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Os requisitos elementares da liminar da tutela cautelar, tutela antecipada e no mandado de segurança e as suas diferenças

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OS REQUISITOS ELEMENTARES DA LIMINAR DA TUTELA CAUTELAR, TUTELA ANTECIPADA E NO MANDADO DE SEGURANÇA E AS SUAS DIFERENÇAS

Gilberto Ferreira Marchetti Filho1

RESUMO.

Os requisitos elementares da liminar da tutela cautelar, tutela antecipada e no mandado de segurança e as suas diferenças. Cada liminar tem seus requisitos específicos. E, segundo a grande maioria dos doutrinadores, os necessários para a tutela cautelar não se confundem com aqueles necessários à tutela antecipada e ao mandado de segurança. Cada qual tem seu significado, inconfundível com o de outra liminar.

PALAVRAS-CHAVE.

Liminar. Requisitos. Tutela cautelar. Tutela antecipada. Mandado de segurança.

INTRODUÇÃO

É comum visualizar nas petições que adentram aos serviços de protocolos das comarcas brasileiras petições iniciais, com pleito de tutela antecipada, demonstrando requisitos legais diversos dos necessários para sua concessão. O mesmo ocorre com nos pedidos de liminares do mandado de segurança. Portanto, necessário se faz algumas considerações sobre o tema, com o fim de aclarar sobre quais são os requisitos de cada uma dessas liminares, e quais as suas diferenças.

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DOS REQUISITOS DA LIMINAR NA TUTELA JURISDICIONAL CAUTELAR

Noções Gerais ______________
Bacharel em Direito pelo Centro Universitário da Grande Dourados – UNIGRAN. Assessor Jurídico da 6ª Vara Cível da Comarca de Dourados – MS. Professor de Direito Civil no Centro Universitário da Grande Dourados – UNIGRAN e na Universidade Federal da Grande Dourados – UFGD. Pós-graduando lato sensu em Direito Civil pelo Centro Universitário da Grande Dourados – UNIGRAN.
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Alexandre Freitas. 2. 37. ao qual o mesmo se liga necessariamente” 3. o processo cautelar. p. Nápoles. p. 1972. ou seja. p. ed. E neste ponto é que se pretende diferenciar tais requisitos em relação aos indispensáveis para a concessão da antecipação dos efeitos da tutela e da liminar no mandado de segurança. Na verdade.” 2 Tanto ocorre porque “o processo cautelar tem por fim garantir a efetividade de outro processo. risco esse que deve ser objetivamente apurável. n. ou pressupostos 7. mesmo quando alcança seu desfecho normal (o que ocorre quando é prolatada a sentença cautelar. Para alcançar-se uma providência de natureza cautelar. concedendose a tutela jurisdicional satisfativa. Diritto e processo. lecionada Alexandre Freitas Câmara que “o processo cautelar não é capaz de satisfazer o direito substancial. 2005. Exposição de motivos do Código de Processo Civil. Grifo no original. 3. v. 350. 3 Ibidem. 2. 360. 8 THEODORO JÚNIOR. a cautelar acaba por assumir uma posição “preventiva” 4. Humberto. ed. Rio de Janeiro: Forense. 7 Termo utilizado por Ernani Fidélis dos Santos in Manual de Direito Processual Civil. este transmutado para fase de cumprimento de sentença pela Lei 11. Francesco. no qual analisar-se-á o próprio direito material. Apud THEODORO JÚNIOR. 6 Expressão utilizada por Humberto Theodoro Júnior in Curso de Direito Civil. v. “auxiliar e subsidiária” 5 em relação a outro processo. Lições de Direito Processual Civil. ed. Rio de Janeiro: Forense. com a posterior efetivação do comando nela contido). Nesse sentido. via de regra. Fumus boni iuris ______________ CÂMARA.Ao lado dos processos de conhecimento e execução. 2004. em razão do periculum in mora. a saber: I – Um dano potencial. um risco que corre o processo principal de não ser útil ao interesse demonstrado pela parte. quando tratar-se de título executivo judicial.232/2005. o fumus boni iuris. 8 Sem esses requisitos não defere a liminar da cautelar. 4 BUZAID. Enquanto aqueles visam a satisfação da prestação jurisdicional. chamado de processo principal. Curso de Direito Processual Civil: processo de execução e processo cautelar. não é suficiente a satisfazer o direito material invocado. Curso de Direito Processual Civil: processo de execução e processo cautelar. Alfredo. II – A plausibilidade do direito substancial invocado por quem pretenda segurança. 3. tem-se um segundo gênero de processos: o Processo Cautelar. 6. 11. Humberto. 2 . e por Alcidez Munhoz da Cunha in Comentários ao Código de Processo Civil. p. v. 37. necessário se faz a presença de certos requisitos 6. 2. 2005. Rio de Janeiro: Lúmen Júris. p. 353. 5 CARNELUTTI. 1958. e por Alexandre Freitas Câmara in Lições de Direito Processual Civil.

2004. que será garantida pela cautelar.ed. 12 THEODORO JÚNIOR. Dicionário jurídico brasileiro. o direito ao processo de mérito. é litigioso e só terá sua comprovação e declaração no processo principal. [. cit. tem-se que este é o primeiro requisito ou pressuposto da liminar cautelar. isto é objeto da ação principal. v. p. Tratado das Medidas Cautelares: teoria geral do processo cautelar. Ou seja. o fogo. Luiz. 360. plausibilidade ou probabilidade de um direito” 10. ou em brasa. 13 Tanto pode ser extraído do significado da própria expressão “fumus boni iuris”. Se existe ou não. que ______________ 9 10 14 SIDOU. E essa regra elementar da natureza também se aplica ao direito. o direito em risco há de revelar-se apenas como o interesse que justifica o “direito de ação”. Luiz. 453. 3. Consoante é ressabido.Sem adentrar na controvérsia de o fumus boni iuris pertencer ao mérito cautelar ou não. 13 ORIONE NETO. Para evitar que o próprio fumus boni iuris transmute-se numa fonte de periculum in mora . Para merecer a tutela cautelar. tomo 1. cit. Mas nem sempre a fumaça significa a existência de fogo. v. do que aquele suscetível de vir a consubstanciar-se em futura decisão favorável ao pleiteante da cautelar... Com efeito. M. em tradução ao pé da letra “fumaça de bom direito” 9. “isto é. J. apenas fumegando. Washington dos. se extinguindo. não é preciso demonstrar-se cabalmente a existência do direito material em risco. 454-455. 405. geralmente produz a fumaça. Op. 12 No mesmo sentido. chamado de periculim in mora inverso 15 é necessário um início de prova escrita. 9. v. 282. Rio de Janeiro: Forense Universitária. Belo Horizonte : Del Rey. 2. a ser apreciada mediante cognição sumária de seus pressupostos de fato e de direito. leciona Luiz Orione Neto: A decisão cautelar não se baseia na certeza senão na aparência da pretensão alegada. Humberto. como resíduo da combustão. tomo I.). porquanto este não é o tema abordado. nem sempre a presença de um fumus boni iuris significa a presença do direito. p. Segundo Humberto Theodoro Júnior: Para a ação cautelar. III. 11 SANTOS. . no sentido de que basta a plausibilidade da existência do direito invocado. mas a mera possibilidade da existência deste. Othon (org. freqüentemente. 2000. portanto. A expressão “fumus boni iuris” significa. 2001. ou seja. Este pode estar apagado. “hoje representa uma simples presunção de legalidade e a possibilidade de um direito” 11. Op. p. ORIONE NETO. São Paulo: Lejus. Dicionário jurídico.] O direito de que se cuida nada mais é. p. mesmo porque esse. p.

Nisto justifica-se a necessidade de prevenir um perigo de dano que possa ameaçar a efetividade da sentença no processo principal. enquanto aguarda a tutela definitiva. Op. a parte deverá demonstrar fundado temor de que. 3.). o processo cautelar visa garantir resultado útil do processo principal. Op. 3. v. 16 ORIONE NETO. Op. como se verá adiante. tem-se a possibilidade da concessão antecipada da própria tutela jurisdicional. p. Othon (org. 5. p. cit. no curso do processo. basta tão-somente que o autor cautelar apresente provas iniciais que justifiquem sua causa de pedir remota. 311. Campinas: Millenium. pela prestação jurisdicional tardia 20. que comprove cabalmente o direito pleiteado. ou de qualquer mutação das pessoas. v. 643. v. E isto pode ocorrer quando haja o risco de perecimento. p. 21 Ibidem. 15 Essa modalidade ocorre quando há a possibilidade da concessão da medida liminar causar. p. 436. acrescida a outros requisitos. Op. não seria necessária a tutela cautelar. Periculum in mora Outro requisito essencial para a concessão da liminar cautelar é a demonstração do “periculum in mora”. Na lição de Humberto Theodoro Júnior: Para obtenção da tutela cautelar. Op. 447-452. tomo I. que. ou seja. Não uma prova robusta. 470-471. p. Sem este início de prova. a lesão de direito cuja reparação por via judicial se postula” 18. danos graves ou irreparáveis à parte contrária. 361. porquanto. bens ou provas necessários para a perfeita e eficaz atuação do provimento final do processo principal. Washington dos. 19 THEODORO JÚNIOR. Luiz. com esta. 20 ORIONE NETO. M. cit. Luiz. Instituições de Direito Processual Civil. Mesmo porque. 2. 19 Correto é o entendimento do Desembargador aposentado do E. 18 SIDOU. Humberto. ser-lheá negada sua pretensão cautelar. no entender de Orione. cit.comprove aquela possibilidade. v. Na cautelar. Como dito. significa “risco de decisão tardia” ou “perigo em razão da demora” 17 . destruição. 472. venham a faltar as circunstâncias de fato favoráveis à própria tutela. “o periculum in mora é o interesse específico que justifica a emanação de qualquer medida cautelar” 21. que. cit. “diz-se da contingência evidente de agravar-se. tomo 1. José Frederico. traduzindo-se. p. nada mais é do que o próprio fumus boni iuris 16. . p. 14 MARQUES. se esta existisse. 17 SANTOS. Tribunal de Justiça de Minas Gerais. 2000. desvio deterioração. cit. Assim. J. por seus resultados em si.

Na verdade. Grifo no original. Quer se trate. ante a lesão iminente ou assaz provável ao seu alegado e suposto direito. que ser fundado (art. 3. pois. 25 Ibidem. por assim dizer. calculado pelo exame das causas já postas em existência. deve ser. O receio é fundado quanto não decorre de simples estado de espírito do requerente.. situações estas subjetivas. 2. 482. antes da prestação jurisdicional neste. cit. capazes de realizar o efeito temido. “o receio de dano há. além de iminente. . sendo imprescindível que o requerente da medida cautelar comprove que o perigo de retardo. no magistério de Humberto Theodoro Júnior. v. 362. isto é. falta ao processo cautelar carecedor de periculum in mora causa de pedir próxima. 22 De fato. o dano. Op. p. sua demonstração exsurge inafastável. segundo o sobredito autor 23. p. o requisito necessário e indispensável à concessão – quer de liminares cautelares. 361. “a um só tempo grave e de difícil reparação. temor ou dúvida pessoal. 27 Ibidem. o dano provavelmente ocorrerá durante o curso do processo principal. tomo 1. mesmo porque as duas idéias se ______________ 22 23 Idem. p. cit.De acordo com Luiz Orione Neto: O periculum in mora constitui. Luiz. pois. p. sem dúvida alguma. Orione Neto ensina: que “o dano que deve ser evitado através de uma medida de urgência é o dano iminente. Em outro falar. de sua mera imaginação. b) relacionado a um dano ‘próximo’. 466-470. aquele que se refere a um prejuízo imediato que pode verificar-se de um momento para o outro e que provavelmente se consumará antes da decisão final. 362. demonstrável através de algum fato concreto” 25. o perigo “deve ser: a) ‘fundado’. Portanto. Nessa senda. e c) que seja ‘grave’ e de ‘difícil reparação’”24. Op. É.” 27 Por fim. Humberto. Nos termos do artigo 798. p. venha a lhe acarretar excessivo gravame e prejuízo. ou seja. v. i. deve ser analisado objetivamente. o pressuposto sine qua non do processo cautelar. Ibidem. 26 ORIONE NETO. se inexiste a iminência de dano. 798). o dano deve ser próximo ou iminente. não há que se falar em prejuízo ao processo principal. 24 THEODORO JÚNIOR. quer de medidas cautelares.” 26 Além de ser fundado. de tutela cautelar nominada ou inominada. “se liga a uma situação objetiva.e. do Código de Processo Civil.

numa interpretação gramatical dessa fração do dispositivo. 30 A doutrina diverge sobre a natureza da providência consistente em antecipar efeitos da tutela. [.interpretam e se completam. São Paulo: Lejus. tem-se que o termo “e” refere-se a uma conjunção aditiva. passa-se ao estudo e diferenciação daquele instituto com o da antecipação da tutela. 362. é imprescindível que ele detenha essas três características. 136. com a finalidade de conceder ao autor. 2. Orione.. o entendimento não poderia ser diferente. “predomina o entendimento de que não se trata de cautelar.. Como no escólio de Luiz Orione Neto: Tutela antecipatória dos efeitos da sentença de mérito é providência que tem natureza jurídica mandamental. .] consiste num provimento (decisão) de urgência ou de evidência. cit. 1. total ou parcialmente. E. Do contrário. 2 DOS REQUISITOS DA TUTELA ANTECIPADA Considerações Gerais Feitas essas considerações sobre a tutela cautelar. “o exercício do próprio direito afirmado pelo autor”. 30 ORIONE NETO. não há que se falar em liminar no processo cautelar. Com a técnica da antecipação da tutela jurisdicional busca-se outorgar. v. do Código de Processo Civil. 2000. Na verdade. que se efetiva mediante execução “lato sensu”. para se ter o perigo fundamentador de qualquer tutela cautelar. Luiz. Destaque-se que. de forma antecipada ao juízo definitivo. Grifo no original. entende que é de natureza mandamental. que alterou o art. Grifo nosso. pois não se limita a conservar ______________ 28 29 THEODORO JÚNIOR. In casu. ou pelo menos de difícil reparação” 28. o artigo 798. instituído no Direito Processual Brasileiro na reforma de 1994. p. que é a mais comum e simples das medidas liminares. antecipando um ou mais efeitos da decisão final. como dantes citado. por meio do qual o juiz provê a respeito da urgência ou da evidência da satisfação da pretensão processual principal. De efeito. da Processual Civil especifica que o dano de causar “ao direito da outra lesão grave e de difícil reparação” 29 . v. p. dando sentido de adição da expressão anterior (“lesão grave”) com a posterior (“de difícil reparação”). Tratado das Liminares. 273. Humberto. posto que para ter-se como realmente grave um lesão jurídica é preciso que seja irreparável sua conseqüência. os efeitos da tutela pretendida no pedido inicial. Op.

ante a segurança jurídica mínima. in verbis: Art. fazendose necessário que haja uma situação capaz de gerar fundado receio de dano grave. não-cautelar).situações para assegurar a efetividade do resultado final. presentes no artigo 273. um julgamento de acolhida do pedido formulado pelo autor (mérito). por sua clareza e precisão. é necessário entender dois dos principais requisitos para a concessão da tutela antecipada. total ou parcialmente. 33 Grifo nosso. p. Trata-se de fenômeno próprio do processo de conhecimento” 32. A prova inequívoca e a verossimilhança da alegação O primeiro requisito de destaque da tutela antecipada é a prova inequívoca. 273. se convença da verossimilhança da alegação: I – haja fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação. não é suficiente o receio de dano irreparável ou de difícil reparação (periculum in mora) para se ter a tutela antecipada. 87. é indispensável a presença 35. da simples leitura do texto legal. os efeitos da tutela pretendida no pedido inicial. mas implica antecipação do próprio resultado” 31. hipoteticamente. se o litígio. Op. como se verá. “a tutela antecipada é uma forma de tutela jurisdicional satisfativa (e. antecipar. 33 Portanto. Antonio Carlos (coord). cit. 88. cit. cit. autorizaria. também hipotética. . Não a elide da possibilidade. 32 CÂMARA. é ato extremo. v. 1. 211. de que contraprova futura possa eventualmente ______________ 31 MARCATO. p. De acordo com Humberto Theodoro: Por prova inequívoca deve entender-se a que. 1. Código de Processo Civil Interpretado. p. Alexandre Freitas. Também “não basta estar presente a probabilidade de existência do direito alegado. antes. desde que. existindo prova inequívoca. 34 CÂMARA. Porém. E isso a difere da tutela cautelar. a requerimento da parte. v. Luiz. portanto. de difícil reparação ou impossível reparação” 34 . Alexandre Freitas. v. 2004. de suma gravidade e. 35 ORIONE NETO. São Paulo: Atlas. prestada com base em juízo de probabilidade. pois. Em outro falar. O juiz poderá. devesse ser julgado naquele instante. 791. por ser a antecipação dos efeitos da sentença em sede de liminar. p. Op. ou II – fique caracterizado o abuso de direito de defesa ou o manifesto propósito protelatório do réu. I. É relevante a presença da “prova inequívoca” e da “verossimilhança da alegação”. Op. desde logo.

No momento. A reforma do Código de Processo Civil. Apud ORIONE NETO. Cândido Rangel. porém. O juízo de verossimilhança sobre a existência do direito do autor tem como parâmetro legal a prova inequívoca dos fatos que o fundamentam. Op. já que prova inequívoca é aquela que infunde no espírito do juiz o sentido de certeza e não verossimilhança. 145. em si mesma. cit. As afirmativas pesando mais sobre o espírito da pessoa. A probabilidade. ou confirma a verossimilhança da alegação é muito mais do que o simples fumus boni iuris. Resulta do exame da matéria fática. cit. p. 1. prova alguma será inequívoca. a princípio. ele é improvável (Malatesta). 1. 36 E. Op. A rigor. porque lá os motivos divergentes não ficam afastados mas somente suplantados. pela qual na mente do observador os motivos convergentes e os divergentes comparecem em situação de equivalência e. Grifo no original. chega-se ao conceito de probabilidade. I. adotada no caput do art. a prova inequívoca que conduz. é menos que a certeza. .. Op. Antonio Carlos (coord). 273.desmerecê-la. 273 do Código de Processo Civil (prova inequívoca e convencer-se da verossimilhança). MARCATO. no sentido de absolutamente incontestável. e é mais que a credibilidade. 39 Importante a parte final da lição do citado jurista. portador de maior segurança do que a mera verossimilhança. cit.. ______________ 36 37 THEODORO JÚNIOR. assim. pesando mais as negativas. Para Antonio Carlos Marcato: Afirmação verossímil versa sobre fato com aparência de verdadeiro. 212-213. 335. 212. a prova disponível não deve ensejar dúvidas na convicção do julgador. Probabilidade é a situação decorrente da preponderância dos motivos convergentes à aceitação de determinada proposição. p. v. cuja veracidade mostra-se provável ao julgador. Humberto. p. cit. Luiz. 39 DINAMARCO. do CPC. [. ed. também não ousa negar. suficiente para a concessão da tutela cautelar. 37 Segundo Orione Neto: A locução prova inequívoca. 3. v. v. p. sobre os motivos divergentes. se o espírito não se anima a afirmar. Op. causou certa perplexidade. p. Grifo no original. conceituada. 796. a prova inequívoca fundamenta a verossimilhança da alegação. São Paulo: Malheiros. o fato é provável.] A existência de prova inequívoca significa que a mera aparência não basta e que a verossimilhança exigida é mais do que o fumus boni juris exigido para a tutela cautelar. 38 Mas Cândido Rangel Dinamarco concilia essa contradição ao esclarecer que: Aproximadas as duas locuções formalmente contraditórias contidas no art. 38 ORIONE NETO. Com efeito. da concessão da medida provisória. 1996. ou a verossimilhança. Luiz.

] A exigência de prova inequívoca da verossimilhança. ORIONE NETO. concedendo de imediato a pretensão. portanto. dada a própria natureza típica da cautelar. se dá na própria ação de conhecimento. é que a tutela cautelar apenas assegura uma pretensão. em sede de liminar. . Op. proteger. cit. cit. enquanto a tutela antecipatória realiza de imediato a pretensão. Op. adotadas em caráter provisório. qual seja. do que ao fumus boni juris da tutela cautelar” 41..Como lecionada Antonio Carlos Marcato: Prova inequívoca da verossimilhança implicaria. “ele está mais próximo ao conceito de direito líquido e certo do mandado de segurança. basta a presença do fumus boni iuris. 40 A bem da verdade é que a tutela antecipada exige a presença firme. percebe-se que a tutela cautelar difere da tutela antecipada em vários aspectos. 42 E tanto é obvio. 42 THEODORO JÚNIOR. visa a chamar a atenção para a necessidade de forte probabilidade de que os fatos sejam verdadeiros e o requerente tenha razão. I.. v. p. cit. O que. Portanto. v. como dantes dito. e não simplesmente a sua fumaça. que. 2. 213. Humberto. Demais disso. ao contrário. repisa-se que. Grifo no original. Já a tutela antecipatória. tratada anteriormente. Luiz. p. 798 para a cautelar. todavia as distingue. juízo cognitivo mais profundo do que o exigido no art. aparentemente paradoxal. pode não representar a presença do fogo (direito). Antonio Carlos (coord). 796. mas que basta para o deferimento da liminar cautelar. quase certa do direito questionado. enquanto na tutela cautelar. demonstrável com um início de prova. executiva e sumárias. a garantir. A tutela antecipada e a tutela cautelar Por tudo até aqui dito. de natureza emergencial. 359. na tutela antecipada é imprescindível a presença da prova inequívoca (mais do que apenas o início de prova) da verossimilhança do ______________ 40 41 MARCATO. em substância. assegurar o resultado útil do processo de conhecimento. Op. mas inferior à cognição plena e exauriente que antecede a tutela definitiva [. Consoante ensinamento clarividente de Humberto Theodoro Júnior: Tanto a medida cautelar propriamente dita (objeto de ação cautelar) como a medida antecipatória (objeto de liminar na própria ação principal) representam providências. p. no qual se discutirá o direito material.

da Constituição Federal. Hely Lopes. não aparado por habeas corpus ou habeas data. para ser amparável em sede de writ. para a proteção de direito individual ou coletivo. 2005. inciso LXIX. assemelhando-se a quase certeza de que o direito alegado pelo autor será procedente no julgamento final. por ato de autoridade. p. delimitado na sua extensão e apto a ser exercido no momento da impetração. p. lesado ou ameaçado de lesão. embora possa ser defendido por outros meios judiciais. . Logo. a ação torna-se inviável. não rende ensejo à segurança. ou universalidade reconhecida por lei. trata-se de ação civil de natureza constitucional de rito sumário especial. ed. Por outras palavras. seja de que categoria for e sejam quais forem as funções que exerça.533/51 e 4345/64. 28. 43 Essa actio está prevista como garantia no artigo 5º. 44 Luiz Alberto David Araújo e Vidal Serrano Nunes Júnior acrescentam: Direito líquido e certo indica exclusivamente a necessidade de a ação estar amparada em provas documentais. devendo o julgador declarar o autor ______________ 43 44 MEIRELLES. Mandado de Segurança. São Paulo: Malheiros. 36-37. Como dito. o direito deve ser líquido e certo. se a sua existência for duvidosa. Ibidem. 21-22. e encontra-se regulada pelas Leis 1. Constatando-se a necessidade de produção probatória de natureza diversa. se o seu exercício depender de situações e fatos ainda indeterminados. Hely Lopes Meirelles define mandamus como sendo: Meio constitucional posto à disposição de toda pessoa física ou jurídica. Para Hely Lopes Meirelles: Direito líquido e certo é o que se apresenta manifesto na sua existência.direito alegado. para ser amparável por mandado de segurança. há de vir expresso em norma legal e trazer em si todos os requisitos e condições de sua aplicação ao impetrante. se a sua extensão ainda não estiver delimitada. o direito invocado. líquido e certo. órgão com capacidade processual. 3 DA LIMINAR NO MANDADO DE SEGURANÇA Noções Gerais Outra espécie de liminar que causa grande confusão com a medida cautelar é aquela concedida no mandado de segurança.

533 que: Art. E. sobre os requisitos da liminar no mandado de segurança. v. 47 Logo. p. embora haja casos em que esta torna-se satisfativa. ______________ 45 ARAÚJO. de caráter jurídico. 9.carecedor da ação. por falta de interesse de agir. Manual de Direito Processual Civil.ed. 2005. cit. 46 ORIONE NETO. 7º. com o fundamento jurídico. ou seja. E. não há que se falar em liminar no mandado de segurança. p. na modalidade inadequação da via processual. Ao despachar a inicial. o juiz ordenará: I – [. Luiz Alberto David. 263. São Paulo: RT. 08. p. Dispõe o artigo 7º. Luiz. leciona: Para a concessão da liminar devem concorrer os dois requisitos legais. Op. Grifo no original. Arruda Alvim leciona que “o autor deve demonstrar que os fatos descritos levam necessariamente à conclusão ou conclusões pedidas. sem esses dois requisitos. II – que se suspenda o ato que deu motivo ao pedido quando for relevante o fundamento e do ato impugnado puder resultar a ineficácia da medida. 48 ALVIM. “não é difícil constatar que a quase unanimidade da doutrina nacional considera que a natureza jurídica da liminar concedida em mandado de segurança é cautelar” 46... 2. Vidal Serrano. . à relação de causa e efeito (no plano lógico e volitivo do autor) entre os fatos jurídicos e o pedido. 3. 1990. caso seja deferida. 180. 47 Ibidem.]. os fatos e suas conseqüências” 48. Orione Neto. sem dúvida. a relevância dos motivos em que se assenta o pedido na inicial e a possibilidade da ocorrência de lesão irreparável ao direito do impetrante. é perfeitamente possível a concessão da liminar em sede de mandamus. ed. Arruda. isto é. da Lei 1. Portanto. sendo este. ou seja. Relevância de fundamento do pedido O primeiro requisito para a concessão da liminar é a relevância de fundamento. passa-se à análise da liminar no mandado de segurança. Curso de Direito Constitucional. 45 Feitas tais considerações essenciais. São Paulo: Saraiva. e NUNES JÚNIOR. p. 07. II. se vier a ser reconhecido na decisão de mérito.

v. p. 52 LOPES. Grifo no original. Niterói: Impetus. enquanto na tutela cautelar o magistrado se contenta com a aparência do direito. 51 ORIONE NETO. estando mais próximo dos requisitos exigidos para a antecipação da tutela (prova inequívoca e verossimilhança das alegações). 18. Mandado de Segurança. sendo. apresenta-se como importante. cit. que não se trate de alegação de somenos. ______________ ORIONE NETO. 273 do CPC. É que a apresentação judicial do pedido de liminar em mandado de segurança se faz mediante prova pré-constituída. em regra. 16. como feição de comportar um possível amparo (ainda que não se confirme. Luiz. Demanda apenas que o fundamento seja relevante. Com efeito. “a relevância que qualifica o fundamento. 2. Luiz Orione Neto. Op. 2. a final. Apud ORIONE NETO. no mandado de segurança a exigência para a obtenção da liminar é bem maior. equivocado entendimento ao contrário. o que não ocorre. Mauro Luís Rocha. portanto. 50 49 . é evidente que estará presente o primeiro requisito. absolutamente inútil para cumprir o préstimo a que veio. 16-17. Celso Antonio Bandeira de. MELLO. que são os requisitos exigidos para a concessão da tutela antecipatória do art. é aquela que sinaliza com a provável procedência da ação. Em suma. o direito líquido e certo é. Mandado de segurança contra denegação ou concessão de liminar. que o impetrante tenha razão. na tutela cautelar. a cabo de análise mais acurada). p. passível de ser acolhido em sede de sentença. que vem amparada em textos legais” 49. que este não se confunde. comprovado de plano. Vale dizer. sem dúvida. Nesse sentido. em tema de relevância de fundamento. de parca verossimilhança jurídica. 74. através de prova documental preconstituída (sic). p. Nesse contexto a relevância dos fundamentos do pedido está mais próximo da idéia de “prova inequívoca” e “verossimilhança de alegação”. 2004. Se não fora para ser entendido desse modo. Op. v. um plus em relação ao fumus boni júris. Op. cit. pois representa um plus em relação a este. nem se equipara ao fumus boni iuris da tutela cautelar. Luiz. menoscabável. In: RDP 92/58. na medida em que o impetrante deve ter direito líquido e certo. Celso Antônio Bandeira de Mello acrescenta: A lei não demanda. 50 Adite-se ainda. 51 Essa mesma linha de raciocínio é comungada por Mauro Luís Rocha Lopes: A relevância do fundamento não se confunde com o fumus boni iuris. nem podia fazê-lo. 52 Logo. que satisfaz com a mera aparência do bom direito. o mandado de segurança – garantia constitucional – seria a mais rúptil e quebradiça das garantias. Fundamento relevante é. o fundamento plausível. in verbis: Muitos autores equiparam o relevante fundamento da segurança ao fumus boni júris da tutela cautelar. portanto. Essa correspondência carece de procedência. v.Segundo Orione Neto. não há que se confundir tal requisito com o fumus boni iuris. II. Luiz. cit. Se o fundamento colacionado tem vezos de juridicidade. p.

não se concede a liminar do writ. se inexistir a possibilidade da medida não se tornar ineficaz. a utilidade do provimento mandamental definitivo. Op. cit. CONSIDERAÇÕES FINAIS As liminares em sede de tutela cautelar. Mauro Luís Rocha. . da Lei 1. Verificada a relevância de fundamento. cit. Mauro Luís Rocha Lopes assevera: Se. II. considerado relevante o fundamento da impetração. e o periculum in mora. Nela. Luiz. acaso concedida tão-somente na sentença. deverá o juiz suspender os efeitos do último.Ineficácia da medida Outro requisito da liminar do mandado de segurança. garantindo. tutela antecipada e mandado de segurança não são idênticas. caso seja deferida”. inconfundíveis. assim. previsto no sobrecitado artigo 7º. grave e de difícil reparação. Nesse mesmo caminho. 2. Por isso. 54 Dessa forma. o segundo requisito legal à concessão de liminar em mandado de segurança nada mais é do que o tradicional periculum in mora. quando deferida na sentença. Op. para sua concessão exige-se mais do que o simples fumus boni iuris. LOPES. após a oitiva da parte contrária e do Ministério Público. Para a liminar na tutela cautelar. representa a antecipação dos efeitos da própria sentença. 20. Já a tutela antecipada.533/51 é o fato “do ato impugnado puder resultar a ineficácia da medida. que representa um perigo fundado de dano próximo ou iminente. Cada qual tem seus requisitos próprios e específicos. 74. que é a possibilidade de existência do direito a ser discutido na ação principal. p. até o final da demanda. Por isso. v. tem-se o fumus boni iuris. Para Orione Neto. p. que somente ocorre no processo principal. é mister ainda que a medida seja ineficaz. houver a previsão de que a eventual sentença de procedência poderá se revelar inútil caso o ato atacado permaneça produzindo efeitos. embora tenham algumas aspectos semelhantes. essa ineficácia da medida nada mais é do que o periculum in mora 53. deve estar presente a prova inequívoca da verossimilhança ______________ 53 54 ORIONE NETO.

MARQUES. 1972. Salvador: Jus Podivm. 2 e 3. que significa a “quase” certeza de que o destino final do processo. Mauro Luís Rocha. fato esse corriqueiro nas petições que correm os corredores dos fóruns do Brasil. Antonio Carlos (coord). 2000. Exposição de motivos do Código de Processo Civil.). Alexandre Freitas. Vicente. ed. Código de Processo Civil Interpretado. 1 e 3. São Paulo: Malheiros. bem como do perigo de ineficácia da medida. NERY JÚNIOR. DIDIER JÚNIOR. . ed. Campinas: Millenium. Vidal Serrano. José Frederico. ed. GRECO FILHO. n. v. 2006. São Paulo: RT. ed. MACHADO. Luiz Alberto David. a liminar no mandado de segurança necessita da relevância do fundamento da impetração. Alfredo. São Paulo: Saraiva. ed. São Paulo: Atlas. Mandado de Segurança. São Paulo: Oliveira Mendes. torna-se imperioso afirmar-se a inadmissibilidade de equívocos na aplicabilidade de tais medidas com seus respectivos requisitos. 1990. São Paulo: Saraiva. Nelson. Curso de Direito Constitucional. 9. em face do que já foi apresentado será a procedência. CÂMARA.da alegação. Mandado de Segurança. porquanto é caracterizada pela presença imprescindível do direito líquido e certo provado de plano e sem dilações probatórias. Hely Lopes. 11. 2004. 2005. 3. 2004. v. 2005. v. 2006. Antônio Cláudio da Costa. Arruda. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALVIM. Instituições de Direito Processual Civil. 6. Por fim. Fredie (org. Tutela Antecipada. Niterói: Impetus. e NUNES JÚNIOR. 1998. Ações Constitucionais. 2. Rio de Janeiro: Lúmen Júris. 9. LOPES. a fim de se evitar aqueles enganos. MEIRELLES. assemelhando mais ao direito liquido e certo do writ. Manual de Direito Processual Civil. ARAÚJO. Direito Processual Civil Brasileiro. se concedida somente ao final. 28. ed. BUZAID. Lições de Direito Processual Civil. É preciso entender e difundir com clareza tais requisitos e suas diferença. Tecidas tais considerações. Aquela também não se confunde com o fumus boni iuris. 2004. 5. 2000. MARCATO. Código de Processo Civil Comentado. São Paulo: RT.

ed. Tratado das Liminares. 2005. 2001. São Paulo: RT. v. Manual de Direito Processual Civil. 2006. SANTOS. 2003. 1 e 2. 2. 1 e 2. 2000. ORIONE NETO. Othon (org. Washington dos.________. v. SIDOU. ed. SANTOS. São Paulo: Renovar. Rio de Janeiro: Forense. São Paulo: Saraiva. Dicionário jurídico. 37. 1 e 2. ed. Belo Horizonte : Del Rey. ________. 2000. São Paulo: Lejus. 3. Ovídio Araújo Baptista. Rio de Janeiro: Forense Universitária. Hélio do Valle. Tratado das Medidas Cautelares. Comentários ao Código de Processo Civil. v. Luiz. PEREIRA. São Paulo: Lejus. São Paulo: RT.). SILVA. THEODORO JÚNIOR. 2004. Dicionário jurídico brasileiro. Humberto. Constituição Federal Comentada. M. . 4 e 11. Curso de Direito Processual Civil. 2001. tomo 1. Manual da Fazenda Pública em Juízo. Ernani Fidélis dos. v. 2006. J. v. 9.

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