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Projeto político-pedagógico da escola uma construção possível

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Síntese do texto de VEIGA, Ilma Passos Alencastro. (org) Projeto políticopedagógico da escola: uma construção possível.

2a edição Papirus, 2002. Introdução O projeto político-pedagógico tem sido objeto de estudos para professores, pesquisadores e instituições educacionais em nível nacional, estadual e municipal, em busca da melhoria da qualidade do ensino. Refletir sobre a construção do Projeto Político-Pedagógico na escola como um processo coletivo necessita pensar na organização de seu trabalho pedagógico com base em seus alunos. Assumindo suas responsabilidades, sem esperar que as esferas administrativas superiores lhe dêem as condições necessárias para levá-Ia adiante. Conceituando o projeto político-pedagógico No sentido etimológico, o termo projeto vem do latim projectu, que significa lançar para diante. Ao construirmos os projetos de nossas escolas, planejamos o que temos intenção de fazer, de realizar. Segundo Gadotti as promessas tornam visíveis os campos de ação possível, comprometendo seus atores e autores. Nessa perspectiva, o projeto político-pedagógico é, portanto, um documento que facilita e organiza as atividades, sendo mediador de decisões, da condução das ações e da análise dos seus resultados e impactos. Ele é construído e vivenciado em todos os momentos, por todos os envolvidos com o processo educativo da escola. Projeto busca um rumo, uma direção. É uma ação intencional, com um sentido explícito, com um compromisso definido coletivamente. Por isso, todo projeto pedagógico da escola é, também, um projeto político. Político e pedagógico têm assim uma significação indissociável, na busca de alternativas viáveis à efetivação de sua intencionalidade, que "não é descritiva ou constatativa, mas é constitutiva" (Marques 1990, p. 23). Propicia

assim, uma vivência democrática, ao se constituir em processo democrático de decisões, preocupa-se em instaurar uma forma de organização do trabalho pedagógico na sua globalidade. A possível construção do projeto passa pela relativa autonomia da escola, de sua capacidade de delinear sua própria identidade, resgatando a escola como espaço público, lugar de debate, do diálogo, fundado na reflexão coletiva. Para isso, é preciso entender que o projeto político-pedagógico da escola dará indicações necessárias à organização do trabalho pedagógico, que inclui o trabalho do professor na dinâmica interna da sala de aula. Portanto, necessitamos de um referencial que fundamente a construção do projeto político-pedagógico, sabendo qual referencial recorrer para a compreensão da prática pedagógica. Nesse sentido, alicerçar-se em pressupostos de uma teoria pedagógica crítica viável. A escola então se nutre da vivência cotidiana de cada um de seus membros, à administração central, estimula inovações e coordenar as ações pedagógicas planejadas e organizadas por ela, necessitando receber assistência técnica e financeira implicando uma mudança substancial na sua prática. Não é necessário convencer os professores, a equipe escolar e os funcionários a trabalhar mais, ou, porém propiciar situações que lhes permitam aprender a pensar e a realizar o fazer pedagógico de forma coerente com qualidade em todo o processo vivido. Princípios norteadores do projeto político-pedagógico Princípios que deverão nortear a escola democrática, pública e gratuita tendo: * a igualdade no ponto de chegada deve ser garantida pela mediação da escola. * A qualidade para todos. Implicando em duas dimensões indissociáveis: a formal ou técnica e a política. A escola de qualidade tem obrigação de evitar de todas as maneiras possíveis a repetência e a evasão. Qualidade "implica consciência crítica e capacidade de ação, saber e mudar" (Demo 1994, p.19). Essa distinção clara entre fins e meios é essencial para a construção do projeto político-pedagógico. * a Gestão democrática consagrada pela Constituição vigente, abrange as dimensões pedagógica, administrativa e financeira exigindo uma ruptura

histórica na prática administrativa da escola.

Seu compromisso implica a

construção coletiva de um projeto político-pedagógico ligado à educação das classes populares. Tendo em vista a socialização do poder permite a prática da participação coletiva, a reciprocidade, solidariedade e autonomia de órgãos executores no caso a escola, anulando a dependência de órgãos intermediários que elaboram as políticas educacionais. * A Liberdade está sempre associado à idéia de autonomia. Segundo Heller A liberdade é sempre liberdade para algo e não apenas liberdade de algo. Com efeito, ninguém pode ser livre se, em volta dele, há outros que não o são! * A valorização do magistério princípio central na discussão do projetopolítico pedagógico. Com articulação entre instituições formadoras, agências empregadoras, ou direito de aperfeiçoamento profissional permanente. A formação continuada deve estar centrada na escola através: do levantamento de necessidades, programa de formação, conteúdos curriculares, à discussão da escola como um todo e suas relações com a sociedade. Para Veiga e Carvalho O grande desafio da escola, é ousar assumir o papel predominante na formação dos profissionais. (1994, p.50). A dominação no interior da escola efetiva-se por meio das relações de poder que se expressam nas práticas autoritárias e conservadoras e formas de controle existentes no interior da organização escolar. Os princípios analisados e o aprofundados dos estudos do trabalho pedagógico contribui para a compreensão dos limites e das possibilidades dos projetos político-pedagógicos. Construindo o projeto político-pedagógico O projeto político-pedagógico é entendido, neste estudo, como a própria organização do trabalho pedagógico da escola. Uma nova organização sob a construção do projeto político-pedagógico é um instrumento de luta, uma forma de contrapor-se à fragmentação do trabalho pedagógico e sua rotinização. Passando pela reflexão anteriormente feita sobre os princípios constitutivos da organização trará sete elementos básicos: as finalidades da escola, a estrutura organizacional, o currículo, o tempo escolar, o processo de decisão, as relações de trabalho, a avaliação.

Finalidades • Das finalidades estabelecidas na legislação em vigor, o que a escola persegue, com maior ou menor ênfase: > finalidade cultural para compreensão da sociedade em que vivem > finalidade política e social; participação política; cidadania > finalidade de formação profissional a compreensão do papel do trabalho > finalidade humanística, o desenvolvimento integral da pessoa É necessário decidir, coletivamente, o que se quer reforçar dentro da escola. Para isso é necessário determinar as finalidades e a intencionalidade educativa que propiciará a autonomia da escola criando sua identidade. Estrutura Organizacional A escola, de forma geral, dispõe de dois tipos básicos de estruturas: administrativas e pedagógicas. Administrativas - Locação e gestão de recursos humanos, físicos e financeiros. Pedagógicas - "organizam as funções educativas, interações políticas, às questões de ensino-aprendizagem e às de currículo. A análise e a compreensão da estrutura organizacional da escola É necessário questionar os pressupostos que embasam para romper com a atual forma de organização burocrática que regula o trabalho pedagógico – pela conformidade às regras de obediência a leis e entre os que pensam e executam á fragmentação e controle hierárquico. Currículo Currículo é uma construção social do conhecimento, pressupondo a sistematização dos meios para que esta construção se efetive; produção, transmissão e assimilação. Neste sentido, o currículo refere-se à organização do conhecimento escolar. Necessita de uma reflexão aprofundada sobre o processo de produção do conhecimento escolar, uma vez que ele é, ao mesmo tempo, processo e produto.

O currículo não é um instrumento neutro. A determinação do conhecimento escolar, portanto, implica uma análise interpretativa e crítica, tanto da cultura dominante, quanto da cultura popular. O currículo não pode ser separado do contexto social, uma vez que ele é historicamente situado e culturalmente determinado ao tipo de organização curricular que em geral é hierárquica e fragmentada buscando novas formas de organização curricular, em que o conhecimento escolar (conteúdo) estabeleça um relação aberta e interrelacione-se em torno de uma idéia integradora. A esse tipo de organização curricular, o autor denomina de currículo integração. À questão do controle social, é instrumentalizado pelo currículo oculto, entendido este como as "mensagens transmitidas pela sala de aula e pelo ambiente escolar" (Cornbleth 1992, p. 56). Para Moreira (1992), controle social não envolve, necessariamente, orientações conservadoras, coercitivas e comportamental, subjacente ao discurso curricular crítico encontra-se uma noção de controle social orientada para a emancipação. Orientar a organização curricular para fins emancipatórios, desvelar as visões simplificadas de sociedade e de ser humano na visão crítica, é uma contribuição e uma ajuda para a contestação e a resistência à ideologia veiculada por intermédio dos currículos escolares. O tempo escolar O calendário escolar ordena o tempo: A organização do tempo do conhecimento escolar é marcada pela segmentação do dia letivo, e o currículo é, conseqüentemente, organizado em períodos fixos de tempo. O controle hierárquico utiliza o tempo que muitas vezes é desperdiçado e controlado pela administração e pelo professor. Quanto mais compartimentado for o tempo, mais hierarquizadas e ritualizadas serão as relações sociais. Segundo Enguita (1989, p. 180) a organização habitual do horário escolar ensina ao estudante que o importante não é a qualidade precisa de seu trabalho, a que dedica, mas sua duração. Com a distribuição do poder e da descentralização do processo de decisão, a participação política de todos os envolvidos com o processo

educativo da escola sugere processos eletivos de professores, grêmio estudantil, processos coletivos de avaliação etc. As relações de trabalho Calcadas nas atitudes de solidariedade, de reciprocidade e de participação coletiva, O esforço em gestar uma nova organização levam em conta as condições concretas presentes na escola como os conflitos, tensões e rupturas. Com espaços abertos à reflexão coletiva que favoreçam o diálogo, a comunicação horizontal entre os diferentes segmentos envolvidos com o processo educativo, resulta na descentralização do poder. Avaliação Esse caráter criador é conferido pela autocrítica. Portanto, acompanhar e avaliar o projeto político-pedagógico é avaliar os resultados da própria organização do trabalho pedagógico oferecendo-o subsídios. O processo de avaliação envolve três momentos: a descrição e a problematização da realidade coletiva. A avaliação deve ser democrática, desenvolvendo a capacidade do aluno de apropriar-se de conhecimentos científicos, sociais e tecnológicos. Finalizando A reorganização da escola deverá ser buscada de dentro para fora fazendo rupturas refletindo sobre seu cotidiano. A construção do projeto político-pedagógico requer continuidade das ações, descentralização e democratização dos processos de tomada de decisão. escolar, a compreensão crítica da realidade descrita e problematizada e a proposição de alternativas de ação, momento de criação

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