História de Mato Grosso

1. Primeiros anos de Mato Grosso A História de Mato Grosso possui como marco oficial inicial a descoberta de ouro pela bandeira de Pascoal Moreira Cabral, junto ao rio Coxipó-Mirim, no ano de 1719. Esse marco registra somente o momento do povoamento, sendo que, há muitos anos antes, no século XVII, os espanhóis e mesmo os bandeirantes paulistas haviam palmilhado terras hoje pertencentes aos Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, em suas caminhadas em direção ao Peru, local onde existiam muitas minas, ricas em prata. Por outro lado, a História de Mato Grosso, tal como a do Brasil, remonta à milênios, pois os indígenas que habitavam o território, antes mesmo da chegada de Pedro Álvares Cabral, representam os primeiros habitantes. Na região de Mato Grosso viviam e ainda vivem inúmeras etnias: Coxiponé, Bericoponé, Bororo, Paresi, Paiaguá, Guiacuru, Caiapó entre outros. Como a História foi escrita pelo colonizador, Mato Grosso passou para a História somente após a descoberta de ouro no rio Coxipó, pela bandeira capitaneada por Pascoal Moreira Cabral, no ano de 1719. A cidade de Cuiabá foi fundada a 8 de abril de 1719, pelo português de nome Rodrigo César de Meneses, que nesta época governava a então Capitania de São Paulo. Recebendo orientação do rei de Portugal, fundou a Vila Real do Senhor do Bom Jesus do Cuiabá. Nesta ocasião, foi criado o Senado da Câmara e para ele foram eleitos os primeiros vereadores, retirados entre os "homens bons" da localidade, ou seja, latifundiários, pessoas que tinham propriedades de terra e escravos, e gozavam de alto prestígio político naquela sociedade. A criação desta vila obedeceu a dois interesses bem distintos: controlar os colonos estabelecidos nas minas mato-grossenses; criação de rigoroso sistema de cobrança de impostos que inicialmente era feito por cabeça, por cada escravo, por cada loja, etc. Com a alta taxação dos impostos houve algumas mudanças na região. Uma parte dos colonos saiu em busca de novas minas e a outra preferiu retornar para São Paulo. 2. A capitania de São Paulo Quando o Brasil foi colonizado pelos portugueses, o Rei ordenou que o território fosse dividido em grandes faixas de terras, intituladas Capitanias Hereditárias, para a fixação de alguns colonos vindos da Europa. Teve então início a cultura da cana-de-açúcar, produto agrícola de grande sucesso nas terras de massapé, típicas do Nordeste. Para dar conta do plantio e da produção do açúcar, os portugueses resolveram importar da África, os escravos, que eram vendidos nos mercados a elevados preços, comércio altamente lucrativo para os traficantes. Estima-se que dos 21 milhões de negros escravizados trazidos para a América, 1/3 tenha vindo para o Brasil. Nas outras capitanias, a cana-de-açúcar não obteve êxito, sendo que seus colonos resolveram se dedicar a outras atividades, como foi o caso da Capitania de São Paulo que, ao lado da agricultura de subsistência, optou por traficar índios, necessários às capitanias que não desenvolveram com sucesso o plantio da cana e o fabrico do açúcar. Dessa forma, os paulistas criaram o movimento das bandeiras, expedições organizadas por eles que deixando a capital de São Paulo, embrenhavam-se pelo sertão a fim de aprisionar indígenas. Nesse movimento, os bandeirantes acabaram descobrindo ouro, em primeiro lugar, em terras que hoje pertencem ao Estado de Minas Gerais e, mais tarde, nas de Mato Grosso e de Goiás. Com esse 1

movimento, os bandeirantes paulistas estavam sem querer, aumentando o território colonial, pois novas terras descobertas, segundo o Tratado de Tordesilhas, assinado em 7 de julho de 1494, não pertenceriam a Portugal, mas sim, à Espanha. O Rei lusitano, vendo que os bandeirantes estavam alargando as fronteiras de sua colônia, povoando esses territórios e descobrindo metais preciosos (ouro e diamante), resolveu apoiá-los e incentivá-los nesse movimento. 3. A bandeira de Pascoal Moreira e a descoberta de ouro em terras mato-grossenses. Os bandeirantes paulistas, nas atividades de caça aos índios, iam adentrando cada vez mais no interior do território, no sentido leste-oeste, ou seja, do litoral para o sertão. No ano de 1718, a bandeira de Antonio Pires de Campos atingiu a região do rio Coxipó-Mirim e ali guerreou e aprisionou os índios Coxiponé, que reagiram, travando um intenso combate com os paulistas. Logo atrás dessa bandeira, seguiu-se aquela capitaneada por Pascoal Moreira Cabral que, desde 1716, já palmilhava terras mato-grossenses. Sabendo ele da existência de índios, resolveu seguir para o mesmo local, onde havia um acampamento chamado São Gonçalo. Cansada das lutas travadas, a bandeira de Moreira Cabral resolveu arranchar-se às margens do rio Coxipó-Mirim e, segundo o cronista Joseph Barboza de Sá, descobriram, casualmente, ouro quando lavavam os pratos na beira desse rio. Para garantir tranqüilidade no local, Moreira Cabral pediu reforço às bandeiras que se encontravam na região. A presença da bandeira de Moreira Cabral às margens do rio Coxipó incomodava os índios aricoponé, os quais imprimiam à bandeira pesada ofensiva. Contando com o apoio da bandeira capitaneada pelos irmãos Antunes, Moreira Cabral vence a resistência indígena, formando em seguida o Arraial da Forquilha, nome dado em razão da confluência de dois braços (afluentes) do rio Coxipó, o Peixe e o Mutuca. A organização do arraial exigiu dos paulistas uma nova forma de organização, diferente da praticada nas “bandeiras de preação” de índios. Medidas urgentes foram tomadas, tais como: aquisição de ferramentas, armamentos para a defesa, convocação de profissionais de todas as categorias. Era necessário informar ao governador da Capitania de São Paulo, D. Pedro de Almeida Portugal, da descoberta do ouro. Antonio Antunes Maciel foi incumbido de levar a notícia, junto com mostras do ouro encontrado. Para administrar o novo arraial, Pascoal Moreira Cabral foi eleito pelo povo GuardaMor Regente, responsável pela defesa das minas de qualquer invasão branca ou indígena. Cabia ao Guarda-Mor Regente a organização jurídica e administrativa da Forquilha. A função de Guarda-Mor era conferida pela Coroa portuguesa, sendo este um representante direto dos interesses do rei. Geralmente era a Coroa que escolhia, mas a urgência fez o povo escolher Pascoal Moreira; entretanto a escolha não foi confirmada por Portugal, que, em 1724, nomeou Fernando Dias Falcão para o cargo de Capitão-Mor Regente, sendo que, para o cargo de Superintendente Geral das Minas, foi nomeado João Antunes Maciel. A exploração de diamantes em Mato Grosso Desde o início da colonização, Mato Grosso foi conhecido como a terra das grandes riquezas minerais. Além do ouro, aqui encontrado com fartura, existiam também outros tipos de preciosidades tais como: diamante, cassiterita, magnetita, manganês, ferro. Após 1730, o ouro passou por um processo de decadência. Com o ouro em extinção, grande parte da população que corria atrás do ouro tornou-se cada vez mais pobre e miserável. A descoberta das minas de diamante trouxe um novo alento a essa população, que 2

apesar de toda a proibição, encontrou uma forma de garimpar, ocultamente, as preciosas pedras. Data de 1747 a primeira informação a respeito da descoberta das minas do Alto Paraguai (Diamantino). Da mesma forma que aconteceu com o ouro, para esta região deslocou-se grande contingente populacional, formando o arraial de Nossa Senhora do Parto. Todavia, apesar da riqueza que representava os diamantes, a Coroa portuguesa não se interessou inicialmente pelo diamante. Tanto isso é verdade que o Ouvidor Manuel Antunes Nogueira enviado a este arraial, tratou logo de proibir a mineração deste metal, promovendo a evacuação do arraial. A grande fonte de diamantes estava localizada nas proximidades do rio Paraguai nos ribeirões de Santana e São Francisco Xavier, a Oeste da capitania. Após a análise das pedras por Manuel Dias da Silva, verificando a qualidade e o alto valor. 4. Os primeiros desentendimentos em torno do domínio da região das minas – o caso dos Irmãos Lemes A época da descoberta de ouro, Mato Grosso se restringia aos arraiais, cujas terras faziam parte da Capitania de São Paulo. A descoberta de ouro, como ocorrido em Minas Gerais, atraiu a atenção de toda a Colônia, precipitando para Mato Grosso uma grande quantidade de pessoas em busca de melhor sorte e enriquecimento fácil, uma vez que com um pouco de sorte e sem muitos recursos podia-se “fazer a América”. A Coroa portuguesa, após comprovada a qualidade do ouro mato-grossense, sentiu a necessidade de aumentar seu controle sobre a região, a fim de conferir a seus cofres uma quantidade maior de recursos, uma vez que a situação econômica portuguesa, em completa subordinação a Inglaterra, requeria um aumento de sua receita. Para tanto, fazia-se necessário, como em Minas Gerais, impor à região mineira a substituição das lideranças locais por lideranças fiéis à Coroa, capazes de impor uma rigorosa política fiscal. A substituição de Pascoal Moreira Cabral, escolhido pela população local, e dos irmãos Lemes (João e Lourenço) da liderança da região das minas insere-se nesse contexto de assegurar à Coroa maior controle sobre a região. Ao conferir a Fernando Dias Falcão o cargo de Capitão-Mor Regente e a João Antunes Maciel o cargo de Superintendente Geral das minas, Rodrigo César de Menezes, então governador da Capitania de São Paulo, diminuía o poder local, no caso dos Lemes, e criava condições para a imposição de uma rígida política de arrecadação e controle sobre a região das minas. Diante das manobras de Rodrigo César de Menezes, os Lemes passaram a pressionar os representantes do governo com uma poderosa bandeira. Ciente da influência dos irmãos Lemes na região mineira, e até fora dela, o governador Rodrigo César de Menezes convida-os para fazerem parte de seu governo, conferindo a um dos irmãos o cargo de Provedor dos Quintos; era uma forma de legitimar seu poder, atraindo os Lemes ou um deles para seu lado. A oferta do governador foi rejeitada, e como contra-proposta, os Lemes reivindicaram os cargos de Provedor de Minas e o de Mestre-de-Campo Regente. Tal proposta foi totalmente descartada pelo governador, que, diante da situação, passou o confronto armado. O que se seguiu foram embates entre as tropas do governador e a bandeira dos Lemes, que, pega de surpresa, foi, aos poucos, sendo dizimada. Os Lemes foram mortos, um em combate e outro por execução, sendo decapitado e seu corpo esquartejado, salgado e exposto como exemplo a qualquer um que ousasse se levantar contra a Coroa ou seus representantes. Tal procedimento, comum à época, foi adotado em Minas em dois episódios 3

fez com que essa gozasse de maior autonomia em relação à região dos canaviais ao norte. sim. Na verdade. os paulistas optaram por atravessar território indígena. bandeiras fluviais. deslocava os escravos provenientes da África para as regiões dos canaviais. o qual faleceu pobre no arraial que fundara. Segundo Sérgio Buarque de Holanda. Vinculada a capitania de São Paulo de Piratininga. que se estendem até os dias atuais. Baseado na exploração da mão-de-obra indígena foi que se deu a ocupação e desenvolvimento dos primeiros arraiais e vilas em Mato Grosso. antiga São Vicente. Para atingir o Mato Grosso. A falta de escravos africanos impulsionou as bandeiras de preação e caça de índios. politicamente. 1725. 4 . tanto no que diz respeito à confecção das canoas. Tal deslocamento coincidiu com a mudança da rota de ligação entre São Paulo e Cuiabá. foram de grande importância às bandeiras que adentraram às florestas matogrossenses. Habitantes de toda região do pantanal mato-grossense. onde o modelo baseado no latifúndio. acima da cidade de Assunção. quanto aos seus costumes. A morte dos Lemes. por uma policultura de subsistência. líder da Revolta de Vila Rica e Tiradentes. viam a presença branca como uma ameaça. Os indígenas. Os índios Paiaguá: A resistência indígena. o desinteresse português pela capitania de São Paulo. que após a destruição.envolvendo o descontentamento dos colonos com os abusos da política fiscal portuguesa: Felipe dos Santos. cuja história remonta ao início do Brasil colônia. trabalho escravo e na monocultura. foram sempre relegados a segundo plano. escrita pelos brancos. Guaicuru e Caiapó. Entretanto. coincidiu com a morte natural de Pascoal Moreira Cabral. da missão de Itatim deslocaram-se para a região do atual estado do Mato Grosso do Sul. os índios Paiaguá e Guaicuru são provenientes da região do Chaco. pelos paulistas. A resistência se deu através de muita luta. Nesse tipo de atividade. fazendo. onde as bandeiras constituíam-se na principal atividade. Mato Grosso viveu uma estrutura produtiva diferenciada da existente no nordeste da cana-deaçúcar. A História. os índios que não participavam do processo de expansão paulista. A estrutura sociopolítica desenvolvida por São Paulo caracterizava-se. utilizavam os diversos rios para se deslocarem. Os índios. o conhecimento indígena era importante. que desbravando a floresta. tanto às suas terras. quanto ao conhecimento das rotas e trilhas. participante da Inconfidência Mineira. O primeiro ataque foi em 1725 e precipitou-se sobre as monções de ida e volta a Cuiabá. chamado plantation. tais conquistas escondem a violência e a brutalidade imposta aos nativos. que com embarcações. 5. onde para evitar conflitos como os espanhóis. ao longo da história. não dá aos indígenas o papel merecido como verdadeiros donos da terra. Os primeiros a se levantarem contra os bandeirantes foram os índios Paiaguá. os paiaguá e guaicuru pertenciam à nação Mbaiá. atividade que proporcionou o sustento de grande parte dos colonos da capitania de São Paulo. estabelecidas de forma modesta. proporcionaram o domínio português sobre terras espanholas. as casas dos paulistas não dispunham da aparelhagem e ostentação de outras regiões e. alusões a “heróis”. em sua obra O Extremo Oeste. guias de monções. O índio foi fundamental para o desenvolvimento de Mato Grosso. cujas terras foram as primeiras a serem invadidas. os bandeirantes utilizaram o sistema de monções.

chegando a Cuiabá. Maria Francisca Tourinho. em 1724. os Paiaguá. fundaram o Arraial de Nossa Senhora do Rosário (atual cidade de Rosário Oeste). por cada escravo. Em 1728. e uma outra parte regressou para São Paulo. novo povoamento surgiu. Em 1734. por cada loja. Além de criar a Vila. como as Lavras dos Cocais. Somente depois de se certificar de que não havia diamante agregado ao ouro é que a Coroa portuguesa repartiu os terrenos auríferos. subiu o rio Cuiabá e encontrou o ribeirão do Ouro. Com a taxação desses impostos. às margens do ribeirão do mesmo nome (atual Nossa Senhora do Livramento). Diferentes dos índios Coxiponé. Visita de Rodrigo César de Menezes Governava a capitania de São Paulo Rodrigo César de Menezes. A fixação efetiva de contingente humano na região somente se deu a partir de 1746. o Ouvidor Manoel Antunes Nogueira foi às citadas lavras para repartir os terrenos auríferos. especialmente no que toca ao aproveitamento racional dos recursos naturais. para melhor controlar os colonos ali estabelecidos. que tomou o nome de Vila Real do Senhor Bom Jesus de Cuiabá. Em 1751. os irmãos Paes de Barros. migrando para a região guaporeana. igualmente. migraram por quase todo território mato-grossense. às margens do ribeirão monjolo.Os índios Guaicuru foram conhecidos por serem hábeis cavaleiros. em troca de novos veios auríferos. Os responsáveis pelo achado foram os sorocabanos Antonio Aires e Damião Rodrigues. Guaicuru e Caiapó não se dobraram e o resultado foi o massacre dessas tribos que. uma vez que só atacavam as monções quando as mesmas se encontravam nos cursos dos rios. Tereza Botas e Lavras do Meio. que legaram aos chegantes seu rico universo cultural. que em parte aceitaram a convivência com os brancos. A mineração foi também um fator propulsor do povoamento da Bacia do rio Paraguai. enquanto que os Paiaguá famosos como canoeiros. o que acontecera a 18 de maio de 1787. Tanque do Padre. o pequeno Arraial foi integrado por outros mineiros que. às quais deu o nome de Lavras de Nossa Senhora do Parto. pessoas que tinham propriedades de terra e escravos e gozavam de prestígio político. Com esse movimento. dando nascimento às Lavras Ana Vaz. foi criado o Senado da Câmara e para ele foram eleitos os primeiros vereadores. com a descoberta das minas de Bericoponé (nome do grupo indígena). ou seja. de duração efêmera. nas margens do qual instalou uma povoação. o que fez no final de 1726. quando Antonio de Pinho e Azevedo descobriu novas minas. ou 5 . comandante de uma bandeira.5 oitavas de ouro cada uma. Nessa ocasião. onde descobriram as minas de ouro na Chapada São Francisco Xavier. a 1º de janeiro de 1727. Um ano depois. transferir sua residência para o Arraial. acabaram se fixando nessa região. ocasião em que uma corrida de mineiros da região. tratou de fazer executar uma ordem do Rei de Portugal: criar uma Vila. mineradores paulistas. Em pouco tempo. novas minas foram descobertas. se instalaram na região do rio Paraguai. colocar “justiça”. uma parte da população continuou na região. Esta autoridade. graças ao empreendimento de Inácio Maciel Tourinho e de sua esposa. a partir de 1724. onde foi construída uma capela em homenagem a essa santa. etc. outra parte migrou das minas cuiabanas para outras regiões. que. sabendo das notícias das minas mato-grossenses resolveu. Outro núcleo de povoamento foi estabelecido em 1777. distante 50 km de Cuiabá. retirados entre os “homens bons” da localidade. Gabriel Antunes Maciel. Essa região (atual Poconé) fora habitada pelos índios do grupo Caiapó. ao preço de 232. ocasião em que foram arrematadas as datas. Tanque de Arinos. próximas do primeiro arraial. fugindo das opressões físicas reinantes nas minas de Cuiabá. fugiam das imposições fiscalistas. o governador paulista resolveu colocar em prática uma determinação já tomada em 1725 pela Junta Governativa do Arraial: estabelecer rigoroso sistema de cobrança de impostos. fidalgo português que.

pois. verificou-se a existência de diamantes misturados ao ouro. vila povoada e estruturada. tornava-se urgente a fixação de um novo Tratado que substituísse o de Tordesilhas: o Tratado de Madri. tal denominação se estendeu a toda a região e povoado. Depois de descansar por algum tempo em Cuiabá. Desmembramento da Capitania. estrategicamente. por Antonio Rolim de Moura. dos vizinhos espanhóis e indicações sobre o local onde deveria ser construída a cidade que seria a capital da Capitania. que. o nome Mato Grosso foi aplicado à nova Capitania que se separou de São Paulo. Em 1749. dos mineiros. saíram de Cuiabá à procura de índios para a escravidão e. Posteriormente. porém a mesma ficava muito distante da sede da capitania-mãe. o que gerou uma grande preocupação dos monarcas de ambos os impérios. o Alto Guaporé. tratou Portugal de garantir o povoamento do extremo oeste da colônia. à Espanha. especialmente na parte relativa à zona do rio Guaporé. o Rei de Portugal. ofereciam um verdadeiro paredão. escolhendo. possivelmente. São Paulo. Durante essa inspeção. Depois de uma longa viagem. os irmãos Paes de Barros (Fernando e Arthur). pois as novas jazidas auríferas poderiam despertar o interesse dos colonos espanhóis. D. Nascia a primeira capital de Mato Grosso. Antonio Rolim de Moura. Nessa ocasião. estabeleceu a respectiva cobrança dos impostos devidos à Coroa Portuguesa. ainda estava em vigor o Tratado de Tordesilhas e toda conquista empreendida pelos bandeirantes poderia passar a pertencer. Depois. as fronteiras entre os impérios colonial espanhol e português ficaram muito próximas. em 1748. Além desse expediente. para onde migraram muitos colonos. porem não escolhida para ser a capital. Para administra-la. Assim. o nobre português seguiu para o norte. Nesse período. o Ouvidor João Antonio Vaz Morilhas terminou franqueando a mineração e repartiu as terras minerais das Lavras de Nossa Senhora do Parto. com árvores cujos troncos corpulentos e muito altos. o Ouvidor providenciou para que fosse construído no local um Destacamento dos Diamantes. Antonio Rolim de Moura Tavares e a fundação da Vila Bela da Santíssima Trindade Com o deslocamento da população na direção do rio Guaporé. a nova sede deveria se situar na zona de maior litígio com o império colonial espanhol. deram o nome Mato Grosso à região. O nome Mato Grosso O nome Mato Grosso veio em 1734 e segundo contam. 7. Rolim de Moura chegou a Cuiabá. o qual recebeu uma série de instruções capazes de orientá-lo na administração da região oeste. fundado em 1752. capaz de assegurar o fechamento e despovoamento das referidas minas.seja. assim como ali foi instalada toda administração da nova Capitania: Provedoria da Fazenda. recebeu o nome de Vila Bela da Santíssima Trindade. através de sua esposa e rainha Mariana da Áustria. João V. Assim. estimulados pela isenção de impostos oferecidos pelo Governador. firmado entre os reis dos dois impérios e assinado no ano de 1750. 6. às margens do rio Guaporé. iniciada em 1748 e finalizada em 1751. desmembrada da capitania paulista. o sítio onde se ergueria a capital de Mato Grosso: Vila Bela da Santíssima Trindade. especialmente o lusitano. legalmente. paulistas de Sorocaba. dificultando a entrada mata adentro. Extasiados. responsável pela parte 6 . na cidade espanhola que cedeu seu nome ao Tratado. a de Mato Grosso. encontraram florestas virgens. foi escolhido um nobre português. militar de carreira e homem de esmerada formação. foi criada uma nova capitania. depois de longa viagem. fornecia ao novo Governador da recém-criada Capitania de Mato Grosso dados sobre a problemática da região: situação dos índios. Nessas instruções. o que fez com que a citada autoridade judiciária recomendasse a interdição dessa zona mineradora.

mas sim à questão de fronteira. a quem cabia tratar da justiça. edificando fortes e criando destacamentos às margens dos rios Jauru e Paraguai. como divisa entre as posses dos dois impérios. Um grande problema se colocava: como abastecer a nova capital? Através das monções vindas de São Paulo seria impossível. Vila Maria foi inicialmente povoada com casais de índios retirados da missão jesuíta de Chiquitos. considerando que foi fundado a mando do 4º Capitão-General Luís de Albuquerque Melo Pereira e Cáceres. a determinação portuguesa era de se evitar o domínio espanhol sobre o rio Guaporé e promover o povoamento da fronteira. assim como os gastos elevados. 7 . Após a demarcação do Tratado de Madri. respectivamente. voltou-se para a defesa e consolidação das fronteiras. Madeira e Guaporé. protegê-la contra as investidas do lado espanhol. sobretudo. a Ouvidoria. serão erguidos fortes. que notabilizouse no trato das questões da capitania. o Marco de Jauru. e a Companhia de Jesus. em 1750. sob a orientação política do Ministro Marquês de Pombal (Sebastião José de Carvalho e Melo). preocupação maior dos governantes de Mato Grosso. aos quais caberá não somente povoar a região. Foi colocado na foz do rio que cedeu o nome ao Marco. O aglomerado humano que deu início ao povoamento dessa região foi instalado em 1778. Por ela entraram em Vila Bela alimentos. fortalezas e prisões que servirão de pontos estratégicos de defesa do território. o qual não estará diretamente ligado à mineração. 8. instrumentos de trabalho e escravos africanos. que davam acesso a Vila Bela e Cuiabá. Com a assinatura do Tratado de Madri. Essa empresa abastecedora nasceu de um plano fixado no Governo de D. o que encareceria muito as mercadorias. guaporeano toda a orla ocidental do império lusitano. em seu governo a frente da Capitania mato-grossense. atingia a região guaporeana navegando pelos rios componentes da Bacia Amazônica: rios Amazonas. seja ao longo do rio Paraguai. prova é que Cuiabá. que acabou sendo expulsa de Portugal e do Brasil. fundador da Vila Bela da Santíssima Trindade e primeiro administrador da Capitania de Mato Grosso. peça arquitetônica que veio desmontada da Europa e que representou os limites e fronteira dos dois impérios coloniais. Os capitães-Generais de 1748 a 1821 Durante o governo de Antonio Rolim de Moura. foi preterida como capital da nova capitania e Vila Bela foi construída próxima a fronteira. sobe à condição de administrador de Mato Grosso. mas. João I. com sede em Belém.financeira e fiscal. a 6 de outubro de 1778. sob o nome de Vila Maria (atual Cáceres). em poder dos colonos portugueses. a grande preocupação de Portugal era a salvaguarda das “fronteiras do Brasil”. Outro fato foi a concessão de incentivos e terras a todos os que se estabelecessem na nova capital. pois o percurso era muito longo e cheio de cachoeiras. A questão da fronteira dos impérios espanhol e português será daí em diante. Já em 1772. O período em que assumiu Mato Grosso é caracterizado pelo acirramento entre as relações entre Portugal e Espanha no que diz respeito a questão das fronteiras entre suas colônias na América do Sul. déspota português. seja à beira do rio Guaporé. foi colocado. que em seu governo repercutiram os embates entre o Marquês de Pombal. nem que fosse por meio de comunidades indígenas. além de outras repartições burocráticas. Assim. sobrinho de Rolim. Em 1769. Estes estabelecimentos serão construídos com muitas dificuldades e estabelecidos no extremo oeste. com as melhores condições. Luís Pinto de Souza Coutinho. roupas. assume Luís Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres. porém pertencentes à Espanha. defendê-la com forças militares. Uma solução foi encontrada: a criação da Companhia de Comércio do Grão-Pará Maranhão que. O tenente coronel João Pedro da Câmara.

Cuiabá. • O Forte Príncipe da Beira.Diante do impasse entre Portugal e Espanha. no momento da criação da Capitania (1751). Os últimos capitães-generais acabaram preferindo passar a maior parte de seu governo residindo em Cuiabá. a residência dos Capitães-Generais que governaram Mato Grosso durante o período colonial. ocasião em que ofereceu grandes festividades. Em 1821. que nascera nos primórdios da colonização de Mato Grosso (1721). Ricardo Franco de Almeida Serra. passando Cuiabá a ser sede dos governantes. ficando o povo relegado a condição de mero espectador ou peão nos momentos de recrudescimento. Após o falecimento de João Albuquerque. Dessa forma. foi transferido de Vila Bela grande parte do aparato administrativo-fiscal. especialmente após a desativação da Companhia de Comércio do Grão-Pará e Maranhão. o Príncipe Regente. às margens do rio Guaporé. independente da de São Paulo. Pedro. ou seja. Em Mato Grosso. a Santa Casa de Misericórdia e o Hospital Militar. foi Vila Bela da Santíssima Trindade. no local chamado “fecho dos Morros”. já se constituía um importante centro urbano. o povoado de Albuquerque. Vila Bela da Santíssima Trindade foi uma cidade construída em 1751. responsável pelo abastecimento da capital. posteriormente chamada Poconé. Após a Independência do Brasil (1822). e ainda franqueada a navegação pelos rios Arinos e 8 . estava a frente da capitania quando os índios Guaicuru foram pacificados. • Em 1778. As repercussões da independência do Brasil em Mato Grosso O processo de independência do Brasil foi feito pela elite aristocrática brasileira. que sem o mesmo brilhantismo do irmão. pois o penúltimo capitãogeneral. João Carlos Oeynhausen de Gravenburgo. logo após a criação da Capitania de Mato Grosso. Foi ainda em seu governo que foram fundados o hospital dos Lázaros. no baixo Paraguai. Antonio Rolim de Moura. o fez porque as fronteiras entre os impérios espanhol e lusitano haviam se encontrado nos limites do rio Guaporé. distante de Cuiabá. hoje Corumbá e Vila Maria. • Restabeleceu o registro de Insua. ocorreu em Mato Grosso um fato interessante: uma disputa entre as cidades de Cuiabá e Vila Bela para ver qual delas seria a capital da nova Província. Assim. • A cidade de São Pedro D’el Rey. a Coroa portuguesa decidiu que a capital de Mato Grosso deveria se situar no extremo oeste. fixou residência em Cuiabá. responsável pela construção da nova capital. utilizando a figura de D. No entanto. dos quais o destaque foi o Ten-Cel. as antigas capitanias se transformaram em Províncias e passaram a ser administradas pelos Presidentes de Províncias. hoje Cáceres. às margens do rio Guaporé. a capitania foi assumida por uma junta formada por um ouvidor. fundado em 1775. No crepúsculo do período colonial ocorreu uma disputa ferrenha entre essas duas cidades. acompanhadas de apresentação de peças teatrais e muita música. entre Goiás e Mato Grosso. devido às dificuldades de comunicação. que eram elementos nomeados pelo Imperador e pessoas que tinham interesses na carreira política. porque Vila Bela era capital de direito e Cuiabá de fato. tal processo se confunde com disputas entre as cidades de Bela Vista e Cuiabá pela primazia dentro da província. à de Guaporé. um militar e um vereador. Para tanto fundou: • O forte Coimbra. atual cidade de Alto Araguaia. A planta da cidade foi trazida de Portugal pelo primeiro Capitão-Geral D. Luís de Albuquerque foi substituído por João de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres. Para garantir as terras conquistadas pelos bandeirantes paulistas em sua expansão. 9. Quando o Rei de Portugal decidiu criar a Capitania de Mato Grosso. Luís de Albuquerque Cáceres precisava assegurar ao reino lusitano o controle sobre a capitania mato-grossense.

em Cuiabá.Tapajós. Pedro I. por outro lado oferecia melhores condições para os governantes. conseguiu. Após ter governado por 9 anos como Imperador do Brasil. o qual foi entregue aos cuidados do naturalista Antonio Luís Patrício da Silva Manso. seu filho Pedro de Alcântara. Cuiabá ganha foros de capital. fato que se tornou de disputa até 1835. preferindo ser rei em Portugal. Aproveitandose da ausência do Capitão-General um grupo político decretou deposto o governador. Isso causou no seio da população desejo de vingar do governante. da Junta Governativa cuiabana. alem de outros melhoramentos da região cuaiabana. O seu sucessor. Cuiabá contava com uma forte e atuante burguesia. Os Liberais Exaltados desejavam a proclamação da República e a expulsão de 9 . Mesmo tendo sido alterado os nomes da primeira Junta e se constituído uma segunda. Fazem parte dos feitos do Presidente José Saturnino a criação do Jardim Botânico. seja na questão do comércio. assim como a volta do Brasil a sua condição de colônia. Pedro II. ocorrida a 7 de setembro de 1822. Para agravar ainda mais a situação. permaneceu 18. quando se firmou o episódio histórico político-administrativo. eleita para governar a capitania uma junta governativa. 10. o reconhecimento por D. A “Rusga” e Antonio Pedro de Alcântara A Rusga: um movimento tipicamente regencial. nesta ocasião. mais tarde D. ele tinha apenas cinco anos de idade. estes últimos divididos em 2 facções: os Liberais Moderados e os Liberais Exaltados. Os Caramurus desejavam a volta de D. tendo sido. porém não foram bem aceitos pela população. Dessa contenda política levou vantagem a elite cuiabana que. Francisco de Paula Magessi. Em 1825. para onde mandou transferir a Junta de Justiça e o Desembargo do Passo. camada social de grande prestígio político e detentora de poder econômico. constatou a precária situação financeira da Capitania frente ao que resolveu adotar medidas drásticas para conter os gastos públicos. ocasião que a elite cuiabana planejou sua deposição. Os Liberais Moderados desejavam que o Brasil fosse regido pela Constituição de 1824 e ainda ambicionavam dominar politicamente as províncias. em 1822. que posteriormente se notabilizou por sua participação num movimento de cunho revolucionário denominado Rusga. dois partidos políticos destacaram-se no cenário político brasileiro: os Caramurus e os Liberais. em várias províncias do Brasil. o salário do funcionalismo encontrava atrasado. Alem disso. Francisco de Paula Magessi transferiu sua residência para Vila Bela. Pedro II. Quando Francisco de Paula Magessi tomou posse. além da Casa de Fundição e a Casa do Tesouro. resolveu abdicar do trono. Em seu lugar. a 5 de janeiro de 1823. D. A cidade. porém. Para o governo do Império do Brasil foi formada a regência Trina (composta de 3 membros) e mais tarde a Una (composta de um só membro). deveria assumir. movimentos armados. organismos fiscais. momento em que assumiu oficialmente D. tornando o governo de Magessi extremamente impopular. esta governou até o fim do Período Colonial quando. em Cuiabá. pela hereditariedade. organismos responsáveis pela justiça. Pedro I. souberam os mato-grossenses da Proclamação da Independência do Brasil. a 7 de abril de 1831. Mato Grosso no Primeiro Império Foi o Tenente Coronel José Saturnino da Costa Pereira o primeiro Presidente da Província de Mato Grosso após a independência do Brasil. Foram nesses 9 anos que explodiram. com o título de Pedro IV. Pedro I. Logo após a independência. seja no tocante às condições sociais e culturais. com seu prestígio. o que significou deixar de ser o Imperador do Brasil. Essas regências governaram o Brasil de 1831 a até 1840. Após 18 meses governando Cuiabá. dos 19 meses de governo.

Esse fato satisfez a ala dos Liberais Moderados. Em Mato Grosso. Foram presos e enviados para o Rio de Janeiro. dias antes da data marcada para sua partida da cidade de 10 . o que lhes possibilitava colocar em prática os ideais liberais. Antônio Corrêa da Costa. José Jacinto de Carvalho. entretanto. por muitos portugueses e estrangeiros ligados ao grande comércio exportador/importador. os revoltosos prosseguiram com as perseguições. um desses Liberais. para fora do País. antes da posse de Poupino Caldas. onde mais de 20 testemunhas depuseram. de Império para República. nomeado pela Regência. considerados os “cabeças” do movimento. com urgência. Essa dupla governança perdurou de 30 de maio a novembro de 1834. pois nessas diligências muitos foram assassinados. quando se despedia dos amigos e parentes. Ao assumir. Os presidentes da Província de Mato Grosso eram nomeados pela regência. A ala radical chefiou o movimento eclodido na noite do dia 30 de maio de 1834. João Poupino Caldas. a orelha dos perseguidos. Reunidos no Campo de Ourique (hoje Praça Moreira Cabral – Assembléia Legislativa). Presidente da Província. para serem julgados pelo Supremo Tribunal de Justiça. naquele momento já soltos. mantendo. articulando lutas armadas para conseguirem seus objetivos. comerciante. paralelamente ao governo oficial. outro. todos pertencentes à elite. Indignados com a atitude do governante. o que não permitia que elementos da própria Província assumissem o governo. julgados localmente. José Antônio dos Reis. a facção dos radicais desejava ir além: expulsar da Província os portugueses e estrangeiros que já haviam sido beneficiados durante o longo Período Colonial e lutar pela alteração do sistema político do Brasil. João Poupino Caldas. De um lado. muitas delas emanadas dos antigos revoltosos. cada facção se organizou em Associações ou Sociedades. Os Liberais mato-grossenses organizaram. mandando prender 5 elementos. foi montado um processo criminal. A facção dos Liberais Moderados desejava somente assumir a administração do Governo de Mato Grosso. tendo à frente a Guarda Nacional. um sucessor. organizado junto ao Quartel dos Guardas Municipais. Poucos dias antes de eclodir a Rusga. No momento em que eclodiu a Rusga. Brás Pereira Mendes. dando-lhe apoio político. solicitando aos revoltosos que parassem com o movimento. Sentido-se sem forças para governar e tampouco para conter o movimento. majoritariamente. Por outro lado foram presos em Cuiabá vários outros elementos. dava ordens para trazer. governava a Província de Mato Grosso João Poupino Caldas. dentre os Conselheiros do Governo. João Poupino Caldas solicitou à Regência que enviasse. os Caramurus. foi nomeado. por afastamento do titular. pois as duas forças policiais – Guardas Nacionais e Guardas Municipais – se encontravam envolvidas na movimentação. Poupino saiu às ruas acompanhado do bispo D. a posse de Poupino não foi suficiente para contentar todos os Liberais. comando no Quartel. quando chega a Cuiabá.todos os estrangeiros e portugueses. Eram eles: Pascoal Domingues de Miranda. de onde eram emanadas ordens. os dois partidos ambicionavam a tomada do poder provincial. João Poupino Caldas ficou ao lado do novo Presidente. Bento Franco de Camargo e Caetano Xavier da Silva Pereira. um movimento para conseguir a realização de seus objetivos. como comprovação dos atos. o novo Presidente da Província Antônio Pedro de Alencastro. os Liberais. o governo tratou ele de desencadear o processo repressivo contra os revoltosos. porém resolveu ir embora de Cuiabá no momento em que Antônio Pedro de Alencastro foi afastado do governo por pressões políticas. chamados de adotivos. organizados junto à Sociedade Filantrópica composta. os revoltosos tomaram o Quartel dos Guardas Municipais partiram em diligências para atacar as casas e propriedades dos Caramurus Foram dias de muito sangue e violência. O comando do movimento. articulados junto à Sociedade dos Zelosos da Independência (abarcando tanto Moderados quanto Exaltados) e. Liberal Moderado e membro da Sociedade dos Zelosos da Independência. Surpreso com a violência da movimentação. Assim. Para tanto. do outro lado. suas propriedades invadidas e depredadas. Infelizmente. ao final do qual foram os réus indiciados e condenados à prisão. foi covardemente assassinado.

Infelizmente. a Rusga representou um movimento regencial precursor. obter a abertura da navegação pelo rio Paraguai. Paranaguá. com o passar dos anos a produção industrial tornou-se maior. os presidentes e o Mato Grosso na Guerra do Paraguai Desde o início do século XIX. da Inglaterra que. república altamente industrializada. por onde iriam entrar as suas mercadorias. alcançar o oceano Atlântico através do rio Paraguai. já no final do século XVIII. Infelizmente. tão desejadas pelas indústrias européias. o segundo. pois fora. mas servia ainda essa aquavia de saída para as matérias-primas. de novas regiões consumidoras das mercadorias produzidas pelos países industrializados. A partir dessa conquista. seguindo daí para os dois outros. estuário do rio da Prata. porém. Navegação e Extradição” entre Brasil e Paraguai: estava liberada a navegação pelo rio Paraguai. que governara Mato Grosso logo após a rusga. mais tarde Barão de Melgaço. Missão Piranhos: teve à frente José Maria da Silva Paranhos. Dessa forma. que visitou com o mesmo objetivo dos anteriores. Esse assassinato revela a força Política do Grupo Liberal e a divisão existente no seio dele: Moderados e Exaltados. Assim. que era proprietário da maioria das terras da nação (estâncias da pátria) e das indústrias 11 . sobretudo. abasteciam os mercados europeus. Isso se explica porque. o Uruguai. foi assinado o “Tratado de Aliança. através da qual passou-se a produzir mercadorias em grande escala que. Mato Grosso objetivava. inicialmente ao porto de Corumbá. ou seja. não ainda com armas. com essas negociações com a República do Paraguai. havia ali ocorrido a chamada Revolução Industrial. pelo lado de Mato Grosso. Santos. mantinha superioridade no comércio. o litoral brasileiro. O Segundo Império. Comércio. em menor tempo. Assim. • • Essas negociações eram muito importantes para Mato Grosso. inicialmente. O interesse na abertura desse novo mercado não era somente dos países já citados mas. vindos do rio da Prata.Cuiabá. Missão Pimenta Bueno: realizada por José Antonio Pimenta Bueno. pois os caminhos fluviais que antes ligavam a província mato-grossense ao litoral brasileiro já estavam desativados e demandava muito tempo e gastos na viagem. movimento mato-grossense. porem com uma economia interna fechada e socializada de forma que o capital estava maciçamente concentrado em mãos do Estado. a Inglaterra desejava não somente ver concretizado este novo roteiro fluvial. Estudar a Rusga significa dominar alguns aspectos presentes na maioria dos movimentos regenciais. mas através de negociações diplomáticas: • Missão Leverger: assim chamada porque. Mato Grosso e Paraguai disputavam fronteiras. Augusto Leverger. divisor geográfico natural entre o Brasil e o Paraguai. na tentativa de conseguir franquear a navegação pelo lado do Paraguai. especialmente os portos do Rio de Janeiro. a 6 de abril de 1856. As mercadorias e os viajantes chegariam. como revela o desconhecimento dos historiadores sobre os acontecimentos da Região Centro-Oeste. a Bacia do rio da Prata constituiu o eixo de escoamento das principais mercadorias que abasteceriam a Argentina. seguido de Cáceres e o de Cuiabá. Finalmente. essa missão não obteve sucesso. e necessária se fazia a abertura de novos mercados. na maioria da literatura nacional. Rio Grande e os de Mato Grosso. o maior deles. Foi nessa confluência de interesses que nasceu uma indisposição com relação ao Paraguai. desde o Período Colonial brasileiro. na cronologia deles. Mato Grosso conseguiria. 11. Os portos mais importantes de Mato Grosso nesse trajeto seriam: Corumbá. negociou com o governo paraguaio (Francia) a possibilidade de um Tratado de Amizade e de Comércio entre os dois países.

o que demandaria a aquisição de terras dos três outros países. bravamente defendida pelo mato-grossense Antonio João Ribeiro que. pois Antonio João. mais especificamente junto às suas colinas. mas sobretudo a rarefeita população que nele habitava.(siderúrgicas. sobretudo. 12. uma outra atacava a Colônia Militar de Dourados. enviando forças terrestres e fluviais para Miranda e especialmente para Corumbá. louça. até a morte. poderiam com esse contato importar tecnologia nova. faça-os conhecer e protestarmos por meio da artilharia. na raia oeste. cidade que foi totalmente devassada. uma vez que a maioria dos produtos de que necessitava era ali mesmo produzido. ameaçando tomar a capital. Se a linha de ataque tinha à frente Vicente Barrios. ao menos. Conhecedor da situação precária de Mato Grosso. e que. Para incitar a filiação de elementos às tropas de voluntários. No período final da guerra. felizmente. os primeiros combates foram perdidos e os paraguaios se apossaram de toda a parte sul da Província. mas. contando com uma precária e insipiente indústria. sob o comando inicial de Hermenegildo Portocarrero e. comandado por Hermenegildo Portocarrero. foi presa fácil. A retomada de Dourados foi uma das mais trágicas. de Augusto Leverger. a capital contou com a colaboração de um batalhão dos Voluntários da Pátria. Dependendo muito pouco do exterior. Que me acompanhe quem quiser”. posteriormente. Nioac. Cuiabá. desviaram-se para outras localidades mato-grossenses: Miranda. Dourados. período em que a Província de Mato Grosso tinha sérias dificuldades de comunicação com o litoral brasileiro. pelo seu lado mais ocidental. Augusto Leverger assim os conclamava: “Marchemos. A Província de Mato Grosso. resistiu até a morte e. o governo paraguaio. 12 . o Batalhão dos Voluntários da Pátria regressou à Cuiabá. essa república não via com bons olhos a abertura do comércio a nível internacional especialmente porque dele muito pouco usufruía. para incitar os bravos soldados que. assim como os índios da região e de toda a população que se envolveu na defesa do território matogrossense. Por outro lado. sua população massacrada e a cidade tomada pelas tropas paraguaias. dando vazão não somente às atividades voltadas para a exportação. Nesse combate. uma vez que quase todo o contingente militar havia se deslocado na defesa de sua parte sul. sal e outras). tendo recebido calorosas homenagens de sua população que viu-se por ele protegida. de papel. ocasião em que diligenciou para que as tropas paraguaias batessem em retirada do território mato-grossense. Aquidauna. o Paraguai desejava obter uma saída para o Oceano Atlântico. Enfraquecida militarmente. com apenas 15 soldados. a Presidência da Província. Depois desses ataques. tintas. ainda sob armas do inimigo. não chegou. resolveu atingir a parte mais frágil o Império brasileiro. senhores. as forças de Lopes foram derrotadas. especialmente com o Rio de Janeiro. O desenrolar da guerra A Guerra da Tríplice Aliança contra o Paraguai durou 5 anos de 1865 a 1870. dirigido por Francisco Solano Lopes. resistiu bravamente. deslocando o ataque para Corumbá. da Argentina e com o Império brasileiro que. comandante das tropas mato-grossenses. O primeiro ataque paraguaio se deu no Forte de Coimbra. visto não somente a grande extensão de seu território. Apesar de não ter confrontado com as tropas paraguaias. O local escolhido para a defesa de Cuiabá foi a atual região de Barão de Melgaço. Augusto Leverger assumiu. Apesar de todo o empenho e heroísmo de seus comandantes e tropas militares. hoje constituída do território de Mato Grosso do Sul. desejavam comercializar com os países industrializados da Europa. também. Ali permaneceram as tropas a espera do inimigo que. precariamente militarizada. O mesmo não ocorria com a República do Uruguai. capital do Império. a guarnecer o ponto abandonado.

13 . A retomada de Corumbá foi comandada pelo Tenente-Coronel Antonio Maria Coelho. Sabe-se que a população Uruguai foi covardemente assassinada e seu chefe supremo. Após essa vitória. mais tarde. mas meu sangue e de meus companheiros servirão de protesto solene contra a invasão do solo de minha Pátria”. Francisco Solano Lopes. as tropas paraguaias se renderam definitivamente. Corumbá. Estava finalmente encerrada a guerra que não se sabe ao certo que foi vitorioso. finalmente.temerosos ao grande contingente inimigo. seria o primeiro Presidente do Estado de Mato Grosso. Jauru. outros embates foram travados até que. dizia: “Sei que morro. expulsaram os paraguaios. Paraná e Cuiabá. Antonio Maria e sua tropa. auxiliada pela população. auxiliados pelo reforço de uma flotilha composta dos favores Antonio João. falecido em combate. que.

Presidentes da Província de Mato Grosso (1825-1889) Período 1825-1828 1828-1830 1830-1831 1831-1833 abril a dezembro de 1833 1833-1834 maio de 1834 maio a setembro de 1834 1834-1836 fevereiro de 1836 Fevereiro a agosto de 1836 1836-1837 maio a setembro de 1838 1838-1840 outubro de 1840 1840-1842 1842-1843 maio a agosto de 1843 agosto a outubro de 1843 outubro de 1843 1843-1844 1844-1847 1847-1848 abril a maio de 1848 maio a setembro de 1848 1848-1849 1849-1851 1851-1857 1857-1858 1858-1859 1859-1862 1862-1863 Maio a julho de 1863 1863-1865 1865-1866 1866-1867 1867-1868 abril a setembro de 1868 setembro de 1868 1868-1869 1869-1870 fevereiro a maio de 1870 maio a outubro de 1870 1870-1871 maio a julho de 1871 1871-1872 1872-1874 1874-1875 1875-1878 março a julho de 1878 1878-1879 1879-1881 Presidente José Saturnino da Costa Pereira Jerônimo Joaquim Nunes André Gaudie Ley Antonio Corrêa da Costa André Gaudie Ley Antonio Corrêa da Costa José de Melo Vasconcelos João Poupino Caldas Antonio Pedro de Alçencastro Antonio Corrêa da Costa Antonio José da Silva José Antonio Pimenta Bueno José da Silva Guimarães Estevão Ribeiro de Rezende Antonio Corrêa da Costa José da Silva Guimarães Antonio Corrêa da Costa José da Silva Guimarães Manuel Alves Ribeiro José Mariano de Campos Severino Pimentel Moreira Freire Ricardo José Gomes Jardim João Crispiniano Soares Manuel Alves Ribeiro Antonio Nunes da Cunha Joaquim José de Oliveira João José da Costa Pimentel Augusto Leverger Albano de Sousa Osório Joaquim Raimundo Delamare Antonio Pedro de Alencastro Herculano Ferreira Pena Augusto Leverger Alexandre Manuel Albino de Carvalho Augusto Leverger Albano de Sousa Osório José Vieira Couto de Magalhães João Batista Oliveira Albano de Sousa Osório José Antonio Murtinho Augusto Leverger Luís da Silva Prado Antonio de Cerqueira Caldas Francisco Antonio Raposo Antonio de Cerqueira Caldas Francisco José Cardoso Junior José de Miranda Reis Antonio de Cerqueira Caldas Hermes Ernesto da Fonseca João Batista de Oliveira João José Pedrosa Rufino Enéas Gustavo Galvão 14 .

Em Mato Grosso. Médici (1969 a 1974) Governo General Ernesto Geisel (1974 a 1979) Governo General João Batista Figueiredo (1979 a 1985) Governo José Sarney (1985 a 1990) Governo Fernando Collor (1990 a 1992) Governo Itamar Franco (1992 a 1995) Governo Fernando Henrique (1995 a 1998) Governo Fernando Henrique (1999 a 2002) Governo Luís Inácio Lula da Silva (2003 a . O Brasil Republicano Período 1889 a 1930 a Primeira República 1930 a 1945 a Segunda República 1946 a 1964 a Terceira República República República Velha • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • Divisões República da Espada Governo Provisório de Deodoro da Fonseca (1889 a 1891) Governo Constitucional de Deodoro da Fonseca (1891) Governo Floriano Peixoto (1891 a 1894) República das Oligarquias (1894 a 1930) Governo Provisório (1930 a 1934) Governo Constitucional (1934 a 1937) Estado Novo (1937 a 1945) Governo Eurico aspar Dutra (1946 a 1951) Governo Getúlio Vargas (1951 a 1954) Governo Café Filho (1954 a 1955) Governo Juscelino Kubitschek (1956 a 1960) Governo Jânio Quadros (1961) Governo João Goulart (1961 a 1964) Governo Marechal Castelo Branco (1964 a 1967) Governo Marechal Costa e Silva (1967 a 1969) Governo General G. Mato Grosso na Primeira República As correntes existentes entre facções políticas... Desde a proclamação da República. durante a Primeira República ficaram conhecidas na História do Brasil como as disputas entre os Coronéis.Período maio de 1881 1881-1883 março a maio de 1883 1883-1884 1884-1885 outubro a novembro de 1885 1885-1886 Novembro a dezembro 1886 1886-1887 março a maio de 1887 maio a novembro de 1887 1887-1889 fevereiro a julho de 1889 julho a agosto de 1889 agosto a dezembro de 1889 Presidente José Leite Galvão José Maria de Alencastro José Leite Galvão Manuel de Almeida Gama Lobo D’Eça Floriano Peixoto José Joaquim Ramos Ferreira Joaquim Galdino Pimentel Antonio Augusto Ramiro de Carvalho Álvaro Rodovalho Marcondes dos Reis Antonio Augusto Ramiro de Carvalho José Joaquim Ramos Ferreira Francisco Rafael de Melo Rego Antonio Herculano de Sousa Bandeira Manuel José Murtinho Ernesto Augusto da Cunha Matos 13. não foi diferente..) Era Vargas República Democrática 1964 a 1985 a Quarta República República Militar 1985 a . a Quinta República Nova República 14. e o período conhecido como “coronelismo”.. 15 .

invalidando até as eleições à Assembléia Constituinte Estadual e iniciando um novo processo eleitoral. Sentindo o clima tenso. os revoltosos do sul expediram panfletos. intitulado Partido Nacional Republicano. uma caravana atingiu a capital. De Cuiabá. Manuel Deodoro da Fonseca renunciou ao governo. no plano estadual igualmente. Inicialmente. tomando o poder da oligarquia nortista. desencadeado pelos grupos políticos e suas lutas pelo poder. iniciou um contra-movimento. No momento em que. incitando a população a se engajar no movimento. que conseguiu cercar o Arsenal de Guerra e depor o Presidente da Junta Governativa. recolocando no poder Manuel José Murtinho. b) O Contragolpe Naturalmente. o Marechal Deodoro da Fonseca nomeou para governar os Estados pessoas de sua confiança. a natureza das lutas coronelistas em Mato Grosso: 16 . renunciou ao governo mato-grossense. logo que assumiu o governo. em 1892. dissipando a oposição naquela importante cidade e fazendo respeitar o governador Murtinho. o qual. tendo sido sucedido por Frederico Sólon de Sampaio Ribeiro. o Partido Republicano. De Corumbá. em nível nacional. pretendia-se alijar do poder os elementos a ele vinculados. considerando ilegais tais procedimentos. vinculado ao partido republicano. a 20 de julho de 1893. obrigando Murtinho a renunciar e instalaram um governo provisório agora contando também com elementos da parte norte. Em Mato Grosso. Sólon. foi Antônio Maria Coelho. mesmo à distância o governante estadual. tendo como protagonistas os coronéis que disputavam entre si o comando político do Estado. a) O Movimento de 1892 O primeiro movimento armado ocorreu imediatamente após a Proclamação da República. Tendo sido escolhido como primeiro Presidente da República Brasileira. resolveu tornar nulas as deliberações tomadas por seu antecessor. as situações de oposição a seu governo. Cada um desses grupos mantinha verdadeiros exércitos particulares formados por homens que obedeciam à vontade do chefe. Para o Mato Grosso. essa Legião seguiu para Corumbá. tendo à frente Generoso Paes Leme de Sousa Ponce. os revoltosos reuniram-se em frente à intendência Municipal de Corumbá e dali depuseram. frente às pressões. Ficaram estes grupos conhecidos como “capangas” dos coronéis.inúmeros movimentos armados se sucederam. desencadeou um contragolpe através da “Legião Floriano Peixoto”. apoiado que estava tanto pelo Congresso Nacional quanto pela a oligarquia cafeeira. providenciou a montagem de exércitos estaduais capazes de reverter. pela descrição de dois movimentos principais. criou um novo partido político. Manuel José Murtinho ao lado de Generoso Paes Leme de Sousa Ponce iniciam uma movimentação para a derrubada de Antônio Maria Coelho que. inicia-se uma série de movimentos armados no Estado. A partir desse momento. como os elementos antes vinculados ao antigo Partido Conservador. exemplificamos. majoritariamente composto pela oligarquia do norte. depois. pelas armas. O grupo oligarca do sul do Estado (hoje MS). sentindo reações por todo o País. Com os resumos que se seguem. Floriano Peixoto.

de propriedade do Cel. Totó Paes sitiou o centro urbano de Cuiabá e. Vence o candidato de Ponce. Esse rompimento fez com que os Murtinho se aproximassem dos rivais de Totó Paes. a migrar para o Paraguai. João Paes de Barros. Em outubro de 1901. Ministro. conseguiu fazer com que a Assembléia Legislativa anulasse e eleição. pelo Partido Republicano Constitucional. como foi o caso dos líderes de Corumbá. Para garantir-se no poder. Manuel José Murtinho deixou o governo de Mato Grosso partindo para o Rio de Janeiro. onde montou um jornal “A Reação”. saiu vitorioso. Totó Paes. Murtinho lançou o nome de José Maria Merelo. Este episódio veio ser descoberto em 1902. Segundo nos conta Ponce Filho (1952). Objetivava ele acabar com a oposição a seu governo. A “política dos governadores“ tinha como objetivo primordial o apoio incondicional ao presidente da República. que contava com fortíssima oposição política. Generoso Ponce. Joaquim Caracíolo Peixoto de Azevedo e Joaquim Augusto da Costa Marques. 3. os oposicionistas foram presos e levados até o local intitulado “Baía do Garcez”. jogados à baía. usineiro de grande prestígio na época. distanciou-se do grupo que o elegera. Seguindo a “política dos governadores”. Nas eleições de 1902. trabalhando os Estados para garantir o êxito dos programas gerais. 2. equipada com 10 unidades. comandada por Totó Paes. 4. pois esse proprietário era irmão de Totó Paes. Joaquim Murtinho. tomando o poder local. a chacina foi praticada de forma bárbara. quando as águas da baía secaram e as ossadas ficaram expostas. fazia oposição ao governo totopesiano. entre paquetes. organizados sob a liderança de Generoso Ponce. 2. onde fora apoiar politicamente seu irmão. essa Divisão soube de um reduto oposicionista concentrados na Usina Conceição. A intensificação das lutas oposicionistas levaram Totó Paes a pressionar o líder as oposição local. não boiassem. onde foram barbaramente assassinados. o cerco foi feito. revelando o crime cometido impunemente. Antonio Pedro Alves de Barros. d) Movimento de 1906 Breve descrição do movimento 1. Pedro Celestino Corrêa da Costa. 3. 5. Deixando de lado o parentesco. Nas eleições em Mato Grosso. através do qual. esse governante modernizou Mato Grosso. De 17 . As forças armadas foram comandadas por Antonio Pires de Barros. conservando-se no fundo da mesma. e Murtinho inicia um movimento para depor do governo Peixoto de Azevedo. 4. o candidato apoiado por Manuel José Murtinho. uma vez que os corpos foram abertos em cruz para que. acreditando que apenas o apoio da Presidência da República lhe garantiria no poder. sendo que Generoso Ponce lançara o nome de João Félix Peixoto de Azevedo. Antônio Paes de Barros (Totó Paes) candidatou-se e venceu as eleições para a Presidência do Estado de Mato Grosso. como se esperava. e convocasse novas eleições. pela força das armas. Nessa última. na qual Peixoto de Azevedo fora vitorioso. mesmo distante. que formaram a “Divisão Naval Libertadora”. lanchas e embarcações de menor porte. através da participação na Exposição Internacional de Saint Louis. numa clara demonstração de rompimento político entre Murtinho e Ponce. Antonio Pedro Alves de Barros montou uma força armada intitulada “Divisão Patriótica”.c) Massacre da Baía do Garcez (1898-1901) Breve descrição do movimento 1. o qual ara apoiado pelos Murtinho (Manuel e Joaquim). Os líderes oposicionistas de outras localidades reagiram.

com duas administrações. onde foi morto pelas forças de oposição. Caetano de Albuquerque negou-se a exonerar funcionários públicos.. Camilo Soares de Moura. No mesmo ano rompe no Rio de Janeiro com uma série de rebeliões nos quartéis. chefe do Partido Republicano de Mato Grosso e volta atrás. Totó Paes. Caetano. Contra a oposição. entra no Supremo Tribunal Federal com um pedido de hábeas corpus. o então presidente da República.Corumbá. que recebeu a notícia do ofício a ele enviado pelas forças oposicionistas. É decretada. transferiu as atividades da Assembléia para Corumbá. Caetano acena então com a renúncia. entre eles Aníbal de Toledo. que seu partido (Republicano Conservador) considerava adversários. pede licença à Assembléia Legislativa para ir ao Rio de Janeiro para formalizar a renúncia. dominado pelos coronéis. o qual para não perder o mandato. assume a presidência de Mato Grosso. As notícias das contendas partidárias chegaram ao conhecimento do Governo Geral. não cancelando a licença e não efetivando a renúncia. O presidente da Assembléia Legislativa. intervém no Estado colocando como interventor federal. ocasião em que foram tomados vários redutos governistas. o impeachment de Caetano Albuquerque. Francisco Pinto de Oliveira. O governo então ficou dividido. 6. que em 1917. os oposicionistas cercaram a cidade e solicitaram que o governante renunciasse. que pregava a 18 . alegando falta de segurança e garantias constitucionais. No entanto. Entretanto. Apesar de indefinida politicamente e ideologicamente. f) Mato Grosso r as Revoluções de 1922 e 1924 Em 1922. O movimento tenentista foi marcado pela reação da jovem oficialidade do Exército que insurgiu contra a dominação oligárquica e a farsa que era o processo eleitoral. a movimentação atingiu a capital. 5. acaba com a Caetanada. 7. conhecido como movimento tenentista. recebe o apoio de Pedro Celestino. Caetano reage cercando o local onde se reuniam seus principais líderes na Câmara dos Deputados. que prometera enviar ao Governador de Mato Grosso a expedição “Dantas Barreto” para ajuda-lo a garantir-se no poder. esse fato repercutiu negativamente junto ao Governo Federal. pela Assembléia Legislativa. de propriedade de Totó Paes. que estabelecido em Cuiabá. onde se descreveu o momento do assassinato do Presidente Antonio Paes de Barros. despachava do palácio do governo. e) A Caetanada Movimento armado que teve início em 1916 e girou em torno da eleição de Caetano Manoel de Farias Albuquerque. antes que essas forças militares chegassem a Cuiabá. Pressionado. como foi o caso da Fazenda Itaici. acabou se refugiando no Coxipó. Pedro Celestino Corrêa da Costa. governava Manoel Escolástico. que marcou o início da crise da República Oligárquica. Caetano passa então a sofrer oposição de poderosos políticos da época. Wenceslau Braz. De um lado Caetano. mais precisamente nas imediações da fábrica de pólvora. da qual contava Luís Carlos Prestes. Em Corumbá. conhecido como Gen. Oscar da Costa Marques e outros representantes de Mato Grosso na Câmara dos Deputados e do senador Antonio Francisco Azeredo. o movimento tenentista apresentava duas facções: uma radical. vice-presidente do Senado Federal. Diante da situação. em 1915. no aguardo das forças federais.

a coluna se desfez. pelo governo provisório de Getúlio Vargas. onde capitães e tenentes do Exército e Marinha insurgiram contra o governo Epitácio Pessoa. de onde sairia posteriormente para fazer parte da “Revolução de 1930”. Estevão Alves de Corrêa. em Santa Rita do Araguaia. O movimento se alastrou por outras unidades no Rio de Janeiro. representava. foi nomeado delegado de polícia para a região. com a adoção do voto secreto e pequenas mudanças na estrutura política. Com o passar do tempo. construiu escolas. para impor a ordem. alterar a ordem fundiária. reformou prédios. do qual escaparam os tenentes Eduardo Gomes e Siqueira Campos. sem contudo. conhecido como os “18 do Forte de Copacabana”.000 km pelo interior do Brasil. Sob a liderança do capitão Euclides da Fonseca. que dentre outros feitos. girou em torno do conflito capitaneado por Morbeck e Manuel Balbino de Carvalho que se digladiavam na região do Rio das Garças. Percorrendo 24. Com a saída de Arthur Bernardes. em virtude do fechamento do clube militar e a prisão de Hermes da Fonseca. que liderou a “Revolução d 1930” e derrubou o Presidente Washington Luís. a ala moderada do movimento tenentista se uniu às oligarquias dissidentes. para impor a ordem. Para fazer frente a Morbeck foi nomeado delegado de polícia para a região. sob a liderança do general Miguel Costa e do capitão Luís Carlos Prestes. que tomaram o Forte de Copacabana e em seguida atacaram o quartel-general do Exército. na zona garimpeira no Leste e a Coluna Prestes. servindo-lhe de braço armado. o qual. após decretar estado de sítio. o qual. vencendo tropas locais dos coronéis federais e disseminando idéias contrarias a dominação oligárquica. Manoel Ribeiro de carvalho. h) A Coluna Prestes A fusão das duas colunas. a resistência dos revoltosos foi feita através de um confronto suicida por parte de 17 militares e 1 civil. entretanto foi deposto e substituído pó interventor federal. no Rio de Janeiro. O sucessor de Mário Corrêa foi Aníbal de Toledo que assumiu em janeiro de 1930. provocou grande alvoroço dentro do governo Arthur Bernardes. quando então assume o Dr. A repressão do governo foi imediata. moderada. chocava-se constantemente com os interesses de Morbeck. No Rio de Janeiro. com seu discurso contra o domínio dos Coronéis. refugiando-se parcialmente na Bolívia. urbanizou a Praça da República. 19 . g) A Revolta do Forte de Copacabana A primeira revolta tenentista ocorreu em 1922. Na administração de Alves Corrêa assinou-se o contrato para a instalação e montagem da Hidrelétrica de Rio das Cascas (CASCA 1). José Morbeck representava. pregava a adoção de medidas moralizantes. representada pelo poder dos coronéis. Em Mato Grosso. chocava-se constantemente com os interesses de Morbeck. José Morbeck. atual Alto Araguaia. após o fim de seu mandato. uma delas. Niterói e Mato Grosso. Para fazer frente a Morbeck. em Santa Rita do Araguaia. a oposição armada contra o governo Pedro Celestino. acusado de intervir indevidamente nos assuntos do governo de Pernambuco. constituída no governo Mário Corrêa. atual Alto Araguaia armada contra o governo Pedro Celestino.realização de reformas profundas na economia e sociedade. de abril de 1925 a fevereiro de 1927. a outra. Manoel Ribeiro de Carvalho. o conflito Morbeck Carvalhinho. abriu estradas. que teve grande repercussão em Mato Grosso. pondo fim à República Velha inaugurando a Era Vargas. Pedro Celestino renunciou em outubro de 1924. filho de Hermes da Fonseca. que se viu à frente duas circunstâncias adversas. os desdobramentos da crise que envolvia a República Oligárquica. reprimiu violentamente os revoltosos.

que teve grande repercussão em Mato Grosso. reformou prédios. quando então assume o Dr. abriu estradas. O sucessor de Mário Corrêa foi Aníbal de Toledo que assumiu em janeiro de 1930. Na administração de Alves Correa assinou-se o contrato para a instalação e montagem da Usina Hidrelétrica de Rio das Casca (Casca 1). que dentre outros feitos. que se viu à frente de duas circunstâncias adversas. construída no governo Mário Corrêa. pondo fim à República Velha inaugurando a Era Vargas. urbanizou a Praça da República. Estevão Alves de Corrêa.Pedro Celestino renuncia em outubro de 1924. Governantes de Mato Grosso: 1889-1930 Governante Antonio Maria Coelho Sólon de Sampaio Ribeiro José da Silva Rondon João Mepomuceno de Medeiros Mallet Manoel José Murtinho Dupla Junta Governativa Luís Benedito Pereira Leite Junta Governativa Período de Gestão Dezembro de 1889 a fevereiro de 1891 Fevereiro a abril de 1891 Abril a junho de 1891 Junho a agosto de 1891 Agosto de 1891 a maio de 1892 1892 Fevereiro a abril de 1892 10 a 18 de abril de 1892 Governante Luís Benedito Pereira Leite André Virgílio Pereira de Albuquerque José Marque Fonte Generoso Paes Leme de Sousa Barros Manoel José Murtinho Antonio Corrêa da Costa Antonio Cesário de Figueiredo Antonio Corrêa da Costa Antonio Cesário de Figueiredo Antonio Leite de Figueiredo Antonio Pedro Alves de Barros João Paes de Barros Antonio Pedro Alves de Barros Antonio Paes de Barros Pedro Leite Osório Generoso Paes Leme de Sousa Ponce Pedro Celestino Corrêa da Costa Joaquim Augusto da Costa Marques Caetano Manoel de Faria e Albuquerque Camilo Soares de Moura Cipriano da Costa Ferreira Camilo Soares de Moura Dom Francisco de Aquino Corrêa Pedro Celestino Corrêa da Costa Estevão Alves Corrêa Mário Corrêa da Costa Período de Gestão 19 a 24 de abril de 1892 24 a 26 de abril de 1892 abril a maio de 1892 maio a julho de 1892 julho de 1892 a agosto de 1895 agosto de 1895 a setembro de 1897 setembro a novembro de 1897 novembro de 1897 a janeiro de 1898 janeiro de 1898 a julho de 1899 julho a agosto de 1899 agosto de 1899 a abril de 1900 abril a agosto de 1900 agosto de 1900 a agosto de 1903 agosto de 1903 a julho de 1906 julho de 1906 a agosto de 1907 agosto de 1907 a outubro de 1908 outubro de 1908 a agosto de 1911 agosto de 1911 a agosto de 1915 agosto de 1915 a fevereiro de 1917 fevereiro a agosto de 1917 agosto a outubro de 1917 outubro de 1917 a janeiro de 1918 janeiro de 1918 a janeiro de 1922 janeiro de 1922 a outubro de 1924 outubro de 1924 a janeiro de 1926 janeiro de 1926 a janeiro de 1930 20 . entretanto foi deposto e substituído por um interventor de Getúlio Vargas. na zona garimpeira no Leste e a Coluna Prestes. construiu escolas. 15. uma delas. com seu discurso contra o domínio dos coronéis. que liderou a “Revolução de 1930” e derrubou o presidente Washington Luís. o conflito Morbeck-Carvalinho.

Concluiu em seu governo. diversos projetos de leis voltados à restauração administrativa e judiciária. Processou-se. Para tanto enviou à Assembléia Legislativa. Fernando Corrêa da Costa voltou a governar Mato Grosso de 1961 a 1966. edifícios. Arnaldo de Figueiredo renuncia ao governo de Mato Grosso para concorrer a vaga no Senado. que. a continuação da política de desenvolvimento rodoviário. sendo criada a Comissão Estadual de Estradas de Rodagem – CER. já na Câmara dos Deputados ocorreu um empate. governou de 1951 a 1956. ao derrotar o candidato da coligação PSD-PTB. oposição ao regime estadonovista. O governo de Arnaldo de Figueiredo foi marcado pela restauração das antigas estruturas do Estado. e. Partido Social Democrático e Partido Trabalhista Brasileiro. destacam-se a reforma do ensino público. que refletiam. as estradas que interligam os municípios da fronteira com O Paraguai. deputados estaduais e mais um senador. PSD-PTB. as da região da Bodoquena. Antonio João. assumindo em seu lugar Jary Gomes. PSD e PTB se uniram saindo vencedores na disputa para a presidência da República. pois na Constituição mato-grossense não existia a figura do vice-governador. em sua administração as estradas São Vicente-Jaciara-Rondonópolis. ainda. A nova Assembléia responsabilizou-se por elaborar a nova constituição do Estado. foi eleito Arnaldo de Figueiredo. alem de várias obras públicas. posteriormente. De 1956 a 1961. transformou-se no Departamento de Estradas de Rodagem. e os PSD e PTB. que introduziu a colonização no Vale do Rio São Lourenço e. Das realizações de seu governo. Filinto Muller. seus anseios em voltar ao poder. no sul. esta disposição também foi sentida. 17.16. uma política de colonização do Estado. em Cuiabá. Em janeiro de 1946. a coligação saiu derrotada. 7 meses antes do prazo. com o general Dutra. a criação da Secretaria de Educação e Saúde do Estado. sob a intervenção de João Marcelo Moreira. Mato Grosso foi governado por João Ponce de Arruda. de certa forma. dos quais o novo Palácio Alencastro. ainda. Em Mato Grosso. tais como escolas. Amambaí. despontou acirrado pela disputa entre três grandes partidos: a UDN. etc. Para o governo do Estado. às novas necessidades da reconstitucionalização do país nos moldes democráticos. o qual deu continuidade a política de construção de rodovias. partidos criados por Getúlio Vargas. tendo sido abertas. proporcionando o aproveitamento das férteis terras agrícolas de Dourados. respectivamente. União Democrática Nacional. com a criação de vários núcleos coloniais. hoje DERMAT. Mato Grosso na Terceira República A nova disposição política do período posterior à ditadura varguista. então presidente da Câmara Legislativa. Em 02 de julho de 1950. O próximo governador eleito foi Fernando Corrêa da Costa. o início da construção das usinas do Rio Casca II e Mimoso. Ponta Porá. No Senado. Governadores de 1945 a 1966 Governante Olegário Moreira de Barros Wladislau Garcia Gomes José Marcelo Moreira Arnaldo Estevão de Figueiredo Jarí Gomes Fernando Corrêa da Costa José Ponce de Arruda Fernando Corrêa da Costa Período de Gestão Novembro de 1945 a agosto de 1946 6 a 19 de agosto de 1946 Agosto de 1946 bril de 1947 Abril de 1947 a julho de 1950 Julho de 1950 a janeiro de 1951 Janeiro de 1951 a janeiro de 1956 Janeiro de 1956 a janeiro de 1961 Janeiro de 1961 a março de 1966 21 . as usinas do Rio Casca e do Mimoso. ocorreram as eleições para governador. que. o qual governou de março de 1946 a julho de 1950. Outra preocupação do governo foi com o desenvolvimento dos transportes em Mato Grosso.

tendo chegado posteriormente à região outras famílias sulistas. políticos e sociais. sendo Pedro Pedrossian o ultimo governador eleito por voto direto. juntamente com a de Minas. hoje 44º BIMtz. constituída pelo antigo 16º BC. Governadores de 1966 aos dias atuais Governante Pedro Pedrossian José Manoel Fontanillas Fragelli José Garcia Neto Cássio Leite de Barros Frederico Carlos Soares de Campos Julio José de Campos Período de Gestão Março de 1966 a março de 1971 Março de 1971 a março de 1975 Março de 1975 a agosto de 1978 Agosto de 1978 a março de 1979 Março de 1979 a março de 1993 Março de 1983 a maio de 1986 Governante Wilmar Peres de Faria Carlos Gomes Bezerra Édison de Freitas Moisés Feltrin Jayme Veríssimo de Campos Dante Martins de Oliveira Dante Martins de Oliveira José Rogério Salles Blairo Borges Maggi Período de Gestão Maio de 1986 a março de 1987 Março de 1987 a maio de 1990 Maio de 1990 a fevereiro de 1991 Fevereiro a março de 1991 Março de 1991 a março de 1995 Março de 1995 a março de 1999 Março de 1999 a março de 2003 Abril de 2002 a janeiro de 2003 Janeiro de 2003 a setembro de 2008 20. O estabelecimento de migrantes sulistas especialmente voltados para as fainas agrícolas se deu em 1960.18. O estabelecimento desses agricultores deu-se de várias maneiras. Outro projeto de importância para a região é o “Sadia Agrovila”. Rio Grande do Sul. posteriormente no Uruguai. a primeira tropa a chegar em Brasília. Foi nesta data citada que a família Côcco se fixou às margens da BR-070. precipitando a fuga de João Goulart. a tropa mato-grossense regressou ao quartel. ainda no século XIX. A Sadia Avícola desenvolveu um projeto de produção de frangos. em pequenas propriedades arrendadas. após a “eleição” e posse do Presidente Castelo Branco. o que foi mais usual. Mato Grosso. Guanabara (hoje extinto). aplicou-se os dispositivos do AI-5. as quais criam e 22 . tendo Campo Verde se sobressaído. com capacidade para produção de 40 toneladas-hora. A 21 de abril de 1964. as primeiras famílias de agricultores chegaram à região pós-1960. seja pela iniciativa privada – nesse caso. Mato Grosso na Quarta República Governava Mato Grosso pela segunda vez. considerando a migração da família Borges Fernandes. Mato Grosso hoje: aspectos econômicos. Iniciou-se o período de eleição indireta dos presidentes da República e governadores de Estado. indústria de ração animal. Minas Gerais. 19. e que foi. por terem eleitos governadores a quem os militares consideravam indesejáveis. considerando os já agricultores em outras regiões e que detinham algum capital para investimento em terra – ou através de colonizadores estaduais. o qual se refugiou. Paraná e Goiás aliaram-se incontinentes ao golpe dado pelos militares. Minas Gerais e o antigo Estado da Guanabara. o qual junto com os governadores de São Paulo. No município de Chapada dos Guimarães. O contingente migratório que se estabeleceu na região foi igualmente responsável pela alteração das condições agrícolas. Fernando Corrêa da Costa. De Cuiabá partiu a tropa que ocupou Brasília.

b) civilizar e aculturar as tribos indígenas existentes nas regiões por onde os fios telegráficos foram esticados. 23 . Mineração e nascimento das cidades A colonização da região do rio São Lourenço teve início com a instalação do destacamento de Ponte de Pedra (1875) às margens do rio do mesmo nome.800 2. porem.800 Milho 1.000 1. São Pedro da CIPA foram colonizadas através de empresas imobiliárias que. A chamada “Comissão Rondon”.200 1.090 0 0 0 0 1. a qual é responsável pela produção mensal de 35. mais tarde. Este posto militar foi apoio para as futuras incursões da Comissão Rondon na implantação das linhas telegráficas. Poxoréu. Dalcir Laurentino de Souza a estabelecer uma indústria intitulada Erva Mate Campo Verde. os quais se dedicaram. sendo que a pecuária vem se tornando o segundo ramo de peso na economia agrícola regional. migraram para a região leste de Mato Grosso. nordestinos e nortistas.000 0 2. paulistas. à extração de diamantes.050 Cana Mandioca 280 47 47 330 150 500 60 400 400 800 550 1. porem.300 1. Os dois grandes objetivos da Comissão eram: a) estender fios telegráficos desde o interior de São Paulo. atravessando Mato Grosso e atingindo terras amazonas.450 1. Os nortistas e os nordestinos haviam trabalhado junto à extração do látex amazônico e mato-grossense.300 Feijão 120 150 0 100 220 150 363 50 0 800 Soja 0 0 5. com a queda daquela produção. onde estão assentados inúmeras famílias que se dedicam ao cultivo agrícola da soja. basicamente. arroz.fornecem para o Frigorífico Sadia Oeste. as terras povoadas da parte leste de Mato Grosso. inicialmente.000 150 1. grande volume de frangos para o abate. incentivava migrantes de outros estados brasileiros a virem para Mato Grosso. mineiros. através de um esquema amplo de propaganda.000 1. A erma-mate. ali desenvolvendo uma organização social baseada nas corrutelas. chegando alguns deles a se tornarem telegrafistas. estimulou o sr. agricultura e pecuária.100 2. nome que passou para a história a “Comissão de Linhas Telegráficas e Estratégicas de Mato Grosso ao Amazonas”. Jaciara.000 quilos da erva beneficiada. a base sólida da região. Juscimeira. tinha à frente o mato-grossense Candido Mariano da Silva Rondon. com sede em Várzea Grande. produto consumido pelos sulistas da região de Campo Grande. Produção agrícola da bacia do Rio Cuiabá Município Cuiabá Rosário Oeste Nobres Livramento Santo Antonio do Leverger Poconé Barra do Melgaço Acorizal Jangada Campo Verde Arroz 600 1.480 1. A agricultura representa. portanto. especialmente no hábito de tomar o chimarrão. feijão e milho. Muitos índios trabalharam junto à Comissão.500 1.000 668 500 750 2. Já na segunda metade do nosso século. Itiquira. nascido em Mimoso e militar formado. inúmeros garimpeiros.450 350 90 600 800 1.600 800 516 357 620 1. sob o comando de um chefe. que eram pequenos acampamentos diamantíferos onde trabalhavam. Esta região foi povoada.600 21. por goianos. que abrange à região de Rondonópolis. Pedra Preta. especialmente a Estação Telegráfica Gomes Carneiro.

Os assentamentos se deram. a CIPA iniciou a propaganda. no Leste mato-grossense na disputa pelo poder e prestígio nas concessões. viajou para a atual região de Jaciara. ocorreu o assentamento de pequenos produtores na região do atual município de Rondonópolis. Esses. São Pedro da CIPA. grande parte delas era levada para fora da região Leste de Mato Grosso. foram caracterizadas pela migração de garimpeiros vindos da região do Garças. foram doados. Pela já citada lei 336/49. Com o passar do tempo. em 1949. com sede na cidade paulista de Presidente Prudente. responsável pela instalação. em novembro de 1962. Nestas regiões – Jaciara. capital do Estado e local de respeitável concentração urbana. uma vez que se constituíam em única mercadoria com a qual se adquiriam muitas outras. encantados com a fertilidade das terras da região com os extensos campos. que constitui atualmente o município de Itiquira. finalmente. Desnecessário se dizer que os grandes monopolizaram o comércio das pedras. As primeiras penetrações na região. Agricultura e Pecuária – o nascimento das cidades. em homenagem à colonizadora e ao seu santo padroeiro. o Interventor Júlio Muller promoveu a criação da colônia agrícola de Mutum (atual Dom Aquino). ocasião em que contratou corretores e arregimentou pessoal para disseminação de folhetos informativos junto à estação da Estrada de Ferro Sorocabana. única forma de garantia da exclusividade de concessão. exigiam um controle efetivo sobre os garimpeiros. Em 1942. 20 hectares de terra para a formação do vilarejo que intitulou-se São Lourenço. tomando um monomotor. caracterizada por uma produção de subsistência. O resultado foi a compra das glebas e o assentamento dos proprietários. passaram a monopolizar o comércio das pedras e. que se dedicaram à agricultura e à pecuária.Destino dos diamantes de Mato Grosso As pedras preciosas sempre tiveram altas cotações de preços junto aos mercados nacional e internacional. sob o comando da CIPA – Colonizadora Industrial Pastoril e Agrícola. Muitas lutas foram travadas. através da Lei 24 . cujas características econômicas se assentaram na trilogia: Mineração. passando mais tarde a denominarse Centro Nápoli e. O primeiro comprador da CIPA foi Nicola Rádica que. para que isso ocorresse. Depois de demarcar as glebas. com o fim de serem comercializadas. sob a égide do governo estadual. Com a decadência das jazidas diamantíferas e pastoris. viajando da cidade paulista de Jardinópolis para Presidente Prudente. Se junto às zonas mineradoras elas pouco valiam. mas com fins comerciais. capital do Brasil nesse período. O primeiro destino foi Cuiabá. especialmente do Rio de Janeiro. pecuária e agricultura. Ali eram negociadas as pedras não só por residentes locais como também por pessoas chegadas dos grandes centros do país. empresa privada. Através dessa citada colonizadora. deixando grande parte da população pobre e miserável. os grandes compradores de diamantes. conhecidos como capangueiros. Juscimeira e São Pedro da CIPA – a agricultura teve grande desenvolvimento por causa da alta fertilidade do solo. não mais sob a forma rudimentar de produção. Neste mesmo ano (1949). 22. capaz de abastecer os centros mineradores. terminaram por se estabelecer definitivamente na região. inicialmente. tomou conhecimento da colonização e. teve inicio o processo de colonização. A agricultura nessa região do rio São Lourenço foi inicialmente. tendo como destaque a cultura de cana-de-açúcar. Obviamente que a disputa pela hegemonia sobre os garimpos não foi muito tranqüila. naturalmente.

na região do atual município. Foi a partir de 1960. Na realidade. os quais. trazendo o domínio do cultivo desta. lá de São Paulo. o governador da Capitania de São Paulo expediu uma ordem para que fossem destruídos todos os engenhos de cana-de-açúcar existentes nas minas de Cuiabá. um grande afluxo de pessoas se dirigiu para as regiões de mineração. mas também da fabricação da aguardente. as matas eram abundantes e o transporte era facilitado graças à via fluvial. porém. com a intensa leva de migrantes. Parte do equipamento inicial dessa usina adveio da desativação da Usina Conceição. os derivados da cana-de-açúcar se transformaram em alimento farto em glicose e sacarose. formando a cidade de Juscimeira. fruto dos períodos de enchentes. tal como no restante da Colônia. era tratado com maus tratos. Apesar do empenho do Conde de Sarzedas. Na visão destes. que teve início o processo de concentração de terra. Juscilàndia e outros. que nessa época era produzida com grande dificuldade nas roças locais. A região se desenvolveu a partir de 1961. chegando até Cáceres. Assim. Esta produção pode ser dividida em dois momentos bem distintos: o dos engenhos e o das usinas. o qual. especialmente advindos das regiões Sudeste e Sul do País. instalada em 1952. Até 1967. ou mascavo. por Poconé. mas o açúcar produzido era potó. O açúcar em Mato Grosso. especialmente a aguardente. Tanto o açúcar quanto a aguardente eram produtos que abastecia apenas o mercado local A produção era pequena e não tinha um excedente que pudesse ser exportado. A canade-açúcar era um produto conhecido de grande parte dos colonos que aqui chegaram. Livramento. pela Chapada dos Guimarães. os quais foram unidos. não só do açúcar. existiam apenas pequenos povoados. escuro. A aguardente era de excelente qualidade. os engenhos não só foram conservados mas proliferaram pelas margens do rio Cuiabá. Isso gerava prejuízo à Coroa que tinha na mineração do ouro um negócio lucrativo. 25 . ao invés de minerar só se ocupavam da fabricação da cachaça. a) O engenho (século XVIII e XIX) Com a descoberta e exploração das minas do Coxipó e de Cuiabá. uma vez que os antigos pequenos proprietários. Como nem só de ouro vivia toda essa gente. situada na região do rio Cuiabá Abaixo. uma vez que o solo sofria um adubamento natural. O engenho era tocado por escravo. de uma usina de açúcar em Jaciara. Foi. acabaram vendendo deus lotes. mas também um marco dessa história é a produção açucareira. Juscimeira teve origem com a gleba Areia. foram erguidas as primeiras engenhocas responsáveis pela produção. Esta situação não foi vista com bons olhos pelos mandatários da Coroa portuguesa. a cana-de-açúcar e a aguardente substituíam esta alimentação. A história de Mato Grosso não foi somente marcada pela mineração do ouro e diamante.Estadual nº 1765. impossibilitados de concorrer com o grande capital. tornou-se necessário cuidar da alimentação. a produção de aguardente tinha os mesmos efeitos perniciosos sobre os escravos. ao lado das atividades mineradoras. com a construção da BR-364. 23. nas margens do Cuiabá que eles mais proliferaram. Em 1735. governador da Capitania. como Limeira. Como a alimentação era escassa. violência e desrespeito.

em sua grande maioria. o tratamento distendido ao escravo foi extremamente violento e desrespeitoso. Apesar da modernização ocorrida a nível das maquinarias. Se de um lado. o escravo africano passou a realizar outros tipos de tarefas: junto às plantações e beneficiamento da cana-de-açúcar. promoveu o maior 26 . de crioulos e de caburés que ali se fixaram. de índios. ou seja. Os quilombos foram locais para onde se refugiava os escravos que. deixavam quase tudo que recebiam. trazendo de volta o maior número possível dos seus habitantes. Assim. Mesmo após a abolição (1888).As Usinas O século XIX é profundamente influenciado pelo capitalismo. fósforos e utensílios de uso pessoal. Assim. O proprietário da usina fazia as vezes de coronel. sendo toda a produção consumida pela população de Mato Grosso. Dentre esses produtos industrializados estavam as maquinarias modernas. devido às constantes fugas. pois eram obrigados a fazer compras nos armazéns que ali existiam. Vila Bela da Santíssima Trindade. tecidos. Constituía-se de uma aldeia composta de negros escravizados. este mesmo motivo o levava a fugas constantes. pouco se exportava. Os quilombolas não eram somente escravos negros. Neles. os trabalhadores das usinas de Mato Grosso. O quilombo mais famoso do Brasil foi o de Palmares. os trabalhadores. próximo ao rio Piolho e surgido entre os anos de 1770/1771. Em Mato Grosso o mais famoso deles foi o chamado Piolho ou Quariterê. Os que chegavam aos quilombos eram chamados de quilombolas. fumo. Apesar de o açúcar e a aguardente ser produzidos em grande escala. os senhores de escravos resolveram recapturar os fujões pois. partindo com homens da antiga capital. O comando da expedição coube ao Sargento-Mor João Leme do Prado que. as leis e o regime jurídico que ele próprio estipulava. Mato Grosso. sob violência. mas também índios e homens livres pobres. Desta maneira. na própria usina. optavam por viver livremente. em Alagoas. aquele que determinava e fazia cumprir. quanto nas atividades agrícolas. sob o comando de Zumbi. foi organizada uma bandeira para recapturar os quilombolas. visando atender à crescente população local e também ao comércio. continuaram a receber um tratamento escravista. fazendo com que a Província entrasse no circuito nacional e internacional do capital. fugindo à opressão sofrida. nas atividades agrícolas em geral e até em atividades urbanas. situado na região do rio Guaporé. Mercadorias industrializadas eram trazidas de toda a Europa para a América. agora chamados de camaradas apesar de assalariados. a cada dia. Os quilombos em Mato Grosso A entrada dos negros africanos em Mato Grosso remonta ao século XVIII. para produção e refinação do açúcar. Tanto nos trabalhos de mineração. calçados. conduzindo grande quantidade de munições e armas. sentiu a necessidade de produzir em larga escala. Inclusive para Mato Grosso. Em 1856 aconteceu a abertura da navegação pelo rio Paraguai. isso ocorria para que ele não fugisse. fugindo da dominação dos senhores. Muitos dos antigos proprietários de engenhos adquiriram estes equipamentos industrializados e montaram usinas. Como a região guaporeana era vizinha das terras pertencentes ao Império Colonial Espanhol. ocasião em que eram adquiridos para trabalhar nas atividades mineradoras. assim como a aparelhagem responsável pela destilação da aguardente e do álcool. Neste período surgem os primeiros quilombos em Mato Grosso. eram comercializados roupas. as relações de trabalho mantiveram-se arcaicas. Posteriormente (fins do século XVIII e XIX). esse território tornava-se mais despovoado.

impetradas por lideranças políticas residentes no Sul de Mato Grosso. ficando assim configurados em 1977. Quando o quilombo foi atacado. para Vila Bela. a mando do Presidente da Província. hoje Estado do Mato Grosso do Sul. Principalmente. Preocupado com a formação de novos quilombos no rio Piolho. Assim. do antigo Mato Grosso: criava-se o Estado de Mato Grosso do Sul e conserva-se a parte norte do antigo território. A divisão do território em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. os quilombos se proliferaram nas regiões mais ricas de Mato Grosso. entregando os escravos que restaram a seus antigos donos. 24. Cuiabá e Chapada dos Guimarães. sido instalado o Quilombo do Quariterê. José de Miranda Reis. a partir de 1775. vendo a derrota e a morte traiçoeira de seus amigos. Para isso resolveu libertar vários casais de velhos escravos e enviá-los para residir na aldeia que criara e que recebeu o nome de Aldeia Carlota. 27 . viúva de José Piolho. Com a divisão do antigo Estado de Mato Grosso. Carlota Joaquina. Diamantino. na exata medida do aumento da violência sobre os escravos. com a denominação histórica de Mato Grosso. o Capitão General da Capitania de Mato Grosso. falecido antes do ataque da bandeira. antes. onde existia a produção do açúcar: Poconé. Quilombo Rio Manso. ocasião em que a Companhia do Comércio do Grão-Pará e Maranhão deixou de abastecer a capitania de Mato Grosso com escravos. antigo rei. Quilombo Sepotuba. sendo que o último a ser destruído foi o do rio Manso. Teresa. dois Estados independentes passaram a existir. em homenagem à Rainha de Portugal D. Os maus tratos e as fugas passaram a ser uma constante. caiu em profunda depressão vindo a falecer logo após o retorno da bandeira. resolveu criar uma aldeia no exato lugar onde havia. em 1873. destruindo por completo o quilombo. Esta cisão territorial representou a concretização de lutas históricas pela divisão. Quilombo Serra Dourada. Foram registrados 11 quilombos em Mato Grosso durante os séculos XVIII e XIX. Além deste Quilombo outros figuram entre os principais em Mato Grosso: a) b) c) d) e) Quilombo do Roncador.massacre. Cáceres. Quilombo Jangada. Governava o quilombo Piolho a Rainha Teresa de Benguela. em duas faixas territoriais. de 11 de outubro de 1977. Os quilombos proliferaram. A Lei Complementar nº 31. foi responsável pela divisão. João de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres.

cujos pontos centrais estão baseados nos pressupostos de que a mesma: a) possibilitará o intercambio de Mato Grosso com inúmeros paises da América do Sul. com uma população superior a 17 milhões de habitantes. Antonio do Leverger Guia Lopes de Laguna D. Reativação da Hidrovia Paraná/Paraguai Desativada a partir de meados do século XX. Esta superfície está dividida entre Argentina. b) valorizará os produtos mato-grossenses. Cuiabá. Os mentores e adeptos desse ressurgimento argumentam as vantagens dessa aquavia. a hidrovia – que fora aberta em 1858/70. Brasil e todo o território paraguaio”. 28 . Bolívia. barateará os produtos de fora que hoje são adquiridos a elevados preços. Aquino Nioaque Jaciara Campo Grande Rondonópolis Jaraguari Alto Garças Ribas do Rio Pardo Gal. aproximadamente 1. favorecendo e possibilitando um comércio internacional para Mato Grosso via portos de Cáceres. c) reduzirá os custos de frete. d) gerará novos empregos. por outro lado. f) beneficiará todas as sociedades envolvidas – Brasil/Argentina/Paraguai.000 km. do Livramento Rosário Oeste Várzea Grande Itiquira Poxoréu Alto Araguaia Araguaiana Guiratinga Tesouro Tangará da Serra São Félix do Araguaia Barra do Garças Diamantino Nobres Vila Bela da SS Trindade Alto Paraguai Mato Grosso do Sul 55 municípios Anastácio Corumbá Miranda Camapuã Pedro Gomes Aquidauana Ladário Porto Murtinho Coxim Rio Verde de Mato Grosso do Sul Cacilândia Paranaíba Bela Vista Caracol Jardim Bandeirantes Corguinho Maracaju Rio Brilhante Água Clara Três Lagoas Anauzilândia Bataiporã Dourados Glória de Dourados Itaporã Jateí Nova Andradina Eldorado Mundo Novo Deodápolis Barra do Bugres Aparecida do Taboado Acorizal Inocência Cuiabá Antonio João Poconé Bonito S. Corumbá – foi reativada no final dos anos 80 do nosso século.750. e) integrará culturalmente os povos sul-americanos. Carneiro Terenos Ponte Branca Brasilândia Torixoréu Amambaí Mirassol D’Oeste Bataguaçu Pedra Preta Carapó Fátima do Sul Iguatemi Ivinhema Naviraí Ponta Porá Aral Moreira Angélica 25. S.Mato Grosso 38 municípios Aripuanã Chapada dos Guimarães Juscimeira Porto dos Gaúchos Cáceres Arenápolis Nortelândia Barrão de Melgaço N. As dimensões da Hidrovia Paraná-Paraguai são: “A superfície total da área de influencia direta é de. que hoje são vendidos baratos e.

principalmente. a partir dessa data. passou a ser adquirida através de uma única forma: a compra. como registra um diagnóstico feito em 1979: “Grande parte das terras de Mato Grosso ainda não foram ocupadas ou conhecidas pelos seus proprietários. que não puderam adquirir sequer um pedaço de terra. passando a valer como mercadoria.” 29 . mais tarde. Nessas ocasiões. provocará um imigração volumosa para a região. pois não tinham capital exigido por este investimento. a maioria da população brasileira. mas pela sua riqueza capitalizada. ficando muitas delas improdutivas. Dessa forma. no número de escravos de que era possuidor. mas sim em outra atividade que demandava um número menor de mão-de-obra. Por outro lado. durante o Período Colonial e em parte do Imperial. assim como os escravos. pois se aquele que a recebera como doação não deixasse herdeiros legítimos. Foi pensando na produção agrícola e pastoril que o Rei de Portugal e seus representantes na Colônia.Por outro lado. provocará um desmatamento ciliar sem precedentes. A terra no Brasil. especialmente aquela que habita o Pantanal. Este fenômeno ocorreu na maioria das terras brasileiras. 20 anos depois mantinha o mesmo quadro gerando imensos problemas sociais. especialmente levando-se em conta que a hidrovia cortará o Pantanal. Oficializou-se. apresenta-se como um perigo potencial à poluição das águas. usufruído por todos. estes trabalhadores quando a terra era vendida para outro proprietário. algo de que se pudesse dispor para fazer negócio. Os sem-terra: um problema da sociedade. as terras voltariam as mãos da Coroa portuguesa. pois desconheciam Mato Grosso. e uma grande parcela da população despossuída. Em geral. 26. Em 1850. não tiveram condições de comprar terra própria. a existência de proprietários de escravos e de terras. os trabalhadores eram expulsos da terra: nascem os Sem Terra. sendo que somente aqueles mais abastados o tiveram. Um homem valia não pela extensão de terra que possuía. existem aqueles que colocam dúvidas sobre estas citadas vantagens. Alegam que a hidrovia: a) b) c) d) e) f) não reduzirá o preços dos fretes. Quando as terras matogrossenses começaram a ser vendidas pela empresas públicas particulares. De bem comum. Por essa doação. obrigados às condições impostas pelo novo proprietário. que não conta com infra-estrutura capaz de dar suporte aos novos chegadores. que antes era doada em grandes extensões. aqueles homens livres e pobres. que atuava nas zonas rurais como trabalhadores assalariados ou sobre o regime de escravidão. iniciado em 1950. Esse movimento. prejudicará ecologicamente toda a extensão percorrida. os capitães-generais – que administravam as Capitanias – doavam grandes extensões de terras aos colonos que o desejassem através das Cartas de Sesmarias. ou eram mandados embora ou ficavam na terra. Muitas vezes o novo dono não desejava mais investir na agricultura. através da qual a terra. a terra passou a ser de propriedade particular. somente tinha valor a partir daquilo que nela fosse produzido. muitos dos compradores nem tinham noção de sua localização. Uma terra extensa e improdutiva não teria qualquer valor. surgem os pretensos proprietários e daí iniciam as questões. Depois da Lei de Terras. os posseiros se situam nessas áreas. afugentará a fauna nativa. foi aprovada a Lei de Terras. o Rei era o real proprietário de todas elas.

o Governo Federal instituiu o Ministério da Reforma Agrária.431 92.451 Área 2. os proprietários. sendo sua característica básica e majoritária o grande latifúndio. sendo que para os pequenos e médios restavam as terras de qualidade inferior e. Logo depois de adquirir as terras através da compra. Infelizmente. Caracterização Minilatifúndios Empresa rural Latifúndio Latifúndio Fonte: INCRA.992 4. o Governo com um Ministério para resolver a questão. recentemente foi o massacre de Eldorado de Carajás. No mês de abril de 1997. a fixação de grandes empresas rurais nas regiões mato-grossense e amazônica. Muitos conflitos se estabeleceram entre estes sem terra e os grandes proprietários de latifúndios. os conflitos têm se tornado mais constantes e violentos. como também para organização de movimentos e discussão de questões fundamentais. sendo que. migrando para outras regiões. em busca de soluções. sem condições de obter financiamentos e nem instrumentos de trabalho mais modernos terminavam por abandonar suas terras.397 6. especialmente nessas duas zonas que. logo que tomavam conhecimento da “invasão”.396 6. instituições com as quais contam não somente na busca de soluções jurídicas. a qual reuniu grande número de sem-terra.176 6.030. ocorreu uma passeata em Brasília/DF. Frente a esta situação. 30 .8% 91. até o momento o número de sem-terra tem aumentado.476 42. em busca de sobrevivência.63% A partir de 1970. vendo-se obrigado a engrossar o número de trabalhadores rurais. na maioria delas. os sem-terra acabam sendo expulsos. as regiões de cerrado tiveram igual compra. mais baratas. Nº de imóveis 49.982 Porcentagem 1. de um lado. quando grande número de sem-terra acabou morto pela violência dos conflitos. o Governo Federal estimulou.953. sem qualquer condição para negociação. foram obrigados a abandonar as terras. posseiros e índios. com a chegada dos capitalistas. vendo que algumas dessas terras estavam abandonadas. não puderam sequer adquirir um pedaço de terra. que foram até os Poderes Públicos reivindicar uma solução para a questão da Reforma Agrária. Ao fazer isso. o camponês ficava sem terra. vendendo-as a baixos preços. Se. Por outro lado. ainda mais. Esses trabalhadores rurais. os trabalhadores sem-terra igualmente se articulam através de ligas. Foi nesse período que se estruturou a questão de terras em Mato Grosso.Os antigos habitantes da região.741. estes pequenos agricultores. os proprietários se aliam a partidos políticos capazes de garantir seus direitos.509. ou migrarem para as cidades. Foi nesse momento que se intensificou a concentração latifundiária. oferecendo financiamentos e vantagens para aqueles que desejassem ali se estabelecer. sindicatos e federações. Esse episódio teve grande repercussão sobre toda a sociedade brasileira que. Aos grandes proprietários eram oferecidas terras de boa qualidade. Exemplo mais expressivo. frente ao grande impasse social deseja ver soluciona esta importante questão. através dos Programas SUDAM/BASA/SUDECO. Por outro lado. buscavam retirar esses trabalhadores de suas propriedades. em sua grande maioria empobrecidos. pois estes trabalhadores. portanto. passavam a nelas plantar. através do POLOCENTRO. Desse confronto inúmeras contendas se estabeleceram.

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