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Ponto 2 D. do Trabalho[1]

Ponto 2 D. do Trabalho[1]

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PONTO 2 Princípios do Direito do Trabalho. Princípios Constitucionais do Trabalho. Fontes Formais do Direito do Trabalho.

Conceito, classificação, hierarquia e solução de conflitos. Elaborado por Luis Augusto Moreira Iannini - Brasília/DF – (luisianni@yahoo.com.br), atualizado em julho de 2006 por Patrícia Agnes Moreira – Ipatinga/MG (pattyagnes@gmail.com), tendo nova atualização em Julho de 2008 por Náthalie (naespe@yahoo.com.br). Para a confecção do presente resumo, foram consultados os seguintes autores: Maurício Godinho Delgado (Curso de Direito do Trabalho, Ltr, 5ª edição-2006); Francisco Ferreira Jorge Neto e Jouberto de Quadros Pessoa Cavalcante (Manual de Direito do Trabalho - 2003, Lúmen Júris Editora); Luís Roberto Barroso (A nova interpretação constitucional - ponderação, direitos fundamentais e relações privadas - Renovar- 2003); Francisco Meton Marques de Lima (Elementos de Direito do Trabalho e Processo Trabalhista - Ltr - 2004); Arnaldo Sussekind e outros (Instituições de Direito do Trabalho, 21 edição -2003); Celso Antônio Bandeira de Mello (Curso de Dir Adm, 12 edição); Maria Sylvia Zanella di Pietro (Direito Administrativo- 17 edição - 2004); Gilmar Ferreira Mendes, Inocência Mártires Coelho e Paulo Gonet (Hermenêutica Constitucional e Direitos Fundamentais 1ª edição 2002) 1. PRINCÍPIOS DO DIREITO DO TRABALHO A palavra princípio traduz, de maneira geral, a noção de proposições fundamentais que se formam na consciência das pessoas e grupos sociais, a partir de certa realidade, e que, após formadas, direcionam-se à compreensão, reprodução ou recriação dessa realidade. No dizer de Miguel Reale: “princípios são verdades fundantes de um sistema de conhecimento, como tais admitidas, por serem evidentes ou por terem sido comprovadas, mas, também, por motivo de ordem prática de caráter operacional, isto é, como pressupostos exigidos pelas necessidades da pesquisa e da práxis.” Para a Ciência do Direito, os princípios conceituam-se como proposições fundamentais que informam a compreensão do fenômeno jurídico. São diretrizes centrais que se inferem de um sistema jurídico e que, após inferidas, a ele se reportam, informando-o. Nas ciências físicas, biológicas e sociais a idéia de princípios, como conceitos preestabelecidos e como instrumento da análise da realidade, tem sido muito contestada, por limitar o potencial investigativo da realidade. Realmente, sendo o objeto dessas ciências os fatos e atos ocorridos ou potencialmente verificáveis, aquilo que poderia ser genericamente designado como ser, a submissão do cientista a princípios seria conduta acientífica, pois a resposta por ele buscada já estaria condicionada, em função do princípio utilizado. Já na Ciência do Direito os princípios cumprem papel de suma importância, não se lhe aplicando a crítica lançada pelas ciências naturais, pois seu objeto é a análise dos institutos jurídicos e da norma (e dos próprios princípios jurídicos), que se constituem em modelos de conduta ou de organização - e que correspondem a fenômenos que poderiam ser genericamente designados como dever-ser.

Os princípios podem ser resumidos como os parâmetros fundamentais da norma jurídica e possuem natureza híbrida, cumprindo funções diferenciadas no Direito. Na fase pré-jurídica, que é nitidamente política, voltada à construção das regras e institutos de Direito, os princípios atuam como verdadeiras fontes materiais do Direito, influindo no processo de construção das regras jurídicas, orientando o legislador no desenvolvimento desse processo (limitada, pois as fontes materiais principais do direito situam-se fora do sistema jurídico, como, e.g., nos movimentos sóciopolíticos e correntes político-filosóficas e econômicas) na produção da ordem jurídica. Já na fase propriamente jurídica, os princípios desempenham funções diferenciadas e combinadas, classificando-se segundo a função específica assumida. Qualquer princípio geral de Direito, ou os específicos de cada ramo jurídico, cumprem os papéis interpretativos, normativos subsidiários e normativos concorrentes. As funções desempenhadas é que se diferenciam, sem que impliquem a existência de categorias incomunicáveis de princípios gerais do Direito. Os princípios na fase jurídica se classificam segundo a função específica que cumprem, da seguinte forma: 1) Princípios Descritivos (ou informativos): atuam como proposições ideais que direcionam a compreensão de uma regra jurídica. Não atuam como fontes formais, mas sim cumprem, aqui, a função mais clássica dos princípios, qual seja, a de servir de auxílio à interpretação da regra jurídica. 2) Princípios Normativos Subsidiários: atuam como verdadeiras regras jurídicas em face de casos concretos não regidos por fonte normativa principal da ordem jurídica. Cumprem papel destacado no processo de integração jurídica, atuando como fontes formais supletivas (art. 8º da CLT; art. 126 do CPC; e art. 4º da LICC). Art. 8º da CLT – As autoridades administrativas e a Justiça do Trabalho, na falta de disposições legais ou contratais, decidirão, conforme o caso, pela jurisprudência, por analogia, por equidade e outros princípios e normas gerais de direito, principalmente do direito do trabalho, e, ainda, de acordo com os usos e costumes, o direito comparado, mas sempre de maneira que nenhum interesse de classe ou particular prevaleça sobre o interesse público. Art. 126 do CPC – O juiz não se exime de sentenciar ou despachar alegando lacuna ou obscuridade da lei. No julgamento da lide, caberlhe-á aplicar as normas legais; não as havendo, recorrerá à analogia, aos costumes e aos princípios gerais do direito. Art. 4º da LICC – Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito. 3) Princípios Normativos Concorrentes: nesse caso, os princípios cumprem uma função normativa própria, resultante de sua dimensão fundamentadora de toda ordem jurídica. Essa dimensão passa, necessariamente, pelo reconhecimento doutrinário de sua natureza de norma jurídica efetiva e não de simples enunciado programático não vinculante (como sustentado por diversos juristas a partir da segunda metade do século XX, tais como Norberto Bobbio, Canotilho e Paulo Bonavides). Assim, o caráter normativo presente nas Constituições, nas leis e diplomas correlatos também estaria presente nos princípios gerais de direito (por isso também designados como normas-chave, super-fonte, ou mandamentos de otimização).

Na idéia de norma (em sentido amplo) estariam abrangidas as noções de regras (ou norma, em sentido estrito) e de princípios. A distinção entre regras e princípios é, pois, uma distinção entre duas normas (dispositivos gerais, abstratos, impessoais e obrigatórios que regulam a vida social).

com características análogas às ciências exatas e naturais. que representam a tomada de posição diante da realidade. O jusnaturalismo moderno. e não em juízos de valor. A distinção entre regras e princípios é. Ponderação. haveria na sociedade um conjunto de valores e de pretensões humanas legítimas que não decorrem de uma norma jurídica emanada do Estado. fundada na existência de um direito natural. adequadamente. atingindo seu apogeu (e paradoxalmente o início de sua superação) ao longo do século XIX. Essa função normativa concorrente age em concurso com a função interpretativa. a despeito de múltiplas variantes. dominou por largo período a filosofia do Direito. Para explicar tal afirmação. ele faz um breve excerto histórico sobre as bases filosóficas do direito. Assim. na idéia de norma (em sentido amplo) estariam abrangidas as noções de regras (ou norma. Editora Renovar 2003". em face do peso do princípio realizado. temos que: o termo "jusnaturalismo" identifica uma das principais correntes filosóficas que tem acompanhado o Direito ao longo dos séculos. no processo de compreensão e interpretação do Direito. é relativa. apresenta-se em duas versões: a) a de uma lei estabelecida pela vontade de Deus. direitos fundamentais e relações privadas. Assim. defendida por diversos autores. com função normativa concorrente. mas entra em choque com outro. deveria fundar-se em juízos de fato. ato emanado do Estado com caráter imperativo e força coativa. se uma regra legal realiza o comando genérico contido em certo princípio. aduz que a idéia da normatividade dos princípios é fruto do pós-positivismo. Resumidamente. pois. A busca da objetividade científica. isto é. e a consolidação dos ideais constitucionais em textos escritos e o êxito do movimento de codificação. em sentido estrito) e de princípios. na pretensão de criar-se uma ciência jurídica. seus efeitos pensados na origem. bem como o surgimento do pós-positivismo. em sua obra "A nova interpretação constitucional. atenuando. com ênfase na realidade observável e não na especulação filosófica. b) a de uma lei ditada pela razão. estendendo. Considerado metafísico e anti-científico.A prevalência dos princípios sobre as regras legais. e não com papel normativo autônomo. isso não significa que o princípio preterido não tenha certa influência na compreensão da norma enfocada. apartou o Direito da moral e dos valores transcendentes. Contudo. abordando a ascensão e decadência do jusnaturalismo e do positivismo jurídico. . uma distinção entre duas normas. Não é no âmbito do Direito que se deveria travar a discussão acerca de questões como legitimidade e justiça. Sua importação para o Direito resultou no positivismo jurídico. parece mais adequado sustentar que os princípios atuam como comandos jurídicos instigadores. o qual. como todas as outras. Luís Roberto Barroso. independem do direito positivo. sob pena de criar-se total insegurança na ordem jurídica e no meio social regulado. A ciência do Direito. o direito natural é empurrado para a margem da história pela onipotência positivista do final do século XIX. Para Godinho. pode prevalecer. restringindo ou esterilizando o comando de uma regra analisada (função simultaneamente interpretativa/normativa). Distinção entre princípio e norma: Como vimos. na verdade. sem dúvida. com o advento do Estado Liberal. Direito seria norma. O positivismo filosófico foi o fruto de uma crença exacerbada no poder do conhecimento científico. que começou a formar-se a partir do século XVI. que visam ao conhecimento da realidade.

no Brasil. produzir efeitos positivos sobre a realidade. A valorização dos princípios. no qual se incluem a definição das relações entre valores. dos princípios a serem preservados e dos fins a serem realizados. e. sem abandono do método clássico "o subsuntivo". onde as regras a serem analisadas possuem baixo teor valorativo. II. o reconhecimento dos princípios como normas jurídicas (normatividade dos princípios). por meio do qual a interpretação jurídica consiste num processo silogístico de subsunção dos fatos à norma. a necessidade de se atribuir o status de norma jurídica. princípios e regras. produzindo a solução constitucionalmente adequada para o problema a ser resolvido. sem eficácia jurídica ou aplicabilidade direta e imediata. fazem parte do caminho para a construção da normatividade e da efetividade do pós-positivismo. A superação histórica do jusnaturalismo e o fracasso político do positivismo abriram caminho para um conjunto amplo e ainda inacabado de reflexões acerca do Direito. uma nova interpretação constitucional. a ponderação de valores. O discurso acerca dos princípios. aspectos da chamada nova hermenêutica constitucional. ingressar na dogmática jurídica e na prática jurisprudencial e. O pós-positivismo é a designação genérica e provisória de um ideário difuso. sendo a lei a premissa maior. deve agregar o da transformação social e o da emancipação . .ao qual. 40. Trata-se de transpor a fronteira da reflexão filosófica. edificada sobre o fundamento da dignidade da pessoa humana.A decadência do positivismo é emblematicamente associada à derrota do fascismo na Itália e do nazismo na Alemanha. os fatos a premissa menor e a sentença a conclusão. movimentos políticos esses que ascenderam ao poder dentro do quadro da legalidade vigente e promoveram a barbárie em nome da lei. a teoria da argumentação. da CR. como. superando a crença de que teriam uma dimensão puramente axiológica. a regra do art. pelos textos constitucionais e o reconhecimento pela ordem jurídica de sua normatividade fazem parte desse ambiente de reaproximação entre Direito e Ética.deve ter repercussão sobre o ofício dos juízes. onde o juiz desempenha papel de mero conhecimento). sua função social e sua interpretação.. já não tinha mais aceitação no pensamento esclarecido. primeiramente. sua incorporação. ética.g. e a teoria dos direitos fundamentais. Daí o esforço de elaboração teórica a serviço dos ideais de avanço social e da construção de um país justo e digno. Nesse contexto. sobre a atuação do Poder Público em geral e sobre a vida das pessoas. à vista dos elementos do caso concreto. uma embalagem para qualquer produto. indo mais além. Na trajetória que conduziu os princípios ao centro do sistema jurídico houve. Tudo isso sem renegar o conhecimento convencional. advogados e promotores. da supremacia dos direitos fundamentais e do reencontro com a Ética . determine o sentido da norma. (onde o juiz desempenhe papel criativo. dentro outros. a importância das regras ou a valia das soluções subsuntivas (em casos mais simples. que aduz que o servidor que atingir certa idade será aposentado compulsoriamente). parágrafo 1. a idéia de um ordenamento jurídico indiferente a valores éticos e da lei como uma estrutura meramente formal. implícita ou explícita. Ao fim da Segunda Guerra Mundial.

à vista do princípio da unidade da constituição. produzindo seus efeitos (e. Se os fatos nela previstos ocorrerem. As regras veiculam mandados de definição. teriam maior teor de abstração. predominantemente. Por isso a sua incidência não pode ser posta em termos de tudo ou nada. existem outros princípios que abrigam decisões. impondo a necessidade eventual de ponderação. aplicação mais ou menos intensa de acordo com as possibilidades jurídicas existentes. "Taking rights seriously". Não são admitidas gradações. o interprete deverá fazer escolhas fundamentadas. mediante subsunção. ou é a sua violação. por vezes contrapostos. a distinção entre princípios e regras fundava-se no critério da generalidade. e. capazes de restringir a otimização dos princípios.Antes de uma teorização mais sofisticada a respeito dos princípios. que. de modo direto e automático. dado seu substrato fático típico: ou são válidas e se aplicam ou não se aplicam por inválidas. Esses limites jurídicos. com incidência restrita às situações específicas a que se dirigem e os princípios. todavia. Deve-se reconhecer aos princípios uma dimensão de peso ou importância. normalmente. Como mandados de otimização. a regra deve incidir. que invalida a primeira. cujas idéias centrais na matéria serão resumidas a seguir. Cambridge: Harvard University). sem que isso comprometa sua validade. Nos últimos anos.g.g. Esse tema foi retomado. A colisão de princípios. ao passo que os princípios são mandados de otimização. Sua aplicação se dá. o que não impede que cumpram funções distintas dentro do ordenamento. Princípios contêm. e indicam determinada direção a seguir. A exceção da regra ou é outra regra. A aplicação dos princípios se dá. Uma regra vale ou não vale juridicamente. quando o servidor público completa 70 anos incide a regra constitucional que o obriga a passar à inatividade). pelo qual as regras contêm um relato mais objetivo. incidindo sobre uma pluralidade de situações. por sua vez. valores ou fundamentos diversos. de validade ou invalidade. começou-se a realizar uma distinção qualitativa e estrutural entre regra e princípio. Não há hierarquia entre princípios e normas. indispensável para a superação do positivismo legalista. predominantemente. O comando é objetivo e não dá margens a elaborações mais sofisticadas acerca de sua incidência. portanto. uma maior carga valorativa. isto é. como vimos. quando se defronte com antagonismos inevitáveis. com faz parte da lógica do sistema. que é dialético. veio a se tornar um dos pilares da moderna dogmática constitucional. substancialmente sobre as mesmas premissas. no qual as idéias de justiça e de realização dos direitos fundamentais desempenham papel central. onde as normas se confudiam (se limitavam) às regras jurídicas. são (1) regras que o excepcionam em algum ponto e (2) outros princípios de mesma estatura e opostos que procuram igualmente maximizar-se. mediante ponderação. não só é possível. se houver outra mais específica ou se não estiver em vigor. admitindo. pelo autor alemão Robert Alexy. o qual elaborou a diferenciação entre os papéis desempenhados pelas regras e pelos princípios da seguinte forma: regras são proposições normativas aplicáveis sob a forma de tudo ou nada (all ou nothing). Por essas expressões se quer significar que as regras têm natureza biunívica. A Constituição passa a ser um sistema aberto de princípios e regras. Já os princípios se comportam de maneira diversa. um fundamento ético. À vista dos elementos do caso concreto. em ordem pluralista. só admitem duas espécies de situação. Uma regra somente deixará de incidir sobre a hipótese de fato que contempla se for inválida. uma decisão política relevante. Ocorre que.. os que existem entre a liberdade de expressão e o direito de privacidade. permeável por valores jurídicos suprapositivos. entretanto. . como. pretendem eles ser realizados da forma mais ampla possível. A mudança de paradigma nessa matéria deve especial tributo à sistematização de Ronald Dworkin (em sua célebre obra.

nos quais as regras desempenham o papel referente à segurança jurídica . dão margem à realização da justiça do caso concreto.e os princípios. três deles são destacados: 1) o conteúdo. que começam a despertar o interesse da doutrina. tal não envolverá um processo de racionalização mais sofisticado. É bem de ver. Um princípio tem um alcance mínimo. isto porque. eficiência são valores. Já as regras se limitam a traçar uma conduta. Aprofundando a diferenciação entre regras e princípios. um conteúdo axiológico ou uma decisão política. dos múltiplos critérios distintivos possíveis. Esses são fenômenos de percepção recente. Justiça social. ao fato de ser nova e de apresentar problemas ainda irresolvidos. temos que. já se discute tanto a aplicação do esquema tudo ou nada aos princípios como a possibilidade de ponderação de regras. desenvolvimento nacional. normalmente. Trazem em si. ao passo que princípios são valorativos ou finalísticos. no entanto. Quanto ao modo ou particularidades de sua aplicação. que podem gerar uma inconstitucionalidade ao incidir em determinado ambiente. redução das desigualdades regionais são fins públicos. envolvendo uma integração subjetiva por parte do interprete. conforme o ponto de vista do interprete. Isonomia. Já os princípios indicam fins. .Pois bem: ultrapassada a fase de certo deslumbramento com a redescoberta dos princípios como normas. com sua flexibilidade. a atividade do interprete será mais complexa. estados ideais a serem alcançados. Daí ser possível afirmar-se que regras são descritivas de conduta. no entanto. moralidade. o pensamento jurídico tem se dedicado à elaboração teórica das dificuldades que sua interpretação e aplicação oferecem. Um exemplo é fornecido pelo princípio da dignidade da pessoa humana. Mais recentemente. A questão relativa aos valores e aos fins públicos não vem explicitada na norma porque já foi decidida pelo legislador.previsibilidade e objetividade das condutas . determinados princípios apresentam um núcleo de sentido ao qual se atribui a natureza de regra e há regras. 2) a estrutura normativa 3) as particularidades da aplicação. A partir de um determinado ponto. pois a ele caberá a ação a tomar. ingressa-se em um espaço de indeterminação. inclusive e sobretudo por seu grande alcance prático. Quanto ao conteúdo. os princípios são normas que identificam valores a serem preservados ou fins a serem alcançados. no qual a demarcação de seu conteúdo estará sujeita à concepção ideológica ou filosófica do interprete. Como norma não detalha a conduta a ser seguida para sua realização. O modelo tradicional foi concebido para interpretação e aplicação de regras. sobretudo. que o sistema jurídico ideal se consubstancia com uma distribuição equilibrada de regras e princípios. tem-se que o relato de uma regra especifica os atos a serem praticados para seu cumprimento adequado. Apesar de a atividade do intérprete não ser mecânica. Além de não explicitar os comportamentos necessários para realizar a dignidade humana (está é a primeira dificuldade) poderá haver controvérsia sobre o que significa a própria dignidade a partir de um determinado conteúdo essencial. a doutrina que se desenvolveu sobre as premissas teóricas de Dworkin e Alexy traça a distinção entre princípios e regras na forma já registrada acima: subsunção ou ponderação. válidas em abstrato. e não transferida ao intérprete. tanto na determinação de seu conteúdo quanto no de sua eficácia. A ênfase que tem se dada à teoria dos princípios deve-se. Pode ocorrer ainda uma dificuldade adicional: o fim a ser atingido ou o estado ideal a ser transformado em realidade pode não ser objetivamente determinado. no qual se equiparam às regras. Com relação à estrutura normativa. um núcleo essencial.

a aplicação da "ponderação de interesses. valores ou normas. Essa técnica. deverá ele percorrer o caminho ditado pelos princípios instrumentais a realizar. especialmente quando se trata do emprego da ponderação. a isonomia tributária. da livre iniciativa.Assim. e em princípios gerais. do Estado democrático de direito. juiz natural. por imperativo da isonomia (espera-se que os critérios adotados num certo caso concreto possam ser transformados em regra geral para casos semelhantes). valores e normas". o segundo por princípios materiais propriamente ditos (classificados em princípios fundamentais. axiológica e finalística da ordem constitucional. qual a mais correta? Como resposta apresenta a necessidade da verificação de três parâmetros: o primeiro parâmetro aduz que a argumentação deve estar embasada em fundamentos normativos (mesmo que implícitos). Trata-se a referida ponderação de interesses de uma técnica de decisão jurídica aplicável a casos difíceis. é formado por dois conjuntos de princípios: o primeiro. Referida teoria tem por objetivo verificar a correção dos argumentos apresentados em suporte à conclusão ou ao menos à racionalidade do raciocínio desenvolvido em cada caso. por se sujeitar à discricionariedade do julgador. em relação aos quais a subsunção se mostrou insuficiente. ensejando. da separação dos poderes. assim. tributação. o princípio da efetividade). deverá o interprete demonstrar o fundamento racional que legitima sua atuação. diante de várias soluções igualmente plausíveis. acesso ao judiciário. O terceiro parâmetro capaz de balisar a argumentação jurídica. com a produção de uma conclusão. o princípio da razoabilidade e proporcionalidade. os diversos do artigo 5º. à luz dos outros elementos em questão. o princípio da unidade da Constituição. Pretende responder à seguinte indagação: se há diversas possibilidades interpretativas acerca de uma mesma hipótese. examinar os fatos relevantes e atribuir pesos. como os princípios da Administração Pública. cujo processo possui três etapas: detectar as normas aplicáveis. à vista do caso concreto. tão intensamente quanto possível. bens. e princípios setoriais. para fins de controle da legitimidade das decisões obtidas mediante ponderação. liberdade. devendo a argumentação estar explicitamente apresentada (motivação das decisões). via o balanceamento e o sopesamento de interesses. os critérios adotados na decisão devem estar abertos à possibilidade de universalização.e com crescente adesão na doutrina também as regras são ponderados. o princípio da presunção de constitucionalidade das leis e atos do poder público. bens. As modalidades de eficácia dos princípios são: . necessita. etc). o princípio da supremacia da constituição. que trazem em si a carga ideológica. Ambas as categorias de princípios orientam a atividade do intérprete. De acordo com o segundo parâmetro. tais a legalidade administrativa. como a capacidade contributiva. como os princípios republicano. a impessoalidade. composto de princípios instrumentais ou específicos de interpretação constitucional (tais. da teoria da "argumentação jurídica". o princípio da interpretação conforme à Constituição. como os princípios da legalidade. E na determinação de seu sentido e na escolha dos comportamentos que realizarão os fins previstos. de tal maneira que. o estado ideal pretendido pelos princípios materiais. princípios . especialmente a constitucional. federativo. o concurso público.

apontando ainda as funções a serem cumpridas pelas normas: a) Grau de abstração. que se poderia utilizar para distinguir com segurança os princípios das regras jurídicas. é possível reconhecer-lhes uma ascendência axiológica sobre o texto constitucional em geral. pois os princípios funcionam como pautas. em sua obra Hermenêutica Constitucional e Direitos Fundamentais. se uma empresa rural prevê. Como já dito. pois os princípios. Isso acontece. em geral. ou sanções como privação de alimentos ou proibição de avistar-se com seus familiares no caso de descumprimento de determinadas regras. mas é a existência desse núcleo que torna plenamente viável a modalidade de eficácia negativa. e entre as normas constitucionais e a ordem infraconstitucional. ao contrário das regras. há consenso de que em seu núcleo central deverão estar a rejeição às penas corporais. imediatamente aplicáveis e os princípios carecedores de mediação judicial ou legislativa. Por exemplo: em que pese a relativa indeterminação do conceito de dignidade da pessoa humana. ou àquele que deveria ser atingido pela realização dos seus efeitos.1) eficácia positiva ou simétrica: pelo qual se reconhece àquele que seria beneficiado pela norma. têm importância determinante para a compreensão do ordenamento como um todo. revoga uma outra norma infraconstitucional concessiva de um direito. a ratio das regras. Ou mesmo dentro da própria Constituição. num contrato de trabalho. por inconstitucionalidade. se uma norma infraconstitucional. e. penas corporais. pura e simplesmente. e) Natureza normogenética. d) Proximidade da idéia de direito. sendo as regras. os efeitos pretendidos por um princípio podem ser relativamente indeterminados a partir de certo núcleo. b) Grau de determinabilidade na aplicação ao caso concreto. apresenta um inventário dos critérios. a eficácia positiva ou simétrica pretende assegurar ao interessado a possibilidade de exigi-lo diretamente ou judicialmente. pois. Inocêncio Mártires Coelho. se necessário.g. Assim. embora não sejam os princípios superiores hierarquicamente sobre as demais regras constitucionais. em relação aos princípios. 4) eficácia vedativa do retrocesso: é derivação da eficácia negativa. haverá invalidade de tal alteração. pois os princípios são o fundamento. particularmente ligada aos princípios que envolvem os direitos fundamentais. atém mesmo para dar unidade e harmonia ao sistema (Jose Afonso da Silva). como padrões informadores da concepção de justiça que informa o ordenamento positivo. o princípio da dignidade da pessoa humana conduziria à invalidade de tal norma. que nos princípios se apresenta mais elevado do que no das regras. direito subjetivo a esses efeitos. deixando um vazio em seu lugar. à fome compulsória e ao afastamento arbitrário da família.tenha sido a norma violado por ação ou omissão -. 2) eficácia interpretativa: que significa que se pode exigir do Judiciário que as normas de hierarquia inferior sejam interpretadas de acordo com as de hierarquia superior a que estão vinculadas. Para tanto é preciso saber quais efeitos são esses. Ele pressupõe que a concretização dos princípios através de normas infraconstitucionais e que haja a progressiva ampliação dos mesmos. pelo que. Assim. 3) eficácia negativa: autoriza que sejam declaradas inválidas todas as normas ou atos que contravenham os efeitos pretendidos pela norma. . c) Caráter de fundamentalidade no sistema de fontes de direito. entre leis e seus regulamentos. elaborados pelo Gomes Canotilho. se os efeitos pretendidos pelo princípio constitucional não ocorreram ..

As alterações contratuais são permitidas. contudo. segundo o qual os ajustes contratuais firmados pelas partes não são modificáveis ao longo do prazo de sua vigência. um determinado functor ou operador normativo ("proibido". segundo Francisco Meton Marques de Lima. que será adiante analisado. as regras. uma vez aceita a subsunção a elas de certos fatos. mas se colidirem com outras de grau superior. e transmitem uma prescrição programática genérica. na obra Manual de Direito do Trabalho. mantendo o Direito como um efetivo sistema. Um dos mais importantes princípios gerais do Direito aplicáveis ao direito do trabalho seria o da inalterabilidade dos contratos. inevitavelmente decorrem as conseqüências jurídicas previstas. 468. os princípios são normas abertas. que possuem a função de preservar a noção de unidade da ordem jurídica. Tais princípios têm inquestionável aplicação no Direito do Trabalho. b) a supressão do adicional noturno não afeta o direito adquirido (Enunc 265. Editora Lúmen Júris. o caráter preceptivo. c) a supressão das horas extras habituais não afeta os salários. No Direito do Trabalho. citando Guerra Filho. a revisão judicial do pactuado a favor da parte onerada injustamente em virtude acontecimentos extraordinários.é repelida pelo DT. de maior abstratividade e de maior amplitude. Mas possuem incontáveis diferenças. dando origem a uma diretriz própria: o princípio da inalterabilidade contratual lesiva. Em situações excepcionais. os contratos também devem ser cumpridos . o sistema jurídico ameniza o cumprimento das execuções ou até mesmo limita o campo de atuação quanto à manifestação de vontade das partes. afirmam que: "O princípio da inalterabilidade dos contratos não é absoluto. para ser realizada na medida do jurídica e faticamente possível.pacta sunt servanda. poderiam ser resumidas em dois pontos: a) quanto à estrutura lógica e deontológica. Há algumas exceções: a) a redução do salário mediante negociação coletiva.a cláusula rebus sic stantibus . sendo o ponto em comum entre ambos a normatividade. enquanto os princípios não se reportam a qualquer fato particular. "obrigatório". CTL). o que leva ao sopesamento. já está pacífico que a norma é o gênero de que são espécies as regras e os princípios. Para esse último autor. para aplicar-se o mais adequado. as regras vinculam-se a fatos hipotéticos específicos. enquanto as regras são preceitos de alcance mais restrito. perdendo validade. em geral são colidentes entre si nos casos concretos. "permitido"). de modo que a inserção da diretriz geral não se choque com a especificidade inerente ao ramo justrabalhista. Francisco Ferreira Jorge Neto e Jouberto de Quadros Pessoa Cavalcante. TST). sem. a revisão dos pactos .Por fim. A doutrina moderna tem reconhecido a teoria da imprevisão (nova roupagem da cláusula rebus sic stantibus). Princípios jurídicos gerais aplicáveis ao direito do trabalho . deixarem de coexistir na ordem jurídica. porém sofrerão uma adequada compatibilização com os princípios e regras próprias a este ramo jurídico. enquadrando fatos precisos e declinando as conseqüências. A intensidade da adequação que esse princípio sofreu para sua aplicação no ramo justrabalhista desfigurou a sua matriz civilista. gerando apenas o direito . são por estas derrogadas. as quais. ou seja. Geralmente.Adequações Há princípios gerais de todo o Direito. excetos se mais benéficas ao trabalhador (art. Já os princípios. impondo-se o cumprimento fiel pelos pactuantes. b) quanto à técnica de aplicação.

b) a subjetiva. sintetizam a noção de que a ordem jurídica deve apenas acolher e conferir conseqüências às condutas lícitas e de boa-fé praticadas por uma pessoa. I. 482. aplica-se ao direito do trabalho. 188. que dispõe que as condutas humanas devem ser avaliadas segundo um critério associativo de verossimilhança. k e 482. TST).150 do NCC). afirmam que: "o princípio do efeito lícito do exercício regular do próprio direito (art. esse princípio sofre adequação singular ao Direito do Trabalho. f. impõe a prova quanto ao dolo. CLT). não impede. salvo em caso de legitima defesa. uma simulação bilateral de contrato societário. cetismo quanto a condutas inverossímeis ou insensatas. parágrafo único). em conjunto. ou ofensas físicas. nas mesmas condições. e as hipóteses do 482. 483. Francisco Ferreira Jorge Neto aduz que o princípio da razoabilidade representa óbice ao abuso dos ius variandi (ato abusivo)." Os princípios da lealdade e boa-fé. e. do NCC) implica vedação à prática do abuso do direito. d) a reversão do cargo comissionado ao cargo efetivo (art. Como exemplos: ato lesivo da honra ou da fama praticado no serviço contra qualquer pessoa. No que tange aos princípios da boa-fé. da lealdade e do efeito lícito ao exercício regular do próprio direito. própria ou de outrem (482. na obra Manual de Direito do Trabalho. em favor de um um suposto vínculo empregatício encoberto. ao contrário do assentado no Direito Civil (art. Na constatação do abuso de direito a doutrina aponta duas correntes: a) a objetiva. à culpa ou à má-fé no exercício do direito. inclusive no referente ao seu comando negativo. j. por si só. CLT) e das figuras empresariais faltosas (art. sensatez e ponderação. eles encontram-se inseridos em distintas normas trabalhistas." O princípio da razoabilidade. da não alegação da própria torpeza e do efeito lícito do exercício regular do próprio direito (vedação à prática do abuso de direito). em que o abuso de direito é caracterizado pelos prejuízos causados a outrem. o qual sugere que se tenha incredulidade.g.. que. 291. Francisco Ferreira Jorge Neto e Jouberto de Quadros Pessoa Cavalcante.g. a tentativa de desconstituição judicial da relação civil formalizada.a uma indenização (Enuc. Assim. nas relativas às figuras da justa causa obreira (art. No que tange à não-alegação da própria torpeza. necessariamente. pois a bilateralidade da conduta irregular não inviabiliza. a alegação judicial do ilícito perpetrado. tendo fácil visualização nos casos de aplicação de punição excessiva ou transferência de função ou de horário com a finalidade de prejudicar direitos ou o cumprimento do contrato de trabalho. . e. CLT). 468. também da CLT. O exercício regular do direito também esta presente nas relações do trabalho. além dos prejuízos causados a outrem. como.

as máximas. pois a pena de advertência. Dentre outros. pelo qual nenhuma das partes contratantes. objeto das Convenções ns. o status e a natureza dos princípios. Princípios constitucionais do Direito do Trabalho (trecho baseado no livro "Instituições do Direito do Trabalho" . ao sublinhar os fundamentos da República Federativa do Brasil. eis que o artigo 9º da CLT estabelece direitos indisponíveis e irrenunciáveis. pelo qual as partes têm a liberdade de contratar. que. não tem a mesma aplicação que lhe é dada no Direito Civil. ainda aponta o princípio da autonomia da vontade. referiu-se à dignidade da pessoa humana e aos valores sociais do trabalho. seguiu a orientação do estatuto básico anterior. aludindo. Seria aplicável ao Direito do Trabalho em face do caráter sinalagmático do contrato individual do trabalho. sintoniza-se com o estatuído nos artigos 1º. à função social da propriedade e à busca do pleno emprego. segundo esse mesmo autor.g. os instrumentos normativos alusivos às relações de trabalho devem objetivar a prevalência dos valores sociais do trabalho. antes de cumprir sua obrigação. A condenação do trabalho forçado. incluídas no mesmo elenco antes mencionado. tendo como limites a ordem pública e os bons costumes. os princípios específicos do DT consagrados pela CR/88 (Anexo I). é aceita pela doutrina. São exemplos: "a não exigência do impossível a qualquer pessoa". em seu artigo 170. Representa o equilíbrio das prestações. Esse mesmo autor. E o respeito à dignidade do ser humano constitui um dos direitos supra-estatais inerentes ao ser humano. entretanto. Francisco Ferreira Jorge Neto aduz que outro princípio geral aplicável ao Direito do Trabalho seria o da “exceptio non adimpleti contractus”. o da proporcionalidade (que se associa ao da razoabilidade). De fato. Por seu turno. III e IV. e. mas possuem importância para a utilização empírica do Direito. no art. nos termos do artigo 444 da CLT. Também o princípio da isonomia. que não chegam a ter a generalidade. tal como procedeu em relação à seguridade social e a outros títulos. (Obs: ver. quais sejam. ao relacionar os princípios gerais da atividade econômica. 476 do CC. mesmo tendo sido criada pelo costume trabalhista. respeitadas as adaptações necessárias. adotado fundamentalmente na fixação das figuras das justas causas obreiras e empresariais. 29 e 105 da OIT. Existem ainda outras diretrizes gerais que se estendem ao Direito do Trabalho. ainda são princípios aplicáveis ao DT o da dignidade humana.Outro princípio aplicável ao DT é o princípio da tipificação legal de ilícitos e das penas. apesar de não prevista na CLT. à justiça social. Sua aplicação. nos termos do art.) 2. sendo de se conservar o mínimo legal. o da não-discriminação. e 170 da CR/88. parêmias e/ou brocardos. no âmbito trabalhista. 1º. ao final. afirmado pelo artigo 5º da Carta Magna. pode exigir o cumprimento pela outra parte. PRINCÍPIOS ESPECÍFICOS AO DIREITO DO TRABALHO . o "quem pode o mais pode o menos" e o "res perit domino" (a coisa perece para o dono). cuja observância independe da vigência de leis nacionais ou tratados internacionais.Arnaldo Sussekind) A nova Carta Magna brasileira não revelou expressamente os princípios informadores do Direito do Trabalho. corresponde às Convenções ns 100 e 111. e por estas classificadas no elenco dos tratados sobre direitos humanos fundamentais.. não é absoluta. à valorização do trabalho humano. Todavia.

com suas regras. produzir ações de impacto comunitário. emerge um Direito Individual do Trabalho largamente protetivo.2) Princípio da norma mais favorável Tal princípio é aplicável quando há conflito de normas aplicáveis ao mesmo tempo. O princípio da proteção é uma versão desse princípio na forma trabalhista. mais fortes. a escolha deve ser tendo em vista a que mais proteger o empregado. no Direito Coletivo. o desequilíbrio inerente ao plano fático do contrato de trabalho. Núcleo Basilar de Princípios Especiais: Nove princípios formam o núcleo basilar do Direito Individual do Trabalho. este princípio justifica a própria existência do Direito do Trabalho. essa relação desigual vivenciada na prática cotidiana da relação de emprego. mas o conteúdo é exatamente o mesmo. uma proteção exagerada acaba desprotegendo. Há quem queira mitigar este princípio. juridicamente.1) Princípio da proteção Pode ser identificado no princípio da isonomia. princípios e presunções próprias. Américo Plá Rodrigues (Princípios do direito do trabalho. por isso. o Direito Individual do Trabalho não se justificaria histórica e cientificamente. onde o empregador age naturalmente como ser coletivo. São eles: 2. métodos. isoladamente. econômica e política básica entre os sujeitos da relação empregatícia. Apesar das críticas. Já o Direito Coletivo é construído a partir de uma relação entre seres teoricamente equivalentes. 2.Da diferenciação social. princípios e regras que buscam reequilibrar. uma teia de proteção à parte hipossuficiente na relação empregatícia . pois. temos que tratar os iguais de forma igual e os desiguais de forma desigual na busca da igualdade. tudo isso sem que se confrontem de maneira inconciliável com os princípios jurídicos gerais. não apenas por incorporarem a essência da função teleológica do Direito do Trabalho. caracterizado por métodos. como por possuírem abrangência ampliada e generalizante ao conjunto desse ramo jurídico. Pode-se afirmar que sem a idéia protetivo-retificadora. surgem. norteando todo o sistema trabalhista e inspirando os demais princípios trabalhistas. O operador do Direito do Trabalho deve optar pela norma mais favorável ao obreiro em três dimensões distintas: . o entendimento majoritaríssimo é de que esse princípio deve ser mantido tal como é estudado. ou seja. Segundo o Professor Antônio Loureiro. sendo incapaz de. às vezes. Informa esse princípio que o Direito do Trabalho estrutura em seu interior. externos ao ramo jurídico especializado. regras e princípios distintos. tem que se achar a medida de proteção. e onde o trabalhador inscreve-se como ser individual. Assim. Em virtude desse quadro fático distinto. visando retificar (ou atenuar) no plano jurídico.o obreiro -. editora LTR) entende que este princípio se divide em três regras específicas: 1) Regra da norma mais favorável 2) Regra da condição mais benéfica 3) Regra do in dúbio pro misero Maurício Godinho Delgado desenvolve sua argumentação como se cada uma destas regras fossem princípios próprios. com aptidão natural para produzir impacto na comunidade mais ampla.

como a categoria dos metalúrgicos. ao analisar. O acordo coletivo tem a mesma natureza.Hierarquizante: havendo conflito de normas. Isto porque quando o conflito for entre princípios a regra é diferente utilizando o método da ponderação de interesses (estudado em constitucional). garantia de emprego etc.: reajustes de 10%. portanto sua função essencialmente informadora nesse momento. ou CF. em uma dada situação de conflito de regras. sobre um determinado assunto. A convenção coletiva deve ser feita entre o sindicato de empregadores de um lado e o sindicato de empregados de outro lado. não se faz a análise do “ou tudo ou nada”. Amauri Mascaro Nascimento diz que este princípio tem tríplice dimensão: . para adicionar. ou outras leis forem melhores se aplica estas. O acordo coletivo é normalmente mais reduzido. esse princípio atua como: 1) Critério de hierarquia: permite eleger como regra prevalecente. portanto. dos industriais etc. Aplica-se esse princípio quando as normas em análise forem do tipo regras jurídicas em que se aplica uma ou outra. É errado. tem corpo de contrato. assim. no caso de conflito entre a convenção e CLT. caso antepostas ao intérprete duas ou mais consistentes alternativas de interpretação em face de uma regra jurídica enfocada (respeitados os rigores da Hermenêutica Jurídica). como verdadeira fonte material do ramo trabalhista. optar por um das duas. Exs. pois elas entram no nosso ordenamento jurídico para melhorar.Informativo / informador: o legislador deve ter em mente que o Direito do Trabalho é marcado pelo mencionado princípio. através das seguintes teorias: . Ele é mais pontual. mas é feito entre sindicato dos trabalhadores de um lado e o próprio empregador de outro. 2) Princípio de interpretação do Direito: permite a escolha da interpretação mais favorável ao trabalhador. por isso. Neste mesmo sentido. Havendo o conflito dessas duas normas coletivas. olhase tudo aquilo que a convenção tem de melhor e aplica.Interpretativa: entre duas interpretações diferentes. dos bancários. mas. agindo. tendo um âmbito de aplicação menor. mesmo que hierarquicamente diferentes. se a norma da CLT. . a escolha ocorre pelo princípio da norma mais favorável.Na fase pré-jurídica. . Quando se utiliza convenções internacionais da OIT ratificadas pelo Brasil o método é diferente. alma de lei. Geralmente é uma norma com muitas cláusulas e muitos direitos. sendo. cria normas em abstrato aplicáveis hipoteticamente à todas as pessoas que fazem parte da categoria. aplicar-se-á a mais favorável. porque tem entre sindicato de trabalhadores e uma empresa ou grupo de empresa. As Convenções Internacionais da OIT vem para integrar o nosso ordenamento jurídico avançando na conquista dos direitos fundamentais na concretização dos direitos fundamentais. aquela que for mais favorável ao trabalhador (respeitados os critérios da teoria do conglobamento). A convenção coletiva serve para todos os trabalhadores daquela categoria. aplica-se a que for mais favorável ao trabalhador. como critério de política-legislativa. Conflito entre normas coletivas São dois tipos básicos de normas coletivas: a convenção coletiva e o acordo coletivo. Na fase jurídica. HE a 70%. e não as duas.

e portanto um pouco estranha nos tribunais. É minoritária. É uma idéia que permite certa flexibilização pra se conseguir manter a saúde econômico-financeira de cada uma das empresas separadamente. se o acordo estiver melhor. olha-se uma matéria em cada instituto vendo qual é a melhor. de primeiro plano. Essas normas são criadas num sistema de transação. Não preserva totalmente o espírito de negociação coletiva. É uma teoria nova. e a lei especial. consistente na aplicação prioritária de uma “norma fundamental”. c) Teoria mista ou dos institutos (ou teoria de indifundibilidade dos institutos): Os institutos não podem ser fundidos. não podem ser cortados. que normas e condições de trabalho mais vantajosas para os . aplicando esta. nas normas coletivas poderia ter o mesmo sistema: uma lei geral. seria o acordo coletivo adequado à realidade de cada um dos trabalhadores. que. aplicase o acordo. ou seja. qual norma tem a melhor hora extra. o espírito da negociação coletiva. imaginado. É a teoria que mais dá direitos ao empregado. É a teoria majoritária.São três teorias básicas: a) Teoria do conglobamento: deve-se analisar no impasse as normas inteiras. pois ela terá uma gama de direitos maior. seria a manutenção do emprego. Está no seu começo. a Constituição permite. mas também não acaba com o mesmo. b) Teoria atomista ou por acumulação: não se deve analisar a norma por inteira e sim cláusula por cláusula. Art. Percebe-se que o Direito do Trabalho não adota o sistema clássico da hierarquia das normas. 620 da CLT – aplicar este artigo reinterpretando o conceito do que é mais favorável. Art. Ela preserva a norma conforme a sistemática do direito. em matéria de estabilidade uma convenção pode estar melhor etc. Por exemplo. Crítica: O problema é que quebra a sistemática do direito. prevalecerão sobre as estipuladas em Acordo. analisa a convenção coletiva inteira e depois o acordo coletivo inteiro e do bojo de cada norma se extrai a quantidade de direitos que se consegue vendo qual será mais favorável. analisa qual norma tem a melhor no reajuste aplicando esta. Vai pinçando item por item do que tem de melhor de cada norma. onde se “toma lá e dá cá”. é aquilo que permite dignidade ao trabalhador. É um meio termo. salvo exceções expressas de seu texto. sim. O mais favorável não é só o que dá mais direito ao trabalhador. podendo levar a empresa a ter problemas financeiros. Preserva o espírito da negociação coletiva. sendo um dilema. a Teoria da adequação ou da especialização: é uma teoria mais moderna. As condições estabelecidas em Convenção quando mais favoráveis. 620. Analisa-se instituo por instituto. Como corolário desse princípio. levando ao medo de negociar. Crítica: geralmente entre a convenção e acordo prevalecerá a convenção. aplicável ao direito comum. na convenção coletiva. ou seja. mas. Há. Por exemplo: em matéria salarial. um modelo de hierarquia dinâmica das normas. ou seja. É minoritária. também. Tal qual no ordenamento jurídico heterônomo existe lei geral e lei especial. impondo ao empregador o pagamento de benefícios de forma acumulada que não tinha previsto. que sempre será a mais favorável ao trabalhador. salvo disposições estatais proibitivas ou de ordem pública.

trabalhadores. venham a ser criadas pelas normas inferiores do escalonamento jurídico. A Constituição da República garante um mínimo de proteção aos trabalhadores. as condições mais benéficas ao trabalhador serão sempre preservadas. conferindo direitos acima dos constitucionalmente previstos. Em regra. Melhores condições de trabalho podem ser estabelecidas por normas de inferior hierarquia. 2. ainda que norma jurídica posterior estabeleça condições menos favoráveis.3) Princípio da imperatividade das normas trabalhistas .

Apesar de parte da doutrina valer-se da expressão irrenunciabilidade dos direitos trabalhistas. em face do desequilíbrio de poderes inerentes ao contrato de trabalho. o autor prefere a expressão indisponibilidade para se referir ao presente princípio. CLT: Art. Esse parágrafo único é uma norma que se utiliza quando não há nada pactuado no contrato de trabalho. Informa tal princípio que as partes na relação de emprego não podem deixar de observar as normas trabalhistas. a base mínima do direito do trabalho é composta por normas imperativas. A falta de prova ou inexistindo cláusula expressa e tal respeito. pois tanto a renúncia (que é ato unilateral) como a transação (ato bilateral) que importem objetivamente em prejuízo ao trabalhador são vedadas por sua aplicação. Essa restrição à autonomia da vontade das partes é instrumento assecuratório eficaz de garantias fundamentais do trabalhador. remuneração do trabalho noturno superior ao diurno. 2. tais como: adicional de hora extra no mínimo de 50%.Também chamado na doutrina de: Princípio de caráter de ordem pública ou Princípio da limitação da autonomia da vontade ou Princípio do vício de consentimento presumido do empregado. Em regra. 2) Normas imperativas complementares – são aqueles que estabelecem direitos cogentes.4) Princípio da Trabalhistas Indisponibilidade (ou irrenunciabilidade) dos Direitos Esse princípio é projeção do anterior e traduz a inviabilidade técnico-jurídica de poder o empregado despojar-se. parágrafo único. Parágrafo único. Como exemplo: art. ter sua regência contratual afastada pela simples manifestação das partes. A prova do contrato individual do trabalho será feita pelas anotações constantes da carteira profissional ou por instrumento escrito e suprida por todos os meios permitidos em direito. 456. mas mínimos. Na verdade. Há dois tipos de normas imperativas: 1) Normas imperativas ou impositivas ou coercitivas – são aquelas normas que tem que ser observadas tal como são estabelecidas. . são algumas normas utilizadas apenas quando não existe nada estabelecido no contrato. entender-se-á que o empregado se obrigou a todo e qualquer serviço compatível com a sua condição pessoal. pois são essencialmente imperativas. em face do desequilíbrio de poderes inerentes ao contrato de emprego. há domínio de regras jurídicas imediatamente obrigatórias em detrimento de regras apenas dispositivas. onde se pode dispor diferente do que está na norma. salvo como aprendiz. não podendo de maneira geral. É proibido trabalho para menor de 16 anos. Esta restrição é tida como instrumento assecuratório eficaz de garantias fundamentais ao trabalhador. De forma excepcional. Como exemplos: é obrigatório assinar a carteira de trabalho. por sua simples manifestação de vontade. 456. das vantagens e proteções que lhe asseguram a ordem jurídica e o contrato. também existem normas dispositivas. seja coercitivas ou complementares.

não podendo ser objeto de transação e nem de renúncia. quer a transação que importe objetivamente em prejuízo ao trabalhador. não pode modificar as normas coletivas. nas convenções internacionais da OIT (normas universais que apresentam direitos mínimos do trabalhador) e na legislação heterônoma. . As partes não podem renunciar às normas trabalhistas. em regra.Francisco Ferreira Jorge Neto e Jouberto de Quadros Pessoa Cavalcante aduzem que no contexto da irrenunciabilidade dos direitos trabalhistas. Mas nem tudo é de caráter indisponível absoluto. têm caráter absoluto. portanto). não pode fazer nem renúncia e nem outro negócio jurídico de disposição de direitos. Art. como CLT. segurança do trabalhador. os sindicatos e as partes têm livre possibilidade de mudar as normas coletivas. Aduz que. No estudo do direito coletivo do trabalho. Eles são disponíveis de forma relativa. deve ser valorizada a flexibilização como avanço no trato das relações trabalhistas. Esse artigo procura evitar condutas maliciosas do empregador. Tem que ter uma contrapartida. Assim. direta ou indiretamente. sendo considerada nula de pleno direito. O empregado. onde não pode ser diferente das normas coletivas. apesar de necessária a flexibilização. Essas normas estão na CF. não serão válidas quer a renúncia. como transação. higiene. eles têm o que se chama de criatividade jurídica. Há certa confusão nesse sentido. no estudo do direito civil. O que é de ordem pública não está livre para disposição das partes. ou seja. Os direitos contratuais também têm certa proteção. É diferente no contrato individual do trabalho. também se pode inserir a temática da flexibilização. O princípio examinado vai além do simples ato unilateral. Nenhum contrato de trabalho pode contrariar as normas coletivas. Pergunta: Todas as normas são irrenunciáveis ou tem alguma que poderá se dispor? A regra geral é de que são de indisponibilidade absoluta os direitos previstos na base jurídica primária. As normas coletivas também são de direitos indisponíveis quanto ao ponto de vista dos direitos individuais do trabalho. Deve ser observado na forma como está prevista. e ainda assim desde que não resultem. nem que resultar na negativa do avanço do Direito do Trabalho. só as que dizem respeito à saúde. interferindo também nos atos bilaterais de disposição de direitos (transação. 468 da CLT – Nos contratos individuais de trabalho só é lícita a alteração das respectivas condições por mútuo consentimento. pois. tal não pode conduzir ao predomínio do individual sobre o social. mas não se pode negar a necessidade de manutenção de direitos que foram alcançados após décadas de lutas. algo que justifique essa conduta e que não traga prejuízo ao empregado. esses direitos das normas coletivas. pois eles são os autores dessas normas. sob pena de nulidade da cláusula infringente desta garantia. Art. Para a ordem justrabalhista. mas não transforma os direitos contratuais em direitos de ordem pública. a nulidade é para norma de ordem pública e anulabilidade é para normas contratuais. No ponto de vista do direito individual do trabalho. Tem que preencher certos requisitos para disporem desses direitos puramente contratuais. prejuízos ao empregado. que são direitos que asseguram a dignidade. indisponibilidade absoluta. quanto às nulidades. as normas de proteção do trabalho. são de proteção mínima. 619 da CLT – Nenhuma disposição de contrato individual de trabalho que contrarie normas de Convenção ou Acordo Coletivo de Trabalho poderá prevalecer na execução do mesmo.

121 do CC). ou seja. não se convalida com o tempo.5) Princípio da condição mais benéfica Esse princípio importa na garantia de preservação. CLT) e pela jurisprudência (Súmulas 51 e 288 do TST). Indisponibilidade relativa = direitos puramente contratuais. da cláusula contratual mais vantajosa ao trabalhador. Ademais. Não se trata também. de certo modo. Pode convalidar. e ainda assim desde que não resultem. é claro. onde pode ocorrer a prescrição total. de condição no sentido técnico-jurídico (isto é. sendo que o art. Já o direito contratual é mais fraco. que se reveste do caráter de direito adquirido (art. A expressão preferível seria princípio da cláusula mais benéfica. Em suma: Indisponibilidade absoluta = normas de proteção mínima e normas coletivas. 468 gera anulabilidade e não nulidade como está expresso no artigo. princípio da indisponibilidade. Incorporado pela legislação (art. em manifestação do princípio da inalterabilidade contratual lesiva. 468. Na verdade o art. poderá ser exigida a qualquer tempo. . Traduz-se. Art. Majoritariamente. no entanto o empregado não pode renunciar e nem transacionar. ou seja. Não prescreve. XXXVI.art. a doutrina adota a nomenclatura de princípio da irrenunciabilidade. CR/88). O interesse é particular. onde a carga de proteção é menor. direta ou indiretamente. prejuízos ao empregado. mantendo-se intocadas (direito adquirido) por alterações menos vantajosas do contrato ou do regulamento da empresa (já a alteração implementada por norma jurídica submete-se a outro critério). 468 . cláusula que subordina o efeito do ato jurídico a evento futuro e incerto . 2. o princípio informa que as cláusulas contratuais benéficas somente poderão ser suprimidas por cláusulas posteriores ainda mais favoráveis. então a adoção de uma nomenclatura mais ampla. ao longo do contrato. 5.Importante frisar que a proteção do artigo 9º (normas de ordem pública) e 619 (normas coletivas) é muito mais forte do que a do art. Diferencia-se do da norma mais favorável porque diz respeito especificamente às cláusulas do contrato de trabalho e não à legislação. há de prevalecer o mais favorável ao empregado. 468. Os atos que causam lesão às normas de proteção mínima ou normas coletivas podem ser passíveis de reparação e esse ato estará sujeito apenas à prescrição parcial. no contraponto entre dispositivos contratuais concorrentes. sendo de indisponibilidade absoluta.Nos contratos individuais de trabalho só é lícita a alteração das respectivas condições por mútuo consentimento. pois a lesão é mais fraca. 468 não o é. para o princípio. pois este protege as normas contratuais. sob pena de nulidade da cláusula infringente desta garantia.

É a idéia do direito adquirido. Assim. DJ 14. porque as naturezas de seus direitos são diferentes. DJ 20. TST – Súmula 288 . 9º .As relações contratuais de trabalho podem ser objeto de livre estipulação das partes interessadas em tudo quanto não contravenha às disposições de proteção ao trabalho.03.04. aquela adquirida no contrato. Tudo que se adquire vai incorporando e não pode mais perder.Complementação dos proventos da aposentadoria (Res. São normas cogentes.2005) I . são as normas que dão o conteúdo mínimo do contrato de trabalho. aos contratos coletivos que lhes sejam aplicáveis e às decisões das autoridades competentes. cessada essa vigência continua a pagar os benefícios? Eles incorporam ou não o contrato de trabalho? Há três entendimentos: . sejam eles pactuados expressamente ou tacitamente. que são as normas coletivas.TST – Súmula 51 . 21/1988. é nulo de pleno direito. O que se tem contratualmente é que não perde mais. A base jurídica primária é a legislação federal. 468 da CLT. As bases primárias e secundárias são diferentes. tem que pagar o benefício. não podes ser suprimidos em prejuízo do empregado. (RA 41/1973. porque a norma de ordem pública pode mandar o empregador fazer algo deixar de existir. Nenhuma disposição de contrato individual de trabalho que contrarie normas de Convenção ou Acôrdo Coletivo de Trabalho poderá prevalecer na execução do mesmo. impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação. que revoguem ou alterem vantagens deferidas anteriormente. Art. Porém. 444 da CLT. sou seja. Tem a idéia de que tudo aquilo que é bom não se pode mais perder. DJ 18. Nova redação em decorrência da incorporação da Orientação Jurisprudencial nº 163 da SDI-1 . não pode ser alterada em prejuízo do empregado.Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar. Art. Há um segundo patamar do direito que é base jurídica secundária. Art. enquanto existir a lei em vigor.1973. Art. Toda a parte puramente contratual. 9º e 619 da CLT – qualquer ato que tende a impedir ou desvirtuar a aplicação das normas cogentes. as que mostram a função social do contrato de trabalho. está vinculado a conservar e contribuir com o mínimo. sendo considerada nula de pleno direito. O contrato de trabalho é construído com a base jurídica primária que são as normas de proteção ao trabalho. Art. No entanto se a lei mudar poderá perder. observando-se as alterações posteriores desde que mais favoráveis ao beneficiário do direito.1988) A complementação dos proventos da aposentadoria é regida pelas normas em vigor na data da admissão do empregado.Res.Norma Regulamentar.As cláusulas regulamentares. Pergunta: As normas coletivas tem prazo de vigência máxima de 2 anos. Art. 444 . só atingirão os trabalhadores admitidos após a revogação ou alteração do regulamento. falar que tudo que já tem não se perde. não existindo mais a lei não precisa mais pagar. pois elas também são obrigatórias. Art. é falso. Esta função limita o conteúdo do contrato. Todos os benefícios que se adquirem por força do contrato.06. 4º da CLT. 129/2005. Vantagens e opção pelo novo regulamento. que são as normas do estatuto mínimo estatal e as normas coletivas. ao celebrar um contrato de trabalho não se pode deixar de aplicar tudo aquilo que está previsto na norma coletiva. mesmo estando no contrato. 619.

Aqui não se aplica o princípio da condição mais benéfica. para solucionar o impasse. Elas falam de regulamento de empresa. II – Não incorpora nunca. Críticas aos argumentos pelo professor Otávio Calvet: a) Direito adquirido: não existe direito adquirido aos benefícios que foram criados com vigência no tempo. Por isso a condição mais benéfica não incide sobre normas cogentes que podem ser alteradas. Sentença normativa é fruto de dissídio coletivo de natureza econômico. III – Corrente da ultra-atividade. A norma coletiva tem vigência de 2 anos. c) Pela greve. Ou seja. do princípio da condição mais benéfica e as súmulas 51 e 288 do TST. É Majoritária. Acabando a norma acaba a obrigação do empregador de cumprir/aplicar o que a norma obriga. Entende que não incorpora. Esse impasse pode ser resolvido de três formas: a) Pela arbitragem b) Pela sentença normativa – de comum acordo entre as partes. É considerado pela doutrina como parte do contrato. pode se buscar o poder judiciário. Já nasce com termo. Já se tinha previsão de que depois de um certo tempo não existiria mais. . Acabando o prazo acaba o benefício. Para que continue a receber os benefícios da norma coletiva tem que tentar negociar de novo e fazer outra norma. Usa o argumentos do direito adquirido. não conseguindo celebrar nem acordo coletivo e nem convenção coletiva. mas minoritária. É uma decisão judicial que tem corpo de sentença e alma de lei. O que foi pactuado. O empregador não esta emitindo vontade no sentido de dar esses benefícios. É Minoritária. não tratam de normas coletivas. tendo algum impasse. um tribunal do trabalho. Por isso é errado invocar essas súmulas para justificar essa corrente.I – Tudo aquilo que se consegue numa norma coletiva incorpora sempre. não foram estabelecidos entre empregado e empregador no contrato. A norma coletiva é norma cogente. Nesse caso há o dissídio coletivo de natureza econômica e essa decisão final é a sentença normativa. O regulamento de empresa é criado pelo empregador para aplicar nos contratos de trabalho e a norma coletiva é fruto de negociação coletiva entre sindicatos. c) Súmulas 51 e 288 da TST – na verdade essas súmulas estão tratando de outro instrumento. Não gera direito adquirido. Acaba sendo uma verdadeira norma também. tem naturezas distintas. Essa teoria preserva a negociação coletiva. Ainda é muito utilizada. como se fosse um supedâneo do acordo e da convenção. b) Princípio da condição mais benéfica: Não se pode aplicar o princípio da condição mais benéfica porque esses benefícios não são oriundos de contrato de trabalho. obrigatórias. ele está cumprindo a legislação que manda ele observar as normas coletivas. Tem vigência máxima – súmula 297 do TST. Há a sentença normativa quando sindicatos de trabalhador e empregador tentam negociar e não conseguem. são benefícios que o empregador tem que pagar porque as normas coletivas são cogentes. Essa corrente é majoritária no que diz respeito às sentenças normativas – súmula 277 do TST.

Essa é a interpretação utilizada atualmente. Essa corrente entende que as disposições convencionadas anteriormente são as da velha norma.6) Princípio da Inalterabilidade Contratual Lesiva O presente princípio tem sua origem no princípio geral da inalterabilidade do contrato. esse impasse pode ser resolvido ou pela arbitragem. 444 da CLT – As relações contratuais de trabalho podem ser objeto de livre estipulação das partes interessadas em tudo quanto não contravenha às disposições de proteção ao trabalho. bem como outras modificações implícita ou explicitamente autorizadas por lei (como a reversão prevista no parágrafo único do art. Em primeiro lugar."). aos contratos coletivos que lhes sejam aplicáveis e às decisões das autoridades competentes. CLT). Art. que. 2. assumindo os riscos da atividade econômica. Continua a valer os efeitos da norma que já existia. pois as situações decorrentes. Collor. O fato é que. a vedação às alterações contratuais lesivas. 468 da CLT – Nos contratos individuais de trabalho só é lícita a alteração das respectivas condições por mútuo consentimento. prejuízos ao empregado. 2º da CLT. entretanto. assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço.fatores que afetam a atividade da empresa .que tendem a ser permitidas (art. Assim. individual ou coletiva.g. e. sob pena de nulidade da cláusula infringente desta garantia. Como exemplo: Há uma determinada norma coletiva em vigor de 2002 a 2004. 468. Chegando em 2004 tem-se um impasse onde não houve negociação para 2006. CLT). na verdade. bem como as convencionadas anteriormente. pois esse ramo. podendo a Justiça do Trabalho decidir o conflito. direta ou indiretamente. desde que não resultem. Assim. Em terceiro lugar. 114. crises econômicas.não são acolhidos como excludentes ou atenuantes da responsabilidade trabalhista do empregador (os Planos Bresser. de comum acordo. ou por greve etc. Verão. Art. Art. 468. sofreu forte e complexa adequação ao ingressar no Direito do Trabalho. assim. ajuizar dissídio coletivo de natureza econômica. Em segundo lugar. incentiva alterações contratuais favoráveis ao obreiro . pois o ônus do empreendimento é do empregador (art. A decisão desse conflito é a sentença normativa. Em algum momento uma nova norma coletiva vai aparecer. para manter uma paz social. não eliminaram ou restringiram a responsabilidade do empregador por suas obrigações trabalhistas). §2º da CF – § 2º Recusando-se qualquer das partes à negociação coletiva ou à arbitragem. Não é absoluta.Há um questionamento do que pode acontecer na prática. a noção genérica de inalterabilidade perde-se no Direito do Trabalho. 444 e 468. Porém.g.. respeitadas as disposições mínimas legais de proteção ao trabalho. mudanças drásticas na política industrial do Estado ou em sua política cambial . até que surja uma nova norma. gerais ou específicas de um segmento.que tendem a ser vedadas pela normatividade trabalhista (arts. CLT: "não se considera alteração unilateral a determinação do empregador para que o respectivo . ou pelo poder judiciário. e. sem atingir efetivas cláusulas contratuais). a norma já existente terá eficácia até que seja criada a próxima norma coletiva. a inalterabilidade torna-se sumamente rigorosa. em algum momento na frente esse impasse vai acabar. admite. e ainda assim. é facultado às mesmas. caso contraposta à alterações desfavoráveis ao trabalhador . caput: "Considera-se empregador a empresa. do chamado jus variandi ordinário empresarial (que englobaria mudanças de menor importância. a atenuação civilista da fórmula rebus sic stantibus (teoria da imprevisão) tende a ser rejeitada pelo Direito do Trabalho.

garantir-se juridicamente o salário em contextos de contraposição de outros interesses e valores é harmonizar-se o Direito do Trabalho à realização do próprio princípio da dignidade do ser humano. ou seja. o contrato permanece intangível em seu plano objetivo. . também conhecida como alteração subjetiva do contrato de trabalho. deixando o exercício de função de confiança. salvo o disposto em convenção ou acordo coletivo"). O contrato seria intangível do ponto de vista objetivo. de modo a assegurar seu valor. que acentua que o conteúdo do contrato empregatício não poderia ser modificado nem mesmo se ocorresse sucessão empresarial. A noção da natureza alimentar é simbólica.") ou franqueadas pela ordem jurídica à própria negociação coletiva (art. anteriormente ocupado. sendo a essencialidade dos bens a que se destinam o salário do empregado o fundamento dessa garantia. ou seja. acabam por relativizar tal vedação. embora mutável do ponto de vista subjetivo. Trata-se da sucessão trabalhista. Essa alteração subjetiva do contrato de trabalho não é capaz de modificá-lo objetivamente.7) Princípio da Intangibilidade Salarial Estabelece esse princípio que essa parcela justrabalhista merece garantias diversificadas da ordem jurídica. VI. CR/88: "irredutibilidade do salário. desde que a mudança envolvesse apenas o sujeito-empregador. salvo se a mudança for favorável ao empregado. mudança subjetiva empresarial (sujeito-empregador). Intangibilidade contratual objetiva: trata-se de uma particularização do princípio da inalterabilidade contratual lesiva. 7º. Nesse quadro.empregado reverta ao cargo efetivo. montante e disponibilidade em benefício do empregado. 2.

Autoriza. salvo para pagamento de prestação alimentícia.Projeta-se em distintas direções: garantia do valor do salário.8) Princípio da Primazia da Realidade sobre a Forma Esse princípio também decorrente do princípio da proteção. a descaracterização de uma pactuada relação civil de prestação de serviços. no princípio da inalterabilidade contratual lesiva). É comum que estejam diferente o que está escrito e o que na pratica ocorre. Art. garantias contra interesses contrapostos de credores diversos. a proteção contra constrições externas. 2. O princípio. finalmente. embora ampla. como por exemplo. o soldo e os salários. onde o trabalhador é mais fraco. 9º da CLT – Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar. as coisas vão acontecendo.os vencimentos dos magistrados. 462 da CLT – Ao empregador é vedado efetuar qualquer desconto nos salários do empregado. mas que não foi escrita. a garantia de integralidade salarial. . 649 do CPC – São absolutamente impenhoráveis: IV . Também chamado de princípio da primazia da realidade.. Art. Constitui-se. encontra exceção na pensão alimentícia (art. com controle de descontos em seu montante. 462. vão modificando. informa. assim. É ampliação da noção civilista de que o operador jurídico. impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação. no exame das declarações de vontade. sejam do empregador.g. 649. salvo quando este resultar de adiantamentos. englobando-se também. como a penhora. desde que presentes os elementos fático-jurídicos da relação de emprego. Segundo Mario de La Cueva. VI. CF/88). o contrato de trabalho é um contrato realidade. e. é excepcionada pela própria norma jurídica que a instituiu (art. CPC). de certo modo. CLT). em valioso instrumento para a pesquisa da verdade real em uma situação de litígio trabalhista. contudo. 7°. dos professores e dos funcionários públicos. sua ocupação. com o tempo. de dispositvos de lei ou de contrato coletivo. garantias contra mudanças contratuais e normativas que provoquem a redução do salário (aqui o princípio especial examinado se identifica pela expressão princípio da irredutibilidade salarial. normalmente o trabalhador aceita qualquer tipo de pacto pra conseguir seu emprego. uma promoção com aumento do salário. que o conteúdo do contrato não se circunscreve ao transposto no correspondente instrumento escrito. não é absoluto: a proteção relativa ao valor do salário ainda não o preserva de perdas decorrentes da corrosão monetária. Ás vezes o que está formalmente pactuado não condiz com aquilo que esta acontecendo na realidade. Como a relação de emprego é desigual. Art. seja porque as pessoas querem fraudar ou porque a relação de emprego é de trato sucessivo. a vedação a mudanças contratuais e normativas provocadoras da redução de salários pode ser flexibilizada mediante negociação coletiva (art. onde. garantias contra práticas que prejudiquem seu efetivo montante – trata-se dos problemas jurídicos envolventes aos descontos no salário do empregado (o princípio aqui também tende a se particularizar em uma denominação diferente: o princípio da integralidade salarial). pois. incorporando amplamente toda a prática concreta efetivada ao longo da prestação do serviço. pois. deve atentar mais à intenção dos agentes do que ao envoltório formal de que transpareceu a vontade. sejam do próprio empregado.

g. dentre outros (art. nos termos da lei (art. São privilegiados. com a integração do trabalhador na estrutura e dinâmica empresariais. 7º. gerando presunções favoráveis ao empregado. pois o princípio da continuidade da relação de emprego constitui presunção favorável ao empregado. os fatos. mesmo quando os documentos apontarem em sentido diverso. Deve ser buscada a verdade real. afastando a anterior incompatibilidade do FGTS com qualquer eventual sistema de garantias jurídicas de permanência do trabalhador no emprego (art. Em sua admissão. fazendo presumir-se a ruptura contratual mais onerosa ao empregador. 7º. ainda hoje o princípio da continuidade da relação de emprego cumpre razoável importância na ordem jurídica.Segundo Sérgio Pinto Martins. a duas. pois ele não é o destinatário da relação de emprego. Não obstante. pode assinar todos os papéis possíveis. que irão evidenciar realmente os fatos ocorridos na relação entre as partes. III).Súmula 212 – O ônus de provar o término do contrato de trabalho. muitas vezes o empregado assina documentos sem saber o que está assinando. a uma. portanto. . daí a possibilidade de serem feitas provas para contrariar documentos apresentados. TST . Faz também presumida a própria continuidade da relação de emprego. ou mesmo vantagens agregadas ao desenvolvimento de seu tempo de serviço no contrato). como por exemplo. é do empregador.9) Princípio da Continuidade da Relação de Emprego Informa tal princípio que é de interesse do Direito do Trabalho a permanência do vínculo empregatício. lançando a idéia de aviso-prévio proporcional ao tempo de serviço. em contextos processuais de controvérsia sobre a questão. que preverá indenização compensatória. fixando a regra da relação de emprego protegida contra a despedida arbitrária ou sem justa causa.966.. por exemplo. b) o investimento educacional e profissional que se inclina o empregador a realizar nos trabalhadores vinculados a longos contratos (com o objetivo de elevar sua produtividade e compensar o custo trabalhista percebido). como. desde que provado. sobre a forma ou a estrutura empregada. Descobrir. 2. Esse princípio perdeu grande força com a criação do FGTS em 1. mas a CR/88 inclinou-se a reinserir esse princípio em patamar de relevância jurídica. conforme Súmula 212 do TST. Embora diferente o que acontece no papel e na realidade o que se aplica é a realidade. O empregador não pode utilizar esse princípio. não é ele o protegido. a realidade. 7º. XXI). O que ele pode utilizar é alegação de vícios de consentimento. I). e. quando negados a prestação de serviço e o despedimento. As alegações serão provadas. desde o contrato de trabalho até seu pedido de demissão. escrever errado o valor do salário na carteira. as vicissitudes. c) a afirmação social do indivíduo favorecido pelo longo contrato de trabalho (estabilidade social/econômica). que o empregado mentiu na sua qualificação no curriculum. Três correntes de repercussão favoráveis ao empregado resultam da permanência da relação de emprego: A permanência da relação de emprego provoca três correntes de repercussões favoráveis ao obreiro: a) a tendencial elevação dos direitos trabalhistas (avanço da legislação ou da negociação coletiva. nos termos de LC. a verdadeira situação jurídica existente. a três.

b) da empregada gestante. da Lei nº 5. poderá ter os institutos da interrupção e suspensão do contrato. como os 40% do FGTS. aviso prévio. Art. ou seja. para quatro vezes. mas é possível que fique afastando de sua atividade. desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto. I. "caput" e § 1º. será certificada perante a Justiça do Trabalho a regularidade do contrato e das atualizações das obrigações trabalhistas de todo o período. 7º. O contrato é eterno. 233. . O legislador não quer que a relação de emprego termine por nenhuma razão. a cobrança das contribuições para o custeio das atividades dos sindicatos rurais será feita juntamente com a do imposto territorial rural. II . na forma do art. Art. uma doença. 10. mas sem terminar o contrato. pelo que os contratos por prazo determinado somente podem ser pactuados nas estritas hipóteses autorizadas por lei.Até ulterior disposição legal. Em regra. 3ª) Resistência à dispensa. XIX. de acordo com o professor Otávio Calvet: 1ª) Em regra.fica vedada a dispensa arbitrária ou sem justa causa: a) do empregado eleito para cargo de direção de comissões internas de prevenção de acidentes. Conseqüências. há maiores possibilidades de modificações no seu curso. Em regra. da porcentagem prevista no art. 10 da CLT – Qualquer alteração na estrutura jurídica da empresa não afetará os direitos adquiridos por seus empregados.Propõe ainda como regra geral o contrato trabalhista por tempo indeterminado. A dispensa é algo que não está de acordo com o princípio da continuidade do emprego.Até que a lei venha a disciplinar o disposto no art.fica limitada a proteção nele referida ao aumento. 10 e 448 da CLT. mas se tiver. O ordenamento jurídico cria dificuldades para a dispensa. benéficas. § 3º . 7º. de 13 de setembro de 1966. É uma proteção parcial: Art. ate que venha a lei complementar terá no mínimo 40%. Essa proteção também se demonstra no art. o contrato será por prazo indeterminado. 6º. os contratos por prazo determinado serão exceções. regulada pelos arts.Na primeira comprovação do cumprimento das obrigações trabalhistas pelo empregador rural. pelo mesmo órgão arrecadador. já que a relação de emprego é eterna. Sofrerá mutação. 4ª) Possibilidade de interrupções e suspensões do contrato de trabalho. o contrato a termo não se prorroga. da Constituição. sem fato relevante. § 2º . desde o registro de sua candidatura até um ano após o final de seu mandato. o prazo da licença-paternidade a que se refere o inciso é de cinco dias. 2ª) Por ser de prazo indeterminado. Há uma proteção para a continuidade do emprego. 10 da ADCT (Atos das disposições constitucionais transitórias).107. § 1º . Finalmente. Assim. Até que seja promulgada a lei complementar a que se refere o art. mas isso não impede que já se reconheça a eficácia dessa norma constitucional no sentido de vedar condutas que sejam arbitrárias ou vexatórias. 448 da CLT – A mudança na propriedade ou na estrutura jurídica da empresa não afetará os contratos de trabalho dos respectivos empregados. sem motivo. Essa norma é de eficácia contida. da Constituição: I . como exemplo. após a promulgação da Constituição. esse princípio ainda confere suporte teórico à sucessão trabalhista.

onde propõe-se que a decisão do juiz deveria ser favorável ao empregado. como no direito penal. São eles: 3. segundo a diretriz genérica do in dubio pro operario. Cabe ao empregador provar que o motivo da dispensa foi outro que não a dispensa sem justa causa. e as presunções que caracterizam o Direito do Trabalho já franqueiam. No direito comparado. que deve decidir. Se o empregador afirmar que não trabalhou terá que provar.1) Princípio in dubio pro operário (ou pro misero) Trata-se de transposição adaptada ao Direito do Trabalho do princípio penal in dubio pro reo (pois no processo trabalhista. indefere-se o pedido. Assim. em caso de dúvida no exame de situações fáticas concretas. e se ele não o faz e o empregado não consegue instrumentos probatórios. este princípio não é uma regra de julgamento. Toda vez que o contrato de trabalho tem fim presume-se que a culpa é do empregador. Tal princípio apresenta dois problemas: o primeiro de que ele abrange dimensão temática já acobertada pelo princípio da norma mais favorável. mais grave. seu status no mundo do Direito. em geral. Toda vez que o contrato se extingue presume-se a dispensa sem justa causa. De acordo com o professor Otávio Calvet. hoje do Estado Democrático de Direito: o princípio do juiz natural. a aplicação desse princípio. compromete. pois o princípio da continuidade da relação de emprego constitui presunção favorável ao empregado. Assim a da teoria do ônus da prova sedimentada no Direito Processual do Trabalho. pelo desequilíbrio do ônus probatório imposto às partes (em benefício do empregado). se não há prova suficiente pelo reclamante. o empregador é o réu). Essa súmula se aplica numa relação trabalhista onde o empregado pede reconhecimento do vínculo de emprego. Caso da sucessão de empresa ou sucessão de empregador. comprometeria a essência da promoção da justiça. em casos de dúvida em face do conjunto probatório e das presunções aplicáveis. em boa medida. Se ele prova que trabalhou presume-se que foi dispensado. 6ª) Presunção quanto ao fim do contrato de trabalho. de que noutra dimensão ele entra em choque com um princípio jurídico geral de essência da civilização ocidental. e. Há a súmula 212 do TST – o ônus de provar o término de contrato de trabalho quando negados a prestação de serviço e o desprendimento é do empregador. Nessa sua segunda dimensão (dimensão processual). não se faz mister transferir tal desequilíbrio à figura do juiz. o segundo. Porraz Lopes defende a aplicação deste princípio sob argumento de que o empregador tem maiores condições de produzir provas. a par de não ser científica. que utiliza o princípio in dubio pro reu. tendo em vista a maior dificuldade que o trabalhador teria para provar certos fatos e obter certos dados ou documentos. Entende ser uma . deve-se aplicar o in dubio pro misero. o que. PRINCÍPIOS JUSTRABALHISTAS ESPECIAIS CONTROVERTIDOS Existem dois princípios os quais são objeto de dissensão doutrinária acerca de suas existências e/ou validades. em desfavor de quem possua o ônus da prova naquele tópico duvidoso e não sempre em favor do empregado. 3. Sendo que.5ª) Possibilidade de manutenção do vínculo de emprego com mudança do empregador. possibilidades mais eficazes de reprodução no processo do princípio da verdade real. que é a existência da imparcialidade do juiz. ou seja.

quando a regra não é clara. utilizando a interpretação mais favorável. pois. 3. o que propõe esse princípio é a lealdade e boa-fé do empregado no cumprimento de suas obrigações trabalhistas. mesmo que se estenda sua abrangência à figura do empregador. apesar da singularidade do princípio estar na tutela de interesse empresarial. o qual será. que tutelam interesse do empregado. O TST tem utilizando a interpretação mais favorável. não for concedido pelo empregador. como. 4. cuja duração exceda de 6 (seis) horas. aumenta o salário. de 1 (uma) hora e. Porém. prestando serviços regularmente.2) Princípio do maior rendimento (princípio do rendimento / princípio da leal contraprestação) Informa tal princípio que o trabalhador estaria na obrigação de desenvolver suas energias normais em prol da empresa. no mínimo.Quando o intervalo para repouso e alimentação. tendo natureza salarial. disciplinar e funcionalmente. senão vejamos. Exemplo prático: com relação ao intervalo intra-jornada: se não gozar desse intervalo o empregador tem que pagar. Sendo hora extra incorpora. Seria a diretriz subjacente a todo poder disciplinar empregatício. é obrigatória a concessão de um intervalo para repouso ou alimentação. a desídia e negociação concorrencial ao empregador. A dúvida consiste se esse pagamento é de natureza de hora extra ou de indenização. quando há uma norma trabalhista com conteúdo duvidoso. desses princípios gerais do Direito. . Ou seja. mas não refletindo em nada. conferindo fundamento a algumas figuras de justa causa.g. previsto neste artigo. Essa norma não é clara quanto a esse acréscimo. Não é aceito por AMÉRICO PLÁ RODRIGUEZ. Se for entendido como indenização o valor é recebido.. PRINCÍPIOS DO DIREITO ADMINISTRATIVO APLICÁVEIS ÀS RELAÇÕES DE EMPREGO DOS SERVIDORES PÚBLICOS Em relação ao tema ora em foco. em contraposição a todos os outros princípios. Art. que reflete em FGTS. são duas as posições na doutrina e na jurisprudência pátrias. Assim. a contribuição etc. repouso. não poderá exceder de 2 (duas) horas. não há como se afastar da diretriz geral dos princípios da boa-fé e lealdade processual.regra de interpretação da norma material. e. 71 da CLT – Em qualquer trabalho contínuo. este ficará obrigado a remunerar o período correspondente com um acréscimo de no mínimo 50% (cinqüenta por cento) sobre o valor da remuneração da hora normal de trabalho. não sendo diferente. § 4º . enunciando-se uma expressão genérica do tipo princípio da leal contraprestação. resolve-se interpretando a norma pelo aspecto mais favorável para o trabalhador. salvo acordo escrito ou contrato coletivo em contrário. na verdade.

pela teoria dos motivos determinantes. como o Francisco Ferreira Jorge Neto. sem quaisquer prerrogativas especiais. da Carta Magna. Assim. A sociedade de economia mista. Mesmo considerando os princípios esculpidos no art. de motivar o ato de dispensa de seus empregados. O TST já julgou no sentido de que certos princípios administrativos não se aplicam a ente público sujeito ao regime jurídico privado. DEMISSÃO SEM JUSTA CAUSA. remuneração. quando o Estado deixa o privilégio do âmbito administrativo para contratar em âmbito celetista. se os motivos alegados pelo administrador não forem verdadeiros o ato será inválido. impõe-se à relação jurídica de trabalho preceitos de Direito Público. Poder-se-ia mesmo dizer que em casos tais o Estado se despe do seu poder de império. Segundo Maria Sylvia. mesmo para aqueles que entendem que tanto os atos vinculados quanto os discricionários devem ser motivados. Recurso de Revista conhecido e provido. por força do previsto no art. nesses casos os atos praticados por esses entes não seriam verdadeiros atos administrativos. o Jouberto de Quadros Pessoa Cavalcante e o Francisco Antônio de Oliveira entendem que quando a Administração Pública contrata o servidor público pelo regime celetista ela equipara-se ao empregador particular. vedação da acumulação de cargos e empregos. não mais pelos princípios de direito público. a necessidade de motivação prende-se a uma premissa anterior e necessária. etc. seja. 173. quando contrata trabalhadores sob a égide da Consolidação das Leis do Trabalho. REINTEGRAÇÃO. não havendo necessidade. mesmo nessa hipótese. Arrematam esses autores que. Os princípios de direito administrativo só se aplicariam aos servidores estatutários. (Item nº 247 da Orientação Jurisprudencial da SBDI-1 do TST). equipara-se inteiramente ao empregador comum trabalhista. por que. contudo. Seguindo esse raciocínio. portanto. por força do art. § 1º. temos que.QUINTA TURMA FONTE DJ DATA: 14-11-2003 RELATOR MINISTRO RIDER NOGUEIRA DE BRITO EMENTA SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. e a obrigatoriedade de concurso público para o ingresso na Administração Pública Indireta. de fato. perdendo até mesmo a sua dignidade de autoridade pública para figurar em sede de mandado de segurança. um ato administrativo. a de que esse ato. mas ato jurídico privado. pois não se está praticando ato administrativo típico. a uma. é valida a demissão imotivada de empregado de sociedade de economia mista. da Carta Magna. a duas. e que. sua relação com seus empregados seria regida pelo Direito privado. havendo a contratação pela Consolidação das Leis do Trabalho a Administração Pública se equipararia inteiramente ao empregador comum trabalhista. uma vez motivados. como: exigência de concurso público para a contratação dos empregados públicos.1362-2001-006-13-00 RECURSO DE REVISTA ÓRGÃO JULGADOR . antes de tudo. ato administrativo é a declaração do Estado ou de . que estabelece para esses entes o mesmo regime jurídico das empresas privadas nas relações de trabalho.Alguns autores. Para se saber se um ato é administrativo ou não mister se faz a análise de seu conceito. Isso porque. da CF/88. § 1º. caput. vinculado ou discricionário. qual seja. senão vejamos: TRIBUNAL: TST DECISÃO: 08 10 2003 NUMERAÇÃO ÚNICA PROC: RR . 37. 173.

a dizer: aos princípios da legalidade. está sujeita aos princípios explicitados pelo caput do art. 173 da CR/88. mesmo nos casos de empresas públicas sujeitas ao regime das empresas privadas. razoabilidade. moralidade administrativa. segurança jurídica. por força do art. pode-se extrair a conclusão que. interesse público. no esteio dos ensinamentos da Maria Sylvia. publicidade e eficiência.SUBSEÇÃO I ESPECIALIZADA EM DISSÍDIOS INDIVIDUAIS FONTE DJ DATA: 07-11-2003 PARTES EMBARGANTE: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS . tendo em vista a supremacia do interesse público sobre o particular (finalidade pública) e/ou a indisponibilidade. 37 da CR. entende que toda a Administração Pública. independentemente do tipo de vínculo estabelecido com os seus servidores (se estatutário ou se celetista). Já a Lei 9784/99 (lei do processo administrativo federal) acrescentou a esses princípios. motivação. EMBARGADOS: MARLYSE DA COSTA DIAS E OUTROS. se no próprio conceito de ato administrativo há a referência a ato praticado pelo Estado sob regime de direito público. Para reflexão: como no capítulo referente ao regime jurídico administrativo a Maria Sylvia aduz que a motivação é um princípio de toda a Administração Pública. há derrogação das normas privadas por preceitos de ordem pública. senão vejamos: “ORIGEM TRIBUNAL: TST DECISÃO: 20 10 2003 PROC: ERR NUM: 514118 ANO: 1998 REGIÃO: 01 EMBARGOS EM RECURSO DE REVISTA TURMA: D1 ÓRGÃO JULGADOR .quem o represente. a motivação realmente não seria obrigatória. afirmando que. pela Administração. com observância da Lei. A segunda corrente doutrinária e jurisprudencial. Implícitos ou explícitos. RELATORA MINISTRA MARIA CRISTINA IRIGOYEN PEDUZZI . sob regime jurídico de direito público e sujeita a controle judicial. Nesse sentido já entendeu o TST. dos interesses públicos. contraditório. pois não se trata de ato administrativo. ampla defesa. 37 da CR. os princípios acima se aplicam à toda Administração Pública. os seguintes: finalidade. que produz efeitos jurídicos imediatos. submetida ao regime jurídico das empresas privadas. como os princípios previstos no caput do art. como é cediço. direta ou indireta. não se poderia afirmar que tanto nos atos administrativos. impessoalidade. por força do 173 da CR. no caso de um ato praticado por sociedade de economia mista. proporcionalidade. mas sim ato da administração. Dessa forma.SERPRO. quanto nos atos da administração a motivação seria sempre necessária? Ademais. mesmo quando a administração se submete ao regime de direito privado ela sempre sofre restrições de ordem constitucional ou infraconstitucional.

ANISTIA . Ora. como já assentado em diversos outros precedentes desta Corte. sede material dos princípios da moralidade administrativa e da legalidade. Existe para proteger o particular da superveniência de norma elaborada pelos poderes constituídos que venha a afetar.PRINCÍPIO DO ACESSO UNIVERSAL AOS CARGOS PÚBLICOS .878/94 . IV.art. necessário seria reavaliar as provas e fatos da causa. 5º. O dispositivo aludido é uma garantia individual oponível contra o Estado. não há a vislumbrada violação ao art. da Constituição Republicana . pois o que a Lei de Anistia preconiza é precisamente a sua afirmação. não há que se falar em ofensa ao art. da Constituição da República. fundados em odiosa política segregacionista. Em outras palavras.ATO JURÍDICO PERFEITO . No tocante à violação ao princípio do acesso universal aos cargos públicos . esculpido no art.DISPONIBILIDADE DE RECURSOS ORÇAMENTÁRIOS .EMENTA RECURSO DE REVISTA . cujo instrumento é o concurso público. Conforme assentado pelo acórdão regional. parágrafo único. incide a Lei de Anistia. Embargos não conhecidos. da Carta Magna. 37 da Carta.também não tem melhor sorte o recurso. para chegar-se à conclusão preconizada pelo Recorrente. Finalmente. dentre as quais destaco os princípios da moralidade e legalidade.REINTEGRAÇÃO AUTORIZADA PELA LEI DE ANISTIA ENUNCIADO Nº 126/TST. DECISÃO Por unanimidade.LEI Nº 8. não assiste razão ao Embargante. o princípio do pluralismo político. a coisa julgada e o direito adquirido. o Reclamado não demonstrou que havia insuficiência de recursos orçamentários. II. da Constituição Federal. providência vedada em sede extraordinária. 37 constitucional. Assim.MOTIVOS DETERMINANTES DA DISPENSA ILÍCITOS . É certo que as empresas públicas estão submetidas ao regime celetista. como as que compõem o "caput" do art. Igualmente. Todavia. o direito potestativo de extinguir a relação de trabalho não é absoluto e comporta restrições de diversas modalidades. em relação a sua situação jurídica subjetiva. por força do Enunciado nº 126/TST. para alijar da Administração pessoas identificadas com movimentos políticos de oposição. da Constituição Federal. Desse modo. sofrem o influxo derrogatório de diversas normas publicistas. o ato jurídico perfeito. se o Direito Administrativo dispõe que os motivos alegados pelo administrador o vinculam e tendo ficado assentado. Deve-se relativizar a idéia de irretroatividade para permitir que a lei alcance atos discriminatórios do Estado. na moldura fática delineada pelo acórdão regional. o que o dispositivo constitucional referido proíbe é a investidura primária do empregado público sem o crivo do princípio da universalidade de acesso. que o SERPRO não comprovou os motivos implausíveis da dispensa. dentre elas a que impõe. No que concerne à ofensa ao artigo 169. XXXVI. 1º. 37. Não há violação ao art. Não se proíbe que servidores dispensados arbitrariamente sejam reintegrados aos quadros da Administração. 173. não conhecer dos Embargos. conforme bem detectado pela Corte inferior. por força do regime de direito especial positivado na Constituição. § 1º. como consectário da teoria dos motivos determinantes.” . com força constitucional.

Estado. para que se possa aferir se o desligamento de tais ou quais empregados obedeceu a critérios impessoais. ainda. os empregados públicos são contratados sob o regime da CLT. em casos de necessidade imediata de admissão de pessoal ou de contratação de profissionais de maior qualificação). e da conseqüente reintegração (e não meramente compensação indenizatória) via judiciário trabalhista.g. O princípio da impessoalidade também seria aplicável na hipótese. Por fim. Outro princípio aplicável aos servidores com emprego público seria o da necessidade de processo regular. e. I.Para a Maria Sylvia Zanella Di Pietro. ANEXOS: Texto 1) PRINCÍPIOS DE DIREITO DO TRABALHO (Resumo do livro "Instituições de Direito do Trabalho" . como tem de ser. Embora sujeitos à CLT. seja por disposição expressa constante do art. Para Alonso Olea. entre outras previstas no capítulo VII.. de política de contenção de despesas na área de pessoal. da CR/88. para apuração da falta cometida ou de sua inadequação às atividades que lhe concernem. a começar pela limitação da remuneração dos agentes das empresas estatais ou de suas subsidiárias. que prevê a necessidade de concurso público para o acesso a emprego público (exceto. o princípio geral de direito é mais do que uma fonte supletiva para ser aplicada na . Esse autor aduz que. seja. Conceito e importância A CLT inclui os princípios gerais de direito "principalmente direito do trabalho" entre as fontes a que a justiça do trabalho e as autoridades administrativas devem recorrer para sanar omissões no campo das relações de trabalho. com direito à defesa. salvo as exceções de acúmulo permitido. da Constituição. É que (tal como ocorre no serviço público em geral) se sujeitam ao teto remuneratório correspondente ao dos subsídios de Ministro do STF. acumulação de cargos. Aduz. ou Município para pagamento de seu pessoal ou custeio em geral (art. sob pena de nulidade do despedimento. por imposição também do parágrafo 1º do art. XVII. 9º. 173 da CR/88. submetem-se a todas as normas constitucionais referentes a requisitos para a investidura. o qual veda que sejam cumulados cargos. II. estarem tais servidores jungidos ao art. da CR/88). salvo se a empresa não receber recursos da União. reservada privativamente à União (art. sendo a Justiça do Trabalho a competente para conhecer das questões relativas a tais vínculos. DF. 37. Estados e Municípios não podem derrogar outras normas da legislação trabalhista. da CR). da CR/88. 22. seja por força de tratar-se de entidade de Direito Privado. o qual é aplicável com as alterações decorrentes da CR/88. haveria a submissão ao artigo 37. já que não possuem competência para legislar sobre direito do trabalho. de forma que se estabelecem previamente critérios objetivos em função dos quais serão feitos os cortes. 182 do Decreto-lei 200. no caso das exploradoras de atividade econômica. submetidos às normas da CLT. ou de redução do quadro. vencimentos. 37. funções ou empregos públicos.Arnaldo Süssekind) 1. ainda aqui há influxo de princípios ou regras de Direito Público que determinam algum tratamento peculiar a esses empregados. sem embargo. do Título III. os agentes públicos integrantes das empresas estatais são empregados. Segundo Celso Antônio Bandeira de Mello.

referiu: III . que inspira todo o sistema com múltiplos efeitos. Por seu turno. b) princípio da norma mais favorável. pelo que podem servir para promover e embasar a aprovação de novas normas. O autor diz que princípios são enunciados genéricos.os valores sociais do trabalho. Américo Plá Rodrigues. e IV . mas também da possibilidade real de os sindicatos por meio dos instrumentos da negociação coletiva. 2. mediante tutela sindical. Os fundamentos jurídicos-políticos e sociológicos do princípio protetor geram. . é na verdade um critério geral de ordenação. ao elaborar as leis dos respectivos sistemas. orientar a interpretação das existentes e resolver casos não previstos". visando a opor obstáculos à autonomia da vontade. E o respeito à dignidade do trabalhador constitui um dos direitos supraestatais inerentes ao ser humano. que a constituição brasileira adotou. b) tem caráter normativo. e) dão unidade e confiança á disciplina. outros: a) princípio in dúbio pro operário. Os instrumentos normativos alusivos às relações de trabalho devem objetivar a prevalência dos valores sociais do trabalho. sem dúvida. que caracterizam a intervenção básica do Estado nas relações de trabalho. busca do pleno emprego". tal como procedeu em relação á seguridade social. nos países de economia de mercado o intervencionismo estatal nas relações de trabalho reduz-se na razão inversa do fortalecimento da organização sindical. 3. destinados a iluminar tanto o legislador. por exemplo. conseguirem a estipulação de condições adequadas de trabalho ou a complementação da base mínima fixada por lei. a que for mais favorável ao trabalhador. portanto. Hoje a maior ou menor intervenção do Estado nas relações de trabalho. pois se aplicam à situações de fato e de direito. explicitados ou deduzidos do ordenamento jurídico pertinente. como o intérprete. Pondere-se nesse passo que se vem desenvolvendo a tese da flexibilização. a mais favorável ao trabalhador. em virtude do qual. c) são eles os preceitos que sustentam e tipificam o direito do trabalho. desde que não afronte a nítida manifestação do legislador. Alfredo Ruprecht deduz as seguintes conseqüências dos princípios: a) tem caráter de preceitos jurídicos que podem ser aplicados.dignidade da pessoa humana. cuja observância independe da vigência de leis nacionais ou tratados internacionais. função social da propriedade. ao relacionar os princípios gerais da atividade econômica. a situações conjunturais ou a exigências de nova tecnologia. Princípios específicos do direito do trabalho O princípio da proteção do trabalhador resulta das normas imperativas e. aludiu: "valorização do trabalho humano. justiça social. Todavia. e nem se trate de matéria probatória. Princípios constitucionais gerais A nova Carta não revelou expressamente os princípios informadores do direito do trabalho. que aconselha o intérprete a escolher entre duas ou mais interpretações possíveis. ao aplicar as normas ou sanar omissões. ao sublinhar os fundamentos da República. de ordem pública. depende não apenas do sistema econômico adotado pelo respectivo regime jurídico-político. empresariais ou profissionais. define os princípios como "linhas diretrizes que informam algumas normas e inspiram direta ou indiretamente uma série de soluções. aplica-se em cada caso. A necessidade de proteção social do trabalhador constitui a raiz sociológica do direito do trabalho e é imanente a todo o seu sistema jurídico. Poder-se-ia afirmar que.omissão ou imprecisão da lei ou do costume. ainda que timidamente. d) orientam a interpretação da lei e solucionam situações de dúvida ou não previstas. independentemente da sua colocação na escala hierárquica das normas jurídicas. capaz de proporcionar a adaptação de condições de trabalho. assim como a peculiaridades regionais.

e bem assim que se distinga na aplicação de normas gerais entre o trabalho técnico.5. uma vez que não foi consagrada a estabilidade absoluta do trabalhador no emprego. preservar sua impenhorabilidade e assegurar-lhe posição privilegiada em caso de insolvência do empregador A carta Magna de 1988.6. c) princípio da irredutibilidade do salário.Bibliografia 1. norma mais favorável e da condição mais benéfica) o da irrenunciabilidade de direito. Nãodiscriminação. PRINCÍPIOS: UM BOM COMEÇO "os princípios haurem parte de suas majestades no mistério que os envolve. especificamente quanto ao direito trabalho: a) princípio da não-discriminação. Juiz Federal Substituto (extraído do seu site: www.2. o da boa-fé tem ampla aplicação nas relações de trabalho.3. Princípios: um bom começo . independentemente do levantamento do FGTS. já embutido na regra da inalterabilidade salarial decorrente do princípio protetor.georgemlima. o qual não sendo inflexível. que visam a protegê-lo de descontos abusivos. Texto 2) Que aprofunda certos temas estudados nesse ponto. como." Jean Boulanger . d) princípio da primazia da realidade. ainda que sob a capa simulada. porque então o princípio cairia. que determina a prevalência das condições mais vantajosas para o trabalhador. Pode um princípio embasar uma pretensão em juízo? . consagra.hpg. e. Princípios expressos e não expressos: "descobrindo" os princípios constitucionais . o da boa-fé. o referente às diferenças entre princípios e regras.c) princípio da condição mais benéfica. idade. princípios e regras . o da continuidade do contrato. Passanante. Normas. manual ou intelectual ou entre os profissionais. cor ou estado civil. o da realidade. em razão do qual a relação objetiva evidenciada pelos fatos define a verdadeira relação jurídica estipulada pelos contratantes. b) princípio da continuidade da relação de emprego. que proíbe diferença de critério de admissão. e) os princípios da integralidade e da intangibilidade do salário.flexibilização. recusando a justificação de irresponsabilidade que se queria alegar em sua defesa. de salário em razão de deficiência física. pode ser afetado pelos instrumentos da negociação coletiva .g. em virtude do intenso relacionamento entre trabalhador e empregador. Embora se trate de um princípio geral do direito. das normas de indenização nas despedidas arbitrárias.br) "Da morte não faço caso. de exercício de funções e de salários por motivo de sexo. Sumário: 1. Afronta a princípios constitucionais e o recurso extraordinário . justiça social e equidade. ainda que vigore ou sobrevenha norma jurídica imperativa prescrevendo menor nível de proteção e que com esta não sejam elas incompatíveis. Ruprecht enumera os seguintes princípios: protetor (do qual derivam o in dúbio pro operário. o da razoabilidade. dignidade humana. colaboração. e do aviso prévio... ajustadas no contrato de trabalho ou resultantes do regulamento. não correspondente à realidade. Conclusão . emana. A força normativa dos princípios constitucionais Por George Marmelstein Lima.com.4. O que não quero é passar por doido. ou de critério de admissão. regicida italiano do século passado. Que me importa a vida? O que me importa é que o princípio se mantenha". o do rendimento. o qual somente em casos especiais.

GENARO CARRIÓ.. do latim pricipium. citado por EROS ROBERTO GRAU. significa. Em sentido semelhante. Malheiros. seriam standards. no que lhe confere a tônica e lhe dá sentido harmônico. São Paulo. "Princípio". Curso de Direito Constitucional Positivo.Para discorrermos com segurança acerca da força normativa dos princípios constitucionais. Malheiros. Tal noção. nada mais." apud BONAVIDES. 1994. da coordenação e da íntima racionalidade das normas. para regras que as desdobram. discorrendo sobre o tema. são ponto de referência. São Paulo. 1998. GRAU. caracterizam-se por possuírem um grau máximo de . 76). a Corte Constitucional italiana assim definiu princípios: "são aquelas orientações e aquelas diretivas de caráter geral e fundamental que se possam deduzir da conexão sistemática. seriam generalizações. 7a ed. Da mesma forma. Vol. 230. verdadeiro alicerce dele. Nos dois primeiros sentidos. pp. começo. nada menos do que onze significações atribuíveis à expressão princípio jurídico (GRAU. sobretudo do Direito Constitucional. 1991. explica-nos PAULO BONAVIDES. Malheiros.ou seja. as disposições que preordenem o conteúdo da regra legal. José Afonso da. Curso. 228). utilizando o célebre conceito de CELSO ANTÔNIO BANDEIRA DE MELLO. no atual estágio de evolução da Teoria Geral do Direito. 84) e polissêmico (Cf. MANOEL GONÇALVES FERREIRA FILHO. normas (gerais ou generalíssimas) que exprimem valores e que por isso. São Paulo. não podemos deixar de lado que princípio é um termo multifacetário. 1980. Celso Antônio Bandeira de. modelo. Ltr. porém. A Ordem Econômica na Constituição de 1988. A Ordem Econômica na Constituição de 1988. a partir dele enunciando. o que são os princípios. início. (Para uma compreensão mais completa e profunda do tema. ainda que superficialmente. Elementos de Direito Administrativo. ou seja. deriva da linguagem da geometria. Malheiros. obtidas por indução a partir das normas vigentes sobre determinada ou determinadas matérias. por definição. 230) A despeito de ser uma noção bastante clara. o termo tem uma conotação prescritiva. SILVA. Eros Roberto. o capítulo 8 (Dos Princípios Gerais de Direito aos Princípios Constitucionais) do Curso de Direito Constitucional (7a ed. Num primeiro." (MELLO. São Paulo. 4a ed. entender. que concorrem para formar assim.p. O que é importante assinalar. Direito Constitucional do Trabalho . No último. faz a seguinte elucidação: "os juristas empregam o termo 'princípio' em três sentidos de alcance diferente. os princípios jurídicos. aqui a palavra princípio conota a idéia de "mandamento nuclear de um sistema".) do professor Paulo Bonavides traz uma análise insuperável do tema).Elementos teóricos para uma formulação dogmática constitucionalmente adequada. seriam 'supernormas'. de Ruy Samuel Espíndola. p.. no derradeiro. pois. origem das coisas. fundamental é a leitura da obra Conceito de Princípios Constitucionais . 76). numa acepção vulgar. 4a ed. p. São Paulo. "onde designa as verdades primeiras" (Curso de Direito Constitucional. 1998. Ed. antes de tudo. o sentido que adotamos quando nos referimos aos "princípios constitucionais". o tecido do ordenamento jurídico. em qualquer ângulo em que se ponha o jurista ou operador do direito.Estudos em Homenagem ao prof. p. No segundo. Manoel Gonçalves. I. a despeito da multi-dimensionalidade do sentido da palavra. a conotação é descritiva: trata-se de uma 'abstração por indução'" (FERREIRA FILHO. 9a ed. Paulo. RT. Ed. p. Não é este. para quem princípio é. 73-74). equívoco (Cf. precisamos.. num dado momento histórico. "mandamento nuclear de um sistema. 1998. Da mesma forma. Eros Roberto.. Amauri Mascaro do Nascimento. é que. que se imporiam para o estabelecimento de normas específicas . p. exatamente por definir a lógica e a racionalidade do sistema normativo. disposição fundamental que se irradia sobre diferentes normas compondo-lhes o espírito e servindo de critério para sua exata compreensão e inteligência. indica sete focos de significação assumidos pelo vocábulo princípio. Realmente.

Vale ressaltar que SAMPAIO DÓRIA. as duas espécies de normas (Deve ser ressaltado. São Paulo. RT. em grande parte. 230. o conteúdo: sejam. sustenta que o princípio "não representa mera aspiração ideológica (. tendo em vista a enorme carga valorativa que nele está inserida). As normas-disposição. E mais: "violar um princípio é muito mais grave do que transgredir uma norma [rectius.. conforme o escalão do princípio atingido. ou simplesmente princípios. 210)..p. nada obstante sua força vinculante. a grandes juristas incorrerem no erro primário de igualar as regras às normas. em trabalho pioneiro escrito em 1926 (!). Graças. Ed. Já as normas-princípio. têm. desenvolvendo e especificando ulteriormente o preceito em direções mais particulares (menos gerais). 2a ed. que alguns autores (Perez Luño. 3a ed.) apesar de terem positividade. regra]. em particular. NORMAS. e portanto resumem. 1998.. p. Curso. Paulo.p. É a mais grave forma de ilegalidade ou inconstitucionalidade. 210). o que leva. ao contrário. já em 1952: "Princípio é. Porém. nem menos. deixaremos de tratar dos valores como espécie de normas. Dada a fundamental característica normativa dos princípios.. A desatenção ao princípio implica ofensa não apenas a um específico mandamento obrigatório. subversão de seus valor es fundamentais. 230. pois. Porém. 141). sem mais. em geral. Paulo. mais do que isso: uma norma jurídica iguais às outras. tanto que não lhe falta a possibilidade de sancionamento". PRINCÍPIOS E REGRAS Durante muito tempo houve uma dissociação dos conceitos de normas e princípios.. mas a todo o sistema de comandos. os princípios gerais do direito foram os antecedentes históricos dos princípios constitucionais. Curso. das quais determinam. que a pressupõem. cumpre fazer uma melhor distinção entre regras e princípios. com efeito. sucessor de HERBERT HART na cátedra de Jurisprudence na Universidade de Oxford. o professor cearense. não constituem normas jurídicas" (p. estas efetivamente postas. aos estudos de ROBERT ALEXY e do jusfilósofo norteamericano RONALD DWORKIN. Partindo dessa "pré-compreensão" de princípio como norma jurídica. Saraiva. vale dizer.. São Paulo. outrossim. preferindo incluí-los como parte componente do próprio princípio. que são.)." (BARROSO. São Paulo. uma normatividade potencializada e predominante. "(. Luís Roberto. ARNALDO VASCONCELOS: "Os princípios gerais de Direito. ao lado dos princípio e das regras." (MELLO. normas jurídicas no sentido formal do termo" (Teoria da Norma Jurídica. Seguindo esta trilha. 208). porque representa insurgência contra todo o sistema. não são. a meu ver. potencialmente. ainda hoje. tendo . toda norma jurídica. 238).. "Tanto uma constelação de princípios quanto uma regra positivamente estabelecida podem impor uma obrigação legal" (apud BONAVIDES. maior teor de abstração e uma finalidade mais destacada dentro do sistema. Interpretação e aplicação da Constituição. mais à frente. p. O próximo tópico tratará do assunto. BOBBIO faz um clara análise dos princípios gerais do Direito (Segundo PAULO BONAVIDES. p. Em sentido contrário. como espécies de norma.. Os colchetes são nossos).juridicidade. na sugestiva passagem de RONALD DWORKIN. por transcender aos estreitos limites do objeto desse estudo. também referidas como regras. 1980. Elementos de Direito Administrativo. contudo. Celso Antônio Bandeira de. essa dissociação foi superada: "a dogmática moderna avaliza o entendimento de que as normas jurídicas. Pietro Sanchis e García de Enterria) incluem os valores. e as normas constitucionais. afigura-se acertada a noção desenvolvida por CRISAFULI. enquanto considerada como determinante de uma ou de muitas outras subordinadas. p. cujo título era Principios Constitucionais. normalmente. apenas dedutíveis do respectivo princípio geral que as contém" (Apud BONAVIDES. contraditoriamente. têm eficácia restrita às situações específicas as quais se dirigem. na atual fase de evolução da Teoria Geral do Direito. podem ser enquadradas em duas categorias diversas: as normas-princípios e as normas-disposição. Malheiros. 2. sejam. 1993.

legal ou mesmo infralegal) para bem entender seu posicionamento no ordenamento jurídico. saber como distinguir. A palavra princípios leva a engano. e) Natureza normogenética: os princípios são fundamento de regras. norma é o gênero do qual são espécies as regras e os princípios (e os valores. São Paulo. as regras possuem uma abstracção relativamente reduzida. e ás paixões dos homens. E qual seria a diferença entre regras e princípios? A resposta não é simples. carecem de mediações concretizadoras (do legislador? do juiz?). enquanto as regras são susceptíveis de aplicação direta. c) Carácter de fundamentalidade no sistema de fontes de direito: os princípios são normas de natureza ou com um papel fundamental no ordenamento jurídico devido à sua posição hierárquica no sistema das fontes (ex: princípios constitucionais) ou à sua importância estruturante dentro do sistema jurídico (ex: princípio do Estado de Direito). por isso. no âmbito do superconceito norma. principios são as bases organicas do Estado. as normas mais gerais. o estudioso do direito equiparar a norma jurídica às regras. Conceito de Princípios Constitucionais. que se diferenciam lógica e qualitativamente. a meu ver. Brasília. 7a ed. por serem vagos e indeterminados. isto é. mas se pode. deve aferir-lhes a espécie (princípios ou regras) e a hierarquia (norma constitucional. que. São Paulo. e não flores ou estrelas. Para CANOTILHO. Estas são apenas uma das faces das normas. ao analisá-las. b) Grau de determinabilidade na aplicação do caso concreto: os princípios. Não pode. p. que como naus da civilização devem sobrenadar ás tempestades politicas. e ambos válidos: antes de mais nada. tanto que é velha questão entre juristas se os princípios gerais são normas. através de um procedimento de generalização sucessiva. Norbeto. para os que aceitam essa tese). E com que finalidade são extraídos em caso de lacuna? Para regular um comportamento não-regulamentado: mas então servem ao mesmo escopo que servem as normas. E esta é também a tese sustentada por Crisafulli. não se vê por que não devam ser normas também eles: se abstraio da espécie animal obtenho sempre animais. podendo. 1999. são normas que estão na base ou constituem a ratio de regras jurídicas. E por que não deveriam ser normas?"( BOBBIO. na atual classificação. 1996. d) 'Proximidade da ideia de direito' : os princípios são 'standards' juridicamente vinculantes radicados nas exigências de 'justiça' (DWORKIN) ou na 'ideia de direito' (LARENZ). Unb. 109). Conceito de Princípios Constitucionais. em direito constitucional. entre regras e princípios. aquelas generalidades do direito publico. normas fundamentais ou generalíssimas do sistema. já definia os princípios como normas: "principios se entendem por normas geraes e fundamentaes que inferem leis. Revista dos Tribunais. isto é. os argumentos são dois. Ruy Samuel. chegar a uma distinção satisfatória. Ruy Samuel. por conseguinte. Para mim não há dúvida: os princípios gerais são normas como todas as outras. uma função normogenética fundamentante" (Apud ESPÍNDOLA. p. a função para qual são extraídos e empregados é a mesma cumprida por todas as normas. Em segundo lugar. desempenhando. pois. é uma tarefa particularmente complexa. 1999. 65). ser utilizado os seguintes critérios por ele sugeridos: "a) O grau de abstração: os princípios são normas com um grau de abstracção relativamente elevado. E. a função de regular um caso. . 159). as regras podem ser normas vinculantes com um conteúdo meramente formal. Dessume-se. de modo diverso. de cunho pós-positivista. p. inserindoos no amplo conceito de normas: "Os princípios gerais são apenas. O jurista. Teoria do Ordenamento Jurídico. com a ajuda de doutrinadores. Os principios constitucionaes da União brasileira são aquelles canones. se são normas aquelas das quais os princípios gerais são extraídos. Para sustentar que os princípios gerais são normas.como referência a Constituição Republicana de 1891. porém. sem os quaes não existiria esta União tal qual é nas suas características essenciaes" (apud ESPÍNDOLA. Revista dos Tribunais.

"aquele que detiver a coisa em nome alheio. Porto Alegre. quando já não são mesmo. São Paulo. extraindo a conseqüência prevista normativamente. fixando. Como se observa. 1999. deverá nomear à autoria o proprietário ou o possuidor" (art. sem descrever uma situação jurídica. Raimundo Bezerra. Eros Roberto. na lição de CANOTILHO: "Um modelo ou sistema constituído exclusivamente por regras conduzir-nos-ia a um sistema jurídico de limitada racionalidade prática. que. ex.legalismo . antinômicos entre si" (Direitos Fundamentais. expressam um valor ou uma diretriz. Fernando Ferreira dos. sem qualquer exceção. dando unidade e harmonia ao sistema normativo. com a descrição (ou "tipificação") de um fato. porém. Cabe. exigindo. São Paulo. Exigiria uma disciplina legislativa exaustiva e completa . 1995.Na lição de WILLIS SANTIAGO GUERRA FILHO. segundo PAULO BONAVIDES. dizia: "Há entre princípio e regra jurídica não somente uma disparidade de importância mas uma diferença de natureza.. igualmente dotados de validade positiva e de um modo geral estabelecidos na constituição. 14. ou seja. 1997. WILLIS SANTIAGO GUERRA FILHO. In: Dos Direitos Humanos aos Direitos Fundamentais. assim. nem se reportar a um fato particular. Uma vez mais o vocábulo é a fonte de confusão: a generalidade da regra jurídica não se deve entender da mesma maneira que a generalidade de um princípio" (BONAVIDES. por sua vez. p. ou melhor. São Paulo. que as regras são "concreções dos princípios" (GRAU. Pode-se dizer. "todos são iguais perante a lei". vem logo à tona a famosa frase do jurisconsulto WACH de que "a lei é mais sábia que o legislador". Coor. que. irradiam-se por diferentes partes do sistemas. as regras "possuem a estrutura lógica que tradicionalmente se atribui às normas do Direito. ex. Importante salientar que tanto as regras quanto os princípios são necessários à composição do sistema jurídico. no caso da qualificação como "fato permitido"). foi o mais insigne predecessor da normatividade dos princípios. 1997. Livraria do Advogado. a regra "tem no espírito do intérprete sua usina e complemento de produção" (FALCÃO. pois. as premissas e os resultados das regras jurídicas. amparada em uma sanção (ou na ausência dela. por trás de toda regra há um princípio que a fundamenta (Dessa assertiva. Ressalte-se que Alexy é um dos grandes expoentes dessa dogmática principialista que domina os discursos constitucionais da atualidade) das regras. in abstracto. p. da melhor maneira possível. Malheiros. 16). que em determinado caso concreto podem se conflitar uns com os outros. que se possa precisar com facilidade a ocorrência. 62 do CPC). conforme SANTOS. processo e princípio da proporcionalidade. 239). proíbem ou permitem algo em termos definitivos (direito definitivo). 17). JEAN BOULANGER. p. p. onde a igualdade surge como a instância valorativa adotada pela Carta Magna. Eles devem ser entendidos como indicadores de uma opção pelo favorecimento de determinado valor. Conseguir-se-ia um 'sistema de segurança'. P. P. Idem. preenchidos os pressupostos por ela descrito. Celso Bastos Editor. informando a compreensão das regras. vinculam fatos hipotéticos específicos.do mundo da vida. juntamente com outras tantas opções dessas. Ed. mas não haveria qualquer espaço livre para a complementação e . p. É a natureza normogenética dos princípios. outros princípios igualmente adotados. 265). pois. a diferença entre os princípios e as regras são quantitativas e qualitativas. a realização de algo.prossegue o jurista cearense -. ao que se acrescenta a sua qualificação prescritiva. Possuem um maior grau de abstração e. sendo-lhe demandada em nome próprio. b) os princípios. Em outras palavras: a) as regras descrevem uma situação jurídica. não se reportam a um fato específico. Malheiros. observadas as possibilidades fáticas e jurídicas (reserva do possível). Hermenêutica. Paulo. Já os princípios fundamentais . Princípio Constitucional da Dignidade da Pessoa Humana. Licitação e Contrato Administrativo. exigem. e estes são "mandamentos de otimização" (A expressão é de Alexy. em termos definitivos. Afinal. Já no século passado. a ser levada em conta na apreciação jurídica de uma infinidade de fatos e situações possíveis. portanto. ao hermeneuta extrair da regra o sentido que melhor se coadune com a diretriz dada pelo princípio que fundamenta essa regra mesma).

não haveria um "direito" líquido e certo a ser protegido. 1996. impondo. Curso. Logo. Malgrado possa parecer que essa idéia de sistema jurídico como o somatório de regras e princípios tenha valor meramente doutrinário. convertidos em pedestal normativo sobre o qual assenta todo o edifício jurídico dos novos sistemas constitucionais" (Idem. considerando que a Constituição é um sistema de normas ("A Constituição. porém.. São Paulo. ou . a coexistência de princípios conflitantes. só poderiam conduzir a um sistema falho de segurança jurídica e tendencialmente incapaz de reduzir a complexidade do próprio sistema" (Apud ESPÍNDOLA. apto a garantirlhe a imperatividade. a dependência do 'possível' fáctico e jurídico. O modelo ou sistema baseado exclusivamente em princípios (. por exemplo. como qualquer outra norma. porquanto.p. é um documento jurídico. é divisão de órgãos. a inexistência de regras precisas. além de ser amplamente usado pela melhor doutrina. retira grande parte da eficácia protetiva do mandado de segurança. são peremptoriamente normas de hierarquia constitucional. P. Ainda hoje. tornando "a teoria dos princípios hoje o coração das Constituições" (Idem.ainda está consagrado em nossa Carta Magna e reforça a importância e força política das três funções estatais..) levar-nos-ía a conseqüências também inaceitáveis. Nas palavras de José de Albuquerque Rocha: "a 'divisão dos poderes'. de uma sociedade pluralista e aberta. Trata-se. como espécie do gênero normas jurídicas. considerando-as prescrições desprovidas de sanção. uma vez posta em vigência. pois. dentre os quais a imperatividade.. Revista dos Tribunais. há quem entenda que a violação a um princípio não justifica a concessão de um mandado de segurança. qual seja. 237). p. já. elas contêm um mandamento. doravante. De princípios gerais se transformaram. inclusive pelo estabelecimento das conseqüências de insubmissão ao seu comando. Corresponderia a uma organização política monodimensional (. p. Rio de Janeiro. uma prescrição. mormente em face da inserção dos princípios nos textos constitucionais. Limites e Possibilidades da Constituição Brasileira. subsidiário. em princípios constitucionais" (BONAVIDES. na maioria dos casos.BARROSO. com força jurídica e não apenas moral. como o constitucional. do balanceamento de valores e interesses.desenvolvimento de um sistema. 3a ed. Realmente. Paulo. p. vez que. E mais: "a constitucionalização dos princípios constitui-se em axioma juspublicístico de nosso tempo" (Idem. Tratava-se mais de disposição política do que jurídica. operou-se "uma revolução de juridicidade sem precedentes nos anais do constitucionalismo. na verdade. é um sistema de normas. o certo é que ela enfatiza a força normativa e vinculante dos princípios. no aspecto substancial. na verdade. conquanto seja termo bastante criticado . 287). p. densificação e concretização pelos três poderes (O termo é aqui utilizado com acepção semelhante à dada por Montesquieu. a de "Poder Constituído". a violação a direito líquido e certo ocorre por transgressão a princípios. Renovar. e que os princípios. que é necessariamente um sistema aberto. por possuírem grande traços de indeterminação. é uno e indivisível e pertence ao povo . a sua inobservância há de deflagrar um mecanismo próprio de coação. "as novas Constituições promulgadas acentuam a hegemonia axiológica dos princípios. meramente indicativo. 1999. atual.. das concordâncias. 18). Por outro lado. quando muito. Com o evoluir da Teoria Geral do Direito. de cumprimento forçado. de uma visão distorcida e desatualizada que. As normas constitucionais. Conceito de Princípios Constitucionais. como têm um caráter hierarquicamente superior. no caso. uma ordem.).vez que "poder". De regra. De fato. A Constituição e a efetividade de suas normas. 232). por esse motivo. não obstante a paradoxal equivocidade que longamente campeou nesta matéria. Assim. há juristas que não compreendem a verdadeira força normativa dos princípios. um legalismo estrito de regras não permitiria a introdução dos conflitos. 186). não há mais como negar o seu caráter jurídico e vinculante. a sua observação. As disposições constitucionais são não apenas normas jurídicas. Ruy Samuel. Luís Roberto. estes.. 253).. Assim. impondo sua aplicação sempre e sempre. tinham valor suplementar. conservam os atributos essenciais destas. mero ideário não-jurídico" . A indeterminação. na antiga noção que distinguia as normas dos princípios.

Uma coisa é o poder do Estado. por esse preceito. figurem ou não nos Códigos" (BONAVIDES. por que não dizer. podem ser encontrados tanto no próprio texto constitucional. uno e indivisível. PRINCÍPIOS EXPRESSOS E NÃO PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS EXPRESSOS: "DESCOBRINDO" OS "Por que. vez que eles podem ser encontrados "de forma latente" no ordenamento. como preferem alguns. devem ser tratados como normas capazes de impor obrigações e direitos no mundo fático. a fim de tornar possível a solução. ou seja. 1995. que parece estar superada em face do surgimento dessa nova teoria pós-positivista que. em uma segunda fase. "Assim como quem tem vida física. De fato. Por outro lado. para exercitarem as distintas funções do Estado. que carecem de disposição expressa. especialmente carecido de concretização. associadas: densifica-se um espaço normativo (= preenche-se uma norma) para tornar possível sua concretização e a conseqüente aplicação a um caso concreto. dos problemas concretos. a densificação de um princípio é uma tarefa complexa. Curso. As tarefas de concretização e de densificação de normas andam pois. por uma análise sistemática do texto constitucional. seguindo a lição de CANOTILHO. quanto na lei. que se inicia com a leitura isolada do texto que enuncia o princípio. No entanto. é a principal destinatária das normas jurídicas. Paulo. explícito no art. Executivo e Judiciário) e.separação relativa de órgãos. ou mesmo da unidade da Constituição. que. é fazer com que ele chegue até a norma de decisão. por sua vez. toleirões. Com efeito. por isso mesmo. longe de querer adentrar em discussões jusfilosóficas. a densificação do princípio é qualquer atividade capaz de fornecer subsídios hábeis a melhorar a compreensão do significado da norma. ao "valorizar" a norma. bem mais difícil é admitir a juridicidade de princípios tais qual o da proporcionalidade. Esses "contornos". na jurisprudência etc. também os princípios 'gozam de vida própria e valor substantivo pelo mero fato de serem princípios. Malheiros. Concretizar o princípio. 229. na doutrina. Ou seja. p. São Paulo. significa preencher. passando de normas generalíssimas abstratas (dos textos normativosconstitucionais) a normas concretas de decisão (contextos jurídicos-decisionais). inc. em seu art. complementar e precisar o espaço normativo de um preceito constitucional. Dossi Se por um lado parece fácil aceitar a idéia de que os princípios expressos são normas jurídicas e. buscando os contornos capazes de preencher o significado do princípio. apesar das intermináveis discussões em torno do Direito Natural.784. da CF/88. outra coisa é a diversidade de funções com a correspondente diversidade de órgãos preordenados ao seu exercício" Estudos sobre o Poder Judiciário. sobretudo por se tratar de norma elevada à categoria de cláusula pétrea ou. fazer tratantadas fora da lei. deve-se ter em conta . Densificar. passando.que os princípios não necessitam estar expressos num determinado diploma jurídico para ter força vinculante. inclui expressamente a proporcionalidade entre os informadores do procedimento administrativo. esteja ou não inscrito no Registro Civil. o mesmo não se pode afirmar quando nos referimos aos princípios não expressos. 2o. 13) estatais (Legislativo. p. pela própria sociedade. e. é fazer com o princípio "construa" a norma jurídica concreta. se há lugar de sobra para fazê-las dentro?" G.. É de grande importância ter em mente que a densificação não é tarefa apenas do legislador. 5o. é de se anotar que várias leis infraconstitucionais fazem a ele referência... considera que o Direito Natural está "positivado" . Crítica interessante acerca da . a partir daí. portanto. 3. garantia de eternidade. Quanto ao princípio da proporcionalidade. de 29 de janeiro de 1999). ninguém duvida que o "princípio da função social da propriedade". deve ser por todos observado.e isto já é pacífico. sendo de se destacar que a recente Lei do Processo Administrativo Federal (9. XXIII.

é a instância onde devemos colher os materiais para uma reflexão sobre os princípios.. é fundamental que se diga. e fundamentadora do ordenamento jurídico. e nelas não se esgotam. expressão da certeza jurídica. a existência de princípios que. que frustrem a tendencial objetividade exigível na atividade de extração dos princípios da ordem constitucional positiva". em posturas axiológicas. Em matéria de Direito Constitucional. aconselhar.288). Direito. até porque não tem caráter absoluto e se encontram em permanente mutação. defluentes de seu sistema. pode trazer certo grau de insegurança. é uma instigante novidade neste País habituado a maltratar suas instituições). Ruy Samuel. porém. 'o Direito nunca poderia esgotar-se nos diplomas e preceitos constantemente publicados e revogados pelos órgãos do poder'" (BARROSO.sugerir. normatividade não só aos princípios que são. expressa e explicitamente. podemos considerar implícitos no ordenamento jurídico" . expressos. pois ele tem sido menos que isto. que o mais prudente é recorrer ao ordenamento jurídico-positivo para determiná-los. Conceito de Princípios Constitucionais. Não obstante. evitando-se. Revista dos Tribunais. eles continuam possuindo força normativa. aqui. São elas comandos imperativos. Ruy Samuel. Isto não nega. das normas constitucionais . contemplados no âmago da ordem jurídica.). os princípios jurídicos podem estar expressamente enunciados em normas explícitas ou podem ser descobertos no ordenamento jurídico. a fim de que se prestigiem a segurança jurídica e a harmonia sistemática do direito (Neste sentido. Ruy Samuel. Reconhece-se. levando o intérprete a "encontrar" um princípio que não esteja "descoberto" no texto constitucional. não é por não ser expresso que o princípio deixará de ser norma jurídica...necessidade de se "normatizar" a Constituição é feita por LUÍS ROBERTO BARROSO: "(. São Paulo. Ademais. ou outras formas de subjetividade interpretativa.. 198) . são tantas. 1999.Teoria. ou então que haja um "abuso principiológico" por parte dos operadores do direito. No comentário de Jorge Miranda. Revista dos Tribunais..p. por óbvio que possa parecer. p. Com efeito. O resgate da imperatividade do texto constitucional. os princípios não necessitariam de formulação normativa explícita. embora não expressos.). especialmente à Constituição que. p. No entanto. Ou seja. Conceito de Princípios Constitucionais. alvitrar. tem-se. 197 e 200. Não é próprio das normas jurídicas .e. o mais prudente é que os princípios sejam. fazendo com que. "mas em instância valorativa fundada em subjetivismos. e sem pretender enveredar por discussão filosófica acerca do positivismo e jusnaturalismo. 1999. São Paulo. como fora de dúvida que estes bens sociais supremos existem fora e acima das regras legais. mas sim elevá-lo à condição de norma. ser positivista não significa reduzir o direito a norma. como norma fundamental. na medida do possível. 48).ESPÍNDOLA. de forma arbitrária. Apesar disso.. 55). ipso facto.. "os grandes princípios de um sistema jurídico são normalmente enunciados em algum texto de direito positivo. p.. Conceito de Princípios Constitucionais. que poderão destruir a ordenação jurídica (ESPÍNDOLA. sejam introduzidas normas exóticas. Revista dos Tribunais..p. e tão heterogêneas. as proposições que se incluem entre os princípios gerais. sendo que. 1999. pensamos que a falta de concreção normativa dos princípios. Luís Roberto. são anunciados pela doutrina e descobertos no ato de aplicar o Direito (ESPÍNDOLA. JOSÉ DE ALBUQUERQUE ROCHA: "Segundo alguns. dentro da perspetiva principialista (. mas também aos que. ideológicas. é a de que a consideração de princípios constitucionais não escritos como elementos integrantes do bloco da constitucionalidade só merece aplauso relativamente a princípios reconduzíveis a uma densificação ou revelação específica de princípios constitucionais positivamente plasmados" . destarte. Como observa LUÍS ROBERTO BARROSO. Vale a pena reproduzir o ensinamento de CANOTILHO sobre o assunto: "Mas o que deve entender-se por princípios consignados na constituição? Apenas os princípios constitucionais escritos ou também os princípios constitucionais não escritos? A resposta mais aceitável.. dessa forma. que os mais apegados aos formalismos de outrora neguem a existência de determinado princípio. tal como ocorre ainda hoje com o princípio da proporcionalidade. São Paulo. neste último caso.

Min. princípio da interpretação conforme a Constituição. fundamentar autonomamente um recurso contencioso. por si só. podem fundamentar autonomamente uma pretensão! Embora possa não parecer difícil essa assimilação.LUÍS ROBERTO BARROSO. se a decisão recorrida contrariar princípio constitucional.meio de ataque à aplicação à legislação infraconstitucional" (STF. a prevalecer o entendimento contrário. AFRONTA A EXTRAORDINÁRIO PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS E O RECURSO É possível encontrar uma postura tradicional (anti-principiológica) nas decisões do Supremo Tribunal Federal ao entender que "não cabe recurso extraordinário quando a alegada ofensa à Constituição é reflexa ou indireta. estão positivados. quando a Constituição determina que caberá recurso extraordinário quando a decisão recorrida contrariar dispositivo da Constituição (art. por si só. princípio da unidade da Constituição. porque a . pois decorrem do próprio sistema em que estão inseridos.ao contrário do que pretende a Constituição . fundamentar autonomamente pretensões: "enquanto um direito constitucional pode ser directamente invocado em tribunal como justificativo de um recurso de direito público. Os princípios fundamentais. 5o). é que o mestre português passou a ter um posicionamento mais principialista. embora não constem no texto constitucional. Seria. do art. no mesmo texto já citado. Moreira Alves). 102. difícil fazer valer uma pretensão em tribunal invocando-se tão somente o princípio da proporcionalidade. após seu "encontro teórico" com ALEXY e DWORDIN. enquanto normas jurídicas. princípio da continuidade da ordem jurídica. III. AgRg 170637-7. Aliás. No nosso entender. nos seus primeiros estudos. porquanto. o certo é que não foi fácil . Até CANOTILHO já defendeu. já a inobservância de um princípio é considerada insusceptível de. o do devido processo legal ou o da ampla defesa. passando a reconhecer a força normativa imediata dos princípios constitucionais. Primeiro. é inegável que. Em suma: são princípios que. que os princípios não poderiam. podemos agora formular e responder uma questão processual que atormenta deveras os juristas. rel. por exemplo. embora não expressos no texto constitucional ou em qualquer outro diploma escrito. Somente posteriormente. de per si.como ainda hoje para alguns juristas não o é . Diz respeito às condições da ação. 4. a). assim. no caso. o recurso extraordinário . toda a alegação de negativa de vigência de lei ou até de má interpretação desta passa a ser ofensa a princípios constitucionais genéricos como o da reserva legal. PODE UM PRINCÍPIO EMBASAR UMA PRETENSÃO EM JUÍZO? Feitas essas considerações. é interessante notar que a própria Constituição pátria vigente "positiva" este entendimento quando afirma que "os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados" (§2o. enumera alguns princípios que. tornando-se. Nem se diga que. fornecendo embora directivas jurídicas para uma correta análise dos problemas constitucionais. de 1977). 5. fundamentar uma pretensão em juízo? Em outras palavras: decorrem direitos subjetivos dos princípios ou seria "juridicamente impossível" recorrer ao juridiciário fundamentado tão-somente em um princípio constitucional? Nossa resposta a essa pergunta é categórica: é óbvio que os princípios. mais especificamente à possibilidade jurídica do pedido: pode um princípio. configurado está o pressuposto para o cabimento do recurso extraordinário. não possuem normatividade individualizadora que os torne suscetíveis de aplicação imediata e autónoma" (Esse texto pode ser encontrado na primeira edição de seu Direito Constitucional. sobretudo em face de tudo o que foi exposto acerca da normatividade dos princípios. são de comum observância: princípio da supremacia da Constituição.aceitar que os princípios podem gerar direitos subjetivos. a contrariedade seria "reflexa" ou "mediata".

e as regras e os princípios a espécie. as normas compreendem regras e princípios. como nos primórdios da doutrina. não enseja o cabimento de recurso extraordinário? Violar um princípio constitucional não é violar a própria Constituição. porquanto quem os decepa arranca as raízes da árvore jurídica. Luís Roberto. até mesmo. são normas jurídicas com um grau máximo de juridicidade. Se isso é verdade . Marco Aurélio dá-nos a solução ideal: "Caso a caso. 1996 . os princípios são dotados de normatividade. supremacia que não é unicamente formal.o da legalidade e do devido processo legal. Saraiva. sempre que a decisão contrariar o princípio estará contrariando a norma constitucional diretamente e na sua pior forma de violação. com procedência. e não o inverso. 255). e apenas possível na medida em que os princípios são compreendidos e equiparados e até mesmo confundidos com os valores. a transgressão a texto constitucional. com a garantia da ampla defesa. a expressão mais alta da normatividade que fundamenta a organização do poder" (Curso de Direito Constitucional. permitimo-nos transcrever passagem de texto de PAULO BONAVIDES que sintetiza bem tudo o que foi exposto: "Tudo quanto escrevemos fartamente acerca dos princípios. por isso. e todos se sentiriam "à vontade" para os contrariar. na ordem constitucional dos ordenamentos jurídicos. a mais alta de todo o sistema. cuja normatividade é. sendo. distinguindo os recursos protelatórios daqueles em que versada. segundo a orientação vetusta do Supremo Tribunal Federal. sempre a pressuporem a consideração de normas estritamente legais" (RE-158655 / PA). 1998 _____________________. nesse ponto. são normas jurídicas. mas entre regras e princípios. E o pior: fazem uma completa inversão de valores. que abordou sucintamente alguns aspectos acerca da normatividade dos princípios constitucionais. de forma direta? A resposta para todas essas questões é bem simples: os nossos juristas ainda não dão o devido valor à força normativa dos princípios. parece que não há mais tanta discussão quanto havia outrora -. fazendo com o princípio tenha que se rebaixar à lei para ser aplicado. São Paulo. Do contrário. o Min. que é a contrariedade a princípio. p. entre princípios e normas. compete ao Supremo Tribunal Federal exercer crivo sobre a matéria.Constituição não exige que a contrariedade seja direta. Daqui já se caminha para o passo final da incursão teórica: a demonstração do reconhecimento da superioridade e hegemonia dos princípios na pirâmide normativa. se resume no seguinte: não há distinção entre princípios e normas. A Constituição e a efetividade de suas normas. por conseguinte. muito embora torne-se necessário. Interpretação e aplicação da Constituição. atual. Renovar. Rio de Janeiro. mas sobretudo material. 3a ed. segundo. como se fosse o princípio que girasse em torno da lei. ao lado das regras. em busca de sua normatividade. 6. destituído do força sancionatória. 2a ed. sendo as normas o gênero. Em sintonia com esse posicionamento. Limites e Possibilidades da Constituição Brasileira. partir-se do que previsto na legislação comum. porque os princípios constitucionais são normas jurídicas e. cuja ambiência natural é a Constituição. por que então os nossos Tribunais insistem em não reconhecer a força normativa dos princípios? Por que há quem afirme que o princípio não pode fundamentar uma pretensão jurídica em juízo? Por que há quem defenda que um mandado de segurança não pode ser impetrado com base unicamente em princípios? Será que um princípio não pode ser um "direito" em líquido e certo? Por que a violação a princípio constitucional. E mais: os princípios. o princípio constitucional seria mero ideário político.e. potencializada. BIBLIOGRAFIA BARROSO. Para finalizar o presente artigo. Entendimento diverso implica relegar à inocuidade dois princípios básicos em um Estado Democrático de Direito . a distinção relevante não é. CONCLUSÃO Não há mais dúvidas: os princípios.

Direito Constitucional do Trabalho . Estudos sobre o Poder Judiciário. 1997 MELLO. Curso de Direito Constitucional. Princípio Constitucional da Dignidade da Pessoa Humana. Willis Santiago. Eros Roberto. São Paulo. Teoria do Ordenamento Jurídico. Conceitos de Princípios Constitucionais . São Paulo. 1994 VASCONCELOS. 4a ed. Raimundo Bezerra. Direitos Fundamentais. Unb. defender o reconhecimento da competência da Justiça do Trabalho para muitos das lides que. Brasília. Manoel Gonçalves. 4ª ed. Malheiros. 1999 SILVA. In: Dos Direitos Humanos aos Direitos Fundamentais. Malheiros. Ltr. Norbeto. José Afonso da. São Paulo.Introdução. Revista dos Tribunais.procurador autárquico em São Paulo) I . Curso de Direito Constitucional Positivo. Coor. WILLIS SANTIAGO GUERRA FILHO. processo e princípio da proporcionalidade. 1993 Texto 3) Texto no qual a questão dos princípios e regras de direito administrativo aplicáveis aos empregados públicos é analisada incidentalmente A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA QUANDO CONTRATA PELA CLT EQUIPARA-SE AO EMPREGADOR PRIVADO. Elementos de Direito Administrativo. Vol. Ruy Samuel.Elementos para uma dogmática constitucionalmente adequada. um "axioma jurídico" que inibe aos mais novos operadores (entre os quais nos incluímos) do Direito do Trabalho e do Direito Administrativo qualquer especulação acerca da necessidade de um maior aprofundamento nos estudos das implicações sobre a relação de emprego público das regras constitucionais e legais que regem a administração pública. Comum é na jurisprudência e doutrina do Direito do Trabalho a utilização da expressão da idéia de que a "administração pública quando contrata pela CLT equipara-se ao empregador privado" que.Estudos em Homenagem ao prof. RT. Ed. A Ordem Econômica na Constituição de 1988. (Benedito Libério Bergamo .BOBBIO. José de Albuquerque. hoje. 7a ed. . Fernando Ferreira dos. Ed. Arnaldo. Malheiros. UMA AFIRMAÇÃO QUE TEM LIMITADO A COMPETÊNCIA MATERIAL DA JUSTIÇA DO TRABALHO. São Paulo. Malheiros. Hermenêutica. Livraria do Advogado. 1996 BONAVIDES. 9a ed. São Paulo. 1998 ESPÍNDOLA. Amauri Mascaro do Nascimento. passou-se a empregá-la como um "regra jurídica". 1999 SANTOS. São Paulo. por tão usual a sua utilização. I. Teoria da Norma Jurídica. Malheiros. 1997 FERREIRA FILHO. se processam perante a Justiça Comum. Buscaremos oferecer demonstrações de que a "expressão da idéia" que inaugura o título do presente artigo não tem a carga de juridicidade necessária para justificar seu emprego como síntese de metodologia ou de solução para a aplicação das regras e princípios do Direito do Trabalho no âmbito da administração pública e. consequentemente . Ed. São Paulo. 1995 ________________________. Porto Alegre. 3a ed. 1991 GRAU. Paulo. São Paulo. 1998 GUERRA FILHO. 1980 ROCHA. São Paulo. São Paulo. Malheiros. Malheiros. Celso Bastos Editor. São Paulo. Teoria Geral do Processo. 1999 FALCÃO. 7a ed. Celso Antônio Bandeira de.

nem à capacidade das partes (145 do cód.O PRINCÍPIO DA LEGALIDADE NAS RELAÇÕES TRABALHISTA COM A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. XXXIII da CF) e nem à forma (art. pois "mesmo nesses atos ou contratos o Poder Público não se libera das exigências administrativas que devem anteceder o negócio jurídico almejado". mas decorre da desobediência pelo poder público de seu poder-dever de SÓ CONTRATAR EMPREGADOS MEDIANTE PRÉVIO CONCURSO PÚBLICO. não pode pactuar com autonomia de vontade". Civil e art. 129. abrindo mão de sua supremacia de poder desnecessária para aquele negócio jurídico. advertido por Lopes Meirelles. Lopes Meirelles preleciona que "A administração pública pode praticar atos ou celebrar contratos em regime de Direito Privado ( civil. exemplo jurisprudencial trabalhista acerca do descumprimento pelo empregador público de regras constitucionais sobre a administração pública." Importa. no desempenho normal de suas atividades. II .A ORIGEM E ALCANCE JURÍDICO DA EXPRESSÃO " A ADMINSTRAÇÃO PÚBLICA QUANDO CONTRATA PELA CLT EQUIPARA-SE AO EMPREGADOR PRIVADO". quando ela emprega mão de obra pela CLT. II da CF). a realização daquilo que é conforme a lei previamente estabelecido como dever. às vezes. colocando-se no mesmo nível de outras pessoas jurídicas para celebrar contratos. sendo exemplo a Orientação Jurisprudencial n. a aplicação do correto sentido da idéia de equiparação da administração pública ao empregador privado. por meio de proibições . diante das citações de Meirelles e Cretella. aqui. Outras vezes. pois não diz respeito nem ao objeto ( art.ainda que envolvam pretensões e resistências entre empregados públicos e a administração pública. POIS A EXISTÊNCIA DE UM CONTRATO DE TRABALHO NÃO PODE DERROGAR TODA A DISCIPLINA CONSTITUCIONAL E LEGAL ACERCA DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. consoante orientação jurisprudencial do STF.º. o Estado se utiliza . aliás. Ademais tem o dever de não dispor da coisa pública. para ser um empregador privado. 442 da CLT. CONTRATUAIS "O princípio da legalidade expressa a regra segundo a qual a administração deve agir de acordo com a lei". ordena e limita. já que "administração pública tem o dever de somente celebrar contrato cujo fim imediato seja o interesse público. para afastar a errônea idéia que se possa formar sobre o empregador público deixar de ser administração pública. comercial). a administração pública não deixa de se submeter à observância dos princípios e regras constitucionais e legais de regulam os poderes e deveres do Poder Público." O mesmo entendimento é compartilhado por Cretella Júnior ao transcrever a lição de LABAND: "a fim de atingir os fins a que se propõe. deixa de fazer vigor seu imperium. .poder de agir. já que a nulidade do contrato por ausência de concurso não decorre do contrato de trabalho em si. quanto ao aspecto informal do contrato). salvo exceções legais. 7. 37. Numa relação de contrato de trabalho regida pela CLT. III .º 85 da SDI do Colendo TST. 130 e 145 do Cód. Civil). ou seja. Portanto. Em tais casos ela se nivela ao particular. de seu direito soberano sobre o país e os que nele habitam: exige certas prestações. a liberdade de ação de seus súditos. que é indisponível. sendo O RECONHECIMENTO DE NULIDADE DE CONTRATO DE TRABALHO FORMADO SEM PRÉVIO CONCURSO PÚBLICO (art. numa relação de trabalho regida pela CLT. A exteriorização da vontade da administração pública. como.

pois.)"10 .R. transparência. ao demitir o empregado público. podemos citar as análises feitas por Carlos Ari Tundfeld à decisão do STF proferida no RE n. cuja gestão sempre reclama adstrição à finalidade legal estabelecida. No D.95 . que possa diferenciá-la de um empregador comum. Bandeira de Mello comenta o ato de despedimento dos empregados das estatais ( empresa pública e empresas de economia mista) onde "não é livre o desligamento de seus empregados. como condição de sua ação. publ. onde foi consagrado que "é requisito de validade do ato de despedida de empregado público a existência de interesse público que o legitime". estabelecendo uma relação entre a liberdade sobre tudo o que não é proibido e a legalidade da intervenção em tal liberdade de agir e. . concessão de férias.9 A própria jurisprudência dos Tribunais do Trabalho já vem colecionando julgados que expressam o entendimento de que "o administrador público. 5. reajustes salariais. às vezes. de 20. mas conduzem assunto de interesse de toda a coletividade. 37. o princípio da legalidade com fundamento no art. caput.Ac. quando a administração pública age como empregador e promove admissão. resguardar ou extinguir situações jurídicas. também da Constituição Federal.06. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo o que a lei não proíbe. deve observar os princípios da legalidade.J. de modo geral. caput da CF. pois "na administração pública. a ilegalidade da administração pública. promoções e o mais que um típico empregador pode promover através de atos unilaterais e bilaterais numa relação de trabalho regida pela CLT. sob pena de ser anulado ( pela própria administração ou pelo Judiciário). escrava que é da ordem jurídica"19. 37. mas há de buscálos na lei. demissão. ainda que a CLT apenas preveja a obrigação de dação aviso prévio em relação ao término da relação contratual por prazo indeterminado (art.ª R. já que ela "não tem fins próprios. a fim de evitar o nepotismo. de dispensar imotivadamente o empregado concursado e contratado pela CLT.Jaboatão dos Guarpes/PE . o arbítrio e a satisfação de interesses pessoais (TRT ."8 Seguindo o mesmo exemplo.Rel Juiz Joaquim da Costa Filho. em regra. à exemplo. assim como. na administração pública só permitido fazer o que a lei autoriza"6.6." Podemos citar como exemplo de aplicação do princípio da legalidade baseada da no art. exigindo.10628/94 . tal aparência é apenas aparência. 5. . entretanto. já que seus administradores não gerem negócio particular. aos comandos legais aplicáveis à administração e ao interesse público. não desfruta de liberdade. não há liberdade pessoal.II caput.206 -DF. Pode parecer que numa relação de emprego público não há nada de diferente ou de especial no modo de sujeição do poder público aos ditames da legalidade. Unâ. 487 da CLT) . como. pela confusão que se faz entre a aplicação do "princípio da legalidade" com fundamento no inciso II do art. pois todo e qualquer ato administrativo que produza efeitos jurídicos numa relação de emprego deve obedecer. no outro lado e de modo especial.º. O.º da Constituição e a aplicação do "princípio da legalidade" com fundamento no art. motivada. numa relação de emprego. submete todos ( cidadãos e poderes estatais) à vontade da lei. Da 1. modificar. não consagra liberdade alguma à administração pública. 37. onde prepondera o princípio da autonomia de vontade. já que o princípio da legalidade que está disposto no inciso II do art.desde de que tenha finalidade de criar reconhecer.º 130. arrematando Bandeira de Mello que "a legalidade na administração não se resume à ausência de oposição à lei. respeito e fundamentação satisfatória. se denomina ato administrativo. moralidade. impessoalidade e publicidade que protegem o ente público. mas supõe autorização dela.ª T. O princípio da legalidade não deixa de ser verificado. Cumpre que haja razões prestantes e demonstráveis para efetuá-lo.

1. a sistemática dos servidores públicos. II. são. 1. . por exemplo) e regras do Direto do Trabalho. bem como motivação do ato administrativo. da moralidade administrativa. preservando-se a coisa pública" (TRT 9. Único. I do Decreto-Lei 779. ao invés. vencimentos e remuneração.cessão de funcionário público . 37 da CF) precede a aplicação dos princípios de Direito de Trabalho: "Vinculo de emprego ."12 .concurso p.ª T. que dá validade relativa à quitação e pedidos de demissão de empregados da administração pública que específica e exclui expressamente os preceitos do art.º ..não há transformação do vínculo pela consolidação por decurso de tempo. da publicidade. que tratam do orçamento público e da reserva de iniciativa legislativa acerca do pessoal da administração pública. N. 17. 37). que incidem no contrato de emprego público. condição mais favorável. Para exemplificar. acórdão n. existem atos do empregador público cujos efeitos recaem sobre o contrato de emprego ( patrimônio do empregado) que não têm sua validade e efeitos apreciados sob os princípios ( norma mais benéfica. à exemplo já encontramos na jurisprudência dos Tribunais do Trabalho. um de Direito do Trabalho e outro de Direito Administrativo. pois no contrato de emprego público é possível detectar dois campos de incidência de normas. ex. U.ao sistema da administração pública. que são típicos atos administrativos cuja validade se resolve pela aplicação dos princípios e regras do Direito Administrativo. cremos que a repetida "equiparação" da administração pública ao empregador privado ou a "abdicação do status de administração pública"11 nas relações de emprego público é. "quer dizer. da oportunidade.. certamente. regime jurídico. A norma constitucional se sobrepõe ao princípio da primazia da realidade.ao sistema funcional trabalhista. ambos da CF.). ainda que os efeitos da verificação de tais atos administrativos atinjam. convenção ou sentença Normativa. Ord.1998. anotamos: a) O art. Na norma indicada está um claro exemplo de acolhimento pelo legislador da presunção de legitimidade dos atos de rescisão e quitação feitos pela administração pública. par.ª reg. como. 4. contrato realidade. limitar ou ampliar a aplicação de preceitos de um campo no outro sobre o mesmo contrato de trabalho.º .. mesmo porque a legalidade constitui princípio a que a administração deve obediência rigorosa ( CF.º traça simplesmente os contornos dos direitos e deveres mútuos na execução do contrato do contrato e dos efeitos da extinção do mesmo. rec. 477 da CLT. art. Juiz Luiz Celso Napp. O 1. Nuñes Padilla19 Em outras palavras. par. j. apreciados sob a luz das regras e princípios da administração pública. Rel. integrados e dependentes: 1. "a".º impõe suas regras da impessoalidade do administrador. da legalidade. se há regular cessão do servidor a outro órgão. V. .Os exemplos citados trazem à luz a certeza de que existem atos praticados pela administração pública na constância da relação contratual de emprego ( sem excluir atos anteriores a contratação . continuidade da relação de emprego. I e II e o artigo 61. b) Os artigos 169. 2. o administrativo e o trabalhista. impedem que se estabeleça novas disposições sobre salários e outras condições de trabalho por acordo coletivo.o servidor público celetista subordina-se a dois sistemas. coexistem de modo a impedir.º."20 Os dois campos de normas.06. alterando .º.PR.º 0084/94. modificando ou extinguindo o contrato de trabalho ( No mesmo sentido o Professor e Procurador Luiz R. como decorrência natural do princípio da legalidade. onde o princípio da legalidade ( art.e atos posteriores ao fim do contrato . ex. 2.concessão de complemento de aposentadoria p. constantes dos parágrafos que indica. assentam-se na lei.º 015589/98 .ementa)" Até aqui. muito relativa.. como identificado pelo Professor e Juiz do Trabalho ao afirmar que " .

contidas no texto do julgado cotejado: a) "A competência da Justiça do Trabalho decorre da existência da relação de trabalho em que se funda a pretensão. como é o caso de dispensa na constatação acumulação ilegal de cargos ( art. que serve de forma para a conclusão anterior está na Lei Federal 9. o RE nº 136. de vantagens atribuídas a funcionários estatutários.325. ou não. in RTJ 145/625) Importa para o objeto de nosso estudo a fixação do alcance jurídico das expressões seguintes. condução e até o término da relação contratual de emprego público os atos do empregado que produzam efeitos jurídicos no contrato serão apreciados.962/2000 que trata do emprego público no âmbito da administração pública Federal (direta. da postulação dessas vantagens com base no contrato de trabalho..constatação da infringência do art..XVI da CF . Recurso extraordinário conhecido e provido. ou seja.tendo como conseqüência a nulidade de tal contratação ( conseqüência de direito público) e a conseqüente rescisão contratual ( conseqüência de direito trabalhista).". Competência da Justiça do Trabalho.ainda que diga esta respeito a vantagens oriundas da leis estaduais aplicáveis a funcionários estatutários. da atual Constituição. A competência da Justiça Trabalhista decorre da existência da relação de trabalho em que se funda a pretensão.: Min. como comumente têm julgado os Tribunais do Trabalho. Observa-se que a mesma dinâmica de raciocínio pode ser verificada nas rescisões de contratos de emprego público que não foram precedidos de concurso público. em face do disposto na parte inicial do artigo 114. Rel.. neste caso. lei típica de direito público que se dirige ao administrador público ( não é norma de direito do Trabalho). ainda que diga esta respeito a vantagens oriundas da leis estaduais aplicáveis a funcionários estatutários. estabelecendo hipóteses de dispensa do empregado que não previstas na CLT e nem em conduta do empregado. ou não. 3. segundo o regramento jurídico privado acerca dos atos jurídicos lícitos e ilícitos e seus vícios.Não é difícil concluir que na formação. autárquica e fundacional)." (Supremo Tribunal Federal.: Min. Exemplo de disciplina legal. COMO ATO DE VONTADE. da reclamação trabalhista.193. no julgamento do RE nº 130.. a administração pública.. EM GÊNERO. Rel. mas se funda em hipóteses de regras impostas à própria administração pública. MOREIRA ALVES (RTJ 139/960. por sua Primeira Turma.º. para dar pela procedências. b) ". 37." . Postulação. o Supremo Tribunal Federal já tem sedimentado o entendimento de que a contratação pela administração pública "com base na relação contratual de emprego" é suficiente para determinar a competência material da Justiça do Trabalho para processar e julgar as pretensões de empregado público contratado frente ao seu empregador. "caput". com base na relação empregatícia. em regra. REGIDO PELA CLT MAS QUE NÃO DEIXA DE SER. IV . OCTAVIO GALLOTTI. o resultado de tal aferição poderá concluir por uma conseqüência de direito público apenas e ou uma direito comum ou trabalhista.. como ilustramos: "Exceção de incompetência. Servidor Público estadual contratado sob o regime da CLT. Há algum tempo. os atos da administração pública que produzam efeitos jurídicos no contrato serão apreciados COMO REGRA JURÍDICA. segundo o regramento do direito público que é regido pelo princípio da legalidade ( aferição da pertinência do ato com as regras de direito público) e. No mesmo sentido. mesmo que ao direitos buscados sejam oriundos de Leis aplicáveis ao funcionalismo estatutário. II). porquanto só a Justiça do Trabalho é que caberá julgar da pertinência.A COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO PARA TODA E QUALQUER AÇÃO DO EMPREGADO PÚBLICO. SERVIDOR PÚBLICO. ou seja.. por outro lado. uma aferição da contratação sob o princípio da legalidade .

Na primeira frase é clara a referência da competência material da Justiça do Trabalho, segundo a lide nascida dentro de uma relação jurídica, a relação de trabalho, que é fundamento jurídico da pretensão posta em juízo, que se encontra na causa de pedir prevista no art. 282,III do CPC.16 O art. 114 da CF, caput, é claro ao dispor que a relação de trabalho que importa para a competência da Justiça do Trabalho é aquela regida pela CLT, ou seja, sob o vínculo de emprego ( art. 2.º e 3.º da CLT). Vale relembrar que a distribuição do exercício da jurisdição, através das "competências" definidas na Constituição e na Lei "como quantidade de jurisdição cujo exercício é atribuído à cada órgão ou grupo de órgãos (Liebman)" impede que existam mais de um órgão ou grupo de órgãos jurisdicionais com a mesma competência, 13 já que é pela Constituição ou pela Lei que a atribuição de competência define, previamente, o campo de atuação de cada órgão ou grupo de órgãos jurisdicionais, estabelecendo qual deles é competente para determinada lide com exclusão dos demais. A determinação de competência se dá por critérios estabelecidos na própria lei, como condição das pessoas, local dos fatos que originaram lide, valor, entre outros, do quais destacamos o critério de determinação da competência pela "natureza da relação jurídica controvertida, ou seja, pelo fundamento jurídico material da demanda", 14 ou seja, a competência é fixada "à vista da natureza da relação jurídica de direito material subjacente ao conflito de interesses".15 Na segunda frase destacada para análise, a conclusão do julgado da Corte Constitucional evidencia, também, que o texto do art. 114 da CF, deve ser interpretado para o reconhecimento da competência da Justiça do Trabalho, apenas sob a identificação da relação jurídica de emprego, desprezando-se qualquer incursão sobre a origem dos direitos aplicáveis ao contrato de emprego público, ou seja, não importa para a competência da Justiça do Trabalho se os direitos que compõe a pretensão são direitos previstos na CLT ou em leis que dispunham sobre servidores públicos estatutários, desde que o vínculo jurídico que une as partes da lide seja um vínculo de contrato de trabalho regido pela CLT, que "corresponde ao trabalho subordinado, contrapondo-se, de um lado, à relação civil do trabalhador autônomo e, de outro, à relação pública do regime estatutário, ou seja a característica do funcionário público".17 Parece, até aqui, ser irrefutável a conclusão de que a Justiça do Trabalho é competente, em razão da matéria, para processar e julgar dissídios acerca da aplicação de direitos previstos no conjunto de normas e princípios do Direito administrativo que envolvam o empregado e o ente público, o seu empregador. V - SERÁ QUE O MANDADO DE SEGURANÇA CONTRA ATO ABUSIVO E ILEGAL DO EMPREGADOR PÚBLICO CABERIA NO GÊNERO DA EXPRESSÃO "DISSÍDIOS" EMPREGADO NO ARTIGO 652 DA CLT? Sabemos que a expressão "dissídios" empregada nos incisos do art. 652 da CLT que dispõe sobre a competência das Juntas de Conciliação e Julgamento ( atualmente Vara da Justiça do Trabalho, com Juiz singular e vitalício), não tem seu significado restrito à hipótese das "reclamações trabalhistas", já que essas são espécies daquela e "dissídios" envolvem, também, como gênero, as ações de consignação, cautelares, anulatórias, ações civis públicas, execução de "Termos de Conciliação" surgidos nas Comissões Prévias de Conciliação e os "Termos de Ajuste de Conduta" firmados perante o Ministério Público do Trabalho ( art. 876 da CLT, com redação dada pela Lei 9.958/00).

Tudo indica que a Justiça do Trabalho, em princípio tem plena competência para processar e julgar mandados de segurança contra atos abusivos e ilegais de autoridades públicas praticados contra empregado público, dentro da relação de trabalho, ante as seguintes constatações que, resumidamente, destacamos: 1.º - Após a Emenda Constitucional n.º 24 deixou de existir os problemas relativos ao julgamento de Juizes leigos na Justiça do Trabalho, daí estarem afastadas as discussões e problemas que poderiam surgir com as indagações sobre a conhecimento técnico jurídico, concessão de liminar em Mandado de segurança, seu processamento, sentença mandamental e o mais que poderia existir como crítica fundamentada na forma de composição colegiada dos órgãos jurisdicionais trabalhistas; 2.º - A competência originária do TRT para o mandado de Segurança ( art. 678, I, "b", 3 da CLT), diz respeito, apenas aos mandados de segurança impetrados contra as autoridades judiciárias; 3.º - A súmula 195 do extinto TFR que preconizava ser o mandado de segurança instrumento inadequado para a solução dos conflitos trabalhista, somente tem sua razão ser em se tratando de ação ou omissão do empregador público em relação, exclusiva, ao cumprimento de suas obrigações dispostas no regime da CLT. Diz-se "exclusiva" pois o simples descumprimento de obrigação trabalhista numa relação contratual de emprego não se traduz em ato de autoridade para os fins da utilização do remédio heróico, nesse mesmo sentido a Súmula 269 do STF que informa que "o mandado de segurança não é substitutivo de ação de cobrança." ; 4.º - O direito constitucional ao mandado de segurança, nos termos do art. 5.º, LXIX da CF e nos termos da Lei 1.533/51, como qualquer outro direito de ação, obedece, no seu exercício, as fontes legais e constitucionais de regulamentação de competências jurisdicionais, além de sua razão de ser um instrumento de garantia dos cidadãos, inseridos em qualquer relação jurídica com os Poderes do Estado, contra ATO ILEGAL OU DE ABUSO DE PODER. Deve ser observado, como observa Celso Agrícola Barbi18, que para caracterizar o cabimento do mandado de segurança NÃO IMPORTA O DIREITO LESADO OU AMEAÇADO SER PÚBLICO OU PRIVADO ( onde se inclui o direito trabalhista), sendo necessário, entretanto, que o ato lesivo ou ameaçador seja praticado pelo Estado como Poder público e praticar atos como PODER PÚBLICO NADA MAIS É DO QUE AGIR COM FUNDAMENTO NAS NORMAS ADMINSITRATIVAS CRIADORAS E REGRADORAS DO SEUS PODERES E PRERROGATIVAS QUE PERMITEM OU OBRIGAM A ADMINSITRAÇÃO À AGIR DESSA OU DAQUELA FORMA, MESMO NUMA RELAÇÃO DE CONTRATO DE TRABALHO (ver os termos e a natureza administrativa da Lei Federal9.962/2000, por exemplo). 5.º - Havendo posicionamento do STF acerca da competência da Justiça do Trabalho para processar e julgar as ações do empregado público em face da administração pública seu empregador, É CABÍVEL O ENTENDIMENTO DE SER ADMITIDO NA JUSTIÇA DO TRABALHO O MANDADO DE SEGURANÇA CONTRA ATO DE AUTORIDADE PARATICADO COM ILEGALIDADE OU ABUSO DE PODER QUE ACARRETE PREJUÍZO AOCONJUNTO DE DIREITOS CELETISTAS DO EMPREGADO, dado que o ato reputado de ilegal e abusivo para efeito do Mandado de Segurança não é o prejuízo de cunho trabalhista, mas a desobediência pela autoridade impetrada de eventual regra de direito público que não legitimou seu ato que redundou em prejuízo para um empregado. Para encerrar o presente trabalho, com a crença de que ele possa representar um contribuição para o alargamento dos horizontes da competência da Justiça

Obreira, oportuna é a elaboração do seguinte exemplo, para melhor demonstração do que foi dito até aqui, como hipótese de mandado de segurança na justiça do trabalho: - Um empregado de Autarquia Federal, contratado pela CLT, nos termos da Lei 9.962/2000 é dispensado sumariamente sem justo motivo. O fato exemplificado nos oferece uma clara demonstração de ato abusivo e ilegal da administração autárquica federal, já que não agiu nos limites das hipóteses legais de dispensa prevista na Lei 9.962/2000 ( art. 3.º) e o direito líquido e certo está em exigir a anulação do ato abusivo ( conseqüência administrativa) o restabelecimento do vínculo contratual com a reintegração e o mais ( conseqüência trabalhista). Aqui é cabível o mandado de segurança, sendo adequada a adoção da orientação da STF para reconhecer-se a competência da Justiça do Trabalho em semelhantes mandados de segurança. NOTAS 1.Hely Lopes Meirelles, ,"Direito Administrativo Brasileiro", Pág. 139, 22.ª ed., 1990, Malheiros, SP; 2.José Cretella Júnior, "Tratado de Direito Administrativo", pág. 181, vol., X, 1.ª ed., 1972, Forense, RJ. 3.Hely Lopes Meirelles, obra e pág. citadas; 4.Lúcia Valle Figueiredo, "Contratos Administrativos", na obra "Direito Administrativo na Constituição de 1988", coordenada por Celso Antônio Bandeira de Mello, pág. 139, RT, 1991, SP; 5.José Cretella Júnior, obra citada, pág. 38;.19 Celso Ribeiro Bastos, "Comentários à Constituição do Brasil", pág. 27, 3.º vol. Tomo III, ed. Saraiva, 1992, SP; 6 Hely Lopes Meirelles, Direito Administrativo Brasileiro, 1964, p.56, citado por Celso Antônio Bandeira de Mello, na obra "Curso de Direito Administrativo, pág. 25, 4.ª edição, Malheiros Editores, 1993. SP; 7 Antônio Bandeira de Mello, obra e página citadas na nota anterior; 8 Idem, páginas 135/136; 9 "Não é livre a demissão sem justa causa se servidor celetista", artigo publicado no Boletim de Direito Administrativo - Julho/95, pág. 395/397. 10 ADCOAS 8148820; 11 Francisco Antônio de Oliveira, "Direito do Trabalho em sintonia com a nova Constituição", pág. 19, editora RT. 1993 , SP; 12 Trecho do voto do Sr. Ministro Carlos Velloso, no julgamento da Adin 492-1 DF i Tribunal Pleno - STF (D.J. 12.03.1993) - Lex - JSTF - 175/49; 13 Antônio Carlos Araújo Cintra, Ada Pellegrini Grinover e Cândido R. Dinamarco, "Teoria Geral do Processo", pág. 194, 9.ª ed., Malheiros, 1999, SP; 14 Idem ao anterior, pág. 201; 15 João Oreste Dalazen, "Competência Material Trabalhista", pág. 36, editora Ltr, 1994, SP. 16 Moacyr Amaral Santos, "Primeiras Linhas de Direito Processual Civil" , pág. 160, 1.º vol., 15.ª ed., Saraiva, 1992, SP; 17 Comentário n.º 3 ao texto do art. 643 da CLT, por Valentim Carrion, "Comentários à CLT, pág. 476/477, 22.ª ed. , Saraiva, 1997, SP; 18 Celso Agrícola Barbi, "Do Mandado de Segurança", pág. 92, 6.ª ed. , Editora Forense, 1993, RJ. 19 Luiz R. Nuñes Padilla, Porf. Da UFRS e Procurador do RGS, no artigo "O novo Direito Público do Trabalho", Bol. LTr n.º09/94, pág. 57/58; 20 Francisco Meton Marques de Lima, Professor da UFPI e Juiz do Trabalho, no artigo "Porque o empregador público da administração direta e indireta não pode praticar a denúncia vazia dos contratos de trabalho", Bol. Ltr 142/90, pág.677/680; 4. FONTES DO DIREITO 4.1. Conceito

Num momento pré-jurídico. . Num momento jurídico. fonte “se diz do texto em que se funda o Direito ou dos elementos subsidiários que possam formular e esclarecer”.Fonte do Direito do Trabalho é a origem das normas jurídicas trabalhistas. considerando a regra já constituída. Classificação Sua classificação. Para De Plácido e Silva. segundo a perspectiva de enfoque do fenômeno das fontes. é o processo específico que leva a formação das normas que constituem o Direito. separase em dois grandes blocos: As Fontes primárias e secundárias e as fontes materiais e formais. 4.2. fontes seriam os fatores que conduzem à emergência e construção da regra de Direito (fontes materiais). fontes seriam os mecanismos exteriores e estilizados pelos quais essas regras se revelam para o mundo exterior (fontes formais).

Tais como ideologias. a relação de emprego. O uso das normas internacionais. emanadas da Organização Internacional do Trabalho. Fontes potenciais. I – FONTES DO DIREITO DO TRABALHO. assim como os relatórios dos seus peritos.1) Fontes Materiais – não tem força vinculante. que potencializou. São aquelas que existem dentro do próprio sistema que se têm as normas. naquilo em que não for incompatível com os princípios fundamentais deste. CONVENÇÕES E RECOMENDAÇÕES DA OIT. tendem a atuar conjugadamente.A) Fontes Primárias (lei) e Secundárias (costume. séc. na sociedade contemporânea. mas sempre de maneira que nenhum interesse de classe ou particular prevaleça sobre o interesse público.O direito comum será fonte subsidiária do direito do trabalho. ainda. por analogia. A. Perspectiva Econômica: fontes vinculadas à existência e evolução do sistema capitalista (Revolução Industrial.modelo grande indústria -. de acordo com os usos e costumes. o direito comparado. Parágrafo único . sociológicas.Hoje em dia esta mais importante. segundo o tipo de fatores que se enfoca no estudo da construção e mudanças do fenômeno jurídico. jurisprudência e doutrina) A. caso não haja norma de direito interno pátrio regulando a matéria. em oposição à manufatura e ao artesanato. Mas nem tudo que esta aqui é fonte do direito. Do ponto de vista histórico. As demais normas da OIT. Art. segundo o art. Podem ser econômicas. Art. é um método. como as Convenções não ratificadas e as Recomendações. um momento social como greve. DIREITO COMPARADO. principalmente do direito do trabalho. FONTES DO DIREITO – NORMAS INTERNACIONAIS. os fatores materiais. conforme o caso. as Convenções da Organização Internacional do Trabalho não ratificadas pelo Brasil podem ser aplicadas como fontes do direito do trabalho. 8º . 8º da CLT. no processo de indução à elaboração ou modificação do fenômeno do Direito. Dividem-se em distintos blocos. É o que cria. Este artigo é um leque de opções quando não se acha na fonte primária. a categoria central do ramo justrabalhista. Este artigo é criticado por trazer confusão entre conceitos. DIREITO COMPARADO. que emergem do próprio direito material. CONVENÇÕES DA OIT NÃO RATIFICADAS PELO BRASIL.As autoridades administrativas e a Justiça do Trabalho. decidirão. em razão do Enunciado 3 da 1ª Jornada do Direito e Processo do Trabalho. Se não existir dentro do nosso sistema se busca em fontes secundárias. O Direito Comparado.1) Fontes Primárias . Servem para auxiliar na interpretação das fontes formais. da forma de produção adotada . II – FONTES DO DIREITO DO TRABALHO. B) Fontes Materiais (fato social) e Fontes Formais (exteriorização) B. pela jurisprudência. É a centelha que dá origem aos nomes. XVIII. e. e suas consequências na estruturação e propagação do sistema capitalista. é fonte subsidiária do Direito do Trabalho. Analogia não é fonte do direito. Enunciado 3. filosofias. constitui-se em importante ferramenta de efetivação do Direito Social e não se restringe à aplicação direta das Convenções ratificadas pelo país. devem servir como fonte de interpretação da lei nacional e como referência a reforçar decisões judiciais baseadas na legislação doméstica. políticas e filosóficas. na falta de disposições legais ou contratuais.2) Fontes Secundárias – Dentro do caso concreto se verifica dentro da norma trabalhista se há solução para ele. por eqüidade e outros princípios e normas gerais de direito. O direito comparado está previsto neste artigo. 8º da Consolidação das Leis do Trabalho. Assim. apesar de distintos. .

as vertentes autocráticas. que já tem essa força normativa atualmente no nosso ordenamento jurídico.Perspectiva Sociológica: relativas aos distintos processos de agregação de trabalhadores assalariados e decorrente da crescente urbanização. Tem a função também de inspirar a criação da norma e a função integradora de lacunas. de nítido caráter reivindicatório. Tem força vinculante. Assim. como o movimento sindical. pois eles têm uma função multifuncional. Perspectiva Filosófica: relativas às idéias e correntes de pensamento que influíram na construção e mudança do Direito do Trabalho. pois o próprio princípio pode resolver um caso concreto. fatores sociais importantes na formação do Direito do Trabalho. como norma ele é uma fonte formal pura. no plano das empresas e mercado econômico. Em um primeiro instante. Segundo Maurício Godinho. É a necessária abstração. Como se apresentam no ordenamento jurídico. São os mecanismos exteriores e estilizados pelos quais as normas ingressam. criação de verdadeiras cidades industriais-operárias e de grandes unidades empresariais. É aplicada para todas as pessoas que se enquadram naquela hipótese prevista na norma. e cristalizamse no ordenamento jurídico. Dentro das fontes formais há a classificação das fontes formais heterônomas e fontes formais autônomas: Heteronomia e Autonomia . os princípios também podem ser fontes materiais à medida em que orientam a atividade legislativa. atuando no âmbito da sociedade civil e do Estado. principalmente os princípios constitucionais.Exteriorização final das normas jurídicas. as vertentes filosóficas democráticas (socialistas) que ajudaram a derrubar a hegemonia do ideário liberal capitalista. Já nos últimos cem anos. convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho). mas não só isso. decreto. que trouxeram à tona ideais autocráticos. como o neoliberalismo. no âmbito societário. positivista e capitaneada por Kelsen. culminando com o acirramento da dualidade político-filosófica democracia x autocracia. o reconhecimento do Estado como centro hegemônico de positivação jurídica não impede a percepção da nítida convivência. que pode ser através de uma lei. Perspectiva Política: relativa aos movimentos sociais organizados pelos trabalhadores. de outros núcleos de produção de fontes formais. além de também serem considerados como norma. e os partidos e movimentos políticos operários. sendo uma fonte mesmo formal.2) Fontes Formais . Assim. o Estado. os instrumentos jurídicos de negociação coletiva (contrato coletivo. B. como os costumes. caracterizado como o único dotado de coerção/sanção (a teoria monista carece de consistência teórica). reformistas ou de esquerda. sustenta que as fontes formais do Direito derivam de um único centro de positivação. A teoria pluralista não considera válida a tese do exclusivismo estatal. acordo e convenção coletivos. sustentando a clara existência de distintos centros de positivação jurídica no âmbito da sociedade civil. Os princípios podem ser fontes materiais do direito do trabalho. A teoria monista. preponderante até a segunda metade do século XIX. É como se exterioriza no mundo jurídico.

confere validade . em ultima análise. Invalidação: a regra produzida se choca com a ordem constitucional vigente. Medida Provisória) Normas abstratas e vinculantes que resolve os casos concretos. O Brasil aceita que coexistam. ou seja. porque. Revogação: a antiga regra infraconstitucional é suprimida da ordem jurídica.A percepção da diversidade de centros de positivação de regras jurídicas faz relevante a tipologia das fontes em torno de sua autonomia/heteronomia. leis. A primeira Carta a vislumbrar direitos e princípios justrabalhistas foi a Constituição de 1934. há que se lembrar que essa variedade de centros de normatização não é senão uma possibilidade transcrita na norma legal. decretos e outros diplomas estatais.fundamento e eficácia . segundo nosso examinador. culminando com a de Cosntituição de 1988. tácita ou expressamente. vários produtores de normas. A norma infraconstitucional será válida e eficaz desde que não agrida o comando ou princípio constitucional estabelecido. pois é criada também através de outros organismos.a todas as demais regras jurídicas. invalidação.2. O cotejo das regras jurídicas com os princípios e regras constitucionais pode provocar três fenômenos: revogação. O que se pode identificar como não estatal não é o direito em si. geralmente. O direito como ordem jurídica. Recepção: a antiga regra infraconstitucional preserva-se na ordem jurídica. a mais relevante Carta de Direitos já escrita no país. que se identifica com o Estado. não é apenas o Estado. é sempre um direito estatal. regras originárias de segmentos ou organizações da sociedade civil. Para Jorge Luiz Souto Maior não há que falar em uma ordem estatal e uma ordem não estatal. A partir dela. medidas provisórias. enquanto personificação dessa ordem. no mesmo ambiente jurídico. Fontes Formais Heterônomas – são regras cuja produção não se caracteriza pela imediata participação de seus destinatários principais. de acordo com a teoria positivista do direito. Delegadas. a qual. por compatibilizar-secom o novo quadro constitucional. É feita por terceiro. Fontes Formais Autônomas – são regras cuja produção se caracteriza pela imediata participação de seus destinatários principais. Leis em sentido lato (Complementares. regras de direta origem estatal (Constituição. como os costumes ou os instrumentos de negociação coletiva privada. tendendo a traduzir um processo crescente de democratização das relações de poder existentes na sociedade. Como nas negociações coletivas. mas sua origem. Consubstanciam um autodisciplinamento das condições de trabalho pelos próprios interessados. esterelizando-se por declaração de inconstitucionalidade. recepção. onde os próprios autores negociam as regras que serão aplicadas a eles mesmos. O Brasil não adota uma teoria única/monista quanto à produção das normas. a exemplo da sentença normativa). São. todas incorporaram preceitos justrabalhistas. é que confere legitimidade às normas produzidas por via autônoma.1) Fontes Heterônomas do Direito do Trabalho Constituição Federal da República do Brasil Dotada de prevalência na ordem jurídica. . logo suspensa pelo Estado de sítio de 1935. B. Ordinárias.

Tratados internacionais são documentos obrigacionais. Pode ser assinado posteriormente por outros países. Tem o papel de universalizar o direito do trabalho. assinado. Tratados e Convenções internacionais podem ser fontes formais (fontes normativas heterônomas) (lei em sentido material). 49. porque o tratado. submeter a autoridade competente nacional se vai ou não adotar aquela convenção. impessoal. abstrata.órgão da ONU que delibera sobre matéria trabalhista – comissões tripartides – Assembléias . A autoridade competente no Brasil é o Congresso Nacional – art. A aplicação não é automática. impessoal. Ingressam. sem delimitação do número de participantes. emanada do Poder Legislativo. em sentido formal.patamares civilizatórios mínimos. sancionada e promulgada pela Chefia do Poder Executivo (é a lei em sentido material aprovada segundo o rito institucional específico fixado na Carta Magna). após a devida ratificação/adesão com status de norma infraconstitucional (entendimento já pacificado pelo STF). é indeterminável. obrigatória. é aberto porque pode ser adotado. normativos e programáticos.Lei. oriunda de autoridade competente e expressa em fórmula escrita (lei complementar/ordinária. e Convenções internacionais são espécies de tratados multilaterais. da CF. . é regra jurídica geral. toda a vez que a OIT editar uma convenção internacional. abstrata. é toda regra de Direito geral. a ONU e a OIT têm atribuído o nome de convenção aos tratados multilaterais adotados por suas assembléias e conferências. há a diferença da matéria inerente à elas e o quorum de votação. mesmo . O Brasil é país membro da OIT e tem por obrigação de. Contudo. Tratados e Convenções Internacionais Organização Internacional do Trabalho (OIT) . mas também qualquer outro pode aderir posteriormente. medida provisória e decreto do Poder Executivo). podendo aplicar a convenção não só os países que a criaram. é bilateral. Lei. Constituem-se em documentos obrigacionais. normativos programáticos.declarações. daí têm sido produzidas.recomendações. . I. ratificado pelos países que estão no momento deliberando. A convenção é multilateral. com grande intensidade. São três tipos de diplomas: . pois não há delimitação de participantes. a que aderem voluntariamente seus membros (podem ser subscritas apenas por estados. Não existe hierarquia entre leis complementares e ordinárias. obrigatória. não tem um número certo de participantes. mas um pouco diferente. ou por outros países no futuro que nem eram da OIT à época da convenção.as convenções. é aberta. A OIT edita alguns diplomas normativos. transformações por intermédio de simples medidas provisórias. Medida Provisória . aprovados por entidade internacional. Tem que submeter à aprovação ou não desses diplomas no campo interno. firmados entre dois ou mais Estados ou entes internacionais. sem participação de entes internacionais). em sentido material. Convenções – são uma espécie de tratado internacional. normalmente.O STF tem preservado orientação jurisprudencial de que as matérias trabalhistas enquadram-se nos requisitos de relevância e urgência. subscrito.

A aprovação se dá por um Decreto Legislativo no vernáculo oficial. Quando se quer adotar a convenção deve-se submetê-la à autoridade competente que é o Congresso Nacional. Todos os direitos superiores já existentes não podem ser diminuídos por uma convenção. 1ª) Teoria Monista . sendo norma infraconstitucional. Não se aplica imediatamente no país membro. Estatuto OIT. Expressa que a convenção ratificada não pode piorar com o que o país já tinha. 8º traz o direito comparado como fonte subsidiária. Tendo força de EC. assim como ocorre da CF. após a sua ratificação. art. 5º da CF: . Há diferença entre vigência interna e internacional. item 8 . Ela entende que deve-se analisar o conteúdo desse tratado ou convenção ratificado. As convenções não ratificadas servem para interpretação das normas internas e servem como fontes subsidiárias por força do art. Essa vigência só ocorre após a publicação do Decreto do executivo.O STF e o TST tem a posição majoritária de que entra na categoria de lei ordinária federal. pois faz parte do direito comparado. em que posição deve ser integralizada? Com força de Constituição ou abaixo da CF como lei infraconstitucional? Pra o status da convenção internacional ratificada no ordenamento jurídico brasileiro há 2 teorias – Teoria Dualista e a Teoria Monista. Outro forte argumento é o § 3º do art. pode ser utilizada como fonte subsidiária.que não tenha participado anteriormente. aqui no Brasil. cada item da convenção que for melhor que o previsto no ordenamento interno poderá ser aplicado. dessa convenção. 8º da CLT. na língua portuguesa. uma vez ratificado uma convenção que trata sobre direitos humanos. além de ajudar na interpretação do próprio ordenamento jurídico. Uma convenção entra em vigência internacional normalmente quando três países membros a adotam e passa ater vigência interna. 19. que é enviado ao Poder Executivo que promulgará um Decreto do executivo publicando a convenção para que tenha um início de vigência interna. O art.Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados. Esse procedimento se chama RATIFICAÇÃO. I CRFB. porque se for conteúdo de direitos humanos. que podem ser adotadas pelos países ou não. ou seja. esses direitos humanos ratificados entram no nosso ordenamento na categoria de direitos fundamentais. §2º: § 2º . O argumento para esse entendimento é a própria CF. ao lado da CF como emenda constitucional. Uma convenção com vigência interna é considerada uma das fontes primárias do ordenamento. por serem assim considerados direitos fundamentais. mas com vigência internacional. A convenção é submetida ao Congresso. uma vez ratificado pelo pais membro. em que local. onde deliberam no sentido de adotar ou não a convenção. Para boa parte da doutrina os direitos humanos são os direitos fundamentais positivados no ordenamento interno. ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. art.norma mais favorável interna. Assim. Pergunta: Ratificada a convenção internacional. A ratificação de uma convenção produz um avanço social nos pontos em que estávamos atrasados no ordenamento interno. Para essa doutrina. 5. art. 49. Já a convenção não ratificada. secundária. São essas regras jurídicas internacionais. Ou seja. independente do conteúdo dessa norma. estará aumentando o rol de direitos fundamentais. 2ª) Teoria Dualista – adotada pela doutrina (Flávia Piovesan).

ratificados pelo Brasil. dentre outros princípios. insofismavelmente. não se pode negar ao direito do trabalho o status de regulação jurídica pertencente aos direitos humanos. na qualidade de lei ordinária. Princípio da vedação ao retrocesso social Toda vez que se ratifica uma convenção que cuida de direitos humanos não pode mais retroceder. por três quintos dos votos dos respectivos membros. por previsão do § 2o. Conseqüências das correntes Para quem adota a corrente da Piovesan o tratado não poderá ser revogado. não tem força vinculante. esta integração se dá no nível constitucional. Se entender que é uma simples lei ordinária federal. Para quem adota a corrente do STF argumentava que antes desse §3º. em dois turnos. em cada Casa do Congresso Nacional. da Constituição Federal.§ 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados. independentemente de lei ordinária.06.. tinham força de emenda. digam respeito a direitos humanos têm status supraconstitucionais e se incorporam de imediato ao ordenamento interno. que foi incluindo pela CE 45. não se podia dar a convenção caráter de emenda constitucional. inciso II. que prevê que nas relações internacionais. da mesma Carta. para serem obrigatórias no território nacional.br). ou seja. o texto integra-se ao ordenamento como norma infraconstitucional. Para outros. 18. Seria uma . a República Federativa do Brasil rege-se. 4o. disponível no site www. do art. revogação. § 2º. o fato é que em se tratando de normas pertinentes aos direitos humanos. a sua inserção no ordenamento interno se dá. dependem de ratificação e uma vez cumpridos os trâmites legais. no entanto. Recomendações – consiste em diploma programático expedido por ente internacional enunciando aperfeiçoamento normativo considerado relevante para ser incorporado pelos Estados. Pela teoria clássica. 5o. que estabelece que os tratados internacionais constituem regras complementares às garantias individuais e coletivas estabelecidas na Constituição e do art. caberia modificação. antes todos os tratados que cuidavam de direitos humanos ratificados eram materialmente constitucionais." "E. têm natureza de direitos humanos. II. da CF/88. Agora são também formalmente constitucionais.1998). a exemplo daqueles garantidos pela Declaração da OIT sobre os Princípios de Direitos Fundamentais no Trabalho (Genebra. Para quem adota a corrente da Piovesan.. em nível constitucional. diz-se. e 5º. por força dos artigos 4º. "As normas internacionais. Com a retificação se está avançando nos direitos.conamat. Sem adentrar esta discussão. Todas as outras leis terão que passar pelo crivo de constitucionalidade do tratado. b) Os direitos trabalhistas ligados diretamente à dignidade da pessoa humana. serão equivalentes às emendas constitucionais.. Importante registrar o posicionamento de Souto Maior a propósito da inserção dos Tratados Internacionais que veiculam direitos humanos em nosso ordenamento: Diz ele que: a) As normas internacionais de tratados que.com. pela prevalência dos direitos humanos (inciso II). por ser considerado direitos fundamentais. O próprio dado histórico do direito do trabalho obriga-nos este reconhecimento" (extraído de sua tese A Inserção no Direito Interno de Normas Internacionais Trabalhistas Ligadas aos Direitos Humanos.

caso não haja norma de direito interno pátrio regulando a matéria. o STF entendeu ser ilícito. Uma recomendação normalmente precede uma convenção. apenas recomendam que o país adote uma política em certo sentido. art. Porém. Elucidam alguma dúvida. no mínimo. Atribuição do Presidente da República. O Direito Comparado.FONTES DO DIREITO . . As demais normas da OIT. de regulamentar as leis. O decreto que regulamentou a lei pra esse adicional inventou uma aplicação proporcional ao tempo de disposição. não tem aplicação imediata. pois geralmente antes de uma convenção há uma recomendação. Regulamento Normativo (Decreto) Caracteriza-se como um desenvolvimento e especificação do pensamento contido na lei. serve de inspiração para outras regras jurídicas. ou seja. Elas apenas recomendam.NORMAS INTERNACIONAIS. 84. DIREITO COMPARADO. DIREITO COMPARADO. não gerando direitos e obrigações aos indivíduos na ordem jurídica interna dos Estados celebrantes. devem servir como fonte de interpretação da lei nacional e como referência a reforçar decisões judiciais baseadas na legislação doméstica. CONVENÇÕES DA OIT NÃO RATIFICADAS PELO BRASIL. O uso das normas internacionais. CONVENÇÕES E RECOMENDAÇÕES DA OIT. Declarações – também é diploma programático. objetivando operacionalizar a observância concreta do comando legal originário. não podem ser ratificadas. emanadas da Organização Internacional do Trabalho. também não tem força vinculante. 8º da Consolidação das Leis do Trabalho. IV da CF. é só uma orientação da OIT. Recomendação e Declaração não constituem fontes formais do Direito. Por tempos se discutiu se esse proporcional é ilícito. é fonte subsidiária do Direito do Trabalho. não podendo exorbitar o que a lei dispõe. assim como os relatórios dos seus peritos. constitui-se em importante ferramenta de efetivação do Direito Social e não se restringe à aplicação direta das Convenções ratificadas pelo país. Serve como fonte material.FONTES DO DIREITO DO TRABALHO. não é uma futura convenção. São espécies de esclarecimentos sobre a matéria. I . tem a função específica de regulamentar outra norma jurídica. não são fontes formais. Assim. embora expedido por Estados soberanos em face de determinado evento ou congresso.espécie de pré-estágio antes de uma convenção.FONTES DO DIREITO DO TRABALHO. auxiliar na interpretação da nossa norma interna. O Enunciado nº 3 da 1ª jornada diz que se pode utilizar as recomendações já de imediato para. as Convenções da Organização Internacional do Trabalho não ratificadas pelo Brasil podem ser aplicadas como fontes do direito do trabalho. têm caráter de fonte jurídica material. como as Convenções não ratificadas e as Recomendações. Toda vez que um decreto exorbitar dessa função será ele ilegal. O adicional de periculosidade dos eletricitários. segundo o art. Obs: Enunciado 3 da 1a Jornada Enunciado 3 . II . Não pode ultrapassar da simples regulamentação de uma lei.

Art. na forma da regulamentação aprovada pelo Ministério do Trabalho.(. regras jurídicas. abstrata. pois obrigam nos limites da obediência hierárquica. como um efetivo dever do próprio Estado. É formalmente uma sentença. Em sentido contrário: ADCT. Não constituem fontes formais apenas aos funcionários a que se dirigem e Faltam-lhes qualidades da lei em sentido abstração e impessoalidade. qualificando-se. Circulares A rigor não tem força vinculativa internamente.Art. Compete privativamente ao Presidente da República: IV . no âmbito das relações laborais. impessoal. Avisos.sancionar. A sentença normativa é decisão dos tribunais em dissídios coletivos (interesse coletivo aprensentado pelo sindicato ou por órgãos de classe.. art. sujeito este prazo a prorrogação por lei. material. O exercício de trabalho em condições insalubres. quais sejam generalidade. Qualquer norma jurídica que implemente políticas ou medidas de redução dos riscos inerentes ao trabalho será válida em face da Constituição.Art. 20% (vinte por cento) e 10% (dez por cento) do salário mínimo da região. o tipo jurídico inserido na respectiva portaria ganhará o estatuto de regra geral. Instruções. 192.)" Sentença Normativa É fonte heterônoma singular do Direito do Trabalho. Há. Portarias. 193. cuja competência originária é do TRT (se estiver no âmbito de apenas uma região) cabendo recurso ao TST. médio e mínimo. Se não . promulgar e fazer publicar as leis. mas o conteúdo é uma lei. assumindo aquelas qualidades e criando direitos e obrigações na vida trabalhista. na verdade. acima dos limites de tolerância estabelecidos pelo Ministério do Trabalho. 192 e 193: CLT . segundo se classifiquem nos graus máximo. A sentença normativa é uma sentença que não se identifica com seu próprio corpo. com qualidade de lei em sentido material. passando a integrar o conteúdo desses diplomas. Exemplos: CLT. I: "Art. CLT . 25. 25. regendo ad futurum situações fático-jurídicas. quando expressamente referidos pela lei ou regulamento normativo (decreto) a que se reportam. bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução. São consideradas atividades ou operações perigosas. contudo. Ficam revogados. possibilidade técnica de serem alçados ao estatuto de fonte normativa. por sua natureza ou métodos de trabalho.ação normativa. impliquem o contato permanente com inflamáveis ou explosivos em condições de risco acentuado. 84. Primeiro passo se dá com uma negociação coletiva. como ocorre nos dissídios coletivos e respectivas sentenças normativas. a partir de cento e oitenta dias da promulgação da Constituição. onde vai resolver o conflito coletivo.. arts. Em tais casos. Se não conseguir negociar passa a buscar o recurso da arbitragem. aquelas que. especialmente no que tange a: I . assegura a percepção de adicional respectivamente de 40% (quarenta por cento). todos os dispositivos legais que atribuam ou deleguem a órgão do Poder Executivo competência assinalada pela Constituição ao Congresso Nacional. geral nenhuma. decorrente da atribuição constitucional deferida ao Poder Judiciário de fixar. só regulamentam do Direito do Trabalho.

TST – Súmula 277 – As condições de trabalho alcançadas por força de sentença normativa vigoram no prazo assinado.Art. pois. criam regras jurídicas. não integrando.2. embora se preserve como ato judicial do ponto de vista de sua forma de produção e exteriorização. gera uma decisão final que é a sentença normativa. mas do ponto de vista formal são acordo de vontades/contratos).quiser utilizar a arbitragem pode usar o dissídio coletivo de natureza econômica. envolvendo o âmbito da categoria. como resultado de um único e específico processo posto a exame do tribunal trabalhista para aquele preciso e especificado fim. Expressa.Parágrafo único. Tem vigência. Não traduz a aplicação da norma jurídica existente sobre a relação fáticajurídica configurada. seus efeitos dar-se-ão apenas entre a(s) empresa(s) e os trabalhadores envolvidos. A convenção coletiva resulta de negociações entabuladas por entidades sindicais. que estipulem condições de trabalho. A lei brasileira determina que o tribunal prolator da sentença normativa fixe o prazo de sua vigência. B. embora de origem privada (normas autônomas). onde. no âmbito do dissídio. bem como o prazo de sua vigência. em comum acordo. impessoais. impessoais. §1º É facultado aos Sindicatos representativos de categorias profissionais celebrar Acordos Coletivos com uma ou mais empresas da correspondente categoria econômica. CLT – Art. Em decorrência da dualidade apresentada. obrigatórias e abstratas (aspecto material). O Tribunal fixará a data em que a decisão deve entrar em execução.2) Fontes Autônomas do Direito do Trabalho Convenção Coletiva de Trabalho e Acordo Coletivo de Trabalho As convenções coletivas. os contratos. impessoais. preceitos gerais. como verificado nas sentenças clássicas. o qual não poderá ser superior a quatro anos. ao contrário a criação de normas jurídicas gerais. 611. É comando abstrato. dirigidos a normatizar situações ad futurum (são lei em sentido material. É lei em sentido material. constituindo-se em ato judicial criador de regras gerais. abstratos. o qual não poderá ser superior a quatro anos. Natureza jurídica – não se enquadra em nenhuma figura ante da normatividade. Calamadrei produziu a hoje clássica referência à sentença normativa como “corpo de sentença. obrigatórias. que resulta de um acordo de vontades. CLT . A de natureza econômica possibilita ao Judiciário criar normas para determinada categoria. de forma definitiva. pelo qual dois ou mais Sindicatos representativos de categorias econômicas e profissionais estipulam condições de trabalho aplicáveis. abstratas. O de natureza jurídica não gera sentença normativa. haverá uma lei preexistente que terá sua aplicação declarada pelo Tribunal. Convenção Coletiva de Trabalho é o acordo de caráter normativo. O dissídio coletivo pode ter natureza econômica ou jurídica. Já no acordo coletivo não é necessária a presença do sindicato no pólo empresarial de contratação: constrói-se por empresa ou empresas. Há duas visões: . no âmbito das respectivas representações. no exercício de função típica e tradicional do Poder Legislativo (e não do Poder Judiciário). alma de lei”. aplicáveis no âmbito da empresa ou das empresas acordantes às respectivas relações de trabalho. 868 . às relações individuais do trabalho.

Sentença normativa. O professor acha perigosa a corrente porque deve ser interpretado um contrato mais pela intenção das partes do que pelo que está escrito. Repercussão nos contratos de trabalho. não aderindo indefinidamente a eles (corrente mais prestigiada jurisprudencialmente): TST . . . aderência limitada por revogação.Súmula 277 . abstratas.Aderência limitada pelo prazo: os dispositivos dos diplomas negociados vigoram no prazo assinado para vigência de tais diplomas. qualificadas por serem gerais (em seu âmbito mais delimitado.tem natureza de fonte do direito. Sobre a aderência contratual das regras previstas nas Convenções Coletivas de Trabalho e nos Acordos Coletivos de Trabalho. Vigência. uma vez criado o texto. é verdade). . de forma definitiva. os contratos. de norma – como lei. como norma. não integrando. Do ponto de vista substantivo são desveladores de normas jurídicas típicas. . impessoais e dirigidas à regulação ad futurum de relações trabalhistas. Do ponto de vista formal são acordos de vontades (contrato lato sensu). o que é decisivo para a interpretação é a vontade da lei..Aderência irrestrita (corrente minoritária): ingresso para sempre nos contratos individuais. As condições de trabalho alcançadas por força de sentença normativa vigoram no prazo assinado. aderência limitada pelo prazo.tem natureza de contrato – pois são duas partes que celebram um negócio jurídico. não podendo mais deles ser suprimidas. três correntes tratam do assunto: aderência irrestrita.

É uma prática reiterada e espontânea. são normas jurídicas autônomas. mas ocorre que muitas vezes o empregador paga antes. Os costumes. e sim tem um aspecto concreto entre as partes do contrato. não será fonte formal de direito. Funciona como cláusula tacitamente ajustada. ninguém estabeleceu nada. porque tudo ligado ao contrato. firmando um modelo ou critério de conduta geral/impessoal. a lei fala que o salário deve ser pago até o quinto dia do mês útil subseqüente. A estrutura sindical brasileira não é adequada. Por isso é criticado pela doutrina o uso como fonte. como todo dia 5 do mês. O uso é uma prática adotada dentro de uma relação jurídica específica e que somente produz efeitos entre essas partes. o uso não emerge com ato-regra. categoria. porque se acredita ser a conduta certa na sociedade. Isso a rigor não seria uma fonte do direito. certo modo de agir de conteúdo jurídico. mas que naturalmente se utiliza na execução do contrato. tendo em vista que as entidades sindicais obreiras organizam-se por segmento profissional e a idéia relevante do contrato coletivo é fixar normas mais abrangentes do que as dirigidas ao universo delimitado de uma única categoria. mas são figuram diferentes. Os integrantes do núcleo agem com o sentimento de que tal norma deve ser cumprida. atos-regra. Costume é prática habitual adotada no contexto mais amplo de certa empresa. Usos e Costumes Uso é prática habitual adotada no contexto de uma relação jurídica específica. com aptidão formal para produzir normas jurídicas (tentativa de gerir um instrumento de negociação coletiva que fosse capaz de ultrapassar os limites da estrutura corporativista tradicional do Direito Coletivo no Brasil). portanto de uma obrigatoriedade espontânea. No DT. ocorre normalmente gerando direitos aos empregados. para a corrente majoritária. Ocorre quando um núcleo social adota e observa. A doutrina aconselha ter cuidado com o termo uso porque para ela.. portanto. mas espontaneamente se acha ser a conduta certa. Se funcionar apenas como meio de interpretação de negócios jurídicos. não tem a abstração necessária para ser uma fonte. Contrato Coletivo de Trabalho Pacto contratual coletivo. vocacionadas a suprirem lacunas percebidas nas fontes jurídicas principais do sistema (são fontes jurídicas supletivas). Não está escrito em lugar algum. aplicável ad futurum a todos os trabalhadores integrados no mesmo tipo de contexto. celebrado no exercício da autonomia privada coletiva. envolvendo as específicas partes componentes dessa relação e produzindo. em conseqüência. Não se encontra na forma escrita (diferença para lei).. constante e espontaneamente. . uma forma que não foi pactuada expressamente. como no acordo ou convenção coletiva. Por exemplo. e isso acaba incorporando no contrato porque tacitamente foi celebrado uma cláusula mais benéfica. tendo o caráter de cláusula contratual tácita. efeitos exclusivamente no delimitado âmbito dessas mesmas partes. mas não é a mais aceita pela jurisprudência): os dispositivos vigorariam até que novo diploma negocial os revogasse (seria uma integração contratual limitada por revogação). a cláusula contratual. o uso seria na verdade uma forma de executar o contrato. norma jurídica. Reveste-se.Aderência limitada por revogação (tecnicamente mais correta. Liberalidade com habitualidade gera cláusula contratual tácita. Assim. CLT trata em conjunto. região etc. mas meio de interpretação da vontade das partes. não sendo. ou no dia 30 de cada mês.

É um costume. é fonte estritamente heterônoma. o conteúdo da lei.Secundum legem – segundo a lei. salvo de a lei for imperativa proibitiva. a representação direta dos destinatários das normas. Quando frustrada a negociação coletiva pode-se utilizar a arbitragem e o laudo arbitral. sendo parecido com sentença normativa. 2 . Integra o conteúdo da norma escrita. A lei se refere expressamente ao costume.2. A decisão do árbitro pode ser considerada como fonte formal heterônoma (semelhante à sentença normativa). num conflito coletivo de trabalho). Em DT se for mais favorável pode ser aplicado em detrimento da lei. a arbitragem é permitida e incentivada. porque produzido por terceiro.3) Figuras controvertidas Laudo Arbitral Decisão de caráter normativo tomada por alguém escolhido por entidades coletivas. no contexto da negociação trabalhista. Art.Praeter legem – supre lacuna da lei. 114. 8º da CLT. A doutrina classifica os costumes em três tipos: 1 . as partes poderão eleger árbitros. se decidido pela livre faculdade dos agentes destinatários das normas pretendidas e se absorver. não pode. ter faceta autônoma. sem a participação direta dos destinatários das normas contidas no laudo. Quando se está no campo das relações individuais de trabalho.Contra legem – que contraria a lei. em regra. resolvendo o conflito coletivo de trabalho. porque a arbitragem só é possível para direitos patrimoniais disponíveis. § 1º da CF. Exemplo se encontra na lei do rural onde prevê que o intervalo seja feito de acordo com o uso e costume da região. Se a lei não supre deve-se buscar os costumes para suprirem a lacuna da lei. Não se admite em princípio. em princípio. Exemplo: gorjeta não tem previsão legal de que tem que receber. 3 . CF – Art. É facultativa. Poderá. que é a decisão do árbitro.Nossa legislação e doutrina reconhecem o costume como fonte do direito. terá natureza de corpo de laudo com alma de lei. O laudo arbitral. contudo. . árbitro ou comissão arbitral. mas deve-se reconhecer a força dele que atua no sentido de forçar o desuso da lei. para incidência no âmbito das respectivas bases sindicais (decisão proferida por um árbitro escolhido pelas partes. 114 § 1º Frustrada a negociação coletiva. Art. No âmbito coletivo. B. na comissão arbitral.

mas tem uma mitigação no papel tradicional da jurisprudência no Brasil. podendo ser através de portaria. A CLT. Não tem força vinculante tradicional. Sérgio Pinto Martins entende diferente achando que são fontes do direito. o exame das súmulas de jurisprudência uniforme do TST demonstra sua qualidade de comando geral. pois seus dispositivos são gerais. É a cristalização de entendimentos dos tribunais superiores. ou seja. abstrato e impessoal. e sim mostra qual é a interpretação reiterada da norma. No direito comparado. Caso em que o empregador e empregado negociam o regulamento. por analogia. daí ser negado seu caráter de fonte normativa autônoma. impessoais. mas baixando unilateralmente. Quando não é baixando unilateralmente. 8º As autoridades administrativas e a Justiça do Trabalho. circular etc. em face de sua origem unilateral. 8º. Seus dispositivos valerão como cláusulas do contrato de trabalho. dispõe ser a jurisprudência fonte normativa (supletiva): CLT – Art. mas é minoritário. O regulamento e o contrato são concretos na aplicação entre as partes. qualquer juiz pode contrariar uma súmula. mais especificamente no poder regulamentar. mas tem generalidade. em algumas doutrinas o regulamento pode ser considerado fonte quando edita regras gerais e abstratas. na falta de disposições legais ou contratuais. No Brasil a jurisprudência tem o sentido de decisões reiteradas dos tribunais sobre a interpretação das normas. por eqüidade e outros . baixa esse regulamento. pois. inquestionável força jurídica e jurígena. onde a discussão muda um pouco. Jurisprudência Origem da jurisprudência: direito anglo-saxônico. No âmbito justrabalhista. conforme o caso. um entendimento jurisprudencial. pois resulta de seu ato unilateral de vontade. que é essa obrigatoriedade na utilização. A interpretação passa a ser vinculante. art. valendo como ato de vontade unilateral. abstratos. tendo. Não é a jurisprudência que vira uma norma. Possuem certo aspecto que aproximam as súmulas vinculantes das fontes formais. forma vinculante. Modernamente: regulamento negociado pelos representantes dos empregados. Tudo que está no regulamento vira contrato. Com a criação das súmulas vinculantes do STF. dentro do seu poder diretivo. a matéria ainda não está pacificada. abstração e vinculação. Não tem a abstração generalizada. pela jurisprudência. Este. decidirão. Não são fontes formais como são as leis. É a reiterada interpretação conferida pelos tribunais às normas jurídicas. É anexo ao contrato de trabalho. como em alguns países. Não se enquadra como fonte formal de direito eis que resta limitado ao âmbito de vontade do empregador. Pela posição majoritária integra-se aos contratos de trabalho como cláusulas. Onde todos passam a ter que adotar aquele verbete. a partir de casos concretos colocados a seu exame jurisdicional (consubstancia a autoridade das coisas decididas similarmente em juízo). Não é igual a lei. mas a jurisprudência trabalhista tem lhe negado tal qualidade e respectivos efeitos.Regulamento Empresarial Tem aparente qualidade de regra jurídica. É baixando unilateralmente pelo empregador.

126. Pode inspirar criação de normas e interpretar normas. mediatiza. Visão clássica/tradicional – Informam a criação (agindo assim como fontes materiais). art. que informam a compreensão do sistema jurídico e de seus ramos.Quando a lei for omissa.princípios e normas gerais de direito. também é fonte normativa subsidiária.Art. o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia. não as havendo. O juiz não se exime de sentenciar ou despachar alegando lacuna ou obscuridade da lei. Godinho chama de fonte supletiva subsidiária Visão moderna – Princípios constitucionais como norma jurídica. e. pela eqüidade. Sérgio Pinto Martins). Princípios Jurídicos Podem ocupar o papel de fonte supletiva (princípios normativos subsidiários). tornando-o concreto. Doutrina Conjunto de apreensões e leituras sistematizadas da ordem jurídica pelos juristas e estudiosos do Direito em geral. As construções doutrinárias não são fonte normativa por padecerem de abstração e obrigatoriedade. o direito comparado. auxiliando o processo de aplicação concreta do Direito. Não tem força vinculante. mas sempre de maneira que nenhum interesse de classe ou particular prevaleça sobre o interesse público. Podendo ser utilizados nos casos concretos usando a metodologia correta. LICC . . em situações de lacunas nas fontes jurídicas principais do sistema (ler estudo sobre princípios no início deste ponto). Informam a interpretação das normas jurídicas existentes. Equidade Significa a suavização do rigor da norma abstrata. aos costumes e aos princípios gerais de direito. A lei regula situação-tipo. Atuam na integração das normas quando existe lacuna da lei – utiliza-se a mesma orientação que informou a criação das diversas normas sobre o assunto para ser suprida a ausência de norma – é mera forma de integração das normas (maj – Délio. institutos e diplomas normativos. os costumes e os princípios gerais de direito. construindo regra fundada nos elementos mais globalizantes dessa situação. 8º. mas o intérprete. com força normativa – Dworkin e Alexy. inspiram a criação de normas. Pela CLT. 4º . No julgamento da lide caber-lhe-á aplicar as normas legais.Art. CPC . recorrerá à analogia. Os trabalhos doutrinários servem como fontes materiais eis que atuam como subsídios aos intérpretes e ao legislador na compreensão do sistema jurídico. principalmente do direito do trabalho. tendo em vista as circunstâncias específicas do caso concreto posto a exame judicial. de acordo com os usos e costumes. que deverá ser invocada em razão de lacuna em fonte normativa principal. adequa o comando abstrato. ainda.

O fundamento do DT traz em si a idéia de possibilitar que os interessados livremente possam efetuar a estipulação de regras mais favoráveis (que criam melhores condições de trabalho e de vida) ao empregado. No conflito de normas se resolve com a norma mais favorável. Fundamento na validação de uma norma em cotejo com outra de eficácia mais ampla. 4. fontes de regras jurídicas. mesmo supletiva.3. abaixo dessa. Hierarquia segundo maior ou menor extensão de eficácia e sua maior ou menor intensidade criadora do Direito (há uma verticalidade fundamentada entre os diplomas normativos. Dessa forma. pela qual se pesquisam outras fontes normativas para aplicação ao caso concreto. assim. pois obviamente figura no topo da pirâmide aquela mais favorável ao empregado. É. envolvendo somente as partes contratantes. desde que seja válida. A analogia é um método de integração de lacunas de direito. mediante a qual um diploma encontra respaldo e fundamento naquele que lhe é superior). gerais. Ao contrário. instrumento de concretização da integração jurídica. A hierarquia própria às fontes normativas componentes do Direito Comum é rígida e inflexível: nada agride a Constituição e. ou seja. já que todas as outras fontes não podem contrariá-la. Em DT .3) Hierarquia entre as Fontes Justrabalhistas 4. específicas e pessoais. a norma inferior não pode contrariar a superior. . impessoais.1) Hierarquia Normativa: teoria geral (Direito Comum) Já foi estudado no contexto do princípio da condição mais benéfica. pessoais. onde se tem uma norma buscando fundamento de validade em outra. diante de lacuna nas fontes normativas principais. em uma lacuna. Constituição da República. Somente é a operação lógico-comparativa pela qual o operador jurídico. pois. 126 do CPC. não se pode falar em hierarquização rígida das diversas fontes de direito. concretos. não tem caráter de fonte. O DT surgiu como uma base de comandos mínimos de observância obrigatória pelas partes no intuito de amparar o trabalhador frente ao poder econômico do empregador. como norma fundamental do direito positivo. as cláusulas contratuais são concretas. Forma de integração das normas jurídicas.Princípio protetivo na sua regra da norma mais favorável. Não é uma fonte. busca preceito adequado que seja existente em outros segmentos do universo jurídico. busca outra norma semelhante para resolver a lacuna. Na hierarquia tem a pirâmide de Kelsen. mas sim fontes de obrigações e direitos específicos. no ramo laboral. Sérgio Pinto Martins enquadra como fonte. tem posição hierárquica máxima. Cláusulas Contratuais Não é o contrato um diploma instituidor de atos-regra. É o método pelo qual. nada agride a lei.Analogia Apesar da citação no art. Não constituem fontes de direito. abstratos. Não são.

4. mas si a norma mais favorável ao trabalhador. dado revestirem-se do imperium específico ao Estado. em princípio. Assim. a CF ou a lei federal. que sempre preservarão sua preponderância. necessariamente. não será.2) Hierarquia Normativa: especificidade justrabalhista No ramo justrabalhista não se deve.3. elegendo no vértice da pirâmide a norma que mais se aproxime do caráter teleológico do ramo justrabalhista (princípio da norma mais favorável) (hierarquia dinâmica e variável). falar em hierarquia de diplomas normativos (lei em sentido material). o critério normativo hierárquico vigorante no Direito do Trabalho constrói-se de modo plástico e variável. variável e mutável. O vértice da pirâmide normativa. o princípio da norma mais favorável não se compatibiliza com a inflexibilidade piramidal típica do Direito Comum. que prevalecerá sobre as demais. mas em hierarquia de normas jurídicas (heterônomas e autônomas). Ainda. . Limitações: O princípio de prevalência da norma mais favorável ao trabalhador encontra limites nas normas proibitivas estatais.

etc. convenção coletiva. quando mais favorável do que a legislação territorial. Teoria da Acumulação Propõe como procedimento de seleção. estende-se aos dissídios . cada conjunto com os demais. O que há de diverso no direito do trabalho.Lei n. No caso de ser a norma superior de caráter máximo não pode a inferior ser aplicada (citese como exemplo a norma constitucional que proíbe o trabalho noturno. III). encaminhando-se. em que a percepção da norma mais favorável é feita considerando-se seu sentido no universo do sistema a que se integra)(a teoria do conglobamento foi absorvida pela legislação . à determinação do conjunto normativo mais favorável. estabelecida neste artigo. 651. então. sentença normativa. considerado o mesmo universo temático. com base no princípio da norma mais favorável.a competência das Juntas de Conciliação e Julgamento. o fracionamento do conteúdo dos textos normativos.  O parâmetro de comparação não é o indivíduo. é a possibilidade de não se aplicar a norma superior quando uma inferior estabeleça maiores garantias ao trabalhador. . Compara-se. também globalmente considerados. no seu ponto de vista.064. 3º. Art. são normas de garantias mínimas. 3º . acordo coletivo. §2º . insalubre e perigoso aos adolescentes . costumes. análise e classificação das normas cotejadas.II – a aplicação da legislação brasileira de proteção ao trabalho. (organiza o instrumental normativo em função da matéria tratada (ratione materiae)) (é um critério sistemático.Art. naquilo em que não for incompatível com o disposto nesta lei. art. lei em sentido amplo. conduzindo a resultados jurídicos casuísticos e incomunicáveis). Conflitos e suas Soluções Aplicação da Teoria Especial Trabalhista . assim.Souto Maior entende que há hierarquia no direito do trabalho nos mesmos moldes do direito civil: Constituição.064/82. No entanto. pois enseja um sancionamento do sistema normativo.Acumulação X Conglobamento As teorias da acumulação e do conglobamento buscam informar critérios de determinação da norma mais favorável. que dispõe sobre a situação de trabalhadores brasileiros contratados ou transferidos para prestarem serviços no exterior. retirando-se os preceitos e institutos singulares de cada um que se destaquem por seu sentido mais favorável ao trabalhador (acumulam-se os preceitos favoráveis ao obreiro. no conjunto de normas e em relação a cada matéria. cindindo-se diplomas normativos postos em equiparação) (teoria cientificamente criticável. isso só é possível porque as regras trabalhistas em geral. Teoria do Conglobamento Cada conjunto normativo é apreendido globalmente. mas a coletividade interessada ou o trabalhador inserido em um quadro de natureza global. Conflito de competência . Ex.º 7. regulamento de empresa.Lei 7. socorrem-se da teoria do conglobamento no contraponto entre a lei territorial externa e a lei brasileira originária. ainda que se apóie no princípio da norma mais favorável). pelo cotejo analítico.uma lei infraconstitucional não poderá permitir a execução deste trabalho.

Conflito de acordo coletivo ou convenção coletiva e sentença normativa A sentença normativa faz coisa julgada atípica. . a não ser excepcionalmente. No último e mais racional. Pode ocorrer que as partes não gostem da sentença normativa. ou seja. por exemplo. desde que o empregado seja brasileiro e não haja convenção internacional dispondo em contrário. considerado como integrante de um grupo. Nestes casos alguns tribunais têm feitos convenções coletivas negociadas. as leis especiais devem prevalecer sobre as gerais (atleta profissional. . domésticos). analisam-se as regras instituto por instituto (ex: férias). O da acumulação não respeita limites. um parágrafo de um artigo de uma lei com o caput de outra. No conglobamento. isto é. Tem se dado preferência à solução negociada. Ressalta ainda Souto Maior que nesta análise o trabalhador deve ser abstraído. se apresenta mais vantajoso ao empregado. não se devendo buscar atender às peculiaridades de cada trabalhador. para se verificar qual. Além disso. Portanto é atípica. pra convenção coletiva. Souto Maior identifica três critérios de comparação entre as diversas normas para encontrar a mais favorável: acumulação. sendo aplicável. Não é uma coisa julgada tradicional no sentindo de que ultrapassado todos os prazos transitou em julgado e nunca mais poderá ser modificado. ainda na vigência da sentença normativa. no geral. (vide Constituição Federal de1988). segundo o examinador. Isso.Súmula 207 do TST: A relação jurídica trabalhista é regida pelas leis vigentes no país da prestação de serviços e não por aquelas do local da contratação. conglobamento e acumulação por instituto. analisase todo o ordenamento. evidentemente. Isso é possível. quando houver tratamento harmônico da matéria. porque é uma sentença com alma de lei.ocorridos em agência e filial estrangeiro. deve-se respeitar o critério da especialização: ou seja.

623 CLT (aquelas normas de ordem pública de aplicação obrigatória independentemente da vontade dos interessados. vão dar preferência pro negociado. pode sair uma sentença normativa hoje pra regular um reajuste salarial de anos atrás. porque se cria um freio do Estado sobre essa vontade coletiva. norma de segurança do trabalho). Possibilidade de alteração do fato social. Se os próprios interessados entendem que a sentença pode estar caduca.O poder normativo é uma interferência do Estado na vontade coletiva privada. Nesses casos pode acontecer do fato social ser outro. Exceção: norma mais favorável não possuirá validade se confrontada com preceitos imperativos proibitivos – art. assinatura da CTPS. as necessidades se transformaram em outras. Pelo fato do poder judiciário não ser rápido. Atualmente a vontade coletiva privada está mais preservada. porque estará de acordo com o novo fato social. que não admitem estipulações em contrário – ex. . ser alterado. O professor Otávio Calvet observa que gosta do requisito do comum acordo.

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