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22 - Tecnologia Materiais Eléctricos

22 - Tecnologia Materiais Eléctricos

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IEFP

Inst i t ut o Emprego Formação Prof i ssi onal
Tecnol ogi a dos Mat eri ai s El éct ri cos
Mat eriais El éct ricos
Fil ipe Daniel Ribeiro Rocha
Novembro de 2010 
 
“Descobrir consiste em ver o que toda a gente viu, mas pensar o que ninguém pensou”  Albert SZent‐GyorgYi 
(Bioquímico norte‐americano)  
Centro de Formação Profissional de Viana do Castelo 
Materiais Eléctricos    Filipe Rocha 

1. Int rodução
Existem 118 elementos químicos na Natureza, constantes da Tabela periódica, que originam
as diferentes substâncias químicas conhecidas, quando combinados.
A matéria é composta por combinações de moléculas e estas constituídas por combinações
de átomos, iguais ou diferentes entre si.
A matéria-prima (carvão bruto, petróleo, minérios, madeira, etc) é a matéria que existe em
bruto no solo ou no subsolo que vai sendo extraída e transformada de forma a produzir os
materiais que vamos utilizar.
Os materiais são produtos resultantes da transformação da matéria-prima, utilizando
processos físico-químicos e tecnologia diversa, de forma a podermos utiliza-los no fabrico de
aparelhos, condutores e receptores do nosso dia-a-dia.
Ao longo dos séculos têm sido aperfeiçoadas as diferentes indústrias de tratamento,
transformação e produção de materiais diferentes, eléctricos ou não eléctricos.
A indústria metalúrgica transforma os diferentes minérios metálicos (ferro, cobre, alumínio,
prata, ouro, platina) em chapas ou fios de materiais com diferentes qualidades e composições,
juntando-lhes outros elementos químicos que lhes dão novas propriedades úteis em diferentes
aplicações.
A indústria petroquímica transforma as naftas extraídas do subsolo em diferentes produtos, a
diferentes temperaturas, de entre os quais destacamos os materiais plásticos (polietileno,
policloreto de vinilo, poliestireno, etc) que são utilizados como isoladores da corrente eléctrica.
A indústria da madeira transforma a madeira em bruto em pranchas de madeira ou pasta,
utilizada no fabrico do papel, ambos utilizados como isoladores eléctricos. Existem muitas
outras indústrias, nomeadamente a vidreira, a cerâmica, etc.
Os diferentes materiais obtidos pela indústria, distinguem-se uns dos outros pelas suas
propriedades eléctricas, mecânicas, físicas, químicas, etc, o que permite que sejam utilizados em
diferentes funções e aplicações na indústria eléctrica.
Para se escolher um material para desempenhar uma dada função num circuito eléctrico, é
necessário comparar as propriedades desse material com as características da função a
desempenhar. Por exemplo o cobre e o alumínio são bons condutores, no entanto numas
aplicações utiliza-se um e noutras o outro.
2. Cl assi f i cação geral dos mat eri ai s
Os materiais eléctricos podem ser classificados como:
 Condutores (bons condutores, resistentes e supercondutores)
 Semicondutores
 Isoladores
 Magnéticos
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Estes materiais podem encontrar-se em estado líquido, sólido ou gasoso. Em qualquer dos
estados encontram-se materiais condutores e materiais isoladores. No estado sólido temos, por
exemplo: cobre (condutor) e vidro (isolador). No estado líquido temos, por exemplo: mercúrio
(condutor) e óleo mineral (isolador). No estado gasoso temos, por exemplo: ar bastante húmido
(condutor) e ar seco (isolador).










Figura 1: Classificação dos materiais eléctricos
Os materiais condutores são os que melhor conduzem a corrente eléctrica, ou seja, oferecem
menor resistência à passagem da corrente eléctrica. Os metais são os melhores condutores
eléctricos, pois possuem um elevado número de electrões livres que facilmente se movimentam,
constituindo a corrente eléctrica. A resistividade dos condutores situa-se entre
1u
-4
o 1u
2
Ω. mm
2
¡m. São bons exemplos de condutores o cobre, o alumínio, a prata, o ouro,
o mercúrio, as ligas de cobre e as ligas de alumínio.
Os materiais resistentes são aqueles que conduzem a corrente eléctrica, mas apresentam uma
maior resistência à passagem da mesma que os condutores. O objectivo destes materiais é
provocar, intencionalmente, a dissipação de energia calorífica; eles são utilizados no fabrico de
resistências de aquecimento, de resistências de regulação de intensidade de corrente, etc.
Os materiais supercondutores são materiais considerados condutores perfeitos, isto é, não
apresentam resistência à passagem da corrente eléctrica, portanto conduzem a corrente eléctrica
sem dissipação de energia calorífica. O transporte de energia eléctrica é efectuado com um
rendimento de 100%. No entanto os supercondutores só o são quando submetidos a
temperaturas negativas bastante baixas. A supercondutividade foi descoberta em 1911 pelo
cientista holandês Heike Kamerlingh Onnes quando aplicava ao mercúrio temperaturas bastante
baixas e verificou que se tornava um supercondutor à temperatura de 269ºC.
Depois disso, foram sucessivamente fabricados outros materiais supercondutores, a
temperaturas cada vez menos negativas, como são os casos de óxidos de cobre com combinação
Condutores
Materiais
Eléctricos
Semicondutores Isoladores
Magnéticos
Resistentes Bons Condutores Supercondutores
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de vários elementos (estrôncio, bário, cálcio, etc), materiais cerâmicos diversos, funcionando
como supercondutores a temperaturas na ordem de -40ºC.
Estes materiais já são utilizados em algumas situações em que se pretende que não haja
elevação de temperatura, nem perdas, provocada pela corrente eléctrica, como são os casos de
solenóides de elevados campos magnéticos utilizados em investigação.
Os materiais isoladores são aqueles que apresentam uma resistência eléctrica muito elevada,
não deixando passar corrente eléctrica. Não há, no entanto isoladores perfeitos, havendo sempre
correntes de fuga. São considerados isoladores materiais que apresentam uma resistividade
eléctrica entre 1u
14
o 1u
26
Ω. mm
2
¡m. São considerados isoladores: a borracha, o vidro, o
papel, a mica, o polietileno, etc.
Os materiais semicondutores são aqueles
que apresentam uma resistividade eléctrica
intermédia, entre os condutores e os
isoladores, situada entre 1u
4
o 1u
10
Ω. mm
2
¡
m. São exemplos de semicondutores: o silício,
o germânio e o selénio.
Os materiais magnéticos são materiais que
são caracterizados por se deixarem atravessar
facilmente pelas linhas de força de campo
magnético, magnetizando-se. Estes materiais
tem uma elevada permeabilidade magnética,
de que são exemplos: o ferro, o aço, o níquel e
o cobalto.


Figura 2: Escalonamento dos materiais em função
da resistividade eléctrica
3. A escol ha dos mat eri ai s
A escolha de um material para uma dada aplicação depende de vários factores. São
escolhidos os amteriais que possuam as prorpiedades mais adequadas à função a desempenhar e
para as condições de trabalho e ambiente onde serão inseridos.
Que factores influenciam a escolha do material? O que se pretende deles?
Na escolha do material pretende-se que:
 Tenha boa condutividade eléctrica? Ou basta uma condutividade razoável, desde
que o preço seja acessível?
 Seja muito bom isolador de corrente? Ou seja o mais barato possível?
 Seja condutor, mas que liberte uma grande quantidade de calor por efeito de joule?
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 Mantenha constante, dentro de determinados limites de intensidade ou temperatura,
a sua resistividade? Ou não é importante que a resistividade seja constante?
 Não seja atacado facilmente pelos agentes atmosféricos ou químicos do meio
envolvente? Ou esse cuidado não é importante desde que o material uma vida útil
mínima?
 Resista bem a esforços de tracção, compressão, torção ou dobragem? Ou as
condições em que vai trabalhar, são favoráveis nestes domínios?
 Seja leve? Ou é indiferente o peso do material, do ponto de vista técnico?
 Resista bem a choques (pancadas secas)? Ou as condições são favoráveis a este tipo
de acidentes?
 Suporte, sem perda das suas características gerais, grandes variações de
temperatura?
 Seja flexível? Ou deverá ser rígido, em função do local em que vai ser instalado?
 Seja elástico? Ou não ficará sujeito a esforços da tracção que exijam esta
propriedade?
 Tenha um ponto de fusão elevado, dadas as temperaturas a que vai ser submetido?
 Conduza bem a temperatura? Ou, pelo contrário, deve “isolar” a temperatura?
 Que formas se pretende dar ao material escolhido? Será ele, por um lado,
suficientemente polivalente de modo a ser tratado por qualquer dos meios
industriais à disposição e assim obter-se a forma que se pretende?
 É importante o estado (sólido, líquido ou gasoso) do material, para o fim em vista?
 Pretendemos materiais que tenham propiedades diferentes, consoante a variação da
temperatura, da tensão ou intensidade?
 Deve o material apresentar características magnéticas? Ou a função que vai
desempenhar não o exige?
 Deve o material resistir bem a arcos eléctricos no circuito?
 Qual a importância, para o material a escolher, do valor do coeficiente de
temperatura?
 Vai o material ser submetido a tensões eléctricas elevadas? Ou a baixas?
 Deve o material em questão ter uma vida útil elevada? Ou a vida útil do próprio
circuito onde vai ser inserido já é, de si, curta?
 Deve o material a utilizar ser incombustível? Ou incomburente?
 Vai o material estar sujeito a trepidações, obrigando a tomar precauções especiais
quanto à sua natureza mecânica?
 O material vai ser utilizado sob a forma de fios, de barras, de chapas? Tem ele
propriedades necessárias para, ao ser trabalhado, adquirir essas formas?
Estas e outras questões têm que ser colocadas antes de se decidir qual o material a utilizar
em cada aplicação. Para se conseguir decidir qual o material a utilizar é necessário conhecer as
suas propriedades.
4. Propri edades e gr andezas caract eríst i cas dos mat eri ai s
As propriedades e grandezas dos materiais dividem-se em: eléctricas, mecânica e quimicas.
Sem a preocupação de as agrupar em compartimentos estanques, apresentam-se em seguida
algumas das propriedades e grandezas dos materiais.
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 Condutibilidade eléctrica – Propriedade que os materiais têm de conduzir a
corrente eléctrica, com maior ou menor facilidade. O material com melhor
condutibilidade eléctrica é a prata.
 Rigidez dieléctrica – É a tensão máxima, por unidade de comprimento, que se pode
aplicar aos materiais isolantes sem romper as suas características isolantes
(expressa-se em kV/cm). O material com melhor rigidez dieléctrica é a mica.
 Condutibilidade térmica – Propriedade que os materiais têm de conduzir com
maior ou menor facilidade o calor. Normalmente os bons condutores eléctricos
também são bons condutores térmicos. Como bons condutores térmicos temos: a
prata, o cobre, etc.
 Maleabilidade – É a propriedade que os materiais têm de se deixarem reduzir a
chapas. Exemplos: ouro, prata.
 Ductibilidade – É a propriedade de se deixarem reduzir a fios, à fieira. Exemplos:
ouro, prata, cobre, ferro.
 Tenacidade – É a propriedade de resistirem à tensão de rotura, por tracção ou
compressão. A tensão de rotura é expressa em kg/mm
2
. Exemplos: bronze silicioso,
cobre duro.
 Maquinabilidade – É a propriedade de os materiais se deixarem trabalhar por
qualquer processo tecnológico, através de máquinas-ferramentas. Exemplo: ferro.
 Dureza – Propriedade de os materiais riscarem ou se deixarem riscar por outros
materiais. Exemplos: diamante, quartzo.
 Densidade – É a relação entre o peso da unidade de volume de um dado material e
o peso de igual volume de água destilidada a 4,1ºC, à pressão normal. Exemplo:
mercúrio, prata.
 Permeabilidade magnética – É a propriedade que consiste em os materiais
conduzirem, com maior ou menor facilidade, as linhas de força do campo
magnético. Exemplo: ferro-silício, aço, ferro-fundido, etc.
 Elasticidade – Propriedade de retomarem a forma primitiva, depois de terem sido
deformados por acção de um esforço momentâneo.
 Dilatabilidade – Propriedade de aumentarem em comprimento, superfície ou
volume, por acção do calor.
 Resilência – Propriedade de resistirem à rotura, por pancadas “secas”.
 Resistência à fadiga – É um valor limite do esforço sobre o material, resultante de
repetição de manobras. Cada manobra vai, progressivamente, provocando o
“envelhecimento” do material.
 Fusibilidade – Propriedade de os materiais passarem do estado sólido ao líquido,
por acção do calor. Tem interesse conhecer o ponto de fusão de cada material para
sabermos quais as temperaturas máximas admissíveis da instalação onde o material
está, ou vai ser, integrado.
 Resistência à corrosão – Propriedade que os materiais têm de manterem as suas
propriedades químicas, por acção de agentes exteriores. Esta propriedade tem
particular importância nos materiais expostos (ar livre) e enterrados.
Como se sabe, os materiais combinam-se com o oxigénio do ar, originando óxidos. Estes
óxidos, em grande parte dos casos, acabam por destruir os materiais. A este fenómeno chama-se
corrosão. Quanto à oxidação, podemos dividir os materiais em dois grupos: o grupo do cobre,
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prata, alumínio e zinco que pouco se oxidam; o grupo do ferro e aços onde é considerável o
fenómeno da corrosão.
A oxidação no cobre e no alumínio é geralmente apenas responsável pela deficiência e mau
funcionamento dos contactos eléctricos. A oxidação no ferro e no aço é responsável pela
destruição completa da estrutura respectiva, com prejuízos evidentes. Há necessidade de evitar
este fenómeno, e consegue-se atenuá-lo pelos seguintes processos:
 Pintando as superfícies
 Cromando ou niquelando as suerfícies
 Utilizando ligas inalteráveis: bronze, cromo-níquel
 Utilizando metais inalteráveis: ouro, platina, tungsténio, níquel.

5. Pri nci pai s mat eri ai s condut ores
Os principais materiais eléctricos utilizados no fabrico de condutores são o cobre, o
alumínio e a prata. Além destes existem ainda algumas ligas como por exemplo: o bronze, o
latão e o almelec (ligas condutoras); e o constantan, o maillechort, o ferro-níquel e o cromo-
níquel (ligas resistentes).
A escolha do material para desempenhar uma dada função, depende do compromisso entre
preço, qualidade e tarefa a desempenhar. Tendo em conta a tarefa a desempenhar, deve-se ter
em conta as propriedades do material, as funções a desempenhar, o meio ambiente, as condições
a que vai ser submetido. Na Tabela 1, encontram-se as princípais propriedades e aplicações
usuais dos materiais mais utilizados.
O cobre é o material condutor mais utilizado. Existem no entanto dois tipos de cobre: cobre
duro e cobre macio. O cobre duro é utilizado nos casos em que se exige elevada dureza e
resistência mecânica, como é o caso das linhas aéreas de energia, os cabos telefónicos, os
colectores dos motores eléctricos, etc. O cobre macio é utilizado nas restantes aplicações, não
sujeitas a esforços mecânicos elevados, como: enrolamentos, barramentos, cabos eléctricos,
instalações eléctricas, etc.
O alumínio é o segundo material condutor mais utilizado, caracterizado por ser mais leve e
mais barato que o cobre. Estas características têm sido fundamentais para a sua escolha em
determinadas utilizações: linhas aéreas, condensadores, blindagem eléctrica de alguns cabos, em
aeronaves, nos rotores de motores assíncronos, equipamento portátil e equipamento móvel, etc.
A prata é bastante utilizada, sob forma pura ou em liga, no fabrico de contactos eléctricos
em dispositivos que devem apresentar uma boa fiabilidade, em virtude de praticamente não
oxidar. As ligas podem incluir níquel, cobalto, paládio, bromo e tungsténio.
O ouro é um material que não oxida e apresenta uma elevada resistência mecânica, sendo
também utilizado em contactos eléctricos em equipamentos de elevada fiabilidade e precisão.
O carvão pode ser utilizado como condutor no fabrico das escovas das máquinas de corrente
contínua, ou como condutor resistente no fabrico de resistências eléctricas. O carvão tem a
grande vantagem em relação a outros condutores de não fundir, não soldar, suportando elevadas
temperaturas.
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Por análise dos materiais apresentados na Tabela 1, chega-se às seguintes conclusões:
 O condutor mais leve é o alumínio
 A prata é o melhor condutor
 O condutor com maior resistência é o bronze-silicioso
 O condutor com ponto de fusão mais elevado é o cobre
 O condutor com menor coeficiente de temperatura é o mercúrio
 As ligas resistentes têm maior resistividade eléctrica
 A liga resistente com maior ponto de fusão é o ferro-níquel
 A manganina tem um coeficiente de temperatura practicamente nulo
 O carvão tem um coeficiente de temperatura negativo
De referir ainda que o ouro e a prata são os materiais mais dúcteis e maleáveis, o que lhes
permite serem reduzidos a fios ou chapas, no entanto são caros; o alumínio em contacto com o
ar cobre-se de uma camada óxida, chamada alumina, que o protege contra a corrosão; o cobre
também se cobre com um óxido, o azebre, que o protege contra a acção dos agentes
atmosféricos.
Condutores e
ligas condutoras
Composição
Resistividade a
20ºC
(Ω.mm2/m)
Coef. Temperatura
aaaaaaa
Densidade
aaaa
Temp. Fusão
aaaa
Tensão de Rotura
aaaaa
Aplicações
Cobre macio Cobre 0,0172 0,00393 8,89 1080 25
Condutores,
Contactos
Cobre duro
Cobre (+ estanho
ou silicio)
0,0179 0,0039 8,89 1080 37 Linhas aéreas
Alumínio Alumínio 0,0282 0,004 2,7 657 15 a 20
Cabos e linhas
aéreas
Prata Prata 0,016 0,0036 10,5 960 28 Contactos, fusíveis
Bronze
silicioso
cobre + estanho +
zinco + silício
0,025 0,002 8,9 900 70 Linhas aéreas
Latão cobre + zinco 0,085 0,001 8,4 940 22
Contactos,
terminais
Almenec,
Aldrey
alumínio +
magnésio + silício
0,0323 0,0036 2,7 660 30
cabos e linhas
aéreas
Mercúrio mercúrio 0,962 0,0009 13,6 -39 ----
Contactos,
interruptores
Condutores e ligas
condutoras
Composição
Resistividade a
20ºC
(Ω.mm2/m)
Coef. Temperatura
aaaaaaa
Densidade
aaaa
Temp. Fusão
aaaa
Tensão de Rotura
aaaaa
Aplicações
Mailhechort
cobre + zinco +
níquel
0,3 0,0003 8,5 1290 400 Reóstatos
Constantan cobre + níquel 0,49 0,0002 8,4 1240 400
Resistências
padrão
Manganina
cobre + níquel +
manganês
0,42 0,00002 8,15 910 500
Resistências de
precisão
Ferro-Níquel
ferro + níquel +
crómio
1,02 0,0009 8,05 1500 500
Resistências de
aquecimento
Níquel-Crómio níquel + crómio 1,04 0,00004 8 1475 1000
Resistências de
aquecimento
Grafite carvão 0,5 a 4 -0,0004 2,25 ---- ----
Carvão
Amorfo
carvão 32 a 65 -0,0004 2,25 ---- ----
Materiais condutores e resistentes Tabela 1
Resistências para fornos
de alta temperatura,
escovas para motores,
eléctrodos para
soldadura, resistências
para electrónica
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Os supercondutores, não referidos na tabela, são materiais que apresentam uma resistência
eléctrica praticamente nula quando submetidos a temperaturas negativas. Um material como o
cobre que à temperatura ambiente (20ºC) apresenta uma resistividade de 1u
-8
Ω. m, passa a
apresentar um resistividade de 1u
-25
Ω. m quando a temperatura atinge -252ºC.
Recentemente, têm sido descobertos novos materiais (cerâmicos) que se revelaram
supercondutores a temperaturas cada vez mais próximas da temperatura ambiente (-23ºC).
As vantagens destes materiais no futuro são evidentes, conduzir electricidade sem perdas de
energia e sem produção de calor, permite que a potência fornecida seja praticamente igual à
consumida pelo receptor, reduzindo os custos da instalação. Exigem no entanto, a instalação de
fontes frias para arrefecimento dos condutores, o que será praticamente o único consumo da
instalação.
6. Pri nci pai s mat eri ai s i sol adores
Os isoladores existem nos circuitos eléctricos sob diversas formas e com finalidades
variadas, como: proteger pessoas, evitar curto-circuitos nas instalações, evitar fugas de corrente,
etc.
Podem ser divididos em sólidos, líquidos e gasosos. Os materiais sólidos e líquidos
utilizados para o fabrico de isoladores podem ter três origens: isolantes orgânicos, isolantes
minerais e isolantes plásticos. Os principais isolantes de cada origens estão representados na
Tabela 2.
Os materiais isolantes como qualquer outro material, envelhecem com a utilização. Os
factores principais para esse envelhecimento são: a temperatura, o campo eléctrico que os
solicita, os esforços mecânicos a que estão sujeitos, a humidade, agentes atmosféricos, agentes
químicos, etc. Sendo que a temperatura é o maior de todos eles.
As principais propriedades dos isolantes são: a resistividade eléctrica, a rigidez dieléctrica, a
estabilidade térmica e a temperatura máxima de utilização, o factor de perdas e a versatilidade.
A rigidez dieléctrica de um isolante é medida pela sua maior ou menor tensão de disrupção
(tensão de perfuração do isolante).
Dada a grande variedade de isolantes existentes, a escolha para cada aplicação deverá recair
naquele que reúna as melhores condições, de acordo com as exigências da função.
Analisando a Tabela 2, conclui-se que:
 A mica é o material com maior tensão de disrupção
 O quartzo é o material com maior resistividade eléctrica
 A mica é o material com melhor estabilidade térmica
 O vidro têm maior resistência mecânica
 O papel seco é bom isolante e barato, mas higroscópico (atacado pela humidade)
 O polietileno e o policloreto de vinilo são bastante resistentes à acção solar e aos
agentes químicos
 O policloreto de vinilo não é inflamável
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10 
 A porcelana tem a desvantagem de ser porosa (deixa entrar humidade)
 Os materiais orgânicos e os plásticos têm em relação aos minerais, a grande
vantagem de serem mais flexíveis no seu tratamento e utilização
 Os isolantes gasosos, como o ar, são baratos

Material
Resistividade
a 20ºC
(Ω.mm2/m)
Rigidez
dieléctrica
aaaaaaaa
Temp. Máx.
Utilização
aaaaaaa
Propriedades Aplicações
Mica 100 - 200 500 - 600
Suporta temperaturas e tensões muito
elevadas
Suportes para resistências de aquecimento, isolante
das lâminas do colectro das máquinas eléctricas
Porcelana 35 ----
Estável ao longo do tempo. Porosa.
Recoberta de esmalte torna-se impermeável
Base para terminais, isoladores para linhas
Vidro 10 - 40 200 - 250
Elevada resistência mecânica
Tubos para lâmpadas flurescentes e incandescentes,
isoladores para linhas
Quartzo 20 - 30 ----
Suporta elevadas temperaturas Lâmpadas de vapor de mercúrio
Óleos 10 - 25 60 - 300
Devem ser isentos de impurezas,
incombustíveis
Isolantes para transformadores, disjuntores, etc
Amianto 3 200 - 250
Resiste a temperaturas elevadas. Absorve a
humidade
Isolante de condutores, apoios para resistências
Borracha
natural
20 - 30 ----
Elástica. Resistente. Muito sensível à
oxidação e agentes exteriores
Isolador de condutores, luvas, tapetes isoladores
Neopreno ---- 10 - 15 ----
Borracha sintética. Grande resistência à
penetração de água e grande duração
Isolamento de condutores
Chartterton ---- ---- ----
Funde facilmente Enchimento de caixas para cabos subterrâneos
Algodão 5 - 10 ----
Muito flexível na sua forma
Fios e fitas para cobrir condutores e bobinas de
máquinas eléctricas
Papel
impregnado
7 - 8 100
Barato. Higroscópico Isolante dos cabos subterrâneos
Polietileno 40 60 - 80
Resistente à acção solar e aos ácidos.
Grande resistividade
Suporte de enrolamentos, caixas para rádio e
televisão, isolamento de condutores
Policloreto
de vinilo
30 - 50 70 - 105
Não é inflamável. Resiste às acções
químicas
Isolamento de condutores. Fabrico de tubos
Poliestileno 55 80 - 90
Resina sintética, facilmente moldável.
Bastante resistente
Fabrico de placas e caixas de alto poder isolante,
difusores para aparelhagem de iluminação
Resina
Époxi
20 - 45 80 - 120
Pode ser facilmente moldada, produzindo
diversos aparelhos e peças. Boa resistência
mecânica e isolante
Isolador de suporte e travessia, pára-raios, caixas
para cabos
Resina
fenólica
10 - 20 120
Inalterável aos agentes exteriores. Grande
resistividade
Fabricação de peças para aparelhagem eléctrica
ar 3 semlimite
Isolante barato. Humidifica comfacilidade
Como isolante natural na extinção de arco eléctrico
em aparelhagem de protecção
G
a
s
o
s
o
s
P
l
á
s
t
i
c
o
s
Outros: hexaflureto de enxofre e azoto
Tabela 2 Materiais isolantes
Outros: fibrocimento, mármore, breu
M
i
n
e
r
a
i
s
Outros: ebonite, verniz,cartão, madeira
O
r
g
â
n
i
c
o
s
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11
Pode-se afirmar ainda que: há isolantes que são fortemente atacados pela humidade, como o
papel, o amianto, a porcelana; o quartzo é utilizado em situações em que há variações bruscas de
temperatura; os isolantes plásticos, além das propriedades isolantes que se lhes reconhecem, têm
uma outra que é a sua extrema leveza e versatilidade na aquisição de diferentes formas; a
baquelite apresenta-se sob diferentes formas, sendo a baquelite C aquela que melhores
propriedades reúne, sendo por isso a mais utilizada.
7. Mat eri ai s Semi condut ores
Os materiais semicondutores, são materiais com uma condutividade muito baixa, quando
estão em estado puro, comportam-se quase como isoladores. O silício, o germânio e o selénio
são os principais materiais utilizados como semicondutores, sendo os dois primeiros os mais
utilizados.
No entanto, se estes materiais não forem puros podemos transforma-los em condutores, para
isso basta juntar-lhes impurezas à sua constituíção (como o antimónio, o fósforo, o boro, o
índio,etc). A este processo dá-se o nome de dopagem. Portanto, os materiais encontram-se
“dopados” quando se acrescenta uma determinada percentagem de impureza, de forma a torná-
los semicondutores, com diversas aplicações.
O silício é o mais utilizado porque é térmicamente mais estável do que o germânio, podendo
ser utilizado a temperaturas na ordem dos 150ºC, permitindo reduzir a corrente inversa,
reduzindo as perdas e simplificando os processos de refrigeração. Além disso, o silício é, a
seguir ao hidrogénio, o elemento químico mais abundante na natureza. A areia, abundante, tem
silício na sua composição, entrando também no fabrico do vidro.
8. Mat eri ai s Magnét i cos
Os materiais magnéticos são aqueles que têm permeabilidade magnética mais elevada do
que a do ar. São aqueles materiais que tem maior facilidade de “conduzirem” as linhas de força
do campo magnético.
Como se sabe, existe um conjunto de máquinas e recepotores, que no seu funcionamento,
geram campos magnéticos ou estão sob a influência de campos magnéticos. Neste sentido há
necessidade de os materiais utilizados oferecerem pouca resistência ao percurso das linhas de
força desses campos magnéticos.
De entre os materiais utilizados como magnéticos temos os metais magnéticos, como o ferro
macio, o aço silicioso, o aço vazado, o ferro fundido, o níquel, o cobalto e ainda algumas ligas
como o alnico (alumínio, níquel, cobalto e ferro).
O ferro macio é um ferro quase puro, com uma pequena percentagem de carbono. É
utilizado no fabrico de fios, chapas, veios, parafusos, mas essencialmente no fabrico de núcleos
e armaduras para electroímanes, visto que a sua permeabilidade atinge valores elevados.
O aço é uma liga de ferro e carbono em que a percentagem de carbono varia entre 0,3 e
1,5%. Obtêm-se diversos tipos de aços siliciosos ou ferros siliciosos, por junção de diversos
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materiais como o silício, o manganês, o crómio, o níquel e o tungsténio. O aço silicioso, com 2 a
5% de silício, é bastante utilizado no fabrico de chapas magnéticas para os circuitos das
máquinas de corrente alternada, com o objectivo de reduzir as perdas magnéticas (perdas por
histerese e por correntes de Foucault).
O ferro fundido ou coado é uma liga de ferro e carbono em que a percentagem deste é
superior a 2,5%. A sua permeabilidade magnética é inferior à do ferro macio e à do aço. É, no
entanto, muito utilizado no fabrico de carcaças e tampas para máquinas eléctricas, bem como
caixas e outra aparelhagem das instalações eléctricas onde não seja importante o valor da
permeabilidade e, antes, seja exigida uma elevada resistência mecânica à compressão.
O aço vazado contém menos carbono que o ferro fundido e tem maior permeabilidade. É
utilizado nas carcaças de alguns motores.
O cobalto é o material mais tenaz que se conhece. Daí que seja utilizado em todas as
situações em que os materiais sejam submetidos a grandes esforços. É utilizado no fabrico de
aços e corantes (como o azul-cobalto).
O níquel, como não se altera quando é exposto ao ar, utiliza-se bastante no revestimento de
outros metais, como protecção contra a corrosão.
A permeabilidade magnéticados materiais é geralmente referida em função da
permeabilidade do ar. Assim, diz-se que um determinado material tem uma permeabilidade 100
vezes maior que a do ar, isto é, esse material tem uma permeabilidade relativa de 100. Deste
modo, é mais fácil relacionar entre si as permeabilidades dos diferentes materiais.

Têm que se ter atenção ao facto de apesar de estes materiais não serem utilizados como
condutores, eles apresentam uma resistividade eléctrica não muito elevada, conduzindo por isso
a corrente com alguma facilidade.
9. Canal i zações el éct ri cas
Uma instalação eléctrica é constituída pela canalização eléctrica e respectivos receptores
eléctricos. As Regras Técnicas das Instalações Eléctricas de Baixa Tensão definem canalização
Tabela 3
Material
Resistividade a 20ºC
(Ω.mm2/m)
Densidade Permeabilidade Relativa
Ferro macio 0,1 a 0,15 7,85 70 a 1700
Ferro silicioso 0,28 a 0,48 7,78 70 a 4200
Ferro fundido 0,8 7,2 30 a 800
Cobalto 0,096 8,83 60
Níquel 0,085 8,9 50
Características dos materiais magnéticos
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eléctrica (261.6 - Canalização (826-06-01)) como “Conjunto constituído por um ou mais
condutores eléctricos e pelos elementos que garantem a sua fixação e, em regra, a sua protecção
mecânica.”
Portanto, da canalização eléctrica fazem parte diversos elementos, como os condutores ou os
cabos, os tubos, os aparelhos de corte, de comando, de protecção e de ligação.
9. 1. Condut ores e cabos
9. 1. 1. Def i ni ções
As Regras Técnicas das Instalações Eléctricas de Baixa Tensão apresentam algumas
definições sobre este tema, que passamos a apresentar:
 Alma condutora de um condutor isolado ou de um cabo é o elemento destinado à
condução da corrente eléctrica, podendo ser constituído por um conjunto de fios
devidamente reunidos. A alma condutora por ser unifilar (um só fio) multifilar
(vários fios), sectorial ou multisectorial.
Figura 3: Formas da alma condutora
 Condutor nu é o condutor que não possui qualquer isolamento eléctrico contínuo.
 Condutor isolado é a alma condutora revestida de uma ou mais camadas de material
isolante que asseguram o seu isolamento eléctrico.
 Cabo isolado, ou simplesmente, cabo é o condutor isolado dotado de baínha ou
conjunto de condutores isolados devidamente agrupados, provido de baínha, trança
ou envolvente comum.
O condutor nu é constituído apenas pela alma condutora. O condutor isolado tem um
isolamento eléctrico em torno da alma condutora, com protecção eléctrica e mecânica. O cabo
distingue-se do condutor porque, além do isolamento eléctrico, tem ainda uma bainha que
envolve o isolamento eléctrico.
9. 1. 2. Caract eri zação do cabo
Conforme as exigências dos locais e das condições de funcionamento, assim a necessidade
de instalar cabos mais ou menos bem protegidos. Os principais factores condicionantes da
escolha de um cabo para uma instalação eléctrica são:
 Potência, tensão e intensidade nominais;
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 Temperatura ambiente do local onde vai ser instalado;
 Localização do cabo (à vista, enterrado, subaquático, etc);
 Efeitos corrosivos e mecânicos do local considerado;
 Existência ou não de outros cabos no local ou proximidade (particularmente
telecomunicações), ou de outras canalizações (água, gás, esgotos, etc).
Como se pode concluir, estes factores vão exigir maior ou menor protecção nos cabos, bem
como substâncias protectoras diferenciadas, conforme veremos mais à frente.
Os principais revestimentos protectores eléctricos, mecânicos ou químicos dos cabos são:
 Isolamento – camada de material isolante que, envolvendo a alma condutora,
assegura o seu isolamento eléctrico.
 Enchimento – material destinado a regularizar a forma do cabo, preenchendo os
espaços vazios entre os condutores isolados, de forma a que não haja
descontinuidades nem pontos fracos.
 Blindagem (ou ecrã) – revestimento condutor ou semicondutor que envolve cada um
dos condutores isolados ou o seu conjunto, com o fim de assegurar determinadas
características eléctricas, como: equalização de potenciais eléctricos, redução de
campos electroestáticos, redução das correntes de fuga, evitar interferências de
campos electromagnéticos com outros cabos de energia ou telecomunicações.
 Bainha – revestimento contínuo que, envolvendo completamente o condutor isolado
ou o conjunto cableado de condutores isolados, contribui para a protecção dos
cabos. Quando for metálica pode também desempenhar a função de blindagem.
 Trança – revestimento constituído por fios entrançados, texteis ou metálicos.
 Armadura – revestimento metálico que tem como principal finalidade proteger o
cabo contra acções mecânicas exteriores, para além de funções de natureza eléctrica
que possam desempenhar.
De referir que cada condutor ou cabo terá apenas um, alguns ou a totalidade destes
revestimentos. O condutor mais simples será aquele que possui apenas o isolamento.
Seguidamente, e em grau crescente de complexidade, teremos um cabo com isolamento e
bainha exterior, podendo ou não ter material de enchimento entre os dois revestimentos. Depois
viriam sucessivamente a blindagem, a trança e a armadura. De referir ainda que podemos ter
cabos com duas bainhas, a bainha normal sobre o isolamento e ainda uma exterior sobre a
primeira ou sobre a armadura. A figura 4 apresenta um cabo com vários revestimentos.
No quadro seguinte indicam-se os materiais mais utilizados no isolamento, bainha,
blindagem e armadura.
Materiais mais utilizados no revestimento de condutores e cabos
Isolamento Bainha Blindagem Armadura
Policloreto de vinilo
(PVC)
Policloreto de vinilo
(PVC)
Fita de alumínio Fitas de aço
Polietileno (PEX) Polietileno (PEX) Fita de cobre Fios de aço
Borracha silicone Borracha Trança têxtil
Papel seco ou
impregnado (em óleo)
Chumbo

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Figura 4: Cabo eléctrico com diversos revestimentos
9. 1. 3. Ident i f i cação dos condut ores
As instalações eléctricas de corrente alternada podem ser monofásicas ou trifásicas. Logo
para permitir maior eficiência na colocação ou reparação de uma instalação eléctrica, há
necessidade de arranjar um processo de identifcar facilmente cada condutor.
A instalação monofásica é constituída por condutor de fase, condutor neutro e condutor de
protecção; a instalação trifásica é constituída por três condutores de fase, condutor neutro e
condutor de protecção.
As cores normalizadas do isolamento para identificação dos condutores são as seguintes:
 Azul claro para o neutro
 Castanho, preto ou cinzento para a fase
 Verde e amarelo para o condutor de protecção (PE)





Figura 5: Cores normalizadas
dos condutores
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Figura 6: Cores de identificação dos condutores e respectiva ordem sequencial
Nas instalações de corrente contínua (DC), as cores mais utilizadas
são o vermelho, associado ao condutor positivo, e o preto, ao condutor
negativo. 

Figura 7: Cores normalizadas dos condutores em corrente contínua
9. 1. 4. Secções normal i zadas das al mas condut oras
Os materiais mais utilizados na constituição de almas condutoras são, o cobre e o alumínio.
O cobre utilizado é o cobre macio recozido que deve apresentar as seguintes características:
 Resistividade igual a u,u172 Ω. mm
2
¡m a 20ºC;
 Deve estar limpo, sem oxidação, isento de produtos e defeitos nocivos à sua
finalidade.
O cobre quando isolado a borracha, deve ser estanhado para evitar a corrosão provocada
pela borracha vulcanizada, devido à acção do enxofre nela existente.
O alumínio utilizado como alma condutora deve apresentar as seguintes características:
 Resistividade igual a u,u282 Ω. mm
2
¡m a 20ºC;
 Elevado grau de pureza;
 Deve estar limpo e isento de produtos e defeitos nocivos à sua finalidade.
As almas dos condutores rígidos não têm obrigatoriamente um só fio. À medida que a
secção vai aumentando, os cond utores deixam de ser unifilares e passam a multifilares. Quanto
aos condutores flexiveis e extra-flexíveis, o número de fios por secção é obviamente maior que
nos rígidos. O número de fios para cada um dos casos é definido por normas adequadas, para
condutores de cobre e de alumínio.
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As secções normalizadas das almas condutoras são as seguintes:
Secções (mm
2
)
0,5 4 25 95 240 630
0,75 6 35 120 300 800
1,5 10 50 150 400 1000
2,5 16 70 185 500

Segundo as R.T.I.E.B.T as secções dos condutores dos circuitos das instalações de locais
de habitação devem ser determinadas em função das potências previsíveis, com os valores
mínimos indicados no quadro seguinte:
A secção que se utiliza nos condutores para ligação de aparelhos móveis ou portáteis de
baixa potência poderá ser de 0,75 mm
2
ou mesmo de 0,5 mm
2
no caso de condutores
extraflexíveis (as pontas de prova dos multímetros utilizam condutores extraflexíveis).
Está tambem regulamentado que a fase, o neutro e o condutor de protecção tenham igual
secção até aos 10mm
2
inclusive. A partir daí a secção da fase ou fases é maior que a do neutro e
condutor de protecção, sendo os seus valores dados pelo quadro seguinte.
Secções (mm
2
)
Fase Neutro e PE Fase Neutro e PE
16 10 185 95
25 16 240 120
35 16 300 150
50 25 400 185
70 35 500 240
95 50 630 300
120 70 800 400
150 70 1000 500

Cada secção suporta uma dada intensidade máxima admissível (I
máx
) permanentemente,
sem se verfificar a deterioração do condutor; a partir desse valor, o condutor aquece em demasia
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e vai-se deteriorando rapidamente. Este valor I
máx
vai depender também das condições em que o
condutor ou cabo é instalado, nomeadamente do tipo de canalização e do número de condutores
e cabos à sua volta
O quadro seguinte dá-nos os valores de I
máx
para diferentes secções e diferentes condições
de instalação, condutores do tipo H05V e H07V e para cabos LVV e LSVV (Cabos de BT, em
alumínio e revestido a PVC).

Figura 8: I
máx
para condutores do tipo H05V e H07V
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Figura 9: I
máx
para cabos LVV e LSVV
9. 1. 5. Nomencl at ura dos condut ores e cabos
Os condutores e cabos que se fabricam actualmente em Portugal obedecem
fundamentalmente a duas normas portuguesas (NP) que são a NP – 2361 e a NP – 665.
A NP – 2361 é a norma que segue o documento de harmonização HD – 361 do CENELEC
(Comité Europeu de Normalização Eléctrica), contemplando os condutores isolados e cabos
referidos nas normas NP – 2356 e NP – 2357. Isto é, todos os condutores e cabos fabricados
segundo a norma NP – 2361 estão de acordo com as normas definidas para todos os países da
Comunidade Europeia. Na figura 10 são apresentados os símbolos que são utilizados para
definir a designação CENELEC de um condutor ou cabo de baixa tensão.
A norma NP – 665 é a norma que regulamenta a construção dos condutores e cabos de baixa
e média tensão que não estão harmonizados, isto é, não estão de acordo com o documento de
harmonização CENELEC HD – 361. A norma NP – 665 é aquela que já era utilizada em
Portugal antes de aparecer o documento de harmonização do CENELEC. Na figura 11
apresentam-se os símbolos que são utilizados para definir a designação simbólica dos
condutores e cabos de média e baixa tensão não harmonizados.
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Figura 10: Designação simbólica de condutores e cabos isolados até 450/750 V, segundo o HD -
361.
Na figura 10 é apresentado um exemplo da designação simbólica de um cabo: A 05 VV -U
5 G 2,5. O que é que isto significa?
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Consultando a figura conclui-se que é um cabo do tipo nacional reconhecido (letra A), com
uma tensão de 300/500V (número 05), com isolamento de policloreto de vinilo (letra V), com
bainha de policloreto de vinilo (letra V), com condutores rígidos maciços circulares (-U),
constituído por 5 condutores de cobre de 2,5mm
2
, sendo um deles o condutor de protecção
(letra G).
Figura 11 - Designação simbólica de condutores e cabos isolados, para tensões acima de 0,6/1
KV, segundo o NP - 665.
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22 
Na figura 11 é apresentado um exemplo da designação simbólica de um cabo: LXHIOV
1x120 8,7/15 (17,5)kV. O que é que isto significa?
Consultando a figura conclui-se que é um cabo monocondutor de 120mm
2
de secção, em
alumínio (letra L), isolado a polietileno reticulado (letra X), dotado de um ecrã (ou blindagem)
individual (HI) constituído por condutores concêntricos de fios de cobre (letra O), e bainha
externa em PVC (letra V). A tensão estipulada é de 8,7/15 (17,5)kV.
Na figura 12 são apresentadas algumas equivalências entre as novas designações e as
antigas de alguns cabos harmonizados.

Figura 12 - Algumas equivalências entre a designação de condutores isolados e cabos de acordo
com a antiga NP 3261 (HD 361) e a NP 665:1972
Para além dos cabos de energia utilizados na distribuição e transporte de energia, fabricam-
se também cabos para outras funções, nomeadamente:
 Cabos para telecomunicações (em cobre e em fibra óptica);
 Cabos de sinalização e telecomando;
 Cabos para utilizações especiais (aeroportos, ascensores, informática, etc).





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Anexo I

Cabos mais utilizados no transporte e distribuição de energias










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Anexo II

Cabos e condutores mais utilizados
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Bi bl i ograf i a
“Tecnologias – Curso Tecnológico de Electrotecnia/Electrónica – 10º ano”
“Condutores e Cabos de Energia”, J. Neves dos Santos, Novembro 2005
“Condutores e cabos eléctricos”, Lucínio Preza de Araújo
“Condutores isolados e cabos”, António Batista, Outubro 2006
“Condutores e Cabos [Parte II]”, L. M. Vilela Pinto, Março 2003
“Eurocabos – Tabelas Técnicas de Condutores eléctricos”, Maio 2006
http://www.cabelte.pt/
http://www.cunhabarros.pt/
http://www.eurocabos.pt/
http://www.generalcablecelcat.com/

“O trabalho consegue banir estes três grandes males: aborrecimento, vício e pobreza”  Voltaire 

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