos seguintes fatores: composição química da semente. cada espécie requer uma temperatura ideal para germinação. Essas necessidades são definidas para cada espécie e estão relacionadas com o habitat de origem e com a melhor forma de preservar a espécie (normalmente as espécies daninhas somente germinam quando existem condições para sobrevivência). e para isso são necessários alguns requisitos fundamentais: estarem as sementes viáveis e as condições ambientais serem favoráveis. Em temperaturas abaixo da ótima. aumenta-se o potencial de pressão interna na membrana que envolve a semente (pressão de embebição). porque as sementes ficam por períodos prolongados nos estágios iniciais da Módulo 3. atmosfera apropriada à espécie (concentração de CO2 e O2) e luz (comprimento de onda e intensidade). é necessário o suprimento contínuo de água. são necessárias as seguintes condições ambientais favoráveis: água em quantidade suficiente. ocorre a ruptura do tegumento e saída da radícula. concentração de oxigênio e presença ou ausência de luz. para a maioria das espécies. 1985). Com a embebição. provocando o rompimento do tegumento. temperatura. A germinação da semente é a reativação dos pontos de crescimento do embrião que haviam sido paralisados nos estágios finais da maturação morfisiológica da semente. em fases seguintes à reidratação. dando origem ao que se chama de semente dura. a velocidade da germinação é menor. A embebição das sementes é um processo físico que ocorre tanto nas sementes vivas quanto nas mortas.1 . A quantidade de água necessária para reidratação. A temperatura ótima é aquela que permite a obtenção da maior percentagem de emergência no menor espaço de tempo. Do ponto de vista fisiológico. METIVIER. Normalmente. Outro fator que pode influenciar a embebição é a permeabilidade do tegumento da semente à água. As características físico-químicas das substâncias coloidais das sementes irão comandar o potencial da água nas sementes.

Há espécies cujas sementes somente germinam em regime de alternância de temperatura. Sementes desta espécie dificilmente germinam totalmente no escuro. isto é.001 segundo (sementes de fumo). É importante salientar que a sensibilidade das sementes à luz é maior quando a semente está embebida. Como exemplo desta interdependência podem-se citar as espécies do gênero Amaranthus. ocorrendo a embebição de todos os tecidos da semente e uma expansão do tegumento 12 Módulo 3. entretanto. A necessidade de luz pode variar também em função do armazenamento.Biologia e métodos de controle . Através de concentrações elevadas de CO2 consegue-se evitar a germinação e auxiliar na conservação de sementes. esta prática não é utilizada para conservação de sementes. respiração. podendo. porque uma atmosfera rica em nitrogênio parece ser mais econômica e eficiente. outras em luz contínua. O processo de germinação inicia-se. razão por que a germinação das sementes é influenciada pela composição do ar atmosférico que as envolve. com uma rápida absorção de água pelos biocolóides.1 . Em algumas espécies tem-se observado. A temperatura ótima está relacionada com as atividades das enzimas que participam dos diversos processos metabólicos que ocorrem durante a germinação e cujas ações somente se tornam eficientes em temperaturas específicas. como em sementes de alface (alta percentagem de germinação em exposição por um a dois minutos). como a grama-seda (Cynodon dactylon). A germinação. como: a) altas temperaturas. O período de exposição pode ser curto. ou. outras necessitam de breve iluminação e outras são indiferentes. como porosidade. em demasia. obtida por meio do processo de oxidação na presença do oxigênio. passam a germinar rapidamente se ocorrer alternância de temperaturas alta e baixa. necessita de energia. as sementes germinam em atmosferas com 20% de O2 e 0. Neste caso. devido à maior atividade metabólica. por se tratar de um processo que ocorre em células vivas. portanto. em regime de temperatura constante entre 25 e 30 °C. Existem espécies de plantas daninhas que somente germinam no escuro. A respiração envolve trocas de gases. esse fenômeno é semelhante ao fotoperiodismo observado para o florescimento. a fase gasosa do solo apresenta uma série de substâncias voláteis que são produzidas pelas plantas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas germinação e. que aumentam a necessidade de oxigênio pelo embrião. ficam mais suscetíveis ao ataque de microrganismos patogênicos. longo e de forma cíclica. em que a luz pode promover a germinação mesmo em temperaturas desfavoráveis. Além destes. causando crescente desorganização do mecanismo germinativo e impossibilitando que as sementes menos vigorosas completem a emergência. porcentagem de matéria orgânica. O efeito do CO2 é normalmente contrário ao do O2. pois sementes de muitas espécies não conseguem germinar quando a concentração de CO2 é muito elevada. Em algumas espécies a necessidade de luz ocorre somente após a colheita e em outras por um longo período (por um ano ou mais). ainda. a velocidade da germinação. Temperatura acima da ótima tende a aumentar. as reações envolvem o fitocromo. e b) fatores do solo. uma interdependência entre temperatura e outros fatores externos. em alguns casos. Todavia. ou muito curto. apenas flash de 0.03% de CO2. nessas condições. Em condições normais. também. ser inibidoras ou promotoras da germinação. atividade microbiana e teor de umidade. As necessidades e quantidades de 02 para germinação são influenciadas por outros fatores. profundidade de semeadura.

Biologia e métodos de controle 13 . o número de ribossomos+RNA que incorporam os aminoácidos às proteínas. porém a cultivada já não consegue viver sem ajuda do homem. verifica-se inicialmente a ativação do m-RNA preexistente. presente na semente seca. os lipídeos. a semente não germina.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas envolvente. incrementando-se a respiração e o alongamento celular. pela ação das enzimas amilases. síntese das amilases. através da ação de duas enzimas: isocitrase e sintetase do malato). O simples revolvimento do solo. os quais dependem do uso de aminoácidos. que é devida a condições intrínsecas inerentes à própria semente. No caso da dormência. frutose e maltose. as quais são essenciais para o desenvolvimento do embrião. Uma outra razão é dormência. nas primeiras 24 horas iniciais. Propinigis (1974) cita como exemplo marcante a dormência das plantas daninhas comparada à das plantas cultivadas. Outro aspecto relacionado com a semente é a quiescência. mesmo que as condições ambientes sejam favoráveis. Em conseqüência do aumento das atividades de diversas enzimas durante o processo de embebição. nas quais o melhoramento genético reduziu ou mesmo suprimiu tal atributo. Um grande volume de sementes de plantas daninhas encontra-se. é reativada e a enzima β-amilase é sintetizada de novo por estímulo hormonal (giberelinas) às expensas de aminoácidos originados de proteínas hidrolisadas e com a energia oriunda das atividades das fosforilases. lipídeos e carboidratos solúveis armazenados no embrião. em estado da quiescência. no solo. Aumenta-se. pela ação das lipases. ou. mecânica ou fisiológica. que são plantas muito semelhantes e apresentam ciclos vegetativos praticamente iguais. ao mesmo tempo. por ação das fitases. Neste caso. é transformado em açúcares redutores e sacarose. para germinarem. enquanto a silvestre sobrevive por vários séculos sem a ajuda humana. são transformados em ácidos graxos (em oleaginosas. pelo contrário. a quiescência é confundida. pela ação das enzimas proteolíticas. Esta fase da embebição coincide com o aumento da atividade metabólica. Nas primeiras 12 a 16 horas após o início da embebição. Isso ocorre porque durante o processo da embebição a enzima β-amilase. podendo ser física. da glicólise e da respiração. que é o repouso metabólico da semente devido a condições externas desfavoráveis. que envolve a oxidação da matéria orgânica da semente com formação de ATP e substâncias intermediárias necessárias ao processo anabólico da germinação. por alguns autores. havendo formação de α-amilase e outras enzimas. as gorduras são convertidas em sacarose pelo ciclo do glioxilato. a drenagem de áreas encharcadas e as irrigações de solos secos podem estimular a germinação dessas sementes. O amido. com a dormência.1 . que é observada pelo aumento da respiração. ocorrem a divisão e o alongamento celular. Em cereais. Durante esta fase o ácido giberélico (giberelinas) estimula a ativação e. É o caso das aveias silvestre e cultivada. necessitam que a dormência seja superada de alguma forma. que elevam a produção de glucose. as sementes. o homem sempre Módulo 3. e a fitina. também. e. são transformadas em aminoácidos. o embrião passa a sintetizar e liberar giberelinas que se movem através do endosperma. primeiramente na região da radícula do embrião. acompanhada pelo aumento da síntese protéica no embrião. ocorrem o metabolismo e a mobilização das reservas das sementes. é transformada em inositol e fósforo inorgânico. as proteínas. observa-se aumento nas sínteses de DNA e RNA. iniciando-se o crescimento celular e a mitose.

O leiteiro (Euphorbia heterophylla). durante o processo de maturação. Isso pode ocorrer pela simples movimentação do solo. Certas espécies necessitam de condições especiais para germinarem. sem dormência. por exemplo). Por isso. germinam todas. b) “Dormência secundária”. e c) quinquilho (Datura stramonium): germina melhor no escuro. 1998). Do total dessas sementes. a semente permanece dormente (sementes com tegumento impermeável.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas procurou erradicá-la. ao oxigênio. que pode expor as sementes à luz (mesmo por frações de segundos). garantindo a perpetuação da espécie. por ser indiferente à luz. b) língua-de-vaca (Rumex cryspus): germina melhor na presença de luz. podem ser várias as causas da dormência: embrião imaturo. e presença de algum inibidor fisiológico. não germina de forma uniforme. como os nitratos. uma avaliação da composição florística de uma área em uma única época do ano não representa o potencial de infestação desta área. sobrevivendo no solo por muito tempo. contribuir para o desenvolvimento de métodos mais eficientes de controle de plantas daninhas. Através deste mecanismo a espécie consegue sobreviver em estações desfavoráveis.Biologia e métodos de controle . Como a dormência não é a mesma em todas as sementes de uma planta. também chamada de induzida. Acredita-se que muitas outras espécies de plantas daninhas apresentam mecanismos semelhantes. Já a aveia silvestre. endógena. Dormência pode ser definida como qualquer estágio no ciclo da vida no qual o crescimento ativo é suspenso por um período de tempo. apenas 2 a 5% germinam. mas sem sucesso. por apresentar dormência. no futuro. provocar mudança nos teores de umidade.1 . O solo agrícola é um banco de sementes de plantas daninhas contendo entre 2.000 sementes/m2/10 cm de profundidade. é capaz de germinar até a profundidade de 25 cm no solo (VARGAS et al. Os diversos tipos de dormência podem ser agrupados em: a) “Dormência primária”. O amplo conhecimento da dormência poderá. Por esta razão. A dormência. e persiste por longo tempo após completada a maturação. as demais permanecem dormentes. sendo um meio necessário de sobrevivência entre as plantas daninhas. também chamada de dormência inata. mesmo sob intenso controle sempre haverá no solo sementes desta espécie.000 e 50. requerendo condição especial para quebra da dormência. seria aquela que a semente adquire quando ainda está ligada à planta-mãe. pode ocorrer germinação durante meses ou até anos. tegumento da semente impermeável à água e. seria aquela que a semente adquire devido ao ambiente desfavorável. No retorno ao ambiente favorável. A aveia cultivada amadurece no verão e suas sementes. sendo considerada uma espécie de planta daninha importante. e o inverno violento pode matar as plântulas. é um dos mais importantes mecanismos indiretos de dispersão.. aumentando a sua população quando as condições retornam à sua normalidade. inerente ou natural. na temperatura e na composição atmosférica do solo ou até mesmo acelerar a liberação de compostos estimulantes da germinação. Como exemplos de espécies de plantas daninhas que apresentam mecanismos de dormência podem-se citar: a) ervaformigueira (Chenopodium album): produz sementes com tegumentos normal e duro. 14 Módulo 3. nas várias formas. Segundo diversos autores. em um dado período. ou.

de suas formas de reprodução e ciclo de vida para se desenvolver um bom programa de manejo integrado. sem o revolvimento do solo. onde no rastro da roda do trator observa-se cerca de 10% a mais de emergência de plantas daninhas. bianuais e perenes.800 são consideradas mais nocivas em razão de suas características e seu comportamento. somente germinam quando estão até a profundidade de 1. como as dos gêneros Ipomoea e Euphorbia. crescem no verão e Módulo 3. que germina até a profundidade de 3. entretanto.Classificação das plantas daninhas Em certos casos. Isto pode ser observado facilmente em condições de campo. respectivamente (VARGAS et al. As anuais completam seu ciclo de vida (semente-semente) em um ano ou menos. As plantas que produzem sementes englobam as monocotiledôneas e dicotiledôneas.000 espécies). Uma Aração + Uma Gradagem 3. crescem na primavera e produzem frutos e morrem em meio ao verão) e anuais de verão (que germinam na primavera. quando comparada com solos pouco compactados. espécies que produzem sementes pequenas. Outro fator que influencia a profundidade de emergência é o sistema de cultivo. O Quadro 2 apresenta as 12 famílias mais importantes do mundo.Influência do tipo do preparo do solo na germinação de sementes de plantas daninhas Tipo de Preparo do Solo 1.. possivelmente pelo maior teor de umidade junto às sementes (maior contato entre as sementes e o solo). Uma Aração + Enxada Rotativa 4. com aproximadamente 170. a seletividade de alguns herbicidas baseia-se em diferenças morfológicas e fisiológicas existentes entre as espécies de plantas daninhas e cultivadas.0 cm no plantio convencional e somente até 1. Destas.0 cm. podem germinar até a profundidades superiores a 15 e 25 cm.000 espécies.1 . Rotativa + Compactação 5. Estas podem ser anuais de inverno (que germinam no outono ou inverno. Uma Aração 2. Quanto ao ciclo de vida.3 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A maior germinação foi observada (Quadro 1) no tratamento com (aração + enxada rotativa + ligeira compactação do solo). Espécies que produzem sementes grandes. em solos muito compactados. Outro fator extremamente importante na germinação das sementes é a profundidade em que elas se encontram no solo. Este grupo abrange quase todas as plantas consideradas daninhas (cerca de 30. assim. causando a cada ano grandes perdas na agricultura. Uma Aração + E. como Eleusine indica. a emergência ocorre em menores profundidades.Biologia e métodos de controle 15 . 1998). Sem Cultivo No de Sementes Emergidas m-2 103 134 206 328 80 As características físico-químicas do solo também influenciam a profundidade de emergência das sementes. cerca de 1. como é o caso de Brachiaria plantaginea.5 cm no sistema de plantio direto. Quadro 1 . Por estes e outros motivos é necessário conhecimento mais amplo das espécies de plantas daninhas. 1. as plantas daninhas podem ser anuais.

Caso a planta esteja sem sementes. Para facilitar a correta identificação da espécie. e depois ocorre maturação e morte. Estas podem ser classificadas em: a) perenes herbáceas simples . há necessidade de um período frio para florescimento e frutificação.Características práticas para reconhecimento das principais famílias de plantas daninhas Graminae . com incremento anual.1 . Exemplos: Digitaria sanguinalis. Quadro 2 .Biologia e métodos de controle .Famílias de plantas daninhas e números de espécies mais importantes por família. que são plantas cujos caules têm crescimento secundário. exemplos: Cynodon dactylon. o tipo de fruto. como no caso de cenoura e alface silvestres. a posição do ovário (inferior ou superior). o número de estames ou pétalas. que se reproduzem por sementes e por mecanismos vegetativos.. Echinocloa cruspavonis e Bracharia plantaginea. As plantas bianuais vivem mais do que um. exemplo: Senna obtusifolia. 16 Módulo 3. etc. há nítida observância desses fatos. Imperata brasilensis. segundo Holm (1978) Famílias Gramineae Compositae Cyperaceae Poligoniaceae Amaranthaceae Cruciferae Leguminosae Convolvulaceae Euphorbiaceae Chenopodiaceae Malvaceae Solanaceae No Espécies 44 32 12 8 7 7 6 5 5 4 4 4 % Total de Espécies Daninhas 37% 43% 68% As plantas perenes são aquelas que vivem mais de dois anos e são caracterizadas pela renovação do crescimento ano após ano a partir do mesmo sistema radicular. bainha normalmente aberta. b) perenes herbáceas mais complexas. Em certas regiões do Brasil. deve-se primeiramente saber se a planta é mono ou dicotiledônea.1 . Cyperus rotundus. Echinocloa crusgalli. livres ou unidas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas madurecem e morrem no outono).3. se as pétalas estão ausentes ou presentes. e c) perenes lenhosas. Durante a primeira fase de crescimento. onde as estações do ano são bem definidas.exemplo: dente-de-leão (Taraxacum officinale) . que se reproduzem por sementes e podem também reproduzir-se vegetativamente se injuriadas ou cortadas. há uma lista enorme de características vegetativas que levam às famílias. principalmente no sul. porém menos do que dois anos. as plântulas se desenvolvem vegetativamente até o estágio de roseta. 1. etc. Eleusine indica. entrenós com talo oco. com nós e entrenós.talo cilíndrico. a simetria das pétalas. lígula normalmente presente.

muitas vezes. Convolvulus arvensis e Cuscuta sp. com odor forte e característico.corola actinomorfa.1 .Cesalpinaceae . corola em forma de tubo. cálice transformado em papus.possuem cinco estames. etc.corola com estandarte interno. estames 10. Malvaceae . seiva ácida e penetrante.flores muito pequenas e de cor verde. Exemplos: Sida spp.trepadoras com folhas alternadas e sem estípulas. Exemplos: Solanum. Exemplos: Desmodium e Phaseolus. Exemplo: Chenopodium album. flores muito pequenas e de cor verde. Subfamília III . estames inseridos no fundo do tubo polínico. Sonchus oleraceus e Xanthium cavanillesii. Exemplos: Rumex crispus . anteras agrupadas ao redor do estilete. flores vistosas. Subfamíla II .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Compositae . Exemplo: Mimosa e Acácia. Solanaceae . Raphanus raphanistrum e Lepidium virginicum.flores vistosas com cálice e corola pentâmeros. cinco estames de tamanho desigual. Ageratum conyzoides. geralmente (9) + 1. folhas e caules. Exemplos: Bidens pilosa. brácteas espinhosas. folhas irregularmente recortadas. fruto em aquênio.Amaranthaceae .Mimosaceae .Papilionaceae . folhas bipenadas ou penadas. Exemplos: Brassica rapa. Polygonaceae . Leguminosae . Melampodium perfoliatum. Physalis e Datura. Exemplos: Ipomoea sp. Cruciferae . dividido em dois lóculos. talo estriado. Exemplos: Senna obtusifolia. inseridos na corola. inflorescências condensadas.. Exemplos: Amaranthus hybridus e Amaranthus viridis.folhas de disposição alternadas. estames quatro a infinito. o fruto é uma capsula. Módulo 3. folhas nunca bipenadas. talos e folhas muitas vezes com espinho. Chenopodiaceae .talo triangular sem nós.estames tetradínamos (quatro comprimidos para dentro e quatro curvados para fora). bainha fechada sem lígula. com muitos estames em androceu tubular.corola irregular com estandarte interno.língua-de-vaca. sem estípulas. hermafroditas e actinomorfas. em geral as folhas são penadas.presença de serocina. Exemplos: Cyperus esculentus e Cyperus rotundus. nós dos talos inchados ou protuberantes. Cyperaceae . Acanthospermum australe.Inflorescência em capítulo (flores muito pequenas e em dois tipos: tubulares e ligulares).Biologia e métodos de controle 17 . com seiva mucilaginosa e talos fibrosos. usualmente anuais. estames 3-12 inseridos no cálice.é subdividida em subfamílias: Subfamília I . Convolvulaceae . estames livres e anteras unidas. o fruto é uma síliqua. o fruto muitas vezes é uma cápsula ou um policoco. planta com escamas.

cujas sementes permanecem viáveis mesmo após 54 meses. além de tudo isso. e Bidens pilosa (picãopreto) é transportado a longas distâncias nos pêlos de animais ou roupas dos operadores de máquinas. homem. usando os métodos de controle disponíveis. em 60 dias. cortadas. a 12 cm. Exemplos: Sorghum halepense (capim-massambará): reproduz por sementes e rizomas. e mantém alguma viabilidade após passarem pelo aparelho digestivo de ovinos e eqüinos e só perdem o poder germinativo passando pelo aparelho digestivo das aves. e Cyperus rotundus (tiririca).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. rizomas. podem gerar mais dez plantas. Cynodon dactylon (grama-seda): por sementes e estolões. Artemisia biennis: 107. máquinas. 2) Disseminação zoócora (interna): as sementes ingeridas pelos animais passam pelo intestino e.1 . Isso ocorre devido aos inúmeros e complexos processos de dormência. bulbos. Exemplo: Convolvulus arvensis. a 20 cm. submersas em água ou após passarem pelo aparelho digestivo do porco ou boi. Exemplos: Phoradendron rubrum (erva-de-passarinho). estolões. esta planta produz centenas de sementes viáveis. são distribuídas em outras áreas.400 sementes por planta. e este foi o motivo de sua introdução no Brasil pela importação de animais ou lã. dominam as plantas cultivadas. e Euphorbia heterophylla (amendoim-bravo). vento. sendo uma das estratégias de sobrevivência das plantas daninhas. e cada tubérculo possui cerca de dez gemas que. tubérculos. com isso. caso o homem não interfira. b) Manutenção da viabilidade mesmo em condições desfavoráveis.Biologia e métodos de controle . quando separadas.500 sementes por planta. Essas características de agressividade são: a) Elevada capacidade de produção de dissemínulos (sementes. animais. d) Grande desuniformidade no processo germinativo. 18 Módulo 3. através das fezes.). c) Capacidade de germinar e emergir a grandes profundidades. e) Mecanismos alternativos de reprodução. Exemplos: Amaranthus retroflexus com 117.4 . e Cyperus rotundus: apenas um tubérculo. f) Facilidade de distribuição dos propágulos a grandes distâncias. produz 126 tubérculos. muitas vezes. (corda-de-viola). Há duas situações distintas: 1) Disseminação auxócora (externa): Acanthospermum australe (carrapicho-de-carneiro) .Características de agressividade das plantas daninhas As características das plantas daninhas verdadeiras fazem com que estas sejam mais agressivas em termos de desenvolvimento e ocupação rápida do solo. Exemplos: Avena fatua (aveia-brava) germina até a 17 cm.adere à lã das ovelhas. Echinoclhoa crusgali (capim-arroz) foi introduzido junto com as sementes importadas. Muitas plantas daninhas apresentam mais de um mecanismo de reprodução. no momento do cultivo do solo. por sementes e tubérculos. Isto ocorre pela ação de água. etc. etc. Momordica charantia (melão-de-são-caetano) e Paspalum notatum (gramabatatais). é a causa do insucesso dos herbicidas aplicados ao solo. Ipomoea sp. Esta característica. etc.

em nível ecológico. tubérculos ou outras partes de Módulo 3. cujas sementes foram enterradas em cápsulas porosas. nessas condições (KLINGMAN et al. mostraram que 71 delas estavam viáveis um ano após. Brachiaria plantaginea tem grande facilidade para dominar a área quando o controle não é efetuado no momento oportuno. gás carbônico e oxigênio em quantidades adequadas. crescer e reproduzir-se. 57 após 20 anos.1 . a competição torna-se importante quando dois ou mais organismos lutam por algo que não existe em quantidade suficiente para todos. e a da ançarinha-branca. Observações usando 14C mostraram que a semente do lótus da índia pode ser viável por 1.040 anos. apresentem grande acúmulo de material em sementes. Daí em diante vários outros conceitos foram emitidos. temperatura. Do exposto. por exemplo. Em soja. Contudo. ou quando esta é rodeada pelos seus descendentes. Decandole (1820) foi quem primeiro conceituou competição. que também lutam pelos mesmos fatores de crescimento. h) Grande longevidade dos dissemínulos. Já Odum (1969) afirma que competição significa uma luta por um fator. pois nos programas de melhoramento genético tem-se procurado desenvolver cultivares que. a competição seria a luta que se inicia entre indivíduos quando uma planta está em um grupo de outras plantas. Locatelly e Doll (1977) definem competição como a luta que se estabelece entre a cultura e as plantas daninhas por água. luz. esses autores salientam que. Na cultura da cebola. Observações com 107 espécies de plantas daninhas. respectivamente. a 20-100 cm de profundidade. envolve os aspectos da migração e agregação.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas g) Rápido desenvolvimento e crescimento inicial. ambos os indivíduos são prejudicados.. toda planta necessita de água. Muitas plantas daninhas crescem e se desenvolvem mais rápido que muitas culturas. daninhas ou não. 44 após 30 anos e 36 após 38 anos. por 1. com pequeno porte e pouco crescimento vegetativo. Essa grande longevidade se deve a inúmeros e complexos processos de dormência. 2 . À medida que a planta se desenvolve. 68 após 10 anos. seja da mesma espécie ou de espécies diferentes. luz. nutrientes e dióxido de carbono disponíveis em um determinado local e tempo. gerando.700 anos. ou seja.Competição entre plantas daninhas e culturas Para germinar. muitas vezes é preferível falar-se em interferência de uma comunidade de plantas. afirmando que todas as plantas de um determinado lugar estão em estado de guerra entre si. as plantas daninhas sempre levam vantagem competitiva sobre as plantas cultivadas. depreende-se que. quando esta é conduzida por semeadura direta. assim. nos ecossistemas agrícolas. e. podendo ser agravados pela presença de outras plantas no mesmo espaço. dominando facilmente a cultura. esses fatores do ambiente tornam-se limitados. frutos. as plantas daninhas germinam e crescem muito mais rápido. Para Weaver e Clements (1938). 1982). uma relação de competição entre plantas vizinhas. completando seu ciclo de vida. em razão de a competição envolver vários fatores diretos e indiretos.Biologia e métodos de controle 19 . sobre outras. numa situação de competição.

1 . até mesmo para o próprio desenvolvimento da cultura. na maioria das vezes. reduzindo não somente a produtividade da cultura.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas interesse econômico. cuja dependência é muito grande. até que um nível ideal seja alcançado. mas também a qualidade do produto colhido. gás carbônico. Em ecossistemas agrícolas. capacidade de competir vantajosamente com as plantas daninhas verdadeiras. Devido à falta de mobilidade dos vegetais. (2003). diminuindo ou impedindo que as plantas cultivadas tenham acesso aos fatores de crescimento. podendo declinar se houver excesso do recurso (ex: toxidez devido a excesso de Zn no solo). comprometendo. ou quando um dos competidores impede o acesso por parte do outro competidor. Outro aspecto importante é a grande agressividade. em sua maioria. como água. Estas se estabelecem rapidamente. 1985). 20 Módulo 3. a superioridade das plantas daninhas na competição por esses recursos. fazendo o controle das plantas invasoras. como acontece.Fatores do ambiente passíveis de competição A competição entre plantas é diferente daquela que ocorre entre animais. entretanto. não apresentam. a qual ocorre porque. que as plantas cultivadas. 2. caso não haja interferência humana.Biologia e métodos de controle . a competição entre plantas é de natureza aparentemente passiva. A condição pode limitar a resposta da planta tanto pela carência quanto pela abundância. luz. Para Santos et al. qualquer planta daninha que se estabeleça na cultura vai usar parte dos fatores de produção. Como ambas possuem suas demandas por água. a competição somente se estabelece quando a intensidade de recrutamento de recursos do meio pelos competidores suplanta a capacidade do meio em fornecer aqueles recursos.1 . já limitados no meio. Todavia. quase sempre esse acréscimo na produtividade econômica da espécie cultivada é acompanhado por decréscimo no potencial competitivo (PITELLI. como pH do solo. Condições são fatores não diretamente consumíveis. pode ser devido à ocorrência de alta densidade dessas invasoras na área. assim. 1985). estabelece-se a competição. devido ao refinamento genético a que foram e ainda são submetidas. Recursos são os fatores consumíveis. em condições de sombreamento (PITELLI. por exemplo. algumas vezes observada no em realação às culturas. a produtividade das culturas e a qualidade dos produtos colhidos. Radosevich et al. estes fatores de crescimento (ou pelo menos um deles) estão disponíveis em quantidade insuficiente. a cultura e as plantas daninhas desenvolvem-se juntas na mesma área.. em razão da influência extrema que estes exercem sobre a utilização dos recursos pelas plantas. nutrientes e luz. não sendo visível no início do desenvolvimento das plantas. etc. ou seja. (1996) dividem os fatores do ambiente que determinam o crescimento das plantas e influenciam a competição em “recursos” e “condições”. A resposta das plantas aos recursos segue uma curva-padrão: é pequena se o recurso é limitado e é máxima quando o ponto de saturação é atingido. Sabe-se. densidade do solo. a grande capacidade de sobrevivência das plantas daninhas. nutrientes e CO2 e. nessas circunstâncias.

. podendo utilizar os recursos disponíveis rapidamente. e é desses autores a descrição que se segue.. Shainsk e Radosevich (1992). Portanto. sem examinar as características das plantas e os mecanismos que estão associados à competitividade (Radosevich et al. Na realidade. sucesso competitivo é a habilidade para extrair recursos escassos e para tolerar essa escassez de recursos. nessa teoria. a competição entre a planta daninha e a cultivada afeta ambas as partes. porém a espécie daninha quase sempre supera a cultivada. e correlações entre a presença de vizinhos. um bom competidor apresenta alta taxa de crescimento relativo. Portanto. mesmo com baixos níveis do recurso (RADOSEVICH et al. Para Tilman. podem reduzir o conteúdo relativo de N-P-K nos tecidos dessa cultura para 28-39-28% e 1429-21% do total. ambas ajudam a explicar como espécies de plantas competem por recursos limitados e como as características das plantas influenciam sua habilidade competitiva. totalmente esclarecida. 1990. a depleção nos recursos e as respostas de crescimento. Assim. mudanças morfológicas e fisiológicas nas respostas de crescimento que estejam associadas com variações nos recursos. Contudo. 1996).. várias outras teorias têm sido desenvolvidas para explicar a importância relativa dos componentes da competição e das características das plantas que lhes conferem competitividade superior.1 . citado por RADOSEVICH et al.Biologia e métodos de controle 21 . os mecanismos de competição consistem tanto do efeito que as plantas exercem sobre os recursos quanto da resposta das plantas às variações dos recursos (GOLDBERG. citados por Radosevich (1996) sugeriram que o mecanismo de competição por recursos deve ser demonstrado por depleção dos recursos associados à presença e abundância de plantas vizinhas. Radosevich et al. (1996) afirmam que duas dessas teorias (a de Grime e a de Tilman) têm recebido maior atenção do meio científico. trabalhos mais recentes têm apresentado algumas justificativas para a baixa produtividade observada para as culturas quando em competição com espécies de plantas daninhas: Bidens pilosa e Leonurus sibiricus. Apesar de os debates continuarem a respeito da validade e relevância dessas duas teorias. 1996).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A maioria dos estudos sobre competição entre plantas daninhas e culturas tem focalizado somente a ocorrência e o impacto da competição na produção da cultura. Com base nessas teorias. a competição é a tendência de plantas vizinhas utilizarem os mesmos recursos.1996). um bom competidor poderia ser a espécie com menor requerimento de recursos. Os fatores que determinam a maior competitividade das plantas Módulo 3.. Para Procópio et al. respectivamente (RONCHI et al. (2005). pode-se concluir que determinadas plantas são boas competidoras por utilizarem um recurso rapidamente ou por serem capazes de continuar a crescer. a elevada capacidade competitiva da espécie Desmodium tortuosum nas culturas da soja e do feijão pode ter como contribuição o maior acúmulo de nutrientes por essa planta daninha. não estando. ainda. A base fisiológica que explica as vantagens que levam as plantas daninhas a ganhar a competição é muito complexa. De acordo com Grime. desenvolvendo-se juntamente com plantas de café em fase inicial. e o sucesso na competição é fortemente determinado pela capacidade da planta em capturar recursos. 2003). principalmente o fósforo. Embora a maioria das definições atuais sobre competição englobe o critério de Goldberg.

a maior velocidade do crescimento e a maior extensão do sistema radicular. nutrientes e espaço. isto é. e a maior capacidade de produção e liberação de substâncias químicas com propriedades alelopáticas. A competição pode ser intra-específica. ainda. Com base nesse conceito. seja ela daninha ou não. as plantas daninhas poderão vencer a competição pelos substratos ecológicos. ocorre também a competição intraplanta ou endocompetição. • Plasticidade fenotípica e populacional. que são capazes de prover quantidades limitadas dos fatores essenciais ao desenvolvimento das plantas. c) As espécies daninhas competem por água. como veranico e geadas. podendo. d) Uma infestação moderada de plantas daninhas em lavouras pode ser tão danosa quanto uma infestação pesada. são mais competitivas se comparadas com aquelas que apresentam desenvolvimento diferente. a menor susceptibilidade das espécies daninhas às intempéries climáticas. que podem inibir a germinação e. do seu vigor. em função da espécie cultivada. grande número de estômatos por área foliar. as características que fazem com que uma espécie de planta seja altamente competitiva são as seguintes: • Ciclo de vida semelhante ao da cultura. As plantas daninhas apresentam certas características que lhes conferem grande capacidade competitiva. nas primeiras seis a oito semanas após sua emergência. podendo excluir ou inibir significativamente o crescimento das plantas invasoras. da velocidade de crescimento inicial e da densidade de plantio. 1996). várias generalizações podem ser inferidas sobre os aspectos competitivos entre as culturas e as plantas daninhas: a) A competição é mais séria quando a cultura está na fase jovem. ou.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas daninhas sobre as culturas são o seu porte e sua arquitetura. No entanto.1 . A competição entre plantas daninhas e culturas é um fator crítico para o desenvolvimento da cultura quando a espécie daninha se estabelece junto ou primeiro que a cultura (RADOSEVICH. Todavia. • Desenvolvimento inicial rápido das raízes e. 22 Módulo 3. Com base nos pontos descritos. se a cultura se estabelecer primeiro. a maior velocidade de germinação e estabelecimento da plântula. apresentando muitas raízes fasciculadas nas camadas superficiais do solo e raízes principais com penetração profunda. desenvolvimento da cultura. e. em que cada órgão ou parte da planta luta pelo fotoassimilado produzido nas fontes. parte aérea. ela poderá cobrir rapidamente o solo. também. entre outros fatores. interespecífica. envolvendo indivíduos de espécies diferentes. liberar toxinas no solo. dependendo da época de seu estabelecimento. ainda. desenvolvimento e crescimento rápido de uma grande superfície fotossintética mesmo. b) As espécies daninhas de morfologia e desenvolvimento semelhantes ao da cultura. ocorrendo entre indivíduos de uma mesma espécie. na fase plantular. Cardenas (1972) salienta que a competição deve-se a condições específicas quanto ao ambiente e ao solo. o maior índice de área foliar. ou. luz. e sistema radicular muito desenvolvido. Entretando. comumente. se a população de plantas da cultura por área for baixa ou o estande desuniforme. como: germinação fácil em condições ecológicas variáveis.Biologia e métodos de controle .

etc.. ficou constatado que a planta daninha Bidens pilosa é capaz de extrair água do solo em tensões três vezes maiores do que as alcançadas pela soja e pelo feijão (Fig. • Produção e liberação no solo de substâncias alelopáticas.Competição por água As plantas daninhas são verdadeiras bombas extratoras de água do solo. Módulo 3. • Adaptação às mais variadas condições ambientais. tendem a excluir as demais. Dentre esses fatores destacam-se a taxa de exploração de volume do solo pelo sistema radicular. apresentam alta eficiência no uso da água (EUA = g de matéria seca produzida/g de H2O utilizada). no manejo da cultura. minimizando assim a competição ou até mesmo eliminando-a com a ajuda de outros métodos de controle.1 . esta espécie drena grande parte de fotoassimilados para a produção de raízes (baixa relação parte aérea/raiz) as quais promovem. é normal em alguns agroecossistemas. É de se esperar. realizando. por isso.1. pilosa com pouca água no solo pode estar relacionada com o fato de que.1996). regulação estomática e capacidade das raízes de se ajustarem osmoticamente.1 . a competição por água leva a planta a competir ao mesmo tempo por luz e nutrientes. 2. como capacidade de remoção de água do solo. A razão da elevada capacidade de sobrevivência de B. mecânico ou biológico. as características fisiológicas das plantas.. 2002). 2). pois se estabelecem primeiro. maior exploração do solo em busca de água (PROCÓPIO et al. pequenas ou grandes. ou seja. mais competitivas (RADOSEVICH et al. Certas espécies de plantas são capazes de usar menos água por unidade de matéria seca produzida que outras. (RADOSEVICH et al. da profundidade de plantio. especialmente nitrogênio e carbono. o profissional necessita ter o conhecimento profundo da cultura e da vegetação daninha infestante da área a ser cultivada. O princípio básico da competição baseia-se no fato de que as primeiras plantas que surgem no solo. Conhecendo tais fatores. em fases posteriores de desenvolvimento. da percentagem de germinação e vigor das sementes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • Germinação desuniforme no tempo e no espaço (presença de dormência). Em trabalho realizado por Procópio et al. em dias quentes. Para que se faça o manejo adequado de plantas daninhas em uma cultura. do cultivar adequado para a região. da época correta de plantio. na fase inicial de seu desenvolvimento. o chamado manejo integrado de plantas daninhas. sem qualquer sinal de déficit hídrico. Disso resulta a importância do preparo do solo. 1996).. como o método químico. Desse modo. que são métodos culturais de controle de plantas daninhas. as condições para que a cultura se estabeleça devem ser fornecidas antes do surgimento da vegetação daninha. portanto. Normalmente. Vários fatores influenciam a capacidade competitiva das espécies por água.. especialmente nos trópicos.Biologia e métodos de controle 23 . que essas plantas com baixo requerimento de água sejam mais produtivas durante o período de limitada disponibilidade de água que as plantas com alto requerimento em água e. as plantas da cultura ficarem completamente murchas e as plantas daninhas túrgidas. • Produção de um elevado número de propágulos por planta. etc. torna-se fácil o manejo da cultura de modo que esta leve vantagem sobre o complexo daninho. portanto. magnitude da condutividade hidráulica das raízes. dessa forma. (2004b).

pois são espécies que realizam o metabolismo C3 (plantas ineficientes).Biologia e métodos de controle .088 0. no ponto de murcha permanente Quadro 3 – Valor máximo do uso eficiente da água (UEA) por diferentes espécies vegetais Espécie vegetal Phaseolus vulgaris Glycine max Euphorbia heterophylla Bidens pilosa Desmodium tortuosum Fonte: Procópio et al. soja. Figura 2 . como milho. sorgo e cana-de-açúcar e grande número de espécies daninhas em nossas condições (Cyperus rotundus.963 24 Módulo 3. Valores antes do florescimento Valores após o florescimento -------UEA – biomassa seca em g kg-1 de água fornecida------0. Cenchrus echinatus.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Todavia. Amaranthus retroflexus. Cynodon dactylon. Panicum maximun. Brachiaria plantaginea.015 0.367 0. Outra maneira de se estimar o consumo de água pelas plantas é através da eficiência transpiratória.112 0. algodão. A maioria das culturas (feijão. trigo. etc. Por outro lado.168 2.017 1. que correlaciona a água transpirada com a biomassa seca produzida.073 0. apresentam um coeficiente transpiratório entre 150 e 350 (Quadro 4). (2002). por ser uma planta xerófila e apresentar uma rota fotossintética específica (CAM). Digitaria horizontalis.Potencial hídrico no solo.1 .250 0. tem um coeficiente transpiratório extremamente baixo. etc.). em gramas). Alguns exemplos são apresentados no Quadro 3. O coeficiente transpiratório das diferentes espécies de plantas varia de 25 a 700. algumas espécies de plantas daninhas podem apresentar diferentes valores de EUA ao longo do ciclo. cultivado com diferentes espécies vegetais. chamada de coeficiente transpiratório (CT = volume água transpirado em mL/produção de biomassa seca. O abacaxi.316 0. algumas culturas de gramíneas.) apresenta coeficiente transpiratório entre 500 e 700 (Quadro 4). podendo competir melhor por este recurso em diferentes estádios fenológicos da cultura. por realizarem o metabolismo C4.

observaram que a diferença na eficiência de uso da água entre Chenopodium album (C3) e Amaranthus retroflexus (C4) influenciou pouco a relação entre elas. verificando que as culturas foram capazes de produzir maior quantidade de biomassa por unidade de radiação captada. pode ser devida à maior população e melhor utilização de outros recursos. 2004 Silva et al. citados por Radosevich et al. retroflexus. Santos et al. as quais. (2003) avaliaram o UER das culturas da soja e do feijão e das espécies de plantas daninhas Euphorbia heterophylla.1.Biologia e métodos de controle 25 . nesse exemplo. mesmo crescendo com outras espécies em condição imposta de estresse hídrico. Pearcy et al. Já A. Módulo 3. a competição pela luz não é tão importante como a competição por água e por nutrientes. que compete vantajosamente por este fator de crescimento com a cultura do arroz. Bidens pilosa e Desmodium tortuosum. 1977 Silva et al. Provavelmente a espécie C3 contornou a deficiência hídrica pelo controle estomatal. Os autores afirmam que. Coeficiente transpiratório 152 700 568 700 267 682 174 153 265 282 Fonte Blanco.1 . uma vez que a cultura tenha formado sombreamento completo. como Locatelly e Doll (1977). apesar de as plantas daninhas avaliadas apresentarem menor eficiência na utilização da radiação fotossinteticamente ativa. já que sua EUA é baixa.. como água e nutrientes. 2004 2. dois mecanismos diferentes para sobreviver à competição por água: habilidade para utilizar um recurso rapidamente (espécie C4) e habilidade para continuar a desenvolver-se mesmo com baixos níveis do recurso (planta C3). Para outros autores. observada em campo.Competição por luz Para alguns autores.. chegando inclusive a citar exceções. a competição das plantas daninhas pela luz deixa de existir.2 . como a de Sesbania exaltata. (1981. 1996). porém o uso eficiente da água não é o único mecanismo utilizado para sobreviver à competição por água.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Essa diferença na eficiência do uso da água é um fator importante na agressividade da espécie. a maior capacidade competitiva delas.. não foi eliminado. para diferentes espécies de plantas Espécie vegetal Amarantus hybridus* Glycine max Gossypium hirsutum Phaseolus vulgaris Panicum maximum* Oryza sativa Zea mays* Sorghum vulgare* Brachiaria brizantha* Eucalipto * Espécies que realizam o mecanismo C4. Esses autores salientam que. Quadro 4 .Volume de água transpirada (em mL) para acúmulo de 1 g de biomasa seca. quando avaliadas isoladamente das plantas daninhas. apresentam maiores valores para o uso eficiente da radiação (UER). Observam-se. com certeza devido à sua alta EUA. o melhoramento genético imposto às culturas possibilitou a seleção de plantas com elevada capacidade de utilização da luz.

Em função destas e outras 26 Módulo 3. logo. também. Este fato evidencia que as plantas C4 necessitam de mais energia para produção dos fotoassimilados. requerem maior energia para produção dos fotoassimilados. onde é fosforilado. atividade ótima em temperaturas mais elevadas. responsável pela fixação do CO2. apresentam baixa afinidade pelo CO2 e possuem elevado ponto de compensação para CO2. por difusão. não desassimilam o CO2 fixado. C4 ou se realiza o mecanismo ácido das crassuláceas (CAM). atua especificamente como carboxilase. além do ciclo de Calvin e Benson. baixa eficiência no uso da água e menor taxa de produção de biomassa. 3 fosfoglicérico e. substrato inicial da respiração. onde estes produtos são descarboxilados. Em conseqüência da ação desta enzima. C4 (plantas eficientes) e CAM estão nas reações bioquímicas que ocorrem na fase escura da fotossíntese. se se reduzir o acesso à luz. formando o ácido oxaloacético (AOA). É muito comum imaginar que as espécies de metabolismo C4 são sempre mais eficientes que as plantas C3. e não satura em alta intensidade luminosa. retorna às células do mesófilo. consumindo 2 ATPs. catalisa a produção do ác. As plantas C4. isso só é verdade em determinadas condições. Todavia. Estas plantas. A enzima responsável pela carboxilação primária do CO2 proveniente do ar é a ribulose 1-5 bifosfato carboxilase-oxigenase (Rubisco). a enzima responsável pela carboxilação primária nas plantas C4 (PEP-carboxilase) apresenta algumas características. liberando no meio o CO2 e o ácido pirúvico. Este CO2 liberado é novamente fixado. baixo ponto de saturação luminosa. se ela é umbrófila ou heliófila e. o ácido pirúvico. do glicolato. por difusão. a qual apresenta atividades de carboxilase e oxigenase. de modo que o primeiro produto estável da fotossíntese é um composto de três carbonos (ácido 3-fosfoglicérico). entretanto. quando comparadas com plantas de metabolismo do tipo C4 (Quadro 5). possuem ainda o ciclo de Hatch e Slack.5 difosfato carboxilase. se a rota fotossintética que ela apresenta é C3. Esta enzima apresenta baixa afinidade pelo CO2 e. e. As plantas C4 possuem duas enzimas responsáveis pela fixação do CO2 . A enzima primária de carboxilação é a PEP-carboxilase. agora pela enzima ribulose 1. como: alta afinidade pelo CO2. pois precisam recuperar duas enzimas para realização da fotossíntese. localizada nas células do mesófilo foliar. É sabido que a relação molécula de CO2 fixado/ATP/NADPH é de 1:3:2 para as plantas C3. As plantas de rotas fotossintéticas do tipo C3 apresentam apenas o ciclo de Calvin e Benson.1 . sendo esta relação para as plantas C4 de 1:5:2. em seguida. ou seja.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sabe-se que a competição pela luz é complexa sendo sua magnitude influenciada pela espécie. também. que ocorre em todas as plantas superiores. a qual carboxiliza o CO2 absorvido do ar via estômatos. dependendo da espécie vegetal. Essas plantas não apresentam fotorrespiração detectável. por ser ambígua quanto ao substrato. ocorrendo o ciclo de Calvin e Benson. Este AOA é convertido em malato ou aspartato. Como toda esta energia é proveniente da luz. As diferenças entre as rotas fotossintéticas C3 (plantas ineficientes). as plantas C3 fotorrespiram intensamente. estas plantas passarão a perder a competição com as plantas C3. é transportado para as células da bainha vascular das folhas. por apresentarem dois sistemas carboxilativos. no ácido fosfoenolpirúvico. regenerando a enzima PEP-carboxilase e recomeçando o ciclo.Biologia e métodos de controle .

existem exceções. Temperatura ótima para a fotossíntese 10. Taxa de fotossíntese líquida com saturação de luz Módulo 3. torna-se evidente que plantas daninhas C4 serão aquelas que exercerão maior competição com as culturas. ainda assim essas plantas continuam acumulando biomassa. Efeito do oxigênio (21%) sobre a fotossíntese. 07. Relação CO2 : ATP:NADPH 08. mandioca. nessas condições.5-bifosfato carboxilase-oxigenase (25oC). Fotorrespiração 02. Isso acontece porque. nestas condições.1 . Considerando todas as áreas do globo terrestre. milho. cana-de-açúcar. Fotossíntese x intensidade luminosa 09. Quadro 5 . levando a planta a atingir o ponto de compensação rapidamente. soja. Além disso. e. PEP-carboxilase (Km ≅ 5μM de CO2) Sem efeito 1:5:2 Não satura com aumento da luminosidade. esta passa a atuar mais como oxidativa. mesmo que a concentração de CO2 no mesófilo foliar atinja níveis muito baixos. Este fato faz com que a concentração do CO2 no mesófilo foliar caia a níveis abaixo do mínimo necessário para atuação desta enzima. quando plantas estão se desenvolvendo em condições de temperaturas elevadas. a enzima carboxilativa das plantas C3 encontrase saturada quanto à luz. Ponto de compensação 04. em temperatura acima da ótima para a ribulose 1. porque a enzima responsável pela carboxilação primária nestas plantas (PEP-carboxilase) apresenta alta afinidade pelo CO2 (baixo Km) (Quadro 5).Características diferenciais entre plantas com rotas fotossintéticas C3 e C4 Característica 01. Panicum maximum.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas características (Quadro 5). Imperata cilindrica. é comum. Como a maioria das culturas agronômicas das regiões tropicais e subtropicais (algodão. alta luminosidade e até mesmo déficit hídrico temporário. as espécies C4 dominam completamente as C3. chegando a acumular o dobro de biomassa por área foliar no mesmo espaço de tempo.) são cultivadas nos meses do ano que coincidem com períodos de elevada intensidade luminosa e temperatura. entre as dez espécies de plantas daninhas mais nocivas do mundo. estima-se que. Echinochloa crusgalli e Eleusine indica. Próxima de 35 oC 40 a 80 mg CO2 dm-2 h-1 27 . liberando CO2. arroz. Cynodon dactylon. Echinochloa colonum. No caso das plantas C4. Sorghum halepense.0 a 10 ppm de CO2 Presença de bainha vascular com cloroplastos. quando presente. oito são plantas C4 anuais ou perenes: Cyperus rotundus. Primeiro produto estável 03. Isso é possível porque este grupo de plantas não apresenta fotorrespiração detectável.Biologia e métodos de controle Fotossíntese C3 Presente: 25 a 30 % do valor da fotossíntese Ácido 3-fosfoglicérico Alto: 50-150 ppm de CO2 Ausência bainha vascular. Enzima primária carboxilativa 06. feijão. os estômatos estarem parcialmente fechados (horas mais quentes do dia). etc. sem cloroplastos RuDP-carboxilase (Km ≅ 20μM de CO2) Inibição 1:3:2 Satura com 1/3 da luminosidade máxima Próxima de 25 oC 15 a 35 mg CO2 dm-2 h-1 Fotossíntese C4 Presente: não mensurável pelo método de troca de gases com o ambiente Ácido oxaloacético Baixo: 0. Anatomia foliar 05.

por exemplo. Sob condições normais. em condições de solo encharcado. a alta infestação dessa planta daninha em lavouras de soja implica maior remoção desse nutriente para a massa total da espécie infestante. 2004). No entanto. Determinadas espécies de plantas são mais sensíveis ao excesso de CO2 e..Biologia e métodos de controle .5 % da biomassa seca 2. da quantidade e das espécies presentes.1. Conteúdo de N na folha para atingir fotossíntese máxima Fonte: Ferri (1985). em conseqüência disso. Devido à grande variação em termos de recrutamento dos recursos minerais do solo apresentada pelas diferentes espécies de plantas daninhas.5 a 7.1 . a atmosfera edáfica contém menos oxigênio e mais CO2 do que o ar acima do solo. principalmente. por exemplo. (2005) observaram que Desmodium toruosum é capaz 28 Módulo 3. Por exemplo. a competição por nutrientes depende. a concentração de CO2 no mesófilo foliar necessária para que uma determinada espécie passe a acumular matéria seca é diferente.0 a 4. 20 vezes menos P e cinco vezes menos K compara à soja (PEDRINHO JÚNIOR et al. Richardia brasiliensis acumula 10 vezes menos N.000 g H2O / g biomassa seca 6. que são os dois processos principais de renovação da atmosfera do solo. Isso acontece devido ao consumo do oxigênio pelos microrganismos do solo e em razão de sua renovação lenta.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Característica 11. com muito maior ênfase. Fotossíntese C3 450 a 1.5 % da biomassa seca Fotossíntese C4 150 a 350 g H2O / g biomassa seca 3. que oferece resistência à difusão e ao fluxo de massa. a quantidade extraída do que os teores que ela apresenta na matéria seca. em alto grau. os quais quase sempre estão em quantidades inferiores às necessidades das culturas em nossos solos. o aspecto competitivo não é comumente discutido e geralmente é considerado não-significante. Quando se trata de analisar a capacidade de uma espécie de planta daninha em competir por nutrientes.Competição por nutrientes As plantas daninhas possuem grande capacidade de extrair do ambiente os elementos essenciais ao seu crescimento e desenvolvimento e. Como a eficiência na captura de CO2 proveniente do ar é diferente entre plantas C3 e C4 (Quadro 5) e se sua concentração pode variar. considerando as diferentes rotas fotossintéticas apresentadas por espécies de plantas daninhas e culturas.Competição por CO2 Com relação ao CO2.3 . dentro de uma população mista de plantas. Procópio et al. assim. exercem forte competição com as culturas pelos nutrientes essenciais. 2.1. ou. em conseqüência da “tortuosidade” da matriz do solo. para as espécies de plantas C3. Todavia. Coeficiente transpiratório 11. ele pode ser limitante. Outro ponto a ser considerado é a “Interação Radicular Passiva”.4 . Molinia caerulea é mais tolerante a alta taxa de CO2 do que Erica tetralix. deve-se considerar. podem levar desvantagem na competição com espécies mais tolerantes em tais situações. deficiência de oxigênio e.

Além disso. sendo C.Biologia e métodos de controle 29 . respectivamente. é capaz de formar três vezes mais matéria seca por unidade de P absorvida do solo. Isso demonstra que. Os acúmulos de cálcio e manganês no arroz foram reduzidos em 40 e 28%. evidenciando elevada eficiência na utilização desse nutriente. Podese afirmar que. Bidens pilosa e Euphorbia heterophylla apresentam maior eficiência na utilização do N absorvido no solo. comparadas à soja e ao feijão (PROCÓPIO et al. 2004a). Ronchi et al.. além do acúmulo de matéria seca. em campo. Quadro 6 . Pitelli (1985). ** Período total de convivência da planta daninha com a muda de café no vaso Módulo 3. observou que a matéria seca acumulada foi equivalente para a cultura e as plantas daninhas.4 vezes mais P por g de massa seca comparada à soja em mesma condição de recursos.1 . os autores observaram que Bidens pilosa. Em lavoura de arroz de sequeiro. acarretaram decréscimos consideráveis no conteúdo relativo de nutrientes de plantas de café.Conteúdo relativo* de nutrientes na parte aérea de plantas de café cultivadas em vasos (12 L de substrato). em competição com o feijoeiro. outras espécies são competidoras também na utilização desse recurso. verificaram que as espécies infestantes. diffusa a planta daninha que causou a maior diminuição no conteúdo relativo de nutrientes no cafeeiro (Quadro 6). poderá favorecer espécies vegetais que utilizam mais eficientemente esse recurso. Além da capacidade em extrair nutrientes do solo. Para os autores. Cerca de 80% do cálcio foi imobilizado pelas plantas daninhas. avaliando os períodos de convivência e acúmulo de nutrientes de diferentes plantas daninhas e o cafeeiro. com adição de subdoses. a competição depende do nutriente. desenvolvida na presença da comunidade infestante.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas de acumular até 2. estudando a distribuição dos nutrientes extraídos pelas plantas daninhas e pela cultura. mesmo em baixas densidades. pela interferência imposta pela comunidade infestante. competindo com uma espécie/planta por vaso Espécie Vegetal Bidens pilosa Commelina diffusa Leunurus sibiricus Nicandra physaloides Richardia brasiliensis Sida rhombifolia PTC* * 77 180 82 68 148 133 N 59 30 35 37 49 97 P K 72 67 42 37 33 38 62 68 61 57 83 105 Conteúdo relativo* de nutrientes Ca Mg S Cu Zn B Mn Fe Na 67 74 97 106 66 76 59 54 69 45 48 69 69 37 54 19 41 35 36 40 41 66 37 41 30 57 39 72 76 86 114 69 101 50 107 68 53 50 67 43 51 63 57 61 59 90 88 98 93 77 138 102 80 106 *Relativo ao conteúdo verificado na testemunha (cafeeiro sem competição). (2003). por ocasião do florescimento da cultura. e do contrário ocorreu com o manganês (85% imobilizado pela cultura). o grau de interferência varia consideravelmente com a espécie e com a densidade das plantas daninhas. o manejo inadequado de nutrientes.

A quantidade dos compostos produzidos e a composição destes dependem da espécie e das condições ambientais. metabólitos secundários podem inibir a própria planta que os produziu.Biologia e métodos de controle . os compostos secundários que. macieiras e citros) também ocorre a auto-inibição do desenvolvimento em plantios na mesma área. acumular e secretar uma grande variedade de metabólitos secundários. caules. após muitos anos de cultivo da mesma espécie no solo. (folhas.1 . através de volatilização. lixiviação e decomposição dos resíduos da planta. quando lançados no ambiente. Assim. Milhares de compostos secundários sintetizados por espécies vegetais estão isolados e estimasse que outros milhares existam na natureza. após serem transferidos para o ambiente (RICE. Existe ainda a auto-alelopatia. a maioria dos metabólitos secundários liberados pelas plantas está envolvida em interações com outros organismos. Os aleloquímicos. onde são absorvidos pelas raízes (ALMEIDA. frutos e sementes). 1969). A primeira demonstração científica de auto-alelopatia foi feita em feijão-miúdo (Vigna unguiculata).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 3 . 1984). Essas substâncias alelopáticas são liberadas dos tecidos da planta para o ambiente de diferentes formas. exsudação radicular. ou condensados no orvalho. ou seja. A maioria dos aleloquímicos voláteis são compostos terpenóides. Os efeitos podem ser deletérios ou benéficos sobre outra planta. 1984). os aleloquímicos podem ser absorvidos diretamente pela cutícula das plantas vizinhas. ou ainda alcançar o solo.Alelopatia As plantas superiores desenvolveram notável capacidade de sintetizar.4% do carbono fotossintetizado (ROVIRA. 1988). incluindo microrganismos. flores. como outras plantas. Provavelmente. denominados aleloquímicos.1 a 0. raízes. Em fruteiras (pessegueiros. que não parecem relacionados diretamente com nenhuma função do metabolismo primário. existindo forte relação de dependência entre a produção destes metabólitos e 30 Módulo 3. geralmente da ordem de 0. mas provavelmente estão associados com mecanismos ou estratégias químicas de adaptação às condições ambientais. quando cultivado sucessivamente na mesma área. principalmente monoterpenos e sesquiterpenos (RICE. afetam o crescimento. Uma vez volatilizados. em raízes intactas. promovem uma interação bioquímica entre plantas. ou seja. o estado sanitário. fungos e herbívoros. por meio dos próprios vapores. sobre a própria planta ou microrganismos ou vice-versa. insetos. o comportamento ou a biologia da população de organismos de outra espécie são de interesse da alelopatia. As plantas são hábeis em produzir aleloquímicos em todos os seus órgãos. apresentam potencial para exercer alelopatia em agroecossistemas. As plantas podem exsudar naturalmente uma série de compostos orgânicos. lançados ao ambiente.

e sua persistência no solo varia com as variações do ambiente. alguns terpenos e muitos compostos fenólicos podem ser lixiviados. 3. os aleloquímicos podem ser liberados através dos resíduos.1 . são: assimilação de nutrientes. Os alcalóides. capim-massambará. fotossíntese. Módulo 3. colza. etc. Os aleloquímicos podem ser liberados das células vivas ou mortas também pela ação da água. Por exemplo. grama-seda. O efeito alelopático das culturas sobre plantas daninhas é menos comum.Biologia e métodos de controle 31 . 1996). luz. CO2. como nabo forrageiro. crescimento. O capim-marmelada (Brachiaria plantaginea) afeta o desenvolvimento da soja tanto no crescimento quanto na capacidade de nodulação (ALMEIDA. O fungo Penicillium urticae produz fitotoxina patulina durante a decomposição dos resíduos do trigo. O desenvolvimento do tomateiro foi afetado por extratos de várias plantas daninhas. Os principais processos vitais afetados. como Brachiaria plantaginea.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas as condições de ambiente (EINHELLIG. síntese de proteínas. aminoácidos e as substâncias pécticas. 1988). na cultura seguinte. como taninos. atividade enzimática. Com a liberação direta dos compostos pelos tecidos. alcalóides. aveia e centeio. As perdas da permeabilidade seletiva da membrana citoplasmática ocorrem pouco tempo após a morte da planta. em sistema de plantio direto. espaço físico. entre estes os ácidos. para outras características que não as de agressividade para com outras plantas. permeabilidade da membrana celular. açúcares. ao melhorar o paladar e diminuir a toxicidade. o que dificulta a interpretação de resultados a campo. etc. como tiririca. Uma variedade de compostos químicos pode ser carreada da parte aérea das plantas por meio de chuva. Cenchrus echinatus e Euphorbia heterophylla. foram eliminados genótipos possuidores de substâncias alelopáticas. O mecanismo de ação dos aleloquímicos não está ainda bem esclarecido. A inibição sobre o desenvolvimento de plantas de pimentão por extratos de eucalipto é um exemplo. microrganismos podem metabolizar polímeros presentes e produzir substâncias tóxicas. segundo Almeida (1988). O eucalipto produz substâncias cuja presença é variável com as espécies. e essa deficiência de defesa das plantas cultivadas é atribuída à seleção a que estas têm sido submetidas ao longo do tempo. etc. reduzindo a intensidade de infestação de algumas plantas daninhas. neblina e orvalho.Alelopatia das plantas daninhas sobre as culturas e plantas daninhas A interferência que as plantas daninhas causam sobre as culturas é decorrente da competição pelos fatores comuns (água. Assim. 1988). etc. apresentam razoável efeito alelopático.) e dos efeitos das substâncias alelopáticas que estas produzem. que promove toxicidade na cultura que o sucede (Almeida. nutrientes. respiração. Restos culturais de algumas culturas.1 .

Quanto a possíveis efeitos alelopáticos do material incorporado ao solo. Estes estudos irão contribuir de maneira decisiva para o manejo de plantas daninhas no sistema de plantio direto. provoca redução do estande da cultura da soja plantada imediatamente após a sua colheita. exsudato radicular proveniente de plantas de sorgo reduziu a área foliar de plantas de alface em 68. Normalmente. Outros pesquisadores avaliam e colecionam germoplasmas de plantas alelopáticas. inferiores a 25 dias. quando cultivadas em casa de vegetação. hoje disseminado no Brasil por todos estados produtores de grãos.Alelopatia das coberturas mortas No plantio direto. conseqüentemente. 32 Módulo 3. usando solução nutritiva circulante entre os vasos de sorgo e alface.3 . os tipos de solo e as condições climáticas. quando começa a época chuvosa. A colza. também rápida.2 . como as adubações verdes. os resíduos secos podem causar fitotoxicidade mais severa. Por isso. possivelmente não ocorrerão problemas de fitotoxicidade. a cobertura morta pode prevenir a germinação.Alelopatia entre culturas A possibilidade de se desenvolverem efeitos alelopáticos benéficos ou maléficos entre culturas tem interesse agronômico.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 3. Os efeitos alelopáticos são transitórios. o que tem contribuído para que os agricultores do sul deixem de cultivar colza. a incorporação dos resíduos deve ser feita com certa antecedência da semeadura das culturas. Segundo Barbosa (1996). A cobertura morta da cultura do inverno. várias pesquisas estão sendo conduzidas visando identificar os compostos alelopáticos. A taxa de decomposição é alta e a liberação dos compostos alelopáticos é. forma-se no final desta estação ou início da primavera. Se a cultura de verão for implantada com algum intervalo após a colheita desta cultura de inverno. por isso. podendo os resíduos de plantas de mesma espécie dar origem a compostos diferentes. degradando os aleloquímicos. sabe-se que o processo de decomposição do material vegetal é variável com a qualidade dos tecidos. por exemplo.Biologia e métodos de controle . Em condições de baixas temperaturas. normalmente cereais.1 . reduzir o vigor vegetativo e provocar amarelecimento e clorose das folhas.4%. com efeitos biológicos e toxicidade diversos. os resíduos no solo são escassos e a temperatura e umidade no solo são suficientes para manter a atividade microbiana alta. provoca efeitos alelopáticos pouco acentuados e por períodos curtos. Atualmente. Nas culturas de verão. Essa cobertura é essencial para o sucesso do plantio direto. assim como poderá ser um ponto de partida para síntese de novos compostos com atividade herbicida. os efeitos alelopáticos provocados pela incorporação de resíduos vegetais no solo são muitos variáveis. especialmente no que diz respeito às técnicas de rotação e consorciação. redução do perfilhamento e até morte de plantas daninhas durante a fase inicial de desenvolvimento. 3. o material fresco. a fim de avaliar suas atividades sobre as diferentes espécies de plantas daninhas.

quanto menor o período de convivência entre cultura e plantas daninhas. mas sem prejudicar também o ambiente. pode-se dizer que. no desenvolvimento e na produtividade de uma cultura. alelopatia. porque dependerá da época e do ciclo da cultura em que esse período ocorrer.Competição e período crítico de competição De acordo com Pitelli (1985). Geralmente. mas resultante das pressões ambientais de ação direta (competição. as espécies Mucuna aterrima. Módulo 3. Essa idéia foi originalmente apresentada por Bleasdale (1960) e mais tarde modificada por Blanco (1972). foram eficientes no controle das espécies daninhas D. para o sucesso deste método. bicolor. O manejo de plantas daninhas altera a cronologia natural dos eventos. interferência na colheita e outras). 4 . H. De maneira geral. (2004). menor será o grau de interferência. Esse fato justifica. entre outros fatores. e. os efeitos negativos observados no crescimento.1 . M. dependendo da época de seu estabelecimento. à própria cultura (espécie ou variedade. gerando menor intensidade de interferência na produtividade econômica. devidos à presença de plantas daninhas. o estudo da época ideal de controle de plantas daninhas em cada cultura. isto não é totalmente válido. sendo o esquema apresentado na Figura 3. esteróides livres e ogliconas esteróides. o conhecimento das propriedades alelopáticas das plantas será fundamental. podendo ser alterado pelas condições de solo. lophanta e A. uma infestação moderada de plantas daninhas poderá ser tão danosa à cultura quanto uma infestação pesada.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas objetivando o melhoramento genético. visando o mínimo possível de redução na produtividade. maior será o grau de interferência. No entanto. spinosus. A este efeito global denominou-se “interferência”. clima e manejo. utilizadas como cobertura vegetal. Os autores constataram elevada concentração de taninos condensados. ao conjunto de ações que recebe uma determinada cultura em decorrência da presença da comunidade infestante num determinado local. portanto. espaçamento e densidade de plantio) e à época e extensão da convivência. não devem ser atribuídos exclusivamente à competição imposta por estas. ambos citados por Pitelli (1985). quanto maior for o período de convivência múltipla (culturaplantas daninhas). No futuro. pruriens e S. referindo-se. sendo a possível causa dos efeitos alelopáticos. favorecendo a utilização de recursos pela planta cultivada. Contudo. Em trabalho realizado por Erasmo et al. os quais são descritos a seguir. horizontalis.Biologia e métodos de controle 33 . O grau de interferência entre plantas cultivadas e comunidades infestantes depende das manifestações de fatores ligados à comunidade infestante (composição específica. o controle biológico de plantas daninhas também poderá ser uma opção no manejo integrado. Pitelli e Durigan (1984) sugeriram terminologia para períodos de convivência de plantas daninhas em culturas. densidade e distribuição). portanto.

a Époc Dura çã o Período de convivê ncia lti Cu r va Es pé ci e s Espaçamento Densidade Densidade Cultura Grau de interferência rib st Di ui o çã Figura 3 . o final do período anterior à interferência seria a época ideal para o primeiro controle da vegetação infestante. contribuindo para o próprio desenvolvimento da cultura. pois a comunidade teria acumulado energia e matéria orgânica que retornariam ao solo.1 . ou. n D De d d s si ad e Ambiente S ol o Ma ne j o Clima 34 Módulo 3. A aplicação de certas práticas culturais contribui para diminuição deste período.Biologia e métodos de controle . em determinada época do ciclo da cultura. Por exemplo. permitindo que a competição por recursos outros que não a adubação se instale de maneira mais rápida. O limite superior deste período indica a época em que a interferência compromete irreversivelmente a produtividade econômica da cultura.Modelo esquemático dos fatores que influenciam o grau de interferência entre cultura e comunidades infestantes Aquele espaço de tempo. capaz de reduzir significativamente sua produtividade econômica. este deve ser o período que as capinas ou o poder residual dos herbicidas devem cobrir. em que a cultura pode conviver com a comunidade de plantas daninhas antes que a interferência se instale de maneira definitiva e reduza significativamente a produtividade da lavoura é denominado “período anterior à interferência” (PAI). É importante esclarecer o significado deste período em termos de competição: as espécies daninhas que emergirem neste período. após a semeadura ou o plantio. toda e qualquer prática cultural que incremente o crescimento inicial da cultura pode contribuir para um decréscimo no período total de prevenção da interferência. na prática este limite não pode ser considerado. Teoricamente. através. Desse modo. principalmente. qualitativamente. a partir do plantio ou da emergência. terão atingido tal estádio de desenvolvimento que promoverão uma interferência sobre a espécie cultivada. permitindo menos cultivos ou o uso de herbicidas de menor poder residual. a própria cultura. para que a produção não seja afetada quantitativa e. em que a cultura deve ser mantida livre da interferência de plantas daninhas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas “Período total de prevenção da interferência” (PTPI) é o período. impede o desenvolvimento das plantas daninhas. Na prática. do sombreamento. a fertilização incrementa o crescimento inicial da cultura e das plantas daninhas. No entanto. Após esse período.

(2005) 14 . torna-se extremamente importante a pesquisa nesta área. PAI e PCPI. (2003) Alcântara et al. (1994) 20 .Períodos de convivência e de controle de plantas daninhas em diversas culturas anuais e bianuais Cultura Algodão Alho Girassol Cebola Arroz de sequeiro Cana-de-açúcar ( plantio de ano ) Cana-de-açúcar (plantio de ano e meio) Feijão Café (após plantio das mudas no inverno) Café (após plantio das mudas no verão) Milho Soja Dias Após Semeadura ou Plantio (d) PTPI PAI PCPI 66 d 08 d 08 . Considerando a diversidade de fatores que influenciam o grau e os períodos de interferência apresentados. os cultivares utilizados e as composições específicas das comunidades infestantes foram diferentes. (1981) Mascarenhas et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas pois a cultura e. Este seria o “período crítico de prevenção da interferência” (PCPI). Isso é normal.30 d Martins (1994) Módulo 3. Em diversos trabalhos de pesquisa visando avaliar os efeitos da interferência de plantas daninhas em culturas (Quadro 7). (2005) 22 – 38 d Dias et al. baseado na hipótese de que aspectos econômicos como o custo de controle e o valor monetário dos grãos devem ser utilizados como critério para determinar o período aceitável de interferência das plantas daninhas antes de se decidir pelo seu controle (VIDAL et al. (2002) Souza et al. encontrados pelos diversos autores.90 d (1982) 47 – 127 Kuva et al. Recentemente foi proposto o Período Anterior ao Dano no Rendimento Econômico (PADRE). as plantas daninhas podem ter atingido um estádio tal de desenvolvimento que inviabilize o uso de práticas mecânicas ou o controle químico.40 d 60 d 90 d 127 d 30 d 88 d 38 d 42 30 d 30 d 45 d 30 d 74 d 20 d 15 d 22 d 14 21 d 20 d Fonte Salgado et al. a cultura deverá ser mantida livre das plantas daninhas no período compreendido entre o final do PAI até o momento em que as plantas daninhas que vierem a emergir não mais irão interferir na produtividade da cultura.60 d (1982) Rolin e Cristofolleti 30 . (1980) Brighenti et al. os períodos PTPI..1 . (1982) Oliveira e Almeida 45 . (2003) 20 . porque as condições em que foram conduzidas as pesquisas. 2005). não são idênticos para as mesmas culturas.30 d Victoria Filho (1994) 15 – 88 d Dias et al. clima.66 d 80 d ----100 d 20 d 20 –100 d 30 d 21 d 21 – 30 d 42 d 40 d 30 d 30 . espécies daninhas e culturas. Quadro 7 . visando realizar com eficiência o manejo integrado das plantas daninhas. Do ponto de vista prático.30 d Spadotto et al. ou.Biologia e métodos de controle 35 .42 d Ramos e Pitelli (1994) 21 . nas diferentes condições envolvendo solo. (2004) Soares et al.

Nestas legislações encontram-se os limites toleráveis de cada semente de planta daninha e também a lista de sementes proibidas por cultura ou grupo de culturas. visando prevenir a entrada e disseminação de uma ou mais plantas daninhas. atualmente. 36 Módulo 3.Métodos de controle de plantas daninhas Os métodos de controle de plantas daninhas usados são os mais variados possíveis e. limpeza de canais de irrigação. considerando uma cultura. etc..ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 5 . etc.1 . A falta desses cuidados tem causado ampla disseminação das mais diversas espécies. tem-se a tiririca (Cyperus rotundus). Eles abrangem desde o arranque das plantas com as mãos até o uso de sofisticados equipamentos de microondas para exterminar as sementes no solo.) e o arroz-vermelho (Oryza sativa) são distribuídos junto com as sementes de arroz. o elemento humano é a chave do controle preventivo. inspecionar cuidadosamente mudas adquiridas com torrão e também toda a matéria orgânica (esterco e composto) proveniente de outras áreas. o picão-preto (Bidens pilosa) e o capim-carrapicho (Cenchrus echinatus). As medidas que podem evitar a introdução onde a espécie ainda não ocorre são: utilizar sementes de elevada pureza. Já o capim-arroz (Echinochloa sp.1 . ou seja. Em níveis federal e estadual. Como exemplo.Controle preventivo O controle preventivo de plantas daninhas consiste no uso de práticas que visam prevenir a introdução. pêlos de animais. deve ser feita até um nível no qual as perdas pela interferência sejam iguais ao incremento no custo do controle. por meio de estercos. há legislações que regulamentam a entrada de sementes no país ou estado e sua comercialização interna. que não interfiram na produção econômica da cultura. Em nível local. Estas áreas podem ser um país. verifica-se grande evolução destes. grades e colheitadeiras. um município ou uma gleba de terra na propriedade. Em síntese. etc. que possui sementes muito pequenas e tubérculos que infestam novas áreas com grande facilidade. ou. A redução da interferência das plantas daninhas. quarentena de animais introduzidos. o estabelecimento e. um estado. além de outras espécies. a disseminação de determinadas espécies-problema em áreas ainda por elas não infestadas. se espalham por novas áreas por meio de roupas e sapatos dos operadores. que poderão se transformar em sérios problemas para a região. limpar cuidadosamente máquinas. 5. mudas com torrão. o controle é de responsabilidade de cada agricultor ou cooperativas.Biologia e métodos de controle .

a capina manual.1 . é o método mais antigo de controle de plantas daninhas. feijão-de-porco e lablabe. Tremoço. em cana-de-açúcar. onde há agricultura de subsistência. esta é a única fonte de trabalho. a roçada.3 . no mesmo solo. em Módulo 3. a cobertura morta e o cultivo mecanizado. Consiste. a queima. variação do espaçamento da cultura. numa agricultura mais intensiva.Controle mecânico ou físico São métodos mecânicos de controle de plantas daninhas o arranque manual. a interferência destas plantas daninhas aumenta muito. ervilhaca. Rotação de culturas: cada cultura agrícola geralmente é infestada por espécies daninhas que possuem exigências semelhantes às da cultura ou apresentam os mesmos hábitos de crescimento. então. guandu. Contudo. mostarda. Coberturas verdes: as coberturas verdes são culturas geralmente muito competitivas com as plantas daninhas.2 . em lavouras de arroz. O principal efeito é a melhoria das condições físico-químicas do solo. ou monda. aveia e centeio são usadas na região Sul do Brasil. entretanto. em lavouras de milho. etc. uso de coberturas verdes. visando beneficiar o estabelecimento e desenvolvimento das culturas. em lavouras de trigo. apaga-fogo (Alternanthera tenella). A redução entre linhas geralmente proporciona vantagem competitiva à maioria das culturas sobre as plantas daninhas sensíveis ao sombreamento. dependendo da arquitetura das plantas cultivadas e das espécies infestantes. nabo. ano após ano. Essas práticas contribuem para impedir o aumento exagerado de determinadas plantas daninhas. estas plantas possuem também poder inibitório sobre outras e podem reduzir as infestações de algumas daninhas após serem incorporadas ao solo. Nas regiões subtropicais predominam mucuna-preta. Quando são aplicadas as mesmas técnicas culturais seguidamente. em usar as próprias características ecológicas das culturas e plantas daninhas. e para muitas famílias. e caruru-rasteiro (Amarantus deflexus). jardins e na remoção de plantas daninhas entre as plantas das culturas em linha. azevém anual. como rotação de cultura. Ainda hoje é usado para o controle em hortas caseiras.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 5.). quando o principal método de controle é o uso de enxada. Quando o principal objetivo é o controle de plantas daninhas. 5.Biologia e métodos de controle 37 . a inundação. Variação do espaçamento: a variação do espaçamento entre linhas ou da densidade de plantas na linha pode contribuir para a redução da interferência das plantas daninhas sobre a cultura. A capina manual feita com enxada é muito eficaz e ainda muito utilizada na nossa agricultura. a escolha da cultura em rotação deve recair sobre plantas com habito de crescimento e características culturais bem contrastantes.Controle cultural O controle cultural consiste no uso de práticas comuns ao bom manejo da água e do solo. O arranque manual. principalmente em regiões montanhosas. crotalárias. exemplos: capim-arroz (Echinoclhoa sp.

Outra técnica utilizada para o controle de plantas daninhas é a solarização. bem como sobre as plantas aquáticas. O espaço das entrelinhas é mantido roçado e. As principais limitações deste método são: a) dificuldade de controle de plantas daninhas na linha da cultura. onde o controle da erosão é fundamental. são totalmente erradicadas sob inundação prolongada.Biologia e métodos de controle . sendo um dos principais métodos de controle de plantas daninhas em propriedades com menores áreas plantadas. Os fatores limitantes deste método. feito por cultivadores tracionados por animais ou tratores.). a inundação é um efetivo método de controle de plantas daninhas. apenas não apresentando efeito sobre as plantas daninhas que se desenvolvem em solos encharcados. para uso dirigido nesta cultura. como tiririca (Cyperus rotundus). as sementes das plantas daninhas germinam e morrem em seguida. em virtude da suspensão do fornecimento de oxigênio para suas raízes. beiras de estradas e pastagens a roçada é um método de controle de plantas daninhas dos mais importantes. que são posteriormente mortas devido à impossibilidade de emergência. a cobertura do solo com restos vegetais da cultura anterior é de grande utilidade. Em solos planos e nivelados. em razão do custo do combustível. Todavia. Provoca aumento de temperatura e. em solo úmido. grama-seda (Cynodon dactylon). a roçada manual ou mecânica é um método muito importante para controlar plantas daninhas. Em pomares e cafezais. utilizando filme de polietileno sobre a superfície do solo. milho e trigo. por meio de outros métodos de controle. A cobertura provoca menor amplitude nas variações e no grau de umidade e da temperatura da superfície do solo. principalmente em terrenos declivosos. Esta deve ser feita antes do plantio. é de larga aceitação na agricultura brasileira. como nos tabuleiros de arroz. na maioria dos casos. Também em terrenos baldios. devido à temperatura excessivamente alta principalmente até 5 cm de profundidade. No plantio direto. através de adaptação de queimadores especiais em cultivadores tratorizados. capim-kikuio (Penisetum clandestinum)). A inundação mata as plantas sensíveis. o alto custo da mão-de-obra e a dificuldade de encontrar operários no momento necessário e na quantidade desejada fazem com que este método seja apenas complementar a outros métodos. esta técnica é de uso limitado no Brasil. já foi utilizada em algodão. É restrito a pequenas áreas de hortaliças. além de outros efeitos importantes sobre as culturas implantadas na área. estimulando a germinação das sementes das plantas daninhas da camada superficial de solo. devendo ser realizado quando as plantas daninhas estiverem ainda jovens e o solo não estiver muito úmido. são o custo do nivelamento do solo e a grande quantidade de água necessária para sua implantação. A cobertura do solo com restos vegetais em camada espessa ou com lâmina de polietileno é um meio físico-mecânico de controle das plantas daninhas. Quanto à queima das plantas daninhas com lança-chamas. e b) baixa eficiência: quando realizado em condições de chuva (solo molhado). Espécies perenes de difícil controle. como o capim-arroz (Echinochloa sp.1 . é mantida no limpo. a fileira de plantas. Este sistema de plantio é usado em extensas áreas de plantio de soja. O cultivo mecanizado. A cobertura morta ainda pode apresentar efeitos alelopáticos úteis no controle de certas espécies daninhas. em nível. é ineficiente para controlar plantas daninhas que 38 Módulo 3. além de muitas plantas daninhas anuais.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas áreas maiores.

todas as espécies anuais. quando jovens (2-4 pares de folhas). vírus. De modo geral. até o momento. no Havaí.4 . o cambará-de-espinho (Lantana camara) foi controlado pelos insetos Agromisa lantanae e Crocidosema lantanae. Dependendo do tamanho relativo das plantas cultivadas e daninhas. promover o controle das plantas daninhas na linha. e. reduzindo sua capacidade de competir. podem-se citar: na Austrália. E. o herbicida natural é registrado como Collego. Para que este tipo de controle seja eficiente. etc. f) Avaliação da efetividade em diferentes épocas do ano.Controle biológico O controle biológico consiste no uso de inimigos naturais (fungos. Deve também ser considerada como controle biológico a inibição alelopática de plantas daninhas exercida por outras plantas. o fungo Coletotrichum gloeosporeoides pode ser usado para controlar o angiquinho (Aeschynomene virginica) em soja e milho. ele não deve parasitar outras espécies.) capazes de reduzir a população das plantas daninhas. Módulo 3. a fim de correlacionar os níveis de infecção com a redução da densidade populacional do hospedeiro. O cultivo quebra a relação íntima que existe entre raiz e solo. insetos. c) Estudo e avaliação da ecologia dos vários inimigos naturais. nos pomares de citros. Nos Estados Unidos. com isso. aves. 5. uma vez eliminado o hospedeiro. bactérias. o deslocamento do solo sobre a linha. daninhas ou não (este assunto já foi discutido em módulo à parte). b) Seleção de inimigos naturais mais eficientes. o controle biológico de plantas daninhas com inimigos naturais não tem sido. o parasita deve ser altamente específico. No entanto.Biologia e métodos de controle 39 . Entre os diversos exemplos de controle biológico no mundo. peixes. porque pode controlar uma espécie e uma outra ser favorecida. o controle do cactus ou figo-da-índia (Opuntia spp. foi já usado o fungo Phythophthora palmivora. e) Acompanhamento da introdução e do estabelecimento do agente biocontrolador no campo. a eficiência do controle biológico é duvidosa quando ele é usado isoladamente.) com as larvas do inseto Cactoblastis cactorum. com o nome de Devine. através de enxadas cultivadoras especiais.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas se reproduzem por partes vegetativas. pode causar o enterrio das pequenas plântulas e. são facilmente controladas em condições de calor e solo seco. O controle biológico de plantas daninhas é muito complexo e seu estudo dever ser feito em etapas sucessivas. d) Determinação da especificidade dos hospedeiros. No Brasil. praticado com fins econômicos. para controlar Morrenia odorata. desde a pesquisa até a prática do controle biológico: a) Seleção de espécies de plantas daninhas a serem controladas. suspende a absorção de água e expõe a raiz às condições ambientais desfavoráveis. Isso é mantido por meio do equilíbrio populacional entre o inimigo natural e a planta hospedeira. ou seja.1 . o que é uma tendência normal em condições de campo.

descobriram o 2. para discutir os avanços da área de plantas daninhas e seu controle. no Brasil.WSSA. Zimmerman e Hitchock. 40 Módulo 3. a alelopatia. foi criada a Weed Science Society of América .4. nos Estados Unidos. 5. no Brasil. etc. O objetivo das pesquisas em nível mundial é obter herbicidas mais eficazes com doses menores.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas No Brasil. o controle biológico. hoje Sociedade Brasileira da Ciência das Plantas Daninhas (SBCPD). que se reúne de dois em dois anos em congresso nacional.5 . novos grupos químicos de herbicidas surgiram: Amidas (1952). quando associado a outros métodos de controle e será recomendado para espécies de plantas daninhas de controle comprovadamente difícil por métodos mecânicos e. e. Em 1908.) e marcou o início do controle químico de plantas daninhas em escala comercial. Egeria najas e Ceratophyllum demersum pelo pacu (Piaractus mesopotamicus). quando se controla uma espécie de planta daninha. Este herbicida é a base de muitos outros produtos sintetizados em laboratório (2. e temperaturas acima de 30 oC têm proporcionado melhor controle de Egeria (BORGES NETO et al. então. não podendo parasitar outras espécies. plantas aquáticas submersas que causam problemas em reservatórios de hidrelétricas. 2.Biologia e métodos de controle . Ainda. bem como a tecnologia de aplicação de herbicidas. Shultz (Alemanha) e Bolley (EUA) evidenciaram ação dos sais de cobre sobre algumas folhas largas. sempre uma outra é favorecida. O uso de tilápias. quando Bonnet (França). que tem evoluído muito nos últimos anos. Somente em 1942. Miyazaki e Pitelli (2003) verificaram controle de até 100% das espécies aquáticas Egeria densa. e os trabalhos científicos sobre o assunto são publicados em revistas especializadas da SBCPD (Planta Daninha e Revista Barsileira de Herbicidas). Também são áreas de interesse. em 1956.4-DB. o sulfato ferroso foi avaliado por Bolley. nos Estados Unidos. entre outras. etc. Triazinas simétricas (1956).5-T. 2005).1 . Já se sabe que o fotoperíodo influencia a eficiência de controle das espécies de plantas daninhas pelo fungo. para controle de folhas largas na cultura do trigo. em 1963. quando se pensa em seu uso como o único método de controle.4-D. isolados de Fusarium graminearum vêm sendo estudados como agente de controle biológico de Egeria densa e de Egeria najas. A partir de 1950.Controle químico As pesquisas visando o controle químico de plantas daninhas foram iniciadas entre 1897 e 1900. químico. Devido ao grande desenvolvimento da área de controle químico de plantas daninhas. indicando a necessidade de uso de outro método de controle.. ocorrem reuniões anuais de pesquisadores de herbicidas no cerrado (REPEC). foi fundada a Sociedade Brasileira de Herbicidas e Plantas Daninhas (SBHPD). carpas e outros peixes herbívoros é possível para controle de outras plantas aquáticas. A eficiência do controle biológico é duvidosa. Isso porque o parasita deve ser altamente específico. nos EUA. mais seguro para o homem e para o ambiente. O controle biológico é eficiente. Carbamatos (1951). ou.

Este valor. hoje está se tornando prática comum entre os pequenos.água (rios. uma vez que este possibilita as melhores condições de desenvolvimento e permanência das culturas. Portanto. 2005). difícil de ser encontrada no momento certo. o controle químico das plantas daninhas é mais eficiente. o herbicida é uma ferramenta muito importante no manejo integrado de plantas daninhas. É eficiente no controle de plantas daninhas na linha de plantio e não afeta o sistema radicular das culturas. 5. É importante considerar que todo herbicida é uma molécula química que tem que ser manuseada com cuidado. sendo a de maior importância o controle cultural. perfeitamente controlados e evitados.8 em 1997 (ANDEF/SINDAG. Permite o cultivo mínimo ou plantio direto das culturas. mas devem ser conhecidos. Permite o plantio a lanço e. havendo perigo de intoxicação do aplicador. A tendência ainda é de aumento.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas O consumo de herbicida no Brasil representa 7-9% do consumo total do mundo. Os riscos de uso existem. 3. alteração no espaçamento. uma vez que esta tecnologia. 4. O emprego do controle químico como único e generalizado implica a inviabilidade econômica da prática agrícola e sério desequilíbrio no sistema de produção. Menor dependência da mão-de-obra.214. em milhões de dolares. 2005). 6. solo e alimentos quando manuseados incorretamente. sendo essa a causa de cerca de 80% dos problemas encontrados na prática. 2. quando for necessário. principalmente. Pode se atribuir essa grande aceitação do uso de herbicidas pelos produtores ao fato de o controle químico das plantas daninhas proporcionar as seguintes vantagens: 1. Há necessidade de mão-de-obra especializada para aplicação dos herbicidas. evoluiu de 546. dos grupos aos quais pertencem os herbicidas e da tecnologia de aplicação é fundamental para o sucesso do controle químico das plantas daninhas. O emprego do controle químico de plantas daninhas deve ser feito juntamente com outras práticas de controle. lagos e água subterrânea).1 . Pode ocorrer também poluição do ambiente . desde que utilizado no momento adequado e de forma correta. Módulo 3. na quantidade e qualidade necessária. Pode controlar plantas daninhas de propagação vegetativa. cabendo ao controle químico apenas auxiliar quando necessário.Biologia e métodos de controle 41 . ou. Mesmo em épocas chuvosas. que é cada vez mais cara. que era quase exclusivamente utilizada por grandes e médios produtores. O conhecimento da fisiologia das plantas.6 em 1990 para 1. Atualmente estão sendo comercializadas no mercado brasileiro em torno de 200 marcas comerciais de herbicidas (RODRIGUES e ALMEIDA.

Considerando as condições brasileiras. Dez palavras-chave descrevem os processos recomendados. tendo. 9.Biologia e métodos de controle . permite a esta aproveitar eficientemente os recursos do meio. Muitas vezes faz-se necessária a associação de dois ou mais métodos para se atingir o nível desejado. constituindo-se. Monitorar sementes e espécies da área de produção. Desse modo. O nível de controle das plantas daninhas obtido em uma lavoura dependerá da espécie infestante. as quais possuem seu ciclo ou parte dele na época das águas. 10. em que se levam em conta todos os fatores que podem proporcionar à planta maior e melhor produção. Conhecer as espécies dominantes e suas interações. 4. A integração de diversos métodos de controle dentro do sistema de produção pode dificultar o crescimento e desenvolvimento de populações de espécies daninhas de difícil controle. da capacidade competitiva da cultura. do período crítico de competição.Manejo integrado de plantas daninhas (mipd) Cada vez mais o manejo integrado de pragas vem ganhando reforços em todos os setores agrícolas. dos métodos empregados. Avaliar os impactos ambiental. Desse modo. a maneira integrada de cultivo. Escolher a(s) tecnologia(s) de controle compatível(is) com sistema. Integrar os processos com as medidas de proteção das culturas. máxima sustentatibilidade de produção e mínimo risco. 2000). o manejo integrado de plantas daninhas. Um bom programa de manejo de plantas daninhas pode ser resumido em três situações básicas: máxima produção no menor espaço de tempo. 8.1 . etc. pode reduzir a dependência do uso de herbicidas e atrasar ou prevenir o aumento de espécies perenes geralmente associadas a sistemas de cultivo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 6 . e elas são um bom guia para o programa de manejo: 1. Estudar os métodos usados na propriedade. que consiste em “um sistema ambiental do campo onde são usados todos os conhecimentos e ferramentas disponíveis para a produção das culturas livres de danos econômicos da vegetação competitiva”. 6. 3. 2. Decidir quando o controle deve ser feito. Identificar as espécies-problema e suas densidades. para culturas anuais. Considerar os recursos e as necessidades do fazendeiro. no controle integrado. fica evidente que. Prever populações e mudanças de populações de plantas daninhas. propondo uma série de medidas que se enquadraram no conceito de integração (CONCEIÇÃO. sua base reforçada no campo da entomologia quando pioneiros promoveram o estudo dos problemas do algodoeiro no Nordeste do país. 5. esse fato. no Brasil. das condições ambientais. os métodos culturais se apresentam como os 42 Módulo 3. 7. social e econômico a curto e a longo prazo.

permanecendo dormentes (Fig. com a adoção do sistema de plantio direto utilizando herbicidas sistêmicos para dessecação. transformando esta espécie daninha extremamente problemática em uma espécie comum.1 . toda a palhada da cultura permanece na área à superfície. Dessa forma. 2004) e também mais estável do ponto de vista ambiental (SANTOS et al. Os maiores benefícios do sistema de plantio direto no manejo integrado da tiririca são obtidos devido à integração do controle químico proporcionado pelo uso do herbicida sistêmico para dessecação da vegetação em pré-plantio. aplicados no momento correto. ou seja.. consegue-se ótimo manejo integrado da tiririca. 5). tornando o sistema menos dependente do controle químico (JAKELAITIS et al. 4). no plantio direto. independentemente se para produzir milho para grão ou para silagem.. sendo que em três anos a redução no banco de tubérculos no solo pode chegar a mais de 90% (JAKELAITIS et al. a ponto de não acarretar reduções de produção das culturas infestadas (Fig.Biologia e métodos de controle 43 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas mais adequados para integração com o controle químico. em relação ao plantio convencional. 2005) Módulo 3. Quando a finalidade de uso do solo é para milho grão. Neste sistema. visando a redução do número de propágulos de espécies de difícil controle em áreas agrícolas. é possível obter redução nos níveis populacionais da tiririca a favor do plantio direto. evitando assim sua disseminação e seu rápido crescimento. Dessa forma. a capacidade de brotação dos tubérculos de tiririca coletados sob solo no sistema integrado é diminuída com o passar do tempo. no milho para silagem toda palhada da cultura anterior e retirada da área. a forrageira cultivada em consórcio com a cultura principal reduz a interferência de muitas espécies de plantas daninhas. 2003). Em dois anos nesse sistema. como a cultura do milho e feijão. principalmente no período de desenvolvimento das culturas sensíveis à interferência das plantas daninhas. aliado ao fato de não revolver o solo. tanto para a cultura do milho quanto para o feijoeiro. Além disso. 45 dias após a emergência. Um bom exemplo da aplicação do Manejo Integrado pode ser observado pelo excelente manejo da tiririca na cultura do milho e do feijão graças à utilização do sistema de plantio direto e conhecimentos da biologia das espécies envolvidas. Ao contrário. os níveis populacionais da tiririca podem ser diminuídos. ou incoporada ao solo. ao controle cultural exercido pela falta de revolvimento do solo e conseqüente ausência de fragmentação das estruturas vegetativas da tiririca e à adoção de culturas altamente competitivas. têmse observado excelentes resultados no manejo da tiririca.. com uso de herbicidas sistêmicos usados como dessecantes. principalmente por luminosidade. da ordem de 90 a 95%. Outro exemplo de manejo integrado de plantas daninhas tem sido praticado em diversas regiões do Brasil quando se adota o sistema integrado agricultura-pecuária. aliado ao controle cultural. No plantio direto. no plantio convencional.

após três anos de adoção 44 Módulo 3.Biologia e métodos de controle .População de tiririca nas culturas de milho e feijão nos sistemas de plantios convencional e direto (após dois anos de adoção do manejo integrado de plantas daninhas –MIPD) aos 30 DAP Figura 5 – Brotação de tubérculos de tiririca coletados em campo em áreas de plantio convencional e em área onde se adotou o plantio direto com o manejo integrado dessa espécie infestante.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 4 .1 .

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Lino Roberto Ferreira Profº.Manejo de plantas daninhas 3. Antonio Alberto da Silva Profº.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação Tutores: Profº.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 .ABEAS Universidade Federal de Viçosa .DF 2006 48 Módulo 3.2 .Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . José Barbosa dos Santos Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior . Francisco Affonso Ferreira Profº.UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília .2 .

7. 73 4. 55 4. 80 4.2 .6.1.5.3.1 . 51 1 .Caracterização de alguns herbicidas auxínicos.Características gerais dos inibidores do fotossistema II.3. 80 4.Mecanismo de ação.Mecanismo de ação.2 .Mecanismo de ação das cloroacetanilidas.2 . 75 4.52 3 .4 .2. 62 4.6.5 .1 .Caracterização de alguns herbicidas inibidores da PROTOX.53 4 .2. 68 4.3 .7.3 .1 . 79 4. 55 4.7 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 49 . 83 4.Herbicidas inibidores da Protox.1 .Mecanismos de seletividade.Quanto à época de aplicação. 79 4.Herbicidas Inibidores do Fotossistema I.Inibidores da síntese de ácidos graxos de cadeias muito longas (VLCFA). 58 4.Herbicidas auxínicos ou mimetizadores de auxina.Herbicidas inibidores da fotossistama II.3 .8 .4 .1 . 73 4. 79 4.5.Herbicidas inibidores do arranjo dos microtúbulos.Algumas imidazolinonas.3. 77 4.3 . 70 4. 56 4.Principais características. 54 4.2 .Quanto à translocação.Caracterização de Alguns Herbicidas Inibidores do Fotossistema II.4.6 .4.Caracterização de alguns herbicidas inibidores dos microtúbulos.2 . 74 4.Quanto aos mecanismos de ação.3 .1 .Características de algumas cloroacetanilidas. 88 Módulo 3. 75 4.1. 76 4.Herbicidas inibidores da acetolactato sintase.Mecanismo de ação. 61 4.2. 73 4.Mecanismo de ação. 85 4. 68 4.Características gerais.Problemas causados pela utilização incorreta de herbicidas auxínicos.3 . 60 4.2.3 .Quanto à seletividade. 53 4.2 . 68 4.6.1.Principal herbicida do grupo. -51 2 . 58 4.4.1 .Principais características.1 .5.Herbicidas inibidores da EPSPs.2 .Principais características.Algumas sulfoniluréias.Seletividade.2 .2 .

95 Referências bibliográficas.1 .3 .2 .Mecanismos de ação. 91 4.9.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .2 .1 . 99 50 Módulo 3.9.Mecanismo de ação.Características gerais.2 .Caracterização de alguns inibidores da ACCase.9. 92 4.Principais características. 89 4.9 .8.Herbicidas inibidores de carotenóides. 88 4.Herbicidas inibidores da ACCase.10 . 91 4.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4.8. 93 4.

época de aplicação. Normalmente são recomendados para uso como dessecantes ou em aplicações dirigidas. 1 .2 . imazethapyr para a soja. o metribuzin é seletivo apenas quando aplicado em pré-emergência. glyphosate. do tipo de solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução Os herbicidas podem ser classificados de diversas maneiras. Exemplos: diquat. Todavia. Essas características individuais permitem estabelecer grupos afins de herbicidas com base em sua seletividade. é possível tornar um herbicida não-seletivo a seletivo para determinada espécie. pois depende do estádio de desenvolvimento das plantas. 1995a). dentro de determinadas condições. exemplo: a soja trasgênica resistente ao glyphosate. Módulo 3. de acordo com as características de cada um. atrazine para o milho. Como exemplo. paraquat. por exemplo. etc.Quanto à seletividade Herbicidas seletivos São aqueles que. estrutura química e mecanismo de ação (WARREN. translocação. e mesmo assim a dose tolerada é dependente das condições edafoclimáticas. etc. tem-se 2. Herbicidas não-seletivos São aqueles que atuam indiscriminadamente sobre todas as espécies de plantas. Todavia.4-D para a cana-deaçúcar. etc. Para soja. da dose aplicada. a seletividade é sempre relativa. das condições climáticas. são mais tolerados por uma determinada espécie ou variedade de plantas do que por outras. fomesafen para o feijão. HESS. por meio da biotecnologia.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 51 .

etc. clorimuron-ethyl. apesar penetrarem também pelas raízes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2 . pois muitas vezes. neste caso. das condições nas quais ele apresenta melhor desempenho. também. exemplos: glyphosate. ele pode ser aplicado em pós-emergência de ambas (plantas daninhas e culturas). Esses produtos normalmente são não-seletivos. que pode ser usado em tomate em pré e em pósemergência tardia ou após o transplante. apresentam curto efeito efeito residual e quase sempre são utilizados como dessecantes. nicosulfuron em milho. Entretanto. de solubilidade muito baixa em água e. quando atigem o solo. Também. Estes produtos podem. se o herbicida é seletivo para a cultura. ou. Pós-plantio Dependendo da atividade dos herbicidas sobre as plantas. ele é muito tóxico à soja. pode-se também misturar. imazethapy. por esta razão. etc. como é o caso do glyphosate e paraquat aplicados no plantio direto de milho. ou. exemplos: flumioxazin. como é o caso do metribuzin. ser não-seletivos para a cultura e. Quando aplicado após o preparo do solo e incorporado a este antes do plantio. feijão. paraquat. metsulfuron-methyl em trigo.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . na cultura da soja somente pode ser usado em pré-emergência. estes devem ser aplicados antes da emergência (pré-emergência) desta ou de forma dirigida. são desativados (sorvidos).Quanto à época de aplicação Pré-plantio Quando o herbicida é muito volátil. ele necessita ser incorporado ao solo. Todavia. eles devem ser aplicados em pré ou em pós-emergência das culturas ou das plantas daninhas. Quando são absorvidos apenas pelas folhas. etc. em culturas perenes como fruteiras. aplicado em pré-plantio e incorporado. deve ser aplicado antes do plantio. no sistema de plantio direto (cultivo mínimo). trigo. imazaquin. etc. ainda. em aplicação dirigida. até mesmo em subdoses. como é o caso do trifluralin. pois em pós-emergência. fotodegradável. Contudo. exemplo: sethoxydim em tomate. Se o herbicida é absorvido pelas folhas e raízes.2 . a estes. reflorestamento e lavouras de café. Estes podem ou não auxiliar na dessecação das plantas. ou seja. diz-se que este herbicida é aplicado em PPI. porém têm como objetivo principal garantir o controle inicial das plantas daninhas na implantação da lavoura. especialmente ao glyphosate. visando facilitar o plantio e promover cobertura morta do solo. Outro 52 Módulo 3. eles somente devem ser aplicados em pós-emergência das plantas daninhas. outros que possuem maior efeito residual no solo. feijão e soja. a sua aplicação em pré ou pós-emergência vai depender da tolerância da cultura e. alguns herbicidas devem ser aplicados antes do plantio. metribuzin.

Quanto à translocação Os herbicidas podem ser de contato quando atuam próximo ou no local onde eles penetram nas plantas. picloram. É importante lembrar que um mesmo herbicida pode influenciar vários processos metabólicos na planta. THILL. inibidores do arranjo dos microtúbulos.HESS. “Modo de ação” refere-se à seqüência completa de todas as reações que ocorrem desde o contato do produto com a planta até a sua morte ou ação final do produto. lactofen. imazethapyr. inibidores do fotossistema I. podem apresentar ação de contato. 1973. exemplos: paraquat. 3 . aumentando a sua penetração pelas folhas. Ele terá necessariamente que penetrar no tecido da planta.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas exemplo seria o herbicida atrazine. O simples fato de um herbicida entrar em contato com a planta não é suficiente para que ele exerça sua ação tóxica. 4 . deve-se adicionar à calda óleo mineral visando solubilizar parte da cera epicuticular. Estes produtos. etc. porém com efeito final menor. atingir a célula e posteriormente a organela. inibidores da PROTOX. pelo floema ou por ambos.4-D. ele é considerado sistêmico. já a primeira lesão bioquímica ou biofísica que resulta na morte ou ação final do produto é considerada “mecanismo de ação”. 1995). flazasulfuron. (WARREN. Módulo 3. diquat. Inibidores da GS.Quanto aos mecanismos de ação É interessante que se faça distinção entre os termos usados rotineiramente quando se refere a herbicida: “modo e mecanismo de ação de herbicida”. quando utilizado em pós-emergência. etc. CRAFTS. Neste caso.2 . nicosulfuron. Quando o movimento (translocação) do herbicida é via floema ou floema e xilema. como é o caso de 2. os herbicidas podem ser classificados em: mimetizadores de auxinas (auxínicos). Estes herbicidas sistêmicos são capazes de se translocarem a grandes distâncias na planta. recomendado para as culturas de milho e sorgo. etc. inibidores da EPSPs. a ação do produto pode ser mais rápida. entretanto a primeira lesão que ele causa na planta pode caracterizar o seu mecanismo de ação (ASHTON. Os herbicidas também podem se movimentar (translocar) nas plantas pelo xilema. A este produto. porque a morte rápida do tecido condutor (floema) limita a chegada de dose letal do herbicida a algumas estruturas reprodutivas das plantas. LIEBL. 1995.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 53 . quando usados em doses muito elevadas. Quanto ao mecanismo de ação. inibidores da ACCase. 2003a). inibidores da síntese de carotenóides. inibidores da ALS. glyphosate. inibidores do fotossistema II. onde atuará para que seus efeitos possam ser observados.

porque eles marcaram o início do desenvolvimento da indústria química (THILL. podendo levá-las à morte. Estes herbicidas induzem intensa proliferação celular em tecidos. Figura 1 . verifica-se crescimento desorga¬nizado. sendo extensivamente utilizada em culturas de arroz.Herbicidas auxínicos ou mimetizadores de auxina Esta classe de herbicidas é uma das mais importantes em todo o mundo. conseqüentemente. verificam-se rapidamente aumentos significativos da enzima celulase. 2003a). causando epinastia de folhas e caule. notadamente nas raízes. as espécies sensíveis têm seu sistema radicular rapidamente destruído. 1973).2 .4-D e o MCPA são os mais importantes. além de interrupção do floema. provocado pelo acúmulo de proteí¬nas e. 1). Historicamente. Após aplicações de herbicidas auxínicos. Esse alongamento celular parece estar relacionado com a diminuição do potencial osmótico das células.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. Essa perda da rigidez das paredes celulares é provocada pelo incremento na síntese da enzima celulase. o 2.1 . em plantas sensíveis. milho. especialmente da carboximetilcelulase (CMC).Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . engrossamento das gemas terminais e morte da planta (Fig. Em conseqüência dos efeitos desses herbicidas. mais especificamente. induzem mudanças metabólicas e bioquímicas. CRAFTS. Acredita-se que estes produtos interfiram na ação da enzima RNA-polimerase e. também. Estudos sugerem que o metabolismo de ácidos nucléicos e os aspectos metabólicos da plasticidade da parede celular são seriamente afetados. em poucos dias ou semanas. na síntese de ácidos nucléicos e proteínas (ASHTON. rapidamente. Por esse motivo. pelo efeito destes produtos sobre o afrouxamento das paredes celulares. quando aplicados em plantas sensíveis. epinastia das folhas e retorcimento do caule. Os herbicidas auxínicos. impedindo o movimento dos fotoassimilados das folhas para o sistema radicular. que leva estas espécies a sofrer. trigo e cana-de-açúcar e em pastagens.Sintomas leves de intoxicação de plantas de algodão (A) e ação final do produto sobre plantas de Raphanus raphanistrum (B) 54 Módulo 3.

As seguintes medidas são recomendadas para reduzir problemas com a utilização destes herbicidas: a) Evitar o uso de formulações que apresentam elevada pressão de vapor (muito voláteis).1.4-D apenas em aplicação dirigida.4-D após o perfilhamento e antes do emborrachamento. exemplos: para arroz e trigo deve-se usar o 2. c) Usar baixa pressão para aplicação. b) Usar maior tamanho de gotas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4.4-D. podendo.Seletividade A seletividade dos herbicidas auxínicos pode ser dependente de diversos fatores: 1.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 55 . sendo estes protegidos pelo esclerênquima em gramíneas (monocoti¬ledôneas).2 . fumo.1 . podem causar sérios problemas técnicos. 4. Alguns desses produtos podem permanecer ativos no solo por longo período.3-D-4-OH. se aplicado fora do estádio de desenvolvimento recomendado. tomate. Nas culturas de arroz e trigo. Essa característica especial das monocotiledôneas pode prevenir a destruição do floema pelo crescimento desorganizado das células. Arranjamento do tecido vascular em feixes dispersos.2 . causada pela ação de herbicidas auxínicos. Por exemplo.1. resíduos deixados em pulverizadores mal lavados e contaminação de água de irrigação por estes herbicidas. em uva. sais ou ésteres. algodão. em condições de campo. cada um dos diferentes princípios ativos. deve-se usar 0 2. Deriva. etc.5 dicloro-4 hidroxifenoxiacético e 2. derivados do ácido picolínico podem causar fitotoxicidade. principalmente em aplicações aéreas. se aplicado em pós emergência total ocorrem sérios problemas de fitotoxicidade. em doses extremamente baixas. Módulo 3.4-D para 2. É comum a aril hidroxilação resultar na perda da capacidade auxínica destes herbicidas. 2. ser comercializado isoladamente ou em misturas. Aril hidroxilação do 2. além de facilitar a sua conjugação com aminoácidos e outros constituintes da planta. sendo esta a principal rota para o metabolismo do 2. Algumas espécies de plantas podem excretar estes herbicidas para o solo através de seu sistema radicular (exsudação radicular). se praticável. e na cultura do milho. 4. comprometendo de maneira severa o rendimento de culturas e a qualidade do ambiente. Na cultura do milho (4-6 folhas). exigindo cuidados especiais para se realizar rotação de culturas. recebendo nomes comerciais diversos. que são espécies altamente sensíveis.Problemas causados pela utilização incorreta de herbicidas auxínicos Todos os herbicidas auxíncos são derivados de ácidos fracos e podem ser formulados nos seus respectivos ácidos. d) Evitar a aplicação quando o vento estiver em direção às culturas. Estádio de desenvolvimento das plantas.. 3.

É muito utilizado em misturas com inibidores da fotossíntese na cultura da cana-de-açúcar. é usado para controlar plantas daninhas perenes. a decomposição é consideravelmente reduzida. Apresenta solubilidade de 600 mg L-1. no mercado brasileiro. em fruteiras e lavouras de café. Usar. 2005). acumulando-se nas regiões meristemáticas dos pontos de crescimento. a resistência a estes herbicidas hormonais é reduzida. As formulações aminas são mais adsorvíveis no solo do que as de éster e. toxicidade. sendo esta a condição para ótima atividade do produto. Em solos secos e frios. e com glyphosate.Caracterização de alguns herbicidas auxínicos 2. mais lixiviáveis.4-D não excede a quatro semanas em solos argilosos e clima quente. gramados e culturas gramíneas (arroz. O 2. 4. Dicamba 56 Módulo 3. pka de 2. etc. durante o florescimento. para uso no plantio direto e em aplicações dirigidas. xilema. etc.Em ambos os casos o 2. Em mistura com o picloram.). Movimenta-se pelo floema e. milho. entretanto. e aquelas à base de sal são rapidamente absorvidas pelo sistema radicular das plantas. a atividade residual do 2. é encontrado em dife¬rentes formulações e marcas comerciais. Em doses normais.2 . Transloca-se com grande eficiência em plantas com elevada atividade metabólica. com menor movimentação. porque são altamente solúveis.8 e Koc médio de 20 mg g-1 de solo para formulações ácido ou sais e de 100 mL g-1 de solo para ésteres (RODRIGUES. cana-de-açúcar. Cada formulação pode apresentar características físico-químicas diferentes. persistência no ambiente.4-D se transloca por toda a planta pois se movimenta tanto pelo xilema quanto pelo xilema.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas e) Tomar cuidado especial com a lavagem do pulverizador após as aplicações. Apresenta persistência curta a média nos solos.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . plantas ganham maior tolerância com a idade. amoníaco ou carvão ativado.4-D) foi o primeiro herbicida seletivo descoberto para o controle de plantas daninhas latifoliadas anuais.4 diclorofenoxiacético (2. portanto. volatilidade.4-D Sal ou éster amina do ácido 2. ou. As formulações ésteres e ácidas são prontamente absorvidas pelas folhas. Em geral.4-D. É recomendado para pastagens. conferindo ao produto características dife¬renciais quanto à seletividade. ALMEIDA. trigo. enquanto as de éster são praticamente insolúveis e. além de detergente.3 . em pastagens.1.

Sendo um herbicida de alta solubilidade em água. 6-dicloro-2-metoxibenzoico (dicamba) é facilmente translocado pelas plantas via floema e. É muito pouco adsorvido pelos colóides de argila e mais pela matéria orgânica do solo. dependendo da intensidade.). como o cipó-de-veado (Polygonum convolvulus L. na planta. para controlar arbustos e árvores.6 tricloro-2-piridinacarboxílico (picloram) é um produto extremamente ativo sobre dicotiledôneas. algodão. 2001). Kow: 1.4-D para o controle de plantas em culturas de canade-açúcar.87. o que dificulta a absorção e translocação do herbicida até as raízes (SILVA et al.). em razão de sua longa persistência no solo (dois a três anos). Picloram O ácido 4-amino 3.29. Esta mistura pode ser usada em área total ou em áreas localizadas. ALMEIDA. xilema. para evitar a rebrota de espécies-problema como o leiteiro (Peschiera funchsiaefolia) e outras. considerando o controle de plantas daninhas herbáceas e arbustivas. da evaporação. formando o Tordon. tomate.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas O sal de dimetilamina do ácido 3. sendo recomendado de modo semelhante ao 2. perenes e de árvores. antes que se inicie o processo de cicatrização. etc. Quando aplicação é feita no toco é fundamental que esta seja realizada imadiatamente após o corte da árvore.4 a pH 7. A mistura (picloram + 2. Também.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 57 . e koc de 2 mg g-1 de solo. Dontor ou Manejo. pode permanecer ativo na matéria orgânica proveniente de pastagens tratadas com este produto (RODRIGUES. O picloram.4-D. do movimento capilar da água e. que podem apresentar severos sintomas de intoxicação.4-D.. sendo muito utiliza¬do em misturas com o 2. e Koc médio de 16 mg g-1 de solo. pimentão. comuns em lavouras de trigo.0 e 83. apre¬senta efeito lento.2 a pH 1.5. em solos de textura arenosa. e também com fluroxypyr formando o Plenum. está sujeito a lixiviação.3. Para o controle de árvores. Módulo 3. porém extremamente persistente (a planta não consegue metabolizar rapidamente o picloram). pode ser feito o pincelamento ou a pulveri¬zação dos tocos. É muito utilizado para controlar algumas espécies de dicotiledôneas tolerantes ao 2.2 . Kow: 0.4-D) é muito utilizada em pastagens para o controle de plantas daninhas anuais. fumo. na região Sul do Brasil. Apresenta longa persistência (meia-vida de 20 a 300 dias) e fácil mobilidade no solo. Apresenta pka: 2. ou. Deve ser observado o período residual para o cultivo de espécies altamente sensíveis (videira. até mesmo quando cultivadas em solos adubados com esterco proveniente de pastagens tratadas com picloram e pastoreadas logo depois. pka: 1. Apresenta maior efeito sobre dicotile¬dôneas. milho e trigo e em pastagens. 2005). ou. Apresenta solubilidade de 720. É fracamente adsorvido pela matéria orgânica ou argila.000 mg L-1. podendo se acumular no lençol freático raso.

entre outras (RODRIGUES.26 x 10-6 mm Hg a 25 oC. etc. Nas condições normais. sua meia-vida é de 20 a 45 dias. a quinona 58 Módulo 3. com as plantas em pleno vigor vegetativo.64 a pH 5 e 0. É recomendado para uso em pós-emergência. pode haver lixiviação (RODRIGUES. pressão de vapor de 1. chamada “Qb”. soja. Nunca fazer aplicações aéreas a menos de 2. Interromper imediatamente as aplicações se houver mudança na direção do vento. Kow: 2. Deve ser aplicado de outubro a março (no período chuvoso).. também presa na proteína.2.2 . 2005). sem a interferência de inibidores do fotossistemoa II. 2005). umidade relativa >50% e temperatura < 30°C. 2004).2 . sendo largamente utilizados nas cultu¬ras de grande interesse econômico. Quando um segundo elétron é transferido para a plastoquinona “Qb”. pka: 2. feijão. cana-de-açúcar. milho. com ventos de 0 a 6 km h-1. as proteínas e outras substâncias químicas envolvi¬das na reação da fotossíntese estão localizados nos cloroplastos. hortaliças. É também muito eficiente e seletivo para controlar dicotiledôneas infestantes de áreas cultivadas com gramas: jardins. por sua vez.68.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . e Koc médio de 20 mL g-1 de solo. em aplicação foliar. como arroz. Em solos leves. A aplicação poderá ser por equipamentos terestres ou por avião quando as áreas estiverem infestadas densamente por plantas daninhas de pequeno e médio porte. 4. (FREITAS et al. fruteiras. 4. ALMEIDA. gerando um elétron “excitado”. Apresenta solubilidade em água de 23 mg L-1. para uma outra molécula de plastoquinona.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Triclopyr O ácido [(3. açudes. Seu grau de adsorção depende do pH do solo.000 m de culturas sensíveis.36 a pH 7. em área total para controle de plantas daninhas em pastagens e arroz.. porém é rapidamente degradado no solo.Herbicidas inibidores da fotossistama II São de grande importância na agricultura brasileira e mundial. campo de futebol. Este elétron é transferido para uma molécula de plastoquinona presa a uma mem¬brana do cloroplasto (Qa).Mecanismo de ação Os pigmentos. dependendo do tipo de solo e das condições climáticas. O vento deverá estar soprando da cultura sensível para a área de aplicação.5. A molécula da plastoquinona “Qa” transfere o elétron. a energia luminosa capturada pelos pigmentos (clorofila e carotenóides) é transferida para um “centro de reação” especial (P680). algodão. durante a fase luminosa da fotossíntese.6-tricloro-2-piridinil) oxi] acético (triclopyr) apresenta ação semelhante ao picloram.1 . sob condições de alta pluviosidade. ALMEIDA.

Essa proteína é chamada D-1. por alguma razão não conhecida. ao sítio da plastoquinona “Qb”. naftoquinonas. Diversos análogos do fenol foram descritos como inibidores fotossistema II. quando se prendem à proteína.2.Esquema do transporte de elétrons na fotossíntese. no sítio onde se prende a plastoquinona “Qb”. benzoquinonas.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 59 . onde a plastoquinona “Qb” se prende e onde os herbicidas vão se prender também. A associação com a proteína se dá com aminoácidos diferentes no sítio para cada biótipo. seja válida para outros produtos desse mesmo grupo químico. 1995a. WELLER. Atualmente. sendo conhecida também como proteína 32 kilodaltons. formando uma plastoidroquinona (QbH2). ocasio¬nando a saída da plastoquinona e interrompendo o fluxo de elétrons entre os fotossistemas. 2003). quinolonas. Isso impede que uma mudança na sequência de aminoácidos da proteína (mutação) tornando esse biotipo resistente aquele herbicida. impedindo sua destruição. sabe-se que a clorose foliar que Módulo 3. Sabe-se. como pode ser visto na Fig. dioxobenzotiazoles e cianoacrilatos. Esse fato demonstra que algo mais que a simples inibição do fotossistema II está ocorrendo. com baixa afinidade para se prender na proteína. dos fenóis. por exemplo. Estes herbicidas. das uréias substituídas. Herbicidas derivados do fenol (dinoseb. pironas. bromoxynil e ioxynil). De modo geral. a função da plastohidroquinona é transferir elétrons entre os fotossis¬temas II (P68O) e I (P7OO). Plantas suscetíveis tratadas morrem mais rapidamente quando pulverizadas na presença da luz do que quando pulverizadas e colocadas no escuro. Alguns exemplos: piridonas. (HESS. A proteína D-1 é hoje muito conhecida. fica entre a quarta e quinta hélices que atravessam as membranas dos cloroplastos e a hélice paralela que liga as duas. o que aumenta o efeito inibitório destes. Muitos herbicidas inibidores do fotossistema II (derivados das triazinas. Figura 2 . prendendo-se. esta proteína é destruída rapidamente pela ação da luz. O sítio.2 . ou bolso. não evitam a destruição da proteína D-1 pela luz.) causam essa inibição prendendo-se na proteína. Além da competição em si pelo sítio na proteí¬na. Fonte: Warren e Hess (1995) Os derivados das triazinas e das uréias substituídas são conhecidos por se prenderem justamente ao sítio dos elétrons da proteína D-1. que ela tem uma configuração de cinco hélices que atravessam a membrana do cloroplasto (tilacóide) e duas hélices paralelas que se interligam. Estes herbicidas competem com a plastoquinona “Qb” parcialmente reduzida (QbH) pelo sítio na proteína D-1. etc. os herbicidas apresentam maior tempo de residência no sítio do que a plastoquinona “Qb”. também. De maneira simplificada. como fazem os “clássicos”. aumentam a estabilidade desta na presença da luz.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas reduzida torna-se protonada (dois íons de hidrogênio são adicionados).

Na presença do herbicida. Essa molécula de oxigênio carregada contribui para o processo de formação dos radicais lipídicos nos ácidos graxos insaturados da membrana. declina poucas horas após o tratamento.2. 1995). 4. não podendo transferir o elétron ao centro de reação P680 (fotossistema II). todos eles podem ser absorvidos pelas raízes. plantas perenes somente são eliminadas por esses herbicidas quando tratadas via solo. 60 Módulo 3.2 .Características gerais dos inibidores do fotossistema II • • • • A taxa de fixação de CO2 pelas plantas sensíveis. ela sai do estado neutro (sem carga) e vai para um estado de energia simples.Estrutura esquemática da membrana de um cloroplasto Fonte: Warren e Hess (1995) Quando a clorofila aceita um elétron. Essa molécula de clorofila. Todos eles translocam-se nas plantas apenas via xilema. entretanto. por esse motivo. para que a clorofila não se destrua. Esse excesso de energia (clorofila triple) causa o início da peroxidação de lipídios por dois mecanismos: a: formação direta de radical lipídico nos ácidos graxos insatura¬dos da membrana do cloroplasto.2 . dado pelos carotenóides. Aparentemente. que é normalmente transferido para o centro de reação (P680).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ocorre após o tratamento é devida a rompimentos na membrana dos pigmentos causados pela peroxidação de lipídios (ácidos graxos insaturados) da membrana (Fig. Figura 3 . e b: a clorofila de carga tríplice também reage com oxigênio e produz um oxigênio reativo (oxigênio singlet). a velocidade de absorção foliar é diferente para cada produto deste grupo.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . no estado de energia simples. Em casos nor¬mais. é sobrepujado pelo excesso de clorofila no estado de alta energia. 3). aparecendo os sinais de necrose foliar (WELLER. o sistema de prote¬ção. Essas reações dão início ao processo de peroxidação das membranas. a carga é repassada aos carotenóides. tornase ainda mais carregada e mais reativa (estado de energia tríplice). tratadas com esses herbicidas. Estes herbicidas não provocam nenhum sinal visível de intoxicação no sistema radicular das plantas. Esta clorofila não retorna ao estado anterior quando o fluxo de elétrons é interrompido pela ação do herbicida que se prendeu ao sítio da plastoquinona “Qb”.

podendo levá-la à morte. são variáveis para cada tipo de solo. Plantas que estão se desenvolvendo em condições de baixa lumino¬sidade são mais suscetíveis a esses herbicidas.este fato pode ser devido à anatomia e. Módulo 3. Apresentam pouca ou média mobilida¬de no perfil do solo. não atingindo o local de sua absor¬ção pela planta (sistema radicular). tem-se a seletividade do diuron para a cultura do algodão. Elas apresentam menor barreira cuticular à penetração dos herbicidas e. o diuron não causa intoxicação à cultura do algodão quando utilizado em pré-emergência. Tem sido observado. Como exemplo. ou se for aplicado em solo de textura arenosa e com baixo teor de matéria orgânica.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • • • • • • • • Quando esses herbicidas são usados em pós-emergência. morfologia das folhas e raízes e. Normalmente. Neste caso.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 61 . Em geral. de adição de adjuvante (estes produtos podem apresentar difícil penetração foliar e não são sistêmicos). Na realidade. A persistência agronômica destes herbicidas no solo é extremamente variável. necessita-se de boa cobertura foliar da planta e. podendo garantir a seletividade de determi¬nadas espécies. inseticidas ou fungi¬cidas inibidores da colinesterase. estes herbicidas são muito adsorvidos pelos colóides orgânicos e minerais do solo.3 . menor reserva de carboidratos.2. ainda. ao tipo de formulação utilizado. 4. com relativa freqüência. o aparecimento de novas espé¬cies de plantas daninhas resistentes a estes herbicidas (atuam em sítio de ação específico). quando aplicadas diretamente no solo. 1995). porque este produto é muito pouco móvel no perfil do solo. torna-se necessário fazer rotação com outros herbicidas que apresentam mecanismo de ação diferente. Todos os herbicidas inibidores do fotossistema II apresentam toxicidade muito baixa para mamíferos. pois possuem pressão de vapor muito baixa. estes herbicidas não apresentam problemas de deriva por volatilização. se o diuron for incorporado mecanicamente ao solo. ou. Por este motivo. pode se verificar perda de seletividade do herbicida. ele poderá entrar em contato com o sistema radicular do algodão e causar severa intoxicação à cultura. o herbicida não será absorvido em quantidade suficiente para intoxicar a cultura. as doses recomendadas. Absorção diferencial por folhas e raízes .Mecanismos de seletividade As causas pelas quais os herbicidas inibidores do fotossistema II são seletivos são diversas e variam de cultura para cultura (WELLER. Por estas razões. Alguns herbicidas deste grupo apresentam seletividade “toponômica” ou seletividade por posição. Todavia. ainda. Neste caso. É comum ocorrer efeito sinérgico quando se aplicam inibidores do fotostema II em mistura com outros herbicidas.2 . também. podendo ser curta para alguns produtos (< 30 dias) ou muito longa (> 720 dias) para outros.

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Translocação diferencial das raízes para as folhas - isto ocorre devido à presença de glândulas localizadas nas raízes e ao longo do xilema, que adsorvem estes produtos, impedindo que sejam translo¬cados até seus sítios de ação, localizados nos cloroplastos. Metabolismo diferencial - algumas espécies de plantas, em suas raízes ou em outras partes, possuem enzimas que são capazes de metabolizar as moléculas de determinados herbicidas, transformando-os rapida¬mente em produtos não-tóxicos para as plantas. Como exemplo, pode-se citar o milho e o sorgo, que apresentam em suas raízes teores elrvados de benzoxazinonas. Estes compostos podem promover rápida degradação da molécula de atrazine por meio de reações de hidroxilação, dealquilação, ou ainda a conjugação dessa molécula com polipetídeos naturais, tornando estas culturas tolerantes a este herbicida. Outro exemplo seria a seletividade da cultura de arroz ao herbicida propanil. Esta cultura apresenta concentrações de dez a trinta vezes da enzima arilacilamidase em realação às principais gramíneas infestantes do arroz. Elevadas concetrações da arilacilamidase, nas folhas de arroz, garantem a degradação do propanil antes que estes atinjam os cloroplastos (sítio de ação primário deste herbicida), o que não ocorre com as gramíneas infestantes dessa cultura. 4.2.4 - Caracterização de Alguns Herbicidas Inibidores do Fotossistema II Atrazine

O 6-cloro-N-etil-N’-(1-metiletil)-1,3,5-triazina-2,4-diamina (atrazine) apresenta solubilidade em água de 33 mg L-1, pka: 1,7, kow: 481; e koc médio de 100 mg g-1 de solo (Rodrigues; Almeida, 2005). É moderadamente adsorvido pelos colóides da argila e da matéria orgânica, tanto mais quanto maior o seu teor no solo; o processo é reversível, dependendo da umidade, da temperatura e do pH do terreno. É lixiviável, sendo comum ser encontrado nos solos cultivados em profundidade superior a 30 cm e também em águas subterrâneas. Sua degradação no solo é, em parte, microbiana, mas também química e física. Apresenta meia-vida no solo média de 60 dias e persistência média a longa nos solos nas doses recomendadas de 5 a 7 meses. Em solos tropicais e subtropicais sua persistência pode também ser maior que 12 meses se usado em doses elevadas em condições de pH do solo elevado, clima frio e seco. Em diversas regiões do Brasil, em campo, tem sido observada intoxicação da aveia semeada até 150dias após aplicação de atrazine na cultura do milho. É muito utilizado na cultura do milho, sendo, também, recomendado para cana-de-açúcar, café, fruteiras, cacau, pimenta-do-reino, etc. Fumo e trigo são muito sensíveis ao atrazine. Quando aplicado em pós-emergência, tem-se observado ótima eficiência de controle das plantas daninhas mesmo com a redução da dose aplicada. Todavia, para isso, é necessário adicionar à calda óleo mineral, sendo mais eficiente para controlar plantas daninhas recém-emergidas (plantas com 1-2 pares de folhas). É muito utilizado em misturas com outros herbicidas em culturas de milho, cana-de-açúcar, fruteiras e outras. As plantas de milho e sorgo possuem a capacidade de metabolizar o atrazine absorvido,
62 Módulo 3.2 - Herbicidas: classificação e mecanismos de ação

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transformando-o por meio de reações de hidroxilação, dealquilação e conjugação, por ação de benzoxazinonas presentes nestas espécies, em compostos não-tóxicos. O atrazine é muito eficiente no controle de dicotiledôneas, porém apresenta eficiência apenas regular para controle de diversas monocotiledôneas. Na cultura do milho, é muito utilizado em pré-emergência, quando em mistura com o metolachlor, formando o “Primestra”, e também em pós-emergência precoce, quando em mistura com óleo mineral (Primóleo) para controle de dicotiledôneas e em mistura no tanque com o nicosulfuron ou outras sulfoniluréias (foramsulfuron + idosulfuron-methyl), em áreas com infestação mista (JAKELAITIS et al., 2005). Simazine

O 6-cloro-N,N`-dietil-1,3,5-triazina-2,4-diamina (simazine) apresenta solubilidade em água de 3,5 mg L-1, pka: 1,62, kow: 122; e koc médio de 130 mg g-1 de solo. É adsorvido pelos colóides da argila e da matéria orgânica e tanto mais quanto maior o seu teor no solo; o processo é reversível, dependendo da umidade, da temperatura e do pH do terreno. É pouco lixiviável, não sendo comum ser encontrado nos solos cultivados em profundidade superior a 10 cm. Sua degradação no solo é, em parte, microbiana, mas também química, ocorrendo hidrólise, com formação de hidroxisimazine e dealquilação do grupo amino. Apresenta persistência média no solo nas doses recomendadas de 5 a 7 meses em condições tropicais e subtropicais, podendo ser maior que 12 meses se usado em doses elevadas. Pode ser usado em pré-emergência das plantas daninhas nas culturas de café, cana-deaçúcar, alfafa, fruteiras, etc., para controle de dicotiledôneas e algumas gramíneas. Em doses maiores que 10kg ha-1 do p.c., pode ser usado usado para limpeza de cercas e áreas industriais. É absorvido basicamente pelo sistema radicular das plantas, sendo pouco móvel no solo. É utilizado em misturas com o atrazine, visando minimizar efeitos do clima, principalmente oscilações pluviais, e também para aumentar o espectro de controle de espécies de plantas daninhas. Ametryn

O N-etil-N`-1(metiletil)-6-(metiltio)-1,3,5-triazina-2,4-diamina (ametryn) apresenta solubilidade em água de 200 mg L-1; pka: 4,1; kow: 427; e koc médio de 300 mg-1 de solo. É medianamente lixiviável nos solos arenosos (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Sua degradação no solo é, em maior parte microbiana, mas também química, por processos de oxidação e hidrólise.
Módulo 3.2 - Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 63

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Apresenta persistência média no solo nas doses recomendadas de 4 a 6 meses em condições tropicais e subtropicais, podendo ser maior que nove meses se usado em doses elevadas, dependendo do clima e tipo de solo (meia-vida média no solo é de 60 dias). É reco¬mendado para as culturas de cana-de-açúcar, banana, café, abacaxi, citros, milho e videira, para controle de mono e dicotiledôneas. Pode ser absorvido facilmente pelas raízes e folhas de plantas. É pouco móvel no solo, por ser muito adsorvido por colóides orgânicos e minerais. Sua adsorção pelos colóides é muito influenciada pelo pH. Também pode apresentar adsorção negativa (dessorção), ocorrendo liberação para as plantas de moléculas anteriormente inativadas pelos colóides do solo. É muito utilizado em misturas com os herbicidas diuron, tebuthiuron, atrazine, trifolysulfuron-sodium, 2,4D, etc; principalmente quando recomen¬dado para de cultura da cana-de-açúcar (PROCÓPIO et al., 2003). É pouco lixiviado no solo, permanecendo na maioria das condições na camada superior (primeiros 30 cm). Prometryne

O N,N`-bis(1-metiletil)-6-(metiltio)-1,3,5-triazina-2,4-diamina (prometryne) apresenta solubilidade em água de 48 mg L-1; pka: 4,09; kow: 1.212; e koc médio de 400 mg g-1de solo. É pouco lixiviado em solos de textura média a argilosa, sendo facilmente degradado por microrganismos que o utilizam como fonte de energia. Apresenta persistência média no solo nas doses recomendadas de 1 a 3 meses em condições tropicais e subtropicais, dependendo das condições de solo, do clima e da dose utilizada. Sua absorção é feita pelas folhas e raízes, sendo mais utilizado em pré-emergência. É recomendado para as culturas de quia¬bo, aipo, cenoura, alho, salsa, cebola, ervilha, etc. A cultura da cebola apresenta maior tolerância ao prometryne quando este é aplicado antes do transplante. Não apresenta seletividade para a cultura da cebola em semeadura direta. Metribuzin

O 4-amino-6-(1,1-dimetiletil)-metiltio-1,2,4-triazina-5-(4H)-ona (metribuzin) apresenta solubilidade em água de 1.100 mg L-1; kow: 44,7; e koc médio de 60 mg g-1 de solo (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É moderadamente adsorvido em solos com alto teor de matéria orgânica e, ou, argila. É um herbicida muito dependente das condições edafoclimáticas para seu bom funcionamento. Quando aplicado na superfície de solo seco e persistir nesta condição por sete dias,
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é desativado por fotodegra¬dação (SILVA, 1989). O metribuzin é também facilmente lixiviado no solo, não sendo recomendado seu uso em solo arenoso e, ou, com baixo teor de matéria orgânica. É absorvido tanto pelas folhas quanto pelas raízes. Controla diversas espécies de dicotiledôneas e algumas gramíneas. É recomendado para aplicação em pré-emergência nas culturas de batata, tomate, soja, café, cana-de-açúcar e mandioca para o controle de diversas infestantes dicotiledôneas. Não apresenta nenhum controle sobre Euphorbia heterophylla. Na cultura do tomate conduzida em semeadura direta, deve ser usado exclusivamente em pré-emergência, logo após a semeadura. No tomate transplantado, poderá ser usado também em pós-emergência, até dezdias após o transplante das mudas. É utilizado em misturas com outros herbicidas, especial¬mente com trifluralin e metolachlor, na cultura da soja. Linuron

O N-(3,4-diclorofenil)-N-metoxi-N-metiluréia (linuron) é um herbicida derivado do grupo das uréias, que apresenta solubilidade em água de 75 mg L-1, pka: zero; kow: 1.010; e koc médio de 400 mg g-1 de solo. É adsorvido principalmente em solos com alto teor de matéria orgânica e, ou, argila, sendo pouco lixiviável nestes tipos de solo, apresentando persistência de 2 a 5 meses. É recomendado para uso em soja, algodão, milho, batata, cenoura, rabanete, alho, cebola, etc., principalmente para aplicações em pré-emergência. Nas culturas de cenoura e de cebola, pode também ser usado em pós-emergência, quando as plantas daninhas estiverem com 1-2 pares de folhas. É mais facilmente absorvido pelas raízes, tendo a sua atividade muito influenciada pelas caracterís¬ticas físico-químicas do solo (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Diuron

O N`-(3,4-diclorofenil)-N,N-dimetiluréia (diuron) apresenta solubilidade em água de 42 mg L-1; pka: zero; kow: 589; e koc médio de 480 mg g-1 de solo e uma meia-vida média no solo de 90 dias com persistência de 4-8 meses (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É muito adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais, sendo sua atividade altamente influenciada pelas características físico-químicas do solo; por esta razão, é pouco móvel no perfil do solo. Esta característica garante a “seletividade toponômica” do diuron para o algodão e outras culturas em solos de textura média a pesada. Todavia, em solos de textura arenosa e com baixo teor de matéria orgânica, o diuron pode atingir o sistema radicular das culturas, tornando-as sensíveis. É recomendado para as culturas de algodão, cana-de-açúcar, citros, abacaxi, mandioca, seringueira, pimenta-do-reino, cacau, etc., para
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o controle de gramíneas e dicotiledôneas, sendo facilmente absorvido pelas raízes das plantas. O diuron, também, é muito recomendado em misturas com diversos herbicidas (paraquat, ametryn, 2,4-D, tebuthiuron, atrazine, MSMA, etc.), para uso em plantio direto, em aplicações dirigidas em diferentes culturas, em sistemas de plantio direto e convencional. Tebuthiuron

O N-[5-(1,1-dimetiletil)-1,3,4-tiadiazol-2-il]-N,N’-dimetiluréia (tebuthiuron) possui solubilidade em água de 2.570 mg L-1; pka: zero; kow: 671 e koc médio de 80 mg g-1 de solo. É adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais, apresentando média lixiviação no perfil do solo. Quando usado em doses elevadas em cana-de-açúcar, recomenda-se não cultivar culturas sensíveis ao tebuthiuron, como feijão, amendoim e soja por um período inferior a dois anos e a três anos quando aplicado em pastagem. A persistência do tebuthiuron em regiões de elevada precipitação pluvial é de 12 a 15 meses; todavia, esta persistência é muito maior em regiões sujeitas a déficits hídricos prolongados. No Brasil, é recomendado para uso em cana-de-açúcar, pastagens e áreas nãocultivadas. Controla largo espectro de dicotiledôneas e monocotiledôneas anuais e perenes. É formulado como pó-molhável e suspensão concentrada. É recomendado para uso em préemergência na cultura da cana-de-açúcar, em aplicação isolada ou em misturas com outros produtos para o controle de plantas daninhas de folhas estreitas e largas que se propagam por sementes (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Também pode ser usado para eliminar árvores ou arbustos em pastagens. Neste caso, apresenta efeito lento, podendo demorar de 3 a 12 meses para eliminar a planta. Bentazon

O 3-(1-metiletil)-(1H)-2,1,3-benzotiodiazinona-4(3H)-ona 2-dióxido (bentazon) apre-senta solubilidade em água de 500 mg L-1; kow: 0,35; e koc médio de 34 mg g-1 de solo. É adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais do solo, mostrando potencial de lixiviação muito reduzido, não sendo encontrado em profundidades superiores a 20 cm. Apresenta curta persistência no solo (inferior a 20 dias), não se observando efeito residual em culturas sucessoras (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É registrado no Brasil para as culturas de amendoim, arroz, feijão, milho, soja e trigo. É utilizado exclusivamente em pós-emergência, devido à reduzida absorção radicular. Recomenda-se adição de um adjuvante oleoso à calda, para lhe facilitar a absorção por algumas
66 Módulo 3.2 - Herbicidas: classificação e mecanismos de ação

ALMEIDA. Ipomoea grandifolia. Controla diversas espécies de folhas largas anuais. no inverno. primeiro o graminicida e. o bentazon. dicotiledôneas e ciperáceas. Contudo é totalmente ineficiente no controle de Euphorbia heterophylla e Amaranthus sp. Todavia. ou com a cultura em precárias condições vegetativas.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 67 . visando aumentar o espectro de controle das plantas daninhas. as misturas com fungicidas. Deve ser aplicado sobre plantas daninhas no estádio de 2 a 4 folhas. 2005). Deve ser aplicado com as plantas daninhas com bom vigor vegetativo. para assegurar sua absorção pelas plantas. -1 Módulo 3. com herbicidas recomendados para controlar plantas daninhas de folhas largas. Propanil O N-(3. após as aplicações. Não se adiciona surfatante à calda. É muito comum o uso do propanil em mistura com outros herbicidas. aplica-se. nestas condições. sendo decomposto basicamente por microrganismos. umidade relativa do ar inferior a 70% e excesso de chuva. no tanque.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas espécies de plantas daninhas. É compatível com a maioria dos herbicidas. kow: 193. É comum ser utilizado em mistura. 30 dias. para os carbamatos. Rhaphanus raphanistrum. evitando períodos de estiagem e umidade relativa do ar inferior a 60%. A eficácia é maior a temperaturas altas e reduz quando abaixo de 16 oC. exceto para a cultura do feijão onde a adição do adjuvante não é recomendada pois pode causar fitotoxicidade. o uso de óleo mineral torna-se mais necessário. Requer um período de seis horas sem chuva.4-diclorofenil) propanamida (propanil) apresenta solubilidade em água de 500 mg L . quando a infestação do terreno incluir espécies que lhe são tolerantes. com estas. Bidens pilosa. Apresenta persistência muita curta no solo. no início do desenvolvimento (2 a 3 folhas). de apenas três dias. entre elas Acanthospermum australe. além de outras. preferencialmente. Commelina benghalensis. evitando períodos de estiagem. É recomendado em pós-emergência da cultura do arroz e das plantas daninhas.2 . horas de calor. É fracamente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais. preferencialmente. visto que são comuns as combinações com graminicidas pós-emergentes. razão pela qual. Não utilizá-lo em lavouras onde as sementes foram tratadas com carbofuran (RODRIGUES. A aplicação simultânea induz efeito antagônico. Deve ser usado em aplicações seqüenciais com inseticidas: com os organofosforados observar intervalo mínimo entre as aplicações de 15 dias e. Não atua sobre gramíneas. Controla com eficiência diversas espécies de gramíneas. inseticidas e fertilizantes foliares podem quebrar-lhe a seletividade para a cultura do arroz. pois inibem a enzima arilacilamidase responsável pelo rápido metabolismo do propanil nas plantas de arroz. fitossanitárias ou cobertas de orvalho. e koc médio de 149 mg g-1 de solo. em um intervalo de três dias. pka: zero. estando estas com bom vigor vegetativo.

que pode variar com a dose aplicada. 1995) são: • Herbicidas deste grupo podem penetrar pelas raízes.3 . se manifesta nas plantas próximo da superfície do solo. • As partes tratadas da planta que são expostas à luz morrem rapidamente (dentro de um a dois dias).Herbicidas inibidores da Protox 4. em razão da maior sorção destes aos colóides do solo. Principais características As principais características dos herbicidas inibidores da Protox (WARREN. dando a impressão de que estão encharcadas pelo rompimento da membrana celular e 68 Módulo 3.3. no escuro.2 . HESS. após 4-6 horas de luz solar. durante a emergência das plântulas • A incorporação ao solo diminui a ação destes herbicidas. podendo variar de alguns dias a vários meses. ou seja. • Os difeniléteres são fortemente adsorvidos pela matéria orgânica do solo e muito pouco lixiviados.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. É preciso que haja boa cobertura da planta. • Há muito pouca ou praticamente nenhuma translocação nas plantas tratadas. as necroses foliares têm o formato e a intensidade das gotículas de pulverização.1. • A toxicidade para pássaros e mamíferos é baixa. Como estes herbicidas não se movimentam dentro da planta. • A ação tóxica dos herbicidas inibidores da Protox. pelos caules e pelas folhas de plantas jovens.2 .3. • A persistência no solo varia consideravelmente entre os herbicidas deste grupo. para que ela seja efetivamente controlada. 4.Mecanismo de ação A atividade destes herbicidas é expressa por necrose foliar da planta tratada em pósemergência. • São poucos os relatos na literatura sobre o aparecimento de plantas daninhas que adquiriram resistência a estes herbicidas. os herbicidas deste grupo não têm ação.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . enquanto para peixes ela varia de baixa a moderada. É comum ocorrer danos em culturas sucedâneas quando não se observa o período residual recomendado. • A atividade herbicida acontece na presença da luz. em decor¬rência do uso repetido destes. Os primeiros sintomas são manchas verde-escuras nas folhas. quando aplicados em préemergência. tipo de solo e condições climáticas.

foi verificado que o protoporfirinogênio IX. Em seguida. No período de 1988-89. outras publicações comprovaram que o pigmento envolvido era a protoporfirina IX. um precursor da clorofila. ou mesmo de um mutante de planta amarelo (não-fotossintetizante). surgiram vários trabalhos que ajudaram no entendimento do mecanismo de ação desses herbicidas. tratando-se cloroplastos com um herbicida do grupo difenil-éter. Esse pigmento interage com o oxigênio e a luz para formar o oxigênio singleto (O2). o sintoma característico é a necrose do tecido que entrou em contato com o herbicida (WARREN. precursor da protoporfirina IX. e o produto formado não serve de substrato para a enzima Mg-quelatase. o tecido é danificado por contato com o herbicida. Foi descoberto também que substâncias capazes de inibir a síntese da protoporfirina IX (gabaculina. A oxidação enzimática ocorre então no citoplasma. 4A). A protoporfirina IX formada no citoplasma. a luz é sempre necessária para a ação herbicida. em tecidos tratados com os difeniléteres. foi mostrado que a enzima inibida pelos herbicidas do grupo dos difeniléteres era a protoporfirinogênio oxidase. Finalmente. Quando estes herbicidas são usados em pré-emergência. responsável pela formação da Mg-protoporfirina IX. no momento em que a plântula emerge. sai do centro de reação do cloroplasto quando a Protox é inibida e se acumula no citoplasma. Foi mostrado que a protoporirina IX é acumulada fora dos plastídios.6-dioxoheptanóico) serviam de proteção contra os difeniléteres. Ficou então uma questão crucial para ser respondida: se a Protox é inibida.2 . não reduziu o dano ocasionado pela aplicação de um difeniléter. A estes sintomas iniciais segue-se a necrose. Estas experiências demonstraram que o requerimento de luz para a atividade herbicida dos difeniléteres não está relacionado com a fotossíntese. Primeiramente foi mostrado que. 1995). conhecida simples¬mente pela abreviatura Protox. Similarmente à aplicação pósemergência.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 69 . reconhecidamente capaz de iniciar o processo de peroxidação de lipídios. Figura 4 – Sintomas de intoxicação em plantas de pepino tratadas com fomesafen (A) e efeito residual no solo (carryover) em folhas de milho (B) Após a absorção e pequena translocação destes herbicidas até o local de ação. ácido levulênico. Módulo 3. como é que a protoporfirina IX estaria sendo acumulada? Num trabalho de 1993. Experiências realizadas por vários autores mostraram que o uso de um herbicida inibidor do transporte de elétrons na fotossíntese (diuron). ácido 4. sem Mg.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas derramamento de líquido citoplasmático nos intervalos celulares (Fig. HESS. houve a formação de grande quantidade de oxigênio singleto (O2).

a saída para o citoplasma. a oxidação pela Protox no citoplasma. Com a inibição da protox no cloroplasto. por exemplo. A acumulação rápida da protoporfirina IX sugere um descontrole na rota metabólica de síntese desta. Esse fato sugere um manuseio bem cuidadoso desses herbicidas.Caracterização de alguns herbicidas inibidores da PROTOX Fomesafen O 5-(2-cloro-4-(trifluorometil) fenoxi-N-(metilsulfonil)-2-nitrobenzamida (fomesafen) apresenta solubilidade em água de 50 mg L-1 (ácido). evitando períodos de estiagem. 1995). sorgo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas interage com o oxigênio e a luz para formar o oxigênio singleto (‘O2) e iniciar o processo de peroxidação dos lipídios da plasmalema. Vale a pena salientar que a enzima protoporfirinogênio oxidase (protox) ocorre também nos mitocôndrios de células animais e que a enzima encontrada nos mitocôndrios é mais sensível aos herbicidas difeniléteres do que a enzima encontrada nos cloroplastos.83. A explicação mais plausível é a inibição da síntese do grupo heme. como a protoporfiria. kow: 794. ou. É registrado no Brasil para as culturas de soja e feijão. 4. variando de dois a seis meses (ALMEIDA. É recomendado para uso em pós-emergência das plantas daninhas estando estas no estádio de 2 a 4 folhas.3. Deve ser aplicado com as plantas daninhas com bom vigor vegetativo. além de outras. As conseqüências do descontrole são o aumento rápido do protoporfirinogênio IX.2 . quando adicionado na dieta de ratos. Amaranthus hybridus. a partir do glutamato. Recomenda-se observar um intervalo mínimo de 150 dias entre a aplicação do fomesafen e a semeadura de milho e. horas de muito calor e umidade relativa do ar inferior a 60%. Bidens pilosa. deixando de haver o controle sobre a síntese de ALA. pka: 2. A acumula¬ção de protoporfirina em células humanas é conhecida por estar associada com algumas doenças. Persistência alta no solo na dose recomendada. Controla grande número de espécies de folhas largas anuais. Uma explicação final deve ser dada sobre o fato de que a protopor¬firina IX se acumula muito rapidamente em células de plantas tratadas com um difeniléter ou oxadiazon. e koc médio de 60 mg g-1 de solo. o aparecimento do oxigênio singleto (forma reativa do oxigênnio) e a peroxidação dos ácidos graxos insaturados da plasmalema (WARREN. Euphorbia heterophylla. daí o aparecimento de necroses de forma tão rápida (4-6 horas). Deve-se adicionar à calda o adjuvante recomendado pelo fabricante. que é sintetizado a partir da protoporfirina IX com a interferência da Fe quelatase. O grupo heme é conhecido pela ação de controle na síntese do ácido aminolevulínico (ALA). a formação da protoporfirina IX.3 . provoca níveis elevados de porfirina.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . Requer uma hora sem 70 Módulo 3. Ipomoea grandifolia. 2005). O padrão de acumulação é o mesmo observado na doença Porfiria variegata. precursor na planta dos citocromos. Oxadiazon. entre elas Acanthospermum australe. RODRIGUES. HESS. a síntese de heme é também inibida.

Controla grande número de espécies de folhas largas anuais. 2005). eucalipto e pinho. O produto provoca intoxicação à cultura da soja. ambas anuais. esta. É recomendado para uso em pós-emergência das plantas daninhas. É fortemente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais e.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 71 . RODRIGUES. café.1 mg L-1. É comum ser utilizado em mistura com o fluazifop-p-butil.400. além de outras. no estádio de 2 a 4 folhas. cana-de-açúcar. sendo utilizado em outros países. É fortemente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais.1 mg L-1. para inibir o aparecimento de biótipos resistentes a herbicidas. Oxyfluorfen O 2-cloro-1-(3-etoxi-4-nitrofenoxi)-4-(trifluorometil)benzeno (oxyfluorfen) apresenta solubilidade em água < 0.2 . e koc médio de 100. É registrado no Brasil para as culturas de algodão. é resistente à lixiviação no perfil do solo. visando aumentar espectro de controle de plantas daninhas. Sua degradação no solo é essencialmente por fotólise e insignificante por microrganismos. É utilizado em pré e pós emergência precoce. com clorose e necrose foliar e redução e crescimento. videira.000 mg g-1de solo. arroz e amendoim. apresentando muito baixa lixiviação no perfil do solo (ALMEIDA. também. como Euphorbia heterophylla. visando aumentar o espectro de controle de plantas daninhas de folhas largas e. incluindo algumas espécies-problema. ser ainda maior em viveiros. pka: zero e koc médio de 10. não afetando as culturas em sucessão. arroz.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ocorrência de chuvas após a aplicação. devido às condições de umidade e sombreamento (ALMEIDA. Apresenta meia-vida de 30 a 40 dias e persistência média de seis meses no solo. Controla gramíneas e algumas espécies de dicotiledôneas. Sida rhombifolia.000 mg g-1de solo. também. Em Módulo 3. por isso. para assegurar a absorção pelas plantas daninhas. RODRIGUES. para o controle em pós-emergência de plantas daninhas dicotiledôneas e gramíneas e também com outros herbicidas. podendo. pka: zero. dependendo da exigência da cultura. citros. O lactofen tem meia-vida no solo de três dias sendo completamente dissipado em menos de 30 dias. kow: 29. É registrado no Brasil para as culturas de soja. Lactofen O 2-etoxi-1-metil-2-oxoetil-5-[2-cloro-4-(trifluorometil)fenoxi-2-nitrobenzoato (lactofen) apresenta solubilidade em água de 0. 2005). É comum ser utilizado em mistura no tanque com outros herbicidas. Commelina benghalensis. nas culturas de nogueira. mas a cultura se recupera. milho e amendoim.

100. Sua persistência no solo é de dois a seis meses. ou. é utilizado tanto em viveiros quanto em cafezais jovens e adultos. quando estas atingirem a fase de duas folhas. é usado quando a cultura atinge desenvolvimento superior a 50 cm de altura. Em cenoura. deve ser aplicado logo após a arruação ou esparramação. cebola. Oxadiazon O 3-[4. recomenda-se usar adjuvantes na calda. após a rega. quando usado em pré emergência. também. na faixa de plantio. em préemergência das plantas daninhas. em solo úmido. Não é metabolizado nas plantas. logo após o corte. também em pré72 Módulo 3. podendo ser pulverizado sobre as plantas. 2005). kow: 63. aplica-se logo após a semeadura ou até cinco dias depois. podendo ser feitas duas aplicações anuais. aplica-se logo após o plantio.7 mg L-1 . sendo pouco absorvido pelo sistema radicular e. Usar.4-oxadiazol-2-(3H)-ona (oxadiazon) apresenta solubilidade em água de 0. atuando unicamente sobre órgãos da parte aérea.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas razão da sensibilidade à fotodecomposição. No Brasil. alho. preferencialmente. é utilizado em pré-emergência das plantas daninhas. Em cafezais adultos. dependendo da dose aplicada. exige umidade no solo no momento da aplicação para penetrar neste. na cana-soca. em jato dirigido. protetores de bicos. Na cultura do arroz. pode ser usado em pré ou pós-emergência das plantas daninhas. evitando a ação dos raios solares. em aplicação dirigida. Em algodão. logo após o plantio. Não tem ação sobre os tecidos radiculares.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . É fortemente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais do solo. é recomendado para as culturas de arroz. ALMEIDA. Quando utilizado em pós-emergência. de forma a não atingir o algodoeiro. se necessário.2 . aplicá-lo em mistura com o MSMA. Em cana-de-açúcar. pouco móvel.3. deve ser aplicado logo após a semeadura.200 mg g-1 de solo. Em cafezais jovens. com as plantas daninhas ainda não emergidas. cenoura e cana-de-açúcar. Em arroz irrigado. podendo se reaplicar depois que as referidas culturas atinjam a fase de três folhas.2-dicloro-5(1-metiletoxi)fenil]-5-(dimetietil)-1. Em plantações de eucalipto e pinho. as culturas que se reproduzem por bulbo são bastante tolerantes ao oxadiazon. aplica-se logo após o plantio. porém antes da emergência do arroz. O alho e a cebola e. de forma a não atingir a folhagem. e koc médio: 3. no máximo. em pré-emergência das plantas daninhas. de maneira geral. Em préemer¬gência. Nestas culturas deve ser utilizado em pré-emergência. Aplicar após o cultivo. Em café. do tipo de solo e das condições climáticas (RODRIGUES. age sobre o hipocótilo das plantas em germinação e nos meristemas foliares. e. exceto nas variedades de eucalipto de folha pilosa. antes da emergência das plantas daninhas. em que se faz em jato dirigido. ocasionando colapso das células. deve ser aplicado em préemergência das plantas daninhas. pka: zero. em pré-emer¬gência das plantas daninhas. com elas mais desenvolvidas. Quando usado em pós-emergência. apresenta lixiviação e movimentação lateral insignificantes. Em viveiros. em solo úmido. provoca o fechamento dos estômatos e deterioração das membranas celulares. por esta razão e devido à sua baixa solubilidade em água.

4.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas emergência das invasoras. Possuem pouca ou nenhuma atividade foliar. a formação do fuso cromático e movimentação dos cromossomas na fase da mitose (Figs.2 . Repetidas aplicações não resultam na maior degradação microbioló¬gica. Interferem em uma das fases da mitose.) na cultura de cana-de-açúcar. ametryn. Eles provocam a ruptura da seqüência mitótica (prófase > metáfase > anáfase > telófase) já iniciada (HESS. Todos os herbicidas deste grupo apresentam de moderada a baixa toxicidade para mamíferos.1 . São eficientes apenas quando usados em pré-emergência. O fuso cromático é formado por proteínas microtubulares denominadas tubulinas.4 . Todos estes compostos (grupo das dinitroanilinas) interferem no movimento normal dos cromos¬somas durante a seqüência mitótica. porque a sua ação principal se manifesta pelo impedimen¬to da formação do sistema radicular das plantas. Apresentam ótima ação no controle de gramíneas. Módulo 3.4. tendo como conseqüência o aparecimento de células multinucleadas (aberrações). semelhantemente à actimiosina encontrada nos músculos dos animais. conseqüentemente.4. e responsáveis pela movimentação dos cromossomas para os pólos da célula.Herbicidas inibidores do arranjo dos microtúbulos 4. Estas proteínas são contráteis. Apresentam de moderada a muito baixa movimentação no solo.Mecanismo de ação Estes herbicidas pertencem ao grupo das dinitroanilinas (trifluralin. etc. As dinitroanilinas inibem a polimerização destas proteínas e. Estes herbicidas inibem o crescimento da radícula e a formação das raízes secundárias. simazine.2 . 1995b). O efeito direto é sobre a divisão celular. pendimethalin e oryzalin). 5 e 6).Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 73 . É comum aplicar o oxadiazon em misturas com herbicidas residuais (diuron. que corresponde à migração dos cromossomas da parte equatorial para os pólos das células. 4.Principais características • • • • • • Paralisam o crescimento das raízes.

1x10-4 mm Hg a 25 °C). ervilha. tomate. ALMEIDA.4. beterraba. feijão.Mitose interrompida pela ação de herbicidas derivados das dininitoanilinas 4.6-dinitro-N-N-dipropil-4-(trifluorometil) benzoamina (trifluralin) é um herbicida que apresenta excelente ação sobre as gramíneas anuais e perenes oriundas de sementes. 2005). É fortemente adsorvido pelos colóides da matéria orgânica e pouco pelos da argila.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 5 . cebola. necessita ser incorporado mecanicamente ao solo logo após a sua aplicação (RODRIGUES. alfafa. sensível à luz e de solubilidade em água extremamente baixa (0.3 . e outras. quiabo.3 mg L-1 a 25 °C).Caracterização de alguns herbicidas inibidores dos microtúbulos Trifluralin O 2. pimentão.2 . Por ser um produto volátil (pressão de vapor de 1. a forte adsorção pode impedir a absorção 74 Módulo 3.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . cucurbitá¬ceas. sendo recomendado para as culturas de soja. alho. em solos ricos em matéria orgânica. brássicas.Seqüência normal da mitose Figura 6 . algodão.

desde o lançamento do primeiro herbicida desse grupo.200 mg g-1 de solo. milho.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas do trifluralin pelas raízes das plantas. não existem ainda relatos do aparecimento de gramí¬neas que tenham adquirido resistência a esses herbicidas. cana-de-açúcar. Apesar do uso contínuo por tantos anos.000 mg g-1 de solo. motivo pelo qual a incorporação é recomendável em condições de solo seco e com período de estiagem. alho. e koc médio de 7. sensível à luz e pouco móvel no solo. depois do glyphosate é o grupo de herbicida mais utilizado. em 1954 (CDAA) (SLIFE. É absorvido principalmente pela radícula e praticamente não se transloca na planta. em alguns casos de rotação de culturas (feijão/milho) em áreas de baixa fertilidade e mal manejadas. pka zero.6-dinitrobenzenoamina (pendimethalin) é registrado no Brasil para controle de gramíneas nas seguintes culturas: algodão.000. 4. A lixiviação. kow: 118.2 .5. É um herbicida de média volatilidade (pressão de vapor de 9. tabaco e trigo. Sua persistência no solo varia de 3 a 6 meses de acordo com o solo. 2005). café. 1998). a dose aplicada e as condições climáticas (RODRIGUES.Principais características As cloroacetanilidas têm sido um dos grupos de herbicidas mais usados no mundo.4-dimetil-2.5 . Não há relatórios também sobre aumento de biodegradação no solo. É recomendado para uso em pré emergência da planta daninha e da cultura ou em PPI. arroz. soja.4x10-5 mm Hg).. É fortemente adsorvido pelos colóides do solo. feijão. e koc médio de 17. 1995). O pendimethalin apresenta solubilidade de 0. Nos Estados Unidos da América do Norte.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 75 . Pendimethalin O N-(1-etilpropil)-3.3 mg L-1. podendo. Apre¬senta degradação lenta no solo.Inibidores da síntese de ácidos graxos de cadeias muito longas (VLCFA) 4. kow: 152. por causa do uso extensivo em soja e milho. provocando inibição do crescimento radicular desta (SILVA et al. assim como o movimento lateral no solo. causar danos à cultura sucessora. por esta razão. amendoim.000. motivo pelo qual não é aconselhável seu uso nestas condições. sua lixiviação é muito baixa e as doses recomendadas se dão em função das características físico-químicas do solo. cebola. As princi¬pais características dos herbicidas do grupo das cloroacetamidas são: Módulo 3.1 . Apresenta pka: zero. A dose recomendada varia de acordo com as características fisico-químicas do solo. é muito reduzida. ALMEIDA.

As cloroacetanilidas são aparentemente absorvidas pelas raízes (dicotiledôneas) e pelas partes acima da semente epicótilo (principal¬mente gramíneas). as doses têm sido reduzidas. pelo fato de não terem ação pós-emergente. o controle não é consistente. logo após a emergência. De maneira geral. as cloroacetanilidas apresentam de baixa a média mobilidade nos solos. 4. exibem crescimento anormal. Cada cloroacetanilida que apareceu no mercado depois do herbicida CDAA apresentou características um pouco diferentes das outras. quando o fazem. O maior uso das cloroacetanilidas está ligado ao controle.2 . Exemplo deste uso é a proteção do sorgo contra cloroacetanilidas. Há relatórios que as relacionam com a inibição da divisão celular e interferência com controle hormonal (SLIFE.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • • • • • • • • Controlam plântulas de muitas espécies de gramíneas anuais e algumas dicotiledôneas antes da emergência ou mesmo plantinhas. Gramíneas mostram inibição da emergência da primeira folha do coleóptilo. 1995). Os dados existentes indicam translocação muito pequena. mas. A toxicidade das cloroacetanilidas a peixes.Mecanismo de ação das cloroacetanilidas Apesar de ter sido estudado extensivamente. é um dos grupos mais estudados e com o qual mais se têm usado os protetores de herbicida. ácidos graxos. A hipótese mais aceita atualmente é a inibição de ácidos graxos de cadeias muito longas. Muitos efeitos diferentes sobre vários processos bioquímicos já foram mostrados. o algodoeiro).2 . As cloroacetanilidas estão relacionadas com a inibição da sín¬tese de lipídios. em préemergência. não há registros de problemas com deriva. o mecanismo bioquí¬mico primário de ação das cloroacetanilidas ainda não é bem conhecido. pássaros e mamíferos é muito baixa. Em razão de os efeitos desses herbicidas estarem ligados somente as plântulas. possibili¬tando a utilização desses herbicidas nesta cultura. mas não chegam a emergir. ciperáceas mostram inibição da parte aérea. De modo geral. em dicotiledôneas (por exemplo.5. As cloroacetanilidas apresentam normalmente pressão de vapor de média a alta. flavonóides e proteínas. Em combinação com outros herbicidas. o efeito residual no solo tem aumentado e a dependência dos fatores do solo tem diminuído. Devido a problemas de tolerância. as sementes iniciam o processo de germinação.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . o efeito inibitório causado pelo alachlor é maior sobre as raízes. de espécies daninhas gramíneas e comelináceas. terpenos. 76 Módulo 3. porém. naturalmente sensível a eles. Em áreas tratadas com cloroacetanilidas. é muito difícil o estudo de translocação. as cloroacetanilidas podem auxiliar no controle de dicotiledôneas. e. isoladamente. A mobilidade no solo varia entre os herbicidas deste grupo e depende das condições de umidade e do teor de matéria orgânica do solo.

amendoim e girassol. sendo usado em pré-emergência. As cloroacetanilidas podem também alquilar aminoacil tRNAs específicos e. logo após a semeadura da cultura. Em algodão. mistura-se com metribuzin. Richardia brasiliensis ou Sida sp.2 .Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 77 . 4. exceto em solos arenosos e. não se deve utilizá-lo em solos arenosos. terpenos. 2005). Em café. se não chover no prazo de até cinco dias. pode-se cultivar milho.3 . Pelo menos “in vitro”. Quando aplicado em solo seco. É adsorvido pelos colóides do solo. Apresenta solubilidade em água de 242 mg L-1.5. ácidos graxos. inibir a síntese de proteínas. sendo este transferido (por exemplo. Em milho. Em cana-de-açúcar. sendo esta enzima o ponto de começo de muitas rotas metabólicas. kow 794. é comum misturá-lo com atrazine ou cyanazine. a eficácia do produto reduz. ALMEIDA. etc. em condições de alta infestação de Brachiaria plantaginea. As cloroacetanilidas são conhecidas como agentes alquilantes e podem agir alquilando nucleófilos biológi¬cos. com isso.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A maioria dos efeitos bioquímicos e fisiológicos relatados sobre o modo de ação destes herbicidas pode ser interpretada com base na inibição da síntese de proteínas. ou. possuindo média a baixa mobilidade no solo e persistência de 6 a 20 semanas. podendo ser misturado com ametryn. deve ser utilizado logo após o plantio. estando o solo com boas condições de umidade. diuron ou atrazine. A retirada do nucleófilo pode acontecer entre o halogênio das cloroacetanilidas e o nucleófilo. Em café novo ou recepado. se a infestação for de Bidens pilosa. soja ou amen¬doim no terreno tratado..6-dietil-N-(metoximetil)acetanilida (alachlor) é recomendado para controle de diversas espécies de gramíneas e comelináceas.Características de algumas cloroacetanilidas Alachlor O 2-cloro-2. o grupo amino do metionil-tRNA inicial). Em soja. variável com o tipo de solo e as condições climáticas. Os efeitos das cloroacetanilidas sobre a síntese de gorduras podem ser atribuídos à interferência no metabolismo da CoA. incluindo lipídios. recomenda-se a mistura com graminicidas ou aplicação em seqüência ao trifluralin incorporado. Módulo 3. com baixo teor de matéria orgânica. pka: zero. aplicá-lo após a arruação ou esparramação. e koc médio de 120 mg g-1 de solo (RODRIGUES. já foi mostrado que o herbicida alachlor é capaz de alquilar CoA. antes da emergência das plantas daninhas.

milho e soja. antes da emergência das plantas daninhas e da cultura. sua lixiviação é fraca a moderada. sendo usado em outros países. entre outros. a sua eficácia ficará comprometida se aplicado em solo seco e não ocorrer uma chuva de intensidade superior a 10mm no espaço de cinco dias (RODRIGUES. metribuzin. esparramação. como atrazine.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas S-metolachlor O 2-cloro-N-(2-etil-6-metilfenil)-N-[(1S)-2-metoxi-1-metiletil)]acetanilida (s-metolachlor) é registrado no Brasil para cana-de-açúcar. A terra deve estar bem preparada. batata. as comelináceas e um número reduzido de latifoliadas. restos de culturas e em boas condições de umidade. recomenda-se sua aplicação logo após a semeadura. cyanazine. podendo ser misturado. e koc médio de 200 mg g-1 de solo. mas no prazo máximo de três dias após a ultima gradagem. também.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . Em feijão. Apresenta solubilidade em água de 223 mg L-1. sendo comum a mistura com outros herbicidas. exceto em solos arenosos. É adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais do solo.2 . é essencial que sua aplicação seja feita antes da completa emergência das plantas. Devido à sensibilidade do s-metolachlor. é comum misturá-lo com latifolicidas. 78 Módulo 3. É sorvido pelos colóides de argila e matéria orgânica. é largamente utilizado em mistura com o atrazine. Em milho. por esta razão. para culturas de amendoim. à fotodegradação e à volatilização. pka zero e kow 300. é utilizado apenas em pré-emergência das plantas daninhas. Controla essencialmente gramíneas anuais e algumas perenes de reprodução seminal. por provocar inoxicação à cultura. Em café. devendo ser aplicado em seguida à semeadura. sorgo e plantas ornamentais. dependendo da dose utilizada.05. kow: 3. das condições climáticas e do tipo de solo. Apresenta solubilidade em água de 488 mg L-1. Para aumentar o espectro de ação sobre estas espécies. Em cana-de-açúcar. etc. não deve ser utilizado em solos arenosos. apresentando persistência de 8 a 12 semanas. 2005). pka: zero. sendo pouco lixiviado. ou. deve ser aplicado logo após a arruação e. feijão. girassol. usa-se em cana-planta. ALMEIDA. Pelo fato de sua absorção ser quase total pelo coleóptilo das gramíneas e pelo epicótilo das dicotiledôneas. livre de torrões. logo depois do plantio. Acetochlor O 2-cloro-N-(etoximetil)-N-(2-etil-6-metilfenil) acetanilida (acetochlor) é recomendado para uso em pré-emergência das plantas daninhas. Em milho. Em razão de sua absorção foliar ser quase nula.

também. exceto em solos arenosos e. aplica-se logo após a semeadura. Estes compostos possuem a capacidade de captar elétrons provenientes da fotossíntese (no fotossistema I) e formarem radicais livres. em várias partes do mundo e.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas com atrazine ou cyanazine. no escuro. na presença de Mg. O local de captura dos elétrons está próximo a ferredoxina e sua velocidade de ação depende da intensidade luminosa. para formarem os radicais tóxicos. ou. em pré-colheita para diversas culturas. antes da emergência das plantas daninhas e da cultura.2 . Esta substância promove a degradação rápida das membranas (peroxidação de lipídios). (WELLER. sendo largamente utilizados como dessecantes no “plantio direto”. com baixo teor de matéria orgânica. podendo ser misturado. 4.Mecanismo de ação Poucas horas após a aplicação destes herbicidas. WARREN. A toxicidade do diquat é alta e a do paraquat é muito alta. entre outros. produzindo radicais hidroxil. na presença de luz.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 79 .2 . para mamíferos. 1995a). Estes radicais livres formados pelos herbicidas paraquat e diquat não são os agentes responsáveis pelos sintomas de intoxicação observados.1 . chuvas após 30 minutos de sua aplicação não mais influenciam a eficiência de controle das plantas daninhas.Herbicidas Inibidores do Fotossistema I São herbicidas derivados da amônia quaternária (paraquat e diquat).6.6 . formulados em solução aquosa. para formarem o peróxido de hidrogênio. com metribuzin.Características gerais • • • • • • • São altamente solúveis em água e. São rapidamente adsorvidos e inativados pelos colóides do solo. verifica-se severa injúria nas folhas das plantas tratadas (necrose do limbo foliar). A ação destes herbicidas é muito mais rápida na presença da luz do que no escuro. Vale ressaltar que este não é o único sítio de ação destes herbicidas. por isso. a morte das plantas devido à ação destes herbicidas é tão rápida na presença da luz que não dá tempo de eles se translocarem na planta. Em soja. Usualmente. em aplicações dirigidas em diversas culturas. porque pequena atividade destes produtos é observada. Estes radicais são instáveis e rapidamente sofrem a auto-oxidação. os quais sofrem o processo de dismutação. como dessecantes. estes herbicidas capturam os elétrons provenientes da respiração. São rapidamente absorvidos pelas folhas. Nesta condição. Módulo 3. Este composto e os superóxidos. ocasionando o vazamento do conteúdo celular e a morte do tecido.6. também. Durante o processo de auto-oxidação são produzidos radicais de superóxidos. São cátions fortes. reagem. 4. 4.

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4.6.3 - Principal herbicida do grupo Paraquat

O 1,1’-dimetil-4,4’-dicloreto de piridilio íon (paraquat) é um herbicida altamente solúvel em água (620.000 mg L-1); pka: zero; kow: 4,5; e koc estimada de 1.000.000 mg g-1 de solo. É inativado ao entrar em contato com o solo, por completa adsorção do cátion à argila. Esta ocorre devido à dupla carga positiva da molécula do paraquat, formando complexos com os locais de carga negativa, de onde não é removido mesmo com lavagens de solução saturada de sais, só sendo recuperado por fragmentação da argila com ácido sulfúrico 18 N. Por esta razão, sua lixiviação é nula e sua decomposição microbiana no solo é muito lenta. O paraquat pode ser usado para: • • • • • Dessecante em “plantio direto”. Para este fim, o paraquat é muito utilizado em mistura com o diuron, formando o Gramocil. Em pré-emergência de culturas, porém em pós-emergência das plantas daninhas. Aplicações dirigidas em culturas de milho, algodão, café, fruteiras e outras. Dessecante, em pré-colheita, para diversas culturas, visando viabilizar colheita mecânica e melhor qualidade fisiologia de sementes (DOMINGOS et al., 2001). Para limpeza de áreas não-cultivadas.

4.7 - Herbicidas inibidores da acetolactato sintase Os herbicidas derivados das sulfoniluréias, comercializados pela primeira vez em 1982, apresentam alto nível de atividade em doses muito pequenas. Atualmente, há vários herbicidas deste grupo no mercado. Através de pequenas modificações na estrutura química, a seletividade pode ser alterada de uma cultura para outra. Exemplos de culturas que são tolerantes a um ou mais herbicidas desse grupo químico são trigo, soja, arroz, milho, feijão, batata, beterraba, algodão, coníferas, canade-açúcar, etc. As sulfoniluréias inibem a síntese dos chamados aminoácidos ramificados (leucina, isoleucina e valina), através da inibição da enzima Aceto Lactato Sintase (ALS); esta inibição interrompe a síntese protéica, que, por sua vez, interfere na síntese do DNA e no crescimento celular. As plantas sensíveis tornam-se cloróticas, definham e morrem, no prazo de 7 a 14 dias após o tratamento. Essa enzima é inibida, também, pelos herbicidas dos grupos químicos imidazolinonas, triazolopyrimidines ou sulfonamidas e pyrimidinyl-oxybenzoatos (THILL, 1995; THILL, 2003a; BRIDGES, 2003c). Apesar do pouco tempo de uso, a literatura já registra muitas espécies de plantas daninhas que desenvolveram resistência aos inibidores da ALS.

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As principais características das sulfoniluréias são: • • Alguns são ativos em doses extremamente baixas; exemplo: o metsulfuronmethyl, que apresenta atividade na dose de 2 g ha-1 A maioria das sulfoniluréias apresenta bom controle de muitas espécies de folhas largas (dicotiledôneas); todavia, algumas possuem, também, ótima atividade contra gramíneas. A toxicidade aguda para mamíferos é muito baixa (5.500–6.500 mg kg-1 em ratos) para o herbicida chlorsulfuron, o mais estudado. Para outros análogos, a toxicidade é mais baixa ainda. As sulfoniluréias são ativas tanto em aplicações foliares quanto em aplicações no solo.

Apesar de quimicamente diferentes, as imidazolinonas têm o mesmo mecanismo de ação das sulfoniluréias, ou seja, inibem a enzima AHAS ou ALS. As principais caracte¬rísticas deste grupo são: • As imidazolinonas são recomendadas para controle em pré-emergência e em pósemergência de muitas folhas largas e gramíneas em cereais, soja e em áreas nãoagrícolas. • Estes herbicidas são potentes inibidores do crescimento vegetal. Plantas tratadas param de crescer quase que imediatamente após a aplicação. Dois a quatro dias após a aplicação desses herbicidas o ponto de crescimento (meriste¬ma apical) das plantas tratadas torna-se clorótico e, depois, necrótico e morre. A morte completa da planta vai ocorrer sete a dez dias após o tratamento. Plantas de maior porte podem levar mais tempo para morre¬r, mas a paralisação do crescimento é imediata. • Todos estes herbicidas são sistêmicos, ou seja, translocam pelo floema. Uma vez dentro do floema, por causa do pH alcalino, estes herbicidas, que são ácidos fracos, se dissociam e os ânions têm dificuldade para deixar o floema. • As imidazolinonas apresentam persistência de moderada a longa no solo. Maior sorção e, conseqüentemente, maior persistência ocorrem quando decrescem a umidade do solo, o pH e a temperatura e, também, quando os teores de matéria orgânica, óxidos de ferro e de alumínio no solo aumentam. • A dissipação no solo é, via de regra, por meio da degradação microbiana. Em condições de solo mais seco, mais herbicida é preso nos colóides do solo e menos produto é disponível para biodegra¬dação ou absorção pelas plantas, o que implica maior persistência e possível "carryover". As imidazolinonas são

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sensíveis à fotólise, mas esse processo de dissipação não é importante no solo. A fotólise é mais importante no meio aquático. • Pouca lixiviação tem sido reportada em condições de campo, apesar de os estudos de laboratório indicarem mobilidade moderada destes herbicidas no solo. • As imidazolinonas apresentam muito baixa ou nenhuma toxicidade para mamíferos. Esta toxicidade baixa pode ser explicada pela enzima-alvo, que não ocorre em animais, e também pelo fato de a excreção desses herbicidas ser muito rápida em animais-teste. Além das sulfoniluréias e das imidazolinonas, outros herbicidas, de grupos químicos diferentes, apresen¬tam o mesmo mecanismo de ação, ou seja, inibem a enzima ALS ou AHAS e, com isso, paralisam o crescimento das plantas (HESS, 1995c). Dente esses grupos químicos, podem-se destacar as triazolopirimidinas, ou sulfonamidas, e os piridinil-oxibenzoatos. As principais características do herbicida N - (2,6-diflluorofenil) - 5 - metil (1,2,4) triazolo [1,5a] pirimidina - 2 - sulfonamida (flumetsulan) e N-[2,6-diclorofenil] - 5 - etoxi - 7 - fluoro(1,2,4) triazolo – [(1,5c)] pirimidina - 2 - sulfonamida (diclosulan) são: Flumetsulan Diclosulan

• •

• • •

Apresentam ação pré-emergente sobre amplo espectro de plantas daninhas de folhas largas. As gramíneas, de maneira geral, são resistentes devido ao metabolismo mais rápido. Entre as culturas de folhas largas, a soja é tolerante. Possuem absorção radicular, mas a translocação é sistêmica, ou seja, translocamse tanto pelo floema quanto pelo xilema. A sorção no solo e a persistência aumentam quando o pH decresce e quando a matéria orgânica aumenta. A persistência no solo é mediana, não havendo casos relatados de "carryover". A dissipação no solo é devida ao ataque de microrganismos. Condições que favorecem a ação microbiana aceleram a dissipação destes herbicidas no solo. Possuem mobilidade no solo moderada, não se antevendo problemas de contaminação de depósitos subterrâneos de água. A toxicidade para mamíferos é muito baixa (Faixa Verde: DL50 > 6.000mg/kg em ratos).

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4.7.1 - Algumas sulfoniluréias Metsulfuron-Methyl

O ácido 2-[[[[(4-metoxi-6-metil-1,3,5-triazina-2-il)amino]carbonil]amino]sulfonil] benzóico (metsulfuron-methyl) apresenta solubilidade em água de 270 mg L-1; pka: 3,3; kow: 1,0 a pH 5 e 0,018 a pH 7; e koc médio de 35 mg g-1g de solo. É pouco sorvido e muito lixiviado no solo, dependendo da textura e do teor de matéria orgânica. Sua persistência (meia-vida) no solo varia de 30 a 120 dias (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É registrado no Brasil para controle de plantas daninhas de folhas largas nas culturas de trigo, arroz, cana-de-açúcar, aveia, cevada, manejo de inverno e pastagens. Entre as espécies sensíveis encontram-se Raphanus raphanistrum, Raphanus sativus, Acanthospermum australe, Bidens pilosa, Ipomoea grandifolia, além de muitas outras. É recomendado para uso em pós-emergência, devendo ocorrer intervalo de seis horas sem chuva após a sua aplicação. A ação do produto nas plantas daninhas sensíveis pode ser observada através da clorose das folhas e morte das gemas apicais, com evolução para morte das plantas até 21 dias após aplicação. Em espécies menos sensíveis, observa-se paralisação de seu desenvolvimento. Culturas como trigo e arroz, para as quais é seletivo, conseguem metabolizá-lo rapidamente a compostos não-fitotóxicos. Nicosulfuron

O 2-[[[[(4,6-dimetoxi-2pirimidinil)amino]carbonil]amino]sulfonil]-N,N-dimetil-3piridinacarboxamida (nicosulfuron) apresenta solubilidade em água de 360 mg L-1 a pH 5 e 12.200 a pH 6,85; pka: 4,3; kow: 0,44 a pH 5 e 0,018 a pH 7; e koc médio de 30 mg g-1 de solo a pH 6,5. Quanto à sua persistência em condições de Brasil, sabe-se que culturas de soja, girassol, algodão e feijão poderão ser semeadas 30 dias após a aplicação do nicosulfuron; trigo, arroz e batata, 45 dias após a aplicação; e tomate, 60 dias (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). No Brasil, está registrado para a cultura do milho, sendo utilizado em pós-emergência em área total. Controla gramíneas, inclusive o capim-massambará (Sorghum halepense), e diversas espécies de dicotiledôneas. No momen¬to da aplicação, as plantas de milho devem estar com duas a seis folhas; as plantas daninhas dicotiledôneas, com duas a seis folhas; e as gramíneas, com até dois perfilhos. A aplicação deve ser feita estando o solo úmido e com as plantas daninhas em pleno vigor vegetativo. A ocorrência de chuvas uma hora após a aplicação não afeta a eficiência deste herbicida. A mistura do
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nicosulfuron com o atrazine no tanque do pulverizador aumenta o espectro de controle de plantas daninhas. Existem diferentes níveis de tolerância entre os híbridos de milho disponíveis no mercado brasileiro ao nicosulfuron. Por isso, antes de aplicar esse herbicida em cultura do milho consulte a lista de híbridos e variedades tolerantes a esse herbicida. A mistura desse herbicida com inseticidas carbamatos ou fosforados pode torná-lo não-seletivo ao milho (SILVA et al., 2005) Halosulfuron

O metil-3-cloro-5-(4,6-dimetoxipirimidin-2-carbomoilsulfamoil)-1-metillpirazole-4carboxilato (halosulfuron) é registrado no Brasil para cana-de-açúcar, para controle de Cyperus rotundus. Apresenta solubilidade em água de 15 mg L-1 a pH 5,0 e 1.650 a pH 7,0; pka: 3,5; kow: 47 a pH 5,0 e 0,96 a pH 7,0; e koc médio de 93,5 mg g-1 de solo. Apresenta baixa adsorção no solo. Possui meia-vida média no solo em torno de 16 dias, variando com o tipo de solo e as condições climáticas (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Sua aplicação deve ser feita em pós-emergência das plantas daninhas, sendo o melhor período 30 a 40 dias após o plantio da cana-de-açúcar, quando as plantas daninhas deverão estar no final da fase vegetativa ou início do florescimento. As plantas de Cyperus rotundus devem estar em boas condições de desenvolvimento, sem efeito de estresse hídrico ou de baixa temperatura. Chlorimuron-ethyl

O ácido 2-[[[[(4-cloro-6-metoxi-pirimidinil)amino]carbonil]amino]sulfonil]benzóico (chlorimuron-ethyl), no Brasil, encontra-se registrado para a cultura da soja, sendo usado em pósemergência. Apresenta solubilidade em água de 450 mg L-1 a pH 6,5; pka: 4,2; kow de 320 a pH 5,0 e 2,3 a pH 7,0; e koc médio de 110 mg g-1 de solo (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). No solo, apresenta adsorção e lixiviação moderadas e meia-vida de 7,5 semanas. A persistência é maior em solos com pH mais elevado; em solos ácidos e com clima quente, a persistência é baixa. Manter intervalo de 60 dias entre a aplicação do chlorimuron-ethyl e a semeadura de trigo, milho, feijão e algodão. Para as outras culturas, fazer antes um bioensaio. Controla essencialmente espécies anuais de dicotiledôneas, sendo mais efetivo quando estas se encontram na fase inicial de crescimento (até seis folhas). Entre as espécies sensí¬veis encontram-se Desmodium tortuosum, Acathospermum australe, Ipomoea grandifolia, Bidens pilosa, além de outras. É comum misturá-lo com outros

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Módulo 3.2 - Herbicidas: classificação e mecanismos de ação

Na cultura da cana. 4.2.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 85 .100 a pH 7. porém esta adsorção aumenta em pH baixo. kow e koc não disponíveis. ALMEIDA. estando o solo em boas condições de umidade.. este herbicida deve ser aplicado isoladamente. seis folhas. e a tiririca (Cyperus rotundus).6-dimetoxipirimidin-2-il)-3-(3-trifluorometil-2-piridilsulfonil) uréia (Flazasulfuron) apresenta solubilidade em água de 27. para controle de dicotiledôneas em soja.0.8. É fracamente adsorvido em solo com pH alto. Quando usadas em pósemergência.0 (RODRIGUES. sendo influenciada pela temperatura e pelo pH do solo (RODRIGUES. para maior espectro de controle. em alguns tipos de Módulo 3. ALMEIDA. 1998). não sendo recomendável cultivá-lo na modalidade de “milho safrinha” no mesmo ano agrícola da soja.. 1999). Sua degradação no solo é por ação microbiana e química. pode ser misturado no tanque do pulverizador com outros herbicidas (ametryn. diuron. kow: 2.0 e 2. e valor médio de koc de 20 mg g-1 de solo a pH 7.2 .000 mg L-1 a pH 5.5-dihidro-4-metil-4-(1-metiletil)-5-oxo-1H-imidazol-2-il]-3-quinolina carboxílico (imazaquin) apresenta solubilidade em água de 60 mg L-1. Flazasulfuron O 1-(4. exigindo intervalo de segurança acima de 180 dias após sua aplicação. evitando-se aplicar em períodos de estiagem e umidade relativa do ar inferior a 60% (SILVA et al. todavia. O milho é muito sensível a resíduo de imazaquin no solo. O flazasulfuron deve ser aplicado em cobertura total das plantas daninhas e da cultura. Sua persistência no solo é alta (meia-vida de sete meses).Algumas imidazolinonas Imazaquin O ácido 2-[4. porém não deve ser misturado com graminicidas. 2005). pka. Apresenta meia-vida variando de 9 a 120 dias. 2005). etc.2 . Sua mobilidade no solo é inversamente proporcional ao teor de matéria orgânica. Pode ser usado em pré ou em pós-emergência inicial das plantas daninhas. pka: 3. para se evitar o efeito “guarda-chuva”.). se objetivo for controlar a Cyperus rotundus. podendo afetar culturas de inverno que seguem à soja tratada com o produto (SILVA et al. as dicotiledôneas. de 5 a 8 folhas e em pleno desenvolvimento vegetativo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas herbicidas. as gramíneas devem ter no máximo três perfilhos. é facilmente lixiviável no solo. as plantas de cana-de-açúcar devem possuir no máximo quatro folhas.7.

36 (RODRIGUES. além de outras. entre uma e quatro folhas. também. 1999). o que geralmente acontece entre 15 e 20 dias após a semeadura do feijão. Ipomoea grandifolia. Hyptis suaveolens. É registrado no Brasil para a cultura da soja. Ipomoea grandifolia. Sida rhombifolia.. 2005).0 e 31 a pH 7. Controla essencialmente plantas daninhas dicotiledôneas. estando estas com até quatro folhas e de monocotiledôneas. entre um a três perfilhos. Recomenda-se sua aplicação em pós-emergência das plantas daninhas dicotiledôneas. sendo. no estádio cotiledonar. também.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas solo.413 mg L-1 e Kow: 5.400 mg L-1. e as monocoti¬ledôneas. Apresenta lenta degradação no solo (meia-vida de 60 dias). Recomenda-se a aplicação em pós-emergência precoce. 1999). É pouco adsorvido pelos colóides do solo e. Imazethapyr O ácido 2-[4. mas esta adsorção aumenta em pH baixo. 2005). Bidens pilosa. Apresenta rápida degradação no solo. essencialmente microbiana (meia-vida de 15 dias). O milho e o sorgo são muito sensíveis ao resíduo de imazethapyr no solo. com eficiência.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . Estudos preliminares têm demonstrado que este herbicida apresenta rápida degradação em condições de solos brasileiros (SILVA et al. ALMEIDA. entre as quais Euphorbia heterophylla. estando as dicotiledôneas. É registrado no Brasil para cultura da soja e do feijão. É registrado no Brasil para uso exclusivo na cultura da soja. com até quatro folhas. e kow: 11 a pH 5.0. o que geralmente acontece entre 5 e 15 dias após a semeadura da soja. podendo causar toxicidade a algumas culturas de inverno que forem cultivadas em sucessão à soja tratada com este herbicida (SILVA et al. pouco lixiviado. ALMEIDA. pka: 3. Controla. Imazamox O ácido nicotínico 2-(4-isopropil)-4-metil-1-metiletil-(1-metil-5-oxo-2-imidazolin-2-il)-5(metoximetil) (imazamox) apresenta solubilidade em água de 4. É fracamente adsorvido em solo com pH alto. sendo utilizado em pré-plantio incorporado ou em pré-emergência das plantas daninhas.. Controla com eficiência diversas espécies de plantas daninhas: Euphorbia heterophylla. pouco lixiviado (RODRIGUES.9. além de outras. 86 Módulo 3.5-dihidro-4-metil-4-(1-metiletil)-5-oxo-1H-imidazol-2-il]-5-etil-piridina carboxílico (imazethapyr) apresenta solubilidade em água de 1.2 .

Kow: 0.34 e meia-vida no solo de dois meses (RODRIGUES. pouco lixiviado. Aplicações em altas doses para capinas de ruas pode intoxicar árvores utilizadas na arborização do ambiente (Fig. com degradação mais rápida em clima quente e úmido. em condições aeróbicas. se aplicado em pósemergência precoce. Imazapyr O ácido (+-)-2-[4.benzoato (Pyrithiobac-sodium) apresenta solubilidade em água de 1610 mg L-1. podendo ocorrer lixiviação positiva (para baixo) ou negativa (reversa –para cima). Estudos de laboratório indicam que imazapyr tem alto potencial de se mover no perfil do solo. Em campo.6-dimetoxipirimidina-2-il) tio]. 2001).0 e pka: 1. É pouco adsorvido pelos colóides do solo e.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 87 .272 mg L-1 a pH 7. vindo intoxicar as novas mudas plantadas para renovação da floresta. ALMEIDA. não se processando em condições anaeróbicas.36 (RODRIGUES. Módulo 3. Também quando aplicado no tronco do eucalipito visando eliminar rebrota após a derrubada. também. É fracamente adsorvido pelos colóides do solo. em pós-emergência precoce na cultura do algodão. da dosagem e dos fatores ambientais.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas diversas espécies de plantas daninhas. 2005).6. 7). pode ser exsudado pelas raízes. pka: 2. 2005). Sua persistência no solo é longa (três a sete meses em solos tropicais e seis meses a dois anos em clima temperado. dependendo do movimento capilar da água no perfil do solo (FIRMINO. Apresenta lenta degradação no solo. Apresenta degradação no solo essencialmente microbiana É registrado no Brasil para o controle de dicotiledôneas. a persistência biológica é dependente. essencialmente por via microbiana.5-dihidro-4-metil-4-(1-metietil)-5-oxo-1H-imidazol-2-il]-3-piridina carboxílico (imazapyr) apresenta solubilidade em água de 11. Pyrithiobac-sodium O sódio 2-cloro-6-[(4. entre estas Euphorbia heterophylla.2 . ALMEIDA.9 a 1. principalmente em solos arenosos. sobretudo.

Alguns autores acham que a simples redução de aminoácidos e a acumulação de shikimato não seriam suficientes para a ação herbicida.Herbicidas inibidores da EPSPs 4. Há redução acentuada. 88 Módulo 3. A enzima EPSP sintase é sintetizada no citoplasma e transportada para dentro do cloroplasto onde atua. tirosina e triptofano).1 . Glyphosate inibe a EPSP sintase por competição com o substrato PEP (fosfoenolpi¬ruvato). evitando a transformação do shikimato em corismato. SHANER. O glyphosate se liga a esta enzima pela carboxila do ácido glutâmico (glutamina) na posição 418 da seqüência de aminoácidos (HESS. cultivadas em solo coletado à margem da rua tratada com o herbicida 4. pois fenilalanina. Por outro lado. então.8 .Mecanismo de ação Logo após a aplicação. 2003).8. nos níveis desses aminoácidos aromáticos (fenilalanina. plantas tratadas com estes herbicidas param de crescer.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 7 – Árvores mortas pela ação do imazapyr quando aplicado para capina química de rua (A). uma vez que 20% do carbono das plantas é utilizado nesta rota metabólica. precursor comum na rota metabólica dos três aminoácidos aromáticos. nas plantas tratadas. acreditam que a desregulação da rota do ácido shikímico resulta na perda de carbonos disponíveis para outras reações celulares na planta. foi observado aumento acentuado na concentração de shikimato. Plantas normais cultivadas em solo sem resíduos de herbicidas (a) e plantas com sintomas de intoxicação do imazapyr (b).Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . BRIDGES. 1995c. tirosina e tryptofano são precursores da maioria dos compostos aromáticos nas plantas.2 . Verificou-se. que o ponto de ação era a enzima EPSP sintase (5 enolpiruvilshikimato-3-fosfato sintase).

• Como a enzima afetada é exclusiva de plantas. para não causar problemas de toxicidade para peixes.2 . • Translocação simplástica em gramíneas e folhas largas. para melhor eficiência de translocação para o sistema radicular.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. de maneira geral. já foram obtidas culturas resistentes a glyphosate. • A translocação é facilitada em condições de alta intensidade luminosa.2 .Características gerais Glyphosate O N-(fosfonometil) glicina (glyphosate) possui as seguintes características (BRIDGES. Módulo 3. • Formulações usadas no meio aquático não contêm surfatantes. como a soja e o algodão. • Requerem uma semana para matar plantas anuais (efeito final) e tempo ainda maior para espécies perenes. praticamente não há seletividade. • Não apresentam atividade no solo. poucas espécies de plantas daninhas foram identificadas como resistentes a estes herbicidas. muito pouca toxicidade para animais. • Através da engenharia genética. • A morte da planta ocorre lentamente: de 7 a 14 dias após a aplicação. • A translocação é melhor em plantas expostas à luz e que estejam com alta atividade metabólica. Quanto à resistência adiquirida pela pressão de seleção (aplicações repetidas do ghyphosate). em plantas anuais • Baixa vazão e menores gotículas são mais eficientes do que alta vazão e gotículas grandes. • Apresentam espectro de controle muito amplo. por causa de sua conjugação com sesquióxidos de ferro e alumínio. • Durante a primeira semana após a aplicação a folhagem não deve ser cortada.8. apresenta.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 89 . 2003c). • Águas de pulverização contendo muitos sais solúveis (Ca e Mg) diminuem a atividade destes herbicidas.

A não-ocorrência de chuvas até quatro horas após as aplicações garante absorção do glyphosate. 8). utilizado nas formulações granulares. No Brasil. 2001). No Brasil. O efeito varia com a formulação. utilizado em diversas marcas comerciais.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . 90 Módulo 3. 200). Roundup WDG e Roundup Multiação. esse tempo para penetração do glyphosate via foliar é maior (PIRES et al. para implantação do plantio direto de culturas. sendo recomendado para diversas atividades agrícolas e não-agrícolas.. cujo representante é o Zap Qi.). formulado como Roundup Transorb ou Zap Qi. Quando aplicado sobre plantas em condições de déficit hídrico prolongado. e sal potássico. Figura 8 – Eficiência de formulações de glyphosate em diversos períodos de simulação de chuva após a aplicação Atualmente o ghyphosate é o herbicida mais utilizado no mundo. etc. ferrovias.2 . ruas. Para controle seletivo de plantas daninhas em culturas geneticamente modificadas. fruteiras.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • A absorção destes produtos pelas plantas é lenta. enquanto para as demais formulações. o tempo mínimo sem chuvas após aplicação para se garantir a absorção foliar desse herbicida é de seis horas (JAKELAITIS et al.. as suas principais recomendações são: • • • • • • • Para controle de plantas daninhas em áreas não-cultivadas (rodovias. reflorestamento e outras). Na renovação de pastagens. Para aplicações dirigidas em culturas perenes (café. As formulações Roundup Transorb e Zap Qi se diferenciam das demais por apresentar penetração foliar mais rápida do que as demais existentes no mercado brasileiro. sal de amônia. parque de industrias. o glyphosate está sendo comercializado com diferentes formulações: sal isopropilamina. A ocorrência de chuva em intervalo de tempo menor que 4-6 horas pode reduzir a eficiência destes herbicidas. Para o controle de plantas daninhas aquáticas Como regulador de florescimento em cana-de-açúcar. englobando o Roundup original e o Roundup Transorb. Como dessecantes. em Brachiaria decumbens e Digitaria horizontalis em quatro horas (Fig.

4D. MCPA. os herbicidas deste grupo não apresentam atividade suficiente para o controle de gramíneas em pré-emergência. a eficiência diminui quando as gramíneas estão se desenvolvendo em condições de déficit hídrico. 2. Módulo 3. até mesmo. A translocação varia entre espécies. As principais características deste grupo de herbicidas (THILL. para controle de gramíneas anuais e perenes. podem ser citados: sulfoniluréias.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. é necessária uma dose três vezes maior que a requerida para a ação em pósemergência. De maneira geral. WELLER. São muito utilizados para o controle de gramíneas anuais e perenes. tanto para plantas daninhas quanto para culturas. bromoxynil. Entre os herbicidas que já mostraram ação antagônica.1 . há sempre necessidade da adição de um surfatante ou adjuvante. em fase de rápido crescimento. • A seletividade varia entre espécies de gramíneas. requerendo uma semana ou mais para a morte completa.4-DB. • Em doses normais.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 91 . seguida de necrose. Espaçando-se as pulverizações por alguns dias. • São muito efetivos quando aplicados sobre plantas não-estressadas. • A morte das gramíneas suscetíveis é lenta. Somente diclofop tem registro para uso no solo.9. Os sintomas incluem rápida parada do crescimento das raízes e da parte aérea e troca de pigmento nas folhas dentro de dois a quatro dias. provavelmente eles afetam a absorção foliar. o problema é minimizado e.9 . a qual começa nas regiões meristemáticas e se espalha pela planta toda. mas ocorre tanto pelo floema quanto pelo xilema. 1995) são: • São utilizados exclusivamente em pós-emergência. bentazon e metribuzin. eliminado. • Misturas no tanque desses graminicidas específicos com latifolicidas têm trazido uma série de problemas de antagonismo.Herbicidas inibidores da ACCase 4. • Apresentam lenta degradação no solo. • São prontamente absorvidos pela folhagem das plantas. até hoje.Principais características Os compostos deste grupo apareceram no mercado de herbicidas a partir de 1975 e. dicamba.2 . novos produtos estão sendo desenvolvidos. para que haja ação no solo. 2. imidazolinonas. • As espécies não-gramíneas são todas tolerantes. acifluorfen. • Para a atividade máxima ser atingida.

A inibição da ACCase explica perfeitamente a redução no crescimento. apesar de a quantidade que atinge a área meristemática ser muito pequena em relação ao que é aplicado.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • • Apesar do pouco tempo de uso. a formulação ácida é mais ativa que a formulação éster e o isômero “D” é muito mais ativo que o “L”. As folhas mais velhas apresentam sinais de senescência e mostram troca de pigmento. Esta enzima. quando o tecido meristemático decai. para causar 50% de inibição em células de soja foi necessária uma concentração 47 vezes maior. Enquanto 0. A enzima afetada por estes herbicidas ocorre também nas células animais. A diferença na tolerância entre espécies de gramíneas e folhas largas é muito grande. para peixes.2 . por exemplo. Foi verificado também que a divisão celular foi prejudicada por causa da inibição da formação da parede celular. trabalhos realizados com diclofop-methyl começaram a desvendar o modo de ação dos graminicidas específicos. ele causou declínio na atividade respiratória. Foi descoberto. que mostrou resistência ao diclofop-methyl e resistência cruzada a outros graminicidas específicos. também. Após alguns dias da aplicação. o aumento na permeabilidade de membrana e os efeitos ultra-estruturais observados nas células. surgindo células binucleadas. Esta é uma reação-chave no início da biossíntese de lipídios. fica aparente a disfunção de membrana. por isso. Há diferenças também entre a atividade de isômeros e as formulações. nas concentrações de 0. depois. resultando no aumento dos níveis de açúcar e antocianina. Estudos feitos com sethoxydim mostraram que este herbicida inibe o crescimento e a acumulação de clorofila.5 a 0. predominância da classe II) e.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . o crescimento de raízes e parte aérea é paralisado. Foi verificado que este herbicida inibe fortemente a incorporação de 14C-acetato em lipídios quando pontas de raízes de milho foram tratadas por 24 horas.Mecanismos de ação Muitos dos estudos já realizados sobre o mecanismo de ação dos arilofenoxipropionatos foram feitos com o herbicida diclofop-methyl.2 . que a ação dos graminicidas específicos era sobre a enzima Acetil Coenzima-A Carboxilase (ACCase). converte o Acetil Coenzima A (Acetil-CoA) em Malonil Coenzima A (Malonil-CoA) pela adição de uma molécula de CO2 ao Acetil-CoA. Este herbicida é rapidamente absorvido pelas folhas e atinge os meristemas da planta. em 1987. encontrada no estroma de plastídios.9. 4. Em algumas horas. às sulfoniluréias e ao trifluralin. necrótico. A translocação ocorre pelo xilema e pelo floema.5 μM. de maneira geral. No caso de diclofopmethyl. e muitos autores 92 Módulo 3. Como não houve interferência na absorção de acetato.1 μM de haloxyfop provocou 42% de inibição da incorporação de acetato em células de milho. A partir de 1981. o problema era na síntese de lipídios. O tecido meristemático em gemas e nós torna-se clorótico e. já existem plantas daninhas que adquiriram resistência aos inibidores da biossíntese de lipídios. Ademais. O caso mais relatado é o ocorrido na Austrália com a espécie Lolium rigidum. eles são tóxicos para mamíferos (classe toxicológica de I a III.

Não apresenta mobilidade no solo. e a proteína transporte da biotina (BCP). que transfere o CO2 da biotina para o Acetil-CoA. mas a eficiência diminui pela metade. purificada e parcialmente caracterizada.1.520 mg L-1. Controla grande número de espécies de gramíneas anuais no estádio de até 4 perfilhos e algumas perenes.3 . A enzima Acetil Coenzima A Carboxilase (ACCase) é. Quando o substrato Acetil-CoA é substituído por Proprionil-CoA.2 . a qual é ligada covalentemente ao grupo da biotina por um espaçador móvel. café. tabaco. cenoura. ALMEIDA. devendo ser aplicado no início do desenvolvimento das plantas daninhas. É um herbicida Módulo 3. tomate. 1995). pka: 3. soja.1 mg L-1.5. WELLER. e koc médio de 5. a transcarboxilase. um complexo de três domínios: uma biotina carboxilase que promove a carboxilação da biotina com carbonato (CHO3). o qual é uma reação dependente de ATP.2ciclohexeno-1-ona (clethodim) apresenta solubilidade em água de 5.9. roseira e crisântemo. evitando períodos de estiagem. Deve ser aplicado com as plantas em bom estado de vigor vegetativo. citros. algodão. horas de muito calor e umidade relativa do ar inferior a 70%. A falta de lipídios provoca despolarização da membrana celular (THILL. É recomendado para uso em pós-emergência. kow: 15000 e persistência muito curta no solo. Clethodim O (E. A ACCase de milho já foi isolada.E)-(+/-)-2-[1-[[(-cloro-2-propenil)oxi]imino]propil]-5-[2-(etiltio)propil]-3-hidroxi. tendo uma persistência média de 30 dias (RODRIGUES. devendo ser utilizado seqüencialmente. 2005). 4. cebola.700 mg g-1 de solo. a enzima funciona.Caracterização de alguns inibidores da ACCase Fluazifop-p-butil O ácido (R)-2-[4-[[5-(trifuorometil)-2-piridinil]oxi]fenoxi] propanóico (fluazifop-p-butil) apresenta solubilidade em água de 1. ALMEIDA 2005). na realidade. É registrado no Brasil para as culturas de alface. Não deve ser misturado com herbicidas que controlam dicotiledôneas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas julgam ser esta reação a que dosa o ritmo da biossíntese de lipídios. dois a três dias (RODRIGUES. a não ser o fomesafen. pinho. que permite à biotina se mover entre os dois centros catalíticos (HESS. eucalipto. kow: 4. 1995). com intervalo superior a cinco dias. por incompatibilidade fisiológica (efeito antagônico).Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 93 . feijão.

Destaca-se pelo seu amplo espectro de ação no controle de gramíneas anuais. amendoim. eucalipto. não sendo prejudicada sua eficácia por chuvas que ocorram uma hora após sua aplicação. para as culturas de soja. Nas doses de 360 . neste caso. aveia e trigo. quando provenientes de rizomas). É moderadamente adsorvido pelos colóides do solo. permitindo a aplicação dos dois numa só operação. pode haver lixiviação do produto. feijão e eucalipto. como bentazon. como algodão.3 mg L-1. altamente seletivo para a cultura da soja e outras dicotiledôneas. pinho e outras. sistêmico. no Brasil. cebola. devendo ser aplicado no início do desenvolvimento das plantas daninhas (4 folhas até 6 perfilhos.3.600 g ha-1.2 . É rapidamente absorvido pelas folhas. com exceção do 2.4-D. citros. café.. perenes e tigüera de culturas gramíneas. Quando misturado com herbicidas recomendados para uso em pós-emergência que controlam plantas daninhas de folhas largas e que já contenham em sua formulação um adjuvante. Em doses altas (120-360 g ha-1. pka: 4. comuns em rotação de culturas com a soja. É utilizado. fomesafen e lactofen. feijão. tomate. e com 10 a 40 cm. acifluorfen. em condições de alta pluviosidade. A ação residual do produto na lavoura é de 30 a 40 dias.7. Quando usado na dose de 120 g ha-1. evitando períodos de estiagem. milho. soja. como é o caso normal em culturas perenes. quando provenientes de sementes. cenoura. 2005). pois aumenta-lhe a fitotoxicidade. não se deve adicionar óleo mineral à calda. controla gramíneas anuais. tem ação sobre rebentos de gramíneas anuais que tenham sido roçadas. e koc médio de 33 mg g-1 de solo. kow: 11. controla gramíneas perenes. tais como: azevém. podendo requerer reaplicação no caso de rebrotas (RODRIGUES. Deve ser aplicado com as plantas daninhas em bom vigor vegetativo. ALMEIDA.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . 94 Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas graminicida. horas de muito calor e umidade relativa do ar inferior a 60%. como Cynodon dactylon e Sorghum halepense. em solos leves. Haloxifop-methyl O ácido 2-[4-[[ (3-cloro-5-(trifluorometil)-2-piridinil]oxi]fenoxi] propiônico (haloxyfopmethyl) apresenta solubilidade em água de 9. É compatível com outros herbicidas usados em pós-emergência para controle de folhas largas. tabaco. há que observar um intervalo de dez dias entre o emprego de um e outro. desde jovem até adiantado estádio de desenvolvimento. ervilha. de reprodução seminal. É recomendado para uso em pós-emergência.

Apresenta curta persistência no solo.1. encontra-se em fase de registro para abacaxi. 2005).Herbicidas inibidores de carotenóides Os grupos químicos izoxazolidinona e piridazinonas compõem a classe de herbicidas chamada inibidores de carotenóides.0 de 4. é recomendado. 2003a). 4. É necessário adicioná-lo à calda adjuvante. citros. não sendo prejudicada a ação do sethoxydim por uma chuva que ocorra uma hora depois de sua aplicação. não prejudicando culturas sensíveis que sejam instaladas no terreno um mês após o tratamento.5 – [2-(etiltio)propil]-3-hidroxi-2-ciclohexeno-1. Tem uma meia-vida no solo de 4 a 11 dias. feijão. Controla gramíneas anuais e algumas perenes. macieira e em hortícolas (batata. linho e mandioca.16. Deve ser aplicado em pós-emergência das plantas daninhas. para as culturas de alfafa. eucalipto. e koc médio de 100 mg g-1 de solo (RODRIGUES . pka: 4.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sethoxydim O 2-[1-etoximina)butil] . como Cynodon dactylon. exceto pela falta de pigmentos verdes (clorofila) e amarelos (Fig. algumas vezes rosados ou violáceos. banana. melancia. Estes tecidos são normais. Em outros países. por ser a foliar a principal via de absorção do produto. É um herbicida registrado no Brasil para algodão. ALMEIDA. Módulo 3. O sintoma evidenciado pelas plantas tratadas é a produção de tecidos novos totalmente brancos (albinos). café. gergelim. soja e tabaco.700 mg L-1.10 . 9). Não prejudica as culturas suscetíveis que sejam instaladas no terreno 30 dias após o tratamento. melão e morango). dependendo das condições climáticas e do tipo de solo. cenoura. o que acelera sua absorção. Supõe-se que seja seletivo para todas as culturas que não são gramíneas. colza.2 . também.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 95 . amendoim. girassol.ona (sethoxydim) apresenta solubilidade em água a pH 4.0 de 25 ppm e a pH 7. gladíolo. As plantas suscetíveis a estes herbicidas perdem a cor verde após o tratamento com estes herbicidas (BRIDGES. kow: 45. se bem que exija doses mais altas de aplicação.

que a protegem. nas quais ela é destruída (ABERNATHY. A inibição da síntese de carotenóides leva à decomposição da clorofila pela luz. A perda da clorofila é resultado da sua oxidação pela luz (foto-oxidação). Após a síntese da clorofila. 1980). a clorofila não se mantém sem a presença dos carotenóides. É importante salientar que estes herbicidas não têm efeito sobre carotenóides sintetizados antes da sua aplicação.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 9 – Sintomas de intoxicação de plantas de milho e feijão pelo clomazone. com predomínio do phytoeno. anuais e perenes. a energia oriunda da forma triplet é dissipada através dos carotenóides. 1980). pelas plantas tratadas. 1994). Os herbicidas inibidores de pigmento são usados para controle seletivo de plantas daninhas gramíneas. dissipando o excesso de energia. Os herbicidas inibidores destes pigmentos agem na rota de biossíntese de carotenóides. A inibição da enzima IPP (isopentyl pirophosphato isomerase) é o local provável da ação (Abernathy. Estes produtos também possuem efeitos sobre a reação de Hill (MORELAND. arroz. que são dois precursores. 1980). devido à necessidade de renovação dos carotenóides. passando do estado singlet para o estado triplet. O herbicida clomazone parece ter um único local de ação e não causa acúmulo de phytoeno. Devido a este processo.2 .Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . devido à falta de clorofila. cana-de-açúcar. do caroteno (MORELAND. a clorofila que está no estado triplet não dissipa energia e inicia reações de degradação. eles desenvolvem manchas cloróticas que progridem para necrose (ABERNATHY. perda de proplastídios e degradação dos ribossomos 70S. sem cor. resultando no acúmulo de phytoeno e phytoflueno. esta se torna funcional e absorve energia. e de folhas largas nas culturas de algodão. contudo. Assim. como resultado da perda da fotoproteção fornecida pelos carotenóides à clorofila (MORELAND. O crescimento da planta continua por alguns dias. mas sim de gossipol e hemigossipol. porém. ela não consegue se manter. mais reativo. fumo 96 Módulo 3. não implica que estes herbicidas inibam diretamente a síntese de clorofila. A inibição desta enzima provoca o acúmulo de phytoeno. Outras alterações provocadas por estes produtos são: redução da síntese protéica. A produção dos novos tecidos albinos. tecidos formados antes da aplicação do herbicida não se mostram brancos imediatamente. Em condições normais. o crescimento cessa e começam a surgir manchas necróticas. O local de ação mais estudado é onde atua a enzima phytoeno desidrogenase. 1994). 1994). quando os caratenóides não estão presentes. Desse modo. devido à falta de carotenóides que a protegem da foto-oxidação. Assim.

Quando aplicado sobre a superfície do solo. 1994). afetando culturas sucessoras. Os sintomas envolvem branqueamento das plantas daninhas sensíveis. pka: 3. são mais comercializados.3 . Também são empregados em plantas daninhas aquáticas e no controle total da vegetação. pode lixiviar e atingir camadas profundas. A seletividade do clomazone ao algodão pode ser aumentada com adição de um inseticida organofosforado (ABERNATHY.07 e koc variando de 19 a 387 mg g-1 e curta persistência no solo sendo degradado rapidamente por microrganismos (RODRIGUES. O clomazone apresenta alta solubilidade:1.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 97 . o clomazone e o norflurazon. e persistência no superior a 150 dias.3-diona (mesotrione) é um herbicida seletivo de ação sistêmica indicado para o controle em pós-emergência de plantas daninhas na cultura do milho.192 mg L-1. com posterior necrose e morte dos tecidos vegetais em cerca de 1 a 2 semanas. pka: zero. A seletividade às culturas se dá pela translocação reduzida pela destoxificação das moléculas herbicidas. através da interferência na atividade da enzima HPPD (4-hidroxifenil-piruvato-dioxigenase) nos cloroplastos – classificação nos grupos F2 (HRAC) e 28 (WSSA). A dose recomendada varia com a cultura e o tipo de solo.clorofenil) metil]-4. ALMEIDA. Apresenta solubilidade de 168. O inseticida funciona com “safener” protetor e pode ser usado no tratamento da semente ou em aplicação no sulco de semeadura. 2005). Clomazone Norflurazon Esta classe herbicida apresenta baixa toxicidade para animais. ALMEIDA. chegando às raízes das culturas. Controla diversas espécies de plantas dicotiledôneas e algumas gramíneas.dimetil . koc: 300 mg g-1. 2005). apresentam atividade de solo e podem persistir. 1994). O mesotrione inibe a biossíntese de caroteníodes. e não existem casos registrados de plantas daninhas resistentes (ABERNATHY. O 2 – [(2 .2 . Mesotrione O 2-(4-mesil-2nitrobenzoil) ciclohexano-1.7 mg L-1.4 . No Brasil. Módulo 3. causando danos naquelas sensíveis (RODRIGUES.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas e soja.isoxazolidinona (clomazone) e o 4-cloro-5(metilamino)-2-3-[(trifluorometil)]fenil-3(H)-m-toluil) piradazinona (norflurazon) translocam-se na planta via xilema.

O isoxaflutole pertence ao grupo dos herbicidas inibidores da biossíntese do caroteno. Com exceção da cultura do algodão onde é recomendado em jato dirigido. com posterior necrose e morte dos tecidos vegetais em cerca de 1 a 2 semanas. baixa a média mobilidade nos solos dependendo de suas características ficas e químicas. que são essências para proteger a clorofila contra a decomposição pela luz solar através da interferência na atividade da enzima HPPD (4-hidroxifenilpiruvato-dioxigenase). Apresenta baixa solubilidade em água: 6. milho.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Isoxaflutole O 5-ciclopropil-4-metilsufonil-4-trifluorometilbenzoil)-isoxazole (isoxaflutole) é um herbicida recomendado para as culturas de cana-de-açúcar.2 . Inibe a biossíntese de carotenoides. responsável pela biossíntese da quinona. mandioca e algodão para o controle de diversas gramíneas e algumas dicotiledôneas. Os sintomas envolvem branqueamento das plantas daninhas sensíveis. 2005).Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .0 mg L-1 a 20 °C. que é um co-fator chave para síntese de pigmentos carotenóides e para o transporte de elétrons. 98 Módulo 3. RODRIGUES. nas demais culturas deve ser aplicado em pré emergência. e meia-vida média de 28 dias (ALMEIDA.

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Herbicidas: absorção. translocação. Francisco Affonso Ferreira Profº. metabolismo.DF 2006 102 Módulo 3.ABEAS Universidade Federal de Viçosa . José Francisco da Silva Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior . translocação. formulação e misturas .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 .UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília .3 .Manejo de plantas daninhas 3. formulação e misturas Tutores: Profº.3 . José Ferreira da Silva Profº. metabolismo.Herbicidas: absorção.

Metabolismo dos herbicidas nas plantas.1 – Introdução.Fatores que influenciam a absorção através das raízes.Misturas de herbicidas. 133 Módulo 3. 117 2.3 . 125 4.4 .4. 129 5.Veículo de aplicação (água). 118 3 .Mecanismo de absorção de herbicidas.2 . 128 5 .Interceptação.Translocação de herbicidas.4 .1 . 111 1.1. 104 1.1 . 117 2.Movimento ascendente.1.Interações entre herbicidas. 131 Referências bibliográficas.2 . formulação e misturas 103 . 127 4. 104 1.Absorção de herbicidas.Penetração pelas raízes.2 .Formulações sólidas. 112 1.2 – Incompatibilidade.3 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário 1 .Interações de herbicidas com inseticidas em mistura.Translocação de alguns herbicidas.2 . retenção e absorção de herbicida pela folha.Movimento descendente. metabolismo. 129 5.2 . 130 5.3 .1. 113 2 .Formulações líquidas. 130 5.2.Vantagens das misturas ou combinações de herbicidas.Penetração pelo caule.Herbicidas: absorção.1 .1 .1 .Tipos de formulações. 116 2. 104 1.1 . 120 4 – Formulação. translocação.4. 126 4. 112 1.3 .Conceito de movimento simplástico e apoplástico. 127 4. 116 2.2.

atinge e penetra nos cloroplastos. estolões.Herbicidas: absorção. tubérculos. Por isso. rizomas. A interceptação da gota pulverizada é função do método de aplicação e da distância entre o alvo e o bico do pulverizador. incorporados ao solo. formulação e misturas . Há necessidade de que ele penetre na planta. A principal via de penetração dos herbicidas na planta é função de uma série de fatores intrínsecos e extrínsecos (ambientais). as raízes. metabolismo. retenção e absorção de herbicida pela folha A absorção foliar de um herbicida requer que o produto seja depositado sobre a folha e permaneça ali por um período de tempo suficiente. por exemplo. da translocação. em um reflorestamento. Os herbicidas podem penetrar nas plantas através das suas estruturas aéreas (folhas. ainda. etc. as estruturas jovens das plântulas (radícula e caulículo) e as sementes são as vias de penetração mais importantes para os herbicidas aplicados e. do metabolismo e da sensibilidade da planta a este herbicida e.Interceptação. o 2. A absorção de herbicidas pelas raízes ou pelas folhas é influenciada pela disponibilidade dos produtos nos locais de absorção e com fatores ambientais (temperatura. dentro de uma população mista. aí. se deseja que as cepas das árvores não rebrotem após a derrubada. A atrazina. destruindo-os.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1 . translocado e. ou quando. transloca até as folhas e. luz. pelas sementes. O caule (casca) de árvores ou arbustos pode também ser uma via de penetração de herbicidas. também. ser aplicado no solo onde se desenvolve esta planta não é suficiente para que ele exerça a sua ação.1 . umidade relativa do ar e umidade do solo). que influenciam também a translocação destes até o sítio de ação. Quando os herbicidas são aplicados diretamente na parte aérea da planta (pós-emergência). a morfologia da planta e as condições ambientais exercem grande influência. Por sua vez. ou. metabolizado para exercer sua ação herbicida. a seus metabólitos. caules.Absorção de herbicidas 1.). quando aplicada ao solo. ou. até ser absorvido. o simples fato de um herbicida atingir as folhas da planta e. translocação. 1. principalmente quando se deseja controlar apenas algumas plantas. ou. 104 Módulo 3.4-DB precisa ser absorvido. as folhas são a principal via de penetração. flores e frutos) e subterrâneas (raízes. Por outro lado.2 .Introdução A atividade biológica de um herbicida na planta é função da absorção. também. Além disso. transloque e atinja a organela onde irá atuar. de estruturas jovens como radículas e caulículo e. que serão discutidos no item referente à tecnologia de aplicação. onde atua.3 . penetra pelas raízes.

são recobertas por uma camada morta (não-celular). Figura 1 . translocação. igualmente. a forma e a área do limbo foliar. razão pela qual muitos fatores influenciam. esta existe também nas raízes. para cada herbicida.. poros estomáticos. A influência da chuva sobre a eficiência dos herbicidas está também relacionada à formulação. 2001). denominada cutícula. A perda do herbicida ou de sua atividade depende da ocorrência de chuva (intensidade e duração) neste intervalo. cavidade estomática. tanto a penetração dos herbicidas pelas folhas quanto pelas raízes.4-D amina requer um período muito mais longo sem chuva do que o 2.Herbicidas: absorção. Após a interceptação. metabolismo. 2000. O corte transversal de uma folha está representado na Figura 1.Corte transversal de uma folha (esquemático). xilema e floema Fonte: Mengel e Kirkby (1982) 105 Módulo 3. por exemplo sais de sódio. como todas as estruturas aéreas das plantas. por isso. Herbicidas lipofílicos (usualmente formulados como CE ou flowable) são pouco solúveis em água..4-D ester para causar a mesma toxicidade em várias espécies sensíveis (BEHRENS. lipofílica. Sais aniônicos (cargas negativas). Também o nú¬mero e a abertura dos estômatos exercem pequena influência sobre a penetração dos herbicidas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A morfologia da planta influencia a quantidade de herbicida interceptada e retida. são solúveis em água. não são absorvidos pela superfície da cultícula e são solúveis em água e podem ser lavados caso ocorra chuva até mais de 24 horas após. como tricomas (pêlos). A chuva pode causar perdas consideráveis de herbicidas das folhas das plantas. deve haver um período crítico sem ocorrência de chuvas até que ocorra absorção de quantidade suficiente deste. mostrando células-guarda. Por exemplo. formulação e misturas . porém são rapidamente absorvidos nos lipídios da cutícula e pouco lavados pela chuva. 2003. das condições climáticas e das espécies de plantas envolvidas (BRIDGES. não penetram rapidamente. o ângulo ou a orientação das folhas em rela¬ção ao jato de pulverização e as estruturas especializadas. Dentre os aspectos relacionados com a morfologia da planta destacam-se o estádio de desenvolvimento (idade da planta). JAKELAITIS et al. Sais catiônicos (carregados positivamente). do método e da tecnologia de aplicação.3 . PIRES et al. células da bainha do feixe.. 2. mas são rapidamente absorvidos e. 1981). As folhas. HESS. menos sujeitos a lavagem pela chuva. Embora em menor proporção. como o paraquat. ELAKKAD.

A cutina é o principal componente estrutural da cutícula. Esse conjunto. aldeídos. translocação. Entre a camada cuticular e a membrana citoplasmática tem-se a parede celular.Herbicidas: absorção. separando as partículas de cera. assim a sua permeabilidade. álcoois. funcionando como uma resina de troca de cátions. pode ser semifluida ou fluida. metabolismo. de prato (ou disco). ácidos graxos.. é referido como camada cuticular (Figura 2). acredita-se que a cutina aumente de volume (por embebição). A composição química do revestimento epicuticular é muito variável entre as espécies de plantas (Quadro 1). a cutícula é recoberta por uma camada de cera. a qual possui grupos de polaridade variáveis (Figura 2). Ela pode ter a forma de grânulos. incluindo as células-guarda dos estômatos e as células que envolvem a câmara subestomática. freqüentemente. ainda. et al. que é formada de fibrilos de celulose impregnados de pectina. de camadas superpostas e. Em consequência da variabilidade de seus componentes o grau de polaridade das cutículas varia muito.Representação esquemática dos principais componentes da camada cuticular e o seu grau lipofílico 106 Módulo 3. ésteres. aumentando. A camada cerosa que envolve a cutícula é mais rica em compostos menos polares do que a cutina. 2005).3 . essa camada é uma complexa mistura de alcanos de longas cadeias (21 37 carbonos). O padrão de superfície da camada cuticular é bastante variável. porém alguns componentes são comuns. Externamente. Figura 2 . (FERREIRA.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A cutícula recobre todas as células da epiderme da planta. formulação e misturas . Em presença de água. cetonas. etc. Em geral.

(1975). Apesar das barreiras existentes (como a camada cuticular).0 6. (1991).8 6. etc. o herbicida.6 6. é que essas barreiras não são totalmente rígidas e distintas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas É conhecido o fato de que há uma interação bastante complexa entre a natureza química do produto aplicado e a superfície foliar.0 8. tanto aos polares quanto aos não-polares. A maior barreira à penetração de um herbicida no citoplasma das células é a membrana citoplasmática. Quadro 1 . através dos plasmodesmas. O processo de absorção de um herbicida é complicado em razão da espessura. pode penetrar no citoplasma.5 Fonte: Sandoz Agro Ltda.0 7.0 7. metabolismo. Módulo 3. Existem dois tipos principais de superfícies: uma facilmente molhável (rica em álcoois) e outra de molhagem mais difícil (rica em alcanos).0 6. As folhas das plantas apresentam muitas barreiras à penetração dos herbicidas. citado por Kissmann (1997).0 7. são importantes nessa interação.2 7.5 6. As características da solução aplicada.2 7. após atravessar a camada cuticular e a parede celular.0 6. No momento em que os herbicidas entram em contato com a superfície foliar. sobre a penetração dos herbicidas pelas folhas. translocação. via simplasto. a tensão superficial da calda. Uma hipótese citada por Klingman e Ashton.2 7. A camada cuticular funciona como uma barreira à perda de água e também como uma barreira à entrada de pesticidas e microrganismos na planta. a polaridade do composto.2 8. podem acontecer os pressupostos que se seguem (Figura 3).0 7. composição química e permeabilidade da cutícula. formulação e misturas 107 . Entretanto.Percentagem de compostos apolares e polares e pH do revestimento epicuticular de diversas espécies de plantas daninhas Espécies daninhas Cyperus rotundus Avena fátua Brachiaria plantaginea Cynodon dactylon Digitaria sanguinalis Echinochloa crus-galli Panicum dichotomiflorum Poa annua Sorghum halepense Amaranthus retroflexus Capsella bursa-pastoris Chenopodium album Datura stramonium Ipomoea purpurea Poligonum lapathifolium Portulaca oleracea Senna obtusifolia Sida spinosa Sinapsis arvensis Solanum nigrum Stellaria media Xhathium orientale Compostos NãoPolares 82 10 17 12 37 27 17 29 6 44 32 32 92 32 12 37 7 85 47 88 9 58 Compostos Polares 17 90 82 88 62 72 82 71 93 55 68 66 7 68 86 63 93 14 52 11 91 41 pH 7.Herbicidas: absorção.4 7.3 8.6 8.3 .8 7. tanto os herbicidas polares quanto os não-polares penetram nas folhas das plantas.8 8.4 6.

umidade relativa). 108 Módulo 3. representando os aspectos: volatilizar e perder para atmosfera ou ser lavado pela chuva (1). como: potencial hidrogeniônico (pH). O exato mecanismo de penetração não é totalmente conhecido para todos os herbicidas. mas admite-se que os compostos não-polares sigam uma rota lipofílica e os compostos polares. penetrar. Todos esses fatores podem influenciar a absorção de herbicidas. 1991). (1981) atribuíram isto à maior polaridade da cutina encontrada nas folhas novas. o pH mais baixo aumenta a absorção do herbicida. a rota hidrofílica. fatores ambientais (luz. permanecer sobre a superfície como um líquido viscoso ou na forma de cristal (2). mas permanecer absorvido nos componentes lipofílicos da cutícula (3). mas sim à constituição lipídica e ao grau de impedimento da passagem de solutos. Para os herbicidas nãodissociáveis (amidas. Para os herbicidas orgânicos. que inclui o movimento no xilema (4) e penetrar na cutícula. cerosidade e pilosidade da folha.Diagrama hipotético. o pH da solução tem pouco ou nenhum efeito sobre a penetração. penetrar na cutícula.). metabolismo. da idade da folha e do ambiente sob o qual a folha se desenvolve.3 . A absorção de herbicida não está necessariamente relacionada à espessura ou ao peso da cutícula. atravessa a camada cuticular. na parede celular e atingir o interior da célula (pela plasmalema) – é a translocação simplástica. derivados de ácidos fracos. na parede celular e então translocar antes de atingir o simplasto . translocação. que inclui o movimento no floema (5) Fonte: Hess (1995) Uma grande diversidade de herbicidas. Schmidth et al. uso de agentes ativadores de superfícies (surfatantes) e outros. tamanho das partículas e concentração do herbicida. CESSNA.esta é chamada translocação apoplástica. ésteres. A passagem de uma molécula de herbicida através da camada cuticular é um processo físico que pode ser influenciado por uma série de fatores. espessura da cutícula. temperatura. Há evidências de que a penetração de herbicidas decresce com o aumento da idade da folha (GROVER. formulação e misturas .Herbicidas: absorção.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas que variam em função da espécie. Figura 3 . que diferem em estrutura e polaridade. Apesar de a constituição física e química e a espessura poderem ser praticamente a mesma. etc. porque reduz sua polaridade. a cutícula de folhas nova é mais permeável à água do que a de folhas velhas.

Em segundo lugar. umidade relativa. ou baixa umidade relativa do ar e umidade do solo. translocação e grau de detoxificação. Supõe-se que os herbicidas lipofílicos se solubilizam nos componentes lipofílicos da camada cuticular e se difundem através da cutícula. Entretanto. em tese. Nas plantas estressadas (déficit hídrico no solo). houve rebrota acentuada da maioria delas. Alta temperatura pode melhorar a absorção. como temperatura do ar.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Os fatores ambientais. Segundo Pires et al. foi suficiente para ótimo controle das plantas tratadas. Com relação aos herbicidas hidrofílicos. a menos que a tensão superficial da solução pulverizada seja muito reduzida pelo uso de surfatantes na formulação ou no tanque do pulverizador. aumenta a hidratação da cutícula. mais rápida absorção do herbicida. a infiltração pelos estômatos não é possível. 1995). o haloxyfop teve sua atividade reduzida de 92% para 12%. por provocar maior fluidez dos lipídios da camada cuticular e da membrana celular e. A natureza da resposta para as diferentes condições ambientais varia com a espécie vegetal. Como os herbicidas atravessam a cutícula? A resposta para essa pergunta ainda não está bem esclarecida. tanto a absorção quanto a translocação são menores (HESS. a solução pulverizada poderia. A umidade relativa do ar tem efeito mais consistente sobre absorção de herbicidas. Nas plantas estressadas.Herbicidas: absorção. Uma a duas semanas antes da aplicação. mesmo quando o período sem chuva foi de até seis horas. dependendo das condições ambientais. respectivamente. Nestas. metabolismo. de duas formas. 2001 o glyphosate e o sulfosate apresentam máxima atividade em plantas não-estressadas. a cutícula sobre as células-guarda parece mais fina e mais permeável a substâncias do que a cutícula sobre outras células epidérmicas. que se mantém hidratada. em condições de alta luminosidade e estresse hídrico no solo. É difícil ou mesmo impossível afirmar qual dos processos é mais influenciado pelas mudanças nas condições do ambiente. provocando a cristalização do herbicida na superfície foliar. translocação. influenciam a atividade dos herbicidas nos aspectos de absorção. Os estômatos podem estar envolvidos. 1995).3 . Primeiro. à alteração na composição das ceras ou ao aumento na formação de ceras epicuticulares. havendo maior absorção dos produtos polares com aumento da umidade (HESS. e daí para o citoplasma das células do parênquima foliar. com a penetração de herbicidas nas folhas.. mover-se através do poro de um estômato aberto para dentro da câmara subestomática. O grau de impermeabilidade da cutícula pode ser atribuído ao incremento de sua espessura. comparando pulverizações feitas em plantas de capim-massambará (Sorgum halepense) sem estresse e estressadas. também pode apresentar efeitos negativos devido à maior rapidez do secamento da gota pulverizada. favorece a abertura dos estômatos e pode aumentar o transporte de solutos na planta. A elevação da umidade relativa aumenta o tempo de evaporação da gotícula pulverizada. Condições de alta temperatura e luminosidade. para o sulfosate e glyphosate. A maioria dos Módulo 3. Todavia. um intervalo sem chuvas de menos quatro e seis após a aplicação. em conjunto. formulação e misturas 109 . admite-se que a cutícula tenha estrutura porosa. sendo essa água de hidratação da cutícula a rota de penetração destes herbicidas. conseqüentemente. luz e teores de umidade no solo e na planta. geralmente promovem a formação de cutículas mais impermeáveis.

quando sulfato de amônio é adicionado à solução. A função primária do surfatante é reduzir a tensão superficial da gota. a eficiência do surfatante depende de sua natureza. LOADER. a melhoria só ocorre se o surfatante também estiver presente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas surfatantes atualmente em uso atua aumentando a penetração cuticular e não consegue reduzir a tensão superficial adequadamente para permitir a penetração estomática. Este surfatantes são capazes de reduzir a tensão superficial ao ponto de a infiltração pelo estômato ocorrer. e podem ser catiônicos. tem sido usado para melhorar a atividade de númerosos herbicidas. mas preparados em soluções. no entanto. Alguns trabalhos têm demonstrado que esse tipo de surfatante pode aumentar inclusive a translocação relativa do produto aplicado (KNOCHE. às quais alguns ingredientes são adicionados. metabolismo.3 . não têm sido suficientemente positivos ou consistentes para adição de tais aditivos na calda de pulverização e para se tornar uma prática recomendada.. translocação. Diversos produtos químicos. Vários autores afirmam que os surfatantes melhoram a penetração e. A estimulação da absorção pode ser causada pelo surfatante adicional ou por outros aditivos presentes nas duas formulações misturadas. ou surfatantes. etc. incluindo picloram. Sulfato de amônio. aniônicos ou não-iônicos. emulsões. 1994). Os resultados dos experimentos de campo. 1980). A adição somente do sal provoca decréscimo da atividade em aveia. na concentação de 1 a 10% (p/v). 110 Módulo 3. proporção de 20% p/v. No entanto. 1980). têm sido usados como aditivos nas pulverizações. Os herbicidas são raramente aplicados na forma pura. ou. Eles podem também induzir um fluxo de massa da solução pulverizada através do poro estomatal e também aumentar a penetração cuticular. o desenvolvimento de surfatantes à base de organossilicones proporcionou avanço nesse ponto. LOADER. glyphosate e sethoxydim. provoca efeito antagônico com glyphosate (TURNER. formulação e misturas . da presença de outros aditivos e das espécies das plantas.Herbicidas: absorção. Em alguns casos o surfatante pode provocar parcial solubilização da cera epicuticular. o surfatante lipofílico é eficiente. Destes. atividade do herbicida. Também podem ocorrer interações negativas entre os dois herbicidas. Por exemplo. favorecendo mais ainda a penetração do herbicida. a absorção de um herbicida pode ser influenciada pela presença de outro herbicida misturado na calda. No caso do sethoxydim. que têm vários propósitos. Finalmente. além de surfatantes e óleos. em geral. contendo parte hidrofílica e lipofílica. para melhorar a penetração ou atividade dos herbicidas aplicados às folhagens. Entretanto. os mais importantes são os agentes ativadores de superfície. Eles geralmente são compostos de moléculas grandes. melhorando a retenção e o espalhamento desta sobre a folhagem. a atividade do glyphosate é melhorada por surfatantes com alto balanço lipofílico-hidrofílico que pelos surfatantes hidrofílicos que são não-iônicos ou catiônicos (TURNER. Recentemente. Sulfato de amônio não melhora atividade do paraquat e na. do herbicida em questão.

a barreira que a estria de Gaspary representa na raiz não está presente nestes tecidos. aos herbicidas aplicados na parte aérea. lignina. portanto. butachlor. celuloses e terpenos. Para atuação de herbicidas aplicados à casca das árvores. Entretanto. metabolismo. Outros constituintes comumente encontrados nestas células são ácidos graxos. ou. O crescimento do caule. em diâmetro. Alternativa prática mais eficiente seria injetar o herbicida com equipamento próprio com uma pistola injetora. desprovida da camada de cera. Estes produtos são pulverizados ou pincelados no caule da planta.Penetração pelo caule A absorção de herbicidas pode ocorrer pelo caule das plantas jovens (durante emergência) e das adultas. o periderma deve apresentar baixa permeabilidade à água e. floema). O caule da plântula durante a emergência tem uma cutícula muito pouco desenvolvida.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. além de serem aplicados em altas concentrações (5-10%). e.3 . pendimethalin butylate. principalmente os polares. metolachlor DCPA oxyfluorfen trifluralin. também. causa pequenas rupturas na casca. sendo. eles são preparados em formulações lipofílicas. Este processo está sendo implantado em algumas empresas de reflorestamento. sendo esta uma rota de entrada de herbicidas em muitas espécies de gramíneas. Quadro 2 . Nas plantas jovens.Herbicidas: absorção. alachlor. rotas importantes para a penetração de herbicidas pelo caule. Além do mais. usando-se óleo como veículo. usando imazapyr 20 a 30 dias antes da derrubada das árvores de eucalipto.3 . o herbicida será mecanicamente introduzido através da casca. até a região do câmbio (xilema. o periderma é um tecido protetor que substitui a epiderme. Baseado na sua estrutura e composição. que facilitam a penetração de herbicidas. é um sítio de entrada importante para muitos herbicidas aplicados ao solo que são ativos em sementes e durante a germinação e na emergência das plântulas (Quadro 2). após a morte de suas células. As células do periderma contêm tanino e são altamente suberizadas. Neste caso. Lenticelas são estruturas que atravessam o periderma. tornando-a mais permeável aos herbicidas. molinate A penetração de herbicidas através da casca de plantas lenhosas é outra opção que pode ser aproveitada na prática. Módulo 3. translocação. visando evitar a rebrota das cepas. formulação e misturas 111 .Grupos químicos de herbicidas e exemplos de ingredientes ativos que podem ser absorvidos do solo pelas radículas ou partes aéreas emergentes das plântulas Famílias de herbicidas Acetanilidas Ácidos ftálicos Difeniléteres Dinitroanilinas Tiocarbamatos Exemplo de produto acetochlor.

estar relacionado com a viscosidade da água (sob condições de baixa temperatura) e com reações químicas (absorção ativa). todas as paredes radiais contêm uma banda fortemente impregnada com suberina (estria de Gaspary). Tem sido observado decréscimo na taxa de absorção de herbicidas devido ao abaixamento da temperatura. 4). ou. ocorre decréscimo nesta taxa até ela se tornar nula. a taxa de absorção aumenta rapidamente logo após a aplicação e.Herbicidas: absorção. até a zona de absorção das raízes. depois. Os pêlos radiculares são responsáveis por aumento significativo da área disponível para a absorção de água e de herbicidas (Fig. passando em seguida à negativa (perda por exsudação). Se o herbicida for 112 Módulo 3.Penetração pelas raízes Muitos herbicidas aplicados ao solo são absorvidos pelas raízes. A disponibilidade dos herbicidas para as raízes é função das propriedades físico-químicas dos herbicidas e do solo e da distribuição espacial destes compostos e das raízes no solo. seguida por uma fase de absorção mais lenta. próxima à zona de absorção radicular. a água que se move em direção ao xilema deve entrar no simplasto. translocação.3 . A rota mais importante de entrada é a passagem do herbicida junto com a água através dos pêlos radiculares existentes nas extremidades das raízes. Os herbicidas têm que entrar em contato com a raiz. Embora raízes jovens sejam também cobertas por uma camada cerosa e as mais velhas sejam fortemente suberizadas. ocorre.4 .4. normalmente. a penetração de água e solutos. há uma barreira lipídica localizada na endoderme da raiz.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. pode influenciar a absorção de herbicidas pelas raízes. para o 2. Na endoderme ou antes dela. Também a concentração hidrogeniônica. em grande parte.1 . a principal zona de absorção está entre 5 e 50 mm de sua extremidade.4-D. metabolismo. uma vez que nenhuma camada significativa de cera ou cutícula está presente nas partes das raízes onde a maior parte de absorção de herbicidas ocorre. formulação e misturas . O sistema radicular das plantas superiores apresenta uma superfície de absorção extremamente grande.Fatores que influenciam a absorção através das raízes A absorção de herbicidas pelas raízes é caracterizada por uma fase inicial de elevada taxa de absorção durante os 30 primeiros minutos até 2 horas. em solução com a água. Muitos herbicidas com estruturas moleculares. O que acontece aos herbicidas nesse ponto não está completamente claro. com alta permeabilidade à água e a solutos (sais). Nas raízes jovens. 1. o que pode ocorrer pelo crescimento desta ou pela difusão do herbicida no estado gasoso e. Por exemplo. A entrada dos herbicidas pelas raízes não é tão limitada quanto pelas folhas. Apesar de não existir nenhuma barreira cuticular na zona dos pêlos radiculares. Esse fenômeno pode. e esta barreira é conhecida por ser impermeável à água. tamanhos e solubilidades diferentes são prontamente absorvidos pelas raízes. principalmente quando o composto é sujeito à ionização. Na endoderme.

prontamente absorvidos pelas raízes.Mecanismo de absorção de herbicidas A primeira fase de absorção é independente de energia metabólica.3 . baixa umidade relativa do ar. além do pH da solução do solo. a energia necessária à manutenção da seletividade da plasmalema é inibida. A absorção de herbicidas pela raiz também pode ser limitada por ligações ou adsorção do herbicida nos componentes celulares. Também as propriedades físico-químicas dos herbicidas. De modo geral. pelas raízes. Quanto à concentração do herbicida. também é ativa ou dependente de energia. em parte. A segunda fase da absorção. podendo. entretanto. também. segundo Donaldson et. Triazinas e uréias. (1973) listam os seguintes critérios para a absorção ser ativa ou dependente de energia: Q10 ≥ 2. Até aí. dentro de determinados limites. ou. Também atrazine e amitrole tiveram absorção passiva. existem herbicidas não-polares que são. dependente da concentração. mas não o foram para monuron. sendo os herbicidas mais lipofílicos absorvidos mais rapidamente. de onde se transloca até seu sítio de ação. o que geralmente não é o caso da segunda fase. taxa de absorção não é função linear da concentração externa. absorção bloqueada por inibidores metabólicos. translocados via xilema. se difundem nos espaços livres das células da epiderme do córtex da zona de absorção. em geral. metabolismo. estabelecendo um gradiente de concentração entre a parte externa da raiz (solução do solo) e a interna da planta (corrente de assimilados). no xilema. 1. existe uma relação linear entre a concentração do produto disponível e a sua penetração pela raiz. é um processo passivo a puramente físico e. Donaldson et al. Essas condições foram satisfeitas para absorção de 2. mas hiperbólica. Não há dados suficientes para o entendimento completo de mecanismo de absorção de todos os herbicidas. o produto atravessá-la livremente. então. formulação e misturas 113 .2 . inicialmente. por exemplo. portanto.. A linearidade é perdida quando o herbicida exerce efeito tóxico sobre a planta. há evidências contrárias. Os herbicidas solúveis na água. Esta fase tem um Q10 maior que a fase inicial e é sensível a inibidores metabólicos. requerimento de oxigênio.4-D é acumulado ativamente e o monuron. atrazine e napropamide.4. (1973) a taxa de absorção de herbicida correlaciona-se com o coeficiente de partição óleo/água.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas absorvido em solução com a água. Uma vez dentro do citoplasma das células. portanto. podem ser adsorvidas. a corrente transpiratória correlaciona-se com o transporte destes para a parte aérea da planta. al. translocação. como lipofilicidade e pka. A correlação entre transpiração e absorção é válida para os herbicidas polares. inibidores metabólicos. dependendo das características do produto. demanda energia. Para os herbicidas polares. o pH que aumenta a sua polaridade beneficia também a sua absorção e penetração pelas raízes. conseqüentemente. passivamente. apresentando baixo Q10.Herbicidas: absorção.4-D. A segunda fase de absorção. e acumulação contra um gradiente de concentração. Como a Módulo 3. a absorção de herbicidas polares. Sendo os herbicidas. alta temperatura do solo e alto potencial de água no solo são condições que favorecem a transpiração e. Alta temperatura e irradiância. ele pode penetrar no floema e. influenciam a absorção. é um processo ativo de absorção. que consiste em atravessar a membrana citoplasmática (plasmalema). para picloram. indicando que o 2. Embora alguns trabalhos demonstrem estreita relação entre transpiração e absorção.

Moléculas de herbicidas capazes de entrar no protoplasma via simplasto (passam de célula em célula através dos plasmodesmatas) e atingem o floema.Herbicidas: absorção. formulação e misturas .Moléculas de herbicidas capazes de penetrar no xilema e. • . (b) Diagrama hipotético. x . por Mengel e Kikby (1982). partição nos lipídios do citoplasma ou metabolismo a produtos polares que 114 Módulo 3. os herbicidas podem ser acumulados contra um gradiente de concentração. difundem-se através das estrias de Caspary e atingem o xilema. Estas incluem ligações nos tecidos do citoplasma. o .Moléculas de herbicidas capazes de penetrar nas paredes celulares translocam-se via apoplasto. floema por ambas as vias (simplásticas ou apoplásticas).3 . translocação. ou. metabolismo. e há várias explicações para isso. mostrando suas principais estruturas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas translocação via xilema é muito mais rápida que a translocação via floema.(a) Secção transversal de uma raiz. Figura 4 . representando a absorção de herbicidas pelas raízes Durante a fase de absorção dependente de energia. há tendência de aqueles herbicidas que são capazes de passar livremente do floema para o xilema serem de baixa ou nenhuma translocação via floema.

Essas moléculas dissociadas (ânions) são menos capazes de atravessar a plasmalema do que as moléculas neutras.Acumulação de herbicidas (ácidos fracos) no interior da célula (a) e sítios de dissociação dos herbicidas (b): bentazon. chlorsulfuron. acumulando-se no interior da célula (Figura 5). quando aplicadas nas folhas das plantas. Normalmente. onde. como 2. Figura 5 . podendo ser um dos fatores responsáveis pela tolerância desta ao herbicida. correspondendo à zona de absorção. Esta é a explicação alternativa para a acumulação de ácidos fracos. como os derivados do ácido fenóxico acético. os produtos de maior afinidade por substâncias lipofílicas (lipofilicidade) atravessam mais facilmente a plasmalema. Várias classes de importantes compostos. os ácidos fracos se dissociam mais e entram no citoplasma.4-D. evidenciando que ela se dá por processo metabólico.4-D. translocação. A exsudação é um fenômeno limitado apenas às raízes integrais (sem cortes) e vivas.Herbicidas: absorção. A zona da raiz mais ativa na exsudação é a zona de alongamento. 2. são exsudadas pelas raízes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas são menos hábeis para se difundir através da plasmalema. imazethapyr e sethoxydin Fonte: Stelling (1994) Módulo 3. provavelmente. Uma vez que o pH no citoplasma é uma a duas unidades maior que o pH do meio externo da célula. fenilacético. formulação e misturas 115 . benzóico ou picolínico. A exsudação também está relacionada com a detoxificação da planta.3 . metabolismo. impedem a ação seletiva desta. Os herbicidas não-polares seguem uma rota lipofílica até atingirem a plasmalema.

considerando que não é fácil atingir toda a superfície foliar de uma planta. metabolismo. basicamente. Para a maioria dos herbicidas aplicados ao solo. a translocação é também de grande importância. quando ocorre completa cobertura da parte aérea pela calda herbicida pulverizada. Plantas jovens. sem atravessar as barreiras à permeabilidade. para exercerem a sua efetiva ação herbicida. como visto a seguir. para que produza controle eficiente. conseqüentemente. como a massa total de células vivas de uma planta. 116 Módulo 3.3 .Translocação de herbicidas Há várias razões pelas quais é importante o estudo de translocação de herbicidas. tubérculos. Por outro lado. Muitos herbicidas são absorvidos pelas raízes ou pelas partes subterrâneas do caule e são translocados para outras áreas. que não são capazes de se regenerar através de seus órgãos subterrâneos.. O movimento de solutos e assimilados no interior das plantas superiores pode ser definido. cloroplastos. incluindo as paredes celulares. Transporte a longa distância ocorre através dos tubos crivados (floema). como ponto de crescimento.foi definido por Crafts e Crisp. é formado pelo conjunto de células mortas. os espaços intercelulares e o xilema. menores serão os custos de aplicação e os riscos de causar prejuízos ao meio ambiente.Conceito de movimento simplástico e apoplástico Simplástico . em 1971. Apoplástico . Íons e moléculas podem movi¬mentar-se de célula para célula através dessas estruturas. etc. Entretanto. e tendo em vista que há diferença de penetração de herbicida nas diferentes posições da parte aérea da planta. translocação.1 . etc. principalmente de arbustos e árvores. rizomas. formulação e misturas . denominado plasmodesmas. formando um conjunto contínuo através das intercomunicações do citoplasma. O floema é o principal componente do simplasto. citados por Hay (1976). os quais formam um sistema contínuo no qual a água e os solutos se movimentam livremente. até atingirem as células companheiras. podem ser mortas por herbicidas de contato. em dois sentidos.contrariamente ao simplasto. que são as membranas citoplasmáticas. o aumento na translocação de um produto aumentará a sua eficiência. de onde são transpostos para o floema. estolons. Se a translocação de um herbicida pode ser aumentada.Herbicidas: absorção.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2 . aquelas plantas que são capazes de se regenerar através de bulbos. necessitam que determinada quantidade do produto seja capaz de translocar e atingir estes orgãos de recuperação. com velocidade de 60 a 100 vezes maior que o movimento no sentido radial. 2. então as doses aplicadas deste produto podem ser reduzidas.

Uma vez que estes assimilados se movem para dentro desses vasos.2 . antes de alcançar os vasos menores do floema.1 .5 vezes o diâmetro da célula. Sabe-se. nestes vasos.1. é ainda desconhecido.1. que a estria de Gaspary não está presente nos ápices Módulo 3. Os assimilados.Herbicidas: absorção. para muitas substâncias.Movimento descendente Os assimilados e solutos se movem a uma distância média correspondente a 2. mas somente as células companheiras estão diretamente ligadas ao floema. translocação. A teoria do transporte pelo fluxo de massa baseia-se na elevação da concentração de assimilados (açúcares. força o fluxo em massa do conteúdo nele existente. Acredita-se que herbicidas e outras substâncias se movimentem juntamente com esse fluxo. inicialmente. As células com protoplasma muito denso e com pontuações na parte interna da parede celular permitem maior superfície de contato entre o sistema simplástico e o apoplástico. hoje. primeiro.Movimento ascendente Íons e moléculas podem difundir-se pelos espaços intercelulares e paredes celulares do córtex. causando elevação do potencial osmótico e.3 .O decréscimo da concentração dos assimilados ao longo dos vasos. conseqüentemente. A hipótese do transporte pelo fluxo de massa envolve uma corrente de solutos movendo-se da fonte (folhas. supunha-se que as substâncias (íons ou moléculas) rompiam essa barreira e penetravam no sistema simplástico das células. no entanto. Substâncias fotossintetizadas nas folhas da base da planta são transportadas para as raízes. que acompanham as células do floema. na endoderme. A alta pressão de turgor. assume-se que esse movimento ocorra à custa de energia metabólica. se transformam em uma fonte. Contudo. Citoplasmas das células do mesófilo. de alguma forma ainda não definida.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2. O movimento por esta rota para o interior da raiz é bloqueado pelas paredes longitudinais das “estrias de Gaspary”. As células companheiras e as células parenquematosas. porém o mecanismo desse carregamento. principalmente sacarose) dentro dos vasos. têm. para se translocarem das folhas para a parte superior da planta. suporta essa teoria. O movimento para dentro do floema (carregamento) deve ser um processo ativo. em direção contrária ao gradiente de concentração. enquanto as produzidas nas folhas da parte superior da planta são transportadas para as folhas novas e os brotos terminais. que descer até atingir o caule. 2. quando amadurecem. metabolismo. após o que podem subir pelo floema ou penetrar no xilema e se translocar com a corrente transpiratória. caules ou outros órgãos fotossintetizantes) para o dreno (áreas meristemáticas. são um dreno e. As folhas. das células de transferência e das células companheiras estão diretamente intercomunicados. Parte dessa distância ocorre pelo sistema apoplástico. flores e frutos em desenvolvimento. Estas células são conhecidas como células de transferências e parecem funcionar no carregamento dos vasos do floema e na transferência do floema para o xilema. formulação e misturas 117 . penetração de água dentro destas células. raízes e tecidos ou órgãos de reserva). à medida que se distancia da fonte. estão envolvidas no fluxo de carregamento destes vasos.

principalmente. neste caso. então. xilema e acumulam-se nos pontos de crescimento (tecido meristemático).4-D. talvez por inibir o movimento junto à corrente transpiratória. Aplicado nas folhas do milho. indicando ser este um processo que requer energia. pelas raízes. formulação e misturas . em grande proporção. espalhando-se rapidamente por toda a planta. que é a striga (erva-debruxa).4-D. Aplicado nas folhas das plantas. pode controlar uma séria invasora do milho. 2. a concentração do produto diminui nas raízes e nas folhas fotossintetizadoras e se concentra nas regiões meristemáticas desta. Em geral.4-D.1. Picloram . apesar de ser bastante móvel no sentido basípeto da planta. até certo ponto. mover-se de célula para célula.3 . ele se transloca até as raízes e. visando reduzir o sombreamento de culturas como o cacau. A elevação da umidade relativa pode aumentar o movimento descendente do 2.3. translocação. ou.parece movimentar-se prontamente em ambos os sistemas (apoplásticos e simplásticos).Translocação de alguns herbicidas Dicamba .é altamente móvel na planta. Se o produto é aplicado nas folhas. 10 vezes mais tóxico às raízes que o 2.quando aplicado em solução nutritiva.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas radiculares de células endodérmicas jovens e na região basal das raízes laterais em desenvolvimento (LUXOVÁ. é rapidamente absorvido e translocado para todas as partes da planta. pode ser exsudado pelas raízes. relacionada com sua exsudação por elas. O uso deste herbicida no raleamento de floresta. ser absorvido por plantas vizinhas não-tratadas. as condições ambientais favoráveis à transpiração (umidade relativa baixa. Ele transloca-se. Apesar de apresentar pequena acumulação na raiz. o que pode representar importante rota de passagem dos herbicidas do apoplasto para o simplasto. O 2. semelhante ao 2. Exsuda-se. A sua pequena acumulação nas raízes está. aproximadamente. Derivados do ácido fenóxico . 118 Módulo 3. no sentido descendente. elevadas temperaturas e adequado suprimento de água no solo) são também favoráveis à translocação dos produtos que se movimentam pelo sistema apoplástico.6-TBA . Pequena acumulação ocorre nas raízes. 1992).4-D move-se do floema para o xilema e retorna à folha tratada.Herbicidas: absorção.3 . pode danificar a cultura quando ele for injetado em algumas espécies que são capazes de excretá-lo através de suas raízes. sendo exsudado. A adição do ácido 2-cloroetil-fosfônico (ethrel) ao dicamba aumenta a sua translocação. não se acumulam na raiz por causa do fenômeno da exsudação. o picloram é. nos pontos de crescimento e nas raízes. Apesar de se translocarem no sentido descendente. podendo causar danos às plantas adjacentes às tratadas. Essas substâncias podem. A morte ou injúria das raízes reduz a sua exsudação. ele se acumula nos pontos de crescimento. metabolismo. pelo sistema simplástico.os representantes deste grupo translocam-se pelo floema e. também ocorre acumulação nas folhas jovens. ou vazar para o xilema parenquimatoso e ser transportadas no sentido acrópeto pela corrente transpiratória. Se a planta é retirada da solução com herbicida e colocada numa solução sem herbicida. podendo. CIAMPOROVÁ. Aplicado nas raízes ou nas folhas. para folhas e pontos de crescimento da planta. A presença de folhas jovens na planta aumenta a translocação do produto para as raízes. 2.

ao inibir a fotossíntese. penetram no simplasto. Aplicados às raízes. Aparentemente. os cloroplastos. Os estômatos fecham-se porque o herbicida. Outros autores admitem que a translocação ocorrida na planta seja por difusão causada pelo rompimento das células. enquanto a translocação no milho continua por muito tempo. inicialmente. As triazinas também se acumulam em glândulas ricas em óleos.os derivados da uréia substituída são translocados exclusivamente via apoplástica. eles não se translocam de uma folha para outra. que é concentrada nos tecidos meristemáticos. A diferença de translocação do imazaquin pode ser a causa das diferenças na susceptibilidade entre as espécies. espalham-se por toda a planta. atingindo. Entretanto. de alguma forma. em menor proporção. sendo todas elas translocadas exclusivamente via xilema. Triazinas . ametryn e atrazine.estes herbicidas são absorvidos por folhas. Imazaquin é muito ativo no milho. em razão de sua rapidez de ação. mas pouco ativo em Avena fatua. principalmente quando aplicados durante o dia. Bipiridílios – são considerados. A translocação das raízes para os caules parece estar relacionada com a lipofilicidade das imidazolinonas. fluometuron e linuron. O sítio de ação dos herbicidas deste grupo é a enzima AHAS (ácido aceto hidroxi sintase). Fatores que reduzem a transpiração da planta reduzem também a sua translocação. como herbicidas não translocáveis nas plantas. Algumas. dentro de 30 minutos elas podem ser detectadas no topo da planta. principalmente diuron. em solução nutritiva. concentrando-se nas extremidades das folhas. onde. Imidazolinonas . Altas concentrações destes produtos são encontradas em glândulas ricas em óleo (verdadeira barreira à translocação destes herbicidas) localizadas ao longo do caule e nas folhas da planta. onde atuam. por causa do fechamento dos estômatos (redução na taxa de transpiração). a translocação da folha para o caule parece não estar relacionada com a lipofilicidade. são também absorvidas pelas folhas. Contudo. Alguns trabalhos mostram que a translocação é aumentada pela redução da umidade relativa (elevação da transpiração). porém se translocam apenas do ponto de aplicação para as extremidades da parte da planta onde foram aplicadas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Uréias . Quando o paraquat é aplicado no escuro.a maioria das triazinas são mais facilmente absorvidas pelas raízes. aparecem os sintomas de toxidez. principalmente nos cloroplastos. principalmente. como metribuzin. eles são considerados herbicidas de contato. A sua velocidade de ação é proporcional à intensidade luminosa.Herbicidas: absorção. promove o acúmulo de CO2 na câmara subestomática. são bastante toleradas pelos citros e pelo algodão. portanto. Na prática. Módulo 3. parece que ele atinge o xilema antes de necrosar o tecido e se move com a corrente transpiratória tão logo a planta seja exposta à luz. sob forte intensidade luminosa. mais rápida é absorvida pelas raízes e mais rápida é a translocação para o caule. Aplicados às folhas. Ocorre paralisação da translocação em aveia uma hora após o tratamento. na prática. translocação. quanto mais lipofílica for a imidazolinona. metabolismo. a pequena translocação do produto ocorre pelo sistema apoplástico. formulação e misturas 119 . onde inibem a síntese de aminoácidos. Assim. Quando aplicadas às raízes das plantas. caules e raízes e se trans¬locam via floema ou xilema até os pontos de crescimento. em plantas de algodão. Algumas uréias.3 . A taxa de absorção decresce algum tempo após a aplicação.

6 T.3. etc. valina. aminoácidos também são mecanismos de inativação do 2.4-D.4-D). na passagem do cloro de uma posição para outra. A transferência do cloro da posição '4' para a posição '3' e a passagem do cloro da posição '5' para posição ‘6’ do 2. metabolismo o da molécula é uma das principais causas da seletividade. Uma das maneiras pelas quais as plantas se livram destes produtos é através do metabolismo destes. também. mas. alanina. formulação e misturas . 120 Módulo 3. Os compostos geralmente encontrados em conjugação com 2. transformando-se em composto tóxico (2.: auxínicos. É importante saber não só que o herbicida é metabolizado. o estudo de seus metabolismos é relativamente recente.3 . como a alfafa. leucina. o toleram. há hidroxilação na posição anterior do cloro.Metabolismo dos herbicidas nas plantas A seletividade dos herbicidas pode ser atribuída a numerosos fatores. aqui.4. Algumas leguminosas.4-D são: ácido aspártico. conhecer os seus metabólitos e a forma como são metabolizados. A maioria das plantas degrada a cadeia do ácido acético. translocação. O 2. metabolismo. A hidroxilação na posição ‘para’ inativa o produto. • hidroxilação do anel aromático. causando a inativação do herbicida. As agências governa¬mentais estabelecem limites de tolerância de resíduos dos produtos na planta. Tratar-se-á. É muito importante saber se o herbicida é metabolizado ou não. também o inativam. com conseqüente conjugação desta hidroxila com constituintes da planta. fenilalanina e triptofano. metabolismo.4-DB → β oxidação → 2. ácido glutâmico. mas somente algumas espécies o degradam em velocidade suficientemente rápida para aumentar ou proporcionar a sua tolerância ao produto. na época da colheita das estruturas utilizadas para a alimentação. Para vários grupos de herbicidas (ex. Normalmente. Embora os herbicidas venham sendo usados há mais de 50 anos.4-DB também é metabolizado por algumas plantas (Figura 7).5 T. incluindo absorção. ou.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 3 . formando o 2. do metabolismo dos herbicidas nas plantas apenas em relação à sua detoxificação. translocação. e • conjugação do composto com constituintes da planta. inibidores da ALS e da ACCase). Derivados dos ácidos fenóxicos Há três mecanismos básicos envolvidos no metabolismo dos derivados do ácido fenóxido acético (Figura 6): • degradação da cadeia do ácido acético. A hidroxilação na posição ‘3’ e a sua conseqüente conjugação com glucose e. na planta.Herbicidas: absorção.

Em espécies tolerantes.Biotransformação e rotas metabólicas do 2. formulação e misturas 121 .4-D ou o fazem muito lentamente.Herbicidas: absorção.3 . translocação. sorgo e cana-de-açúcar.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas porque não o transformam em 2. antes da saturação dos sítios de ação do produto. metabolismo.4-D em plantas superiores Triazinas Algumas plantas.4-D em plantas superiores Figura 7 – β oxidação do 2. principalmente gramíneas como milho. elas são rapidamente degradadas (Figura 8). são altamente tolerantes às clorotriazinas (atrazine e simazine). enquanto em espécies suscetíveis (feijão e pepino) a degradação Módulo 3.4-DB a 2. A taxa de degradação das triazinas em plantas superiores varia grandemente com as diferentes espécies. Figura 6 . dando tempo para que outros processos metabólicos realizem a sua degradação.

Glutation-Stransferase é a enzima envolvida nessa conjugação. 122 Módulo 3. A N-dealquilação é outra rota do metabolismo das triazinas. Portanto.Herbicidas: absorção. translocação. O metabolismo do metribuzin nas plantas superiores pode ser observado na Figura 9. demetoxilação e dealquilação na posição ′N′ e por conjugação com peptídeos. primariamente. Também pode ocorrer conjugação das triazinas com peptídeos. Esta substância ocorre em toda a planta de milho.Biotransformação e rotas metabólicas de atrazine em plantas superiores Os processos de inativação ocorrem pela hidroxilação. formulação e misturas . Extratos das raízes e da parte aérea do milho são capazes de hidroxilar as clorotriazinas. indicando que nestas a benzoxazinona é mais ativa. mas a hidroxilação é mais intensa nas raízes. Figura 8 . o que favorece a tolerância das plantas a estes herbicidas. a base de seletividade destes herbicidas às plantas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas é mais lenta.3 . metabolismo. A substância catalisadora dessa reação foi identificada como benzoxazinona. a taxa de degradação das triazinas parece ser.

formulação e misturas 123 . a ruptura do anel. metabolismo. É considerado um herbicida completamente metabolizado pelas Módulo 3.Herbicidas: absorção. É um produto não-seletivo e de elevada eficiência no controle de plantas daninhas perenes. o 2.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 9 . incluindo as de raízes profundas.3. Entretanto. não se demonstrou. demetoxilação e deaquilação.6-TBA é considerado um herbicida estável.Biotransformação e rotas metabólicas do metribuzim em plantas superiores Derivados dos ácidos benzóico A hidroxilação do anel aromático e a sua conjugação com outros constituintes da planta são demonstradas na prática. formando a correspondente anilina. e também com a conjugação com os constituintes da planta.3 . Entre os compostos deste grupo. Enquanto estas inibem raízes e pontos de crescimento. ainda. Derivados da uréia As principais rotas do metabolismo das uréias substituídas estão relacionadas com a demetilação e. tanto na planta quanto no solo. Propanil É uma exceção entre as amidas. ou. translocação. o propanil inibe o fotossistema II.

Nas plantas sensíveis.4-D é mais ativo que o picloram. O 3-4-diclorolactoanilida é um composto intermediário e instável nas plantas tolerantes. em trigo.3 . Figura 10 . por unidade de tempo. Comparando a atividade do 2. podendo a mistura do propanil com estes compostos causar sensível redução na tolerância do arroz ao propanil ou até perda total de seletividade do propanil a essa cultura. principalmente com diversos tipos de carboidratos. Picloram: É um produto altamente estável na planta e no solo.Hidrólise do propanil em plantas de arroz O metabólito 3-4-dicloroanilina formado pode ser conjugado com constituintes da planta. A sua alta atividade como arbusticida e arborecida está relacionada com a sua estabilidade na planta. Trabalhos realizados por Redemann e outros. 124 Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas plantas tolerantes (Figura 10). A velocidade de sua metabolização influencia decisivamente a tolerância da planta. citados por Foy (1976).4-D com a do picloram (em algumas espécies de plantas latifoliadas). formulação e misturas .Herbicidas: absorção. A enzima envolvida nesse processo (arilacilamidase) é 10 a 20 vezes mais ativa no arroz que no capim-arroz. translocação. Esta enzima é sensível aos inseticidas carbamatos e fosforados orgânicos. metabolismo. mostraram que somente 17% do picloram tinha sido metabolizado três meses após a sua aplicação. Entretanto. como o capimarroz. como o arroz. por causa de sua lenta degradação. o picloram é mais de 10 vezes mais ativo. observou-se que o 2. sensível. razão pela qual o arroz é tolerante e o capim-arroz. ele se acumula e inibe a reação devido à menor atividade da enzima que o degrada. considerando-se o tempo de ação.

1997).Formulação Formular um herbicida consiste em preparar seu ingrediente ativo na concentração adequada. Qualquer substância ou composto sem propriedade fitossanitária. A formulação é a etapa final da industrialização. também. Os óleos não-fitotóxicos também têm grande uso como adjuvante. Os surfatantes ou tensoativos são também adjuvantes. mantendo essas condições durante o armazenamento e transporte (ARAÚJO. Os minerais também podem servir como veículo para aplicação de herbicidas. O mesmo ingrediente ativo. solventes (dissolvem o ingrediente ativo). Eles podem ser: minerais (formulados com predominância de frações parafínicas de hidrocarbonetos). fazendo com que o herbicida penetre. quelatizantes (tiram reatividade de moléculas e íons). Estes compotos causam redução da tensão superficial. tendo em vista que o produto final deve ser usado em determinadas condições técnicas de aplicação. dispersantes (impedem a aglomeração de partículas). molhantes (permitem rápida umectação do produto em contato com a água). metabolismo. vegetais (apresentam porções variadas de ácidos graxos) e vegetais metilados (sofrem esterificação metílica). por possuírem porções lipofílicas e hidrofílicas na mesma molécula.3 . às vezes. seja como molhantes. formulação e misturas 125 . Na legislação federal sobre produtos fitossanitários. pelos estômatos. segundo Kissmann (1997). servindo de interface entre as superfícies. e surfatantes (agentes ativadores de superfície). adesivos (melhoram a aderência do produto com a superfície tratada). antievaporantes e. Os surfatantes são classificados de acordo com sua carga elétrica ou tendência de ionizar a porção hidrofílica da molécula. que não alteram o equilíbrio eletrolítico nas formulações e nas caldas. tamponantes (deixam o pH dentro de uma faixa desejada). e os ingredientes inertes são os outros compostos adicionados na formulação. ou. que é acrescida na preparação de defensivos para facilitar a aplicação ou aumentar a eficiência ou diminuir os riscos é classificada como adjuvante. é uma formulação universal que possa ser usada em diversos países. penetrantes. catiônicos (carregados positivamente) e não-iônicos (neutros). Recentemente surgiram os surfatantes à base de organossilicones. translocação. mas a tendência atual. é comercializado em formulações diferentes em várias regiões do mundo. corantes (dão coloração ao produto formulado). que são capazes de reduzir muito a tensão superficial e até induzir um fluxo de massa da solução pulverizada através do poro estomatal. ingrediente ativo é o composto com atividade biológica. no Brasil. exceto água. para poder cumprir eficazmente sua finalidade biológica. adicionando substâncias coadjuvantes.Herbicidas: absorção. Eles podem ser aniônicos (carregados negativamente). Módulo 3. espessantes (aumentam a viscosidade). Entre as classes de adjuvantes podem-se citar: emulsificantes (compatibilizam frações polares e apolares).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4 . espalhantes. adesivos.

especialmente os de Ca++ e de Mg++. que deve ser de boa qualidade.4-320. Um exemplo claro dessa ação ocorre com os compostos catiônicos (paraquat e diquat). 1997).4 142. que são os principais causadores da dureza da água. danosa a ela. Deve também permitir a associação de produtos. perigo de deriva e lixiviação. boa retenção na superfície da folha. nos seguintes fatores: características físicas e biológicas da planta daninha-alvo. A água quase sempre apresenta sais em dissolução. metabolismo. Além disso.4 320.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Além da redução da tensão superficial. e não afetar os microrganismos benéficos e a cultura. deve apresentar bom espalhamento. e penetração foliar eficiente. 1997). Os sufatantes podem. podem solubilizar substâncias não-polares da folha. aumentam a retenção e melhoram o contato da gotícula. A escolha da formulação a ser usada baseia-se. permanecer ativa por um longo período. Argilas e compostos orgânicos em suspenão na água podem absorver alguns tipos de ingredientes ativos. custo. os surfactantes favorecem o espalhamento uniforme da calda na superfície foliar. favorecer mais a penetração do herbicida (RADOSEVICH.4-534. por diminuírem ou eliminarem a seletividade de alguns herbicidas e até favorecerem ataques de fungos pela remoção da camada cerosa protetora ou por espalharem os esporos pela superfície vegetal (Kissmann. que são inativados parcial ou totalmente. equipamento de aplicação disponível.3 . 4.Classes de dureza da água Classes Água muito branda Água branda Água semidura Água dura Água muito dura ppm de CaCO3 71.2-142. translocação.0 > 534. tem que ser compatível. caso esta já esteja instalada. assim. também. Uma formulação de herbicida pode ser considerada de boa qualidade se atender aos seguintes requisitos: ser letal à planta daninha ou. tornando-os indisponíveis.1 .Herbicidas: absorção. tanto física (sem absorção ou repulsão entre os ingredientes) como química (sem alteração dos compostos) ou biologicamente (a mistura deve ser eficiente para o controle) e ser estável.2 71. formulação e misturas . causando desnaturação enzimática ou disfunção das membranas e. segundo Ozkan (1995). no mínimo. necessidade de armazenagem e tipo de ambiente em que a aplicação é feita. Quadro 3 . como sendo fitotóxicos. assumir conotações negativas em certos casos. possível injúria na cultura. Também.Veículo de aplicação (água) O veículo mais importante para diluir formulações de produtos fitossanitários a serem aplicados por pulverização ou imersão é a água. Deve-se salientar que essa dureza é calculada em função do teor de CaCO3 . ou seja.0 126 Módulo 3.

transformase numa suspensão. Geralmente. 4. os elementos responsáveis pela dureza da água Ca++ e Mg++ podem substituí-los. e a constante de dissociação também é dependente do pH.ingredientes ativos à base de ácidos ou sais podem reagir na presença dos cátions Ca++ e Mg++ . etc). Adiciona-se geralmente uma substância dispersante. após dispersão em água.1 . possui 50 a 80% de ingrediente ativo (ex: Sencor BR. As indústrias geralmente já formulam seus produtos para serem compatíveis com 20 até 320 ppm de carbonato de cálcio. precisa-se de uma agitação contínua no tanque. metabolismo. Outro fator muito importante que pode influir na estabilidade dos herbicidas e nos resultados é o pH da água. Pó solúvel (PS): nesta formulação o ingrediente ativo é totalmente solúvel em água. basicamente. o que isolaria a carga elétrica e suprimiria a reatividade de íons desta. translocação.Herbicidas: absorção. que representa água semidura. e este. sob a forma de suspensão.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A dureza da água interfere na qualidade das caldas dos herbicidas de duas maneiras: Nas formulações . ou acrescentando um quelatizante na água. para aplicação sob a forma de suspensão após desintegração e dispersão em água. para aplicação.na presença de tensoativos aniônicos contendo Na+ ou K+.3 . de duas maneiras: acrescentando um surfatante não-iônico. cuja velocidade depende do pH. descaracterizando sua ação biológica. É obtida pela moagem do ingrediente ativo absorvido em material inerte (sílica. o que reduziria a tensão superficial dos líquidos. vermiculita. antes da aplicação. para evitar floculação e aumentar a establilidade da suspensão. A dureza da água pode ser corrigida. O ingrediente ativo sólido está na forma de grânulos. podem sofrer degradação por hidrólise.0 e 6. Durante a aplicação.Formulações sólidas Pó molhável (PM): esta formulação é definida pela ABNT como formulação sólida de pó. segundo Kissmann (1997). as caldas fitossanitárias apresentam mais estabilidade numa faixa de pH entre 6. com conseqüente perda da função desses surfatantes. Valores extremos de pH podem afetar a estabilidade das caldas. Possui a vantagem de ter. com possíveis substituições e formações de compostos insolúveis. Grânulos dispersíveis em água (GRDA ou dry flowable): é uma formulação sólida constituída de grânulos. Muitas moléculas sofrem dissociação quando em solução.Tipos de formulações As formulações apresentam-se.2 .2. Nos ingredientes ativos . Geralmente. formando compostos insolúveis. não requerendo agitação durante aplicação. adicionado em água. 700 g kg-1 de metribuzin). formulação e misturas 127 . nas formas sólida e líquida. 4. Muitos produtos que ficam preparados em água por muito tempo. no produto comercial. maior concentração de Módulo 3.5.

permanece por longos períodos em suspensão (mistura mais homogênea) e provoca menos desgaste nos bicos (ZAMBOLIM. para aplicação após diluição em água. Concentrado emulsionável (CE): é uma formulação líquida homogênea. Suspo-emulsão: é uma formulação fluida e heterogênea. 110 g L-1 de fenoxaprop-p-ethyl). e do solvente. acetona. 1997) (ex.: DMA 806 BR. dissolvido no solvente. Pellets ou pastilhas: possuem ampla similaridade com os granulados. têm maiores custos e dependem de equipamentos adequados para aplicação e de umidade no solo para liberar o ingrediente ativo (ex. Seu processo de obtenção é o mais simples e barato. são mais seletivos. translocação. cuja concentração varia de 2 a 20%. adiciona-se geralmente um surfatante (ex. e um agente emulsificante. A importância desta formulação reside na possibilidade de poder compatibilizar dois tipos de formulações diferentes. para aplicação após a diluição em água. como a vermiculita.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas princípios ativos. Emulsões são sistemas termodinamicamente instáveis que consistem em dois líquidos imiscíveis. 670 g L-1 de 2. que pode conter outro(s) ingrediente(s) ativo(s) para aplicação após a diluição. Esta formulação contém as fases ‘oleosa’ (contendo o ingrediente ativo e o solvente orgânico surfatante) e ‘aquosa’ (que também pode conter 128 Módulo 3. Em geral. ele deve ser solúvel em pelo menos 25% por litro do solvente. Granulados (GR): os grânulos são constituídos de veículos minerais. menor volume de calda para aplicação (ex: Scepter 70 DG.Herbicidas: absorção. com isso. a baixa toxicidade e o fácil manuseio (ex. dispensam o uso da água. 200 g kg-1 de molinate). etc. metabolismo. e de princípio ativo.: Podium. requerendo. sendo um deles disperso como glóbulos de pequeno tamanho dentro do outro. Microemulsão: é um caso específico de emulsão.: Ordran 200 GR. que é o ingrediente ativo. com um solvente nãopolar (o ingrediente ativo). Devido à sua pouca penetração foliar. 700 g kg-1 de imazaquin). sendo uma alternativa ao concentrado emulsionável (ex. Suspensão concentrada (S) ou “flowable”: é uma formulação constituída por uma suspensão estável de ingrediente(s) ativo(s) num veículo líquido. Como vantagens estão a ausência do pó. podem ser aplicados em locais de difícil acesso.: Dual 960 CE. que pode ser água. 500 g L-1 de diuron). VALE.2 . formulação e misturas . O concentrado emulsionável conta. Emulsões concentradas: esta formulação é uma emulsão de ingrediente ativo de baixo ponto de fusão ou líquido. constituída de uma dispersão estável de ingredientes ativos na forma de partículas sólidas e de finos grânulos na fase aquosa.2. sob a forma de emulsão. Neste tipo de formulação. 960 g L-1 de metolachlor). basicamente. 4.Formulações líquidas Soluções (S): esta mistura é de natureza homogênea.: Karmex 500 SC. diferindo-se por possuírem partículas de maior tamanho. A solubilidade mínima necessária é de 12%. Possui maior penetração foliar. álcool. Para que um produto seja formulado como solução. composta do soluto. 4-D). o princípio ativo sólido (micropartículas) é mantido suspenso em água.3 .

Além desse fato. • Aumento da segurança da cultura.Herbicidas: absorção. 5 . 5.: Robust: 200 g de fluazifop-p-butil + 250 g L-1 de fomesafen). translocação.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ingrediente ativo solúvel em água.3 . bem como os fabricantes. tolerância ou resistência) em relação aos herbicidas utilizados. homogêneo (ex. reduzir ou eliminar a competição destas com a cultura É importante lembrar que existem centenas de espécies de plantas daninhas e que estas apresentam as mais variadas características morfológicas e fisiológicas. além do conhecimento a respeito das interações entre os produtos. além de surfatante). entre outros aspectos. como: • Controle de maior número de espécies de plantas daninhas e redução do risco de aparecimento de genótipos resistentes.1 . A aparência é de um líquido transparente. Deve-se dar preferência às misturas prontas. especialmente dos componentes mais persistentes. requer grande cuidado. • Redução de resíduos na cultura e no solo devido ao uso de doses menores. o manejo de herbicidas. a necessidade de reduzir os custos de produção da cultura tem levado os produtores. É mais efetiva que uma única dose de um herbicida. entretanto. Houve grande expansão no uso de misturas e na aplicação sequencial de vários herbicidas em um único ciclo cultural. ou mesmo com outros agroquímicos/pesticidas. • As misturas foram primeiramente usadas para o controle não-seletivo e seu uso contínuo tornou-se importante. A idéia de combinação de herbicidas para controlar seletivamente plantas daninhas em culturas desenvolveu-se posteriormente. metabolismo. a preparar misturas de herbicidas com diferentes princípios ativos.Misturas de herbicidas O controle de plantas daninhas visa. que lhes conferem comportamento diferenciado (susceptibilidade. formulação e misturas 129 . Há menor chance de a cultura ser injuriada. • Redução de custos: o menor custo de aplicação. o controle mais efetivo de plantas daninhas e as menores quantidades de herbicidas aplicadas geralmente reduzem o custo total do manejo. quando comparadas com aplicação de um princípio ativo isoladamente. Módulo 3. especialmente as misturas. devido ao uso de doses menores de cada herbicida misturado.Vantagens das misturas ou combinações de herbicidas A aplicação de misturas de herbicidas pode oferecer vantagens. visando obter o máximo de controle de plantas daninhas e minimizar injúrias às culturas.

Menor desempenho da mistura pode ser resultado de qualquer incompatibilidade física ou biológica. eles podem ser aplicados separadamente (um após o outro). 5. podem ser observados os seguintes efeitos sobre as plantas: • Efeitos sinérgicos: quando o efeito dos herbicidas aplicados juntos é maior que a soma dos efeitos isolados. Fatores como solubilidade. formulação e misturas . 5. por exemplo. • Pode melhorar o controle de plantas daninhas pela ampliação da seletividade. • Melhores resultados em campos com variados tipos de solos.3 .Herbicidas: absorção. em razão da possível ação sinergística na planta daninha e ação antagônica sobre a cultura. de modo que sua aplicação não pode ser executada. causada pela incompatibilidade. carga iônica e outros parâmetros físicos são responsáveis pela redução do desempenho dos produtos. etc.. • Efeitos aditivos: quando o efeito dos herbicidas em mistura é igual à soma dos seus efeitos quando aplicados separados. Estes herbicidas pré-misturados ou em misturas no tanque do pulverizador podem ser mais eficientes ou não. 130 Módulo 3. Por isso. juntos (misturados no tanque) ou ainda podem ser formulados juntos (comercializados numa mesma embalagem). uma das vantagens da mistura formulada. com outro formulado como concentrado emulsionável tem elevada tendência a apresentar incompatibilidade física. resultando em formação de precipitados. A incompatibilidade física é usualmente causada pela formulação e suas interações.2 . dependendo do modo como foi feita a mistura. em relação à de tanque. Quando dois ou mais herbicidas são aplicados juntos. é evitar possíveis incompatibilidades dos componentes da formulação.3 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • Controle por um período maior. metabolismo. que resulta numa rápida sedimentação dos componentes da mistura.Interações entre herbicidas O termo interação descreve a ação conjunta dos herbicidas nas plantas.Incompatibilidade Quando dois ou mais herbicidas são combinados. pela adição de outro herbicida mais efetivo sobre determinada espécie de planta daninha predominante. complexação. A incompatibilidade denota a inabilidade de dois ou mais herbicidas em serem usados simultaneamente. A mistura de um herbicida formulado como pó-molhável. separação de fase. É a relação da efetividade de um material com o outro. translocação. • Efeitos antagônicos: quando o efeito dos herbicidas em mistura é menor que a soma dos seus efeitos quando aplicados separadamente.

3 . induzindo o Módulo 3. entre o paraquat e o MCPA dimetylamina.4-D.. aumento da translocação. imazethapyr. e E = percentagem ‘esperada’ de inibição do crescimento pelos herbicidas A+B a p+q L/ha. As bases para essa interação podem ser: aumento da penetração foliar dos herbicidas aplicados em pós emergência. translocação. principalmente quando a formulação éster do MCPA é usada. chlorsurfuron. Y = percentagem de inibição do crescimento pelo herbicida B e q L ha-1. este metabolismo. Também pode ocorrer a redução da penetração foliar.Interações de herbicidas com inseticidas em mistura Em geral. por exemplo. • Se a resposta observada for igual à esperada. etc. interações dos mecanismos de ação dos herbicidas envolvidos. os inibidores de lipídios não devem ser misturados com 2. • Se a resposta observada foi menor que a esperada. O antagonismo do fenoxaprop com MCPA éster aumentou a tolerância do trigo sem reduzir o controle da aveia-brava (JORDAN. 2005) A tolerância do milho a este herbicida é devido ao rápido metabolismo deste. bentazon. chlorimuron. formulação e misturas 131 . Do ponto de vista prático. a fitotoxicidade de alguns herbicidas tem mostrado ser influenciada por alguns inseticidas organofosforados ou metilcarbamatos. a mistura é antagônica. imazaquin. WARREN. MCPA. Várias misturas sinergísticas de herbicidas têm sido reportadas. etc. por exemplo. entretanto. inibição do metabolismo. seria ideal que a mistura apresentasse efeitos antagônicos para a cultura e sinergísticos para as plantas daninhas. • Se a resposta observada for maior que a esperada. a mistura é sinérgica. O antagonismo em misturas de tanque acontece quando uma reação adversa ocorre entre os herbicidas na solução. X+(100-Y) é a toxicidade esperada da mistura.4 . É o caso do trifluralin e diuron em algodão e trifluralin e metribuzin em soja.Herbicidas: absorção. A redução da penetração pela raiz pode resultar em antagonismo e aumentar a seletividade da cultura. metabolismo. etc. A absorção e a translocação do glyphosate ficam prejudicadas. Então. É o antagonismo químico. 5. resultando em menor efeito dos herbicidas sistêmicos. inseticidas organofosforados podem inibir. a mistura é aditiva. 1995). Inseticidas organoclorados não têm apresentado interações com herbicidas. ou reduzir.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas É interessante lembrar que esses efeitos podem ser diferentes entre espécies de plantas. Organofosforados estão envolvidos com interações com nicosulfuron (SILVA et al. O efeito da interação entre dois herbicidas pode ser estimado pela equação a deguir: em que: X = percentagem de inibição do crescimento pelo herbicida A e p L ha-1. O antagonismo também ocorre quando um herbicida de contato é aplicado com glyphosate ou com herbicidas auxínicos.

se confirmados. translocação. Os inseticidas protegem o algodão de alguma toxicidade do clomazone.5. 5. são usados por alguns produtores. em mistura com os herbicidas fluazifop-p-butil+fomesafen. bentazon. Esses resultados. metabolismo. O organofosforado terbufos (Counter) tem causado maiores problemas na prática. viabilizam a aplicação desses insumos de uma só vez. disulfoton (Disyston) e o clomazone em algodão. É interessante ressaltar o antagonismo entre phorate (Thimet).3 . em ensaios preliminares apresentou efeitos aditivos. 132 Módulo 3. às vezes. fomesafen e imazamox. porém sem nenhuma base científica.Herbicidas: absorção. Os mecanismos dessa interação não são bem conhecidos. A aplicação do terbufos em milho é antagonística aos resíduos do imazaquin no solo e tem dado considerável proteção ao milho. formulação e misturas .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas surgimento de sintomas de intoxicação nas plantas da cultura. Interações de herbicidas com fertilizantes em mistura Os herbicidas em misturas com fertilizantes. A aplicação de molibdênio na cultura do feijão.

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DF 2006 Módulo 3. Jose Barbosa dos Santos Profº.Manejo de plantas daninhas 3. Rubem Sillvério de Oliveira Júnior Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior .UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília .Herbicidas: comportamento no solo 135 . Antonio Alberto da Silva Profº.ABEAS Universidade Federal de Viçosa . Rafael Vivian Profº.4 .4 .Herbicidas: comportamento no solo Tutores: Profº.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 .

Relação entre KH e incorporação de herbicidas. 160 3 .1 – Precipitação. 162 3.2 .Principais propriedades do solo que influenciam a sorção de herbicidas. 162 3.3 .4 – Solubilidade. 175 136 Módulo 3. 158 2. 150 2.2.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução.3 – Adsorção.Estimativa da sorção.Absorção pelas plantas.2 – Volatilização.4. 170 4.Herbicidas: comportamento no solo .1 .6.Processos de retenção.Alternativas para redução de perdas por volatilização.2.Pressão de vapor (P). 162 3. 138 1 . 167 3.1 .Processos de transformação.5.7 – Dessorção.2 . 139 2 . 147 2.5 .4 .2 . 141 2. 166 3.Coeficiente de partição octanol-água (Kow).4.1 . 161 3. 140 2.1 .6 .2 – Absorção.3 .Relação entre PV e S.5.3 .4 – Lixiviação. 154 2. 144 2.2.Textura e mineralogia.2 . 167 3.Importância da matéria orgânica do solo na sorção de herbicidas. 164 3.3 .Degradação química.Importância do estudo de herbicidas no solo.Escorrimento superficial (run-off) e sub-superficial (run-in).pH do solo.6 .1 – Persistência.2.Principais propriedades físico-químicas dos herbicidas que interferem na sua sorção no solo. 164 3. 167 4 . 158 2.Processos de transporte. 155 2.4 – Sorção. 175 4. 166 3.5. 141 2.5 .6. 158 2.1 .Isotermas de sorção.Capacidade de dissociação eletrolítica (pKa). 142 2. 141 2.Degradação biológica (microbiana) ou biodegradação. 170 4.2 .2.Fatores que influenciam a volatilização.2. 150 2.

178 5.Problemas relacionados aos herbicidas residuais.Fotodecomposição ou fotólise. 177 5 – Fitorremediação. 183 6 . 179 5. 182 5.Estratégias para o sucesso da fitorremediação. 188 Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4.Considerações finais.1 .4 .A fitorremediação como mecanismo de biorremediação.4 .Herbicidas: comportamento no solo 137 . 186 Referências bibliográficas.2 .3 .

tornando-se indiscutível a utilização de herbicidas no sistema agrícola. Ao atingirem o solo. biodisponibilidade e recalcitrância do herbicida.4 . Nos últimos anos. entre outros fatores. assim como dos próprios recursos naturais que sustentam a produção. No entanto. o qual pode ser extremamente curto. cresce a importância do entendimento do destino final dessas moléculas e do estudo do comportamento no ambiente onde são aplicados. Neste capítulo são apresentados os principais conceitos relacionados ao comportamento de herbicidas no solo. ou perdurar por meses ou anos. inicia-se o processo de redistribuição e degradação dos herbicidas aplicados. da capacidade de sorção do solo. para que seja preservada a qualidade final dos produtos colhidos. atualmente. Os exemplos apresentados destacam os estudos mais relevantes com herbicidas em solos. observa-se maior preocupação quanto à contaminação do ambiente e a utilização racional dos recursos hídricos e do solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução O uso do controle químico em plantas daninhas. entretanto. 138 Módulo 3. As práticas agrícolas. pois elevados índices de sorção podem comprometer a eficiência do herbicida. 2001) e acabam alcançando direta ou indiretamente o solo. é fundamental que eles sejam adequadamente aplicados. o qual atua como o principal receptor e acumulador desses compostos. Outro fator relevante é que 60 a 70% do total dos pesticidas aplicados nos campos agrícolas não atingem a superfície alvo de interesse (LAW. os estudos envolvendo a sorção de herbicidas em solos brasileiros sob condições de clima tropical são também fundamentais para avaliação da eficiência de controle das plantas daninhas do local. Embora escassos. a qual está relacionada à atividade microbiológica. para compostos altamente persistentes. constitui-se prática indispensável para a agricultura em larga escala. Com isso. juntamente com os processos envolvidos na dissipação desses compostos no ambiente.Herbicidas: comportamento no solo . especialmente o solo e a água. O seu tempo de permanência no ambiente depende. da dinâmica do fluxo hídrico e do transporte de solutos. permitindo maior compreensão da dinâmica desses compostos no ambiente. além da sua taxa de degradação. como o que ocorre para algumas moléculas simples e não-persistentes. são responsáveis por grande parte da degradação desses recursos.

Promove a retenção e o movimento da água.Herbicidas: comportamento no solo 139 . BEZDICEK. Atualmente. segundo. uma vez que o herbicida é uma substância exógena ao meio. que afetam direta ou indiretamente a eficiência no controle de uma planta daninha. Módulo 3. embora esses processos sejam descritos de forma isolada. É responsável também pela ciclagem dos nutrientes. 1994). Outro fator relevante é que o solo atua na manutenção dos processos vitais. além da remediação e imobilização de poluentes (GRANATSTAIN. onde interagem inúmeros processos de ordem física. além do próprio herbicida.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1 .Importância do estudo de herbicidas no solo O estudo do comportamento de herbicidas no solo e no ambiente visa pelo menos dois objetivos principais: primeiramente. transformação e transporte (Figura 1). o estudo do comportamento de herbicidas no ambiente tem sido realizado através de estimativas das tendências a que estes estão sujeitos em função de três principais processos: retenção. a sua avaliação é de difícil mensuração e repetibilidade. suportando as cadeias alimentares. procura-se descobrir as interações do herbicida com os componentes do solo. PARKING. atividade e diversidade microbiana. química e biológica (DORAN. sendo responsável pelo suporte físico e de armazenagem dos nutrientes para as plantas. de modo a minimizar os eventuais efeitos negativos que a sua presença possa causar ao ambiente. que interagem entre si. No entanto.4 . em razão de o solo ser considerado um ambiente heterogêneo sob influência de diversos fatores. 2001). embora a capacidade de permanência do herbicida e sua degradação no solo sejam um processo-chave na determinação do fato que este terá ou não efeito na qualidade ambiental (Hinz. conhecer os fatores do ambiente. 1992).

transporte e transformação de um herbicida aplicado ao solo 2 . quando em contato com o solo.4 . Entretanto. a compreensão dos fatores que regulam as interações de retenção é essencial para entender o comportamento dessas substâncias no solo. transporte e retenção. precipitação e adsorção. normalmente. o processo de retenção. pode ser entendido como um processo geral de sorção de herbicidas no solo.Processos de retenção O solo é um sistema aberto e dinâmico no qual os seus constituintes podem. química e biológica. constantemente. Entretanto. Sabe-se que as moléculas dos herbicidas. estão sujeitas aos processos de movimento.Herbicidas: comportamento no solo .Representação esquemática da interação entre processos de retenção. movimentar-se ou sofrer transformação física. o processo de retenção constitui-se num dos processos mais importantes para prever a movimentação dos herbicidas no solo e sua taxa de degradação (física. a partir da superfície do solo na forma de solução. química e biológica). o que resulta na dissipação destas. A retenção refere-se à habilidade do solo de reter um pesticida ou outra molécula orgânica. por sua vez. A distinção entre adsorção verdadeira (na qual camadas moleculares se formam na 140 Módulo 3. evitando que ela se mova tanto dentro como para fora da matriz do solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 1 . que engloba mecanismos específicos de dissipação dos herbicidas: absorção. assim como conhecer qual a eficiência quando estes forem aplicado para o controle de plantas daninhas. Como os herbicidas movem-se.

a adsorção é usualmente determinada apenas através do desaparecimento da substância química da solução do solo. a adsorção por ligações químicas. em razão disso. Além disso.4 . ou. configuração. As quantidades do herbicida adsorvido aos constituintes do solo são diretamente proporcionais à superfície específica do material coloidal e decresce geralmente com o aumento da temperatura. pela formação de uma fase sólida separada na superfície de uma partícula sólida do solo. natureza ácido/base dos herbicidas. precipitação (na qual tanto uma fase sólida separada se forma nas superfícies sólidas como ligações covalentes com a superfície da partícula de solo acontecem) e absorção dos herbicidas pelas plantas e organismos é difícil. entre outros.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas superfície de uma partícula de solo). podendo favorecer. estrutura molecular.Adsorção A adsorção caracteriza-se por um fenômeno temporário pelo qual uma substância dissolvida se fixa a uma superfície sólida ou líquida. Na prática.Herbicidas: comportamento no solo 141 . a velocidade das reações químicas aumenta com a elevação da temperatura. 2. provocado pelo incremento da energia cinética das moléculas. obtendo-se as curvas denominadas de isotermas de adsorção.Absorção O termo absorção é usado especificamente quando as moléculas do herbicida são absorvidas pelo sistema radicular e outras partes subterrâneas das plantas.2 . o processo adsortivo de herbicidas. 2. Dificilmente ocorrerá a absorção de herbicidas por partículas minerais ou orgânicas do solo. seja ele avaliado em condições laboratoriais ou em Módulo 3. denominado de sorção (KOSKINEN.Precipitação A formação de precipitados entre as moléculas de herbicidas pode ocorrer pela junção das partículas dos argilominerais com o herbicida por ligações covalentes de alta força.1 . Essa fixação ocorre por interação de forças da superfície do adsorvente (solo) e do adsorvato (herbicida). distribuição. solubilidade. as quais incluem tamanho. 2. ainda. abordadas posteriormente. Dependendo do sentido dessa força. distribuição de cargas. funções químicas. em alguns casos. principalmente com os constituintes orgânicos do solo. resultando num aumento da concentração na solução do solo. o herbicida pode ser adsorvido às partículas coloidais (orgânicas e minerais) do solo ou sofrer repulsão. 1990). HARPER.3 . Contudo. o termo adsorção é normalmente substituído por um outro mais geral. Esta é a razão pela qual os estudos de adsorção conduzidos em laboratório são realizados em condições de temperatura constante. a adsorção de herbicidas no solo depende das propriedades deste e do composto aplicado. polaridade. Segundo Gevao (2000).

atmosféricos e aquáticos. ligações hidrofóbicas. Figura 2 . podendo ocorrer interação entre uma molécula polar e outra apolar. depende do tempo de equilíbrio alcançado pelo material adsorvente (solo) e o adsorvido (herbicida). sem distinção entre os processos específicos de adsorção.Representação da determinação do tempo de equilíbrio necessário nos estudos de adsorção de herbicidas em solos As forças responsáveis pelas reações de sorção dos herbicidas no solo incluem: forças físicas. o qual varia em função do mecanismo e da velocidade das reações envolvidas (Figura 2). As pontes de hidrogênio são produzidas pelas atrações eletrostáticas entre o núcleo eletropositivo do hidrogênio e pares de elétrons expostos de átomos eletronegativos. Essa força é extremamente fraca e de curtíssima distância. Entre as forças físicas. ligações eletrostáticas.Herbicidas: comportamento no solo . absorção e precipitação. entre outras. pontes de hidrogênio. 2. em virtude da heterogeneidade do solo e da sua continuidade com sistemas biológicos. As pontes de hidrogênio caracterizam-se por formar uma interação dipolo-dipolo.Sorção Sorção refere-se a um processo geral. envolvendo mole¬culas sem dipolo permanente.. com força muita fraca.4 . com alta massa (SCHWARZENDBACH et al. Esse tipo de ligação é muito mais importante nas ligações das moléculas dos herbicidas sobre a superfície da matéria orgânica do que pela 142 Módulo 3. reações de coordenação e ligações de troca.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas campo. 1993).4 . devido a um sincronismo no movimento eletrônico. expressando a atração elétron-núcleo. a mais importante é a força de Van der Waals. ocorrendo comumente em moléculas grandes de herbicidas. O processo individual de sorção é profundamente complexo.

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superfície das argilas e ocorre com compostos contendo grupos >C=O + grupos –NH (ou –COOH, OH, >C=O ou – NH2) (Figura 3).

Figura 3 - Interação entre atrazine e substâncias húmicas por pontes de hidrogênio. Fonte: Senesi (1992).

Ligações hidrofóbicas estão associadas com a sorção de herbicidas apolares, os quais competem com as moléculas de água pelos sítios sortivos. Muitas das moléculas de herbicidas, principalmente os aromáticos, halogenados, fenóis e bifenóis, com baixa solubilidade em água, podem ligar-se à superfície das argilas por meio de ligações hidrofóbicas. Estas ligações são muito favorecidas quando são adicionados ao solo resíduos orgânicos naturais, aumentando o número de sítios hidrofóbicos de ligação. As ligações eletrostáticas envolvem cargas elétricas de superfície, formadas por complexas reações de adsorção, as quais podem ocorrer por adsorção por moléculas de água, por cátions, por troca aniônica e por compostos orgânicos naturais. A adsorção por troca aniônica é importante para solos pouco intemperizados de clima temperado. Contudo, em condições de solos brasileiros, desenvolvidos em condições de clima tropical e subtropical, predominam argilominerais (1:1) e elevados teores de óxidos de ferro e alumínio, com baixa capacidade de formar este tipo de ligação. As reações por coordenação envolvem ligações covalentes, de curta distância, e com sombreamento dos orbitais. São ligações muito fortes e a energia depende do número de elétrons em orbitais moleculares ligantes ou antiligantes. Essas ligações estão presentes, por exemplo, entre os prótons dos grupos funcionais de superfície e os átomos de hidrogênio (Fe-OH, Al-OH, COOH) e N2 (NH2). Esse tipo de ligação, formando complexos de esfera interna, torna difícil a separação e distinção entre o colóide e a molécula do herbicida. A protonação nada mais é que a formação de complexos de transferência de cargas na superfície mineral. Ocorre quando um grupo funcional forma um complexo com a superfície de um próton. O complexo pode ser extremamente estável, desenvolvendo sorção praticamente irreversível. Esse tipo de ligação ou mecanismo tem sido válido para herbicidas do grupo das striazinas, as quais se tornam catiônicas através da protonação, tanto na solução do solo como durante o processo de adsorção (Figura 4) (SCHWARZENDBACH et al., 1993).

Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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Figura 4 - Interação entre atrazine e substâncias húmicas por protonação do herbicida Fonte: Senesi (1992)

2.4.1 - Estimativa da sorção A avaliação da sorção é feita normalmente por meio da estimativa de coeficientes, denominados coeficientes de partição, coeficientes de partição solo-água, coeficientes de sorção ou constantes de adsorção. Neste capítulo será adotado o termo coeficiente de sorção para denominar a relação entre as concentrações de herbicida em solução e aquelas sorvidas ao solo. O coeficiente de sorção, Kd, pode ser estimado pela relação:

O Kd representa a relação entre a concentração do herbicida que permanece sorvido ao solo Cs (μg g-1) e a concentração do herbicida encontrada na solução de equilíbrio Cw (μg mL-1), para uma determinada quantidade específica do herbicida adicionado. Entretanto, como o teor de carbono orgânico, aparentemente, tem representado melhor a capacidade adsortiva dos herbicidas nos solos, principalmente para os compostos de caráter básico ou não-iônicos (KARICKHOFF, 1981; OLIVEIRA JR. et al., 1999), tem-se corrigido o Kd em relação ao teor de carbono orgânico do solo. A partir dessa normalização do Kd, obtém se o Koc, o qual permite a comparação da sorção entre diferentes solos e é um índice muito utilizado em métodos de classificação de mobilidade e em modelos de simulação do comportamento de pesticidas no solo. A normalização do Kd para o teor de carbono orgânico é feita pela relação:

Em que Koc representa o coeficiente de sorção normalizado para o teor de carbono orgânico do solo (L kg-1) e foc indica o teor (% ou dag kg-1) de carbono orgânico do solo, o qual é obtido dividindo-se o percentual de matéria orgânica por 1,72. Oliveira Jr. (1998), estudando a correlação entre as propriedades dos solos, verificou que os coeficientes de sorção (Kd e Koc) de diferentes herbicidas determinados em solos brasileiros correlacionaram-se significativamente com o teor de carbono orgânico e CTC dos solos para a
144 Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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maior parte dos herbicidas. De modo geral, os herbicidas ácidos fracos (imazethapyr, metsulfuron, nicosulfuron e sulfometuron) foram os que apresentaram menor sorção, ao passo que os herbicidas básicos fracos (atrazine, hexazinone, simazine) e não-iônicos (alachlor) foram os mais sorvidos. No Brasil, o Koc tem sido amplamente utilizado para predizer a capacidade de sorção de diversos herbicidas no solo; também é utilizado juntamente com a textura para recomendar as dosagens dos herbicidas. Entretanto, a padronização do Kd em relação ao carbono orgânico do solo não é consenso entre os pesquisadores da área, pois a sorção de herbicidas à matéria orgânica do solo ocorre de forma heterogênea, em função dos mecanismos e da fração orgânica envolvida no processo sortivo, cujos índices podem não representar a realidade. Ao mesmo tempo, o Kd e Koc nem sempre são suficientemente exatos para descrever a sorção de um pesticida em uma faixa considerada de concentração. As relações entre as concentrações em solução e na fase sólida podem, então, ser descritas por isotermas, descritas no item 3.4.2. As estimativas dos coeficientes sortivos apresentados (Kd e Koc) geralmente são conduzidas em condições laboratoriais, empregando-se a cromatografia líquida e gasosa como técnicas analíticas na determinação das concentrações dos herbicidas nas fases sólida (solo) e líquida (solução do solo) propriamente ditas. Entretanto, devido aos custos envolvidos nessas análises, outras formas de estimar a capacidade de sorção desses compostos no solo podem ser utilizadas. Entre elas, a técnica de bioensaio representa um método simples e de grande valia na determinação da capacidade sortiva e de resíduos de herbicidas no solo. Inicialmente, para a utilização dessa técnica, são feitas curvas de dose-resposta para cada composto, utilizando-se plantas indicadoras específicas ao mecanismo de ação de cada herbicida. As curvas de dose-resposta devem ser feitas no solo a ser estudado e em material inerte, preferencialmente areia lavada, isentos de qualquer resíduo. Após a aplicação de doses conhecidas do herbicida, são realizadas avaliações nas plantas indicadoras, as quais incluem fitoxicidade, altura da planta, comprimento de raiz, massa seca da parte aérea e raízes (Figura 5). Após as avaliações, utilizam-se modelos de regressão não-linear, como o proposto por Seefeldt et al. (1995):

em que D e C representam os limites superior e inferior da curva, respectivamente; b, a declividade da curva; e C50, a dose correspondente a 50% de resposta. O limite superior da curva D corresponde à respota média da testemunha e o limite inferior da curva C é a resposta média das plantas que receberam os herbicidas. O b descreve a declividade da curva em torno do C50.

Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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Figura 5 - Curva de dose-resposta para massa seca da parte aérea (% em relação à testemunha) de Sorghum vulgare, em função de doses crescentes de sulfentrazone (X) em Argissolo Vermelho-Amarelo (– – –) e em areia (____) Fonte: Vivian et al. (2005)

A partir dos dados obtidos de (C50) em solo e areia, utiliza-se a equação a seguir para expressar a relação de adsorção (RA) do solo em relação à resposta obtida em areia para a espécie indicadora (SOUZA, 1994). Considera-se que valores de RA elevados indicam maior capacidade de sorção do herbicida estudado no solo e, conseqüentemente, menor potencial de lixiviação do composto no perfil do solo. Um exemplo de curva de dose-resposta utilizada para o herbicida trifloxysulfuron-sodium em solo e areia pode ser observado na Figura 6. RA = C50solo – C50 areia C50 areia

Figura 6 – Curva de dose-resposta em solo (a) e areia (b) para trifloxysulfuron-sodium

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Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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2.4.2 - Isotermas de sorção Quando se deseja estudar o comportamento dos herbicidas em diferentes concentrações no solo, deve-se observar que a sua sorção geralmente não ocorre de forma linear com o aumento do herbicida adicionado. Isso é devido à capacidade limitada de formar ligações com o material coloidal e a variação do coeficiente de sorção com a temperatura e umidade do solo. Para a determinação de uma isoterma de sorção, é necessário determinar o Kd em diferentes concentrações iniciais do herbicida em solução. As isotermas utilizadas para descrever o comportamento de herbicidas no solo, em diferentes concentrações iniciais, podem ser classificadas, conforme o seu comportamentodo, em S, H, C e. Tipo S: é uma curva não-linear e convexa em relação à abscissa. Inicialmente a adsorção é baixa, mas com o aumento da concentração do adsorvato na superfície adsorvida, ocorre aumento na adsorção pela associação entre as moléculas. Isso ocorre em razão da baixa afinidade do adsorvato pela interferência de outras substâncias. A água é um forte competidor na adsorção à superfície coloidal, e, com o aumento na concentração do soluto, essa competição se reduz. Tipo H: ocorre quando o adsorvato possui altíssima afinidade pelo adsorvente, e a máxima adsorção ocorre em baixas concentrações. Desse modo, até que não ocorra a máxima adsorção, não será possível detectar as moléculas na solução. Esse tipo de adsorção ocorre com moléculas extremamente catiônicas ou compostos orgânicos catiônicos, adsorvendo-se nos minerais das argilas.

Figura 7 – Comportamento das isotermas de sorção
Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo 147

De forma análoga ao Koc. 1996). usando regressão linear e não-linear (isotermas de Freundlich) a 25 ºC. Caq a concentração de equilíbrio do herbicida na solução do solo (mg mL-1). o coeficiente de adsorção Kf aumenta linearmente conforme aumenta a concentração do herbicida. o coeficiente de adsorção da isoterma de Freudlich. e a curva passa a ser de formato linear do tipo C.Herbicidas: comportamento no solo .4 . em função da sua concentração. conforme aumenta a cobertura da superfície. embora empírico. É o tipo de adsorção mais comum que ocorre com os herbicidas no solo. o coeficiente de adsorção Kf é considerado nas análises de capacidade de 148 Módulo 3. Tipo L: apresenta-se como uma curva côncava em relação à abscissa. verifica-se melhor ajuste pelos modelos de Freundlich e Langmuir. reduzindo a energia de interação proporcionalmente ao recobrimento da superfície. definido pelo Ibama para o Brasil. de forma não linear. Novos grupos funcionais são criados no processo de adsorção. verifica-se que o incremento decresce na adsorção. diminuem a afinidade e declividade. Cs representa a quantidade do herbicida adsorvido no solo (mg g-1). permitindo a continuidade do processo. Quando n for igual a 1. e 1/n é um fator de linearização. descritos a seguir: a) O modelo de Freundlich. dando origem ao Kfoc. Existem dois modelos muito utilizados que descrevem o comportamento das moléculas dos herbicidas conforme a sua concentração. Entre os modelos mais utilizados e que descrevem o comportamento das moléculas dos herbicidas no solo. Figura 8 . Kf. em solo argilo-siltoso Fonte: Mervosh (1995) Segundo o manual de testes para avaliação da ecotoxicidade de agentes químicos. determinando a intensidade da adsorção. considera que a afinidade inicial é alta e.Comportamento adsortivo do herbicida Clomazone. assim que a concentração deste aumenta. a normalização do coeficiente de Freundlich em relação ao teor de carbono orgânico também pode ser calculada.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Tipo C: a adsorção ocorre de forma linear conforme aumenta a concentração do adsorvato. A seguir. pode-se observar a equação empírica utilizada para descrever a isoterma de Freundlich e sua representação gráfica (Figura 8): Na equação. Esse modelo tem sido amplamente utilizado na determinação dos coeficientes de adsorção dos herbicidas no solo para uma determinada temperatura (CLEVELAND.

Quadro 1 – Classificação da capacidade de adsorção de agentes químicos no solo Kf 0 – 24 25 – 29 50 – 149 > 150 Classificação da Adsorção Baixa Média Grande Elevada b) O modelo de Langmuir baseia-se na adsorção em superfícies planas que apresentam número fixo de grupos funcionais e que cada um interagirá com uma molécula. verifica-se que outras avaliações são necessárias para definição do real comportamento de herbicidas no solo. Entretanto. A energia de adsorção é a mesma para todos os sítios e independe da cobertura de superfície (Figura 9).Herbicidas: comportamento no solo 149 . Esse modelo é expresso pela seguinte equação: em que Cm representa a quantidade máxima do herbicida adsorvido (mg g-1). Quando todos os grupos funcionais estiverem preenchidos.Modelo da energia de adsorção em função da superfície de cobertura. Figura 9 . segundo as isotermas de Langmuir e Freundlich Módulo 3. tem-se a adsorção máxima.4 . por haver inúmeros interferentes nos estudos de adsorção a campo e em laboratório. Ce é a concentração de equilíbrio do herbicida na solução (mg mL-1) e K1 é o coeficiente de adsorção para o modelo de Langmuir.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas adsorção de herbicidas no solo. Sua classificação varia de pequena a elevada e reflete parcialmente a capacidade de movimento e persistência do composto no ambiente (Quadro 1).

os quais serão abordados a seguir. Ela interfere em todos os processos sortivos que possam ocorrer. o pH. principalmente para aqueles recomendados em pré-emergência de característica não-iônica ou para os catiônicos.4-D no solo. estava relacionado ao aumento do conteúdo de carbono orgânico.5.28 ± 0. 1999). da área superfícial específica das partículas coloidais da fração argila e.05 20. como herbicidas e metais pesados. 1992). É responsável também pela estabilidade da estrutura do solo e infiltração de água. (1999).4-D. assim como a mineralogia do solo em questão. a sorção de herbicidas ao solo aumenta com o incremento da CTC (capacidade de troca catiônica). estudando o comportamento do herbicida atrazine em Latossolo Roxo sob dois sistemas de manejo 150 Módulo 3.87 ± 0.Principais propriedades do solo que influenciam a sorção de herbicidas Em geral.Herbicidas: comportamento no solo . (1999) Adsorção Kf 1/n 39. CAMARGO. Thompson et al. dos teores de carbono orgânico do solo (VELINI.23 ± 0. também são importantes na sua sorção. constituindo-se num componente fundamental na sua capacidade produtiva (SANTOS. verificaram que em solos com alto teor de matéria orgânica e baixo pH a lixiviação deste herbicida foi menor. Quadro 2 . o teor de matéria orgânica no solo desempenha importante papel quando se trata de contaminantes ambientais. avaliando a persistência do herbicida 2.48 ± 0.05 A matéria orgânica é o principal componente que influencia a atividade dos herbicidas registrados para uso em solos tropicais. diuron e 2. a matéria orgânica tem grande importância para os processos de retenção de cátions e complexação de elementos tóxicos e de micronutrientes.08 1. (1984).23 ± 0. 2. no solo contendo matéria orgânica.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2. caracterizando a grande influência da matéria orgânica na adsorção de herbicidas ácidos. Isto pode ser observado segundo os valores de Kf (Quadro 2) para o herbicida 2. aeração e atividade da biomassa microbiana. principalmente. No entanto. ao compararem solos com diferentes propriedades.16 ± 0.23 0.12 ± 0.30 1.5 .1 .4 .03 0.4-D em solo arenoso Solo calcinado Solo com MO MO = matéria orgânica Fonte: Viera et al. Já Faloni (1999). Mallawatantri e Mulla (1992) demonstraram que pelo menos 80% do incremento da sorção observada para metribuzin. em certos casos.4-D.07 Dessorção Kf 1/n 22. Segundo Viera et al.Constantes de Freundlich obtidas a partir dos dados de adsorção de 2.80 ± 0.Importância da matéria orgânica do solo na sorção de herbicidas Em solos tropicais e subtropicais altamente intemperizados.09 88.

também percebeu que a matéria orgânica é a principal responsável pela adsorção deste herbicida. Figura 10 . essa característica pode ser considerada a mais importante para esses herbicidas.Sorção de alachlor (expressa pelo coeficiente de sorção. as propriedades que mais se correlacionam com a sorção de herbicidas básicos e não-iônicos são a CTC e o teor de carbono orgânico (OLIVEIRA JR. et al.4 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas (convencional e direto). 1999). notadamente os não-iônicos.. não-polares como o alachlor. podendo-se ainda estimar a sorção de diversos herbicidas com base nos teores de carbono orgânico (Figura 11). (1998b) Módulo 3. et al. Kd) em função do teor de carbono orgânico do solo. Uma vez que a maior parte da CTC nos nossos solos está relacionada à matéria orgânica. é possível obter uma predição dos valores de Kd com base nos teores de carbono orgânico do solo (Figura 10). No caso dos solos brasileiros.Herbicidas: comportamento no solo 151 . Para alguns herbicidas. Fonte: Oliveira Jr.

Essas diferenças podem interferir não só na retenção dos herbicidas. também foram demonstradas especificidades na sorção dos herbicidas. correlacionam-se melhor com os teores de humina do que os de ácidos húmicos ou fúlvicos da matéria orgânica do solo (PROCÓPIO et al. Dentre os componentes da fração humificada. (1999) Teoricamente...ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 11 . A parte humificada é composta pelos ácido fúlvicos. Diversos estudos mostraram que a fração húmica apresenta maior correlação com a sorção dos herbicidas. 999). TRAGHETTA et al. 2000).Relação entre o coeficiente de sorção (Kd) e o teor de carbono orgânico do solo para herbicidas ácidos (linhas cheias) e para herbicidas básicos ou não-iônicos (linhas tracejadas) em solos brasileiros Fonte: Oliveira Jr. Herbicidas iônicos (em faixa de pH com baixa dissociação) e os não-ônicos. normalmente. o clima.. existe grande complexidade e variabilidade da matéria orgânica presente em diferentes solos. os quais representam a fração mais ativa da matéria orgânica do solo (NETO et al. os quais variam conforme sua polaridade. disponibilidade de sítios hidrofóbicos e grupos funcionais. et al. Entretanto. A disponibilização de maior ou menor número de sítios 152 Módulo 3. As mudanças conformacionais provocadas nas moléculas da matéria orgânica. 2001). aromaticidade. os minerais do solo e a população microbiana podem proporcionar a formação da diversidade de características dos compostos orgânicos do solo. a matéria orgânica do solo encontra-se dividida em substâncias humificadas e não-humificadas. pela variação do pH do meio. mas também na transformação e transporte destes (CORREIA.Herbicidas: comportamento no solo .4 . em relação ao teor de matéria orgânica total do solo. são citadas como um dos principais fatores que podem influenciar a sua capacidade de adsorção de pesticidas (WANG et al. 1997).. húmicos e humina. A fonte orgânica. 1990.

podendo representar maior permanência desta no meio ambiente. principalmente para aqueles cuja ação microbiana é a principal forma de degradação.Simulação da adsorção de atrazine no modelo complexo de muscovita-ácido húmico.. a relação da textura do solo com a quantidade de matéria orgânica presente. devido à proteção física e química das moléculas do herbicida na matéria orgânica. a adição de matéria orgânica ao solo acelera a degradação dos herbicidas. entre outros.4 . 1998). representando menor risco de contaminação dos lençóis freáticos (COX. como pode ser verificado na Figura 12. os tipos de minerais predominantes na fração argila. na maioria dos trabalhos verificados. pode ocorrer menor ação microbiana na degradação dessas moléculas. é responsável pelas variações nos coeficientes de sorção de herbicidas encontrados na literatura.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas hidrofóbicos pelas mudanças conformacionais das moléculas também pode influenciar a sorção de herbicidas lipofílicos (PROCÓPIO et al. os solos com altos teores de matéria-orgânica apresentam menor tendência geral de lixiviação dos herbicidas. formando complexos argilo-orgânicos. a presença de íons saturantes dos grupos funcionais da matéria orgânica e a especificidade dos íons (PIRES. Atualmente. 1994). Fonte: Adaptado de Akim e Bailey (1998) Embora se verifique extrema quantidade de interferentes nas características de sorção de herbicidas à matéria orgânica.Herbicidas: comportamento no solo 153 . 2001) Outras características do solo também podem afetar a sorção de herbicidas à matéria orgânica: o material de origem do solo. sabe-se que sorção herbicida-matéria orgânica é mais estável do que aquela resultante da ligação com componentes minerais do solo. Figura 12 . Prata (2001) também constatou que adição de vinhaça ao solo faz que o processo de mineralização do ametryn seja acelerado. Entretanto. Contudo. a quantidade de matéria orgânica quimicamente protegida. Dessa forma. Além destes. é o principal parâmetro levado em consideração na recomendação da dosagem de herbicidas aplicados Módulo 3.

como a montmorilonita e vermiculita. permitindo que água. podendo reter cátions. minerais de argila expansíveis (2:1) e de maior área superfical específíca.2 . e ambos 154 Módulo 3. Os óxidos de ferro e alumínio também atuam na sorção de diversos herbicidas. A formação de cargas nos minerais 2:1 ocorre pela substituição isomórfica nas camadas tetraédrica e octaédrica.Herbicidas: comportamento no solo . Apesar de existir grande possibilidade de os solos mais argilosos apresentarem maiores teores de matéria orgânica. como o Brasil. e a matéria orgânica desempenha papel secundário no caso de solos oxídicos. extremamente elevada e está relacionada. também que. a riqueza de variação das argilas e a formação de compostos argilominerais representam diferentes possibilidades de adsorção dos herbicidas a essas partículas. Por sua vez. Já minerais 1:1.Textura e mineralogia O conteúdo de areia. a textura é ainda o atual parâmetro utilizado para recomendação da dose dos herbicidas aplicados em pré-emergência ou pré-plantio incorporado.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas em pré-emergência. de clima tropical e subtropical. Existem também dados demonstrando que os óxidos de ferro possuem maior capacidade de adsorver os herbicidas em relação aos óxidos de alumínio (Quadro 5). avaliando a adsorção e dessorção do glyphosate em três solos brasileiros com diferentes atributos mineralógicos. Entretanto.. observou que a sorção do glyphosate é instantânea. os erros de estimação dos teores de matéria orgânica e o desconhecimento da sorção específica de herbicidas por alguns argilominerais presentes são um dos inúmeros fatores que devem ser considerados para a adequação nas dosagens dos herbicidas atualmente recomendados. Suas cargas podem ser geradas nas bordas do mineral pela dissociação de prótons H+ dos grupos OH. Em diversos casos observados. principalmente. à fração mineral do solo. e não possuem a capacidade de expandir-se.4 . como no caso dos herbicidas ácidos ou em altas concentrações de carbono orgânico. silte e argila presente no solo é responsável pela classificação das diferentes classes texturais dos solos. não ocorre correlação entre o comportamento do herbicida e as concentrações de argila. 2. Essas propriedades originam forças de atração de grande intensidade. herbicidas e outras moléculas penetrem entre os planos basais e provoquem grande expansão do material. como a caulinita. citam-se a superestimação dos teores de matéria orgânica efetivamente capazes de adsorver as moléculas dos herbicidas e a profundiade de coleta (0-20 cm) utilizada na determinação dos teores de matéria orgânica do solo. Prata (2002). principalmente naqueles com capacidade de doação de prótons com carga aniônica (herbicidas ácidos fracos). contribuindo significativamente para o aumento na sorção desses compostos (Quadro 4). uma elevação nas dosagens recomendadas para estes solos nem sempre é correta.5. possuem maior capacidade de adsorção de herbicidas (Quadro 3). Sabe-se. Em relação aos erros de estimação. são característicos de regiões muito intemperizadas. Esses minerais apresentam fraca atração dos cátions entre as camadas expansíveis. A presença de argilas de baixa atividade.

7 Partição do Imazaquin (Sólido/Líquido) (μG/g:μG/mL) 2326:1 238:1 40:1 2:1 0:1 Quadro 5 . A influência do pH do solo no processo de retenção e degradação dos herbicidas está estritamente relacionada à capacidade de dissociação eletrolítica .4 .6 5. Módulo 3.3 .Dissociação eletrolítica. menor é a quantidade sorvida do herbicida no material coloidal.3 3.5 a 6.pH do solo O pH é uma medida muito importante que pode interferir nos processos de sorção dos herbicidas. principalmente em solos muito intemperizados. contribuindo em relação à capacidade sortiva nesses solos. o qual permanece disponível na solução do solo.8 4.3 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas encontram-se presentes em grandes concentrações na maioria dos solos brasileiros. como os latossolos.1. pode-se verificar na Figura 13.0). a qual será abordada com mais detalhes no item 3. que à medida que o pH do solo aumenta (2. Entretanto.5.Herbicidas: comportamento no solo 155 .3. principalmente nos daqueles com grande capacidade de inonizarem-se (catiônicos e aniônicos). Constante de Freundlich (Kf) 2.653 174 2. para 2.0 6.Sorção de imazaquin em diferentes hidróxidos (Fe e Al) Tipo de Hidróxido Hidróxido-Fe Hidróxido-Al Fonte: Shaner (1989).Características de alguns minerais de argila importantes nos estudos de sorção de herbicidas em solo Característica Tipo de camada Capacidade de Expansão CTC (cmolc dm ) Área Superficial Específica (m2 g-1) -3 Montmorilonit Vermiculita a 2:1 2:1 Expansível 80-120 700-750 Ilita 1:1 Caulinita Não-expansível 2-10 25-50 2:1 NãoExpansão limitada expansível 120-200 15-40 500-700 75-125 Quadro 4 – Sorção de imazaquin em diferentes minerais de argila Mineral de Argila H-montmorilonita H-ilita Al-montmorilonita H-caolinita H-vermiculita Fonte: Dolling (1985).4-D. Quadro 3 . pH 3.pKa dos compostos.

2 5. que a quantidade sorvida do herbicida aumenta à medida que o pH diminui. por exemplo.3 6.5 Sorção (%) 53 53 0 62 40 25 Em trabalho similiar realizado com imazethapyr (Figura 14).7 5. verifica-se novamente o decréscimo do coeficiente sortivo (Kd) do herbicida com o aumento do pH do solo. novamente.6 6.Herbicidas: comportamento no solo . Verifica-se.4-D em função do aumento do pH do solo No caso de imidazolinonas aplicadas ao solo. Quadro 6 –Sorção de imazaquin sob diferentes pHs em dois solos Tipo de solo Franco-arenoso Franco-siltoso Fonte: Goetz (1986) pH 5.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 13 – Sorção do herbicida 2.4 .6 4. 156 Módulo 3. devido ao fatop que o pH influenciar fortemente a ligação das imidazolinonas às frações húmica e mineral do solo. Goetz (1986) demonstrou que a quantidade de imazaquin que se liga a diferentes tipos de solo era diretamente relacionada ao pH (Quadro 6).

têm maior capacidade de sorção desses herbicidas e operações como a calagem podem afetar significativamente o seu comportamento. também. Fonte: Oliveira Jr.Coeficiente de sorção (Kd) constatado para o herbicida imazetaphyr. Figura 15 – Efeito do pH na lixiviação do herbicida imazaquin em colunas de solo Fonte: Inoue et al. conforme verificado na Figura 15.4 . além de possibilitar maior efeito do herbicida em culturas posteriormente instaladas no local. resultar em maior lixiviação do composto no perfil do solo. de modo geral. (2002) O pH pode também influenciar diversos outros processos envolvidos na degradação dos herbicidas no solo: a lixiviação de chlorsulfuron.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 14 . Nesse caso.Herbicidas: comportamento no solo . solos ácidos. é maior em solos com pH alto e 157 Módulo 3. especialmente em termos de lixiviação desses herbicidas. em função do aumento do pH do solo. a diminuição da sua capacidade sortiva com o acréscimo do pH do meio pode. (1998) Para herbicidas de maior persistência. por exemplo.

6. Embora algumas propriedades estejam mais distintamente relacionadas aos processos específicos de retenção. Entretanto.6. e se adapta perfeitamente aos herbicidas em solução do solo.2 . menor será seu caráter ácido e menor a sua capacidade de ficar aniônico. a qual tem sido utilizada para substâncias presentes em solução aquosa. Conforme a fórmula molecular e pKa dos herbicidas eles. a maioria dos herbicidas possui em sua molécula uma região polar e outra apolar.Capacidade de dissociação eletrolítica (pKa) O pKa representa a capacidade de dissociação que uma molécula do herbicida possui em água com diferentes pH. Os valores de Kow são adimensionais. 2. A polaridade é muito importante para penetração das moléculas dos herbicidas pela cutícula das folhas e também interfere nos processos sortivos com o solo.4 . possuem maior afinidade às partes argilosa e mineral do solo. Ao contrário.6 . Para 158 Módulo 3. podem ser classificados da seguinte forma: a) Herbicidas ácidos fracos: são os herbicidas cujas formas moleculares apresentam capacidade de doar prótons e formar íons carregados negativamente. os hidrofílicos (Kow <10). pressão de vapor (P) e constante da Lei de Henry (H). Quanto mais polar for o herbicida. O comportamento dos herbicidas é muito influenciado pelo seu pKa. 2. 2..Coeficiente de partição octanol-água (Kow) Esta propriedade indica a afinidade que a molécula do herbicida tem em relação à fase polar (representada pela água) e apolar (representada pelo octanol). solubilidade. transformação e transporte. expressos normalmente na forma logarítmica (log Kow). Quanto maior for o pKa do herbicida. 1993).Principais propriedades físico-químicas dos herbicidas que interferem na sua sorção no solo As principais propriedades físico-químicas de um herbicida que influenciam o seu comportamento são: coeficiente de partição octanol-água (Kow). herbicidas com características apolares são considerados lipofílicos. capacidade de dissociação eletrolítica quando em solução aquosa (pKa). embora a degradação do referido produto seja mais rápida em solos ácidos (GOMEZ DE BARREDA et al. podendo ser encontrados na forma dissociada (ionizada) e não-dissociada (não-ionizada ou neutra). Essa definição está restrita apenas à definição clássica de Brönsted-Lowry. Já os herbicidas polares. o conhecimento das características moleculares dos herbicidas é muito utilizado no estudo do seu comportamento no ambiente. Geralmente os herbicidas apolares ou lipofílicos (Kow >10.Herbicidas: comportamento no solo . diz-se que maior é a sua hidrofilicidade.1 .000) possuem maior potencial de se adsorverem a parte orgânica dos colóides do solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas baixo teor de matéria orgânica.

Existe ainda um outro grupo de herbicidas tão básicos que possuem cargas positivas para todos os valores de pH verificados no solo (LEAVITT.Comportamento de ionização de um herbicida ácido (2. Nesse caso. por exemplo. maior será a tendência destes herbicidas de permanecer na sua forma dissociada ou protonada. Quanto menor o pH do solo em relação ao pKa do herbicida. Quando o pH do solo for superior ao pKa destes herbicidas.. Herbicidas pertencentes a essa classificação. Alguns herbicidas de comportamento similar são simazine. 1980). 2003. PÈREZ. 1995) e hexazinone. podem atrair íons hidrogênio em uma solução ácida. Figura 16 .Herbicidas: comportamento no solo 159 . OLIVEIRA JR.4-D são dicamba.8) b) Herbicidas bases fracas: são os herbicidas que apresentam a capacidade de receber prótons e formar íons carregados positivamente. Módulo 3. Quando o pH do meio for superior ao pKa do herbicida. podendo facilmente ser adsorvidos às partículas de argila e aos grupos funcionais que formam a CTC do solo. sua forma molecular será favorecida. 2001).4 . cyanazine (PIRES et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas esses herbicidas. pode liberar íons hidrogênio numa solução básica ou neutra (Figura 16). podendo reduzir sua capacidade de adsorção (KOGAN. Entretanto. sendo sorvidos ao solo de forma irreversível.4-D. a molécula estará 50% na sua forma molecular ou neutra e 50% na forma dissociada (aniônica). quando o pH do solo for igual ao seu pKa. passando a apresentar carga líquida positiva (Figura 17). seu comportamento será semelhante ao das moléculas não-iônicas. O 2. maior será a tendência de o herbicida estar na sua forma molecular (neutra) e maior será sua capacidade de se adsorver nas partículas coloidais do solo. CONSTANTIN. como atrazine. podendo competir com os sítios de adsorção de nutrientes no solo. picloram e demais herbicidas pertencentes ao grupo das sulfoniluréias e imidazolinonas. as concentrações da formas dissociada e neutra serão iguais. pKa = 2. Alguns outros compostos que reagem semelhantemente ao 2.. quando o pH do solo for igual ao seu pKa. este será prontamente dissociado e sua capacidade de ficar retido no solo será muito menor.4-D. Da mesma forma que os herbicidas ácidos. como o que ocorre para o paraquat e o diquat. quando o pH do solo for inferior ao seu pKa.

em função dessa condição. 160 Módulo 3.4 . a sorção é praticamente irreversível e não ocorre retorno do herbicida à solução do solo. em que na e nd representam as curvaturas obtidas nos ensaios de adsorção e dessorção. ser afetados pelo pH do solo e ficar retidos aos complexos argilominerais e ao material orgânico do solo. Em outros. possibilitando maior permanência deste no ambiente. como observado por Pusino et al. Embora sejam não-iônicos. Entre esses herbicidas estão incluídos trifluralin.Comportamento de ionização de um herbicida base fraca (atrazine. pKa = 1. 2.Dessorção A dessorção representa a liberação da molécula do herbicida anteriormente sorvida. Conforme Southwick et al. em alguns casos. por relacionar o seu efeito residual e persistência no solo.7) c) Herbicidas não-iônicos: os herbicidas que não doam nem recebem prótons na solução do solo são considerados não-iônicos. permanecendo em sua forma molecular na solução do solo. A informação da capacidade dessortiva do herbicida no solo pode ser muito importante.Herbicidas: comportamento no solo . respectivamente. metolachlor. Contudo. EPTC e diuron. elevados índices de histerese indicam maior dificuldade de o herbicida sorvido retornar para a solução do solo. (2003) (Figura 18). O índice H de histerese pode ser obtido pela equação H= na/nd. as isotermas de sorção e de dessorção diferem entre si.7 . Alguns exemplos de herbicidas e sua classificação encontram-se no Quadro 7. altíssima dessorção do herbicida. embora se tenham verificado poucos estudos referentes a ensaios de dessorção na literatura. Os herbicidas não-iônicos não reagem com a água e não carregam uma carga elétrica líquida. alachlor. podendo ocorrer. muitos deles podem ser polares e. dando origem ao fenômeno denominado histerese (H).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 17 . A intensidade da dessorção reflete o grau de reversibilidade do processo sortivo. Neste caso. esses efeitos são geralmente de menor intensidade. (1993). comparativamente aos herbicidas iônicos.

e • problemas inerentes à metodologia de determinação.Herbicidas e sua classificação conforme fórmula e grupos funcionais Catiônicos Básicos Ácidos Diversos Organofosforados Dinitroanilidas Carbamatos Benzonitrila Ésteres Anilidas Uréias HERBICIDAS Iônicos Diquat. prometone. por influenciar a capacidade de contaminação dos recursos hídricos subsuperficiais.Processos de transporte O transporte de herbicidas no solo representa um dos processos envolvidos na dissipação desses compostos no ambiente e se destaca. isopropalin Chlorprophan. os problemas de contaminação de aqüíferos no território brasileiro têm despertado pouco interesse dos pesquisadores. simazine Dicamba. cyanazine. picloram. MSMA. são: • transformações químicas ou biológicas que o composto em questão pode sofrer. a demanda hídrica para o abastecimento urbano. diuron.Curvas de adsorção ( ) e dessorção ( ) observadas para triasulfuron em três solos com diferentes teores de argila e materia orgânica. Além disso. Pusino et al. metolachlor. • falhas no estabelecimento do equilíbrio. DSMA Não-iônicos Methoxychlor Trifluralin.4 .4-D. atrazine. porém as mais aceitas. swep. segundo Pignatello (1989). imazetaphyr.4-D Alachlor. 2. chloroxuron Diversas explicações têm sido propostas no intuito de elucidar a não-singularidade das isotermas de dessorção.Herbicidas: comportamento no solo 161 . oryzalin. Embora freqüentes. triclopyr. paraquat Ametryn. MCPA.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 7 . imazapyr. (2003) 3 . imazaquin. chlorimuron-ethyl Bromacil. Figura 18 . propachlor Linuron. metribuzin. principalmente. propazine. propanil. industrial e agrícola Módulo 3. trifloxysulfuron-sodium. prophan Dichlobenil Isopropyl éster de 2.

1996. destaca-se o escorrimento superficial. 2000). Os autores constataram que a maior parte da contaminação era proveniente do escorrimento superficial de áreas irrigadas pulverizadas e que a maior concentração de resíduos ocorria nos primeiros 15 minutos da água. além.Escorrimento superficial (run-off) e sub-superficial (run-in) Os termos run-off e run-in representam o movimento ou escorrimento em superfície e subsuperfície. O maior potencial de movimento de herbicidas por escorrimento superficial ocorre logo após a aplicação. da natureza e dose das aplicações e da declividade da área.Herbicidas: comportamento no solo .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas tem se elevado nos últimos anos e poucos estudos são conduzidos com o objetivo de retardar o transporte de herbicidas sob condições tropicais. dos herbicidas no solo.1 . é claro. constatando que os herbicidas ametryn e atrazine foram os compostos mais comumente encontrados em águas 162 Módulo 3. a quantidade total de herbicida que pode ser perdida por meio desse processo normalmente não excede 1% do total aplicado (Tabela 6).25 1-9 Referência Taylor (1995) Flury (1996) Vicary et al (1999a) Vicary et al (1999b) Em certos casos. as perdas podem ser altas.5 <0.4 . BOWMAN et al. No entanto. Já Pfeuffer e Rand (2004) monitoraram os pesticidas entre 1992 e 2001 no sul da Flórida. na maior parte dos casos. das práticas culturais. O arraste das partículas coloidais.Perdas de herbicidas no solo por diferentes processos de transporte Tipo de transporte Volatilização Lixiviação Run-off Fluxo preferêncial % de perda do i. é mais pronunciado quando o produto é aplicado e logo após ocorre chuva intensa no local. CARTER. 1993. em áreas irrigadas com intensa atividade agrícola. A intensidade de perdas depende muito do sistema de plantio adotado (SETA et al. Quadro 8 . na Carolina do Sul. o somatório de diferentes pesticidas carreados simultaneamente para uma mesma bacia hidrográfica pode comprometer a qualidade da água em relação ao seu aproveitamento posterior (DOMAGALSKY. Todavia. 1994). a volatilização e a lixiviação. especialmente no caso de herbicidas aplicados em pré-emergência. como no caso do metolachlor (BUTTLE.90 <1 . respectivamente.. Entre alguns trabalhos citados na literatura.. 1990). (1994) relataram a detecção de resíduos de herbicidas (oryzalin. juntamente com as moléculas dos herbicidas. de áreas pulverizadas para aquelas que não receberam diretamente o produto.a aplicado <2 . Keese et al. 3. mesmo quando a quantidade total transportada é pequena.001 – 0. para o qual se verificou perda do herbicida aderido aos sedimentos variando entre 9 e 58% do total aplicado ao solo. em certas situações. Dentre as principais formas de transporte nos estudos de herbicidas em solo. do tipo de solo em questão. pendimethalin e oxyfluorfen) em reservatórios de água.

Efeitos da temperatura de incubação na distribuição de 14C-clomazone (PV=1.7 96.3 7.5 98.2.7 10. No caso do clomazone (Quadro 9).1 3. EUA. Quadro 9 . 25 °C) aos 84 dias após a aplicação ao solo 14 Volatilizado Mineralizado Total extraído do solo Não extraído (resíduos ligados) Total recuperado Fonte: Mervosh et al.4 15.8 9.Volatilização A volatilização é o processo pelo qual o herbicida presente na solução do solo passa para a forma de vapor.2 0. Módulo 3.8 15. solos úmidos perdem mais herbicida por volatilização que um solo seco.1 . existe maior probabilidade de o herbicida ser sorvido diretamente às partículas de solo (Quadro 10). as perdas podem aumentar significativamente em função do aumento de temperatura. já que a água funciona como uma interfase entre a molécula e as partículas do solo. Além disso.8 78. também mostraram que ametryn.5 9.1 5.44 x 104 mm Hg.4 60. juntamente com DDD e DDE foi o composto detectado com maior freqüência em sedimentos de rios de áreas agrícolas na Flórida.4 2.2 . para efeito de comparação da PV de dois produtos distintos.0 0.1 95.4 .Herbicidas: comportamento no solo 163 . 3.8 4.4 1.Fatores que influenciam a volatilização Vários fatores influenciam diretamente a volatilização de herbicidas presentes no solo. sendo o efeito mais pronunciado quanto maior for a PV do herbicida.5 92.0 4.8 2.8 93. os valores devem ser determinados à mesma temperatura. Estudos apresentados por Rand (2004). a elevação da temperatura aumenta a taxa de evaporação da água presente no solo.4 68.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas superficiais. (1995) C Recuperado (% do Total de 14C-Clomazone Aplicado) Temperatura de Incubação (°C) 5 15 25 35 DMS5% 1. 3. Em solos secos. podendo se perder para a atmosfera por evaporação. esta é aumentada por: a) Elevação da temperatura: a temperatura do solo afeta a volatilização de produtos em função da alteração da pressão de vapor. de modo geral. mas. É por isso que.0 NS b) Aumento da umidade do solo: o aumento da disponibilidade de água no solo facilita a perda de vapor.

No caso do EPTC. a 25 °C).3 15. principalmente.0 12.Herbicidas: comportamento no solo . a formulação granulada pode reduzir entre 60 e 100% as perdas por volatilização (GRAVEEL. o uso de formulações granuladas em vez das líquidas pode contribuir para diminuir as perdas por volatilização.2 75. principalmente da solubilidade do composto em questão.7 A volatilização pode ser tão significativa para alguns produtos que.2 80. neste caso. b) Formulação do produto: para muitos herbicidas com maior potencial de volatilização têm sido desenvolvidas novas formulações com adjuvantes. É uma indicação da 164 Módulo 3.4 kg ha-1 à superfície do solo Temperatura do ar ( ) 0 4.2. o que.6 37. com a função de reduzir a evaporação.3 .7 Fonte: Gray e Weierich (1965) °C Perda de EPTC em 24 h.4 15. % do Total Aplicado Solo Úmido Solo Seco (14% de Umidade) (1% de Umidade) 62. Existem.0 9. O potencial de volatilização de um herbicida geralmente pode ser estimado indiretamente.4 . sem dúvida. TURCO.Efeito da temperatura na perda de EPTC após a aplicação de 3.2.Alternativas para redução de perdas por volatilização a) Incorporação de herbicidas ao solo: a incorporação pode ser feita tanto com implementos quanto pelo uso de irrigação após a aplicação do herbicida.2 81.3 mg L-1. sendo expressa normalmente em mm de Hg. por meio de suas propriedades químicas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 10 . a 20 °C). depois de sua aplicação.5 26.2 . a uma determinada temperatura. eles precisam ser incorporados imediatamente ao solo para que não haja redução substancial de sua eficiência. ao passo que herbicidas menos solúveis. 1994). necessitam ser mecanicamente incorporados ao solo. como a estrutura. algumas alternativas que podem reduzir a volatilização e manter a eficiência desses herbicidas.8 12. Herbicidas mais solúveis. 3. Além disso. como o EPTC (S=370 mg L-1. podem ser incorporados com uma irrigação adequada. no entanto. A escolha da forma de incorporação depende. como o trifluralin (S = 0.4 12.0 67.Pressão de vapor (P) A pressão de vapor é a pressão exercida por um vapor em equilíbrio com um líquido. a pressão de vapor (P). o peso molecular e. é a conseqüência de maior importância imediata da volatilização no que diz respeito às atividades agrícolas. 3.

5 x 10-8 1. solo úmido e vento. Perdas por volatilização são muito variáveis. podendo ser perdido em quantidades significativas quando não incorporado ou em solo úmido. ou.0 x 10-7 < 2.4 x 10-6 Potencial de Volatilização Muito baixo Baixo a moderado Baixo Baixo.0 x 10-5 < 1.2 x 10 <1.1 x 10-4 3. podendo ser de 10 a 90%.0 x 10-12 1.0 x 10-8 9. Perdas mínimas que não reduzem a eficácia do produto nãoincorporado.6 x 10-3 1. as quais muitas vezes incorporam adjuvantes com a finalidade de reduzir a volatilização. como as dinitroanilinas e os tiocarbamatos. Perdas pequenas podem ocorrer sob alta temperatura.4 x 10-2 5. imidazolinonas e sulfonamidas.0 x 10-7 2.6 x 10-5 4.Herbicidas: comportamento no solo . já não apresentam esses problemas. 25 oC) 3.1 x 10-8 < 1. Moderado.1 x 10-2 4.5 x 10-6 3. Além do valor específico da pressão de vapor. Quadro 11 . 1994).4 .Pressão de vapor (PV) e potencial de volatilização de alguns herbicidas Grupo Químico e Princípio Ativo Cloroacetamidas Acetochlor Alachlor Butachlor Metolachlor Dinitroanilinas Trifluralin Isopropalin* Oryzalin Pendimethalin Tiocarbamatos Butylate* EPTC* Molinate Vernolate* Sulfoniluréias Chlorimuronethyl Nicosulfuron Oxasulfuron Imidazolinonas Imazamethabenz* Imazapyr Imazaquin Imazethapyr Imazamox Piridazinonas Norflurazon Triazolopirimidin 1. Nota-se que o problema de volatilização é particularmente importante para alguns grupos químicos. normalmente em razão da melhoria na qualidade de suas formulações. Perdas ainda maiores se não incorporados e. como as sulfoniluréias.1 x 10-5 1. Volátil. Grupos químicos de desenvolvimento mais recente.0 x 10-8 < 1. comparada a uma perda típica de 0 a 4% por lixiviação e 0-10% por escorrimento superficial (GRAVEEL.0 x 10-7 < 1. Portanto. TURCO. quanto maior a pressão de vapor. Muito baixo 165 Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas tendência da substância química em escapar na forma de gás. Pequeno.4 x 10-8 1. mais provável que um líquido vaporize-se. mas pode ser significativo se não incorporado. No Quadro 11 encontram-se valores de pressão de vapor de alguns herbicidas aplicados ao solo. Muito alto.9 x 10-8 -16 PV (mm Hg. a intensidade e a velocidade de volatilização de um herbicida dependem também da intensidade e velocidade de movimento até a interface (normalmente a superfície do solo) onde ocorre o processo. podendo aumentar sob certas condições.3 x 10-2 3. em solos úmidos Idem Idem Idem Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Perdas significativas quando não incorporado.

Por sua vez. De modo geral.0 x 10-16 Potencial de Volatilização Desprezível Muito baixo 1.5 . a quantidade máxima de herbicida que se dissolve em água pura a uma determinada temperatura. isto é. logo. Insignificante. hidrólise e oxidação) e transporte (ex: volatilização da solução e lavagem da atmosfera pela água da chuva) também são afetados pela extensão da solubilidade em água dos herbicidas. maior a sua solubilidade. 2003). O KH é um coeficiente de partição entre o ar e a água (solução do solo).Relação entre PV e S A combinação de PV e S pode ser expressa através de uma constante denominada KH. Outros meios de degradação (ex: fotólise.2. Hatzios (1998) e Rodrigues e Almeida (2005) 3. 3. duas fases distintas existirão. ou constante da lei de Henry.9 x 10-8 Insignificante. portanto.Solubilidade A solubilidade (S) de um herbicida em água é. sem carga. dependendo se o herbicida for um sólido ou um líquido na temperatura do sistema: uma fase saturada de solução aquosa e uma fase líquida ou sólida do herbicida (LAVORENTI. PÈREZ.7 x 10-5 6. Seu valor geralmente é expresso em mg L-1 (normalmente a 25 °C) e é um reflexo da polaridade da substância química. 166 Módulo 3. * Atualmente não registrados para uso no Brasil Fontes: Adaptado de Ahrens (1994). Quanto maior a quantidade de grupos hidrofílicos na molécula do herbicida (mais polares). Acima dessa concentração. mais provável que o composto em questão seja solúvel. exceto quando solo está quente e não é ativado pela chuva por vários dias após a aplicação.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Grupo Químico e Princípio Ativo as Flumetsulam Cloransulammetil Derivados da uréia Linuron Diuron PV (mm Hg. são. pouco ou não solúveis. quanto mais iônico. há casos em que moléculas de elevada massa molecular apresentam baixa solubilidade. por definição. Em geral. em razão de apresentarem coeficientes de sorção para solos e sedimentos relativamente baixos. o aumento no peso molecular diminui a solubilidade. maior será a sua afinidade por água. exceto quando é exposto a condições quentes e secas por vários dias.Herbicidas: comportamento no solo . 25 oC) 2.8 x 10-15 3. No entanto. maior solubilidade resulta em menor sorção.4 . Dos vários parâmetros que afetam o destino e o transporte de herbicidas. dentro de um mesmo grupo químico. a solubilidade de um herbicida e sua sorção no solo estão inversamente correlacionadas. a solubilidade em água é um dos mais importantes.4 . moléculas orgânicas grandes. mesmo quando forem iônicas (KOGAN. 1996).2. Moléculas altamente solúveis são rapidamente distribuídas no ciclo hidrológico.

Além disso. etc. (1988). das espécies presentes.4 . KH também pode ser usado como indicativo do potencial de volatilização de determinado herbicida. podendo reduzir as suas perdas. do volume de solo.2. Uma revisão bastante completa acerca das bases termodinâmicas e da determinação experimental de K¬H pode ser encontrada em Suntio et al. ocorre a diluição da concentração. mesmo compostos considerados não ou pouco voláteis podem apresentar certa perda. 3. 3. 3. As duas propriedades mais importantes no que diz respeito ao processo de lixiviação são a sorção e a persistência do produto.Relação entre KH e incorporação de herbicidas A aplicação de um herbicida na superfície gera uma alta concentração numa fina camada de solo. O KH é muito importante para os herbicidas na fase líquida do solo.Lixiviação O destino de herbicidas aplicados ao solo depende muito das propriedades químicas da substância em questão. Como a perda por volatilização é dada pelo produto de KH por concentração. Trabalhos feitos com outros herbicidas no campo mostram que as plantas podem remover de 2 a 5% do total de herbicida no solo (SHANER. cujos valores elevados de KH indicam que os solutos são altamente voláteis A constante da lei de Henry é definida pela equação: KH e PV são constantes proporcionais.Herbicidas: comportamento no solo 167 . em virtude da alta concentração numa fina camada superficial do solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas sendo semelhante ao coeficiente de sorção (Kd) usado para descrever a sorção ao solo. A sorção regula o potencial de um herbicida ser Módulo 3.3 . Experimentos em vaso demonstraram que as plantas podem absorver de 1 a 10% do total de herbicida disponível.6 . 1989). a distância torna a difusão para a superfície do solo mais difícil. Quando se realiza a incorporação do herbicida. portanto. a absorção pelas plantas participa com pequena porcentagem na remoção do total presente no solo. Portanto.Absorção pelas plantas A porcentagem de herbicida que a planta absorve do solo é difícil de ser medida. dependendo da densidade de plantas. podendo ser usado também como indicativo do potencial de volatilização de determinados herbicidas.4 .

4 Mecoprop Simazine 5. do Reino Unido apontaram alguns dos herbicidas com excesso de resíduos nas amostras de águas avaliadas (Quadro 12).8 são considerados 168 Módulo 3.6 Benazolin 2.6 Diuron CMPA 7.4-D 5.1 1.5 Isoproturon Diuron 10.Herbicidas: comportamento no solo .9 Chlorotoluror 2. Embora empíricos.1 mg L-1 Águas de superfície Águas subterrâneas Isoproturon 19. Em 1986. Cohen et al. proposto por Gustafson (1989). 2000). como o realizado pelo National Center for Ecotoxicology and Hazardous Substances.4 Linuron Chlorotoluron 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas perdido com sedimentos ou por lixiviação.4 0. cujo critério é ainda utilizado pelo California Department of Food and Agriculture (CDFA).0 0. esse percentual pode ser igual ou superior a 5% (Carter. em determinadas circunstâncias.8 1. embora solubilidades muito baixas possam limitar o transporte com a água.6 Terbutryn 1.4 . Alguns estudos.7 Atrazine 2. para classificá-los como lixiviadores (Koc < 300 (L kg-1) e t ½ vida > 21 dias) e não-lixiviadores (Koc > 500 (L kg-1) e t ½ vida < 14). 1999 Além das avaliações in locu.1 Dichlobenil 1.1 Fonte: 4. Quadro 12 – Percentual de amostras de águas avaliadas no Reino Unido que excederam o limite de resíduos permitido Herbicidas com % amostras excedendo 0.1 Bromoxynil 1. Entre os estudos realizados.8 Bentazone 1.5 Atrazine Mecoprop 12. a quantidade do herbicida perdido pela movimentação no perfil do solo é geralmente entre 0. mas. Em condições normais.9 0. cuja equação a seguir estabelece que herbicidas com índice GUS<1.1 a 1% do total aplicado. (1984) propuseram uma relação entre o Koc e a meia-vida (t ½ vida) dos herbicidas. Widerson e Kim (1986) simplificaram essa caracterização e definiram que os herbicidas que possuíssem valor de Koc menor que 512 (L/kg) e meia-vida (t ½ vida) superior a 11 dias seriam classificados como lixiviadores. A solubilidade é de importância secundária. alguns estudos têm sido realizados com o intuito de prever o potencial desses compostos de atingir rios. lagos e águas em profundidade.4 Environment Agency. esses modelos têm contribuído na redução dos custos de análise e também na prevenção de desastres ambientais. Entre os critérios mais divulgados e aceitos para a classificação de herbicidas conforme seu potencial de lixiviação está o índice GUS (Groundwater Ubiquity Score). com o objetivo de verificar a contaminação das reservas hídricas por pesticidas.

Recentemente. V (volatilidade) e IT (índice toxicológico). ele deve estar na solução do solo ou adsorvido a pequenas partículas. para que o fluxo hídrico consiga carrear o herbicida pelo perfil do solo (OLIVEIRA JR. Quadro 7 . além de possuir t ½ vida elevada.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas como não-lixiviáveis.4 . ácidos fúlvicos e húmicos de baixo peso molecular.8 e 2. D (dose). M (mobilidade). o seu efeito sobre o meio ambiente. sendo adotada por inúmeros estudos que buscam relacionar o potencial de lixiviação dos herbicidas no solo com a contaminação de lençóis freáticos. ao passo que índices superiores a 2. peptídeos e açúcares.8 são considerados de potencial lixiviador intermediário: GUS = log t½ * (4 – log Kfoc) A equação utiliza os valores de t½ vida do herbicida e o coeficiente de sorção normalizado para teor de carbono orgânico do solo.Relação de herbicidas classificados conforme somatório obtido pelo IRA – Índice de Risco Ambiental Herbicida Trifluralin Hexazinona Paraquat Imazapyr Triclopyr Oxyfluorfen Linuron Sulfentrazone Isoxaflutole Haloxyfop Oryzlain Glyphosate Fluazifop Amônio-glufosinato Sethoxydim P 2 3 4 3 1 2 2 2 2 1 1 1 1 1 1 D 4 1 3 1 1 2 1 1 1 1 3 3 1 1 1 V 4 1 1 1 2 2 2 1 1 1 1 1 1 1 1 M 1 4 1 4 4 1 2 4 4 3 1 1 1 1 1 IT 4 2 2 2 2 3 3 2 2 3 3 2 3 2 2 IRA 15 15 11 11 11 10 10 10 10 9 9 8 7 6 6 Módulo 3.. 2001). aminoácidos. Aqueles com valores entre 1.Herbicidas: comportamento no solo 169 . Kogan e Allister (2004) propuseram o IRA – Índice de Risco Ambiental. entre outros. O índice é definido pela soma de inúmeros fatores: P (persistência). como argila. cujo resultado final permite elencar os compostos em relação ao maior ou menor risco para o meio ambiente (Quadro 13). Entretanto. cujo resultado representa. além da capacidade de lixiviação do herbicida.8 representam produtos lixiviáveis. para que um herbicida seja lixiviado.

Herbicidas: comportamento no solo . A degradação de moléculas de herbicidas no solo e o conhecimento dos principais mecanismos responsáveis pela aceleração ou pelo retardamento do processo influenciam diretamente a persistência desses compostos no ambiente. Essa equação pode ainda ser simplificada assumindo que. Co a concentração inicial e k. o ln será igual a 0. nos quais somente uma linha de dissipação é apresentada.4 . e. normalmente utilizam-se equações não-lineares de regressão (bi-exponen¬ciais) para o cálculo da t ½ vida de herbicidas no solo. a constante de degradação. A persistência desses compostos é normalmente medida pela meia-vida (t ½ vida). obtendo-se como produto final água.693. conforme fórmula que segue: t 1/2= 0. O seu cálculo deriva do modelo de primeira ordem definido pela equação: Ln C0/Ct = K * t em que C0 é a concentração inicial do herbicida. como a apresentada a seguir. e K. a degradação refere-se a um conjunto de transformações físicas. CO2 e compostos inorgânicos (MELTING. 1993). além da própria molécula do herbicida. pode-se estimar a t ½ vida. a qual é extremamente importante para predizer o risco de contaminação de lençóis freáticos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4 . Essas substâncias podem incluir produtos de degradação (metabólitos). 4. os intervalos de tempo 170 Módulo 3.Processos de transformação Os processos de transformação das moléculas de herbicidas presentes no solo e água são decorrentes da degradação dessas moléculas em compostos secundários. por análise de regressão linear. quando C0/Ct for igual a 2. Ct a concentração no tempo t.1 . A equação anterior admite que a taxa de degradação diminui linearmente com o decréscimo da concentração. De forma geral. em que Ct representa a concentração no tempo t. A t ½ vida é definida como o tempo necessário para que ocorra a dissipação de 50% da quantidade inicial do herbicida aplicado. químicas e biológicas que levam à formação de metabólitos ou à completa mineralização das moléculas.Persistência De forma prática. Para modelos lineares. considera-se que resíduos de herbicidas no solo sejam quaisquer substâncias resultantes da sua aplicação.693/K Entretanto. a constante de degradação. até a sua completa mineralização.

Valores de meia-vida (t ½ vida) observados para alguns herbicidas em solos do Brasil Herbicida Tipo de solo Classe Latossolo Vermelho-Escuro Atrazine Glei húmico Simazine Trifluralin Metribuzin Latossolo roxo Latossolo Vermelho-Amarelo Latossolo Vermelho-Amarelo Latossolo Vermelho-Escuro Latossolo Vermelho-Escuro Latossolo Vermelho-Escuro Módulo 3. (1997) 10-16 Ravelli et al. (1997) 171 3. Assim.Exemplos de classificações de herbicidas quanto à persistência no solo Inglaterra Classe Não-persistente Levemente persistente Moderadamente persistente Muito persistente Fonte: Adaptado de Roberts (1996) e Foloni (1997) t1/2 (dias) <5 5-21 22-60 >60 Brasil (IBAMA) Classe Não-persistente Medianamente persistente Persistente Altamente persistente t1/2 (dias) <30 30-180 180-360 >360 Quadro 15 .8 6.1 7. (1993) 7-21 Ravelli et al.6 3. (1997) 8-13 Ravelli et al.Herbicidas: comportamento no solo Prof.3 1.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas considerados podem fornecer estimativas e interpretações errôneas da t ½ vida de herbicidas (BLUMHORST. para que o herbicida atinja e contamine águas superficiais e subsuperficias.0 Podzolico Vermelho-Amarelo 0-10 Chlorsulfur on Latossolo Eermelho-Escuro .3 0. ambiente (temperatura e precipitação) e práticas culturais (sistema de plantio e doses aplicadas). sua persistência é basicamente dependente de quatro fatores: solo (teor de carbono orgânico.7 2.6 9.2 a t1/2 Referência (dias) Nakagawa et al. Quadro 14 .4 5. No entanto. (1997) Ravelli et al. No Quadro 15 são mostrados os valores de meia-vida de alguns herbicidas em solos do Brasil. a classificação de um herbicida como “persistente” ou “não-persistente” varia de acordo com o propósito da classificação. No Quadro 14 encontram-se exemplos de classificações adotadas na Inglaterra e no Brasil. dentro dos limites de uso agrícola. (1997) 54 5-29 8-21 8-26 Ravelli et al. (cm) 0-14 0-10 0-30 50-200 0-40 100200 0-15 70-150 MO Argila Areia pH (%) (%) (H2O) (%) 45 28 17 39 47 44 47 48 61 48 56 40 63 72 20 48 46 44 28 27 27 24 5.8 5. (1995) Nakagawa et al. (1997) Campanhola et al.7 2.6 5. 56 (1995) 22 Blanco et al. embora a t ½ vida sirva de parâmetro para avaliação do tempo de permanência do herbicida no ambiente.6 0.8 4. população de microrganismos presentes.4 .6 4.7 4. em muitos casos. 9-12 (1982) 54-63 Novo et al. 1996).4 5.3 1. (1997) Ravelli et al. Por outro lado. ao aumentar a dose de aplicação do herbicida.2 1. a t ½ vida poderá ser alterada e maior quantidade do herbicida estará disponível no ambiente.2 5.4 4. pH e textura). Ct =C0 * e -kt Sabe-se que valores altos de t ½ vida contribuem.

Entre as principais formas pelas quais os herbicidas são degradados. Isso ocorre principalmente para compostos cuja degradação é fortemente influenciada pela atividade microbiológica do solo. É o caso do imazaquin em relação ao trifluralin. Eventuais alternativas para minimizar o problema de carryover incluem a redução das doses (pode não resolver o problema em certos tipos de solos) e a aplicação em faixas ou dirigida em vez de em área total (reduz a quantidade total de herbicida aplicado). Herbicidas com maior persistência podem resultar no fenômeno denominado carryover. que pode ser definido como sendo os resíduos fitotóxicos que permanecem no solo e que venham a afetar culturas sensíveis plantadas em rotação após aquelas culturas em que foi utilizado o herbicida.Herbicidas: comportamento no solo . a qual é reduzida à medida que se afasta da camada superficial do solo. podem-se citar. Observa-se que os herbicidas tendem a persistir por período mais prolongado quando lixiviam mais rapidamente para horizontes subsuperficiais. as que seguem.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nas Figuras 19 e 20 são encontrados exemplos de comportamentos de persistência de herbicidas em um Latossolo Roxo distrófico (LRd).4 . 172 Módulo 3.

(1998) Módulo 3. 150 (B) e 180 (C) DAA.4 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 19 . provenientes de áreas que receberam a aplicação de doses de imazaquin Fonte: Silva et al.Herbicidas: comportamento no solo 173 .Toxicidade visual (parte aérea) em plantas de milho cultivadas em amostras de solo coletadas aos 120 (A).

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 20 .Herbicidas: comportamento no solo .Toxicidade visual (parte aérea) em plantas de milho cultivadas em amostras de solo coletadas aos 120 (A). (1998) 174 Módulo 3. 150 (B) e 180 (C) DAA. provenientes de áreas que receberam a aplicação de doses de trifluralin Fonte: Silva et al.4 .

3 . Embora para a grande maioria dos herbicidas aplicados ao solo os processos de degradação mediados por microrganismos sejam mais importantes. cujos principais mecanismos envolvidos são a oxirredução e hidrólise desses compostos.2 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. entre eles: • características estruturais do composto: quantidade de substituição e natureza do grupo introduzido no núcleo central da molécula. Estudos mais detalhados indicam que a biodegradação pode ser por: Alteração não-tóxica: conversão de uma molécula não-tóxica. A estabilidade desses herbicidas sugere que a hidrólise química não é um mecanismo importante na sua degradação no solo (SHANER. como uma oxidação.4 .Degradação biológica (microbiana) ou biodegradação O termo biodegradação refere-se à transformação biológica de um composto químico orgânico em outra forma. A hidrólise representa um processo geral de reação do herbicida com a água. Módulo 3. em um produto não-tóxico e desativado. 4. podendo se tornar recalcitrante e mais tóxico.Herbicidas: comportamento no solo 175 . redução ou perda de um grupo funcional. envolvendo várias reações seqüenciais. Esse fenômeno pode ocorrer em solos extremamente secos embora seja facilitada naqueles cuja condição se aproxima da sua capacidade de campo e com temperaturas elevadas. pelo início de uma série de atividades degradativas que ocorrem no solo e torna-se indispensável para os processos de transformação das moléculas de herbicidas no solo. O fenômeno da recalcitrância (baixa degradabilidade no solo) é bastante complexo e regulado por outros fatores. de um substrato não-tóxico em uma molécula com ação biocida. Essa transformação pode ser primária. por ação enzimática. no qual ocorre a quebra de pontes químicas das moléculas herbicidas devido à substituição de um ou mais átomos por íons hidroxil da água (OH-). mas com potencialidade de ativação e toxidez.Degradação química A degradação ou decomposição de herbicidas no solo por meio de reações químicas e nãobiológicas são comuns para diversas moléculas. implicando a perda ou alteração da toxidez da molécula. em geral. O pH do solo também auxilia na velocidade da reação. envolvendo mudanças estruturais na molécula. Ativação: conversão. por exemplo são extremamente estáveis nas faixas de pH normalmente encontradas no solo e apresentam t ½ vida normalmente maior que seis meses. Detoxificação: conversão de uma molécula tóxica em um produto menos tóxico ou atóxico. ou mais complexa. Conjugação: quando o substrato torna-se mais complexo pela adição ou complexação com metabólicos microbianos. As imidazolinonas. a hidrólise química é responsável. 1989).

se um herbicida é lixiviado rapidamente da camada superficial do solo. avaliando a degradação de pesticidas em várias profundidades. Estes microrganismos podem utilizar os herbicidas tanto como substratos. a segunda.. entretanto. Portanto.4 . Mineralização: considerado sinônimo de degradação. • inacessibilidade do substrato às enzimas ou células microbianas capazes de promover a sua degradação. a ação microbiana pode modificar a estrutura química do produto. utilizando esse composto como fonte de C e N. mais comumente. Diversas dessas moléculas têm sido descritas como condicionadoras da microbiota do solo para sua degradação (FELSOT.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas desativação de sistemas enzimáticos responsáveis pelas alterações na molécula do produto no solo. 1996. Simples degradação: transformação de uma substância tóxica complexa em produtos mais simples. 1996). fornecendo nutrientes. RAVELLI et al. embora os produtos finais sejam CO2. os processos de biodegradação podem ocorrer em função da atuação de uma ou. ou. Hole et al. representada principalmente por fungos e bactérias.. que a população microbiana. observaram que a taxa de degradação diminui com a profundidade (VEEH et al. ainda. Entretanto. A rota primária de degradação das 176 Módulo 3. pois outros fatores ambientais precisam ser considerados na interpretação desses resultados. diz-se que ocorreu um processo natural de adaptação metabólica. sendo um dos maiores mecanismos envolvidos na degradação de herbicidas. de que essa degradação seria devido ao aumento da atividade enzimática com maior ação degradativa sobre esses compostos.Herbicidas: comportamento no solo • . esse fenômeno tem sido questionado a partir de duas considerações: a primeira é de que a degradação acelerada seria resultado do aumento do número de microrganismos selecionados pelo herbicida e. é mais abundante nas camadas superficiais do solo. de várias espécies de microrganismos do solo. (2001) observaram a biodegradação acelerada de carbetamida por microflora adptada. diminuindo com a profundidade. ele pode acabar tornando-se mais persistente. 1997). SHELTON. como fonte de energia (metabolismo). Sabe-se. Vários autores. os estudos ainda não permitem uma definição sobre a modificação ou atividade mircrobiana envolvida na degradação acelerada de herbicidas. H2O. 1993). • ausência de fatores de crescimento ou condições favoráveis para os microrganismos decompositores e • ausência de microrganismo(s) com capacidade metabólica (enzima) capaz de degradar o produto. onde tem maiores chances de ser biodegradado. NH3 e íons inorgânicos. Quando a biodegradação é acelerada. Além disso. Alteração do espectro de toxidez: alteração no composto que provoca alteração do grupo de organismos específicos sensíveis à sua ação. com utilização do composto como fonte de carbono e energia. Contudo. Já Sanyal e Kulshrestha (1999) observaram a ação de diversos microrganismos na degradação acelerada de metolachlor. uma vez que está menos exposto ao contato direto com a microbiota do solo. sem fornecimento de energia para o seu crescimento (co-metabolismo) (MONTEIRO.

oxirredução. Geralmente a luz apresenta um papel de catalisador de reações químicas. disponibilidade de nutrientes. Outros exemplos de reações fotoquímicas comuns ocorrem nas bifenilas policloradas (PCBs). as quais podem levar à sua inativação. Exemplos de herbicidas que sofrem fotodecomposição incluem o trifluralin. a energia luminosa pode ser absorvida por uma molécula intermediária e transferida à molécula do herbicida por colisão. a isomerização e a polimerização. possuem picos de absorção por volta de 370 nm. O processo de fotodecomposição. Isso causa a excitação de elétrons e pode resultar na quebra ou na formação de ligações químicas. Estudos de dissipação no campo mostram a perda rápida das imidazolinonas a partir do solo. ou próximo disso. particularmente sob condições de alta umidade e temperatura. a qual depende da insaturação eletrônica. A maioria dos herbicidas apresenta coloração que tende ao branco. Compostos amarelados.Fotodecomposição ou fotólise A radiação solar na faixa do ultravioleta (290-450 nm) contém energia suficiente para causar transformações químicas dos herbicidas. e os produtos da transformação resultantes dessas reações. Portanto. bentazon e atrazine em solução aquosa. clethodim. por exemplo. além das próprias culturas. a desalogenação. as de maior ação sobre os herbicidas são: a hidrólise. umidade. é a reação fotonucleofílica de hidrólise. algumas vezes. como hidrólise. uréias substituídas (diuron. e possui picos de absorção de luz na faixa do UV.4 . Além disso. começa quando a molécula do herbicida absorve a energia luminosa.Herbicidas: comportamento no solo 177 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas imidazolinonas. podem afetar a persistência dos herbicidas. na presença de um agente nucleofílico em solução aquosa. etc. paraquat. ou decomposição pela luz. Fatores do ambiente (temperatura. Módulo 3. Uma reação que também ocorre a partir da substituição de um halogênio de benzeno por uma hidroxila. a oxidação. Apenas aqueles herbicidas na ou próximos à superfície do solo ou sobre plantas serão passíveis de sofrerem fotodecomposição. parece ser a microbiana. normalmente como os elétrons deslocados (cromóforos). estado de humificação da matéria orgânica. vento e luz solar) podem afetar a transformação dos herbicidas tanto na água quanto no solo. são os mesmos que os encontrados em decorrência de processos enzimáticos. Embora a energia solar que chega à superfície do solo na faixa abaixo de 295 nm seja considerada desprezível. aeração e micro/macrofauna) e as técnicas de aplicação. propriedades do solo (pH. uma vez que a penetração de luz UV no solo é bastante limitada.4 . o comprimento de onda efetivo na fotodegradação de herbicidas pode estar fora do espectro de absorção específico do composto. diquat. monuron) e em pentaclorofenóis.. 4. cultivo e irrigação. superfície mineral. como as dinitroanilinas. Dentres as principais reações fotoquímicas. triasulfuron. sendo a desalogenação a reação fotoquímica mais comum.

178 Módulo 3. acentuada pela temperatura elevada na superfície do solo. como Union Carbine. Esta alternativa . a degradação química e biológica e a sorção são alguns fatores que devem ser considerados para explicar o desaparecimento dos herbicidas do solo..4 . Figura 21 . se comprovada ao longo de um período de monitoramento. DINARDI et al. No entanto. tem-se mostrado que a atenuação natural monitorada pode contribuir significativamente para o controle e a redução da contaminação de solos e águas subterrâneas (FURTADO. A volatilização.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Considera-se que os produtos da fotodegradação sejam similares aos produzidos por processos químicos e biológicos de degradação. 1998. ou isoladamente. nos últimos dez anos. como a norte-americana Phytotech e a alemã BioPlanta. 2005). 2003). É possível que parte das perdas esteja relacionada ao processo de fotodegradação.que consiste simplesmente em manejar ao longo de um certo tempo a degradação dos contaminantes que ocorre por meio de processos naturais .Fitorremediação Recentemente.Estruturas químicas de quatro produtos de fotodegradação do metolachlor Fonte: Kochany e Maguire (1994) 5 . Herbicidas aplicados à superfície do solo são freqüentemente perdidos. A Figura 21 exemplifica as estruturas químicas de produtos de fotodegradação do metolachlor. especialmente se um período prolongado de seca acontece após a aplicação.tem-se mostrado viável nos casos em que ocorrem condições biogeoquimicamente favoráveis e pode ser efetiva na remediação de solos e águas subterrâneas quando utilizada paralelamente a outras tecno¬logias. outros fatores podem estar envolvidos. e indústrias multinacionais. que se beneficiam do emprego da fitorremediação em suas áreas de produção e de pesquisa (GLASS. Monsanto e Rhone-Poulanc.Herbicidas: comportamento no solo . Mais especificamente. surgiram nos EUA e em grande parte da Europa inúmeras companhias que exploram a chamada “fitorremediação” para fins lucrativos.

entre elas a Embrapa (2005). Módulo 3. b). podendo atingir cursos de águas subterrâneas. microrganismos do solo. os herbicidas de longo efeito residual apresentam-se como principal problema à possibilidade de contaminação de culturas plantadas em sucessão e ao problema ambiental ocasionado por sua lixiviação direta ou de seus metabólitos para camadas mais profundas no perfil do solo.. bem como instituições de pesquisa. herbicidas (PIRES et al. tem-se a fitorremediação (ACCIOLY. No processo de biorremediação in situ dito “tradicional”. é no Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Viçosa que se intensificam os estudos na área da fitorremediação de solos contaminados por herbicidas. reduzindo-o ou até mesmo eliminando sua toxicidade. 2005. principalmente. No Brasil.1 . 2004a.. Portanto. 2003. 2004. já se sabe que as espécies Stizolobium aterrimum e Canavalia ensiformis são. pesquisam e exploram métodos de biorremediação.. 2005. são estimulados a degradar os contaminantes seja por utilização da molécula como fonte de nutrientes ou por co-metabolismo. Petrobrás (2006) e Unicamp (FEA. incluindo o desenvolvimento de vários microrganismos comprovadamente eficientes na biodegradação de alguns compostos (BELLINASO et al. Contudo. A técnica é bem utilizada para remediação de áreas contaminadas com metais pesados (FRANCO. 2003. principalmente) capazes de se desenvolverem em meio contendo o material poluente.A fitorremediação como mecanismo de biorremediação A biorremediação é o processo de remediação in situ de áreas contaminadas que emprega organismos vivos (microrganismos e plantas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Dentre os compostos de difícil degradação no solo. em particular bactérias. 2005). PROCÓPIO et al.. 2000). compostos nitroaromáticos e. 2006). comprovadamente. 5. incluindo compostos químicos aplicados para as diferentes atividades agrícolas. eficientes na descontaminação de áreas tratadas com os herbicidas trifloxysulfuron-sodium e tebuthiuron e que o provável mecanismo envolvido na descontaminação seja a interação da fitoestimulação e da fitodegradação. A pesquisa referente à biorremediação (biodegradação) de áreas contaminadas por herbicidas é relativamente ampla e já bem consolidada. de ambientes contaminados por metais pesados e derivados de petróleo. mais recentemente. 2005). solventes halogenados. este trabalho abordará especificamente aspectos da técnica da utilização das plantas e sua microbiota associada.4 . Quando se trata da descontaminação pela utilização de plantas isoladas ou estimulando a microbiota associada às suas raízes. algumas empresas estatais e privadas. SANTOS et al... Dessa maneira. Nesses estudos. QUEROL et al. SIQUEIRA.. os quais incluem a fitorremediação. o termo biorremediação é amplamente utilizado para o processo de descontaminação de ambientes por microrganismos. VROUMSIA et al. visando a descontaminação de ambientes (fitorreme¬diação) que apresentam resíduos de herbicidas em quantidade suficiente para causar interferência negativa nas diferentes atividades agrícolas ou comprometer a sustentabilidade ambiental.Herbicidas: comportamento no solo 179 . YU et al. As condições necessárias para essa degradação incluem a existência de receptores de elétrons. de nutrientes e de substrato.

é desenvolvido como agente para o controle do descontaminante. PERKOVICH et al. em solos rizosféricos de Kochia scoparia. SCRAMIN et al. 2001). volatilizados.. 2003. 2004. devem ser consideradas para o emprego da fitorremediação em áreas contaminadas por herbicidas: • são contaminantes orgânicos que apresentam diversidade molecular.Herbicidas: comportamento no solo . e • apresentam complexidade de análise diante das constantes transformações a que estão sujeitos. que atuam degradando o composto no solo. combinados e/ou ligados a tecidos das plantas (compartimentalização) (ACCIOLY. na qual há o estímulo à atividade microbiana. (2000). de 193 dias. ensiformis e S.. COATS. entre outras. e em solos não vegetados.. 1996). explosivos.4 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quando comparada com técnicas tradicionais. só recentemente tem-se apresentado como promissora técnica para descontaminação de áreas tratadas por herbicidas residuais (PIRES et al. aterrimum. a meia-vida do atrazine foi de 50 dias. um importante mecanismo de diminuição do herbicida por ação do fitorremediador parece ser a fitoestimulação. agrotóxicos. 1994. foi comprovado que o solo proveniente da rizosfera de diversas espécies de leguminosas.. entre outros. Outros trabalhos relatam a contribuição das plantas. Contudo. solventes clorados e subprodutos tóxicos da indústria (CUNNINGHAM et al. que algumas espécies exibem a determinados compostos ou mecanismos de ação. comparado ao solo não vegetado. principalmente por sua eficiência na descontaminação e pelo baixo custo (PERKOVICH et al. estimulando o efeito rizosférico na aceleração da mineralização de alguns herbicidas. como a capacidade de metabolização do herbicida a um composto não-tóxico (ou menos tóxico) à planta e ao ambiente.. ANDERSON. SIQUEIRA. 1996. hidrocar¬bonetos de petróleo. duas limitações.. CUNNINGHAM et al. 1995. 1996). a aptidão rizosférica para a biorremediação desses compostos.. promovido pela liberação de exsudatos radiculares. como bombeamento e tratamento. principalmente atrazine e metolachlor (ANDERSON et al. Apesar de ser utilizada em solos contaminados com substâncias orgânicas ou inorgânicas. podem ainda sofrer parcial ou completa degradação ou ser transformados em compostos menos tóxicos. 180 Módulo 3. 2005). Apesar das facilidades observadas. especialmente menos fitotóxicos. SCHNOOR. Citam-se ainda outros mecanismos. SANTOS et al. 1996). em algumas plantas. como metais pesados. natural ou desenvolvida. 2000. conhecido como fitodegradação.. (2005). constatou-se que. Em trabalho realizado por Arthur et al. no caso herbicida. 1996. A utilização da fitorremediação para descontaminação de ambientes com resíduo de herbicidas é baseada na seletividade. o contaminante. BURKEN. apresentou maior atividade microbiana. tolerantes a certos herbicidas. subseqüentemente. entre elas C. as plantas. elementos contaminantes. contaminado com o tebuthiuron. PROCÓPIO et al. ou remoção física da camada contaminada. no caso. o que caracteriza. Esse fato é de ocorrência comum em espécies agrícolas e daninhas. a fitorremediação tem sido considerada vantajosa. Em trabalho realizado por Pires et al. A seletividade deve-se ao fato de que os compostos orgânicos podem ser translocados para outros tecidos da planta e..

1. Walker et al. Em revisão feita por Pires et al. Para ser translocado. (1982). com exceção do diuron em um dos solos. 1995)..4 . com valores de Log Kow < 2. além dessa característica. não passam através das membranas lipídicas associadas com as camadas da epiderme das raízes. pelas condições ambientais e pelas características da espécie vegetal. no papel eficiente das plantas. Dos componentes da matéria orgânica do solo.. 2001). GARBISU.0..5 (HOUOT et al.1. por exemplo.Herbicidas: comportamento no solo 181 . logo. vários outros fatores poderão influenciar a capacidade descontaminadora de espécies vegetais em programas de fitorremediação. Solos com alto conteúdo deste mineral apresentam reduzida mineralização de atrazine.. diuron e metsulfuron-metil na solução do solo e na fração adsorvida em dois tipos de solos e encontraram que a meia-vida destes produtos foi menor em solução que na fração adsorvida.5 a 3. CELIS et al. conseqüentemente. interferem ainda a constante de acidez (pKa) e a sua concentração (ALKORTA. as pesquisas devem direcionar esforços para obtenção de melhores resultados para as áreas contaminadas com os herbicidas que apresentam longo efeito residual no solo. Compostos que são menos hidrofóbicos. como os herbicidas. com Log Kow > 2. (1996) estudaram a degradação de isoproturon. os efeitos benéficos nos processos de fitorremediação de herbicidas.1. pelas plantas é afetada pelas propriedades químicas do composto. a absorção de compostos orgânicos. (2003a) e de acordo com Brigss et al. o produto químico deve passar pelo simplasto da endoderme. incrementam-se também a biomassa e atividade microbiana e a biotransformação das moléculas dos herbicidas no solo (WEED et al. a matéria orgânica constitui o principal contribuinte para a CTC. de baixa reatividade (caulinita). Para atrazine verificou-se que sua mineralização aumentava rapidamente com o aumento do pH (HOUOT et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Segundo Burken e Schnoor (1996). Compostos que são mais hidrofóbicos. Além disso.. Essa ligação ou exclusão leva a menor fluxo transpiratório sob valores de Log Kow que se distanciam de 2. Para certas características das plantas e condições ambientais. Todavia. 1997). além do mecanismo de ação. fundamental para promover o carreamento do herbicida absorvido para a parte aérea das plantas. levando à fitodegradação. 2003).. a absorção radicular de xenobióticos da água (em solução) está diretamente relacionada ao logaritmo do coeficiente de partição octanol-água (Kow) do composto. persistência e concentração do herbicida. o fluxo transpiratório. 1992. ampliando dessa forma. Nas condições tropicais em que os solos são altamente intemperizados com predomínio de óxidos e hidróxidos de Fe e Al e argilas silicatadas 1:1. ligam-se às membranas lipídicas das raízes antes de entrarem no xilema. 2000). Dessa maneira. Outras propriedades do solo podem intervir na fitorremediação e. é maior quando o Log Kow do pesticida varia de 0. 2000). sendo maior a absorção quando o valor de Log Kow é de 2.1 (PIRES et al. como. as substâncias húmicas são relatadas como as principais responsáveis pela sorção de herbicidas (PUSINO et al. apesar de ter valores de pH mais altos que 6. REDDY et al. 1995. o conteúdo de argila. é sabido que valores de pH fora da faixa de neutralidade comprometem a atividade da microbiota do solo prejudicando diretamente os processos de fitorremediação. Maior conteúdo de matéria orgânica reduz as amplitudes de variação da temperatura e umidade do solo.. Módulo 3.

batata. que é utilizado em mistura com o ametryn na cultura da cana-de-açúcar ou puro na cultura do algodão em pós-emergência inicial. a contar da data de sua aplicação. como algodão. reduzindo com isso o número de aplicações. principalmente em sistemas agrícolas que necessitam utilizar esses produtos no manejo integrado de plantas daninhas (JAKELAITIS et al. fonte potencial para contaminação de aqüíferos. podendo atingir lençóis subterrâneos e se mover para outros ambientes com provável contaminação de outros ecossistemas.4 . soja.2 . ALMEIDA. BOVEY.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 5.Herbicidas: comportamento no solo . Áreas contami¬nadas por estes e outros herbicidas persistentes no solo são prioritárias nos programas de fitorremediação. Sua persistência no solo pode variar de 11 a 14 meses em Latossolo Vermelho-Amarelo em lavouras de cana-de-açúcar (BLANCO. 2005). Problemas resultantes dos processos de poluição e degradação dos recursos naturais por herbicidas têm recebido atenção especial. tomate. eficiência em doses baixas. especificidade e baixa toxicidade para os organismos não-alvos. Existe ainda o impacto ambiental negativo ocasionado pela lixiviação dessas moléculas ou de seus metabólitos para camadas mais profundas no perfil do solo. como picloram e imazapyr. apresenta problemas de carryover na cultura do feijão cultivado em seqüência.. podendo chegar a até três anos o intervalo para o plantio de culturas sensíveis. que é recomendado para uso em pré-emergência na cultura da canade-açúcar. para o plantio de culturas sensíveis. 1999).. portanto.este herbicida apresenta elevada mobilidade em solos com baixos teores de argila e de carbono orgânico. 2005).1984). causando intoxicação às culturas de amendoim. o período de espera. sendo. 2005). existindo uma conscientização dos problemas ambientais ou de saúde que podem ocorrer devido à má utilização desses compostos químicos (SANTOS et al. os herbicidas que apresentam longo efeito residual no solo proporcionam a ocorrência de toxicidade em culturas sensíveis (carryover) plantadas após sua utilização. Contudo. Outros herbicidas. 2005. para que se obtenha resultados satisfatórios. Além disso. 1988) ou mesmo estender-se por mais de sete anos. é essencial conhecer o tempo total necessário para a 182 Módulo 3. apresenta longo período residual. principalmente como resultado de aplicações seqüenciais ao longo dos anos na mesma área (CERDEIRA. 2005). as propriedades procuradas em um herbicida são sua pronta degradabilidade. quando simulada a reunião de todas as condições ambientais que favoreçam sua persistência (EMMERICH et al. Também o tebuthiuron. SANTOS et al. Mesmo possibilitando o controle efetivo de plantas daninhas por um período de tempo maior. feijão e soja quando cultivadas até dois anos após a sua aplicação. é de aproximadamente oito meses.Problemas relacionados aos herbicidas residuais Atualmente. apresentam considerado efeito residual no solo.. Produtos como o trifloxysulfuron-sodium. 1987) de 15 a 25 meses em solo argiloso (MEYER. Mesmo sendo recomendado em concentrações baixas (em torno de 7. ALMEIDA.. OLIVEIRA. entre outras (RODRIGUES.5 g ha-1) (RODRIGUES.

• capacidade transpiratória elevada. • elevada taxa de exsudação radicular. porém. algumas características devem ser consideradas na escolha da espécie vegetal a ser utilizada em programas de remediação de áreas contaminadas por herbicidas: • capacidade de absorção. 2000. daí a necessidade do conhecimento de estratégias que acelerem o processo de remediação. a técnica pode apresentar algumas limitações de aplicação. 2003). O ideal seria reunir todas essas características numa só planta. visando efetivar e diminuir o tempo de descontaminação. Em essência. 1994.. SIQUEIRA..Herbicidas: comportamento no solo 183 . de clima quente ou frio. Com base nas análises apresentadas por diversos autores (FERRO et al. • fácil colheita. pedregoso. Dessa forma. entre outros fatores.. 2000. a escolha de plantas que apresentem tolerância ao herbicida é o primeiro passo na seleção de espécies potencialmente fitorremediadoras. ACCIOLY. evitando sua manipulação e disposição. que. sendo importante ressaltar algumas delas. ao mesmo tempo ou subseqüentemente. que tanto pode tolerar como acumular o produto. Outro aspecto a ser observado é que. para promoverem maior descontaminação. • sistema radicular profundo e denso.4 . Módulo 3. São conhecidas espécies que se desenvolvem bem em todos os ambientes. quando necessária a remoção da planta da área contaminada. 1996. no caso da fitoestabilização. PERKOVICH et al. com elevada umidade.. • fácil aquisição ou multiplicação de propágulos. 1996. PIRES et al. além da aptidão ecológica da espécie vegetal a ser empregada. • retenção do herbicida nas raízes. • fácil controle ou erradicação. VOSE et al. especialmente em árvores e plantas perenes.. NEWMAN et al. como oposto à transferência para a parte aérea. aquela que for selecionada deve reunir o maior número delas. solo seco. a espécie vegetal ideal para remediar um solo contaminado por herbicidas seria uma cultura de alta produção de biomassa. várias espécies podem.. CUNNINGHAM et al.3 . 5. como sugerido por Miller (1996). concentração e/ou metabolização e tolerância ao herbicida. 1998. além dos procedimentos para o correto emprego da técnica. e • capacidade de desenvolver-se bem em ambientes diversos. • resistência a pragas e doenças.Estratégias para o sucesso da fitorremediação O sucesso no emprego da fitorremediação como técnica para descontaminação de áreas tratadas por herbicidas depende da natureza química e das propriedades do composto. ser usadas em um mesmo local. Dessa forma. • alta taxa de crescimento e produção de biomassa. embora a maioria dos testes avalie plantas isoladas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas descontaminação. as vezes é muito longo.

visando a seleção de espécies vegetais com potencial para emprego em programas de fitorremediação de herbicidas (PIRES et al. aterrimum e C. SANTOS et al. indicando que o produto pode estar sendo degradado internamente nos tecidos (fitodegradação) ou inativado por outros mecanismos rízosféricos. 2004. evidenciando a contribuição da microbiota no processo de descontaminação. 2005). (2005) verificaram que. comprovando a eficiência na descontaminação. evidenciada pelo maior desprendimento de dióxido de carbono.. 2005b. não interferiu no desenvolvimento posterior de plantas de feijão. aterrimum promoveu maior descontaminação da área tratada com trifloxysulfuron-sodium. ensiformis e S. possibilitou maior eficiência no processo de remediação por essas leguminosas. a fitoestimulação da microbiota associada à rizosfera (PROCOPIO et al. Também Pires et al. feijão-de-porco (Canavalia ensiformis) e mucuna-preta (Stizolobium aterrimum) promoveram a fitorremediação de solo contaminado pelo herbicida trifloxysulfuron-sodium. possibilitando o posterior desenvolvimento de plantas de milho e feijão. outros mecanismos podem ser implementados no programa de fitorremediação visando maior eficiência no processo. (2006) constataram que a adição de composto orgânico ao solo contaminado com trifloxysulfuron-sodium e tebuthiuron. algumas especies vegetais utilizadas como cobertura do solo foram selecionadas (Figura 22). semelhante ao solo isento do herbicida (Figura 24). 184 Módulo 3. tratado com o trifloxysulfuron-sodium.Herbicidas: comportamento no solo . Além dos fatores mencionados. a permanência ou retirada da parte aérea das plantas de C. 2006). Santos et al. as leguminosas C. Procópio et al.4 . aterrimum.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nos trabalhos realizados até o momento no Brasil. apresentou maior atividade microbiana. após o período de remediação. 2005. ensiformis.. provavelmente. das várias espécies testadas tolerantes ao herbicida tebuthiuron. b. além de melhorar o desenvolvimento das espécies vegetais S. 2003a. Belo et al. destacando-se a mucuna-preta (Stizolobium aterrimum) e o feijão-de-porco (Canavalia ensiformis) (Figura 23). Nos trabalhos realizados por Procópio et al. (2005) verificaram que o aumento da densidade populacional de S. 2004b).. após a seleção de diversas espécies vegetais.. (2004). utilizada como bioindicadora da presença do herbicida. comparado ao mesmo solo não tratado com o herbicida. ALMEIDA. (2006) observaram que o solo proveniente da rizosfera de S. aterrimum da área contaminada com trifloxysulfuron-sodium. Em outro trabalho. PROCÓPIO et al. ensiformis e Lupinus albus possibilitaram o pleno desenvol¬vimento de Avena strigosa. sendo. Essas culturas são sensíveis à presença desse herbicida (RODRIGUES.

associados às práticas agronômicas. imobilizando ou tornando os contaminantes inofensivos ao ecossistema. além do emprego de plantas e sua microbiota associada.0. visando a fitorremediação de solos contaminados por esses herbicidas Figura 23 – Desenvolvimento de mucuna-preta (Stizolobium aterrimum) (A) e feijão-de-porco (Canavalia ensiformis) (B). (2004) Para Accioly e Siqueira (2000). para o sucesso da fitorremediação.0 g ha-1) (não-seletivo a essas culturas). o programa deve envolver. agiriam em conjunto.5 e 15. os quais. Módulo 3. amenizantes como a matéria orgânica do solo. visando a remediação Fonte: Procópio et al. posteriormente cultivado (B) ou não (A) com mucuna-preta (Stizolobium aterrimum). removendo.Herbicidas: comportamento no solo 185 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 22 – Etapa de seleção de espécies vegetais tolerantes ao trifloxysulfuron-sodium e ao tebuthiuron.4 . em solos contaminados pelos herbicidas trifloxysulfuron-sodium e tebuthiuron Figura 24 – Desenvolvimento de plantas de milho e de feijão em solo tratado com o herbicida trifloxysulfuron-sodium (0. 7.

sendo comumente detectado após um ano. devido às suas características físico-químicas. GLASS. 2005). ração animal. Este herbicida apresenta alta persistência no solo. espera-se maior aceitação de métodos de descontaminação in situ. essa técnica é 186 Módulo 3. poucos são os trabalhos que apontam soluções para fitorremediação deste composto em ambientes aquáticos (MARCACCI.4 . incremento na população e número de espécies vegetais. principalmente em solos brasileiros. alto potencial de escoamento.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Manejo da irrigação. 2005). hidrólise lenta. por perturbarem menos o ambiente. e até proteínas para usos em rações (DINARDI et al. 1986). são pesquisas já iniciadas e fornecerão dados para maior eficiência nos processos de descontaminação de áreas que apresentam resíduos de outros herbicidas comprovadamente persistentes no ambiente. a fitorremediação surge como opção para o tratamento eficiente de solo e água contaminados por herbicidas de difícil decomposição nesses ambientes. Além disso. podendo ser utilizada como fertilizante. KHAN. 1998). geração de energia. Entre os herbicidas. 1993. os quais são responsáveis pelo destino final desses compostos. havendo possibilidades de reciclagem da biomassa produzida. principalmente no solo.Herbicidas: comportamento no solo . O que se observa é que o conhecimento teórico das propriedades dos compostos do solo.. 6 . dos fatores climáticos envolvidos e dos mecanismos de interação herbicida–ambiente nem sempre representa o comportamento constatado em condições naturais a campo. 2003. depende do somatório de diversos processos envolvidos. Nessa área. como papel. o sucesso do tratamento empregando planta aquáticas vai além do baixo custo. ALMEIDA. apesar de já ser bem conhecido o processo de biodegradação do atrazine por diversos microrganismos (BEKHI et al. solubilidade de baixa para moderada em água (RODRIGUES. além da possibilidade de inoculação de microrganismos junto à semeadura das plantas. que visam o menor impacto negativo ao ambiente. como o picloram e outros. o atrazine oferece elevado risco de contaminação de aqüíferos. com o objetivo de prevenir quanto aos possíveis distúrbios ambientais provocados por esses compostos. retenção e transformação que ocorrem com as moléculas representa a capacidade de contaminação e persistência destas no meioambiente. Em se tratando de ambientes aquáticos. outros benefícios para o agricultor. baixa pressão de vapor. graças à atual preocupação na viabilidade das técnicas integradas de manejo. Esse fato denota a importância de pesquisas. BEKHI.Considerações finais O comportamento de herbicidas no ambiente. O tema cresce em complexidade na medida em que se tenta selecionar espécies vegetais que apresentem. fabricação de diversos produtos. nos programas de fitorremediação de herbicidas. além da capacidade remediadora. Contudo. Contudo. O resultado dos processos de transporte. e uma abordagem detalhada da sua dinâmica seria difícil diante dos diversos interferentes relacionados ao seu comportamento. absorção moderada à matéria orgânica e argila.

comparada a outros processos de descontaminação. podendo ser aplicada a grandes áreas. torna-se possível sua utilização com eficiência técnica e econômica. um dos motivos pelo qual deve ser mais estudado.Herbicidas: comportamento no solo 187 . a identificação dos problemas de contaminação e as opções de recuperação do ambiente afetado. quando todos os fatores envolvidos interagem.4 . este é. Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas relativamente barata. As implicações são claras: entendendo como os herbicidas e outros pesticidas aplicados ao solo se comportam. sem dúvida. Embora o tema seja muito abrangente.

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ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

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192 Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

PIRES, F. R.; SOUZA, C. M.; SILVA, A. A.; PROCÓPIO, S. O.; CECON, P. R.; SANTOS, J. B.; SANTOS, E. A. Seleção de plantas tolerantes ao tebuthiuron e com potencial para fitorremediação. Revista CERES, v. 50, n. 291, p. 583-594, 2003b. PIRES, F. R.; SOUZA, C. M.; SILVA, A. A.; QUEIROZ, M. E. L. R.; PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; SANTOS, E. A.; CECON, P. R. Seleção de plantas com potencial para fitorremediação de tebuthiuron. Planta Daninha, v. 21, n. 3, p. 451-458, 2003a. PIRES, N. M.; OLIVEIRA JR., R. S.; PAES, J. M. V., SILVA, E. Avaliação do impacto ambiental causado pelo uso de herbicidas. Viçosa, MG: Sociedade de Investigações Florestais, 1995. 22 p. (Boletim Técnico SIF, 11). PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; PIRES, F. R.; SILVA, A. A.; SANTOS, E. A. Fitorremediação de solo contaminado com trifloxysulfuron-sodium por mucuna-preta (Stizolobium aterrimum). Planta Daninha, v. 23, n.4, p. 719-724, 2005a. PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; PIRES, F. R.; SILVA, A.A.; SANTOS, E. A.; CARGNELUTTI FILHO, C. Development of bean plants in soil contaminated with the herbicide trifloxysulfuron-sodium after Stizolobium aterrimum and Canavalia ensiformis cultivation. Crop Protection, 2006 (em fase de publicação) PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; SILVA, A. A.; PIRES, F. R.; RIBEIRO JÚNIOR, J. I.; SANTOS, E. A. Potencial de espécies vegetais para a remediação do herbicida trifloxysulfuronsodium. Planta Daninha, v. 23, n. 1, p. 9-16, 2005b. PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; SILVA, A. A.; PIRES, F. R.; RIBEIRO JÚNIOR, J. I.; SANTOS, E. A.; FERREIRA, L .R. Seleção de plantas com potencial para fitorremediação de solos contaminados com o herbicida trifloxysulfuron sodium. Planta Daninha, v. 22, n. 2, p. 315322, 2004. PUSINO, A. et al. Influence of organic matter and its clay complexes on metolachlor adsorption on soil. Pesticide Science, v. 36, p. 283-286, 1992. QUEROL, X.; ALASTUEY, A.; MORENO, N.; ALVAREZ-AYUSO, E.; GARCÍA-SÁNCHEZ, A.; CAMA, J.; AYORA, C.; SIMÓN, M. Immobilization of heavy metals in polluted soils by the addition of zeolitic material synthesized from coal fly ash. Chemosphere, v. 62, n. 2, p. 171-180, 2006. RAVELLI, A.; PANTANI, O.; CALAMAI, L.; FUSI, P. Rates of chlorsulfuron degradation in three Brazilian soils. Weed Res., v. 37, p. 51-59, 1997. REDDY, K. N. et al. Chlorimuron adsorption, desorption and degradation in soils from conventional tillage and no-tillage systems. Journal of Environmental Quality, v. 24, p. 760 767, 1995. ROBERTS, T. R. Assessing the environmental fate of agrochemicals. J. Environ. Sci. Health, B, v. 31, n. 3, p. 325-335, 1996. RODRIGUES, B. N.; ALMEIDA, F. S. Guia de herbicidas. 5.ed. Londrina, PR, 2005. 648 p. RODRIGUES, B. N.; ALMEIDA, F. S. Guia de herbicidas. 5.ed. Londrina, PR: Grafmarke, 2005. 591 p.
Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo 193

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194 Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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PROTEÇÃO DE PLANTAS

Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas 3.5 - Herbicidas: resistência de plantas
Tutores: Profº. Antonio Alberto da Silva Profº. Leandro Vargas Profº. Evander Alves Ferreira

Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Universidade Federal de Viçosa - UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia

Brasília - DF 2006
196 Módulo 3.5 - Herbicidas: resistência de plantas

Inibidores de ALS.5 .1 . 198 1 .Fatores que favorecem o surgimento da resistência.A resistência de plantas daninhas no Brasil.Absorção e translocação. 214 10. 200 1. 214 10. 204 5 .2 – Metabolização. 208 5. 213 10.5 . 210 8 .Evolução da resistência. 202 2 . 218 12 . 217 10.6 . 215 10.Resistência cruzada. 201 1.Como evitar a resistência.Manejo da resistência a herbicidas.3 .Características da resistência por grupos herbicidas.1 . 218 11 . 221 14 . 211 9 .2 – Bipiridílios. 225 15 .Resistência do azevém (lolium multiflorum) ao glyphosate.4 – Dinitroanilinas. 212 10 .2 . 231 Módulo 3.Pressão de seleção. 225 14.1 .Plantas daninhas resistentes em culturas transgênicas.8 .Como confirmar a resistência.Uréias/amidas.Culturas transgênicas. 219 13 .Culturas transgênicas e plantas daninhas resistentes a herbicidas.Variabilidade genética.1 – Auxinas.Inibidores de ACCase.Resistência múltipla. 230 Referências bibliográficas. 216 10. 203 4 . 215 10.3 – Compartimentalização.Mecanismos que conferem resistência.Derivados da glicina.7 – Triazinas.Seleção de biótipos resistentes por diferentes mecanismos de ação herbicida. 201 1.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução.4 .Alteração do local de ação.Diagnóstico da resistência a campo.Comentários finais. 229 16 . 200 1.Herbicidas: resistência de plantas 197 . 209 6 . 208 5. 209 7 . 213 10. 202 3 .

nos Estados Unidos. Dessa maneira. está prontamente disponível e profissionalmente desen¬volvido.9% às triazinas. com resistência a triazinas. Uma das conseqüências do uso indiscriminado desses métodos tem sido o desenvolvimento de muitos casos de resistência a tais compostos por diversas espécies daninhas. principalmente por grandes agricultores. O uso repetido de um herbicida exerce uma pressão de seleção que leva ao aumento do número de indivíduos resistentes na população. Esses biótipos pertencem a 171 espécies e estão distribuídos em 59 países. o Brasil é um dos maiores mercados do mundo. e a tendência de uso desses compostos é de aumento.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução O controle de plantas daninhas com uso de herbicidas é prática comum na agricultura mundial.5 . várias outras espécies. havia mais de 100 espécies reconhecidamente resistentes em aproximadamente 40 países (HEAP. em diferentes países (RADOSEVICH. 22. 1970). os demais métodos de controle têm sido deixados de lado. ALMEIDA. O largo uso de herbicidas deve-se. hoje está se tornando prática comum até entre os pequenos. Em conseqüência. Na atualidade. 28. e Daucus carota. 7. há aproximadamente 284 biótipos de plantas daninhas que apresentam resistência a um ou mais mecanismos herbicidas (Quadro 1). 1979).. 11. 7% às uréias e amidas. 2005). No que se refere aos defensivos agrícolas. possui custo atrativo. foram descritas em gêneros como Amaranthus e Chenopodium. que era quase exclusivamente utilizada por grandes e médios produtores. A constatação da resistência de plantas daninhas aos herbicidas começou em 1957 com a identificação de biótipos de Commelina difusa.6% aos inibidores da ACCase. 1997). onde os herbicidas correspondem a mais de 50% do volume total comercializado (ANDEF 2005). foram descobertos biótipos de Senecio vulgaris resistentes a simazine (RYAN. 3. a população de plantas resistentes pode aumentar até o ponto de comprometer o nível de controle (HRAC. sendo o quinto no "ranking" de vendas de agrotóxicos.Herbicidas: resistência de plantas . os agricultores depositam confiança excessiva no controle químico das plantas daninhas. Depois disso. no Canadá. resistentes a herbicidas pertencentes ao grupo das auxinas (WEED SCIENCE.1% às auxinas sintéticas. 8. uma vez que essa tecnologia.7% aos bipiridílios. após o primeiro caso de resistência. 1977) Em menos de 30 anos. devido a uma mutação nos cloroplastos (RADOSEVICH et al. Já em 1970. principalmente.9% resistem aos herbicidas inibidores da ALS. no estado de Washington (EUA). atualmente. ao fato de que o controle químico tem sido eficiente. Estudos posteriores demonstraram que esta espécie era resistente a todas as triazinas. Muitos outros casos foram relatados em diferentes locais do mundo e. Destes biótipos.5% às dinitroanilinas e os 198 Módulo 3. 1998). 1998a). Atualmente estão sendo comercializadas no mercado brasileiro em torno de 200 marcas comerciais de herbicidas (RODRIGUES.

das triazinas e existentes atualmente. à eficiência e à grande área onde são empregados. e os demais mecanismos somavam 8%. Essas proporções mudaram com a introdução no mercado dos novos grupos herbicidas inibidores de ALS e ACCase. aos bipiridílios. a estes grupos de herbicidas. porém acredita-se que esteja relacionado com o seu modo de ação. Acredita-se que o maior número de biótipos resistentes aos herbicidas dos grupos inibidores de ALS. são dois ou mais os mecanismos que precisam ser substituídos. não são claras. restringindo esta prática a outros métodos menos eficientes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 10. princi¬palmente quando não existe ou existem poucos herbicidas alternativos para serem usados no controle dos biótipos resistentes. Em 1983. neste caso. Isso ocorre para diversos biótipos de grande ocorrência em diversas partes do mundo tornando cada vez mais difícil e oneroso o controle desses biótipos. Quadro 1 – Ocorrência de biótipos de plantas daninhas resistentes a diferentes grupos herbicidas Exemplo de herbicida Inibidores da ALS Inibição da acetolactato sintase (ALS) Clorsulfuron Inibidores do Fotossistema Inibição da fotossíntese no Atrazine II fotossistema II Inibição da acetil carboxilase Inibidores da ACCase Diclofop-methyl (ACCase) Bipiridílios Aceptores de eletrons do FSI Paraquat Auxinas sintéticas Ação semelhante ao ácido indolacético 2. 13%. As razões do não-surgimento de plantas daninhas resistentes. já que. 67% dos casos de resistência documentados eram de biótipos resistentes às triazinas. o controle dos biótipos resistentes com uso de herbicidas é seriamente comprometido. aos auxínicos. apesar do longo tempo de introdução no mercado. A resistência de plantas daninhas a herbicidas assume grande importância.5 . A ocorrência de resistência múltipla agrava ainda mais o problema.4-D Uréias e amidas Inibição da fotossíntese no FS II Chlorotoluron Dinitroanilinas e outros Inibição da formação dos microtúbulos Trifluralin Inibição da síntese de lipídios – não da Thiocarbamatos e outros Trialate ACCase Triazoles. Não foram encontradas citações de plantas daninhas resistentes aos herbicidas perten¬centes aos grupos ariltriazolinonas. benzotiadiazinas e ftalimidas. Assim. uréias e Branqueamento – inibição da Amitrole isoxazolidionas biossíntese de carotenóides Glicinas Inibição da EPSP sintase Glyphosate Inibição da divisão celular (inibição de Butachlor Chloracetamidas ácidos graxos de cadeias longas) Outros Diversos Diversos Total de biótipos de plantas daninhas observados no mundo Fonte: Adaptado de Retzinger. se deve à alta especificidade. 12%. citado por HRAC (2004) Grupo de herbicida Mecanismo de ação Total ocorrência 82 65 33 22 23 20 10 8 4 6 2 7 284 Módulo 3.Herbicidas: resistência de plantas 199 .3% restantes aos demais grupos de herbicidas. até o momento.

.. A grande maioria das alterações que ocorrem no DNA. A alteração de uma base nitrogenada. resultando em uma proteína mutante. que não provoquem a morte do indivíduo. Se o aminoácido alterado for o ponto ou um dos pontos de acoplamento de uma molécula herbicida. este produto 200 Módulo 3.Mecanismos que conferem resistência 1. 1992). 1992). A seqüência linear de nucleotídios em um gene determina a seqüência linear de aminoácidos de uma proteína (SUZUKI et al. são responsáveis pela codificação das proteínas. longas e específicas seqüências de bases nitrogenadas.. cada trinca de bases nitrogenadas codifica um aminoácido que comporá a futura proteína. a maioria delas é deletéria e a evolução só é possível porque algumas delas podem ser benéficas em determinadas situações (SUZUKI et al..Alteração do local de ação As informações genéticas de um organismo estão contidas em seu material genético (DNA). Os erros de replicação e as lesões espontâneas geram a maior parte das mutações por substituição de base e mudança da matriz de leitura (SUZUKI et al. A ocorrência de erros na replicação ou transcrição da fita do DNA. entretanto. Biótipos resistentes podem ocorrer em uma população de plantas daninhas como resultado de mutações que provocam alterações no local de ação do herbicida (BETTS et al. serão repassadas aos seus descendentes. a possibilidade de erro. que é a cópia do DNA pela enzima DNA polimerase. O DNA é uma dupla hélice formada por bases nitrogenadas púricas (adenina e guanina) e pirimidicas (timina e citosina) que formam os genes. e a ocorrência de mutações que provoquem inserção. A atividade da enzima pode ou não ser modificada. A mutação é um processo biológico que vem ocorrendo desde que há vida no planeta. estando na dependência de qual aminoácido foi alterado. e a tradução do RNAm com a montagem da proteína pelo ribossomo. 1969). 1992).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1 . teoricamente. A probabilidade de ocorrer erros na replicação do DNA. 1992). O DNA é um cordão de genes (SUZUKI et al.5 . mutação de ponto. a probabilidade de as suas características cinéticas serem modificadas é grande. multiplicação do material genético.. 1992). existe. Na tradução do RNAm. e cai para 10-9 pela ação das enzimas reparadoras (SUZUKI et al. 1992). mesmo remota. na tradução do RNAm. As etapas para produção de uma proteína são a transcrição. Os genes. é preferível restringir..1 . Caso ele componha o centro ativo da enzima. formando o RNA mensageiro (RNAm). porém não a posição do gene individualmente” (BREWBAKER. Mutação foi definida por De Vries como mudanças repentinas e hereditárias. pode originar uma enzima com características funcionais distintas ou não da original. contudo. durante o crescimento do indivíduo é de cerca de 10-4. afirmando que são “aquelas mudanças bruscas hereditárias que alteram a atividade. deleção ou substituição de uma base nitrogenada podem alterar um ou mais aminoácidos da proteína a ser formada.Herbicidas: resistência de plantas .

Uma pequena alteração no polipeptídio pode resultar em um grande efeito sobre a afinidade com a molécula herbicida (BETTS et al. já que estes produtos. são avaliados quanto à sua capacidade mutagênica. Módulo 3. que podem estar relacionados com o tipo de mutação ocorrida. Desse modo. como o vacúolo (ex. 1.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas pode perder a atividade inibitória sobre esta nova enzima. Acredita-se que os herbicidas não sejam capazes de provocar mutações. Não há evidências. mais rapidamente do que plantas sensíveis.Metabolização A planta resistente possui a capacidade de decompor.2 . que a mutação possa ocorrer por ação de algum herbicida ou outro defensivo agrícola (KISSMANN. e é muito improvável. resistência múltipla. ou é removida das partes metabolicamente ativas da célula e armazenada em locais inativos. antes de serem lançados no mercado. devido a uma ou mais alterações na estrutura deste local. como é o caso da resistência de Lolium rigidum a triazinas e inibidores de ACCase. (1991).5 .Compartimentalização A molécula é conjugada com metabólitos da planta.: plantas resistentes ao paraquat). Alteração do local de ação significa que a molécula herbicida diminui sua capacidade de inibir esse ponto. ou. 1. ou seja. Logicamente que. têm-se plantas daninhas resistentes aos inibidores de ALS. A resistência de Arabidopsis thaliana às imidazolinonas se deve à alteração de um aminoácido da enzima ALS. 1969). 1996). podem provocar mutações no DNA. tornando-se inativa. Como exemplo. Contudo. a molécula herbicida. a planta pode morrer pela ação do(s) outro(s) mecanismo(s).. A luz ultravioleta e o oxigênio são mutagênicos (BREWBAKER. se o herbicida possuir mais de um mecanismo de ação. Esse é o mecanismo de tolerância a herbicidas apresentado pela maioria das culturas. Fontes externas de radiação. tornando-a não-tóxica. um herbicida que anteriormente era eficiente em inibir uma determinada enzima deixa de ter efeito sobre esta.3 . conforme relatam Sathasivan et al. em uma população de biótipos resistentes ocorrem diferentes níveis de resistência ou de susceptibilidade. com as formas alélicas do gene. 1992).Herbicidas: resistência de plantas 201 . e a planta torna-se resistente àquele herbicida e a outros que se ligam da mesma forma àquela enzima. o tipo de mecanismo que está proporcionando a resistência. como o sol. a não ser que ela apresente outros mecanismos de resistência. tipo de molécula e.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1.5 . a resistência é a capacidade adquirida de alguns biótipos.Herbicidas: resistência de plantas . A resistência pode ser cruzada ou múltipla. que agem no mesmo local na planta (POWLES. 1998). uma planta daninha pode ser sensível. quando as plantas resistentes possuem dois ou mais mecanismos distintos que conferem resistência. assim. devido a apenas um mecanismo de resistência. de uma população de plantas. uma planta sensível pode morrer quando submetida a uma determinada dose do herbicida. Esses mecanismos podem. A resistência cruzada não confere. mesmo sofrendo injúrias. A resistência cruzada ocorre quando um biótipo é resistente a dois ou mais herbicidas. Biótipos de Lolium rigidum e Kochia scoparia. A resistência pode ocorrer naturalmente (seleção) ou ser induzida com uso de técnicas de engenharia genética. de sobreviver a determinados tratamentos herbicidas que. necessariamente. apresentam 202 Módulo 3. assim.Resistência cruzada A resistência cruzada pode ser conferida a um biótipo por qualquer dos mecanismos que conferem resistência. Uma planta é sensível a um herbicida quando o seu crescimento e desenvolvimento são alterados pela ação do produto. também confere resistência a outras moléculas de diferentes grupos químicos. a quantidade de herbicida que atinge o local de ação é bastante reduzida. Em uma população de plantas vão existir aquelas que. Por outro lado. toleram mais ou menos um determinado herbicida. naturalmente. são resistentes a herbicidas de diferentes grupos químicos e com diferentes mecanismos. isoladamente ou associados. cultura de tecidos ou de agentes mutagênicos.: plantas resistentes aos bipiridílios). sob condições normais. Desse modo.4 . resistência a herbicidas de todos os grupos químicos que possuem o mesmo local de ação. no ponto de ação de um herbicida. Já a tolerância é uma característica inata de uma espécie. Relaciona-se com a variabilidade genética natural da espécie. Também podem existir variações no nível de resistência cruzada dos biótipos a herbicidas de grupos diferentes. que possuem resistência cruzada a herbicidas inibidores de ALS. e a resistência múltipla. proporcionar tolerância ou resistência a herbicidas. mesmo que pertencentes a diferentes grupos químicos. controlam os membros da população. Assim. A resistência cruzada conferida pelo local de ação ocorre quando uma mudança bioquímica. 2 . não chegando a ser suficiente para controlar a planta (ex.Absorção e translocação A absorção e a translocação são alteradas e. tolerante ou resistente a um herbicida. PRESTON. em que as plantas são capazes de sobreviver e se reproduzir após o tratamento herbicida.

as dificuldades de controle dos biótipos resistentes aumentam ainda mais quando os mecanismos que conferem a resistência estão relacionados com o local de ação e com outros mecanismos como o metabolismo. é exemplificada por biótipos de Lolium rigidum. um exemplo são biótipos de Alopecurus myosuroides encontrados na Austrália. 1998). resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase. que não exibem alterações na enzima. Para controlar estas plantas daninhas. devido à rápida metabolização da molécula por arilhidroxilação catalisada pelo Cyt P450 monoxigenase. O diferente nível de resistência pode ser resultado das diferentes mutações ocorridas no gene que codifica a enzima ACCCase e do tipo de alelo do gene (POWLES. é necessário empregar misturas de herbicidas que não tenham sua atividade afetada pelos mecanismos de Módulo 3.Herbicidas: resistência de plantas 203 . PRESTON. Além disso. de forma semelhante à que ocorre na cultura do trigo. Acredita-se que as moléculas não-metabolizadas sejam imobilizadas ou armazenadas de forma a evitar sua ação sobre a enzima. Nos casos mais simples. pendimethalim e simazine.Resistência múltipla A resistência múltipla é o maior problema atual. no centro ativo A da ALS. 3 . entre eles diclofop. que resistem a 15 herbicidas diferentes. em biótipos de Lolium rigidum resistentes aos herbicidas inibidores do FSII. 1998). Conrudo. A resistência cruzada. e futuro. Biótipos de Lolium rigidum resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase. PRESTON. O metabolismo de herbicidas inibidores de ACCase e ALS é realizado pelo Cyt P450. selecionados com uso de herbicidas dos grupos ariloxifenoxipro-pionato ou cicloexanodiona. PRESTON. PRESTON. devido a outros mecanismos. imazamethabenz. Isso se deve a pequenas diferenças de ligação entre a enzima e a molécula herbicida e a diferentes mutações que ocorrem no gene que codifica a enzima ALS (POWLES. apresentam maior nível de resistência aos herbicidas do primeiro grupo do que aos do segundo. mas apresentam pequenos aumentos no metabolismo do herbicida diclofop. aumento da taxa de metabolismo dos herbicidas (POWLES.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas diferentes níveis de resistência aos diferentes grupos herbicidas que agem inibindo a ALS. As mutações já analisadas mostram substituição. Já os casos mais complexos são aqueles em que dois ou mais mecanismos conferem resistência à diversos herbicidas de diferentes grupos químicos. já foram encontradas outras alterações na ALS tanto no centro ativo A como em outras partes da enzima (POWLES. Foi detectado. encontrados na Austrália. 1998).5 . 1998). dois ou mais mecanismos conferem resistência à apenas um herbicida ou a um grupo de herbicida. da prolina 173. A conjugação da molécula herbicida com glicose também foi encontrada. que é resistente a vários herbicidas inibidores da ALS. relacionado a resistência de plantas daninhas a herbicidas.

Os biótipos de A. MORTIMER. PRESTON. PRESTON. O uso repetido de herbicidas para controle de plantas tem exercido alta pressão de seleção. e.. dentro de qualquer população. Muitas evidências sugerem que o aparecimento de resistência a um herbicida. provocando mudanças na flora de algumas regiões. Existem biótipos de Lolium rigidum resistentes a herbicidas inibidores de ALS. pode ser resumida em três princípios: o da variação: existem variações morfológicas. é devido à seleção de um biótipo resistente preexistente que. 1992). 1992) (Quadro 2). devido a alterações na enzima. Biótipos de Lolium rigidum e Alopecurus myosuroides constituem casos complexos. em uma população de plantas. a população da próxima geração terá uma freqüência elevada dos tipos que tiveram maior sucesso em sobreviver e se multiplicar nas condições ambientais vigentes. 1990). Desse modo. LEBARON. por causa da pressão de seleção exercida por repetidas aplicações de um mesmo herbicida.Herbicidas: resistência de plantas .. Há poucos casos registrados de plantas com resistência múltipla (POWLES. 1998). 4 . em determinado ambiente (SUZUKI et al. 204 Módulo 3. 1994). através da seleção natural. o caso mais complicado de resistência múltipla. encontra condições para multiplicação (BETTS et al. Em geral. Contudo. as freqüências dos vários tipos. O surgimento de plantas daninhas resistentes a herbicidas é um exemplo de evolução de plantas como conseqüência de mudanças no ambiente provocadas pelo homem (MAXWELL. myosuroides metabolizam chlorotoluron e alguns herbicidas inibidores de ACCase e apresentam ACCase mutada. dentro da população.. espécies ou biótipos de uma espécie que melhor se adaptam a uma determinada prática são selecionados e multiplicam-se rapidamente (HOLT.5 . ALS e FSII e possuem ACCase e ALS mutadas (POWLES.Evolução da resistência A teoria da evolução de Darwin. irão mudar com o tempo e os indivíduos mais bem adaptados ao ambiente tornam-se predominantes (SUZUKI et al. encontrado na Austrália. e resistentes a chlorsulfuron. 1992). fisiológicas e de comportamento entre indivíduos. assim. 1998). Darwin postulava que a espécie como um todo vai mudando porque os seus indivíduos evoluem na mesma direção.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas resistência em questão. devido ao metabolismo. o da hereditariedade: a prole parece mais com seus pais do que com indivíduos não-aparentados. é de biótipos de Lolium rigidum que metabolizam herbicidas inibidores da ACCase. e o da seleção: algumas formas apresentam maior sucesso na sobrevivência e reprodução do que outras.

000. Assim.5 . HOLT. que funciona como um reservatório de sementes suscetíveis e. 1996).999 99.. apresentaram maiores área foliar. A menor capacidade competitiva. a aplicação do mesmo herbicida. Os biótipos resistentes podem apresentar menor adaptação ecológica nesses ambientes e tornam-se predominantes devido à eliminação das plantas sensíveis. conforme a Figura 1. Módulo 3.0 80..000 1. pois no campo existe o banco de sementes. maior produção que biótipos menos adaptados (SAARI et al.Tempo para evolução da uma população de biótipos de plantas daninhas resistentes Ano 0 1 2 3 4 5 6 7 No de Plantas Resistentes 1 1 1 1 1 1 1 1 No de Plantas Sensíveis 1. 1994). aumenta esse tempo de aparecimento.. 1979) e Chenopodium album (PARKS et al. altura e produção de sementes. 1995). RADOSEVICH. biótipos com maior adaptação ecológica apresentam.000 10.9999 99. determinam a probabilidade do desenvolvimento de resistência das plantas daninhas a herbicidas. assim como as diferentes características biológicas. em média. Em condições de seleção natural. vai selecionando os indivíduos resistentes e aumentando a sua freqüência na população. A intensidade dessa pressão de seleção sobre uma população de plantas daninhas. Biótipos de Amaranthus retroflexus L.0 50. o crescimento e a produtividade de plantas resistentes a triazinas podem estar relacionados com a sua capacidade fotossintética limitada (STOWE. assim. que apresenta 90% de eficácia de controle do biótipo suscetível.9 99. não foram detectadas diferenças na capacidade competitiva de Abutilon therphrasti resistente a triazina (GRAY et al.Herbicidas: resistência de plantas 205 .000 100 10 5 2 % de Controle 99.0 Evolução Imperceptível Imperceptível Imperceptível Imperceptível Imperceptível Pouco perceptível Perceptível Evidente Fonte: Kissmann (1996) A utilização de herbicidas que são altamente efetivos no controle de uma planta daninha específica por um longo período de tempo induz uma grande pressão de seleção quando comparados com outras práticas de controle. (CONARD.0 90. 1988).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 2 . sensíveis às triazinas. É evidente que a intensidade de seleção na prática não é tão intensa como mostrada na figura.99 99. Por outro lado.000 100.

em uma população de plantas exerce alta pressão de seleção. foram selecionados biótipos de Lolium rigidum resistentes ao diclofop-methyl em três gerações. como três anos após a introdução comercial (TARDIF. ou levar muitos anos. Na Austrália. A ocorrência de variações genéticas.5 . freqüência gênica.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 1 .. provocando uma seleção direcional e progressiva de indivíduos que possuem genes de resistência. Foram identificados biótipos de plantas daninhas resistentes a sulfoniluréias após quatro a cinco anos de uso contínuo de herbicidas deste grupo (MALLORY-SMITH et al. herança e fluxo gênico (MAXWELL. com o mesmo mecanismo de ação. MORTIMER. 1990). inibidor da EPSPs (Quadro 3). podendo ser bastante curtos. 1993). Aplicações repetidas de herbicidas. As plantas que expressam o gene de resistência são selecionadas. 1994). partindo de uma população sensível e usando-se dose normal do herbicida. O tempo e a proporção de plantas resistentes em um local variam com a freqüência de uso do herbicida e dos seus efeitos biológicos. 1996).Aumento da freqüência do biótipo resistente devido a aplicações repetidas e anuais do mesmo herbicida A maior questão ecológica associada com a evolução da resistência aos herbicidas envolve o entendimento das relações entre adaptação. PAWLES. tornando-se predominantes rapidamente na área. 206 Módulo 3. como no caso do glyphosate.Herbicidas: resistência de plantas . e a seleção natural favorecem o surgimento e a evolução da resistência. capazes de serem transmitidas hereditariamente. A resistência está ligada a fatores genéticos e é hereditária (KISSMANN.

1998).Herbicidas: resistência de plantas 207 . e quanto maior for a freqüência destes alelos. assim. O número de alelos que conferem a resistência é importante. alta eficiência e baixa toxicidade para o homem e o ambiente. a freqüência do(s) alelo(s) da resistência na população inicialmente sensível. conseqüentemente. O objetivo foi atingido e surgiram os herbicidas modernos (inibidores de ALS e ACCase). que agem em pontos únicos nas rotas metabólicas das plantas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 3 – Tempo de evolução da resistência para diferentes mecanismos de ação Herbicida 2. a pressão de seleção. Um gene é formado por um par de alelos. Por outro lado. maior será a probabilidade de seleção de um biótipo resistente. herbicidas com essas características exercem alta pressão de seleção e. o modo de herança do(s) alelo(s) da resistência (citoplasmática ou nuclear). Há dois tipos de herança: a citoplasmática (materna) e a nuclear. Herança citoplasmática é aquela em que os caracteres hereditários são transmitidos via citoplasma.5 . A freqüência do(s) alelo(s) da resistência na população sensível geralmente está entre 1 em 1016 e 1 em 106 (MORTIMER. assim. Contudo. possuem grandes possibilidades de selecionar biótipos resistentes. características como herança do tipo Módulo 3. como é o caso de plantas resistentes aos inibidores de ALS. dessa forma. tanto o pai como a mãe podem transmitir a resistência. uma vez que uma alteração no seu ponto de ação (enzima) pode provocar a perda de sua atividade sobre as plantas e.4-D Triazinas Propanil Paraquat Inibidores da EPSPs Inibidores da ACCase Inibidores da ALS Fonte: Weed Science (1998) Introdução 1948 1959 1962 1966 1974 1977 1982 Resistência 1957 1970 1991 1980 1996 1982 1984 Local EUA e Canadá EUA EUA Japão Austrália Austrália Austrália A indústria sempre buscou moléculas herbicidas com alto grau de segurança. O tipo de herança do(s) alelo(s) da resistência é ponto crucial no estabelecimento da resistência em uma população de plantas. São eles: o número de alelos envolvidos na expressão da resistência. Desse modo. Há seis fatores relacionados à população de plantas que interagem e determinam a probabilidade e o tempo de evolução da resistência. como é o caso de plantas resistentes a triazinas. as características reprodutivas da espécie. pois. somente a planta-mãe poderá transmitir a resistência para os filhos. As características poligênicas dependem da associação dos genes corretos. se a herança for nuclear. mais genes podem estar envolvidos (poligênica) e mais lenta será a evolução da resistência. altamente eficientes e específicos. quanto maior. 1998). o surgimento de plantas resistentes. quando dois alelos estão envolvidos. Por sua vez. e a taxa de cruzamentos entre biótipos resistentes e sensíveis (MORTIMER. a transmissão será via cromossômica e. significa que somente um gene é responsável pela resistência (monogênica) e a evolução será rápida. ou seja.

permite a dispersão da resistência principalmente em plantas com alta taxa de fecundação cruzada. que será proporcional à dose e. favorecimento de um indivíduo em relação a outros.. O fluxo gênico apresenta correlação com o fluxo de distribuição de pólen e varia com a espécie. imposta sobre uma população sensível proporciona espaço para o crescimento e desenvolvimento dos biótipos resistentes. exceto os resistentes. via pólen.. influenciam diretamente a dispersão das plantas resistentes. A duração da seleção é medida pelo tempo no qual o herbicida permanece com residual. 5 . A intensidade e a duração da seleção interagem. ou. 1998). e seleção destes dentro de uma população com alta tolerância. favorecendo o desenvolvimento da população resistente. A taxa de cruzamento entre os biótipos resistentes e sensíveis determina a dispersão dos alelos de resistência na população. o processo da evolução da resistência a herbicidas passa por três estádios: eliminação dos biótipos altamente sensíveis. que serão selecionados futuramente devido segregação e recombinação de genes (MORTIMER. eliminação de todos os biótipos.5 . 1994). O intercâmbio de pólen. gerando novos indivíduos com maior grau de resistência. restando apenas os mais tolerantes e resistentes. de acordo com sua fenologia e seu crescimento (MORTIMER.Herbicidas: resistência de plantas . e intercruzamento entre os biótipos sobreviventes. A dispersão da resistência via pólen é influenciada pela eficiência de dispersão e longevidade do pólen (MULUGETA et al. 1995).Fatores que favorecem o surgimento da resistência 5. O uso repetido de um mesmo herbicida ou de herbicidas com mesmo 208 Módulo 3.. provocando variações sazonais que podem ser observadas nas espécies.Pressão de seleção Os fatores intensidade de seleção e sua duração contribuem para a pressão de seleção exercida pelos herbicidas. 1994). que é medida pela eficiência de controle das plantas daninhasalvo e pela relativa redução da produção de sementes das plantas remanescentes. ao tempo. As características reprodutivas. 1998). com maior rapidez no ambiente do que as do tipo citoplasmática (materna).1 . como dispersão de pólen e número de propágulos produ¬zidos. controlando as plantas sensíveis em diversos fluxos germinativos. já a contribuição do movimento de sementes é relativamente pequena (SAARI et al. entre plantas resistentes e sensíveis. o mecanismo de polinização e as condições climáticas durante a floração (STALLINGS et al. A alta eficiência dos herbicidas provoca a eliminação rápida dos biótipos sensíveis. Resumidamente. A intensidade de seleção é a resposta da população de plantas às repetidas aplicações de herbicidas. A alta pressão de seleção.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas nuclear disseminam-se. O uso de herbicidas altamente eficientes e com residual longo exerce alta pressão de seleção. Já os herbicidas com residual longo agem durante tempo maior.

que se apresentam indiferentes à aplicação de algum herbicida (HRAC. é resultado da relação entre a freqüência da mutação e o tamanho da população. deve-se responder às seguintes perguntas: a) Produto.Herbicidas: resistência de plantas 209 .2 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas mecanismo de ação. calibração. 1998a). altamente específicos e com longo residual. O gene ou os cromossomos mutantes são a fonte essencial de toda a variação genética (BREWBAKER. quando se suspeitar da ocorrência de resistência. volume de calda. produz alta pressão de seleção e aumenta a possibilidade de seleção de biótipos resistentes. dosagem. A seleção altera as proporções entre as plantas sensíveis e resistentes. aliadas ao monocultivo e ao uso repetido do controle químico. torna inevitável o surgimento de plantas resistentes. tipo de bicos e condições ambientais foram adequados? b) As falhas de controle foram para uma espécie apenas? c) As plantas não são resultado de reinfestação? Módulo 3. 6 . adjuvantes. Geneticamente. 5.Variabilidade genética A variabilidade genética das plantas daninhas. O controle insatisfatório de plantas daninhas não significa necessariamente que seja resistência. baixa dormência das sementes. Características das plantas daninhas como alta diversidade genética. 1998).Diagnóstico da resistência a campo A resistência é um fenômeno que evolui em uma lavoura durante vários anos. devido à mutação. há dois caminhos para o aparecimento de plantas resistentes: a ocorrência de um gene ou de genes que conferem a resistência em freqüência muito baixa na população ou através de uma mutação (MORTIMER. inicialmente. associada à adequada intensidade e duração de seleção. 1969). grande produção de polén e propágulos.5 . O(s) gene(s) que conferem a resistência a um determinado herbicida pode(m) estar presente(s) em uma população antes mesmo que este herbicida seja lançado no mercado. Segundo HRAC (1998a). A possibilidade de ocorrer resistência em uma população. contribuem grandemente para o surgimento de plantas resistentes. Toda população natural de plantas daninhas contém biótipos resistentes a herbicidas. época ou estádio de aplicação.

MORTIMER. duas e quatro vezes a dose recomendada.5 . As diferenças entre biótipos resistentes e sensíveis de uma espécie podem ser quantitativamente expressas comparando-se as doses de herbicidas necessárias para reduzir 50% da população (DL50). Para servir como padrão sensível.Herbicidas: resistência de plantas . Os resultados podem indicar se a resistência é devido à alteração no local de ação ou à metabolização da molécula. indica que o possível mecanismo de resistência está relacionado com o local de ação.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Se as respostas a estas perguntas forem afirmativas. devem-se colher sementes de plantas em locais que nunca receberam aplicação daquele herbicida.000 sementes. das plantas tratadas com herbicida em comparação com as não-tratadas (MAXWELL. podem ser realizadas em nível de laboratório. indica que o provável mecanismo envolvido é metabolismo da molécula. se a diferença de controle for pequena. da biomassa (GR50) ou da atividade da enzima (I50). Após duas e quatro semanas. semear em vasos e tratar com doses crescentes do herbicida em questão. Por outro lado. deve-se iniciar a investigação dos fatores que levam à resistência. para identificar o mecanismo exato da resistência. As doses a serem aplicadas são: metade da recomendada. dose recomendada. Análises bioquímicas. Ponchio (1997) isolou a enzima ALS e avaliou a sua resposta a diferentes doses de herbicidas que agem sobre ela. existe a possibilidade de ser resistência.Como confirmar a resistência O método mais comum e recomendado pelo HRAC (1998b) é colher sementes das plantas suspeitas de resistência e de plantas sensíveis. 210 Módulo 3. 1994). 7 . Para se ter certeza de que as plantas colhidas representam a população. avaliar o controle e a produção de matéria fresca. Se a diferença de controle entre os biótipos resistentes e sensíveis for grande. deve-se colher em torno de 40 plantas ou 1. No Brasil. As condições de aplicação devem seguir aquelas recomendadas pela empresa fabricante. a) Ultimamente tem-se reptido aplicação de um mesmo herbicida ou herbicidas com mesmo mecanismo de ação? b) O herbicida em questão vem perdendo eficiência? c) Há casos de plantas resistentes a este herbicida? d) O herbicida não perdeu eficiência sobre outras espécies? Se a resposta a uma ou mais destas perguntas for afirmativa. devendo-se realizar testes para confirmação. Existem metodologias para estudo da maioria dos casos de resistência.

já que a probabilidade de uma planta daninha tornar-se resistente aos dois mecanismos. k) Controlar plantas em áreas adjacentes (terraços. i) Acompanhar mudanças na flora. a fim de minimizar o risco do surgimento de plantas resistentes (Quadro 4). A adoção dessas práticas visa reduzir a pressão de seleção. Para minimizar os riscos de resistência. e) Limitar aplicações de um mesmo herbicida. Em caso de confirmação da resistência. para reduzir o acréscimo de sementes ao banco. em primeiro lugar: a) Erradicar imediatamente as plantas remanescentes.Herbicidas: resistência de plantas 211 . é pequena. juntamente com esta. devem-se realizar os testes e determinar medidas de manejo. deve-se. São elas: reduzir a pressão de seleção e controlar os indivíduos resistentes antes que eles possam se multiplicar. O acompanhamento e a avaliação da eficiência das medidas adotadas para combate à resistência são indispensáveis para garantir o sucesso da prática. b) Realizar aplicações seqüenciais. A mistura de produtos com diferentes mecanismos de ação proporciona controle eficiente por maior número de anos do que ambos aplicados de forma isolada. c) Usar mistura de herbicidas com diferentes mecanismos de ação e de detoxificação. h) Rotacionar os métodos de controle de plantas daninhas. b) Colocar em prática o programa de manejo da resistência. f) Usar herbicidas com menor pressão de seleção (residual e eficiência). Isso pode ser conseguido com adoção das seguintes práticas: a) Usar herbicidas com diferente mecanismo de ação. c) Evitar a disseminação.Como evitar a resistência Antes que as falhas de controle apareçam na lavoura. Módulo 3. os herbicidas que compõem a mistura devem controlar o mesmo espectro de plantas daninhas e ter persistência similar e diferente mecanismo de ação e de detoxificação. 8 . d) Realizar rotação de mecanismo de ação. algumas práticas podem ser implantadas. pós-colheita).5 . As práticas culturais visam aumentar o número de possibilidades de controle das plantas daninhas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A empresa fabricante deve ser informada e. simultaneamente. g) Rotacionar o plantio de culturas. l) Rotacionar o método de preparo do solo. j) Usar sementes certificadas. através de diferentes métodos de controle e mecanismos herbicidas.

favorecendo os alelos sensíveis (MORTIMER. Desse modo. mecânico e químico Completa Baixa Bom Risco de resistência Médio Dois mecanismos Dois mecanismos Cultural e químico Limitada Média Declinando Alto Um mecanismo Um mecanismo Químico Nenhuma Alta Ruim 9 . as plantas que não são controladas com uso de herbicidas alternativos podem contribuir para a disseminação e o aumento da freqüência gênica dos alelos sensíveis. O uso de altas doses pode intensificar a seleção.Manejo da resistência a herbicidas As estratégias de manejo vêm sendo discutidas continuamente por cientistas da área.Herbicidas: resistência de plantas . 1998). 1998). mas reduzirá o número de genes na população capazes de associarem-se (MORTIMER. de acordo com as práticas de cultivo Opção de manejo Mecanismo herbicida usado Mistura de herbicidas Método de controle Rotação de cultura Infestação Controle nos últimos três anos Fonte: Adaptado de HRAC (1998d) Baixo Mais que dois Mais que dois mecanismos Cultural. pode ser conseguida com redução na dose do herbicida que selecionou as plantas resistentes.5 . Por outro lado. no caso de a resistência ser monogênica.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 4 – Risco de evolução da resistência. O comportamento de uma população de plantas pode ser altamente modificado. são menos competitivos do que biótipos sensíveis. As várias opções que vêm sendo sugeridas estão baseadas em somente dois processos biológicos: alteração da pressão de seleção e. ou. essas medidas podem agravar o problema. A taxa de cruzamento entre os biótipos resistentes é reduzida. neste caso. 212 Módulo 3. As características poligênicas dependem da associação dos genes corretos. 1998). e com o passar do tempo a população de plantas resistentes será reduzida (MORTIMER. se a resistência for uma característica poligênica. e os biótipos mais adaptados tendem a dominar o ambiente. seleção reversa. assim. A baixa pressão de seleção poderá. uso de misturas de herbicidas. Essa tática somente será eficiente na redução da população dos biótipos resistentes em casos em que as diferenças de adaptabilidade entre os biótipos resistentes e sensíveis forem grandes (MORTIMER. a redução na pressão de seleção aumenta a probabilidade de associação desses genes em um biótipo. A redução na pressão de seleção. resistentes às triazinas. Biótipos de Senecio vulgaris. rotação de culturas e métodos de controle e usando-se herbicidas com diferentes mecanismos de ação. 1998). selecionar biótipos altamente resistentes. A seleção reversa ocorre na ausência da seleção herbicida.

5 . estão empenhadas em desenvolver técnicas e estratégias para identificação. poucas plantas daninhas evoluíram resistência até hoje.4-D. inibidores de ALS e inibidores de ACCase. que visam prolongar a vida útil das moléculas envolvidas na resistência. e Matricaria perforata. rotação de mecanismos de ação e adoção de práticas culturais específicas. As empresas fabricantes de herbicidas. resistentes ao 2. foram identificados biótipos de Commelina diffusa. no Canadá. Os biótipos resistentes assumem importância. quando biótipos resistentes de Convolvulus arvensis foram identificados nos Estados Unidos (WEED SCIENCE. 10 . Este grupo chama-se HRAC (Herbicide Resistance Action Committee) e é formado por três subgrupos que estudam triazinas.Auxinas As auxinas sintéticas 2. nos Estados Unidos. 1998) O uso extensivo de 2. 1996). no Canadá. através do GCPF (Federação Global de Proteção de Plantas). por serem os três grupos de produtos com maiores problemas (KISSMANN. fortemente defendidas pelas empresas. Considerando o tempo e o uso extensivo destes herbicidas. considerado uma auxina e usado para controle de gramíneas em arroz. Papaver rhoeas. O conhecimento do modo de ação dos herbicidas é fundamental na adoção de técnicas de manejo. responsáveis pelo HRAC. O herbicida quinclorac. financiando pesquisas e com iniciativas educativas que visam esclarecer aspectos sobre a resistência e o modo de ação de cada herbicida. na Espanha. que incluem mistura de herbicidas. O terceiro caso foi em 1964. Módulo 3.Herbicidas: resistência de plantas 213 .1 . na França.4-D e MCPA revolucionaram o controle de espécies daninhas de folha larga em cereais na década de 1940 e têm sido usadas largamente desde então. 1997). manejo e monitoramento dos casos de resistência. Os três primeiros casos de resistência identificados foram a esta classe herbicida.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Considerando que a resistência é um problema que pode afetar intensamente o mercado de herbicidas. selecionou biótipos resistentes de Echinocloa crus-galli na Espanha. de constituir um grupo permanente de cientistas para estudar o assunto e propor soluções. Em 1957.Características da resistência por grupos herbicidas 10. devido ao largo uso destes herbicidas para controlar grande número de espécies e ao restrito número de herbicidas com potencial para substituí-los (HEAP.4-D e MCPA em trigo selecionou Sinapis arvensis. as indústrias tomaram a iniciativa. e de Daucus carota.

respectivamente. com surgimento de apenas uma espécie resistente (HEAP. selecionaram 26 espécies resistentes. 17 espécies resistentes. Lorraine-Colwill et al. resistentes ao glyphosate. (2002) trabalhando com Lolium rigidum. Por apresentar mais de um mecanismo de ação. 1994). de que o glyphosate apresenta baixo risco para selecionar biótipos resistentes. 1994). 10. que apresentam. 1997). (1997) demonstraram que os biótipos resistentes de Lolium rigidum foram dez vezes mais tolerantes ao glyphosate do que os biótipos sensíveis. e os herbicidas auxínicos e inibidores de ACCase. Trabalhos realizados por Pratley et al. no Egito. Os biótipos também apresentaram-se resistentes ao diclofop e sensíveis aos demais herbicidas graminicidas usados para seu controle. selecionaram. Após duas décadas de uso. 214 Módulo 3. em uma vasta área. Dentre estas. pelo menos. Devido à pequena área infestada e ao número de herbicidas alternativos. biótipos de Erigeron philadelphicus. Contudo. em lavouras que usaram o produto para controlar plantas daninhas em pré-plantio. que apresentam baixo residual. cada um. O argumento mais convincente. é considerado um produto com baixa probabilidade de selecionar espécies resistentes. Atualmente existem comprovados no mundo seis casos de resistência ao glyphosate. como o glyphosate. plantas de Conyza bonariensis resistentes ao paraquat (PRESTON. mais de um mecanismo de ação. foram identificadas. dez vezes nos últimos 15 anos.Bipiridílios Os herbicidas bipiridílios são herbicidas não-seletivos aplicados em pós-emergência. foram identificados. Aplicações de paraquat e diquat selecionaram 25 e duas espécies resistentes.5 . os biótipos resistentes a este grupo herbicida não são considerados de grande importância (HEAP. biótipos de Lolium rigidum. entre plantas resistentes e suscetíveis as enzimas são igualmente sensíveis ao glyphosate em ambas as populações. limitado metabolismo pelas plantas e baixo poder residual.3 . Depois disso. Erigeron sumatrensis e Youngia japonica resistentes a estes herbicidas. nãotranslocáveis (de contato) e com baixa persistência biológica no solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 10.Derivados da glicina O herbicida glyphosate é o produto mais usado deste grupo. os herbicidas bipiridílios. no Japão. 1997). Os mecanismos que conferem resistência aos bipiridílios são redução na translocação e compartimentalização da molécula (PRESTON. em 1980. Segundo esses autores. na Austrália.Herbicidas: resistência de plantas . é o longo tempo em que este vem sendo usado. Em 1996 foram identificados. 1997). não encontraram nenhuma diferença em nível da expressão gênica no alvo do herbicida e na síntese de EPSPs.2 . 20 são dicotiledôneas e sete são monocotiledôneas (HEAP.

HOWAT. Biótipos de Festuca rubra. 1997). 1998). em razão da área infestada e do número restrito de mecanismos alternativos para controle dos biótipos resistentes (HEAP.Inibidores de ACCase Este grupo herbicida foi introduzido na década de 1970. 1998). metabolismo e sensibilidade da EPSPS ao glyphosate. Nos Estados Unidos. Entre as plantas resistentes. assim. em 16 países. no Canadá. biótipos de Eleusine indica. O uso de misturas herbicidas e emprego de mais de um método de controle.Herbicidas: resistência de plantas 215 . Lolium rigidum e Avena fatua são as espécies com maior importância. devem ser usados com rotação de culturas e de herbicidas. 10.5 . Biótipos de Lolium rigidum apresentam resistência cruzada às dinitroanilinas. recentemente desenvolvidos. como trifluralin.000 locais com Lolium rigidum resistente e. acredita-se que estes mecanismos não são as causas principais da resistência dos biótipos a este herbicida. Essas moléculas agem sobre a enzima ACCase e controlam com eficiência gramíneas em culturas mono e dicotiledôneas. na Austrália. somente cinco monocotiledôneas e uma dicotiledônea apresentam resistência a este grupo herbicida (HEAP. A única diferença entre os biótipos foi o maior nível de RNAm encontrado nos biótipos resistentes. 10. os cultivares de soja resistentes ao glyphosate. 1997). Dessa forma. Sorghum halepense e Amaranthus palmeri evoluíram resistência à trifluralin após 15 a 20 anos de uso em cereais e leguminosas. e isso fez com que fossem selecionados biótipos de Setaria viridis com resistência múltipla a estes mecanismos (HEAP. resistentes ao glyphosate. são usados em pré-emergência para controlar plantas daninhas gramíneas em culturas oleaginosas. 1990). devem ser adotados. Há 17 espécies monocotiledôneas resistentes aos inibidores da ACCase. entre os biótipos resistentes e sensíveis.4 .5 . 1990. POWLES. em resposta ao tratamento com glyphosate.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Esses trabalhos também demonstraram que não existem diferenças de absorção. para controle de gramíneas. a maior quantidade de EPSPs sintetizada poderia ser a causa da resistência.Dinitroanilinas Os herbicidas do grupo dinitroanilinas. translocação. A identificação de biótipos resistentes ao glyphosate indica que a resistência a este produto deve ser prevenida. Desse modo. foram selecionados artificialmente (MORTIMER. Apesar do tempo de uso e do seu longo período residual. devido ao metabolismo dessas moléculas (MOSS. além do químico. 1998). mais de 3. Módulo 3. Estima-se que haja. oryzalin e pendimethalin. mais de 500 locais com Avena fatua (HEAP. Os herbicidas inibidores de ACCase são o primeiro grupo herbicida alternativo para controlar biótipos resistentes aos herbicidas do grupo dinitroanilina. considera-se que aquelas que resistem aos herbicidas inibidores de ACCase tenham a maior importância econômica.

O diferente nível de resistência pode ser resultado das diferentes mutações ocorridas no gene que codifica a enzima ACCase e do tipo de alelo do gene (POWLES. em 14 países. a repolarização das membranas ocorre independentemente da presença da ACCase mutada e existem muitas diferenças entre as membranas dos biótipos resistente e sensível (HEAP. apresentam maior nível de resistência aos herbicidas do primeiro grupo do que aos do segundo. A manutenção do potencial é vital para a sobrevivência da célula. PRESTON. Nos últimos dez anos. plantas resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase devem possuir mais de um mecanismo que proporcione a resistência. há 50 espécies de plantas daninhas resistentes a estes produtos. selecionados com uso de herbicidas dos grupos ariloxifenoxipro-pionato ou cicloexanodiona. 1994. bem como a seu grande espectro de controle de plantas daninhas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Biótipos de Lolium rigidum. como: 1) a amplitude de recomendações possíveis. 41 são dicotiledôneas e nove são monocotiledôneas. 1994). um relacionado com a ACCase e outro com a membrana plasmática. 2) alta eficácia da maioria dos herbicidas inibidores da ALS .6 . com o lançamento da molécula chlorsulfuron para uso em cereais (SAARI et al. 1998).Herbicidas: resistência de plantas . 1994). 3) muitos herbicidas inibidores da ALS apresentam residual prolongado no solo e conseqüentemente aumentam a pressão de seleção para biótipos resistentes. em razão da sua eficiência e do reduzido impacto ambiental (SAARI et al.. 5) trabalhos têm mostrado que os biótipos resistentes apresentam a mesma adaptabilidade ecológica que os biótipos sucetíveis dos inibidores 216 Módulo 3. Os herbicidas classificados como inibidores de ALS tornaram-se uma ferramenta de grande importância para agricultura. Dentre estas. 4) a resistência aos herbicidas inibidores da ALS é determinada geneticamente por lócus simples e semidominante e alta freqüência inicial em todos os casos de resistência estudados até o momento. Entre as espécies descritas estão Kochia scoparia.5 . 10. Essas características contribuíram para o surgimento rápido da resistência..esses herbicidas podem atingir níveis de controle próximos a 100%.. a resistência aos inibidores da ALS tem sido atribuída a mudanças na seqüência de aminoácidos. Assim. A despolarização das membranas é um segundo mecanismo de ação atribuído aos herbicidas deste grupo. alta seletividade para as culturas e alta eficiência com emprego de doses baixas (HESS. Aproxi¬madamente cinco anos após o início do uso dos herbicidas inibidores de ALS. Em biótipos de Lolium rigidum. resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase. AHRENS. este grupo herbicida vem apresentando o maior número de registros de plantas resistentes. Amaranthus strumarium e Sorghum bicolor (HEAP. Os herbicidas inibidores da ALS apresentam alta freqüência de casos de resistência de plantas daninhas. 1997). 1997). 1994). 1994). surgiu a primeira espécie resistente (SAARI et al. desde gramíneas até dicotiledôneas e plantas daninhas perenes como a tiririca e a grama-seda. Estes herbicidas são largamente usados devido a sua baixa toxicidade para animais. o que se deve a vários fatores. Atualmente. que vai desde a cultura da soja até área de produção de arroz irrigado e florestas implantadas.Inibidores de ALS A introdução no mercado dos herbicidas inibidores de ALS ocorreu em 1982.

. como as triazinas e uréias substituídas. que conferem alterações funcionais na enzima ALS (POWLES. Alterações na proteína D1 são as principais causas da ocorrência de plantas resistentes aos herbicidas que agem no fotossistema II. FALCO. entre elas a substituição. 10.7 . 2004). em 16 países. contudo. dessa forma. As plantas daninhas resistentes têm sido controladas com eficiência. no centro ativo A da ALS. As espécies mais freqüentes são Chenopodium album. em um dos biótipos resistentes. a resistência deste biótipo se deve à rápida metabolização do herbicida. Christopher et al. mas não a todos os herbicidas do grupo das uréias. A rápida inativação metabólica é a base para a resistência do biótipo SR4/84 de Lolium rigidum ao chlorsulfuron (COTTERMAN. (1992) identificaram biótipos de Lolium rigidum resistentes ao herbicida chlorsulfuron. A mutação na D1 provoca alto nível de resistência aos herbicidas do grupo triazinas. 1994). PRESTON. não está descartada a hipótese de que o metabolismo da molécula também esteja envolvido. até o momento. cinco de Polygonum e quatro de Chenopodium. A causa da resistência aos herbicidas inibidores de ALS está em mutações que ocorrem no DNA e no metabolismo da molécula herbicida. SAARI et al. A resistência a imidazolinonas e sulfoniluréias é conferida por um gene dominante nuclear (MAZUR. até o momento. Já um segundo biótipo apresentou resistência devido à insensibilidade da enzima ALS ao inibidor. glutamina. usando-se herbicidas alternativos (HEAP. histidina.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas da ALS. em dez países. assim. porém a atividade da ALS. Além da prolina. Estima-se que a área infestada no mundo com plantas daninhas resistentes aos herbicidas triazinas seja superior a três milhões de hectares. Esta mutação afeta o fluxo de elétrons no FSII. e Solanum nigrum. 1989. respondeu igualmente a um biótipo sensível ao herbicida. da prolina 173 por uma alanina. 1992). foi identificada somente uma mutação na proteína D1: a substituição da serina 264 por uma glicina. Os diferentes níveis de resistência são atribuídos às diferenças na estrutura do centro de reação da D1 entre às espécies. 1997). já que. O gene que codifica a enzima ALS nas espécies resistentes pode apresentar diferentes mutações. em nove países.5 . biótipos resistentes apresentam menor crescimento do que biótipos normais Módulo 3. e 6) a maioria dos casos de resistência aos inibidores da ALS estudados apresenta resistência cruzada aos diversos grupos químicos de herbicidas que tem este mecanismo de ação (VARGAS et al. não foram encontrados biótipos resistentes que apresentem alteração na taxa de crescimento ou na capacidade competitiva. Amaranthus retroflexus e Senecio vulgaris. Entre as plantas resistentes relatadas existem nove espécies de Amaranthus.Triazinas A maioria das plantas daninhas resistentes às triazinas foram localizadas em lavouras de milho na Europa e América do Norte. outros aminoácidos da ALS podem ser substituídos e produzir plantas resistentes com características distintas.Herbicidas: resistência de plantas 217 . O metabolismo das moléculas herbicidas é outro mecanismo usado por plantas daninhas para resistir a estes herbicidas. Essas mutações não alteram a função biológica da ALS.. assim. 1998). serina ou treonina. SAARI.

A ocorrência destes biótipos resistentes inviabiliza o uso deste herbicida em lavouras da Colômbia.8 . ao tamanho da área e ao tempo em que este produto é usado na área.D 218 Mecanismo Local de ação alterado/metabolismo Local de ação alterado Local de ação alterado Local de ação alterado Metabolismo Desconhecido Módulo 3.Seleção de biótipos resistentes por diferentes mecanismos de ação herbicida Os herbicidas selecionam biótipos resistentes com diferentes mecanismos de resistência (Quadro 5) e em diferentes períodos de tempo (Quadro 3). 1997). O herbicida propanil é usado para controlar Echinocloa colona e E. apresentam sérios problemas de controle. dessa forma. além da facilidade que as espécies possuem de evoluir resistência para o herbicida e do número de mecanismos envolvidos. em 1983.5 . 10.Mecanismos de resistência de plantas daninhas a herbicidas pertencentes a diferentes grupos químicos Herbicida Triazinas Dinitroanilina Inibidores da ALS Inibidores da ACCase Propanil 2. Atualmente. 1998). com e sem rotação. 1998). Os biótipos de plantas daninhas resistentes às triazinas são controlados com eficiência. por possuírem capacidade de metabolizar herbicidas com diferentes mecanismos de ação. As diferenças se devem à variabilidade genética das espécies envolvidas. da Costa Rica e dos Estados Unidos (HEAP. mais de 40 espécies apresentam resistência a este grupo e duas ao propanil. mas sim via herança materna.Uréias/amidas A primeira espécie a apresentar resistência às uréias foi Alopecurus myosuroides no Reino Unido.4. Biótipos de Alopecurus myosuroides. A mutação responsável pela resistência às triazinas ocorreu no genoma do cloroplasto. que pertence ao grupo das amidas. Quadro 5 . e na Alemanha. As diferenças relacionadas ao mecanismo de ação destes herbicidas podem ser a resposta para essa questão. 11 . com uso de herbicidas alternativos (HEAP.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas (POWLES.Herbicidas: resistência de plantas . em muitos países. resistentes a chlorotoluron. a resistência não é transmitida hereditariamente via pólen. Isso demonstra que as triazinas apresentam maior risco de seleção de biótipos resistentes que as auxinas sintéticas (HEAP. Até o momento existem 64 espécies resistentes às triazinas e 17 resistentes aos auxínicos. em 1982. crusgalli em lavouras de arroz. PRESTON. 1997). Os herbicidas triazinas e auxina sintéticas vêm sendo usados em milhões de hectares há mais de 30 anos.

Conyza banariensis e Plantago lanceolata (WEED SCIENCE. LÓPEZ-OVEJERO. Módulo 3. 1997. aos herbicidas inibidores de ALS. constitui-se na mais provável causa da resistência (PONCHIO. são elas: Lolium rigudum. poderão ser evitados o surgimento de novos casos de resistência e o surgimento de plantas com resistência múltipla. estes herbicidas apresentam alto potencial para selecionar plantas resistentes. fomesafen e acifluorfen (PONCHIO. a vasta área tratada. O primeiro caso de resistência de plantas daninhas ao herbicida glyphosate foi registrado em 1996. A enzima ALS. Conyza canadensis. relatado oficialmente.. 12 . 1997).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Os herbicidas dos grupos cloroacetamidas e inibidores da EPSPs (glyphosate). mas são sensíveis aos herbicidas alternativos sulfentrazone. até o presente momento. lactofen. O glyphosate esta sendo usado intensivamente na agricultura há mais de 25 anos. Lolium multiflorum. Até hoje foram constatados casos de resistência em 6 espécies de plantas daninhas. 2006). um número limitado de populações de plantas daninhas sofreu pressão de seleção suficiente para o aparecimento de biótipos resistentes (CHRISTOFOLETI. apesar de serem considerados de baixo risco. (Quadro 6). 1999).5 .A resistência de plantas daninhas no Brasil Atualmente são reconhecidos 15 casos de plantas daninhas resistentes no Brasil. 2003). que é um problema muito maior do que a resistência cruzada. Nos últimos dez anos foram identificadas mais espécies resistentes para os inibidores de ALS do que para qualquer outro mecanismo de ação. O primeiro caso de resistência. Somente com o uso de todos os métodos de controle disponíveis conjuntamente. foi o da planta daninha Bidens pilosa L. mostrou-se menos sensível a estes herbicidas e. a alta especificidade e eficiência e o longo período residual contribuem para a evolução rápida da resistência aos herbicidas que agem inibindo as enzimas ALS e ACCase. selecionaram biótipos resistentes devido ao seu emprego em vastas áreas (HEAP. desse modo. Em razão de suas características. A alta freqüência inicial de indivíduos resistentes na população. Eleusine indica.Herbicidas: resistência de plantas 219 . dos biótipos resistentes. 1997). Estes biótipos foram encontrados em lavouras dos estados do Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul e apresentam resistência cruzada aos herbicidas inibidores de ALS. bentazon. VARGAS et al.

onde estes produtos são empregados há mais de cinco anos. diferenças entre os biótipos resistentes e sensíveis. e Brachiaria plantaginea.. Estudos relacionados à capacidade competitiva e ao comportamento das sementes no solo não indicam. referentes à resistência em Euphorbia heterophylla L. resistentes aos herbicidas inibidores de ALS. Os resultados deste trabalho indicam que a resistência é conferida por um gene dominante nuclear e que os biótipos apresentam resistência cruzada aos herbicidas inibidores de ALS.5 . Os biótipos resistentes sobreviveram ao tratamento com dose 16 vezes maior que a dose de campo (de rótulo). estão sendo realizados na Universidade Federal de Viçosa.arroz Capim. resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase. Estudos relacionados a inibidores da ALS em condições de laboratório e de campo. Não houve diferenças entre os biótipos resistentes e sensíveis relacionadas à taxa de germinação e à profundidade de germinação e emergência.Herbicidas: resistência de plantas .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 6 . foram identificados em lavouras de soja nos estados do Rio Grande do Sul e Paraná. 220 Módulo 3. crusgalli Echinochloa crus-pavonis Eleusineiíndica Euphorbia heterophylla Euphorbia heterophylla Sagitaria montevidensis Fimbristylis miliacea Lolium multifolium Parthenium hysterophorus Raphanus sativus Fonte: Wees Science (2006) Nome comum Picão-preto Picão-preto Capim-marmelada Junquinho Capim-arroz Capim-colchão Capim. O uso repetido destes herbicidas pode ser a principal causa da seleção dos biótipos resistentes.Espécies de plantas daninhas resistentes a herbicidas ocorrentes no Brasil e seu provável mecanismo Biótipos resistentes Bidens pilosa Bidens subalternans Brachiaria plantaginea Cyperus difformis Echinochloa colonum Digitaria ciliaris Echinochloa crusgalli var. até o momento. porém são sensíveis a herbicidas com outros mecanismos de ação.arroz Capim-pé-de-galinha Leiteiro Leiteiro Flecha Cuminho Azevém Losna-branca Nabiça Mecanismo de ação ao qual adquiriu resistência Inibidores da ALS Inibidores da ALS Inibidores da ACCase Inibidores da ALS Auxina sintética Inibidores da ACCase Auxina sintética Auxina sintética Inibidores da ALS Inibidores da ALS Inibidores da ALS e PPO Inibidores da ALS Inibidores da ALS Inibidores da EPSPs Inibidores da ALS Inibidores da ALS Biótipos de Euphorbia heterophylla.

Vargas et al. que vinham recebendo. (2004).. As plantas resistentes e suscetíveis foram igualmente capazes de absorver o herbicida aplicado. propaga-se apenas por sementes (LORENZI. Módulo 3.520 g ha-1. Nesse mesmo trabalho. herbácea. aproximadamente.Resistência do azevém (lolium multiflorum) ao glyphosate Lolium multiflorum é uma espécie anual ou bianual. 20% a doses de até 11. (2002) não encontraram nenhuma diferença em nível da expressão gênica no alvo do herbicida e na síntese de EPSPs. foram identificados biótipos de azevém (Lolium multiflorum) resistentes ao glyphosate em lavouras de culturas anuais e em pomares (ROMAN et al. glaba.Herbicidas: resistência de plantas 221 . Nas plantas resistentes e suscetíveis. Depois do tratamento com glyphosate os autores observaram acumulação do produto nas raízes de plantas suscetíveis e nas pontas das folhas de plantas resistentes (Quadro 7). ereta. densamente perfilhada. Com relação ao Lolium rigidum. No Brasil.5 . 2004). observaram que aproximadamente 80% das plantas avaliadas resistiram a dose de até 1. a dose de 360 g ha-1 foi suficiente para controlar o biótipo sensível.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 13 . Em todos esses casos a aplicação repetida e continuada de glyphosate para controle da vegetação é considerada a principal causa da seleção dos biótipos resistentes. de 30 a 90 cm de altura. as enzimas foram igualmente sensíveis ao glyphosate em ambas às populações. Este biótipo resistente foi identificado em pomares no Chile. o mecanismo que confere resistência ao glyphosate ainda não foi determinado com clareza. morfologicamente muito variável. trabalhando com biótipos sucetíveis e resistentes de azevém (Lolium multiflorum).440 g ha-1 de glyphosate e. Lorraine-Colwill et al. em média. A diferença marcante entre populações resistentes e suscetíveis foi encontrada no translocação do glyphosate. O primeiro caso de Lolium multiflorum resistente ao glyphosate foi relatado por Perez e Kogan (2002). Originária do sul da Europa. 2000). três aplicações de glyphosate por ciclo durante os últimos 8 a 10 anos.

LA: local da aplicação.0 42.3 ± 3.9 ± 4. com erros-padrão. dessa forma.Herbicidas: resistência de plantas . Os valores mostrados são a médias de 10-15 plantas dos biótipos resistente e suscetível. Quadro 8 – Inibição da EPSPS em teste in vitro População Suscetível Intermediário Resistente Altamente resistente Fonte: BAERSON et al.4 ± 8. rigidum após o pré-tratamento com glyphosate isopropilamina (450 g ha-1) Horas 2 4 8 24 48 Biótipos S R S R S R S R S R Acima do LA 30 ± 2 28 ± 4 40 ± 3 42 ± 4 36 ± 5 48 ± 5 19 ± 3 42 ± 5 15 ± 2 50 ± 1 C (% total absorvido) LA Abaixo do LA 13 ± 1 55 ± 2 11 ± 1 58 ± 5 11 ± 1 44 ± 3 10 ± 1 44 ± 4 11 ± 2 45 ± 3 10 ± 2 37 ± 3 08 ± 1 53 ± 3 10 ± 1 43 ± 4 10 ± 2 55 ± 3 11 ± 1 33 ± 3 14 Raízes 02 ± 0 02 ± 0 05 ± 1 04 ± 0 08 ± 1 05 ± 1 20 ± 2 05 ± 1 20 ± 4 06 ± 1 Lorraine-Colwill et al. é muito pouco provável que os maiores níveis de expressão da EPSPs dos indivíduos resistentes expliquem completamente a maior tolerância ao produto.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 7 .2 ± 2.5 ± 2.6 ± 6. Os autores isolaram a enzima EPSPS e realizaram testes in vitro de sua atividade na presença de glyphosate em todas as populações.3 ± 7.Translocação foliar do 14glyphosate aplicado em plantas resistentes e suscetíveis.5 .8 Esses autores observaram superprodução da EPSPS induzida pela aplicação do glyphosate e também expressivo aumento no nível de EPSPS nas plantas resistentes e altamente resistentes. em biótipos de L. a hipótese de alteração da EPSPS no sítio de ação é descartada. Segundo Kogan e Pérez (2003). sugerindo que o mecanismo de resistência não esta completamente baseado no sítio de ação. (2002) % de inibição por glyphosate 0 hora após a aplicação 48 horas após a aplicação 42.0 38.5 44.5 43.8 42. 222 Módulo 3. intermediário . (2002). Baerson et al.4 44. resistente e altamente resistente.6 ± 2.9 36. Os resultados do trabalho indicados no Quadro 8 mostram que a atividade da EPSPS das plantas resistentes é similar à atividade das plantas suscetíveis. (2002) observaram inicialmente que numa população de Lolium rigudum existiam plantas com diferentes níveis de resistência ao glyphosate e assim classificaram estes biótipos como suscetível.

intermediário e resistente ao herbicida glyphosate). (2006a) com três biótipos de Lolium multiflorum (biótipos sensível.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 2 .5 . Módulo 3.Herbicidas: resistência de plantas 223 . 3 B e C. 3A). observou-se que doses de até 3.200 g ha-1 de glyphosate não controlaram os biótipos resistentes e de resistência intermediária. (2006a) Em recente trabalho realizado por Ferreira et al. Tanto o biótipo resistente quanto o intermediário apresentaram elevados níveis de intoxicação (80%) aos 14 dias após a aplicação dos tratamentos (Fig. multiflorum observou-se redução na produção de massa seca da parte aérea.Evolução da intoxicação provocada por glyphosate sobre biótipos sensível (A). resistente (B) e de resistência intermediária (C) de Lolium multiflorum Fonte: Ferreira et al. Essa queda de produção foi mais severa no biótipo intermediário do que no resistente (Fig. Todavia. A dose de 200 g ha-1 foi suficiente para controlar 100% das plantas sensíveis (Fig. em ambos os biótipos (resistente e com resistência intermediária) de L. 4).

224 Módulo 3. O biótipo R apresentou maior acúmulo de 14glyphosate na folha aplicada às 64 horas enquanto no suscetível observaram maior acúmulo desse herbicida nas raízes (Fig.. 5). (2002) em Lolium rigudum. (2006a) Figura 4 .Herbicidas: resistência de plantas . 2006a) O possível caso da resistência de L. Ferreira et al.5 . 2A). multiflorum pode estar ligado a translocação diferencial deste herbicida pelos diferentes biótipos. (2006) verificaram que tanto o suscetível quanto o resistente absorveram o glyphosate na mesma intensidade (Fig. Todavia observaram diferença marcante na translocação do 14glyphosate entre os biótipos resistente (R) e sensível (S). que constataram maior acúmulo do produto marcado nas raízes do biótipo resistente. Esses resultados se assemelham aos encontrados por Lorraine-Colwill et al.Porcentagem de produção de massa seca dos biótipos resistente e intermediário tratados com glyphosate em relação à testemunha Fonte: Ferreira et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 3 .Biótipos resistente (R) e sensível (S) de L multiflorum cinco dias após tratamento com 800 g ha-1 de glyphosate (FERREIRA et al.

(B) . milhares de hectares cultivados com culturas transgênicas já foram incorporados no processo produtivo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 5 – Concentrações de glyphosate avaliadas em diferentes tempos após aplicação. 2005). Depois disso.Culturas transgênicas Cultivares de soja e de outras culturas foram lançados recentemente no mercado. (C) – na parte aérea e (D) . perdendo apenas para Argentina e Estados Unidos (Quadro 9).Herbicidas: resistência de plantas 225 .nas raízes de biótipos de L.4 milhões de hectares de sementes. No mundo. Módulo 3.Culturas transgênicas e plantas daninhas resistentes a herbicidas 14. a área de produção de transgênicos passou de 81 milhões de hectares em 2004 para 90 milhões.na folha onde foi aplicado. com uma área plantada de 9. correspondendo a um aumento de 11% em 2005 no total de 21 países onde o plantio de transgênicos é permitido (JAMES. multiflorum resistente (R) e sensível (S) Fonte: Ferreira et al.1 . (2006b) 14 . (A) – na água de lavagem. O Brasil é hoje o terceiro produtor de transgênicos.5 .

1 < 0. Índia. cultivado em 4. O algodão Bt foi plantado em oito países. milho. equivalente a 6% da área mundial com lavouras geneticamente modificadas. milho e canola Algodão Soja Algodão Soja. África do Sul e Argentina. que. representando 60% da área mundial destinada às plantas geneticamente modificadas em 90 milhões de hectares.3 0. algodão.4 milhões de hectares.5 0.1 < 0.1 9.8 3.3 0. sexta colocação em 2003. Canadá. quando foram cultivados 12. Canadá. EUA.5 .1 Culturas transgênicas Soja.Herbicidas: resistência de plantas . Outras cinco culturas listadas no Quadro 10 ocuparam entre 2% e 5% da área mundial cultivada com plantas derivadas da biotecnologia e incluem.3 0.1 < 0. comercialmente disponível em nove países em 2005 (Quadro 9) que.0 milhões de hectares. com crescimento de 22% no ano de 2003.1 0.1 < 0.5 milhões de hectares.1 < 0.1 0. dos 21 países produtores de transgênicos. 2).4 5.3 milhões de hectares (5%) em dois países: Canadá e EUA. milho e algodão Soja e milho Algodão Soja e algodão Soja Milho Milho Algodão Arroz Milho Milho Milho Milho Milho Em 2005. foram: China. Checa Superfície (milhões de ha-1) 49. África do Sul e México.1 0.1 < 0. África do Sul e Colômbia. Argentina. A soja tolerante a herbicida é atualmente a cultura geneticamente modificada dominante. milho Bt tolerante a herbicida. México. A terceira cultura geneticamente modificada mais cultivada foi o algodão Bt.8 17. milho e algodão Soja Soja. em ordem decrescente de área cultivada.3 milhões de hectares (5%) em quatro países: EUA. canola e mamão Soja.8 1.3 milhões de hectares. são: EUA. ocupou um total de 15. Paraguai. Ela ocupa 48. cultivado em 4. Uruguai. e que ocupou 4. Brasil. 11 são países em desenvolvimento e 10 industrializados (Fig. canola tolerante a herbicida. Importante destacar que o milho Bt.1 < 0.Superfície global de cultivos transgênicos em 2005 (em milhões de hectares) Ordem 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 Fonte: James (2005) País EUA Argentina Brasil Canadá China Paraguai Índia África do Sul Uruguai Austrália México Romênia Filipinas Espanha Colômbia Irã Honduras Portugal Alemanha França Rep. em ordem decrescente de área cultivada. em ordem decrescente de área: milho tolerante a herbicida.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 9 .8 milhões de hectares (4%) em dois países: EUA e 226 Módulo 3. Romênia. Austrália. Argentina.3 1. cultivado em 3.

5 . em ordem crescente por área. os países produtores de culturas trangênicas em 2005.5 milhão de hectares (2%) em 3 países: EUA. de 1996 a 2005 O Quadro 10 mostra.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Canadá.Herbicidas: resistência de plantas 227 . Austrália e México. Austrália e África do Sul (JAMES. Quadro 10 – Princiapais lavouras geneticamente modificada em 2005 Culturas Soja tolerante a herbicida Milho Bt Algodão Bt Milho tolerante a herbicida Canola tolerante a herbicida Milho Bt/tolerante a herbicida Algodão Bt/tolerante a herbicida Algodão tolerante a herbicida Fonte: James (2005) % em relação ao total de áreas cultivadas 60 14 06 05 05 04 04 02 Módulo 3. em milhões de hectares. 2005). Figura 2 – Evolução da área de cultivo de transgênicos no mundo. algodão Bt e tolerante a herbicida cultivado em 3 milhões de hectares (4%) em três países: EUA. e algodão tolerante a herbicida cultivado em 1.

5 .9 42. etc. Já a transgenia é uma evolução desse processo. com o objetivo de acelerá-lo e de ampliar a variedade de genes que podem ser introduzidos nas plantas. a transgenia. uma vez que permite a inserção de genes cujas características são conhecidas com antecedência.7 81. e a decifração do código genético foram condições primordiais para o surgimento da biotecnologia moderna. bem como da natureza química do material genético. oferece maior precisão do que os cruzamentos. A biotecnologia agrícola utiliza a transgenia como uma ferramenta de pesquisa agrícola caracterizada pela transferência de genes de interesse agronômico (e. permitiram a manipulação do material genético. que. uma bactéria.8 39.6 59.Herbicidas: resistência de plantas . denominadas de transgênicas.0 A transgenia permite um melhoramento "pontual" através da inserção de um ou poucos genes e da conseqüente expressão de uma ou poucas características desejáveis (MONSANTO. Nessse período. a área cultivada com lavouras transgênicas cresceu mais de 47 vezes (JAMES. com segurança (MONSANTO.0 27.2 52.7 67. Além disso. 2005). 2005). O Quadro 11 mostra a evolução do cultivo de plantas geneticamente modificada e tolerante a herbicidas durante o o período de 1996 a 2005. Quadro 11 –Área total de lavouras geneticamente modificadas no mundo entre os anos de 1996 e 2005 Ano 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 Fonte: James (2005) Hectares (em milhões) 1. Assim. de características desejadas) entre um organismo doador (que pode ser uma planta.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A descoberta das leis da hereditariedade.7 11.) e plantas. surgiram as plantas que carregam em seu genoma a adição de DNA oriundo de uma fonte diferente de germoplasma paternal. cruzam-se as espécies sexualmente compatíveis e ocorre a combinação simultânea de vários genes. 228 Módulo 3. 2001). No melhoramento tradicional. por meio de desenvolvimento de métodos refinados com o uso de técnicas de biologia molecular. sem que sejam introduzidos outros genes. conseqüentemente. como ferramenta da biotecnologia agrícola. como ocorre no melhoramento genético clássico (no cruzamento ocorre a "mistura" de metade da carga genética de cada variedade parental). 2005). hoje conhecida como tecnologia do DNA recombinante ou engenharia genética (VALOIS. um fungo.1 90.

Espécies altamente sensíveis a esse produto serão eliminadas. 2005). No início serão observados apenas os benefícios da nova tecnologia. dessa forma. Esse fato poderá levar a uma situação extrema. em que a maioria da área cultivada empregará a mesma molécula herbicida. somente haverá. O risco do surgimento de casos de plantas daninhas resistentes é maior para aqueles herbicidas que já apresentam biótipos resistentes. subterrâneas e multiplica-se também a partir do enraizamento de porções do caule (ROCHA 1999. Os produtos e as combinações de produtos utilizados na soja convencional serão substituídos pelo glyphosate. será utilizado um único ingrediente ativo. Dessa forma. a substituição das moléculas herbicidas que vinham sendo usadas por outra. o que significa alta pressão de seleção. deixando de fazer o controle das plantas Módulo 3. C. É uma planta perene que se reproduz por sementes aéreas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 15 . Muitos produrores de soja transgênica no Rio Grande do Sul preferem controlar as plantas daninhas com aplicação de pós-emergência feita na cultura. e outras consideradas tolerantes apresentam a possibilidade de disseminação e conseqüente aumento de infestação nas áreas cultivadas com soja transgênica. porém com o decorrer dos anos existirá uma grande possibilidade de surgir problemas como a seleção das espécies consideradas tolerantes ou mesmo espécies resistentes (GAZZIERO.. o glyphosate (GAZZIERO. Em 2005 a soja transgênica foi oficialmente liberada para plantio no país. que é um requisito para a seleção de plantas resistentes. as plantas daninhas apresentam composição e dinâmica de um país tropical. por exemplo. sendo hospedeira de pragas e moléstias. em que fatores como a intensidade e a rapidez da mudança na composição de uma comunidade são acentuados e inevitavelmente influenciados pelas práticas agrícolas e pela ação humana. se o manejo das plantas daninhas não for adequadamente utilizado na soja transgênica. essas plantas apresentam grande potencial de se tornarem um sério problema de controle. tendo em vista que vários produtos ou combinações de produtos utilizados atualmente serão substituídos por um único ingrediente ativo. é uma espécie que se adapta com facilidade a diferentes ambientes e apresenta intensa resposta à calagem e adubação do solo. Borreria latifolia e Tridax procumbens são plantas consideradas tolerantes ao glyphosate. benghalensis. em alguns casos. A dinâmica e o estabelecimento das plantas daninhas nos levam a antever uma provável mudança na composição das plantas infestantes. como é o caso dos herbicidas para os quais estão sendo desenvolvidas culturas resistentes. Espécies como Commelina benghalensis. 2000).5 . No Brasil. ROCHA et al. espera-se a ocorrência de profundas mudanças nos sistemas de controle.Plantas daninhas resistentes em culturas transgênicas Os métodos de controle das plantas daninhas não sofrerão alteração.Herbicidas: resistência de plantas 229 . 2005).

2003).5 .Herbicidas: resistência de plantas . estarão sujeitos à seleção de plantas daninhas resistentes.Comentários finais A resistência de plantas daninhas a herbicidas é um fato consumado no Brasil. ao se realizar a aplicação. sobre os quais tem sido aplicada doses de 16 L ha-1 do produto comercial sem sucesso. com mesmo mecanismo de ação. observou em pomares de maça tratados com glyphosate a seleção de Richardia brasiliensis. Na maioria dos casos. 16 . o processo de competição entre a cultura e as plantas daninhas já se iniciou. da variabilidade genética da espécie daninha. Biótipos de azevém (Lolium multiflorum) resistente ao glyphosate se tornaram um grave problema nas lavouras de soja transgênica no Rio Grande do Sul. Euphorbia heterophylla. do número de genes envolvidos. Desse modo. O conhecimento desses pontos é importante para embasar previsões de proporções futuras entre plantas resistentes. 230 Módulo 3. e em anos seguidos. e as informações de que se dispõe são relacionadas a casos de outros países. trazendo prejuízos a cultura (THEISEN citado po GAZZIERO. em condições semelhantes. o mesmo herbicida ou herbicidas. Para que isso seja evitado. tolerantes e sensíveis em áreas afetadas e para eleger métodos de manejo e controle das plantas tolerantes e resistentes que permitam impedir a multiplicação e a disseminação desse(s) gene(s) para outras populações. para que se possa entender e estabelecer estratégias específicas para os nossos casos. que poucas vezes podem ser generalizados para as nossas condições. poucos cientistas estão se dedicando a essa área no Brasil. Contudo. Estudos aprofundados sobre essa questão devem ser realizados com urgência no país. em outras espécies. devem ser adotadas as práticas de manejo adequadas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas que germinam antes da semeadura da soja. como: uso de misturas de herbicidas com diferentes mecanismos de ação e rotação destes mecanismos. levando a um considerável aumento nos custos de produção. Sabe-se que sua evolução em uma área é dependente da pressão de seleção. do fluxo gênico e da dispersão de propágulos. Nas áreas com mais de 15 anos de uso têm sido feitas três aplicações/ano em doses que variam de 2 a 8 L ha-1. Vargas (2004). agricultores que empregarem extensivamente. do padrão de herança. Commelina benghalensis. além da resistência de azevém (Lolium sp.).

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Ricardo Camara Werlang Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior .DF 2006 Módulo 3. Antonio Alberto da Silva Profº.Manejo de plantas daninhas em pastagens Tutores: Profº.UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília .Manejo de plantas daninhas 3. Lino Roberto Ferreira Profº.Manejo de plantas daninhas em pastagens 235 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 .6 .ABEAS Universidade Federal de Viçosa .6 .

238 1.4.1 .3 . 239 1.1.1 .1 . 247 2 . 244 1.Fatores do ambiente passíveis de competição.Integração da agricultura e pecuária.2 .Uso de herbicidas na recuperação de pastagens.Competição por nutrientes. 252 2.Controle mecânico ou físico.1. 237 1 .6 . 246 1.2 . 259 2.3 . 253 2. 261 Referências bibliográficas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução.Competição por luz. 257 2.Uso de herbicidas na reforma e formação de pastagens.Controle preventivo.Plantas tóxicas.4. 267 236 Módulo 3.Controle de plantas daninhas.Competição entre plantas daninhas e forrageiras.3 . 246 1.1.2 .Controle cultural.4.Competição por água. 252 2.1 .3 .Controle químico. 260 2.Manejo de plantas daninhas em pastagens .4 . 258 2.Uso de herbicidas na manutenção de pastagens. 243 1.2 .

1996) A pecuária brasileira está sendo influenciada pelo processo de globalização em andamento no mundo. da intensificação total. passando por mudança do estágio de conhecimento e culminando com o estabelecimento de um novo padrão de comportamento da sociedade como um todo. competitividade e sustentabilidade (EUCLIDES FILHO. Conseqüentemente. com respeito ao ambiente e aos animais. afastando-se cada vez mais do modelo extrativista. Com relação aos sistemas de produção agrícolas. dependendo de cada caso. além de produtivas. qualidade. nesse contexto.Manejo de plantas daninhas em pastagens 237 . ambientalmente corretos. indústria. consumidor. isto é sinônimo de estabelecimento de sistemas sustentáveis. social. essa tendência é muito mais complexa e envolve modificações muito mais profundas. Nesse período. em última instância. como política. parte expressiva do setor se distanciou da prática extrativista que por muitos anos caracterizou a atividade e tem sido um exemplo de capacidade de ajustes e adaptação à realidade do mercado atual. e na pecuária. espera-se. nesse contexto. As mudanças que vêm ocorrendo nos sistemas de produção são reflexos de transformações econômicas. sociais e políticas. a formação do que pode ser denominado um novo status de cultura global (EUCLIDES FILHO. deve considerar os vários pontos determinantes dos segmentos envolvidos no setor. eficiência. 1997). assumem dois aspectos fundamentais. É importante ressaltar que. economia. O primeiro é que elas viabilizam a competitividade brasileira.6 . As pastagens. ou seja. em geral. em maior ou menor grau. que são responsáveis pela reestruturação desde níveis e formas de informação. produtor. A tomada de decisão na pecuária. socialmente justos. Uma das características que faz com que a atividade pecuária no Brasil seja altamente competitiva é o fato de o País possuir grandes áreas de pastagens e condições adequadas para o desenvolvimento destas. a atividade pecuária tende a se tornar cada vez mais uma atividade empresarial. em particular. e produtivos. possibilitem convivência harmoniosa com a natureza. Os últimos dez anos têm sido decisivos para a economia brasileira. representado pela pecuária extensiva. a humanidade coloca em segundo plano os tratados e previsões que fundamentaram a “revolução verde” e busca. e o segundo é o fato de possibilitarem o atendimento da grande demanda mundial por alimento produzido de forma natural. competitivos e eficientes. como solo. e aproximando-se. 1997). em especial para a pecuária. Dessa forma. que penaliza os setores não-competitivos e ineficientes (EUCLIDES FILHO.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução Atualmente. diante das transformações que vêm se processando. capazes de ser conservadores de recursos. água e recursos genéticos animais e/ou vegetais. Módulo 3. formas de produção que. apesar de esse processo estar sendo propalado como a globalização da economia. sistemas economicamente viáveis.

Estima-se que 80% dos quase 60 milhões de hectares da área de pastagens na região de Cerrados apresentam algum estágio de degradação (MACEDO et al. 1 . a degradação precisa ser revertida para garantir a produtividade e a viabilidade econômica da pecuária (MACEDO et al. as quais dificultam o processo de produção pecuária. Causada por diversos fatores. sem possibilidade de recuperação natural. ocasionar danos físicos aos animais. até mesmo parcialmente. e até mesmo arbóreo. Em razão do porte arbustivo. espaço. falta de adubação de manutenção e manejo da pastagem inadequado. entre eles má escolha da espécie forrageira. Além dos impactos negativos na produção e desvalorização do patrimônio.6 . por diminuir o potencial de formação de pasto pelas forrageiras. pode-se considerar a luz como o principal fator (recurso) de competição destas com as forrageiras. Assim.. reduzindo a disponibilidade desses fatores para as forrageiras. e aumenta o tempo de formação das áreas reformadas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Diante da importante função assumida pela pastagem no contexto de pecuária empresarial e competitiva. a prática demonstra outra realidade. As plantas daninhas podem. Nas Figuras 1 e 2 são apresentadas algumas das principais espécies de plantas daninhas das pastagens. 238 Módulo 3. que afeta a produção e o desempenho animal e culmina com a degradação do solo e dos recursos naturais em função de manejos inadequados. Essas forrageiras. 2000). é lógico que o sucesso desse setor está estreitamente relacionado com a manutenção das pastagens em condições adequadas.. Degradação de pastagens é um processo evolutivo de perda de vigor e produtividade da forrageira. como ferimentos no úbere das vacas.Manejo de plantas daninhas em pastagens . pois são espécies que apresentam o metabolismo C4. ocasionado pela competição com as plantas daninhas. devido à elevada capacidade competitiva das plantas daninhas. nutrientes e água. uma vez que estas plantas competem por luz. agravam-se os efeitos ambientais pela erosão dos solos e assoreamento dos mananciais de água. mas também por espaço. têm a sua taxa de fotossíntese líquida altamente reduzida e. bem manejadas e livres de plantas daninhas. é facilmente dominada pelas plantas daninhas. água e nutrientes. A presença delas em pastagens reduz a produtividade. Pastagem degradada se constitui. 2000). a presença de plantas daninhas em pastagens reduz a sua capacidade de suporte (unidade animal por ha). de muitas espécies de plantas daninhas infestantes de pastagens em condições brasileiras. além de ser um ambiente propício para o desenvolvimento de parasitas. Essa competição se dá principalmente por luz. em um dos maiores problemas dos sistemas de produção de bovinos no Brasil Central. Isso ocorre porque a maioria das gramíneas forrageiras cultivadas no Brasil tem a sua eficiência fotossintética altamente dependente da intensidade da luz. ainda.Competição entre plantas daninhas e forrageiras Pastagens produtivas significam pastagens bem formadas. se sombreadas. No entanto. nestas condições. atualmente. má formação inicial.

(1996) dividem os fatores do ambiente que determinam o crescimento das plantas e influenciam a competição em “recursos” e “condições”. reduzindo a produtividade da forrageira. nessas circunstâncias. já limitados no meio. Radosevich et al. A resposta das plantas aos recursos segue uma curva-padrão: é pequena se o recurso for limitado e máxima quando o ponto de saturação for atingido. Módulo 3.6 .Manejo de plantas daninhas em pastagens 239 .Fatores do ambiente passíveis de competição Em ecossistemas agropastoris. Como ambas possuem suas demandas por água. como água. gás carbônico. 1. Recursos são os fatores consumíveis. Isso ocorre porque. a forrageira e as plantas daninhas desenvolvem-se juntas na mesma área.: toxidez devido a excesso de Zn no solo). ou até mesmo levá-los à morte. na maioria das vezes.1 . caso eles se alimentem de plantas tóxicas. nutrientes e luz. até mesmo para o próprio desenvolvimento da forrageira. estabelece-se a competição. esses fatores de crescimento (ou pelo menos um deles) estão disponíveis em quantidade insuficiente. A seguir serão abordados os principais fatores envolvidos na competição entre as plantas daninhas e as forrageiras. nutrientes e CO2 e. podendo declinar se houver excesso do recurso (ex. muito comuns em pastagens brasileiras. qualquer planta daninha que se estabeleça na pastagem vai usar parte dos fatores de produção. luz.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas causados por espécies com espinhos.

(b) leiteiro (Peschiera fuchsiaefolia). (e) ciganinha (Memora peregrina). (g) guanxuma (Sida glaziovii) e (h) lobeira (Solanum lycocarpum) 240 Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 1 – Principais plantas daninhas das pastagens (a) assa-peixe branco (Vernonia polyanthes). (c) mata-pasto (Eupatorium maximilianii). (d) assa-peixe roxo (Vernonia glabrata).Manejo de plantas daninhas em pastagens .6 . (f) fedegoso (Senna ocidentalis).

e plantas tóxicas . fistulosa). (f) algodão-bravo (Ipomoea carnea sbsp.(c) guizo-de-cascavel (Crotalaria spectabilis). (g) mamona (Ricinus communis).Manejo de plantas daninhas em pastagens 241 .6 . (b) arranha-gato (Acacia plumosa). (d) cafezinho (Palicourea marcgravii).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 2 – Principais plantas daninhas das pastagens . (e) cambará (Lantana camara). (h) ximbuva (Enterolobium contortisiliquum) e (i) samambaia (Pteridium aquilinum) Módulo 3.(a) camboatá (Tapirira guianensis).

1990.. em condições de sombreamento (PITELLI. totalmente esclarecida. como pH do solo. por exemplo. o maior índice de área foliar. Os mecanismos de competição consistem tanto do efeito que as plantas exercem sobre os recursos quanto da resposta destas às variações dos recursos (GOLDBERG. em razão da influência extrema que eles exercem na utilização dos recursos pelas plantas. da velocidade de crescimento inicial e da densidade de plantio. dependendo da espécie cultivada. Todavia. e. caracterizado pela pastagem degradada. também... Determinadas plantas são boas competidoras por utilizarem um recurso rapidamente ou por serem capazes de continuar a crescer. a maior velocidade de germinação e estabelecimento da plântula. A base fisiológica que explica as vantagens que levam as plantas daninhas a ganhar a competição é muito complexa. ainda.6 . do seu vigor. envolvendo indivíduos de espécies diferentes. interespecífica.Manejo de plantas daninhas em pastagens . seja ela daninha ou não. se a forrageira se estabelecer primeiro. e a maior capacidade de produção e liberação de substâncias químicas com propriedades alelopáticas. até que um nível ideal seja alcançado. A competição entre plantas daninhas e forrageiras é um fator crítico para o desenvolvimento da pastagem quando a espécie daninha se estabelece junto ou primeiro que a forrageira. podendo excluir ou inibir significativamente o crescimento das plantas invasoras. a competição somente se estabelece quando a intensidade de recrutamento de recursos do meio pelos competidores suplanta a capacidade do meio em fornecer aqueles recursos. ou quando um dos competidores impede o acesso por parte do outro competidor. ocorrendo entre indivíduos de uma mesma espécie. como: a competição é mais séria nos períodos iniciais de desenvolvimento da 242 Módulo 3. densidade do solo. como veranico e geadas. cuja dependência é muito grande.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Condições são fatores não diretamente consumíveis. a menor suscetibilidade das espécies daninhas às intempéries climáticas. No entanto. Na realidade. Várias generalizações podem ser inferidas sobre os aspectos competitivos entre as forrageiras e as plantas daninhas. A condição pode limitar a resposta da planta tanto pela carência quanto pela abundância. Entretanto. 1996). em áreas de pastagens degradadas a capacidade competitiva das plantas daninhas é ainda maior. 1996). A competição pode ser intra-específica. 1996). Contudo. etc. citado por RADOSEVICH et al. não estando. sem examinar as características das plantas e os mecanismos que estão associados à competitividade (RADOSEVICH et al. 1985). a maior velocidade do crescimento e a maior extensão do sistema radicular. a competição entre a planta daninha e a cultivada afeta ambas as partes. mesmo com baixos níveis do recurso no ambiente (RADOSEVICH et al. as plantas daninhas poderão vencer a competição pelos substratos ecológicos.. A maioria dos estudos sobre competição entre plantas daninhas e culturas tem focalizado somente a ocorrência e o impacto da competição na produção da cultura. porém a espécie daninha quase sempre supera a cultivada. como acontece. ela poderá cobrir rapidamente o solo. Os fatores que determinam a maior competitividade das plantas daninhas em relação às culturas são o seu porte e sua arquitetura. se a população de plantas da forrageira por área for baixa ou o estande for desuniforme.

1996). Dentre esses fatores destacam-se a taxa de exploração de volume do solo pelo sistema radicular (maior profundidade do sistema radicular – ex. Vários fatores influenciam a capacidade competitiva das espécies por água. realizando.1. que podem inibir a germinação e ou desenvolvimento da forrageira. liberar toxinas no solo. ainda. principalmente se a forrageira possui metabolismo C4. o chamado manejo integrado de plantas daninhas. apresentando muitas raízes fasciculadas nas camadas superficiais do solo e raízes principais com penetração profunda. e sistema radicular muito desenvolvido. das condições adequadas de pastejo e manejo adequado da forrageira.Manejo de plantas daninhas em pastagens 243 . especialmente nos trópicos em dias quentes. etc.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas forrageira. que são métodos culturais de controle de plantas daninhas. etc. comumente. são mais competitivas se comparadas com aquelas que apresentam desenvolvimento diferente. Assim a competição é mais facilmente minimizada ou até mesmo eliminada com a integração de outros métodos de controle. Normalmente. As plantas daninhas apresentam certas características que lhes conferem grande capacidade competitiva. as espécies daninhas de morfologia e desenvolvimento semelhantes ao da forrageira. e as espécies daninhas competem por água. devido ao sombreamento. dessa forma. sem qualquer sinal de déficit hídrico. pequenas ou grandes... tendem a excluir as demais. luz.1 . Conhecendo esses fatores. podendo. nutrientes e espaço.6 . Disso resulta a importância do preparo do solo. torna-se fácil o manejo da forrageira. pois se estabelecem primeiro. O princípio básico da competição baseia-se no fato de que as primeiras plantas que surgem no solo. no manejo da forrageira. da profundidade de plantio. da escolha da forrageira adequada para a região. o profissional necessita ter o conhecimento profundo da forrageira e da vegetação daninha infestante da área a ser formada. ciganinha e outras). desenvolvimento e crescimento rápido de grande superfície fotossintética mesmo ainda na fase de plântula. Para que se faça o manejo adequado de plantas daninhas em uma pastagem. é normal em alguns agroecossistemas. fazendo com que esta leve vantagem sobre o complexo de plantas daninhas. Módulo 3. especialmente nitrogênio e carbono. 1. as condições para que ela se estabeleça devem ser fornecidas antes do surgimento da vegetação daninha. que as plantas forrageiras fiquem completamente murchas e as plantas daninhas túrgidas. regulação estomática e capacidade das raízes de se ajustarem osmoticamente. da época correta de plantio. como o químico ou mecânico. magnitude da condutividade hidráulica das raízes. as espécies daninhas de maior porte do que as forrageiras exercem grande potencial competitivo com estas. como: germinação fácil em condições ecológicas variáveis. as características fisiológicas das plantas.Competição por água As plantas daninhas são verdadeiras bombas extratoras de água do solo. por isso. grande número de estômatos por área foliar.: assa-peixe. como capacidade de remoção de água do solo. Desse modo. a competição por água leva a planta a competir ao mesmo tempo por luz e nutrientes. (Radosevich et al. da percentagem de germinação e vigor das sementes.

de 1:5:2. do glicolato. por apresentarem dois sistemas carboxilativos. C4 ou se realiza o mecanismo ácido das crassuláceas (CAM). não desassimilam o CO2 fixado. A enzima responsável pela carboxilação primária do CO2 proveniente do ar é a ribulose 1-5 bifosfato carboxilase-oxigenase (Rubisco). ou seja. pois precisam recuperar duas enzimas para realização da fotossíntese. Entretanto. por ser ambígua quanto ao substrato. agora pela enzima ribulose 1.5 difosfato carboxilase. logo. baixo ponto de saturação luminosa. Este AOA é convertido em malato ou aspartato. é transportado para as células da bainha vascular das folhas.Manejo de plantas daninhas em pastagens . possuem ainda o ciclo de Hatch e Slack. baixa eficiência no uso da água e menor taxa de produção de biomassa. sendo esta relação para as plantas C4. molécula de CO2 fixado/ATP/NADPH é de 1:3:2 para as plantas C3. onde esses produtos são descarboxilados. também. catalisa a produção do ác. Em conseqüência da ação desta enzima. dependendo da espécie vegetal. liberando no meio o CO2 e o ácido pirúvico. por difusão. comparado a regiões temperadas. a qual carboxiliza o CO2 absorvido do ar via estômatos. se ela é umbrófila ou heliófila e. a qual apresenta atividades de carboxilase e oxigenase. As plantas C4 possuem duas enzimas responsáveis pela fixação do CO2. formando o ácido oxaloacético (AOA). As diferenças entre as rotas fotossintéticas C3 (plantas ineficientes).1. A enzima primária de carboxilação é a PEP-carboxilase. no ácido fosfoenolpirúvico. que ocorre em todas as plantas superiores. As plantas C4. como a luminosidade adequada. Essas plantas. se a rota fotossintética que ela apresenta é C3. Elas não apresentam fotorrespiração detectável. em seguida. A maior eficiência das plantas C4 em relação a C3 em condições adequadas de luminosidade e temperatura é o principal fator da superioridade de produção forrageira em condições tropicais (maioria C4). e. 3-fosfoglicérico e. de modo que o primeiro produto estável da fotossíntese é um composto de três carbonos (ácido 3-fosfoglicérico). C4 (plantas eficientes) e CAM estão nas reações bioquímicas que ocorrem na fase escura da fotossíntese. ocorrendo o ciclo de Cavin e Benson.2 . o ácido pirúvico. Esta enzima apresenta baixa afinidade pelo CO2 e. responsável pela fixação do CO2.Competição por luz A competição pela luz é muito complexa e sua magnitude é influenciada pela espécie. apresentam baixa afinidade pelo CO2 e possuem elevado ponto de compensação para CO2. onde é fosforilado. É sabido que a relação.6 . substrato inicial da respiração. requerem maior energia para produção dos fotoassimilados. a superioridade das forrageiras utilizadas no Brasil (C4 em sua grande maioria) é dependente de certas condições. também. Este CO2 liberado é novamente fixado. por difusão.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. além do ciclo de Calvin e Benson. localizada nas células do mesófilo foliar. considerando ambos os grupos em condições ótimas. as plantas C3 fotorrespiram intensamente. consumindo 2 ATPs. retorna às células do mesófilo. Esse fato evidencia que as plantas C4 244 Módulo 3. regenerando a enzima PEP-carboxilase e recomeçando o ciclo. quando comparadas com plantas C4. As plantas C3 apresentam apenas o ciclo de Calvin e Benson.

temperatura. a ocorrência de sombreamento por plantas daninhas implica redução drástica do potencial competitivo dessas forrageiras. luminosidade e nutrientes. Isso acontece porque. as condições de luminosidade e temperatura serão preponderantes no desenvolvimento adequado das forrageiras. luminosidade alta e até mesmo déficit hídrico temporário. gênero Cynodon (SILVA et al. esta passa a atuar mais como oxidativa. chegando a acumular o dobro de biomassa por área foliar no mesmo espaço de tempo. nessas condições. Todavia. 1999) . atividade ótima em temperaturas mais elevadas. estas plantas passarão a perder a competição com as plantas C3. liberando CO2. 1994). que são diretamente correlacionadas com a quantidade e qualidade da luz. como água..alongamento de folha. 1998) e Pennisetum purpureum (RODRIGUES et al.5-bifosfato carboxilase-oxigenase (25oC). A luz como fonte de energia de todos os processos biológicos na forrageira é o componente principal na produção da pastagem. se for reduzido o acesso à luz. como: alta afinidade pelo CO2. Isso é possível porque esse grupo de plantas não apresenta fotorrespiração detectável. gênero Panicum (RODRIGUES. conseqüentemente. atua especificamente como carboxilase. porque a enzima responsável pela carboxilação primária nestas plantas (PEP-carboxilase) apresenta alta afinidade pelo CO2 (baixo Km). Essas características são genéticas. quando plantas estão se desenvolvendo em condições de temperaturas elevadas. em temperatura acima da ótima para a ribulose 1.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas necessitam de mais energia para produção dos fotoassimilados. A combinação das características morfogênicas determina as três principais características estruturais das forrageiras: tamanho de folha. ainda assim elas continuam acumulando biomassa. indica o potencial de produção de uma pastagem. os estômatos estarem parcialmente fechados (horas mais quentes do dia). é comum. densidade de perfilhos e número de folhas por perfilho.Manejo de plantas daninhas em pastagens 245 . levando a planta a atingir o ponto de compensação rapidamente.. nessas condições. Cada espécie de forrageira possui um padrão genético de crescimento e expansão foliar (determinado por suas características morfogênicas . Módulo 3. Além disso.são plantas C4. a enzima carboxilativa das plantas C3 encontra-se saturada quanto à luz e. a enzima responsável pela carboxilação primária nas plantas C4 (PEPcarboxilase) apresenta algumas características.espécies de Brachiaria (CORSI et al. as espécies C4 dominam completamente as C3. Como toda essa energia é proveniente da luz. 1995).6 . a fim de evitar o sombreamento. Esse fato faz com que a concentração do CO2 no mesófilo foliar caia a níveis abaixo do mínimo necessário para atuação desta enzima. porém são influenciadas por fatores externos. Portanto. ocorre a necessidade de controle de invasoras. REIS. aliado a outros fatores. aparecimento de folha e duração da folha) que. Como a maioria das forrageiras das regiões tropicais e subtropicais . mesmo que a concentração de CO2 no mesófilo foliar atinja níveis muito baixos. e não satura em alta intensidade luminosa. Em função destas e de outras características. No caso das plantas C4.

A integração agricultura e pecuária não será abordada em maior detalhe.Integração da agricultura e pecuária A degradação das pastagens.Competição por nutrientes As plantas daninhas possuem grande capacidade de extrair do ambiente os elementos essenciais ao seu crescimento e desenvolvimento e. a baixa retenção de água no solo e o aumento do processo erosivo são sintomas do manejo inadequado que prejudicam o meio ambiente. doenças e plantas daninhas. Portes et al. tem sido proposto recentemente. 2000). 246 Módulo 3. exercem forte competição com as forrageiras pelos nutrientes essenciais. Nesse sentido. deve-se considerar. maior eficiência no uso de máquinas. que facilitam a ocorrência de pragas. a consorciação de lavouras e forrageiras. É notório que o setor agropecuário brasileiro está passando por um processo de transição socioeconômica e agroambiental..1..3 .. tornando-o sustentável em termos econômicos e ecológicos (KICHEL et al. 1. como alternativa de recuperação de pastagens degradadas. com maior ênfase. a quantidade extraída do que os teores que ela apresenta na matéria seca.2 . As tecnologias para recuperação e manejo sustentável dos solos degradados dos Cerrados. além da quebra do ciclo de pragas e doenças.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. em conseqüência disso. em alto grau.Manejo de plantas daninhas em pastagens . das espécies presentes. a competição por nutrientes depende. visam melhoria das propriedades do solo. MIRANDA. a preocupação da utilização racional de água e agroquímicos e a necessidade de maior competitividade e sustentabilidade (COBUCCI. os quais quase sempre estão em quantidades inferiores às necessidades das forrageiras em nossos solos. por constituir-se em tema complexo e não ser objetivo do presente trabalho. tanto para as áreas de pastagens como de agricultura. evitando a erosão e quebra do equilíbrio. o empobrecimento da fertilidade do solo. 2000. Quando se trata de analisar a capacidade de uma espécie de planta daninha em competir por nutrientes. diversificação do sistema produtivo e de aumento da produtividade do empreendimento agrícola. o aproveitamento da adubação residual e o preparo do solo mais elaborado podem ser vantajosos na redução dos custos e na eficiência de recuperação das pastagens degradadas (Macedo et al. Essas tecnologias também proporcionam maior diversificação das atividades econômicas no meio rural (KICHEL. 2000). a utilização de culturas anuais em cultivos seqüenciais ou simultâneos como formas de sistemas de produção. A venda de grãos das culturas. Devido à grande variação em termos de recrutamento dos recursos minerais do solo apresentada pelas diferentes espécies de plantas daninhas. observam-se a expansão do plantio direto.6 . apesar de esse processo ser lento e silencioso. 2001). a queda na produtividade das lavouras. 2001). melhoria das propriedades físicas do solo.

visto algumas serem tóxicas em uma região e em outra não (AFONSO. mas também aquelas que provocam direta ou indiretamente perturbações na saúde do animal. folhas ou raízes de plantas que possuem grande quantidade de elementos químicos nocivos ao gado (AFONSO.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. certos venenos.3 . ingerindo pequenas quantidades diárias. certas raças toleram mais. vai retendo no seu organismo. Segundo Howes (1933).Plantas tóxicas Calcula-se que 12% das mortes de bovinos são causadas por sementes. que pode causar anemia devida a nitratos/nitritos. Na mesma raça há fatores ligados ao próprio indivíduo.Manejo de plantas daninhas em pastagens 247 . A mais temível do Brasil é a erva-de-rato ou cafezinho (Palicourea marcgravii) (POTT. (2000) definem planta tóxica de interesse pecuário a que é ingerida por animais domésticos de fazenda. POTT. ingeridas espontânea ou acidentalmente pelo animal.). e causa danos à saúde ou morte. como brotação. podem provocar danos que se refletem na sua saúde ou vitalidade. sexo. tóxicas. como Brachiaria decumbens. outras menos. Várias provocam sinais que podem ser confundidos com picada de cobra. que causa fotossensibilização ("orelha frita"). plantas tóxicas não são somente vegetais que provocam verdadeiros envenenamentos e intoxicações agudas. Por outro lado. como idade. raiva ou outra doença. sendo algumas. Os biomas Pantanal e Cerrado possuem floras ricas em espécies. Com relação à planta. No caso da espécie bovina. deve-se considerar a sua fase vegetativa. que o animal. POTT. peso. subquadripara = B. a ingestão de certas plantas em pequenas quantidades leva o animal a adquirir resistência ou tolerância ao princípio tóxico. 2002). Portanto. os quais podem estar relacionados ao animal ou à planta. pois às vezes ela provoca intoxicações apenas em uma dessas fases. Módulo 3. Além da fome. 2000). O conceito sobre plantas tóxicas é relativo. POTT.6 . 1991). O tipo de solo também pode influenciar na toxidez de uma planta.. como é o caso das mandiocas-do-mato (Manihot spp. até atingir a dose letal (AFONSO. consideram-se tóxicas todas as plantas que. com comprovação experimental. Existem também plantas com princípio tóxico cumulativo. principalmente em bezerros. arrecta). em condições naturais. citado por Hoehne (1939). Tokarnia et al. muitas das quais ingeridas pelo gado. 2002). estado sanitário e nutricional. Algumas plantas cultivadas também são consideradas tóxicas. A maioria das plantas tóxicas é consumida pelos animais em razão da escassez de alimentos nas pastagens e da mudança de animais famintos para pastagens que possuem plantas tóxicas (FREITAS et al. floração e frutificação. 2002). além do grau de sensibilidade do animal a um princípio tóxico (AFONSO. 2002). há outros fatores que também propiciam intoxicações. POTT. AFONSO. e braquiária-d´água ou "tanner grass" (B.

cochos e aguadas. Arbusto aquático. ou estado de embriaguez. uso de herbicidas. antes de cair. Possui boa Figura 2 d palatabilidade. Perene. DL (9 kg de folhas verdes por dia. os ramos que encostam no chão Alcalóides derivados do enraízam. sendo ingerida em qualquer época do ano. A evolução da intoxicação é crônica e não há recuperação do animal Controle: erradicação. fistulosa) Convolvulaceae Figura 2 f 248 Módulo 3. Aumenta em campos com excesso de gado ou perto de porteiras.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas São várias as espécies de plantas tóxicas presentes nas pastagens no Brasil. Quadro 1 – Principais plantas tóxicas encontradas no Brasil Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal). afeta o Rubiaceae em áreas sombreadas das beiras ciclo de Krebs das matas. nas planícies de inundação dos rios Negro. trepador. com um resumo das suas principais características. Com a evolução da intoxicação o animal apresenta sinais de origem nervosa. A principal forma de propagação é vegetativa. O seu andar se torna desequilibrado (como se estivesse embriagado). Ocorre em terra firme.6 . Às vezes o animal mostra. Rebrota após cortes e ácido lisérgico fogo. DL (100 g de folhas verdes). caindo com facilidade. Nos bovinos. muito alagável. encontrada em todo o País. flor e semente praticamente durante o ano todo.Manejo de plantas daninhas em pastagens . os sintomas consistem em queda repentina do animal ao chão. lassidão e pêlos ásperos. o que é difícil de ocorrer no campo. desequilíbrio do trem posterior. A semente pilosa (origem do nome algodão) é espalhada pela água. Possui distribuição ampla. Cresce somente em solo de barro (LSD) (argiloso). capoeiras e em pastos recém-formados. sobrevindo a morte dentro de poucos minutos. Controle: erradicar as plantas. canudo-de-pita (Ipomoea carnea subsp. exceto se for afogado depois. com cafezinho Ácido exceção do extremo sul e do sertão (Palicourea monoflúornordestino. Abobral e Paraguai. respiração ofegante. Na Figura 2 estão apresentadas e no Quadro 1 listadas as de maior ocorrência e importância no Brasil. marcgravii) acético. Causa a síndrome da morte súbita. de 1 a 4 m de altura. com as pernas traseiras abertas e instabilidade no trem posterior. durante semanas. tremores musculares. cercar as matas e as capoeiras onde existir a planta. havendo pasto). controle químico Arbusto responsável pela maioria das mortes de bovinos causadas por plantas tóxicas em terra firme. sendo Erva de rato. São tóxicas as folhas e as sementes. sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica. É muito comum em lagoas rasas. iniciam poucas horas após ser completada a ingestão da dose letal. Algodão-bravo. Inicialmente os sinais apresentados são de emagrecimento progressivo.

sendo a brotação a porção mais tóxica das partes aéreas. Ingestão em menores quantidades ocasionam hematúria intermitente. falta de apetite. culminando na morte. mesmo cessada a fome. para áreas (Lantana (lantadene A e infestadas. Os animais apresentam andar incerto. utilizar ungüentos antiinflamatórios. DL (1. sonolência. com fome. DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal). apresentam tremores musculares. Controle: erradicação da planta. A fome faz o animal ingerir a planta. As plantas ocorrem em solo ácido. tem incordenação ao andar. extrato hepático e purgante oleoso Figura 2 e e medicar as lesões na pele. Muitos animais morrem nessa fase. planta somente em circunstâncias chumbinho ou especiais. anemia. se habitue a ela e. No tratamento os camara) animais devem ficar na sombra. trôpego. os animais apresentam anorexia e diminuição ou parada dos movimentos do rúmen.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta Arbusto ou subarbusto é cosmopolita. controle cultural (calagem e aração do solo) e químico Módulo 3. continue a procurá-la. que aparece de repente.6 . Já na fase aguda. manifestam fotossensibilidade sob forma de eritema e edema inflamatórios nas partes menos pigmentadas da pele e inquietação à procura de sombra. Em eqüinos causa deficiência de vitamina B1. DL (variada). lantadene B) Verbenaceae Deve-se administrar glicose. em pequena quantidade. hemorragia na pele e nas mucosas visíveis. emagrecimento. sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica. eventualmente diarréias enegrecidas. devido ao efeito acumulativo). O animal sangra prolongadamente por qualquer ferimento.000 g de folhas verdes ingerido durante três semanas a poucos meses. A planta toda é tóxica. os bovinos ingerem a Cambará. convulsões. principalmente quando camará Triterpenóides transferido. Sob condições naturais. Controle: erradicar as plantas (herbicidas) e não transferir animais com fome para pastagens infestadas. Inicialmente. sendo a correção e aração deste um método cultural de controle desta espécie. Samambaia (Pteridium aquilinum) Substância Dennstaedtiacea radiomimética e e tiaminase Figura 2 i Planta tóxica de importância no Brasil e no mundo. depois de comê-la por algum tempo. Consistem nas manifestações de fotossensibilidade hepatógena. para provocar sintomas de intoxicação aguda. fezes ressequidas e. que faz com que este.Manejo de plantas daninhas em pastagens 249 . quando expostos ao solo. Causa febre alta.

Os principais sinais na intoxicação por Crotalaria iniciamse por contrações abdominais. É tóxica ao fígado. geralmente não folha e ricina inundáveis. Uso de herbicidas. as quais são o meio de propagação. leiras provenientes de desmatamento e pastagens cultivadas. onde o solo é mais fértil. geralmente férteis. Perene. que favorece a germinação. DL (2. etc. com flor e semente em grande parte do ano. A torta de mamona não bem detoxicada pelo calor também é tóxica. depósitos (alcalóide) na de lixo. DL (5. na semente. geralmente férteis. taperas. antes da formação de sementes. sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica. as folhas foram observadas bem pastadas por bovinos no Pantanal. ereto.500 g de folhas verdes ao dia foram suficientes para levar os bovinos à morte). com o animal apresentando fraqueza.um quarto dessa dose no caso de bezerro).. Deve-se atentar para o seu aparecimento em leiras. com copa. perda de apetite. grupo das outras menos tóxicas. ingerindo também flores e frutos. de 1 a 4 m de altura. É palatável. 250 Módulo 3. principalmente em situações de fome. mas de ciclo curto. Anual. Controle: Pode ser praticamente eliminada com roçadeira (rebrota pouco). Os sinais apresentados têm predominância neuro-muscular. Há relatos de pirrolizidinas que o princípio tóxico desta planta se concentra mais nas flores e nas sementes. perturbações digestivas. sendo umas mais. mas das folhas não. Comum em áreas mexidas. perda do equilíbrio ao caminhar e alteração do sistema nervoso sob forma de excitação ou depressão. em solos de vários tipos. Possui ampla distribuição. Controle: É facilmente eliminada com mais de uma roçada.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta Mamona (Ricinus communis) Euphorbiaceae Figura 2 g Arbusto pouco lenhoso. antes que forme sementes. apatia e diarréia sanguinolenta. Comum em áreas ruderais como Ricinina beira de estrada. Já a intoxicação pelas sementes varia de aguda a subaguda. No Brasil existem mais de 40 espécies Alcalóides do de Crotalaria. tanto as folhas como as sementes são tóxicas. causando perturbação nervosa. Ocorre também eructação excessiva (arroto) acompanhada por sialorréia (baba). por irritação do tubo digestivo. Morre na queimada.Manejo de plantas daninhas em pastagens . de 50 a 100 cm de altura. com flor e fruto quase durante o ano todo. A intoxicação pelas folhas é aguda. chique-chique (Crotalaria spectabilis) Leguminosae Figura 2 c Planta ereta. que germina melhor após o fogo. O bovino apresenta andar desequilibrado. DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal). O consumo repetido de pequenas quantidades de semente pode dar imunidade. em solos argilosos ou (toxoalbumina) arenosos.000 g de folhas frescas ou 200 g de sementes. Embora conste como pouco palatável. A parte aérea morre com a queima. Controle com herbicida. procurando ficar deitado. mas retorna por semente. dificilmente o animal se recupera. com tremores musculares. Guizo-decascavel.6 . e a plântula encontra condições mais favoráveis na pastagem rapada e rala (degradada). O fruto estoura ao sol e lança as sementes a vários metros de distância. e dificuldade de caminhar longas distâncias. os animais mais novos são mais sensíveis . Após apresentar estes sinais. Há formas de folhas verdes e outras arroxeadas.

DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal). Fonte: Freitas et al. fazendo movimentos de pedalagem. Os bovinos ingerem a planta somente quando estão com fome. diminuição ou até perda total do apetite. Há citações de que as favas provocam aborto em vacas. quando movimentados.300 a 1. Os principais sinais apresentados pelo animal intoxicado se caracterizam por lassidão. Uso de herbicidas.Manejo de plantas daninhas em pastagens 251 . próximo à morte. mesmo em pequenas porções. aparentemente. produz fruto de agosto Ximbuva. DL (250 a 1. Os sintomas iniciam-se. Os animais. Ficam logo em decúbito letal. Floresce de setembro a novembro. Causa lesões no tubo digestivo. acompanhada de outras perturbações digestivas. cerram fortemente as pálpebras. A parte tóxica Figura 2 h importante desta planta são os seus frutos. caem ou deitam-se precipitadamente. às vezes. que amadurecem e caem no período da seca e apresentam boa palatabilidade para os bovinos. Controle: É facilmente eliminada com anelamento (descascar em volta do tronco). aproximadamente. DL (1. Afonso e Pott (2002) Módulo 3. perde as folhas na estação seca.6 . O quadro de intoxicação se manifesta poucas horas após a ingestão das favas e a sua evolução é aguda. de 6 a 24 horas após a ingestão da planta. Em seguida provoca diarréia de coloração amarelada e fétida. Comum em matas e (Enterolobium cerradões. solos arenosos ou contortisiliquum Saponina do argilosos.500 g de favas que leva um bovino à morte na intoxicação experimental). Leguminosae especialmente no Nordeste e Triângulo Mineiro. planta tóxica mais importante das regiões de várzea da bacia amazônica.500 g de folhas verdes). Controle: Pastagens em abundância e erradicação da espécie. (1991). a novembro. geralmente férteis. embora. neste caso. não causem outros sinais de intoxicação. sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica. berram e morrem. Ocorre retração acentuada dos globos oculares e.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta Árvore de 8 a 18 m de altura. Semente espalhada tamboril pela fauna. copa larga. o animal faz movimentos de pedalagem com os membros traseiros e dianteiros. a planta não tem boa palatabilidade. ) tipo esteroidal Encontrado em todo o Brasil. Gibata ou chibata Glicosídeo do (Arrabidaea tipo esteróide bilabiata) cardioativo Bignoniaceae Trepadeira.

dos métodos empregados. das condições ambientais. esse fato. sendo muito variados. se necessárias. máxima sustentatibilidade de produção e mínimo risco (SILVA et al. resguarda os seus aspectos benéficos e não causa danos à forrageira.1 . Um bom programa de manejo de plantas daninhas pode ser resumido em três situações básicas: máxima produção no menor espaço de tempo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2 . Isso pode ser possível se o pecuarista proceder à absoluta racionalização do controle de plantas daninhas.. da capacidade competitiva da forrageira. etc. ou seja. ou. mantendo a qualidade ambiental com a maximização de lucro para o agricultor. biológico e químico. além de outras operações e a erosão do solo causada por água e vento. segundo Victoria Filho (2000). que consiste num sistema ambientalmente correto no campo. a disseminação de determinadas espécies-problema em áreas 252 Módulo 3. do período crítico de competição. O controle ideal é aquele que. os custos de controle. assegurar a produção adequada de alimentos. quando não há redução da sua produtividade econômica. considerando uma forrageira. Muitas vezes faz-se necessária a associação de dois ou mais métodos para se atingir o nível desejado. O nível de controle das plantas daninhas. Visa. no controle integrado.Controle preventivo O controle preventivo de plantas daninhas consiste no uso de práticas que visam prevenir a introdução. Atualmente. Os métodos de controle podem ser: preventivo. em um determinado agroecossistema. Dessa forma. dependerá da espécie infestante. ainda. 2. o estabelecimento e. obtido em uma pastagem. recomenda-se o “manejo integrado das plantas daninhas”. por meio de métodos e equipamentos usados oportunamente. deve ser feita quando as perdas forem superiores ao incremento no custo devido ao controle. 2005). a energia gasta com tratos culturais. Atualmente. aos animais e ao solo. economicamente. constituindo-se. mecânico ou físico. com o advento da chamada agricultura economicamente sustentável.6 . o manejo de plantas daninhas pode ser definido como a combinação racional de medidas preventivas associadas a medidas de controle e de erradicação. A redução da interferência das plantas daninhas. onde são usados todos os conhecimentos e ferramentas disponíveis para produção das culturas livre de danos econômicos da vegetação daninha competitiva. elimina os prejuízos causados pelas plantas daninhas.Controle de plantas daninhas Os métodos de controle de plantas daninhas usados são os mesmos empregados em outros sistemas de produção agrossilvopastoril. com o objetivo de reduzir as perdas causadas por estas plantas. tem sido preconizado o manejo integrado de plantas daninhas. cultural.Manejo de plantas daninhas em pastagens .

principalmente. os seguintes procedimentos devem ser observados: diagnóstico da área . ou mesmo reduzindo os efeitos erosivos. ainda. objetivo da produção. análise da produtividade desejada. impedimentos físicos ou mecânicos. grades. e época de utilização da espécie. devem ser realizados no momento correto. O preparo do solo deve ser feito de modo a proporcionar ótima germinação e estabelecimento da forrageira. com uma limpeza adequada da área. histórico da área e outros. a quarentena de animais introduzidos em outras áreas.Controle cultural O controle cultural reúne todas as práticas disponíveis para o estabelecimento das forragens em condições adequadas ao seu desenvolvimento e à sua persistência com boa produtividade. o nível tecnológico a ser adotado. Regionalmente. qualidade. um município ou uma gleba de terra na propriedade. Quando da escolha dessa espécie.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ainda por elas não infestadas. limpeza de canais de irrigação. um estado. 2. tipo de solo. eliminando-se rebrota do cerrado de porte alto. inspeção cuidadosamente de mudas adquiridas com torrão e também de toda a matéria orgânica (esterco e composto) proveniente de outras áreas. A conservação do solo é outro ponto importante. banco de sementes de plantas daninhas. que poderão se transformar em sérios problemas para a região. topografia. tocos. condições favoráveis para a forrageira em relação às demais espécies presentes na área (plantas daninhas) e possibilita a vantagem competitiva da forrageira em relação às plantas daninhas. assim. A correção da acidez do solo e o fornecimento de cálcio e magnésio a este (quando necessária).6 . capoeiras. palatabilidade e longevidade. e. A escolha de espécies forrageiras adequadas para cada área e objetivo de pastejo é um importante componente do sucesso da atividade. Proporciona. como a ciganinha (Memora peregrina). pedaços de tronco e galhadas. pragas. arbustos.realizado por meio de análise química e física do solo. devendo-se realizar a construção de terraços ou curvas de nível quando a área apresentar suscetibilidade ou risco de erosão ou até mesmo escorrimento superficial da água das chuvas. da quantidade e das espécies de plantas daninhas e de forrageira a ser Módulo 3.Manejo de plantas daninhas em pastagens 253 . que deve começar antes da implantação. Outro componente importante do controle cultural é a formação adequada da pastagem. As quantidades desses produtos dependem da espécie forrageira e do nível de produtividade desejado. clima (déficit hídrico e ocorrência de queimadas). bem como a aplicação de adubos fosfatados. o controle é de responsabilidade de cada agricultor ou cooperativas. etc. Essas áreas podem ser um país. As medidas que podem evitar a introdução onde a espécie ainda não ocorre são: utilização de sementes de elevada pureza. A intensidade e os equipamentos a serem utilizados no preparo de solo dependem do tipo deste. impedindo. visando prevenir a entrada e disseminação de uma ou mais plantas daninhas. o elemento humano é a chave do controle preventivo. limpeza cuidadosa de máquinas.2 . Em síntese.

além das exigências térmicas. exceto para estilosantes ou andropógon. peso médio no misto e peso leve no argiloso. com maior peso no solo arenoso. As sementes devem possibilitar a formação de estande adequado e uniforme. principalmente nos solos mistos e arenosos. tem vantagem competitiva a espécie que se estabelece primeiro na área. Outro componente do controle cultural muitas vezes desprezado é a quantidade e a qualidade das sementes das forrageiras. que impõe restrição à emergência das plântulas. assim. a exigência de cada espécie forrageira e o nível de produtividade desejado. Deve-se evitar a utilização do rolo em solo com excesso de umidade. isto é. ou seja. A quantidade de sementes a ser utilizada depende da espécie forrageira. devem ser antes do plantio e incorporados. para incorporar as sementes de 0. livres de sementes de plantas daninhas e possuindo qualidade fisiológica (vigor e germinação). as sementes devem ser distribuídas na área e. começando com as primeiras chuvas em setembro até março. proporcionando. A correção de fósforo. de modo geral. solo nivelado e livre de plantas daninhas. o preparo do solo deve ser escalonado. no entanto. como: pureza. O plantio com semeadeira deve seguir as mesmas exigências do 254 Módulo 3. Em áreas que apresentarem alta quantidade de palhada.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas implantada. com pouca palha. a sua pulverização. exceção feita aos fosfatos naturais reativos. hídricas e de fotoperíodo da forrageira. enxofre e micronutrientes. assim. deve ser realizada em quantidades recomendadas. retardando o plantio da forrageira. a compactação da camada superficial deste. algodão. produção e longevidade da forrageira.Manejo de plantas daninhas em pastagens . posteriormente. Deve-se. Em áreas que apresentarem alta infestação de plantas daninhas ou outras forrageiras. Portanto. Logo após a última gradagem (niveladora). a época do plantio é muito ampla em quase todo o território nacional. O plantio pode ser realizado a lanço sobre o solo devidamente preparado com uma grade leve. evitar o preparo excessivo do solo. O plantio na época correta e de forma correta é fator preponderante no estabelecimento adequado da forrageira.5 a 4 cm de profundidade (dependendo do solo e da forrageira). deve-se passar o rolo compactador. a melhor época é de novembro a janeiro.6 . Para a maioria das forrageiras. o preparo do solo deve ser igual. para que o solo não fique aderido nele. Em áreas com infestação elevada de plantas daninhas é recomendada a utilização de até 50% a mais da quantidade de semente. milho e outros. ou seja. que. para favorecer a germinação e eliminação delas. A correção adequada de nutrientes do solo é outro fator que melhora as condições de estabelecimento. quando necessária. Podem ser aplicados antes do plantio ou em cobertura. esta deve ser considerada como uma cultura que vai produzir por muitos anos. parcial ou totalmente fechada. da germinação e do vigor. para que ocorra a decomposição desta sem interferir na germinação da forrageira. evitando. Comumente. Entretanto. podendo variar em certas regiões. Deve-se considerar para isso a disponibilidade hídrica e temperatura para cada região. ou melhor. o estabelecimento mais rápido da forrageira na área. deve-se realizar o preparo do solo no mínimo 120 dias antes do plantio no período das águas. levando em consideração o resultado da análise de solo. ao daquele utilizado para plantio de soja. sendo este um fator importante na dinâmica competitiva da forrageira com as plantas daninhas. poucos torrões. potássio. quando recomendados.

com espaçamento entre linhas de 13 a 40 cm. sem erosão. tem como objetivo contribuir para a boa formação da pastagem. eliminando o excesso de plantas. a adubação da pastagem ou consórcio com outras espécies. A manutenção da pastagem em condições ideais com o controle adequado de pragas também é componente do controle cultural de plantas daninhas. colocando-se 10 a 20% a mais de sementes do que o sistema tradicional. eliminar a maior parte das gemas apicais. deve-se iniciar o pastejo de 60 a 100 dias após a emergência da pastagem.5 a 4 cm. cupins. Devem-se utilizar. fechando o dossel mais rápido. o método de controle cultural de plantas daninhas mais importante.Manejo de plantas daninhas em pastagens 255 . realiza-se o plantio de linhas espaçadas de 13 a 40 cm. sem limitações químicas e físicas. antecipar a utilização da forragem. o nitrogênio é muito importante. As vantagens desse manejo são: evitar o acamamento. proporcionando. estimulando a emissão de novos perfilhos e raízes. milho). distribuição uniforme da palhada. implicando o sombreamento e abafamento das plantas daninhas. Módulo 3. Já o plantio direto exige as mesmas condições do plantio direto de grãos (soja. com profundidade de 0. diminuir a competição interespecífica. reduzindo assim a produção de semente e translocação de nutrientes para estas. trilheiros. por curto período de tempo (10 a 30 dias). com o objetivo de auxiliar na boa formação da pastagem. Após a dessecação. dependendo do equipamento e da espécie forrageira. maior sombreamento para plantas daninhas. A princípio. e proporcionar a mais rápida e perfeita cobertura de solo. boa cobertura do solo. ele deve ser controlado com defensivos específicos para cada tipo de praga. desde que o plantio seja realizado na época recomendada para cada região. A adubação nitrogenada possibilita maior rapidez e quantidade de área foliar. animais jovens com alta lotação. principalmente em solos de baixo teor de matéria orgânica. deve-se passar o rolo compactador após o plantio. O não-controle dessas pragas pode comprometer a formação e a persistência da pastagem. com boa produção de carne/hectare. podendo-se realizar. espécie forrageira e produtividade desejada. Se a semeadeira não possuir sistema de compactação. A realização de adubações de cobertura nitrogenadas melhora as condições de desenvolvimento e estabelecimento da forrageira. Esse sistema de plantio exige máquinas e equipamentos adequados. ou antes da emissão da inflorescência (sementeira). plantas daninhas de difícil controle por herbicidas e outros. O manejo da pastagem estabelecida é. também chamado de pastejo de uniformização. Para gramíneas forrageiras de média a boa produtividade. Estando todos os nutrientes corrigidos.6 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas plantio a lanço. Na formação de pastagem. uma vez que vai garantir a longevidade e qualidade da pastagem. recomenda-se a aplicação de nitrogênio de 30 a 40 dias após a emergência ou após o manejo de formação (primeiro pastejo). dessa forma. possivelmente. isto é. tocos. o nitrogênio é o que proporciona o maior efeito no aumento de produtividade. de preferência. As pragas mais importantes na formação de pastagens são: lagartas. aproveitando o maior valor nutritivo. na mesma operação. A dose aplicada vai depender da análise de solo. Toda vez que o nível de infestação for significativo. favorecendo o surgimento e estabelecimento de plantas daninhas. para garantir o estande adequado e uniforme. por melhorar as condições desta. O manejo de formação da pastagem. cupins subterrâneos e formigas. compactação.

nível de adubação ou fertilidade natural do solo. evitando assim a infestação da pastagem com sementes de plantas daninhas presentes no trato digestivo desses animais. etc. um fator importante no controle integrado de plantas daninhas. excesso de lotação (carga animal excessiva). do potencial produtivo da forrageira. Humidícola e Dictioneura (15 cm). com 28 a 36 dias de pastejo. com período de pastejo de 1 a 15 dias. está diretamente relacionada com a produtividade da pastagem. e com o mesmo período de descanso. por evitar a entrada de plantas daninhas na pastagem. alternado . portanto. como exemplo: tanzânia e mombaça (40 a 50 cm). espécie forrageira. época do ano.o animal fica sempre na mesma invernada ou pastagem. tornando a infestação da área uma questão de tempo. A altura de pastejo depende da espécie forrageira. exclusivamente. De maneira geral. O tamanho e o número de piquetes dependem. utilizada anualmente. e tifton (15 cm). A quantidade de adubação de manutenção. da intensidade de pastejo e do número de animais. recomenda-se devolver às pastagens 20% da receita bruta anual. A pastagem degradada não oferece condições à forrageira de competir com as plantas daninhas. A utilização da adubação de manutenção é extremamente econômica desde que seja escolhida a espécie de forrageira adequada às condições de clima e solo e que ela esteja bem formada e com manejo adequado. Outro método cultural de controle de plantas daninhas é a manutenção de animais oriundos de outras pastagens em área isolada por 24 a 48 horas. pisoteio demasiado e arranque de plantas. sendo o manejo específico para cada região.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ou seja. em razão dos nutrientes perdidos no processo produtivo. finalidade de pastejo. Brachiaria decumbens (20 cm). Esta prática também é considerada um método preventivo. 256 Módulo 3. condições da propriedade (solo e clima). e rotacionado o animal usa de 3 a 40 piquetes ou invernadas. portanto. maior aproveitamento do investimento empregado até o momento. categoria animal. dependendo da espécie forrageira. o pastejo pode ser classificado de três maneiras: contínuo .6 . sistema de produção e outros. que pode chegar a mais de 40% do total de nutrientes ingeridos pelo animal em pastejo. Isso ocorre quando há pastejo excessivo (superpastejo). marandu e andropógon (30 cm). De modo geral.o animal explora duas invernadas alternadamente. O manejo correto consiste na utilização de lotação adequada. com período de descanso de 24 a 39 dias. Uma das principais causas da degradação das pastagens é a redução da fertilidade do solo. Este manejo pode facilitar o desenvolvimento da espécie forrageira ou das espécies de plantas daninhas. épocas corretas de entrada e retirada dos animais (altura de pastejo). principalmente nitrogênio e fósforo. A adubação de manutenção é.Manejo de plantas daninhas em pastagens . o beneficiamento da forrageira vai depender do manejo correto. A melhoria das condições para o desenvolvimento das plantas daninhas ocorre quando o manejo empregado reduz as reservas e a capacidade competitiva e de restabelecimento da forrageira.

Entretanto. O custo é relativamente inferior ao da roçada manual. e algumas ainda perfilham. Este método de controle exige muita mão-deobra e possui baixo rendimento operacional. afeta a atividade microbiana deste.Controle mecânico ou físico São métodos mecânicos de controle de plantas daninhas o arranque manual. a roçada. a capina manual. A parte aérea das plantas cortada ao entrar em contato com a superfície do solo vai desencadear os processos de decomposição e degradação. por também cortar a forrageira. agride pouco a forrageira e pode ser empregado em locais de difícil acesso com máquinas (roçadeira). a queima. as espécies de plantas daninhas perenes que possuem reservas no sistema radicular rebrotam ou. pois reduz a quantidade de matéria orgânica do solo. por demandar muita mão-de-obra. possui custo elevado. ainda. No controle de plantas daninhas em pastagens. devido à rebrota e ao restabelecimento das plantas daninhas. porém demanda equipamentos apropriados. Este método. é um método pouco eficiente e ineficaz. Outro método muito empregado entre os pecuaristas é a roçada mecanizada. contudo. uma vez que a maioria das plantas se restabelece logo após o corte.3 . deve ser repetida periodicamente. aumentando a infestação. assim. O arranque manual. esta tem a tendência de aumentar a cada roçada. É um método relativamente seletivo. para plantas daninhas perenes a manutenção de parte do sistema radicular no solo possibilita a rebrota e o seu restabelecimento. e na maioria dos casos a forrageira é mais suscetível à ocorrência de queimadas do que as plantas daninhas. As plantas roçadas podem rebrotar logo após a realização desta prática. a cobertura morta e o cultivo mecanizado. a inundação. elevado custo de controle. Esta prática. também controla a espécie forrageira. rebrotam e perfilham. danificando assim o sistema radicular e reduzindo o vigor da forrageira. Ainda hoje é usado no controle em hortas caseiras. como o trator e a roçadeira.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2. No entanto. Possui baixa eficiência e eficácia. e disponibiliza de forma desorganizada os nutrientes armazenados nos vegetais.6 . ocorrendo perda de nutrientes e degradação da fertilidade do solo. induzindo o aparecimento de reboleiras. como a maior parte desse material vegetal é constituída por tecidos de elevada relação C/N (na maioria Módulo 3. Um dos métodos mais utilizados no controle de plantas daninhas em pastagens é a roçada manual com foice. A utilização do fogo é um método pouco eficiente. por possuir sistema radicular menos profundo e mais fácil de ser arrancado. além de controlar as plantas daninhas. jardins e na remoção de plantas daninhas entre as plantas das culturas em linha. expondo-o à ação da erosão. É um método não-seletivo. os quais requerem manutenção adequada. quando o principal método de controle é o uso de enxada. no entanto. ou monda. ou seja. é o método mais antigo de controle de plantas daninhas. Assim. possui a vantagem se ser altamente seletivo quanto à planta controlada. porém possui baixa eficiência e eficácia. acarretando. Seu rendimento operacional é maior do que o arranque. que possui rendimento operacional elevado e necessita de pouca mão-de-obra. Serve para controlar plantas gramíneas. bem com a roçada manual.Manejo de plantas daninhas em pastagens 257 .

uma vez que reduz ou elimina a competição entre estas e a forrageira. tanto fisiologicamente como quando aplicado de forma localizada. em concentrações convenientes. ele causa menor dano à forrageira.4 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas gramíneas). A roçada é uma prática que controla plantas daninhas sem reservas no sistema radicular e as demais espécies. São necessárias pessoas capacitadas para uso correto dos herbicidas.quando manuseados incorretamente.plantio direto. lagos e água subterrânea). Pode ocorrer também poluição do ambiente água (rios. mas devem ser conhecidos. sendo essa a causa de cerca de 80% dos problemas encontrados na prática. proporcionando menor rebrota das plantas daninhas. após a realização da roçada. 2. Na 258 Módulo 3. perfeitamente controlados e evitados. • Pode controlar plantas daninhas perenes e de propagação vegetativa.Controle químico No controle químico utilizam-se herbicidas que. As vantagens do uso do controle químico podem ser enumeradas: • Menor dependência da mão-de-obra. O herbicida deve ser considerado uma ferramenta a mais e não como o único método de controle. assim. Deve-se salientar que. Por possuir seletividade. A utilização de herbicida seletivo no controle de plantas daninhas em pastagens tem demonstrado várias vantagens. em certas regiões é difícil de ser encontrada no momento certo e na quantidade necessária. reduzindo. Os riscos de uso existem.6 . os microrganismos do solo demandam nitrogênio. principalmente. como o cultural e químico. têm a finalidade de inibir o desenvolvimento ou provocar a morte das plantas daninhas. • Permite o menor revolvimento do solo . O conhecimento da fisiologia das plantas. • Mesmo em épocas chuvosas. solo e alimentos . e este será imobilizado do solo. sendo o tempo de recuperação da área relativamente rápido. a quantidade disponível deste nutriente no solo em um momento em que a forrageira dele necessita para seu restabelecimento. as instruções dos fabricantes e as leis governamentais que regulamentam o seu uso. havendo perigo de intoxicação do aplicador. o controle é mais eficiente. que possui custo elevado. • Maior rendimento na operação de controle de plantas daninhas. É eficiente no controle de plantas daninhas anuais e perenes e possui alto rendimento operacional. para garantir o restabelecimento da forrageira e o seu poder de competição com as plantas daninhas. dos grupos aos quais pertencem os herbicidas e da tecnologia de aplicação é fundamental para o sucesso do controle químico das plantas daninhas.Manejo de plantas daninhas em pastagens . observando-se as normas técnicas. quando for adotada juntamente com outros métodos de controle. • É eficiente no controle de plantas daninhas na pastagem sem afetar o sistema radicular da forrageira. Todo herbicida é uma molécula química que tem que ser manuseada com cuidado. Há necessidade de mão-de-obra especializada para aplicação dos herbicidas. os animais devem ser retirados da área.

estádio de desenvolvimento.Uso de herbicidas na reforma e formação de pastagens Na reforma de pastagens ocorre a necessidade da destruição da vegetação da área.1 . bem como suas misturas. O emprego do controle químico deve ser feito juntamente com outras práticas de controle.6 . em pequenas doses. A gradagem é um método mecânico de controle de plantas daninhas. sendo estes de amplo espectro de ação e baixa persistência no ambiente (dessecantes). também em estádios iniciais de desenvolvimento. atividade metabólica e densidade de infestação).4. São necessários alguns fatores para o sucesso da utilização do controle químico no manejo integrado de plantas daninhas. A eliminação da vegetação pode ocorrer pelo emprego de práticas mecânicas ou por meio de controle químico com herbicidas. Os principais herbicidas utilizados com essa finalidade são glyphosate. O objetivo deste controle é reduzir a competição das plantas daninhas e possibilitar condições ideais ao rápido estabelecimento e desenvolvimento da forrageira. é prática viável. biologia.Manejo de plantas daninhas em pastagens 259 . sendo necessário o emprego conjunto do controle químico com herbicidas sistêmicos (Quadro 2). paraquat + diuron e 2.4-D. com posterior implantação da forrageira. conhecimento do tipo da forrageira. Os herbicidas a serem utilizados. Módulo 3. cabendo ao controle químico apenas auxiliar quando necessário. são dependentes das plantas daninhas presentes na área e de seu desenvolvimento no momento da aplicação (Quadro 2). A seguir será abordado o manejo de plantas daninhas em pastagens utilizando-se herbicidas. possuindo retorno rápido e certo. o emprego do controle químico se faz necessário. sendo comum a mistura entre alguns destes. e distribuição de plantas daninhas (localizada ou não). paraquat. diquat. como: conhecimento das condições de degradação da pastagem e decisões conjuntas para sua recuperação. identificação correta das plantas daninhas (espécie. desde que utilizado no momento adequado e de forma correta. uma vez que estes produtos são seletivos às gramíneas (Quadro 2). não possuindo torrões e tocos. o emprego de reguladores de crescimento. desde que inserida em um manejo adequado de controle de plantas daninhas e recuperação da pastagem. o herbicida é uma ferramenta muito importante no manejo integrado de plantas daninhas. Nesse caso. sendo a de maior importância o controle cultural. Quando a forrageira (monocotiledônea) estiver se estabelecendo na área e surgirem plantas daninhas dicotiledôneas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas maioria dos casos. Os demais sistemas de plantio devem ser realizados em solo com preparo adequado. Portanto. uma vez que este possibilita as melhores condições de desenvolvimento e permanência da forrageira. O emprego do controle químico como único e generalizado implica a inviabilidade econômica da prática agrícola e sério desequilíbrio no sistema de produção. a utilização de herbicidas no controle de plantas daninhas tem se mostrado uma prática economicamente viável. porém não controla as espécies que possuem órgãos de reserva. 2. sendo para isso realizada a destoca e gradagens.

Na prática da recuperação das pastagens.2 .Uso de herbicidas na recuperação de pastagens A recuperação de pastagens é caracterizada pelo retorno às condições de produção destas sem ocorrer destruição da forrageira ou mesmo o revolvimento do solo. fluroxipir + picloram e triclopyr (Quadro 2). que impõem dificuldades na pulverização ou mesmo no corte. Os herbicidas podem ser utilizados para eliminar as plantas daninhas. 2.4-D + picloram. triclopyr e tebuthiuron (Quadro 2). os arbustos com muitos espinhos. A eliminação de reboleiras de plantas daninhas perenes e arbustivas pode ser realizada com aplicação localizada nas folhagens. ou seja. A prática da recuperação é dependente. 260 Módulo 3. são componentes fundamentais no sucesso do manejo de plantas daninhas e na recuperação da forrageira. 2. como o 2. A ausência da complementação do controle químico com o controle cultural inviabiliza essa tecnologia. o controle de plantas daninhas é fundamental para a sustentabilidade do sistema de produção. 2.3 . a fim de proporcionar condições adequadas de restabelecimento da forrageira. presença de comprometimento da fertilidade do solo com manutenção da integridade da forrageira.: na pindoba) ou mesmo no toco recémcortado de arbustos e árvores.4.4. mesmo que os herbicidas sejam eficazes no controle das espécies infestantes. das espécies de plantas daninhas presentes na área e do nível tecnológico empregado pelo pecuarista. Práticas culturais adequadas. o que pode ser realizado pelo emprego de herbicidas.Uso de herbicidas na manutenção de pastagens O manejo adequado da pastagem é o principal fator responsável por sua longevidade e produtividade. fluroxipir + picloram. tornando esta competitiva e dificultando o estabelecimento de plantas daninhas.4-D. Dentre os vários componentes do manejo de pastagens. quando comparada à formação ou mesmo à reforma. A ausência de condições adequadas ao desenvolvimento da forrageira proporciona o restabelecimento das plantas daninhas na área.4-D + picloram. 2. ainda.4-D. o primeiro passo é a eliminação da competição pelas plantas daninhas. da espécie da forrageira.4-D + picloram.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2. por possibilitar condições adequadas ao desenvolvimento da forrageira.6 . É dependente da população adequada de plantas forrageiras na área e da viabilidade do seu sistema radicular. no meristema apical (ex. podem ser eliminados pela utilização de produtos granulados espalhados no solo na projeção da copa. como adubação e calagem. Devese manter a pastagem sem pastoreio por um período de tempo após as práticas suficiente para recuperação desta. A recuperação da pastagem demanda menor custo e possibilita a obtenção mais rápida de pasto. utilizando-se para isso o picloram. como: 2.Manejo de plantas daninhas em pastagens . Eles possibilitam condições de rápida recuperação da pastagem e melhor aproveitamento do adubo e da calagem pela forrageira. uma vez que implica disponibilizar condições adequadas ao restabelecimento e desenvolvimento da forrageira já implantada na área. como o tebuthiuron (Quadro 2). através de produtos seletivos às gramíneas. fluroxipir + picloram e triclopyr (Quadro 2). do nível de infestação de plantas daninhas. Entretanto.

).) e aguapé (Eichornia crassipes) Utilizado na renovação das pastagens. glyphosate potássico ou sulfosate. visando redução das doses e maior eficiência de controle. cordãode-frade (Leonotis spp. café. Na dessecação para o sistema de plantio direto. batata. joá (Solanum spp.4-D nessas plantas.). feijão. dente-de-leão (Taraxacum officinale). Controla várias espécies de gramíneas e dicotiledôneas anuais.4-D com picloram.Manejo de plantas daninhas em pastagens 261 . picão-branco (Galinsoga parviflora). de ação por contato. Recomenda-se aplicálo com ponta de pulverização que produza boa cobertura foliar. Esta prática também reduz a contaminação do esterco dos animais com esses herbicidas. objetivando a recuperação da forrageira. beldroega (Portulaca oleracea). com glyphosate. em infestações mistas (de gramíneas e dicotiledôneas). flor-roxa (Echium plantagineum). poaia (Richardia spp. No controle em área total procede-se. como: algodão. devendo ser aplicada a mistura de 2. corriola (lpomoea spp). Nabiça (Raphanus raphanistrum). para matar as plantas daninhas anuais (monocotiledôneas e dicotiledôneas). porém não elimina as plantas perenes. Controla plantas de folhas largas anuais e algumas perenes. mentrasto (Ageratum conyzoides). caruru (Amaranthus sp. ou cultivadas em área tratada por um período inferior à sua carência.). não ocasionando a morte delas em aplicação isolada. guanxuma (Sida spp. Não aplicar em plantas daninhas perenes adultas. trapoeraba (Commelina spp. com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. tomate.). carrapicho-de-carneiro (Acanthospermum hispidum). usá-lo em mistura no tanque do pulverizador. estando estas em estádio inicial de desenvolvimento. que possuem persistência neste e no solo. alface e outras hortaliças. soja. erva-moura (maria preta) (Solanum nigrum). Deve-se atentar para o efeito da deriva para culturas altamente sensíveis próximo à área de pulverização. Também é utilizado na dessecação para o plantio direto em pósemergência das plantas daninhas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Deve-se atentar para a manutenção da pastagem livre de pastoreio no momento e também por um período de tempo após a aplicação dos herbicidas. mastruço (mentruz) (Coronopus didymus). que não se reproduzem por partes vegetativas. como tomate. Mostarda (Brassica campestre). picão-preto (Bidens pilosa). não pode ser aplicado sobre a forrageira. previamente. Nabo-bravo (Brassica rapa). Deve ser aplicado preferencialmente nos estádios iniciais de desenvolvimento das plantas daninhas.). ao pastoreio da área. jurubeba (Solanum paniculatum). Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas. melão-de-são-caetano (Momordica charantia). 2. serralha (Sonchus oleraceus).4-D Diversos Diuron + Gramocil paraquat Módulo 3.6 . mamona (Ricinus communis). devido ao rápido metabolismo do 2. Quadro 2 – Principais herbicidas recomendados na cultura das pastagens Nome técnico Nome comercial Observações Aplicação (pós-emergência) em área total em forrageiras monocotiledôneas controlando seletivamente as espécies dicotiledôneas. em área total. Por ser herbicida não-seletivo. Plantas daninhas controladas: amendoim-bravo (Euphorbia spp). podendo causar sérios danos a culturas sensíveis adubadas com o esterco. entre outras.

soja.4-D + Mannejo picloram 2.000 metros de distância de culturas sensíveis. leiteiro* (Peschiera fuchsiaefolia).4-D e para controlar arbustos e árvores. mio-mio (Baccharis coridifolia). capixingui (Croton floribundus). quando as plantas se encontram em pleno vigor vegetativo. tojo (Ulex europaeus) e trançagem (Plantago major).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Utilizar surfatantes 0. tomate.v. cheirosa (Hyptis suaveolens). Utilizar surfatantes (0. preferencialmente.4-D + Tordon picloram 2.2 a 0. aguapé (Eichordia crassipes). samambaia (Pteridium aquilinum). cambarazinho (Eupatorium laevigatum). com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. erva-lanceta (Solidago microglossa). Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos. batata. deve-se roçar as plantas daninhas e esperar a rebrota vigorosa e bem enfolhada (30 a 40 cm para plantas herbáceas e 1 m para semilenhosas) para posterior aplicação. o de aplicação no toco recém-roçado.Manejo de plantas daninhas em pastagens . Caso contrário. como: algodão. Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas. caraguatá (Erygium spp). No controle em área total procede-se.20 a 0. timbó* (Serfania sp). Aplicação em pós-emergência em área total ou localizada. arranha-gato* (Acacia sp. guanxumas (Sida spp.25% v. Plantas daninhas controladas: assa-peixe branco (Vernonia polyanthes). guanxuma (Sida rhombifolia). Deve-se atentar para o efeito da deriva para culturas altamente sensíveis próximo à área de pulverização. No segundo caso. joá (Solanum sisymbrifolium). entre outras. picão-preto (Bidens pilosa). fedegoso (Senna obtusifolia). a aplicação deve ser realizada cerca de 40 dias após a emergência das plantas daninhas. café. Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas.). em pleno vigor vegetativo. soja. assapeixes (Vernonia spp. No primeiro caso. principalmente em pulverizações aéreas que devem ser realizadas no mínimo a 2. previamente. batata.6 .3% v. Deve-se atentar para o efeito da deriva. tomate. ao pastoreio da área. ao pastoreio da área. Plantas daninhas controladas (*aplicação no toco recém-roçado): amendoim-bravo (Euphorbia paniculata). jurubeba (Solanum paniculatum). espinilho (Fagara praecox). 2. Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso). Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos. canelade-perdiz (Croton glandulosus) e mata-pasto (Eupatorium maximilianii) e outras. Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos. feijão. cajussara (Solanum spp.4-D 262 Módulo 3. No controle em área total procede-se. Deve ser realizado durante a estação das chuvas. É utilizado no controle de plantas herbáceas tolerantes ao 2. com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. carqueja (Bacharis trimera).3% de óleo mineral). buva (Erigeron bonariensis). É utilizado na reforma e recuperação da pastagem no controle de plantas daninhas dicotiledôneas herbáceas e semi-arbustivas. como: algodão. fumeiro (Solanum sp).). entre outras. malva-branca (Sida cordifolia). maria-mole (Senecio brasiliensis).).v Aterbane ou 0. feijão. na erradicação de arbustos ou árvores isoladas utiliza-se o método da pulverização da copa ou. e Sharnkya sp. erva-de-bicho (Polygonum punctatum). previamente. Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso). café. pulveriza-se por via terrestre ou aérea toda a área ou as reboleiras mais infestadas.).

Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente. guanxuma (Sida rhombifolia). roseta* (Randia armata. Bauhinia variegata). jovens ou adultas.4-D. Plantas daninhas controladas: assa-peixe-branco (Vernonia polyanthes). em aplicações localizadas para controlar plantas em reboleiras. por não ser seletivo a elas. assa-peixe-roxo (Vernonia westiniana). com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. ou reverter o terreno para outras culturas. evitando a rebrota destas após o revolvimento do solo. assa-peixe branco do cerrado* (Vernonia ferruginea). usa-se para destruí-la.v. entre outras.3% v. controla plantas daninhas dicotiledôneas herbáceas semi-arbustivas e arbustivas. malvão (Triunfetta bartramia). para assegurar sua absorção. Aplicação em pósemergência em área total ou localizada.2 a 0. joá (Solanum viarum). É comum sua mistura ao 2. A dose recomendada depende das espécies e do estádio de desenvolvimento destas. estando estas em boas condições metabólicas. Evitar deriva deste produto para culturas altamente sensíveis. Pode ser utilizado. mamica-de-porca* (Fagara rhoifolium). vassourinha (Sida santaremnensis). Fluroxipir Plenum + picloram Glyphosate diversos Módulo 3. mata-pasto (Eupatorium maximilianii).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Utilizar surfatante 0. Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos. No controle em área total procede-se.Manejo de plantas daninhas em pastagens 263 . guatanbú* (Aspidosperma sp. malva branca (Sida cordifolia). dependendo da formulação utilizada. deve-se evitar o contato com as forrageiras. Neste caso. controla plantas daninhas perenes e com órgãos de reserva. como: algodão. ainda.6 . aroeirinha* (Schinus terebenthifolius). plantas de cerrado ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso).5% v. Este herbicida não impõe restrições quanto à escolha das culturas subseqüentes. café. principalmente para uso em áreas infestadas por plantas de difícil controle. Aplicar em pós-emergência das plantas daninhas. batata. previamente. Requer período de 4-6 horas sem chuvas após sua aplicação. Por ser um herbicida sistêmico. angiquinho* (Parapiptadenia sp). feijão. As plantas daninhas devem estar em pleno desenvolvimento vegetativo.v ou óleo mineral 0. tomate. (*Em algumas condições ocorre a exigência de repasse no segundo ano com a aplicação de picloram no toco recém-roçado). Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas. Controla de forma não-seletiva plantas daninhas mono e dicotiledôneas. por ser fortemente sorvido ao solo e não possuir efeito residual. quando se pretende renová-la. ao pastoreio da área. soja.). Em pastagem.

v de Garlon em óleo diesel para cada metro de altura desta planta. esta pode ser aérea ou terrestre. Em plantas que possuem engrossamento do caule abaixo do nível do solo (ex. Não adicionar óleo diesel nem surfatantes.) pata-de-vaca (Bauhinia variegata e Parapiptadenia sp. O produto deve ser aplicado imediatamente após o corte. mamica-de-porca (Machaerium aculeatum). não impondo restrições quanto a culturas subseqüentes. objetivando-se atingir o seu sistema radicular. No controle em área total procede-se. Deve-se utilizar ponta de pulverização do tipo cone cheio. Controle de guatambu (Aspidosperma sp. assa-peixe (Vernonia polyanthes). deve-se aplicar o produto sobre o solo ao redor do toco.) e outras brotações de cerrado . para evitar perda do produto. Triclopyr Garlon Picloram Padron 264 Módulo 3. Não realizar aplicação em plantas secas e com atividade metabólica reduzida (estresse hídrico acentuado. plantas de cerrado ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso). Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas. em pastagens infestadas densamente por plantas daninhas de pequeno. como: algodão. batata. localizado no centro da projeção das folhas mais novas. dependendo do tipo de solo e das condições climáticas.v em óleo diesel a baixa pressão no terço final do caule. Aplicação deve ser localizada no toco recém-roçado. tomate. Plantas daninhas controladas: arranha-gato (Acacia plumosa). espinho-agulha (Barnadesia rosea). A aplicação deve ser realizada em plantas com desenvolvimento adequado. espinilho (Acacia farnesiana). devem-se aplicar 15 a 20 mL por planta. deve-se corta-las com enxadão abaixo do nível do solo e posteriormente aplicar o produto em caule e raízes decepadas até o ponto de encharcamento. molhando bem todo o toco até atingir o ponto de escorrimento. leiteiro (Peschiera fuchsiaefolia).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Controle eficiente da pindoba (Orbinea speciosa) – 10 mL da solução 4. feijão. entre outras. apresentando meiavida no solo de 20 a 45 dias. soja.: ciganinha). pata-de-vaca (Bauhinia variegata) e ciganinha (Memora peregrina). Em plantas com toco de diâmetro inferior a 3 cm. café.6 . Evitar deriva deste produto para culturas altamente sensíveis. Para plantas velhas. aroeirinha (Schinus terebenthifolius). Na aplicação em área total não se deve utilizar óleo diesel. jurubeba (Solanum paniculatum) e outras. médio e grande porte.aplicação de Garlon 5. Aplicar o produto molhando bem e uniformemente toda a folhagem da planta. cambará (Lantana camara). previamente. com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. Roçar as plantas daninhas a serem controladas com foice o mais próximo possível do solo. A aplicação deve ser realizada diretamente no meristema apical da planta. aproximadamente 30-40 cm acima do nível do solo (cerca de 20 mL por planta). Os caules mais grossos devem ser rachados em cruz para proporcionar a maior absorção do produto. camboatá (Tapirira guianensis). deve-se fazer o corte abaixo do engrossamento da raiz da última roçada.0% v. Plantas daninhas controladas: erva-quente (Borreria alata). O produto é rapidamente degradado. queimada). ao pastoreio da área. que apresentam engrossamento visível próximo à superfície do solo.0% v. cuidando para atingir o mínimo possível as folhas da forrageira.Manejo de plantas daninhas em pastagens . roçadas várias vezes. Em plantas já roçadas anteriormente. que deve ficar o mais próximo possível no momento da aplicação. Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente. mesmo que a altura esteja abaixo da roçada recente.

as culturas rotacionais poderão ser plantadas no mínimo 3 anos após a aplicação do herbicida. o aplicador proteger-se com equipamento de proteção adequado (luvas impermeáveis e outros). resultados mais rápidos e eficientes serão obtidos quando a aplicação for realizada pouco antes (ou no início) do período chuvoso (julho a dezembro nas regiões Sul e Centro-Oeste). A localizada é denominada catação e constitui-se na eliminação de arbustos agrupados. animais domésticos e pessoas desprotegidas por um período de 7 dias após a aplicação do produto. espinho-agulha (Chuquiragua tomentosa). algodão. formação. jurubeba (Solanum fastigiatum).6 . devendo. embaixo da copa dos arbustos indesejáveis (plantas com espinhos e outras). esporão-de-galo (Celtis glycicarpa). roseta ou limãozinho-de-goiá (Randia armata). leiteiro-vermelho (Chrysophyllum marginatum). lobeira (Solanum lycocarpum). os arbustos devem apresentar bom desenvolvimento foliar. bem como de árvores frutíferas. capa-bode (Melochia tomentosa). nível tecnológico do pecuarista e herbicida utilizado. Usa-se em cobertura total do terreno. espécie infestante. É aplicado em dose única em qualquer época do ano. ou. malícia ou dorme-dorme (Mimosa invisa). Mantenha afastados das áreas de aplicação crianças. tomate.Manejo de plantas daninhas em pastagens 265 . cansanção ou urtigão (Cnidosculus urens). operação na ocasião do controle (reforma. fumo-bravo (Solanum verbascifolium). Não aplicar o produto em florestas ou reservas naturais. distribuindo-se os grânulos na projeção da copa. café-de-bugre (Solanum caavurana). Após a aplicação deste produto não se recomenda eliminar a parte aérea do arbusto de que se deseja o controle. em ambos os casos. assa-peixebranco. fumo. cega-jumento ou cajussara (Solanum rugosum). cipó-prata (Banisteria metalicolor). É recomendado para solos arenosos e areno-argilosos. ou localizada nas reboleiras de infestantes que se pretende eliminar. aroeirinha (Schinus terebinthifolius). limão-bravo (Soliva sessilis). a aplicação não deve ser feita em arbustos roçados ou queimados recentemente. carqueja (Bacharis trimera). portanto. a área é caracterizada pela infestação menor do Módulo 3. entretanto. Plantas daninhas controladas: gramão ou grama-batatais (Paspalum notatum). mangueirinha ou camboatá-do-cerrado (Tapirira guianensis). Tebuthiuro Graslan n São várias as maneiras de aplicação de herbicidas em pastagens. Em caso de lesões ocasionadas principalmente pela maior concentração localizada do produto. assa-peixe-do-cerrado (Gochnatia polymorpha). pepino e outras. os danos tendem a desaparecer num período de 6 a 12 meses. No entanto. chirca (Eupatorium bonifolium). recuperação e manutenção). quando em aplicação localizada. para reduzir os efeitos negativos à forrageira. pois esta é importante para melhor absorção do herbicida e conseqüentemente agilizará o processo de morte desse arbusto. assa-peixe-roxo (Vernonia scabra). taboca (Guadua angustifólia). No caso de aplicação em área total.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Formulação granulada aplicada a lanço. A distribuição do produto deve ser uniforme na área. feijão. ainda. cruzeta (Strychnos parvifolia). assa-peixe-do-pará. mamica-de-porca (Fagara hiemalis) e tarumã (Vitex sp. pereiro (Aspidosperma eburneum). folha-de-santana (Vernonia ferruginea). espinho-agulha (Barnadesia rósea). como soja. Devido ao modo de absorção e translocação do herbicida. assa-peixe. esporão-de-galo (Pisonea aculeata). Deve-se evitar a aplicação sobre ou perto de culturas anuais suscetíveis. seu efeito restringe-se ao local de aplicação. leiteiro (Peschiera fuchsiaefolia). sendo elas dependentes das condições de infestação.). com granuladeira ou por via aérea. A aplicação foliar pode ser localizada ou em área total. limãozinho ou juvu (Acanthocladus brasiliensis). arranha-gato ou unha-de-gato (Acacia plumosa). veludo-vermelho (Chomelia pohliana).

A aplicação aérea é recomendada em grandes áreas que possuem obstáculos à pulverização tratorizada.6 . A aplicação em área total é feita em áreas com infestação acima de 40% e está condicionada à topografia adequada da área. Todavia. necessidade de pista de pouso próximo à área e topografia adequada à pulverização aérea. Essa forma de pulverização possui alto rendimento operacional e exigência baixa de mão-de-obra. o pulverizador tracionado por animal. em condições que impõem restrições à aplicação foliar ou ao corte dos arbustos. denominado Burro Jet. caracterizada pela deposição do herbicida granulado no solo na projeção da copa da planta daninha. Deve-se cuidar quanto à deriva próximo a áreas agrícolas. tendo como objetivo aumentar a suscetibilidade das plantas daninhas aos herbicidas. É utilizado no controle de arbustos com espinhos e com arquitetura de galhos bem fechados. permitindo a mecanização com o trator.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas que 40% e disposta em reboleiras. A principal vantagem da aplicação aérea é o alto rendimento operacional. podendo pulverizar até 300 ha por dia. 266 Módulo 3. Os pulverizadores utilizados são o costal tracionado por uma pessoa. Esta prática demanda maior nível tecnológico do pecuarista. pode-se realizar a aplicação basal. canhão ou avião (aérea). pelas exigências quanto a monitoramento sistemático das condições meteorológicas. direcionadas por trabalhadores que acompanham o trator.Manejo de plantas daninhas em pastagens . ou mesmo um pulverizador tratorizado adaptado com várias saídas de pontas. Outra forma de aplicação de herbicidas é em toco recém-roçado. uma vez que a maioria das culturas anuais e perenes é altamente sensível aos herbicidas reguladores de crescimento utilizados em pastagens. podendo ser realizada com pulverizador de barra.

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