ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

PROTEÇÃO DE PLANTAS

Módulo 3 Manejo de plantas daninhas
Tutores: Profº Dr.Antonio Alberto da Silva (UFV-MG) Profº Dr. José Ferreira da Silva (FUA-AM) Profº Dr. Francisco Affonso Ferreira (UFV-MG) Profº Dr. Lino Roberto Ferreira (UFV-MG)

Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Universidade Federal de Viçosa - UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia

Brasília - DF 2006
Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas 1

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Ficha Catalográfica Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Controle de plantas daninhas. Tutores: Antônio Alberto da Silva; [e outros]; colaboração de José Ferreira da Silva, Francisco Affonso Ferreira, Lino Roberto Ferreira - Brasília, DF: ABEAS; Viçosa, MG: UFV; 2006. 268.: il (ABEAS. Curso Proteção de Plantas. Módulo 3 - 3.1;3.2;3.3;3.4;3.5,3.6). Inclui bibliografia. 1. Plantas daninhas - controle. I.Silva, Antônio Alberto, 1950 - II. Silva, José Francisco da. III.Ferreira, Francisco Afonso. IV.Ferreira, Lino Roberto. V.Silva, José Ferreira da. VI. Oliveira Júnior, Rubem Silveríco de. VII. Vargas, Leandro. VIII. Universidade Federal de Viçosa. IX. Título É proibida a reprodução total ou parcial deste módulo Direitos reservados a ABEAS e ao autor

2

Módulo 3: 3.1 - Biologia e métodos de controle

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Sumário
Módulo 3.1 – Biologia e métodos de controle, 04 Módulo 3.2 – Herbicidas: classificação e mecanismos de ação, 48 Módulo 3.3 – Herbicidas: absorção, translocação, metabolismo, formulação e misturas, 102 Módulo 3.4 – Herbicidas: comportamento no solo, 135 Módulo 3.5 – Herbicidas: resistência de plantas, 196 Módulo 3.6 – Manejo de plantas daninhas em pastagens, 235

Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas

3

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

PROTEÇÃO DE PLANTAS

Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas 3.1 - Biologia e métodos de controle
Tutores: Profº. Antonio Alberto da Silva Profº. Francisco Affonso Ferreira Profº. Lino Roberto Ferreira Profº. José Barbosa dos Santos

Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Universidade Federal de Viçosa - UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia

Brasília - DF 2006
4 Módulo 3.1 - Biologia e métodos de controle

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Sumário

Introdução, 06 1 - Planta daninha, 07 1.1 - Prejuízos causados pelas plantas daninhas, 08 1.1.1 - Prejuízos diretos, 08 1.1.2 - Prejuízos indiretos, 09 1.2 - Origem, estabelecimento e propagação das plantas daninhas, 10 1.3 - Classificação das plantas daninhas, 15 1.3.1 - Características práticas para reconhecimento das principais famílias de plantas daninhas, 16 1.4 - Características de agressividade das plantas daninhas, 18 2 - Competição entre plantas daninhas e culturas, 19 2.1 - Fatores do ambiente passíveis de competição, 20 2.1.1 - Competição por água, 23 2.1.2 - Competição por luz, 25 2.1.3 - Competição por CO2, 28 2.1.4 - Competição por nutrientes, 28 3 – Alelopatia, 30 3.1 - Alelopatia das plantas daninhas sobre as culturas e plantas daninhas, 31 3.2 - Alelopatia entre culturas, 32 3.3 - Alelopatia das coberturas mortas, 32 4 - Competição e período crítico de competição, 33 5 - Métodos de controle de plantas daninhas, 36 5.1 - Controle preventivo, 36 5.2 - Controle cultural, 37 5.3 - Controle mecânico ou físico, 37 5.4 - Controle biológico, 39 5.5 - Controle químico, 40 6 - Manejo integrado de plantas daninhas (mipd), 42 Referências bibliográficas, 45

Módulo 3.1 - Biologia e métodos de controle

5

Em algumas culturas. no momento preciso e na quantidade necessária. o produtor deve ser mais eficiente. Novas técnicas estão sempre sendo pesquisadas e incorporadas. simultaneamente. Cerca de 92% da população. isoenzimas e RAPD (biotecnologia) e sensoriamento remoto também são úteis na identificação de plantas daninhas. para uma população crescente de consumidores e decrescente de produtores. cuidados técnicos 6 Módulo 3. mecânicos ou químicos. cerca de 20-30% do custo de produção refere-se ao controle de plantas daninhas. Os novos herbicidas estão cada vez mais seguros para o ambiente e o homem. química orgânica. envolvendo principalmente conhecimentos nas áreas de morfologia e fisiologia. bioquímica. vive hoje nas cidades. Com relação aos defensivos agrícolas. e a mão-de-obra rural existente é escassa e de baixa qualidade. biologia. Os estudos de ecologia e da toxicologia humana e animal são conduzidos. sendo um dos primeiros no "ranking" de vendas de agrotóxicos. ou seja. Devido à dificuldade de se encontrar mão-de-obra no campo. Como toda ciência. toda e qualquer técnica de manejo de plantas daninhas somente terá sucesso se for aplicada levando-se em conta conhecimentos detalhados da biologia das plantas infestantes da área. técnicas de biologia molecular e sensoriamento remoto. antes do lançamento de qualquer herbicida. 2005). estão sendo desenvolvidos trabalhos objetivando a criação de cultivares de soja resistentes ao glyphosate. São necessários. física e química do solo. como exemplos. a eletricidade.1 . Muitos estudos estão sendo conduzidos em genética.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução Para um leigo. em que os herbicidas correspondem a mais de 50% do volume total comercializado (ANDEF. esse percentual é ainda maior. fibras e energia. de arroz. é uma ciência multidisciplinar que depende de conhecimentos de botânica. ao imazaquin. as microondas e o raio laser estão sendo avaliados como futuros métodos de controle. visando o melhoramento de culturas para resistência a herbicidas. A demanda cada vez maior de alimentos. de milho. climatologia. etc. o Brasil dispõe de um dos maiores mercados do mundo. sendo mais eficientes no controle de plantas daninhas específicas e com doses cada vez mais baixas. ao amônio-glufosinato. fisiologia vegetal. principalmente. Todavia. o estudo das plantas daninhas é dinâmico. mecanização agrícola. fitotecnia. na região produtora de alimentos do Brasil. Em razão disso. Assim. o uso de herbicidas tornou-se prática indispensável. Em termos médios. destaca a importância da eficiência do controle de plantas daninhas. além da eficiência e. usando métodos manuais. economicidade do controle químico. é extremamente simples. deve utilizar menos mão-de-obra para produção de maior quantidade de alimentos.Biologia e métodos de controle . com ajuda da física. como cana-de-açúcar. o controle de plantas daninhas. o ultra-som. Na verdade. entretanto.

Biologia e métodos de controle 7 . qualquer planta estranha que vier a afetar a produtividade e. na sua essência. fornecendo néctar para as abelhas fabricarem o mel. devido à evolução e complexidade que atualmente atingiu a Ciência das Plantas Daninhas. Uma planta cultivada também pode ser daninha se ela ocorrer numa área de outra cultura. afirma que planta daninha é qualquer planta que ocorre onde não é desejada. um campo no qual está muito presente o desafio maior do agronegócio brasileiro. pois estas. que é o de conciliar. o tipo de solo. Por esse motivo. sustentabilidade e eqüidade. é um típico setor de tecnologia de ponta e. por exemplo. com o homem. a topografia da área. Neste programa. como a presença do milho em cultura da soja e da aveia em cultura do trigo. etc. promovendo a reciclagem de nutrientes. todos os conceitos baseiam-se na sua indesejabilidade em relação a uma atividade humana. as condições ambientais e o nível cultural do proprietário. físico. é uma planta fora de lugar. hoje. a qualidade do produto produzido ou interferir negativamente no processo da colheita é considerada daninha. Deve-se ressaltar que o herbicida é considerado apenas uma ferramenta a mais no manejo de plantas daninhas. servindo como planta medicinal. Uma planta pode ser daninha em determinado momento se estiver interferindo negativamente nos objetivos do homem. Numa cultura. por isso mesmo. algumas têm sido consideradas plantas Módulo 3.1 . o controle químico de plantas daninhas. Fischer (1973) apresenta duas definições: “plantas cujas vantagens ainda não foram descobertas” e “plantas que interferem com os objetivos do homem em determinada situação”. Para Beal. os conceitos de competitividade. 1 . como. num conceito mais amplo. Embora não se possa dizer que uma planta. plantas tóxicas em pastagens. Como exemplos.Planta daninha Definir planta daninha nem sempre é fácil. Na verdade. para se obter um controle que seja eficiente. pelo solo. cultural. etc. são vários os conceitos de planta daninha: Shaw (1956). citado por Fischer (1973). Segundo Rodrigues e Almeida (2005). Cruz (1979) salienta que é uma planta sem valor econômico ou que compete. no seu processo. biológico e químico). por exemplos. plantas estranhas no jardim. plantas ao lado de refinarias de petróleo. levando-se em consideração as espécies daninhas infestantes. porém esta mesma planta pode ser útil em outra situação. mecânico. em determinadas situações.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas para atingir a máxima eficiência com o mínimo impacto negativo ao solo. plantas interferindo no desenvolvimento de culturas comerciais. uma planta só deve ser considerada daninha se estiver direta ou indiretamente prejudicando uma determinada atividade humana. ou. podem-se citar espécies altamente competidoras com culturas sendo extremamente úteis no controle da erosão. sendo recomendado sempre um programa de controle integrado. econômico e que preserve a qualidade ambiental e a saúde do homem. associam-se os diversos métodos disponíveis (preventivo. os equipamentos disponíveis na propriedade. à água e aos organismos não-alvos. podem ser extremamente úteis. seja daninha. citado por Marinis (1972). Entretanto.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas daninhas comuns e outras plantas daninhas verdadeiras. onde se exige perfeito controle das plantas para melhor eficiência das máquinas colheitadeiras. etc. Em média. As consideradas verdadeiras possuem características especiais que permitem fixá-las como infestantes ou daninhas. ainda. Exemplo: Desmodium totuosum. também.Prejuízos causados pelas plantas daninhas 1. bulbos.Prejuízos diretos As plantas daninhas. impedirem a certificação de mudas em torrão. b) São responsáveis pela não-certificação das sementes de culturas. raízes. São exemplos a presença de sementes de picão-preto (Bidens pilosa) junto ao capulho do algodão. quando presentes em pastagens. etc. etc. 1). Além da redução da produtividade das culturas. as plantas de trigo que surgirem das sementes remanescentes no solo passam a ser consideradas daninhas à cultura da soja. tubérculos. oficial-de-sala (Asclepias curassavica). tubérculos de tiririca se desenvolvendo dentro tubérculos de batata (Fig. como: a) Não são melhoradas geneticamente. as quais são facilmente dissemináveis por animais. cavalinha (Equisetum 8 Módulo 3. por exemplo: a) Reduzem a qualidade do produto comercial. capim-massambará (Sorghum halepense) e feijão-miúdo (Vigna ungiculata). por máquinas. que produz até 42. furtam energia do homem. num plantio rotacional trigo/soja. água.1 .) 1. As comuns são aquelas que não possuem habilidade de sobreviver em condições adversas.Biologia e métodos de controle . na realidade. cerca de 20-30% do custo de produção de uma lavoura se deve ao custo do controle das plantas daninhas. como é o caso de mudas cítricas produzidas em viveiro infestado com tiririca (Cyperus rotundus).1 . Por exemplo: cafezinho (Palicourea marcgravii). pois. se todas as sementes germinassem de uma só vez. c) Podem intoxicar animais domésticos. arroz-vermelho (Oryza sativa). folhas. b) Crescem em condições adversas. capazes de se multiplicar por diversas maneiras (sementes. Muitas espécies de plantas daninhas são. geralmente com facilidade para disseminação pelo vento. sementes de capim-carrapicho (Cenchrus echinatus) junto ao feno. c) São rústicas quanto ao ataque de pragas e doenças. seria fácil erradicar uma espécie daninha. quando estas são colhidas junto com sementes de determinadas espécies de plantas daninhas proibidas. rizomas. pêlo de animais. Por exemplo. etc. as plantas daninhas causam outros prejuízos diretos.1 .1. É comum. Possuem habilidade de produzir grande número de sementes por planta.000 sementes por planta. d) Apresentam dormência e germinação desuniformes. que são atributos que facilitam a perpetuação da espécie. sementes de carrapicho-de-carneiro (Acanthospermum hispidum) aderidas à lã. Esses valores tornam-se ainda mais significativos na agricultura moderna. como leiteiro (Euphorbia heterophylla). por misturas de sementes.

000 sementes por planta. os tricomas de suas folhas se rompem a um leve contato e liberam toxinas que causam inflamação na pele do trabalhador. dois meses mais tarde as plantas aparecem na superfície do solo.Biologia e métodos de controle 9 .1 . Sida micrantha.Prejuízos indiretos As plantas daninhas podem ser hospedeiras alternativas de pragas e doenças. causado por um vírus à cultura do feijão. chibata (Arrabidae bilabiata) e outras que podem causar a morte de animais. algodoeirobravo (Ipomoea fistulosa). Sida cordifolia. São exemplos destas espécies a corda-de-viola (Ipomoea grandifolia. podem. arranha-gato (Acassia plumosa) e outras plantas espinhosas podem até impedir a colheita manual das culturas. feijão e cana-de-açúcar. esta espécie daninha dificulta tremendamente a colheita manual. Sida santaremnensis. Figura 1 . samambaia (Pteridium aquilinium). São exemplos a erva-de-passarinho (Phoradendron rubrum) em citros e a erva-de-bruxa (Striga lutea) em milho. como o mosaico-dourado do feijoeiro. etc. Estas diminuem a eficiência das máquinas e aumentam as perdas durante a operação da colheita até mesmo quando em infestação moderada nas lavouras. ainda não introduzida no Brasil. os nematóides: mais de 50 espécies de plantas daninhas hospedam Meloydogyne javanica e Heterodera (nematóide-do-cisto da soja). prejudicar ou mesmo até impedir a realização de certas práticas culturais e a colheita. Capimcarrapicho (Cenchrus echinatus). ainda. Sida glaziovii. Ipomoea purpurea e outras desse gênero). Módulo 3. durante a operação da colheita.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas piramidale). flor-das-almas (Senecio brasiliensis). milho e plantas ornamentais. pois.). que é transmitido pela mosca-branca após ter se “alimentado” de espécies do gênero Sida (Sida rhombifolia. carrapicho-de-carneiro (Acathospermum hispidum). infestante comum em lavouras de milho. além dos prejuízos diretos que causam às culturas. Outro exemplo é o capim-massambará (Sorghum halepense). Esta última é a pior invasora para milho.1. Ela produz cerca de 5. Algumas espécies. Outro exemplo de espécie de planta daninha que causa prejuízos diretos e indiretos é a Mucuna pruriens.Dano em batata inglesa devido à penetração e ao desenvolvimento de tuberculos de tiririca 1. d) Algumas espécies exercem o parasitismo em citros.2 . que germinam e parasitam as raízes do milho. que é hospedeiro do vírus do mosaico da cana-de-açúcar. Ipomoea aristolochiaefolia. florescem rapidamente e iniciam novamente o ciclo parasitário.

dos distúrbios naturais. ou seja. também. etc. dificultando a manutenção de represas. Por outro lado. além das partes das plântulas. radícula. Estas. aumentando o custo da irrigação.2 . incluindo o homem.Origem. que afirma que a vida originou-se no meio líquido. etc. como a tiririca (Cyperus rotundus) e a losna-brava (Artemisia verlotorum). segundo a qual a vida teve origem em terra firme. 1. Musik (1970) salienta que o homem é. inicialmente. porque ele é quem cria o ambiente favorável a elas. o estabelecimento de uma determinada planta daninha envolve os aspectos ecológicos da agregação e migração. o que assegura alta taxa de dispersão e restabelecimento de uma infestação.Biologia e métodos de controle . Existem duas grandes teorias: a hidrosere.1 . o responsável pela evolução das plantas daninhas. a disseminação das plantas daninhas pode ser feita por vento. pelas plantas cultivadas. Exemplos: taboa (Typha angustifolia). como hipocótilo. que se constitui num grande disseminador de tais plantas. elas começaram a aparecer quando o homem iniciou suas atividades agrícolas. que apresentam duas características essenciais: dormência e reservas alimentícias. pois a semente é uma das vias de entrada dos herbicidas. Vários são os diásporos. as plantas daninhas originaram-se. além da competição pelos recursos do meio. têm o custo de controle muito elevado. também. ação de rios e mares. Todavia. Os propágulos podem ser raízes. envolvendo os complexos aspectos morfogênicos e edafoclimáticos. as plantas daninhas produzem muitas sementes. Normalmente. possuem seus mecanismos de ação ligados ao processo 10 Módulo 3. Do ponto de vista morfofisiológico. também. devido ao próprio conceito de planta daninha. o estabelecimento envolve o processo de germinação da semente. problemas sérios em ambientes aquáticos. o funcionamento de usinas hidrelétricas. estabelecimento e propagação das plantas daninhas De acordo com Musik (1970) e Fischer (1973). tornando-se inviável economicamente. animais. água. etc. refinarias de petróleo. quando presentes em áreas com culturas que apresentam pequena capacidade competitiva. vias públicas. etc.. como as olerícolas de modo geral. aguapé (Eichornia crassipes). muitos herbicidas atuam. os parques e os jardins. desmoronamentos de montanhas. como o é. caulículo. Estas são encontradas onde está o homem. rizomas. e a xerosere. etc. crescimento e desenvolvimento da planta.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas As plantas daninhas. provavelmente. Nestas áreas não é desejável a presença de plantas daninhas vivas ou mortas. onde podem dificultar o manejo da água. tubérculos. As plantas daninhas podem ser disseminadas por diversos meios. como glaciação. Causam. O estudo do processo germinativo das sementes é de fundamental importância para quem trabalha com o manejo de plantas daninhas. Além disso. ferrovias. prejudicando a pesca. Na verdade. pelos quais as plantas podem perpetuar-se tanto por via seminífera como por via vegetativa. separando as benéficas (denominadas plantas cultivadas) das maléficas (denominando-as de plantas daninhas). A propagação vegetativa é um mecanismo de sobrevivência de grande importância nas plantas daninhas perenes. Outras espécies de plantas daninhas podem ainda reduzir o valor da terra. podem ser altamente inconvenientes em áreas não-cultivadas: áreas industriais.

é necessário o suprimento contínuo de água. METIVIER. A água é necessária para que ocorra a reidratação das sementes. é de duas a três vezes o peso da semente. A temperatura ótima é aquela que permite a obtenção da maior percentagem de emergência no menor espaço de tempo. ela entrará em processo de germinação (PROPINIGIS. ocorre a ruptura do tegumento e saída da radícula. por onde sairá a radícula. Estas sementes permanecerão dormentes enquanto o tegumento estiver impermeável (semente dura). para a maioria das espécies.1 . 1986. cada espécie requer uma temperatura ideal para germinação. como adequado suprimento hídrico. O processo da germinação inicia-se. a velocidade da germinação é menor. Em temperaturas abaixo da ótima. Essas necessidades são definidas para cada espécie e estão relacionadas com o habitat de origem e com a melhor forma de preservar a espécie (normalmente as espécies daninhas somente germinam quando existem condições para sobrevivência). concentração de oxigênio e presença ou ausência de luz. para o desenvolvimento do eixo embrionário em plântula independente. a celulose e as substâncias pécticas. 1974. provocando o rompimento do tegumento. o qual pode atingir centenas de atmosferas. o que resulta numa diminuição do estande. 1985). As características físico-químicas das substâncias coloidais das sementes irão comandar o potencial da água nas sementes. A quantidade de água necessária para reidratação. É comum entre as espécies a presença do tegumento totalmente impermeável à água.Biologia e métodos de controle 11 . As principais substâncias responsáveis pela embebição são as proteínas. aumenta-se o potencial de pressão interna na membrana que envolve a semente (pressão de embebição). menor tempo para embebição). Outro fator que pode influenciar a embebição é a permeabilidade do tegumento da semente à água. A embebição das sementes é um processo físico que ocorre tanto nas sementes vivas quanto nas mortas. sendo dependente dos seguintes fatores: composição química da semente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas germinativo. Com a embebição. Se a semente não estiver em estado de dormência e houver condições ambientais favoráveis. em fases seguintes à reidratação. atmosfera apropriada à espécie (concentração de CO2 e O2) e luz (comprimento de onda e intensidade). A germinação da semente é a reativação dos pontos de crescimento do embrião que haviam sido paralisados nos estágios finais da maturação morfisiológica da semente. e para isso são necessários alguns requisitos fundamentais: estarem as sementes viáveis e as condições ambientais serem favoráveis. permeabilidade do tegumento à água e presença de água na forma líquida ou gasosa. temperatura adequada à espécie. impedindo que a planta se estabeleça. são necessárias as seguintes condições ambientais favoráveis: água em quantidade suficiente. FERRI. portanto. Normalmente. Para que uma semente viável (condição intrínseca) possa germinar. dando origem ao que se chama de semente dura. com o ressurgimento das atividades paralisadas ou reduzidas por ocasião da maturação da semente. temperatura. A embebição também é influenciada pela temperatura (temperaturas mais elevadas. Entretanto. Do ponto de vista fisiológico. ou seja. conforme ela seja fotoblástica positiva ou negativa. porque as sementes ficam por períodos prolongados nos estágios iniciais da Módulo 3. a germinação consiste no processo que se inicia com o suprimento de água à semente seca e termina quando o crescimento da plântula se inicia. que perdem muita umidade por ocasião de sua maturação e secagem.

Como exemplo desta interdependência podem-se citar as espécies do gênero Amaranthus.1 . ou. as sementes germinam em atmosferas com 20% de O2 e 0. Em algumas espécies tem-se observado. A germinação. em que a luz pode promover a germinação mesmo em temperaturas desfavoráveis. em alguns casos. em demasia. atividade microbiana e teor de umidade. também. devido à maior atividade metabólica. pois sementes de muitas espécies não conseguem germinar quando a concentração de CO2 é muito elevada. Existem espécies de plantas daninhas que somente germinam no escuro. uma interdependência entre temperatura e outros fatores externos. por se tratar de um processo que ocorre em células vivas. ou muito curto.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas germinação e. respiração. As necessidades e quantidades de 02 para germinação são influenciadas por outros fatores.03% de CO2. que aumentam a necessidade de oxigênio pelo embrião. nessas condições. O efeito do CO2 é normalmente contrário ao do O2. Através de concentrações elevadas de CO2 consegue-se evitar a germinação e auxiliar na conservação de sementes. passam a germinar rapidamente se ocorrer alternância de temperaturas alta e baixa. como: a) altas temperaturas. isto é. obtida por meio do processo de oxidação na presença do oxigênio. Temperatura acima da ótima tende a aumentar. ser inibidoras ou promotoras da germinação. Além destes. como porosidade. outras necessitam de breve iluminação e outras são indiferentes. Em condições normais. esta prática não é utilizada para conservação de sementes. a velocidade da germinação. ocorrendo a embebição de todos os tecidos da semente e uma expansão do tegumento 12 Módulo 3. portanto. como a grama-seda (Cynodon dactylon). entretanto. e b) fatores do solo. longo e de forma cíclica. esse fenômeno é semelhante ao fotoperiodismo observado para o florescimento. O período de exposição pode ser curto.Biologia e métodos de controle . ficam mais suscetíveis ao ataque de microrganismos patogênicos. a fase gasosa do solo apresenta uma série de substâncias voláteis que são produzidas pelas plantas. com uma rápida absorção de água pelos biocolóides. Há espécies cujas sementes somente germinam em regime de alternância de temperatura. É importante salientar que a sensibilidade das sementes à luz é maior quando a semente está embebida. razão por que a germinação das sementes é influenciada pela composição do ar atmosférico que as envolve. outras em luz contínua. as reações envolvem o fitocromo. Sementes desta espécie dificilmente germinam totalmente no escuro. porcentagem de matéria orgânica.001 segundo (sementes de fumo). Todavia. ainda. podendo. A respiração envolve trocas de gases. como em sementes de alface (alta percentagem de germinação em exposição por um a dois minutos). causando crescente desorganização do mecanismo germinativo e impossibilitando que as sementes menos vigorosas completem a emergência. profundidade de semeadura. apenas flash de 0. necessita de energia. Neste caso. O processo de germinação inicia-se. em regime de temperatura constante entre 25 e 30 °C. Em algumas espécies a necessidade de luz ocorre somente após a colheita e em outras por um longo período (por um ano ou mais). A temperatura ótima está relacionada com as atividades das enzimas que participam dos diversos processos metabólicos que ocorrem durante a germinação e cujas ações somente se tornam eficientes em temperaturas específicas. A necessidade de luz pode variar também em função do armazenamento. porque uma atmosfera rica em nitrogênio parece ser mais econômica e eficiente.

através da ação de duas enzimas: isocitrase e sintetase do malato). as gorduras são convertidas em sacarose pelo ciclo do glioxilato. em estado da quiescência. por ação das fitases. da glicólise e da respiração. pelo contrário. o número de ribossomos+RNA que incorporam os aminoácidos às proteínas. são transformadas em aminoácidos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas envolvente. a drenagem de áreas encharcadas e as irrigações de solos secos podem estimular a germinação dessas sementes. Em cereais. observa-se aumento nas sínteses de DNA e RNA. ao mesmo tempo. ocorrem o metabolismo e a mobilização das reservas das sementes. nas primeiras 24 horas iniciais. Uma outra razão é dormência. necessitam que a dormência seja superada de alguma forma. É o caso das aveias silvestre e cultivada. No caso da dormência. Outro aspecto relacionado com a semente é a quiescência. que é o repouso metabólico da semente devido a condições externas desfavoráveis. com a dormência. pela ação das enzimas proteolíticas. o embrião passa a sintetizar e liberar giberelinas que se movem através do endosperma. os quais dependem do uso de aminoácidos. é transformado em açúcares redutores e sacarose. as quais são essenciais para o desenvolvimento do embrião. Durante esta fase o ácido giberélico (giberelinas) estimula a ativação e. verifica-se inicialmente a ativação do m-RNA preexistente. havendo formação de α-amilase e outras enzimas. mesmo que as condições ambientes sejam favoráveis. que é devida a condições intrínsecas inerentes à própria semente. que envolve a oxidação da matéria orgânica da semente com formação de ATP e substâncias intermediárias necessárias ao processo anabólico da germinação. é reativada e a enzima β-amilase é sintetizada de novo por estímulo hormonal (giberelinas) às expensas de aminoácidos originados de proteínas hidrolisadas e com a energia oriunda das atividades das fosforilases. presente na semente seca. e a fitina. enquanto a silvestre sobrevive por vários séculos sem a ajuda humana. a semente não germina. no solo. é transformada em inositol e fósforo inorgânico. ou. mecânica ou fisiológica.1 . síntese das amilases.Biologia e métodos de controle 13 . pela ação das enzimas amilases. podendo ser física. as sementes. e. Aumenta-se. a quiescência é confundida. O simples revolvimento do solo. as proteínas. Neste caso. Esta fase da embebição coincide com o aumento da atividade metabólica. acompanhada pelo aumento da síntese protéica no embrião. ocorrem a divisão e o alongamento celular. porém a cultivada já não consegue viver sem ajuda do homem. primeiramente na região da radícula do embrião. incrementando-se a respiração e o alongamento celular. o homem sempre Módulo 3. também. Um grande volume de sementes de plantas daninhas encontra-se. que são plantas muito semelhantes e apresentam ciclos vegetativos praticamente iguais. para germinarem. iniciando-se o crescimento celular e a mitose. que é observada pelo aumento da respiração. Nas primeiras 12 a 16 horas após o início da embebição. O amido. Propinigis (1974) cita como exemplo marcante a dormência das plantas daninhas comparada à das plantas cultivadas. os lipídeos. por alguns autores. frutose e maltose. Isso ocorre porque durante o processo da embebição a enzima β-amilase. nas quais o melhoramento genético reduziu ou mesmo suprimiu tal atributo. são transformados em ácidos graxos (em oleaginosas. pela ação das lipases. lipídeos e carboidratos solúveis armazenados no embrião. Em conseqüência do aumento das atividades de diversas enzimas durante o processo de embebição. que elevam a produção de glucose.

seria aquela que a semente adquire devido ao ambiente desfavorável. tegumento da semente impermeável à água e. endógena. também chamada de induzida. é capaz de germinar até a profundidade de 25 cm no solo (VARGAS et al. mas sem sucesso. 14 Módulo 3. ao oxigênio. e persiste por longo tempo após completada a maturação. e c) quinquilho (Datura stramonium): germina melhor no escuro. as demais permanecem dormentes. pode ocorrer germinação durante meses ou até anos. durante o processo de maturação. por apresentar dormência. e presença de algum inibidor fisiológico. não germina de forma uniforme. também chamada de dormência inata. Do total dessas sementes. contribuir para o desenvolvimento de métodos mais eficientes de controle de plantas daninhas. b) “Dormência secundária”. sendo considerada uma espécie de planta daninha importante. 1998). Dormência pode ser definida como qualquer estágio no ciclo da vida no qual o crescimento ativo é suspenso por um período de tempo. Através deste mecanismo a espécie consegue sobreviver em estações desfavoráveis. e o inverno violento pode matar as plântulas. germinam todas. O leiteiro (Euphorbia heterophylla). na temperatura e na composição atmosférica do solo ou até mesmo acelerar a liberação de compostos estimulantes da germinação.. como os nitratos.000 e 50. A aveia cultivada amadurece no verão e suas sementes. ou. sobrevivendo no solo por muito tempo. podem ser várias as causas da dormência: embrião imaturo. O solo agrícola é um banco de sementes de plantas daninhas contendo entre 2. nas várias formas. garantindo a perpetuação da espécie. é um dos mais importantes mecanismos indiretos de dispersão. Por isso. Já a aveia silvestre. Os diversos tipos de dormência podem ser agrupados em: a) “Dormência primária”. A dormência. Segundo diversos autores. Como a dormência não é a mesma em todas as sementes de uma planta. sem dormência. Como exemplos de espécies de plantas daninhas que apresentam mecanismos de dormência podem-se citar: a) ervaformigueira (Chenopodium album): produz sementes com tegumentos normal e duro.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas procurou erradicá-la. apenas 2 a 5% germinam.000 sementes/m2/10 cm de profundidade. inerente ou natural. uma avaliação da composição florística de uma área em uma única época do ano não representa o potencial de infestação desta área. requerendo condição especial para quebra da dormência.Biologia e métodos de controle . por exemplo). por ser indiferente à luz. a semente permanece dormente (sementes com tegumento impermeável. No retorno ao ambiente favorável. Certas espécies necessitam de condições especiais para germinarem. mesmo sob intenso controle sempre haverá no solo sementes desta espécie. O amplo conhecimento da dormência poderá. em um dado período. que pode expor as sementes à luz (mesmo por frações de segundos). sendo um meio necessário de sobrevivência entre as plantas daninhas. provocar mudança nos teores de umidade. Isso pode ocorrer pela simples movimentação do solo. aumentando a sua população quando as condições retornam à sua normalidade. b) língua-de-vaca (Rumex cryspus): germina melhor na presença de luz. Acredita-se que muitas outras espécies de plantas daninhas apresentam mecanismos semelhantes.1 . seria aquela que a semente adquire quando ainda está ligada à planta-mãe. no futuro. Por esta razão.

sem o revolvimento do solo.Biologia e métodos de controle 15 .1 . crescem na primavera e produzem frutos e morrem em meio ao verão) e anuais de verão (que germinam na primavera. entretanto. onde no rastro da roda do trator observa-se cerca de 10% a mais de emergência de plantas daninhas. a seletividade de alguns herbicidas baseia-se em diferenças morfológicas e fisiológicas existentes entre as espécies de plantas daninhas e cultivadas. como é o caso de Brachiaria plantaginea. Quanto ao ciclo de vida. O Quadro 2 apresenta as 12 famílias mais importantes do mundo. Uma Aração + Uma Gradagem 3. Uma Aração 2.Classificação das plantas daninhas Em certos casos. assim. Por estes e outros motivos é necessário conhecimento mais amplo das espécies de plantas daninhas. 1998). como as dos gêneros Ipomoea e Euphorbia. As plantas que produzem sementes englobam as monocotiledôneas e dicotiledôneas.800 são consideradas mais nocivas em razão de suas características e seu comportamento. Sem Cultivo No de Sementes Emergidas m-2 103 134 206 328 80 As características físico-químicas do solo também influenciam a profundidade de emergência das sementes. em solos muito compactados. 1. causando a cada ano grandes perdas na agricultura. bianuais e perenes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A maior germinação foi observada (Quadro 1) no tratamento com (aração + enxada rotativa + ligeira compactação do solo).000 espécies. Espécies que produzem sementes grandes. somente germinam quando estão até a profundidade de 1. Isto pode ser observado facilmente em condições de campo.0 cm no plantio convencional e somente até 1. Destas. Rotativa + Compactação 5. As anuais completam seu ciclo de vida (semente-semente) em um ano ou menos. Este grupo abrange quase todas as plantas consideradas daninhas (cerca de 30. Uma Aração + Enxada Rotativa 4.5 cm no sistema de plantio direto. cerca de 1. espécies que produzem sementes pequenas. como Eleusine indica. com aproximadamente 170. Uma Aração + E. podem germinar até a profundidades superiores a 15 e 25 cm.000 espécies). Estas podem ser anuais de inverno (que germinam no outono ou inverno.Influência do tipo do preparo do solo na germinação de sementes de plantas daninhas Tipo de Preparo do Solo 1.. respectivamente (VARGAS et al. Quadro 1 . que germina até a profundidade de 3. Outro fator extremamente importante na germinação das sementes é a profundidade em que elas se encontram no solo. crescem no verão e Módulo 3.0 cm. quando comparada com solos pouco compactados. possivelmente pelo maior teor de umidade junto às sementes (maior contato entre as sementes e o solo). as plantas daninhas podem ser anuais. a emergência ocorre em menores profundidades.3 . de suas formas de reprodução e ciclo de vida para se desenvolver um bom programa de manejo integrado. Outro fator que influencia a profundidade de emergência é o sistema de cultivo.

exemplo: Senna obtusifolia. Imperata brasilensis. Echinocloa crusgalli. a simetria das pétalas. Para facilitar a correta identificação da espécie. Exemplos: Digitaria sanguinalis. bainha normalmente aberta.exemplo: dente-de-leão (Taraxacum officinale) . o número de estames ou pétalas. há necessidade de um período frio para florescimento e frutificação. b) perenes herbáceas mais complexas. lígula normalmente presente. 16 Módulo 3. etc. principalmente no sul.talo cilíndrico. o tipo de fruto. que são plantas cujos caules têm crescimento secundário. Estas podem ser classificadas em: a) perenes herbáceas simples . Caso a planta esteja sem sementes. e c) perenes lenhosas. com nós e entrenós.1 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas madurecem e morrem no outono). segundo Holm (1978) Famílias Gramineae Compositae Cyperaceae Poligoniaceae Amaranthaceae Cruciferae Leguminosae Convolvulaceae Euphorbiaceae Chenopodiaceae Malvaceae Solanaceae No Espécies 44 32 12 8 7 7 6 5 5 4 4 4 % Total de Espécies Daninhas 37% 43% 68% As plantas perenes são aquelas que vivem mais de dois anos e são caracterizadas pela renovação do crescimento ano após ano a partir do mesmo sistema radicular. Em certas regiões do Brasil. onde as estações do ano são bem definidas. as plântulas se desenvolvem vegetativamente até o estágio de roseta. 1. livres ou unidas.1 . Eleusine indica. exemplos: Cynodon dactylon. Echinocloa cruspavonis e Bracharia plantaginea. há uma lista enorme de características vegetativas que levam às famílias. Cyperus rotundus. como no caso de cenoura e alface silvestres. As plantas bianuais vivem mais do que um. Quadro 2 . com incremento anual.Biologia e métodos de controle . há nítida observância desses fatos. se as pétalas estão ausentes ou presentes. e depois ocorre maturação e morte. que se reproduzem por sementes e por mecanismos vegetativos. entrenós com talo oco.. a posição do ovário (inferior ou superior). deve-se primeiramente saber se a planta é mono ou dicotiledônea.3.Características práticas para reconhecimento das principais famílias de plantas daninhas Graminae . Durante a primeira fase de crescimento. porém menos do que dois anos.Famílias de plantas daninhas e números de espécies mais importantes por família. etc. que se reproduzem por sementes e podem também reproduzir-se vegetativamente se injuriadas ou cortadas.

nós dos talos inchados ou protuberantes. estames 10. talo estriado.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Compositae .Biologia e métodos de controle 17 . anteras agrupadas ao redor do estilete. em geral as folhas são penadas.1 . usualmente anuais. Exemplo: Chenopodium album. Exemplos: Bidens pilosa. Exemplos: Ipomoea sp. com seiva mucilaginosa e talos fibrosos.. dividido em dois lóculos. Cyperaceae . Subfamíla II . Exemplos: Desmodium e Phaseolus.Cesalpinaceae . bainha fechada sem lígula. cálice transformado em papus. Cruciferae . Exemplo: Mimosa e Acácia. estames livres e anteras unidas. Exemplos: Rumex crispus .corola com estandarte interno. Exemplos: Sida spp. Physalis e Datura. sem estípulas.é subdividida em subfamílias: Subfamília I . brácteas espinhosas. o fruto é uma capsula. Sonchus oleraceus e Xanthium cavanillesii. seiva ácida e penetrante. Leguminosae . estames quatro a infinito. flores muito pequenas e de cor verde.folhas de disposição alternadas. corola em forma de tubo. Convolvulus arvensis e Cuscuta sp. hermafroditas e actinomorfas. Subfamília III . fruto em aquênio.Amaranthaceae .língua-de-vaca. flores vistosas. o fruto é uma síliqua. Chenopodiaceae . Exemplos: Solanum. Módulo 3.trepadoras com folhas alternadas e sem estípulas.Papilionaceae . Exemplos: Cyperus esculentus e Cyperus rotundus. estames inseridos no fundo do tubo polínico. talos e folhas muitas vezes com espinho. muitas vezes.talo triangular sem nós. folhas bipenadas ou penadas. Raphanus raphanistrum e Lepidium virginicum. Convolvulaceae . geralmente (9) + 1. Polygonaceae .Inflorescência em capítulo (flores muito pequenas e em dois tipos: tubulares e ligulares).flores muito pequenas e de cor verde. Exemplos: Senna obtusifolia. cinco estames de tamanho desigual.corola actinomorfa.possuem cinco estames. etc. folhas e caules. Ageratum conyzoides.corola irregular com estandarte interno.estames tetradínamos (quatro comprimidos para dentro e quatro curvados para fora).Mimosaceae . planta com escamas. inseridos na corola. Exemplos: Amaranthus hybridus e Amaranthus viridis. Acanthospermum australe.flores vistosas com cálice e corola pentâmeros. estames 3-12 inseridos no cálice. Malvaceae . folhas irregularmente recortadas. Melampodium perfoliatum. inflorescências condensadas. folhas nunca bipenadas.presença de serocina. com odor forte e característico. Solanaceae . Exemplos: Brassica rapa. o fruto muitas vezes é uma cápsula ou um policoco. com muitos estames em androceu tubular.

dominam as plantas cultivadas.).Características de agressividade das plantas daninhas As características das plantas daninhas verdadeiras fazem com que estas sejam mais agressivas em termos de desenvolvimento e ocupação rápida do solo.4 . (corda-de-viola). Exemplos: Sorghum halepense (capim-massambará): reproduz por sementes e rizomas. Exemplos: Amaranthus retroflexus com 117. estolões. é a causa do insucesso dos herbicidas aplicados ao solo. e Euphorbia heterophylla (amendoim-bravo). com isso. c) Capacidade de germinar e emergir a grandes profundidades. podem gerar mais dez plantas. Há duas situações distintas: 1) Disseminação auxócora (externa): Acanthospermum australe (carrapicho-de-carneiro) . rizomas. cortadas. Exemplos: Phoradendron rubrum (erva-de-passarinho). Ipomoea sp. Isso ocorre devido aos inúmeros e complexos processos de dormência. Momordica charantia (melão-de-são-caetano) e Paspalum notatum (gramabatatais). etc. além de tudo isso. sendo uma das estratégias de sobrevivência das plantas daninhas. através das fezes. tubérculos. submersas em água ou após passarem pelo aparelho digestivo do porco ou boi. e este foi o motivo de sua introdução no Brasil pela importação de animais ou lã. no momento do cultivo do solo. e mantém alguma viabilidade após passarem pelo aparelho digestivo de ovinos e eqüinos e só perdem o poder germinativo passando pelo aparelho digestivo das aves. são distribuídas em outras áreas. e Bidens pilosa (picãopreto) é transportado a longas distâncias nos pêlos de animais ou roupas dos operadores de máquinas. etc. Exemplo: Convolvulus arvensis. cujas sementes permanecem viáveis mesmo após 54 meses. quando separadas. 18 Módulo 3. animais. a 20 cm. b) Manutenção da viabilidade mesmo em condições desfavoráveis.adere à lã das ovelhas. etc. Artemisia biennis: 107. Exemplos: Avena fatua (aveia-brava) germina até a 17 cm. a 12 cm. muitas vezes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1.Biologia e métodos de controle . e) Mecanismos alternativos de reprodução. caso o homem não interfira. vento. homem. máquinas. bulbos. e cada tubérculo possui cerca de dez gemas que. 2) Disseminação zoócora (interna): as sementes ingeridas pelos animais passam pelo intestino e. Cynodon dactylon (grama-seda): por sementes e estolões. Echinoclhoa crusgali (capim-arroz) foi introduzido junto com as sementes importadas. e Cyperus rotundus: apenas um tubérculo. Muitas plantas daninhas apresentam mais de um mecanismo de reprodução. Esta característica.400 sementes por planta. e Cyperus rotundus (tiririca).1 .500 sementes por planta. produz 126 tubérculos. por sementes e tubérculos. Essas características de agressividade são: a) Elevada capacidade de produção de dissemínulos (sementes. usando os métodos de controle disponíveis. d) Grande desuniformidade no processo germinativo. em 60 dias. Isto ocorre pela ação de água. esta planta produz centenas de sementes viáveis. f) Facilidade de distribuição dos propágulos a grandes distâncias.

apresentem grande acúmulo de material em sementes.Competição entre plantas daninhas e culturas Para germinar. nessas condições (KLINGMAN et al. por exemplo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas g) Rápido desenvolvimento e crescimento inicial. Locatelly e Doll (1977) definem competição como a luta que se estabelece entre a cultura e as plantas daninhas por água. a competição torna-se importante quando dois ou mais organismos lutam por algo que não existe em quantidade suficiente para todos. respectivamente. luz. em razão de a competição envolver vários fatores diretos e indiretos. ou quando esta é rodeada pelos seus descendentes. quando esta é conduzida por semeadura direta.1 . h) Grande longevidade dos dissemínulos. Contudo. temperatura. afirmando que todas as plantas de um determinado lugar estão em estado de guerra entre si. muitas vezes é preferível falar-se em interferência de uma comunidade de plantas.700 anos. ambos os indivíduos são prejudicados. depreende-se que. cujas sementes foram enterradas em cápsulas porosas. toda planta necessita de água. Do exposto. gás carbônico e oxigênio em quantidades adequadas. mostraram que 71 delas estavam viáveis um ano após.Biologia e métodos de controle 19 .. 68 após 10 anos. e. frutos. as plantas daninhas sempre levam vantagem competitiva sobre as plantas cultivadas. 2 . tubérculos ou outras partes de Módulo 3. dominando facilmente a cultura. Já Odum (1969) afirma que competição significa uma luta por um fator. e a da ançarinha-branca. Para Weaver e Clements (1938). assim. esses autores salientam que. nos ecossistemas agrícolas. completando seu ciclo de vida. daninhas ou não. as plantas daninhas germinam e crescem muito mais rápido. À medida que a planta se desenvolve. pois nos programas de melhoramento genético tem-se procurado desenvolver cultivares que. luz. Na cultura da cebola. Essa grande longevidade se deve a inúmeros e complexos processos de dormência. Muitas plantas daninhas crescem e se desenvolvem mais rápido que muitas culturas. seja da mesma espécie ou de espécies diferentes. Brachiaria plantaginea tem grande facilidade para dominar a área quando o controle não é efetuado no momento oportuno. gerando. por 1. numa situação de competição. Decandole (1820) foi quem primeiro conceituou competição. em nível ecológico. que também lutam pelos mesmos fatores de crescimento. nutrientes e dióxido de carbono disponíveis em um determinado local e tempo. podendo ser agravados pela presença de outras plantas no mesmo espaço. uma relação de competição entre plantas vizinhas. Em soja. envolve os aspectos da migração e agregação. Observações usando 14C mostraram que a semente do lótus da índia pode ser viável por 1. 44 após 30 anos e 36 após 38 anos. crescer e reproduzir-se. 1982). com pequeno porte e pouco crescimento vegetativo. Observações com 107 espécies de plantas daninhas. 57 após 20 anos. esses fatores do ambiente tornam-se limitados.040 anos. sobre outras. a 20-100 cm de profundidade. Daí em diante vários outros conceitos foram emitidos. a competição seria a luta que se inicia entre indivíduos quando uma planta está em um grupo de outras plantas. ou seja.

luz. fazendo o controle das plantas invasoras. pode ser devido à ocorrência de alta densidade dessas invasoras na área. nutrientes e luz. a grande capacidade de sobrevivência das plantas daninhas. ou quando um dos competidores impede o acesso por parte do outro competidor. Estas se estabelecem rapidamente. na maioria das vezes. como pH do solo. A condição pode limitar a resposta da planta tanto pela carência quanto pela abundância. 1985). entretanto. (2003). qualquer planta daninha que se estabeleça na cultura vai usar parte dos fatores de produção. em condições de sombreamento (PITELLI. até que um nível ideal seja alcançado. não apresentam. a produtividade das culturas e a qualidade dos produtos colhidos.. (1996) dividem os fatores do ambiente que determinam o crescimento das plantas e influenciam a competição em “recursos” e “condições”. cuja dependência é muito grande. nutrientes e CO2 e. não sendo visível no início do desenvolvimento das plantas. a competição entre plantas é de natureza aparentemente passiva.Biologia e métodos de controle . Para Santos et al. como água. reduzindo não somente a produtividade da cultura. a qual ocorre porque. comprometendo. nessas circunstâncias. devido ao refinamento genético a que foram e ainda são submetidas. A resposta das plantas aos recursos segue uma curva-padrão: é pequena se o recurso é limitado e é máxima quando o ponto de saturação é atingido.1 . Radosevich et al. caso não haja interferência humana. Todavia. como acontece. em sua maioria. que as plantas cultivadas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas interesse econômico. ou seja. capacidade de competir vantajosamente com as plantas daninhas verdadeiras.Fatores do ambiente passíveis de competição A competição entre plantas é diferente daquela que ocorre entre animais. até mesmo para o próprio desenvolvimento da cultura. Como ambas possuem suas demandas por água. estabelece-se a competição. a superioridade das plantas daninhas na competição por esses recursos. a competição somente se estabelece quando a intensidade de recrutamento de recursos do meio pelos competidores suplanta a capacidade do meio em fornecer aqueles recursos. algumas vezes observada no em realação às culturas. etc. Sabe-se. Outro aspecto importante é a grande agressividade. diminuindo ou impedindo que as plantas cultivadas tenham acesso aos fatores de crescimento. 20 Módulo 3. mas também a qualidade do produto colhido. estes fatores de crescimento (ou pelo menos um deles) estão disponíveis em quantidade insuficiente.1 . densidade do solo. podendo declinar se houver excesso do recurso (ex: toxidez devido a excesso de Zn no solo). a cultura e as plantas daninhas desenvolvem-se juntas na mesma área. por exemplo. gás carbônico. assim. em razão da influência extrema que estes exercem sobre a utilização dos recursos pelas plantas. Recursos são os fatores consumíveis. 2. quase sempre esse acréscimo na produtividade econômica da espécie cultivada é acompanhado por decréscimo no potencial competitivo (PITELLI. Em ecossistemas agrícolas. Devido à falta de mobilidade dos vegetais. 1985). Condições são fatores não diretamente consumíveis. já limitados no meio.

ainda. citados por Radosevich (1996) sugeriram que o mecanismo de competição por recursos deve ser demonstrado por depleção dos recursos associados à presença e abundância de plantas vizinhas. (2005). A base fisiológica que explica as vantagens que levam as plantas daninhas a ganhar a competição é muito complexa. trabalhos mais recentes têm apresentado algumas justificativas para a baixa produtividade observada para as culturas quando em competição com espécies de plantas daninhas: Bidens pilosa e Leonurus sibiricus. ambas ajudam a explicar como espécies de plantas competem por recursos limitados e como as características das plantas influenciam sua habilidade competitiva. a depleção nos recursos e as respostas de crescimento. podendo utilizar os recursos disponíveis rapidamente. porém a espécie daninha quase sempre supera a cultivada.1996). Shainsk e Radosevich (1992). Na realidade. e correlações entre a presença de vizinhos. De acordo com Grime. sem examinar as características das plantas e os mecanismos que estão associados à competitividade (Radosevich et al. e é desses autores a descrição que se segue. e o sucesso na competição é fortemente determinado pela capacidade da planta em capturar recursos.Biologia e métodos de controle 21 . a competição entre a planta daninha e a cultivada afeta ambas as partes. a competição é a tendência de plantas vizinhas utilizarem os mesmos recursos. 2003). Para Procópio et al. 1990. um bom competidor apresenta alta taxa de crescimento relativo. Radosevich et al. mesmo com baixos níveis do recurso (RADOSEVICH et al. citado por RADOSEVICH et al. várias outras teorias têm sido desenvolvidas para explicar a importância relativa dos componentes da competição e das características das plantas que lhes conferem competitividade superior. pode-se concluir que determinadas plantas são boas competidoras por utilizarem um recurso rapidamente ou por serem capazes de continuar a crescer. não estando. Portanto. totalmente esclarecida. 1996).. Apesar de os debates continuarem a respeito da validade e relevância dessas duas teorias. Os fatores que determinam a maior competitividade das plantas Módulo 3... 1996). sucesso competitivo é a habilidade para extrair recursos escassos e para tolerar essa escassez de recursos. Com base nessas teorias. Contudo. Para Tilman. um bom competidor poderia ser a espécie com menor requerimento de recursos. desenvolvendo-se juntamente com plantas de café em fase inicial.1 . (1996) afirmam que duas dessas teorias (a de Grime e a de Tilman) têm recebido maior atenção do meio científico.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A maioria dos estudos sobre competição entre plantas daninhas e culturas tem focalizado somente a ocorrência e o impacto da competição na produção da cultura. respectivamente (RONCHI et al. nessa teoria. principalmente o fósforo. Portanto.. mudanças morfológicas e fisiológicas nas respostas de crescimento que estejam associadas com variações nos recursos. Assim. Embora a maioria das definições atuais sobre competição englobe o critério de Goldberg. podem reduzir o conteúdo relativo de N-P-K nos tecidos dessa cultura para 28-39-28% e 1429-21% do total. os mecanismos de competição consistem tanto do efeito que as plantas exercem sobre os recursos quanto da resposta das plantas às variações dos recursos (GOLDBERG. a elevada capacidade competitiva da espécie Desmodium tortuosum nas culturas da soja e do feijão pode ter como contribuição o maior acúmulo de nutrientes por essa planta daninha.

As plantas daninhas apresentam certas características que lhes conferem grande capacidade competitiva. luz.Biologia e métodos de controle . o maior índice de área foliar. se a cultura se estabelecer primeiro. nutrientes e espaço. Entretando. 22 Módulo 3. ela poderá cobrir rapidamente o solo. b) As espécies daninhas de morfologia e desenvolvimento semelhantes ao da cultura. podendo. como: germinação fácil em condições ecológicas variáveis. as plantas daninhas poderão vencer a competição pelos substratos ecológicos. também. desenvolvimento da cultura. Com base nesse conceito. 1996). como veranico e geadas. na fase plantular. em função da espécie cultivada. No entanto. parte aérea. a maior velocidade do crescimento e a maior extensão do sistema radicular. Cardenas (1972) salienta que a competição deve-se a condições específicas quanto ao ambiente e ao solo. • Plasticidade fenotípica e populacional. são mais competitivas se comparadas com aquelas que apresentam desenvolvimento diferente. apresentando muitas raízes fasciculadas nas camadas superficiais do solo e raízes principais com penetração profunda. d) Uma infestação moderada de plantas daninhas em lavouras pode ser tão danosa quanto uma infestação pesada. ainda. a menor susceptibilidade das espécies daninhas às intempéries climáticas. as características que fazem com que uma espécie de planta seja altamente competitiva são as seguintes: • Ciclo de vida semelhante ao da cultura. ocorre também a competição intraplanta ou endocompetição. e. c) As espécies daninhas competem por água. em que cada órgão ou parte da planta luta pelo fotoassimilado produzido nas fontes. nas primeiras seis a oito semanas após sua emergência. Com base nos pontos descritos. ou. comumente. várias generalizações podem ser inferidas sobre os aspectos competitivos entre as culturas e as plantas daninhas: a) A competição é mais séria quando a cultura está na fase jovem. que são capazes de prover quantidades limitadas dos fatores essenciais ao desenvolvimento das plantas. isto é. ocorrendo entre indivíduos de uma mesma espécie. ainda. ou. envolvendo indivíduos de espécies diferentes. A competição pode ser intra-específica. seja ela daninha ou não. desenvolvimento e crescimento rápido de uma grande superfície fotossintética mesmo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas daninhas sobre as culturas são o seu porte e sua arquitetura. da velocidade de crescimento inicial e da densidade de plantio. a maior velocidade de germinação e estabelecimento da plântula. interespecífica. • Desenvolvimento inicial rápido das raízes e. entre outros fatores. dependendo da época de seu estabelecimento. liberar toxinas no solo.1 . podendo excluir ou inibir significativamente o crescimento das plantas invasoras. A competição entre plantas daninhas e culturas é um fator crítico para o desenvolvimento da cultura quando a espécie daninha se estabelece junto ou primeiro que a cultura (RADOSEVICH. e sistema radicular muito desenvolvido. que podem inibir a germinação e. grande número de estômatos por área foliar. do seu vigor. Todavia. se a população de plantas da cultura por área for baixa ou o estande desuniforme. e a maior capacidade de produção e liberação de substâncias químicas com propriedades alelopáticas.

. pilosa com pouca água no solo pode estar relacionada com o fato de que. mais competitivas (RADOSEVICH et al. Normalmente. apresentam alta eficiência no uso da água (EUA = g de matéria seca produzida/g de H2O utilizada). (RADOSEVICH et al.Biologia e métodos de controle 23 . sem qualquer sinal de déficit hídrico. Dentre esses fatores destacam-se a taxa de exploração de volume do solo pelo sistema radicular. Em trabalho realizado por Procópio et al. ou seja. as condições para que a cultura se estabeleça devem ser fornecidas antes do surgimento da vegetação daninha. • Adaptação às mais variadas condições ambientais. maior exploração do solo em busca de água (PROCÓPIO et al. tendem a excluir as demais. o chamado manejo integrado de plantas daninhas. do cultivar adequado para a região.1 . 2. É de se esperar. Módulo 3. magnitude da condutividade hidráulica das raízes. na fase inicial de seu desenvolvimento. que são métodos culturais de controle de plantas daninhas.1996). como o método químico. pequenas ou grandes. o profissional necessita ter o conhecimento profundo da cultura e da vegetação daninha infestante da área a ser cultivada. por isso. as características fisiológicas das plantas. ficou constatado que a planta daninha Bidens pilosa é capaz de extrair água do solo em tensões três vezes maiores do que as alcançadas pela soja e pelo feijão (Fig. Para que se faça o manejo adequado de plantas daninhas em uma cultura. esta espécie drena grande parte de fotoassimilados para a produção de raízes (baixa relação parte aérea/raiz) as quais promovem. realizando. portanto. torna-se fácil o manejo da cultura de modo que esta leve vantagem sobre o complexo daninho. em fases posteriores de desenvolvimento. dessa forma.. Conhecendo tais fatores. a competição por água leva a planta a competir ao mesmo tempo por luz e nutrientes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • Germinação desuniforme no tempo e no espaço (presença de dormência). O princípio básico da competição baseia-se no fato de que as primeiras plantas que surgem no solo. minimizando assim a competição ou até mesmo eliminando-a com a ajuda de outros métodos de controle. 2002). • Produção de um elevado número de propágulos por planta. é normal em alguns agroecossistemas. A razão da elevada capacidade de sobrevivência de B. em dias quentes. (2004b).1. etc. como capacidade de remoção de água do solo. no manejo da cultura. mecânico ou biológico. especialmente nitrogênio e carbono. Desse modo. da época correta de plantio. que essas plantas com baixo requerimento de água sejam mais produtivas durante o período de limitada disponibilidade de água que as plantas com alto requerimento em água e. pois se estabelecem primeiro. Certas espécies de plantas são capazes de usar menos água por unidade de matéria seca produzida que outras. especialmente nos trópicos. 2). da percentagem de germinação e vigor das sementes.. Disso resulta a importância do preparo do solo. 1996).Competição por água As plantas daninhas são verdadeiras bombas extratoras de água do solo. da profundidade de plantio. portanto. as plantas da cultura ficarem completamente murchas e as plantas daninhas túrgidas. etc. Vários fatores influenciam a capacidade competitiva das espécies por água. regulação estomática e capacidade das raízes de se ajustarem osmoticamente..1 . • Produção e liberação no solo de substâncias alelopáticas.

etc. Figura 2 . etc.Potencial hídrico no solo.963 24 Módulo 3.367 0. Amaranthus retroflexus. (2002). Panicum maximun. A maioria das culturas (feijão.250 0.073 0. Alguns exemplos são apresentados no Quadro 3. podendo competir melhor por este recurso em diferentes estádios fenológicos da cultura. chamada de coeficiente transpiratório (CT = volume água transpirado em mL/produção de biomassa seca. Digitaria horizontalis. em gramas). por ser uma planta xerófila e apresentar uma rota fotossintética específica (CAM).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Todavia. algumas culturas de gramíneas. algumas espécies de plantas daninhas podem apresentar diferentes valores de EUA ao longo do ciclo. Brachiaria plantaginea.015 0. pois são espécies que realizam o metabolismo C3 (plantas ineficientes). trigo. cultivado com diferentes espécies vegetais. Por outro lado. Valores antes do florescimento Valores após o florescimento -------UEA – biomassa seca em g kg-1 de água fornecida------0.112 0. soja. que correlaciona a água transpirada com a biomassa seca produzida. Outra maneira de se estimar o consumo de água pelas plantas é através da eficiência transpiratória. algodão.) apresenta coeficiente transpiratório entre 500 e 700 (Quadro 4).168 2. Cynodon dactylon.1 .).088 0. Cenchrus echinatus.316 0. sorgo e cana-de-açúcar e grande número de espécies daninhas em nossas condições (Cyperus rotundus.Biologia e métodos de controle .017 1. tem um coeficiente transpiratório extremamente baixo. como milho. no ponto de murcha permanente Quadro 3 – Valor máximo do uso eficiente da água (UEA) por diferentes espécies vegetais Espécie vegetal Phaseolus vulgaris Glycine max Euphorbia heterophylla Bidens pilosa Desmodium tortuosum Fonte: Procópio et al. O abacaxi. apresentam um coeficiente transpiratório entre 150 e 350 (Quadro 4). O coeficiente transpiratório das diferentes espécies de plantas varia de 25 a 700. por realizarem o metabolismo C4.

verificando que as culturas foram capazes de produzir maior quantidade de biomassa por unidade de radiação captada. Quadro 4 . observada em campo. que compete vantajosamente por este fator de crescimento com a cultura do arroz. Santos et al. Provavelmente a espécie C3 contornou a deficiência hídrica pelo controle estomatal. (1981.Biologia e métodos de controle 25 . para diferentes espécies de plantas Espécie vegetal Amarantus hybridus* Glycine max Gossypium hirsutum Phaseolus vulgaris Panicum maximum* Oryza sativa Zea mays* Sorghum vulgare* Brachiaria brizantha* Eucalipto * Espécies que realizam o mecanismo C4. retroflexus. mesmo crescendo com outras espécies em condição imposta de estresse hídrico. citados por Radosevich et al. nesse exemplo. com certeza devido à sua alta EUA. 1996).Volume de água transpirada (em mL) para acúmulo de 1 g de biomasa seca. Observam-se.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Essa diferença na eficiência do uso da água é um fator importante na agressividade da espécie. quando avaliadas isoladamente das plantas daninhas. Pearcy et al. a competição das plantas daninhas pela luz deixa de existir. a maior capacidade competitiva delas. (2003) avaliaram o UER das culturas da soja e do feijão e das espécies de plantas daninhas Euphorbia heterophylla. Módulo 3.. Bidens pilosa e Desmodium tortuosum.1 . apesar de as plantas daninhas avaliadas apresentarem menor eficiência na utilização da radiação fotossinteticamente ativa. como Locatelly e Doll (1977). Já A. dois mecanismos diferentes para sobreviver à competição por água: habilidade para utilizar um recurso rapidamente (espécie C4) e habilidade para continuar a desenvolver-se mesmo com baixos níveis do recurso (planta C3). pode ser devida à maior população e melhor utilização de outros recursos. 2004 Silva et al.1. não foi eliminado.2 . 1977 Silva et al. porém o uso eficiente da água não é o único mecanismo utilizado para sobreviver à competição por água. uma vez que a cultura tenha formado sombreamento completo. a competição pela luz não é tão importante como a competição por água e por nutrientes. o melhoramento genético imposto às culturas possibilitou a seleção de plantas com elevada capacidade de utilização da luz.. Os autores afirmam que. como a de Sesbania exaltata.Competição por luz Para alguns autores. Para outros autores. as quais. chegando inclusive a citar exceções. Esses autores salientam que. como água e nutrientes. observaram que a diferença na eficiência de uso da água entre Chenopodium album (C3) e Amaranthus retroflexus (C4) influenciou pouco a relação entre elas. Coeficiente transpiratório 152 700 568 700 267 682 174 153 265 282 Fonte Blanco.. 2004 2. apresentam maiores valores para o uso eficiente da radiação (UER). já que sua EUA é baixa.

a enzima responsável pela carboxilação primária nas plantas C4 (PEP-carboxilase) apresenta algumas características.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sabe-se que a competição pela luz é complexa sendo sua magnitude influenciada pela espécie. também. ou seja. possuem ainda o ciclo de Hatch e Slack. As plantas de rotas fotossintéticas do tipo C3 apresentam apenas o ciclo de Calvin e Benson. apresentam baixa afinidade pelo CO2 e possuem elevado ponto de compensação para CO2. e. formando o ácido oxaloacético (AOA). catalisa a produção do ác. é transportado para as células da bainha vascular das folhas. 3 fosfoglicérico e. Este AOA é convertido em malato ou aspartato. isso só é verdade em determinadas condições. Este CO2 liberado é novamente fixado. A enzima primária de carboxilação é a PEP-carboxilase. onde é fosforilado. o ácido pirúvico. baixa eficiência no uso da água e menor taxa de produção de biomassa. em seguida. liberando no meio o CO2 e o ácido pirúvico.5 difosfato carboxilase. por apresentarem dois sistemas carboxilativos. estas plantas passarão a perder a competição com as plantas C3. além do ciclo de Calvin e Benson.1 . como: alta afinidade pelo CO2. Todavia. por ser ambígua quanto ao substrato. também. regenerando a enzima PEP-carboxilase e recomeçando o ciclo. não desassimilam o CO2 fixado. As plantas C4. e não satura em alta intensidade luminosa. ocorrendo o ciclo de Calvin e Benson. As plantas C4 possuem duas enzimas responsáveis pela fixação do CO2 . que ocorre em todas as plantas superiores. Como toda esta energia é proveniente da luz. localizada nas células do mesófilo foliar. Em conseqüência da ação desta enzima. onde estes produtos são descarboxilados. logo. C4 ou se realiza o mecanismo ácido das crassuláceas (CAM). Este fato evidencia que as plantas C4 necessitam de mais energia para produção dos fotoassimilados. Em função destas e outras 26 Módulo 3. as plantas C3 fotorrespiram intensamente. requerem maior energia para produção dos fotoassimilados. Estas plantas. entretanto. A enzima responsável pela carboxilação primária do CO2 proveniente do ar é a ribulose 1-5 bifosfato carboxilase-oxigenase (Rubisco). dependendo da espécie vegetal. É sabido que a relação molécula de CO2 fixado/ATP/NADPH é de 1:3:2 para as plantas C3. a qual apresenta atividades de carboxilase e oxigenase. sendo esta relação para as plantas C4 de 1:5:2. se a rota fotossintética que ela apresenta é C3. substrato inicial da respiração. baixo ponto de saturação luminosa. retorna às células do mesófilo. por difusão. por difusão. a qual carboxiliza o CO2 absorvido do ar via estômatos. pois precisam recuperar duas enzimas para realização da fotossíntese. C4 (plantas eficientes) e CAM estão nas reações bioquímicas que ocorrem na fase escura da fotossíntese. As diferenças entre as rotas fotossintéticas C3 (plantas ineficientes). se se reduzir o acesso à luz. Essas plantas não apresentam fotorrespiração detectável. Esta enzima apresenta baixa afinidade pelo CO2 e.Biologia e métodos de controle . quando comparadas com plantas de metabolismo do tipo C4 (Quadro 5). no ácido fosfoenolpirúvico. se ela é umbrófila ou heliófila e. É muito comum imaginar que as espécies de metabolismo C4 são sempre mais eficientes que as plantas C3. consumindo 2 ATPs. do glicolato. responsável pela fixação do CO2. atua especificamente como carboxilase. agora pela enzima ribulose 1. de modo que o primeiro produto estável da fotossíntese é um composto de três carbonos (ácido 3-fosfoglicérico). atividade ótima em temperaturas mais elevadas.

No caso das plantas C4. mesmo que a concentração de CO2 no mesófilo foliar atinja níveis muito baixos. Temperatura ótima para a fotossíntese 10. mandioca. Próxima de 35 oC 40 a 80 mg CO2 dm-2 h-1 27 . Fotorrespiração 02. alta luminosidade e até mesmo déficit hídrico temporário. Este fato faz com que a concentração do CO2 no mesófilo foliar caia a níveis abaixo do mínimo necessário para atuação desta enzima. existem exceções. Relação CO2 : ATP:NADPH 08. nessas condições. quando plantas estão se desenvolvendo em condições de temperaturas elevadas. milho. e. Ponto de compensação 04. oito são plantas C4 anuais ou perenes: Cyperus rotundus. soja. ainda assim essas plantas continuam acumulando biomassa. Isso acontece porque. liberando CO2. Panicum maximum. PEP-carboxilase (Km ≅ 5μM de CO2) Sem efeito 1:5:2 Não satura com aumento da luminosidade. Como a maioria das culturas agronômicas das regiões tropicais e subtropicais (algodão. é comum.5-bifosfato carboxilase-oxigenase (25oC). Taxa de fotossíntese líquida com saturação de luz Módulo 3. feijão. Cynodon dactylon. cana-de-açúcar. Echinochloa colonum. torna-se evidente que plantas daninhas C4 serão aquelas que exercerão maior competição com as culturas. 07.0 a 10 ppm de CO2 Presença de bainha vascular com cloroplastos. levando a planta a atingir o ponto de compensação rapidamente. Anatomia foliar 05.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas características (Quadro 5).) são cultivadas nos meses do ano que coincidem com períodos de elevada intensidade luminosa e temperatura. etc. Sorghum halepense.1 . arroz. porque a enzima responsável pela carboxilação primária nestas plantas (PEP-carboxilase) apresenta alta afinidade pelo CO2 (baixo Km) (Quadro 5). as espécies C4 dominam completamente as C3. Quadro 5 . Primeiro produto estável 03.Características diferenciais entre plantas com rotas fotossintéticas C3 e C4 Característica 01. Imperata cilindrica. Além disso. nestas condições. Enzima primária carboxilativa 06. a enzima carboxilativa das plantas C3 encontrase saturada quanto à luz. Considerando todas as áreas do globo terrestre. Fotossíntese x intensidade luminosa 09. Isso é possível porque este grupo de plantas não apresenta fotorrespiração detectável. estima-se que. esta passa a atuar mais como oxidativa. em temperatura acima da ótima para a ribulose 1. Echinochloa crusgalli e Eleusine indica. Efeito do oxigênio (21%) sobre a fotossíntese.Biologia e métodos de controle Fotossíntese C3 Presente: 25 a 30 % do valor da fotossíntese Ácido 3-fosfoglicérico Alto: 50-150 ppm de CO2 Ausência bainha vascular. entre as dez espécies de plantas daninhas mais nocivas do mundo. chegando a acumular o dobro de biomassa por área foliar no mesmo espaço de tempo. sem cloroplastos RuDP-carboxilase (Km ≅ 20μM de CO2) Inibição 1:3:2 Satura com 1/3 da luminosidade máxima Próxima de 25 oC 15 a 35 mg CO2 dm-2 h-1 Fotossíntese C4 Presente: não mensurável pelo método de troca de gases com o ambiente Ácido oxaloacético Baixo: 0. os estômatos estarem parcialmente fechados (horas mais quentes do dia). quando presente.

o aspecto competitivo não é comumente discutido e geralmente é considerado não-significante. a atmosfera edáfica contém menos oxigênio e mais CO2 do que o ar acima do solo.1. deficiência de oxigênio e.4 . Molinia caerulea é mais tolerante a alta taxa de CO2 do que Erica tetralix. que oferece resistência à difusão e ao fluxo de massa. Outro ponto a ser considerado é a “Interação Radicular Passiva”.1.3 . a quantidade extraída do que os teores que ela apresenta na matéria seca. ele pode ser limitante. que são os dois processos principais de renovação da atmosfera do solo.5 a 7.Biologia e métodos de controle .5 % da biomassa seca 2. em conseqüência da “tortuosidade” da matriz do solo.Competição por nutrientes As plantas daninhas possuem grande capacidade de extrair do ambiente os elementos essenciais ao seu crescimento e desenvolvimento e. Por exemplo. Quando se trata de analisar a capacidade de uma espécie de planta daninha em competir por nutrientes. da quantidade e das espécies presentes. principalmente.1 . deve-se considerar. em condições de solo encharcado. Como a eficiência na captura de CO2 proveniente do ar é diferente entre plantas C3 e C4 (Quadro 5) e se sua concentração pode variar. Conteúdo de N na folha para atingir fotossíntese máxima Fonte: Ferri (1985). (2005) observaram que Desmodium toruosum é capaz 28 Módulo 3. a competição por nutrientes depende.0 a 4. Procópio et al. 2004).. em conseqüência disso. considerando as diferentes rotas fotossintéticas apresentadas por espécies de plantas daninhas e culturas. assim. No entanto. dentro de uma população mista de plantas.5 % da biomassa seca Fotossíntese C4 150 a 350 g H2O / g biomassa seca 3. Determinadas espécies de plantas são mais sensíveis ao excesso de CO2 e.Competição por CO2 Com relação ao CO2. Sob condições normais. Fotossíntese C3 450 a 1. 20 vezes menos P e cinco vezes menos K compara à soja (PEDRINHO JÚNIOR et al. Coeficiente transpiratório 11. ou.000 g H2O / g biomassa seca 6. os quais quase sempre estão em quantidades inferiores às necessidades das culturas em nossos solos. 2. Richardia brasiliensis acumula 10 vezes menos N. Isso acontece devido ao consumo do oxigênio pelos microrganismos do solo e em razão de sua renovação lenta.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Característica 11. a alta infestação dessa planta daninha em lavouras de soja implica maior remoção desse nutriente para a massa total da espécie infestante. com muito maior ênfase. em alto grau. exercem forte competição com as culturas pelos nutrientes essenciais. Todavia. Devido à grande variação em termos de recrutamento dos recursos minerais do solo apresentada pelas diferentes espécies de plantas daninhas. a concentração de CO2 no mesófilo foliar necessária para que uma determinada espécie passe a acumular matéria seca é diferente. por exemplo. podem levar desvantagem na competição com espécies mais tolerantes em tais situações. para as espécies de plantas C3. por exemplo.

o grau de interferência varia consideravelmente com a espécie e com a densidade das plantas daninhas. comparadas à soja e ao feijão (PROCÓPIO et al. Bidens pilosa e Euphorbia heterophylla apresentam maior eficiência na utilização do N absorvido no solo. acarretaram decréscimos consideráveis no conteúdo relativo de nutrientes de plantas de café.4 vezes mais P por g de massa seca comparada à soja em mesma condição de recursos. poderá favorecer espécies vegetais que utilizam mais eficientemente esse recurso.Biologia e métodos de controle 29 . verificaram que as espécies infestantes. Ronchi et al. Pitelli (1985). evidenciando elevada eficiência na utilização desse nutriente. em campo. Além da capacidade em extrair nutrientes do solo. desenvolvida na presença da comunidade infestante. Podese afirmar que. mesmo em baixas densidades. Os acúmulos de cálcio e manganês no arroz foram reduzidos em 40 e 28%. é capaz de formar três vezes mais matéria seca por unidade de P absorvida do solo. estudando a distribuição dos nutrientes extraídos pelas plantas daninhas e pela cultura. avaliando os períodos de convivência e acúmulo de nutrientes de diferentes plantas daninhas e o cafeeiro.1 . ** Período total de convivência da planta daninha com a muda de café no vaso Módulo 3. competindo com uma espécie/planta por vaso Espécie Vegetal Bidens pilosa Commelina diffusa Leunurus sibiricus Nicandra physaloides Richardia brasiliensis Sida rhombifolia PTC* * 77 180 82 68 148 133 N 59 30 35 37 49 97 P K 72 67 42 37 33 38 62 68 61 57 83 105 Conteúdo relativo* de nutrientes Ca Mg S Cu Zn B Mn Fe Na 67 74 97 106 66 76 59 54 69 45 48 69 69 37 54 19 41 35 36 40 41 66 37 41 30 57 39 72 76 86 114 69 101 50 107 68 53 50 67 43 51 63 57 61 59 90 88 98 93 77 138 102 80 106 *Relativo ao conteúdo verificado na testemunha (cafeeiro sem competição). 2004a). e do contrário ocorreu com o manganês (85% imobilizado pela cultura). Quadro 6 . Para os autores. Além disso. respectivamente. por ocasião do florescimento da cultura.Conteúdo relativo* de nutrientes na parte aérea de plantas de café cultivadas em vasos (12 L de substrato).. diffusa a planta daninha que causou a maior diminuição no conteúdo relativo de nutrientes no cafeeiro (Quadro 6). Isso demonstra que. Em lavoura de arroz de sequeiro.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas de acumular até 2. observou que a matéria seca acumulada foi equivalente para a cultura e as plantas daninhas. em competição com o feijoeiro. os autores observaram que Bidens pilosa. a competição depende do nutriente. (2003). outras espécies são competidoras também na utilização desse recurso. sendo C. Cerca de 80% do cálcio foi imobilizado pelas plantas daninhas. com adição de subdoses. o manejo inadequado de nutrientes. além do acúmulo de matéria seca. pela interferência imposta pela comunidade infestante.

As plantas são hábeis em produzir aleloquímicos em todos os seus órgãos. Assim. ou seja. raízes. 1984). Provavelmente. principalmente monoterpenos e sesquiterpenos (RICE. através de volatilização. quando lançados no ambiente. geralmente da ordem de 0.Alelopatia As plantas superiores desenvolveram notável capacidade de sintetizar. 1988).1 . após muitos anos de cultivo da mesma espécie no solo. acumular e secretar uma grande variedade de metabólitos secundários. As plantas podem exsudar naturalmente uma série de compostos orgânicos. metabólitos secundários podem inibir a própria planta que os produziu. incluindo microrganismos. apresentam potencial para exercer alelopatia em agroecossistemas. sobre a própria planta ou microrganismos ou vice-versa. A primeira demonstração científica de auto-alelopatia foi feita em feijão-miúdo (Vigna unguiculata). afetam o crescimento. frutos e sementes).1 a 0. insetos. que não parecem relacionados diretamente com nenhuma função do metabolismo primário. a maioria dos metabólitos secundários liberados pelas plantas está envolvida em interações com outros organismos. quando cultivado sucessivamente na mesma área. em raízes intactas. ou ainda alcançar o solo. promovem uma interação bioquímica entre plantas. lançados ao ambiente. existindo forte relação de dependência entre a produção destes metabólitos e 30 Módulo 3. por meio dos próprios vapores. ou seja. os aleloquímicos podem ser absorvidos diretamente pela cutícula das plantas vizinhas. Essas substâncias alelopáticas são liberadas dos tecidos da planta para o ambiente de diferentes formas. 1969).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 3 . denominados aleloquímicos. A maioria dos aleloquímicos voláteis são compostos terpenóides. o estado sanitário. macieiras e citros) também ocorre a auto-inibição do desenvolvimento em plantios na mesma área. como outras plantas.Biologia e métodos de controle . Milhares de compostos secundários sintetizados por espécies vegetais estão isolados e estimasse que outros milhares existam na natureza. lixiviação e decomposição dos resíduos da planta. A quantidade dos compostos produzidos e a composição destes dependem da espécie e das condições ambientais. flores. (folhas. Existe ainda a auto-alelopatia. Os aleloquímicos. os compostos secundários que. exsudação radicular. fungos e herbívoros. 1984).4% do carbono fotossintetizado (ROVIRA. o comportamento ou a biologia da população de organismos de outra espécie são de interesse da alelopatia. caules. Uma vez volatilizados. Os efeitos podem ser deletérios ou benéficos sobre outra planta. ou condensados no orvalho. Em fruteiras (pessegueiros. mas provavelmente estão associados com mecanismos ou estratégias químicas de adaptação às condições ambientais. após serem transferidos para o ambiente (RICE. onde são absorvidos pelas raízes (ALMEIDA.

Os alcalóides.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas as condições de ambiente (EINHELLIG. Restos culturais de algumas culturas. luz. o que dificulta a interpretação de resultados a campo. aveia e centeio.) e dos efeitos das substâncias alelopáticas que estas produzem. para outras características que não as de agressividade para com outras plantas. O fungo Penicillium urticae produz fitotoxina patulina durante a decomposição dos resíduos do trigo. 3. e sua persistência no solo varia com as variações do ambiente. colza. 1988). açúcares. reduzindo a intensidade de infestação de algumas plantas daninhas. 1988). como taninos. entre estes os ácidos. espaço físico. A inibição sobre o desenvolvimento de plantas de pimentão por extratos de eucalipto é um exemplo. O eucalipto produz substâncias cuja presença é variável com as espécies. aminoácidos e as substâncias pécticas. Por exemplo. como tiririca. na cultura seguinte. e essa deficiência de defesa das plantas cultivadas é atribuída à seleção a que estas têm sido submetidas ao longo do tempo. segundo Almeida (1988). O efeito alelopático das culturas sobre plantas daninhas é menos comum.Biologia e métodos de controle 31 . crescimento. O mecanismo de ação dos aleloquímicos não está ainda bem esclarecido.1 . nutrientes. ao melhorar o paladar e diminuir a toxicidade. CO2. Assim. são: assimilação de nutrientes. etc. etc.1 . foram eliminados genótipos possuidores de substâncias alelopáticas. O capim-marmelada (Brachiaria plantaginea) afeta o desenvolvimento da soja tanto no crescimento quanto na capacidade de nodulação (ALMEIDA. como nabo forrageiro. Módulo 3. Os principais processos vitais afetados. como Brachiaria plantaginea. Os aleloquímicos podem ser liberados das células vivas ou mortas também pela ação da água. que promove toxicidade na cultura que o sucede (Almeida. etc. Cenchrus echinatus e Euphorbia heterophylla. microrganismos podem metabolizar polímeros presentes e produzir substâncias tóxicas. atividade enzimática.Alelopatia das plantas daninhas sobre as culturas e plantas daninhas A interferência que as plantas daninhas causam sobre as culturas é decorrente da competição pelos fatores comuns (água. 1996). neblina e orvalho. permeabilidade da membrana celular. em sistema de plantio direto. Uma variedade de compostos químicos pode ser carreada da parte aérea das plantas por meio de chuva. capim-massambará. respiração. O desenvolvimento do tomateiro foi afetado por extratos de várias plantas daninhas. As perdas da permeabilidade seletiva da membrana citoplasmática ocorrem pouco tempo após a morte da planta. síntese de proteínas. grama-seda. etc. alcalóides. alguns terpenos e muitos compostos fenólicos podem ser lixiviados. fotossíntese. os aleloquímicos podem ser liberados através dos resíduos. Com a liberação direta dos compostos pelos tecidos. apresentam razoável efeito alelopático.

por exemplo. especialmente no que diz respeito às técnicas de rotação e consorciação. assim como poderá ser um ponto de partida para síntese de novos compostos com atividade herbicida. A cobertura morta da cultura do inverno.1 .4%. os efeitos alelopáticos provocados pela incorporação de resíduos vegetais no solo são muitos variáveis. Quanto a possíveis efeitos alelopáticos do material incorporado ao solo. os resíduos no solo são escassos e a temperatura e umidade no solo são suficientes para manter a atividade microbiana alta. os resíduos secos podem causar fitotoxicidade mais severa.2 . A colza.3 . reduzir o vigor vegetativo e provocar amarelecimento e clorose das folhas. sabe-se que o processo de decomposição do material vegetal é variável com a qualidade dos tecidos. Atualmente. como as adubações verdes. a fim de avaliar suas atividades sobre as diferentes espécies de plantas daninhas. Normalmente. Por isso. quando começa a época chuvosa. a cobertura morta pode prevenir a germinação.Biologia e métodos de controle . A taxa de decomposição é alta e a liberação dos compostos alelopáticos é. várias pesquisas estão sendo conduzidas visando identificar os compostos alelopáticos. quando cultivadas em casa de vegetação. Os efeitos alelopáticos são transitórios. Se a cultura de verão for implantada com algum intervalo após a colheita desta cultura de inverno. a incorporação dos resíduos deve ser feita com certa antecedência da semeadura das culturas. degradando os aleloquímicos. Outros pesquisadores avaliam e colecionam germoplasmas de plantas alelopáticas. possivelmente não ocorrerão problemas de fitotoxicidade. normalmente cereais.Alelopatia entre culturas A possibilidade de se desenvolverem efeitos alelopáticos benéficos ou maléficos entre culturas tem interesse agronômico. redução do perfilhamento e até morte de plantas daninhas durante a fase inicial de desenvolvimento. o que tem contribuído para que os agricultores do sul deixem de cultivar colza. 32 Módulo 3. os tipos de solo e as condições climáticas. provoca redução do estande da cultura da soja plantada imediatamente após a sua colheita. Estes estudos irão contribuir de maneira decisiva para o manejo de plantas daninhas no sistema de plantio direto. provoca efeitos alelopáticos pouco acentuados e por períodos curtos.Alelopatia das coberturas mortas No plantio direto. o material fresco.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 3. forma-se no final desta estação ou início da primavera. usando solução nutritiva circulante entre os vasos de sorgo e alface. podendo os resíduos de plantas de mesma espécie dar origem a compostos diferentes. Segundo Barbosa (1996). hoje disseminado no Brasil por todos estados produtores de grãos. por isso. inferiores a 25 dias. Nas culturas de verão. exsudato radicular proveniente de plantas de sorgo reduziu a área foliar de plantas de alface em 68. conseqüentemente. 3. com efeitos biológicos e toxicidade diversos. também rápida. Essa cobertura é essencial para o sucesso do plantio direto. Em condições de baixas temperaturas.

Módulo 3. o estudo da época ideal de controle de plantas daninhas em cada cultura.Biologia e métodos de controle 33 . favorecendo a utilização de recursos pela planta cultivada. Os autores constataram elevada concentração de taninos condensados. o conhecimento das propriedades alelopáticas das plantas será fundamental. interferência na colheita e outras). para o sucesso deste método. os efeitos negativos observados no crescimento. podendo ser alterado pelas condições de solo. horizontalis. pode-se dizer que. visando o mínimo possível de redução na produtividade. espaçamento e densidade de plantio) e à época e extensão da convivência. e. sendo a possível causa dos efeitos alelopáticos. devidos à presença de plantas daninhas. spinosus. bicolor. o controle biológico de plantas daninhas também poderá ser uma opção no manejo integrado. foram eficientes no controle das espécies daninhas D. Essa idéia foi originalmente apresentada por Bleasdale (1960) e mais tarde modificada por Blanco (1972).1 .Competição e período crítico de competição De acordo com Pitelli (1985).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas objetivando o melhoramento genético. sendo o esquema apresentado na Figura 3. referindo-se. 4 . maior será o grau de interferência. H. (2004). lophanta e A. no desenvolvimento e na produtividade de uma cultura. M. esteróides livres e ogliconas esteróides. densidade e distribuição). ambos citados por Pitelli (1985). quanto maior for o período de convivência múltipla (culturaplantas daninhas). entre outros fatores. Contudo. dependendo da época de seu estabelecimento. ao conjunto de ações que recebe uma determinada cultura em decorrência da presença da comunidade infestante num determinado local. os quais são descritos a seguir. portanto. Pitelli e Durigan (1984) sugeriram terminologia para períodos de convivência de plantas daninhas em culturas. uma infestação moderada de plantas daninhas poderá ser tão danosa à cultura quanto uma infestação pesada. alelopatia. gerando menor intensidade de interferência na produtividade econômica. clima e manejo. isto não é totalmente válido. De maneira geral. No entanto. quanto menor o período de convivência entre cultura e plantas daninhas. as espécies Mucuna aterrima. No futuro. Geralmente. O manejo de plantas daninhas altera a cronologia natural dos eventos. porque dependerá da época e do ciclo da cultura em que esse período ocorrer. utilizadas como cobertura vegetal. A este efeito global denominou-se “interferência”. pruriens e S. menor será o grau de interferência. mas resultante das pressões ambientais de ação direta (competição. não devem ser atribuídos exclusivamente à competição imposta por estas. Em trabalho realizado por Erasmo et al. portanto. Esse fato justifica. à própria cultura (espécie ou variedade. O grau de interferência entre plantas cultivadas e comunidades infestantes depende das manifestações de fatores ligados à comunidade infestante (composição específica. mas sem prejudicar também o ambiente.

após a semeadura ou o plantio. Na prática. capaz de reduzir significativamente sua produtividade econômica. através. O limite superior deste período indica a época em que a interferência compromete irreversivelmente a produtividade econômica da cultura. permitindo menos cultivos ou o uso de herbicidas de menor poder residual. permitindo que a competição por recursos outros que não a adubação se instale de maneira mais rápida. A aplicação de certas práticas culturais contribui para diminuição deste período.1 . No entanto. contribuindo para o próprio desenvolvimento da cultura. pois a comunidade teria acumulado energia e matéria orgânica que retornariam ao solo. Teoricamente. ou. toda e qualquer prática cultural que incremente o crescimento inicial da cultura pode contribuir para um decréscimo no período total de prevenção da interferência. Por exemplo.Modelo esquemático dos fatores que influenciam o grau de interferência entre cultura e comunidades infestantes Aquele espaço de tempo. É importante esclarecer o significado deste período em termos de competição: as espécies daninhas que emergirem neste período.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas “Período total de prevenção da interferência” (PTPI) é o período.Biologia e métodos de controle . na prática este limite não pode ser considerado. em determinada época do ciclo da cultura. principalmente. terão atingido tal estádio de desenvolvimento que promoverão uma interferência sobre a espécie cultivada. impede o desenvolvimento das plantas daninhas. Após esse período. n D De d d s si ad e Ambiente S ol o Ma ne j o Clima 34 Módulo 3. a fertilização incrementa o crescimento inicial da cultura e das plantas daninhas. para que a produção não seja afetada quantitativa e. a própria cultura. em que a cultura deve ser mantida livre da interferência de plantas daninhas. Desse modo. do sombreamento. qualitativamente. o final do período anterior à interferência seria a época ideal para o primeiro controle da vegetação infestante. a partir do plantio ou da emergência. a Époc Dura çã o Período de convivê ncia lti Cu r va Es pé ci e s Espaçamento Densidade Densidade Cultura Grau de interferência rib st Di ui o çã Figura 3 . em que a cultura pode conviver com a comunidade de plantas daninhas antes que a interferência se instale de maneira definitiva e reduza significativamente a produtividade da lavoura é denominado “período anterior à interferência” (PAI). este deve ser o período que as capinas ou o poder residual dos herbicidas devem cobrir.

(1994) 20 .60 d (1982) Rolin e Cristofolleti 30 .40 d 60 d 90 d 127 d 30 d 88 d 38 d 42 30 d 30 d 45 d 30 d 74 d 20 d 15 d 22 d 14 21 d 20 d Fonte Salgado et al. clima. 2005). nas diferentes condições envolvendo solo. Em diversos trabalhos de pesquisa visando avaliar os efeitos da interferência de plantas daninhas em culturas (Quadro 7).30 d Martins (1994) Módulo 3. Quadro 7 .66 d 80 d ----100 d 20 d 20 –100 d 30 d 21 d 21 – 30 d 42 d 40 d 30 d 30 . (2004) Soares et al..42 d Ramos e Pitelli (1994) 21 . não são idênticos para as mesmas culturas.Períodos de convivência e de controle de plantas daninhas em diversas culturas anuais e bianuais Cultura Algodão Alho Girassol Cebola Arroz de sequeiro Cana-de-açúcar ( plantio de ano ) Cana-de-açúcar (plantio de ano e meio) Feijão Café (após plantio das mudas no inverno) Café (após plantio das mudas no verão) Milho Soja Dias Após Semeadura ou Plantio (d) PTPI PAI PCPI 66 d 08 d 08 . (1981) Mascarenhas et al. as plantas daninhas podem ter atingido um estádio tal de desenvolvimento que inviabilize o uso de práticas mecânicas ou o controle químico. Do ponto de vista prático.30 d Spadotto et al.1 . Isso é normal. (1982) Oliveira e Almeida 45 . espécies daninhas e culturas. a cultura deverá ser mantida livre das plantas daninhas no período compreendido entre o final do PAI até o momento em que as plantas daninhas que vierem a emergir não mais irão interferir na produtividade da cultura. os períodos PTPI. (1980) Brighenti et al. PAI e PCPI.Biologia e métodos de controle 35 . (2005) 14 . (2005) 22 – 38 d Dias et al. (2003) Alcântara et al. ou.90 d (1982) 47 – 127 Kuva et al. Considerando a diversidade de fatores que influenciam o grau e os períodos de interferência apresentados. os cultivares utilizados e as composições específicas das comunidades infestantes foram diferentes. visando realizar com eficiência o manejo integrado das plantas daninhas. (2002) Souza et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas pois a cultura e. torna-se extremamente importante a pesquisa nesta área.30 d Victoria Filho (1994) 15 – 88 d Dias et al. porque as condições em que foram conduzidas as pesquisas. (2003) 20 . Recentemente foi proposto o Período Anterior ao Dano no Rendimento Econômico (PADRE). encontrados pelos diversos autores. baseado na hipótese de que aspectos econômicos como o custo de controle e o valor monetário dos grãos devem ser utilizados como critério para determinar o período aceitável de interferência das plantas daninhas antes de se decidir pelo seu controle (VIDAL et al. Este seria o “período crítico de prevenção da interferência” (PCPI).

) e o arroz-vermelho (Oryza sativa) são distribuídos junto com as sementes de arroz. a disseminação de determinadas espécies-problema em áreas ainda por elas não infestadas. um município ou uma gleba de terra na propriedade. se espalham por novas áreas por meio de roupas e sapatos dos operadores. etc. Eles abrangem desde o arranque das plantas com as mãos até o uso de sofisticados equipamentos de microondas para exterminar as sementes no solo.. Já o capim-arroz (Echinochloa sp. Como exemplo. o controle é de responsabilidade de cada agricultor ou cooperativas. que possui sementes muito pequenas e tubérculos que infestam novas áreas com grande facilidade. verifica-se grande evolução destes.Métodos de controle de plantas daninhas Os métodos de controle de plantas daninhas usados são os mais variados possíveis e. limpeza de canais de irrigação. Em nível local. mudas com torrão.Biologia e métodos de controle . ou. inspecionar cuidadosamente mudas adquiridas com torrão e também toda a matéria orgânica (esterco e composto) proveniente de outras áreas. Em níveis federal e estadual. etc.Controle preventivo O controle preventivo de plantas daninhas consiste no uso de práticas que visam prevenir a introdução. por meio de estercos. há legislações que regulamentam a entrada de sementes no país ou estado e sua comercialização interna.1 . etc. além de outras espécies. que poderão se transformar em sérios problemas para a região. A falta desses cuidados tem causado ampla disseminação das mais diversas espécies. o elemento humano é a chave do controle preventivo. Em síntese. que não interfiram na produção econômica da cultura. um estado. limpar cuidadosamente máquinas. Nestas legislações encontram-se os limites toleráveis de cada semente de planta daninha e também a lista de sementes proibidas por cultura ou grupo de culturas. visando prevenir a entrada e disseminação de uma ou mais plantas daninhas.1 . o estabelecimento e. Estas áreas podem ser um país. ou seja. 36 Módulo 3. grades e colheitadeiras. pêlos de animais. 5. As medidas que podem evitar a introdução onde a espécie ainda não ocorre são: utilizar sementes de elevada pureza. atualmente. deve ser feita até um nível no qual as perdas pela interferência sejam iguais ao incremento no custo do controle. tem-se a tiririca (Cyperus rotundus). considerando uma cultura.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 5 . quarentena de animais introduzidos. A redução da interferência das plantas daninhas. o picão-preto (Bidens pilosa) e o capim-carrapicho (Cenchrus echinatus).

estas plantas possuem também poder inibitório sobre outras e podem reduzir as infestações de algumas daninhas após serem incorporadas ao solo. a escolha da cultura em rotação deve recair sobre plantas com habito de crescimento e características culturais bem contrastantes. crotalárias.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 5. O arranque manual. em lavouras de trigo. e para muitas famílias. e caruru-rasteiro (Amarantus deflexus). Contudo. no mesmo solo. etc. Variação do espaçamento: a variação do espaçamento entre linhas ou da densidade de plantas na linha pode contribuir para a redução da interferência das plantas daninhas sobre a cultura. jardins e na remoção de plantas daninhas entre as plantas das culturas em linha. então. variação do espaçamento da cultura. quando o principal método de controle é o uso de enxada. a cobertura morta e o cultivo mecanizado. em lavouras de arroz. onde há agricultura de subsistência. nabo. Quando o principal objetivo é o controle de plantas daninhas. visando beneficiar o estabelecimento e desenvolvimento das culturas. em Módulo 3. a inundação. 5. apaga-fogo (Alternanthera tenella). esta é a única fonte de trabalho. ou monda. a capina manual. ervilhaca. Ainda hoje é usado para o controle em hortas caseiras. mostarda. a interferência destas plantas daninhas aumenta muito. Nas regiões subtropicais predominam mucuna-preta. principalmente em regiões montanhosas. como rotação de cultura.Controle cultural O controle cultural consiste no uso de práticas comuns ao bom manejo da água e do solo.3 . A redução entre linhas geralmente proporciona vantagem competitiva à maioria das culturas sobre as plantas daninhas sensíveis ao sombreamento. guandu.Biologia e métodos de controle 37 . dependendo da arquitetura das plantas cultivadas e das espécies infestantes. Consiste. Essas práticas contribuem para impedir o aumento exagerado de determinadas plantas daninhas. a roçada. Rotação de culturas: cada cultura agrícola geralmente é infestada por espécies daninhas que possuem exigências semelhantes às da cultura ou apresentam os mesmos hábitos de crescimento. numa agricultura mais intensiva. aveia e centeio são usadas na região Sul do Brasil.1 .).2 . ano após ano. Coberturas verdes: as coberturas verdes são culturas geralmente muito competitivas com as plantas daninhas. entretanto. exemplos: capim-arroz (Echinoclhoa sp. Tremoço. em usar as próprias características ecológicas das culturas e plantas daninhas. é o método mais antigo de controle de plantas daninhas. A capina manual feita com enxada é muito eficaz e ainda muito utilizada na nossa agricultura.Controle mecânico ou físico São métodos mecânicos de controle de plantas daninhas o arranque manual. Quando são aplicadas as mesmas técnicas culturais seguidamente. O principal efeito é a melhoria das condições físico-químicas do solo. azevém anual. em cana-de-açúcar. uso de coberturas verdes. em lavouras de milho. feijão-de-porco e lablabe. a queima.

Outra técnica utilizada para o controle de plantas daninhas é a solarização. como o capim-arroz (Echinochloa sp. onde o controle da erosão é fundamental. as sementes das plantas daninhas germinam e morrem em seguida. é de larga aceitação na agricultura brasileira. é ineficiente para controlar plantas daninhas que 38 Módulo 3. apenas não apresentando efeito sobre as plantas daninhas que se desenvolvem em solos encharcados. como tiririca (Cyperus rotundus). milho e trigo. são totalmente erradicadas sob inundação prolongada. A cobertura morta ainda pode apresentar efeitos alelopáticos úteis no controle de certas espécies daninhas. devendo ser realizado quando as plantas daninhas estiverem ainda jovens e o solo não estiver muito úmido. bem como sobre as plantas aquáticas. Em pomares e cafezais. para uso dirigido nesta cultura.Biologia e métodos de controle . em virtude da suspensão do fornecimento de oxigênio para suas raízes. além de muitas plantas daninhas anuais. e b) baixa eficiência: quando realizado em condições de chuva (solo molhado). Esta deve ser feita antes do plantio. utilizando filme de polietileno sobre a superfície do solo. em razão do custo do combustível. Em solos planos e nivelados. o alto custo da mão-de-obra e a dificuldade de encontrar operários no momento necessário e na quantidade desejada fazem com que este método seja apenas complementar a outros métodos. Quanto à queima das plantas daninhas com lança-chamas. É restrito a pequenas áreas de hortaliças. são o custo do nivelamento do solo e a grande quantidade de água necessária para sua implantação. O espaço das entrelinhas é mantido roçado e. Também em terrenos baldios. principalmente em terrenos declivosos. Este sistema de plantio é usado em extensas áreas de plantio de soja. estimulando a germinação das sementes das plantas daninhas da camada superficial de solo. Todavia. é mantida no limpo. em solo úmido. sendo um dos principais métodos de controle de plantas daninhas em propriedades com menores áreas plantadas. Espécies perenes de difícil controle. A cobertura do solo com restos vegetais em camada espessa ou com lâmina de polietileno é um meio físico-mecânico de controle das plantas daninhas. através de adaptação de queimadores especiais em cultivadores tratorizados. a roçada manual ou mecânica é um método muito importante para controlar plantas daninhas. capim-kikuio (Penisetum clandestinum)). As principais limitações deste método são: a) dificuldade de controle de plantas daninhas na linha da cultura. grama-seda (Cynodon dactylon). na maioria dos casos. além de outros efeitos importantes sobre as culturas implantadas na área. Os fatores limitantes deste método. beiras de estradas e pastagens a roçada é um método de controle de plantas daninhas dos mais importantes. No plantio direto. feito por cultivadores tracionados por animais ou tratores.1 . já foi utilizada em algodão. a fileira de plantas. a inundação é um efetivo método de controle de plantas daninhas. por meio de outros métodos de controle.).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas áreas maiores. esta técnica é de uso limitado no Brasil. como nos tabuleiros de arroz. Provoca aumento de temperatura e. O cultivo mecanizado. A cobertura provoca menor amplitude nas variações e no grau de umidade e da temperatura da superfície do solo. em nível. que são posteriormente mortas devido à impossibilidade de emergência. a cobertura do solo com restos vegetais da cultura anterior é de grande utilidade. A inundação mata as plantas sensíveis. devido à temperatura excessivamente alta principalmente até 5 cm de profundidade.

o herbicida natural é registrado como Collego. O controle biológico de plantas daninhas é muito complexo e seu estudo dever ser feito em etapas sucessivas. a fim de correlacionar os níveis de infecção com a redução da densidade populacional do hospedeiro. Entre os diversos exemplos de controle biológico no mundo. o controle biológico de plantas daninhas com inimigos naturais não tem sido. através de enxadas cultivadoras especiais.) capazes de reduzir a população das plantas daninhas. 5.Controle biológico O controle biológico consiste no uso de inimigos naturais (fungos. d) Determinação da especificidade dos hospedeiros.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas se reproduzem por partes vegetativas. Deve também ser considerada como controle biológico a inibição alelopática de plantas daninhas exercida por outras plantas. aves. b) Seleção de inimigos naturais mais eficientes. no Havaí. Nos Estados Unidos. nos pomares de citros. daninhas ou não (este assunto já foi discutido em módulo à parte). uma vez eliminado o hospedeiro. praticado com fins econômicos. com o nome de Devine. todas as espécies anuais.) com as larvas do inseto Cactoblastis cactorum. reduzindo sua capacidade de competir. vírus. desde a pesquisa até a prática do controle biológico: a) Seleção de espécies de plantas daninhas a serem controladas. bactérias. promover o controle das plantas daninhas na linha. para controlar Morrenia odorata. o cambará-de-espinho (Lantana camara) foi controlado pelos insetos Agromisa lantanae e Crocidosema lantanae. f) Avaliação da efetividade em diferentes épocas do ano. No Brasil.4 . peixes. o parasita deve ser altamente específico. quando jovens (2-4 pares de folhas). podem-se citar: na Austrália. Módulo 3. insetos. c) Estudo e avaliação da ecologia dos vários inimigos naturais. a eficiência do controle biológico é duvidosa quando ele é usado isoladamente.1 . foi já usado o fungo Phythophthora palmivora. O cultivo quebra a relação íntima que existe entre raiz e solo. No entanto. De modo geral. Dependendo do tamanho relativo das plantas cultivadas e daninhas. e. ou seja. são facilmente controladas em condições de calor e solo seco. o controle do cactus ou figo-da-índia (Opuntia spp. suspende a absorção de água e expõe a raiz às condições ambientais desfavoráveis. E. etc. Isso é mantido por meio do equilíbrio populacional entre o inimigo natural e a planta hospedeira. pode causar o enterrio das pequenas plântulas e. com isso. ele não deve parasitar outras espécies.Biologia e métodos de controle 39 . Para que este tipo de controle seja eficiente. porque pode controlar uma espécie e uma outra ser favorecida. o fungo Coletotrichum gloeosporeoides pode ser usado para controlar o angiquinho (Aeschynomene virginica) em soja e milho. e) Acompanhamento da introdução e do estabelecimento do agente biocontrolador no campo. o deslocamento do solo sobre a linha. até o momento. o que é uma tendência normal em condições de campo.

isolados de Fusarium graminearum vêm sendo estudados como agente de controle biológico de Egeria densa e de Egeria najas. Já se sabe que o fotoperíodo influencia a eficiência de controle das espécies de plantas daninhas pelo fungo. 2. nos Estados Unidos. Somente em 1942.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas No Brasil. hoje Sociedade Brasileira da Ciência das Plantas Daninhas (SBCPD). foi criada a Weed Science Society of América . para controle de folhas largas na cultura do trigo. bem como a tecnologia de aplicação de herbicidas. que tem evoluído muito nos últimos anos. no Brasil. indicando a necessidade de uso de outro método de controle. quando se pensa em seu uso como o único método de controle. o controle biológico. e os trabalhos científicos sobre o assunto são publicados em revistas especializadas da SBCPD (Planta Daninha e Revista Barsileira de Herbicidas). não podendo parasitar outras espécies. então. 2005). e. O uso de tilápias. 40 Módulo 3. etc. Triazinas simétricas (1956). para discutir os avanços da área de plantas daninhas e seu controle. Também são áreas de interesse. químico. nos EUA. ocorrem reuniões anuais de pesquisadores de herbicidas no cerrado (REPEC). A eficiência do controle biológico é duvidosa. descobriram o 2. o sulfato ferroso foi avaliado por Bolley. e temperaturas acima de 30 oC têm proporcionado melhor controle de Egeria (BORGES NETO et al. no Brasil. Isso porque o parasita deve ser altamente específico. A partir de 1950. a alelopatia. Zimmerman e Hitchock. mais seguro para o homem e para o ambiente. sempre uma outra é favorecida. Carbamatos (1951). 5. etc. Em 1908. O controle biológico é eficiente.WSSA. O objetivo das pesquisas em nível mundial é obter herbicidas mais eficazes com doses menores. que se reúne de dois em dois anos em congresso nacional. Este herbicida é a base de muitos outros produtos sintetizados em laboratório (2.5-T. Ainda. foi fundada a Sociedade Brasileira de Herbicidas e Plantas Daninhas (SBHPD). Miyazaki e Pitelli (2003) verificaram controle de até 100% das espécies aquáticas Egeria densa. ou.) e marcou o início do controle químico de plantas daninhas em escala comercial.Biologia e métodos de controle .. entre outras. Devido ao grande desenvolvimento da área de controle químico de plantas daninhas. em 1956. quando associado a outros métodos de controle e será recomendado para espécies de plantas daninhas de controle comprovadamente difícil por métodos mecânicos e. nos Estados Unidos. quando se controla uma espécie de planta daninha.4-D. Shultz (Alemanha) e Bolley (EUA) evidenciaram ação dos sais de cobre sobre algumas folhas largas. em 1963. novos grupos químicos de herbicidas surgiram: Amidas (1952). carpas e outros peixes herbívoros é possível para controle de outras plantas aquáticas.Controle químico As pesquisas visando o controle químico de plantas daninhas foram iniciadas entre 1897 e 1900.5 . plantas aquáticas submersas que causam problemas em reservatórios de hidrelétricas.4.4-DB. quando Bonnet (França). Egeria najas e Ceratophyllum demersum pelo pacu (Piaractus mesopotamicus).1 .

desde que utilizado no momento adequado e de forma correta.8 em 1997 (ANDEF/SINDAG. uma vez que este possibilita as melhores condições de desenvolvimento e permanência das culturas. 2005). Portanto. 3. Menor dependência da mão-de-obra.1 . O emprego do controle químico como único e generalizado implica a inviabilidade econômica da prática agrícola e sério desequilíbrio no sistema de produção. em milhões de dolares.água (rios. havendo perigo de intoxicação do aplicador. Os riscos de uso existem. Pode se atribuir essa grande aceitação do uso de herbicidas pelos produtores ao fato de o controle químico das plantas daninhas proporcionar as seguintes vantagens: 1. mas devem ser conhecidos. O conhecimento da fisiologia das plantas. o controle químico das plantas daninhas é mais eficiente. Módulo 3. difícil de ser encontrada no momento certo. É eficiente no controle de plantas daninhas na linha de plantio e não afeta o sistema radicular das culturas. perfeitamente controlados e evitados. Este valor. Há necessidade de mão-de-obra especializada para aplicação dos herbicidas. que é cada vez mais cara. Permite o cultivo mínimo ou plantio direto das culturas. 5. lagos e água subterrânea). 6. sendo a de maior importância o controle cultural. na quantidade e qualidade necessária. uma vez que esta tecnologia. quando for necessário. 2005). Permite o plantio a lanço e. Atualmente estão sendo comercializadas no mercado brasileiro em torno de 200 marcas comerciais de herbicidas (RODRIGUES e ALMEIDA. Pode controlar plantas daninhas de propagação vegetativa. que era quase exclusivamente utilizada por grandes e médios produtores. cabendo ao controle químico apenas auxiliar quando necessário. Pode ocorrer também poluição do ambiente . hoje está se tornando prática comum entre os pequenos. 4. alteração no espaçamento. solo e alimentos quando manuseados incorretamente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas O consumo de herbicida no Brasil representa 7-9% do consumo total do mundo. É importante considerar que todo herbicida é uma molécula química que tem que ser manuseada com cuidado. Mesmo em épocas chuvosas. dos grupos aos quais pertencem os herbicidas e da tecnologia de aplicação é fundamental para o sucesso do controle químico das plantas daninhas. evoluiu de 546. A tendência ainda é de aumento. o herbicida é uma ferramenta muito importante no manejo integrado de plantas daninhas.6 em 1990 para 1. O emprego do controle químico de plantas daninhas deve ser feito juntamente com outras práticas de controle. sendo essa a causa de cerca de 80% dos problemas encontrados na prática. principalmente. ou. 2.214.Biologia e métodos de controle 41 .

Monitorar sementes e espécies da área de produção. A integração de diversos métodos de controle dentro do sistema de produção pode dificultar o crescimento e desenvolvimento de populações de espécies daninhas de difícil controle. pode reduzir a dependência do uso de herbicidas e atrasar ou prevenir o aumento de espécies perenes geralmente associadas a sistemas de cultivo. Prever populações e mudanças de populações de plantas daninhas. no controle integrado. 2000). 7. esse fato. Conhecer as espécies dominantes e suas interações. propondo uma série de medidas que se enquadraram no conceito de integração (CONCEIÇÃO. sua base reforçada no campo da entomologia quando pioneiros promoveram o estudo dos problemas do algodoeiro no Nordeste do país. fica evidente que.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 6 . que consiste em “um sistema ambiental do campo onde são usados todos os conhecimentos e ferramentas disponíveis para a produção das culturas livres de danos econômicos da vegetação competitiva”. Desse modo. 4. 3. no Brasil. a maneira integrada de cultivo. Muitas vezes faz-se necessária a associação de dois ou mais métodos para se atingir o nível desejado. da capacidade competitiva da cultura. os métodos culturais se apresentam como os 42 Módulo 3. constituindo-se. para culturas anuais. em que se levam em conta todos os fatores que podem proporcionar à planta maior e melhor produção. máxima sustentatibilidade de produção e mínimo risco. 8. do período crítico de competição. 2. das condições ambientais. tendo. 9. Estudar os métodos usados na propriedade. e elas são um bom guia para o programa de manejo: 1. Desse modo. Identificar as espécies-problema e suas densidades. Um bom programa de manejo de plantas daninhas pode ser resumido em três situações básicas: máxima produção no menor espaço de tempo. o manejo integrado de plantas daninhas. Decidir quando o controle deve ser feito. Integrar os processos com as medidas de proteção das culturas. O nível de controle das plantas daninhas obtido em uma lavoura dependerá da espécie infestante. as quais possuem seu ciclo ou parte dele na época das águas.Manejo integrado de plantas daninhas (mipd) Cada vez mais o manejo integrado de pragas vem ganhando reforços em todos os setores agrícolas. permite a esta aproveitar eficientemente os recursos do meio. Considerando as condições brasileiras. Escolher a(s) tecnologia(s) de controle compatível(is) com sistema. 5. social e econômico a curto e a longo prazo. 10. 6.Biologia e métodos de controle . Dez palavras-chave descrevem os processos recomendados.1 . etc. Considerar os recursos e as necessidades do fazendeiro. dos métodos empregados. Avaliar os impactos ambiental.

No plantio direto. permanecendo dormentes (Fig. principalmente por luminosidade. no plantio direto. 45 dias após a emergência. ao controle cultural exercido pela falta de revolvimento do solo e conseqüente ausência de fragmentação das estruturas vegetativas da tiririca e à adoção de culturas altamente competitivas. 4). Outro exemplo de manejo integrado de plantas daninhas tem sido praticado em diversas regiões do Brasil quando se adota o sistema integrado agricultura-pecuária.. a forrageira cultivada em consórcio com a cultura principal reduz a interferência de muitas espécies de plantas daninhas. tornando o sistema menos dependente do controle químico (JAKELAITIS et al. com a adoção do sistema de plantio direto utilizando herbicidas sistêmicos para dessecação. aplicados no momento correto. Quando a finalidade de uso do solo é para milho grão. aliado ao controle cultural. consegue-se ótimo manejo integrado da tiririca. Ao contrário.. Dessa forma. 5). como a cultura do milho e feijão. Neste sistema. a capacidade de brotação dos tubérculos de tiririca coletados sob solo no sistema integrado é diminuída com o passar do tempo. Um bom exemplo da aplicação do Manejo Integrado pode ser observado pelo excelente manejo da tiririca na cultura do milho e do feijão graças à utilização do sistema de plantio direto e conhecimentos da biologia das espécies envolvidas. Dessa forma. têmse observado excelentes resultados no manejo da tiririca. 2003). ou seja. no milho para silagem toda palhada da cultura anterior e retirada da área. da ordem de 90 a 95%.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas mais adequados para integração com o controle químico. transformando esta espécie daninha extremamente problemática em uma espécie comum. em relação ao plantio convencional. Além disso. tanto para a cultura do milho quanto para o feijoeiro. os níveis populacionais da tiririca podem ser diminuídos. a ponto de não acarretar reduções de produção das culturas infestadas (Fig. principalmente no período de desenvolvimento das culturas sensíveis à interferência das plantas daninhas. toda a palhada da cultura permanece na área à superfície. independentemente se para produzir milho para grão ou para silagem. no plantio convencional. aliado ao fato de não revolver o solo.. com uso de herbicidas sistêmicos usados como dessecantes. Os maiores benefícios do sistema de plantio direto no manejo integrado da tiririca são obtidos devido à integração do controle químico proporcionado pelo uso do herbicida sistêmico para dessecação da vegetação em pré-plantio.Biologia e métodos de controle 43 . Em dois anos nesse sistema. visando a redução do número de propágulos de espécies de difícil controle em áreas agrícolas.1 . é possível obter redução nos níveis populacionais da tiririca a favor do plantio direto. 2005) Módulo 3. ou incoporada ao solo. 2004) e também mais estável do ponto de vista ambiental (SANTOS et al. evitando assim sua disseminação e seu rápido crescimento. sendo que em três anos a redução no banco de tubérculos no solo pode chegar a mais de 90% (JAKELAITIS et al.

1 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 4 .População de tiririca nas culturas de milho e feijão nos sistemas de plantios convencional e direto (após dois anos de adoção do manejo integrado de plantas daninhas –MIPD) aos 30 DAP Figura 5 – Brotação de tubérculos de tiririca coletados em campo em áreas de plantio convencional e em área onde se adotou o plantio direto com o manejo integrado dessa espécie infestante. após três anos de adoção 44 Módulo 3.Biologia e métodos de controle .

L.. 449-456.. A. 4. v. MARTINS. F. Planta Daninha. CRUZ. 2000. BORGES NETO. 93-99. 23 p. 1. 337342. PITELLI. p. R. R. São Paulo: CATI. R. 1. 71-79.Biologia e métodos de controle 45 . AZEVEDO. Períodos de interferência das plantas daninhas na cultura da cana-de-açúcar: III .. W. p. L. Q. Planta Daninha. BLANCO.. v.capim-braquiária (Brachiaria decumbens) e capimcolonião (Panicum maximum). A. 12. 2004. 2003. L.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Referências bibliográficas ALMEIDA. 1985. 2005. Planta Daninha. N. A. Dados estatísticos..38. H. v. v. 2003. FERRI. n. M. 2004. ALVES. L. Disponível em: <www. L. Fisiologia Vegetal 1. L. Planta daninha. P. 23. Viçosa: UFV. S.. T. 1988. L. p. O Biológico. 23. Manejo integrado em defesa vegetal. n. 22.343-50. SARMENTO. C. L. p.. D. 37-44.. (Ed. pragas e plantas daninhas. et al. 362 p. E. Interferência de capim-marmelada na cultura da soja. Planta daninha.10. GORGATI. FREITAS. V. FERREIRA. 398-404. DIAS. 3. Influência do fotoperíodo e da temperatura na intensidade de doença causada por Fusarium graminearum em Egeria densa e E. 251-257. São Paulo: EPU. São Paulo: EPU. (Ed. C. A. A. GRAVENA. C. 2005. Dormência e germinação. 60 p. P. E... p.) Manejo Integrado: Doenças. Campinas. n. Acesso em: 2 jan. L. ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE DEFESA FITOSANITÁRIA – ANDEF. A. METIVIER. 22. 2004. Planta daninha. A. C. v. 21. v. IAPAR. n. AGNES. v.. 21.) Fisiologia vegetal 2.. L. A. PITELLI. A. n. 416 p. Módulo 3.. Manejo de Plantas daninhas no consórcio de milho com capim-braquiária (Brachiaria decumbens). 1979. R. R. F. A. CASTRO. v.. 553-560.. Períodos de interferência de Commelina benghalensis na cultura do café recém-plantada. LEMES. Z. Circula. 3. OLIVEIRA JR. 1972. najas.andef. M. S. 1986. G.br>.G. C. M. SILVA. n. 2. KUVA. (IAPAR. R. R. MACHADO. R. A. SILVA. F. F. R. JAKELAITIS. M. C. 2. ERASMO.. A. Herbicidas em cultura de algodão.. 2005... A alelopatia e as plantas. Períodos de interferência de plantas daninhas na cultura do girassol. 3.G. BRIGHENTI.. 2005. Potencial de espécies utilizadas como adubo verde no manejo integrado de plantas daninhas. 401 p. In: FERRI. 53). p. J. n. R. n. A. A. A. MIRANDA. JAKELAITIS. n. FERREIRA.1 . M. SILVA. S. p. CONCEIÇÃO. p. S. Planta daninha. A importância dos estudos ecológicos nos programas de controle de plantas daninhas. Dinâmica populacional de plantas daninhas sob diferentes sistemas de manejo nas culturas de milho e feijão. G. p. In: ZAMBOLIM. et al. 1994. v. 22. Planta Daninha.gov.

PIRES. 1969. S.1 . 1994.. VIVIAN.. PITELLI. 2002. 2003. B. S. R. DONAGEMMA. 2003. A.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas MIYAZAKI. A. Alellopthy. Acúmulo de massa seca e macronutrientes por plantas de Glycine max e Richardia brasiliensis. 53-59. A. Londrina. PROCÓPIO. E. A. p. Revista Brasileira de Ciência do Solo. 23.. Acúmulo de nutrientes pelo cafeeiro sob interferência de plantas daninhas. p. R. F.. GHERSA. Edição especial. SILVA. 1974. J. 3... MENDONÇA.. RODRIGUES. feijão e plantas daninhas. J. S. D.. Planta daninha. P. 29. 2005. C. Plant root exudades. F. v. v. A. S.. A. D. Evaluation of the biocontrol potential of pacu (Piaractus mesopotamicus) for Egeria densa. Guia de herbicidas. 3.. Planta Daninha. Absorção e utilização do nitrogênio pelas culturas da soja e do feijão e por plantas daninhas. P. SILVA. A. G. E. L. PROPINIGIS. 1970. 5. 3.. S. 78 p. S. p. Bot. Weed biology and control.683-691.Biologia e métodos de controle .. 1523-1531. Brasília: Ministério da Agricultura. 2004b. SANTOS. 136-144. A.. Planta Daninha. 20.. p. 1969. A. R. RONCHI. E. K. 1. F. C. B. Períodos de interferência das plantas daninhas na cultura do algodoeiro (Gossypium hirsutum). MARTINS. COSTA. 373-379. p. PROCÓPIO. n. n.. In: Weed ecology implicatios for manegements.ed. R. A. New York: John Willey and sons. L. BIANCO. HERNANDEZ. ALVES. SANTOS. J.. RAMOS. Editora da USP. T. RADOSEVICH. v. p. 35-57. n. JAKELAITIS. Atividade microbiana do solo após aplicação de herbicidas em sistemas de plantio direto e convencional. F. R. O. L. P. FERREIRA. p. New York: McGraw-Hill Book Company. M. Análise do crescimento e eficiência no uso da água pelas culturas de soja e do feijão e por plantas daninhas. F. Orlando: Academic Press. PR: Grafmarke. SILVA. 22. 5. Y. A.. A. 2004a. 22. MATTOS. Absorção e utilização do fósforo pelas culturas da soja e do feijão e por plantas daninhas.. A. p. D. v. v.. P. 29. 219-227. ALMEIDA. A. SALGADO. J. D. A. D.. 2005. n.. p. 217-301. SANTOS. F. 2.. 2002. 46 Módulo 3. PITELLI. 1984. F. n. Fisiologia de sementes. São Paulo: Livraria Pioneira. SILVA. SP. v. PROCÓPIO. 21. C. Ecologia. 273 p.1. 10. J... E. 21. Planta Daninha. A. S. TERRA. J. Rev. Planta Daninha. Physiological aspects of competition. n. v. 4.. R. v. 35. 2. n... A.. p. S. R. SILVA. 1345-1351. R. MENDONÇA. SANTOS. 53-61. J. B. PROCÓPIO. 24. A. v. 422 p. Pesquisa Agropecuária Brasileira. F.. Ponto de murcha permanente de soja. A. B. ODUM. SANTOS.O. n.. RICE. M..ed. 2005. C. N. Planta Daninha. ROVIRA. PIRES. A.. MENDONÇA.. p. COSTA. n. PITELLI.. L. 1996. Planta daninha. B. v.. v. A. p. B. 2004. O. n. L. Acta Scientiarum. D. SILVA. 1. HOLT. Efeitos de diferentes períodos de controle da comunidade infestante sobre a produtividade da cultura do milho. 365-374. A. S. E. M. 591 p. najas and Ceratophyllum demersum. 22. Agiplan. MUSIK T. S. SILVA. 3541. J. E. O. E. PEDRINHO JÚNIOR.

SP. SIQUEIRA. p. SILVA. L.. E. SILVA. S. 1994. S. SOARES.. p. C.. p. J. LUIZ.. D. Módulo 3. 2003... Piracicaba: ESALQ. R. L. 8-31.. 1. Bragantia. D. Boletim Informativo da SBCPD. Profundidade de germinação de sementes de leiteiro. Períodos de interferência das plantas daninhas na cultura de cebola (Allium cepa) transplantada. A. 100-111.). 1998. 23. G.. n. New York: Mc Graw-HILL Book Company. 21. A. Planta Daninha. 1994.. p. 67. Plant ecology. W.... A. C.. Revista Floresta. D. 2. R. 1. PITELLI. A. J. 12. SILVA. N. 5. CARDOSO. C. p. p. Período anterior ao dano no rendimento econômico (PADRE): nova abordagem sobre os períodos de interferência entre plantas daninhas e cultivadas. v. SEDIYAMA. G. DIAS. A. 1994. FLECK. PROCÓPIO. VIDAL. 147-153. 1938. DOENÇAS E PLANTAS DANINHAS DO FEIJOEIRO. B. J.. A. J. 3. L.1 . Planta daninha. 2005. A. submetido a diferentes teores de água em convivência com braquiária. VICTORIA FILHO.. Manejo integrado de plantas daninhas do feijoeiro (Phaseolus vulgaris). A.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas SANTOS. Índice de consumo e eficiência do uso da água em eucalipto. 387-396. A. 62. v. WEAVER... In: SEMINÁRIO SOBRE PRAGAS. R. 34. J. 2003. 387-396. 3. p. A. A. 59-62. 4. COSTA. Captação e aproveitamento da radiação solar pelas culturas da soja e do feijão e por plantas daninhas. T. R. O. n. n. A. Planta Daninha. v. n. v. 3. MARCONDES. A... 601 p. A. v.. SPADOTTO. MEROTTO JR. n. n. Piracicaba. CLEMENTS F. SILVA. E.. Anais. v.Biologia e métodos de controle 47 . SILVA. BRAZ. VARGAS. 2004. T. B. C. (Euphorbia heterophylla L. A. Determinaçao do período crítico para prevenção da interferência de plantas daninhas na cultura de soja: uso do modelo broken-stick.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 . José Barbosa dos Santos Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior . Lino Roberto Ferreira Profº.2 . Francisco Affonso Ferreira Profº.2 .UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília .Herbicidas: classificação e mecanismos de ação Tutores: Profº.Manejo de plantas daninhas 3.ABEAS Universidade Federal de Viçosa . Antonio Alberto da Silva Profº.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .DF 2006 48 Módulo 3.

1 .3. 55 4.Principais características.2.Herbicidas inibidores do arranjo dos microtúbulos.3 .1.Herbicidas auxínicos ou mimetizadores de auxina.Herbicidas Inibidores do Fotossistema I.2 .2 . 80 4.Mecanismo de ação.2 . 54 4. 62 4.Inibidores da síntese de ácidos graxos de cadeias muito longas (VLCFA).4.4 .Quanto à translocação.Principal herbicida do grupo.2.Características gerais.Herbicidas inibidores da Protox.1 . 76 4. 70 4. 83 4.2 .1 .Algumas imidazolinonas. 79 4. 73 4.Características gerais dos inibidores do fotossistema II.3 . 60 4.Características de algumas cloroacetanilidas. 58 4. 58 4.2. 61 4.5.1 .Mecanismo de ação. -51 2 .4 .Caracterização de Alguns Herbicidas Inibidores do Fotossistema II.Principais características.Quanto à época de aplicação. 85 4.2 . 53 4. 77 4.1 . 68 4. 74 4.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução.Seletividade. 79 4.Quanto aos mecanismos de ação.3 .7.Problemas causados pela utilização incorreta de herbicidas auxínicos. 51 1 .4. 79 4. 68 4.6.Algumas sulfoniluréias.6 .Herbicidas inibidores da acetolactato sintase. 75 4.7.Herbicidas inibidores da fotossistama II.3 .2 . 68 4.Caracterização de alguns herbicidas auxínicos.Mecanismo de ação. 75 4.5 .Mecanismo de ação.Caracterização de alguns herbicidas inibidores da PROTOX.1 .Caracterização de alguns herbicidas inibidores dos microtúbulos. 73 4.1.Herbicidas inibidores da EPSPs.53 4 .6.1 .5.2.Mecanismos de seletividade.3 .3. 80 4.3 .8 .Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 49 .52 3 .Quanto à seletividade. 88 Módulo 3.3. 56 4.1 .5. 73 4.2 .7 .2 .Principais características.1.3 .6.2 .Mecanismo de ação das cloroacetanilidas.4. 55 4.

2 . 88 4.9.8.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .9 . 91 4. 92 4. 91 4. 95 Referências bibliográficas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4.2 .Herbicidas inibidores de carotenóides.2 .1 .9.3 .Caracterização de alguns inibidores da ACCase.9. 99 50 Módulo 3. 93 4.Características gerais.10 .Mecanismo de ação.1 .8.Mecanismos de ação.Herbicidas inibidores da ACCase.Principais características. 89 4.

1 . de acordo com as características de cada um. 1995a).Quanto à seletividade Herbicidas seletivos São aqueles que. Essas características individuais permitem estabelecer grupos afins de herbicidas com base em sua seletividade. paraquat. por meio da biotecnologia. HESS. etc. pois depende do estádio de desenvolvimento das plantas.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 51 . etc. Normalmente são recomendados para uso como dessecantes ou em aplicações dirigidas. do tipo de solo. são mais tolerados por uma determinada espécie ou variedade de plantas do que por outras.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução Os herbicidas podem ser classificados de diversas maneiras. Herbicidas não-seletivos São aqueles que atuam indiscriminadamente sobre todas as espécies de plantas. por exemplo. o metribuzin é seletivo apenas quando aplicado em pré-emergência. a seletividade é sempre relativa. fomesafen para o feijão. Como exemplo. Todavia. glyphosate. imazethapyr para a soja. exemplo: a soja trasgênica resistente ao glyphosate. das condições climáticas. atrazine para o milho. dentro de determinadas condições. e mesmo assim a dose tolerada é dependente das condições edafoclimáticas. Todavia. translocação. etc. Exemplos: diquat. época de aplicação. estrutura química e mecanismo de ação (WARREN. Para soja. tem-se 2.4-D para a cana-deaçúcar. é possível tornar um herbicida não-seletivo a seletivo para determinada espécie.2 . Módulo 3. da dose aplicada.

clorimuron-ethyl. até mesmo em subdoses. também. pode-se também misturar. deve ser aplicado antes do plantio. porém têm como objetivo principal garantir o controle inicial das plantas daninhas na implantação da lavoura. quando atigem o solo.Quanto à época de aplicação Pré-plantio Quando o herbicida é muito volátil. etc. Outro 52 Módulo 3. nicosulfuron em milho. feijão e soja. em culturas perenes como fruteiras. ou. reflorestamento e lavouras de café. etc. metsulfuron-methyl em trigo. Estes produtos podem.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2 . etc. Também. eles somente devem ser aplicados em pós-emergência das plantas daninhas. paraquat. trigo. ou. neste caso. se o herbicida é seletivo para a cultura. feijão. outros que possuem maior efeito residual no solo. etc. pois em pós-emergência. em aplicação dirigida. estes devem ser aplicados antes da emergência (pré-emergência) desta ou de forma dirigida. alguns herbicidas devem ser aplicados antes do plantio. ainda. ele é muito tóxico à soja. ele necessita ser incorporado ao solo. a estes. como é o caso do metribuzin. Esses produtos normalmente são não-seletivos. como é o caso do glyphosate e paraquat aplicados no plantio direto de milho. que pode ser usado em tomate em pré e em pósemergência tardia ou após o transplante. metribuzin. Contudo. visando facilitar o plantio e promover cobertura morta do solo. Quando são absorvidos apenas pelas folhas. exemplos: flumioxazin. pois muitas vezes. apresentam curto efeito efeito residual e quase sempre são utilizados como dessecantes. por esta razão. aplicado em pré-plantio e incorporado. Entretanto. Se o herbicida é absorvido pelas folhas e raízes. exemplo: sethoxydim em tomate. especialmente ao glyphosate. fotodegradável. Pós-plantio Dependendo da atividade dos herbicidas sobre as plantas. Quando aplicado após o preparo do solo e incorporado a este antes do plantio. a sua aplicação em pré ou pós-emergência vai depender da tolerância da cultura e. imazaquin. como é o caso do trifluralin. são desativados (sorvidos). de solubilidade muito baixa em água e. diz-se que este herbicida é aplicado em PPI. imazethapy. na cultura da soja somente pode ser usado em pré-emergência. apesar penetrarem também pelas raízes. ou seja.2 . ele pode ser aplicado em pós-emergência de ambas (plantas daninhas e culturas). Todavia. exemplos: glyphosate. no sistema de plantio direto (cultivo mínimo). das condições nas quais ele apresenta melhor desempenho. ser não-seletivos para a cultura e.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . Estes podem ou não auxiliar na dessecação das plantas. eles devem ser aplicados em pré ou em pós-emergência das culturas ou das plantas daninhas.

HESS. os herbicidas podem ser classificados em: mimetizadores de auxinas (auxínicos). CRAFTS.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas exemplo seria o herbicida atrazine.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 53 . como é o caso de 2. a ação do produto pode ser mais rápida. A este produto. THILL. O simples fato de um herbicida entrar em contato com a planta não é suficiente para que ele exerça sua ação tóxica. quando usados em doses muito elevadas. deve-se adicionar à calda óleo mineral visando solubilizar parte da cera epicuticular. Módulo 3. glyphosate. quando utilizado em pós-emergência. inibidores da ALS. inibidores da EPSPs. inibidores da ACCase. etc. já a primeira lesão bioquímica ou biofísica que resulta na morte ou ação final do produto é considerada “mecanismo de ação”. Inibidores da GS. Neste caso. 1995). pelo floema ou por ambos. entretanto a primeira lesão que ele causa na planta pode caracterizar o seu mecanismo de ação (ASHTON. exemplos: paraquat. aumentando a sua penetração pelas folhas. lactofen.Quanto à translocação Os herbicidas podem ser de contato quando atuam próximo ou no local onde eles penetram nas plantas. Estes produtos. porém com efeito final menor. inibidores do arranjo dos microtúbulos.Quanto aos mecanismos de ação É interessante que se faça distinção entre os termos usados rotineiramente quando se refere a herbicida: “modo e mecanismo de ação de herbicida”. Ele terá necessariamente que penetrar no tecido da planta. (WARREN.2 . Quando o movimento (translocação) do herbicida é via floema ou floema e xilema. 2003a). picloram. inibidores do fotossistema I. flazasulfuron. 4 . Estes herbicidas sistêmicos são capazes de se translocarem a grandes distâncias na planta. diquat. inibidores da síntese de carotenóides. 1973. Quanto ao mecanismo de ação. “Modo de ação” refere-se à seqüência completa de todas as reações que ocorrem desde o contato do produto com a planta até a sua morte ou ação final do produto. inibidores da PROTOX. porque a morte rápida do tecido condutor (floema) limita a chegada de dose letal do herbicida a algumas estruturas reprodutivas das plantas. nicosulfuron. recomendado para as culturas de milho e sorgo. podem apresentar ação de contato. LIEBL. imazethapyr. onde atuará para que seus efeitos possam ser observados. 1995. É importante lembrar que um mesmo herbicida pode influenciar vários processos metabólicos na planta. 3 . Os herbicidas também podem se movimentar (translocar) nas plantas pelo xilema. atingir a célula e posteriormente a organela. inibidores do fotossistema II. etc.4-D. etc. ele é considerado sistêmico.

Estes herbicidas induzem intensa proliferação celular em tecidos. podendo levá-las à morte. as espécies sensíveis têm seu sistema radicular rapidamente destruído. em poucos dias ou semanas. Acredita-se que estes produtos interfiram na ação da enzima RNA-polimerase e. engrossamento das gemas terminais e morte da planta (Fig. Estudos sugerem que o metabolismo de ácidos nucléicos e os aspectos metabólicos da plasticidade da parede celular são seriamente afetados. quando aplicados em plantas sensíveis. Figura 1 . Essa perda da rigidez das paredes celulares é provocada pelo incremento na síntese da enzima celulase. induzem mudanças metabólicas e bioquímicas. além de interrupção do floema. trigo e cana-de-açúcar e em pastagens. também. rapidamente. 1973). Esse alongamento celular parece estar relacionado com a diminuição do potencial osmótico das células. notadamente nas raízes. CRAFTS. verifica-se crescimento desorga¬nizado. Em conseqüência dos efeitos desses herbicidas. pelo efeito destes produtos sobre o afrouxamento das paredes celulares. 2003a).1 . que leva estas espécies a sofrer. causando epinastia de folhas e caule.4-D e o MCPA são os mais importantes. porque eles marcaram o início do desenvolvimento da indústria química (THILL. em plantas sensíveis. conseqüentemente. Historicamente. Por esse motivo.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . o 2.Sintomas leves de intoxicação de plantas de algodão (A) e ação final do produto sobre plantas de Raphanus raphanistrum (B) 54 Módulo 3. especialmente da carboximetilcelulase (CMC). verificam-se rapidamente aumentos significativos da enzima celulase.Herbicidas auxínicos ou mimetizadores de auxina Esta classe de herbicidas é uma das mais importantes em todo o mundo. impedindo o movimento dos fotoassimilados das folhas para o sistema radicular. mais especificamente. na síntese de ácidos nucléicos e proteínas (ASHTON. 1). provocado pelo acúmulo de proteí¬nas e. milho. epinastia das folhas e retorcimento do caule. Após aplicações de herbicidas auxínicos. Os herbicidas auxínicos.2 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. sendo extensivamente utilizada em culturas de arroz.

se aplicado fora do estádio de desenvolvimento recomendado. recebendo nomes comerciais diversos. etc.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. 3. c) Usar baixa pressão para aplicação. algodão. causada pela ação de herbicidas auxínicos. se aplicado em pós emergência total ocorrem sérios problemas de fitotoxicidade.5 dicloro-4 hidroxifenoxiacético e 2.4-D após o perfilhamento e antes do emborrachamento. As seguintes medidas são recomendadas para reduzir problemas com a utilização destes herbicidas: a) Evitar o uso de formulações que apresentam elevada pressão de vapor (muito voláteis). deve-se usar 0 2. sendo estes protegidos pelo esclerênquima em gramíneas (monocoti¬ledôneas). principalmente em aplicações aéreas. sais ou ésteres. Essa característica especial das monocotiledôneas pode prevenir a destruição do floema pelo crescimento desorganizado das células.1. comprometendo de maneira severa o rendimento de culturas e a qualidade do ambiente.2 .Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 55 . d) Evitar a aplicação quando o vento estiver em direção às culturas.. podendo. Deriva. Nas culturas de arroz e trigo. b) Usar maior tamanho de gotas. 4. Arranjamento do tecido vascular em feixes dispersos. em uva. resíduos deixados em pulverizadores mal lavados e contaminação de água de irrigação por estes herbicidas.Problemas causados pela utilização incorreta de herbicidas auxínicos Todos os herbicidas auxíncos são derivados de ácidos fracos e podem ser formulados nos seus respectivos ácidos. Módulo 3.Seletividade A seletividade dos herbicidas auxínicos pode ser dependente de diversos fatores: 1. exemplos: para arroz e trigo deve-se usar o 2. podem causar sérios problemas técnicos. tomate. que são espécies altamente sensíveis. Por exemplo. em condições de campo.2 . 4. Alguns desses produtos podem permanecer ativos no solo por longo período. Na cultura do milho (4-6 folhas). se praticável. ser comercializado isoladamente ou em misturas. Algumas espécies de plantas podem excretar estes herbicidas para o solo através de seu sistema radicular (exsudação radicular).4-D. 2. cada um dos diferentes princípios ativos.1 . além de facilitar a sua conjugação com aminoácidos e outros constituintes da planta. Aril hidroxilação do 2. derivados do ácido picolínico podem causar fitotoxicidade. É comum a aril hidroxilação resultar na perda da capacidade auxínica destes herbicidas.3-D-4-OH.4-D para 2. fumo. exigindo cuidados especiais para se realizar rotação de culturas.4-D apenas em aplicação dirigida. em doses extremamente baixas. sendo esta a principal rota para o metabolismo do 2. e na cultura do milho.1. Estádio de desenvolvimento das plantas.

volatilidade. a decomposição é consideravelmente reduzida. no mercado brasileiro. e com glyphosate. Apresenta persistência curta a média nos solos. 4. xilema. enquanto as de éster são praticamente insolúveis e. Apresenta solubilidade de 600 mg L-1. em fruteiras e lavouras de café. sendo esta a condição para ótima atividade do produto. Em doses normais.Caracterização de alguns herbicidas auxínicos 2. Em geral.Em ambos os casos o 2. conferindo ao produto características dife¬renciais quanto à seletividade.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas e) Tomar cuidado especial com a lavagem do pulverizador após as aplicações. a atividade residual do 2. 2005). ou. gramados e culturas gramíneas (arroz. As formulações aminas são mais adsorvíveis no solo do que as de éster e. Usar. plantas ganham maior tolerância com a idade. É recomendado para pastagens. As formulações ésteres e ácidas são prontamente absorvidas pelas folhas. ALMEIDA. Em mistura com o picloram. É muito utilizado em misturas com inibidores da fotossíntese na cultura da cana-de-açúcar. amoníaco ou carvão ativado.4-D se transloca por toda a planta pois se movimenta tanto pelo xilema quanto pelo xilema.3 . etc. O 2.4-D) foi o primeiro herbicida seletivo descoberto para o controle de plantas daninhas latifoliadas anuais. toxicidade.2 . pka de 2.4-D Sal ou éster amina do ácido 2. porque são altamente solúveis. para uso no plantio direto e em aplicações dirigidas. além de detergente.8 e Koc médio de 20 mg g-1 de solo para formulações ácido ou sais e de 100 mL g-1 de solo para ésteres (RODRIGUES. mais lixiviáveis. é encontrado em dife¬rentes formulações e marcas comerciais.4-D não excede a quatro semanas em solos argilosos e clima quente.4 diclorofenoxiacético (2. Em solos secos e frios. durante o florescimento. Cada formulação pode apresentar características físico-químicas diferentes.1. e aquelas à base de sal são rapidamente absorvidas pelo sistema radicular das plantas. com menor movimentação. portanto. Transloca-se com grande eficiência em plantas com elevada atividade metabólica.). entretanto. persistência no ambiente.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . acumulando-se nas regiões meristemáticas dos pontos de crescimento. etc. trigo. Movimenta-se pelo floema e. é usado para controlar plantas daninhas perenes.4-D. milho. cana-de-açúcar. Dicamba 56 Módulo 3. em pastagens. a resistência a estes herbicidas hormonais é reduzida.

5. 6-dicloro-2-metoxibenzoico (dicamba) é facilmente translocado pelas plantas via floema e. 2001).). Apresenta longa persistência (meia-vida de 20 a 300 dias) e fácil mobilidade no solo. pka: 1. para controlar arbustos e árvores. tomate. em solos de textura arenosa. pode permanecer ativo na matéria orgânica proveniente de pastagens tratadas com este produto (RODRIGUES. Também. Apresenta solubilidade de 720. Picloram O ácido 4-amino 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas O sal de dimetilamina do ácido 3. Para o controle de árvores. está sujeito a lixiviação. É muito pouco adsorvido pelos colóides de argila e mais pela matéria orgânica do solo. ou. 2005). porém extremamente persistente (a planta não consegue metabolizar rapidamente o picloram). na região Sul do Brasil. que podem apresentar severos sintomas de intoxicação.87. na planta. como o cipó-de-veado (Polygonum convolvulus L. antes que se inicie o processo de cicatrização. e Koc médio de 16 mg g-1 de solo.2 a pH 1. fumo. pimentão.2 .). É muito utilizado para controlar algumas espécies de dicotiledôneas tolerantes ao 2. comuns em lavouras de trigo.3.. considerando o controle de plantas daninhas herbáceas e arbustivas. O picloram. Quando aplicação é feita no toco é fundamental que esta seja realizada imadiatamente após o corte da árvore. Apresenta maior efeito sobre dicotile¬dôneas. da evaporação. e koc de 2 mg g-1 de solo. para evitar a rebrota de espécies-problema como o leiteiro (Peschiera funchsiaefolia) e outras. dependendo da intensidade. Módulo 3. Kow: 0. É fracamente adsorvido pela matéria orgânica ou argila. podendo se acumular no lençol freático raso. formando o Tordon. Esta mistura pode ser usada em área total ou em áreas localizadas.4-D) é muito utilizada em pastagens para o controle de plantas daninhas anuais. e também com fluroxypyr formando o Plenum. algodão. apre¬senta efeito lento. Apresenta pka: 2.0 e 83. ALMEIDA. até mesmo quando cultivadas em solos adubados com esterco proveniente de pastagens tratadas com picloram e pastoreadas logo depois. etc. o que dificulta a absorção e translocação do herbicida até as raízes (SILVA et al. Dontor ou Manejo. xilema. do movimento capilar da água e. Deve ser observado o período residual para o cultivo de espécies altamente sensíveis (videira. sendo muito utiliza¬do em misturas com o 2. A mistura (picloram + 2.4-D. perenes e de árvores.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 57 .000 mg L-1. ou. Sendo um herbicida de alta solubilidade em água.4 a pH 7. pode ser feito o pincelamento ou a pulveri¬zação dos tocos.4-D para o controle de plantas em culturas de canade-açúcar.4-D.29.6 tricloro-2-piridinacarboxílico (picloram) é um produto extremamente ativo sobre dicotiledôneas. Kow: 1. em razão de sua longa persistência no solo (dois a três anos). sendo recomendado de modo semelhante ao 2. milho e trigo e em pastagens.

2 .Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .64 a pH 5 e 0. campo de futebol. dependendo do tipo de solo e das condições climáticas. sob condições de alta pluviosidade.Herbicidas inibidores da fotossistama II São de grande importância na agricultura brasileira e mundial. fruteiras. A molécula da plastoquinona “Qa” transfere o elétron. umidade relativa >50% e temperatura < 30°C. Interromper imediatamente as aplicações se houver mudança na direção do vento. É recomendado para uso em pós-emergência. Quando um segundo elétron é transferido para a plastoquinona “Qb”.. entre outras (RODRIGUES. Kow: 2. com ventos de 0 a 6 km h-1. (FREITAS et al. 2005). cana-de-açúcar. também presa na proteína. ALMEIDA. É também muito eficiente e seletivo para controlar dicotiledôneas infestantes de áreas cultivadas com gramas: jardins.2 . açudes. com as plantas em pleno vigor vegetativo. em área total para controle de plantas daninhas em pastagens e arroz. sendo largamente utilizados nas cultu¬ras de grande interesse econômico. Apresenta solubilidade em água de 23 mg L-1.2.1 . Nas condições normais. etc.68. gerando um elétron “excitado”. Deve ser aplicado de outubro a março (no período chuvoso).6-tricloro-2-piridinil) oxi] acético (triclopyr) apresenta ação semelhante ao picloram. a quinona 58 Módulo 3. as proteínas e outras substâncias químicas envolvi¬das na reação da fotossíntese estão localizados nos cloroplastos. chamada “Qb”. milho. Seu grau de adsorção depende do pH do solo. pka: 2. algodão. por sua vez. A aplicação poderá ser por equipamentos terestres ou por avião quando as áreas estiverem infestadas densamente por plantas daninhas de pequeno e médio porte. Em solos leves.000 m de culturas sensíveis. como arroz. durante a fase luminosa da fotossíntese. hortaliças.26 x 10-6 mm Hg a 25 oC. Nunca fazer aplicações aéreas a menos de 2.. em aplicação foliar.5. pressão de vapor de 1. Este elétron é transferido para uma molécula de plastoquinona presa a uma mem¬brana do cloroplasto (Qa). a energia luminosa capturada pelos pigmentos (clorofila e carotenóides) é transferida para um “centro de reação” especial (P680). e Koc médio de 20 mL g-1 de solo. 2005).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Triclopyr O ácido [(3.36 a pH 7. pode haver lixiviação (RODRIGUES. sem a interferência de inibidores do fotossistemoa II. O vento deverá estar soprando da cultura sensível para a área de aplicação.Mecanismo de ação Os pigmentos. feijão. sua meia-vida é de 20 a 45 dias. para uma outra molécula de plastoquinona. porém é rapidamente degradado no solo. soja. 4. ALMEIDA. 2004). 4.

fica entre a quarta e quinta hélices que atravessam as membranas dos cloroplastos e a hélice paralela que liga as duas. Muitos herbicidas inibidores do fotossistema II (derivados das triazinas. sabe-se que a clorose foliar que Módulo 3. como fazem os “clássicos”.2 . Alguns exemplos: piridonas.2. ou bolso. a função da plastohidroquinona é transferir elétrons entre os fotossis¬temas II (P68O) e I (P7OO). De modo geral. o que aumenta o efeito inibitório destes. dioxobenzotiazoles e cianoacrilatos.) causam essa inibição prendendo-se na proteína. etc. esta proteína é destruída rapidamente pela ação da luz. benzoquinonas. WELLER. impedindo sua destruição. Plantas suscetíveis tratadas morrem mais rapidamente quando pulverizadas na presença da luz do que quando pulverizadas e colocadas no escuro. sendo conhecida também como proteína 32 kilodaltons. 2003). naftoquinonas. Atualmente. onde a plastoquinona “Qb” se prende e onde os herbicidas vão se prender também. ao sítio da plastoquinona “Qb”. quando se prendem à proteína.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 59 . O sítio. não evitam a destruição da proteína D-1 pela luz. Herbicidas derivados do fenol (dinoseb. aumentam a estabilidade desta na presença da luz. Estes herbicidas. (HESS. quinolonas. prendendo-se. A associação com a proteína se dá com aminoácidos diferentes no sítio para cada biótipo. Esse fato demonstra que algo mais que a simples inibição do fotossistema II está ocorrendo. Fonte: Warren e Hess (1995) Os derivados das triazinas e das uréias substituídas são conhecidos por se prenderem justamente ao sítio dos elétrons da proteína D-1. ocasio¬nando a saída da plastoquinona e interrompendo o fluxo de elétrons entre os fotossistemas. Diversos análogos do fenol foram descritos como inibidores fotossistema II. 1995a. bromoxynil e ioxynil). no sítio onde se prende a plastoquinona “Qb”. por alguma razão não conhecida. dos fenóis. A proteína D-1 é hoje muito conhecida. Além da competição em si pelo sítio na proteí¬na. os herbicidas apresentam maior tempo de residência no sítio do que a plastoquinona “Qb”. com baixa afinidade para se prender na proteína. Isso impede que uma mudança na sequência de aminoácidos da proteína (mutação) tornando esse biotipo resistente aquele herbicida. Figura 2 . que ela tem uma configuração de cinco hélices que atravessam a membrana do cloroplasto (tilacóide) e duas hélices paralelas que se interligam. Estes herbicidas competem com a plastoquinona “Qb” parcialmente reduzida (QbH) pelo sítio na proteína D-1.Esquema do transporte de elétrons na fotossíntese.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas reduzida torna-se protonada (dois íons de hidrogênio são adicionados). formando uma plastoidroquinona (QbH2). também. das uréias substituídas. como pode ser visto na Fig. pironas. Essa proteína é chamada D-1. Sabe-se. por exemplo. seja válida para outros produtos desse mesmo grupo químico. De maneira simplificada.

Essa molécula de clorofila.2 . Estes herbicidas não provocam nenhum sinal visível de intoxicação no sistema radicular das plantas. plantas perenes somente são eliminadas por esses herbicidas quando tratadas via solo. Aparentemente. tornase ainda mais carregada e mais reativa (estado de energia tríplice). é sobrepujado pelo excesso de clorofila no estado de alta energia. Todos eles translocam-se nas plantas apenas via xilema. aparecendo os sinais de necrose foliar (WELLER. entretanto. tratadas com esses herbicidas. para que a clorofila não se destrua. no estado de energia simples. 4. não podendo transferir o elétron ao centro de reação P680 (fotossistema II). todos eles podem ser absorvidos pelas raízes. 1995). a carga é repassada aos carotenóides. por esse motivo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ocorre após o tratamento é devida a rompimentos na membrana dos pigmentos causados pela peroxidação de lipídios (ácidos graxos insaturados) da membrana (Fig. declina poucas horas após o tratamento. Em casos nor¬mais. Esta clorofila não retorna ao estado anterior quando o fluxo de elétrons é interrompido pela ação do herbicida que se prendeu ao sítio da plastoquinona “Qb”.Características gerais dos inibidores do fotossistema II • • • • A taxa de fixação de CO2 pelas plantas sensíveis. Esse excesso de energia (clorofila triple) causa o início da peroxidação de lipídios por dois mecanismos: a: formação direta de radical lipídico nos ácidos graxos insatura¬dos da membrana do cloroplasto. o sistema de prote¬ção. que é normalmente transferido para o centro de reação (P680). 60 Módulo 3. Figura 3 .Estrutura esquemática da membrana de um cloroplasto Fonte: Warren e Hess (1995) Quando a clorofila aceita um elétron. ela sai do estado neutro (sem carga) e vai para um estado de energia simples. e b: a clorofila de carga tríplice também reage com oxigênio e produz um oxigênio reativo (oxigênio singlet). dado pelos carotenóides.2 . Essa molécula de oxigênio carregada contribui para o processo de formação dos radicais lipídicos nos ácidos graxos insaturados da membrana.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . Na presença do herbicida. a velocidade de absorção foliar é diferente para cada produto deste grupo.2. Essas reações dão início ao processo de peroxidação das membranas. 3).

o diuron não causa intoxicação à cultura do algodão quando utilizado em pré-emergência. 1995).este fato pode ser devido à anatomia e.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • • • • • • • • Quando esses herbicidas são usados em pós-emergência. menor reserva de carboidratos.2 . porque este produto é muito pouco móvel no perfil do solo. 4.Mecanismos de seletividade As causas pelas quais os herbicidas inibidores do fotossistema II são seletivos são diversas e variam de cultura para cultura (WELLER. se o diuron for incorporado mecanicamente ao solo. o aparecimento de novas espé¬cies de plantas daninhas resistentes a estes herbicidas (atuam em sítio de ação específico). Na realidade.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 61 . ele poderá entrar em contato com o sistema radicular do algodão e causar severa intoxicação à cultura. Todavia. ainda. A persistência agronômica destes herbicidas no solo é extremamente variável. Absorção diferencial por folhas e raízes . Todos os herbicidas inibidores do fotossistema II apresentam toxicidade muito baixa para mamíferos. inseticidas ou fungi¬cidas inibidores da colinesterase. podendo ser curta para alguns produtos (< 30 dias) ou muito longa (> 720 dias) para outros. Tem sido observado. tem-se a seletividade do diuron para a cultura do algodão. Neste caso. podendo garantir a seletividade de determi¬nadas espécies. Em geral. Normalmente. Módulo 3. necessita-se de boa cobertura foliar da planta e. Por este motivo. estes herbicidas não apresentam problemas de deriva por volatilização. Como exemplo. Por estas razões. morfologia das folhas e raízes e.3 . podendo levá-la à morte. Neste caso. o herbicida não será absorvido em quantidade suficiente para intoxicar a cultura. com relativa freqüência. pois possuem pressão de vapor muito baixa. ainda. Apresentam pouca ou média mobilida¬de no perfil do solo. as doses recomendadas.2. não atingindo o local de sua absor¬ção pela planta (sistema radicular). são variáveis para cada tipo de solo. de adição de adjuvante (estes produtos podem apresentar difícil penetração foliar e não são sistêmicos). ou. pode se verificar perda de seletividade do herbicida. ou se for aplicado em solo de textura arenosa e com baixo teor de matéria orgânica. estes herbicidas são muito adsorvidos pelos colóides orgânicos e minerais do solo. Plantas que estão se desenvolvendo em condições de baixa lumino¬sidade são mais suscetíveis a esses herbicidas. quando aplicadas diretamente no solo. É comum ocorrer efeito sinérgico quando se aplicam inibidores do fotostema II em mistura com outros herbicidas. Alguns herbicidas deste grupo apresentam seletividade “toponômica” ou seletividade por posição. ao tipo de formulação utilizado. também. torna-se necessário fazer rotação com outros herbicidas que apresentam mecanismo de ação diferente. Elas apresentam menor barreira cuticular à penetração dos herbicidas e.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Translocação diferencial das raízes para as folhas - isto ocorre devido à presença de glândulas localizadas nas raízes e ao longo do xilema, que adsorvem estes produtos, impedindo que sejam translo¬cados até seus sítios de ação, localizados nos cloroplastos. Metabolismo diferencial - algumas espécies de plantas, em suas raízes ou em outras partes, possuem enzimas que são capazes de metabolizar as moléculas de determinados herbicidas, transformando-os rapida¬mente em produtos não-tóxicos para as plantas. Como exemplo, pode-se citar o milho e o sorgo, que apresentam em suas raízes teores elrvados de benzoxazinonas. Estes compostos podem promover rápida degradação da molécula de atrazine por meio de reações de hidroxilação, dealquilação, ou ainda a conjugação dessa molécula com polipetídeos naturais, tornando estas culturas tolerantes a este herbicida. Outro exemplo seria a seletividade da cultura de arroz ao herbicida propanil. Esta cultura apresenta concentrações de dez a trinta vezes da enzima arilacilamidase em realação às principais gramíneas infestantes do arroz. Elevadas concetrações da arilacilamidase, nas folhas de arroz, garantem a degradação do propanil antes que estes atinjam os cloroplastos (sítio de ação primário deste herbicida), o que não ocorre com as gramíneas infestantes dessa cultura. 4.2.4 - Caracterização de Alguns Herbicidas Inibidores do Fotossistema II Atrazine

O 6-cloro-N-etil-N’-(1-metiletil)-1,3,5-triazina-2,4-diamina (atrazine) apresenta solubilidade em água de 33 mg L-1, pka: 1,7, kow: 481; e koc médio de 100 mg g-1 de solo (Rodrigues; Almeida, 2005). É moderadamente adsorvido pelos colóides da argila e da matéria orgânica, tanto mais quanto maior o seu teor no solo; o processo é reversível, dependendo da umidade, da temperatura e do pH do terreno. É lixiviável, sendo comum ser encontrado nos solos cultivados em profundidade superior a 30 cm e também em águas subterrâneas. Sua degradação no solo é, em parte, microbiana, mas também química e física. Apresenta meia-vida no solo média de 60 dias e persistência média a longa nos solos nas doses recomendadas de 5 a 7 meses. Em solos tropicais e subtropicais sua persistência pode também ser maior que 12 meses se usado em doses elevadas em condições de pH do solo elevado, clima frio e seco. Em diversas regiões do Brasil, em campo, tem sido observada intoxicação da aveia semeada até 150dias após aplicação de atrazine na cultura do milho. É muito utilizado na cultura do milho, sendo, também, recomendado para cana-de-açúcar, café, fruteiras, cacau, pimenta-do-reino, etc. Fumo e trigo são muito sensíveis ao atrazine. Quando aplicado em pós-emergência, tem-se observado ótima eficiência de controle das plantas daninhas mesmo com a redução da dose aplicada. Todavia, para isso, é necessário adicionar à calda óleo mineral, sendo mais eficiente para controlar plantas daninhas recém-emergidas (plantas com 1-2 pares de folhas). É muito utilizado em misturas com outros herbicidas em culturas de milho, cana-de-açúcar, fruteiras e outras. As plantas de milho e sorgo possuem a capacidade de metabolizar o atrazine absorvido,
62 Módulo 3.2 - Herbicidas: classificação e mecanismos de ação

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

transformando-o por meio de reações de hidroxilação, dealquilação e conjugação, por ação de benzoxazinonas presentes nestas espécies, em compostos não-tóxicos. O atrazine é muito eficiente no controle de dicotiledôneas, porém apresenta eficiência apenas regular para controle de diversas monocotiledôneas. Na cultura do milho, é muito utilizado em pré-emergência, quando em mistura com o metolachlor, formando o “Primestra”, e também em pós-emergência precoce, quando em mistura com óleo mineral (Primóleo) para controle de dicotiledôneas e em mistura no tanque com o nicosulfuron ou outras sulfoniluréias (foramsulfuron + idosulfuron-methyl), em áreas com infestação mista (JAKELAITIS et al., 2005). Simazine

O 6-cloro-N,N`-dietil-1,3,5-triazina-2,4-diamina (simazine) apresenta solubilidade em água de 3,5 mg L-1, pka: 1,62, kow: 122; e koc médio de 130 mg g-1 de solo. É adsorvido pelos colóides da argila e da matéria orgânica e tanto mais quanto maior o seu teor no solo; o processo é reversível, dependendo da umidade, da temperatura e do pH do terreno. É pouco lixiviável, não sendo comum ser encontrado nos solos cultivados em profundidade superior a 10 cm. Sua degradação no solo é, em parte, microbiana, mas também química, ocorrendo hidrólise, com formação de hidroxisimazine e dealquilação do grupo amino. Apresenta persistência média no solo nas doses recomendadas de 5 a 7 meses em condições tropicais e subtropicais, podendo ser maior que 12 meses se usado em doses elevadas. Pode ser usado em pré-emergência das plantas daninhas nas culturas de café, cana-deaçúcar, alfafa, fruteiras, etc., para controle de dicotiledôneas e algumas gramíneas. Em doses maiores que 10kg ha-1 do p.c., pode ser usado usado para limpeza de cercas e áreas industriais. É absorvido basicamente pelo sistema radicular das plantas, sendo pouco móvel no solo. É utilizado em misturas com o atrazine, visando minimizar efeitos do clima, principalmente oscilações pluviais, e também para aumentar o espectro de controle de espécies de plantas daninhas. Ametryn

O N-etil-N`-1(metiletil)-6-(metiltio)-1,3,5-triazina-2,4-diamina (ametryn) apresenta solubilidade em água de 200 mg L-1; pka: 4,1; kow: 427; e koc médio de 300 mg-1 de solo. É medianamente lixiviável nos solos arenosos (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Sua degradação no solo é, em maior parte microbiana, mas também química, por processos de oxidação e hidrólise.
Módulo 3.2 - Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 63

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Apresenta persistência média no solo nas doses recomendadas de 4 a 6 meses em condições tropicais e subtropicais, podendo ser maior que nove meses se usado em doses elevadas, dependendo do clima e tipo de solo (meia-vida média no solo é de 60 dias). É reco¬mendado para as culturas de cana-de-açúcar, banana, café, abacaxi, citros, milho e videira, para controle de mono e dicotiledôneas. Pode ser absorvido facilmente pelas raízes e folhas de plantas. É pouco móvel no solo, por ser muito adsorvido por colóides orgânicos e minerais. Sua adsorção pelos colóides é muito influenciada pelo pH. Também pode apresentar adsorção negativa (dessorção), ocorrendo liberação para as plantas de moléculas anteriormente inativadas pelos colóides do solo. É muito utilizado em misturas com os herbicidas diuron, tebuthiuron, atrazine, trifolysulfuron-sodium, 2,4D, etc; principalmente quando recomen¬dado para de cultura da cana-de-açúcar (PROCÓPIO et al., 2003). É pouco lixiviado no solo, permanecendo na maioria das condições na camada superior (primeiros 30 cm). Prometryne

O N,N`-bis(1-metiletil)-6-(metiltio)-1,3,5-triazina-2,4-diamina (prometryne) apresenta solubilidade em água de 48 mg L-1; pka: 4,09; kow: 1.212; e koc médio de 400 mg g-1de solo. É pouco lixiviado em solos de textura média a argilosa, sendo facilmente degradado por microrganismos que o utilizam como fonte de energia. Apresenta persistência média no solo nas doses recomendadas de 1 a 3 meses em condições tropicais e subtropicais, dependendo das condições de solo, do clima e da dose utilizada. Sua absorção é feita pelas folhas e raízes, sendo mais utilizado em pré-emergência. É recomendado para as culturas de quia¬bo, aipo, cenoura, alho, salsa, cebola, ervilha, etc. A cultura da cebola apresenta maior tolerância ao prometryne quando este é aplicado antes do transplante. Não apresenta seletividade para a cultura da cebola em semeadura direta. Metribuzin

O 4-amino-6-(1,1-dimetiletil)-metiltio-1,2,4-triazina-5-(4H)-ona (metribuzin) apresenta solubilidade em água de 1.100 mg L-1; kow: 44,7; e koc médio de 60 mg g-1 de solo (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É moderadamente adsorvido em solos com alto teor de matéria orgânica e, ou, argila. É um herbicida muito dependente das condições edafoclimáticas para seu bom funcionamento. Quando aplicado na superfície de solo seco e persistir nesta condição por sete dias,
64 Módulo 3.2 - Herbicidas: classificação e mecanismos de ação

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

é desativado por fotodegra¬dação (SILVA, 1989). O metribuzin é também facilmente lixiviado no solo, não sendo recomendado seu uso em solo arenoso e, ou, com baixo teor de matéria orgânica. É absorvido tanto pelas folhas quanto pelas raízes. Controla diversas espécies de dicotiledôneas e algumas gramíneas. É recomendado para aplicação em pré-emergência nas culturas de batata, tomate, soja, café, cana-de-açúcar e mandioca para o controle de diversas infestantes dicotiledôneas. Não apresenta nenhum controle sobre Euphorbia heterophylla. Na cultura do tomate conduzida em semeadura direta, deve ser usado exclusivamente em pré-emergência, logo após a semeadura. No tomate transplantado, poderá ser usado também em pós-emergência, até dezdias após o transplante das mudas. É utilizado em misturas com outros herbicidas, especial¬mente com trifluralin e metolachlor, na cultura da soja. Linuron

O N-(3,4-diclorofenil)-N-metoxi-N-metiluréia (linuron) é um herbicida derivado do grupo das uréias, que apresenta solubilidade em água de 75 mg L-1, pka: zero; kow: 1.010; e koc médio de 400 mg g-1 de solo. É adsorvido principalmente em solos com alto teor de matéria orgânica e, ou, argila, sendo pouco lixiviável nestes tipos de solo, apresentando persistência de 2 a 5 meses. É recomendado para uso em soja, algodão, milho, batata, cenoura, rabanete, alho, cebola, etc., principalmente para aplicações em pré-emergência. Nas culturas de cenoura e de cebola, pode também ser usado em pós-emergência, quando as plantas daninhas estiverem com 1-2 pares de folhas. É mais facilmente absorvido pelas raízes, tendo a sua atividade muito influenciada pelas caracterís¬ticas físico-químicas do solo (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Diuron

O N`-(3,4-diclorofenil)-N,N-dimetiluréia (diuron) apresenta solubilidade em água de 42 mg L-1; pka: zero; kow: 589; e koc médio de 480 mg g-1 de solo e uma meia-vida média no solo de 90 dias com persistência de 4-8 meses (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É muito adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais, sendo sua atividade altamente influenciada pelas características físico-químicas do solo; por esta razão, é pouco móvel no perfil do solo. Esta característica garante a “seletividade toponômica” do diuron para o algodão e outras culturas em solos de textura média a pesada. Todavia, em solos de textura arenosa e com baixo teor de matéria orgânica, o diuron pode atingir o sistema radicular das culturas, tornando-as sensíveis. É recomendado para as culturas de algodão, cana-de-açúcar, citros, abacaxi, mandioca, seringueira, pimenta-do-reino, cacau, etc., para
Módulo 3.2 - Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 65

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

o controle de gramíneas e dicotiledôneas, sendo facilmente absorvido pelas raízes das plantas. O diuron, também, é muito recomendado em misturas com diversos herbicidas (paraquat, ametryn, 2,4-D, tebuthiuron, atrazine, MSMA, etc.), para uso em plantio direto, em aplicações dirigidas em diferentes culturas, em sistemas de plantio direto e convencional. Tebuthiuron

O N-[5-(1,1-dimetiletil)-1,3,4-tiadiazol-2-il]-N,N’-dimetiluréia (tebuthiuron) possui solubilidade em água de 2.570 mg L-1; pka: zero; kow: 671 e koc médio de 80 mg g-1 de solo. É adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais, apresentando média lixiviação no perfil do solo. Quando usado em doses elevadas em cana-de-açúcar, recomenda-se não cultivar culturas sensíveis ao tebuthiuron, como feijão, amendoim e soja por um período inferior a dois anos e a três anos quando aplicado em pastagem. A persistência do tebuthiuron em regiões de elevada precipitação pluvial é de 12 a 15 meses; todavia, esta persistência é muito maior em regiões sujeitas a déficits hídricos prolongados. No Brasil, é recomendado para uso em cana-de-açúcar, pastagens e áreas nãocultivadas. Controla largo espectro de dicotiledôneas e monocotiledôneas anuais e perenes. É formulado como pó-molhável e suspensão concentrada. É recomendado para uso em préemergência na cultura da cana-de-açúcar, em aplicação isolada ou em misturas com outros produtos para o controle de plantas daninhas de folhas estreitas e largas que se propagam por sementes (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Também pode ser usado para eliminar árvores ou arbustos em pastagens. Neste caso, apresenta efeito lento, podendo demorar de 3 a 12 meses para eliminar a planta. Bentazon

O 3-(1-metiletil)-(1H)-2,1,3-benzotiodiazinona-4(3H)-ona 2-dióxido (bentazon) apre-senta solubilidade em água de 500 mg L-1; kow: 0,35; e koc médio de 34 mg g-1 de solo. É adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais do solo, mostrando potencial de lixiviação muito reduzido, não sendo encontrado em profundidades superiores a 20 cm. Apresenta curta persistência no solo (inferior a 20 dias), não se observando efeito residual em culturas sucessoras (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É registrado no Brasil para as culturas de amendoim, arroz, feijão, milho, soja e trigo. É utilizado exclusivamente em pós-emergência, devido à reduzida absorção radicular. Recomenda-se adição de um adjuvante oleoso à calda, para lhe facilitar a absorção por algumas
66 Módulo 3.2 - Herbicidas: classificação e mecanismos de ação

além de outras. preferencialmente. Bidens pilosa. Requer um período de seis horas sem chuva. quando a infestação do terreno incluir espécies que lhe são tolerantes. Commelina benghalensis. É recomendado em pós-emergência da cultura do arroz e das plantas daninhas. fitossanitárias ou cobertas de orvalho. Contudo é totalmente ineficiente no controle de Euphorbia heterophylla e Amaranthus sp. o uso de óleo mineral torna-se mais necessário. ou com a cultura em precárias condições vegetativas. no tanque. para assegurar sua absorção pelas plantas. para os carbamatos. Deve ser aplicado com as plantas daninhas com bom vigor vegetativo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas espécies de plantas daninhas. A aplicação simultânea induz efeito antagônico. exceto para a cultura do feijão onde a adição do adjuvante não é recomendada pois pode causar fitotoxicidade. Deve ser aplicado sobre plantas daninhas no estádio de 2 a 4 folhas. entre elas Acanthospermum australe. evitando períodos de estiagem e umidade relativa do ar inferior a 60%. em um intervalo de três dias. horas de calor. Não atua sobre gramíneas. Controla com eficiência diversas espécies de gramíneas. Rhaphanus raphanistrum. Todavia.4-diclorofenil) propanamida (propanil) apresenta solubilidade em água de 500 mg L . o bentazon. A eficácia é maior a temperaturas altas e reduz quando abaixo de 16 oC. É comum ser utilizado em mistura. Deve ser usado em aplicações seqüenciais com inseticidas: com os organofosforados observar intervalo mínimo entre as aplicações de 15 dias e. estando estas com bom vigor vegetativo.2 .Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 67 . -1 Módulo 3. após as aplicações. Ipomoea grandifolia. Não utilizá-lo em lavouras onde as sementes foram tratadas com carbofuran (RODRIGUES. Não se adiciona surfatante à calda. ALMEIDA. sendo decomposto basicamente por microrganismos. É fracamente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais. aplica-se. razão pela qual. no início do desenvolvimento (2 a 3 folhas). inseticidas e fertilizantes foliares podem quebrar-lhe a seletividade para a cultura do arroz. 2005). de apenas três dias. visto que são comuns as combinações com graminicidas pós-emergentes. dicotiledôneas e ciperáceas. 30 dias. as misturas com fungicidas. É muito comum o uso do propanil em mistura com outros herbicidas. evitando períodos de estiagem. e koc médio de 149 mg g-1 de solo. Apresenta persistência muita curta no solo. no inverno. É compatível com a maioria dos herbicidas. preferencialmente. primeiro o graminicida e. pois inibem a enzima arilacilamidase responsável pelo rápido metabolismo do propanil nas plantas de arroz. nestas condições. com estas. visando aumentar o espectro de controle das plantas daninhas. com herbicidas recomendados para controlar plantas daninhas de folhas largas. Controla diversas espécies de folhas largas anuais. umidade relativa do ar inferior a 70% e excesso de chuva. Propanil O N-(3. kow: 193. pka: zero.

as necroses foliares têm o formato e a intensidade das gotículas de pulverização.2 . em decor¬rência do uso repetido destes. para que ela seja efetivamente controlada. tipo de solo e condições climáticas. 1995) são: • Herbicidas deste grupo podem penetrar pelas raízes.3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4.Mecanismo de ação A atividade destes herbicidas é expressa por necrose foliar da planta tratada em pósemergência.2 . no escuro. após 4-6 horas de luz solar. É preciso que haja boa cobertura da planta. quando aplicados em préemergência. Como estes herbicidas não se movimentam dentro da planta.Herbicidas inibidores da Protox 4. • A persistência no solo varia consideravelmente entre os herbicidas deste grupo. podendo variar de alguns dias a vários meses. ou seja. Os primeiros sintomas são manchas verde-escuras nas folhas. dando a impressão de que estão encharcadas pelo rompimento da membrana celular e 68 Módulo 3. durante a emergência das plântulas • A incorporação ao solo diminui a ação destes herbicidas.1. • Há muito pouca ou praticamente nenhuma translocação nas plantas tratadas. • A ação tóxica dos herbicidas inibidores da Protox. • Os difeniléteres são fortemente adsorvidos pela matéria orgânica do solo e muito pouco lixiviados. em razão da maior sorção destes aos colóides do solo. HESS. os herbicidas deste grupo não têm ação. se manifesta nas plantas próximo da superfície do solo. enquanto para peixes ela varia de baixa a moderada. • As partes tratadas da planta que são expostas à luz morrem rapidamente (dentro de um a dois dias). É comum ocorrer danos em culturas sucedâneas quando não se observa o período residual recomendado. pelos caules e pelas folhas de plantas jovens. 4.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . • São poucos os relatos na literatura sobre o aparecimento de plantas daninhas que adquiriram resistência a estes herbicidas. • A atividade herbicida acontece na presença da luz.3. Principais características As principais características dos herbicidas inibidores da Protox (WARREN. que pode variar com a dose aplicada. • A toxicidade para pássaros e mamíferos é baixa.3 .

o sintoma característico é a necrose do tecido que entrou em contato com o herbicida (WARREN. Em seguida. e o produto formado não serve de substrato para a enzima Mg-quelatase. em tecidos tratados com os difeniléteres. o tecido é danificado por contato com o herbicida. foi mostrado que a enzima inibida pelos herbicidas do grupo dos difeniléteres era a protoporfirinogênio oxidase. outras publicações comprovaram que o pigmento envolvido era a protoporfirina IX. não reduziu o dano ocasionado pela aplicação de um difeniléter. no momento em que a plântula emerge. HESS. foi verificado que o protoporfirinogênio IX. reconhecidamente capaz de iniciar o processo de peroxidação de lipídios.6-dioxoheptanóico) serviam de proteção contra os difeniléteres. Primeiramente foi mostrado que. ácido levulênico.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 69 . a luz é sempre necessária para a ação herbicida. Experiências realizadas por vários autores mostraram que o uso de um herbicida inibidor do transporte de elétrons na fotossíntese (diuron). 1995). ou mesmo de um mutante de planta amarelo (não-fotossintetizante). Foi descoberto também que substâncias capazes de inibir a síntese da protoporfirina IX (gabaculina. sem Mg. Ficou então uma questão crucial para ser respondida: se a Protox é inibida. precursor da protoporfirina IX. No período de 1988-89. Módulo 3. houve a formação de grande quantidade de oxigênio singleto (O2). Similarmente à aplicação pósemergência. Esse pigmento interage com o oxigênio e a luz para formar o oxigênio singleto (O2). tratando-se cloroplastos com um herbicida do grupo difenil-éter. responsável pela formação da Mg-protoporfirina IX. como é que a protoporfirina IX estaria sendo acumulada? Num trabalho de 1993. Foi mostrado que a protoporirina IX é acumulada fora dos plastídios.2 . 4A). Estas experiências demonstraram que o requerimento de luz para a atividade herbicida dos difeniléteres não está relacionado com a fotossíntese. A protoporfirina IX formada no citoplasma. sai do centro de reação do cloroplasto quando a Protox é inibida e se acumula no citoplasma. A oxidação enzimática ocorre então no citoplasma. surgiram vários trabalhos que ajudaram no entendimento do mecanismo de ação desses herbicidas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas derramamento de líquido citoplasmático nos intervalos celulares (Fig. Quando estes herbicidas são usados em pré-emergência. conhecida simples¬mente pela abreviatura Protox. Figura 4 – Sintomas de intoxicação em plantas de pepino tratadas com fomesafen (A) e efeito residual no solo (carryover) em folhas de milho (B) Após a absorção e pequena translocação destes herbicidas até o local de ação. A estes sintomas iniciais segue-se a necrose. Finalmente. um precursor da clorofila. ácido 4.

quando adicionado na dieta de ratos.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . 1995). evitando períodos de estiagem. Uma explicação final deve ser dada sobre o fato de que a protopor¬firina IX se acumula muito rapidamente em células de plantas tratadas com um difeniléter ou oxadiazon. além de outras. 2005). pka: 2. que é sintetizado a partir da protoporfirina IX com a interferência da Fe quelatase. por exemplo. A acumula¬ção de protoporfirina em células humanas é conhecida por estar associada com algumas doenças. provoca níveis elevados de porfirina. Deve-se adicionar à calda o adjuvante recomendado pelo fabricante. entre elas Acanthospermum australe. RODRIGUES. As conseqüências do descontrole são o aumento rápido do protoporfirinogênio IX.3 . Deve ser aplicado com as plantas daninhas com bom vigor vegetativo. Recomenda-se observar um intervalo mínimo de 150 dias entre a aplicação do fomesafen e a semeadura de milho e. variando de dois a seis meses (ALMEIDA.83. a oxidação pela Protox no citoplasma. Persistência alta no solo na dose recomendada. Requer uma hora sem 70 Módulo 3. Controla grande número de espécies de folhas largas anuais. Com a inibição da protox no cloroplasto. e koc médio de 60 mg g-1 de solo. ou. a saída para o citoplasma. Ipomoea grandifolia. horas de muito calor e umidade relativa do ar inferior a 60%.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas interage com o oxigênio e a luz para formar o oxigênio singleto (‘O2) e iniciar o processo de peroxidação dos lipídios da plasmalema.Caracterização de alguns herbicidas inibidores da PROTOX Fomesafen O 5-(2-cloro-4-(trifluorometil) fenoxi-N-(metilsulfonil)-2-nitrobenzamida (fomesafen) apresenta solubilidade em água de 50 mg L-1 (ácido). É registrado no Brasil para as culturas de soja e feijão.3. a partir do glutamato. Euphorbia heterophylla. Oxadiazon. HESS. Esse fato sugere um manuseio bem cuidadoso desses herbicidas. sorgo. daí o aparecimento de necroses de forma tão rápida (4-6 horas). O padrão de acumulação é o mesmo observado na doença Porfiria variegata. A explicação mais plausível é a inibição da síntese do grupo heme. Amaranthus hybridus. como a protoporfiria. a formação da protoporfirina IX. o aparecimento do oxigênio singleto (forma reativa do oxigênnio) e a peroxidação dos ácidos graxos insaturados da plasmalema (WARREN. Vale a pena salientar que a enzima protoporfirinogênio oxidase (protox) ocorre também nos mitocôndrios de células animais e que a enzima encontrada nos mitocôndrios é mais sensível aos herbicidas difeniléteres do que a enzima encontrada nos cloroplastos. kow: 794. É recomendado para uso em pós-emergência das plantas daninhas estando estas no estádio de 2 a 4 folhas. a síntese de heme é também inibida. Bidens pilosa. A acumulação rápida da protoporfirina IX sugere um descontrole na rota metabólica de síntese desta. O grupo heme é conhecido pela ação de controle na síntese do ácido aminolevulínico (ALA).2 . 4. deixando de haver o controle sobre a síntese de ALA. precursor na planta dos citocromos.

Sida rhombifolia. RODRIGUES. É registrado no Brasil para as culturas de algodão. Oxyfluorfen O 2-cloro-1-(3-etoxi-4-nitrofenoxi)-4-(trifluorometil)benzeno (oxyfluorfen) apresenta solubilidade em água < 0. no estádio de 2 a 4 folhas. para assegurar a absorção pelas plantas daninhas. kow: 29. não afetando as culturas em sucessão. e koc médio de 100. Commelina benghalensis. ambas anuais. É comum ser utilizado em mistura no tanque com outros herbicidas. também. arroz. como Euphorbia heterophylla. Lactofen O 2-etoxi-1-metil-2-oxoetil-5-[2-cloro-4-(trifluorometil)fenoxi-2-nitrobenzoato (lactofen) apresenta solubilidade em água de 0.000 mg g-1de solo. também. incluindo algumas espécies-problema.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 71 . O lactofen tem meia-vida no solo de três dias sendo completamente dissipado em menos de 30 dias.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ocorrência de chuvas após a aplicação. podendo. é resistente à lixiviação no perfil do solo. nas culturas de nogueira.1 mg L-1. cana-de-açúcar. visando aumentar o espectro de controle de plantas daninhas de folhas largas e. pka: zero. É registrado no Brasil para as culturas de soja. arroz e amendoim. apresentando muito baixa lixiviação no perfil do solo (ALMEIDA. além de outras. com clorose e necrose foliar e redução e crescimento. RODRIGUES. Sua degradação no solo é essencialmente por fotólise e insignificante por microrganismos.1 mg L-1.2 . pka: zero e koc médio de 10. É fortemente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais e. ser ainda maior em viveiros. dependendo da exigência da cultura. devido às condições de umidade e sombreamento (ALMEIDA. 2005). O produto provoca intoxicação à cultura da soja. Apresenta meia-vida de 30 a 40 dias e persistência média de seis meses no solo. mas a cultura se recupera.000 mg g-1de solo. Controla gramíneas e algumas espécies de dicotiledôneas. É comum ser utilizado em mistura com o fluazifop-p-butil. É recomendado para uso em pós-emergência das plantas daninhas. É fortemente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais. por isso. eucalipto e pinho. sendo utilizado em outros países. videira. visando aumentar espectro de controle de plantas daninhas. para inibir o aparecimento de biótipos resistentes a herbicidas. milho e amendoim. Em Módulo 3.400. para o controle em pós-emergência de plantas daninhas dicotiledôneas e gramíneas e também com outros herbicidas. citros. café. É utilizado em pré e pós emergência precoce. esta. 2005). Controla grande número de espécies de folhas largas anuais.

cebola. podendo ser pulverizado sobre as plantas. Em préemer¬gência.3.2-dicloro-5(1-metiletoxi)fenil]-5-(dimetietil)-1. Em plantações de eucalipto e pinho. Em cenoura. Usar. em solo úmido.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . age sobre o hipocótilo das plantas em germinação e nos meristemas foliares. sendo pouco absorvido pelo sistema radicular e. em solo úmido. no máximo. protetores de bicos. se necessário. dependendo da dose aplicada. com elas mais desenvolvidas. as culturas que se reproduzem por bulbo são bastante tolerantes ao oxadiazon. também. Quando usado em pós-emergência. do tipo de solo e das condições climáticas (RODRIGUES. Em cafezais adultos. evitando a ação dos raios solares. de maneira geral. deve ser aplicado logo após a semeadura. atuando unicamente sobre órgãos da parte aérea. ALMEIDA. é recomendado para as culturas de arroz. Quando utilizado em pós-emergência. também em pré72 Módulo 3. Não é metabolizado nas plantas. pode ser usado em pré ou pós-emergência das plantas daninhas. preferencialmente. com as plantas daninhas ainda não emergidas.4-oxadiazol-2-(3H)-ona (oxadiazon) apresenta solubilidade em água de 0. No Brasil. é usado quando a cultura atinge desenvolvimento superior a 50 cm de altura. porém antes da emergência do arroz. em préemergência das plantas daninhas. recomenda-se usar adjuvantes na calda. aplica-se logo após a semeadura ou até cinco dias depois. na faixa de plantio. em aplicação dirigida. deve ser aplicado logo após a arruação ou esparramação. por esta razão e devido à sua baixa solubilidade em água. de forma a não atingir o algodoeiro. Nestas culturas deve ser utilizado em pré-emergência. antes da emergência das plantas daninhas. e koc médio: 3. kow: 63. 2005). pouco móvel.7 mg L-1 . Em cafezais jovens. logo após o plantio. aplica-se logo após o plantio. Oxadiazon O 3-[4. podendo ser feitas duas aplicações anuais. Aplicar após o cultivo. aplicá-lo em mistura com o MSMA. em pré-emergência das plantas daninhas. e. quando estas atingirem a fase de duas folhas. deve ser aplicado em préemergência das plantas daninhas. alho. logo após o corte. O alho e a cebola e. quando usado em pré emergência.2 . Na cultura do arroz.200 mg g-1 de solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas razão da sensibilidade à fotodecomposição. é utilizado tanto em viveiros quanto em cafezais jovens e adultos. em jato dirigido. após a rega. Em café. É fortemente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais do solo. cenoura e cana-de-açúcar. Em viveiros. pka: zero. exige umidade no solo no momento da aplicação para penetrar neste. Sua persistência no solo é de dois a seis meses. de forma a não atingir a folhagem. apresenta lixiviação e movimentação lateral insignificantes.100. ou. Em cana-de-açúcar. ocasionando colapso das células. provoca o fechamento dos estômatos e deterioração das membranas celulares. em que se faz em jato dirigido. podendo se reaplicar depois que as referidas culturas atinjam a fase de três folhas. Não tem ação sobre os tecidos radiculares. é utilizado em pré-emergência das plantas daninhas. exceto nas variedades de eucalipto de folha pilosa. Em arroz irrigado. na cana-soca. Em algodão. em pré-emer¬gência das plantas daninhas. aplica-se logo após o plantio.

4. 5 e 6). tendo como conseqüência o aparecimento de células multinucleadas (aberrações). 4. O fuso cromático é formado por proteínas microtubulares denominadas tubulinas. Módulo 3.1 . Possuem pouca ou nenhuma atividade foliar. 4.2 . Repetidas aplicações não resultam na maior degradação microbioló¬gica. Todos estes compostos (grupo das dinitroanilinas) interferem no movimento normal dos cromos¬somas durante a seqüência mitótica. e responsáveis pela movimentação dos cromossomas para os pólos da célula.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 73 .Mecanismo de ação Estes herbicidas pertencem ao grupo das dinitroanilinas (trifluralin. Eles provocam a ruptura da seqüência mitótica (prófase > metáfase > anáfase > telófase) já iniciada (HESS.2 .Herbicidas inibidores do arranjo dos microtúbulos 4. O efeito direto é sobre a divisão celular. pendimethalin e oryzalin).4. simazine. conseqüentemente. As dinitroanilinas inibem a polimerização destas proteínas e. porque a sua ação principal se manifesta pelo impedimen¬to da formação do sistema radicular das plantas. É comum aplicar o oxadiazon em misturas com herbicidas residuais (diuron. Estas proteínas são contráteis. Interferem em uma das fases da mitose. Apresentam ótima ação no controle de gramíneas. Apresentam de moderada a muito baixa movimentação no solo. a formação do fuso cromático e movimentação dos cromossomas na fase da mitose (Figs.) na cultura de cana-de-açúcar. 1995b). São eficientes apenas quando usados em pré-emergência. Estes herbicidas inibem o crescimento da radícula e a formação das raízes secundárias.Principais características • • • • • • Paralisam o crescimento das raízes.4 . etc. que corresponde à migração dos cromossomas da parte equatorial para os pólos das células.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas emergência das invasoras. ametryn. Todos os herbicidas deste grupo apresentam de moderada a baixa toxicidade para mamíferos. semelhantemente à actimiosina encontrada nos músculos dos animais.

Seqüência normal da mitose Figura 6 . em solos ricos em matéria orgânica. É fortemente adsorvido pelos colóides da matéria orgânica e pouco pelos da argila.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 5 . a forte adsorção pode impedir a absorção 74 Módulo 3.3 mg L-1 a 25 °C). 2005). beterraba. pimentão. quiabo. alfafa. sendo recomendado para as culturas de soja. ALMEIDA.3 . necessita ser incorporado mecanicamente ao solo logo após a sua aplicação (RODRIGUES. ervilha.4.6-dinitro-N-N-dipropil-4-(trifluorometil) benzoamina (trifluralin) é um herbicida que apresenta excelente ação sobre as gramíneas anuais e perenes oriundas de sementes. Por ser um produto volátil (pressão de vapor de 1.Mitose interrompida pela ação de herbicidas derivados das dininitoanilinas 4.1x10-4 mm Hg a 25 °C).2 . alho.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . tomate. sensível à luz e de solubilidade em água extremamente baixa (0. cucurbitá¬ceas. brássicas. cebola. e outras. feijão.Caracterização de alguns herbicidas inibidores dos microtúbulos Trifluralin O 2. algodão.

4-dimetil-2.000 mg g-1 de solo.000. em alguns casos de rotação de culturas (feijão/milho) em áreas de baixa fertilidade e mal manejadas. sensível à luz e pouco móvel no solo. A lixiviação. tabaco e trigo. e koc médio de 7. soja. Apesar do uso contínuo por tantos anos.6-dinitrobenzenoamina (pendimethalin) é registrado no Brasil para controle de gramíneas nas seguintes culturas: algodão. milho. É um herbicida de média volatilidade (pressão de vapor de 9. em 1954 (CDAA) (SLIFE. pka zero. 2005). ALMEIDA.5 . é muito reduzida.1 . sua lixiviação é muito baixa e as doses recomendadas se dão em função das características físico-químicas do solo. por causa do uso extensivo em soja e milho. a dose aplicada e as condições climáticas (RODRIGUES. feijão. Não há relatórios também sobre aumento de biodegradação no solo. 4. É fortemente adsorvido pelos colóides do solo. A dose recomendada varia de acordo com as características fisico-químicas do solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas do trifluralin pelas raízes das plantas. kow: 152. não existem ainda relatos do aparecimento de gramí¬neas que tenham adquirido resistência a esses herbicidas. kow: 118. cebola. 1995). É absorvido principalmente pela radícula e praticamente não se transloca na planta. Apre¬senta degradação lenta no solo. amendoim.Principais características As cloroacetanilidas têm sido um dos grupos de herbicidas mais usados no mundo. cana-de-açúcar. motivo pelo qual não é aconselhável seu uso nestas condições. 1998). É recomendado para uso em pré emergência da planta daninha e da cultura ou em PPI. desde o lançamento do primeiro herbicida desse grupo. por esta razão. Apresenta pka: zero. Pendimethalin O N-(1-etilpropil)-3. arroz.200 mg g-1 de solo.000.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 75 . alho. causar danos à cultura sucessora. motivo pelo qual a incorporação é recomendável em condições de solo seco e com período de estiagem. As princi¬pais características dos herbicidas do grupo das cloroacetamidas são: Módulo 3. assim como o movimento lateral no solo. provocando inibição do crescimento radicular desta (SILVA et al. Nos Estados Unidos da América do Norte. depois do glyphosate é o grupo de herbicida mais utilizado. Sua persistência no solo varia de 3 a 6 meses de acordo com o solo. O pendimethalin apresenta solubilidade de 0.Inibidores da síntese de ácidos graxos de cadeias muito longas (VLCFA) 4.2 . e koc médio de 17..5. café.4x10-5 mm Hg). podendo.3 mg L-1.

Exemplo deste uso é a proteção do sorgo contra cloroacetanilidas. pássaros e mamíferos é muito baixa. Gramíneas mostram inibição da emergência da primeira folha do coleóptilo. Há relatórios que as relacionam com a inibição da divisão celular e interferência com controle hormonal (SLIFE. Em combinação com outros herbicidas. naturalmente sensível a eles. Em razão de os efeitos desses herbicidas estarem ligados somente as plântulas. as cloroacetanilidas podem auxiliar no controle de dicotiledôneas. Devido a problemas de tolerância. A mobilidade no solo varia entre os herbicidas deste grupo e depende das condições de umidade e do teor de matéria orgânica do solo. as doses têm sido reduzidas. o mecanismo bioquí¬mico primário de ação das cloroacetanilidas ainda não é bem conhecido. ciperáceas mostram inibição da parte aérea. o algodoeiro). ácidos graxos. é muito difícil o estudo de translocação. De modo geral.2 . as cloroacetanilidas apresentam de baixa a média mobilidade nos solos. as sementes iniciam o processo de germinação. é um dos grupos mais estudados e com o qual mais se têm usado os protetores de herbicida. logo após a emergência. o controle não é consistente. exibem crescimento anormal. possibili¬tando a utilização desses herbicidas nesta cultura. terpenos. Os dados existentes indicam translocação muito pequena. de espécies daninhas gramíneas e comelináceas. Cada cloroacetanilida que apareceu no mercado depois do herbicida CDAA apresentou características um pouco diferentes das outras.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . pelo fato de não terem ação pós-emergente. o efeito inibitório causado pelo alachlor é maior sobre as raízes. o efeito residual no solo tem aumentado e a dependência dos fatores do solo tem diminuído. isoladamente. As cloroacetanilidas são aparentemente absorvidas pelas raízes (dicotiledôneas) e pelas partes acima da semente epicótilo (principal¬mente gramíneas).Mecanismo de ação das cloroacetanilidas Apesar de ter sido estudado extensivamente. As cloroacetanilidas estão relacionadas com a inibição da sín¬tese de lipídios. Em áreas tratadas com cloroacetanilidas. mas não chegam a emergir.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • • • • • • • • Controlam plântulas de muitas espécies de gramíneas anuais e algumas dicotiledôneas antes da emergência ou mesmo plantinhas. As cloroacetanilidas apresentam normalmente pressão de vapor de média a alta. De maneira geral. não há registros de problemas com deriva. mas. A toxicidade das cloroacetanilidas a peixes. em dicotiledôneas (por exemplo. 4. em préemergência. 1995). 76 Módulo 3. A hipótese mais aceita atualmente é a inibição de ácidos graxos de cadeias muito longas. flavonóides e proteínas. e. O maior uso das cloroacetanilidas está ligado ao controle.5. Muitos efeitos diferentes sobre vários processos bioquímicos já foram mostrados. porém. quando o fazem.2 .

Em café. incluindo lipídios. Em cana-de-açúcar.2 . a eficácia do produto reduz.Características de algumas cloroacetanilidas Alachlor O 2-cloro-2. Em café novo ou recepado.3 .5. ou. é comum misturá-lo com atrazine ou cyanazine. exceto em solos arenosos e.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A maioria dos efeitos bioquímicos e fisiológicos relatados sobre o modo de ação destes herbicidas pode ser interpretada com base na inibição da síntese de proteínas. aplicá-lo após a arruação ou esparramação. o grupo amino do metionil-tRNA inicial). Em algodão. Módulo 3. 2005). estando o solo com boas condições de umidade. antes da emergência das plantas daninhas. sendo esta enzima o ponto de começo de muitas rotas metabólicas. É adsorvido pelos colóides do solo. As cloroacetanilidas podem também alquilar aminoacil tRNAs específicos e. deve ser utilizado logo após o plantio. diuron ou atrazine. kow 794. possuindo média a baixa mobilidade no solo e persistência de 6 a 20 semanas. não se deve utilizá-lo em solos arenosos. mistura-se com metribuzin. sendo usado em pré-emergência. terpenos. se não chover no prazo de até cinco dias. Pelo menos “in vitro”. inibir a síntese de proteínas. Os efeitos das cloroacetanilidas sobre a síntese de gorduras podem ser atribuídos à interferência no metabolismo da CoA. etc. sendo este transferido (por exemplo. já foi mostrado que o herbicida alachlor é capaz de alquilar CoA. pka: zero. Em milho.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 77 . variável com o tipo de solo e as condições climáticas. com baixo teor de matéria orgânica. ácidos graxos. com isso. se a infestação for de Bidens pilosa.6-dietil-N-(metoximetil)acetanilida (alachlor) é recomendado para controle de diversas espécies de gramíneas e comelináceas. ALMEIDA. logo após a semeadura da cultura. recomenda-se a mistura com graminicidas ou aplicação em seqüência ao trifluralin incorporado. As cloroacetanilidas são conhecidas como agentes alquilantes e podem agir alquilando nucleófilos biológi¬cos. Quando aplicado em solo seco. Em soja.. e koc médio de 120 mg g-1 de solo (RODRIGUES. em condições de alta infestação de Brachiaria plantaginea. A retirada do nucleófilo pode acontecer entre o halogênio das cloroacetanilidas e o nucleófilo. Apresenta solubilidade em água de 242 mg L-1. Richardia brasiliensis ou Sida sp. pode-se cultivar milho. amendoim e girassol. 4. soja ou amen¬doim no terreno tratado. podendo ser misturado com ametryn.

antes da emergência das plantas daninhas e da cultura. é essencial que sua aplicação seja feita antes da completa emergência das plantas. podendo ser misturado. Apresenta solubilidade em água de 488 mg L-1.05. feijão. por provocar inoxicação à cultura. Acetochlor O 2-cloro-N-(etoximetil)-N-(2-etil-6-metilfenil) acetanilida (acetochlor) é recomendado para uso em pré-emergência das plantas daninhas. etc. sendo comum a mistura com outros herbicidas. Para aumentar o espectro de ação sobre estas espécies. ou. das condições climáticas e do tipo de solo. 78 Módulo 3. Pelo fato de sua absorção ser quase total pelo coleóptilo das gramíneas e pelo epicótilo das dicotiledôneas. Controla essencialmente gramíneas anuais e algumas perenes de reprodução seminal. pka zero e kow 300. devendo ser aplicado em seguida à semeadura. dependendo da dose utilizada. Em razão de sua absorção foliar ser quase nula. a sua eficácia ficará comprometida se aplicado em solo seco e não ocorrer uma chuva de intensidade superior a 10mm no espaço de cinco dias (RODRIGUES. sendo usado em outros países. é comum misturá-lo com latifolicidas. para culturas de amendoim. ALMEIDA. entre outros. mas no prazo máximo de três dias após a ultima gradagem.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas S-metolachlor O 2-cloro-N-(2-etil-6-metilfenil)-N-[(1S)-2-metoxi-1-metiletil)]acetanilida (s-metolachlor) é registrado no Brasil para cana-de-açúcar. logo depois do plantio. Devido à sensibilidade do s-metolachlor. pka: zero. não deve ser utilizado em solos arenosos. as comelináceas e um número reduzido de latifoliadas. Em feijão. por esta razão. é utilizado apenas em pré-emergência das plantas daninhas. milho e soja. É sorvido pelos colóides de argila e matéria orgânica. é largamente utilizado em mistura com o atrazine. recomenda-se sua aplicação logo após a semeadura. sua lixiviação é fraca a moderada. sendo pouco lixiviado. sorgo e plantas ornamentais. deve ser aplicado logo após a arruação e. Em milho. Em cana-de-açúcar. kow: 3. cyanazine. à fotodegradação e à volatilização. e koc médio de 200 mg g-1 de solo. Em café. metribuzin. A terra deve estar bem preparada. restos de culturas e em boas condições de umidade. esparramação. batata. Em milho. É adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais do solo. usa-se em cana-planta. girassol. também. exceto em solos arenosos. livre de torrões. apresentando persistência de 8 a 12 semanas. 2005). como atrazine. Apresenta solubilidade em água de 223 mg L-1.2 .

em aplicações dirigidas em diversas culturas. em várias partes do mundo e. antes da emergência das plantas daninhas e da cultura. WARREN. São rapidamente absorvidos pelas folhas. (WELLER.2 . os quais sofrem o processo de dismutação. Estes radicais livres formados pelos herbicidas paraquat e diquat não são os agentes responsáveis pelos sintomas de intoxicação observados. Usualmente. produzindo radicais hidroxil. também. Nesta condição. 4. por isso. Este composto e os superóxidos. na presença de luz. podendo ser misturado. ocasionando o vazamento do conteúdo celular e a morte do tecido. com baixo teor de matéria orgânica. estes herbicidas capturam os elétrons provenientes da respiração. 4. para mamíferos.6.6 . formulados em solução aquosa. 1995a).Características gerais • • • • • • • São altamente solúveis em água e.Mecanismo de ação Poucas horas após a aplicação destes herbicidas. Vale ressaltar que este não é o único sítio de ação destes herbicidas. aplica-se logo após a semeadura. 4.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 79 . Durante o processo de auto-oxidação são produzidos radicais de superóxidos. para formarem os radicais tóxicos. sendo largamente utilizados como dessecantes no “plantio direto”. como dessecantes. para formarem o peróxido de hidrogênio. reagem. verifica-se severa injúria nas folhas das plantas tratadas (necrose do limbo foliar).2 . na presença de Mg. Estes radicais são instáveis e rapidamente sofrem a auto-oxidação. também.1 . Módulo 3.6. com metribuzin. entre outros. em pré-colheita para diversas culturas. ou. O local de captura dos elétrons está próximo a ferredoxina e sua velocidade de ação depende da intensidade luminosa. Esta substância promove a degradação rápida das membranas (peroxidação de lipídios). A toxicidade do diquat é alta e a do paraquat é muito alta. a morte das plantas devido à ação destes herbicidas é tão rápida na presença da luz que não dá tempo de eles se translocarem na planta. São rapidamente adsorvidos e inativados pelos colóides do solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas com atrazine ou cyanazine.Herbicidas Inibidores do Fotossistema I São herbicidas derivados da amônia quaternária (paraquat e diquat). A ação destes herbicidas é muito mais rápida na presença da luz do que no escuro. Em soja. Estes compostos possuem a capacidade de captar elétrons provenientes da fotossíntese (no fotossistema I) e formarem radicais livres. exceto em solos arenosos e. no escuro. São cátions fortes. chuvas após 30 minutos de sua aplicação não mais influenciam a eficiência de controle das plantas daninhas. porque pequena atividade destes produtos é observada.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

4.6.3 - Principal herbicida do grupo Paraquat

O 1,1’-dimetil-4,4’-dicloreto de piridilio íon (paraquat) é um herbicida altamente solúvel em água (620.000 mg L-1); pka: zero; kow: 4,5; e koc estimada de 1.000.000 mg g-1 de solo. É inativado ao entrar em contato com o solo, por completa adsorção do cátion à argila. Esta ocorre devido à dupla carga positiva da molécula do paraquat, formando complexos com os locais de carga negativa, de onde não é removido mesmo com lavagens de solução saturada de sais, só sendo recuperado por fragmentação da argila com ácido sulfúrico 18 N. Por esta razão, sua lixiviação é nula e sua decomposição microbiana no solo é muito lenta. O paraquat pode ser usado para: • • • • • Dessecante em “plantio direto”. Para este fim, o paraquat é muito utilizado em mistura com o diuron, formando o Gramocil. Em pré-emergência de culturas, porém em pós-emergência das plantas daninhas. Aplicações dirigidas em culturas de milho, algodão, café, fruteiras e outras. Dessecante, em pré-colheita, para diversas culturas, visando viabilizar colheita mecânica e melhor qualidade fisiologia de sementes (DOMINGOS et al., 2001). Para limpeza de áreas não-cultivadas.

4.7 - Herbicidas inibidores da acetolactato sintase Os herbicidas derivados das sulfoniluréias, comercializados pela primeira vez em 1982, apresentam alto nível de atividade em doses muito pequenas. Atualmente, há vários herbicidas deste grupo no mercado. Através de pequenas modificações na estrutura química, a seletividade pode ser alterada de uma cultura para outra. Exemplos de culturas que são tolerantes a um ou mais herbicidas desse grupo químico são trigo, soja, arroz, milho, feijão, batata, beterraba, algodão, coníferas, canade-açúcar, etc. As sulfoniluréias inibem a síntese dos chamados aminoácidos ramificados (leucina, isoleucina e valina), através da inibição da enzima Aceto Lactato Sintase (ALS); esta inibição interrompe a síntese protéica, que, por sua vez, interfere na síntese do DNA e no crescimento celular. As plantas sensíveis tornam-se cloróticas, definham e morrem, no prazo de 7 a 14 dias após o tratamento. Essa enzima é inibida, também, pelos herbicidas dos grupos químicos imidazolinonas, triazolopyrimidines ou sulfonamidas e pyrimidinyl-oxybenzoatos (THILL, 1995; THILL, 2003a; BRIDGES, 2003c). Apesar do pouco tempo de uso, a literatura já registra muitas espécies de plantas daninhas que desenvolveram resistência aos inibidores da ALS.

80

Módulo 3.2 - Herbicidas: classificação e mecanismos de ação

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

As principais características das sulfoniluréias são: • • Alguns são ativos em doses extremamente baixas; exemplo: o metsulfuronmethyl, que apresenta atividade na dose de 2 g ha-1 A maioria das sulfoniluréias apresenta bom controle de muitas espécies de folhas largas (dicotiledôneas); todavia, algumas possuem, também, ótima atividade contra gramíneas. A toxicidade aguda para mamíferos é muito baixa (5.500–6.500 mg kg-1 em ratos) para o herbicida chlorsulfuron, o mais estudado. Para outros análogos, a toxicidade é mais baixa ainda. As sulfoniluréias são ativas tanto em aplicações foliares quanto em aplicações no solo.

Apesar de quimicamente diferentes, as imidazolinonas têm o mesmo mecanismo de ação das sulfoniluréias, ou seja, inibem a enzima AHAS ou ALS. As principais caracte¬rísticas deste grupo são: • As imidazolinonas são recomendadas para controle em pré-emergência e em pósemergência de muitas folhas largas e gramíneas em cereais, soja e em áreas nãoagrícolas. • Estes herbicidas são potentes inibidores do crescimento vegetal. Plantas tratadas param de crescer quase que imediatamente após a aplicação. Dois a quatro dias após a aplicação desses herbicidas o ponto de crescimento (meriste¬ma apical) das plantas tratadas torna-se clorótico e, depois, necrótico e morre. A morte completa da planta vai ocorrer sete a dez dias após o tratamento. Plantas de maior porte podem levar mais tempo para morre¬r, mas a paralisação do crescimento é imediata. • Todos estes herbicidas são sistêmicos, ou seja, translocam pelo floema. Uma vez dentro do floema, por causa do pH alcalino, estes herbicidas, que são ácidos fracos, se dissociam e os ânions têm dificuldade para deixar o floema. • As imidazolinonas apresentam persistência de moderada a longa no solo. Maior sorção e, conseqüentemente, maior persistência ocorrem quando decrescem a umidade do solo, o pH e a temperatura e, também, quando os teores de matéria orgânica, óxidos de ferro e de alumínio no solo aumentam. • A dissipação no solo é, via de regra, por meio da degradação microbiana. Em condições de solo mais seco, mais herbicida é preso nos colóides do solo e menos produto é disponível para biodegra¬dação ou absorção pelas plantas, o que implica maior persistência e possível "carryover". As imidazolinonas são

Módulo 3.2 - Herbicidas: classificação e mecanismos de ação

81

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

sensíveis à fotólise, mas esse processo de dissipação não é importante no solo. A fotólise é mais importante no meio aquático. • Pouca lixiviação tem sido reportada em condições de campo, apesar de os estudos de laboratório indicarem mobilidade moderada destes herbicidas no solo. • As imidazolinonas apresentam muito baixa ou nenhuma toxicidade para mamíferos. Esta toxicidade baixa pode ser explicada pela enzima-alvo, que não ocorre em animais, e também pelo fato de a excreção desses herbicidas ser muito rápida em animais-teste. Além das sulfoniluréias e das imidazolinonas, outros herbicidas, de grupos químicos diferentes, apresen¬tam o mesmo mecanismo de ação, ou seja, inibem a enzima ALS ou AHAS e, com isso, paralisam o crescimento das plantas (HESS, 1995c). Dente esses grupos químicos, podem-se destacar as triazolopirimidinas, ou sulfonamidas, e os piridinil-oxibenzoatos. As principais características do herbicida N - (2,6-diflluorofenil) - 5 - metil (1,2,4) triazolo [1,5a] pirimidina - 2 - sulfonamida (flumetsulan) e N-[2,6-diclorofenil] - 5 - etoxi - 7 - fluoro(1,2,4) triazolo – [(1,5c)] pirimidina - 2 - sulfonamida (diclosulan) são: Flumetsulan Diclosulan

• •

• • •

Apresentam ação pré-emergente sobre amplo espectro de plantas daninhas de folhas largas. As gramíneas, de maneira geral, são resistentes devido ao metabolismo mais rápido. Entre as culturas de folhas largas, a soja é tolerante. Possuem absorção radicular, mas a translocação é sistêmica, ou seja, translocamse tanto pelo floema quanto pelo xilema. A sorção no solo e a persistência aumentam quando o pH decresce e quando a matéria orgânica aumenta. A persistência no solo é mediana, não havendo casos relatados de "carryover". A dissipação no solo é devida ao ataque de microrganismos. Condições que favorecem a ação microbiana aceleram a dissipação destes herbicidas no solo. Possuem mobilidade no solo moderada, não se antevendo problemas de contaminação de depósitos subterrâneos de água. A toxicidade para mamíferos é muito baixa (Faixa Verde: DL50 > 6.000mg/kg em ratos).

82

Módulo 3.2 - Herbicidas: classificação e mecanismos de ação

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

4.7.1 - Algumas sulfoniluréias Metsulfuron-Methyl

O ácido 2-[[[[(4-metoxi-6-metil-1,3,5-triazina-2-il)amino]carbonil]amino]sulfonil] benzóico (metsulfuron-methyl) apresenta solubilidade em água de 270 mg L-1; pka: 3,3; kow: 1,0 a pH 5 e 0,018 a pH 7; e koc médio de 35 mg g-1g de solo. É pouco sorvido e muito lixiviado no solo, dependendo da textura e do teor de matéria orgânica. Sua persistência (meia-vida) no solo varia de 30 a 120 dias (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É registrado no Brasil para controle de plantas daninhas de folhas largas nas culturas de trigo, arroz, cana-de-açúcar, aveia, cevada, manejo de inverno e pastagens. Entre as espécies sensíveis encontram-se Raphanus raphanistrum, Raphanus sativus, Acanthospermum australe, Bidens pilosa, Ipomoea grandifolia, além de muitas outras. É recomendado para uso em pós-emergência, devendo ocorrer intervalo de seis horas sem chuva após a sua aplicação. A ação do produto nas plantas daninhas sensíveis pode ser observada através da clorose das folhas e morte das gemas apicais, com evolução para morte das plantas até 21 dias após aplicação. Em espécies menos sensíveis, observa-se paralisação de seu desenvolvimento. Culturas como trigo e arroz, para as quais é seletivo, conseguem metabolizá-lo rapidamente a compostos não-fitotóxicos. Nicosulfuron

O 2-[[[[(4,6-dimetoxi-2pirimidinil)amino]carbonil]amino]sulfonil]-N,N-dimetil-3piridinacarboxamida (nicosulfuron) apresenta solubilidade em água de 360 mg L-1 a pH 5 e 12.200 a pH 6,85; pka: 4,3; kow: 0,44 a pH 5 e 0,018 a pH 7; e koc médio de 30 mg g-1 de solo a pH 6,5. Quanto à sua persistência em condições de Brasil, sabe-se que culturas de soja, girassol, algodão e feijão poderão ser semeadas 30 dias após a aplicação do nicosulfuron; trigo, arroz e batata, 45 dias após a aplicação; e tomate, 60 dias (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). No Brasil, está registrado para a cultura do milho, sendo utilizado em pós-emergência em área total. Controla gramíneas, inclusive o capim-massambará (Sorghum halepense), e diversas espécies de dicotiledôneas. No momen¬to da aplicação, as plantas de milho devem estar com duas a seis folhas; as plantas daninhas dicotiledôneas, com duas a seis folhas; e as gramíneas, com até dois perfilhos. A aplicação deve ser feita estando o solo úmido e com as plantas daninhas em pleno vigor vegetativo. A ocorrência de chuvas uma hora após a aplicação não afeta a eficiência deste herbicida. A mistura do
Módulo 3.2 - Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 83

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

nicosulfuron com o atrazine no tanque do pulverizador aumenta o espectro de controle de plantas daninhas. Existem diferentes níveis de tolerância entre os híbridos de milho disponíveis no mercado brasileiro ao nicosulfuron. Por isso, antes de aplicar esse herbicida em cultura do milho consulte a lista de híbridos e variedades tolerantes a esse herbicida. A mistura desse herbicida com inseticidas carbamatos ou fosforados pode torná-lo não-seletivo ao milho (SILVA et al., 2005) Halosulfuron

O metil-3-cloro-5-(4,6-dimetoxipirimidin-2-carbomoilsulfamoil)-1-metillpirazole-4carboxilato (halosulfuron) é registrado no Brasil para cana-de-açúcar, para controle de Cyperus rotundus. Apresenta solubilidade em água de 15 mg L-1 a pH 5,0 e 1.650 a pH 7,0; pka: 3,5; kow: 47 a pH 5,0 e 0,96 a pH 7,0; e koc médio de 93,5 mg g-1 de solo. Apresenta baixa adsorção no solo. Possui meia-vida média no solo em torno de 16 dias, variando com o tipo de solo e as condições climáticas (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Sua aplicação deve ser feita em pós-emergência das plantas daninhas, sendo o melhor período 30 a 40 dias após o plantio da cana-de-açúcar, quando as plantas daninhas deverão estar no final da fase vegetativa ou início do florescimento. As plantas de Cyperus rotundus devem estar em boas condições de desenvolvimento, sem efeito de estresse hídrico ou de baixa temperatura. Chlorimuron-ethyl

O ácido 2-[[[[(4-cloro-6-metoxi-pirimidinil)amino]carbonil]amino]sulfonil]benzóico (chlorimuron-ethyl), no Brasil, encontra-se registrado para a cultura da soja, sendo usado em pósemergência. Apresenta solubilidade em água de 450 mg L-1 a pH 6,5; pka: 4,2; kow de 320 a pH 5,0 e 2,3 a pH 7,0; e koc médio de 110 mg g-1 de solo (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). No solo, apresenta adsorção e lixiviação moderadas e meia-vida de 7,5 semanas. A persistência é maior em solos com pH mais elevado; em solos ácidos e com clima quente, a persistência é baixa. Manter intervalo de 60 dias entre a aplicação do chlorimuron-ethyl e a semeadura de trigo, milho, feijão e algodão. Para as outras culturas, fazer antes um bioensaio. Controla essencialmente espécies anuais de dicotiledôneas, sendo mais efetivo quando estas se encontram na fase inicial de crescimento (até seis folhas). Entre as espécies sensí¬veis encontram-se Desmodium tortuosum, Acathospermum australe, Ipomoea grandifolia, Bidens pilosa, além de outras. É comum misturá-lo com outros

84

Módulo 3.2 - Herbicidas: classificação e mecanismos de ação

100 a pH 7. 1998). 2005). todavia. as plantas de cana-de-açúcar devem possuir no máximo quatro folhas. e valor médio de koc de 20 mg g-1 de solo a pH 7. ALMEIDA. 2005). não sendo recomendável cultivá-lo na modalidade de “milho safrinha” no mesmo ano agrícola da soja. porém esta adsorção aumenta em pH baixo.8. para controle de dicotiledôneas em soja. é facilmente lixiviável no solo. para se evitar o efeito “guarda-chuva”. Na cultura da cana.. e a tiririca (Cyperus rotundus). kow e koc não disponíveis. Flazasulfuron O 1-(4. É fracamente adsorvido em solo com pH alto. podendo afetar culturas de inverno que seguem à soja tratada com o produto (SILVA et al. ALMEIDA. as gramíneas devem ter no máximo três perfilhos. pode ser misturado no tanque do pulverizador com outros herbicidas (ametryn. 1999). Sua persistência no solo é alta (meia-vida de sete meses). estando o solo em boas condições de umidade. para maior espectro de controle.0. de 5 a 8 folhas e em pleno desenvolvimento vegetativo. O milho é muito sensível a resíduo de imazaquin no solo.Algumas imidazolinonas Imazaquin O ácido 2-[4. em alguns tipos de Módulo 3. pka. kow: 2. se objetivo for controlar a Cyperus rotundus. Sua degradação no solo é por ação microbiana e química. pka: 3. O flazasulfuron deve ser aplicado em cobertura total das plantas daninhas e da cultura. as dicotiledôneas.0 e 2. seis folhas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas herbicidas. porém não deve ser misturado com graminicidas. exigindo intervalo de segurança acima de 180 dias após sua aplicação. evitando-se aplicar em períodos de estiagem e umidade relativa do ar inferior a 60% (SILVA et al.. Sua mobilidade no solo é inversamente proporcional ao teor de matéria orgânica.2. Pode ser usado em pré ou em pós-emergência inicial das plantas daninhas. diuron.0 (RODRIGUES. 4.5-dihidro-4-metil-4-(1-metiletil)-5-oxo-1H-imidazol-2-il]-3-quinolina carboxílico (imazaquin) apresenta solubilidade em água de 60 mg L-1.2 .).Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 85 . Quando usadas em pósemergência.6-dimetoxipirimidin-2-il)-3-(3-trifluorometil-2-piridilsulfonil) uréia (Flazasulfuron) apresenta solubilidade em água de 27. Apresenta meia-vida variando de 9 a 120 dias. sendo influenciada pela temperatura e pelo pH do solo (RODRIGUES.2 .7. etc.000 mg L-1 a pH 5. este herbicida deve ser aplicado isoladamente.

estando as dicotiledôneas.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . entre um a três perfilhos. além de outras. entre as quais Euphorbia heterophylla.9. podendo causar toxicidade a algumas culturas de inverno que forem cultivadas em sucessão à soja tratada com este herbicida (SILVA et al.0 e 31 a pH 7. É registrado no Brasil para uso exclusivo na cultura da soja. pka: 3. o que geralmente acontece entre 5 e 15 dias após a semeadura da soja. Recomenda-se sua aplicação em pós-emergência das plantas daninhas dicotiledôneas. ALMEIDA. Recomenda-se a aplicação em pós-emergência precoce. pouco lixiviado (RODRIGUES. e kow: 11 a pH 5. Ipomoea grandifolia. Apresenta lenta degradação no solo (meia-vida de 60 dias). Imazamox O ácido nicotínico 2-(4-isopropil)-4-metil-1-metiletil-(1-metil-5-oxo-2-imidazolin-2-il)-5(metoximetil) (imazamox) apresenta solubilidade em água de 4. com até quatro folhas. É registrado no Brasil para cultura da soja e do feijão. ALMEIDA. também. Imazethapyr O ácido 2-[4. além de outras.2 .36 (RODRIGUES. entre uma e quatro folhas. essencialmente microbiana (meia-vida de 15 dias). 2005). 86 Módulo 3. no estádio cotiledonar. pouco lixiviado. Apresenta rápida degradação no solo. Controla essencialmente plantas daninhas dicotiledôneas. Controla.413 mg L-1 e Kow: 5. também. Sida rhombifolia.5-dihidro-4-metil-4-(1-metiletil)-5-oxo-1H-imidazol-2-il]-5-etil-piridina carboxílico (imazethapyr) apresenta solubilidade em água de 1. Bidens pilosa. estando estas com até quatro folhas e de monocotiledôneas. É fracamente adsorvido em solo com pH alto. 2005).. Ipomoea grandifolia. Estudos preliminares têm demonstrado que este herbicida apresenta rápida degradação em condições de solos brasileiros (SILVA et al. com eficiência. sendo utilizado em pré-plantio incorporado ou em pré-emergência das plantas daninhas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas solo. sendo.. 1999). Hyptis suaveolens. o que geralmente acontece entre 15 e 20 dias após a semeadura do feijão. mas esta adsorção aumenta em pH baixo. 1999).0. É registrado no Brasil para a cultura da soja. e as monocoti¬ledôneas. O milho e o sorgo são muito sensíveis ao resíduo de imazethapyr no solo.400 mg L-1. Controla com eficiência diversas espécies de plantas daninhas: Euphorbia heterophylla. É pouco adsorvido pelos colóides do solo e.

vindo intoxicar as novas mudas plantadas para renovação da floresta. Também quando aplicado no tronco do eucalipito visando eliminar rebrota após a derrubada.34 e meia-vida no solo de dois meses (RODRIGUES. Em campo. não se processando em condições anaeróbicas. Apresenta lenta degradação no solo. em condições aeróbicas. Estudos de laboratório indicam que imazapyr tem alto potencial de se mover no perfil do solo. principalmente em solos arenosos. da dosagem e dos fatores ambientais. É pouco adsorvido pelos colóides do solo e. 2005). ALMEIDA. Módulo 3. Kow: 0. pouco lixiviado. 7). 2001). pode ser exsudado pelas raízes.36 (RODRIGUES.9 a 1. Sua persistência no solo é longa (três a sete meses em solos tropicais e seis meses a dois anos em clima temperado. também. essencialmente por via microbiana. em pós-emergência precoce na cultura do algodão. Pyrithiobac-sodium O sódio 2-cloro-6-[(4. podendo ocorrer lixiviação positiva (para baixo) ou negativa (reversa –para cima). entre estas Euphorbia heterophylla.272 mg L-1 a pH 7. Imazapyr O ácido (+-)-2-[4.0 e pka: 1.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas diversas espécies de plantas daninhas.5-dihidro-4-metil-4-(1-metietil)-5-oxo-1H-imidazol-2-il]-3-piridina carboxílico (imazapyr) apresenta solubilidade em água de 11. ALMEIDA.6. Aplicações em altas doses para capinas de ruas pode intoxicar árvores utilizadas na arborização do ambiente (Fig. a persistência biológica é dependente. se aplicado em pósemergência precoce. sobretudo. com degradação mais rápida em clima quente e úmido. dependendo do movimento capilar da água no perfil do solo (FIRMINO.2 .6-dimetoxipirimidina-2-il) tio]. É fracamente adsorvido pelos colóides do solo.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 87 .benzoato (Pyrithiobac-sodium) apresenta solubilidade em água de 1610 mg L-1. Apresenta degradação no solo essencialmente microbiana É registrado no Brasil para o controle de dicotiledôneas. 2005). pka: 2.

2003). Por outro lado.Mecanismo de ação Logo após a aplicação. plantas tratadas com estes herbicidas param de crescer. cultivadas em solo coletado à margem da rua tratada com o herbicida 4.1 . uma vez que 20% do carbono das plantas é utilizado nesta rota metabólica.8 . então.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 7 – Árvores mortas pela ação do imazapyr quando aplicado para capina química de rua (A). BRIDGES. tirosina e tryptofano são precursores da maioria dos compostos aromáticos nas plantas.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . nas plantas tratadas. Alguns autores acham que a simples redução de aminoácidos e a acumulação de shikimato não seriam suficientes para a ação herbicida. pois fenilalanina. O glyphosate se liga a esta enzima pela carboxila do ácido glutâmico (glutamina) na posição 418 da seqüência de aminoácidos (HESS. acreditam que a desregulação da rota do ácido shikímico resulta na perda de carbonos disponíveis para outras reações celulares na planta. que o ponto de ação era a enzima EPSP sintase (5 enolpiruvilshikimato-3-fosfato sintase). Glyphosate inibe a EPSP sintase por competição com o substrato PEP (fosfoenolpi¬ruvato). SHANER. Verificou-se. evitando a transformação do shikimato em corismato. 1995c. A enzima EPSP sintase é sintetizada no citoplasma e transportada para dentro do cloroplasto onde atua. Há redução acentuada. 88 Módulo 3. foi observado aumento acentuado na concentração de shikimato.Herbicidas inibidores da EPSPs 4. tirosina e triptofano). precursor comum na rota metabólica dos três aminoácidos aromáticos. Plantas normais cultivadas em solo sem resíduos de herbicidas (a) e plantas com sintomas de intoxicação do imazapyr (b). nos níveis desses aminoácidos aromáticos (fenilalanina.8.2 .

muito pouca toxicidade para animais. • Como a enzima afetada é exclusiva de plantas.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 89 . 2003c). • Através da engenharia genética. • A translocação é melhor em plantas expostas à luz e que estejam com alta atividade metabólica. apresenta. • Apresentam espectro de controle muito amplo. em plantas anuais • Baixa vazão e menores gotículas são mais eficientes do que alta vazão e gotículas grandes. • Formulações usadas no meio aquático não contêm surfatantes. para não causar problemas de toxicidade para peixes. • Translocação simplástica em gramíneas e folhas largas. • Não apresentam atividade no solo. • Requerem uma semana para matar plantas anuais (efeito final) e tempo ainda maior para espécies perenes. Módulo 3. • A translocação é facilitada em condições de alta intensidade luminosa. para melhor eficiência de translocação para o sistema radicular. • Durante a primeira semana após a aplicação a folhagem não deve ser cortada. já foram obtidas culturas resistentes a glyphosate. praticamente não há seletividade. poucas espécies de plantas daninhas foram identificadas como resistentes a estes herbicidas. • A morte da planta ocorre lentamente: de 7 a 14 dias após a aplicação. Quanto à resistência adiquirida pela pressão de seleção (aplicações repetidas do ghyphosate).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4.Características gerais Glyphosate O N-(fosfonometil) glicina (glyphosate) possui as seguintes características (BRIDGES. • Águas de pulverização contendo muitos sais solúveis (Ca e Mg) diminuem a atividade destes herbicidas.2 . como a soja e o algodão.2 . de maneira geral. por causa de sua conjugação com sesquióxidos de ferro e alumínio.8.

Na renovação de pastagens. ferrovias. enquanto para as demais formulações.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . englobando o Roundup original e o Roundup Transorb. Para aplicações dirigidas em culturas perenes (café. Para controle seletivo de plantas daninhas em culturas geneticamente modificadas. No Brasil. as suas principais recomendações são: • • • • • • • Para controle de plantas daninhas em áreas não-cultivadas (rodovias. reflorestamento e outras). o tempo mínimo sem chuvas após aplicação para se garantir a absorção foliar desse herbicida é de seis horas (JAKELAITIS et al. A ocorrência de chuva em intervalo de tempo menor que 4-6 horas pode reduzir a eficiência destes herbicidas. Roundup WDG e Roundup Multiação. cujo representante é o Zap Qi. 8). utilizado nas formulações granulares. parque de industrias. e sal potássico. Para o controle de plantas daninhas aquáticas Como regulador de florescimento em cana-de-açúcar. esse tempo para penetração do glyphosate via foliar é maior (PIRES et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • A absorção destes produtos pelas plantas é lenta. Figura 8 – Eficiência de formulações de glyphosate em diversos períodos de simulação de chuva após a aplicação Atualmente o ghyphosate é o herbicida mais utilizado no mundo. em Brachiaria decumbens e Digitaria horizontalis em quatro horas (Fig. ruas. Como dessecantes. etc. para implantação do plantio direto de culturas. o glyphosate está sendo comercializado com diferentes formulações: sal isopropilamina. No Brasil. 200). O efeito varia com a formulação. 2001). fruteiras... As formulações Roundup Transorb e Zap Qi se diferenciam das demais por apresentar penetração foliar mais rápida do que as demais existentes no mercado brasileiro. 90 Módulo 3. formulado como Roundup Transorb ou Zap Qi.).2 . sendo recomendado para diversas atividades agrícolas e não-agrícolas. A não-ocorrência de chuvas até quatro horas após as aplicações garante absorção do glyphosate. utilizado em diversas marcas comerciais. sal de amônia. Quando aplicado sobre plantas em condições de déficit hídrico prolongado.

a eficiência diminui quando as gramíneas estão se desenvolvendo em condições de déficit hídrico. é necessária uma dose três vezes maior que a requerida para a ação em pósemergência. acifluorfen. imidazolinonas. • Misturas no tanque desses graminicidas específicos com latifolicidas têm trazido uma série de problemas de antagonismo. 2. em fase de rápido crescimento.2 . podem ser citados: sulfoniluréias. dicamba. • A seletividade varia entre espécies de gramíneas. requerendo uma semana ou mais para a morte completa. até hoje. A translocação varia entre espécies.9. WELLER. • As espécies não-gramíneas são todas tolerantes. • Apresentam lenta degradação no solo. eliminado. Entre os herbicidas que já mostraram ação antagônica. o problema é minimizado e. bromoxynil. • Em doses normais. 1995) são: • São utilizados exclusivamente em pós-emergência. há sempre necessidade da adição de um surfatante ou adjuvante. Os sintomas incluem rápida parada do crescimento das raízes e da parte aérea e troca de pigmento nas folhas dentro de dois a quatro dias. • São prontamente absorvidos pela folhagem das plantas. • Para a atividade máxima ser atingida.4-DB. novos produtos estão sendo desenvolvidos. De maneira geral. os herbicidas deste grupo não apresentam atividade suficiente para o controle de gramíneas em pré-emergência. bentazon e metribuzin. provavelmente eles afetam a absorção foliar. tanto para plantas daninhas quanto para culturas.Principais características Os compostos deste grupo apareceram no mercado de herbicidas a partir de 1975 e. até mesmo.9 . Espaçando-se as pulverizações por alguns dias. para que haja ação no solo.4D. mas ocorre tanto pelo floema quanto pelo xilema. a qual começa nas regiões meristemáticas e se espalha pela planta toda. MCPA. seguida de necrose. Somente diclofop tem registro para uso no solo.Herbicidas inibidores da ACCase 4. 2. para controle de gramíneas anuais e perenes. • São muito efetivos quando aplicados sobre plantas não-estressadas. As principais características deste grupo de herbicidas (THILL.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. São muito utilizados para o controle de gramíneas anuais e perenes. Módulo 3.1 . • A morte das gramíneas suscetíveis é lenta.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 91 .

eles são tóxicos para mamíferos (classe toxicológica de I a III. depois. nas concentrações de 0. O tecido meristemático em gemas e nós torna-se clorótico e. Esta é uma reação-chave no início da biossíntese de lipídios. e muitos autores 92 Módulo 3. fica aparente a disfunção de membrana. que a ação dos graminicidas específicos era sobre a enzima Acetil Coenzima-A Carboxilase (ACCase). que mostrou resistência ao diclofop-methyl e resistência cruzada a outros graminicidas específicos. Foi verificado que este herbicida inibe fortemente a incorporação de 14C-acetato em lipídios quando pontas de raízes de milho foram tratadas por 24 horas.1 μM de haloxyfop provocou 42% de inibição da incorporação de acetato em células de milho. As folhas mais velhas apresentam sinais de senescência e mostram troca de pigmento. Foi verificado também que a divisão celular foi prejudicada por causa da inibição da formação da parede celular. 4. o crescimento de raízes e parte aérea é paralisado. A inibição da ACCase explica perfeitamente a redução no crescimento. Enquanto 0.2 . converte o Acetil Coenzima A (Acetil-CoA) em Malonil Coenzima A (Malonil-CoA) pela adição de uma molécula de CO2 ao Acetil-CoA. A translocação ocorre pelo xilema e pelo floema.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .Mecanismos de ação Muitos dos estudos já realizados sobre o mecanismo de ação dos arilofenoxipropionatos foram feitos com o herbicida diclofop-methyl. Em algumas horas. para peixes. já existem plantas daninhas que adquiriram resistência aos inibidores da biossíntese de lipídios. para causar 50% de inibição em células de soja foi necessária uma concentração 47 vezes maior. encontrada no estroma de plastídios. quando o tecido meristemático decai. Há diferenças também entre a atividade de isômeros e as formulações. Este herbicida é rapidamente absorvido pelas folhas e atinge os meristemas da planta. Estudos feitos com sethoxydim mostraram que este herbicida inibe o crescimento e a acumulação de clorofila. O caso mais relatado é o ocorrido na Austrália com a espécie Lolium rigidum. A diferença na tolerância entre espécies de gramíneas e folhas largas é muito grande. trabalhos realizados com diclofop-methyl começaram a desvendar o modo de ação dos graminicidas específicos. em 1987. de maneira geral. necrótico.5 μM. A enzima afetada por estes herbicidas ocorre também nas células animais. às sulfoniluréias e ao trifluralin. surgindo células binucleadas. Após alguns dias da aplicação. predominância da classe II) e. por isso. Esta enzima. A partir de 1981.9.5 a 0. por exemplo. apesar de a quantidade que atinge a área meristemática ser muito pequena em relação ao que é aplicado. No caso de diclofopmethyl. resultando no aumento dos níveis de açúcar e antocianina.2 . Ademais. Como não houve interferência na absorção de acetato. o problema era na síntese de lipídios. também. o aumento na permeabilidade de membrana e os efeitos ultra-estruturais observados nas células. a formulação ácida é mais ativa que a formulação éster e o isômero “D” é muito mais ativo que o “L”. Foi descoberto.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • • Apesar do pouco tempo de uso. ele causou declínio na atividade respiratória.

700 mg g-1 de solo.Caracterização de alguns inibidores da ACCase Fluazifop-p-butil O ácido (R)-2-[4-[[5-(trifuorometil)-2-piridinil]oxi]fenoxi] propanóico (fluazifop-p-butil) apresenta solubilidade em água de 1. a não ser o fomesafen. mas a eficiência diminui pela metade. a qual é ligada covalentemente ao grupo da biotina por um espaçador móvel. com intervalo superior a cinco dias. Clethodim O (E.E)-(+/-)-2-[1-[[(-cloro-2-propenil)oxi]imino]propil]-5-[2-(etiltio)propil]-3-hidroxi. e a proteína transporte da biotina (BCP).5. ALMEIDA 2005).3 . soja. um complexo de três domínios: uma biotina carboxilase que promove a carboxilação da biotina com carbonato (CHO3). ALMEIDA. A enzima Acetil Coenzima A Carboxilase (ACCase) é. café.2 . devendo ser utilizado seqüencialmente.1. dois a três dias (RODRIGUES. 4. Quando o substrato Acetil-CoA é substituído por Proprionil-CoA. purificada e parcialmente caracterizada. É registrado no Brasil para as culturas de alface. e koc médio de 5. feijão. Não deve ser misturado com herbicidas que controlam dicotiledôneas. que permite à biotina se mover entre os dois centros catalíticos (HESS. kow: 4. eucalipto.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 93 . É um herbicida Módulo 3. devendo ser aplicado no início do desenvolvimento das plantas daninhas. kow: 15000 e persistência muito curta no solo. 1995). por incompatibilidade fisiológica (efeito antagônico). É recomendado para uso em pós-emergência. o qual é uma reação dependente de ATP. tabaco. 1995). A ACCase de milho já foi isolada. Deve ser aplicado com as plantas em bom estado de vigor vegetativo. que transfere o CO2 da biotina para o Acetil-CoA.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas julgam ser esta reação a que dosa o ritmo da biossíntese de lipídios.9. cenoura. roseira e crisântemo. algodão. tomate. 2005). evitando períodos de estiagem. citros. pinho. a transcarboxilase. na realidade. a enzima funciona. tendo uma persistência média de 30 dias (RODRIGUES. horas de muito calor e umidade relativa do ar inferior a 70%.520 mg L-1. WELLER. Controla grande número de espécies de gramíneas anuais no estádio de até 4 perfilhos e algumas perenes. Não apresenta mobilidade no solo. A falta de lipídios provoca despolarização da membrana celular (THILL.1 mg L-1. pka: 3.2ciclohexeno-1-ona (clethodim) apresenta solubilidade em água de 5. cebola.

milho.3. quando provenientes de rizomas).7. não sendo prejudicada sua eficácia por chuvas que ocorram uma hora após sua aplicação. controla gramíneas anuais. 2005). 94 Módulo 3. de reprodução seminal. acifluorfen. cenoura. Nas doses de 360 . feijão. Em doses altas (120-360 g ha-1. amendoim. pois aumenta-lhe a fitotoxicidade. ervilha. controla gramíneas perenes. É rapidamente absorvido pelas folhas. Haloxifop-methyl O ácido 2-[4-[[ (3-cloro-5-(trifluorometil)-2-piridinil]oxi]fenoxi] propiônico (haloxyfopmethyl) apresenta solubilidade em água de 9. tomate. não se deve adicionar óleo mineral à calda. pka: 4. feijão e eucalipto.3 mg L-1. É recomendado para uso em pós-emergência. kow: 11. eucalipto. fomesafen e lactofen. cebola. quando provenientes de sementes. Quando usado na dose de 120 g ha-1. pinho e outras. como Cynodon dactylon e Sorghum halepense.4-D. perenes e tigüera de culturas gramíneas. evitando períodos de estiagem. podendo requerer reaplicação no caso de rebrotas (RODRIGUES. Deve ser aplicado com as plantas daninhas em bom vigor vegetativo. horas de muito calor e umidade relativa do ar inferior a 60%. Quando misturado com herbicidas recomendados para uso em pós-emergência que controlam plantas daninhas de folhas largas e que já contenham em sua formulação um adjuvante. para as culturas de soja. A ação residual do produto na lavoura é de 30 a 40 dias. e koc médio de 33 mg g-1 de solo. café. como algodão. É utilizado. neste caso. soja. tabaco. pode haver lixiviação do produto. tais como: azevém. ALMEIDA. tem ação sobre rebentos de gramíneas anuais que tenham sido roçadas.. em condições de alta pluviosidade. altamente seletivo para a cultura da soja e outras dicotiledôneas. desde jovem até adiantado estádio de desenvolvimento.2 . em solos leves.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . É compatível com outros herbicidas usados em pós-emergência para controle de folhas largas. Destaca-se pelo seu amplo espectro de ação no controle de gramíneas anuais. com exceção do 2. permitindo a aplicação dos dois numa só operação. como bentazon. no Brasil. devendo ser aplicado no início do desenvolvimento das plantas daninhas (4 folhas até 6 perfilhos. como é o caso normal em culturas perenes. citros.600 g ha-1. É moderadamente adsorvido pelos colóides do solo. comuns em rotação de culturas com a soja. aveia e trigo. há que observar um intervalo de dez dias entre o emprego de um e outro.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas graminicida. e com 10 a 40 cm. sistêmico.

9). citros. O sintoma evidenciado pelas plantas tratadas é a produção de tecidos novos totalmente brancos (albinos). feijão. gergelim. colza.Herbicidas inibidores de carotenóides Os grupos químicos izoxazolidinona e piridazinonas compõem a classe de herbicidas chamada inibidores de carotenóides. Estes tecidos são normais.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 95 . não prejudicando culturas sensíveis que sejam instaladas no terreno um mês após o tratamento. também.5 – [2-(etiltio)propil]-3-hidroxi-2-ciclohexeno-1.700 mg L-1.10 . Módulo 3. girassol. melão e morango). 2003a). Apresenta curta persistência no solo. algumas vezes rosados ou violáceos. exceto pela falta de pigmentos verdes (clorofila) e amarelos (Fig. melancia.1. banana. amendoim. Controla gramíneas anuais e algumas perenes. 4. As plantas suscetíveis a estes herbicidas perdem a cor verde após o tratamento com estes herbicidas (BRIDGES. Supõe-se que seja seletivo para todas as culturas que não são gramíneas. não sendo prejudicada a ação do sethoxydim por uma chuva que ocorra uma hora depois de sua aplicação. É necessário adicioná-lo à calda adjuvante. cenoura. Não prejudica as culturas suscetíveis que sejam instaladas no terreno 30 dias após o tratamento. É um herbicida registrado no Brasil para algodão. Tem uma meia-vida no solo de 4 a 11 dias.16. kow: 45. encontra-se em fase de registro para abacaxi. como Cynodon dactylon. 2005).ona (sethoxydim) apresenta solubilidade em água a pH 4. Deve ser aplicado em pós-emergência das plantas daninhas. por ser a foliar a principal via de absorção do produto.0 de 4. o que acelera sua absorção. pka: 4. Em outros países. gladíolo. eucalipto. linho e mandioca.2 . soja e tabaco. e koc médio de 100 mg g-1 de solo (RODRIGUES . café. se bem que exija doses mais altas de aplicação. para as culturas de alfafa.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sethoxydim O 2-[1-etoximina)butil] . ALMEIDA. dependendo das condições climáticas e do tipo de solo. macieira e em hortícolas (batata. é recomendado.0 de 25 ppm e a pH 7.

devido à falta de clorofila. devido à falta de carotenóides que a protegem da foto-oxidação. 1980).2 . que a protegem. É importante salientar que estes herbicidas não têm efeito sobre carotenóides sintetizados antes da sua aplicação. 1994). mais reativo. que são dois precursores. Os herbicidas inibidores destes pigmentos agem na rota de biossíntese de carotenóides. esta se torna funcional e absorve energia. A inibição da síntese de carotenóides leva à decomposição da clorofila pela luz. Assim. perda de proplastídios e degradação dos ribossomos 70S. a clorofila não se mantém sem a presença dos carotenóides. do caroteno (MORELAND. porém. Estes produtos também possuem efeitos sobre a reação de Hill (MORELAND. 1994). não implica que estes herbicidas inibam diretamente a síntese de clorofila. Assim. Outras alterações provocadas por estes produtos são: redução da síntese protéica. A produção dos novos tecidos albinos.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . arroz. a clorofila que está no estado triplet não dissipa energia e inicia reações de degradação. anuais e perenes. ela não consegue se manter. o crescimento cessa e começam a surgir manchas necróticas. O local de ação mais estudado é onde atua a enzima phytoeno desidrogenase. e de folhas largas nas culturas de algodão. Os herbicidas inibidores de pigmento são usados para controle seletivo de plantas daninhas gramíneas. A inibição da enzima IPP (isopentyl pirophosphato isomerase) é o local provável da ação (Abernathy.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 9 – Sintomas de intoxicação de plantas de milho e feijão pelo clomazone. passando do estado singlet para o estado triplet. A perda da clorofila é resultado da sua oxidação pela luz (foto-oxidação). contudo. a energia oriunda da forma triplet é dissipada através dos carotenóides. 1980). com predomínio do phytoeno. como resultado da perda da fotoproteção fornecida pelos carotenóides à clorofila (MORELAND. resultando no acúmulo de phytoeno e phytoflueno. O herbicida clomazone parece ter um único local de ação e não causa acúmulo de phytoeno. fumo 96 Módulo 3. Devido a este processo. devido à necessidade de renovação dos carotenóides. mas sim de gossipol e hemigossipol. quando os caratenóides não estão presentes. 1980). nas quais ela é destruída (ABERNATHY. O crescimento da planta continua por alguns dias. dissipando o excesso de energia. eles desenvolvem manchas cloróticas que progridem para necrose (ABERNATHY. cana-de-açúcar. Desse modo. pelas plantas tratadas. 1994). tecidos formados antes da aplicação do herbicida não se mostram brancos imediatamente. sem cor. Após a síntese da clorofila. A inibição desta enzima provoca o acúmulo de phytoeno. Em condições normais.

07 e koc variando de 19 a 387 mg g-1 e curta persistência no solo sendo degradado rapidamente por microrganismos (RODRIGUES. Controla diversas espécies de plantas dicotiledôneas e algumas gramíneas. O 2 – [(2 . Os sintomas envolvem branqueamento das plantas daninhas sensíveis. com posterior necrose e morte dos tecidos vegetais em cerca de 1 a 2 semanas. e persistência no superior a 150 dias. No Brasil. Módulo 3. através da interferência na atividade da enzima HPPD (4-hidroxifenil-piruvato-dioxigenase) nos cloroplastos – classificação nos grupos F2 (HRAC) e 28 (WSSA). afetando culturas sucessoras. O inseticida funciona com “safener” protetor e pode ser usado no tratamento da semente ou em aplicação no sulco de semeadura. 1994). koc: 300 mg g-1. pode lixiviar e atingir camadas profundas.2 . ALMEIDA.isoxazolidinona (clomazone) e o 4-cloro-5(metilamino)-2-3-[(trifluorometil)]fenil-3(H)-m-toluil) piradazinona (norflurazon) translocam-se na planta via xilema.clorofenil) metil]-4. pka: 3.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 97 . apresentam atividade de solo e podem persistir. o clomazone e o norflurazon.dimetil . chegando às raízes das culturas. causando danos naquelas sensíveis (RODRIGUES. 2005).192 mg L-1. 2005). O clomazone apresenta alta solubilidade:1.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas e soja. Mesotrione O 2-(4-mesil-2nitrobenzoil) ciclohexano-1. A seletividade às culturas se dá pela translocação reduzida pela destoxificação das moléculas herbicidas.4 . Também são empregados em plantas daninhas aquáticas e no controle total da vegetação.7 mg L-1. pka: zero. Quando aplicado sobre a superfície do solo. O mesotrione inibe a biossíntese de caroteníodes. A seletividade do clomazone ao algodão pode ser aumentada com adição de um inseticida organofosforado (ABERNATHY. A dose recomendada varia com a cultura e o tipo de solo. são mais comercializados. Apresenta solubilidade de 168. 1994).3-diona (mesotrione) é um herbicida seletivo de ação sistêmica indicado para o controle em pós-emergência de plantas daninhas na cultura do milho.3 . Clomazone Norflurazon Esta classe herbicida apresenta baixa toxicidade para animais. ALMEIDA. e não existem casos registrados de plantas daninhas resistentes (ABERNATHY.

que é um co-fator chave para síntese de pigmentos carotenóides e para o transporte de elétrons. que são essências para proteger a clorofila contra a decomposição pela luz solar através da interferência na atividade da enzima HPPD (4-hidroxifenilpiruvato-dioxigenase). O isoxaflutole pertence ao grupo dos herbicidas inibidores da biossíntese do caroteno. 2005). nas demais culturas deve ser aplicado em pré emergência. Inibe a biossíntese de carotenoides. responsável pela biossíntese da quinona. Os sintomas envolvem branqueamento das plantas daninhas sensíveis. e meia-vida média de 28 dias (ALMEIDA.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . 98 Módulo 3. milho. RODRIGUES. baixa a média mobilidade nos solos dependendo de suas características ficas e químicas. Apresenta baixa solubilidade em água: 6. mandioca e algodão para o controle de diversas gramíneas e algumas dicotiledôneas. com posterior necrose e morte dos tecidos vegetais em cerca de 1 a 2 semanas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Isoxaflutole O 5-ciclopropil-4-metilsufonil-4-trifluorometilbenzoil)-isoxazole (isoxaflutole) é um herbicida recomendado para as culturas de cana-de-açúcar. Com exceção da cultura do algodão onde é recomendado em jato dirigido.2 .0 mg L-1 a 20 °C.

D. Inhibitors of amino acid biosynthesis. 2003a. Mode of action of lipid biosyntesis inhibitors (Graminicides – Accase Inhibitors). 1994. 1995b. 2003. C. 1995d. In: HERBICIDE ACTION COURSE. FERREIRA. A. F. BRIDGES. p. F. BRIDGES. épocas de colheita. F. 1995c. R. SILVA. v. do enleiramento e da chuva simulada no rendimento e qualidade fisiológica das sementes de feijão. FIRMINO. FERREIRA. Efeito de dessecantes. D. 397-410. S. F. Sorção e movimento do imazapyr em três solos. 285-296. 365-380. 787p. BRIDGES. Summary of lectures. 2003. West Lafayette: Purdue University. p. 1994. SILVA. 504 p. F. D.. HESS. A. Purdue University: Indiana. 2005. SILVA. In: Herbicide action course. HESS. SILVA. DOMINGOS. Módulo 3. 2003c. G. In: Herbicide action course. Mode of action of photosynthesis inhibitors.. F.. 2001. BRIDGES... E. Glyphosate-type herbicidas. R.2 . West Laf ayette: Purdue University. A. F. J. Planta Daninha. Revista Ceres. v. Planta Daninha. D. p. West Lafayette: Purdue University. 787p. D. A. 787p. R. ASHTON.159. v. J. 23. 1. J. 787 p. 509-516. C. 3. 1973. SILVA. D. Dissertação (Mestrado em Fitotecnia) – Universidade Federal de Viçosa. L. Mode of action of herbicides. M. Eficiência do triclopyr no controle de plantas daninhas em gramado (Paspalum notatum). JAKELAIS. In: Herbicide action course. 1995a. Mode of action of herbicides that disrupt mitosis.. 373-395. Glufosinate: use and mode of action. L. CRAFTS. In: Herbicide action course. 2001.... D.. C. n. A. A. New York: John Willey & Sons. West Lafayette: Purdue University. In: Herbicide action course. C. 21. 72 f. Mode of action of pigment inhibitors. 501-513. FREITAS. S. p. BARBOSA. Controle de plantas daninhas na cultura de milho-pipoca com herbicidas aplicados em pós-emergência. 2003b. n. A. A. HESS.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Referências bibliográficas ABERHATHY. n. 2001. HESS. D. R. A. In: Herbicides action course. F. C. p. West Lafayette: Purdue University. West Lafayette: Purdue University. Mecanism of action of inhibitors of aminoacid biosyntesis. Imidazolinones. Pigment inhibitors uses and mode of action. In: Herbicide action course. West Lafayette: Purdue University. In: Herbicide action course. 491-500. Viçosa-MG.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 99 . HESS.. F. D. p. L. 48. 277 p. Purdue University: Indiana. SILVA. p.

R. Sulfonylurea. ALMEIDA. and sulfonylaminocarbonyl-triazolinone herbicides. V. D. Manejo de plantas daninhas na cultura de cana-de-açúcar. 17. FERREIRA. n. A. R. 3. F. In: SIMÓSIO SOBRE MANEJO ESTRATÉGICO DA PASTAGEM... L. A. SILVA. In: Herbicide action course.. West Lafayette: Purdue University. PROCÓPIO. MORELAND. OLIVEIRA Jr. 610. 225-260. A. 591 p. n. Tese (Doutorado) – Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”. 2003. Plant Physiology. L. RODRIGUES. Flazasulfuron: épocas e doses de aplicação em relação ao controle de plantas daninhas e seletividade para cana-de-açúcar.. SILVA. G. Controle de Digitaria Horizontalis pelos herbicidas glyphosate. FERREIRA.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . Bioatividade do alachor e do metribuzin sob diferentes manejos de água e efeitos do metribuzin. Rockville. F. MG: 2003. A.. E. S. In: Herbicide action course. 1999. A.. WERLANG. R. 2. 2003. WELLER. F.. SILVA. 1989. W. Piracicaba.. v. F. Avaliação da atividade residual no solo de imazaquin e trifluralin através de bioensaios com milho. 3. A. 3. S. CASTRO FILHO. p. M. 1980. 514-529. A. Growth regulator herbicides. JAKELAIS. SHANER. A. A. SILVA. 5. A. n. Londrina. Aplicações seqüências e épocas de aplicação de herbicidas em misturas com chlorpirifos no milho e em plantas daninhas. v.. S.. In: Herbicide action course. F. v. Contole de plantas daninhas em pastagens. n... MIRANDA. 1989. A. A. 2003. STAB –Açúcar álcool e subprodutos. p. Viçosa. D. Acta Scientiarum.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas JAKELAITIS. VARGAS . 21. In: Herbicide action course. In: Herbicide action course. 1995. 2002. West Lafayette: Purdue University. BRIDGES. 279310. 44-47. SILVA. Planta Daninha. 150 p. FREITAS. L.. SILVA. 23. A. L. THILL. Planta Daninha. A. Annual review. E. 1995.. LIEBL. SILVA. A. 291-295. p... OLIVEIRA JUNIOR. Inhibitors of aromatic amino acid biosyntesis (glyphosate). O. S. p. 19. Viçosa. 527-534.2 . p. 100 Módulo 3. A. sob estas condições em soja. 1999. Mechanisms of action of herbicides.. triazolopyrimidine. p. 138 f. 2003. B. v. Growth regulator herbicides. sulfosate e glyphosate potássico submetidos a diferentes intervalos de chuva após a aplicação.. FERREIRA. 787 p. 1998. D. 411-463.ed. F. C. F. FERREIRA. UFV. D. N. Cell growth disrupters and inhibitors. West Lafayette: Purdue University. R. SHANNER. S. n. p. 459-465. 5. FERREIRA. 787 p. A. Acta Scientiarum. p. A. L. PR: 2005.R.. West Lafayette: Purdue University. D. SILVA. R. R.. 267-291. A. A. Persistência do grupo das imidazolinonas e efeitos sobre culturas sucessoras de milho e sorgo. FERREIRA. OLIVEIRA JUNIOR. J. 2005. R. Inhibitors of roots and/or shoots of seedling chloroacetamides. L. In: Herbicide action course. West Lafayette: Purdue University. 279-285. FERREIRA.. D. SILVA. West Lafayette: Purdue University. p... p. SLIFE. 2001. p. R. Guia de Herbicidas. A. THILL.

2003.D.. C. West Lafayette: Purdue University. F. 1995. S. West Lafayette: Purdue University.. 1995. In: Herbicide action course. Módulo 3.2 . WELLER. D. 1995b.. Classification of herbicides. HESS. West Lafayette: Purdue University.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 101 . West Lafayette: Purdue University.D. In: Herbicide action course. G. D. Superoxide generators and protoporphyrinogen oxidase inhibitors (Paraquat and Diquat). F . F. WELLER. 1995. Mode of action of inhibitors of protoporphyrinogen oxidase (Diphenilethers and oxadiazon). 787 p. F. In: Herbicide action course. West Lafayette: Purdue University. WARREN. HESS. C. p. 1995. 787 p. C.. In: Herbicide action course. G. In: Herbicide action course. G. In: Herbicide action course. S. Lipid biosyntesis inhibitors. Photosystem II inhibitors. F.C.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas THILL. In: Herbicide action course. 1995a. 787 p. WARREN. Sulfonilureas and triazolopyrimidines. WARREN. S. THILL.C. S. Superoxide generators and protoporphyrinogen oxidase inhibitors (Diphenyleters and Oxadiazon). WELLER.F. 787 p. 787 p.. West Lafayette: Purdue University. WELLER. G. 787 p. WARREN. West Lafayette: Purdue University. 131-184.

metabolismo.Manejo de plantas daninhas 3. formulação e misturas . Francisco Affonso Ferreira Profº. translocação.UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília .Herbicidas: absorção. José Francisco da Silva Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior .3 . formulação e misturas Tutores: Profº.ABEAS Universidade Federal de Viçosa . José Ferreira da Silva Profº.DF 2006 102 Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 .3 .Herbicidas: absorção. metabolismo. translocação.

104 1.1.2.4. 117 2.Interações entre herbicidas. 112 1.3 . 116 2. 111 1. 116 2. 129 5.Translocação de herbicidas.Interceptação.Conceito de movimento simplástico e apoplástico. 133 Módulo 3. 104 1. 112 1.4 .1 .1 . 130 5.Mecanismo de absorção de herbicidas.3 .Penetração pelo caule.2 . 104 1.1 – Introdução.2 – Incompatibilidade.1. 130 5.Movimento descendente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário 1 .Tipos de formulações.1 .1 .3 . metabolismo. retenção e absorção de herbicida pela folha.Vantagens das misturas ou combinações de herbicidas.Formulações sólidas.2 .Formulações líquidas.2. 128 5 . 113 2 .Interações de herbicidas com inseticidas em mistura.Translocação de alguns herbicidas. 117 2. 127 4. 120 4 – Formulação.2 .4 .Movimento ascendente.1. formulação e misturas 103 .3 .Absorção de herbicidas.2 .Fatores que influenciam a absorção através das raízes.Misturas de herbicidas.1 . 125 4. 127 4. 129 5.Herbicidas: absorção.Penetração pelas raízes. 126 4.4. translocação.2 .1 . 131 Referências bibliográficas.Metabolismo dos herbicidas nas plantas. 118 3 .Veículo de aplicação (água).

o simples fato de um herbicida atingir as folhas da planta e. Por isso. etc. ou. ou. também. as raízes. aí. de estruturas jovens como radículas e caulículo e.Interceptação. até ser absorvido. também. translocado e. as folhas são a principal via de penetração. metabolizado para exercer sua ação herbicida.2 . 1.4-DB precisa ser absorvido.Introdução A atividade biológica de um herbicida na planta é função da absorção. o 2. as estruturas jovens das plântulas (radícula e caulículo) e as sementes são as vias de penetração mais importantes para os herbicidas aplicados e. onde atua. quando aplicada ao solo. A interceptação da gota pulverizada é função do método de aplicação e da distância entre o alvo e o bico do pulverizador. metabolismo. Por sua vez. caules. a seus metabólitos. do metabolismo e da sensibilidade da planta a este herbicida e. translocação. transloque e atinja a organela onde irá atuar. se deseja que as cepas das árvores não rebrotem após a derrubada. que serão discutidos no item referente à tecnologia de aplicação. flores e frutos) e subterrâneas (raízes. Quando os herbicidas são aplicados diretamente na parte aérea da planta (pós-emergência). a morfologia da planta e as condições ambientais exercem grande influência. Por outro lado. pelas sementes. A absorção de herbicidas pelas raízes ou pelas folhas é influenciada pela disponibilidade dos produtos nos locais de absorção e com fatores ambientais (temperatura. A atrazina. que influenciam também a translocação destes até o sítio de ação. 104 Módulo 3. ou. incorporados ao solo. Além disso. atinge e penetra nos cloroplastos. por exemplo. umidade relativa do ar e umidade do solo). em um reflorestamento. ser aplicado no solo onde se desenvolve esta planta não é suficiente para que ele exerça a sua ação. Há necessidade de que ele penetre na planta. tubérculos.). penetra pelas raízes. ou quando. dentro de uma população mista. da translocação. principalmente quando se deseja controlar apenas algumas plantas. destruindo-os.Herbicidas: absorção. retenção e absorção de herbicida pela folha A absorção foliar de um herbicida requer que o produto seja depositado sobre a folha e permaneça ali por um período de tempo suficiente. formulação e misturas . rizomas. luz. O caule (casca) de árvores ou arbustos pode também ser uma via de penetração de herbicidas. estolões.1 . ainda. transloca até as folhas e.Absorção de herbicidas 1. Os herbicidas podem penetrar nas plantas através das suas estruturas aéreas (folhas. A principal via de penetração dos herbicidas na planta é função de uma série de fatores intrínsecos e extrínsecos (ambientais).3 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1 .

mostrando células-guarda. igualmente. Embora em menor proporção. A perda do herbicida ou de sua atividade depende da ocorrência de chuva (intensidade e duração) neste intervalo. como o paraquat. poros estomáticos. 2000. como todas as estruturas aéreas das plantas..3 . como tricomas (pêlos). Dentre os aspectos relacionados com a morfologia da planta destacam-se o estádio de desenvolvimento (idade da planta). PIRES et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A morfologia da planta influencia a quantidade de herbicida interceptada e retida. razão pela qual muitos fatores influenciam. das condições climáticas e das espécies de plantas envolvidas (BRIDGES. HESS. para cada herbicida. Sais catiônicos (carregados positivamente). mas são rapidamente absorvidos e. Após a interceptação. Por exemplo. 2003. formulação e misturas . ELAKKAD.4-D ester para causar a mesma toxicidade em várias espécies sensíveis (BEHRENS.Corte transversal de uma folha (esquemático). A influência da chuva sobre a eficiência dos herbicidas está também relacionada à formulação. denominada cutícula. por exemplo sais de sódio.. JAKELAITIS et al. xilema e floema Fonte: Mengel e Kirkby (1982) 105 Módulo 3.. cavidade estomática. translocação. deve haver um período crítico sem ocorrência de chuvas até que ocorra absorção de quantidade suficiente deste. não penetram rapidamente. são recobertas por uma camada morta (não-celular).Herbicidas: absorção. O corte transversal de uma folha está representado na Figura 1. 2. Sais aniônicos (cargas negativas). tanto a penetração dos herbicidas pelas folhas quanto pelas raízes. esta existe também nas raízes. são solúveis em água. metabolismo. Figura 1 . lipofílica. Herbicidas lipofílicos (usualmente formulados como CE ou flowable) são pouco solúveis em água. porém são rapidamente absorvidos nos lipídios da cutícula e pouco lavados pela chuva. As folhas. 1981). a forma e a área do limbo foliar. por isso. A chuva pode causar perdas consideráveis de herbicidas das folhas das plantas. menos sujeitos a lavagem pela chuva. do método e da tecnologia de aplicação. Também o nú¬mero e a abertura dos estômatos exercem pequena influência sobre a penetração dos herbicidas.4-D amina requer um período muito mais longo sem chuva do que o 2. não são absorvidos pela superfície da cultícula e são solúveis em água e podem ser lavados caso ocorra chuva até mais de 24 horas após. o ângulo ou a orientação das folhas em rela¬ção ao jato de pulverização e as estruturas especializadas. células da bainha do feixe. 2001).

de prato (ou disco). A camada cerosa que envolve a cutícula é mais rica em compostos menos polares do que a cutina. incluindo as células-guarda dos estômatos e as células que envolvem a câmara subestomática. translocação. a qual possui grupos de polaridade variáveis (Figura 2). a cutícula é recoberta por uma camada de cera. aumentando. álcoois. Figura 2 . funcionando como uma resina de troca de cátions.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A cutícula recobre todas as células da epiderme da planta. ácidos graxos. (FERREIRA. Externamente. formulação e misturas . A cutina é o principal componente estrutural da cutícula. ainda.. Ela pode ter a forma de grânulos.3 . Em geral. O padrão de superfície da camada cuticular é bastante variável. cetonas. essa camada é uma complexa mistura de alcanos de longas cadeias (21 37 carbonos). 2005). Entre a camada cuticular e a membrana citoplasmática tem-se a parede celular. porém alguns componentes são comuns. Esse conjunto. separando as partículas de cera. metabolismo. etc.Herbicidas: absorção.Representação esquemática dos principais componentes da camada cuticular e o seu grau lipofílico 106 Módulo 3. de camadas superpostas e. Em presença de água. assim a sua permeabilidade. freqüentemente. et al. acredita-se que a cutina aumente de volume (por embebição). é referido como camada cuticular (Figura 2). A composição química do revestimento epicuticular é muito variável entre as espécies de plantas (Quadro 1). Em consequência da variabilidade de seus componentes o grau de polaridade das cutículas varia muito. ésteres. pode ser semifluida ou fluida. que é formada de fibrilos de celulose impregnados de pectina. aldeídos.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas É conhecido o fato de que há uma interação bastante complexa entre a natureza química do produto aplicado e a superfície foliar.0 6. podem acontecer os pressupostos que se seguem (Figura 3).2 7. Entretanto. após atravessar a camada cuticular e a parede celular. translocação.2 7. (1991). sobre a penetração dos herbicidas pelas folhas.5 6.8 8. citado por Kissmann (1997). Módulo 3.2 7.6 6.6 8. Existem dois tipos principais de superfícies: uma facilmente molhável (rica em álcoois) e outra de molhagem mais difícil (rica em alcanos). No momento em que os herbicidas entram em contato com a superfície foliar.2 8.0 6. metabolismo.3 . As folhas das plantas apresentam muitas barreiras à penetração dos herbicidas. etc. As características da solução aplicada.Percentagem de compostos apolares e polares e pH do revestimento epicuticular de diversas espécies de plantas daninhas Espécies daninhas Cyperus rotundus Avena fátua Brachiaria plantaginea Cynodon dactylon Digitaria sanguinalis Echinochloa crus-galli Panicum dichotomiflorum Poa annua Sorghum halepense Amaranthus retroflexus Capsella bursa-pastoris Chenopodium album Datura stramonium Ipomoea purpurea Poligonum lapathifolium Portulaca oleracea Senna obtusifolia Sida spinosa Sinapsis arvensis Solanum nigrum Stellaria media Xhathium orientale Compostos NãoPolares 82 10 17 12 37 27 17 29 6 44 32 32 92 32 12 37 7 85 47 88 9 58 Compostos Polares 17 90 82 88 62 72 82 71 93 55 68 66 7 68 86 63 93 14 52 11 91 41 pH 7. composição química e permeabilidade da cutícula.0 7. tanto os herbicidas polares quanto os não-polares penetram nas folhas das plantas.8 7. pode penetrar no citoplasma. formulação e misturas 107 .5 Fonte: Sandoz Agro Ltda. através dos plasmodesmas.0 6.3 8. Quadro 1 . Uma hipótese citada por Klingman e Ashton. via simplasto.0 7. são importantes nessa interação. Apesar das barreiras existentes (como a camada cuticular). a polaridade do composto. A maior barreira à penetração de um herbicida no citoplasma das células é a membrana citoplasmática.0 7. tanto aos polares quanto aos não-polares.0 8.4 7. o herbicida. a tensão superficial da calda. A camada cuticular funciona como uma barreira à perda de água e também como uma barreira à entrada de pesticidas e microrganismos na planta.8 6. (1975).Herbicidas: absorção.0 7. é que essas barreiras não são totalmente rígidas e distintas.4 6. O processo de absorção de um herbicida é complicado em razão da espessura.

derivados de ácidos fracos.). tamanho das partículas e concentração do herbicida. (1981) atribuíram isto à maior polaridade da cutina encontrada nas folhas novas. que inclui o movimento no xilema (4) e penetrar na cutícula. o pH mais baixo aumenta a absorção do herbicida. Schmidth et al. Apesar de a constituição física e química e a espessura poderem ser praticamente a mesma. da idade da folha e do ambiente sob o qual a folha se desenvolve. penetrar. a cutícula de folhas nova é mais permeável à água do que a de folhas velhas. na parede celular e então translocar antes de atingir o simplasto . O exato mecanismo de penetração não é totalmente conhecido para todos os herbicidas. representando os aspectos: volatilizar e perder para atmosfera ou ser lavado pela chuva (1). como: potencial hidrogeniônico (pH). atravessa a camada cuticular. mas permanecer absorvido nos componentes lipofílicos da cutícula (3). ésteres. 1991). temperatura. Todos esses fatores podem influenciar a absorção de herbicidas. Figura 3 .3 . penetrar na cutícula.Herbicidas: absorção. formulação e misturas . que diferem em estrutura e polaridade. mas admite-se que os compostos não-polares sigam uma rota lipofílica e os compostos polares. umidade relativa). etc. que inclui o movimento no floema (5) Fonte: Hess (1995) Uma grande diversidade de herbicidas.esta é chamada translocação apoplástica. uso de agentes ativadores de superfícies (surfatantes) e outros. Para os herbicidas orgânicos. a rota hidrofílica. 108 Módulo 3. espessura da cutícula. CESSNA. cerosidade e pilosidade da folha. porque reduz sua polaridade. Para os herbicidas nãodissociáveis (amidas.Diagrama hipotético. Há evidências de que a penetração de herbicidas decresce com o aumento da idade da folha (GROVER.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas que variam em função da espécie. na parede celular e atingir o interior da célula (pela plasmalema) – é a translocação simplástica. A passagem de uma molécula de herbicida através da camada cuticular é um processo físico que pode ser influenciado por uma série de fatores. mas sim à constituição lipídica e ao grau de impedimento da passagem de solutos. o pH da solução tem pouco ou nenhum efeito sobre a penetração. metabolismo. permanecer sobre a superfície como um líquido viscoso ou na forma de cristal (2). A absorção de herbicida não está necessariamente relacionada à espessura ou ao peso da cutícula. translocação. fatores ambientais (luz.

geralmente promovem a formação de cutículas mais impermeáveis. provocando a cristalização do herbicida na superfície foliar. A umidade relativa do ar tem efeito mais consistente sobre absorção de herbicidas. houve rebrota acentuada da maioria delas. admite-se que a cutícula tenha estrutura porosa. em conjunto. conseqüentemente. a cutícula sobre as células-guarda parece mais fina e mais permeável a substâncias do que a cutícula sobre outras células epidérmicas. respectivamente. 1995). metabolismo. É difícil ou mesmo impossível afirmar qual dos processos é mais influenciado pelas mudanças nas condições do ambiente. Com relação aos herbicidas hidrofílicos.3 . de duas formas. Segundo Pires et al. O grau de impermeabilidade da cutícula pode ser atribuído ao incremento de sua espessura. Os estômatos podem estar envolvidos. comparando pulverizações feitas em plantas de capim-massambará (Sorgum halepense) sem estresse e estressadas. mover-se através do poro de um estômato aberto para dentro da câmara subestomática. Entretanto. Em segundo lugar. Nas plantas estressadas (déficit hídrico no solo). para o sulfosate e glyphosate. Como os herbicidas atravessam a cutícula? A resposta para essa pergunta ainda não está bem esclarecida. tanto a absorção quanto a translocação são menores (HESS. a infiltração pelos estômatos não é possível. Nestas. 1995). formulação e misturas 109 . umidade relativa. A elevação da umidade relativa aumenta o tempo de evaporação da gotícula pulverizada. translocação e grau de detoxificação. Condições de alta temperatura e luminosidade. sendo essa água de hidratação da cutícula a rota de penetração destes herbicidas. Uma a duas semanas antes da aplicação.. havendo maior absorção dos produtos polares com aumento da umidade (HESS. translocação. Supõe-se que os herbicidas lipofílicos se solubilizam nos componentes lipofílicos da camada cuticular e se difundem através da cutícula. A maioria dos Módulo 3. luz e teores de umidade no solo e na planta. o haloxyfop teve sua atividade reduzida de 92% para 12%. com a penetração de herbicidas nas folhas. Primeiro. também pode apresentar efeitos negativos devido à maior rapidez do secamento da gota pulverizada. Nas plantas estressadas. e daí para o citoplasma das células do parênquima foliar. em condições de alta luminosidade e estresse hídrico no solo. como temperatura do ar. que se mantém hidratada. favorece a abertura dos estômatos e pode aumentar o transporte de solutos na planta. em tese. Alta temperatura pode melhorar a absorção.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Os fatores ambientais. por provocar maior fluidez dos lipídios da camada cuticular e da membrana celular e. mesmo quando o período sem chuva foi de até seis horas. a menos que a tensão superficial da solução pulverizada seja muito reduzida pelo uso de surfatantes na formulação ou no tanque do pulverizador. 2001 o glyphosate e o sulfosate apresentam máxima atividade em plantas não-estressadas. mais rápida absorção do herbicida. a solução pulverizada poderia. influenciam a atividade dos herbicidas nos aspectos de absorção. à alteração na composição das ceras ou ao aumento na formação de ceras epicuticulares. aumenta a hidratação da cutícula. A natureza da resposta para as diferentes condições ambientais varia com a espécie vegetal.Herbicidas: absorção. ou baixa umidade relativa do ar e umidade do solo. foi suficiente para ótimo controle das plantas tratadas. Todavia. dependendo das condições ambientais. um intervalo sem chuvas de menos quatro e seis após a aplicação.

formulação e misturas . Este surfatantes são capazes de reduzir a tensão superficial ao ponto de a infiltração pelo estômato ocorrer. Sulfato de amônio não melhora atividade do paraquat e na. Eles geralmente são compostos de moléculas grandes. que têm vários propósitos. A função primária do surfatante é reduzir a tensão superficial da gota. Alguns trabalhos têm demonstrado que esse tipo de surfatante pode aumentar inclusive a translocação relativa do produto aplicado (KNOCHE. a melhoria só ocorre se o surfatante também estiver presente. mas preparados em soluções. não têm sido suficientemente positivos ou consistentes para adição de tais aditivos na calda de pulverização e para se tornar uma prática recomendada. metabolismo. Em alguns casos o surfatante pode provocar parcial solubilização da cera epicuticular. aniônicos ou não-iônicos. em geral. o surfatante lipofílico é eficiente. Vários autores afirmam que os surfatantes melhoram a penetração e. glyphosate e sethoxydim. tem sido usado para melhorar a atividade de númerosos herbicidas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas surfatantes atualmente em uso atua aumentando a penetração cuticular e não consegue reduzir a tensão superficial adequadamente para permitir a penetração estomática. melhorando a retenção e o espalhamento desta sobre a folhagem.3 . 1980). da presença de outros aditivos e das espécies das plantas. LOADER. a atividade do glyphosate é melhorada por surfatantes com alto balanço lipofílico-hidrofílico que pelos surfatantes hidrofílicos que são não-iônicos ou catiônicos (TURNER. LOADER. e podem ser catiônicos. translocação. Os resultados dos experimentos de campo. Sulfato de amônio. o desenvolvimento de surfatantes à base de organossilicones proporcionou avanço nesse ponto. 1994). Eles podem também induzir um fluxo de massa da solução pulverizada através do poro estomatal e também aumentar a penetração cuticular. atividade do herbicida. Os herbicidas são raramente aplicados na forma pura. a absorção de um herbicida pode ser influenciada pela presença de outro herbicida misturado na calda. os mais importantes são os agentes ativadores de superfície. 110 Módulo 3. provoca efeito antagônico com glyphosate (TURNER. A estimulação da absorção pode ser causada pelo surfatante adicional ou por outros aditivos presentes nas duas formulações misturadas. ou surfatantes. incluindo picloram.. contendo parte hidrofílica e lipofílica. a eficiência do surfatante depende de sua natureza. têm sido usados como aditivos nas pulverizações. favorecendo mais ainda a penetração do herbicida. emulsões. etc. Recentemente. Entretanto. na concentação de 1 a 10% (p/v). ou. quando sulfato de amônio é adicionado à solução. proporção de 20% p/v. além de surfatantes e óleos. Por exemplo. no entanto. No caso do sethoxydim. Destes. do herbicida em questão. 1980). A adição somente do sal provoca decréscimo da atividade em aveia. para melhorar a penetração ou atividade dos herbicidas aplicados às folhagens. às quais alguns ingredientes são adicionados. Finalmente.Herbicidas: absorção. Diversos produtos químicos. Também podem ocorrer interações negativas entre os dois herbicidas. No entanto.

Herbicidas: absorção. causa pequenas rupturas na casca. que facilitam a penetração de herbicidas. Nas plantas jovens. após a morte de suas células. O caule da plântula durante a emergência tem uma cutícula muito pouco desenvolvida. sendo esta uma rota de entrada de herbicidas em muitas espécies de gramíneas. ou. Para atuação de herbicidas aplicados à casca das árvores. pendimethalin butylate. em diâmetro. Além do mais. celuloses e terpenos. Quadro 2 . Baseado na sua estrutura e composição.3 . metolachlor DCPA oxyfluorfen trifluralin. lignina.Grupos químicos de herbicidas e exemplos de ingredientes ativos que podem ser absorvidos do solo pelas radículas ou partes aéreas emergentes das plântulas Famílias de herbicidas Acetanilidas Ácidos ftálicos Difeniléteres Dinitroanilinas Tiocarbamatos Exemplo de produto acetochlor. tornando-a mais permeável aos herbicidas. metabolismo. Lenticelas são estruturas que atravessam o periderma.Penetração pelo caule A absorção de herbicidas pode ocorrer pelo caule das plantas jovens (durante emergência) e das adultas. além de serem aplicados em altas concentrações (5-10%). translocação. e.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. formulação e misturas 111 . Entretanto. aos herbicidas aplicados na parte aérea. a barreira que a estria de Gaspary representa na raiz não está presente nestes tecidos. eles são preparados em formulações lipofílicas. principalmente os polares. sendo. Alternativa prática mais eficiente seria injetar o herbicida com equipamento próprio com uma pistola injetora. Neste caso. butachlor. molinate A penetração de herbicidas através da casca de plantas lenhosas é outra opção que pode ser aproveitada na prática. também. Estes produtos são pulverizados ou pincelados no caule da planta. o herbicida será mecanicamente introduzido através da casca. portanto. usando-se óleo como veículo. desprovida da camada de cera. até a região do câmbio (xilema. é um sítio de entrada importante para muitos herbicidas aplicados ao solo que são ativos em sementes e durante a germinação e na emergência das plântulas (Quadro 2). rotas importantes para a penetração de herbicidas pelo caule. Outros constituintes comumente encontrados nestas células são ácidos graxos. floema). Este processo está sendo implantado em algumas empresas de reflorestamento. usando imazapyr 20 a 30 dias antes da derrubada das árvores de eucalipto. o periderma é um tecido protetor que substitui a epiderme. o periderma deve apresentar baixa permeabilidade à água e. Módulo 3. alachlor.3 . As células do periderma contêm tanino e são altamente suberizadas. O crescimento do caule. visando evitar a rebrota das cepas.

em solução com a água. há uma barreira lipídica localizada na endoderme da raiz. formulação e misturas . Por exemplo. Na endoderme ou antes dela. Nas raízes jovens. A rota mais importante de entrada é a passagem do herbicida junto com a água através dos pêlos radiculares existentes nas extremidades das raízes. ocorre decréscimo nesta taxa até ela se tornar nula. Embora raízes jovens sejam também cobertas por uma camada cerosa e as mais velhas sejam fortemente suberizadas.Fatores que influenciam a absorção através das raízes A absorção de herbicidas pelas raízes é caracterizada por uma fase inicial de elevada taxa de absorção durante os 30 primeiros minutos até 2 horas. Muitos herbicidas com estruturas moleculares. Tem sido observado decréscimo na taxa de absorção de herbicidas devido ao abaixamento da temperatura. depois. uma vez que nenhuma camada significativa de cera ou cutícula está presente nas partes das raízes onde a maior parte de absorção de herbicidas ocorre.1 . passando em seguida à negativa (perda por exsudação). O sistema radicular das plantas superiores apresenta uma superfície de absorção extremamente grande. em grande parte. principalmente quando o composto é sujeito à ionização. próxima à zona de absorção radicular. Os pêlos radiculares são responsáveis por aumento significativo da área disponível para a absorção de água e de herbicidas (Fig. pode influenciar a absorção de herbicidas pelas raízes. Também a concentração hidrogeniônica.4 . Esse fenômeno pode.Penetração pelas raízes Muitos herbicidas aplicados ao solo são absorvidos pelas raízes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. normalmente. A entrada dos herbicidas pelas raízes não é tão limitada quanto pelas folhas.3 . A disponibilidade dos herbicidas para as raízes é função das propriedades físico-químicas dos herbicidas e do solo e da distribuição espacial destes compostos e das raízes no solo. Na endoderme. ou.4. 4). até a zona de absorção das raízes. a água que se move em direção ao xilema deve entrar no simplasto. translocação. para o 2. ocorre. a penetração de água e solutos. metabolismo. seguida por uma fase de absorção mais lenta. estar relacionado com a viscosidade da água (sob condições de baixa temperatura) e com reações químicas (absorção ativa). o que pode ocorrer pelo crescimento desta ou pela difusão do herbicida no estado gasoso e. com alta permeabilidade à água e a solutos (sais). Se o herbicida for 112 Módulo 3. Os herbicidas têm que entrar em contato com a raiz. a taxa de absorção aumenta rapidamente logo após a aplicação e. a principal zona de absorção está entre 5 e 50 mm de sua extremidade.Herbicidas: absorção. tamanhos e solubilidades diferentes são prontamente absorvidos pelas raízes.4-D. 1. Apesar de não existir nenhuma barreira cuticular na zona dos pêlos radiculares. todas as paredes radiais contêm uma banda fortemente impregnada com suberina (estria de Gaspary). e esta barreira é conhecida por ser impermeável à água. O que acontece aos herbicidas nesse ponto não está completamente claro.

A segunda fase da absorção. mas hiperbólica. influenciam a absorção. apresentando baixo Q10. o que geralmente não é o caso da segunda fase.4-D. Essas condições foram satisfeitas para absorção de 2. A linearidade é perdida quando o herbicida exerce efeito tóxico sobre a planta. Triazinas e uréias. é um processo passivo a puramente físico e. além do pH da solução do solo. então. Não há dados suficientes para o entendimento completo de mecanismo de absorção de todos os herbicidas. Também as propriedades físico-químicas dos herbicidas. ele pode penetrar no floema e. no xilema. de onde se transloca até seu sítio de ação. que consiste em atravessar a membrana citoplasmática (plasmalema).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas absorvido em solução com a água..2 . em parte. Sendo os herbicidas. passivamente. Embora alguns trabalhos demonstrem estreita relação entre transpiração e absorção. Os herbicidas solúveis na água. alta temperatura do solo e alto potencial de água no solo são condições que favorecem a transpiração e.Herbicidas: absorção. como lipofilicidade e pka. dentro de determinados limites. inicialmente. ou. em geral. sendo os herbicidas mais lipofílicos absorvidos mais rapidamente. A correlação entre transpiração e absorção é válida para os herbicidas polares. atrazine e napropamide. segundo Donaldson et.4. para picloram. inibidores metabólicos. conseqüentemente. prontamente absorvidos pelas raízes. (1973) a taxa de absorção de herbicida correlaciona-se com o coeficiente de partição óleo/água. 1. Uma vez dentro do citoplasma das células. também é ativa ou dependente de energia. e acumulação contra um gradiente de concentração. al. taxa de absorção não é função linear da concentração externa. a absorção de herbicidas polares. Alta temperatura e irradiância. estabelecendo um gradiente de concentração entre a parte externa da raiz (solução do solo) e a interna da planta (corrente de assimilados). se difundem nos espaços livres das células da epiderme do córtex da zona de absorção. a energia necessária à manutenção da seletividade da plasmalema é inibida. formulação e misturas 113 . Esta fase tem um Q10 maior que a fase inicial e é sensível a inibidores metabólicos. metabolismo. (1973) listam os seguintes critérios para a absorção ser ativa ou dependente de energia: Q10 ≥ 2.3 . também. requerimento de oxigênio. demanda energia. dependendo das características do produto. Para os herbicidas polares. pelas raízes. Quanto à concentração do herbicida. por exemplo. dependente da concentração. o produto atravessá-la livremente. portanto. Também atrazine e amitrole tiveram absorção passiva. podem ser adsorvidas. há evidências contrárias. existe uma relação linear entre a concentração do produto disponível e a sua penetração pela raiz. é um processo ativo de absorção. existem herbicidas não-polares que são. translocação. absorção bloqueada por inibidores metabólicos. translocados via xilema. De modo geral. A absorção de herbicidas pela raiz também pode ser limitada por ligações ou adsorção do herbicida nos componentes celulares. baixa umidade relativa do ar. a corrente transpiratória correlaciona-se com o transporte destes para a parte aérea da planta. Até aí. entretanto. portanto.Mecanismo de absorção de herbicidas A primeira fase de absorção é independente de energia metabólica. o pH que aumenta a sua polaridade beneficia também a sua absorção e penetração pelas raízes. Donaldson et al. Como a Módulo 3.4-D é acumulado ativamente e o monuron. podendo. indicando que o 2. mas não o foram para monuron. A segunda fase de absorção.

Moléculas de herbicidas capazes de penetrar no xilema e. há tendência de aqueles herbicidas que são capazes de passar livremente do floema para o xilema serem de baixa ou nenhuma translocação via floema. os herbicidas podem ser acumulados contra um gradiente de concentração. Figura 4 . • .Moléculas de herbicidas capazes de penetrar nas paredes celulares translocam-se via apoplasto. por Mengel e Kikby (1982).3 . x .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas translocação via xilema é muito mais rápida que a translocação via floema. e há várias explicações para isso. (b) Diagrama hipotético. Estas incluem ligações nos tecidos do citoplasma. mostrando suas principais estruturas.(a) Secção transversal de uma raiz. translocação. ou. floema por ambas as vias (simplásticas ou apoplásticas). o . difundem-se através das estrias de Caspary e atingem o xilema. formulação e misturas . metabolismo.Moléculas de herbicidas capazes de entrar no protoplasma via simplasto (passam de célula em célula através dos plasmodesmatas) e atingem o floema. representando a absorção de herbicidas pelas raízes Durante a fase de absorção dependente de energia.Herbicidas: absorção. partição nos lipídios do citoplasma ou metabolismo a produtos polares que 114 Módulo 3.

impedem a ação seletiva desta. como 2.3 .Herbicidas: absorção. benzóico ou picolínico. acumulando-se no interior da célula (Figura 5). A exsudação também está relacionada com a detoxificação da planta. 2. correspondendo à zona de absorção. Os herbicidas não-polares seguem uma rota lipofílica até atingirem a plasmalema.4-D.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas são menos hábeis para se difundir através da plasmalema. são exsudadas pelas raízes.Acumulação de herbicidas (ácidos fracos) no interior da célula (a) e sítios de dissociação dos herbicidas (b): bentazon. Figura 5 .4-D. quando aplicadas nas folhas das plantas. A exsudação é um fenômeno limitado apenas às raízes integrais (sem cortes) e vivas. metabolismo. Normalmente. Uma vez que o pH no citoplasma é uma a duas unidades maior que o pH do meio externo da célula. translocação. fenilacético. onde. formulação e misturas 115 . podendo ser um dos fatores responsáveis pela tolerância desta ao herbicida. A zona da raiz mais ativa na exsudação é a zona de alongamento. os produtos de maior afinidade por substâncias lipofílicas (lipofilicidade) atravessam mais facilmente a plasmalema. evidenciando que ela se dá por processo metabólico. os ácidos fracos se dissociam mais e entram no citoplasma. Essas moléculas dissociadas (ânions) são menos capazes de atravessar a plasmalema do que as moléculas neutras. como os derivados do ácido fenóxico acético. Várias classes de importantes compostos. imazethapyr e sethoxydin Fonte: Stelling (1994) Módulo 3. Esta é a explicação alternativa para a acumulação de ácidos fracos. provavelmente. chlorsulfuron.

e tendo em vista que há diferença de penetração de herbicida nas diferentes posições da parte aérea da planta. é formado pelo conjunto de células mortas. Apoplástico . menores serão os custos de aplicação e os riscos de causar prejuízos ao meio ambiente. Transporte a longa distância ocorre através dos tubos crivados (floema). podem ser mortas por herbicidas de contato. que são as membranas citoplasmáticas.1 . citados por Hay (1976). então as doses aplicadas deste produto podem ser reduzidas. tubérculos. incluindo as paredes celulares. aquelas plantas que são capazes de se regenerar através de bulbos. de onde são transpostos para o floema. formulação e misturas . basicamente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2 . a translocação é também de grande importância. sem atravessar as barreiras à permeabilidade.Conceito de movimento simplástico e apoplástico Simplástico . Para a maioria dos herbicidas aplicados ao solo.contrariamente ao simplasto. até atingirem as células companheiras. Se a translocação de um herbicida pode ser aumentada. considerando que não é fácil atingir toda a superfície foliar de uma planta. translocação. Muitos herbicidas são absorvidos pelas raízes ou pelas partes subterrâneas do caule e são translocados para outras áreas. os espaços intercelulares e o xilema. O floema é o principal componente do simplasto. para exercerem a sua efetiva ação herbicida. como a massa total de células vivas de uma planta. quando ocorre completa cobertura da parte aérea pela calda herbicida pulverizada.3 . como ponto de crescimento. em dois sentidos. denominado plasmodesmas. Entretanto.foi definido por Crafts e Crisp.. o aumento na translocação de um produto aumentará a sua eficiência.Herbicidas: absorção. 2. Por outro lado. com velocidade de 60 a 100 vezes maior que o movimento no sentido radial. os quais formam um sistema contínuo no qual a água e os solutos se movimentam livremente.Translocação de herbicidas Há várias razões pelas quais é importante o estudo de translocação de herbicidas. principalmente de arbustos e árvores. que não são capazes de se regenerar através de seus órgãos subterrâneos. metabolismo. como visto a seguir. estolons. Íons e moléculas podem movi¬mentar-se de célula para célula através dessas estruturas. conseqüentemente. para que produza controle eficiente. etc. O movimento de solutos e assimilados no interior das plantas superiores pode ser definido. rizomas. cloroplastos. em 1971. necessitam que determinada quantidade do produto seja capaz de translocar e atingir estes orgãos de recuperação. formando um conjunto contínuo através das intercomunicações do citoplasma. etc. 116 Módulo 3. Plantas jovens.

hoje. em direção contrária ao gradiente de concentração. para se translocarem das folhas para a parte superior da planta.5 vezes o diâmetro da célula. As células com protoplasma muito denso e com pontuações na parte interna da parede celular permitem maior superfície de contato entre o sistema simplástico e o apoplástico. que a estria de Gaspary não está presente nos ápices Módulo 3.1 . raízes e tecidos ou órgãos de reserva). principalmente sacarose) dentro dos vasos. após o que podem subir pelo floema ou penetrar no xilema e se translocar com a corrente transpiratória. quando amadurecem.1. que acompanham as células do floema. A hipótese do transporte pelo fluxo de massa envolve uma corrente de solutos movendo-se da fonte (folhas. conseqüentemente. à medida que se distancia da fonte. A alta pressão de turgor. flores e frutos em desenvolvimento. assume-se que esse movimento ocorra à custa de energia metabólica. metabolismo. se transformam em uma fonte. penetração de água dentro destas células. supunha-se que as substâncias (íons ou moléculas) rompiam essa barreira e penetravam no sistema simplástico das células. têm. são um dreno e. As células companheiras e as células parenquematosas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2. das células de transferência e das células companheiras estão diretamente intercomunicados. caules ou outros órgãos fotossintetizantes) para o dreno (áreas meristemáticas. de alguma forma ainda não definida. causando elevação do potencial osmótico e.1. no entanto. formulação e misturas 117 . O movimento por esta rota para o interior da raiz é bloqueado pelas paredes longitudinais das “estrias de Gaspary”. na endoderme. O movimento para dentro do floema (carregamento) deve ser um processo ativo. antes de alcançar os vasos menores do floema.Herbicidas: absorção. inicialmente.Movimento descendente Os assimilados e solutos se movem a uma distância média correspondente a 2. translocação. força o fluxo em massa do conteúdo nele existente. 2. que descer até atingir o caule. primeiro. Os assimilados.O decréscimo da concentração dos assimilados ao longo dos vasos. As folhas. A teoria do transporte pelo fluxo de massa baseia-se na elevação da concentração de assimilados (açúcares. Substâncias fotossintetizadas nas folhas da base da planta são transportadas para as raízes. para muitas substâncias.2 . estão envolvidas no fluxo de carregamento destes vasos. Citoplasmas das células do mesófilo. é ainda desconhecido. Uma vez que estes assimilados se movem para dentro desses vasos.3 . porém o mecanismo desse carregamento. suporta essa teoria. nestes vasos. Estas células são conhecidas como células de transferências e parecem funcionar no carregamento dos vasos do floema e na transferência do floema para o xilema. Contudo. Acredita-se que herbicidas e outras substâncias se movimentem juntamente com esse fluxo. Sabe-se. enquanto as produzidas nas folhas da parte superior da planta são transportadas para as folhas novas e os brotos terminais.Movimento ascendente Íons e moléculas podem difundir-se pelos espaços intercelulares e paredes celulares do córtex. mas somente as células companheiras estão diretamente ligadas ao floema. Parte dessa distância ocorre pelo sistema apoplástico.

xilema e acumulam-se nos pontos de crescimento (tecido meristemático). ele se transloca até as raízes e. Em geral. A morte ou injúria das raízes reduz a sua exsudação. CIAMPOROVÁ. elevadas temperaturas e adequado suprimento de água no solo) são também favoráveis à translocação dos produtos que se movimentam pelo sistema apoplástico. Aplicado nas folhas das plantas. nos pontos de crescimento e nas raízes. Aplicado nas raízes ou nas folhas. ou.Herbicidas: absorção. semelhante ao 2. A presença de folhas jovens na planta aumenta a translocação do produto para as raízes. a concentração do produto diminui nas raízes e nas folhas fotossintetizadoras e se concentra nas regiões meristemáticas desta. o que pode representar importante rota de passagem dos herbicidas do apoplasto para o simplasto. podendo.4-D move-se do floema para o xilema e retorna à folha tratada. ser absorvido por plantas vizinhas não-tratadas. pode controlar uma séria invasora do milho.6-TBA . Apesar de apresentar pequena acumulação na raiz. Exsuda-se. ou vazar para o xilema parenquimatoso e ser transportadas no sentido acrópeto pela corrente transpiratória. pode ser exsudado pelas raízes. também ocorre acumulação nas folhas jovens. Derivados do ácido fenóxico .4-D.3 .4-D.4-D. mover-se de célula para célula. ele se acumula nos pontos de crescimento. 2. Se a planta é retirada da solução com herbicida e colocada numa solução sem herbicida. Picloram . visando reduzir o sombreamento de culturas como o cacau. para folhas e pontos de crescimento da planta.os representantes deste grupo translocam-se pelo floema e.3. neste caso. translocação.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas radiculares de células endodérmicas jovens e na região basal das raízes laterais em desenvolvimento (LUXOVÁ.é altamente móvel na planta. Se o produto é aplicado nas folhas. A sua pequena acumulação nas raízes está. as condições ambientais favoráveis à transpiração (umidade relativa baixa. pelo sistema simplástico. indicando ser este um processo que requer energia. principalmente. o picloram é. Apesar de se translocarem no sentido descendente. até certo ponto. aproximadamente.quando aplicado em solução nutritiva. Ele transloca-se. apesar de ser bastante móvel no sentido basípeto da planta. 118 Módulo 3. A elevação da umidade relativa pode aumentar o movimento descendente do 2. que é a striga (erva-debruxa).parece movimentar-se prontamente em ambos os sistemas (apoplásticos e simplásticos). pode danificar a cultura quando ele for injetado em algumas espécies que são capazes de excretá-lo através de suas raízes. Essas substâncias podem. 1992). pelas raízes. A adição do ácido 2-cloroetil-fosfônico (ethrel) ao dicamba aumenta a sua translocação. O 2. em grande proporção. espalhando-se rapidamente por toda a planta. é rapidamente absorvido e translocado para todas as partes da planta. no sentido descendente. sendo exsudado. 2. talvez por inibir o movimento junto à corrente transpiratória. relacionada com sua exsudação por elas. Aplicado nas folhas do milho.3 . Pequena acumulação ocorre nas raízes. formulação e misturas . podendo causar danos às plantas adjacentes às tratadas. então. O uso deste herbicida no raleamento de floresta. 10 vezes mais tóxico às raízes que o 2.1.Translocação de alguns herbicidas Dicamba . metabolismo. não se acumulam na raiz por causa do fenômeno da exsudação.

translocação. A translocação das raízes para os caules parece estar relacionada com a lipofilicidade das imidazolinonas. Aplicados às raízes. onde. dentro de 30 minutos elas podem ser detectadas no topo da planta. A diferença de translocação do imazaquin pode ser a causa das diferenças na susceptibilidade entre as espécies. Imidazolinonas . como herbicidas não translocáveis nas plantas. em menor proporção. caules e raízes e se trans¬locam via floema ou xilema até os pontos de crescimento. Algumas. A sua velocidade de ação é proporcional à intensidade luminosa. Entretanto. como metribuzin. espalham-se por toda a planta. principalmente diuron. formulação e misturas 119 .3 . portanto. metabolismo. são também absorvidas pelas folhas. Alguns trabalhos mostram que a translocação é aumentada pela redução da umidade relativa (elevação da transpiração). principalmente quando aplicados durante o dia. em solução nutritiva. sendo todas elas translocadas exclusivamente via xilema.a maioria das triazinas são mais facilmente absorvidas pelas raízes. principalmente nos cloroplastos. mas pouco ativo em Avena fatua. que é concentrada nos tecidos meristemáticos. enquanto a translocação no milho continua por muito tempo. em razão de sua rapidez de ação. aparecem os sintomas de toxidez. sob forte intensidade luminosa.estes herbicidas são absorvidos por folhas. Triazinas . Fatores que reduzem a transpiração da planta reduzem também a sua translocação. Algumas uréias. As triazinas também se acumulam em glândulas ricas em óleos.os derivados da uréia substituída são translocados exclusivamente via apoplástica. Ocorre paralisação da translocação em aveia uma hora após o tratamento. a pequena translocação do produto ocorre pelo sistema apoplástico. ametryn e atrazine. os cloroplastos. eles não se translocam de uma folha para outra. Contudo. fluometuron e linuron. Quando aplicadas às raízes das plantas. atingindo. eles são considerados herbicidas de contato. Na prática. por causa do fechamento dos estômatos (redução na taxa de transpiração). de alguma forma. ao inibir a fotossíntese. a translocação da folha para o caule parece não estar relacionada com a lipofilicidade. Altas concentrações destes produtos são encontradas em glândulas ricas em óleo (verdadeira barreira à translocação destes herbicidas) localizadas ao longo do caule e nas folhas da planta. O sítio de ação dos herbicidas deste grupo é a enzima AHAS (ácido aceto hidroxi sintase). na prática. Imazaquin é muito ativo no milho. promove o acúmulo de CO2 na câmara subestomática. Módulo 3. Quando o paraquat é aplicado no escuro. onde atuam. porém se translocam apenas do ponto de aplicação para as extremidades da parte da planta onde foram aplicadas. Os estômatos fecham-se porque o herbicida. mais rápida é absorvida pelas raízes e mais rápida é a translocação para o caule. inicialmente. principalmente. parece que ele atinge o xilema antes de necrosar o tecido e se move com a corrente transpiratória tão logo a planta seja exposta à luz. Assim. A taxa de absorção decresce algum tempo após a aplicação. Bipiridílios – são considerados. Aparentemente.Herbicidas: absorção. penetram no simplasto. quanto mais lipofílica for a imidazolinona. concentrando-se nas extremidades das folhas. Outros autores admitem que a translocação ocorrida na planta seja por difusão causada pelo rompimento das células. em plantas de algodão. Aplicados às folhas. onde inibem a síntese de aminoácidos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Uréias . são bastante toleradas pelos citros e pelo algodão.

Os compostos geralmente encontrados em conjugação com 2. valina. A hidroxilação na posição ‘para’ inativa o produto. conhecer os seus metabólitos e a forma como são metabolizados. metabolismo o da molécula é uma das principais causas da seletividade. aqui. translocação. aminoácidos também são mecanismos de inativação do 2. incluindo absorção. causando a inativação do herbicida. na passagem do cloro de uma posição para outra. fenilalanina e triptofano. há hidroxilação na posição anterior do cloro. etc.4. transformando-se em composto tóxico (2. metabolismo. Algumas leguminosas. A maioria das plantas degrada a cadeia do ácido acético. metabolismo.: auxínicos. É importante saber não só que o herbicida é metabolizado.Herbicidas: absorção. Normalmente.4-D são: ácido aspártico. • hidroxilação do anel aromático.4-DB → β oxidação → 2. também. formando o 2. na planta. na época da colheita das estruturas utilizadas para a alimentação.3. 120 Módulo 3. A transferência do cloro da posição '4' para a posição '3' e a passagem do cloro da posição '5' para posição ‘6’ do 2. Embora os herbicidas venham sendo usados há mais de 50 anos. do metabolismo dos herbicidas nas plantas apenas em relação à sua detoxificação. formulação e misturas . A hidroxilação na posição ‘3’ e a sua conseqüente conjugação com glucose e.4-D. ou. inibidores da ALS e da ACCase).5 T. leucina. e • conjugação do composto com constituintes da planta. mas somente algumas espécies o degradam em velocidade suficientemente rápida para aumentar ou proporcionar a sua tolerância ao produto. Uma das maneiras pelas quais as plantas se livram destes produtos é através do metabolismo destes. alanina. o estudo de seus metabolismos é relativamente recente. É muito importante saber se o herbicida é metabolizado ou não.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 3 . As agências governa¬mentais estabelecem limites de tolerância de resíduos dos produtos na planta. como a alfafa. com conseqüente conjugação desta hidroxila com constituintes da planta. ácido glutâmico. o toleram.3 . Para vários grupos de herbicidas (ex.6 T. Tratar-se-á.Metabolismo dos herbicidas nas plantas A seletividade dos herbicidas pode ser atribuída a numerosos fatores. O 2. Derivados dos ácidos fenóxicos Há três mecanismos básicos envolvidos no metabolismo dos derivados do ácido fenóxido acético (Figura 6): • degradação da cadeia do ácido acético.4-D). também o inativam. mas.4-DB também é metabolizado por algumas plantas (Figura 7). translocação.

Herbicidas: absorção. Em espécies tolerantes. são altamente tolerantes às clorotriazinas (atrazine e simazine). antes da saturação dos sítios de ação do produto. principalmente gramíneas como milho. metabolismo. sorgo e cana-de-açúcar.Biotransformação e rotas metabólicas do 2. formulação e misturas 121 . translocação.4-D em plantas superiores Figura 7 – β oxidação do 2. dando tempo para que outros processos metabólicos realizem a sua degradação. enquanto em espécies suscetíveis (feijão e pepino) a degradação Módulo 3.4-D em plantas superiores Triazinas Algumas plantas. Figura 6 . A taxa de degradação das triazinas em plantas superiores varia grandemente com as diferentes espécies.4-DB a 2.3 . elas são rapidamente degradadas (Figura 8).4-D ou o fazem muito lentamente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas porque não o transformam em 2.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas é mais lenta. Portanto.Herbicidas: absorção. o que favorece a tolerância das plantas a estes herbicidas. indicando que nestas a benzoxazinona é mais ativa. Esta substância ocorre em toda a planta de milho. mas a hidroxilação é mais intensa nas raízes. 122 Módulo 3. formulação e misturas . O metabolismo do metribuzin nas plantas superiores pode ser observado na Figura 9. metabolismo.3 . A substância catalisadora dessa reação foi identificada como benzoxazinona. a base de seletividade destes herbicidas às plantas. A N-dealquilação é outra rota do metabolismo das triazinas. demetoxilação e dealquilação na posição ′N′ e por conjugação com peptídeos.Biotransformação e rotas metabólicas de atrazine em plantas superiores Os processos de inativação ocorrem pela hidroxilação. Figura 8 . primariamente. Extratos das raízes e da parte aérea do milho são capazes de hidroxilar as clorotriazinas. Também pode ocorrer conjugação das triazinas com peptídeos. translocação. Glutation-Stransferase é a enzima envolvida nessa conjugação. a taxa de degradação das triazinas parece ser.

o propanil inibe o fotossistema II.3 .Herbicidas: absorção. ou. Propanil É uma exceção entre as amidas. ainda. o 2. demetoxilação e deaquilação. incluindo as de raízes profundas. e também com a conjugação com os constituintes da planta. Enquanto estas inibem raízes e pontos de crescimento. metabolismo. formulação e misturas 123 . a ruptura do anel.Biotransformação e rotas metabólicas do metribuzim em plantas superiores Derivados dos ácidos benzóico A hidroxilação do anel aromático e a sua conjugação com outros constituintes da planta são demonstradas na prática. não se demonstrou.6-TBA é considerado um herbicida estável. Entre os compostos deste grupo. É considerado um herbicida completamente metabolizado pelas Módulo 3. Derivados da uréia As principais rotas do metabolismo das uréias substituídas estão relacionadas com a demetilação e.3. É um produto não-seletivo e de elevada eficiência no controle de plantas daninhas perenes. translocação.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 9 . Entretanto. tanto na planta quanto no solo. formando a correspondente anilina.

Comparando a atividade do 2. considerando-se o tempo de ação. observou-se que o 2. ele se acumula e inibe a reação devido à menor atividade da enzima que o degrada. Trabalhos realizados por Redemann e outros. por unidade de tempo.4-D é mais ativo que o picloram. Esta enzima é sensível aos inseticidas carbamatos e fosforados orgânicos. formulação e misturas . A velocidade de sua metabolização influencia decisivamente a tolerância da planta. Figura 10 .Herbicidas: absorção. Picloram: É um produto altamente estável na planta e no solo. A enzima envolvida nesse processo (arilacilamidase) é 10 a 20 vezes mais ativa no arroz que no capim-arroz. Entretanto. citados por Foy (1976). em trigo.Hidrólise do propanil em plantas de arroz O metabólito 3-4-dicloroanilina formado pode ser conjugado com constituintes da planta. sensível.3 . podendo a mistura do propanil com estes compostos causar sensível redução na tolerância do arroz ao propanil ou até perda total de seletividade do propanil a essa cultura. translocação.4-D com a do picloram (em algumas espécies de plantas latifoliadas). O 3-4-diclorolactoanilida é um composto intermediário e instável nas plantas tolerantes. como o arroz. como o capimarroz. mostraram que somente 17% do picloram tinha sido metabolizado três meses após a sua aplicação. 124 Módulo 3. principalmente com diversos tipos de carboidratos. por causa de sua lenta degradação. razão pela qual o arroz é tolerante e o capim-arroz. metabolismo. Nas plantas sensíveis. A sua alta atividade como arbusticida e arborecida está relacionada com a sua estabilidade na planta. o picloram é mais de 10 vezes mais ativo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas plantas tolerantes (Figura 10).

translocação. e surfatantes (agentes ativadores de superfície). Estes compotos causam redução da tensão superficial. quelatizantes (tiram reatividade de moléculas e íons). por possuírem porções lipofílicas e hidrofílicas na mesma molécula. mantendo essas condições durante o armazenamento e transporte (ARAÚJO. Entre as classes de adjuvantes podem-se citar: emulsificantes (compatibilizam frações polares e apolares). tamponantes (deixam o pH dentro de uma faixa desejada). Qualquer substância ou composto sem propriedade fitossanitária. tendo em vista que o produto final deve ser usado em determinadas condições técnicas de aplicação.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4 . Recentemente surgiram os surfatantes à base de organossilicones. fazendo com que o herbicida penetre. catiônicos (carregados positivamente) e não-iônicos (neutros). adesivos (melhoram a aderência do produto com a superfície tratada). antievaporantes e. corantes (dão coloração ao produto formulado). formulação e misturas 125 . exceto água. ou. que é acrescida na preparação de defensivos para facilitar a aplicação ou aumentar a eficiência ou diminuir os riscos é classificada como adjuvante. é uma formulação universal que possa ser usada em diversos países. O mesmo ingrediente ativo. Os surfatantes são classificados de acordo com sua carga elétrica ou tendência de ionizar a porção hidrofílica da molécula. ingrediente ativo é o composto com atividade biológica. dispersantes (impedem a aglomeração de partículas). que são capazes de reduzir muito a tensão superficial e até induzir um fluxo de massa da solução pulverizada através do poro estomatal. penetrantes. Os surfatantes ou tensoativos são também adjuvantes. também. é comercializado em formulações diferentes em várias regiões do mundo. 1997). para poder cumprir eficazmente sua finalidade biológica. Eles podem ser: minerais (formulados com predominância de frações parafínicas de hidrocarbonetos). segundo Kissmann (1997). Módulo 3. vegetais (apresentam porções variadas de ácidos graxos) e vegetais metilados (sofrem esterificação metílica). espessantes (aumentam a viscosidade). adicionando substâncias coadjuvantes.Formulação Formular um herbicida consiste em preparar seu ingrediente ativo na concentração adequada. espalhantes. Os minerais também podem servir como veículo para aplicação de herbicidas.3 . no Brasil.Herbicidas: absorção. molhantes (permitem rápida umectação do produto em contato com a água). e os ingredientes inertes são os outros compostos adicionados na formulação. adesivos. Os óleos não-fitotóxicos também têm grande uso como adjuvante. Na legislação federal sobre produtos fitossanitários. servindo de interface entre as superfícies. pelos estômatos. seja como molhantes. mas a tendência atual. às vezes. que não alteram o equilíbrio eletrolítico nas formulações e nas caldas. solventes (dissolvem o ingrediente ativo). A formulação é a etapa final da industrialização. metabolismo. Eles podem ser aniônicos (carregados negativamente).

Argilas e compostos orgânicos em suspenão na água podem absorver alguns tipos de ingredientes ativos. assim. causando desnaturação enzimática ou disfunção das membranas e. 1997). e penetração foliar eficiente. Os sufatantes podem.4 320. por diminuírem ou eliminarem a seletividade de alguns herbicidas e até favorecerem ataques de fungos pela remoção da camada cerosa protetora ou por espalharem os esporos pela superfície vegetal (Kissmann. Também. necessidade de armazenagem e tipo de ambiente em que a aplicação é feita. Um exemplo claro dessa ação ocorre com os compostos catiônicos (paraquat e diquat).2 71. também. 1997). danosa a ela. possível injúria na cultura. favorecer mais a penetração do herbicida (RADOSEVICH. Além disso. especialmente os de Ca++ e de Mg++. formulação e misturas . caso esta já esteja instalada. custo. que deve ser de boa qualidade. e não afetar os microrganismos benéficos e a cultura. 4.Classes de dureza da água Classes Água muito branda Água branda Água semidura Água dura Água muito dura ppm de CaCO3 71. ou seja.Veículo de aplicação (água) O veículo mais importante para diluir formulações de produtos fitossanitários a serem aplicados por pulverização ou imersão é a água. tem que ser compatível. Deve também permitir a associação de produtos. nos seguintes fatores: características físicas e biológicas da planta daninha-alvo.4-320.3 . como sendo fitotóxicos. Deve-se salientar que essa dureza é calculada em função do teor de CaCO3 . equipamento de aplicação disponível. os surfactantes favorecem o espalhamento uniforme da calda na superfície foliar. podem solubilizar substâncias não-polares da folha. Uma formulação de herbicida pode ser considerada de boa qualidade se atender aos seguintes requisitos: ser letal à planta daninha ou. que são inativados parcial ou totalmente. tornando-os indisponíveis.0 126 Módulo 3. tanto física (sem absorção ou repulsão entre os ingredientes) como química (sem alteração dos compostos) ou biologicamente (a mistura deve ser eficiente para o controle) e ser estável. A escolha da formulação a ser usada baseia-se. aumentam a retenção e melhoram o contato da gotícula. boa retenção na superfície da folha. no mínimo. que são os principais causadores da dureza da água.2-142. assumir conotações negativas em certos casos. translocação. segundo Ozkan (1995). deve apresentar bom espalhamento.4-534. perigo de deriva e lixiviação.0 > 534.4 142. permanecer ativa por um longo período.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Além da redução da tensão superficial. metabolismo. Quadro 3 .Herbicidas: absorção.1 . A água quase sempre apresenta sais em dissolução.

Valores extremos de pH podem afetar a estabilidade das caldas. e a constante de dissociação também é dependente do pH. de duas maneiras: acrescentando um surfatante não-iônico. possui 50 a 80% de ingrediente ativo (ex: Sencor BR. formulação e misturas 127 . 4. ou acrescentando um quelatizante na água. o que reduziria a tensão superficial dos líquidos. É obtida pela moagem do ingrediente ativo absorvido em material inerte (sílica. e este. cuja velocidade depende do pH. Durante a aplicação. vermiculita. 4. Muitas moléculas sofrem dissociação quando em solução.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A dureza da água interfere na qualidade das caldas dos herbicidas de duas maneiras: Nas formulações . Pó solúvel (PS): nesta formulação o ingrediente ativo é totalmente solúvel em água. Geralmente.ingredientes ativos à base de ácidos ou sais podem reagir na presença dos cátions Ca++ e Mg++ . As indústrias geralmente já formulam seus produtos para serem compatíveis com 20 até 320 ppm de carbonato de cálcio. no produto comercial.Tipos de formulações As formulações apresentam-se.Herbicidas: absorção.2. Nos ingredientes ativos . Muitos produtos que ficam preparados em água por muito tempo. para aplicação sob a forma de suspensão após desintegração e dispersão em água.na presença de tensoativos aniônicos contendo Na+ ou K+.Formulações sólidas Pó molhável (PM): esta formulação é definida pela ABNT como formulação sólida de pó. Adiciona-se geralmente uma substância dispersante. metabolismo. Grânulos dispersíveis em água (GRDA ou dry flowable): é uma formulação sólida constituída de grânulos. segundo Kissmann (1997). com conseqüente perda da função desses surfatantes. maior concentração de Módulo 3. precisa-se de uma agitação contínua no tanque. O ingrediente ativo sólido está na forma de grânulos. A dureza da água pode ser corrigida. basicamente. não requerendo agitação durante aplicação. após dispersão em água. nas formas sólida e líquida. que representa água semidura.0 e 6. as caldas fitossanitárias apresentam mais estabilidade numa faixa de pH entre 6. transformase numa suspensão. antes da aplicação.2 . 700 g kg-1 de metribuzin). descaracterizando sua ação biológica. com possíveis substituições e formações de compostos insolúveis.5. podem sofrer degradação por hidrólise. translocação. formando compostos insolúveis.3 . o que isolaria a carga elétrica e suprimiria a reatividade de íons desta. Possui a vantagem de ter. Geralmente. os elementos responsáveis pela dureza da água Ca++ e Mg++ podem substituí-los. sob a forma de suspensão.1 . etc). adicionado em água. para aplicação. Outro fator muito importante que pode influir na estabilidade dos herbicidas e nos resultados é o pH da água. para evitar floculação e aumentar a establilidade da suspensão.

960 g L-1 de metolachlor). formulação e misturas . Suspensão concentrada (S) ou “flowable”: é uma formulação constituída por uma suspensão estável de ingrediente(s) ativo(s) num veículo líquido. Seu processo de obtenção é o mais simples e barato. 670 g L-1 de 2. Granulados (GR): os grânulos são constituídos de veículos minerais. têm maiores custos e dependem de equipamentos adequados para aplicação e de umidade no solo para liberar o ingrediente ativo (ex. dispensam o uso da água. podem ser aplicados em locais de difícil acesso. e do solvente.: Dual 960 CE. Em geral. a baixa toxicidade e o fácil manuseio (ex. ele deve ser solúvel em pelo menos 25% por litro do solvente. Emulsões concentradas: esta formulação é uma emulsão de ingrediente ativo de baixo ponto de fusão ou líquido. A importância desta formulação reside na possibilidade de poder compatibilizar dois tipos de formulações diferentes.Formulações líquidas Soluções (S): esta mistura é de natureza homogênea. 500 g L-1 de diuron). e de princípio ativo. Emulsões são sistemas termodinamicamente instáveis que consistem em dois líquidos imiscíveis. Como vantagens estão a ausência do pó. 4.: Ordran 200 GR. menor volume de calda para aplicação (ex: Scepter 70 DG. sendo uma alternativa ao concentrado emulsionável (ex. para aplicação após a diluição em água. 1997) (ex. composta do soluto. sendo um deles disperso como glóbulos de pequeno tamanho dentro do outro. etc. 700 g kg-1 de imazaquin). sob a forma de emulsão. Suspo-emulsão: é uma formulação fluida e heterogênea. Pellets ou pastilhas: possuem ampla similaridade com os granulados. álcool. basicamente. A solubilidade mínima necessária é de 12%. são mais seletivos. e um agente emulsificante.2. cuja concentração varia de 2 a 20%. acetona.Herbicidas: absorção. translocação. Microemulsão: é um caso específico de emulsão. permanece por longos períodos em suspensão (mistura mais homogênea) e provoca menos desgaste nos bicos (ZAMBOLIM. metabolismo. 110 g L-1 de fenoxaprop-p-ethyl). que é o ingrediente ativo. que pode ser água. Devido à sua pouca penetração foliar.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas princípios ativos. VALE. Neste tipo de formulação. requerendo.: Karmex 500 SC.: DMA 806 BR. o princípio ativo sólido (micropartículas) é mantido suspenso em água. diferindo-se por possuírem partículas de maior tamanho. constituída de uma dispersão estável de ingredientes ativos na forma de partículas sólidas e de finos grânulos na fase aquosa. Esta formulação contém as fases ‘oleosa’ (contendo o ingrediente ativo e o solvente orgânico surfatante) e ‘aquosa’ (que também pode conter 128 Módulo 3. dissolvido no solvente. O concentrado emulsionável conta. Para que um produto seja formulado como solução. para aplicação após diluição em água. com isso. Possui maior penetração foliar. Concentrado emulsionável (CE): é uma formulação líquida homogênea. 4-D).3 .2 . com um solvente nãopolar (o ingrediente ativo). que pode conter outro(s) ingrediente(s) ativo(s) para aplicação após a diluição. adiciona-se geralmente um surfatante (ex. como a vermiculita. 200 g kg-1 de molinate).: Podium.

especialmente as misturas. reduzir ou eliminar a competição destas com a cultura É importante lembrar que existem centenas de espécies de plantas daninhas e que estas apresentam as mais variadas características morfológicas e fisiológicas. requer grande cuidado. metabolismo. além do conhecimento a respeito das interações entre os produtos.Herbicidas: absorção. a necessidade de reduzir os custos de produção da cultura tem levado os produtores. como: • Controle de maior número de espécies de plantas daninhas e redução do risco de aparecimento de genótipos resistentes. o manejo de herbicidas. tolerância ou resistência) em relação aos herbicidas utilizados. • Redução de resíduos na cultura e no solo devido ao uso de doses menores. A idéia de combinação de herbicidas para controlar seletivamente plantas daninhas em culturas desenvolveu-se posteriormente. homogêneo (ex. entretanto. Houve grande expansão no uso de misturas e na aplicação sequencial de vários herbicidas em um único ciclo cultural. entre outros aspectos. que lhes conferem comportamento diferenciado (susceptibilidade.Vantagens das misturas ou combinações de herbicidas A aplicação de misturas de herbicidas pode oferecer vantagens. além de surfatante). devido ao uso de doses menores de cada herbicida misturado. translocação.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ingrediente ativo solúvel em água. 5 . É mais efetiva que uma única dose de um herbicida. Deve-se dar preferência às misturas prontas. formulação e misturas 129 .1 . quando comparadas com aplicação de um princípio ativo isoladamente. • Redução de custos: o menor custo de aplicação. Além desse fato.3 . Módulo 3. • As misturas foram primeiramente usadas para o controle não-seletivo e seu uso contínuo tornou-se importante. bem como os fabricantes. • Aumento da segurança da cultura. ou mesmo com outros agroquímicos/pesticidas. Há menor chance de a cultura ser injuriada. A aparência é de um líquido transparente. visando obter o máximo de controle de plantas daninhas e minimizar injúrias às culturas. especialmente dos componentes mais persistentes. a preparar misturas de herbicidas com diferentes princípios ativos. 5.Misturas de herbicidas O controle de plantas daninhas visa.: Robust: 200 g de fluazifop-p-butil + 250 g L-1 de fomesafen). o controle mais efetivo de plantas daninhas e as menores quantidades de herbicidas aplicadas geralmente reduzem o custo total do manejo.

resultando em formação de precipitados. complexação.Interações entre herbicidas O termo interação descreve a ação conjunta dos herbicidas nas plantas. causada pela incompatibilidade.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • Controle por um período maior. • Efeitos aditivos: quando o efeito dos herbicidas em mistura é igual à soma dos seus efeitos quando aplicados separados. 5. metabolismo. que resulta numa rápida sedimentação dos componentes da mistura.Incompatibilidade Quando dois ou mais herbicidas são combinados.3 . translocação. Por isso. Estes herbicidas pré-misturados ou em misturas no tanque do pulverizador podem ser mais eficientes ou não. 130 Módulo 3. eles podem ser aplicados separadamente (um após o outro). etc. formulação e misturas . Menor desempenho da mistura pode ser resultado de qualquer incompatibilidade física ou biológica. A incompatibilidade denota a inabilidade de dois ou mais herbicidas em serem usados simultaneamente.. é evitar possíveis incompatibilidades dos componentes da formulação. podem ser observados os seguintes efeitos sobre as plantas: • Efeitos sinérgicos: quando o efeito dos herbicidas aplicados juntos é maior que a soma dos efeitos isolados. É a relação da efetividade de um material com o outro. de modo que sua aplicação não pode ser executada. • Pode melhorar o controle de plantas daninhas pela ampliação da seletividade. juntos (misturados no tanque) ou ainda podem ser formulados juntos (comercializados numa mesma embalagem). uma das vantagens da mistura formulada. 5. A incompatibilidade física é usualmente causada pela formulação e suas interações. Fatores como solubilidade. dependendo do modo como foi feita a mistura.2 .3 . carga iônica e outros parâmetros físicos são responsáveis pela redução do desempenho dos produtos.Herbicidas: absorção. em relação à de tanque. • Melhores resultados em campos com variados tipos de solos. A mistura de um herbicida formulado como pó-molhável. pela adição de outro herbicida mais efetivo sobre determinada espécie de planta daninha predominante. • Efeitos antagônicos: quando o efeito dos herbicidas em mistura é menor que a soma dos seus efeitos quando aplicados separadamente. Quando dois ou mais herbicidas são aplicados juntos. separação de fase. com outro formulado como concentrado emulsionável tem elevada tendência a apresentar incompatibilidade física. em razão da possível ação sinergística na planta daninha e ação antagônica sobre a cultura. por exemplo.

4-D. X+(100-Y) é a toxicidade esperada da mistura. O efeito da interação entre dois herbicidas pode ser estimado pela equação a deguir: em que: X = percentagem de inibição do crescimento pelo herbicida A e p L ha-1. inseticidas organofosforados podem inibir. a mistura é aditiva.Interações de herbicidas com inseticidas em mistura Em geral. inibição do metabolismo. • Se a resposta observada for igual à esperada. imazaquin. Y = percentagem de inibição do crescimento pelo herbicida B e q L ha-1. A redução da penetração pela raiz pode resultar em antagonismo e aumentar a seletividade da cultura. formulação e misturas 131 . imazethapyr. chlorimuron. etc. interações dos mecanismos de ação dos herbicidas envolvidos.3 . entretanto. induzindo o Módulo 3. aumento da translocação. etc. metabolismo. por exemplo. MCPA. Do ponto de vista prático. WARREN. entre o paraquat e o MCPA dimetylamina. seria ideal que a mistura apresentasse efeitos antagônicos para a cultura e sinergísticos para as plantas daninhas. resultando em menor efeito dos herbicidas sistêmicos. Organofosforados estão envolvidos com interações com nicosulfuron (SILVA et al. 2005) A tolerância do milho a este herbicida é devido ao rápido metabolismo deste. Então. 5.. O antagonismo do fenoxaprop com MCPA éster aumentou a tolerância do trigo sem reduzir o controle da aveia-brava (JORDAN.4 . As bases para essa interação podem ser: aumento da penetração foliar dos herbicidas aplicados em pós emergência. ou reduzir. bentazon. • Se a resposta observada foi menor que a esperada. chlorsurfuron. etc.Herbicidas: absorção. a fitotoxicidade de alguns herbicidas tem mostrado ser influenciada por alguns inseticidas organofosforados ou metilcarbamatos. os inibidores de lipídios não devem ser misturados com 2. Várias misturas sinergísticas de herbicidas têm sido reportadas. por exemplo. a mistura é antagônica. O antagonismo em misturas de tanque acontece quando uma reação adversa ocorre entre os herbicidas na solução. O antagonismo também ocorre quando um herbicida de contato é aplicado com glyphosate ou com herbicidas auxínicos. Inseticidas organoclorados não têm apresentado interações com herbicidas. Também pode ocorrer a redução da penetração foliar. translocação. A absorção e a translocação do glyphosate ficam prejudicadas. 1995). a mistura é sinérgica. • Se a resposta observada for maior que a esperada. este metabolismo. e E = percentagem ‘esperada’ de inibição do crescimento pelos herbicidas A+B a p+q L/ha. principalmente quando a formulação éster do MCPA é usada. É o antagonismo químico. É o caso do trifluralin e diuron em algodão e trifluralin e metribuzin em soja.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas É interessante lembrar que esses efeitos podem ser diferentes entre espécies de plantas.

Herbicidas: absorção. fomesafen e imazamox. disulfoton (Disyston) e o clomazone em algodão. viabilizam a aplicação desses insumos de uma só vez. Os mecanismos dessa interação não são bem conhecidos. em mistura com os herbicidas fluazifop-p-butil+fomesafen. se confirmados. bentazon. metabolismo. Interações de herbicidas com fertilizantes em mistura Os herbicidas em misturas com fertilizantes.3 . formulação e misturas .5. porém sem nenhuma base científica. em ensaios preliminares apresentou efeitos aditivos. A aplicação de molibdênio na cultura do feijão. translocação. são usados por alguns produtores.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas surgimento de sintomas de intoxicação nas plantas da cultura. Esses resultados. 5. A aplicação do terbufos em milho é antagonística aos resíduos do imazaquin no solo e tem dado considerável proteção ao milho. É interessante ressaltar o antagonismo entre phorate (Thimet). às vezes. O organofosforado terbufos (Counter) tem causado maiores problemas na prática. 132 Módulo 3. Os inseticidas protegem o algodão de alguma toxicidade do clomazone.

biochemistry. A. LEONARD. HESS. DONALDSON. L.Herbicidas: absorção. 4. P. L. L. 1976. A. B. Adsorption of some herbicides by soil and roots. Picloram and related compounds. 302 p. J. Composição química da cera epicuticular e caracterização da superfície foliar em genótipos de cana-de-açúcar. 2001. D. M. G. p. Associação Regional do Estado do Paraná. 421. Controle de Digitaria horizontalis pelos herbicidas glyphosate. p. G. Absorption of 2. In: Herbicide action curse. N. R. S. MIRANDA. West Lafayette: Purdue University.. formulação e misturas 133 . M. p.J. R... In: Hebicide action course. 19. 2005. Ed. Environmental chemistry of herbicides.. Aduvantes. 378. A. APPLEBY. 1975. Herbicide combinations and interactions. DAWSON. 1995. H. Curitiba. West lafayette: Purdue University.. R. M. C. vol... Bocca Raton: CCR Press. 29. D. FERREIRA. 2. 2. A. MORTON. In: Herbicide action curse. T. Vol. A. GROVER.. 1991. Uptake of herbicides from soils by shoots. BAYER. DEMUNER. WARREN. J. Plant Sci. 23. A. p. 2003. 40 p. HANCE... F. SANTOS. p. v. A.. n. JAKELAITIS. Destino final das embalagens de agrotóxicos (Produtos Fitotassanitários). BEHRENS. 611-619. v. R. 365-393. n. JORDAN. J. HESS. FOY. J. FERREIRA. WHARRIE. J.. HULL. 1994. E. 1973. M. SENAR.. A. PROCÓPIO.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Referências bibliográficas ARAÚJO. A. S.. SILVA. J. Weed Sci. vol. Environmental influences on cuticle development and resultant foliar penetration. p. ELAKKAD. p. West lafayette: Purdue University. Plant Phisiol.. R.. p.) Herbicides physiology. CESSNA. C. degradation and mode of action. v. I. W. D. MARQUES. O. p. H. C. 2. A. (Eds. (Ed. Absorption. 787 p. P. biochemistry. West Lafayette: Purdue University. R. L. BUKOVAK.. Herbicides entry into plants. Cyanamid Química do Brasil... metabolismo. HAY. Módulo 3. In: Herbicide action couse. J. 335-360. D. T. 56-58. 349.. In: AUDUS. A. J. Bot.. D. 344-365. D. 49. 638. O. Vol. H. F. 1981. 52. Rev. 1976. 279-285. translocação. 1976. Can. sulfosate e glifosate potássico submetidos a diferentes intervalos de chuva após a aplicação. R. p. BRIDGES. 1969.. E.4-D.) Herbicides chemistry.. Planta Daninha.4dichlorophenoxyacetic acid and 3-(p-chlorophenyl)1. 1995. L. ecology. R. v. p. Planta Daninha. 1997. GROVER. SILVA. Herbicide transport in plants. 777-813. ecology.. 232-234. By Audus. J. p. In: KEARNEY. v.3 . 1-dimthylurea (monuron) by barley roots. In: Herbicides physiology. A. v. 42. A. 1. E. VENTRELLA. J.. V. Influence of rainfall on the phytotoxicity of foliarly applied 2. KAUFMANN.

v. Effect of ammonium sulphate and other additives upon the phytotoxicity of glyphosate to Agropyron repens (L. M. PR: Edição dos Autores. v. 1997. SCHMIDT. 3. Penetration of 2. Water permeability and fine structure of cuticular membranes isolated enzimatically from leaves of Clivia miniata Reg. Handbook of Weed Managemment Systems. M. Z.) Beauv. Planta Daninha.) London: Academic Press. v. M. p. L. SILVA. Georgia. E. A. New York: John Willey Y Linos. F. TURNER. p. RADOSEWICH. A. 1994. MCKAY. Weed Res. D.I. R. A. A.ed.. V. 1997. C.3 .. J. 204 285. 20. G. Weed Res. Adjuvantes para caldas de produtos fitossanitários. p. Palestras e mesas redondas.. 1994. M. H. Amer. STERLING. I. 1975. C. F.. E. R. p.ed. 2005. 72. 1982. Viçosa.. X. KNOCHE. Bot. J. n. v. Guia de herbicidas. G. LUXOVÁ. SILVA. ZAMBOLIM. Bern/Switzerland. K. 18. MENEGEL. formulação e misturas . KLINGMAN. Organosilicone surfactant performance in agricultural spray application: a review. v. Brasília. In: SMITH. S. C. MERRIDA. Aplicações seqüenciais e épocas e doses e aplicação de herbicidas em mistura com chlorpirifos no milho e em plantas daninhas. 23. Herbicide formulations. P. R. translocação. 1982. M.. 2. 221-239. p. 5. Weed Sci. MG. A. FREITAS. 1980. The use of model system to study the cuticular penetration of 14C-MCPA and 14C-MCPB. ALMEIDA. KOZINKA. A. Inc. 263-276. LOADER. R. L.. 1995. 589 p. 665 p. 41. K. 134 Módulo 3. 34. A. M. C. CARDOSO.. E. CHERSA. In: KOLEK. PIRES. adjuvants and spray drift management.. J.. RODRIGUES. B. 1992. Pflanzenphysiol. N.. metabolismo. 139. SCHONHERR. 1974 OZKAN. E. 74. LIVINGSTONE.. 253. 591 p. Mod.... T. Quantificação dos herbicidas glyphosate e sulfosate na água após simulação de chuva. In: CONGRESSO BRASILEIRO DA CIÊNCIA DAS PLANTAS DANINHAS. Caxambu. 2005. KIRKBY. (Eds.P.. MG: SBCPD.. 42. SILVA. A.. 189 p. 1997. H. Dordrecht: Kluwe Academic Publishers. p. Weed ecology implications for management. V. CIAMPOROVÁ. FERREIRA.Herbicidas: absorção. I.. Inc. M. F. A. VALE. 61. JAKELAITIS. (Eds. 105. F. p. in the plant cuticle. HOLT. R. D. L. Mechanism of herbicide absorption across plant membranes and acumulation in plant cells. PRICE.. 527-534. In: CLUTER. ALVIN.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas KIRKWOOD. NORRIS..4-D in relation to cuticle thickness. Planta Daninha.. 2000. J. v. Maecel Dexker. Londrina. 42 p. 491-499. New York: Wiley & Sons. K.. Root Structure. 1981.. L. n. 217-243. 1997. W. K. S. p. KISSMANN. N. 3. p. Weed science – principles and practices. A. FERREIRA..) Physiology of the plant root sistem... Principles of plant nutrition. ASHTON. F. p. OLIVEIRA.. 21. v.. T. Ced.. A.. C. 431 p. F. M. Controle de doenças de plantas. F.

Antonio Alberto da Silva Profº.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 .UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília .ABEAS Universidade Federal de Viçosa .Herbicidas: comportamento no solo 135 .4 . Rafael Vivian Profº. Rubem Sillvério de Oliveira Júnior Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior .4 .Herbicidas: comportamento no solo Tutores: Profº.Manejo de plantas daninhas 3. Jose Barbosa dos Santos Profº.DF 2006 Módulo 3.

166 3.Herbicidas: comportamento no solo .Principais propriedades do solo que influenciam a sorção de herbicidas.Relação entre KH e incorporação de herbicidas. 166 3. 164 3.2 – Volatilização. 158 2.Estimativa da sorção.2. 162 3. 164 3.Degradação biológica (microbiana) ou biodegradação.2 . 158 2.Degradação química.Processos de transporte.Importância do estudo de herbicidas no solo.5 .2 . 140 2.2. 167 3. 175 4. 147 2. 141 2. 150 2.2 .1 . 154 2. 170 4.Alternativas para redução de perdas por volatilização.6 . 167 3.1 .Relação entre PV e S. 161 3.3 .3 .Fatores que influenciam a volatilização.1 – Persistência.7 – Dessorção.4. 141 2.6.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução. 142 2. 158 2.5. 138 1 .Coeficiente de partição octanol-água (Kow). 150 2.4 – Lixiviação. 162 3.1 . 175 136 Módulo 3.2 .4 .Importância da matéria orgânica do solo na sorção de herbicidas.4 – Solubilidade.2.2 .1 .1 – Precipitação.2. 170 4.3 . 160 3 .Capacidade de dissociação eletrolítica (pKa).Isotermas de sorção. 167 4 .5.6.3 – Adsorção.1 .2 – Absorção.Processos de transformação.3 .Absorção pelas plantas. 139 2 .5 .2. 144 2.2.Textura e mineralogia.Principais propriedades físico-químicas dos herbicidas que interferem na sua sorção no solo. 162 3.4.Pressão de vapor (P). 141 2.6 .pH do solo.4 – Sorção.Processos de retenção.Escorrimento superficial (run-off) e sub-superficial (run-in).5. 155 2.

178 5. 188 Módulo 3. 186 Referências bibliográficas.Fotodecomposição ou fotólise. 177 5 – Fitorremediação. 179 5.Considerações finais.2 . 183 6 .Estratégias para o sucesso da fitorremediação.4 .A fitorremediação como mecanismo de biorremediação.1 .Herbicidas: comportamento no solo 137 .Problemas relacionados aos herbicidas residuais. 182 5.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4.3 .4 .

Os exemplos apresentados destacam os estudos mais relevantes com herbicidas em solos. permitindo maior compreensão da dinâmica desses compostos no ambiente. As práticas agrícolas. atualmente. O seu tempo de permanência no ambiente depende. como o que ocorre para algumas moléculas simples e não-persistentes. inicia-se o processo de redistribuição e degradação dos herbicidas aplicados. para compostos altamente persistentes. ou perdurar por meses ou anos.4 . entretanto. Ao atingirem o solo. além da sua taxa de degradação. Nos últimos anos. especialmente o solo e a água. os estudos envolvendo a sorção de herbicidas em solos brasileiros sob condições de clima tropical são também fundamentais para avaliação da eficiência de controle das plantas daninhas do local. o qual pode ser extremamente curto. o qual atua como o principal receptor e acumulador desses compostos. Embora escassos. 2001) e acabam alcançando direta ou indiretamente o solo. é fundamental que eles sejam adequadamente aplicados. juntamente com os processos envolvidos na dissipação desses compostos no ambiente. da capacidade de sorção do solo. da dinâmica do fluxo hídrico e do transporte de solutos. No entanto. cresce a importância do entendimento do destino final dessas moléculas e do estudo do comportamento no ambiente onde são aplicados. biodisponibilidade e recalcitrância do herbicida. a qual está relacionada à atividade microbiológica.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução O uso do controle químico em plantas daninhas. observa-se maior preocupação quanto à contaminação do ambiente e a utilização racional dos recursos hídricos e do solo. assim como dos próprios recursos naturais que sustentam a produção. tornando-se indiscutível a utilização de herbicidas no sistema agrícola. são responsáveis por grande parte da degradação desses recursos. pois elevados índices de sorção podem comprometer a eficiência do herbicida.Herbicidas: comportamento no solo . para que seja preservada a qualidade final dos produtos colhidos. Com isso. 138 Módulo 3. Neste capítulo são apresentados os principais conceitos relacionados ao comportamento de herbicidas no solo. Outro fator relevante é que 60 a 70% do total dos pesticidas aplicados nos campos agrícolas não atingem a superfície alvo de interesse (LAW. entre outros fatores. constitui-se prática indispensável para a agricultura em larga escala.

o estudo do comportamento de herbicidas no ambiente tem sido realizado através de estimativas das tendências a que estes estão sujeitos em função de três principais processos: retenção. procura-se descobrir as interações do herbicida com os componentes do solo. química e biológica (DORAN. além do próprio herbicida.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1 . Promove a retenção e o movimento da água. atividade e diversidade microbiana. PARKING. embora esses processos sejam descritos de forma isolada. a sua avaliação é de difícil mensuração e repetibilidade. 2001). embora a capacidade de permanência do herbicida e sua degradação no solo sejam um processo-chave na determinação do fato que este terá ou não efeito na qualidade ambiental (Hinz.4 . conhecer os fatores do ambiente. em razão de o solo ser considerado um ambiente heterogêneo sob influência de diversos fatores. 1994). que afetam direta ou indiretamente a eficiência no controle de uma planta daninha. onde interagem inúmeros processos de ordem física. segundo. BEZDICEK. No entanto. de modo a minimizar os eventuais efeitos negativos que a sua presença possa causar ao ambiente. que interagem entre si. sendo responsável pelo suporte físico e de armazenagem dos nutrientes para as plantas. transformação e transporte (Figura 1). Outro fator relevante é que o solo atua na manutenção dos processos vitais. 1992). Módulo 3. uma vez que o herbicida é uma substância exógena ao meio. Atualmente. além da remediação e imobilização de poluentes (GRANATSTAIN. É responsável também pela ciclagem dos nutrientes.Herbicidas: comportamento no solo 139 . suportando as cadeias alimentares.Importância do estudo de herbicidas no solo O estudo do comportamento de herbicidas no solo e no ambiente visa pelo menos dois objetivos principais: primeiramente.

pode ser entendido como um processo geral de sorção de herbicidas no solo. a compreensão dos fatores que regulam as interações de retenção é essencial para entender o comportamento dessas substâncias no solo. por sua vez. normalmente.Representação esquemática da interação entre processos de retenção. constantemente. o processo de retenção. química e biológica). quando em contato com o solo. Entretanto. A distinção entre adsorção verdadeira (na qual camadas moleculares se formam na 140 Módulo 3. Sabe-se que as moléculas dos herbicidas. movimentar-se ou sofrer transformação física. Como os herbicidas movem-se.Processos de retenção O solo é um sistema aberto e dinâmico no qual os seus constituintes podem. a partir da superfície do solo na forma de solução.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 1 . transporte e transformação de um herbicida aplicado ao solo 2 . precipitação e adsorção. estão sujeitas aos processos de movimento. assim como conhecer qual a eficiência quando estes forem aplicado para o controle de plantas daninhas. o processo de retenção constitui-se num dos processos mais importantes para prever a movimentação dos herbicidas no solo e sua taxa de degradação (física. evitando que ela se mova tanto dentro como para fora da matriz do solo. transporte e retenção. Entretanto.Herbicidas: comportamento no solo . A retenção refere-se à habilidade do solo de reter um pesticida ou outra molécula orgânica.4 . o que resulta na dissipação destas. que engloba mecanismos específicos de dissipação dos herbicidas: absorção. química e biológica.

o processo adsortivo de herbicidas. Essa fixação ocorre por interação de forças da superfície do adsorvente (solo) e do adsorvato (herbicida).Absorção O termo absorção é usado especificamente quando as moléculas do herbicida são absorvidas pelo sistema radicular e outras partes subterrâneas das plantas. 2. estrutura molecular. seja ele avaliado em condições laboratoriais ou em Módulo 3.3 .Precipitação A formação de precipitados entre as moléculas de herbicidas pode ocorrer pela junção das partículas dos argilominerais com o herbicida por ligações covalentes de alta força. 2. distribuição de cargas. podendo favorecer. solubilidade. denominado de sorção (KOSKINEN. funções químicas. natureza ácido/base dos herbicidas. o herbicida pode ser adsorvido às partículas coloidais (orgânicas e minerais) do solo ou sofrer repulsão. polaridade. distribuição. o termo adsorção é normalmente substituído por um outro mais geral.Adsorção A adsorção caracteriza-se por um fenômeno temporário pelo qual uma substância dissolvida se fixa a uma superfície sólida ou líquida. Além disso. configuração. as quais incluem tamanho. provocado pelo incremento da energia cinética das moléculas. Segundo Gevao (2000). obtendo-se as curvas denominadas de isotermas de adsorção. em alguns casos. ainda. a adsorção por ligações químicas. a velocidade das reações químicas aumenta com a elevação da temperatura. principalmente com os constituintes orgânicos do solo.1 . a adsorção de herbicidas no solo depende das propriedades deste e do composto aplicado. em razão disso. Dependendo do sentido dessa força.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas superfície de uma partícula de solo).4 . abordadas posteriormente. ou. a adsorção é usualmente determinada apenas através do desaparecimento da substância química da solução do solo. pela formação de uma fase sólida separada na superfície de uma partícula sólida do solo. 2. 1990). Na prática. Esta é a razão pela qual os estudos de adsorção conduzidos em laboratório são realizados em condições de temperatura constante. As quantidades do herbicida adsorvido aos constituintes do solo são diretamente proporcionais à superfície específica do material coloidal e decresce geralmente com o aumento da temperatura. Dificilmente ocorrerá a absorção de herbicidas por partículas minerais ou orgânicas do solo. entre outros. resultando num aumento da concentração na solução do solo.2 . precipitação (na qual tanto uma fase sólida separada se forma nas superfícies sólidas como ligações covalentes com a superfície da partícula de solo acontecem) e absorção dos herbicidas pelas plantas e organismos é difícil. HARPER.Herbicidas: comportamento no solo 141 . Contudo.

ocorrendo comumente em moléculas grandes de herbicidas. em virtude da heterogeneidade do solo e da sua continuidade com sistemas biológicos. ligações eletrostáticas. Figura 2 . sem distinção entre os processos específicos de adsorção. expressando a atração elétron-núcleo. o qual varia em função do mecanismo e da velocidade das reações envolvidas (Figura 2). podendo ocorrer interação entre uma molécula polar e outra apolar. ligações hidrofóbicas.Herbicidas: comportamento no solo . depende do tempo de equilíbrio alcançado pelo material adsorvente (solo) e o adsorvido (herbicida). com força muita fraca. As pontes de hidrogênio caracterizam-se por formar uma interação dipolo-dipolo..Sorção Sorção refere-se a um processo geral.4 . 1993). O processo individual de sorção é profundamente complexo. Entre as forças físicas. absorção e precipitação. devido a um sincronismo no movimento eletrônico.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas campo. As pontes de hidrogênio são produzidas pelas atrações eletrostáticas entre o núcleo eletropositivo do hidrogênio e pares de elétrons expostos de átomos eletronegativos. com alta massa (SCHWARZENDBACH et al. Essa força é extremamente fraca e de curtíssima distância. entre outras. Esse tipo de ligação é muito mais importante nas ligações das moléculas dos herbicidas sobre a superfície da matéria orgânica do que pela 142 Módulo 3. envolvendo mole¬culas sem dipolo permanente. pontes de hidrogênio. 2.4 .Representação da determinação do tempo de equilíbrio necessário nos estudos de adsorção de herbicidas em solos As forças responsáveis pelas reações de sorção dos herbicidas no solo incluem: forças físicas. reações de coordenação e ligações de troca. atmosféricos e aquáticos. a mais importante é a força de Van der Waals.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

superfície das argilas e ocorre com compostos contendo grupos >C=O + grupos –NH (ou –COOH, OH, >C=O ou – NH2) (Figura 3).

Figura 3 - Interação entre atrazine e substâncias húmicas por pontes de hidrogênio. Fonte: Senesi (1992).

Ligações hidrofóbicas estão associadas com a sorção de herbicidas apolares, os quais competem com as moléculas de água pelos sítios sortivos. Muitas das moléculas de herbicidas, principalmente os aromáticos, halogenados, fenóis e bifenóis, com baixa solubilidade em água, podem ligar-se à superfície das argilas por meio de ligações hidrofóbicas. Estas ligações são muito favorecidas quando são adicionados ao solo resíduos orgânicos naturais, aumentando o número de sítios hidrofóbicos de ligação. As ligações eletrostáticas envolvem cargas elétricas de superfície, formadas por complexas reações de adsorção, as quais podem ocorrer por adsorção por moléculas de água, por cátions, por troca aniônica e por compostos orgânicos naturais. A adsorção por troca aniônica é importante para solos pouco intemperizados de clima temperado. Contudo, em condições de solos brasileiros, desenvolvidos em condições de clima tropical e subtropical, predominam argilominerais (1:1) e elevados teores de óxidos de ferro e alumínio, com baixa capacidade de formar este tipo de ligação. As reações por coordenação envolvem ligações covalentes, de curta distância, e com sombreamento dos orbitais. São ligações muito fortes e a energia depende do número de elétrons em orbitais moleculares ligantes ou antiligantes. Essas ligações estão presentes, por exemplo, entre os prótons dos grupos funcionais de superfície e os átomos de hidrogênio (Fe-OH, Al-OH, COOH) e N2 (NH2). Esse tipo de ligação, formando complexos de esfera interna, torna difícil a separação e distinção entre o colóide e a molécula do herbicida. A protonação nada mais é que a formação de complexos de transferência de cargas na superfície mineral. Ocorre quando um grupo funcional forma um complexo com a superfície de um próton. O complexo pode ser extremamente estável, desenvolvendo sorção praticamente irreversível. Esse tipo de ligação ou mecanismo tem sido válido para herbicidas do grupo das striazinas, as quais se tornam catiônicas através da protonação, tanto na solução do solo como durante o processo de adsorção (Figura 4) (SCHWARZENDBACH et al., 1993).

Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

143

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Figura 4 - Interação entre atrazine e substâncias húmicas por protonação do herbicida Fonte: Senesi (1992)

2.4.1 - Estimativa da sorção A avaliação da sorção é feita normalmente por meio da estimativa de coeficientes, denominados coeficientes de partição, coeficientes de partição solo-água, coeficientes de sorção ou constantes de adsorção. Neste capítulo será adotado o termo coeficiente de sorção para denominar a relação entre as concentrações de herbicida em solução e aquelas sorvidas ao solo. O coeficiente de sorção, Kd, pode ser estimado pela relação:

O Kd representa a relação entre a concentração do herbicida que permanece sorvido ao solo Cs (μg g-1) e a concentração do herbicida encontrada na solução de equilíbrio Cw (μg mL-1), para uma determinada quantidade específica do herbicida adicionado. Entretanto, como o teor de carbono orgânico, aparentemente, tem representado melhor a capacidade adsortiva dos herbicidas nos solos, principalmente para os compostos de caráter básico ou não-iônicos (KARICKHOFF, 1981; OLIVEIRA JR. et al., 1999), tem-se corrigido o Kd em relação ao teor de carbono orgânico do solo. A partir dessa normalização do Kd, obtém se o Koc, o qual permite a comparação da sorção entre diferentes solos e é um índice muito utilizado em métodos de classificação de mobilidade e em modelos de simulação do comportamento de pesticidas no solo. A normalização do Kd para o teor de carbono orgânico é feita pela relação:

Em que Koc representa o coeficiente de sorção normalizado para o teor de carbono orgânico do solo (L kg-1) e foc indica o teor (% ou dag kg-1) de carbono orgânico do solo, o qual é obtido dividindo-se o percentual de matéria orgânica por 1,72. Oliveira Jr. (1998), estudando a correlação entre as propriedades dos solos, verificou que os coeficientes de sorção (Kd e Koc) de diferentes herbicidas determinados em solos brasileiros correlacionaram-se significativamente com o teor de carbono orgânico e CTC dos solos para a
144 Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

maior parte dos herbicidas. De modo geral, os herbicidas ácidos fracos (imazethapyr, metsulfuron, nicosulfuron e sulfometuron) foram os que apresentaram menor sorção, ao passo que os herbicidas básicos fracos (atrazine, hexazinone, simazine) e não-iônicos (alachlor) foram os mais sorvidos. No Brasil, o Koc tem sido amplamente utilizado para predizer a capacidade de sorção de diversos herbicidas no solo; também é utilizado juntamente com a textura para recomendar as dosagens dos herbicidas. Entretanto, a padronização do Kd em relação ao carbono orgânico do solo não é consenso entre os pesquisadores da área, pois a sorção de herbicidas à matéria orgânica do solo ocorre de forma heterogênea, em função dos mecanismos e da fração orgânica envolvida no processo sortivo, cujos índices podem não representar a realidade. Ao mesmo tempo, o Kd e Koc nem sempre são suficientemente exatos para descrever a sorção de um pesticida em uma faixa considerada de concentração. As relações entre as concentrações em solução e na fase sólida podem, então, ser descritas por isotermas, descritas no item 3.4.2. As estimativas dos coeficientes sortivos apresentados (Kd e Koc) geralmente são conduzidas em condições laboratoriais, empregando-se a cromatografia líquida e gasosa como técnicas analíticas na determinação das concentrações dos herbicidas nas fases sólida (solo) e líquida (solução do solo) propriamente ditas. Entretanto, devido aos custos envolvidos nessas análises, outras formas de estimar a capacidade de sorção desses compostos no solo podem ser utilizadas. Entre elas, a técnica de bioensaio representa um método simples e de grande valia na determinação da capacidade sortiva e de resíduos de herbicidas no solo. Inicialmente, para a utilização dessa técnica, são feitas curvas de dose-resposta para cada composto, utilizando-se plantas indicadoras específicas ao mecanismo de ação de cada herbicida. As curvas de dose-resposta devem ser feitas no solo a ser estudado e em material inerte, preferencialmente areia lavada, isentos de qualquer resíduo. Após a aplicação de doses conhecidas do herbicida, são realizadas avaliações nas plantas indicadoras, as quais incluem fitoxicidade, altura da planta, comprimento de raiz, massa seca da parte aérea e raízes (Figura 5). Após as avaliações, utilizam-se modelos de regressão não-linear, como o proposto por Seefeldt et al. (1995):

em que D e C representam os limites superior e inferior da curva, respectivamente; b, a declividade da curva; e C50, a dose correspondente a 50% de resposta. O limite superior da curva D corresponde à respota média da testemunha e o limite inferior da curva C é a resposta média das plantas que receberam os herbicidas. O b descreve a declividade da curva em torno do C50.

Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

145

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Figura 5 - Curva de dose-resposta para massa seca da parte aérea (% em relação à testemunha) de Sorghum vulgare, em função de doses crescentes de sulfentrazone (X) em Argissolo Vermelho-Amarelo (– – –) e em areia (____) Fonte: Vivian et al. (2005)

A partir dos dados obtidos de (C50) em solo e areia, utiliza-se a equação a seguir para expressar a relação de adsorção (RA) do solo em relação à resposta obtida em areia para a espécie indicadora (SOUZA, 1994). Considera-se que valores de RA elevados indicam maior capacidade de sorção do herbicida estudado no solo e, conseqüentemente, menor potencial de lixiviação do composto no perfil do solo. Um exemplo de curva de dose-resposta utilizada para o herbicida trifloxysulfuron-sodium em solo e areia pode ser observado na Figura 6. RA = C50solo – C50 areia C50 areia

Figura 6 – Curva de dose-resposta em solo (a) e areia (b) para trifloxysulfuron-sodium

146

Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

2.4.2 - Isotermas de sorção Quando se deseja estudar o comportamento dos herbicidas em diferentes concentrações no solo, deve-se observar que a sua sorção geralmente não ocorre de forma linear com o aumento do herbicida adicionado. Isso é devido à capacidade limitada de formar ligações com o material coloidal e a variação do coeficiente de sorção com a temperatura e umidade do solo. Para a determinação de uma isoterma de sorção, é necessário determinar o Kd em diferentes concentrações iniciais do herbicida em solução. As isotermas utilizadas para descrever o comportamento de herbicidas no solo, em diferentes concentrações iniciais, podem ser classificadas, conforme o seu comportamentodo, em S, H, C e. Tipo S: é uma curva não-linear e convexa em relação à abscissa. Inicialmente a adsorção é baixa, mas com o aumento da concentração do adsorvato na superfície adsorvida, ocorre aumento na adsorção pela associação entre as moléculas. Isso ocorre em razão da baixa afinidade do adsorvato pela interferência de outras substâncias. A água é um forte competidor na adsorção à superfície coloidal, e, com o aumento na concentração do soluto, essa competição se reduz. Tipo H: ocorre quando o adsorvato possui altíssima afinidade pelo adsorvente, e a máxima adsorção ocorre em baixas concentrações. Desse modo, até que não ocorra a máxima adsorção, não será possível detectar as moléculas na solução. Esse tipo de adsorção ocorre com moléculas extremamente catiônicas ou compostos orgânicos catiônicos, adsorvendo-se nos minerais das argilas.

Figura 7 – Comportamento das isotermas de sorção
Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo 147

pode-se observar a equação empírica utilizada para descrever a isoterma de Freundlich e sua representação gráfica (Figura 8): Na equação. a normalização do coeficiente de Freundlich em relação ao teor de carbono orgânico também pode ser calculada. usando regressão linear e não-linear (isotermas de Freundlich) a 25 ºC. de forma não linear. Caq a concentração de equilíbrio do herbicida na solução do solo (mg mL-1).4 . A seguir.Herbicidas: comportamento no solo . permitindo a continuidade do processo. Kf. considera que a afinidade inicial é alta e. e a curva passa a ser de formato linear do tipo C. diminuem a afinidade e declividade. Cs representa a quantidade do herbicida adsorvido no solo (mg g-1). Tipo L: apresenta-se como uma curva côncava em relação à abscissa. o coeficiente de adsorção Kf é considerado nas análises de capacidade de 148 Módulo 3.Comportamento adsortivo do herbicida Clomazone. definido pelo Ibama para o Brasil. verifica-se melhor ajuste pelos modelos de Freundlich e Langmuir. embora empírico. descritos a seguir: a) O modelo de Freundlich. 1996). Novos grupos funcionais são criados no processo de adsorção. De forma análoga ao Koc. verifica-se que o incremento decresce na adsorção. Quando n for igual a 1. em solo argilo-siltoso Fonte: Mervosh (1995) Segundo o manual de testes para avaliação da ecotoxicidade de agentes químicos. o coeficiente de adsorção da isoterma de Freudlich. assim que a concentração deste aumenta. conforme aumenta a cobertura da superfície. Entre os modelos mais utilizados e que descrevem o comportamento das moléculas dos herbicidas no solo. Existem dois modelos muito utilizados que descrevem o comportamento das moléculas dos herbicidas conforme a sua concentração. dando origem ao Kfoc.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Tipo C: a adsorção ocorre de forma linear conforme aumenta a concentração do adsorvato. É o tipo de adsorção mais comum que ocorre com os herbicidas no solo. Figura 8 . reduzindo a energia de interação proporcionalmente ao recobrimento da superfície. e 1/n é um fator de linearização. determinando a intensidade da adsorção. Esse modelo tem sido amplamente utilizado na determinação dos coeficientes de adsorção dos herbicidas no solo para uma determinada temperatura (CLEVELAND. em função da sua concentração. o coeficiente de adsorção Kf aumenta linearmente conforme aumenta a concentração do herbicida.

Sua classificação varia de pequena a elevada e reflete parcialmente a capacidade de movimento e persistência do composto no ambiente (Quadro 1). Ce é a concentração de equilíbrio do herbicida na solução (mg mL-1) e K1 é o coeficiente de adsorção para o modelo de Langmuir. verifica-se que outras avaliações são necessárias para definição do real comportamento de herbicidas no solo. Entretanto.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas adsorção de herbicidas no solo.4 . por haver inúmeros interferentes nos estudos de adsorção a campo e em laboratório.Modelo da energia de adsorção em função da superfície de cobertura. tem-se a adsorção máxima. A energia de adsorção é a mesma para todos os sítios e independe da cobertura de superfície (Figura 9). segundo as isotermas de Langmuir e Freundlich Módulo 3. Figura 9 .Herbicidas: comportamento no solo 149 . Quadro 1 – Classificação da capacidade de adsorção de agentes químicos no solo Kf 0 – 24 25 – 29 50 – 149 > 150 Classificação da Adsorção Baixa Média Grande Elevada b) O modelo de Langmuir baseia-se na adsorção em superfícies planas que apresentam número fixo de grupos funcionais e que cada um interagirá com uma molécula. Quando todos os grupos funcionais estiverem preenchidos. Esse modelo é expresso pela seguinte equação: em que Cm representa a quantidade máxima do herbicida adsorvido (mg g-1).

09 88. aeração e atividade da biomassa microbiana. principalmente para aqueles recomendados em pré-emergência de característica não-iônica ou para os catiônicos. como herbicidas e metais pesados. diuron e 2.80 ± 0. caracterizando a grande influência da matéria orgânica na adsorção de herbicidas ácidos. assim como a mineralogia do solo em questão. 1992).5 .5. (1999) Adsorção Kf 1/n 39. No entanto. a sorção de herbicidas ao solo aumenta com o incremento da CTC (capacidade de troca catiônica). em certos casos. É responsável também pela estabilidade da estrutura do solo e infiltração de água. (1984). Thompson et al.1 . Já Faloni (1999). avaliando a persistência do herbicida 2.87 ± 0. os quais serão abordados a seguir.Importância da matéria orgânica do solo na sorção de herbicidas Em solos tropicais e subtropicais altamente intemperizados.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2. Ela interfere em todos os processos sortivos que possam ocorrer. Mallawatantri e Mulla (1992) demonstraram que pelo menos 80% do incremento da sorção observada para metribuzin.4-D no solo.4-D em solo arenoso Solo calcinado Solo com MO MO = matéria orgânica Fonte: Viera et al. a matéria orgânica tem grande importância para os processos de retenção de cátions e complexação de elementos tóxicos e de micronutrientes. 2. da área superfícial específica das partículas coloidais da fração argila e.08 1. Quadro 2 .23 0.23 ± 0.Constantes de Freundlich obtidas a partir dos dados de adsorção de 2. estava relacionado ao aumento do conteúdo de carbono orgânico. ao compararem solos com diferentes propriedades.07 Dessorção Kf 1/n 22. no solo contendo matéria orgânica. o teor de matéria orgânica no solo desempenha importante papel quando se trata de contaminantes ambientais.05 A matéria orgânica é o principal componente que influencia a atividade dos herbicidas registrados para uso em solos tropicais.Herbicidas: comportamento no solo .16 ± 0. dos teores de carbono orgânico do solo (VELINI.Principais propriedades do solo que influenciam a sorção de herbicidas Em geral.12 ± 0.28 ± 0.05 20. estudando o comportamento do herbicida atrazine em Latossolo Roxo sob dois sistemas de manejo 150 Módulo 3. (1999). verificaram que em solos com alto teor de matéria orgânica e baixo pH a lixiviação deste herbicida foi menor.03 0. 1999).4-D. o pH.48 ± 0.30 1. também são importantes na sua sorção. CAMARGO.23 ± 0. principalmente.4-D. Segundo Viera et al. Isto pode ser observado segundo os valores de Kf (Quadro 2) para o herbicida 2.4 . constituindo-se num componente fundamental na sua capacidade produtiva (SANTOS.

as propriedades que mais se correlacionam com a sorção de herbicidas básicos e não-iônicos são a CTC e o teor de carbono orgânico (OLIVEIRA JR.4 . Fonte: Oliveira Jr. et al. é possível obter uma predição dos valores de Kd com base nos teores de carbono orgânico do solo (Figura 10). et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas (convencional e direto). Uma vez que a maior parte da CTC nos nossos solos está relacionada à matéria orgânica. essa característica pode ser considerada a mais importante para esses herbicidas. podendo-se ainda estimar a sorção de diversos herbicidas com base nos teores de carbono orgânico (Figura 11). (1998b) Módulo 3. notadamente os não-iônicos.. também percebeu que a matéria orgânica é a principal responsável pela adsorção deste herbicida. Figura 10 . Kd) em função do teor de carbono orgânico do solo. No caso dos solos brasileiros. não-polares como o alachlor.Herbicidas: comportamento no solo 151 .Sorção de alachlor (expressa pelo coeficiente de sorção. 1999). Para alguns herbicidas.

a matéria orgânica do solo encontra-se dividida em substâncias humificadas e não-humificadas. 2001). A parte humificada é composta pelos ácido fúlvicos. 1997). correlacionam-se melhor com os teores de humina do que os de ácidos húmicos ou fúlvicos da matéria orgânica do solo (PROCÓPIO et al. húmicos e humina. mas também na transformação e transporte destes (CORREIA. A disponibilização de maior ou menor número de sítios 152 Módulo 3..Herbicidas: comportamento no solo .4 . et al.. Diversos estudos mostraram que a fração húmica apresenta maior correlação com a sorção dos herbicidas. Dentre os componentes da fração humificada. aromaticidade. As mudanças conformacionais provocadas nas moléculas da matéria orgânica. TRAGHETTA et al. disponibilidade de sítios hidrofóbicos e grupos funcionais.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 11 . existe grande complexidade e variabilidade da matéria orgânica presente em diferentes solos. normalmente. A fonte orgânica. os quais representam a fração mais ativa da matéria orgânica do solo (NETO et al. são citadas como um dos principais fatores que podem influenciar a sua capacidade de adsorção de pesticidas (WANG et al.Relação entre o coeficiente de sorção (Kd) e o teor de carbono orgânico do solo para herbicidas ácidos (linhas cheias) e para herbicidas básicos ou não-iônicos (linhas tracejadas) em solos brasileiros Fonte: Oliveira Jr. em relação ao teor de matéria orgânica total do solo. 999). Herbicidas iônicos (em faixa de pH com baixa dissociação) e os não-ônicos. Entretanto. (1999) Teoricamente.. 1990. Essas diferenças podem interferir não só na retenção dos herbicidas.. pela variação do pH do meio. os minerais do solo e a população microbiana podem proporcionar a formação da diversidade de características dos compostos orgânicos do solo. o clima. os quais variam conforme sua polaridade. 2000). também foram demonstradas especificidades na sorção dos herbicidas.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas hidrofóbicos pelas mudanças conformacionais das moléculas também pode influenciar a sorção de herbicidas lipofílicos (PROCÓPIO et al. na maioria dos trabalhos verificados. a presença de íons saturantes dos grupos funcionais da matéria orgânica e a especificidade dos íons (PIRES. 2001) Outras características do solo também podem afetar a sorção de herbicidas à matéria orgânica: o material de origem do solo. é o principal parâmetro levado em consideração na recomendação da dosagem de herbicidas aplicados Módulo 3. a quantidade de matéria orgânica quimicamente protegida. a relação da textura do solo com a quantidade de matéria orgânica presente. formando complexos argilo-orgânicos. pode ocorrer menor ação microbiana na degradação dessas moléculas. devido à proteção física e química das moléculas do herbicida na matéria orgânica. sabe-se que sorção herbicida-matéria orgânica é mais estável do que aquela resultante da ligação com componentes minerais do solo. é responsável pelas variações nos coeficientes de sorção de herbicidas encontrados na literatura. como pode ser verificado na Figura 12. 1994). Contudo. principalmente para aqueles cuja ação microbiana é a principal forma de degradação. os tipos de minerais predominantes na fração argila. representando menor risco de contaminação dos lençóis freáticos (COX. Dessa forma. Além destes. 1998).4 . Prata (2001) também constatou que adição de vinhaça ao solo faz que o processo de mineralização do ametryn seja acelerado.. entre outros. os solos com altos teores de matéria-orgânica apresentam menor tendência geral de lixiviação dos herbicidas. Atualmente. Entretanto.Herbicidas: comportamento no solo 153 . podendo representar maior permanência desta no meio ambiente. Figura 12 .Simulação da adsorção de atrazine no modelo complexo de muscovita-ácido húmico. a adição de matéria orgânica ao solo acelera a degradação dos herbicidas. Fonte: Adaptado de Akim e Bailey (1998) Embora se verifique extrema quantidade de interferentes nas características de sorção de herbicidas à matéria orgânica.

silte e argila presente no solo é responsável pela classificação das diferentes classes texturais dos solos. como o Brasil. avaliando a adsorção e dessorção do glyphosate em três solos brasileiros com diferentes atributos mineralógicos. extremamente elevada e está relacionada. permitindo que água. e a matéria orgânica desempenha papel secundário no caso de solos oxídicos.5. Em diversos casos observados. Esses minerais apresentam fraca atração dos cátions entre as camadas expansíveis. 2. à fração mineral do solo. citam-se a superestimação dos teores de matéria orgânica efetivamente capazes de adsorver as moléculas dos herbicidas e a profundiade de coleta (0-20 cm) utilizada na determinação dos teores de matéria orgânica do solo. Essas propriedades originam forças de atração de grande intensidade. e não possuem a capacidade de expandir-se. Existem também dados demonstrando que os óxidos de ferro possuem maior capacidade de adsorver os herbicidas em relação aos óxidos de alumínio (Quadro 5). Por sua vez. não ocorre correlação entre o comportamento do herbicida e as concentrações de argila. Apesar de existir grande possibilidade de os solos mais argilosos apresentarem maiores teores de matéria orgânica. e ambos 154 Módulo 3. como no caso dos herbicidas ácidos ou em altas concentrações de carbono orgânico. como a montmorilonita e vermiculita. Em relação aos erros de estimação.2 . observou que a sorção do glyphosate é instantânea. também que. são característicos de regiões muito intemperizadas. podendo reter cátions.Textura e mineralogia O conteúdo de areia. Já minerais 1:1.4 . contribuindo significativamente para o aumento na sorção desses compostos (Quadro 4). A formação de cargas nos minerais 2:1 ocorre pela substituição isomórfica nas camadas tetraédrica e octaédrica. A presença de argilas de baixa atividade. Entretanto. herbicidas e outras moléculas penetrem entre os planos basais e provoquem grande expansão do material. Os óxidos de ferro e alumínio também atuam na sorção de diversos herbicidas. a textura é ainda o atual parâmetro utilizado para recomendação da dose dos herbicidas aplicados em pré-emergência ou pré-plantio incorporado. principalmente. a riqueza de variação das argilas e a formação de compostos argilominerais representam diferentes possibilidades de adsorção dos herbicidas a essas partículas. minerais de argila expansíveis (2:1) e de maior área superfical específíca. de clima tropical e subtropical. Suas cargas podem ser geradas nas bordas do mineral pela dissociação de prótons H+ dos grupos OH. como a caulinita.Herbicidas: comportamento no solo . Prata (2002). possuem maior capacidade de adsorção de herbicidas (Quadro 3).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas em pré-emergência.. principalmente naqueles com capacidade de doação de prótons com carga aniônica (herbicidas ácidos fracos). uma elevação nas dosagens recomendadas para estes solos nem sempre é correta. os erros de estimação dos teores de matéria orgânica e o desconhecimento da sorção específica de herbicidas por alguns argilominerais presentes são um dos inúmeros fatores que devem ser considerados para a adequação nas dosagens dos herbicidas atualmente recomendados. Sabe-se.

a qual será abordada com mais detalhes no item 3.pKa dos compostos.Sorção de imazaquin em diferentes hidróxidos (Fe e Al) Tipo de Hidróxido Hidróxido-Fe Hidróxido-Al Fonte: Shaner (1989).7 Partição do Imazaquin (Sólido/Líquido) (μG/g:μG/mL) 2326:1 238:1 40:1 2:1 0:1 Quadro 5 .3 3.6 5. principalmente em solos muito intemperizados.4-D. principalmente nos daqueles com grande capacidade de inonizarem-se (catiônicos e aniônicos). como os latossolos.8 4.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas encontram-se presentes em grandes concentrações na maioria dos solos brasileiros.3 . para 2. Entretanto.4 .3 .Características de alguns minerais de argila importantes nos estudos de sorção de herbicidas em solo Característica Tipo de camada Capacidade de Expansão CTC (cmolc dm ) Área Superficial Específica (m2 g-1) -3 Montmorilonit Vermiculita a 2:1 2:1 Expansível 80-120 700-750 Ilita 1:1 Caulinita Não-expansível 2-10 25-50 2:1 NãoExpansão limitada expansível 120-200 15-40 500-700 75-125 Quadro 4 – Sorção de imazaquin em diferentes minerais de argila Mineral de Argila H-montmorilonita H-ilita Al-montmorilonita H-caolinita H-vermiculita Fonte: Dolling (1985).5 a 6.0).Herbicidas: comportamento no solo 155 . Constante de Freundlich (Kf) 2.0 6. A influência do pH do solo no processo de retenção e degradação dos herbicidas está estritamente relacionada à capacidade de dissociação eletrolítica . Módulo 3.3. pode-se verificar na Figura 13. contribuindo em relação à capacidade sortiva nesses solos.1. Quadro 3 .pH do solo O pH é uma medida muito importante que pode interferir nos processos de sorção dos herbicidas.Dissociação eletrolítica.5. menor é a quantidade sorvida do herbicida no material coloidal. pH 3. o qual permanece disponível na solução do solo. que à medida que o pH do solo aumenta (2.653 174 2.

7 5. Quadro 6 –Sorção de imazaquin sob diferentes pHs em dois solos Tipo de solo Franco-arenoso Franco-siltoso Fonte: Goetz (1986) pH 5.6 4.Herbicidas: comportamento no solo . Verifica-se. devido ao fatop que o pH influenciar fortemente a ligação das imidazolinonas às frações húmica e mineral do solo.5 Sorção (%) 53 53 0 62 40 25 Em trabalho similiar realizado com imazethapyr (Figura 14).2 5.3 6.6 6. Goetz (1986) demonstrou que a quantidade de imazaquin que se liga a diferentes tipos de solo era diretamente relacionada ao pH (Quadro 6).4 . verifica-se novamente o decréscimo do coeficiente sortivo (Kd) do herbicida com o aumento do pH do solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 13 – Sorção do herbicida 2. que a quantidade sorvida do herbicida aumenta à medida que o pH diminui.4-D em função do aumento do pH do solo No caso de imidazolinonas aplicadas ao solo. 156 Módulo 3. por exemplo. novamente.

a diminuição da sua capacidade sortiva com o acréscimo do pH do meio pode. é maior em solos com pH alto e 157 Módulo 3. conforme verificado na Figura 15. (1998) Para herbicidas de maior persistência. solos ácidos. Fonte: Oliveira Jr. especialmente em termos de lixiviação desses herbicidas. (2002) O pH pode também influenciar diversos outros processos envolvidos na degradação dos herbicidas no solo: a lixiviação de chlorsulfuron. em função do aumento do pH do solo.Herbicidas: comportamento no solo . têm maior capacidade de sorção desses herbicidas e operações como a calagem podem afetar significativamente o seu comportamento.Coeficiente de sorção (Kd) constatado para o herbicida imazetaphyr. também. por exemplo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 14 . Figura 15 – Efeito do pH na lixiviação do herbicida imazaquin em colunas de solo Fonte: Inoue et al. além de possibilitar maior efeito do herbicida em culturas posteriormente instaladas no local. resultar em maior lixiviação do composto no perfil do solo.4 . Nesse caso. de modo geral.

Herbicidas: comportamento no solo .6. A polaridade é muito importante para penetração das moléculas dos herbicidas pela cutícula das folhas e também interfere nos processos sortivos com o solo. embora a degradação do referido produto seja mais rápida em solos ácidos (GOMEZ DE BARREDA et al..Capacidade de dissociação eletrolítica (pKa) O pKa representa a capacidade de dissociação que uma molécula do herbicida possui em água com diferentes pH. Conforme a fórmula molecular e pKa dos herbicidas eles. menor será seu caráter ácido e menor a sua capacidade de ficar aniônico. a maioria dos herbicidas possui em sua molécula uma região polar e outra apolar. Quanto mais polar for o herbicida. Entretanto.Principais propriedades físico-químicas dos herbicidas que interferem na sua sorção no solo As principais propriedades físico-químicas de um herbicida que influenciam o seu comportamento são: coeficiente de partição octanol-água (Kow). pressão de vapor (P) e constante da Lei de Henry (H). o conhecimento das características moleculares dos herbicidas é muito utilizado no estudo do seu comportamento no ambiente. Os valores de Kow são adimensionais. herbicidas com características apolares são considerados lipofílicos. 2. 1993).2 . Ao contrário. expressos normalmente na forma logarítmica (log Kow).6. Embora algumas propriedades estejam mais distintamente relacionadas aos processos específicos de retenção. transformação e transporte. Para 158 Módulo 3. podendo ser encontrados na forma dissociada (ionizada) e não-dissociada (não-ionizada ou neutra). solubilidade. podem ser classificados da seguinte forma: a) Herbicidas ácidos fracos: são os herbicidas cujas formas moleculares apresentam capacidade de doar prótons e formar íons carregados negativamente. a qual tem sido utilizada para substâncias presentes em solução aquosa.6 . e se adapta perfeitamente aos herbicidas em solução do solo.4 . Essa definição está restrita apenas à definição clássica de Brönsted-Lowry.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas baixo teor de matéria orgânica. capacidade de dissociação eletrolítica quando em solução aquosa (pKa). Já os herbicidas polares. 2. 2. diz-se que maior é a sua hidrofilicidade. O comportamento dos herbicidas é muito influenciado pelo seu pKa.Coeficiente de partição octanol-água (Kow) Esta propriedade indica a afinidade que a molécula do herbicida tem em relação à fase polar (representada pela água) e apolar (representada pelo octanol).000) possuem maior potencial de se adsorverem a parte orgânica dos colóides do solo. possuem maior afinidade às partes argilosa e mineral do solo. os hidrofílicos (Kow <10). Geralmente os herbicidas apolares ou lipofílicos (Kow >10.1 . Quanto maior for o pKa do herbicida.

Módulo 3.4-D.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas esses herbicidas. Da mesma forma que os herbicidas ácidos. por exemplo. 2003. como o que ocorre para o paraquat e o diquat. sua forma molecular será favorecida. PÈREZ.8) b) Herbicidas bases fracas: são os herbicidas que apresentam a capacidade de receber prótons e formar íons carregados positivamente.Comportamento de ionização de um herbicida ácido (2. sendo sorvidos ao solo de forma irreversível. passando a apresentar carga líquida positiva (Figura 17). Existe ainda um outro grupo de herbicidas tão básicos que possuem cargas positivas para todos os valores de pH verificados no solo (LEAVITT. Nesse caso. Quanto menor o pH do solo em relação ao pKa do herbicida. 1995) e hexazinone. cyanazine (PIRES et al. quando o pH do solo for inferior ao seu pKa.. Herbicidas pertencentes a essa classificação. podendo reduzir sua capacidade de adsorção (KOGAN. podendo facilmente ser adsorvidos às partículas de argila e aos grupos funcionais que formam a CTC do solo. seu comportamento será semelhante ao das moléculas não-iônicas. CONSTANTIN. Figura 16 .4-D são dicamba. maior será a tendência destes herbicidas de permanecer na sua forma dissociada ou protonada. podem atrair íons hidrogênio em uma solução ácida.4-D. pode liberar íons hidrogênio numa solução básica ou neutra (Figura 16). 1980). como atrazine. Alguns herbicidas de comportamento similar são simazine. OLIVEIRA JR. maior será a tendência de o herbicida estar na sua forma molecular (neutra) e maior será sua capacidade de se adsorver nas partículas coloidais do solo.Herbicidas: comportamento no solo 159 . as concentrações da formas dissociada e neutra serão iguais. Alguns outros compostos que reagem semelhantemente ao 2. Quando o pH do solo for superior ao pKa destes herbicidas. 2001). este será prontamente dissociado e sua capacidade de ficar retido no solo será muito menor. Entretanto. picloram e demais herbicidas pertencentes ao grupo das sulfoniluréias e imidazolinonas.4 . O 2. quando o pH do solo for igual ao seu pKa. Quando o pH do meio for superior ao pKa do herbicida. a molécula estará 50% na sua forma molecular ou neutra e 50% na forma dissociada (aniônica). podendo competir com os sítios de adsorção de nutrientes no solo.. quando o pH do solo for igual ao seu pKa. pKa = 2.

7) c) Herbicidas não-iônicos: os herbicidas que não doam nem recebem prótons na solução do solo são considerados não-iônicos. muitos deles podem ser polares e. a sorção é praticamente irreversível e não ocorre retorno do herbicida à solução do solo. Em outros. pKa = 1. esses efeitos são geralmente de menor intensidade. EPTC e diuron. Embora sejam não-iônicos. embora se tenham verificado poucos estudos referentes a ensaios de dessorção na literatura.Herbicidas: comportamento no solo . 160 Módulo 3. (1993). Entre esses herbicidas estão incluídos trifluralin. altíssima dessorção do herbicida. elevados índices de histerese indicam maior dificuldade de o herbicida sorvido retornar para a solução do solo. ser afetados pelo pH do solo e ficar retidos aos complexos argilominerais e ao material orgânico do solo. como observado por Pusino et al. metolachlor. comparativamente aos herbicidas iônicos. Alguns exemplos de herbicidas e sua classificação encontram-se no Quadro 7. Neste caso. podendo ocorrer. O índice H de histerese pode ser obtido pela equação H= na/nd.Dessorção A dessorção representa a liberação da molécula do herbicida anteriormente sorvida. A informação da capacidade dessortiva do herbicida no solo pode ser muito importante. A intensidade da dessorção reflete o grau de reversibilidade do processo sortivo. em que na e nd representam as curvaturas obtidas nos ensaios de adsorção e dessorção. Os herbicidas não-iônicos não reagem com a água e não carregam uma carga elétrica líquida. por relacionar o seu efeito residual e persistência no solo. 2.7 .4 . em função dessa condição. as isotermas de sorção e de dessorção diferem entre si. (2003) (Figura 18). Conforme Southwick et al.Comportamento de ionização de um herbicida base fraca (atrazine. possibilitando maior permanência deste no ambiente. respectivamente. dando origem ao fenômeno denominado histerese (H).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 17 . em alguns casos. permanecendo em sua forma molecular na solução do solo. alachlor. Contudo.

4-D Alachlor. swep. • falhas no estabelecimento do equilíbrio. Figura 18 . a demanda hídrica para o abastecimento urbano. MSMA. MCPA. imazaquin. imazetaphyr.4-D. propachlor Linuron.Curvas de adsorção ( ) e dessorção ( ) observadas para triasulfuron em três solos com diferentes teores de argila e materia orgânica. cyanazine.Processos de transporte O transporte de herbicidas no solo representa um dos processos envolvidos na dissipação desses compostos no ambiente e se destaca. propazine. picloram. imazapyr.4 . trifloxysulfuron-sodium. principalmente. propanil. prophan Dichlobenil Isopropyl éster de 2. porém as mais aceitas. (2003) 3 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 7 . são: • transformações químicas ou biológicas que o composto em questão pode sofrer. metolachlor. Embora freqüentes. 2. chlorimuron-ethyl Bromacil. prometone. simazine Dicamba. oryzalin. diuron. metribuzin. por influenciar a capacidade de contaminação dos recursos hídricos subsuperficiais. Além disso. isopropalin Chlorprophan. Pusino et al. os problemas de contaminação de aqüíferos no território brasileiro têm despertado pouco interesse dos pesquisadores. industrial e agrícola Módulo 3. paraquat Ametryn.Herbicidas: comportamento no solo 161 . triclopyr.Herbicidas e sua classificação conforme fórmula e grupos funcionais Catiônicos Básicos Ácidos Diversos Organofosforados Dinitroanilidas Carbamatos Benzonitrila Ésteres Anilidas Uréias HERBICIDAS Iônicos Diquat. atrazine. segundo Pignatello (1989). DSMA Não-iônicos Methoxychlor Trifluralin. e • problemas inerentes à metodologia de determinação. chloroxuron Diversas explicações têm sido propostas no intuito de elucidar a não-singularidade das isotermas de dessorção.

O maior potencial de movimento de herbicidas por escorrimento superficial ocorre logo após a aplicação. Já Pfeuffer e Rand (2004) monitoraram os pesticidas entre 1992 e 2001 no sul da Flórida. do tipo de solo em questão. respectivamente. constatando que os herbicidas ametryn e atrazine foram os compostos mais comumente encontrados em águas 162 Módulo 3.4 . além. 1993. de áreas pulverizadas para aquelas que não receberam diretamente o produto..25 1-9 Referência Taylor (1995) Flury (1996) Vicary et al (1999a) Vicary et al (1999b) Em certos casos.Herbicidas: comportamento no solo .1 . No entanto. destaca-se o escorrimento superficial.a aplicado <2 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas tem se elevado nos últimos anos e poucos estudos são conduzidos com o objetivo de retardar o transporte de herbicidas sob condições tropicais. em áreas irrigadas com intensa atividade agrícola. especialmente no caso de herbicidas aplicados em pré-emergência. a volatilização e a lixiviação. Dentre as principais formas de transporte nos estudos de herbicidas em solo. a quantidade total de herbicida que pode ser perdida por meio desse processo normalmente não excede 1% do total aplicado (Tabela 6). como no caso do metolachlor (BUTTLE. o somatório de diferentes pesticidas carreados simultaneamente para uma mesma bacia hidrográfica pode comprometer a qualidade da água em relação ao seu aproveitamento posterior (DOMAGALSKY. para o qual se verificou perda do herbicida aderido aos sedimentos variando entre 9 e 58% do total aplicado ao solo. juntamente com as moléculas dos herbicidas. é claro. Os autores constataram que a maior parte da contaminação era proveniente do escorrimento superficial de áreas irrigadas pulverizadas e que a maior concentração de resíduos ocorria nos primeiros 15 minutos da água.Escorrimento superficial (run-off) e sub-superficial (run-in) Os termos run-off e run-in representam o movimento ou escorrimento em superfície e subsuperfície. Quadro 8 . 1996. 1994). na Carolina do Sul. 2000). O arraste das partículas coloidais.001 – 0.. em certas situações. A intensidade de perdas depende muito do sistema de plantio adotado (SETA et al. as perdas podem ser altas. das práticas culturais. Entre alguns trabalhos citados na literatura. BOWMAN et al. Todavia.90 <1 . CARTER. da natureza e dose das aplicações e da declividade da área. é mais pronunciado quando o produto é aplicado e logo após ocorre chuva intensa no local. pendimethalin e oxyfluorfen) em reservatórios de água.Perdas de herbicidas no solo por diferentes processos de transporte Tipo de transporte Volatilização Lixiviação Run-off Fluxo preferêncial % de perda do i. 3. dos herbicidas no solo. (1994) relataram a detecção de resíduos de herbicidas (oryzalin.5 <0. Keese et al. mesmo quando a quantidade total transportada é pequena. 1990). na maior parte dos casos.

8 4.1 95. 25 °C) aos 84 dias após a aplicação ao solo 14 Volatilizado Mineralizado Total extraído do solo Não extraído (resíduos ligados) Total recuperado Fonte: Mervosh et al. de modo geral. Estudos apresentados por Rand (2004).0 NS b) Aumento da umidade do solo: o aumento da disponibilidade de água no solo facilita a perda de vapor.4 15. (1995) C Recuperado (% do Total de 14C-Clomazone Aplicado) Temperatura de Incubação (°C) 5 15 25 35 DMS5% 1. a elevação da temperatura aumenta a taxa de evaporação da água presente no solo.1 5.5 98. Em solos secos.8 9.Fatores que influenciam a volatilização Vários fatores influenciam diretamente a volatilização de herbicidas presentes no solo.8 2.8 15. já que a água funciona como uma interfase entre a molécula e as partículas do solo.3 7. É por isso que. os valores devem ser determinados à mesma temperatura. mas. Além disso.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas superficiais.Efeitos da temperatura de incubação na distribuição de 14C-clomazone (PV=1.1 3. juntamente com DDD e DDE foi o composto detectado com maior freqüência em sedimentos de rios de áreas agrícolas na Flórida. Quadro 9 . podendo se perder para a atmosfera por evaporação.Volatilização A volatilização é o processo pelo qual o herbicida presente na solução do solo passa para a forma de vapor.7 96. as perdas podem aumentar significativamente em função do aumento de temperatura.4 2. Módulo 3. solos úmidos perdem mais herbicida por volatilização que um solo seco. existe maior probabilidade de o herbicida ser sorvido diretamente às partículas de solo (Quadro 10).8 93. 3. EUA.2.4 1.4 .1 .4 68.Herbicidas: comportamento no solo 163 .5 92.44 x 104 mm Hg. No caso do clomazone (Quadro 9). para efeito de comparação da PV de dois produtos distintos.7 10. sendo o efeito mais pronunciado quanto maior for a PV do herbicida.0 4.2 .0 0.4 60. esta é aumentada por: a) Elevação da temperatura: a temperatura do solo afeta a volatilização de produtos em função da alteração da pressão de vapor.5 9.2 0.8 78. também mostraram que ametryn. 3.

0 12. O potencial de volatilização de um herbicida geralmente pode ser estimado indiretamente.4 15.8 12. ao passo que herbicidas menos solúveis. o que. No caso do EPTC. principalmente. principalmente da solubilidade do composto em questão. algumas alternativas que podem reduzir a volatilização e manter a eficiência desses herbicidas. podem ser incorporados com uma irrigação adequada. eles precisam ser incorporados imediatamente ao solo para que não haja redução substancial de sua eficiência. neste caso. A escolha da forma de incorporação depende.6 37.Herbicidas: comportamento no solo .0 9.4 kg ha-1 à superfície do solo Temperatura do ar ( ) 0 4.5 26. como a estrutura. o peso molecular e. como o EPTC (S=370 mg L-1. Existem.2 81.3 . no entanto. 1994). É uma indicação da 164 Módulo 3. o uso de formulações granuladas em vez das líquidas pode contribuir para diminuir as perdas por volatilização. a pressão de vapor (P).3 mg L-1.2. Herbicidas mais solúveis. sendo expressa normalmente em mm de Hg.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 10 . b) Formulação do produto: para muitos herbicidas com maior potencial de volatilização têm sido desenvolvidas novas formulações com adjuvantes. é a conseqüência de maior importância imediata da volatilização no que diz respeito às atividades agrícolas. Além disso. por meio de suas propriedades químicas.2. necessitam ser mecanicamente incorporados ao solo. com a função de reduzir a evaporação.7 Fonte: Gray e Weierich (1965) °C Perda de EPTC em 24 h. a 25 °C).3 15.0 67.2 75. 3.2 80.Pressão de vapor (P) A pressão de vapor é a pressão exercida por um vapor em equilíbrio com um líquido. a formulação granulada pode reduzir entre 60 e 100% as perdas por volatilização (GRAVEEL.Alternativas para redução de perdas por volatilização a) Incorporação de herbicidas ao solo: a incorporação pode ser feita tanto com implementos quanto pelo uso de irrigação após a aplicação do herbicida. depois de sua aplicação.4 12.4 . % do Total Aplicado Solo Úmido Solo Seco (14% de Umidade) (1% de Umidade) 62. 3. a 20 °C).7 A volatilização pode ser tão significativa para alguns produtos que. TURCO. a uma determinada temperatura. sem dúvida. como o trifluralin (S = 0.2 .Efeito da temperatura na perda de EPTC após a aplicação de 3.

Pequeno. como as dinitroanilinas e os tiocarbamatos.0 x 10-7 2.0 x 10-8 < 1. 1994).0 x 10-8 9.2 x 10 <1.9 x 10-8 -16 PV (mm Hg. mais provável que um líquido vaporize-se. Muito baixo 165 Módulo 3. TURCO. Volátil. Perdas por volatilização são muito variáveis. Grupos químicos de desenvolvimento mais recente. Quadro 11 . Perdas mínimas que não reduzem a eficácia do produto nãoincorporado.0 x 10-12 1. Muito alto. Moderado. já não apresentam esses problemas.4 . No Quadro 11 encontram-se valores de pressão de vapor de alguns herbicidas aplicados ao solo. podendo ser perdido em quantidades significativas quando não incorporado ou em solo úmido.1 x 10-4 3.Herbicidas: comportamento no solo .5 x 10-8 1.0 x 10-5 < 1.4 x 10-8 1.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas tendência da substância química em escapar na forma de gás.1 x 10-5 1.1 x 10-8 < 1.4 x 10-2 5. ou.3 x 10-2 3. imidazolinonas e sulfonamidas. Perdas pequenas podem ocorrer sob alta temperatura.0 x 10-7 < 2. mas pode ser significativo se não incorporado. solo úmido e vento.5 x 10-6 3.1 x 10-2 4. Portanto. a intensidade e a velocidade de volatilização de um herbicida dependem também da intensidade e velocidade de movimento até a interface (normalmente a superfície do solo) onde ocorre o processo.4 x 10-6 Potencial de Volatilização Muito baixo Baixo a moderado Baixo Baixo.0 x 10-7 < 1.6 x 10-3 1.6 x 10-5 4.Pressão de vapor (PV) e potencial de volatilização de alguns herbicidas Grupo Químico e Princípio Ativo Cloroacetamidas Acetochlor Alachlor Butachlor Metolachlor Dinitroanilinas Trifluralin Isopropalin* Oryzalin Pendimethalin Tiocarbamatos Butylate* EPTC* Molinate Vernolate* Sulfoniluréias Chlorimuronethyl Nicosulfuron Oxasulfuron Imidazolinonas Imazamethabenz* Imazapyr Imazaquin Imazethapyr Imazamox Piridazinonas Norflurazon Triazolopirimidin 1. quanto maior a pressão de vapor. Nota-se que o problema de volatilização é particularmente importante para alguns grupos químicos. as quais muitas vezes incorporam adjuvantes com a finalidade de reduzir a volatilização. em solos úmidos Idem Idem Idem Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Perdas significativas quando não incorporado. podendo aumentar sob certas condições. Perdas ainda maiores se não incorporados e. Além do valor específico da pressão de vapor. como as sulfoniluréias. podendo ser de 10 a 90%. 25 oC) 3. normalmente em razão da melhoria na qualidade de suas formulações. comparada a uma perda típica de 0 a 4% por lixiviação e 0-10% por escorrimento superficial (GRAVEEL.

mesmo quando forem iônicas (KOGAN. Por sua vez. * Atualmente não registrados para uso no Brasil Fontes: Adaptado de Ahrens (1994).4 .5 . a quantidade máxima de herbicida que se dissolve em água pura a uma determinada temperatura. a solubilidade de um herbicida e sua sorção no solo estão inversamente correlacionadas. sem carga. a solubilidade em água é um dos mais importantes. 166 Módulo 3. Insignificante. exceto quando solo está quente e não é ativado pela chuva por vários dias após a aplicação. mais provável que o composto em questão seja solúvel. No entanto. maior solubilidade resulta em menor sorção. maior a sua solubilidade.8 x 10-15 3.2. 1996). Dos vários parâmetros que afetam o destino e o transporte de herbicidas. pouco ou não solúveis. 25 oC) 2.9 x 10-8 Insignificante. hidrólise e oxidação) e transporte (ex: volatilização da solução e lavagem da atmosfera pela água da chuva) também são afetados pela extensão da solubilidade em água dos herbicidas.Solubilidade A solubilidade (S) de um herbicida em água é. Acima dessa concentração. Seu valor geralmente é expresso em mg L-1 (normalmente a 25 °C) e é um reflexo da polaridade da substância química. PÈREZ. Outros meios de degradação (ex: fotólise.2. maior será a sua afinidade por água. Em geral.7 x 10-5 6. 2003). dependendo se o herbicida for um sólido ou um líquido na temperatura do sistema: uma fase saturada de solução aquosa e uma fase líquida ou sólida do herbicida (LAVORENTI. ou constante da lei de Henry. dentro de um mesmo grupo químico. exceto quando é exposto a condições quentes e secas por vários dias. há casos em que moléculas de elevada massa molecular apresentam baixa solubilidade. por definição. 3. são. quanto mais iônico.0 x 10-16 Potencial de Volatilização Desprezível Muito baixo 1. isto é. Quanto maior a quantidade de grupos hidrofílicos na molécula do herbicida (mais polares). portanto. O KH é um coeficiente de partição entre o ar e a água (solução do solo). duas fases distintas existirão. em razão de apresentarem coeficientes de sorção para solos e sedimentos relativamente baixos. o aumento no peso molecular diminui a solubilidade.4 . De modo geral. moléculas orgânicas grandes.Relação entre PV e S A combinação de PV e S pode ser expressa através de uma constante denominada KH. logo.Herbicidas: comportamento no solo . Moléculas altamente solúveis são rapidamente distribuídas no ciclo hidrológico. Hatzios (1998) e Rodrigues e Almeida (2005) 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Grupo Químico e Princípio Ativo as Flumetsulam Cloransulammetil Derivados da uréia Linuron Diuron PV (mm Hg.

3. Quando se realiza a incorporação do herbicida. a absorção pelas plantas participa com pequena porcentagem na remoção do total presente no solo. podendo ser usado também como indicativo do potencial de volatilização de determinados herbicidas. Trabalhos feitos com outros herbicidas no campo mostram que as plantas podem remover de 2 a 5% do total de herbicida no solo (SHANER. Uma revisão bastante completa acerca das bases termodinâmicas e da determinação experimental de K¬H pode ser encontrada em Suntio et al.4 . do volume de solo. O KH é muito importante para os herbicidas na fase líquida do solo. As duas propriedades mais importantes no que diz respeito ao processo de lixiviação são a sorção e a persistência do produto. ocorre a diluição da concentração.3 . podendo reduzir as suas perdas. portanto. Experimentos em vaso demonstraram que as plantas podem absorver de 1 a 10% do total de herbicida disponível.Relação entre KH e incorporação de herbicidas A aplicação de um herbicida na superfície gera uma alta concentração numa fina camada de solo. Além disso. A sorção regula o potencial de um herbicida ser Módulo 3. (1988).Herbicidas: comportamento no solo 167 . 3.Lixiviação O destino de herbicidas aplicados ao solo depende muito das propriedades químicas da substância em questão. cujos valores elevados de KH indicam que os solutos são altamente voláteis A constante da lei de Henry é definida pela equação: KH e PV são constantes proporcionais.Absorção pelas plantas A porcentagem de herbicida que a planta absorve do solo é difícil de ser medida.2. Como a perda por volatilização é dada pelo produto de KH por concentração.4 . mesmo compostos considerados não ou pouco voláteis podem apresentar certa perda. etc. Portanto.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas sendo semelhante ao coeficiente de sorção (Kd) usado para descrever a sorção ao solo. a distância torna a difusão para a superfície do solo mais difícil. KH também pode ser usado como indicativo do potencial de volatilização de determinado herbicida. dependendo da densidade de plantas. 1989). das espécies presentes.6 . 3. em virtude da alta concentração numa fina camada superficial do solo.

7 Atrazine 2. cujo critério é ainda utilizado pelo California Department of Food and Agriculture (CDFA). mas. a quantidade do herbicida perdido pela movimentação no perfil do solo é geralmente entre 0.4 Linuron Chlorotoluron 3.9 Chlorotoluror 2. embora solubilidades muito baixas possam limitar o transporte com a água. Widerson e Kim (1986) simplificaram essa caracterização e definiram que os herbicidas que possuíssem valor de Koc menor que 512 (L/kg) e meia-vida (t ½ vida) superior a 11 dias seriam classificados como lixiviadores. (1984) propuseram uma relação entre o Koc e a meia-vida (t ½ vida) dos herbicidas.0 0. para classificá-los como lixiviadores (Koc < 300 (L kg-1) e t ½ vida > 21 dias) e não-lixiviadores (Koc > 500 (L kg-1) e t ½ vida < 14). Embora empíricos.4 .5 Isoproturon Diuron 10.9 0. Cohen et al.1 1. Em 1986.6 Diuron CMPA 7. cuja equação a seguir estabelece que herbicidas com índice GUS<1. Entre os critérios mais divulgados e aceitos para a classificação de herbicidas conforme seu potencial de lixiviação está o índice GUS (Groundwater Ubiquity Score).8 são considerados 168 Módulo 3. Em condições normais. esses modelos têm contribuído na redução dos custos de análise e também na prevenção de desastres ambientais.1 Dichlobenil 1. esse percentual pode ser igual ou superior a 5% (Carter. alguns estudos têm sido realizados com o intuito de prever o potencial desses compostos de atingir rios.4-D 5. Entre os estudos realizados. em determinadas circunstâncias. como o realizado pelo National Center for Ecotoxicology and Hazardous Substances. 1999 Além das avaliações in locu.Herbicidas: comportamento no solo .5 Atrazine Mecoprop 12. 2000).4 0.8 1.4 Mecoprop Simazine 5.4 Environment Agency. lagos e águas em profundidade. Quadro 12 – Percentual de amostras de águas avaliadas no Reino Unido que excederam o limite de resíduos permitido Herbicidas com % amostras excedendo 0. A solubilidade é de importância secundária. do Reino Unido apontaram alguns dos herbicidas com excesso de resíduos nas amostras de águas avaliadas (Quadro 12). Alguns estudos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas perdido com sedimentos ou por lixiviação.1 Bromoxynil 1.1 mg L-1 Águas de superfície Águas subterrâneas Isoproturon 19.1 Fonte: 4.6 Terbutryn 1.6 Benazolin 2.1 a 1% do total aplicado. com o objetivo de verificar a contaminação das reservas hídricas por pesticidas.8 Bentazone 1. proposto por Gustafson (1989).

8 representam produtos lixiviáveis. como argila. para que o fluxo hídrico consiga carrear o herbicida pelo perfil do solo (OLIVEIRA JR.Herbicidas: comportamento no solo 169 . cujo resultado final permite elencar os compostos em relação ao maior ou menor risco para o meio ambiente (Quadro 13). Recentemente. Kogan e Allister (2004) propuseram o IRA – Índice de Risco Ambiental. Entretanto. V (volatilidade) e IT (índice toxicológico). 2001).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas como não-lixiviáveis. ao passo que índices superiores a 2. cujo resultado representa. M (mobilidade). o seu efeito sobre o meio ambiente. peptídeos e açúcares.8 e 2. O índice é definido pela soma de inúmeros fatores: P (persistência).Relação de herbicidas classificados conforme somatório obtido pelo IRA – Índice de Risco Ambiental Herbicida Trifluralin Hexazinona Paraquat Imazapyr Triclopyr Oxyfluorfen Linuron Sulfentrazone Isoxaflutole Haloxyfop Oryzlain Glyphosate Fluazifop Amônio-glufosinato Sethoxydim P 2 3 4 3 1 2 2 2 2 1 1 1 1 1 1 D 4 1 3 1 1 2 1 1 1 1 3 3 1 1 1 V 4 1 1 1 2 2 2 1 1 1 1 1 1 1 1 M 1 4 1 4 4 1 2 4 4 3 1 1 1 1 1 IT 4 2 2 2 2 3 3 2 2 3 3 2 3 2 2 IRA 15 15 11 11 11 10 10 10 10 9 9 8 7 6 6 Módulo 3. Aqueles com valores entre 1. ácidos fúlvicos e húmicos de baixo peso molecular. ele deve estar na solução do solo ou adsorvido a pequenas partículas. sendo adotada por inúmeros estudos que buscam relacionar o potencial de lixiviação dos herbicidas no solo com a contaminação de lençóis freáticos. além da capacidade de lixiviação do herbicida. aminoácidos.. Quadro 7 . para que um herbicida seja lixiviado. além de possuir t ½ vida elevada. D (dose). entre outros.4 .8 são considerados de potencial lixiviador intermediário: GUS = log t½ * (4 – log Kfoc) A equação utiliza os valores de t½ vida do herbicida e o coeficiente de sorção normalizado para teor de carbono orgânico do solo.

4. em que Ct representa a concentração no tempo t. e K. nos quais somente uma linha de dissipação é apresentada. Essas substâncias podem incluir produtos de degradação (metabólitos).693. e. como a apresentada a seguir. até a sua completa mineralização. conforme fórmula que segue: t 1/2= 0.Processos de transformação Os processos de transformação das moléculas de herbicidas presentes no solo e água são decorrentes da degradação dessas moléculas em compostos secundários. químicas e biológicas que levam à formação de metabólitos ou à completa mineralização das moléculas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4 . considera-se que resíduos de herbicidas no solo sejam quaisquer substâncias resultantes da sua aplicação. além da própria molécula do herbicida.Herbicidas: comportamento no solo . Para modelos lineares. Co a concentração inicial e k.Persistência De forma prática. Ct a concentração no tempo t. pode-se estimar a t ½ vida. A t ½ vida é definida como o tempo necessário para que ocorra a dissipação de 50% da quantidade inicial do herbicida aplicado. o ln será igual a 0. normalmente utilizam-se equações não-lineares de regressão (bi-exponen¬ciais) para o cálculo da t ½ vida de herbicidas no solo.4 . por análise de regressão linear.1 . obtendo-se como produto final água. O seu cálculo deriva do modelo de primeira ordem definido pela equação: Ln C0/Ct = K * t em que C0 é a concentração inicial do herbicida. A equação anterior admite que a taxa de degradação diminui linearmente com o decréscimo da concentração.693/K Entretanto. 1993). a degradação refere-se a um conjunto de transformações físicas. CO2 e compostos inorgânicos (MELTING. a constante de degradação. quando C0/Ct for igual a 2. De forma geral. A persistência desses compostos é normalmente medida pela meia-vida (t ½ vida). Essa equação pode ainda ser simplificada assumindo que. os intervalos de tempo 170 Módulo 3. A degradação de moléculas de herbicidas no solo e o conhecimento dos principais mecanismos responsáveis pela aceleração ou pelo retardamento do processo influenciam diretamente a persistência desses compostos no ambiente. a qual é extremamente importante para predizer o risco de contaminação de lençóis freáticos. a constante de degradação.

em muitos casos.3 1.2 1. ao aumentar a dose de aplicação do herbicida. dentro dos limites de uso agrícola. (1997) Campanhola et al. embora a t ½ vida sirva de parâmetro para avaliação do tempo de permanência do herbicida no ambiente. (cm) 0-14 0-10 0-30 50-200 0-40 100200 0-15 70-150 MO Argila Areia pH (%) (%) (H2O) (%) 45 28 17 39 47 44 47 48 61 48 56 40 63 72 20 48 46 44 28 27 27 24 5.1 7. No Quadro 15 são mostrados os valores de meia-vida de alguns herbicidas em solos do Brasil. No Quadro 14 encontram-se exemplos de classificações adotadas na Inglaterra e no Brasil. 9-12 (1982) 54-63 Novo et al.8 4.0 Podzolico Vermelho-Amarelo 0-10 Chlorsulfur on Latossolo Eermelho-Escuro . pH e textura).4 4. Assim. 1996). (1997) Ravelli et al. ambiente (temperatura e precipitação) e práticas culturais (sistema de plantio e doses aplicadas).4 5.3 1. Quadro 14 .8 6.7 2.8 5.6 0. (1997) 171 3. No entanto.6 9.Exemplos de classificações de herbicidas quanto à persistência no solo Inglaterra Classe Não-persistente Levemente persistente Moderadamente persistente Muito persistente Fonte: Adaptado de Roberts (1996) e Foloni (1997) t1/2 (dias) <5 5-21 22-60 >60 Brasil (IBAMA) Classe Não-persistente Medianamente persistente Persistente Altamente persistente t1/2 (dias) <30 30-180 180-360 >360 Quadro 15 . (1997) 10-16 Ravelli et al. (1995) Nakagawa et al. (1997) 8-13 Ravelli et al. a classificação de um herbicida como “persistente” ou “não-persistente” varia de acordo com o propósito da classificação. 56 (1995) 22 Blanco et al. a t ½ vida poderá ser alterada e maior quantidade do herbicida estará disponível no ambiente.2 a t1/2 Referência (dias) Nakagawa et al. Ct =C0 * e -kt Sabe-se que valores altos de t ½ vida contribuem.7 2.3 0. (1997) 54 5-29 8-21 8-26 Ravelli et al. sua persistência é basicamente dependente de quatro fatores: solo (teor de carbono orgânico.Valores de meia-vida (t ½ vida) observados para alguns herbicidas em solos do Brasil Herbicida Tipo de solo Classe Latossolo Vermelho-Escuro Atrazine Glei húmico Simazine Trifluralin Metribuzin Latossolo roxo Latossolo Vermelho-Amarelo Latossolo Vermelho-Amarelo Latossolo Vermelho-Escuro Latossolo Vermelho-Escuro Latossolo Vermelho-Escuro Módulo 3.2 5. para que o herbicida atinja e contamine águas superficiais e subsuperficias. Por outro lado.7 4.4 5.6 3.4 . (1997) Ravelli et al.6 4. (1993) 7-21 Ravelli et al.6 5.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas considerados podem fornecer estimativas e interpretações errôneas da t ½ vida de herbicidas (BLUMHORST.Herbicidas: comportamento no solo Prof. população de microrganismos presentes.

4 . 172 Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nas Figuras 19 e 20 são encontrados exemplos de comportamentos de persistência de herbicidas em um Latossolo Roxo distrófico (LRd). que pode ser definido como sendo os resíduos fitotóxicos que permanecem no solo e que venham a afetar culturas sensíveis plantadas em rotação após aquelas culturas em que foi utilizado o herbicida.Herbicidas: comportamento no solo . Observa-se que os herbicidas tendem a persistir por período mais prolongado quando lixiviam mais rapidamente para horizontes subsuperficiais. Entre as principais formas pelas quais os herbicidas são degradados. as que seguem. Isso ocorre principalmente para compostos cuja degradação é fortemente influenciada pela atividade microbiológica do solo. a qual é reduzida à medida que se afasta da camada superficial do solo. Eventuais alternativas para minimizar o problema de carryover incluem a redução das doses (pode não resolver o problema em certos tipos de solos) e a aplicação em faixas ou dirigida em vez de em área total (reduz a quantidade total de herbicida aplicado). podem-se citar. Herbicidas com maior persistência podem resultar no fenômeno denominado carryover. É o caso do imazaquin em relação ao trifluralin.

(1998) Módulo 3.Herbicidas: comportamento no solo 173 .Toxicidade visual (parte aérea) em plantas de milho cultivadas em amostras de solo coletadas aos 120 (A). 150 (B) e 180 (C) DAA.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 19 .4 . provenientes de áreas que receberam a aplicação de doses de imazaquin Fonte: Silva et al.

Herbicidas: comportamento no solo . (1998) 174 Módulo 3. 150 (B) e 180 (C) DAA. provenientes de áreas que receberam a aplicação de doses de trifluralin Fonte: Silva et al.4 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 20 .Toxicidade visual (parte aérea) em plantas de milho cultivadas em amostras de solo coletadas aos 120 (A).

A estabilidade desses herbicidas sugere que a hidrólise química não é um mecanismo importante na sua degradação no solo (SHANER. Ativação: conversão. 4. de um substrato não-tóxico em uma molécula com ação biocida.Degradação química A degradação ou decomposição de herbicidas no solo por meio de reações químicas e nãobiológicas são comuns para diversas moléculas. envolvendo várias reações seqüenciais. Conjugação: quando o substrato torna-se mais complexo pela adição ou complexação com metabólicos microbianos. Embora para a grande maioria dos herbicidas aplicados ao solo os processos de degradação mediados por microrganismos sejam mais importantes. Módulo 3. Detoxificação: conversão de uma molécula tóxica em um produto menos tóxico ou atóxico. pelo início de uma série de atividades degradativas que ocorrem no solo e torna-se indispensável para os processos de transformação das moléculas de herbicidas no solo. Essa transformação pode ser primária. entre eles: • características estruturais do composto: quantidade de substituição e natureza do grupo introduzido no núcleo central da molécula. A hidrólise representa um processo geral de reação do herbicida com a água. O fenômeno da recalcitrância (baixa degradabilidade no solo) é bastante complexo e regulado por outros fatores. mas com potencialidade de ativação e toxidez. O pH do solo também auxilia na velocidade da reação.4 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. ou mais complexa. envolvendo mudanças estruturais na molécula.3 .Degradação biológica (microbiana) ou biodegradação O termo biodegradação refere-se à transformação biológica de um composto químico orgânico em outra forma. implicando a perda ou alteração da toxidez da molécula. podendo se tornar recalcitrante e mais tóxico.2 . por exemplo são extremamente estáveis nas faixas de pH normalmente encontradas no solo e apresentam t ½ vida normalmente maior que seis meses. cujos principais mecanismos envolvidos são a oxirredução e hidrólise desses compostos. por ação enzimática.Herbicidas: comportamento no solo 175 . no qual ocorre a quebra de pontes químicas das moléculas herbicidas devido à substituição de um ou mais átomos por íons hidroxil da água (OH-). a hidrólise química é responsável. 1989). como uma oxidação. em geral. As imidazolinonas. Estudos mais detalhados indicam que a biodegradação pode ser por: Alteração não-tóxica: conversão de uma molécula não-tóxica. redução ou perda de um grupo funcional. Esse fenômeno pode ocorrer em solos extremamente secos embora seja facilitada naqueles cuja condição se aproxima da sua capacidade de campo e com temperaturas elevadas. em um produto não-tóxico e desativado.

esse fenômeno tem sido questionado a partir de duas considerações: a primeira é de que a degradação acelerada seria resultado do aumento do número de microrganismos selecionados pelo herbicida e.4 . Estes microrganismos podem utilizar os herbicidas tanto como substratos. ele pode acabar tornando-se mais persistente. sem fornecimento de energia para o seu crescimento (co-metabolismo) (MONTEIRO. Mineralização: considerado sinônimo de degradação. embora os produtos finais sejam CO2.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas desativação de sistemas enzimáticos responsáveis pelas alterações na molécula do produto no solo. 1997). uma vez que está menos exposto ao contato direto com a microbiota do solo.. • ausência de fatores de crescimento ou condições favoráveis para os microrganismos decompositores e • ausência de microrganismo(s) com capacidade metabólica (enzima) capaz de degradar o produto. diz-se que ocorreu um processo natural de adaptação metabólica. RAVELLI et al. os estudos ainda não permitem uma definição sobre a modificação ou atividade mircrobiana envolvida na degradação acelerada de herbicidas. fornecendo nutrientes. mais comumente. NH3 e íons inorgânicos. Já Sanyal e Kulshrestha (1999) observaram a ação de diversos microrganismos na degradação acelerada de metolachlor. Alteração do espectro de toxidez: alteração no composto que provoca alteração do grupo de organismos específicos sensíveis à sua ação. onde tem maiores chances de ser biodegradado. • inacessibilidade do substrato às enzimas ou células microbianas capazes de promover a sua degradação. se um herbicida é lixiviado rapidamente da camada superficial do solo. 1996. entretanto. é mais abundante nas camadas superficiais do solo. Sabe-se. os processos de biodegradação podem ocorrer em função da atuação de uma ou. a ação microbiana pode modificar a estrutura química do produto. (2001) observaram a biodegradação acelerada de carbetamida por microflora adptada. avaliando a degradação de pesticidas em várias profundidades. a segunda. que a população microbiana. representada principalmente por fungos e bactérias. A rota primária de degradação das 176 Módulo 3. pois outros fatores ambientais precisam ser considerados na interpretação desses resultados. ou. Simples degradação: transformação de uma substância tóxica complexa em produtos mais simples. de que essa degradação seria devido ao aumento da atividade enzimática com maior ação degradativa sobre esses compostos. Diversas dessas moléculas têm sido descritas como condicionadoras da microbiota do solo para sua degradação (FELSOT. de várias espécies de microrganismos do solo. diminuindo com a profundidade. Portanto. Hole et al. Entretanto. Vários autores. Quando a biodegradação é acelerada. H2O. Além disso. com utilização do composto como fonte de carbono e energia. como fonte de energia (metabolismo). ainda.. 1993). SHELTON. observaram que a taxa de degradação diminui com a profundidade (VEEH et al. sendo um dos maiores mecanismos envolvidos na degradação de herbicidas. 1996).Herbicidas: comportamento no solo • . Contudo. utilizando esse composto como fonte de C e N.

Embora a energia solar que chega à superfície do solo na faixa abaixo de 295 nm seja considerada desprezível. possuem picos de absorção por volta de 370 nm. bentazon e atrazine em solução aquosa. ou decomposição pela luz. uma vez que a penetração de luz UV no solo é bastante limitada.4 . Portanto. algumas vezes. a oxidação. a desalogenação. Compostos amarelados. A maioria dos herbicidas apresenta coloração que tende ao branco. Apenas aqueles herbicidas na ou próximos à superfície do solo ou sobre plantas serão passíveis de sofrerem fotodecomposição. é a reação fotonucleofílica de hidrólise. diquat. particularmente sob condições de alta umidade e temperatura. ou próximo disso. Isso causa a excitação de elétrons e pode resultar na quebra ou na formação de ligações químicas. superfície mineral.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas imidazolinonas. a isomerização e a polimerização.Fotodecomposição ou fotólise A radiação solar na faixa do ultravioleta (290-450 nm) contém energia suficiente para causar transformações químicas dos herbicidas. as quais podem levar à sua inativação. cultivo e irrigação. e possui picos de absorção de luz na faixa do UV. na presença de um agente nucleofílico em solução aquosa. umidade. propriedades do solo (pH. parece ser a microbiana. disponibilidade de nutrientes. clethodim. estado de humificação da matéria orgânica. o comprimento de onda efetivo na fotodegradação de herbicidas pode estar fora do espectro de absorção específico do composto. e os produtos da transformação resultantes dessas reações.. como as dinitroanilinas. sendo a desalogenação a reação fotoquímica mais comum. triasulfuron. Estudos de dissipação no campo mostram a perda rápida das imidazolinonas a partir do solo.4 . a energia luminosa pode ser absorvida por uma molécula intermediária e transferida à molécula do herbicida por colisão. paraquat. Fatores do ambiente (temperatura. por exemplo. uréias substituídas (diuron. são os mesmos que os encontrados em decorrência de processos enzimáticos. Outros exemplos de reações fotoquímicas comuns ocorrem nas bifenilas policloradas (PCBs). normalmente como os elétrons deslocados (cromóforos). monuron) e em pentaclorofenóis. etc. além das próprias culturas. começa quando a molécula do herbicida absorve a energia luminosa. Dentres as principais reações fotoquímicas. a qual depende da insaturação eletrônica. Exemplos de herbicidas que sofrem fotodecomposição incluem o trifluralin. Geralmente a luz apresenta um papel de catalisador de reações químicas.Herbicidas: comportamento no solo 177 . aeração e micro/macrofauna) e as técnicas de aplicação. 4. Uma reação que também ocorre a partir da substituição de um halogênio de benzeno por uma hidroxila. as de maior ação sobre os herbicidas são: a hidrólise. como hidrólise. oxirredução. Módulo 3. podem afetar a persistência dos herbicidas. vento e luz solar) podem afetar a transformação dos herbicidas tanto na água quanto no solo. Além disso. O processo de fotodecomposição.

4 .que consiste simplesmente em manejar ao longo de um certo tempo a degradação dos contaminantes que ocorre por meio de processos naturais . A Figura 21 exemplifica as estruturas químicas de produtos de fotodegradação do metolachlor. Monsanto e Rhone-Poulanc. nos últimos dez anos. 178 Módulo 3. Mais especificamente. se comprovada ao longo de um período de monitoramento. acentuada pela temperatura elevada na superfície do solo. ou isoladamente. outros fatores podem estar envolvidos. No entanto. Esta alternativa .tem-se mostrado viável nos casos em que ocorrem condições biogeoquimicamente favoráveis e pode ser efetiva na remediação de solos e águas subterrâneas quando utilizada paralelamente a outras tecno¬logias. que se beneficiam do emprego da fitorremediação em suas áreas de produção e de pesquisa (GLASS.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Considera-se que os produtos da fotodegradação sejam similares aos produzidos por processos químicos e biológicos de degradação. Figura 21 .Fitorremediação Recentemente. como Union Carbine. tem-se mostrado que a atenuação natural monitorada pode contribuir significativamente para o controle e a redução da contaminação de solos e águas subterrâneas (FURTADO. 2003). 1998. Herbicidas aplicados à superfície do solo são freqüentemente perdidos. DINARDI et al. e indústrias multinacionais. como a norte-americana Phytotech e a alemã BioPlanta. a degradação química e biológica e a sorção são alguns fatores que devem ser considerados para explicar o desaparecimento dos herbicidas do solo. É possível que parte das perdas esteja relacionada ao processo de fotodegradação. A volatilização. especialmente se um período prolongado de seca acontece após a aplicação..Herbicidas: comportamento no solo . surgiram nos EUA e em grande parte da Europa inúmeras companhias que exploram a chamada “fitorremediação” para fins lucrativos.Estruturas químicas de quatro produtos de fotodegradação do metolachlor Fonte: Kochany e Maguire (1994) 5 . 2005).

este trabalho abordará especificamente aspectos da técnica da utilização das plantas e sua microbiota associada. b). SANTOS et al.. reduzindo-o ou até mesmo eliminando sua toxicidade. os quais incluem a fitorremediação. mais recentemente. VROUMSIA et al. pesquisam e exploram métodos de biorremediação. No Brasil. No processo de biorremediação in situ dito “tradicional”. 2006). bem como instituições de pesquisa. incluindo o desenvolvimento de vários microrganismos comprovadamente eficientes na biodegradação de alguns compostos (BELLINASO et al.A fitorremediação como mecanismo de biorremediação A biorremediação é o processo de remediação in situ de áreas contaminadas que emprega organismos vivos (microrganismos e plantas. em particular bactérias. é no Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Viçosa que se intensificam os estudos na área da fitorremediação de solos contaminados por herbicidas. solventes halogenados. principalmente) capazes de se desenvolverem em meio contendo o material poluente. 2005). podendo atingir cursos de águas subterrâneas.Herbicidas: comportamento no solo 179 . Quando se trata da descontaminação pela utilização de plantas isoladas ou estimulando a microbiota associada às suas raízes.4 . algumas empresas estatais e privadas. principalmente. herbicidas (PIRES et al. YU et al. PROCÓPIO et al. 5. compostos nitroaromáticos e. Portanto. comprovadamente. 2005).1 . incluindo compostos químicos aplicados para as diferentes atividades agrícolas. SIQUEIRA. eficientes na descontaminação de áreas tratadas com os herbicidas trifloxysulfuron-sodium e tebuthiuron e que o provável mecanismo envolvido na descontaminação seja a interação da fitoestimulação e da fitodegradação. Petrobrás (2006) e Unicamp (FEA... são estimulados a degradar os contaminantes seja por utilização da molécula como fonte de nutrientes ou por co-metabolismo. 2004..ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Dentre os compostos de difícil degradação no solo. o termo biorremediação é amplamente utilizado para o processo de descontaminação de ambientes por microrganismos. 2005. A técnica é bem utilizada para remediação de áreas contaminadas com metais pesados (FRANCO. 2004a. tem-se a fitorremediação (ACCIOLY. microrganismos do solo. Nesses estudos. 2005. de nutrientes e de substrato. Contudo. 2000). visando a descontaminação de ambientes (fitorreme¬diação) que apresentam resíduos de herbicidas em quantidade suficiente para causar interferência negativa nas diferentes atividades agrícolas ou comprometer a sustentabilidade ambiental. 2003. Dessa maneira. 2003. de ambientes contaminados por metais pesados e derivados de petróleo. A pesquisa referente à biorremediação (biodegradação) de áreas contaminadas por herbicidas é relativamente ampla e já bem consolidada.... As condições necessárias para essa degradação incluem a existência de receptores de elétrons. já se sabe que as espécies Stizolobium aterrimum e Canavalia ensiformis são. os herbicidas de longo efeito residual apresentam-se como principal problema à possibilidade de contaminação de culturas plantadas em sucessão e ao problema ambiental ocasionado por sua lixiviação direta ou de seus metabólitos para camadas mais profundas no perfil do solo. entre elas a Embrapa (2005). Módulo 3. QUEROL et al.

2001). o que caracteriza. Esse fato é de ocorrência comum em espécies agrícolas e daninhas. como a capacidade de metabolização do herbicida a um composto não-tóxico (ou menos tóxico) à planta e ao ambiente. SCHNOOR. um importante mecanismo de diminuição do herbicida por ação do fitorremediador parece ser a fitoestimulação.. as plantas. 2003. entre outras. é desenvolvido como agente para o controle do descontaminante. (2005). entre outros. devem ser consideradas para o emprego da fitorremediação em áreas contaminadas por herbicidas: • são contaminantes orgânicos que apresentam diversidade molecular. principalmente por sua eficiência na descontaminação e pelo baixo custo (PERKOVICH et al. A seletividade deve-se ao fato de que os compostos orgânicos podem ser translocados para outros tecidos da planta e. 180 Módulo 3. podem ainda sofrer parcial ou completa degradação ou ser transformados em compostos menos tóxicos. no caso. estimulando o efeito rizosférico na aceleração da mineralização de alguns herbicidas. explosivos. promovido pela liberação de exsudatos radiculares. SCRAMIN et al. de 193 dias. elementos contaminantes. SIQUEIRA. aterrimum. conhecido como fitodegradação. a meia-vida do atrazine foi de 50 dias.. constatou-se que. entre elas C.. 1995. 2004.. Contudo.. o contaminante.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quando comparada com técnicas tradicionais. que atuam degradando o composto no solo. 1996). Apesar das facilidades observadas. foi comprovado que o solo proveniente da rizosfera de diversas espécies de leguminosas. (2000). combinados e/ou ligados a tecidos das plantas (compartimentalização) (ACCIOLY. natural ou desenvolvida..4 . comparado ao solo não vegetado. ou remoção física da camada contaminada. a aptidão rizosférica para a biorremediação desses compostos. 1996. Apesar de ser utilizada em solos contaminados com substâncias orgânicas ou inorgânicas. ensiformis e S. no caso herbicida. COATS. como bombeamento e tratamento. duas limitações. como metais pesados.. apresentou maior atividade microbiana. PROCÓPIO et al. solventes clorados e subprodutos tóxicos da indústria (CUNNINGHAM et al. subseqüentemente. ANDERSON. A utilização da fitorremediação para descontaminação de ambientes com resíduo de herbicidas é baseada na seletividade. 1994. SANTOS et al. e • apresentam complexidade de análise diante das constantes transformações a que estão sujeitos. CUNNINGHAM et al. agrotóxicos. 1996). e em solos não vegetados. que algumas espécies exibem a determinados compostos ou mecanismos de ação. 1996. a fitorremediação tem sido considerada vantajosa. 1996). BURKEN. Em trabalho realizado por Pires et al.. volatilizados. em algumas plantas..Herbicidas: comportamento no solo . especialmente menos fitotóxicos. 2000. Citam-se ainda outros mecanismos. hidrocar¬bonetos de petróleo. PERKOVICH et al. tolerantes a certos herbicidas. em solos rizosféricos de Kochia scoparia. contaminado com o tebuthiuron. na qual há o estímulo à atividade microbiana. só recentemente tem-se apresentado como promissora técnica para descontaminação de áreas tratadas por herbicidas residuais (PIRES et al. Em trabalho realizado por Arthur et al. 2005). principalmente atrazine e metolachlor (ANDERSON et al. Outros trabalhos relatam a contribuição das plantas.

ampliando dessa forma. Para certas características das plantas e condições ambientais. Para ser translocado. no papel eficiente das plantas. 2000). persistência e concentração do herbicida. com exceção do diuron em um dos solos.5 (HOUOT et al..1 (PIRES et al. Essa ligação ou exclusão leva a menor fluxo transpiratório sob valores de Log Kow que se distanciam de 2. Em revisão feita por Pires et al.. CELIS et al. 2003).1. como os herbicidas. vários outros fatores poderão influenciar a capacidade descontaminadora de espécies vegetais em programas de fitorremediação.5 a 3.. pelas condições ambientais e pelas características da espécie vegetal. Maior conteúdo de matéria orgânica reduz as amplitudes de variação da temperatura e umidade do solo.. (2003a) e de acordo com Brigss et al. Todavia. logo. interferem ainda a constante de acidez (pKa) e a sua concentração (ALKORTA. com valores de Log Kow < 2. é sabido que valores de pH fora da faixa de neutralidade comprometem a atividade da microbiota do solo prejudicando diretamente os processos de fitorremediação. fundamental para promover o carreamento do herbicida absorvido para a parte aérea das plantas.0. ligam-se às membranas lipídicas das raízes antes de entrarem no xilema. o produto químico deve passar pelo simplasto da endoderme. os efeitos benéficos nos processos de fitorremediação de herbicidas. Além disso. diuron e metsulfuron-metil na solução do solo e na fração adsorvida em dois tipos de solos e encontraram que a meia-vida destes produtos foi menor em solução que na fração adsorvida. GARBISU. a matéria orgânica constitui o principal contribuinte para a CTC. conseqüentemente. Compostos que são menos hidrofóbicos. levando à fitodegradação.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Segundo Burken e Schnoor (1996). Dos componentes da matéria orgânica do solo. 1995. o conteúdo de argila.1. por exemplo. 2001). de baixa reatividade (caulinita). Solos com alto conteúdo deste mineral apresentam reduzida mineralização de atrazine. como. 1995). não passam através das membranas lipídicas associadas com as camadas da epiderme das raízes. Nas condições tropicais em que os solos são altamente intemperizados com predomínio de óxidos e hidróxidos de Fe e Al e argilas silicatadas 1:1.1. (1982). Módulo 3. o fluxo transpiratório. é maior quando o Log Kow do pesticida varia de 0. incrementam-se também a biomassa e atividade microbiana e a biotransformação das moléculas dos herbicidas no solo (WEED et al.. Outras propriedades do solo podem intervir na fitorremediação e.Herbicidas: comportamento no solo 181 . além do mecanismo de ação. Compostos que são mais hidrofóbicos. apesar de ter valores de pH mais altos que 6.. 2000). as substâncias húmicas são relatadas como as principais responsáveis pela sorção de herbicidas (PUSINO et al. Para atrazine verificou-se que sua mineralização aumentava rapidamente com o aumento do pH (HOUOT et al. além dessa característica. pelas plantas é afetada pelas propriedades químicas do composto. com Log Kow > 2. sendo maior a absorção quando o valor de Log Kow é de 2. Walker et al. as pesquisas devem direcionar esforços para obtenção de melhores resultados para as áreas contaminadas com os herbicidas que apresentam longo efeito residual no solo. Dessa maneira.. 1997). REDDY et al. a absorção radicular de xenobióticos da água (em solução) está diretamente relacionada ao logaritmo do coeficiente de partição octanol-água (Kow) do composto. a absorção de compostos orgânicos. (1996) estudaram a degradação de isoproturon.4 . 1992.

apresenta longo período residual.. principalmente em sistemas agrícolas que necessitam utilizar esses produtos no manejo integrado de plantas daninhas (JAKELAITIS et al.este herbicida apresenta elevada mobilidade em solos com baixos teores de argila e de carbono orgânico. Além disso. é de aproximadamente oito meses. 2005). que é recomendado para uso em pré-emergência na cultura da canade-açúcar. causando intoxicação às culturas de amendoim. Problemas resultantes dos processos de poluição e degradação dos recursos naturais por herbicidas têm recebido atenção especial. como picloram e imazapyr. é essencial conhecer o tempo total necessário para a 182 Módulo 3. reduzindo com isso o número de aplicações. BOVEY. ALMEIDA. 1999). 2005. Sua persistência no solo pode variar de 11 a 14 meses em Latossolo Vermelho-Amarelo em lavouras de cana-de-açúcar (BLANCO. como algodão. Contudo. tomate. Áreas contami¬nadas por estes e outros herbicidas persistentes no solo são prioritárias nos programas de fitorremediação. principalmente como resultado de aplicações seqüenciais ao longo dos anos na mesma área (CERDEIRA. Outros herbicidas. ALMEIDA. 1988) ou mesmo estender-se por mais de sete anos. podendo chegar a até três anos o intervalo para o plantio de culturas sensíveis. podendo atingir lençóis subterrâneos e se mover para outros ambientes com provável contaminação de outros ecossistemas.Problemas relacionados aos herbicidas residuais Atualmente. fonte potencial para contaminação de aqüíferos.4 . especificidade e baixa toxicidade para os organismos não-alvos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 5. para que se obtenha resultados satisfatórios. que é utilizado em mistura com o ametryn na cultura da cana-de-açúcar ou puro na cultura do algodão em pós-emergência inicial.Herbicidas: comportamento no solo . as propriedades procuradas em um herbicida são sua pronta degradabilidade.. eficiência em doses baixas. OLIVEIRA. quando simulada a reunião de todas as condições ambientais que favoreçam sua persistência (EMMERICH et al. o período de espera. 1987) de 15 a 25 meses em solo argiloso (MEYER. portanto.2 .5 g ha-1) (RODRIGUES. a contar da data de sua aplicação. Existe ainda o impacto ambiental negativo ocasionado pela lixiviação dessas moléculas ou de seus metabólitos para camadas mais profundas no perfil do solo.1984). Também o tebuthiuron. 2005). apresentam considerado efeito residual no solo. apresenta problemas de carryover na cultura do feijão cultivado em seqüência. Produtos como o trifloxysulfuron-sodium. sendo. os herbicidas que apresentam longo efeito residual no solo proporcionam a ocorrência de toxicidade em culturas sensíveis (carryover) plantadas após sua utilização. 2005). batata. soja. Mesmo sendo recomendado em concentrações baixas (em torno de 7. SANTOS et al. 2005). Mesmo possibilitando o controle efetivo de plantas daninhas por um período de tempo maior. existindo uma conscientização dos problemas ambientais ou de saúde que podem ocorrer devido à má utilização desses compostos químicos (SANTOS et al.. feijão e soja quando cultivadas até dois anos após a sua aplicação. entre outras (RODRIGUES.. para o plantio de culturas sensíveis.

daí a necessidade do conhecimento de estratégias que acelerem o processo de remediação. O ideal seria reunir todas essas características numa só planta. 1996. Em essência. concentração e/ou metabolização e tolerância ao herbicida..Estratégias para o sucesso da fitorremediação O sucesso no emprego da fitorremediação como técnica para descontaminação de áreas tratadas por herbicidas depende da natureza química e das propriedades do composto. Com base nas análises apresentadas por diversos autores (FERRO et al.. especialmente em árvores e plantas perenes. além da aptidão ecológica da espécie vegetal a ser empregada.3 . 2003). quando necessária a remoção da planta da área contaminada. para promoverem maior descontaminação. Módulo 3. várias espécies podem. 2000. 1998. visando efetivar e diminuir o tempo de descontaminação. entre outros fatores. • fácil colheita. • fácil aquisição ou multiplicação de propágulos.. CUNNINGHAM et al. 5. solo seco. 1994. de clima quente ou frio.. Dessa forma. ser usadas em um mesmo local.. e • capacidade de desenvolver-se bem em ambientes diversos. porém. pedregoso. as vezes é muito longo. NEWMAN et al. como sugerido por Miller (1996). como oposto à transferência para a parte aérea. SIQUEIRA.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas descontaminação. • sistema radicular profundo e denso. PERKOVICH et al. VOSE et al. embora a maioria dos testes avalie plantas isoladas. • fácil controle ou erradicação. ao mesmo tempo ou subseqüentemente. ACCIOLY. • retenção do herbicida nas raízes. Outro aspecto a ser observado é que. • alta taxa de crescimento e produção de biomassa.Herbicidas: comportamento no solo 183 . Dessa forma.. algumas características devem ser consideradas na escolha da espécie vegetal a ser utilizada em programas de remediação de áreas contaminadas por herbicidas: • capacidade de absorção. 1996. com elevada umidade.4 . que. PIRES et al. no caso da fitoestabilização. que tanto pode tolerar como acumular o produto. a espécie vegetal ideal para remediar um solo contaminado por herbicidas seria uma cultura de alta produção de biomassa. a escolha de plantas que apresentem tolerância ao herbicida é o primeiro passo na seleção de espécies potencialmente fitorremediadoras. 2000. a técnica pode apresentar algumas limitações de aplicação. • resistência a pragas e doenças. evitando sua manipulação e disposição. além dos procedimentos para o correto emprego da técnica. São conhecidas espécies que se desenvolvem bem em todos os ambientes. • elevada taxa de exsudação radicular. sendo importante ressaltar algumas delas. • capacidade transpiratória elevada. aquela que for selecionada deve reunir o maior número delas.

. ensiformis e Lupinus albus possibilitaram o pleno desenvol¬vimento de Avena strigosa. 2005). apresentou maior atividade microbiana. 2005. 2005b. as leguminosas C. feijão-de-porco (Canavalia ensiformis) e mucuna-preta (Stizolobium aterrimum) promoveram a fitorremediação de solo contaminado pelo herbicida trifloxysulfuron-sodium. PROCÓPIO et al. 184 Módulo 3. 2003a. a permanência ou retirada da parte aérea das plantas de C. ensiformis. das várias espécies testadas tolerantes ao herbicida tebuthiuron.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nos trabalhos realizados até o momento no Brasil. semelhante ao solo isento do herbicida (Figura 24). aterrimum e C. após a seleção de diversas espécies vegetais. tratado com o trifloxysulfuron-sodium. sendo. destacando-se a mucuna-preta (Stizolobium aterrimum) e o feijão-de-porco (Canavalia ensiformis) (Figura 23). após o período de remediação. outros mecanismos podem ser implementados no programa de fitorremediação visando maior eficiência no processo. não interferiu no desenvolvimento posterior de plantas de feijão. possibilitou maior eficiência no processo de remediação por essas leguminosas. provavelmente. (2006) constataram que a adição de composto orgânico ao solo contaminado com trifloxysulfuron-sodium e tebuthiuron. Santos et al. Procópio et al. 2004b). 2006). Em outro trabalho. indicando que o produto pode estar sendo degradado internamente nos tecidos (fitodegradação) ou inativado por outros mecanismos rízosféricos. Essas culturas são sensíveis à presença desse herbicida (RODRIGUES. aterrimum. aterrimum promoveu maior descontaminação da área tratada com trifloxysulfuron-sodium. ensiformis e S. utilizada como bioindicadora da presença do herbicida. (2006) observaram que o solo proveniente da rizosfera de S. possibilitando o posterior desenvolvimento de plantas de milho e feijão. (2005) verificaram que. b. além de melhorar o desenvolvimento das espécies vegetais S... Também Pires et al. (2005) verificaram que o aumento da densidade populacional de S. ALMEIDA. (2004). comprovando a eficiência na descontaminação.. Além dos fatores mencionados. aterrimum da área contaminada com trifloxysulfuron-sodium. evidenciando a contribuição da microbiota no processo de descontaminação. evidenciada pelo maior desprendimento de dióxido de carbono. visando a seleção de espécies vegetais com potencial para emprego em programas de fitorremediação de herbicidas (PIRES et al. SANTOS et al. a fitoestimulação da microbiota associada à rizosfera (PROCOPIO et al.4 . 2004.Herbicidas: comportamento no solo . algumas especies vegetais utilizadas como cobertura do solo foram selecionadas (Figura 22). Nos trabalhos realizados por Procópio et al. comparado ao mesmo solo não tratado com o herbicida. Belo et al.

além do emprego de plantas e sua microbiota associada.0 g ha-1) (não-seletivo a essas culturas). em solos contaminados pelos herbicidas trifloxysulfuron-sodium e tebuthiuron Figura 24 – Desenvolvimento de plantas de milho e de feijão em solo tratado com o herbicida trifloxysulfuron-sodium (0. agiriam em conjunto. Módulo 3.Herbicidas: comportamento no solo 185 . para o sucesso da fitorremediação.0. associados às práticas agronômicas. removendo. amenizantes como a matéria orgânica do solo. visando a fitorremediação de solos contaminados por esses herbicidas Figura 23 – Desenvolvimento de mucuna-preta (Stizolobium aterrimum) (A) e feijão-de-porco (Canavalia ensiformis) (B). imobilizando ou tornando os contaminantes inofensivos ao ecossistema.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 22 – Etapa de seleção de espécies vegetais tolerantes ao trifloxysulfuron-sodium e ao tebuthiuron. os quais. posteriormente cultivado (B) ou não (A) com mucuna-preta (Stizolobium aterrimum). (2004) Para Accioly e Siqueira (2000). 7. visando a remediação Fonte: Procópio et al. o programa deve envolver.4 .5 e 15.

retenção e transformação que ocorrem com as moléculas representa a capacidade de contaminação e persistência destas no meioambiente.. espera-se maior aceitação de métodos de descontaminação in situ. depende do somatório de diversos processos envolvidos. Contudo.Herbicidas: comportamento no solo . apesar de já ser bem conhecido o processo de biodegradação do atrazine por diversos microrganismos (BEKHI et al. além da capacidade remediadora. absorção moderada à matéria orgânica e argila. geração de energia. além da possibilidade de inoculação de microrganismos junto à semeadura das plantas. 1993. nos programas de fitorremediação de herbicidas. principalmente em solos brasileiros. 1998). alto potencial de escoamento. principalmente no solo. O tema cresce em complexidade na medida em que se tenta selecionar espécies vegetais que apresentem. 1986). por perturbarem menos o ambiente. O que se observa é que o conhecimento teórico das propriedades dos compostos do solo. e até proteínas para usos em rações (DINARDI et al. 2003. são pesquisas já iniciadas e fornecerão dados para maior eficiência nos processos de descontaminação de áreas que apresentam resíduos de outros herbicidas comprovadamente persistentes no ambiente. a fitorremediação surge como opção para o tratamento eficiente de solo e água contaminados por herbicidas de difícil decomposição nesses ambientes. que visam o menor impacto negativo ao ambiente. outros benefícios para o agricultor. 6 .Considerações finais O comportamento de herbicidas no ambiente. Em se tratando de ambientes aquáticos. o atrazine oferece elevado risco de contaminação de aqüíferos. Nessa área. os quais são responsáveis pelo destino final desses compostos. com o objetivo de prevenir quanto aos possíveis distúrbios ambientais provocados por esses compostos. Além disso. BEKHI. ração animal. como o picloram e outros. solubilidade de baixa para moderada em água (RODRIGUES. GLASS. dos fatores climáticos envolvidos e dos mecanismos de interação herbicida–ambiente nem sempre representa o comportamento constatado em condições naturais a campo. essa técnica é 186 Módulo 3. Contudo. Entre os herbicidas. 2005). fabricação de diversos produtos. havendo possibilidades de reciclagem da biomassa produzida. hidrólise lenta. Esse fato denota a importância de pesquisas. devido às suas características físico-químicas. baixa pressão de vapor.4 . incremento na população e número de espécies vegetais. e uma abordagem detalhada da sua dinâmica seria difícil diante dos diversos interferentes relacionados ao seu comportamento. poucos são os trabalhos que apontam soluções para fitorremediação deste composto em ambientes aquáticos (MARCACCI.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Manejo da irrigação. sendo comumente detectado após um ano. o sucesso do tratamento empregando planta aquáticas vai além do baixo custo. Este herbicida apresenta alta persistência no solo. 2005). ALMEIDA. O resultado dos processos de transporte. KHAN. graças à atual preocupação na viabilidade das técnicas integradas de manejo. podendo ser utilizada como fertilizante. como papel.

este é. comparada a outros processos de descontaminação. quando todos os fatores envolvidos interagem. um dos motivos pelo qual deve ser mais estudado. sem dúvida. torna-se possível sua utilização com eficiência técnica e econômica. podendo ser aplicada a grandes áreas. Embora o tema seja muito abrangente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas relativamente barata. As implicações são claras: entendendo como os herbicidas e outros pesticidas aplicados ao solo se comportam. Módulo 3.4 . a identificação dos problemas de contaminação e as opções de recuperação do ambiente afetado.Herbicidas: comportamento no solo 187 .

p. p. 1995. R. and simazine by Rhodococcus strain B-30. BEHKI. p. AFYUNI. C.. J. Tópicos em ciência do solo. SCHAEFER. 273-276. A. G. 1993. S. T. J. Health. 59-66. BLANCO. J. L.. BEHKI. SILVA. Persistência e lixiviação do herbicida simazina em solo barrento cultivado com milho. A. p. A. OLIVEIRA...... R. Screening rhizosphere soil samples for the ability to mineralize elevated concentrations of atrazine and metolachlor. C. E. Water. ALKORTA... D. p. J.). SIQUEIRA.. C. SANTOS. Soil Poll.. Biores. F. M. v.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Referências bibliográficas ACCIOLY. Herbicide handbook. AHRENS. Planta Daninha.. 1997. v.. propazine. Agric. E. WALL.. R. 191-194.. 43. p. M. PERKOVICH. W.. J... A. 7. 1986. Contaminação química e biorremediação do solo. 1997. Environ.. BELO. v.4 . 746-749. 1237-1241. BELLINASO.. R. p. B. (Eds. Sci. Environ. E. KING. 1551 1557. ANDERSON. Chemosphere. Bras. MG: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo. 1994. C. 74. 1987. KRUGER. 681-687. GERMON P.. v. SANTOS. v. A.ed. Food Chem... J. 2000. TOPP. B. O.. COATS. 1.. A. 42. T. n. 2000. p. R. ANDERSON. Biodegradation of the herbicide trifluralin by bacteria isolated from soil. GREER. Enhanced degradation of a mixture of three herbicides in the rhizosphere of a herbicide-tolerant plant. R. p. M.. Food Chem. M. R. C. HENRIQUES. B. Degradation of atrazine by Pseudomonas: N-dealkylation and dehalogenation of atrazine and its metabolites. PERALBA. 15. p.Herbicidas: comportamento no solo . 79. KHAN. T. A. p. Can. v. 130-140. G. A. Agropec. 26. U. BOWMAN. H. Planta Daninha. J. 75-90. C. v. M. R. Degradation of an atrazine and metolachlor herbicide mixture in pesticide-contaminated soils from two agrochemical dealerships in Iowa. M. Phytoremediation of organic contaminants in soils. ANDERSON. p. E. COATS. J. 30. W. v. 2. L. G. n. 1994. 352 p. J. Pesq. A. R. FEMS Microbiology Ecology. Qual. A. F.. E. n. L. L. J. J. T. In: NOVAIS. M. BLANCO.. S. Persistência de herbicidas em Latossolo Vermelho-Amarelo em cultura de cana-de-açúcar. LEIDY. T. MACHADO. H. 119. 34. G.B. v. 188 Módulo 3.. v. DICK. M. ALVAREZ V. Runoff of sulfonylurea herbicides in relation to tillage system and rainfall intensity. Air. v. 299-352.. D... Technol. P. Soil Sci. J. W. Agric.. n. Fitorremediação de herbicidas em solo enriquecido com matéria orgânica. 2. 5. 28. 1994. Champaign: Weed Science Society of America. Degradation of atrazine. GARBISU. WAGGER. Viçosa. A. H.. J. I. 1. Transport of herbicides and nutrients in surface runoff from cropland in Southern Ontario. ARTHUR. 22. 1318-1326. M. COATS. 2006 (Em fase de publicação) BLANCO. FERREIRA. GAYLARDE. B.. G. 2001. 473-484. F.. R. V. v.. J. 2003.

N.. p. EVANS.. E.. SCHNOOR. J. L. N. v. Agropec.embrapa. v. G. Am. Módulo 3. G. F. J. CERDEIRA.. Phytoremediation of soils contaminated with organic pollutants. Rio de Janeiro: Faculdades Integradas Claretianas. n. p..1633002266/noticia. R. BROMILOW. A.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas BRIGSS. LORD. BUTTLE. 472-479. J. J... 122.. SOBRINHO. Series. R.. BROMILOW. RENARD.. Sci. CUNNINGHAM. v.2005-11-03. 382-386. P. DOLLING. 531 538. CONEGLIAN. C. Advances in Agronomy. Journal of Environmental Quality. Thesis Department of Chemistry) – University of Birmingham. CAMPANHOLA. p. California. v. R. 2000. v. Herbicide and nitrate residues in surface and groundwater from sugarcane área in Brazil. Thesis (M. Treatment and disposal of wastes. 1990. LANE. 1996. 55-114. SCHWAB.2005-12-06. D. 17.. Wallingford. 1996. COX L. 13. 1984. Environ. Comportamento de metribuzin e trifluralina no solo e sua absorção por soja. H. M.. v. L. 953-964. J. (Fórum de Estudos Contábeis. 565571. A. patways and processes. v. A. Engin. Qual. Bolletino Chimico Farmacêutico. v. p. 5. 1982. 495-504. p. UK. G.sede. Journal of Environmental Quality. p.. 958-963. p. v. BRITO. Environ. 131. p. CELIS. D. G. C.. 297-325. Disponível em: :<http://www21. K. M. E. 2003. CREEGER. R. A. J. CORNEJO. Studies of interactions of some imidazolinone herbicides with clays. Metolachlor transport in surface runoff. R. 32. Weed Research. BURKEN. 13. J. S. T. V.1289017113/ mostra_noticia>. 2.. 1984. 1999. p. F. 1997. K. L. CARSEL. n. S. In: KRUEGER. 40.4 . M. 198 f. 3.. Potential for pesticide contamination of ground water resulting from agricultural uses. EMMERICH. Birmingham. 2006. Acesso em: 23 jan. Fate and effectiveness of tebuthiuron applied to a rangeland watershed. D. ENVIRONMENT AGENCY. 138. PELEGRINE. Fitorremediação.. 56. na indústria e na preservação ambiental.. DINARDI.. Symp. 1985. ANDERSON. Relationship between lipphilicity and root uptake and translocation of non-ionized chemicals by barley..Sc. 1999. RUEGG. 26.. n. G. Phytoremediation: plant uptake of atrazine and role of root exudates. Oxon. M. 19. HERMOSIN. Water Resour. CARTER. A. T. 113-122. W. S. J.. M.. 3). Bras.). Bull. p. 1996. J.. S. HELMER. D. Herbicide movement in soils: principles. A. COHEN. ENFIELD. EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA – EMBRAPA. L. 1985. Pestc.Herbicidas: comportamento no solo 189 . R. 1982. A. Uso da biodiversidade na agricultura.. SEIBER. 15 p.br/noticias/banco_de_noticias/2005/folder. C. Pesq. Chem. DOMAGALSKY. 4. National Centre for Ecotoxicology and hazardous substances. A. Pesticides and pesticide degradation products in stormwater runoff: Sacramento River Basin. Pesticides in the aquatic environment 1996. A. (Eds.. Sorption of triazafluron by iron and humic acid-coated montmorillonite. N.1209214647/foldernoticia. C.2005-0815. J. v. H. n. p.. R. FORMAGI.

. S. 739-745. HOUOT. n. Viçosa. maio de 2005. v. A. 35. G.). D.Herbicidas: comportamento no solo . 5. M. Sorption-desorption and herbicide behavior in soil. v.. p. C. Toxicol. J. 13. 1998. n. 809-814.. p. Disponível em: <www...br>. 1997. MG: SBCPD. 33. D. 788-793. Soil solution and mobility characterization of imazaquin. 272 279. 1965. A. Herbicide handbook – supplement to seventh edition. 207 225. FURTADO. D. FRANCO. J.. p. Champaign: Weed Science Society of America.. O. R. De BARREDA. 139 p. PORTO. R. 21. Weeds. 2000. Brighton. HAJEK. 339-357. 175-189.. HARPER... In: DUKE. vol. MAIA. Needham: Glass Associates. v. CARBONNEL. MUNOZ. p. F.. M. R. ABDELLAH. M. Avaliação da periculosidade ambiental segundo a nova proposta do IBAMA. 26-45. Environ. L. S. p. 2001. FERRO. S. G. v.. 1994. D. In: CONGRESSO BRASILEIRO DA CIÊNCIA DAS PLANTAS DANINHAS – Palestras e Mesas Redondas.. Soil Biology and Biochemistry. 8. Chem. C. LORENZO.. S. WEIERICH.. The 1998 United Status Market for Phytoremediation. E. Reviews of weed science. 2. C.2. p. v. E... n. A. 1993. American Society of Agronomy. Factors affecting mobility of pesticides in soil.. 464 507. p. 23. Enhanced diodegradation of soil pesticides: interactions between physicochemical processes and microbial ecology. 243-247. Madison: Soils Sciences Society of America. Factors affecting the vapor loss of EPTC from soils. J. 32. B. D. G.). F. Groudwater ubiquity score: a simple method for assessing pesticide leachibility. 1989. BUGBEE. GLASS. GRAVEEL. WEHTJE. 1986. n. A. N. K. SIMS. 2004. D.. Acesso em: 10 jan. 1994. K.agr. Viçosa.. 615625. G. Química e Derivados. Brighton. p. Hycrest crested wheatgrass accelerates the degradation of pentachlorophenol in soil. 1997. J. A. WALKER. E. 4. Champaign: Weed Science Society of America. UK: 1993.. 1998. B. R. 104 p. In: LINEE. H. R. B. 277-251. p. D. (Eds.unicamp. Brazilian Journal of Microbiology.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas FACULDADE DE ENGENHARIA AGRÍCOLA – FEA/UNICAMP. GOMEZ DE BARREDA. p.. Rapid degradation of carbetamide upon repeated application to Autralian soils. FOLONI. O. UK. HOLE. Sorption and degradation of pesticides and organic chemical in soils. Vol. S. FELSOT.4 . L. Dependence of accelerated degradation of atrazine on soil pH in French and Canadian soils.. CASES. v.. Herbicide action course. Soil Biology and Biochemestry. Remediação de solos. A. et al. R. J. 190 Módulo 3. In: BRIGHTON CROP CONFERENCE – WEEDS.. A. p. GUSTAFSON. 1993. 6. (Ed. SHLETON. p. p. S. 1994. Sulfonylureas and quinclorac degradation in water. 34. GRAY. v. MG. G. Abstract. West Lafayette: Purdue University. 141-147. HATZIOS. et al. Proceedings. TOPP. 2006. Remoção de metais pesados por quitina e quitosana isoladas de Cunninghamella elegans. Weed Sci. Y. TURCO. L. 3. GOETZ.. L. Journal of Environmental Quality. I.. In: PURDUE UNIVERSITY. SOULAS.

1994... KOCHANY. Campinas. v.. MUSUMECI. Environ. 373-378. L. MONTEIRO. 10. MEYER. L. 4. Campinas. E. Environ. D. C. SCHWITZGUÉBEL. 2) LAVORENTI. R. Semi-empirical estimation of hydrophobic pollutants on natural sediments and soils. v. 1992. 16. 21.. 2005 JURY. (Book Series. J. 51-57.M. W. 2. MAGUIRE. W. A. SIMS. J.Herbicidas: comportamento no solo 191 .. OLIVEIRA JR. LUCHINI. p. J. n. SILVA. MALLAWATANTRI. M. Phytoremediation. p. v.. A. W. Agric. KOSKINEN.. O. S. Workshop sobre biodegradação. W. v. Sunlight photodegradation of metolacchlor in water. T.S. p. 1990. SILVA. JAKELAITIS. MARCACCI. HARPER. FARMER. RAVANEL. 646 p. C. CONSTANTIN.. 2002.. 1994. 20. 1981. Soil. P. STOLLER. MERVOSH. R. Food. Chem. M. MILLER. 320-324. p.. n. p. D.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas INOUE. p. RAVETON. 42. Available online 12 March 2005.. New York: Marcel Dekker. WHITWELL.. 43. A. M.. D. 546-551. n. R. 125-132. Qual. T. B. n. In: CHENG. p. Chemosphere. Comportamento da atrazina em solos brasileiros em condicoes de laboratorio.. 2.. p. Herbicide runoff from ornamental container nurseries. Madison: Soil Science Society of America. K. J. D. P. Pesq. Environ. The retention process: mechanisms. 1980... Qual. R. S. n. J. 1.. BOVEY. R.. R. 8. 2001. MELTING.. R. T. WILSON. KEESE. Bras. Módulo 3. Clomazone fate in soil as affected by microbial activity. n. p. Tebuthiuron formulation and placement effects on response of woody plants and soil residue. 69-78. R. J. 2. J. Agric. 406-412. C. In Press Corrected Proof. Evaluation of pesticide groundwater pollution potential from standard indices of soil-chemical adsorption and biodegradation. 471476. 81-115. 4. P. p. 23. 1987. L. FERREIRA. 4. 1996. CAMPER. 23. 1996. Anais. W.org>. v. Campinas. R. E. (Ed. R. S. KARICKHOFF. Disponível em: <http://www. Comportamento de herbicidas no meio ambiente.. Environmental and Experimental Botany... 1988. p.. n. FOCHT. v. 1993. 30. M. A. A. MARCHIORI JR. 833-846. v. Efeitos de herbicidas no consórcio de milho com Brachiaria brizantha. In: EMBRAPA – CNPMA.. C. Chem. R. J. J. SP: 1996. v. impacts and modelling. p. n. 1996. Campinas. W. PEREIRA. p. Planta Daninha. In: Crops and Soils Magazine. p. Planta Daninha. Weed Science. NAKAGAWA. J.. H. 120-128. 422-428. 1995.. Anais. Qual. Soil microbial ecology: applications in agricultural and environmental management. J. LEAVITT. TORMENA. Pesticides in the soil environment: processes. H. temperature and soil moisture. Herbicide adsorption and organic carbon contents on adjacent low-input versus conventional farms. N. M. Calagem e o potencial de lixiviação de imazaquin em colunas de solo. H. S. n....4 .. Agropec. 1.gwrtac.. MULLA. R. G.). F. L. Disponível em: 18 jun. A. chemical pH. C. Conjugation of atrazine in vetiver (Chrysopogon zizanioides Nash) grown in hydroponics.. v. G. Food. R.. ANDREA. v. In: EMBRAPA – CNPMA. A. L. E... 13-14. A. F.. 1995. SP: 1996. 537 543. RILLEY. 36. J. VIANA. Biodegradação de herbicidas. B. Workshop sobre biodegradação.. J.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

NEWMAN, L. A.; DOTY, S. L.; GERY, K. L.; HEILMAN, P. E.; MUIZNIEKS, I.; SHANG, T. Q.; SIEMIENIEC, S. T. Phytoremediation of organic contaminants: a review of phytoremediation research at the university of Washington. Journal Soil Contaminant., v. 7, p. 531-542, 1998. NOVO, M. C. S. S.; BLANCO, H. G.; AMBRÓSIO, L. A.; COELHO, R. R.; GIMENEZ, R. B. F.; ARCAS, J. B. Determinação de resíduos do herbicida trifluralin em latossolo roxo com soja. Turrialba, v. 43, n. 1, p. 66-71, 1993. OLIVEIRA JR., R. S. Relação entre propriedades químicas e físicas do solo e sorção, dessorção e potencial de lixiviação de herbicidas. 1998. 86 f. Tese (Doutorado em Fitotecnia) – Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, MG, 1998. OLIVEIRA JR., R. S.; KOSKINEN, W. C.; FERREIRA, F. A. Sorption and leaching potential of herbicides in Brazilian soils. In: WEED SCIENCE SOCIETY OF AMERICA MEETING, 39., 1999, San Diego-CA. Abstracts... Lawrence: WSSA, 1999. p. 47. OLIVEIRA JR., R. S.; KOSKINEN, W. C.; FERREIRA, F. A.; KHAKURAL, B. R.; MULLA, D. J.; ROBERT, P. C. Spatial variability of imazethapyr sorption coefficients. In: WEED SCIENCE SOCIETY OF AMERICA MEETING, 38., 1998, Chicago-IL. Abstracts... Lawrence: WSSA, 1998a. p. 86. OLIVEIRA JR., R. S.; KOSKINEN, W. C.; FERREIRA, F. A.; KHAKURAL, B. R.; MULLA, D. J.; ROBERT, P. C. Spatial variability of alachlor sorption coefficients. ANNUAL MEETING ABSTRACTS AMERICAN SOCIETY OF AGRONOMY, CROP SCIENCE SOCIETY OF AMERICA, SOIL SCIENCE SOCIETY OF AMERICA, 1998, Baltimore-MD. Abstracts... Baltimore: ASA/CSSA/SSSA, 1998b. p. 206. PATROBRAS: Remediação de área contaminadas por combustíveis. Disponível em: <http://www.remas.ufsc.br/projeto_petrobras.htm>. Acesso em: 23 jan. 2006. PERKOVICH, B. S.; ANDERSON, T. A.; KRUGER, E. L.; COATS, J .R. Enhanced mineralization of [14C] atrazine in K. scoparia rhizosferic soil from a pesticide-contaminated site. Pesticide Science, v. 46, p. 391-396, 1996. PIGNATELLO, J. J. Sorption dynamics of organic compounds in soils and sediments. In: SAWHNEY, B. L.; BROWN, K. W. (Eds.). Reactions and movement of organic chemicals in soils. Madison: Soil Society of America and the American Society of Agronomy, 1989. p. 45 79. (SSSA Special Publication, 22) PIRES, F. R.; SOUZA, C. M.; SILVA, A. A.; PROCÓPIO, S. O. Phytoremediation of herbicidepolluted soils. Planta daninha, v .21, n. 2, p. 335-341, 2003a PIRES, F. R.; SOUZA, C. M. CECON, P. R.; SANTOS, J. B.; TÓTOLA, M. R.; PROCÓPIO, S. O.; SILVA, A. A.; SILVA, C. S. W. Inferências sobre atividade rizosférica de espécies com potencial para fitorremediação do herbicida tebuthiuron. Revista Brasileira de Ciência do Solo, v. 29, p. 627-634, 2005c. PIRES, F. R.; SOUZA, C. M.; SILVA, A. A.; CECON, P. R.; PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B. Fitorremediação de solos contaminados com tebuthiuron utilizando-se espécies cultivadas para adubação verde. Planta Daninha, v. 23, n. 4, p. 711-717, 2005b.
192 Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

PIRES, F. R.; SOUZA, C. M.; SILVA, A. A.; PROCÓPIO, S. O.; CECON, P. R.; SANTOS, J. B.; SANTOS, E. A. Seleção de plantas tolerantes ao tebuthiuron e com potencial para fitorremediação. Revista CERES, v. 50, n. 291, p. 583-594, 2003b. PIRES, F. R.; SOUZA, C. M.; SILVA, A. A.; QUEIROZ, M. E. L. R.; PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; SANTOS, E. A.; CECON, P. R. Seleção de plantas com potencial para fitorremediação de tebuthiuron. Planta Daninha, v. 21, n. 3, p. 451-458, 2003a. PIRES, N. M.; OLIVEIRA JR., R. S.; PAES, J. M. V., SILVA, E. Avaliação do impacto ambiental causado pelo uso de herbicidas. Viçosa, MG: Sociedade de Investigações Florestais, 1995. 22 p. (Boletim Técnico SIF, 11). PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; PIRES, F. R.; SILVA, A. A.; SANTOS, E. A. Fitorremediação de solo contaminado com trifloxysulfuron-sodium por mucuna-preta (Stizolobium aterrimum). Planta Daninha, v. 23, n.4, p. 719-724, 2005a. PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; PIRES, F. R.; SILVA, A.A.; SANTOS, E. A.; CARGNELUTTI FILHO, C. Development of bean plants in soil contaminated with the herbicide trifloxysulfuron-sodium after Stizolobium aterrimum and Canavalia ensiformis cultivation. Crop Protection, 2006 (em fase de publicação) PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; SILVA, A. A.; PIRES, F. R.; RIBEIRO JÚNIOR, J. I.; SANTOS, E. A. Potencial de espécies vegetais para a remediação do herbicida trifloxysulfuronsodium. Planta Daninha, v. 23, n. 1, p. 9-16, 2005b. PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; SILVA, A. A.; PIRES, F. R.; RIBEIRO JÚNIOR, J. I.; SANTOS, E. A.; FERREIRA, L .R. Seleção de plantas com potencial para fitorremediação de solos contaminados com o herbicida trifloxysulfuron sodium. Planta Daninha, v. 22, n. 2, p. 315322, 2004. PUSINO, A. et al. Influence of organic matter and its clay complexes on metolachlor adsorption on soil. Pesticide Science, v. 36, p. 283-286, 1992. QUEROL, X.; ALASTUEY, A.; MORENO, N.; ALVAREZ-AYUSO, E.; GARCÍA-SÁNCHEZ, A.; CAMA, J.; AYORA, C.; SIMÓN, M. Immobilization of heavy metals in polluted soils by the addition of zeolitic material synthesized from coal fly ash. Chemosphere, v. 62, n. 2, p. 171-180, 2006. RAVELLI, A.; PANTANI, O.; CALAMAI, L.; FUSI, P. Rates of chlorsulfuron degradation in three Brazilian soils. Weed Res., v. 37, p. 51-59, 1997. REDDY, K. N. et al. Chlorimuron adsorption, desorption and degradation in soils from conventional tillage and no-tillage systems. Journal of Environmental Quality, v. 24, p. 760 767, 1995. ROBERTS, T. R. Assessing the environmental fate of agrochemicals. J. Environ. Sci. Health, B, v. 31, n. 3, p. 325-335, 1996. RODRIGUES, B. N.; ALMEIDA, F. S. Guia de herbicidas. 5.ed. Londrina, PR, 2005. 648 p. RODRIGUES, B. N.; ALMEIDA, F. S. Guia de herbicidas. 5.ed. Londrina, PR: Grafmarke, 2005. 591 p.
Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo 193

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

SANIAL, D.; KULSHRESTHA, G. Effect of repeated metolachlor applications on its persistence and field soil and degradation kinetics in mixed microbial cultures. Biology and fertility of soils, v. 30, p. 124-131, 1999. SANTOS, E. A.; SANTOS, J. B.; FERREIRA, L. R.; COSTA, M. D.; SILVA, A. A. Fitoestimulação por Stizolobium aterrimum como processo de remediação de solos contaminados por trifloxysulfuron-sodium. Planta Daninha, 2006 (Em fase de publicação) SANTOS, J. B.; JAKELAITIS, A.; SILVA, A.A.; VIVIAN, R.; COSTA, M.D.; SILVA, A.F. Atividade microbiana do solo após aplicação de herbicidas em sistemas de plantio direto e convencional. Planta Daninha, v. 23, n. 4, p. 683-691, 2005. SANTOS, J. B.; PROCÓPIO, S. O.; SILVA, A. A.; PIRES, F. R.; RIBEIRO JÚNIOR, J. I.; SANTOS, E. A.; FERREIRA, L. R. Fitorremediação do herbicida trifloxysulfuron sodium. Planta Daninha, v. 22, n. 02, p. 323-330, 2004a. SANTOS, J. B.; PROCÓPIO, S. O.; SILVA, A. A.; PIRES, F. R.; RIBEIRO JÚNIOR, J. I.; SANTOS, E. A. Seletividade do herbicida trifloxysulfuron sodium para fins de fitorremediação. Revista Ceres, v. 51, n. 293, p. 129-141, 2004b. SCRAMIN, S.; SKORUPA, L. A.; MELO, I. S. Utilização de plantas na remediação de solos contaminados por herbicidas – levantamento da flora existente em áreas de cultivo de cana-deaçúcar. In: MELO, I. S. et al. Biodegradação. Jaguariúna, SP: EMBRAPA Meio Ambiente, 2001. p. 369-371. SENESI, N. Binding mechanisms of pesticides to soil humic substances. The Science of the Total Environment, v. 63, n. 123/124, p. 63-76, 1992. SETA, A. K.; BLEVINS, R. L.; FRYE, W. W.; BARFIELD, B. J. Reducing soil erosion and agricultural chemical losses with conservation tillage. J. Environ. Qual., v. 22, n. 3, p. 661-665, 1993. SHANER, D. L. Factors affecting soil and foliar bioavailability of the imidazolinone herbicides. Princeton: American Cyanamid Company, 1989. 24 p. SILVA, A. A.; FREITAS, F. M.; FERREIRA, L. R.; JAKELAITIS, A.; SILVA, A. F. Aplicações seqüenciais e épocas de aplicação de herbicidas em mistura com chlorpirifos no milho e em plantas daninhas. Planta Daninha, v. 23, n. 3, p. 527-534, 2005. SILVA, A. A.; OLIVEIRA JR., R. S.; CASTRO FILHO, J. E. Avaliação da atividade residual no solo de imazaquin e trifluralin através de bioensaios com milho. Acta Scientiarum, v. 20, n. 3, p. 291-295, 1998. SUNTIO, L. R.; SHIU, W. Y.; MACKAY, D.; SEIBER, J. N.; GLOTFELTY, D. Critical review of Henry's law constants for pesticides. Environ. Cont. Toxicol., v. 103, p. 1-59, 1988. VEEH, R. H.; INSKEEP, W. P.; CAMPER, A. K. Soil depth and temperature effects on microbial degradation of 2,4-D. J. Environ. Qual., v. 25, n. 1., p. 5-11, 1996. VELINI, E. D. Comportamento de herbicidas no solo. In: KIMOTO, T.; VELINI, E. D.; GOTO, R.; KOJIMA, K. (Coord.) Simpósio Nacional sobre Manejo Integrado de Plantas Daninhas em Hortaliças. Botucatu: FCA-UNESP, 1992. p. 44-64.
194 Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

VOSE, J. M.; SWANK, W. T.; HARVEY, G. J.; CLINTON, B. D.; SOBEK, C. Leaf water relations and sapflow in Eastern cottonwood (Populus detoides Bartr.) trees planted for phytoremediation of a groundwater pollutant. Intern. Journal of Phytoremediaton, v. 2, p. 53 73, 2000. VROUMSIA, T. A; STEIMAN, R. B.; SEIGLE-MURANDI, F. B. J.; BENOIT-GUYOD, F. Fungal bioconversion of 2,4-dichlorophenoxyacetic acid (2,4-D) and 2,4-dichlorophenol (2,4 DCP). Chemosphere, v. 60, p. 1471-1480, 2005 WAGENET, R. J.; RAO, P. S. C. Modelling pesticide fate in soils. In: CHENG, H. H. (Ed.). Pesticides in the soil environment: processes, impacts and modelling. Madison: Soil Science Society of America, 1990. p. 351-399. (Book Series, 2). WALKER, A.; WELCH, S. J.; ROBERTS, S. J. Introduction and transfer of enhanced biodegradation of the herbicide napropamide in soils. Pesticide Science, v. 47, p. 131-135, 1996. WEED, D. A. J.; KANWAR, R. S.; STOLTENBERG, D. E.; PFEIFFER, R. L. Dissipation and distribuition of herbicides in the soil profile. Journal of Environmental Quality, v. 24, p. 68 79, 1995. YU, Y. L.; WANG, X.; LUO, Y. M.; YANG, J. F.; YU, J. Q.; FAN, D. F. Fungal degradation of metsulfuron-methyl in pure cultures and soil. Chemosphere, v. 60, p. 460-466, 2005.

Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

195

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

PROTEÇÃO DE PLANTAS

Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas 3.5 - Herbicidas: resistência de plantas
Tutores: Profº. Antonio Alberto da Silva Profº. Leandro Vargas Profº. Evander Alves Ferreira

Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Universidade Federal de Viçosa - UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia

Brasília - DF 2006
196 Módulo 3.5 - Herbicidas: resistência de plantas

Pressão de seleção. 229 16 .Características da resistência por grupos herbicidas.7 – Triazinas.4 .Resistência cruzada.1 .Evolução da resistência. 201 1. 201 1. 211 9 .Fatores que favorecem o surgimento da resistência.4 – Dinitroanilinas.Diagnóstico da resistência a campo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução. 213 10. 202 2 . 200 1.Alteração do local de ação.Variabilidade genética.Culturas transgênicas. 208 5. 202 3 . 214 10. 215 10. 215 10.Inibidores de ACCase.6 . 219 13 . 212 10 .Inibidores de ALS.Como evitar a resistência.Como confirmar a resistência.Absorção e translocação. 214 10.8 . 208 5.Derivados da glicina.2 – Metabolização.3 . 200 1.Seleção de biótipos resistentes por diferentes mecanismos de ação herbicida. 231 Módulo 3. 198 1 .Comentários finais. 218 11 .Resistência do azevém (lolium multiflorum) ao glyphosate.3 – Compartimentalização.Culturas transgênicas e plantas daninhas resistentes a herbicidas.5 .Mecanismos que conferem resistência.1 . 217 10. 213 10.Herbicidas: resistência de plantas 197 .Resistência múltipla.1 . 225 15 . 209 7 .2 .1 – Auxinas. 216 10. 209 6 . 218 12 . 225 14. 210 8 .2 – Bipiridílios.Manejo da resistência a herbicidas.Uréias/amidas. 230 Referências bibliográficas. 203 4 . 221 14 . 204 5 .5 .Plantas daninhas resistentes em culturas transgênicas.A resistência de plantas daninhas no Brasil.

os demais métodos de controle têm sido deixados de lado. várias outras espécies.6% aos inibidores da ACCase. Atualmente estão sendo comercializadas no mercado brasileiro em torno de 200 marcas comerciais de herbicidas (RODRIGUES. a população de plantas resistentes pode aumentar até o ponto de comprometer o nível de controle (HRAC. nos Estados Unidos. 11. O uso repetido de um herbicida exerce uma pressão de seleção que leva ao aumento do número de indivíduos resistentes na população. onde os herbicidas correspondem a mais de 50% do volume total comercializado (ANDEF 2005). no estado de Washington (EUA). Na atualidade.. hoje está se tornando prática comum até entre os pequenos. há aproximadamente 284 biótipos de plantas daninhas que apresentam resistência a um ou mais mecanismos herbicidas (Quadro 1).5% às dinitroanilinas e os 198 Módulo 3. Depois disso. que era quase exclusivamente utilizada por grandes e médios produtores. 1977) Em menos de 30 anos. sendo o quinto no "ranking" de vendas de agrotóxicos. Em conseqüência. o Brasil é um dos maiores mercados do mundo. devido a uma mutação nos cloroplastos (RADOSEVICH et al. 1970). Muitos outros casos foram relatados em diferentes locais do mundo e. resistentes a herbicidas pertencentes ao grupo das auxinas (WEED SCIENCE. foram descritas em gêneros como Amaranthus e Chenopodium. O largo uso de herbicidas deve-se. Já em 1970. 1997).1% às auxinas sintéticas. No que se refere aos defensivos agrícolas. e a tendência de uso desses compostos é de aumento. no Canadá. 3. e Daucus carota. está prontamente disponível e profissionalmente desen¬volvido. uma vez que essa tecnologia. 2005). 28. em diferentes países (RADOSEVICH.5 . principalmente. com resistência a triazinas. 1998a). Dessa maneira. após o primeiro caso de resistência. havia mais de 100 espécies reconhecidamente resistentes em aproximadamente 40 países (HEAP.9% às triazinas. principalmente por grandes agricultores. possui custo atrativo. 1998). ALMEIDA.7% aos bipiridílios. Uma das conseqüências do uso indiscriminado desses métodos tem sido o desenvolvimento de muitos casos de resistência a tais compostos por diversas espécies daninhas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução O controle de plantas daninhas com uso de herbicidas é prática comum na agricultura mundial. Estudos posteriores demonstraram que esta espécie era resistente a todas as triazinas. foram descobertos biótipos de Senecio vulgaris resistentes a simazine (RYAN. A constatação da resistência de plantas daninhas aos herbicidas começou em 1957 com a identificação de biótipos de Commelina difusa. 1979). ao fato de que o controle químico tem sido eficiente. atualmente. Esses biótipos pertencem a 171 espécies e estão distribuídos em 59 países. 7. 22. Destes biótipos. 7% às uréias e amidas.9% resistem aos herbicidas inibidores da ALS.Herbicidas: resistência de plantas . 8. os agricultores depositam confiança excessiva no controle químico das plantas daninhas.

13%. aos bipiridílios.Herbicidas: resistência de plantas 199 . As razões do não-surgimento de plantas daninhas resistentes. são dois ou mais os mecanismos que precisam ser substituídos. 12%. aos auxínicos. Acredita-se que o maior número de biótipos resistentes aos herbicidas dos grupos inibidores de ALS. Não foram encontradas citações de plantas daninhas resistentes aos herbicidas perten¬centes aos grupos ariltriazolinonas. apesar do longo tempo de introdução no mercado.4-D Uréias e amidas Inibição da fotossíntese no FS II Chlorotoluron Dinitroanilinas e outros Inibição da formação dos microtúbulos Trifluralin Inibição da síntese de lipídios – não da Thiocarbamatos e outros Trialate ACCase Triazoles. até o momento. Assim.3% restantes aos demais grupos de herbicidas. A resistência de plantas daninhas a herbicidas assume grande importância. benzotiadiazinas e ftalimidas. à eficiência e à grande área onde são empregados. neste caso. Essas proporções mudaram com a introdução no mercado dos novos grupos herbicidas inibidores de ALS e ACCase. das triazinas e existentes atualmente. restringindo esta prática a outros métodos menos eficientes.5 . porém acredita-se que esteja relacionado com o seu modo de ação.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 10. a estes grupos de herbicidas. e os demais mecanismos somavam 8%. Isso ocorre para diversos biótipos de grande ocorrência em diversas partes do mundo tornando cada vez mais difícil e oneroso o controle desses biótipos. o controle dos biótipos resistentes com uso de herbicidas é seriamente comprometido. princi¬palmente quando não existe ou existem poucos herbicidas alternativos para serem usados no controle dos biótipos resistentes. se deve à alta especificidade. citado por HRAC (2004) Grupo de herbicida Mecanismo de ação Total ocorrência 82 65 33 22 23 20 10 8 4 6 2 7 284 Módulo 3. Em 1983. 67% dos casos de resistência documentados eram de biótipos resistentes às triazinas. Quadro 1 – Ocorrência de biótipos de plantas daninhas resistentes a diferentes grupos herbicidas Exemplo de herbicida Inibidores da ALS Inibição da acetolactato sintase (ALS) Clorsulfuron Inibidores do Fotossistema Inibição da fotossíntese no Atrazine II fotossistema II Inibição da acetil carboxilase Inibidores da ACCase Diclofop-methyl (ACCase) Bipiridílios Aceptores de eletrons do FSI Paraquat Auxinas sintéticas Ação semelhante ao ácido indolacético 2. não são claras. A ocorrência de resistência múltipla agrava ainda mais o problema. já que. uréias e Branqueamento – inibição da Amitrole isoxazolidionas biossíntese de carotenóides Glicinas Inibição da EPSP sintase Glyphosate Inibição da divisão celular (inibição de Butachlor Chloracetamidas ácidos graxos de cadeias longas) Outros Diversos Diversos Total de biótipos de plantas daninhas observados no mundo Fonte: Adaptado de Retzinger.

Mutação foi definida por De Vries como mudanças repentinas e hereditárias.Alteração do local de ação As informações genéticas de um organismo estão contidas em seu material genético (DNA). a probabilidade de as suas características cinéticas serem modificadas é grande. longas e específicas seqüências de bases nitrogenadas.. porém não a posição do gene individualmente” (BREWBAKER. A alteração de uma base nitrogenada. na tradução do RNAm. que é a cópia do DNA pela enzima DNA polimerase. serão repassadas aos seus descendentes. resultando em uma proteína mutante. 1992). 1992). 1992). 1992).Herbicidas: resistência de plantas . multiplicação do material genético. A grande maioria das alterações que ocorrem no DNA. O DNA é uma dupla hélice formada por bases nitrogenadas púricas (adenina e guanina) e pirimidicas (timina e citosina) que formam os genes. Os genes. Na tradução do RNAm. Caso ele componha o centro ativo da enzima. Biótipos resistentes podem ocorrer em uma população de plantas daninhas como resultado de mutações que provocam alterações no local de ação do herbicida (BETTS et al. cada trinca de bases nitrogenadas codifica um aminoácido que comporá a futura proteína. afirmando que são “aquelas mudanças bruscas hereditárias que alteram a atividade. contudo. formando o RNA mensageiro (RNAm). durante o crescimento do indivíduo é de cerca de 10-4. mesmo remota. mutação de ponto. Os erros de replicação e as lesões espontâneas geram a maior parte das mutações por substituição de base e mudança da matriz de leitura (SUZUKI et al. a possibilidade de erro. deleção ou substituição de uma base nitrogenada podem alterar um ou mais aminoácidos da proteína a ser formada. a maioria delas é deletéria e a evolução só é possível porque algumas delas podem ser benéficas em determinadas situações (SUZUKI et al. e cai para 10-9 pela ação das enzimas reparadoras (SUZUKI et al. existe. que não provoquem a morte do indivíduo. A ocorrência de erros na replicação ou transcrição da fita do DNA. 1992).. teoricamente.1 . 1969). 1992).. entretanto. A seqüência linear de nucleotídios em um gene determina a seqüência linear de aminoácidos de uma proteína (SUZUKI et al. O DNA é um cordão de genes (SUZUKI et al. é preferível restringir. são responsáveis pela codificação das proteínas. estando na dependência de qual aminoácido foi alterado. e a tradução do RNAm com a montagem da proteína pelo ribossomo.. este produto 200 Módulo 3. A probabilidade de ocorrer erros na replicação do DNA. A mutação é um processo biológico que vem ocorrendo desde que há vida no planeta. Se o aminoácido alterado for o ponto ou um dos pontos de acoplamento de uma molécula herbicida. pode originar uma enzima com características funcionais distintas ou não da original. A atividade da enzima pode ou não ser modificada. e a ocorrência de mutações que provoquem inserção... As etapas para produção de uma proteína são a transcrição.5 .Mecanismos que conferem resistência 1.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1 .

a não ser que ela apresente outros mecanismos de resistência. podem provocar mutações no DNA. Desse modo. 1. tipo de molécula e. já que estes produtos.3 . o tipo de mecanismo que está proporcionando a resistência. A resistência de Arabidopsis thaliana às imidazolinonas se deve à alteração de um aminoácido da enzima ALS. como é o caso da resistência de Lolium rigidum a triazinas e inibidores de ACCase. e é muito improvável. tornando-a não-tóxica. Logicamente que. Contudo. que a mutação possa ocorrer por ação de algum herbicida ou outro defensivo agrícola (KISSMANN. 1996). resistência múltipla.Metabolização A planta resistente possui a capacidade de decompor. ou. 1969). e a planta torna-se resistente àquele herbicida e a outros que se ligam da mesma forma àquela enzima. Alteração do local de ação significa que a molécula herbicida diminui sua capacidade de inibir esse ponto. Fontes externas de radiação. A luz ultravioleta e o oxigênio são mutagênicos (BREWBAKER. conforme relatam Sathasivan et al. Módulo 3. que podem estar relacionados com o tipo de mutação ocorrida. Esse é o mecanismo de tolerância a herbicidas apresentado pela maioria das culturas. são avaliados quanto à sua capacidade mutagênica. 1992). antes de serem lançados no mercado. Como exemplo. 1. (1991). tornando-se inativa.5 . a molécula herbicida. têm-se plantas daninhas resistentes aos inibidores de ALS. como o sol.2 . se o herbicida possuir mais de um mecanismo de ação. Não há evidências. devido a uma ou mais alterações na estrutura deste local.Herbicidas: resistência de plantas 201 . ou seja. um herbicida que anteriormente era eficiente em inibir uma determinada enzima deixa de ter efeito sobre esta. como o vacúolo (ex. mais rapidamente do que plantas sensíveis. Uma pequena alteração no polipeptídio pode resultar em um grande efeito sobre a afinidade com a molécula herbicida (BETTS et al. em uma população de biótipos resistentes ocorrem diferentes níveis de resistência ou de susceptibilidade.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas pode perder a atividade inibitória sobre esta nova enzima.: plantas resistentes ao paraquat). a planta pode morrer pela ação do(s) outro(s) mecanismo(s). Acredita-se que os herbicidas não sejam capazes de provocar mutações.Compartimentalização A molécula é conjugada com metabólitos da planta. ou é removida das partes metabolicamente ativas da célula e armazenada em locais inativos.. com as formas alélicas do gene.

mesmo sofrendo injúrias. Em uma população de plantas vão existir aquelas que. quando as plantas resistentes possuem dois ou mais mecanismos distintos que conferem resistência. Já a tolerância é uma característica inata de uma espécie. a resistência é a capacidade adquirida de alguns biótipos. Desse modo. A resistência cruzada ocorre quando um biótipo é resistente a dois ou mais herbicidas. Biótipos de Lolium rigidum e Kochia scoparia. A resistência pode ocorrer naturalmente (seleção) ou ser induzida com uso de técnicas de engenharia genética. tolerante ou resistente a um herbicida.5 . Relaciona-se com a variabilidade genética natural da espécie. no ponto de ação de um herbicida. isoladamente ou associados.Herbicidas: resistência de plantas . apresentam 202 Módulo 3. PRESTON. necessariamente. e a resistência múltipla.Absorção e translocação A absorção e a translocação são alteradas e. A resistência cruzada não confere.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. Por outro lado. Esses mecanismos podem. que agem no mesmo local na planta (POWLES.: plantas resistentes aos bipiridílios). uma planta daninha pode ser sensível. sob condições normais. uma planta sensível pode morrer quando submetida a uma determinada dose do herbicida. Assim. naturalmente. A resistência pode ser cruzada ou múltipla. A resistência cruzada conferida pelo local de ação ocorre quando uma mudança bioquímica. também confere resistência a outras moléculas de diferentes grupos químicos. de uma população de plantas. de sobreviver a determinados tratamentos herbicidas que. cultura de tecidos ou de agentes mutagênicos.4 . assim. em que as plantas são capazes de sobreviver e se reproduzir após o tratamento herbicida. não chegando a ser suficiente para controlar a planta (ex. controlam os membros da população. proporcionar tolerância ou resistência a herbicidas. são resistentes a herbicidas de diferentes grupos químicos e com diferentes mecanismos. 2 . Uma planta é sensível a um herbicida quando o seu crescimento e desenvolvimento são alterados pela ação do produto.Resistência cruzada A resistência cruzada pode ser conferida a um biótipo por qualquer dos mecanismos que conferem resistência. mesmo que pertencentes a diferentes grupos químicos. a quantidade de herbicida que atinge o local de ação é bastante reduzida. devido a apenas um mecanismo de resistência. assim. toleram mais ou menos um determinado herbicida. Também podem existir variações no nível de resistência cruzada dos biótipos a herbicidas de grupos diferentes. 1998). que possuem resistência cruzada a herbicidas inibidores de ALS. resistência a herbicidas de todos os grupos químicos que possuem o mesmo local de ação.

é exemplificada por biótipos de Lolium rigidum. mas apresentam pequenos aumentos no metabolismo do herbicida diclofop. e futuro. O metabolismo de herbicidas inibidores de ACCase e ALS é realizado pelo Cyt P450. PRESTON. dois ou mais mecanismos conferem resistência à apenas um herbicida ou a um grupo de herbicida. PRESTON. Já os casos mais complexos são aqueles em que dois ou mais mecanismos conferem resistência à diversos herbicidas de diferentes grupos químicos. PRESTON. é necessário empregar misturas de herbicidas que não tenham sua atividade afetada pelos mecanismos de Módulo 3. 1998). que resistem a 15 herbicidas diferentes. já foram encontradas outras alterações na ALS tanto no centro ativo A como em outras partes da enzima (POWLES. imazamethabenz. Isso se deve a pequenas diferenças de ligação entre a enzima e a molécula herbicida e a diferentes mutações que ocorrem no gene que codifica a enzima ALS (POWLES. Nos casos mais simples. relacionado a resistência de plantas daninhas a herbicidas. de forma semelhante à que ocorre na cultura do trigo.Resistência múltipla A resistência múltipla é o maior problema atual. que não exibem alterações na enzima. 3 . Foi detectado. um exemplo são biótipos de Alopecurus myosuroides encontrados na Austrália. no centro ativo A da ALS.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas diferentes níveis de resistência aos diferentes grupos herbicidas que agem inibindo a ALS. O diferente nível de resistência pode ser resultado das diferentes mutações ocorridas no gene que codifica a enzima ACCCase e do tipo de alelo do gene (POWLES. em biótipos de Lolium rigidum resistentes aos herbicidas inibidores do FSII. As mutações já analisadas mostram substituição. Acredita-se que as moléculas não-metabolizadas sejam imobilizadas ou armazenadas de forma a evitar sua ação sobre a enzima. selecionados com uso de herbicidas dos grupos ariloxifenoxipro-pionato ou cicloexanodiona. Para controlar estas plantas daninhas. aumento da taxa de metabolismo dos herbicidas (POWLES. da prolina 173. Além disso. A resistência cruzada. apresentam maior nível de resistência aos herbicidas do primeiro grupo do que aos do segundo. devido à rápida metabolização da molécula por arilhidroxilação catalisada pelo Cyt P450 monoxigenase. A conjugação da molécula herbicida com glicose também foi encontrada. devido a outros mecanismos. PRESTON. 1998). Biótipos de Lolium rigidum resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase. 1998). pendimethalim e simazine. 1998). que é resistente a vários herbicidas inibidores da ALS.Herbicidas: resistência de plantas 203 . Conrudo.5 . encontrados na Austrália. entre eles diclofop. as dificuldades de controle dos biótipos resistentes aumentam ainda mais quando os mecanismos que conferem a resistência estão relacionados com o local de ação e com outros mecanismos como o metabolismo. resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase.

fisiológicas e de comportamento entre indivíduos. LEBARON.5 . as freqüências dos vários tipos. assim. encontra condições para multiplicação (BETTS et al. em determinado ambiente (SUZUKI et al. é devido à seleção de um biótipo resistente preexistente que. Há poucos casos registrados de plantas com resistência múltipla (POWLES. O uso repetido de herbicidas para controle de plantas tem exercido alta pressão de seleção. e o da seleção: algumas formas apresentam maior sucesso na sobrevivência e reprodução do que outras. dentro de qualquer população.. o da hereditariedade: a prole parece mais com seus pais do que com indivíduos não-aparentados. a população da próxima geração terá uma freqüência elevada dos tipos que tiveram maior sucesso em sobreviver e se multiplicar nas condições ambientais vigentes. 4 . 1998). através da seleção natural. Os biótipos de A. e. myosuroides metabolizam chlorotoluron e alguns herbicidas inibidores de ACCase e apresentam ACCase mutada. espécies ou biótipos de uma espécie que melhor se adaptam a uma determinada prática são selecionados e multiplicam-se rapidamente (HOLT. dentro da população.. irão mudar com o tempo e os indivíduos mais bem adaptados ao ambiente tornam-se predominantes (SUZUKI et al. e resistentes a chlorsulfuron.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas resistência em questão. ALS e FSII e possuem ACCase e ALS mutadas (POWLES. Em geral. provocando mudanças na flora de algumas regiões. por causa da pressão de seleção exercida por repetidas aplicações de um mesmo herbicida. Muitas evidências sugerem que o aparecimento de resistência a um herbicida. PRESTON. 1998). 1994). o caso mais complicado de resistência múltipla. Existem biótipos de Lolium rigidum resistentes a herbicidas inibidores de ALS. 204 Módulo 3. 1990). pode ser resumida em três princípios: o da variação: existem variações morfológicas. O surgimento de plantas daninhas resistentes a herbicidas é um exemplo de evolução de plantas como conseqüência de mudanças no ambiente provocadas pelo homem (MAXWELL. 1992). devido a alterações na enzima.Evolução da resistência A teoria da evolução de Darwin. PRESTON. Darwin postulava que a espécie como um todo vai mudando porque os seus indivíduos evoluem na mesma direção. devido ao metabolismo. 1992).. é de biótipos de Lolium rigidum que metabolizam herbicidas inibidores da ACCase.Herbicidas: resistência de plantas . encontrado na Austrália. 1992) (Quadro 2). Biótipos de Lolium rigidum e Alopecurus myosuroides constituem casos complexos. em uma população de plantas. Desse modo. Contudo. MORTIMER.

1994).000 100 10 5 2 % de Controle 99. não foram detectadas diferenças na capacidade competitiva de Abutilon therphrasti resistente a triazina (GRAY et al. aumenta esse tempo de aparecimento.000.0 50. o crescimento e a produtividade de plantas resistentes a triazinas podem estar relacionados com a sua capacidade fotossintética limitada (STOWE. (CONARD. determinam a probabilidade do desenvolvimento de resistência das plantas daninhas a herbicidas.99 99.9999 99.0 Evolução Imperceptível Imperceptível Imperceptível Imperceptível Imperceptível Pouco perceptível Perceptível Evidente Fonte: Kissmann (1996) A utilização de herbicidas que são altamente efetivos no controle de uma planta daninha específica por um longo período de tempo induz uma grande pressão de seleção quando comparados com outras práticas de controle. vai selecionando os indivíduos resistentes e aumentando a sua freqüência na população. HOLT. 1996).. em média. maior produção que biótipos menos adaptados (SAARI et al. A menor capacidade competitiva. assim.000 1. Módulo 3.0 90.000 10. RADOSEVICH. Por outro lado. biótipos com maior adaptação ecológica apresentam.0 80.Tempo para evolução da uma população de biótipos de plantas daninhas resistentes Ano 0 1 2 3 4 5 6 7 No de Plantas Resistentes 1 1 1 1 1 1 1 1 No de Plantas Sensíveis 1. É evidente que a intensidade de seleção na prática não é tão intensa como mostrada na figura.9 99. sensíveis às triazinas. apresentaram maiores área foliar. 1988). conforme a Figura 1. assim como as diferentes características biológicas. que apresenta 90% de eficácia de controle do biótipo suscetível. Os biótipos resistentes podem apresentar menor adaptação ecológica nesses ambientes e tornam-se predominantes devido à eliminação das plantas sensíveis.5 .. A intensidade dessa pressão de seleção sobre uma população de plantas daninhas. Biótipos de Amaranthus retroflexus L. a aplicação do mesmo herbicida.000 100. altura e produção de sementes. que funciona como um reservatório de sementes suscetíveis e. Assim. 1979) e Chenopodium album (PARKS et al. pois no campo existe o banco de sementes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 2 . Em condições de seleção natural. 1995).Herbicidas: resistência de plantas 205 ..999 99.

ou levar muitos anos. em uma população de plantas exerce alta pressão de seleção. Foram identificados biótipos de plantas daninhas resistentes a sulfoniluréias após quatro a cinco anos de uso contínuo de herbicidas deste grupo (MALLORY-SMITH et al. capazes de serem transmitidas hereditariamente. As plantas que expressam o gene de resistência são selecionadas. PAWLES. como três anos após a introdução comercial (TARDIF. MORTIMER. 1994). partindo de uma população sensível e usando-se dose normal do herbicida.. como no caso do glyphosate.5 . provocando uma seleção direcional e progressiva de indivíduos que possuem genes de resistência. freqüência gênica. 206 Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 1 . O tempo e a proporção de plantas resistentes em um local variam com a freqüência de uso do herbicida e dos seus efeitos biológicos. 1996). Na Austrália. com o mesmo mecanismo de ação. herança e fluxo gênico (MAXWELL. podendo ser bastante curtos. tornando-se predominantes rapidamente na área. inibidor da EPSPs (Quadro 3).Aumento da freqüência do biótipo resistente devido a aplicações repetidas e anuais do mesmo herbicida A maior questão ecológica associada com a evolução da resistência aos herbicidas envolve o entendimento das relações entre adaptação. 1993). Aplicações repetidas de herbicidas.Herbicidas: resistência de plantas . A ocorrência de variações genéticas. foram selecionados biótipos de Lolium rigidum resistentes ao diclofop-methyl em três gerações. 1990). e a seleção natural favorecem o surgimento e a evolução da resistência. A resistência está ligada a fatores genéticos e é hereditária (KISSMANN.

a pressão de seleção. as características reprodutivas da espécie. ou seja. 1998). quando dois alelos estão envolvidos. se a herança for nuclear. assim. e a taxa de cruzamentos entre biótipos resistentes e sensíveis (MORTIMER. assim. Contudo. que agem em pontos únicos nas rotas metabólicas das plantas. A freqüência do(s) alelo(s) da resistência na população sensível geralmente está entre 1 em 1016 e 1 em 106 (MORTIMER. características como herança do tipo Módulo 3. a transmissão será via cromossômica e. pois. tanto o pai como a mãe podem transmitir a resistência. como é o caso de plantas resistentes a triazinas. a freqüência do(s) alelo(s) da resistência na população inicialmente sensível. o modo de herança do(s) alelo(s) da resistência (citoplasmática ou nuclear). Por outro lado.5 . somente a planta-mãe poderá transmitir a resistência para os filhos. 1998). Um gene é formado por um par de alelos. possuem grandes possibilidades de selecionar biótipos resistentes. Desse modo. O objetivo foi atingido e surgiram os herbicidas modernos (inibidores de ALS e ACCase). e quanto maior for a freqüência destes alelos. alta eficiência e baixa toxicidade para o homem e o ambiente. uma vez que uma alteração no seu ponto de ação (enzima) pode provocar a perda de sua atividade sobre as plantas e. altamente eficientes e específicos. maior será a probabilidade de seleção de um biótipo resistente. como é o caso de plantas resistentes aos inibidores de ALS. Herança citoplasmática é aquela em que os caracteres hereditários são transmitidos via citoplasma. dessa forma.4-D Triazinas Propanil Paraquat Inibidores da EPSPs Inibidores da ACCase Inibidores da ALS Fonte: Weed Science (1998) Introdução 1948 1959 1962 1966 1974 1977 1982 Resistência 1957 1970 1991 1980 1996 1982 1984 Local EUA e Canadá EUA EUA Japão Austrália Austrália Austrália A indústria sempre buscou moléculas herbicidas com alto grau de segurança. Por sua vez. o surgimento de plantas resistentes. herbicidas com essas características exercem alta pressão de seleção e. conseqüentemente.Herbicidas: resistência de plantas 207 . Há seis fatores relacionados à população de plantas que interagem e determinam a probabilidade e o tempo de evolução da resistência. significa que somente um gene é responsável pela resistência (monogênica) e a evolução será rápida. As características poligênicas dependem da associação dos genes corretos. O número de alelos que conferem a resistência é importante. mais genes podem estar envolvidos (poligênica) e mais lenta será a evolução da resistência. Há dois tipos de herança: a citoplasmática (materna) e a nuclear. quanto maior. São eles: o número de alelos envolvidos na expressão da resistência. O tipo de herança do(s) alelo(s) da resistência é ponto crucial no estabelecimento da resistência em uma população de plantas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 3 – Tempo de evolução da resistência para diferentes mecanismos de ação Herbicida 2.

imposta sobre uma população sensível proporciona espaço para o crescimento e desenvolvimento dos biótipos resistentes. com maior rapidez no ambiente do que as do tipo citoplasmática (materna). 1998).. O uso de herbicidas altamente eficientes e com residual longo exerce alta pressão de seleção. 1995). permite a dispersão da resistência principalmente em plantas com alta taxa de fecundação cruzada. provocando variações sazonais que podem ser observadas nas espécies. que serão selecionados futuramente devido segregação e recombinação de genes (MORTIMER.. Já os herbicidas com residual longo agem durante tempo maior. 5 . A alta eficiência dos herbicidas provoca a eliminação rápida dos biótipos sensíveis. O fluxo gênico apresenta correlação com o fluxo de distribuição de pólen e varia com a espécie. A alta pressão de seleção. e intercruzamento entre os biótipos sobreviventes. A duração da seleção é medida pelo tempo no qual o herbicida permanece com residual. A dispersão da resistência via pólen é influenciada pela eficiência de dispersão e longevidade do pólen (MULUGETA et al. gerando novos indivíduos com maior grau de resistência. que será proporcional à dose e. favorecendo o desenvolvimento da população resistente. 1994). As características reprodutivas. influenciam diretamente a dispersão das plantas resistentes. favorecimento de um indivíduo em relação a outros.Herbicidas: resistência de plantas .1 .Fatores que favorecem o surgimento da resistência 5. via pólen. A intensidade e a duração da seleção interagem.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas nuclear disseminam-se.. o mecanismo de polinização e as condições climáticas durante a floração (STALLINGS et al. controlando as plantas sensíveis em diversos fluxos germinativos. restando apenas os mais tolerantes e resistentes. O intercâmbio de pólen. exceto os resistentes. O uso repetido de um mesmo herbicida ou de herbicidas com mesmo 208 Módulo 3. de acordo com sua fenologia e seu crescimento (MORTIMER. ou. eliminação de todos os biótipos. já a contribuição do movimento de sementes é relativamente pequena (SAARI et al. A intensidade de seleção é a resposta da população de plantas às repetidas aplicações de herbicidas. ao tempo.Pressão de seleção Os fatores intensidade de seleção e sua duração contribuem para a pressão de seleção exercida pelos herbicidas. como dispersão de pólen e número de propágulos produ¬zidos. 1998). 1994). entre plantas resistentes e sensíveis. e seleção destes dentro de uma população com alta tolerância. o processo da evolução da resistência a herbicidas passa por três estádios: eliminação dos biótipos altamente sensíveis. A taxa de cruzamento entre os biótipos resistentes e sensíveis determina a dispersão dos alelos de resistência na população. que é medida pela eficiência de controle das plantas daninhasalvo e pela relativa redução da produção de sementes das plantas remanescentes.5 . Resumidamente.

Características das plantas daninhas como alta diversidade genética.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas mecanismo de ação. adjuvantes.Diagnóstico da resistência a campo A resistência é um fenômeno que evolui em uma lavoura durante vários anos. Geneticamente. devido à mutação. 1969). época ou estádio de aplicação. 1998). O(s) gene(s) que conferem a resistência a um determinado herbicida pode(m) estar presente(s) em uma população antes mesmo que este herbicida seja lançado no mercado.5 . baixa dormência das sementes. que se apresentam indiferentes à aplicação de algum herbicida (HRAC. aliadas ao monocultivo e ao uso repetido do controle químico. 5. volume de calda.2 . é resultado da relação entre a freqüência da mutação e o tamanho da população. inicialmente. há dois caminhos para o aparecimento de plantas resistentes: a ocorrência de um gene ou de genes que conferem a resistência em freqüência muito baixa na população ou através de uma mutação (MORTIMER. produz alta pressão de seleção e aumenta a possibilidade de seleção de biótipos resistentes. altamente específicos e com longo residual. tipo de bicos e condições ambientais foram adequados? b) As falhas de controle foram para uma espécie apenas? c) As plantas não são resultado de reinfestação? Módulo 3.Variabilidade genética A variabilidade genética das plantas daninhas. 6 . O gene ou os cromossomos mutantes são a fonte essencial de toda a variação genética (BREWBAKER. associada à adequada intensidade e duração de seleção. quando se suspeitar da ocorrência de resistência. dosagem.Herbicidas: resistência de plantas 209 . contribuem grandemente para o surgimento de plantas resistentes. A seleção altera as proporções entre as plantas sensíveis e resistentes. deve-se responder às seguintes perguntas: a) Produto. Segundo HRAC (1998a). Toda população natural de plantas daninhas contém biótipos resistentes a herbicidas. torna inevitável o surgimento de plantas resistentes. O controle insatisfatório de plantas daninhas não significa necessariamente que seja resistência. calibração. 1998a). grande produção de polén e propágulos. A possibilidade de ocorrer resistência em uma população.

semear em vasos e tratar com doses crescentes do herbicida em questão. devem-se colher sementes de plantas em locais que nunca receberam aplicação daquele herbicida. Para se ter certeza de que as plantas colhidas representam a população. das plantas tratadas com herbicida em comparação com as não-tratadas (MAXWELL. Os resultados podem indicar se a resistência é devido à alteração no local de ação ou à metabolização da molécula. 7 .5 . Existem metodologias para estudo da maioria dos casos de resistência. As diferenças entre biótipos resistentes e sensíveis de uma espécie podem ser quantitativamente expressas comparando-se as doses de herbicidas necessárias para reduzir 50% da população (DL50). 1994). 210 Módulo 3. indica que o possível mecanismo de resistência está relacionado com o local de ação. indica que o provável mecanismo envolvido é metabolismo da molécula. se a diferença de controle for pequena. Ponchio (1997) isolou a enzima ALS e avaliou a sua resposta a diferentes doses de herbicidas que agem sobre ela. Para servir como padrão sensível.Herbicidas: resistência de plantas . Após duas e quatro semanas. da biomassa (GR50) ou da atividade da enzima (I50). As condições de aplicação devem seguir aquelas recomendadas pela empresa fabricante. dose recomendada. As doses a serem aplicadas são: metade da recomendada. devendo-se realizar testes para confirmação. Por outro lado. deve-se iniciar a investigação dos fatores que levam à resistência. deve-se colher em torno de 40 plantas ou 1.Como confirmar a resistência O método mais comum e recomendado pelo HRAC (1998b) é colher sementes das plantas suspeitas de resistência e de plantas sensíveis.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Se as respostas a estas perguntas forem afirmativas. No Brasil. avaliar o controle e a produção de matéria fresca. duas e quatro vezes a dose recomendada. existe a possibilidade de ser resistência. podem ser realizadas em nível de laboratório.000 sementes. a) Ultimamente tem-se reptido aplicação de um mesmo herbicida ou herbicidas com mesmo mecanismo de ação? b) O herbicida em questão vem perdendo eficiência? c) Há casos de plantas resistentes a este herbicida? d) O herbicida não perdeu eficiência sobre outras espécies? Se a resposta a uma ou mais destas perguntas for afirmativa. MORTIMER. para identificar o mecanismo exato da resistência. Análises bioquímicas. Se a diferença de controle entre os biótipos resistentes e sensíveis for grande.

As práticas culturais visam aumentar o número de possibilidades de controle das plantas daninhas. g) Rotacionar o plantio de culturas. c) Evitar a disseminação. k) Controlar plantas em áreas adjacentes (terraços. e) Limitar aplicações de um mesmo herbicida.5 . Em caso de confirmação da resistência. a fim de minimizar o risco do surgimento de plantas resistentes (Quadro 4). A mistura de produtos com diferentes mecanismos de ação proporciona controle eficiente por maior número de anos do que ambos aplicados de forma isolada. Para minimizar os riscos de resistência. os herbicidas que compõem a mistura devem controlar o mesmo espectro de plantas daninhas e ter persistência similar e diferente mecanismo de ação e de detoxificação.Herbicidas: resistência de plantas 211 . d) Realizar rotação de mecanismo de ação. c) Usar mistura de herbicidas com diferentes mecanismos de ação e de detoxificação. i) Acompanhar mudanças na flora. b) Realizar aplicações seqüenciais. pós-colheita).Como evitar a resistência Antes que as falhas de controle apareçam na lavoura. devem-se realizar os testes e determinar medidas de manejo. j) Usar sementes certificadas. h) Rotacionar os métodos de controle de plantas daninhas. é pequena. b) Colocar em prática o programa de manejo da resistência. Isso pode ser conseguido com adoção das seguintes práticas: a) Usar herbicidas com diferente mecanismo de ação. l) Rotacionar o método de preparo do solo. São elas: reduzir a pressão de seleção e controlar os indivíduos resistentes antes que eles possam se multiplicar. deve-se. O acompanhamento e a avaliação da eficiência das medidas adotadas para combate à resistência são indispensáveis para garantir o sucesso da prática. para reduzir o acréscimo de sementes ao banco. Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A empresa fabricante deve ser informada e. algumas práticas podem ser implantadas. através de diferentes métodos de controle e mecanismos herbicidas. A adoção dessas práticas visa reduzir a pressão de seleção. em primeiro lugar: a) Erradicar imediatamente as plantas remanescentes. juntamente com esta. 8 . já que a probabilidade de uma planta daninha tornar-se resistente aos dois mecanismos. simultaneamente. f) Usar herbicidas com menor pressão de seleção (residual e eficiência).

no caso de a resistência ser monogênica. mas reduzirá o número de genes na população capazes de associarem-se (MORTIMER. e com o passar do tempo a população de plantas resistentes será reduzida (MORTIMER. A seleção reversa ocorre na ausência da seleção herbicida. A redução na pressão de seleção.5 . A taxa de cruzamento entre os biótipos resistentes é reduzida. as plantas que não são controladas com uso de herbicidas alternativos podem contribuir para a disseminação e o aumento da freqüência gênica dos alelos sensíveis. 1998). 212 Módulo 3.Herbicidas: resistência de plantas . seleção reversa.Manejo da resistência a herbicidas As estratégias de manejo vêm sendo discutidas continuamente por cientistas da área. são menos competitivos do que biótipos sensíveis. 1998). Biótipos de Senecio vulgaris. 1998). essas medidas podem agravar o problema. Essa tática somente será eficiente na redução da população dos biótipos resistentes em casos em que as diferenças de adaptabilidade entre os biótipos resistentes e sensíveis forem grandes (MORTIMER. ou. e os biótipos mais adaptados tendem a dominar o ambiente. 1998). assim. favorecendo os alelos sensíveis (MORTIMER. O uso de altas doses pode intensificar a seleção. A baixa pressão de seleção poderá. pode ser conseguida com redução na dose do herbicida que selecionou as plantas resistentes. O comportamento de uma população de plantas pode ser altamente modificado. Por outro lado. neste caso. resistentes às triazinas. de acordo com as práticas de cultivo Opção de manejo Mecanismo herbicida usado Mistura de herbicidas Método de controle Rotação de cultura Infestação Controle nos últimos três anos Fonte: Adaptado de HRAC (1998d) Baixo Mais que dois Mais que dois mecanismos Cultural. Desse modo. selecionar biótipos altamente resistentes. As várias opções que vêm sendo sugeridas estão baseadas em somente dois processos biológicos: alteração da pressão de seleção e. a redução na pressão de seleção aumenta a probabilidade de associação desses genes em um biótipo. rotação de culturas e métodos de controle e usando-se herbicidas com diferentes mecanismos de ação. se a resistência for uma característica poligênica. mecânico e químico Completa Baixa Bom Risco de resistência Médio Dois mecanismos Dois mecanismos Cultural e químico Limitada Média Declinando Alto Um mecanismo Um mecanismo Químico Nenhuma Alta Ruim 9 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 4 – Risco de evolução da resistência. uso de misturas de herbicidas. As características poligênicas dependem da associação dos genes corretos.

que incluem mistura de herbicidas. e de Daucus carota. devido ao largo uso destes herbicidas para controlar grande número de espécies e ao restrito número de herbicidas com potencial para substituí-los (HEAP. responsáveis pelo HRAC.4-D e MCPA em trigo selecionou Sinapis arvensis. O conhecimento do modo de ação dos herbicidas é fundamental na adoção de técnicas de manejo. As empresas fabricantes de herbicidas. financiando pesquisas e com iniciativas educativas que visam esclarecer aspectos sobre a resistência e o modo de ação de cada herbicida. Os biótipos resistentes assumem importância.Herbicidas: resistência de plantas 213 . na França. Módulo 3. 10 . resistentes ao 2. quando biótipos resistentes de Convolvulus arvensis foram identificados nos Estados Unidos (WEED SCIENCE. O herbicida quinclorac.1 . nos Estados Unidos. através do GCPF (Federação Global de Proteção de Plantas). Em 1957. Papaver rhoeas. na Espanha.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Considerando que a resistência é um problema que pode afetar intensamente o mercado de herbicidas. por serem os três grupos de produtos com maiores problemas (KISSMANN. rotação de mecanismos de ação e adoção de práticas culturais específicas. Os três primeiros casos de resistência identificados foram a esta classe herbicida. estão empenhadas em desenvolver técnicas e estratégias para identificação. selecionou biótipos resistentes de Echinocloa crus-galli na Espanha. inibidores de ALS e inibidores de ACCase.5 . Este grupo chama-se HRAC (Herbicide Resistance Action Committee) e é formado por três subgrupos que estudam triazinas. manejo e monitoramento dos casos de resistência. 1998) O uso extensivo de 2. no Canadá. Considerando o tempo e o uso extensivo destes herbicidas. 1997). foram identificados biótipos de Commelina diffusa. 1996). fortemente defendidas pelas empresas.4-D. no Canadá.Auxinas As auxinas sintéticas 2.4-D e MCPA revolucionaram o controle de espécies daninhas de folha larga em cereais na década de 1940 e têm sido usadas largamente desde então. considerado uma auxina e usado para controle de gramíneas em arroz. poucas plantas daninhas evoluíram resistência até hoje. e Matricaria perforata. de constituir um grupo permanente de cientistas para estudar o assunto e propor soluções. que visam prolongar a vida útil das moléculas envolvidas na resistência. O terceiro caso foi em 1964. as indústrias tomaram a iniciativa.Características da resistência por grupos herbicidas 10.

é considerado um produto com baixa probabilidade de selecionar espécies resistentes. resistentes ao glyphosate. 214 Módulo 3.Herbicidas: resistência de plantas . Por apresentar mais de um mecanismo de ação. plantas de Conyza bonariensis resistentes ao paraquat (PRESTON.5 . mais de um mecanismo de ação. foram identificadas. entre plantas resistentes e suscetíveis as enzimas são igualmente sensíveis ao glyphosate em ambas as populações. O argumento mais convincente. Trabalhos realizados por Pratley et al. Lorraine-Colwill et al. em 1980.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 10. 1994). Aplicações de paraquat e diquat selecionaram 25 e duas espécies resistentes. é o longo tempo em que este vem sendo usado.3 . não encontraram nenhuma diferença em nível da expressão gênica no alvo do herbicida e na síntese de EPSPs. selecionaram. 1997).2 . 1997). 20 são dicotiledôneas e sete são monocotiledôneas (HEAP. em lavouras que usaram o produto para controlar plantas daninhas em pré-plantio. 17 espécies resistentes. (2002) trabalhando com Lolium rigidum. (1997) demonstraram que os biótipos resistentes de Lolium rigidum foram dez vezes mais tolerantes ao glyphosate do que os biótipos sensíveis. em uma vasta área. pelo menos. 10. que apresentam. 1997). Devido à pequena área infestada e ao número de herbicidas alternativos. Em 1996 foram identificados. foram identificados. Atualmente existem comprovados no mundo seis casos de resistência ao glyphosate. biótipos de Erigeron philadelphicus.Bipiridílios Os herbicidas bipiridílios são herbicidas não-seletivos aplicados em pós-emergência. os herbicidas bipiridílios. Segundo esses autores.Derivados da glicina O herbicida glyphosate é o produto mais usado deste grupo. Depois disso. na Austrália. 1994). os biótipos resistentes a este grupo herbicida não são considerados de grande importância (HEAP. Erigeron sumatrensis e Youngia japonica resistentes a estes herbicidas. Contudo. cada um. Dentre estas. nãotranslocáveis (de contato) e com baixa persistência biológica no solo. Os biótipos também apresentaram-se resistentes ao diclofop e sensíveis aos demais herbicidas graminicidas usados para seu controle. Após duas décadas de uso. no Japão. biótipos de Lolium rigidum. de que o glyphosate apresenta baixo risco para selecionar biótipos resistentes. selecionaram 26 espécies resistentes. respectivamente. no Egito. Os mecanismos que conferem resistência aos bipiridílios são redução na translocação e compartimentalização da molécula (PRESTON. e os herbicidas auxínicos e inibidores de ACCase. que apresentam baixo residual. como o glyphosate. dez vezes nos últimos 15 anos. com surgimento de apenas uma espécie resistente (HEAP. limitado metabolismo pelas plantas e baixo poder residual.

em 16 países. 1998).Herbicidas: resistência de plantas 215 . 1997).Inibidores de ACCase Este grupo herbicida foi introduzido na década de 1970. devem ser adotados. Há 17 espécies monocotiledôneas resistentes aos inibidores da ACCase. oryzalin e pendimethalin. na Austrália. em resposta ao tratamento com glyphosate. resistentes ao glyphosate. mais de 500 locais com Avena fatua (HEAP. considera-se que aquelas que resistem aos herbicidas inibidores de ACCase tenham a maior importância econômica. devem ser usados com rotação de culturas e de herbicidas. Entre as plantas resistentes. Desse modo. Biótipos de Lolium rigidum apresentam resistência cruzada às dinitroanilinas. além do químico. em razão da área infestada e do número restrito de mecanismos alternativos para controle dos biótipos resistentes (HEAP. para controle de gramíneas. Os herbicidas inibidores de ACCase são o primeiro grupo herbicida alternativo para controlar biótipos resistentes aos herbicidas do grupo dinitroanilina. A única diferença entre os biótipos foi o maior nível de RNAm encontrado nos biótipos resistentes. Nos Estados Unidos. devido ao metabolismo dessas moléculas (MOSS. Biótipos de Festuca rubra. 1998). translocação. a maior quantidade de EPSPs sintetizada poderia ser a causa da resistência. como trifluralin. Sorghum halepense e Amaranthus palmeri evoluíram resistência à trifluralin após 15 a 20 anos de uso em cereais e leguminosas. 10. A identificação de biótipos resistentes ao glyphosate indica que a resistência a este produto deve ser prevenida. 10. metabolismo e sensibilidade da EPSPS ao glyphosate. biótipos de Eleusine indica.5 . Essas moléculas agem sobre a enzima ACCase e controlam com eficiência gramíneas em culturas mono e dicotiledôneas. Dessa forma. e isso fez com que fossem selecionados biótipos de Setaria viridis com resistência múltipla a estes mecanismos (HEAP. 1990. Lolium rigidum e Avena fatua são as espécies com maior importância. HOWAT. mais de 3.000 locais com Lolium rigidum resistente e.Dinitroanilinas Os herbicidas do grupo dinitroanilinas. Estima-se que haja. os cultivares de soja resistentes ao glyphosate.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Esses trabalhos também demonstraram que não existem diferenças de absorção. acredita-se que estes mecanismos não são as causas principais da resistência dos biótipos a este herbicida. assim. no Canadá. O uso de misturas herbicidas e emprego de mais de um método de controle. recentemente desenvolvidos. entre os biótipos resistentes e sensíveis. Apesar do tempo de uso e do seu longo período residual.5 . POWLES. foram selecionados artificialmente (MORTIMER. 1990). somente cinco monocotiledôneas e uma dicotiledônea apresentam resistência a este grupo herbicida (HEAP. são usados em pré-emergência para controlar plantas daninhas gramíneas em culturas oleaginosas. 1998). Módulo 3.4 . 1997).

alta seletividade para as culturas e alta eficiência com emprego de doses baixas (HESS. 1997). 10. a repolarização das membranas ocorre independentemente da presença da ACCase mutada e existem muitas diferenças entre as membranas dos biótipos resistente e sensível (HEAP. este grupo herbicida vem apresentando o maior número de registros de plantas resistentes. 4) a resistência aos herbicidas inibidores da ALS é determinada geneticamente por lócus simples e semidominante e alta freqüência inicial em todos os casos de resistência estudados até o momento. 1994. plantas resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase devem possuir mais de um mecanismo que proporcione a resistência. 5) trabalhos têm mostrado que os biótipos resistentes apresentam a mesma adaptabilidade ecológica que os biótipos sucetíveis dos inibidores 216 Módulo 3. 1994).esses herbicidas podem atingir níveis de controle próximos a 100%. Nos últimos dez anos. a resistência aos inibidores da ALS tem sido atribuída a mudanças na seqüência de aminoácidos. selecionados com uso de herbicidas dos grupos ariloxifenoxipro-pionato ou cicloexanodiona.. surgiu a primeira espécie resistente (SAARI et al. 3) muitos herbicidas inibidores da ALS apresentam residual prolongado no solo e conseqüentemente aumentam a pressão de seleção para biótipos resistentes. que vai desde a cultura da soja até área de produção de arroz irrigado e florestas implantadas.. em 14 países. O diferente nível de resistência pode ser resultado das diferentes mutações ocorridas no gene que codifica a enzima ACCase e do tipo de alelo do gene (POWLES. Amaranthus strumarium e Sorghum bicolor (HEAP. Assim. Os herbicidas classificados como inibidores de ALS tornaram-se uma ferramenta de grande importância para agricultura. o que se deve a vários fatores. Atualmente. um relacionado com a ACCase e outro com a membrana plasmática.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Biótipos de Lolium rigidum. bem como a seu grande espectro de controle de plantas daninhas. PRESTON. 2) alta eficácia da maioria dos herbicidas inibidores da ALS . Em biótipos de Lolium rigidum.Inibidores de ALS A introdução no mercado dos herbicidas inibidores de ALS ocorreu em 1982. Aproxi¬madamente cinco anos após o início do uso dos herbicidas inibidores de ALS. 41 são dicotiledôneas e nove são monocotiledôneas.. AHRENS. Entre as espécies descritas estão Kochia scoparia.5 .6 . apresentam maior nível de resistência aos herbicidas do primeiro grupo do que aos do segundo.Herbicidas: resistência de plantas . 1994). 1994). 1998). Estes herbicidas são largamente usados devido a sua baixa toxicidade para animais. há 50 espécies de plantas daninhas resistentes a estes produtos. em razão da sua eficiência e do reduzido impacto ambiental (SAARI et al. Essas características contribuíram para o surgimento rápido da resistência. desde gramíneas até dicotiledôneas e plantas daninhas perenes como a tiririca e a grama-seda. com o lançamento da molécula chlorsulfuron para uso em cereais (SAARI et al. 1997). resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase. A despolarização das membranas é um segundo mecanismo de ação atribuído aos herbicidas deste grupo. Dentre estas. como: 1) a amplitude de recomendações possíveis. Os herbicidas inibidores da ALS apresentam alta freqüência de casos de resistência de plantas daninhas. 1994). A manutenção do potencial é vital para a sobrevivência da célula.

Além da prolina. em um dos biótipos resistentes. PRESTON. e Solanum nigrum. A rápida inativação metabólica é a base para a resistência do biótipo SR4/84 de Lolium rigidum ao chlorsulfuron (COTTERMAN. respondeu igualmente a um biótipo sensível ao herbicida. 10.7 . 1998). Já um segundo biótipo apresentou resistência devido à insensibilidade da enzima ALS ao inibidor. 1989. em nove países. mas não a todos os herbicidas do grupo das uréias.Triazinas A maioria das plantas daninhas resistentes às triazinas foram localizadas em lavouras de milho na Europa e América do Norte. Christopher et al. cinco de Polygonum e quatro de Chenopodium. a resistência deste biótipo se deve à rápida metabolização do herbicida. A mutação na D1 provoca alto nível de resistência aos herbicidas do grupo triazinas. em dez países. contudo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas da ALS. Alterações na proteína D1 são as principais causas da ocorrência de plantas resistentes aos herbicidas que agem no fotossistema II. O gene que codifica a enzima ALS nas espécies resistentes pode apresentar diferentes mutações. O metabolismo das moléculas herbicidas é outro mecanismo usado por plantas daninhas para resistir a estes herbicidas. biótipos resistentes apresentam menor crescimento do que biótipos normais Módulo 3. até o momento. usando-se herbicidas alternativos (HEAP. porém a atividade da ALS. 1997). (1992) identificaram biótipos de Lolium rigidum resistentes ao herbicida chlorsulfuron. As espécies mais freqüentes são Chenopodium album.. no centro ativo A da ALS. 2004). Entre as plantas resistentes relatadas existem nove espécies de Amaranthus. assim. Estima-se que a área infestada no mundo com plantas daninhas resistentes aos herbicidas triazinas seja superior a três milhões de hectares. até o momento. FALCO. 1994). A causa da resistência aos herbicidas inibidores de ALS está em mutações que ocorrem no DNA e no metabolismo da molécula herbicida. SAARI et al. Essas mutações não alteram a função biológica da ALS. que conferem alterações funcionais na enzima ALS (POWLES. Os diferentes níveis de resistência são atribuídos às diferenças na estrutura do centro de reação da D1 entre às espécies. não foram encontrados biótipos resistentes que apresentem alteração na taxa de crescimento ou na capacidade competitiva. As plantas daninhas resistentes têm sido controladas com eficiência. assim. histidina. Amaranthus retroflexus e Senecio vulgaris.5 .. em 16 países. já que. outros aminoácidos da ALS podem ser substituídos e produzir plantas resistentes com características distintas. da prolina 173 por uma alanina. Esta mutação afeta o fluxo de elétrons no FSII. como as triazinas e uréias substituídas. A resistência a imidazolinonas e sulfoniluréias é conferida por um gene dominante nuclear (MAZUR.Herbicidas: resistência de plantas 217 . SAARI. serina ou treonina. entre elas a substituição. glutamina. foi identificada somente uma mutação na proteína D1: a substituição da serina 264 por uma glicina. e 6) a maioria dos casos de resistência aos inibidores da ALS estudados apresenta resistência cruzada aos diversos grupos químicos de herbicidas que tem este mecanismo de ação (VARGAS et al. 1992). não está descartada a hipótese de que o metabolismo da molécula também esteja envolvido. dessa forma.

D 218 Mecanismo Local de ação alterado/metabolismo Local de ação alterado Local de ação alterado Local de ação alterado Metabolismo Desconhecido Módulo 3.Uréias/amidas A primeira espécie a apresentar resistência às uréias foi Alopecurus myosuroides no Reino Unido.5 . PRESTON.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas (POWLES. em muitos países. apresentam sérios problemas de controle. com e sem rotação.8 . Os biótipos de plantas daninhas resistentes às triazinas são controlados com eficiência. crusgalli em lavouras de arroz.4. dessa forma. 11 . em 1982. 10. e na Alemanha. da Costa Rica e dos Estados Unidos (HEAP.Mecanismos de resistência de plantas daninhas a herbicidas pertencentes a diferentes grupos químicos Herbicida Triazinas Dinitroanilina Inibidores da ALS Inibidores da ACCase Propanil 2. 1998). A mutação responsável pela resistência às triazinas ocorreu no genoma do cloroplasto.Seleção de biótipos resistentes por diferentes mecanismos de ação herbicida Os herbicidas selecionam biótipos resistentes com diferentes mecanismos de resistência (Quadro 5) e em diferentes períodos de tempo (Quadro 3). mais de 40 espécies apresentam resistência a este grupo e duas ao propanil. com uso de herbicidas alternativos (HEAP. que pertence ao grupo das amidas. Quadro 5 . por possuírem capacidade de metabolizar herbicidas com diferentes mecanismos de ação. Os herbicidas triazinas e auxina sintéticas vêm sendo usados em milhões de hectares há mais de 30 anos. mas sim via herança materna. As diferenças se devem à variabilidade genética das espécies envolvidas. ao tamanho da área e ao tempo em que este produto é usado na área. em 1983. além da facilidade que as espécies possuem de evoluir resistência para o herbicida e do número de mecanismos envolvidos. A ocorrência destes biótipos resistentes inviabiliza o uso deste herbicida em lavouras da Colômbia.Herbicidas: resistência de plantas . resistentes a chlorotoluron. a resistência não é transmitida hereditariamente via pólen. Atualmente. Isso demonstra que as triazinas apresentam maior risco de seleção de biótipos resistentes que as auxinas sintéticas (HEAP. Até o momento existem 64 espécies resistentes às triazinas e 17 resistentes aos auxínicos. 1997). Biótipos de Alopecurus myosuroides. 1998). O herbicida propanil é usado para controlar Echinocloa colona e E. As diferenças relacionadas ao mecanismo de ação destes herbicidas podem ser a resposta para essa questão. 1997).

O glyphosate esta sendo usado intensivamente na agricultura há mais de 25 anos.. Até hoje foram constatados casos de resistência em 6 espécies de plantas daninhas.A resistência de plantas daninhas no Brasil Atualmente são reconhecidos 15 casos de plantas daninhas resistentes no Brasil. A enzima ALS. Somente com o uso de todos os métodos de controle disponíveis conjuntamente. desse modo. a alta especificidade e eficiência e o longo período residual contribuem para a evolução rápida da resistência aos herbicidas que agem inibindo as enzimas ALS e ACCase. Conyza canadensis.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Os herbicidas dos grupos cloroacetamidas e inibidores da EPSPs (glyphosate). 1999). Eleusine indica. até o presente momento. constitui-se na mais provável causa da resistência (PONCHIO.Herbicidas: resistência de plantas 219 . estes herbicidas apresentam alto potencial para selecionar plantas resistentes. LÓPEZ-OVEJERO. (Quadro 6). 2003). selecionaram biótipos resistentes devido ao seu emprego em vastas áreas (HEAP. 12 . a vasta área tratada. VARGAS et al. Lolium multiflorum. Nos últimos dez anos foram identificadas mais espécies resistentes para os inibidores de ALS do que para qualquer outro mecanismo de ação. fomesafen e acifluorfen (PONCHIO. apesar de serem considerados de baixo risco. mas são sensíveis aos herbicidas alternativos sulfentrazone. Em razão de suas características. O primeiro caso de resistência. um número limitado de populações de plantas daninhas sofreu pressão de seleção suficiente para o aparecimento de biótipos resistentes (CHRISTOFOLETI. mostrou-se menos sensível a estes herbicidas e. poderão ser evitados o surgimento de novos casos de resistência e o surgimento de plantas com resistência múltipla. que é um problema muito maior do que a resistência cruzada. Estes biótipos foram encontrados em lavouras dos estados do Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul e apresentam resistência cruzada aos herbicidas inibidores de ALS. lactofen. dos biótipos resistentes. aos herbicidas inibidores de ALS. foi o da planta daninha Bidens pilosa L. são elas: Lolium rigudum. relatado oficialmente. 1997). O primeiro caso de resistência de plantas daninhas ao herbicida glyphosate foi registrado em 1996. 1997.5 . Conyza banariensis e Plantago lanceolata (WEED SCIENCE. bentazon. 1997). A alta freqüência inicial de indivíduos resistentes na população. 2006). Módulo 3.

Estudos relacionados a inibidores da ALS em condições de laboratório e de campo. diferenças entre os biótipos resistentes e sensíveis. foram identificados em lavouras de soja nos estados do Rio Grande do Sul e Paraná. Os resultados deste trabalho indicam que a resistência é conferida por um gene dominante nuclear e que os biótipos apresentam resistência cruzada aos herbicidas inibidores de ALS. e Brachiaria plantaginea. resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase.5 . referentes à resistência em Euphorbia heterophylla L.arroz Capim-pé-de-galinha Leiteiro Leiteiro Flecha Cuminho Azevém Losna-branca Nabiça Mecanismo de ação ao qual adquiriu resistência Inibidores da ALS Inibidores da ALS Inibidores da ACCase Inibidores da ALS Auxina sintética Inibidores da ACCase Auxina sintética Auxina sintética Inibidores da ALS Inibidores da ALS Inibidores da ALS e PPO Inibidores da ALS Inibidores da ALS Inibidores da EPSPs Inibidores da ALS Inibidores da ALS Biótipos de Euphorbia heterophylla. O uso repetido destes herbicidas pode ser a principal causa da seleção dos biótipos resistentes. Estudos relacionados à capacidade competitiva e ao comportamento das sementes no solo não indicam. resistentes aos herbicidas inibidores de ALS. crusgalli Echinochloa crus-pavonis Eleusineiíndica Euphorbia heterophylla Euphorbia heterophylla Sagitaria montevidensis Fimbristylis miliacea Lolium multifolium Parthenium hysterophorus Raphanus sativus Fonte: Wees Science (2006) Nome comum Picão-preto Picão-preto Capim-marmelada Junquinho Capim-arroz Capim-colchão Capim.Espécies de plantas daninhas resistentes a herbicidas ocorrentes no Brasil e seu provável mecanismo Biótipos resistentes Bidens pilosa Bidens subalternans Brachiaria plantaginea Cyperus difformis Echinochloa colonum Digitaria ciliaris Echinochloa crusgalli var.. onde estes produtos são empregados há mais de cinco anos. 220 Módulo 3. porém são sensíveis a herbicidas com outros mecanismos de ação. estão sendo realizados na Universidade Federal de Viçosa.arroz Capim.Herbicidas: resistência de plantas . até o momento.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 6 . Os biótipos resistentes sobreviveram ao tratamento com dose 16 vezes maior que a dose de campo (de rótulo). Não houve diferenças entre os biótipos resistentes e sensíveis relacionadas à taxa de germinação e à profundidade de germinação e emergência.

propaga-se apenas por sementes (LORENZI.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 13 . Módulo 3. 2004). que vinham recebendo. ereta. a dose de 360 g ha-1 foi suficiente para controlar o biótipo sensível. Originária do sul da Europa. Nas plantas resistentes e suscetíveis. em média. observaram que aproximadamente 80% das plantas avaliadas resistiram a dose de até 1. O primeiro caso de Lolium multiflorum resistente ao glyphosate foi relatado por Perez e Kogan (2002). Com relação ao Lolium rigidum..440 g ha-1 de glyphosate e. Vargas et al. Nesse mesmo trabalho.520 g ha-1. as enzimas foram igualmente sensíveis ao glyphosate em ambas às populações. de 30 a 90 cm de altura. No Brasil. densamente perfilhada. (2002) não encontraram nenhuma diferença em nível da expressão gênica no alvo do herbicida e na síntese de EPSPs. trabalhando com biótipos sucetíveis e resistentes de azevém (Lolium multiflorum). As plantas resistentes e suscetíveis foram igualmente capazes de absorver o herbicida aplicado.Resistência do azevém (lolium multiflorum) ao glyphosate Lolium multiflorum é uma espécie anual ou bianual. três aplicações de glyphosate por ciclo durante os últimos 8 a 10 anos. glaba. o mecanismo que confere resistência ao glyphosate ainda não foi determinado com clareza. (2004). Em todos esses casos a aplicação repetida e continuada de glyphosate para controle da vegetação é considerada a principal causa da seleção dos biótipos resistentes. morfologicamente muito variável. herbácea. Este biótipo resistente foi identificado em pomares no Chile. A diferença marcante entre populações resistentes e suscetíveis foi encontrada no translocação do glyphosate. Lorraine-Colwill et al. 20% a doses de até 11.Herbicidas: resistência de plantas 221 . 2000). aproximadamente. Depois do tratamento com glyphosate os autores observaram acumulação do produto nas raízes de plantas suscetíveis e nas pontas das folhas de plantas resistentes (Quadro 7). foram identificados biótipos de azevém (Lolium multiflorum) resistentes ao glyphosate em lavouras de culturas anuais e em pomares (ROMAN et al.5 .

5 ± 2. Quadro 8 – Inibição da EPSPS em teste in vitro População Suscetível Intermediário Resistente Altamente resistente Fonte: BAERSON et al. Segundo Kogan e Pérez (2003). com erros-padrão. Baerson et al. em biótipos de L. (2002) % de inibição por glyphosate 0 hora após a aplicação 48 horas após a aplicação 42.3 ± 3.0 42. Os valores mostrados são a médias de 10-15 plantas dos biótipos resistente e suscetível.8 Esses autores observaram superprodução da EPSPS induzida pela aplicação do glyphosate e também expressivo aumento no nível de EPSPS nas plantas resistentes e altamente resistentes.4 44.4 ± 8. é muito pouco provável que os maiores níveis de expressão da EPSPs dos indivíduos resistentes expliquem completamente a maior tolerância ao produto.Translocação foliar do 14glyphosate aplicado em plantas resistentes e suscetíveis.9 ± 4. sugerindo que o mecanismo de resistência não esta completamente baseado no sítio de ação.5 44.9 36.Herbicidas: resistência de plantas .2 ± 2.0 38.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 7 .5 43. (2002). dessa forma.6 ± 2. intermediário . rigidum após o pré-tratamento com glyphosate isopropilamina (450 g ha-1) Horas 2 4 8 24 48 Biótipos S R S R S R S R S R Acima do LA 30 ± 2 28 ± 4 40 ± 3 42 ± 4 36 ± 5 48 ± 5 19 ± 3 42 ± 5 15 ± 2 50 ± 1 C (% total absorvido) LA Abaixo do LA 13 ± 1 55 ± 2 11 ± 1 58 ± 5 11 ± 1 44 ± 3 10 ± 1 44 ± 4 11 ± 2 45 ± 3 10 ± 2 37 ± 3 08 ± 1 53 ± 3 10 ± 1 43 ± 4 10 ± 2 55 ± 3 11 ± 1 33 ± 3 14 Raízes 02 ± 0 02 ± 0 05 ± 1 04 ± 0 08 ± 1 05 ± 1 20 ± 2 05 ± 1 20 ± 4 06 ± 1 Lorraine-Colwill et al. Os autores isolaram a enzima EPSPS e realizaram testes in vitro de sua atividade na presença de glyphosate em todas as populações. LA: local da aplicação.6 ± 6. 222 Módulo 3. (2002) observaram inicialmente que numa população de Lolium rigudum existiam plantas com diferentes níveis de resistência ao glyphosate e assim classificaram estes biótipos como suscetível. resistente e altamente resistente. Os resultados do trabalho indicados no Quadro 8 mostram que a atividade da EPSPS das plantas resistentes é similar à atividade das plantas suscetíveis. a hipótese de alteração da EPSPS no sítio de ação é descartada.5 .3 ± 7.8 42.

Herbicidas: resistência de plantas 223 . 3A). 4). A dose de 200 g ha-1 foi suficiente para controlar 100% das plantas sensíveis (Fig. intermediário e resistente ao herbicida glyphosate).5 . Módulo 3. Essa queda de produção foi mais severa no biótipo intermediário do que no resistente (Fig. observou-se que doses de até 3. 3 B e C. (2006a) com três biótipos de Lolium multiflorum (biótipos sensível.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 2 . (2006a) Em recente trabalho realizado por Ferreira et al. Todavia. Tanto o biótipo resistente quanto o intermediário apresentaram elevados níveis de intoxicação (80%) aos 14 dias após a aplicação dos tratamentos (Fig.Evolução da intoxicação provocada por glyphosate sobre biótipos sensível (A). multiflorum observou-se redução na produção de massa seca da parte aérea. resistente (B) e de resistência intermediária (C) de Lolium multiflorum Fonte: Ferreira et al.200 g ha-1 de glyphosate não controlaram os biótipos resistentes e de resistência intermediária. em ambos os biótipos (resistente e com resistência intermediária) de L.

O biótipo R apresentou maior acúmulo de 14glyphosate na folha aplicada às 64 horas enquanto no suscetível observaram maior acúmulo desse herbicida nas raízes (Fig.. que constataram maior acúmulo do produto marcado nas raízes do biótipo resistente. (2006) verificaram que tanto o suscetível quanto o resistente absorveram o glyphosate na mesma intensidade (Fig. multiflorum pode estar ligado a translocação diferencial deste herbicida pelos diferentes biótipos. Ferreira et al. 5).5 . Todavia observaram diferença marcante na translocação do 14glyphosate entre os biótipos resistente (R) e sensível (S). 224 Módulo 3. (2002) em Lolium rigudum. (2006a) Figura 4 .Biótipos resistente (R) e sensível (S) de L multiflorum cinco dias após tratamento com 800 g ha-1 de glyphosate (FERREIRA et al. 2006a) O possível caso da resistência de L.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 3 .Porcentagem de produção de massa seca dos biótipos resistente e intermediário tratados com glyphosate em relação à testemunha Fonte: Ferreira et al. Esses resultados se assemelham aos encontrados por Lorraine-Colwill et al. 2A).Herbicidas: resistência de plantas .

com uma área plantada de 9. multiflorum resistente (R) e sensível (S) Fonte: Ferreira et al.Herbicidas: resistência de plantas 225 .Culturas transgênicas e plantas daninhas resistentes a herbicidas 14.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 5 – Concentrações de glyphosate avaliadas em diferentes tempos após aplicação.na folha onde foi aplicado. (2006b) 14 . milhares de hectares cultivados com culturas transgênicas já foram incorporados no processo produtivo. a área de produção de transgênicos passou de 81 milhões de hectares em 2004 para 90 milhões.5 . No mundo. O Brasil é hoje o terceiro produtor de transgênicos.1 . correspondendo a um aumento de 11% em 2005 no total de 21 países onde o plantio de transgênicos é permitido (JAMES. 2005).nas raízes de biótipos de L. perdendo apenas para Argentina e Estados Unidos (Quadro 9).Culturas transgênicas Cultivares de soja e de outras culturas foram lançados recentemente no mercado. (B) . Módulo 3. Depois disso. (A) – na água de lavagem. (C) – na parte aérea e (D) .4 milhões de hectares de sementes.

México. representando 60% da área mundial destinada às plantas geneticamente modificadas em 90 milhões de hectares. comercialmente disponível em nove países em 2005 (Quadro 9) que.4 milhões de hectares. milho e canola Algodão Soja Algodão Soja. em ordem decrescente de área cultivada.1 0. milho e algodão Soja e milho Algodão Soja e algodão Soja Milho Milho Algodão Arroz Milho Milho Milho Milho Milho Em 2005. em ordem decrescente de área: milho tolerante a herbicida. EUA. África do Sul e Argentina. com crescimento de 22% no ano de 2003. são: EUA.3 milhões de hectares (5%) em dois países: Canadá e EUA. cultivado em 3. Outras cinco culturas listadas no Quadro 10 ocuparam entre 2% e 5% da área mundial cultivada com plantas derivadas da biotecnologia e incluem.5 . Paraguai.8 1. equivalente a 6% da área mundial com lavouras geneticamente modificadas.8 17. Uruguai. ocupou um total de 15.3 0. Checa Superfície (milhões de ha-1) 49. Canadá.1 < 0. A terceira cultura geneticamente modificada mais cultivada foi o algodão Bt. Argentina. foram: China. Romênia.1 0.Herbicidas: resistência de plantas . canola tolerante a herbicida. Argentina. Brasil. milho Bt tolerante a herbicida. África do Sul e Colômbia. quando foram cultivados 12.1 < 0. Austrália.1 < 0. Ela ocupa 48. A soja tolerante a herbicida é atualmente a cultura geneticamente modificada dominante.1 < 0. e que ocupou 4. O algodão Bt foi plantado em oito países. milho. sexta colocação em 2003.8 milhões de hectares (4%) em dois países: EUA e 226 Módulo 3. milho e algodão Soja Soja. 2). cultivado em 4.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 9 . Canadá.3 milhões de hectares.1 < 0.5 0.5 milhões de hectares. algodão.1 Culturas transgênicas Soja.0 milhões de hectares.Superfície global de cultivos transgênicos em 2005 (em milhões de hectares) Ordem 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 Fonte: James (2005) País EUA Argentina Brasil Canadá China Paraguai Índia África do Sul Uruguai Austrália México Romênia Filipinas Espanha Colômbia Irã Honduras Portugal Alemanha França Rep. África do Sul e México.1 9.4 5. 11 são países em desenvolvimento e 10 industrializados (Fig. cultivado em 4.3 0. Índia.1 0. em ordem decrescente de área cultivada.1 < 0.3 0.3 milhões de hectares (5%) em quatro países: EUA.3 1. que. canola e mamão Soja.1 < 0. Importante destacar que o milho Bt. dos 21 países produtores de transgênicos.8 3.

Austrália e México. 2005). e algodão tolerante a herbicida cultivado em 1. em milhões de hectares. de 1996 a 2005 O Quadro 10 mostra.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Canadá. Quadro 10 – Princiapais lavouras geneticamente modificada em 2005 Culturas Soja tolerante a herbicida Milho Bt Algodão Bt Milho tolerante a herbicida Canola tolerante a herbicida Milho Bt/tolerante a herbicida Algodão Bt/tolerante a herbicida Algodão tolerante a herbicida Fonte: James (2005) % em relação ao total de áreas cultivadas 60 14 06 05 05 04 04 02 Módulo 3. em ordem crescente por área. os países produtores de culturas trangênicas em 2005. Figura 2 – Evolução da área de cultivo de transgênicos no mundo. algodão Bt e tolerante a herbicida cultivado em 3 milhões de hectares (4%) em três países: EUA. Austrália e África do Sul (JAMES.5 .5 milhão de hectares (2%) em 3 países: EUA.Herbicidas: resistência de plantas 227 .

8 39. e a decifração do código genético foram condições primordiais para o surgimento da biotecnologia moderna. cruzam-se as espécies sexualmente compatíveis e ocorre a combinação simultânea de vários genes. com segurança (MONSANTO. como ocorre no melhoramento genético clássico (no cruzamento ocorre a "mistura" de metade da carga genética de cada variedade parental). por meio de desenvolvimento de métodos refinados com o uso de técnicas de biologia molecular. permitiram a manipulação do material genético. oferece maior precisão do que os cruzamentos. de características desejadas) entre um organismo doador (que pode ser uma planta. sem que sejam introduzidos outros genes. uma vez que permite a inserção de genes cujas características são conhecidas com antecedência.9 42. conseqüentemente. 228 Módulo 3.7 67. como ferramenta da biotecnologia agrícola. Já a transgenia é uma evolução desse processo.7 11. 2005). a área cultivada com lavouras transgênicas cresceu mais de 47 vezes (JAMES.1 90.Herbicidas: resistência de plantas . um fungo.7 81. 2005). Assim. uma bactéria. A biotecnologia agrícola utiliza a transgenia como uma ferramenta de pesquisa agrícola caracterizada pela transferência de genes de interesse agronômico (e. Além disso.0 27.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A descoberta das leis da hereditariedade. a transgenia. que. 2001). O Quadro 11 mostra a evolução do cultivo de plantas geneticamente modificada e tolerante a herbicidas durante o o período de 1996 a 2005. No melhoramento tradicional.2 52.6 59. bem como da natureza química do material genético. denominadas de transgênicas.) e plantas. com o objetivo de acelerá-lo e de ampliar a variedade de genes que podem ser introduzidos nas plantas. 2005). surgiram as plantas que carregam em seu genoma a adição de DNA oriundo de uma fonte diferente de germoplasma paternal. Nessse período.0 A transgenia permite um melhoramento "pontual" através da inserção de um ou poucos genes e da conseqüente expressão de uma ou poucas características desejáveis (MONSANTO. Quadro 11 –Área total de lavouras geneticamente modificadas no mundo entre os anos de 1996 e 2005 Ano 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 Fonte: James (2005) Hectares (em milhões) 1.5 . hoje conhecida como tecnologia do DNA recombinante ou engenharia genética (VALOIS. etc.

a substituição das moléculas herbicidas que vinham sendo usadas por outra. Em 2005 a soja transgênica foi oficialmente liberada para plantio no país.5 . em alguns casos. Dessa forma. Muitos produrores de soja transgênica no Rio Grande do Sul preferem controlar as plantas daninhas com aplicação de pós-emergência feita na cultura. 2000).. essas plantas apresentam grande potencial de se tornarem um sério problema de controle. A dinâmica e o estabelecimento das plantas daninhas nos levam a antever uma provável mudança na composição das plantas infestantes. Espécies altamente sensíveis a esse produto serão eliminadas. o glyphosate (GAZZIERO. tendo em vista que vários produtos ou combinações de produtos utilizados atualmente serão substituídos por um único ingrediente ativo.Herbicidas: resistência de plantas 229 . O risco do surgimento de casos de plantas daninhas resistentes é maior para aqueles herbicidas que já apresentam biótipos resistentes. as plantas daninhas apresentam composição e dinâmica de um país tropical. 2005). ROCHA et al. que é um requisito para a seleção de plantas resistentes. 2005). Esse fato poderá levar a uma situação extrema. se o manejo das plantas daninhas não for adequadamente utilizado na soja transgênica. sendo hospedeira de pragas e moléstias. é uma espécie que se adapta com facilidade a diferentes ambientes e apresenta intensa resposta à calagem e adubação do solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 15 . subterrâneas e multiplica-se também a partir do enraizamento de porções do caule (ROCHA 1999. o que significa alta pressão de seleção. Espécies como Commelina benghalensis. dessa forma. porém com o decorrer dos anos existirá uma grande possibilidade de surgir problemas como a seleção das espécies consideradas tolerantes ou mesmo espécies resistentes (GAZZIERO. em que fatores como a intensidade e a rapidez da mudança na composição de uma comunidade são acentuados e inevitavelmente influenciados pelas práticas agrícolas e pela ação humana. No Brasil. Borreria latifolia e Tridax procumbens são plantas consideradas tolerantes ao glyphosate. C. espera-se a ocorrência de profundas mudanças nos sistemas de controle. será utilizado um único ingrediente ativo. por exemplo. Os produtos e as combinações de produtos utilizados na soja convencional serão substituídos pelo glyphosate. É uma planta perene que se reproduz por sementes aéreas.Plantas daninhas resistentes em culturas transgênicas Os métodos de controle das plantas daninhas não sofrerão alteração. e outras consideradas tolerantes apresentam a possibilidade de disseminação e conseqüente aumento de infestação nas áreas cultivadas com soja transgênica. benghalensis. somente haverá. No início serão observados apenas os benefícios da nova tecnologia. como é o caso dos herbicidas para os quais estão sendo desenvolvidas culturas resistentes. em que a maioria da área cultivada empregará a mesma molécula herbicida. deixando de fazer o controle das plantas Módulo 3.

Vargas (2004). Euphorbia heterophylla. tolerantes e sensíveis em áreas afetadas e para eleger métodos de manejo e controle das plantas tolerantes e resistentes que permitam impedir a multiplicação e a disseminação desse(s) gene(s) para outras populações. o processo de competição entre a cultura e as plantas daninhas já se iniciou. Na maioria dos casos. observou em pomares de maça tratados com glyphosate a seleção de Richardia brasiliensis. do fluxo gênico e da dispersão de propágulos.Herbicidas: resistência de plantas . que poucas vezes podem ser generalizados para as nossas condições. Commelina benghalensis. O conhecimento desses pontos é importante para embasar previsões de proporções futuras entre plantas resistentes. Biótipos de azevém (Lolium multiflorum) resistente ao glyphosate se tornaram um grave problema nas lavouras de soja transgênica no Rio Grande do Sul. Contudo. estarão sujeitos à seleção de plantas daninhas resistentes. agricultores que empregarem extensivamente. Estudos aprofundados sobre essa questão devem ser realizados com urgência no país. e em anos seguidos. da variabilidade genética da espécie daninha.Comentários finais A resistência de plantas daninhas a herbicidas é um fato consumado no Brasil.). sobre os quais tem sido aplicada doses de 16 L ha-1 do produto comercial sem sucesso. para que se possa entender e estabelecer estratégias específicas para os nossos casos. devem ser adotadas as práticas de manejo adequadas. Nas áreas com mais de 15 anos de uso têm sido feitas três aplicações/ano em doses que variam de 2 a 8 L ha-1. em condições semelhantes. o mesmo herbicida ou herbicidas. 2003). 230 Módulo 3. como: uso de misturas de herbicidas com diferentes mecanismos de ação e rotação destes mecanismos.5 . ao se realizar a aplicação. Desse modo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas que germinam antes da semeadura da soja. poucos cientistas estão se dedicando a essa área no Brasil. do número de genes envolvidos. Para que isso seja evitado. em outras espécies. levando a um considerável aumento nos custos de produção. e as informações de que se dispõe são relacionadas a casos de outros países. além da resistência de azevém (Lolium sp. com mesmo mecanismo de ação. Sabe-se que sua evolução em uma área é dependente da pressão de seleção. do padrão de herança. 16 . trazendo prejuízos a cultura (THEISEN citado po GAZZIERO.

com/paper/resist97. R. n. BURNSIDE. J...ncsu. N. B. 5 p. 11p. Planta Daninha. P. Genética na agricultura. 1909-1913. D. J. POWLES. O. 217 p. A. J.. J. n.. Investigating the mechanism of glyphosate resistance in rigid ryegrass Lolium ridigum). BAERSON. Módulo 3.. As plantas daninhas e soja resistente ao glyphosate no Brasil. L. L. FERREIRA. 507-515.. VARGAS. J. HERBICIDE RESISTANCE ACTION COMMITTEE – HRAC. Planta Daninha. Tolerância de biótipos de Lolium multiflorum ao glyphosate. Acesso em: 12 jan. SANTOS. Weed tecnhology. São Paulo: USP. 2006 – (aceito para publicação) FERREIRA.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Referências bibliográficas ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE DEFESA FITOSANITÁRIA –ANDEF.html>.. C. L.. A. VARGAS. 2002. 3. The occurrence of herbicide-Resistant weeds worldwide. n. S. Disponível em: <www. A. LOPEZ-OVEJERO. COTTERMAN. Rationale for developing herbicide-resistant crops. A. Weed Sci. N. 100. Pesticide Biochemistry Physiology. 621-25. 43. p. L. 2003..A. A. p. J. E. SILVA. n.. 2005. Web: <http://ipmwww.... I. v. 1992. 4. p. J.htm>. 1992. SOMERS. Principais aspectos da resistência de plantas daninhas ao herbicida glyphosate. GRAY. SAARI. L. A. E. Productivity and intranspecific competitive ability of a velvetleaf (Abutilon theophrasti) biotype resistant to atrazine. 619-626. p.5 . 721-730. v. CD-ROM. Web: <http://Weedscience. S.edu/orgs/hrac/ partnership. et al. 2. EHLKE. 1992.. 50. K. M.br>.andef. Weed Science. Rapid metabolic inactivation is the basis for cross-resistance to chlorsulfuron in diclofop-methyl-resistant rigid ryegrass (Lolium rigidum) biotype SR4/84. p. HEAP. v. Planta Daninha. J. J. BETTS. n. HOLTUM.. WYSE. p. BREWBAKER. L. 3. Weed Science. In: SEMINÁRIO-TALLER IBEROAMERICANO-RESISTENCIA A HERBICIDAS Y CULTIVOS TRANGÊNICOS. BALKE. SANTOS. 40.Herbicidas: resistência de plantas 231 . 4. 184-189. D. 2006 – (aceito para publicação) GAZZIERO.. v. p. 21. 1969.. A. 2006. 6. L. E. CHRISTOFFOLETI. J. 1992. C. D. 1995. Resistance to Acetolactate synthaseinhibiting herbicides in anual ryegrass (Lolium rigidum) involves at least two mechanisms. Translocação de glyphosate em de plantas de Lolium multiflorum resistentes e sensível a esse herbicida. A. 43. 182-192. Plant physiology: v. GRONWALD.gov. W. STOLTENBERG. J. 1998c. E. Partnership in the management of resistance. 2005. Dados estatísticos. v. SILVA. Mechanism of inheritance of diclofop resistance in italian ryegrass (Lolium multiflorum). P. CHRISTOPHER. B. 1997. D. R. n. T. B.

608 p. MORTIMER. Herbicide resistance in plants: biology and biochemistry.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas HERBICIDE RESISTANCE ACTION COMMITTEE – HRAC. p. F. GRAHAM.. n. 1. p. 38. v. p. A. Resistência de plantas a herbicidas. 6. MALLORY-SMITH. M. 2005. B. JAMES. 492-496. How to minimize resistance risks and how to respond to cases of suspected and confirmed resistance.edu/orgs/ hrac/guideline. Herbicidas. 1998. Herbicide cross-resistance in slender foxtail (Alopecurus myosuroides). . THILL. DIAL. K. SP: 2000. 2003. Mechanism of action of inhibitors of amino acid biosynthesis. 32.htm>. HERBICIDE RESISTANCE ACTION COMMITTEE – HRAC. 2006. HOLT. M. Situação global da comercialização de lavouras geneticamente modificadas (GM): 2005.htm>.ed.edu/ orgs/hrac/hoetomil.monsanto.html>. 163-168.. MOSS. Nova Odessa.. 1-25. West Lafayette: Purdue University. In: POWLES. Managing weed resistance: the role of the agrochemica industry. 74. R. D. 1990.ncsu. J. 1998. Ediciones Universidad Católica de Chile.ncsu. 1990. v. J. Web: <http://ipmwww. LORRAINE-COLWILL. 1998a. PÉREZ.br/ biotecnologia/oque/oque. Identification of sulfonylurea herbicideresistance prickly lettuce (Lactuca serriola). parasitas e tóxicas. Investigations into the mechanism of glyphosate resistance in Lolium rigidum.asp>. n. C. n. J.. 1. MONSANTO. Web: <http://ipmwww. LORENZI..Herbicidas: resistência de plantas . Web: <http://ipmwww. M. Web: <http:// ipmwww.html>. MAXWELL. 232 Módulo 3. J. et al. In: Herbicide action course. Weed technology. A. Plantas daninhas do Brasil – Terrestres. J. Pest. J. 13 p. C. KOGAN. O que é biotecnologia? Disponível em: <http://www. p. p. A. S. ncsu. The role of HRAC in the management of weed resistance. B. HESS. Web: <http:// ipmwww.com. 4. Annual Review of Plant Physiology and Plant Molecular Biology.5 . HOLTUM. v. The development of herbicide resistant crops. 62-72. Selection for herbicide resistance. H. v. 40. edu/orgs/hrac/monograph1. S.. Physiol. J. 10-23.. 33 p. 1990. São Paulo: Basf Brasileira S. D. A. 32 p. Weed technology. S. 1994.html>. p. Boca Raton: 1994. Significance and distribution of herbicide resistance. C. A. Guideline to the management of herbicide resistance. A.. JUTSUM. Fundamentos fisiológicos y bioquímicos del modo de acción.. M.ncsu. LEBARON.edu/orgs/hrac/brighton. 441-470. Acesso em: 19 jan. ncsu. 233 p. M. 3. M. v. F. 1989. MAZUR. FALCO. D. aquáticas. 1996. H. Biochem. HERBICIDE RESISTANCE ACTION COMMITTEE – HRAC.. Weed science. D. n. 10 p. A. 2003.G. 141-149. p. B. R. KISSMANN. C.edu/orgs/hrac/ weedresis. 9 p. 7 p. 1998d. S. 1998b. Review of graminicide resistance.A. MORTIMER. 4.

n. POWLES. n.. ROTH.. RADOSEVICH. A.. J.. 97. invasoras e tolerantes. Ocorrência de Commelina villosa como planta daninha em áreas agrícolas no Estado do Paraná. 178-185. P. THILL.. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. STOWE. et al. PRESTON. 1991. C. Effects of photosystem II inhibitors on thylakoid membranes of two common groundsel (Senecio vulgaris) biotypes. 316-318.. STALLINGS. 1. 87. S. C... 44. M. Pollen-mediated gene flow of sulfonylurea-resistant kochia (Kochia scoparia). PRESTON. N. S. 1970. G. PONCHIO. B. Cultivar: 1999. SUZUKI... HAUGHN. p. BELAS. p.edu/orgs/hrac/mono2. Resistance of common groundsel to simazine and atrazine. D. 3. E. HOLTUM. C. RADOSEVICH.weedscience. 633 p. 43.. COTTERMAN..ed. 301-306. S. 4.htm>. SP. Plant physiology. D. v. J.htm>.. HARTWIG. C. v. A. Weed science. MURAI. CALVIN. 2006. RODELLA. v. J. POWLES. 18. 1998. C. 1. G. ROCHA. p. A. K. D. v. D. n.. HOLTUM. R. v. Molecular basis of imidazolinone herbicide resistance in Arabidopsis thaliana var. ROMAN. 517-522. a herbicidas inibidores da enzima ALS/AHAS.. C. L. PEREZ. J. D. 18. p. F. A. D. R. E. Web: <http://ipmwww. 161167. HOLT. Resistance to photosystem I disruptin herbicides. RIZZARDI. W. 61-82. B. Introdução à genética. 4.. Módulo 3. 43. J. n. 83-139. MALLORY-SMITH. M.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PARKS. THILL. R.. 1. J.5 . 2000. Boca Raton: 1994. VARGAS. 1977. 5.Herbicidas: resistência de plantas 233 . D. 4. Access: 19 Jan. p. 25. n. S. W. 2002. p. n. 1996. v. D. v. N. MILLER. p.. C.. S. SHAFII. Weed Res. R. ARNTZEN. 95 102. B. A. A. Herbicide-resistant weeds in Austrália. D. 1998. S. columbia. p. W. R. p. 143 f. 3. E. p. K. B. P. Planta Daninha. CURRAN. v. Plant physiology. v. Resistência de biótipos de Bidens pilosa L. Web: <http://www.. 22. Brasil. In: POWLES. v. 1995. MARTINS. 2004. In: POWLES. Weed Science. Resistance to acetolactate synthase inhibiting herbicides. Herbicide cross resistance and multiple resistance in plants. 26 p. HOWAT. Weed Science. L. p. KOGAN. Tese (Doutorado) – Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”.. 183-189. ROCHA. GRIFFITHS.. 1988. Mechanism of atrazine resistance in lambsquarters and pigweed. 2.com/byyear/year. p. M. LEWONTIN. 1.. n. R. G. B. n. p. L. Boca Raton: 1994. J. S. Piracicaba. 12-19. 614-616. L. C. 1997. ncsu. Weed science. 1997. 1992. S. A. Glyphosate-resistant Lolium multiflorum in Chilean orchards.. PR. SATHASIVAN. n. Weed technology. Herbicide resistance in plants: biology and biochemistry. 1990.. Comparison of triazine-resistant and -susceptible biotypes of Senecio vulgaris and their F1 hybrids.. 24-25. H. 1044-1050. C. Resistência de azevém (Lolium multiflorum) ao herbicida glyphosate. M. Planta Daninha. C. SAARI. RYAN. J. Herbicide resistance in plants: biology and biochemistry. A. Weed Science. J. A. G. Herbicide susceptibility and biological fitness of triazine-resistant and susceptible common lambsquarters (Chenopodium album). STEINBACK.. F. S. T..

A. Web: <http://www. Viçosa-MG: JARD Prod. 2001. C. VARGAS.5 . Cadernos de Ciência & Tecnologia.. n.weedscience. SEDIYAMA. Acesso em: 17 jan. 18.. TAVARES. Manual de manejo e controle de plantas daninhas.. Gráficas.asp>. L. L. 234 Módulo 3. 1999. v. 1. RS: Embrapa Uva e Vinho. FERREIRA.org/in. A. 27-53. 652 p. 1998. VARGAS. 2004. 2006. WEED SCIENCE – INTERNATIONAL SURVEY OF HERBICIDE RESISTANT WEEDS. ROMAN. SILVA.. VALVERDE. A. A. T.Herbicidas: resistência de plantas . Prevention and management of herbicide resistant weeds in rice-workshop.. E. 2 p. BORÉM.weedscience.. S.htm>. Importância dos transgênicos para a agricultura. F. 131 p. p. Resistência de plantas daninhas a herbicidas. Passo Fundo.com/contacts/ resgroups/rice-workshop. C. A. S. Disponível em: <http://www.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas VALOIS. E. B.

6 .Manejo de plantas daninhas em pastagens Tutores: Profº. Lino Roberto Ferreira Profº.DF 2006 Módulo 3.6 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 .UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília .Manejo de plantas daninhas 3. Antonio Alberto da Silva Profº.ABEAS Universidade Federal de Viçosa . Ricardo Camara Werlang Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior .Manejo de plantas daninhas em pastagens 235 .

Integração da agricultura e pecuária.Controle preventivo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução.Controle químico. 260 2.1 .Controle de plantas daninhas.Fatores do ambiente passíveis de competição. 246 1.4. 252 2.1 . 244 1. 252 2.3 . 246 1.Uso de herbicidas na recuperação de pastagens.3 .Competição por água.Competição por nutrientes. 243 1.2 .4. 257 2.2 .1 . 258 2.Manejo de plantas daninhas em pastagens .3 .1.Competição por luz. 247 2 .Controle mecânico ou físico. 253 2.Competição entre plantas daninhas e forrageiras.Plantas tóxicas.1.Uso de herbicidas na reforma e formação de pastagens. 237 1 . 238 1.Controle cultural. 259 2.6 . 261 Referências bibliográficas.Uso de herbicidas na manutenção de pastagens.1.2 .4.4 .1 .2 .3 . 267 236 Módulo 3. 239 1.

em particular. Dessa forma. A tomada de decisão na pecuária.6 . possibilitem convivência harmoniosa com a natureza. 1997). As mudanças que vêm ocorrendo nos sistemas de produção são reflexos de transformações econômicas. eficiência. 1997). socialmente justos. Os últimos dez anos têm sido decisivos para a economia brasileira. Nesse período. água e recursos genéticos animais e/ou vegetais. sistemas economicamente viáveis. ou seja. ambientalmente corretos. em especial para a pecuária. Conseqüentemente. em maior ou menor grau. diante das transformações que vêm se processando. consumidor.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução Atualmente. afastando-se cada vez mais do modelo extrativista. qualidade. essa tendência é muito mais complexa e envolve modificações muito mais profundas. passando por mudança do estágio de conhecimento e culminando com o estabelecimento de um novo padrão de comportamento da sociedade como um todo. As pastagens. em geral. da intensificação total. isto é sinônimo de estabelecimento de sistemas sustentáveis. assumem dois aspectos fundamentais. com respeito ao ambiente e aos animais. que são responsáveis pela reestruturação desde níveis e formas de informação. como solo. como política. social. Com relação aos sistemas de produção agrícolas. espera-se. parte expressiva do setor se distanciou da prática extrativista que por muitos anos caracterizou a atividade e tem sido um exemplo de capacidade de ajustes e adaptação à realidade do mercado atual. e o segundo é o fato de possibilitarem o atendimento da grande demanda mundial por alimento produzido de forma natural. 1996) A pecuária brasileira está sendo influenciada pelo processo de globalização em andamento no mundo. e na pecuária. além de produtivas. em última instância. produtor. deve considerar os vários pontos determinantes dos segmentos envolvidos no setor. que penaliza os setores não-competitivos e ineficientes (EUCLIDES FILHO. e produtivos. dependendo de cada caso. capazes de ser conservadores de recursos. economia. nesse contexto. formas de produção que. e aproximando-se. O primeiro é que elas viabilizam a competitividade brasileira. indústria. representado pela pecuária extensiva. a atividade pecuária tende a se tornar cada vez mais uma atividade empresarial. competitividade e sustentabilidade (EUCLIDES FILHO. apesar de esse processo estar sendo propalado como a globalização da economia. a humanidade coloca em segundo plano os tratados e previsões que fundamentaram a “revolução verde” e busca. nesse contexto. a formação do que pode ser denominado um novo status de cultura global (EUCLIDES FILHO. sociais e políticas. competitivos e eficientes. Módulo 3. É importante ressaltar que. Uma das características que faz com que a atividade pecuária no Brasil seja altamente competitiva é o fato de o País possuir grandes áreas de pastagens e condições adequadas para o desenvolvimento destas.Manejo de plantas daninhas em pastagens 237 .

têm a sua taxa de fotossíntese líquida altamente reduzida e. No entanto. água e nutrientes. Isso ocorre porque a maioria das gramíneas forrageiras cultivadas no Brasil tem a sua eficiência fotossintética altamente dependente da intensidade da luz. é facilmente dominada pelas plantas daninhas. Nas Figuras 1 e 2 são apresentadas algumas das principais espécies de plantas daninhas das pastagens. a prática demonstra outra realidade. a presença de plantas daninhas em pastagens reduz a sua capacidade de suporte (unidade animal por ha). por diminuir o potencial de formação de pasto pelas forrageiras. e até mesmo arbóreo. atualmente. a degradação precisa ser revertida para garantir a produtividade e a viabilidade econômica da pecuária (MACEDO et al. bem manejadas e livres de plantas daninhas. agravam-se os efeitos ambientais pela erosão dos solos e assoreamento dos mananciais de água.6 . de muitas espécies de plantas daninhas infestantes de pastagens em condições brasileiras. ainda. Causada por diversos fatores.. 2000). que afeta a produção e o desempenho animal e culmina com a degradação do solo e dos recursos naturais em função de manejos inadequados. entre eles má escolha da espécie forrageira. falta de adubação de manutenção e manejo da pastagem inadequado. Assim. além de ser um ambiente propício para o desenvolvimento de parasitas. pode-se considerar a luz como o principal fator (recurso) de competição destas com as forrageiras. Além dos impactos negativos na produção e desvalorização do patrimônio. como ferimentos no úbere das vacas. Pastagem degradada se constitui. em um dos maiores problemas dos sistemas de produção de bovinos no Brasil Central. pois são espécies que apresentam o metabolismo C4. Degradação de pastagens é um processo evolutivo de perda de vigor e produtividade da forrageira. ocasionado pela competição com as plantas daninhas. é lógico que o sucesso desse setor está estreitamente relacionado com a manutenção das pastagens em condições adequadas.Manejo de plantas daninhas em pastagens . mas também por espaço. Em razão do porte arbustivo. espaço. e aumenta o tempo de formação das áreas reformadas. uma vez que estas plantas competem por luz. devido à elevada capacidade competitiva das plantas daninhas. má formação inicial. sem possibilidade de recuperação natural. Estima-se que 80% dos quase 60 milhões de hectares da área de pastagens na região de Cerrados apresentam algum estágio de degradação (MACEDO et al. ocasionar danos físicos aos animais. as quais dificultam o processo de produção pecuária.Competição entre plantas daninhas e forrageiras Pastagens produtivas significam pastagens bem formadas. Essa competição se dá principalmente por luz.. nestas condições. 238 Módulo 3. As plantas daninhas podem. Essas forrageiras. reduzindo a disponibilidade desses fatores para as forrageiras.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Diante da importante função assumida pela pastagem no contexto de pecuária empresarial e competitiva. nutrientes e água. A presença delas em pastagens reduz a produtividade. se sombreadas. 1 . até mesmo parcialmente. 2000).

(1996) dividem os fatores do ambiente que determinam o crescimento das plantas e influenciam a competição em “recursos” e “condições”. a forrageira e as plantas daninhas desenvolvem-se juntas na mesma área. A resposta das plantas aos recursos segue uma curva-padrão: é pequena se o recurso for limitado e máxima quando o ponto de saturação for atingido. como água. reduzindo a produtividade da forrageira. até mesmo para o próprio desenvolvimento da forrageira. qualquer planta daninha que se estabeleça na pastagem vai usar parte dos fatores de produção.1 . 1. podendo declinar se houver excesso do recurso (ex. nutrientes e CO2 e.Manejo de plantas daninhas em pastagens 239 .6 .Fatores do ambiente passíveis de competição Em ecossistemas agropastoris. Módulo 3. Radosevich et al. Recursos são os fatores consumíveis. Isso ocorre porque. estabelece-se a competição. A seguir serão abordados os principais fatores envolvidos na competição entre as plantas daninhas e as forrageiras. caso eles se alimentem de plantas tóxicas. muito comuns em pastagens brasileiras. nessas circunstâncias. na maioria das vezes. esses fatores de crescimento (ou pelo menos um deles) estão disponíveis em quantidade insuficiente.: toxidez devido a excesso de Zn no solo). Como ambas possuem suas demandas por água. ou até mesmo levá-los à morte. gás carbônico. nutrientes e luz. luz. já limitados no meio.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas causados por espécies com espinhos.

(e) ciganinha (Memora peregrina). (f) fedegoso (Senna ocidentalis). (d) assa-peixe roxo (Vernonia glabrata). (c) mata-pasto (Eupatorium maximilianii).Manejo de plantas daninhas em pastagens .6 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 1 – Principais plantas daninhas das pastagens (a) assa-peixe branco (Vernonia polyanthes). (g) guanxuma (Sida glaziovii) e (h) lobeira (Solanum lycocarpum) 240 Módulo 3. (b) leiteiro (Peschiera fuchsiaefolia).

(c) guizo-de-cascavel (Crotalaria spectabilis).(a) camboatá (Tapirira guianensis). (h) ximbuva (Enterolobium contortisiliquum) e (i) samambaia (Pteridium aquilinum) Módulo 3. (d) cafezinho (Palicourea marcgravii). (b) arranha-gato (Acacia plumosa). e plantas tóxicas .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 2 – Principais plantas daninhas das pastagens . (e) cambará (Lantana camara). fistulosa).Manejo de plantas daninhas em pastagens 241 .6 . (f) algodão-bravo (Ipomoea carnea sbsp. (g) mamona (Ricinus communis).

como acontece.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Condições são fatores não diretamente consumíveis. por exemplo. a competição somente se estabelece quando a intensidade de recrutamento de recursos do meio pelos competidores suplanta a capacidade do meio em fornecer aqueles recursos. caracterizado pela pastagem degradada. Todavia. A competição entre plantas daninhas e forrageiras é um fator crítico para o desenvolvimento da pastagem quando a espécie daninha se estabelece junto ou primeiro que a forrageira. seja ela daninha ou não. a menor suscetibilidade das espécies daninhas às intempéries climáticas. a maior velocidade de germinação e estabelecimento da plântula. do seu vigor. em áreas de pastagens degradadas a capacidade competitiva das plantas daninhas é ainda maior. A base fisiológica que explica as vantagens que levam as plantas daninhas a ganhar a competição é muito complexa. 1996). interespecífica. citado por RADOSEVICH et al. Os mecanismos de competição consistem tanto do efeito que as plantas exercem sobre os recursos quanto da resposta destas às variações dos recursos (GOLDBERG. envolvendo indivíduos de espécies diferentes. as plantas daninhas poderão vencer a competição pelos substratos ecológicos.. ou quando um dos competidores impede o acesso por parte do outro competidor. densidade do solo.6 . o maior índice de área foliar. etc. a maior velocidade do crescimento e a maior extensão do sistema radicular. sem examinar as características das plantas e os mecanismos que estão associados à competitividade (RADOSEVICH et al. ela poderá cobrir rapidamente o solo.. até que um nível ideal seja alcançado. porém a espécie daninha quase sempre supera a cultivada. A competição pode ser intra-específica. totalmente esclarecida.. 1985). dependendo da espécie cultivada. cuja dependência é muito grande. como: a competição é mais séria nos períodos iniciais de desenvolvimento da 242 Módulo 3. Entretanto.Manejo de plantas daninhas em pastagens . A maioria dos estudos sobre competição entre plantas daninhas e culturas tem focalizado somente a ocorrência e o impacto da competição na produção da cultura. mesmo com baixos níveis do recurso no ambiente (RADOSEVICH et al. Contudo. se a forrageira se estabelecer primeiro. ainda. se a população de plantas da forrageira por área for baixa ou o estande for desuniforme. Várias generalizações podem ser inferidas sobre os aspectos competitivos entre as forrageiras e as plantas daninhas. da velocidade de crescimento inicial e da densidade de plantio. 1996). não estando. também. em razão da influência extrema que eles exercem na utilização dos recursos pelas plantas. No entanto. Na realidade. como veranico e geadas. 1990. Determinadas plantas são boas competidoras por utilizarem um recurso rapidamente ou por serem capazes de continuar a crescer. Os fatores que determinam a maior competitividade das plantas daninhas em relação às culturas são o seu porte e sua arquitetura. ocorrendo entre indivíduos de uma mesma espécie. 1996). A condição pode limitar a resposta da planta tanto pela carência quanto pela abundância. a competição entre a planta daninha e a cultivada afeta ambas as partes. como pH do solo.. e a maior capacidade de produção e liberação de substâncias químicas com propriedades alelopáticas. em condições de sombreamento (PITELLI. e. podendo excluir ou inibir significativamente o crescimento das plantas invasoras.

: assa-peixe. as espécies daninhas de morfologia e desenvolvimento semelhantes ao da forrageira.6 . realizando.Competição por água As plantas daninhas são verdadeiras bombas extratoras de água do solo. liberar toxinas no solo. (Radosevich et al. da escolha da forrageira adequada para a região. comumente. as características fisiológicas das plantas. as espécies daninhas de maior porte do que as forrageiras exercem grande potencial competitivo com estas. como o químico ou mecânico. O princípio básico da competição baseia-se no fato de que as primeiras plantas que surgem no solo. é normal em alguns agroecossistemas. que podem inibir a germinação e ou desenvolvimento da forrageira. são mais competitivas se comparadas com aquelas que apresentam desenvolvimento diferente. e as espécies daninhas competem por água. especialmente nitrogênio e carbono. e sistema radicular muito desenvolvido. da percentagem de germinação e vigor das sementes. por isso. Vários fatores influenciam a capacidade competitiva das espécies por água. no manejo da forrageira. desenvolvimento e crescimento rápido de grande superfície fotossintética mesmo ainda na fase de plântula. pequenas ou grandes. magnitude da condutividade hidráulica das raízes. 1996).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas forrageira. a competição por água leva a planta a competir ao mesmo tempo por luz e nutrientes. que são métodos culturais de controle de plantas daninhas. da profundidade de plantio. 1. como: germinação fácil em condições ecológicas variáveis.1. As plantas daninhas apresentam certas características que lhes conferem grande capacidade competitiva. ciganinha e outras).1 . Módulo 3. Dentre esses fatores destacam-se a taxa de exploração de volume do solo pelo sistema radicular (maior profundidade do sistema radicular – ex. especialmente nos trópicos em dias quentes. ainda. o chamado manejo integrado de plantas daninhas. principalmente se a forrageira possui metabolismo C4. fazendo com que esta leve vantagem sobre o complexo de plantas daninhas. as condições para que ela se estabeleça devem ser fornecidas antes do surgimento da vegetação daninha. Conhecendo esses fatores. etc. devido ao sombreamento. da época correta de plantio. luz. Para que se faça o manejo adequado de plantas daninhas em uma pastagem. pois se estabelecem primeiro. dessa forma. Assim a competição é mais facilmente minimizada ou até mesmo eliminada com a integração de outros métodos de controle. Desse modo. grande número de estômatos por área foliar. sem qualquer sinal de déficit hídrico. Disso resulta a importância do preparo do solo.. Normalmente. como capacidade de remoção de água do solo. nutrientes e espaço. que as plantas forrageiras fiquem completamente murchas e as plantas daninhas túrgidas.. torna-se fácil o manejo da forrageira. das condições adequadas de pastejo e manejo adequado da forrageira. apresentando muitas raízes fasciculadas nas camadas superficiais do solo e raízes principais com penetração profunda. podendo.Manejo de plantas daninhas em pastagens 243 . etc. tendem a excluir as demais. o profissional necessita ter o conhecimento profundo da forrageira e da vegetação daninha infestante da área a ser formada. regulação estomática e capacidade das raízes de se ajustarem osmoticamente.

não desassimilam o CO2 fixado. logo. em seguida. molécula de CO2 fixado/ATP/NADPH é de 1:3:2 para as plantas C3. e. de 1:5:2. ou seja. A enzima primária de carboxilação é a PEP-carboxilase. As plantas C4. localizada nas células do mesófilo foliar.1. baixo ponto de saturação luminosa. onde esses produtos são descarboxilados.5 difosfato carboxilase.Manejo de plantas daninhas em pastagens . a qual carboxiliza o CO2 absorvido do ar via estômatos. 3-fosfoglicérico e. substrato inicial da respiração. A enzima responsável pela carboxilação primária do CO2 proveniente do ar é a ribulose 1-5 bifosfato carboxilase-oxigenase (Rubisco). que ocorre em todas as plantas superiores. A maior eficiência das plantas C4 em relação a C3 em condições adequadas de luminosidade e temperatura é o principal fator da superioridade de produção forrageira em condições tropicais (maioria C4). dependendo da espécie vegetal. sendo esta relação para as plantas C4. se ela é umbrófila ou heliófila e. também. por ser ambígua quanto ao substrato.6 . retorna às células do mesófilo. Entretanto. ocorrendo o ciclo de Cavin e Benson. quando comparadas com plantas C4. possuem ainda o ciclo de Hatch e Slack. catalisa a produção do ác.2 . do glicolato. Em conseqüência da ação desta enzima.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. comparado a regiões temperadas. As diferenças entre as rotas fotossintéticas C3 (plantas ineficientes). requerem maior energia para produção dos fotoassimilados. por apresentarem dois sistemas carboxilativos. onde é fosforilado. formando o ácido oxaloacético (AOA). é transportado para as células da bainha vascular das folhas. As plantas C4 possuem duas enzimas responsáveis pela fixação do CO2. Essas plantas. responsável pela fixação do CO2. a qual apresenta atividades de carboxilase e oxigenase. consumindo 2 ATPs. C4 (plantas eficientes) e CAM estão nas reações bioquímicas que ocorrem na fase escura da fotossíntese. também. Esta enzima apresenta baixa afinidade pelo CO2 e. regenerando a enzima PEP-carboxilase e recomeçando o ciclo. se a rota fotossintética que ela apresenta é C3. Esse fato evidencia que as plantas C4 244 Módulo 3. a superioridade das forrageiras utilizadas no Brasil (C4 em sua grande maioria) é dependente de certas condições. liberando no meio o CO2 e o ácido pirúvico. por difusão. apresentam baixa afinidade pelo CO2 e possuem elevado ponto de compensação para CO2. as plantas C3 fotorrespiram intensamente. o ácido pirúvico. como a luminosidade adequada. As plantas C3 apresentam apenas o ciclo de Calvin e Benson. considerando ambos os grupos em condições ótimas. pois precisam recuperar duas enzimas para realização da fotossíntese. Elas não apresentam fotorrespiração detectável. C4 ou se realiza o mecanismo ácido das crassuláceas (CAM). de modo que o primeiro produto estável da fotossíntese é um composto de três carbonos (ácido 3-fosfoglicérico).Competição por luz A competição pela luz é muito complexa e sua magnitude é influenciada pela espécie. baixa eficiência no uso da água e menor taxa de produção de biomassa. Este AOA é convertido em malato ou aspartato. É sabido que a relação. Este CO2 liberado é novamente fixado. por difusão. agora pela enzima ribulose 1. no ácido fosfoenolpirúvico. além do ciclo de Calvin e Benson.

as condições de luminosidade e temperatura serão preponderantes no desenvolvimento adequado das forrageiras. nessas condições.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas necessitam de mais energia para produção dos fotoassimilados. 1999) . temperatura. Módulo 3. a ocorrência de sombreamento por plantas daninhas implica redução drástica do potencial competitivo dessas forrageiras. 1998) e Pennisetum purpureum (RODRIGUES et al. que são diretamente correlacionadas com a quantidade e qualidade da luz. porém são influenciadas por fatores externos. indica o potencial de produção de uma pastagem. luminosidade e nutrientes. aliado a outros fatores. Como toda essa energia é proveniente da luz. A luz como fonte de energia de todos os processos biológicos na forrageira é o componente principal na produção da pastagem. Esse fato faz com que a concentração do CO2 no mesófilo foliar caia a níveis abaixo do mínimo necessário para atuação desta enzima. como: alta afinidade pelo CO2. Como a maioria das forrageiras das regiões tropicais e subtropicais . e não satura em alta intensidade luminosa. Isso é possível porque esse grupo de plantas não apresenta fotorrespiração detectável. atua especificamente como carboxilase. conseqüentemente. Além disso. esta passa a atuar mais como oxidativa.6 . aparecimento de folha e duração da folha) que. a fim de evitar o sombreamento. densidade de perfilhos e número de folhas por perfilho. Essas características são genéticas. REIS. ocorre a necessidade de controle de invasoras. mesmo que a concentração de CO2 no mesófilo foliar atinja níveis muito baixos. nessas condições.alongamento de folha. é comum. Todavia.. a enzima responsável pela carboxilação primária nas plantas C4 (PEPcarboxilase) apresenta algumas características. Isso acontece porque. as espécies C4 dominam completamente as C3. porque a enzima responsável pela carboxilação primária nestas plantas (PEP-carboxilase) apresenta alta afinidade pelo CO2 (baixo Km). estas plantas passarão a perder a competição com as plantas C3. levando a planta a atingir o ponto de compensação rapidamente. Portanto. gênero Panicum (RODRIGUES.5-bifosfato carboxilase-oxigenase (25oC)..Manejo de plantas daninhas em pastagens 245 . Cada espécie de forrageira possui um padrão genético de crescimento e expansão foliar (determinado por suas características morfogênicas . atividade ótima em temperaturas mais elevadas. Em função destas e de outras características. como água. quando plantas estão se desenvolvendo em condições de temperaturas elevadas. A combinação das características morfogênicas determina as três principais características estruturais das forrageiras: tamanho de folha. chegando a acumular o dobro de biomassa por área foliar no mesmo espaço de tempo. ainda assim elas continuam acumulando biomassa. 1994).espécies de Brachiaria (CORSI et al. liberando CO2. No caso das plantas C4. luminosidade alta e até mesmo déficit hídrico temporário. 1995). se for reduzido o acesso à luz. em temperatura acima da ótima para a ribulose 1. a enzima carboxilativa das plantas C3 encontra-se saturada quanto à luz e. os estômatos estarem parcialmente fechados (horas mais quentes do dia).são plantas C4. gênero Cynodon (SILVA et al.

diversificação do sistema produtivo e de aumento da produtividade do empreendimento agrícola. a consorciação de lavouras e forrageiras.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. a quantidade extraída do que os teores que ela apresenta na matéria seca. 2001). a utilização de culturas anuais em cultivos seqüenciais ou simultâneos como formas de sistemas de produção.Competição por nutrientes As plantas daninhas possuem grande capacidade de extrair do ambiente os elementos essenciais ao seu crescimento e desenvolvimento e. 246 Módulo 3. maior eficiência no uso de máquinas. a queda na produtividade das lavouras. Nesse sentido.6 . a preocupação da utilização racional de água e agroquímicos e a necessidade de maior competitividade e sustentabilidade (COBUCCI. que facilitam a ocorrência de pragas. 2000. melhoria das propriedades físicas do solo. Quando se trata de analisar a capacidade de uma espécie de planta daninha em competir por nutrientes. 2000). com maior ênfase. É notório que o setor agropecuário brasileiro está passando por um processo de transição socioeconômica e agroambiental. em alto grau. As tecnologias para recuperação e manejo sustentável dos solos degradados dos Cerrados. apesar de esse processo ser lento e silencioso. além da quebra do ciclo de pragas e doenças.Integração da agricultura e pecuária A degradação das pastagens. Essas tecnologias também proporcionam maior diversificação das atividades econômicas no meio rural (KICHEL. doenças e plantas daninhas. a baixa retenção de água no solo e o aumento do processo erosivo são sintomas do manejo inadequado que prejudicam o meio ambiente..2 . em conseqüência disso. tem sido proposto recentemente. A integração agricultura e pecuária não será abordada em maior detalhe.3 . MIRANDA.. como alternativa de recuperação de pastagens degradadas. por constituir-se em tema complexo e não ser objetivo do presente trabalho. visam melhoria das propriedades do solo. 1. 2000). o empobrecimento da fertilidade do solo. a competição por nutrientes depende. o aproveitamento da adubação residual e o preparo do solo mais elaborado podem ser vantajosos na redução dos custos e na eficiência de recuperação das pastagens degradadas (Macedo et al. observam-se a expansão do plantio direto. tanto para as áreas de pastagens como de agricultura. evitando a erosão e quebra do equilíbrio. Devido à grande variação em termos de recrutamento dos recursos minerais do solo apresentada pelas diferentes espécies de plantas daninhas. deve-se considerar. exercem forte competição com as forrageiras pelos nutrientes essenciais. 2001). tornando-o sustentável em termos econômicos e ecológicos (KICHEL et al.1. os quais quase sempre estão em quantidades inferiores às necessidades das forrageiras em nossos solos.. Portes et al. A venda de grãos das culturas.Manejo de plantas daninhas em pastagens . das espécies presentes.

que o animal. 2002). que pode causar anemia devida a nitratos/nitritos. Os biomas Pantanal e Cerrado possuem floras ricas em espécies. ingeridas espontânea ou acidentalmente pelo animal. peso. Por outro lado. tóxicas. Com relação à planta.3 . A maioria das plantas tóxicas é consumida pelos animais em razão da escassez de alimentos nas pastagens e da mudança de animais famintos para pastagens que possuem plantas tóxicas (FREITAS et al. certos venenos. em condições naturais. Segundo Howes (1933). citado por Hoehne (1939). POTT. pois às vezes ela provoca intoxicações apenas em uma dessas fases. e braquiária-d´água ou "tanner grass" (B. subquadripara = B. há outros fatores que também propiciam intoxicações. certas raças toleram mais. A mais temível do Brasil é a erva-de-rato ou cafezinho (Palicourea marcgravii) (POTT. outras menos. plantas tóxicas não são somente vegetais que provocam verdadeiros envenenamentos e intoxicações agudas.. e causa danos à saúde ou morte. POTT.). raiva ou outra doença. mas também aquelas que provocam direta ou indiretamente perturbações na saúde do animal. POTT. AFONSO. sexo. Portanto. Várias provocam sinais que podem ser confundidos com picada de cobra. Existem também plantas com princípio tóxico cumulativo. muitas das quais ingeridas pelo gado. Tokarnia et al. 2000). floração e frutificação. 2002). No caso da espécie bovina. ingerindo pequenas quantidades diárias. como brotação. como é o caso das mandiocas-do-mato (Manihot spp. 2002). sendo algumas. POTT.Manejo de plantas daninhas em pastagens 247 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. os quais podem estar relacionados ao animal ou à planta.6 . 2002). consideram-se tóxicas todas as plantas que. até atingir a dose letal (AFONSO. visto algumas serem tóxicas em uma região e em outra não (AFONSO. deve-se considerar a sua fase vegetativa. Além da fome. a ingestão de certas plantas em pequenas quantidades leva o animal a adquirir resistência ou tolerância ao princípio tóxico. (2000) definem planta tóxica de interesse pecuário a que é ingerida por animais domésticos de fazenda. arrecta). O conceito sobre plantas tóxicas é relativo. como Brachiaria decumbens. Módulo 3. Algumas plantas cultivadas também são consideradas tóxicas. principalmente em bezerros. estado sanitário e nutricional. vai retendo no seu organismo. 1991). podem provocar danos que se refletem na sua saúde ou vitalidade. como idade. com comprovação experimental. folhas ou raízes de plantas que possuem grande quantidade de elementos químicos nocivos ao gado (AFONSO. além do grau de sensibilidade do animal a um princípio tóxico (AFONSO. O tipo de solo também pode influenciar na toxidez de uma planta. Na mesma raça há fatores ligados ao próprio indivíduo. que causa fotossensibilização ("orelha frita").Plantas tóxicas Calcula-se que 12% das mortes de bovinos são causadas por sementes.

encontrada em todo o País. marcgravii) acético. flor e semente praticamente durante o ano todo. Na Figura 2 estão apresentadas e no Quadro 1 listadas as de maior ocorrência e importância no Brasil. caindo com facilidade. uso de herbicidas. Abobral e Paraguai. nas planícies de inundação dos rios Negro. ou estado de embriaguez. desequilíbrio do trem posterior. A principal forma de propagação é vegetativa. Cresce somente em solo de barro (LSD) (argiloso). Rebrota após cortes e ácido lisérgico fogo. Causa a síndrome da morte súbita. tremores musculares. Aumenta em campos com excesso de gado ou perto de porteiras. afeta o Rubiaceae em áreas sombreadas das beiras ciclo de Krebs das matas. exceto se for afogado depois. Quadro 1 – Principais plantas tóxicas encontradas no Brasil Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal). o que é difícil de ocorrer no campo. A evolução da intoxicação é crônica e não há recuperação do animal Controle: erradicação. sobrevindo a morte dentro de poucos minutos. sendo ingerida em qualquer época do ano. Arbusto aquático. Nos bovinos. respiração ofegante.6 . Algodão-bravo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas São várias as espécies de plantas tóxicas presentes nas pastagens no Brasil. Ocorre em terra firme. canudo-de-pita (Ipomoea carnea subsp. com um resumo das suas principais características. Com a evolução da intoxicação o animal apresenta sinais de origem nervosa. os ramos que encostam no chão Alcalóides derivados do enraízam. lassidão e pêlos ásperos. iniciam poucas horas após ser completada a ingestão da dose letal. O seu andar se torna desequilibrado (como se estivesse embriagado). durante semanas. fistulosa) Convolvulaceae Figura 2 f 248 Módulo 3. com as pernas traseiras abertas e instabilidade no trem posterior. Às vezes o animal mostra. capoeiras e em pastos recém-formados. de 1 a 4 m de altura. sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica. DL (100 g de folhas verdes). É muito comum em lagoas rasas. os sintomas consistem em queda repentina do animal ao chão.Manejo de plantas daninhas em pastagens . A semente pilosa (origem do nome algodão) é espalhada pela água. muito alagável. Inicialmente os sinais apresentados são de emagrecimento progressivo. São tóxicas as folhas e as sementes. Controle: erradicar as plantas. cercar as matas e as capoeiras onde existir a planta. sendo Erva de rato. havendo pasto). cochos e aguadas. Perene. DL (9 kg de folhas verdes por dia. trepador. controle químico Arbusto responsável pela maioria das mortes de bovinos causadas por plantas tóxicas em terra firme. antes de cair. com cafezinho Ácido exceção do extremo sul e do sertão (Palicourea monoflúornordestino. Possui boa Figura 2 d palatabilidade. Possui distribuição ampla.

eventualmente diarréias enegrecidas. sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica. fezes ressequidas e. manifestam fotossensibilidade sob forma de eritema e edema inflamatórios nas partes menos pigmentadas da pele e inquietação à procura de sombra. Em eqüinos causa deficiência de vitamina B1. depois de comê-la por algum tempo. quando expostos ao solo. Controle: erradicar as plantas (herbicidas) e não transferir animais com fome para pastagens infestadas. que faz com que este. continue a procurá-la. Controle: erradicação da planta. culminando na morte. Causa febre alta. falta de apetite. sonolência. As plantas ocorrem em solo ácido. trôpego. No tratamento os camara) animais devem ficar na sombra. lantadene B) Verbenaceae Deve-se administrar glicose. mesmo cessada a fome.000 g de folhas verdes ingerido durante três semanas a poucos meses. Sob condições naturais. emagrecimento.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta Arbusto ou subarbusto é cosmopolita. A fome faz o animal ingerir a planta. devido ao efeito acumulativo). anemia. sendo a brotação a porção mais tóxica das partes aéreas. hemorragia na pele e nas mucosas visíveis. convulsões. se habitue a ela e. utilizar ungüentos antiinflamatórios. em pequena quantidade. controle cultural (calagem e aração do solo) e químico Módulo 3. com fome. Consistem nas manifestações de fotossensibilidade hepatógena. extrato hepático e purgante oleoso Figura 2 e e medicar as lesões na pele. DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal). DL (variada). sendo a correção e aração deste um método cultural de controle desta espécie. os bovinos ingerem a Cambará. Samambaia (Pteridium aquilinum) Substância Dennstaedtiacea radiomimética e e tiaminase Figura 2 i Planta tóxica de importância no Brasil e no mundo. DL (1. Ingestão em menores quantidades ocasionam hematúria intermitente. que aparece de repente. os animais apresentam anorexia e diminuição ou parada dos movimentos do rúmen.6 . A planta toda é tóxica. Muitos animais morrem nessa fase. para áreas (Lantana (lantadene A e infestadas.Manejo de plantas daninhas em pastagens 249 . apresentam tremores musculares. Já na fase aguda. tem incordenação ao andar. principalmente quando camará Triterpenóides transferido. planta somente em circunstâncias chumbinho ou especiais. Inicialmente. para provocar sintomas de intoxicação aguda. Os animais apresentam andar incerto. O animal sangra prolongadamente por qualquer ferimento.

perturbações digestivas.000 g de folhas frescas ou 200 g de sementes. Controle: Pode ser praticamente eliminada com roçadeira (rebrota pouco). com flor e semente em grande parte do ano. com o animal apresentando fraqueza. A parte aérea morre com a queima. Guizo-decascavel. onde o solo é mais fértil.um quarto dessa dose no caso de bezerro). geralmente não folha e ricina inundáveis. Controle com herbicida. DL (2.Manejo de plantas daninhas em pastagens .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta Mamona (Ricinus communis) Euphorbiaceae Figura 2 g Arbusto pouco lenhoso. Já a intoxicação pelas sementes varia de aguda a subaguda. Perene. na semente. sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica. de 50 a 100 cm de altura. mas das folhas não. Após apresentar estes sinais. Ocorre também eructação excessiva (arroto) acompanhada por sialorréia (baba). No Brasil existem mais de 40 espécies Alcalóides do de Crotalaria. com flor e fruto quase durante o ano todo. procurando ficar deitado. depósitos (alcalóide) na de lixo. ereto. Os sinais apresentados têm predominância neuro-muscular. antes da formação de sementes. em solos argilosos ou (toxoalbumina) arenosos. O bovino apresenta andar desequilibrado. taperas. Possui ampla distribuição. leiras provenientes de desmatamento e pastagens cultivadas.6 . principalmente em situações de fome. A intoxicação pelas folhas é aguda. mas retorna por semente. geralmente férteis.500 g de folhas verdes ao dia foram suficientes para levar os bovinos à morte). DL (5. O fruto estoura ao sol e lança as sementes a vários metros de distância. O consumo repetido de pequenas quantidades de semente pode dar imunidade. etc. sendo umas mais. com tremores musculares. que favorece a germinação. Há formas de folhas verdes e outras arroxeadas. É palatável. perda do equilíbrio ao caminhar e alteração do sistema nervoso sob forma de excitação ou depressão. por irritação do tubo digestivo. que germina melhor após o fogo. e dificuldade de caminhar longas distâncias. as quais são o meio de propagação. as folhas foram observadas bem pastadas por bovinos no Pantanal. 250 Módulo 3. Controle: É facilmente eliminada com mais de uma roçada. apatia e diarréia sanguinolenta. ingerindo também flores e frutos. em solos de vários tipos. Embora conste como pouco palatável. grupo das outras menos tóxicas. de 1 a 4 m de altura. Uso de herbicidas. causando perturbação nervosa. Anual. e a plântula encontra condições mais favoráveis na pastagem rapada e rala (degradada). Morre na queimada. tanto as folhas como as sementes são tóxicas. dificilmente o animal se recupera. Comum em áreas mexidas. Comum em áreas ruderais como Ricinina beira de estrada. Há relatos de pirrolizidinas que o princípio tóxico desta planta se concentra mais nas flores e nas sementes. Os principais sinais na intoxicação por Crotalaria iniciamse por contrações abdominais. A torta de mamona não bem detoxicada pelo calor também é tóxica. antes que forme sementes.. perda de apetite. geralmente férteis. Deve-se atentar para o seu aparecimento em leiras. DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal). com copa. chique-chique (Crotalaria spectabilis) Leguminosae Figura 2 c Planta ereta. os animais mais novos são mais sensíveis . mas de ciclo curto. É tóxica ao fígado.

(1991). planta tóxica mais importante das regiões de várzea da bacia amazônica. aparentemente. Controle: Pastagens em abundância e erradicação da espécie.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta Árvore de 8 a 18 m de altura. quando movimentados. próximo à morte. Os bovinos ingerem a planta somente quando estão com fome.500 g de favas que leva um bovino à morte na intoxicação experimental).6 . Os animais. caem ou deitam-se precipitadamente. cerram fortemente as pálpebras. DL (1.Manejo de plantas daninhas em pastagens 251 . diminuição ou até perda total do apetite. Leguminosae especialmente no Nordeste e Triângulo Mineiro. geralmente férteis. A parte tóxica Figura 2 h importante desta planta são os seus frutos. Afonso e Pott (2002) Módulo 3. Floresce de setembro a novembro. ) tipo esteroidal Encontrado em todo o Brasil. copa larga. neste caso. o animal faz movimentos de pedalagem com os membros traseiros e dianteiros. Gibata ou chibata Glicosídeo do (Arrabidaea tipo esteróide bilabiata) cardioativo Bignoniaceae Trepadeira. Em seguida provoca diarréia de coloração amarelada e fétida. Os principais sinais apresentados pelo animal intoxicado se caracterizam por lassidão. Há citações de que as favas provocam aborto em vacas. Causa lesões no tubo digestivo. berram e morrem. solos arenosos ou contortisiliquum Saponina do argilosos. perde as folhas na estação seca. acompanhada de outras perturbações digestivas. Ocorre retração acentuada dos globos oculares e.300 a 1. não causem outros sinais de intoxicação. DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal). aproximadamente. embora. Os sintomas iniciam-se. Fonte: Freitas et al. às vezes. produz fruto de agosto Ximbuva.500 g de folhas verdes). a novembro. O quadro de intoxicação se manifesta poucas horas após a ingestão das favas e a sua evolução é aguda. sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica. mesmo em pequenas porções. a planta não tem boa palatabilidade. Ficam logo em decúbito letal. Semente espalhada tamboril pela fauna. fazendo movimentos de pedalagem. Uso de herbicidas. que amadurecem e caem no período da seca e apresentam boa palatabilidade para os bovinos. DL (250 a 1. de 6 a 24 horas após a ingestão da planta. Comum em matas e (Enterolobium cerradões. Controle: É facilmente eliminada com anelamento (descascar em volta do tronco).

ou seja. etc. mantendo a qualidade ambiental com a maximização de lucro para o agricultor. 2. economicamente. recomenda-se o “manejo integrado das plantas daninhas”. da capacidade competitiva da forrageira. biológico e químico. dos métodos empregados. o estabelecimento e. Dessa forma. Um bom programa de manejo de plantas daninhas pode ser resumido em três situações básicas: máxima produção no menor espaço de tempo. se necessárias. O nível de controle das plantas daninhas.. Atualmente. segundo Victoria Filho (2000). 2005). assegurar a produção adequada de alimentos. o manejo de plantas daninhas pode ser definido como a combinação racional de medidas preventivas associadas a medidas de controle e de erradicação. dependerá da espécie infestante. por meio de métodos e equipamentos usados oportunamente. Visa. a energia gasta com tratos culturais. a disseminação de determinadas espécies-problema em áreas 252 Módulo 3. com o objetivo de reduzir as perdas causadas por estas plantas. máxima sustentatibilidade de produção e mínimo risco (SILVA et al. com o advento da chamada agricultura economicamente sustentável. que consiste num sistema ambientalmente correto no campo. O controle ideal é aquele que.Controle de plantas daninhas Os métodos de controle de plantas daninhas usados são os mesmos empregados em outros sistemas de produção agrossilvopastoril. onde são usados todos os conhecimentos e ferramentas disponíveis para produção das culturas livre de danos econômicos da vegetação daninha competitiva. cultural. constituindo-se. tem sido preconizado o manejo integrado de plantas daninhas. Muitas vezes faz-se necessária a associação de dois ou mais métodos para se atingir o nível desejado.1 .Controle preventivo O controle preventivo de plantas daninhas consiste no uso de práticas que visam prevenir a introdução.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2 . em um determinado agroecossistema. ou. quando não há redução da sua produtividade econômica. considerando uma forrageira. A redução da interferência das plantas daninhas. Atualmente. resguarda os seus aspectos benéficos e não causa danos à forrageira.Manejo de plantas daninhas em pastagens . além de outras operações e a erosão do solo causada por água e vento. obtido em uma pastagem. elimina os prejuízos causados pelas plantas daninhas. no controle integrado. das condições ambientais. do período crítico de competição. os custos de controle. esse fato. Isso pode ser possível se o pecuarista proceder à absoluta racionalização do controle de plantas daninhas. sendo muito variados. Os métodos de controle podem ser: preventivo.6 . deve ser feita quando as perdas forem superiores ao incremento no custo devido ao controle. aos animais e ao solo. mecânico ou físico. ainda.

As medidas que podem evitar a introdução onde a espécie ainda não ocorre são: utilização de sementes de elevada pureza. impedindo. grades. A escolha de espécies forrageiras adequadas para cada área e objetivo de pastejo é um importante componente do sucesso da atividade. um município ou uma gleba de terra na propriedade. que poderão se transformar em sérios problemas para a região. inspeção cuidadosamente de mudas adquiridas com torrão e também de toda a matéria orgânica (esterco e composto) proveniente de outras áreas. análise da produtividade desejada. o elemento humano é a chave do controle preventivo. visando prevenir a entrada e disseminação de uma ou mais plantas daninhas. com uma limpeza adequada da área.2 . A conservação do solo é outro ponto importante. 2. Regionalmente. tocos. condições favoráveis para a forrageira em relação às demais espécies presentes na área (plantas daninhas) e possibilita a vantagem competitiva da forrageira em relação às plantas daninhas. arbustos. principalmente. clima (déficit hídrico e ocorrência de queimadas).realizado por meio de análise química e física do solo.Controle cultural O controle cultural reúne todas as práticas disponíveis para o estabelecimento das forragens em condições adequadas ao seu desenvolvimento e à sua persistência com boa produtividade. objetivo da produção. Em síntese. tipo de solo. A correção da acidez do solo e o fornecimento de cálcio e magnésio a este (quando necessária). etc. topografia. Essas áreas podem ser um país. ainda. da quantidade e das espécies de plantas daninhas e de forrageira a ser Módulo 3. ou mesmo reduzindo os efeitos erosivos. e época de utilização da espécie. e. limpeza cuidadosa de máquinas. Proporciona. capoeiras. limpeza de canais de irrigação. Outro componente importante do controle cultural é a formação adequada da pastagem. assim. pedaços de tronco e galhadas. A intensidade e os equipamentos a serem utilizados no preparo de solo dependem do tipo deste. palatabilidade e longevidade. devendo-se realizar a construção de terraços ou curvas de nível quando a área apresentar suscetibilidade ou risco de erosão ou até mesmo escorrimento superficial da água das chuvas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ainda por elas não infestadas. Quando da escolha dessa espécie. qualidade. que deve começar antes da implantação. histórico da área e outros. a quarentena de animais introduzidos em outras áreas.6 . como a ciganinha (Memora peregrina). o controle é de responsabilidade de cada agricultor ou cooperativas. O preparo do solo deve ser feito de modo a proporcionar ótima germinação e estabelecimento da forrageira. impedimentos físicos ou mecânicos. banco de sementes de plantas daninhas. As quantidades desses produtos dependem da espécie forrageira e do nível de produtividade desejado. eliminando-se rebrota do cerrado de porte alto.Manejo de plantas daninhas em pastagens 253 . devem ser realizados no momento correto. o nível tecnológico a ser adotado. um estado. pragas. os seguintes procedimentos devem ser observados: diagnóstico da área . bem como a aplicação de adubos fosfatados.

assim. exceção feita aos fosfatos naturais reativos. Outro componente do controle cultural muitas vezes desprezado é a quantidade e a qualidade das sementes das forrageiras. além das exigências térmicas. Comumente. que. começando com as primeiras chuvas em setembro até março. Logo após a última gradagem (niveladora). o preparo do solo deve ser escalonado.5 a 4 cm de profundidade (dependendo do solo e da forrageira). deve-se realizar o preparo do solo no mínimo 120 dias antes do plantio no período das águas. ou melhor. quando recomendados. a época do plantio é muito ampla em quase todo o território nacional. O plantio pode ser realizado a lanço sobre o solo devidamente preparado com uma grade leve. o preparo do solo deve ser igual. parcial ou totalmente fechada. O plantio com semeadeira deve seguir as mesmas exigências do 254 Módulo 3. livres de sementes de plantas daninhas e possuindo qualidade fisiológica (vigor e germinação). quando necessária. para que ocorra a decomposição desta sem interferir na germinação da forrageira. milho e outros. sendo este um fator importante na dinâmica competitiva da forrageira com as plantas daninhas. posteriormente.6 . ao daquele utilizado para plantio de soja. no entanto. para que o solo não fique aderido nele.Manejo de plantas daninhas em pastagens . peso médio no misto e peso leve no argiloso. Para a maioria das forrageiras. devem ser antes do plantio e incorporados. podendo variar em certas regiões. Em áreas que apresentarem alta infestação de plantas daninhas ou outras forrageiras. Portanto. isto é. retardando o plantio da forrageira. Em áreas que apresentarem alta quantidade de palhada. como: pureza. solo nivelado e livre de plantas daninhas. deve ser realizada em quantidades recomendadas. A correção de fósforo. que impõe restrição à emergência das plântulas. A correção adequada de nutrientes do solo é outro fator que melhora as condições de estabelecimento. tem vantagem competitiva a espécie que se estabelece primeiro na área. o estabelecimento mais rápido da forrageira na área. exceto para estilosantes ou andropógon. potássio. assim. Deve-se considerar para isso a disponibilidade hídrica e temperatura para cada região.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas implantada. de modo geral. com maior peso no solo arenoso. Entretanto. ou seja. a compactação da camada superficial deste. esta deve ser considerada como uma cultura que vai produzir por muitos anos. Em áreas com infestação elevada de plantas daninhas é recomendada a utilização de até 50% a mais da quantidade de semente. proporcionando. Deve-se evitar a utilização do rolo em solo com excesso de umidade. principalmente nos solos mistos e arenosos. a exigência de cada espécie forrageira e o nível de produtividade desejado. O plantio na época correta e de forma correta é fator preponderante no estabelecimento adequado da forrageira. enxofre e micronutrientes. Podem ser aplicados antes do plantio ou em cobertura. para favorecer a germinação e eliminação delas. para incorporar as sementes de 0. da germinação e do vigor. levando em consideração o resultado da análise de solo. evitar o preparo excessivo do solo. Deve-se. A quantidade de sementes a ser utilizada depende da espécie forrageira. a melhor época é de novembro a janeiro. hídricas e de fotoperíodo da forrageira. a sua pulverização. evitando. produção e longevidade da forrageira. As sementes devem possibilitar a formação de estande adequado e uniforme. as sementes devem ser distribuídas na área e. algodão. ou seja. deve-se passar o rolo compactador. poucos torrões. com pouca palha.

As vantagens desse manejo são: evitar o acamamento. sem limitações químicas e físicas. o nitrogênio é muito importante. eliminar a maior parte das gemas apicais. maior sombreamento para plantas daninhas. sem erosão. para garantir o estande adequado e uniforme. aproveitando o maior valor nutritivo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas plantio a lanço. compactação.Manejo de plantas daninhas em pastagens 255 . dessa forma. a adubação da pastagem ou consórcio com outras espécies. O não-controle dessas pragas pode comprometer a formação e a persistência da pastagem. Após a dessecação. também chamado de pastejo de uniformização. proporcionando.6 . milho). uma vez que vai garantir a longevidade e qualidade da pastagem. diminuir a competição interespecífica.5 a 4 cm. possivelmente. distribuição uniforme da palhada. Estando todos os nutrientes corrigidos. estimulando a emissão de novos perfilhos e raízes. realiza-se o plantio de linhas espaçadas de 13 a 40 cm. deve-se passar o rolo compactador após o plantio. Módulo 3. recomenda-se a aplicação de nitrogênio de 30 a 40 dias após a emergência ou após o manejo de formação (primeiro pastejo). Se a semeadeira não possuir sistema de compactação. cupins. com o objetivo de auxiliar na boa formação da pastagem. na mesma operação. o nitrogênio é o que proporciona o maior efeito no aumento de produtividade. implicando o sombreamento e abafamento das plantas daninhas. cupins subterrâneos e formigas. Esse sistema de plantio exige máquinas e equipamentos adequados. As pragas mais importantes na formação de pastagens são: lagartas. podendo-se realizar. A adubação nitrogenada possibilita maior rapidez e quantidade de área foliar. ou antes da emissão da inflorescência (sementeira). com profundidade de 0. colocando-se 10 a 20% a mais de sementes do que o sistema tradicional. reduzindo assim a produção de semente e translocação de nutrientes para estas. O manejo da pastagem estabelecida é. boa cobertura do solo. antecipar a utilização da forragem. Toda vez que o nível de infestação for significativo. A dose aplicada vai depender da análise de solo. por melhorar as condições desta. com boa produção de carne/hectare. plantas daninhas de difícil controle por herbicidas e outros. animais jovens com alta lotação. favorecendo o surgimento e estabelecimento de plantas daninhas. A manutenção da pastagem em condições ideais com o controle adequado de pragas também é componente do controle cultural de plantas daninhas. deve-se iniciar o pastejo de 60 a 100 dias após a emergência da pastagem. desde que o plantio seja realizado na época recomendada para cada região. tocos. o método de controle cultural de plantas daninhas mais importante. tem como objetivo contribuir para a boa formação da pastagem. de preferência. Para gramíneas forrageiras de média a boa produtividade. por curto período de tempo (10 a 30 dias). O manejo de formação da pastagem. e proporcionar a mais rápida e perfeita cobertura de solo. eliminando o excesso de plantas. A princípio. dependendo do equipamento e da espécie forrageira. com espaçamento entre linhas de 13 a 40 cm. isto é. Já o plantio direto exige as mesmas condições do plantio direto de grãos (soja. fechando o dossel mais rápido. trilheiros. principalmente em solos de baixo teor de matéria orgânica. Devem-se utilizar. Na formação de pastagem. ele deve ser controlado com defensivos específicos para cada tipo de praga. A realização de adubações de cobertura nitrogenadas melhora as condições de desenvolvimento e estabelecimento da forrageira. espécie forrageira e produtividade desejada.

categoria animal. Uma das principais causas da degradação das pastagens é a redução da fertilidade do solo. recomenda-se devolver às pastagens 20% da receita bruta anual. De modo geral. evitando assim a infestação da pastagem com sementes de plantas daninhas presentes no trato digestivo desses animais. está diretamente relacionada com a produtividade da pastagem.Manejo de plantas daninhas em pastagens . utilizada anualmente. Outro método cultural de controle de plantas daninhas é a manutenção de animais oriundos de outras pastagens em área isolada por 24 a 48 horas. e rotacionado o animal usa de 3 a 40 piquetes ou invernadas. Isso ocorre quando há pastejo excessivo (superpastejo). A melhoria das condições para o desenvolvimento das plantas daninhas ocorre quando o manejo empregado reduz as reservas e a capacidade competitiva e de restabelecimento da forrageira. dependendo da espécie forrageira. etc. da intensidade de pastejo e do número de animais. 256 Módulo 3. sistema de produção e outros. alternado . espécie forrageira. com período de descanso de 24 a 39 dias. A quantidade de adubação de manutenção. como exemplo: tanzânia e mombaça (40 a 50 cm). e com o mesmo período de descanso. A adubação de manutenção é. Este manejo pode facilitar o desenvolvimento da espécie forrageira ou das espécies de plantas daninhas. finalidade de pastejo. época do ano.6 . o beneficiamento da forrageira vai depender do manejo correto. portanto.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ou seja. que pode chegar a mais de 40% do total de nutrientes ingeridos pelo animal em pastejo. com período de pastejo de 1 a 15 dias. principalmente nitrogênio e fósforo. tornando a infestação da área uma questão de tempo. por evitar a entrada de plantas daninhas na pastagem. A pastagem degradada não oferece condições à forrageira de competir com as plantas daninhas.o animal explora duas invernadas alternadamente. com 28 a 36 dias de pastejo. em razão dos nutrientes perdidos no processo produtivo. A altura de pastejo depende da espécie forrageira.o animal fica sempre na mesma invernada ou pastagem. De maneira geral. marandu e andropógon (30 cm). Esta prática também é considerada um método preventivo. épocas corretas de entrada e retirada dos animais (altura de pastejo). Humidícola e Dictioneura (15 cm). Brachiaria decumbens (20 cm). nível de adubação ou fertilidade natural do solo. um fator importante no controle integrado de plantas daninhas. portanto. excesso de lotação (carga animal excessiva). o pastejo pode ser classificado de três maneiras: contínuo . O manejo correto consiste na utilização de lotação adequada. exclusivamente. sendo o manejo específico para cada região. condições da propriedade (solo e clima). pisoteio demasiado e arranque de plantas. do potencial produtivo da forrageira. O tamanho e o número de piquetes dependem. e tifton (15 cm). A utilização da adubação de manutenção é extremamente econômica desde que seja escolhida a espécie de forrageira adequada às condições de clima e solo e que ela esteja bem formada e com manejo adequado. maior aproveitamento do investimento empregado até o momento.

que possui rendimento operacional elevado e necessita de pouca mão-de-obra. é um método pouco eficiente e ineficaz. esta tem a tendência de aumentar a cada roçada. a cobertura morta e o cultivo mecanizado. a capina manual. no entanto. Seu rendimento operacional é maior do que o arranque. É um método não-seletivo.Controle mecânico ou físico São métodos mecânicos de controle de plantas daninhas o arranque manual.Manejo de plantas daninhas em pastagens 257 . Assim. A parte aérea das plantas cortada ao entrar em contato com a superfície do solo vai desencadear os processos de decomposição e degradação. como a maior parte desse material vegetal é constituída por tecidos de elevada relação C/N (na maioria Módulo 3. pois reduz a quantidade de matéria orgânica do solo. é o método mais antigo de controle de plantas daninhas. Este método de controle exige muita mão-deobra e possui baixo rendimento operacional. também controla a espécie forrageira. os quais requerem manutenção adequada. Esta prática. quando o principal método de controle é o uso de enxada.3 . induzindo o aparecimento de reboleiras.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2. A utilização do fogo é um método pouco eficiente. jardins e na remoção de plantas daninhas entre as plantas das culturas em linha. No entanto. afeta a atividade microbiana deste. Serve para controlar plantas gramíneas. As plantas roçadas podem rebrotar logo após a realização desta prática. a inundação. como o trator e a roçadeira. ou seja. Um dos métodos mais utilizados no controle de plantas daninhas em pastagens é a roçada manual com foice. Outro método muito empregado entre os pecuaristas é a roçada mecanizada. possui a vantagem se ser altamente seletivo quanto à planta controlada. agride pouco a forrageira e pode ser empregado em locais de difícil acesso com máquinas (roçadeira). ou monda. por também cortar a forrageira. e algumas ainda perfilham. ocorrendo perda de nutrientes e degradação da fertilidade do solo. a roçada. bem com a roçada manual. O custo é relativamente inferior ao da roçada manual. Entretanto. para plantas daninhas perenes a manutenção de parte do sistema radicular no solo possibilita a rebrota e o seu restabelecimento. Possui baixa eficiência e eficácia. deve ser repetida periodicamente. assim. e na maioria dos casos a forrageira é mais suscetível à ocorrência de queimadas do que as plantas daninhas.6 . O arranque manual. aumentando a infestação. por demandar muita mão-de-obra. porém possui baixa eficiência e eficácia. ainda. Ainda hoje é usado no controle em hortas caseiras. acarretando. porém demanda equipamentos apropriados. rebrotam e perfilham. possui custo elevado. Este método. devido à rebrota e ao restabelecimento das plantas daninhas. além de controlar as plantas daninhas. elevado custo de controle. a queima. expondo-o à ação da erosão. por possuir sistema radicular menos profundo e mais fácil de ser arrancado. No controle de plantas daninhas em pastagens. danificando assim o sistema radicular e reduzindo o vigor da forrageira. contudo. e disponibiliza de forma desorganizada os nutrientes armazenados nos vegetais. É um método relativamente seletivo. uma vez que a maioria das plantas se restabelece logo após o corte. as espécies de plantas daninhas perenes que possuem reservas no sistema radicular rebrotam ou.

2. a quantidade disponível deste nutriente no solo em um momento em que a forrageira dele necessita para seu restabelecimento. que possui custo elevado.Manejo de plantas daninhas em pastagens . após a realização da roçada. uma vez que reduz ou elimina a competição entre estas e a forrageira. como o cultural e químico. O conhecimento da fisiologia das plantas. em certas regiões é difícil de ser encontrada no momento certo e na quantidade necessária.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas gramíneas). quando for adotada juntamente com outros métodos de controle. São necessárias pessoas capacitadas para uso correto dos herbicidas.quando manuseados incorretamente. mas devem ser conhecidos. lagos e água subterrânea). têm a finalidade de inibir o desenvolvimento ou provocar a morte das plantas daninhas. Por possuir seletividade. o controle é mais eficiente. • É eficiente no controle de plantas daninhas na pastagem sem afetar o sistema radicular da forrageira. observando-se as normas técnicas. Os riscos de uso existem. para garantir o restabelecimento da forrageira e o seu poder de competição com as plantas daninhas. dos grupos aos quais pertencem os herbicidas e da tecnologia de aplicação é fundamental para o sucesso do controle químico das plantas daninhas. • Mesmo em épocas chuvosas. As vantagens do uso do controle químico podem ser enumeradas: • Menor dependência da mão-de-obra. • Pode controlar plantas daninhas perenes e de propagação vegetativa. principalmente. solo e alimentos . sendo o tempo de recuperação da área relativamente rápido. Todo herbicida é uma molécula química que tem que ser manuseada com cuidado. os animais devem ser retirados da área. em concentrações convenientes.plantio direto.6 . as instruções dos fabricantes e as leis governamentais que regulamentam o seu uso. A roçada é uma prática que controla plantas daninhas sem reservas no sistema radicular e as demais espécies.Controle químico No controle químico utilizam-se herbicidas que. Há necessidade de mão-de-obra especializada para aplicação dos herbicidas. tanto fisiologicamente como quando aplicado de forma localizada. • Maior rendimento na operação de controle de plantas daninhas. É eficiente no controle de plantas daninhas anuais e perenes e possui alto rendimento operacional. Deve-se salientar que. ele causa menor dano à forrageira. assim. Na 258 Módulo 3. reduzindo. sendo essa a causa de cerca de 80% dos problemas encontrados na prática. os microrganismos do solo demandam nitrogênio. O herbicida deve ser considerado uma ferramenta a mais e não como o único método de controle. A utilização de herbicida seletivo no controle de plantas daninhas em pastagens tem demonstrado várias vantagens. proporcionando menor rebrota das plantas daninhas. e este será imobilizado do solo. havendo perigo de intoxicação do aplicador. • Permite o menor revolvimento do solo . Pode ocorrer também poluição do ambiente água (rios. perfeitamente controlados e evitados.4 .

4-D. Os principais herbicidas utilizados com essa finalidade são glyphosate.Manejo de plantas daninhas em pastagens 259 . Os herbicidas a serem utilizados. biologia.4. e distribuição de plantas daninhas (localizada ou não). sendo necessário o emprego conjunto do controle químico com herbicidas sistêmicos (Quadro 2). Portanto. o emprego do controle químico se faz necessário.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas maioria dos casos. O emprego do controle químico como único e generalizado implica a inviabilidade econômica da prática agrícola e sério desequilíbrio no sistema de produção. é prática viável. identificação correta das plantas daninhas (espécie. bem como suas misturas. paraquat + diuron e 2. Módulo 3. cabendo ao controle químico apenas auxiliar quando necessário. desde que inserida em um manejo adequado de controle de plantas daninhas e recuperação da pastagem. em pequenas doses. A eliminação da vegetação pode ocorrer pelo emprego de práticas mecânicas ou por meio de controle químico com herbicidas. O emprego do controle químico deve ser feito juntamente com outras práticas de controle. sendo comum a mistura entre alguns destes. com posterior implantação da forrageira. uma vez que este possibilita as melhores condições de desenvolvimento e permanência da forrageira. sendo estes de amplo espectro de ação e baixa persistência no ambiente (dessecantes). diquat. possuindo retorno rápido e certo. Quando a forrageira (monocotiledônea) estiver se estabelecendo na área e surgirem plantas daninhas dicotiledôneas. São necessários alguns fatores para o sucesso da utilização do controle químico no manejo integrado de plantas daninhas. A gradagem é um método mecânico de controle de plantas daninhas. conhecimento do tipo da forrageira.1 . não possuindo torrões e tocos. desde que utilizado no momento adequado e de forma correta. Os demais sistemas de plantio devem ser realizados em solo com preparo adequado. sendo a de maior importância o controle cultural. O objetivo deste controle é reduzir a competição das plantas daninhas e possibilitar condições ideais ao rápido estabelecimento e desenvolvimento da forrageira. porém não controla as espécies que possuem órgãos de reserva. 2. como: conhecimento das condições de degradação da pastagem e decisões conjuntas para sua recuperação. paraquat. também em estádios iniciais de desenvolvimento. o herbicida é uma ferramenta muito importante no manejo integrado de plantas daninhas. estádio de desenvolvimento. são dependentes das plantas daninhas presentes na área e de seu desenvolvimento no momento da aplicação (Quadro 2).Uso de herbicidas na reforma e formação de pastagens Na reforma de pastagens ocorre a necessidade da destruição da vegetação da área. atividade metabólica e densidade de infestação). Nesse caso. A seguir será abordado o manejo de plantas daninhas em pastagens utilizando-se herbicidas. a utilização de herbicidas no controle de plantas daninhas tem se mostrado uma prática economicamente viável.6 . uma vez que estes produtos são seletivos às gramíneas (Quadro 2). sendo para isso realizada a destoca e gradagens. o emprego de reguladores de crescimento.

a fim de proporcionar condições adequadas de restabelecimento da forrageira. 2. Devese manter a pastagem sem pastoreio por um período de tempo após as práticas suficiente para recuperação desta. os arbustos com muitos espinhos.4-D. fluroxipir + picloram e triclopyr (Quadro 2). como adubação e calagem. Dentre os vários componentes do manejo de pastagens. no meristema apical (ex.: na pindoba) ou mesmo no toco recémcortado de arbustos e árvores.4. Eles possibilitam condições de rápida recuperação da pastagem e melhor aproveitamento do adubo e da calagem pela forrageira. que impõem dificuldades na pulverização ou mesmo no corte. quando comparada à formação ou mesmo à reforma. o controle de plantas daninhas é fundamental para a sustentabilidade do sistema de produção. tornando esta competitiva e dificultando o estabelecimento de plantas daninhas. A ausência da complementação do controle químico com o controle cultural inviabiliza essa tecnologia. por possibilitar condições adequadas ao desenvolvimento da forrageira. triclopyr e tebuthiuron (Quadro 2). É dependente da população adequada de plantas forrageiras na área e da viabilidade do seu sistema radicular.2 . da espécie da forrageira. fluroxipir + picloram. o primeiro passo é a eliminação da competição pelas plantas daninhas. A ausência de condições adequadas ao desenvolvimento da forrageira proporciona o restabelecimento das plantas daninhas na área. mesmo que os herbicidas sejam eficazes no controle das espécies infestantes.4-D + picloram. A recuperação da pastagem demanda menor custo e possibilita a obtenção mais rápida de pasto. 260 Módulo 3.3 . A eliminação de reboleiras de plantas daninhas perenes e arbustivas pode ser realizada com aplicação localizada nas folhagens. 2. utilizando-se para isso o picloram. uma vez que implica disponibilizar condições adequadas ao restabelecimento e desenvolvimento da forrageira já implantada na área.Uso de herbicidas na recuperação de pastagens A recuperação de pastagens é caracterizada pelo retorno às condições de produção destas sem ocorrer destruição da forrageira ou mesmo o revolvimento do solo. podem ser eliminados pela utilização de produtos granulados espalhados no solo na projeção da copa. do nível de infestação de plantas daninhas. são componentes fundamentais no sucesso do manejo de plantas daninhas e na recuperação da forrageira.4-D + picloram. como: 2.4.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2. presença de comprometimento da fertilidade do solo com manutenção da integridade da forrageira. A prática da recuperação é dependente. através de produtos seletivos às gramíneas.4-D + picloram.6 . ainda. Práticas culturais adequadas. como o 2. Na prática da recuperação das pastagens.Uso de herbicidas na manutenção de pastagens O manejo adequado da pastagem é o principal fator responsável por sua longevidade e produtividade.4-D. Os herbicidas podem ser utilizados para eliminar as plantas daninhas. Entretanto. o que pode ser realizado pelo emprego de herbicidas. das espécies de plantas daninhas presentes na área e do nível tecnológico empregado pelo pecuarista. 2. fluroxipir + picloram e triclopyr (Quadro 2).Manejo de plantas daninhas em pastagens . 2. ou seja. como o tebuthiuron (Quadro 2).

poaia (Richardia spp. picão-branco (Galinsoga parviflora). para matar as plantas daninhas anuais (monocotiledôneas e dicotiledôneas). Deve ser aplicado preferencialmente nos estádios iniciais de desenvolvimento das plantas daninhas. Controla plantas de folhas largas anuais e algumas perenes. flor-roxa (Echium plantagineum). ao pastoreio da área. Não aplicar em plantas daninhas perenes adultas. em área total. dente-de-leão (Taraxacum officinale). joá (Solanum spp. devendo ser aplicada a mistura de 2. jurubeba (Solanum paniculatum). Deve-se atentar para o efeito da deriva para culturas altamente sensíveis próximo à área de pulverização. Também é utilizado na dessecação para o plantio direto em pósemergência das plantas daninhas.). não ocasionando a morte delas em aplicação isolada. corriola (lpomoea spp). com glyphosate. No controle em área total procede-se. mamona (Ricinus communis). glyphosate potássico ou sulfosate. beldroega (Portulaca oleracea). Recomenda-se aplicálo com ponta de pulverização que produza boa cobertura foliar. melão-de-são-caetano (Momordica charantia). Nabo-bravo (Brassica rapa). Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas. visando redução das doses e maior eficiência de controle. mastruço (mentruz) (Coronopus didymus). objetivando a recuperação da forrageira. serralha (Sonchus oleraceus). entre outras. Na dessecação para o sistema de plantio direto.4-D com picloram. devido ao rápido metabolismo do 2. mentrasto (Ageratum conyzoides).) e aguapé (Eichornia crassipes) Utilizado na renovação das pastagens. usá-lo em mistura no tanque do pulverizador. como: algodão. feijão. trapoeraba (Commelina spp.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Deve-se atentar para a manutenção da pastagem livre de pastoreio no momento e também por um período de tempo após a aplicação dos herbicidas. em infestações mistas (de gramíneas e dicotiledôneas). porém não elimina as plantas perenes.). caruru (Amaranthus sp.4-D nessas plantas. como tomate. com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. podendo causar sérios danos a culturas sensíveis adubadas com o esterco. Nabiça (Raphanus raphanistrum). alface e outras hortaliças. carrapicho-de-carneiro (Acanthospermum hispidum). previamente. Quadro 2 – Principais herbicidas recomendados na cultura das pastagens Nome técnico Nome comercial Observações Aplicação (pós-emergência) em área total em forrageiras monocotiledôneas controlando seletivamente as espécies dicotiledôneas. de ação por contato. Por ser herbicida não-seletivo. erva-moura (maria preta) (Solanum nigrum). batata.6 .4-D Diversos Diuron + Gramocil paraquat Módulo 3. que não se reproduzem por partes vegetativas.). Plantas daninhas controladas: amendoim-bravo (Euphorbia spp). guanxuma (Sida spp. estando estas em estádio inicial de desenvolvimento. café. não pode ser aplicado sobre a forrageira. Mostarda (Brassica campestre). soja. cordãode-frade (Leonotis spp. picão-preto (Bidens pilosa).Manejo de plantas daninhas em pastagens 261 . ou cultivadas em área tratada por um período inferior à sua carência. Esta prática também reduz a contaminação do esterco dos animais com esses herbicidas. Controla várias espécies de gramíneas e dicotiledôneas anuais. tomate.).). 2. que possuem persistência neste e no solo.

tomate. fumeiro (Solanum sp). No controle em área total procede-se. buva (Erigeron bonariensis). ao pastoreio da área. No segundo caso.). assapeixes (Vernonia spp. a aplicação deve ser realizada cerca de 40 dias após a emergência das plantas daninhas. fedegoso (Senna obtusifolia). pulveriza-se por via terrestre ou aérea toda a área ou as reboleiras mais infestadas. É utilizado no controle de plantas herbáceas tolerantes ao 2. Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos. capixingui (Croton floribundus). maria-mole (Senecio brasiliensis).25% v. e Sharnkya sp. Plantas daninhas controladas: assa-peixe branco (Vernonia polyanthes). 2.). na erradicação de arbustos ou árvores isoladas utiliza-se o método da pulverização da copa ou. arranha-gato* (Acacia sp. tomate. cajussara (Solanum spp. cambarazinho (Eupatorium laevigatum).). principalmente em pulverizações aéreas que devem ser realizadas no mínimo a 2.3% de óleo mineral). joá (Solanum sisymbrifolium). Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos.2 a 0. café. batata.v Aterbane ou 0. Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas. feijão. previamente. soja. erva-de-bicho (Polygonum punctatum). entre outras. guanxuma (Sida rhombifolia). o de aplicação no toco recém-roçado. Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso).4-D + Mannejo picloram 2. feijão. malva-branca (Sida cordifolia).4-D 262 Módulo 3. preferencialmente. entre outras. No primeiro caso. como: algodão. Deve ser realizado durante a estação das chuvas. café. Aplicação em pós-emergência em área total ou localizada. jurubeba (Solanum paniculatum). É utilizado na reforma e recuperação da pastagem no controle de plantas daninhas dicotiledôneas herbáceas e semi-arbustivas. aguapé (Eichordia crassipes). ao pastoreio da área. previamente.Manejo de plantas daninhas em pastagens . canelade-perdiz (Croton glandulosus) e mata-pasto (Eupatorium maximilianii) e outras. guanxumas (Sida spp.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Utilizar surfatantes 0. Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas. samambaia (Pteridium aquilinum). caraguatá (Erygium spp).20 a 0.v.000 metros de distância de culturas sensíveis.). picão-preto (Bidens pilosa). carqueja (Bacharis trimera). batata. com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. leiteiro* (Peschiera fuchsiaefolia).6 . Caso contrário.4-D + Tordon picloram 2.3% v. como: algodão. tojo (Ulex europaeus) e trançagem (Plantago major). Deve-se atentar para o efeito da deriva para culturas altamente sensíveis próximo à área de pulverização. erva-lanceta (Solidago microglossa). deve-se roçar as plantas daninhas e esperar a rebrota vigorosa e bem enfolhada (30 a 40 cm para plantas herbáceas e 1 m para semilenhosas) para posterior aplicação. Utilizar surfatantes (0. No controle em área total procede-se. timbó* (Serfania sp). mio-mio (Baccharis coridifolia).4-D e para controlar arbustos e árvores. quando as plantas se encontram em pleno vigor vegetativo. Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso). Plantas daninhas controladas (*aplicação no toco recém-roçado): amendoim-bravo (Euphorbia paniculata). cheirosa (Hyptis suaveolens). com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. soja. espinilho (Fagara praecox). em pleno vigor vegetativo. Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos. Deve-se atentar para o efeito da deriva.

Requer período de 4-6 horas sem chuvas após sua aplicação. como: algodão.). Este herbicida não impõe restrições quanto à escolha das culturas subseqüentes. batata. mamica-de-porca* (Fagara rhoifolium). guanxuma (Sida rhombifolia). ao pastoreio da área. A dose recomendada depende das espécies e do estádio de desenvolvimento destas. com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas.Manejo de plantas daninhas em pastagens 263 . dependendo da formulação utilizada. Aplicar em pós-emergência das plantas daninhas. Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos. joá (Solanum viarum). Neste caso. feijão.6 . em aplicações localizadas para controlar plantas em reboleiras. plantas de cerrado ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso). É comum sua mistura ao 2. guatanbú* (Aspidosperma sp. Controla de forma não-seletiva plantas daninhas mono e dicotiledôneas. evitando a rebrota destas após o revolvimento do solo. Aplicação em pósemergência em área total ou localizada. controla plantas daninhas perenes e com órgãos de reserva. controla plantas daninhas dicotiledôneas herbáceas semi-arbustivas e arbustivas.v. Por ser um herbicida sistêmico. Evitar deriva deste produto para culturas altamente sensíveis. ainda. para assegurar sua absorção. vassourinha (Sida santaremnensis). angiquinho* (Parapiptadenia sp). (*Em algumas condições ocorre a exigência de repasse no segundo ano com a aplicação de picloram no toco recém-roçado). Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente. ou reverter o terreno para outras culturas.4-D. jovens ou adultas.v ou óleo mineral 0. mata-pasto (Eupatorium maximilianii). tomate. café. usa-se para destruí-la. malvão (Triunfetta bartramia). soja. por não ser seletivo a elas. Bauhinia variegata). assa-peixe branco do cerrado* (Vernonia ferruginea). quando se pretende renová-la. No controle em área total procede-se. entre outras.5% v. As plantas daninhas devem estar em pleno desenvolvimento vegetativo. Pode ser utilizado. assa-peixe-roxo (Vernonia westiniana). estando estas em boas condições metabólicas. roseta* (Randia armata.3% v.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Utilizar surfatante 0.2 a 0. por ser fortemente sorvido ao solo e não possuir efeito residual. previamente. aroeirinha* (Schinus terebenthifolius). Fluroxipir Plenum + picloram Glyphosate diversos Módulo 3. Em pastagem. Plantas daninhas controladas: assa-peixe-branco (Vernonia polyanthes). malva branca (Sida cordifolia). deve-se evitar o contato com as forrageiras. principalmente para uso em áreas infestadas por plantas de difícil controle.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Controle eficiente da pindoba (Orbinea speciosa) – 10 mL da solução 4. Em plantas com toco de diâmetro inferior a 3 cm. ao pastoreio da área. Plantas daninhas controladas: arranha-gato (Acacia plumosa). tomate. Controle de guatambu (Aspidosperma sp. café. Em plantas já roçadas anteriormente. O produto é rapidamente degradado. previamente. A aplicação deve ser realizada em plantas com desenvolvimento adequado. Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas. Aplicação deve ser localizada no toco recém-roçado. Plantas daninhas controladas: erva-quente (Borreria alata). para evitar perda do produto.Manejo de plantas daninhas em pastagens . roçadas várias vezes. cambará (Lantana camara). Em plantas que possuem engrossamento do caule abaixo do nível do solo (ex. Não realizar aplicação em plantas secas e com atividade metabólica reduzida (estresse hídrico acentuado. batata. Os caules mais grossos devem ser rachados em cruz para proporcionar a maior absorção do produto. deve-se corta-las com enxadão abaixo do nível do solo e posteriormente aplicar o produto em caule e raízes decepadas até o ponto de encharcamento. dependendo do tipo de solo e das condições climáticas.6 . mamica-de-porca (Machaerium aculeatum). Triclopyr Garlon Picloram Padron 264 Módulo 3. em pastagens infestadas densamente por plantas daninhas de pequeno. Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente. camboatá (Tapirira guianensis).: ciganinha). assa-peixe (Vernonia polyanthes). aroeirinha (Schinus terebenthifolius). Não adicionar óleo diesel nem surfatantes. aproximadamente 30-40 cm acima do nível do solo (cerca de 20 mL por planta). leiteiro (Peschiera fuchsiaefolia). queimada). com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. cuidando para atingir o mínimo possível as folhas da forrageira. jurubeba (Solanum paniculatum) e outras.v de Garlon em óleo diesel para cada metro de altura desta planta. que apresentam engrossamento visível próximo à superfície do solo. localizado no centro da projeção das folhas mais novas.) e outras brotações de cerrado . Na aplicação em área total não se deve utilizar óleo diesel.v em óleo diesel a baixa pressão no terço final do caule.aplicação de Garlon 5.0% v. mesmo que a altura esteja abaixo da roçada recente. apresentando meiavida no solo de 20 a 45 dias. Para plantas velhas. espinho-agulha (Barnadesia rosea). objetivando-se atingir o seu sistema radicular. Deve-se utilizar ponta de pulverização do tipo cone cheio. não impondo restrições quanto a culturas subseqüentes. feijão. plantas de cerrado ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso). como: algodão. molhando bem todo o toco até atingir o ponto de escorrimento. deve-se fazer o corte abaixo do engrossamento da raiz da última roçada. No controle em área total procede-se. que deve ficar o mais próximo possível no momento da aplicação. Roçar as plantas daninhas a serem controladas com foice o mais próximo possível do solo. entre outras. Aplicar o produto molhando bem e uniformemente toda a folhagem da planta.0% v. deve-se aplicar o produto sobre o solo ao redor do toco. esta pode ser aérea ou terrestre. Evitar deriva deste produto para culturas altamente sensíveis.) pata-de-vaca (Bauhinia variegata e Parapiptadenia sp. pata-de-vaca (Bauhinia variegata) e ciganinha (Memora peregrina). espinilho (Acacia farnesiana). A aplicação deve ser realizada diretamente no meristema apical da planta. O produto deve ser aplicado imediatamente após o corte. soja. devem-se aplicar 15 a 20 mL por planta. médio e grande porte.

espinho-agulha (Chuquiragua tomentosa). malícia ou dorme-dorme (Mimosa invisa). o aplicador proteger-se com equipamento de proteção adequado (luvas impermeáveis e outros). veludo-vermelho (Chomelia pohliana). para reduzir os efeitos negativos à forrageira. mangueirinha ou camboatá-do-cerrado (Tapirira guianensis). os danos tendem a desaparecer num período de 6 a 12 meses.6 . em ambos os casos. entretanto. limão-bravo (Soliva sessilis). espinho-agulha (Barnadesia rósea). como soja. devendo. fumo. quando em aplicação localizada. Usa-se em cobertura total do terreno. a aplicação não deve ser feita em arbustos roçados ou queimados recentemente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Formulação granulada aplicada a lanço. sendo elas dependentes das condições de infestação. pepino e outras. Em caso de lesões ocasionadas principalmente pela maior concentração localizada do produto. ou localizada nas reboleiras de infestantes que se pretende eliminar. esporão-de-galo (Celtis glycicarpa). Plantas daninhas controladas: gramão ou grama-batatais (Paspalum notatum). tomate. pereiro (Aspidosperma eburneum). mamica-de-porca (Fagara hiemalis) e tarumã (Vitex sp. as culturas rotacionais poderão ser plantadas no mínimo 3 anos após a aplicação do herbicida. No entanto. Devido ao modo de absorção e translocação do herbicida. seu efeito restringe-se ao local de aplicação. portanto. cruzeta (Strychnos parvifolia). A localizada é denominada catação e constitui-se na eliminação de arbustos agrupados. Tebuthiuro Graslan n São várias as maneiras de aplicação de herbicidas em pastagens. É aplicado em dose única em qualquer época do ano. operação na ocasião do controle (reforma. taboca (Guadua angustifólia). É recomendado para solos arenosos e areno-argilosos. animais domésticos e pessoas desprotegidas por um período de 7 dias após a aplicação do produto. pois esta é importante para melhor absorção do herbicida e conseqüentemente agilizará o processo de morte desse arbusto. resultados mais rápidos e eficientes serão obtidos quando a aplicação for realizada pouco antes (ou no início) do período chuvoso (julho a dezembro nas regiões Sul e Centro-Oeste).Manejo de plantas daninhas em pastagens 265 . No caso de aplicação em área total. nível tecnológico do pecuarista e herbicida utilizado. lobeira (Solanum lycocarpum). leiteiro-vermelho (Chrysophyllum marginatum). com granuladeira ou por via aérea. cega-jumento ou cajussara (Solanum rugosum). algodão. ou. recuperação e manutenção). espécie infestante. esporão-de-galo (Pisonea aculeata). feijão. Após a aplicação deste produto não se recomenda eliminar a parte aérea do arbusto de que se deseja o controle. assa-peixe-do-cerrado (Gochnatia polymorpha).). aroeirinha (Schinus terebinthifolius). café-de-bugre (Solanum caavurana). distribuindo-se os grânulos na projeção da copa. os arbustos devem apresentar bom desenvolvimento foliar. assa-peixebranco. carqueja (Bacharis trimera). assa-peixe-roxo (Vernonia scabra). assa-peixe. chirca (Eupatorium bonifolium). jurubeba (Solanum fastigiatum). A distribuição do produto deve ser uniforme na área. Mantenha afastados das áreas de aplicação crianças. roseta ou limãozinho-de-goiá (Randia armata). embaixo da copa dos arbustos indesejáveis (plantas com espinhos e outras). A aplicação foliar pode ser localizada ou em área total. ainda. Deve-se evitar a aplicação sobre ou perto de culturas anuais suscetíveis. arranha-gato ou unha-de-gato (Acacia plumosa). a área é caracterizada pela infestação menor do Módulo 3. limãozinho ou juvu (Acanthocladus brasiliensis). cansanção ou urtigão (Cnidosculus urens). fumo-bravo (Solanum verbascifolium). bem como de árvores frutíferas. cipó-prata (Banisteria metalicolor). formação. Não aplicar o produto em florestas ou reservas naturais. leiteiro (Peschiera fuchsiaefolia). capa-bode (Melochia tomentosa). assa-peixe-do-pará. folha-de-santana (Vernonia ferruginea).

Outra forma de aplicação de herbicidas é em toco recém-roçado. Os pulverizadores utilizados são o costal tracionado por uma pessoa. tendo como objetivo aumentar a suscetibilidade das plantas daninhas aos herbicidas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas que 40% e disposta em reboleiras. pode-se realizar a aplicação basal. 266 Módulo 3. canhão ou avião (aérea).6 . Todavia. em condições que impõem restrições à aplicação foliar ou ao corte dos arbustos. podendo ser realizada com pulverizador de barra. denominado Burro Jet. É utilizado no controle de arbustos com espinhos e com arquitetura de galhos bem fechados. pelas exigências quanto a monitoramento sistemático das condições meteorológicas. Deve-se cuidar quanto à deriva próximo a áreas agrícolas. uma vez que a maioria das culturas anuais e perenes é altamente sensível aos herbicidas reguladores de crescimento utilizados em pastagens. o pulverizador tracionado por animal. ou mesmo um pulverizador tratorizado adaptado com várias saídas de pontas. caracterizada pela deposição do herbicida granulado no solo na projeção da copa da planta daninha. podendo pulverizar até 300 ha por dia. necessidade de pista de pouso próximo à área e topografia adequada à pulverização aérea. A principal vantagem da aplicação aérea é o alto rendimento operacional. Esta prática demanda maior nível tecnológico do pecuarista.Manejo de plantas daninhas em pastagens . A aplicação aérea é recomendada em grandes áreas que possuem obstáculos à pulverização tratorizada. Essa forma de pulverização possui alto rendimento operacional e exigência baixa de mão-de-obra. A aplicação em área total é feita em áreas com infestação acima de 40% e está condicionada à topografia adequada da área. direcionadas por trabalhadores que acompanham o trator. permitindo a mecanização com o trator.

Piracicaba. 11. 355 p. S. A. C.C. Módulo 3. EUCLIDES FILHO. 1. C. INTERNATIONAL SYMPOSIUM ON TROPICAL SAVANNAS. Editora Plantarum Ltda. (Documento. p. MIRANDA. C. Sistema de integração agricultura & pecuária. BALSALOBRE. 2002. Brasília.. Informe Agropecuário. 53). L. Campo Grande: Embrapa-CNPGC. In: SIMPÓSIO SOBRE MANEJO DE PASTAGEM. v. Nova Odessa. Viçosa: UFV. A. 1349-1358. Planaltina: EMBRAPA-CPAC. n. C. H. SILVA. K. ZIMMER. 120.. Bases para o estabelecimento do manejo de pastagens de brachiária.. Plantas e substâncias vegetais tóxicas e medicinais. Anais.. M. 249-266. T. Lavras: UFLA. TAMBOSI. v. Degradação e alternativas de recuperação e renovação de pastagens. parasitas e tóxicas. P. FERREIRA.. PORTES. Lavras.. M. POTT. 1. (Comunicado Técnico. 2000. MACEDO. 7. aquáticas.. Produção de bovinos de corte com a integração agricultura x pecuária. (Ed. pivô central e plantio direto. LORENZI.. T... 4 p. L. OLIVEIRA. Análise do crescimento de uma cultivar de braquiária em cultivo solteiro e consorciado com cereais. Campo Grande: EmbrapaCNPGC. 2000. Interferência de plantas daninhas em culturas agrícolas. 2001. 62). A. M. 11. 1994. A. PITELLI. 35. R. Z. (Divulgação. In: SIMPÓSIO SOBRE O CERRADO.. Plantas no Pantanal tóxicas para bovinos. 2001. J. 2000..ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Referências bibliográficas AFONSO. 8 p. KLUTHCOUSKI. Plantas daninhas do Brasil: terrestres. EUCLIDES FILHO. São Paulo: Graphicars. 16-27. Pesquisa Agropecuária Brasileira.H. R. p. . KICHEL. 2000. Manejo integrado de plantas daninhas em sistema de plantio direto. n. E. 583-624. Piracicaba: FEALQ. In: SIMPÓSIO DE FORRAGICULTURA E PASTAGENS: TEMAS EM EVIDÊNCIAS.6 . 1997. COBUCCI.. N. A. P. SILVA. 608 p. A. Manejo integrado fitossanidade: cultivo protegido. S.. HOEHNE. FREITAS.. 48 p. 1985. SP. H. B. P. Viçosa: UFV. 1996c. 2000. SANTOD.. T. K.. novos desafios. M.Manejo de plantas daninhas em pastagens 267 . M. S.. CORSI. Campo Grande: Embrapa-CNPGC. 51-68. N. S. p. Campo Grande: Embrapa-CNPGC.. 118-120. A pecuária de corte no brasil: novos horizontes. 3. 1939.. J. 1991. 1996. In: ZAMBOLIM. A. Principais plantas tóxicas para herbívoros. A. F. H.. F. KICHEL.). CARVALHO. MIRANDA. p. B.. N. 69). p. Anais. 20 p. I. p. 8.ed. A ... KICHEL. I. A pecuária de corte brasileira no terceiro milênio. 19 p.. C. Anais.

Capim elefante. In: Weed ecology implicatios for manegements.. 2000. Piracicaba: FEALQ. RADOSEVICH. DÖBEREINER.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas POTT. New York: John Willey and Sons.. p. Estratégias de manejo de plantas daninhas. In: SIMPÓSIO SOBRE MANEJO DE PASTAGEM. . Anais. D. S. TOKARNIA. S. A.. In: SIMPÓSIO SOBRE MANEJO DA PASTAGEM. SILVA.. AFONSO. Physiological aspects of competition. 349-363. Rio de Janeiro: Helianthus. P. Piracicaba. A.. PASSANEZI. 1998. SILVA. 2000.. 217-301. SILVA. C. 320 p.. A. M. R. L. C.. FERREIRA. A. R. GHERSA. 1996. L. E. Anais .). J. L. Campo Grande: Embrapa-CNPGC. p.. 1999. S. 197-218. 17. In: SIMPÓSIO SOBRE MANEJO DA PASTAGEM.6 .. CARNEVALLI. R.. VICTORIA FILHO.. 12.. J. 15. 1995. J.. MONTEIRO... H. In: ZAMBOLIM. (Ed. p. 2000.. SILVA. Bases para o estabelecimento do manejo de capins do gênero Panicum. F. A. F. Plantas tóxicas para bovinos em Mato Grosso do Sul. HOLT. Piracicaba: FEALQ. RODRIGUES.. Piracicaba. ABEAS. A. Documentos. F. Manejo integrado de doenças. J. L. 268 Módulo 3.. 203 p. PEDREIRA. pragas e plantas daninhas. Plantas tóxicas do Brasil. T. 129-150. V. G. Controle de plantas daninhas.. L. FERREIRA. Piracicaba: FEALQ. A.. p. F. A. Anais. 5 p. J. (CNPGC. R. FAGUNDES. p. R. J. C. Curso de proteção de plantas.. 2005.. M.. Piracicaba. Módulo 3. C. Viçosa: UFV. Bases para o estabelecimento do manejo de Cynodon sp.Manejo de plantas daninhas em pastagens . A. 135-156. VARGAS.. RODRIGUES. REIS. RODRIGUES. R. 7).

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful