ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

PROTEÇÃO DE PLANTAS

Módulo 3 Manejo de plantas daninhas
Tutores: Profº Dr.Antonio Alberto da Silva (UFV-MG) Profº Dr. José Ferreira da Silva (FUA-AM) Profº Dr. Francisco Affonso Ferreira (UFV-MG) Profº Dr. Lino Roberto Ferreira (UFV-MG)

Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Universidade Federal de Viçosa - UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia

Brasília - DF 2006
Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas 1

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Ficha Catalográfica Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Controle de plantas daninhas. Tutores: Antônio Alberto da Silva; [e outros]; colaboração de José Ferreira da Silva, Francisco Affonso Ferreira, Lino Roberto Ferreira - Brasília, DF: ABEAS; Viçosa, MG: UFV; 2006. 268.: il (ABEAS. Curso Proteção de Plantas. Módulo 3 - 3.1;3.2;3.3;3.4;3.5,3.6). Inclui bibliografia. 1. Plantas daninhas - controle. I.Silva, Antônio Alberto, 1950 - II. Silva, José Francisco da. III.Ferreira, Francisco Afonso. IV.Ferreira, Lino Roberto. V.Silva, José Ferreira da. VI. Oliveira Júnior, Rubem Silveríco de. VII. Vargas, Leandro. VIII. Universidade Federal de Viçosa. IX. Título É proibida a reprodução total ou parcial deste módulo Direitos reservados a ABEAS e ao autor

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Módulo 3: 3.1 - Biologia e métodos de controle

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Sumário
Módulo 3.1 – Biologia e métodos de controle, 04 Módulo 3.2 – Herbicidas: classificação e mecanismos de ação, 48 Módulo 3.3 – Herbicidas: absorção, translocação, metabolismo, formulação e misturas, 102 Módulo 3.4 – Herbicidas: comportamento no solo, 135 Módulo 3.5 – Herbicidas: resistência de plantas, 196 Módulo 3.6 – Manejo de plantas daninhas em pastagens, 235

Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas

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ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

PROTEÇÃO DE PLANTAS

Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas 3.1 - Biologia e métodos de controle
Tutores: Profº. Antonio Alberto da Silva Profº. Francisco Affonso Ferreira Profº. Lino Roberto Ferreira Profº. José Barbosa dos Santos

Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Universidade Federal de Viçosa - UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia

Brasília - DF 2006
4 Módulo 3.1 - Biologia e métodos de controle

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Sumário

Introdução, 06 1 - Planta daninha, 07 1.1 - Prejuízos causados pelas plantas daninhas, 08 1.1.1 - Prejuízos diretos, 08 1.1.2 - Prejuízos indiretos, 09 1.2 - Origem, estabelecimento e propagação das plantas daninhas, 10 1.3 - Classificação das plantas daninhas, 15 1.3.1 - Características práticas para reconhecimento das principais famílias de plantas daninhas, 16 1.4 - Características de agressividade das plantas daninhas, 18 2 - Competição entre plantas daninhas e culturas, 19 2.1 - Fatores do ambiente passíveis de competição, 20 2.1.1 - Competição por água, 23 2.1.2 - Competição por luz, 25 2.1.3 - Competição por CO2, 28 2.1.4 - Competição por nutrientes, 28 3 – Alelopatia, 30 3.1 - Alelopatia das plantas daninhas sobre as culturas e plantas daninhas, 31 3.2 - Alelopatia entre culturas, 32 3.3 - Alelopatia das coberturas mortas, 32 4 - Competição e período crítico de competição, 33 5 - Métodos de controle de plantas daninhas, 36 5.1 - Controle preventivo, 36 5.2 - Controle cultural, 37 5.3 - Controle mecânico ou físico, 37 5.4 - Controle biológico, 39 5.5 - Controle químico, 40 6 - Manejo integrado de plantas daninhas (mipd), 42 Referências bibliográficas, 45

Módulo 3.1 - Biologia e métodos de controle

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vive hoje nas cidades. isoenzimas e RAPD (biotecnologia) e sensoriamento remoto também são úteis na identificação de plantas daninhas. de milho. de arroz. o ultra-som. 2005). Cerca de 92% da população. com ajuda da física. esse percentual é ainda maior. Em termos médios. o estudo das plantas daninhas é dinâmico. como cana-de-açúcar. Os estudos de ecologia e da toxicologia humana e animal são conduzidos. técnicas de biologia molecular e sensoriamento remoto. entretanto. o Brasil dispõe de um dos maiores mercados do mundo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução Para um leigo. bioquímica. no momento preciso e na quantidade necessária. Com relação aos defensivos agrícolas. deve utilizar menos mão-de-obra para produção de maior quantidade de alimentos. Os novos herbicidas estão cada vez mais seguros para o ambiente e o homem. simultaneamente. fibras e energia. economicidade do controle químico. Em razão disso. A demanda cada vez maior de alimentos. Devido à dificuldade de se encontrar mão-de-obra no campo. Assim. etc. usando métodos manuais. visando o melhoramento de culturas para resistência a herbicidas. além da eficiência e. sendo mais eficientes no controle de plantas daninhas específicas e com doses cada vez mais baixas. as microondas e o raio laser estão sendo avaliados como futuros métodos de controle. São necessários.Biologia e métodos de controle . o uso de herbicidas tornou-se prática indispensável. em que os herbicidas correspondem a mais de 50% do volume total comercializado (ANDEF. climatologia. Novas técnicas estão sempre sendo pesquisadas e incorporadas. cerca de 20-30% do custo de produção refere-se ao controle de plantas daninhas. é uma ciência multidisciplinar que depende de conhecimentos de botânica. ou seja. o produtor deve ser mais eficiente. como exemplos. destaca a importância da eficiência do controle de plantas daninhas. Em algumas culturas. fisiologia vegetal.1 . ao amônio-glufosinato. toda e qualquer técnica de manejo de plantas daninhas somente terá sucesso se for aplicada levando-se em conta conhecimentos detalhados da biologia das plantas infestantes da área. é extremamente simples. estão sendo desenvolvidos trabalhos objetivando a criação de cultivares de soja resistentes ao glyphosate. física e química do solo. Na verdade. fitotecnia. o controle de plantas daninhas. Como toda ciência. principalmente. cuidados técnicos 6 Módulo 3. na região produtora de alimentos do Brasil. sendo um dos primeiros no "ranking" de vendas de agrotóxicos. biologia. antes do lançamento de qualquer herbicida. a eletricidade. mecânicos ou químicos. química orgânica. Muitos estudos estão sendo conduzidos em genética. envolvendo principalmente conhecimentos nas áreas de morfologia e fisiologia. para uma população crescente de consumidores e decrescente de produtores. ao imazaquin. mecanização agrícola. Todavia. e a mão-de-obra rural existente é escassa e de baixa qualidade.

Por esse motivo. cultural. são vários os conceitos de planta daninha: Shaw (1956). qualquer planta estranha que vier a afetar a produtividade e. afirma que planta daninha é qualquer planta que ocorre onde não é desejada. 1 . por exemplos. com o homem. associam-se os diversos métodos disponíveis (preventivo. no seu processo. o controle químico de plantas daninhas. Neste programa. plantas estranhas no jardim. Na verdade. para se obter um controle que seja eficiente.1 . a qualidade do produto produzido ou interferir negativamente no processo da colheita é considerada daninha. Uma planta cultivada também pode ser daninha se ela ocorrer numa área de outra cultura. Numa cultura. econômico e que preserve a qualidade ambiental e a saúde do homem. hoje. na sua essência. é uma planta fora de lugar. que é o de conciliar. Cruz (1979) salienta que é uma planta sem valor econômico ou que compete. biológico e químico).Planta daninha Definir planta daninha nem sempre é fácil. servindo como planta medicinal. Uma planta pode ser daninha em determinado momento se estiver interferindo negativamente nos objetivos do homem. as condições ambientais e o nível cultural do proprietário. Deve-se ressaltar que o herbicida é considerado apenas uma ferramenta a mais no manejo de plantas daninhas. algumas têm sido consideradas plantas Módulo 3. é um típico setor de tecnologia de ponta e. podem-se citar espécies altamente competidoras com culturas sendo extremamente úteis no controle da erosão. em determinadas situações. promovendo a reciclagem de nutrientes. porém esta mesma planta pode ser útil em outra situação. os equipamentos disponíveis na propriedade. citado por Marinis (1972). Entretanto. fornecendo néctar para as abelhas fabricarem o mel. físico. o tipo de solo. Para Beal. etc. plantas tóxicas em pastagens. à água e aos organismos não-alvos. plantas interferindo no desenvolvimento de culturas comerciais. seja daninha. Como exemplos. levando-se em consideração as espécies daninhas infestantes. todos os conceitos baseiam-se na sua indesejabilidade em relação a uma atividade humana. a topografia da área. sustentabilidade e eqüidade.Biologia e métodos de controle 7 . um campo no qual está muito presente o desafio maior do agronegócio brasileiro. num conceito mais amplo. como a presença do milho em cultura da soja e da aveia em cultura do trigo. pelo solo. os conceitos de competitividade. citado por Fischer (1973). podem ser extremamente úteis. mecânico. pois estas. por exemplo. como. plantas ao lado de refinarias de petróleo. devido à evolução e complexidade que atualmente atingiu a Ciência das Plantas Daninhas. Embora não se possa dizer que uma planta. Segundo Rodrigues e Almeida (2005).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas para atingir a máxima eficiência com o mínimo impacto negativo ao solo. por isso mesmo. Fischer (1973) apresenta duas definições: “plantas cujas vantagens ainda não foram descobertas” e “plantas que interferem com os objetivos do homem em determinada situação”. etc. sendo recomendado sempre um programa de controle integrado. uma planta só deve ser considerada daninha se estiver direta ou indiretamente prejudicando uma determinada atividade humana. ou.

b) São responsáveis pela não-certificação das sementes de culturas. cerca de 20-30% do custo de produção de uma lavoura se deve ao custo do controle das plantas daninhas. Por exemplo: cafezinho (Palicourea marcgravii). sementes de carrapicho-de-carneiro (Acanthospermum hispidum) aderidas à lã. tubérculos de tiririca se desenvolvendo dentro tubérculos de batata (Fig. c) Podem intoxicar animais domésticos. também. sementes de capim-carrapicho (Cenchrus echinatus) junto ao feno.) 1. São exemplos a presença de sementes de picão-preto (Bidens pilosa) junto ao capulho do algodão. furtam energia do homem. As comuns são aquelas que não possuem habilidade de sobreviver em condições adversas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas daninhas comuns e outras plantas daninhas verdadeiras. tubérculos. que produz até 42.Prejuízos diretos As plantas daninhas.000 sementes por planta. etc. onde se exige perfeito controle das plantas para melhor eficiência das máquinas colheitadeiras. como: a) Não são melhoradas geneticamente. por misturas de sementes. por máquinas. É comum. oficial-de-sala (Asclepias curassavica). etc. como leiteiro (Euphorbia heterophylla). b) Crescem em condições adversas. Possuem habilidade de produzir grande número de sementes por planta. pois. Muitas espécies de plantas daninhas são. capim-massambará (Sorghum halepense) e feijão-miúdo (Vigna ungiculata). Exemplo: Desmodium totuosum. as quais são facilmente dissemináveis por animais. 1). raízes. Por exemplo.Biologia e métodos de controle .1 . Além da redução da produtividade das culturas. as plantas de trigo que surgirem das sementes remanescentes no solo passam a ser consideradas daninhas à cultura da soja. num plantio rotacional trigo/soja. seria fácil erradicar uma espécie daninha. na realidade. cavalinha (Equisetum 8 Módulo 3. c) São rústicas quanto ao ataque de pragas e doenças. quando presentes em pastagens.Prejuízos causados pelas plantas daninhas 1. água. etc. quando estas são colhidas junto com sementes de determinadas espécies de plantas daninhas proibidas. bulbos. capazes de se multiplicar por diversas maneiras (sementes. como é o caso de mudas cítricas produzidas em viveiro infestado com tiririca (Cyperus rotundus). folhas.1 . rizomas. pêlo de animais. etc. as plantas daninhas causam outros prejuízos diretos. que são atributos que facilitam a perpetuação da espécie. arroz-vermelho (Oryza sativa). d) Apresentam dormência e germinação desuniformes. se todas as sementes germinassem de uma só vez. Esses valores tornam-se ainda mais significativos na agricultura moderna. ainda. Em média.1 .1. As consideradas verdadeiras possuem características especiais que permitem fixá-las como infestantes ou daninhas. por exemplo: a) Reduzem a qualidade do produto comercial. impedirem a certificação de mudas em torrão. geralmente com facilidade para disseminação pelo vento.

etc. os nematóides: mais de 50 espécies de plantas daninhas hospedam Meloydogyne javanica e Heterodera (nematóide-do-cisto da soja). Esta última é a pior invasora para milho. Estas diminuem a eficiência das máquinas e aumentam as perdas durante a operação da colheita até mesmo quando em infestação moderada nas lavouras. prejudicar ou mesmo até impedir a realização de certas práticas culturais e a colheita.Prejuízos indiretos As plantas daninhas podem ser hospedeiras alternativas de pragas e doenças. São exemplos destas espécies a corda-de-viola (Ipomoea grandifolia. Ipomoea aristolochiaefolia. como o mosaico-dourado do feijoeiro.1 . Outro exemplo é o capim-massambará (Sorghum halepense). que germinam e parasitam as raízes do milho. durante a operação da colheita. flor-das-almas (Senecio brasiliensis). infestante comum em lavouras de milho. os tricomas de suas folhas se rompem a um leve contato e liberam toxinas que causam inflamação na pele do trabalhador.). chibata (Arrabidae bilabiata) e outras que podem causar a morte de animais. milho e plantas ornamentais. Capimcarrapicho (Cenchrus echinatus). causado por um vírus à cultura do feijão. florescem rapidamente e iniciam novamente o ciclo parasitário. ainda.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas piramidale). arranha-gato (Acassia plumosa) e outras plantas espinhosas podem até impedir a colheita manual das culturas. podem.000 sementes por planta. Sida santaremnensis. esta espécie daninha dificulta tremendamente a colheita manual. Sida cordifolia. pois. feijão e cana-de-açúcar.Dano em batata inglesa devido à penetração e ao desenvolvimento de tuberculos de tiririca 1. Módulo 3. Sida micrantha. d) Algumas espécies exercem o parasitismo em citros. Figura 1 . Ipomoea purpurea e outras desse gênero). Sida glaziovii. São exemplos a erva-de-passarinho (Phoradendron rubrum) em citros e a erva-de-bruxa (Striga lutea) em milho. que é hospedeiro do vírus do mosaico da cana-de-açúcar. ainda não introduzida no Brasil.Biologia e métodos de controle 9 . Algumas espécies. carrapicho-de-carneiro (Acathospermum hispidum). samambaia (Pteridium aquilinium). dois meses mais tarde as plantas aparecem na superfície do solo. Outro exemplo de espécie de planta daninha que causa prejuízos diretos e indiretos é a Mucuna pruriens. além dos prejuízos diretos que causam às culturas. que é transmitido pela mosca-branca após ter se “alimentado” de espécies do gênero Sida (Sida rhombifolia.2 . Ela produz cerca de 5.1. algodoeirobravo (Ipomoea fistulosa).

A propagação vegetativa é um mecanismo de sobrevivência de grande importância nas plantas daninhas perenes. Estas. Existem duas grandes teorias: a hidrosere. O estudo do processo germinativo das sementes é de fundamental importância para quem trabalha com o manejo de plantas daninhas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas As plantas daninhas. possuem seus mecanismos de ação ligados ao processo 10 Módulo 3. dificultando a manutenção de represas. Exemplos: taboa (Typha angustifolia). prejudicando a pesca. tubérculos. provavelmente. crescimento e desenvolvimento da planta. Na verdade. aguapé (Eichornia crassipes). Além disso. o estabelecimento envolve o processo de germinação da semente. o funcionamento de usinas hidrelétricas. aumentando o custo da irrigação. Outras espécies de plantas daninhas podem ainda reduzir o valor da terra. etc. dos distúrbios naturais. as plantas daninhas produzem muitas sementes. o responsável pela evolução das plantas daninhas. desmoronamentos de montanhas. segundo a qual a vida teve origem em terra firme. vias públicas. além da competição pelos recursos do meio. quando presentes em áreas com culturas que apresentam pequena capacidade competitiva. que afirma que a vida originou-se no meio líquido. problemas sérios em ambientes aquáticos. estabelecimento e propagação das plantas daninhas De acordo com Musik (1970) e Fischer (1973). onde podem dificultar o manejo da água. elas começaram a aparecer quando o homem iniciou suas atividades agrícolas. os parques e os jardins. rizomas. pois a semente é uma das vias de entrada dos herbicidas. como o é.. têm o custo de controle muito elevado. o que assegura alta taxa de dispersão e restabelecimento de uma infestação. incluindo o homem. como as olerícolas de modo geral. etc. Vários são os diásporos. também. ou seja. Musik (1970) salienta que o homem é. caulículo. ação de rios e mares. Do ponto de vista morfofisiológico. Nestas áreas não é desejável a presença de plantas daninhas vivas ou mortas. refinarias de petróleo. água.Biologia e métodos de controle . Normalmente. pelos quais as plantas podem perpetuar-se tanto por via seminífera como por via vegetativa. também. etc. As plantas daninhas podem ser disseminadas por diversos meios. como hipocótilo. também. Estas são encontradas onde está o homem.2 . inicialmente. Por outro lado. separando as benéficas (denominadas plantas cultivadas) das maléficas (denominando-as de plantas daninhas). ferrovias. porque ele é quem cria o ambiente favorável a elas. muitos herbicidas atuam. e a xerosere. tornando-se inviável economicamente.Origem. Os propágulos podem ser raízes. que apresentam duas características essenciais: dormência e reservas alimentícias. as plantas daninhas originaram-se. como glaciação. devido ao próprio conceito de planta daninha. o estabelecimento de uma determinada planta daninha envolve os aspectos ecológicos da agregação e migração. além das partes das plântulas. Causam. a disseminação das plantas daninhas pode ser feita por vento. pelas plantas cultivadas. podem ser altamente inconvenientes em áreas não-cultivadas: áreas industriais.1 . Todavia. etc. envolvendo os complexos aspectos morfogênicos e edafoclimáticos. etc. animais. como a tiririca (Cyperus rotundus) e a losna-brava (Artemisia verlotorum). que se constitui num grande disseminador de tais plantas. 1. radícula.

para o desenvolvimento do eixo embrionário em plântula independente. Entretanto. o qual pode atingir centenas de atmosferas. ela entrará em processo de germinação (PROPINIGIS. Outro fator que pode influenciar a embebição é a permeabilidade do tegumento da semente à água. Se a semente não estiver em estado de dormência e houver condições ambientais favoráveis. Essas necessidades são definidas para cada espécie e estão relacionadas com o habitat de origem e com a melhor forma de preservar a espécie (normalmente as espécies daninhas somente germinam quando existem condições para sobrevivência). em fases seguintes à reidratação. a celulose e as substâncias pécticas. A temperatura ótima é aquela que permite a obtenção da maior percentagem de emergência no menor espaço de tempo. provocando o rompimento do tegumento. permeabilidade do tegumento à água e presença de água na forma líquida ou gasosa. FERRI. Para que uma semente viável (condição intrínseca) possa germinar. Em temperaturas abaixo da ótima. As principais substâncias responsáveis pela embebição são as proteínas. portanto. METIVIER. A germinação da semente é a reativação dos pontos de crescimento do embrião que haviam sido paralisados nos estágios finais da maturação morfisiológica da semente. A quantidade de água necessária para reidratação. Normalmente. são necessárias as seguintes condições ambientais favoráveis: água em quantidade suficiente. porque as sementes ficam por períodos prolongados nos estágios iniciais da Módulo 3.1 . o que resulta numa diminuição do estande. Estas sementes permanecerão dormentes enquanto o tegumento estiver impermeável (semente dura). é de duas a três vezes o peso da semente. sendo dependente dos seguintes fatores: composição química da semente. 1985). ou seja. para a maioria das espécies. temperatura. dando origem ao que se chama de semente dura.Biologia e métodos de controle 11 . Do ponto de vista fisiológico. a velocidade da germinação é menor. por onde sairá a radícula. menor tempo para embebição). A embebição das sementes é um processo físico que ocorre tanto nas sementes vivas quanto nas mortas. e para isso são necessários alguns requisitos fundamentais: estarem as sementes viáveis e as condições ambientais serem favoráveis. impedindo que a planta se estabeleça.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas germinativo. aumenta-se o potencial de pressão interna na membrana que envolve a semente (pressão de embebição). cada espécie requer uma temperatura ideal para germinação. 1986. ocorre a ruptura do tegumento e saída da radícula. conforme ela seja fotoblástica positiva ou negativa. 1974. atmosfera apropriada à espécie (concentração de CO2 e O2) e luz (comprimento de onda e intensidade). temperatura adequada à espécie. A água é necessária para que ocorra a reidratação das sementes. Com a embebição. com o ressurgimento das atividades paralisadas ou reduzidas por ocasião da maturação da semente. O processo da germinação inicia-se. concentração de oxigênio e presença ou ausência de luz. As características físico-químicas das substâncias coloidais das sementes irão comandar o potencial da água nas sementes. como adequado suprimento hídrico. que perdem muita umidade por ocasião de sua maturação e secagem. a germinação consiste no processo que se inicia com o suprimento de água à semente seca e termina quando o crescimento da plântula se inicia. A embebição também é influenciada pela temperatura (temperaturas mais elevadas. É comum entre as espécies a presença do tegumento totalmente impermeável à água. é necessário o suprimento contínuo de água.

Como exemplo desta interdependência podem-se citar as espécies do gênero Amaranthus. entretanto. isto é. Há espécies cujas sementes somente germinam em regime de alternância de temperatura. ocorrendo a embebição de todos os tecidos da semente e uma expansão do tegumento 12 Módulo 3. Temperatura acima da ótima tende a aumentar. em alguns casos. como: a) altas temperaturas. nessas condições. ainda. outras necessitam de breve iluminação e outras são indiferentes.Biologia e métodos de controle . esta prática não é utilizada para conservação de sementes. as sementes germinam em atmosferas com 20% de O2 e 0. A respiração envolve trocas de gases. Todavia. como em sementes de alface (alta percentagem de germinação em exposição por um a dois minutos). razão por que a germinação das sementes é influenciada pela composição do ar atmosférico que as envolve. ou. as reações envolvem o fitocromo. Existem espécies de plantas daninhas que somente germinam no escuro. Em algumas espécies a necessidade de luz ocorre somente após a colheita e em outras por um longo período (por um ano ou mais). esse fenômeno é semelhante ao fotoperiodismo observado para o florescimento. respiração. As necessidades e quantidades de 02 para germinação são influenciadas por outros fatores. necessita de energia. portanto. com uma rápida absorção de água pelos biocolóides. por se tratar de um processo que ocorre em células vivas. porque uma atmosfera rica em nitrogênio parece ser mais econômica e eficiente. Em condições normais. apenas flash de 0. atividade microbiana e teor de umidade. A necessidade de luz pode variar também em função do armazenamento. A germinação.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas germinação e. em que a luz pode promover a germinação mesmo em temperaturas desfavoráveis. Neste caso. como porosidade. ficam mais suscetíveis ao ataque de microrganismos patogênicos. ou muito curto. outras em luz contínua. É importante salientar que a sensibilidade das sementes à luz é maior quando a semente está embebida.1 . porcentagem de matéria orgânica. a velocidade da germinação. pois sementes de muitas espécies não conseguem germinar quando a concentração de CO2 é muito elevada. uma interdependência entre temperatura e outros fatores externos. como a grama-seda (Cynodon dactylon). ser inibidoras ou promotoras da germinação. a fase gasosa do solo apresenta uma série de substâncias voláteis que são produzidas pelas plantas. A temperatura ótima está relacionada com as atividades das enzimas que participam dos diversos processos metabólicos que ocorrem durante a germinação e cujas ações somente se tornam eficientes em temperaturas específicas. e b) fatores do solo. causando crescente desorganização do mecanismo germinativo e impossibilitando que as sementes menos vigorosas completem a emergência. O processo de germinação inicia-se. Além destes.03% de CO2. que aumentam a necessidade de oxigênio pelo embrião.001 segundo (sementes de fumo). também. longo e de forma cíclica. em regime de temperatura constante entre 25 e 30 °C. obtida por meio do processo de oxidação na presença do oxigênio. profundidade de semeadura. Através de concentrações elevadas de CO2 consegue-se evitar a germinação e auxiliar na conservação de sementes. podendo. em demasia. devido à maior atividade metabólica. Sementes desta espécie dificilmente germinam totalmente no escuro. Em algumas espécies tem-se observado. O efeito do CO2 é normalmente contrário ao do O2. passam a germinar rapidamente se ocorrer alternância de temperaturas alta e baixa. O período de exposição pode ser curto.

com a dormência. acompanhada pelo aumento da síntese protéica no embrião. é transformado em açúcares redutores e sacarose. ou. Durante esta fase o ácido giberélico (giberelinas) estimula a ativação e. É o caso das aveias silvestre e cultivada. Isso ocorre porque durante o processo da embebição a enzima β-amilase. observa-se aumento nas sínteses de DNA e RNA. pelo contrário. Aumenta-se. no solo. que elevam a produção de glucose. ocorrem a divisão e o alongamento celular. a quiescência é confundida. Um grande volume de sementes de plantas daninhas encontra-se. as sementes. é transformada em inositol e fósforo inorgânico. ao mesmo tempo. para germinarem.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas envolvente. por alguns autores. que é o repouso metabólico da semente devido a condições externas desfavoráveis. são transformados em ácidos graxos (em oleaginosas. o embrião passa a sintetizar e liberar giberelinas que se movem através do endosperma. os lipídeos. mesmo que as condições ambientes sejam favoráveis. No caso da dormência. Esta fase da embebição coincide com o aumento da atividade metabólica. o número de ribossomos+RNA que incorporam os aminoácidos às proteínas. e. a semente não germina. enquanto a silvestre sobrevive por vários séculos sem a ajuda humana. Outro aspecto relacionado com a semente é a quiescência. os quais dependem do uso de aminoácidos. que é devida a condições intrínsecas inerentes à própria semente. a drenagem de áreas encharcadas e as irrigações de solos secos podem estimular a germinação dessas sementes. que são plantas muito semelhantes e apresentam ciclos vegetativos praticamente iguais. também. iniciando-se o crescimento celular e a mitose. as gorduras são convertidas em sacarose pelo ciclo do glioxilato. pela ação das enzimas proteolíticas. Em conseqüência do aumento das atividades de diversas enzimas durante o processo de embebição. nas quais o melhoramento genético reduziu ou mesmo suprimiu tal atributo. é reativada e a enzima β-amilase é sintetizada de novo por estímulo hormonal (giberelinas) às expensas de aminoácidos originados de proteínas hidrolisadas e com a energia oriunda das atividades das fosforilases. são transformadas em aminoácidos. necessitam que a dormência seja superada de alguma forma. frutose e maltose. podendo ser física. pela ação das enzimas amilases. havendo formação de α-amilase e outras enzimas. Neste caso. através da ação de duas enzimas: isocitrase e sintetase do malato). nas primeiras 24 horas iniciais. Nas primeiras 12 a 16 horas após o início da embebição. primeiramente na região da radícula do embrião. da glicólise e da respiração. que envolve a oxidação da matéria orgânica da semente com formação de ATP e substâncias intermediárias necessárias ao processo anabólico da germinação.Biologia e métodos de controle 13 . verifica-se inicialmente a ativação do m-RNA preexistente. presente na semente seca. lipídeos e carboidratos solúveis armazenados no embrião. síntese das amilases. pela ação das lipases. incrementando-se a respiração e o alongamento celular. O simples revolvimento do solo. por ação das fitases. as quais são essenciais para o desenvolvimento do embrião. Uma outra razão é dormência. Propinigis (1974) cita como exemplo marcante a dormência das plantas daninhas comparada à das plantas cultivadas. Em cereais. o homem sempre Módulo 3. mecânica ou fisiológica. em estado da quiescência. porém a cultivada já não consegue viver sem ajuda do homem. que é observada pelo aumento da respiração. e a fitina. as proteínas.1 . O amido. ocorrem o metabolismo e a mobilização das reservas das sementes.

Acredita-se que muitas outras espécies de plantas daninhas apresentam mecanismos semelhantes. mesmo sob intenso controle sempre haverá no solo sementes desta espécie. Os diversos tipos de dormência podem ser agrupados em: a) “Dormência primária”. também chamada de induzida. sobrevivendo no solo por muito tempo. por exemplo). 14 Módulo 3. apenas 2 a 5% germinam. é capaz de germinar até a profundidade de 25 cm no solo (VARGAS et al. e presença de algum inibidor fisiológico. endógena. Já a aveia silvestre. A dormência.000 e 50. Dormência pode ser definida como qualquer estágio no ciclo da vida no qual o crescimento ativo é suspenso por um período de tempo. podem ser várias as causas da dormência: embrião imaturo. e c) quinquilho (Datura stramonium): germina melhor no escuro. na temperatura e na composição atmosférica do solo ou até mesmo acelerar a liberação de compostos estimulantes da germinação. seria aquela que a semente adquire devido ao ambiente desfavorável. por apresentar dormência. durante o processo de maturação. provocar mudança nos teores de umidade. Por esta razão. tegumento da semente impermeável à água e. 1998). No retorno ao ambiente favorável.Biologia e métodos de controle . ao oxigênio.. O solo agrícola é um banco de sementes de plantas daninhas contendo entre 2. sem dormência. e o inverno violento pode matar as plântulas. O amplo conhecimento da dormência poderá. sendo considerada uma espécie de planta daninha importante. Por isso. Isso pode ocorrer pela simples movimentação do solo. Certas espécies necessitam de condições especiais para germinarem. e persiste por longo tempo após completada a maturação. a semente permanece dormente (sementes com tegumento impermeável. também chamada de dormência inata. Segundo diversos autores.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas procurou erradicá-la. garantindo a perpetuação da espécie. requerendo condição especial para quebra da dormência. é um dos mais importantes mecanismos indiretos de dispersão. sendo um meio necessário de sobrevivência entre as plantas daninhas. b) “Dormência secundária”. que pode expor as sementes à luz (mesmo por frações de segundos). aumentando a sua população quando as condições retornam à sua normalidade.000 sementes/m2/10 cm de profundidade. A aveia cultivada amadurece no verão e suas sementes. as demais permanecem dormentes. nas várias formas. Como a dormência não é a mesma em todas as sementes de uma planta. O leiteiro (Euphorbia heterophylla). germinam todas. pode ocorrer germinação durante meses ou até anos. Através deste mecanismo a espécie consegue sobreviver em estações desfavoráveis. inerente ou natural. não germina de forma uniforme. por ser indiferente à luz. como os nitratos. b) língua-de-vaca (Rumex cryspus): germina melhor na presença de luz. em um dado período. no futuro. mas sem sucesso. ou. uma avaliação da composição florística de uma área em uma única época do ano não representa o potencial de infestação desta área. Como exemplos de espécies de plantas daninhas que apresentam mecanismos de dormência podem-se citar: a) ervaformigueira (Chenopodium album): produz sementes com tegumentos normal e duro. Do total dessas sementes. contribuir para o desenvolvimento de métodos mais eficientes de controle de plantas daninhas. seria aquela que a semente adquire quando ainda está ligada à planta-mãe.1 .

Biologia e métodos de controle 15 . as plantas daninhas podem ser anuais. como é o caso de Brachiaria plantaginea. Isto pode ser observado facilmente em condições de campo. de suas formas de reprodução e ciclo de vida para se desenvolver um bom programa de manejo integrado. a emergência ocorre em menores profundidades. bianuais e perenes. que germina até a profundidade de 3. Uma Aração + E. Quanto ao ciclo de vida. quando comparada com solos pouco compactados. Por estes e outros motivos é necessário conhecimento mais amplo das espécies de plantas daninhas. Outro fator que influencia a profundidade de emergência é o sistema de cultivo. Uma Aração + Uma Gradagem 3. cerca de 1. crescem na primavera e produzem frutos e morrem em meio ao verão) e anuais de verão (que germinam na primavera.000 espécies). assim. Uma Aração 2. 1998). Este grupo abrange quase todas as plantas consideradas daninhas (cerca de 30. espécies que produzem sementes pequenas. somente germinam quando estão até a profundidade de 1.1 . crescem no verão e Módulo 3.3 . como Eleusine indica.5 cm no sistema de plantio direto. Quadro 1 . Outro fator extremamente importante na germinação das sementes é a profundidade em que elas se encontram no solo. em solos muito compactados.800 são consideradas mais nocivas em razão de suas características e seu comportamento. Rotativa + Compactação 5. a seletividade de alguns herbicidas baseia-se em diferenças morfológicas e fisiológicas existentes entre as espécies de plantas daninhas e cultivadas. 1. Estas podem ser anuais de inverno (que germinam no outono ou inverno. Uma Aração + Enxada Rotativa 4. respectivamente (VARGAS et al.. Destas.0 cm. com aproximadamente 170. Espécies que produzem sementes grandes. causando a cada ano grandes perdas na agricultura. Sem Cultivo No de Sementes Emergidas m-2 103 134 206 328 80 As características físico-químicas do solo também influenciam a profundidade de emergência das sementes. entretanto.0 cm no plantio convencional e somente até 1. As plantas que produzem sementes englobam as monocotiledôneas e dicotiledôneas. O Quadro 2 apresenta as 12 famílias mais importantes do mundo. como as dos gêneros Ipomoea e Euphorbia.000 espécies. podem germinar até a profundidades superiores a 15 e 25 cm.Classificação das plantas daninhas Em certos casos. possivelmente pelo maior teor de umidade junto às sementes (maior contato entre as sementes e o solo).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A maior germinação foi observada (Quadro 1) no tratamento com (aração + enxada rotativa + ligeira compactação do solo). onde no rastro da roda do trator observa-se cerca de 10% a mais de emergência de plantas daninhas.Influência do tipo do preparo do solo na germinação de sementes de plantas daninhas Tipo de Preparo do Solo 1. As anuais completam seu ciclo de vida (semente-semente) em um ano ou menos. sem o revolvimento do solo.

1 . principalmente no sul.1 . livres ou unidas. que são plantas cujos caules têm crescimento secundário. Eleusine indica. etc. segundo Holm (1978) Famílias Gramineae Compositae Cyperaceae Poligoniaceae Amaranthaceae Cruciferae Leguminosae Convolvulaceae Euphorbiaceae Chenopodiaceae Malvaceae Solanaceae No Espécies 44 32 12 8 7 7 6 5 5 4 4 4 % Total de Espécies Daninhas 37% 43% 68% As plantas perenes são aquelas que vivem mais de dois anos e são caracterizadas pela renovação do crescimento ano após ano a partir do mesmo sistema radicular. porém menos do que dois anos. com incremento anual.Famílias de plantas daninhas e números de espécies mais importantes por família. se as pétalas estão ausentes ou presentes. a simetria das pétalas.talo cilíndrico. Para facilitar a correta identificação da espécie. Imperata brasilensis. Echinocloa crusgalli. que se reproduzem por sementes e por mecanismos vegetativos. Estas podem ser classificadas em: a) perenes herbáceas simples . onde as estações do ano são bem definidas. 16 Módulo 3. o tipo de fruto. b) perenes herbáceas mais complexas. as plântulas se desenvolvem vegetativamente até o estágio de roseta. entrenós com talo oco. Durante a primeira fase de crescimento. Em certas regiões do Brasil.Biologia e métodos de controle . e depois ocorre maturação e morte. o número de estames ou pétalas. e c) perenes lenhosas. exemplos: Cynodon dactylon. Quadro 2 . deve-se primeiramente saber se a planta é mono ou dicotiledônea.exemplo: dente-de-leão (Taraxacum officinale) . exemplo: Senna obtusifolia. etc.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas madurecem e morrem no outono). há necessidade de um período frio para florescimento e frutificação. lígula normalmente presente. 1.3. Exemplos: Digitaria sanguinalis. como no caso de cenoura e alface silvestres. a posição do ovário (inferior ou superior).. Cyperus rotundus. há uma lista enorme de características vegetativas que levam às famílias. bainha normalmente aberta. com nós e entrenós. Echinocloa cruspavonis e Bracharia plantaginea. há nítida observância desses fatos. que se reproduzem por sementes e podem também reproduzir-se vegetativamente se injuriadas ou cortadas. As plantas bianuais vivem mais do que um. Caso a planta esteja sem sementes.Características práticas para reconhecimento das principais famílias de plantas daninhas Graminae .

com odor forte e característico. o fruto é uma capsula. planta com escamas. brácteas espinhosas. etc.folhas de disposição alternadas.língua-de-vaca. Exemplos: Cyperus esculentus e Cyperus rotundus. estames livres e anteras unidas.trepadoras com folhas alternadas e sem estípulas. Polygonaceae . muitas vezes. estames inseridos no fundo do tubo polínico. o fruto é uma síliqua. Raphanus raphanistrum e Lepidium virginicum. Exemplo: Chenopodium album.flores muito pequenas e de cor verde. estames 10. com muitos estames em androceu tubular. Exemplo: Mimosa e Acácia.corola irregular com estandarte interno. folhas nunca bipenadas. Exemplos: Senna obtusifolia.. flores muito pequenas e de cor verde.Papilionaceae . com seiva mucilaginosa e talos fibrosos. usualmente anuais. Chenopodiaceae .Amaranthaceae .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Compositae . Exemplos: Rumex crispus . folhas e caules. estames 3-12 inseridos no cálice. hermafroditas e actinomorfas. inseridos na corola. fruto em aquênio. Exemplos: Solanum. Cruciferae .1 .possuem cinco estames. cinco estames de tamanho desigual. Malvaceae . seiva ácida e penetrante. em geral as folhas são penadas.Cesalpinaceae . Ageratum conyzoides. folhas irregularmente recortadas. dividido em dois lóculos. Convolvulus arvensis e Cuscuta sp. Leguminosae .flores vistosas com cálice e corola pentâmeros. Exemplos: Brassica rapa. Acanthospermum australe. cálice transformado em papus. Sonchus oleraceus e Xanthium cavanillesii. Exemplos: Amaranthus hybridus e Amaranthus viridis.corola actinomorfa. sem estípulas. Melampodium perfoliatum. nós dos talos inchados ou protuberantes. geralmente (9) + 1. talo estriado. Convolvulaceae .estames tetradínamos (quatro comprimidos para dentro e quatro curvados para fora). corola em forma de tubo.corola com estandarte interno. Cyperaceae .Inflorescência em capítulo (flores muito pequenas e em dois tipos: tubulares e ligulares). Subfamília III .presença de serocina. o fruto muitas vezes é uma cápsula ou um policoco. Módulo 3. anteras agrupadas ao redor do estilete. Solanaceae . bainha fechada sem lígula. talos e folhas muitas vezes com espinho.Mimosaceae . Subfamíla II . Exemplos: Bidens pilosa. inflorescências condensadas.é subdividida em subfamílias: Subfamília I .Biologia e métodos de controle 17 . Physalis e Datura.talo triangular sem nós. Exemplos: Ipomoea sp. Exemplos: Desmodium e Phaseolus. folhas bipenadas ou penadas. flores vistosas. estames quatro a infinito. Exemplos: Sida spp.

Artemisia biennis: 107. e Bidens pilosa (picãopreto) é transportado a longas distâncias nos pêlos de animais ou roupas dos operadores de máquinas. e este foi o motivo de sua introdução no Brasil pela importação de animais ou lã. Exemplos: Amaranthus retroflexus com 117. 18 Módulo 3. a 20 cm. Exemplos: Phoradendron rubrum (erva-de-passarinho). além de tudo isso. quando separadas. máquinas. 2) Disseminação zoócora (interna): as sementes ingeridas pelos animais passam pelo intestino e. Esta característica. Exemplo: Convolvulus arvensis. Momordica charantia (melão-de-são-caetano) e Paspalum notatum (gramabatatais). etc. a 12 cm. em 60 dias. submersas em água ou após passarem pelo aparelho digestivo do porco ou boi. b) Manutenção da viabilidade mesmo em condições desfavoráveis. e mantém alguma viabilidade após passarem pelo aparelho digestivo de ovinos e eqüinos e só perdem o poder germinativo passando pelo aparelho digestivo das aves. etc. produz 126 tubérculos. é a causa do insucesso dos herbicidas aplicados ao solo. e) Mecanismos alternativos de reprodução. estolões. e Euphorbia heterophylla (amendoim-bravo). Essas características de agressividade são: a) Elevada capacidade de produção de dissemínulos (sementes. Echinoclhoa crusgali (capim-arroz) foi introduzido junto com as sementes importadas. f) Facilidade de distribuição dos propágulos a grandes distâncias.adere à lã das ovelhas. Cynodon dactylon (grama-seda): por sementes e estolões. com isso. etc. homem. dominam as plantas cultivadas.1 . sendo uma das estratégias de sobrevivência das plantas daninhas. muitas vezes.500 sementes por planta. e Cyperus rotundus (tiririca). caso o homem não interfira. cujas sementes permanecem viáveis mesmo após 54 meses. tubérculos. Isso ocorre devido aos inúmeros e complexos processos de dormência. usando os métodos de controle disponíveis. animais. esta planta produz centenas de sementes viáveis. através das fezes. vento.400 sementes por planta.). Exemplos: Sorghum halepense (capim-massambará): reproduz por sementes e rizomas. e Cyperus rotundus: apenas um tubérculo. Exemplos: Avena fatua (aveia-brava) germina até a 17 cm. e cada tubérculo possui cerca de dez gemas que. Muitas plantas daninhas apresentam mais de um mecanismo de reprodução.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1.Características de agressividade das plantas daninhas As características das plantas daninhas verdadeiras fazem com que estas sejam mais agressivas em termos de desenvolvimento e ocupação rápida do solo. c) Capacidade de germinar e emergir a grandes profundidades. rizomas. Ipomoea sp. cortadas.4 . no momento do cultivo do solo. bulbos. são distribuídas em outras áreas. Isto ocorre pela ação de água.Biologia e métodos de controle . por sementes e tubérculos. (corda-de-viola). d) Grande desuniformidade no processo germinativo. Há duas situações distintas: 1) Disseminação auxócora (externa): Acanthospermum australe (carrapicho-de-carneiro) . podem gerar mais dez plantas.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas g) Rápido desenvolvimento e crescimento inicial. esses autores salientam que. Observações com 107 espécies de plantas daninhas. seja da mesma espécie ou de espécies diferentes. ou seja. em razão de a competição envolver vários fatores diretos e indiretos. tubérculos ou outras partes de Módulo 3. Daí em diante vários outros conceitos foram emitidos. numa situação de competição. 57 após 20 anos. uma relação de competição entre plantas vizinhas. Em soja. frutos. e. apresentem grande acúmulo de material em sementes. gerando. crescer e reproduzir-se. cujas sementes foram enterradas em cápsulas porosas. muitas vezes é preferível falar-se em interferência de uma comunidade de plantas. a competição torna-se importante quando dois ou mais organismos lutam por algo que não existe em quantidade suficiente para todos. por exemplo. Já Odum (1969) afirma que competição significa uma luta por um fator. envolve os aspectos da migração e agregação.1 . ou quando esta é rodeada pelos seus descendentes. quando esta é conduzida por semeadura direta. nessas condições (KLINGMAN et al. Decandole (1820) foi quem primeiro conceituou competição. nutrientes e dióxido de carbono disponíveis em um determinado local e tempo. nos ecossistemas agrícolas. e a da ançarinha-branca. mostraram que 71 delas estavam viáveis um ano após. temperatura.Competição entre plantas daninhas e culturas Para germinar. 1982). Observações usando 14C mostraram que a semente do lótus da índia pode ser viável por 1. que também lutam pelos mesmos fatores de crescimento. sobre outras. Muitas plantas daninhas crescem e se desenvolvem mais rápido que muitas culturas. completando seu ciclo de vida. esses fatores do ambiente tornam-se limitados. Na cultura da cebola. Contudo. pois nos programas de melhoramento genético tem-se procurado desenvolver cultivares que. luz. as plantas daninhas germinam e crescem muito mais rápido. em nível ecológico. dominando facilmente a cultura. Brachiaria plantaginea tem grande facilidade para dominar a área quando o controle não é efetuado no momento oportuno. Essa grande longevidade se deve a inúmeros e complexos processos de dormência. 44 após 30 anos e 36 após 38 anos. por 1. Do exposto.700 anos. com pequeno porte e pouco crescimento vegetativo. daninhas ou não. afirmando que todas as plantas de um determinado lugar estão em estado de guerra entre si. Para Weaver e Clements (1938). 2 . podendo ser agravados pela presença de outras plantas no mesmo espaço. as plantas daninhas sempre levam vantagem competitiva sobre as plantas cultivadas.040 anos.Biologia e métodos de controle 19 . h) Grande longevidade dos dissemínulos. gás carbônico e oxigênio em quantidades adequadas. depreende-se que. luz. 68 após 10 anos. À medida que a planta se desenvolve. Locatelly e Doll (1977) definem competição como a luta que se estabelece entre a cultura e as plantas daninhas por água. assim. ambos os indivíduos são prejudicados. toda planta necessita de água. a competição seria a luta que se inicia entre indivíduos quando uma planta está em um grupo de outras plantas. a 20-100 cm de profundidade.. respectivamente.

ou quando um dos competidores impede o acesso por parte do outro competidor. nessas circunstâncias. Condições são fatores não diretamente consumíveis. capacidade de competir vantajosamente com as plantas daninhas verdadeiras. Devido à falta de mobilidade dos vegetais.Biologia e métodos de controle . a qual ocorre porque. comprometendo. Radosevich et al. a cultura e as plantas daninhas desenvolvem-se juntas na mesma área. Todavia. a superioridade das plantas daninhas na competição por esses recursos. podendo declinar se houver excesso do recurso (ex: toxidez devido a excesso de Zn no solo). reduzindo não somente a produtividade da cultura. nutrientes e CO2 e. A condição pode limitar a resposta da planta tanto pela carência quanto pela abundância. já limitados no meio. Como ambas possuem suas demandas por água. até que um nível ideal seja alcançado. devido ao refinamento genético a que foram e ainda são submetidas. 2. não sendo visível no início do desenvolvimento das plantas. a grande capacidade de sobrevivência das plantas daninhas. algumas vezes observada no em realação às culturas. (1996) dividem os fatores do ambiente que determinam o crescimento das plantas e influenciam a competição em “recursos” e “condições”. Em ecossistemas agrícolas. que as plantas cultivadas.1 .. Recursos são os fatores consumíveis. 1985). não apresentam. a competição somente se estabelece quando a intensidade de recrutamento de recursos do meio pelos competidores suplanta a capacidade do meio em fornecer aqueles recursos. 20 Módulo 3. em sua maioria. ou seja. gás carbônico. até mesmo para o próprio desenvolvimento da cultura. Sabe-se. pode ser devido à ocorrência de alta densidade dessas invasoras na área. a produtividade das culturas e a qualidade dos produtos colhidos. Outro aspecto importante é a grande agressividade. como pH do solo. A resposta das plantas aos recursos segue uma curva-padrão: é pequena se o recurso é limitado e é máxima quando o ponto de saturação é atingido. (2003). caso não haja interferência humana. estabelece-se a competição. etc.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas interesse econômico. densidade do solo. quase sempre esse acréscimo na produtividade econômica da espécie cultivada é acompanhado por decréscimo no potencial competitivo (PITELLI. em razão da influência extrema que estes exercem sobre a utilização dos recursos pelas plantas. por exemplo. como acontece.1 . a competição entre plantas é de natureza aparentemente passiva. Para Santos et al. qualquer planta daninha que se estabeleça na cultura vai usar parte dos fatores de produção. cuja dependência é muito grande. estes fatores de crescimento (ou pelo menos um deles) estão disponíveis em quantidade insuficiente. 1985). diminuindo ou impedindo que as plantas cultivadas tenham acesso aos fatores de crescimento. em condições de sombreamento (PITELLI. na maioria das vezes. mas também a qualidade do produto colhido.Fatores do ambiente passíveis de competição A competição entre plantas é diferente daquela que ocorre entre animais. como água. entretanto. luz. assim. fazendo o controle das plantas invasoras. nutrientes e luz. Estas se estabelecem rapidamente.

desenvolvendo-se juntamente com plantas de café em fase inicial.1 .. Portanto. mesmo com baixos níveis do recurso (RADOSEVICH et al. um bom competidor poderia ser a espécie com menor requerimento de recursos. De acordo com Grime. 1996).1996). Portanto. A base fisiológica que explica as vantagens que levam as plantas daninhas a ganhar a competição é muito complexa.Biologia e métodos de controle 21 . ambas ajudam a explicar como espécies de plantas competem por recursos limitados e como as características das plantas influenciam sua habilidade competitiva. (2005). Assim. podem reduzir o conteúdo relativo de N-P-K nos tecidos dessa cultura para 28-39-28% e 1429-21% do total. e o sucesso na competição é fortemente determinado pela capacidade da planta em capturar recursos. a competição entre a planta daninha e a cultivada afeta ambas as partes. porém a espécie daninha quase sempre supera a cultivada. nessa teoria. Embora a maioria das definições atuais sobre competição englobe o critério de Goldberg. Na realidade. pode-se concluir que determinadas plantas são boas competidoras por utilizarem um recurso rapidamente ou por serem capazes de continuar a crescer. sem examinar as características das plantas e os mecanismos que estão associados à competitividade (Radosevich et al. ainda. trabalhos mais recentes têm apresentado algumas justificativas para a baixa produtividade observada para as culturas quando em competição com espécies de plantas daninhas: Bidens pilosa e Leonurus sibiricus. podendo utilizar os recursos disponíveis rapidamente. citado por RADOSEVICH et al. Apesar de os debates continuarem a respeito da validade e relevância dessas duas teorias. (1996) afirmam que duas dessas teorias (a de Grime e a de Tilman) têm recebido maior atenção do meio científico. mudanças morfológicas e fisiológicas nas respostas de crescimento que estejam associadas com variações nos recursos. Radosevich et al. um bom competidor apresenta alta taxa de crescimento relativo.. citados por Radosevich (1996) sugeriram que o mecanismo de competição por recursos deve ser demonstrado por depleção dos recursos associados à presença e abundância de plantas vizinhas. Shainsk e Radosevich (1992). 2003). 1996).. os mecanismos de competição consistem tanto do efeito que as plantas exercem sobre os recursos quanto da resposta das plantas às variações dos recursos (GOLDBERG. Para Tilman. 1990. a depleção nos recursos e as respostas de crescimento. Os fatores que determinam a maior competitividade das plantas Módulo 3. a competição é a tendência de plantas vizinhas utilizarem os mesmos recursos. totalmente esclarecida. não estando. Com base nessas teorias. respectivamente (RONCHI et al. a elevada capacidade competitiva da espécie Desmodium tortuosum nas culturas da soja e do feijão pode ter como contribuição o maior acúmulo de nutrientes por essa planta daninha. várias outras teorias têm sido desenvolvidas para explicar a importância relativa dos componentes da competição e das características das plantas que lhes conferem competitividade superior.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A maioria dos estudos sobre competição entre plantas daninhas e culturas tem focalizado somente a ocorrência e o impacto da competição na produção da cultura. e correlações entre a presença de vizinhos. principalmente o fósforo. Contudo. sucesso competitivo é a habilidade para extrair recursos escassos e para tolerar essa escassez de recursos. e é desses autores a descrição que se segue. Para Procópio et al..

b) As espécies daninhas de morfologia e desenvolvimento semelhantes ao da cultura. nas primeiras seis a oito semanas após sua emergência. em que cada órgão ou parte da planta luta pelo fotoassimilado produzido nas fontes. 22 Módulo 3. dependendo da época de seu estabelecimento. ocorre também a competição intraplanta ou endocompetição. o maior índice de área foliar. seja ela daninha ou não. ainda.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas daninhas sobre as culturas são o seu porte e sua arquitetura. apresentando muitas raízes fasciculadas nas camadas superficiais do solo e raízes principais com penetração profunda. nutrientes e espaço. várias generalizações podem ser inferidas sobre os aspectos competitivos entre as culturas e as plantas daninhas: a) A competição é mais séria quando a cultura está na fase jovem. como: germinação fácil em condições ecológicas variáveis. isto é. ocorrendo entre indivíduos de uma mesma espécie. Com base nesse conceito. ainda. comumente. • Plasticidade fenotípica e populacional. ou. A competição pode ser intra-específica. liberar toxinas no solo. podendo. a menor susceptibilidade das espécies daninhas às intempéries climáticas.Biologia e métodos de controle . e sistema radicular muito desenvolvido. se a cultura se estabelecer primeiro. Com base nos pontos descritos. A competição entre plantas daninhas e culturas é um fator crítico para o desenvolvimento da cultura quando a espécie daninha se estabelece junto ou primeiro que a cultura (RADOSEVICH. desenvolvimento da cultura. Entretando. e. a maior velocidade de germinação e estabelecimento da plântula. As plantas daninhas apresentam certas características que lhes conferem grande capacidade competitiva. interespecífica. na fase plantular. desenvolvimento e crescimento rápido de uma grande superfície fotossintética mesmo. luz. ela poderá cobrir rapidamente o solo. as características que fazem com que uma espécie de planta seja altamente competitiva são as seguintes: • Ciclo de vida semelhante ao da cultura. grande número de estômatos por área foliar. que podem inibir a germinação e. Todavia. em função da espécie cultivada. envolvendo indivíduos de espécies diferentes. a maior velocidade do crescimento e a maior extensão do sistema radicular. ou. as plantas daninhas poderão vencer a competição pelos substratos ecológicos. e a maior capacidade de produção e liberação de substâncias químicas com propriedades alelopáticas. d) Uma infestação moderada de plantas daninhas em lavouras pode ser tão danosa quanto uma infestação pesada. do seu vigor. c) As espécies daninhas competem por água. parte aérea. que são capazes de prover quantidades limitadas dos fatores essenciais ao desenvolvimento das plantas. são mais competitivas se comparadas com aquelas que apresentam desenvolvimento diferente. podendo excluir ou inibir significativamente o crescimento das plantas invasoras. • Desenvolvimento inicial rápido das raízes e. No entanto. entre outros fatores. se a população de plantas da cultura por área for baixa ou o estande desuniforme. da velocidade de crescimento inicial e da densidade de plantio. também.1 . 1996). Cardenas (1972) salienta que a competição deve-se a condições específicas quanto ao ambiente e ao solo. como veranico e geadas.

mecânico ou biológico. Normalmente. o chamado manejo integrado de plantas daninhas.1 . 2. ficou constatado que a planta daninha Bidens pilosa é capaz de extrair água do solo em tensões três vezes maiores do que as alcançadas pela soja e pelo feijão (Fig. como o método químico. as condições para que a cultura se estabeleça devem ser fornecidas antes do surgimento da vegetação daninha. que essas plantas com baixo requerimento de água sejam mais produtivas durante o período de limitada disponibilidade de água que as plantas com alto requerimento em água e. pequenas ou grandes. torna-se fácil o manejo da cultura de modo que esta leve vantagem sobre o complexo daninho. minimizando assim a competição ou até mesmo eliminando-a com a ajuda de outros métodos de controle. Disso resulta a importância do preparo do solo. as características fisiológicas das plantas. realizando. (RADOSEVICH et al. 2002). ou seja. etc. a competição por água leva a planta a competir ao mesmo tempo por luz e nutrientes. em dias quentes. pilosa com pouca água no solo pode estar relacionada com o fato de que..ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • Germinação desuniforme no tempo e no espaço (presença de dormência). Módulo 3. do cultivar adequado para a região. 1996). é normal em alguns agroecossistemas. mais competitivas (RADOSEVICH et al. pois se estabelecem primeiro. • Produção de um elevado número de propágulos por planta. (2004b). portanto. Certas espécies de plantas são capazes de usar menos água por unidade de matéria seca produzida que outras. especialmente nitrogênio e carbono. A razão da elevada capacidade de sobrevivência de B.. É de se esperar.. • Produção e liberação no solo de substâncias alelopáticas. esta espécie drena grande parte de fotoassimilados para a produção de raízes (baixa relação parte aérea/raiz) as quais promovem. da época correta de plantio.Competição por água As plantas daninhas são verdadeiras bombas extratoras de água do solo. como capacidade de remoção de água do solo. por isso.. maior exploração do solo em busca de água (PROCÓPIO et al. O princípio básico da competição baseia-se no fato de que as primeiras plantas que surgem no solo. magnitude da condutividade hidráulica das raízes.1 . Em trabalho realizado por Procópio et al. especialmente nos trópicos. tendem a excluir as demais. regulação estomática e capacidade das raízes de se ajustarem osmoticamente. o profissional necessita ter o conhecimento profundo da cultura e da vegetação daninha infestante da área a ser cultivada. Dentre esses fatores destacam-se a taxa de exploração de volume do solo pelo sistema radicular. da profundidade de plantio. as plantas da cultura ficarem completamente murchas e as plantas daninhas túrgidas. apresentam alta eficiência no uso da água (EUA = g de matéria seca produzida/g de H2O utilizada). dessa forma. sem qualquer sinal de déficit hídrico. em fases posteriores de desenvolvimento. da percentagem de germinação e vigor das sementes. Vários fatores influenciam a capacidade competitiva das espécies por água. Para que se faça o manejo adequado de plantas daninhas em uma cultura.1996). Conhecendo tais fatores. 2). Desse modo. no manejo da cultura. • Adaptação às mais variadas condições ambientais.1. que são métodos culturais de controle de plantas daninhas. etc. na fase inicial de seu desenvolvimento.Biologia e métodos de controle 23 . portanto.

sorgo e cana-de-açúcar e grande número de espécies daninhas em nossas condições (Cyperus rotundus. (2002). algumas culturas de gramíneas.367 0. Brachiaria plantaginea.) apresenta coeficiente transpiratório entre 500 e 700 (Quadro 4). como milho.112 0.Potencial hídrico no solo.088 0.015 0. O abacaxi.1 . por ser uma planta xerófila e apresentar uma rota fotossintética específica (CAM). chamada de coeficiente transpiratório (CT = volume água transpirado em mL/produção de biomassa seca. Valores antes do florescimento Valores após o florescimento -------UEA – biomassa seca em g kg-1 de água fornecida------0. Digitaria horizontalis.963 24 Módulo 3. por realizarem o metabolismo C4.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Todavia. Amaranthus retroflexus. apresentam um coeficiente transpiratório entre 150 e 350 (Quadro 4).073 0. Cenchrus echinatus. no ponto de murcha permanente Quadro 3 – Valor máximo do uso eficiente da água (UEA) por diferentes espécies vegetais Espécie vegetal Phaseolus vulgaris Glycine max Euphorbia heterophylla Bidens pilosa Desmodium tortuosum Fonte: Procópio et al. Alguns exemplos são apresentados no Quadro 3.017 1. A maioria das culturas (feijão. soja.250 0.Biologia e métodos de controle . Por outro lado. que correlaciona a água transpirada com a biomassa seca produzida. O coeficiente transpiratório das diferentes espécies de plantas varia de 25 a 700. pois são espécies que realizam o metabolismo C3 (plantas ineficientes). Outra maneira de se estimar o consumo de água pelas plantas é através da eficiência transpiratória. Panicum maximun. etc. etc. podendo competir melhor por este recurso em diferentes estádios fenológicos da cultura. algumas espécies de plantas daninhas podem apresentar diferentes valores de EUA ao longo do ciclo. Cynodon dactylon. Figura 2 . cultivado com diferentes espécies vegetais.316 0.168 2. em gramas). trigo. algodão. tem um coeficiente transpiratório extremamente baixo.).

Bidens pilosa e Desmodium tortuosum. as quais. (2003) avaliaram o UER das culturas da soja e do feijão e das espécies de plantas daninhas Euphorbia heterophylla. 2004 2.Biologia e métodos de controle 25 . porém o uso eficiente da água não é o único mecanismo utilizado para sobreviver à competição por água. Módulo 3. a competição das plantas daninhas pela luz deixa de existir. Os autores afirmam que.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Essa diferença na eficiência do uso da água é um fator importante na agressividade da espécie.1 . observaram que a diferença na eficiência de uso da água entre Chenopodium album (C3) e Amaranthus retroflexus (C4) influenciou pouco a relação entre elas. mesmo crescendo com outras espécies em condição imposta de estresse hídrico. 2004 Silva et al. como a de Sesbania exaltata. 1996).Competição por luz Para alguns autores. Santos et al. (1981. já que sua EUA é baixa.. quando avaliadas isoladamente das plantas daninhas.1. Esses autores salientam que. Quadro 4 . uma vez que a cultura tenha formado sombreamento completo. com certeza devido à sua alta EUA. como Locatelly e Doll (1977). como água e nutrientes. 1977 Silva et al. dois mecanismos diferentes para sobreviver à competição por água: habilidade para utilizar um recurso rapidamente (espécie C4) e habilidade para continuar a desenvolver-se mesmo com baixos níveis do recurso (planta C3). que compete vantajosamente por este fator de crescimento com a cultura do arroz.Volume de água transpirada (em mL) para acúmulo de 1 g de biomasa seca. Já A. chegando inclusive a citar exceções. a competição pela luz não é tão importante como a competição por água e por nutrientes. a maior capacidade competitiva delas. não foi eliminado. para diferentes espécies de plantas Espécie vegetal Amarantus hybridus* Glycine max Gossypium hirsutum Phaseolus vulgaris Panicum maximum* Oryza sativa Zea mays* Sorghum vulgare* Brachiaria brizantha* Eucalipto * Espécies que realizam o mecanismo C4. o melhoramento genético imposto às culturas possibilitou a seleção de plantas com elevada capacidade de utilização da luz. retroflexus.2 .. verificando que as culturas foram capazes de produzir maior quantidade de biomassa por unidade de radiação captada. apresentam maiores valores para o uso eficiente da radiação (UER). Provavelmente a espécie C3 contornou a deficiência hídrica pelo controle estomatal. Pearcy et al. Observam-se. nesse exemplo. pode ser devida à maior população e melhor utilização de outros recursos. apesar de as plantas daninhas avaliadas apresentarem menor eficiência na utilização da radiação fotossinteticamente ativa. observada em campo. Para outros autores. Coeficiente transpiratório 152 700 568 700 267 682 174 153 265 282 Fonte Blanco.. citados por Radosevich et al.

em seguida. possuem ainda o ciclo de Hatch e Slack. Este AOA é convertido em malato ou aspartato. entretanto.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sabe-se que a competição pela luz é complexa sendo sua magnitude influenciada pela espécie. sendo esta relação para as plantas C4 de 1:5:2. também. isso só é verdade em determinadas condições. C4 ou se realiza o mecanismo ácido das crassuláceas (CAM). As diferenças entre as rotas fotossintéticas C3 (plantas ineficientes). logo. Estas plantas. É sabido que a relação molécula de CO2 fixado/ATP/NADPH é de 1:3:2 para as plantas C3. retorna às células do mesófilo. por ser ambígua quanto ao substrato. estas plantas passarão a perder a competição com as plantas C3. e.Biologia e métodos de controle . que ocorre em todas as plantas superiores. como: alta afinidade pelo CO2. por apresentarem dois sistemas carboxilativos. baixo ponto de saturação luminosa. dependendo da espécie vegetal. as plantas C3 fotorrespiram intensamente. se se reduzir o acesso à luz. também.5 difosfato carboxilase. do glicolato. liberando no meio o CO2 e o ácido pirúvico. As plantas de rotas fotossintéticas do tipo C3 apresentam apenas o ciclo de Calvin e Benson. pois precisam recuperar duas enzimas para realização da fotossíntese. responsável pela fixação do CO2. 3 fosfoglicérico e. o ácido pirúvico. A enzima responsável pela carboxilação primária do CO2 proveniente do ar é a ribulose 1-5 bifosfato carboxilase-oxigenase (Rubisco). e não satura em alta intensidade luminosa. baixa eficiência no uso da água e menor taxa de produção de biomassa. de modo que o primeiro produto estável da fotossíntese é um composto de três carbonos (ácido 3-fosfoglicérico). Em conseqüência da ação desta enzima. onde é fosforilado. a enzima responsável pela carboxilação primária nas plantas C4 (PEP-carboxilase) apresenta algumas características. substrato inicial da respiração. é transportado para as células da bainha vascular das folhas. A enzima primária de carboxilação é a PEP-carboxilase. localizada nas células do mesófilo foliar. Este CO2 liberado é novamente fixado. Como toda esta energia é proveniente da luz. no ácido fosfoenolpirúvico. regenerando a enzima PEP-carboxilase e recomeçando o ciclo. atividade ótima em temperaturas mais elevadas. Essas plantas não apresentam fotorrespiração detectável. catalisa a produção do ác. a qual carboxiliza o CO2 absorvido do ar via estômatos. requerem maior energia para produção dos fotoassimilados. por difusão. consumindo 2 ATPs. É muito comum imaginar que as espécies de metabolismo C4 são sempre mais eficientes que as plantas C3. Este fato evidencia que as plantas C4 necessitam de mais energia para produção dos fotoassimilados. C4 (plantas eficientes) e CAM estão nas reações bioquímicas que ocorrem na fase escura da fotossíntese. Esta enzima apresenta baixa afinidade pelo CO2 e. não desassimilam o CO2 fixado.1 . Todavia. se ela é umbrófila ou heliófila e. As plantas C4. Em função destas e outras 26 Módulo 3. apresentam baixa afinidade pelo CO2 e possuem elevado ponto de compensação para CO2. além do ciclo de Calvin e Benson. atua especificamente como carboxilase. agora pela enzima ribulose 1. quando comparadas com plantas de metabolismo do tipo C4 (Quadro 5). se a rota fotossintética que ela apresenta é C3. formando o ácido oxaloacético (AOA). As plantas C4 possuem duas enzimas responsáveis pela fixação do CO2 . a qual apresenta atividades de carboxilase e oxigenase. ou seja. onde estes produtos são descarboxilados. por difusão. ocorrendo o ciclo de Calvin e Benson.

Efeito do oxigênio (21%) sobre a fotossíntese. cana-de-açúcar. sem cloroplastos RuDP-carboxilase (Km ≅ 20μM de CO2) Inibição 1:3:2 Satura com 1/3 da luminosidade máxima Próxima de 25 oC 15 a 35 mg CO2 dm-2 h-1 Fotossíntese C4 Presente: não mensurável pelo método de troca de gases com o ambiente Ácido oxaloacético Baixo: 0. Sorghum halepense. Considerando todas as áreas do globo terrestre. esta passa a atuar mais como oxidativa. porque a enzima responsável pela carboxilação primária nestas plantas (PEP-carboxilase) apresenta alta afinidade pelo CO2 (baixo Km) (Quadro 5). Isso acontece porque. nessas condições. No caso das plantas C4. quando presente. arroz. milho. Taxa de fotossíntese líquida com saturação de luz Módulo 3. Quadro 5 . Anatomia foliar 05.1 . Como a maioria das culturas agronômicas das regiões tropicais e subtropicais (algodão. torna-se evidente que plantas daninhas C4 serão aquelas que exercerão maior competição com as culturas. Primeiro produto estável 03. existem exceções. PEP-carboxilase (Km ≅ 5μM de CO2) Sem efeito 1:5:2 Não satura com aumento da luminosidade. Fotorrespiração 02. Imperata cilindrica.) são cultivadas nos meses do ano que coincidem com períodos de elevada intensidade luminosa e temperatura. 07.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas características (Quadro 5). levando a planta a atingir o ponto de compensação rapidamente. feijão. Próxima de 35 oC 40 a 80 mg CO2 dm-2 h-1 27 . Isso é possível porque este grupo de plantas não apresenta fotorrespiração detectável. soja. a enzima carboxilativa das plantas C3 encontrase saturada quanto à luz. mesmo que a concentração de CO2 no mesófilo foliar atinja níveis muito baixos. Além disso.Biologia e métodos de controle Fotossíntese C3 Presente: 25 a 30 % do valor da fotossíntese Ácido 3-fosfoglicérico Alto: 50-150 ppm de CO2 Ausência bainha vascular. Relação CO2 : ATP:NADPH 08.0 a 10 ppm de CO2 Presença de bainha vascular com cloroplastos.5-bifosfato carboxilase-oxigenase (25oC). etc. em temperatura acima da ótima para a ribulose 1. entre as dez espécies de plantas daninhas mais nocivas do mundo.Características diferenciais entre plantas com rotas fotossintéticas C3 e C4 Característica 01. as espécies C4 dominam completamente as C3. Panicum maximum. é comum. Fotossíntese x intensidade luminosa 09. Cynodon dactylon. chegando a acumular o dobro de biomassa por área foliar no mesmo espaço de tempo. Temperatura ótima para a fotossíntese 10. ainda assim essas plantas continuam acumulando biomassa. mandioca. os estômatos estarem parcialmente fechados (horas mais quentes do dia). oito são plantas C4 anuais ou perenes: Cyperus rotundus. Ponto de compensação 04. estima-se que. alta luminosidade e até mesmo déficit hídrico temporário. Enzima primária carboxilativa 06. nestas condições. liberando CO2. Este fato faz com que a concentração do CO2 no mesófilo foliar caia a níveis abaixo do mínimo necessário para atuação desta enzima. quando plantas estão se desenvolvendo em condições de temperaturas elevadas. e. Echinochloa colonum. Echinochloa crusgalli e Eleusine indica.

a atmosfera edáfica contém menos oxigênio e mais CO2 do que o ar acima do solo. 2. da quantidade e das espécies presentes. Por exemplo.Competição por nutrientes As plantas daninhas possuem grande capacidade de extrair do ambiente os elementos essenciais ao seu crescimento e desenvolvimento e. os quais quase sempre estão em quantidades inferiores às necessidades das culturas em nossos solos. a concentração de CO2 no mesófilo foliar necessária para que uma determinada espécie passe a acumular matéria seca é diferente. em alto grau. que oferece resistência à difusão e ao fluxo de massa. Determinadas espécies de plantas são mais sensíveis ao excesso de CO2 e. Como a eficiência na captura de CO2 proveniente do ar é diferente entre plantas C3 e C4 (Quadro 5) e se sua concentração pode variar. Fotossíntese C3 450 a 1. a competição por nutrientes depende. podem levar desvantagem na competição com espécies mais tolerantes em tais situações.4 . Quando se trata de analisar a capacidade de uma espécie de planta daninha em competir por nutrientes. No entanto. Sob condições normais. Devido à grande variação em termos de recrutamento dos recursos minerais do solo apresentada pelas diferentes espécies de plantas daninhas. para as espécies de plantas C3.5 % da biomassa seca Fotossíntese C4 150 a 350 g H2O / g biomassa seca 3. Coeficiente transpiratório 11. Todavia. 2004). Conteúdo de N na folha para atingir fotossíntese máxima Fonte: Ferri (1985).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Característica 11. (2005) observaram que Desmodium toruosum é capaz 28 Módulo 3. em conseqüência disso. Outro ponto a ser considerado é a “Interação Radicular Passiva”.1.Biologia e métodos de controle . deficiência de oxigênio e. que são os dois processos principais de renovação da atmosfera do solo. deve-se considerar. em conseqüência da “tortuosidade” da matriz do solo.1 .0 a 4. ele pode ser limitante. considerando as diferentes rotas fotossintéticas apresentadas por espécies de plantas daninhas e culturas.000 g H2O / g biomassa seca 6. Richardia brasiliensis acumula 10 vezes menos N. dentro de uma população mista de plantas. por exemplo. por exemplo.5 a 7. exercem forte competição com as culturas pelos nutrientes essenciais. o aspecto competitivo não é comumente discutido e geralmente é considerado não-significante. a quantidade extraída do que os teores que ela apresenta na matéria seca.Competição por CO2 Com relação ao CO2. ou. principalmente. com muito maior ênfase. 20 vezes menos P e cinco vezes menos K compara à soja (PEDRINHO JÚNIOR et al.1. Molinia caerulea é mais tolerante a alta taxa de CO2 do que Erica tetralix.3 .5 % da biomassa seca 2. em condições de solo encharcado. a alta infestação dessa planta daninha em lavouras de soja implica maior remoção desse nutriente para a massa total da espécie infestante. Procópio et al. assim. Isso acontece devido ao consumo do oxigênio pelos microrganismos do solo e em razão de sua renovação lenta..

Cerca de 80% do cálcio foi imobilizado pelas plantas daninhas. Quadro 6 . outras espécies são competidoras também na utilização desse recurso. estudando a distribuição dos nutrientes extraídos pelas plantas daninhas e pela cultura. 2004a). a competição depende do nutriente. em competição com o feijoeiro.1 . Bidens pilosa e Euphorbia heterophylla apresentam maior eficiência na utilização do N absorvido no solo. (2003). observou que a matéria seca acumulada foi equivalente para a cultura e as plantas daninhas. respectivamente. ** Período total de convivência da planta daninha com a muda de café no vaso Módulo 3. Para os autores. acarretaram decréscimos consideráveis no conteúdo relativo de nutrientes de plantas de café. Pitelli (1985). os autores observaram que Bidens pilosa.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas de acumular até 2. e do contrário ocorreu com o manganês (85% imobilizado pela cultura). Além da capacidade em extrair nutrientes do solo. pela interferência imposta pela comunidade infestante. o grau de interferência varia consideravelmente com a espécie e com a densidade das plantas daninhas. mesmo em baixas densidades. além do acúmulo de matéria seca. verificaram que as espécies infestantes. evidenciando elevada eficiência na utilização desse nutriente. poderá favorecer espécies vegetais que utilizam mais eficientemente esse recurso.. o manejo inadequado de nutrientes. sendo C. em campo. Isso demonstra que. desenvolvida na presença da comunidade infestante. por ocasião do florescimento da cultura. Em lavoura de arroz de sequeiro.Conteúdo relativo* de nutrientes na parte aérea de plantas de café cultivadas em vasos (12 L de substrato). comparadas à soja e ao feijão (PROCÓPIO et al. Podese afirmar que. competindo com uma espécie/planta por vaso Espécie Vegetal Bidens pilosa Commelina diffusa Leunurus sibiricus Nicandra physaloides Richardia brasiliensis Sida rhombifolia PTC* * 77 180 82 68 148 133 N 59 30 35 37 49 97 P K 72 67 42 37 33 38 62 68 61 57 83 105 Conteúdo relativo* de nutrientes Ca Mg S Cu Zn B Mn Fe Na 67 74 97 106 66 76 59 54 69 45 48 69 69 37 54 19 41 35 36 40 41 66 37 41 30 57 39 72 76 86 114 69 101 50 107 68 53 50 67 43 51 63 57 61 59 90 88 98 93 77 138 102 80 106 *Relativo ao conteúdo verificado na testemunha (cafeeiro sem competição).4 vezes mais P por g de massa seca comparada à soja em mesma condição de recursos. Além disso. diffusa a planta daninha que causou a maior diminuição no conteúdo relativo de nutrientes no cafeeiro (Quadro 6).Biologia e métodos de controle 29 . é capaz de formar três vezes mais matéria seca por unidade de P absorvida do solo. Os acúmulos de cálcio e manganês no arroz foram reduzidos em 40 e 28%. Ronchi et al. com adição de subdoses. avaliando os períodos de convivência e acúmulo de nutrientes de diferentes plantas daninhas e o cafeeiro.

lixiviação e decomposição dos resíduos da planta.4% do carbono fotossintetizado (ROVIRA. por meio dos próprios vapores. afetam o crescimento. 1984).1 a 0. após serem transferidos para o ambiente (RICE. Essas substâncias alelopáticas são liberadas dos tecidos da planta para o ambiente de diferentes formas. metabólitos secundários podem inibir a própria planta que os produziu.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 3 . quando lançados no ambiente. fungos e herbívoros. ou seja. Em fruteiras (pessegueiros. A primeira demonstração científica de auto-alelopatia foi feita em feijão-miúdo (Vigna unguiculata). Milhares de compostos secundários sintetizados por espécies vegetais estão isolados e estimasse que outros milhares existam na natureza. exsudação radicular. os compostos secundários que. geralmente da ordem de 0. a maioria dos metabólitos secundários liberados pelas plantas está envolvida em interações com outros organismos. principalmente monoterpenos e sesquiterpenos (RICE. onde são absorvidos pelas raízes (ALMEIDA. Uma vez volatilizados. após muitos anos de cultivo da mesma espécie no solo. Os aleloquímicos. o comportamento ou a biologia da população de organismos de outra espécie são de interesse da alelopatia. frutos e sementes). caules. Provavelmente. 1969). raízes. apresentam potencial para exercer alelopatia em agroecossistemas. A maioria dos aleloquímicos voláteis são compostos terpenóides. A quantidade dos compostos produzidos e a composição destes dependem da espécie e das condições ambientais. como outras plantas. os aleloquímicos podem ser absorvidos diretamente pela cutícula das plantas vizinhas. promovem uma interação bioquímica entre plantas. através de volatilização. Os efeitos podem ser deletérios ou benéficos sobre outra planta. quando cultivado sucessivamente na mesma área. ou condensados no orvalho. As plantas são hábeis em produzir aleloquímicos em todos os seus órgãos. flores. incluindo microrganismos. sobre a própria planta ou microrganismos ou vice-versa. ou ainda alcançar o solo. Assim. 1984). existindo forte relação de dependência entre a produção destes metabólitos e 30 Módulo 3. que não parecem relacionados diretamente com nenhuma função do metabolismo primário. (folhas. 1988). em raízes intactas. lançados ao ambiente. denominados aleloquímicos. As plantas podem exsudar naturalmente uma série de compostos orgânicos. macieiras e citros) também ocorre a auto-inibição do desenvolvimento em plantios na mesma área. mas provavelmente estão associados com mecanismos ou estratégias químicas de adaptação às condições ambientais. Existe ainda a auto-alelopatia.Biologia e métodos de controle . o estado sanitário. ou seja.Alelopatia As plantas superiores desenvolveram notável capacidade de sintetizar. acumular e secretar uma grande variedade de metabólitos secundários. insetos.1 .

etc. como Brachiaria plantaginea. 1996). ao melhorar o paladar e diminuir a toxicidade. os aleloquímicos podem ser liberados através dos resíduos. As perdas da permeabilidade seletiva da membrana citoplasmática ocorrem pouco tempo após a morte da planta. capim-massambará.Biologia e métodos de controle 31 . para outras características que não as de agressividade para com outras plantas. Módulo 3. reduzindo a intensidade de infestação de algumas plantas daninhas. microrganismos podem metabolizar polímeros presentes e produzir substâncias tóxicas. luz. na cultura seguinte. 1988). 1988). aveia e centeio. O fungo Penicillium urticae produz fitotoxina patulina durante a decomposição dos resíduos do trigo. O mecanismo de ação dos aleloquímicos não está ainda bem esclarecido.) e dos efeitos das substâncias alelopáticas que estas produzem. espaço físico. foram eliminados genótipos possuidores de substâncias alelopáticas. crescimento. O eucalipto produz substâncias cuja presença é variável com as espécies. fotossíntese. Os aleloquímicos podem ser liberados das células vivas ou mortas também pela ação da água. etc. etc. apresentam razoável efeito alelopático. o que dificulta a interpretação de resultados a campo. e essa deficiência de defesa das plantas cultivadas é atribuída à seleção a que estas têm sido submetidas ao longo do tempo. atividade enzimática. CO2. como taninos. A inibição sobre o desenvolvimento de plantas de pimentão por extratos de eucalipto é um exemplo. Cenchrus echinatus e Euphorbia heterophylla. grama-seda.1 . Com a liberação direta dos compostos pelos tecidos. entre estes os ácidos. são: assimilação de nutrientes. alcalóides. neblina e orvalho. Por exemplo. em sistema de plantio direto. Assim.1 . respiração. Restos culturais de algumas culturas. 3. O desenvolvimento do tomateiro foi afetado por extratos de várias plantas daninhas. e sua persistência no solo varia com as variações do ambiente. O efeito alelopático das culturas sobre plantas daninhas é menos comum. que promove toxicidade na cultura que o sucede (Almeida. alguns terpenos e muitos compostos fenólicos podem ser lixiviados. síntese de proteínas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas as condições de ambiente (EINHELLIG. açúcares. Os principais processos vitais afetados. Uma variedade de compostos químicos pode ser carreada da parte aérea das plantas por meio de chuva. segundo Almeida (1988). O capim-marmelada (Brachiaria plantaginea) afeta o desenvolvimento da soja tanto no crescimento quanto na capacidade de nodulação (ALMEIDA.Alelopatia das plantas daninhas sobre as culturas e plantas daninhas A interferência que as plantas daninhas causam sobre as culturas é decorrente da competição pelos fatores comuns (água. como tiririca. etc. permeabilidade da membrana celular. como nabo forrageiro. aminoácidos e as substâncias pécticas. colza. nutrientes. Os alcalóides.

por isso. Essa cobertura é essencial para o sucesso do plantio direto.1 . Atualmente. Por isso. Segundo Barbosa (1996). especialmente no que diz respeito às técnicas de rotação e consorciação. A cobertura morta da cultura do inverno. exsudato radicular proveniente de plantas de sorgo reduziu a área foliar de plantas de alface em 68. 3. forma-se no final desta estação ou início da primavera. os efeitos alelopáticos provocados pela incorporação de resíduos vegetais no solo são muitos variáveis. inferiores a 25 dias.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 3. Em condições de baixas temperaturas. podendo os resíduos de plantas de mesma espécie dar origem a compostos diferentes. quando cultivadas em casa de vegetação. Estes estudos irão contribuir de maneira decisiva para o manejo de plantas daninhas no sistema de plantio direto. os tipos de solo e as condições climáticas. como as adubações verdes. os resíduos secos podem causar fitotoxicidade mais severa. o que tem contribuído para que os agricultores do sul deixem de cultivar colza. Nas culturas de verão. provoca redução do estande da cultura da soja plantada imediatamente após a sua colheita. Os efeitos alelopáticos são transitórios.3 . Quanto a possíveis efeitos alelopáticos do material incorporado ao solo. usando solução nutritiva circulante entre os vasos de sorgo e alface. a fim de avaliar suas atividades sobre as diferentes espécies de plantas daninhas. Normalmente. a incorporação dos resíduos deve ser feita com certa antecedência da semeadura das culturas. possivelmente não ocorrerão problemas de fitotoxicidade. sabe-se que o processo de decomposição do material vegetal é variável com a qualidade dos tecidos. conseqüentemente. também rápida. A taxa de decomposição é alta e a liberação dos compostos alelopáticos é. reduzir o vigor vegetativo e provocar amarelecimento e clorose das folhas. provoca efeitos alelopáticos pouco acentuados e por períodos curtos. Se a cultura de verão for implantada com algum intervalo após a colheita desta cultura de inverno. hoje disseminado no Brasil por todos estados produtores de grãos. degradando os aleloquímicos. assim como poderá ser um ponto de partida para síntese de novos compostos com atividade herbicida. por exemplo.Biologia e métodos de controle . várias pesquisas estão sendo conduzidas visando identificar os compostos alelopáticos.4%. a cobertura morta pode prevenir a germinação. quando começa a época chuvosa. os resíduos no solo são escassos e a temperatura e umidade no solo são suficientes para manter a atividade microbiana alta. A colza. normalmente cereais.Alelopatia das coberturas mortas No plantio direto. 32 Módulo 3.2 . Outros pesquisadores avaliam e colecionam germoplasmas de plantas alelopáticas. redução do perfilhamento e até morte de plantas daninhas durante a fase inicial de desenvolvimento. com efeitos biológicos e toxicidade diversos.Alelopatia entre culturas A possibilidade de se desenvolverem efeitos alelopáticos benéficos ou maléficos entre culturas tem interesse agronômico. o material fresco.

os quais são descritos a seguir. referindo-se. mas sem prejudicar também o ambiente. Pitelli e Durigan (1984) sugeriram terminologia para períodos de convivência de plantas daninhas em culturas. para o sucesso deste método. Os autores constataram elevada concentração de taninos condensados. não devem ser atribuídos exclusivamente à competição imposta por estas. spinosus. (2004). O grau de interferência entre plantas cultivadas e comunidades infestantes depende das manifestações de fatores ligados à comunidade infestante (composição específica. Em trabalho realizado por Erasmo et al. pruriens e S. alelopatia. foram eficientes no controle das espécies daninhas D. o controle biológico de plantas daninhas também poderá ser uma opção no manejo integrado. sendo o esquema apresentado na Figura 3. dependendo da época de seu estabelecimento. porque dependerá da época e do ciclo da cultura em que esse período ocorrer. entre outros fatores. e.1 . o estudo da época ideal de controle de plantas daninhas em cada cultura. quanto maior for o período de convivência múltipla (culturaplantas daninhas). no desenvolvimento e na produtividade de uma cultura. esteróides livres e ogliconas esteróides. pode-se dizer que.Biologia e métodos de controle 33 . o conhecimento das propriedades alelopáticas das plantas será fundamental. quanto menor o período de convivência entre cultura e plantas daninhas.Competição e período crítico de competição De acordo com Pitelli (1985). maior será o grau de interferência. Contudo. favorecendo a utilização de recursos pela planta cultivada. portanto. utilizadas como cobertura vegetal. mas resultante das pressões ambientais de ação direta (competição. as espécies Mucuna aterrima. ambos citados por Pitelli (1985). gerando menor intensidade de interferência na produtividade econômica. podendo ser alterado pelas condições de solo. Essa idéia foi originalmente apresentada por Bleasdale (1960) e mais tarde modificada por Blanco (1972). menor será o grau de interferência. espaçamento e densidade de plantio) e à época e extensão da convivência. ao conjunto de ações que recebe uma determinada cultura em decorrência da presença da comunidade infestante num determinado local. No futuro. à própria cultura (espécie ou variedade. H. Módulo 3. No entanto.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas objetivando o melhoramento genético. isto não é totalmente válido. devidos à presença de plantas daninhas. portanto. 4 . interferência na colheita e outras). O manejo de plantas daninhas altera a cronologia natural dos eventos. sendo a possível causa dos efeitos alelopáticos. De maneira geral. Esse fato justifica. densidade e distribuição). horizontalis. uma infestação moderada de plantas daninhas poderá ser tão danosa à cultura quanto uma infestação pesada. visando o mínimo possível de redução na produtividade. M. clima e manejo. Geralmente. A este efeito global denominou-se “interferência”. bicolor. os efeitos negativos observados no crescimento. lophanta e A.

qualitativamente. Por exemplo. a fertilização incrementa o crescimento inicial da cultura e das plantas daninhas. a Époc Dura çã o Período de convivê ncia lti Cu r va Es pé ci e s Espaçamento Densidade Densidade Cultura Grau de interferência rib st Di ui o çã Figura 3 . permitindo menos cultivos ou o uso de herbicidas de menor poder residual. principalmente. para que a produção não seja afetada quantitativa e. terão atingido tal estádio de desenvolvimento que promoverão uma interferência sobre a espécie cultivada. após a semeadura ou o plantio. n D De d d s si ad e Ambiente S ol o Ma ne j o Clima 34 Módulo 3. do sombreamento. impede o desenvolvimento das plantas daninhas.Modelo esquemático dos fatores que influenciam o grau de interferência entre cultura e comunidades infestantes Aquele espaço de tempo. este deve ser o período que as capinas ou o poder residual dos herbicidas devem cobrir. O limite superior deste período indica a época em que a interferência compromete irreversivelmente a produtividade econômica da cultura.Biologia e métodos de controle . através. Desse modo. a própria cultura. Após esse período. Na prática. capaz de reduzir significativamente sua produtividade econômica.1 . Teoricamente. contribuindo para o próprio desenvolvimento da cultura. o final do período anterior à interferência seria a época ideal para o primeiro controle da vegetação infestante. permitindo que a competição por recursos outros que não a adubação se instale de maneira mais rápida. pois a comunidade teria acumulado energia e matéria orgânica que retornariam ao solo. No entanto. a partir do plantio ou da emergência. toda e qualquer prática cultural que incremente o crescimento inicial da cultura pode contribuir para um decréscimo no período total de prevenção da interferência. em que a cultura pode conviver com a comunidade de plantas daninhas antes que a interferência se instale de maneira definitiva e reduza significativamente a produtividade da lavoura é denominado “período anterior à interferência” (PAI). A aplicação de certas práticas culturais contribui para diminuição deste período. É importante esclarecer o significado deste período em termos de competição: as espécies daninhas que emergirem neste período.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas “Período total de prevenção da interferência” (PTPI) é o período. em determinada época do ciclo da cultura. na prática este limite não pode ser considerado. em que a cultura deve ser mantida livre da interferência de plantas daninhas. ou.

nas diferentes condições envolvendo solo.Biologia e métodos de controle 35 . Isso é normal. (1982) Oliveira e Almeida 45 . torna-se extremamente importante a pesquisa nesta área. Do ponto de vista prático.Períodos de convivência e de controle de plantas daninhas em diversas culturas anuais e bianuais Cultura Algodão Alho Girassol Cebola Arroz de sequeiro Cana-de-açúcar ( plantio de ano ) Cana-de-açúcar (plantio de ano e meio) Feijão Café (após plantio das mudas no inverno) Café (após plantio das mudas no verão) Milho Soja Dias Após Semeadura ou Plantio (d) PTPI PAI PCPI 66 d 08 d 08 . (2003) 20 .42 d Ramos e Pitelli (1994) 21 .1 . Quadro 7 .40 d 60 d 90 d 127 d 30 d 88 d 38 d 42 30 d 30 d 45 d 30 d 74 d 20 d 15 d 22 d 14 21 d 20 d Fonte Salgado et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas pois a cultura e. Recentemente foi proposto o Período Anterior ao Dano no Rendimento Econômico (PADRE). (1980) Brighenti et al.66 d 80 d ----100 d 20 d 20 –100 d 30 d 21 d 21 – 30 d 42 d 40 d 30 d 30 . (2004) Soares et al. os períodos PTPI. não são idênticos para as mesmas culturas. visando realizar com eficiência o manejo integrado das plantas daninhas. (2005) 22 – 38 d Dias et al. espécies daninhas e culturas.30 d Martins (1994) Módulo 3. baseado na hipótese de que aspectos econômicos como o custo de controle e o valor monetário dos grãos devem ser utilizados como critério para determinar o período aceitável de interferência das plantas daninhas antes de se decidir pelo seu controle (VIDAL et al.30 d Victoria Filho (1994) 15 – 88 d Dias et al. (1981) Mascarenhas et al. as plantas daninhas podem ter atingido um estádio tal de desenvolvimento que inviabilize o uso de práticas mecânicas ou o controle químico. os cultivares utilizados e as composições específicas das comunidades infestantes foram diferentes. PAI e PCPI. Este seria o “período crítico de prevenção da interferência” (PCPI). 2005). clima. (2005) 14 .30 d Spadotto et al. ou. (2002) Souza et al. encontrados pelos diversos autores..60 d (1982) Rolin e Cristofolleti 30 . a cultura deverá ser mantida livre das plantas daninhas no período compreendido entre o final do PAI até o momento em que as plantas daninhas que vierem a emergir não mais irão interferir na produtividade da cultura. Em diversos trabalhos de pesquisa visando avaliar os efeitos da interferência de plantas daninhas em culturas (Quadro 7). Considerando a diversidade de fatores que influenciam o grau e os períodos de interferência apresentados. (1994) 20 . porque as condições em que foram conduzidas as pesquisas.90 d (1982) 47 – 127 Kuva et al. (2003) Alcântara et al.

a disseminação de determinadas espécies-problema em áreas ainda por elas não infestadas. se espalham por novas áreas por meio de roupas e sapatos dos operadores. visando prevenir a entrada e disseminação de uma ou mais plantas daninhas. o picão-preto (Bidens pilosa) e o capim-carrapicho (Cenchrus echinatus). que não interfiram na produção econômica da cultura.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 5 . o elemento humano é a chave do controle preventivo. A redução da interferência das plantas daninhas. atualmente. etc.Controle preventivo O controle preventivo de plantas daninhas consiste no uso de práticas que visam prevenir a introdução. limpeza de canais de irrigação. A falta desses cuidados tem causado ampla disseminação das mais diversas espécies.. tem-se a tiririca (Cyperus rotundus).Biologia e métodos de controle . pêlos de animais. um estado. 5.1 . o estabelecimento e. Em níveis federal e estadual. há legislações que regulamentam a entrada de sementes no país ou estado e sua comercialização interna. Já o capim-arroz (Echinochloa sp. que poderão se transformar em sérios problemas para a região.Métodos de controle de plantas daninhas Os métodos de controle de plantas daninhas usados são os mais variados possíveis e. o controle é de responsabilidade de cada agricultor ou cooperativas. inspecionar cuidadosamente mudas adquiridas com torrão e também toda a matéria orgânica (esterco e composto) proveniente de outras áreas.) e o arroz-vermelho (Oryza sativa) são distribuídos junto com as sementes de arroz. deve ser feita até um nível no qual as perdas pela interferência sejam iguais ao incremento no custo do controle. quarentena de animais introduzidos. As medidas que podem evitar a introdução onde a espécie ainda não ocorre são: utilizar sementes de elevada pureza. grades e colheitadeiras. Estas áreas podem ser um país. que possui sementes muito pequenas e tubérculos que infestam novas áreas com grande facilidade. limpar cuidadosamente máquinas. 36 Módulo 3. mudas com torrão. etc. ou seja. por meio de estercos. Como exemplo. etc. ou. um município ou uma gleba de terra na propriedade. Eles abrangem desde o arranque das plantas com as mãos até o uso de sofisticados equipamentos de microondas para exterminar as sementes no solo. Em nível local. considerando uma cultura. verifica-se grande evolução destes. Nestas legislações encontram-se os limites toleráveis de cada semente de planta daninha e também a lista de sementes proibidas por cultura ou grupo de culturas.1 . Em síntese. além de outras espécies.

guandu. azevém anual.1 . Quando são aplicadas as mesmas técnicas culturais seguidamente. variação do espaçamento da cultura. a cobertura morta e o cultivo mecanizado.3 . O principal efeito é a melhoria das condições físico-químicas do solo. ervilhaca. é o método mais antigo de controle de plantas daninhas. etc.Controle cultural O controle cultural consiste no uso de práticas comuns ao bom manejo da água e do solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 5. em usar as próprias características ecológicas das culturas e plantas daninhas.Controle mecânico ou físico São métodos mecânicos de controle de plantas daninhas o arranque manual. Rotação de culturas: cada cultura agrícola geralmente é infestada por espécies daninhas que possuem exigências semelhantes às da cultura ou apresentam os mesmos hábitos de crescimento. 5. ano após ano. no mesmo solo. nabo. O arranque manual. a roçada. e para muitas famílias. visando beneficiar o estabelecimento e desenvolvimento das culturas. a escolha da cultura em rotação deve recair sobre plantas com habito de crescimento e características culturais bem contrastantes. a capina manual.). então. Consiste. estas plantas possuem também poder inibitório sobre outras e podem reduzir as infestações de algumas daninhas após serem incorporadas ao solo. crotalárias. numa agricultura mais intensiva. em cana-de-açúcar. quando o principal método de controle é o uso de enxada. principalmente em regiões montanhosas. esta é a única fonte de trabalho. mostarda. Quando o principal objetivo é o controle de plantas daninhas. e caruru-rasteiro (Amarantus deflexus). Tremoço. em lavouras de milho.Biologia e métodos de controle 37 . como rotação de cultura. entretanto. Variação do espaçamento: a variação do espaçamento entre linhas ou da densidade de plantas na linha pode contribuir para a redução da interferência das plantas daninhas sobre a cultura. apaga-fogo (Alternanthera tenella). ou monda. em lavouras de arroz. a inundação. a queima. onde há agricultura de subsistência. Nas regiões subtropicais predominam mucuna-preta. Ainda hoje é usado para o controle em hortas caseiras. aveia e centeio são usadas na região Sul do Brasil. jardins e na remoção de plantas daninhas entre as plantas das culturas em linha. A capina manual feita com enxada é muito eficaz e ainda muito utilizada na nossa agricultura. Contudo. dependendo da arquitetura das plantas cultivadas e das espécies infestantes. uso de coberturas verdes. feijão-de-porco e lablabe. A redução entre linhas geralmente proporciona vantagem competitiva à maioria das culturas sobre as plantas daninhas sensíveis ao sombreamento. Essas práticas contribuem para impedir o aumento exagerado de determinadas plantas daninhas. a interferência destas plantas daninhas aumenta muito.2 . em lavouras de trigo. exemplos: capim-arroz (Echinoclhoa sp. em Módulo 3. Coberturas verdes: as coberturas verdes são culturas geralmente muito competitivas com as plantas daninhas.

Este sistema de plantio é usado em extensas áreas de plantio de soja. em razão do custo do combustível. como nos tabuleiros de arroz. grama-seda (Cynodon dactylon). A cobertura provoca menor amplitude nas variações e no grau de umidade e da temperatura da superfície do solo. as sementes das plantas daninhas germinam e morrem em seguida. No plantio direto. são totalmente erradicadas sob inundação prolongada. A cobertura morta ainda pode apresentar efeitos alelopáticos úteis no controle de certas espécies daninhas. É restrito a pequenas áreas de hortaliças. beiras de estradas e pastagens a roçada é um método de controle de plantas daninhas dos mais importantes. na maioria dos casos. e b) baixa eficiência: quando realizado em condições de chuva (solo molhado). devendo ser realizado quando as plantas daninhas estiverem ainda jovens e o solo não estiver muito úmido. apenas não apresentando efeito sobre as plantas daninhas que se desenvolvem em solos encharcados.1 . é ineficiente para controlar plantas daninhas que 38 Módulo 3. sendo um dos principais métodos de controle de plantas daninhas em propriedades com menores áreas plantadas. é de larga aceitação na agricultura brasileira. o alto custo da mão-de-obra e a dificuldade de encontrar operários no momento necessário e na quantidade desejada fazem com que este método seja apenas complementar a outros métodos. As principais limitações deste método são: a) dificuldade de controle de plantas daninhas na linha da cultura. em virtude da suspensão do fornecimento de oxigênio para suas raízes. Esta deve ser feita antes do plantio.Biologia e métodos de controle . a roçada manual ou mecânica é um método muito importante para controlar plantas daninhas. A inundação mata as plantas sensíveis. estimulando a germinação das sementes das plantas daninhas da camada superficial de solo. como tiririca (Cyperus rotundus). Espécies perenes de difícil controle. é mantida no limpo. Os fatores limitantes deste método. em solo úmido. devido à temperatura excessivamente alta principalmente até 5 cm de profundidade. onde o controle da erosão é fundamental. feito por cultivadores tracionados por animais ou tratores. já foi utilizada em algodão. O cultivo mecanizado. O espaço das entrelinhas é mantido roçado e. em nível. A cobertura do solo com restos vegetais em camada espessa ou com lâmina de polietileno é um meio físico-mecânico de controle das plantas daninhas. esta técnica é de uso limitado no Brasil. bem como sobre as plantas aquáticas. são o custo do nivelamento do solo e a grande quantidade de água necessária para sua implantação.). como o capim-arroz (Echinochloa sp. Provoca aumento de temperatura e. por meio de outros métodos de controle. através de adaptação de queimadores especiais em cultivadores tratorizados. Em solos planos e nivelados. principalmente em terrenos declivosos. a fileira de plantas. que são posteriormente mortas devido à impossibilidade de emergência. milho e trigo. utilizando filme de polietileno sobre a superfície do solo. Quanto à queima das plantas daninhas com lança-chamas. Também em terrenos baldios. além de outros efeitos importantes sobre as culturas implantadas na área. além de muitas plantas daninhas anuais. Em pomares e cafezais. a inundação é um efetivo método de controle de plantas daninhas. para uso dirigido nesta cultura. capim-kikuio (Penisetum clandestinum)). a cobertura do solo com restos vegetais da cultura anterior é de grande utilidade. Todavia. Outra técnica utilizada para o controle de plantas daninhas é a solarização.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas áreas maiores.

a eficiência do controle biológico é duvidosa quando ele é usado isoladamente. e) Acompanhamento da introdução e do estabelecimento do agente biocontrolador no campo. ou seja. o que é uma tendência normal em condições de campo. etc. e. com o nome de Devine.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas se reproduzem por partes vegetativas.Controle biológico O controle biológico consiste no uso de inimigos naturais (fungos. b) Seleção de inimigos naturais mais eficientes. Entre os diversos exemplos de controle biológico no mundo. através de enxadas cultivadoras especiais. Deve também ser considerada como controle biológico a inibição alelopática de plantas daninhas exercida por outras plantas. De modo geral.1 . daninhas ou não (este assunto já foi discutido em módulo à parte).4 . o cambará-de-espinho (Lantana camara) foi controlado pelos insetos Agromisa lantanae e Crocidosema lantanae. com isso. promover o controle das plantas daninhas na linha. O cultivo quebra a relação íntima que existe entre raiz e solo. a fim de correlacionar os níveis de infecção com a redução da densidade populacional do hospedeiro.) com as larvas do inseto Cactoblastis cactorum. Módulo 3. pode causar o enterrio das pequenas plântulas e. reduzindo sua capacidade de competir. 5. Para que este tipo de controle seja eficiente. o herbicida natural é registrado como Collego. Dependendo do tamanho relativo das plantas cultivadas e daninhas. Isso é mantido por meio do equilíbrio populacional entre o inimigo natural e a planta hospedeira. vírus. no Havaí. são facilmente controladas em condições de calor e solo seco. No Brasil. foi já usado o fungo Phythophthora palmivora. desde a pesquisa até a prática do controle biológico: a) Seleção de espécies de plantas daninhas a serem controladas. No entanto. E. o parasita deve ser altamente específico. o controle do cactus ou figo-da-índia (Opuntia spp. praticado com fins econômicos. uma vez eliminado o hospedeiro. suspende a absorção de água e expõe a raiz às condições ambientais desfavoráveis. porque pode controlar uma espécie e uma outra ser favorecida. o controle biológico de plantas daninhas com inimigos naturais não tem sido. aves. ele não deve parasitar outras espécies. nos pomares de citros. insetos. para controlar Morrenia odorata. o fungo Coletotrichum gloeosporeoides pode ser usado para controlar o angiquinho (Aeschynomene virginica) em soja e milho. até o momento. todas as espécies anuais.Biologia e métodos de controle 39 . podem-se citar: na Austrália. quando jovens (2-4 pares de folhas). c) Estudo e avaliação da ecologia dos vários inimigos naturais. Nos Estados Unidos. d) Determinação da especificidade dos hospedeiros. bactérias. o deslocamento do solo sobre a linha.) capazes de reduzir a população das plantas daninhas. peixes. O controle biológico de plantas daninhas é muito complexo e seu estudo dever ser feito em etapas sucessivas. f) Avaliação da efetividade em diferentes épocas do ano.

Este herbicida é a base de muitos outros produtos sintetizados em laboratório (2. nos EUA. foi fundada a Sociedade Brasileira de Herbicidas e Plantas Daninhas (SBHPD). 2005). mais seguro para o homem e para o ambiente. etc. ou. quando Bonnet (França). que tem evoluído muito nos últimos anos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas No Brasil. Triazinas simétricas (1956). isolados de Fusarium graminearum vêm sendo estudados como agente de controle biológico de Egeria densa e de Egeria najas. então. químico. sempre uma outra é favorecida. no Brasil. 5.) e marcou o início do controle químico de plantas daninhas em escala comercial. para controle de folhas largas na cultura do trigo.4-DB. não podendo parasitar outras espécies. Isso porque o parasita deve ser altamente específico. Somente em 1942. Miyazaki e Pitelli (2003) verificaram controle de até 100% das espécies aquáticas Egeria densa.WSSA.4-D. carpas e outros peixes herbívoros é possível para controle de outras plantas aquáticas. nos Estados Unidos. Ainda.1 .4. Devido ao grande desenvolvimento da área de controle químico de plantas daninhas. o sulfato ferroso foi avaliado por Bolley.5-T.Controle químico As pesquisas visando o controle químico de plantas daninhas foram iniciadas entre 1897 e 1900. em 1963. 2. novos grupos químicos de herbicidas surgiram: Amidas (1952). foi criada a Weed Science Society of América . Em 1908. para discutir os avanços da área de plantas daninhas e seu controle. Carbamatos (1951). Zimmerman e Hitchock. ocorrem reuniões anuais de pesquisadores de herbicidas no cerrado (REPEC). indicando a necessidade de uso de outro método de controle. bem como a tecnologia de aplicação de herbicidas. e. quando se pensa em seu uso como o único método de controle. Também são áreas de interesse. hoje Sociedade Brasileira da Ciência das Plantas Daninhas (SBCPD). descobriram o 2. no Brasil. A partir de 1950.. o controle biológico. em 1956. Já se sabe que o fotoperíodo influencia a eficiência de controle das espécies de plantas daninhas pelo fungo. O uso de tilápias. nos Estados Unidos. entre outras. que se reúne de dois em dois anos em congresso nacional. e temperaturas acima de 30 oC têm proporcionado melhor controle de Egeria (BORGES NETO et al. O objetivo das pesquisas em nível mundial é obter herbicidas mais eficazes com doses menores. 40 Módulo 3. quando associado a outros métodos de controle e será recomendado para espécies de plantas daninhas de controle comprovadamente difícil por métodos mecânicos e. plantas aquáticas submersas que causam problemas em reservatórios de hidrelétricas. etc. A eficiência do controle biológico é duvidosa. a alelopatia. Egeria najas e Ceratophyllum demersum pelo pacu (Piaractus mesopotamicus). O controle biológico é eficiente. Shultz (Alemanha) e Bolley (EUA) evidenciaram ação dos sais de cobre sobre algumas folhas largas.Biologia e métodos de controle .5 . e os trabalhos científicos sobre o assunto são publicados em revistas especializadas da SBCPD (Planta Daninha e Revista Barsileira de Herbicidas). quando se controla uma espécie de planta daninha.

cabendo ao controle químico apenas auxiliar quando necessário.água (rios. Módulo 3. perfeitamente controlados e evitados. 2. lagos e água subterrânea). que é cada vez mais cara. Permite o plantio a lanço e. O emprego do controle químico de plantas daninhas deve ser feito juntamente com outras práticas de controle. 2005). O emprego do controle químico como único e generalizado implica a inviabilidade econômica da prática agrícola e sério desequilíbrio no sistema de produção. alteração no espaçamento. 4. hoje está se tornando prática comum entre os pequenos. O conhecimento da fisiologia das plantas. Menor dependência da mão-de-obra.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas O consumo de herbicida no Brasil representa 7-9% do consumo total do mundo. É eficiente no controle de plantas daninhas na linha de plantio e não afeta o sistema radicular das culturas. 5. Há necessidade de mão-de-obra especializada para aplicação dos herbicidas.1 . Os riscos de uso existem.8 em 1997 (ANDEF/SINDAG. mas devem ser conhecidos. difícil de ser encontrada no momento certo. o herbicida é uma ferramenta muito importante no manejo integrado de plantas daninhas. dos grupos aos quais pertencem os herbicidas e da tecnologia de aplicação é fundamental para o sucesso do controle químico das plantas daninhas. Portanto. Atualmente estão sendo comercializadas no mercado brasileiro em torno de 200 marcas comerciais de herbicidas (RODRIGUES e ALMEIDA. desde que utilizado no momento adequado e de forma correta.Biologia e métodos de controle 41 . o controle químico das plantas daninhas é mais eficiente. sendo essa a causa de cerca de 80% dos problemas encontrados na prática. É importante considerar que todo herbicida é uma molécula química que tem que ser manuseada com cuidado.6 em 1990 para 1. Mesmo em épocas chuvosas. Este valor. A tendência ainda é de aumento. que era quase exclusivamente utilizada por grandes e médios produtores. uma vez que esta tecnologia. na quantidade e qualidade necessária. solo e alimentos quando manuseados incorretamente. 2005). principalmente. Pode controlar plantas daninhas de propagação vegetativa. em milhões de dolares. ou. quando for necessário. 6. uma vez que este possibilita as melhores condições de desenvolvimento e permanência das culturas. Permite o cultivo mínimo ou plantio direto das culturas. havendo perigo de intoxicação do aplicador. Pode ocorrer também poluição do ambiente . 3.214. evoluiu de 546. sendo a de maior importância o controle cultural. Pode se atribuir essa grande aceitação do uso de herbicidas pelos produtores ao fato de o controle químico das plantas daninhas proporcionar as seguintes vantagens: 1.

dos métodos empregados. social e econômico a curto e a longo prazo. O nível de controle das plantas daninhas obtido em uma lavoura dependerá da espécie infestante. os métodos culturais se apresentam como os 42 Módulo 3. e elas são um bom guia para o programa de manejo: 1. permite a esta aproveitar eficientemente os recursos do meio. as quais possuem seu ciclo ou parte dele na época das águas. da capacidade competitiva da cultura. Integrar os processos com as medidas de proteção das culturas. das condições ambientais. 6. Monitorar sementes e espécies da área de produção. propondo uma série de medidas que se enquadraram no conceito de integração (CONCEIÇÃO. Dez palavras-chave descrevem os processos recomendados. Considerar os recursos e as necessidades do fazendeiro. 3. Escolher a(s) tecnologia(s) de controle compatível(is) com sistema. 2. sua base reforçada no campo da entomologia quando pioneiros promoveram o estudo dos problemas do algodoeiro no Nordeste do país. Conhecer as espécies dominantes e suas interações. esse fato. para culturas anuais.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 6 . a maneira integrada de cultivo. no controle integrado. o manejo integrado de plantas daninhas.1 .Manejo integrado de plantas daninhas (mipd) Cada vez mais o manejo integrado de pragas vem ganhando reforços em todos os setores agrícolas.Biologia e métodos de controle . 7. Estudar os métodos usados na propriedade. A integração de diversos métodos de controle dentro do sistema de produção pode dificultar o crescimento e desenvolvimento de populações de espécies daninhas de difícil controle. do período crítico de competição. em que se levam em conta todos os fatores que podem proporcionar à planta maior e melhor produção. Decidir quando o controle deve ser feito. máxima sustentatibilidade de produção e mínimo risco. Avaliar os impactos ambiental. tendo. 8. constituindo-se. 2000). fica evidente que. Prever populações e mudanças de populações de plantas daninhas. Identificar as espécies-problema e suas densidades. que consiste em “um sistema ambiental do campo onde são usados todos os conhecimentos e ferramentas disponíveis para a produção das culturas livres de danos econômicos da vegetação competitiva”. Um bom programa de manejo de plantas daninhas pode ser resumido em três situações básicas: máxima produção no menor espaço de tempo. Considerando as condições brasileiras. 5. no Brasil. etc. Desse modo. Muitas vezes faz-se necessária a associação de dois ou mais métodos para se atingir o nível desejado. Desse modo. pode reduzir a dependência do uso de herbicidas e atrasar ou prevenir o aumento de espécies perenes geralmente associadas a sistemas de cultivo. 4. 10. 9.

é possível obter redução nos níveis populacionais da tiririca a favor do plantio direto.. aliado ao fato de não revolver o solo. como a cultura do milho e feijão. Um bom exemplo da aplicação do Manejo Integrado pode ser observado pelo excelente manejo da tiririca na cultura do milho e do feijão graças à utilização do sistema de plantio direto e conhecimentos da biologia das espécies envolvidas. Dessa forma. No plantio direto. evitando assim sua disseminação e seu rápido crescimento... os níveis populacionais da tiririca podem ser diminuídos. aplicados no momento correto. no milho para silagem toda palhada da cultura anterior e retirada da área. consegue-se ótimo manejo integrado da tiririca. têmse observado excelentes resultados no manejo da tiririca. a forrageira cultivada em consórcio com a cultura principal reduz a interferência de muitas espécies de plantas daninhas. da ordem de 90 a 95%. principalmente no período de desenvolvimento das culturas sensíveis à interferência das plantas daninhas. 2004) e também mais estável do ponto de vista ambiental (SANTOS et al. Em dois anos nesse sistema. a ponto de não acarretar reduções de produção das culturas infestadas (Fig.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas mais adequados para integração com o controle químico. ou seja. Ao contrário. ou incoporada ao solo. tanto para a cultura do milho quanto para o feijoeiro. 4). tornando o sistema menos dependente do controle químico (JAKELAITIS et al. 2005) Módulo 3. 2003). com uso de herbicidas sistêmicos usados como dessecantes. toda a palhada da cultura permanece na área à superfície. sendo que em três anos a redução no banco de tubérculos no solo pode chegar a mais de 90% (JAKELAITIS et al. Quando a finalidade de uso do solo é para milho grão. no plantio convencional. com a adoção do sistema de plantio direto utilizando herbicidas sistêmicos para dessecação. Outro exemplo de manejo integrado de plantas daninhas tem sido praticado em diversas regiões do Brasil quando se adota o sistema integrado agricultura-pecuária. Dessa forma. permanecendo dormentes (Fig.Biologia e métodos de controle 43 . em relação ao plantio convencional. a capacidade de brotação dos tubérculos de tiririca coletados sob solo no sistema integrado é diminuída com o passar do tempo. 5).1 . no plantio direto. independentemente se para produzir milho para grão ou para silagem. principalmente por luminosidade. visando a redução do número de propágulos de espécies de difícil controle em áreas agrícolas. Além disso. ao controle cultural exercido pela falta de revolvimento do solo e conseqüente ausência de fragmentação das estruturas vegetativas da tiririca e à adoção de culturas altamente competitivas. Neste sistema. 45 dias após a emergência. transformando esta espécie daninha extremamente problemática em uma espécie comum. Os maiores benefícios do sistema de plantio direto no manejo integrado da tiririca são obtidos devido à integração do controle químico proporcionado pelo uso do herbicida sistêmico para dessecação da vegetação em pré-plantio. aliado ao controle cultural.

População de tiririca nas culturas de milho e feijão nos sistemas de plantios convencional e direto (após dois anos de adoção do manejo integrado de plantas daninhas –MIPD) aos 30 DAP Figura 5 – Brotação de tubérculos de tiririca coletados em campo em áreas de plantio convencional e em área onde se adotou o plantio direto com o manejo integrado dessa espécie infestante. após três anos de adoção 44 Módulo 3.Biologia e métodos de controle .1 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 4 .

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Francisco Affonso Ferreira Profº. Lino Roberto Ferreira Profº.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação Tutores: Profº.2 .ABEAS Universidade Federal de Viçosa . José Barbosa dos Santos Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 .DF 2006 48 Módulo 3.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .2 . Antonio Alberto da Silva Profº.UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília .Manejo de plantas daninhas 3.

Principais características.3 .4 .1 .2 .3 . 79 4.5. 68 4.Características de algumas cloroacetanilidas. 76 4.7.Caracterização de alguns herbicidas auxínicos.Mecanismo de ação das cloroacetanilidas.Herbicidas Inibidores do Fotossistema I.Herbicidas inibidores da Protox.2. 70 4. 83 4. 80 4. 61 4. 62 4.2 .Quanto à translocação.1 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução.Herbicidas auxínicos ou mimetizadores de auxina.Principal herbicida do grupo.Algumas imidazolinonas. 53 4.Mecanismos de seletividade.7. 55 4.4.Mecanismo de ação. 80 4. 51 1 .6.3 .3 . 74 4.6 .Caracterização de alguns herbicidas inibidores dos microtúbulos.2 .6.Principais características.2 .3. 79 4.2 . 73 4.2 .Quanto aos mecanismos de ação.Quanto à época de aplicação. 75 4. 85 4.2 .Problemas causados pela utilização incorreta de herbicidas auxínicos. 88 Módulo 3.3 . 56 4.1 .2.4.Principais características.1 .4.2. 73 4.Mecanismo de ação. 58 4.Herbicidas inibidores da fotossistama II.3.2 . 68 4. 54 4.5.Quanto à seletividade.Herbicidas inibidores da EPSPs.2 .1 .1 .Herbicidas inibidores do arranjo dos microtúbulos.Caracterização de Alguns Herbicidas Inibidores do Fotossistema II.7 .4 .Mecanismo de ação. 79 4.Inibidores da síntese de ácidos graxos de cadeias muito longas (VLCFA).1 . 58 4.Características gerais.Características gerais dos inibidores do fotossistema II.8 . 60 4.52 3 . -51 2 . 55 4.1.Herbicidas inibidores da acetolactato sintase.1.Caracterização de alguns herbicidas inibidores da PROTOX.53 4 .1 .3.3 .Mecanismo de ação.3 .1.Seletividade. 73 4. 77 4.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 49 .5.Algumas sulfoniluréias. 75 4.2.5 . 68 4.6.

1 .9. 99 50 Módulo 3.9.2 .8. 88 4. 95 Referências bibliográficas.Características gerais.Caracterização de alguns inibidores da ACCase.10 .1 .Herbicidas inibidores de carotenóides.Mecanismo de ação.2 .Herbicidas inibidores da ACCase.2 . 91 4. 91 4.9 .Principais características. 89 4.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .3 .Mecanismos de ação.8. 92 4.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. 93 4.9.

por exemplo. Módulo 3. Herbicidas não-seletivos São aqueles que atuam indiscriminadamente sobre todas as espécies de plantas. Para soja.2 . fomesafen para o feijão.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 51 . etc. imazethapyr para a soja. Todavia. época de aplicação. por meio da biotecnologia. é possível tornar um herbicida não-seletivo a seletivo para determinada espécie. Essas características individuais permitem estabelecer grupos afins de herbicidas com base em sua seletividade.4-D para a cana-deaçúcar. paraquat.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução Os herbicidas podem ser classificados de diversas maneiras. estrutura química e mecanismo de ação (WARREN. das condições climáticas. glyphosate. a seletividade é sempre relativa. Exemplos: diquat. translocação. dentro de determinadas condições. atrazine para o milho. 1995a). Normalmente são recomendados para uso como dessecantes ou em aplicações dirigidas. HESS. e mesmo assim a dose tolerada é dependente das condições edafoclimáticas. Como exemplo. etc. da dose aplicada. tem-se 2. Todavia. o metribuzin é seletivo apenas quando aplicado em pré-emergência. exemplo: a soja trasgênica resistente ao glyphosate. pois depende do estádio de desenvolvimento das plantas.Quanto à seletividade Herbicidas seletivos São aqueles que. são mais tolerados por uma determinada espécie ou variedade de plantas do que por outras. 1 . do tipo de solo. etc. de acordo com as características de cada um.

feijão. eles somente devem ser aplicados em pós-emergência das plantas daninhas.Quanto à época de aplicação Pré-plantio Quando o herbicida é muito volátil. Outro 52 Módulo 3. ainda.2 . Quando são absorvidos apenas pelas folhas. Esses produtos normalmente são não-seletivos. deve ser aplicado antes do plantio. exemplo: sethoxydim em tomate. etc. por esta razão. ser não-seletivos para a cultura e. Contudo. que pode ser usado em tomate em pré e em pósemergência tardia ou após o transplante. exemplos: glyphosate. no sistema de plantio direto (cultivo mínimo). ele é muito tóxico à soja. Estes produtos podem. feijão e soja. apresentam curto efeito efeito residual e quase sempre são utilizados como dessecantes. são desativados (sorvidos). metsulfuron-methyl em trigo. ele necessita ser incorporado ao solo. neste caso. etc. etc. pois em pós-emergência. Se o herbicida é absorvido pelas folhas e raízes. Também. imazethapy. fotodegradável. apesar penetrarem também pelas raízes. eles devem ser aplicados em pré ou em pós-emergência das culturas ou das plantas daninhas. de solubilidade muito baixa em água e. diz-se que este herbicida é aplicado em PPI. visando facilitar o plantio e promover cobertura morta do solo. também. Estes podem ou não auxiliar na dessecação das plantas. pois muitas vezes. especialmente ao glyphosate. ou. aplicado em pré-plantio e incorporado. reflorestamento e lavouras de café. trigo. Pós-plantio Dependendo da atividade dos herbicidas sobre as plantas. ou. etc. pode-se também misturar. como é o caso do glyphosate e paraquat aplicados no plantio direto de milho. como é o caso do metribuzin. na cultura da soja somente pode ser usado em pré-emergência. Entretanto. como é o caso do trifluralin. até mesmo em subdoses. das condições nas quais ele apresenta melhor desempenho. se o herbicida é seletivo para a cultura.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2 . paraquat. nicosulfuron em milho. Quando aplicado após o preparo do solo e incorporado a este antes do plantio. estes devem ser aplicados antes da emergência (pré-emergência) desta ou de forma dirigida. a sua aplicação em pré ou pós-emergência vai depender da tolerância da cultura e. ou seja. alguns herbicidas devem ser aplicados antes do plantio. em aplicação dirigida. imazaquin. ele pode ser aplicado em pós-emergência de ambas (plantas daninhas e culturas). em culturas perenes como fruteiras. metribuzin.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . exemplos: flumioxazin. outros que possuem maior efeito residual no solo. Todavia. a estes. clorimuron-ethyl. quando atigem o solo. porém têm como objetivo principal garantir o controle inicial das plantas daninhas na implantação da lavoura.

2003a). inibidores do fotossistema I. CRAFTS. pelo floema ou por ambos.2 . inibidores do arranjo dos microtúbulos. a ação do produto pode ser mais rápida. picloram. 1995). glyphosate. inibidores da ACCase. onde atuará para que seus efeitos possam ser observados. Os herbicidas também podem se movimentar (translocar) nas plantas pelo xilema. flazasulfuron. inibidores do fotossistema II. etc.Quanto à translocação Os herbicidas podem ser de contato quando atuam próximo ou no local onde eles penetram nas plantas. os herbicidas podem ser classificados em: mimetizadores de auxinas (auxínicos). entretanto a primeira lesão que ele causa na planta pode caracterizar o seu mecanismo de ação (ASHTON. diquat. Quanto ao mecanismo de ação. Módulo 3. 3 . Estes herbicidas sistêmicos são capazes de se translocarem a grandes distâncias na planta. inibidores da ALS. quando utilizado em pós-emergência. etc. atingir a célula e posteriormente a organela. É importante lembrar que um mesmo herbicida pode influenciar vários processos metabólicos na planta. Inibidores da GS. LIEBL. Neste caso. porque a morte rápida do tecido condutor (floema) limita a chegada de dose letal do herbicida a algumas estruturas reprodutivas das plantas. etc. porém com efeito final menor.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 53 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas exemplo seria o herbicida atrazine. Ele terá necessariamente que penetrar no tecido da planta. inibidores da síntese de carotenóides.4-D. deve-se adicionar à calda óleo mineral visando solubilizar parte da cera epicuticular. 1973. THILL. inibidores da PROTOX. exemplos: paraquat. recomendado para as culturas de milho e sorgo. lactofen. quando usados em doses muito elevadas. podem apresentar ação de contato. inibidores da EPSPs. Estes produtos. Quando o movimento (translocação) do herbicida é via floema ou floema e xilema. nicosulfuron. já a primeira lesão bioquímica ou biofísica que resulta na morte ou ação final do produto é considerada “mecanismo de ação”. A este produto. aumentando a sua penetração pelas folhas. como é o caso de 2. 1995. (WARREN.Quanto aos mecanismos de ação É interessante que se faça distinção entre os termos usados rotineiramente quando se refere a herbicida: “modo e mecanismo de ação de herbicida”. O simples fato de um herbicida entrar em contato com a planta não é suficiente para que ele exerça sua ação tóxica. ele é considerado sistêmico. imazethapyr.HESS. 4 . “Modo de ação” refere-se à seqüência completa de todas as reações que ocorrem desde o contato do produto com a planta até a sua morte ou ação final do produto.

impedindo o movimento dos fotoassimilados das folhas para o sistema radicular. 1). 1973). induzem mudanças metabólicas e bioquímicas. Historicamente. na síntese de ácidos nucléicos e proteínas (ASHTON. Após aplicações de herbicidas auxínicos. epinastia das folhas e retorcimento do caule. Acredita-se que estes produtos interfiram na ação da enzima RNA-polimerase e. Por esse motivo. Estudos sugerem que o metabolismo de ácidos nucléicos e os aspectos metabólicos da plasticidade da parede celular são seriamente afetados. verificam-se rapidamente aumentos significativos da enzima celulase.4-D e o MCPA são os mais importantes. que leva estas espécies a sofrer.1 . as espécies sensíveis têm seu sistema radicular rapidamente destruído. Figura 1 .Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .Herbicidas auxínicos ou mimetizadores de auxina Esta classe de herbicidas é uma das mais importantes em todo o mundo. CRAFTS. notadamente nas raízes. rapidamente. pelo efeito destes produtos sobre o afrouxamento das paredes celulares. quando aplicados em plantas sensíveis. além de interrupção do floema. sendo extensivamente utilizada em culturas de arroz.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. especialmente da carboximetilcelulase (CMC). também. em poucos dias ou semanas. Os herbicidas auxínicos. trigo e cana-de-açúcar e em pastagens. verifica-se crescimento desorga¬nizado. milho. Essa perda da rigidez das paredes celulares é provocada pelo incremento na síntese da enzima celulase. Esse alongamento celular parece estar relacionado com a diminuição do potencial osmótico das células. causando epinastia de folhas e caule. podendo levá-las à morte.2 . conseqüentemente. provocado pelo acúmulo de proteí¬nas e.Sintomas leves de intoxicação de plantas de algodão (A) e ação final do produto sobre plantas de Raphanus raphanistrum (B) 54 Módulo 3. em plantas sensíveis. 2003a). o 2. Estes herbicidas induzem intensa proliferação celular em tecidos. Em conseqüência dos efeitos desses herbicidas. porque eles marcaram o início do desenvolvimento da indústria química (THILL. engrossamento das gemas terminais e morte da planta (Fig. mais especificamente.

em uva. 4. algodão. se aplicado em pós emergência total ocorrem sérios problemas de fitotoxicidade. e na cultura do milho. em condições de campo. exigindo cuidados especiais para se realizar rotação de culturas. sendo estes protegidos pelo esclerênquima em gramíneas (monocoti¬ledôneas).Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 55 . sais ou ésteres. causada pela ação de herbicidas auxínicos. 2. deve-se usar 0 2.2 . b) Usar maior tamanho de gotas. resíduos deixados em pulverizadores mal lavados e contaminação de água de irrigação por estes herbicidas. Essa característica especial das monocotiledôneas pode prevenir a destruição do floema pelo crescimento desorganizado das células. Por exemplo. As seguintes medidas são recomendadas para reduzir problemas com a utilização destes herbicidas: a) Evitar o uso de formulações que apresentam elevada pressão de vapor (muito voláteis). Estádio de desenvolvimento das plantas. É comum a aril hidroxilação resultar na perda da capacidade auxínica destes herbicidas. d) Evitar a aplicação quando o vento estiver em direção às culturas. 3. exemplos: para arroz e trigo deve-se usar o 2.1 .4-D.1. Aril hidroxilação do 2. podem causar sérios problemas técnicos. tomate. Arranjamento do tecido vascular em feixes dispersos. 4. c) Usar baixa pressão para aplicação.3-D-4-OH.. principalmente em aplicações aéreas. ser comercializado isoladamente ou em misturas. que são espécies altamente sensíveis. cada um dos diferentes princípios ativos. Algumas espécies de plantas podem excretar estes herbicidas para o solo através de seu sistema radicular (exsudação radicular).Problemas causados pela utilização incorreta de herbicidas auxínicos Todos os herbicidas auxíncos são derivados de ácidos fracos e podem ser formulados nos seus respectivos ácidos. etc. Deriva. fumo. além de facilitar a sua conjugação com aminoácidos e outros constituintes da planta.4-D apenas em aplicação dirigida. recebendo nomes comerciais diversos. Na cultura do milho (4-6 folhas).2 . se praticável.1. em doses extremamente baixas.4-D após o perfilhamento e antes do emborrachamento. podendo. Nas culturas de arroz e trigo. Módulo 3.5 dicloro-4 hidroxifenoxiacético e 2.Seletividade A seletividade dos herbicidas auxínicos pode ser dependente de diversos fatores: 1. comprometendo de maneira severa o rendimento de culturas e a qualidade do ambiente. se aplicado fora do estádio de desenvolvimento recomendado.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. Alguns desses produtos podem permanecer ativos no solo por longo período.4-D para 2. sendo esta a principal rota para o metabolismo do 2. derivados do ácido picolínico podem causar fitotoxicidade.

durante o florescimento. a decomposição é consideravelmente reduzida. etc. cana-de-açúcar. enquanto as de éster são praticamente insolúveis e. em pastagens. Dicamba 56 Módulo 3. é usado para controlar plantas daninhas perenes. com menor movimentação. Em mistura com o picloram.3 . em fruteiras e lavouras de café. e com glyphosate. Cada formulação pode apresentar características físico-químicas diferentes.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . etc. a atividade residual do 2. As formulações aminas são mais adsorvíveis no solo do que as de éster e.Em ambos os casos o 2.4-D. conferindo ao produto características dife¬renciais quanto à seletividade.2 . ALMEIDA.8 e Koc médio de 20 mg g-1 de solo para formulações ácido ou sais e de 100 mL g-1 de solo para ésteres (RODRIGUES.4 diclorofenoxiacético (2. entretanto. acumulando-se nas regiões meristemáticas dos pontos de crescimento. plantas ganham maior tolerância com a idade.Caracterização de alguns herbicidas auxínicos 2. As formulações ésteres e ácidas são prontamente absorvidas pelas folhas.4-D não excede a quatro semanas em solos argilosos e clima quente. Em solos secos e frios. Em geral.). Apresenta solubilidade de 600 mg L-1. xilema. É muito utilizado em misturas com inibidores da fotossíntese na cultura da cana-de-açúcar. portanto. trigo. amoníaco ou carvão ativado. persistência no ambiente. milho.4-D) foi o primeiro herbicida seletivo descoberto para o controle de plantas daninhas latifoliadas anuais. porque são altamente solúveis. no mercado brasileiro. sendo esta a condição para ótima atividade do produto. e aquelas à base de sal são rapidamente absorvidas pelo sistema radicular das plantas. 4. para uso no plantio direto e em aplicações dirigidas. é encontrado em dife¬rentes formulações e marcas comerciais. Em doses normais.1.4-D se transloca por toda a planta pois se movimenta tanto pelo xilema quanto pelo xilema. além de detergente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas e) Tomar cuidado especial com a lavagem do pulverizador após as aplicações. O 2.4-D Sal ou éster amina do ácido 2. É recomendado para pastagens. mais lixiviáveis. Usar. volatilidade. toxicidade. Transloca-se com grande eficiência em plantas com elevada atividade metabólica. ou. Movimenta-se pelo floema e. Apresenta persistência curta a média nos solos. pka de 2. a resistência a estes herbicidas hormonais é reduzida. gramados e culturas gramíneas (arroz. 2005).

pimentão.).4-D para o controle de plantas em culturas de canade-açúcar. formando o Tordon.3. como o cipó-de-veado (Polygonum convolvulus L. Sendo um herbicida de alta solubilidade em água.4-D. Quando aplicação é feita no toco é fundamental que esta seja realizada imadiatamente após o corte da árvore. comuns em lavouras de trigo. que podem apresentar severos sintomas de intoxicação. É muito utilizado para controlar algumas espécies de dicotiledôneas tolerantes ao 2. está sujeito a lixiviação. tomate. Deve ser observado o período residual para o cultivo de espécies altamente sensíveis (videira. pka: 1. Esta mistura pode ser usada em área total ou em áreas localizadas. pode permanecer ativo na matéria orgânica proveniente de pastagens tratadas com este produto (RODRIGUES. sendo muito utiliza¬do em misturas com o 2. da evaporação.29. Picloram O ácido 4-amino 3.000 mg L-1. etc. na planta.4-D) é muito utilizada em pastagens para o controle de plantas daninhas anuais.5. Apresenta solubilidade de 720. Dontor ou Manejo. Kow: 1. e Koc médio de 16 mg g-1 de solo. É muito pouco adsorvido pelos colóides de argila e mais pela matéria orgânica do solo. dependendo da intensidade. até mesmo quando cultivadas em solos adubados com esterco proveniente de pastagens tratadas com picloram e pastoreadas logo depois. ou. podendo se acumular no lençol freático raso. considerando o controle de plantas daninhas herbáceas e arbustivas. do movimento capilar da água e. O picloram. ALMEIDA.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas O sal de dimetilamina do ácido 3.0 e 83. 2005). É fracamente adsorvido pela matéria orgânica ou argila. apre¬senta efeito lento. Apresenta pka: 2.4-D.6 tricloro-2-piridinacarboxílico (picloram) é um produto extremamente ativo sobre dicotiledôneas.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 57 .2 .4 a pH 7. em solos de textura arenosa.. xilema. ou. 6-dicloro-2-metoxibenzoico (dicamba) é facilmente translocado pelas plantas via floema e. A mistura (picloram + 2. Para o controle de árvores. em razão de sua longa persistência no solo (dois a três anos). perenes e de árvores. e também com fluroxypyr formando o Plenum. Também. milho e trigo e em pastagens. na região Sul do Brasil.). Apresenta longa persistência (meia-vida de 20 a 300 dias) e fácil mobilidade no solo. sendo recomendado de modo semelhante ao 2. 2001). fumo. antes que se inicie o processo de cicatrização.2 a pH 1. Apresenta maior efeito sobre dicotile¬dôneas. para evitar a rebrota de espécies-problema como o leiteiro (Peschiera funchsiaefolia) e outras. e koc de 2 mg g-1 de solo. porém extremamente persistente (a planta não consegue metabolizar rapidamente o picloram). o que dificulta a absorção e translocação do herbicida até as raízes (SILVA et al. algodão. Módulo 3. Kow: 0. para controlar arbustos e árvores. pode ser feito o pincelamento ou a pulveri¬zação dos tocos.87.

O vento deverá estar soprando da cultura sensível para a área de aplicação. soja. entre outras (RODRIGUES. 2005).2 . a energia luminosa capturada pelos pigmentos (clorofila e carotenóides) é transferida para um “centro de reação” especial (P680).26 x 10-6 mm Hg a 25 oC. Em solos leves. pode haver lixiviação (RODRIGUES. Interromper imediatamente as aplicações se houver mudança na direção do vento.1 . pressão de vapor de 1. algodão. feijão. a quinona 58 Módulo 3. Deve ser aplicado de outubro a março (no período chuvoso).36 a pH 7. com as plantas em pleno vigor vegetativo.Herbicidas inibidores da fotossistama II São de grande importância na agricultura brasileira e mundial. chamada “Qb”. umidade relativa >50% e temperatura < 30°C..Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .6-tricloro-2-piridinil) oxi] acético (triclopyr) apresenta ação semelhante ao picloram. por sua vez. A molécula da plastoquinona “Qa” transfere o elétron.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Triclopyr O ácido [(3.64 a pH 5 e 0. Kow: 2. hortaliças. pka: 2. sua meia-vida é de 20 a 45 dias. sob condições de alta pluviosidade. ALMEIDA. durante a fase luminosa da fotossíntese. gerando um elétron “excitado”.000 m de culturas sensíveis. Quando um segundo elétron é transferido para a plastoquinona “Qb”. (FREITAS et al.. cana-de-açúcar. É também muito eficiente e seletivo para controlar dicotiledôneas infestantes de áreas cultivadas com gramas: jardins. A aplicação poderá ser por equipamentos terestres ou por avião quando as áreas estiverem infestadas densamente por plantas daninhas de pequeno e médio porte.2 .2. 2005). 2004). em área total para controle de plantas daninhas em pastagens e arroz. as proteínas e outras substâncias químicas envolvi¬das na reação da fotossíntese estão localizados nos cloroplastos.5. ALMEIDA. Seu grau de adsorção depende do pH do solo.68. milho. É recomendado para uso em pós-emergência. em aplicação foliar. e Koc médio de 20 mL g-1 de solo. Apresenta solubilidade em água de 23 mg L-1. Nas condições normais. açudes. também presa na proteína. fruteiras. sendo largamente utilizados nas cultu¬ras de grande interesse econômico. 4. para uma outra molécula de plastoquinona. como arroz. sem a interferência de inibidores do fotossistemoa II. porém é rapidamente degradado no solo. etc. 4. Este elétron é transferido para uma molécula de plastoquinona presa a uma mem¬brana do cloroplasto (Qa).Mecanismo de ação Os pigmentos. campo de futebol. com ventos de 0 a 6 km h-1. dependendo do tipo de solo e das condições climáticas. Nunca fazer aplicações aéreas a menos de 2.

formando uma plastoidroquinona (QbH2). Esse fato demonstra que algo mais que a simples inibição do fotossistema II está ocorrendo. Herbicidas derivados do fenol (dinoseb. pironas. das uréias substituídas. Fonte: Warren e Hess (1995) Os derivados das triazinas e das uréias substituídas são conhecidos por se prenderem justamente ao sítio dos elétrons da proteína D-1. De maneira simplificada. Figura 2 . Essa proteína é chamada D-1. por alguma razão não conhecida. prendendo-se. A associação com a proteína se dá com aminoácidos diferentes no sítio para cada biótipo. também. como pode ser visto na Fig. O sítio. sabe-se que a clorose foliar que Módulo 3. Além da competição em si pelo sítio na proteí¬na. ocasio¬nando a saída da plastoquinona e interrompendo o fluxo de elétrons entre os fotossistemas. esta proteína é destruída rapidamente pela ação da luz. Sabe-se. WELLER. (HESS. os herbicidas apresentam maior tempo de residência no sítio do que a plastoquinona “Qb”. Diversos análogos do fenol foram descritos como inibidores fotossistema II. impedindo sua destruição. De modo geral. naftoquinonas. fica entre a quarta e quinta hélices que atravessam as membranas dos cloroplastos e a hélice paralela que liga as duas. bromoxynil e ioxynil). Atualmente. Muitos herbicidas inibidores do fotossistema II (derivados das triazinas. ou bolso. Alguns exemplos: piridonas. não evitam a destruição da proteína D-1 pela luz.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas reduzida torna-se protonada (dois íons de hidrogênio são adicionados). dioxobenzotiazoles e cianoacrilatos. Estes herbicidas.2.) causam essa inibição prendendo-se na proteína. que ela tem uma configuração de cinco hélices que atravessam a membrana do cloroplasto (tilacóide) e duas hélices paralelas que se interligam. aumentam a estabilidade desta na presença da luz. Isso impede que uma mudança na sequência de aminoácidos da proteína (mutação) tornando esse biotipo resistente aquele herbicida. ao sítio da plastoquinona “Qb”.2 . Estes herbicidas competem com a plastoquinona “Qb” parcialmente reduzida (QbH) pelo sítio na proteína D-1. Plantas suscetíveis tratadas morrem mais rapidamente quando pulverizadas na presença da luz do que quando pulverizadas e colocadas no escuro. benzoquinonas. como fazem os “clássicos”. 2003). quinolonas. a função da plastohidroquinona é transferir elétrons entre os fotossis¬temas II (P68O) e I (P7OO). por exemplo. 1995a. sendo conhecida também como proteína 32 kilodaltons. A proteína D-1 é hoje muito conhecida. quando se prendem à proteína. onde a plastoquinona “Qb” se prende e onde os herbicidas vão se prender também. etc. seja válida para outros produtos desse mesmo grupo químico.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 59 . com baixa afinidade para se prender na proteína. no sítio onde se prende a plastoquinona “Qb”. o que aumenta o efeito inibitório destes.Esquema do transporte de elétrons na fotossíntese. dos fenóis.

Essa molécula de clorofila. Todos eles translocam-se nas plantas apenas via xilema. a velocidade de absorção foliar é diferente para cada produto deste grupo. plantas perenes somente são eliminadas por esses herbicidas quando tratadas via solo. Figura 3 . Esse excesso de energia (clorofila triple) causa o início da peroxidação de lipídios por dois mecanismos: a: formação direta de radical lipídico nos ácidos graxos insatura¬dos da membrana do cloroplasto.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ocorre após o tratamento é devida a rompimentos na membrana dos pigmentos causados pela peroxidação de lipídios (ácidos graxos insaturados) da membrana (Fig. e b: a clorofila de carga tríplice também reage com oxigênio e produz um oxigênio reativo (oxigênio singlet). todos eles podem ser absorvidos pelas raízes. é sobrepujado pelo excesso de clorofila no estado de alta energia. declina poucas horas após o tratamento. Essa molécula de oxigênio carregada contribui para o processo de formação dos radicais lipídicos nos ácidos graxos insaturados da membrana. que é normalmente transferido para o centro de reação (P680). ela sai do estado neutro (sem carga) e vai para um estado de energia simples. tratadas com esses herbicidas. dado pelos carotenóides. Essas reações dão início ao processo de peroxidação das membranas. 3). Em casos nor¬mais. 60 Módulo 3.2. Na presença do herbicida. o sistema de prote¬ção. não podendo transferir o elétron ao centro de reação P680 (fotossistema II). entretanto. 1995). Esta clorofila não retorna ao estado anterior quando o fluxo de elétrons é interrompido pela ação do herbicida que se prendeu ao sítio da plastoquinona “Qb”.Características gerais dos inibidores do fotossistema II • • • • A taxa de fixação de CO2 pelas plantas sensíveis.2 .Estrutura esquemática da membrana de um cloroplasto Fonte: Warren e Hess (1995) Quando a clorofila aceita um elétron. para que a clorofila não se destrua. aparecendo os sinais de necrose foliar (WELLER. Aparentemente. 4.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . tornase ainda mais carregada e mais reativa (estado de energia tríplice). no estado de energia simples.2 . por esse motivo. Estes herbicidas não provocam nenhum sinal visível de intoxicação no sistema radicular das plantas. a carga é repassada aos carotenóides.

Como exemplo. Alguns herbicidas deste grupo apresentam seletividade “toponômica” ou seletividade por posição. com relativa freqüência. porque este produto é muito pouco móvel no perfil do solo. pode se verificar perda de seletividade do herbicida. ao tipo de formulação utilizado. são variáveis para cada tipo de solo. pois possuem pressão de vapor muito baixa. também. torna-se necessário fazer rotação com outros herbicidas que apresentam mecanismo de ação diferente.Mecanismos de seletividade As causas pelas quais os herbicidas inibidores do fotossistema II são seletivos são diversas e variam de cultura para cultura (WELLER. podendo garantir a seletividade de determi¬nadas espécies. Neste caso. Por este motivo. É comum ocorrer efeito sinérgico quando se aplicam inibidores do fotostema II em mistura com outros herbicidas. Normalmente. Todavia. menor reserva de carboidratos. de adição de adjuvante (estes produtos podem apresentar difícil penetração foliar e não são sistêmicos). A persistência agronômica destes herbicidas no solo é extremamente variável. Em geral. Neste caso. Por estas razões.2. Absorção diferencial por folhas e raízes . 4. ainda. morfologia das folhas e raízes e. 1995). o herbicida não será absorvido em quantidade suficiente para intoxicar a cultura.este fato pode ser devido à anatomia e. Apresentam pouca ou média mobilida¬de no perfil do solo. Plantas que estão se desenvolvendo em condições de baixa lumino¬sidade são mais suscetíveis a esses herbicidas. estes herbicidas são muito adsorvidos pelos colóides orgânicos e minerais do solo. ou. Todos os herbicidas inibidores do fotossistema II apresentam toxicidade muito baixa para mamíferos. ele poderá entrar em contato com o sistema radicular do algodão e causar severa intoxicação à cultura. tem-se a seletividade do diuron para a cultura do algodão. se o diuron for incorporado mecanicamente ao solo.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 61 . ainda. não atingindo o local de sua absor¬ção pela planta (sistema radicular).2 . Tem sido observado. quando aplicadas diretamente no solo. estes herbicidas não apresentam problemas de deriva por volatilização. Elas apresentam menor barreira cuticular à penetração dos herbicidas e.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • • • • • • • • Quando esses herbicidas são usados em pós-emergência. ou se for aplicado em solo de textura arenosa e com baixo teor de matéria orgânica. podendo levá-la à morte. necessita-se de boa cobertura foliar da planta e. Na realidade. Módulo 3. podendo ser curta para alguns produtos (< 30 dias) ou muito longa (> 720 dias) para outros. o diuron não causa intoxicação à cultura do algodão quando utilizado em pré-emergência. o aparecimento de novas espé¬cies de plantas daninhas resistentes a estes herbicidas (atuam em sítio de ação específico). inseticidas ou fungi¬cidas inibidores da colinesterase. as doses recomendadas.3 .

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Translocação diferencial das raízes para as folhas - isto ocorre devido à presença de glândulas localizadas nas raízes e ao longo do xilema, que adsorvem estes produtos, impedindo que sejam translo¬cados até seus sítios de ação, localizados nos cloroplastos. Metabolismo diferencial - algumas espécies de plantas, em suas raízes ou em outras partes, possuem enzimas que são capazes de metabolizar as moléculas de determinados herbicidas, transformando-os rapida¬mente em produtos não-tóxicos para as plantas. Como exemplo, pode-se citar o milho e o sorgo, que apresentam em suas raízes teores elrvados de benzoxazinonas. Estes compostos podem promover rápida degradação da molécula de atrazine por meio de reações de hidroxilação, dealquilação, ou ainda a conjugação dessa molécula com polipetídeos naturais, tornando estas culturas tolerantes a este herbicida. Outro exemplo seria a seletividade da cultura de arroz ao herbicida propanil. Esta cultura apresenta concentrações de dez a trinta vezes da enzima arilacilamidase em realação às principais gramíneas infestantes do arroz. Elevadas concetrações da arilacilamidase, nas folhas de arroz, garantem a degradação do propanil antes que estes atinjam os cloroplastos (sítio de ação primário deste herbicida), o que não ocorre com as gramíneas infestantes dessa cultura. 4.2.4 - Caracterização de Alguns Herbicidas Inibidores do Fotossistema II Atrazine

O 6-cloro-N-etil-N’-(1-metiletil)-1,3,5-triazina-2,4-diamina (atrazine) apresenta solubilidade em água de 33 mg L-1, pka: 1,7, kow: 481; e koc médio de 100 mg g-1 de solo (Rodrigues; Almeida, 2005). É moderadamente adsorvido pelos colóides da argila e da matéria orgânica, tanto mais quanto maior o seu teor no solo; o processo é reversível, dependendo da umidade, da temperatura e do pH do terreno. É lixiviável, sendo comum ser encontrado nos solos cultivados em profundidade superior a 30 cm e também em águas subterrâneas. Sua degradação no solo é, em parte, microbiana, mas também química e física. Apresenta meia-vida no solo média de 60 dias e persistência média a longa nos solos nas doses recomendadas de 5 a 7 meses. Em solos tropicais e subtropicais sua persistência pode também ser maior que 12 meses se usado em doses elevadas em condições de pH do solo elevado, clima frio e seco. Em diversas regiões do Brasil, em campo, tem sido observada intoxicação da aveia semeada até 150dias após aplicação de atrazine na cultura do milho. É muito utilizado na cultura do milho, sendo, também, recomendado para cana-de-açúcar, café, fruteiras, cacau, pimenta-do-reino, etc. Fumo e trigo são muito sensíveis ao atrazine. Quando aplicado em pós-emergência, tem-se observado ótima eficiência de controle das plantas daninhas mesmo com a redução da dose aplicada. Todavia, para isso, é necessário adicionar à calda óleo mineral, sendo mais eficiente para controlar plantas daninhas recém-emergidas (plantas com 1-2 pares de folhas). É muito utilizado em misturas com outros herbicidas em culturas de milho, cana-de-açúcar, fruteiras e outras. As plantas de milho e sorgo possuem a capacidade de metabolizar o atrazine absorvido,
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transformando-o por meio de reações de hidroxilação, dealquilação e conjugação, por ação de benzoxazinonas presentes nestas espécies, em compostos não-tóxicos. O atrazine é muito eficiente no controle de dicotiledôneas, porém apresenta eficiência apenas regular para controle de diversas monocotiledôneas. Na cultura do milho, é muito utilizado em pré-emergência, quando em mistura com o metolachlor, formando o “Primestra”, e também em pós-emergência precoce, quando em mistura com óleo mineral (Primóleo) para controle de dicotiledôneas e em mistura no tanque com o nicosulfuron ou outras sulfoniluréias (foramsulfuron + idosulfuron-methyl), em áreas com infestação mista (JAKELAITIS et al., 2005). Simazine

O 6-cloro-N,N`-dietil-1,3,5-triazina-2,4-diamina (simazine) apresenta solubilidade em água de 3,5 mg L-1, pka: 1,62, kow: 122; e koc médio de 130 mg g-1 de solo. É adsorvido pelos colóides da argila e da matéria orgânica e tanto mais quanto maior o seu teor no solo; o processo é reversível, dependendo da umidade, da temperatura e do pH do terreno. É pouco lixiviável, não sendo comum ser encontrado nos solos cultivados em profundidade superior a 10 cm. Sua degradação no solo é, em parte, microbiana, mas também química, ocorrendo hidrólise, com formação de hidroxisimazine e dealquilação do grupo amino. Apresenta persistência média no solo nas doses recomendadas de 5 a 7 meses em condições tropicais e subtropicais, podendo ser maior que 12 meses se usado em doses elevadas. Pode ser usado em pré-emergência das plantas daninhas nas culturas de café, cana-deaçúcar, alfafa, fruteiras, etc., para controle de dicotiledôneas e algumas gramíneas. Em doses maiores que 10kg ha-1 do p.c., pode ser usado usado para limpeza de cercas e áreas industriais. É absorvido basicamente pelo sistema radicular das plantas, sendo pouco móvel no solo. É utilizado em misturas com o atrazine, visando minimizar efeitos do clima, principalmente oscilações pluviais, e também para aumentar o espectro de controle de espécies de plantas daninhas. Ametryn

O N-etil-N`-1(metiletil)-6-(metiltio)-1,3,5-triazina-2,4-diamina (ametryn) apresenta solubilidade em água de 200 mg L-1; pka: 4,1; kow: 427; e koc médio de 300 mg-1 de solo. É medianamente lixiviável nos solos arenosos (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Sua degradação no solo é, em maior parte microbiana, mas também química, por processos de oxidação e hidrólise.
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Apresenta persistência média no solo nas doses recomendadas de 4 a 6 meses em condições tropicais e subtropicais, podendo ser maior que nove meses se usado em doses elevadas, dependendo do clima e tipo de solo (meia-vida média no solo é de 60 dias). É reco¬mendado para as culturas de cana-de-açúcar, banana, café, abacaxi, citros, milho e videira, para controle de mono e dicotiledôneas. Pode ser absorvido facilmente pelas raízes e folhas de plantas. É pouco móvel no solo, por ser muito adsorvido por colóides orgânicos e minerais. Sua adsorção pelos colóides é muito influenciada pelo pH. Também pode apresentar adsorção negativa (dessorção), ocorrendo liberação para as plantas de moléculas anteriormente inativadas pelos colóides do solo. É muito utilizado em misturas com os herbicidas diuron, tebuthiuron, atrazine, trifolysulfuron-sodium, 2,4D, etc; principalmente quando recomen¬dado para de cultura da cana-de-açúcar (PROCÓPIO et al., 2003). É pouco lixiviado no solo, permanecendo na maioria das condições na camada superior (primeiros 30 cm). Prometryne

O N,N`-bis(1-metiletil)-6-(metiltio)-1,3,5-triazina-2,4-diamina (prometryne) apresenta solubilidade em água de 48 mg L-1; pka: 4,09; kow: 1.212; e koc médio de 400 mg g-1de solo. É pouco lixiviado em solos de textura média a argilosa, sendo facilmente degradado por microrganismos que o utilizam como fonte de energia. Apresenta persistência média no solo nas doses recomendadas de 1 a 3 meses em condições tropicais e subtropicais, dependendo das condições de solo, do clima e da dose utilizada. Sua absorção é feita pelas folhas e raízes, sendo mais utilizado em pré-emergência. É recomendado para as culturas de quia¬bo, aipo, cenoura, alho, salsa, cebola, ervilha, etc. A cultura da cebola apresenta maior tolerância ao prometryne quando este é aplicado antes do transplante. Não apresenta seletividade para a cultura da cebola em semeadura direta. Metribuzin

O 4-amino-6-(1,1-dimetiletil)-metiltio-1,2,4-triazina-5-(4H)-ona (metribuzin) apresenta solubilidade em água de 1.100 mg L-1; kow: 44,7; e koc médio de 60 mg g-1 de solo (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É moderadamente adsorvido em solos com alto teor de matéria orgânica e, ou, argila. É um herbicida muito dependente das condições edafoclimáticas para seu bom funcionamento. Quando aplicado na superfície de solo seco e persistir nesta condição por sete dias,
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é desativado por fotodegra¬dação (SILVA, 1989). O metribuzin é também facilmente lixiviado no solo, não sendo recomendado seu uso em solo arenoso e, ou, com baixo teor de matéria orgânica. É absorvido tanto pelas folhas quanto pelas raízes. Controla diversas espécies de dicotiledôneas e algumas gramíneas. É recomendado para aplicação em pré-emergência nas culturas de batata, tomate, soja, café, cana-de-açúcar e mandioca para o controle de diversas infestantes dicotiledôneas. Não apresenta nenhum controle sobre Euphorbia heterophylla. Na cultura do tomate conduzida em semeadura direta, deve ser usado exclusivamente em pré-emergência, logo após a semeadura. No tomate transplantado, poderá ser usado também em pós-emergência, até dezdias após o transplante das mudas. É utilizado em misturas com outros herbicidas, especial¬mente com trifluralin e metolachlor, na cultura da soja. Linuron

O N-(3,4-diclorofenil)-N-metoxi-N-metiluréia (linuron) é um herbicida derivado do grupo das uréias, que apresenta solubilidade em água de 75 mg L-1, pka: zero; kow: 1.010; e koc médio de 400 mg g-1 de solo. É adsorvido principalmente em solos com alto teor de matéria orgânica e, ou, argila, sendo pouco lixiviável nestes tipos de solo, apresentando persistência de 2 a 5 meses. É recomendado para uso em soja, algodão, milho, batata, cenoura, rabanete, alho, cebola, etc., principalmente para aplicações em pré-emergência. Nas culturas de cenoura e de cebola, pode também ser usado em pós-emergência, quando as plantas daninhas estiverem com 1-2 pares de folhas. É mais facilmente absorvido pelas raízes, tendo a sua atividade muito influenciada pelas caracterís¬ticas físico-químicas do solo (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Diuron

O N`-(3,4-diclorofenil)-N,N-dimetiluréia (diuron) apresenta solubilidade em água de 42 mg L-1; pka: zero; kow: 589; e koc médio de 480 mg g-1 de solo e uma meia-vida média no solo de 90 dias com persistência de 4-8 meses (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É muito adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais, sendo sua atividade altamente influenciada pelas características físico-químicas do solo; por esta razão, é pouco móvel no perfil do solo. Esta característica garante a “seletividade toponômica” do diuron para o algodão e outras culturas em solos de textura média a pesada. Todavia, em solos de textura arenosa e com baixo teor de matéria orgânica, o diuron pode atingir o sistema radicular das culturas, tornando-as sensíveis. É recomendado para as culturas de algodão, cana-de-açúcar, citros, abacaxi, mandioca, seringueira, pimenta-do-reino, cacau, etc., para
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o controle de gramíneas e dicotiledôneas, sendo facilmente absorvido pelas raízes das plantas. O diuron, também, é muito recomendado em misturas com diversos herbicidas (paraquat, ametryn, 2,4-D, tebuthiuron, atrazine, MSMA, etc.), para uso em plantio direto, em aplicações dirigidas em diferentes culturas, em sistemas de plantio direto e convencional. Tebuthiuron

O N-[5-(1,1-dimetiletil)-1,3,4-tiadiazol-2-il]-N,N’-dimetiluréia (tebuthiuron) possui solubilidade em água de 2.570 mg L-1; pka: zero; kow: 671 e koc médio de 80 mg g-1 de solo. É adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais, apresentando média lixiviação no perfil do solo. Quando usado em doses elevadas em cana-de-açúcar, recomenda-se não cultivar culturas sensíveis ao tebuthiuron, como feijão, amendoim e soja por um período inferior a dois anos e a três anos quando aplicado em pastagem. A persistência do tebuthiuron em regiões de elevada precipitação pluvial é de 12 a 15 meses; todavia, esta persistência é muito maior em regiões sujeitas a déficits hídricos prolongados. No Brasil, é recomendado para uso em cana-de-açúcar, pastagens e áreas nãocultivadas. Controla largo espectro de dicotiledôneas e monocotiledôneas anuais e perenes. É formulado como pó-molhável e suspensão concentrada. É recomendado para uso em préemergência na cultura da cana-de-açúcar, em aplicação isolada ou em misturas com outros produtos para o controle de plantas daninhas de folhas estreitas e largas que se propagam por sementes (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Também pode ser usado para eliminar árvores ou arbustos em pastagens. Neste caso, apresenta efeito lento, podendo demorar de 3 a 12 meses para eliminar a planta. Bentazon

O 3-(1-metiletil)-(1H)-2,1,3-benzotiodiazinona-4(3H)-ona 2-dióxido (bentazon) apre-senta solubilidade em água de 500 mg L-1; kow: 0,35; e koc médio de 34 mg g-1 de solo. É adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais do solo, mostrando potencial de lixiviação muito reduzido, não sendo encontrado em profundidades superiores a 20 cm. Apresenta curta persistência no solo (inferior a 20 dias), não se observando efeito residual em culturas sucessoras (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É registrado no Brasil para as culturas de amendoim, arroz, feijão, milho, soja e trigo. É utilizado exclusivamente em pós-emergência, devido à reduzida absorção radicular. Recomenda-se adição de um adjuvante oleoso à calda, para lhe facilitar a absorção por algumas
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Deve ser aplicado com as plantas daninhas com bom vigor vegetativo. Commelina benghalensis. com estas. -1 Módulo 3. Requer um período de seis horas sem chuva. pois inibem a enzima arilacilamidase responsável pelo rápido metabolismo do propanil nas plantas de arroz. É recomendado em pós-emergência da cultura do arroz e das plantas daninhas. pka: zero. Todavia. preferencialmente. além de outras. Ipomoea grandifolia. de apenas três dias.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 67 . no início do desenvolvimento (2 a 3 folhas). Rhaphanus raphanistrum. horas de calor.2 . umidade relativa do ar inferior a 70% e excesso de chuva. kow: 193. Não utilizá-lo em lavouras onde as sementes foram tratadas com carbofuran (RODRIGUES. ou com a cultura em precárias condições vegetativas. as misturas com fungicidas. Apresenta persistência muita curta no solo. e koc médio de 149 mg g-1 de solo. Não se adiciona surfatante à calda. A eficácia é maior a temperaturas altas e reduz quando abaixo de 16 oC. É muito comum o uso do propanil em mistura com outros herbicidas. primeiro o graminicida e. quando a infestação do terreno incluir espécies que lhe são tolerantes. o uso de óleo mineral torna-se mais necessário. no inverno. ALMEIDA. inseticidas e fertilizantes foliares podem quebrar-lhe a seletividade para a cultura do arroz. Deve ser usado em aplicações seqüenciais com inseticidas: com os organofosforados observar intervalo mínimo entre as aplicações de 15 dias e. exceto para a cultura do feijão onde a adição do adjuvante não é recomendada pois pode causar fitotoxicidade. fitossanitárias ou cobertas de orvalho. visto que são comuns as combinações com graminicidas pós-emergentes. Não atua sobre gramíneas.4-diclorofenil) propanamida (propanil) apresenta solubilidade em água de 500 mg L . nestas condições. razão pela qual. É comum ser utilizado em mistura. dicotiledôneas e ciperáceas. É fracamente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais. A aplicação simultânea induz efeito antagônico. Controla diversas espécies de folhas largas anuais. evitando períodos de estiagem e umidade relativa do ar inferior a 60%. após as aplicações. aplica-se. 2005). Deve ser aplicado sobre plantas daninhas no estádio de 2 a 4 folhas. com herbicidas recomendados para controlar plantas daninhas de folhas largas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas espécies de plantas daninhas. Bidens pilosa. para os carbamatos. o bentazon. Propanil O N-(3. em um intervalo de três dias. no tanque. evitando períodos de estiagem. Contudo é totalmente ineficiente no controle de Euphorbia heterophylla e Amaranthus sp. estando estas com bom vigor vegetativo. visando aumentar o espectro de controle das plantas daninhas. É compatível com a maioria dos herbicidas. preferencialmente. 30 dias. Controla com eficiência diversas espécies de gramíneas. entre elas Acanthospermum australe. para assegurar sua absorção pelas plantas. sendo decomposto basicamente por microrganismos.

Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . quando aplicados em préemergência. as necroses foliares têm o formato e a intensidade das gotículas de pulverização. • A ação tóxica dos herbicidas inibidores da Protox. Como estes herbicidas não se movimentam dentro da planta. • Os difeniléteres são fortemente adsorvidos pela matéria orgânica do solo e muito pouco lixiviados.2 . 1995) são: • Herbicidas deste grupo podem penetrar pelas raízes. • Há muito pouca ou praticamente nenhuma translocação nas plantas tratadas. enquanto para peixes ela varia de baixa a moderada. Os primeiros sintomas são manchas verde-escuras nas folhas. HESS. se manifesta nas plantas próximo da superfície do solo. que pode variar com a dose aplicada.3 . no escuro.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. durante a emergência das plântulas • A incorporação ao solo diminui a ação destes herbicidas.1. os herbicidas deste grupo não têm ação. pelos caules e pelas folhas de plantas jovens. 4. • A persistência no solo varia consideravelmente entre os herbicidas deste grupo. • A toxicidade para pássaros e mamíferos é baixa. em decor¬rência do uso repetido destes.Herbicidas inibidores da Protox 4. para que ela seja efetivamente controlada. É comum ocorrer danos em culturas sucedâneas quando não se observa o período residual recomendado. • São poucos os relatos na literatura sobre o aparecimento de plantas daninhas que adquiriram resistência a estes herbicidas. tipo de solo e condições climáticas. Principais características As principais características dos herbicidas inibidores da Protox (WARREN. • As partes tratadas da planta que são expostas à luz morrem rapidamente (dentro de um a dois dias). em razão da maior sorção destes aos colóides do solo. podendo variar de alguns dias a vários meses. É preciso que haja boa cobertura da planta.3. ou seja.Mecanismo de ação A atividade destes herbicidas é expressa por necrose foliar da planta tratada em pósemergência.3. dando a impressão de que estão encharcadas pelo rompimento da membrana celular e 68 Módulo 3. após 4-6 horas de luz solar.2 . • A atividade herbicida acontece na presença da luz.

precursor da protoporfirina IX. o sintoma característico é a necrose do tecido que entrou em contato com o herbicida (WARREN. conhecida simples¬mente pela abreviatura Protox. Experiências realizadas por vários autores mostraram que o uso de um herbicida inibidor do transporte de elétrons na fotossíntese (diuron). sem Mg.2 . Esse pigmento interage com o oxigênio e a luz para formar o oxigênio singleto (O2). reconhecidamente capaz de iniciar o processo de peroxidação de lipídios. a luz é sempre necessária para a ação herbicida. responsável pela formação da Mg-protoporfirina IX. 4A). um precursor da clorofila. A oxidação enzimática ocorre então no citoplasma. em tecidos tratados com os difeniléteres. foi verificado que o protoporfirinogênio IX. Em seguida. ácido 4. ou mesmo de um mutante de planta amarelo (não-fotossintetizante). 1995). Estas experiências demonstraram que o requerimento de luz para a atividade herbicida dos difeniléteres não está relacionado com a fotossíntese. sai do centro de reação do cloroplasto quando a Protox é inibida e se acumula no citoplasma. Primeiramente foi mostrado que.6-dioxoheptanóico) serviam de proteção contra os difeniléteres. surgiram vários trabalhos que ajudaram no entendimento do mecanismo de ação desses herbicidas. foi mostrado que a enzima inibida pelos herbicidas do grupo dos difeniléteres era a protoporfirinogênio oxidase. Foi descoberto também que substâncias capazes de inibir a síntese da protoporfirina IX (gabaculina. houve a formação de grande quantidade de oxigênio singleto (O2). A protoporfirina IX formada no citoplasma. Ficou então uma questão crucial para ser respondida: se a Protox é inibida.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 69 . A estes sintomas iniciais segue-se a necrose. no momento em que a plântula emerge. ácido levulênico. tratando-se cloroplastos com um herbicida do grupo difenil-éter. não reduziu o dano ocasionado pela aplicação de um difeniléter. Foi mostrado que a protoporirina IX é acumulada fora dos plastídios. outras publicações comprovaram que o pigmento envolvido era a protoporfirina IX. como é que a protoporfirina IX estaria sendo acumulada? Num trabalho de 1993.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas derramamento de líquido citoplasmático nos intervalos celulares (Fig. Módulo 3. HESS. e o produto formado não serve de substrato para a enzima Mg-quelatase. o tecido é danificado por contato com o herbicida. No período de 1988-89. Figura 4 – Sintomas de intoxicação em plantas de pepino tratadas com fomesafen (A) e efeito residual no solo (carryover) em folhas de milho (B) Após a absorção e pequena translocação destes herbicidas até o local de ação. Quando estes herbicidas são usados em pré-emergência. Finalmente. Similarmente à aplicação pósemergência.

Deve ser aplicado com as plantas daninhas com bom vigor vegetativo. a oxidação pela Protox no citoplasma. provoca níveis elevados de porfirina. As conseqüências do descontrole são o aumento rápido do protoporfirinogênio IX. Esse fato sugere um manuseio bem cuidadoso desses herbicidas. A explicação mais plausível é a inibição da síntese do grupo heme. O grupo heme é conhecido pela ação de controle na síntese do ácido aminolevulínico (ALA). sorgo. 4. horas de muito calor e umidade relativa do ar inferior a 60%. É registrado no Brasil para as culturas de soja e feijão. Controla grande número de espécies de folhas largas anuais. pka: 2. É recomendado para uso em pós-emergência das plantas daninhas estando estas no estádio de 2 a 4 folhas.3. por exemplo. deixando de haver o controle sobre a síntese de ALA. 1995). 2005). entre elas Acanthospermum australe.83. Amaranthus hybridus. Euphorbia heterophylla. kow: 794. Deve-se adicionar à calda o adjuvante recomendado pelo fabricante. daí o aparecimento de necroses de forma tão rápida (4-6 horas). Bidens pilosa. Recomenda-se observar um intervalo mínimo de 150 dias entre a aplicação do fomesafen e a semeadura de milho e. o aparecimento do oxigênio singleto (forma reativa do oxigênnio) e a peroxidação dos ácidos graxos insaturados da plasmalema (WARREN. Ipomoea grandifolia. quando adicionado na dieta de ratos. evitando períodos de estiagem. Vale a pena salientar que a enzima protoporfirinogênio oxidase (protox) ocorre também nos mitocôndrios de células animais e que a enzima encontrada nos mitocôndrios é mais sensível aos herbicidas difeniléteres do que a enzima encontrada nos cloroplastos. e koc médio de 60 mg g-1 de solo. HESS. Requer uma hora sem 70 Módulo 3.Caracterização de alguns herbicidas inibidores da PROTOX Fomesafen O 5-(2-cloro-4-(trifluorometil) fenoxi-N-(metilsulfonil)-2-nitrobenzamida (fomesafen) apresenta solubilidade em água de 50 mg L-1 (ácido). A acumula¬ção de protoporfirina em células humanas é conhecida por estar associada com algumas doenças. que é sintetizado a partir da protoporfirina IX com a interferência da Fe quelatase. a partir do glutamato. Uma explicação final deve ser dada sobre o fato de que a protopor¬firina IX se acumula muito rapidamente em células de plantas tratadas com um difeniléter ou oxadiazon. O padrão de acumulação é o mesmo observado na doença Porfiria variegata.2 .Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . a formação da protoporfirina IX. RODRIGUES. a saída para o citoplasma. como a protoporfiria. a síntese de heme é também inibida. variando de dois a seis meses (ALMEIDA. ou.3 . A acumulação rápida da protoporfirina IX sugere um descontrole na rota metabólica de síntese desta. Com a inibição da protox no cloroplasto. além de outras. precursor na planta dos citocromos. Oxadiazon. Persistência alta no solo na dose recomendada.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas interage com o oxigênio e a luz para formar o oxigênio singleto (‘O2) e iniciar o processo de peroxidação dos lipídios da plasmalema.

esta. visando aumentar espectro de controle de plantas daninhas. e koc médio de 100. É fortemente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais e. Controla grande número de espécies de folhas largas anuais. 2005). é resistente à lixiviação no perfil do solo.1 mg L-1. como Euphorbia heterophylla. nas culturas de nogueira. sendo utilizado em outros países. Commelina benghalensis. 2005). RODRIGUES. também. também. É comum ser utilizado em mistura com o fluazifop-p-butil. É utilizado em pré e pós emergência precoce. É registrado no Brasil para as culturas de soja. Em Módulo 3. É fortemente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais. dependendo da exigência da cultura. Lactofen O 2-etoxi-1-metil-2-oxoetil-5-[2-cloro-4-(trifluorometil)fenoxi-2-nitrobenzoato (lactofen) apresenta solubilidade em água de 0. arroz e amendoim. O produto provoca intoxicação à cultura da soja. cana-de-açúcar. ser ainda maior em viveiros. para assegurar a absorção pelas plantas daninhas. Apresenta meia-vida de 30 a 40 dias e persistência média de seis meses no solo. mas a cultura se recupera. É recomendado para uso em pós-emergência das plantas daninhas. kow: 29. ambas anuais. por isso. É comum ser utilizado em mistura no tanque com outros herbicidas. não afetando as culturas em sucessão. RODRIGUES.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ocorrência de chuvas após a aplicação. no estádio de 2 a 4 folhas.400. arroz.000 mg g-1de solo.1 mg L-1. café. incluindo algumas espécies-problema. apresentando muito baixa lixiviação no perfil do solo (ALMEIDA. milho e amendoim. videira. devido às condições de umidade e sombreamento (ALMEIDA. pka: zero. eucalipto e pinho. Sida rhombifolia. Sua degradação no solo é essencialmente por fotólise e insignificante por microrganismos. O lactofen tem meia-vida no solo de três dias sendo completamente dissipado em menos de 30 dias.000 mg g-1de solo. podendo. Oxyfluorfen O 2-cloro-1-(3-etoxi-4-nitrofenoxi)-4-(trifluorometil)benzeno (oxyfluorfen) apresenta solubilidade em água < 0. para inibir o aparecimento de biótipos resistentes a herbicidas. para o controle em pós-emergência de plantas daninhas dicotiledôneas e gramíneas e também com outros herbicidas. além de outras. É registrado no Brasil para as culturas de algodão. pka: zero e koc médio de 10. citros. com clorose e necrose foliar e redução e crescimento. Controla gramíneas e algumas espécies de dicotiledôneas. visando aumentar o espectro de controle de plantas daninhas de folhas largas e.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 71 .2 .

também em pré72 Módulo 3. de forma a não atingir o algodoeiro. na faixa de plantio. Nestas culturas deve ser utilizado em pré-emergência. ALMEIDA. preferencialmente. em solo úmido. logo após o plantio. podendo ser pulverizado sobre as plantas. antes da emergência das plantas daninhas.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas razão da sensibilidade à fotodecomposição. e koc médio: 3. exige umidade no solo no momento da aplicação para penetrar neste. pouco móvel. Em algodão. Em café. Em préemer¬gência. O alho e a cebola e. em pré-emergência das plantas daninhas. pka: zero. Em arroz irrigado. No Brasil. em solo úmido.7 mg L-1 . alho. é utilizado em pré-emergência das plantas daninhas. Usar. por esta razão e devido à sua baixa solubilidade em água. sendo pouco absorvido pelo sistema radicular e. com elas mais desenvolvidas. aplica-se logo após o plantio. em pré-emer¬gência das plantas daninhas. Quando usado em pós-emergência. pode ser usado em pré ou pós-emergência das plantas daninhas. as culturas que se reproduzem por bulbo são bastante tolerantes ao oxadiazon.2 . é usado quando a cultura atinge desenvolvimento superior a 50 cm de altura. após a rega. logo após o corte. age sobre o hipocótilo das plantas em germinação e nos meristemas foliares. protetores de bicos. deve ser aplicado logo após a arruação ou esparramação. no máximo.2-dicloro-5(1-metiletoxi)fenil]-5-(dimetietil)-1. em jato dirigido. Em cenoura. aplica-se logo após o plantio. de maneira geral. também. apresenta lixiviação e movimentação lateral insignificantes. provoca o fechamento dos estômatos e deterioração das membranas celulares. em aplicação dirigida. deve ser aplicado logo após a semeadura. se necessário.200 mg g-1 de solo. em que se faz em jato dirigido. Em cana-de-açúcar. deve ser aplicado em préemergência das plantas daninhas. recomenda-se usar adjuvantes na calda. Em cafezais jovens. cebola. é recomendado para as culturas de arroz.100. exceto nas variedades de eucalipto de folha pilosa. Na cultura do arroz. de forma a não atingir a folhagem. aplicá-lo em mistura com o MSMA. na cana-soca.4-oxadiazol-2-(3H)-ona (oxadiazon) apresenta solubilidade em água de 0. é utilizado tanto em viveiros quanto em cafezais jovens e adultos. Não tem ação sobre os tecidos radiculares. Sua persistência no solo é de dois a seis meses. Em viveiros. ou. quando usado em pré emergência. Aplicar após o cultivo. ocasionando colapso das células. evitando a ação dos raios solares.3. atuando unicamente sobre órgãos da parte aérea. kow: 63. com as plantas daninhas ainda não emergidas. em préemergência das plantas daninhas. Não é metabolizado nas plantas. Em plantações de eucalipto e pinho. dependendo da dose aplicada. aplica-se logo após a semeadura ou até cinco dias depois. porém antes da emergência do arroz. Em cafezais adultos. 2005). quando estas atingirem a fase de duas folhas. cenoura e cana-de-açúcar. podendo se reaplicar depois que as referidas culturas atinjam a fase de três folhas. Quando utilizado em pós-emergência. do tipo de solo e das condições climáticas (RODRIGUES. e. podendo ser feitas duas aplicações anuais. Oxadiazon O 3-[4. É fortemente adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais do solo.

e responsáveis pela movimentação dos cromossomas para os pólos da célula. 5 e 6). simazine. 4. Apresentam de moderada a muito baixa movimentação no solo. São eficientes apenas quando usados em pré-emergência.Principais características • • • • • • Paralisam o crescimento das raízes. pendimethalin e oryzalin). etc.2 .4. 1995b). Estas proteínas são contráteis.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 73 . a formação do fuso cromático e movimentação dos cromossomas na fase da mitose (Figs.4 . Possuem pouca ou nenhuma atividade foliar. 4.Mecanismo de ação Estes herbicidas pertencem ao grupo das dinitroanilinas (trifluralin. Todos estes compostos (grupo das dinitroanilinas) interferem no movimento normal dos cromos¬somas durante a seqüência mitótica.) na cultura de cana-de-açúcar. Módulo 3. que corresponde à migração dos cromossomas da parte equatorial para os pólos das células. tendo como conseqüência o aparecimento de células multinucleadas (aberrações). Estes herbicidas inibem o crescimento da radícula e a formação das raízes secundárias. Interferem em uma das fases da mitose. Repetidas aplicações não resultam na maior degradação microbioló¬gica. semelhantemente à actimiosina encontrada nos músculos dos animais.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas emergência das invasoras. O fuso cromático é formado por proteínas microtubulares denominadas tubulinas. conseqüentemente. É comum aplicar o oxadiazon em misturas com herbicidas residuais (diuron.1 .2 . Todos os herbicidas deste grupo apresentam de moderada a baixa toxicidade para mamíferos. porque a sua ação principal se manifesta pelo impedimen¬to da formação do sistema radicular das plantas. O efeito direto é sobre a divisão celular.Herbicidas inibidores do arranjo dos microtúbulos 4. Apresentam ótima ação no controle de gramíneas.4. ametryn. As dinitroanilinas inibem a polimerização destas proteínas e. Eles provocam a ruptura da seqüência mitótica (prófase > metáfase > anáfase > telófase) já iniciada (HESS.

ervilha.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 5 . Por ser um produto volátil (pressão de vapor de 1. quiabo.Caracterização de alguns herbicidas inibidores dos microtúbulos Trifluralin O 2. feijão.2 .Seqüência normal da mitose Figura 6 .Mitose interrompida pela ação de herbicidas derivados das dininitoanilinas 4. em solos ricos em matéria orgânica. alho. necessita ser incorporado mecanicamente ao solo logo após a sua aplicação (RODRIGUES. a forte adsorção pode impedir a absorção 74 Módulo 3. ALMEIDA. sensível à luz e de solubilidade em água extremamente baixa (0.3 .4.1x10-4 mm Hg a 25 °C).Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . sendo recomendado para as culturas de soja. brássicas. pimentão. 2005). algodão.3 mg L-1 a 25 °C).6-dinitro-N-N-dipropil-4-(trifluorometil) benzoamina (trifluralin) é um herbicida que apresenta excelente ação sobre as gramíneas anuais e perenes oriundas de sementes. e outras. cebola. É fortemente adsorvido pelos colóides da matéria orgânica e pouco pelos da argila. cucurbitá¬ceas. tomate. alfafa. beterraba.

. Sua persistência no solo varia de 3 a 6 meses de acordo com o solo.2 . kow: 152. café. milho. sensível à luz e pouco móvel no solo. É um herbicida de média volatilidade (pressão de vapor de 9. e koc médio de 17.000. e koc médio de 7. é muito reduzida. cana-de-açúcar.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas do trifluralin pelas raízes das plantas. Não há relatórios também sobre aumento de biodegradação no solo. arroz. por esta razão. alho.4-dimetil-2. Apre¬senta degradação lenta no solo. A dose recomendada varia de acordo com as características fisico-químicas do solo. cebola. 4.3 mg L-1. sua lixiviação é muito baixa e as doses recomendadas se dão em função das características físico-químicas do solo. soja. não existem ainda relatos do aparecimento de gramí¬neas que tenham adquirido resistência a esses herbicidas.Inibidores da síntese de ácidos graxos de cadeias muito longas (VLCFA) 4. a dose aplicada e as condições climáticas (RODRIGUES.4x10-5 mm Hg). por causa do uso extensivo em soja e milho. É recomendado para uso em pré emergência da planta daninha e da cultura ou em PPI. podendo. amendoim. Apesar do uso contínuo por tantos anos.000 mg g-1 de solo.000. Nos Estados Unidos da América do Norte. ALMEIDA. É fortemente adsorvido pelos colóides do solo.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 75 . em 1954 (CDAA) (SLIFE. 1998). É absorvido principalmente pela radícula e praticamente não se transloca na planta.200 mg g-1 de solo. motivo pelo qual não é aconselhável seu uso nestas condições.6-dinitrobenzenoamina (pendimethalin) é registrado no Brasil para controle de gramíneas nas seguintes culturas: algodão. depois do glyphosate é o grupo de herbicida mais utilizado. Pendimethalin O N-(1-etilpropil)-3. provocando inibição do crescimento radicular desta (SILVA et al. feijão. desde o lançamento do primeiro herbicida desse grupo. Apresenta pka: zero. pka zero. causar danos à cultura sucessora.1 .5 . motivo pelo qual a incorporação é recomendável em condições de solo seco e com período de estiagem. A lixiviação. 2005). 1995). O pendimethalin apresenta solubilidade de 0. As princi¬pais características dos herbicidas do grupo das cloroacetamidas são: Módulo 3. tabaco e trigo.Principais características As cloroacetanilidas têm sido um dos grupos de herbicidas mais usados no mundo. assim como o movimento lateral no solo. kow: 118. em alguns casos de rotação de culturas (feijão/milho) em áreas de baixa fertilidade e mal manejadas.5.

Há relatórios que as relacionam com a inibição da divisão celular e interferência com controle hormonal (SLIFE. exibem crescimento anormal. 1995). As cloroacetanilidas estão relacionadas com a inibição da sín¬tese de lipídios. De maneira geral. pássaros e mamíferos é muito baixa. A hipótese mais aceita atualmente é a inibição de ácidos graxos de cadeias muito longas. as sementes iniciam o processo de germinação. Em combinação com outros herbicidas. flavonóides e proteínas. logo após a emergência.2 . De modo geral. Muitos efeitos diferentes sobre vários processos bioquímicos já foram mostrados. o efeito inibitório causado pelo alachlor é maior sobre as raízes. mas não chegam a emergir. Cada cloroacetanilida que apareceu no mercado depois do herbicida CDAA apresentou características um pouco diferentes das outras. As cloroacetanilidas apresentam normalmente pressão de vapor de média a alta. Exemplo deste uso é a proteção do sorgo contra cloroacetanilidas. o controle não é consistente. Em razão de os efeitos desses herbicidas estarem ligados somente as plântulas. as cloroacetanilidas apresentam de baixa a média mobilidade nos solos. Gramíneas mostram inibição da emergência da primeira folha do coleóptilo. possibili¬tando a utilização desses herbicidas nesta cultura. é um dos grupos mais estudados e com o qual mais se têm usado os protetores de herbicida.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • • • • • • • • Controlam plântulas de muitas espécies de gramíneas anuais e algumas dicotiledôneas antes da emergência ou mesmo plantinhas. e. O maior uso das cloroacetanilidas está ligado ao controle. o algodoeiro). Devido a problemas de tolerância. mas.5. é muito difícil o estudo de translocação. As cloroacetanilidas são aparentemente absorvidas pelas raízes (dicotiledôneas) e pelas partes acima da semente epicótilo (principal¬mente gramíneas). as cloroacetanilidas podem auxiliar no controle de dicotiledôneas. em préemergência.2 . o efeito residual no solo tem aumentado e a dependência dos fatores do solo tem diminuído. em dicotiledôneas (por exemplo. 76 Módulo 3. naturalmente sensível a eles. de espécies daninhas gramíneas e comelináceas. as doses têm sido reduzidas. ácidos graxos. ciperáceas mostram inibição da parte aérea. não há registros de problemas com deriva.Mecanismo de ação das cloroacetanilidas Apesar de ter sido estudado extensivamente. Em áreas tratadas com cloroacetanilidas. porém. o mecanismo bioquí¬mico primário de ação das cloroacetanilidas ainda não é bem conhecido. pelo fato de não terem ação pós-emergente. A mobilidade no solo varia entre os herbicidas deste grupo e depende das condições de umidade e do teor de matéria orgânica do solo.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . A toxicidade das cloroacetanilidas a peixes. isoladamente. 4. terpenos. quando o fazem. Os dados existentes indicam translocação muito pequena.

exceto em solos arenosos e. Módulo 3. amendoim e girassol. etc. pode-se cultivar milho. Em café. estando o solo com boas condições de umidade.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 77 . Em soja. ácidos graxos. não se deve utilizá-lo em solos arenosos. 4. É adsorvido pelos colóides do solo. com isso. se não chover no prazo de até cinco dias. As cloroacetanilidas são conhecidas como agentes alquilantes e podem agir alquilando nucleófilos biológi¬cos. antes da emergência das plantas daninhas. pka: zero.5. é comum misturá-lo com atrazine ou cyanazine. ou. possuindo média a baixa mobilidade no solo e persistência de 6 a 20 semanas. e koc médio de 120 mg g-1 de solo (RODRIGUES. a eficácia do produto reduz. A retirada do nucleófilo pode acontecer entre o halogênio das cloroacetanilidas e o nucleófilo. Os efeitos das cloroacetanilidas sobre a síntese de gorduras podem ser atribuídos à interferência no metabolismo da CoA. diuron ou atrazine. incluindo lipídios. Em café novo ou recepado. deve ser utilizado logo após o plantio.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A maioria dos efeitos bioquímicos e fisiológicos relatados sobre o modo de ação destes herbicidas pode ser interpretada com base na inibição da síntese de proteínas. Apresenta solubilidade em água de 242 mg L-1. kow 794. em condições de alta infestação de Brachiaria plantaginea. soja ou amen¬doim no terreno tratado. Em algodão. variável com o tipo de solo e as condições climáticas. o grupo amino do metionil-tRNA inicial). 2005). mistura-se com metribuzin. terpenos. se a infestação for de Bidens pilosa. logo após a semeadura da cultura. Pelo menos “in vitro”. As cloroacetanilidas podem também alquilar aminoacil tRNAs específicos e.6-dietil-N-(metoximetil)acetanilida (alachlor) é recomendado para controle de diversas espécies de gramíneas e comelináceas. recomenda-se a mistura com graminicidas ou aplicação em seqüência ao trifluralin incorporado. Richardia brasiliensis ou Sida sp. Quando aplicado em solo seco. podendo ser misturado com ametryn. sendo usado em pré-emergência. aplicá-lo após a arruação ou esparramação. com baixo teor de matéria orgânica.2 .3 .Características de algumas cloroacetanilidas Alachlor O 2-cloro-2. sendo esta enzima o ponto de começo de muitas rotas metabólicas. ALMEIDA. inibir a síntese de proteínas.. sendo este transferido (por exemplo. Em cana-de-açúcar. Em milho. já foi mostrado que o herbicida alachlor é capaz de alquilar CoA.

é essencial que sua aplicação seja feita antes da completa emergência das plantas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas S-metolachlor O 2-cloro-N-(2-etil-6-metilfenil)-N-[(1S)-2-metoxi-1-metiletil)]acetanilida (s-metolachlor) é registrado no Brasil para cana-de-açúcar. ou. pka: zero. Devido à sensibilidade do s-metolachlor. Apresenta solubilidade em água de 488 mg L-1. Em milho. antes da emergência das plantas daninhas e da cultura. como atrazine. recomenda-se sua aplicação logo após a semeadura. ALMEIDA. batata. sendo pouco lixiviado. restos de culturas e em boas condições de umidade. apresentando persistência de 8 a 12 semanas. e koc médio de 200 mg g-1 de solo. Acetochlor O 2-cloro-N-(etoximetil)-N-(2-etil-6-metilfenil) acetanilida (acetochlor) é recomendado para uso em pré-emergência das plantas daninhas. kow: 3. É adsorvido pelos colóides orgânicos e minerais do solo. Em café. à fotodegradação e à volatilização. devendo ser aplicado em seguida à semeadura. Pelo fato de sua absorção ser quase total pelo coleóptilo das gramíneas e pelo epicótilo das dicotiledôneas. exceto em solos arenosos. sorgo e plantas ornamentais. Para aumentar o espectro de ação sobre estas espécies. sua lixiviação é fraca a moderada. sendo usado em outros países. metribuzin. deve ser aplicado logo após a arruação e.2 . sendo comum a mistura com outros herbicidas. Em cana-de-açúcar. Em razão de sua absorção foliar ser quase nula. das condições climáticas e do tipo de solo. é utilizado apenas em pré-emergência das plantas daninhas. Em milho. Apresenta solubilidade em água de 223 mg L-1. esparramação. girassol. livre de torrões. Controla essencialmente gramíneas anuais e algumas perenes de reprodução seminal. é comum misturá-lo com latifolicidas. por esta razão. é largamente utilizado em mistura com o atrazine. A terra deve estar bem preparada. a sua eficácia ficará comprometida se aplicado em solo seco e não ocorrer uma chuva de intensidade superior a 10mm no espaço de cinco dias (RODRIGUES. por provocar inoxicação à cultura. logo depois do plantio. 2005). etc. podendo ser misturado. pka zero e kow 300.05. dependendo da dose utilizada. usa-se em cana-planta. não deve ser utilizado em solos arenosos. entre outros. as comelináceas e um número reduzido de latifoliadas.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . feijão. também. cyanazine. Em feijão. para culturas de amendoim. mas no prazo máximo de três dias após a ultima gradagem. milho e soja. 78 Módulo 3. É sorvido pelos colóides de argila e matéria orgânica.

WARREN.6 . porque pequena atividade destes produtos é observada. A ação destes herbicidas é muito mais rápida na presença da luz do que no escuro. entre outros. como dessecantes. com metribuzin. Nesta condição. para formarem os radicais tóxicos. A toxicidade do diquat é alta e a do paraquat é muito alta.2 . sendo largamente utilizados como dessecantes no “plantio direto”. chuvas após 30 minutos de sua aplicação não mais influenciam a eficiência de controle das plantas daninhas. aplica-se logo após a semeadura. para formarem o peróxido de hidrogênio. exceto em solos arenosos e. em várias partes do mundo e. ocasionando o vazamento do conteúdo celular e a morte do tecido. ou. no escuro. Módulo 3. Esta substância promove a degradação rápida das membranas (peroxidação de lipídios). a morte das plantas devido à ação destes herbicidas é tão rápida na presença da luz que não dá tempo de eles se translocarem na planta.Herbicidas Inibidores do Fotossistema I São herbicidas derivados da amônia quaternária (paraquat e diquat). (WELLER. 1995a). também. 4. O local de captura dos elétrons está próximo a ferredoxina e sua velocidade de ação depende da intensidade luminosa. para mamíferos. os quais sofrem o processo de dismutação. São cátions fortes. verifica-se severa injúria nas folhas das plantas tratadas (necrose do limbo foliar).Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 79 . na presença de Mg. Este composto e os superóxidos.Mecanismo de ação Poucas horas após a aplicação destes herbicidas. por isso.2 .Características gerais • • • • • • • São altamente solúveis em água e. com baixo teor de matéria orgânica. Durante o processo de auto-oxidação são produzidos radicais de superóxidos. reagem. Usualmente. na presença de luz. estes herbicidas capturam os elétrons provenientes da respiração. Estes radicais livres formados pelos herbicidas paraquat e diquat não são os agentes responsáveis pelos sintomas de intoxicação observados. Estes radicais são instáveis e rapidamente sofrem a auto-oxidação.6. formulados em solução aquosa. podendo ser misturado. em aplicações dirigidas em diversas culturas. 4. também. Em soja.6. produzindo radicais hidroxil.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas com atrazine ou cyanazine. antes da emergência das plantas daninhas e da cultura.1 . São rapidamente adsorvidos e inativados pelos colóides do solo. 4. Vale ressaltar que este não é o único sítio de ação destes herbicidas. São rapidamente absorvidos pelas folhas. Estes compostos possuem a capacidade de captar elétrons provenientes da fotossíntese (no fotossistema I) e formarem radicais livres. em pré-colheita para diversas culturas.

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4.6.3 - Principal herbicida do grupo Paraquat

O 1,1’-dimetil-4,4’-dicloreto de piridilio íon (paraquat) é um herbicida altamente solúvel em água (620.000 mg L-1); pka: zero; kow: 4,5; e koc estimada de 1.000.000 mg g-1 de solo. É inativado ao entrar em contato com o solo, por completa adsorção do cátion à argila. Esta ocorre devido à dupla carga positiva da molécula do paraquat, formando complexos com os locais de carga negativa, de onde não é removido mesmo com lavagens de solução saturada de sais, só sendo recuperado por fragmentação da argila com ácido sulfúrico 18 N. Por esta razão, sua lixiviação é nula e sua decomposição microbiana no solo é muito lenta. O paraquat pode ser usado para: • • • • • Dessecante em “plantio direto”. Para este fim, o paraquat é muito utilizado em mistura com o diuron, formando o Gramocil. Em pré-emergência de culturas, porém em pós-emergência das plantas daninhas. Aplicações dirigidas em culturas de milho, algodão, café, fruteiras e outras. Dessecante, em pré-colheita, para diversas culturas, visando viabilizar colheita mecânica e melhor qualidade fisiologia de sementes (DOMINGOS et al., 2001). Para limpeza de áreas não-cultivadas.

4.7 - Herbicidas inibidores da acetolactato sintase Os herbicidas derivados das sulfoniluréias, comercializados pela primeira vez em 1982, apresentam alto nível de atividade em doses muito pequenas. Atualmente, há vários herbicidas deste grupo no mercado. Através de pequenas modificações na estrutura química, a seletividade pode ser alterada de uma cultura para outra. Exemplos de culturas que são tolerantes a um ou mais herbicidas desse grupo químico são trigo, soja, arroz, milho, feijão, batata, beterraba, algodão, coníferas, canade-açúcar, etc. As sulfoniluréias inibem a síntese dos chamados aminoácidos ramificados (leucina, isoleucina e valina), através da inibição da enzima Aceto Lactato Sintase (ALS); esta inibição interrompe a síntese protéica, que, por sua vez, interfere na síntese do DNA e no crescimento celular. As plantas sensíveis tornam-se cloróticas, definham e morrem, no prazo de 7 a 14 dias após o tratamento. Essa enzima é inibida, também, pelos herbicidas dos grupos químicos imidazolinonas, triazolopyrimidines ou sulfonamidas e pyrimidinyl-oxybenzoatos (THILL, 1995; THILL, 2003a; BRIDGES, 2003c). Apesar do pouco tempo de uso, a literatura já registra muitas espécies de plantas daninhas que desenvolveram resistência aos inibidores da ALS.

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As principais características das sulfoniluréias são: • • Alguns são ativos em doses extremamente baixas; exemplo: o metsulfuronmethyl, que apresenta atividade na dose de 2 g ha-1 A maioria das sulfoniluréias apresenta bom controle de muitas espécies de folhas largas (dicotiledôneas); todavia, algumas possuem, também, ótima atividade contra gramíneas. A toxicidade aguda para mamíferos é muito baixa (5.500–6.500 mg kg-1 em ratos) para o herbicida chlorsulfuron, o mais estudado. Para outros análogos, a toxicidade é mais baixa ainda. As sulfoniluréias são ativas tanto em aplicações foliares quanto em aplicações no solo.

Apesar de quimicamente diferentes, as imidazolinonas têm o mesmo mecanismo de ação das sulfoniluréias, ou seja, inibem a enzima AHAS ou ALS. As principais caracte¬rísticas deste grupo são: • As imidazolinonas são recomendadas para controle em pré-emergência e em pósemergência de muitas folhas largas e gramíneas em cereais, soja e em áreas nãoagrícolas. • Estes herbicidas são potentes inibidores do crescimento vegetal. Plantas tratadas param de crescer quase que imediatamente após a aplicação. Dois a quatro dias após a aplicação desses herbicidas o ponto de crescimento (meriste¬ma apical) das plantas tratadas torna-se clorótico e, depois, necrótico e morre. A morte completa da planta vai ocorrer sete a dez dias após o tratamento. Plantas de maior porte podem levar mais tempo para morre¬r, mas a paralisação do crescimento é imediata. • Todos estes herbicidas são sistêmicos, ou seja, translocam pelo floema. Uma vez dentro do floema, por causa do pH alcalino, estes herbicidas, que são ácidos fracos, se dissociam e os ânions têm dificuldade para deixar o floema. • As imidazolinonas apresentam persistência de moderada a longa no solo. Maior sorção e, conseqüentemente, maior persistência ocorrem quando decrescem a umidade do solo, o pH e a temperatura e, também, quando os teores de matéria orgânica, óxidos de ferro e de alumínio no solo aumentam. • A dissipação no solo é, via de regra, por meio da degradação microbiana. Em condições de solo mais seco, mais herbicida é preso nos colóides do solo e menos produto é disponível para biodegra¬dação ou absorção pelas plantas, o que implica maior persistência e possível "carryover". As imidazolinonas são

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sensíveis à fotólise, mas esse processo de dissipação não é importante no solo. A fotólise é mais importante no meio aquático. • Pouca lixiviação tem sido reportada em condições de campo, apesar de os estudos de laboratório indicarem mobilidade moderada destes herbicidas no solo. • As imidazolinonas apresentam muito baixa ou nenhuma toxicidade para mamíferos. Esta toxicidade baixa pode ser explicada pela enzima-alvo, que não ocorre em animais, e também pelo fato de a excreção desses herbicidas ser muito rápida em animais-teste. Além das sulfoniluréias e das imidazolinonas, outros herbicidas, de grupos químicos diferentes, apresen¬tam o mesmo mecanismo de ação, ou seja, inibem a enzima ALS ou AHAS e, com isso, paralisam o crescimento das plantas (HESS, 1995c). Dente esses grupos químicos, podem-se destacar as triazolopirimidinas, ou sulfonamidas, e os piridinil-oxibenzoatos. As principais características do herbicida N - (2,6-diflluorofenil) - 5 - metil (1,2,4) triazolo [1,5a] pirimidina - 2 - sulfonamida (flumetsulan) e N-[2,6-diclorofenil] - 5 - etoxi - 7 - fluoro(1,2,4) triazolo – [(1,5c)] pirimidina - 2 - sulfonamida (diclosulan) são: Flumetsulan Diclosulan

• •

• • •

Apresentam ação pré-emergente sobre amplo espectro de plantas daninhas de folhas largas. As gramíneas, de maneira geral, são resistentes devido ao metabolismo mais rápido. Entre as culturas de folhas largas, a soja é tolerante. Possuem absorção radicular, mas a translocação é sistêmica, ou seja, translocamse tanto pelo floema quanto pelo xilema. A sorção no solo e a persistência aumentam quando o pH decresce e quando a matéria orgânica aumenta. A persistência no solo é mediana, não havendo casos relatados de "carryover". A dissipação no solo é devida ao ataque de microrganismos. Condições que favorecem a ação microbiana aceleram a dissipação destes herbicidas no solo. Possuem mobilidade no solo moderada, não se antevendo problemas de contaminação de depósitos subterrâneos de água. A toxicidade para mamíferos é muito baixa (Faixa Verde: DL50 > 6.000mg/kg em ratos).

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4.7.1 - Algumas sulfoniluréias Metsulfuron-Methyl

O ácido 2-[[[[(4-metoxi-6-metil-1,3,5-triazina-2-il)amino]carbonil]amino]sulfonil] benzóico (metsulfuron-methyl) apresenta solubilidade em água de 270 mg L-1; pka: 3,3; kow: 1,0 a pH 5 e 0,018 a pH 7; e koc médio de 35 mg g-1g de solo. É pouco sorvido e muito lixiviado no solo, dependendo da textura e do teor de matéria orgânica. Sua persistência (meia-vida) no solo varia de 30 a 120 dias (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). É registrado no Brasil para controle de plantas daninhas de folhas largas nas culturas de trigo, arroz, cana-de-açúcar, aveia, cevada, manejo de inverno e pastagens. Entre as espécies sensíveis encontram-se Raphanus raphanistrum, Raphanus sativus, Acanthospermum australe, Bidens pilosa, Ipomoea grandifolia, além de muitas outras. É recomendado para uso em pós-emergência, devendo ocorrer intervalo de seis horas sem chuva após a sua aplicação. A ação do produto nas plantas daninhas sensíveis pode ser observada através da clorose das folhas e morte das gemas apicais, com evolução para morte das plantas até 21 dias após aplicação. Em espécies menos sensíveis, observa-se paralisação de seu desenvolvimento. Culturas como trigo e arroz, para as quais é seletivo, conseguem metabolizá-lo rapidamente a compostos não-fitotóxicos. Nicosulfuron

O 2-[[[[(4,6-dimetoxi-2pirimidinil)amino]carbonil]amino]sulfonil]-N,N-dimetil-3piridinacarboxamida (nicosulfuron) apresenta solubilidade em água de 360 mg L-1 a pH 5 e 12.200 a pH 6,85; pka: 4,3; kow: 0,44 a pH 5 e 0,018 a pH 7; e koc médio de 30 mg g-1 de solo a pH 6,5. Quanto à sua persistência em condições de Brasil, sabe-se que culturas de soja, girassol, algodão e feijão poderão ser semeadas 30 dias após a aplicação do nicosulfuron; trigo, arroz e batata, 45 dias após a aplicação; e tomate, 60 dias (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). No Brasil, está registrado para a cultura do milho, sendo utilizado em pós-emergência em área total. Controla gramíneas, inclusive o capim-massambará (Sorghum halepense), e diversas espécies de dicotiledôneas. No momen¬to da aplicação, as plantas de milho devem estar com duas a seis folhas; as plantas daninhas dicotiledôneas, com duas a seis folhas; e as gramíneas, com até dois perfilhos. A aplicação deve ser feita estando o solo úmido e com as plantas daninhas em pleno vigor vegetativo. A ocorrência de chuvas uma hora após a aplicação não afeta a eficiência deste herbicida. A mistura do
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nicosulfuron com o atrazine no tanque do pulverizador aumenta o espectro de controle de plantas daninhas. Existem diferentes níveis de tolerância entre os híbridos de milho disponíveis no mercado brasileiro ao nicosulfuron. Por isso, antes de aplicar esse herbicida em cultura do milho consulte a lista de híbridos e variedades tolerantes a esse herbicida. A mistura desse herbicida com inseticidas carbamatos ou fosforados pode torná-lo não-seletivo ao milho (SILVA et al., 2005) Halosulfuron

O metil-3-cloro-5-(4,6-dimetoxipirimidin-2-carbomoilsulfamoil)-1-metillpirazole-4carboxilato (halosulfuron) é registrado no Brasil para cana-de-açúcar, para controle de Cyperus rotundus. Apresenta solubilidade em água de 15 mg L-1 a pH 5,0 e 1.650 a pH 7,0; pka: 3,5; kow: 47 a pH 5,0 e 0,96 a pH 7,0; e koc médio de 93,5 mg g-1 de solo. Apresenta baixa adsorção no solo. Possui meia-vida média no solo em torno de 16 dias, variando com o tipo de solo e as condições climáticas (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). Sua aplicação deve ser feita em pós-emergência das plantas daninhas, sendo o melhor período 30 a 40 dias após o plantio da cana-de-açúcar, quando as plantas daninhas deverão estar no final da fase vegetativa ou início do florescimento. As plantas de Cyperus rotundus devem estar em boas condições de desenvolvimento, sem efeito de estresse hídrico ou de baixa temperatura. Chlorimuron-ethyl

O ácido 2-[[[[(4-cloro-6-metoxi-pirimidinil)amino]carbonil]amino]sulfonil]benzóico (chlorimuron-ethyl), no Brasil, encontra-se registrado para a cultura da soja, sendo usado em pósemergência. Apresenta solubilidade em água de 450 mg L-1 a pH 6,5; pka: 4,2; kow de 320 a pH 5,0 e 2,3 a pH 7,0; e koc médio de 110 mg g-1 de solo (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). No solo, apresenta adsorção e lixiviação moderadas e meia-vida de 7,5 semanas. A persistência é maior em solos com pH mais elevado; em solos ácidos e com clima quente, a persistência é baixa. Manter intervalo de 60 dias entre a aplicação do chlorimuron-ethyl e a semeadura de trigo, milho, feijão e algodão. Para as outras culturas, fazer antes um bioensaio. Controla essencialmente espécies anuais de dicotiledôneas, sendo mais efetivo quando estas se encontram na fase inicial de crescimento (até seis folhas). Entre as espécies sensí¬veis encontram-se Desmodium tortuosum, Acathospermum australe, Ipomoea grandifolia, Bidens pilosa, além de outras. É comum misturá-lo com outros

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Módulo 3.2 - Herbicidas: classificação e mecanismos de ação

Sua degradação no solo é por ação microbiana e química. sendo influenciada pela temperatura e pelo pH do solo (RODRIGUES.6-dimetoxipirimidin-2-il)-3-(3-trifluorometil-2-piridilsulfonil) uréia (Flazasulfuron) apresenta solubilidade em água de 27. todavia. etc. Quando usadas em pósemergência.2. seis folhas. as gramíneas devem ter no máximo três perfilhos. é facilmente lixiviável no solo. Apresenta meia-vida variando de 9 a 120 dias. não sendo recomendável cultivá-lo na modalidade de “milho safrinha” no mesmo ano agrícola da soja. Pode ser usado em pré ou em pós-emergência inicial das plantas daninhas. pode ser misturado no tanque do pulverizador com outros herbicidas (ametryn..8. ALMEIDA.000 mg L-1 a pH 5. evitando-se aplicar em períodos de estiagem e umidade relativa do ar inferior a 60% (SILVA et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas herbicidas. porém não deve ser misturado com graminicidas. para maior espectro de controle. ALMEIDA.100 a pH 7. as plantas de cana-de-açúcar devem possuir no máximo quatro folhas. 4. este herbicida deve ser aplicado isoladamente.2 .. pka: 3. diuron. e valor médio de koc de 20 mg g-1 de solo a pH 7. de 5 a 8 folhas e em pleno desenvolvimento vegetativo. exigindo intervalo de segurança acima de 180 dias após sua aplicação. kow: 2. O milho é muito sensível a resíduo de imazaquin no solo. para se evitar o efeito “guarda-chuva”. 1998). É fracamente adsorvido em solo com pH alto.0 (RODRIGUES. 1999).7. kow e koc não disponíveis. Flazasulfuron O 1-(4. podendo afetar culturas de inverno que seguem à soja tratada com o produto (SILVA et al. em alguns tipos de Módulo 3. 2005). O flazasulfuron deve ser aplicado em cobertura total das plantas daninhas e da cultura.5-dihidro-4-metil-4-(1-metiletil)-5-oxo-1H-imidazol-2-il]-3-quinolina carboxílico (imazaquin) apresenta solubilidade em água de 60 mg L-1. pka.Algumas imidazolinonas Imazaquin O ácido 2-[4. estando o solo em boas condições de umidade. se objetivo for controlar a Cyperus rotundus. Sua persistência no solo é alta (meia-vida de sete meses). e a tiririca (Cyperus rotundus). Na cultura da cana. as dicotiledôneas.0 e 2. porém esta adsorção aumenta em pH baixo. Sua mobilidade no solo é inversamente proporcional ao teor de matéria orgânica.2 . 2005).0.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 85 .). para controle de dicotiledôneas em soja.

Sida rhombifolia. pka: 3. pouco lixiviado. também.400 mg L-1. 2005). Apresenta rápida degradação no solo. Recomenda-se sua aplicação em pós-emergência das plantas daninhas dicotiledôneas.0 e 31 a pH 7. Controla com eficiência diversas espécies de plantas daninhas: Euphorbia heterophylla. É registrado no Brasil para uso exclusivo na cultura da soja. Controla essencialmente plantas daninhas dicotiledôneas.413 mg L-1 e Kow: 5. Ipomoea grandifolia. sendo. com eficiência.36 (RODRIGUES. além de outras. estando as dicotiledôneas. 2005). o que geralmente acontece entre 5 e 15 dias após a semeadura da soja. no estádio cotiledonar.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas solo. Imazamox O ácido nicotínico 2-(4-isopropil)-4-metil-1-metiletil-(1-metil-5-oxo-2-imidazolin-2-il)-5(metoximetil) (imazamox) apresenta solubilidade em água de 4. Recomenda-se a aplicação em pós-emergência precoce.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . O milho e o sorgo são muito sensíveis ao resíduo de imazethapyr no solo.2 . Ipomoea grandifolia. ALMEIDA.9. podendo causar toxicidade a algumas culturas de inverno que forem cultivadas em sucessão à soja tratada com este herbicida (SILVA et al. além de outras. mas esta adsorção aumenta em pH baixo. Estudos preliminares têm demonstrado que este herbicida apresenta rápida degradação em condições de solos brasileiros (SILVA et al. o que geralmente acontece entre 15 e 20 dias após a semeadura do feijão. Apresenta lenta degradação no solo (meia-vida de 60 dias). entre uma e quatro folhas. com até quatro folhas. entre um a três perfilhos. pouco lixiviado (RODRIGUES. e kow: 11 a pH 5. 1999). Hyptis suaveolens. entre as quais Euphorbia heterophylla. 86 Módulo 3.5-dihidro-4-metil-4-(1-metiletil)-5-oxo-1H-imidazol-2-il]-5-etil-piridina carboxílico (imazethapyr) apresenta solubilidade em água de 1. Controla. e as monocoti¬ledôneas. 1999). também. estando estas com até quatro folhas e de monocotiledôneas. Imazethapyr O ácido 2-[4.. É fracamente adsorvido em solo com pH alto. essencialmente microbiana (meia-vida de 15 dias). É pouco adsorvido pelos colóides do solo e.0. É registrado no Brasil para cultura da soja e do feijão. ALMEIDA. É registrado no Brasil para a cultura da soja.. Bidens pilosa. sendo utilizado em pré-plantio incorporado ou em pré-emergência das plantas daninhas.

vindo intoxicar as novas mudas plantadas para renovação da floresta.5-dihidro-4-metil-4-(1-metietil)-5-oxo-1H-imidazol-2-il]-3-piridina carboxílico (imazapyr) apresenta solubilidade em água de 11. Módulo 3. Sua persistência no solo é longa (três a sete meses em solos tropicais e seis meses a dois anos em clima temperado. da dosagem e dos fatores ambientais. não se processando em condições anaeróbicas. 7).2 . É pouco adsorvido pelos colóides do solo e. É fracamente adsorvido pelos colóides do solo. em condições aeróbicas.36 (RODRIGUES. pka: 2.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 87 . Apresenta degradação no solo essencialmente microbiana É registrado no Brasil para o controle de dicotiledôneas.0 e pka: 1. se aplicado em pósemergência precoce.6. Imazapyr O ácido (+-)-2-[4. Apresenta lenta degradação no solo.272 mg L-1 a pH 7. pode ser exsudado pelas raízes. essencialmente por via microbiana.34 e meia-vida no solo de dois meses (RODRIGUES. Em campo. 2005). em pós-emergência precoce na cultura do algodão. Estudos de laboratório indicam que imazapyr tem alto potencial de se mover no perfil do solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas diversas espécies de plantas daninhas. Pyrithiobac-sodium O sódio 2-cloro-6-[(4. a persistência biológica é dependente. podendo ocorrer lixiviação positiva (para baixo) ou negativa (reversa –para cima).9 a 1.benzoato (Pyrithiobac-sodium) apresenta solubilidade em água de 1610 mg L-1. Aplicações em altas doses para capinas de ruas pode intoxicar árvores utilizadas na arborização do ambiente (Fig. Kow: 0. principalmente em solos arenosos. também. sobretudo. 2001). pouco lixiviado. dependendo do movimento capilar da água no perfil do solo (FIRMINO. 2005).6-dimetoxipirimidina-2-il) tio]. Também quando aplicado no tronco do eucalipito visando eliminar rebrota após a derrubada. ALMEIDA. ALMEIDA. entre estas Euphorbia heterophylla. com degradação mais rápida em clima quente e úmido.

A enzima EPSP sintase é sintetizada no citoplasma e transportada para dentro do cloroplasto onde atua. Verificou-se. cultivadas em solo coletado à margem da rua tratada com o herbicida 4.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 7 – Árvores mortas pela ação do imazapyr quando aplicado para capina química de rua (A). Por outro lado. 2003). que o ponto de ação era a enzima EPSP sintase (5 enolpiruvilshikimato-3-fosfato sintase). tirosina e tryptofano são precursores da maioria dos compostos aromáticos nas plantas. SHANER. 1995c. BRIDGES. Alguns autores acham que a simples redução de aminoácidos e a acumulação de shikimato não seriam suficientes para a ação herbicida.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação .1 . Plantas normais cultivadas em solo sem resíduos de herbicidas (a) e plantas com sintomas de intoxicação do imazapyr (b).8 . O glyphosate se liga a esta enzima pela carboxila do ácido glutâmico (glutamina) na posição 418 da seqüência de aminoácidos (HESS. nas plantas tratadas. precursor comum na rota metabólica dos três aminoácidos aromáticos. tirosina e triptofano). foi observado aumento acentuado na concentração de shikimato.8. acreditam que a desregulação da rota do ácido shikímico resulta na perda de carbonos disponíveis para outras reações celulares na planta. então. evitando a transformação do shikimato em corismato.Mecanismo de ação Logo após a aplicação.Herbicidas inibidores da EPSPs 4. nos níveis desses aminoácidos aromáticos (fenilalanina. Glyphosate inibe a EPSP sintase por competição com o substrato PEP (fosfoenolpi¬ruvato). 88 Módulo 3. plantas tratadas com estes herbicidas param de crescer. Há redução acentuada. uma vez que 20% do carbono das plantas é utilizado nesta rota metabólica. pois fenilalanina.2 .

para não causar problemas de toxicidade para peixes. • Translocação simplástica em gramíneas e folhas largas.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 89 . • Como a enzima afetada é exclusiva de plantas. • Não apresentam atividade no solo. • Águas de pulverização contendo muitos sais solúveis (Ca e Mg) diminuem a atividade destes herbicidas. praticamente não há seletividade. em plantas anuais • Baixa vazão e menores gotículas são mais eficientes do que alta vazão e gotículas grandes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. • Requerem uma semana para matar plantas anuais (efeito final) e tempo ainda maior para espécies perenes. de maneira geral. como a soja e o algodão. para melhor eficiência de translocação para o sistema radicular. Quanto à resistência adiquirida pela pressão de seleção (aplicações repetidas do ghyphosate). por causa de sua conjugação com sesquióxidos de ferro e alumínio. • Apresentam espectro de controle muito amplo. • Durante a primeira semana após a aplicação a folhagem não deve ser cortada. já foram obtidas culturas resistentes a glyphosate. • A translocação é melhor em plantas expostas à luz e que estejam com alta atividade metabólica. • A morte da planta ocorre lentamente: de 7 a 14 dias após a aplicação. • Formulações usadas no meio aquático não contêm surfatantes. apresenta. • Através da engenharia genética.Características gerais Glyphosate O N-(fosfonometil) glicina (glyphosate) possui as seguintes características (BRIDGES. poucas espécies de plantas daninhas foram identificadas como resistentes a estes herbicidas.2 . muito pouca toxicidade para animais. • A translocação é facilitada em condições de alta intensidade luminosa.8.2 . 2003c). Módulo 3.

No Brasil. Para o controle de plantas daninhas aquáticas Como regulador de florescimento em cana-de-açúcar. enquanto para as demais formulações.. A ocorrência de chuva em intervalo de tempo menor que 4-6 horas pode reduzir a eficiência destes herbicidas. Para aplicações dirigidas em culturas perenes (café.). Quando aplicado sobre plantas em condições de déficit hídrico prolongado. 2001). para implantação do plantio direto de culturas. 200). em Brachiaria decumbens e Digitaria horizontalis em quatro horas (Fig. 8). Roundup WDG e Roundup Multiação. reflorestamento e outras). ferrovias. sal de amônia. parque de industrias. cujo representante é o Zap Qi. etc. O efeito varia com a formulação. utilizado nas formulações granulares. ruas. Como dessecantes. as suas principais recomendações são: • • • • • • • Para controle de plantas daninhas em áreas não-cultivadas (rodovias. fruteiras.. Na renovação de pastagens. No Brasil. A não-ocorrência de chuvas até quatro horas após as aplicações garante absorção do glyphosate.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . englobando o Roundup original e o Roundup Transorb. sendo recomendado para diversas atividades agrícolas e não-agrícolas. esse tempo para penetração do glyphosate via foliar é maior (PIRES et al. utilizado em diversas marcas comerciais. As formulações Roundup Transorb e Zap Qi se diferenciam das demais por apresentar penetração foliar mais rápida do que as demais existentes no mercado brasileiro. e sal potássico. Para controle seletivo de plantas daninhas em culturas geneticamente modificadas.2 . formulado como Roundup Transorb ou Zap Qi. o glyphosate está sendo comercializado com diferentes formulações: sal isopropilamina. 90 Módulo 3. o tempo mínimo sem chuvas após aplicação para se garantir a absorção foliar desse herbicida é de seis horas (JAKELAITIS et al. Figura 8 – Eficiência de formulações de glyphosate em diversos períodos de simulação de chuva após a aplicação Atualmente o ghyphosate é o herbicida mais utilizado no mundo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • A absorção destes produtos pelas plantas é lenta.

Somente diclofop tem registro para uso no solo. • Em doses normais. o problema é minimizado e. 2. Espaçando-se as pulverizações por alguns dias. é necessária uma dose três vezes maior que a requerida para a ação em pósemergência.9 . 1995) são: • São utilizados exclusivamente em pós-emergência. a qual começa nas regiões meristemáticas e se espalha pela planta toda. WELLER.4-DB. Módulo 3. Entre os herbicidas que já mostraram ação antagônica.2 . • São muito efetivos quando aplicados sobre plantas não-estressadas. • A seletividade varia entre espécies de gramíneas. bromoxynil. A translocação varia entre espécies. bentazon e metribuzin. podem ser citados: sulfoniluréias.9. As principais características deste grupo de herbicidas (THILL. para controle de gramíneas anuais e perenes.1 . 2.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 91 .Herbicidas inibidores da ACCase 4. São muito utilizados para o controle de gramíneas anuais e perenes. tanto para plantas daninhas quanto para culturas. • As espécies não-gramíneas são todas tolerantes. há sempre necessidade da adição de um surfatante ou adjuvante. seguida de necrose. Os sintomas incluem rápida parada do crescimento das raízes e da parte aérea e troca de pigmento nas folhas dentro de dois a quatro dias. requerendo uma semana ou mais para a morte completa.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. provavelmente eles afetam a absorção foliar. • Misturas no tanque desses graminicidas específicos com latifolicidas têm trazido uma série de problemas de antagonismo. • Para a atividade máxima ser atingida. até hoje. eliminado. em fase de rápido crescimento. a eficiência diminui quando as gramíneas estão se desenvolvendo em condições de déficit hídrico. mas ocorre tanto pelo floema quanto pelo xilema. • Apresentam lenta degradação no solo. MCPA. imidazolinonas.4D. acifluorfen. • São prontamente absorvidos pela folhagem das plantas. De maneira geral. dicamba.Principais características Os compostos deste grupo apareceram no mercado de herbicidas a partir de 1975 e. os herbicidas deste grupo não apresentam atividade suficiente para o controle de gramíneas em pré-emergência. até mesmo. • A morte das gramíneas suscetíveis é lenta. para que haja ação no solo. novos produtos estão sendo desenvolvidos.

2 . As folhas mais velhas apresentam sinais de senescência e mostram troca de pigmento. Foi verificado também que a divisão celular foi prejudicada por causa da inibição da formação da parede celular. encontrada no estroma de plastídios. que a ação dos graminicidas específicos era sobre a enzima Acetil Coenzima-A Carboxilase (ACCase). resultando no aumento dos níveis de açúcar e antocianina.5 μM. trabalhos realizados com diclofop-methyl começaram a desvendar o modo de ação dos graminicidas específicos. O caso mais relatado é o ocorrido na Austrália com a espécie Lolium rigidum. Foi descoberto. converte o Acetil Coenzima A (Acetil-CoA) em Malonil Coenzima A (Malonil-CoA) pela adição de uma molécula de CO2 ao Acetil-CoA. Este herbicida é rapidamente absorvido pelas folhas e atinge os meristemas da planta. Foi verificado que este herbicida inibe fortemente a incorporação de 14C-acetato em lipídios quando pontas de raízes de milho foram tratadas por 24 horas. Após alguns dias da aplicação. No caso de diclofopmethyl. Há diferenças também entre a atividade de isômeros e as formulações.2 . Esta é uma reação-chave no início da biossíntese de lipídios. A partir de 1981.5 a 0. o problema era na síntese de lipídios. ele causou declínio na atividade respiratória.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • • Apesar do pouco tempo de uso. por isso. eles são tóxicos para mamíferos (classe toxicológica de I a III. Como não houve interferência na absorção de acetato. necrótico. depois. Estudos feitos com sethoxydim mostraram que este herbicida inibe o crescimento e a acumulação de clorofila. surgindo células binucleadas. 4. A enzima afetada por estes herbicidas ocorre também nas células animais. às sulfoniluréias e ao trifluralin. A inibição da ACCase explica perfeitamente a redução no crescimento. nas concentrações de 0.9. que mostrou resistência ao diclofop-methyl e resistência cruzada a outros graminicidas específicos. já existem plantas daninhas que adquiriram resistência aos inibidores da biossíntese de lipídios. A diferença na tolerância entre espécies de gramíneas e folhas largas é muito grande. por exemplo. também.Mecanismos de ação Muitos dos estudos já realizados sobre o mecanismo de ação dos arilofenoxipropionatos foram feitos com o herbicida diclofop-methyl. Esta enzima. o crescimento de raízes e parte aérea é paralisado. e muitos autores 92 Módulo 3. quando o tecido meristemático decai. Em algumas horas. em 1987. para peixes. o aumento na permeabilidade de membrana e os efeitos ultra-estruturais observados nas células. para causar 50% de inibição em células de soja foi necessária uma concentração 47 vezes maior. de maneira geral.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . apesar de a quantidade que atinge a área meristemática ser muito pequena em relação ao que é aplicado. Enquanto 0. predominância da classe II) e. fica aparente a disfunção de membrana. O tecido meristemático em gemas e nós torna-se clorótico e. A translocação ocorre pelo xilema e pelo floema. Ademais.1 μM de haloxyfop provocou 42% de inibição da incorporação de acetato em células de milho. a formulação ácida é mais ativa que a formulação éster e o isômero “D” é muito mais ativo que o “L”.

a não ser o fomesafen. pka: 3.1 mg L-1. ALMEIDA. A falta de lipídios provoca despolarização da membrana celular (THILL.9. 4. É um herbicida Módulo 3. na realidade.1. É registrado no Brasil para as culturas de alface.5. por incompatibilidade fisiológica (efeito antagônico).Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 93 . Não deve ser misturado com herbicidas que controlam dicotiledôneas. kow: 4. Não apresenta mobilidade no solo. Quando o substrato Acetil-CoA é substituído por Proprionil-CoA. e koc médio de 5.Caracterização de alguns inibidores da ACCase Fluazifop-p-butil O ácido (R)-2-[4-[[5-(trifuorometil)-2-piridinil]oxi]fenoxi] propanóico (fluazifop-p-butil) apresenta solubilidade em água de 1. cebola. feijão.3 . A enzima Acetil Coenzima A Carboxilase (ACCase) é. um complexo de três domínios: uma biotina carboxilase que promove a carboxilação da biotina com carbonato (CHO3). algodão. citros. pinho. evitando períodos de estiagem. soja. a qual é ligada covalentemente ao grupo da biotina por um espaçador móvel.520 mg L-1. Controla grande número de espécies de gramíneas anuais no estádio de até 4 perfilhos e algumas perenes. WELLER. tendo uma persistência média de 30 dias (RODRIGUES. que transfere o CO2 da biotina para o Acetil-CoA. 2005). A ACCase de milho já foi isolada. Deve ser aplicado com as plantas em bom estado de vigor vegetativo. É recomendado para uso em pós-emergência. 1995). dois a três dias (RODRIGUES. devendo ser utilizado seqüencialmente. devendo ser aplicado no início do desenvolvimento das plantas daninhas. a enzima funciona. cenoura. eucalipto. mas a eficiência diminui pela metade. tabaco. ALMEIDA 2005). que permite à biotina se mover entre os dois centros catalíticos (HESS. roseira e crisântemo.E)-(+/-)-2-[1-[[(-cloro-2-propenil)oxi]imino]propil]-5-[2-(etiltio)propil]-3-hidroxi.2ciclohexeno-1-ona (clethodim) apresenta solubilidade em água de 5.2 . com intervalo superior a cinco dias. 1995). café. a transcarboxilase.700 mg g-1 de solo. kow: 15000 e persistência muito curta no solo. e a proteína transporte da biotina (BCP). o qual é uma reação dependente de ATP. Clethodim O (E. purificada e parcialmente caracterizada.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas julgam ser esta reação a que dosa o ritmo da biossíntese de lipídios. horas de muito calor e umidade relativa do ar inferior a 70%. tomate.

pka: 4. como algodão. em solos leves.2 . É rapidamente absorvido pelas folhas. eucalipto. cenoura. amendoim.3 mg L-1. não sendo prejudicada sua eficácia por chuvas que ocorram uma hora após sua aplicação. há que observar um intervalo de dez dias entre o emprego de um e outro. sistêmico. permitindo a aplicação dos dois numa só operação. fomesafen e lactofen. comuns em rotação de culturas com a soja.7. 2005). tomate. tabaco. Em doses altas (120-360 g ha-1. podendo requerer reaplicação no caso de rebrotas (RODRIGUES. controla gramíneas anuais. quando provenientes de sementes. café. cebola. aveia e trigo. kow: 11. com exceção do 2. não se deve adicionar óleo mineral à calda. Deve ser aplicado com as plantas daninhas em bom vigor vegetativo.. como Cynodon dactylon e Sorghum halepense. controla gramíneas perenes.4-D. de reprodução seminal. pois aumenta-lhe a fitotoxicidade. milho. altamente seletivo para a cultura da soja e outras dicotiledôneas. Quando misturado com herbicidas recomendados para uso em pós-emergência que controlam plantas daninhas de folhas largas e que já contenham em sua formulação um adjuvante. A ação residual do produto na lavoura é de 30 a 40 dias. devendo ser aplicado no início do desenvolvimento das plantas daninhas (4 folhas até 6 perfilhos.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . Haloxifop-methyl O ácido 2-[4-[[ (3-cloro-5-(trifluorometil)-2-piridinil]oxi]fenoxi] propiônico (haloxyfopmethyl) apresenta solubilidade em água de 9. Quando usado na dose de 120 g ha-1. Nas doses de 360 . tais como: azevém. horas de muito calor e umidade relativa do ar inferior a 60%.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas graminicida. 94 Módulo 3.600 g ha-1. Destaca-se pelo seu amplo espectro de ação no controle de gramíneas anuais. feijão. neste caso. pode haver lixiviação do produto. É recomendado para uso em pós-emergência. no Brasil. acifluorfen. para as culturas de soja. É moderadamente adsorvido pelos colóides do solo. tem ação sobre rebentos de gramíneas anuais que tenham sido roçadas.3. soja. pinho e outras. evitando períodos de estiagem. em condições de alta pluviosidade. quando provenientes de rizomas). ervilha. como bentazon. como é o caso normal em culturas perenes. citros. É compatível com outros herbicidas usados em pós-emergência para controle de folhas largas. feijão e eucalipto. É utilizado. desde jovem até adiantado estádio de desenvolvimento. e com 10 a 40 cm. ALMEIDA. e koc médio de 33 mg g-1 de solo. perenes e tigüera de culturas gramíneas.

e koc médio de 100 mg g-1 de solo (RODRIGUES . citros. 2003a). ALMEIDA. 2005). soja e tabaco.10 . É necessário adicioná-lo à calda adjuvante. As plantas suscetíveis a estes herbicidas perdem a cor verde após o tratamento com estes herbicidas (BRIDGES.2 . colza. 9). pka: 4. Deve ser aplicado em pós-emergência das plantas daninhas. o que acelera sua absorção. gladíolo.1. dependendo das condições climáticas e do tipo de solo. café. se bem que exija doses mais altas de aplicação. Não prejudica as culturas suscetíveis que sejam instaladas no terreno 30 dias após o tratamento. kow: 45. cenoura. como Cynodon dactylon.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sethoxydim O 2-[1-etoximina)butil] . feijão. Tem uma meia-vida no solo de 4 a 11 dias. linho e mandioca. 4. é recomendado. amendoim. encontra-se em fase de registro para abacaxi. Em outros países. não prejudicando culturas sensíveis que sejam instaladas no terreno um mês após o tratamento.0 de 25 ppm e a pH 7. Apresenta curta persistência no solo. para as culturas de alfafa. algumas vezes rosados ou violáceos. também.16. O sintoma evidenciado pelas plantas tratadas é a produção de tecidos novos totalmente brancos (albinos). girassol.ona (sethoxydim) apresenta solubilidade em água a pH 4. não sendo prejudicada a ação do sethoxydim por uma chuva que ocorra uma hora depois de sua aplicação.5 – [2-(etiltio)propil]-3-hidroxi-2-ciclohexeno-1.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 95 . melão e morango). exceto pela falta de pigmentos verdes (clorofila) e amarelos (Fig. Supõe-se que seja seletivo para todas as culturas que não são gramíneas. Módulo 3. macieira e em hortícolas (batata. Estes tecidos são normais.Herbicidas inibidores de carotenóides Os grupos químicos izoxazolidinona e piridazinonas compõem a classe de herbicidas chamada inibidores de carotenóides. melancia. Controla gramíneas anuais e algumas perenes.0 de 4. eucalipto. banana. É um herbicida registrado no Brasil para algodão.700 mg L-1. gergelim. por ser a foliar a principal via de absorção do produto.

porém. Os herbicidas inibidores de pigmento são usados para controle seletivo de plantas daninhas gramíneas. 1994). contudo. Desse modo. pelas plantas tratadas. mais reativo. a energia oriunda da forma triplet é dissipada através dos carotenóides. Após a síntese da clorofila. É importante salientar que estes herbicidas não têm efeito sobre carotenóides sintetizados antes da sua aplicação. arroz. 1994). Os herbicidas inibidores destes pigmentos agem na rota de biossíntese de carotenóides. sem cor. O herbicida clomazone parece ter um único local de ação e não causa acúmulo de phytoeno. 1980). O crescimento da planta continua por alguns dias. com predomínio do phytoeno. Devido a este processo. mas sim de gossipol e hemigossipol. não implica que estes herbicidas inibam diretamente a síntese de clorofila.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 9 – Sintomas de intoxicação de plantas de milho e feijão pelo clomazone. como resultado da perda da fotoproteção fornecida pelos carotenóides à clorofila (MORELAND. A produção dos novos tecidos albinos.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . a clorofila não se mantém sem a presença dos carotenóides. cana-de-açúcar. O local de ação mais estudado é onde atua a enzima phytoeno desidrogenase.2 . A inibição desta enzima provoca o acúmulo de phytoeno. A inibição da enzima IPP (isopentyl pirophosphato isomerase) é o local provável da ação (Abernathy. devido à falta de clorofila. Estes produtos também possuem efeitos sobre a reação de Hill (MORELAND. que são dois precursores. esta se torna funcional e absorve energia. devido à necessidade de renovação dos carotenóides. resultando no acúmulo de phytoeno e phytoflueno. tecidos formados antes da aplicação do herbicida não se mostram brancos imediatamente. anuais e perenes. quando os caratenóides não estão presentes. A inibição da síntese de carotenóides leva à decomposição da clorofila pela luz. do caroteno (MORELAND. Assim. e de folhas largas nas culturas de algodão. 1994). nas quais ela é destruída (ABERNATHY. perda de proplastídios e degradação dos ribossomos 70S. que a protegem. a clorofila que está no estado triplet não dissipa energia e inicia reações de degradação. passando do estado singlet para o estado triplet. A perda da clorofila é resultado da sua oxidação pela luz (foto-oxidação). Assim. 1980). Em condições normais. dissipando o excesso de energia. o crescimento cessa e começam a surgir manchas necróticas. Outras alterações provocadas por estes produtos são: redução da síntese protéica. eles desenvolvem manchas cloróticas que progridem para necrose (ABERNATHY. ela não consegue se manter. 1980). devido à falta de carotenóides que a protegem da foto-oxidação. fumo 96 Módulo 3.

A dose recomendada varia com a cultura e o tipo de solo. pka: zero. Clomazone Norflurazon Esta classe herbicida apresenta baixa toxicidade para animais. pka: 3. afetando culturas sucessoras. ALMEIDA. Os sintomas envolvem branqueamento das plantas daninhas sensíveis. através da interferência na atividade da enzima HPPD (4-hidroxifenil-piruvato-dioxigenase) nos cloroplastos – classificação nos grupos F2 (HRAC) e 28 (WSSA). koc: 300 mg g-1.7 mg L-1.2 . 1994). O clomazone apresenta alta solubilidade:1. O 2 – [(2 . O mesotrione inibe a biossíntese de caroteníodes.07 e koc variando de 19 a 387 mg g-1 e curta persistência no solo sendo degradado rapidamente por microrganismos (RODRIGUES. ALMEIDA. 2005). Módulo 3. chegando às raízes das culturas.dimetil . No Brasil. 1994). Também são empregados em plantas daninhas aquáticas e no controle total da vegetação.4 . Apresenta solubilidade de 168.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas e soja. o clomazone e o norflurazon. Mesotrione O 2-(4-mesil-2nitrobenzoil) ciclohexano-1. Quando aplicado sobre a superfície do solo. pode lixiviar e atingir camadas profundas. apresentam atividade de solo e podem persistir.192 mg L-1.isoxazolidinona (clomazone) e o 4-cloro-5(metilamino)-2-3-[(trifluorometil)]fenil-3(H)-m-toluil) piradazinona (norflurazon) translocam-se na planta via xilema. e persistência no superior a 150 dias. causando danos naquelas sensíveis (RODRIGUES. com posterior necrose e morte dos tecidos vegetais em cerca de 1 a 2 semanas. Controla diversas espécies de plantas dicotiledôneas e algumas gramíneas. são mais comercializados. e não existem casos registrados de plantas daninhas resistentes (ABERNATHY.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação 97 . A seletividade do clomazone ao algodão pode ser aumentada com adição de um inseticida organofosforado (ABERNATHY. O inseticida funciona com “safener” protetor e pode ser usado no tratamento da semente ou em aplicação no sulco de semeadura.clorofenil) metil]-4.3-diona (mesotrione) é um herbicida seletivo de ação sistêmica indicado para o controle em pós-emergência de plantas daninhas na cultura do milho. 2005). A seletividade às culturas se dá pela translocação reduzida pela destoxificação das moléculas herbicidas.3 .

RODRIGUES.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Isoxaflutole O 5-ciclopropil-4-metilsufonil-4-trifluorometilbenzoil)-isoxazole (isoxaflutole) é um herbicida recomendado para as culturas de cana-de-açúcar. nas demais culturas deve ser aplicado em pré emergência. Inibe a biossíntese de carotenoides. Com exceção da cultura do algodão onde é recomendado em jato dirigido. que são essências para proteger a clorofila contra a decomposição pela luz solar através da interferência na atividade da enzima HPPD (4-hidroxifenilpiruvato-dioxigenase). Apresenta baixa solubilidade em água: 6. milho. que é um co-fator chave para síntese de pigmentos carotenóides e para o transporte de elétrons. responsável pela biossíntese da quinona. e meia-vida média de 28 dias (ALMEIDA. 98 Módulo 3. mandioca e algodão para o controle de diversas gramíneas e algumas dicotiledôneas. com posterior necrose e morte dos tecidos vegetais em cerca de 1 a 2 semanas. 2005).0 mg L-1 a 20 °C.Herbicidas: classificação e mecanismos de ação . baixa a média mobilidade nos solos dependendo de suas características ficas e químicas. O isoxaflutole pertence ao grupo dos herbicidas inibidores da biossíntese do caroteno. Os sintomas envolvem branqueamento das plantas daninhas sensíveis.2 .

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UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília .ABEAS Universidade Federal de Viçosa . José Francisco da Silva Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior . translocação.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 . metabolismo.3 .DF 2006 102 Módulo 3.3 . formulação e misturas .Herbicidas: absorção. formulação e misturas Tutores: Profº. translocação. Francisco Affonso Ferreira Profº. José Ferreira da Silva Profº.Manejo de plantas daninhas 3.Herbicidas: absorção. metabolismo.

4 .4. 120 4 – Formulação. 118 3 . 127 4.3 . metabolismo.Conceito de movimento simplástico e apoplástico. 125 4.Penetração pelas raízes.Interações de herbicidas com inseticidas em mistura. 116 2. 117 2.Fatores que influenciam a absorção através das raízes. 117 2.1 . 104 1. 104 1. 112 1. 131 Referências bibliográficas.2 – Incompatibilidade.Formulações sólidas. 127 4.4 .3 . 130 5.3 . translocação. formulação e misturas 103 .Movimento ascendente.Herbicidas: absorção.Misturas de herbicidas.2.1.2.Movimento descendente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário 1 . 104 1.1. 133 Módulo 3.Penetração pelo caule.2 . 128 5 . 112 1.1 .Vantagens das misturas ou combinações de herbicidas.4.Formulações líquidas. 116 2.Tipos de formulações. retenção e absorção de herbicida pela folha.Metabolismo dos herbicidas nas plantas.2 .Absorção de herbicidas.1 . 126 4. 129 5.2 .1 .1.1 – Introdução.1 .1 .3 .Mecanismo de absorção de herbicidas. 111 1.Translocação de herbicidas.2 .2 . 129 5. 130 5.Veículo de aplicação (água).Interceptação. 113 2 .Translocação de alguns herbicidas.Interações entre herbicidas.

104 Módulo 3. em um reflorestamento. o 2. que serão discutidos no item referente à tecnologia de aplicação. formulação e misturas . as raízes. as folhas são a principal via de penetração. A atrazina. Há necessidade de que ele penetre na planta.Interceptação. até ser absorvido. transloca até as folhas e. incorporados ao solo. também. ou quando. flores e frutos) e subterrâneas (raízes. umidade relativa do ar e umidade do solo).Herbicidas: absorção. Quando os herbicidas são aplicados diretamente na parte aérea da planta (pós-emergência).4-DB precisa ser absorvido. Por isso. retenção e absorção de herbicida pela folha A absorção foliar de um herbicida requer que o produto seja depositado sobre a folha e permaneça ali por um período de tempo suficiente. pelas sementes. translocação. aí.1 . também. metabolismo. que influenciam também a translocação destes até o sítio de ação. atinge e penetra nos cloroplastos. Além disso. transloque e atinja a organela onde irá atuar. Por sua vez. por exemplo.Absorção de herbicidas 1. ainda. 1. destruindo-os. dentro de uma população mista. A interceptação da gota pulverizada é função do método de aplicação e da distância entre o alvo e o bico do pulverizador.Introdução A atividade biológica de um herbicida na planta é função da absorção. Por outro lado. o simples fato de um herbicida atingir as folhas da planta e. O caule (casca) de árvores ou arbustos pode também ser uma via de penetração de herbicidas. quando aplicada ao solo.). A absorção de herbicidas pelas raízes ou pelas folhas é influenciada pela disponibilidade dos produtos nos locais de absorção e com fatores ambientais (temperatura. A principal via de penetração dos herbicidas na planta é função de uma série de fatores intrínsecos e extrínsecos (ambientais).2 . onde atua. da translocação. ou. estolões.3 . translocado e. penetra pelas raízes. luz. Os herbicidas podem penetrar nas plantas através das suas estruturas aéreas (folhas. do metabolismo e da sensibilidade da planta a este herbicida e. ou. a seus metabólitos. rizomas. etc. de estruturas jovens como radículas e caulículo e.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1 . metabolizado para exercer sua ação herbicida. tubérculos. principalmente quando se deseja controlar apenas algumas plantas. caules. a morfologia da planta e as condições ambientais exercem grande influência. ou. se deseja que as cepas das árvores não rebrotem após a derrubada. ser aplicado no solo onde se desenvolve esta planta não é suficiente para que ele exerça a sua ação. as estruturas jovens das plântulas (radícula e caulículo) e as sementes são as vias de penetração mais importantes para os herbicidas aplicados e.

metabolismo. como tricomas (pêlos). Por exemplo. translocação. lipofílica. Embora em menor proporção. ELAKKAD. JAKELAITIS et al. a forma e a área do limbo foliar. xilema e floema Fonte: Mengel e Kirkby (1982) 105 Módulo 3. como o paraquat.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A morfologia da planta influencia a quantidade de herbicida interceptada e retida. esta existe também nas raízes..4-D ester para causar a mesma toxicidade em várias espécies sensíveis (BEHRENS. não penetram rapidamente.Corte transversal de uma folha (esquemático). HESS. poros estomáticos. mas são rapidamente absorvidos e.. O corte transversal de uma folha está representado na Figura 1..3 . A perda do herbicida ou de sua atividade depende da ocorrência de chuva (intensidade e duração) neste intervalo.Herbicidas: absorção. 1981). do método e da tecnologia de aplicação. para cada herbicida. não são absorvidos pela superfície da cultícula e são solúveis em água e podem ser lavados caso ocorra chuva até mais de 24 horas após. PIRES et al. Sais aniônicos (cargas negativas). A chuva pode causar perdas consideráveis de herbicidas das folhas das plantas. deve haver um período crítico sem ocorrência de chuvas até que ocorra absorção de quantidade suficiente deste. denominada cutícula. igualmente. Após a interceptação. Dentre os aspectos relacionados com a morfologia da planta destacam-se o estádio de desenvolvimento (idade da planta). porém são rapidamente absorvidos nos lipídios da cutícula e pouco lavados pela chuva. 2001). o ângulo ou a orientação das folhas em rela¬ção ao jato de pulverização e as estruturas especializadas. por exemplo sais de sódio. Sais catiônicos (carregados positivamente). 2000. cavidade estomática. das condições climáticas e das espécies de plantas envolvidas (BRIDGES. A influência da chuva sobre a eficiência dos herbicidas está também relacionada à formulação. células da bainha do feixe. razão pela qual muitos fatores influenciam. Herbicidas lipofílicos (usualmente formulados como CE ou flowable) são pouco solúveis em água. são recobertas por uma camada morta (não-celular). 2003. mostrando células-guarda.4-D amina requer um período muito mais longo sem chuva do que o 2. formulação e misturas . Também o nú¬mero e a abertura dos estômatos exercem pequena influência sobre a penetração dos herbicidas. tanto a penetração dos herbicidas pelas folhas quanto pelas raízes. 2. As folhas. como todas as estruturas aéreas das plantas. por isso. são solúveis em água. menos sujeitos a lavagem pela chuva. Figura 1 .

aldeídos. Entre a camada cuticular e a membrana citoplasmática tem-se a parede celular.3 . A cutina é o principal componente estrutural da cutícula. Em presença de água. formulação e misturas . que é formada de fibrilos de celulose impregnados de pectina. 2005). Figura 2 . A composição química do revestimento epicuticular é muito variável entre as espécies de plantas (Quadro 1). de prato (ou disco). O padrão de superfície da camada cuticular é bastante variável. metabolismo. aumentando. álcoois. a qual possui grupos de polaridade variáveis (Figura 2). et al. freqüentemente. translocação. etc. ésteres. é referido como camada cuticular (Figura 2).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A cutícula recobre todas as células da epiderme da planta. Esse conjunto. assim a sua permeabilidade. Em consequência da variabilidade de seus componentes o grau de polaridade das cutículas varia muito. funcionando como uma resina de troca de cátions. Externamente. a cutícula é recoberta por uma camada de cera. (FERREIRA.Herbicidas: absorção. ácidos graxos. separando as partículas de cera. acredita-se que a cutina aumente de volume (por embebição). Ela pode ter a forma de grânulos. A camada cerosa que envolve a cutícula é mais rica em compostos menos polares do que a cutina. incluindo as células-guarda dos estômatos e as células que envolvem a câmara subestomática. pode ser semifluida ou fluida. Em geral. porém alguns componentes são comuns. cetonas. ainda.Representação esquemática dos principais componentes da camada cuticular e o seu grau lipofílico 106 Módulo 3. de camadas superpostas e. essa camada é uma complexa mistura de alcanos de longas cadeias (21 37 carbonos)..

6 8.6 6.2 8.0 7. sobre a penetração dos herbicidas pelas folhas.Percentagem de compostos apolares e polares e pH do revestimento epicuticular de diversas espécies de plantas daninhas Espécies daninhas Cyperus rotundus Avena fátua Brachiaria plantaginea Cynodon dactylon Digitaria sanguinalis Echinochloa crus-galli Panicum dichotomiflorum Poa annua Sorghum halepense Amaranthus retroflexus Capsella bursa-pastoris Chenopodium album Datura stramonium Ipomoea purpurea Poligonum lapathifolium Portulaca oleracea Senna obtusifolia Sida spinosa Sinapsis arvensis Solanum nigrum Stellaria media Xhathium orientale Compostos NãoPolares 82 10 17 12 37 27 17 29 6 44 32 32 92 32 12 37 7 85 47 88 9 58 Compostos Polares 17 90 82 88 62 72 82 71 93 55 68 66 7 68 86 63 93 14 52 11 91 41 pH 7.0 6.3 . citado por Kissmann (1997).0 6. são importantes nessa interação. (1975). translocação. através dos plasmodesmas. tanto os herbicidas polares quanto os não-polares penetram nas folhas das plantas. (1991).2 7.0 7. formulação e misturas 107 . Existem dois tipos principais de superfícies: uma facilmente molhável (rica em álcoois) e outra de molhagem mais difícil (rica em alcanos).3 8.8 8.8 6.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas É conhecido o fato de que há uma interação bastante complexa entre a natureza química do produto aplicado e a superfície foliar. Módulo 3. As características da solução aplicada. Apesar das barreiras existentes (como a camada cuticular). etc.4 6. após atravessar a camada cuticular e a parede celular.5 6. A camada cuticular funciona como uma barreira à perda de água e também como uma barreira à entrada de pesticidas e microrganismos na planta. composição química e permeabilidade da cutícula.8 7. é que essas barreiras não são totalmente rígidas e distintas.2 7.2 7. a tensão superficial da calda. podem acontecer os pressupostos que se seguem (Figura 3). Entretanto. As folhas das plantas apresentam muitas barreiras à penetração dos herbicidas.5 Fonte: Sandoz Agro Ltda. tanto aos polares quanto aos não-polares.0 7.0 7. O processo de absorção de um herbicida é complicado em razão da espessura. a polaridade do composto. A maior barreira à penetração de um herbicida no citoplasma das células é a membrana citoplasmática. o herbicida. via simplasto.0 8.0 6. No momento em que os herbicidas entram em contato com a superfície foliar. Quadro 1 . Uma hipótese citada por Klingman e Ashton. metabolismo.Herbicidas: absorção. pode penetrar no citoplasma.4 7.

formulação e misturas . porque reduz sua polaridade. Todos esses fatores podem influenciar a absorção de herbicidas. Apesar de a constituição física e química e a espessura poderem ser praticamente a mesma.3 . atravessa a camada cuticular. fatores ambientais (luz. Schmidth et al.Diagrama hipotético. A absorção de herbicida não está necessariamente relacionada à espessura ou ao peso da cutícula.). como: potencial hidrogeniônico (pH). ésteres. mas admite-se que os compostos não-polares sigam uma rota lipofílica e os compostos polares. mas sim à constituição lipídica e ao grau de impedimento da passagem de solutos. a cutícula de folhas nova é mais permeável à água do que a de folhas velhas. que diferem em estrutura e polaridade. a rota hidrofílica. permanecer sobre a superfície como um líquido viscoso ou na forma de cristal (2). penetrar. metabolismo. representando os aspectos: volatilizar e perder para atmosfera ou ser lavado pela chuva (1). CESSNA. na parede celular e atingir o interior da célula (pela plasmalema) – é a translocação simplástica.esta é chamada translocação apoplástica. O exato mecanismo de penetração não é totalmente conhecido para todos os herbicidas. espessura da cutícula. que inclui o movimento no floema (5) Fonte: Hess (1995) Uma grande diversidade de herbicidas. da idade da folha e do ambiente sob o qual a folha se desenvolve.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas que variam em função da espécie. cerosidade e pilosidade da folha. Há evidências de que a penetração de herbicidas decresce com o aumento da idade da folha (GROVER. etc. penetrar na cutícula. o pH da solução tem pouco ou nenhum efeito sobre a penetração. Figura 3 . Para os herbicidas orgânicos. uso de agentes ativadores de superfícies (surfatantes) e outros. temperatura. derivados de ácidos fracos. tamanho das partículas e concentração do herbicida. que inclui o movimento no xilema (4) e penetrar na cutícula. 1991). translocação. mas permanecer absorvido nos componentes lipofílicos da cutícula (3). 108 Módulo 3. umidade relativa). na parede celular e então translocar antes de atingir o simplasto .Herbicidas: absorção. o pH mais baixo aumenta a absorção do herbicida. Para os herbicidas nãodissociáveis (amidas. A passagem de uma molécula de herbicida através da camada cuticular é um processo físico que pode ser influenciado por uma série de fatores. (1981) atribuíram isto à maior polaridade da cutina encontrada nas folhas novas.

a menos que a tensão superficial da solução pulverizada seja muito reduzida pelo uso de surfatantes na formulação ou no tanque do pulverizador. também pode apresentar efeitos negativos devido à maior rapidez do secamento da gota pulverizada. luz e teores de umidade no solo e na planta. e daí para o citoplasma das células do parênquima foliar. de duas formas. sendo essa água de hidratação da cutícula a rota de penetração destes herbicidas. favorece a abertura dos estômatos e pode aumentar o transporte de solutos na planta. Supõe-se que os herbicidas lipofílicos se solubilizam nos componentes lipofílicos da camada cuticular e se difundem através da cutícula. por provocar maior fluidez dos lipídios da camada cuticular e da membrana celular e. A umidade relativa do ar tem efeito mais consistente sobre absorção de herbicidas. 1995). Condições de alta temperatura e luminosidade. um intervalo sem chuvas de menos quatro e seis após a aplicação. a cutícula sobre as células-guarda parece mais fina e mais permeável a substâncias do que a cutícula sobre outras células epidérmicas. Entretanto. mesmo quando o período sem chuva foi de até seis horas. houve rebrota acentuada da maioria delas. havendo maior absorção dos produtos polares com aumento da umidade (HESS. respectivamente. Todavia. Nestas. influenciam a atividade dos herbicidas nos aspectos de absorção. provocando a cristalização do herbicida na superfície foliar. foi suficiente para ótimo controle das plantas tratadas. Em segundo lugar.. Primeiro.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Os fatores ambientais. É difícil ou mesmo impossível afirmar qual dos processos é mais influenciado pelas mudanças nas condições do ambiente. mover-se através do poro de um estômato aberto para dentro da câmara subestomática. Nas plantas estressadas (déficit hídrico no solo). a infiltração pelos estômatos não é possível. translocação e grau de detoxificação. Segundo Pires et al. a solução pulverizada poderia. Como os herbicidas atravessam a cutícula? A resposta para essa pergunta ainda não está bem esclarecida. 1995).Herbicidas: absorção. translocação. A maioria dos Módulo 3. dependendo das condições ambientais. A elevação da umidade relativa aumenta o tempo de evaporação da gotícula pulverizada. com a penetração de herbicidas nas folhas. comparando pulverizações feitas em plantas de capim-massambará (Sorgum halepense) sem estresse e estressadas. Uma a duas semanas antes da aplicação. ou baixa umidade relativa do ar e umidade do solo. mais rápida absorção do herbicida. Alta temperatura pode melhorar a absorção. formulação e misturas 109 . em tese. em condições de alta luminosidade e estresse hídrico no solo. A natureza da resposta para as diferentes condições ambientais varia com a espécie vegetal.3 . Nas plantas estressadas. admite-se que a cutícula tenha estrutura porosa. geralmente promovem a formação de cutículas mais impermeáveis. que se mantém hidratada. para o sulfosate e glyphosate. o haloxyfop teve sua atividade reduzida de 92% para 12%. em conjunto. Com relação aos herbicidas hidrofílicos. como temperatura do ar. à alteração na composição das ceras ou ao aumento na formação de ceras epicuticulares. 2001 o glyphosate e o sulfosate apresentam máxima atividade em plantas não-estressadas. Os estômatos podem estar envolvidos. aumenta a hidratação da cutícula. metabolismo. O grau de impermeabilidade da cutícula pode ser atribuído ao incremento de sua espessura. umidade relativa. tanto a absorção quanto a translocação são menores (HESS. conseqüentemente.

Vários autores afirmam que os surfatantes melhoram a penetração e. No entanto. Finalmente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas surfatantes atualmente em uso atua aumentando a penetração cuticular e não consegue reduzir a tensão superficial adequadamente para permitir a penetração estomática. melhorando a retenção e o espalhamento desta sobre a folhagem. tem sido usado para melhorar a atividade de númerosos herbicidas. mas preparados em soluções. metabolismo. que têm vários propósitos. e podem ser catiônicos. provoca efeito antagônico com glyphosate (TURNER. translocação. LOADER. Entretanto. 1980). a eficiência do surfatante depende de sua natureza. Este surfatantes são capazes de reduzir a tensão superficial ao ponto de a infiltração pelo estômato ocorrer. 1994). formulação e misturas . da presença de outros aditivos e das espécies das plantas. têm sido usados como aditivos nas pulverizações. os mais importantes são os agentes ativadores de superfície. incluindo picloram. contendo parte hidrofílica e lipofílica. quando sulfato de amônio é adicionado à solução. ou.3 . do herbicida em questão. não têm sido suficientemente positivos ou consistentes para adição de tais aditivos na calda de pulverização e para se tornar uma prática recomendada. A função primária do surfatante é reduzir a tensão superficial da gota. glyphosate e sethoxydim. Eles geralmente são compostos de moléculas grandes. na concentação de 1 a 10% (p/v). Os herbicidas são raramente aplicados na forma pura. aniônicos ou não-iônicos. Diversos produtos químicos. ou surfatantes. Alguns trabalhos têm demonstrado que esse tipo de surfatante pode aumentar inclusive a translocação relativa do produto aplicado (KNOCHE. favorecendo mais ainda a penetração do herbicida. A adição somente do sal provoca decréscimo da atividade em aveia. às quais alguns ingredientes são adicionados. Em alguns casos o surfatante pode provocar parcial solubilização da cera epicuticular. 110 Módulo 3. Os resultados dos experimentos de campo. Sulfato de amônio. Sulfato de amônio não melhora atividade do paraquat e na. a atividade do glyphosate é melhorada por surfatantes com alto balanço lipofílico-hidrofílico que pelos surfatantes hidrofílicos que são não-iônicos ou catiônicos (TURNER. além de surfatantes e óleos. Eles podem também induzir um fluxo de massa da solução pulverizada através do poro estomatal e também aumentar a penetração cuticular. o surfatante lipofílico é eficiente. Destes. o desenvolvimento de surfatantes à base de organossilicones proporcionou avanço nesse ponto.Herbicidas: absorção. Recentemente. atividade do herbicida. etc. A estimulação da absorção pode ser causada pelo surfatante adicional ou por outros aditivos presentes nas duas formulações misturadas. proporção de 20% p/v.. emulsões. a absorção de um herbicida pode ser influenciada pela presença de outro herbicida misturado na calda. a melhoria só ocorre se o surfatante também estiver presente. no entanto. Também podem ocorrer interações negativas entre os dois herbicidas. em geral. No caso do sethoxydim. Por exemplo. LOADER. para melhorar a penetração ou atividade dos herbicidas aplicados às folhagens. 1980).

o periderma é um tecido protetor que substitui a epiderme. alachlor. molinate A penetração de herbicidas através da casca de plantas lenhosas é outra opção que pode ser aproveitada na prática. pendimethalin butylate.Penetração pelo caule A absorção de herbicidas pode ocorrer pelo caule das plantas jovens (durante emergência) e das adultas.3 . Alternativa prática mais eficiente seria injetar o herbicida com equipamento próprio com uma pistola injetora. Este processo está sendo implantado em algumas empresas de reflorestamento. lignina. Além do mais. além de serem aplicados em altas concentrações (5-10%). sendo. Entretanto. butachlor. usando imazapyr 20 a 30 dias antes da derrubada das árvores de eucalipto. rotas importantes para a penetração de herbicidas pelo caule. Módulo 3. usando-se óleo como veículo. em diâmetro.Herbicidas: absorção. ou. após a morte de suas células. Nas plantas jovens. eles são preparados em formulações lipofílicas. metolachlor DCPA oxyfluorfen trifluralin. Baseado na sua estrutura e composição. formulação e misturas 111 . Para atuação de herbicidas aplicados à casca das árvores. Estes produtos são pulverizados ou pincelados no caule da planta. O crescimento do caule. e.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. visando evitar a rebrota das cepas. floema). As células do periderma contêm tanino e são altamente suberizadas. Quadro 2 . principalmente os polares. também.Grupos químicos de herbicidas e exemplos de ingredientes ativos que podem ser absorvidos do solo pelas radículas ou partes aéreas emergentes das plântulas Famílias de herbicidas Acetanilidas Ácidos ftálicos Difeniléteres Dinitroanilinas Tiocarbamatos Exemplo de produto acetochlor. Lenticelas são estruturas que atravessam o periderma. portanto. o herbicida será mecanicamente introduzido através da casca. o periderma deve apresentar baixa permeabilidade à água e. O caule da plântula durante a emergência tem uma cutícula muito pouco desenvolvida.3 . tornando-a mais permeável aos herbicidas. Outros constituintes comumente encontrados nestas células são ácidos graxos. Neste caso. metabolismo. aos herbicidas aplicados na parte aérea. translocação. é um sítio de entrada importante para muitos herbicidas aplicados ao solo que são ativos em sementes e durante a germinação e na emergência das plântulas (Quadro 2). causa pequenas rupturas na casca. até a região do câmbio (xilema. que facilitam a penetração de herbicidas. sendo esta uma rota de entrada de herbicidas em muitas espécies de gramíneas. desprovida da camada de cera. celuloses e terpenos. a barreira que a estria de Gaspary representa na raiz não está presente nestes tecidos.

Muitos herbicidas com estruturas moleculares. Na endoderme. passando em seguida à negativa (perda por exsudação). a penetração de água e solutos. 1. Embora raízes jovens sejam também cobertas por uma camada cerosa e as mais velhas sejam fortemente suberizadas.4 . A rota mais importante de entrada é a passagem do herbicida junto com a água através dos pêlos radiculares existentes nas extremidades das raízes. O que acontece aos herbicidas nesse ponto não está completamente claro. A entrada dos herbicidas pelas raízes não é tão limitada quanto pelas folhas. ou. Nas raízes jovens. ocorre. formulação e misturas . há uma barreira lipídica localizada na endoderme da raiz.4. em solução com a água. a principal zona de absorção está entre 5 e 50 mm de sua extremidade. tamanhos e solubilidades diferentes são prontamente absorvidos pelas raízes. normalmente. A disponibilidade dos herbicidas para as raízes é função das propriedades físico-químicas dos herbicidas e do solo e da distribuição espacial destes compostos e das raízes no solo. principalmente quando o composto é sujeito à ionização. para o 2. 4). Esse fenômeno pode. Tem sido observado decréscimo na taxa de absorção de herbicidas devido ao abaixamento da temperatura. estar relacionado com a viscosidade da água (sob condições de baixa temperatura) e com reações químicas (absorção ativa).Fatores que influenciam a absorção através das raízes A absorção de herbicidas pelas raízes é caracterizada por uma fase inicial de elevada taxa de absorção durante os 30 primeiros minutos até 2 horas. pode influenciar a absorção de herbicidas pelas raízes. Por exemplo. Os pêlos radiculares são responsáveis por aumento significativo da área disponível para a absorção de água e de herbicidas (Fig.4-D. com alta permeabilidade à água e a solutos (sais). Os herbicidas têm que entrar em contato com a raiz.Herbicidas: absorção. próxima à zona de absorção radicular.Penetração pelas raízes Muitos herbicidas aplicados ao solo são absorvidos pelas raízes. Apesar de não existir nenhuma barreira cuticular na zona dos pêlos radiculares. ocorre decréscimo nesta taxa até ela se tornar nula. translocação. Também a concentração hidrogeniônica.3 . até a zona de absorção das raízes. metabolismo. todas as paredes radiais contêm uma banda fortemente impregnada com suberina (estria de Gaspary). uma vez que nenhuma camada significativa de cera ou cutícula está presente nas partes das raízes onde a maior parte de absorção de herbicidas ocorre. o que pode ocorrer pelo crescimento desta ou pela difusão do herbicida no estado gasoso e. O sistema radicular das plantas superiores apresenta uma superfície de absorção extremamente grande.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. Se o herbicida for 112 Módulo 3. seguida por uma fase de absorção mais lenta. e esta barreira é conhecida por ser impermeável à água. depois. a taxa de absorção aumenta rapidamente logo após a aplicação e. Na endoderme ou antes dela.1 . em grande parte. a água que se move em direção ao xilema deve entrar no simplasto.

como lipofilicidade e pka.. inibidores metabólicos. se difundem nos espaços livres das células da epiderme do córtex da zona de absorção. Triazinas e uréias. Também as propriedades físico-químicas dos herbicidas. mas hiperbólica.Herbicidas: absorção. (1973) listam os seguintes critérios para a absorção ser ativa ou dependente de energia: Q10 ≥ 2. por exemplo. em geral. translocados via xilema. sendo os herbicidas mais lipofílicos absorvidos mais rapidamente.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas absorvido em solução com a água. baixa umidade relativa do ar. conseqüentemente.Mecanismo de absorção de herbicidas A primeira fase de absorção é independente de energia metabólica. Até aí. no xilema. o produto atravessá-la livremente. A linearidade é perdida quando o herbicida exerce efeito tóxico sobre a planta. Essas condições foram satisfeitas para absorção de 2. o que geralmente não é o caso da segunda fase. ou. Os herbicidas solúveis na água. em parte. ele pode penetrar no floema e. portanto. estabelecendo um gradiente de concentração entre a parte externa da raiz (solução do solo) e a interna da planta (corrente de assimilados). entretanto. dependente da concentração. A correlação entre transpiração e absorção é válida para os herbicidas polares. dependendo das características do produto. de onde se transloca até seu sítio de ação. al. influenciam a absorção. passivamente. então. Também atrazine e amitrole tiveram absorção passiva. atrazine e napropamide. A segunda fase de absorção.2 . taxa de absorção não é função linear da concentração externa. De modo geral. Para os herbicidas polares. pelas raízes. Esta fase tem um Q10 maior que a fase inicial e é sensível a inibidores metabólicos. A absorção de herbicidas pela raiz também pode ser limitada por ligações ou adsorção do herbicida nos componentes celulares. além do pH da solução do solo.3 . Não há dados suficientes para o entendimento completo de mecanismo de absorção de todos os herbicidas. dentro de determinados limites. também. Embora alguns trabalhos demonstrem estreita relação entre transpiração e absorção. A segunda fase da absorção. apresentando baixo Q10. a corrente transpiratória correlaciona-se com o transporte destes para a parte aérea da planta. (1973) a taxa de absorção de herbicida correlaciona-se com o coeficiente de partição óleo/água. Quanto à concentração do herbicida. inicialmente. podendo. segundo Donaldson et. mas não o foram para monuron. 1. o pH que aumenta a sua polaridade beneficia também a sua absorção e penetração pelas raízes. Alta temperatura e irradiância. portanto. Sendo os herbicidas. para picloram. Como a Módulo 3. prontamente absorvidos pelas raízes. existe uma relação linear entre a concentração do produto disponível e a sua penetração pela raiz. requerimento de oxigênio. que consiste em atravessar a membrana citoplasmática (plasmalema). é um processo passivo a puramente físico e. e acumulação contra um gradiente de concentração. demanda energia. formulação e misturas 113 . Uma vez dentro do citoplasma das células. absorção bloqueada por inibidores metabólicos.4-D. Donaldson et al. podem ser adsorvidas. alta temperatura do solo e alto potencial de água no solo são condições que favorecem a transpiração e. metabolismo. há evidências contrárias. indicando que o 2. translocação. é um processo ativo de absorção. existem herbicidas não-polares que são. a energia necessária à manutenção da seletividade da plasmalema é inibida. a absorção de herbicidas polares.4.4-D é acumulado ativamente e o monuron. também é ativa ou dependente de energia.

Herbicidas: absorção. ou.Moléculas de herbicidas capazes de entrar no protoplasma via simplasto (passam de célula em célula através dos plasmodesmatas) e atingem o floema. • . metabolismo. difundem-se através das estrias de Caspary e atingem o xilema. e há várias explicações para isso.Moléculas de herbicidas capazes de penetrar nas paredes celulares translocam-se via apoplasto. os herbicidas podem ser acumulados contra um gradiente de concentração. formulação e misturas . x .(a) Secção transversal de uma raiz. translocação. (b) Diagrama hipotético. representando a absorção de herbicidas pelas raízes Durante a fase de absorção dependente de energia. mostrando suas principais estruturas. o . por Mengel e Kikby (1982).Moléculas de herbicidas capazes de penetrar no xilema e. Figura 4 . partição nos lipídios do citoplasma ou metabolismo a produtos polares que 114 Módulo 3.3 . há tendência de aqueles herbicidas que são capazes de passar livremente do floema para o xilema serem de baixa ou nenhuma translocação via floema. floema por ambas as vias (simplásticas ou apoplásticas).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas translocação via xilema é muito mais rápida que a translocação via floema. Estas incluem ligações nos tecidos do citoplasma.

chlorsulfuron. formulação e misturas 115 .4-D. Normalmente. quando aplicadas nas folhas das plantas. Várias classes de importantes compostos. A exsudação é um fenômeno limitado apenas às raízes integrais (sem cortes) e vivas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas são menos hábeis para se difundir através da plasmalema.Herbicidas: absorção. correspondendo à zona de absorção. como os derivados do ácido fenóxico acético. imazethapyr e sethoxydin Fonte: Stelling (1994) Módulo 3. A exsudação também está relacionada com a detoxificação da planta. onde. Essas moléculas dissociadas (ânions) são menos capazes de atravessar a plasmalema do que as moléculas neutras. translocação. como 2. benzóico ou picolínico. metabolismo. os produtos de maior afinidade por substâncias lipofílicas (lipofilicidade) atravessam mais facilmente a plasmalema.4-D. Figura 5 . 2. Esta é a explicação alternativa para a acumulação de ácidos fracos. os ácidos fracos se dissociam mais e entram no citoplasma. Os herbicidas não-polares seguem uma rota lipofílica até atingirem a plasmalema. provavelmente. fenilacético. impedem a ação seletiva desta. Uma vez que o pH no citoplasma é uma a duas unidades maior que o pH do meio externo da célula. podendo ser um dos fatores responsáveis pela tolerância desta ao herbicida. são exsudadas pelas raízes. evidenciando que ela se dá por processo metabólico.Acumulação de herbicidas (ácidos fracos) no interior da célula (a) e sítios de dissociação dos herbicidas (b): bentazon.3 . A zona da raiz mais ativa na exsudação é a zona de alongamento. acumulando-se no interior da célula (Figura 5).

Apoplástico .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2 . os espaços intercelulares e o xilema. translocação. Se a translocação de um herbicida pode ser aumentada. a translocação é também de grande importância. Por outro lado. que são as membranas citoplasmáticas. como ponto de crescimento. com velocidade de 60 a 100 vezes maior que o movimento no sentido radial. em 1971.Herbicidas: absorção. tubérculos. Muitos herbicidas são absorvidos pelas raízes ou pelas partes subterrâneas do caule e são translocados para outras áreas. que não são capazes de se regenerar através de seus órgãos subterrâneos. considerando que não é fácil atingir toda a superfície foliar de uma planta.1 .Translocação de herbicidas Há várias razões pelas quais é importante o estudo de translocação de herbicidas.. necessitam que determinada quantidade do produto seja capaz de translocar e atingir estes orgãos de recuperação. quando ocorre completa cobertura da parte aérea pela calda herbicida pulverizada. O movimento de solutos e assimilados no interior das plantas superiores pode ser definido. citados por Hay (1976). aquelas plantas que são capazes de se regenerar através de bulbos. basicamente.Conceito de movimento simplástico e apoplástico Simplástico . etc. podem ser mortas por herbicidas de contato. metabolismo. e tendo em vista que há diferença de penetração de herbicida nas diferentes posições da parte aérea da planta. sem atravessar as barreiras à permeabilidade. como a massa total de células vivas de uma planta. então as doses aplicadas deste produto podem ser reduzidas. etc. para que produza controle eficiente. até atingirem as células companheiras. Transporte a longa distância ocorre através dos tubos crivados (floema).foi definido por Crafts e Crisp. O floema é o principal componente do simplasto. os quais formam um sistema contínuo no qual a água e os solutos se movimentam livremente. conseqüentemente. Entretanto. incluindo as paredes celulares. menores serão os custos de aplicação e os riscos de causar prejuízos ao meio ambiente. como visto a seguir. Plantas jovens. denominado plasmodesmas. estolons. 2. Para a maioria dos herbicidas aplicados ao solo. rizomas. o aumento na translocação de um produto aumentará a sua eficiência. é formado pelo conjunto de células mortas. de onde são transpostos para o floema. principalmente de arbustos e árvores. para exercerem a sua efetiva ação herbicida.3 . formando um conjunto contínuo através das intercomunicações do citoplasma. em dois sentidos. 116 Módulo 3. Íons e moléculas podem movi¬mentar-se de célula para célula através dessas estruturas. cloroplastos. formulação e misturas .contrariamente ao simplasto.

se transformam em uma fonte. mas somente as células companheiras estão diretamente ligadas ao floema. de alguma forma ainda não definida. As células companheiras e as células parenquematosas.2 . Os assimilados. Acredita-se que herbicidas e outras substâncias se movimentem juntamente com esse fluxo. das células de transferência e das células companheiras estão diretamente intercomunicados. força o fluxo em massa do conteúdo nele existente. penetração de água dentro destas células. assume-se que esse movimento ocorra à custa de energia metabólica. à medida que se distancia da fonte. Parte dessa distância ocorre pelo sistema apoplástico. hoje. enquanto as produzidas nas folhas da parte superior da planta são transportadas para as folhas novas e os brotos terminais. porém o mecanismo desse carregamento. As células com protoplasma muito denso e com pontuações na parte interna da parede celular permitem maior superfície de contato entre o sistema simplástico e o apoplástico.3 . flores e frutos em desenvolvimento.5 vezes o diâmetro da célula. nestes vasos. que acompanham as células do floema. 2. na endoderme. translocação. Sabe-se. para muitas substâncias. que descer até atingir o caule. inicialmente. Citoplasmas das células do mesófilo.O decréscimo da concentração dos assimilados ao longo dos vasos. Substâncias fotossintetizadas nas folhas da base da planta são transportadas para as raízes.1 . conseqüentemente. primeiro.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2. causando elevação do potencial osmótico e. O movimento por esta rota para o interior da raiz é bloqueado pelas paredes longitudinais das “estrias de Gaspary”. Uma vez que estes assimilados se movem para dentro desses vasos.1. formulação e misturas 117 . após o que podem subir pelo floema ou penetrar no xilema e se translocar com a corrente transpiratória. A teoria do transporte pelo fluxo de massa baseia-se na elevação da concentração de assimilados (açúcares. raízes e tecidos ou órgãos de reserva).1. estão envolvidas no fluxo de carregamento destes vasos. metabolismo. para se translocarem das folhas para a parte superior da planta. Estas células são conhecidas como células de transferências e parecem funcionar no carregamento dos vasos do floema e na transferência do floema para o xilema. O movimento para dentro do floema (carregamento) deve ser um processo ativo. A hipótese do transporte pelo fluxo de massa envolve uma corrente de solutos movendo-se da fonte (folhas. antes de alcançar os vasos menores do floema. quando amadurecem. no entanto. principalmente sacarose) dentro dos vasos. Contudo. supunha-se que as substâncias (íons ou moléculas) rompiam essa barreira e penetravam no sistema simplástico das células.Movimento ascendente Íons e moléculas podem difundir-se pelos espaços intercelulares e paredes celulares do córtex.Movimento descendente Os assimilados e solutos se movem a uma distância média correspondente a 2. são um dreno e. em direção contrária ao gradiente de concentração. caules ou outros órgãos fotossintetizantes) para o dreno (áreas meristemáticas. têm. é ainda desconhecido. As folhas. que a estria de Gaspary não está presente nos ápices Módulo 3. A alta pressão de turgor. suporta essa teoria.Herbicidas: absorção.

A sua pequena acumulação nas raízes está. Essas substâncias podem.4-D. ele se acumula nos pontos de crescimento. A adição do ácido 2-cloroetil-fosfônico (ethrel) ao dicamba aumenta a sua translocação. Picloram . talvez por inibir o movimento junto à corrente transpiratória. Ele transloca-se. ou. 1992). pelo sistema simplástico.1. 2. Se a planta é retirada da solução com herbicida e colocada numa solução sem herbicida. mover-se de célula para célula. A morte ou injúria das raízes reduz a sua exsudação.3 . Aplicado nas folhas das plantas. principalmente. o que pode representar importante rota de passagem dos herbicidas do apoplasto para o simplasto. A presença de folhas jovens na planta aumenta a translocação do produto para as raízes. até certo ponto. Derivados do ácido fenóxico . indicando ser este um processo que requer energia. é rapidamente absorvido e translocado para todas as partes da planta. Apesar de apresentar pequena acumulação na raiz. relacionada com sua exsudação por elas. elevadas temperaturas e adequado suprimento de água no solo) são também favoráveis à translocação dos produtos que se movimentam pelo sistema apoplástico. pode danificar a cultura quando ele for injetado em algumas espécies que são capazes de excretá-lo através de suas raízes.é altamente móvel na planta. a concentração do produto diminui nas raízes e nas folhas fotossintetizadoras e se concentra nas regiões meristemáticas desta. pode controlar uma séria invasora do milho. Apesar de se translocarem no sentido descendente. metabolismo. neste caso. nos pontos de crescimento e nas raízes. no sentido descendente. visando reduzir o sombreamento de culturas como o cacau. 118 Módulo 3. Exsuda-se. as condições ambientais favoráveis à transpiração (umidade relativa baixa. Em geral. ou vazar para o xilema parenquimatoso e ser transportadas no sentido acrópeto pela corrente transpiratória. sendo exsudado.4-D move-se do floema para o xilema e retorna à folha tratada. para folhas e pontos de crescimento da planta. em grande proporção. ser absorvido por plantas vizinhas não-tratadas. aproximadamente. O uso deste herbicida no raleamento de floresta. pode ser exsudado pelas raízes. A elevação da umidade relativa pode aumentar o movimento descendente do 2.Herbicidas: absorção. o picloram é.4-D. translocação.parece movimentar-se prontamente em ambos os sistemas (apoplásticos e simplásticos).4-D. Se o produto é aplicado nas folhas. Aplicado nas raízes ou nas folhas. espalhando-se rapidamente por toda a planta.3. formulação e misturas .quando aplicado em solução nutritiva. então. CIAMPOROVÁ. xilema e acumulam-se nos pontos de crescimento (tecido meristemático). podendo. O 2. Aplicado nas folhas do milho. Pequena acumulação ocorre nas raízes.os representantes deste grupo translocam-se pelo floema e. podendo causar danos às plantas adjacentes às tratadas.3 . 2. 10 vezes mais tóxico às raízes que o 2. não se acumulam na raiz por causa do fenômeno da exsudação. pelas raízes.Translocação de alguns herbicidas Dicamba . também ocorre acumulação nas folhas jovens. semelhante ao 2.6-TBA .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas radiculares de células endodérmicas jovens e na região basal das raízes laterais em desenvolvimento (LUXOVÁ. apesar de ser bastante móvel no sentido basípeto da planta. que é a striga (erva-debruxa). ele se transloca até as raízes e.

mas pouco ativo em Avena fatua. em menor proporção. As triazinas também se acumulam em glândulas ricas em óleos. os cloroplastos. Assim. a pequena translocação do produto ocorre pelo sistema apoplástico.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Uréias . concentrando-se nas extremidades das folhas. de alguma forma. na prática. principalmente quando aplicados durante o dia. Imazaquin é muito ativo no milho. Entretanto. A taxa de absorção decresce algum tempo após a aplicação. enquanto a translocação no milho continua por muito tempo. O sítio de ação dos herbicidas deste grupo é a enzima AHAS (ácido aceto hidroxi sintase). penetram no simplasto. caules e raízes e se trans¬locam via floema ou xilema até os pontos de crescimento. onde inibem a síntese de aminoácidos. Quando o paraquat é aplicado no escuro. como metribuzin. sob forte intensidade luminosa. eles são considerados herbicidas de contato. ao inibir a fotossíntese. Os estômatos fecham-se porque o herbicida. metabolismo. A sua velocidade de ação é proporcional à intensidade luminosa. Contudo. atingindo. em razão de sua rapidez de ação. principalmente diuron. Fatores que reduzem a transpiração da planta reduzem também a sua translocação. parece que ele atinge o xilema antes de necrosar o tecido e se move com a corrente transpiratória tão logo a planta seja exposta à luz. principalmente. em plantas de algodão. onde atuam. a translocação da folha para o caule parece não estar relacionada com a lipofilicidade. eles não se translocam de uma folha para outra. Outros autores admitem que a translocação ocorrida na planta seja por difusão causada pelo rompimento das células. Imidazolinonas . dentro de 30 minutos elas podem ser detectadas no topo da planta.a maioria das triazinas são mais facilmente absorvidas pelas raízes. Alguns trabalhos mostram que a translocação é aumentada pela redução da umidade relativa (elevação da transpiração). aparecem os sintomas de toxidez. formulação e misturas 119 . por causa do fechamento dos estômatos (redução na taxa de transpiração). ametryn e atrazine.estes herbicidas são absorvidos por folhas. onde. translocação. Bipiridílios – são considerados. quanto mais lipofílica for a imidazolinona. espalham-se por toda a planta. Aplicados às raízes. Aplicados às folhas. são também absorvidas pelas folhas. fluometuron e linuron. sendo todas elas translocadas exclusivamente via xilema. que é concentrada nos tecidos meristemáticos. Aparentemente. inicialmente. Algumas uréias. Quando aplicadas às raízes das plantas. A diferença de translocação do imazaquin pode ser a causa das diferenças na susceptibilidade entre as espécies. como herbicidas não translocáveis nas plantas. são bastante toleradas pelos citros e pelo algodão. mais rápida é absorvida pelas raízes e mais rápida é a translocação para o caule.os derivados da uréia substituída são translocados exclusivamente via apoplástica. Módulo 3. Na prática. Ocorre paralisação da translocação em aveia uma hora após o tratamento.3 . Altas concentrações destes produtos são encontradas em glândulas ricas em óleo (verdadeira barreira à translocação destes herbicidas) localizadas ao longo do caule e nas folhas da planta.Herbicidas: absorção. Triazinas . Algumas. porém se translocam apenas do ponto de aplicação para as extremidades da parte da planta onde foram aplicadas. em solução nutritiva. portanto. promove o acúmulo de CO2 na câmara subestomática. A translocação das raízes para os caules parece estar relacionada com a lipofilicidade das imidazolinonas. principalmente nos cloroplastos.

É importante saber não só que o herbicida é metabolizado. mas somente algumas espécies o degradam em velocidade suficientemente rápida para aumentar ou proporcionar a sua tolerância ao produto.6 T. Normalmente. ácido glutâmico. também. Os compostos geralmente encontrados em conjugação com 2. fenilalanina e triptofano.3. translocação. alanina. valina. e • conjugação do composto com constituintes da planta. A transferência do cloro da posição '4' para a posição '3' e a passagem do cloro da posição '5' para posição ‘6’ do 2. A maioria das plantas degrada a cadeia do ácido acético.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 3 . Para vários grupos de herbicidas (ex. A hidroxilação na posição ‘3’ e a sua conseqüente conjugação com glucose e.4-DB → β oxidação → 2. com conseqüente conjugação desta hidroxila com constituintes da planta. 120 Módulo 3. formulação e misturas . formando o 2. Uma das maneiras pelas quais as plantas se livram destes produtos é através do metabolismo destes. translocação. ou. As agências governa¬mentais estabelecem limites de tolerância de resíduos dos produtos na planta. leucina. Derivados dos ácidos fenóxicos Há três mecanismos básicos envolvidos no metabolismo dos derivados do ácido fenóxido acético (Figura 6): • degradação da cadeia do ácido acético. mas. etc. É muito importante saber se o herbicida é metabolizado ou não. Embora os herbicidas venham sendo usados há mais de 50 anos.5 T. • hidroxilação do anel aromático. o toleram. o estudo de seus metabolismos é relativamente recente. causando a inativação do herbicida. aqui. aminoácidos também são mecanismos de inativação do 2. transformando-se em composto tóxico (2. inibidores da ALS e da ACCase). O 2.4-D. na planta. Tratar-se-á. metabolismo o da molécula é uma das principais causas da seletividade.: auxínicos. na época da colheita das estruturas utilizadas para a alimentação. do metabolismo dos herbicidas nas plantas apenas em relação à sua detoxificação.3 . conhecer os seus metabólitos e a forma como são metabolizados. na passagem do cloro de uma posição para outra.4-D).Metabolismo dos herbicidas nas plantas A seletividade dos herbicidas pode ser atribuída a numerosos fatores.4-D são: ácido aspártico.Herbicidas: absorção.4. Algumas leguminosas. também o inativam. metabolismo.4-DB também é metabolizado por algumas plantas (Figura 7). há hidroxilação na posição anterior do cloro. metabolismo. incluindo absorção. A hidroxilação na posição ‘para’ inativa o produto. como a alfafa.

enquanto em espécies suscetíveis (feijão e pepino) a degradação Módulo 3. antes da saturação dos sítios de ação do produto. Figura 6 .Herbicidas: absorção.3 . sorgo e cana-de-açúcar. translocação.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas porque não o transformam em 2. dando tempo para que outros processos metabólicos realizem a sua degradação.4-D em plantas superiores Triazinas Algumas plantas. Em espécies tolerantes. são altamente tolerantes às clorotriazinas (atrazine e simazine). formulação e misturas 121 .4-DB a 2. metabolismo. A taxa de degradação das triazinas em plantas superiores varia grandemente com as diferentes espécies.4-D ou o fazem muito lentamente. elas são rapidamente degradadas (Figura 8). principalmente gramíneas como milho.4-D em plantas superiores Figura 7 – β oxidação do 2.Biotransformação e rotas metabólicas do 2.

Biotransformação e rotas metabólicas de atrazine em plantas superiores Os processos de inativação ocorrem pela hidroxilação. formulação e misturas . A substância catalisadora dessa reação foi identificada como benzoxazinona. Glutation-Stransferase é a enzima envolvida nessa conjugação. metabolismo. mas a hidroxilação é mais intensa nas raízes. demetoxilação e dealquilação na posição ′N′ e por conjugação com peptídeos. o que favorece a tolerância das plantas a estes herbicidas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas é mais lenta. translocação. Também pode ocorrer conjugação das triazinas com peptídeos. O metabolismo do metribuzin nas plantas superiores pode ser observado na Figura 9. A N-dealquilação é outra rota do metabolismo das triazinas. Figura 8 . Portanto. a taxa de degradação das triazinas parece ser.Herbicidas: absorção. Esta substância ocorre em toda a planta de milho. 122 Módulo 3. primariamente. Extratos das raízes e da parte aérea do milho são capazes de hidroxilar as clorotriazinas. indicando que nestas a benzoxazinona é mais ativa. a base de seletividade destes herbicidas às plantas.3 .

formulação e misturas 123 . o propanil inibe o fotossistema II. ou. o 2. Propanil É uma exceção entre as amidas. a ruptura do anel.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 9 . translocação. demetoxilação e deaquilação. Enquanto estas inibem raízes e pontos de crescimento.6-TBA é considerado um herbicida estável. Entre os compostos deste grupo. tanto na planta quanto no solo. formando a correspondente anilina. não se demonstrou. É um produto não-seletivo e de elevada eficiência no controle de plantas daninhas perenes.3. e também com a conjugação com os constituintes da planta. ainda.Herbicidas: absorção. incluindo as de raízes profundas. Derivados da uréia As principais rotas do metabolismo das uréias substituídas estão relacionadas com a demetilação e. metabolismo. É considerado um herbicida completamente metabolizado pelas Módulo 3. Entretanto.3 .Biotransformação e rotas metabólicas do metribuzim em plantas superiores Derivados dos ácidos benzóico A hidroxilação do anel aromático e a sua conjugação com outros constituintes da planta são demonstradas na prática.

Esta enzima é sensível aos inseticidas carbamatos e fosforados orgânicos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas plantas tolerantes (Figura 10). mostraram que somente 17% do picloram tinha sido metabolizado três meses após a sua aplicação. Trabalhos realizados por Redemann e outros. como o arroz. formulação e misturas . Figura 10 . translocação. ele se acumula e inibe a reação devido à menor atividade da enzima que o degrada. considerando-se o tempo de ação. por unidade de tempo.4-D é mais ativo que o picloram. Nas plantas sensíveis. metabolismo. 124 Módulo 3. A velocidade de sua metabolização influencia decisivamente a tolerância da planta. podendo a mistura do propanil com estes compostos causar sensível redução na tolerância do arroz ao propanil ou até perda total de seletividade do propanil a essa cultura. razão pela qual o arroz é tolerante e o capim-arroz. em trigo. Entretanto. A enzima envolvida nesse processo (arilacilamidase) é 10 a 20 vezes mais ativa no arroz que no capim-arroz. A sua alta atividade como arbusticida e arborecida está relacionada com a sua estabilidade na planta. o picloram é mais de 10 vezes mais ativo. O 3-4-diclorolactoanilida é um composto intermediário e instável nas plantas tolerantes.Hidrólise do propanil em plantas de arroz O metabólito 3-4-dicloroanilina formado pode ser conjugado com constituintes da planta. como o capimarroz.Herbicidas: absorção. por causa de sua lenta degradação. principalmente com diversos tipos de carboidratos. Picloram: É um produto altamente estável na planta e no solo. citados por Foy (1976).3 . observou-se que o 2.4-D com a do picloram (em algumas espécies de plantas latifoliadas). Comparando a atividade do 2. sensível.

Eles podem ser: minerais (formulados com predominância de frações parafínicas de hidrocarbonetos). ou. adesivos. ingrediente ativo é o composto com atividade biológica. quelatizantes (tiram reatividade de moléculas e íons). tendo em vista que o produto final deve ser usado em determinadas condições técnicas de aplicação. catiônicos (carregados positivamente) e não-iônicos (neutros). para poder cumprir eficazmente sua finalidade biológica. que não alteram o equilíbrio eletrolítico nas formulações e nas caldas. Na legislação federal sobre produtos fitossanitários. formulação e misturas 125 . é comercializado em formulações diferentes em várias regiões do mundo. adicionando substâncias coadjuvantes.Formulação Formular um herbicida consiste em preparar seu ingrediente ativo na concentração adequada. Os óleos não-fitotóxicos também têm grande uso como adjuvante. exceto água. Qualquer substância ou composto sem propriedade fitossanitária. servindo de interface entre as superfícies.Herbicidas: absorção. adesivos (melhoram a aderência do produto com a superfície tratada). que são capazes de reduzir muito a tensão superficial e até induzir um fluxo de massa da solução pulverizada através do poro estomatal. e surfatantes (agentes ativadores de superfície). Os minerais também podem servir como veículo para aplicação de herbicidas. é uma formulação universal que possa ser usada em diversos países. corantes (dão coloração ao produto formulado). espalhantes. segundo Kissmann (1997). Recentemente surgiram os surfatantes à base de organossilicones. metabolismo. fazendo com que o herbicida penetre. dispersantes (impedem a aglomeração de partículas). antievaporantes e.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4 . A formulação é a etapa final da industrialização. pelos estômatos. às vezes. que é acrescida na preparação de defensivos para facilitar a aplicação ou aumentar a eficiência ou diminuir os riscos é classificada como adjuvante. por possuírem porções lipofílicas e hidrofílicas na mesma molécula. O mesmo ingrediente ativo. Módulo 3. também. Os surfatantes são classificados de acordo com sua carga elétrica ou tendência de ionizar a porção hidrofílica da molécula. molhantes (permitem rápida umectação do produto em contato com a água). solventes (dissolvem o ingrediente ativo). Entre as classes de adjuvantes podem-se citar: emulsificantes (compatibilizam frações polares e apolares). e os ingredientes inertes são os outros compostos adicionados na formulação. Eles podem ser aniônicos (carregados negativamente). seja como molhantes. vegetais (apresentam porções variadas de ácidos graxos) e vegetais metilados (sofrem esterificação metílica). no Brasil. 1997). Os surfatantes ou tensoativos são também adjuvantes. translocação. espessantes (aumentam a viscosidade). mantendo essas condições durante o armazenamento e transporte (ARAÚJO. Estes compotos causam redução da tensão superficial. mas a tendência atual. penetrantes.3 . tamponantes (deixam o pH dentro de uma faixa desejada).

especialmente os de Ca++ e de Mg++. favorecer mais a penetração do herbicida (RADOSEVICH. tanto física (sem absorção ou repulsão entre os ingredientes) como química (sem alteração dos compostos) ou biologicamente (a mistura deve ser eficiente para o controle) e ser estável. assumir conotações negativas em certos casos. segundo Ozkan (1995). perigo de deriva e lixiviação.4 320. como sendo fitotóxicos. Uma formulação de herbicida pode ser considerada de boa qualidade se atender aos seguintes requisitos: ser letal à planta daninha ou. tem que ser compatível.Veículo de aplicação (água) O veículo mais importante para diluir formulações de produtos fitossanitários a serem aplicados por pulverização ou imersão é a água.1 . Além disso. os surfactantes favorecem o espalhamento uniforme da calda na superfície foliar. que deve ser de boa qualidade.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Além da redução da tensão superficial. causando desnaturação enzimática ou disfunção das membranas e. possível injúria na cultura. boa retenção na superfície da folha. que são os principais causadores da dureza da água.0 > 534. Um exemplo claro dessa ação ocorre com os compostos catiônicos (paraquat e diquat). 1997). equipamento de aplicação disponível. permanecer ativa por um longo período. por diminuírem ou eliminarem a seletividade de alguns herbicidas e até favorecerem ataques de fungos pela remoção da camada cerosa protetora ou por espalharem os esporos pela superfície vegetal (Kissmann. tornando-os indisponíveis. podem solubilizar substâncias não-polares da folha. A escolha da formulação a ser usada baseia-se. assim. e não afetar os microrganismos benéficos e a cultura. e penetração foliar eficiente. caso esta já esteja instalada.4-534.Herbicidas: absorção. Quadro 3 . também. no mínimo.Classes de dureza da água Classes Água muito branda Água branda Água semidura Água dura Água muito dura ppm de CaCO3 71. Deve-se salientar que essa dureza é calculada em função do teor de CaCO3 . translocação. metabolismo.2-142. A água quase sempre apresenta sais em dissolução. formulação e misturas .4 142. aumentam a retenção e melhoram o contato da gotícula. Os sufatantes podem. custo.4-320.3 . Argilas e compostos orgânicos em suspenão na água podem absorver alguns tipos de ingredientes ativos. nos seguintes fatores: características físicas e biológicas da planta daninha-alvo. Deve também permitir a associação de produtos. 4. necessidade de armazenagem e tipo de ambiente em que a aplicação é feita. ou seja.2 71.0 126 Módulo 3. deve apresentar bom espalhamento. 1997). Também. que são inativados parcial ou totalmente. danosa a ela.

transformase numa suspensão.Herbicidas: absorção. ou acrescentando um quelatizante na água.2.3 .5. vermiculita. cuja velocidade depende do pH. É obtida pela moagem do ingrediente ativo absorvido em material inerte (sílica. adicionado em água.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A dureza da água interfere na qualidade das caldas dos herbicidas de duas maneiras: Nas formulações . após dispersão em água. os elementos responsáveis pela dureza da água Ca++ e Mg++ podem substituí-los. podem sofrer degradação por hidrólise.2 . Possui a vantagem de ter. antes da aplicação. para aplicação sob a forma de suspensão após desintegração e dispersão em água. e a constante de dissociação também é dependente do pH. não requerendo agitação durante aplicação. 700 g kg-1 de metribuzin). O ingrediente ativo sólido está na forma de grânulos. possui 50 a 80% de ingrediente ativo (ex: Sencor BR. Pó solúvel (PS): nesta formulação o ingrediente ativo é totalmente solúvel em água. descaracterizando sua ação biológica. maior concentração de Módulo 3. 4.ingredientes ativos à base de ácidos ou sais podem reagir na presença dos cátions Ca++ e Mg++ . Muitas moléculas sofrem dissociação quando em solução. 4. formando compostos insolúveis. para aplicação.1 . precisa-se de uma agitação contínua no tanque. A dureza da água pode ser corrigida. sob a forma de suspensão. que representa água semidura. o que reduziria a tensão superficial dos líquidos. Outro fator muito importante que pode influir na estabilidade dos herbicidas e nos resultados é o pH da água. para evitar floculação e aumentar a establilidade da suspensão. e este. Geralmente. Durante a aplicação. translocação. no produto comercial. nas formas sólida e líquida. Geralmente. com possíveis substituições e formações de compostos insolúveis. basicamente.0 e 6. Muitos produtos que ficam preparados em água por muito tempo. o que isolaria a carga elétrica e suprimiria a reatividade de íons desta. Grânulos dispersíveis em água (GRDA ou dry flowable): é uma formulação sólida constituída de grânulos. com conseqüente perda da função desses surfatantes. as caldas fitossanitárias apresentam mais estabilidade numa faixa de pH entre 6. de duas maneiras: acrescentando um surfatante não-iônico. metabolismo. Valores extremos de pH podem afetar a estabilidade das caldas. As indústrias geralmente já formulam seus produtos para serem compatíveis com 20 até 320 ppm de carbonato de cálcio.Tipos de formulações As formulações apresentam-se. segundo Kissmann (1997). formulação e misturas 127 . Nos ingredientes ativos .Formulações sólidas Pó molhável (PM): esta formulação é definida pela ABNT como formulação sólida de pó. etc).na presença de tensoativos aniônicos contendo Na+ ou K+. Adiciona-se geralmente uma substância dispersante.

sendo um deles disperso como glóbulos de pequeno tamanho dentro do outro.2. Neste tipo de formulação. sob a forma de emulsão. o princípio ativo sólido (micropartículas) é mantido suspenso em água. dissolvido no solvente. 4-D).: Dual 960 CE. e do solvente. Suspo-emulsão: é uma formulação fluida e heterogênea. A importância desta formulação reside na possibilidade de poder compatibilizar dois tipos de formulações diferentes.Formulações líquidas Soluções (S): esta mistura é de natureza homogênea. 200 g kg-1 de molinate). acetona. basicamente. 700 g kg-1 de imazaquin). 960 g L-1 de metolachlor).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas princípios ativos. que é o ingrediente ativo. metabolismo.: Karmex 500 SC.2 . Em geral.Herbicidas: absorção. 500 g L-1 de diuron). Granulados (GR): os grânulos são constituídos de veículos minerais. ele deve ser solúvel em pelo menos 25% por litro do solvente. adiciona-se geralmente um surfatante (ex. composta do soluto. para aplicação após diluição em água. para aplicação após a diluição em água. a baixa toxicidade e o fácil manuseio (ex. translocação. requerendo. Suspensão concentrada (S) ou “flowable”: é uma formulação constituída por uma suspensão estável de ingrediente(s) ativo(s) num veículo líquido. que pode ser água. Devido à sua pouca penetração foliar. 4. são mais seletivos. Para que um produto seja formulado como solução.: DMA 806 BR.: Ordran 200 GR. Emulsões são sistemas termodinamicamente instáveis que consistem em dois líquidos imiscíveis. como a vermiculita. Esta formulação contém as fases ‘oleosa’ (contendo o ingrediente ativo e o solvente orgânico surfatante) e ‘aquosa’ (que também pode conter 128 Módulo 3. menor volume de calda para aplicação (ex: Scepter 70 DG. com isso. Microemulsão: é um caso específico de emulsão. dispensam o uso da água. O concentrado emulsionável conta. Como vantagens estão a ausência do pó. Pellets ou pastilhas: possuem ampla similaridade com os granulados. permanece por longos períodos em suspensão (mistura mais homogênea) e provoca menos desgaste nos bicos (ZAMBOLIM. A solubilidade mínima necessária é de 12%. e um agente emulsificante. com um solvente nãopolar (o ingrediente ativo). que pode conter outro(s) ingrediente(s) ativo(s) para aplicação após a diluição.3 .: Podium. VALE. Emulsões concentradas: esta formulação é uma emulsão de ingrediente ativo de baixo ponto de fusão ou líquido. têm maiores custos e dependem de equipamentos adequados para aplicação e de umidade no solo para liberar o ingrediente ativo (ex. sendo uma alternativa ao concentrado emulsionável (ex. Possui maior penetração foliar. Seu processo de obtenção é o mais simples e barato. Concentrado emulsionável (CE): é uma formulação líquida homogênea. formulação e misturas . 110 g L-1 de fenoxaprop-p-ethyl). 1997) (ex. cuja concentração varia de 2 a 20%. podem ser aplicados em locais de difícil acesso. constituída de uma dispersão estável de ingredientes ativos na forma de partículas sólidas e de finos grânulos na fase aquosa. álcool. diferindo-se por possuírem partículas de maior tamanho. etc. 670 g L-1 de 2. e de princípio ativo.

A idéia de combinação de herbicidas para controlar seletivamente plantas daninhas em culturas desenvolveu-se posteriormente.Vantagens das misturas ou combinações de herbicidas A aplicação de misturas de herbicidas pode oferecer vantagens. formulação e misturas 129 .: Robust: 200 g de fluazifop-p-butil + 250 g L-1 de fomesafen). além do conhecimento a respeito das interações entre os produtos. entretanto.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ingrediente ativo solúvel em água. translocação. • As misturas foram primeiramente usadas para o controle não-seletivo e seu uso contínuo tornou-se importante. a necessidade de reduzir os custos de produção da cultura tem levado os produtores. devido ao uso de doses menores de cada herbicida misturado. que lhes conferem comportamento diferenciado (susceptibilidade. homogêneo (ex. quando comparadas com aplicação de um princípio ativo isoladamente. Houve grande expansão no uso de misturas e na aplicação sequencial de vários herbicidas em um único ciclo cultural.3 . Módulo 3. tolerância ou resistência) em relação aos herbicidas utilizados. ou mesmo com outros agroquímicos/pesticidas. metabolismo. É mais efetiva que uma única dose de um herbicida. o manejo de herbicidas. visando obter o máximo de controle de plantas daninhas e minimizar injúrias às culturas. 5. Deve-se dar preferência às misturas prontas. 5 . A aparência é de um líquido transparente. a preparar misturas de herbicidas com diferentes princípios ativos. • Aumento da segurança da cultura.Misturas de herbicidas O controle de plantas daninhas visa. requer grande cuidado. reduzir ou eliminar a competição destas com a cultura É importante lembrar que existem centenas de espécies de plantas daninhas e que estas apresentam as mais variadas características morfológicas e fisiológicas. Além desse fato. o controle mais efetivo de plantas daninhas e as menores quantidades de herbicidas aplicadas geralmente reduzem o custo total do manejo. • Redução de custos: o menor custo de aplicação. bem como os fabricantes. especialmente as misturas. Há menor chance de a cultura ser injuriada. além de surfatante). como: • Controle de maior número de espécies de plantas daninhas e redução do risco de aparecimento de genótipos resistentes. entre outros aspectos. • Redução de resíduos na cultura e no solo devido ao uso de doses menores.Herbicidas: absorção. especialmente dos componentes mais persistentes.1 .

que resulta numa rápida sedimentação dos componentes da mistura. • Efeitos antagônicos: quando o efeito dos herbicidas em mistura é menor que a soma dos seus efeitos quando aplicados separadamente. Por isso.Interações entre herbicidas O termo interação descreve a ação conjunta dos herbicidas nas plantas. 5. eles podem ser aplicados separadamente (um após o outro). dependendo do modo como foi feita a mistura. Menor desempenho da mistura pode ser resultado de qualquer incompatibilidade física ou biológica. • Efeitos aditivos: quando o efeito dos herbicidas em mistura é igual à soma dos seus efeitos quando aplicados separados. complexação. É a relação da efetividade de um material com o outro. 5. causada pela incompatibilidade. pela adição de outro herbicida mais efetivo sobre determinada espécie de planta daninha predominante. translocação. etc.2 . • Pode melhorar o controle de plantas daninhas pela ampliação da seletividade. Fatores como solubilidade. com outro formulado como concentrado emulsionável tem elevada tendência a apresentar incompatibilidade física. separação de fase.3 . Quando dois ou mais herbicidas são aplicados juntos. por exemplo. de modo que sua aplicação não pode ser executada. Estes herbicidas pré-misturados ou em misturas no tanque do pulverizador podem ser mais eficientes ou não. A mistura de um herbicida formulado como pó-molhável.Incompatibilidade Quando dois ou mais herbicidas são combinados. uma das vantagens da mistura formulada. juntos (misturados no tanque) ou ainda podem ser formulados juntos (comercializados numa mesma embalagem). A incompatibilidade denota a inabilidade de dois ou mais herbicidas em serem usados simultaneamente.Herbicidas: absorção. carga iônica e outros parâmetros físicos são responsáveis pela redução do desempenho dos produtos.. resultando em formação de precipitados. é evitar possíveis incompatibilidades dos componentes da formulação. metabolismo.3 . • Melhores resultados em campos com variados tipos de solos. 130 Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas • Controle por um período maior. em razão da possível ação sinergística na planta daninha e ação antagônica sobre a cultura. podem ser observados os seguintes efeitos sobre as plantas: • Efeitos sinérgicos: quando o efeito dos herbicidas aplicados juntos é maior que a soma dos efeitos isolados. em relação à de tanque. formulação e misturas . A incompatibilidade física é usualmente causada pela formulação e suas interações.

Interações de herbicidas com inseticidas em mistura Em geral. entre o paraquat e o MCPA dimetylamina. etc. inseticidas organofosforados podem inibir. MCPA. inibição do metabolismo. Então. entretanto. por exemplo.Herbicidas: absorção.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas É interessante lembrar que esses efeitos podem ser diferentes entre espécies de plantas. principalmente quando a formulação éster do MCPA é usada. a mistura é antagônica. Várias misturas sinergísticas de herbicidas têm sido reportadas. aumento da translocação. A absorção e a translocação do glyphosate ficam prejudicadas. ou reduzir. e E = percentagem ‘esperada’ de inibição do crescimento pelos herbicidas A+B a p+q L/ha. induzindo o Módulo 3. Do ponto de vista prático. metabolismo. este metabolismo.3 . chlorimuron. O efeito da interação entre dois herbicidas pode ser estimado pela equação a deguir: em que: X = percentagem de inibição do crescimento pelo herbicida A e p L ha-1. O antagonismo do fenoxaprop com MCPA éster aumentou a tolerância do trigo sem reduzir o controle da aveia-brava (JORDAN. O antagonismo também ocorre quando um herbicida de contato é aplicado com glyphosate ou com herbicidas auxínicos. a fitotoxicidade de alguns herbicidas tem mostrado ser influenciada por alguns inseticidas organofosforados ou metilcarbamatos. imazaquin. bentazon. A redução da penetração pela raiz pode resultar em antagonismo e aumentar a seletividade da cultura.4 . a mistura é sinérgica. os inibidores de lipídios não devem ser misturados com 2. 5.. As bases para essa interação podem ser: aumento da penetração foliar dos herbicidas aplicados em pós emergência. Organofosforados estão envolvidos com interações com nicosulfuron (SILVA et al.4-D. Também pode ocorrer a redução da penetração foliar. seria ideal que a mistura apresentasse efeitos antagônicos para a cultura e sinergísticos para as plantas daninhas. É o caso do trifluralin e diuron em algodão e trifluralin e metribuzin em soja. • Se a resposta observada foi menor que a esperada. chlorsurfuron. WARREN. • Se a resposta observada for igual à esperada. • Se a resposta observada for maior que a esperada. formulação e misturas 131 . É o antagonismo químico. resultando em menor efeito dos herbicidas sistêmicos. 1995). Y = percentagem de inibição do crescimento pelo herbicida B e q L ha-1. imazethapyr. por exemplo. 2005) A tolerância do milho a este herbicida é devido ao rápido metabolismo deste. Inseticidas organoclorados não têm apresentado interações com herbicidas. translocação. O antagonismo em misturas de tanque acontece quando uma reação adversa ocorre entre os herbicidas na solução. etc. interações dos mecanismos de ação dos herbicidas envolvidos. X+(100-Y) é a toxicidade esperada da mistura. etc. a mistura é aditiva.

disulfoton (Disyston) e o clomazone em algodão. às vezes. translocação. bentazon. 5. formulação e misturas . viabilizam a aplicação desses insumos de uma só vez.5. fomesafen e imazamox. O organofosforado terbufos (Counter) tem causado maiores problemas na prática. A aplicação do terbufos em milho é antagonística aos resíduos do imazaquin no solo e tem dado considerável proteção ao milho. Os mecanismos dessa interação não são bem conhecidos. 132 Módulo 3. em mistura com os herbicidas fluazifop-p-butil+fomesafen.Herbicidas: absorção.3 . Os inseticidas protegem o algodão de alguma toxicidade do clomazone. em ensaios preliminares apresentou efeitos aditivos. É interessante ressaltar o antagonismo entre phorate (Thimet). Esses resultados. Interações de herbicidas com fertilizantes em mistura Os herbicidas em misturas com fertilizantes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas surgimento de sintomas de intoxicação nas plantas da cultura. se confirmados. porém sem nenhuma base científica. metabolismo. são usados por alguns produtores. A aplicação de molibdênio na cultura do feijão.

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Rubem Sillvério de Oliveira Júnior Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior .Herbicidas: comportamento no solo 135 .DF 2006 Módulo 3. Antonio Alberto da Silva Profº. Jose Barbosa dos Santos Profº.ABEAS Universidade Federal de Viçosa .4 .4 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 .Herbicidas: comportamento no solo Tutores: Profº.Manejo de plantas daninhas 3. Rafael Vivian Profº.UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília .

Estimativa da sorção. 154 2.2 .3 .Fatores que influenciam a volatilização.Principais propriedades do solo que influenciam a sorção de herbicidas.6.Herbicidas: comportamento no solo .Importância da matéria orgânica do solo na sorção de herbicidas.Importância do estudo de herbicidas no solo. 166 3. 167 3. 158 2.1 .2 .2 .Processos de transformação.1 .2. 138 1 .1 . 142 2.Capacidade de dissociação eletrolítica (pKa). 141 2. 162 3.4. 175 4.Alternativas para redução de perdas por volatilização.2 .2.4 – Lixiviação.2.1 .Textura e mineralogia. 158 2.4 – Solubilidade.2 – Volatilização. 161 3. 162 3.4.1 – Persistência.pH do solo.Principais propriedades físico-químicas dos herbicidas que interferem na sua sorção no solo. 155 2.Coeficiente de partição octanol-água (Kow). 164 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução. 147 2. 144 2. 141 2.1 – Precipitação.2.4 – Sorção.Relação entre PV e S.Isotermas de sorção. 158 2.5 . 164 3. 139 2 . 150 2.Absorção pelas plantas. 162 3.Escorrimento superficial (run-off) e sub-superficial (run-in). 150 2.2.5.3 – Adsorção. 167 3. 175 136 Módulo 3.2 . 166 3.3 .Pressão de vapor (P). 141 2. 170 4.6. 160 3 . 167 4 .6 .2 – Absorção.4 .5 .3 .6 . 140 2.5.Degradação química.Relação entre KH e incorporação de herbicidas.Processos de transporte. 170 4.Processos de retenção.2.5.1 .7 – Dessorção.3 .Degradação biológica (microbiana) ou biodegradação.

178 5. 179 5. 186 Referências bibliográficas.2 . 177 5 – Fitorremediação.4 .Problemas relacionados aos herbicidas residuais.A fitorremediação como mecanismo de biorremediação.Estratégias para o sucesso da fitorremediação. 182 5.3 .4 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4.1 .Herbicidas: comportamento no solo 137 .Fotodecomposição ou fotólise.Considerações finais. 188 Módulo 3. 183 6 .

Nos últimos anos. da dinâmica do fluxo hídrico e do transporte de solutos. atualmente. o qual atua como o principal receptor e acumulador desses compostos. constitui-se prática indispensável para a agricultura em larga escala. entretanto. é fundamental que eles sejam adequadamente aplicados. Embora escassos. juntamente com os processos envolvidos na dissipação desses compostos no ambiente. são responsáveis por grande parte da degradação desses recursos. 138 Módulo 3. além da sua taxa de degradação. os estudos envolvendo a sorção de herbicidas em solos brasileiros sob condições de clima tropical são também fundamentais para avaliação da eficiência de controle das plantas daninhas do local. 2001) e acabam alcançando direta ou indiretamente o solo. No entanto. Os exemplos apresentados destacam os estudos mais relevantes com herbicidas em solos. pois elevados índices de sorção podem comprometer a eficiência do herbicida. observa-se maior preocupação quanto à contaminação do ambiente e a utilização racional dos recursos hídricos e do solo. inicia-se o processo de redistribuição e degradação dos herbicidas aplicados.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução O uso do controle químico em plantas daninhas.Herbicidas: comportamento no solo . a qual está relacionada à atividade microbiológica. assim como dos próprios recursos naturais que sustentam a produção. biodisponibilidade e recalcitrância do herbicida. para compostos altamente persistentes. Outro fator relevante é que 60 a 70% do total dos pesticidas aplicados nos campos agrícolas não atingem a superfície alvo de interesse (LAW. ou perdurar por meses ou anos. Ao atingirem o solo. o qual pode ser extremamente curto. O seu tempo de permanência no ambiente depende. especialmente o solo e a água. para que seja preservada a qualidade final dos produtos colhidos. cresce a importância do entendimento do destino final dessas moléculas e do estudo do comportamento no ambiente onde são aplicados. tornando-se indiscutível a utilização de herbicidas no sistema agrícola. entre outros fatores. As práticas agrícolas. Com isso. permitindo maior compreensão da dinâmica desses compostos no ambiente. Neste capítulo são apresentados os principais conceitos relacionados ao comportamento de herbicidas no solo. da capacidade de sorção do solo.4 . como o que ocorre para algumas moléculas simples e não-persistentes.

uma vez que o herbicida é uma substância exógena ao meio. segundo. Outro fator relevante é que o solo atua na manutenção dos processos vitais. que afetam direta ou indiretamente a eficiência no controle de uma planta daninha. onde interagem inúmeros processos de ordem física. que interagem entre si. 1994). Módulo 3. além da remediação e imobilização de poluentes (GRANATSTAIN. embora a capacidade de permanência do herbicida e sua degradação no solo sejam um processo-chave na determinação do fato que este terá ou não efeito na qualidade ambiental (Hinz. embora esses processos sejam descritos de forma isolada. em razão de o solo ser considerado um ambiente heterogêneo sob influência de diversos fatores. conhecer os fatores do ambiente.Importância do estudo de herbicidas no solo O estudo do comportamento de herbicidas no solo e no ambiente visa pelo menos dois objetivos principais: primeiramente.4 . transformação e transporte (Figura 1). 1992). PARKING. sendo responsável pelo suporte físico e de armazenagem dos nutrientes para as plantas. química e biológica (DORAN.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1 . Atualmente. além do próprio herbicida. o estudo do comportamento de herbicidas no ambiente tem sido realizado através de estimativas das tendências a que estes estão sujeitos em função de três principais processos: retenção. É responsável também pela ciclagem dos nutrientes. BEZDICEK. atividade e diversidade microbiana. 2001). suportando as cadeias alimentares. de modo a minimizar os eventuais efeitos negativos que a sua presença possa causar ao ambiente. Promove a retenção e o movimento da água. procura-se descobrir as interações do herbicida com os componentes do solo.Herbicidas: comportamento no solo 139 . a sua avaliação é de difícil mensuração e repetibilidade. No entanto.

A retenção refere-se à habilidade do solo de reter um pesticida ou outra molécula orgânica. evitando que ela se mova tanto dentro como para fora da matriz do solo. Como os herbicidas movem-se. o processo de retenção. pode ser entendido como um processo geral de sorção de herbicidas no solo.Representação esquemática da interação entre processos de retenção. o processo de retenção constitui-se num dos processos mais importantes para prever a movimentação dos herbicidas no solo e sua taxa de degradação (física. transporte e retenção. quando em contato com o solo. Entretanto.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 1 . Sabe-se que as moléculas dos herbicidas. precipitação e adsorção. normalmente. transporte e transformação de um herbicida aplicado ao solo 2 . o que resulta na dissipação destas. estão sujeitas aos processos de movimento. química e biológica).Herbicidas: comportamento no solo . assim como conhecer qual a eficiência quando estes forem aplicado para o controle de plantas daninhas. A distinção entre adsorção verdadeira (na qual camadas moleculares se formam na 140 Módulo 3. química e biológica. constantemente. a partir da superfície do solo na forma de solução.4 . a compreensão dos fatores que regulam as interações de retenção é essencial para entender o comportamento dessas substâncias no solo. que engloba mecanismos específicos de dissipação dos herbicidas: absorção.Processos de retenção O solo é um sistema aberto e dinâmico no qual os seus constituintes podem. movimentar-se ou sofrer transformação física. por sua vez. Entretanto.

a velocidade das reações químicas aumenta com a elevação da temperatura.2 . 2.1 . 2. funções químicas. distribuição de cargas. a adsorção de herbicidas no solo depende das propriedades deste e do composto aplicado. Esta é a razão pela qual os estudos de adsorção conduzidos em laboratório são realizados em condições de temperatura constante. denominado de sorção (KOSKINEN. obtendo-se as curvas denominadas de isotermas de adsorção. precipitação (na qual tanto uma fase sólida separada se forma nas superfícies sólidas como ligações covalentes com a superfície da partícula de solo acontecem) e absorção dos herbicidas pelas plantas e organismos é difícil. seja ele avaliado em condições laboratoriais ou em Módulo 3.Herbicidas: comportamento no solo 141 . As quantidades do herbicida adsorvido aos constituintes do solo são diretamente proporcionais à superfície específica do material coloidal e decresce geralmente com o aumento da temperatura. a adsorção por ligações químicas. a adsorção é usualmente determinada apenas através do desaparecimento da substância química da solução do solo. natureza ácido/base dos herbicidas. ou. estrutura molecular. distribuição. resultando num aumento da concentração na solução do solo.3 . polaridade. o processo adsortivo de herbicidas. pela formação de uma fase sólida separada na superfície de uma partícula sólida do solo. Além disso. Essa fixação ocorre por interação de forças da superfície do adsorvente (solo) e do adsorvato (herbicida). 1990). Dificilmente ocorrerá a absorção de herbicidas por partículas minerais ou orgânicas do solo.4 .Precipitação A formação de precipitados entre as moléculas de herbicidas pode ocorrer pela junção das partículas dos argilominerais com o herbicida por ligações covalentes de alta força. entre outros. Na prática.Adsorção A adsorção caracteriza-se por um fenômeno temporário pelo qual uma substância dissolvida se fixa a uma superfície sólida ou líquida. principalmente com os constituintes orgânicos do solo. podendo favorecer. ainda. em razão disso. provocado pelo incremento da energia cinética das moléculas. solubilidade. em alguns casos. o termo adsorção é normalmente substituído por um outro mais geral. o herbicida pode ser adsorvido às partículas coloidais (orgânicas e minerais) do solo ou sofrer repulsão.Absorção O termo absorção é usado especificamente quando as moléculas do herbicida são absorvidas pelo sistema radicular e outras partes subterrâneas das plantas. 2. Segundo Gevao (2000).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas superfície de uma partícula de solo). configuração. HARPER. abordadas posteriormente. Dependendo do sentido dessa força. Contudo. as quais incluem tamanho.

atmosféricos e aquáticos. com força muita fraca. entre outras. Esse tipo de ligação é muito mais importante nas ligações das moléculas dos herbicidas sobre a superfície da matéria orgânica do que pela 142 Módulo 3. sem distinção entre os processos específicos de adsorção. envolvendo mole¬culas sem dipolo permanente. 2. Entre as forças físicas.Representação da determinação do tempo de equilíbrio necessário nos estudos de adsorção de herbicidas em solos As forças responsáveis pelas reações de sorção dos herbicidas no solo incluem: forças físicas. reações de coordenação e ligações de troca. O processo individual de sorção é profundamente complexo. a mais importante é a força de Van der Waals. pontes de hidrogênio. o qual varia em função do mecanismo e da velocidade das reações envolvidas (Figura 2).4 . em virtude da heterogeneidade do solo e da sua continuidade com sistemas biológicos. absorção e precipitação. Essa força é extremamente fraca e de curtíssima distância. As pontes de hidrogênio são produzidas pelas atrações eletrostáticas entre o núcleo eletropositivo do hidrogênio e pares de elétrons expostos de átomos eletronegativos.Herbicidas: comportamento no solo . podendo ocorrer interação entre uma molécula polar e outra apolar. ligações hidrofóbicas.. ocorrendo comumente em moléculas grandes de herbicidas. expressando a atração elétron-núcleo.Sorção Sorção refere-se a um processo geral.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas campo. com alta massa (SCHWARZENDBACH et al. devido a um sincronismo no movimento eletrônico. ligações eletrostáticas.4 . Figura 2 . 1993). depende do tempo de equilíbrio alcançado pelo material adsorvente (solo) e o adsorvido (herbicida). As pontes de hidrogênio caracterizam-se por formar uma interação dipolo-dipolo.

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superfície das argilas e ocorre com compostos contendo grupos >C=O + grupos –NH (ou –COOH, OH, >C=O ou – NH2) (Figura 3).

Figura 3 - Interação entre atrazine e substâncias húmicas por pontes de hidrogênio. Fonte: Senesi (1992).

Ligações hidrofóbicas estão associadas com a sorção de herbicidas apolares, os quais competem com as moléculas de água pelos sítios sortivos. Muitas das moléculas de herbicidas, principalmente os aromáticos, halogenados, fenóis e bifenóis, com baixa solubilidade em água, podem ligar-se à superfície das argilas por meio de ligações hidrofóbicas. Estas ligações são muito favorecidas quando são adicionados ao solo resíduos orgânicos naturais, aumentando o número de sítios hidrofóbicos de ligação. As ligações eletrostáticas envolvem cargas elétricas de superfície, formadas por complexas reações de adsorção, as quais podem ocorrer por adsorção por moléculas de água, por cátions, por troca aniônica e por compostos orgânicos naturais. A adsorção por troca aniônica é importante para solos pouco intemperizados de clima temperado. Contudo, em condições de solos brasileiros, desenvolvidos em condições de clima tropical e subtropical, predominam argilominerais (1:1) e elevados teores de óxidos de ferro e alumínio, com baixa capacidade de formar este tipo de ligação. As reações por coordenação envolvem ligações covalentes, de curta distância, e com sombreamento dos orbitais. São ligações muito fortes e a energia depende do número de elétrons em orbitais moleculares ligantes ou antiligantes. Essas ligações estão presentes, por exemplo, entre os prótons dos grupos funcionais de superfície e os átomos de hidrogênio (Fe-OH, Al-OH, COOH) e N2 (NH2). Esse tipo de ligação, formando complexos de esfera interna, torna difícil a separação e distinção entre o colóide e a molécula do herbicida. A protonação nada mais é que a formação de complexos de transferência de cargas na superfície mineral. Ocorre quando um grupo funcional forma um complexo com a superfície de um próton. O complexo pode ser extremamente estável, desenvolvendo sorção praticamente irreversível. Esse tipo de ligação ou mecanismo tem sido válido para herbicidas do grupo das striazinas, as quais se tornam catiônicas através da protonação, tanto na solução do solo como durante o processo de adsorção (Figura 4) (SCHWARZENDBACH et al., 1993).

Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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Figura 4 - Interação entre atrazine e substâncias húmicas por protonação do herbicida Fonte: Senesi (1992)

2.4.1 - Estimativa da sorção A avaliação da sorção é feita normalmente por meio da estimativa de coeficientes, denominados coeficientes de partição, coeficientes de partição solo-água, coeficientes de sorção ou constantes de adsorção. Neste capítulo será adotado o termo coeficiente de sorção para denominar a relação entre as concentrações de herbicida em solução e aquelas sorvidas ao solo. O coeficiente de sorção, Kd, pode ser estimado pela relação:

O Kd representa a relação entre a concentração do herbicida que permanece sorvido ao solo Cs (μg g-1) e a concentração do herbicida encontrada na solução de equilíbrio Cw (μg mL-1), para uma determinada quantidade específica do herbicida adicionado. Entretanto, como o teor de carbono orgânico, aparentemente, tem representado melhor a capacidade adsortiva dos herbicidas nos solos, principalmente para os compostos de caráter básico ou não-iônicos (KARICKHOFF, 1981; OLIVEIRA JR. et al., 1999), tem-se corrigido o Kd em relação ao teor de carbono orgânico do solo. A partir dessa normalização do Kd, obtém se o Koc, o qual permite a comparação da sorção entre diferentes solos e é um índice muito utilizado em métodos de classificação de mobilidade e em modelos de simulação do comportamento de pesticidas no solo. A normalização do Kd para o teor de carbono orgânico é feita pela relação:

Em que Koc representa o coeficiente de sorção normalizado para o teor de carbono orgânico do solo (L kg-1) e foc indica o teor (% ou dag kg-1) de carbono orgânico do solo, o qual é obtido dividindo-se o percentual de matéria orgânica por 1,72. Oliveira Jr. (1998), estudando a correlação entre as propriedades dos solos, verificou que os coeficientes de sorção (Kd e Koc) de diferentes herbicidas determinados em solos brasileiros correlacionaram-se significativamente com o teor de carbono orgânico e CTC dos solos para a
144 Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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maior parte dos herbicidas. De modo geral, os herbicidas ácidos fracos (imazethapyr, metsulfuron, nicosulfuron e sulfometuron) foram os que apresentaram menor sorção, ao passo que os herbicidas básicos fracos (atrazine, hexazinone, simazine) e não-iônicos (alachlor) foram os mais sorvidos. No Brasil, o Koc tem sido amplamente utilizado para predizer a capacidade de sorção de diversos herbicidas no solo; também é utilizado juntamente com a textura para recomendar as dosagens dos herbicidas. Entretanto, a padronização do Kd em relação ao carbono orgânico do solo não é consenso entre os pesquisadores da área, pois a sorção de herbicidas à matéria orgânica do solo ocorre de forma heterogênea, em função dos mecanismos e da fração orgânica envolvida no processo sortivo, cujos índices podem não representar a realidade. Ao mesmo tempo, o Kd e Koc nem sempre são suficientemente exatos para descrever a sorção de um pesticida em uma faixa considerada de concentração. As relações entre as concentrações em solução e na fase sólida podem, então, ser descritas por isotermas, descritas no item 3.4.2. As estimativas dos coeficientes sortivos apresentados (Kd e Koc) geralmente são conduzidas em condições laboratoriais, empregando-se a cromatografia líquida e gasosa como técnicas analíticas na determinação das concentrações dos herbicidas nas fases sólida (solo) e líquida (solução do solo) propriamente ditas. Entretanto, devido aos custos envolvidos nessas análises, outras formas de estimar a capacidade de sorção desses compostos no solo podem ser utilizadas. Entre elas, a técnica de bioensaio representa um método simples e de grande valia na determinação da capacidade sortiva e de resíduos de herbicidas no solo. Inicialmente, para a utilização dessa técnica, são feitas curvas de dose-resposta para cada composto, utilizando-se plantas indicadoras específicas ao mecanismo de ação de cada herbicida. As curvas de dose-resposta devem ser feitas no solo a ser estudado e em material inerte, preferencialmente areia lavada, isentos de qualquer resíduo. Após a aplicação de doses conhecidas do herbicida, são realizadas avaliações nas plantas indicadoras, as quais incluem fitoxicidade, altura da planta, comprimento de raiz, massa seca da parte aérea e raízes (Figura 5). Após as avaliações, utilizam-se modelos de regressão não-linear, como o proposto por Seefeldt et al. (1995):

em que D e C representam os limites superior e inferior da curva, respectivamente; b, a declividade da curva; e C50, a dose correspondente a 50% de resposta. O limite superior da curva D corresponde à respota média da testemunha e o limite inferior da curva C é a resposta média das plantas que receberam os herbicidas. O b descreve a declividade da curva em torno do C50.

Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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Figura 5 - Curva de dose-resposta para massa seca da parte aérea (% em relação à testemunha) de Sorghum vulgare, em função de doses crescentes de sulfentrazone (X) em Argissolo Vermelho-Amarelo (– – –) e em areia (____) Fonte: Vivian et al. (2005)

A partir dos dados obtidos de (C50) em solo e areia, utiliza-se a equação a seguir para expressar a relação de adsorção (RA) do solo em relação à resposta obtida em areia para a espécie indicadora (SOUZA, 1994). Considera-se que valores de RA elevados indicam maior capacidade de sorção do herbicida estudado no solo e, conseqüentemente, menor potencial de lixiviação do composto no perfil do solo. Um exemplo de curva de dose-resposta utilizada para o herbicida trifloxysulfuron-sodium em solo e areia pode ser observado na Figura 6. RA = C50solo – C50 areia C50 areia

Figura 6 – Curva de dose-resposta em solo (a) e areia (b) para trifloxysulfuron-sodium

146

Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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2.4.2 - Isotermas de sorção Quando se deseja estudar o comportamento dos herbicidas em diferentes concentrações no solo, deve-se observar que a sua sorção geralmente não ocorre de forma linear com o aumento do herbicida adicionado. Isso é devido à capacidade limitada de formar ligações com o material coloidal e a variação do coeficiente de sorção com a temperatura e umidade do solo. Para a determinação de uma isoterma de sorção, é necessário determinar o Kd em diferentes concentrações iniciais do herbicida em solução. As isotermas utilizadas para descrever o comportamento de herbicidas no solo, em diferentes concentrações iniciais, podem ser classificadas, conforme o seu comportamentodo, em S, H, C e. Tipo S: é uma curva não-linear e convexa em relação à abscissa. Inicialmente a adsorção é baixa, mas com o aumento da concentração do adsorvato na superfície adsorvida, ocorre aumento na adsorção pela associação entre as moléculas. Isso ocorre em razão da baixa afinidade do adsorvato pela interferência de outras substâncias. A água é um forte competidor na adsorção à superfície coloidal, e, com o aumento na concentração do soluto, essa competição se reduz. Tipo H: ocorre quando o adsorvato possui altíssima afinidade pelo adsorvente, e a máxima adsorção ocorre em baixas concentrações. Desse modo, até que não ocorra a máxima adsorção, não será possível detectar as moléculas na solução. Esse tipo de adsorção ocorre com moléculas extremamente catiônicas ou compostos orgânicos catiônicos, adsorvendo-se nos minerais das argilas.

Figura 7 – Comportamento das isotermas de sorção
Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo 147

Kf. Figura 8 . em função da sua concentração. Tipo L: apresenta-se como uma curva côncava em relação à abscissa. Entre os modelos mais utilizados e que descrevem o comportamento das moléculas dos herbicidas no solo.Comportamento adsortivo do herbicida Clomazone. descritos a seguir: a) O modelo de Freundlich. considera que a afinidade inicial é alta e.4 . o coeficiente de adsorção Kf é considerado nas análises de capacidade de 148 Módulo 3. Existem dois modelos muito utilizados que descrevem o comportamento das moléculas dos herbicidas conforme a sua concentração. Novos grupos funcionais são criados no processo de adsorção. diminuem a afinidade e declividade. pode-se observar a equação empírica utilizada para descrever a isoterma de Freundlich e sua representação gráfica (Figura 8): Na equação. usando regressão linear e não-linear (isotermas de Freundlich) a 25 ºC. É o tipo de adsorção mais comum que ocorre com os herbicidas no solo. e a curva passa a ser de formato linear do tipo C. Caq a concentração de equilíbrio do herbicida na solução do solo (mg mL-1). verifica-se melhor ajuste pelos modelos de Freundlich e Langmuir. embora empírico. verifica-se que o incremento decresce na adsorção. a normalização do coeficiente de Freundlich em relação ao teor de carbono orgânico também pode ser calculada. o coeficiente de adsorção da isoterma de Freudlich. Esse modelo tem sido amplamente utilizado na determinação dos coeficientes de adsorção dos herbicidas no solo para uma determinada temperatura (CLEVELAND. De forma análoga ao Koc. dando origem ao Kfoc. de forma não linear.Herbicidas: comportamento no solo . determinando a intensidade da adsorção.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Tipo C: a adsorção ocorre de forma linear conforme aumenta a concentração do adsorvato. o coeficiente de adsorção Kf aumenta linearmente conforme aumenta a concentração do herbicida. Cs representa a quantidade do herbicida adsorvido no solo (mg g-1). assim que a concentração deste aumenta. reduzindo a energia de interação proporcionalmente ao recobrimento da superfície. conforme aumenta a cobertura da superfície. definido pelo Ibama para o Brasil. permitindo a continuidade do processo. 1996). e 1/n é um fator de linearização. A seguir. em solo argilo-siltoso Fonte: Mervosh (1995) Segundo o manual de testes para avaliação da ecotoxicidade de agentes químicos. Quando n for igual a 1.

Quando todos os grupos funcionais estiverem preenchidos. Ce é a concentração de equilíbrio do herbicida na solução (mg mL-1) e K1 é o coeficiente de adsorção para o modelo de Langmuir. Figura 9 . Entretanto. segundo as isotermas de Langmuir e Freundlich Módulo 3.Modelo da energia de adsorção em função da superfície de cobertura.4 . verifica-se que outras avaliações são necessárias para definição do real comportamento de herbicidas no solo. por haver inúmeros interferentes nos estudos de adsorção a campo e em laboratório. Sua classificação varia de pequena a elevada e reflete parcialmente a capacidade de movimento e persistência do composto no ambiente (Quadro 1). Quadro 1 – Classificação da capacidade de adsorção de agentes químicos no solo Kf 0 – 24 25 – 29 50 – 149 > 150 Classificação da Adsorção Baixa Média Grande Elevada b) O modelo de Langmuir baseia-se na adsorção em superfícies planas que apresentam número fixo de grupos funcionais e que cada um interagirá com uma molécula.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas adsorção de herbicidas no solo.Herbicidas: comportamento no solo 149 . tem-se a adsorção máxima. A energia de adsorção é a mesma para todos os sítios e independe da cobertura de superfície (Figura 9). Esse modelo é expresso pela seguinte equação: em que Cm representa a quantidade máxima do herbicida adsorvido (mg g-1).

30 1. a matéria orgânica tem grande importância para os processos de retenção de cátions e complexação de elementos tóxicos e de micronutrientes. os quais serão abordados a seguir.05 A matéria orgânica é o principal componente que influencia a atividade dos herbicidas registrados para uso em solos tropicais. em certos casos. 2.16 ± 0.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2. 1999). estudando o comportamento do herbicida atrazine em Latossolo Roxo sob dois sistemas de manejo 150 Módulo 3. (1999). avaliando a persistência do herbicida 2. a sorção de herbicidas ao solo aumenta com o incremento da CTC (capacidade de troca catiônica).4-D. constituindo-se num componente fundamental na sua capacidade produtiva (SANTOS.12 ± 0. Já Faloni (1999).Herbicidas: comportamento no solo .23 ± 0. caracterizando a grande influência da matéria orgânica na adsorção de herbicidas ácidos. assim como a mineralogia do solo em questão. Thompson et al. diuron e 2.4 . no solo contendo matéria orgânica. aeração e atividade da biomassa microbiana.1 . É responsável também pela estabilidade da estrutura do solo e infiltração de água. No entanto.09 88. Isto pode ser observado segundo os valores de Kf (Quadro 2) para o herbicida 2.03 0.08 1. verificaram que em solos com alto teor de matéria orgânica e baixo pH a lixiviação deste herbicida foi menor. Mallawatantri e Mulla (1992) demonstraram que pelo menos 80% do incremento da sorção observada para metribuzin.5.5 . CAMARGO.80 ± 0. (1999) Adsorção Kf 1/n 39.23 0.Constantes de Freundlich obtidas a partir dos dados de adsorção de 2. principalmente.05 20. o teor de matéria orgânica no solo desempenha importante papel quando se trata de contaminantes ambientais. dos teores de carbono orgânico do solo (VELINI.4-D.Importância da matéria orgânica do solo na sorção de herbicidas Em solos tropicais e subtropicais altamente intemperizados.Principais propriedades do solo que influenciam a sorção de herbicidas Em geral. (1984).23 ± 0. também são importantes na sua sorção.48 ± 0. como herbicidas e metais pesados. da área superfícial específica das partículas coloidais da fração argila e. Quadro 2 . principalmente para aqueles recomendados em pré-emergência de característica não-iônica ou para os catiônicos.28 ± 0. estava relacionado ao aumento do conteúdo de carbono orgânico. ao compararem solos com diferentes propriedades. Segundo Viera et al.87 ± 0. 1992).4-D em solo arenoso Solo calcinado Solo com MO MO = matéria orgânica Fonte: Viera et al. Ela interfere em todos os processos sortivos que possam ocorrer.4-D no solo. o pH.07 Dessorção Kf 1/n 22.

et al. essa característica pode ser considerada a mais importante para esses herbicidas. Uma vez que a maior parte da CTC nos nossos solos está relacionada à matéria orgânica. é possível obter uma predição dos valores de Kd com base nos teores de carbono orgânico do solo (Figura 10). Kd) em função do teor de carbono orgânico do solo. Para alguns herbicidas.4 . No caso dos solos brasileiros. Figura 10 . et al. as propriedades que mais se correlacionam com a sorção de herbicidas básicos e não-iônicos são a CTC e o teor de carbono orgânico (OLIVEIRA JR..ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas (convencional e direto).Herbicidas: comportamento no solo 151 . notadamente os não-iônicos. também percebeu que a matéria orgânica é a principal responsável pela adsorção deste herbicida. 1999). (1998b) Módulo 3.Sorção de alachlor (expressa pelo coeficiente de sorção. não-polares como o alachlor. podendo-se ainda estimar a sorção de diversos herbicidas com base nos teores de carbono orgânico (Figura 11). Fonte: Oliveira Jr.

existe grande complexidade e variabilidade da matéria orgânica presente em diferentes solos.Relação entre o coeficiente de sorção (Kd) e o teor de carbono orgânico do solo para herbicidas ácidos (linhas cheias) e para herbicidas básicos ou não-iônicos (linhas tracejadas) em solos brasileiros Fonte: Oliveira Jr.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 11 . o clima. Dentre os componentes da fração humificada. os quais representam a fração mais ativa da matéria orgânica do solo (NETO et al.. 1990. Herbicidas iônicos (em faixa de pH com baixa dissociação) e os não-ônicos. húmicos e humina. As mudanças conformacionais provocadas nas moléculas da matéria orgânica. Essas diferenças podem interferir não só na retenção dos herbicidas. A parte humificada é composta pelos ácido fúlvicos. disponibilidade de sítios hidrofóbicos e grupos funcionais. 999). normalmente. 2000). correlacionam-se melhor com os teores de humina do que os de ácidos húmicos ou fúlvicos da matéria orgânica do solo (PROCÓPIO et al. aromaticidade. também foram demonstradas especificidades na sorção dos herbicidas. os minerais do solo e a população microbiana podem proporcionar a formação da diversidade de características dos compostos orgânicos do solo. mas também na transformação e transporte destes (CORREIA. (1999) Teoricamente. A fonte orgânica.. são citadas como um dos principais fatores que podem influenciar a sua capacidade de adsorção de pesticidas (WANG et al. pela variação do pH do meio. et al. 2001). A disponibilização de maior ou menor número de sítios 152 Módulo 3. TRAGHETTA et al. 1997). a matéria orgânica do solo encontra-se dividida em substâncias humificadas e não-humificadas. Diversos estudos mostraram que a fração húmica apresenta maior correlação com a sorção dos herbicidas.4 .Herbicidas: comportamento no solo .. em relação ao teor de matéria orgânica total do solo. os quais variam conforme sua polaridade. Entretanto..

é responsável pelas variações nos coeficientes de sorção de herbicidas encontrados na literatura. Além destes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas hidrofóbicos pelas mudanças conformacionais das moléculas também pode influenciar a sorção de herbicidas lipofílicos (PROCÓPIO et al. é o principal parâmetro levado em consideração na recomendação da dosagem de herbicidas aplicados Módulo 3. na maioria dos trabalhos verificados. 1998). representando menor risco de contaminação dos lençóis freáticos (COX. Figura 12 . Dessa forma. 1994). podendo representar maior permanência desta no meio ambiente. 2001) Outras características do solo também podem afetar a sorção de herbicidas à matéria orgânica: o material de origem do solo.4 .. sabe-se que sorção herbicida-matéria orgânica é mais estável do que aquela resultante da ligação com componentes minerais do solo. Contudo. os tipos de minerais predominantes na fração argila. formando complexos argilo-orgânicos.Simulação da adsorção de atrazine no modelo complexo de muscovita-ácido húmico.Herbicidas: comportamento no solo 153 . pode ocorrer menor ação microbiana na degradação dessas moléculas. a presença de íons saturantes dos grupos funcionais da matéria orgânica e a especificidade dos íons (PIRES. Fonte: Adaptado de Akim e Bailey (1998) Embora se verifique extrema quantidade de interferentes nas características de sorção de herbicidas à matéria orgânica. Prata (2001) também constatou que adição de vinhaça ao solo faz que o processo de mineralização do ametryn seja acelerado. entre outros. a adição de matéria orgânica ao solo acelera a degradação dos herbicidas. a relação da textura do solo com a quantidade de matéria orgânica presente. a quantidade de matéria orgânica quimicamente protegida. como pode ser verificado na Figura 12. principalmente para aqueles cuja ação microbiana é a principal forma de degradação. devido à proteção física e química das moléculas do herbicida na matéria orgânica. Atualmente. os solos com altos teores de matéria-orgânica apresentam menor tendência geral de lixiviação dos herbicidas. Entretanto.

Suas cargas podem ser geradas nas bordas do mineral pela dissociação de prótons H+ dos grupos OH.Textura e mineralogia O conteúdo de areia.Herbicidas: comportamento no solo . silte e argila presente no solo é responsável pela classificação das diferentes classes texturais dos solos. permitindo que água. A formação de cargas nos minerais 2:1 ocorre pela substituição isomórfica nas camadas tetraédrica e octaédrica. e ambos 154 Módulo 3.2 . extremamente elevada e está relacionada. Sabe-se.5. principalmente. Os óxidos de ferro e alumínio também atuam na sorção de diversos herbicidas. à fração mineral do solo. Já minerais 1:1. são característicos de regiões muito intemperizadas. Existem também dados demonstrando que os óxidos de ferro possuem maior capacidade de adsorver os herbicidas em relação aos óxidos de alumínio (Quadro 5). possuem maior capacidade de adsorção de herbicidas (Quadro 3). Prata (2002). observou que a sorção do glyphosate é instantânea. 2. também que. de clima tropical e subtropical. e não possuem a capacidade de expandir-se. Esses minerais apresentam fraca atração dos cátions entre as camadas expansíveis. a textura é ainda o atual parâmetro utilizado para recomendação da dose dos herbicidas aplicados em pré-emergência ou pré-plantio incorporado.4 ..ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas em pré-emergência. podendo reter cátions. contribuindo significativamente para o aumento na sorção desses compostos (Quadro 4). Por sua vez. principalmente naqueles com capacidade de doação de prótons com carga aniônica (herbicidas ácidos fracos). não ocorre correlação entre o comportamento do herbicida e as concentrações de argila. Entretanto. a riqueza de variação das argilas e a formação de compostos argilominerais representam diferentes possibilidades de adsorção dos herbicidas a essas partículas. como no caso dos herbicidas ácidos ou em altas concentrações de carbono orgânico. e a matéria orgânica desempenha papel secundário no caso de solos oxídicos. minerais de argila expansíveis (2:1) e de maior área superfical específíca. Em diversos casos observados. A presença de argilas de baixa atividade. os erros de estimação dos teores de matéria orgânica e o desconhecimento da sorção específica de herbicidas por alguns argilominerais presentes são um dos inúmeros fatores que devem ser considerados para a adequação nas dosagens dos herbicidas atualmente recomendados. avaliando a adsorção e dessorção do glyphosate em três solos brasileiros com diferentes atributos mineralógicos. herbicidas e outras moléculas penetrem entre os planos basais e provoquem grande expansão do material. Apesar de existir grande possibilidade de os solos mais argilosos apresentarem maiores teores de matéria orgânica. Em relação aos erros de estimação. como o Brasil. como a montmorilonita e vermiculita. Essas propriedades originam forças de atração de grande intensidade. citam-se a superestimação dos teores de matéria orgânica efetivamente capazes de adsorver as moléculas dos herbicidas e a profundiade de coleta (0-20 cm) utilizada na determinação dos teores de matéria orgânica do solo. como a caulinita. uma elevação nas dosagens recomendadas para estes solos nem sempre é correta.

como os latossolos.3.5 a 6. para 2.Sorção de imazaquin em diferentes hidróxidos (Fe e Al) Tipo de Hidróxido Hidróxido-Fe Hidróxido-Al Fonte: Shaner (1989).Dissociação eletrolítica.0 6.1. que à medida que o pH do solo aumenta (2. principalmente nos daqueles com grande capacidade de inonizarem-se (catiônicos e aniônicos).3 .pKa dos compostos. a qual será abordada com mais detalhes no item 3. Quadro 3 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas encontram-se presentes em grandes concentrações na maioria dos solos brasileiros.3 3.653 174 2. Módulo 3. A influência do pH do solo no processo de retenção e degradação dos herbicidas está estritamente relacionada à capacidade de dissociação eletrolítica .7 Partição do Imazaquin (Sólido/Líquido) (μG/g:μG/mL) 2326:1 238:1 40:1 2:1 0:1 Quadro 5 .Características de alguns minerais de argila importantes nos estudos de sorção de herbicidas em solo Característica Tipo de camada Capacidade de Expansão CTC (cmolc dm ) Área Superficial Específica (m2 g-1) -3 Montmorilonit Vermiculita a 2:1 2:1 Expansível 80-120 700-750 Ilita 1:1 Caulinita Não-expansível 2-10 25-50 2:1 NãoExpansão limitada expansível 120-200 15-40 500-700 75-125 Quadro 4 – Sorção de imazaquin em diferentes minerais de argila Mineral de Argila H-montmorilonita H-ilita Al-montmorilonita H-caolinita H-vermiculita Fonte: Dolling (1985).5. o qual permanece disponível na solução do solo. Constante de Freundlich (Kf) 2.0). principalmente em solos muito intemperizados. pode-se verificar na Figura 13. contribuindo em relação à capacidade sortiva nesses solos.pH do solo O pH é uma medida muito importante que pode interferir nos processos de sorção dos herbicidas. pH 3.6 5. Entretanto.4 .3 .8 4.Herbicidas: comportamento no solo 155 .4-D. menor é a quantidade sorvida do herbicida no material coloidal.

devido ao fatop que o pH influenciar fortemente a ligação das imidazolinonas às frações húmica e mineral do solo.4 .Herbicidas: comportamento no solo .7 5.3 6. 156 Módulo 3. verifica-se novamente o decréscimo do coeficiente sortivo (Kd) do herbicida com o aumento do pH do solo.4-D em função do aumento do pH do solo No caso de imidazolinonas aplicadas ao solo.6 6. Verifica-se. que a quantidade sorvida do herbicida aumenta à medida que o pH diminui. Quadro 6 –Sorção de imazaquin sob diferentes pHs em dois solos Tipo de solo Franco-arenoso Franco-siltoso Fonte: Goetz (1986) pH 5.6 4. Goetz (1986) demonstrou que a quantidade de imazaquin que se liga a diferentes tipos de solo era diretamente relacionada ao pH (Quadro 6). por exemplo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 13 – Sorção do herbicida 2.5 Sorção (%) 53 53 0 62 40 25 Em trabalho similiar realizado com imazethapyr (Figura 14).2 5. novamente.

conforme verificado na Figura 15. Nesse caso.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 14 .Herbicidas: comportamento no solo .4 . especialmente em termos de lixiviação desses herbicidas. a diminuição da sua capacidade sortiva com o acréscimo do pH do meio pode. Figura 15 – Efeito do pH na lixiviação do herbicida imazaquin em colunas de solo Fonte: Inoue et al. resultar em maior lixiviação do composto no perfil do solo. em função do aumento do pH do solo. (2002) O pH pode também influenciar diversos outros processos envolvidos na degradação dos herbicidas no solo: a lixiviação de chlorsulfuron. de modo geral. (1998) Para herbicidas de maior persistência. também. além de possibilitar maior efeito do herbicida em culturas posteriormente instaladas no local.Coeficiente de sorção (Kd) constatado para o herbicida imazetaphyr. por exemplo. é maior em solos com pH alto e 157 Módulo 3. solos ácidos. têm maior capacidade de sorção desses herbicidas e operações como a calagem podem afetar significativamente o seu comportamento. Fonte: Oliveira Jr.

4 .6 . Conforme a fórmula molecular e pKa dos herbicidas eles. Para 158 Módulo 3. herbicidas com características apolares são considerados lipofílicos. Entretanto.Coeficiente de partição octanol-água (Kow) Esta propriedade indica a afinidade que a molécula do herbicida tem em relação à fase polar (representada pela água) e apolar (representada pelo octanol). Geralmente os herbicidas apolares ou lipofílicos (Kow >10. a qual tem sido utilizada para substâncias presentes em solução aquosa. capacidade de dissociação eletrolítica quando em solução aquosa (pKa). o conhecimento das características moleculares dos herbicidas é muito utilizado no estudo do seu comportamento no ambiente.2 . Quanto mais polar for o herbicida.6. Essa definição está restrita apenas à definição clássica de Brönsted-Lowry. e se adapta perfeitamente aos herbicidas em solução do solo. 1993). 2. podendo ser encontrados na forma dissociada (ionizada) e não-dissociada (não-ionizada ou neutra). solubilidade. diz-se que maior é a sua hidrofilicidade.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas baixo teor de matéria orgânica. expressos normalmente na forma logarítmica (log Kow). 2. Os valores de Kow são adimensionais. Já os herbicidas polares. Ao contrário.Principais propriedades físico-químicas dos herbicidas que interferem na sua sorção no solo As principais propriedades físico-químicas de um herbicida que influenciam o seu comportamento são: coeficiente de partição octanol-água (Kow). menor será seu caráter ácido e menor a sua capacidade de ficar aniônico.. os hidrofílicos (Kow <10). embora a degradação do referido produto seja mais rápida em solos ácidos (GOMEZ DE BARREDA et al. O comportamento dos herbicidas é muito influenciado pelo seu pKa. A polaridade é muito importante para penetração das moléculas dos herbicidas pela cutícula das folhas e também interfere nos processos sortivos com o solo.6.1 . possuem maior afinidade às partes argilosa e mineral do solo.000) possuem maior potencial de se adsorverem a parte orgânica dos colóides do solo. 2. a maioria dos herbicidas possui em sua molécula uma região polar e outra apolar.Herbicidas: comportamento no solo . pressão de vapor (P) e constante da Lei de Henry (H).Capacidade de dissociação eletrolítica (pKa) O pKa representa a capacidade de dissociação que uma molécula do herbicida possui em água com diferentes pH. Quanto maior for o pKa do herbicida. Embora algumas propriedades estejam mais distintamente relacionadas aos processos específicos de retenção. podem ser classificados da seguinte forma: a) Herbicidas ácidos fracos: são os herbicidas cujas formas moleculares apresentam capacidade de doar prótons e formar íons carregados negativamente. transformação e transporte.

por exemplo.4 . as concentrações da formas dissociada e neutra serão iguais. como atrazine. maior será a tendência de o herbicida estar na sua forma molecular (neutra) e maior será sua capacidade de se adsorver nas partículas coloidais do solo. Existe ainda um outro grupo de herbicidas tão básicos que possuem cargas positivas para todos os valores de pH verificados no solo (LEAVITT. podendo facilmente ser adsorvidos às partículas de argila e aos grupos funcionais que formam a CTC do solo. quando o pH do solo for igual ao seu pKa. Herbicidas pertencentes a essa classificação.. Da mesma forma que os herbicidas ácidos. maior será a tendência destes herbicidas de permanecer na sua forma dissociada ou protonada. Quando o pH do solo for superior ao pKa destes herbicidas. Quanto menor o pH do solo em relação ao pKa do herbicida. OLIVEIRA JR. Entretanto. Módulo 3. sendo sorvidos ao solo de forma irreversível. PÈREZ. podem atrair íons hidrogênio em uma solução ácida. podendo reduzir sua capacidade de adsorção (KOGAN. podendo competir com os sítios de adsorção de nutrientes no solo.4-D são dicamba. quando o pH do solo for inferior ao seu pKa. 1980).Comportamento de ionização de um herbicida ácido (2. Figura 16 . Alguns outros compostos que reagem semelhantemente ao 2. passando a apresentar carga líquida positiva (Figura 17).4-D. Nesse caso.. 2001). picloram e demais herbicidas pertencentes ao grupo das sulfoniluréias e imidazolinonas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas esses herbicidas. Alguns herbicidas de comportamento similar são simazine. seu comportamento será semelhante ao das moléculas não-iônicas. CONSTANTIN. como o que ocorre para o paraquat e o diquat. quando o pH do solo for igual ao seu pKa. 1995) e hexazinone.4-D.8) b) Herbicidas bases fracas: são os herbicidas que apresentam a capacidade de receber prótons e formar íons carregados positivamente. 2003. pKa = 2. a molécula estará 50% na sua forma molecular ou neutra e 50% na forma dissociada (aniônica). Quando o pH do meio for superior ao pKa do herbicida. cyanazine (PIRES et al. O 2. pode liberar íons hidrogênio numa solução básica ou neutra (Figura 16).Herbicidas: comportamento no solo 159 . este será prontamente dissociado e sua capacidade de ficar retido no solo será muito menor. sua forma molecular será favorecida.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 17 . A intensidade da dessorção reflete o grau de reversibilidade do processo sortivo. esses efeitos são geralmente de menor intensidade. Embora sejam não-iônicos. embora se tenham verificado poucos estudos referentes a ensaios de dessorção na literatura. (1993). A informação da capacidade dessortiva do herbicida no solo pode ser muito importante. muitos deles podem ser polares e. (2003) (Figura 18). em alguns casos. Em outros. Entre esses herbicidas estão incluídos trifluralin. metolachlor. permanecendo em sua forma molecular na solução do solo.Dessorção A dessorção representa a liberação da molécula do herbicida anteriormente sorvida. 2.7 . comparativamente aos herbicidas iônicos. Os herbicidas não-iônicos não reagem com a água e não carregam uma carga elétrica líquida. por relacionar o seu efeito residual e persistência no solo.Comportamento de ionização de um herbicida base fraca (atrazine. Alguns exemplos de herbicidas e sua classificação encontram-se no Quadro 7. O índice H de histerese pode ser obtido pela equação H= na/nd.4 . como observado por Pusino et al. Conforme Southwick et al. 160 Módulo 3. a sorção é praticamente irreversível e não ocorre retorno do herbicida à solução do solo. possibilitando maior permanência deste no ambiente. podendo ocorrer. elevados índices de histerese indicam maior dificuldade de o herbicida sorvido retornar para a solução do solo. respectivamente.Herbicidas: comportamento no solo . alachlor. altíssima dessorção do herbicida. em que na e nd representam as curvaturas obtidas nos ensaios de adsorção e dessorção. as isotermas de sorção e de dessorção diferem entre si. em função dessa condição. ser afetados pelo pH do solo e ficar retidos aos complexos argilominerais e ao material orgânico do solo. Contudo. pKa = 1. EPTC e diuron. Neste caso.7) c) Herbicidas não-iônicos: os herbicidas que não doam nem recebem prótons na solução do solo são considerados não-iônicos. dando origem ao fenômeno denominado histerese (H).

Herbicidas: comportamento no solo 161 . imazetaphyr. triclopyr. 2. picloram.4-D.Curvas de adsorção ( ) e dessorção ( ) observadas para triasulfuron em três solos com diferentes teores de argila e materia orgânica. • falhas no estabelecimento do equilíbrio. prophan Dichlobenil Isopropyl éster de 2. swep. atrazine. Embora freqüentes. segundo Pignatello (1989). trifloxysulfuron-sodium.Herbicidas e sua classificação conforme fórmula e grupos funcionais Catiônicos Básicos Ácidos Diversos Organofosforados Dinitroanilidas Carbamatos Benzonitrila Ésteres Anilidas Uréias HERBICIDAS Iônicos Diquat. porém as mais aceitas. propazine. metribuzin. Além disso. (2003) 3 . MCPA. os problemas de contaminação de aqüíferos no território brasileiro têm despertado pouco interesse dos pesquisadores. são: • transformações químicas ou biológicas que o composto em questão pode sofrer.Processos de transporte O transporte de herbicidas no solo representa um dos processos envolvidos na dissipação desses compostos no ambiente e se destaca. prometone. Figura 18 . DSMA Não-iônicos Methoxychlor Trifluralin. imazapyr. chloroxuron Diversas explicações têm sido propostas no intuito de elucidar a não-singularidade das isotermas de dessorção. chlorimuron-ethyl Bromacil.4 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 7 . e • problemas inerentes à metodologia de determinação. diuron. industrial e agrícola Módulo 3. oryzalin. imazaquin. Pusino et al. paraquat Ametryn.4-D Alachlor. isopropalin Chlorprophan. a demanda hídrica para o abastecimento urbano. propanil. propachlor Linuron. MSMA. cyanazine. por influenciar a capacidade de contaminação dos recursos hídricos subsuperficiais. principalmente. simazine Dicamba. metolachlor.

é mais pronunciado quando o produto é aplicado e logo após ocorre chuva intensa no local.a aplicado <2 . 2000). das práticas culturais. pendimethalin e oxyfluorfen) em reservatórios de água. 1994). Todavia. 1996. na Carolina do Sul. da natureza e dose das aplicações e da declividade da área. em certas situações. Quadro 8 . juntamente com as moléculas dos herbicidas.. Já Pfeuffer e Rand (2004) monitoraram os pesticidas entre 1992 e 2001 no sul da Flórida. especialmente no caso de herbicidas aplicados em pré-emergência.001 – 0. constatando que os herbicidas ametryn e atrazine foram os compostos mais comumente encontrados em águas 162 Módulo 3. dos herbicidas no solo.Escorrimento superficial (run-off) e sub-superficial (run-in) Os termos run-off e run-in representam o movimento ou escorrimento em superfície e subsuperfície. além. Keese et al.1 . a quantidade total de herbicida que pode ser perdida por meio desse processo normalmente não excede 1% do total aplicado (Tabela 6). 1993. o somatório de diferentes pesticidas carreados simultaneamente para uma mesma bacia hidrográfica pode comprometer a qualidade da água em relação ao seu aproveitamento posterior (DOMAGALSKY. para o qual se verificou perda do herbicida aderido aos sedimentos variando entre 9 e 58% do total aplicado ao solo. na maior parte dos casos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas tem se elevado nos últimos anos e poucos estudos são conduzidos com o objetivo de retardar o transporte de herbicidas sob condições tropicais. 3. CARTER.Perdas de herbicidas no solo por diferentes processos de transporte Tipo de transporte Volatilização Lixiviação Run-off Fluxo preferêncial % de perda do i. Entre alguns trabalhos citados na literatura.Herbicidas: comportamento no solo . é claro. destaca-se o escorrimento superficial. em áreas irrigadas com intensa atividade agrícola. respectivamente.25 1-9 Referência Taylor (1995) Flury (1996) Vicary et al (1999a) Vicary et al (1999b) Em certos casos.5 <0. mesmo quando a quantidade total transportada é pequena. O maior potencial de movimento de herbicidas por escorrimento superficial ocorre logo após a aplicação. Dentre as principais formas de transporte nos estudos de herbicidas em solo. O arraste das partículas coloidais. de áreas pulverizadas para aquelas que não receberam diretamente o produto. (1994) relataram a detecção de resíduos de herbicidas (oryzalin. A intensidade de perdas depende muito do sistema de plantio adotado (SETA et al. como no caso do metolachlor (BUTTLE..90 <1 . do tipo de solo em questão. a volatilização e a lixiviação.4 . No entanto. 1990). as perdas podem ser altas. BOWMAN et al. Os autores constataram que a maior parte da contaminação era proveniente do escorrimento superficial de áreas irrigadas pulverizadas e que a maior concentração de resíduos ocorria nos primeiros 15 minutos da água.

1 . EUA. sendo o efeito mais pronunciado quanto maior for a PV do herbicida.1 95. as perdas podem aumentar significativamente em função do aumento de temperatura.0 0. a elevação da temperatura aumenta a taxa de evaporação da água presente no solo.1 3. já que a água funciona como uma interfase entre a molécula e as partículas do solo. solos úmidos perdem mais herbicida por volatilização que um solo seco.5 98. (1995) C Recuperado (% do Total de 14C-Clomazone Aplicado) Temperatura de Incubação (°C) 5 15 25 35 DMS5% 1. Quadro 9 .0 NS b) Aumento da umidade do solo: o aumento da disponibilidade de água no solo facilita a perda de vapor. 3.4 68.4 60. É por isso que. Em solos secos.4 1. para efeito de comparação da PV de dois produtos distintos. No caso do clomazone (Quadro 9).1 5.3 7.8 2. existe maior probabilidade de o herbicida ser sorvido diretamente às partículas de solo (Quadro 10).7 96. também mostraram que ametryn. podendo se perder para a atmosfera por evaporação.Volatilização A volatilização é o processo pelo qual o herbicida presente na solução do solo passa para a forma de vapor.2 0.Efeitos da temperatura de incubação na distribuição de 14C-clomazone (PV=1.4 . esta é aumentada por: a) Elevação da temperatura: a temperatura do solo afeta a volatilização de produtos em função da alteração da pressão de vapor.8 93. Módulo 3.5 92.8 78.44 x 104 mm Hg.Herbicidas: comportamento no solo 163 . os valores devem ser determinados à mesma temperatura. Estudos apresentados por Rand (2004). Além disso.8 9.4 2.4 15.5 9.2. de modo geral.8 4.0 4. juntamente com DDD e DDE foi o composto detectado com maior freqüência em sedimentos de rios de áreas agrícolas na Flórida.2 .7 10.Fatores que influenciam a volatilização Vários fatores influenciam diretamente a volatilização de herbicidas presentes no solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas superficiais. mas. 25 °C) aos 84 dias após a aplicação ao solo 14 Volatilizado Mineralizado Total extraído do solo Não extraído (resíduos ligados) Total recuperado Fonte: Mervosh et al.8 15. 3.

o que. % do Total Aplicado Solo Úmido Solo Seco (14% de Umidade) (1% de Umidade) 62. por meio de suas propriedades químicas. como o EPTC (S=370 mg L-1. o uso de formulações granuladas em vez das líquidas pode contribuir para diminuir as perdas por volatilização.Pressão de vapor (P) A pressão de vapor é a pressão exercida por um vapor em equilíbrio com um líquido. como a estrutura.4 12. o peso molecular e.0 9.2 75. a pressão de vapor (P). neste caso.4 .7 A volatilização pode ser tão significativa para alguns produtos que. necessitam ser mecanicamente incorporados ao solo. Existem. algumas alternativas que podem reduzir a volatilização e manter a eficiência desses herbicidas. como o trifluralin (S = 0.2.3 . com a função de reduzir a evaporação.4 kg ha-1 à superfície do solo Temperatura do ar ( ) 0 4. a formulação granulada pode reduzir entre 60 e 100% as perdas por volatilização (GRAVEEL. TURCO. é a conseqüência de maior importância imediata da volatilização no que diz respeito às atividades agrícolas. Além disso.Alternativas para redução de perdas por volatilização a) Incorporação de herbicidas ao solo: a incorporação pode ser feita tanto com implementos quanto pelo uso de irrigação após a aplicação do herbicida.5 26.0 12.Herbicidas: comportamento no solo . ao passo que herbicidas menos solúveis. a 20 °C). No caso do EPTC.2 . A escolha da forma de incorporação depende.8 12.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 10 .2 80. Herbicidas mais solúveis. O potencial de volatilização de um herbicida geralmente pode ser estimado indiretamente. a 25 °C).0 67. 3.7 Fonte: Gray e Weierich (1965) °C Perda de EPTC em 24 h. principalmente da solubilidade do composto em questão.6 37. eles precisam ser incorporados imediatamente ao solo para que não haja redução substancial de sua eficiência. 1994). principalmente.Efeito da temperatura na perda de EPTC após a aplicação de 3. depois de sua aplicação. b) Formulação do produto: para muitos herbicidas com maior potencial de volatilização têm sido desenvolvidas novas formulações com adjuvantes.4 15.3 mg L-1. no entanto. a uma determinada temperatura.2. sendo expressa normalmente em mm de Hg.3 15. É uma indicação da 164 Módulo 3. podem ser incorporados com uma irrigação adequada. 3. sem dúvida.2 81.

Moderado.4 x 10-8 1. Perdas mínimas que não reduzem a eficácia do produto nãoincorporado. as quais muitas vezes incorporam adjuvantes com a finalidade de reduzir a volatilização. No Quadro 11 encontram-se valores de pressão de vapor de alguns herbicidas aplicados ao solo.9 x 10-8 -16 PV (mm Hg. quanto maior a pressão de vapor.1 x 10-4 3. solo úmido e vento. Quadro 11 . Muito alto.0 x 10-12 1. 25 oC) 3. já não apresentam esses problemas.Pressão de vapor (PV) e potencial de volatilização de alguns herbicidas Grupo Químico e Princípio Ativo Cloroacetamidas Acetochlor Alachlor Butachlor Metolachlor Dinitroanilinas Trifluralin Isopropalin* Oryzalin Pendimethalin Tiocarbamatos Butylate* EPTC* Molinate Vernolate* Sulfoniluréias Chlorimuronethyl Nicosulfuron Oxasulfuron Imidazolinonas Imazamethabenz* Imazapyr Imazaquin Imazethapyr Imazamox Piridazinonas Norflurazon Triazolopirimidin 1. Muito baixo 165 Módulo 3.0 x 10-7 < 1. como as dinitroanilinas e os tiocarbamatos.4 .1 x 10-2 4.3 x 10-2 3.5 x 10-6 3. em solos úmidos Idem Idem Idem Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Muito baixo Perdas significativas quando não incorporado. mas pode ser significativo se não incorporado.0 x 10-7 < 2. Perdas ainda maiores se não incorporados e.1 x 10-5 1. podendo aumentar sob certas condições. Nota-se que o problema de volatilização é particularmente importante para alguns grupos químicos. Perdas pequenas podem ocorrer sob alta temperatura. Volátil.5 x 10-8 1.1 x 10-8 < 1.0 x 10-7 2.4 x 10-2 5. a intensidade e a velocidade de volatilização de um herbicida dependem também da intensidade e velocidade de movimento até a interface (normalmente a superfície do solo) onde ocorre o processo.4 x 10-6 Potencial de Volatilização Muito baixo Baixo a moderado Baixo Baixo.Herbicidas: comportamento no solo . Portanto. imidazolinonas e sulfonamidas.0 x 10-8 9. podendo ser perdido em quantidades significativas quando não incorporado ou em solo úmido.6 x 10-5 4. TURCO. como as sulfoniluréias. mais provável que um líquido vaporize-se. Grupos químicos de desenvolvimento mais recente.2 x 10 <1. ou. podendo ser de 10 a 90%. comparada a uma perda típica de 0 a 4% por lixiviação e 0-10% por escorrimento superficial (GRAVEEL.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas tendência da substância química em escapar na forma de gás.6 x 10-3 1. Pequeno. Perdas por volatilização são muito variáveis.0 x 10-8 < 1. 1994). normalmente em razão da melhoria na qualidade de suas formulações.0 x 10-5 < 1. Além do valor específico da pressão de vapor.

2. No entanto. sem carga.2. por definição. há casos em que moléculas de elevada massa molecular apresentam baixa solubilidade.Relação entre PV e S A combinação de PV e S pode ser expressa através de uma constante denominada KH.4 . quanto mais iônico. O KH é um coeficiente de partição entre o ar e a água (solução do solo). Acima dessa concentração. portanto. Dos vários parâmetros que afetam o destino e o transporte de herbicidas. 3. maior será a sua afinidade por água.4 . logo. De modo geral. Seu valor geralmente é expresso em mg L-1 (normalmente a 25 °C) e é um reflexo da polaridade da substância química.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Grupo Químico e Princípio Ativo as Flumetsulam Cloransulammetil Derivados da uréia Linuron Diuron PV (mm Hg. em razão de apresentarem coeficientes de sorção para solos e sedimentos relativamente baixos. a solubilidade em água é um dos mais importantes. maior solubilidade resulta em menor sorção. Por sua vez. Quanto maior a quantidade de grupos hidrofílicos na molécula do herbicida (mais polares). mais provável que o composto em questão seja solúvel. dentro de um mesmo grupo químico. mesmo quando forem iônicas (KOGAN.8 x 10-15 3. pouco ou não solúveis. Hatzios (1998) e Rodrigues e Almeida (2005) 3.5 . a quantidade máxima de herbicida que se dissolve em água pura a uma determinada temperatura. exceto quando solo está quente e não é ativado pela chuva por vários dias após a aplicação. dependendo se o herbicida for um sólido ou um líquido na temperatura do sistema: uma fase saturada de solução aquosa e uma fase líquida ou sólida do herbicida (LAVORENTI. isto é.0 x 10-16 Potencial de Volatilização Desprezível Muito baixo 1. * Atualmente não registrados para uso no Brasil Fontes: Adaptado de Ahrens (1994). PÈREZ.Solubilidade A solubilidade (S) de um herbicida em água é.7 x 10-5 6. duas fases distintas existirão. 25 oC) 2. hidrólise e oxidação) e transporte (ex: volatilização da solução e lavagem da atmosfera pela água da chuva) também são afetados pela extensão da solubilidade em água dos herbicidas. 166 Módulo 3. a solubilidade de um herbicida e sua sorção no solo estão inversamente correlacionadas.9 x 10-8 Insignificante. maior a sua solubilidade. moléculas orgânicas grandes. o aumento no peso molecular diminui a solubilidade. Em geral. ou constante da lei de Henry. são. Moléculas altamente solúveis são rapidamente distribuídas no ciclo hidrológico. Insignificante. Outros meios de degradação (ex: fotólise. 2003). 1996). exceto quando é exposto a condições quentes e secas por vários dias.Herbicidas: comportamento no solo .

3 . Como a perda por volatilização é dada pelo produto de KH por concentração. do volume de solo. (1988). a absorção pelas plantas participa com pequena porcentagem na remoção do total presente no solo. portanto. em virtude da alta concentração numa fina camada superficial do solo.Absorção pelas plantas A porcentagem de herbicida que a planta absorve do solo é difícil de ser medida. cujos valores elevados de KH indicam que os solutos são altamente voláteis A constante da lei de Henry é definida pela equação: KH e PV são constantes proporcionais. 1989). 3.Lixiviação O destino de herbicidas aplicados ao solo depende muito das propriedades químicas da substância em questão. etc. As duas propriedades mais importantes no que diz respeito ao processo de lixiviação são a sorção e a persistência do produto. Portanto. a distância torna a difusão para a superfície do solo mais difícil. das espécies presentes. Uma revisão bastante completa acerca das bases termodinâmicas e da determinação experimental de K¬H pode ser encontrada em Suntio et al. Trabalhos feitos com outros herbicidas no campo mostram que as plantas podem remover de 2 a 5% do total de herbicida no solo (SHANER. 3. O KH é muito importante para os herbicidas na fase líquida do solo.Relação entre KH e incorporação de herbicidas A aplicação de um herbicida na superfície gera uma alta concentração numa fina camada de solo.4 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas sendo semelhante ao coeficiente de sorção (Kd) usado para descrever a sorção ao solo. dependendo da densidade de plantas. 3.6 .Herbicidas: comportamento no solo 167 . A sorção regula o potencial de um herbicida ser Módulo 3. podendo reduzir as suas perdas. podendo ser usado também como indicativo do potencial de volatilização de determinados herbicidas. ocorre a diluição da concentração. Quando se realiza a incorporação do herbicida. Além disso.4 . Experimentos em vaso demonstraram que as plantas podem absorver de 1 a 10% do total de herbicida disponível. mesmo compostos considerados não ou pouco voláteis podem apresentar certa perda.2. KH também pode ser usado como indicativo do potencial de volatilização de determinado herbicida.

5 Isoproturon Diuron 10.7 Atrazine 2. 2000). com o objetivo de verificar a contaminação das reservas hídricas por pesticidas. Widerson e Kim (1986) simplificaram essa caracterização e definiram que os herbicidas que possuíssem valor de Koc menor que 512 (L/kg) e meia-vida (t ½ vida) superior a 11 dias seriam classificados como lixiviadores. esses modelos têm contribuído na redução dos custos de análise e também na prevenção de desastres ambientais.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas perdido com sedimentos ou por lixiviação. Em condições normais.1 1.4-D 5. 1999 Além das avaliações in locu.6 Terbutryn 1. Entre os estudos realizados. em determinadas circunstâncias. Em 1986.6 Benazolin 2.4 .1 Dichlobenil 1.9 Chlorotoluror 2. esse percentual pode ser igual ou superior a 5% (Carter.1 a 1% do total aplicado. (1984) propuseram uma relação entre o Koc e a meia-vida (t ½ vida) dos herbicidas. Entre os critérios mais divulgados e aceitos para a classificação de herbicidas conforme seu potencial de lixiviação está o índice GUS (Groundwater Ubiquity Score).0 0.8 1.Herbicidas: comportamento no solo . Quadro 12 – Percentual de amostras de águas avaliadas no Reino Unido que excederam o limite de resíduos permitido Herbicidas com % amostras excedendo 0. a quantidade do herbicida perdido pela movimentação no perfil do solo é geralmente entre 0. cujo critério é ainda utilizado pelo California Department of Food and Agriculture (CDFA). embora solubilidades muito baixas possam limitar o transporte com a água.1 mg L-1 Águas de superfície Águas subterrâneas Isoproturon 19. para classificá-los como lixiviadores (Koc < 300 (L kg-1) e t ½ vida > 21 dias) e não-lixiviadores (Koc > 500 (L kg-1) e t ½ vida < 14). Embora empíricos. do Reino Unido apontaram alguns dos herbicidas com excesso de resíduos nas amostras de águas avaliadas (Quadro 12).5 Atrazine Mecoprop 12. Cohen et al.1 Bromoxynil 1. proposto por Gustafson (1989).4 Linuron Chlorotoluron 3.4 Mecoprop Simazine 5. mas.4 Environment Agency. cuja equação a seguir estabelece que herbicidas com índice GUS<1. A solubilidade é de importância secundária.9 0. como o realizado pelo National Center for Ecotoxicology and Hazardous Substances. Alguns estudos.4 0.1 Fonte: 4. alguns estudos têm sido realizados com o intuito de prever o potencial desses compostos de atingir rios.8 Bentazone 1.6 Diuron CMPA 7.8 são considerados 168 Módulo 3. lagos e águas em profundidade.

Herbicidas: comportamento no solo 169 .8 representam produtos lixiviáveis. cujo resultado representa.4 .8 e 2. O índice é definido pela soma de inúmeros fatores: P (persistência). além da capacidade de lixiviação do herbicida.Relação de herbicidas classificados conforme somatório obtido pelo IRA – Índice de Risco Ambiental Herbicida Trifluralin Hexazinona Paraquat Imazapyr Triclopyr Oxyfluorfen Linuron Sulfentrazone Isoxaflutole Haloxyfop Oryzlain Glyphosate Fluazifop Amônio-glufosinato Sethoxydim P 2 3 4 3 1 2 2 2 2 1 1 1 1 1 1 D 4 1 3 1 1 2 1 1 1 1 3 3 1 1 1 V 4 1 1 1 2 2 2 1 1 1 1 1 1 1 1 M 1 4 1 4 4 1 2 4 4 3 1 1 1 1 1 IT 4 2 2 2 2 3 3 2 2 3 3 2 3 2 2 IRA 15 15 11 11 11 10 10 10 10 9 9 8 7 6 6 Módulo 3. V (volatilidade) e IT (índice toxicológico). cujo resultado final permite elencar os compostos em relação ao maior ou menor risco para o meio ambiente (Quadro 13). além de possuir t ½ vida elevada. para que um herbicida seja lixiviado. como argila. M (mobilidade). para que o fluxo hídrico consiga carrear o herbicida pelo perfil do solo (OLIVEIRA JR. Kogan e Allister (2004) propuseram o IRA – Índice de Risco Ambiental. Quadro 7 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas como não-lixiviáveis. Entretanto. ao passo que índices superiores a 2. entre outros. sendo adotada por inúmeros estudos que buscam relacionar o potencial de lixiviação dos herbicidas no solo com a contaminação de lençóis freáticos. Aqueles com valores entre 1. o seu efeito sobre o meio ambiente. 2001).8 são considerados de potencial lixiviador intermediário: GUS = log t½ * (4 – log Kfoc) A equação utiliza os valores de t½ vida do herbicida e o coeficiente de sorção normalizado para teor de carbono orgânico do solo. Recentemente. ele deve estar na solução do solo ou adsorvido a pequenas partículas. D (dose). aminoácidos. ácidos fúlvicos e húmicos de baixo peso molecular. peptídeos e açúcares..

1993). Para modelos lineares. normalmente utilizam-se equações não-lineares de regressão (bi-exponen¬ciais) para o cálculo da t ½ vida de herbicidas no solo.Processos de transformação Os processos de transformação das moléculas de herbicidas presentes no solo e água são decorrentes da degradação dessas moléculas em compostos secundários. em que Ct representa a concentração no tempo t. A equação anterior admite que a taxa de degradação diminui linearmente com o decréscimo da concentração. o ln será igual a 0.Persistência De forma prática. Essas substâncias podem incluir produtos de degradação (metabólitos). a constante de degradação. De forma geral. A degradação de moléculas de herbicidas no solo e o conhecimento dos principais mecanismos responsáveis pela aceleração ou pelo retardamento do processo influenciam diretamente a persistência desses compostos no ambiente. Essa equação pode ainda ser simplificada assumindo que.4 . obtendo-se como produto final água.Herbicidas: comportamento no solo .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4 . 4. O seu cálculo deriva do modelo de primeira ordem definido pela equação: Ln C0/Ct = K * t em que C0 é a concentração inicial do herbicida. considera-se que resíduos de herbicidas no solo sejam quaisquer substâncias resultantes da sua aplicação. CO2 e compostos inorgânicos (MELTING. além da própria molécula do herbicida. a constante de degradação. conforme fórmula que segue: t 1/2= 0. pode-se estimar a t ½ vida.693/K Entretanto. a qual é extremamente importante para predizer o risco de contaminação de lençóis freáticos. até a sua completa mineralização.1 . e. por análise de regressão linear. A persistência desses compostos é normalmente medida pela meia-vida (t ½ vida). como a apresentada a seguir. quando C0/Ct for igual a 2. a degradação refere-se a um conjunto de transformações físicas. Co a concentração inicial e k. os intervalos de tempo 170 Módulo 3. nos quais somente uma linha de dissipação é apresentada. Ct a concentração no tempo t. e K. químicas e biológicas que levam à formação de metabólitos ou à completa mineralização das moléculas. A t ½ vida é definida como o tempo necessário para que ocorra a dissipação de 50% da quantidade inicial do herbicida aplicado.693.

(1997) Ravelli et al.6 3. 9-12 (1982) 54-63 Novo et al. (1997) 8-13 Ravelli et al. (1995) Nakagawa et al. Ct =C0 * e -kt Sabe-se que valores altos de t ½ vida contribuem.6 0.6 4.3 1. Assim. para que o herbicida atinja e contamine águas superficiais e subsuperficias.4 5.8 6.4 5.Valores de meia-vida (t ½ vida) observados para alguns herbicidas em solos do Brasil Herbicida Tipo de solo Classe Latossolo Vermelho-Escuro Atrazine Glei húmico Simazine Trifluralin Metribuzin Latossolo roxo Latossolo Vermelho-Amarelo Latossolo Vermelho-Amarelo Latossolo Vermelho-Escuro Latossolo Vermelho-Escuro Latossolo Vermelho-Escuro Módulo 3.0 Podzolico Vermelho-Amarelo 0-10 Chlorsulfur on Latossolo Eermelho-Escuro . dentro dos limites de uso agrícola. sua persistência é basicamente dependente de quatro fatores: solo (teor de carbono orgânico. (1997) 54 5-29 8-21 8-26 Ravelli et al.8 5. população de microrganismos presentes.2 1. ambiente (temperatura e precipitação) e práticas culturais (sistema de plantio e doses aplicadas). Quadro 14 . Por outro lado.2 5. No Quadro 15 são mostrados os valores de meia-vida de alguns herbicidas em solos do Brasil. ao aumentar a dose de aplicação do herbicida.7 4. (1997) 10-16 Ravelli et al. embora a t ½ vida sirva de parâmetro para avaliação do tempo de permanência do herbicida no ambiente.Exemplos de classificações de herbicidas quanto à persistência no solo Inglaterra Classe Não-persistente Levemente persistente Moderadamente persistente Muito persistente Fonte: Adaptado de Roberts (1996) e Foloni (1997) t1/2 (dias) <5 5-21 22-60 >60 Brasil (IBAMA) Classe Não-persistente Medianamente persistente Persistente Altamente persistente t1/2 (dias) <30 30-180 180-360 >360 Quadro 15 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas considerados podem fornecer estimativas e interpretações errôneas da t ½ vida de herbicidas (BLUMHORST.1 7. (cm) 0-14 0-10 0-30 50-200 0-40 100200 0-15 70-150 MO Argila Areia pH (%) (%) (H2O) (%) 45 28 17 39 47 44 47 48 61 48 56 40 63 72 20 48 46 44 28 27 27 24 5.4 4. (1997) 171 3.4 . a classificação de um herbicida como “persistente” ou “não-persistente” varia de acordo com o propósito da classificação.6 5.8 4.7 2.3 0. a t ½ vida poderá ser alterada e maior quantidade do herbicida estará disponível no ambiente.Herbicidas: comportamento no solo Prof. 1996).6 9. em muitos casos.7 2. 56 (1995) 22 Blanco et al. pH e textura). (1997) Campanhola et al. (1997) Ravelli et al. No Quadro 14 encontram-se exemplos de classificações adotadas na Inglaterra e no Brasil. (1993) 7-21 Ravelli et al.3 1. No entanto.2 a t1/2 Referência (dias) Nakagawa et al.

Herbicidas: comportamento no solo . Entre as principais formas pelas quais os herbicidas são degradados. Observa-se que os herbicidas tendem a persistir por período mais prolongado quando lixiviam mais rapidamente para horizontes subsuperficiais. É o caso do imazaquin em relação ao trifluralin. que pode ser definido como sendo os resíduos fitotóxicos que permanecem no solo e que venham a afetar culturas sensíveis plantadas em rotação após aquelas culturas em que foi utilizado o herbicida. Herbicidas com maior persistência podem resultar no fenômeno denominado carryover. 172 Módulo 3. Eventuais alternativas para minimizar o problema de carryover incluem a redução das doses (pode não resolver o problema em certos tipos de solos) e a aplicação em faixas ou dirigida em vez de em área total (reduz a quantidade total de herbicida aplicado). Isso ocorre principalmente para compostos cuja degradação é fortemente influenciada pela atividade microbiológica do solo. podem-se citar. as que seguem.4 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nas Figuras 19 e 20 são encontrados exemplos de comportamentos de persistência de herbicidas em um Latossolo Roxo distrófico (LRd). a qual é reduzida à medida que se afasta da camada superficial do solo.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 19 . (1998) Módulo 3.Toxicidade visual (parte aérea) em plantas de milho cultivadas em amostras de solo coletadas aos 120 (A).Herbicidas: comportamento no solo 173 . provenientes de áreas que receberam a aplicação de doses de imazaquin Fonte: Silva et al. 150 (B) e 180 (C) DAA.4 .

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 20 .Toxicidade visual (parte aérea) em plantas de milho cultivadas em amostras de solo coletadas aos 120 (A).Herbicidas: comportamento no solo . (1998) 174 Módulo 3. 150 (B) e 180 (C) DAA. provenientes de áreas que receberam a aplicação de doses de trifluralin Fonte: Silva et al.4 .

3 . em geral. A estabilidade desses herbicidas sugere que a hidrólise química não é um mecanismo importante na sua degradação no solo (SHANER. ou mais complexa.4 . cujos principais mecanismos envolvidos são a oxirredução e hidrólise desses compostos. Essa transformação pode ser primária. 4. Estudos mais detalhados indicam que a biodegradação pode ser por: Alteração não-tóxica: conversão de uma molécula não-tóxica. Módulo 3. redução ou perda de um grupo funcional. entre eles: • características estruturais do composto: quantidade de substituição e natureza do grupo introduzido no núcleo central da molécula. O fenômeno da recalcitrância (baixa degradabilidade no solo) é bastante complexo e regulado por outros fatores. Esse fenômeno pode ocorrer em solos extremamente secos embora seja facilitada naqueles cuja condição se aproxima da sua capacidade de campo e com temperaturas elevadas. Detoxificação: conversão de uma molécula tóxica em um produto menos tóxico ou atóxico. podendo se tornar recalcitrante e mais tóxico. por ação enzimática. Conjugação: quando o substrato torna-se mais complexo pela adição ou complexação com metabólicos microbianos. Ativação: conversão.Degradação química A degradação ou decomposição de herbicidas no solo por meio de reações químicas e nãobiológicas são comuns para diversas moléculas.2 . mas com potencialidade de ativação e toxidez. implicando a perda ou alteração da toxidez da molécula.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 4. no qual ocorre a quebra de pontes químicas das moléculas herbicidas devido à substituição de um ou mais átomos por íons hidroxil da água (OH-). 1989). como uma oxidação. Embora para a grande maioria dos herbicidas aplicados ao solo os processos de degradação mediados por microrganismos sejam mais importantes. O pH do solo também auxilia na velocidade da reação. a hidrólise química é responsável.Degradação biológica (microbiana) ou biodegradação O termo biodegradação refere-se à transformação biológica de um composto químico orgânico em outra forma. A hidrólise representa um processo geral de reação do herbicida com a água. em um produto não-tóxico e desativado. envolvendo mudanças estruturais na molécula. envolvendo várias reações seqüenciais. pelo início de uma série de atividades degradativas que ocorrem no solo e torna-se indispensável para os processos de transformação das moléculas de herbicidas no solo.Herbicidas: comportamento no solo 175 . de um substrato não-tóxico em uma molécula com ação biocida. por exemplo são extremamente estáveis nas faixas de pH normalmente encontradas no solo e apresentam t ½ vida normalmente maior que seis meses. As imidazolinonas.

• inacessibilidade do substrato às enzimas ou células microbianas capazes de promover a sua degradação. diminuindo com a profundidade. embora os produtos finais sejam CO2. A rota primária de degradação das 176 Módulo 3. SHELTON. como fonte de energia (metabolismo).4 . Quando a biodegradação é acelerada. mais comumente. sendo um dos maiores mecanismos envolvidos na degradação de herbicidas. esse fenômeno tem sido questionado a partir de duas considerações: a primeira é de que a degradação acelerada seria resultado do aumento do número de microrganismos selecionados pelo herbicida e. Estes microrganismos podem utilizar os herbicidas tanto como substratos. 1996). de várias espécies de microrganismos do solo. a ação microbiana pode modificar a estrutura química do produto. 1993). Sabe-se.. pois outros fatores ambientais precisam ser considerados na interpretação desses resultados. (2001) observaram a biodegradação acelerada de carbetamida por microflora adptada. representada principalmente por fungos e bactérias. é mais abundante nas camadas superficiais do solo. ainda.Herbicidas: comportamento no solo • . Entretanto. fornecendo nutrientes. sem fornecimento de energia para o seu crescimento (co-metabolismo) (MONTEIRO. Além disso. se um herbicida é lixiviado rapidamente da camada superficial do solo. Mineralização: considerado sinônimo de degradação. ele pode acabar tornando-se mais persistente. • ausência de fatores de crescimento ou condições favoráveis para os microrganismos decompositores e • ausência de microrganismo(s) com capacidade metabólica (enzima) capaz de degradar o produto. com utilização do composto como fonte de carbono e energia. Portanto. Contudo. diz-se que ocorreu um processo natural de adaptação metabólica. os processos de biodegradação podem ocorrer em função da atuação de uma ou. Já Sanyal e Kulshrestha (1999) observaram a ação de diversos microrganismos na degradação acelerada de metolachlor. RAVELLI et al. 1996. Alteração do espectro de toxidez: alteração no composto que provoca alteração do grupo de organismos específicos sensíveis à sua ação. 1997). H2O. utilizando esse composto como fonte de C e N. que a população microbiana. observaram que a taxa de degradação diminui com a profundidade (VEEH et al. de que essa degradação seria devido ao aumento da atividade enzimática com maior ação degradativa sobre esses compostos. Hole et al. ou. Vários autores. onde tem maiores chances de ser biodegradado.. avaliando a degradação de pesticidas em várias profundidades. a segunda. Diversas dessas moléculas têm sido descritas como condicionadoras da microbiota do solo para sua degradação (FELSOT. entretanto. os estudos ainda não permitem uma definição sobre a modificação ou atividade mircrobiana envolvida na degradação acelerada de herbicidas. NH3 e íons inorgânicos. Simples degradação: transformação de uma substância tóxica complexa em produtos mais simples. uma vez que está menos exposto ao contato direto com a microbiota do solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas desativação de sistemas enzimáticos responsáveis pelas alterações na molécula do produto no solo.

algumas vezes. Uma reação que também ocorre a partir da substituição de um halogênio de benzeno por uma hidroxila. é a reação fotonucleofílica de hidrólise. superfície mineral. a isomerização e a polimerização. por exemplo. a energia luminosa pode ser absorvida por uma molécula intermediária e transferida à molécula do herbicida por colisão.4 . vento e luz solar) podem afetar a transformação dos herbicidas tanto na água quanto no solo. possuem picos de absorção por volta de 370 nm. começa quando a molécula do herbicida absorve a energia luminosa. são os mesmos que os encontrados em decorrência de processos enzimáticos. etc. cultivo e irrigação. Isso causa a excitação de elétrons e pode resultar na quebra ou na formação de ligações químicas. a qual depende da insaturação eletrônica. clethodim. Além disso. paraquat. a desalogenação. podem afetar a persistência dos herbicidas.4 . disponibilidade de nutrientes. triasulfuron. e possui picos de absorção de luz na faixa do UV. Fatores do ambiente (temperatura. 4.Herbicidas: comportamento no solo 177 . A maioria dos herbicidas apresenta coloração que tende ao branco. uréias substituídas (diuron. na presença de um agente nucleofílico em solução aquosa. Módulo 3. o comprimento de onda efetivo na fotodegradação de herbicidas pode estar fora do espectro de absorção específico do composto. Compostos amarelados. bentazon e atrazine em solução aquosa. como as dinitroanilinas. Dentres as principais reações fotoquímicas. Apenas aqueles herbicidas na ou próximos à superfície do solo ou sobre plantas serão passíveis de sofrerem fotodecomposição. diquat. parece ser a microbiana. normalmente como os elétrons deslocados (cromóforos). como hidrólise. uma vez que a penetração de luz UV no solo é bastante limitada. além das próprias culturas. aeração e micro/macrofauna) e as técnicas de aplicação. Geralmente a luz apresenta um papel de catalisador de reações químicas. as quais podem levar à sua inativação. estado de humificação da matéria orgânica. ou próximo disso. Outros exemplos de reações fotoquímicas comuns ocorrem nas bifenilas policloradas (PCBs). umidade. e os produtos da transformação resultantes dessas reações. particularmente sob condições de alta umidade e temperatura. ou decomposição pela luz. as de maior ação sobre os herbicidas são: a hidrólise. O processo de fotodecomposição. Exemplos de herbicidas que sofrem fotodecomposição incluem o trifluralin. sendo a desalogenação a reação fotoquímica mais comum.. Embora a energia solar que chega à superfície do solo na faixa abaixo de 295 nm seja considerada desprezível. monuron) e em pentaclorofenóis. oxirredução. Portanto. Estudos de dissipação no campo mostram a perda rápida das imidazolinonas a partir do solo. propriedades do solo (pH.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas imidazolinonas. a oxidação.Fotodecomposição ou fotólise A radiação solar na faixa do ultravioleta (290-450 nm) contém energia suficiente para causar transformações químicas dos herbicidas.

e indústrias multinacionais.Estruturas químicas de quatro produtos de fotodegradação do metolachlor Fonte: Kochany e Maguire (1994) 5 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Considera-se que os produtos da fotodegradação sejam similares aos produzidos por processos químicos e biológicos de degradação. Esta alternativa . surgiram nos EUA e em grande parte da Europa inúmeras companhias que exploram a chamada “fitorremediação” para fins lucrativos.Herbicidas: comportamento no solo . 2005). acentuada pela temperatura elevada na superfície do solo. outros fatores podem estar envolvidos. A Figura 21 exemplifica as estruturas químicas de produtos de fotodegradação do metolachlor. especialmente se um período prolongado de seca acontece após a aplicação. 178 Módulo 3. Figura 21 . A volatilização. como Union Carbine. 1998. No entanto. nos últimos dez anos. É possível que parte das perdas esteja relacionada ao processo de fotodegradação. que se beneficiam do emprego da fitorremediação em suas áreas de produção e de pesquisa (GLASS. tem-se mostrado que a atenuação natural monitorada pode contribuir significativamente para o controle e a redução da contaminação de solos e águas subterrâneas (FURTADO.. a degradação química e biológica e a sorção são alguns fatores que devem ser considerados para explicar o desaparecimento dos herbicidas do solo. 2003). Mais especificamente. ou isoladamente. Herbicidas aplicados à superfície do solo são freqüentemente perdidos.4 . se comprovada ao longo de um período de monitoramento. Monsanto e Rhone-Poulanc. como a norte-americana Phytotech e a alemã BioPlanta.que consiste simplesmente em manejar ao longo de um certo tempo a degradação dos contaminantes que ocorre por meio de processos naturais .tem-se mostrado viável nos casos em que ocorrem condições biogeoquimicamente favoráveis e pode ser efetiva na remediação de solos e águas subterrâneas quando utilizada paralelamente a outras tecno¬logias. DINARDI et al.Fitorremediação Recentemente.

este trabalho abordará especificamente aspectos da técnica da utilização das plantas e sua microbiota associada. QUEROL et al. bem como instituições de pesquisa. mais recentemente. 2006).A fitorremediação como mecanismo de biorremediação A biorremediação é o processo de remediação in situ de áreas contaminadas que emprega organismos vivos (microrganismos e plantas. em particular bactérias. Módulo 3. herbicidas (PIRES et al. Portanto. tem-se a fitorremediação (ACCIOLY. visando a descontaminação de ambientes (fitorreme¬diação) que apresentam resíduos de herbicidas em quantidade suficiente para causar interferência negativa nas diferentes atividades agrícolas ou comprometer a sustentabilidade ambiental. podendo atingir cursos de águas subterrâneas... o termo biorremediação é amplamente utilizado para o processo de descontaminação de ambientes por microrganismos. incluindo o desenvolvimento de vários microrganismos comprovadamente eficientes na biodegradação de alguns compostos (BELLINASO et al. os herbicidas de longo efeito residual apresentam-se como principal problema à possibilidade de contaminação de culturas plantadas em sucessão e ao problema ambiental ocasionado por sua lixiviação direta ou de seus metabólitos para camadas mais profundas no perfil do solo. A técnica é bem utilizada para remediação de áreas contaminadas com metais pesados (FRANCO. principalmente. 2003. de ambientes contaminados por metais pesados e derivados de petróleo. As condições necessárias para essa degradação incluem a existência de receptores de elétrons. reduzindo-o ou até mesmo eliminando sua toxicidade. incluindo compostos químicos aplicados para as diferentes atividades agrícolas. b). microrganismos do solo. comprovadamente. é no Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Viçosa que se intensificam os estudos na área da fitorremediação de solos contaminados por herbicidas. Petrobrás (2006) e Unicamp (FEA. Nesses estudos. entre elas a Embrapa (2005). eficientes na descontaminação de áreas tratadas com os herbicidas trifloxysulfuron-sodium e tebuthiuron e que o provável mecanismo envolvido na descontaminação seja a interação da fitoestimulação e da fitodegradação. No Brasil. Dessa maneira. 2000). 5.1 . solventes halogenados. pesquisam e exploram métodos de biorremediação. VROUMSIA et al.. Quando se trata da descontaminação pela utilização de plantas isoladas ou estimulando a microbiota associada às suas raízes.. já se sabe que as espécies Stizolobium aterrimum e Canavalia ensiformis são. os quais incluem a fitorremediação. são estimulados a degradar os contaminantes seja por utilização da molécula como fonte de nutrientes ou por co-metabolismo.. 2005). 2005. YU et al. 2003. 2005. No processo de biorremediação in situ dito “tradicional”.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Dentre os compostos de difícil degradação no solo.4 . algumas empresas estatais e privadas. A pesquisa referente à biorremediação (biodegradação) de áreas contaminadas por herbicidas é relativamente ampla e já bem consolidada. principalmente) capazes de se desenvolverem em meio contendo o material poluente. SIQUEIRA. 2005).. compostos nitroaromáticos e. de nutrientes e de substrato. SANTOS et al. PROCÓPIO et al. Contudo.. 2004. 2004a.Herbicidas: comportamento no solo 179 .

combinados e/ou ligados a tecidos das plantas (compartimentalização) (ACCIOLY. tolerantes a certos herbicidas. 1996). duas limitações. e em solos não vegetados. A utilização da fitorremediação para descontaminação de ambientes com resíduo de herbicidas é baseada na seletividade. no caso herbicida. hidrocar¬bonetos de petróleo. aterrimum.. a meia-vida do atrazine foi de 50 dias. ou remoção física da camada contaminada. principalmente por sua eficiência na descontaminação e pelo baixo custo (PERKOVICH et al. o que caracteriza. conhecido como fitodegradação. SCRAMIN et al. ensiformis e S. elementos contaminantes. CUNNINGHAM et al. a aptidão rizosférica para a biorremediação desses compostos. agrotóxicos. 1996). 2004. as plantas. volatilizados. 2003. Esse fato é de ocorrência comum em espécies agrícolas e daninhas.. no caso. natural ou desenvolvida. PROCÓPIO et al. e • apresentam complexidade de análise diante das constantes transformações a que estão sujeitos. SIQUEIRA. o contaminante.. Citam-se ainda outros mecanismos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quando comparada com técnicas tradicionais. 1996. 2000. explosivos. 1996. 2001). Outros trabalhos relatam a contribuição das plantas.4 . 1996). Em trabalho realizado por Arthur et al. BURKEN. como bombeamento e tratamento. Apesar das facilidades observadas. de 193 dias. estimulando o efeito rizosférico na aceleração da mineralização de alguns herbicidas.. (2000). Apesar de ser utilizada em solos contaminados com substâncias orgânicas ou inorgânicas. (2005). que atuam degradando o composto no solo. entre outras. constatou-se que. em algumas plantas. entre elas C. devem ser consideradas para o emprego da fitorremediação em áreas contaminadas por herbicidas: • são contaminantes orgânicos que apresentam diversidade molecular. é desenvolvido como agente para o controle do descontaminante. promovido pela liberação de exsudatos radiculares. apresentou maior atividade microbiana. entre outros. um importante mecanismo de diminuição do herbicida por ação do fitorremediador parece ser a fitoestimulação. foi comprovado que o solo proveniente da rizosfera de diversas espécies de leguminosas. Contudo. PERKOVICH et al. solventes clorados e subprodutos tóxicos da indústria (CUNNINGHAM et al.. 1994. que algumas espécies exibem a determinados compostos ou mecanismos de ação. principalmente atrazine e metolachlor (ANDERSON et al. A seletividade deve-se ao fato de que os compostos orgânicos podem ser translocados para outros tecidos da planta e.. contaminado com o tebuthiuron. 180 Módulo 3. SANTOS et al. Em trabalho realizado por Pires et al. 2005). como a capacidade de metabolização do herbicida a um composto não-tóxico (ou menos tóxico) à planta e ao ambiente. especialmente menos fitotóxicos. subseqüentemente. podem ainda sofrer parcial ou completa degradação ou ser transformados em compostos menos tóxicos.. na qual há o estímulo à atividade microbiana.. SCHNOOR. em solos rizosféricos de Kochia scoparia. só recentemente tem-se apresentado como promissora técnica para descontaminação de áreas tratadas por herbicidas residuais (PIRES et al. ANDERSON..Herbicidas: comportamento no solo . comparado ao solo não vegetado. a fitorremediação tem sido considerada vantajosa. como metais pesados. COATS. 1995.

REDDY et al. no papel eficiente das plantas. é maior quando o Log Kow do pesticida varia de 0. (1996) estudaram a degradação de isoproturon. pelas condições ambientais e pelas características da espécie vegetal. Compostos que são mais hidrofóbicos.4 . com exceção do diuron em um dos solos. sendo maior a absorção quando o valor de Log Kow é de 2. incrementam-se também a biomassa e atividade microbiana e a biotransformação das moléculas dos herbicidas no solo (WEED et al. pelas plantas é afetada pelas propriedades químicas do composto. Todavia. é sabido que valores de pH fora da faixa de neutralidade comprometem a atividade da microbiota do solo prejudicando diretamente os processos de fitorremediação. as pesquisas devem direcionar esforços para obtenção de melhores resultados para as áreas contaminadas com os herbicidas que apresentam longo efeito residual no solo.. a absorção radicular de xenobióticos da água (em solução) está diretamente relacionada ao logaritmo do coeficiente de partição octanol-água (Kow) do composto. (2003a) e de acordo com Brigss et al..Herbicidas: comportamento no solo 181 . Outras propriedades do solo podem intervir na fitorremediação e. Maior conteúdo de matéria orgânica reduz as amplitudes de variação da temperatura e umidade do solo. 2001). Dos componentes da matéria orgânica do solo.0.1. persistência e concentração do herbicida.. 1997).1. Em revisão feita por Pires et al. o produto químico deve passar pelo simplasto da endoderme. GARBISU.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Segundo Burken e Schnoor (1996).. além dessa característica. conseqüentemente...1 (PIRES et al. Para atrazine verificou-se que sua mineralização aumentava rapidamente com o aumento do pH (HOUOT et al. de baixa reatividade (caulinita). ampliando dessa forma. ligam-se às membranas lipídicas das raízes antes de entrarem no xilema. com valores de Log Kow < 2. levando à fitodegradação. Solos com alto conteúdo deste mineral apresentam reduzida mineralização de atrazine. Para certas características das plantas e condições ambientais.1. (1982). além do mecanismo de ação. 2000). Essa ligação ou exclusão leva a menor fluxo transpiratório sob valores de Log Kow que se distanciam de 2. 1992. Walker et al. o conteúdo de argila. não passam através das membranas lipídicas associadas com as camadas da epiderme das raízes. Compostos que são menos hidrofóbicos..5 (HOUOT et al. as substâncias húmicas são relatadas como as principais responsáveis pela sorção de herbicidas (PUSINO et al. interferem ainda a constante de acidez (pKa) e a sua concentração (ALKORTA. a absorção de compostos orgânicos. fundamental para promover o carreamento do herbicida absorvido para a parte aérea das plantas. Nas condições tropicais em que os solos são altamente intemperizados com predomínio de óxidos e hidróxidos de Fe e Al e argilas silicatadas 1:1.5 a 3. Dessa maneira. como os herbicidas. diuron e metsulfuron-metil na solução do solo e na fração adsorvida em dois tipos de solos e encontraram que a meia-vida destes produtos foi menor em solução que na fração adsorvida. o fluxo transpiratório. 2000). vários outros fatores poderão influenciar a capacidade descontaminadora de espécies vegetais em programas de fitorremediação. 1995. Para ser translocado. logo. Além disso. 2003). os efeitos benéficos nos processos de fitorremediação de herbicidas. CELIS et al. 1995). a matéria orgânica constitui o principal contribuinte para a CTC. apesar de ter valores de pH mais altos que 6. Módulo 3. com Log Kow > 2. por exemplo. como.

2 .. principalmente como resultado de aplicações seqüenciais ao longo dos anos na mesma área (CERDEIRA. existindo uma conscientização dos problemas ambientais ou de saúde que podem ocorrer devido à má utilização desses compostos químicos (SANTOS et al. reduzindo com isso o número de aplicações. causando intoxicação às culturas de amendoim. OLIVEIRA. Contudo. feijão e soja quando cultivadas até dois anos após a sua aplicação. a contar da data de sua aplicação. 2005). as propriedades procuradas em um herbicida são sua pronta degradabilidade. portanto.Herbicidas: comportamento no solo . 2005). que é recomendado para uso em pré-emergência na cultura da canade-açúcar. eficiência em doses baixas. quando simulada a reunião de todas as condições ambientais que favoreçam sua persistência (EMMERICH et al.4 . Mesmo possibilitando o controle efetivo de plantas daninhas por um período de tempo maior. ALMEIDA. 1987) de 15 a 25 meses em solo argiloso (MEYER. 2005). apresenta longo período residual. 2005.. para que se obtenha resultados satisfatórios.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 5. os herbicidas que apresentam longo efeito residual no solo proporcionam a ocorrência de toxicidade em culturas sensíveis (carryover) plantadas após sua utilização. Produtos como o trifloxysulfuron-sodium.5 g ha-1) (RODRIGUES. sendo.. SANTOS et al. Problemas resultantes dos processos de poluição e degradação dos recursos naturais por herbicidas têm recebido atenção especial. podendo chegar a até três anos o intervalo para o plantio de culturas sensíveis. Também o tebuthiuron. 2005). especificidade e baixa toxicidade para os organismos não-alvos. Outros herbicidas. ALMEIDA. Mesmo sendo recomendado em concentrações baixas (em torno de 7. entre outras (RODRIGUES. o período de espera. principalmente em sistemas agrícolas que necessitam utilizar esses produtos no manejo integrado de plantas daninhas (JAKELAITIS et al. BOVEY. soja.1984). apresentam considerado efeito residual no solo. para o plantio de culturas sensíveis. podendo atingir lençóis subterrâneos e se mover para outros ambientes com provável contaminação de outros ecossistemas.Problemas relacionados aos herbicidas residuais Atualmente. batata.este herbicida apresenta elevada mobilidade em solos com baixos teores de argila e de carbono orgânico. como picloram e imazapyr. Sua persistência no solo pode variar de 11 a 14 meses em Latossolo Vermelho-Amarelo em lavouras de cana-de-açúcar (BLANCO. é de aproximadamente oito meses. Áreas contami¬nadas por estes e outros herbicidas persistentes no solo são prioritárias nos programas de fitorremediação. Existe ainda o impacto ambiental negativo ocasionado pela lixiviação dessas moléculas ou de seus metabólitos para camadas mais profundas no perfil do solo. é essencial conhecer o tempo total necessário para a 182 Módulo 3. que é utilizado em mistura com o ametryn na cultura da cana-de-açúcar ou puro na cultura do algodão em pós-emergência inicial. fonte potencial para contaminação de aqüíferos.. apresenta problemas de carryover na cultura do feijão cultivado em seqüência. Além disso. 1988) ou mesmo estender-se por mais de sete anos. como algodão. tomate. 1999).

ACCIOLY. além dos procedimentos para o correto emprego da técnica. 1996.Herbicidas: comportamento no solo 183 . VOSE et al... SIQUEIRA. a escolha de plantas que apresentem tolerância ao herbicida é o primeiro passo na seleção de espécies potencialmente fitorremediadoras. NEWMAN et al. 5. várias espécies podem.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas descontaminação. aquela que for selecionada deve reunir o maior número delas. 2003). quando necessária a remoção da planta da área contaminada. Em essência.4 . ser usadas em um mesmo local. entre outros fatores. • alta taxa de crescimento e produção de biomassa. 2000. porém. sendo importante ressaltar algumas delas. • capacidade transpiratória elevada. 1994.Estratégias para o sucesso da fitorremediação O sucesso no emprego da fitorremediação como técnica para descontaminação de áreas tratadas por herbicidas depende da natureza química e das propriedades do composto. • fácil colheita. evitando sua manipulação e disposição. a espécie vegetal ideal para remediar um solo contaminado por herbicidas seria uma cultura de alta produção de biomassa. ao mesmo tempo ou subseqüentemente. 1996. especialmente em árvores e plantas perenes... 2000. CUNNINGHAM et al. a técnica pode apresentar algumas limitações de aplicação. 1998.. como oposto à transferência para a parte aérea. Dessa forma. como sugerido por Miller (1996). as vezes é muito longo. • elevada taxa de exsudação radicular. Módulo 3. para promoverem maior descontaminação. PIRES et al. • fácil controle ou erradicação. • resistência a pragas e doenças. São conhecidas espécies que se desenvolvem bem em todos os ambientes. • sistema radicular profundo e denso. Com base nas análises apresentadas por diversos autores (FERRO et al. que. embora a maioria dos testes avalie plantas isoladas. PERKOVICH et al. algumas características devem ser consideradas na escolha da espécie vegetal a ser utilizada em programas de remediação de áreas contaminadas por herbicidas: • capacidade de absorção. que tanto pode tolerar como acumular o produto.3 . de clima quente ou frio. no caso da fitoestabilização. O ideal seria reunir todas essas características numa só planta. Dessa forma. com elevada umidade. além da aptidão ecológica da espécie vegetal a ser empregada. e • capacidade de desenvolver-se bem em ambientes diversos.. Outro aspecto a ser observado é que. solo seco. concentração e/ou metabolização e tolerância ao herbicida. visando efetivar e diminuir o tempo de descontaminação. • retenção do herbicida nas raízes. • fácil aquisição ou multiplicação de propágulos. pedregoso. daí a necessidade do conhecimento de estratégias que acelerem o processo de remediação.

apresentou maior atividade microbiana. além de melhorar o desenvolvimento das espécies vegetais S.. Procópio et al. (2006) constataram que a adição de composto orgânico ao solo contaminado com trifloxysulfuron-sodium e tebuthiuron. Santos et al. tratado com o trifloxysulfuron-sodium. (2006) observaram que o solo proveniente da rizosfera de S. 184 Módulo 3. ALMEIDA. 2005. algumas especies vegetais utilizadas como cobertura do solo foram selecionadas (Figura 22). não interferiu no desenvolvimento posterior de plantas de feijão. após a seleção de diversas espécies vegetais. semelhante ao solo isento do herbicida (Figura 24). ensiformis e S. comparado ao mesmo solo não tratado com o herbicida. SANTOS et al.4 . aterrimum promoveu maior descontaminação da área tratada com trifloxysulfuron-sodium. 2004b). 2005). (2005) verificaram que. 2005b. Também Pires et al. ensiformis e Lupinus albus possibilitaram o pleno desenvol¬vimento de Avena strigosa. b. indicando que o produto pode estar sendo degradado internamente nos tecidos (fitodegradação) ou inativado por outros mecanismos rízosféricos. 2003a. possibilitou maior eficiência no processo de remediação por essas leguminosas. Belo et al. (2005) verificaram que o aumento da densidade populacional de S. 2004. aterrimum. após o período de remediação. aterrimum da área contaminada com trifloxysulfuron-sodium. Além dos fatores mencionados.Herbicidas: comportamento no solo . sendo. Em outro trabalho.. utilizada como bioindicadora da presença do herbicida. outros mecanismos podem ser implementados no programa de fitorremediação visando maior eficiência no processo. a fitoestimulação da microbiota associada à rizosfera (PROCOPIO et al. aterrimum e C. as leguminosas C. provavelmente. a permanência ou retirada da parte aérea das plantas de C.. (2004). destacando-se a mucuna-preta (Stizolobium aterrimum) e o feijão-de-porco (Canavalia ensiformis) (Figura 23). ensiformis. comprovando a eficiência na descontaminação. Nos trabalhos realizados por Procópio et al. visando a seleção de espécies vegetais com potencial para emprego em programas de fitorremediação de herbicidas (PIRES et al. evidenciada pelo maior desprendimento de dióxido de carbono. Essas culturas são sensíveis à presença desse herbicida (RODRIGUES. das várias espécies testadas tolerantes ao herbicida tebuthiuron. PROCÓPIO et al.. feijão-de-porco (Canavalia ensiformis) e mucuna-preta (Stizolobium aterrimum) promoveram a fitorremediação de solo contaminado pelo herbicida trifloxysulfuron-sodium.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nos trabalhos realizados até o momento no Brasil. 2006). evidenciando a contribuição da microbiota no processo de descontaminação. possibilitando o posterior desenvolvimento de plantas de milho e feijão.

0. em solos contaminados pelos herbicidas trifloxysulfuron-sodium e tebuthiuron Figura 24 – Desenvolvimento de plantas de milho e de feijão em solo tratado com o herbicida trifloxysulfuron-sodium (0. Módulo 3. visando a fitorremediação de solos contaminados por esses herbicidas Figura 23 – Desenvolvimento de mucuna-preta (Stizolobium aterrimum) (A) e feijão-de-porco (Canavalia ensiformis) (B). associados às práticas agronômicas. visando a remediação Fonte: Procópio et al.5 e 15. amenizantes como a matéria orgânica do solo. agiriam em conjunto.4 . (2004) Para Accioly e Siqueira (2000). os quais. além do emprego de plantas e sua microbiota associada. 7. posteriormente cultivado (B) ou não (A) com mucuna-preta (Stizolobium aterrimum). removendo. imobilizando ou tornando os contaminantes inofensivos ao ecossistema. para o sucesso da fitorremediação.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 22 – Etapa de seleção de espécies vegetais tolerantes ao trifloxysulfuron-sodium e ao tebuthiuron. o programa deve envolver.0 g ha-1) (não-seletivo a essas culturas).Herbicidas: comportamento no solo 185 .

o sucesso do tratamento empregando planta aquáticas vai além do baixo custo. Contudo. além da capacidade remediadora.Considerações finais O comportamento de herbicidas no ambiente. como o picloram e outros. 1993. além da possibilidade de inoculação de microrganismos junto à semeadura das plantas. 2003. Contudo. GLASS. graças à atual preocupação na viabilidade das técnicas integradas de manejo. fabricação de diversos produtos. a fitorremediação surge como opção para o tratamento eficiente de solo e água contaminados por herbicidas de difícil decomposição nesses ambientes. O que se observa é que o conhecimento teórico das propriedades dos compostos do solo. O resultado dos processos de transporte. retenção e transformação que ocorrem com as moléculas representa a capacidade de contaminação e persistência destas no meioambiente. com o objetivo de prevenir quanto aos possíveis distúrbios ambientais provocados por esses compostos. por perturbarem menos o ambiente. 1986). que visam o menor impacto negativo ao ambiente. sendo comumente detectado após um ano. absorção moderada à matéria orgânica e argila. podendo ser utilizada como fertilizante. Em se tratando de ambientes aquáticos. geração de energia.Herbicidas: comportamento no solo .. baixa pressão de vapor. e até proteínas para usos em rações (DINARDI et al. Este herbicida apresenta alta persistência no solo. ALMEIDA. Esse fato denota a importância de pesquisas. Além disso.4 . o atrazine oferece elevado risco de contaminação de aqüíferos. outros benefícios para o agricultor. poucos são os trabalhos que apontam soluções para fitorremediação deste composto em ambientes aquáticos (MARCACCI. Entre os herbicidas. e uma abordagem detalhada da sua dinâmica seria difícil diante dos diversos interferentes relacionados ao seu comportamento. 2005). nos programas de fitorremediação de herbicidas. principalmente em solos brasileiros. 6 . são pesquisas já iniciadas e fornecerão dados para maior eficiência nos processos de descontaminação de áreas que apresentam resíduos de outros herbicidas comprovadamente persistentes no ambiente. alto potencial de escoamento. apesar de já ser bem conhecido o processo de biodegradação do atrazine por diversos microrganismos (BEKHI et al. BEKHI. dos fatores climáticos envolvidos e dos mecanismos de interação herbicida–ambiente nem sempre representa o comportamento constatado em condições naturais a campo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Manejo da irrigação. essa técnica é 186 Módulo 3. 1998). devido às suas características físico-químicas. Nessa área. espera-se maior aceitação de métodos de descontaminação in situ. 2005). depende do somatório de diversos processos envolvidos. incremento na população e número de espécies vegetais. principalmente no solo. os quais são responsáveis pelo destino final desses compostos. havendo possibilidades de reciclagem da biomassa produzida. O tema cresce em complexidade na medida em que se tenta selecionar espécies vegetais que apresentem. hidrólise lenta. solubilidade de baixa para moderada em água (RODRIGUES. ração animal. como papel. KHAN.

Herbicidas: comportamento no solo 187 . quando todos os fatores envolvidos interagem. este é. sem dúvida. Embora o tema seja muito abrangente. torna-se possível sua utilização com eficiência técnica e econômica. podendo ser aplicada a grandes áreas. comparada a outros processos de descontaminação. um dos motivos pelo qual deve ser mais estudado. Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas relativamente barata. As implicações são claras: entendendo como os herbicidas e outros pesticidas aplicados ao solo se comportam.4 . a identificação dos problemas de contaminação e as opções de recuperação do ambiente afetado.

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ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

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192 Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

PIRES, F. R.; SOUZA, C. M.; SILVA, A. A.; PROCÓPIO, S. O.; CECON, P. R.; SANTOS, J. B.; SANTOS, E. A. Seleção de plantas tolerantes ao tebuthiuron e com potencial para fitorremediação. Revista CERES, v. 50, n. 291, p. 583-594, 2003b. PIRES, F. R.; SOUZA, C. M.; SILVA, A. A.; QUEIROZ, M. E. L. R.; PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; SANTOS, E. A.; CECON, P. R. Seleção de plantas com potencial para fitorremediação de tebuthiuron. Planta Daninha, v. 21, n. 3, p. 451-458, 2003a. PIRES, N. M.; OLIVEIRA JR., R. S.; PAES, J. M. V., SILVA, E. Avaliação do impacto ambiental causado pelo uso de herbicidas. Viçosa, MG: Sociedade de Investigações Florestais, 1995. 22 p. (Boletim Técnico SIF, 11). PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; PIRES, F. R.; SILVA, A. A.; SANTOS, E. A. Fitorremediação de solo contaminado com trifloxysulfuron-sodium por mucuna-preta (Stizolobium aterrimum). Planta Daninha, v. 23, n.4, p. 719-724, 2005a. PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; PIRES, F. R.; SILVA, A.A.; SANTOS, E. A.; CARGNELUTTI FILHO, C. Development of bean plants in soil contaminated with the herbicide trifloxysulfuron-sodium after Stizolobium aterrimum and Canavalia ensiformis cultivation. Crop Protection, 2006 (em fase de publicação) PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; SILVA, A. A.; PIRES, F. R.; RIBEIRO JÚNIOR, J. I.; SANTOS, E. A. Potencial de espécies vegetais para a remediação do herbicida trifloxysulfuronsodium. Planta Daninha, v. 23, n. 1, p. 9-16, 2005b. PROCÓPIO, S. O.; SANTOS, J. B.; SILVA, A. A.; PIRES, F. R.; RIBEIRO JÚNIOR, J. I.; SANTOS, E. A.; FERREIRA, L .R. Seleção de plantas com potencial para fitorremediação de solos contaminados com o herbicida trifloxysulfuron sodium. Planta Daninha, v. 22, n. 2, p. 315322, 2004. PUSINO, A. et al. Influence of organic matter and its clay complexes on metolachlor adsorption on soil. Pesticide Science, v. 36, p. 283-286, 1992. QUEROL, X.; ALASTUEY, A.; MORENO, N.; ALVAREZ-AYUSO, E.; GARCÍA-SÁNCHEZ, A.; CAMA, J.; AYORA, C.; SIMÓN, M. Immobilization of heavy metals in polluted soils by the addition of zeolitic material synthesized from coal fly ash. Chemosphere, v. 62, n. 2, p. 171-180, 2006. RAVELLI, A.; PANTANI, O.; CALAMAI, L.; FUSI, P. Rates of chlorsulfuron degradation in three Brazilian soils. Weed Res., v. 37, p. 51-59, 1997. REDDY, K. N. et al. Chlorimuron adsorption, desorption and degradation in soils from conventional tillage and no-tillage systems. Journal of Environmental Quality, v. 24, p. 760 767, 1995. ROBERTS, T. R. Assessing the environmental fate of agrochemicals. J. Environ. Sci. Health, B, v. 31, n. 3, p. 325-335, 1996. RODRIGUES, B. N.; ALMEIDA, F. S. Guia de herbicidas. 5.ed. Londrina, PR, 2005. 648 p. RODRIGUES, B. N.; ALMEIDA, F. S. Guia de herbicidas. 5.ed. Londrina, PR: Grafmarke, 2005. 591 p.
Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo 193

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194 Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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Módulo 3.4 - Herbicidas: comportamento no solo

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ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

PROTEÇÃO DE PLANTAS

Módulo 3 - Manejo de plantas daninhas 3.5 - Herbicidas: resistência de plantas
Tutores: Profº. Antonio Alberto da Silva Profº. Leandro Vargas Profº. Evander Alves Ferreira

Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Universidade Federal de Viçosa - UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia

Brasília - DF 2006
196 Módulo 3.5 - Herbicidas: resistência de plantas

Resistência do azevém (lolium multiflorum) ao glyphosate. 203 4 . 198 1 . 202 3 .Derivados da glicina. 214 10. 209 7 .6 .Variabilidade genética.Absorção e translocação.Culturas transgênicas e plantas daninhas resistentes a herbicidas. 212 10 . 216 10. 221 14 .Resistência múltipla. 213 10.3 – Compartimentalização.Características da resistência por grupos herbicidas.A resistência de plantas daninhas no Brasil. 218 11 . 200 1.Como confirmar a resistência. 200 1.8 . 202 2 .4 .Manejo da resistência a herbicidas.Pressão de seleção.7 – Triazinas. 229 16 .5 .Seleção de biótipos resistentes por diferentes mecanismos de ação herbicida. 218 12 .Resistência cruzada. 215 10. 204 5 .2 – Bipiridílios. 201 1.5 .Alteração do local de ação.1 .1 – Auxinas. 211 9 .Diagnóstico da resistência a campo. 217 10.Mecanismos que conferem resistência. 208 5. 225 15 . 231 Módulo 3.Fatores que favorecem o surgimento da resistência. 208 5.Herbicidas: resistência de plantas 197 .Como evitar a resistência.Uréias/amidas.4 – Dinitroanilinas.Evolução da resistência.2 .1 . 210 8 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução. 201 1.Plantas daninhas resistentes em culturas transgênicas. 225 14.3 . 219 13 .2 – Metabolização.1 . 209 6 .Inibidores de ACCase. 230 Referências bibliográficas. 213 10.Comentários finais.Culturas transgênicas. 214 10. 215 10.Inibidores de ALS.

9% resistem aos herbicidas inibidores da ALS. 1998a). nos Estados Unidos.. 11. resistentes a herbicidas pertencentes ao grupo das auxinas (WEED SCIENCE.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução O controle de plantas daninhas com uso de herbicidas é prática comum na agricultura mundial.5 . Uma das conseqüências do uso indiscriminado desses métodos tem sido o desenvolvimento de muitos casos de resistência a tais compostos por diversas espécies daninhas. 8. após o primeiro caso de resistência. e Daucus carota. No que se refere aos defensivos agrícolas. hoje está se tornando prática comum até entre os pequenos. 1970).1% às auxinas sintéticas. Em conseqüência. 7% às uréias e amidas. 28. há aproximadamente 284 biótipos de plantas daninhas que apresentam resistência a um ou mais mecanismos herbicidas (Quadro 1). foram descritas em gêneros como Amaranthus e Chenopodium. 1997). uma vez que essa tecnologia. 2005). A constatação da resistência de plantas daninhas aos herbicidas começou em 1957 com a identificação de biótipos de Commelina difusa. Estudos posteriores demonstraram que esta espécie era resistente a todas as triazinas. que era quase exclusivamente utilizada por grandes e médios produtores. devido a uma mutação nos cloroplastos (RADOSEVICH et al. os demais métodos de controle têm sido deixados de lado. Dessa maneira. onde os herbicidas correspondem a mais de 50% do volume total comercializado (ANDEF 2005). 7. no estado de Washington (EUA). 1979).5% às dinitroanilinas e os 198 Módulo 3. 1998). 3. 22. com resistência a triazinas. foram descobertos biótipos de Senecio vulgaris resistentes a simazine (RYAN. Esses biótipos pertencem a 171 espécies e estão distribuídos em 59 países. está prontamente disponível e profissionalmente desen¬volvido. atualmente. principalmente. principalmente por grandes agricultores. possui custo atrativo. em diferentes países (RADOSEVICH. Muitos outros casos foram relatados em diferentes locais do mundo e. 1977) Em menos de 30 anos. o Brasil é um dos maiores mercados do mundo. no Canadá. O largo uso de herbicidas deve-se.6% aos inibidores da ACCase. Depois disso.9% às triazinas. Destes biótipos. e a tendência de uso desses compostos é de aumento.7% aos bipiridílios. ao fato de que o controle químico tem sido eficiente. várias outras espécies. Já em 1970. havia mais de 100 espécies reconhecidamente resistentes em aproximadamente 40 países (HEAP. ALMEIDA. O uso repetido de um herbicida exerce uma pressão de seleção que leva ao aumento do número de indivíduos resistentes na população. Na atualidade. sendo o quinto no "ranking" de vendas de agrotóxicos. a população de plantas resistentes pode aumentar até o ponto de comprometer o nível de controle (HRAC.Herbicidas: resistência de plantas . Atualmente estão sendo comercializadas no mercado brasileiro em torno de 200 marcas comerciais de herbicidas (RODRIGUES. os agricultores depositam confiança excessiva no controle químico das plantas daninhas.

Em 1983. e os demais mecanismos somavam 8%.Herbicidas: resistência de plantas 199 . restringindo esta prática a outros métodos menos eficientes. 12%.3% restantes aos demais grupos de herbicidas. Não foram encontradas citações de plantas daninhas resistentes aos herbicidas perten¬centes aos grupos ariltriazolinonas. a estes grupos de herbicidas. A resistência de plantas daninhas a herbicidas assume grande importância. neste caso. se deve à alta especificidade. não são claras. das triazinas e existentes atualmente.5 .4-D Uréias e amidas Inibição da fotossíntese no FS II Chlorotoluron Dinitroanilinas e outros Inibição da formação dos microtúbulos Trifluralin Inibição da síntese de lipídios – não da Thiocarbamatos e outros Trialate ACCase Triazoles. benzotiadiazinas e ftalimidas. aos auxínicos. até o momento. à eficiência e à grande área onde são empregados. Assim. As razões do não-surgimento de plantas daninhas resistentes. são dois ou mais os mecanismos que precisam ser substituídos. Essas proporções mudaram com a introdução no mercado dos novos grupos herbicidas inibidores de ALS e ACCase. Acredita-se que o maior número de biótipos resistentes aos herbicidas dos grupos inibidores de ALS. citado por HRAC (2004) Grupo de herbicida Mecanismo de ação Total ocorrência 82 65 33 22 23 20 10 8 4 6 2 7 284 Módulo 3. uréias e Branqueamento – inibição da Amitrole isoxazolidionas biossíntese de carotenóides Glicinas Inibição da EPSP sintase Glyphosate Inibição da divisão celular (inibição de Butachlor Chloracetamidas ácidos graxos de cadeias longas) Outros Diversos Diversos Total de biótipos de plantas daninhas observados no mundo Fonte: Adaptado de Retzinger. princi¬palmente quando não existe ou existem poucos herbicidas alternativos para serem usados no controle dos biótipos resistentes. porém acredita-se que esteja relacionado com o seu modo de ação.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 10. apesar do longo tempo de introdução no mercado. o controle dos biótipos resistentes com uso de herbicidas é seriamente comprometido. 13%. aos bipiridílios. 67% dos casos de resistência documentados eram de biótipos resistentes às triazinas. já que. Isso ocorre para diversos biótipos de grande ocorrência em diversas partes do mundo tornando cada vez mais difícil e oneroso o controle desses biótipos. Quadro 1 – Ocorrência de biótipos de plantas daninhas resistentes a diferentes grupos herbicidas Exemplo de herbicida Inibidores da ALS Inibição da acetolactato sintase (ALS) Clorsulfuron Inibidores do Fotossistema Inibição da fotossíntese no Atrazine II fotossistema II Inibição da acetil carboxilase Inibidores da ACCase Diclofop-methyl (ACCase) Bipiridílios Aceptores de eletrons do FSI Paraquat Auxinas sintéticas Ação semelhante ao ácido indolacético 2. A ocorrência de resistência múltipla agrava ainda mais o problema.

teoricamente.Alteração do local de ação As informações genéticas de um organismo estão contidas em seu material genético (DNA).. O DNA é uma dupla hélice formada por bases nitrogenadas púricas (adenina e guanina) e pirimidicas (timina e citosina) que formam os genes. durante o crescimento do indivíduo é de cerca de 10-4. mutação de ponto. A atividade da enzima pode ou não ser modificada. deleção ou substituição de uma base nitrogenada podem alterar um ou mais aminoácidos da proteína a ser formada.. Biótipos resistentes podem ocorrer em uma população de plantas daninhas como resultado de mutações que provocam alterações no local de ação do herbicida (BETTS et al. e cai para 10-9 pela ação das enzimas reparadoras (SUZUKI et al. resultando em uma proteína mutante. 1992). Mutação foi definida por De Vries como mudanças repentinas e hereditárias. estando na dependência de qual aminoácido foi alterado. a maioria delas é deletéria e a evolução só é possível porque algumas delas podem ser benéficas em determinadas situações (SUZUKI et al. cada trinca de bases nitrogenadas codifica um aminoácido que comporá a futura proteína. serão repassadas aos seus descendentes. 1992). que é a cópia do DNA pela enzima DNA polimerase. entretanto. O DNA é um cordão de genes (SUZUKI et al. A grande maioria das alterações que ocorrem no DNA. que não provoquem a morte do indivíduo.Herbicidas: resistência de plantas . A probabilidade de ocorrer erros na replicação do DNA. A alteração de uma base nitrogenada. 1992).. 1992). Os genes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1 . na tradução do RNAm.5 . porém não a posição do gene individualmente” (BREWBAKER. longas e específicas seqüências de bases nitrogenadas. são responsáveis pela codificação das proteínas. é preferível restringir. A mutação é um processo biológico que vem ocorrendo desde que há vida no planeta. a possibilidade de erro. 1969). formando o RNA mensageiro (RNAm).. A ocorrência de erros na replicação ou transcrição da fita do DNA. pode originar uma enzima com características funcionais distintas ou não da original. Os erros de replicação e as lesões espontâneas geram a maior parte das mutações por substituição de base e mudança da matriz de leitura (SUZUKI et al. mesmo remota. existe. As etapas para produção de uma proteína são a transcrição. Se o aminoácido alterado for o ponto ou um dos pontos de acoplamento de uma molécula herbicida. 1992). contudo.. multiplicação do material genético.Mecanismos que conferem resistência 1.. Na tradução do RNAm. e a ocorrência de mutações que provoquem inserção. este produto 200 Módulo 3.1 . A seqüência linear de nucleotídios em um gene determina a seqüência linear de aminoácidos de uma proteína (SUZUKI et al. afirmando que são “aquelas mudanças bruscas hereditárias que alteram a atividade. Caso ele componha o centro ativo da enzima. e a tradução do RNAm com a montagem da proteína pelo ribossomo. 1992). a probabilidade de as suas características cinéticas serem modificadas é grande.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas pode perder a atividade inibitória sobre esta nova enzima. se o herbicida possuir mais de um mecanismo de ação. Alteração do local de ação significa que a molécula herbicida diminui sua capacidade de inibir esse ponto. Não há evidências. que podem estar relacionados com o tipo de mutação ocorrida. como é o caso da resistência de Lolium rigidum a triazinas e inibidores de ACCase. Contudo. a planta pode morrer pela ação do(s) outro(s) mecanismo(s). são avaliados quanto à sua capacidade mutagênica. (1991). Logicamente que.Compartimentalização A molécula é conjugada com metabólitos da planta.. ou. e a planta torna-se resistente àquele herbicida e a outros que se ligam da mesma forma àquela enzima. a molécula herbicida. que a mutação possa ocorrer por ação de algum herbicida ou outro defensivo agrícola (KISSMANN. Fontes externas de radiação.5 . Uma pequena alteração no polipeptídio pode resultar em um grande efeito sobre a afinidade com a molécula herbicida (BETTS et al. podem provocar mutações no DNA. 1. mais rapidamente do que plantas sensíveis. ou é removida das partes metabolicamente ativas da célula e armazenada em locais inativos. Acredita-se que os herbicidas não sejam capazes de provocar mutações. o tipo de mecanismo que está proporcionando a resistência. 1969). como o vacúolo (ex.3 . já que estes produtos. em uma população de biótipos resistentes ocorrem diferentes níveis de resistência ou de susceptibilidade.2 . e é muito improvável. 1992). ou seja. Desse modo. A luz ultravioleta e o oxigênio são mutagênicos (BREWBAKER. 1996).Metabolização A planta resistente possui a capacidade de decompor. conforme relatam Sathasivan et al.Herbicidas: resistência de plantas 201 . devido a uma ou mais alterações na estrutura deste local. um herbicida que anteriormente era eficiente em inibir uma determinada enzima deixa de ter efeito sobre esta. Como exemplo. tornando-se inativa. tornando-a não-tóxica. a não ser que ela apresente outros mecanismos de resistência. com as formas alélicas do gene. Módulo 3.: plantas resistentes ao paraquat). tipo de molécula e. resistência múltipla. 1. antes de serem lançados no mercado. como o sol. têm-se plantas daninhas resistentes aos inibidores de ALS. Esse é o mecanismo de tolerância a herbicidas apresentado pela maioria das culturas. A resistência de Arabidopsis thaliana às imidazolinonas se deve à alteração de um aminoácido da enzima ALS.

apresentam 202 Módulo 3. uma planta daninha pode ser sensível. sob condições normais.Absorção e translocação A absorção e a translocação são alteradas e. que possuem resistência cruzada a herbicidas inibidores de ALS. devido a apenas um mecanismo de resistência. quando as plantas resistentes possuem dois ou mais mecanismos distintos que conferem resistência. de uma população de plantas. PRESTON. A resistência cruzada não confere. de sobreviver a determinados tratamentos herbicidas que. em que as plantas são capazes de sobreviver e se reproduzir após o tratamento herbicida.Herbicidas: resistência de plantas . também confere resistência a outras moléculas de diferentes grupos químicos. A resistência cruzada ocorre quando um biótipo é resistente a dois ou mais herbicidas. naturalmente. Biótipos de Lolium rigidum e Kochia scoparia. no ponto de ação de um herbicida. tolerante ou resistente a um herbicida. que agem no mesmo local na planta (POWLES. e a resistência múltipla. assim. Relaciona-se com a variabilidade genética natural da espécie. isoladamente ou associados. Já a tolerância é uma característica inata de uma espécie. não chegando a ser suficiente para controlar a planta (ex. A resistência pode ser cruzada ou múltipla.4 . mesmo sofrendo injúrias. A resistência cruzada conferida pelo local de ação ocorre quando uma mudança bioquímica. Também podem existir variações no nível de resistência cruzada dos biótipos a herbicidas de grupos diferentes. 2 . a resistência é a capacidade adquirida de alguns biótipos. proporcionar tolerância ou resistência a herbicidas. uma planta sensível pode morrer quando submetida a uma determinada dose do herbicida. Em uma população de plantas vão existir aquelas que. A resistência pode ocorrer naturalmente (seleção) ou ser induzida com uso de técnicas de engenharia genética. Uma planta é sensível a um herbicida quando o seu crescimento e desenvolvimento são alterados pela ação do produto.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. 1998). controlam os membros da população. a quantidade de herbicida que atinge o local de ação é bastante reduzida. são resistentes a herbicidas de diferentes grupos químicos e com diferentes mecanismos. Esses mecanismos podem. Desse modo.Resistência cruzada A resistência cruzada pode ser conferida a um biótipo por qualquer dos mecanismos que conferem resistência.: plantas resistentes aos bipiridílios). necessariamente. Por outro lado. Assim. toleram mais ou menos um determinado herbicida. resistência a herbicidas de todos os grupos químicos que possuem o mesmo local de ação. mesmo que pertencentes a diferentes grupos químicos. assim.5 . cultura de tecidos ou de agentes mutagênicos.

pendimethalim e simazine. Já os casos mais complexos são aqueles em que dois ou mais mecanismos conferem resistência à diversos herbicidas de diferentes grupos químicos. que resistem a 15 herbicidas diferentes. PRESTON. 1998). Biótipos de Lolium rigidum resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase. que é resistente a vários herbicidas inibidores da ALS. PRESTON.Resistência múltipla A resistência múltipla é o maior problema atual.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas diferentes níveis de resistência aos diferentes grupos herbicidas que agem inibindo a ALS. A conjugação da molécula herbicida com glicose também foi encontrada. 1998). em biótipos de Lolium rigidum resistentes aos herbicidas inibidores do FSII. é necessário empregar misturas de herbicidas que não tenham sua atividade afetada pelos mecanismos de Módulo 3. é exemplificada por biótipos de Lolium rigidum.Herbicidas: resistência de plantas 203 .5 . Foi detectado. dois ou mais mecanismos conferem resistência à apenas um herbicida ou a um grupo de herbicida. um exemplo são biótipos de Alopecurus myosuroides encontrados na Austrália. encontrados na Austrália. selecionados com uso de herbicidas dos grupos ariloxifenoxipro-pionato ou cicloexanodiona. 3 . que não exibem alterações na enzima. A resistência cruzada. 1998). aumento da taxa de metabolismo dos herbicidas (POWLES. imazamethabenz. apresentam maior nível de resistência aos herbicidas do primeiro grupo do que aos do segundo. As mutações já analisadas mostram substituição. de forma semelhante à que ocorre na cultura do trigo. Conrudo. PRESTON. e futuro. entre eles diclofop. já foram encontradas outras alterações na ALS tanto no centro ativo A como em outras partes da enzima (POWLES. no centro ativo A da ALS. da prolina 173. Acredita-se que as moléculas não-metabolizadas sejam imobilizadas ou armazenadas de forma a evitar sua ação sobre a enzima. O metabolismo de herbicidas inibidores de ACCase e ALS é realizado pelo Cyt P450. relacionado a resistência de plantas daninhas a herbicidas. PRESTON. resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase. O diferente nível de resistência pode ser resultado das diferentes mutações ocorridas no gene que codifica a enzima ACCCase e do tipo de alelo do gene (POWLES. Além disso. devido à rápida metabolização da molécula por arilhidroxilação catalisada pelo Cyt P450 monoxigenase. Nos casos mais simples. devido a outros mecanismos. as dificuldades de controle dos biótipos resistentes aumentam ainda mais quando os mecanismos que conferem a resistência estão relacionados com o local de ação e com outros mecanismos como o metabolismo. Para controlar estas plantas daninhas. Isso se deve a pequenas diferenças de ligação entre a enzima e a molécula herbicida e a diferentes mutações que ocorrem no gene que codifica a enzima ALS (POWLES. 1998). mas apresentam pequenos aumentos no metabolismo do herbicida diclofop.

encontrado na Austrália. pode ser resumida em três princípios: o da variação: existem variações morfológicas. PRESTON. por causa da pressão de seleção exercida por repetidas aplicações de um mesmo herbicida.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas resistência em questão. Existem biótipos de Lolium rigidum resistentes a herbicidas inibidores de ALS. 1994). O uso repetido de herbicidas para controle de plantas tem exercido alta pressão de seleção. assim.. Darwin postulava que a espécie como um todo vai mudando porque os seus indivíduos evoluem na mesma direção. e. 1998).. devido ao metabolismo. O surgimento de plantas daninhas resistentes a herbicidas é um exemplo de evolução de plantas como conseqüência de mudanças no ambiente provocadas pelo homem (MAXWELL. Contudo. as freqüências dos vários tipos. e resistentes a chlorsulfuron. em uma população de plantas. Em geral. dentro da população. myosuroides metabolizam chlorotoluron e alguns herbicidas inibidores de ACCase e apresentam ACCase mutada. provocando mudanças na flora de algumas regiões. 1990). espécies ou biótipos de uma espécie que melhor se adaptam a uma determinada prática são selecionados e multiplicam-se rapidamente (HOLT. 204 Módulo 3. o da hereditariedade: a prole parece mais com seus pais do que com indivíduos não-aparentados. em determinado ambiente (SUZUKI et al. através da seleção natural. 1992) (Quadro 2). é de biótipos de Lolium rigidum que metabolizam herbicidas inibidores da ACCase. ALS e FSII e possuem ACCase e ALS mutadas (POWLES. devido a alterações na enzima. fisiológicas e de comportamento entre indivíduos. a população da próxima geração terá uma freqüência elevada dos tipos que tiveram maior sucesso em sobreviver e se multiplicar nas condições ambientais vigentes.Evolução da resistência A teoria da evolução de Darwin. o caso mais complicado de resistência múltipla. irão mudar com o tempo e os indivíduos mais bem adaptados ao ambiente tornam-se predominantes (SUZUKI et al. Muitas evidências sugerem que o aparecimento de resistência a um herbicida. 4 . 1998). é devido à seleção de um biótipo resistente preexistente que.5 . Os biótipos de A. e o da seleção: algumas formas apresentam maior sucesso na sobrevivência e reprodução do que outras. Desse modo. encontra condições para multiplicação (BETTS et al. dentro de qualquer população. PRESTON. LEBARON. MORTIMER. Há poucos casos registrados de plantas com resistência múltipla (POWLES.Herbicidas: resistência de plantas . Biótipos de Lolium rigidum e Alopecurus myosuroides constituem casos complexos. 1992).. 1992).

que apresenta 90% de eficácia de controle do biótipo suscetível.Herbicidas: resistência de plantas 205 .9999 99. que funciona como um reservatório de sementes suscetíveis e.Tempo para evolução da uma população de biótipos de plantas daninhas resistentes Ano 0 1 2 3 4 5 6 7 No de Plantas Resistentes 1 1 1 1 1 1 1 1 No de Plantas Sensíveis 1. É evidente que a intensidade de seleção na prática não é tão intensa como mostrada na figura. aumenta esse tempo de aparecimento.000 100 10 5 2 % de Controle 99. determinam a probabilidade do desenvolvimento de resistência das plantas daninhas a herbicidas. Os biótipos resistentes podem apresentar menor adaptação ecológica nesses ambientes e tornam-se predominantes devido à eliminação das plantas sensíveis. não foram detectadas diferenças na capacidade competitiva de Abutilon therphrasti resistente a triazina (GRAY et al.. conforme a Figura 1...000 1. 1994). vai selecionando os indivíduos resistentes e aumentando a sua freqüência na população.0 Evolução Imperceptível Imperceptível Imperceptível Imperceptível Imperceptível Pouco perceptível Perceptível Evidente Fonte: Kissmann (1996) A utilização de herbicidas que são altamente efetivos no controle de uma planta daninha específica por um longo período de tempo induz uma grande pressão de seleção quando comparados com outras práticas de controle. o crescimento e a produtividade de plantas resistentes a triazinas podem estar relacionados com a sua capacidade fotossintética limitada (STOWE. assim. apresentaram maiores área foliar. Em condições de seleção natural. Assim. assim como as diferentes características biológicas. maior produção que biótipos menos adaptados (SAARI et al.0 90. Biótipos de Amaranthus retroflexus L.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 2 .999 99. Módulo 3. A menor capacidade competitiva. 1979) e Chenopodium album (PARKS et al. biótipos com maior adaptação ecológica apresentam. em média. 1995).9 99. HOLT.000. a aplicação do mesmo herbicida. 1996). Por outro lado. altura e produção de sementes.0 50.0 80.5 .000 10. RADOSEVICH.000 100. A intensidade dessa pressão de seleção sobre uma população de plantas daninhas. pois no campo existe o banco de sementes. 1988).99 99. (CONARD. sensíveis às triazinas.

com o mesmo mecanismo de ação. 206 Módulo 3. podendo ser bastante curtos. Aplicações repetidas de herbicidas. Na Austrália. MORTIMER. A resistência está ligada a fatores genéticos e é hereditária (KISSMANN.Aumento da freqüência do biótipo resistente devido a aplicações repetidas e anuais do mesmo herbicida A maior questão ecológica associada com a evolução da resistência aos herbicidas envolve o entendimento das relações entre adaptação.5 . e a seleção natural favorecem o surgimento e a evolução da resistência. 1990). como no caso do glyphosate. PAWLES. Foram identificados biótipos de plantas daninhas resistentes a sulfoniluréias após quatro a cinco anos de uso contínuo de herbicidas deste grupo (MALLORY-SMITH et al. inibidor da EPSPs (Quadro 3).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 1 . capazes de serem transmitidas hereditariamente. A ocorrência de variações genéticas. foram selecionados biótipos de Lolium rigidum resistentes ao diclofop-methyl em três gerações. 1993). 1996). partindo de uma população sensível e usando-se dose normal do herbicida. provocando uma seleção direcional e progressiva de indivíduos que possuem genes de resistência.. 1994). freqüência gênica. O tempo e a proporção de plantas resistentes em um local variam com a freqüência de uso do herbicida e dos seus efeitos biológicos. As plantas que expressam o gene de resistência são selecionadas. como três anos após a introdução comercial (TARDIF. tornando-se predominantes rapidamente na área. herança e fluxo gênico (MAXWELL. ou levar muitos anos.Herbicidas: resistência de plantas . em uma população de plantas exerce alta pressão de seleção.

Contudo. A freqüência do(s) alelo(s) da resistência na população sensível geralmente está entre 1 em 1016 e 1 em 106 (MORTIMER. pois. o surgimento de plantas resistentes.5 . como é o caso de plantas resistentes a triazinas. Herança citoplasmática é aquela em que os caracteres hereditários são transmitidos via citoplasma. quando dois alelos estão envolvidos. conseqüentemente. características como herança do tipo Módulo 3. herbicidas com essas características exercem alta pressão de seleção e. significa que somente um gene é responsável pela resistência (monogênica) e a evolução será rápida. 1998). Por outro lado. Desse modo. e quanto maior for a freqüência destes alelos. O tipo de herança do(s) alelo(s) da resistência é ponto crucial no estabelecimento da resistência em uma população de plantas. ou seja. Há seis fatores relacionados à população de plantas que interagem e determinam a probabilidade e o tempo de evolução da resistência. alta eficiência e baixa toxicidade para o homem e o ambiente. a transmissão será via cromossômica e. o modo de herança do(s) alelo(s) da resistência (citoplasmática ou nuclear). maior será a probabilidade de seleção de um biótipo resistente. as características reprodutivas da espécie. assim. se a herança for nuclear. São eles: o número de alelos envolvidos na expressão da resistência.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 3 – Tempo de evolução da resistência para diferentes mecanismos de ação Herbicida 2. dessa forma. Há dois tipos de herança: a citoplasmática (materna) e a nuclear. assim.4-D Triazinas Propanil Paraquat Inibidores da EPSPs Inibidores da ACCase Inibidores da ALS Fonte: Weed Science (1998) Introdução 1948 1959 1962 1966 1974 1977 1982 Resistência 1957 1970 1991 1980 1996 1982 1984 Local EUA e Canadá EUA EUA Japão Austrália Austrália Austrália A indústria sempre buscou moléculas herbicidas com alto grau de segurança. mais genes podem estar envolvidos (poligênica) e mais lenta será a evolução da resistência. somente a planta-mãe poderá transmitir a resistência para os filhos. As características poligênicas dependem da associação dos genes corretos. que agem em pontos únicos nas rotas metabólicas das plantas. e a taxa de cruzamentos entre biótipos resistentes e sensíveis (MORTIMER. Um gene é formado por um par de alelos. uma vez que uma alteração no seu ponto de ação (enzima) pode provocar a perda de sua atividade sobre as plantas e. Por sua vez.Herbicidas: resistência de plantas 207 . O objetivo foi atingido e surgiram os herbicidas modernos (inibidores de ALS e ACCase). a freqüência do(s) alelo(s) da resistência na população inicialmente sensível. quanto maior. O número de alelos que conferem a resistência é importante. 1998). tanto o pai como a mãe podem transmitir a resistência. altamente eficientes e específicos. a pressão de seleção. como é o caso de plantas resistentes aos inibidores de ALS. possuem grandes possibilidades de selecionar biótipos resistentes.

e seleção destes dentro de uma população com alta tolerância.Fatores que favorecem o surgimento da resistência 5. O uso repetido de um mesmo herbicida ou de herbicidas com mesmo 208 Módulo 3. 1994). provocando variações sazonais que podem ser observadas nas espécies.1 . já a contribuição do movimento de sementes é relativamente pequena (SAARI et al.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas nuclear disseminam-se. A duração da seleção é medida pelo tempo no qual o herbicida permanece com residual. controlando as plantas sensíveis em diversos fluxos germinativos. favorecimento de um indivíduo em relação a outros. As características reprodutivas. 5 . que será proporcional à dose e.Pressão de seleção Os fatores intensidade de seleção e sua duração contribuem para a pressão de seleção exercida pelos herbicidas. favorecendo o desenvolvimento da população resistente. gerando novos indivíduos com maior grau de resistência.5 . o processo da evolução da resistência a herbicidas passa por três estádios: eliminação dos biótipos altamente sensíveis. 1994). A alta pressão de seleção. 1998). A taxa de cruzamento entre os biótipos resistentes e sensíveis determina a dispersão dos alelos de resistência na população. O uso de herbicidas altamente eficientes e com residual longo exerce alta pressão de seleção. influenciam diretamente a dispersão das plantas resistentes. Já os herbicidas com residual longo agem durante tempo maior. via pólen. que serão selecionados futuramente devido segregação e recombinação de genes (MORTIMER. O fluxo gênico apresenta correlação com o fluxo de distribuição de pólen e varia com a espécie. 1998). de acordo com sua fenologia e seu crescimento (MORTIMER.. exceto os resistentes.Herbicidas: resistência de plantas . ou. A intensidade e a duração da seleção interagem. restando apenas os mais tolerantes e resistentes. permite a dispersão da resistência principalmente em plantas com alta taxa de fecundação cruzada. A dispersão da resistência via pólen é influenciada pela eficiência de dispersão e longevidade do pólen (MULUGETA et al. 1995). Resumidamente. ao tempo. O intercâmbio de pólen.. eliminação de todos os biótipos. como dispersão de pólen e número de propágulos produ¬zidos. imposta sobre uma população sensível proporciona espaço para o crescimento e desenvolvimento dos biótipos resistentes. A intensidade de seleção é a resposta da população de plantas às repetidas aplicações de herbicidas. que é medida pela eficiência de controle das plantas daninhasalvo e pela relativa redução da produção de sementes das plantas remanescentes. e intercruzamento entre os biótipos sobreviventes. o mecanismo de polinização e as condições climáticas durante a floração (STALLINGS et al. A alta eficiência dos herbicidas provoca a eliminação rápida dos biótipos sensíveis. com maior rapidez no ambiente do que as do tipo citoplasmática (materna). entre plantas resistentes e sensíveis..

altamente específicos e com longo residual. A seleção altera as proporções entre as plantas sensíveis e resistentes. Geneticamente. calibração. 1998). 1998a). Toda população natural de plantas daninhas contém biótipos resistentes a herbicidas. adjuvantes. há dois caminhos para o aparecimento de plantas resistentes: a ocorrência de um gene ou de genes que conferem a resistência em freqüência muito baixa na população ou através de uma mutação (MORTIMER. 1969).Herbicidas: resistência de plantas 209 . deve-se responder às seguintes perguntas: a) Produto. O(s) gene(s) que conferem a resistência a um determinado herbicida pode(m) estar presente(s) em uma população antes mesmo que este herbicida seja lançado no mercado. inicialmente. O controle insatisfatório de plantas daninhas não significa necessariamente que seja resistência. tipo de bicos e condições ambientais foram adequados? b) As falhas de controle foram para uma espécie apenas? c) As plantas não são resultado de reinfestação? Módulo 3.2 . época ou estádio de aplicação. é resultado da relação entre a freqüência da mutação e o tamanho da população. 6 . contribuem grandemente para o surgimento de plantas resistentes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas mecanismo de ação. grande produção de polén e propágulos. aliadas ao monocultivo e ao uso repetido do controle químico. baixa dormência das sementes. que se apresentam indiferentes à aplicação de algum herbicida (HRAC. A possibilidade de ocorrer resistência em uma população. produz alta pressão de seleção e aumenta a possibilidade de seleção de biótipos resistentes. Características das plantas daninhas como alta diversidade genética.Diagnóstico da resistência a campo A resistência é um fenômeno que evolui em uma lavoura durante vários anos. devido à mutação. torna inevitável o surgimento de plantas resistentes. volume de calda.5 . quando se suspeitar da ocorrência de resistência. Segundo HRAC (1998a). dosagem. O gene ou os cromossomos mutantes são a fonte essencial de toda a variação genética (BREWBAKER.Variabilidade genética A variabilidade genética das plantas daninhas. 5. associada à adequada intensidade e duração de seleção.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Se as respostas a estas perguntas forem afirmativas. 1994). As diferenças entre biótipos resistentes e sensíveis de uma espécie podem ser quantitativamente expressas comparando-se as doses de herbicidas necessárias para reduzir 50% da população (DL50). indica que o possível mecanismo de resistência está relacionado com o local de ação. Para servir como padrão sensível. 7 .000 sementes. Os resultados podem indicar se a resistência é devido à alteração no local de ação ou à metabolização da molécula. Para se ter certeza de que as plantas colhidas representam a população. dose recomendada.Como confirmar a resistência O método mais comum e recomendado pelo HRAC (1998b) é colher sementes das plantas suspeitas de resistência e de plantas sensíveis. indica que o provável mecanismo envolvido é metabolismo da molécula. As condições de aplicação devem seguir aquelas recomendadas pela empresa fabricante. Ponchio (1997) isolou a enzima ALS e avaliou a sua resposta a diferentes doses de herbicidas que agem sobre ela.5 . Se a diferença de controle entre os biótipos resistentes e sensíveis for grande.Herbicidas: resistência de plantas . devem-se colher sementes de plantas em locais que nunca receberam aplicação daquele herbicida. MORTIMER. para identificar o mecanismo exato da resistência. 210 Módulo 3. As doses a serem aplicadas são: metade da recomendada. duas e quatro vezes a dose recomendada. deve-se iniciar a investigação dos fatores que levam à resistência. se a diferença de controle for pequena. avaliar o controle e a produção de matéria fresca. a) Ultimamente tem-se reptido aplicação de um mesmo herbicida ou herbicidas com mesmo mecanismo de ação? b) O herbicida em questão vem perdendo eficiência? c) Há casos de plantas resistentes a este herbicida? d) O herbicida não perdeu eficiência sobre outras espécies? Se a resposta a uma ou mais destas perguntas for afirmativa. Análises bioquímicas. das plantas tratadas com herbicida em comparação com as não-tratadas (MAXWELL. podem ser realizadas em nível de laboratório. Por outro lado. existe a possibilidade de ser resistência. semear em vasos e tratar com doses crescentes do herbicida em questão. Existem metodologias para estudo da maioria dos casos de resistência. da biomassa (GR50) ou da atividade da enzima (I50). devendo-se realizar testes para confirmação. Após duas e quatro semanas. deve-se colher em torno de 40 plantas ou 1. No Brasil.

já que a probabilidade de uma planta daninha tornar-se resistente aos dois mecanismos. pós-colheita). A adoção dessas práticas visa reduzir a pressão de seleção. d) Realizar rotação de mecanismo de ação. e) Limitar aplicações de um mesmo herbicida. a fim de minimizar o risco do surgimento de plantas resistentes (Quadro 4). os herbicidas que compõem a mistura devem controlar o mesmo espectro de plantas daninhas e ter persistência similar e diferente mecanismo de ação e de detoxificação. h) Rotacionar os métodos de controle de plantas daninhas. para reduzir o acréscimo de sementes ao banco. b) Realizar aplicações seqüenciais. c) Usar mistura de herbicidas com diferentes mecanismos de ação e de detoxificação.5 . f) Usar herbicidas com menor pressão de seleção (residual e eficiência). em primeiro lugar: a) Erradicar imediatamente as plantas remanescentes. l) Rotacionar o método de preparo do solo.Como evitar a resistência Antes que as falhas de controle apareçam na lavoura. g) Rotacionar o plantio de culturas. São elas: reduzir a pressão de seleção e controlar os indivíduos resistentes antes que eles possam se multiplicar. b) Colocar em prática o programa de manejo da resistência. Isso pode ser conseguido com adoção das seguintes práticas: a) Usar herbicidas com diferente mecanismo de ação. c) Evitar a disseminação. As práticas culturais visam aumentar o número de possibilidades de controle das plantas daninhas. j) Usar sementes certificadas. k) Controlar plantas em áreas adjacentes (terraços. através de diferentes métodos de controle e mecanismos herbicidas. juntamente com esta. Em caso de confirmação da resistência. i) Acompanhar mudanças na flora. A mistura de produtos com diferentes mecanismos de ação proporciona controle eficiente por maior número de anos do que ambos aplicados de forma isolada. 8 . deve-se. O acompanhamento e a avaliação da eficiência das medidas adotadas para combate à resistência são indispensáveis para garantir o sucesso da prática.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A empresa fabricante deve ser informada e. é pequena. devem-se realizar os testes e determinar medidas de manejo. algumas práticas podem ser implantadas.Herbicidas: resistência de plantas 211 . Para minimizar os riscos de resistência. simultaneamente. Módulo 3.

mas reduzirá o número de genes na população capazes de associarem-se (MORTIMER. a redução na pressão de seleção aumenta a probabilidade de associação desses genes em um biótipo. Desse modo. Essa tática somente será eficiente na redução da população dos biótipos resistentes em casos em que as diferenças de adaptabilidade entre os biótipos resistentes e sensíveis forem grandes (MORTIMER. A redução na pressão de seleção.Herbicidas: resistência de plantas . e com o passar do tempo a população de plantas resistentes será reduzida (MORTIMER. 1998). selecionar biótipos altamente resistentes. no caso de a resistência ser monogênica. neste caso. A taxa de cruzamento entre os biótipos resistentes é reduzida.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 4 – Risco de evolução da resistência. As características poligênicas dependem da associação dos genes corretos. essas medidas podem agravar o problema. O uso de altas doses pode intensificar a seleção. se a resistência for uma característica poligênica. 1998). resistentes às triazinas. de acordo com as práticas de cultivo Opção de manejo Mecanismo herbicida usado Mistura de herbicidas Método de controle Rotação de cultura Infestação Controle nos últimos três anos Fonte: Adaptado de HRAC (1998d) Baixo Mais que dois Mais que dois mecanismos Cultural. 1998). e os biótipos mais adaptados tendem a dominar o ambiente. 212 Módulo 3. Por outro lado. mecânico e químico Completa Baixa Bom Risco de resistência Médio Dois mecanismos Dois mecanismos Cultural e químico Limitada Média Declinando Alto Um mecanismo Um mecanismo Químico Nenhuma Alta Ruim 9 . 1998).5 .Manejo da resistência a herbicidas As estratégias de manejo vêm sendo discutidas continuamente por cientistas da área. as plantas que não são controladas com uso de herbicidas alternativos podem contribuir para a disseminação e o aumento da freqüência gênica dos alelos sensíveis. A baixa pressão de seleção poderá. rotação de culturas e métodos de controle e usando-se herbicidas com diferentes mecanismos de ação. A seleção reversa ocorre na ausência da seleção herbicida. O comportamento de uma população de plantas pode ser altamente modificado. favorecendo os alelos sensíveis (MORTIMER. uso de misturas de herbicidas. são menos competitivos do que biótipos sensíveis. As várias opções que vêm sendo sugeridas estão baseadas em somente dois processos biológicos: alteração da pressão de seleção e. ou. assim. pode ser conseguida com redução na dose do herbicida que selecionou as plantas resistentes. Biótipos de Senecio vulgaris. seleção reversa.

Os biótipos resistentes assumem importância.Características da resistência por grupos herbicidas 10. de constituir um grupo permanente de cientistas para estudar o assunto e propor soluções.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Considerando que a resistência é um problema que pode afetar intensamente o mercado de herbicidas.1 . que visam prolongar a vida útil das moléculas envolvidas na resistência. e Matricaria perforata. foram identificados biótipos de Commelina diffusa. Considerando o tempo e o uso extensivo destes herbicidas. por serem os três grupos de produtos com maiores problemas (KISSMANN. devido ao largo uso destes herbicidas para controlar grande número de espécies e ao restrito número de herbicidas com potencial para substituí-los (HEAP. Este grupo chama-se HRAC (Herbicide Resistance Action Committee) e é formado por três subgrupos que estudam triazinas. manejo e monitoramento dos casos de resistência. as indústrias tomaram a iniciativa. nos Estados Unidos. quando biótipos resistentes de Convolvulus arvensis foram identificados nos Estados Unidos (WEED SCIENCE. 1998) O uso extensivo de 2. selecionou biótipos resistentes de Echinocloa crus-galli na Espanha. O conhecimento do modo de ação dos herbicidas é fundamental na adoção de técnicas de manejo. poucas plantas daninhas evoluíram resistência até hoje. 10 . financiando pesquisas e com iniciativas educativas que visam esclarecer aspectos sobre a resistência e o modo de ação de cada herbicida. Módulo 3. Em 1957.4-D. na Espanha. fortemente defendidas pelas empresas. considerado uma auxina e usado para controle de gramíneas em arroz. As empresas fabricantes de herbicidas.4-D e MCPA revolucionaram o controle de espécies daninhas de folha larga em cereais na década de 1940 e têm sido usadas largamente desde então. inibidores de ALS e inibidores de ACCase. no Canadá.4-D e MCPA em trigo selecionou Sinapis arvensis. O terceiro caso foi em 1964. resistentes ao 2. e de Daucus carota. na França. 1997). Papaver rhoeas. no Canadá. 1996). que incluem mistura de herbicidas.Herbicidas: resistência de plantas 213 .Auxinas As auxinas sintéticas 2. rotação de mecanismos de ação e adoção de práticas culturais específicas. O herbicida quinclorac. Os três primeiros casos de resistência identificados foram a esta classe herbicida. através do GCPF (Federação Global de Proteção de Plantas). responsáveis pelo HRAC. estão empenhadas em desenvolver técnicas e estratégias para identificação.5 .

20 são dicotiledôneas e sete são monocotiledôneas (HEAP. cada um. selecionaram 26 espécies resistentes. 1997). Os biótipos também apresentaram-se resistentes ao diclofop e sensíveis aos demais herbicidas graminicidas usados para seu controle. selecionaram. resistentes ao glyphosate. biótipos de Erigeron philadelphicus. Trabalhos realizados por Pratley et al.Derivados da glicina O herbicida glyphosate é o produto mais usado deste grupo. 1994). como o glyphosate. entre plantas resistentes e suscetíveis as enzimas são igualmente sensíveis ao glyphosate em ambas as populações. no Japão. Aplicações de paraquat e diquat selecionaram 25 e duas espécies resistentes. Dentre estas. e os herbicidas auxínicos e inibidores de ACCase. plantas de Conyza bonariensis resistentes ao paraquat (PRESTON. Segundo esses autores. 17 espécies resistentes. Os mecanismos que conferem resistência aos bipiridílios são redução na translocação e compartimentalização da molécula (PRESTON. foram identificadas. Depois disso. não encontraram nenhuma diferença em nível da expressão gênica no alvo do herbicida e na síntese de EPSPs. no Egito. que apresentam. limitado metabolismo pelas plantas e baixo poder residual. Após duas décadas de uso. em lavouras que usaram o produto para controlar plantas daninhas em pré-plantio. mais de um mecanismo de ação. na Austrália. foram identificados. 214 Módulo 3. Em 1996 foram identificados. de que o glyphosate apresenta baixo risco para selecionar biótipos resistentes. (2002) trabalhando com Lolium rigidum. os biótipos resistentes a este grupo herbicida não são considerados de grande importância (HEAP. em uma vasta área. respectivamente. Erigeron sumatrensis e Youngia japonica resistentes a estes herbicidas. Lorraine-Colwill et al.2 . em 1980. 1997). 1994).5 . pelo menos. Atualmente existem comprovados no mundo seis casos de resistência ao glyphosate. Devido à pequena área infestada e ao número de herbicidas alternativos. que apresentam baixo residual.Bipiridílios Os herbicidas bipiridílios são herbicidas não-seletivos aplicados em pós-emergência.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 10. é o longo tempo em que este vem sendo usado. dez vezes nos últimos 15 anos. O argumento mais convincente.Herbicidas: resistência de plantas . 1997). biótipos de Lolium rigidum. os herbicidas bipiridílios. Contudo. Por apresentar mais de um mecanismo de ação.3 . nãotranslocáveis (de contato) e com baixa persistência biológica no solo. é considerado um produto com baixa probabilidade de selecionar espécies resistentes. com surgimento de apenas uma espécie resistente (HEAP. (1997) demonstraram que os biótipos resistentes de Lolium rigidum foram dez vezes mais tolerantes ao glyphosate do que os biótipos sensíveis. 10.

Módulo 3. 1990. considera-se que aquelas que resistem aos herbicidas inibidores de ACCase tenham a maior importância econômica. Biótipos de Lolium rigidum apresentam resistência cruzada às dinitroanilinas. A identificação de biótipos resistentes ao glyphosate indica que a resistência a este produto deve ser prevenida. 1998). Nos Estados Unidos. 10. metabolismo e sensibilidade da EPSPS ao glyphosate. resistentes ao glyphosate. os cultivares de soja resistentes ao glyphosate. entre os biótipos resistentes e sensíveis. 10.5 . Biótipos de Festuca rubra. Desse modo.000 locais com Lolium rigidum resistente e. biótipos de Eleusine indica. Sorghum halepense e Amaranthus palmeri evoluíram resistência à trifluralin após 15 a 20 anos de uso em cereais e leguminosas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Esses trabalhos também demonstraram que não existem diferenças de absorção. somente cinco monocotiledôneas e uma dicotiledônea apresentam resistência a este grupo herbicida (HEAP. mais de 500 locais com Avena fatua (HEAP. translocação. Os herbicidas inibidores de ACCase são o primeiro grupo herbicida alternativo para controlar biótipos resistentes aos herbicidas do grupo dinitroanilina. para controle de gramíneas. oryzalin e pendimethalin. Entre as plantas resistentes. HOWAT. 1990). em razão da área infestada e do número restrito de mecanismos alternativos para controle dos biótipos resistentes (HEAP. devem ser usados com rotação de culturas e de herbicidas.Dinitroanilinas Os herbicidas do grupo dinitroanilinas. Essas moléculas agem sobre a enzima ACCase e controlam com eficiência gramíneas em culturas mono e dicotiledôneas.Inibidores de ACCase Este grupo herbicida foi introduzido na década de 1970. 1997). 1997). devem ser adotados. foram selecionados artificialmente (MORTIMER. 1998). no Canadá. devido ao metabolismo dessas moléculas (MOSS. são usados em pré-emergência para controlar plantas daninhas gramíneas em culturas oleaginosas. além do químico. Há 17 espécies monocotiledôneas resistentes aos inibidores da ACCase. como trifluralin.5 .Herbicidas: resistência de plantas 215 . acredita-se que estes mecanismos não são as causas principais da resistência dos biótipos a este herbicida. 1998). Estima-se que haja. mais de 3. A única diferença entre os biótipos foi o maior nível de RNAm encontrado nos biótipos resistentes. recentemente desenvolvidos. a maior quantidade de EPSPs sintetizada poderia ser a causa da resistência. Lolium rigidum e Avena fatua são as espécies com maior importância. na Austrália. em 16 países. POWLES.4 . O uso de misturas herbicidas e emprego de mais de um método de controle. em resposta ao tratamento com glyphosate. assim. e isso fez com que fossem selecionados biótipos de Setaria viridis com resistência múltipla a estes mecanismos (HEAP. Dessa forma. Apesar do tempo de uso e do seu longo período residual.

um relacionado com a ACCase e outro com a membrana plasmática. a resistência aos inibidores da ALS tem sido atribuída a mudanças na seqüência de aminoácidos.. resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase.. 1997). Aproxi¬madamente cinco anos após o início do uso dos herbicidas inibidores de ALS. apresentam maior nível de resistência aos herbicidas do primeiro grupo do que aos do segundo. 4) a resistência aos herbicidas inibidores da ALS é determinada geneticamente por lócus simples e semidominante e alta freqüência inicial em todos os casos de resistência estudados até o momento. Os herbicidas classificados como inibidores de ALS tornaram-se uma ferramenta de grande importância para agricultura. 1997).5 .Inibidores de ALS A introdução no mercado dos herbicidas inibidores de ALS ocorreu em 1982. A manutenção do potencial é vital para a sobrevivência da célula. A despolarização das membranas é um segundo mecanismo de ação atribuído aos herbicidas deste grupo.esses herbicidas podem atingir níveis de controle próximos a 100%. O diferente nível de resistência pode ser resultado das diferentes mutações ocorridas no gene que codifica a enzima ACCase e do tipo de alelo do gene (POWLES. Os herbicidas inibidores da ALS apresentam alta freqüência de casos de resistência de plantas daninhas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Biótipos de Lolium rigidum. o que se deve a vários fatores. plantas resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase devem possuir mais de um mecanismo que proporcione a resistência. Nos últimos dez anos. 1994). Assim. 5) trabalhos têm mostrado que os biótipos resistentes apresentam a mesma adaptabilidade ecológica que os biótipos sucetíveis dos inibidores 216 Módulo 3. 1994). 1994). em razão da sua eficiência e do reduzido impacto ambiental (SAARI et al. PRESTON. como: 1) a amplitude de recomendações possíveis. 1994). 1994. a repolarização das membranas ocorre independentemente da presença da ACCase mutada e existem muitas diferenças entre as membranas dos biótipos resistente e sensível (HEAP.. com o lançamento da molécula chlorsulfuron para uso em cereais (SAARI et al. Atualmente. há 50 espécies de plantas daninhas resistentes a estes produtos. AHRENS. desde gramíneas até dicotiledôneas e plantas daninhas perenes como a tiririca e a grama-seda. bem como a seu grande espectro de controle de plantas daninhas.6 . Amaranthus strumarium e Sorghum bicolor (HEAP. Estes herbicidas são largamente usados devido a sua baixa toxicidade para animais. alta seletividade para as culturas e alta eficiência com emprego de doses baixas (HESS. 41 são dicotiledôneas e nove são monocotiledôneas. 1998). 2) alta eficácia da maioria dos herbicidas inibidores da ALS . Em biótipos de Lolium rigidum. Entre as espécies descritas estão Kochia scoparia. este grupo herbicida vem apresentando o maior número de registros de plantas resistentes. selecionados com uso de herbicidas dos grupos ariloxifenoxipro-pionato ou cicloexanodiona. em 14 países. que vai desde a cultura da soja até área de produção de arroz irrigado e florestas implantadas. Essas características contribuíram para o surgimento rápido da resistência. 10. Dentre estas. 3) muitos herbicidas inibidores da ALS apresentam residual prolongado no solo e conseqüentemente aumentam a pressão de seleção para biótipos resistentes. surgiu a primeira espécie resistente (SAARI et al.Herbicidas: resistência de plantas .

SAARI. dessa forma. já que. (1992) identificaram biótipos de Lolium rigidum resistentes ao herbicida chlorsulfuron. não está descartada a hipótese de que o metabolismo da molécula também esteja envolvido. Estima-se que a área infestada no mundo com plantas daninhas resistentes aos herbicidas triazinas seja superior a três milhões de hectares. entre elas a substituição.Herbicidas: resistência de plantas 217 . em dez países. em nove países. não foram encontrados biótipos resistentes que apresentem alteração na taxa de crescimento ou na capacidade competitiva. porém a atividade da ALS. outros aminoácidos da ALS podem ser substituídos e produzir plantas resistentes com características distintas. que conferem alterações funcionais na enzima ALS (POWLES. histidina. Esta mutação afeta o fluxo de elétrons no FSII. 1992). a resistência deste biótipo se deve à rápida metabolização do herbicida. serina ou treonina.Triazinas A maioria das plantas daninhas resistentes às triazinas foram localizadas em lavouras de milho na Europa e América do Norte. até o momento. As espécies mais freqüentes são Chenopodium album. Já um segundo biótipo apresentou resistência devido à insensibilidade da enzima ALS ao inibidor. assim. 1998). SAARI et al. 2004). Amaranthus retroflexus e Senecio vulgaris. PRESTON. Além da prolina.. Os diferentes níveis de resistência são atribuídos às diferenças na estrutura do centro de reação da D1 entre às espécies. como as triazinas e uréias substituídas. da prolina 173 por uma alanina. foi identificada somente uma mutação na proteína D1: a substituição da serina 264 por uma glicina.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas da ALS. e 6) a maioria dos casos de resistência aos inibidores da ALS estudados apresenta resistência cruzada aos diversos grupos químicos de herbicidas que tem este mecanismo de ação (VARGAS et al. Entre as plantas resistentes relatadas existem nove espécies de Amaranthus. Christopher et al. usando-se herbicidas alternativos (HEAP. A rápida inativação metabólica é a base para a resistência do biótipo SR4/84 de Lolium rigidum ao chlorsulfuron (COTTERMAN. e Solanum nigrum.7 ..5 . Essas mutações não alteram a função biológica da ALS. assim. Alterações na proteína D1 são as principais causas da ocorrência de plantas resistentes aos herbicidas que agem no fotossistema II. em um dos biótipos resistentes. 1989. A resistência a imidazolinonas e sulfoniluréias é conferida por um gene dominante nuclear (MAZUR. cinco de Polygonum e quatro de Chenopodium. 1994). em 16 países. A mutação na D1 provoca alto nível de resistência aos herbicidas do grupo triazinas. O metabolismo das moléculas herbicidas é outro mecanismo usado por plantas daninhas para resistir a estes herbicidas. FALCO. glutamina. A causa da resistência aos herbicidas inibidores de ALS está em mutações que ocorrem no DNA e no metabolismo da molécula herbicida. mas não a todos os herbicidas do grupo das uréias. 1997). contudo. O gene que codifica a enzima ALS nas espécies resistentes pode apresentar diferentes mutações. respondeu igualmente a um biótipo sensível ao herbicida. As plantas daninhas resistentes têm sido controladas com eficiência. até o momento. 10. no centro ativo A da ALS. biótipos resistentes apresentam menor crescimento do que biótipos normais Módulo 3.

4. em 1983. 1997). As diferenças relacionadas ao mecanismo de ação destes herbicidas podem ser a resposta para essa questão. com e sem rotação. mas sim via herança materna. Até o momento existem 64 espécies resistentes às triazinas e 17 resistentes aos auxínicos. 1998). por possuírem capacidade de metabolizar herbicidas com diferentes mecanismos de ação. A mutação responsável pela resistência às triazinas ocorreu no genoma do cloroplasto. em 1982. O herbicida propanil é usado para controlar Echinocloa colona e E. em muitos países. resistentes a chlorotoluron. A ocorrência destes biótipos resistentes inviabiliza o uso deste herbicida em lavouras da Colômbia. Isso demonstra que as triazinas apresentam maior risco de seleção de biótipos resistentes que as auxinas sintéticas (HEAP. com uso de herbicidas alternativos (HEAP. e na Alemanha. a resistência não é transmitida hereditariamente via pólen. 1997).5 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas (POWLES. ao tamanho da área e ao tempo em que este produto é usado na área.Herbicidas: resistência de plantas . Quadro 5 . que pertence ao grupo das amidas.Mecanismos de resistência de plantas daninhas a herbicidas pertencentes a diferentes grupos químicos Herbicida Triazinas Dinitroanilina Inibidores da ALS Inibidores da ACCase Propanil 2. As diferenças se devem à variabilidade genética das espécies envolvidas. apresentam sérios problemas de controle. 1998). mais de 40 espécies apresentam resistência a este grupo e duas ao propanil.Seleção de biótipos resistentes por diferentes mecanismos de ação herbicida Os herbicidas selecionam biótipos resistentes com diferentes mecanismos de resistência (Quadro 5) e em diferentes períodos de tempo (Quadro 3).Uréias/amidas A primeira espécie a apresentar resistência às uréias foi Alopecurus myosuroides no Reino Unido. dessa forma. da Costa Rica e dos Estados Unidos (HEAP. 11 . Os herbicidas triazinas e auxina sintéticas vêm sendo usados em milhões de hectares há mais de 30 anos. crusgalli em lavouras de arroz. Atualmente.8 . PRESTON. Biótipos de Alopecurus myosuroides. além da facilidade que as espécies possuem de evoluir resistência para o herbicida e do número de mecanismos envolvidos.D 218 Mecanismo Local de ação alterado/metabolismo Local de ação alterado Local de ação alterado Local de ação alterado Metabolismo Desconhecido Módulo 3. 10. Os biótipos de plantas daninhas resistentes às triazinas são controlados com eficiência.

Módulo 3. O glyphosate esta sendo usado intensivamente na agricultura há mais de 25 anos. até o presente momento. relatado oficialmente. 1999).. mostrou-se menos sensível a estes herbicidas e. que é um problema muito maior do que a resistência cruzada. lactofen. estes herbicidas apresentam alto potencial para selecionar plantas resistentes. dos biótipos resistentes. Conyza banariensis e Plantago lanceolata (WEED SCIENCE. aos herbicidas inibidores de ALS. A alta freqüência inicial de indivíduos resistentes na população. Até hoje foram constatados casos de resistência em 6 espécies de plantas daninhas. selecionaram biótipos resistentes devido ao seu emprego em vastas áreas (HEAP. Estes biótipos foram encontrados em lavouras dos estados do Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul e apresentam resistência cruzada aos herbicidas inibidores de ALS. (Quadro 6). Somente com o uso de todos os métodos de controle disponíveis conjuntamente. Eleusine indica. 12 . desse modo. apesar de serem considerados de baixo risco. a alta especificidade e eficiência e o longo período residual contribuem para a evolução rápida da resistência aos herbicidas que agem inibindo as enzimas ALS e ACCase. 2003).A resistência de plantas daninhas no Brasil Atualmente são reconhecidos 15 casos de plantas daninhas resistentes no Brasil. mas são sensíveis aos herbicidas alternativos sulfentrazone. O primeiro caso de resistência de plantas daninhas ao herbicida glyphosate foi registrado em 1996. Lolium multiflorum. Nos últimos dez anos foram identificadas mais espécies resistentes para os inibidores de ALS do que para qualquer outro mecanismo de ação. poderão ser evitados o surgimento de novos casos de resistência e o surgimento de plantas com resistência múltipla. O primeiro caso de resistência. A enzima ALS. 2006). constitui-se na mais provável causa da resistência (PONCHIO. a vasta área tratada. um número limitado de populações de plantas daninhas sofreu pressão de seleção suficiente para o aparecimento de biótipos resistentes (CHRISTOFOLETI. Conyza canadensis. 1997.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Os herbicidas dos grupos cloroacetamidas e inibidores da EPSPs (glyphosate). foi o da planta daninha Bidens pilosa L.5 . 1997). fomesafen e acifluorfen (PONCHIO. são elas: Lolium rigudum.Herbicidas: resistência de plantas 219 . LÓPEZ-OVEJERO. VARGAS et al. bentazon. Em razão de suas características. 1997).

até o momento. 220 Módulo 3. e Brachiaria plantaginea. referentes à resistência em Euphorbia heterophylla L. Os resultados deste trabalho indicam que a resistência é conferida por um gene dominante nuclear e que os biótipos apresentam resistência cruzada aos herbicidas inibidores de ALS. estão sendo realizados na Universidade Federal de Viçosa. Os biótipos resistentes sobreviveram ao tratamento com dose 16 vezes maior que a dose de campo (de rótulo). Estudos relacionados à capacidade competitiva e ao comportamento das sementes no solo não indicam. resistentes aos herbicidas inibidores de ALS. crusgalli Echinochloa crus-pavonis Eleusineiíndica Euphorbia heterophylla Euphorbia heterophylla Sagitaria montevidensis Fimbristylis miliacea Lolium multifolium Parthenium hysterophorus Raphanus sativus Fonte: Wees Science (2006) Nome comum Picão-preto Picão-preto Capim-marmelada Junquinho Capim-arroz Capim-colchão Capim.. O uso repetido destes herbicidas pode ser a principal causa da seleção dos biótipos resistentes.arroz Capim.arroz Capim-pé-de-galinha Leiteiro Leiteiro Flecha Cuminho Azevém Losna-branca Nabiça Mecanismo de ação ao qual adquiriu resistência Inibidores da ALS Inibidores da ALS Inibidores da ACCase Inibidores da ALS Auxina sintética Inibidores da ACCase Auxina sintética Auxina sintética Inibidores da ALS Inibidores da ALS Inibidores da ALS e PPO Inibidores da ALS Inibidores da ALS Inibidores da EPSPs Inibidores da ALS Inibidores da ALS Biótipos de Euphorbia heterophylla. onde estes produtos são empregados há mais de cinco anos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 6 .Espécies de plantas daninhas resistentes a herbicidas ocorrentes no Brasil e seu provável mecanismo Biótipos resistentes Bidens pilosa Bidens subalternans Brachiaria plantaginea Cyperus difformis Echinochloa colonum Digitaria ciliaris Echinochloa crusgalli var. foram identificados em lavouras de soja nos estados do Rio Grande do Sul e Paraná. Não houve diferenças entre os biótipos resistentes e sensíveis relacionadas à taxa de germinação e à profundidade de germinação e emergência.Herbicidas: resistência de plantas . diferenças entre os biótipos resistentes e sensíveis. resistentes aos herbicidas inibidores de ACCase. porém são sensíveis a herbicidas com outros mecanismos de ação. Estudos relacionados a inibidores da ALS em condições de laboratório e de campo.5 .

Originária do sul da Europa. trabalhando com biótipos sucetíveis e resistentes de azevém (Lolium multiflorum).Herbicidas: resistência de plantas 221 . as enzimas foram igualmente sensíveis ao glyphosate em ambas às populações. glaba. foram identificados biótipos de azevém (Lolium multiflorum) resistentes ao glyphosate em lavouras de culturas anuais e em pomares (ROMAN et al.440 g ha-1 de glyphosate e. morfologicamente muito variável. Nesse mesmo trabalho.. Nas plantas resistentes e suscetíveis. ereta. aproximadamente. Este biótipo resistente foi identificado em pomares no Chile. Lorraine-Colwill et al. (2002) não encontraram nenhuma diferença em nível da expressão gênica no alvo do herbicida e na síntese de EPSPs. 2000). O primeiro caso de Lolium multiflorum resistente ao glyphosate foi relatado por Perez e Kogan (2002).520 g ha-1. Em todos esses casos a aplicação repetida e continuada de glyphosate para controle da vegetação é considerada a principal causa da seleção dos biótipos resistentes. 2004). A diferença marcante entre populações resistentes e suscetíveis foi encontrada no translocação do glyphosate. a dose de 360 g ha-1 foi suficiente para controlar o biótipo sensível. No Brasil. Depois do tratamento com glyphosate os autores observaram acumulação do produto nas raízes de plantas suscetíveis e nas pontas das folhas de plantas resistentes (Quadro 7). que vinham recebendo. Módulo 3.Resistência do azevém (lolium multiflorum) ao glyphosate Lolium multiflorum é uma espécie anual ou bianual.5 . Vargas et al. As plantas resistentes e suscetíveis foram igualmente capazes de absorver o herbicida aplicado. de 30 a 90 cm de altura. Com relação ao Lolium rigidum. (2004). em média. herbácea.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 13 . observaram que aproximadamente 80% das plantas avaliadas resistiram a dose de até 1. três aplicações de glyphosate por ciclo durante os últimos 8 a 10 anos. o mecanismo que confere resistência ao glyphosate ainda não foi determinado com clareza. densamente perfilhada. propaga-se apenas por sementes (LORENZI. 20% a doses de até 11.

LA: local da aplicação. é muito pouco provável que os maiores níveis de expressão da EPSPs dos indivíduos resistentes expliquem completamente a maior tolerância ao produto.9 ± 4.5 43.6 ± 6.3 ± 7. a hipótese de alteração da EPSPS no sítio de ação é descartada.8 42. Os resultados do trabalho indicados no Quadro 8 mostram que a atividade da EPSPS das plantas resistentes é similar à atividade das plantas suscetíveis. dessa forma. sugerindo que o mecanismo de resistência não esta completamente baseado no sítio de ação. intermediário . Quadro 8 – Inibição da EPSPS em teste in vitro População Suscetível Intermediário Resistente Altamente resistente Fonte: BAERSON et al.4 ± 8. Segundo Kogan e Pérez (2003). Os valores mostrados são a médias de 10-15 plantas dos biótipos resistente e suscetível.0 38.Translocação foliar do 14glyphosate aplicado em plantas resistentes e suscetíveis. (2002) % de inibição por glyphosate 0 hora após a aplicação 48 horas após a aplicação 42. Baerson et al.4 44.6 ± 2. rigidum após o pré-tratamento com glyphosate isopropilamina (450 g ha-1) Horas 2 4 8 24 48 Biótipos S R S R S R S R S R Acima do LA 30 ± 2 28 ± 4 40 ± 3 42 ± 4 36 ± 5 48 ± 5 19 ± 3 42 ± 5 15 ± 2 50 ± 1 C (% total absorvido) LA Abaixo do LA 13 ± 1 55 ± 2 11 ± 1 58 ± 5 11 ± 1 44 ± 3 10 ± 1 44 ± 4 11 ± 2 45 ± 3 10 ± 2 37 ± 3 08 ± 1 53 ± 3 10 ± 1 43 ± 4 10 ± 2 55 ± 3 11 ± 1 33 ± 3 14 Raízes 02 ± 0 02 ± 0 05 ± 1 04 ± 0 08 ± 1 05 ± 1 20 ± 2 05 ± 1 20 ± 4 06 ± 1 Lorraine-Colwill et al. com erros-padrão.3 ± 3. resistente e altamente resistente.9 36.5 ± 2.0 42. Os autores isolaram a enzima EPSPS e realizaram testes in vitro de sua atividade na presença de glyphosate em todas as populações. (2002).Herbicidas: resistência de plantas .5 44.2 ± 2.5 . em biótipos de L. (2002) observaram inicialmente que numa população de Lolium rigudum existiam plantas com diferentes níveis de resistência ao glyphosate e assim classificaram estes biótipos como suscetível.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 7 .8 Esses autores observaram superprodução da EPSPS induzida pela aplicação do glyphosate e também expressivo aumento no nível de EPSPS nas plantas resistentes e altamente resistentes. 222 Módulo 3.

Herbicidas: resistência de plantas 223 . Todavia. 3 B e C. Tanto o biótipo resistente quanto o intermediário apresentaram elevados níveis de intoxicação (80%) aos 14 dias após a aplicação dos tratamentos (Fig. em ambos os biótipos (resistente e com resistência intermediária) de L. intermediário e resistente ao herbicida glyphosate). multiflorum observou-se redução na produção de massa seca da parte aérea.200 g ha-1 de glyphosate não controlaram os biótipos resistentes e de resistência intermediária. Módulo 3. 4). (2006a) Em recente trabalho realizado por Ferreira et al. 3A).5 . A dose de 200 g ha-1 foi suficiente para controlar 100% das plantas sensíveis (Fig.Evolução da intoxicação provocada por glyphosate sobre biótipos sensível (A). Essa queda de produção foi mais severa no biótipo intermediário do que no resistente (Fig. resistente (B) e de resistência intermediária (C) de Lolium multiflorum Fonte: Ferreira et al. (2006a) com três biótipos de Lolium multiflorum (biótipos sensível.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 2 . observou-se que doses de até 3.

5 . 5).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 3 . 2A). multiflorum pode estar ligado a translocação diferencial deste herbicida pelos diferentes biótipos.Herbicidas: resistência de plantas . (2006a) Figura 4 . Ferreira et al. Esses resultados se assemelham aos encontrados por Lorraine-Colwill et al. que constataram maior acúmulo do produto marcado nas raízes do biótipo resistente. (2006) verificaram que tanto o suscetível quanto o resistente absorveram o glyphosate na mesma intensidade (Fig.Biótipos resistente (R) e sensível (S) de L multiflorum cinco dias após tratamento com 800 g ha-1 de glyphosate (FERREIRA et al. 2006a) O possível caso da resistência de L.. O biótipo R apresentou maior acúmulo de 14glyphosate na folha aplicada às 64 horas enquanto no suscetível observaram maior acúmulo desse herbicida nas raízes (Fig. Todavia observaram diferença marcante na translocação do 14glyphosate entre os biótipos resistente (R) e sensível (S). (2002) em Lolium rigudum.Porcentagem de produção de massa seca dos biótipos resistente e intermediário tratados com glyphosate em relação à testemunha Fonte: Ferreira et al. 224 Módulo 3.

nas raízes de biótipos de L. No mundo. (2006b) 14 .Culturas transgênicas e plantas daninhas resistentes a herbicidas 14.5 .1 .4 milhões de hectares de sementes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 5 – Concentrações de glyphosate avaliadas em diferentes tempos após aplicação. Depois disso. com uma área plantada de 9. multiflorum resistente (R) e sensível (S) Fonte: Ferreira et al.Herbicidas: resistência de plantas 225 . a área de produção de transgênicos passou de 81 milhões de hectares em 2004 para 90 milhões. perdendo apenas para Argentina e Estados Unidos (Quadro 9). (B) . O Brasil é hoje o terceiro produtor de transgênicos.Culturas transgênicas Cultivares de soja e de outras culturas foram lançados recentemente no mercado.na folha onde foi aplicado. 2005). Módulo 3. correspondendo a um aumento de 11% em 2005 no total de 21 países onde o plantio de transgênicos é permitido (JAMES. (C) – na parte aérea e (D) . milhares de hectares cultivados com culturas transgênicas já foram incorporados no processo produtivo. (A) – na água de lavagem.

canola e mamão Soja.Superfície global de cultivos transgênicos em 2005 (em milhões de hectares) Ordem 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 Fonte: James (2005) País EUA Argentina Brasil Canadá China Paraguai Índia África do Sul Uruguai Austrália México Romênia Filipinas Espanha Colômbia Irã Honduras Portugal Alemanha França Rep. milho e algodão Soja Soja.1 0.0 milhões de hectares. Austrália. milho e algodão Soja e milho Algodão Soja e algodão Soja Milho Milho Algodão Arroz Milho Milho Milho Milho Milho Em 2005.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Quadro 9 . Canadá. Argentina. em ordem decrescente de área cultivada.1 < 0.1 0. cultivado em 4. África do Sul e México. em ordem decrescente de área cultivada.3 milhões de hectares (5%) em quatro países: EUA. milho. Paraguai. canola tolerante a herbicida. Checa Superfície (milhões de ha-1) 49. Ela ocupa 48. O algodão Bt foi plantado em oito países.1 9.8 milhões de hectares (4%) em dois países: EUA e 226 Módulo 3.8 3. comercialmente disponível em nove países em 2005 (Quadro 9) que. Brasil. Outras cinco culturas listadas no Quadro 10 ocuparam entre 2% e 5% da área mundial cultivada com plantas derivadas da biotecnologia e incluem.1 < 0.3 0. Romênia. representando 60% da área mundial destinada às plantas geneticamente modificadas em 90 milhões de hectares.1 0.4 milhões de hectares. A terceira cultura geneticamente modificada mais cultivada foi o algodão Bt. cultivado em 3. com crescimento de 22% no ano de 2003.1 < 0. ocupou um total de 15.1 < 0. Índia. milho e canola Algodão Soja Algodão Soja.8 1.8 17. 11 são países em desenvolvimento e 10 industrializados (Fig.5 milhões de hectares. milho Bt tolerante a herbicida.1 < 0.1 < 0. África do Sul e Argentina. Canadá. México.4 5.3 milhões de hectares (5%) em dois países: Canadá e EUA. equivalente a 6% da área mundial com lavouras geneticamente modificadas. sexta colocação em 2003. foram: China. África do Sul e Colômbia. Importante destacar que o milho Bt. Uruguai. 2). são: EUA.5 .3 0. e que ocupou 4.5 0. Argentina. que.1 < 0. cultivado em 4.Herbicidas: resistência de plantas . algodão.3 1.1 Culturas transgênicas Soja. em ordem decrescente de área: milho tolerante a herbicida. EUA. dos 21 países produtores de transgênicos.3 milhões de hectares.3 0. A soja tolerante a herbicida é atualmente a cultura geneticamente modificada dominante. quando foram cultivados 12.

e algodão tolerante a herbicida cultivado em 1. 2005).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Canadá. Quadro 10 – Princiapais lavouras geneticamente modificada em 2005 Culturas Soja tolerante a herbicida Milho Bt Algodão Bt Milho tolerante a herbicida Canola tolerante a herbicida Milho Bt/tolerante a herbicida Algodão Bt/tolerante a herbicida Algodão tolerante a herbicida Fonte: James (2005) % em relação ao total de áreas cultivadas 60 14 06 05 05 04 04 02 Módulo 3. algodão Bt e tolerante a herbicida cultivado em 3 milhões de hectares (4%) em três países: EUA. Austrália e África do Sul (JAMES.5 . de 1996 a 2005 O Quadro 10 mostra. os países produtores de culturas trangênicas em 2005.5 milhão de hectares (2%) em 3 países: EUA.Herbicidas: resistência de plantas 227 . em milhões de hectares. em ordem crescente por área. Figura 2 – Evolução da área de cultivo de transgênicos no mundo. Austrália e México.

denominadas de transgênicas. 2001). oferece maior precisão do que os cruzamentos.) e plantas. a transgenia.1 90. Além disso. uma vez que permite a inserção de genes cujas características são conhecidas com antecedência.Herbicidas: resistência de plantas . a área cultivada com lavouras transgênicas cresceu mais de 47 vezes (JAMES. hoje conhecida como tecnologia do DNA recombinante ou engenharia genética (VALOIS.7 67. permitiram a manipulação do material genético. A biotecnologia agrícola utiliza a transgenia como uma ferramenta de pesquisa agrícola caracterizada pela transferência de genes de interesse agronômico (e. como ocorre no melhoramento genético clássico (no cruzamento ocorre a "mistura" de metade da carga genética de cada variedade parental). com segurança (MONSANTO.0 A transgenia permite um melhoramento "pontual" através da inserção de um ou poucos genes e da conseqüente expressão de uma ou poucas características desejáveis (MONSANTO. surgiram as plantas que carregam em seu genoma a adição de DNA oriundo de uma fonte diferente de germoplasma paternal. 2005). por meio de desenvolvimento de métodos refinados com o uso de técnicas de biologia molecular. Assim. de características desejadas) entre um organismo doador (que pode ser uma planta.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas A descoberta das leis da hereditariedade. bem como da natureza química do material genético. como ferramenta da biotecnologia agrícola. O Quadro 11 mostra a evolução do cultivo de plantas geneticamente modificada e tolerante a herbicidas durante o o período de 1996 a 2005.7 11. No melhoramento tradicional.7 81. Já a transgenia é uma evolução desse processo. conseqüentemente.2 52. Quadro 11 –Área total de lavouras geneticamente modificadas no mundo entre os anos de 1996 e 2005 Ano 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 Fonte: James (2005) Hectares (em milhões) 1. e a decifração do código genético foram condições primordiais para o surgimento da biotecnologia moderna. 228 Módulo 3. sem que sejam introduzidos outros genes. cruzam-se as espécies sexualmente compatíveis e ocorre a combinação simultânea de vários genes. Nessse período. um fungo. 2005).0 27. etc. com o objetivo de acelerá-lo e de ampliar a variedade de genes que podem ser introduzidos nas plantas. que.8 39.6 59.5 . 2005). uma bactéria.9 42.

as plantas daninhas apresentam composição e dinâmica de um país tropical. benghalensis.5 . 2005). C. 2005). dessa forma. Os produtos e as combinações de produtos utilizados na soja convencional serão substituídos pelo glyphosate. em que a maioria da área cultivada empregará a mesma molécula herbicida.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 15 . porém com o decorrer dos anos existirá uma grande possibilidade de surgir problemas como a seleção das espécies consideradas tolerantes ou mesmo espécies resistentes (GAZZIERO. Esse fato poderá levar a uma situação extrema.Herbicidas: resistência de plantas 229 . tendo em vista que vários produtos ou combinações de produtos utilizados atualmente serão substituídos por um único ingrediente ativo. No início serão observados apenas os benefícios da nova tecnologia. é uma espécie que se adapta com facilidade a diferentes ambientes e apresenta intensa resposta à calagem e adubação do solo. O risco do surgimento de casos de plantas daninhas resistentes é maior para aqueles herbicidas que já apresentam biótipos resistentes.Plantas daninhas resistentes em culturas transgênicas Os métodos de controle das plantas daninhas não sofrerão alteração. essas plantas apresentam grande potencial de se tornarem um sério problema de controle. como é o caso dos herbicidas para os quais estão sendo desenvolvidas culturas resistentes. Espécies como Commelina benghalensis. Dessa forma. o glyphosate (GAZZIERO. o que significa alta pressão de seleção. por exemplo. sendo hospedeira de pragas e moléstias. Muitos produrores de soja transgênica no Rio Grande do Sul preferem controlar as plantas daninhas com aplicação de pós-emergência feita na cultura. espera-se a ocorrência de profundas mudanças nos sistemas de controle. se o manejo das plantas daninhas não for adequadamente utilizado na soja transgênica. Em 2005 a soja transgênica foi oficialmente liberada para plantio no país. será utilizado um único ingrediente ativo.. e outras consideradas tolerantes apresentam a possibilidade de disseminação e conseqüente aumento de infestação nas áreas cultivadas com soja transgênica. 2000). somente haverá. em alguns casos. a substituição das moléculas herbicidas que vinham sendo usadas por outra. que é um requisito para a seleção de plantas resistentes. No Brasil. subterrâneas e multiplica-se também a partir do enraizamento de porções do caule (ROCHA 1999. ROCHA et al. A dinâmica e o estabelecimento das plantas daninhas nos levam a antever uma provável mudança na composição das plantas infestantes. em que fatores como a intensidade e a rapidez da mudança na composição de uma comunidade são acentuados e inevitavelmente influenciados pelas práticas agrícolas e pela ação humana. Borreria latifolia e Tridax procumbens são plantas consideradas tolerantes ao glyphosate. Espécies altamente sensíveis a esse produto serão eliminadas. É uma planta perene que se reproduz por sementes aéreas. deixando de fazer o controle das plantas Módulo 3.

da variabilidade genética da espécie daninha. estarão sujeitos à seleção de plantas daninhas resistentes.Comentários finais A resistência de plantas daninhas a herbicidas é um fato consumado no Brasil. Contudo. Na maioria dos casos. em condições semelhantes. 2003). tolerantes e sensíveis em áreas afetadas e para eleger métodos de manejo e controle das plantas tolerantes e resistentes que permitam impedir a multiplicação e a disseminação desse(s) gene(s) para outras populações. em outras espécies. poucos cientistas estão se dedicando a essa área no Brasil. Desse modo. do número de genes envolvidos. Estudos aprofundados sobre essa questão devem ser realizados com urgência no país. do fluxo gênico e da dispersão de propágulos. do padrão de herança. devem ser adotadas as práticas de manejo adequadas. agricultores que empregarem extensivamente. Sabe-se que sua evolução em uma área é dependente da pressão de seleção. sobre os quais tem sido aplicada doses de 16 L ha-1 do produto comercial sem sucesso. Para que isso seja evitado.5 . observou em pomares de maça tratados com glyphosate a seleção de Richardia brasiliensis.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas que germinam antes da semeadura da soja. 230 Módulo 3. ao se realizar a aplicação. com mesmo mecanismo de ação. que poucas vezes podem ser generalizados para as nossas condições. como: uso de misturas de herbicidas com diferentes mecanismos de ação e rotação destes mecanismos. 16 . Commelina benghalensis. levando a um considerável aumento nos custos de produção. Vargas (2004). e as informações de que se dispõe são relacionadas a casos de outros países. além da resistência de azevém (Lolium sp. trazendo prejuízos a cultura (THEISEN citado po GAZZIERO. o mesmo herbicida ou herbicidas. O conhecimento desses pontos é importante para embasar previsões de proporções futuras entre plantas resistentes. e em anos seguidos. o processo de competição entre a cultura e as plantas daninhas já se iniciou. Nas áreas com mais de 15 anos de uso têm sido feitas três aplicações/ano em doses que variam de 2 a 8 L ha-1.Herbicidas: resistência de plantas . Biótipos de azevém (Lolium multiflorum) resistente ao glyphosate se tornaram um grave problema nas lavouras de soja transgênica no Rio Grande do Sul. para que se possa entender e estabelecer estratégias específicas para os nossos casos.). Euphorbia heterophylla.

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DF 2006 Módulo 3.Manejo de plantas daninhas 3.ABEAS Universidade Federal de Viçosa .Manejo de plantas daninhas em pastagens Tutores: Profº.Manejo de plantas daninhas em pastagens 235 . Ricardo Camara Werlang Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior .UFV Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia Brasília .6 . Lino Roberto Ferreira Profº.6 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas PROTEÇÃO DE PLANTAS Módulo 3 . Antonio Alberto da Silva Profº.

1 .1. 247 2 . 244 1. 257 2.3 .Competição por luz.Controle químico.3 .3 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Sumário Introdução.Plantas tóxicas. 258 2. 246 1.Uso de herbicidas na reforma e formação de pastagens. 253 2.4. 246 1. 259 2.1 .2 .1 . 237 1 .4. 243 1.3 .1. 252 2. 239 1.Fatores do ambiente passíveis de competição.2 . 238 1.Uso de herbicidas na manutenção de pastagens.Controle preventivo. 261 Referências bibliográficas. 267 236 Módulo 3.6 .Integração da agricultura e pecuária. 260 2.Controle mecânico ou físico.Competição por água.2 .Controle cultural.4 .Competição entre plantas daninhas e forrageiras.1.2 .1 .4.Competição por nutrientes.Manejo de plantas daninhas em pastagens .Controle de plantas daninhas. 252 2.Uso de herbicidas na recuperação de pastagens.

nesse contexto. É importante ressaltar que. e aproximando-se. Conseqüentemente. representado pela pecuária extensiva. como solo. e na pecuária. A tomada de decisão na pecuária.Manejo de plantas daninhas em pastagens 237 .6 . qualidade. economia. nesse contexto. ou seja. sociais e políticas. afastando-se cada vez mais do modelo extrativista. O primeiro é que elas viabilizam a competitividade brasileira. da intensificação total. isto é sinônimo de estabelecimento de sistemas sustentáveis.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Introdução Atualmente. em última instância. deve considerar os vários pontos determinantes dos segmentos envolvidos no setor. Módulo 3. que penaliza os setores não-competitivos e ineficientes (EUCLIDES FILHO. 1997). a formação do que pode ser denominado um novo status de cultura global (EUCLIDES FILHO. em maior ou menor grau. possibilitem convivência harmoniosa com a natureza. produtor. com respeito ao ambiente e aos animais. indústria. a atividade pecuária tende a se tornar cada vez mais uma atividade empresarial. formas de produção que. em particular. 1997). As pastagens. consumidor. eficiência. que são responsáveis pela reestruturação desde níveis e formas de informação. a humanidade coloca em segundo plano os tratados e previsões que fundamentaram a “revolução verde” e busca. passando por mudança do estágio de conhecimento e culminando com o estabelecimento de um novo padrão de comportamento da sociedade como um todo. como política. sistemas economicamente viáveis. capazes de ser conservadores de recursos. Os últimos dez anos têm sido decisivos para a economia brasileira. Nesse período. Com relação aos sistemas de produção agrícolas. ambientalmente corretos. As mudanças que vêm ocorrendo nos sistemas de produção são reflexos de transformações econômicas. diante das transformações que vêm se processando. Dessa forma. em especial para a pecuária. apesar de esse processo estar sendo propalado como a globalização da economia. competitividade e sustentabilidade (EUCLIDES FILHO. além de produtivas. espera-se. em geral. competitivos e eficientes. essa tendência é muito mais complexa e envolve modificações muito mais profundas. socialmente justos. água e recursos genéticos animais e/ou vegetais. parte expressiva do setor se distanciou da prática extrativista que por muitos anos caracterizou a atividade e tem sido um exemplo de capacidade de ajustes e adaptação à realidade do mercado atual. social. dependendo de cada caso. e o segundo é o fato de possibilitarem o atendimento da grande demanda mundial por alimento produzido de forma natural. assumem dois aspectos fundamentais. 1996) A pecuária brasileira está sendo influenciada pelo processo de globalização em andamento no mundo. Uma das características que faz com que a atividade pecuária no Brasil seja altamente competitiva é o fato de o País possuir grandes áreas de pastagens e condições adequadas para o desenvolvimento destas. e produtivos.

ainda. como ferimentos no úbere das vacas. as quais dificultam o processo de produção pecuária. que afeta a produção e o desempenho animal e culmina com a degradação do solo e dos recursos naturais em função de manejos inadequados. de muitas espécies de plantas daninhas infestantes de pastagens em condições brasileiras. agravam-se os efeitos ambientais pela erosão dos solos e assoreamento dos mananciais de água. é lógico que o sucesso desse setor está estreitamente relacionado com a manutenção das pastagens em condições adequadas. falta de adubação de manutenção e manejo da pastagem inadequado. nestas condições.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Diante da importante função assumida pela pastagem no contexto de pecuária empresarial e competitiva. bem manejadas e livres de plantas daninhas. reduzindo a disponibilidade desses fatores para as forrageiras. má formação inicial. Estima-se que 80% dos quase 60 milhões de hectares da área de pastagens na região de Cerrados apresentam algum estágio de degradação (MACEDO et al. Em razão do porte arbustivo. pode-se considerar a luz como o principal fator (recurso) de competição destas com as forrageiras. sem possibilidade de recuperação natural. água e nutrientes. 2000). mas também por espaço. a degradação precisa ser revertida para garantir a produtividade e a viabilidade econômica da pecuária (MACEDO et al.Competição entre plantas daninhas e forrageiras Pastagens produtivas significam pastagens bem formadas. até mesmo parcialmente.. Essa competição se dá principalmente por luz.Manejo de plantas daninhas em pastagens . uma vez que estas plantas competem por luz. Além dos impactos negativos na produção e desvalorização do patrimônio.. Degradação de pastagens é um processo evolutivo de perda de vigor e produtividade da forrageira. e aumenta o tempo de formação das áreas reformadas. ocasionado pela competição com as plantas daninhas. é facilmente dominada pelas plantas daninhas. Nas Figuras 1 e 2 são apresentadas algumas das principais espécies de plantas daninhas das pastagens. 238 Módulo 3. têm a sua taxa de fotossíntese líquida altamente reduzida e. devido à elevada capacidade competitiva das plantas daninhas. nutrientes e água. Isso ocorre porque a maioria das gramíneas forrageiras cultivadas no Brasil tem a sua eficiência fotossintética altamente dependente da intensidade da luz. espaço. 2000). em um dos maiores problemas dos sistemas de produção de bovinos no Brasil Central. Essas forrageiras. As plantas daninhas podem. Causada por diversos fatores. A presença delas em pastagens reduz a produtividade. por diminuir o potencial de formação de pasto pelas forrageiras. e até mesmo arbóreo. além de ser um ambiente propício para o desenvolvimento de parasitas. No entanto. a prática demonstra outra realidade. pois são espécies que apresentam o metabolismo C4. atualmente. Pastagem degradada se constitui. Assim. 1 . entre eles má escolha da espécie forrageira. se sombreadas.6 . ocasionar danos físicos aos animais. a presença de plantas daninhas em pastagens reduz a sua capacidade de suporte (unidade animal por ha).

: toxidez devido a excesso de Zn no solo). A seguir serão abordados os principais fatores envolvidos na competição entre as plantas daninhas e as forrageiras. Recursos são os fatores consumíveis. podendo declinar se houver excesso do recurso (ex. Isso ocorre porque. luz. 1. A resposta das plantas aos recursos segue uma curva-padrão: é pequena se o recurso for limitado e máxima quando o ponto de saturação for atingido. Módulo 3. nutrientes e CO2 e. a forrageira e as plantas daninhas desenvolvem-se juntas na mesma área.Fatores do ambiente passíveis de competição Em ecossistemas agropastoris.1 . gás carbônico. (1996) dividem os fatores do ambiente que determinam o crescimento das plantas e influenciam a competição em “recursos” e “condições”.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas causados por espécies com espinhos. esses fatores de crescimento (ou pelo menos um deles) estão disponíveis em quantidade insuficiente. como água. Como ambas possuem suas demandas por água. Radosevich et al.Manejo de plantas daninhas em pastagens 239 . na maioria das vezes. ou até mesmo levá-los à morte. qualquer planta daninha que se estabeleça na pastagem vai usar parte dos fatores de produção. estabelece-se a competição. até mesmo para o próprio desenvolvimento da forrageira. muito comuns em pastagens brasileiras. já limitados no meio. nutrientes e luz. caso eles se alimentem de plantas tóxicas. nessas circunstâncias.6 . reduzindo a produtividade da forrageira.

(f) fedegoso (Senna ocidentalis). (g) guanxuma (Sida glaziovii) e (h) lobeira (Solanum lycocarpum) 240 Módulo 3.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 1 – Principais plantas daninhas das pastagens (a) assa-peixe branco (Vernonia polyanthes).6 .Manejo de plantas daninhas em pastagens . (c) mata-pasto (Eupatorium maximilianii). (d) assa-peixe roxo (Vernonia glabrata). (b) leiteiro (Peschiera fuchsiaefolia). (e) ciganinha (Memora peregrina).

(d) cafezinho (Palicourea marcgravii).(a) camboatá (Tapirira guianensis). (b) arranha-gato (Acacia plumosa).(c) guizo-de-cascavel (Crotalaria spectabilis). (e) cambará (Lantana camara). (f) algodão-bravo (Ipomoea carnea sbsp.6 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Figura 2 – Principais plantas daninhas das pastagens . (g) mamona (Ricinus communis). e plantas tóxicas .Manejo de plantas daninhas em pastagens 241 . (h) ximbuva (Enterolobium contortisiliquum) e (i) samambaia (Pteridium aquilinum) Módulo 3. fistulosa).

. a competição entre a planta daninha e a cultivada afeta ambas as partes. interespecífica. porém a espécie daninha quase sempre supera a cultivada. as plantas daninhas poderão vencer a competição pelos substratos ecológicos. ou quando um dos competidores impede o acesso por parte do outro competidor. No entanto.6 .Manejo de plantas daninhas em pastagens .. sem examinar as características das plantas e os mecanismos que estão associados à competitividade (RADOSEVICH et al. A base fisiológica que explica as vantagens que levam as plantas daninhas a ganhar a competição é muito complexa. ainda. ocorrendo entre indivíduos de uma mesma espécie. caracterizado pela pastagem degradada. também. como pH do solo. Entretanto. podendo excluir ou inibir significativamente o crescimento das plantas invasoras. da velocidade de crescimento inicial e da densidade de plantio. a menor suscetibilidade das espécies daninhas às intempéries climáticas. 1996). não estando. densidade do solo. Os fatores que determinam a maior competitividade das plantas daninhas em relação às culturas são o seu porte e sua arquitetura. o maior índice de área foliar. A competição entre plantas daninhas e forrageiras é um fator crítico para o desenvolvimento da pastagem quando a espécie daninha se estabelece junto ou primeiro que a forrageira. A condição pode limitar a resposta da planta tanto pela carência quanto pela abundância. ela poderá cobrir rapidamente o solo. 1996). a competição somente se estabelece quando a intensidade de recrutamento de recursos do meio pelos competidores suplanta a capacidade do meio em fornecer aqueles recursos.. como veranico e geadas. Determinadas plantas são boas competidoras por utilizarem um recurso rapidamente ou por serem capazes de continuar a crescer. em condições de sombreamento (PITELLI. em razão da influência extrema que eles exercem na utilização dos recursos pelas plantas. por exemplo. Todavia. seja ela daninha ou não. A competição pode ser intra-específica. mesmo com baixos níveis do recurso no ambiente (RADOSEVICH et al. como: a competição é mais séria nos períodos iniciais de desenvolvimento da 242 Módulo 3. até que um nível ideal seja alcançado. 1985). em áreas de pastagens degradadas a capacidade competitiva das plantas daninhas é ainda maior. totalmente esclarecida.. Várias generalizações podem ser inferidas sobre os aspectos competitivos entre as forrageiras e as plantas daninhas. A maioria dos estudos sobre competição entre plantas daninhas e culturas tem focalizado somente a ocorrência e o impacto da competição na produção da cultura. do seu vigor. se a forrageira se estabelecer primeiro. dependendo da espécie cultivada. como acontece. e a maior capacidade de produção e liberação de substâncias químicas com propriedades alelopáticas. se a população de plantas da forrageira por área for baixa ou o estande for desuniforme. e. etc. 1990. a maior velocidade do crescimento e a maior extensão do sistema radicular. citado por RADOSEVICH et al. 1996). envolvendo indivíduos de espécies diferentes. a maior velocidade de germinação e estabelecimento da plântula.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Condições são fatores não diretamente consumíveis. Na realidade. Contudo. cuja dependência é muito grande. Os mecanismos de competição consistem tanto do efeito que as plantas exercem sobre os recursos quanto da resposta destas às variações dos recursos (GOLDBERG.

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas forrageira. devido ao sombreamento. e sistema radicular muito desenvolvido.6 . sem qualquer sinal de déficit hídrico.. que as plantas forrageiras fiquem completamente murchas e as plantas daninhas túrgidas.1 . tendem a excluir as demais. dessa forma. Conhecendo esses fatores. 1996). podendo. é normal em alguns agroecossistemas. grande número de estômatos por área foliar. nutrientes e espaço. Para que se faça o manejo adequado de plantas daninhas em uma pastagem. pequenas ou grandes.Competição por água As plantas daninhas são verdadeiras bombas extratoras de água do solo. da escolha da forrageira adequada para a região. Desse modo. como: germinação fácil em condições ecológicas variáveis. como capacidade de remoção de água do solo. especialmente nos trópicos em dias quentes. que podem inibir a germinação e ou desenvolvimento da forrageira. Vários fatores influenciam a capacidade competitiva das espécies por água. as características fisiológicas das plantas. magnitude da condutividade hidráulica das raízes. desenvolvimento e crescimento rápido de grande superfície fotossintética mesmo ainda na fase de plântula. Dentre esses fatores destacam-se a taxa de exploração de volume do solo pelo sistema radicular (maior profundidade do sistema radicular – ex. as espécies daninhas de morfologia e desenvolvimento semelhantes ao da forrageira. no manejo da forrageira. Assim a competição é mais facilmente minimizada ou até mesmo eliminada com a integração de outros métodos de controle. da profundidade de plantio. apresentando muitas raízes fasciculadas nas camadas superficiais do solo e raízes principais com penetração profunda.: assa-peixe. 1. Normalmente. realizando. ainda. torna-se fácil o manejo da forrageira. ciganinha e outras). regulação estomática e capacidade das raízes de se ajustarem osmoticamente. Módulo 3. principalmente se a forrageira possui metabolismo C4. Disso resulta a importância do preparo do solo. As plantas daninhas apresentam certas características que lhes conferem grande capacidade competitiva. o chamado manejo integrado de plantas daninhas. o profissional necessita ter o conhecimento profundo da forrageira e da vegetação daninha infestante da área a ser formada. e as espécies daninhas competem por água. das condições adequadas de pastejo e manejo adequado da forrageira. fazendo com que esta leve vantagem sobre o complexo de plantas daninhas. comumente. O princípio básico da competição baseia-se no fato de que as primeiras plantas que surgem no solo. pois se estabelecem primeiro. da época correta de plantio. por isso. etc.Manejo de plantas daninhas em pastagens 243 . como o químico ou mecânico. a competição por água leva a planta a competir ao mesmo tempo por luz e nutrientes.. que são métodos culturais de controle de plantas daninhas. (Radosevich et al. da percentagem de germinação e vigor das sementes.1. são mais competitivas se comparadas com aquelas que apresentam desenvolvimento diferente. as condições para que ela se estabeleça devem ser fornecidas antes do surgimento da vegetação daninha. luz. etc. as espécies daninhas de maior porte do que as forrageiras exercem grande potencial competitivo com estas. especialmente nitrogênio e carbono. liberar toxinas no solo.

formando o ácido oxaloacético (AOA). Esse fato evidencia que as plantas C4 244 Módulo 3. molécula de CO2 fixado/ATP/NADPH é de 1:3:2 para as plantas C3. catalisa a produção do ác. a qual apresenta atividades de carboxilase e oxigenase. o ácido pirúvico. É sabido que a relação. além do ciclo de Calvin e Benson. retorna às células do mesófilo. liberando no meio o CO2 e o ácido pirúvico. de 1:5:2. As diferenças entre as rotas fotossintéticas C3 (plantas ineficientes). possuem ainda o ciclo de Hatch e Slack. pois precisam recuperar duas enzimas para realização da fotossíntese. substrato inicial da respiração. localizada nas células do mesófilo foliar. se a rota fotossintética que ela apresenta é C3. não desassimilam o CO2 fixado. é transportado para as células da bainha vascular das folhas. onde esses produtos são descarboxilados. que ocorre em todas as plantas superiores.Manejo de plantas daninhas em pastagens . A maior eficiência das plantas C4 em relação a C3 em condições adequadas de luminosidade e temperatura é o principal fator da superioridade de produção forrageira em condições tropicais (maioria C4). As plantas C3 apresentam apenas o ciclo de Calvin e Benson. baixa eficiência no uso da água e menor taxa de produção de biomassa. como a luminosidade adequada. Este CO2 liberado é novamente fixado. por difusão. consumindo 2 ATPs. 3-fosfoglicérico e. também. a qual carboxiliza o CO2 absorvido do ar via estômatos. Elas não apresentam fotorrespiração detectável. responsável pela fixação do CO2. onde é fosforilado. apresentam baixa afinidade pelo CO2 e possuem elevado ponto de compensação para CO2.6 . A enzima responsável pela carboxilação primária do CO2 proveniente do ar é a ribulose 1-5 bifosfato carboxilase-oxigenase (Rubisco). comparado a regiões temperadas. também. por apresentarem dois sistemas carboxilativos. agora pela enzima ribulose 1. Entretanto. As plantas C4. regenerando a enzima PEP-carboxilase e recomeçando o ciclo. Essas plantas. considerando ambos os grupos em condições ótimas. C4 (plantas eficientes) e CAM estão nas reações bioquímicas que ocorrem na fase escura da fotossíntese. requerem maior energia para produção dos fotoassimilados. baixo ponto de saturação luminosa. Em conseqüência da ação desta enzima. no ácido fosfoenolpirúvico. se ela é umbrófila ou heliófila e.5 difosfato carboxilase. por difusão.Competição por luz A competição pela luz é muito complexa e sua magnitude é influenciada pela espécie. Este AOA é convertido em malato ou aspartato. em seguida. as plantas C3 fotorrespiram intensamente. ou seja.2 .ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. a superioridade das forrageiras utilizadas no Brasil (C4 em sua grande maioria) é dependente de certas condições. ocorrendo o ciclo de Cavin e Benson.1. sendo esta relação para as plantas C4. do glicolato. logo. A enzima primária de carboxilação é a PEP-carboxilase. quando comparadas com plantas C4. dependendo da espécie vegetal. Esta enzima apresenta baixa afinidade pelo CO2 e. C4 ou se realiza o mecanismo ácido das crassuláceas (CAM). As plantas C4 possuem duas enzimas responsáveis pela fixação do CO2. e. por ser ambígua quanto ao substrato. de modo que o primeiro produto estável da fotossíntese é um composto de três carbonos (ácido 3-fosfoglicérico).

1995). que são diretamente correlacionadas com a quantidade e qualidade da luz. atua especificamente como carboxilase. ainda assim elas continuam acumulando biomassa. aparecimento de folha e duração da folha) que. mesmo que a concentração de CO2 no mesófilo foliar atinja níveis muito baixos.espécies de Brachiaria (CORSI et al. No caso das plantas C4. temperatura.. Módulo 3.alongamento de folha. as condições de luminosidade e temperatura serão preponderantes no desenvolvimento adequado das forrageiras. Esse fato faz com que a concentração do CO2 no mesófilo foliar caia a níveis abaixo do mínimo necessário para atuação desta enzima. em temperatura acima da ótima para a ribulose 1. a ocorrência de sombreamento por plantas daninhas implica redução drástica do potencial competitivo dessas forrageiras. Portanto. a enzima carboxilativa das plantas C3 encontra-se saturada quanto à luz e. Como a maioria das forrageiras das regiões tropicais e subtropicais . REIS. Isso é possível porque esse grupo de plantas não apresenta fotorrespiração detectável. levando a planta a atingir o ponto de compensação rapidamente. liberando CO2. gênero Panicum (RODRIGUES. luminosidade e nutrientes.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas necessitam de mais energia para produção dos fotoassimilados. a fim de evitar o sombreamento.5-bifosfato carboxilase-oxigenase (25oC). aliado a outros fatores. a enzima responsável pela carboxilação primária nas plantas C4 (PEPcarboxilase) apresenta algumas características. como: alta afinidade pelo CO2. luminosidade alta e até mesmo déficit hídrico temporário. esta passa a atuar mais como oxidativa. porque a enzima responsável pela carboxilação primária nestas plantas (PEP-carboxilase) apresenta alta afinidade pelo CO2 (baixo Km). quando plantas estão se desenvolvendo em condições de temperaturas elevadas.são plantas C4. atividade ótima em temperaturas mais elevadas. 1994). Cada espécie de forrageira possui um padrão genético de crescimento e expansão foliar (determinado por suas características morfogênicas . densidade de perfilhos e número de folhas por perfilho. como água. Essas características são genéticas. conseqüentemente. nessas condições. porém são influenciadas por fatores externos.Manejo de plantas daninhas em pastagens 245 . nessas condições. se for reduzido o acesso à luz. 1999) . 1998) e Pennisetum purpureum (RODRIGUES et al. Todavia. chegando a acumular o dobro de biomassa por área foliar no mesmo espaço de tempo. Isso acontece porque. ocorre a necessidade de controle de invasoras. indica o potencial de produção de uma pastagem. Em função destas e de outras características. e não satura em alta intensidade luminosa. estas plantas passarão a perder a competição com as plantas C3. as espécies C4 dominam completamente as C3. Além disso. é comum. Como toda essa energia é proveniente da luz. os estômatos estarem parcialmente fechados (horas mais quentes do dia). A luz como fonte de energia de todos os processos biológicos na forrageira é o componente principal na produção da pastagem. gênero Cynodon (SILVA et al. A combinação das características morfogênicas determina as três principais características estruturais das forrageiras: tamanho de folha.6 ..

As tecnologias para recuperação e manejo sustentável dos solos degradados dos Cerrados. a competição por nutrientes depende. 2000). maior eficiência no uso de máquinas. evitando a erosão e quebra do equilíbrio. o empobrecimento da fertilidade do solo. Essas tecnologias também proporcionam maior diversificação das atividades econômicas no meio rural (KICHEL. a queda na produtividade das lavouras. diversificação do sistema produtivo e de aumento da produtividade do empreendimento agrícola. 2000. 2001). os quais quase sempre estão em quantidades inferiores às necessidades das forrageiras em nossos solos. A integração agricultura e pecuária não será abordada em maior detalhe. a baixa retenção de água no solo e o aumento do processo erosivo são sintomas do manejo inadequado que prejudicam o meio ambiente. A venda de grãos das culturas. É notório que o setor agropecuário brasileiro está passando por um processo de transição socioeconômica e agroambiental. Portes et al. deve-se considerar. Quando se trata de analisar a capacidade de uma espécie de planta daninha em competir por nutrientes. Nesse sentido. 2000).3 . além da quebra do ciclo de pragas e doenças. a quantidade extraída do que os teores que ela apresenta na matéria seca. tem sido proposto recentemente..Manejo de plantas daninhas em pastagens . exercem forte competição com as forrageiras pelos nutrientes essenciais. a utilização de culturas anuais em cultivos seqüenciais ou simultâneos como formas de sistemas de produção.6 . melhoria das propriedades físicas do solo. o aproveitamento da adubação residual e o preparo do solo mais elaborado podem ser vantajosos na redução dos custos e na eficiência de recuperação das pastagens degradadas (Macedo et al. 2001).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. 246 Módulo 3.1. em alto grau. apesar de esse processo ser lento e silencioso.Integração da agricultura e pecuária A degradação das pastagens. a consorciação de lavouras e forrageiras.2 . que facilitam a ocorrência de pragas. tornando-o sustentável em termos econômicos e ecológicos (KICHEL et al.. visam melhoria das propriedades do solo. observam-se a expansão do plantio direto. por constituir-se em tema complexo e não ser objetivo do presente trabalho. com maior ênfase. como alternativa de recuperação de pastagens degradadas. 1.. das espécies presentes. a preocupação da utilização racional de água e agroquímicos e a necessidade de maior competitividade e sustentabilidade (COBUCCI. Devido à grande variação em termos de recrutamento dos recursos minerais do solo apresentada pelas diferentes espécies de plantas daninhas. tanto para as áreas de pastagens como de agricultura. doenças e plantas daninhas. em conseqüência disso. MIRANDA.Competição por nutrientes As plantas daninhas possuem grande capacidade de extrair do ambiente os elementos essenciais ao seu crescimento e desenvolvimento e.

ingeridas espontânea ou acidentalmente pelo animal. A mais temível do Brasil é a erva-de-rato ou cafezinho (Palicourea marcgravii) (POTT. No caso da espécie bovina. Tokarnia et al. certas raças toleram mais. podem provocar danos que se refletem na sua saúde ou vitalidade.. que causa fotossensibilização ("orelha frita"). tóxicas. floração e frutificação. plantas tóxicas não são somente vegetais que provocam verdadeiros envenenamentos e intoxicações agudas. Várias provocam sinais que podem ser confundidos com picada de cobra. subquadripara = B. como é o caso das mandiocas-do-mato (Manihot spp. POTT. Na mesma raça há fatores ligados ao próprio indivíduo. certos venenos. mas também aquelas que provocam direta ou indiretamente perturbações na saúde do animal. como Brachiaria decumbens.3 .6 . Existem também plantas com princípio tóxico cumulativo. Módulo 3. 2002). Com relação à planta. outras menos.Plantas tóxicas Calcula-se que 12% das mortes de bovinos são causadas por sementes. sexo. O tipo de solo também pode influenciar na toxidez de uma planta. e causa danos à saúde ou morte. 2002). Algumas plantas cultivadas também são consideradas tóxicas.). raiva ou outra doença. consideram-se tóxicas todas as plantas que. que o animal. peso. em condições naturais. sendo algumas.Manejo de plantas daninhas em pastagens 247 . estado sanitário e nutricional. POTT. além do grau de sensibilidade do animal a um princípio tóxico (AFONSO. muitas das quais ingeridas pelo gado. 2000). ingerindo pequenas quantidades diárias. arrecta). 2002). deve-se considerar a sua fase vegetativa. (2000) definem planta tóxica de interesse pecuário a que é ingerida por animais domésticos de fazenda. visto algumas serem tóxicas em uma região e em outra não (AFONSO. 2002). POTT. citado por Hoehne (1939). com comprovação experimental. folhas ou raízes de plantas que possuem grande quantidade de elementos químicos nocivos ao gado (AFONSO. a ingestão de certas plantas em pequenas quantidades leva o animal a adquirir resistência ou tolerância ao princípio tóxico.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 1. como brotação. O conceito sobre plantas tóxicas é relativo. vai retendo no seu organismo. Os biomas Pantanal e Cerrado possuem floras ricas em espécies. Segundo Howes (1933). Portanto. pois às vezes ela provoca intoxicações apenas em uma dessas fases. 1991). POTT. até atingir a dose letal (AFONSO. os quais podem estar relacionados ao animal ou à planta. Por outro lado. e braquiária-d´água ou "tanner grass" (B. que pode causar anemia devida a nitratos/nitritos. A maioria das plantas tóxicas é consumida pelos animais em razão da escassez de alimentos nas pastagens e da mudança de animais famintos para pastagens que possuem plantas tóxicas (FREITAS et al. como idade. principalmente em bezerros. Além da fome. AFONSO. há outros fatores que também propiciam intoxicações.

A semente pilosa (origem do nome algodão) é espalhada pela água. sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica. o que é difícil de ocorrer no campo. Quadro 1 – Principais plantas tóxicas encontradas no Brasil Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal). O seu andar se torna desequilibrado (como se estivesse embriagado). havendo pasto). tremores musculares. sendo Erva de rato. exceto se for afogado depois.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas São várias as espécies de plantas tóxicas presentes nas pastagens no Brasil. Possui distribuição ampla. É muito comum em lagoas rasas. Inicialmente os sinais apresentados são de emagrecimento progressivo. durante semanas. Aumenta em campos com excesso de gado ou perto de porteiras. controle químico Arbusto responsável pela maioria das mortes de bovinos causadas por plantas tóxicas em terra firme. de 1 a 4 m de altura. Nos bovinos. respiração ofegante. sendo ingerida em qualquer época do ano. capoeiras e em pastos recém-formados. cercar as matas e as capoeiras onde existir a planta. sobrevindo a morte dentro de poucos minutos. lassidão e pêlos ásperos. Cresce somente em solo de barro (LSD) (argiloso). antes de cair. cochos e aguadas. encontrada em todo o País. fistulosa) Convolvulaceae Figura 2 f 248 Módulo 3. os ramos que encostam no chão Alcalóides derivados do enraízam. Causa a síndrome da morte súbita. Com a evolução da intoxicação o animal apresenta sinais de origem nervosa. canudo-de-pita (Ipomoea carnea subsp. Abobral e Paraguai. DL (9 kg de folhas verdes por dia. DL (100 g de folhas verdes). trepador.Manejo de plantas daninhas em pastagens . com um resumo das suas principais características. Possui boa Figura 2 d palatabilidade. São tóxicas as folhas e as sementes. Ocorre em terra firme. desequilíbrio do trem posterior. flor e semente praticamente durante o ano todo. A evolução da intoxicação é crônica e não há recuperação do animal Controle: erradicação.6 . Rebrota após cortes e ácido lisérgico fogo. ou estado de embriaguez. Perene. Algodão-bravo. os sintomas consistem em queda repentina do animal ao chão. nas planícies de inundação dos rios Negro. caindo com facilidade. iniciam poucas horas após ser completada a ingestão da dose letal. Na Figura 2 estão apresentadas e no Quadro 1 listadas as de maior ocorrência e importância no Brasil. com cafezinho Ácido exceção do extremo sul e do sertão (Palicourea monoflúornordestino. Controle: erradicar as plantas. A principal forma de propagação é vegetativa. uso de herbicidas. Às vezes o animal mostra. marcgravii) acético. com as pernas traseiras abertas e instabilidade no trem posterior. Arbusto aquático. afeta o Rubiaceae em áreas sombreadas das beiras ciclo de Krebs das matas. muito alagável.

utilizar ungüentos antiinflamatórios. DL (1. Ingestão em menores quantidades ocasionam hematúria intermitente. Consistem nas manifestações de fotossensibilidade hepatógena. sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica. Controle: erradicação da planta. continue a procurá-la. mesmo cessada a fome. os bovinos ingerem a Cambará. devido ao efeito acumulativo). Em eqüinos causa deficiência de vitamina B1. DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal). quando expostos ao solo. manifestam fotossensibilidade sob forma de eritema e edema inflamatórios nas partes menos pigmentadas da pele e inquietação à procura de sombra. os animais apresentam anorexia e diminuição ou parada dos movimentos do rúmen. para provocar sintomas de intoxicação aguda. Inicialmente. A fome faz o animal ingerir a planta. Já na fase aguda. depois de comê-la por algum tempo. culminando na morte. trôpego. para áreas (Lantana (lantadene A e infestadas. em pequena quantidade. falta de apetite. O animal sangra prolongadamente por qualquer ferimento. sendo a brotação a porção mais tóxica das partes aéreas. As plantas ocorrem em solo ácido. convulsões. controle cultural (calagem e aração do solo) e químico Módulo 3.Manejo de plantas daninhas em pastagens 249 . lantadene B) Verbenaceae Deve-se administrar glicose. que faz com que este. No tratamento os camara) animais devem ficar na sombra. anemia.6 . A planta toda é tóxica. Samambaia (Pteridium aquilinum) Substância Dennstaedtiacea radiomimética e e tiaminase Figura 2 i Planta tóxica de importância no Brasil e no mundo. Os animais apresentam andar incerto. emagrecimento. DL (variada). Causa febre alta. tem incordenação ao andar. sonolência. que aparece de repente. apresentam tremores musculares. Controle: erradicar as plantas (herbicidas) e não transferir animais com fome para pastagens infestadas.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta Arbusto ou subarbusto é cosmopolita.000 g de folhas verdes ingerido durante três semanas a poucos meses. principalmente quando camará Triterpenóides transferido. se habitue a ela e. planta somente em circunstâncias chumbinho ou especiais. fezes ressequidas e. Muitos animais morrem nessa fase. com fome. Sob condições naturais. extrato hepático e purgante oleoso Figura 2 e e medicar as lesões na pele. eventualmente diarréias enegrecidas. hemorragia na pele e nas mucosas visíveis. sendo a correção e aração deste um método cultural de controle desta espécie.

Manejo de plantas daninhas em pastagens . ereto. geralmente férteis. na semente. tanto as folhas como as sementes são tóxicas. Uso de herbicidas. chique-chique (Crotalaria spectabilis) Leguminosae Figura 2 c Planta ereta. Já a intoxicação pelas sementes varia de aguda a subaguda. DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal). com copa. A torta de mamona não bem detoxicada pelo calor também é tóxica. sendo umas mais. leiras provenientes de desmatamento e pastagens cultivadas. Anual. É tóxica ao fígado. causando perturbação nervosa. Há relatos de pirrolizidinas que o princípio tóxico desta planta se concentra mais nas flores e nas sementes. Controle: Pode ser praticamente eliminada com roçadeira (rebrota pouco). No Brasil existem mais de 40 espécies Alcalóides do de Crotalaria. Comum em áreas ruderais como Ricinina beira de estrada. dificilmente o animal se recupera.um quarto dessa dose no caso de bezerro). sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica. mas de ciclo curto. 250 Módulo 3. mas retorna por semente. antes da formação de sementes. as folhas foram observadas bem pastadas por bovinos no Pantanal. que favorece a germinação. perda do equilíbrio ao caminhar e alteração do sistema nervoso sob forma de excitação ou depressão. com flor e semente em grande parte do ano. O consumo repetido de pequenas quantidades de semente pode dar imunidade. Guizo-decascavel. Após apresentar estes sinais. DL (2. Possui ampla distribuição. geralmente férteis. Morre na queimada. mas das folhas não. em solos de vários tipos. com tremores musculares. O bovino apresenta andar desequilibrado. Ocorre também eructação excessiva (arroto) acompanhada por sialorréia (baba). geralmente não folha e ricina inundáveis. Deve-se atentar para o seu aparecimento em leiras. com o animal apresentando fraqueza. procurando ficar deitado. com flor e fruto quase durante o ano todo. em solos argilosos ou (toxoalbumina) arenosos.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta Mamona (Ricinus communis) Euphorbiaceae Figura 2 g Arbusto pouco lenhoso. que germina melhor após o fogo. taperas. apatia e diarréia sanguinolenta. antes que forme sementes. É palatável.000 g de folhas frescas ou 200 g de sementes.6 . de 50 a 100 cm de altura. Perene. e dificuldade de caminhar longas distâncias. de 1 a 4 m de altura. depósitos (alcalóide) na de lixo. perda de apetite. os animais mais novos são mais sensíveis . A parte aérea morre com a queima. perturbações digestivas. e a plântula encontra condições mais favoráveis na pastagem rapada e rala (degradada).500 g de folhas verdes ao dia foram suficientes para levar os bovinos à morte). etc. A intoxicação pelas folhas é aguda. O fruto estoura ao sol e lança as sementes a vários metros de distância.. Os principais sinais na intoxicação por Crotalaria iniciamse por contrações abdominais. ingerindo também flores e frutos. Controle: É facilmente eliminada com mais de uma roçada. Os sinais apresentados têm predominância neuro-muscular. Controle com herbicida. Há formas de folhas verdes e outras arroxeadas. por irritação do tubo digestivo. principalmente em situações de fome. Comum em áreas mexidas. as quais são o meio de propagação. grupo das outras menos tóxicas. DL (5. onde o solo é mais fértil. Embora conste como pouco palatável.

não causem outros sinais de intoxicação. solos arenosos ou contortisiliquum Saponina do argilosos. Os animais. sinais clínicos da intoxicação e recomendação de controle da planta tóxica. o animal faz movimentos de pedalagem com os membros traseiros e dianteiros. neste caso.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Espécie Família Princípio ativo Informações sobre a planta Árvore de 8 a 18 m de altura.500 g de favas que leva um bovino à morte na intoxicação experimental). produz fruto de agosto Ximbuva. caem ou deitam-se precipitadamente. Os sintomas iniciam-se. A parte tóxica Figura 2 h importante desta planta são os seus frutos. de 6 a 24 horas após a ingestão da planta. mesmo em pequenas porções. Floresce de setembro a novembro. Ocorre retração acentuada dos globos oculares e.500 g de folhas verdes). que amadurecem e caem no período da seca e apresentam boa palatabilidade para os bovinos.300 a 1. a planta não tem boa palatabilidade. DL(dose letal considerando 100 kg de peso vivo do animal). Os principais sinais apresentados pelo animal intoxicado se caracterizam por lassidão. Gibata ou chibata Glicosídeo do (Arrabidaea tipo esteróide bilabiata) cardioativo Bignoniaceae Trepadeira. Leguminosae especialmente no Nordeste e Triângulo Mineiro. Uso de herbicidas. a novembro. Há citações de que as favas provocam aborto em vacas. berram e morrem. ) tipo esteroidal Encontrado em todo o Brasil. (1991).Manejo de plantas daninhas em pastagens 251 . copa larga. às vezes. próximo à morte. cerram fortemente as pálpebras. quando movimentados. Comum em matas e (Enterolobium cerradões. Os bovinos ingerem a planta somente quando estão com fome. Ficam logo em decúbito letal. Fonte: Freitas et al. fazendo movimentos de pedalagem. Semente espalhada tamboril pela fauna. Afonso e Pott (2002) Módulo 3. DL (250 a 1. Controle: É facilmente eliminada com anelamento (descascar em volta do tronco). perde as folhas na estação seca. aparentemente. diminuição ou até perda total do apetite. acompanhada de outras perturbações digestivas. Causa lesões no tubo digestivo. embora. DL (1. planta tóxica mais importante das regiões de várzea da bacia amazônica. Controle: Pastagens em abundância e erradicação da espécie. O quadro de intoxicação se manifesta poucas horas após a ingestão das favas e a sua evolução é aguda. Em seguida provoca diarréia de coloração amarelada e fétida. aproximadamente. geralmente férteis.6 .

deve ser feita quando as perdas forem superiores ao incremento no custo devido ao controle. das condições ambientais. ainda. por meio de métodos e equipamentos usados oportunamente. Dessa forma.Manejo de plantas daninhas em pastagens .Controle preventivo O controle preventivo de plantas daninhas consiste no uso de práticas que visam prevenir a introdução. do período crítico de competição. o manejo de plantas daninhas pode ser definido como a combinação racional de medidas preventivas associadas a medidas de controle e de erradicação. da capacidade competitiva da forrageira. os custos de controle. Isso pode ser possível se o pecuarista proceder à absoluta racionalização do controle de plantas daninhas. O controle ideal é aquele que. que consiste num sistema ambientalmente correto no campo.1 . A redução da interferência das plantas daninhas. 2. mecânico ou físico. resguarda os seus aspectos benéficos e não causa danos à forrageira. ou seja.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2 . mantendo a qualidade ambiental com a maximização de lucro para o agricultor. segundo Victoria Filho (2000). no controle integrado. a disseminação de determinadas espécies-problema em áreas 252 Módulo 3.. obtido em uma pastagem. a energia gasta com tratos culturais. recomenda-se o “manejo integrado das plantas daninhas”. sendo muito variados. 2005). além de outras operações e a erosão do solo causada por água e vento. onde são usados todos os conhecimentos e ferramentas disponíveis para produção das culturas livre de danos econômicos da vegetação daninha competitiva. constituindo-se. Atualmente. se necessárias. elimina os prejuízos causados pelas plantas daninhas. Atualmente. Visa. em um determinado agroecossistema. ou. etc. com o objetivo de reduzir as perdas causadas por estas plantas. Um bom programa de manejo de plantas daninhas pode ser resumido em três situações básicas: máxima produção no menor espaço de tempo. máxima sustentatibilidade de produção e mínimo risco (SILVA et al. com o advento da chamada agricultura economicamente sustentável. cultural. assegurar a produção adequada de alimentos. esse fato.6 . O nível de controle das plantas daninhas. Muitas vezes faz-se necessária a associação de dois ou mais métodos para se atingir o nível desejado. biológico e químico. quando não há redução da sua produtividade econômica. aos animais e ao solo. dependerá da espécie infestante. Os métodos de controle podem ser: preventivo. dos métodos empregados. considerando uma forrageira. o estabelecimento e.Controle de plantas daninhas Os métodos de controle de plantas daninhas usados são os mesmos empregados em outros sistemas de produção agrossilvopastoril. economicamente. tem sido preconizado o manejo integrado de plantas daninhas.

banco de sementes de plantas daninhas. A conservação do solo é outro ponto importante. da quantidade e das espécies de plantas daninhas e de forrageira a ser Módulo 3. A intensidade e os equipamentos a serem utilizados no preparo de solo dependem do tipo deste. o nível tecnológico a ser adotado. ou mesmo reduzindo os efeitos erosivos. objetivo da produção. Proporciona. capoeiras.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ainda por elas não infestadas. clima (déficit hídrico e ocorrência de queimadas). ainda. a quarentena de animais introduzidos em outras áreas. limpeza cuidadosa de máquinas. A correção da acidez do solo e o fornecimento de cálcio e magnésio a este (quando necessária). grades. O preparo do solo deve ser feito de modo a proporcionar ótima germinação e estabelecimento da forrageira. um município ou uma gleba de terra na propriedade. devendo-se realizar a construção de terraços ou curvas de nível quando a área apresentar suscetibilidade ou risco de erosão ou até mesmo escorrimento superficial da água das chuvas. As medidas que podem evitar a introdução onde a espécie ainda não ocorre são: utilização de sementes de elevada pureza. arbustos. Regionalmente. Quando da escolha dessa espécie. limpeza de canais de irrigação. As quantidades desses produtos dependem da espécie forrageira e do nível de produtividade desejado. pragas. o elemento humano é a chave do controle preventivo. o controle é de responsabilidade de cada agricultor ou cooperativas.6 . assim. qualidade.Manejo de plantas daninhas em pastagens 253 . histórico da área e outros. Em síntese. condições favoráveis para a forrageira em relação às demais espécies presentes na área (plantas daninhas) e possibilita a vantagem competitiva da forrageira em relação às plantas daninhas. devem ser realizados no momento correto. que poderão se transformar em sérios problemas para a região. e época de utilização da espécie. etc. Essas áreas podem ser um país. tocos.realizado por meio de análise química e física do solo. pedaços de tronco e galhadas. como a ciganinha (Memora peregrina). A escolha de espécies forrageiras adequadas para cada área e objetivo de pastejo é um importante componente do sucesso da atividade. inspeção cuidadosamente de mudas adquiridas com torrão e também de toda a matéria orgânica (esterco e composto) proveniente de outras áreas. análise da produtividade desejada. impedimentos físicos ou mecânicos. topografia. com uma limpeza adequada da área. impedindo. eliminando-se rebrota do cerrado de porte alto. bem como a aplicação de adubos fosfatados. e. principalmente. um estado.2 . visando prevenir a entrada e disseminação de uma ou mais plantas daninhas. tipo de solo. que deve começar antes da implantação. Outro componente importante do controle cultural é a formação adequada da pastagem. 2.Controle cultural O controle cultural reúne todas as práticas disponíveis para o estabelecimento das forragens em condições adequadas ao seu desenvolvimento e à sua persistência com boa produtividade. palatabilidade e longevidade. os seguintes procedimentos devem ser observados: diagnóstico da área .

deve ser realizada em quantidades recomendadas. assim. Em áreas com infestação elevada de plantas daninhas é recomendada a utilização de até 50% a mais da quantidade de semente. esta deve ser considerada como uma cultura que vai produzir por muitos anos. principalmente nos solos mistos e arenosos. evitar o preparo excessivo do solo. O plantio pode ser realizado a lanço sobre o solo devidamente preparado com uma grade leve. que impõe restrição à emergência das plântulas. a época do plantio é muito ampla em quase todo o território nacional. Outro componente do controle cultural muitas vezes desprezado é a quantidade e a qualidade das sementes das forrageiras. peso médio no misto e peso leve no argiloso. As sementes devem possibilitar a formação de estande adequado e uniforme. as sementes devem ser distribuídas na área e. Deve-se evitar a utilização do rolo em solo com excesso de umidade. Comumente. ou seja. exceto para estilosantes ou andropógon. solo nivelado e livre de plantas daninhas.Manejo de plantas daninhas em pastagens . a melhor época é de novembro a janeiro. algodão. ou seja. posteriormente. O plantio na época correta e de forma correta é fator preponderante no estabelecimento adequado da forrageira. Podem ser aplicados antes do plantio ou em cobertura. isto é.5 a 4 cm de profundidade (dependendo do solo e da forrageira). assim. o preparo do solo deve ser igual. deve-se realizar o preparo do solo no mínimo 120 dias antes do plantio no período das águas. a exigência de cada espécie forrageira e o nível de produtividade desejado. com maior peso no solo arenoso. Para a maioria das forrageiras. para que ocorra a decomposição desta sem interferir na germinação da forrageira. Logo após a última gradagem (niveladora). com pouca palha. para incorporar as sementes de 0. a sua pulverização. começando com as primeiras chuvas em setembro até março. A correção adequada de nutrientes do solo é outro fator que melhora as condições de estabelecimento. deve-se passar o rolo compactador. enxofre e micronutrientes. que. potássio.6 . Deve-se considerar para isso a disponibilidade hídrica e temperatura para cada região. levando em consideração o resultado da análise de solo. Em áreas que apresentarem alta quantidade de palhada. evitando. exceção feita aos fosfatos naturais reativos. devem ser antes do plantio e incorporados. ou melhor. poucos torrões. proporcionando. Em áreas que apresentarem alta infestação de plantas daninhas ou outras forrageiras. A quantidade de sementes a ser utilizada depende da espécie forrageira. tem vantagem competitiva a espécie que se estabelece primeiro na área. produção e longevidade da forrageira. quando necessária. para favorecer a germinação e eliminação delas. sendo este um fator importante na dinâmica competitiva da forrageira com as plantas daninhas. de modo geral. quando recomendados. A correção de fósforo. o preparo do solo deve ser escalonado. no entanto. O plantio com semeadeira deve seguir as mesmas exigências do 254 Módulo 3. Portanto. parcial ou totalmente fechada. retardando o plantio da forrageira.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas implantada. a compactação da camada superficial deste. livres de sementes de plantas daninhas e possuindo qualidade fisiológica (vigor e germinação). além das exigências térmicas. o estabelecimento mais rápido da forrageira na área. ao daquele utilizado para plantio de soja. para que o solo não fique aderido nele. podendo variar em certas regiões. da germinação e do vigor. hídricas e de fotoperíodo da forrageira. Entretanto. como: pureza. Deve-se. milho e outros.

favorecendo o surgimento e estabelecimento de plantas daninhas. A adubação nitrogenada possibilita maior rapidez e quantidade de área foliar. Já o plantio direto exige as mesmas condições do plantio direto de grãos (soja. desde que o plantio seja realizado na época recomendada para cada região. colocando-se 10 a 20% a mais de sementes do que o sistema tradicional. espécie forrageira e produtividade desejada. A manutenção da pastagem em condições ideais com o controle adequado de pragas também é componente do controle cultural de plantas daninhas. ele deve ser controlado com defensivos específicos para cada tipo de praga. Esse sistema de plantio exige máquinas e equipamentos adequados. As pragas mais importantes na formação de pastagens são: lagartas. ou antes da emissão da inflorescência (sementeira). o nitrogênio é o que proporciona o maior efeito no aumento de produtividade. animais jovens com alta lotação. deve-se iniciar o pastejo de 60 a 100 dias após a emergência da pastagem. Para gramíneas forrageiras de média a boa produtividade. possivelmente. implicando o sombreamento e abafamento das plantas daninhas. principalmente em solos de baixo teor de matéria orgânica. Estando todos os nutrientes corrigidos. reduzindo assim a produção de semente e translocação de nutrientes para estas.6 . A princípio. cupins. O não-controle dessas pragas pode comprometer a formação e a persistência da pastagem. Na formação de pastagem. por curto período de tempo (10 a 30 dias). sem erosão. proporcionando. na mesma operação. para garantir o estande adequado e uniforme. eliminar a maior parte das gemas apicais. recomenda-se a aplicação de nitrogênio de 30 a 40 dias após a emergência ou após o manejo de formação (primeiro pastejo). distribuição uniforme da palhada. boa cobertura do solo. milho). compactação. cupins subterrâneos e formigas. com espaçamento entre linhas de 13 a 40 cm. uma vez que vai garantir a longevidade e qualidade da pastagem. de preferência. Se a semeadeira não possuir sistema de compactação. aproveitando o maior valor nutritivo. tem como objetivo contribuir para a boa formação da pastagem. com boa produção de carne/hectare. o método de controle cultural de plantas daninhas mais importante. também chamado de pastejo de uniformização. As vantagens desse manejo são: evitar o acamamento. o nitrogênio é muito importante. estimulando a emissão de novos perfilhos e raízes. plantas daninhas de difícil controle por herbicidas e outros. dessa forma. Toda vez que o nível de infestação for significativo. com o objetivo de auxiliar na boa formação da pastagem. Devem-se utilizar. realiza-se o plantio de linhas espaçadas de 13 a 40 cm. fechando o dossel mais rápido. tocos. eliminando o excesso de plantas. com profundidade de 0. podendo-se realizar.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas plantio a lanço. trilheiros. diminuir a competição interespecífica.Manejo de plantas daninhas em pastagens 255 . deve-se passar o rolo compactador após o plantio. Módulo 3. isto é. antecipar a utilização da forragem. O manejo da pastagem estabelecida é. O manejo de formação da pastagem. por melhorar as condições desta. dependendo do equipamento e da espécie forrageira. a adubação da pastagem ou consórcio com outras espécies. Após a dessecação. sem limitações químicas e físicas. maior sombreamento para plantas daninhas.5 a 4 cm. A realização de adubações de cobertura nitrogenadas melhora as condições de desenvolvimento e estabelecimento da forrageira. e proporcionar a mais rápida e perfeita cobertura de solo. A dose aplicada vai depender da análise de solo.

256 Módulo 3. época do ano. excesso de lotação (carga animal excessiva). categoria animal. recomenda-se devolver às pastagens 20% da receita bruta anual. portanto. Esta prática também é considerada um método preventivo.o animal explora duas invernadas alternadamente. o beneficiamento da forrageira vai depender do manejo correto. e rotacionado o animal usa de 3 a 40 piquetes ou invernadas. épocas corretas de entrada e retirada dos animais (altura de pastejo). etc. Uma das principais causas da degradação das pastagens é a redução da fertilidade do solo. tornando a infestação da área uma questão de tempo. em razão dos nutrientes perdidos no processo produtivo. O manejo correto consiste na utilização de lotação adequada. exclusivamente. Brachiaria decumbens (20 cm). nível de adubação ou fertilidade natural do solo. Outro método cultural de controle de plantas daninhas é a manutenção de animais oriundos de outras pastagens em área isolada por 24 a 48 horas. marandu e andropógon (30 cm). alternado . com período de descanso de 24 a 39 dias. pisoteio demasiado e arranque de plantas. e com o mesmo período de descanso.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas ou seja.Manejo de plantas daninhas em pastagens . portanto. utilizada anualmente. espécie forrageira. A pastagem degradada não oferece condições à forrageira de competir com as plantas daninhas. maior aproveitamento do investimento empregado até o momento. condições da propriedade (solo e clima). um fator importante no controle integrado de plantas daninhas. com 28 a 36 dias de pastejo. com período de pastejo de 1 a 15 dias. A adubação de manutenção é. evitando assim a infestação da pastagem com sementes de plantas daninhas presentes no trato digestivo desses animais. A altura de pastejo depende da espécie forrageira. como exemplo: tanzânia e mombaça (40 a 50 cm). Este manejo pode facilitar o desenvolvimento da espécie forrageira ou das espécies de plantas daninhas. está diretamente relacionada com a produtividade da pastagem. principalmente nitrogênio e fósforo. e tifton (15 cm). o pastejo pode ser classificado de três maneiras: contínuo . A utilização da adubação de manutenção é extremamente econômica desde que seja escolhida a espécie de forrageira adequada às condições de clima e solo e que ela esteja bem formada e com manejo adequado. A melhoria das condições para o desenvolvimento das plantas daninhas ocorre quando o manejo empregado reduz as reservas e a capacidade competitiva e de restabelecimento da forrageira. finalidade de pastejo. sendo o manejo específico para cada região. sistema de produção e outros. do potencial produtivo da forrageira. De maneira geral. De modo geral. da intensidade de pastejo e do número de animais. que pode chegar a mais de 40% do total de nutrientes ingeridos pelo animal em pastejo. O tamanho e o número de piquetes dependem. por evitar a entrada de plantas daninhas na pastagem. dependendo da espécie forrageira. Humidícola e Dictioneura (15 cm). Isso ocorre quando há pastejo excessivo (superpastejo).6 .o animal fica sempre na mesma invernada ou pastagem. A quantidade de adubação de manutenção.

As plantas roçadas podem rebrotar logo após a realização desta prática. como o trator e a roçadeira. por possuir sistema radicular menos profundo e mais fácil de ser arrancado. deve ser repetida periodicamente. aumentando a infestação. também controla a espécie forrageira. possui a vantagem se ser altamente seletivo quanto à planta controlada. Entretanto. danificando assim o sistema radicular e reduzindo o vigor da forrageira. Outro método muito empregado entre os pecuaristas é a roçada mecanizada. Assim. No entanto. além de controlar as plantas daninhas. No controle de plantas daninhas em pastagens. a capina manual. elevado custo de controle. agride pouco a forrageira e pode ser empregado em locais de difícil acesso com máquinas (roçadeira). porém demanda equipamentos apropriados. quando o principal método de controle é o uso de enxada. a cobertura morta e o cultivo mecanizado. porém possui baixa eficiência e eficácia. ou seja.Manejo de plantas daninhas em pastagens 257 . rebrotam e perfilham. no entanto. Esta prática. pois reduz a quantidade de matéria orgânica do solo.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2. é um método pouco eficiente e ineficaz. Este método de controle exige muita mão-deobra e possui baixo rendimento operacional. ou monda. É um método relativamente seletivo. Seu rendimento operacional é maior do que o arranque. afeta a atividade microbiana deste. para plantas daninhas perenes a manutenção de parte do sistema radicular no solo possibilita a rebrota e o seu restabelecimento. jardins e na remoção de plantas daninhas entre as plantas das culturas em linha. Um dos métodos mais utilizados no controle de plantas daninhas em pastagens é a roçada manual com foice. que possui rendimento operacional elevado e necessita de pouca mão-de-obra. a inundação. por demandar muita mão-de-obra. esta tem a tendência de aumentar a cada roçada. Este método. ainda. É um método não-seletivo.6 . Serve para controlar plantas gramíneas. acarretando. como a maior parte desse material vegetal é constituída por tecidos de elevada relação C/N (na maioria Módulo 3. induzindo o aparecimento de reboleiras. Possui baixa eficiência e eficácia. os quais requerem manutenção adequada. a queima. O arranque manual. ocorrendo perda de nutrientes e degradação da fertilidade do solo. e disponibiliza de forma desorganizada os nutrientes armazenados nos vegetais. as espécies de plantas daninhas perenes que possuem reservas no sistema radicular rebrotam ou.Controle mecânico ou físico São métodos mecânicos de controle de plantas daninhas o arranque manual.3 . O custo é relativamente inferior ao da roçada manual. A utilização do fogo é um método pouco eficiente. por também cortar a forrageira. a roçada. A parte aérea das plantas cortada ao entrar em contato com a superfície do solo vai desencadear os processos de decomposição e degradação. contudo. devido à rebrota e ao restabelecimento das plantas daninhas. Ainda hoje é usado no controle em hortas caseiras. bem com a roçada manual. e algumas ainda perfilham. é o método mais antigo de controle de plantas daninhas. expondo-o à ação da erosão. assim. possui custo elevado. uma vez que a maioria das plantas se restabelece logo após o corte. e na maioria dos casos a forrageira é mais suscetível à ocorrência de queimadas do que as plantas daninhas.

o controle é mais eficiente.4 . As vantagens do uso do controle químico podem ser enumeradas: • Menor dependência da mão-de-obra.plantio direto. mas devem ser conhecidos. a quantidade disponível deste nutriente no solo em um momento em que a forrageira dele necessita para seu restabelecimento. havendo perigo de intoxicação do aplicador. as instruções dos fabricantes e as leis governamentais que regulamentam o seu uso. após a realização da roçada. A utilização de herbicida seletivo no controle de plantas daninhas em pastagens tem demonstrado várias vantagens. observando-se as normas técnicas. dos grupos aos quais pertencem os herbicidas e da tecnologia de aplicação é fundamental para o sucesso do controle químico das plantas daninhas. • É eficiente no controle de plantas daninhas na pastagem sem afetar o sistema radicular da forrageira. É eficiente no controle de plantas daninhas anuais e perenes e possui alto rendimento operacional. solo e alimentos . os microrganismos do solo demandam nitrogênio. • Permite o menor revolvimento do solo . Há necessidade de mão-de-obra especializada para aplicação dos herbicidas. reduzindo. • Pode controlar plantas daninhas perenes e de propagação vegetativa.Controle químico No controle químico utilizam-se herbicidas que.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas gramíneas).Manejo de plantas daninhas em pastagens .6 . têm a finalidade de inibir o desenvolvimento ou provocar a morte das plantas daninhas. sendo essa a causa de cerca de 80% dos problemas encontrados na prática. São necessárias pessoas capacitadas para uso correto dos herbicidas. Deve-se salientar que.quando manuseados incorretamente. os animais devem ser retirados da área. perfeitamente controlados e evitados. proporcionando menor rebrota das plantas daninhas. Por possuir seletividade. tanto fisiologicamente como quando aplicado de forma localizada. 2. Pode ocorrer também poluição do ambiente água (rios. Os riscos de uso existem. Todo herbicida é uma molécula química que tem que ser manuseada com cuidado. uma vez que reduz ou elimina a competição entre estas e a forrageira. quando for adotada juntamente com outros métodos de controle. A roçada é uma prática que controla plantas daninhas sem reservas no sistema radicular e as demais espécies. • Maior rendimento na operação de controle de plantas daninhas. que possui custo elevado. Na 258 Módulo 3. em certas regiões é difícil de ser encontrada no momento certo e na quantidade necessária. principalmente. para garantir o restabelecimento da forrageira e o seu poder de competição com as plantas daninhas. O conhecimento da fisiologia das plantas. lagos e água subterrânea). como o cultural e químico. em concentrações convenientes. ele causa menor dano à forrageira. O herbicida deve ser considerado uma ferramenta a mais e não como o único método de controle. assim. • Mesmo em épocas chuvosas. sendo o tempo de recuperação da área relativamente rápido. e este será imobilizado do solo.

sendo estes de amplo espectro de ação e baixa persistência no ambiente (dessecantes). atividade metabólica e densidade de infestação). sendo para isso realizada a destoca e gradagens.Uso de herbicidas na reforma e formação de pastagens Na reforma de pastagens ocorre a necessidade da destruição da vegetação da área. desde que utilizado no momento adequado e de forma correta. porém não controla as espécies que possuem órgãos de reserva. Módulo 3. são dependentes das plantas daninhas presentes na área e de seu desenvolvimento no momento da aplicação (Quadro 2). A gradagem é um método mecânico de controle de plantas daninhas. 2. A eliminação da vegetação pode ocorrer pelo emprego de práticas mecânicas ou por meio de controle químico com herbicidas. paraquat. é prática viável. também em estádios iniciais de desenvolvimento. Portanto. O objetivo deste controle é reduzir a competição das plantas daninhas e possibilitar condições ideais ao rápido estabelecimento e desenvolvimento da forrageira.Manejo de plantas daninhas em pastagens 259 . desde que inserida em um manejo adequado de controle de plantas daninhas e recuperação da pastagem. Nesse caso.4-D. como: conhecimento das condições de degradação da pastagem e decisões conjuntas para sua recuperação. uma vez que estes produtos são seletivos às gramíneas (Quadro 2). o emprego de reguladores de crescimento. Os demais sistemas de plantio devem ser realizados em solo com preparo adequado.1 . diquat. a utilização de herbicidas no controle de plantas daninhas tem se mostrado uma prática economicamente viável. com posterior implantação da forrageira. e distribuição de plantas daninhas (localizada ou não).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas maioria dos casos. O emprego do controle químico como único e generalizado implica a inviabilidade econômica da prática agrícola e sério desequilíbrio no sistema de produção. biologia. Os principais herbicidas utilizados com essa finalidade são glyphosate. sendo necessário o emprego conjunto do controle químico com herbicidas sistêmicos (Quadro 2). O emprego do controle químico deve ser feito juntamente com outras práticas de controle. Os herbicidas a serem utilizados. sendo comum a mistura entre alguns destes.6 . paraquat + diuron e 2. o herbicida é uma ferramenta muito importante no manejo integrado de plantas daninhas. uma vez que este possibilita as melhores condições de desenvolvimento e permanência da forrageira. sendo a de maior importância o controle cultural. estádio de desenvolvimento. possuindo retorno rápido e certo. conhecimento do tipo da forrageira. não possuindo torrões e tocos. identificação correta das plantas daninhas (espécie.4. São necessários alguns fatores para o sucesso da utilização do controle químico no manejo integrado de plantas daninhas. em pequenas doses. A seguir será abordado o manejo de plantas daninhas em pastagens utilizando-se herbicidas. bem como suas misturas. Quando a forrageira (monocotiledônea) estiver se estabelecendo na área e surgirem plantas daninhas dicotiledôneas. cabendo ao controle químico apenas auxiliar quando necessário. o emprego do controle químico se faz necessário.

uma vez que implica disponibilizar condições adequadas ao restabelecimento e desenvolvimento da forrageira já implantada na área. o primeiro passo é a eliminação da competição pelas plantas daninhas. 2. A ausência da complementação do controle químico com o controle cultural inviabiliza essa tecnologia.4. Devese manter a pastagem sem pastoreio por um período de tempo após as práticas suficiente para recuperação desta. da espécie da forrageira. ou seja. como: 2. como adubação e calagem. presença de comprometimento da fertilidade do solo com manutenção da integridade da forrageira. como o 2. por possibilitar condições adequadas ao desenvolvimento da forrageira. triclopyr e tebuthiuron (Quadro 2). o controle de plantas daninhas é fundamental para a sustentabilidade do sistema de produção.4-D. fluroxipir + picloram. podem ser eliminados pela utilização de produtos granulados espalhados no solo na projeção da copa. A ausência de condições adequadas ao desenvolvimento da forrageira proporciona o restabelecimento das plantas daninhas na área. 2. os arbustos com muitos espinhos. 260 Módulo 3. das espécies de plantas daninhas presentes na área e do nível tecnológico empregado pelo pecuarista. Entretanto.Uso de herbicidas na manutenção de pastagens O manejo adequado da pastagem é o principal fator responsável por sua longevidade e produtividade.: na pindoba) ou mesmo no toco recémcortado de arbustos e árvores. 2.4-D + picloram. tornando esta competitiva e dificultando o estabelecimento de plantas daninhas. Dentre os vários componentes do manejo de pastagens.3 . como o tebuthiuron (Quadro 2). É dependente da população adequada de plantas forrageiras na área e da viabilidade do seu sistema radicular. A eliminação de reboleiras de plantas daninhas perenes e arbustivas pode ser realizada com aplicação localizada nas folhagens. Na prática da recuperação das pastagens. Os herbicidas podem ser utilizados para eliminar as plantas daninhas.4-D + picloram.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas 2. no meristema apical (ex. do nível de infestação de plantas daninhas.4. através de produtos seletivos às gramíneas. quando comparada à formação ou mesmo à reforma. mesmo que os herbicidas sejam eficazes no controle das espécies infestantes.Manejo de plantas daninhas em pastagens . A prática da recuperação é dependente.Uso de herbicidas na recuperação de pastagens A recuperação de pastagens é caracterizada pelo retorno às condições de produção destas sem ocorrer destruição da forrageira ou mesmo o revolvimento do solo. a fim de proporcionar condições adequadas de restabelecimento da forrageira. fluroxipir + picloram e triclopyr (Quadro 2). o que pode ser realizado pelo emprego de herbicidas.6 . são componentes fundamentais no sucesso do manejo de plantas daninhas e na recuperação da forrageira. fluroxipir + picloram e triclopyr (Quadro 2). ainda. 2. Práticas culturais adequadas. que impõem dificuldades na pulverização ou mesmo no corte.4-D. utilizando-se para isso o picloram.4-D + picloram. A recuperação da pastagem demanda menor custo e possibilita a obtenção mais rápida de pasto. Eles possibilitam condições de rápida recuperação da pastagem e melhor aproveitamento do adubo e da calagem pela forrageira.2 .

picão-branco (Galinsoga parviflora). carrapicho-de-carneiro (Acanthospermum hispidum). devido ao rápido metabolismo do 2.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Deve-se atentar para a manutenção da pastagem livre de pastoreio no momento e também por um período de tempo após a aplicação dos herbicidas. Plantas daninhas controladas: amendoim-bravo (Euphorbia spp). podendo causar sérios danos a culturas sensíveis adubadas com o esterco. 2. de ação por contato. café.Manejo de plantas daninhas em pastagens 261 . Esta prática também reduz a contaminação do esterco dos animais com esses herbicidas. Não aplicar em plantas daninhas perenes adultas. glyphosate potássico ou sulfosate.4-D nessas plantas. trapoeraba (Commelina spp. visando redução das doses e maior eficiência de controle. feijão.6 . Mostarda (Brassica campestre). Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas. guanxuma (Sida spp. alface e outras hortaliças.4-D com picloram. com glyphosate. batata. picão-preto (Bidens pilosa). porém não elimina as plantas perenes. Nabo-bravo (Brassica rapa). estando estas em estádio inicial de desenvolvimento. flor-roxa (Echium plantagineum). soja. melão-de-são-caetano (Momordica charantia). Nabiça (Raphanus raphanistrum). que possuem persistência neste e no solo. tomate. entre outras. em infestações mistas (de gramíneas e dicotiledôneas). não ocasionando a morte delas em aplicação isolada. cordãode-frade (Leonotis spp. não pode ser aplicado sobre a forrageira. ou cultivadas em área tratada por um período inferior à sua carência. como: algodão. Por ser herbicida não-seletivo. em área total. corriola (lpomoea spp). Controla várias espécies de gramíneas e dicotiledôneas anuais. com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado.) e aguapé (Eichornia crassipes) Utilizado na renovação das pastagens. mamona (Ricinus communis).4-D Diversos Diuron + Gramocil paraquat Módulo 3. mentrasto (Ageratum conyzoides). que não se reproduzem por partes vegetativas. serralha (Sonchus oleraceus).). poaia (Richardia spp. beldroega (Portulaca oleracea). usá-lo em mistura no tanque do pulverizador. joá (Solanum spp. Quadro 2 – Principais herbicidas recomendados na cultura das pastagens Nome técnico Nome comercial Observações Aplicação (pós-emergência) em área total em forrageiras monocotiledôneas controlando seletivamente as espécies dicotiledôneas. para matar as plantas daninhas anuais (monocotiledôneas e dicotiledôneas). devendo ser aplicada a mistura de 2. como tomate. Controla plantas de folhas largas anuais e algumas perenes.). dente-de-leão (Taraxacum officinale). mastruço (mentruz) (Coronopus didymus). No controle em área total procede-se. caruru (Amaranthus sp. Na dessecação para o sistema de plantio direto. Deve ser aplicado preferencialmente nos estádios iniciais de desenvolvimento das plantas daninhas. erva-moura (maria preta) (Solanum nigrum).). Recomenda-se aplicálo com ponta de pulverização que produza boa cobertura foliar. objetivando a recuperação da forrageira. jurubeba (Solanum paniculatum). Também é utilizado na dessecação para o plantio direto em pósemergência das plantas daninhas. previamente.). ao pastoreio da área. Deve-se atentar para o efeito da deriva para culturas altamente sensíveis próximo à área de pulverização.).

2. tomate. É utilizado na reforma e recuperação da pastagem no controle de plantas daninhas dicotiledôneas herbáceas e semi-arbustivas. fedegoso (Senna obtusifolia). feijão. soja.v. mio-mio (Baccharis coridifolia).). Plantas daninhas controladas: assa-peixe branco (Vernonia polyanthes). Utilizar surfatantes (0. Plantas daninhas controladas (*aplicação no toco recém-roçado): amendoim-bravo (Euphorbia paniculata).25% v. No controle em área total procede-se. com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. preferencialmente.20 a 0. carqueja (Bacharis trimera). entre outras. como: algodão. É utilizado no controle de plantas herbáceas tolerantes ao 2. deve-se roçar as plantas daninhas e esperar a rebrota vigorosa e bem enfolhada (30 a 40 cm para plantas herbáceas e 1 m para semilenhosas) para posterior aplicação. Deve-se atentar para o efeito da deriva para culturas altamente sensíveis próximo à área de pulverização. café. previamente.000 metros de distância de culturas sensíveis. buva (Erigeron bonariensis). No controle em área total procede-se. ao pastoreio da área. Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos.2 a 0. No primeiro caso. capixingui (Croton floribundus). timbó* (Serfania sp). erva-lanceta (Solidago microglossa). cheirosa (Hyptis suaveolens).3% de óleo mineral).4-D 262 Módulo 3. leiteiro* (Peschiera fuchsiaefolia). maria-mole (Senecio brasiliensis). Aplicação em pós-emergência em área total ou localizada. No segundo caso. guanxumas (Sida spp. caraguatá (Erygium spp). Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas. cajussara (Solanum spp.Manejo de plantas daninhas em pastagens . joá (Solanum sisymbrifolium). Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos. entre outras. guanxuma (Sida rhombifolia). jurubeba (Solanum paniculatum).6 . o de aplicação no toco recém-roçado.). Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos. principalmente em pulverizações aéreas que devem ser realizadas no mínimo a 2. feijão.4-D + Mannejo picloram 2. com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso). tojo (Ulex europaeus) e trançagem (Plantago major). Deve ser realizado durante a estação das chuvas. como: algodão. picão-preto (Bidens pilosa). a aplicação deve ser realizada cerca de 40 dias após a emergência das plantas daninhas. soja.4-D e para controlar arbustos e árvores. espinilho (Fagara praecox). pulveriza-se por via terrestre ou aérea toda a área ou as reboleiras mais infestadas. café.3% v. tomate.v Aterbane ou 0. Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso). erva-de-bicho (Polygonum punctatum).ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Utilizar surfatantes 0. batata. assapeixes (Vernonia spp. Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas. ao pastoreio da área.4-D + Tordon picloram 2. malva-branca (Sida cordifolia). na erradicação de arbustos ou árvores isoladas utiliza-se o método da pulverização da copa ou. samambaia (Pteridium aquilinum).). batata. cambarazinho (Eupatorium laevigatum). quando as plantas se encontram em pleno vigor vegetativo. Caso contrário. fumeiro (Solanum sp). previamente. arranha-gato* (Acacia sp. e Sharnkya sp.). Deve-se atentar para o efeito da deriva. aguapé (Eichordia crassipes). em pleno vigor vegetativo. canelade-perdiz (Croton glandulosus) e mata-pasto (Eupatorium maximilianii) e outras.

No controle em área total procede-se. Aplicar em pós-emergência das plantas daninhas. Pode ser utilizado.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Utilizar surfatante 0. As plantas daninhas devem estar em pleno desenvolvimento vegetativo. vassourinha (Sida santaremnensis). assa-peixe branco do cerrado* (Vernonia ferruginea). malvão (Triunfetta bartramia). feijão. (*Em algumas condições ocorre a exigência de repasse no segundo ano com a aplicação de picloram no toco recém-roçado). com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. Requer período de 4-6 horas sem chuvas após sua aplicação. soja. Evitar deriva deste produto para culturas altamente sensíveis. aroeirinha* (Schinus terebenthifolius). batata.6 . Neste caso. por ser fortemente sorvido ao solo e não possuir efeito residual. ou reverter o terreno para outras culturas.v.Manejo de plantas daninhas em pastagens 263 . Fluroxipir Plenum + picloram Glyphosate diversos Módulo 3. angiquinho* (Parapiptadenia sp).2 a 0. por não ser seletivo a elas. malva branca (Sida cordifolia). controla plantas daninhas perenes e com órgãos de reserva. roseta* (Randia armata.v ou óleo mineral 0. É comum sua mistura ao 2. Aplicação em pósemergência em área total ou localizada. principalmente para uso em áreas infestadas por plantas de difícil controle. quando se pretende renová-la. usa-se para destruí-la. mata-pasto (Eupatorium maximilianii). Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas.3% v. tomate. deve-se evitar o contato com as forrageiras. dependendo da formulação utilizada. Este herbicida não impõe restrições quanto à escolha das culturas subseqüentes. ainda. Em aplicações em área total deve-se evitar o plantio de culturas suscetíveis na área por 2 a 3 anos. em aplicações localizadas para controlar plantas em reboleiras. Em pastagem. Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente. evitando a rebrota destas após o revolvimento do solo.4-D. guanxuma (Sida rhombifolia). guatanbú* (Aspidosperma sp. plantas de cerrado ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso). mamica-de-porca* (Fagara rhoifolium). joá (Solanum viarum). previamente. ao pastoreio da área. entre outras. Bauhinia variegata).5% v. Controla de forma não-seletiva plantas daninhas mono e dicotiledôneas. estando estas em boas condições metabólicas. assa-peixe-roxo (Vernonia westiniana). como: algodão. Plantas daninhas controladas: assa-peixe-branco (Vernonia polyanthes). Por ser um herbicida sistêmico. para assegurar sua absorção. jovens ou adultas. controla plantas daninhas dicotiledôneas herbáceas semi-arbustivas e arbustivas. café.). A dose recomendada depende das espécies e do estádio de desenvolvimento destas.

ao pastoreio da área. deve-se corta-las com enxadão abaixo do nível do solo e posteriormente aplicar o produto em caule e raízes decepadas até o ponto de encharcamento. cambará (Lantana camara). mamica-de-porca (Machaerium aculeatum). leiteiro (Peschiera fuchsiaefolia). queimada). Em plantas que possuem engrossamento do caule abaixo do nível do solo (ex.0% v. assa-peixe (Vernonia polyanthes). não impondo restrições quanto a culturas subseqüentes. pata-de-vaca (Bauhinia variegata) e ciganinha (Memora peregrina). apresentando meiavida no solo de 20 a 45 dias. Triclopyr Garlon Picloram Padron 264 Módulo 3.Manejo de plantas daninhas em pastagens . feijão. com a finalidade de rebaixar a pastagem e expor as plantas daninhas ao herbicida que será aplicado. plantas de cerrado ou quando já tenham terminado seu desenvolvimento vegetativo (final do período chuvoso). soja. localizado no centro da projeção das folhas mais novas. devem-se aplicar 15 a 20 mL por planta. Controle de guatambu (Aspidosperma sp.v de Garlon em óleo diesel para cada metro de altura desta planta. camboatá (Tapirira guianensis). como: algodão. entre outras. Para plantas velhas. deve-se fazer o corte abaixo do engrossamento da raiz da última roçada. cuidando para atingir o mínimo possível as folhas da forrageira. tomate. que deve ficar o mais próximo possível no momento da aplicação. Utilizar doses maiores em plantas daninhas adultas que tenham sofrido várias roçadas anteriormente. Não adicionar óleo diesel nem surfatantes. espinilho (Acacia farnesiana). mesmo que a altura esteja abaixo da roçada recente. Em plantas já roçadas anteriormente. para evitar perda do produto. previamente. No controle em área total procede-se. aproximadamente 30-40 cm acima do nível do solo (cerca de 20 mL por planta). Plantas daninhas controladas: erva-quente (Borreria alata).6 .) e outras brotações de cerrado . médio e grande porte. deve-se aplicar o produto sobre o solo ao redor do toco. Na aplicação em área total não se deve utilizar óleo diesel. roçadas várias vezes. aroeirinha (Schinus terebenthifolius).0% v. Os caules mais grossos devem ser rachados em cruz para proporcionar a maior absorção do produto. O produto é rapidamente degradado.) pata-de-vaca (Bauhinia variegata e Parapiptadenia sp. Plantas daninhas controladas: arranha-gato (Acacia plumosa). Não realizar aplicação em plantas secas e com atividade metabólica reduzida (estresse hídrico acentuado. Roçar as plantas daninhas a serem controladas com foice o mais próximo possível do solo. Deve-se utilizar ponta de pulverização do tipo cone cheio. molhando bem todo o toco até atingir o ponto de escorrimento. O produto deve ser aplicado imediatamente após o corte. em pastagens infestadas densamente por plantas daninhas de pequeno. Evitar deriva deste produto para culturas altamente sensíveis.aplicação de Garlon 5. batata. café. Utilizar pontas de pulverização especiais para reduzir o efeito da deriva e proporcionar boa cobertura das plantas daninhas.: ciganinha). dependendo do tipo de solo e das condições climáticas. A aplicação deve ser realizada em plantas com desenvolvimento adequado. Aplicar o produto molhando bem e uniformemente toda a folhagem da planta. objetivando-se atingir o seu sistema radicular. Aplicação deve ser localizada no toco recém-roçado.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Controle eficiente da pindoba (Orbinea speciosa) – 10 mL da solução 4. Em plantas com toco de diâmetro inferior a 3 cm. esta pode ser aérea ou terrestre. jurubeba (Solanum paniculatum) e outras. espinho-agulha (Barnadesia rosea). que apresentam engrossamento visível próximo à superfície do solo.v em óleo diesel a baixa pressão no terço final do caule. A aplicação deve ser realizada diretamente no meristema apical da planta.

fumo-bravo (Solanum verbascifolium). lobeira (Solanum lycocarpum).). a área é caracterizada pela infestação menor do Módulo 3. feijão. espécie infestante. assa-peixe-do-cerrado (Gochnatia polymorpha). fumo. mamica-de-porca (Fagara hiemalis) e tarumã (Vitex sp. os danos tendem a desaparecer num período de 6 a 12 meses. limão-bravo (Soliva sessilis). os arbustos devem apresentar bom desenvolvimento foliar. Devido ao modo de absorção e translocação do herbicida. A distribuição do produto deve ser uniforme na área. para reduzir os efeitos negativos à forrageira. pepino e outras. chirca (Eupatorium bonifolium). bem como de árvores frutíferas. ou localizada nas reboleiras de infestantes que se pretende eliminar. aroeirinha (Schinus terebinthifolius). algodão. devendo. entretanto. carqueja (Bacharis trimera). assa-peixe-do-pará. Mantenha afastados das áreas de aplicação crianças. No caso de aplicação em área total. Após a aplicação deste produto não se recomenda eliminar a parte aérea do arbusto de que se deseja o controle. cruzeta (Strychnos parvifolia). É aplicado em dose única em qualquer época do ano. cansanção ou urtigão (Cnidosculus urens). café-de-bugre (Solanum caavurana).6 . arranha-gato ou unha-de-gato (Acacia plumosa). o aplicador proteger-se com equipamento de proteção adequado (luvas impermeáveis e outros). nível tecnológico do pecuarista e herbicida utilizado. sendo elas dependentes das condições de infestação. No entanto. seu efeito restringe-se ao local de aplicação.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas Nome técnico Nome comercial Observações Formulação granulada aplicada a lanço. ou. tomate. recuperação e manutenção). formação. como soja. assa-peixe-roxo (Vernonia scabra). Plantas daninhas controladas: gramão ou grama-batatais (Paspalum notatum). operação na ocasião do controle (reforma. embaixo da copa dos arbustos indesejáveis (plantas com espinhos e outras). Não aplicar o produto em florestas ou reservas naturais. leiteiro (Peschiera fuchsiaefolia). pereiro (Aspidosperma eburneum). mangueirinha ou camboatá-do-cerrado (Tapirira guianensis). animais domésticos e pessoas desprotegidas por um período de 7 dias após a aplicação do produto. Deve-se evitar a aplicação sobre ou perto de culturas anuais suscetíveis. com granuladeira ou por via aérea. portanto. leiteiro-vermelho (Chrysophyllum marginatum). espinho-agulha (Barnadesia rósea). roseta ou limãozinho-de-goiá (Randia armata). A localizada é denominada catação e constitui-se na eliminação de arbustos agrupados. taboca (Guadua angustifólia). em ambos os casos. pois esta é importante para melhor absorção do herbicida e conseqüentemente agilizará o processo de morte desse arbusto. esporão-de-galo (Celtis glycicarpa). veludo-vermelho (Chomelia pohliana). assa-peixe. folha-de-santana (Vernonia ferruginea).Manejo de plantas daninhas em pastagens 265 . assa-peixebranco. esporão-de-galo (Pisonea aculeata). cega-jumento ou cajussara (Solanum rugosum). jurubeba (Solanum fastigiatum). cipó-prata (Banisteria metalicolor). Tebuthiuro Graslan n São várias as maneiras de aplicação de herbicidas em pastagens. A aplicação foliar pode ser localizada ou em área total. malícia ou dorme-dorme (Mimosa invisa). Usa-se em cobertura total do terreno. capa-bode (Melochia tomentosa). É recomendado para solos arenosos e areno-argilosos. resultados mais rápidos e eficientes serão obtidos quando a aplicação for realizada pouco antes (ou no início) do período chuvoso (julho a dezembro nas regiões Sul e Centro-Oeste). Em caso de lesões ocasionadas principalmente pela maior concentração localizada do produto. as culturas rotacionais poderão ser plantadas no mínimo 3 anos após a aplicação do herbicida. quando em aplicação localizada. a aplicação não deve ser feita em arbustos roçados ou queimados recentemente. ainda. limãozinho ou juvu (Acanthocladus brasiliensis). espinho-agulha (Chuquiragua tomentosa). distribuindo-se os grânulos na projeção da copa.

Manejo de plantas daninhas em pastagens . Essa forma de pulverização possui alto rendimento operacional e exigência baixa de mão-de-obra. permitindo a mecanização com o trator.6 . A aplicação em área total é feita em áreas com infestação acima de 40% e está condicionada à topografia adequada da área. Outra forma de aplicação de herbicidas é em toco recém-roçado. pode-se realizar a aplicação basal. 266 Módulo 3. em condições que impõem restrições à aplicação foliar ou ao corte dos arbustos. necessidade de pista de pouso próximo à área e topografia adequada à pulverização aérea. canhão ou avião (aérea). Deve-se cuidar quanto à deriva próximo a áreas agrícolas. uma vez que a maioria das culturas anuais e perenes é altamente sensível aos herbicidas reguladores de crescimento utilizados em pastagens. Os pulverizadores utilizados são o costal tracionado por uma pessoa. podendo ser realizada com pulverizador de barra. denominado Burro Jet. A aplicação aérea é recomendada em grandes áreas que possuem obstáculos à pulverização tratorizada. o pulverizador tracionado por animal. ou mesmo um pulverizador tratorizado adaptado com várias saídas de pontas. É utilizado no controle de arbustos com espinhos e com arquitetura de galhos bem fechados. caracterizada pela deposição do herbicida granulado no solo na projeção da copa da planta daninha. Esta prática demanda maior nível tecnológico do pecuarista. tendo como objetivo aumentar a suscetibilidade das plantas daninhas aos herbicidas. direcionadas por trabalhadores que acompanham o trator. Todavia.ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas que 40% e disposta em reboleiras. pelas exigências quanto a monitoramento sistemático das condições meteorológicas. A principal vantagem da aplicação aérea é o alto rendimento operacional. podendo pulverizar até 300 ha por dia.

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