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CENTRO NACIONAL DE ONCOLOGIA

Linfedema escrotal Caso clinico
Autores: Raúl L. R. Larralde**, Ivian Moreno***, Nazaré Amaro*, Nilton Rosa*
*Interno Geral de Oncologia **Cirurgião Oncológico ***Oncologista Clinica

INTRODUÇÃO

O linfedema e o acumulo de linfa no espaco intersticial, principalmente no tecido adiposo subcutaneo secundario a obstruccao da drenajem linfática. Essa obstrucao ocasiona um aumento de proteinas no espaco extacelular , retencao hidrica e fibrose. O linfedema escrotal cronico e uma doenca rara nos paises desenvolvidos. Causa dor, deformidade, dificuldade para urinar, diminuicao da potencia sexual e, nos casos extremos, dificuldade para a bipedestracao e a marcha. Todos os processos que podem causa-lo tem em comum o facto de provocarem uma obstrucao dos vasos linfaticos regionais, observando-se ao microscopio uma dilatacao dos conductos linfaticos distais ao processo obstrutivo. Os processos que podem causar linfedema escrotal agrupam-se em inflamatorios ou infecciosas, pos-cirúrgicos, neoplásicos, secundarios neoplásicos a sequelas pos-radioterapia, por desequilibrio hidroelectrolíticos e formas idiopáticas. De entre todas as causas infecciosas, a mais frequente e a filariase. Tambem esta relacionado com outras doencas infecciosas como a hidrosadenitis supurativa; pode ocorrer ainda apos infeccoes estreptococicas ou tuberculosas. As etiologias mais frequentes de origem neoplasica sao o cancro da prostata e as metastases ganglionares inguinais. Tambiem as doencas granulomatosas como a Doenca de Crohn, a artrite reumatoide e a sarcoidose podem podem ser causa de linfedema ponoscrotal. Outras situacoes como desequilibrio hidroelectroliticos (como a hipoproteinemia); de igual modo certos procedimentos cirurgicos, como as linfadenectomias inguinais, também podem origina-lo. Mais raramente, esta descrito o linfedema genital em consequencia do uso de injeccoes de parafina e ou silicone no penis ou com o uso de bandas constrictivas a volta do escroto. O linfedema e classificado como primario ou secundario (tabela 1). O linfedema primario origina-se de um defeito intrínseco dos vasos linfáticos (aplasia, hipoplasia, hiperplasia e tortuosidades). O linfangiossarcoma e uma entidade muito rara que se desenvolve a partir de um linfedema cronico; ocorrem em doentes com linfedema adquirido, congenito ou traumatico . Clinicamente, a pele aparece edematosa, engrossada, dura, com coloracao violacea e pode sangrar facilmente (deve ser feito diagnostico diferencial com sarcoma de Kaposi). Metastizam com rapidez.

OBJECTIVOS
Reportar um caso de linfangiossarcoma escrotal, sua evolucao com o tratamento cirúrgico realizado e revisao da literatura.

Luanda, Junho 2010

CENTRO NACIONAL DE ONCOLOGIA

Linfangiossarcoma Caso clinico

RELATO DE UM CASO
Paciente do sexo masculino de 58 anos de idade, com antecedentes de trauma contuso na bolsa escrotal muitos anos antes, acorre a consulta por apresentar aumento de volumen dos orgaos genitais.
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baixo

nivel de escolaridade, e a distancia a que icava a sua casa do centro de saude, untamente com a grande despreocupacao dos amiliares e
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Uma biopsia de pele do escroto mostrou a epiderme com dilatacao dos vasos lin áticos dermicos (lin angiectasia cutánea), de contornos irregulares revestidos com endotelio maduro, com proli eracao pleomor ica e invasiva, caracteristicas compativeis com lin angiossarcoma.
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do proprio, izeram com que vivesse dessa orma durante muito tempo, re erindo que nao apresentava transtornos para urinar, nem dor
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so o grande volume dos orgaos genitais que o impossibilitava de
andar, uma vez que a bolsa escrotal chegava ate ao oelho (Figura 1 e
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2).

Nestas condicoes, decide-se levar o paciente ao bloco operatorio, onde sob anestesia geral se realiza cateterizacao vesical e imediata extirpacao total de ambas bolsas escrotais com todo seu conteudo, encontrando os elementos do cordao espermático envolvidos por tecido ibroso, rugoso, com vasos de neo ormacao, algunos dos quais com grande calibre.
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o exame isico encontrou-se uma grande tumoracao genital que envolve ambas bolsas escrotais e o penis (este ultimo encontrava-se praticamente «): o grande volume escrotal com cerca de cinquenta centímetros de diametro , com a pele muito engrossada, rugosa, com di erentes coloracoes. Regiao inguinal normal. embros in eriores normais, sem edemas. Exames omplementares: -Hematológicos - normais. -Imagiológicos: . Radiológicos. Radiogra ía pelvica simples (massa de bordos bem de inidos, com calci icacoes no seu interior). -Ec rafic s e T rafia (e r ssa e t a ele, c z as e heter e ici a e i traescr tal).
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Descricao anatómica da peca: « (Figura 3).

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O linfangiossarcoma penoscrotal e uma neoplasia maligna rarissima, embora seja comum o aparecimento de linfedema nos países em que a filariase e endemica. .

1. Vaug t S, Litvak A, McRoberts J. 

e surgical management of scrotal and penile lymp edema. J Urology 1975;113(5):204-209. 


2. E. García-Tutor, et al. - Tratamiento quirúrgico de linfedema peneano secundario a idrosadenitis supurativa-Actas Urol Esp 2005; 29 (5): 519-522 3. Cabrera, R.S y Pérez, F. M. - Sección Uro-oncológica - Hospital Vladimir Ilic Lenin. Holguín. Cuba. Arc . Esp. Urol., 60, 2 (195-198), 2007 4. JP, Procuna-Hernández JN, Manzanilla-García HA, Gutiérrez-Godínez FA, Rosas-Ramírez A Sánc ez-Alvarado JP, ProcunaHernández JN, Manzanilla-García HA, Gutiérrez-Godínez FA, Rosas-Ramírez - Linfedema primario escrotal gigante (enfermedad de Meige) reporte de 2 casos - Rev Mex Urol 2008;68(6):344-347 5. IOLANDA VEIROS et al - COMPLICAÇÕES DA MASTECTOMIA, Linfedema do Membro Superior - Recebido para publicação: 29 de Junho de 2006