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VIII Seminário Técnico de Proteção e Controle

28 de Junho a 1o de Julho de 2005 Rio de Janeiro – RJ

Artigo: ST-40

SATURAÇÃO DE TRANSFORMADORES DE CORRENTE – UM ESTUDO DE CASO Odemar Solano Klock Jr. (odemar@copel.com)

COPEL TRANSMISSÃO SA

RESUMO Este artigo mostra a análise de uma perturbação que trata da abertura de uma linha de transmissão onde as atuações das proteções foram corretas porém, pela análise dos oscilogramas foi verificado que houve saturação do transformador de corrente. Para investigar este problema foi utilizado um programa computacional que foi desenvolvido para simular o comportamento transitório de um transformador de corrente e que é apresentado neste artigo. A conclusão da análise foi de que o dimensionamento dos cabos secundários de ligação aos transformadores de corrente impunham uma carga secundária que fazia com que os transformadores de corrente saturassem. Como a maioria dos relés de proteção que são aplicados atualmente utilizam tecnologia digital, a carga de seus respectivos transformadores de corrente tende a ser puramente resistiva, evidenciando o fato, muito importante, de que a carga nominal de um transformador de corrente agora é menor, tendo em vista que para a maioria dos transformadores de corrente, para serviço de proteção, utilizados atualmente, a carga nominal será reduzida pela metade (o fator de potência nominal é 0,5). PALAVRAS-CHAVE: ANÁLISE; SATURAÇÃO DE TC’s.

1. FUNDAMENTOS DE TRANSFORMADORES DE CORRENTE Segundo a ABNT[1], um transformador para instrumentos é um transformador destinado a reproduzir, no seu circuito secundário, a tensão ou corrente do seu circuito primário, com sua posição fasorial substancialmente mantida, em uma proporção definida, conhecida e adequada para o uso com instrumentos de medição, controle e proteção. Os transformadores para instrumentos garantem um isolamento contra o circuito de alta tensão, fornecendo em seu secundário valores proporcionais de corrente ou tensão do circuito ao qual está ligado. Os transformadores de corrente tem seu enrolamento primário ligado em série com o circuito de alta tensão. A impedância do transformador, vista do lado primário, é desprezível, comparada com a do sistema ao qual está ligado, mesmo levando em conta a carga em seu secundário. Desta forma, a /corrente que circula no primário dos transformadores de corrente é ditada pelo circuito de potência. Um circuito equivalente aproximado PERTURBAÇÃO; para um transformador de corrente é mostrado na figura 1.

R. Pe Agostinho, 2600 – Curitiba – PR. CEP:80710-000

1 : n

ZH n² Ie I H /n Rm

ZL

Is C a rg a (Z B )

Xm

Figura 1 - Circuito equivalente do transformador de corrente A corrente primária (IH) é diminuída em amplitude através da transformação sem perdas (perfeita). A impedância de dispersão primária (ZH) é modificada por n², quando referida ao secundário. A impedância de dispersão secundária é ZL. Os componentes de perdas no núcleo e de excitação são representados por Rm e Xm. A corrente primária é transformada, sem erros de relação, ou de ângulo de fase, na corrente IH/n que é chamada, geralmente, de corrente primária referida ao secundário. Parte desta corrente é consumida na excitação do núcleo, e esta corrente (Ie) é chamada de corrente de excitação secundária. A diferença entra ambas é a verdadeira corrente secundária. A corrente de excitação secundária (Ie), é função da tensão de excitação secundária (Vs) e da impedância de excitação secundária (Zm). A curva que relaciona Vs com Ie é chamada curva de excitação secundária, um exemplo desta curva é mostrada na figura 2.

Considera-se que um transformador de corrente para serviço de proteção está dentro de sua classe de exatidão quando seu erro de relação percentual não for superior ao valor especificado, desde a corrente secundária nominal até uma corrente igual a 20 vezes a corrente secundária nominal. O erro de relação percentual pode ser obtido pela seguinte equação E %
IH n IS IS 100

.

Segundo a ABNT, as cargas nominais são designadas por um símbolo formado pela letra "C", seguida do número de Volt-Amperes, com a corrente secundária de 5A. Variam de C2,5 a C200, correspondendo, respectivamente a 2,5VA (0,1 Ohms) e 200VA (8 Ohms). A tabela I mostra as cargas nominais padronizadas pela norma ABNT.

Potência Designação ABNT C2,5 C5,0 C12,5 C25 C50 C100 Resistência OHM 0,09 0,18 0,45 0,50 1,0 2,0 4,0 Indutância nH 0,116 0,232 0,580 2,3 4,6 9,2 18,4 Aparente VA 2,5 5,0 12,5 25 50 100 200

Fator de Potência Impedância OHM 0,90 0,90 0,90 0,50 0,50 0,50 0,50 0,1 0,2 0,5 1,0 2,0 4,0 8,0

1000

C200

Tabela I – Cargas Nominais padronizadas
100

V o l ts

10

2. O PROGRAMA DE SIMULAÇÃO A componente assimétrica das correntes de falta em sistemas de potência causa, em certas situações, algum grau de saturação nos transformadores de corrente. Após a ocorrência de saturação, a corrente que alimenta os relés de proteção mostrará evidências de distorção e o desempenho dos esquemas de proteção pode ser afetado. A distorção da corrente secundária que se obtém através do transformador de corrente começa sempre que a densidade de fluxo no núcleo entra na região de saturação. Quando se tem uma corrente primária, com um deslocamento provocado pela presença de corrente contínua, como mostrado na figura 3, ocorrerá um aumento do fluxo no núcleo muitas vezes maior do que o requerido para se transformar apenas a componente de 60Hz da corrente.

1 0 .0 0 1 0 .0 1 0 .1 A m p eres 1 10 100

Figura 2 - Curva de Excitação Secundária

Este circuito generalizado pode ser reduzido. A impedância primária ZH pode ser desprezada uma vez que não causa influência na corrente transformada idealmente (IH/n), nem na tensão através de Zm. Geralmente ZL é resistiva. A corrente de excitação Ie é atrasada em relação a Vs e é a principal fonte de erro. Note, então, que o efeito da existência de Ie é tornar Is menor e adiantada em relação à corrente transformada idealmente (IH/n). Este circuito fornece um bom meio para se explicar e estimar o desempenho aproximado a ser esperado deste equipamento. Segundo a ABNT, os transformadores de corrente são enquadrados em uma das seguintes classes de exatidão: 5 (erro percentual até 5%); 10 (erro percentual até 10%) 2

C O R R EN T E

programa e traz uma simplificação pois desconsidera a histerese e as perdas no núcleo. A curva é gerada ponto a ponto e os pontos intermediários são obtidos por interpolação linear. A corrente IH/n é simulada como uma fonte de corrente com a seguinte expressão:
T EM P O

IH n

V Z

R

t

sen wt

e

L

sen

i(0 )

Figura 3 – Corrente primária de falta A figura 4 mostra o aumento da densidade de fluxo no núcleo de um transformador de corrente, quando uma corrente deslocada pela componente contínua é aplicada a um transformador de corrente com uma carga secundária resistiva. A componente contínua da corrente introduz um fluxo contínuo no núcleo do transformador de corrente sobre o qual oscila o fluxo devido a componente alternada da corrente. Assim, uma corrente assimétrica necessita mais corrente de excitação do que a curva de excitação secundária indicaria e, como resultado, a saída de um transformador de corrente na presença da componente contínua é menor do que a esperada. A saturação devido à componente contínua é especialmente importante porque em casos severos pode reduzir a saída de um transformador de corrente a quase zero para os primeiros ciclos da falta. A duração desta condição é determinada pela relação X/R do sistema.

onde V [Volts] é o módulo da tensão fase terra 2 2 2 do sistema; Z= R +w L [Ohms] é o módulo da impedância de defeito; é o ângulo da tensão em que a falta é aplicada; é o ângulo de Z; e i(0) é a corrente de carga. Pela expressão da corrente verifica-se que a maior assimetria é obtida para - = 90º. A janela do programa está mostrada a seguir na figura 5.

Figura 5 – Janela do programa
F lu x o

Assim que sejam fornecidos todos os seguintes dados: Dados do Sistema de Potência Dados do Transformador de Corrente Dados da Curva de Excitação Acionando o botão <Executa>, o programa calcula o comportamento transitório do transformador de corrente para os primeiros seis ciclos de falta e apresenta os gráficos da corrente primária, tensão secundária, fluxo no núcleo, corrente secundária e corrente de Figura 4 – Fluxo no núcleo excitação em valores secundários do lado esquerdo da janela. Acionando o botão <Espectro>, que é habilitado após a simulação, Os métodos de solução utilizados pelo o programa apresenta o valor eficaz e uma programa de simulação do comportamento transitório análise espectral da corrente secundária. de transformadores de corrente são os mesmos usados no programa Electromagnetic Transients Program –EMTP[3]. 3. ANÁLISE DA OCORRÊNCIA Para se resolver o circuito equivalente do transformador de corrente precisamos simular a O registro oscilográfico do circuito curva de excitação do transformador de corrente que, Pinheiros-138kV da subestação Foz do geralmente, é dada pela tensão eficaz como uma Chopim está mostrado na figura 6. Como pode função da corrente de excitação eficaz. No EMTP ser observado, a corrente de falta está bem existe uma subrotina auxiliar (CONVERT) que distorcida indicando a existência de saturação transforma a curva de excitação em uma curva do transformador de corrente da fase A. fluxo x corrente. Esta rotina foi implementada no
F lu x o T r a n s itó r io øTC F lu x o M á x im o F lu x o A lte r n a d o øA C Pic o F lu x o A lte r n a d o Tem po

F lu x o T o ta l ø

3

Figura 6 - Oscilograma Figura 9 – Resultado da simulação Foi solicitado ao pessoal de campo que fizesse o levantamento, no local, da impedância e da curva de excitação secundárias dos transformadores de corrente do circuito Pinheiros-138kV da subestação Foz do Chopim. Os valores obtidos foram - cabo da caixa do transformador de corrente até o painel (4x4mm) = 1,10 e painel de proteção mais registrador digital = 0,55 , resultando num total de 1,65 . Para o transformador de corrente GECALSTHOM 10A400C100 1200-5A RM, que na relação de 600-5A apresenta 10A200C50, o valor medido da resistência secundária foi de 0,275 e a curva de excitação, levantada em campo, está mostrada na figura 8. A tensão de saturação calculada para este transformador de corrente foi de 215V. A análise espectral da corrente secundária, que está mostrada na figura 10, fornecida pelo programa, também traz o valor eficaz da corrente secundária com a qual pudemos calcular o erro de relação percentual que é dado por E % 52 , 7 44 . 76 100 17 % ,
44 . 76

acima do permitido por norma que é de 10%.

Figura 10 – Análise espectral
V
300

Para tentar resolver o problema, foi acionada a empresa responsável pelo 250 empreendimento “turn key” que apresentou um memorial de cálculo das cargas, correntes e 200 tensões que teoricamente devem ocorrer nos 150 secundários dos transformadores de corrente, 100 da subestação Foz do Chopim, que traz as seguintes conclusões: 50 1. As cargas e tensões calculadas são 0 mA inferiores às máximas permitidas pelas 0 500 1000 1500 2000 2500 normas para as relações de transformação utilizadas. Figura 8 – Curva de excitação secundária 2. Os cabos de controle que interligam os transformadores de corrente aos painéis estão corretamente dimensionados, não havendo justificativa de troca dos mesmos. Num cálculo aproximado, verificamos que com uma corrente secundária de 52A e uma Porém, se tudo estava correto e dentro impedância total de 1,10+0,55+0,275 = 1,925 , a tensão secundária é de 100V, e como a tensão de das normas, por que a saturação? Para demonstrar o que está joelho calculada para o transformador de corrente é acontecendo, utilizando o programa de de 215V surgiu a pergunta: por que a saturação? Partimos para a simulação utilizando o simulação, que se mostrou uma ferramenta programa descrito anteriormente cujo resultado está muito útil e poderosa, vamos alterar a carga mostrado na figura 9. Como pode ser observado, o secundária do transformador de corrente de resultado obtido pela simulação está muito próximo uma carga resistiva pura para uma carga indutiva pura. O resultado desta simulação do observado na oscilografia. 4

Curva de excitação secundária

está mostrado na figura 11. O que ocorre é o esperado pelas análises aproximadas realizadas preliminarmente e pela empresa responsável pelo empreendimento, não existe saturação e tudo está certo.

Está se estudando a troca das relações de transformação dos transformadores de corrente para 1200-5A, pois mesmo com a substituição dos cabos de ligação não se conseguiria uma resistência secundária de 1 . Entretanto, como esta solução implica em reduzir a sensibilidade das proteções, estamos convivendo com o problema, até a entrada de mais um transformador interligador na subestação Foz do Chopim, o que aumentará o nível de curto-circuito propiciando, desta forma, a troca das relações dos transformadores de corrente.

REFERÊNCIAS 1. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6856. Rio de Janeiro, ABNT, 1992. 2. D’AJUZ, ARY et al . “Equipamentos Figura 11 – Resultado da simulação Elétricos: especificação e aplicação em subestações de alta tensão”, Rio de Janeiro, FURNAS, 1985. 3. DOMMEL, H.W. “Electromagnetic 4. CONCLUSÃO Transients Program - Reference Manual”, Portland, Bonneville Power Administration, Deste fato, podemos concluir então, que é a 1986. carga resistiva do transformador de corrente que está provocando a saturação. A carga nominal normalizada para este transformador de corrente, na relação 600-5A, é de 2 , porém da tabela I, para um transformador de corrente designado por C50, temos que a resistência secundária normalizada é de 1 . Assim sendo, se a resistência secundária do transformador de corrente estiver acima de 1 o comportamento do transformador de corrente estará comprometido. Como, a maioria dos relés de proteção que são aplicados atualmente utilizam tecnologia digital a carga de seus respectivos transformadores de corrente tende a ser puramente resistiva, evidenciando o fato, muito importante, de que a carga nominal do transformador de corrente agora é bem menor. Note-se que, para a maioria dos transformadores de corrente para serviço de proteção utilizados atualmente, a carga nominal será reduzida pela metade (fator de potência 0,5 – tabela I). Desta forma, a metodologia de cálculo aproximada utilizando a curva de excitação secundária para a verificação da exatidão de transformadores de corrente deve levar em conta o fator de potência da carga secundária ligada ao transformador de corrente. Para a solução do problema da saturação do transformador de corrente do circuito Pinheiros138kV da subestação Foz do Chopim várias possibilidades foram aventadas, tais como: a troca da relação dos transformadores de corrente, a troca dos cabos secundários de ligação aos transformadores de corrente e até a substituição dos transformadores corrente. 5

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