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Artigo - AGITAÇÃO

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Artigo

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ANÁLISE DO CONCEITO DE AGITAÇÃO

INTRODUÇÃO:

A definição de conceitos é uma etapa fundamental para o desenvolvimento de qualquer método de investigação e elaboração de teorias. Considerando que tal, requer uma elaboração que expresse de forma clara e organizada as ideias do autor. Em qualquer pesquisa os conceitos têm funções de origem cognitiva, pragmática e comunicacional pois, têm a finalidade de organizar os objectos e os processos e fixar melhor o recorte do que deve ou não ser investigado e construído. Toda a actividade científica lida com conceitos, palavras representativas de fenómenos que se constituem como ferramentas de trabalho, favorecendo a habilidade de investigar, comparar e relacionar decorrendo de tal, a necessidade da sua operacionalização, ou seja traduzi-los em eventos ou fenómenos observáveis. Muitos dos conceitos pertinentes á área da saúde têm elevado grau de abstracção, são complexos e dinâmicos incorporando continuamente novos conhecimentos, experiências, percepções e dados (MELEIS, 2006). Todavia, quanto mais claro for o conceito, ou seja a expressão dos seus atributos essenciais maior será o entendimento entre aqueles que o utilizam. Tal perspectiva, no âmbito da enfermagem, figura-se no engrandecimento do conhecimento. Ou seja, um conceito bem definido impele á busca do seu significado e, este por sua vez indica o sentido de um termo, da palavra que designa a sua essência. Sendo que, o conhecimento desta, é facilitador do processo de comunicação e compreensão dos fenómenos, minimizando terminologias vagas e ambíguas algumas vezes presentes no quotidiano dos enfermeiros (Rodgers, 1989; 2000). A palavra conceito deriva do latim conceptu ± ver no dicionário contudo, qualquer

conceito tem uma historia e componentes e, se procurarmos os seus referenciais na filosofia deparamo-nos com a concepção de que eles vão ao infinito (Gallo, 2000 ± ver referencia) pois, num conceito pode haver pedaços ou componentes vindos de outros conceitos, isto é, qualquer conceito pode resultar de uma aventura do pensamento. Então, o

Assim. com a finalidade de delinear os seus atributos ou características. um conceito afigura-se como uma simples palavra á qual é vinculado um significado através da definição formal ou através do uso comum contudo. Em paralelo. de elementos objectivos da realidade perceptível (WALKER e AVANT. identificou algumas questões conceptuais. Os sintomas da demência sobrepõem-se às manifestações do envelhecimento cerebral normal pois.conceito. presente em doente com demência. . seguem um curso progressivo e apresentam grande heterogeneidade que depende em grande medida da fase evolutiva em que se encontra a doença. é escassa a literatura e os estudos no que concerne á investigação deste fenómeno. Pois. 2005). o objectivo deste artigo é analisar o conceito de agitação no doente demente. geradoras de dificuldades no âmbito da enfermagem. inserem-se como fundamento da sua apresentação clínica sendo a sua prevalência significativa (Tariot e tal. principalmente como símbolos. Tendo como base a revisão crítica da literatura. Apoiada em princípios filosóficos. 1988). Na pesquisa inicial acerca do conceito de agitação. 1995. quando focalizado na mente e no pensamento humano. em consequência. o investimento nesses conhecimentos possibilitou-lhe criar proposições que ceifassem as barreiras da linguagem. essas palavras não são os conceitos mas. Rodgers (1989.2000). verificou-se alguma inconsistência entre os autores que procederam á sua conceptualização bem como a pouca expressão da perspectiva sob a qual o fenómeno é observado. traduz-se por uma imagem mental ou palavra que denota ideias e expressa abstracção apresentando-se. nos últimos anos os sintomas comportamentais. O que de algum modo retarda o a construção de conhecimento no que respeita às suas causas. incluindo-se na análise vários estudos empíricos. Ainda que os sintomas cognitivos e funcionais tenham determinado a identificação dos sujeitos com demência. sim os instrumentos para os comunicarmos (WALTZ e STRICKLAND. examinou-se a mesma de acordo com a ordem em o termo foi conceptualizado. em contexto hospitalar de agudos. em referência á linguagem.

1993. Em paralelo.Liketsos e tal. Volicer e Hurley. 1989. Haupt. Na pesquisa efectuada acerca do conceito de agitação. não é claramente conhecida (Maslow. 2001). Asada et al. Mahoney et al. 2005. todos enfatizam as suas consequências. 2000. 1999. incluindo a procura dos seus atributos. 1982. 1990. Ballard et al. 2003). A sua prevalência é documentada em estudos transversais e longitudinais (hope et al. a presença de comorbilidades médicas (Steineberg et al. Ballard et al. A agitação é um sintoma frequentemente associado á demência. Cheong. O que é justificado de alguma forma pel que de algum modo retarda o a construção de conhecimento no que respeita às suas causas. 2004. 1999. (Aronson et al. 2005. A sóbria investigação existente no âmbito hospitalar deve-se ao facto da demência não constituir diagnóstico de admissão e por outro lado a prevalência de doentes dementes. identifica-se como sinónimo de perda de qualidade de vida do doente e família. A dimensão do seu impacto. 1996. fazendo a análise de algumas definições existentes. 1992. et al. 2002. Nesta perspectiva. 1992. tida como predominante em algumas fases da doença e podendo preceder as alterações cognitivas (Cummings e Victorof. 2009). 2005). et al. 2004) todavia. et al. é escassa a literatura e os estudos no que concerne á investigação deste fenómeno. em serviços de agudos. Vance e tal. 2004). Tan et al. 1996. sendo certo o incremento da sua frequência e gravidade á medida que progride a doença (De Toledo. 2001). uso de contenção física e problemática dos profissionais de saúde (Werner et al. 2005). Wood et al. Garcia-Alberca. 2002). Em paralelo. 2008). Weiner. 2003. et al. Mega et al. et al. Dos trabalhos consultados. Craig. é objectivo deste trabalho dissecar o conceito de agitação na demência. é tributária para a institucionalização do doente (Rabins. internados em contexto de cuidados de agudos. presente em doentes com demência. verificou-se alguma inconsistência entre os autores que procederam á sua conceptualização bem como uma limitada expressão da perspectiva sob a qual o fenómeno é observado. tanto no doente quanto na família. Cummings et al. Hwang. Sourial et al. No quadro dos sintomas comportamentais insere-se a agitação. Eustace et al. condição vector para a institucionalização. e tal. alguns evidenciam alguma labilidade no que respeita á sua prevalência (Liketsos et al. . Yaffe et al. 2002. Sampson et al. 2005). 2001. 2006) domina de forma negativa o curso e prognóstico do quadro demencial (Mortimer e tal. Na literatura. sobre a qualidade de vida do doente (Chou et al. 2000. Teri et al. Rinaldi. 2000. et al. 1991.

é escassa a literatura e os estudos no que concerne á investigação deste fenómeno. Em paralelo. pois estas nem sempre capturam a natureza complexa dos fenómenos (Rodgers. MELEIS. examinou-se a mesma de acordo com a ordem em o termo foi conceptualizado. Tendo como base a revisão crítica da literatura.antecedentes e consequências bem como a descrição de conceitos a si relacionados. Trajecto metodológico Um conceito é uma ideia ou construção mental elaborada acerca de um fenómeno. examinou-se a mesma de acordo com a ordem em o termo foi conceptualizado. O que de algum modo retarda o a construção de conhecimento no que respeita às suas causas. Rodgers. Os conceitos concebem atributos abstractos da realidade e. São várias as estratégias de análise de conceitos presentes na literatura (Morse. Assim. com a finalidade de delinear os seus atributos ou características. 1997) sugere que antes de se proceder á escolha da abordagem metodológica é necessário determinar o nível de maturação do conceito existindo para tal cinco indicadores. incluindo-se na análise vários estudos empíricos. em contexto hospitalar de agudos. verificou-se alguma inconsistência entre os autores que procederam á sua conceptualização bem como a pouca expressão da perspectiva sob a qual o fenómeno é observado. 1997. 1997). como um conceito parcialmente desenvolvido (GIFT. 2000). 2002. o objectivo deste artigo é analisar o conceito de agitação no doente demente. 2006). Na pesquisa inicial acerca do conceito de agitação. assim como na construção de teorias. dispensou-se esta etapa em virtude de se encontrar descrito. Tendo como base a revisão crítica da literatura. incluindo-se na análise vários estudos empíricos. . No caso concreto. presente em doente com demência. Wills e McEWEN. por tal representam mais do que palavras ou imagens mentais. Contudo. 2000. (MORSE. sendo essencial no desenvolvimento de pesquisas.

Evidencia do seu uso. do doente ou ainda sob uma perspectiva neutra enquanto considerada como uma resposta humana. procuraram-se documentos em português. Colocar o esquema de rodgers esta metodologia envolve passos (Rodgers. que de algum modo focalizaram o fenómeno da agitação na demência. PsycINFO) com as palavras-chave: ³agitation´.Embora não haja guidelines metodológicas rígidas. Tomou-se como intervalo de tempo a data de 1980 a 2008. Trata-se de uma técnica indutiva com base na concepção de que os conceitos são dinâmicos e dependentes do contexto. em 1980 em virtude de não se encontrar qualquer outro registo inerente ao conceito em estudo. identificar questões susceptíveis de análise e sintetizar os resultados. Indicação de implicações para a prática. ³dementia´. condições e perspectivas tanto do observador. antecedentes e consequências. ³agitated´. identificando os atributos. sugere cinco princípios: clarificar a proposta de pesquisa. 2000). inglês e espanhol. Excluíram-se os trabalhos (documentos) que não apresentavam o resumo na base de dados. 2000) y y y y Identificação das fontes relevantes para o estudo. A selecção de dados iniciou-se em bases de dados electrónicas (Pubmed. RECOLHA DE DADOS: A pesquisa de dados estendeu-se por publicações na área médica e de enfermagem. para a revisão crítica da literatura MORSE (2000). a busca nas bases de dados foi feita em inglês. ³demented´ e ³Alzheimer´. Identificação do conceito e termos relacionados. activo através do tempo. português e espanhol. tendo em conta que o conceito de agitação no doente demente não é estático nem imutável mas sim. Como método de análise do conceito de agitação usou-se o método evolucionário (Rodgers. A procura de documentos (estudos. tomando como ponto de partida a definição de agitação proposta pela American Psychiatric Association. garantir a validade dos dados. e trabalhos subordinados á área . artigos de revisão e livros) foi restringida pela língua pois. os que não se referiam ao âmbito da demência.

considerando que em termos da definição de agitação não comportavam grande relevância.farmacológica. irritabilidade. acompanhado por alteração da esfera emocional (ansiedade severa. que se torna desordenada. para que fosse possível a selecção dos extractos que objectivamente se interessavam á pesquisa. 2004). apresentando uma intensidade variável e podendo manifestar-se desde uma . de algum modo. Resultados: Definição de agitação Agitação é definida como o aumento da actividade mo tora. pânico. associada a uma excitação mental (MANUILA. foram lidas as suas listas de referência o que incitou á recupe ração de alguns artigos bastante relevantes. medo. os quais foram relidos e analisados tornando possível documentar informação essencial no que concerne ao conceito de agitação. quando explica que: agitação é um estado de excessiva actividade motora. Após esta triagem. difíceis de avaliar tendo em consideração as alterações da comunicação inerentes ao doente demente. foram identificados 30 artigos chave. verbalização/vocalização anormal). agitação psicomotora. (o que tenho da agitação e ainda o da kolavoski devodo ao termo restleness) Definidos os textos (artigos. De referir ainda a inclusão de dois livros. com alteração emocional e tensão interna á qual se associa um cluster de sintomas relacionados (ansiedade. antecedentes e consequências). Em simultâneo. adicionando perspectivas. euforia). actividade incessante. A Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem (CIPE. 2000) determina o conceito de agitação susceptível de se identificar com a definição da American Psychiatric Association (1980). procurando assim proceder á identificação dos elementos constituintes do conceito (atributos. considerada também como um tipo de hiperactividade com características específicas (excitação psicomotora sem objectivo. andar sem parar. Todavia. O mesmo se passa com a definição de HOWARD (2001). não foram considerados os artigos de cujo resumo não se depreendia informação detalhada sobre as definições ou suposições tomadas. estudos e livros) a serem utilizados procedeu-se á sua leitura analítica. Definição da APA (1980 ± DSM-III) síndrome caracterizado por uma excessiva actividade motora.

considerando a agitação como uma experiencia vivenciada pelo próprio. julga pertinente a observação e identificação de eventuais necessidades do doente. . a alteração da esfera emocional é difícil de validar. Esta definição é usada em numerosos estudos. Com base na revisão da literatura. ROSEN (1992). na As suas limitações prendemse basicamente com o facto de que perante as alterações da comunicação inerentes ao doente demente.agitação mínima até movimentos repetitivos totalmente descoordenados. sem qualquer finalidade. exagerada ou inadequada e não tem um desencadeante que a justifique nesse grau ou qualidade. A definição de Hurley e tal (1999) marca a distinção relativamente aos estudos anteriores em virtude de focalizar a perspectivo do doente. se deve tomar em consideração do ambiente (contexto) em que ocorre. Isto é. COHEN-MANSFIELD e BILLING (1986). Esta definição é de algum modo criticada pelo facto de envolver um juízo (julgamento de valor ± comportamento desapropriado) por parte do observador e pela ambiguidade manifesta na distinção de comportamento agitado e need-driven behavior. em doentes com demência severa. Não baseia a sua definição no estado de humor do doente nem refere o seu impacto nos outros todavia. a reacção do doente é desmedida. Sendo a mesma resultante das necessidades ou de um estado confusional do individuo agitado. vocal ou motora inapropriada. alude que na conceptualização de agitação. que não é interpretada por um observador externo. definem operacionalmente a agitação como actividade verbal.

não explicada pelas necessidades ou confusão per si. verbalização/vocalização anormal). distúrbios motores.´ ³Actividade verbal. foram colocadas algumas questões: y Como é que os autores definem o conceito de agitação? .´ ATRIBUTOS: Os atributos são as palavras e ou expressões utilizadas com maior frequência pelos autores. agressividade e resistência ao cuidar.´ ³Estado de excitação desagradável.´ Hurley et al (1999) Howard et al (2001) ³Agitação é um estado de excessiva actividade motora. permanece após intervenções que reduzam os estímulos endógenos ou exógenos. com alteração emocional e tensão interna á qual se associa um cluster de sintomas relacionados (ansiedade. Inclui comportamentos como: deambular sem objectivo. Esse comportamento é observável e. 1995). acompanhada por alteração da esfera emocional. Inclui quatro áreas de comportamento: vocalização. A actividade é habitualmente repetitiva. irritabilidade. Nesta perspectiva. descoordenada e sem qualquer finalidade. podendo ser perigoso. agitação psicomotora. experienciado pelo doente com demência de Alzheimer. pois. São tidos como essenciais uma vez que se apresentam como a afirmação dos conc eitos elaborados (MORSE. gritar. descrevem as características dos mesmos (Rodgers. 2000).´ Rosen et al (1992) ³Comportamento motor ou vocal disruptivo. vocal ou motora inapropriada.Tabela 1 ± Síntese das definições seleccionadas na literatura Autor /fonte American Psychiatric Association (1980) Cohen-Mansfield e Billing (1986) Definição ³Excessiva actividade motora. ou interferir com o cuidar num determinado ambiente (contexto). agredir.

1989. ³julgado pelo observador´. foram identificados outros atributos: ³cadeia de comportamentos´. M. inapropriada. agitation. foram BIBLIOGRAFIA ARONSON. ³não necessariamente disruptivo. ao sugerirem ³emoção forte. Alzheimer Disease & Associated Disorders 14. perturbador´. Spring.. et al (2000). Analysis of behavioral disturbances among community-dwelling elderly with Alzheimer disease. atributo este já referido em alguns estudos (Taft.. BALLARD. sensibilizou-nos para o reencontro com os atributos do conceito de agitação. Dementia. ASADA. Journal of Clinical Psychiatry 62. et al (2001). Vol. J. 2004. Nº. não intencional´ e ³comportamento motor/verbal excessivo´ como atributos da agitação.G. 501-512. et al (1993). encontraram-se como atributos: ³excessiva actividade´. Assim. and care in the nursing home. Kopecky e Yudofski (1999) são também referidos. 2. A. A 1-year follow up study of behavioral and psychological symptoms in dementia among people in care environments. T. Journal of the American Geriatric Society 41. Kong. CHEONG. . Clinical Synthesis. 2005).y y Que características/atributos são apontados por eles? Que ideias os autores discutem acerca da agitação? A resposta a estas questões. Conceitos relacionados: Da literatura consultada. ³ocorre em pessoas com ou sem demência´ e ³observa-se como um comportamento independentemente do estado emocional´ (Cohen-Mansfield. tendo em conta o seu objecto. C. Focus ± The Journal of Lifelong Learning in Psychiatry.K.. Ainda no mesmo estudo. Posteriormente. II. 631-636. An Evidence-based Approach to the Management of Agitation in the Geriatric Patient. 2003). 160-167.

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