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Kimberlito Morfologia Formacao e Kimberlitos Diamantiferos Em Mg Rodrigo Barbosa

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS

KIMBERLITO
MORFOLOGIA, FORMAÇÃO E KIMBERLITOS DIAMANTÍFEROS EM MINAS GERAIS
--- Rodrigo Correia Barbosa --(27/04/2006)

ÍNDICE

PÁGINA

1 – INTRODUÇÃO............................................................................................................ 04 2 – MORFOLOGIA............................................................................................................ 05 2.1 – KIMBERLITO DE CRATERAS................................................................... 05 2.2 – KIMBERLITO DE DIATREMAS................................................................. 06 2.3 – KIMBERLITO ABISSAL.............................................................................. 06 3 – MODELOS DE CLASSIFICAÇÃO DE KIMBERLITOS........................................... 07 4 – MODELOS DE FORMAÇÃO DO KIMBERLITO..................................................... 09 4.1 – TEORIA DO VULCANISMO EXPLOSIVO................................................ 09 4.2 – TEORIA MAGMÁTICA (FLUIDIZAÇÃO)................................................. 09 4.3 – TEORIA HIDROVULCÂNICA (FREATOMAGMÁTICA)........................ 12 5 – PETROLOGIA.............................................................................................................. 14 5.1 – KIMBERLITOS DO GRUPO I...................................................................... 15 5.2 – KIMBERLITOS DO GRUPO II.................................................................... 15 6 – KIMBERLITO E OS DIAMANTES DE MINAS GERAIS......................................... 16 7 – CONCLUSÃO............................................................................................................... 18 8 – BIBLIOGRAFIA........................................................................................................... 19 ANEXO I............................................................................................................................. 20 ANEXO II........................................................................................................................... 22 ANEXO III.......................................................................................................................... 23 ANEXO IV.......................................................................................................................... 24

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O cráton do São Francisco ocupa grande parte de Minas Gerais e destaca-se na região sudeste do Brasil. Classifica-se grosseiramente.INTRODUÇÃO O kimberlito é uma rocha ígnea intrusiva. Os depósitos da região de Kimberley na África do Sul foram os primeiros reconhecidos e deram origem ao nome. O kimberlito ocorre principalmente nas zonas de crátons. porções da crosta terrestre estáveis desde o período Pré-Cambriano. carbonatos e cromita. Blue ground é relativo ao kimberlito não intemperizado. porém ao sul de Rondônia e norte do Mato Grosso também encontra-se kimberlitos. em função das características do kimberlito de Kimberley o kimberlito como sendo “yellow ground” e “blue ground”. um peridotito composto por olivina (normalmente serpentinizada) com quantidades variáveis de flogopita. com exceção dos kimberlitos pobres da Serra da Canastra. porém nele. O cráton Amazônico é a principal delas. Yellow ground é relativo ao kimberlito intemperizado que se encontra na superfície. Os diamantes de Kimberley foram encontrados originalmente em kimberlito laterizado. Página 4 . encontrado em profundidades variáveis. porém sua existência só se tornou conhecida no ano de 1866. No Brasil existem três áreas cratônicas.1 . Os kimberlitos são a mais importante fonte de diamantes. ortopiroxênio. clinopiroxênio. não se conhecem rochas kimberlíticas mineralizadas.

MORFOLOGIA Os kimberlitos são um grupo de rochas ultrabásicas ricas em voláteis (principalmente dióxido de carbono). A cratera é geralmente mais profunda no meio. clinopiroxênio pobre em cromo. retrabalhadas por água. Sulfetos de níquel e rutilo são minerais acessórios comuns. A substituição de olivina. Alguns kimberlitos contém flogopita-estonita poiquilítica em estágio avançado. os últimos em menor quantidade. Membros desenvolvidos do grupo do kimberlito podem ser pobres ou desprovidos de macro-cristalizações e compostos essencialmente de calcita.KIMBERLITO DE CRATERAS A morfologia de superfície de kimberlitos intemperizados é caracterizada por uma cratera de até dois quilômetros de diâmetro cujo piso pode estar a centenas de metros abaixo da superfície. diopsídio. flogopita. Duas categorias principais de rochas são encontradas em kimberlitos de crateras: piroclásticas. o kimberlito pode ser dividido em três unidades. calcita e serpentina. baseadas em sua morfologia e petrologia: 2. Rochas Piroclásticas: Encontradas preservadas em anéis de tufa no entorno da cratera ou dentro da cratera. Normalmente apresentam textura inequigranular característica. resultando na presença de macro-cristalizações inseridas em uma matriz de grãos finos. Segundo Kopylova (2005). Os anéis possuem pequena relação altura por diâmetro da cratera e são preservados em muito poucos kimberlitos. Os minerais da matriz incluem olivina e/ou flogopita juntamente com perovskita. monticellita. enstatita e cromita pobre em titânio. Considerando a raridade de kimberlitos de crateras é difícil desenvolver um modelo para determinar com certeza que todos os kimberlitos serão conformados segundo as características observadas acima. serpentina e magnetita juntamente com flogopita. olivina. em referência a Clement e Skinner (1985). espinélio. depositadas por forças eruptivas e epiclásticas. Os depósitos são normalmente acamados. apatita e perovskita. vesiculares e carbonizados. Os únicos locais com anéis de tufa bem preservados no mundo são Igwisi Hills na Tanzânia e Kasami em Mali.1 . monticellita e apatita por serpetina e calcita é comum. Página 5 . Apresentam-se dispersas quanto mais afastadas do centro e das paredes rochosas. sendo que a olivina é o membro dominante. piropo titaniano pobre em cromo. apatita. Rochas Epiclásticas: Estes sedimentos representam retrabalho fluvial no material piroclástico do anel de tufa no lago formado no topo da diatrema.2 . No entorno da cratera há um anel de tufa relativamente pequeno (em geral com menos de 30 metros) quando comparado com o diâmetro da cratera. flogopita. A montagem destas macro-cristalizações consistem em cristais anédricos de ilmenita magnesiana.

São notáveis as segregações de calcita-serpentina e as segregações globulares de kimberlito em uma matriz rica em carbonato. Geralmente não possuem fragmentação e parecem ígneos.2 – KIMBERLITO DE DIATREMAS Diatremas kimberlíticas possuem de 1 a 2 quilômetros de profundidade e geralmente apresentam-se como corpos cônicos que são circulares ou elípticos na superfície e afinam com a profundidade. O contato com a rocha hospedeira é dado usualmente entre 80 e 85 graus. 2. A zona é caracterizada por material kimberlítico vulcanoclástico fragmentado e xenólitos agregados de vários níveis da crosta terrestre durante a subida do kimberlito à superfície. Página 6 .3 – KIMBERLITO ABISSAL Estas rochas são formadas pela cristalização de magma kimberlítico quente e rico e voláteis.2.

O modelo mais conhecido e geralmente bem aceito foi proposto por Clement e Skinner (1985). Classificação dos Kimberlitos Crater-Facies De Clement e Skinner 1985 Página 7 .3 – MODELOS DE CLASSIFICAÇÃO DE KIMBERLITOS Vários modelos de classificação foram desenvolvidos para os kimberlitos e as grandes variações de textura e mineralogia apresentadas por estas rochas implicam em dificuldades para classificá-los. Esta classificação é largamente utilizada. porém ainda existem controvérsias com relação à formação dos kimberlitos. O termo “tufisítico” significa presumir que o kimberlito foi formado através de processo de fluidização. no entanto é importante notar aqui as implicações genéticas neste modelo.

As características diferenciadoras podem ser resumidas: Kimberlitos de crateras são reconhecidos por características sedimentares. Fragmentos podem ser acidentados ou cognatos. A denominação aqui é baseada no volume percentual dos fragmentos visíveis macroscopicamente. 1985. As subdivisões da terceira coluna envolvem características específicas discutidas em detalhes por Clement e Skinner. A divisão entre “breccia” e “não breccia” (coluna dois – Tipo de Rocha) denomina rochas fragmentadas e é comumente aportuguesada do italiano pelo termo “brecha”.As subdivisões das fácies principais são determinadas por diferenças na textura. Página 8 . O diagrama proposto por Clement e Skinner é o mais comumente aceito utilizado e por isto é apresentado aqui. Kimberlitos abissais são comumente reconhecidos pela presença abundante de calcita e textura segregada com macro/mega-cristalizações. Kimberlitos de diatremas são reconhecidas por formações geodésicas do magma cristalizado e formações semelhantes geradas durante a perda dos gases. mas que fogem do escopo deste texto. Vale ressaltar que não existem classificações inteiramente aceitas para o kimberlito. Qualquer rocha com mais de 15% do volume de fragmentos visíveis é denominada “breccia”.

perfazendo assim uma taxa de 1:2. A superfície não é rompida e os voláteis não escapam.1 – TEORIA DO VULCANISMO EXPLOSIVO Esta teoria envolve o apontamento de magma kimberlítico em baixas profundidades e o subseqüente acúmulo de voláteis. Mitchell (1986) apresenta em detalhes as diferentes teorias. enquanto crateras têm geralmente cerca de 1km de largura. Um algum ponto as chaminés embrionárias alcançam uma profundidade rasa o suficiente (cerca de 500 metros) na qual a pressão dos voláteis é capaz de vencer o peso da rocha que o recobre e os voláteis escapam. O resultado é uma rede complexa de chaminés embrionárias sobrepostas de fácies abissais de kimberlito. formando o que é denominado de “embryonic pipes” (chaminés embrionárias.4 . Acredita-se que a fluidização seja muito breve pois os fragmentos normalmente são angulares. Estudos do ponto original das explosões revelaram que a taxa deveria estar perto de 1:1.2 – TEORIA MAGMÁTICA (FLUIDIZAÇÃO) Segundo Kopylova. 1971). Mitchell. Destas. Página 9 . A fronte fluidizada move-se descendentemente a partir da profundidade inicial. Através da extensiva atividade mineradora desenvolvida nas regiões kimberlíticas tornou-se claro que esta teoria não é sustentável. Com a fuga dos voláteis um breve período de fluidização ocorre. que é suficientemente rápido para “fluidizar” o kimberlito e a rocha hospedeira fragmentada de modo que as partículas são carregadas em um meio sólido-líquido-gasoso. Em termos gerais a teoria aponta que o magma kimberlítico sobe à superfície em diferentes pulsos. Além disso o ângulo de mergulho da grande maioria é muito alto (80-85 graus) para ter sido formado em tais profundidades. a proposição original desta teoria foi feita por Dawson (1962. Subseqüentemente foi desenvolvida por Clement (1982) e vem sendo estudada atualmente por Field e Scott Smith (1999). Isto envolve o movimento ascendente dos voláteis. 4. a relação entre o raio na superfície e a profundidade é muito pequena. Fragmentos da rocha encaixante que se encontrem neste sistema fluidizado podem afundar dependendo de sua densidade. Quando a pressão confinada é suficiente para romper a rocha superior segue-se uma erupção. Não foi encontrada nenhuma câmara intermediária nas profundidades sugeridas. Fácies de transição entre diatremas e fácies abissais têm cerca de 2km de profundidade.MODELOS DE FORMAÇÃO DO KIMBERLITO Desde a descoberta de diamantes em kimberlito muitas teorias surgiram a respeito do processo de formação desta rocha. 4. 1986). ou seja. serão apresentadas as três mais conhecidas e discutidas. Acreditava-se que epicentro da erupção encontravase no contato da fácie abissal com a diatrema.

a transição de fácies abismais para fácies de diatremas.Desenvolvimento da Chaminé Embrionária De Mitchell 1986 Esta teoria supostamente explica as características observadas em chaminés kimberlíticas tais como: fragmentos de rocha encaixante encontrados até 1km abaixo do nível estratigráfico através de fluidização. dado que a explosão inicial acontece a profundidades relativamente baixas. Rede complexa de chaminés de fácies abismais encontradas em profundidade. Eles consideram que a Página 10 . chaminés íngremes com ângulos de ~80-85 graus. Eles acreditam que em alguns casos os magmas kimberlíticos possam entrar em contato com aqüíferos e neste caso a morfologia resultante será significantemente diferente das chaminés encontradas em outros lugares. Descobertas recentes de chaminés de kimberlitos em Fort a la Corne no Canadá sugerem uma re-avaliação da teoria magmática. particularmente na África do Sul. Field e Scott Smith não negam que a água pode desempenhar um papel na vasta variedade de chaminés de kimberlitos obervados.

Exemplos de Chaminés Kimberlíticas De Field e Scott Smith 1998 Página 11 .configuração geológica em que o kimberlito está inserido desempenha um papel significante na sua morfologia. tais como basaltos. Field e Scott Smith atribuem a diferença na morfologia observada nas chaminés de Saskatchewan ao hidrovulcanismo. As paredes da chaminé possuem mergulho especialmente raso e são preenchidas com rochas vulcanoclásticas ou sedimentos das fácies da cratera. Sedimentos mal consolidados são excelentes aqüíferos e podem promover a formação de chaminés com ângulo de mergulho suave. que são aqüíferos pobres. que cobrem a maior parte da África do Sul. enquanto existe ausência de kimberlitos de diatremas. A figura abaixo é baseada no esquema montado por Field e Scott Smith 1998. o quais são preenchidos com kimberlitos de crateras. Rochas bem consolidadas. De especial interesse é a morfologia da chaminé de kimberlitos de Fort a la Corne em Saskatchewan no Canadá. promovem a formação de chaminés muito inclinadas com 3 fácies kimberlíticas distintas. A geologia local apresenta sedimentos pouco consolidados.

De Mitchell 1986 Página 12 . Magmas kimberlíticos ascendem à superfície por fissuras estreitas (~1m). ou a “brechação” resultante da exsolução (desmescla) dos voláteis pela ascensão do kimberlito pode atuar como foco para água. A rocha brechada satura-se novamente com a água superficial. Pode ocorrer de o magma kimberlítico encontrar-se em falhas estruturais. Outro pulso de magma kimberlítico segue a mesma fraqueza estrutural da rocha até a superfície e novamente entra em contato com a água produzindo outra explosão.4. que agem como foco de água. que desenvolveu o modelo hidrovulcânico por 3 décadas. Pulsos subseqüentes reagem com a água da mesma maneira enquanto a fronte de contato move-se para baixo até alcançar a profundidade média da transição entre a fácie abismal e a diatrema. Em qualquer um dos casos o ambiente próximo à superfície é rico em água e a interação do magma quente com a água fria produz uma explosão freatomagmática.3 – TEORIA HIDROVULCÂNICA (FREATOMAGMÁTICA) O principal propositor desta teoria é Lorenz (1999). A explosão tem curta duração.

a descontinuidade que forma um anel no entorno da cratera e o soerguimento da rocha encaixante associado à explosão. certamente algumas erupções teriam ocorrido em regiões pobres em água. IV) A ausência de soerguimento associado com as chaminés kimberlíticas. A teoria hidrovulcânica tem seus méritos e é aceita como o processo de formação dos kimberlitos encontrados em Saskatchewan pelos propositores da teoria da fluidização (Field e Scott Smith. A formação de “maares” são associadas a explosões hidrovulcânicas e possuem estrutura interna diferente dos kimberlitos.Críticas a esta teoria apontam os seguintes problemas: I) A teoria não explica porque toda erupção ocorre em contato com água. III) A falta de características que apontem para a subsidência através da chaminé. 1999). II) A complexa rede de chaminés encontradas na área de transição da fácie abismal e da diatrema não é explicada. No entanto não explica as características observadas na maior parte das outras chaminés kimberlíticas. sendo as principais características a estrutura interna com subsidência em forma de disco. Página 13 .

A mineralogia dos kimberlitos do Grupo II podem representar um ambiente semelhante ao do Grupo I. Esta divisão é feita através de bases mineralógicas. A mineralogia dos kimberlitos do Grupo I é considerada como a representação do derretimento do lherzolito e harzburgito.5 – PETROLOGIA Kimberlitos dividem-se em Grupo I (basáltico) e Grupo II (micáceo). porém a diferença é a preponderância de água ao invés de dióxido de carbono. Diagrama de Rochas Plutônicas Ultramáficas Página 14 . eclogito e peridotito no manto inferior.

apatita. Kimberlitos do Grupo I exibem textura inequigranular distintiva com macrocristalizações (0. fosfatos.1 – KIMBERLITOS DO GRUPO I Kimberlitos do Grupo I são ricos em CO2 e predomina a mistura de olivina forsterítica. perovskita. piropo cromiano. granada piropo. ilmenita magnesiana e flogopita em uma massa de grãos finos a médios. flogopita. contém olivina forsterítica. Cr-diopsídio. diopsídio cromiano (em alguns casos subcálcico). Macrocristalizações de olivina ou cristais euédricos primários de olivina reabsorvidos são comuns mas não são constituintes essenciais. enstatita e cromita pobre em titânio. ilmenita magnesiana. que apresenta com maior propriedade a composição de uma rocha ígnea. piropo. fenocristais de olivina.2 – KIMBERLITOS DO GRUPO II Kimberlitos do Grupo II (ou orangeítos) são ricos em H2O. juntamente com presença de micas que variam em composição de flogopita até tetraferroflogopita (flogopita anomalamente rica em Fe).5. rutilo e ilmenita. Fases primárias características na matriz microcristalina incluem piroxênios zonados (núcleos de diopsídio circulados por aegirina-Ti). diopsídio cromiano. piropo-almandina.5-10mm) a megacristalizações (10-200mm). A composição mineralógica da matriz de micro-cristalizações. 5. ilmenita magnesiana e espinélio. A característica distintiva dos orangeítos são as macro e megacristalizações de flogopita. Página 15 . minerais do grupo do espinélio.

Segundo CHAVES (1999) em Minas Gerais pode-se identificar duas macro-regiões nas quais se concentram os principais depósitos do estado: a província mineral do Espinhaço e a do Alto Parnaíba. porém especula-se que a extração de diamantes no Brasil seja um pouco mais antiga. Duas rochas são responsáveis pelo transporte do diamante até a superfície: kimberlitos e lamproítos. Os diamantes foram descobertos no Brasil em 1729. Durante toda a história do Brasil a extração de diamante tem sido feita em aluviões. na região de Diamantina-MG. em profundidade superior a 150km.6 – KIMBERLITO E OS DIAMANTES DE MINAS GERAIS Os diamantes são formados no manto. Depósitos de Diamantes do Brasil Página 16 .

lagunas e mares rasos. As chaminés mais promissoras na região são Canastra 8 e Tucano 1. principalmente se comparado ao lamproíto de Argyle na Austrália. Embora a lavra de Canastra 1 seja pouco interessante economicamente o projeto prevê a exploração de boa parte da área kimberlítica da Serra da Canastra e é provável que alguma das chaminés kimberlíticas finalmente coloque o Brasil entre os produtores de diamantes primários (diamantes extraídos diretamente de kimberlitos ou lamproítos).A província do Espinhaço engloba a região de Diamantina e é marcada pela Serra do Espinhaço. A chaminé kimberlítica “Canastra 1” é atualmente o maior projeto de mineração para os diamantes da província do Alto Paranaíba. taludes serranos. O projeto Canastra 1 concentra-se sobre uma chaminé de cerca de 1 hectare de tamanho onde os teste indicaram uma concentração de 4 ct por tonelada. é caracterizada pela presença de várias chaminés de rochas kimberlíticas. filitos e conglomerados. ao contrário do Espinhaço. o que é muito pouco. Página 17 . desertos. Se os diamantes são sempre associados a kimberlitos e lamproítos fica aparente o paradoxo da província do Espinhaço. que produz 18 ct por metro cúbico ou aos kimberlitos sul-africanos com cerca de 6 ct por metro cúbico. A província do Alto Parnaíba. A fonte original e os processos responsáveis pelo transporte dos diamantes à província do Espinhaço é objeto de inúmeros debates e foge do escopo deste texto. que representam originalmente sedimentos depositados em rios. O projeto vem sido conduzido pela empresa canadense “Brazilian Diamonds”. incluindo quartzitos. Embora existam kimberlitos na região. até o início do projeto Canastra 1 a extração de diamantes era realizada em aluviões por garimpeiros. A Serra do Espinhaço é constituída de rochas metamórficas dobradas. Constatou-se recentemente a presença de kimberlito mineralizado na Serra da Canastra.

A descoberta de uma única chaminé kimberlítica mineralizada na Austrália a colocou como maior produtora mundial de diamantes e existe possibilidade que no Brasil descoberta semelhante possa modificar todo o mercado mundial de diamantes. possuem falhas e exatamente por isso é impossível apontar um modelo como o “mais correto”. É consenso que as chaminés kimberlíticas não possuem relação com riftes e que a água desempenha um papel importante nas características da rocha. Página 18 . embora aceitos em termos gerais. Apesar de toda a sua importância o kimberlito é uma rocha ainda pouco conhecida e por isso mesmo alvo de opiniões divergentes principalmente com relação a sua formação.7 – CONCLUSÃO A importância do kimberlito para toda a sociedade fica clara quando se analisa o impacto que a descoberta de kimberlito mineralizado causa sobre a economia das províncias minerais. Sabe-se no entanto que lineamentos de chaminés kimberlíticas indicam com boa precisão a posição dos crátons em diversas eras geológicas e este tipo de conhecimento possibilita um melhor entendimento da formação da Terra e possue aplicações práticas na prospecção de minerais. porém todos os modelos de formação atuais.

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Yellow ground é relativo ao kimberlito intemperizado que se encontra na superfície. É consensual a proposição de que os kimberlitos são formados de um magma rico em voláteis. carbonatos e cromita. existem três teorias mais conhecidas e aceitas: a Teoria do Vulcanismo Explosivo. Os Kimberlitos de Crateras são formados na porção superior da chaminé kimberlítica em profundidades muito rasas. Quanto à sua formação. Esta nomenclatura. que é a região cônica da chaminé kimberlítica. encontrado em profundidades variáveis. criando uma zona de pressão contida pela rocha encaixante e que em um certo ponto explodiria gerando uma erupção. Os Kimberlitos Abissais são formados na região abaixo das diatremas. Kimberlitos de Diatremas” e “Kimberlitos Abissais”. clinopiroxênio. que sugere que os voláteis (principalmente CO2) do magma formador do kimberlito dilatem entre a fácie abissal e a diatrema. Classifica-se grosseiramente. Os diamantes são transportados pelo magma kimberlítico partindo de seu local de formação a cerca de 100km de profundidade. Diatreme Facies Kimberlites e Hyperabyssal Facies Kimberlites. a olivina componente é comumente serpentinizada. tendo em vista as discrepâncias que kimberlitos de diferentes regiões apresentam. Todos os peritotitos possuem mais de 40% de sua composição de olivina. embora usual. em função das características do kimberlito de Kimberley o kimberlito como sendo “yellow ground” e “blue ground”. no fundo do cone e nos entornos do dique de alimentação da chaminé. O kimberlito é encontrado em chaminés kimberlíticas. que são resquícios de chaminés vulcânicas. Baseado nesta premissa. Estas discrepâncias entre os kimberlitos levou à teoria que haveriam diferenças em sua formação. Blue ground é relativo ao kimberlito não intemperizado. não caracteriza o kimberlito satisfatoriamente. A Teoria Magmática sugere que somente existam explosões próximas à superfície e nestas explosões a energia liberada fluidizasse a rocha encaixante fazendo com que Página 20 . o modelo de classificação dos kimberlitos mais aceito hoje em dia foi proposto por Clement e Skinner em 1985 e classifica os kimberlitos segundo três grandes grupos relativos ao seu local de formação na chaminé kimberlítica: Crater Facies Kimberlites. O kimberlito trata-se de um peridotito composto por olivina com quantidades variáveis de flogopita. ortopiroxênio. Os Kimberlitos de Diatremas são formados nas diatremas. que numa adaptação livre podem ser denominados simplesmente por “Kimberlitos de Crateras”. As chaminés kimberlíticas apresentam-se geralmente com pouco soerguimento da área ao redor e com crateras muito largas. É comum que estas crateras se apresentem como maares. A origem do nome deu-se em função da descoberta de kimberlitos diamantíferos na região de Kimberley na África do Sul em 1866. No caso do kimberlito.ANEXO I RESUMO O kimberlito é uma rocha magmática plutônica de grande interesse econômico por sua associação com diamantes.

porém é tido como consenso que um modelo definitivo será algo muito próximo da Teoria Magmática e da Teoria Hidrovulcânica. embora com teores muito baixos. na Província do Alto Parnaíba. sendo que a Teoria do Vulcanismo explosivo é praticamente descartada. Recentemente a descoberta de kimberlitos mineralizados. tendo em vista que a Serra do Espinhaço é composta basicamente por rochas sedimentares e metamórficas. mas até pouco tempo não se conheciam kimberlitos mineralizados na região. sem nenhuma relação com kimberlitos (ou com lamproítos. a Província do Alto Parnaíba possue presença marcante de kimberlitos. São chamados genericamente de kimberlitos basálticos. Os kimberlitos podem ser dividos em dois grupos segundo sua petrologia. Os três modelos apresentam falhas e a formação do kimberlito ainda é objeto de estudo. Página 21 . outra rocha relacionada ao transporte de diamantes) Por outro lado. Sua característica distintiva são as macro e megacristalizações de flogopita. com destaque especial para a região de Diamantina.pedaços desta afundassem no magma enquanto o kimberlito alcança a superfície. A verdadeira origem dos diamantes da Província do Espinhaço ainda é alvo de debates. Província Diamantífera do Espinhaço. A Teoria Hidrovulcânica aponta a água superficial como fator causador das explosões do magma kimberlítico. despertou o interesse de mineradoras e a região vem sendo alvo de pesquisas em busca de kimberlitos diamantíferos. Kimberlitos do Grupo II são ricos em H2O e são também chamados “orangeítos”. No estado de Minas Gerais a lavra de diamantes foi historicamente realizada em aluviões. na Serra da Canastra. juntamente com presença de micas. Devido a isto são genericamente chamados de kimberlitos micáceos. Kimberlitos do Grupo I são ricos em CO2 e apresentam textura inequigranular.

ANEXO II MAPA: OCORRÊNCIAS DE DIAMANTES NO BRASIL Lineamentos das Principais Ocorrências de Diamantes no Brasil Página 22 .

ANEXO III DIAGRAMA: KIMBERLITO DIAMANTÍFERO Diagrama de Formação de Kimberlito Diamantífero Página 23 .

ANEXO IV FIGURA: ESQUEMA DE UMA CHAMINÉ KIMBERLÍTICA Chaminé Kimberlítica Página 24 .

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