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Ética na Administração Pública

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Atos normativos relacionados com a ética dos Servidores Públicos da União

Conceito: Ética, Moral, Valores e Virtudes.
Os valores éticos podem se transformar, assim como a sociedade se transforma , considerando que na sociedade desempenhamos papéis diferenciados e adequados a cada espaço de convivência. Nosso desempenho está associado ao que é preciso fazer na representação de cada papel. O que devemos ser é indicado pelas regras do coletivo de que fazemos parte. Cada sociedade se compõe de um conjuntos de "ethos", ou seja, jeitos de ser, que conferem um caráter àquela organização. Para tanto, consideramos importante rever alguns conceitos: ÉTICA E MORAL latim: costumes, conduta. Ética: grego: costumes, conduta, caráter. Etimologicamente as palavras possuem o mesmo significado; porém, conceitualmente diferem: Moral: conjunto de regras indicadoras do bem a ser feito e do mal a ser evitado, para que a sociedade viva em harmonia e o indivíduo encontre a felicidade. Ética: é a discussão, o debate, sobre as regras; a análise dos princípios que regem a moral. É a filosofia da moral. O dicionário Aurélio define como: 1- parte da filosofia que estuda os valores morais da conduta humana. 2- conjunto de princípios morais que se devem observar no exercício de uma profissão. Para Terezinha Rios a ética se apresenta como uma reflexão crítica sobre a moralidade, sobre a dimensão moral do comportamento do homem. Cabe a ela, enquanto investigação que se dá no interior da filosofia, procurar ver de forma clara, profunda e ampla os valores, problematizá-los, buscando sua consistência. No plano da ética estamos numa perspectiva de um juízo crítico, que quer compreender, quer buscar o sentido da ação. A moral indica o comportamento que deve ser considerado bom ou mal. A ética procura o fundamento do valor que norteia o comportamento. Na reflexão científica, ética seria: Normas de comportamento - Ciência normativa As grandes teorizações éticas gregas também traziam a marca do tipo de organização social daquela sociedade. E no decorrer da história os grandes pensadores buscaram formulações que explicassem:

Princípios mais universais; Igualdade do gênero humano e suas próprias variações; Uma boa teoria ética deveria ser capaz de explicar as variações de comportamento, características das diferentes formações culturais e históricas. Enfocando a ética grega e lembrando de Platão (427 -347 a . C.) : a " virtude também é uma purificação"; no Diálogo da Leis afirma: " Deus é a medida de todas as coisas". As principais virtudes da ética platônica é a ideia do sumo bem:- justiça (dike) virtude geral que ordena e harmoniza. • prudência ou sabedoria - é a virtude própria da alma racional • fortaleza ou valor - é a que faz com que as paixões mais nobres predominem, e que o prazer se subordine ao dever • temperança - é a virtude da serenidade, equivalente ao autodomínio, à harmonia individual. Aristóteles (384 -322 a .C.) valorizava a vontade humana; a deliberação e o esforço em busca de bons hábitos. O homem precisa converter suas melhores disposições naturais em hábitos, de acordo com a razão (virtudes intelectuais). Mas essa auto-educação supõe um esforço voluntário, de modo que a virtude provém mesmo da liberdade, que delibera e elege inteligentemente. A virtude é uma espécie de segunda natureza, adquirida pela razão livre. Para Sócrates (470-399 a . C.) filosofo grego que aparece nos " Diálogos de Platão"(427-347 a .C.), usava o método da maiêutica que consistia em interrogar o interlocutor até que este chegasse por si mesmo à verdade, sendo assim uma espécie de

" parteiro das ideias"). Sócrates foi chamado " O fundador da moral", acentuando o aspecto de interiorização das normas, baseava-se principalmente na convicção pessoal. Aristóteles distinguiu dois tipos de virtude: as intelectuais e as morais. Estas consistem no controle das paixões e são características dos movimentos espontâneos do caráter humano. Ao contrário do que muitos imaginam a virtude não é uma atividade, mas sim uma maneira habitual de ser. A virtude não pode ser adquirida da noite para o dia, porque depende de ser praticada. Com atos repetitivos, o homem acaba por transformá-los numa segunda natureza, numa disposição para agir sempre da mesma forma. O processo é sempre o mesmo, sejam os atos bons ou maus. Quando bons, temos a virtude. Quando maus, o vício.
A atividade daquele que age de acordo com os bons hábitos é o que chamamos de felicidade.

Também é a felicidade mais auto-suficiente, porque não precisa de bens materiais para se efetivar. Dessa forma, como a condição fundamental para a conquista da felicidade é a virtude, e esta só pode ser adquirida mediante exercício e esforço, o homem tem que desenvolver mecanismos de ação que garantam a sua aquisição. Tais mecanismos são, em especial, os valores (educação) e as leis. Os valores desenvolvem no homem os hábitos virtuosos; as leis organizam e protegem o exercício da virtude pelos membros da sociedade. Sócrates estabelece uma diferença entre o que eu digo e o que quero dizer (entre a formulação e o sentido das proposições), considera uma distância entre o exterior e o interior). Para Rousseau (1712 -1778) ética significava um agir de forma mais primitiva. " O homem é bom por natureza e seu espírito pode sofrer aprimoramento quase ilimitada." Posteriormente Kant (1724 - 1804) final do século XVIII, alemão prussiano, baseava-se na ética de validade universal que apoia-se na igualdade fundamental entre os homens. Para Kant a natureza humana é uma natureza racional, o que equivale a dizer que a natureza nos fez livres, mas não nos disse concretamente o que fazer. Portanto, o homem como um ser natural, destinado pela natureza à liberdade, deve desenvolver está liberdade através da mediação de sua capacidade racional. Resumindo para ele "ética é obrigação de agir segundo regras universais, comum a todos os seres humanos por ser derivada da razão." Descartes, propôs uma moral provisória para cuidar primeiro das questões teóricas, resolvendo as questões práticas do jeito que der. Hegel (1770 -1831) divide a ética em subjetiva ou pessoal e objetiva ou social. Karl Marx (1818 -1883) interpretou a história da humanidade como a história de uma luta constante com a natureza. A ação humana se define então como trabalho, como técnica. Para Bertrand Russel (1872 - 1970) a ética é subjetiva não contém afirmações verdadeiras ou falsas. Para Habermas (1929) a ética discursiva é baseada em diálogo, por sujeitos capazes de se posicionarem criticamente diante de normas.

O homem vive em sociedade, convive com outros homens e, portanto, cabe-lhe pensar e responder à seguinte pergunta: "Como devo agir perante os outros?". Trata-se de uma pergunta fácil de ser formulada, mas difícil de ser respondida. Ora, esta é a questão central da Moral e da Ética. Moral e ética, às vezes, são palavras empregadas como sinônimos: conjunto de princípios ou padrões de conduta. Ética pode também significar Filosofia da Moral, portanto, um pensamento reflexivo sobre os valores e as normas que regem as condutas humanas. Em outro sentido, ética pode referir-se a um conjunto de princípios e normas que um grupo estabelece para seu exercício profissional (por exemplo, os códigos de ética dos médicos, dos advogados, dos psicólogos, etc.). Em outro sentido, ainda, pode referir-se a uma distinção entre princípios que dão rumo ao pensar sem, de antemão, prescrever formas precisas de conduta (ética) e regras precisas e fechadas (moral). Finalmente, deve-se chamar a atenção para o fato de a palavra "moral" ter, para muitos, adquirido sentido pejorativo, associado a "moralismo". Assim, muitos preferem associar à palavra ética os valores e regras que prezam, querendo assim marcar diferenças com os "moralistas". Parte-se do pressuposto que é preciso possuir critérios, valores, e, mais ainda, estabelecer relações e hierarquias entre esses valores para nortear as ações em sociedade. Situações dilemáticas da vida

como fundamentos da República Federativa do Brasil a dignidade da pessoa humana e o pluralismo político. e. Por exemplo. Segundo esse valor.). Outro exemplo ainda: na Idade Média. Não é difícil identificar valores morais em tais objetivos. repúdio esse coerente com o valor dignidade humana. III) erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais. cor. X) são invioláveis a intimidade. também pressupõe um valor moral: os homens têm direito de ter suas opiniões. as sociedades mudam e também mudam os homens que as compõem. Não se deve. merece tratamento digno corresponde a um valor moral. promulgada em 1988.). 5º. (. sexo. 5º. 1º traz. No art. aqui. IV) promover o bem de todos.. 3º. E. de organizar-se em torno delas. Na Grécia antiga. de expressá-las. (. por exemplo. A ideia segundo a qual todo ser humano. solidariedade. No art.. esses dois fundamentos (e os outros) devem ser pensados em conjunto.) VI) é inviolável a liberdade de consciência e de crença (. justa e solidária. seja como castigo. entre outros. desde sempre.) III) ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante. naturalmente. tal prática indigna a maioria das pessoas e é considerada imoral. O pluralismo político. para salvar alguém que. idade e quaisquer outras formas de discriminação. os homens têm as mesmas respostas para questões desse tipo. garante a referida dignidade. as mulheres eram consideradas seres inferiores aos homens. Com o passar do tempo. três pontos devem ser devidamente enfatizados. traz elementos que identificam questões morais. que limita ações e discursos. e sua coerência com os outros fundamentos apontados. que limita a liberdade às suas expressões e. portanto. Por exemplo. um currículo escolar sobre a ética pede uma reflexão sobre a sociedade contemporânea na qual está inserida a escola. o Brasil do século XX. mais itens esclarecem as bases morais escolhidas pela sociedade brasileira: I) homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações.. justamente. o art. A Constituição da República Federativa do Brasil. a honra e a imagem das pessoas (. sem preconceitos de origem. sem distinção. a vida privada. embora refira-se a um nível específico (a política). No título II. vê-se que é um princípio constitucional o repúdio ao racismo. é ou não ético roubar um remédio.. lê-se que constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil (entre outros): I) construir uma sociedade livre. vale dizer. sem humilhações ou discriminações em relação a sexo ou etnia. a pergunta de como agir perante os outros recebe uma resposta precisa: agir sempre de modo a respeitar a dignidade. seja para a extorsão de confissões. são livres. Porém. sem ele. portanto. Outro exemplo: até pouco tempo atrás. igualdade. a existência de escravos era perfeitamente legítima: as pessoas não eram consideradas iguais entre si.. raça. não merecedoras de direitos iguais (deviam obedecer a seus maridos).colocam claramente essa necessidade. Por consequência. obrigá-los a silenciar ou a esconder seus pontos de vista. a moralidade humana deve ser enfocada no contexto histórico e social. que falam em justiça. Portanto. .. Hoje. e o fato de umas não terem liberdade era considerado normal. Tal reflexão poderia ser feita de maneira antropológica e sociológica: conhecer a diversidade de valores presentes na sociedade brasileira. cujo preço é inacessível. art. morreria? Colocado de outra forma: deve-se privilegiar o valor "vida" (salvar alguém da morte) ou o valor "propriedade privada" (no sentido de não roubar)? Seria um erro pensar que.. a tortura era considerada prática legítima.. no caso.

Ética trata de princípios e não de mandamentos. cai-se na anomia. Por exemplo. na certeza da impunidade. na sociedade brasileira não é permitido agir de forma preconceituosa. trata-se de simples costume: o hábito de certas condutas validam-nas. a pluralidade. a expressão de conflitos. Para outros. nega-se qualquer perspectiva de "relativismo moral". para além do que se chama de conjunto central de valores. entendida seja como ausência de regras. LEGITIMAÇÃO DOS VALORES E REGRAS MORAIS Diz-se que uma pessoa possui um valor e legitima as normas decorrentes quando. o conjunto garante.O primeiro refere-se ao que se poderia chamar de "núcleo" moral de uma sociedade. impede-se a construção e o fortalecimento do país. no caso do Brasil. portanto. neste caso. destrói-se a democracia. seja como total relativização delas (cada um tem as suas. entendido como "cada um é livre para eleger todos os valores que quer". deve valer a liberdade. regras definitivamente consagradas. A ética é um eterno pensar. O segundo ponto diz respeito justamente ao caráter democrático da sociedade brasileira. pauta sua conduta por elas. ter claro que não existem normas acabadas. e. a tolerância. ou seja. ao que se poderia chamar de seu . Porém. gerando deveres? Seria mentir por omissão não dizer que falta consenso entre os especialistas a respeito de como um indivíduo chega a legitimar determinadas regras e conduzir-se coerentemente com elas. sexo ou cor). processos inconscientes (portanto. o juízo seria o carro-chefe da legitimação das regras. a possibilidade da liberdade humana. ignorados do próprio sujeito. Tal valorização da liberdade não está em contradição com a presença de um conjunto central de valores. Supõe que o homem deva ser justo. em geral. ou. presumindo a inferioridade de alguns (em razão de etnia. coloca-lhe fronteiras precisas para que todos possam usufruir dela. valores eleitos como necessários ao convívio entre os membros dessa sociedade. sustentar e promover a desigualdade. em uma palavra. ou seja. etc. com a diversidade (seja do ponto de vista de valores. Afetividade Toda regra moral legitimada aparece sob a forma de uma obrigação. raça. de um conjunto central de valores. e faz o que bem entender). não se deve fazer tal outra. crenças religiosas. em alguma medida. sem ele. como dizendo respeito a seu bem-estar psicológico. Portanto. a equação deveria ser invertida: determinadas condutas são consideradas boas. Em compensação. a sabedoria de conviver com o diferente.). como de costumes. de um imperativo: deve-se fazer tal coisa. como ser justo? Ou como agir de forma a garantir o bem de todos? Não há resposta predefinida. Para outros ainda. A partir deles. Como essa obrigatoriedade pode se instalar na consciência? Ora. Trata-se de um consenso mínimo. indispensável à sociedade democrática: sem esse conjunto central. é preciso que os conteúdos desses imperativos toquem. justamente. É preciso. ou seja. E há outras teorias mais. Portanto. constituídos durante a infância) seriam os determinantes da conduta moral. etc. portanto. alguém que não rouba por medo de ser preso não legitima a norma "não roubar": apenas a segue por medo do castigo e. se estiver intimamente convicta de que essa regra representa um bem moral. vale dizer. é necessário que o veja como traduzindo algo de bom para si. A democracia é um regime político e também um modo de sociabilidade que permite a expressão das diferenças. sem controle externo. refletir. humilhar. diz-se que uma pessoa legitima a regra em questão ao segui-la independentemente de ser surpreendida. O terceiro ponto refere-se ao caráter abstrato dos valores abordados. expressões artísticas. para que todos possam preservá-la. que apareçam como desejáveis. Para uns. Por exemplo. a sensibilidade da pessoa. para que um indivíduo se incline a legitimar um determinado conjunto de regras. não a seguirá. Mas o que leva alguém a pautar suas condutas segundo certas regras? Como alguns valores tornam-se traduções de um ideal de Bem. Pelo contrário. construir. devem ser praticadas.

assim como a frustração. pensam que a felicidade deve acontecer durante a vida terrena. as imagens são vistas como positivas ou negativas. Assim. seja porque não haverá algum poder que possa puni-lo. cada um procura se respeitar como pessoa que merece apreciação. após a morte. De fato. é sensato pensar que as regras que organizem a convivência social de forma justa. fica uma pergunta: sendo que os projetos de felicidade são variados. E. como parte integrante. que as formas de desejabilidade. Cada um tem inclinação a legitimar os valores e normas morais que permitam. tenderá a não legitimar aqueles que representarem um obstáculo. O segundo aspecto refere-se à esfera moral. A vergonha decorrente. Poderá. por uma imagem de si. às vezes. após a morte física do corpo. e sendo também que as regras morais devem valer para todos (se cada um tiver a sua. se comportará segundo seus próprios desejos. esse indivíduo simplesmente não legitimará os valores subjacentes a elas e. pois seu bem-estar psicológico está em se preparar para uma "vida" melhor. justamente. portanto.no plural. porque. imagens de si . Cada pessoa tem consciência da própria existência. favoreçam alguns em detrimento de outros. evidentemente. Vale dizer que é inevitável cada um pensar em si mesmo como um valor. o êxito dos projetos de vida e o decorrente auto-respeito."projeto de felicidade". sem privilégios que. ou melhor. mínimo respeito aos próprios olhos. por ser um bem essencial. O primeiro diz respeito ao êxito dos projetos de vida que cada pessoa determina para si. . O êxito na busca e construção do auto-respeito é fenômeno complexo. justamente. que dependem inclusive dos diferentes traços de personalidade. mas será apenas por medo do castigo. Quatro aspectos complementares são essenciais. ou seja. Para alguns. Os projetos variam muito de pessoa para pessoa. seja porque ninguém tomará conhecimento de sua conduta. respeitosa e solidária têm grandes chances de serem seguidas. tem consciência de si. podem até aceitar viver distantes dos prazeres materiais. serão ignoradas. E assim por diante. como as de origem cristã. o verdadeiro bem-estar nunca será usufruído na terra. a justiça permite que as oportunidades sejam iguais para todos. há um desejo que parece valer para todos e estar presente nos diversos projetos de felicidade: o auto-respeito. Aqui na terra. correspondem a um projeto de felicidade: ficar ao lado de Deus para a eternidade. cada um procura ter imagens boas de si. como despertar o sentimento de desejabilidade para determinadas regras e valores. comportar-se como se as legitimasse. são variadas. Se vir nas regras aspectos contraditórios ou estranhos ao seu bem-estar psicológico pessoal e ao seu projeto de felicidade. as regras morais devem apontar para uma possibilidade de realização de uma "vida boa" . Ora. aqueles que forem contraditórios com a busca e manutenção do auto-respeito. a própria moral desaparece). ver-se como valor positivo. vão dos mais modestos empreendimentos até os mais ousados. derivadas de seus conteúdos. Raramente se está "de bem consigo mesmo" quando há fracassos repetidos. uma vez que cada um tem várias facetas e não se resume a uma só dimensão. mas sim alhures. Mas. do contrário. Verifica-se. Em resumo. as condições de bem-estar e os projetos de felicidade são variados. Em uma palavra. Tais pessoas legitimam determinadas regras de conduta. Na certeza de não ser castigado. pelo contrário. inspiradas por certas religiões. por conseguinte. Ninguém se sente feliz se não merecer mínima admiração. seja qual for o projeto escolhido. Outros. por exemplo. A ideia básica é bastante simples. E. Tal consciência traduz-se. está presente nos projetos de bem-estar psicológico. não legitimará as próprias regras. nos projetos de felicidade. No entanto. entre outras coisas. de forma que não se traduza em mero individualismo? De fato. É por essa razão que o auto-respeito. Porém. as imagens que cada um tem de si estão intimamente associadas a valores. de partida ou no meio do caminho. e consequentemente não aceitam a ideia de que devam privar-se. podem levar à depressão ou à cólera. Na grande maioria das vezes. naturalmente. Raramente são meras constatações neutras do que se é ou não se é. o mínimo êxito na sua execução é essencial ao auto-respeito.

Assim.frequentemente leva a vítima a não legitimar qualquer outra pessoa como juiz e a agir sem consideração pelas pessoas em geral. e este está vinculado a ser respeitado pelos outros. Em resumo. outras menos. são valores puramente individuais (em geral relacionados à glória). afirmou que um aluno assim castigado teria mais chances de reincidir no erro. violentada. etc. Mas o fato é que a valorização desse tipo de sucesso é traço marcante da sociedade atual (não só no Brasil. é preciso que sejam partes integrantes do respeito próprio. O terceiro aspecto refere-se ao papel do juízo alheio na imagem que cada um tem de si. roubar. Ora. acesso aos corredores do poder político. o status social elevado. pela absorção desses valores e regras como valor pessoal que se procura resguardar para permanecer respeitando a si próprio. Porém. pois é mero sonho pensar que todos podem ter carro importado. Então. sua imagem na televisão. espoliada. A primeira: a moral pressupõe a responsabilidade. para uma minoria. mas não se.. Em resumo. E isso por três razões. São de extrema importância. das formas mais desonestas e até mesmo violentas. à imagem positiva de si. por identificá-los como coerentes com a realização de diversos projetos de vida e. coroado com gordos benefícios financeiros. para que as regras morais sejam efetivamente legitimadas. o respeito próprio depende também do fato de ser respeitado pelos outros. A humilhação . de um lado. no âmago de cada um. etc. do respeito pelos valores e regras morais. Assim. pelo menos. serão legitimadas as regras morais que garantirem que cada um desenvolva o respeito próprio. pois pensaria: "Já estou danado mesmo. mas no Ocidente todo) e tende a fazer com que as pessoas o procurem mesmo que o preço a ser pago seja o de passar por cima dos outros. a crítica é necessária. conhecer as pessoas certas que fornecem emprego ou acesso a instituições importantes). perguntada a respeito dos efeitos da humilhação. que o auto-respeito dependa.corre o risco de enganar-se sobre si mesmo. A valorização do sucesso profissional. Portanto. Algumas podem ser extremamente dependentes dos juízos alheios para julgar a si próprias. há uma dimensão moral nesses juízos: é o reconhecimento do valor de qualquer pessoa humana. naturalmente. mentir. . etc. Resultado prático: a pessoa perderá o respeito próprio se não for bem-sucedida nos seus planos pessoais. que. Uma delas. pela manipulação de outras pessoas (por exemplo.positiva ou negativa . sem o juízo e a reflexão sobre valores e regras. e esta pressupõe a liberdade e o juízo. podem ser concretizados pela obtenção de privilégios (por exemplo. ninguém é totalmente indiferente a esses juízos. As crianças conhecem esse mecanismo psicológico. que não pode ser humilhada. Racionalidade Se é verdade que não há legitimação das regras morais sem um investimento afetivo. além dos diversos êxitos na realização dos projetos de vida. é também verdade que tal legitimação não existe sem a racionalidade. etc. desprezar o vizinho. por exemplo. a atenção da mídia. dificilmente serão legitimadas. a pessoa que integrar o respeito pelas regras morais à sua identidade pessoal. e pela completa indiferença pelos outros membros da sociedade. mentir e trapacear para passar na frente dos outros). ou seja. com grande probabilidade agirá conforme tais regras. referenciados em parte nos juízos que os outros fazem dela. posso fazer o que eu quiser". a busca da realização dos projetos de vida pessoais e o respeito pelas regras coerentes com tal realização. Diz-se que se trata de uma minoria. Pode-se afirmar o seguinte: a imagem e o respeito que uma pessoa tem de si mesma estão.forma não rara de relação humana . o auto-respeito articula. a beleza física. pois alguém que nunca ouça a crítica alheia . de outro.Se as regras forem vistas como injustas. O quarto e último aspecto refere-se à realização dos projetos de vida de forma puramente egoísta. Todavia. a dimensão afetiva da legitimação dos valores e regras morais passa.

E o predicado mútuo faz toda a diferença. não é a falta de respeito. Após melhor juízo. Tal pergunta traduz a destituição de um lugar imaginariamente superior que o interlocutor pensa ocupar. que argumentos podem ser empregados para justificar ou descartar certos valores. viver em democracia significa explicitar e. o pensamento. É por essa razão que a moral pode ser discutida. Ora. arrependem-se do que fizeram. respeite-me". mas sim a negação de sua associação com submissão. você também deve me respeitar. mentir. É preciso também sublinhar o fato de que pensar sobre a moralidade não é tarefa simples: são necessárias muita abstração. dependem do pleno exercício da inteligência. então. significa não dar uma informação a alguém que tenha o direito de obtê-la. pensar. pode-se concluir que mentir por omissão não significa trair a verdade. no sentido ético. ou da importância atribuída a quem se obedece ou escuta (diz-se "respeito muito as opiniões de fulano"). Com essa definição. Essa expressão traduz uma exigência de respeito unilateral: "Eu sou mais que você. sem que a recíproca seja verdadeira ou necessária. portanto. De fato. Porém. É a frase que muitas "autoridades" gostam de empregar quando se sentem. muita generalização e muita dedução. E. mas simplesmente porque detém o poder. adotar critérios. todas "respeitosas". Um intelectual observou bem a presença desse respeito unilateral na sociedade brasileira. Trata-se de respeito mútuo. obediência. A maioria limita-se a dizer que ela corresponde a não dizer. É o caso quando se fala que alguma pessoa obedece incondicionalmente a outra. Porém.Somente há responsabilidade por atos se houver a liberdade de realizá-los ou não. mas não revelá-la a quem tem direito de sabê-la. o julgamento para. agir segundo critérios e regras morais implica fazer uma escolha. Essa expressão é a afirmação de um ideal de igualdade. verifica-se que poucas pessoas pensaram de fato sobre o que é a mentira. se possível. é por falta dessa apreensão racional dos valores que alguns agem de forma impensada. a ação. não porque mereça algum reconhecimento de ordem moral. Essas capacidades são essencialmente racionais. portanto. debatida. há uma terceira razão para se valorizar a presença da racionalidade na esfera moral: ter a capacidade de dialogar. muitas vezes. se não sensibilizarem a inteligência. pois dificilmente tais valores ou regras serão legítimos se parecerem contraditórios entre si ou ilógicos. Respeito mútuo O tema respeito é central na moralidade. a reflexão. outra expressão popular também conhecida apresenta uma dimensão diferente do respeito: "Quem você pensa que é?".e serem capazes de entender os diferentes pontos de vista. essencial à convivência democrática. Tal submissão pode vir do medo: respeita-se o mais forte. a racionalidade é condição necessária à vida moral. pois remete a várias dimensões de relações entre os homens. por sua vez. por exemplo). negociar. A segunda: a racionalidade e o juízo também comparecem no processo de legitimação das regras. Tomando-se o exemplo da mentira.o que pressupõe a clareza de suas próprias convicções . apropriar-se dos valores morais com o máximo de racionalidade é condição necessária. para que possa gerar resultados. Cabem. E também é complexo. da comunicação. Portanto. do diálogo. Nesses exemplos. como à construção de novas regras. de reciprocidade: se devo respeitá-lo. desacatadas no exercício de seu poder. Os interlocutores precisam expressar-se com clareza . a racionalidade é condição necessária. Finalmente. Se tivessem refletido um pouco. da veneração (porque é mais velho ou sábio. resolver conflitos por meio da palavra. teriam mudado de ideia e agido diferentemente. também pode vir da admiração. . Pode-se associar respeito à ideia de submissão. veneração de um pelo outro. para que o diálogo seja profícuo. ou melhor. intencionalmente. Significa trocar argumentos. o respeito é compreendido de forma unilateral: consideração. Em resumo. a verdade. E como escolher implica. mas em sentidos muito diferentes. de alguma forma. Na realidade. por meio de uma expressão popularmente frequente: "Sabe com quem está falando?". tanto à legitimação das regras e ao emprego justo e ponderado delas.

é claro que tanto a dignidade do ser humano quanto o ideal democrático de convívio social pressupõem o respeito mútuo. não percebem que são alvo de injustiças. ou se o fato de não saberem ler e escrever os torna desiguais em relação aos outros. O respeito pelos lugares públicos. também deriva do respeito mútuo. De fato. a dimensão ética é insubstituível. deserdá-los será considerado injusto. Uma delas é o dever do respeito pela diferença e a exigência de ser respeitado na sua singularidade. por intermédio de seus representantes eleitos. mas não o dever de respeitar os outros". ela mesma. Cada um. essa assimetria tende a ser substituída pela relação de reciprocidade: respeitar e ser respeitado: ao dever de respeitar o outro. não sujá-los ou depredá-los é dever de cada um. A dimensão legal da justiça deve ser contemplada pelos cidadãos. julgada com base em critérios éticos. Não há razão para alguns serem "mais iguais que os outros". mas não tenho o direito de exigir o mesmo" ou "Tenho o direito de ser respeitado. Justiça O tema da justiça sempre atraiu todos aqueles que pensaram sobre a moralidade. Por exemplo. uma lei pode ser justa ou não. existiu uma lei que proibia os analfabetos de votarem. pois ao permanecer apenas um dos termos. De fato. Por exemplo. teriam melhores condições de lutar para que fossem respeitados. o conceito de igualdade deve ser sofisticado pelo de equidade. Belíssimas páginas foram escritas. por exemplo.Ora. se os conhecessem. Porém. Com a socialização. e não o respeito unilateral. Tal reciprocidade também deve valer entre pessoas que pertençam a um mesmo grupo. resolver ignorá-la. A igualdade reza que todas as pessoas têm os mesmos direitos. A própria lei pode ser. como ruas e praças. por algum motivo. Logo. pode se perguntar se essa lei era justa ou não. Deve valer quando se fazem contratos que serão honrados. o conceito de justiça vai muito além da dimensão legalista. na grande maioria das vezes. Embora política não se confunda com ética. pois o regime político democrático pressupõe indivíduos livres que. para perceber como. volta-se ao respeito unilateral: "Devo respeitar. ou seja. articula-se o direito (e a exigência) de ser respeitado. no Brasil. Portanto. a primeira não deve ser contraditória com a segunda. Será considerado injusto se. Muitos. Porém. O conceito de justiça pode remeter à obediência às leis. O respeito mútuo também deve valer na dimensão política. "Como respeitar seus direitos? Quais são esses direitos? E os meus?". porque também é direito de cada um poder desfrutá-los. por não conhecerem certas leis. preservá-los. O tema da justiça encanta e inquieta todos aqueles que se preocupam com a pergunta "Como devo agir perante os outros?". O respeito mútuo expressa-se de várias formas complementares. as pessoas não se encontram em posição de igualdade. Considerar o respeito mútuo como dever e direito é de suma importância. Como tais espaços pertencem a todos. . estabelecem contratos de convivência que devem ser honrados por todos. sem feri-la. A rigor. as diversas leis que regem o país devem ser avaliadas também em função de sua justeza ética: elas devem garantir o respeito mútuo. a aprendizagem e o desenvolvimento psicológico decorrente. desde os filósofos gregos. intimamente ligado à sua consciência. Porém. cada um respeitando a palavra empenhada e exigindo a recíproca. se a lei prevê que os filhos são os herdeiros legais dos pais. ideias fortes foram defendidas. precisamente para avaliar de forma crítica certas leis. Eis um bolo a ser dividido: cada um deve receber parte igual. se os analfabetos não têm o direito de participar da vida pública como qualquer cidadão. As duas dimensões da definição de justiça são importantes. E os critérios essenciais para se pensar eticamente sobre a justiça são igualdade e equidade. Não conhecem seus direitos. o exercício da cidadania pressupõe íntima relação entre respeitar e ser respeitado. Um juiz justo será aquele que se atém à lei. privilegiam alguns em detrimento de outros. ela poderia ser assim formulada: "Como ser justo com os outros?". portanto. a ética pode julgar as leis como justas ou injustas.

ou seja. punir todo crime. muito discernimento e muita sensibilidade. A Ética no Serviço Público Quando falamos sobre ética pública. Em primeiro lugar. como princípios básicos e essenciais a uma vida equilibrada do cidadão na sociedade. Se um regime democrático não conseguir aproximar a sociedade do ideal de justiça. Numa escola. não se preza pela igualdade. No ordenamento jurídico está claro e expresso. O fundamento que precisa ser compreendido é que os padrões éticos dos servidores públicos advêm de sua própria natureza. A importância do valor justiça para a formação do cidadão é evidente. o funcionalismo público e seus servidores devem primar pela questão da "impessoalidade". em vários casos. o professor também deve se fazer essa pergunta para julgar a atitude de seus alunos. sobretudo quando se detém algum nível de poder que traz a responsabilidade de decisões que afetam a vida de outras pessoas. ineficiência. a todo momento devem se perguntar se suas decisões são justas ou não. que têm poder sobre os filhos e responsabilidade por eles. sendo estes comparados ao que chamamos no Direito. de caráter público. "todos são iguais perante a lei". que gera. para o convívio social. entretanto não basta que haja padrão. logo pensamos em corrupção. se há impunidade para alguns. Um pai ou uma mãe. é necessário que esse padrão seja ético. a democracia terá vida curta.Nascem com diferentes talentos. derivar de cálculo de proporcionalidade (por exemplo. ou na vida pública em geral. aliás. tão somente. lembrando inclusive o tão citado. Por essa razão. inspirada nos ideais de igualdade e equidade. o tema da justiça os une na procura da igualdade e da equidade. físicas. Portanto. é que seja fixado um padrão a partir do qual possamos. julgar a atuação dos servidores públicos ou daqueles que estiverem envolvidos na vida pública. para a vida política: julgar as leis segundo critérios de justiça.. a boa fé acima de tudo. se o poder político age segundo o objetivo da equidade. se os direitos de cada um (baseados na equidade) não forem respeitados. etc. seria considerado injusto dar igual recompensa ou sanção a todas as ações (por exemplo. fazer justiça deve. apresentam-se nos conteúdos itens referentes ao exercício político da cidadania: embora ética e política sejam domínios diferentes. econômicas. Ao contrário do que muitos pensam. governantes e governados. da menor infração ao assassinato. etc. pelos gregos antigos. em diferentes condições sociais. "bem viver". etc. Uma sociedade democrática tem como principal objetivo ser justa. o grande conflito entre os interesses . Seria injusto não levar em conta essas diferenças e. o critério é o da equidade que restabelece a igualdade respeitando as diferenças: o símbolo da justiça é. Outro ponto bastante controverso é a questão da impessoalidade. avaliar se há igualdade de oportunidades oferecidas a todos. podemos invocar a Constituição Federal. Em segundo lugar. no Brasil. e. Tarefa difícil que pede de todos. e sua relação com o público. supõe uma distinção entre aquilo que é público e aquilo que é privada (no sentido do interesse pessoal). precisamente. em seguida. esta sim é a questão chave e que eleva o serviço público a níveis tão ineficazes. Nesses casos. mas na realidade o que devemos ter como ponto de referência em relação ao serviço público. com suas respectivas autonomias. extorsão. tal injustiça acontece). portanto. Esta ampara os valores morais da boa conduta. da mesma forma. julgar a distribuição de renda de um país segundo o mesmo critério. por exemplo. uma balança. A questão da ética pública está diretamente relacionada aos princípios fundamentais. se os direitos dos cidadãos são respeitados. A formação para o exercício da cidadania passa necessariamente pela elaboração do conceito de justiça e seu constante aprimoramento. com pena de prisão). acima de tudo. uma norma hipotética com premissas ideológicas e que deve reger tudo mais o que estiver relacionado ao comportamento do ser humano em seu meio social. destinar a crianças e adultos os mesmos trabalhos braçais pesados (infelizmente. pena proporcional ao crime). E também a ideia de impessoalidade. deixando claro que o termo é sinônimo de "igualdade". de "Norma Fundamental". se perdurarem as tiranias (nas quais o desejo de alguns são leis e os privilégios são normas). As pessoas também não são iguais no que diz respeito a seus feitos.

assim sendo. pois o comportamento de autoridades públicas estão longe de se basearem em princípios éticos e isto ocorre devido a falta de preparo dos funcionários. mas necessária "transformação cultural" dentro da estrutura organizacional da Administração Pública. continuam contaminados pelo "vírus" dos interesses escusos geralmente oriundos de sociedades dominadas por situações de pobreza e injustiça social. se "há cidadão neste pais"? Pois para ele desde o nascimento as pessoas herdam de seus pais e ao longo da vida e também da sociedade. ocasionados pela falta de investimentos financeiros do Governo. assim. que este é um dos principais problemas que cercam o setor público. corrupção e falta de ética tendem a assimilar por este rol "cultural" de aproveitamento em beneficio próprio. a ética que deveria estar acima de seus interesses. seja pelo rádio. habitação. seja por meio da simplificação de procedimentos. a existência dos valores dos bons costumes em uma sociedade. mas de qualquer indivíduo. e imperar através de cada pessoa. comprometendo inclusive. porque os funcionários . compromete o bom uso dos recursos públicos e os resultados dos contratos firmados pela Administração Pública e ainda castiga cada vez mais a sociedade que sofre com a pobreza. utilizada e reclamada e só evolui através de processos de luta. portanto. sem critérios de justiça social e que. Se o Estado. jornais e revistas. que nascem e se forma ao longo do tempo e que criam um determinado estilo de atuação no seio da organização. televisão. implica. Um dos motivos para esta falta de mobilização social se dá. normas.. abala a confiança das instituições. desculpa ou oportunidade para salvar-se. ela existe mas precisa ser descoberta . A cidadania Segundo Milton Santos " é como uma lei". isto é. tenta refrear os impulsos sociais e desrespeitar os indivíduos. cultura equivocada e especialmente. a rapidez de respostas e qualidade dos serviços prestados. A consciência ética. Porém Milton Santos questiona. com a miséria. pode e deve ser desenvolvida junto aos agentes públicos ocasionando assim. não só dos servidores públicos. A falta de ética na Administração Publica encontra terreno fértil para se reproduzir. aumenta os custos. que a princípio deve impor a ordem e o respeito como regra de conduta para uma sociedade civilizada. ou seja.privados acima dos interesses públicos. como a educação e a cultura são aprendidas pelo ser humano. por falta de mecanismos de controle e responsabilização adequada dos atos antiéticos. é o primeiro a evidenciar o ato imoral. A sociedade por sua vez. valores. pois não se mobilizam para exercer os seus direitos e impedir estes casos vergonhosos de abuso de poder por parte do Poder Público. conceitos morais que vão sendo contestados posteriormente com a formação de ideias de cada um. No âmbito Administrativo. porém a maioria das pessoas não sabem se são ou não cidadãos. ou seja. A educação seria o mais forte instrumento na formação de cidadão consciente para a construção de um futuro melhor. Podemos verificar abertamente nos meios de comunicação. assim. sem falar de moralidade. isto é. governos regidos por políticos sem ética. hábitos. O Estado. mesmo após o advento de regimes democrático. devido á falta de uma cultura cidadã. a ética na administração publica. uma mudança na administração publica que deve ser sentida pelo contribuinte que dela se utiliza diariamente. seja pela forma de agir e de contato entre o cidadão e os funcionários públicos. prejudica a eficácia das organizações. Invocando novamente o ordenamento jurídico podemos identificar que a falta de respeito ao padrão moral. afetando assim. aprendida. impessoalidade (sinônimo de igualdade). a falta de sistema de saúde. atos desonestos. nessas situações a cidadania deve se valer contra ele. veem esta realidade como uma razão. Essa evolução surge quando o cidadão adquire esse status. funcionários mal capacitados e sem princípios éticos que convivem todos os dias com mandos e desmandos. e. A luta por esses direitos garante um padrão de vida mais decente. Não podemos falar de ética. isto é. por sua vez. tem sua parcela de responsabilidade nesta situação. Esta também é um dos principais valores que define a conduta ética. etc. que a improbidade e a falta de ética que nascem nas máquinas administrativas devido ao terreno fértil encontrado devido à existência de governos autoritários. A mudança que se deseja na Administração pública implica numa gradativa. Conclui-se. a sociedade não exerce sua cidadania. de esgoto. através dos usos de sua atribuição publica. numa violação dos direitos do cidadão. uma reavaliação e valorização das tradições. quando passa a ter direitos sociais.

mas sim a qualidade na medida em que esta pode ser usada em prol da função social.Menor valor atribuído (bem). 5 . . 37 da Constituição. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA. gostaríamos de destacar alguns pontos básicos. Finalizando. A constituição da Comissão de Ética será comunicada à Secretaria da Administração Federal da Presidência da República. 2º Os órgãos e entidades da Administração Pública Federal direta e indireta implementarão.06. 6 . inclusive mediante a constituição da respectiva Comissão de Ética. que com este baixa. de 22.94 Aprova o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal. de 2 de junho de 1992. também como sendo um padrão de comportamento orientado pelos valores e princípio morais e da dignidade humana. DECRETA: Art. incisos IV e VI. Art. 116 e 117 da Lei nº 8. do bem estar e tudo mais que diz respeito ao bem maior do ser humano . menor ética.Maior impessoalidade (igualdade). 11 e 12 da Lei nº 8.Maior valor atribuído (bem). bem como nos arts. um padrão ético.171.112. 3 . Parágrafo único. julgamos essenciais para a boa conduta. maior ética.A cultura e a ética estão intrinsecamente ligadas. Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal. de 11 de dezembro de 1990. impessoal e moralístico: 1 .públicos priorizam seus interesses pessoais em detrimento dos interesses sociais.A falta de ética induz ao descumprimento das leis do ordenamento jurídico. 84. integrada por três servidores ou empregados titulares de cargo efetivo ou emprego permanente. com a indicação dos respectivos membros titulares e suplentes. ITAMAR FRANCO Romildo Canhim ANEXO Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal . determinam a "qualidade" de um padrão de comportamento ético: . 2 . que baseado neste estudo. Brasília. em sessenta dias. Decreto nº 1. 173º da Independência e 106º da República. 3º Este decreto entra em vigor na data de sua publicação. 4 . e ainda tendo em vista o disposto no art. Art. 10.O ser humano possui diferentes valores e princípios e a "quantidade" de valores e princípios atribuídos. no uso das atribuições que lhe confere o art.429. 22 de junho de 1994. 1º Fica aprovado o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal. dos bons costumes e da boa fé. e nos arts.Em princípio as leis se baseiam nos princípios da dignidade humana. maior moralidade = melhor padrão de ética.Podemos conceituar ética. Não nos referimos a palavra cultura como sendo a quantidade de conhecimento adquirido. as providências necessárias à plena vigência do Código de Ética.

não terá que decidir somente entre o legal e o ilegal. a serem preservados em processo previamente declarado sigiloso. se integra na vida particular de cada servidor público. o justo e o injusto.A dignidade. a eficácia e a consciência dos princípios morais são primados maiores que devem nortear o servidor público. V . o oportuno e o inoportuno. e. as atribuições do cargo. deteriorando-o. o cuidado e o tempo dedicados ao serviço público caracterizam o esforço pela disciplina. IX . III . já que refletirá o exercício da vocação do próprio poder estatal. não caracteriza apenas atitude contra a ética ou ato de desumanidade.O servidor que trabalha em harmonia com a estrutura organizacional. O servidor não pode omiti-la ou falseá-la.A função pública deve ser tida como exercício profissional e. é que poderá consolidar a moralidade do ato administrativo. mas a todos os homens de boa vontade que dedicaram sua inteligência.CAPÍTULO I Seção I Das Regras Deontológicas I .A cortesia. até por ele próprio. às vezes.A moralidade da Administração Pública não se limita à distinção entre o bem e o mal. como elemento indissociável de sua aplicação e de sua finalidade. suas esperanças e seus esforços para construí-los. por descuido ou má vontade. evitando a conduta negligente Os repetidos erros. a boa vontade. seu tempo. mas principalmente grave dano moral aos usuários dos serviços públicos. como cidadão.O servidor público não poderá jamais desprezar o elemento ético de sua conduta. que a moralidade administrativa se integre no Direito. ensejando sua omissão comprometimento ético contra o bem comum. velando atentamente por seu cumprimento. e por isso se exige. assim. consoante as regras contidas no art. pondo fim ou procurando . comportamentos e atitudes serão direcionados para a preservação da honra e da tradição dos serviços públicos. Assim. ou da mentira. Tratar mal uma pessoa que paga seus tributos direta ou indiretamente significa causar-lhe dano moral. perfeição e rendimento. Nenhum Estado pode crescer ou estabilizar-se sobre o poder corruptivo do hábito do erro. investigações policiais ou interesse superior do Estado e da Administração Pública.São deveres fundamentais do servidor público: a) desempenhar.Toda ausência injustificada do servidor de seu local de trabalho é fator de desmoralização do serviço público. causar dano a qualquer bem pertencente ao patrimônio público. respeitando seus colegas e cada concidadão. X .Salvo os casos de segurança nacional. Seus atos. o zelo. função ou emprego público de que seja titular. caput. XII . erigindo-se. II .Deixar o servidor público qualquer pessoa à espera de solução que compete ao setor em que exerça suas funções. Da mesma forma. seja no exercício do cargo ou função. Seção II Dos Principais Deveres do Servidor Público XIV .Toda pessoa tem direito à verdade. da Constituição Federal. pois sua atividade pública é a grande oportunidade para o crescimento e o engrandecimento da Nação. os fatos e atos verificados na conduta do dia-a-dia em sua vida privada poderão acrescer ou diminuir o seu bom conceito na vida funcional. b) exercer suas atribuições com rapidez.O servidor deve prestar toda a sua atenção às ordens legais de seus superiores. ainda que contrária aos interesses da própria pessoa interessada ou da Administração Pública. da opressão.A remuneração do servidor público é custeada pelos tributos pagos direta ou indiretamente por todos. XI . ou qualquer outra espécie de atraso na prestação do serviço. difíceis de corrigir e caracterizam até mesmo imprudência no desempenho da função pública. na conduta do servidor público. integrante da sociedade. imputável a quem a negar. o êxito desse trabalho pode ser considerado como seu maior patrimônio. não constitui apenas uma ofensa ao equipamento e às instalações ou ao Estado. devendo ser acrescida da ideia de que o fim é sempre o bem comum. como contrapartida. IV . o descaso e o acúmulo de desvios tornam-se. a tempo.O trabalho desenvolvido pelo servidor público perante a comunidade deve ser entendido como acréscimo ao seu próprio bem-estar. portanto. o conveniente e o inconveniente. VI . como consequência em fator de legalidade. o que quase sempre conduz à desordem nas relações humanas. que sempre aniquilam até mesmo a dignidade humana quanto mais a de uma Nação. permitindo a formação de longas filas. já que. XIII . mas principalmente entre o honesto e o desonesto. nos termos da lei. colabora e de todos pode receber colaboração. Assim. 37. O equilíbrio entre a legalidade e a finalidade. a publicidade de qualquer ato administrativo constitui requisito de eficácia e moralidade. VIII . VII . ou fora dele. e § 4º. o decoro.

c) ser probo. p) apresentar-se ao trabalho com vestimentas adequadas ao exercício da função. conivente com erro ou infração a este Código de Ética ou ao Código de Ética de sua profissão. s) facilitar a fiscalização de todos atos ou serviços por quem de direito. escolhendo sempre. direitos e serviços da coletividade a seu cargo. para obter qualquer favorecimento. de acordo com as normas do serviço e as instruções superiores. o) participar dos movimentos e estudos que se relacionem com a melhoria do exercício de suas funções. l) ser assíduo e frequente ao serviço. poder ou autoridade com finalidade estranha ao interesse público. caprichos. paixões ou interesses de ordem pessoal interfiram no trato com o público. Seção III Das Vedações ao Servidor Público XV . q) manter-se atualizado com as instruções. de exercer sua função. u) abster-se. leal e justo. d) jamais retardar qualquer prestação de contas. as tarefas de seu cargo ou função. m) comunicar imediatamente a seus superiores todo e qualquer ato ou fato contrário ao interesse público. seguindo os métodos mais adequados à sua organização e distribuição. tendo por escopo a realização do bem comum. para si ou para outrem. respeitando a capacidade e as limitações individuais de todos os usuários do serviço público. simpatias. com o fim de evitar dano moral ao usuário. amizades. as prerrogativas funcionais que lhe sejam atribuídas. cunho político e posição social. f) ter consciência de que seu trabalho é regido por princípios éticos que se materializam na adequada prestação dos serviços públicos. pelas exigências específicas da defesa da vida e da segurança coletiva. g) ser cortês. benesses ou vantagens indevidas em decorrência de ações morais. antipatias. d) usar de artifícios para procrastinar ou dificultar o exercício regular de direito por qualquer pessoa. mesmo que observando as formalidades legais e não cometendo qualquer violação expressa à lei. religião. porém sem nenhum temor de representar contra qualquer comprometimento indevido da estrutura em que se funda o Poder Estatal. ter urbanidade. c) ser. f) permitir que perseguições. demonstrando toda a integridade do seu caráter.E vedado ao servidor público. tanto quanto possível. condição essencial da gestão dos bens. sem qualquer espécie de preconceito ou distinção de raça. i) resistir a todas as pressões de superiores hierárquicos. cor. ilegais ou aéticas e denunciá-las. h) ter respeito à hierarquia. estimulando o seu integral cumprimento. a melhor e a mais vantajosa para o bem comum. facilidades. refletindo negativamente em todo o sistema. tempo. principalmente diante de filas ou de qualquer outra espécie de atraso na prestação dos serviços pelo setor em que exerça suas atribuições. de causar-lhes dano moral. e) deixar de utilizar os avanços técnicos e científicos ao seu alcance ou do seu conhecimento para atendimento do seu mister. exigindo as providências cabíveis. em função de seu espírito de solidariedade. posição e influências. as normas de serviço e a legislação pertinentes ao órgão onde exerce suas funções. quando estiver diante de duas opções. t) exercer. de contratantes. de forma absoluta. abstendo-se de fazê-lo contrariamente aos legítimos interesses dos usuários do serviço público e dos jurisdicionados administrativos. com estrita moderação. r) cumprir. sexo. causando-lhe dano moral ou material. com os jurisdicionados administrativos ou com colegas . j) zelar. abstendo-se. mantendo tudo sempre em boa ordem. aperfeiçoando o processo de comunicação e contato com o público. no exercício do direito de greve. reto. na certeza de que sua ausência provoca danos ao trabalho ordenado. dessa forma. nacionalidade. v) divulgar e informar a todos os integrantes da sua classe sobre a existência deste Código de Ética.prioritariamente resolver situações procrastinatórias. interessados e outros que visem obter quaisquer favores. b) prejudicar deliberadamente a reputação de outros servidores ou de cidadãos que deles dependam. segurança e rapidez. idade. disponibilidade e atenção. n) manter limpo e em perfeita ordem o local de trabalho. com critério. a) o uso do cargo ou função. e) tratar cuidadosamente os usuários dos serviços.

indireta autárquica e fundacional. se apresente contrário à ética. qualquer cidadão que se identifique ou quaisquer entidades associativas regularmente constituídas. fato ou conduta que considerar passível de infringência a princípio ou norma ético-profissional. de parentes. XVII -. para si. de ofício. sugerir ou receber qualquer tipo de ajuda financeira. a honestidade ou a dignidade da pessoa humana. para a apuração de fato ou ato que.À Comissão de Ética incumbe fornecer. no tratamento com as pessoas e com o patrimônio público. o servidor público esteja inscrito. O retardamento dos procedimentos aqui prescritos implicará comprometimento ético da própria Comissão. a repartição ou o setor em que haja ocorrido a falta. g) pleitear.029. solicitar. com a omissão dos nomes dos interessados. prêmio.A pena aplicável ao servidor público pela Comissão de Ética é a de censura e sua . denúncias ou representações formuladas contra o servidor público. e. se houver. h) alterar ou deturpar o teor de documentos que deva encaminhar para providências. doação ou vantagem de qualquer espécie. de 2007) XX . os registros sobre sua conduta ética. livro ou bem pertencente ao patrimônio público. ouvidos apenas o queixoso e o servidor. processo sobre ato. Uma cópia completa de todo o expediente deverá ser remetida à Secretaria da Administração Federal da Presidência da República. sem estar legalmente autorizado. se for o caso. poderá a Comissão de Ética encaminhar a sua decisão e respectivo expediente para a Comissão Permanente de Processo Disciplinar do respectivo órgão. na análise de qualquer fato ou ato submetido à sua apreciação ou por ela levantado. serão resumidas em ementa e.Cada Comissão de Ética. aos organismos encarregados da execução do quadro de carreira dos servidores. se a apuração decorrer de conhecimento de ofício.Dada a eventual gravidade da conduta do servidor ou sua reincidência. em conformidade com este Código. em princípio. podendo ainda conhecer de consultas.029. encarregada de orientar e aconselhar sobre a ética profissional do servidor.As decisões da Comissão de Ética. por exercício profissional. à entidade em que. de 2007) XVIII . familiares ou qualquer pessoa. de 2007) XXII . comissão. para o cumprimento da sua missão ou para influenciar outro servidor para o mesmo fim. i) iludir ou tentar iludir qualquer pessoa que necessite do atendimento em serviços públicos. (Revogado pelo Decreto nº 6. desde que formuladas por autoridade. terão o rito sumário. de amigos ou de terceiros. XIX . cumulativamente. poderá instaurar. m) fazer uso de informações privilegiadas obtidas no âmbito interno de seu serviço. o) dar o seu concurso a qualquer instituição que atente contra a moral. competindo-lhe conhecer concretamente de imputação ou de procedimento susceptível de censura.Em todos os órgãos e entidades da Administração Pública Federal direta. jurisdicionados administrativos. p) exercer atividade profissional aética ou ligar o seu nome a empreendimentos de cunho duvidoso. gratificação. cabendo sempre recurso ao respectivo Ministro de Estado. cuja análise e deliberação forem recomendáveis para atender ou resguardar o exercício do cargo ou função pública. n) apresentar-se embriagado no serviço ou fora dele habitualmente. integrada por três servidores públicos e respectivos suplentes. CAPÍTULO II DAS COMISSÕES DE ÉTICA XVI . para as providências disciplinares cabíveis.029. servidor. para o efeito de instruir e fundamentar promoções e para todos os demais procedimentos próprios da carreira do servidor público. em benefício próprio. (Revogado pelo Decreto nº 6. cabendo à Comissão de Ética do órgão hierarquicamente superior o seu conhecimento e providências. ou apenas este.Os procedimentos a serem adotados pela Comissão de Ética. (Revogado pelo Decreto nº 6. j) desviar servidor público para atendimento a interesse particular. ou em qualquer órgão ou entidade que exerça atribuições delegadas pelo poder público. deverá ser criada uma Comissão de Ética.hierarquicamente superiores ou inferiores.029. bem como remetidas às demais Comissões de Ética. (Revogado pelo Decreto nº 6. criadas com o fito de formação da consciência ética na prestação de serviços públicos. de 2007) XXI . l) retirar da repartição pública. qualquer documento. divulgadas no próprio órgão. provocar.

instituída pelo Decreto de 26 de maio de 1999. alínea “a”. IV . II .contribuir para a implementação de políticas públicas tendo a transparência e o acesso à informação como instrumentos fundamentais para o exercício de gestão da ética pública. § 3o Os mandatos dos primeiros membros serão de um. permitida uma única recondução. um compromisso solene de acatamento e observância das regras estabelecidas por este Código de Ética e de todos os princípios éticos e morais estabelecidos pela tradição e pelos bons costumes. de 22 de junho de 1994. ou em qualquer setor onde prevaleça o interesse do Estado. desde que ligado direta ou indiretamente a qualquer órgão do poder estatal. 4o À CEP compete: . preste serviços de natureza permanente.as demais Comissões de Ética e equivalentes nas entidades e órgãos do Poder Executivo Federal. para mandatos de três anos.029. XXV . § 2o O Presidente terá o voto de qualidade nas deliberações da Comissão.029. deverá ser prestado. 84. designados pelo Presidente da República. as fundações públicas. estabelecidos no decreto de designação. Institui Sistema de Gestão da Ética do Poder Executivo Federal. Art.029. no uso da atribuição que lhe confere o art. alegando a falta de previsão neste Código.Em cada órgão do Poder Executivo Federal em que qualquer cidadão houver de tomar posse ou ser investido em função pública. II . (Revogado pelo Decreto nº 6. competindo-lhe: I .as Comissões de Ética de que trata o Decreto no 1.fundamentação constará do respectivo parecer. e dá outras providências. da Constituição. III . perante a respectiva Comissão de Ética.A Comissão de Ética não poderá se eximir de fundamentar o julgamento da falta de ética do servidor público ou do prestador de serviços contratado. assinado por todos os seus integrantes. de 2007) XXIV . XXIII . O PRESIDENTE DA REPÚBLICA. ainda que sem retribuição financeira. com ciência do faltoso. DE 1º DE FEVEREIRO DE 2007. programas e ações relacionadas com a ética pública. Art. temporária ou excepcional. inciso VI. com apoio dos segmentos pertinentes. cabendo-lhe recorrer à analogia. 2o Integram o Sistema de Gestão da Ética do Poder Executivo Federal: I . contrato ou de qualquer ato jurídico. reputação ilibada e notória experiência em administração pública. (Revogado pelo Decreto nº 6. as entidades paraestatais. por força de lei. DECRETA: Art. aos costumes e aos princípios éticos e morais conhecidos em outras profissões. 3o A CEP será integrada por sete brasileiros que preencham os requisitos de idoneidade moral. de 2007) DECRETO Nº 6. as empresas públicas e as sociedades de economia mista. e III .Para fins de apuração do comprometimento ético. como as autarquias. entende-se por servidor público todo aquele que. § 1o A atuação no âmbito da CEP não enseja qualquer remuneração para seus membros e os trabalhos nela desenvolvidos são considerados prestação de relevante serviço público.CEP.171. dois e três anos. procedimentos técnicos e de gestão relativos à ética pública.articular ações com vistas a estabelecer e efetivar procedimentos de incentivo e incremento ao desempenho institucional na gestão da ética pública do Estado brasileiro.promover. a compatibilização e interação de normas.a Comissão de Ética Pública . não coincidentes.integrar os órgãos. Art. 1o Fica instituído o Sistema de Gestão da Ética do Poder Executivo Federal com a finalidade de promover atividades que dispõem sobre a conduta ética no âmbito do Executivo Federal.

para mandatos não coincidentes de três anos. para cumprir plano de trabalho por ela aprovado e prover o apoio técnico e material necessário ao cumprimento das suas atribuições.escolher o seu Presidente. mediante denúncia. capacitação e treinamento sobre as normas de ética e disciplina.assegurar as condições de trabalho para que as Comissões de Ética cumpram suas funções. escolhidos entre servidores e empregados do seu quadro permanente. 7o Compete às Comissões de Ética de que tratam os incisos II e III do art. direta e indireta: I . Art. mediante denúncia ou de ofício. c) apurar. A CEP contará com uma Secretaria-Executiva. II . c) apurar.garantir os recursos humanos. Parágrafo único. Art. b) dirimir dúvidas a respeito de interpretação de suas normas. de 1994. condutas em desacordo com as normas nele previstas.conduzir em seu âmbito a avaliação da gestão da ética conforme processo coordenado pela Comissão de Ética Pública. aprovado pelo Decreto 1.dirimir dúvidas de interpretação sobre as normas do Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal de que trata o Decreto no 1. vinculada administrativamente à instância máxima da entidade ou órgão. Art. II .coordenar.atuar como instância consultiva de dirigentes e servidores no âmbito de seu respectivo órgão ou entidade. b) dirimir dúvidas a respeito da interpretação de suas normas e deliberar sobre casos omissos. 8o Compete às instâncias superiores dos órgãos e entidades do Poder Executivo Federal. e IV . III .I .constituir Comissão de Ética.supervisionar a observância do Código de Conduta da Alta Administração Federal e comunicar à CEP situações que possam configurar descumprimento de suas normas. o desenvolvimento de ações objetivando a disseminação. conduta em desacordo com as normas éticas pertinentes. e IV . devendo: a) submeter ao Presidente da República medidas para seu aprimoramento. de 1994. e VI . IV . de 1994. no âmbito do órgão ou entidade a que estiver vinculada. § 2o As Secretarias-Executivas das Comissões de Ética serão chefiadas por servidor ou empregado do quadro permanente da entidade ou órgão. II .atuar como instância consultiva do Presidente da República e Ministros de Estado em matéria de ética pública. quando praticadas pelas autoridades a ele submetidas. e d) recomendar.administrar a aplicação do Código de Conduta da Alta Administração Federal. . 6o É dever do titular de entidade ou órgão da Administração Pública Federal.aplicar o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal. avaliar e supervisionar o Sistema de Gestão da Ética Pública do Poder Executivo Federal. 2o: I . Art. à qual competirá prestar o apoio técnico e administrativo aos trabalhos da Comissão. V .171. 9o. devendo: a) submeter à Comissão de Ética Pública propostas para seu aperfeiçoamento. § 1o Cada Comissão de Ética contará com uma Secretaria-Executiva. materiais e financeiros para que a Comissão cumpra com suas atribuições. e designados pelo dirigente máximo da respectiva entidade ou órgão.atender com prioridade às solicitações da CEP. será integrada por três membros titulares e três suplentes.observar e fazer observar as normas de ética e disciplina. deliberando sobre casos omissos.171. acompanhar e avaliar.aprovar o seu regimento interno. inclusive para que do exercício das atribuições de seus integrantes não lhes resulte qualquer prejuízo ou dano. vinculada à Casa Civil da Presidência da República. 5o Cada Comissão de Ética de que trata o Decreto no 1171. abrangendo a administração direta e indireta: I . ocupante de cargo de direção compatível com sua estrutura. ou de ofício.representar a respectiva entidade ou órgão na Rede de Ética do Poder Executivo Federal a que se refere o art. II . III . alocado sem aumento de despesas. III .

as Comissões de Ética. Os trabalhos da CEP e das demais Comissões de Ética devem ser desenvolvidos com celeridade e observância dos seguintes princípios: I . após a manifestação referida no caput deste artigo. e III . em fórum específico. § 2o As Comissões de Ética poderão requisitar os documentos que entenderem necessários à instrução probatória e. órgão ou setor específico de ente estatal. § 5o Se a conclusão for pela existência de falta ética. II -. o investigado será notificado para nova manifestação. Art. para avaliar o programa e as ações para a promoção da ética na administração pública. O processo de apuração de prática de ato em desrespeito ao preceituado no Código de Conduta da Alta Administração Federal e no Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal será instaurado. para a Controladoria-Geral da União ou unidade específica do Sistema de Correição do Poder Executivo Federal de que trata o Decreto no 5. agente público. 10. no prazo de dez dias. novos elementos de prova. 12. conforme o caso. conforme o caso. o acesso a esse tipo de documento somente será permitido a quem detiver igual direito perante o órgão ou entidade originariamente encarregado da sua guarda.independência e imparcialidade dos seus membros na apuração dos fatos. por escrito. Entende-se por agente público. § 2o Na hipótese de os autos estarem instruídos com documento acobertado por sigilo legal. Os integrantes da Rede de Ética se reunirão sob a coordenação da Comissão de Ética Pública. Parágrafo único.encaminhamento. por força de lei. pela Comissão de Ética Pública ou Comissões de Ética de que tratam o incisos II e III do art. respeitando-se. § 3o Para resguardar o sigilo de documentos que assim devam ser mantidos. § 3o Na hipótese de serem juntados aos autos da investigação.encaminhamento de sugestão de exoneração de cargo ou função de confiança à autoridade hierarquicamente superior ou devolução ao órgão de origem. Art. Qualquer cidadão. preste serviços de natureza permanente. temporária. e III .480. os autos do procedimento deixarão de ser reservados. integrada pelos representantes das Comissões de Ética de que tratam os incisos I. 11. II e III do art. que notificará o investigado para manifestar-se. de 30 de junho de 2005.Art. II . as Comissões de Ética tomarão as seguintes providências.proteção à identidade do denunciante. com as garantias asseguradas neste Decreto. as garantias do contraditório e da ampla defesa. 13. providenciarão para que tais documentos . todo aquele que. até que esteja concluído. para exame de eventuais transgressões disciplinares. as Comissões de Ética proferirão decisão conclusiva e fundamentada. 2o. no prazo de dez dias. § 4o Concluída a instrução processual. § 1o Concluída a investigação e após a deliberação da CEP ou da Comissão de Ética do órgão ou entidade. se a gravidade da conduta assim o exigir. pessoa jurídica de direito privado. depois de concluído o processo de investigação. além das providências previstas no Código de Conduta da Alta Administração Federal e no Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal. para os fins deste Decreto. contrato ou qualquer ato jurídico. Será mantido com a chancela de “reservado”. sempre. § 1o O investigado poderá produzir prova documental necessária à sua defesa. também. conforme o caso. com o objetivo de promover a cooperação técnica e a avaliação em gestão da ética. que deverá ser mantida sob reserva. Art.proteção à honra e à imagem da pessoa investigada. de ofício ou em razão de denúncia fundamentada. associação ou entidade de classe poderá provocar a atuação da CEP ou de Comissão de Ética. ainda que sem retribuição financeira. excepcional ou eventual. se este assim o desejar. direta e indireta. Art. promover diligências e solicitar parecer de especialista. a órgão ou entidade da administração pública federal. Parágrafo único. qualquer procedimento instaurado para apuração de prática em desrespeito às normas éticas. visando à apuração de infração ética imputada a agente público. no que couber: I . pelo menos uma vez por ano.recomendação de abertura de procedimento administrativo. 2º. 9o Fica constituída a Rede de Ética do Poder Executivo Federal.

serão resumidas em ementa e. se existente. divulgadas no sítio do próprio órgão. conforme o caso. bem como remetidas à Comissão de Ética Pública. Os órgãos e entidades da Administração Pública Federal darão tratamento prioritário às solicitações de documentos necessários à instrução dos procedimentos de investigação instaurados pelas Comissões de Ética. Art. Os trabalhos nas Comissões de Ética de que tratam os incisos II e III do art. pelo Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal e pelo Código de Ética do órgão ou entidade. civis. 11. § 2o Cumpre à CEP responder a consultas sobre aspectos éticos que lhe forem dirigidas pelas demais Comissões de Ética e pelos órgãos e entidades que integram o Executivo Federal. moralidade. A Comissão de Ética Pública manterá banco de dados de sanções aplicadas pelas Comissões de Ética de que tratam os incisos II e III do art. 20. encaminharão cópia dos autos às autoridades competentes para apuração de tais fatos. Art. Art. § 1o Na hipótese de haver inobservância do dever funcional previsto no caput. 22. Art. 16. sempre que constatarem a possível ocorrência de ilícitos penais. A qualquer pessoa que esteja sendo investigada é assegurado o direito de saber o que lhe está sendo imputado. Art. . As Comissões de Ética. a Comissão de Ética adotará as providências previstas no inciso III do § 5o do art. bem como pelos cidadãos e servidores que venham a ser indicados para ocupar cargo ou função abrangida pelo Código de Conduta da Alta Administração Federal. em casos de nomeação para cargo em comissão ou de alta relevância pública. de improbidade administrativa ou de infração disciplinar. 14. no recinto das Comissões de Ética. publicidade e eficiência. deverá ser acompanhado da prestação de compromisso solene de acatamento e observância das regras estabelecidas pelo Código de Conduta da Alta Administração Federal. 2o são considerados relevantes e têm prioridade sobre as atribuições próprias dos cargos dos seus membros. 18. Art. dos agentes públicos referidos no parágrafo único do art. para fins de consulta pelos órgãos ou entidades da administração pública federal. 21. sem prejuízo das medidas de sua competência. lacrados e acautelados. A infração de natureza ética cometida por membro de Comissão de Ética de que tratam os incisos II e III do art. As Comissões de Ética não poderão escusar-se de proferir decisão sobre matéria de sua competência alegando omissão do Código de Conduta da Alta Administração Federal. O direito assegurado neste artigo inclui o de obter cópia dos autos e de certidão do seu teor. 2o e de suas próprias sanções. Todo ato de posse. na análise de qualquer fato ou ato submetido à sua apreciação ou por ela levantado. Art. 17. § 2o As autoridades competentes não poderão alegar sigilo para deixar de prestar informação solicitada pelas Comissões de Ética. impessoalidade. 15. 2o será apurada pela Comissão de Ética Pública. quando estes não atuarem com exclusividade na Comissão. § 1o Havendo dúvida quanto à legalidade. mesmo que ainda não tenha sido notificada da existência do procedimento investigatório. Parágrafo único. Parágrafo único .sejam desentranhados dos autos. será suprida pela analogia e invocação aos princípios da legalidade. de conhecer o teor da acusação e de ter vista dos autos. 19. As decisões das Comissões de Ética. do Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal ou do Código de Ética do órgão ou entidade. com a omissão dos nomes dos investigados. Art. Art. A posse em cargo ou função pública que submeta a autoridade às normas do Código de Conduta da Alta Administração Federal deve ser precedida de consulta da autoridade à Comissão de Ética Pública acerca de situação que possa suscitar conflito de interesses. investidura em função pública ou celebração de contrato de trabalho. a Comissão de Ética competente deverá ouvir previamente a área jurídica do órgão ou entidade. 12. que.

ainda que não ocupante de cargo efetivo da entidade ou órgão. integrada pelos cargos efetivos e em comissão. o que deve ser feito? R – Um novo ato administrativo deve ser expedido adequando as comissões de Ética às disposições do Decreto 6029/07. tanto o membro de Comissão de Ética.029/07) 1. 7º do Decreto 6029/07). XXIII e XXV do Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal.029. o mesmo devendo ocorrer com o secretário-executivo da Comissão (art. Este Decreto entra em vigor na data da sua publicação. ainda que essa escolha possa ser feita pela própria autoridade no ato de designação de seus membros. quanto o secretário-executivo de Comissão pode ser ocupante de cargo em comissão. 1º de fevereiro de 2007. 3. que disporá em Resolução própria sobre as atividades que deverão desenvolver para o cumprimento desse mister.Os integrantes das comissões de ética serão escolhidos entre servidores e empregados do quadro permanente do órgão ou entidade. de acordo com o inciso VI do art. Como deve ser indicado o presidente da Comissão de Ética e quem deve substituí-lo em suas ausências? R – O presidente da Comissão de Ética Pública será escolhido pelos próprios integrantes da Comissão. integrada pelos cargos extintos. LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA Dilma Rousseff COMISSÃO DE ÉTICA PÚBLICA Sistema de Gestão da Ética (Decreto 6. Ficam revogados os incisos XVII. XXI. 26. Especificamente para garantir a não coincidência de mandatos. de 22 de junho de 1994. 2. 24. Art. Art. Art. às autoridades e agentes públicos neles referidos. recomenda-se que seja seguida a mesma sistemática estabelecida para a CEP. que dispõem sobre a Comissão de Ética Pública. com composição e demais competências diversas daquelas aprovadas pelo Decreto 6. As normas do Código de Conduta da Alta Administração Federal. 11 deste Decreto. Servidor que não é ocupante de cargo efetivo da entidade ou órgão pode ser membro ou secretário-executivo de Comissão de Ética de que trata o Decreto 1171/94? R . Já para a escolha do presidente de Comissão de Ética de que trata o Decreto 1171/94. Os representantes das Comissões de Ética de que tratam os incisos II e III do art. e os Decretos de 30 de agosto de 2000 e de 18 de maio de 2001. respectivamente. que cria a Comissão de Ética Pública. recomenda-se que os primeiros membros devem ser designados para mandatos de um. 2o atuarão como elementos de ligação com a CEP. Art.171. e pela parte suplementar. na ausência de norma expressa. A Comissão de Ética deve ficar ligada a uma instância da administração superior ou à instância máxima da entidade ou órgão? . o quadro de pessoal é constituído de uma parte permanente. aprovado pelo Decreto no 1. Segundo a Lei 3780/60. É recomendável que o presidente da Comissão seja substituído em suas ausências pelo membro mais antigo. os arts. 25. Brasília. dois e três anos. 186o da Independência e 119o da República. O banco de dados referido neste artigo engloba as sanções aplicadas a qualquer dos agentes públicos mencionados no parágrafo único do art. XIX. 5º e §2º do art. Assim. a exemplo da regra adotada pela Comissão de Ética Pública. 4. no que couber. 23. XX. do Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal e do Código de Ética do órgão ou entidade aplicam-se. 2o e 3o do Decreto de 26 de maio de 1999. 4º do Decreto 6029/07. mesmo quando em gozo de licença. No caso de Comissão de Ética que já existia anteriormente.Parágrafo único.

5º do Decreto 6029. A Atuação da CE é independente ou subordinada à área a que estiver vinculada? R – A atuação da Comissão de Ética. “c”: Também militares da reserva remunerada ou não. 9. No que se refere à composição das Comissões de Ética das entidades e órgãos. que ocupem exclusivamente cargo em comissão de assessoramento superior de livre nomeação e exoneração? c) A expressão “para mandatos não coincidentes de três anos” significa a impossibilidade de imediata recondução? d) As designações em vigor podem ser mantidas ou devem ser revistas. O Código de Ética do Servidor Civil se aplica às sociedades de economia mista? R – Sim. de acordo com a definição para quadro permanente constante da Lei 3780/60. 4º) e também das Comissões Setoriais de Ética (letra “b” do inciso II do art. . nessa última hipótese. 6029? R – É dever do titular da entidade ou órgão da Administração Pública Federal. Como funcionará. assegurar as condições de trabalho para que as Comissões de Ética cumpram suas funções. podendo serem reconduzidos um única vez após o cumprimento desse primeiro período. “d”: A expressão “para mandatos não coincidentes de três anos”. direta e indireta. Eventuais dúvidas de natureza legal devem ser resolvidas junto ao jurídico da entidade ou órgão. É competência da CEP (inciso III do art. a garantia de que dos trabalhos desenvolvidos em comissão de Ética não resultará nenhum prejuízo ou dano aos seus integrantes. indica a necessidade do termo final dos primeiros mandatos serem não coincidentes. 6º do Dec. de acordo com o inciso XXIV do Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal. 7. não se subordina a instância superior a que se vincule. a recondução sob a nova regra? R – “a”: As Comissões de Ética podem ser integradas por servidores que ocupem exclusivamente cargos em comissão de assessoramento. cabendo. 8. “b”: Também militares da ativa que ocupem cargo da estrutura permanente do órgão poderão integrar a respectiva Comissão de Ética. seu dirigente máximo ou a Comissão local de Ética? R – A Comissão de Ética da entidade ou órgão será o canal preferencial de relacionamento com a Comissão de Ética Pública.R – Não obstante a ausência de norma expressa. aprovado pelo Decreto 1171/94. 7º) dirimir dúvidas de interpretação sobre a aplicação do Decreto 1171/94 . previstas no art. desta feita de três anos para qualquer deles. 5. 6029: a) Poderão ser designados servidores que ocupem exclusivamente cargo em comissão de assessoramento? b) Poderão ser designados militares da reserva remunerada ou não. Quem funcionará com ligação das entidades e órgãos do Poder Executivo Federal com a Comissão de Ética Pública. funcionando o seu presidente com “elemento de ligação” entre as duas Comissões. cabendo à Comissão de Ética Pública atender às dúvidas dessas Comissões ou se manifestar em caso de interpretações divergentes. 10. inclusive para que do exercício das atribuições de seus integrantes não lhes resulte qualquer prejuízo ou dano. que ocupem exclusivamente cargo em comissão de assessoramento superior de livre nomeação e exoneração poderão integrar a respectiva Comissão de Ética. tendo em vista que a Secretaria-Executiva da Comissão deve vincular-se administrativamente à instância máxima da entidade ou órgão. é recomendável que a própria Comissão vincule-se também à autoridade executiva máxima. Eventuais faltas nesse sentido poderão configurar descumprimento de dever funcional. prevista no inciso I do art. recomendando-se que os primeiros a serem designados o sejam para mandatos de um. 6. pois esses servidores integram o quadro permanente da entidade ou órgão. na prática. no que concerne ao exercício de suas competências próprias. pela mesma razão apontada no item “a”. constante do art. dois e três anos. 5º do Dec. Dúvidas sobre a aplicação das normas do Código de Ética devem ser dirimidas pela Comissão de Ética Pública. Haverá algum tipo de controle ou subordinação das interpretações dadas pelas comissões de ética? R – As dúvidas levantadas sobre a aplicação do Decreto 1171/94 devem ser resolvidas pela Comissão de Ética do próprio órgão ou entidade. respectivamente.

Quais são as garantias asseguradas neste Decreto aos membros das Comissões de Ética ( inciso III do art.029)? R – O exercício das atividades nas Comissões de Ética não deve resultar em prejuízo ou dano para seus membros. aprovado pelo Decreto 1171/94. Diretores e Conselheiros de Empresas Públicas sujeitam-se ao Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil. por força de lei.Ver resposta à questão nº 1 13. mas sem aumento de despesas. temporária ou excepcional. conforme previsto no art. exclusivamente cargo em comissão de assessoramento superior de livre nomeação e exoneração? c) A expressão “ocupante de cargo de direção compatível com sua estrutura” determina que o parâmetro mínimo recaia em cargo DAS de nível 4 ou 5? R – “a”: A Secretaria-Executiva da Comissão de Ética deve vincular-se administrativamente à instância executiva máxima da entidade ou órgão. No entanto. 6º do Decreto 6. civil ou militar da reserva. “b”: A escolha do Secretário-Executivo da Comissão de Ética pode recair sobre servidor. seja financeiro ou de outra natureza. que ocupem. de acordo com o inciso XXIV do Capítulo II do Código de Ética do Servidor Civil. conforme definido pela Lei 3780/60. 15. no ato da posse ou assinatura de contrato de trabalho. 14. contrato ou de qualquer ato jurídico. preste serviços de natureza permanente. em todos os casos. entende-se por servidor público todo aquele que. e tecnicamente à própria Comissão de Ética. previstas nos §§1º e 2º do art. para adequação ao disposto no Decreto 6029. as fundações . 7º do Decreto 6029: a) A expressão “vinculada administrativamente à instância máxima da entidade ou órgão” significa que a Secretaria-Executiva deverá. 5º do Decreto 6. contratados para o exercício dos chamados cargos de confiança são considerados do quadro permanente? R . pois integrante do quadro permanente do órgão. “escolhidos entre servidores e empregados do seu quadro permanente” (art. integrar a estrutura do Gabinete do Ministro (no caso dos Ministérios) ou poderá compor a estrutura de um outro órgão específico singular (uma secretaria) com competência para o trato de assuntos correlatos à gestão da ética pública? b) A chefia da Secretaria-Executiva. no caso do Ministério da Defesa.. é possível que sua designação recaia sobre servidor ocupante de cargo ou função de área que não integra a estrutura do gabinete do dirigente máximo. 12. necessariamente.“e”: As designações em vigor devem ser revistas. de acordo com o §1º do art. 10)? R – Os membros das Comissões de Ética exercerão suas atividades com a garantia do mandato e de que do exercício de suas atribuições não lhes resultará nenhum dano ou prejuízo.Sim. 16. Como o Secretário Executivo deve ocupar cargo de direção compatível com a estrutura do órgão ou entidade. “c” O cargo ou função do secretário-executivo da Comissão de Ética deve ser compatível com a estrutura do órgão ou função. 15 do Decreto 6029? R – A prestação de compromisso solene de acatamento e observância das regras estabelecidas pelo Código de Ética deve se processar por meio de registro específico. para fins de apuração do comprometimento ético. aprovado pelo Decreto 1171/94? R .. 11. poderá ser exercida por servidores civis e por militares da reserva remunerada ou não. como as autarquias. desde que ligado direta ou indiretamente a qualquer órgão do poder estatal. Qual é o entendimento sobre a expressão . sendo responsabilidade do titular da entidade ou órgão assegurar as condições necessárias ao trabalho. 7º do Decreto 6029. por escrito. ainda que sem retribuição financeira. “não lhes resulte qualquer prejuízo ou dano” (inciso I do art. que ocupe exclusivamente cargo em comissão de assessoramento superior.. entendendo-se essa compatibilidade como cargo ou função de nível suficiente que lhe permita a necessária interlocução hierárquica para o exercício de suas obrigações.029)? Empregados comissionados.. a Secretaria deve estar vinculada administrativamente a esse gabinete. Qual é o entendimento da expressão. Em relação às secretarias-executivas das comissões de ética. Como se deve processar a prestação de compromisso solene de acatamento e observância das regras estabelecidas pelos Códigos de Ética. mesmo nesse caso.

23. 18 do Decreto 6. Poderá ter outra composição? Servidores e empregados contratados para assumirem cargos de confiança podem integrar Comissão de Ética? R – A Composição da Comissão de Ética deve observar o número estabelecido pelo Decreto 6. Isso significa que deva ser um diretor da entidade. prevista no art. É possível. relacionadas ao órgão ou entidade. Apenas os ocupantes dos cargos expressamente referidos no art. para mandatos não coincidentes de três anos. se sociedade de economia mista? R – O cargo ou função do secretário-executivo da Comissão de Ética deve ser tal que não se configure em empecilho para o cumprimento de suas funções diretamente. E a empresa que possui Código de Ética próprio? R – A recomendação da Comissão de Ética Pública é que todos os órgãos e entidades do Poder Executivo Federal incorporem as normas do Código de Ética do Servidor Civil ao seu escopo estatutário e regulamentar. 20. 7º do Decreto 6. 2º do Código de Conduta da Alta Administração estão obrigatoriamente sujeitos às suas normas. 10 do Decreto 6029? R – Os membros das Comissões de Ética exercerão suas atividades com a garantia do mandato e de que do exercício de suas atribuições não lhes resultará nenhum dano ou prejuízo. deve dar-se por meio da internet. A intenção é dar conhecimento às partes.029 dispõe que as decisões das Comissões de Ética serão resumidas em ementa e. à luz do Decreto 6029. o Secretário-Executivo da Comissão de Ética deve ser detentor de cargo de direção compatível com a estrutura da entidade ou órgão. Segundo o art.029. 5º do Decreto 6029. e não apenas ao público interno. no que couber. por expressarem o mais fiel padrão ético desejável das autoridades públicas. 7º do Decreto 6029. Quais são as garantias dos membros de Comissão de Ética referidas no inciso II. seja desejável que todos as observem. aprovado pelo Decreto 1171/94. Neste caso. com a omissão dos nomes dos investigados. 18. as empresas públicas e as sociedades de economia mista. internas e externas. desde que reservada a esta o poder revisor de ofício das orientações e decisões exaradas. 24. Segundo o art. A divulgação das decisões da Comissão de Ética.pública. Considera-se que um cargo ou função compatível seja aquele que não apresente instâncias intermediárias nem comprometa a comunicação institucional com todos os escalões da entidade ou órgão. e designados pelo dirigente máximo da respectiva entidade ou órgão. 7º do Decreto 6029. 17. cada Comissão de Ética será integrada por três membros titulares e três suplentes. 22. 21. Os Conselheiros de Administração e Fiscais sujeitam-se ao Código de Conduta da Alta Administração Federal? R – Não. Qual é o entendimento da expressão submeter à CEP propostas para aperfeiçoamento do Código de Ética ( letra “a” do inciso II do art.029. ver resposta à questão nº 1. sem que tenha questionado seu nível hierárquico. ou basta a publicação na intranet? R – O art. é recomendável que as respectivas comissões de ética ou unidades equivalentes assumam também a responsabilidade pela administração dessas normas complementares. às subcomissões pode ser cometido o exercício de todas as atribuições da Comissão. 19.029)? O aperfeiçoamento se . ou em qualquer setor onde prevaleça o interesse do Estado. No que concerne à possibilidade de ocupantes de cargos de confiança integrarem as Comissões de Ética. ainda que. do art. pelo que a esses registros deve ser permitido amplo acesso. 18 do Decreto 6. as entidades paraestatais. Nesse caso. escolhidos entre servidores e empregados do seu quadro permanente. sem prejuízo de que sejam complementadas por normas próprias que se façam necessárias em razão de peculiaridades de suas respectivas áreas de negócio. a criação de subcomissões de ética ou comissões regionais de ética? R – Em entidade ou órgãos distribuídos geograficamente pelo país a criação de subcomissões de ética pode ser de grande valia para assegurar proximidade aos servidores. Segundo o §2º do art. compete às Comissões de Ética aplicar o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal. divulgadas no sítio do próprio órgão.

as entidades maiores e distribuídas geograficamente pelo país podem lançar representantes de áreas. Os membros das Comissões ou eventuais representantes de áreas podem ser escolhidos entre ocupantes de cargos de confiança. Qual o sentido que devemos dar à expressão "cargo de direção" contida no §2º do art. para fins de consulta pelos órgãos e entidades da administração pública federal. Com finalidade distinta. em caso de nomeação para cargo em comissão ou de alta relevância pública. Sua existência deve ser aprovada pelas instâncias decisórias competentes da entidade ou órgão.171/94 será integrada por três membros titulares e três suplentes. Os eventuais códigos de ética próprios das empresas estatais e demais órgãos e entidades devem estar alinhados com o Decreto 1.029. a Comissão de Ética Pública manterá banco de dados de sanções aplicadas pelas Comissões de Ética e os de suas próprias sanções. e o presidente escolhido funcionará com elemento de ligação com a Comissão de Ética Pública. O objetivo básico das ementas não é a identificação dos envolvidos. 26. 7º do Decreto 6. bem como remetidos à Comissão de Ética Pública. 28.171/94 e. 27. O chefe da referida Secretaria deve conhecer bem a organização e seus processos e ter capacidade gerencial para dar consequência às decisões da Comissão de Ética. ocupando cargo ou função compatível da estrutura . quando se refere ao cargo que deve ser ocupado pelo secretário-executivo da Comissão? R – O cargo de direção do secretário-executivo da Comissão de Ética deve ser compatível com a estrutura do órgão ou função. entendendo-se essa compatibilidade como cargo ou função de direção de nível suficiente que lhe permita a interlocução hierárquica para o exercício de suas obrigações. Cabe à Comissão de Ética observar e fazer observar o sigilo de informações protegidas por lei. divulgadas no sítio na Internet do próprio órgão. exclusivamente para que sirvam de elementos de ligação com a Comissão.029)? R – As decisões das Comissões de Ética serão resumidas e. portanto.refere também aos Códigos de Ética das empresas estatais? R – As comissões de ética devem submeter à Comissão de Ética Pública propostas de aperfeiçoamento do Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal. Não necessariamente esse cargo ou função de direção do Secretário-Executivo deve ser atribuído a um membro da Diretoria da Empresa. Sem embargo. para subsidiar os trabalhos da Comissão de Ética e da Secretaria-Executiva. 29. ou esse é um nº mínimo? Podem integrar a Comissão detentores de cargos em comissão do quadro permanente da entidade? Quem entre os membros da Comissão setorial a representará junto à Comissão de Ética Pública? R – Cada Comissão de Ética de que trata o Decreto nº 1. cuja hierarquia é superior ao Decreto (Art.171/94. aprovado pelo Decreto 1.. A omissão dos nomes dos envolvidas nas ementas das decisões das Comissões de Ética não compromete a formação do banco de dados para consulta pelos órgãos ou entidades da administração pública federal em casos de nomeação para cargo em comissão ou de alta relevância pública (arts. 18 e 22 do Decreto 6. desde que relativa ao fato sob exame. Esta consulta deverá ser precedida mediante ofício dirigido à Comissão de Ética Pública. 20 )? R – As autoridades competentes não poderão alegar sigilo para deixar de prestar informação solicitada por Comissão de Ética. desde que esses cargos integrem a estrutura de cargos permanentes da entidade. sendo importante que componha seu organograma. Cada Comissão de Ética deve ser integrada exatamente por três membros titulares e três suplentes. R – Cada Comissão de Ética contará com uma Secretaria-Executiva vinculada à instância máxima da entidade ou órgão. 25. A Secretaria Executiva da Comissão de Ética deve integrar o organograma da entidade ou órgão? O secretário-executivo receberá gratificação? Qual o perfil desejável do secretário-executivo?Sua escolha deverá recair sobre um servidor ou empregado do quadro permanente que tenha conhecimento da estrutura da empresa e possa requerer informações ou ações aos demais órgãos da empresa. 13 e Art. as propostas para elaboração e aperfeiçoamento dos códigos de ética próprios também devem encaminhados para a CEP. escolhidos entre servidores e empregados do seu quadro permanente. mas o conhecimento da jurisprudência. Como seria considerado o acesso a documentos submetidos á Legislação do sigilo bancário. com a omissão dos nomes dos investigados.

deverá ser prestado. leia e julgue os itens a seguir. 1) A moralidade da Administração Pública não se limita à distinção entre o bem e o mal. as normas de serviço e a legislação pertinentes ao órgão onde exerce suas funções e exercer com estrita modera-ção as prerrogativas funcionais que lhe sejam atribuí-das. 7) Em cada órgão do Poder Executivo Federal em que qualquer cidadão houver de tomar posse ou ser investi-do em função pública. é considerado crime inafiançável. um compromisso solene de acatamento e observância das regras estabelecidas por este Código de Ética e de todos os princípios éticos e morais estabelecidos pela tradição e pelos bons costumes. Gabarito 01 . conivente com erro ou infração a este Código de Ética ou ao Código de Ética de sua profissão. 3) São alguns dos deveres fundamentais do servidor público manter-se atualizado com as instruções. devendo ser acrescida da ideia de que o fim é sempre a preservação da honra administrativa. processo sobre ato. indireta autárquica e fundacional. 2) A função pública deve ser tida como exercício profissio-nal e. com ciência do faltoso. mediante requisição do interessado. 5) Ser. se integra na vida particular de cada servidor público. estabelecido pelo Decreto nº 1. Responda: C (certo) E (errado) Em relação ao Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo. em função de seu espírito de solidariedade. perante a respectiva Comissão de Ética. integrada por cinco servidores públicos e respectivos suplentes.C . poderá instaurar. abstendo-se de fazê-lo contrariamente aos legíti-mos interesses dos usuários do serviço público e dos jurisdicionados administrativos 4) Em todos os órgãos e entidades da Administração Pública Federal direta.C 07 .E 06 . portanto.E 02 .da organização. Cada Comissão de Ética.C 03 .E 05 .C 04 . fato ou conduta que considerar passível de infringência a princípio ou norma ético-profissional. 6) A pena aplicável ao servidor público pela Comissão de Ética é a de censura e sua fundamentação constará do respectivo parecer. assinado por todos os seus integran-tes.171/94. Assim. os fatos e atos verificados na conduta do dia-a-dia em sua vida privada poderão acrescer ou diminuir o seu bom conceito na vida funcional. deverá ser criada uma Comissão de Ética.

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