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Técnicas de contar UM GUIA PARA DESENVOLVER AS SUAS HABILIDADES E OBTER SUCESSO NA APRESENTAÇÂO DE UMA HISTÓRIA

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Técnicas de contar histórias

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Coordenação Geral: Vania D'Angelo Dohme Teoria Vania D'Angelo Dohme Histórias: O urso do final do arco-íris Boa ação Vovó sapateadora O pote de Baiaré Autoria.:Vania DAngelo Dohme A caixa de Pandora O rei Midas O rei nu A lenda do Tsuru Domínio público O mágico de Oz Autoria: l. Frank Baum Os saltimbancos Autoria: Irmãos Grimm O aguilhão do rei Kotick Reproduzido da obra "O livro da Selva" de autoria de Rudyard Kipling com autorização da Editora Melhoramentos lida Adaptações: Vania D'Angelo Dohme Projetos Vania DAngelo Dohme Walter Dohme Desenhos Walter Dohme Diagramação & Produção Dohme Propaganda Revisão Doris & Roland Kõrber Maria Lucia Meirelles Reis Produção de fotos Antonio Ruiz Capa Cledson Soares de Carvalho Walter Dohme Fotos Sergio Tegon

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Fotolito SM Fotolito A todas as pessoas relacionadas abaixo que comigo viveram as grandes emoções do curso "Técnicas de Contar Histórias". Elas foram o incentivo e a razão para a realização deste livro. Mais do que isso, muitas delas, contribuíram com sugestões e idéias. A todos o meu agradecimento e carinho. Adriana Chaves da Silva Adriana Cristina R. Lopes Adriana F, da Rocha Adriana Moreira dos Santos Adriana Regina Lopes Nunes Adriana S. P. Gorgozinho Alda de Oliveira Silva Alessandra Gafanovitch Udlis Alfredo Alexandre S. Santos Alice Meira dos Santos Aline Aparecida P Eugênio Aline de Lima Santos Altair João Mossi Alzira Pelais dos Santos Amanda Batista de O. Santos Amanda F. G. Uehara Amanda Herrera Ana Claudia G. N. Montanari Ana Kazumi Shimozato Ana Luisa Fulan Dal Bom Ana Maria Cordeiro Ana Mana Oliveira Pinto Ana Maria Rodrigues Ana Paula Belinário Ana Paula Gosta Ana Paula Favaro Ana Paula M. 1). J. Gregório Ana Paula Maria da Silva Anderson Almeida Batista Andréa Alves dos Santos Andréa Charan Andréa Guimarães Andréa Rejane C. Silva Andreza de Moraes Carlota Angela Ap. O. Nascimento Angela Bassin Silbestyen Angela Maria Candida Angela Raquel Piccolo Anna Paula Alves M. Vieira Antonia P. da Silva Monier Antonia Regina Q. de Oliveira Antonio de Pádua Peixoto Anísia Sukadolnik Aparecida C. de Oliveira Aparecida Maria da Silva Aparecida Neto Cano Aparecida Silmara de Oliveira Bárbara Cristine da Silva Diaz Bárbara Dalcanale Meneses Batia Mandelbaun Berenice Ap. R. de Olheira Bernadete de Moraes e Silva Camila Artoni Gonçalves Camila Castanho Sant'Ana Carla Damiana Chada Dentini Carla Diament Carlos Sereno Carmem Barreira Carmem R. Garcia de Lima Cássia Aparecida Gonçalves Cecília Helena A. Prado Célia Cristina Novato Célia Machado Azevedo Célia Regina de Godoy Chaim Nitzky Charles Alexandre de Santana Cícera Ferreira Bispo Claudia Afonso Lima Cardoso Claudinete G. de Lira Silva Claudinete Santos Rocha Cláudio Casotti de Campos Cleonice Barros Silveira Cleonice de Jesus Santos Cleuza de Rezende Cliciê R. Resende Azevedo Conceição A. T. Rozendo Coquelin A. Leal Neto Cristiane Bueno Terzi Cristiane Câmara Soares Silva Cristiane Cociuffo Cristiane Demetre P. Bacci Cristine Lins Cynthia Costa Dagoberto R. Golovattei Daniela Aparecida Pereira Daniela H. Arnarim Daniela Leal Daniela Tomaz Luz Danielle Cristina Paes Darlene Soares da Rocha Davi Mendes Débora Cristina C.S. Venâncio Débora Freund Débora Prado Lopes Débora Ribeiro Amaral Deise Lúcia M. dos Santos Deise Maia Tebaldi Pedro Denildes Araújo Grosso Denise B. B. Bissacot Diana Francisca da Silva Dilza Ilza Pereira Silva Djanira Pedroso Macedo Duxtei Vinhas Itavo Edcarlos P. do Nascimento Édina Ferreira de Oliveira Edinaura Arcanjo Barcelos Edleusa Santos da Purificação Elaine Andrade Rocha Elaine Cristina de Barulos Elaine Cristina Isaac Elaine Guastalla Augusto Elaine Rodrigues de Almeida Élcio Aparecido Pires de Assis Eledinalva Simões dos Santos Eliana Pereira Machado Eliane Sá da Silva Andrade Elisabete Amaral C. Moura Elisabete Moreira Cavicchio Elisangela B. Baêsso Elisangela da Silva Neves Elisangela Medeiros Carneiro Elizabete M. de Mello Szana Elizabeth Ferreira Elizabeth Pedroso E Pereira Erica Maiara Biazotto Érika Jeke de Freitas Eunice Pinheiro de Lima Eva S. Zelloskraut Fabiana Barbosa Gonçalves Fabiana Fioreti Frigene Fabiana Gomes dos Santos Fábio Roberto M. Santos Fabiola B. Moreira Jacinto Fátima Irene Marques Palesi Fernanda Amaral Almeida Fernanda Juvanteny Rocha Francisco Salomão Junior Genilda Doas dos Santos Geovana Ribeiro P. Soares Gerson Peixe Gislaine Cristina Candido Graziela Zlotnik Chebaibar Gustavo Pires de Oliveira Helayne Peres Cardoso Heloísa G. M. Zulian Heloísa Oléa Granito Helvécio Ribeiro Pinto Indira Baptista da Silva Iracema T. de Lima Conceição Irene dos Santos Irene Vidotto Vianna Ireni Pereira da Silva

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Irineo Carlos de Almeida Irma Carvalho Palmeira Isabel Maria J. Simões Ivone Alves Babilônia Ivone Bellotti lvoneth S. Malaquias Izilda P Matsunaga Janete Ap. da Silva Joaquim Ferreira Magalhães José Paulo Comes Filho Joselma T. Albuquerque Josiane do Rocio Franco Josiane Leite Bizarri Josiane Patrícia P Paixão Josiane Q. Borrasqui Josiney Barbosa Júdice Judete Maria Scaburi Sasse Juliana Albuquerque Melo Juliana Ap. Teixeira da Cinz Juliana Cristina Domingues Juliana Neves Fernandes Juliana R. C. M. Chaves Juliana R. Chiavone Jusmari do Carmo Gumiero Kamila Góes Papa Kátia Regian Possendoro Keila Moysés Betagna Keli Cristina Fabrício Maria do Carmo Pina Laila Nicolau Maria do Carmo Z. Mezzarapa Lenira Maria Borges A. Calio Maria Eduarda Eluf Welsch Lenita de Abreu Pessoa Maria Elvira do Nascimento Leonardo de Andrade Vecchi Maria Helena Bueno Gurgel Leonor Fernandes Ramos Maria Henrique de Lima Lídia dos Santos Lourenço Maria Isabel Arieta Lídia F. F. de Campos Maria José Gomes de Moura Lídia Monteiro P. Santos Maria José Gonçalves Lígia Maria Pin Maria Julita Santos João I.ilian Amélia Corrêa Pereira Maria Laudice M. dos Santos Lilian Maria dos Santos Maria Lourdes de L. Almeida Lilian Pereira Maria Lúcia Bandeira da Silva Liliane Costa Maria Lúcia Dias de Barros Luanne Aparecida Rotta Maria Lúcia S. F. Arruda Lúbia Cristina R.O. Araya Maria Luiza Altoé Lemos Luciana Regina América Maria Luzimar F. Siebra Luciana Rodrigues da Costa Maria Núbia de Oliveira Lucilene Ferreira Pontes Maria Rita Barros Lucilene Silva dos Santos Maria Roberta Veiga Luisa Helena M. Pires Vila Maria Salma Silveira Santos Magda C. P de C. Lupinacci Maria Tereza Mallol M. Cruz Marcelo Ferreira Maria W. M. Vasconcelos Marcia Cordeiro de Barros Mariana Sanchez de Martins Marcia D'Angelo Marieta Castelli A. Duarte Marcia Freyberger Marília Silva dos Santos Marcia M. Gomes Pinheiro Marilís Maldonado de Moraes Mareia S. Pinto de Oliveira Marilu Cefalli Marcio Anastácio de Lima Marilvia Marcondes Marcio Aparecido R. Chaves Marinalva Nogueira Ciarelli Marcos Aurélio A. Valentim Mario de Ulhôa Cintra Maria Aparecida A. Tiengo Marisa R. J. Santana Maria Aparecida da Costa Marli Aparecida da Silva Maria Aparecida da Rocha Marli Becker dos Santos Maria Aparecida G. de Souza Marli Moysés Bertagna Maria Aparecida R. Camargo Marlne C. Barbosa Maria Aparecida S. Albertin Marly C. Figueiredo Maria Aríete Nelo de Oliveira Marose Leila e Silva Maria Aux. Amaral de Araújo Marta Muniz Barreto Maria Balbina Soares Maura de Souza Jovino Maria Benavente Tendeiro Maurício Duran Pereira Maria Claudia R. Souza Meire Brito Macedo Maria Cristina Merlo Mênfis Cristina Glória Mana Cristina Barbosa Reis Milânia Cezar da Cunha Maria Cristina do Vale Vieira Milena Cristini Tabossi Maria Cristina dos S. Saluti Milene Sipné Maria da Gloria V. Rodrigues Milton Gonçalves Chagas Maria Daniela C. Gimenez Miriam Fagundes da Cruz Maria de Fátima S. Oliveira Míriam Palma Mônica Alves da Silva Silvia Helena Madricardi Mônica B. Sterza Nicoletta Silvia Helena Vicente Mônica Edele Von Winckler Silvia Maria Davoli Mônica L. F. Guimarães Simoni Francini de Oliveira Neide Antunes Guimarães Simony de Sena Dotto Neide Maria Neto Sirlene R. Duarte Correia Neusa Cabra Lima Sonia Ap. de Lima Neusa de Souza Davi Sonia Minematsu Neusa Maria Marques Oliveira Suely Ferreira Lima Níobe A.S. Marengo Suzana da Cunha Lima Norma Alcântara A. Almeida Suzana S. Oliveira Odete Imaculada Artioli Tania de Mello Gimenes Olívia Volker Rauter Tania Lobato Neves Orlando N. de Lima Tatiana Bonfim Moreira Patrícia Bullara Rotundo Tatiana Costa Magro Patrícia Serafim Rodrigues Tatiana Maria Sanches Paula Cristina Lopes Tatiana Marques Cintra Priscilla Silva Dias Tatiana Pereira de Souza Rachel Vitor Cury Terezinha S. de Souza Regina Célia Cuiselini Terue Sonia Teramoto Regina Sznelwar Touna Anker Renata Cocato Costa Uilma R. Duarte Ferreira Renata Rocha Potaszinik Úrsula Aparecida de Paiva Renata Sampaio Simões Valdineuma O. S. Nascimento Renato Michelsohn Valdir dos Santos Rita de C. A. Dias Pinheiro Valdirene de Almeida Rita de Cássia Floriano Valéria Costa Guedis Silva Rita de Cássia N. Santana Valéria R. B. P. Serra Roberta Marangoni Vanda Sfiranda Roberta Queiros Lívia Vanessa Batista Roberta Yumi H. Bertune Vanessa M. D'Albuquerque Ronald Michelsohn Vanessa Pereira Damasceno Rosa Cristina de A. Perônico Vanessa Pereira Teixeira Rosana B. Baêsso Brunetti Vany F.

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Carnaval Rosana da Silva Vera Ap. Salgueiro Pereira Rosangela C. B. R. Dias Vera Lúcia Conceição Borges Rosaria Eliza da Silva Vera Lúcia F. Melo Roseli Aparecida Corrêa Virgínia Maria Silva Rosemeire Pola Viviana Bonfim Morena Rosineide J. do Nascimento Viviane Azeredo Noguchi Rozilene Ap. Vitor da Silva Viviane Emi Nakano Rúbia Silva Waléria M.C. de Carvalho Ruth de Souza Santos Walker Pedroza Rocha Sara Sales de Souza Walkyria Mendonça Mazzoni Selma Maria Santos Farici Wilma Trentin de Moraes Selma Mascarenhas Zenaide Fardini Soares Sérgio Fernando Ferraz Perez Ziete Ap. Lopes Sibele Tereran Miquelon Costa Zoica A. Caldeira Silvaria Vasconcelos Martins Zuleika Scatena Martins Cintra e em especial ao elenco Ana Lucia Carvalho, Dineli da Costa, Antonio de Pádua Peixoto, Edmundo Públio , Dineli da Costa, Flávia Gomes Cardozo, Samanta Dohme, Vanessa Dohme, Walter Dohme e wanderson Isaías Caetano.

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ÍNDICE

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Prólogo................................................05 Prefácio de Tatiana Belinky..............09 Prefácio de Valdir Cimino. ...............11 Como usar este livro...........................13 Teoria..................................................47 0 valor educacional das histórias......19 Transmissão de valores através das histórias..............................................22 Estudando uma história..................26 Ficha descritiva (modelo)................33 Ficha descritiva (demonstração)....35 Fazendo a narração..........................37 Tirando maior proveito da voz.......40 Vivendo e suscitando emoções.......45 Recursos auxiliares............................50 Textos............................................... .53 O urso do final do arco-íris...............55 A caixa de Pandora...........................59 O aguilhão do rei................................63 Boa ação.............................................67 Kotick.................................................72 O mágico de Oz................................ 77 O rei Midas.........................................85 O rei nu...............................................88 Os saltimbancos.................................94 A lenda de Tsuru................................98 Vovó sapateadora.............................100 Recursos Auxiliares.......................... 107 Narração com efeitos especiais.......109 Narração interativa............................112 Maquete...............................................114 Bocão...................................................126 Radionovela........................................139

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Técnicas de contar Histórias
Prefácio Um A advogada Vania Dohme foi durante 12 anos Comissária Nacional de Lobinhos -escoteirinhos de 7 a 11 anos de idade. Uma atividade que fez aflorar a sua verdadeira vocação: educadora de crianças para a cidadania. Mesmo porque o Escotismo é por definição uma escola de cidadania, que privilegia, na base das suas atividades, a honra, a verdade, a solidariedade, a lealdade, a coragem — em suma, a essência do civismo e da ética nas relações humanas... Mas o que isto tem a ver com a temática deste livro, cujo título é "Técnicas de Contar Histórias"? Tudo a ver. Neste livro, Vania ensina - e como ensina bem! - não só a arte milenar de contar histórias, mas de contá-las de maneira a fazê-las render o máximo das suas potencialidades. Isto é, sabendo como usar a voz, a expressão, o ritmo, o gesto - em suma, a "técnica" propriamente dita. E principalmente, a fazê-lo com amor, tanto pela própria arte, como pelos jovens ouvintes, o público (aliás, de qualquer idade), despertando seu interesse, prendendo a atenção e, last but not least, transmitindo valores -valores estéticos e éticos -oferecendo cultura e informação, com emoção, a serviço da formação harmoniosa do cidadão de amanhã. Tudo isso com o auxílio fundamental de bons textos populares, folclóricos, literários, de varias origens. Sim, porque o livro de Vania traz uma rica seleção de textos, histórias acompanhadas de uma serie de elementos auxiliares, tais como dramatizações, adaptações, etc, para teatro de bonecos e marionetes, cineminha, rádio, teatro de sombras, sugestão de figurinos e outros recursos, com instruções para a sua realização, desenhos, diagramas e também jogos interativos - uma verdadeira riqueza... Este é, sem dúvida, um livro de inestimável valor e utilidade para contadores de histórias profissionais ou semiprofissionais (como os voluntários do programa Viva e Deixe Viver) e também "amadores" como pais, avôs, professores, educadores (que no fundo todos nós, que vivemos em contato com crianças e jovenzinhos, somos) — e até curiosos e interessados em geral. Melhor do que aprender lendo e estudando este precioso livro, só mesmo assistindo a um dos cursos de capacitação de adultos, ministrados por Vania Dohme - mas isto já é outra história. Tatiana Belinky

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Tatiana Belinky nasceu em S. Petersburgo, Rússia, em 1919 e aos dez anos de idade veio a São Paulo com sua família. Foi casada durante 50 anos com o já falecido Júlio de Gouveia, médico psiquiatra, terapeuta, educador, produtor e diretor de teatro. Em 1948 começou a fazer teatro para crianças, escrevendo e adaptando textos que o marido dirigia. Em 1951, com o advento da televisão, o casal passou a apresentar suas peças na TV Tupi - Canal 3, onde permaneceu até 1964. Os espetáculos eram apresentados ao vivo, com textos que Tatiana adaptava e traduzia da literatura nacional e estrangeira, um acervo estimado hoje em cerca de duas mil histórias. F de sua autoria a primeira grande série adaptada para a televisão do Sítio do Pica-Pau Amarelo, de Monteiro Lobato, com cerca de 360 capítulos. Tatiana tem cerca de 100 livros publicados desde 1952 por diversas editoras. É tradutora profissional e poliglota, tendo ocupado diversos cargos importantes no cenário cultural brasileiro, cronista, articulista e crítica de literatura infantil e juvenil dos principais periódicos nacionais e justa merecedora de diversos prêmios de Teatro, Literatura e Televisão. Tatiana Belinky e seu marido, Júlio de Gouveia, são indubitavelmente os grandes precursores da boa televisão infantojuvenil brasileira, que souberam usar este veículo como poucos, mesclando a fantasia e a arte com um propósito educacional cônscio e moderno, capaz de gerar efeitos pessoais e sociais positivos e construtivos.

Prefácio Dois Desde 1997, quando virei um contador de histórias, tenho observado com especial interesse tudo o que está relacionado ao universo infantil. A tarefa de contar histórias inicialmente pareceu-me bastante complexa, mas com o tempo percebi que é possível aprender mais sobre ela, e torná-la não apenas mais simples como também mais responsável. E foi justamente esse o aspecto que mais me sensibilizou no trabalho da Vania. Sensível, ela percebeu mais cedo que muitos de nós a importância de contar histórias e não economizou esforço para treinar os voluntários da Associação Viva e Deixe Viver. Contar histórias para crianças até que é relativamente fácil. Mas exige do contador um real interesse nesse relacionamento. Mais que isso, exige respeito aos limites, às emoções e aos valores dessa criança. É preciso ainda estar disposto a ouvir atentamente. No entanto, há um obstáculo que pode tornar-se intransponível para alguns: é preciso voltar a ser criança. Imaginem a importância dessa tarefa quando executada por voluntários, vindos das mais diferentes profissões, não remunerados, atuando em hospitais junto à crianças hospitalizadas! Pois os contadores de histórias da nossa Associação são especializados nisso. Eles passam por um programa de treinamento no qual o pensamento de Vania está muito presente. Ela tem sido uma companheira séria que nos ajuda a treinar objetivamente os voluntários e buscar sempre a inter-relação entre os diversos públicos, o desenvolvimento de talentos, a motivação constante, o estímulo, a responsabilidade. Graças a esse comprometimento, conseguimos formar competentes contadores de histórias, que, através do seu bom humor, das leituras e das brincadeiras, reforçam a nossa missão: levar entretenimento e informação educacional para dentro dos hospitais. Na era da globalização, quando o avanço tecnológico afasta mais e mais os indivíduos, recebo com entusiasmo a notícia deste livro, que nos remete de forma simples ao conceito inicial: ver o sorriso nos olhos de uma criança. Valdir Cimino

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Diretor - Presidente da Associação Viva e Deixe Viver.

A Associação Viva e Deixe Viver é uma sociedade civil sem fins lucrativos, que conta com o apoio de voluntários para realizar sua missão: promover o entretenimento e a informação educacional, visando tomar a internação da criança no hospital e a vivência na sua casa de apoio um momento mais leve, agradável e alegre. Atualmente os principais recursos da Associação Viva e Deixe Viver são a leitura de obras infantis, as brincadeiras, a criatividade e o bom humor de seus voluntários. www.vivaedeixeviver.org.br

Este livro tem um duplo objetivo. O primeiro é mostrar como as histórias podem ser importantes em um processo educacional. O segundo é dar dicas e apresentar projetos para que estas histórias possam ser contadas de uma forma atrativa, para que qualquer pessoa possa passar bem a mensagem. Assim, ele constitui-se de três partes: * Teoria * Textos * Recursos auxiliares: descrição e projetos A primeira parte - Teoria, procura dar conta do primeiro objetivo: mostrar a importância e a utilidade educativa das histórias. Ela discorre sobre os aspectos que podem ser desenvolvidos na criança através das histórias, como a imaginação, criatividade e senso crítico, dando especial ênfase àqueles relativos à ética e à questão dos valores. Aborda a importância de se estudar bem uma história para garantir uma boa performance, dando critérios para a escolha e um roteiro para o seu estudo. Enfatiza, em seguida, a importância das adaptações, para permitir que a história leve a mensagem desejada e esteja adequada ao recurso auxiliar que será utilizado. Este trabalho é auxiliado por uma ficha descritiva que apresenta estes diversos itens de forma ordenada, permitindo que o estudo flua com mais facilidade e que o seu arquivamento seja possível para futuras consultas. Em seguida enfoca as habilidades que o contador deve observar e desenvolver. Como trabalhar a voz quanto à dicção, volume, velocidade, tonalidade e vocabulário. A importância da expressão corporal e facial, como trabalhar as imitações, elementos externos e como dar o "timing" certo à narração, tirando o máximo proveito das emoções que a história contém. Finalmente, dá dicas de como fazer a narração: disposição do público, domínio das interrupções, etc. e introduz o uso dos recursos auxiliares que serão amplamente explorados na terceira parte deste livro. A segunda parte traz onze histórias, mescladas entre conhecidas e inéditas. É importante observar que todas elas trazem uma mensagem educacional, voltada principalmente para valores éticos, e que a adaptação procura ressaltar isto. Assim,

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o leitor poderá, através da sua leitura, observar como se desenvolve um enredo, dando ênfase adequada a fatores que irão compor a mensagem que se deseja transmitir. Outra característica é que cada uma dessas histórias encontra-se relacionada a uma técnica de apresentação específica, descrita na terceira parte. O valor desses textos, além do conteúdo em si, é que todos eles estão adaptados a uma técnica de apresentação. Assim, o leitor poderá estudar as diferenças entre a adaptação de uma história que será apresentada através de fantoches e aquela adaptada para uma apresentação através de maquetes, por exemplo. Abaixo dos títulos de cada história há referência ao recurso auxiliar para o qual ela foi escrita e a indicação da página respectiva em que descrição e projeto se encontram na parte três. É claro que o leitor não necessitará ater-se estritamente a isto e apresentar a história somente de acordo com esta indicação. Isto é apenas um auxílio para o estudo da história e formas de adaptação. A terceira parte traz a descrição de onze recursos auxiliares, sendo eles: narração interativa, maquete, bocão, radionovela, fantoche, dramatização, velcômetro, teatro de sombras, dobradura, marionete e cineminha. Todos eles estão acompanhados do projeto de execução de todas as peças necessárias para uma apresentação. () projeto de cada recurso auxiliar está adequado à cada uma das histórias contidas na segunda parte. É claro que eles poderão ser aplicados genericamente a qualquer história que o leitor desejar, mas a sua correlação a uma história específica facilita a compreensão, dando um exemplo do tipo de história apropriada a cada técnica e de como fazer adaptações eficientes. Por exemplo, na história "O mágico de Oz" indicamos que ela é adequada para ser apresentada através de fantoches. Assim, na parte de projeto, quando falamos do recurso auxiliar fantoche, indicamos passo a passo como fazer o teatro e respectivos bonecos que fazem parte desta história. É importante ressaltar que as técnicas de confecção são todas simples, dando-se preferência à praticidade e à economia. Cada um dos projetos poderá ser sofisticado ao gosto de cada artesão, mas a forma apresentada é suficiente para passar a mensagem e encantar as crianças. Cada um dos recursos é acompanhado de uma ficha técnica em que ele é minuciosamente estudado. Esta ficha dá indicações de como fazer as adaptações para esta técnica, para que tipo de enredo ela é adequada, quais as habilidades que o operador precisa ter, quais os recursos adicionais que podem ser inseridos, dicas sobre o local e número de pessoas ideais para a apresentação. A comparação entre as diversas fichas técnicas e as fichas descritivas de cada história dará um excelente panorama ao contador sobre qual recurso escolher para cada história, como fazer as adaptações e os diversos preparativos. As adaptações feitas em cada história não se aplicam exclusivamente a uma técnica, muitas delas poderão ser usadas em técnicas semelhantes; por exemplo, a técnica empregada para fazer apresentações através de fantoches é muito parecida

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com a técnica das sombras, de forma que o texto escrito para "O mágico de Oz" pode ser apresentado em teatro de sombras sem qualquer alteração. Após ter tomado contato com as recomendações da parte teórica e com cada história e seu projeto, o leitor estará apto a fazer as mais variadas combinações entre as histórias da segunda parte e os recursos apresentados na terceira, incluindo outras histórias que fazem parte ou venham a fazer parte de seu acervo. Contar histórias é uma arte, não há dúvida, mas é arte que pode ser desenvolvida. Mesmo porque não há nada que não se possa alcançar com dedicação e estudo. Assim, pretendemos que este livro seja muito mais do que um guia, mas uma fonte inesgotável de consulta e incentivo para aqueles que acreditam na magia da fantasia e que tem o dom de transformá-la em "realidade".

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O valor educacional das histórias
As histórias são excelentes ferramentas de trabalho na tarefa de educar e vários motivos existem para isso: * as crianças gostam muito * levam a uma empatia com os alunos * a variedade de temas é praticamente inesgotável * pouca exigência de recursos materiais para sua aplicação * os vários aspectos educacionais que podem ser focados Por meio dos exemplos contidos nas histórias, as crianças adquirem maior vivência. O contato com os impulsos emocionais, as reações e os instintos comuns aos seres humanos e o reconhecimento dos fatos e efeitos causados por estes impulsos são exemplos de vicia. Histórias são bastante úteis para trabalhar os seguintes aspectos internos da criança : * Caráter: Histórias escolhidas de feitos heróicos, conteúdos que encerram lições de vida, fábulas em que o bem prevalece sobre o mal são lições que as crianças absorvem. Por meio das histórias, os meninos defrontam-se com situações fictícias e percebem as várias alternativas que elas oferecem, podendo antever as conseqüências que a decisão por cada uma delas trará. Com isso adquirem vivência e referências para montar os seus próprios valores. * Raciocínio: As histórias mais elaboradas, de enredos intrigantes, agitam o raciocínio das crianças, que as acompanham mentalmente, interrogando-se como agiriam naquela situação. * Imaginação: Os meninos ouvem atentos as narrações e com isso acompanham-nas mentalmente. Desta forma consegue-se situações verdadeiramente formidáveis! Com elas podemos transitar pelo tempo e o espaço, estando ora na pré-história, ora pisando em galáxias estranhas. Podemos "bater um papo" com Hércules, participar de rituais indígenas ou conhecer a selva. Nas histórias tudo é possível! O exercício da imaginação traz grande proveito às crianças, primeiro porque atende a uma necessidade muito grande que elas têm de imaginar. As fantasias não são somente um passatempo; elas ajudam na formação da personalidade na medida em que possibilitam fazer conjecturas, combinações, visualizações como tal coisa seria "desta" ou "de outra forma". * Criatividade: Uma vez que a criatividade é diretamente proporcional à quantidade de referências que cada um possui, quanto mais "viagens" a imaginação fizer, tanto mais aumentará o "arquivo referencial" e, consequentemente, a criatividade. As histórias aumentam o horizonte dos ouvintes, com elas: eles "conhecem a China", "pisam na Lua", voam através do tempo, da pré-história aos dias de hoje, travam conhecimento com fadas, duendes, monstros e heróis. Estas emoções semeiam a imaginação e estimulam a criatividade. * Senso Crítico: A cada dia que passa assistimos abismados à falta de senso crítico nos indivíduos. Aumenta a procura de elementos massificações, tais como grifes e modismos, tolhendo e até envergonhando o indivíduo de ter as suas próprias idéias. É preciso que as pessoas tenham olhos para ver a realidade da sociedade que as cerca, identificando as atitudes que levam à prosperidade, para incentivar estas e reprimir as danosas, e saber manejar as suas opiniões, para que em conjunto com o pensamento dos demais, possam ter uma vida útil e feliz.

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As histórias atuam como ferramentas de grande valia na construção desse senso crítico, porque por meio delas os alunos tomam conhecimento de situações alheias ã sua realidade, uma vez que podem "navegar" em diferentes culatras, classes sociais, raças e costumes. A visão de outras realidades fará com que vejam "os dois lados de uma mesma moeda", gerando tomadas de posições e construindo uma personalidade ativa. * Disciplina: É entendida como aceita e praticada espontaneamente pela criança e não como algo imposto inquestionavelmente pelo educador. No momento que trabalhamos com algo que a criança realmente gosta, que sente que foi preparado com carinho para ela, as chances de ter uma postura atenta e participativa aumentam muito. Ela não irá gritar ou fazer algazarra se tiver algo muito mais interessante para fazer: ouvir uma história! Algo que ela espera ser interessante, porque confia que foi preparado especialmente para ela e para o seu grupo. A situação fará a criança perceber que existe momento para tudo: brincar, se divertir e também para prestar atenção, e o que é melhor: que vale a pena prestar atenção! Isto contribuirá para o aumento de sua capacidade de concentração e para o desenvolvimento de uma atitude crítica em relação ao seu comportamento e ao dos demais, ou seja: levará a uma disciplina consciente e assumida pela própria criança. Transmissão de valores através das histórias Os valores são fundamentos universais que regem a conduta humana. São elementos essenciais para viver em constante evolução, baseada no autoconhecimento em direção a uma vicia construtiva, satisfatória, em harmonia e cooperação com os demais. Fazer uma análise de quais valores desejaríamos passar por meio de um processo educacional demandaria uma maior reflexão, mas algumas indagações podem ser feitas: • Quais os valores que me importam? O que é importante para mim como educador? • Que tipo de valores eu reconheço como importante nos demais? • Quais deles eu gostaria de poder ajudar a construir? • Quais são adequados a uma criança? • Quais deles eu posso transmitir por meio de um processo educacional, levando em conta os meus recursos materiais e humanos? As respostas não serão iguais de uma pessoa para outra, mas certamente muito semelhantes. De um modo geral, começar a preocupar-se com a transmissão de valores é o grande passo, o envolvimento com a matéria será natural e a satisfação que o retorno das crianças proporcionará será uma mola propulsora para o constante desenvolvimento no trabalho com valores na educação. Alguns autores dão algumas sugestões que podem servir de base para reflexão e escolha. De qualquer forma a eleição de determinado valor não deve ser um processo isolado. Ela deve fazer parte de um planejamento em que se levam em conta as características dos alunos, o conjunto de objetivos educacionais e os recursos disponíveis. Na medida do possível, a participação dos pais no processo de escolha e o envolvimento na aplicação são altamente desejáveis. Vejamos alguns valores que podem ser trabalhados com crianças:

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* Alegria: Boa disposição para fazer as coisas. Propensão a ver e mostrar o lado divertido das coisas. * Amor: Desejar o bem para outras pessoas. Ter apego às suas produções e bens, ao meio em que se vive e às pessoas. * Compartilhar: Dividir suas coisas com os demais. Reconhecer o direito ou o legítimo desejo das outras pessoas usufruírem igualmente de pertences ou oportunidades. * Confiabilidade: Ter uma conduta constante e verdadeira, capaz de conquistar crédito de um bom procedimento. * Cooperação: Capacidade de atuar com outras pessoas de forma consistente e produtiva. * Coragem: Resolução, perseverança, constância e firmeza perante situações novas ou desafiantes. * Cortesia: Ser afável, atento e bem-educado. * Disciplina: Obedecer a ordens preestabelecidas, combinadas e anteriormente aceitas. Capacidade de praticar atos que resultem no aprimoramento de si próprio ou de sua comunidade * Honestidade: Apropriar-se exclusivamente do que lhe pertence. Conhecer os limites de suas propriedades em relação às de outras pessoas. Ter atitudes coerentes com o seu pensamento e suas convicções. Compartilhar os seus sentimentos de forma verdadeira. * Igualdade: Reconhecimento de direitos iguais a todas as pessoas. Não se ater a preconceitos e tratar todas as pessoas da mesma forma. * Justiça: Capacidade de fazer julgamentos desassociados de seus próprios interesses. Ter sensibilidade e disponibilidade para ouvir e entender as razões que levam outra pessoa a determinada conduta. Capacidade de dar a cada um o que lhe pertence. * Lealdade: Amor e fidelidade à verdade. Incapacidade de trair, falsear ou enganar. * Limpeza: Reconhecer os benefícios da limpeza interna e externa. Ter atitudes para obtê-las. * Misericórdia: Reconhecimento e compaixão pelas necessidades alheias. Aceitação e compreensão das limitações dos demais. * Paciência: Ter resistência para suportar os reveses. Tranquilidade para esperar. Aceitar as características e limitações dos demais. Entender que cada um tem o seu "ritmo" e saber conviver com isso. * Paz: Capacidade de reconhecer os benefícios da harmonia e trabalhar em prol dela. * Respeito: Atenção às outras pessoas. Consideração pelas suas opiniões e atitudes. * Responsabilidade: Estar consciente de suas obrigações e disposto a trabalhar por elas. Estar comprometido com aquilo que afirma e com a forma com que se comporta. * Solicitude: Estar disposto a ajudar e a fazer favores, prestar voluntariamente um serviço ao próximo. * Tolerância: Respeito e consideração pelas opiniões e atitudes dos demais. Nota: Não existindo a pretensão de encontrar uma hierarquia para classificação dos valores citados, os mesmos encontram-se em ordem alfabética. As histórias são úteis na transmissão de valores por que dão razão de ser aos comportamentos humanos. Tratam de questões abstratas, difíceis de serem compreendidas pelas crianças quando isoladas de um contexto. A criança é incapaz de raciocinar no abstrato. Assim, virtudes, maus hábitos, defeitos ou esforços louváveis que interferem no comportamento social do indivíduo, gerando conseqüências na sua vida, não podem ser entendidos com esta clareza pelas crianças. Falta referencial capaz de associar uma questão de comportamento a um fato: Fulano agiu assim e deu-se mal... a falta de lealdade de Beltrano fez a verdade vir à tona...

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Se nós adultos, com tanta vivência, muitas vezes nos perdemos na tentativa de associar tendências a fatos, tendo dificuldade de prever se determinada atitude levará à melhor situação, o que pensar das crianças com pouca experiência e com um mundo todo a descobrir! A história trará este referencial, transformará o abstrato em concreto. Toda vez que Pinochio dizia uma mentira, o seu nariz crescia. A cigarra cantou no verão, mas chorou no inverno. Na história de Mowgli, o povo-macaco sem lei e disciplina aparentemente só brincava, mas padecia de fome e doenças. A perseverante e lenta tartaruga venceu a lebre. A história traz o abstrato ao entendimento das crianças, e com isso municia-as com experiências que aumentarão a sua vivência, aumentando suas possibilidades dentro do relacionamento social. O trabalho com estas figuras que sintetizam uma série de conceitos também proporcionará ao educador um maior conhecimento das suas crianças, que, expressando suas opiniões dentro do concreto que é a temática da própria história, manifestarão os sentimentos abstratos que povoam o seu íntimo. Em última análise, as histórias ensinam a criança a crescer e a pensar. Estudando uma história 1 - A escolha É preciso muito esforço e dedicação para estudar o mundo a que pertencem nossas crianças. O excesso de apelos a que a criança está sujeita nos dias de hoje faz com que diversas outras fantasias despontem no seu cenário (infelizmente quase nenhuma delas objetivando construir algo positivo no comportamento da criança) e nós não podemos ficar indiferentes a essa situação. Temos de pesquisar, ler literatura especializada, feita para elas, conhecer seus heróis, sejam eles pertencentes aos desenhos animados ou histórias em quadrinhos, assistir a filmes, conhecer suas brincadeiras e preferências. É só desta forma que saberemos escolher, dentro de um repertório conhecido, qual história se adapta àquele comportamento que desejamos (ou precisamos) abordar. A pesquisa, o teste e o treino farão com que de uma história se chegue a outra e, com alguma habilidade e dedicação, estaremos aptos a fazer adaptações à técnica desejada ou mesmo criar nossas próprias histórias. Quanto ao tema podemos recorrer a diversas fontes: * história de fadas, que usam a fantasia * fábulas * lendas folclóricas * passagens bíblicas * fatos históricos * fatos do cotidiano * narrativas de aventuras Para orientar a escolha dos textos úteis é importante saber exatamente os assuntos preferidos relacionados às faixas etárias:

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Até 3 anos: Histórias de bichinhos, de brinquedos, animais com características humanas (falam, usam roupa, tem hábitos humanos), histórias cujos personagens são crianças. Entre 3 e 6 anos: Histórias com bastante fantasia, histórias com fatos inesperados e repetitivos, histórias cujos personagens são crianças ou animais. 7 anos: Aventuras no ambiente conhecido (a escola, o bairro, a família, etc), histórias de fadas. fábulas. 8 anos: Histórias que utilizam a fantasia de forma mais elaborada, histórias vinculadas à realidade. 9 anos: Aventuras em ambientes longínquos (selva, oriente, fundo do mar, outros planetas), histórias de fadas com enredo mais elaborado, histórias humorísticas, aventuras, narrativas ele viagens, explorações, invenções. 10 a 12 anos: Narrativas de viagens, explorações, invenções, mitos e lendas. 2 - A compreensão aprofundada Uma vez escolhida a história escrita em um livro, que faça parte de uma gravação, de um filme, um trecho histórico, enfim, de nossa fonte de pesquisa, é necessário estudá-la para ter elementos para preparar a narração, fazer adaptações, escolher se serão utilizados recursos auxiliares e, sendo este o caso, qual é a melhor técnica. Às vezes pode acontecer de termos mais de uma fonte de pesquisa, em que cada narrativa apresenta peculiaridades próprias, sendo iguais na sua essência mas divergindo em detalhes. Neste caso, poderemos escolher uma das versões ou fazer uma média das versões, ressaltando os elementos que preferimos ou que melhor aproveitam a mensagem educacional que ela encerra. Para estudar uma história é preciso, em primeiro lugar, divertir-se com ela, captar a mensagem que nela está implícita e, em seguida, após algumas leituras, identificar os seus elementos essenciais. A ficha que apresentamos no final deste capítulo auxilia o estudo de uma história. O preenchimento de cada tópico permitirá uma análise do que ressaltar, quais são os elementos que realmente interferem na sucessão de fatos e quais são acessórios. 2a - Estudo dos elementos da história Os seguintes elementos devem ser destacados pois influem diretamente na trama, na forma da narração, na identificação do público a que se destina e na escolha da técnica de apresentação. São eles: * Enredo *Personagens principais, secundários e supérfluos e Ambiente (local, época, civilização) * Cenários (quantas cenas são necessárias para o seu desenvolvimento) * Mensagem e conteúdo educacional Estes elementos também indicarão onde estão as dificuldades para a produção de caracterizações e cenários e quais pontos podemos explorar para dar um colorido especial. 2b - O fluxo do enredo Uma história pode ser compreendida em 4 partes: * Introdução * Enredo * Ponto Culminante * Desfecho

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* Introdução: É o que situará os ouvintes no tempo e no espaço e apresenta os principais personagens. Deve ser clara, sucinta, curta mas suficiente para esclarecer os elementos que comporão a história. Se a versão original não satisfizer todos os requisitos, caberá ao narrador complementá-la com alguma pesquisa ou mesmo com a sua imaginação. No verão, as focas corriam para a ilha de Saint Paul, situada no Pacífico norte, para que as fêmeas dessem cria. A praia ficava superpovoada e era o palco ideal para que homens impiedosos e gananciosos caçassem as focas jovens para vender suas peles. Neste cenário é que nasce Kotick, a foca branca. * Enredo: A sucessão de episódios, os conflitos que surgem e a ação dos personagens formam o enredo. É importante destacar o que é essencial e o que são detalhes. O essencial deve ser rigorosamente respeitado, já os detalhes podem variar conforme a criatividade do narrador, a situação que se deseja abordar, as facilidades ou limitações da técnica usada ou mesmo o tipo de audiência. Às vezes encontramos histórias muito boas para as crianças, mas que trazem uma linguagem árida, difícil para a sua compreensão. Neste caso, é preciso "captar" o essencial da história, a sucessão de fatos que levará à mensagem, para poder transportá-la para uma linguagem que possa ser entendida. Tomemos por exemplo "Kotick": o que é importante? * A praia era superpovoada. * Os chefes de família (focas machos) precisavam brigar muito para conseguir um bom lugar. * O pai de Kotick era um deles. * As focas jovens (por terem a pele ainda intacta) eram caçadas impiedosamente pelos homens para que estes depois vendessem suas peles. * Kotick não corria perigo por ser branco e os homens terem medo, por acreditar que ele fosse "de outro mundo”. * As focas ficavam conformadas com esta situação e, mesmo correndo perigo, sempre voltavam para a mesma praia. * A preocupação de Kotick com o fato que o leva a conversar com o Leão Marinho e ser aconselhado. * A sua incansável busca pelos mares. Já o encontro com o elefante marinho e com a gaivota, o fato de Kotick voltar para a família todos os anos e de estar comprometido com um casamento são detalhes e não prejudicam o entendimento da história quando omitidos. A descrição do massacre das focas e as peripécias de Kotick no mar recebem a ênfase que o narrador quiser dar, valorizando os aspectos que julga mais importantes de acordo com suas próprias características, o tempo que tem para a narração e o grau de compreensão de sua platéia. * Ponto Culminante: Em uma história bem produzida, o ponto culminante surge como uma consequência natural dos fatos arrolados de forma ordenada e sucessiva. Uma história poderá conter vários pontos de emoção. Ainda em "Kotick": * A foca branca encontrará a praia ideal? * As demais focas a seguirão ou ele será desacreditado, perdendo todos os seus esforços? Mas, indubitavelmente, é no momento da luta que está o clímax da questão. O narrador deverá estudar a intensidade da emoção em cada fato e as estratégias para despertar as sensações desejadas. Porém o ponto culminante deverá merecer atenção especial. * Desfecho: A história, seguindo num crescendo, atingiu o ponto culminante e agora só resta terminá-la! Uma semana mais tarde, um exército de aproximadamente dez mil focas partiu para atravessar o túnel das vacas marinhas, em busca da praia que nenhum homem jamais pisara.

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A conclusão deverá ser simples, preferivelmente sem fazer alusão à moral da história ou às lições que ela encerra. Uma boa narração expõe a conclusão: cabe aos ouvintes encontrá-la. Pode-se usar depois da narração uma técnica de debate sobre a história, mas isto seria outra atividade. No estudo da história, deve-se identificar estas quatro fases, a fim de dar o tratamento adequado a cada uma. É útil fazer um resumo de cada uma delas por meio do preenchimento dos espaços correspondentes na ficha descritiva de cada história. Esta sinopse servirá de base para o treino da narração. Seria ideal que a história estivesse bem preparada, para que a ficha fosse dispensável no momento da narração. Se isto, porém, não for possível, o narrador poderá recorrer a este resumo para apresentá-la. 2c - Detectando o potencial educacional da história De acordo com nossa tese, as histórias, além de encantarem e divertirem, são uma importante ferramenta educacional, de forma que faz parte do estudo de cada uma delas detectar em que pontos ela contribuirá com o desenvolvimento de seus ouvintes. O preenchimento dos itens correspondentes na ficha descritiva auxiliará nesta tarefa. Todas as histórias contribuem de uma forma ou de outra para a educação, porém diferenciam-se quanto a intensidade e características. Umas desenvolvem a imaginação, outras o senso crítico, por exemplo. O mesmo se dá com a questão dos valores. É preciso destacar os aspectos éticos de cada história para poder enfatizá-los na sua adaptação e narração. Ter bem claro os objetivos educacionais que cada história atinge facilita o planejamento do educador, que dosará as diversas histórias ao longo do período que tem disponível, tendo em vista um desenvolvimento em todos os sentidos, de forma globalizada. 2d - Determinando o uso de recursos auxiliares Após estudar bem o enredo da história, seus elementos e a mensagem que ela transmite, ficará claro a que técnica ela se adapta melhor. A narração simples sempre poderá ser usada, porém é útil determinar neste estudo quais as variações poderiam ser feitas e avaliar quais as vantagens que este uso poderá trazer. No capítulo "Projetos" apresentamos fichas técnicas de cada um dos recursos auxiliares enfocados neste livro. Elas dão indicações da aplicabilidade da técnica em relação ao número de personagens, ao cenário, às caracterizações das histórias, bem como às habilidades necessárias ao educador e às características de local e público. A comparação das Fichas Técnicas de Recursos Auxiliares com a Ficha Descritiva de cada história auxiliará a determinação da técnica ou das técnicas com que cada história poderá ser apresentada. No bojo do estudo de uma história fica mais fácil visualizar que tipo de interação se pode ter com as crianças, tem como que atividades podem ser aplicadas após a apresentação, valorizando e potencializando os efeitos da história. Estas idéias devem ser registradas na ficha descritiva. Isto facilitará a tarefa de desenvolvimento de atividades na oportunidade em que a história for aplicada. 3 - A personalização Muitas vezes é interessante apresentar a história às crianças tal como está escrita nos livros, aproveitando o talento de seus escritores e sua maestria em expressá-lo. Mas, na maioria das vezes, o narrador terá necessidade de fazer a sua própria adaptação da história, isto porque ela é: * muito extensa e detalhada, a apresentação ficaria muito longa, maçante, ou, pelo contrário:

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*muito resumida, faltam detalhes, não possui elementos para suscitar a imaginação e sustentar a narração com tempo adequado. Pode acontecer que uma história tenha no seu enredo um excelente potencial para desenvolver determinado aspecto educacional ou valor ético, mas este não está claro na versão que temos à mão. À medida em que vamos estudando, isto irá aparecer e começa-se a visualizar a importância de reforçá-lo na narração que faremos. Assim, será lícito e desejável fazer a adaptação incluindo elementos capazes de enriquecer este aspecto, a fim de torná-lo mais evidente. As adaptações tornam-se realmente necessárias quando se deseja utilizar determinado recurso auxiliar. Quando se utilizam personagens (marionetes, fantoches, bonecões, dramatizações), a adaptação deve ser feita transformando a história em diálogos. A trama se desenvolve através de uma sucessão de cenas "interpretadas" pelos personagens. Quando se está fazendo a adaptação, deve-se antever como será criada a ambientação. Se for possível utilizar cenário, será mais fácil levar os espectadores a imaginar, mas se não for possível, as falas dos personagens deverão descrever o ambiente: João: NOSSA! O feijão que plantei ontem cresceu tanto! Mãe: Olha lá, João! O pé de feijão é tão alto que perfura as nuvens! E suas folhas são tão fortes que você poderia até se apoiar nelas! A adaptação deverá atentar também para não colocar em cena muitos personagens, para dar tempo para troca de roupas, colocação de algum adereço, uso de músicas e efeitos especiais. O ideal é que toda a história se desenvolva por meio dos personagens, porém o uso de um narrador poderá ajudar. Ele fará a introdução, criando a ambientação e apresentando os personagens. O narrador poderá entrar em cena para solucionar as passagens mais difíceis, que necessitariam de cenário mais elaborado ou que seriam muito longas. As técnicas de maquete, velcômetro, dobraduras e sombras geralmente não são apresentadas com diálogos, mas por meio da narração de uma só pessoa. O adaptador, conhecendo bem os recursos da técnica escolhida, deve valorizar os trechos da história que usarão os seus pontos fortes. É muito interessante arquivar as adaptações feitas, notas, observações, idéias de interações com as crianças e de jogos para serem aplicados posteriormente á narração. O uso de um fichário de tamanho grande poderá ser útil para o arquivo destes trabalhos: a Ficha Descritiva e uma cópia do original (ou originais quando for o caso de mais de uma fonte) da história. Este acervo constituirá, ao longo da vida do educador, um importante instrumento de pesquisa, um verdadeiro patrimônio cultural do contador de histórias.

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Narrar uma história recorrendo apenas à memória e aos recursos dramáticos da voz é, sem dúvida, o que mais desafia o educador. Por outro lado, é também o que mais fascina tanto o narrador como a platéia. Contar histórias é uma arte, que poderá ser nata em muitas pessoas. Porém, há um certo nexo em pensar que essa qualidade, mesmo não sendo visível em alguns, encontra-se "incubada" em todos aqueles que procuram um trabalho com crianças, uma certa predisposição que poderá eclodir mediante treino e estudo. Algumas dicas vão ajudar: Conversa informal: É útil, antes da narração propriamente dita, iniciar com um bate-papo informal. Isto evitará interrupções e constrangimentos. Por exemplo: Vou contar uma história sobre uma fazenda. Alguém já esteve em uma? Isto evitara interrupções do tipo: Quando eu fui à fazenda do meu tio... Quando eu tomei o trem para.. Esta conversa também identifica se a história poderá ferir alguma sensibilidade. Sendo este o caso, poderá ser suspensa a tempo. Disposição: Os ouvintes deverão sentar-se em círculo. O narrador deverá fazer parte deste círculo, sentando-se junto com os ouvintes. No caso de ser um orador que gosta de gesticular e dramatizar, poderá ficar ajoelhado, pois desta forma terá mais domínio de seus movimentos, e afastado cerca de meio metro das crianças que estão ao seu lado. E absolutamente desaconselhável ficar em pé quando a platéia está sentada no chão ou vice-versa: ficar sentado quando a platéia está em pé. Conforme o domínio que o narrador tem de sua platéia, ele poderá permanecer em pé quando os ouvintes estiverem sentados em cadeiras. Local: A escolha do local é fundamental para o sucesso da narrativa. Ele deve ser calmo e permitir que as pessoas fiquem bem acomodadas. Não se deve concorrer com outros ruídos ou com outras "atrações", por exemplo: ruídos de trânsito, pessoas conversando, pessoas passando. As crianças têm um poder de concentração muito pequeno e qualquer fato tora do normal desviará a atenção, ficando difícil para o narrador retomar o fio condutor da história. Horário: É interessante ser usada após um jogo movimentado, pois a energia estará mais descarregada e a atenção será maior. É conveniente não utilizar o recurso de contar histórias após as refeições e tarde da noite: a atenção poderá ser pequena e o sono... inevitável! Interrupções: É raro ocorrerem interrupções se a história for bem contada, mas se existirem casos... É conveniente não interromper a narração de forma alguma. Um gesto, um sorriso, no máximo uma palavra deverá brecar o ouvinte mais inquieto. E, para finalizar, um segredo: para uma boa narração é preciso absoluta segurança e naturalidade, e isto só consegue quem está perfeitamente entrosado com o assunto, domina a técnica e está convenientemente preparado para contá-la. Em resumo, apresentamos o seguinte roteiro para as narrações simples: 1 - Fazer a escolha cuidadosa da "sua" história. Procurar aquela que se identifica com seus valores pessoais que incita a sua imaginação e que lhe dá prazer em trabalhar.

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2 - Estudar a história, lendo-a atentamente para saber de toda a trama, tendo com clareza na mente o ambiente e o esquema geral. 3 - Identificar os quatro elementos: introdução, enredo, ponto culminante e desfecho. Anotar as características dos personagens, seus nomes, frases essenciais, lugares e situações que chamem atenção. Fazer anotações breves de coisas que poderiam ser esquecidas. A ficha descritiva apresentada no capítulo anterior será útil neste estudo. 4 - Certificar-se de que conhece, ou procurar conhecer, elementos suficientes sobre as situações ou os fatos que compõem a história, como: o local onde ela se desenvolve, a época, fatos históricos, aspectos culturais, etc. Adquirir noção exata de como será o cenário no qual a história se desenrolará para incluí-lo no relato, possibilitando às crianças imaginarem onde a história acontece. Tomar cuidado para não entrar em detalhes demais e cair na monotonia. 5 - Decorar os aspectos principais de cada uma das partes da história (introdução, enredo, ponto culminante e desfecho). Embora seja esperado que o narrador tenha desenvoltura para discorrer a narração com suas próprias palavras, decorar a frase exata que inicia o relato poderá ajudar e diminuir o natural nervosismo cio começo. Ter absolutamente decorada a frase final poderá garantir que um esquecimento não comprometa aquilo que se deseja passar na conclusão. 6 - Contar a história para si mesmo, em voz alta, de preferência diante do espelho. Marcar o tempo gasto, que não deverá ultrapassar 10 minutos. Exercitar a narração procurando utilizar palavras simples, do conhecimento da criança. Treinar a entonação de voz adequada, dramática, porém com boa dicção, dar uma voz própria a cada personagem e controlar o tom de voz de modo a passar sentimentos de calma, segredo, atenção, emoção, medo, etc. Os gestos também devem ser exercitados, eles ajudam muito a dar ênfase na narração, mas deve tomar cuidado para dar a medida exata, de modo a não exagerar e não cair no ridículo. 8 - Reler a história no dia em que for contá-la e repassar os pontos principais alguns minutos antes. 9 - Se ela fizer parte de um conjunto de atividades, deverá entrar na programação sempre após um jogo agitado; isto fará com que se obtenha maior atenção. 10 - Acomodar bem a audiência e dar pequenas dicas sobre o enredo a fim de que as manifestações ocorram. 11 - Pedir silêncio e dar uma introdução sobre o que se dirá. 12 - Entregar-se à história, sendo fiel ao que foi ensaiado. 13 - Em muitos casos, é bom incentivar uma discussão entre as crianças ou aplicar uma atividade que permita com que elas façam alguma reflexão sobre o que foi narrado. TIRANDO MAIOR PROVEITO DA VOZ Uma platéia receptiva, uma boa história e muita disposição poderão ser a receita ideal para uma sessão de fantasia. O "contador" senta-se confortavelmente, acomoda as crianças à sua volta, recorda mentalmente a seqüência que usará e pronto: começa a narrativa. Mas será isto suficiente? Muitas vezes, só estar preparado não adianta, é preciso que a audiência entenda as palavras que serão ditas. O raciocínio pode estar perfeito, todos os detalhes vivos, o encadeamento das idéias absolutamente sincronizado, porém pode acontecer que, por diversas razões, a audiência não consiga entender o que está sendo dito. Uma coisa é indiscutível: para se falar em público, mesmo que seja simplesmente contar uma história para um pequeno grupo de crianças, não se utiliza a voz da mesma forma que em uma conversa coloquial entre duas ou três pessoas. Deve-

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se ter consciência de que a voz está sendo usada para comunicação com um grupo. Isto faz com que a atenção seja diferente, a distância entre as pessoas maior, além do objetivo a ser alcançado ser outro. Alguns elementos são fundamentais para que a platéia entenda o que está sendo dito e aproveite o conteúdo da mensagem. Estes elementos estão ligados principalmente à voz e são: * Dicção * Volume * Velocidade * Tonalidade * Vocabulário * Dicção A dicção é frequentemente culpada quando uma mensagem não é entendida. Se as palavras não forem bem pronunciadas, a mensagem é recebida de forma truncada, porque a não-compreensão de uma palavra pode levar à incompreensão de toda a frase, e não entender uma frase pode prejudicar o entendimento de toda a história. O pior é que, se a dicção for ruim, não é só uma palavra que não é entendida, são várias. No final, a comunicação é reduzida a uma sucessão de palavras incompreensíveis, apenas porque não se cuidou de falar claramente palavra por palavra, ou, para ser mais exato, sílaba por sílaba. Para ter boa dicção, o primeiro passo é tomar o cuidado de pronunciar de forma clara cada uma das sílabas que compõem a palavra, sentindo cada um dos seus sons. Problemas mais comuns: R, S e L no final das palavras: devem ser cuidadosamente pronunciados. Encontro de vogais no meio da palavra: ae, ei, ou, etc. Principalmente o i é muito esquecido quando se encontra no meio da palavra: peneira, madeira, ribeirão, etc. Encontros consonantais: br, dr, pl, gr, tr, etc. Sóbrio, sobrado, dramático, planetário, platinado, grupo, gravura, triturado, troféu, etc. Troca do 1 no final da palavra por u: Brasiu (no lugar de Brasil) Outra atenção que se deve ter é dar espaço entre uma palavra e outra, procurando não emendar as palavras de uma mesma frase. No final das frases, onde há vírgula ou ponto, o espaço deve ser um pouquinho maior. Muito conhecido é o exercício da rolha, porque contribui de fato com a melhora da dicção. Ele é desenvolvido da seguinte maneira: • Escolher um texto e fazer a sua leitura pausadamente e em voz alta. • Colocar uma rolha entre a arcada dentária superior e a inferior. • Ler novamente o mesmo texto, esforçando-se para pronunciar as palavras com clareza. • Ler novamente o texto sem a rolha e perceber a diferença. • Se for possível, acompanhar o exercício com um gravador, será mais fácil notar as diferenças. A rolha provoca dificuldade para pronunciar corretamente as palavras. O exercício faz com que, para vencer esta dificuldade, o treinando movimente mais os lábios, a língua e o palato mole. A repetição do exercício acaba tornando estes movimentos habituais, consequentemente melhorando a dicção. O treino ajudará a dar naturalidade no uso correto das palavras, porque uma preocupação exagerada no momento da narração atrapalhará o raciocínio e dará um tom artificial, o que de certa forma chega até a ser antipático.

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* Volume Embora pareça ser uma coisa simples, o principal problema que impede a compreensão de um discurso ou narração é quando ele é feito em voz muito baixa. As pessoas simplesmente não escutam... O narrador deve ter consciência de que ele não está à mesma distância das pessoas do que quando está conversando informalmente. Outro fator é que, quando se está próximo, as pessoas complementam a interpretação por meio dos movimentos dos lábios e das expressões faciais, o que também fica prejudicado com a distância. O inverso é muito desagradável: falar alto demais, gritando. Assim, pessoas que estão falando em público devem ajustar o volume da voz á situação em que se encontram. Cada ambiente exigirá um volume de voz adequado e isto precisa ser avaliado. Os seguintes fatores devem ser levados em conta nesta avaliação: Distância entre o narrador e sua platéia: Evidentemente, quanto mais longe estiverem os ouvintes, mais alto deve ser o volume da voz para a narrativa. Tamanho da sala : Se o ambiente é grande, ele exigirá um volume maior, mesmo que as pessoas estejam perto do narrador. O "pé direito" (altura entre o chão e o teto) influencia muito: se ele for muito alto, a voz se "perderá" e necessitará ser um pouquinho mais alta. Acústica da sala: .O formato da sala e os materiais que a revestem influenciam a propagação da voz. Ruídos externos; Se houver concorrência com outros ruídos, certamente será necessário fazer um ajuste para contrabalançá-los. Contar uma história ao ar livre, tendo a natureza como palco, é muito agradável, mas deve-se tomar cuidado com o volume, uma vez que estamos em um lugar amplo (a voz se dispersa) e, na maioria das vezes, concorremos com ruídos externos. Com a prática, estes fatores são automaticamente avaliados e acaba-se calibrando a voz adequadamente, sem perceber. No início, porém, é mais fácil fazer este ajuste com a ajuda de outra pessoa. Basta que esse colaborador se coloque na parte mais distante da platéia e verifique como a voz está chegando lá. Outro cuidado que se deve ter é não diminuir o volume da voz no decorrer da narrativa, um vício comum que precisa ser "policiado". * Velocidade A velocidade pode ser medida pelo número de palavras que uma pessoa pronuncia em um espaço de tempo determinado. Cada narrador tem uma velocidade na fala, isto é uma característica individual. Mas deve-se cuidar quando esta velocidade influi na compreensão do texto. A velocidade está muito ligada à boa dicção. Quem estiver com a sua dicção em desenvolvimento, precisa obrigatoriamente falar mais devagar, para ajudar na compreensão da sua comunicação. Variar a velocidade da voz pode auxiliar na interpretação do texto: falar mais rápido pode passar mais emoção, um sentimento de urgência, e falar mais devagar é adequado quando se deseja passar um sentimento de paz, harmonia, serenidade. Combinando-se as diversas variações de velocidade e volume, podem-se conseguir efeitos interessantes. Modular a voz entre o baixo (limitado a um volume que todas as pessoas possam entender) e o alto (sem exageros, é claro) e variar a velocidade dá o colorido à narrativa e tira a monotonia. A fala monocórdica, sempre na mesma cadência e ritmo é um dos principais fatores de desinteresse, principalmente em se tratando de narrativa de histórias infantis. * Tonalidade

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Os sons classificam-se em graves e agudos. Cada pessoa tem o seu registro vocal próprio, mas facilmente pode alcançar alguns tons abaixo e acima desse registro. Isto será suficiente para conseguir efeitos surpreendentes. A adoção de certos estereótipos ajudam a compreensão do texto, por exemplo: meninas têm fala aguda, falam "fininho", homens corajosos e ursos sempre falam grosso, grave, velhinhas falam levemente agudo e tremido, fadas adocicado e bruxas têm voz aguda e estridente. Os diversos personagens dentro de uma narrativa podem ter característica vocal própria, o que será muito atraente, mas também perigoso, pois necessita de atenção do narrador para manter a característica de cada personagem e alterná-la rapidamente na mudança de personagens e nos diálogos. * Vocabulário Outro fator importante: as pessoas podem não estar entendendo a comunicação simplesmente porque não conhecem o sentido das palavras que estão sendo usadas. Principalmente quando estamos falando com crianças. Também neste caso a não-compreensão de uma palavra prejudicará o entendimento de toda a frase. A incompreensão de uma frase pode levar a uma sucessão de incompreensões, que acaba levando ao desinteresse e à desistência em acompanhar a narrativa. O correto é usar palavras simples, das quais se tem a certeza absoluta de que as crianças as entenderão. Jamais usar gírias ou palavras vulgares: isto desprestigiará o conto e poderá dispersar a atenção das crianças. Uma história cheia de fantasia poderá até permitir algumas palavras mais elaboradas, as quais darão um certo charme, um ar de "elegância" na narração, além de introduzir um novo vocabulário. Mas estes casos, que não devem ser usados com exagero, devem ser acompanhados de um reforço na frase, explicando com outras palavras o que já foi dito. Por exemplo: "A pele da bela princesa era alva como a neve. Todas as pessoas admiravam aquela sua pele branquinha... que dava muito contraste com os cabelos pretos e olhos muito azuis." Sem abusar, também se pode usar alguma explicação no meio da narrativa, por exemplo: "Entre os raios do Sol, as pessoas viram a figura de Pégaso, o maravilhoso cavalo alado. Vocês sabem o que é um cavalo alado? Alado quer dizer com asas. Cavalo alado, então, é um cavalo com asas. Imagine como este cavalinho era bonito, com grandes asas de um azul clarinho...” Enfim, a voz é o instrumento principal do narrador, saber usá-la é primordial e isto se consegue, como tudo, com treino e dedicação. Tudo o que falamos com respeito à voz é adequado para qualquer orador, mas este capítulo é destinado especialmente àqueles que se dedicam à arte de contar histórias. Porque contar histórias é mais do que simplesmente falar bem, é ser um pouquinho ator. Contar bem uma história significa interpretá-la, e, às vezes, é necessário, além de narrar, interpretar um, dois e até mais personagens. * Expressão corporal: O bom narrador não se senta e fica falando, impávido. O corpo deve acompanhar o que está sendo descrito. Todo corpo fala: a posição do tronco, os braços, as mãos, os dedos, a postura dos ombros, o balanço da cabeça, as contrações faciais e a expressão dos olhos. Os gestos devem estar coerentes com a narração, usados para reforçá-la. Os gestos nunca devem ser usados de forma não calculada, sistemática, principalmente quando se está contando uma história. Isto irá confundir a platéia, ainda mais se estiver composta de crianças. Outra coisa que se deve evitar são os gestos exagerados, bruscos. Eles competirão com a própria narração e, se ganharem... o conto vai por "água abaixo".

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* Comunicação do semblante: As emoções do nosso interior são transmitidas através da expressão do rosto. Tristeza, alegria, surpresa, espanto... A expressão facial poderá falar mais do que muitas palavras. Para desenvolver esta técnica é preciso treino. Temos que ter consciência de que é necessário exagerar um pouco quando se está interpretando. Não se deve ter medo do ridículo. Muitas vezes as pessoas têm o sentimento e por isso acham que estão transmitindo, mas isto pode não ser verdade. O narrador pode até estar sinceramente emocionado, mas se a sua fisionomia estiver transmitindo pouco, ninguém perceberá e sua tarefa não será bem cumprida. O treino na frente do espelho auxiliará bastante. A observação de como a platéia reage também é um indicativo: Fiz uma cara de extremo espanto, mas ninguém reagiu desta forma. Será que minha expressão facial está ruim? Ou: Os olhos das crianças estavam esbugalhados e elas soltaram até gritinhos ao verem minha expressão de espanto ao descrevera entrada naquele castelo... Outra boa dica é acompanhar a expressão que os atores de televisão e teatro atribuem a cada sentimento que querem transmitir. Um olhar, a semi-abertura dos lábios, o que transmitem? Será possível fazer igual? As pessoas que realmente desejam melhorar sua performance poderão gravar as imagens de suas narrativas para depois ir acompanhando. Existe muita diferença entre o que pensamos que estamos transmitindo e o que estamos transmitindo realmente. * Uso do silêncio: Pode parecer até engraçado, mas o silêncio fala, é uma forma de expressão. O narrador deve utilizar pausas, pois elas dão uma sensação de suspense e, conseqüentemente, valorizam o que se falará em seguida. Além disso, paradas bem estudadas dão tempo para as crianças organizarem suas idéias. Deve-se cuidar para não exagerar, pois se uma pausa for muito longa, dará ensejo para alguma brincadeira que poderá dispersar a atenção. * Fazer imitações: Este é um instrumento muito útil em se tratando de narração de histórias infantis. O monstro fala grosso, grave, alto, pausadamente! O seu corpo é truculento, o que se consegue mostrar com as pernas afastadas e "arredondadas", com o pescoço esticado movimentando-se em conjunto com a cabeça. A princesinha tem uma voz adocicada, seus gestos são comedidos, graciosos, harmoniosos, como em uma postura de ballet clássico. Já uma criança fala fininho, sua gesticulação é vivida, agitada, e às vezes quem a representa dá até pulinhos. Outra característica muito usada para imitar uma criança é dispersar-se, de repente começar a olhar para outro lado ou interessar-se por outra coisa. A imitação de vozes de animais é fácil de se fazer e fica engraçada. Enfim, a imitação traz a brincadeira e as crianças estão sempre prontas para isso. Normalmente uma narração utiliza sempre a terceira pessoa e vez ou outra faz menção de como determinado personagem falou: O dragão entrava na caverna escura. Estava úmido e mal cheiroso lá dentro, ele sentia a pedra áspera do chão e seu pé, embora revestido de uma pele muito grossa, parecia estar começando a sangrar. Os morcegos voavam sobre a sua cabeça e isto estava deixando o pesado dragão com medo. Subitamente ele pára e fala com seus botões: - Sou um dragão ou um rato? Darei meu super urro e quero ver quem é que vai ficar com medo! UUUUUUHHHHHRRRRRRRR!!!!!!!! Este momento é exato para treinar os dotes de imitação do narrador. Ele usa sua voz normal no decorrer da narração, mas, quando menciona a frase falada pelo dragão, seu corpo fica ereto, o pescoço estica-se e a cabeça se inclina, sua voz fica grossa, rouca e alta. Ao urrar, deve-se ter certeza de que o barulho será emitido de forma realmente assustadora.

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Quando se usa imitação, deve-se ter o cuidado de mantê-la em todo o conto. Não se pode esquecer a tonalidade e a postura empregada para a fada e para a bruxa. Se estes detalhes forem desprezados, as crianças ficarão confusas e o processo não será produtivo. *Elementos externos: Os narradores habilidosos poderão utilizar alguns (poucos) recursos, sem que isto descaracterize uma simples narração. Quando falar de um gnomo pode-se usar o seu chapéu típico, pode-se usar a "varinha de condão" de uma fada, uma bola de cristal reveladora ou o espelho vermelho onde a Fera via a sua Bela. Este recurso deve ser usado com cuidado, porque poderá distrair tanto a atenção das crianças que a narrativa será prejudicada. * Timing: Por "timing” entendemos a capacidade de adequar as diversas fases de uma exposição às reações do público, ou seja, dar o "tempo certo" em uma narração. O narrador preparou-se para desenvolver a história da melhor maneira, espera ter êxito e se esforçará para isso. Porém, deve ter consciência de que a sua maneira poderá não ser exatamente a melhor para seus ouvintes. As pessoas são diferentes e podem sentir as mesmas coisas de outras formas. Contaram-se uma história para que os outros gostem, podemos dizer que o público é o nosso real termômetro de avaliação. Para utilizá-lo precisamos nos acostumar à "leitura" de suas reações. Por exemplo: para criar um clima de suspense, é necessário um determinado timing, pois as pessoas precisam ficar ansiosas esperando pelo que virá. Primeiramente serão criadas as emoções, que levarão às indagações, as diversas alternativas de respostas gerarão a expectativa, cada pessoa poderá até formular suas próprias preferências sobre o que acontecerá, e isto aumentará a excitação, o suspense. Se a narração for muito rápida, não haverá tempo suficiente para que esta sucessão de fatos aconteça. Por outro lado, se for muito longo, começará a cansar, e a excitação inicial poderá transformar-se em descaso, um sentimento de que "não vale a pena esperar" e a narração inteira estará seriamente comprometida. A melhor maneira de ter o timing certo é observar atentamente a reação de nossos ouvintes. Percebe-se muito bem quando estão atentos, interessados e também quando estão cansados. Com o tempo começa-se a perceber as nuances: quando o público está ficando interessado e quando começa a se aborrecer. O narrador experiente aproveita bem estes estágios, intensifica a retórica para atender e aumentar o interesse que está sentindo ou, no caso contrário, conclui esta parte da história (que aparentemente está indo longe demais) passando para outra fase ou, sentindo-se seguro, pode recorrer a um efeito especial para reaver o interesse. É penoso, porém necessário, acelerar a conclusão de uma história quando, embora para o narrador tudo esteja correndo bem, como planejado, a platéia denotar claramente que não está mais gostando. Penosa ou não, esta é a melhor coisa para fazer: buscar fôlego, caprichar na entonação, dramatizar com a maior ênfase possível e... encerrar! O fracasso foi evitado. A análise posterior demonstrará onde está a falha e o fato de não ter fracassado permitirá outras tentativas que, com os erros corrigidos, certamente tenderão ao sucesso. Mas nem sempre as coisas são tão drásticas assim. Com treino, a sensibilidade para a leitura das reações do público aumenta, e o narrador passa a adquirir verdadeira simbiose com o público, onde todos passam a ser um único corpo harmônico, mergulhado prazerosamente nas profundezas de outros mundos de infinitas dimensões. Em resumo, quando o narrador usa somente os seus próprios recursos para dar vida a uma história, ele deve estar bem preparado. Conhecer a história e estar disposto a interpretá-la realmente com vontade é a única forma de suscitar emoções nas crianças. Suas reações certamente vão compensar qualquer esforço.

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Porém se as habilidades não forem suficientes ou ainda estiverem em treinamento e desenvolvimento, existe uma série de recursos que permitem às crianças viajarem no maravilhoso mundo da fantasia, reservado, em sua magnitude, exclusivamente a elas. Para nós, adultos, resta a oportunidade, quase um dever, de transportá-las a estas emoções. Recursos auxiliares A narração de uma história poderá ter diversas técnicas como suporte, cada qual se constituindo em um novo desafio para os educadores no tocante a aperfeiçoar seu conhecimento de aplicação. Alguns exemplos: * Usar o próprio livro: Se a história for baseada em um livro com boas e fartas ilustrações, este poderá ser apresentado, apontando-se as figuras correspondentes ao momento da narrativa. O livro poderá ser utilizado com ajuda de um recurso que o exponha melhor. O cineminha que apresentamos em "Projetos" é um exemplo disso. As folhas (originais ou cópias) são anexadas umas às outras, formando um ''rolo de filme", que é apresentado às crianças através da "tela" de uma caixa de madeira. * Gravuras: fazer uma seqüência de quadros (cópias ampliadas do próprio livro ou fotografados, sendo nesse caso projetados em slides), que serão expostos à medida que a narração evolua. * figuras sobre o cenário: o cenário será um quadro básico, e as figuras (talvez cada personagem em algumas posições diferentes) irão compondo as cenas conforme o desenrolar. As figuras poderão ser presas com tachinhas, ou ser do tipo velcômetro (modernização do flanelógrafo, também apresentada em "Projetos"). * fantoches: São muito apreciados pelas crianças e podem ser usadas por mais de um narrador. Outra vantagem é que se pode ter o roteiro escrito, o que facilitará a tarefa. Os fantoches também podem ser usados de forma interativa com as crianças, elas mesmo manuseando-os, ou mesmo fazendo os bonecos de cartolina com roupas de papel crepom. * Teatro de sombras: Uma luz projeta figuras em uma superfície opaca. A sombra de bichinhos feita com as mãos exerce grande fascínio sobre as crianças e com figuras recortadas não é diferente. Elas são muito fáceis de fazer e a apresentação pode conter músicas e efeitos especiais. * Dobraduras: Outra arte que pode representar tantas figuras quanto nossa imaginação possa alcançar. É verdade que não é uma técnica acessível a todos, mas há os que fazem... e o efeito é surpreendente! Proporciona uma boa interação com as crianças quando a narrativa acompanha a sucessão de dobraduras feitas por elas. * Maquete: Também alcança resultado. E é mais simples do que parece: uma floresta de papel crepom, uma casinha de papelão e pequenos bonecos de feltro comandados por um contador habilidoso operarão maravilhas. * Bocões: (tipo ventríloquo): São bonecos grandes que ficam sentadas no colo do narrador. Pode ser só um (uma vovó, um duende, etc.), que contará a história. Ou tantos personagens quantos houver na história. As crianças ficam encantadas com o efeito e praticamente esquecem-se do narrador, que pode se aproveitar deste efeito de forma hábil. * Marionetes: São bonecos comandados por fios presos na cabeça, nas mãos e nos pés. A cena desenrola-se no chão e os operadores ficam colocados atrás de um pequeno cenário. As histórias com bastante movimento, engraçadas, são as que melhor se ajustam a esta técnica. Como os bonecos são esguios, eles se prestam às mais diversas caracterizações e podem, inclusive, trocar de roupa conforme a cena. * Interação com a narração: Poderá ser feita uma canção para ser usada em momentos-chaves: no perigo ou quando aparece determinando personagem.

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* Dedoches: São pequenos fantoches utilizados nos dedos. A vantagem é que têm um custo de material muito baixo, o que permite ter uma grande variedade deles. Também podem ser feitos e posteriormente apresentados pelas próprias crianças. A desvantagem e que não podem ser usados para uma platéia muito grande (cinco ou seis no máximo). Não há limites para a criatividade. Coisas simples, quando usadas na hora apropriada, enriquecerão a história: * Inclusão de um objeto real que faz parte do enredo fantasioso da história: em "Pandora", por exemplo, o suspense aumenta se no interior do círculo o narrador colocar uma misteriosa caixa. * Um personagem que toma vida no desfecho da história: todos ficarão excitados se o cacique aparecer com seu resplandecente cocar. Ou, se ao final da história, a Emília "em pessoa" surgir para ser entrevistada pelas crianças. * Pedir para que as crianças fechem os olhos e criar sensações de vento com um ventilador, de odor com spray de ambiente, de chuva com borrifos de água. * Poderão também ser usados gestos, um para cada personagem (é claro que são gestos discretos, para não tumultuar). Ao contrário do que parece, este recurso não desvia a atenção: prende-a. Na seção Projetos, há fichas descritivas que dão maiores detalhes sobre a utilização de diversas técnicas. A análise destas fichas associadas às fichas descritivas de cada história auxiliará na escolha da técnica mais adequada.

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O Urso do final do arco-íris

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Recurso Auxiliar sugerido: Narração interativa - pg. 109 Som Sensação Texto Ronco: Nós vamos fazer uma caminhada por uma trilha ecológica. Jeep: Inicialmente seremos transportados por um jipe, fechem os olhos e boa viagem! Passarinhos: Quando chegamos, podemos ver a entrada da selva: a grama é rente e verde e se estende por uns duzentos metros, onde se pode ver uma parede de árvores enormes. Nossos companheiros, os passarinhos, cantam, homenageando nossa chegada! Vamos caminhar até lá. O dia está agradável, o Sol promete ser forte e a floresta certamente terá uma sombra agradável. Mais para frente a grama fica mais alta, atinge os nossos joelhos e podemos ver um tapete de flores coloridas. São flores brancas, pequenas, amarelas, que se formam em cachinhos, mais à frente uma touceira de flores rosas. E as azuis, que são as mais difíceis de se ver. Perfume: correm rasteiras ladeando a estradinha. A medida que vamos avançando começamos a sentir o perfume das flores. Vamos respirar profundamente. É tão bom sentir um perfume no ar, principalmente os naturais. Agora, com o mato já à altura da nossa cintura, passamos no meio de uma planta quase sem folhas, de onde pendem cachos de flores lilás e o perfume fica realmente inebriante, o perfume toma conta do local. À frente existem duas árvores, ipês amarelos carregadíssimos, elas parecem formar um portal natural. Atingimos a entrada da floresta passando entre as duas árvores floridas e já podemos ouvir o seu barulho. Macacada: Os macacos parecem não gostar de nossa intromissão e começam a guinchar desesperadamente. A mata é fechada com galhos entrelaçados. Na maioria das vezes, estes "abraços" são no alto mas, às vezes, os galhos se emaranham perto do solo, e é preciso se abaixar, até mesmo rastejar, para poder passar. Som de coco caindo: Estes movimentos sacodem as árvores e vez por outra caem aos nossos pés frutos que já estavam maduros ou quase secos. Ai! Nem sempre caem no chão, pois este acertou bem na minha cabeça! Abelhas: Enxame de... Epa! Este fruto é grande! Mas o que é isto? SOCORRO! Abelhas! ABELHAS!!!! Temos que correr, pois o menos aconselhável neste dia é ser picado por elas. À medida que vamos avançando, penetramos cada vez mais na mata e ela fica tão escura que, embora seja dia, é impossível ver a luz do sol. Água: Um som refrescante chega aos nossos ouvidos. Abrindo passagem caindo por entre os arbustos chegamos perto de uma cachoeira. A água que cai de forma caudalosa por entre as pedras cobertas de samambaias. Borrifo de água espirra e molha a nossa face. Com o calor que estamos sentindo isto é a melhor coisa que poderia acontecer. Música de êxtase: Olhando para a frente vê-se uma luz rompendo as árvores: são faixas brilhantes e multicoloridas parecidas com as de um arco-íris. Mas olha! E mesmo um arco-íris. Vamos segui-lo? Isto é muito tentador, mas a nossa bússola aponta que é outra a direção que devemos seguir. Tilintar Do caminho aéreo de luz começa a cair um pozinho minúsculo, e a tentação de colher um pouquinho com a mão é grande. Olhando de perto vemos que cada grão é uma pequena estrela brilhante. Estas estrelinhas se depositam sobre as folhas e formam um caminho prateado. Não vamos mais resistir, vamos segui-lo. Haveremos de nos achar depois. Ventania Vento

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No momento que pisamos no caminho forma-se ao nosso redor uma nuvem feita do pozinho de estrelas caídas do arcoíris, e isto dá a sensação de uma brisa suave tocando a nossa face. A brisa vai se fortalecendo, tornando-se aos poucos uma ventania. Este vento parece conduzir-nos sob a luz do arco-íris, e esta nuvem não nos deixa ver nada. Aos poucos, o nevoeiro vai terminando e podemos ver o arco-íris terminar em uma clareira. Música de Suspense Oba! Todos dizem que no fim do arco-íris existe um pote de ouro. Se isto for verdade, agora é a nossa vez! O arco-íris termina em uma luz intensa e não podemos ver nada, mas podemos ouvir um gemido abafado saindo por trás de alguma pedra. É um urso. Socorro! Urro de urso Ele olha para nós! Nós olhamos para ele e o desejo é começar a correr imediatamente. Mas, e as pernas? Estão grudadas no chão! Ele dá um urro: Uau! E nós um grito: Ai! Passos Ele se coloca de pé e é agora que nós vamos correr. Mas ele olha fixamente nos nossos olhos e começa a caminhar. Embora não desejemos, sentimos que não há outra coisa que possamos fazer além de segui-lo. Finalmente, seguimos o urso como se ele tivesse um ímã. Ventania Vento Percorremos novamente o caminho do pó prateado e outra vez não podemos ver nada, só sentimos aquela misteriosa brisa que se transforma em ventania. Finalmente a névoa termina e podemos ver o vulto do urso nos aguardando. Ele não parece agressivo, pelo contrário, olha para nós com certa docilidade e em seus olhos pequenos e castanhos podemos perceber que escorrem duas grossas lágrimas. Sentimos dó. Ele se vira lentamente e nós precisamos segui-lo. Neste momento podemos ver o que talvez seja a causa de suas lágrimas: ele tem uma fenda profunda nas suas costas. Um corte de cerca 30 cm aparece entre os seus pelos espessos. Coitado, quem teria feito isso? Cachoeira Borrifo Caminhamos, agora até com certa intimidade, passamos ao lado da cachoeira que, felizmente, molha novamente a nossa face, a nossa e certamente também a do urso. Abelhas Enxame de ABELHAS! Eu havia esquecido! Corre, amigão, senão nossa situação não vai ficar boa, não!!! Barulho da noite Já está caindo a noite e percebemos isto pelos ruídos da floresta. Pulando sobre galhos, rastejando, e com vários arranhões à mostra estamos, finalmente, perto da saída da mata. Isto é bom, pois já sentimos o cansaço e é preciso fazer algo para cuidar do imenso corte do urso. Já podemos até imaginar o cheiro agradável da relva florida que nos espera na saída. A mata já começa a rarear e a claridade está cada vez mais forte. Mais alguns passos e estaremos de volta. Pronto, lá estão os dois imensos ipês amarelos denunciando que a floresta chegou ao fim. Em um impulso abraçamos um deles, e parece que ele está nos dando as boas vindas à civilização. Música de suspense

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Mas, onde estão as flores, a touceira de flores rosas, os cachinhos amarelos, as rasteiras florzinhas azuis? A terra parece acabar na frente das duas árvores de ipês e um imenso precipício despenca, íngreme e assustador. Música com mais Suspense Canto de tribo indígena Um penhasco de paredes praticamente retas, com pedras pontiagudas encravadas em uma terra careca, árida, alonga-se por cerca de 100 metros. O urso parado, estático, à beira do abismo aponta para o fosso e olha para nós com cara de indagação. Olhamos para baixo assustados, não sabendo o que poderá nos surpreender mais ainda. O que é isso? Nota 1: A palavra grifada indica o início do efeito especial (som ou sensação). Nota 2: Os ouvintes fecham os olhos e escutam a história que será acompanhada dos efeitos especiais. Após a narração os participantes abrem os olhos e reunidos em equipe escrevem o final da história. A Caixa de Pandora Recurso Auxiliar sugerido: Narração interativa - pg 109 A história que vamos contar passa-se no Olimpo, morada dos deuses, em uma época em que só existiam coisas boas. O céu estava sempre azul, os rios sempre limpos e claros, com peixinhos multicoloridos nadando alegremente. Das árvores frondosas pendiam cachos de frutas doces e deliciosas e as flores, sempre viçosas, enfeitavam o gramado de um verdeturquesa claro. As pessoas viviam felizes e desconheciam doenças e as tristezas próprias dos seres humanos, como inveja, preguiça, medo e intolerância, dentre tantas outras. No Olimpo, quem reinava era Zeus, rei dos imortais, "todo-poderoso" que tinha completo domínio não só sobre os animais e as plantas, mas também sobre todas as pessoas que habitavam na Terra. Até que nasceu Prometeu (que em grego quer dizer "premeditado"), que de todos os Titãs imortais era o mais esperto. Era defensor da humanidade e ensinou aos seres humanos, pobres mortais, o dom do pensamento, muitos ofícios e habilidades, dentre elas o estudo das estrelas e o seu uso na navegação. Um belo dia Prometeu roubou o fogo do carro do Sol e levou-o para a terra, e depois ensinou a humanidade a usá-lo para se aquecer e cozinhar. Quando Zeus olhou para a terra e viu o brilho das fogueiras, ficou muito abalado, temendo que, tendo o domínio do fogo, Prometeu viesse também a dominar o Olimpo. Resolveu subjugá-lo antes que fosse tarde demais. Como a melhor forma de subjugar um homem é uma mulher, ele pediu ajuda para outros deuses, para criarem a mulher perfeita. A primeira chamada foi Afrodite, a deusa da beleza, que contribuiu moldando um rosto delicado enfeitado com olhos infinitamente azuis e cabelos negros e sedosos, e um corpo perfeito recoberto com pele macia. Apolo deu-lhe voz de mel, bonita e suave. E Hermes, mensageiro dos deuses, tratou de ensinar-lhe como usar a bonita voz para convencer as pessoas. Por último, Eros, deus do amor, ensinou-lhe técnicas de conquista às quais seria impossível resistir. Seu nome: Pandora. Aí estava a mais perfeita das mulheres que o Olimpo tinha visto. No dia em que Pandora saiu para procurar Prometeu, Zeus entregou-lhe uma caixa construída de um material vermelho, brilhante e ao mesmo tempo macio, até então desconhecido. Era adornada com rosetas de ouro e pedras preciosas, mas o principal era que essa caixa, misteriosamente, exercia um encantamento que tornava quase impossível desviar os olhos dela. E, com ar de seriedade, deu à Pandora as seguintes instruções: - Sua tarefa é levar esta caixa a Prometeu. Para cumpri-la, não meça esforços. Você foi criada para isso! Somente ele deverá abri-la. Mesmo que isto demore muito, nunca deixe outra pessoa se aproximar da caixa. Somente Prometeu poderá lidar com seu conteúdo.

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E lá se foi a insinuante Pandora com sua caixa, espalhando beleza e perfume por onde passava. Prometeu ficou muito impressionado com a beleza da moça e sua conversa interessante, mas a caixa passou-lhe despercebida. E tampouco passou por sua cabeça a idéia de se encontrarem novamente ou pedi-la em casamento, conforme esperava Zeus. O tempo foi passando e Prometeu, a julgar pelo seu comportamento e suas falas, havia-se esquecido de Pandora. O mesmo não aconteceu com Epimeteu (que em grego quer dizer o que pensa depois). Este, depois que colocou os olhos em Pandora, nunca mais pôde tirá-la de sua cabeça. Sua beleza insinuante era presença constante em seus sonhos. E a misteriosa caixa aguçava a sua curiosidade ao ponto de que daria qualquer coisa para poder simplesmente tocá-la. Como Pandora não conseguia nada com Prometeu, julgou que poderia se aproveitar da paixão que Epimeteu tinha por ela e com ele se casar. Dessa forma teria mais chances de se aproximar do irmão e entregar-lhe a caixa. De qualquer maneira, a sua missão estaria cumprida. Para colocar seu plano em ação, bastaram alguns olhares e Epimeteu julgou-se o mais feliz dos homens: além de ter a bela mulher que desejava, teria a chance de descobrir o conteúdo da caixa que ela cuidadosamente levava. Após as bodas, celebradas com grande festa, Epimeteu pediu que Pandora lhe mostrasse a caixa e, nesse momento, ela revelou seu segredo: - Você não pode abri-la, ela pertence a outra pessoa. Vou guardá-la em um cômodo seguro em nosso palácio, até que chegue o momento de entregá-la ao seu verdadeiro dono, que a abrirá, e assim todos saberemos o que ela contém. Isto não seria fácil para o curioso rapaz: dia após dia ele parava na porta do quarto onde se encontrava a caixa e lá ficava admirando-a e imaginando o que ela conteria. Após alguns meses, a ousadia fez com que Epimeteu entrasse no salão para mais de perto admirar os contornos da caixa e seus delicados desenhos, e ficar sonhando com o dia que seu misterioso dono aparecesse e revelasse o seu conteúdo. - Mas que mal haveria se eu a tocasse? Eu não posso abri-la, mas tocá-la, certamente, eu posso. E seu próximo passo, foi deleitar-se acariciando o tecido suave que revestia o objeto. Sem que Pandora percebesse qualquer coisa, o salão que guardava sua caixa passou a ser o aposento preferido do marido, lá ele ficava horas e horas acariciando e conversando baixinho com a caixa. Nos momentos de maior curiosidade ele arriscava abrir um pouquinho, outras vezes a sacudia, tentando escutar seus barulhos, sentir um odor, descobrir pelo menos uma pista. Certo dia, ao fazer suas manobras costumeiras de revirar e abrir parte da caixa, uma fumaça preta começou a sair dela. Isto fez com que a curiosidade vencesse Epimeteu que, não resistindo mais, finalmente a abriu. Um estampido ensurdecedor se fez ouvir por todo o palácio, e fez com que as pessoas começassem a chorar de dor. A fumaça que saía da caixa elevava-se grudenta ao teto e, lá chegando, transformava-se em monstros alados, pretos e fétidos, que saíam voando pelas janelas. Esses pássaros invadiram todo o Olimpo, queimando as árvores e os gramados, fazendo as flores murchar, calando e matando os passarinhos. As pessoas começaram a adoecer e envelhecer. Com raiva umas das outras, passaram a brigar e a se matar entre si. - O que foi que eu fiz? chorava Epimeteu, sentindo o seu corpo sujo e dolorido. Suas mãos rachadas e ensangüentadas não conseguiam achar a tampa da caixa para fechá-la e fazer parar de sair a maldita fumaça que estava empesteando tudo e trazendo todo tipo de desgraça, antes desconhecida no Olimpo. - Mais prudente seria que eu me matasse, pensou, pois sou o mais desgraçado dos homens e não sei mais o que fazer.

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Após ter devassado campos e pessoas, a fumaça começou a diminuir. No meio das ruínas do Palácio, sobre a lama espessa e gomosa, restava o pobre e arrependido Epimeteu. Finalmente, tudo acabou. Quando Epimeteu pôde controlar seus soluços desesperados, ouviu uma batida fraquinha dentro da caixa. - Não pensou ele, desta vez não me deixarei levar pela curiosidade. Não quero nem saber o que ocorre dentro desta caixa infeliz. - Toc, toc, toc, por favor, deixe-me sair! - Que vozinha é essa? Que haverá ainda dentro dessa caixa? - Toe, toe, toe, por favor, imploro, deixe-me sair. Não poderei fazer mal maior do que aquele que já foi causado! É, a voz tem razão, pensou Epimeteu, o que poderá acontecer de pior? E assim pensando, com as mãos trêmulas e ensangüentadas, abriu a caixa, tampando os olhos para não ver novamente a terrível fumaça. Mas, para a sua surpresa, em lugar da fumaça malcheirosa ele viu um clarão intenso, de um delicado e suave tom verde. Aos poucos, no interior da fumaça esverdeada, começou a se formar uma figura brilhante. Era uma mulher de expressão bondosa, vestida de esvoaçantes véus verdes e trazendo uma cesta nas mãos. Nela se encontravam minúsculos pacotinhos, também verdes, cada um deles brilhando com uma luz própria. - Quem é você? perguntou Epimeteu com a voz ainda trêmula. - Eu sou a Esperança! - Esperança, o que é isto? - E aquela que aparece quando tudo parece desabar à sua volta, quando parece que o mundo vai terminar. E aquela com quem você sempre pode contar. Vocês não a conheciam, tinham tudo mas não tinham a esperança. A Caixa de Pandora trouxe a desgraça e a doença, mas junto com tudo isso, acabou trazendo a esperança. Não há mal suficiente para me barrar, eu sempre existirei e aparecerei para recomeçar e acreditar que tudo vai e pode melhorar! Dizendo isso, ela ofereceu a sua cesta brilhante a Epimeteu e disse: - Vá, distribua a esperança para seu povo. Estes homens conheceram os tormentos do mal, é hora de se alimentarem e se tornarem fortes para perseguirem novamente a felicidade! Epimeteu se pôs em pé e seguiu, cheio de esperança, para cumprir as ordens da senhorita de verde. O aguilhão do rei Recurso Auxiliar sugerido: Maquete - pg. 114 Kaa, a velha serpente da rocha, estava mudando de pele pela ducentésima vez e Mowgli foi felicitá-la. Encontrou Kaa enrolada em espiral no solo, tendo ao lado sua velha pele, ressecada e retorcida. A amizade dos dois era longa e a cobra ajeitou-se nos ombros do rapaz para mais uma de suas longas conversas: - Três ou quatro luas passadas fui caçar nas Tocas Frias e encontrei a Naja Branca,que me falou de coisas acima de minha compreensão e mostrou-me coisas que eu nunca tinha visto antes. - Debaixo da terra? perguntou Mowgli. - Sim, sob uma cidade em ruínas, hoje recoberta pela selva, mas que outrora foi o palco de reis poderosos, donos de muitos cavalos e elefantes. A Naja Branca foi guardiã de um tesouro que ali está até hoje. - E o que é este tesouro? É bom de comer? - Não era caça, e nela se teriam quebrado todos os meus dentes! Mas a Naja Branca disse que qualquer homem teria dado a própria vida somente para vê-lo, disse Kaa.

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Estas coisas devem ser "caça nova". Precisamos ir até lá! Eu também sou humano, preciso, então, ver o tal tesouro. Assim, apressadamente seguiram os dois amigos para visitar a cobra: - Boa caçada! Disse Mowgli, que nunca abandonava as boas maneiras, ao entrar. -Como está a cidade lá em cima? Devo ter ficado surda, pois há muito não escuto o gongo de guerra, disse a cobra branca, sem responder à saudação de Mowgli. - Já te disse que não existe mais cidade lá em cima, disse Kaa, sem muita esperança que a velha naja entendesse, pois era perceptível a qualquer um que ela havia perdido o juízo. - Sou guardiã dos tesouros do Rei. O rajá Kurrun construiu esta abóbada sobre mim, para que eu aqui ficasse a ensinar a morte aos que aparecessem. Vê estes "homens" - disse olhando para alguns crânios que repousavam no chão - vieram roubar-me o tesouro. Falei-lhes no escuro e eles silenciaram para sempre. Mowgli correu os olhos pela caverna, curioso para ver e entender o que seria o tão falado tesouro. No fundo viu um punhado de coisas brilhantes. Mowgli apanhou algumas moedas de ouro caídas no chão e tentou mordê-las: eram duras e sem gosto. As facas o interessavam, mas não eram tão boas quanto a que possuía. Que tesouro mais chato, pensou. Por fim encontrou algo realmente fascinante: meio enterrado em um amontoado de jóias estava um aguilhão de elefante. A peça tinha um enorme rubi redondo, no cabo havia uma larga barra de turquesas azuis e mais abaixo um adorno de flores feitas de rubis com folhas de esmeralda. A ponta era em formato de espeto feito de ouro e adornado com gravações representando caçadas de elefantes. - E aí, meu menino? A visão deste tesouro não vale a morte? disse a naja. - De jeito algum! Para que quero isto que chamas de tesouro? Se me deres este aguilhão, ficarei agradecido; se não mo deres ficarei agradecido do mesmo jeito, disse Mowgli, mostrando o aguilhão que havia escolhido. - Se desejas este aguilhão, podes levá-lo, uma vez que, apesar de ser homem, tu pertences à Jângal. Mas aviso: ele é a morte! Mowgli e Kaa sentiram prazer em voltar novamente à luz do dia. Os raios do sol fizeram o aguilhão brilhar e isso deixou Mowgli contente. - Tenho de mostrar isso à Bagheera - pensou Mowgli, saindo em disparada. Bagheera, a pantera negra, conhecia um pouco sobre homens, pois havia nascido em um circo da cidade e fugido para a Jângal, onde vivia até hoje. É bonito, mas a Naja Branca tem razão: significa dor para os elefantes e a morte para os homens, disse Bagheera. Mowgli não podia compreender por que este objeto causaria morte para os homens, mas pôde compreender, olhando, para o afiado gancho, como ele poderia trazer dor para os elefantes. E num gesto rápido, jogou o aguilhão pelos ares desse modo minhas mãos ficam limpas da morte e da dor. Como o sol já se punha, todos se recolheram para dormir. Nos sonhos de Mowgli desfilavam as pedras brilhantes que havia visto. Ao acordar, resolveu ir dar mais uma olhada no aguilhão. Curiosa, Bagheera o seguiu. Procuraram em vão, o aguilhão não se encontrava mais ali. Bagheera notou, pelas pegadas deixadas no chão, que um homem o havia levado. Em vista disso, Mowgli resolveu segui-las, a fim de constatar se o aguilhão realmente significava a morte, como todos haviam dito. As pegadas estavam frescas e nítidas e isso facilitava a tarefa dos exploradores. Em um dado momento, o molde dos dedos começou a se mostrar mais esparramado e isto queria dizer que o homem que havia pego o aguilhão estava correndo. Subitamente as pegadas viravam para a direita. - Por que alguém mudaria tão subitamente sua rota? Perguntou Mowgli. - Vamos investigar! exclamou Bagheera, e não precisou ir muito longe para perceber que outras pegadas apareciam. Eram de um homem com pés menores, com os dedões voltados para dentro.

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Para entender o que se havia passado, Mowgli seguiu a trilha dos "pés pequenos" e a pantera a dos "pés grandes". Seguiram assim por meia hora, sendo que as pegadas, afundadas no chão, mostravam que a corrida se acelerava cada vez mais. Em determinado momento elas se encontraram, e a menos de 5 metros deste ponto jazia um homem de pés grandes com uma flecha fincada no seu peito. - A cobra não estava tão velha e louca como você supôs, irmãozinho, disse Bagheera. Uma morte pelo menos existe. Continuaram a busca, seguindo apenas as pegadas feitas pelos "pés pequenos". Não demorou muito até chegarem em uma clareira, onde havia resto de fogo e estendido, morto, com os pés na cinzas, um corpo de "pés pequenos". Mowgli constatou estupefato: - A mãe Naja conhecia bem a raça dos homens, como começo a conhecê-la. Em volta da fogueira, pegadas de quatro homens calçados indicavam quem tinha assassinado o homenzinho. Seguir os quatro homens calçados não seria tarefa difícil, pois suas pegadas revelavam que andavam mais devagar e além do mais não deveriam estar muito longe. 65 Andaram por uma hora até que sentiram cheiro de fumaça que indicava que os homens haviam parado para fazer a refeição. Farejaram e espionaram, quando Bagheera deu um súbito e indescritível grito: - Este também foi morto! Ao lado do corpo do homem gordo, uma trouxa aberta mostrava restos de um pó branco. - Os homens matam por pouco, este foi morto pela farinha que carregava. Vou levar algumas rãs gordas para a Naja se alimentar, pois ela é sábia. Com este são três mortes na trilha do aguilhão. Não tinham andado muito quando viram corvos rondando uma clareira; o fim da história parecia estar lá. Em volta de uma fogueira se apagando, havia três corpos sem vida. Um caldeirão sob a fogueira trazia restos do almoço do trio, preparado com a farinha roubada. Mowgli quebrou um pedaço do seu conteúdo já carbonizado e exclamou, cuspindo: É a maçã da morte! O gordo, da trouxa, envenenou a comida para matar os outros três, mas foi morto antes disso. Ao lado da fogueira que teimava ainda em soltar algumas faíscas, estava o aguilhão, brilhando, sem dar-se conta do mal que causara. - Como fiz bem em jogá-lo fora, disse Mowgli. Se ficar aqui, continuará a matar homens, um atrás do outro. Voltará para a Mãe das Najas. Duas noites mais tarde, quando a Naja Branca, no escuro de sua caverna, estava no meio de suas lamentações, o aguilhão apareceu zumbindo e veio cair no seu velho leito de moedas. - Mãe das Najas, disse Mowgli, arranja uma cobra nova e bem venenosa para guardar os tesouros do rei, de modo que homem nenhum saia desta sua caverna com vida!

Boa Ação Recurso Auxiliar sugerido: Bocão - pg. 126 Era uma vez uma família composta da mãe e seus dois filhos: uma menina e um menino. Embora os dois tenham sido criados da mesma forma pela mamãe, com carinho e amor, eram muito diferentes um do outro. O menino, Paulo, era cortês, atencioso, sempre pronto para ajudar as pessoas. Já a menina, Lucinha, era preguiçosa, mentirosa e sempre dava respostas mal-educadas a quem quer que fosse.

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Eles sempre ajudavam a sua mãe, o menino de boa vontade e a menina sempre reclamando. Uma das tarefas de sua responsabilidade era colher maçãs uma vez por semana. Assim, numa semana ia a menina e na outra o menino. Certa vez, quando o menino estava colhendo suas maçãs, apareceu uma velhinha bem cambaleante. Ao passar, ela deu um passo em falso e caiu estatelada no chão. O menino desceu da árvore rapidamente para poder levantar a velhinha e, preocupado, perguntou se ela havia se machucado. - Não, meu garoto, acho que não aconteceu nada!, disse a velhinha. - Mas eu não vou deixá-la aqui sozinha, vou esperar para ver se a senhora está bem mesmo. E lá ficaram os dois conversando. Falaram sobre suas vidas, sobre aquilo que admiravam na natureza e perceberam quantas coisas tinham em comum. Quase no final do dia falaram também sobre os seus sonhos. E juntos deram muitas gargalhadas divertidas. Isso fez com que Paulo percebesse que realmente não tinha acontecido nada com a sua companheira. Como já estava caindo a noite, o menino ajudou a senhora a levantar-se e, educadamente, despediu-se. - Muito prazer em conhecê-la, minha senhora. -O prazer foi todo meu. - Será difícil esquecê-la, pois passamos horas muito agradáveis juntos, falou o menino. - Você não irá me esquecer, tenho certeza. E assim despediram-se, o menino pegando o rumo de sua casa e a velhinha indo diretamente para o tronco da macieira, sumindo dentro dela. Chegando em casa, Paulo foi logo se desculpando com a mãe por ter chegado tão tarde. Contou o que tinha ocorrido, sobre a velhinha e, euforicamente, disse que as maçãs estavam mais bonitas do que nunca neste dia. Assim falando, levantou o guardanapo de sua cestinha para mostrar o conteúdo para a mãe. Mas, qual não foi a sua surpresa ao perceber que, ao lado das bonitas maçãs, havia pedras preciosas e correntes de ouro. - Nossa, mamãe, por que teria acontecido isso? Estamos ricos com estas pedras preciosas. - Decerto esta velhinha era encantada e o recompensou pela sua boa ação. - Você acha que é isto, mamãe? - Só posso encontrar esta explicação, pois já ouvi alguém dizer que palavras corteses são como pedras preciosas saindo da boca das pessoas. - Não fiz nada além do que sempre faço com todas as pessoas. Mas, já que recebemos este presente, vamos usá-lo para melhorar nossa casinha e, quem sabe, ajudar um pouco nossos vizinhos, que tanto precisam. - Ajudar o quê? Vamos usar tudo para nós, disse a menina chatinha. Eu quero ter muitos brinquedos e parece que chegou a minha vez - O Paulo tem razão, Lucinha, vamos pensar melhor sobre o que faremos com esta cesta encantada. À noite, a menininha não conseguiu pegar no sono, só pensando nas coisas que poderia comprar com aquelas pedras preciosas da cestinha do irmão. Lá pela madrugada sentou-se na cama, contente por ter achado a solução: - Amanhã me levanto, vou até a macieira e espero pela bobona da velhinha, faço uns agradinhos e decerto ela me dará uma cesta cheia de pedras também. Pela manhã bem cedo, a pestinha levantou, pegou a cestinha que usava para colher maçãs, coberta com um guardanapo vermelho, e foi logo saindo.

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- Onde você vai?, perguntou a mãe. - Brincar com a Glorinha, mentiu a menina. - E por que você pegou a cestinha?, perguntou Paulo. - Não me amola, seu chato. Meta-se com a sua vida, respondeu Lucinha com seu costumeiro mau humor. - Volte aqui, Lucinha, eu tenho uns serviços para você fazer antes de sair, disse a mãe. A menina, fazendo que não ouvira, resmungou baixinho: - Que mãe chata que eu tenho! Chegando perto da macieira, a menina só olhava para os lados, procurando a velhinha. - Oh! Será que justo hoje essa droga de velha não vai aparecer? Subiu na macieira e estava começando a colher suas maçãs, quando ouviu uns passos fraquinhos sobre as folhas. - É a babaca! Oba! Vou enrolá-la e ganhar também um cesto de pedras preciosas para poder gastar em coisas só para mim. - Como vai, minha senhora? falou a menina, com um sorriso para lá de forçado. A velhinha parecia não estar vendo a menina. - Minha senhora? Tá surda!, falou bem alto. Mas logo arrependeu-se e disse tão cordialmente quanto conseguiu: - A simpática senhora talvez não esteja ouvindo bem? Nada da velhinha responder. Continuou andando quando, como da primeira vez, pisou em falso e caiu. - Oh! droga, pensou a menina, a velha caiu, quem sabe até morreu e não vai me dar as pedras. A velha ficou lá, gemendo, até que Lucinha resolveu descer da árvore. - Eu não vou levantar velha nenhuma, acho que nem foi essa que meu irmão conheceu. Mas, por via das dúvidas, falou, com muita falsidade: - Oh! A senhora caiu, que pena. Será que posso levantá-la? -Mas é claro, minha filha, pode dar-me sua mão? Sem vontade, a menina estendeu a mão, respondendo sem convicção: - Lógico, minha boa senhora! E deu a mão, puxando a velha com força, para que ela ficasse logo em pé. - Você é muito gentil, falou a velha senhora com ironia. - Sou mesmo, até mais do que meu irmão, que é um fingido e não gosta realmente das pessoas como eu gosto. - Estou vendo, mas vou recompensá-la. Volte para casa e lá você ficará sabendo como será difícil esquecer-me. - Pronto, a velha caiu, pensou. Vou ficar rica! E, sem se despedir, saiu correndo para casa, carregando a cestinha com cuidado. A velha encantada deu um sorriso amargo e entrou novamente no casco da macieira. Chegando em casa, Lucinha mal podia esperar para olhar na sua cestinha: - Veja, mãe, também consegui as pedras preciosas. Veja como sou esperta, enrolei a tal da velha, e ela me deu a cestinha muito mais rapidamente do que deu ao Paulo. E, falando assim, levantou o guardanapo da cestinha com ganância, já pronta para pegar as pedras. Mas, para a sua surpresa, na cesta, ao lado das maçãs, havia somente bichos horrorosos e peçonhentos: baratas, lacraias e lesmas passavam no seu interior. - Mas porque aquela velha horrível fez isso comigo?, perguntou a menina, atirando a cesta no chão, emburrada. Eu não fiz tudo igualzinho ao meu irmão? Não disse belas palavras como ele? Por que as minhas palavras corteses não se transformaram em pedras preciosas como as dele?

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Lucinha continuou resmungando, dando socos no ar e pontapés na parede e na porta. A mãe sabia, mas esperava que a filha compreendesse sozinha. Enquanto a menina esbravejava, os insetos saíam da cestinha e se espalhavam por todo o quarto. Lucinha saltava para que eles não subissem em seus pés e a raiva era tanta, que até o pobre do cachorro Totó levou um chute no traseiro por estar parado olhando o que acontecia. - Mãe, por que a minha boa ação não foi reconhecida como a de meu irmão? Vendo que precisava realmente ajudar a filha, Dona Laura respondeu: - Meu bem, fazer boas ações, ser cordial com as pessoas, são gestos importantes que todos nós devemos procurar fazer sem nos preocuparmos com a recompensa que virá. Estes atos devem fazer parte do nosso dia-a-dia. Fazer boas ações é muito bom e necessário. Mas elas só serão realmente valiosas, pedras preciosas, quando forem feitas de dentro, bem de dentro do coração. Kotick Recurso Auxiliar sugerido: Radionovela - pg. 139 Todos os anos, no verão, centenas de milhares de focas chegavam a Saint Paul, uma ilha perdida no Pacífico Norte. Não existia praia melhor que esta, porque ela reunia tudo aquilo que uma família de focas necessitava para passar o verão. Os machos todo o ano se batiam para conseguir um bom lugar na ilha, nas rochas, o mais possível perto do mar. As esposas e filhotes chegavam depois que as batalhas por pedaços de praia haviam se acabado. Quando Matkah, a esposa de Caçador do Mar, chegou, ficou feliz em ver que seu marido havia conseguido o mesmo lugar que o do verão passado. E ele exibiu orgulhoso o que restou da batalha: em pelo menos vinte pontos de seu corpo ele exibia arranhões, alguns deles sangrando e um de seus olhos estava praticamente cego. Ela pensou que poderiam ter ido a outra praia. Sabia, porém, que isto era inaceitável para seu esposo. Ir para uma praia de qualidade inferior significava covardia. A praia era excelente, mas estava ano após ano mais cheia. Neste ano parecia conter mais de um milhão de focas, anciãs, adultas, jovens e frágeis nenês, todas brigando, rolando agarradas, gritando e chorando machucadas. Kotick nasceu no meio desta confusão, com olhos de um límpido azul e a pele estranhamente branca. Logo que aprendeu a rastejar para longe do mar, a primeira coisa que encontrou foi uma centena de bebês de sua idade e com eles descobriu como era gostoso brincar. Todos aprenderam a gostar daquela foquinha, simpática e de pele branca. Quando o outono principiava a acabar, era hora de irem embora. A família cruzou junta o Pacífico e Matkah ensinou o filhote a dormir boiando de costas, a atravessar os bancos submarinos seguindo bacalhaus, a contornar destroços de navios, dançar no topo das ondas quando os trovões riscavam os céus e a abanar educadamente a cauda aos albatrozes. Kotick aprendeu, também, a saltar mais de um metro fora da água, como fazem os golfinhos. 72 Mas o dia chegou em que o tráfego de focas no mar ficou surpreendentemente grande, todas nadavam para o mesmo lugar. Chegava novamente o verão e era o momento de voltar à praia em que nascera. Assim que Kotick e alguns adolescentes da mesma idade chegaram à praia, escutaram as focas mais velhas, seus pais, lutando em meio da névoa. A foca branca não compreendeu o porquê de tanta violência e isto a deixou abatida por muitos dias. Mas este verão não seria tão feliz quanto o outro para Kotick. Para esquecer a tristeza, resolveu ir rolar nas dunas com seus amigos, quando viu correndo em sua direção um bando de focas apavoradas gritando: - Corram! Depressa! São os caçadores!

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Kotick, que havia nascido somente há um verão, não sabia o que isto significava, correu sem saber para onde ir e parou quando bateu em um par de botas. Erguendo os olhos viu que era um homem trazendo um imenso bastão de madeira sujo de sangue. - Veja, esta é branca! disse o homem para seu companheiro. - Não toque nela, pode ser uma "alma penada". A pele branca salvou a vida de Kotick, mas não da tristeza que lhe causou o que ele presenciou a seguir: Os homens procuravam por focas adolescentes, que ainda não tinham o couro danificado pelas lutas, e quando achavam davam pancadas enérgicas nas suas cabeças. As pobrezinhas morriam indefesas. Em seguida arrancavam sua pele do nariz até as nadadeiras traseiras, empilhando-as para serem posteriormente carregadas e vendidas a alto custo. Aquilo foi demais para Kotick. Com os olhos esbugalhados, ele olhava para as peles e em algumas delas reconhecia, horrorizado, os amigos com que há pouco tempo brincava. Kotick foi a galope para a praia (uma foca pode galopar por um pequeno pedaço), atirou-se no mar gelado e foi esconderse entre algumas pedras, engolindo e engasgando com um pouco de água, tal era sua pressa e descontrole. Sobre as pedras encontrou um leão marinho, e a foquinha branca ficou feliz por ter alguém a quem contar o que vira. O leão marinho admitiu que não era de maneira nenhuma justa a matança, mas que as focas estavam sendo bobas em voltar para a mesma praia ano após ano. Os homens sabiam disso e para eles era fácil saber como, quando e onde encontrar a sua caça. Kotick nem sequer sabia que poderia haver outra praia e perguntou ao leão marinho onde ela ficava. O leão marinho não conhecia, mas como percebeu que Kotick era daqueles que gosta de conversar com mais velhos para aprender, aconselhou-o a procurar o Elefante do Mar. É uma jornada de cerca de dez quilômetros, mas valerá a pena. Kotick boiou por meia hora para descansar e depois seguiu viagem. Ao encontrar o elefante marinho, depois de educados cumprimentos, foi logo falando: - Há algum lugar onde as focas possam ir que os homens não conheçam? -E eu sei lá!, respondeu o Elefante. Vá descobrir isto sozinho! Não vê que estamos muito ocupados por aqui? Kotick poderia ter ficado desanimado com a resposta, principalmente depois de nadar tanto, mas como estava convencido de sua missão, arriscou: - Mas vocês poderiam ser mais educados, seus comedores de mariscos! Os elefantes marinhos fazem-se de ferozes, mas não conseguem pegar um peixe sequer, vivem à cata de mariscos e algas. Kotick usou desse conhecimento para ofendê-los, e como todas as aves marinhas gostam de imitar os outros, um coro imenso repetia: "Comedores de mariscos! Comedores de mariscos!" Os elefantes resolveram dar atenção a Kotick. - Vá procurar as Vacas Marinhas, elas poderão contar o que você quer saber. As coisas estavam começando a se resolver, mas ele não conhecia vacas marinhas, como iria encontrá-las? Uma gaivota que ia passando deu a orientação: - Só existe uma criatura marinha que é mais feia que o elefante do mar: é a vaca marinha. Com esta referência seria mais fácil, agora precisava voltar para a sua ilha. Lá chegando contou para seus companheiros sua idéia: Encontrar uma nova ilha, melhor que essa, que os homens não conhecessem. 74 Mas logo descobriu que ninguém apoiava sua idéia. Havia muitos argumentos para isso: não haveria ilha melhor do que essa, o perigo de ser caçado passava com a adolescência e quem não quisesse presenciar cenas assustadoras que não fosse

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ao local da matança. Mas o que ninguém podia entender mesmo era porque justamente Kotick, que estava a salvo por ter a pele branca, era quem se importava com isso. Não ter seguidores pouco importava a Kotick. No dia seguinte, tão logo o sol raiou, saiu em busca da Vaca Marinha e do sonho de encontrar uma ilha tranquila, com praias seguras, onde as focas pudessem ficar a salvo dos homens. Kotick atravessou o Pacífico de norte a sul, nadando quase quinhentos quilômetros. Viveu mais aventuras do que se pode narrar, escapou de ser apanhado pelo tubarão gigante e conheceu todos os tipos de vilões que se apresentam no mar. Conheceu, também, peixes educados, mas o que não encontrava era a vaca marinha ou a ilha que procurava. Se a praia era boa, com areia firme e bancos de areia, via sempre marcas indicativas da presença dos homens. E quando não se viam homens por perto, a praia era predregulhosa, pequena, sem condições para a vida de tantas famílias de focas. Embora ele não desistisse da sua busca, sempre voltava para sua família, e numa dessa voltas sua mãe o alertou de que chegara na idade de casar, já não era mais uma toca adolescente e precisava constituir família, esquecendo de vez esta busca. Kotick pediu à mãe apenas mais uma estação: na próxima se casaria como todos. E atirou-se no mar, tendo agora um prazo curto para conseguir o que desejava. Foi nesta mesma noite que Kotick avistou uma coisa grande, com um enorme nariz - vários deles - farejando entre os bancos de areia. Quem poderia neste imenso mar ser tão esquisito assim? Somente uma vaca marinha, como havia dito a gaivota! Esses animais mastigavam grama e pareciam as coisas mais estúpidas que Kotick havia visto até aquele dia. E certamente teriam sido mortas se não conhecessem um lugar seguro para viver. Era muito difícil segui-las: nadavam devagar e paravam muitas vezes. Kotick mastigava seus bigodes para controlar a sua impaciência. Uma noite avistou-se uma mancha brilhante na água e as vacas mergulharam nela e, surpreendentemente, começaram a nadar com rapidez. O mergulho foi longo e a foquinha branca pensou que talvez não conseguisse mais segurar o fôlego. Mas valeu a pena: o imenso túnel dava na praia mais bonita que Kotick jamais havia visto. Eram quilômetros e quilômetros de praia, enormes extensões de pedras poderiam servir de berçário para os bebês, dunas para as focas jovens brincarem e o melhor: não havia homens. Eles não poderiam atravessar o túnel sob o penhasco e os bancos de areia no mar impediam a entrada de qualquer ripo de navio. As vacas marinhas deveriam ser muitas vezes mais espertas do que as focas para terem descoberto este paraíso! Kotick demorou seis dias para chegar em casa e quando chegou, mal tomou fôlego e começou a falar sem parar sobre o lugar que havia conhecido. Mas para a sua decepção as focas riram dele, inclusive seu pai e os adolescentes, justamente aqueles por quem Kotick tinha lutado tanto. Nós lutamos por este espaço enquanto você ficava vagabundeando pelos mares. Agora quer nos tirar daqui? disse uma foquinha atrevida. A foca branca percebeu que teria que fazer um pouco mais para convencer as demais a seguirem-na. -Mas eu estive à procura de um lugar grande o suficiente para que nós não precisássemos ficar lutando entre nós por um pedaço de terra. Por mim, eu acho que você tem é medo de lutar, retrucou a foca impertinente. Vocês me seguiriam se eu vencesse uma luta? Perguntou Kotick, já percebendo o que teria de fazer para convencer o pessoal. - Combinado, disse a foca. Se você vencer, vamos segui-lo.

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Ela não teve tempo de mudar de idéia. Com a rapidez de um raio os dentes de Kotick se fixaram no pescoço gordo da jovem foca encrenqueira. A luta foi feia, mas a determinação de Kotick lhe deu torças para vencer. Com o inimigo estirado no chão, perguntou: - Então, quem irá me seguir? Um rumor começou a correr pela praia e de repente um tímido "eu", depois um "eu também ', "nós vamos" e finalmente, um coro de milhares de vozes dizia “seguiremos Kotick, a foca branca!”. Uma semana mais tarde, um exército de aproximadamente dez mil focas partiu para atravessar o túnel das vacas marinhas em busca da praia que nenhum homem jamais pisara. O mágico de Oz Recurso Auxiliar sugerido: Fantoche - pg. 141 Cenário n° 1 (apresentação) Dorothy: -Alô, criançada! Eu sou a Dorothy e vivo em uma fazenda. Sou muito feliz aqui, tem muita árvore, muito passarinho, muitas flores! Mas às vezes fico aborrecida. Nunca acontece nada aqui! E tão monótono! Eu queria viajar pelo mundo, por toda, toda parte. E sabem aonde eu queria ir? Além do arco-íris! Eu soube que lá não existem problemas e todos os sonhos que a gente tem se transformam em realidade! - Nossa, que vento! Ufa.... mas é mesmo uma ventania! Acho que vou voar! Socorro, estou voando! (Dorothy sai de cena, para voltar em seguida repentinamente como que atirada pela ventania). Cenário n° 2 (caminho dos tijolos amarelos) Dorothy: -Nossa, que vento, como eu voei! Não sei nem onde vim parar! Mas este lugar é muito lindo! Muito lindo mesmo! Olha só quantas flores e passarinhos. Onde será que estou? Fada: -Você está além do arco-íris! E eu estou aqui para lhe dar as boas vindas e para cumprimentá-la! Você matou a bruxa má do oeste! Dorothy : -Mas eu não matei bruxa alguma! Estou chegando agora! Fada: -Como não? Eu vim atraída pelos gritos de felicidade do povo pequeno desta terra porque a malvada morreu! Dorothy: Mas, palavra, bem que eu gostaria de ter feito este favor ao povo pequeno, já que a essa bruxa era tão má, mas eu não fiz nadinha .... Fada: Acompanhe-me, que eu vou-lhe mostrar. Veja, lá está ela, esmagada por este tronco grosso de árvore que você trouxe. Dorothy : Há um terrível engano, não fui eu que trouxe a árvore, e sim nós é que viemos juntas trazidas pelo furacão. Dona Fada, esta cidade é muito bonita, mas a senhora pode me mostrar o caminho para casa? Fada: Infelizmente eu não sei o caminho. Mas sei quem poderá ajudar. Procure o mágico de Oz, ele sabe de tudo! Realiza qualquer desejo! Dorothy: E como faço para encontrá-lo?

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Fada: Siga sempre este caminho de tijolos amarelos, que você chegará lá. Hã... espere! Há algo que poderá ajudá-la muito. São os sapatinhos de rubi da bruxa má. Eles são encantados e poderão levar você a qualquer lugar. Dorothy: Muito obrigada, eles são lindos. Tenho certeza que serão muito úteis. (A fada sai de cena e Dorothy sai caminhando por aquilo que seria o caminho de tijolos amarelos, cantando a canção:) Vamos ver o Mágico, o fabuloso Mágico de 0z. Dizem que ele é um ótimo mágico. O melhor que há! Vamos ver o mágico, o fabuloso mágico de Oz! (O espantalho entra em cena. Dorothy pára e fala para o público, demonstrando não estar vendo ainda o espantalho.) Dorothy: Oh! O caminho de tijolos amarelos se bifurca! Por onde será que eu devo ir para chegar ao castelo do mágico de Oz? Mesmo sem ter sido visto, o Espantalho dá a sua opinião: Espantalho: O castelo do mágico de Oz é por aqui (e aponta para a direita) O castelo é por aqui... (e aponta para a esquerda). Dorothy: Oh! O senhor sabe qual é o caminho para o castelo do mágico de Oz? Espantalho: Eu acho que é por aqui, por ali, não por lá, eu acho que é por aqui.......(enquanto fala ele vai apontando sempre em direções diferentes). Dorothy: Pare! Você esta fazendo isso para me confundir? Você sabe ou não qual é o caminho? Espantalho: Olha, saber é possível que eu até saiba, mas o que eu não sei mesmo é pensar! - (voz chorosa) Sabe, eu não tenho cérebro, você não está vendo que eu sou um pobre espantalho? Espantalhos não têm cérebro! Dorothy: Oh, desculpe ... não precisa chorar..... eu entendo. Você não quer ir comigo até o mágico de Oz? Ele pode fazer qualquer coisa. Quem sabe, não poderá lhe dar um cérebro? Espantalho: E você me levaria junto? Mesmo sabendo que eu sou assim... tão burrinho? Dorothy: Claro! Vamos embora! (E seguem os dois cantando a canção. Entra em cena o Homem de Lata). Dorothy: Como vai, Sr. Homem de Lata? (silêncio) Espantalho: Boa tarde, meu senhor latoso! (silêncio) Dorothy: Será que ele é mudo? Ou será surdo o pobrezinho? (o homem de lata começa a sussurrar bem baixinho: "lata de óleo") Espantalho: Acho que não! Estou vendo os seus lábios se mexerem. Vamos chegar mais perto para ver se conseguimos entender o que ele diz. (Os dois chegam mais perto) Homem de lata: (ainda sussurrando, mas de forma que se possa entender) Lata de Óleo. Espantalho: Já sei, ontem choveu muito, ele se enferrujou e não pode se mexer. Ele quer que a gente pegue a lata de óleo e passe no seu corpo. Dorothy: Oh! Pobrezinho! Vamos fazer logo o que ele quer! (Dorothy pega a lata e "derrama o óleo" no homem de lata.) Homem de lata: (sussurrando cada vez mais alto até que se possa ouvir bem) Obrigado! (mexendo-se freneticamente) Obrigado! Obrigado! Agora posso me mexer bem! Muito obrigado! Como estou me sentindo feliz! Espantalho: (para Dorothy): Não sei não.... ele está dizendo que está feliz e veja os olhos dele: ele está chorando.

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Dorothy: O Sr. está feliz mesmo? E o que são essas lágrimas em seu rosto? Homem de 1ata: Eu estou feliz só um pouquinho, porque na verdade EU SOU INFELIZ!Porque sou um simples homem de lata e homens de lata não têm coração. Espantalho: Tenho uma idéia! Vamos levá-lo junto ao mágico de Oz! Dorothy : Boa idéia! Ele pode tudo. Estamos indo lá porque ele me mostrará o caminho de casa! Espantalho: E a mim dará um cérebro! Dorothy: Assim, certamente não se negará a dar um coração a você! Homem de Lata:Vocês acham mesmo? Então vamos lá! (Os três saem cantando a canção - entra em cena o leão.) Leão: (Urra desesperadamente e muito alto.) Espantalho: Uai, um leão. E parece bravo! Leão: (Continua a urrar.) Dorothy: Que coisa feia, seu leão, pare de urrar e deixe-nos passar! Leão: (Continua a urrar.) Dorothy: Isto o fará parar (vai em direção ao leão dando-lhe uma bofetada - o leão começa imediatamente a chorar). Espantalho: Que gozado. Era tão bravo e agora está chorando.... Homem de Lata: Pobrezinho, o que será que está acontecendo com ele? Dorothy: Desculpe, seu leão, eu não queria magoá-lo, é que o senhor estava sendo muito chato, não deixando a gente passar. Leão: Está desculpada, mas não me bata mais, por favor.... (fala com voz amedrontada) Espantalho: (falando para o homem de lata): Que esquisito. Os leões são tão corajosos, e este tem medo de uma menininha! Leão: É que eu não sou um leão comum.....(com voz chorosa) Eu sou um leão medroso! Já viram que horrível? O leão, rei da selva, temido por todos, nascer assim? MEDROSO (e começa a chorar). Homem de Lata: Nós não poderíamos levá-lo até o mágico de Oz? Quem sabe ele poderá dar coragem ao leão. Dorothy: É, se ele pode mostrar o caminho de minha casa ... Espantalho: Se ele pode me dar um cérebro..... Homem de Lata: E se ele pode me dar um coração... Todos juntos: Poderá dar coragem ao leão! (Saem os quatro cantando.) Cenário n° 3 (estrada dos tijolos amarelos, avistando-se o castelo) Dorothy: Olha lá o castelo! Homem de Lata: Oba, chegamos. Felizmente a Dorothy poderá voltar para casa, o espantalho terá o seu cérebro e o leão a coragem! Leão: E de seu coração, você já esqueceu ou não quer mais mesmo? Homem de Lata: Claro que eu quero, mas ficarei feliz se vocês conseguirem o que desejam, mesmo que ele não tenha um coração para mim. (Entra em cena o mágico, sem a máscara) Mágico de Oz (fazendo-se passar pelo mordomo) : 0 que desejam? Leão: Viemos ver o mágico de Oz! Mágico de Oz: O que vocês estão pensando, que qualquer um pode falar com o grande mágico? Voltem amanhã!

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Leão: Olhe aqui, seu mordominho de cabelo vermelho, nós viemos de longe para falar com o Mágico, e VAMOS FALAR COM O MÁGICO, ENTENDEU? Mágico de Oz (Com voz trêmula e gaguejante): Acccchhhhooooo quuuuue nnnãããooo vvaaaaaai darrrrr... Leão (aos berros):Sai da frente já! Nós vamos entrar quer você queira, quer não! (O leão atira-se sobre o mágico, abrindo passagem para todos.) Cenário n°4 (interior do castelo) Dorothy: Seu mágico, mágico de Oz! Cadê o senhor? (Entra em cena o mágico de Oz, agora com a máscara.) Mágico de Oz: O que desejam de mim, forasteiros? Dorothy: Nós viemos recomendados pela Fada Boa, ela disse que o senhor tudo pode e, assim, o meu pedido é voltar para minha casa. Espantalho: E eu vim para pedir um cérebro, pois o que eu mais quero na vida é poder pensar e ter boas idéias! Homem de Lata: Nós viemos aqui para que o senhor ensine o caminho de casa para a Dorothy, dê a coragem ao leão e o cérebro ao espantalho. Dorothy, Espantalho e Leão: E um coração para o Homem de Lata. Mágico de Oz: Está na hora de minha soneca da tarde e eu não vou ficar me preocupando com corações, cérebros, coragens e nem tampouco com menininhas perdidas. Virem-se. Leão: Que nada, o senhor vai é nos atender! Mágico de Oz: Olhe, parem de me amolar! Voltem amanhã, que se eu tiver um tempinho poderei, quem sabe, satisfazer um dos pedidos. Leão (aproximando-se do mágico): O que, satisfazer um dos pedidos? Voltar amanhã? O SENHOR VAI NOS ATENDER AGORA. AGORINHA MESMO E OLHE BEM: É PARA SATISFAZER O PEDIDO DOS QUATRO, se não faço com o senhor o que já deveria ter feito com aquele seu mordomo branquela e babaca. (Neste momento Dorothy se aproxima do mágico e vê quem está por detrás da máscara.) Dorothy: Olhem, pessoal, quem é o mágico! O mordomo! Espantalho (dirigindo-se também para ver quem está atrás da máscara): E, sinto informá-los que fomos enganados, este homem não passa de um homem comum, sem poder nenhum. Mágico de Oz: É, vocês têm razão, eu não sou mágico coisa alguma, e consequentemente não posso fazer nada, é, eu sou mesmo um enrolador, um impostor! Espantalho: E, até pode ser, mas e o meu cérebro? Mágico de Oz: Olhe bem, espantalho, todo mundo pode ter um cérebro, e você provou ter um no caminho até aqui. Dorothy: E verdade! Todas as boas idéias que surgiram foram do espantalho! Mágico de Oz: Lá na terra de onde eu vim os homens provam que têm cérebro cursando uma faculdade e quando saem de lá, recebem um diploma. Assim, investido da autoridade que me foi conferida, entrego a você o grau honorário de DP, que quer dizer Doutor em Pensamentologia (entrega ao espantalho um diploma). Leão: E a minha coragem? Mágico de Oz: Como você acha que não tem coragem? Quase me fez em pedacinhos quando atendi à porta, repetindo a mesma coisa agora mesmo! Dorothy: É mesmo, Sr. Leão, se não fosse a sua valentia, teríamos desistido! Mágico de Oz: Lá da terra de onde eu vim os homens corajosos são chamados de heróis, e por isso eles recebem uma medalha. Portanto, usando do poder que me é conferido, entrego a você a medalha da Legião da Coragem.

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Homem de Lata: E o meu coração? Mágico de Oz: Só para você sentir que tem um coração, vou lhe dar este aqui (e entrega um colar em forma de coração). Mas não é ter um coração que importa, mas o quanto você ama e é amado por outras pessoas. Dorothy, Leão e Espantalho: Todos nós amamos você. Homem de Lata: O mesmo acontece comigo, eu gostei de vocês desde o primeiro momento que os vi. Espantalho: Isto prova, que você sempre teve um coração, só não sabia que tinha. Homem de Lata: Eu acho que é mesmo, mas e Dorothy? Como voltará para casa? Mágico de Oz: Você não precisa de ajuda de ninguém: você sempre pode voltar para casa, o que você precisava era só aprender por si mesma. Dorothy : E eu acho que aprendi. Mágico de Oz: Conte-nos o que aprendeu. Dorothy: Não adianta a gente percorrer o mundo todo procurando algo que está dentro de você. Veja o exemplo do Espantalho, do Leão e do Homem de Lata, que passaram a vida toda procurando algo que sempre tiveram. - O Espantalho era o mais inteligente de todos nós, mas julgava que não tinha cérebro. Quem sempre esteve pensando primeiro nos outros foi o Homem de Lata, que dizia não ter um coração, e pensava por isso não poder amar. Espantalho: E quem "mostrou os dentes" nos momentos necessários foi o nosso amigo Leão, que dizia ser medroso. Acho que todos nós aprendemos com esta história! Dorothy: Aprendi também que a felicidade não está em nenhum lugar longe ou complicado, mas sim onde nós queremos que ela esteja, e este lugar pode ser bem dentro de nossa casa! (Neste momento aparece a Fada) Fada: Isto mesmo, Dorothy, você sempre foi feliz em sua casa com seus tios, sua fazenda. O que você não podia ver, também, é que a felicidade estava lá. Dorothy: É isso mesmo, mas agora não vejo a hora de revê-los. Como posso fazer para voltar? Fada. E simples: é só você bater os pés três vezes, repetindo: O melhor lugar do mundo é a nossa casa. Dorothy: Tchau, amigos, foi muito bom conhecê-los. Sei que jamais esquecerei vocês. Espantalho: Tchau, boa viagem, amiguinha! Homem de Lata: Jamais se esqueça de que nós amamos você! Fada, Leão e Mágico: Tchau! Tchau! Dorothy faz o que a Fada manda e some do cenário, enquanto todos os outros personagens acenam para ela, despedindose. O Rei Midas Recurso Auxiliar sugerido: Dramatização - pg. 159 Quando o rei Midas conheceu Dionísio, o deus do vinho, muita coisa começou a mudar. Suas festas não eram mais as mesmas: ao lado dos assados, cozidos, bolos e frutas apareceu mais um componente: o doce vinho, que fazia as pessoas imaginar serem mais bonitas, poderosas ou espertas. Dionísio apresentou-lhe seu amigo Sileno, que, como era costumeiro, apresentou-se bêbado. Midas encantou-se com ele e festejou este encontro por dez dias e dez noites. Beberam, comeram, dançaram e conversaram sobre coisas estranhas, bravuras e conquistas próprias dos deuses e daquele tempo.

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Uma de suas histórias foi sobre a morada de Dionísio, ladeada por um rio milagroso, que tinha nas suas margens árvores curiosas: o fruto de uma delas fazia minguar, em lugar de engordar. Outro trazia o rejuvenescimento: velhos tornavam-se jovens e jovens: bebês! Tinham frutos que mudavam a cor dos olhos, outros deixavam a voz melodiosa e havia até aqueles que operavam transformações em amigos e parentes. Midas também lhe contou suas aventuras, algumas mentirosas, algumas verdadeiras, mas suficientes para transcorrer estes dias de forma agradável. Terminada a farra, Midas conduziu seu convidado até o palácio de Dionísio, e este, que estava com muitas saudades de seu amigo, resolveu retribuir a atenção que Midas havia dado a Sileno, presenteando-o com um fruto de seu jardim. Midas pensou como ficaria bonito mais magro ou mais jovem, mas nada disto o atraía suficientemente: - Creio que não há nada que me atraia em seu jardim. - Vamos, Midas, não se restrinja aos frutos, eu tenho muitos poderes e poderei presenteá-lo praticamente com qualquer coisa! disse Dionísio. - O que vou pedir? Tenho quase tudo o que desejo, pensou Midas. E ficou imaginando o que o faria realmente poderoso. - Ah! Já sei! gritou Midas, para logo em seguida desanimar: - Mas isso eu creio que você não poderia... Isto desafiou Dionísio: - Imagine, não existe o que eu não posso atingir! - Se for dessa forma, meu desejo é que tudo que eu toque se transforme em ouro! - Isto até que é fácil, eu pensei que seria mais difícil. Tão logo o sol comece a se pôr isso será possível. Quando o último raio não for mais visto, tudo o que você tocar virará ouro. Aceite isso como forma de minha gratidão. O Rei Midas mal podia esperar pelo entardecer. Ficou em seu jardim, andando de um lado para outro, impaciente. Quando o sol principiou a deitar-se no horizonte, Midas fez o seu primeiro teste: tocou em uma flor e, entusiasmado, pôde ver que no interior de cada pétala viam-se finos, mas nítidos, fios de ouro. - Oba, parece que vai funcionar! Após alguns minutos, segurando fortemente uma pedra nas mãos, viu, extasiado, ela se transformar no mais puro ouro. - Obrigado, Dionísio! Com isso serei o mais poderoso dos homens! O encantamento de Midas chegou ao auge quando ele tocou no riacho e de suas mãos salpicaram gotas do mais puro ouro. E quando já era noite, Midas, enlouquecido, havia transformado quase todo o palácio: as colunas, a escadaria e até o chão reluziam no mais puro ouro. Amanhã, pensou, pegarei uma escada e transformarei também o teto em ouro. Palácio igual ao meu, rei nenhum terá. Cansado, pensou que seria muito bom, depois de um dia tão fascinante como este, relaxar, fazer uma boa refeição e dormir. Porém, ele não esperava por essa... A primeira coisa que pegou, um pedaço de pão, imediatamente tornou-se no mais maciço ouro, o mesmo acontecendo com a antes apetitosa coxa de faisão. Compreendendo o que estava se passando, pensou que doravante só poderia alimentar-se utilizando os talheres. Com a colher, que imediatamente após ser tocada transformou-se em ouro, ele levou um pouco de feijão à boca, que no primeiro contato com seus lábios e dentes foi cuspido: grão após grão dourado. Até o amado vinho transformou-se em ouro líquido, sem gosto e impossível de beber. Finalmente pôde compreender a desgraça que abatera sobre ele: o poder que um palácio inteiramente feito de ouro trazia não era nada perto da fome e da sede a que estava condenado. O ouro, que era seu maior desejo, hoje era o motivo de seu ódio.

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Desesperado, procurou Dionísio, para que este o libertasse do seu presente. - Para eliminar este dom, é necessário banhar-se na foz do rio milagroso. A caminhada ate lá será penosa, mas o resultado é certo. Midas seguiu seu caminho, gemendo e transformando tudo em ouro. Lá chegando, entregou-se ao ritual do banho. As águas do rio apresentaram, inicialmente, algumas pelotas de ouro, mas aos poucos foram-se tornando límpidas e Midas pôde respirar aliviado. Encostado em uma árvore, apreciou, como nunca tinha apreciado antes, o sabor adocicado de uma maçã. E o leito do rio conserva até hoje pedrinhas de ouro, testemunhando a veracidade desta história... O rei nu Recurso Auxiliar sugerido: Velcômetro - pg 166 Era uma vez um rei muito mandão. Dava ordens "a torto e a direito" e ai de quem não lhe obedecesse: masmorra! Sabia-se da história de um pobre cozinheiro que estava na prisão há pelo menos dez anos porque não conseguiu satisfazer o desejo de seu amo em cinco minutos: bater, assar e confeitar um bolo de chocolate de três andares pedido de madrugada! O jardineiro também estava preso porque as rosas não abriram na data que o rei desejava. Ele também era muito vaidoso e mandava torturar aqueles que não reconheciam a sua beleza e elegância. Assim, a criadagem e os súditos aprenderam a cumprimentá-lo sempre: - Bom dia, como Vossa Majestade está belo hoje! Como esta roupa lhe cai bem! Vossa Majestade fica belíssimo nesta cor! E assim por diante. Como era muito bravo e vingativo, dificilmente conseguia saber o que as pessoas realmente pensavam dele. Até que um de seus conselheiros, cansado de suas esquisitices, resolveu ir embora. Mas antes de ir declarou: -Vossa Majestade pensa que beleza é tudo, mas existem outras virtudes que o senhor precisa perseguir, como a bondade, a humildade e a inteligência. De todos os argumentos, o que mais impressionou o rei foi a inteligência. Eu também devo ser inteligente, mas como vou mostrar isso para que meu povo o reconheça? No castelo havia uma dupla de malandros fazendo pequenos consertos e acompanhara a conversa entre o rei e o conselheiro. A ingenuidade do rei incentivou-os a armar um plano, e em poucos dias tinham tudo planejado, à custa do rei teriam alguns meses de boa vida! Foram à cidade, compraram boas roupas e tudo de que um alfaiate necessita. Tudo, menos o tecido. E em passos rápidos e decididos, dirigiram-se ao castelo. Anunciaram-se ao guardião do portal principal da seguinte forma: Diga ao rei que estamos aqui a mando do Imperador da Cuecalândia, indicado pelo Barão das Meias-Ligas e o compadre do Magistrado do Manto Listrado. Eles nos mandaram aqui porque ouviram dizer que o morador deste castelo é monarca de extrema inteligência e, como só trabalhamos com quem sabe usar a cabeça... Precisamos falar com ele! O guardião contou para o mensageiro, o mensageiro para o porteiro da sala real, o porteiro da sala real para o primeiro criado e o primeiro criado para o guarda-ordens do rei. Que foi logo dizendo: - Está aí o Barão da Cueca Listada que quer falar com a pessoa mais inteligente do palácio! - Sou euuuuuuu. Vieram falar comigo! Eu já estava até esperando! disse o rei, sem ouvir mais nada do que se tratava. Os espertalhões entraram no salão real com as costas eretas, o nariz empinado e uma cara de quem não via nada além do monarca.

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- Senhor Rei! Viemos aqui a mando das pessoas mais inteligentes destas paragens, como Vossa Majestade certamente sabe: o Imperador da Cuecalândia, o Barão das Meias-Ligas e o compadre do Magistrado do Manto Listrado. Todos eles têm a honra de trabalhar conosco, disse o primeiro. E como a fama de sua inteligência acima do normal tem atravessado as aldeias e reinados, eles nos aconselharam a procurá-lo, arrematou o segundo. - Mas, falem. Digam logo o que vieram fazer aqui! -Trabalhamos exclusivamente com pessoas especiais, sabe? Aquelas que conseguem reunir beleza, inteligência e as demais virtudes. Por isso, talvez Vossa Majestade poderá ter a honra de servir-se conosco! - Mas é claro! disse o rei. Eu estava até esperando por vocês. Pois o Visconde da Ceroula Mole já havia me falado de vocês! Mas... o quê? O que ... Bem, o que vocês querem me oferecer? - Somos alfaiates. E dos melhores. Nosso corte é o mais perfeito. O caimento é impecável, principalmente em um corpo perfeito como o seu, mas o principal é o tecido. -Trabalhamos com um tecido que somente os espertos e inteligentes podem ver. - O tecido que usamos é de extrema beleza, delicado na textura e de bom gosto no arranjo dos desenhos. Nosso tecido é de tão alto nível que o tolo não pode vê-lo. Quer uma prova? Chame o mais tolo dos homens que tem aqui ao seu serviço. Mal podendo conter-se de tanta excitação, o rei mandou chamar o bobo da corte, que entrou em uma cambalhota se desmanchando em elogios ao rei e aos visitantes também (afinal, nunca se pode saber quem são). Às ordens de Vossa Bela e Majestosa Majestade! Os malandros nada falaram. Apenas abriram a valise e de lá fingiram que tiravam com cuidado uma peça de tecido. O bobo da corte permanecia calado esperando as ordens do rei, pois não gostaria de contrariá-lo e passar o resto da noite no calabouço. E os pilantras faziam gesto de desdobrar com cuidado o "tecido". Quando o rei percebeu que o bobo da corte não estava vendo nada de especial, começou a falar: Nossa, que beleza, Cuecudo havia me falado da delicadeza do tecido, mas vejo que foi econômico nos elogios, o pano é de rara beleza. - Que tecido? perguntou o inocente bobo. O "alfaiate" olhou para o rei com ar de cumplicidade e vitória. E o rei, aos berros: - Sai daqui, seu bobo da corte, antes que eu mande você ir nadar com os crocodilos do fosso. Não suporto gente burra! O pobrezinho, não entendendo nada, saiu correndo da sala, porque não sabia nadar e julgava que crocodilos não eram boa companhia. Antes de cruzar a porta deu duas piruetas no ar, para tentar diminuir a ira do rei. - Mandem chamar os conselheiros da corte. Quero ver se quem me cerca tem inteligência suficiente. Os conselheiros entraram rapidamente e se colocaram em volta do rei, em semicírculo: - Veja, meu primeiro escalão! Aí estão estes nobres alfaiates que vieram oferecer-me este tecido que somente os inteligentes podem ver. Julgam que é o ideal para mim. Eu já estou adorando! O que acham da trama delicada daquela rosa? - Perdão, Majestade, aquele desenho central não seria o de uma margarida? disse o Conselheiro para os Assuntos Capilares. - Olhando bem, creio ser mesmo uma rosa. Nosso rei, como sempre, tem razão. E olhe que eu entendo disso! disse o Conselheiro para Assuntos de jardinagem.

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O rei respirou aliviado! Ainda bem que tinha dito que vira o tecido. Não poderia jamais mostrar sua pouca inteligência ao seu conselho. Ser igualado ao bobo! - Quero que façam imediatamente uma roupa para mim com este maravilhoso tecido! Quero usá-la amanhã! - Sinto muito, mas com este tecido é preciso calma no trabalho. Há que se costurar com dois leitos de plumas de avestruz, com agulhas de puro ouro. E o forro: precisamos tecê-lo em um tear especial! -Três dias então? já quis negociar o rei, temendo ficar sem a roupa dos inteligentes. - Que nada! Com sorte e muito trabalho demoraremos cerca de meio ano. Mas para dar esta honra a Vossa Majestade, veremos se conseguimos acabar em três ou quatro meses! Era muito para a sua ansiedade, mas o rei pensou que o sacrifício da espera seria recompensado quando ele pudesse provar a todos como era inteligente. - Precisamos de uma oficina sossegada para desenvolver o nosso trabalho. Acomodações confortáveis para dormir e uma saleta de refeições ao lado, onde devem ser servidas refeições nutritivas e saborosas. Precisamos de força e disposição para fazer o trabalho bem feito. - Escutaram, Conselheiros? Providenciem tudo para que estes homens possam fazer o que sabem e de que o rei necessita! E lá se foram os dois, fingindo que dobravam e colocavam o tecido novamente na valise, seguidos pelos conselheiros, que afoitos se revezavam em elogiar a beleza da trama ou, pedindo para tocar o tecido, a sua maciez. No dia seguinte os espertinhos já estavam trabalhando. Em cima de uma grande mesa, armada especialmente para eles, cortavam, mediam e alfinetavam o nada. Para acompanhar mais de perto, o rei mandou colocar o seu trono na sala de costura. E lá ficava horas e horas apreciando o trabalho com um semi-sorriso no rosto. As pessoas mais importantes da corte podiam visitar a oficina e as pessoas que não frequentavam a corte habitualmente recebiam convites especiais do rei. Invariavelmente todas saiam embevecidas. Certo dia, apareceu o bobo da corte, que havia comprado óculos para poder, finalmente, ver o tecido mais falado da corte. Cinco meses após, um mês de atraso em relação ao prometido, a roupa ficou pronta e o rei não via a hora de poder colocá-la. Mandou organizar um desfile em que percorreria a pé as ruas e vielas de seu reino. Alegava que queria ter contato direto com o povo, mas o que queria mesmo era mostrar sua inteligência aos pobres coitados que não conseguiriam ver o tal tecido. Na manhã do desfile, após um banho demorado, os "alfaiates" entraram na sala fingindo que traziam nos braços o produto do seu trabalho. Ficou lindo, Majestade. Mal posso esperar vê-lo vestido com este primor! disse um dos malandros. Talvez precise de uns ajustes no corpo, mas será coisa mínima! retrucou o outro. Os dois homens fingiam que colocavam a roupa no rei e este fingia que a vestia. Os conselheiros ao redor, fingiam que viam e elogiavam sem parar: Que beleza! A roupa ideal para Vossa Majestade. Desta vez Vossa Majestade está inigualável. Empinando a barriga e vestindo apenas suas cuecas, o rei saiu para o desfile, imaginando-se o mais belo e sábio dos homens. Por onde passava ouviam-se só elogios: O rei remoçou com esta vestimenta! Que talento têm esses dois moços! A combinação dos tons foi o que mais me impressionou! Na verdade, ninguém na Corte, entre nobres e plebeus, queria admitir que não estava vendo tecido nenhum.

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O rei já estava desfilando por mais de meia hora, orgulhoso e crente de que não precisaria de mais nada para provar supremacia ao seu povo, quando passou perto de um menininho que olhava muito intrigado para ele. Quando chegou mais perto, levou um susto com o grito do garotinho: Mamãe, porque o rei está nu? As pessoas se entreolharam, balançaram a cabeça e algumas poucas começaram a admitir que o rei estava apenas com suas cuecas. O murmúrio começou a tomar força, e mais e mais pessoas começaram a comentar, até que finalmente ouvia-se um coro de uma só voz: -O REI ESTÁ NU! Os saltimbancos Recurso Auxiliar sugerido: Teatro de sombras - pg. 175 Era uma vez um burrinho que trabalhou a vida inteira para o seu senhor, carregando peso no lombo até ficar velho. Um belo dia ele desconfiou que o seu patrão tencionava matá-lo, pois ele só estava servindo para dar despesas. Porém como de burro só tinha o nome.... desconfiou de suas intenções e fugiu! Correu, correu quanto suas velhas perninhas permitiam e, pensando no que faria para sustentar-se, teve uma idéia! Iria para a cidade de Bremen; lá poderia tornar-se músico. - Um dia meus zurros serão aplaudidos! Após andar alguns poucos quilômetros, viu um animal encolhido, dormindo e sonhando com alguma coisa que o estava assustando muito. Chegando mais perto, percebeu que aquele "amontoado" era um cachorro e que ele teria muitos motivos para estar assustado: estava todo esfarrapado, velho e maltratado. Com muita pena, o burrico resolveu acordar o cachorro. Pois, certamente, a realidade não lhe daria tanto medo quanto seus sonhos! O cachorro pôs-se de pé e imediatamente colocou-se em posição de "sentido", perguntando quais seriam as ordens. O burrinho ficou muito impressionado com a simplicidade do cachorro, querendo obedecer à primeira pessoa que via. O despedaçado cão contou que sempre trabalhara na guarda da casa e havia assustado muita gente! Mas agora estava velho, fraco e ninguém o respeitava mais, estava completamente desmoralizado. Para se livrar de tanta humilhação, resolvera fugir de casa. O problema era que não sabia para onde ir! O burro percebeu que a história dos dois era muito parecida. Ambos eram vítimas da ingratidão dos homens. Sugeriu então que fossem para a cidade, cantar suas tristezas e ganhar dinheiro com elas... O cachorro, que sempre desejara ser artista, resolveu seguir o burrinho acreditando que finalmente havia chegado a "sua hora"! Os dois animais seguiram na direção da cidade cantarolando, quando apareceu um gatinho chorando de mansinho. Outro velhote, pensou o burrinho! Outro esfarrapado, pensou o cachorro. Mas quando chegaram mais perto perceberam que se tratava de uma gatinha, velha sim! Esfarrapada, sim! Mas uma gatinha! A gatinha contou que sua função sempre fora ser caçadora de ratos e que durante muitos anos manteve a casa de seu dono livre de roedores. Eles nem se aproximavam da casa, tal era a sua fama. Hoje, velha e sem forças, não tinha coragem de sair de sua almofada. Resultado: os ratos invadiram a casa! Com medo de que os ratos, como vingança, se unissem para dar-lhe uma surra, tratou de fugir antes! O cachorro e o burrico pensaram que uma voz feminina iria enriquecer o seu conjunto e trataram logo de convidá-la a seguir viagem com eles. A gatinha, chorando de emoção, aceitou o convite.

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Os três seguiram cantarolando uma canção quando encontram uma galinha velha que cantava sem parar com voz rouca e cansada. O burrinho quis logo puxar conversa com ela. A galinha explicou que estava cantando suas tristezas. Sentia que já não servia mais para nada. Os galos e galinhas novos a haviam expulsado do galinheiro, esquecidos das minhocas que ela lhes havia dado quando eram pintinhos... Que mundo ingrato! O burro informou que o trio estava justamente indo para a cidade pretendendo cantar suas tristezas, para ganhar dinheiro. E ter alguém com experiência em canto profissional seria muito importante. A galinha explicou que quem tinha experiência em canto eram os galos e ela era simplesmente uma galinha. Mas, pensando melhor, havia convivido tanto com galos que certamente poderia contribuir. Sentindo-se, por um momento, importante de novo, aceitou o convite. Bremen ficava longe. Velhos e cansados, os bichos andavam devagar. Ao cair da noite, estavam no meio de uma floresta e resolveram dormir. Prosseguiriam a caminhada no dia seguinte. O burro, o cachorro e a galinha aboletaram-se, um em cima do outro, mas a gata, antes de fazer o mesmo, resolveu dar uma olhadinha ao redor. Nessa inspeção ela avistou uma luz que provavelmente deveria ser de uma casa. Afoita, acordou os demais, e como todos estavam de barriga vazia, resolveram ir até lá, pensando no que poderiam encontrar lá dentro. Os quatro caminharam em direção à luz e, pouco depois estavam diante de uma cabana iluminada. Subindo na cabeça do burro, a galinha conseguiu ver por uma janela o que estava acontecendo dentro da cabana. E gaguejante contou para os demais que deve eee ria sssseeeerrrrr um bannnnnnnndooooooo de LADRÕES! Um, dois, três... sete ladrões estavam sentados em volta de uma mesa, comendo e bebendo. O bando de ladrões estava se deliciando em mesa farta! Muitos leitões assados! - E leite? perguntou a gatinha lambendo os beiços. A galinha não poderia enxergar se havia leite, vinho ou suco talvez, mas cenouras para o burrico era certeza, em uma bandeja podiam ser vistas muitas delas. A galinha desceu da cabeça do burro e os quatro começaram a discutir sobre o que deveriam fazer. Somos quatro velhos. Não conseguimos dar conta nem mais do nosso antigo serviço, como poderemos dar conta de sete bandidos? Era o que pensavam os quatro, cada um da sua maneira. -Vamos desistir, disse o cachorro, nós não temos a menor condição de vencer sete homens. Se pensarmos bem, estamos fugindo cada qual de um! O desânimo caiu sobre eles: que pena... De repente a galinha iluminou-se: - Espera aí! Não é bem assim! Eu tenho um bico! Isso fez cada um pensar no que tinha de bom: se a galinha tinha um bico, a gata tinha dez unhas, o burro quatro coices, quer dizer, quatro patas, e o cachorro trinta dentes para dar belas mordidas. - Um bico, dez unhas, quatro patas, trinta dentes não são pouca coisa, exclamou a gatinha. E além do mais eu sou esperta! - E eu teimosa, disse a galinha, nunca penso em desistir! Com a paciência que só os burricos têm, nosso burro chegou à conclusão: - Olha turma: um bicho só é só um bicho, mas todos juntos somos fortes! E a lealdade, conhecida pelos cachorros, fez com que o esfarrapado vencesse sua insegurança e topasse o ataque.

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A estratégia de ataque foi feita da seguinte forma: o cachorro subiu nas costas do burro, a gata nas costas do cachorro e a galinha se encarapitou em cima da gata. Aí o burro começou a zurrar, o cachorro a latir, a gata a miar e a galinha a cantar. Investiram contra a porta e se lançaram com um estrondo para dentro da cabana dos ladrões. Sem saber o que estava acontecendo, os gatunos só pensaram em fugir, aquela barulheira só podia ser uma invasão da polícia! Com os ladrões fora, os bichos não perderam tempo. A gata bebeu todo o leite que havia, o cachorro comeu os leitões assados, o burro comeu todas as cenouras e ainda acabou com um monte de feno que encontrou na estrebaria e a galinha ficou feliz da vida quando deu com um saco de milho no armário. Depois de tantas emoções em um só dia, cansados e alimentados, os amigos deitaram-se um por cima do outro e dormiram felizes, inclusive o cachorro, que parecia sorrir com os seus sonhos. Até hoje os quatro bichos não chegaram a Bremen. Preferiram passar os anos de vida que lhes restavam na cabana, juntos, imaginando o sucesso que poderiam ter em Bremen como músicos se não tivessem, "naquela noite", encontrado a acolhedora cabana e expulsado os sete ladrões... Não se sentem mais velhos, cansados ou inúteis. Cada um sabe que tem o seu valor. A gatinha é esperta; o burro, paciente; o cachorro, leal e a galinha... TEIMOSA! Isto pode não ser muita coisa, mas como disse o burrico: - Um bicho só é só um bicho, mas todos juntos somos fortes! A Lenda do Tsuru Recurso Auxiliar sugerido: Dobradura - pg. 181 Era uma vez um camponês muito pobre. Vivia em uma cabana tosca e seu único alimento eram algumas verduras que colhia de sua terra cansada. Um dia, ele encontrou uma garça machucada, com a asa destroçada. Por isso ela não podia voar e buscar alimento: isto a deixou muito fraca, à beira da morte. O camponês teve pena da garça, cuidou de sua asinha e pacientemente colocou em seu bico algumas sementes. Sua bondade a livrou da morte e quando ela pôde voar, o camponês a soltou. Alguns dias depois, uma mulher adorável apareceu em sua casa e pediu que lhe desse abrigo por uma noite. O camponês, por ser bom, não negaria esta caridade a qualquer pessoa, mas a beleza da mulher fez com que ele acreditasse que deixála dormir em sua pobre cabana era realmente uma honra. Os dois se apaixonaram e se casaram. A noiva era delicada, atenciosa e tinha tanta disposição para o trabalho quanto era bonita, e assim eles viviam muito felizes. Mas para o camponês, que já tinha muita dificuldade em viver sozinho, ficou muito difícil cobrir as despesas que sua nova vida de casado lhe trazia. Preocupada com esta situação, a esposa disse ao marido que produziria um tecido especial (tecer era um trabalho comum para as mulheres nessa época). Ele poderia vendê-lo para ganhar dinheiro, mas ela alertou que precisaria fazer seu trabalho em segredo, e que ninguém, nem mesmo ele, seu marido, poderia vê-la tecer. O homem construiu uma outra pequena cabana nos fundos de sua casa e lá ela trabalhou, trancada, durante três dias. O marido só ouvia o som do tear batendo, e a curiosidade e a saudade que tinha de sua bela mulher faziam com que estes dias demorassem muito para passar.

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Quando o som de tecelagem parou, ela saiu com um tecido muito bonito, de textura delicada, brilhante e com desenhos exóticos. A tecelã lhe deu o nome de "mil penas de tsuru". Ele levou o tecido para a cidade. Os comerciantes ficaram surpreendidos e lutaram entre si para consegui-lo. O vencedor pagou com muitas moedas de ouro por ele. O pobre homem não podia acreditar que tão de repente a sorte o acolhesse. Desde então, a esposa passou a trabalhar no valioso tecido outras vezes. O casal podia, com o fruto da venda, viver em conforto. A mulher, porém, tornava-se dia após dia mais magra. Um dia, ela disse que não poderia tecer por um bom tempo. Ela estava muito cansada. Seus ossos lhe doíam e a fraqueza quase a impedia de ficar de pé. O camponês a amava muito e acreditava naquilo que ela dizia, porém tinha experimentado a cobiça e, como havia contraído algumas dívidas na cidade, pediu para que ela tecesse somente por mais uma vez. No princípio ela não aceitou, mas perante a insistência do marido, cedeu e começou a tecer novamente. Desta vez ela não saiu no terceiro dia, como era de costume. E o homem ficou preocupado. Mais três dias se passaram sem que ela aparecesse. E isso começou a deixar o marido desesperado. No sétimo dia, sem saber mais o que fazer, ele quebrou sua promessa, espiando o serviço de tecelagem que ela fazia. Para a sua surpresa, não era sua mulher que estava tecendo. Arqueada sobre o tear encontrava-se uma garça, muito parecida com aquela que o camponês havia curado. O homem mal pôde dormir à noite, pensando o que teria acontecido com a mulher que amava. Amaldiçoava-se por ter sido insaciável e praticamente ter obrigado a sua querida esposa a tecer mais uma vez. Na manhã seguinte, a porta da cabaninha se abriu e o camponês com o coração aos saltos fixou seus olhos na porta, esperançoso em ver sua esposa sair dela com vida. A mulher saiu da cabana com profundas olheiras, trazendo o último tecido nas mãos trêmulas. Entregou-o para o marido e disse: - Agora preciso voltar, você viu minha verdadeira forma, assim eu não posso ficar mais com você! Então, ela se transformou em uma garça e voou, deixando o camponês em lágrimas. Vovó Sapateadora Recurso Auxiliar sugerido: Marionete - pg. 183 Primeira cena — Sala da casa de Camila e vovó Santinha Camila e a vovó em roupas comuns Narrador- Camila não tinha muita paciência de conversar com a vovó Santinha, principalmente quando ela começava a relembrar o passado e queria contar as peripécias de quando era jovem. Naquele dia, especialmente, Camila estava impaciente: era o dia do espetáculo de ballet e ela teria uma das principais participações. Camila -Vovó, estou indo, hoje à noite será meu espetáculo de fim de ano e tenho de estar à tarde no teatro para ensaiar. Vovó Santinha — Sabe, Camila, que eu também dançava quando era mocinha? Fiz muito sucesso dançando Supercalifragilis... como era o nome mesmo? Camila— Supercalifragilisticexpialidocious. Vovó Santinha - Isto! Supercalisticexpialidoso ! (fala a vovó errando de novo) Eu interpretei a Mary Poppins. (.Camila - Supercalifragilisticexpialidocious (com certa irritação). Vovó Santinha — É isso mesmo, mas como é que você sabe? Camila - Claro que sei, vovó, você já falou tantas vezes!

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Vovó Santinha - É, mas acho que eu não contei quando sapateei sozinha no palco. Depois fiz uma dupla com uma iniciante chamada Go... Camila - Vou querer ouvir quando eu voltar, pois agora estou com pressa. Narrador - Camila ficou contente em ter a desculpa da pressa para não ouvir pela centésima vez a história do sapateado da vovó Santinha. Vovó Santinha - Você nunca tem tempo! (reclamando) Camila— Hoje é que não tenho mesmo. Imagine que junto conosco irá se apresentar a famosa Gogó Santinhér! Vovó Santinha — Gogó? (com voz de espanto). Você sabe que eu e a Gogó... Narrador - Mas não dá nem tempo de a vovó Santinha terminar a frase porque Camila sai super apressada em direção ao seu ensaio. Camila— (pensando em voz alta) Pobre vovó, eu até que gostaria de dar atenção, mas estou tão ansiosa com o espetáculo de hoje, imagine só assistir o "Pas de deux" que Gogó irá dançar com o meu professor Charles! (Sai de cena) Segunda cena: Palco do espetáculo Camila ainda com roupa comum Quando Camila entra em cena, o professor Charles vem correndo. Charles- Camila, você está atrasada! Camila - Eu sei, foi minha avó que queria me contar - como se ainda não tivesse contado - do tempo em que sapateava. Charles - (com um pouco de interesse) Sua avó era sapateadora? Camila - É, mas é coisa do passado, confesso que não tenho muita paciência de ficar ouvindo minha avó Santinha. Ela repete sempre a mesma coisa... Charles — Bom, vamos nos preparar porque, como você sabe, iremos receber a visita de Gogó Santinhér, a grande bailarina, e não podemos estar despreparados. Camila sai rapidamente para colocar a sua roupa de bailarina e o professor Charles fica sozinho pensativo no palco onde à noite acontecerá o espetáculo. Pára e olha para a placa colocada no cenário com as palavras: Esta noite orgulhosamente apresentamos a grande: Gogó Santinhér! Terceira cena: ainda no palco Camila usa roupa de bailarina Charles - Bem, não temos onde errar. Tudo está preparado para a grande noite: a cortina foi trocada, o chão está limpíssimo e o cenário caprichado. A este momento um grito ecoa pelo palco, dando o maior susto no professor. Entra Gogó: Gogó - Chaaarrrlees! Onde está você? A grande Gogó chegou! Charles- (com a voz trêmula por estar na frente da grande esperada da noite) Pois não, Gogó... Gogó - (com forte sotaque francês) Mas quê hórrrrór! Este chão é péssimo. Não é um piso adequado para uma grande bailarina como eu! Camila e suas duas amigas entram em cena para ensaiar a dança que irão apresentar. Começa-se a ouvir a música da dança, que é: "A galinha e os pintinhos”, de Mozart, e as três bailarinas começam a dar os primeiros passos. Gogó (em um grito esganiçado) - Que hórrrórrrrr! Como estas moças estão mal ensaiadas, são "duras". A grande Gogó não pode dançar com principiantes assim! Charles — (sussurrando para as amigas) Dá muita vontade de mostrar a língua para esta mal educada, mas, como é a grande Gogó (em tom de ironia), não dá para estragar a noite.

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Gogó - Bem, vou inspecionar o camarim. Charles, você providenciou as frutas frescas, a água mineral francesa e meu banho de leite de cabra? Charles- (olhando para a platéia, coloca a mão na cabeça assustado): Opa, esqueci de absolutamente tudo o que ela me pediu! E agora? Lá vem bomba! Gogó sai de cena e o professor Charles fica ensaiando as três bailarinas novamente. Charles - Maísa, você precisa levantar um pouco mais a perna nesta "arabesque". As meninas continuam dançando . Charles— Karen, olha o "seu braço" neste "pour de bras" .... Meninas, sorriam! As bailarinas dançam mais um pouco. Charles - Perfeito, perfeito: esta noite será um sucesso!!! De repente, dando um grito, a pedante Gogó aparece correndo pelo palco, sendo seguida por um enorme rato. Gogó Charles, esqueça de mim! Nunca mais aparecerei neste palco. Charles- Gogó, não! Volte, Gogó. Gogó— Imagine se a grande Gogó Santinhér irá dançar neste "pulgueiro". Logo eu, que até já dancei "Supercalifragilisticexpialidocious" com a maravilhosa Santinha Gonzaga, a melhor sapateadora de todos os tempos. Vou-me embora. E a antipática Gogó sai, sem sequer olhar para trás. Charles - Oh, estou arruinado! O que será do espetáculo? Todos estão esperando pela grande Gogó. (dá socos no chão, chorando desesperadamente.) As meninas tentam acalmá-lo: Maísa — Fique calmo, o espetáculo não é só a Gogó! Karen - É, nós estamos dançando tão bem. Acho que ninguém irá sentir a falta da Gogó! Charles - Oh, não! Todos estão esperando por algo novo! Eu preciso apresentar algo diferente, senão, tenho certeza: estou arruinado! Camila — Charles, como é mesmo o nome da sapateadora que a Gogó falou? Charles — Aquela que foi professora de Gogó? Camila — É, ela não citou o nome de outra dançarina? Charles — É, citou o nome de Santinha Gonzaga. Camila — (quase desmaiando e falando para ela mesmo) Santinha Gonzaga? Este é o nome de minha avó! Ela disse que dançou a música de Mary Poppins. Será que é ela? (virando -se para o professor e falando mais alto) Que idade teria esta Santinha? Charles — Oh! Já deve ter bastante idade. Camila - (com uma voz melodiosa) E se a própria Santinha viesse dançar hoje à noite? Seria melhor que a Gogó? Charles - Melhor? Seria magnífico! Muito, mas muito melhor mesmo! Mas isto é um sonho, provavelmente não dança mais. Camila — Você dá um tempinho, que eu acho que posso resolver a situação, (sai de cena) Charles — Camila , volte aqui! Precisamos ensaiar. Como você poderá resolver esta situação? todos saem de cena. Quarta cena : o palco agora iluminado Vovó veste roupa de bailarina Ao fundo, ouve-se uma voz que anuncia o espetáculo:

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Locutor - (apenas a voz) Senhoras e senhores, temos a honra de recebê-los nesta noite para apresentar o espetáculo feito pelas alunas de nossa escola de dança. Temos, também, para abrilhantar nossa noite , a presença de uma famosa convidada. Bem, para iniciar, peço aplausos para nossas alunas: Camila, Karen e Maísa. As três meninas entraram em cena, dançando graciosamente uma pequena parte da música, sendo aplaudidas no final. Locutor- E agora, a surpresa mais esperada da noite. Senhoras e senhores, temos o prazer de apresentar a grande, a famosa, a iniciadora do sapateado em nossa cidade! A inesquecível e insuperável: Vovó Santinha. Ao fundo, ouve-se a música "Supercalifragilisticexpialidocious". Orgulhosamente, aparece no palco a simpática Vovó Santinha, sapateando. A placa "Esta noite orgulhosamente apresentamos a grande: Gogó Santinhér! "aparece mudada. Onde se lia Gogó Santinhér está riscado, e em baixo está escrito Vovó Santinha. Os aplausos são enormes, seguidos de assobios, e as palavras "Bravo" e "Bis". A vovó delicadamente agradece. Quinta cena: Na "coxia" (um dos cantos do palco) Professor Charles conversa com Camila Charles - Obrigado, Camila, eu não sei o que seria dessa noite, se não tivéssemos sua avó. Camila — Pois é, Charles, mas eu não sabia que minha avó tinha sido tão importante na dança. Na verdade, eu nunca dei oportunidade para ela falar... Charles - É mesmo! E sempre bom prestar atenção às histórias dos vovôs, pois elas estão repletas de experiências importantes e úteis. Ao fundo está a vovó Santinha, nem percebendo que falavam dela. Continuava o seu sapateado aplaudida pela platéia encantada com seu estilo, sua alegria e disposição.

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Ficha técnica

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- Narração com efeitos especiais História demonstrativa Descrição O urso do final do arco-íris & A caixa de Pandora São elementos inseridos na narração simples para aumentar as sensações e provocar maior incitação à fantasia. Poderá ser através do uso de sons, aromas, caracterização ou objeto. Como fazer adaptações Personagens operadores Narrador auxiliar Necessita de pouca adaptação, geralmente usa-se o texto original. Deve haver cuidado no momento da interação, para que as crianças possam perceber claramente esta situação. / O número de personagens da história é indiferente. O narrador poderá trabalhar sozinho se a interação que se deseja introduzir é pequena; se for mais complexa, poderá usar um auxiliar. Não é adequado e nem necessário.

Complexidade enredo Complexidade caracterizações Uso da fantasia

do

Ajusta-se a qualquer tipo de história.

das Se houver caracterizações, elas devem ser simples, rápidas de colocar e tirar, para que as crianças entendam bem e não se corra o risco da atividade desviar a atenção. E uma das técnicas mais adequadas para o uso de muita fantasia. As interações ajudam a aumentar o fascínio e a "veracidade".

Recursos adicionais Usa todo o tipo de recursos: efeitos sonoros, caracterizações, etc. Sempre procurando usar o efeito surpresa, que valoriza muito a ação. Habilidades operadores Local e público dos Boa dicção, volume de voz, entonação dramática e expressão corporal. Coordenação com o auxiliar que introduzirá o efeito especial. E um recurso indicado para um público de cerca de 20 a 30 pessoas. () narrador se posiciona no círculo junto aos demais. Deverá estudar cuidadosa e previamente os locais Interação crianças Desenvolve Dicas de utilização com onde as introduções acontecerão, para que todos possam ter boa visibilidade. as Pode-se cantar uma música, fazer imitações, gestos, os participantes podem locomover-se pelo espaço de acordo com os acontecimentos da narração e/ou os efeitos sonoros. Imaginação, desinibição, criatividade, senso estético, valoriza a auto-estima. • Ter todo o material que será usado à mão, porém escondido. • Posicionar a platéia tendo em vista a pessoa do narrador e também outras pessoas ou objetos que participarão. • Começar com técnicas simples para ir sentindo a reação da platéia. • Cuidar para manter o elemento surpresa, que é um grande aliado nestes casos. • No caso de participações com músicas ou sons, treinar antes de iniciar a narração. Erros durante a execução poderão desviar a atenção. • Informar-se se existem pessoas alérgicas aos elementos que serão usados ou portadoras de fobias relacionadas aos mesmos.

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História adequada: O urso do final do arco-íris - pg. 55 Esta técnica é muito interativa e de alta participação, constituindo quase uma atividade, um jogo ou, em alguns casos, uma dramatização. 1 - Desenvolvimento A história é narrada com os participantes sentados em círculo (preferencialmente em cadeiras) e com os olhos fechados. Se for possível, usar vendas. A história deve ser narrada com muita ênfase e os efeitos sonoros e sensitivos irão ocorrendo conforme a marcação constante na história (pg. 55-58). l.a - Efeitos sonoros Os efeitos sonoros deverão, preferencialmente, ser gravados anteriormente em uma fita. O ideal é que eles sejam gravados com intervalos suficientes para a narração que acontecerá entre um som e outro. Pode-se usar o recurso de dar pausas no gravador a cada som, mas isto irá necessitar um operador auxiliar a mais durante a narração. O narrador deverá ensaiar com esta fita (rodando continuamente ou dando pausas, conforme a forma que ela foi produzida). Desta forma, ele se habituará com ela e poderá controlar a cadência da narração. l.b - Efeitos sensitivos Para a aplicação destes efeitos, necessita-se de dois ou mais auxiliares que deverão agir de acordo com a marcação da narração. Os efeitos usados são perfume, vento, abelhas e borrifos de cachoeira, conseguidos da seguinte forma: l.b.l - Perfume Utilizar spray para ambientes, de perfume suave. Tomar o cuidado de borrifar pouco e na direção do teto, pois um jato direto nos participantes poderia causar uma sensação desconfortável, estragando a apresentação. Prestar atenção se não existem alérgicos a perfume no grupo. l.b.2 - Ventania Utilizar um ou dois ventiladores que deverão ser direcionados lentamente para toda a platéia, a uma distância de cerca de 1 metro do rosto de cada participante. Os ventiladores poderão ser de porte pequeno e afixados em um haste de madeira, o seu manuseio será mais confortável e melhor direcionado. l.b.3 - Borrifos de cachoeira Utilizam-se borrifadores de plantas. Os jatos devem ser em direção ao rosto dos participantes, a uma distância de cerca de um metro (nunca menos!), procurando sempre lançar jatos suaves. l.b.4- Abelhas As abelhas são feitas com pedaços de barbante fininho, de comprimentos diversos e presos a uma haste de madeira. O desenho poderá ilustrar melhor. No momento adequado da narração, a ponta dos barbantes deverá tocar levemente a face dos participantes. Poderá haver dois "enxames" de abelhas, manipulados cada um por um auxiliar. Se desejar uma sensação mais confortável pode-se colar ou amarrar floquinhos de espuma (do tipo usado para encher almofadas) na ponta dos fios (neste caso pode-se usar fios mais finos, por exemplo linha grossa) 2 - Final da história A história é interrompida em um momento surpreendente, em que ninguém tem muita idéia do que irá acontecer. Isto é proposital para que, com a "mente exercitada", os participantes possam criar o final.

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Assim, divididos em pequenos grupos de 4 a 6 participantes, eles devem reunir-se e criar o final da história. Dá-se 15 minutos para isso e reúnem-se novamente todos em uma grande roda. Um representante de cada grupo irá contar o final da sua história aos demais. Narração interativa História adequada: A caixa de Pandora - pg. 59 1 - A caixa de Pandora Pista história trabalha muito com a curiosidade do que está contido na caixa de Pandora. Assim, trazer a caixa até a narração enriquece o conteúdo e prende a atenção. l.a - A caixa A caixa poderá ser simples, mesmo uma de sapatos, com uma decoração que chame a atenção: forrada exteriormente com papel laminado ou papel colorido (somente não utilizar a cor verde), com decorações vistosas coladas. Ela deverá ficar escondida, porém "à mão" do narrador, que deverá colocada no centro do círculo somente no momento da narração no qual Zeus a entrega à Pandora para que seja levada a Prometeu. l.b - O interior da caixa O interior da caixa deverá ser forrado com papel verde para estar de acordo com o final da história, demonstrando que no fundo da caixa restou a Esperança. l.c - Os pequenos "pedaços de Esperança" Desejando-se, pode-se "materializar a Esperança" colocando no interior da caixa alguns pequenos objetos que a simbolizarão: pedaços de papel laminado ou em forma de dobradura (a de um pássaro, por exemplo), balas ou bombons embrulhados em papel ou tule verde amarrado com fita da mesma cor. Estes objetos enriquecerão a mensagem e funcionarão como pequenos talismãs. l.d - O manuseio da caixa Este manuseio é muito importante, pois é o que irá transmitir a importância da caixa no contexto da história, valorizando a sua presença. O narrador deverá fazer alguma encenação com a caixa nos momentos em que ela é citada: olhar, tocar e sacudi-la enquanto narrar estas ações feitas por Epimeteu. No momento em que Epimeteu abre a caixa pela primeira vez, o narrador deverá abri-la só uma frestinha, a fim de que a platéia não veja o seu interior verde e a surpresa seja antecipada. No final, quando Epimeteu encontra a Esperança, a caixa deverá ser totalmente aberta e o seu conteúdo distribuído entre todos. (Cada um poderá guardar a "sua esperança", pois afinal ninguém sabe quando irá necessitar de um pouquinho dela... ) 2 - Aparição da Fada Esperança Havendo o interesse de aumentar o impacto, pode-se personificar a Esperança na forma de uma fada. Para isto, deve-se utilizar uma auxiliar que se vestirá como uma fada, totalmente de verde. Ela deverá ficar escondida em um lugar de onde possa escutar a narração. No momento em que Epimeteu está arrependido por ter aberto a caixa, o diálogo que se estabelece com a voz feminina do interior da caixa pode se desenvolver com a "fada", sem que ela "apareça" ainda. No momento em que Epimeteu cede à tentação e finalmente abre completamente a caixa, a fada "aparecerá" no interior da nuvem de fumaça verde surgida com a abertura da caixa pela segunda vez. Esta fumaça poderá ficar "por conta" da imaginação dos meninos ou mesmo ser produzida. Ficha Técnica - Maquete

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História demonstrativa Descrição Como adaptações Personagens operadores Os cenários onde se desenrolam as cenas são reproduzidos em pequena escala, os personagens são bonequinhos que o contador movimenta à medida que narra o enredo. fazer As adaptações são fáceis de serem feitas para este tipo de técnica, o narrador pode ater — se ao texto original. Observar somente para as possibilidades de se reproduzir os cenários. / É uma boa oportunidade para usar histórias que possuem muitos personagens, pois os bonecos são fáceis de serem feitos e manuseados. Dois a três operadores são suficientes, sendo possível trabalhar somente com um. No planejamento deve-se considerar o número Narrador auxiliar Complexidade enredo Complexidade caracterizações Uso da fantasia das Ajusta-se a histórias com caracterizações complexas, pois os bonecos são pequenos, o que torna sua confecção simples e econômica. É muito adequada desde que se encontrem correspondentes para poder encenar os fatos fantásticos. Os objetos pequenos geralmente são fáceis de serem encontrados ou construídos artesanalmente, sem onerar a produção. Recursos adicionais A maquete já é visualmente rica e dispensa o uso de outros recursos. Habilidades operadores Local e público dos Bom conhecimento da maquete e da história, para ter desenvoltura no decorrer da narração. Boa dicção, volume de voz. Coordenação entre os membros da equipe. Habilidade manual para confeccionar a maquete. O local é uma mesa ou tablado de altura suficiente para que as crianças vejam todos os detalhes. Os espectadores podem acomodar-se em pé e locomover-se à sua volta. Ajustase a um número muito pequeno de espectadores, cerca de 10. Se o local onde a maquete Interação crianças Desenvolve Dicas de utilização com está exposta for grande, pode-se aumentar este número para 20. as As crianças podem participar na confecção da maquete. Podem protagonizar alguns dos personagens juntamente com os adultos. Podem ouvir a história básica e depois, em pequenos grupos, desenvolverem uma história similar, uma variação ou a continuação. Senso estético, atenção, criatividade, habilidade manual (nas interações). • Fazer a maquete com cuidado e material que possa resistir a sucessivas montagens. • Na confecção da maquete, prestar atenção à proporção entre os elementos do cenário e os bonecos que serão os personagens. • Se existirem cenários diferentes e que não sejam interligados, montá-los em locais distintos (duas mesas, separadas por um espaço maior, etc.) • Tomar maior cuidado na produção do cenário onde a cena principal se desenvolverá. • Deixar os bonecos em lugar de fácil acesso para troca. • Esconder os bonecos (personagens) que não estão sendo usados em determinada cena. de personagens e aqueles que participam das cenas juntos. Não é adequado e nem necessário. do Ajusta-se a histórias complexas, pois o cenário ajuda nas explicações. O aguilhão do rei

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Técnicas de contar Maquete História adequada: O aguilhão do rei - pg. 63 1 - Montagem do palácio abandonado l.a - Paredes do porão do tesouro l.a.l - A estrutura das paredes é feita com uma placa de isopor de 2 cm de espessura, cujas peças deverão ser cortadas nas medidas abaixo, usando estilete ou cortador de isopor. O modelo A deverá ser cortado 1 só vez e o modelo B-C deverá ser cortado duas vezes. O modelo D-E também deverá ser cortado duas vezes e a lateral irregular deverá ser cortada livremente para que as duas peças não fiquem iguais.

l.a.2 - A textura das paredes, que imita pedras sobrepostas, será feita com pirógrafo não muito quente, traçando-se círculos irregulares.

l.a.3 - As "pedras das paredes" deverão ser pintadas com tinta látex em tons de cinza. Fazer inicialmente uma camada total de cinza clarinho. Sem deixar secar pintar os detalhes rebaixados com tinta cinza escuro. Com um tom de cinza intermediário dar pinceladas aleatórias nas "pedras". Nota: Esta tinta e as demais que serão usadas podem ser preparadas a partir de tinta látex branca (do tipo usado para pintar paredes), obtendo-se os diferentes tons com corantes apropriados. Por exemplo: para fazer as pedras da parede, basta usar uma base de tinta branca e obter as tonalidades de cinza variando-se as dosagens do corante preto.

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l.a.4 - Montar o porão com cola para isopor.

l.b - Ruínas do palácio As ruínas do palácio são compostas de piso, escadaria (três peças), um pedaço de parede de tijolos e uma coluna. l.b.1 - O piso é obtido cortando-se um pedaço de isopor de 2 cm de espessura nas medidas que se seguem:

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1 .b.2 - O piso será pintado com tinta látex bege e antes de secar dá-se algumas pinceladas em tons de marrom para imitar um piso de mármore. l.b.3 - A escadaria é formada por quatro peças sobrepostas cortadas em isopor de 0,5 cm de espessura nas medidas abaixo. l.b.4 - Ela será pintada da mesma forma que o piso (l.b.2).

1 .b.5 - Para fazer a parede de tijolos, corta-se um pedaço de isopor de 2 cm de espessura nas medidas abaixo. l.b.6 - Da mesma forma que o descrito em l.a.2, fazer sulcos em forma de tijolos com um pirógrafo não muito quente . l.b.7 - Pintar com tinta látex, dando uma base de cor de tijolos e pintando os sulcos com uma cor marrom escura.

l.b.8 - A parte principal da coluna é feita cortando — se 14 cm de um cilindro de isopor de 2,5 cm de diâmetro. File será apoiado em uma base formada por três quadrados cortados em isopor de 0,5 cm de espessura. Montar a coluna com cola de isopor, colando na seguinte ordem: quadrado menor, quadrado maior, quadrado menor e coluna.

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l.b.9 - Fazer estrias na coluna usando um pirógrafo regulado em temperatura morna. Pintada totalmente com tinta látex amarelo-ocre e depois fazer manchas, antes da base secar, com tinta marrom clara. l.b.10 - A coluna poderá ser decorada com plantas de plástico, que deverão ser coladas ao seu redor imitando uma trepadeira.

l.b.l1 - Montar o piso usando cola para isopor, conforme mostra o desenho, e colado sobre o porão.

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l.b.12 - As ruínas do palácio poderão ser decoradas com plantas coladas na parede (como uma trepadeira), alguns tijolos e pedaços de colunas, feitos de isopor e pintados com as mesmas cores das peças similares. l.c - Tesouro abandonado l.c.1 - Os sacos são feitos de feltro marrom a partir de um retângulo de 12 x 12 cm (medida do saco aberto). As laterais são costuradas e a boca do saco enrolada para fora duas ou três vezes. Eles devem ser enchidos até a metade com papel e depois com contas coloridas, do tipo pérolas ou que imitam pedras preciosas, e com correntes fininhas cor de ouro e prata. As peças poderão ser coladas com cola "branca" em abundância que, depois de seca, ficará incolor.

l.c.2 - Também ficam muito bons vasos em miniaturas cheios dos mesmos tesouros que os utilizados para os saquinhos. l.c.3 - Podem-se pintar pequenos pratos e panelas de cor dourada e prateada. Eles podem ficar espalhados pelo chão do porão. l.c.4 - Finalmente, no porão haverá as ossadas dos aventureiros que tentaram roubar o tesouro. Elas serão feitas de durepóxi, depois pintadas de branco.

Colocar o tesouro dentro do porão, decorando cuidadosamente.

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2 - Montagem da trilha 2.a - Árvores A trilha terá de duas a três árvores que serão feitas conforme a descrição a seguir. 2.a. 1 - Cortar um pedaço de cerca de 25 cm de comprimento de um cilindro de isopor de 9 cm de diâmetro. As árvores não deverão ter todas o mesmo tamanho, para dar uma aparência mais natural. 2.a.2 - Usando — se um pirógrafo regulado em temperatura alta, a árvore será esculpida dando-se as primeiras formas. Não se deve ter a preocupação de que as árvores fiquem iguais entre si. 2.a.3 - Depois que a árvore estiver no formato desejado, abaixa-se a temperatura do pirógrafo e fazem-se pequenas ranhuras para formar as nervuras do tronco.

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2.a.4 - O tronco da árvore será pintado com látex em tons de marrom, sempre a base mais clara e o interior das ranhuras mais escuro. 2.a.5 - Os ramos da árvore serão feitos retirando-se galhinhos de uma planta de plástico (escolher uma que tenha folhas bem pequenas). Os ramos serão acomodados na parte superior do tronco até que ele fique bem cheio. 2.a.6 - A árvore será afixada em uma base de forma irregular feita de isopor de 2 cm de espessura e pintada com tons de marrom e verde.

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2.b - Pedras e arbustos A trilha terá algumas pedras e alguns arbustos. 2.b.l - As pedras serão feitas com argila moldada irregularmente e pintadas com tons de cinza (aparência de "manchado"). 2.b.2 - Em algumas pedras, enfiar galhinhos de plantas de plástico antes que a argila seque. Procurar fazer alguns arbustos mais cheios e outros mais vazios para dar uma aparência mais natural. Depois que a argila secar, as "pedras" serão pintadas em tons de marrom e verde.

2.c - Fogueiras A história apresenta dois restos de fogueiras. 2.c. 1 - As pedras das fogueiras serão feitas de argila (no tamanho aproximado de uma bolinha de gude) e devem ser bastantes irregulares, da mesma forma que as pedras verdadeiras (achatar umas, outras fazer mais pontiagudas e outras mais arredondadas). Depois de prontas elas devem ser pintadas em tons de cinza (manchadas). 2.C.2 - Os gravetos que fazem parte das fogueiras podem ser galhinhos secos verdadeiros. 2.c.3 - Na segunda fogueira deverá existir uma panela, que poderá ser de brinquedo ou feita de barro. 2.d - Percurso 2.d.l - O percurso será recortado em isopor de 2 cm de espessura. O tamanho é livre, podendo variar conforme a mesa ou local em que se irá trabalhar. O importante é que ele seja suficiente para conter os detalhes de forma clara, permitindo que a história seja narrada com facilidade. Ele poderá ser feito em partes (como mostra o desenho), de forma a tornar mais fácil o armazenamento. 2.d.2 - Depois de recortado, o percurso será pintado nas cores de terra e em tons de verde.

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3 - Personagens & adereços 3.a - Personagens "humanos"

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São pequenos bonecos de cerca de 10 cm de comprimento que são encontrados sem roupas no comércio. As suas vestimentas serão feitas de feltro colado sobre o próprio corpo de cada boneco. Prestar atenção para o fato de que alguns são calçados e outros não, o que tem grande importância na história.

3.b - Animais Os animais (pantera negra, cobra branca e cobra Kaa) são adaptados de brinquedos comprados no comércio ou feitos em durepóxi e pintados.

3.c - Aguilhão O aguilhão é um instrumento usado na índia para conduzir elefantes. No caso desta história, trata-se de um exemplar feito de metais e pedras preciosas. Ele será feito em durepóxi, posteriormente pintado de dourado e adornado com algumas pedrinhas brilhantes.

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Depois de todas as partes feitas, a maquete será montada conforme a seguinte descrição: 1 - Encontro de Mowgli com a cobra Kaa 2 - Palácio em ruínas onde mora a cobra branca que cuida do tesouro 3 - Encontro de Mowgli com a pantera negra, Bagheera e local onde passarão a noite. 4 - Local onde caiu o aguilhão e também onde começam as pegadas de "pés grandes". 5 - Trilha das pegadas de "pés pequenos". 6 - Homem de "pés grandes" morto com uma flecha fincada no peito.

7 - Trilha das pegadas de quatro homens calçados. 8 - Local do resto de uma fogueira com o corpo morto do homem de "pés pequenos". 9 - Local onde o homem gordo está morto, tendo ao seu lado o saco de farinha envenenada. 10 - Fogueira com o caldeirão contendo a comida envenenada e os três corpos mortos.

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Legenda pés descalços pequenos, pés descalços grandes, 4 pares de pés calçados, 3 pares de pés calçados

Ficha Técnica - Bocão História demonstrativa Descrição Corno adaptações Personagens operadores Narrador auxiliar Complexidade Complexidade caracterizações Uso da fantasia São bonecos grandes que ficam sentados no colo do narrador que faz a sua voz (tipo ventríloquo). A história se desenrola através dos diálogos dos diversos bonecos. fazer As histórias devem ser transformadas em diálogos entre os personagens. Para descrever uma cena utiliza-se o próprio personagem. / Usar histórias com poucos personagens, dois a quatro no máximo. Utilizar um operador por personagem. No caso de histórias com 2 ou 3 personagens que não atuam juntos pode-se usar um operador que troca de boneco, usando entonações de voz diferentes. Geralmente a história fica mais interessante somente com o uso dos bonecos. Ajusta-se a histórias de enredo simples. das Histórias com caracterizações simples. Preferencialmente personagens humanos ou bichinhos "humanizados" (vestem roupas, falam). E uma técnica que limita o uso de histórias com muita fantasia.

Recursos adicionais São necessários poucos recursos adicionais, pois a técnica chama atenção por si só. Habilidades operadores tios Boa memória, volume, dicção e entonação de voz. Ter um bom ritmo: perceber o quanto as crianças estão gostando, para aumentar ou diminuir a participação de um personagem. Boa coordenação para movimentar o boneco e não o próprio corpo. Ter familiaridade Local e público com o boneco, para fazer os gestos que imprimem as emoções que os diálogos pedem. É um recurso que pode ser usado tanto com um grupo de 4 ou 5 crianças, como em um palco. Os operadores ficam sempre sentados em uma cadeira com os bonecos Interação crianças com acomodados em seu colo ou apoiados em uma mesa (nunca devem ficar "soltos no ar"). as As crianças podem, depois de terem ouvido a narração, manusear os bonecos, criar uma história simples e fazer a apresentação. O boneco pode fazer parte do ambiente da classe, tornando-se um mascote aparecendo sempre quando determinado assunto for discutido.

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Desenvolve Dicas de utilização Afetividade, atenção e imaginação. • Encontrar uma posição confortável, que permita liberdade de movimentação. • No caso de fazer trocas, deixar os bonecos prontos e em lugar de fácil acesso, preferencialmente em um lugar onde não fiquem visíveis. • Decorar o texto, esta técnica não permite "colas". • Escolher uma entonação de voz para cada personagem e cuidar para não mudá-la no decorrer da narração. Abrir e fechar a boca de forma coordenada com as falas. • Movimentar o boneco, para dar melhor sentido nas frases. Imprimir gestos expressivos, virar o corpo na direção de quem está falando, abrir os braços nas exclamações, colocar a "mão" na boca nas surpresas, etc. • Tomar cuidado de não fazer expressões com o próprio rosto, esquecendo-se do boneco. • Não conversar com os outros operadores durante a apresentação. • Se desejar fazer algumas considerações após a história, reassumindo a posição de educador, deixar os bonecos de lado e falar normalmente. • Se os bonecos não forem usados em alguma atividade interativa após a histórias, repousá-los respeitosamente em um lugar da sala ou guardá-los.

Bocão História adequada: Boa ação - pg. 67 1 - Estrutura da cabeça do boneco l.a - Estrutura inferior (boca) A boca é feita com papelão microondulado e a estrutura da cabeça em espuma de 3 cm de espessura. Esta estrutura é composta de duas peças que chamamos de B e C.

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l.a.l - Vincar o papelão nos dois riscos centrais, utilizando o lado não cortante da ponta de uma tesoura.

l.a.3 - Cortar a parte inferior da cabeça conforme as medidas descritas na figura (B) em espuma de 3 cm. l.a.4 - Com o estilete, chanfrar este lado, que será colado ao papelão.

1 .a.5 - Usando cola quente, fixar a espuma no lado chanfrado à parte de baixo do papelão dobrado.

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l.b - Estrutura superior Aqui demonstramos a segunda peça que comporá a estrutura da cabeça do bocão, a peça C. O desenho abaixo deverá ser ampliado 4 vezes e posteriormente cortado em espuma de 3 cm de espessura. 26 cm

l.b.l - Usando cola quente, unir as duas laterais da peça C.

l.b.3 - Colar a parte superior da boca na l.b.4 - A lateral do conjunto A-B deverá parte superior do papelão do conjunto A-B. também ser colada ao cone C.

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2 - Revestimento da cabeça do boneco 0 boneco é revestido de feltro ou de tecido "pluminha" na cor bege. Um pedaço de cerca de 40cm por 40 cm será suficiente para a cabeça, o corpo utilizará um pedaço de cerca de 40 cm por 1 m. Como os tecidos variam na largura, de 1,40 a 1,80, um pedaço de tecido de 40 cm será suficiente para fazer um bocão. Para revestir a cabeça são necessárias duas peças, que apresentamos abaixo. Elas deverão ser ampliadas 4 vezes no tecido escolhido (feltro ou pluminha). 25 cm lateral a lateral h

lateral interna C lateral da boca superior <-1-► 18 cm lateral da boca inferior

lateral ç unir à lateralinterna c lateral f unir à lateral interna c 2.a - Costurar a lateral a à lateral b (ambas da peça D). 2.c - Franzir o topo g, (peça 2.b - Costurar a lateral d (da D) até que todo o tecido fique peça E) com a lateral interna ç unido. (peça D). Do mesmo modo, unir a lateral f (da peça E) à 2.d -O revestimento da lateral interna e (peça D). cabeça esta pronto. Inserir a lateral interna e a estrutura de espuma no mesmo, cuidando para que a abertura da boca coincida com a boca de papelão.

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2.e - Com cola quente colar a beiradas da abertura da boca estrutura de espuma. 3 - Decoração da cabeça do boneco 3.a - Usando o mesmo molde A (aquele usado para cortar o papelão microsserrilhado) cortar um pedaço de feltro vermelho e colá-lo na parte interior da boca (sobre o papelão). Cortar a parte excedente do feltro. Pode-se utilizar tecido jersey vermelho: neste caso deve-se cortar um diâmetro um pouco maior (cerca de 15 cm) e colar no papelão antes de montar a estrutura. Após o tecido ser colado, a parte excedente deverá ser dobrada para dentro e também colada, de forma que o acabamento fique perfeito quando for montado. 3. b - Colocar olhos comprados prontos no comércio. Estes olhos poderão ser do tipo "vitrificado", que precisam de uma trava na parte de trás (vendida separadamente) ou poderão ser do tipo "chapado", que só precisa ser colado (pode-se usar cola quente). Estes olhos também poderão ser feitos de feltro.

3.c - Para fazer o nariz, recortar no mesmo tecido do revestimento da cabeça um círculo de 5 cm de diâmetro. Colocar alguns flocos de espuma e franzir as bordas, puxando firmemente o fio até virar um pompom. 3.d - Passar cola quente na parte franzida do pompom e colar no lugar do nariz.

3.e - Os cabelos são feitos com lã de tapeçaria grossa. Para os bonecos que possuem cabelos longos (vovó e menina), cortar os fios com 30 cm de comprimento. Para os bonecos de cabelo curto (mãe e menino), cortar os fios com 15 cm de comprimento. 3.f - Nos "penteados longos" os fios são colados "ao contrário", isto é, inicialmente ficam por cima do rosto.

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3.b - Para os “penteados curtos e soltos" os fios são colados normalmente sobre a cabeça, dando o formato desejado. 3.i - Em qualquer uma das formas, os cabelos devem ser aparados para se chegar à aparência pretendida. 3.g - Depois de colados os fios são virados para trás e "penteados" como se desejar (rabo, coque, tranças, etc.)

4 - Montagem do corpo O corpo é feito do mesmo tecido utilizado para fazer o revestimento da cabeça: feltro ou "pluminha" na cor bege. Recortar as seguintes peças: 4.a - Pernas 4.a. 1 - As pernas são compostas dos sapatos e da perna propriamente dita. Para fazer a perna recorta-se duas vezes a peça ao lado em feltro ou pluminha.

4.a.2 - O sapato é feito em duas partes: a sola e a lateral. Cada peça deverá ser recortada duas vezes em feltro, na cor que se deseja para o sapato.

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Ampliar estes desenhos duas vezes. 4.a.3 - Montar o sapato fechando primeiramente a Sola do sapato à lateral.

4.a.4 - Posteriormente costurar o "V" formado na frente. 4.a.5 - Fechar a lateral de cada uma das pernas.

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4.a.6 - Colocar a perna dentro do sapato, costurar ou colar e encher com espuma. 4.b - Braços Recortar 4 vezes a peça abaixo (ela deverá ser ampliada 2 vezes). Costurar toda a volta, menos a lateral de 7,5 cm. Encher com espuma e reservar os dois bracinhos.

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4.c - Tórax 4.c 1 - Parte traseira: Recortar em tecido (feltro ou pluminha) a figura abaixo (o desenho não está na proporção).

4.c.3 - Costurar os dois lados recortados.

4.c.2 - Marcar o meio da parte superior do trapézio formado, medir 15 cm para baixo e 3,5 cm para cada lado. Recortar o triângulo formado.

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4.c.4 - Tórax parte da frente: Recortar uma peça nas medidas abaixo (não está na escala).

4.C.5 - Começar a montar o tórax unindo as laterais da parte traseira às laterais da parte dianteira e colocando entre elas os dois braços (já cheios de espuma).

Nota: Para facilitar o entendimento, colocamos uma agulha no local das costuras, porém é aconselhável que o trabalho seja costurado à máquina. 4.c.6 - A próxima peça a ser recortada é o fundilho, que deverá ter as medidas abaixo. O desenho encontra-se em escala e precisa ser ampliado 2 vezes para ser recortado em feltro ou pluminha. 22 cm

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4.C.7 - Costurar o fundilho na parte de baixo do tórax, colocando as duas pernas (já cheias de espuma e com o pé) na parte da frente.

5 - Montagem final 5.a - Com o corpo montado e sem a cabeça, vestir o boneco de acordo com a preferência. Depois que ele estiver completamente vestido, colocar a cabeça com cola quente ou costurando.

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E, finalmente, é só contar a história.

Ficha Técnica - Radionovela História Descrição Como adaptações Personagem operadores Kotick Os intérpretes ficam atrás de um teatro e contam a história usando o recurso de sua voz, efeitos sonoros e musicais. fazer Deve-se determinar os pontos da história onde se utilizará os sons e as músicas para auxiliar a compreensão ou dar mais impacto. / Permite o uso de vários personagens. Preferencialmente deve haver um intérprete para cada personagem. Se forem acumulados dois ou três, as vozes devem ser bem

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diferenciadas. Narrador auxiliar Complexidade enredo Complexidade caracterizações Uso da fantasia Recursos Habilidades operadores Local e público Pode-se utilizar um narrador. Este deve procurar fazer um tipo de voz bem diferenciado, ajudará a compreensão e imprimirá um humor agradável. do Ajusta-se a histórias bem complexas. É um recurso inadequado para histórias simples pois poderá se tornar enfadonho. das Quanto às caracterizações, adapta-se a todo o tipo de enredo. E uma saída para casos de caracterizações muito complexas, não possíveis de serem realizadas na oportunidade. A carga de fantasia usada é ilimitada, pois será realçada apenas através dos recursos dos contadores, que incitarão a imaginação. E uma técnica que permite pouco uso de recursos além dos sonoros. dos Boa dicção, capacidade de interpretação dramática utilizando a voz. Coordenação entre os elementos da equipe. Pode ser usada desde um número pequeno (5 alunos) até um grande número (80-100). O "teatro" deve ficar próximo das crianças, se forem em número pequeno. No caso de um Interação crianças Desenvolve Dicas de utilização com público grande, o "rádio" deve ficar em um local mais alto e ser usado com microfone. as Pode-se ter um adulto sentado na platéia com as crianças para comandar uma ou mais canceles. Em uma apresentação que utiliza efeitos sonoros, após o término pode-se pedir às crianças que façam uma lista dos mesmos, identificando-os. Imaginação, atenção, criatividade e memória. • Encontrar uma posição confortável que permita ler o roteiro livremente e operar o aparelho de som e demais utensílios que forem usados para dar efeitos. • Certificar-se de que as vozes de todos serão ouvidas por todos. • Ter um adulto "do lado de fora do teatro" para motivar as crianças, orientar onde sentarem, dar o início da apresentação, manter a ordem, etc. • Escolher uma entonação de voz diferenciada para cada personagem e tomar cuidado para não mudá-la no decorrer da narração. • Preferencialmente uma pessoa para cada personagem e outra somente para fazer a sonoplastia. • balar alto, testar antes o volume de voz adequado, lembrar que com a presença da platéia sempre existem outros ruídos que poderiam não estar presentes na hora do "ensaio". • Dar um espaço maior que o habitual entre uma fala e outra. Ficar atento quando o texto provocar risadas, recomeçar a falar quando as manifestações da platéia cessarem. • O "rádio" deve encobrir completamente os contadores. Ele poderá ter uma decoração engraçada, lembrando um rádio antigo. Isto será muito mais atraente para os meninos. Radionovela História adequada: Kotick - pg. 72 Uma boa idéia é cortar as abas de uma caixa de papelão bem grande c decorá-la como um rádio antigo. O operador ficará atrás narrando a história e manuseando os efeitos sonoros à vontade.

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Isto incitará a imaginação das crianças, que sentirão mais prazer em ouvir a história.

Para um modelo mais sofisticado, pode-se revestir uma base feita de madeira compensada com uma lâmina fina de EVA e posteriormente colar figuras de placas de EVA de cores contrastantes. Ficha Técnica - Fantoche História demonstrativa Descrição O mágico de Oz São bonecos movimentados pelas mãos, utilizando-se a voz do operador, que fica escondido atrás de um teatro apropriado.

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Como adaptações Personagens operadores Narrador auxiliar fazer As histórias devem ser transformadas em diálogos entre os personagens. Para descrever uma cena utiliza-se o próprio personagem. / Usar histórias que tenham de 3 a 5 personagens. Utilizar 2 a 3 operadores que não devem manusear mais do que 2 personagens. Deve-se fazer um planejamento na divisão de papéis de modo que cada operador tenha somente um personagem no palco por vez. Pode-se utilizar-se um narrador para dar o "fio condutor da história". Ele discorre como é a cena antes da entrada dos personagens e pode narrar as partes mais complicadas ou mais compridas. Preferencialmente ele deve ficar do lado de fora do teatro. Isto facilitará a compreensão e liberará espaço. Na utilização de um "narrador-fantoche" deve-se procurar Complexidade enredo Complexidade caracterizações Uso da fantasia um personagem diferente: um bichinho se a história for com "pessoas", ou vice-versa. do Ajusta-se a histórias de média complexidade. Para histórias simples é um recurso super dimensionado e pode gerar confusão no entendimento das histórias complicadas . das Ajusta-se a histórias com caracterizações médias e complexas, os fantoches, por serem pequenos, permitem variações e o uso do cenário ajuda as caracterizações elaboradas. Pode-se usar muita fantasia, a técnica permite que os personagens "sumam", "se

transformem", etc. Pode-se utilizar diversos personagens e cenários. Recursos adicionais Permite o uso de músicas e efeitos sonoros, cenários e eleitos especiais: fumaça, "fogos de Habilidades operadores Local e público Interação crianças Desenvolve Dicas de utilização com artifícios" (bastão de estrelinhas de aniversário), etc. dos Boa coordenação motora, dicção, volume de voz e interpretação. Coordenação entre os membros da equipe. Adequada a narradores mais amigos. É um recurso recomendado para poucas crianças (no máximo 20). O teatro deve ficar de 50 cm a 1 m acima dos olhos das crianças. as As crianças podem, depois de terem ouvido a narração simples, fazer a apresentação com os fantoches. Podem, dada a história, confeccionar fantoches de papel ou mesmo de feltro ou, dados os fantoches, criar a história e fazer a apresentação. Atenção, imaginação, habilidade manual e criatividade • Encontrar uma posição confortável, que permita livre movimentação dos braços. • Deixar os bonecos prontos e em lugar de fácil acesso para troca. • Afixar o texto escrito em letras grandes e sem necessidade de virar as folhas. • Usar uma entonação de voz para cada personagem e não mudá-la durante a narração. • Manter o boneco em uma altura suficiente para que não se veja o antebraço do operador. • Entrar e sair com os personagens sempre pelas laterais. • Movimentar o boneco de acordo com a história: virar o corpo na direção de quem está falando, abrir os braços nas exclamações, colocar a "mão" na boca nas surpresas, etc. • Ter um operador auxiliar para os efeitos especiais e sonoros. • Não abrir e fechar as cortinas com os fantoches. Usar um auxiliar do lado de fora. • É interessante que pelo menos um educador fique do lado de fora da encenação. Ele controlará as crianças mantendo a motivação e auxiliando na disciplina. 1 - Teatro l.a - Peças l.a.l - Serão necessárias as seguintes peças em madeira compensada de 1 cm de espessura:

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1 .a.2 - As seguintes peças devem ser recortadas de uma placa de madeira compensada de 0,5 cm de espessura:

l.a.3 - Serão necessárias ainda alguns pregos de 1,5 cm e 4 dobradiças. H 4 peças l.b - Montagem l.b.l - A primeira parte da montagem do teatro é feita pregando-se as peças A, B e D conforme o desenho abaixo. As peças C serão fixadas às peças "D" com dobradiças.

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l.b.2 - As peças E e F serão pregadas no rebaixamento formado na montagem anterior. Sua função é dar maior firmeza ao teatro.

l.b.3 - As peças G e H serão montadas conforme demonstra o desenho abaixo, sua função é travar a abertura das portas e ser suporte para o cenário.

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l.b.4 - As cortinas serão feitas de dois pedaços de tecido de 90 cm x 65 cm. Elas deverão ter uma barra de cerca de 10 cm na parte superior, que será enfiada em um varão de 90 cm. Este varão (comprado no comércio) será afixado com um parafuso de gancho. 2 - Cenários

Cenário 2 (caminho dos tijolos amarelos): Utilizado entre a cena em que aparece a fada até a cena em que o leão é encontrado e os quatro saem de cena. Cenário 3 (caminho dos tijolos amarelos, avistando — se o castelo): Utilizado entre a cena que Dorothy avista o castelo até a cena em que o leão abre passagem aos berros.

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0 cenário tem um tamanho de 80 cm x 50 cm e poderá ser feito ampliando e colorindo os desenhos desta página. Os painéis serão afixados na trava do teatro (formado pelas peças F e G). Cenário 1 (apresentação): Quando se abrem as cortinas até quando a ventania tira Dorothy de cena. <-

Cenário 4 (interior do castelo): Utilizado entre a cena que o Mágico aparece de máscara até o final

3 - Bonecos 3.a - Molde básico do corpo .3.a. 1 - Cortar 2 moldes "menina" para a fada (feltro cor da pele) e Dorothy (branco). O molde "menino" deve ser cortado 2 vezes em feltro cor da pele, uma vez em lamê prateado e uma vez em pelúcia cor de mel. 3.a.2 - Costurar à máquina seguindo as indicações das linhas tracejadas. Exceção para o leão (pelúcia cor de mel) onde as duas partes "a" deverão ser costuradas também.

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3.b - Espantalho 3.b.l - A cabeça e as mãos são encontradas prontas no comércio. Colar as peças no corpo feito de feltro bege usando cola quente. 3.b.2 - O chapéu também é comprado pronto no comércio e o cabelo é feito de lã amarela. 3.b.3 - Colar com cola quente o cabelo de lã e depois o chapéu. 146 3.b.6 - Cortar uma vez o molde da gola no feltro da mesma cor que a usada para o paletó. 11cm

3.b.7 - Dobrar os dois lados da frente para simular um gola e colar ou costurar a gola traseira, na posição demonstrada pelo desenho. Colar dois ou três pequenos quadrados de cerca de 1 cm de lado em feltro de cor contrastante para simular os "remendos".

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3.b.8 - Montar a gravata conforme o molde abaixo em tecido estampado ou de bolinhas. 3.b.9 - Para simular uma camisa, corta-se uma gola branca usando o mesmo molde descrito para a gola do paletó (3.b.6). Colar a base da gola ao redor do pescoço do boneco e depois dobrá-la para baixo. Colar a gravata no meio da gola.

3.b.l0 - Cortar alguns fios de lã utilizada para o cabelo de tamanhos variados entre 2 e 4 cm e colá-los em volta do braço perto das mãozinhas em uma altura suficiente para ficarem encobertos pela manga do paletó. Apará-los com uma tesoura se ficarem muito compridos, sem perder a irregularidade. 3.b. 11 - Vestir o paletó no fantoche.

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3.c - Mágico 3.c.l - Colar a cabeça na fenda do corpo do fantoche (cortado em feltro bege). Cortar fios de lã marrom — avermelhada de tamanhos variados entre 3 e 5 cm e colá-los na cabeça. "Aparar" o penteado. 3.C.2 - Cortar as peças da cartola em papel cartão preto brilhante seguindo o molde abaixo. Montar a cartola usando cola quente ou branca. Fixá-la no topo da cabeça com cola quente.

3.c.3 - Cortar os moldes da casaca abaixo (frente e costas) usando feltro preto. 3.c.4 - Costurar à máquina nos lugares demarcados com linha tracejada. Cortar completamente a peça "frente" na linha C demarcada com linha ponto — tracejada. Como o trabalho foi feito no avesso, virá-lo para fazer os acabamentos.

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3.c.5 - Usando feltro preto, cortar a gola usando o mesmo molde descrito em 3.b.6 para o paletó do espantalho. 3.C.6 - Colar a gola na casaca da mesma forma que ilustra o desenho em 3.b.7. Providenciar um botão grande e preto que será usado para unir a frente da casaca. 3.c.7 - Se desejar, pode-se colar uma rendinha em volta do pescoço ou na parte frontal superior do fantoche para simular uma camisa de gala. 3.c.8 - Recortar a gravata borboleta em feltro preto e conforme o molde abaixo, montá-la e colá-la no boneco (em cima da "camisa"). Vestir a casaca e unir as laterais com o botão.

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3.d - Homem de lata 3.d.l - Colar um funil de brinquedo em uma cabeça de boneco. Pintar o conjunto com spray prateado, bem como uma dupla de mãos.

3.d.2 - Costurar o corpo recortado em lamê prateado. Colar a cabeça e as mãos. Usando o molde, fazer uma gravata borboleta e colá-la no pescoço.

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3.d.3 - Cortar duas vezes o molde A. Um dos tecidos será dobrado no sentido da altura (Al), que será usado para formar uma tira que prenderá a gravata no pescoço. O outro tecido será dobrado no sentido do comprimento (A2) e formará a gravata borboleta. 3.e - Leão 3.e.l - Costurar o corpo cortado em pelúcia. Neste caso não se utiliza mãos, portanto a fenda deixada para os outros modelos, deverá ser também costurada, conforme o descrito em 3.a.2. 3.e.2 - O leão também utilizará uma cabeça de boneco comprada pronta. Cola-se a cabeça no corpo. 3.e.3 - A cabeça de boneca deverá também ser recoberta com pelúcia. Assim, recorta-se o molde abaixo duas vezes. Costura-se onde indica a linha tracejada.

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8 cm 3.e.4 - Corta-se uma fenda de 3 a 4 cm no meio de uma das partes costuradas e enfia-se a peça na cabeça do boneco, coincidindo a fenda cortada no meio da face. Recorta-se o tecido de forma que a face fique à mostra, conforme o desenho. Colam-se as laterais do tecido na cabeça para que fique firme. Costura-se ou cola-se a peça no corpo do boneco.

3.e.5 - Recorta-se quatro vezes o molde ao lado para fazer as orelhas. Elas deverão ser costuradas pelo avesso, viradas e presas no topo da cabeça do leão.

3.e.6 - Usando lã de tapeçaria grossa, na mesma cor da pelúcia, cortam-se fios de cerca de 20 cm de comprimento. Juntase 3 ou 4 fios, dobrados ao meio eles serão costurados na cabeça do leão. 3.e.7 - Repete-se esta operação até preencher completamente a cabeça. A quantidade utilizada é de aproximadamente de um novelo de lã grossa de tapeçaria. Depois de pronto, aparam-se os fios de modo que a juba fique toda "por igual".

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3.f - Fada

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3.f.l - Cortar utilizando o mesmo molde do "corpo menina" duas vezes em um tecido fino com desenhos de glitter ou em um tecido rendado ou brocado. Costurar o corpo da fada colocando os quatro tecidos na seguinte ordem:

tecido cor de rosa virado para baixo tecido cor de rosa virado para cima feltro 3.£2 - Virar a costura de forma que o tecido cor de rosa fique para o lado de fora. 3.f.3 - A fada usará uma saia, que poderá ser feita com o mesmo tecido do qual foi feito o corpo (tecido com desenho de glitter) ou de tecido plissado vendido pronto no comércio. 3.f.4 - O cabelo é feito com lã fina de tapeçaria preta colada na cabeça do boneco nos seguintes passos: 3.f.4.a - Delimitar a área onde os fios de cabelos serão colocados riscando com caneta a cabeça do boneco. Cortar fios de lã de cerca de 15 cm de comprimento. 3.f.4.b - Colocar um fio ao lado do outro, respeitando a marcação feita, até chegar na parte traseira do pescoço. 3.f.4.c - Depois de secos, voltar os fios frontais por cima da superfície colada e amarrá-los atrás. Colocar um enfeite de florzinhas ou lacinho onde o cabelo está amarrado.

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3.f.5 - Fazer o chapéu cortando o molde a abaixo em cartolina e o molde b no tecido fino usado para recobrir o corpo. Ambos os moldes deverão ser ampliados 200% para ficar no tamanho original. molde a molde b I"cm 11 1 1 cm

3.f.6 - Colar o tecido na cartolina virando para dentro a parte do tecido que excede a cartolina.

3.£7 - Colar ou costurar os dois lados do chapéu. 3.£8 - Cortar uma tira de 10 cm por 20 cm do tecido fino (tule rosa ou o mesmo tecido do vestido), franzi-lo e prendê-lo na ponta do chapéu. Colar o chapéu na cabeça da fada.

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3.g - Dorothy 3.g. 1 - Colocar a cabeça e as mãos no corpo feito com feltro branco. 3.g.2 - Recortar a saia (saia e alças) em tecido xadrez branco e azul de acordo com as medidas saia recortada em tecido xadrez azul claro e branco 4 cm 20 cm alças da saia cortar duas vezes no mesmo tecido 3.g.3 - Dobrar a alça no sentido da largura, costurar na lateral e virar a costura. Fazer o mesmo com a outra alça. 3.g.4 - Fazer a barra da saia costurando-a. Se desejar, pode-se colocar um galãozinho ou uma rendinha. Costurar a lateral, franzir de modo que entre folgadamente no corpo do fantoche testar com a mão dentro. 3.g.5 - Colar as alças na posição indicada e por 3.g.6 - Colocar rendinhas no pescoço e junto à cima colar a saia. emenda onde as mãos foram coladas. Colar um lacinho azul perto do pescoço.

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3.g.7 - Fazer o cabelo de lã de tapeçaria marrom seguindo os mesmo passos que foram indicados para a fada em 3.f.4.a e b. Depois de colocados, dividir ao meio e prender com dois rabichos, um de cada lado (como penteado de Mariachiquinha). Colocar um lacinho azul de cada lado.

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4 - Adereços usados na encenação 4.a - Máscara do mágico 4.a.l - Ampliar duas vezes o desenho ao lado e pintá-lo com caneta hidrocor em dois tons de verde e em laranja. 4.a.2 - Para poder fixar a máscara no mágico de Oz, passar um elástico nos orifícios feitos conforme as marcas do desenho. Pode-se, também, usar dois pedaços de fitas finas que serão amarradas em torno da cabeça do mágico.

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4.b - Diploma do espantalho. 4.b. 1 - Copiar, colorir e cortar o desenho ao lado.

4.c - Medalha de coragem do leão 4.c. 1 - Copiar, colorir e recortar o desenho abaixo. Cortar um círculo de cartolina com 5 cm de diâmetro e forrá-lo de ambos os lados com papel laminado dourado. Colar a "medalha" em um dos lados. 4.C.2 - Furar no lugar indicado e passar uma fita de 1 cm de largura e 30 cm de comprimento dando um nó na extremidade. Se a fita utilizada for aquela verde e amarela comumente usada nas medalhas o trabalho ficará mais original.

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4.d - Coração do homem de lata 4.d.l - Recortar o molde ao lado em madeira fina ou cartão grosso. Furar no local indicado. 4.d.2 - Pintar ambos os lados com guache vermelho. Deixar secar. 4.d.3 - Passar pelo orifício 30 cm de corrente fina de metal dourado. Fechar as extremidades da corrente formando um colar.

Ficha Técnica - Dramatização História demonstrativa Descrição O rei Midas Os contadores se caracterizam como os personagens da história e a interpretam.

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Como adaptações Personagens operadores Narrador auxiliar Complexidade enredo Uso da fantasia Recursos adicionais fazer Deve-se atentar para o fato de que todos os acontecimentos serão apoiados pela fala mas terão um correspondente visual. Simplificar ou mesmo eliminar passagens trabalhosas e / acessórias para o entendimento da história. As frases e os diálogos devem ser curtos. Pode-se usar qualquer tipo de história; um número grande de personagens é mais fácil de trabalhar do que enredos com apenas um ou dois. Neste caso a apresentação pode ficar do enfadonha e a técnica superdimensionada. Porém, mais do que dez atores pode ser difícil de coordenar. Preferencialmente utilizar um ator para cada personagem. Dispensar o narrador auxiliar é melhor. A dramatização é muito rica e vale a pena que todos os fatos que encerram o enredo sejam passados através de encenação. Caso não seja possível, este deve ficar deslocado do cenário, entrando e saindo ou ao lado do "palco". É possível ser usada em histórias complexas, desde que a adaptação esteja bem clara, a caracterização e os atores sejam bons. E adequada para histórias de complexidade media. Pode-se usar muita fantasia, desde que haja "soluções" para ela no palco. A dramatização ajusta-se mais a histórias que não exijam muitos efeitos especiais. E recomendado que sejam usados efeitos sonoros (música, efeitos especiais), cenários simples, alguma decoração de palco (cortina, mobília, objetos). Efeitos especiais como Habilidades operadores Local e público Interação crianças com fumaça, "fogos de artifícios para interior", se forem possíveis, encantarão as crianças. dos Saber representar razoavelmente, boa dicção e volume de voz. Memória. Entrosamento com a equipe. Paciência e dedicação para alguns ensaios. Habilidade manual para as caracterizações e para montagem do cenário. Palco de um teatro ou qualquer local que permita boa visibilidade, geralmente com um patamar mais alto. O número de crianças pode ser de dez a cerca de cem. as As crianças podem participar da dramatização, interagindo com alguns adultos. Após o término, os "atores" ainda fantasiados conduzem um jogo ou um debate, fazendo com que as crianças entrem no clima da fantasia. As crianças podem criar e confeccionar a caracterização e/ou o cenário. Em pequenas equipes podem criar a continuação ou outra Desenvolve Dicas de utilização versão da história e apresentá-la no palco, aproveitando as caracterizações e os cenários. Imaginação, atenção, desinibição, afetividade. • Não é uma técnica que pode ser improvisada facilmente, e necessário uma reunião de "elenco" e um pequeno ensaio. • As caracterizações podem ser simples, às vezes apenas uma máscara ou um chapéu, mas devem representar o personagem com clareza, sem gerar confusão. • O material utilizado para caracterização e cenário deve ser resistente, pois se começar a desmontar em cena roubará completamente a atenção. • Os atores devem falar alto e pausadamente. Devem ficar sempre virados para a platéia. • É interessante ter um "diretor de arte" que comanda as entradas dos atores, o uso de música e os efeitos especiais. • Ficar atento ás reações da platéia, somente recomeçar a falar quando cessarem as risadas e/ou outras intervenções. Dramatização:

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O rei Midas - pg. 85 1 - Trajes Os trajes usados na dramatização são chamados de "roupas de palco", porque, embora sejam simples, na prática são pedaços de tecidos habilmente costurados e moldados no próprio corpo que dão excelente efeito visual no palco. O tecido recomendado é o jersey, que é comercializado em diversas cores, tem um efeito brilhante e, por não desfiar, não necessita de barras e arremates. Outra vantagem é o custo baixo. l.a - Trajes básicos para serem usados por baixo (saias e túnicas) Alguns trajes podem ser colocados sobre a roupa comum do "ator" ou mesmo sobre uma camiseta, outros precisarão ser colocados sobre uma fantasia, que poderá ser uma saia ou uma túnica. Neste caso, as duas fantasias devem ter cores diferentes e bem contrastantes, o que dará um visual muito interessante. l.a.l - A saia é feita a partir de um pedaço de tecido de cerca de 1,60 m x 1 m. Este último é a altura e determinará o comprimento da saia. Nossa medida é para uma mulher adulta de estatura média, para uma criança deve-se diminuir esta medida. 1 .a.2 - A saia será costurada na lateral e depois franzida. Se a roupa for utilizada por diversas pessoas, o ideal é colocar um elástico na cintura. 1m

l.a.3 - Da mesma forma que a descrita para a saia pode-se fazer uma túnica. Ela poderá ser usada por baixo de outra peça de fantasia. Usa-se o mesmo procedimento, porém com as medidas 1,60 m x 1,20 m. Esta túnica deve ser colocada na altura do peito do "ator". Ela ficará "sem ombros" c comprida. l.a.4 - Outra forma de se fazer uma túnica é utilizando dois pedaços de tecido conforme as medidas abaixo. Este modelo cobrirá os ombros e ficará mais curto que o anterior (l.a.3). l.a.5 - Costurar nos lugares indicados pela linha tracejada. O espaço que se deixa de costurar (40 cm) será o lugar das mangas.

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l.a.6 - Os lugares demarcados pelas linhas pontilhadas deverão ser costurados, unindo-se o tecido da frente com o tecido de trás e, posteriormente, franzindo até que fique com uma medida de 3 a 5 cm. Colocar uma fita ou um enfeite nestes pontos de união para dar acabamento.

l.b - Túnicas As túnicas podem ser longas ou curtas e usadas sozinhas ou com outra túnica ou saia por baixo. Nestes casos o ideal é usar sempre cores contrastantes. l.b. 1 - Os modelos abaixo são de túnicas curtas para serem usados sobre outra túnica ou saia. Podem ser feitos com medidas menores de forma que fiquem mais curtos, como uma blusa. () tecido da frente pode ser cortado de forma curva ou em diagonal o que dará efeitos diferentes à roupa. 80 cm 80 cm 80 cm

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l.b.4 - A túnica poderá, também, ser presa em um ombro só. Neste caso, costura-se um dos lados, deixando-se um espaço para a manga, costurando totalmente o outro lado.

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l.b.5 - No local indicado com a linha pontilhada (um dos ombros) costura-se unindo o lado da frente com o de trás. Franze-se até que fique com 3 ou 4 cm. Para dar um acabamento melhor, coloca-se uma fita ou um enfeite. 80 cm 4►

costurar totalmente este lado 20 cm l.b.6 - A combinação dos diversos efeitos (costura em dois ombros ou em um ombro só, barra reta, em diagonal ou arredondada), de diversas cores e a aplicação de efeitos de fitas e bordados dará inúmeros modelos, capazes de vestir de forma diferente vários "atores".

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2 - Coroa Uma coroa de louros é típica para esta caracterização e poderá ser obtida da seguinte forma: 2.a - Fazer uma aro de arame de cerca de 18 cm de diâmetro. Este aro deverá ficar firme, por isso deve-se usar um arame grosso ou várias voltas de arame fino (mais fácil de trabalhar).

2.b - Cortar alguma tiras de cerca de 2 cm de largura de papel crepom verde e envolver o aro, passando um pouco de cola branca. 2.c - Sobre o aro revestido de papel crepom, colar folhas compradas no comércio (do tipo utilizado por floristas). As folhas devem ser de tamanho médio ou grande (cerca de 4 a 8 cm de comprimento).

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3 - Objetos de cena A dramatização usará diversos utensílios: objetos de decoração - vasos, candelabros; objetos de banquete pratos, talheres, copos; alimentos - uvas, maçãs, vinho. Estes objetos terão a característica de se transformarem "em ouro" em cena. Este efeito consegue-se facilmente pintado os objetos com tinta spray dourada ou com purpurina. O efeito de transformação pode ser obtido de duas formas: uma delas é ter os objetos repetidos, um exemplar ao natural e outro dourado. Outra forma é ter os objetos pintados de dourado somente de um lado, conforme a transformação ocorre, vira-se o objeto para o lado dourado. Se desejar, pode-se combinar as duas formas, conforme os atores se sentirem melhor operando-os nas cenas. Ficha Técnica - Velcômetro História demonstrativa Descrição O rei nu São desenhos dos personagens da história em diversas posições que são afixados em um quadro neutro (sem cenário/preto). Tanto os desenhos como o quadro possuem tiras de Como fazer adaptações Personagens operadores Narrador auxiliar Complexidade enredo Complexidade caracterizações Uso da fantasia velcro para possibilitar a adesão. As histórias necessitam de pouca adaptação, podem ser utilizadas conforme estão no texto original. / Aproveitar a técnica em historias que tenham um bom número de personagens. Um único operador dá perfeitamente conta de fazer a narração. Não é técnica que necessite a presença de um narrador auxiliar. do Ajusta-se a histórias de média a alta complexidade. E um recurso superdimensionado para histórias simples. das E a técnica adequada para caracterizações complicadas, pois os desenhos são relativamente fáceis de fazer, de serem obtidos ou copiados do próprio livro. Igualmente permite ser usada com histórias de alto grau de fantasia, pois basta trocar de figura e a mágica estará pronta! Recursos adicionais Não necessita de recursos especiais. Habilidades operadores dos Boa coordenação motora, boa memória. Boa dicção, volume de voz e entonação dramática à narração. É necessário ter ritmo para acompanhar o interesse das crianças, intensificando ou diminuindo certas cenas.

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Local e público É um recurso recomendado para poucas crianças (no máximo 20). Para que todos tenham boa visibilidade, os ouvintes devem fazer um círculo aberto em volta do quadro. Este Interação crianças com deverá ficar cerca 50 cm acima dos olhos das crianças. as E um dos recursos que mais permite a interação dos espectadores com o narrador. As crianças podem ir colocando os personagens conforme se desenrola a trama. Podem desenhar ou pintar as figuras, fazer elas mesmo as figuras para uma história apresentada, Desenvolve Dicas de utilização ou vice-versa: criar uma história para figuras que lhes serão entregues. Atenção, imaginação, habilidade manual e criatividade (nas interações). • Colocar-se ao lado do quadro e ir colocando as figuras sem posicionar-se à frente dele, o que obstruiria a visão das crianças. • Trabalhar cm pé, com as crianças sentadas ou também em pé. • Deixar as figuras bem posicionadas e em lugar de fácil acesso para troca. • Colocar as figuras já utilizadas em local escondido dos meninos. • Misturar a narrativa com a tala dos personagens. Neste caso, escolher uma entonação de voz adequada a cada personagem e mantê-la no decorrer da narração. • Se desejar, as figuras podem ser numeradas no verso, facilitando a sua apresentação. • Tomar cuidado para que os tamanhos de todas as figuras sejam proporcionais entre si. Velcômetro O rei nu - pg. 88 1 - Quadro suporte l.a - Utilizar um quadro de madeira compensada de 0,5 cm de espessura já montado. Ou mandar montar um quadro em eucatex no formato 80 cm x 80 cm. l.b - Cortar um pedaço de feltro preto, deixando uma margem de 5 cm para cada lado do quadro (na hipótese de usar o formato 80 cm x 80 cm o feltro terá 90 cm x 90 cm). l.c - Providenciar uma tira de velcro na cor preta, preferencialmente com 5 cm de largura. l.d - Com giz próprio para tecido, riscar o feltro com linhas verticais de 9 cm em 9 cm. Marcar somente no tamanho do quadro original, não ultrapassando as margens de segurança. Caso a tira de velcro utilizada não tiver 5 cm de largura, dar um espaço proporcionalmente menor entre as linhas, cerca de 5 cm para tiras de velcro de 2 cm.

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exemplo de como as tiras devem ser colocadas l.e - Costurar as tiras a máquina. l.f - Colar o feltro com as tiras de velcro costuradas no quadro utilizando cola de sapateiro. Virar as beiradas para dentro e colá-las.

2 - Figuras

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2.c - Colar um pedaço de velcro no verso de cada figura. O pedaço de velcro deve ser de textura oposta à usada no quadro.

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3 - Peças

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Para usar os desenhos em um quadro de cerca de 80 cm x 80 cm ampliar em 200%.

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Castelo Ficha Técnica - Teatro de sombras História demonstrativa Descrição Os saltimbancos São silhuetas dos personagens da história em diversas posições afixadas em uma haste. Estas figuras são movimentadas em um teatro semelhante ao de fantoches, com uma lâmina tosca na janela e iluminação por trás. A sombra das figuras é que ilustra a ("orno adaptações narração. fazer As histórias devem ser transformadas em diálogos. Para descrever uma cena utiliza-se o próprio personagem. Pode-se utilizar-se um narrador para dar o "fio condutor da história".

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Personagens operadores Narrador auxiliar / Usar histórias que tenham de 4 a 7 personagens. Utilizar 2 a 3 operadores e planejar bem a distribuição de papéis, a fim de não ter um operador com mais de uma figura em cena. Para histórias simples e com menos personagens, um operador pode dar conta. Na maioria das vezes não é necessário, mas, se este for usado, deverá ser um dos operadores e ficar atrás do palco utilizando uma voz bem distinta daquelas empregadas Complexidade enredo Caracterizações Uso da fantasia para os personagens. Não usar figuras para representar o narrador. do Ajusta-se a histórias de média e alta complexidade. Para histórias simples é um recurso que pode se tornar enfadonho. Ajusta-se a qualquer tipo de caracterização, uma vez que só se utiliza de silhuetas. Pode-se usar de muita fantasia, pois o recurso de sombra é rico e fácil de ser preparado.

Recursos adicionais Permite o uso de músicas e efeitos sonoros especiais, cenários e efeitos: recortes de estrelas. fitas balançando, caleidoscópio de luzes, retroprojeção de slides de paisagens, Habilidades operadores Local e público Interação crianças Desenvolve Dicas de utilização com etc. dos Boa dicção, volume de voz e interpretação. Boa coordenação motora e excelente coordenação entre os membros da equipe. Permite a utilização de um texto de apoio. Adequada aos narradores mais tímidos. E um recurso recomendado para poucas crianças (no máximo 20). 0 teatro deve ficar de 50 cm a 1 m acima dos olhos das crianças. as As crianças podem participar da apresentação juntamente com os adultos. Podem fazer as silhuetas, criarem e apresentarem uma história. Pode-se fazer um jogo com reprodução de figuras de animais com as mãos. Atenção, imaginação e criatividade. • Encontrar uma posição confortável para toda a equipe antes do início da apresentação. Ter certeza de ter livre movimentação dos braços. • Deixar os bonecos prontos e em lugar de fácil acesso para troca. • Se necessário, afixar o texto escrito em letras grandes, em local visível para todos e de forma que não seja preciso virar as folhas. • Usar uma entonação de voz para cada personagem e não mudá-la durante a narração. • Manter o boneco em uma altura suficiente para não se ver a haste que segura a figura ou o antebraço do operador. • Entrar e sair com os personagens sempre pelas laterais. • Ter um operador auxiliar para os efeitos especiais e sonoros. • É interessante que pelo menos um educador fique fora da encenação. Ele controlará as crianças mantendo a motivação e auxiliando na disciplina. • As luzes poderão ser apagadas enquanto são feitas as mudanças.

Teatro de sombras Os saltimbancos - pg. 94 1 - Teatro

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O teatro é o mesmo usado para os fantoches, com os acessórios abaixo. O teatro montado com estes acessórios ficará reversível, ou seja, ele poderá ser usado normalmente para fantoches e também para sombras, quando as peças forem colocadas. l.a - Placa de acrílico l.a.l - Cortar um acrílico branco leitoso de espessura 0,5 mm e no formato 70 cm x 40 cm. l.a.2 - A placa de acrílico será afixada em pequenos ganchinhos de metal ou plástico pregados na abertura frontal do teatro. Estes ganchos são encontrados nas lojas de material de construção.

1.b. - Conjunto de luz l.b.l - Nas laterais do teatro deverá haver uma peça de cada lado, nas medidas indicadas no desenho da página ao lado, que serão os engates. 1 .b.2 - Estes engates suportarão uma peça de madeira nas medidas 82 cm x 8 cm x 1 cm de espessura (descrita no desenho A da página ao lado) . Nesta barra será afixado um soquete com respectivo fio e interruptor. No soquete colocase uma lâmpada de 150 wats.

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Ficha Técnica - Dobradura História demonstrativa Descrição Adaptações A lenda do Tsuru Os personagens são feitos de dobraduras e a narração é auxiliada por elas. Não há necessidade de adaptações, muitas vezes pode-se usar o texto original.

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Personagens operadores Narrador auxiliar Complexidade enredo Caracterizações Uso da fantasia Recursos adicionais Habilidades operadores Local e público Interação crianças Desenvolve Dicas de utilização com / Geralmente esta técnica é utilizada somente por uma pessoa. Ela poderá ir fazendo as dobraduras à medida que conta a história ou já tê-las prontas. A história poderá ter de 1 a 4 personagens conforme a dificuldade da dobradura e a habilidade do narrador. Não se aplica a esta técnica. do A complexidade da história está muito ligada às habilidades do narrador. As histórias simples ganham com o recurso das dobraduras e as complexas podem ser melhor entendidas. Não se usa caracterizações. É uma técnica que pode limitar o uso da fantasia. Geralmente não se usa outros recursos com a técnica de dobradura. dos São muitas. Habilidade manual para fazer as dobraduras. Aptidão para fazer a narração: boa dicção e volume de voz, concentração e memória. Coordenação entre a narração e a execução do trabalho manual. Trabalha-se em cima de uma mesa ou no centro de um semicírculo formado pelas crianças. Bons efeitos são produzidos com um número pequeno de ouvintes: entre 6 a 12. as As crianças também podem fazer dobraduras antes ou depois da narração. Quando existem muitos personagens iguais cada criança pode fazer sua dobradura e participar indiretamente: sendo os carneirinhos de um rebanho, os "sapos" de uma lagoa, etc. Atenção, imaginação, dedução. Habilidade manual, coordenação motora e de equipe (nas interações). • Empregar a técnica somente quando estiver absolutamente seguro de sua confecção. • Manter o material para as dobraduras organizadamente à mão e não visível para as crianças. • Se for desenvolver as dobraduras durante a narração, ter modelos de reserva prontos para o caso de imprevistos. • No caso de utilizar as dobraduras já prontas, tê-las organizadamente à mão e não visíveis para as crianças. • Quando um personagem não mais entrar em cena, guardá-lo longe da vista do público. • Acomodar a audiência de forma estratégica, para que todos possam ver as pequenas peças. Ficar sempre em posição oposta à audiência. • Tomar cuidado com o manuseio das peças: os braços devem ficar bem esticados, evitando que o próprio corpo tape a visão dos expectadores. • Não dar pausas na narração para fazer as dobraduras. • Não dar um intervalo muito longo entre o início da narração e o momento que a dobradura será apresentada pronta. As seguintes alternativas podem ser usadas: vir com a dobradura inicial semipronta; ter um início que coadune com o papel tal e qual (sem dobraduras); ter uma introdução mais longa, que permita suportar os primeiros passos. A história do Tsuru pode ser contada enquanto o narrador executa a dobradura cujos passos se seguem procurando coincidir o final da história com a conclusão da dobradura, que formará uma garça.

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Ficha Técnica - Marionete História demonstrativa Descrição Como fazer adaptações Personagens operadores Vovó Sapateadora São bonecos movimentados por fios amarrados nos pés, mãos e cabeça. Geralmente seus operadores ficam em pé atrás do palco, ocultados por uma cortina. As histórias devem ser transformadas em diálogos entre os personagens. Para descrever uma cena utiliza-se o próprio personagem. / Usar histórias que tenham de 3 a 5 personagens. Utilizar 2 a 3 operadores que não devem manusear mais que 2 personagens. Deve-se fazer um planejamento na divisão de papéis de modo a cada operador estar somente com um personagem no palco por vez.

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Narrador auxiliar Preferencialmente o narrador deve ficar do lado de fora para liberar espaço atrás do teatro. Na utilização de um narrador marionete deve-se usar um personagem bem diferente para não dar confusão: um bichinho nas histórias com pessoas, um mestre de Enredo Complexidade caracterizações Uso da fantasia Recursos Habilidades operadores Local e publico cerimônias, etc. Ajusta-se a histórias de média complexidade. das Ajusta-se a histórias com caracterizações complexas. Os trajes podem ser mais sofisticados, pois são simples de fazer e econômicos. Como as marionetes são esguias e ficam em pé, são elegantes e podem mudar de roupa durante a apresentação. Ajusta-se a histórias com uma boa carga de fantasia. Com as marionetes pode-se fazer praticamente tudo e elas fazem movimentos incríveis. Permite o uso de música e de efeitos sonoros diversos. dos Boa coordenação motora e excelente coordenação entre os membros da equipe. Boa dicção, volume de voz e interpretação. Adequada aos narradores mais tímidos. E recomendado para poucas crianças (no máximo 20). O teatro deve ficar no chão e o público acomodado em semicírculo a sua frente. Não colocar alguma criança muito perto, Interação Desenvolve Dicas de utilização pois ela poderá querer tocar nos bonecos, o que distrairia a atenção dos demais. E uma técnica que explora o encantamento e permite pouca interação com a platéia. Senso estético, atenção e imaginação. • Os operadores devem procurar uma posição confortável em pé atrás da cortina. • Treinar muito o controle dos movimentos dos bonecos através dos fios. Fazer movimentos coordenados com as falas. • Testar antes do início o volume de voz adequado, lembrando que a cortina abafa o som. • Movimentar as marionetes com corpo ereto para proporcionar melhor clareza na voz, • Deixar os bonecos prontos e em lugar de fácil acesso para troca. • Se houver troca de roupas, uso de objetos e de som, utilizar um assistente. • O texto poderá ser escrito com letras grandes e afixado em local visível para todos, de forma que não necessite virar as folhas. • Dar uma entonação de voz para cada personagem e não mudá-la durante a narração. • Cuidar para que a mão e o antebraço do operador fiquem ocultas atrás da cortina. • Entrar e sair com os personagens sempre pelas laterais. Esperar a entrada na "coxia". • Movimentar o boneco de acordo com a história: virar o corpo na direção de quem está falando, abrir os braços nas exclamações, colocar a "mão" na boca nas surpresas, etc. • Um educador pode ficar fora da encenação, mantendo a motivação e a disciplina. 1 - Estrutura do corpo l.a - O corpo é feito cm feltro cor bege (cor de pele). Os moldes abaixo devem ser recortados em feltro duplo.

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Ampliar estes desenhos duas vezes. 1 .b - Costurar as laterais deixando somente a parte do pescoço aberta. Encher o corpo com serragem, batendo muito bem para que a serragem fique bem prensada. 1 .c - Colocar uma cabeça comprada no comércio (casa de materiais para confecção de bonecas) na fenda aberta do corpo e afixá-la com cola quente. l.d - Os braços e as pernas são feitos de tecido "pluminha". A diferença entre os tecidos do corpo e dos membros é necessária porque o tórax precisa ser firme e os membros, ao contrário, flexíveis para dar movimento. l.e - Os braços devem ser obtidos a partir de um retângulo de 10 cm por 5 cm e as pernas de um retângulo de 20 cm por 5 cm.

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l.f - Costurar as laterais do braço e nas extremidades colocar mãos de plástico compradas no comércio (casa de material para confecção de bonecas).

1 ,g - Costurar as laterais das pernas e fechar uma das extremidades. Encher 1/3 do tubo formado com flocos de espuma, bolinhas de isopor ou mesmo serragem. l.h - Com os braços e pernas prontas, resta montar o boneco costurando os braços e as pernas nos locais apropriados.

2 - Montagem dos bonecos 2.a - Bailarinas 2.a.l - As três bailarinas usam roupas idênticas, porém a Camila, por ter um papel especial, usará duas "trocas" de roupa e terá pequenas diferenças na execução.

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2.a.2 - O corpete do "tutu" das três bailarinas é igual e deve ser cortado seguindo-se o molde abaixo em veludo na cor desejada. Costurar as laterais e enfiá-lo na boneca. Colar a parte superior do corpete dobrando para dentro as extremidades para dar um melhor acabamento. 2.a.3 - Unir as extremidades inferiores do corpete com um ponto de cola formando uma "calcinha". 2.a.4 - Colar uma fita ou tira de lantejoulas em volta do parte superior do corpete e fazer as alcinhas com o mesmo material. 2.a.5 - Colar uma tira de velcro na cintura da bonequinha que será a Camila.

2.a.6 - A saia é feita de tecido fino na mesma cor do corpete e será cortada na diagonal com o tecido dobrado quatro vezes utilizando o molde abaixo. Para uma saia utiliza-se um pedaço de tecido de cerca de 90 cm x 25 cm. Prestar atenção para posicionar o molde na dobra do tecido.

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2.a.7 - Costurar as laterais das três saias. Duas delas deverão ser fechadas nos dois lados e a saia da Camila deverá ficar com uma das laterais aberta. 2.a.8 - A barra da saínha é feita costurando ou queimando-a na base de uma vela (isto se o tecido fino usado for sintético). É conveniente experimentar antes!

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2.a.9 - As saias deverão ser franzidas até que fiquem do tamanho da cintura da marionete. As duas fechadas já poderão ser coladas na cintura das bonecas. Para dar o acabamento cola-se uma fita de cetim da mesma cor que a da saia, deixando duas pontas de cerca de 10 cm na parte de trás para dar um lacinho. 2.a. 10 - Saias da Camila 2.a.l0.1 - Medir o comprimento da fita de velcro colada na cintura da marionete que será a Camila e cortar a outra parte de velcro na mesma medida. 2.a.l0.2 - A saia aberta, que será destinada à Camila, deverá ser franzida até ficar do tamanho da tira de velcro cortada conforme as instruções do item anterior e depois deverá ser colada ou costurada sobre ela. Dar acabamento com a fita de cetim da mesma cor da saia, que deverá exceder cerca de 15 cm de cada extremidade de modo a permitir que se dê um lacinho atrás.

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2.a.l0.3 - A Camila usará uma saia diferente no início da apresentação, por isso faz-se outra saia com idêntico procedimento ao usado para a saia de ballet com um tecido bem diferente, estampado e/ou de outra cor. Devido ao pedaço de velcro na cintura de Camila as duas saias poderão ser trocadas conforme a cena exigir. 2.a.11 - Sapatilhas 2.a.11.1 - As melhores sapatilhas são miniaturas que podem ser compradas em casas de artigos para bailarinas. Porém, se isto for muito difícil, pode-se fazer sapatilhas de feltro utilizando-se o molde abaixo.

Moldes em tamanho natural molde B

2.a.11.2 - No molde A unir os dois lados da fenda central. Colar o molde em volta do pé, virar para baixo o tecido restante e colar a sola (molde B). 2.a. 11.3 - Trançar uma fita fininha da mesma cor da "sapatilha" em volta da perna e colar as suas extremidade dentro da "sapatilha". As outras extremidades das fitas deverão ser usadas para dar um lacinho na parte traseira das pernas.

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2.a. 12 - Cabelo O cabelo deve ser de canecalon e cada bailarina terá uma cor de cabelo diferente: uma será morena, outra ruiva e outra loira. Existem algumas perucas prontas, mas ele também pode ser feito como se segue: 2.a.l2.1 - Enrolar os fios de canecalon em uma régua (dar de quinze a vinte voltas). 2.a.l2.2 - Por dentro do anel formado passar uma linha comum e dar um nó.

2.a. 12.3 - Colar o anel formado na cabeça da boneca no lado do anel que tem o nó. Cortar a extremidade oposta do anel.

2.a.l2.4 - Repetir a operação várias vezes, até encher a cabeça.

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2.a.l2.5 - Se desejar-se um "penteado" mais longo deve-se fazer os anéis maiores enrolando o fio de canecalon em algo mais largo que uma régua.

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2.b - Gogó 2.b - A roupa da Gogó é feita de forma semelhante à das bailarinas, mudando somente o tecido que poderá ser escuro ou de cor viva. Para o corpete usar um tecido mais firme do tipo brocado, renda ou veludo; para saia, mangas e echarpe usar um tecido fino. 2.b. 1 - O corpete do vestido deverá ser cortado conforme o molde abaixo no tecido mais firme, e as mangas, conforme as medidas abaixo, no tecido mais fino.

2.b.2 - Na peça cortada para o corpete, virar o tecido para dentro nos locais indicados com a linha tracejada, fazendo uma pequena bainha (costurando ou colando). 2.b.3 - Costurar cada uma das mangas unindo a lateral A com a lateral B. Franzir a parte inferior e a parte superior o suficiente para ser colocado no braço da marionete.

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2.b.5 - Montar o corpete colando-o no corpo da boneca onde as mangas já se encontram coladas. Colocar um ponto de cola na parte superior da blusa, unindo a com a' e b com b'. Como no corpete da bailarina descrito em 2.a.3, colocar um ponto de cola nas extremidades inferiores formando uma "calcinha".

2.b.6 - Fazer uma saia de forma idêntica a das bailarinas seguindo as indicações de 2.a.6 a 2.a.9. 2.b.7 - No mesmo tecido da saia cortar uma tira de l0cm x 30 cm. Queimar as beiradas com vela (se o tecido permitir) ou fazer a bainha. Colocar no pescoço da Gogó, pois esta será a sua echarpe. 2.b.8 - O sapato de Gogó é de salto alto e também pode ser comprado em casas de artigos para bailarinas. Outra opção é usar sapatos de gesso vendidos no comércio. 2.b.4 - Para fazer a blusinha, colar inicialmente as mangas nos braços da boneca.

2.b.9 - O cabelo deverá ser feito da mesma forma que a descrita para a bailarina.

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2.b.l0 - A boneca poderá opcionalmente usar um chapéu que é encontrado pronto nas lojas que vendem artigos para confecção de bonecos (onde também se vende as cabeças). Neste caso, basta colocar alguns cachinhos na frente para o cabelo. 2.c - Vovó Santinha 2.c.l - A roupa da vovó também é semelhante às anteriores. A blusa é do mesmo modelo que a descrita para "Gogó" em 2.b, só que de outro tecido, que preferencialmente deve ser de cor lisa e brilhante. 2.c.2 - Ela também utilizará duas saias, por isso, assim como a Camila, deverá possuir uma tira de velcro na cintura. 2.c.3 - As saias são idênticas às da Camila. Uma deverá ser bem simplesinha, de um tecido de florzinhas miúdas ou de xadrez discreto. A outra, que será usada na apresentação, deverá ser brilhante, exuberante, em uma cor que combine com a blusinha. Assim como as saias de Camila, elas deverão ter velcro para serem colocadas e tiradas com facilidade. 2.C.4 - A vovó usará um adereço na cabeça quando fizer a sua apresentação. Ele será feito cortando-se duas tiras nos seguintes formatos e tecidos: 2.C.4.1 - Dobrar as tiras no sentido da largura de modo que o direito do tecido fique para dentro e costurar no sentido do comprimento. Virar as duas tiras que mostrarão o "direito" do tecido. 2.e.4.2 - Medir a tira mais fina na circunferência da cabeça da vovó, no sentido do topo da cabeça para o pescoço, cortar o excedente. Costurar ou colar um pequeno pedaço de velcro em cada um dos lados da fita formada.

Tecido brilhante usado para a saia O adereço ficará como uma "tiara" fácil de colocar e tirar. 2.C.4.3 - Franzir a tira mais larga de modo que ela forme uma espécie de flor, colá-la na tira de pano e está pronto o enfeite da vovó, que deverá ser colocado somente no momento em que ela fará o seu sapateado.

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2.C.5 - A vovó também usará sapatos miniaturas do tipo usado para sapateado comprados em casa onde se vende artigos para bailarinas. Se isso não for possível, comprar sapatos comuns de bonecas e enchê-los com durepóxi. Fixá-los nas pernas da vovó. Este sapato precisa ser pesado pois é o que fará a vovó sapatear. 2.c.6 - Finalmente, a vovó usa um xale na primeira cena, para esconder a blusinha brilhante, reforçar a aparência de velhinha e causar maior surpresa quando aparecer dançando. O xale poderá ser feito de um tecido aflanelado nas medidas abaixo ou tecido em crochê, utilizando-se uma lã fina em uma cor combinando com a saia número um da vovó. Pode-se adicionar uma franja nos lados em diagonal.

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2.d - Charles Como é o único homem da história, deve ser confeccionado de acordo com o molde descrito em l.a (corpo de rapaz). 2.d.l - A calça do tipo "training" deverá ser feita em tecido de malha (pode ser uma camiseta velha colorida) e será cortada utilizando-se o molde ao lado. 2.d.2 - Costurar nas linhas tracejadas e fazer uma bainha larga nas linha pontilhadas. Passar um elástico nas extremidades das duas pernas e na cintura da calça. Vestir o professor Charles. 2.d.3 - A camiseta será feita com tecido de uma camiseta branca utilizando o modelo abaixo 2.d.4 - Costurar nas linhas tracejadas. Se for possível cortar a camisetinha utilizando a manga de uma camiseta normal, o acabamento da manga da camiseta comum dará um interessante acabamento à pequenininha (neste caso, fazer a camiseta dois centímetros mais curta do que está no molde). Vestir o boneco.

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2.d.5 - O sapato do professor também pode ser encontrado em casas de artigos de ballet ou pode-se utilizar sapatos masculinos para bonecas. 2.d.6 - O cabelo é feito com fio de canecalon preto, feito do mesmo modo que o usado para o cabelo da bailarina (2.a.l2), porém com um "corte" mais curto. Para conseguir isto, em lugar de enrolar o fio de canecalon em uma régua, conforme descrito em 2.a.l2.1, enrolá-lo em um objeto que forma um anel menor (o cabo de um garfo ou um batom, por exemplo).

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3 - Sistema de movimentação A movimentação é feita através de fios amarrados nos membros e na cabeça dos marionetes e nas extremidades de duas madeiras em forma de cruzeta, conforme a seguinte descrição. 3.a - A cruzeta é feita a partir de duas madeiras nas medidas abaixo:

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3.b - As madeiras deverão possuir pequenas fendas para melhor fixação dos fios. Estas fendas deverão ser feitas nos dois lados da madeira e a uma distância de 1 cm de cada extremidade, conforme mostra o desenho. Na madeira maior deverá haver, também, uma fenda no centro (12,5 cm da extremidade). 3.c - As duas madeiras deverão ser cruzadas (colando-as ou pregando-as), observando-se a posição adequada no desenho ao lado. 3.d - Amarrar os fios nas extremidades dos braços, das pernas e no centro da cabeça. Pode-se usar cordonel colorido, preferencialmente na cor do tecido da cortina menor que fica na parte traseira do teatro. 3.e - Amarrar os fios na cruzeta de madeira conforme mostra os desenhos. perna direita

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4 - Teatro 4.a.l - O teatro é feito com uma estrutura de canos de PVC firmados em tubos mais largos afixados em latas de tinta (galão) repletas de cimento. 4.a.2 - Cortar um pedaço de cano de PVC de 1 polegada de diâmetro e de 35 cm de comprimento. 4.a.3 - Encher a lata com cimento e colocar o cano antes que ele endureça. Mantê-lo no centro da lata até que o cimento fique resistente.

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4.b - A estrutura é feita de canos de PVC de 3/4 de polegada unidos por cotovelos de mesmo material c diâmetro. As peças têm as seguintes medidas:

4.c - As cortinas são duas, uma para a parte traseira e outra para a parte dianteira. 4.c. 1 - A cortina da parte traseira deve ser feita em tecido de cor preferencialmente lisa, nas medidas de 3 m x 1,2 m. Fazer a bainha na parte inferior do tecido e, na parte superior, fazer uma bainha bem maior, com cerca de 10 cm de largura, pois o tubo de PVC será introduzido nela 15 cm para a bainha superior 5 cm para a bainha inferior 4.c.2 - A cortina frontal deverá ser feita de um tecido bem vistoso (lamê, veludo ou cetim estampado) e será composta de três panos: dois laterais longos, que fazem as vezes de coxia (onde os bonecos podem ficar esperando para entrar, sem serem vistos), e outro bem mais curto, que forma um babado superior com objetivo de decorar o teatro. As medidas de cada peça são as seguintes:

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Cortar uma vez 85 cm 4.C.3 - Da mesma forma que o descrito para a cortina traseira (4.C.1) a barra inferior deve ser feita normalmente (gastando cerca de 5 cm de pano) e a superior deve ser larga (gastando cerca de 15 cm do pano) uma vez que nela será introduzido o cano de PVC.

4.d - O teatro possui um tablado que deverá ser feito nas medidas abaixo. 4.e - Ele será apoiado em duas madeiras de 3,5 cm x 1,5 cm x 45 cm e duas de 3,5 cm x 1,5 cm x 26 cm para que fique levantado do solo.

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Depois de pronto, nosso teatro terá a seguinte aparência: 5 - Placas utilizadas em cena 5.a - As placas que dão um toque divertido na cena podem ser conseguidas ampliando-se em 300% os desenhos abaixo. 5.b - Elas devem ser coloridas com canetinha hidrográfica e coladas uma na outra, formando uma placa "frente e verso". Para maior durabilidade, elas podem ser plastificadas com papel adesivo transparente. 5.c - Furar nos locais indicados e colocar um cordão resistente, de forma que a placa possa ficar "em cena" e ser virada no momento certo, modificando a mensagem.

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Ficha Técnica - Cineminha Descrição 1 . usada para valorizar bons livros, textos, boas gravuras e ilustrações. São gravuras de formato igual e predeterminado, coladas umas às outras para formarem um "filme". Este é colocado no cineminha de modo a expor as gravuras uma a uma, à medida em que o Como adaptações narrador desenvolve a história. fazer Nesta técnica, muitas vezes o narrador segue o texto original, sem necessidade de fazer adaptações. Porém, se as fizer, estas devem aproximar-se o máximo possível do que as gravuras descrevem. Personagens operadores Narrador auxiliar Complexidade enredo / É indiferente o número de personagens. Usa um narrador e opcionalmente um operador do cineminha. Não se utiliza um narrador auxiliar, pois é uma técnica conduzida por uma só pessoa. do Ajusta-se a histórias de grande complexidade, em que se deseja valorizar os desenhos originais ou o texto original do autor.

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Uso da fantasia Muito adequada ao uso da fantasia, pois valoriza as gravuras existentes ou, se elas forem criadas, podem transmitir tudo aquilo que o texto necessita. Recursos adicionais Não se utiliza para não concorrer com o texto ou com as gravuras que se deseja ressaltar. Habilidades operadores Local e público Interação crianças Desenvolve Dicas de utilização com dos Aquelas comumente encontradas em um bom narrador: boa dicção, boa entonação, LISO dramático dos gestos e da voz. Pode-se recorrer a um operador que lide com o cineminha enquanto o contador narra o conteúdo da história. Nesta técnica trabalha-se com um número bem pequeno de participantes (10 no máximo). Permite trabalhar apenas com uma ou duas crianças. as As crianças podem fazer um filme para ser usado em outra seção de cinema, inspirando se na que foi apresentada. Podem-se apresentar somente as gravuras e elas contam (criam) a história. Atenção, imaginação, informação cultural, senso do belo e criatividade (no uso das interações). • As crianças devem ficar muito próximas do cineminha, sentadas em círculo. • O narrador deve ficar sentado na mesma altura que as crianças. • Verificar antes se o filme está correndo bem nas engrenagens internas do cineminha, para evitar que este se enganche e distraia a atenção das crianças. • Ficar em uma posição que dê para ver o semblante das crianças mas também a gravura que se encontra em exposição. • falar em volume compatível para uma boa audição, com boa dicção e dando entonações adequadas à voz. • Valorizar sempre o artista que fez a gravura e o autor do texto. Se for o caso de o autor ser notório, conhecido, dar uma pequena descrição do mesmo. 1 - Caixa do cineminha l.a - Em madeira compensada de 8 mm de espessura, recortar 4 peças nas medidas ao lado, elas serão as laterais, teto e piso do teatro.

1.b - A peça frontal devera ser recortada na mesma madeira e nas seguintes medidas:

l.c - Montar a caixa do cinema.

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1.d - Cortar 2 pedaços de cabo de vassoura de 38,5 cm, lixá-los nas extremidades para que se encaixem exatamente no interior da caixa. Eles serão colocados acima e abaixo da janela frontal da caixa (distante cerca de 0,5 cm da frente do cinema), como mostra o desenho. Eles serão as guias do filme que correrá entre eles e a estrutura do cinema.

l.e - Fazer três orifícios de 4 cm de diâmetro nas laterais da caixa, conforme mostram os desenhos. Dois serão do lado esquerdo e um do lado direito. lado esquerdo

1.f - Na parte superior do lado direito haverá um orifício maior, conforme demonstram os desenhos. A razão é para dar maior comodidade na remoção e colocação da haste que conterá o "filme". lado direito

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l.g - Cortar mais 2 pedaços de cabo de vassoura de 50 cm. Em um deles colocar perpendicularmente um pedaço de madeira de cerca de 10 cm x 2 cm, que será a borboleta. l.h - A haste formada pelo pedaço de cabo de vassoura onde foi colocada a "borboleta", ficará na parte inferior da caixa do cineminha e será aquela que tracionará o "filme". Deixar a outra haste fora da caixa, nela será enrolado o filme. O conjunto será colocado na parte superior da caixa. C) desenho abaixo poderá demonstrar melhor:

2 - Rolo de filme 2.a - As medidas do cineminha estão projetadas para um rolo de filme feito com papel formato A 4 ( 210 x 297 mm). Ele será composto de cópias dos desenhos do livro escolhido ou em desenhos feitos em folhas avulsas. 2.b - Depois de ter todas folhas desenhadas ou copiadas elas deverão ser unidas, no sentido da largura, com cola ou fita adesiva. O rolo deverá ser formado ao contrário, isto quer dizer que a primeira folha do rolo será a última da história e a que contém o desenho que iniciará a história, a última do rolo. Colocar uma folha em branco no início e outra no fim do rolo, estas folhas serão utilizadas para fixação nas hastes respectivas.

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2.c - Fixar a folha em branco colocado no início do rolo (fim da história) na haste que estava fora do conjunto. Enrolar o filme nesta haste e colocá-la no lugar apropriado. Passar o filme pelas hastes guias (aquelas que estão posicionadas bem perto da parte frontal do cineminha) e, finalmente, fixar a folha em branco inicial na haste que fará a tração. Conforme o desenho ao lado.

Depois de pronto o cineminha poderá ser pintado e decorado de forma bem alegre. GAROTOS O Pote de Baiaré No estado do Mato Grosso, na tribo dos índios Parecís, havia um jovem muito franzino: pequeno, fraquinho e também muito tímido. Além do mais, ele nunca conseguia realizar as bravuras que os índios geralmente conseguem. Na verdade, faltava-lhe coragem. Este índio, cujo nome era Itaguyrá, que quer dizer pássaro de pedra, era covarde. Muitas vezes nem iniciava uma coisa, porque tinha muito medo de não conseguir terminar, e o fracasso não lhe agradava. Por isso, Itaguyrá vivia triste, olhando para seus amigos índios fortes, com braços musculosos, com muita, muita vontade de ser assim. Um dia, sua mãe o pegou com uma lágrima nos olhos (os índios detestam ser vistos chorando) e isto fez com que ele contasse o motivo do seu sofrimento a ela. A índia aconselhou Itaguyrá a procurar o pajé. Ele era sábio e haveria de encontrar uma solução. - Estes homens estão assim belos, fortes, corajosos e seguros porque beberam do pote de Baiaré, falou o pajé. - E o que contém o pote de Baiaré? perguntou o fracote. - Não sei, ninguém sabe, só quem bebe sabe. - E onde eu posso encontrar esse pote? - Maiarú. O Pajé dos pajés, disse o índio consultado. - E onde vou encontrá-lo?, perguntou o indiozinho. - Você está vendo aquela montanha? Lá no seu topo fica Maiarú. - Mas esta montanha é muito pedregosa, muito íngreme, em certos trechos a mata é muito fechada, eu não vou conseguir subir. - Bem, faça como os outros, exercite-se! - Como?

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- Eu vou ajudá-lo. Você está vendo esta folha? e apontou para uma das milhares de folhas de uma laranjeira. Quando o primeiro raio de sol refletir nas gotas de orvalho desta folha, diga o meu nome e eu aparecerei para lhe dizer como subir no penhasco. - Mas existem muitas folhas nesta laranjeira. Tem que ser esta? - Esta. Só serve esta. - Como eu vou conseguir identificá-la amanhã? - Se você quer beber do pote de Baiaré, faça como os outros. Eles conseguiram! E o pajé, fazendo um gesto brusco com as duas mãos, sumiu em uma fumaça cor de ferrugem, deixando o nosso amigo Itaguyrá desacorçoado. Eu vou desistir, pensou. Já de costas, pronto para correr, lembrou da fisionomia de sua mãe, tão doce, dizendo: "Se os outros podem, você também vai conseguir: Tudo que um índio Pareci pode fazer, outro Pareci pode também. Essa é a lei que índio nenhum pode mudar, resistiu à época das trevas e à das águas, índio nenhum pode mudar." Isto o fez voltar-se novamente para a laranjeira, arrependido por ter perdido de vista a folhinha que o pajé apontara. Agora seria impossível achá-la. Mas, para a sua surpresa, uma das folhas ainda balançava ligeiramente, enquanto as outras, as milhares de outras, estavam absolutamente imóveis. - É ela, eu sei que é ela, e agora eu não vou perdê-la mais! E o indiozinho passou a noite toda a vigiá-la, nem piscar ele piscava, com medo de não conseguir achá-la novamente. A noite estrelada e o farol da lua foram seus aliados naquela noite. E, quando o manto da noite começou a escorregar para cobrir outras terras, os raios de sol apareciam fraquinhos e Itaguyrá, atento, pôde ver quando um deles atingiu as pequenas gotículas de orvalho que estavam em sua folha, formando um minúsculo arco-íris que ele nunca havia se dado conta que existisse. Nesse exato momento, não esperou mais nada para gritar: Pajé! E imediatamente a fumaça cor de ferrugem apareceu trazendo no seu interior o feiticeiro que, sem falar palavra, tinha o seu braço esticado apontando claramente que ele deveria seguir nesta direção. Itaguyrá caminhou na direção indicada, sendo seguido pelo pajé até chegar ao caudaloso rio que banhava a vila indígena. Na beira do riacho, o pajé continuou com o braço esticado e com o dedo em riste sem dizer palavra. Itaguyrá parou, perplexo, porque não sabia nadar, mas o gesto do pajé não poderia indicar outra coisa que não fosse ele se jogar no rio. Itaguyrá ficou por vários minutos suando frio e olhando para o pajé, que não dava o menor sinal de mudar de opinião. Pensando que morrendo daria menos desgosto à sua mãe do que se desistisse, Itaguyrá lançou-se no rio para terminar, de uma forma até merecida, a sua estúpida vida. Itaguyrá foi ao fundo como uma pedra e ficou maravilhado com o que via ao seu redor. O fundo do rio era adornado com pedras redondas e brilhantes, onde plantas compridas bailavam ao balanço das águas e os cardumes de peixes coloridos pareciam sorrir dando graças à sua união. - E tudo tão bonito, pensou. E eu vou morrer bem agora? Não! E, com essa idéia fixa, começou a agitar desesperadamente os braços até que começou a alcançar novamente a superfície do rio. Olhou para a beirada e encontrou o Pajé de braços cruzados, corpo ereto, cabeça projetada para trás, mas com uma estranha contração nos lábios, que, se não fosse ele o pajé, poderia se dizer que estava esboçando um sorriso. Itaguyrá pensou que o pajé fosse lhe dar a mão e puxá-lo do rio, livrando-o desta situação tão constrangedora, mas o velho índio não descruzou os braços (e tampouco diluiu a estranha contração estampada na face).

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E a correnteza do rio foi levando Itaguyrá rio abaixo. O menino desesperado batia freneticamente os braços, procurando manter-se na superfície. E, quando estava quase dominando as águas, percebeu que o rio se precipitava em direção a sucessivas quedas, onde suas águas faziam de tudo para superar enormes pedras irregulares e em declive. - É o fim, pensou. E parecia ser o fim mesmo. As águas viraram Itaguyrá de cabeça para baixo, de lado, fizeram com que ele desse várias cabeçadas em pedras e virasse esplêndidas cambalhotas, ora de frente e ora de costas, e a quantidade de água que o índio bebeu lhe pareceu suficiente para secar ao menos metade do rio. O corpo lhe doía e o fim parecia estar certo. Itaguyrá resolveu aplicar um pouco mais o desajeitado movimento que havia aprendido. E, enquanto conseguisse aguentar, se "chacoalharia", já que isto o mantinha na superfície. Após muitas batidas e tombos, Itaguyrá percebeu que não precisava fazer mais tanto esforço. Olhou ao redor e viu que as águas à sua volta estavam calmas, o cenário de pedras havia se transformado em uma enorme represa cercada de relva verde, adornada com flores rosas e vermelhas. - Eu consegui? Pena que o pajé não viu. Mas foi só fixar o olhar na margem para ver melhor a fumaça cor de ferrugem se formando, e de dentro dela retumbava fortemente a voz do pajé: - Amanhã no mesmo lugar! E no dia seguinte lá estava Itaguyrá na margem do rio, cheio de marcas, cortes e dores pelo corpo. Mas elas eram só externas, porque dentro, no seu coração, ele estava mais feliz. - E agora, pajé, vai me levar ao Pajé dos pajés para que eu possa beber do pote de Baiaré? Sem responder, o pajé apontava novamente para o rio, dando a entender que o índio precisava se jogar de novo. E o índio se jogou, se debateu, afundou e viu novamente o leito do rio, e maravilhou-se novamente. E subiu à superfície e se chocou nas pedras, e rolou nas quedas, mas dessa vez (ele não sabia porquê) as coisas foram mais fáceis. E por muitas e muitas luas o pajé mandou o índio retornar e repetir, sem direito a nenhuma palavra, a sua penosa corrida. Até que raiou o dia em que o pequeno Pareci não mais sentia medo de atirar-se no rio. Na verdade, sentia até prazer, e com muita facilidade percorreu o trajeto que anteriormente havia vencido com muita dificuldade. E neste dia, para sua surpresa, o velho pajé não se encontrava na margem. - Puxa, pensou, hoje que deslizei pela superfície do rio qual uma vitória régia em noite de verão e cruzei as corredeiras tal como um peixe em época da piracema, o pajé não está aqui para ver! Sem saber o que fazer, uma vez que seu orientador aparentemente havia sumido, o pequeno índio sentou em uma pedra e ficou a admirar a beleza do rio. Refletida nas águas, viu a imagem de um homem forte, musculoso. Admirado olhou para trás e nada viu. Mas o homem continuava lá! Que novo mistério o aguardava agora? Entediado, jogou uma pedra na imagem e percebeu que ela repetia o mesmo gesto. Desconfiado, agitou o outro braço e viu que a imagem o mesmo fazia. De repente, caiu extasiado. O homem musculoso era ele! As loucas corridas o transformaram naquele homem forte que sempre desejara ser! - Preciso esperar o pajé para me indicar o caminho para ir ter com o Pajé dos pajés e beber do pote de Baiaré. E Itaguyrá esperou dias e dias, até que resolveu desistir: o pajé com certeza não quer que eu suba. Voltando para casa, desconsolado, encontrou sua mãe, a quem contou sua sina. A senhora, que amassava milho com seu pilão, sem levantar os olhos do seu trabalho, opinou: - Acha, meu filho, que o pajé deu ordens para que os outros índios lá subissem?

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Em pé diante da íngreme montanha que estava por escalar, Itaguyrá não sabia o que sentia. Seria medo? Excitação? Ansiedade? Uma coisa era certa: se ele fosse capaz de vencer a escalada pedregosa, finalmente poderia beber do pote de Baiaré e seria, em seguida, forte e corajoso como seus amigos que tanto admirava. As primeiras aglomerações rochosas foram fáceis. Itaguyrá calculava cuidadosamente cada parte de sua trajetória e uma vez escolhido o grupo de pedras mais aproveitável segurava com firmeza na pedra mais alta que podia alcançar e, em um golpe só, elevava seu corpo agilmente para firmar seus pés em um patamar mais alto. Mas, pouco a pouco, o desafio tornava-se maior. As pedras não estavam mais próximas umas das outras e Itaguyrá via-se à frente de inúmeros paredões onde era impossível agarrar-se ou apoiar os pés visando saltar adiante. Itaguyrá fez cordas grossas trançando pedaços de cipó que pendiam das árvores. Com a corda feita, ele laçava uma pedra pontiaguda e tinha apoio para subir em paredes praticamente verticais. A medida que a floresta se adensava, as pedras diminuíam e a subida ficava mais amena. Quando Itaguyrá pensou em descansar e começar a saborear o que seria sua conquista, um urro ecoou, distante, mas sem deixar dúvidas para alguém que, como Itaguyrá, havia sido treinado para entender os sinais da floresta: jaguatirica! E estava com fome! Antes mesmo de se dar conta, ele encontrava-se encarapitado em uma árvore com altura suficiente para mantê-lo em segurança. Mas a jaguatirica, sentindo cheiro de caça, caminhou diretamente na sua direção, urrou nervosamente e, tentando alcançar o índio, lançou-se no tronco, arrancando com suas unhas grossas lascas de madeira. Estranhamente, Itaguyrá não sentia medo. - Ela há de se cansar e aqui estou protegido. A noite caiu e a jaguatirica acomodou-se languidamente sobre as folhas do chão, sabendo que também teria tempo. A noite não foi agradável para Itaguyrá, mas ele enganchou-se em dois galhos que se cruzavam e, com a cabeça apoiada em outro galho em forma de hipsilo, conseguiu até cochilar um pouco em segurança. Nos momentos de vigília articulou um plano e calculou quanto tempo levaria para colocá-lo em execução. Com a chegada da luz do sol, começou a identificar no chão os elementos que precisava. O plano era simples mas haveria de dar certo. Ele só precisava que a jaguatirica se afastasse um pouco. Isso aconteceria quando o sol ficasse a pino: a jaguatirica sentiria sede e iria até o riacho saciá-la. O pequeno rio não era longe e, pelos seus cálculos, a trégua que o animal lhe daria seria pequena. De acordo com a sua previsão, a jaguatirica ficava mais indócil à medida que o sol subia. Começou a rondar o tronco da árvore e a arranhá-lo novamente. Quando o sol atingiu exatamente o meio do céu, Itaguyrá iniciou sua descida, a fim de ganhar tempo. Isto foi feito, porém, com extrema discrição, com gestos de uma leveza tal que a jaguatirica "em guarda" nada percebeu. No exato momento em que a fera urrou mais alto e se virou para ir saciar a sua sede, Itaguyrá saltou caindo muito próximo a ela que, de costas, nada pôde ver nem tampouco ouvir, pois o salto foi estudadamente silencioso. Com a jaguatirica longe Itaguyrá tratou de colher rapidamente aquilo que necessitava e já havia escolhido do alto de seu esconderijo. Pegou duas pedras lisas, juntou folhas secas, um galho grosso na base e fino na extremidade e um favo de mel abandonado. Com tudo à mão, Itaguyrá começou a trabalhar: cuidadosamente retirou do favo seco uma cera grudenta, moldou-a na ponta fina do galho e afixou parte das folhas secas que recolhera. Com outra parte das folhas fez um montículo afofado e,

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sem perder tempo, friccionou as pedras sobre ele. Fazer fogo era uma de suas brincadeiras preferidas de criança, e a habilidade adquirida lhe foi preciosa neste momento. A faísca pulou diretamente sobre as folhas, Itaguyrá assoprou com força e logo a ponta de uma das folhas se incendiou e, como as folhas estavam muito secas imediatamente o fogo se alastrou, auxiliado pelos assopros que Itaguyrá dava desesperadamente Quando a fogueira se firmou, Itaguyrá mergulhou nela sua engenhoca, que funcionou muito bem e logo se transformou em uma tocha ardente. O tempo gasto foi suficiente, pois já se sentia o pisar da jaguatirica sobre as folhas secas do chão. Itaguyrá colocou-se com sua tocha atrás de uma árvore, de forma que o animal não pudesse vê-lo. Quando a jaguatirica estava a uma distância de dois ou três metros, Itaguyrá saiu berrando de trás da árvore, empunhando de forma ostensiva o seu galho incendiado. A jaguatirica, cujo primeiro impulso foi saltar para a briga, parou assustada com o urro e certamente com o fogo. Itaguyrá aproveitou esta vacilação da inimiga e urrou mais forte olhando fixamente nos seus olhos. (Os animais ferozes não suportam serem encarados nos olhos. Isto é um sinal de supremacia do homem que eles não conseguem sustentar por muito tempo.) Sentindo as condições propícias, Itaguyrá deu um salto à frente, chegando com a tocha tão perto do focinho da jaguatirica que podia sentir o cheiro dos seus bigodes queimados. Vitória! A jaguatirica saiu correndo, assustada com a força daqueles olhos irados e com o calor do fogo. Itaguyrá venceu com passos largos a distância que faltava para chegar à cabana de Maiarú, sem largar a sua arma, que ainda ardia. Maiarú estava sentado no centro de sua oca sobre uma esteira. Na sua frente havia algumas pedras pequenas. Maiarú olhava atentamente para elas, depois com gestos lentos começava uma espécie de ritual: com a mão esquerda recolhia as pedras e as passava para a mão direita, aí lançava as pedras novamente e ficava contemplando o desenho formado. Maiarú parecia não ver Itaguyrá, e este estava tão deleitado apreciando o cotidiano do Pajé dos pajés que não queria quebrar com sua voz o encanto deste momento mágico. Após algum tempo, Maiarú olhou para Itaguyrá, fazendo um gesto para que ele se sentasse, e disse: - Sente-se, Itaguyrá. - Pajé dos pajés, como sabe o meu nome? disse o jovem, muito impressionado. - Simples, eu estava esperando você. - E como o senhor sabe que eu viria? - Índios como você sempre vêm! - Por que fala assim, eu não sou bom o suficiente? - Ao contrário, os bons como você é que chegam. - Pajé dos pajés, vim aqui para beber o líquido do pote de Baiaré, para me tornar forte e corajoso como um índio deve ser. Sem dizer palavra, o velho pajé virou-se e saiu em passos decididos para o local menos iluminado da oca. Não demorou muito para voltar, mas estes poucos minutos pareceram horas para Itaguyrá, que tanto ansiara este momento. Na volta, o pajé segurava com as duas mãos um pequeno pote de barro enfeitado com um cordão rústico de onde pendiam contas e penas amarelas e roxas. Maiarú cruzou a esteira, parou na frente de Itaguyrá e estendeu-lhe o ansiado pote. Deu meia volta e sentou-se novamente em seu lugar original.

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Itaguyrá, que havia se levantado em respeito ao Pajé, tomou o vaso também com as duas mãos e voltou-se a se sentar, entendendo ser este o desejo de Maiarú. Não sabia, porém, se deveria beber o líquido agora ou se deveria esperar. Talvez o correto fosse levá-lo para casa e bebê-lo em companhia de sua mãe. O tempo passou sem que o Pajé desse qualquer sinal do que deveria ser feito. Arriscando um olho para dentro do pote a surpresa fez com que ele olhasse novamente, atentamente e com os dois olhos! O pote... o pote estava vazio! - Por que será que o Pajé dos pajés me deu um pote vazio? pensou. - Porque você já bebeu o líquido de Baiaré, respondeu o Pajé, novamente lendo os seus pensamentos. - Não leve como desrespeito, Pajé, mas deve haver um engano. Eu nunca bebi o líquido de Baiaré. -Você já bebeu muito líquido de Baiaré! Sem coragem de retrucar novamente, Itaguyrá se calou, baixando os olhos. - Você bebeu e não sabe. - Mas como? - Você se lembra quando passou uma noite inteira sem desviar os olhos das gotas de orvalho daquela folha? - Sim, respondeu Itaguyrá. -Você estava bebendo Baiaré. Você se lembra do fundo do rio e da sua luta para subir? Das quedas, das pedras? Você estava bebendo Baiaré! - E com a jaguatirica, pajé, eu estava bebendo Baiaré?, perguntou Itaguyrá, já começando a entender o que o Pajé queria dizer. - Sim, Itaguyrá, você estava bebendo as suas últimas gotas. E, assumindo um ar professoral, o índio disse: - O Baiaré é um líquido que você começa a beber no momento em que você começa a desejá-lo. Ele não pode estar contido em nenhum vaso porque está dentro de você. - E meus amigos, eles são fortes e corajosos porque beberam do líquido do pote de Baiaré? E o pajé respondeu estas perguntas com algo que Itaguyrá já conhecia: - Tudo que um índio Pareci pode fazer, outro Pareci também é capaz. Essa é a lei que índio nenhum pode mudar. Resistiu à época das trevas e à das águas, índio nenhum pode mudar. - Não há nada que se deseje alcançar que não seja possível de obter com paciência, esforço e dedicação. Este pote é só um símbolo que você pode até guardá-lo e por ele ter até amor. Mas a força, a verdadeira força de Baiaré está dentro de você! Tudo que um índio Pareci pode fazer, outro pareci também é capaz. Essa é a lei. Resistiu à época das trevas e à das águas, índio nenhum pode mudar. Eu quis Quando eu era criança sentia um prazer enorme em me "aboletar" na frente da televisão para assistir os programas Teatro da Juventude e Sítio do Pica-Pau Amarelo. Neles a literatura infantil e juvenil fluía através de apresentações provavelmente ingênuas e com produções certamente modestas diante dos recursos de que dispomos e estamos acostumados a ver atualmente. Mas na minha lembrança tudo era fantástico, grandioso e fascinante, pois aquelas narrações continham muito mais do que matéria, elas incitavam a minha fantasia e faziam-me construir o que era apenas imaginável, faziam-me navegar e causavam sensações que nenhuma tecnologia ainda conseguiu superar.

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Neste cenário é viva ainda a lembrança de Júlio de Gouveia e Tatiana Belinky, inegáveis precursores dos bons programas infantis e incentivadores da literatura. Hoje sei que eles eram mais do que as figuras simpáticas que puxavam a nossa mão para a "porta da fantasia". Havia conhecimento acumulado, obtido pelos muitos livros à disposição e domínio de línguas estrangeiras, cumplicidade da escolha do texto e competência de fazer as adaptações de acordo com os recursos e com a mensagem que se desejava passar. Por estas palavras o leitor poderá entender a alegria e a honra em poder apresentar esta obra à mágica Tatiana, e ter suas palavras prefaciando-a. Esta foi uma forma de cumprir o desafio com que a face em "close" do inesquecível Júlio terminava cada programa: "Entrou por uma porta, saiu pela outra, quem quiser que conte outra." Júlio, Tatiana e meus leitores: chegou a minha vez, eu quis e estou contando outra! Mas, para a garantia da vivência da magia e saúde da fantasia, este ciclo não pode acabar. Esperamos que este livro seja o estímulo para todos aqueles que julgarem que chegou a sua vez de... Contar Outra! Tudo que um contador de histórias pode fazer, outro contador também é capaz. Essa é a lei. Resistiu à época das trevas e à das águas, ninguém pode mudar.

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Vania D'Angelo Dohme é formada em Ciências Jurídicas e Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Pós-Graduada em Marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing de São Paulo e Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Pesquisadora do uso do lúdico na educação em seus mais diversos aspectos, sua dissertação de mestrado denominada o "Uso do lúdico na educação: O caminho de tijolos amarelos do aprendizado" traz uma abordagem ampla sobre as diversas ferramentas lúdicas e sua aplicação na educação, exemplificadas através de uma atividade prática onde crianças e educadores vivenciam a história "O mágico de Oz". Sua formação é complementada por diversos cursos técnicos em ludo-educação, capacitação de líderes e equipes em protagonismo social no Brasil e no exterior. Trabalha com ludoeducação há 30 anos, especialmente na criação de materiais como jogos, histórias e dramatizações vivenciadas (rpg), voltados para a formação de valores éticos, o desenvolvimento pessoal, a cooperação e a participação ativa e construtiva na sociedade. Atua na formação de professores através de oficinas, palestras e produção de material escrito. Maiores informações podem ser obtidos pela internet na página http//www. vaniadohme.pro.br e-mail; vdohme@dohme.com. br

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