P. 1
Relatório - Determinação Experimental da Viscosidade de Líquidos

Relatório - Determinação Experimental da Viscosidade de Líquidos

|Views: 5.630|Likes:
Publicado porRaimunda Branco
O objetivo deste relatório é a determinação experimental da viscosidade (dinâmica e cinemática) de líquidos.
O objetivo deste relatório é a determinação experimental da viscosidade (dinâmica e cinemática) de líquidos.

More info:

Published by: Raimunda Branco on Jun 12, 2011
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as DOCX, PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

07/28/2013

pdf

text

original

Universidade Federal do Pará Instituto de Tecnologia Faculdade de Engenharia Química Fenômenos de Transporte I Professor: João Nazareno Nonato Quaresma

RELATÓRIO REFERENTE À DETERMINAÇÃO EXPERIMENTAL DA VISCOSIDADE DE LÍQUIDOS

Aluna: Raimunda Nonata Consolação e Branco 09025002901

BELÉM/PA 06 de junho de 2011 1. OBJETIVO

O objetivo deste relatório é a determinação experimental da viscosidade (dinâmica e cinemática) de líquidos, utilizando-se um viscosímetro Hoeppler e um viscosímetro Saybolt. Os líquidos utilizados foram a glicerina e o óleo para motor SAE 30. A viscosidade dinâmica da glicerina foi medida pelo viscosímetro Hoeppler e a viscosidade cinemática do óleo SAE 30 foi medida pelo viscosímetro Saybolt.

2. INTRODUÇÃO A viscosidade de um fluido pode ser considerada como a propriedade que determina o grau de sua aversão à força cisalhante, definida preliminarmente pela interação entre as moléculas de um fluido. Portanto, a viscosidade é a medida da resistência do fluido ao cisalhamento quando o fluido se move, lembrando que um fluido não pode resistir ao cisalhamento sem que se mova, como pode um sólido. A viscosidade dos líquidos vem do atrito interno, isto é, das forças de coesão entre moléculas relativamente juntas. Desta maneira, enquanto que a viscosidade dos gases cresce com o aumento da temperatura, nos líquidos ocorre o oposto. Com o aumento da temperatura, aumenta a energia cinética média das moléculas, diminui (em média) o intervalo de tempo que as moléculas passam umas junto das outras, menos efetivas se tornam as forças intermoleculares e é menor a viscosidade. Existem dois tipos de viscosidade: viscosidade dinâmica e viscosidade cinemática. A viscosidade dinâmica (μ) é dada em termos de força requerida para mover uma unidade de área a uma unidade de distância. A unidade mais utilizada é o Poise, g/ (cm.s). Por conveniência, a viscosidade é expressa em centiPoise (cP), que é igual a 10-2 Poise. Ao definirmos o coeficiente de viscosidade escolhemos o caso em que o fluido, por efeito do movimento de uma das placas, separa-se em camadas muito estreitas, com a camada em contato com cada placa tendo a velocidade desta placa e as camadas intermediárias tendo velocidades que variam linearmente de uma placa para a outra. Tal escoamento é chamado laminar. Define-se pela lei de Newton da viscosidade:

Onde a constante μ é a viscosidade absoluta ou viscosidade dinâmica. O cociente τ é chamado tensão de cisalhamento e é igual a τ = F/A. Esta expressão representa a chamada lei de Newton para a viscosidade e o fluido para o qual ela é verdadeira é chamado fluido newtoniano, ela mostra a variação do módulo da velocidade das camadas de fluido com a distância à placa parada. Já a viscosidade cinemática (ν) é a viscosidade dinâmica dividida pela densidade do fluido (ρ).

ν =μρ No sistema SI, a unidade é m²/s, mas usualmente é medida em centiStokes, cSt. O Stokes é cm²/s; assim, para obter a viscosidade em m²/s, multiplica-se a viscosidade em cSt por 10-6. Experimentalmente, a viscosidade pode ser medida em viscosímetros. Neste experimento trabalharemos com dois tipos de viscosímetros: Hoeppler e Saybolt. • VISCOSÍMETRO DE QUEDA DE ESFERA (HOEPPLER) É constituído de um tubo de vidro, cheio de um determinado líquido que desejamos estudar a viscosidade. Nesse tubo, deixa-se cair uma esfera, medindo o tempo para ela percorrer uma distância conhecida dentro do tubo, obtendo assim a velocidade de queda da esfera.

Figura 1 - Representação de um viscosímetro Hoeppler

Para se determinar a viscosidade dinâmica devemos levar em consideração que as forças atuantes em uma partícula esférica que cai em um fluido são o seu peso (P), o empuxo (E) e as forças de resistência ou de arraste (D). Assim, após uma série de considerações mostradas em sala de aula, podemos resumidamente dizer que a expressão que satisfaz a determinação da viscosidade dinâmica para o viscosímetro de Hoeppler é: μ=K.De2g18Vt(ρe-ρl) Onde: μ = viscosidade dinâmica => Poise – g/cm.s K = fator de correção => 0,018 De = diâmetro da esfera g = gravidade => 981,0 cm/s2

Vt = velocidade de queda (terminal) => cm/s ρe = massa específica da esfera => g/cm³ ρl = massa específica média do líquido => com base no livro “Perry’s Chemical Engineer’s Handbook”, a densidade média do glicerol (99% de pureza) é de 1,242 g/cm³ • VISCOSÍMETRO SAYBOLT O viscosímetro Saybolt é um dos dispositivos mais utilizados para obter a viscosidade cinemática de um líquido. A uma dada temperatura, a viscosidade será obtida pelo tempo em segundos que 60 mL da amostra flui por um orifício de dimensões padronizadas. Existem dois tipos de critérios: o Furol e o Universal; sendo que o orifício Furol é maior que o orifício Universal, fazendo com que para a mesma amostra de óleo, o tempo de escoamento pelo Furol seja 10 vezes maior. A determinação da viscosidade se dá após o viscosímetro atingir a temperatura desejada, então se remove a tampa e o líquido passa a escoar, marca-se o tempo com o auxílio de um cronômetro até que o menisco do líquido atinja a marca necessária. Assim, a viscosidade medida em centistokes pode ser determinada a partir da fórmula a seguir:
ν=AΔt-BΔt

Onde A e B são parâmetros que dependem do tipo do viscosímetro: Viscosímetro Saybolt Universal Para Δt < 100 s: A = 0,226 e B = 195 Para Δt > 100 s: A = 0,220 e B = 135

1. PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL E RESULTADOS

VISCOSÍMETRO HOEPPLER Neste experimento, a viscosidade que se desejava medir era do glicerol.

Primeiramente, O viscosímetro Hoeppler foi preenchido de glicerol e então se mediu o tempo que uma determinada partícula esférica levou para percorrer uma distância de 10 cm dentro do tubo, obtendo assim a velocidade de queda da esfera. Com base na seguinte tabela, podemos encontrar a viscosidade do glicerol:
Variáv el K De ρe ρl g Me L Vole Unidade 0,018 1,22 2,5252 01 1,242 981 2,4009 10 0,9507 76

cm g/c m³ g/c m³ cm/ s g cm cm³

A fórmula da viscosidade dinâmica é a seguinte: μ=K.De2g18Vt(ρe-ρl) Os dados coletados neste experimento estão dispostos na tabela a seguir:
Tempo gasto para percorrer 10,0 s Grupo 1 Grupo 2 Grupo 3 Grupo 4 Temperatu ra (°C) Velocidad e (cm/s) μ experimental( cP) μ tabelada (cP)

14,41 10,37 7,20 4,83

13,75 9,68 7,11 4,83

14,080 0 10,025 0 7,1550 4,8300

30 34 40 44

0,7102 0,9975 1,3976 2,0704

263,8068 187,8312 134,0581 90,4962

380,00 290,00 175,00 140,00

Plotando o log μ versus a temperatura e comparando os dados experimentais com os teóricos, temos:

Faz-se então o tratamento estatístico dos dados obtidos:
Tratamento dos dados experimentais (μ em cP) Média 169,0481 Desvio 94,7587 18,7831 -34,9900 -78,5519 Desvio médio 56,7709 Erro (%) 30,5772 35,2306 23,3954 35,3598

A partir dos resultados obtidos, podemos observar que a viscosidade experimental do glicerol ficou um pouco abaixo da viscosidade tabelada. • VISCOSÍMETRO SAYBOLT No viscosímetro Saybolt, utilizou-se o orifício universal, devido às características do fluido utilizado, que foi o óleo para motor diesel (SAE 30). Assim, a viscosidade é medida pelo tempo em segundos que 60 mL do óleo flui por esse orifício. A viscosidade encontrada pelo viscosímetro Saybolt é dada em cSt.

Com posse da fórmula
ν=AΔt-BΔt

podemos calcular a viscosidade cinemática do óleo SAE 30. Os dados coletados no experimento foram os seguintes:
Temperatura (°C) Grupo 1 Grupo 2 Grupo 3 Grupo 4 Tempo (s) ν experimental (cSt) ν tabelada (cSt) ν experimental (SSU) ν tabelada (SSU)

30 34 40 44

417,68 404,47 302,47 249,94

91,5664 88,6496 66,0971 54,4467

161,85 137,033 107,9 86,32

424,3113 410,7953 306,2886 252,3015

750,00 635,00 500,00 400,00

Observa-se que a viscosidade cinemática teórica em SSU para o óleo SAE 30 é um valor aproximado para essas temperaturas e foi obtida do diagrama encontrado na apostila de Fenômenos de Transporte I dada em sala de aula. A conversão tanto da viscosidade cinemática experimental em cSt para SSU quanto da viscosidade cinemática tabelada em SSU para cSt, se deu a partir das seguinte relações: I) 1 cSt = 0,224 . (SSU) ; para 34 ≤ SSU < 115

185 SSU
II) 1 cSt = 0,223 . (SSU) - 1,55 ; III) 1 cSt = 0,2158.(SSU) ; para 115  SSU < 215 para SSU > 215

Como SSU > 215 então se utilizou o item III como fórmula de conversão.

Plotando o log ν (SSU) versus a temperatura e comparando os
dados experimentais com os teóricos, temos:

Plotando o log ν (cSt) versus a temperatura e comparando os dados experimentais com os teóricos, temos:

Faz-se então o tratamento estatístico dos dados obtidos:
Tratamento dos dados experimentais (ν em cSt) Média Desvio Desvio Erro médio (%) 75,189 16,3764 14,9181 43,425 9 2

13,4597 -9,0929 20,7433

35,307 8 38,742 3 36,924 6

A partir dos resultados obtidos, podemos observar que a viscosidade experimental do óleo para motor diesel SAE 30 ficou um pouco abaixo da viscosidade tabelada.

1. CONCLUSÃO Observando-se os valores obtidos nos experimentos e comparando-os com os valores teóricos, podemos perceber que houve uma discrepância entre eles.

No experimento com o viscosímetro Hoeppler, houve uma maior precisão com relação aos dados experimentais. Porém, ainda assim pode se observar que a precisão não foi maior devido talvez a alguns fatores, tais como dúvida do tempo no cronômetro, falta de atenção do operador, oscilação da temperatura requerida. Já a viscosidade cinemática obtida no viscosímetro Saybolt quando comparada com os valores teóricos se deu com uma precisão não muito grande. Apesar dos dados tabelados serem aproximados, pode-se afirmar que tal imprecisão talvez possa também ser dada devido aos mesmos fatores externos observados anteriormente. Ressaltando que tanto para a glicerina quanto para o óleo para motor diesel SAE 30, há uma incerteza quanto às suas conservações e purezas, lembrando que a perda de validade de um líquido pode influenciar na sua viscosidade, assim como sua pureza. No entanto, todos os resultados obtidos experimentalmente mostram a diminuição das viscosidades (absoluta e cinemática) com o aumento da temperatura, satisfazendo os conceitos teóricos. No geral, o experimento foi muito importante, pois o estudo do comportamento dos fluidos é de suma importância para o avanço científico e tecnológico nas mais variadas áreas do conhecimento. As aplicações não se restringem somente aos estudos de Engenharia Química, como também à Medicina, à Química, entre outros. O conhecimento das características e propriedades viscosas dos fluidos nos possibilita fazer a escolha mais adequada para uma determinada aplicação. Por exemplo, o óleo utilizado em um motor de combustão é bem diferente daquele utilizado no compressor da geladeira apesar de ambos serem líquidos.

2. BIBLIOGRAFIA • • • Apostila de Fenômenos de Transporte I dada em sala de aula apresentando os experimentos. http://cursos.unisanta.br/quimicabasica/downloads/laboratorio8.DOC, acessado em 5 de junho de 2011. http://omel.com.br/ES/escola__bombas_viscosidade.php, acessado em 5 de junho de 2011.

• • • • •

http://pt.scribd.com/doc/24321019/Topico-4-Viscosidade-e-Reologia-dosFluidos, acessado em 5 de junho de 2011. http://pt.scribd.com/doc/56212994/oleos-e-lubrificantes, acessado em 5 de junho de 2011. http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAVdQAG/viscosimetro-stokes, acessado em 5 de junho de 2011. http://www.tetralon.com.br/tetratools.htm, acessado em 5 de junho de 2011. http://www.ufsm.br/gef/FluRea06.htm, acessado em 5 de junho de 2011.

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->