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Ensinar exige disponibilidade para o diálogo versao scribd 12.06

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UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA CENTRO DE EDUCAÇÃO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO

Ensinar exige disponibilidade para o diálogo: uma contribuição metapsicológica à uma premissa freiriana para o ato educativo

Katherinne Rozy Vieira Gonzaga

João Pessoa (PB) Agosto de 2009

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Katherinne Rozy Vieira Gonzaga Ensinar exige disponibilidade para o diálogo: uma contribuição metapsicológica à uma premissa freiriana para o ato educativo Trabalho apresentado ao Programa de PósGraduação em Educação. João Pessoa (PB) Agosto de 2009 2 . da Universidade Federal da Paraíba. para a conclusão da disciplina Educação Brasileira. Professoras Edineide Jezine e Socorro Xavier.

. como matéria-prima inicial para a descoberta de novas palavras. letras. dificuldades silábicas e. sim. que a maioria das pessoas angustia-se pela dificuldade de dizer o que vê e o que pensa. estabelecer uma relação dialógica com o alfabetizando/educando.Ensinar exige disponibilidade para o diálogo1: uma contribuição metapsicológica à uma premissa freiriana para o ato educativo Katherinne Rozy Vieira Gonzaga2 “Dizer! Saber dizer! Saber existir pela voz escrita e a imagem intelectual! Tudo isto é quanto a vida vale (. etc. E é o que traz Paulo Freire em sua premissa para uma pedagogia da autonomia. Membro da Sociedade Psicanalítica da Paraíba (SPP). 2 Mestranda em Educação (CE/PPGE/UFPB). impregnava e assegurava a submissão à ideologia dominante ou o domínio de sua ação educativa. O autor evidenciava a escola como uma instituição geradora de conhecimento. concluindo que dizer e saber dizer são condições à existência. em sua prosa A Maioria da Gente Enferma (2006). de sílabas. Ele lembra que dizer é renovar. sendo este processo favorável à criatividade. o saber de se disponibilizar ao diálogo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. coordenando-a sem apoderar-se dela ou determiná-la. 1996. Membro do Centro Jean Laplanche – Psicanálise. para o diálogo. 2006. ou 1 FREIRE. de maneira que eles acreditem estarem de acordo. Freire defende entre os saberes essenciais à prática educativa. quando defende que o ato de ensinar requer disponibilidade. ou seja. exploradores.)” Fernando Pessoa. 4 Termo utilizado por Althusser para explicar a função da escola. Psicóloga Clínica – Psicanálise. P. por parte do educador.como meio de descoberta. seja condição sine qua non a uma educação libertadora do aparelho ideológico escolar4. a partir da fala a pessoa tem a possibilidade de construir novos sentidos e reconstruir outros. Quando fui outro. 20063 O poeta e filósofo Fernando Pessoa destaca. assim como também considera o diálogo . 3 . uma vez que considera todo o processo educativo marcado pela relação dialógica.a comunicação. FERNANDO. sobretudo. – Rio de Janeiro: Objetiva. mas que também divulgava. a palavra .. 3 PESSOA. para o educando. ou seja. incutindo nos agentes da produção o desempenho de suas tarefas. ou seja. 39ª ed. São Paulo: Paz e Terra. agem e se sentem explorados.

) [Freire] insistia na conectividade. Novos Pontos de Partida da Pedagogia Política de Paulo Freire. anunciado em uma reportagem da revista Veja. A CONFINTEA VI NO CONTEXTO DO BRASIL E DA AMÉRICA LATINA: Uma oportunidade para a Educação Popular.6 Assim. centrada na questão do ensino e aprendizagem de uma educação com qualidade social5. nacionais e internacionais. quando cita Gadotti: A pedagogia é. incluindo 5 GADOTTI. na gestão colectiva do conhecimento social que deve ser socializado de forma ascendente.000 estudiosos ou admiradores. 7 FREIRE. Não se trata de ver somente a „Cidade Educativa‟ (Edgar Faure). uma ciência transversal. democrática. enfatizando sua capacidade crítica e criativa.seja. pensador e/ou educador. Disponível em <http://www.São Paul. 2001. 4 . e lembra ainda que Paulo Freire tem sua obra traduzida em duas dezenas de línguas. propõe a prática de círculos de cultura para o exercício da relação dialógica entre educador e educando.pdf Acesso em 27 de abril de 2009. Freire entende a educação como veículo de substrato ao sujeito para usufruir de seus direitos políticos e civis de um Estado. geradora de tomadas de decisões. (. seja concordando com ele ou não. Moacir. autônoma. teórico. uma educação com conseqüências autonômicas. Moacir Gadotti organizou um “livro-monumento” em 1996. P.. Carlos Alberto.com. datada de 29 de maio de 1996. com a participação de 150 autores. mas sempre supracitado.org/pt/confinteavi/> Acesso em 24 de maio de 2009. com vistas a conscientizar o educando sobre o meio e as situações em que vive. humanizada e de qualidade. de responsabilização política e social ao educando. 6 TORRES. que enfatiza as suas 766 páginas. mas também vislumbrar o planeta como uma escola permanente. Com Torres. podemos aprender e apreender entendendo que Paulo Freire percebia a educação como um elemento de formação da cidadania. Paulo Freire sempre movimentou e povoou o pensamento de educadores e educadoras. Cortez. Disponível em <http://www. 5ª ed.. .br/anpae/62. Política e Educação: ensaios. assim como no reconhecimento de seus deveres. na sua essência. mas também criticado e descrendenciado por tantos outros .7 Autor. – uma vez que é exaltado como mestre por muitos. participativa. citando 3. intitulado Paulo Freire: uma Biobibliografia. foi alvo de críticas positivas e negativas. Sempre com vistas a alcançar uma escola cidadã. amado ou odiado.unesco. Para tanto.isecure.é um criador digno de atenção. Paulo Freire.

a partir da relação dialógica. imaginamos uma questão em torno de sua obra. 2008. um sujeito de escolhas críticas.) [tendo sido] inadiável e indispensável uma ampla conscientização das massas brasileiras. (. quando alfabetizou um grupo de adultos camponeses. respeitado como pessoa e não visto apenas com mero instrumento alienado. e mais tarde espalhando-se pelo cenário internacional. A considerar os resultados8 obtidos com suas primeiras experiências. destacando a sua influência no pensamento de uma considerável parte do mundo.o chinês e o grego. Alfabetizar as camadas populares. cerca de 300 trabalhadores. seja uma força de mudança e de libertação. termo utilizado por Freud para dar a conhecer uma psicologia que considera o inconsciente. desvestida da roupagem alienada e alienante. 10 Metapsicologia. evidente.. escrita. p. Neste sentido. 9 E uma questão que ocorre é: o que acontece do ponto de vista psicodinâmico. faria do homem sujeito ativo de sua história. Idem. ou seja. o povo. Paz e Terra. Bahia. sem consciência e sem opção diante das oportunidades do Estado. o sujeito muda de postura. refletindo e auto-refletindo sobre as situações em que vive e que o permeiam? A proposta deste artigo é discutir sob uma perspectiva metapsicológica10 o uso e a efetividade da palavra para o processo de ensino-aprendizado criado por Paulo 8 9 FREIRE. 44. Sergipe e Rio Grande do Sul receberam seus cursos). que a prática freiriana atinge seus objetivos. através de uma educação que as colocasse numa postura de auto-reflexão e de reflexão sobre o seu tempo e seu espaço. é bem verdade. Educação como prática da liberdade. autonomia e liberdade de expressão. p. 31ª Ed. 5 . Rio de Janeiro.. 19. e a dimensão que seu trabalho passou a ocupar no cenário nacional (Estados como Rio Grande do Norte. tanto para os que o admiram quanto para os que o criticam. Paulo. Educação que. ou seja. São Paulo. P. iniciando uma campanha de alfabetização. FREIRE.. com vistas à leitura. Educação que renarcisaria a sociedade. em aproximadamente 45 dias. pela força de Paulo Freire na educação contemporânea. abrangendo primeiramente os setores urbanos e na seqüência os setores rurais. na década de 60. do funcionamento psíquico dos alfabetizandos que.

FREIRE. Para isso. portanto. implicaria em uma sociedade também sujeito. Fanon. Para Freire. dinamiza o meio. satisfatórios. Pinto. acomodar-se a ele.Freire. Freire. 44. sem condição para julgar e opinar. Idem. o forma. Na nascente de suas idéias sobre uma educação libertadora. responsabilizando-se por ele. ele evoca a importância de temas a serem discutidos. resultados. assim. caracterizada 11 12 FREIRE. livre para suas escolhas e idéias. crítico e criativo. a integração é resultante da capacidade de reconhecer e reconhecer-se diante da realidade e da capacidade de transformá-la. ao mesmo tempo que o faz. recriação e decisão”12. torna-o ajustado e acomodado. P. Muito embora. necessariamente. Jean Paul Sartre. sem consciência crítica e. p. sendo uma relação de “criação. a realidade. refletindo e criticando. E neste sentido. Freire defende uma prática educativa geradora de liberdade ao sujeito. Idem. velhos conhecidos e novos ansiados. revela uma sociedade em que. dentre outros. na época. uma vez que a relação estabelecida do homem com o meio em que vive. Antônio Gramsci. esta tarefa exija uma constante atitude crítica. Merleau-Ponty. gerando a ele a liberdade. ao invés disso. dominando. 6 . Marcuse. P. p. como sujeito pensante. considerando seus. a privação da liberdade. “Todo empenho do Autor se fixou na busca desse homemsujeito que. uma vez que privilegia a relação dialógica. do homem oprimido.”11 Paulo Freire apóia-se em autores como: Erich Fromm. Karl Marx. tendo em vista que é este processo que permite ao homem criar e criticar. experimentava um processo de mudança. Álvaro V. Freire divulga suas idéias sobre o homem e sua relação com o meio em que vive. pois. Destaca a necessidade de o homem estar integrado ao seu contexto e o risco de. Paulo Freire: para uma educação libertadora A educação libertadora intencionada por Freire visa o reconhecimento do homem popular. 51. Com sua seguridade baseada nestes autores. com vistas a manter o homem pensando.

Assim. Para Freire a fase de trânsito. E é através do desenvolvimento deste sentimento de pertença. é refletir de forma crítica. A responsabilidade é um dado existencial. o direito de escolha. instigando-o a fazê-la de modo irreflexivo. sobretudo. trazia a esperança. portanto. que estava na convicção do inacabado. é suportar o que lhe é estranho e. p. humilde e.”13. Posições assumidas a partir do processo de trânsito que caracterizam a radicalização e a sectarização no homem. ativismos. nadifica o outro. respeitando sua escolha. o direito do outro. uma vez que nega a ele. através de posturas radicais assumidas pelos sujeitos. Esta sociedade marchava em alta velocidade em busca de novas idéias. que Freire destaca: a condição para a transformação é a responsabilização. o sujeito só se responsabiliza por aquilo em que está implicado. que propusesse ao povo reflexão sobre si mesmo. como lembra Freire. como mecanismo de inserir o sujeito no processo de transformação cultural a educação. criticamente e conscientemente. antidiálogos. instituía um clima de esperança. violentando-o. Para ele. 56. é acolher o que lhe é estranho. 13 FREIRE. Esperança crítica e reflexiva. 7 . Paulo Freire propõe como instrumento para auto-responsabilização. Já o homem sectário. não sendo viável incorporá-la ao homem de maneira intelectual e sim através das vivências. tinha algo de alongamento e algo de adentramento. reconhecer o outro é permitir espaço para discussão. a capacidade de o sujeito pensar. de esperança reflexa-crítica. sobre seus problemas é a via de transformação do meio em que vive. pois. com absolutismos. anticomunicações e fanatismos.como sociedade em trânsito. gerada pela concepção radical. Idem. O homem radical apresenta uma postura crítica e reflexiva. tendo em vista que se reconhece a incompletude quando se reconhece a diferença em relação ao outro. comunicativa. Uma educação crítica. quando se reconhece. No entanto. “Sendo a fase de trânsito o elo entre uma época que se esvaziava e uma nova que ia se consubstanciando. reconhece o direito de optar do outro. neste sentido. suscitando atitudes optativas. com a sociedade em processo acelerado de mudança surgem as contradições entre os novos e os velhos temas. temas e tarefas. P.

Um diálogo que não se perca na verbosidade acima salientada. É „assistencializadora‟. 8 . teoria com verbalismo. Identifica-se assim. p. Aquele que fala precisa ser parte integrante do que ele dialoga. em seguida. absurdamente. Um método que faça uso do diálogo. que provavelmente passariam despercebidos em outras condições de ensinoaprendizagem que não se valorizam as discussões de situações vivenciadas pelos componentes do grupo. [Mas] Nossa educação não é teórica porque lhe falta esse gosto da comprovação. depois. Freire sugere um método ativo. da invenção. 158. Idem. dialógico. em nossa educação. Mas para que este diálogo ganhe sentido ele precisa implicar o sujeito que fala. Idem. elaboram-se fichas-roteiro para auxiliarem os coordenadores nos debates e por fim. 67. chamadas por ele de temas geradores. um Método de investigação psicossociológica uma vez que possibilita aos sujeitos participantes apropriarem-se de inúmeros aspectos de sua vida psíquica e real. da verbosidade.”15 Para tal educação. FREIRE. p. Para ele. que ganhe sentido e. É „sonora‟. 16 14 15 FREIRE. Palavresca. 101. P. da pesquisa. deste levantamento escolhem-se palavras a serem trabalhadas. Não comunica. se diz dela que seu pecado é ser „teórica‟. Em poucas palavras o método de ensino-aprendizagem proposto por Paulo Freire acontece em cinco fases que se fazem: por um levantamento do vocabulário adjacente à população com quem se trabalhará.sobre seu tempo. fazem-se fichas com a decomposição das famílias fonêmicas referentes aos vocábulos escolhidos. suas responsabilidades e seu papel no clima cultural da época. 14 Ele lembra: “Quase sempre ao se criticar esse gosto da palavra oca. Freire propõe discussões que girem em torno da vida. participante e crítico. 16 FREIRE. comunique. p. coisas diferentes. Ela é verbosa. P. de situações da vida e aspectos da realidade dos alfabetizandos. Idem. E nesta perspectiva. Faz comunicados. criam-se situações tipicamente vivenciadas pelo grupo de alfabetizandos. P. portanto.

além de conhecimento. integrando-a ao conjunto de saberes já conhecidos. 19 FREIRE.. da incompletude. da falta. para a aquisição da condição do sujeito em identificar e acolher a diferença. a relação dialógica se instala quando se permite ao outro falar e respeitase o seu direito de optar. uma vez que esta prática implica a consciência de ser inacabado. – o saber de que não se sabe tudo . 17 FREIRE. criticidade e reflexividade ao educando. entre mãe (ou quem quer que cuide dele. o cuidado e acolhimento necessários ao desenvolvimento da criança. Minha segurança se funda na convicção de que sei algo e de que ignoro algo a que se junta a certeza de que posso saber melhor o que já sei e conhecer o que ainda não sei. de que sou o „maior‟.) Minha segurança não repousa na falsa suposição de que sei tudo.O Método freiriano evidencia o lugar da linguagem. condições necessárias a uma prática pedagógica que se ocupe de uma educação efetiva.. O professor lembra: (.. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. que o materne. ensinar é próprio do humano e “exige disponibilidade para o diálogo”. na coerência entre o que faço e o que digo.20 Com isto o professor revela a importância do sentimento de segurança para a prática do diálogo.19 Um saber essencial à prática educativa: dialogar Freire considera o reconhecimento do inacabado. 20 FREIRE. do diálogo no processo e prática educativos. São Paulo: Paz e Terra. P. p. p. 135. Não à toa. que me encontro com eles ou com elas. E esta atitude exige da parte de quem se disponibiliza. 18 Conceito utilizado pelo psicanalista Winnicott para ilustrar no relacionamento interpessoal. lidando com ela no intuito de conhecê-la e respeitá-la. Idem. segurança para deixar o outro se expressar sem querer negá-lo. autonomia.como essencial à disponibilidade ao diálogo. Idem.. 9 .) É no respeito às diferenças entre mim e eles ou elas. sem querer abafar o que ele tem a dizer. de uma educação geradora. 1996. É na minha disponibilidade à realidade que construo a minha segurança. Para ele. para ele. que o acolha física e afetivamente) e bebê. 39ª ed. (. 135. Uma vez que. indispensável à própria disponibilidade. em seu livro Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa17. Freire coloca as condições para o educador e/ou professor ser suficientemente bom18.

também. e. mas. a partir da prática do diálogo. de Freire. desconhecedor de algo. 137. como já mostramos acima. propomos uma leitura possível e que pode atender à expectativa de tal explicação. para o ensino-aprendizagem. assim como também. influenciada pela reflexão e auto-reflexão sobre as situações em que vive e que o permeiam. p. 10 . apenas. que atinge os desdobramentos acima referidos? Como se processa a mudança de postura no alfabetizando.incompleto. conhecendo a realidade deles e a integrando ao processo de ensino-aprendizagem esta tarefa traz desdobramentos positivos tendo em vista que colabora com o conhecimento. perguntamo-nos novamente: no plano psicodinâmico – da ordem do pensamento e do afeto . adquirida. Idem. tornando-os sujeitos críticos e reflexivos. o que se passa na relação entre professor/educador e alfabetizando. O dito e suas conseqüências: contribuição metapsicológica à premissa de Freire A legitimidade da idéia freiriana de educação está na busca. com o aprendizado e apreensão. instigando a apreensão da realidade por parte dos alfabetizandos. influenciando na maneira como compreendem o meio em que vivem. a partir do dispositivo da prática dialógica? Aqui. assim como na forma de lidar com os desafios da vida cotidiana. reconheça no outro a falta. da própria condição. além do sentimento de segurança ser desenvolvido a partir do conhecimento reconhecimento desta falta. Paulo Freire considera que quando o educador/professor se abre ao diálogo com seus alfabetizandos. por parte dos alfabetizandos. Evidentemente que não se pretende completa e nem tampouco verdadeira. 21 De certo as idéias freirianas de uma metodologia de ensino-aprendizagem que enfatize a relação dialógica entre educador/professor e alfabetizandos. ou seja. portanto. de forma que o sujeito se reconheça sujeito de falta. através de condições e métodos para que os alfabetizandos tornem-se sujeitos de escolhas e 21 FREIRE. tem desdobramentos positivos. uma leitura viável. Neste sentido.como se pode explicar o alcance da proposta metodológica.

Trad. tu e ele]. o conceito de „ego‟. Maria da Glória Novak & Luiza Néri. a possibilidade da subjetividade. É na linguagem e pela linguagem que o homem se constitui como sujeito. 1988. 46. de elemento de um paradigma. A linguagem só é possível se existir aquele que fala e se apropria desse eu. por gerar auto-reflexão.. Segundo Benveniste a língua gera instrumentos com os quais permite ao sujeito se criar. pois é a partir dela que se atinge o outro e se é reconhecido por este. se transforma em uma designação única e produz. no que elas têm de intersecção.responsabilizações. constituindo aquele que fala. pelo fato de conter sempre as formas lingüísticas apropriadas à sua expressão.. permitelhe quando posto em discurso introduzir-se enquanto ser presente. e posicionem-se como atores críticos e criativos nesta História. Trad. [. Eduardo Guimarães [et al. E. porque só a linguagem fundamenta na realidade. [. In: Problemas de lingüística geral. In: Problemas de lingüística geral. uma nova pessoa. II.. Da subjetividade na linguagem. Vol.” 23 Assim o discurso viabiliza a experiência humana.. Segundo Benveniste. O que Freire associa a tomada de consciência e que resultará em sua inserção na História social e pessoal. Quando brincar é dizer: a experiência psicanalítica na infância. 1993.) A linguagem é. 24 BENVENISTE. que não é descrita. E. no entanto. pois. sujeito e discurso são simultâneos. Campinas: Pontes. A linguagem tem em si a inscrição da experiência humana porque ela processa a troca entre o ser falante e seu receptor permitindo o intersubjetivo..S. 23 BENVENISTE. este alguém os assume. “quando alguém os pronuncia [os pronomes eu. Vol. 1989. na leitura da lingüística moderna. a cada vez. Campinas: Pontes. e o discurso 22 ROZA.]. e o pronome eu. na sua realidade que é a do ser. p. 286 11 . E. O fato de todo sujeito se colocar em sua individualidade através do eu. p. 24 (.] A „subjetividade‟ de que tratamos aqui é a capacidade do locutor para se propor como „ sujeito‟. – Rio de Janeiro: RelumeDumará.] não é mais que a emergência no ser de uma propriedade fundamental da linguagem.. É o discurso do sujeito direcionado ao outro que irá transformar a linguagem na enunciação da subjetividade. presença sem a qual não há linguagem. p.22 A linguagem é uma via de comunicação e o que ela comunica é subjetividade. I. 69. A linguagem e a experiência humana. já para os psicanalistas é impensável que a linguagem esteja fora do discurso de um sujeito.

através da comunicação falada – que irá expô-lo e para arriscar-se nesta exposição é necessário estar assegurado de suas possibilidades e condição.25 Assim. ou seja. Como sempre. uma mudança na natureza do objeto. nos primeiros tempos. 1983. Enquanto o objeto é percebido apenas subjetivamente. e onde. de diferente de si. ou seja. mas à medida que ele vai sendo objetivamente percebido. vivenciou-se a noção de continuidade e acolhimento gerados por parte daquele(s) que o cuidou. parte dele. 289 Relações objetais é um termo. a subjetividade do discurso está naquilo que torna implicado àquele que expõe. no indivíduo. vai passando de uma relação subjetiva para uma relação mais objetiva. e o desenvolvimento de uma capacidade para se relacionar com os objetos de forma alguma é o ponto simples no processo de maturação. por parte daquele que está se desenvolvendo. p. objetivamente. Para ele as Relações com os objetos são um fenômeno complexo.164. p. 12 . psicanalítico.provoca a emergência da subjetividade. pelo fato de consistir de instâncias discretas. Trad. com os objetos que fazem. muda gradativamente. referente às relações estabelecidas entre pessoas.W. O ambiente e os processos de maturação: estudos sobre a teoria do desenvolvimento emocional. Winnicott nos lembra que a comunicação e a capacidade de se comunicar. Sobre este tema. com um objeto que vai sendo cada vê mais percebido objetivamente. vai-se adquirindo a noção de outro. estão estritamente relacionadas com as relações de objeto 26. A linguagem de algum modo propõe formas „vazias‟ das quais cada locutor em exercício de discurso se apropria e as quais refere à sua „pessoa‟. a 25 26 Idem. se faz através da comunicação – quando adulto. Onde não dominam a cena nem a privação nem a perda. a maturação (em psicologia) requer e depende da qualidade do ambiente favorável. gradativamente se desenvolve.27 Winnicott revela que a capacidade de se comunicar está na condição de perceber o mundo externo como ambiente seguro e confiável. o ambiente facilitador pode ser tido como certo na teoria dos estágios mais precoces do crescimento humano. definindo-se ao mesmo tempo a si mesmo como eu e a um parceiro como tu. 27 WINNICOTT. Porto Alegre. que fala. Artmed. O teórico lembra ainda que a relação. D. por isso. por Irineo Constantino Schuch Ortiz. é dispensável a comunicação explícita com ele. E esta segurança se faz possível quando. uma vez que relacionarse com ele.

condição producente. e sente-se capaz de se governar por si mesmo. de modo que ele se compromete com o ambiente e consigo mesmo. 1987. o que nas idéias de Winnicott chama-se maturidade. a interação dialógica. favorece o processo de maturação e a aquisição de maturidade – como defende Winnicott e como propõe a pedagogia da autonomia freiriana – sendo a linguagem. Natureza Humana. Pedagogia do Oprimido. o diálogo uma exigência existencial”29. E um aspecto que vai tornar viável esta aquisição da maturidade é a comunicação. sem romper com as normas de convivência em sociedade.Trad. onde na relação educadoreducando dialógica e problematizadora é experimentada como meio de libertação. de maneira desestruturada. diante do meio em que vive. que promove o acolhimento da subjetividade do sujeito veiculado na fala (BENVENISTE. Aspecto chave do processo de maturação28. à convivência do alfabetizando com o outro e com o meio em que vive.comunicação torna-se inelutável. antes.173. Como bem nos lembra Freire. ou seja. de maneira que ele a influencie e reflita criticamente sobre ela. 28 WINNICOTT. é “por isto. possibilitando ao indivíduo posicionar-se na vida. considerando seus desejos. Davi Litman Bogomoletz. p. conduzida pela prática da interação dialógica. ter alguém no ambiente que perceba. de confiança e segurança. uma vez que faz emergir o sujeito. como uma revolução organizada e sistematizada de materiais conhecidos. 29 FREIRE. 13 . A proposta freiriana de prática educativa é voltada ao convívio do alfabetizando com a sociedade em que vive. Rio de Janeiro: Paz e Terra. é através do encontro com o outro que se reconhece e se é reconhecido. 1990.. Assim.W. 1988 e 1989) gerando segurança e confiança. uma vez que a maturidade á adquirida à luz do sentimento de pertença. D. estabelecendo uma relação de troca. – Rio de Janeiro: Imago Ed. P. 17ª ed. acolha e valorize o que é dito pelo alfabetizando.

Educação como prática da liberdade. Tradução de Walter José Evangelista e Maria Laura Viveiros de Castro.São Paul. Trad. In: Problemas de lingüística geral. Aparelhos Ideológicos de Estado: nota sobre os aparelhos ideológicos de Estado (AIE). – São Paulo: Paz e Terra. Da subjetividade na linguagem.]. _______________. Direção de Jayme Salomão. V. Paulo. E. ______________. 39ª Ed. Paz e Terra. Rio de Janeiro. 1996. 1987.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALTHUSSER. . Vol. A linguagem e a experiência humana. 1983. Eduardo Guimarães [et al. ______________. CD-ROM GADOTTI. Política e Educação: ensaios. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 14 . Cortez. 5ª ed. Campinas: Pontes. I. Campinas: Pontes.. Vol. Rio de Janeiro. Trad. ______________. 17ª Ed. Moacir. 1917.. Pedagogia do Oprimido. – Rio de Janeiro: Edições Graal. BENVENISTE. A CONFINTEA VI NO CONTEXTO DO BRASIL E DA AMÉRICA LATINA: Uma oportunidade para a Educação Popular. Louis. 2001. (Edição Eletrônica Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. 1988. Maria da Glória Novak & Luiza Néri. Uma dificuldade no caminho da psicanálise. 1989. S. Paz e Terra. II. XVII). Rio de Janeiro: Imago.. In: Problemas de lingüística geral. FREIRE. FREUD. 31ª Ed. 2008.

________________. Trad. Trad. PESSOA.pdf Acesso em 27 de abril de 2009. E. ROZA. – Rio de Janeiro: Relume-Dumará. Quando brincar é dizer: a experiência psicanalítica na infância.com. D. Porto Alegre.S. 2006. 2000. 1990. FERNANDO. Pedro Tamen. Artmed. Davi Litman Bogomoletz. Trad. TORRES. 1992. 1983.isecure.br/anpae/62. WINNICOTT. 1993. São Paulo: Martins Fontes. O ambiente e os processos de maturação: estudos sobre a teoria do desenvolvimento emocional.org/pt/confinteavi/> Acesso em 24 de maio de 2009. Natureza Humana. Vocabulário de Psicanálise. Davi Litman Bogomoletz. Imago Ed. Quando fui outro.. Da pediatria à psicanálise: obras escolhidas. – Rio de Janeiro. Carlos Alberto. ________________. – Rio de Janeiro: Imago Ed. LAPLANCHE e PONTALIS. Por Irineo Constantino Schuch Ortiz. 15 . – Rio de Janeiro: Objetiva.W..Disponível em <http://www.unesco. Disponível em <http://www. Novos Pontos de Partida da Pedagogia Política de Paulo Freire.Trad.

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